Odé AmorimPROET@SIAS
Pensei que fosse    complicado escrever poesias. Um dia sentei  e deixei a mente livre,    leve e solta... Pensei  que fos...
fotos tiradasno Abaçá da Oxum,  Ribeirão Pires                                                            Apoios          ...
Os ilus..................................................5Isso de consciência...........................6Obá tinindo.........
OS ILuSOs ilus lamentam as verdades assumidasdo norte para o sul cuspidasmigalhas sobremesas consumidaspelos que aguardam ...
Isso de consciência    Corta esse cabelo, negão!    não vê que isso é coisa feia    de tão suja aparência    imunda a poss...
Obá tinindo       A cor dessa pele escorre, quase me afoga                   em cada amarga visão amarrada             do ...
OXALÁ, ÒÒSÀÁLÁ                        Oxalá, Òòsàálá          Oxalá logo entendamos nossa passada História    Òòsàálá, itá...
EXULÊNCIA     o signo – o espaço – a diferença       o deus – o agora – a bonança    pouco ou nada sem ele se fez, se faz ...
Prazer     dolorido     Somos herdeiros     escravos aos milhões espalhados     desembarcados novos americanos     desterr...
Preto brancoSou preto, parte brancomisturado, equivalenteainda escravizado e competenteirmanado ao concorrentesonhador inc...
INGOMA    Ingoma convoca nego   dança, canto, seu apelo    tradição, cultura, zelo para nunca mais chorar...         Põe n...
E por que?E por que não contam que meus ancestrais foram reis erainhas, príncipes e princesas, guerreiros e tais?E por que...
CONGO EM SILÊNCIOS              Corte e vassalos em silêncio...                  Ginga coroada, reverenciada         não é...
Artista (músico, manipulador de bonecos,                                             performer, dançarino brincante, gráfi...
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Proet@sias, livrozine de Odé Amorim

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Primeiro livrozine de poemas publicado pelo artista Odé Amorim. Novembro de 2010, como parte do evento NEGRO UNIVERSO.

Publicada em: Educação
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Proet@sias, livrozine de Odé Amorim

  1. 1. Odé AmorimPROET@SIAS
  2. 2. Pensei que fosse complicado escrever poesias. Um dia sentei e deixei a mente livre, leve e solta... Pensei que fosse difícil editar um livro. Então juntei os registros, inventeium nome - PROET@SIAS - e coloquei tudo junto... Pensei queninguém se interessaria pelo que estava matutando e dizendo.Alguém comentou: “que bacana você agora se revelando em palavras escritas”... Pensei que teria receio de apresentar o resultado publicamente. Aqui está ele e espero que você possa desfrutá-lo tanto quanto eu tenho feito... Odé Amorim novembro 2010
  3. 3. fotos tiradasno Abaçá da Oxum, Ribeirão Pires Apoios Rede ABC Estância Solidária / Ponto de Cultura CIDADÃOS ARTISTAS, FundAÇÃO KAH-HUM-KAH, ULA!, Quintal Orgânico, UNICOMLIVRE e outros grupos / coletivos ativos... dedicado a Dada e None Agradecimentos Família Eustachio da Silva /Cupertino Amorim, companheir@s de ações e ativismos, Òrìsà e Natureza
  4. 4. Os ilus..................................................5Isso de consciência...........................6Obá tinindo........................................7Oxalá, Òòsàálá................................8 ÒòsExulência............................................9Prazer dolorido...............................10Preto branco.............. .....................11Ingoma................................................12E por que?... ............ .......................13Congo em silêncios........................14Informações............. .........................15
  5. 5. OS ILuSOs ilus lamentam as verdades assumidasdo norte para o sul cuspidasmigalhas sobremesas consumidaspelos que aguardam submissoso regresso dos reis omissospais da intolerância assistencial...os ilus bravateiam a vingança pacíficarevanche cultivada e específicanegam qualquer base científicarevitalizam expressões polifônicasresignificam manifestações harmônicasresgatam o sabor ancestral...Os ilus lascam a unidade mentirosaa convivência sob a aura asquerosao irmão putrefato da mão bondosatempos atos da reconstruçãofatos falhos em reparaçãoo inerente ânimo continental...Os ilus desacatam as opressões estabelecidastambém as alienações absorvidase ainda as atrocidades “esquecidas”fenômeno da recriação diaspóricosistema democrático metafóricosobrevive o espírito informal...Os ilus normalizam a revolta emergentelivre da boçalidade, independentedo filho, da filha, do insurgentebasta ao constrangimento bolinadorque venha o tratamento pundonorno toques de meu ilu corporal... 5
  6. 6. Isso de consciência Corta esse cabelo, negão! não vê que isso é coisa feia de tão suja aparência imunda a possibilidade de decência (que vive dizendo que te falta) Assim não dá pra te pegar: não faz o perfil da empresa não tem curso que te engrandeça já não sobra oportunidade que permaneça acesa... E muda essa roupa, negão! não vê que isso de consciência tá atrasando sua permanência... Que tal um "social" para sua nova elegância? deixa de lado o cultural vem pra cá, vem ser normal Sem essa de ascensão moral ou estrutural nada de direito ao sal, nem de voz no canal6 sem diploma fundamental nunca será o tal, segue sendo a representação do mal e alegria, de verdade, somente no Carnaval... E lembre-se de uma coisa, negão: se hoje você escreve, mora, lê e até tem TV, pros seus e pra você agradeça a sorte, a atual digna morte e talvez um dia até se embeleze com o resto da realeza vinda de cima que pinga do rosto em creme que discrimina pintando a cara para que alguém lhe preze
  7. 7. Obá tinindo A cor dessa pele escorre, quase me afoga em cada amarga visão amarrada do irmão largado ao chão da História alijado pela história de não ter chão ainda porém há uma dança um baile solitário no pedestal da via em perdição de competição, em ebuliçãofavorável condição da usurpação da ação de ser... Cor não considerada na composição complexa da fala, da rima cor desconsiderada na busca perplexa nas dores da lida alieno meu tom natural com os produtos do poder capital assumo o luto de farsa, de saudade teatral na veia ocidental se te vejo não me mexo se te entendo não me enceno se há respeito não me queixo desleixos, dois meios, relentos Obá tinindo dentro da imagem mendiga vestido omisso de trapos farrapos o baile hoje é a dobra do rum que na morte da avenida ameniza sopapos dois tratos, relatos relapsos, poucos papos 7
  8. 8. OXALÁ, ÒÒSÀÁLÁ Oxalá, Òòsàálá Oxalá logo entendamos nossa passada História Òòsàálá, itá precioso, nos acompanhe em direção à vitória Oxalá possamos assim incrementar o que está por vir Òòsàálá que abençoe o árduo viver e o tenro sentir Oxalá Palmares seja presente nas novas batalhas Òòsàálá seja complacente, paciente com nossas falhas Oxalá o rum dobrado cadencie cada decisão Òòsàálá apóie o canto com sua permissão Oxalá meu sorriso afogado ilumine o caminho Òòsàálá sempre leal para que não siga eu sozinho Oxalá este ponto riscado afague os nossos pequenos Òòsàálá purifique corpos, afaste todos os venenos Oxalá ampliemos a África que permanece dentro Òòsàálá, que está ao lado, seja o centro Oxalá estejamos dispostos ao reencontro necessário Òòsàálá, a semente original e o sentido primário Oxalá nossos planos destoem do dominador poder Òòsàálá revele-nos sua imagem, o humano, o ser Oxalá a Natureza seja a força produtiva Òòsàálá, inhame novo, crença e ideia evolutiva Oxalá, Òòsàálá8
  9. 9. EXULÊNCIA o signo – o espaço – a diferença o deus – o agora – a bonança pouco ou nada sem ele se fez, se faz sem o corpo cedido, o que é eficaz? com a dúvida pungente da pregação voraz impelindo adentro o sentimento mordaz a estrada – o duplo – a dança o falo – o culto – a herança de mero pupilo a grande potência se eleva à função exata, à essência certeza pura desconsidera a prudência celebração expansiva, outrora pendência o ritmo – o cruzamento – a lembrança o homem – o engano – a andançagestuais permanentes ao léu ilustram agruras olhares correm desvelam raras ternurasdo mútuo apoio colaborativo nascem usuras da sólida relação duradoura brotam fissuras o ritual – o compromisso – a semelhança o desejo – a oferenda – a criança 9
  10. 10. Prazer dolorido Somos herdeiros escravos aos milhões espalhados desembarcados novos americanos desterrados povos africanos e tantos quantos aliviados pelo mar documentos não lidos, tragédias por ocultar orações pelos filhos da primitiva árida terra de bocas caladas, de corpos de fera seu incestuoso dízimo é ainda meu sangue escorrido contaminado gozo da benção de um prazer dolorido a negra abundância aniquilada pela alva ganância10 rompidos os séculos de transe, poluídas foram fragrâncias quem se faz rei na fraterna desgraça usufrui os recursos possuídos em estado de graça?
  11. 11. Preto brancoSou preto, parte brancomisturado, equivalenteainda escravizado e competenteirmanado ao concorrentesonhador inconsequentesubalterno insolenteda alforria descendenteviolado pelo regenteguerreiro por vezes impotentede grito parco, convalescentede mão gélida antes incandescentede palavra torta insuficienteSou branco, pouco pretoliberal sem precedentecontra cotas veementeapartheid vivo vigenteao pretocídio fielmentedou a luz, mato a sementesenhor de engenho eternamentede atos, passos e mentedevotados ao crescenteeugênico sentimento presentea eliminação do diverso dito enteque não serve, nem como sobressalente 11
  12. 12. INGOMA Ingoma convoca nego dança, canto, seu apelo tradição, cultura, zelo para nunca mais chorar... Põe na rua o padê apronta o tal quimbembê espanta seu gurufimaquece o velho quinjengue não sobra uma quizila está ansioso o guaiá na presença do axé tão sério quanto um xirê chama logo os erês abre as portas do ilê dê a primeira pungada manda embora o ioiô não é festa pra quibungo enche d´água a quartinha mostro a todos meu ixê Ingoma convoca nego dança, canto, seu apelo tradição, cultura, zelo para nunca mais chorar...12
  13. 13. E por que?E por que não contam que meus ancestrais foram reis erainhas, príncipes e princesas, guerreiros e tais?E por que não admitem que nossa beleza comove até osmais duros padrões da certeza de pureza?E por que não aceitam que nossa tecnologia, dita entãoprimitiva, causou espanto, despertou a inveja um dia?E por que não reverenciam nossos deuses de relaçõesnaturais como as que fazem falta na atual existência dosmortais?E por que não percebem que nossas culturas, as que sãomenosprezadas, formam a base de quase todas queamplamente são praticadas?E por que não compreendem que queremos apenaspreservar nossos espaços e não possuir suascaracterísticas, seus traços?E por que não assumem de vez seus tristonhos racismos,mais um elemento de sua personalidade repleta depessimismos, masoquismos, consumismos, ismos, ismos,ismos... 13
  14. 14. CONGO EM SILÊNCIOS Corte e vassalos em silêncio... Ginga coroada, reverenciada não é mais África, não é mais Brasil é lugar / tempo reinventado das trilhas afroeuroamericanas rosário sem lágrimas já enxutas a tiracolo em cena, embaixadas dramatizadas Congo e Angola em silêncio... sons multicores adornam diálogos das espadas que por vezes dançam personagens musicadas em cortejo idas e voltas coreográficas idas e voltas iconográficas suas jóias, seus trajes pomposos minha calma, acalma a escravaria Rei e rainha em silêncio... farta bebida e comida, estridente alegria irmandades, forros e mestiços Ifigênias, Beneditos e Antônios maracatu ainda é da coroa imperial assim como quilombos, bumbas, cucumbis, ticumbis... Cristãos e mouros não veem o silêncio14
  15. 15. Artista (músico, manipulador de bonecos, performer, dançarino brincante, gráfico / visual), pesquisador (culturas populares brasileiras, culturas africanas, meio ambiente), comunicador (rádio web, fanzines, blogs), educador social (cidadania, linguagens artísticas, pedagogias alternativas), produtor cultural (eventos, encontros, debates, exposições), etc. AFROECOARTIVEDUCANDOR “Um afrodescendente brasileiro que busca compreender / aprender sua essência ecológica coerente para viver e seguir praticando seu ativismo social através das artes e das culturas, num eterno de educar se educando”Carlos Rogerio Eustachio da Silva Cupertino Amorim é hoje um ser maravilhado pelaspossibilidades criativas disponibilizadas pela vida – principalmente quando as adversidades semanifestam – em seus incontáveis segmentos do saber...No campo das Artes se transforma em Odé Amorim, personagem caracterizado pelo interesseamplo em diferentes linguagens e ideias e pelo constante desejo de fundi-las, repensá-las, recriá-las. Enfim, ir além do que já está estabelecido, ir além de si mesmo. Um agradável e tranquiloprocesso de superação individual que possa estimular a superação coletiva e comunitária de seuentorno, almejando uma existência mais sustentável, libertária e prazerosa para tod@s.Artista cidadão radicado na região do ABC paulista mas com o corpo e a alma em permanentetrânsito pelo mundo, é um apaixonado pela expressão em todas as suas nuances, suas formas, suasideologias e oportunidades ofertadas – as de autoconhecimento, as afetivas, as educativas, ascomunicativas, as integrativas, entre tantas outras. Em sua consciente carreira (que já seaproxima de 2 décadas) já esteve envolvido em inúmeras experiências. Um caminho sem fim, do qualnão se pode desvincular, iniciado muito cedo em família dentro de suas crenças religiosas doCandomblé.... ASÉ / Carpe Diem 15
  16. 16. Projeto OFICINATIVA Caixa Postal 73 Ribeirão Pires, SP CEP 09400 970projetooficinativa@hotmail.comwww.oficinativa.blogspot.com

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