O slideshow foi denunciado.
Utilizamos seu perfil e dados de atividades no LinkedIn para personalizar e exibir anúncios mais relevantes. Altere suas preferências de anúncios quando desejar.

Coletânea HADITHI NJOO 11

129 visualizações

Publicada em

Décima primeira coletânea de afrohistórias e outros escritos organizada pelo Festival Internacional de AfroContação de Histórias HADITHI NJOO. Especial Angola. Mais informações em www.festivalhadithinjoo.blogspot.com.br.

Publicada em: Educação
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Coletânea HADITHI NJOO 11

  1. 1. HADITHI NJOO organização: Odé Amorim Projeto OFICINATIVA março 2018 décima primeira coletânea de afrohistórias (e outros escritos) especial ANGOLA
  2. 2. AfroEscola Laboratório Urbano Avenida Atlântica, 904 Valparaíso, Santo André, SP CEP 09060 001 projetooficinativa@hotmail.com www.oficinativa.org Imagens dessa edição: Internet; materiais consultados Sobre Embondeiros……………...……3 Quem são os Mbom Mvet?..........…....4 A lenda do Bumba...………………......5 O Caninguili.............………..................6 Os Nkisi..................……….....................7 Chibinda Ilunga…...…….…………….8 Kalunga / Os Mukungu………..……..9 Provérbios angolanos...........…...........10 AfroImagens………………………….11 materiais consultados: - coleção “Angola en el Corazón“, Casa Editora Abril - El Libro de Oro de la Literatura Infantil Angolana, Editora Gente Nueva - livro Poesía Anónima Africana (tomo I), Rogelio Martiínez Furé Nesse ano de 2018 começamos com toda a energia e desejamos retomar com força a prática das afronarrativas, aqui, ali, acolá. Essa edição de número 11 é em homenagem a Angola, país africano que influenciou e influencia o Brasil e nossas culturas e dinâmicas afro em constante efervescência. AfroAbraços Odé Amorim
  3. 3. Coletânea de AfroHistórias HADITHI NJOO # 3 # Sobre Embondeiros Os Sobas dizem que Embondeiros já nascem velhos e talvez tenham razão. No meio da savana contemplam o mundo com o vagar da experiência, econômicos em gestos: nem sequer se agitam ao vento... Outra lenda africana conta que o Embondeiro, por ter inveja das outras árvores, foi castigado pelos deuses e posto de cabeça para baixo. Os árabes contam algo parecido: dizem que o "Diabo desenterrou o Embondeiro, enfiou os ramos na terra e deixou as raízes no ar". Olhando para ele, compreendo o porquê destas histórias. O tronco bojudo, os galhos retorcidos que mais parecem raízes, os frutos secos que pendem enormes, o contraste da árvore com os tons do pôr do sol que evoca um teatro de sombras... Deus ao criar o mundo presenteou cada animal com a semente de uma árvore e estes tinham a missão de espalhar o “verde” por todos os lados. Por azar do Embondeiro o babuíno ficou com suas sementes. O macaco conhecido por sua curta inteligência e grande preguiça simplesmente jogou as sementes atrás de suas costas que acabaram plantadas de ponta cabeça. Vem daí a aparência das raízes terem crescido para o céu e a suposta copa da árvore ser invisível por estar enterrada... Sobre a árvore dizem que antes da chegada do homem branco uma phyton adorada pelos nativos vivia dentro do tronco oco da mesma. Os nativos pediam a serpente por chuva, boas colheitas e boas caças e sempre eram atendidos. O primeiro caçador branco na África matou a phyton e as consequências foram desastrosas. Até hoje os nativos dizem ouvir durante as noites o sibilar da cobra perto da árvore...
  4. 4. Quem são os Mbom Mvet? Angola é um país rico. Rico em petróleo, em gás, em minas de diamantes, em recursos hídricos, em madeiras, mas depois de tantos séculos de saques coloniais parece uma terra pobre, onde podemos até encontrar povoados sem energia elétrica ou água potável, onde o acesso é complicado pelas vias comuns e não há rádio nem televisão. Quando cai a noite, os moradores dessas localidades afastadas das grandes cidades se reúnem com um narrador de histórias. Quem possui esse dom é muito respeitado e valorizado porque sua arte mantém unida a comunidade - tanto a presente como a ancestral. No norte de África os narradores de contos são chamados Griôs. Eles sabem compartilhar as histórias que as pessoas precisam, são ávidos executores dos antigos conhecimentos de um povoado. Também sabem cantar e guardam em suas prodigiosas memórias grandes quantidades de provérbios. Entre os Bantu os narradores são chamados Mbom Mvet, tocam instrumentos de cordas acompanhados pelos ritmos de pequenos sinos presos às pernas e levam notícias de aldeia em aldeia. Os Mbom Mvet conhecem e divulgam as lendas mitológicas, são poetas tribais que se expressam com voz desgastada sobre espíritos e heróis, poderes e fetiches / feitiços. São propagadores dos saberes ocultos que estão intimamente ligados à Natureza. Por vezes, são a própria encarnação de um elemento mágico de uma determinada geração. Coletânea de AfroHistórias HADITHI NJOO # 4 #
  5. 5. Coletânea de AfroHistórias HADITHI NJOO # 5 # A lenda do Bumba Para os antigos habitantes do Reino do Congo, situado desde o Gabão no norte até o Rio Kwanza no sul, e desde a Costa Atlântica até o Rio Cuango, no leste, Bumba foi o deus criador. Dizem os antigos Bacongo que quando no princípio apenas haviam escuridão e água sobre o mundo, Bumba ficava entediado. Um belo dia, sentiu dores no estômago e vomitou o Sol. Assim se secaram muitas regiões que estavam cobertas pelo Mar. Pouco depois Bumba vomitou a Lua e as Estrelas. Logo a Lua também teve sua luz. Como o deus seguia doente, vomitou mais 9 seres: um Leopardo, uma Águia, um Crocodilo, um Peixe, uma Tartaruga, uma Graça Branca, um Besouro, uma Cabra e um Raio chamado Tsetse. Cada um deles gerou os animais que hoje conhecemos: do Crocodilo vieram os répteis; do Besouro nasceram os insetos; do Peixe, os demais habitantes aquáticos; do Leopardo, as feras e assim por diante. Além disso, Bumba teve 3 filhos: Nyonye Ngana, Chonganda y Chedi Bumba. E eles ajudaram a obra de seu pai. Bumba estava muito contente mas o Raio Tsetse andava criando muitos problemas, então o deus decidiu aprisioná-lo no Céu – de onde, às vezes, tenta escapar. Como Tsetse foi mandado às alturas, os homens ficaram sem fogo e começaram a se queixar. O criador então ensinou a todos como produzir fogo a partir dos galhos secos de árvores. E quando o mundo estava completo, Bumba, o deus dos Bacongo, passeou satisfeito e disse aos povos e aos homens: - “Olhem todas essas maravilhas. Tudo pertence a vocês”. Por isso, Bumba é considerado “o primeiro ancestral”.
  6. 6. Coletânea de AfroHistórias HADITHI NJOO # 6 # O Caninguili Era uma vez um pássaro chamado Cachindjondjo, pequenino e belamente colorido, que tinha um ninho com filhinhos. Este lindo pássaro, que se alimenta do sumo das flores - e por isso lhe chamam beija-flor - um certo dia viu o seu ninho ocupado por um grande gafanhoto, que na língua dos Bailundos é conhecido pelo nome de Loluhuma. O gafanhoto de grandes asas, abertas e encarnadas, ocupava todo o ninho. Por isso o Cachindjondjo, o pequenino beija-flor, não podia dar de comer aos seus filhinhos. Ao ver o ninho tapado pelas asas do Loluhuma, o Cachindjondjo ficou arrasado e começou a cantar tristemente: E o Cachindjondjo chorou, muito chorou chorou porque a coisa estranha na sua casa entrou O Caninguili, ao ouvir chorar o Cachindjondjo, foi imediatamente junto a ele e disse: - “Não tenhas medo, não te aflijas, que eu vou fazer sair do teu ninho o estranho que nele se instalou abusivamente”. Dito isto, começou a voar para o alto cantando “tié... tié... tié...”. E voando e cantando foi até às nuvens. Depois num voo picado, mais rápido do que o de uma águia quando apanha um pinto, deixou-se cair como uma bala direto ao ninho. Esta queda produziu um ruído tão sibilante que o Loluhuma ao ouvi-lo julgou ser algo perigosíssimo que se aproximava e o ameaçava. Deu um salto e fugiu do ninho. O Cachindjondjo foi dar de comer aos seus filhinhos muito queridos e todos voltaram a viver em harmonia. O Caninguili, um pássaro da região do Mungo, desde então anda por terras angolanas ajudando a todos que estão em perigo e avisando sobre os animais traiçoeiros que estão por perto. Por isso, é amado e ninguém o caça.
  7. 7. Coletânea de AfroHistórias HADITHI NJOO # 7 # Os Nkisi São os espíritos da Natureza que qualquer Bantu pode reconhecer pelas mensagens enviadas através dos Nganga. A palavra NKISI significa “serpente” e se usa para designar grande parte das forças naturais. De acordo com os Luango, os Bakinga e os Mayombe, o Arco-Íris é um Nkisi, “uma grande serpente que surge da água e escala o árvore mais alta quando quer fazer a chuva parar”. Outro Nkisi é o Raio / Relâmpago que cai na Terra em forma de cachorro preto ou vermelho chamado Nzazi. Ele se sacode e despenca lá do Céu, emite um uivo mortal quando toca a superfície do planeta e no latido seguinte, torna a subir. O Mar é também Nkisi, chamado Njambi Karunga, e seu espírito é o de maior hierarquia entre os Herero.
  8. 8. Coletânea de AfroHistórias HADITHI NJOO # 8 # Chibinda Ilunga Essa personagem da mitologia dos Chokwe, uma das etnias de Angola, é um herói cultural e grande caçador. Dizem as sagas épicas que ele foi o fundador do Reino de Lunda. De sua linhagem descenderam os soberanos desse povo. Segundo sua lenda, Chibinda Ilunga era filho do Rei Luba Kalala Ilunga. Numa ocasião, enquanto realizava uma tarefa de caça bem longe de seu território, adentrou os limites da Princesa Lweji, soberana dos Lunda. Ambos, que eram muito jovens, se apaixonaram e Chibinda Ilunga presenteou sua amada com armas de metal e outros itens para que caçasse ainda melhor. Logo tiveram um filho que recebeu o nome de Mwata Yamvo. Esse garoto se transformou no primeiro Rei Sagrado do novo Reino Lunda, por volta do ano de 1600. Chibinda Ilunda é sempre representado com atributos próprios de um caçador: fuzil, bolsa de munições e punhal. Conta ainda a sua lenda, que estava protegido constantemente por 3 espíritos que o ajudavam a encontrar as presas. Carregava sempre um chifre de antílope recheado de substâncias mágicas que o resguardava e um cajado no qual pendurava, a cada parada, a cada descanso, objetos que garantiam seu sucesso nas empreitadas. Seu curioso adorno de cabeça se chama Cipenya Mutwe. A enorme barba é para ressaltar sua força, sua energia e sua capacidade de se impor.
  9. 9. Coletânea de AfroHistórias HADITHI NJOO # 9 # KalungaEle é o deus ancestral dos Lunda que dominaram Angola, Zaire e Zambia. Kalunga-Ngombe é hoje muito poderoso, vê e sabe tudo, e nele creem os Bantu de Angola. É o juiz dos que morrem e está relacionado ao submundo. Para quem nele crê é inevitável, ao fim da existência, o encontro com Kalunga, reconhecido como o Senhor da Morte. Suas decisões se caracterizam por compaixão e sabedoria. Mas o mais sensato é levar uma vida correta e justa pois, em caso contrário, esse deus supremo dos céus e da criação pode exercer sua autoridade e castigar pela eternidade aos que tiveram uma passagem terrena indigna. O culto a Kalunga por parte dos Quimbanda, se denimina Kimbanguismo ou Kimbandismo. Todos os Nganga (chefes feiticeiros) realizam rituais de sacrifícios animais, entre eles com touros, cabras, galos gatos e galinhas. Os Makungu Assim é como se chamam os fantasmas familiares ou ancestrais divinizados dos Bantu. O plural é Makungu, o singular Kungu. Sempre se despedem dos familiares que falecem com a convicção de que seus espíritos regressarão à Terra. Os fantasmas das crianças são chamados Vinyambela e dos adultos Mwenw Mbago. São esses espíritos os senhores da mata e tem mais poder que um Kungu normal. Dizem que a raiz Kungu se transformou em Congo e essa palavra identificou o antigo reino conhecido ao norte de Angola.
  10. 10. Coletânea de AfroHistórias HADITHI NJOO # 10 # Provérbios angolanos "Sejamos como os filhos da paca, comamos num mesmo lugar" "Uma amizade verdadeira se faz com pequenos gestos" "Um tatu vive num buraco, uma pessoa vive numa casa" "Da ferida alheia se sente o cheiro e nunca a dor" "Duas pessoas nunca comem galinha sem sal" "Corpulência é apenas corpulência, do Embondeiro não brotam abóboras" " Lavar a cabeça do macaco é desperdiçar sabão"
  11. 11. Coletânea de AfroHistórias HADITHI NJOO # 11 # Crianças de diferentes etnias angolanas Materiais consultados nesta edição e disponíveis em nossa AfroTeca
  12. 12. _____________________________ www.festivalhadithinjoo. blogspot.com.br ____________________________ "Hadithi Njoo" significa "história vem" ou "que venha a história". É uma expressão em suaíle (swahili / kiswahili) utilizada no leste africano - Quênia, Uganda, Tanzânia, Congo - por contadores tradicionais quando iniciam suas intervenções: hadithi, hadithi, hadithi njoo! (história, história, eles dizem, que venha a história, responde o público). “Os pais que não contam contos a seus filhos vão ficar carecas...“

×