Livro Itinerância Poética

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É com imenso prazer orgásmico que compartilho este livro primeiro, de forma livre em pdf, para que possamos circular, também por vias digitais esta produção, sendo assim, peço aos amigos e irmãos do mundo da poesia e das narrativas outras nos ajudem a circular esta obra por onde for...

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Livro Itinerância Poética

  1. 1. Salvador, março de 2013 Projeto Gráfico: Tiago Ribeiro Capa: Flávio Oliveira - Flos Revisão: Laura Castro e Lucas Bronzato Impressão: Gráfica do João Pará
  2. 2. ITINERÂNCIA POÉTICA Guilherme Salgado
  3. 3. Livro Primeiro ITINERÂNCIA POÉTICA Guilherme Salgado édtóra
  4. 4. Ser artista é ter concessão pra loucura, sem ser estigmatizado como louco na sociedade contemporânea...
  5. 5. Prefácio “Tu é aquele que vê a miragem e gosta de acreditar no que vê”. Começo assim recorrendo à poesia mineira pra falar desse mineiro amigo-poeta. Me diz onde encontrar o equilíbrio para falar desse amigo sem poder exagerar, como o afeto permite; e também não deixar faltar porque tua modéstia exige? Há alguns anos fui convidado por um amigo poeta pernambucano para fazer a capa do seu primeiro livro de poesia, e hoje menos jovem sinto a mesma emoção em fazer o prefácio do seu primeiro livro. Assim, caro leitor, de antemão quero te prevenir pra não prevenir-se, é necessário apenas querer estar apto a receber uma enxurrada de vontades, uma tempestade de desejos e um chamado para um universo de possibilidades. Mas, neste caminho de flores e cores, cabe espinhos, e quem costuma ferir pode ser ferido com essas palavras acessas e pulsantes.
  6. 6. Então, cada um no seu recanto, receba esse grito-canto de algo que mesmo que não lhe caiba, foi feito na medida pra você. E tantos quanto, outros títulos caberiam como título dessa obra. Exemplo: “desnudando”, pois esses versos que tu trás te trazem nu, transparente, nítido. E, se o título fosse “testamento”, também o contemplaria! Ainda se escolhesse “canto dos livres” traduziria teus versos sussurrando, gritando, tramando por liberdade! Assim, somos presenteados com cada letra, com cada palavra, com cada verso silencioso,como toda palavra escrita é. Mas, que ecoará no mais profundo de cada um de nós. Sendo necessário e urgente termos corações férteis para que essa semente de sentimento e sonhos germine em cada um de nós e se torne frutos e sementes novamente. Helder Gonçalves Beserra
  7. 7. Referências e Agradecimentos Sempre pensei num dia possível de lançar um livro, que minhas referências, des-com-nexas, viriam antes de mim ou junto ao meu tempo presente, e é por isso que decidi colocá-las em primeira página. Seguem então, não em ordem de importância, mas apenas pela desordem da memória: Aos meus geradores e criadores Lúcio e Tita, a meu irmão Lucas, familiares e amigos consanguíneos, da terra de origem, que me sustentam em princípios de vida e cuidado com o outro... às montanhas gerais com seu povo terno e gentil... Aos novos familiares, amigos, irmãos reconhecidos nos encontros das caminhadas e dos caminhos, em especial a família do Santo Antônio e vezeiros do bairro, a Salvador e a nossa Bahia, ao Nordeste, África e América Latina... Em especial aos irmãos Helder Bezerra (prefácio e revisão) e Vielka Lins, Lucas Bronzato (revisão e crítica), Laura Castro (revisão e crítica), , Flávio Flos, Tiago Fulano (diagramação e arte visual) e Rafael Alemão (arte em movimento-lançamento), Orlando Pinho, Ana Lú, Ênio,Tuca, Carlos Silvan, Tiago Parada, Patrícia, Ademir, Dora e aos que por hora não lembrei de digitar. Aos poetas e poetisas que me inspiram e inspiraram, lembrando alguns: Damário da Cruz, Jorge Conceição, Carlos Drummond Andrade, Neruda, Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Florbela Espanca, José Martí, Tiago de Melo, Tiago do Sto Antônio, Tolstói, Dei, Ray Lima, Lutgarde, Jocélia, Clécia, Irmão Helder, Lu-
  8. 8. cas Braga, Alberto Lima, dentre outros tantos poetas e poetisas vivos, mortos e latentes... Aos amig@s do Bloco De Hoje a Oit8, aos poetas e poetisas do universo do samba e outras manifestações da cultura popular brasileira, como Nelson Cavaquinho, Cartola, Catoni, Paulo César Pinheiro, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Walmir Lima, Ederaldo Gentil, Reginaldo de Itapuã, Cacau do Pandeiro, Batatinha, Lia de Itamaracá, Gonzaguinha, Luiz Gonzaga, Belchior... A teóricos/escritores/filósofos/figuras históricas/artistas como Paulo Freire, Milton Santos, Guimarães Rosa, Amedeo Modigliani, Joseph Beuys, Espinoza, Eduardo Galeano, Marx, Fucoalt, Henry Toreau, Eduardo Galeano, Margarida Maria Alves, Rosa de Luxemburgo, Frida Kallo, Jesus Cristo, Emiliano Zapata, Ernesto Guevara, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Antônio Conselheiro... Ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), ao Exercito Zapatista de Libertação Nacional (EZLN-Chiapas, México), aos movimentos de luta anti-manicomial, aos movimentos de luta por moradia, a todos movimentos em defesa da dignidade e libertação dos sujeitos individuais e coletivos e pela justiça social... As mulheres com quem vivi e as que convivo, minha sincera gratidão por me ensinarem a ser mais... As crianças, aos chamados loucos, ou seja, aos livres, aos artistas arteiros, aos ancestrais, a arte livre, a potência criativa libertária e a vida/natureza pra além dos humanos...
  9. 9. As mulheres e homens simples do cotidiano de vida, que a cada conversa/encontro me ensinam... Aos mistérios da vida, Aos deuses e deusas presentes em cada um de nós, As cores, Cheiros, Sensações, Aos elementos da vida, Dores, afetos e sabores, As espiritualidades, Presença do todo em nós e de nós no todo... Como uma “amálgama caótica” como um “ser rizomático”, “sem início, meio ou fim”, como imagens oníricas, estes escritos “desorganizando-se, organizam-se” em conflitos e desejos de “sonhos possíveis” e “inéditos viáveis”, um emaranhado de denúncias, renúncias e anúncios a partir do “tempo presente” e de encontros com “homens e mulheres e outros seres presentes”. E como versa o amigo Luís Parras “poesia é o desenho de quem não sabe escrever”, sendo assim, seguem os rabiscos, boa leitura, ou melhor, boa viajem conjunta. Guilherme Salgado Salvador, 25 de fevereiro, 2013.
  10. 10. O ser e os tempos
  11. 11. GENTE Gente, Quero ser gente, Somente gente, Ser. Não quero mais me vender, Quero me doar. Não quero mais ter que ir, Somente rir. Não quero muito pensar Quero viver, sentir, Cuidar, semear,colher, Amar, construir, Ser, gente Gente, ser.
  12. 12. CONSUMO Consuma consumidor, Consuma sem parar, Sem parar pra pensar, Sem parar pra agir, Sem parar pra viver. Consuma tudo o que puder, Consuma a matéria, Consuma o corpo, Consuma a mente Consuma o outro. Consuma de acordo: com tua necessidade, Com teu direito, Com tua coragem, audácia... Consuma de acordo com teus “desejos”. Consuma rápido, Consuma logo, Antes que te consumam, Ou antes mesmo que você se consuma... 09 de maio, 2009.
  13. 13. DESACELERAÇÃO Ao me distanciar do corrido “presente”, Consigo, desacelerando, me aproximar dos sentidos... Assim, sinto a existência no simples, no belo, no poético Enxergando os simples movimentos que compõem as relações e o mundo... Tenho conseguido admirar a suavidade desta tarde chuvosa, O gosto leve da janela entreaberta, A confortável sensação do lento caminhar da vida! 28 de abril, 2011.
  14. 14. PRESSA NA HORA A hora que nasce Que cresce Que tinge e remexe A hora que urge, Que pede, anuncia, Vira, acontece. Tem hora de nascer, Por que não de morrer? De renovar, De se reintegrar? Viva a hora Que vem chegando Hora do futuro, Futuro este Vivido no presente No hoje, no agora E pra não perder mais tempo Bem devagar, sem pressa, No passo necessário pra cada qual... Salvador, manhã, 14 de agosto, 2010.
  15. 15. SERES, COISAS E PESSOAS O que será o Ser dos Seres? Por que muitas vezes deixamos de ser e viramos pessoas? Pessoas são? Coisas são pessoas? Já vi coisas virar pessoas, mas nunca as vi serem... Sei que algumas vezes, mesmo sem querer acreditar, Pessoas, que nascem pra serem, virarem coisas... Espero testemunhar ou imaginar que, num dia em que as coisas sejam apenas coisas, E que as pessoas, possam seguir o caminho de serem seres... 18 de abril, 2011.
  16. 16. E OLHA LÁ Sem tempo pra respirar Com pressa pra trabalhar Tá na hora de dormir Acorda que já vai começar Correria pra lá Cansaço prá cá Bora comer logo Não se pode parar Sem tempo pro amor, Sem tempo pra cuidar, Lazer? Quanto mais brincar. Tomar umas com os amigos? Só quando o fim de semana chegar E olha lá Sentar e distraidamente conversar? Só quando de férias se está, E olha lá... Como drogas, Prazeres da vida Preenchem as brechas de nossos “compromissos”, Como se fossem prêmios, Por nossos sacrifícios e penitências cotidianas. Viver,
  17. 17. Hoje amar, Claro, Se algum tempo sobrar , E olha lá.
  18. 18. SOU... ... O QUE PRECISA SER? Sou o que precisa ser Sou operário Sou pedreiro Camponês e jardineiro. Sou o que precisa ser, Do que precisamos hoje? Educador, palhaço ou cantor? Quem sabe? Sapateiro, curandeiro e agricultor? Quem sabe? Sou o que precisa ser, Sou folclorista, Contador de casos, Tocador de côco, equilibrista e animador. Sou o que está sendo, O oco do mundo, O canto do beija-flor... Trovador... 13 de outubro, 2011.
  19. 19. DESCANSO PRODUTIVO Quero mais fim de semana, Quero mais tempo livre, Quero mais sábado na segunda-feira, E domingo na quarta, Feriado, férias, aposentadoria hoje, na plena idade, Na verdade, não quero mais é segunda-feira, Nem relógio capataz, Quero folga, espaço, ócio... Pra me integrar à vida e produzir amorosamente, Encontros, desejos, necessidades, alegrias e generosidades. 26 de abril, 2011.
  20. 20. Morte e Loucura
  21. 21. LINHA TÊNUE Caminho sobre a estreita fronteira Entre a sanidade e a loucura. Uma linha imaginária Realmente fina, frouxa e bamba. Não sei se são dois lados. Acredito que tenha Um pouco em cada lugar E um pouco de lugar em cada uma. Só sei que lá a gente é livre, A gente é da gente.
  22. 22. DE, SOBRE CRISES ... Do Caos pode se ver a luz, Das amarras lembro-me ruptura, Como as águas do mar no arrebento das barreiras. A crise que nos rodeia, Talvez seja a chance de pensar, Qual seria mesmo o caminho? Oportunidade de repensar no agir! Opa crise querida, Venha com todo o vapor, Tão temida, não sei porquê? Ou melhor, talvez saiba por quens... Éhhh vida, vida, vidinha, Melhor que remediar, É rever o que queremos, No ser com no mundo. Mundo este feito de Joãos, Marias e Fernandos, De Joséfas, Carlitos e Solanges, Tantos nomes, tantas vidas, tantas horas Lá pelas tantas, o que temos de sustento, ou melhor, O que temos sustentado?
  23. 23. MORTE Caminhando doce e suave ao meu lado, No vai e vem de uma vida sem sentido, Com a dor que corta a alma, Pela falta dos teus seios, Pela falta do sentido de continuidade da vida, Pela tristeza de um caminhar solitário. Quantos motivos temos pra morrer? É preciso ter motivo pra isso? Talvez sem motivo tenhamos vontade, Uma súbita vontade de morrer, Nem que se for aos poucos, Pelo consumo livre e destemido de drogas, Pelo alvorecer da madrugada lisa, Sem sentido de criar e recriar, Nas miudezas DO COTIDIANO “SELVAGEM”, Éhhh morte, venha me buscar quando eu estiver pronto, Mas não demore a chegar, Pois acho que não agüento mais de dor, Dor da alma, dor da vida, dor da humanidade, Dor da natureza, dor do social, Dor da ignorância, dor da competição, Dor da disputa, dor da loucura que nos cerca e que nós cercamos, Puta dor, dor de puta, puta da dor, que nos emputece pela vida prostituída... 19 de outubro, 2008. 23h51.
  24. 24. TRANSFORMAÇÕES DE ENERGIAS Na noite quente e seca, Vejo meus olhos no reflexo do visor, Vagando frio e paciente, Pelos fluxos inimagináveis. De onde é? De onde é que é? Esta menina de três cores, Que de presente eu recebi! De onde é, não “há” como saber Mas de quem veio posso afirmar, Ela veio de muito perto, Mas um perto que não dá pra ver. Opa, cadê ela? Já estás pela metade, Onde serás que ela foi? Pra dentro deste poema? – Talvez, Creio que prá vários outros lugares... Não tem hora nem lugar, Nem agito, ou menos solidão, Onde ela não possa transformar, Fluidos negativos, em brisa do mar... Santa Bárbara do Oeste, 02 de maio, 2009.
  25. 25. O LOUCO EM MIM Louco por vocação Louco de amor, Louco de emoção, Louco a produzir. De duas, uma, Ou explodo comigo mesmo, Com as pessoas e com o mundo, Ou liberto o louco que há em mim...
  26. 26. QUEDA LIVRE Meu ser cai num abismo Como as letras caem neste poema Meu corpo despenca a uma velocidade nunca alcançada Me perco de mim Nasço, morro e renasço A cada instante um novo suspiro Parece ser uma queda com poucos obstáculos Um alto despencar de um pico Mas é isso,pelo menos é queda livre Ou me parece ser Uma queda somada a fantasia De fingir não sofrer De Livremente amar a liberdade minha no outro.
  27. 27. Estados, Críticas, Elogios
  28. 28. ESTADO Estado de estabilidade Estado histórico de dominação Estado de massacre ao novo Estado de aprisionamento da liberdade Tudo em nome do Estado Quem é o Estado se não o Controle, a Polícia? Quem escreve a Lei, quem executa, quem julga? Quantos falam em nome do povo sem nunca terem sido povo? Pela revolução dos pensares e agires de indivíduos e suas coletividades... Ex-tado, Estando, Sendo... 06 de dezembro, 2010. Após ver o filme: Danton, o processo da revolução.
  29. 29. MONTANHAS, O CAMPO Eu vejo um nordeste Querer ser sudeste. Uma Bahia almejando Ser São Paulo. Uma São Paulo sonhando Em ser Nova York. Um Brasil operando Em direção à Europa. Eis o brinde da globalização. O caminho do “desenvolvimento”. Cada vez mais modernidade. Juntos, estresse e depressão. Ficar nestes lugares e resistir? Lutar contra? Se adaptar? Cada vez mais tem tocado o sino nostálgico, Da paisagem bucólica, Das montanhas calmas e simples, Do leste de Minas Gerais... Vida pacata, Tempo no tempo, Dia e noite, Cachoeira, fogueira Prosa, mato e violão. Mortes de morte morrida. Vidas de vida sentida, vivida. Feira de Santana, outono de 2010.
  30. 30. JOÃO PESSOAS João, pessoas Pessoas como Joãos. Tantos Joãos , nesta João Pessoa. Que fortemente, de Marias, Margaridas, Alves, Compõe o cenário deste belo, Esquecido, forte Nordeste. Belo por sua gente, Esquecido pela “história” dos que exploraram, Forte como raiz profunda, Que fortalece seu ser no diálogo com o sol. Para além de temores, Prá lá de Histórico, Pra sem fim de bonito, Paraíba, Paradigmas, Paraíso, Para o mundo. João Pessoa, junho de 2011.
  31. 31. BURGUESIA Assim como: “miséria é miséria, em qualquer lugar” Burguesia e comportamentos burgueses São podres, Patéticos, Necrófilos, Sem “brilho” Em qualquer lugar. Uma vez morta, Ainda se torna necessário o “extermínio”, Te todo o seu lócus ideológicus... Pra que ninguém mais, Possa chegar onde Já mais, não existe.
  32. 32. PARA DRUMMOND, NERUDA, MARTÍR, FREIRE E AFINS Entre poetas, vidas, Poesias, sentidos América-latina, unidade. Fronteiras abaixo, Força e comunhão, Enfrentamento ao imperialismo. Nos nacionalistas críticos, Internacionalistas solidários. Na aliança com nossa mãe África Nosso sul, nossa multicultura. Índios, negros e caboclos Sujeitos que extraem da histórica opressão, Belezas amorosas para o grito de libertação.
  33. 33. PRA SEMPRE, SEM TERRA Na luta, nos campos Na cidade adormecida Pelas estradas e caminhos Entre lonas e caminhões Seguem, homens e mulheres Crianças , adultos e idosos Gente como a-gente, Com sentimentos, sensações, sentidos. Procurando terra pra plantar, A semear amor Nestes solos marcados pela dor. A cultivar solidariedade Nos latifúndios desmantelados. A acompanhar com cuidado O crescer e florescer da ternura, Pra enfim colher liberdade. Terra mãe, Terra pátria, Terra latino-américa. Que de ninguém ela seja, Pra que de todos, ela possa cuidar, Que um dia todos possam ser sem-terra. Onde tudo seja para todos E nada somente para nós Que assim seja, Serás.
  34. 34. CUBA CORAÇÃO Ainda não estive em Cuba Mas ouso versar esta soberana e crítica nação Tão criticada pelo império Tão amada pelos que lutam pela dignidade mundana. Da resistência ao evangelho do consumo A solidariedade internacional exemplar Educação, arte, saúde e ternura são teus rostos Liberdade és teu codinome. Quanto mais embargo Mais saídas alternativas ao capital Respeito à mãe terra Que pariu, cuidou, acompanhou Ernesto, Fidel, Sienfuegos, Martír E mais tantos e tantas... E há de multiplicar novos homens e mulheres Que formam e formarão nossa nova sociedade: comunhão.
  35. 35. POVO DAS SELVAS Entre matas e montanhas Perseguidos por vilões da ganância, Cerceados por especuladores banais Protegidos por “pachamama”. Por negarem este Estado E resistirem aos demônios neoliberais Se forjam enquanto povo Povo das selvas. Facões, milho e fuzis Solidariedade, negação de poderes sobre e dignidade Princípios de vida Práticas de respeito. Povos das montanhas, Estamos com vocês E sabemos que estão com a humanidade, Universal, ser natural. Pelas almas indígenas, Por Zapata, Viva Chiapas! Pelo México vivo,viva latino-américa livre, Por “pachamama”, viva o cuidar de quem nos cuida.
  36. 36. JESUS Não quero o Jesus da cruz Quero o Jesus da vida O Jesus do dia O Jesus radical, da raiz. Quero o Jesus da prática: Solidária, Terna, Cuidadora, Anti-capitalista, Libertária. Quero o Jesus sujeito, Sujeito histórico, Amoroso, crítico, belo O “senhor” da comunhão. Desejo ver/sentir Jesus No pensar/agir de cada humano, Cotidianamente, no cuidado com o outro, No cuidado com o mundo.
  37. 37. DAS IDENTIDADES Quando me perguntam se Marxista, Respondo que considero o materialismo dialético histórico, Como referência, Principalmente no que diz respeito, A tua matriz analítica de sociedade. Se me questionam, Comunista? Digo que acredito sim, Numa comunhão, No banquete da vida, onde todos possam sentar-se. Então, Socialista? Digo que, Estado? Talvez enquanto meio, Mas, por análise histórica e vivências Desconfio das instituições há um bom tempo. - Ahh, então só podes ser Anarquista! Respondo: - Por favor, não tente me delimitar, - Confesso ser um amante da liberdade, ternura e solidariedade, - Acredito nestas enquanto princípios de uma sociedade. Mas ultimamente, tenho pensado:
  38. 38. - onde existam sujeitos individuais e coletivos abrindo fendas no tecido do sistema capitalista e/ ou produzindo alternativas na produção da vida e na sua relação com o mundo, - Ali estou... Salvador, março de 2009.
  39. 39. Artes, Vidas, Amores, Amares
  40. 40. AMOR DA CABEÇA AOS PÉS Por ser o amor Quero amar Desejar, gozar Ser amado. Lançar charme Como as flores lançam perfumes Ser cortejado Encantar, dengar, aninhar. Amor, experiência própria Doada, cedida, emprestada A quem dele precise A quem ele deseje Às várias “não formas” de amar, Amares. Salvador, outono de 2011.
  41. 41. ARTE LIVRE Vamos fazer arte... - Olha a arte menino! Arte, safadeza, Bagunça boa! Arte simples, Aquela mesmo, Lembremos, vamo lá, É só sentir, Colocar pra fora o sincero... Arte não pede licença, Arte ocupa, Subverte, Não obedece, ingere, Incomoda, liberta... Goiânia, primavera de 2010.
  42. 42. CULTURA Cultura Culturalidade Cultuar Interculturalidade Transculturar Es-cultura Aculturação Reculturar Multiculturalidade Diversidade Cultural Cultivo Histórias Encontros Diálogos Dignidade Ser Arte Vida Luta Amar... 15 de setembro, 2011.
  43. 43. MUNDO Hoje vivo num mundo de poucos, Privilégios de uma vida condenada. Já não quero viver entre estes poucos, Nem mesmo como muitos Que trabalham para sustentar Os privilégios destes. Não é possível que todos vivam como estes poucos acima, Quero mesmo é adentrar pelo mundo dos poucos loucos Que vivem e creem De maneira livre e consciente Artística, mística e solidária, Poética e generosa. Como um ser natural, Com “razão animal”.
  44. 44. OCIOSIDADE POÉTICA Sempre suspeitei, Que poesia fosse coisa de “preguiçoso”. E hoje constato, Sem “ócio”, sem tempo “livre”, Impossível cantá-la a florir. A partir da mente “vazia” Emergem, Sentires, pensares e agires Do diálogo com o mundo. Poesia é respiração, Poesia é rede Poesia é madrugada Poesia é ternura Poesia é o que se sente Não o que se fala, Não o que se pensa, Poesia é o que se vive...
  45. 45. SAMBA Samba é assim, Está em todo lugar, Com vários nomes, Sotaques e não definições. Samba de roda, De breque, Chula E de partido alto. Samba enredo, De gafieira, maxixado E de terreiro. Samba de coco, Choro, caboclo E com o que quisermos... Amor e Denúncia Desespero e ironia Prantos, dores e alegrias Samba é assim, Pra cantar, pra sorrir, pra chorar, Pra sambar.
  46. 46. Samba Canção, Samba de crioulo, Segura a marcação... Na verdade, Samba é assim, Sem preconceito, designo de raça ou definição, Pronto pra acolher, Ateu, budista e cristão...
  47. 47. SEXUALIDADES, SEXO, SER Ser homem, Ser mulher, Ser híbrido, Ser mais. Nascer masculino, Sentir feminino, Gozar com meninos, Deleitar-se com meninas. De dia homem, Pela noite mulher. Transcender a norma, Romper a moral Tra, Trans, Bi, Pan, Quantas qualificações, Por quê tudo isso? Quantos rótulos. Talvez, melhor mesmo, É ser sexual, Ser amor, Poder ser.
  48. 48. AMANTE AMADA Mulher, moça, menina, mulher Tua graça não sabias Tua presença devagar fui notando A celeridade nos passos O sorriso no rosto A firmeza no olhar Que somado a uma tremenda sensibilidade Vem nesse emaranhar de adjetividades Desenhar esta pessoa, gente, mulher Desejante, desejada, amante, amada ...
  49. 49. VIVACIDADE Adentro às veias e artérias ele “corre” Sangue quente e úmido, Vermelho como uma rosa Pulsante, vivo e agitado ele segue... Sintam o sangue, Passando por diversos caminhos, Nutrindo células íntimas, Num trajeto delicado e complexo. Sangue com história, Sangue do sangue de outrem, Outrem que vem carregado de histórias, Histórias de outras diversas histórias. Percorrendo estes canais, Em forma de rede, Ele vem impulsionando o corpo, Impulsionado pelo Coração. Órgão indispensável, essencial, básico... Parte vital de uma rede comunicante, Com encontros sistêmicos difusos Numa complexa relação de funcionamento.
  50. 50. Coração este que odeia, ama e goza, Que sente prazeres e desconfortos, Coração que, vivaz, num emaranhado de relações Se une a outros corações para perpetuar a vida... Vida a ser vivida intensamente, Nos desejos e interesses, Que dialoguem permanentemente, Entre o ser sujeito individual e coletivo! Santa Bárbara d’ Oeste, 29 de abril, 2009.
  51. 51. Este livro foi impresso em papel jornal e papel AG, nas fontes Museo e Museo Slab (miolo) e Papel Paraná (capa), em formato de bolso (11x15cm), na gráfica do João Pará, no outono de 2013.
  52. 52. Guilherme Salgado – sujeito... procurando ser... buscando na alegria do viver emanar e aprender com os sujeitos, seres, relações e com o mundo, a permanente busca de ser mais com os outros. Atualmente Guilherme reside no bairro do Santo Antônio, centro histórico de Salvador –BA e produz sua vida através da música, aprendiz de poeta, pesquisador autônomo viajante, facilitação de oficinas e de processos educativos no campo da percussão popular brasileira, arte e cultura popular, permacultura, educação popular, organização comunitária, produções autônomas da vida por sujeitos individuais e coletivos, comunidades alternativas e saúde. Contatos e críticas – guieduca@gmail.com

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