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MARINHO, Nathilucy do Nascimento; ROCHA, Maria Alice Vasconcelos . A Moda-
Vestuário Feminina sem Padrões de Medidas. In: 3º ENPModa, 2013, Belo
Horizonte. 3º Encontro Nacional de Pesquisa em Moda. Belo Horizonte: EBA - UFMG,
2013.
A MODA-VESTUÁRIO FEMININA SEM PADRÕES DE MEDIDAS
THE WOMEN'S FASHION-CLOTHING WITHOUT STANDARDS OF
MEASURING
MARINHO, Nathilucy do Nascimento.
Bacharel em Economia Doméstica/UFRPE; Professora do Departamento de Ciências
Domésticas, Universidade Federal Rural de Pernambuco, nathilucymarinho@gmail.com
ROCHA, Maria Alice Vasconcelos.
PhD; Doutora em Design de Moda; Professora do Departamento de Ciências
Domésticas, Universidade Federal Rural de Pernambuco, modalice@dcd.ufrpe.br
RESUMO
Este artigo discute a importância das medidas antropométricas para o desenvolvimento de produtos de
moda-vestuário para mulheres, assim como analisa as técnicas de modelagem e a fragilidade de fontes
nacionais para a eficiente satisfação da diversidade de necessidades das consumidoras brasileiras.
Palavras-chave: Corpo, Tabela de Medidas, Antropometria, Modelagem, Normatização.
ABSTRACT
This paper discusses the importance of anthropometric measurements to fashion-clothing product
development for women as well as examines patternmaking techniques and the fragility of national
sources for satisfaction efficiency of „Brazilian consumers‟ needs due to their body diversity.
Keywords: Body, Measure Standards, Anthropometry, Patternmaking, Regulation.
1. INTRODUÇÃO
Atualmente há frequentes indagações a respeito das medidas antropométricas da
mulher (corpo) relacionadas ao desenvolvimento de produtos ergonomicamente
corretos. Como o desempenho do corpo humano está geralmente ligado às questões
físicas, ele acaba por interferir em questões fisiológicas e psicológicas relacionadas à
percepção de segurança, conforto e adaptabilidade (GUIMARÃES e BIASOLLI, 2002).
Portanto, as dimensões do corpo em questão são decorrentes de variações anatômicas,
fisiológicas, de saúde, de consumo, dentre outras.
De acordo com Silveira e Silva (2007), nos dias atuais, parte das empresas do
vestuário, na falta de fontes antropométricas que forneçam dados precisos e científicos
para executar o projeto de coleção, usam como referência tabelas de medidas copiadas
de outros países, adaptando-as ao perfil de seu consumidor, ou escolhem uma pessoa na
empresa que consideram representativa de seus clientes, e utilizam as medidas desse
corpo. Tais medidas antropométricas dificultam a eficiência do projeto do vestuário,
pois atenderão principalmente os/as consumidores/as de medidas iguais as dos corpos
usados como referência.
Considerando que para projetar produtos de moda-vestuário os métodos devem
contemplar o caráter científico, o levantamento de dados antropométricos pressupõe
planejamento e muito cuidado quanto à padronização das variáveis (definição dos
pontos anatômicos referenciais e posição do sujeito no momento da medição);
compatibilidade de variáveis, métodos e instrumentos de medição; amostragem
estatística para gerar os dados; e, controle para aplicar corretamente estes dados
(SILVEIRA e SILVA, 2007).
Dinis e Vasconcelos (2009) descreve que o Brasil não possui uma tabela de
medidas que possa ser considerada “padrão representativo” da população brasileira, e
por este motivo, cada empresa estabelece e utiliza de sua própria tabela, gerando uma
diversidade de tamanhos que usam as mesmas denominações.
As últimas informações antropométricas criadas para a confecção de peças do
vestuário era baseado principalmente nos dados obtidos pela norma 13377 ABNT/1995,
que atualmente não se encontra mais em vigor. De acordo com a própria Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a anulação da norma é devido às diferentes
complexidades técnicas entre as medidas dos corpos masculinos, femininas e infantis
para a confecção de moda-vestuário. Vale salientar que o conteúdo técnico desta norma
referente ao corpo infantil foi substituído pela ABNT NBR 15800 - Vestibilidade de
roupas para bebê e infanto-juvenil, e referente ao corpo masculino pela ABNT NBR
16060 - Vestibilidade para homens de tamanhos de corpo tipo normal, atlético e
especial. Segundo a ABNT, há o Projeto 17:700.04-005, Vestibilidade - Referenciais de
medidas do corpo humano e Vestibilidade Feminina em discussão desde o 2º trimestre
de 2012), mas que ainda não entrou em vigor.
Como uma norma deixa de vigorar se a outra ainda não foi instituída? Sabe-se
que a forma do corpo feminino no decorrer dos anos passou por diversas mudanças, e
que essas variações proporcionaram redesenhos reformulando sua verdadeira anatomia e
que as reais proporções foram substituídas pela construção vestimentar. Assim, descreve
Bezerra e Martins (2006), a roupa é como extensão do corpo e necessita de requisitos
que contribuam para o conforto térmico, mobilidade, segurança, dinamismo e higiene.
Portanto, o projeto de produto de vestuário adequado assim como a correta
aplicação dos materiais determinarão a satisfação destes requisitos para atender as
necessidades dos usuários. As pessoas exercem uma multiplicidade de funções em um
único dia, cada movimento altera contorno de músculos, seja no tronco ou membros, e
consequentemente a roupa deve acompanhar e se adaptar-se a esta “metamorfose”.
Para fortalecer a discussão a respeito de medidas antropométricas femininas
atreladas ao projeto de produtos de moda-vestuário, o objetivo fundamental deste estudo
é fazer uma análise da importância das medidas para a construção de peças do vestuário,
assim como promover uma reflexão sobre a ausência de parâmetros para a melhoria no
atendimento das consumidoras brasileiras neste início do século XXI.
2. Fatores que influenciam a preocupação por um vestuário de qualidade
2.1 Relação do corpo com o vestuário
Pode-se dizer que o ser humano sofre contínuas mudanças físicas durante toda a
vida e estas ocorrem de diversas maneiras. Há alterações do tamanho, proporções
corporais, forma e peso, como visto na mulher em diversas fases da sua vida (IIDA,
2005).
O corpo é o suporte da vestimenta e Martins (2008) estabelece uma leitura do
mundo por meio de cinco peles, sendo a primeira a epiderme, a segunda a vestimenta, a
terceira a casa do homem, a quarta o meio social e a identidade e a quinta a
humanidade, a natureza e o meio ambiente. Cinco peles ocupadas pelas formas do
corpo, onde pele-epiderme e pele-vestimenta se misturam no contexto de proteção e
construção de uma identidade única, habitando não somente o espaço físico, mas
também o território que determina a existência dentro do contexto da
contemporaneidade.
Segundo Souza (2006), o vestuário estabelece um espaço para conter o corpo.
Essa espacialidade é determinada pela estrutura anatômica e mobilidade corporal,
constituindo-se em volumes que aderem, aproximam-se e se afastam do corpo ou ainda
se projetam além de seus limites. Esse espaço pode ser aferido: possui dimensões físicas
de comprimento, largura e profundidade, cujas relações de proporção e resultado formal
estão atreladas à natureza das atividades a serem ali acomodadas. Outros fatores como:
o tipo de materiais utilizados, os elementos construtivos e a estrutura da peça também
podem limitar as suas dimensões, interferindo na proporção.
2.2 Construindo o Vestuário
A modelagem é a técnica responsável pela construção de peças do vestuário,
estruturando partes através da leitura e interpretação de modelos específicos. É ela quem
dar forma, volume e caimento perfeito, quando bem executada. Também é considerada
a etapa fundamental na concretização da criação do vestuário, e o vasto conhecimento
possibilita soluções na interpretação dos modelos a serem produzidos.
Tal procedimento implica na tradução das formas da vestimenta, estudo da
silhueta, tecidos e aviamentos, entre outros elementos da peça a ser produzida. A
modelagem pode ser desenvolvida por duas técnicas: bidimensional e tridimensional.
A modelagem plana é um trabalho que envolve precisão, uso de proporção e
habilidade de desenho, no qual se representa de forma bidimensional um efeito de três
dimensões, ajudado por princípios de geometria, e nessa técnica construtiva são
consideradas as medidas verticais (alturas) e transversais (larguras).
A modelagem tridimensional, também conhecida como moulage ou drapping,
segundo Souza (2008), é uma técnica que permite o traçado da roupa à forma final
sobre um manequim. Essa técnica propicia um considerável desenvolvimento da
percepção da tridimensionalidade, favorecendo uma ação escultórica sobre o corpo-
suporte e a ampla experimentação e manipulação de materiais. Técnica que considera
altura, largura e profundidade, e representa uma forma prática e rápida de resultados
positivos de caimento de peças do vestuário (DINIS e VASCONCELOS, 2009).
Ao considerar a modelagem como um processo de produção de moldes padrões,
confeccionados a partir de uma tabela de medidas do corpo humano seja masculino,
feminino ou infantil que será utilizada na produção do vestuário nas indústrias de
confecções, pode-se afirmar que a modelagem representa a alma da roupa assim como o
setor de modelagem o coração da indústria. Por sua vez, se os moldes não estão corretos
todo o resto do processo estará comprometido, o corte, a montagem, o produto final não
terá o padrão desejado e consequentemente não atingirá os seus consumidores de forma
satisfatória (BEZERRA e MARTINS, 2006).
De acordo com Grave (2004) a modelagem possui função participativa nos
movimentos articulares do corpo. A autora adverte que o cuidado com o cálculo das
medidas e suas folgas determina a construção da peça.
2.3 Antropometria
Antropometria a palavra grega derivada de Anthropos – significa “homem”, “ser
humano” e metrikos – que tem o sentido de justa proporção, a antropometria é o
processo ou técnica de mensuração do corpo humano ou de inúmeras partes. Constitui-
se, portanto, como uma área–base para o estudo do homem, uma vez que trata das
medidas do corpo humano, dos volumes, das formas, de seus movimentos e
articulações, sendo indispensável para definição das medidas do vestuário (SILVEIRA e
SILVA, 2007).
No Renascimento, período de valorização da estética, Leonardo da Vinci (1452-
1519) desenvolveu um desenho, onde o homem é mostrado inscrito dentro de um
quadrado e um círculo, inspirado no livro romano Vitruvius (Figura 1), que explica a
relação entre a simetria e a perfeição das proporções do corpo humano. Mas, foi no final
do século XIX e o início do século XX que houve um desenvolvimento da ciência
antropométrica.
Figura 1. Vitruvius – Desenho representativo de Leonardo da Vinci
(Fonte: http://idmilano.com/blog/?p=226)
Nos anos 1940, as medidas corporais começaram a ganhar importância. A
necessidade de produção em massa pelas indústrias, inclusive a de guerra, levou Willian
Sheldon (1940) a desenvolver um estudo mais detalhado do corpo humano, com o
levantamento de peso e altura da população, além de fotografias dos indivíduos de
frente, de perfil e de costas. Esse estudo possibilitou a Sheldon determinar três tipos
básicos com características dominantes: ectomorfo, mesomorfo e endomorfo, como
mostra na Figura 2.
Neste sentido, Iida (2005) destaca:

Ectomorfo: tipo físico de formas alongadas. Tem corpo e membros longos e
finos, com um mínimo de gorduras e músculos. Os ombros são mais largos,


mas caídos. O pescoço é fino e comprido, o rosto é magro, queixo recuado e
testa alta e abdômen estreito e fino.



Mesomorfo: tipo físico musculoso, de formas alongadas. Apresenta cabeça
cúbica, maciça, ombros e peitos largos e abdômen pequeno. Os membros são


músculos e fortes. Possui pouca gordura subcutânea.



Endomorfo: tipo físico de formas arredondadas e macias, com grandes
depósitos de gordura. Em sua forma estrema, tem a característica de uma pera


(estreita em cima e larga embaixo). Abdômen grande e cheio, tórax parecide
relativamente pequeno. Braços e pernas curtos e flácidos. Ombros e cabeça

arredondados. Ossos pequenos. O corpo tem baixa densidade, podendo flutuar
na água.
Portanto, o valor numérico das medidas não é capaz de definir sozinho a silueta
corporal. Ou seja, várias pessoas que tenham coincidência de medidas de de busto,
cintura e quadril necessariamente não tem o mesmo formato corporal e podem ter
diferentes necessidades vestimentares.
Ectomorfo Mesomorfo Endomorfo
Figura 2. Figura 2 – Três biótipos representado por Sheldon (Fonte: SANTOS,
Cristiane de Souza. O corpo. pg. 51 In: SABRÁ, Flavio (orgs.). Modelagem:
técnica em produção de vestuário. São Paulo: Estação das Cores e Letras, 2009.
2.4 Tabelas de medidas
A tabela de medidas serve como base ao desenvolvimento de uma modelagem e
é usualmente composta por nomenclaturas de tamanhos (seja P, M, G ou 38, 40, 42, 44)
e medidas do corpo correspondentes (tamanho 40 com circunferência de cintura de 68
cm). No entanto, estas medidas devem estar em consonância com o público-alvo
(DINIS e VASCONCELOS, 2009).
Dinis e Vasconcelos (2009) ainda comentam que no Brasil, além daausência de
padronização, há também divergências no uso de nomenclaturas de tamanhos e nos
termos técnicos para definir as medidas. Uma das causas está relacionada ao fato que no
nosso país nunca realizou um estudo antropométrico da população, diferentemente de
outros países como França, Inglaterra, e os Estados Unidos, e que muitas empresas
adotaram tabelas estrangeiras de medidas padronizadas e as adaptaram com base nos
dados coletados.
Vale lembrar que para que seja possível a padronização de medidas corporais
devem ser definidos: a) os pontos anatômicos do corpo entre os quais serão tomadas as
medidas; b) os instrumentos e os métodos, a serem utilizados; c) a seleção da amostra;
d) a análise estatística (SILVEIRA e SILVA, 2007).
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A não conformidade de tamanhos disponíveis ou a ausência de uma
normatização no mercado nacional são fatores que mais abalam a seguridade das
consumidoras que adquirem produtos de moda-vestuário. Cotidianamente, é necessário
experimentar peça por peça da mesma marca, visto que as variações de tamanhos com a
mesma denominação são comuns. Ampliando essa variação para fornecedores distintos,
será possível perceber que a dificuldade de adequação aumenta vertiginosamente.
Outro problema detectado ao passar dos anos está relacionado às mudanças
culturais e hábitos alimentares, e as medidas corporais femininas sofreram
modificações, como cinturas menos delgadas, acúmulo de gordura na região abdominal
e até mesmo, modificações corporais com uso de próteses de silicone.
No entanto, as instituições de normatização nacional não se adequaram aos
novos biótipos e às novas formas dos corpos das mulheres brasileiras, inclusive com o
cancelamento da única norma técnica que existia. Neste sentido, muitas empresas na
procura por satisfazer as necessidades das consumidoras exigentes, recorrem a tabelas
de medidas que não correspondem ao perfil corpóreo brasileiro, ou pior, reduzem seu
mercado em função dos corpos que pode atender.
4. REFERÊNCIAS
BEZERRA, Germana Maria Fontenelle; MARTINS, Suzana Barreto. Equação da
ergonomia no design de vestuário: espaço do corpo, modelagem e materiais. In:
ANAIS 2º Colóquio de Moda, Bahia [CDROM], 2006.
DINIS, Patrícia Martins; VASCONCELOS, Amanda Fernandes Cardoso. Modelagem.
In: SABRÁ, Flavio (orgs.). Modelagem: técnica em produção de vestuário. São Paulo:
Estação das Cores e Letras, 2009.
GRAVE, Maria de Fátima. A modelagem sob a ótica da ergonomia. São Paulo: Zennex
Publishing, 2004.
GUIMARÃES, L. B. de M.; BIASOLLI, P. Levantamento antropométrico: o Brasil
ainda precisa ter o seu? In: II Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de
Interfaces Humano-Tecnologia: Produtos, Programas, Informação, Ambiente
Construído Ergodesign, 2002, Rio de Janeiro. II Ergodesign. Rio de Janeiro:
Departamento de Artes e Design PUC-Rio, 2002.
IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. 2 ed. rev. e ampl. São Paulo: Blucher,
2005.
MARTINS, Suzana Barreto. Ergonomia e moda: repensando a segunda pele. In: PIRES,
Dorotéia Baduy (orgs.). Design de Moda: olhares diversos. São Paulo: Estação das
Letras e Cores, 2008.
SILVEIRA, Icléia; SILVA, Giorgio Gilwan. Medidas Antropométricas e o Projeto do
Vestuário. In: ANAIS 3º Colóquio de Moda, Belo Horizonte [CDROM], 2007.
SOUZA, Patrícia de Mello. A moulage, a inovação formal e a nova arquitetura do
corpo. p. 337-345. In: PIRES, D. B. Design de moda: olhares diversos. São Paulo:
Estação das Letras e Cores, 2008.
____________________. Modelagem tridimensional como implemento do processo de
desenvolvimento do produto de moda. Dissertação (Mestrado em Design de Produto) –
Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação, Universidade Estadual Paulista -
UNESP, Bauru, 2006.
Disponível:
<http://www.faac.unesp.br/posgraduacao/design/dissertacoes/pdf/patricia.pdf>
Acesso: 19/ set. 2013.

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A MODA-VESTUÁRIO FEMININA SEM PADRÕES DE MEDIDAS

  • 1. MARINHO, Nathilucy do Nascimento; ROCHA, Maria Alice Vasconcelos . A Moda- Vestuário Feminina sem Padrões de Medidas. In: 3º ENPModa, 2013, Belo Horizonte. 3º Encontro Nacional de Pesquisa em Moda. Belo Horizonte: EBA - UFMG, 2013. A MODA-VESTUÁRIO FEMININA SEM PADRÕES DE MEDIDAS THE WOMEN'S FASHION-CLOTHING WITHOUT STANDARDS OF MEASURING MARINHO, Nathilucy do Nascimento. Bacharel em Economia Doméstica/UFRPE; Professora do Departamento de Ciências Domésticas, Universidade Federal Rural de Pernambuco, nathilucymarinho@gmail.com ROCHA, Maria Alice Vasconcelos. PhD; Doutora em Design de Moda; Professora do Departamento de Ciências Domésticas, Universidade Federal Rural de Pernambuco, modalice@dcd.ufrpe.br RESUMO Este artigo discute a importância das medidas antropométricas para o desenvolvimento de produtos de moda-vestuário para mulheres, assim como analisa as técnicas de modelagem e a fragilidade de fontes nacionais para a eficiente satisfação da diversidade de necessidades das consumidoras brasileiras. Palavras-chave: Corpo, Tabela de Medidas, Antropometria, Modelagem, Normatização. ABSTRACT This paper discusses the importance of anthropometric measurements to fashion-clothing product development for women as well as examines patternmaking techniques and the fragility of national sources for satisfaction efficiency of „Brazilian consumers‟ needs due to their body diversity. Keywords: Body, Measure Standards, Anthropometry, Patternmaking, Regulation.
  • 2. 1. INTRODUÇÃO Atualmente há frequentes indagações a respeito das medidas antropométricas da mulher (corpo) relacionadas ao desenvolvimento de produtos ergonomicamente corretos. Como o desempenho do corpo humano está geralmente ligado às questões físicas, ele acaba por interferir em questões fisiológicas e psicológicas relacionadas à percepção de segurança, conforto e adaptabilidade (GUIMARÃES e BIASOLLI, 2002). Portanto, as dimensões do corpo em questão são decorrentes de variações anatômicas, fisiológicas, de saúde, de consumo, dentre outras. De acordo com Silveira e Silva (2007), nos dias atuais, parte das empresas do vestuário, na falta de fontes antropométricas que forneçam dados precisos e científicos para executar o projeto de coleção, usam como referência tabelas de medidas copiadas de outros países, adaptando-as ao perfil de seu consumidor, ou escolhem uma pessoa na empresa que consideram representativa de seus clientes, e utilizam as medidas desse corpo. Tais medidas antropométricas dificultam a eficiência do projeto do vestuário, pois atenderão principalmente os/as consumidores/as de medidas iguais as dos corpos usados como referência. Considerando que para projetar produtos de moda-vestuário os métodos devem contemplar o caráter científico, o levantamento de dados antropométricos pressupõe planejamento e muito cuidado quanto à padronização das variáveis (definição dos pontos anatômicos referenciais e posição do sujeito no momento da medição); compatibilidade de variáveis, métodos e instrumentos de medição; amostragem estatística para gerar os dados; e, controle para aplicar corretamente estes dados (SILVEIRA e SILVA, 2007). Dinis e Vasconcelos (2009) descreve que o Brasil não possui uma tabela de medidas que possa ser considerada “padrão representativo” da população brasileira, e por este motivo, cada empresa estabelece e utiliza de sua própria tabela, gerando uma diversidade de tamanhos que usam as mesmas denominações. As últimas informações antropométricas criadas para a confecção de peças do vestuário era baseado principalmente nos dados obtidos pela norma 13377 ABNT/1995, que atualmente não se encontra mais em vigor. De acordo com a própria Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a anulação da norma é devido às diferentes complexidades técnicas entre as medidas dos corpos masculinos, femininas e infantis para a confecção de moda-vestuário. Vale salientar que o conteúdo técnico desta norma referente ao corpo infantil foi substituído pela ABNT NBR 15800 - Vestibilidade de
  • 3. roupas para bebê e infanto-juvenil, e referente ao corpo masculino pela ABNT NBR 16060 - Vestibilidade para homens de tamanhos de corpo tipo normal, atlético e especial. Segundo a ABNT, há o Projeto 17:700.04-005, Vestibilidade - Referenciais de medidas do corpo humano e Vestibilidade Feminina em discussão desde o 2º trimestre de 2012), mas que ainda não entrou em vigor. Como uma norma deixa de vigorar se a outra ainda não foi instituída? Sabe-se que a forma do corpo feminino no decorrer dos anos passou por diversas mudanças, e que essas variações proporcionaram redesenhos reformulando sua verdadeira anatomia e que as reais proporções foram substituídas pela construção vestimentar. Assim, descreve Bezerra e Martins (2006), a roupa é como extensão do corpo e necessita de requisitos que contribuam para o conforto térmico, mobilidade, segurança, dinamismo e higiene. Portanto, o projeto de produto de vestuário adequado assim como a correta aplicação dos materiais determinarão a satisfação destes requisitos para atender as necessidades dos usuários. As pessoas exercem uma multiplicidade de funções em um único dia, cada movimento altera contorno de músculos, seja no tronco ou membros, e consequentemente a roupa deve acompanhar e se adaptar-se a esta “metamorfose”. Para fortalecer a discussão a respeito de medidas antropométricas femininas atreladas ao projeto de produtos de moda-vestuário, o objetivo fundamental deste estudo é fazer uma análise da importância das medidas para a construção de peças do vestuário, assim como promover uma reflexão sobre a ausência de parâmetros para a melhoria no atendimento das consumidoras brasileiras neste início do século XXI. 2. Fatores que influenciam a preocupação por um vestuário de qualidade 2.1 Relação do corpo com o vestuário Pode-se dizer que o ser humano sofre contínuas mudanças físicas durante toda a vida e estas ocorrem de diversas maneiras. Há alterações do tamanho, proporções corporais, forma e peso, como visto na mulher em diversas fases da sua vida (IIDA, 2005). O corpo é o suporte da vestimenta e Martins (2008) estabelece uma leitura do mundo por meio de cinco peles, sendo a primeira a epiderme, a segunda a vestimenta, a terceira a casa do homem, a quarta o meio social e a identidade e a quinta a
  • 4. humanidade, a natureza e o meio ambiente. Cinco peles ocupadas pelas formas do corpo, onde pele-epiderme e pele-vestimenta se misturam no contexto de proteção e construção de uma identidade única, habitando não somente o espaço físico, mas também o território que determina a existência dentro do contexto da contemporaneidade. Segundo Souza (2006), o vestuário estabelece um espaço para conter o corpo. Essa espacialidade é determinada pela estrutura anatômica e mobilidade corporal, constituindo-se em volumes que aderem, aproximam-se e se afastam do corpo ou ainda se projetam além de seus limites. Esse espaço pode ser aferido: possui dimensões físicas de comprimento, largura e profundidade, cujas relações de proporção e resultado formal estão atreladas à natureza das atividades a serem ali acomodadas. Outros fatores como: o tipo de materiais utilizados, os elementos construtivos e a estrutura da peça também podem limitar as suas dimensões, interferindo na proporção. 2.2 Construindo o Vestuário A modelagem é a técnica responsável pela construção de peças do vestuário, estruturando partes através da leitura e interpretação de modelos específicos. É ela quem dar forma, volume e caimento perfeito, quando bem executada. Também é considerada a etapa fundamental na concretização da criação do vestuário, e o vasto conhecimento possibilita soluções na interpretação dos modelos a serem produzidos. Tal procedimento implica na tradução das formas da vestimenta, estudo da silhueta, tecidos e aviamentos, entre outros elementos da peça a ser produzida. A modelagem pode ser desenvolvida por duas técnicas: bidimensional e tridimensional. A modelagem plana é um trabalho que envolve precisão, uso de proporção e habilidade de desenho, no qual se representa de forma bidimensional um efeito de três dimensões, ajudado por princípios de geometria, e nessa técnica construtiva são consideradas as medidas verticais (alturas) e transversais (larguras). A modelagem tridimensional, também conhecida como moulage ou drapping, segundo Souza (2008), é uma técnica que permite o traçado da roupa à forma final sobre um manequim. Essa técnica propicia um considerável desenvolvimento da percepção da tridimensionalidade, favorecendo uma ação escultórica sobre o corpo- suporte e a ampla experimentação e manipulação de materiais. Técnica que considera altura, largura e profundidade, e representa uma forma prática e rápida de resultados positivos de caimento de peças do vestuário (DINIS e VASCONCELOS, 2009).
  • 5. Ao considerar a modelagem como um processo de produção de moldes padrões, confeccionados a partir de uma tabela de medidas do corpo humano seja masculino, feminino ou infantil que será utilizada na produção do vestuário nas indústrias de confecções, pode-se afirmar que a modelagem representa a alma da roupa assim como o setor de modelagem o coração da indústria. Por sua vez, se os moldes não estão corretos todo o resto do processo estará comprometido, o corte, a montagem, o produto final não terá o padrão desejado e consequentemente não atingirá os seus consumidores de forma satisfatória (BEZERRA e MARTINS, 2006). De acordo com Grave (2004) a modelagem possui função participativa nos movimentos articulares do corpo. A autora adverte que o cuidado com o cálculo das medidas e suas folgas determina a construção da peça. 2.3 Antropometria Antropometria a palavra grega derivada de Anthropos – significa “homem”, “ser humano” e metrikos – que tem o sentido de justa proporção, a antropometria é o processo ou técnica de mensuração do corpo humano ou de inúmeras partes. Constitui- se, portanto, como uma área–base para o estudo do homem, uma vez que trata das medidas do corpo humano, dos volumes, das formas, de seus movimentos e articulações, sendo indispensável para definição das medidas do vestuário (SILVEIRA e SILVA, 2007). No Renascimento, período de valorização da estética, Leonardo da Vinci (1452- 1519) desenvolveu um desenho, onde o homem é mostrado inscrito dentro de um quadrado e um círculo, inspirado no livro romano Vitruvius (Figura 1), que explica a relação entre a simetria e a perfeição das proporções do corpo humano. Mas, foi no final do século XIX e o início do século XX que houve um desenvolvimento da ciência antropométrica. Figura 1. Vitruvius – Desenho representativo de Leonardo da Vinci (Fonte: http://idmilano.com/blog/?p=226)
  • 6. Nos anos 1940, as medidas corporais começaram a ganhar importância. A necessidade de produção em massa pelas indústrias, inclusive a de guerra, levou Willian Sheldon (1940) a desenvolver um estudo mais detalhado do corpo humano, com o levantamento de peso e altura da população, além de fotografias dos indivíduos de frente, de perfil e de costas. Esse estudo possibilitou a Sheldon determinar três tipos básicos com características dominantes: ectomorfo, mesomorfo e endomorfo, como mostra na Figura 2. Neste sentido, Iida (2005) destaca:  Ectomorfo: tipo físico de formas alongadas. Tem corpo e membros longos e finos, com um mínimo de gorduras e músculos. Os ombros são mais largos,   mas caídos. O pescoço é fino e comprido, o rosto é magro, queixo recuado e testa alta e abdômen estreito e fino.    Mesomorfo: tipo físico musculoso, de formas alongadas. Apresenta cabeça cúbica, maciça, ombros e peitos largos e abdômen pequeno. Os membros são   músculos e fortes. Possui pouca gordura subcutânea.    Endomorfo: tipo físico de formas arredondadas e macias, com grandes depósitos de gordura. Em sua forma estrema, tem a característica de uma pera   (estreita em cima e larga embaixo). Abdômen grande e cheio, tórax parecide relativamente pequeno. Braços e pernas curtos e flácidos. Ombros e cabeça  arredondados. Ossos pequenos. O corpo tem baixa densidade, podendo flutuar na água. Portanto, o valor numérico das medidas não é capaz de definir sozinho a silueta corporal. Ou seja, várias pessoas que tenham coincidência de medidas de de busto, cintura e quadril necessariamente não tem o mesmo formato corporal e podem ter diferentes necessidades vestimentares. Ectomorfo Mesomorfo Endomorfo Figura 2. Figura 2 – Três biótipos representado por Sheldon (Fonte: SANTOS, Cristiane de Souza. O corpo. pg. 51 In: SABRÁ, Flavio (orgs.). Modelagem: técnica em produção de vestuário. São Paulo: Estação das Cores e Letras, 2009.
  • 7. 2.4 Tabelas de medidas A tabela de medidas serve como base ao desenvolvimento de uma modelagem e é usualmente composta por nomenclaturas de tamanhos (seja P, M, G ou 38, 40, 42, 44) e medidas do corpo correspondentes (tamanho 40 com circunferência de cintura de 68 cm). No entanto, estas medidas devem estar em consonância com o público-alvo (DINIS e VASCONCELOS, 2009). Dinis e Vasconcelos (2009) ainda comentam que no Brasil, além daausência de padronização, há também divergências no uso de nomenclaturas de tamanhos e nos termos técnicos para definir as medidas. Uma das causas está relacionada ao fato que no nosso país nunca realizou um estudo antropométrico da população, diferentemente de outros países como França, Inglaterra, e os Estados Unidos, e que muitas empresas adotaram tabelas estrangeiras de medidas padronizadas e as adaptaram com base nos dados coletados. Vale lembrar que para que seja possível a padronização de medidas corporais devem ser definidos: a) os pontos anatômicos do corpo entre os quais serão tomadas as medidas; b) os instrumentos e os métodos, a serem utilizados; c) a seleção da amostra; d) a análise estatística (SILVEIRA e SILVA, 2007). 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS A não conformidade de tamanhos disponíveis ou a ausência de uma normatização no mercado nacional são fatores que mais abalam a seguridade das consumidoras que adquirem produtos de moda-vestuário. Cotidianamente, é necessário experimentar peça por peça da mesma marca, visto que as variações de tamanhos com a mesma denominação são comuns. Ampliando essa variação para fornecedores distintos, será possível perceber que a dificuldade de adequação aumenta vertiginosamente. Outro problema detectado ao passar dos anos está relacionado às mudanças culturais e hábitos alimentares, e as medidas corporais femininas sofreram modificações, como cinturas menos delgadas, acúmulo de gordura na região abdominal e até mesmo, modificações corporais com uso de próteses de silicone. No entanto, as instituições de normatização nacional não se adequaram aos novos biótipos e às novas formas dos corpos das mulheres brasileiras, inclusive com o cancelamento da única norma técnica que existia. Neste sentido, muitas empresas na procura por satisfazer as necessidades das consumidoras exigentes, recorrem a tabelas
  • 8. de medidas que não correspondem ao perfil corpóreo brasileiro, ou pior, reduzem seu mercado em função dos corpos que pode atender. 4. REFERÊNCIAS BEZERRA, Germana Maria Fontenelle; MARTINS, Suzana Barreto. Equação da ergonomia no design de vestuário: espaço do corpo, modelagem e materiais. In: ANAIS 2º Colóquio de Moda, Bahia [CDROM], 2006. DINIS, Patrícia Martins; VASCONCELOS, Amanda Fernandes Cardoso. Modelagem. In: SABRÁ, Flavio (orgs.). Modelagem: técnica em produção de vestuário. São Paulo: Estação das Cores e Letras, 2009. GRAVE, Maria de Fátima. A modelagem sob a ótica da ergonomia. São Paulo: Zennex Publishing, 2004. GUIMARÃES, L. B. de M.; BIASOLLI, P. Levantamento antropométrico: o Brasil ainda precisa ter o seu? In: II Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Tecnologia: Produtos, Programas, Informação, Ambiente Construído Ergodesign, 2002, Rio de Janeiro. II Ergodesign. Rio de Janeiro: Departamento de Artes e Design PUC-Rio, 2002. IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. 2 ed. rev. e ampl. São Paulo: Blucher, 2005. MARTINS, Suzana Barreto. Ergonomia e moda: repensando a segunda pele. In: PIRES, Dorotéia Baduy (orgs.). Design de Moda: olhares diversos. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008. SILVEIRA, Icléia; SILVA, Giorgio Gilwan. Medidas Antropométricas e o Projeto do Vestuário. In: ANAIS 3º Colóquio de Moda, Belo Horizonte [CDROM], 2007.
  • 9. SOUZA, Patrícia de Mello. A moulage, a inovação formal e a nova arquitetura do corpo. p. 337-345. In: PIRES, D. B. Design de moda: olhares diversos. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008. ____________________. Modelagem tridimensional como implemento do processo de desenvolvimento do produto de moda. Dissertação (Mestrado em Design de Produto) – Faculdade de Artes, Arquitetura e Comunicação, Universidade Estadual Paulista - UNESP, Bauru, 2006. Disponível: <http://www.faac.unesp.br/posgraduacao/design/dissertacoes/pdf/patricia.pdf> Acesso: 19/ set. 2013.