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A experiência do andar no espírito

                                                          NOTAS




A EXPERIÊNCIA DO ANDAR NO ESPÍRITO




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A experiência do andar no espírito

                                                                                NOTAS
A EXPERIÊNCIA DO ANDAR NO ESPÍRITO
Esboço do Planejamento do Curso

Meta
      Que você compreenda os princípios do andar no espírito
entrando na prática de uma vida cristã vencedora.

Outros Objetivos
    • Desfrutar de íntima comunhão com Deus.
    • Compreender o andar por fé, andar na cruz e no
      sobrenatural.
    • Experimentar uma vida plena de frutos no descanso da
      presença de Deus.

Sugestões Bibliográficas

       1. Seu Destino é a Cruz – Paul Billheimer
       2. Aprendendo a Ser Dirigido Pelo Espírito de Deus – Keneth
       Hagin
       3. O Homem Espiritual – Watchman Nee Vol 1

Recomendações Muito Importantes

       Com a Ajuda do Seu Líder de Célula, coloque em prática os
princípios espirituais que você tem aprendido. Faça da sua
devocional diária um tempo para praticar cada verdade onde você
recebeu revelação.
       1. Busque praticar o andar pela fé e experimente esse novo
       nível do caminhar com Deus
       2. Gaste tempo meditando na palavra de Deus nos novos
       assuntos.
       3. Coloque em prática o andar em amor e pela cruz.
       4. Busque cultivar uma constante comunhão com o Espírito
       Santo colocando sua mente no espírito.
       5. Pratique na sua célula o compartilhar com os irmãos as
       novas experiências com Deus.


Avaliação

       •   Descreva o que é andar no espírito.
       •   Andar no espírito é algo prático. É andar por fé, na cruz e
           no sobrenatural. Explique cada um desses princípios.
       •   O que é o oposto do andar no espírito?
       •   Quais os resultados em nossa vida cristã?




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A experiência do andar no espírito

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A EXPERIÊNCIA DO ANDAR NO ESPÍRITO

“Se vivemos no espírito, andemos também no espírito" (Gl 5:25) “...
visto que andamos por fé, e não pelo que vemos". (II Coríntios. 5:7).

       Quando Adão pecou, ele morreu para Deus e assim, toda a
raça humana entrou pelo mesmo caminho, a morte do espírito.
Dessa forma, a primeira coisa que Deus precisa efetuar no homem
é o novo nascimento ou a regeneração. Uma vez que fomos
regenerados, à vontade de Deus é nos dirigir através do Espírito
Santo que habita em nosso espírito humano. Deus espera que
cooperemos com ele exercitando o nosso espírito para obedecê-lo,
ouvi-lo e termos comunhão com Ele. Precisamos então: ser guiados
por Deus no espírito e exercitar o nosso espírito para ouvir de Deus.
       O Espírito Santo habita dentro de nós. O poder de Deus está
em nós. A saúde de Deus está em nós. A natureza de Deus está em
nós. A bondade, a justiça, o amor de Deus, tudo isso é residente
dentro do nosso espírito recriado. Não precisamos buscar estas
coisas, precisamos é de ter revelação de que elas já estão dentro
de nós. Nós temos a mente de Cristo, a unção do santo; tudo aquilo
que é necessário para uma vida santa e plena, já foi colocado
dentro de nós pela pessoa do Espírito Santo. Uma vez que nós
andamos no espírito todas as realidades do Espírito Santo de Deus,
que habita em nosso próprio espírito, se tornarão realidades em
nós.
       Todos nós éramos como um enfermo portador de vários tipos
de doenças. Depois que o médico fez o diagnóstico, deu-lhe a
receita para que tomasse vários tipos de remédios, cada um para
uma doença. O farmacêutico, então, colocou todos os
medicamentos dentro de uma única seringa. Esse conjunto de
medicamentos foi a dose que resolveu todas as suas enfermidades.
A mesma coisa Deus fez em nós; ele injetou em nós uma dose que
resolve todas nossas necessidades, essa dose é o Espírito Santo.
Precisamos entender no Espírito que tudo o que necessitamos para
uma vida com Deus já nos foi dado por meio do Espírito Santo que
em nós habita. Se precisarmos poder, Ele é o poder. Se
precisarmos de amor, Ele é o amor que foi derramado em nossos
corações. Se precisarmos de entendimento, todos os tesouros da
sabedoria estão ocultos nEle. Portanto, todas as coisas já estão
completadas em nosso espírito.
       O que precisamos aprender hoje é sermos guiados pelo
Espírito e dependermos dele em todas as nossas necessidades. A
vida cristã é constituída de duas substituições; a primeira foi na Cruz
onde O Senhor Jesus morreu em nosso lugar e a segunda é no
nosso dia a dia onde o Espírito Santo quer viver em nosso lugar
sendo a nossa própria vida.
       Para melhor entendermos a vida no Espírito vamos dividir o
nosso estudo em três princípios bem simples: A vida no Espírito
implica em três coisas: andar por fé, andar pela cruz e andar no
sobrenatural.



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A experiência do andar no espírito

                                                                               NOTAS
Primeiro Princípio Do Andar No Espírito:

Andar Em Fé

       A maneira de entendermos o padrão da vida no Espírito é
compreendendo como foi o primeiro pecado. O pecado desviou o
homem do padrão de Deus. Conhecer o desvio já nos ajuda a
determinar o caminho de volta ao modelo de Deus.
       O primeiro pecado: Incredulidade. Se entendermos como
surgiu o primeiro pecado do homem, poderemos entender como os
outros surgem, pois o princípio do pecado é o mesmo (Gn. 3:1-6).
       O primeiro pecado não foi terrível, do ponto de vista da
aparência. Não era obsceno, não era pornográfico, não era
escandaloso, não era feio de se ver. Adão e Eva apenas comeram
da fruta, nada mais do que isso. O primeiro pecado, entretanto, deu
origem a todos os outros, pois o princípio que o governou governa
todos os outros, embora possam surgir de formas diferentes. Como
é isso? No princípio, o homem andava no espírito. A Bíblia diz que
"à tardinha, Deus vinha ter comunhão com o homem, todos os dias".
Isso indiscutivelmente é uma relação espiritual, pois Deus é Espírito.
O homem era um ser guiado pelo espírito, naqueles dias. O espírito
é o ponto central na vida do homem. A alma era como um servo, em
relação ao espírito. Mas, com o pecado, aconteceu algo dentro do
homem: o seu espírito morreu para Deus e a sua alma cresceu,
tornando-se o centro do seu ser. O homem passou a ser carne. O
propósito de Deus, desde então, é nos restaurar a posição que
Adão desfrutava de comunhão com Ele. E não apenas isso, pois
nós hoje temos mais que Adão teve: Deus entrou em nosso espírito
humano recriado, tornando-se a nossa vida. Adão nunca comeu da
"árvore da vida", nós, porém, hoje, podemos comer dela, pois a
árvore da vida é o Senhor Jesus.
       Mas qual foi a essência do primeiro pecado? Podemos dizer
que o pecado se manifestou por três princípios. O primeiro princípio
foi a incredulidade. O primeiro pecado foi o da incredulidade. Eva
preferiu acreditar no que o diabo disse a acreditar no que Deus
dissera: "se comeres, vais morrer". O diabo veio e desmentiu Deus,
dizendo: "é certo que não morrereis".
       Certa vez, pregando a um homossexual, ele me disse: "é
impossível eu deixar de ser o que sou". E eu lhe respondi: "Isso é o
que o diabo diz, mas Deus diz que se você crer, você se tornará
uma nova pessoa, uma nova criatura. O mundo diz:” você nunca
pode mudar; pra você não há libertação; você nasceu assim, vai
morrer assim; pode até virar crente, mas vai continuar sendo o que
era; pode até nunca falar sobre isso, mas continuará sendo “- isso é
o que o mundo e o diabo dizem. Mas Deus diz que se você crer,
será nova criatura - é uma questão de ser e não simplesmente de
fazer. Você é nova criatura. E eu disse àquele homossexual:” diante
de você têm duas afirmações: a de Deus e a do diabo. Qual você
escolhe?”A base dessa escolha é uma questão de em quem vou
crer?" Devemos sempre colocar para o homem essa mesma
escolha, pois foi nesse ponto que o pecado surgiu: quando Adão e


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A experiência do andar no espírito


Eva preferiram confiar no diabo a confiar em Deus. "Seja Deus
                                                                              NOTAS
verdadeiro e mentiroso todo homem". Deus não pode mentir; Ele é
completamente fiel àquilo que diz.
       Eva duvidou da Palavra de Deus; aqui começou o problema
da carne. E para entrarmos agora na dimensão do espírito,
devemos cumprir a primeira condição: "Andar em espírito implica
em andar em fé". Se não andamos em fé, então não estamos
andando no espírito - "andar no espírito é andar em Fé".
       Andar no Espírito e andar em fé se misturam na Bíblia. Em
Hebreus 11:6, lemos que "sem fé é impossível agradar a Deus"; e,
em Romanos. 8:8, lemos que "os que estão na carne não podem
agradar a Deus". Observe estas duas colocações: em Hebreus, os
incrédulos não podem agradar a Deus; e, em Romanos, os carnais
também não podem agradá-lo. Logo, por associação, dizemos que
os carnais são também incrédulos - são a mesma coisa.
Carnalidade é sinônimo de incredulidade. Aqueles que estão na
carne são facilmente percebidos, pois eles são incrédulos,
indiferentes e insensíveis.

Três Formas de Manifestação do Pecado
Para com a pessoa de Deus, o pecado se manifesta de três formas:

O primeiro tipo de pecado é a soberba, a rebeldia.
       Esse pecado agride Deus em sua autoridade, atinge o trono
de Deus. Satanás disse: "subirei acima das mais altas nuvens e
serei semelhante ao Altíssimo” Isaias. 14:13. Do ponto de vista de
Deus, esse é o tipo mais grave de pecado, porque ele atinge
diretamente o trono de Sua autoridade.

O segundo tipo de pecado é a desobediência.
       O desobediente é aquele que mente, rouba, prostitui; é
aquele que desobedece ao mandamento de Deus. O desobediente
agride Deus em sua santidade, Deus é santo; Ele não suporta a
sujeira, a impureza e a iniqüidade. Esse tipo de pecado é terrível,
mas, do ponto de vista de Deus, a rebeldia é mais grave ainda.

O terceiro tipo de pecado é a incredulidade.
       O incrédulo atinge Deus em seu caráter. Ele é aquele que faz
de Deus um mentiroso. Deus diz: "em tudo fostes enriquecidos",
mas o incrédulo diz: "eu sou pobre". Deus diz: "eu carreguei na cruz
a sua enfermidade; o incrédulo diz:” tenho medo de morrer de
câncer “. Deus diz:” eis que vos dou autoridade sobre serpentes e
escorpiões “; o incrédulo diz:” eu não tenho o dom de expulsar
demônios; isso é só para pastores “. Percebe que há muitas
maneiras sutis de dizer que Deus é mentiroso. Nem sempre somos
descarados, na maioria das vezes somos sutis.
       Certa vez, um irmão me disse: "Pastor, acho que não
devemos fazer apelos para a cura, dizendo que podem vir à frente,
e que todos os que crerem serão curados; nem todos são curados e
isso pode levá-los à revolta". E eu lhe perguntei: "Todos os que
crêem são salvos?” Ele respondeu: "é claro que sim". Eu disse "a


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A experiência do andar no espírito


mesma cruz que garante a salvação, também garante a cura" Se
                                                                              NOTAS
faço apelo e nem todos são salvos, isso não impede de o fazer
novamente, não são salvos porque não crêem. E se nem todos são
curados é porque nem todos crêem. Devemos crer em toda a
Palavra e não apenas em algumas partes; pois se Deus mente em
uma pequena frase, Ele compromete toda a Bíblia, se há uma parte
errada, quem me garante que toda ela também não está errada? Ou
é tudo verdade, ou nada é verdadeiro: é um princípio da lógica. Mas
graças a Deus, que é fiel, e nenhuma de suas palavras deixará de
se cumprir. A incredulidade se manifesta de maneira sutil.
       Fé é sinônimo de vida no espírito. Se alguém anda no
espírito, invariavelmente ficará cheio do Espírito. Uma pessoa que
anda no espírito pode facilmente ser reconhecida, pois naturalmente
expressará a vida. Quando falo de vida, não estou me referindo à
vida prática - retidão, integridade - tudo isso um cristão deve ter;
estou falando de algo mais tênue, subjetivo. Refiro-me a algo que
não sabemos de onde vem, nem para onde vai. Quando olhamos a
pessoa, sentimos algo diferente nela. O primeiro sinal, que o Senhor
Jesus fez, foi transformar água em vinho. O vinho é símbolo de vida.
Por quê? Isso pode ser facilmente observado na pessoa que ingere
uma certa quantidade de vinho, ou outra bebida alcoólica. A
primeira coisa que se percebe nela é uma mudança em sua pele -
mostra uma aparência de saúde. Em segundo lugar, os olhos
começam a brilhar, como que cheios de alegria; é uma alegria
natural, proveniente da bebida. Em terceiro lugar, surge uma dose
de ânimo, empolgação e força. A pessoa começa a se sentir como
um leão; em seus lábios, o sorriso é fácil, e ela parece estar cheia
de vida. O vinho é para nós um símbolo de vida, pois provoca uma
sensação, ainda que superficial e efêmera, de vida. Quando
bebemos, e nos embriagamos do Senhor, acontece algo parecido,
mas é algo que ninguém pode nos tirar. O sorriso também fica fácil,
não há mais dificuldades de jubilarmos diante de Deus, de saltar, ou
de gritar. Não é uma alegria que vem de fora - piadas ou do ritmo
quente da música - é algo mais sublime, que vem de dentro, que
vem do espírito; é algo permanente. Há um fogo do Senhor que vem
queimando dentro do coração, que torna a vida diferente e linda.
Esse fogo é a presença viva do Senhor em nós. "andar em fé" gera
a vida, pois implica andar sobre a Palavra de Deus.

O Que Significa Andar em Fé

Renunciar ao esforço próprio

      Andar em fé implica em abrirmos mão do que vemos, do
nosso esforço próprio e do nosso entendimento próprio. Isto quer
dizer que andar no espírito também implica em renunciarmos a
estas três coisas: andar por vista, por esforço próprio e por
entendimento próprio. Todo carnal anda pelo esforço próprio. A fé
pressupõe dependência de Deus. Se andarmos pela nossa força,
não precisamos exercer fé. A principal característica da vida de fé é
o descanso. Hebreus 4:3 diz que "os que crêem entram no


                                 69
A experiência do andar no espírito


descanso". Os que andam no espírito andam em descanso. É como
                                                                               NOTAS
um barco no meio do mar, não tem que se esforçar, é só deixar-se
levar pelo vento. Nós somos o barco, o vento é o Espírito. Veja que
este descanso não é lazer, não é retiro, não é férias. Podemos ir a
estes lugares, em todas estas formas de descanso, e mesmo assim
não descansarmos. O verdadeiro descanso é poder dizer: "Senhor,
és tu quem fazes, não eu. Não sou eu quem salva, és tu, Senhor.
Não sou eu quem santifica, és tu, Senhor. Não sou eu quem faz, és
tu, Senhor". Se ficarmos angustiados cada vez que temos de
pregar, e se a ansiedade aumenta, a ponto de a vida perder o
sabor, é porque tem faltado o descanso "Resta um descanso para o
povo de Deus". A obra de Deus não se faz no cansaço; não se faz
na fadiga, não se faz com suor: se faz na dependência do Senhor.
        Ezequiel 44:17 dá uma orientação clara àqueles que
trabalham no templo: "E será que quando os sacerdotes entrarem
pelas portas do átrio interior, usarão vestes de linho, não se porá lã
sobre eles, quando servirem nas portas do átrio interior, dentro do
templo. Tiras de linho lhes estarão sobre as cabeças, e calções de
linho sobre as coxas, não se cingirão a ponto de lhes vir suor". Na
obra de Deus, não pode haver suor. Nós somos sacerdotes levitas,
encarregados de servir na casa do Senhor e, quando servimos ao
Senhor, não pode haver suor. Qual é o significado do suor? Gênesis
3:19 fala que o suor é maldição, por causa do pecado. Suor é
símbolo de maldição, mas graças a Deus que, por meio de Jesus
Cristo, nos libertou de toda a maldição do pecado. É bom demais
servir a Deus. Não temos de suar, não temos de viver no cansaço.
É como diz o cântico: "É meu somente meu todo o trabalho, e o teu
trabalho é descansar em mim". Essa é a Palavra de Deus para nós.
        Fico preocupado com pastores e líderes que tem estafa.
Estafa não está nos planos de Deus para nós. Estafa é maldição.
Observe que aqueles que trabalham em serviço braçal não têm
estafa, deitam e dormem o sono do descanso. Mas há pastores e
líderes que não dormem à noite, ficam uma, duas, três, quatro
noites acordados, até que lhes vem uma estafa. Não é um cansaço
físico, mas mental, da alma. Aqueles que se achegam para servir no
santuário não podem suar lá dentro. Não temos mais de suportar a
maldição do pecado, pois Jesus já suou o nosso suor para que Nele
tenhamos descanso. O Senhor suou no Getsêmane o suor que nos
cabia. Não precisamos nos esforçar até suar, Ele já suou por nós;
não temos o que fazer com suor, Ele já fez tudo por nós.
        Alguém pode perguntar: "não temos mais nada?" Nada! "Mas
e quem vai pregar o Evangelho? " Não somos nós quem pregamos;
somente a boca é nossa, o resto é trabalho do Senhor. Muitos ficam
se cobrando o tempo todo: "tenho de pregar; preciso pregar". É
como uma paranóia, uma obsessão. Deus me livre de dizer que não
devemos pregar, não falo disso; ouça-me, se andamos no espírito,
passaremos vida. A vida é algo que sai de nós, sem que
percebamos, ou sem nos esforçarmos. Se tivermos vida, os outros
perceberão. É aquele princípio que diz "a boca fala do que o
coração está cheio". Se o nosso coração está cheio da vida de
Deus, como um rio de água viva, naturalmente a boca vai


                                 70
A experiência do andar no espírito


manifestar o que está lá dentro. Não há trabalho nenhum nisso, é
                                                                              NOTAS
uma questão de ser espontâneo, e de ter vida fluindo do espírito.
Quando você se enche do Senhor, no descanso, naturalmente você
vai fazer a obra de Deus. A obra do Senhor tem de ser espontânea
em sua vida. Tem de ser gostosa de se fazer. Tem de ser
empolgante ser líder; a idéia de ser pastor tem de ser agradável à
mente. É bom trabalhar para o Senhor, porque o nosso trabalho é
descansar Nele.
       Vemos que o primeiro aspecto do andar em fé é o abrir mão
do esforço próprio, e entrar no descanso de Deus. Se andarmos em
espírito, andamos também em descanso.

Não andar por vista

        O segundo aspecto importante para frisarmos é “não andar
por vista”. II Coríntios. diz: "andamos por fé e não pelo que vemos".
        Tenho sempre comigo uma regra: enquanto o que vejo bate
com a Palavra de Deus, continuo vendo; quando, porém, não bate
mais, ignoro o que estou vendo, e fico somente com a Palavra de
Deus. Note que é um estilo de vida louco; é loucura para o mundo.
Uma das situações onde isso pode ser mais facilmente observado é
com relação às enfermidades. Muitas vezes insistimos em olhar
para os sintomas da doença, em vez de olharmos para a Palavra de
Deus. Se a Palavra diz que o Senhor já levou as nossas
enfermidades na cruz, devemos rejeitá-las, e passar à verdade da
Palavra, independentemente daquilo que estamos vendo ou
sentindo. Não é mentir para nós mesmos, dizendo que não estamos
doentes, mas é declarar a Palavra, e ignorar os sintomas da
doença. Poucos de nós fazem isso, preferimos andar por vista; isto
é, na carne. Andar por vista é característica do carnal. Se
insistirmos em andar por vista, seremos escravos do natural. As
circunstâncias irão facilmente nos desanimar, e tenderemos a ficar
prostrados. Se eu ficasse olhando a forma superficial de alguns
adorarem a Deus, ficaria desanimado e nem iria mais dirigir louvor.
Se eu ficasse olhando o grande número de crentes infantis, iria
desistir de fazer a obra de Deus. Se eu ficasse olhando as
diferenças pessoais e a postura de alguns líderes, nunca iria crer na
unidade da mente e do coração. De maneira que, devemos ter um
olhar profético: andamos pelo que cremos que será e não pelo que
o diabo quer nos mostrar. Vejo um povo que adora a Deus; um povo
forte que manifesta o reino de Deus; uma liderança ungida, que
ministra em unidade. Creio e sei que na dimensão do Espírito já é
assim, ainda que com os meus olhos naturais não o veja.
        O segundo aspecto do andar em fé, então, é não andar
segundo a vista.

Renunciar ao entendimento próprio

       Vimos que há aqueles que andam pelo esforço próprio, há os
que andam por vista, mas há também os que andam pelo seu
próprio entendimento. A Palavra de Deus diz que no princípio Deus


                                 71
A experiência do andar no espírito


criou Adão e Eva e os colocou no Jardim do Éden. Lá havia duas
                                                                              NOTAS
árvores: a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do
mal. A árvore da vida aponta para a vida de Deus. Jesus é o
Caminho, a Verdade e a Vida; "Nele estava a vida e a vida era a luz
dos homens". João. 14:6 e 1:4. A luz significa que pela vida, eu
posso ter luz, ou seja, posso conhecer a realidade última das
coisas. A vida de Deus, que agora está em nós, se manifesta como
luz em nosso espírito. É uma sensação de clareza, de
entendimento. Deus queria que Adão comesse da árvore da vida e
vivesse por essa vida. Ele não iria conhecer nada - nem o bem, nem
o mal, nem o certo, nem o errado - e a vida iria guiá-lo em todas as
circunstâncias. Entretanto, sabemos que ele pecou, comendo da
árvore do conhecimento; e Adão e Eva passaram a conhecer o bem
e o mal. E, desde então, o homem passou a ser dirigido segundo o
que é certo ou errado. Mas, ouça-me, ser cristão não é uma questão
de entender se algo é certo ou errado, se é moral ou imoral e nem
mesmo se é ou não uma questão ética. Ser cristão é andar pela
árvore da vida, isto é, andar segundo a vida que está em nós, e que
Adão nunca teve. Essa vida é a luz, e nos dirige em toda a vontade
de Deus.
       Alguns irmãos, antes de fazerem alguma coisa, perguntam:
"será que isso é certo ou é errado? Será que é pecado ou não?" E
pensam que com isso estão agradando a Deus. Isso é andar pelo
entendimento e não por fé, na direção da vida do espírito. Porém, a
Bíblia diz: "Tudo o que não provém de fé é pecado" Romanos.
14:23. Aqueles que agem assim estão andando segundo a árvore
do conhecimento do bem e do mal. Isso pode até parecer piedoso e
bem intencionado, mas não provém da dependência e fé em Cristo,
é, portanto da carne. Se antes de fazermos alguma coisa
dissermos: “isto não é errado, não é pecado, não escandaliza, não
ofende e nem faz mal a ninguém“, estaremos agindo segundo o
entendimento do certo e do errado e não pela vida.
       Certamente você ainda vai descobrir que muitas coisas que
não são erradas, que não escandalizam e nem são sujas são
reprovadas por Deus. Porém, não devemos nos preocupar em
proibir ninguém de coisa alguma. Não devemos ser escravos de
código de conduta, de códigos morais e normas de certo e de
errado. O importante é aprender a andar no espírito. Podemos
seguir piamente um código e ainda assim vivermos na carne. O que
importa não é conhecermos o que se pode e o que não pode fazer,
o que importa é conhecer a vontade de Deus. Há muitos irmãos que
querem tudo prontinho, querem normas e regras sobre regras.
Precisamos é ensiná-los a ouvirem o espírito, e, naturalmente, eles
vão fazer a vontade de Deus. Se andarmos por entendimento, não
dependeremos de fé no Espírito; por isso os que andam pelo
entendimento próprio não podem agradar a Deus; o que eles fazem
não provém da fé, e isso é carne.
       Quando o Senhor fala, há fé. Quando Ele fala conosco,
sempre manifestamos uma convicção e certeza resoluta. Mas
quando Ele não fala, há confusão e dúvida. Nunca façamos nada na
base da insegurança e incerteza, pois certamente não provém de


                                72
A experiência do andar no espírito


Deus. As coisas do Espírito são também na base da fé, pois andar
                                                                             NOTAS
no Espírito implica em andar por fé. E tudo o que não provém de fé
ou dependência de Deus é carne.
        Quando estivermos aconselhando uma pessoa, não devemos
dar-lhe as coisas prontas, devemos antes estimulá-la a usar o seu
próprio espírito, para que possa discernir a direção de Deus. Só há
crescimento, quando Deus fala; as palavras humanas podem ser
boas, mas somente quando Deus fala há transformação e há vida.
Só há crescimento quando aprendemos a ouvir a Deus. Muitos
discipuladores estimulam seus discípulos a serem seus
dependentes. Ensinam que os discípulos não devem fazer nada
sem antes compartilhar com eles. Isso não é o propósito de Deus; o
discipulador deve permitir que o discípulo aprenda a ouvir e a
depender de Deus. Se o discipulador sempre fala qual é a vontade
de Deus, o discípulo nunca vai aprender a discerni-la por si mesmo,
e isso é lamentável.
        Com relação ao "andar em fé", três coisas são consideradas
como da carne. Carne é andar pela força própria, pela vista e pelo
entendimento próprio. Andar em fé é o oposto: andar no descanso
de Deus, ignorar a vista e renunciar o próprio entendimento.
        Antes, porém de avançarmos, devemos entender que a
direção do Espírito nunca está fora da Palavra de Deus. Deus e a
sua Palavra se misturam. Assim como eu sou aquilo que eu falo,
Deus é aquilo que Ele fala. A Palavra é o seu retrato. Crer Nele é
crer em sua Palavra. Se alguém diz crer em Deus e não crê na
Bíblia, está mentindo; pois é impossível crer em Deus e não crer no
que Ele diz.
        Se quisermos "andar no Espírito", devemos andar pela fé na
Palavra de Deus; as duas coisas se misturam, na prática.

A Necessidade de Crescer em Fé

       Nós podemos crescer na vida espiritual. O crescer espiritual
está muito relacionado com o crescer em fé. Quero compartilhar
dois princípios básicos que nos levam a avançar em novos níveis de
fé: crescemos em fé, conhecendo a Palavra - pelo espírito, por
revelação - e crescemos confessando a Palavra. Uma parte só não
resolve, temos de conhecer a Palavra por revelação e temos de
confessá-la com os nossos lábios.

A Revelação da Palavra

       "Para que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da
Glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação, no pleno
conhecimento Dele, iluminados os olhos do vosso coração, para
saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza
da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do
seu poder para com os que cremos..." Efésios. 1:17-18.
       Como você viu no assunto anterior do Curso de Maturidade
no Espírito, acerca da Experiência de Receber Revelação, em
primeiro lugar, a revelação surge quando há um coração ensinável.


                                73
A experiência do andar no espírito


Se me jugo conhecedor de todas as coisas, quem estará apto para
                                                                              NOTAS
me ensinar?
       Devemos também ter um coração que se humilha. Não
devemos ter uma atitude de constrangimento em aprender com
quem quer que seja. Ouça, se você, com soberba, disser: "não vou
aprender com aquele irmão, vou buscar de Deus e aprender
sozinho". Deus não vai falar com você. Deus resiste ao soberbo,
mas dá graça aos humildes. Se eu souber que um líder qualquer em
Goiânia está fluindo numa área qualquer da Palavra, vou lá
aprender com ele e Deus vai falar comigo lá. Mas se eu disser: "eu
sou pastor, igual a ele, Deus vai falar comigo também. Isso é
soberba e nunca vou crescer dessa maneira”.
       No Novo Testamento, encontramos duas expressões que são
traduzidas para o português como "palavra". São as expressões
"Logos" e "Rhema".
       Logos é a palavra escrita, é a letra, é o que está registrado
nas Escrituras.
       Rhema é a palavra viva revelada pelo Espírito e que queima
em nosso coração.

A Confissão da Palavra de Deus

       "Porque com o coração se crê e com a boca se confessa a
respeito da salvação". Romanos 10:10.
       A nossa fé precisa ser cultivada à maneira de Deus, para
reforçarmos a fé e abrirmos a boca. Não basta orar com o coração.
É preciso também confessar com a boca. Muitas vezes Deus vem
com um entendimento forte na Palavra, a respeito de uma verdade,
mas com o tempo, nos esquecemos daquela verdade. Por que isso
acontece? Porque deixamos de falar nela. Deixamos de confessá-
la, de contar para os outros, de ensinar e mesmo de pregá-la. Se
fecharmos a boca, com o tempo perderemos aquele entendimento
vivo, e tudo se tornará apenas conhecimento mental. Mas existe um
outro lado muito importante, mesmo que ainda não tenhamos
revelação de uma verdade, se abrirmos a boca e começarmos a
confessá-la, logo ela vai começar a gerar fé em nós. Vemos então
que a confissão não apenas preserva a revelação recebida, mas
também nos abre o espírito para novas revelações.
       Mas o que é confessar? Há uma maneira bem simples de
memorizarmos o que devemos estar constantemente confessando:
Eu devo confessar:


      • O que Deus diz acerca de si mesmo. O que Ele é.

      • O que Deus diz acerca do que possui. O que Ele tem.

      • O que Deus diz acerca do que pode fazer. O que Ele faz.

      • O que Deus diz acerca de mim. O que eu sou.



                                74
A experiência do andar no espírito


      • O que Deus diz acerca do que possuo. O que eu tenho.
                                                                                 NOTAS

      • O que Deus diz acerca do que posso fazer. O que eu
      faço.

      A base da nossa fé é aquilo que Deus diz. A palavra é o trilho
do qual nós andamos. Aprenda tudo aquilo que Deus diz que é, e
confesse constantemente, você vai perceber que a sua fé
gradualmente vai se fortificar e crescer.

O Que Deus Diz Que Eu Sou:

      Eu sou nova criatura (I Cor. 5:17).

      Eu sou templo do Deus vivo. (I Cor. 6:16).

      Eu sou como árvore plantada junto a ribeiros de água, que no
      devido tempo dá o seu fruto e tudo quanto faço sou bem
      sucedido (Sl. 1:3).

      Eu sou forte e ativo porque conheço o meu Deus (Dn. 11:32).

      Eu sou mais que vencedor por meio daquele que me amou
      (Rm. 8:37).

      Eu sou zeloso de boas obras (Tt. 2:14).

      Eu sou um ganhador de almas e por isso sou sábio (Pv.
      11:30).

      Eu sou feitura Dele, portanto sou belo (Ef. 2:10).

O Que Deus Diz Que Eu Tenho:

      O amor de Deus está derramado em meu coração (Rm. 5:5).

      A unção do Santo permanece em mim ( I Jo. 2:27).

      Deus me tem dado autoridade sobre todo o poder do inimigo
      e nada me causará dano (Lc. 10:19).

      Posso todas as coisas naquele que me fortalecesse (Fl.4:13).

      Deus me deu espírito de poder, de amor e de moderação (II
      Tm. 1:7).

      Maior é o que está em mim do que aquele que está no
      mundo ( I Jo. 4:4).

      Deus sempre me faz triunfar em Cristo Jesus (II Cor. 2:14).



                                 75
A experiência do andar no espírito


      Eu tenho sido abençoado com toda sorte de bênção
                                                                             NOTAS
      espiritual nas regiões celestes, em Cristo Jesus (Ef. 1:3).

      Eu tenho o poder do Espírito Santo (Mq. 3:8).

O Que Deus Diz Que Eu Faço:

      No nome de Jesus eu expulso demônios, falo novas línguas,
pego em serpentes; se beber alguma coisa mortífera não me
causará dano; imponho as mãos sobre os enfermos e eles são
curados (Mc. 16:17). Eu venço o diabo pelo sangue do Cordeiro e
pela palavra do meu testemunho (Ap.12:1).


SEGUNDO PRINCÍPIO DO ANDAR NO ESPÍRITO:

Andar Pela Cruz

       Para gerar incredulidade em Eva, o diabo procurou usar de
estratégias. O diabo é espírito, e os espíritos não podem mudar; da
mesma maneira que ele agiu com Eva, age conosco hoje. Desta
forma, através de suas ações na Bíblia, podemos conhecer suas
estratégias e guerrear contra ele.
       A primeira área que o inimigo atacou foi a bondade de Deus.
Ele disse: "Deus não deve ser bom, caso contrário, não teria
proibido comer da árvore". Nunca devemos permitir que em nossa
mente haja a mínima insinuação satânica de que Deus não é bom,
isso não é verdade. Essa é, muitas vezes, a forma que o inimigo
encontra para gerar incredulidade em nós.
       Durante muito tempo convivi com muitos medos dentro de
mim, todos eles relacionados com a dúvida sobre a bondade de
Deus. Tinha medo de ser pastor, porque achava que a vida das
ovelhas não estaria em boas mãos; poderia ser, que na hora crucial,
Deus faltasse. Tinha medo até de orar, pois eu pensava que se
orasse muito, Deus resolveria enviar-me para o meio dos índios, e
disso eu tinha medo. Veja que a minha vida foi por muito tempo
bloqueada, em função de eu ter duvidado da bondade de Deus. E
ele é bom, Aleluia!
       A segunda área que ele atacou foi o caráter de Deus. Ele
disse que Deus não era reto, pois havia mentido, certamente o
homem não morreria se comesse da árvore. Ora, se Deus era
mentiroso, não valia a pena confiar Nele, daí também surgiu a raiz
da incredulidade. É impressionante vermos como o povo de Deus
tem engolido esses dois ataques do inimigo. Muitos afirmam
categoricamente que Deus é mau, ao afirmarem que foi Deus quem
lhes mandou doenças. Muitos procuram pastores para receberem
oração dizendo: "Pastor, ore por mim por que a mão de Deus me
feriu com esta enfermidade. Ora, se foi a mão de Deus que feriu, eu
não posso orar; se for a vontade de Deus, certamente ele não me
ouvirá. Penso que as pessoas que têm essa posição não deveriam
nem mesmo ir ao médico, pois se foi Deus quem mandou, o homem


                                76
A experiência do andar no espírito


não pode desfazer. E se Deus mandou a doença, ela é uma coisa
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boa, pois Deus só nos dá coisas boas. Qual pai teria coragem de
mandar câncer para seu filho? Pois se nós sendo humanos não
agimos assim, muito menos o Senhor. Deus é mentiroso - não
falamos isso descaradamente, como fez o inimigo, mas aceitamos a
sugestão de que, nem tudo o que está escrito acontece hoje em dia.
A Bíblia realmente diz que Deus cura, mas hoje Ele não cura mais.
Se Deus não cura mais, então Ele é mentiroso, pois Deus nunca
muda, sempre é o mesmo e se Ele curou no passado e não o faz
mais, a Sua Palavra é falsa, pois mudou com o tempo. Se existe
alguma coisa que Deus não mais faça em Sua Palavra, ela é
indigna de confiança, pois, como vou ter certeza de que alguma
coisa pode ser feita hoje, ou não?
       Se desejarmos andar no espírito, devemos desmentir o diabo
e confessar tudo aquilo que Deus diz que é, tudo aquilo que Ele diz
que faz e tudo aquilo que Deus diz que tem: "Eis que as suas mãos
não estão encolhidas para não poder abençoar e nem surdos os
seus ouvidos, para não poder ouvir". A vontade de Deus para nós é
a saúde, a vida, a prosperidade e a paz.
       A terceira área que o diabo atacou foi a santidade de Deus,
dizendo que Deus não queria que ninguém conhecesse o bem e o
mal, que Deus não queria que ninguém fosse como Ele, que Deus
queria ser o único. Aquilo que Satanás desejou na sua soberba e
aquilo que Adão e Eva buscaram na sua desobediência, Deus agora
nos concede gratuitamente, por meio de Jesus Cristo; eles queriam
ser como Deus e nós, agora, nos tornamos Seus filhos, gerados
pela Sua semente. No Salmo 82:6, Deus diz:
       "... sois deuses, pois sois todos filhos do Altíssimo". Eu sou
agora da raça de Deus, sou filho. Nisto, Deus prova a Sua
santidade, pois nos concedeu aquilo que foi acusado de não querer
compartilhar: a Sua natureza divina.
       Para que a nossa fé seja forte, devemos ter uma revelação
clara do caráter de Deus, Deus é bom e tem o melhor para nós.
Deus é reto e nunca pode mentir ou falhar naquilo que disse: a Sua
palavra é a própria verdade. E Deus é santo e nos fez participantes
da Sua natureza, da Sua riqueza e da Sua glória. Aleluia! Se
permitirmos surgir dúvidas nestes aspectos, então a nossa fé será
abalada e não poderemos viver no espírito, pois, como já
aprendemos, andar no Espírito implica em andar em fé. Andamos
por fé na Palavra. A Palavra é o trilho, andar no Espírito é andar no
trilho da Palavra. Vimos que o pecado foi originalmente a
incredulidade, e que se desejamos andar hoje no espírito, temos de
andar em fé. Mas temos de avançar um pouco mais agora e
entender que houve um outro aspecto: a independência.
       Havia no Éden duas árvores: a árvore da vida e a árvore do
conhecimento do bem e do mal. A árvore da vida apontava para o
próprio Deus. Se o homem optasse pela árvore da vida, teria
escolhido depender de Deus. Ele não saberia o bem e o mal por si
mesmo, teria de depender de Deus para saber. Não viveria por si
mesmo, mas por aquilo que Deus dissesse. Sabemos que isso não
aconteceu com Adão. Depois que o diabo falou, certamente Adão


                                 77
A experiência do andar no espírito


ponderou e disse: "se Deus é tudo isso, então é melhor eu mesmo
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tomar conta de minha vida, tomar minhas próprias decisões''. Isso
foi a independência.
        Como originou-se o primeiro pecado, certamente os outros
pecados se originam; pois todo pecado tem no seu centro o
egocentrismo. Todo pecado, em sua origem, é o ego em ação. A
independência é a forma específica de como o ego se manifesta:
"eu tenho minhas opiniões, meus desejos, meus alvos, minha
identidade". Quando o homem optou por comer da árvore do
conhecimento, o seu Ego, a sua alma, foi aumentado, e passou a
ser o centro da personalidade humana. O propósito de Deus era ( e
é) que o espírito humano fosse o centro, mas o pecado transformou
o homem em algo da alma, o homem se tornou almático. O espírito
morreu, o ego se tornou o centro, por isso o homem passou a ser
egoísta, egocêntrico.
        A melhor maneira de definirmos o pecado é entendermos que
é pecado tudo aquilo que tem origem no ego. Tudo aquilo que é
feito independente de Deus é pecado. Nesse sentido qualquer coisa
pode ser pecado, desde que feita independentemente de Deus.
Pode ser pregar, orar, ou qualquer outra coisa piedosa, se é feita
por iniciativa do ego, é carne; e portanto é pecado aos olhos de
Deus, ainda que aos olhos dos homens seja algo normal.
        Mas podemos ver também que atrás de todo fruto da carne
tem também o ego em ação. O que é inimizade? É quando o ego
não é reconhecido. O que é raiva? É o ego contrariado. O que é
ciúme? É o medo de o ego ser suplantado. O que é divisão? É o
ego que sempre está certo e nunca abre mão. O que é inveja? É
quando o ego não suporta que o outro tenha algo e ele não.
Poderíamos analisar cada pecado e observar que o princípio
subjacente a todos eles é a ação do ego.
         Assim como todo pecado consiste no egocentrismo, toda
virtude consiste no oposto, no altruísmo. Enquanto o egocentrismo é
colocar a si mesmo no centro, altruísmo é colocar-se o outro no
centro. O que é amor? É esquecer-se de si e olhar para o outro. O
que é alegria? É viver contente com o que se tem e o que se é.
Diante disso, vemos então que para vivermos uma vida no espírito,
não basta andar em fé, temos também de andar em amor. Andar
em amor é andar em renúncia do ego. É abandonar o egocentrismo
e a independência de Deus; é negar-se a si mesmo.
        Em I João 3:23, lemos: "Ora, o seu mandamento é este, que
creiamos em o nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns
aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou". O andar em
espírito implica andar em fé, andar pela cruz, em amor. Andar em
amor e andar pela cruz é a mesma coisa. Quando eu digo andar em
amor, estou me referindo, em primeiro lugar, ao fato de que amor é,
em última análise, renúncia de si mesmo. Se eu ando em amor, eu
também vou andar em dependência de Deus, pois tudo o que é feito
fora da dependência dEle é carne. Andar em amor também implica
em abrir mão do orgulho.
        Mas há ainda outras formas de vida egocêntrica. O
egocentrismo pode se manifestar na autopreservação. Precisamos


                                78
A experiência do andar no espírito


saber que autopreservação não é, em si mesma, pecado;
                                                                               NOTAS
entretanto, pode ser uma atitude egoísta. É assustador quando
vemos a atitude de certos crentes se preservando demasiadamente,
não admitindo nenhuma forma de desgaste, de dor ou de
sofrimento. O remédio de Deus para o ego é a cruz, e a cruz implica
de uma forma ou de outra, em alguma espécie de desgaste e perda
da comodidade.
        A vida no Espírito é uma conseqüência direta de passarmos
pela cruz. Só há cristianismo se vivermos pela cruz. Jesus não
apenas morreu numa cruz, ele viveu uma vida de cruz. Vida de cruz
consiste em renúncia diária do ego.
        Jesus, quando ensinou os seus discípulos a orar em Mateus
6:9-13, Ele terminou a oração dizendo: "porque teu é o reino, o
poder e a glória". Reino, poder e glória são tudo aquilo que o
homem natural anda buscando.
        O que é reino? O reino nos fala de bens, riqueza, respeito e
reconhecimento. Todo homem procura essas coisas e até mesmo
fica ofendido quando não alcança esse objetivo. Todos queremos
construir um reinozinho pessoal, pensando com isso encontrar a
realização. Mas o veredicto de Deus sobre isso é: carne. Se
buscarmos um reino para nós mesmos, estamos fora do padrão de
Deus. Veja que não é pecado buscar respeito, reconhecimento, ou
coisas assim, e mesmo o dinheiro, em si, não é pecaminoso, mas
se queremos andar no caminho da cruz, temos de abrir mão.
        E o que é poder? É aquele desejo íntimo de mandar, de ter a
primazia. Muitas vezes gostamos de poder dizer: "vá e diga a fulano
que fui eu quem lhe mandou". Isso é realização, é ser conhecido na
praça. O poder também nos fala de dons e capacidades. Eu posso
fazer certas coisas que os outros não podem. Isso me faz sentir-me
feliz e realizado, mas, se desejamos andar no caminho do espírito,
temos de ir para a cruz e abandonar esses desejos da carne.
        E, por fim, o Senhor entregou a glória. Aqui está um ponto
realmente crucial do ego: o elogio e a glória. A vida de cruz consiste
em abrir-se mão do reino, do poder e da glória.
        O Senhor precisa nos mostrar o quanto o nosso Ego é
deplorável aos seus olhos. Precisamos nos ver na luz do Senhor.
Podemos renunciar o Eu quando nos vemos no espelho de Deus.
Olhando para o tabernáculo, vemos que ali o Senhor nos ensina
sobre essa verdade espiritual. No átrio, havia dois móveis, o altar de
holocausto e a bacia de bronze. Ambos apontam para as bases da
vida cristã. O altar nos fala da obra da cruz e a bacia de bronze
aponta para o lavar regenerador e vivificador do Espírito Santo. Mas
antes de lavar, a bacia tinha uma função muito importante, ela era
como espelho. Em Êxodo 38:8, lemos que a bacia de bronze foi
feita dos espelhos das mulheres de Israel. O que isso nos fala?
Aponta para o fato de que antes de entrarmos no lugar santo, há um
espelho para nós. Esse espelho é a luz do espírito que mostra tudo
o que há em nós, e tudo o que está em nosso ego. Primeiro Deus
nos mostra, depois Ele nos muda, esse é o sentido da bacia de
bronze. Não há como crescer sem antes se conhecer.



                                 79
A experiência do andar no espírito


        Por outro lado esse autoconhecimento não vem pela
                                                                              NOTAS
introspecção e auto-análise. O Senhor não nos autoriza, em sua
Palavra, a ficarmos olhando para nós mesmos. A introspecção é
pecado. Nós nunca podemos nos ver, a não ser por meio de um
espelho. Por mais que eu me olhe, nunca vou me ver
completamente, só posso me ver completamente por meio de um
espelho e esse espelho é a luz do Espírito sobre nós. Ficar se
perguntando não vai resolver coisa alguma. Muitos se perguntam:
“será que eu estou falando na carne? Será que estou pregando na
carne? Andando na carne? Orando na carne?” Isso só vai abrir
espaço para respostas do diabo e certamente vai produzir uma
neurose. Perguntar-se a si mesmo não resolve, pois a introspecção
é esforço humano, portanto é carnalidade. Ninguém muda ninguém,
muito menos a si mesmo; isso é obra exclusiva de Deus. A carne
não pode mudar a carne.
        Nós saímos fora do trilho da Palavra de Deus para a nossa
própria tristeza. O padrão de Deus para nós é: "Senhor, tu me
sondas e me conheces, vê se há em mim algum caminho mau e
guia-me pelo caminho eterno" Salmo. 139:23-24. Mas muitos
querem mudar esse padrão para: "Eu me sondo e eu me conheço.
Eu vejo se há em mim algum caminho mau e eu me guio para o
caminho eterno". Percebe a diferença? A introspecção produz
tristes conseqüências, devemos ser cuidadosos com ela.
        A primeira maneira que Deus usa para nos levar ao fim de
nós mesmos é a revelação. Mas quando isso falha, por causa da
nossa dureza e insensibilidade ao Espírito, o Senhor se vê forçado a
usar outro recurso: o fracasso, o vexame. Não é da vontade do
Senhor que soframos vexame. Ele vem por causa da nossa dureza
e resistência em aprender por meio da revelação do Espírito. Ele
vem também porque muitas vezes temos um conceito errado a
respeito de nós mesmos; pensamos que somos humildes, quando
na verdade não somos. Pensamos que somos dependentes,
quando na verdade agimos pelo esforço próprio. Suponhamos que
um irmão simples é convidado para pregar na reunião principal da
Igreja, no domingo. Ele certamente vai sentir angústias e até ter
uma diarréia, por medo da responsabilidade. Essa é uma reação
interessante, porém é apenas uma expressão do medo da carne do
vexame. Como o irmão está inseguro, ele vai orar bastante, jejuar e
meditar na Palavra. Chega o domingo e a sua pregação é
impactante. Os líderes ficam admirados e convidam-no para o
próximo domingo também. No segundo domingo, ele já não fica tão
inseguro, mas ainda assim precisa gastar um tempo em oração,
buscando a Deus. Mais uma vez é uma bênção, e a liderança
extasiada o convida para mais um outro domingo. Dessa vez o
nosso irmão já está tão seguro que pensa ser capaz de pregar para
um estádio inteiro. Já não ora e nem medita na Palavra como antes,
ele agora pensa que pode confiar em si mesmo. Ele sobe no púlpito
e prega todo o seu sermão, mas quando olha no relógio não se
passaram mais do que dez minutos; ele começa a suar
copiosamente, sente calafrios; tonturas, uma pontada no estômago,
e o seu desejo é sair correndo dali. O terceiro domingo foi um


                                80
A experiência do andar no espírito


completo vexame. Veja a maneira como Deus fez, ele levou aquele
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irmão a perceber que ele não era tão dependente e humilde, quanto
pensava, mas foi só no terceiro domingo que ele percebeu isso. Não
é fácil perceber em nós erro nenhum, mas quando vem o vexame,
eles se tornam manifestos.
        Lembro-me quando certa vez fui convidado pelo Pastor para
substituí-lo, por motivo de viagem, mas o Pastor havia se esquecido
de que convidara um outro amado irmão para pregar. Esse irmão
havia convidado todos os seus familiares, o chefe de sua repartição
e até mesmo um deputado, para ouvi-lo. Em nossa igreja, não
usamos terno e gravata para pregar. Mas este irmão trajou-se
assim, naquele dia, e ainda se assentou atrás do púlpito. Eu, por
minha vez, estava dirigindo o louvor, e nem o notei, pois ele estava
ali atrás sentado; do louvor, passei à mensagem, sem perceber que
ele estava esperando que eu lhe desse a palavra. Este irmão
levantou-se e permaneceu de pé, atrás de mim uma boa parte da
mensagem, em um lugar que não pude percebê-lo. Todos olhavam
para ele, alguns riam, outros se remexiam no banco, de tanta
inquietação. Quando ele percebeu que eu não o vira, desceu do
púlpito completamente envergonhado. Esse foi a maneira de Deus
mostrar ao amado irmão a sua soberba. Esse irmão pensava que
ele era um pregador excepcional, por isso digo que não foi por
acaso que o Pastor se esqueceu que o havia convidado; Deus
estava de olho naquele irmão, para tratar com seu orgulho e
vaidade.

O que é negar a si mesmo?

       Antes de avançarmos no entendimento do princípio da Cruz
na vida de Jesus, necessário se faz clarear melhor o entendimento
do negar-se a si mesmo.
O negar-se a si mesmo não é a completa anulação da vontade. Isso
evidentemente é impossível, trata-se antes de uma renúncia
definida quando "minha" vontade quer seguir outra direção diferente
da vontade de Deus. Significa que a vontade de Deus deve ser
priorizada, e não a minha própria. Negar-se a si mesmo não é
tornar-se um alienado. Muitos enfiam as suas cabeças dentro de um
buraco pensando que dessa forma estão se negando. Isso, além de
ser perigoso, se constitui num sintoma de fuga neurótica. E Jesus
nunca quis dizer tal coisa.
       Negar-se a si mesmo não é vida de ascetismo. Na Idade
Média muitos monges deixaram suas vidas e paixões. Essa posição
coloca, no entanto, a vida cristã como uma dor constante. A vida
seria um peso. Dura de ser suportada. Jesus veio para que o
homem tivesse vida abundante. Não queremos retirar a dor da vida
normal, do crescimento sadio, mas não podemos fazer da vida uma
apologia à dor. Sofrer gratuitamente, para merecer o favor de Deus,
é uma teologia errada e não está coerente com o tipo de vida que
Jesus viveu e ensinou.
       Finalmente, negar-se a si mesmo não é a perda do desejo.
Quando o desejo se torna concupiscência, ele passa a ser pecado.


                                81
A experiência do andar no espírito


E nós já estamos mortos para o pecado e, portanto livres do seu
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domínio. Existem, no entanto desejos legítimos e bíblicos como o
desejo de se casar, ter filhos, pregar o evangelho, salvar vidas, e
coisas assim. Vemos, portanto que a autonegação proposta por
Jesus é, antes e tudo, uma renúncia ao domínio da própria vida, e
isso, sem dúvida, em algumas situações, vai implicar em todos os
aspectos que mencionamos acima. Haverá momentos de aparente
perda da vontade, da aparente alienação, de um também aparente
ascetismo, bem como de uma renúncia de um desejo legítimo. Ex,
Paulo optou por não se casar, mas era uma questão de consciência
particular. Isso acontece em função de que a vida cristã é, em
essência, uma contra-cultura do sistema vigente. Nunca devemos
nos esquecer que a Cruz é loucura para o mundo, mas para nós, é
o poder de Deus manifesto.
       Em Lucas 14:25-33 Jesus propõe aos seus seguidores o
padrão para a vida cristã, para o discípulo. Esse padrão nada mais
é do que a aplicação da cruz em cada parte do nosso ser. Nesse
texto Jesus dá três ênfases básicas quando por três vezes ele
expressamente disse: "não podem ser meus discípulos", nos versos
26, 27 e 33. As três coisas que ele mencionou foram os
relacionamentos, o eu e os bens.
       A vontade do Senhor é que a cruz possa tocar em cada uma
dessas áreas. Todas as vezes que Jesus falou de tomar a cruz ele
falou também sobre negar a si mesmo. Na verdade os dois
conceitos caminham juntos, negar a si mesmo é tomar a cruz. A
cruz nada mais é do que a vontade de Deus e não há como fazer a
vontade de Deus sem negar a nossa própria vontade.

A Cruz Toca os Nossos Relacionamentos

       "Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai e mãe, e
mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs a ainda a sua própria vida, não
pode ser meu discípulo" Lucas 14:26.
       O primeiro ponto diz respeito à minha necessidade de ser
aceito sempre pelos outros, de ser honrado, ser respeitado, ser
amado. E pelo lado negativo se relaciona com o medo de ser
rejeitado ou esquecido. Negar a si mesmo implica então numa
renúncia ao amor e à aceitação incondicional dos outros. Não que
eu não mais queira ser amado, mas que não buscarei ser amado a
qualquer preço. Se para for amado eu tiver que rejeitar a Jesus,
colocar em segundo plano a fé ou mesmo abrir mão da verdade;
então eu prefiro não ser amado.
       Todos nós temos uma grande preocupação com a nossa
reputação, com a maneira como os outros nos vêm. Quando
tomamos a cruz nós temos de esquecer a opinião do mundo a
nosso respeito. Mesmo que nos chamem de louco, fanático ou
estúpido isto não mais nos ferirá.
       Mesmo na vida da Igreja nós precisamos amar mais a Deus
do que buscar ser aceito pelos irmãos. Assim como Deus requereu
de Maria gerar a Jesus sendo virgem, ele pode requerer de nós algo
que pode nos trazer constrangimentos e lutas.


                                82
A experiência do andar no espírito


       Pense em como foi difícil para Maria aceitar ser usada por
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Deus desta forma. Ela poderia ser até apedrejada como adúltera.
Mas ela ignorou a aceitação do mundo. Hoje Deus pode nos pedir
que façamos coisas na vida da Igreja que serão mal interpretadas e
até rejeitada por muitos.
       Precisamos ser livres de todos. Não buscar a aprovação,
nem o elogio, o reconhecimento ou a aceitação mesmo de irmãos.
Oferecemos nosso amor, nossos elogios e nossa aceitação
incondicional, mas não esperamos ser retribuídos. É necessário que
cada um de nós deixe a cruz ser aplicada em nossos
relacionamentos.

A Cruz Toca o Nosso "Eu”

        "E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não
pode ser meu discípulo" Lucas 14:27.
        Isso é fundamental para qualquer cristão que conhece a
vontade específica de Deus para sua vida. Tomar a Cruz nos fala de
tomar a vontade de Deus em detrimento da minha. Há uma
tendência natural de evitarmos a dor e buscarmos o prazer.
Entretanto, muitas vezes, a vontade de Deus implicará em dor, e eu
devo me apossar dela em detrimento de meu desejo de prazer e de
conforto. A cruz nos fala de abrir mão de direitos, de
reconhecimentos, de oportunidades e assim por diante. Jesus, já
sob a sombra da cruz disse: Não a minha vontade, mas a tua...
        Várias vezes na vida e ministério de nosso Senhor, Satanás
ofereceu um caminho fácil para o poder sem a cruz. As tentações
para escapar da cruz foram muitas. Mesmo na hora em que ele
tragava o amargo cálice do calvário a tentação de descer da Cruz
foi agudíssima. Não é necessário dizer que Cristo tinha o poder de
fazê-lo se ele assim o quisesse. Só não podemos dizer o mesmo a
nosso respeito. Quantas vezes temos nós descido da cruz e perdido
o poder e a autoridade.
        Mas o que é descer da cruz? Você deve estar se
perguntando. Descer da cruz é qualquer atitude para salvar o "eu".
É qualquer tomada de um caminho fácil no que diz respeito a
princípios espirituais. Quero ser ainda mais exato e explícito. Todos
os esforços para defender, escusar, proteger, vindicar ou salvar o
ego é, com efeito, uma descida da cruz. Autocompaixão é descer da
cruz. Significa que a pessoa pensa ter sido injustiçada e sente pena
de si mesmo porque nada pode fazer a respeito. Eu que sou tão
maravilhosa ser tratada desta forma, pensa consigo mesma.
Ressentimento é descer da cruz. Significa que a pessoa foi
injustiçada e se irrita porque nada pode fazer a respeito, "logo eu
que sou tão isso e tão aquilo". Alguém como eu nunca poderia
sofrer dessa maneira. Você consegue perceber o ego aqui? A
recusa em se assumir a culpa é descer da cruz. Todos são culpados
menos eu, ou pelo menos todos são mais culpados do que eu. A
autovindicação é descer da cruz. Igrejas inteiras têm sido destruídas
porque alguém não abriu mão da vingança. Quando os outros nos



                                 83
A experiência do andar no espírito


entendem mal, os esforços indevidos para explicar nossas ações
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são a mesma coisa. A autojustificação é descer da cruz.
       Mas a maior de todas as formas de descermos da cruz é
quando oferecemos a cruz para o nosso irmão. Mas porque sempre
eu é que tenho de tomar a Cruz? Já viram como uma ovelha morre?
Não se ouve nem um gemido. Mas já observaram um porco sendo
imolado?
       Temos visto esse tipo de coisa mesmo na vida de pastores.
Muitas vezes tenho passado por irmãos pela rua e, por uma terrível
distração, não os vejo nem os cumprimento. Naturalmente esses
irmãos ficam ofendidos e vêm ter comigo. Numa situação dessas,
eu poderia dizer ao irmão: "toma a cruz, pare de pensar que o
mundo gira em torno de você. Em vez de buscar ser amado procure
amar; se não o cumprimento cumprimente você a mim”.Tal resposta
parece ser lógica, mas é uma repugnante descida da cruz.
       A minha atitude deve ser pedir perdão ao irmão e sarar as
suas feridas. Eu devo tomar a minha cruz e nunca oferecê-la para o
meu irmão. A cruz é um tipo de princípio que não podemos ensinar
por preceito, apenas por demonstração.

A Cruz Toca os Nossos Bens

       "Assim, pois todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo
quanto tem não pode ser meu discípulo".
       Eu devo renunciar o desejo de viver para mim mesmo e,
ainda mais, devo abrir mão dos meus próprios bens. Para muitos, o
abrir mão de bens é bem mais difícil que abrir mão até de si mesmo.
Sabemos que Jesus andou por esse caminho (I Pe 2:21) para que
nós andássemos por ele também. Renúncia é morte e sem a morte,
o cristianismo perde o sentido. Não existe cristianismo sem cruz.
Existe religião. O ego deve perder o seu lugar de centralidade,
cedendo lugar à vontade de Deus. Jesus não apenas morreu na
cruz, mas toda a sua vida foi uma vida de Cruz.
       A cruz está intimamente relacionada com o nosso estilo de
vida. A prosperidade é deveras parte do evangelho, mas é apenas
uma parte. A ênfase principal está, sem dúvida, em um modo de
vida generoso e sacrifical. A cruz nos torna sensíveis às
necessidades do mundo ao nosso redor.
       Muitos crêem no versículo que diz que Cristo se fez pobre
para que pela sua pobreza nos tornássemos ricos (II Cor. 9:); mas
se esquecem da ordem de Jesus para que não acumulemos para
nós tesouros sobre a terra. Parece contraditório, mas o paradoxo
desaparece quando entendemos que Deus nos dá para que demos
de volta a ele. Prosperidade é ter um pouco mais que o necessário.
       Deixemos que a cruz trate com a maneira como lidamos com
o nosso dinheiro. O Senhor precisa ter controle completo sobre a
nossa conta corrente. Não podemos permitir sermos arrastados pela
corrente do pensamento materialista que prende a nossa geração.
Somos um povo próspero, mas um povo generoso. Somos um
provo próspero que teve os bens tratados pela cruz.



                                84
A experiência do andar no espírito


A Cruz na Prática
                                                                             NOTAS

       Tomar a cruz significa simplesmente tomar a vontade de
Deus. A cruz é, na verdade, a Sua vontade. Tudo o que não for a
Sua vontade não será uma cruz. Nesse sentido podemos dizer que
a doença, por exemplo, não pode ser uma cruz já que Cristo Jesus
carregou com elas na Cruz, (I Pe.2:24) e não podemos dizer que
seja da vontade de Deus a enfermidade. Do mesmo modo podemos
afirmar que a pobreza não é cruz já que fomos libertos das
maldições da lei (Gl. 3:13). A cruz experimentada por Cristo foi
decididamente a vontade de Deus e não algum tipo de ataque do
diabo como doença ou miséria.
       De acordo com a ordenação divina da Bíblia, existe um
marido para cada esposa. Cada casamento, não importando o meio
pelo qual ocorreu, colocou-se soberanamente sob a mão de Deus.
Uma vez que você se casar com uma determinada mulher, ela será
sua esposa, e não haverá mais nada que você possa fazer a
respeito. De acordo com a ordenação de Deus, não deverá haver
divórcio. Um marido para uma mulher é a Sua vontade.
       Se você se divorciar de sua esposa, estará divorciando-se da
vontade de Deus. Mas, se você a aceitar, aceitará a vontade de
Deus, porque ela representa e constitui a própria vontade de Deus.
A Sua vontade é sempre uma cruz. Se receber sua esposa como
cruz, entretanto, você será um criminoso. Mas, se a tomar
voluntariamente pela graça do Senhor, será um carregador de cruz.
Tome voluntariamente a cruz; você não está sendo executado.
Reconheça que sua esposa é a vontade e a ordenação de Deus.
       Suponha que a esposa de um irmão lhe cause sofrimentos.
Já que não se permite o divórcio, ele tem duas escolhas com
referência a ela: pode sofrer por sua causa como um criminoso que
se executa na cruz, ou pode tomá-la como a vontade de Deus,
como sua própria parte e porção. Ele poderá dizer: “Deus ma
entregou. Não fui eu que casei com ela; foi de Deus que a recebi”.
       Certa vez uma irmã veio se aconselhar comigo. Ao chegar
ela disse de um modo quase histérico: o meu problema é o meu
marido. Ele não me dá atenção; não gasta tempo comigo; não me
dá dinheiro para as compras; não é cavalheiro, etc, etc. Ela estava
realmente insatisfeita com o marido. Depois de alguns minutos
ouvindo-a eu lhe disse: "minha irmã, você crê que o seu marido é a
vontade de Deus para você? Ela me respondeu com um "sim" que
mais parecia um "não". Eu disse mais, "você crê ainda que foi Deus
quem deu ele para você? Ela parecia estar sem ar quando
respondeu novamente que sim. Então eu lhe dei cartada final. Você
crê que Deus pode dar algo ruim para alguém? De maneira
perplexa ela respondeu apenas com um aceno de cabeça. Se Deus
somente dá coisas boas então o seu marido é algo de fato bom para
você, eu diria até que ele é tudo de que você precisa. Se for assim
vamos agradecer a Deus pelo presente? Os seus olhos estavam tão
abertos que ela dava a impressão de estar vendo um fantasma. Na
verdade esta é a atitude da maioria das pessoas quando mostramos



                                85
A experiência do andar no espírito


para elas a Cruz. Elas ficam perplexas e muitas até mesmo se
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escandalizam.
        Alguém pode perguntar: mas e com respeito ao marido
desamoroso, ninguém vai tratar com ele? Naturalmente não
concordamos com tais esposos, mas por mais louco que possa
parecer é a cruz que vai transformá-lo. Quando a esposa se dispõe
a tomar a cruz o marido vai ser tratado por Deus.
        A Cruz é o lugar onde vencemos o diabo. Muitos pensam que
guerra espiritual é uma questão de meramente repreender
demônios. Ficam todo o tempo repreendendo demônios dentro de
casa e até repreendem algum suposto demônio na cara do marido.
Jesus repreendeu demônios durante todo o seu ministério na terra,
mas ele somente venceu o diabo na Cruz. A Cruz é a vitória
definitiva. Não estou dizendo que é errado repreender demônios na
vida das pessoas, pois Jesus fez isso com Pedro; só estou
afirmando que não há vitória sem a Cruz. Gostaria de mostrar
algumas manifestações práticas do princípio da Cruz.

Disposição para Sofrer o Dano

       "O só existir entre vós demanda já é completa derrota para
vós outros. Porque não sofreis, antes, a injustiça? Por que não
sofreis, antes, o dano? I Coríntios 6:7.
       Esta pergunta de Paulo não parece de uma obviedade
gritante? Espera ai, Paulo! Ele faz algo de errado comigo e eu é que
vou ter de ficar com o prejuízo, sofrer o dano? É exatamente isso.
Isto é cruz. Esta é uma situação onde não vai adiantar muito ficar
repreendendo demônios, para eu ter vitória, eu vou ter de tomar a
Cruz. Esta é a vontade de Deus, que eu negue a mim mesmo e
tome a Cruz. Mas e se eu quiser reivindicar os meus direitos? Bem,
se você tem direitos é correto lutar por eles até no supremo tribunal.
Nada de pecaminoso em se lutar pelos próprios direitos. Não é
moralmente errado, mas onde fica a vitória? O pisar na cabeça do
Diabo? É somente quando alguém toma a Cruz que o diabo é de
fato derrotado.
       Existem dois princípios de vida: o princípio da cruz e o
princípio da razão. Se quisermos ter razão já descemos da cruz, se
tomamos a Cruz já não importa quem tem razão.
       Certa vez eu cheguei em casa na hora do almoço e encontrei
minha esposa deitada (você sabe, aqueles dias que vêm todos os
meses às mulheres). Ela parecia bem indisposta. Eu perguntei a
ela: o que teremos para o almoço? Mal acabei de perguntara e ela
desabou num verdadeiro pranto. Você não se importa comigo e só
quer cobrar de mim, replicou ela. Eu calmamente me sentei e disse
a ela: "veja, eu sou o homem da casa; e qual é a minha obrigação?
Comprar o mantimento. Eu mesmo respondi. Agora me diga qual é
a sua função? Fazer a comida, disse eu. Quando eu estou
indisposto eu não deixo de ir trabalhar, do mesmo modo você não
pode deixar de cozinhar por causa de uma indisposição.




                                 86
A experiência do andar no espírito


Cada um deve desempenhar o seu papel?
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       Nesta situação quem você pensa que está com a razão? A
esposa está certa em não cozinhar se está se sentindo mal e o
marido tem o direito de comer pois estava trabalhando e fez a sua
parte fazendo as compras da casa. Se agirmos como juiz tentando
achar aquele que tem razão nunca prevaleceremos. É por isso que
as maiorias dos casais vivem derrotados, pois caminham pelo
princípio da razão e não pelo princípio da cruz.
       Se por outro lado apenas um dos dois tomar a Cruz
voluntariamente o diabo será derrotado. Se a esposa se levantar e
disser: "mesmo doente eu vou cozinhar, pois eu amo você e sei que
é a minha obrigação. Ao ouvir isto muitas irmãs podem estar
arquitetando um terrível plano de vingança contra mim. Como
alguém pode ser tão cruel? Mas lembre-se, você não é uma
criminosa levada pra cruz, mas uma filha de Deus tomando a cruz
voluntariamente. O marido poderia ainda replicar dizendo: "deixa,
querida, eu vou comprar comida pronta no restaurante. Alguém
precisa sofrer o dano senão não há vitória. E aqui está uma
palavrinha que dói: sofrer. É isso aí, a cruz muitas vezes implica em
sofrimento.

Não Agradar a nós Mesmos

        "Ora nós que somos fortes devemos suportar as debilidades
dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos". Romanos 15:1.
Quando Jesus foi pra cruz ele não foi porque queria ter uma
experiência diferente; não buscava um êxtase espiritual e nem
estava buscando elogios. Na verdade Jesus não queria ir pra Cruz,
ele foi para obedecer a vontade do Pai. Todavia o Pai não o
obrigou, ele foi espontaneamente. Nós precisamos agradar o nosso
irmão mesmo que isso implique em desagradar-nos.
        Muitos hoje pensam que ser crente é buscar uma nova
experiência, ter um seguro contra calamidades ou ter uma vida de
felicidade. Não, cristianismo tem como centro a Cruz. Por isso a
pergunta chave não se é pecado ou não; se sou obrigado ou não;
mas qual é a vontade de Deus.
        Percebe por que muitos casamentos nunca prosperam?
Porque não querem agradar o outro ao preço do desconforto
pessoal. Quando de forma definida nos dispomos a não nos agradar
nós vemos a vida de Deus fluindo, a igreja de fato sendo edificada e
as portas do inferno sendo aniquiladas. Há um caminho de vitória.
Não é um caminho fácil e nem agradável, mas a vitória ao final é
certa.

Considerar o Outro Superior a Si Mesmo

       "Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por
humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo"
Filipenses 2:3.



                                 87
A experiência do andar no espírito


       Considerar os outros como superiores a nós mesmos parece
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algo tão fora de moda. Parece contradizer a moderna teologia da
auto-estima. Todavia essa é a forma como a Igreja é edificada, pela
cruz. Mais uma vez temos de dizer que cruz é sofrer o dano, é não
agradar a nós mesmos, é considerar o outro como superior a nós
mesmos.
       Para cada situação que nos sobrevir existem dois caminhos,
o caminho largo e o estreito. Em um problema de casamento, por
exemplo, o divórcio e a separação são o caminho largo. Todos nós
sabemos onde vai desembocar o caminho largo. A cruz por outro
lado é o caminho estreito. Numa situação de crise sempre tome o
caminho estreito da cruz, pois somente neste caminho há vitória
completa.

O Exemplo De Jesus

       Sabemos que, na cruz, Deus resolveu todo o problema do
homem: o problema da condenação, do pecado, do poder do
pecado e do poder para se viver a sua vontade. É impossível que se
fale de maturidade sem se referir à Cruz de Cristo. Queremos nos
deter, no momento, apenas no aspecto que está relacionado à
renúncia de si mesmo no dia a dia.
       Jesus não apenas morreu numa Cruz; ele viveu uma vida de
Cruz. Toda a vida de Jesus foi caracterizada por uma renúncia
completa do próprio Eu. Ele viveu a sua vida pelo princípio da Cruz.
O princípio da Cruz fala de uma completa dependência de Deus.
Não interessa mais se algo é bom ou se é mau; se é correto ou
pecaminoso, o que interessa saber é se se trata da vontade de
Deus. O princípio da Cruz é o processo da maturidade. Percebe-se,
pela vida de Jesus, que o processo de Deus para tratar com o
nosso Ego segue um certo padrão, uma ordem. Se falharmos em
um aspecto, Deus vai repeti-lo até que sejamos aprovados. Na
escola de Deus, ninguém pula cartilha, ou compra nota.
       Em João 5:19, 5:30, 8:28, vemos Jesus testificando
claramente a sua posição de completa dependência do Pai. Isso é o
princípio da Cruz em operação.

Aprendeu a submeter-se

       A primeira grande tensão na vida do discípulo é a autoridade.
Sem dúvida, essa foi também a primeira lição de Jesus. Seria
ingenuidade pensar que Jesus não precisou aprender coisa alguma.
Em Hb. 5:8, vemos que Jesus aprendeu a obediência. E a primeira
lição foi submissão. Lucas nos diz (Lc. 2:41-51) que Jesus não
apenas obedecia a seus pais, mas se submetia, a José e Maria, de
coração. Ele sabia quem era e de onde tinha vindo, mas ainda se
submetia a seus pais que eram muito limitados no entendimento.
Jesus, aos doze anos, já discutia com doutores, mas, mesmo assim,
não se exaltou sobre seus pais, antes lhes era submisso. Parece-
nos que Maria, ainda que fosse uma santa mulher de Deus, não era
uma pessoa de grande entendimento. Maria e José eram


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A experiência do andar no espírito


extremamente pobres e sem certos privilégios e oportunidades. Em
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muitas situações, a encontramos incomodando Jesus. É muito fácil
nos submetermos a quem sabe mais do que nós, mas como é difícil
ser submisso a quem sabe menos. Isso exige renúncia do nosso
orgulho, do desejo de ser reconhecido e do desejo de se achar
alguma coisa. No processo do discipulado essa é a primeira lição
que se deve aprender. O discipulador deve confrontar o discípulo
para que este aprenda a submissão.

Teve um coração ensinável

       Estar aberto para aprender com quem quer que seja é algo
muito dolorido. Sabemos que Jesus saiu para ser batizado por João
diante dos olhos de todos. Isso era muito arriscado, pois poderia ser
que, mais tarde algum fariseu se dirigisse a ele dizendo: acaso não
estivemos juntos nas aulas de batismo de João? E isso certamente
deve ter acontecido, pois Jesus usa algumas ilustrações feitas por
João Batista (Comparar Mt 3:10 com 7:16-20) no sermão da
montanha. Deve ser bastante constrangedor, se colocar ao lado de
pecadores para ser batizado; alguém que nunca tenha pecado,
como foi o caso de Jesus. A segunda lição, pois, de todo aquele que
quer ser discípulo é ter um coração ensinável. É estar aberto para
aprender com quem quer que seja, mesmo que isso muitas vezes
seja extremamente constrangedor. Ninguém se diminua por ouvir e
aprender algo com quem sabe menos.

Não agiu no entendimento e esforço próprio

       Não é função nossa criar métodos próprios. Deus tem uma
obra para ser edificada e não pensemos que ele é um construtor
inepto, que não possui ao menos uma planta baixa. Pela narração
de João 5:19, 5:30 e 8:28, podemos ver que Jesus somente fazia o
que Deus mandava. Não havia lugar para o "eu acho ou eu penso",
mas somente, para o que Deus queria realizar. Nós somos
construtores e executamos a planta que Deus projetou. Vem
chegando o momento onde tudo que fugir do projeto de Deus será
desmanchado. Deus não aceita anexo humano à sua obra. Muitos
de nós queremos fazer de nossas vidas o que bem queremos e isso
denota falta de entendimento sobre o princípio da Cruz: "Não mais
eu vivo, mas Cristo vive" - O comando não mais me pertence, mas
tudo está sobre o controle Divino.

Abriu mão do amor próprio

       Aquilo que guardamos mais fundo em nós mesmos é o nosso
amor próprio - O medo de sermos prejudicados, feridos, magoados
e coisas assim que nos apavoram muito. Pedro ingenuamente (Mt
16:21-34) incitou Jesus a que tivesse dó de si mesmo, julgando com
isso estar fazendo um ato de amor. Jesus, no entanto, foi severo,
como raramente o vemos na Bíblia, e exatamente em função de ter
sido tocado numa das áreas mais sensíveis do homem, o amor


                                 89
A experiência do andar no espírito


próprio. É propósito de Deus que alcancemos o nível em que
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abramos mão até mesmo da própria vida. "Quem amar a sua vida,
perdê-la-á...". O discípulo passa a viver para agradar ao seu
Senhor. O direito que temos é o de amá-lo.

Aborreceu a glória humana

       Jesus poderia ter sido coroado Rei de Israel (Jo 12:12-28),
mas ele preferiu a vergonha da Cruz porque esta era a vontade de
Deus. Não pensemos que não foi tentador para Jesus aquela
posição. Certamente o foi. Ele, no entanto, por conhecer a vontade
de Deus, não se deixou levar pela aparente glória humana. A
grande questão da vida diz respeito ao desejo de ser reconhecido,
visto e admirado. Se não abrirmos mão disso, seremos como os
fariseus que faziam obras com o fim de "serem vistos pelos
homens". Daí a reprimenda severa de Jesus contra eles.

Submeteu-se completamente

      O plano de Deus é que cheguemos, como Jesus, à completa
obediência (Mt 26:36-46). Deus não obrigou Jesus a ir para a Cruz.
No Getsêmane, Jesus orou até saber a vontade de Deus. Quando
Deus revelou que a sua vontade era a Cruz, Jesus se levantou e
caminhou para lá. O princípio da Cruz não está relacionado com a
questão do pecado propriamente dito, mas sim com aquilo que,
mesmo não sendo pecaminoso, deve ser abandonado ou colocado
em segundo plano. Fazer o que Deus quer: eis a questão.

Sendo senhor serviu aos discípulos

        "O filho do homem não veio para ser servido, mas para
servir”. Nós somos chamados a servir aos santos, sem distinção e
isso implica em levarmos nosso interesse em sermos servidos, à
cruz. Nosso ego deseja que todos estejam à nossa disposição
sempre, a cada momento, e de preferência, que nos tratem com
toda atenção e educação. Mas, o Espírito nos desafia a negarmos
isso e fazer aquilo que esperávamos fosse feito a nós. Devemos
servir com um coração perfeito e isso só acontece se renunciarmos
a toda expectativa de retribuição à servitude. Toda expectativa de
lucro deve ser renunciada. Só assim serviremos com alegria. O
resto, o que vem depois disso, depende do Deus que nos vê em
secreto.

Andar Pela Cruz É Andar Em Amor

      Vemos que andar no Espírito implica andar em fé, mas não
apenas isso, implica também andar pela cruz, ou seja, andar em
amor. Só podemos amar ao próximo se esquecemos de nós
mesmos. Esquecer-se de si é renunciar ao ego. Observe a definição
do amor em I Coríntios 13. A prática do amor é simplesmente uma
postura de tomar a cruz.


                               90
A experiência do andar no espírito


Permita-me exemplificar mostrando apenas alguns pontos de I
                                                                              NOTAS
Coríntios 13:4-7:

O amor é paciente, é benigno;
o amor não arde em ciúmes,
não se ufana, não se ensoberbece;
não se conduz inconvenientemente,
não procura os seus interesses,
não se exaspera, não se ressente do mal;
não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade;
tudo sofre,
tudo crê,
tudo espera,
tudo suporta.

        Observe que a palavra de Deus diz que o amor não se
ressente, ou seja, não se melindra ou fica ofendido. O padrão de
Deus não é o perdão; é não ficar ofendido. O perdão é a nossa
segunda chance.
        A questão do ficar ofendido é um grande problema que aflige
a igreja do Senhor. O ficar ofendido é a maior expressão do ego em
ação. Quando ficamos ofendidos é que surge a ira, o ódio, a
discórdia, a divisão, a facção, a gritaria, as brigas e coisas
semelhantes. Alguns podem dizer, será que não temos nem o
direito de ficar ofendido? Mas eu digo, ficar ofendido é ficar com o
orgulho ferido, e orgulho ferido é ego machucado.
        Vamos imaginar em que circunstâncias alguém pode ficar
ofendido. Não ser lembrado é algo que ofende, mas o desejo de ser
lembrado é algo do ego. Nós nos achamos tão importantes que não
suportamos não ser lembrados. Sentimo-nos ofendidos quando
somos rejeitados, quando somos criticados; nos ofendemos quando
não somos tratados como pensamos que merecemos. Veja que
tudo isso tem como centro o orgulho do ego. Se o ego for
renunciado, vai acabar com a história de ficar ofendido. Lembro-me
de uma certa vez, na passagem de ano, quando o pastor estava
dando posse a todos os cargos. Ele chamou todos e se esqueceu
de um irmão. Esse amado irmão tinha vindo à reunião com um terno
novo, estava realmente bem vestido. Foi algo terrível. Ele
simplesmente não foi lembrado. Todos nós daríamos razão a este
irmão por ficar ofendido. Se ele, entretanto, não tivesse orgulho
próprio, então acharia normal não ser lembrado, mas se o seu ego
ainda estivesse no centro, ele se tornaria um vulcão preste a entrar
em erupção. O conselho bíblico é que haja em nós o mesmo
sentimento que houve também em Cristo, que sendo Deus não
julgou como usurpação o ser igual a Deus, antes se esvaziou de si
mesmo e assumiu a forma de servo; e ainda morreu numa
vergonhosa cruz (Fp. 2:5-11).
        Observe ainda que Paulo diz que o amor tudo crê. Que
significa isso? Sempre que o meu irmão pecar contra mim e se
arrepender eu vou crer nele. Diz ainda que o amor tudo espera. Ou
seja, quem ama sempre espera o melhor. Não premedita o mau.


                                91
A experiência do andar no espírito


      Mas o mais difícil é dizer que o amor tudo sofre e tudo
                                                                              NOTAS
suporta. As implicações disso podem ser vistas na cruz. Por amor o
Senhor suportou tudo, até a vergonha da cruz e no final pediu que o
Pai perdoasse porque não sabiam o que faziam. O amor é a
expressão da cruz.


TERCEIRO PRINCÍPIO DO ANDAR NO ESPÍRITO:

Andar No Sobrenatural

        Já aprendemos que andar no Espírito implica em duas
coisas. A primeira implicação é que se desejamos andar no Espírito,
precisamos andar em fé. O primeiro pecado foi o pecado da
incredulidade, assim, o caminho da vitória é andar pela fé. Andar em
fé significa andar no trilho da Palavra de Deus. O primeiro pecado
consistiu em não se levar a sério a Palavra de Deus, daí dizermos
que o trilho da vida de fé é a Palavra de Deus.
        O segundo princípio que vimos é que andar no Espírito é
andar pela cruz, ou seja, em amor. Andar em amor é andar no
trilho da Cruz. Não há como andarmos no Espírito sem a renúncia
do Eu. Em I João 3:23, lemos que a vontade de Deus é que
creiamos e amemos. As coisas de Deus são realmente simples.
Devemos andar no trilho da Palavra e no trilho da cruz. Tudo o que
fazemos que sai desses dois trilhos é carne.
        Mas resta ainda um terceiro aspecto que precisamos
entender. Esse terceiro aspecto é uma conseqüência natural dos
dois primeiros. Andar no Espírito é também andar no sobrenatural.
O sobrenatural não significa o extraordinário. Significa que o meio é
espiritual e não natural. Deus quer nos libertar tanto do pecado
como do natural. O primeiro pecado levou o homem para o nível
terreno do corpo.
        Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer,
agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento,
tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu.
Gn. 3:6
        Observe que Eva foi primeiramente tentada a comer porque a
árvore era boa para se comer (Gn 3:6). Tudo começou no corpo. Na
verdade, esse é um critério para sabermos se algo vem de Deus ou
não. As coisas de Deus sempre procedem do espírito, para atingir a
alma. As coisas do Diabo sempre começam no corpo, na carne,
para depois atingir a alma. Tudo começou no corpo, por isso
dizemos que para se andar no Espírito, precisamos andar no nível
do sobrenatural em disciplina do corpo. As coisas do mundo do
Espírito somente podem ser experimentadas pelo espírito humano
recriado. O homem é um ser triuno: espírito, alma e corpo. O
pecado de Eva começou exatamente no corpo. Por ela ter
abandonado o nível do espírito, o pecado teve espaço. Se
desejarmos servir a Deus, devemos fazê-lo pelo Espírito, pela vida
de Deus. E para que o Espírito flua precisamos disciplinar o nosso
corpo.


                                 92
A experiência do andar no espírito


        O nosso espírito foi regenerado, a nossa alma está sendo
                                                                               NOTAS
transformada e o nosso corpo deve ser disciplinado.
        Não há possibilidade de haver vida cristã sem renovação da
mente, da alma. Mas, igualmente verdadeiro é dizermos que é
impossível haver vida cristã sem disciplina do corpo. É importante
sermos radicais neste ponto: é impossível vida no espírito sem
disciplina do corpo.
        Mas antes de falarmos sobre esse ponto é bom fazermos
uma distinção: disciplina não é igual a lei. Nós já fomos libertos da
lei. Em Romanos 6:14, descobrimos que não temos mais de ser
libertos da lei, nós já fomos libertos da lei. "Porque o pecado não
terá domínio sobre vós porque não estais debaixo da lei e sim da
graça". É importante frisarmos esse entendimento para que não
transformemos a disciplina do corpo em legalismo e nem tão pouco
em ascetismo. A disciplina não é para comprarmos bênção de Deus
e muito menos para sermos aceitos diante dele. Somos aceitos por
causa do sangue do Cordeiro; aleluia! A disciplina é para nós
mesmos, não para Deus.
        É lamentável que muitos irmãos transformem a oração, a
leitura da Palavra e o jejum em leis. Quando não oram se sentem
distantes de Deus; quando não lêem a Palavra, imaginam que Deus
agora está longe deles, que Deus os rejeitou. Nada pode ser mais
lamentável do que isso. O amor de Deus por nós é o mesmo nos
dias em que oramos, bem como nos dias em que não oramos. A
oração não é uma lei, é uma necessidade, uma disciplina. Não
muda a nossa herança e os nossos privilégios em Cristo, mas nos
ajuda a perceber as coisas do espírito com mais clareza. A
disciplina é para nós mesmos e não para sermos aceitos diante de
Deus. O acesso diante de Deus é exclusivamente pelo sangue de
Jesus.
        O que é a lei? Lei é tudo aquilo que eu tenho de fazer para
Deus com o fim de ser aceito por ele. Eu já fui liberto da lei. Não
tenho mais de fazer coisa alguma com o fim de ser aceito, pois por
meio da obra da cruz, tenho livre e perfeito acesso. Fui justificado,
perdoado, purificado, reconciliado, santificado, liberto e salvo. Nada
pode me separar do amor e da presença de Deus, o caminho foi
aberto. O legalismo é uma das piores heresias de nosso tempo. Há
muitos que querem ser salvos mediante algum mérito próprio;
somos realmente contra eles. Há, porém, muitos em nosso meio
que buscam a santificação por esforço próprio. Toda a obra é
realizada por Deus: desde a regeneração até a glorificação, na volta
do Senhor.
        Mas o que é a graça? Graça é aquilo que Deus faz por mim.
Lei é o que eu faço, graça é o que Ele faz. Estamos debaixo da
graça, ou seja, estou debaixo daquilo que Deus faz por mim. Isso
significa que eu não vou viver na prática do pecado porque o que
está N'ele é a divina semente, o Espírito Santo. O legalismo é tão
terrível porque ele anula a graça de Cristo. Quando eu digo que sou
eu que tenho de fazer, estou anulando aquilo que Ele já realizou por
mim. Quando eu começo de novo a criar leis, estou escravizando
alguém que é livre em Cristo. Nesse ponto, volto a frisar que


                                 93
A experiência do andar no espírito


disciplina não é lei. Disciplina é levar o corpo e a mente a fazerem a
                                                                               NOTAS
vontade do Espírito. Eu sou um ser espiritual, a minha vontade real
está no meu espírito. O meu espírito sempre quer ter comunhão
com Deus, o corpo é que procura impedir. Eu devo disciplinar meu
corpo para que o que está no meu espírito possa ser realizado. Com
essa verdade em mente, vamos avançar no nosso estudo.

O ponto central é a vida

       Desde Gênesis até Apocalipse, podemos ver que Deus tem
uma ênfase. A ênfase de Deus é a vida. Isso pode ser facilmente
observado em João: "A vida estava N'ele e a vida era a luz dos
homens", "Eu sou o caminho a verdade e a vida...", "Eu sou a água
da vida".
       Desde o princípio, em Gênesis, podemos ver a vida no
centro. É a criação da vida, e Deus dando vida ao homem. Mas não
é apenas a vida natural e biológica, é a vida de Deus. No princípio,
Deus colocou duas árvores no jardim: a árvore do conhecimento do
bem e do mal e a árvore da vida. Deus queria que Adão comesse
do fruto da vida. Jesus é o rio da vida que sai do trono de Deus, em
sua margem, havia a árvore da vida. Deus queria ter comunhão com
o homem. A Sua vontade era de pôr dentro do homem a Sua vida
sobrenatural. Nós vimos que o homem caiu, traiu a Deus, mas o
Senhor projetou um plano de salvação, de redenção. Esse plano é
prefigurado no Velho Testamento, quando Deus resgatou a nação
de Israel do Egito, levou o seu povo para o monte Sinai. Lá no
monte, Deus deu o plano do Tabernáculo. Deus queria habitar no
meio do Seu povo. Mas o Tabernáculo era algo provisório. Houve
um dia em que se levantou um homem, Davi, na sua intimidade com
Deus, percebeu algo que estava no coração de Deus. Ele então
recebeu o projeto do templo. O Tabernáculo era provisório, mas o
templo era uma construção sólida e definitiva.
       No Novo Testamento, temos a concretização do propósito de
Deus. O Senhor Jesus disse que nos iria enviar o Consolador, o
Espírito Santo de Deus. Hoje nós somos o templo definitivo do Deus
vivo. Nós somos o tabernáculo de Deus na terra. O tabernáculo
possuía três partes: o átrio, o lugar santo e o santo dos santos.
Deus habitava no santo dos santos. O átrio aponta para o nosso
corpo, o lugar santo para a nossa alma e o santo dos santos para o
nosso espírito. Deus habita agora em nosso espírito.
       Esse é o ponto central do Evangelho: Cristo dentro de nós.
O Espírito Santo de Deus é vida; contatar o Espírito é contatar a
vida de Deus.
       O nosso espírito é como um rádio que tem a função de
sintonizar as ondas do céu. É um rádio que serve para receber e
também para transmitir. Se desejarmos fluir em vida, temos de
aprender a contatar o Senhor em nosso espírito. Mas é fundamental
que separemos bem aquilo que é da alma daquilo que é do espírito.
Hebreus 4:12 nos diz que a Palavra do Senhor é que separa a alma
do espírito. Se falharmos em discernir a alma do espírito, isso
poderá ser prejudicial para a nossa vida cristã. Precisamos aprender


                                 94
A experiência do andar no espírito


a perceber aquilo que é do espírito em nós e também nos outros.
                                                                                NOTAS
Alguém poderá me dizer: "Não julgarás por que com a medida com
que tiverdes medido vos medirão também. Mas eu digo, não é julgar
no natural, mas pelo espírito. Em I Coríntios 2:15, lemos que o
homem espiritual a todas as coisas julga. O homem espiritual julga
pelo espírito, com critérios do espírito. Mas qual seria esse critério?
O critério é vida. Tudo o que é do espírito é vida, mas o que é da
alma é morte. Se um irmão abre a boca e sai vida, eis algo do
espírito, mas se sai morte, temos a alma em ação. O melhor critério
é observar se há vida.
        Se em uma reunião alguém faz alguma coisa sem ser movido
por Deus, aquilo mata. Quando alguém prega no espírito, há vida
saindo de sua boca e isso atrai e sacia as pessoas. Não deve os
aceitar fazer coisa alguma sem ministrarmos vida. As coisas do
espírito sempre manifestam vida. A vida é algo contagiante, quando
abrimos a boca pelo espírito, aquilo vai fluir e se espalhar por entre
os irmãos. A vida também é alimento. Quando falamos algo do
espírito, aquilo será a Palavra de Deus. Toda Palavra de Deus é
espírito e vida. Quando falamos algo pelo Espírito, essa palavra é
espírito e vida. Devemos estar ministrando vida aos nossos irmãos
até mesmo em nossas conversas, mesmo conversando a vida deve
fluir. A vida é algo sobrenatural e ser guiado pelo Espírito é ser
guiado por esta vida. Entretanto para que possamos ser guiados
pelo Espírito é necessário que desenvolvamos uma sensibilidade
em nosso próprio espírito. Se não formos sensíveis não poderemos
perceber a direção e a voz de Deus. Quero compartilhar quatro
princípios para desenvolvermos a sensibilidade e aprendermos a
ser dirigidos por Deus.
        Lembre-se sempre que andar no Espírito implica em: andar
em fé, em amor e também em andar no sobrenatural.

Checando as direções do espírito

       "Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito" (Gl
5:25 - Tradução da King James Version).

      "Já que vivemos pelo Espírito, mantenhamos o passo certo
com o Espírito" (Gl 5:25 - Tradução da New International Version).

       "Se estamos vivendo agora pelo poder do Espírito Santo,
sigamos a direção do Espírito Santo em todas as áreas de nossas
vidas" (Gl 5:25 - Tradução da Living Bible).

        O andar no Espírito é o estilo de vida cristão do Novo
Testamento. A Bíblia ensina que temos que ser habitados em nosso
interior pelo Cristo vivo e, então, fiel e obedientemente seguir a cada
direção do Espírito Santo de Deus. O cristianismo do Novo
Testamento não é formal e cheio de cerimônia, ou um ritual e
pompa religiosa, nem tampouco a observância de regras,
regulamentos e éticas. É muito mais do que vivermos uma vida
correta, de fazermos as coisas certas ou de fazermos aos outros o


                                  95
A experiência do andar no espírito


que gostaríamos que eles fizessem a nós. O cristianismo é muito
                                                                               NOTAS
mais do que uma filosofia ou um sistema de pensamento positivo. O
cristianismo real é sobrenatural. É a vida de Cristo dentro do crente!
Quando Cristo habita no interior dos nossos corações, pela fé,
começamos a experimentar o conselho ou a direção do Espírito
Santo. O nosso papel é de entrega, obediência e fé. Por estes
instrumentos de graça, cooperamos com o poder de Cristo dentro
de nós e ele é capaz de viver a Sua vida dentro de nós, para louvor
e satisfação do Pai.
        Agora, como cristãos nascidos de novo, precisamos
reconhecer e discernir a linguagem do nosso espírito. Precisamos
aprender e reconhecer quando o Espírito está entristecido. "E não
entristeçais o Espírito Santo de Deus" Efésios 4:30. Precisamos
reconhecer quando o Espírito está alegre dentro de nós e quer que
nos regozijemos com Ele, ou quando Ele está com um fardo e
deseja orar através de nós. Ele tem muitas funções que Ele deseja
realizar através de nós e podemos aprender a reconhecer cada uma
delas.
        Primeiramente, reconhecemos uma atividade no interior do
nosso espírito. Entendemos, então, que o Senhor está querendo
dizer algo a nós. Precisamos parar de perguntar ao Senhor. Espere
silenciosamente Nele até que você compreenda o que Ele está
dizendo. Aja de acordo com a informação recebida. Coopere com o
Senhor. Procure lembrar-se desta experiência e o que ela significou.
Desta maneira você será capaz de reconhecê-la novamente da
próxima vez.


Como Ser Guiado Pelo Espírito

Pelo impulso da intuição

       Devemos lembrar que o homem tem três partes: espírito,
alma e corpo. O nosso corpo tem três funções: movimento,
sensação e instinto. A alma também tem três funções: mente,
vontade, e emoções. No nosso espírito tem também três funções:
intuição, consciência e comunhão. A intuição é como um impulso
dentro do coração. Não é uma voz percebida audivelmente, mas é
um impulso. Em Marcos 1:12, lemos que o Espírito impeliu Jesus...
A Palavra “impeliu” é boa pois denota bem a sensação interior. É
perigoso eu ser mal interpretado nesse ponto pois é certo que
existem impulsos do corpo, das emoções e mesmo impulso de
demônios. Entretanto, se somos nascidos de novo aprendemos a
diferenciar todas essas vozes daquela que vem do espírito. Muitas
vezes estou conversando com uma pessoa e repentinamente me
vem um impulso de perguntar alguma coisa e invariavelmente
aquela pergunta é exatamente o que a pessoa estava com medo de
me contar. É uma sensação interior, não é uma voz audível. Isso
pode aparecer muito místico, mas ouça-me, se desejamos andar no
espírito, devemos ser livres do natural e entrarmos no sobrenatural.
Um amado me contou que recentemente estava passando de carro


                                 96
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Andar no Espírito - Entendendo os princípios do caminhar com Deus

  • 1. A experiência do andar no espírito NOTAS A EXPERIÊNCIA DO ANDAR NO ESPÍRITO 64
  • 2. A experiência do andar no espírito NOTAS A EXPERIÊNCIA DO ANDAR NO ESPÍRITO Esboço do Planejamento do Curso Meta Que você compreenda os princípios do andar no espírito entrando na prática de uma vida cristã vencedora. Outros Objetivos • Desfrutar de íntima comunhão com Deus. • Compreender o andar por fé, andar na cruz e no sobrenatural. • Experimentar uma vida plena de frutos no descanso da presença de Deus. Sugestões Bibliográficas 1. Seu Destino é a Cruz – Paul Billheimer 2. Aprendendo a Ser Dirigido Pelo Espírito de Deus – Keneth Hagin 3. O Homem Espiritual – Watchman Nee Vol 1 Recomendações Muito Importantes Com a Ajuda do Seu Líder de Célula, coloque em prática os princípios espirituais que você tem aprendido. Faça da sua devocional diária um tempo para praticar cada verdade onde você recebeu revelação. 1. Busque praticar o andar pela fé e experimente esse novo nível do caminhar com Deus 2. Gaste tempo meditando na palavra de Deus nos novos assuntos. 3. Coloque em prática o andar em amor e pela cruz. 4. Busque cultivar uma constante comunhão com o Espírito Santo colocando sua mente no espírito. 5. Pratique na sua célula o compartilhar com os irmãos as novas experiências com Deus. Avaliação • Descreva o que é andar no espírito. • Andar no espírito é algo prático. É andar por fé, na cruz e no sobrenatural. Explique cada um desses princípios. • O que é o oposto do andar no espírito? • Quais os resultados em nossa vida cristã? 65
  • 3. A experiência do andar no espírito NOTAS A EXPERIÊNCIA DO ANDAR NO ESPÍRITO “Se vivemos no espírito, andemos também no espírito" (Gl 5:25) “... visto que andamos por fé, e não pelo que vemos". (II Coríntios. 5:7). Quando Adão pecou, ele morreu para Deus e assim, toda a raça humana entrou pelo mesmo caminho, a morte do espírito. Dessa forma, a primeira coisa que Deus precisa efetuar no homem é o novo nascimento ou a regeneração. Uma vez que fomos regenerados, à vontade de Deus é nos dirigir através do Espírito Santo que habita em nosso espírito humano. Deus espera que cooperemos com ele exercitando o nosso espírito para obedecê-lo, ouvi-lo e termos comunhão com Ele. Precisamos então: ser guiados por Deus no espírito e exercitar o nosso espírito para ouvir de Deus. O Espírito Santo habita dentro de nós. O poder de Deus está em nós. A saúde de Deus está em nós. A natureza de Deus está em nós. A bondade, a justiça, o amor de Deus, tudo isso é residente dentro do nosso espírito recriado. Não precisamos buscar estas coisas, precisamos é de ter revelação de que elas já estão dentro de nós. Nós temos a mente de Cristo, a unção do santo; tudo aquilo que é necessário para uma vida santa e plena, já foi colocado dentro de nós pela pessoa do Espírito Santo. Uma vez que nós andamos no espírito todas as realidades do Espírito Santo de Deus, que habita em nosso próprio espírito, se tornarão realidades em nós. Todos nós éramos como um enfermo portador de vários tipos de doenças. Depois que o médico fez o diagnóstico, deu-lhe a receita para que tomasse vários tipos de remédios, cada um para uma doença. O farmacêutico, então, colocou todos os medicamentos dentro de uma única seringa. Esse conjunto de medicamentos foi a dose que resolveu todas as suas enfermidades. A mesma coisa Deus fez em nós; ele injetou em nós uma dose que resolve todas nossas necessidades, essa dose é o Espírito Santo. Precisamos entender no Espírito que tudo o que necessitamos para uma vida com Deus já nos foi dado por meio do Espírito Santo que em nós habita. Se precisarmos poder, Ele é o poder. Se precisarmos de amor, Ele é o amor que foi derramado em nossos corações. Se precisarmos de entendimento, todos os tesouros da sabedoria estão ocultos nEle. Portanto, todas as coisas já estão completadas em nosso espírito. O que precisamos aprender hoje é sermos guiados pelo Espírito e dependermos dele em todas as nossas necessidades. A vida cristã é constituída de duas substituições; a primeira foi na Cruz onde O Senhor Jesus morreu em nosso lugar e a segunda é no nosso dia a dia onde o Espírito Santo quer viver em nosso lugar sendo a nossa própria vida. Para melhor entendermos a vida no Espírito vamos dividir o nosso estudo em três princípios bem simples: A vida no Espírito implica em três coisas: andar por fé, andar pela cruz e andar no sobrenatural. 66
  • 4. A experiência do andar no espírito NOTAS Primeiro Princípio Do Andar No Espírito: Andar Em Fé A maneira de entendermos o padrão da vida no Espírito é compreendendo como foi o primeiro pecado. O pecado desviou o homem do padrão de Deus. Conhecer o desvio já nos ajuda a determinar o caminho de volta ao modelo de Deus. O primeiro pecado: Incredulidade. Se entendermos como surgiu o primeiro pecado do homem, poderemos entender como os outros surgem, pois o princípio do pecado é o mesmo (Gn. 3:1-6). O primeiro pecado não foi terrível, do ponto de vista da aparência. Não era obsceno, não era pornográfico, não era escandaloso, não era feio de se ver. Adão e Eva apenas comeram da fruta, nada mais do que isso. O primeiro pecado, entretanto, deu origem a todos os outros, pois o princípio que o governou governa todos os outros, embora possam surgir de formas diferentes. Como é isso? No princípio, o homem andava no espírito. A Bíblia diz que "à tardinha, Deus vinha ter comunhão com o homem, todos os dias". Isso indiscutivelmente é uma relação espiritual, pois Deus é Espírito. O homem era um ser guiado pelo espírito, naqueles dias. O espírito é o ponto central na vida do homem. A alma era como um servo, em relação ao espírito. Mas, com o pecado, aconteceu algo dentro do homem: o seu espírito morreu para Deus e a sua alma cresceu, tornando-se o centro do seu ser. O homem passou a ser carne. O propósito de Deus, desde então, é nos restaurar a posição que Adão desfrutava de comunhão com Ele. E não apenas isso, pois nós hoje temos mais que Adão teve: Deus entrou em nosso espírito humano recriado, tornando-se a nossa vida. Adão nunca comeu da "árvore da vida", nós, porém, hoje, podemos comer dela, pois a árvore da vida é o Senhor Jesus. Mas qual foi a essência do primeiro pecado? Podemos dizer que o pecado se manifestou por três princípios. O primeiro princípio foi a incredulidade. O primeiro pecado foi o da incredulidade. Eva preferiu acreditar no que o diabo disse a acreditar no que Deus dissera: "se comeres, vais morrer". O diabo veio e desmentiu Deus, dizendo: "é certo que não morrereis". Certa vez, pregando a um homossexual, ele me disse: "é impossível eu deixar de ser o que sou". E eu lhe respondi: "Isso é o que o diabo diz, mas Deus diz que se você crer, você se tornará uma nova pessoa, uma nova criatura. O mundo diz:” você nunca pode mudar; pra você não há libertação; você nasceu assim, vai morrer assim; pode até virar crente, mas vai continuar sendo o que era; pode até nunca falar sobre isso, mas continuará sendo “- isso é o que o mundo e o diabo dizem. Mas Deus diz que se você crer, será nova criatura - é uma questão de ser e não simplesmente de fazer. Você é nova criatura. E eu disse àquele homossexual:” diante de você têm duas afirmações: a de Deus e a do diabo. Qual você escolhe?”A base dessa escolha é uma questão de em quem vou crer?" Devemos sempre colocar para o homem essa mesma escolha, pois foi nesse ponto que o pecado surgiu: quando Adão e 67
  • 5. A experiência do andar no espírito Eva preferiram confiar no diabo a confiar em Deus. "Seja Deus NOTAS verdadeiro e mentiroso todo homem". Deus não pode mentir; Ele é completamente fiel àquilo que diz. Eva duvidou da Palavra de Deus; aqui começou o problema da carne. E para entrarmos agora na dimensão do espírito, devemos cumprir a primeira condição: "Andar em espírito implica em andar em fé". Se não andamos em fé, então não estamos andando no espírito - "andar no espírito é andar em Fé". Andar no Espírito e andar em fé se misturam na Bíblia. Em Hebreus 11:6, lemos que "sem fé é impossível agradar a Deus"; e, em Romanos. 8:8, lemos que "os que estão na carne não podem agradar a Deus". Observe estas duas colocações: em Hebreus, os incrédulos não podem agradar a Deus; e, em Romanos, os carnais também não podem agradá-lo. Logo, por associação, dizemos que os carnais são também incrédulos - são a mesma coisa. Carnalidade é sinônimo de incredulidade. Aqueles que estão na carne são facilmente percebidos, pois eles são incrédulos, indiferentes e insensíveis. Três Formas de Manifestação do Pecado Para com a pessoa de Deus, o pecado se manifesta de três formas: O primeiro tipo de pecado é a soberba, a rebeldia. Esse pecado agride Deus em sua autoridade, atinge o trono de Deus. Satanás disse: "subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” Isaias. 14:13. Do ponto de vista de Deus, esse é o tipo mais grave de pecado, porque ele atinge diretamente o trono de Sua autoridade. O segundo tipo de pecado é a desobediência. O desobediente é aquele que mente, rouba, prostitui; é aquele que desobedece ao mandamento de Deus. O desobediente agride Deus em sua santidade, Deus é santo; Ele não suporta a sujeira, a impureza e a iniqüidade. Esse tipo de pecado é terrível, mas, do ponto de vista de Deus, a rebeldia é mais grave ainda. O terceiro tipo de pecado é a incredulidade. O incrédulo atinge Deus em seu caráter. Ele é aquele que faz de Deus um mentiroso. Deus diz: "em tudo fostes enriquecidos", mas o incrédulo diz: "eu sou pobre". Deus diz: "eu carreguei na cruz a sua enfermidade; o incrédulo diz:” tenho medo de morrer de câncer “. Deus diz:” eis que vos dou autoridade sobre serpentes e escorpiões “; o incrédulo diz:” eu não tenho o dom de expulsar demônios; isso é só para pastores “. Percebe que há muitas maneiras sutis de dizer que Deus é mentiroso. Nem sempre somos descarados, na maioria das vezes somos sutis. Certa vez, um irmão me disse: "Pastor, acho que não devemos fazer apelos para a cura, dizendo que podem vir à frente, e que todos os que crerem serão curados; nem todos são curados e isso pode levá-los à revolta". E eu lhe perguntei: "Todos os que crêem são salvos?” Ele respondeu: "é claro que sim". Eu disse "a 68
  • 6. A experiência do andar no espírito mesma cruz que garante a salvação, também garante a cura" Se NOTAS faço apelo e nem todos são salvos, isso não impede de o fazer novamente, não são salvos porque não crêem. E se nem todos são curados é porque nem todos crêem. Devemos crer em toda a Palavra e não apenas em algumas partes; pois se Deus mente em uma pequena frase, Ele compromete toda a Bíblia, se há uma parte errada, quem me garante que toda ela também não está errada? Ou é tudo verdade, ou nada é verdadeiro: é um princípio da lógica. Mas graças a Deus, que é fiel, e nenhuma de suas palavras deixará de se cumprir. A incredulidade se manifesta de maneira sutil. Fé é sinônimo de vida no espírito. Se alguém anda no espírito, invariavelmente ficará cheio do Espírito. Uma pessoa que anda no espírito pode facilmente ser reconhecida, pois naturalmente expressará a vida. Quando falo de vida, não estou me referindo à vida prática - retidão, integridade - tudo isso um cristão deve ter; estou falando de algo mais tênue, subjetivo. Refiro-me a algo que não sabemos de onde vem, nem para onde vai. Quando olhamos a pessoa, sentimos algo diferente nela. O primeiro sinal, que o Senhor Jesus fez, foi transformar água em vinho. O vinho é símbolo de vida. Por quê? Isso pode ser facilmente observado na pessoa que ingere uma certa quantidade de vinho, ou outra bebida alcoólica. A primeira coisa que se percebe nela é uma mudança em sua pele - mostra uma aparência de saúde. Em segundo lugar, os olhos começam a brilhar, como que cheios de alegria; é uma alegria natural, proveniente da bebida. Em terceiro lugar, surge uma dose de ânimo, empolgação e força. A pessoa começa a se sentir como um leão; em seus lábios, o sorriso é fácil, e ela parece estar cheia de vida. O vinho é para nós um símbolo de vida, pois provoca uma sensação, ainda que superficial e efêmera, de vida. Quando bebemos, e nos embriagamos do Senhor, acontece algo parecido, mas é algo que ninguém pode nos tirar. O sorriso também fica fácil, não há mais dificuldades de jubilarmos diante de Deus, de saltar, ou de gritar. Não é uma alegria que vem de fora - piadas ou do ritmo quente da música - é algo mais sublime, que vem de dentro, que vem do espírito; é algo permanente. Há um fogo do Senhor que vem queimando dentro do coração, que torna a vida diferente e linda. Esse fogo é a presença viva do Senhor em nós. "andar em fé" gera a vida, pois implica andar sobre a Palavra de Deus. O Que Significa Andar em Fé Renunciar ao esforço próprio Andar em fé implica em abrirmos mão do que vemos, do nosso esforço próprio e do nosso entendimento próprio. Isto quer dizer que andar no espírito também implica em renunciarmos a estas três coisas: andar por vista, por esforço próprio e por entendimento próprio. Todo carnal anda pelo esforço próprio. A fé pressupõe dependência de Deus. Se andarmos pela nossa força, não precisamos exercer fé. A principal característica da vida de fé é o descanso. Hebreus 4:3 diz que "os que crêem entram no 69
  • 7. A experiência do andar no espírito descanso". Os que andam no espírito andam em descanso. É como NOTAS um barco no meio do mar, não tem que se esforçar, é só deixar-se levar pelo vento. Nós somos o barco, o vento é o Espírito. Veja que este descanso não é lazer, não é retiro, não é férias. Podemos ir a estes lugares, em todas estas formas de descanso, e mesmo assim não descansarmos. O verdadeiro descanso é poder dizer: "Senhor, és tu quem fazes, não eu. Não sou eu quem salva, és tu, Senhor. Não sou eu quem santifica, és tu, Senhor. Não sou eu quem faz, és tu, Senhor". Se ficarmos angustiados cada vez que temos de pregar, e se a ansiedade aumenta, a ponto de a vida perder o sabor, é porque tem faltado o descanso "Resta um descanso para o povo de Deus". A obra de Deus não se faz no cansaço; não se faz na fadiga, não se faz com suor: se faz na dependência do Senhor. Ezequiel 44:17 dá uma orientação clara àqueles que trabalham no templo: "E será que quando os sacerdotes entrarem pelas portas do átrio interior, usarão vestes de linho, não se porá lã sobre eles, quando servirem nas portas do átrio interior, dentro do templo. Tiras de linho lhes estarão sobre as cabeças, e calções de linho sobre as coxas, não se cingirão a ponto de lhes vir suor". Na obra de Deus, não pode haver suor. Nós somos sacerdotes levitas, encarregados de servir na casa do Senhor e, quando servimos ao Senhor, não pode haver suor. Qual é o significado do suor? Gênesis 3:19 fala que o suor é maldição, por causa do pecado. Suor é símbolo de maldição, mas graças a Deus que, por meio de Jesus Cristo, nos libertou de toda a maldição do pecado. É bom demais servir a Deus. Não temos de suar, não temos de viver no cansaço. É como diz o cântico: "É meu somente meu todo o trabalho, e o teu trabalho é descansar em mim". Essa é a Palavra de Deus para nós. Fico preocupado com pastores e líderes que tem estafa. Estafa não está nos planos de Deus para nós. Estafa é maldição. Observe que aqueles que trabalham em serviço braçal não têm estafa, deitam e dormem o sono do descanso. Mas há pastores e líderes que não dormem à noite, ficam uma, duas, três, quatro noites acordados, até que lhes vem uma estafa. Não é um cansaço físico, mas mental, da alma. Aqueles que se achegam para servir no santuário não podem suar lá dentro. Não temos mais de suportar a maldição do pecado, pois Jesus já suou o nosso suor para que Nele tenhamos descanso. O Senhor suou no Getsêmane o suor que nos cabia. Não precisamos nos esforçar até suar, Ele já suou por nós; não temos o que fazer com suor, Ele já fez tudo por nós. Alguém pode perguntar: "não temos mais nada?" Nada! "Mas e quem vai pregar o Evangelho? " Não somos nós quem pregamos; somente a boca é nossa, o resto é trabalho do Senhor. Muitos ficam se cobrando o tempo todo: "tenho de pregar; preciso pregar". É como uma paranóia, uma obsessão. Deus me livre de dizer que não devemos pregar, não falo disso; ouça-me, se andamos no espírito, passaremos vida. A vida é algo que sai de nós, sem que percebamos, ou sem nos esforçarmos. Se tivermos vida, os outros perceberão. É aquele princípio que diz "a boca fala do que o coração está cheio". Se o nosso coração está cheio da vida de Deus, como um rio de água viva, naturalmente a boca vai 70
  • 8. A experiência do andar no espírito manifestar o que está lá dentro. Não há trabalho nenhum nisso, é NOTAS uma questão de ser espontâneo, e de ter vida fluindo do espírito. Quando você se enche do Senhor, no descanso, naturalmente você vai fazer a obra de Deus. A obra do Senhor tem de ser espontânea em sua vida. Tem de ser gostosa de se fazer. Tem de ser empolgante ser líder; a idéia de ser pastor tem de ser agradável à mente. É bom trabalhar para o Senhor, porque o nosso trabalho é descansar Nele. Vemos que o primeiro aspecto do andar em fé é o abrir mão do esforço próprio, e entrar no descanso de Deus. Se andarmos em espírito, andamos também em descanso. Não andar por vista O segundo aspecto importante para frisarmos é “não andar por vista”. II Coríntios. diz: "andamos por fé e não pelo que vemos". Tenho sempre comigo uma regra: enquanto o que vejo bate com a Palavra de Deus, continuo vendo; quando, porém, não bate mais, ignoro o que estou vendo, e fico somente com a Palavra de Deus. Note que é um estilo de vida louco; é loucura para o mundo. Uma das situações onde isso pode ser mais facilmente observado é com relação às enfermidades. Muitas vezes insistimos em olhar para os sintomas da doença, em vez de olharmos para a Palavra de Deus. Se a Palavra diz que o Senhor já levou as nossas enfermidades na cruz, devemos rejeitá-las, e passar à verdade da Palavra, independentemente daquilo que estamos vendo ou sentindo. Não é mentir para nós mesmos, dizendo que não estamos doentes, mas é declarar a Palavra, e ignorar os sintomas da doença. Poucos de nós fazem isso, preferimos andar por vista; isto é, na carne. Andar por vista é característica do carnal. Se insistirmos em andar por vista, seremos escravos do natural. As circunstâncias irão facilmente nos desanimar, e tenderemos a ficar prostrados. Se eu ficasse olhando a forma superficial de alguns adorarem a Deus, ficaria desanimado e nem iria mais dirigir louvor. Se eu ficasse olhando o grande número de crentes infantis, iria desistir de fazer a obra de Deus. Se eu ficasse olhando as diferenças pessoais e a postura de alguns líderes, nunca iria crer na unidade da mente e do coração. De maneira que, devemos ter um olhar profético: andamos pelo que cremos que será e não pelo que o diabo quer nos mostrar. Vejo um povo que adora a Deus; um povo forte que manifesta o reino de Deus; uma liderança ungida, que ministra em unidade. Creio e sei que na dimensão do Espírito já é assim, ainda que com os meus olhos naturais não o veja. O segundo aspecto do andar em fé, então, é não andar segundo a vista. Renunciar ao entendimento próprio Vimos que há aqueles que andam pelo esforço próprio, há os que andam por vista, mas há também os que andam pelo seu próprio entendimento. A Palavra de Deus diz que no princípio Deus 71
  • 9. A experiência do andar no espírito criou Adão e Eva e os colocou no Jardim do Éden. Lá havia duas NOTAS árvores: a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. A árvore da vida aponta para a vida de Deus. Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida; "Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens". João. 14:6 e 1:4. A luz significa que pela vida, eu posso ter luz, ou seja, posso conhecer a realidade última das coisas. A vida de Deus, que agora está em nós, se manifesta como luz em nosso espírito. É uma sensação de clareza, de entendimento. Deus queria que Adão comesse da árvore da vida e vivesse por essa vida. Ele não iria conhecer nada - nem o bem, nem o mal, nem o certo, nem o errado - e a vida iria guiá-lo em todas as circunstâncias. Entretanto, sabemos que ele pecou, comendo da árvore do conhecimento; e Adão e Eva passaram a conhecer o bem e o mal. E, desde então, o homem passou a ser dirigido segundo o que é certo ou errado. Mas, ouça-me, ser cristão não é uma questão de entender se algo é certo ou errado, se é moral ou imoral e nem mesmo se é ou não uma questão ética. Ser cristão é andar pela árvore da vida, isto é, andar segundo a vida que está em nós, e que Adão nunca teve. Essa vida é a luz, e nos dirige em toda a vontade de Deus. Alguns irmãos, antes de fazerem alguma coisa, perguntam: "será que isso é certo ou é errado? Será que é pecado ou não?" E pensam que com isso estão agradando a Deus. Isso é andar pelo entendimento e não por fé, na direção da vida do espírito. Porém, a Bíblia diz: "Tudo o que não provém de fé é pecado" Romanos. 14:23. Aqueles que agem assim estão andando segundo a árvore do conhecimento do bem e do mal. Isso pode até parecer piedoso e bem intencionado, mas não provém da dependência e fé em Cristo, é, portanto da carne. Se antes de fazermos alguma coisa dissermos: “isto não é errado, não é pecado, não escandaliza, não ofende e nem faz mal a ninguém“, estaremos agindo segundo o entendimento do certo e do errado e não pela vida. Certamente você ainda vai descobrir que muitas coisas que não são erradas, que não escandalizam e nem são sujas são reprovadas por Deus. Porém, não devemos nos preocupar em proibir ninguém de coisa alguma. Não devemos ser escravos de código de conduta, de códigos morais e normas de certo e de errado. O importante é aprender a andar no espírito. Podemos seguir piamente um código e ainda assim vivermos na carne. O que importa não é conhecermos o que se pode e o que não pode fazer, o que importa é conhecer a vontade de Deus. Há muitos irmãos que querem tudo prontinho, querem normas e regras sobre regras. Precisamos é ensiná-los a ouvirem o espírito, e, naturalmente, eles vão fazer a vontade de Deus. Se andarmos por entendimento, não dependeremos de fé no Espírito; por isso os que andam pelo entendimento próprio não podem agradar a Deus; o que eles fazem não provém da fé, e isso é carne. Quando o Senhor fala, há fé. Quando Ele fala conosco, sempre manifestamos uma convicção e certeza resoluta. Mas quando Ele não fala, há confusão e dúvida. Nunca façamos nada na base da insegurança e incerteza, pois certamente não provém de 72
  • 10. A experiência do andar no espírito Deus. As coisas do Espírito são também na base da fé, pois andar NOTAS no Espírito implica em andar por fé. E tudo o que não provém de fé ou dependência de Deus é carne. Quando estivermos aconselhando uma pessoa, não devemos dar-lhe as coisas prontas, devemos antes estimulá-la a usar o seu próprio espírito, para que possa discernir a direção de Deus. Só há crescimento, quando Deus fala; as palavras humanas podem ser boas, mas somente quando Deus fala há transformação e há vida. Só há crescimento quando aprendemos a ouvir a Deus. Muitos discipuladores estimulam seus discípulos a serem seus dependentes. Ensinam que os discípulos não devem fazer nada sem antes compartilhar com eles. Isso não é o propósito de Deus; o discipulador deve permitir que o discípulo aprenda a ouvir e a depender de Deus. Se o discipulador sempre fala qual é a vontade de Deus, o discípulo nunca vai aprender a discerni-la por si mesmo, e isso é lamentável. Com relação ao "andar em fé", três coisas são consideradas como da carne. Carne é andar pela força própria, pela vista e pelo entendimento próprio. Andar em fé é o oposto: andar no descanso de Deus, ignorar a vista e renunciar o próprio entendimento. Antes, porém de avançarmos, devemos entender que a direção do Espírito nunca está fora da Palavra de Deus. Deus e a sua Palavra se misturam. Assim como eu sou aquilo que eu falo, Deus é aquilo que Ele fala. A Palavra é o seu retrato. Crer Nele é crer em sua Palavra. Se alguém diz crer em Deus e não crê na Bíblia, está mentindo; pois é impossível crer em Deus e não crer no que Ele diz. Se quisermos "andar no Espírito", devemos andar pela fé na Palavra de Deus; as duas coisas se misturam, na prática. A Necessidade de Crescer em Fé Nós podemos crescer na vida espiritual. O crescer espiritual está muito relacionado com o crescer em fé. Quero compartilhar dois princípios básicos que nos levam a avançar em novos níveis de fé: crescemos em fé, conhecendo a Palavra - pelo espírito, por revelação - e crescemos confessando a Palavra. Uma parte só não resolve, temos de conhecer a Palavra por revelação e temos de confessá-la com os nossos lábios. A Revelação da Palavra "Para que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento Dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos..." Efésios. 1:17-18. Como você viu no assunto anterior do Curso de Maturidade no Espírito, acerca da Experiência de Receber Revelação, em primeiro lugar, a revelação surge quando há um coração ensinável. 73
  • 11. A experiência do andar no espírito Se me jugo conhecedor de todas as coisas, quem estará apto para NOTAS me ensinar? Devemos também ter um coração que se humilha. Não devemos ter uma atitude de constrangimento em aprender com quem quer que seja. Ouça, se você, com soberba, disser: "não vou aprender com aquele irmão, vou buscar de Deus e aprender sozinho". Deus não vai falar com você. Deus resiste ao soberbo, mas dá graça aos humildes. Se eu souber que um líder qualquer em Goiânia está fluindo numa área qualquer da Palavra, vou lá aprender com ele e Deus vai falar comigo lá. Mas se eu disser: "eu sou pastor, igual a ele, Deus vai falar comigo também. Isso é soberba e nunca vou crescer dessa maneira”. No Novo Testamento, encontramos duas expressões que são traduzidas para o português como "palavra". São as expressões "Logos" e "Rhema". Logos é a palavra escrita, é a letra, é o que está registrado nas Escrituras. Rhema é a palavra viva revelada pelo Espírito e que queima em nosso coração. A Confissão da Palavra de Deus "Porque com o coração se crê e com a boca se confessa a respeito da salvação". Romanos 10:10. A nossa fé precisa ser cultivada à maneira de Deus, para reforçarmos a fé e abrirmos a boca. Não basta orar com o coração. É preciso também confessar com a boca. Muitas vezes Deus vem com um entendimento forte na Palavra, a respeito de uma verdade, mas com o tempo, nos esquecemos daquela verdade. Por que isso acontece? Porque deixamos de falar nela. Deixamos de confessá- la, de contar para os outros, de ensinar e mesmo de pregá-la. Se fecharmos a boca, com o tempo perderemos aquele entendimento vivo, e tudo se tornará apenas conhecimento mental. Mas existe um outro lado muito importante, mesmo que ainda não tenhamos revelação de uma verdade, se abrirmos a boca e começarmos a confessá-la, logo ela vai começar a gerar fé em nós. Vemos então que a confissão não apenas preserva a revelação recebida, mas também nos abre o espírito para novas revelações. Mas o que é confessar? Há uma maneira bem simples de memorizarmos o que devemos estar constantemente confessando: Eu devo confessar: • O que Deus diz acerca de si mesmo. O que Ele é. • O que Deus diz acerca do que possui. O que Ele tem. • O que Deus diz acerca do que pode fazer. O que Ele faz. • O que Deus diz acerca de mim. O que eu sou. 74
  • 12. A experiência do andar no espírito • O que Deus diz acerca do que possuo. O que eu tenho. NOTAS • O que Deus diz acerca do que posso fazer. O que eu faço. A base da nossa fé é aquilo que Deus diz. A palavra é o trilho do qual nós andamos. Aprenda tudo aquilo que Deus diz que é, e confesse constantemente, você vai perceber que a sua fé gradualmente vai se fortificar e crescer. O Que Deus Diz Que Eu Sou: Eu sou nova criatura (I Cor. 5:17). Eu sou templo do Deus vivo. (I Cor. 6:16). Eu sou como árvore plantada junto a ribeiros de água, que no devido tempo dá o seu fruto e tudo quanto faço sou bem sucedido (Sl. 1:3). Eu sou forte e ativo porque conheço o meu Deus (Dn. 11:32). Eu sou mais que vencedor por meio daquele que me amou (Rm. 8:37). Eu sou zeloso de boas obras (Tt. 2:14). Eu sou um ganhador de almas e por isso sou sábio (Pv. 11:30). Eu sou feitura Dele, portanto sou belo (Ef. 2:10). O Que Deus Diz Que Eu Tenho: O amor de Deus está derramado em meu coração (Rm. 5:5). A unção do Santo permanece em mim ( I Jo. 2:27). Deus me tem dado autoridade sobre todo o poder do inimigo e nada me causará dano (Lc. 10:19). Posso todas as coisas naquele que me fortalecesse (Fl.4:13). Deus me deu espírito de poder, de amor e de moderação (II Tm. 1:7). Maior é o que está em mim do que aquele que está no mundo ( I Jo. 4:4). Deus sempre me faz triunfar em Cristo Jesus (II Cor. 2:14). 75
  • 13. A experiência do andar no espírito Eu tenho sido abençoado com toda sorte de bênção NOTAS espiritual nas regiões celestes, em Cristo Jesus (Ef. 1:3). Eu tenho o poder do Espírito Santo (Mq. 3:8). O Que Deus Diz Que Eu Faço: No nome de Jesus eu expulso demônios, falo novas línguas, pego em serpentes; se beber alguma coisa mortífera não me causará dano; imponho as mãos sobre os enfermos e eles são curados (Mc. 16:17). Eu venço o diabo pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do meu testemunho (Ap.12:1). SEGUNDO PRINCÍPIO DO ANDAR NO ESPÍRITO: Andar Pela Cruz Para gerar incredulidade em Eva, o diabo procurou usar de estratégias. O diabo é espírito, e os espíritos não podem mudar; da mesma maneira que ele agiu com Eva, age conosco hoje. Desta forma, através de suas ações na Bíblia, podemos conhecer suas estratégias e guerrear contra ele. A primeira área que o inimigo atacou foi a bondade de Deus. Ele disse: "Deus não deve ser bom, caso contrário, não teria proibido comer da árvore". Nunca devemos permitir que em nossa mente haja a mínima insinuação satânica de que Deus não é bom, isso não é verdade. Essa é, muitas vezes, a forma que o inimigo encontra para gerar incredulidade em nós. Durante muito tempo convivi com muitos medos dentro de mim, todos eles relacionados com a dúvida sobre a bondade de Deus. Tinha medo de ser pastor, porque achava que a vida das ovelhas não estaria em boas mãos; poderia ser, que na hora crucial, Deus faltasse. Tinha medo até de orar, pois eu pensava que se orasse muito, Deus resolveria enviar-me para o meio dos índios, e disso eu tinha medo. Veja que a minha vida foi por muito tempo bloqueada, em função de eu ter duvidado da bondade de Deus. E ele é bom, Aleluia! A segunda área que ele atacou foi o caráter de Deus. Ele disse que Deus não era reto, pois havia mentido, certamente o homem não morreria se comesse da árvore. Ora, se Deus era mentiroso, não valia a pena confiar Nele, daí também surgiu a raiz da incredulidade. É impressionante vermos como o povo de Deus tem engolido esses dois ataques do inimigo. Muitos afirmam categoricamente que Deus é mau, ao afirmarem que foi Deus quem lhes mandou doenças. Muitos procuram pastores para receberem oração dizendo: "Pastor, ore por mim por que a mão de Deus me feriu com esta enfermidade. Ora, se foi a mão de Deus que feriu, eu não posso orar; se for a vontade de Deus, certamente ele não me ouvirá. Penso que as pessoas que têm essa posição não deveriam nem mesmo ir ao médico, pois se foi Deus quem mandou, o homem 76
  • 14. A experiência do andar no espírito não pode desfazer. E se Deus mandou a doença, ela é uma coisa NOTAS boa, pois Deus só nos dá coisas boas. Qual pai teria coragem de mandar câncer para seu filho? Pois se nós sendo humanos não agimos assim, muito menos o Senhor. Deus é mentiroso - não falamos isso descaradamente, como fez o inimigo, mas aceitamos a sugestão de que, nem tudo o que está escrito acontece hoje em dia. A Bíblia realmente diz que Deus cura, mas hoje Ele não cura mais. Se Deus não cura mais, então Ele é mentiroso, pois Deus nunca muda, sempre é o mesmo e se Ele curou no passado e não o faz mais, a Sua Palavra é falsa, pois mudou com o tempo. Se existe alguma coisa que Deus não mais faça em Sua Palavra, ela é indigna de confiança, pois, como vou ter certeza de que alguma coisa pode ser feita hoje, ou não? Se desejarmos andar no espírito, devemos desmentir o diabo e confessar tudo aquilo que Deus diz que é, tudo aquilo que Ele diz que faz e tudo aquilo que Deus diz que tem: "Eis que as suas mãos não estão encolhidas para não poder abençoar e nem surdos os seus ouvidos, para não poder ouvir". A vontade de Deus para nós é a saúde, a vida, a prosperidade e a paz. A terceira área que o diabo atacou foi a santidade de Deus, dizendo que Deus não queria que ninguém conhecesse o bem e o mal, que Deus não queria que ninguém fosse como Ele, que Deus queria ser o único. Aquilo que Satanás desejou na sua soberba e aquilo que Adão e Eva buscaram na sua desobediência, Deus agora nos concede gratuitamente, por meio de Jesus Cristo; eles queriam ser como Deus e nós, agora, nos tornamos Seus filhos, gerados pela Sua semente. No Salmo 82:6, Deus diz: "... sois deuses, pois sois todos filhos do Altíssimo". Eu sou agora da raça de Deus, sou filho. Nisto, Deus prova a Sua santidade, pois nos concedeu aquilo que foi acusado de não querer compartilhar: a Sua natureza divina. Para que a nossa fé seja forte, devemos ter uma revelação clara do caráter de Deus, Deus é bom e tem o melhor para nós. Deus é reto e nunca pode mentir ou falhar naquilo que disse: a Sua palavra é a própria verdade. E Deus é santo e nos fez participantes da Sua natureza, da Sua riqueza e da Sua glória. Aleluia! Se permitirmos surgir dúvidas nestes aspectos, então a nossa fé será abalada e não poderemos viver no espírito, pois, como já aprendemos, andar no Espírito implica em andar em fé. Andamos por fé na Palavra. A Palavra é o trilho, andar no Espírito é andar no trilho da Palavra. Vimos que o pecado foi originalmente a incredulidade, e que se desejamos andar hoje no espírito, temos de andar em fé. Mas temos de avançar um pouco mais agora e entender que houve um outro aspecto: a independência. Havia no Éden duas árvores: a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. A árvore da vida apontava para o próprio Deus. Se o homem optasse pela árvore da vida, teria escolhido depender de Deus. Ele não saberia o bem e o mal por si mesmo, teria de depender de Deus para saber. Não viveria por si mesmo, mas por aquilo que Deus dissesse. Sabemos que isso não aconteceu com Adão. Depois que o diabo falou, certamente Adão 77
  • 15. A experiência do andar no espírito ponderou e disse: "se Deus é tudo isso, então é melhor eu mesmo NOTAS tomar conta de minha vida, tomar minhas próprias decisões''. Isso foi a independência. Como originou-se o primeiro pecado, certamente os outros pecados se originam; pois todo pecado tem no seu centro o egocentrismo. Todo pecado, em sua origem, é o ego em ação. A independência é a forma específica de como o ego se manifesta: "eu tenho minhas opiniões, meus desejos, meus alvos, minha identidade". Quando o homem optou por comer da árvore do conhecimento, o seu Ego, a sua alma, foi aumentado, e passou a ser o centro da personalidade humana. O propósito de Deus era ( e é) que o espírito humano fosse o centro, mas o pecado transformou o homem em algo da alma, o homem se tornou almático. O espírito morreu, o ego se tornou o centro, por isso o homem passou a ser egoísta, egocêntrico. A melhor maneira de definirmos o pecado é entendermos que é pecado tudo aquilo que tem origem no ego. Tudo aquilo que é feito independente de Deus é pecado. Nesse sentido qualquer coisa pode ser pecado, desde que feita independentemente de Deus. Pode ser pregar, orar, ou qualquer outra coisa piedosa, se é feita por iniciativa do ego, é carne; e portanto é pecado aos olhos de Deus, ainda que aos olhos dos homens seja algo normal. Mas podemos ver também que atrás de todo fruto da carne tem também o ego em ação. O que é inimizade? É quando o ego não é reconhecido. O que é raiva? É o ego contrariado. O que é ciúme? É o medo de o ego ser suplantado. O que é divisão? É o ego que sempre está certo e nunca abre mão. O que é inveja? É quando o ego não suporta que o outro tenha algo e ele não. Poderíamos analisar cada pecado e observar que o princípio subjacente a todos eles é a ação do ego. Assim como todo pecado consiste no egocentrismo, toda virtude consiste no oposto, no altruísmo. Enquanto o egocentrismo é colocar a si mesmo no centro, altruísmo é colocar-se o outro no centro. O que é amor? É esquecer-se de si e olhar para o outro. O que é alegria? É viver contente com o que se tem e o que se é. Diante disso, vemos então que para vivermos uma vida no espírito, não basta andar em fé, temos também de andar em amor. Andar em amor é andar em renúncia do ego. É abandonar o egocentrismo e a independência de Deus; é negar-se a si mesmo. Em I João 3:23, lemos: "Ora, o seu mandamento é este, que creiamos em o nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou". O andar em espírito implica andar em fé, andar pela cruz, em amor. Andar em amor e andar pela cruz é a mesma coisa. Quando eu digo andar em amor, estou me referindo, em primeiro lugar, ao fato de que amor é, em última análise, renúncia de si mesmo. Se eu ando em amor, eu também vou andar em dependência de Deus, pois tudo o que é feito fora da dependência dEle é carne. Andar em amor também implica em abrir mão do orgulho. Mas há ainda outras formas de vida egocêntrica. O egocentrismo pode se manifestar na autopreservação. Precisamos 78
  • 16. A experiência do andar no espírito saber que autopreservação não é, em si mesma, pecado; NOTAS entretanto, pode ser uma atitude egoísta. É assustador quando vemos a atitude de certos crentes se preservando demasiadamente, não admitindo nenhuma forma de desgaste, de dor ou de sofrimento. O remédio de Deus para o ego é a cruz, e a cruz implica de uma forma ou de outra, em alguma espécie de desgaste e perda da comodidade. A vida no Espírito é uma conseqüência direta de passarmos pela cruz. Só há cristianismo se vivermos pela cruz. Jesus não apenas morreu numa cruz, ele viveu uma vida de cruz. Vida de cruz consiste em renúncia diária do ego. Jesus, quando ensinou os seus discípulos a orar em Mateus 6:9-13, Ele terminou a oração dizendo: "porque teu é o reino, o poder e a glória". Reino, poder e glória são tudo aquilo que o homem natural anda buscando. O que é reino? O reino nos fala de bens, riqueza, respeito e reconhecimento. Todo homem procura essas coisas e até mesmo fica ofendido quando não alcança esse objetivo. Todos queremos construir um reinozinho pessoal, pensando com isso encontrar a realização. Mas o veredicto de Deus sobre isso é: carne. Se buscarmos um reino para nós mesmos, estamos fora do padrão de Deus. Veja que não é pecado buscar respeito, reconhecimento, ou coisas assim, e mesmo o dinheiro, em si, não é pecaminoso, mas se queremos andar no caminho da cruz, temos de abrir mão. E o que é poder? É aquele desejo íntimo de mandar, de ter a primazia. Muitas vezes gostamos de poder dizer: "vá e diga a fulano que fui eu quem lhe mandou". Isso é realização, é ser conhecido na praça. O poder também nos fala de dons e capacidades. Eu posso fazer certas coisas que os outros não podem. Isso me faz sentir-me feliz e realizado, mas, se desejamos andar no caminho do espírito, temos de ir para a cruz e abandonar esses desejos da carne. E, por fim, o Senhor entregou a glória. Aqui está um ponto realmente crucial do ego: o elogio e a glória. A vida de cruz consiste em abrir-se mão do reino, do poder e da glória. O Senhor precisa nos mostrar o quanto o nosso Ego é deplorável aos seus olhos. Precisamos nos ver na luz do Senhor. Podemos renunciar o Eu quando nos vemos no espelho de Deus. Olhando para o tabernáculo, vemos que ali o Senhor nos ensina sobre essa verdade espiritual. No átrio, havia dois móveis, o altar de holocausto e a bacia de bronze. Ambos apontam para as bases da vida cristã. O altar nos fala da obra da cruz e a bacia de bronze aponta para o lavar regenerador e vivificador do Espírito Santo. Mas antes de lavar, a bacia tinha uma função muito importante, ela era como espelho. Em Êxodo 38:8, lemos que a bacia de bronze foi feita dos espelhos das mulheres de Israel. O que isso nos fala? Aponta para o fato de que antes de entrarmos no lugar santo, há um espelho para nós. Esse espelho é a luz do espírito que mostra tudo o que há em nós, e tudo o que está em nosso ego. Primeiro Deus nos mostra, depois Ele nos muda, esse é o sentido da bacia de bronze. Não há como crescer sem antes se conhecer. 79
  • 17. A experiência do andar no espírito Por outro lado esse autoconhecimento não vem pela NOTAS introspecção e auto-análise. O Senhor não nos autoriza, em sua Palavra, a ficarmos olhando para nós mesmos. A introspecção é pecado. Nós nunca podemos nos ver, a não ser por meio de um espelho. Por mais que eu me olhe, nunca vou me ver completamente, só posso me ver completamente por meio de um espelho e esse espelho é a luz do Espírito sobre nós. Ficar se perguntando não vai resolver coisa alguma. Muitos se perguntam: “será que eu estou falando na carne? Será que estou pregando na carne? Andando na carne? Orando na carne?” Isso só vai abrir espaço para respostas do diabo e certamente vai produzir uma neurose. Perguntar-se a si mesmo não resolve, pois a introspecção é esforço humano, portanto é carnalidade. Ninguém muda ninguém, muito menos a si mesmo; isso é obra exclusiva de Deus. A carne não pode mudar a carne. Nós saímos fora do trilho da Palavra de Deus para a nossa própria tristeza. O padrão de Deus para nós é: "Senhor, tu me sondas e me conheces, vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno" Salmo. 139:23-24. Mas muitos querem mudar esse padrão para: "Eu me sondo e eu me conheço. Eu vejo se há em mim algum caminho mau e eu me guio para o caminho eterno". Percebe a diferença? A introspecção produz tristes conseqüências, devemos ser cuidadosos com ela. A primeira maneira que Deus usa para nos levar ao fim de nós mesmos é a revelação. Mas quando isso falha, por causa da nossa dureza e insensibilidade ao Espírito, o Senhor se vê forçado a usar outro recurso: o fracasso, o vexame. Não é da vontade do Senhor que soframos vexame. Ele vem por causa da nossa dureza e resistência em aprender por meio da revelação do Espírito. Ele vem também porque muitas vezes temos um conceito errado a respeito de nós mesmos; pensamos que somos humildes, quando na verdade não somos. Pensamos que somos dependentes, quando na verdade agimos pelo esforço próprio. Suponhamos que um irmão simples é convidado para pregar na reunião principal da Igreja, no domingo. Ele certamente vai sentir angústias e até ter uma diarréia, por medo da responsabilidade. Essa é uma reação interessante, porém é apenas uma expressão do medo da carne do vexame. Como o irmão está inseguro, ele vai orar bastante, jejuar e meditar na Palavra. Chega o domingo e a sua pregação é impactante. Os líderes ficam admirados e convidam-no para o próximo domingo também. No segundo domingo, ele já não fica tão inseguro, mas ainda assim precisa gastar um tempo em oração, buscando a Deus. Mais uma vez é uma bênção, e a liderança extasiada o convida para mais um outro domingo. Dessa vez o nosso irmão já está tão seguro que pensa ser capaz de pregar para um estádio inteiro. Já não ora e nem medita na Palavra como antes, ele agora pensa que pode confiar em si mesmo. Ele sobe no púlpito e prega todo o seu sermão, mas quando olha no relógio não se passaram mais do que dez minutos; ele começa a suar copiosamente, sente calafrios; tonturas, uma pontada no estômago, e o seu desejo é sair correndo dali. O terceiro domingo foi um 80
  • 18. A experiência do andar no espírito completo vexame. Veja a maneira como Deus fez, ele levou aquele NOTAS irmão a perceber que ele não era tão dependente e humilde, quanto pensava, mas foi só no terceiro domingo que ele percebeu isso. Não é fácil perceber em nós erro nenhum, mas quando vem o vexame, eles se tornam manifestos. Lembro-me quando certa vez fui convidado pelo Pastor para substituí-lo, por motivo de viagem, mas o Pastor havia se esquecido de que convidara um outro amado irmão para pregar. Esse irmão havia convidado todos os seus familiares, o chefe de sua repartição e até mesmo um deputado, para ouvi-lo. Em nossa igreja, não usamos terno e gravata para pregar. Mas este irmão trajou-se assim, naquele dia, e ainda se assentou atrás do púlpito. Eu, por minha vez, estava dirigindo o louvor, e nem o notei, pois ele estava ali atrás sentado; do louvor, passei à mensagem, sem perceber que ele estava esperando que eu lhe desse a palavra. Este irmão levantou-se e permaneceu de pé, atrás de mim uma boa parte da mensagem, em um lugar que não pude percebê-lo. Todos olhavam para ele, alguns riam, outros se remexiam no banco, de tanta inquietação. Quando ele percebeu que eu não o vira, desceu do púlpito completamente envergonhado. Esse foi a maneira de Deus mostrar ao amado irmão a sua soberba. Esse irmão pensava que ele era um pregador excepcional, por isso digo que não foi por acaso que o Pastor se esqueceu que o havia convidado; Deus estava de olho naquele irmão, para tratar com seu orgulho e vaidade. O que é negar a si mesmo? Antes de avançarmos no entendimento do princípio da Cruz na vida de Jesus, necessário se faz clarear melhor o entendimento do negar-se a si mesmo. O negar-se a si mesmo não é a completa anulação da vontade. Isso evidentemente é impossível, trata-se antes de uma renúncia definida quando "minha" vontade quer seguir outra direção diferente da vontade de Deus. Significa que a vontade de Deus deve ser priorizada, e não a minha própria. Negar-se a si mesmo não é tornar-se um alienado. Muitos enfiam as suas cabeças dentro de um buraco pensando que dessa forma estão se negando. Isso, além de ser perigoso, se constitui num sintoma de fuga neurótica. E Jesus nunca quis dizer tal coisa. Negar-se a si mesmo não é vida de ascetismo. Na Idade Média muitos monges deixaram suas vidas e paixões. Essa posição coloca, no entanto, a vida cristã como uma dor constante. A vida seria um peso. Dura de ser suportada. Jesus veio para que o homem tivesse vida abundante. Não queremos retirar a dor da vida normal, do crescimento sadio, mas não podemos fazer da vida uma apologia à dor. Sofrer gratuitamente, para merecer o favor de Deus, é uma teologia errada e não está coerente com o tipo de vida que Jesus viveu e ensinou. Finalmente, negar-se a si mesmo não é a perda do desejo. Quando o desejo se torna concupiscência, ele passa a ser pecado. 81
  • 19. A experiência do andar no espírito E nós já estamos mortos para o pecado e, portanto livres do seu NOTAS domínio. Existem, no entanto desejos legítimos e bíblicos como o desejo de se casar, ter filhos, pregar o evangelho, salvar vidas, e coisas assim. Vemos, portanto que a autonegação proposta por Jesus é, antes e tudo, uma renúncia ao domínio da própria vida, e isso, sem dúvida, em algumas situações, vai implicar em todos os aspectos que mencionamos acima. Haverá momentos de aparente perda da vontade, da aparente alienação, de um também aparente ascetismo, bem como de uma renúncia de um desejo legítimo. Ex, Paulo optou por não se casar, mas era uma questão de consciência particular. Isso acontece em função de que a vida cristã é, em essência, uma contra-cultura do sistema vigente. Nunca devemos nos esquecer que a Cruz é loucura para o mundo, mas para nós, é o poder de Deus manifesto. Em Lucas 14:25-33 Jesus propõe aos seus seguidores o padrão para a vida cristã, para o discípulo. Esse padrão nada mais é do que a aplicação da cruz em cada parte do nosso ser. Nesse texto Jesus dá três ênfases básicas quando por três vezes ele expressamente disse: "não podem ser meus discípulos", nos versos 26, 27 e 33. As três coisas que ele mencionou foram os relacionamentos, o eu e os bens. A vontade do Senhor é que a cruz possa tocar em cada uma dessas áreas. Todas as vezes que Jesus falou de tomar a cruz ele falou também sobre negar a si mesmo. Na verdade os dois conceitos caminham juntos, negar a si mesmo é tomar a cruz. A cruz nada mais é do que a vontade de Deus e não há como fazer a vontade de Deus sem negar a nossa própria vontade. A Cruz Toca os Nossos Relacionamentos "Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs a ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo" Lucas 14:26. O primeiro ponto diz respeito à minha necessidade de ser aceito sempre pelos outros, de ser honrado, ser respeitado, ser amado. E pelo lado negativo se relaciona com o medo de ser rejeitado ou esquecido. Negar a si mesmo implica então numa renúncia ao amor e à aceitação incondicional dos outros. Não que eu não mais queira ser amado, mas que não buscarei ser amado a qualquer preço. Se para for amado eu tiver que rejeitar a Jesus, colocar em segundo plano a fé ou mesmo abrir mão da verdade; então eu prefiro não ser amado. Todos nós temos uma grande preocupação com a nossa reputação, com a maneira como os outros nos vêm. Quando tomamos a cruz nós temos de esquecer a opinião do mundo a nosso respeito. Mesmo que nos chamem de louco, fanático ou estúpido isto não mais nos ferirá. Mesmo na vida da Igreja nós precisamos amar mais a Deus do que buscar ser aceito pelos irmãos. Assim como Deus requereu de Maria gerar a Jesus sendo virgem, ele pode requerer de nós algo que pode nos trazer constrangimentos e lutas. 82
  • 20. A experiência do andar no espírito Pense em como foi difícil para Maria aceitar ser usada por NOTAS Deus desta forma. Ela poderia ser até apedrejada como adúltera. Mas ela ignorou a aceitação do mundo. Hoje Deus pode nos pedir que façamos coisas na vida da Igreja que serão mal interpretadas e até rejeitada por muitos. Precisamos ser livres de todos. Não buscar a aprovação, nem o elogio, o reconhecimento ou a aceitação mesmo de irmãos. Oferecemos nosso amor, nossos elogios e nossa aceitação incondicional, mas não esperamos ser retribuídos. É necessário que cada um de nós deixe a cruz ser aplicada em nossos relacionamentos. A Cruz Toca o Nosso "Eu” "E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo" Lucas 14:27. Isso é fundamental para qualquer cristão que conhece a vontade específica de Deus para sua vida. Tomar a Cruz nos fala de tomar a vontade de Deus em detrimento da minha. Há uma tendência natural de evitarmos a dor e buscarmos o prazer. Entretanto, muitas vezes, a vontade de Deus implicará em dor, e eu devo me apossar dela em detrimento de meu desejo de prazer e de conforto. A cruz nos fala de abrir mão de direitos, de reconhecimentos, de oportunidades e assim por diante. Jesus, já sob a sombra da cruz disse: Não a minha vontade, mas a tua... Várias vezes na vida e ministério de nosso Senhor, Satanás ofereceu um caminho fácil para o poder sem a cruz. As tentações para escapar da cruz foram muitas. Mesmo na hora em que ele tragava o amargo cálice do calvário a tentação de descer da Cruz foi agudíssima. Não é necessário dizer que Cristo tinha o poder de fazê-lo se ele assim o quisesse. Só não podemos dizer o mesmo a nosso respeito. Quantas vezes temos nós descido da cruz e perdido o poder e a autoridade. Mas o que é descer da cruz? Você deve estar se perguntando. Descer da cruz é qualquer atitude para salvar o "eu". É qualquer tomada de um caminho fácil no que diz respeito a princípios espirituais. Quero ser ainda mais exato e explícito. Todos os esforços para defender, escusar, proteger, vindicar ou salvar o ego é, com efeito, uma descida da cruz. Autocompaixão é descer da cruz. Significa que a pessoa pensa ter sido injustiçada e sente pena de si mesmo porque nada pode fazer a respeito. Eu que sou tão maravilhosa ser tratada desta forma, pensa consigo mesma. Ressentimento é descer da cruz. Significa que a pessoa foi injustiçada e se irrita porque nada pode fazer a respeito, "logo eu que sou tão isso e tão aquilo". Alguém como eu nunca poderia sofrer dessa maneira. Você consegue perceber o ego aqui? A recusa em se assumir a culpa é descer da cruz. Todos são culpados menos eu, ou pelo menos todos são mais culpados do que eu. A autovindicação é descer da cruz. Igrejas inteiras têm sido destruídas porque alguém não abriu mão da vingança. Quando os outros nos 83
  • 21. A experiência do andar no espírito entendem mal, os esforços indevidos para explicar nossas ações NOTAS são a mesma coisa. A autojustificação é descer da cruz. Mas a maior de todas as formas de descermos da cruz é quando oferecemos a cruz para o nosso irmão. Mas porque sempre eu é que tenho de tomar a Cruz? Já viram como uma ovelha morre? Não se ouve nem um gemido. Mas já observaram um porco sendo imolado? Temos visto esse tipo de coisa mesmo na vida de pastores. Muitas vezes tenho passado por irmãos pela rua e, por uma terrível distração, não os vejo nem os cumprimento. Naturalmente esses irmãos ficam ofendidos e vêm ter comigo. Numa situação dessas, eu poderia dizer ao irmão: "toma a cruz, pare de pensar que o mundo gira em torno de você. Em vez de buscar ser amado procure amar; se não o cumprimento cumprimente você a mim”.Tal resposta parece ser lógica, mas é uma repugnante descida da cruz. A minha atitude deve ser pedir perdão ao irmão e sarar as suas feridas. Eu devo tomar a minha cruz e nunca oferecê-la para o meu irmão. A cruz é um tipo de princípio que não podemos ensinar por preceito, apenas por demonstração. A Cruz Toca os Nossos Bens "Assim, pois todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo". Eu devo renunciar o desejo de viver para mim mesmo e, ainda mais, devo abrir mão dos meus próprios bens. Para muitos, o abrir mão de bens é bem mais difícil que abrir mão até de si mesmo. Sabemos que Jesus andou por esse caminho (I Pe 2:21) para que nós andássemos por ele também. Renúncia é morte e sem a morte, o cristianismo perde o sentido. Não existe cristianismo sem cruz. Existe religião. O ego deve perder o seu lugar de centralidade, cedendo lugar à vontade de Deus. Jesus não apenas morreu na cruz, mas toda a sua vida foi uma vida de Cruz. A cruz está intimamente relacionada com o nosso estilo de vida. A prosperidade é deveras parte do evangelho, mas é apenas uma parte. A ênfase principal está, sem dúvida, em um modo de vida generoso e sacrifical. A cruz nos torna sensíveis às necessidades do mundo ao nosso redor. Muitos crêem no versículo que diz que Cristo se fez pobre para que pela sua pobreza nos tornássemos ricos (II Cor. 9:); mas se esquecem da ordem de Jesus para que não acumulemos para nós tesouros sobre a terra. Parece contraditório, mas o paradoxo desaparece quando entendemos que Deus nos dá para que demos de volta a ele. Prosperidade é ter um pouco mais que o necessário. Deixemos que a cruz trate com a maneira como lidamos com o nosso dinheiro. O Senhor precisa ter controle completo sobre a nossa conta corrente. Não podemos permitir sermos arrastados pela corrente do pensamento materialista que prende a nossa geração. Somos um povo próspero, mas um povo generoso. Somos um provo próspero que teve os bens tratados pela cruz. 84
  • 22. A experiência do andar no espírito A Cruz na Prática NOTAS Tomar a cruz significa simplesmente tomar a vontade de Deus. A cruz é, na verdade, a Sua vontade. Tudo o que não for a Sua vontade não será uma cruz. Nesse sentido podemos dizer que a doença, por exemplo, não pode ser uma cruz já que Cristo Jesus carregou com elas na Cruz, (I Pe.2:24) e não podemos dizer que seja da vontade de Deus a enfermidade. Do mesmo modo podemos afirmar que a pobreza não é cruz já que fomos libertos das maldições da lei (Gl. 3:13). A cruz experimentada por Cristo foi decididamente a vontade de Deus e não algum tipo de ataque do diabo como doença ou miséria. De acordo com a ordenação divina da Bíblia, existe um marido para cada esposa. Cada casamento, não importando o meio pelo qual ocorreu, colocou-se soberanamente sob a mão de Deus. Uma vez que você se casar com uma determinada mulher, ela será sua esposa, e não haverá mais nada que você possa fazer a respeito. De acordo com a ordenação de Deus, não deverá haver divórcio. Um marido para uma mulher é a Sua vontade. Se você se divorciar de sua esposa, estará divorciando-se da vontade de Deus. Mas, se você a aceitar, aceitará a vontade de Deus, porque ela representa e constitui a própria vontade de Deus. A Sua vontade é sempre uma cruz. Se receber sua esposa como cruz, entretanto, você será um criminoso. Mas, se a tomar voluntariamente pela graça do Senhor, será um carregador de cruz. Tome voluntariamente a cruz; você não está sendo executado. Reconheça que sua esposa é a vontade e a ordenação de Deus. Suponha que a esposa de um irmão lhe cause sofrimentos. Já que não se permite o divórcio, ele tem duas escolhas com referência a ela: pode sofrer por sua causa como um criminoso que se executa na cruz, ou pode tomá-la como a vontade de Deus, como sua própria parte e porção. Ele poderá dizer: “Deus ma entregou. Não fui eu que casei com ela; foi de Deus que a recebi”. Certa vez uma irmã veio se aconselhar comigo. Ao chegar ela disse de um modo quase histérico: o meu problema é o meu marido. Ele não me dá atenção; não gasta tempo comigo; não me dá dinheiro para as compras; não é cavalheiro, etc, etc. Ela estava realmente insatisfeita com o marido. Depois de alguns minutos ouvindo-a eu lhe disse: "minha irmã, você crê que o seu marido é a vontade de Deus para você? Ela me respondeu com um "sim" que mais parecia um "não". Eu disse mais, "você crê ainda que foi Deus quem deu ele para você? Ela parecia estar sem ar quando respondeu novamente que sim. Então eu lhe dei cartada final. Você crê que Deus pode dar algo ruim para alguém? De maneira perplexa ela respondeu apenas com um aceno de cabeça. Se Deus somente dá coisas boas então o seu marido é algo de fato bom para você, eu diria até que ele é tudo de que você precisa. Se for assim vamos agradecer a Deus pelo presente? Os seus olhos estavam tão abertos que ela dava a impressão de estar vendo um fantasma. Na verdade esta é a atitude da maioria das pessoas quando mostramos 85
  • 23. A experiência do andar no espírito para elas a Cruz. Elas ficam perplexas e muitas até mesmo se NOTAS escandalizam. Alguém pode perguntar: mas e com respeito ao marido desamoroso, ninguém vai tratar com ele? Naturalmente não concordamos com tais esposos, mas por mais louco que possa parecer é a cruz que vai transformá-lo. Quando a esposa se dispõe a tomar a cruz o marido vai ser tratado por Deus. A Cruz é o lugar onde vencemos o diabo. Muitos pensam que guerra espiritual é uma questão de meramente repreender demônios. Ficam todo o tempo repreendendo demônios dentro de casa e até repreendem algum suposto demônio na cara do marido. Jesus repreendeu demônios durante todo o seu ministério na terra, mas ele somente venceu o diabo na Cruz. A Cruz é a vitória definitiva. Não estou dizendo que é errado repreender demônios na vida das pessoas, pois Jesus fez isso com Pedro; só estou afirmando que não há vitória sem a Cruz. Gostaria de mostrar algumas manifestações práticas do princípio da Cruz. Disposição para Sofrer o Dano "O só existir entre vós demanda já é completa derrota para vós outros. Porque não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? I Coríntios 6:7. Esta pergunta de Paulo não parece de uma obviedade gritante? Espera ai, Paulo! Ele faz algo de errado comigo e eu é que vou ter de ficar com o prejuízo, sofrer o dano? É exatamente isso. Isto é cruz. Esta é uma situação onde não vai adiantar muito ficar repreendendo demônios, para eu ter vitória, eu vou ter de tomar a Cruz. Esta é a vontade de Deus, que eu negue a mim mesmo e tome a Cruz. Mas e se eu quiser reivindicar os meus direitos? Bem, se você tem direitos é correto lutar por eles até no supremo tribunal. Nada de pecaminoso em se lutar pelos próprios direitos. Não é moralmente errado, mas onde fica a vitória? O pisar na cabeça do Diabo? É somente quando alguém toma a Cruz que o diabo é de fato derrotado. Existem dois princípios de vida: o princípio da cruz e o princípio da razão. Se quisermos ter razão já descemos da cruz, se tomamos a Cruz já não importa quem tem razão. Certa vez eu cheguei em casa na hora do almoço e encontrei minha esposa deitada (você sabe, aqueles dias que vêm todos os meses às mulheres). Ela parecia bem indisposta. Eu perguntei a ela: o que teremos para o almoço? Mal acabei de perguntara e ela desabou num verdadeiro pranto. Você não se importa comigo e só quer cobrar de mim, replicou ela. Eu calmamente me sentei e disse a ela: "veja, eu sou o homem da casa; e qual é a minha obrigação? Comprar o mantimento. Eu mesmo respondi. Agora me diga qual é a sua função? Fazer a comida, disse eu. Quando eu estou indisposto eu não deixo de ir trabalhar, do mesmo modo você não pode deixar de cozinhar por causa de uma indisposição. 86
  • 24. A experiência do andar no espírito Cada um deve desempenhar o seu papel? NOTAS Nesta situação quem você pensa que está com a razão? A esposa está certa em não cozinhar se está se sentindo mal e o marido tem o direito de comer pois estava trabalhando e fez a sua parte fazendo as compras da casa. Se agirmos como juiz tentando achar aquele que tem razão nunca prevaleceremos. É por isso que as maiorias dos casais vivem derrotados, pois caminham pelo princípio da razão e não pelo princípio da cruz. Se por outro lado apenas um dos dois tomar a Cruz voluntariamente o diabo será derrotado. Se a esposa se levantar e disser: "mesmo doente eu vou cozinhar, pois eu amo você e sei que é a minha obrigação. Ao ouvir isto muitas irmãs podem estar arquitetando um terrível plano de vingança contra mim. Como alguém pode ser tão cruel? Mas lembre-se, você não é uma criminosa levada pra cruz, mas uma filha de Deus tomando a cruz voluntariamente. O marido poderia ainda replicar dizendo: "deixa, querida, eu vou comprar comida pronta no restaurante. Alguém precisa sofrer o dano senão não há vitória. E aqui está uma palavrinha que dói: sofrer. É isso aí, a cruz muitas vezes implica em sofrimento. Não Agradar a nós Mesmos "Ora nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos". Romanos 15:1. Quando Jesus foi pra cruz ele não foi porque queria ter uma experiência diferente; não buscava um êxtase espiritual e nem estava buscando elogios. Na verdade Jesus não queria ir pra Cruz, ele foi para obedecer a vontade do Pai. Todavia o Pai não o obrigou, ele foi espontaneamente. Nós precisamos agradar o nosso irmão mesmo que isso implique em desagradar-nos. Muitos hoje pensam que ser crente é buscar uma nova experiência, ter um seguro contra calamidades ou ter uma vida de felicidade. Não, cristianismo tem como centro a Cruz. Por isso a pergunta chave não se é pecado ou não; se sou obrigado ou não; mas qual é a vontade de Deus. Percebe por que muitos casamentos nunca prosperam? Porque não querem agradar o outro ao preço do desconforto pessoal. Quando de forma definida nos dispomos a não nos agradar nós vemos a vida de Deus fluindo, a igreja de fato sendo edificada e as portas do inferno sendo aniquiladas. Há um caminho de vitória. Não é um caminho fácil e nem agradável, mas a vitória ao final é certa. Considerar o Outro Superior a Si Mesmo "Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo" Filipenses 2:3. 87
  • 25. A experiência do andar no espírito Considerar os outros como superiores a nós mesmos parece NOTAS algo tão fora de moda. Parece contradizer a moderna teologia da auto-estima. Todavia essa é a forma como a Igreja é edificada, pela cruz. Mais uma vez temos de dizer que cruz é sofrer o dano, é não agradar a nós mesmos, é considerar o outro como superior a nós mesmos. Para cada situação que nos sobrevir existem dois caminhos, o caminho largo e o estreito. Em um problema de casamento, por exemplo, o divórcio e a separação são o caminho largo. Todos nós sabemos onde vai desembocar o caminho largo. A cruz por outro lado é o caminho estreito. Numa situação de crise sempre tome o caminho estreito da cruz, pois somente neste caminho há vitória completa. O Exemplo De Jesus Sabemos que, na cruz, Deus resolveu todo o problema do homem: o problema da condenação, do pecado, do poder do pecado e do poder para se viver a sua vontade. É impossível que se fale de maturidade sem se referir à Cruz de Cristo. Queremos nos deter, no momento, apenas no aspecto que está relacionado à renúncia de si mesmo no dia a dia. Jesus não apenas morreu numa Cruz; ele viveu uma vida de Cruz. Toda a vida de Jesus foi caracterizada por uma renúncia completa do próprio Eu. Ele viveu a sua vida pelo princípio da Cruz. O princípio da Cruz fala de uma completa dependência de Deus. Não interessa mais se algo é bom ou se é mau; se é correto ou pecaminoso, o que interessa saber é se se trata da vontade de Deus. O princípio da Cruz é o processo da maturidade. Percebe-se, pela vida de Jesus, que o processo de Deus para tratar com o nosso Ego segue um certo padrão, uma ordem. Se falharmos em um aspecto, Deus vai repeti-lo até que sejamos aprovados. Na escola de Deus, ninguém pula cartilha, ou compra nota. Em João 5:19, 5:30, 8:28, vemos Jesus testificando claramente a sua posição de completa dependência do Pai. Isso é o princípio da Cruz em operação. Aprendeu a submeter-se A primeira grande tensão na vida do discípulo é a autoridade. Sem dúvida, essa foi também a primeira lição de Jesus. Seria ingenuidade pensar que Jesus não precisou aprender coisa alguma. Em Hb. 5:8, vemos que Jesus aprendeu a obediência. E a primeira lição foi submissão. Lucas nos diz (Lc. 2:41-51) que Jesus não apenas obedecia a seus pais, mas se submetia, a José e Maria, de coração. Ele sabia quem era e de onde tinha vindo, mas ainda se submetia a seus pais que eram muito limitados no entendimento. Jesus, aos doze anos, já discutia com doutores, mas, mesmo assim, não se exaltou sobre seus pais, antes lhes era submisso. Parece- nos que Maria, ainda que fosse uma santa mulher de Deus, não era uma pessoa de grande entendimento. Maria e José eram 88
  • 26. A experiência do andar no espírito extremamente pobres e sem certos privilégios e oportunidades. Em NOTAS muitas situações, a encontramos incomodando Jesus. É muito fácil nos submetermos a quem sabe mais do que nós, mas como é difícil ser submisso a quem sabe menos. Isso exige renúncia do nosso orgulho, do desejo de ser reconhecido e do desejo de se achar alguma coisa. No processo do discipulado essa é a primeira lição que se deve aprender. O discipulador deve confrontar o discípulo para que este aprenda a submissão. Teve um coração ensinável Estar aberto para aprender com quem quer que seja é algo muito dolorido. Sabemos que Jesus saiu para ser batizado por João diante dos olhos de todos. Isso era muito arriscado, pois poderia ser que, mais tarde algum fariseu se dirigisse a ele dizendo: acaso não estivemos juntos nas aulas de batismo de João? E isso certamente deve ter acontecido, pois Jesus usa algumas ilustrações feitas por João Batista (Comparar Mt 3:10 com 7:16-20) no sermão da montanha. Deve ser bastante constrangedor, se colocar ao lado de pecadores para ser batizado; alguém que nunca tenha pecado, como foi o caso de Jesus. A segunda lição, pois, de todo aquele que quer ser discípulo é ter um coração ensinável. É estar aberto para aprender com quem quer que seja, mesmo que isso muitas vezes seja extremamente constrangedor. Ninguém se diminua por ouvir e aprender algo com quem sabe menos. Não agiu no entendimento e esforço próprio Não é função nossa criar métodos próprios. Deus tem uma obra para ser edificada e não pensemos que ele é um construtor inepto, que não possui ao menos uma planta baixa. Pela narração de João 5:19, 5:30 e 8:28, podemos ver que Jesus somente fazia o que Deus mandava. Não havia lugar para o "eu acho ou eu penso", mas somente, para o que Deus queria realizar. Nós somos construtores e executamos a planta que Deus projetou. Vem chegando o momento onde tudo que fugir do projeto de Deus será desmanchado. Deus não aceita anexo humano à sua obra. Muitos de nós queremos fazer de nossas vidas o que bem queremos e isso denota falta de entendimento sobre o princípio da Cruz: "Não mais eu vivo, mas Cristo vive" - O comando não mais me pertence, mas tudo está sobre o controle Divino. Abriu mão do amor próprio Aquilo que guardamos mais fundo em nós mesmos é o nosso amor próprio - O medo de sermos prejudicados, feridos, magoados e coisas assim que nos apavoram muito. Pedro ingenuamente (Mt 16:21-34) incitou Jesus a que tivesse dó de si mesmo, julgando com isso estar fazendo um ato de amor. Jesus, no entanto, foi severo, como raramente o vemos na Bíblia, e exatamente em função de ter sido tocado numa das áreas mais sensíveis do homem, o amor 89
  • 27. A experiência do andar no espírito próprio. É propósito de Deus que alcancemos o nível em que NOTAS abramos mão até mesmo da própria vida. "Quem amar a sua vida, perdê-la-á...". O discípulo passa a viver para agradar ao seu Senhor. O direito que temos é o de amá-lo. Aborreceu a glória humana Jesus poderia ter sido coroado Rei de Israel (Jo 12:12-28), mas ele preferiu a vergonha da Cruz porque esta era a vontade de Deus. Não pensemos que não foi tentador para Jesus aquela posição. Certamente o foi. Ele, no entanto, por conhecer a vontade de Deus, não se deixou levar pela aparente glória humana. A grande questão da vida diz respeito ao desejo de ser reconhecido, visto e admirado. Se não abrirmos mão disso, seremos como os fariseus que faziam obras com o fim de "serem vistos pelos homens". Daí a reprimenda severa de Jesus contra eles. Submeteu-se completamente O plano de Deus é que cheguemos, como Jesus, à completa obediência (Mt 26:36-46). Deus não obrigou Jesus a ir para a Cruz. No Getsêmane, Jesus orou até saber a vontade de Deus. Quando Deus revelou que a sua vontade era a Cruz, Jesus se levantou e caminhou para lá. O princípio da Cruz não está relacionado com a questão do pecado propriamente dito, mas sim com aquilo que, mesmo não sendo pecaminoso, deve ser abandonado ou colocado em segundo plano. Fazer o que Deus quer: eis a questão. Sendo senhor serviu aos discípulos "O filho do homem não veio para ser servido, mas para servir”. Nós somos chamados a servir aos santos, sem distinção e isso implica em levarmos nosso interesse em sermos servidos, à cruz. Nosso ego deseja que todos estejam à nossa disposição sempre, a cada momento, e de preferência, que nos tratem com toda atenção e educação. Mas, o Espírito nos desafia a negarmos isso e fazer aquilo que esperávamos fosse feito a nós. Devemos servir com um coração perfeito e isso só acontece se renunciarmos a toda expectativa de retribuição à servitude. Toda expectativa de lucro deve ser renunciada. Só assim serviremos com alegria. O resto, o que vem depois disso, depende do Deus que nos vê em secreto. Andar Pela Cruz É Andar Em Amor Vemos que andar no Espírito implica andar em fé, mas não apenas isso, implica também andar pela cruz, ou seja, andar em amor. Só podemos amar ao próximo se esquecemos de nós mesmos. Esquecer-se de si é renunciar ao ego. Observe a definição do amor em I Coríntios 13. A prática do amor é simplesmente uma postura de tomar a cruz. 90
  • 28. A experiência do andar no espírito Permita-me exemplificar mostrando apenas alguns pontos de I NOTAS Coríntios 13:4-7: O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece; não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Observe que a palavra de Deus diz que o amor não se ressente, ou seja, não se melindra ou fica ofendido. O padrão de Deus não é o perdão; é não ficar ofendido. O perdão é a nossa segunda chance. A questão do ficar ofendido é um grande problema que aflige a igreja do Senhor. O ficar ofendido é a maior expressão do ego em ação. Quando ficamos ofendidos é que surge a ira, o ódio, a discórdia, a divisão, a facção, a gritaria, as brigas e coisas semelhantes. Alguns podem dizer, será que não temos nem o direito de ficar ofendido? Mas eu digo, ficar ofendido é ficar com o orgulho ferido, e orgulho ferido é ego machucado. Vamos imaginar em que circunstâncias alguém pode ficar ofendido. Não ser lembrado é algo que ofende, mas o desejo de ser lembrado é algo do ego. Nós nos achamos tão importantes que não suportamos não ser lembrados. Sentimo-nos ofendidos quando somos rejeitados, quando somos criticados; nos ofendemos quando não somos tratados como pensamos que merecemos. Veja que tudo isso tem como centro o orgulho do ego. Se o ego for renunciado, vai acabar com a história de ficar ofendido. Lembro-me de uma certa vez, na passagem de ano, quando o pastor estava dando posse a todos os cargos. Ele chamou todos e se esqueceu de um irmão. Esse amado irmão tinha vindo à reunião com um terno novo, estava realmente bem vestido. Foi algo terrível. Ele simplesmente não foi lembrado. Todos nós daríamos razão a este irmão por ficar ofendido. Se ele, entretanto, não tivesse orgulho próprio, então acharia normal não ser lembrado, mas se o seu ego ainda estivesse no centro, ele se tornaria um vulcão preste a entrar em erupção. O conselho bíblico é que haja em nós o mesmo sentimento que houve também em Cristo, que sendo Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus, antes se esvaziou de si mesmo e assumiu a forma de servo; e ainda morreu numa vergonhosa cruz (Fp. 2:5-11). Observe ainda que Paulo diz que o amor tudo crê. Que significa isso? Sempre que o meu irmão pecar contra mim e se arrepender eu vou crer nele. Diz ainda que o amor tudo espera. Ou seja, quem ama sempre espera o melhor. Não premedita o mau. 91
  • 29. A experiência do andar no espírito Mas o mais difícil é dizer que o amor tudo sofre e tudo NOTAS suporta. As implicações disso podem ser vistas na cruz. Por amor o Senhor suportou tudo, até a vergonha da cruz e no final pediu que o Pai perdoasse porque não sabiam o que faziam. O amor é a expressão da cruz. TERCEIRO PRINCÍPIO DO ANDAR NO ESPÍRITO: Andar No Sobrenatural Já aprendemos que andar no Espírito implica em duas coisas. A primeira implicação é que se desejamos andar no Espírito, precisamos andar em fé. O primeiro pecado foi o pecado da incredulidade, assim, o caminho da vitória é andar pela fé. Andar em fé significa andar no trilho da Palavra de Deus. O primeiro pecado consistiu em não se levar a sério a Palavra de Deus, daí dizermos que o trilho da vida de fé é a Palavra de Deus. O segundo princípio que vimos é que andar no Espírito é andar pela cruz, ou seja, em amor. Andar em amor é andar no trilho da Cruz. Não há como andarmos no Espírito sem a renúncia do Eu. Em I João 3:23, lemos que a vontade de Deus é que creiamos e amemos. As coisas de Deus são realmente simples. Devemos andar no trilho da Palavra e no trilho da cruz. Tudo o que fazemos que sai desses dois trilhos é carne. Mas resta ainda um terceiro aspecto que precisamos entender. Esse terceiro aspecto é uma conseqüência natural dos dois primeiros. Andar no Espírito é também andar no sobrenatural. O sobrenatural não significa o extraordinário. Significa que o meio é espiritual e não natural. Deus quer nos libertar tanto do pecado como do natural. O primeiro pecado levou o homem para o nível terreno do corpo. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Gn. 3:6 Observe que Eva foi primeiramente tentada a comer porque a árvore era boa para se comer (Gn 3:6). Tudo começou no corpo. Na verdade, esse é um critério para sabermos se algo vem de Deus ou não. As coisas de Deus sempre procedem do espírito, para atingir a alma. As coisas do Diabo sempre começam no corpo, na carne, para depois atingir a alma. Tudo começou no corpo, por isso dizemos que para se andar no Espírito, precisamos andar no nível do sobrenatural em disciplina do corpo. As coisas do mundo do Espírito somente podem ser experimentadas pelo espírito humano recriado. O homem é um ser triuno: espírito, alma e corpo. O pecado de Eva começou exatamente no corpo. Por ela ter abandonado o nível do espírito, o pecado teve espaço. Se desejarmos servir a Deus, devemos fazê-lo pelo Espírito, pela vida de Deus. E para que o Espírito flua precisamos disciplinar o nosso corpo. 92
  • 30. A experiência do andar no espírito O nosso espírito foi regenerado, a nossa alma está sendo NOTAS transformada e o nosso corpo deve ser disciplinado. Não há possibilidade de haver vida cristã sem renovação da mente, da alma. Mas, igualmente verdadeiro é dizermos que é impossível haver vida cristã sem disciplina do corpo. É importante sermos radicais neste ponto: é impossível vida no espírito sem disciplina do corpo. Mas antes de falarmos sobre esse ponto é bom fazermos uma distinção: disciplina não é igual a lei. Nós já fomos libertos da lei. Em Romanos 6:14, descobrimos que não temos mais de ser libertos da lei, nós já fomos libertos da lei. "Porque o pecado não terá domínio sobre vós porque não estais debaixo da lei e sim da graça". É importante frisarmos esse entendimento para que não transformemos a disciplina do corpo em legalismo e nem tão pouco em ascetismo. A disciplina não é para comprarmos bênção de Deus e muito menos para sermos aceitos diante dele. Somos aceitos por causa do sangue do Cordeiro; aleluia! A disciplina é para nós mesmos, não para Deus. É lamentável que muitos irmãos transformem a oração, a leitura da Palavra e o jejum em leis. Quando não oram se sentem distantes de Deus; quando não lêem a Palavra, imaginam que Deus agora está longe deles, que Deus os rejeitou. Nada pode ser mais lamentável do que isso. O amor de Deus por nós é o mesmo nos dias em que oramos, bem como nos dias em que não oramos. A oração não é uma lei, é uma necessidade, uma disciplina. Não muda a nossa herança e os nossos privilégios em Cristo, mas nos ajuda a perceber as coisas do espírito com mais clareza. A disciplina é para nós mesmos e não para sermos aceitos diante de Deus. O acesso diante de Deus é exclusivamente pelo sangue de Jesus. O que é a lei? Lei é tudo aquilo que eu tenho de fazer para Deus com o fim de ser aceito por ele. Eu já fui liberto da lei. Não tenho mais de fazer coisa alguma com o fim de ser aceito, pois por meio da obra da cruz, tenho livre e perfeito acesso. Fui justificado, perdoado, purificado, reconciliado, santificado, liberto e salvo. Nada pode me separar do amor e da presença de Deus, o caminho foi aberto. O legalismo é uma das piores heresias de nosso tempo. Há muitos que querem ser salvos mediante algum mérito próprio; somos realmente contra eles. Há, porém, muitos em nosso meio que buscam a santificação por esforço próprio. Toda a obra é realizada por Deus: desde a regeneração até a glorificação, na volta do Senhor. Mas o que é a graça? Graça é aquilo que Deus faz por mim. Lei é o que eu faço, graça é o que Ele faz. Estamos debaixo da graça, ou seja, estou debaixo daquilo que Deus faz por mim. Isso significa que eu não vou viver na prática do pecado porque o que está N'ele é a divina semente, o Espírito Santo. O legalismo é tão terrível porque ele anula a graça de Cristo. Quando eu digo que sou eu que tenho de fazer, estou anulando aquilo que Ele já realizou por mim. Quando eu começo de novo a criar leis, estou escravizando alguém que é livre em Cristo. Nesse ponto, volto a frisar que 93
  • 31. A experiência do andar no espírito disciplina não é lei. Disciplina é levar o corpo e a mente a fazerem a NOTAS vontade do Espírito. Eu sou um ser espiritual, a minha vontade real está no meu espírito. O meu espírito sempre quer ter comunhão com Deus, o corpo é que procura impedir. Eu devo disciplinar meu corpo para que o que está no meu espírito possa ser realizado. Com essa verdade em mente, vamos avançar no nosso estudo. O ponto central é a vida Desde Gênesis até Apocalipse, podemos ver que Deus tem uma ênfase. A ênfase de Deus é a vida. Isso pode ser facilmente observado em João: "A vida estava N'ele e a vida era a luz dos homens", "Eu sou o caminho a verdade e a vida...", "Eu sou a água da vida". Desde o princípio, em Gênesis, podemos ver a vida no centro. É a criação da vida, e Deus dando vida ao homem. Mas não é apenas a vida natural e biológica, é a vida de Deus. No princípio, Deus colocou duas árvores no jardim: a árvore do conhecimento do bem e do mal e a árvore da vida. Deus queria que Adão comesse do fruto da vida. Jesus é o rio da vida que sai do trono de Deus, em sua margem, havia a árvore da vida. Deus queria ter comunhão com o homem. A Sua vontade era de pôr dentro do homem a Sua vida sobrenatural. Nós vimos que o homem caiu, traiu a Deus, mas o Senhor projetou um plano de salvação, de redenção. Esse plano é prefigurado no Velho Testamento, quando Deus resgatou a nação de Israel do Egito, levou o seu povo para o monte Sinai. Lá no monte, Deus deu o plano do Tabernáculo. Deus queria habitar no meio do Seu povo. Mas o Tabernáculo era algo provisório. Houve um dia em que se levantou um homem, Davi, na sua intimidade com Deus, percebeu algo que estava no coração de Deus. Ele então recebeu o projeto do templo. O Tabernáculo era provisório, mas o templo era uma construção sólida e definitiva. No Novo Testamento, temos a concretização do propósito de Deus. O Senhor Jesus disse que nos iria enviar o Consolador, o Espírito Santo de Deus. Hoje nós somos o templo definitivo do Deus vivo. Nós somos o tabernáculo de Deus na terra. O tabernáculo possuía três partes: o átrio, o lugar santo e o santo dos santos. Deus habitava no santo dos santos. O átrio aponta para o nosso corpo, o lugar santo para a nossa alma e o santo dos santos para o nosso espírito. Deus habita agora em nosso espírito. Esse é o ponto central do Evangelho: Cristo dentro de nós. O Espírito Santo de Deus é vida; contatar o Espírito é contatar a vida de Deus. O nosso espírito é como um rádio que tem a função de sintonizar as ondas do céu. É um rádio que serve para receber e também para transmitir. Se desejarmos fluir em vida, temos de aprender a contatar o Senhor em nosso espírito. Mas é fundamental que separemos bem aquilo que é da alma daquilo que é do espírito. Hebreus 4:12 nos diz que a Palavra do Senhor é que separa a alma do espírito. Se falharmos em discernir a alma do espírito, isso poderá ser prejudicial para a nossa vida cristã. Precisamos aprender 94
  • 32. A experiência do andar no espírito a perceber aquilo que é do espírito em nós e também nos outros. NOTAS Alguém poderá me dizer: "Não julgarás por que com a medida com que tiverdes medido vos medirão também. Mas eu digo, não é julgar no natural, mas pelo espírito. Em I Coríntios 2:15, lemos que o homem espiritual a todas as coisas julga. O homem espiritual julga pelo espírito, com critérios do espírito. Mas qual seria esse critério? O critério é vida. Tudo o que é do espírito é vida, mas o que é da alma é morte. Se um irmão abre a boca e sai vida, eis algo do espírito, mas se sai morte, temos a alma em ação. O melhor critério é observar se há vida. Se em uma reunião alguém faz alguma coisa sem ser movido por Deus, aquilo mata. Quando alguém prega no espírito, há vida saindo de sua boca e isso atrai e sacia as pessoas. Não deve os aceitar fazer coisa alguma sem ministrarmos vida. As coisas do espírito sempre manifestam vida. A vida é algo contagiante, quando abrimos a boca pelo espírito, aquilo vai fluir e se espalhar por entre os irmãos. A vida também é alimento. Quando falamos algo do espírito, aquilo será a Palavra de Deus. Toda Palavra de Deus é espírito e vida. Quando falamos algo pelo Espírito, essa palavra é espírito e vida. Devemos estar ministrando vida aos nossos irmãos até mesmo em nossas conversas, mesmo conversando a vida deve fluir. A vida é algo sobrenatural e ser guiado pelo Espírito é ser guiado por esta vida. Entretanto para que possamos ser guiados pelo Espírito é necessário que desenvolvamos uma sensibilidade em nosso próprio espírito. Se não formos sensíveis não poderemos perceber a direção e a voz de Deus. Quero compartilhar quatro princípios para desenvolvermos a sensibilidade e aprendermos a ser dirigidos por Deus. Lembre-se sempre que andar no Espírito implica em: andar em fé, em amor e também em andar no sobrenatural. Checando as direções do espírito "Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito" (Gl 5:25 - Tradução da King James Version). "Já que vivemos pelo Espírito, mantenhamos o passo certo com o Espírito" (Gl 5:25 - Tradução da New International Version). "Se estamos vivendo agora pelo poder do Espírito Santo, sigamos a direção do Espírito Santo em todas as áreas de nossas vidas" (Gl 5:25 - Tradução da Living Bible). O andar no Espírito é o estilo de vida cristão do Novo Testamento. A Bíblia ensina que temos que ser habitados em nosso interior pelo Cristo vivo e, então, fiel e obedientemente seguir a cada direção do Espírito Santo de Deus. O cristianismo do Novo Testamento não é formal e cheio de cerimônia, ou um ritual e pompa religiosa, nem tampouco a observância de regras, regulamentos e éticas. É muito mais do que vivermos uma vida correta, de fazermos as coisas certas ou de fazermos aos outros o 95
  • 33. A experiência do andar no espírito que gostaríamos que eles fizessem a nós. O cristianismo é muito NOTAS mais do que uma filosofia ou um sistema de pensamento positivo. O cristianismo real é sobrenatural. É a vida de Cristo dentro do crente! Quando Cristo habita no interior dos nossos corações, pela fé, começamos a experimentar o conselho ou a direção do Espírito Santo. O nosso papel é de entrega, obediência e fé. Por estes instrumentos de graça, cooperamos com o poder de Cristo dentro de nós e ele é capaz de viver a Sua vida dentro de nós, para louvor e satisfação do Pai. Agora, como cristãos nascidos de novo, precisamos reconhecer e discernir a linguagem do nosso espírito. Precisamos aprender e reconhecer quando o Espírito está entristecido. "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus" Efésios 4:30. Precisamos reconhecer quando o Espírito está alegre dentro de nós e quer que nos regozijemos com Ele, ou quando Ele está com um fardo e deseja orar através de nós. Ele tem muitas funções que Ele deseja realizar através de nós e podemos aprender a reconhecer cada uma delas. Primeiramente, reconhecemos uma atividade no interior do nosso espírito. Entendemos, então, que o Senhor está querendo dizer algo a nós. Precisamos parar de perguntar ao Senhor. Espere silenciosamente Nele até que você compreenda o que Ele está dizendo. Aja de acordo com a informação recebida. Coopere com o Senhor. Procure lembrar-se desta experiência e o que ela significou. Desta maneira você será capaz de reconhecê-la novamente da próxima vez. Como Ser Guiado Pelo Espírito Pelo impulso da intuição Devemos lembrar que o homem tem três partes: espírito, alma e corpo. O nosso corpo tem três funções: movimento, sensação e instinto. A alma também tem três funções: mente, vontade, e emoções. No nosso espírito tem também três funções: intuição, consciência e comunhão. A intuição é como um impulso dentro do coração. Não é uma voz percebida audivelmente, mas é um impulso. Em Marcos 1:12, lemos que o Espírito impeliu Jesus... A Palavra “impeliu” é boa pois denota bem a sensação interior. É perigoso eu ser mal interpretado nesse ponto pois é certo que existem impulsos do corpo, das emoções e mesmo impulso de demônios. Entretanto, se somos nascidos de novo aprendemos a diferenciar todas essas vozes daquela que vem do espírito. Muitas vezes estou conversando com uma pessoa e repentinamente me vem um impulso de perguntar alguma coisa e invariavelmente aquela pergunta é exatamente o que a pessoa estava com medo de me contar. É uma sensação interior, não é uma voz audível. Isso pode aparecer muito místico, mas ouça-me, se desejamos andar no espírito, devemos ser livres do natural e entrarmos no sobrenatural. Um amado me contou que recentemente estava passando de carro 96