Verde que te quero ver                                                                                                  Re...
Pela Geografia, a Ponta do Seixas é o ponto mais oriental da América. Bem ali no quintal de Marcus Aranha. Um lugar sagrad...
Até a década de 50, a praia de Tambaú era praticamente um bairro de veraneio. As famílias com maior poder aquisitivo tinha...
O Parque Arruda Câmara, conhecido por Bica, localizado em Tambiá, a menos de quinhentos metros do centro da cidade, é umaj...
A locação do convento da ordem franciscana foi privilegiada. Em seu terreno foi encontrada uma jazida de calcário com dens...
Fundada em cinco de agosto de 1585, a localização para a fundação da cidade atribuiu a Filipéia de Nossa Senhora das Neves...
A Lagoa, nome popular do Parque Solon de Lucena, é um dos emblemas da cidade. Uma depressão do altiplano que forma acidade...
LegendasVista do Cabo Branco a partir da praia de Tambaú.
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  1. 1. Verde que te quero ver Reginaldo MarinhoNa década de sessenta, o escritor José Américo de Almeida havia chegado com bastante antecedência para uma cerimôniana Reitoria. Wilson Marinho e outros professores presentes tiveram a iniciativa de convidá-lo para ver a cidade do alto doprédio da antiga Reitoria da UFPB, no centro da cidade.O homem permaneceu calado por muito tempo. Olhava calmamente de um lado e de outro da cidade. Dali podia avistarCabedelo, do lado esquerdo, Tambaú bem à sua frente e o Cabo Branco à direita. A mata do Buraquinho, para onde estavasendo transferida a UFPB, se destacava naquele cenário. Tudo verde. As casas se perdiam no meio dos quintaisarborizados. Depois de uma longa observação ele disse: “João Pessoa é mais vegetal do que urbana.” José Américoprenunciou o destino de João Pessoa, uma cidade construída para ser verde.A cidade crescia. O êxodo rural decorrente da pobreza no campo e da ausência de políticas públicas eficientes, paramanter o homem em seu meio e fortalecer a economia rural, resultou no inchamento das capitais; João Pessoa sofreu essapressão migratória, expandindo suas fronteiras.A idéia de fazer estas fotos está desvinculada de qualquer estudo ou proposição sociológica, arquitetônica, histórica oumesmo turística. Ao fazer essas imagens, tive a intenção de registrar em fotografias o que as minhas retinas fixaram emmeu olhar desde a infância e, agora, quero compartilhar com você o que os meus olhos vêem. São imagens que evocam umtempo romântico, em que a gente tinha prazer e liberdade de andar pela cidade, de sentir cada rua, cada ladeira eapreciar cada monumento dessa preciosa urbe. São fotos da Lagoa, da Bica, do Varadouro, do Cabo Branco, da Arte Sacra,do Sanhauá...Um passeio visual pela cidade que se estende entre o rio Sanhauá e o oceano Atlântico é apaixonante. O patrimôniohistórico nos remete a um tempo longínquo que sugere a dimensão da nossa capacidade de criar nas várias linguagensartísticas, tudo com muita qualidade; com destaque para o barroco rico em preciosos ornamentos encontrados naarquitetura religiosa. Os edifícios compostos pelos conjuntos do convento de Santo Antônio e igreja de São Francisco, oconvento e igreja de São Bento e o conjunto Carmelita são monumentais. Sem qualquer disciplina, atendi apenas aos meussentimentos. Às imagens desse repertório latente somam-se às mais modernas, com a inclusão dessa rica arquiteturacontemporânea que se faz na Paraíba. Confesso que esse trabalho se transformou em puro deleite, é isso que pretendo quevocê experimente agora. Aprecie essa cidade.
  2. 2. Pela Geografia, a Ponta do Seixas é o ponto mais oriental da América. Bem ali no quintal de Marcus Aranha. Um lugar sagradoque ainda guarda as emanações telúricas de Atlântida, o continente lendário perdido nos confins do oceano. Esse marcogeográfico, teoricamente, aproxima a Paraíba da África e da Europa. Um território que convida à meditação e contemplação,embaladas pelo sopro suave dos alísios, as folhas dos coqueiros cantam os seus mantras que nos fazem viajar pelos universosancestrais.Entretanto, a alguns metros dali na direção Norte e outros a Oeste, surge o monumento natural que simboliza a capital daParaíba, a terra dos Tabajaras. Constituído de argilas e areias multicoloridas, o Cabo Branco avança bravamente sobre o mar e ocontinente se derrama suavemente no oceano Atlântico.O Cabo Branco enriquece o imaginário paraibano. Uma falésia atrevida que desafia a força das marés e impõe uma belezaplástica rara, que diferencia a paisagem urbana daqui das outras capitais brasileiras. A falésia é soberana e a força mágica queemana de seus minerais fortalece a têmpera do caráter paraibano.Coberta por seu manto verde, a falésia acompanha a orla por alguns quilômetros, uma paisagem que deve ser preservada parasempre, assegurada por dispositivo da Constituição do Estado, um patrimônio paisagístico que a natureza nos oferecegenerosamente. O convite à meditação é irrecusável. Daquele templo natural, a nossa mente navega entre oceanos ecivilizações, sem precisar tirar os pés do chão.De sua parede argilosa brotam cores que tingem harmoniosamente esse singular monumento da terra, uma pintura viva edinâmica que se altera com as intervenções das marés desde o começo de Universo. Fala-se em projetos fabulosos parainterromper esse processo natural e espetacular que a natureza nos ofereceu, cujo único tributo que ela cobra é o respeito pelasua preservação que seria prejudicada por qualquer dessas sandices.A cada dia ficam mais evidentes os grandes desatinos praticados em nome do progresso que deixa atônita toda a humanidade.Permita que o Cabo Branco interaja com a sua natureza, pise naquele chão e sinta o cheiro do mar. Se perca por algunsmomentos em seu próprio universo.
  3. 3. Até a década de 50, a praia de Tambaú era praticamente um bairro de veraneio. As famílias com maior poder aquisitivo tinhamuma casa no centro e outra em Tambaú para passar as férias. As praias de Cabedelo eram mais usadas por famílias de outrascidades. A partir da década de 60 e 70 esse hábito começou a mudar e algumas casas foram sendo construídas para usodefinitivo. Nessa mesma época, o arquiteto Acácio Gil Borsói radicado no Recife influenciou bastante as tendências e asconstruções residenciais daquela época. Era o modernismo que encontrava abrigo no gosto paraibano, embalado pelaconsolidação arquitetônica na construção de Brasília.Mário Glauco di Láscio, Carlos Alberto Carneiro da Cunha, Leonardo Stuckert Filho e Roberval Guimarães tiveram atuaçõesdestacadas. Quase todas as residências dessa fase se encontram totalmente descaracterizadas, em sua maioria abrigandoestabelecimentos comerciais. Como essas alterações agridem os projetos originais, tornando-os absurdamente feios,irreconhecíveis.A vocação residencial de Tambaú fora descoberta. Mais e mais famílias passaram a adotar as casa de praia como residênciadefinitiva e a arquitetura modernista foi avançando em direção da orla. Foi um rico período. Belas casas foram construídas àbeira-mar. As residências que conservam o seu estilo original permitem a observação de uma arquitetura que considerava aintegração ambiental como fator essencial, percebe-se a intenção de aproveitamento da luz e da ventilação litorânea. O uso degeometrias arrojadas, grandes vãos com confortáveis varandas e colunas em formas de “V” deixaram uma marca inconfundívelda época, tendo Brasília como símbolo nacional desse estilo. Os móveis pés de palito acompanhavam esse estilo, arquitetura emobiliário falavam a mesma linguagem.Somente nos anos 80, com a formação dos primeiros arquitetos da UFPB e o boom imobiliário de João Pessoa que a arquiteturamoderna paraibana ganhou as feições atuais. Os jovens arquitetos esbanjaram ousadia, particularmente nas cores. Observando-se à distância, os edifícios da orla, percebe-se uma combinação cromática aleatória que resulta em um gigantesco painel deefeito fractal. Certamente que a escolha dessas cores não é submetida a nenhum programa, pois os pontos de observação sãoinfinitos e o resultado é sempre alegre. Essa jovialidade arquitetônica multicor se amplia com a luz tropical incidente em todasas estações. A arquitetura moderna paraibana é muito alegre e colorida, reflete a diversidade cultural e étnica presentes emnossa sociedade.
  4. 4. O Parque Arruda Câmara, conhecido por Bica, localizado em Tambiá, a menos de quinhentos metros do centro da cidade, é umajusta homenagem ao médico e botânico brasileiro Manoel de Arruda Câmara, nascido na cidade de Pombal, a mesma ondenasceu outro ilustre paraibano o economista Celso Furtado, é um parque zoobotânico que abriga dezenas de animais em 43hectares de Mata Atlântica.Arruda Câmara que era um frade carmelita que estudou medicina em Montpellier na segunda metade do século XVIII e adotou osprincípios da Revolução Francesa de liberdade, igualdade e fraternidade, voltando ao Brasil fundou a primeira loja maçônica doBrasil denominada Aerópago de Itambé. Ali, os ideais revolucionários germinaram com muita força eclodindo em seu seio aRevolução de 1817. A contribuição científica e política de Arruda Câmara deixam uma marca indelével na História do Brasil.A fonte do parque foi urbanizada na mesma época em Arruda Câmara atuava nos movimentos revolucionários de Pernambuco,em 1782 a Provedoria da Fazenda Real autorizava a edificação da fonte que até hoje inspira os visitantes com a lenda de doisapaixonados membros de tribos rivais. Aipé era filha do cacique potiguar que se apaixonou pelo guerreiro cariri Tambiá que foiaprisionado e ferido de morte teve seus ferimentos cuidados por Aipé. Com a morte dele, Aipé teria chorado cinqüenta luassobre a tumba do amado e desse pranto nasceu a fonte Tambiá.Não tem o glamour do Parque Trianon, em plena Avenida Paulista, ou do Central Park, em Nova York, mas Bica é sempre umambiente que desperta momentos românticos. Suas alamedas são percorridas por casais apaixonados absorvidos pelacumplicidade da exuberante natureza. O ar puro liberado pela mata torna o passeio muito agradável, principalmente para ascrianças que se divertem com os animais selvagens de várias procedências em recintos limpos e seguros.João Pessoa que já mereceu os títulos de Capital das Acácias, cidade mais verde, que abriga o ponto mais oriental da América,agora, eu proponho Cidade dos Jequitibás. Essa árvore magnífica, símbolo da Mata Atlântica, cujo nome significa em tupi-guaranigigante da floresta, tem um fuste que pode atingir 50 metros de altura. No perímetro urbano da capital vamos encontrar a maiorconcentração dessa espécie em uma cidade brasileira. A mata do campus da UFPB abriga dezenas delas, a Mata do Buraquinhomantém uma quantidade ainda maior dessa maravilha botânica. A Bica tem apenas dois exemplares, um deles tem um troncocom dois metros de diâmetro no colo do caule.
  5. 5. A locação do convento da ordem franciscana foi privilegiada. Em seu terreno foi encontrada uma jazida de calcário com densidadesvariadas, sendo uma delas muito densa, macia, com cristais finos, próprias para esculturas como descreveu o Frei Antônio de SantaMaria Jaboatão, conservando a grafia original, em Crônicas dos Frades Menores da Província do Brasil, em meados do século XVIII:“Nesta ...pedreira... do Convento se tirou, e tira, ainda que já hoje com algum trabalho de desmontar a terra pelos seus altos, todaa pedra, assim de cantaria, como a mais, que He necessária a qualquer obra ou edifício. Consta de vários bancos, como explicão osmestres da arte.Do primeyro que se cobria ao principio, e pelas bayxas de pouca terra, e em muitas partes descuberto, se tira a pedra tosca, e durade alvenaria, do segundo outra menos áspera mas forte, de que se faz perfeita e forte cal, do terceyro cabeços para fortalecer asparedes e do quarto a que serve para se lavrarem portaes, e outras semelhantes peças, não tão dura, e áspera, como as primeyras,mas muito mais alva, sólida e Liza da qual se fazem lavragens.Toda sérvio de grande conveniência e menos custo para as obras do convento que muito depois se levantou de novo, tirando-se dedentro da sua cerca todo o material de pedra e cal e tãobem o saibro, que serve em lugar da areia, e He huã terra algum tantovermelha que depois de tirada alguã, se segue esta athe se dar com o primeyro banco da pedreira, e tudo isto se tira do terreno dacerca, sem a moléstia de o pedir, e comprar fora.” Foi mantida a grafia original do documento.O conjunto franciscano é sem dúvida o monumento mais notável e os que planejaram a obra trabalharam com a visão decontemplação no grau mais elevado. Tem-se a sensação de que a igreja, com seus ricos adornos barrocos, tem o apogeu devisualização com a passagem do equinócio de primavera. Até a passagem dessa efeméride, a luz solar não incide diretamente nafachada principal do monumento, mas com a chegada da primavera, com a luz recortando os entalhes e os detalhes arquitetônicos,aquela jóia da arquitetura ganha realce e esplendor. O imenso adro fica todo iluminado após o meio-dia. Na entrada, um de cadalado, percebe-se os cães de Fo - Fo é um dos nomes de Buda nos idiomas falados na China - essas esculturas tradicionais, usadas comoguardiões dos templos budistas revelam a influência asiática na arquitetura religiosa portuguesa. Além dessa ligação com a Ásia,podemos notar sobre os mesmos muros que limitam o adro, na união com a fachada frontal, uma máscara indígena de cada lado,figuras representativas das etnias locais.Uma curiosidade que convém destacar nessa obra magnífica é o crucifixo que fica no coro, esculpido ao modo renascentista,representando Jesus com os pés separados, emoldurado por raios luminosos revestidos de folhas de ouro.
  6. 6. Fundada em cinco de agosto de 1585, a localização para a fundação da cidade atribuiu a Filipéia de Nossa Senhora das Nevesqualidades estratégicas. O lugar foi escolhido como se fosse para guardar uma pérola, longe dos olhos da cobiça. Distante 20milhas da foz do rio Paraíba, numa curva do rio Sanhauá, o ponto foi definido. Ali deveria ser edificada a cidade. Um lugar cheiode verde e florestas densas que se estendiam a Leste até o mar. Com uma topografia surpreendente, as colinas que antesproporcionavam segurança; agora, as suas ladeiras oferecem uma ginga, com um movimento ondulado nas vias públicas e umdesenho, cheio de sinuosidades que quebra a monotonia de quem precisa transitar pela cidade. A partir do Porto do Capim, a cidade foi subindo a colina e se projetou por uma faixa de terra plana que passa pela Igreja deSão Francisco, se estende até Cruz das Armas, de um lado, e do outro, esse altiplano acompanha a cidade em direção ao litoralaté a aproximação do rio Jaguaribe, quando ocorre a ruptura para voltar ao nível do mar. Esse desnível que existe nos bairros deMiramar e Jardim Luna, oferece uma linda paisagem do mar. Foram escolhidos os pontos cardeais para a construção dosconventos e igrejas das quatro ordens religiosas, exceto o conjunto carmelita, os três outros ocuparam localizações estratégicassempre na linha de ruptura do lado Oeste do altiplano, de onde os colonizadores passariam a comandar a cidade e observar omovimento de embarcações pelo rio até Cabedelo. Até a década de trinta, a cidade terminava em Cruz do Peixe, onde hoje se encontra a Usina Cultural da Energisa. Aimplantação da Av. Epitácio Pessoa permitiu a ampliação urbana até o litoral, cuja consolidação só veio ocorrer nos anos oitentacom a disparada da construção de edifícios. Os bairros litorâneos se firmaram e o Centro Histórico foi praticamente esquecido,até que o ministro da Cultura Celso Furtado indicou a cidade de João Pessoa para sediar as comemorações do quinto centenáriodo descobrimento da América, evento de grandes dimensões promovido pelo governo espanhol. Esse convênio resgatou aimportância do acervo histórico da cidade, trouxe nova leitura para a compreensão de nosso patrimônio histórico, cultural eartístico.A ocupação dos bairros litorâneos e o prolongamento urbano se expandindo na direção do município de Cabedelo é irreversível,embora seja necessário o desenvolvimento de atividades no Centro Histórico para impedir o esvaziamento desse espaço tãonotável para a compreensão do passado e a valorização dos referenciais históricos que permitem enxergar a nossa condiçãocultural e as perspectivas de nossa trajetória ancoradas na História.
  7. 7. A Lagoa, nome popular do Parque Solon de Lucena, é um dos emblemas da cidade. Uma depressão do altiplano que forma acidade de João Pessoa e se estende pelos bairros centrais. O local era conhecido por Lagoa dos Irerês, espécie de marrecos queviviam ali até os anos 60. O alegre canto dessas aves “fi-fi-fi” ecoava pelo centro da cidade, foram cenas inesquecíveis. A Lagoaera o centro de tudo. Antes que a cidade se expandisse em direção à orla, era ali que as paqueras ocorriam nas tardesdomingueiras.Era um hábito romântico em uma província que não oferecia alternativas de lazer. Todas as tardes de domingo, após as sessõesde cinema no Cine Plaza ou Municipal os rapazes e as moças convergiam para a Lagoa. Eram momentos agradáveis de flerte esedução. Era na Lagoa que as paqueras das saídas de colégio se confirmavam e surgiam os namoros e casamentos.Os mais afoitos “fugiam” e os pais obrigavam a casar, era muito diferente. Fugir era equivalente a ficar, com a diferença de queficavam definitivamente ou por longos anos. Quando a tarde terminava era a hora de esvaziar o local para outro público.Chegava a hora de buscar outras alternativas que eram ora no jantar dançante do Clube Cabo Branco ou do Clube Astrea. Assimera a vida da província que se repetia a cada domingo. Com a noite chegavam as mulheres que ofereciam prazer e sexo para osmesmos rapazes que estavam antes com as garotas “de sociedade”.Isso tudo faz parte apenas das lembranças de quem viveu nessa época. A Lagoa só perdia essa vitalidade quando chegava o verãoe as famílias mais abastadas que dispunham de residência de veraneio em Tambaú passavam a residir, temporariamente napraia. A paquera era transferida para a calçadinha da praia. Na volta das aulas, todos retornavam e a vida de sedução voltavapara a Lagoa.A Lagoa perdeu esse encanto, mas não perdeu a beleza. Um magnífico espelho d’água, quase natural, rodeado de palmeirasimperiais e ipês-amarelos que conferem ao Parque uma beleza singular e que atinge o apogeu com a floração desses ipês. Afloração das cerejeiras no Japão é um fenômeno de rara beleza, mas não se aproxima da intensidade das flores do ipê, mesmoassim o dia da floração das cerejeiras é, por tradição, feriado para que todos possam apreciar a esplendor da natureza.Para a nossa sorte, as garças substituíram os marrecos e adotaram a Lagoa como o seu ambiente porque conseguem alimento nospeixes que vivem na Lagoa. Elas emprestam a beleza de seus vôos ao local, enquanto não decidem recuperar esse valiosopatrimônio urbano. Para conservar essa paisagem é necessário que o recinto seja mantido sem os efluentes que podem alterar oequilíbrio ambiental.
  8. 8. LegendasVista do Cabo Branco a partir da praia de Tambaú.

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