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Quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher…
(Gl 4,4). Esta passagem da Carta de São Paulo aos Gálatas liga o Natal de Nosso Senhor
Jesus Cristo à Concepção Imaculada de Maria. Ao dizer que foi na plenitude dos tempos, o
Apóstolo Paulo indica que tudo o que deveria ser preparado para a vinda de Jesus estava
pronto. O próprio Deus preparou um povo para acolher seu Filho. De igual forma, preparou
um ventre que fosse sem mancha alguma.
Por isso, A Imaculada Conceição é uma festa extraordinária, porque nos mostra
como o próprio Filho aplicou à sua Mãe os frutos da Redenção, desde que ela foi
concebida, em previsão dos méritos que Ele próprio iria adquirir na Cruz. Assim,
Maria foi preservada da mancha do pecado original, herança que nossos
primeiros pais legaram a toda a humanidade.
Como lemos no Missal Romano: “Vós a preservastes de toda a mancha do pecado original
para que, enriquecida com a plenitude da Vossa graça, fosse a digna Mãe do Vosso Filho.
Nela destes início à Santa Igreja, esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, resplandecente
de beleza e santidade.
Dela, Virgem puríssima, devia nascer o Vosso Filho, Cordeiro inocente que tira o pecado do
mundo. Vós a destinastes, acima de todas as criaturas, a fim de ser, para o Vosso povo,
advogada de graça e modelo de santidade.”
A doutrina da Imaculada Conceição de Maria remonta desde os primeiros séculos
da fé Cristã. S. Tiago Menor, em sua liturgia, prescreve a seguinte leitura:
“Fazemos memória de nossa Santíssima, Imaculada e Gloriosíssima Senhora
Maria, Mãe de Deus e sempre Virgem”.
Na Liturgia dos etíopes, de autor desconhecido, mas cuja composição data do primeiro
século, encontramos diversas menções explícitas da Imaculada Conceição: “Alegrai-vos,
Rainha, verdadeiramente Imaculada, alegrai-vos, glória de nossos pais.” E também o
Sacerdote invocava a Deus em favor dos fiéis com a seguinte oração: “Pelas preces e a
intercessão que faz em nosso favor Nossa Senhora, a Santa e Imaculada Virgem Maria.”
Santo André, apóstolo, expondo a doutrina cristã ao procônsul Egeu, passagem que figura
nas atas do martírio do mesmo santo, e data do primeiro século: “Tendo sido o primeiro
homem formado de uma terra imaculada, era necessário que o homem perfeito nascesse
de uma Virgem igualmente imaculada, para que o Filho de Deus, que antes formara o
homem, reparasse a vida eterna que os homens tinham perdido.” (Cartas dos
Padres de Acaia).
No segundo século temos vários escritos dos Santos Padres que falam da Imaculada
Conceição, além de vários escritores, entre eles S. Justino, apologista e mártir; Tertuliano e
Santo Irineu. Santo Hipólito, bispo de Porto e mártir, escreveu em 220: “O Cristo foi
concebido e tomou o seu crescimento de Maria, a Mãe de Deus toda pura”. Mais além ele
diz: “Como o Salvador do mundo tinha decretado salvar o gênero humano, nasceu da
Imaculada Virgem Maria”.
Orígenes, que viveu em 226, escreveu: “Maria, a Virgem-Mãe do Filho único de Deus, é
proclamada a digna Mãe deste digno Filho, a Mãe Imaculada do Santo e Imaculado, sendo
ela única, como único é o seu próprio Filho.”
Em um dos seus sermões sobre S. José, Orígenes cita: “Este menino não precisa de Pai na
terra, porque tem um pai incorruptível no céu; não precisa de Mãe no Céu, porque tem uma
Mãe Imaculada e casta na terra, a Virgem Bem-Aventurada, Maria”.
No ano de 1854, após vários estudos feito por bispos e teólogos, o Papa Pio IX
definiu o dogma da Imaculada Conceição, no dia 08 de dezembro, na Bula
Ineffabilis Deus, proclamada na basílica de São Pedro em presença de mais de
duzentos bispos e enorme multidão de fiéis:
“Declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a
Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua concepção, foi por
singular graça e privilégio de Deus onipotente em previsão dos méritos de
Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha
de culpa original, foi revelada por Deus, portanto, deve ser firme e
constantemente crida por todos os fiéis.”
Logo após a definição do dogma, o mesmo foi confirmado pela própria Virgem em Lourdes.
Ao aprofundar na mensagem de Lourdes, o Papa Bento recordou que a Virgem se
apresentou a Bernadete com este nome: “Eu sou a Imaculada Conceição”. “Maria lhe revela
deste modo a graça extraordinária que Ela recebeu de Deus, a de ser concebida sem
pecado, porque ‘olhou para a humildade de sua serva’”.
Desta forma, declarou, “ao apresentar-se em uma dependência total de Deus, Maria
expressa na verdade uma atitude de plena liberdade, fundamentada no completo
reconhecimento de sua genuína dignidade”. “É o caminho que Maria abre também ao
homem. Colocar-se completamente nas mãos de Deus é encontrar o caminho da verdadeira
liberdade. Porque, dirigindo-se a Deus, o homem chega a ser ele mesmo; encontra sua
vocação original de pessoa criada à sua imagem e semelhança”.

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A Imaculada Conceição de Maria

  • 1.
  • 2. Quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher… (Gl 4,4). Esta passagem da Carta de São Paulo aos Gálatas liga o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo à Concepção Imaculada de Maria. Ao dizer que foi na plenitude dos tempos, o Apóstolo Paulo indica que tudo o que deveria ser preparado para a vinda de Jesus estava pronto. O próprio Deus preparou um povo para acolher seu Filho. De igual forma, preparou um ventre que fosse sem mancha alguma.
  • 3. Por isso, A Imaculada Conceição é uma festa extraordinária, porque nos mostra como o próprio Filho aplicou à sua Mãe os frutos da Redenção, desde que ela foi concebida, em previsão dos méritos que Ele próprio iria adquirir na Cruz. Assim, Maria foi preservada da mancha do pecado original, herança que nossos primeiros pais legaram a toda a humanidade.
  • 4. Como lemos no Missal Romano: “Vós a preservastes de toda a mancha do pecado original para que, enriquecida com a plenitude da Vossa graça, fosse a digna Mãe do Vosso Filho. Nela destes início à Santa Igreja, esposa de Cristo, sem mancha e sem ruga, resplandecente de beleza e santidade. Dela, Virgem puríssima, devia nascer o Vosso Filho, Cordeiro inocente que tira o pecado do mundo. Vós a destinastes, acima de todas as criaturas, a fim de ser, para o Vosso povo, advogada de graça e modelo de santidade.”
  • 5. A doutrina da Imaculada Conceição de Maria remonta desde os primeiros séculos da fé Cristã. S. Tiago Menor, em sua liturgia, prescreve a seguinte leitura: “Fazemos memória de nossa Santíssima, Imaculada e Gloriosíssima Senhora Maria, Mãe de Deus e sempre Virgem”.
  • 6. Na Liturgia dos etíopes, de autor desconhecido, mas cuja composição data do primeiro século, encontramos diversas menções explícitas da Imaculada Conceição: “Alegrai-vos, Rainha, verdadeiramente Imaculada, alegrai-vos, glória de nossos pais.” E também o Sacerdote invocava a Deus em favor dos fiéis com a seguinte oração: “Pelas preces e a intercessão que faz em nosso favor Nossa Senhora, a Santa e Imaculada Virgem Maria.”
  • 7. Santo André, apóstolo, expondo a doutrina cristã ao procônsul Egeu, passagem que figura nas atas do martírio do mesmo santo, e data do primeiro século: “Tendo sido o primeiro homem formado de uma terra imaculada, era necessário que o homem perfeito nascesse de uma Virgem igualmente imaculada, para que o Filho de Deus, que antes formara o homem, reparasse a vida eterna que os homens tinham perdido.” (Cartas dos Padres de Acaia).
  • 8. No segundo século temos vários escritos dos Santos Padres que falam da Imaculada Conceição, além de vários escritores, entre eles S. Justino, apologista e mártir; Tertuliano e Santo Irineu. Santo Hipólito, bispo de Porto e mártir, escreveu em 220: “O Cristo foi concebido e tomou o seu crescimento de Maria, a Mãe de Deus toda pura”. Mais além ele diz: “Como o Salvador do mundo tinha decretado salvar o gênero humano, nasceu da Imaculada Virgem Maria”.
  • 9. Orígenes, que viveu em 226, escreveu: “Maria, a Virgem-Mãe do Filho único de Deus, é proclamada a digna Mãe deste digno Filho, a Mãe Imaculada do Santo e Imaculado, sendo ela única, como único é o seu próprio Filho.” Em um dos seus sermões sobre S. José, Orígenes cita: “Este menino não precisa de Pai na terra, porque tem um pai incorruptível no céu; não precisa de Mãe no Céu, porque tem uma Mãe Imaculada e casta na terra, a Virgem Bem-Aventurada, Maria”.
  • 10. No ano de 1854, após vários estudos feito por bispos e teólogos, o Papa Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição, no dia 08 de dezembro, na Bula Ineffabilis Deus, proclamada na basílica de São Pedro em presença de mais de duzentos bispos e enorme multidão de fiéis:
  • 11. “Declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua concepção, foi por singular graça e privilégio de Deus onipotente em previsão dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original, foi revelada por Deus, portanto, deve ser firme e constantemente crida por todos os fiéis.”
  • 12. Logo após a definição do dogma, o mesmo foi confirmado pela própria Virgem em Lourdes. Ao aprofundar na mensagem de Lourdes, o Papa Bento recordou que a Virgem se apresentou a Bernadete com este nome: “Eu sou a Imaculada Conceição”. “Maria lhe revela deste modo a graça extraordinária que Ela recebeu de Deus, a de ser concebida sem pecado, porque ‘olhou para a humildade de sua serva’”.
  • 13. Desta forma, declarou, “ao apresentar-se em uma dependência total de Deus, Maria expressa na verdade uma atitude de plena liberdade, fundamentada no completo reconhecimento de sua genuína dignidade”. “É o caminho que Maria abre também ao homem. Colocar-se completamente nas mãos de Deus é encontrar o caminho da verdadeira liberdade. Porque, dirigindo-se a Deus, o homem chega a ser ele mesmo; encontra sua vocação original de pessoa criada à sua imagem e semelhança”.