O significado da nova jerusalém

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O significado da nova jerusalém

  1. 1. O Significado da Nova JerusalémPor Hans K. LaRondelle"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar jánão existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte deDeus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vindado trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles.Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhostoda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porqueas primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que façonovas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis everdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e oFim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdaráestas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho. Quanto, porém, aos covardes, aosincrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras ea todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, asaber, a segunda morte" (Apoc. 21:1-8).Esta visão de João continua a série de visões ("Vi") que começaram com a do segundoadvento em Apocalipse 19:11. Alguns inclusive consideram Apocalipse 21:1-8 como "aparte mais importante de seu livro".1 Apocalipse 20 e 21 estão unidos por muitos elos.Ambos falam de "céu e terra" (20:11; 21:1), do "mar" (20:13; 21:1), do "livro da vida"(20:12; 21:17), do "trono" de Deus (20:11; 21:3), da "segunda morte" (20:14; 21:8) e do"lago de fogo" (20:15; 21:8). Estas conexões confirmam que a visão da Nova Jerusalémé a culminação da longa cadeia de visões que aparecem em Apocalipse 19:11 a 21:8.Em outras palavras, a visão de "um novo céu e uma terra nova" (21:1) segue à segundavinda de Cristo (19:11-16) e ao milênio.A descida da presença constante de Deus sobre a terra renovada é o propósito do planode Deus e de seus juízos sobre a humanidade pecadora. Por conseguinte, a visão deDeus morando com os homens em Apocalipse 21:1-8 forma o ponto culminante detodas as visões anteriores de João, e a consumação da esperança dos mártires. RoyNaden diz bem. "Sob a inspiração do Espírito Santo, os dois últimos capítulos de seulivro [o de João] formam o cântico mais sublime".2Agora João recebe visões repetidas da Nova Jerusalém (Apoc. 21:1-8, 10-27; 22:1-6),que revelam progressivamente o esplendor da cidade de Deus. O fato de que João voltaa ouvir a voz de Deus desde seu trono ordenando que escrevesse palavras que são "fiéise verdadeiras" (21:5) é significativo. Desta maneira Deus autentica a veracidade do queJoão viu. As palavras de Deus estão formuladas nas promessas do Antigo Testamentoque eram familiares ao povo de Israel. João usa estas alusões para enfatizar acontinuidade do pacto de Deus. Destaca seu cumprimento repetindo sete vezes queDeus e o Cordeiro estão unidos inseparavelmente com a Nova Jerusalém (21:9, 14, 22,
  2. 2. 23, 27; 22:1, 3). Dessa maneira João informa à igreja que suas visões da NovaJerusalém são em essência diferentes das esperanças nacionais judaicas de seu tempo.Sua esperança futura se centraliza em Cristo Jesus e em seu povo universal.Ao adotar a linguagem gráfica de Isaías e Ezequiel, João descreve "a realidadeindescritível do céu... o quadro mais detalhado que alguma vez se deu na Escritura darealidade incomparável que Deus preparou para seus filhos".3O Significado Religioso de Jerusalém no Antigo TestamentoOs nomes de Jerusalém e o monte Sião são usados em forma sinônima no AntigoTestamento (ver Miq. 3:12; 4:8; Isa. 10:12). Jerusalém devia sua santidade ao trasladoque fez Davi da arca de Jeová, o símbolo do trono de Deus ao monte Sião (2 Sam. 6;Sal. 132:13-16). Sião funcionou como o centro da inspiração, salvação e adoraçãodivinas (vejam-se os salmos 46, 48, 76). O Salmo 46 não glorifica a Jerusalém em si,exceto como o lugar onde Deus mora:"Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações... Há um rio,cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deusestá no meio dela; jamais será abalada; Deus a ajudará desde antemanhã" (Sal. 46:1, 4,5).O Salmo 46 termina com uma perspectiva escatológica da majestade de Deus:"Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado naterra" (Sal. 46:10).Espraiando-se sobre esta esperança paradisíaca, o salmista descreve a Jerusalém emtermos ideais: "Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário dasmoradas do Altíssimo" (Sal. 46:4). Como pôde o salmista dizer que Jerusalém tinha um"rio" quando não possui nenhum arroio, exceto um pequeno manancial perto de Giom?(ver 1 Reis 1:33, 38). Sua visão percebeu o tempo de salvação messiânico.Vários profetas também descreveram a Jerusalém escatológica como possuindo umacorrenteza no marco do paraíso restaurado (ver Isa. 33:21; 35:6, 7; Joel 3:18; Ezeq.47:1-12; Zac. 14:8). Dessa maneira, a cidade histórica de Davi chegou a ser na "teologiade Sião" de Jerusalém um símbolo da esperança escatológica, um tipo profético do reinomessiânico. Dois profetas fizeram de Jerusalém a parte central de seu panorama futuro eportanto merecem nossa atenção.Ezequiel mostrou que Deus não estava atado incondicionalmente a Jerusalém, mas sima julgaria por sua apostasia religiosa, moral e social (Ezeq. 8-11). Deus abandonaria otemplo e voltaria só para um Israel renovado moralmente (36:24-28; 37:26, 27),promessa que se amplia na descrição do novo templo em Ezequiel 40 a 48. Esse temploda visão de Ezequiel é de origem divina. É "uma realidade celestial criada pelo próprioJeová e transplantada para permanecer na terra".4 Virá à terra só quando o Israel deDeus seja purificado e quando o Messias tenha vindo a Israel (37:24, 25). Acaracterística do novo templo será um rio doador de vida fluindo debaixo do templo(47:1-12). Este característico forma um elo com o jardim do Éden (ver Gên. 2:8-14).Isaías viu, em sua perspectiva profética, como os gentios irão à Nova Jerusalém com aconfissão religiosa: "Só contigo está Deus, e não há outro que seja Deus" (Isa. 45:14; cf.1 Cor. 14:25). Tudo estará unido por sua fé messiânica antes que por laços étnicos oupolíticos. Isaías emprega os símbolos das pedras preciosas e jóias resplandecentes paradescrever a beleza de seus muros e portas (Isa. 54:12), desenho que evoca a volta daopulência paradisíaca (ver Ezeq. 28:11-15; Isa. 51:3). Embora isto assinala a umaqualidade transcendente da Nova Jerusalém, não há indicação em Isaías de que estacidade tem uma origem extraterrestre. Sua glória sobrenatural emana da presença de
  3. 3. Deus. A essência de seu atrativo único não é tanto sua beleza externa como a promessade que Jeová voltará e de novo estará unido com seu povo (Isa. 60:1, 2, 19; 62:11 ).Portanto, a cidade recebe um nome novo (Isa. 62:2). Já não necessitará mais a luz do solou a da lua, porque "o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória" (60:19;cf. Apoc. 21:23; 22:5). Isaías mescla seu conceito da Sião do tempo do fim com seumotivo de uma nova criação usando as cores realistas de um paraíso terrestre (Isa.65:17-25). Embora tenha anunciado mais explicitamente que nenhum outro profeta acriação de "novos céus e terra nova" (v. 17), esta descrição poética da Jerusalémrenovada permanece em continuidade com o contexto histórico (v. 20). Permanececomo uma realidade terrestre embora transformada. Sua bênção mais rica não será alongevidade ou a prosperidade, a não ser a presença de Jeová para responder suasorações (v. 24). Mas também estará presente o Messias, porque terá chegado o jubileumessiânico (61:1-3, 10; cf. Luc. 4:17-21).Por esta análise breve do panorama profético de Jerusalém que temos nos salmos, noIsaías e no Ezequiel, sabemos que a cidade de Jerusalém desempenha o papel de tipo deuma Jerusalém futura e mais gloriosa. No Apocalipse de João vemos como se cumpriráesta promessa, muito além das expectativas dos profetas hebreus, na Nova Jerusalém deApocalipse 21 e 22. Roberto Badenas o resumiu bem nestas palavras:"Como uma recapitulação mestra da história humana e da história da salvação, a NovaJerusalém chega a ser a realização da teocracia ideal de Deus, o símbolo perfeito dareunião do povo de Deus, o lugar da comunicação perfeita entre o Criador/Redentor esuas criaturas redimidas. A Nova Jerusalém será para os novos céus e nova terra o que aantiga Jerusalém nunca conseguiu ser para o Israel e o mundo".5Depois de tudo, a Nova Jerusalém desce de cima, como uma criação nova de Deus, epor conseguinte será completamente diferente da velha Jerusalém.Esperanças Judaicas Durante o Período IntertestamentárioMuito pouco tempo depois da revolta macabéia (168-164 a.C.), os "sonhos-visão" doApocalipse Etiópico de Enoc, escrito por volta dos anos 165-161 a.C., predisseram quecom a aparição do Messias e a ressurreição dos justos mortos se construiria uma NovaJerusalém, "uma casa nova, maior e mais alta que a primeira, e a pôs no lugar da quetinha sido recolhida" (1 Enoc 90:29).6 Alguns escritos apocalípticos judeus depois de 70d.C. expressaram a esperança de uma Nova Jerusalém "preparada antes", quando Deusdecidiu criar o paraíso (2 Baruc 4:3).7 "Aparecerá a esposa como uma cidade e se verá aterra que está atualmente oculta... Com efeito, se manifestará meu Filho o Messias comos que estão com ele, e encherá de gozo os (justos) que sobrevivam durantequatrocentos anos" (4 Esdras 7:26-28).8Aparentemente, alguns conciliábulos de judeus piedosos contavam com que Deus havia"preparado e edificado" (4 Esdras 13:36) uma Sião ou Nova Jerusalém no céu quedesceria à terra com o amanhecer do novo mundo. O autor do livro ApocalipseEslavônico de Enoc (2 Enoc 55:2), também afirmou que a Nova Jerusalém estavasituada no céu.A literatura rabínica não continuou com estas expectativas judaicas, exceto na épocaposterior dos Midrash.9 Os rabinos em general acreditavam que imediatamente depoisdo juízo dos ímpios, Deus ou o Messias edificariam uma Nova Jerusalém sobre aterra.10 Eduard Lohse declara que "nenhum rabino diz que a Jerusalém celestialdescerá à terra".11As portas e as muralhas da Nova Jerusalém seriam construídas com safiras e com pedraspreciosas e suas ruas com puro mármore branco (Tobias 13:16, 17). A cidade seria tão
  4. 4. grande, que sua grande muralha se estenderia tão longe como Jope ou Damasco paraalbergar a "a raça celestial dos judeus bem-aventurados" no futuro (Oráculos sibilinos5:250-252).12 Deus viveria na cidade que levaria o nome de Deus.13 A característicacentral desta Jerusalém reconstruída seria o novo templo.14 Comentam Strack-Billerbeck: "Para o pensamento judeu, era completamente patente que a Nova Jerusalémnão careceria de templo. A declaração do vidente cristão, e não vi nela templo (Apoc.21:22) teria sido inconcebível na velha sinagoga".15Esta recapitulação das diversas esperanças no judaísmo tardio indica que a esperançaapocalíptica de João em uma Nova Jerusalém sem um templo é uma esperançadistintivamente cristã, que se centraliza na presença de Cristo.A Teologia de Paulo de uma Jerusalém CelestialPaulo continuou o ensino de Cristo, de que Jerusalém e seu templo já não eram o lugaronde Deus habitava (ver Mat. 23:38; Gál. 4:25; também Heb. 12:22). Paulo escreveuque a igreja apostólica tinha chegado a ser o templo terrestre onde Deus estava presente:"Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei eandarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (2 Cor. 6:16; cf. Lev.26:12; Jer. 32:38; Ezeq. 37:27; também Ef. 2:19-21).Esta verdade do evangelho não compete com a eficácia do templo do novo pacto no céu,onde Cristo ministra como nosso Sumo Sacerdote e intercessor e de onde envia seuEspírito vivificante (Heb. 7:25; 8:1, 2; 10:19; Rom. 8:34; 1 João 2:1). Paulo cria que aJerusalém "de cima" é a "mãe" de todos os crentes cristãos, porque todos são renascidospor seu Espírito (Gál. 4:26, 29).Enquanto que no judaísmo rabínico a idéia de uma Jerusalém celestial se concebia emtermos de um equivalente da Jerusalém terrestre em topografia e mobiliário, Paulocontempla a Jerusalém celestial como isenta de todas as noções geográficas, étnicas enacionais. A Jerusalém celestial é a pátria dos cristãos, onde Cristo está e em que todosos cristãos têm sua cidadania (políteuma) registrada no livro da vida do Cordeiro (Filip.3:20; 4:3; também Heb. 12:22, 23; Apoc. 21:27). Por Apocalipse 21:27 chega a serevidente que o livro da vida do Cordeiro é a lista dos que estão inscritos como cidadãosda Jerusalém celestial.A cidade celestial não é uma estrutura vazia; é a comunidade adoradora da igreja naterra com os anjos e os redimidos no céu (Heb. 12:22). Alguns identificaram a NovaJerusalém com a igreja. Entretanto, deve conservar-se a distinção entre a cidade celestiale a igreja na terra, da mesma maneira que Hebreus 12 declara que a igreja se aproximouhoje a Cristo e à Jerusalém celestial (vs. 22-24). Como Cristo está ao mesmo tempo nocéu e (por meio de seu Espírito) na terra, assim também existe uma relação espiritualíntima entre a Jerusalém celestial e a igreja sobre a terra. Assim como Cristo, quedescerá fisicamente do céu à terra (Filip. 3:20), assim também a Jerusalém celestialdescerá do céu à terra (Apoc. 21:2)! O objeto da esperança cristã não é meramente o"céu" e sim a cidade celestial: a Nova Jerusalém. Nossa cidadania atual nesta santacidade representa mais que a segurança da salvação presente. Também nos dá a certezade nossa entrada na cidade de descanso e gozo eternos (ver Heb. 4:9; 11:13-16). Assimcomo Abraão, os cristãos têm confiança absoluta procurando a "cidade... por vir" (Heb.13:14). Virá depois do juízo final.É chamativo que a esperança de uma Jerusalém celestial se descreva no contexto deuma polêmica antijudaica, não só no Gálatas 4:26 e 27 e em Hebreus 12:18-24, mastambém em Apocalipse 3:9 e 12. João destaca a verdade evangélica de que só o Cristoressuscitado "tem a chave de Davi, que abre e ninguém fecha, e fecha e ninguém abre"
  5. 5. (Apoc. 3:7). À luz de seu significado original em Isaías 22:22, esta declaração ensina"que a Cristo pertence toda a autoridade com respeito à admissão ou exclusão da cidadede Davi, a Nova Jerusalém".17 Cristo é a fonte de segurança para os crentes fiéis de queherdarão a cidade celestial. Diz Jesus:"Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravareitambém sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a novaJerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome" (Apoc.3:12).A Nova Jerusalém em Contraste com BabilôniaA Nova Jerusalém de Apocalipse 21 e 22 se descreve com a mesma imagem simbólicade uma "mulher" ou "esposa" como se tem descrito a igreja no Novo Testamento (ver 2Cor. 11:2; Ef. 5:25-27). A visão que teve João da Jerusalém celestial como a "a noiva, aesposa do Cordeiro" (Apoc. 21:9), conecta a Jerusalém vindoura com a formosa"mulher" que aparece em Apocalipse 12:1 e 2. Na Nova Jerusalém a igreja já nãosofrerá por causa da perseguição ou da adoração apóstata. Por isso Apocalipse 12 e 21representam duas eras consecutivas: a era atual da igreja e a era por vir.A Nova Jerusalém está colocada em contraste com Babilônia, a cidade prostituta. Aprostituta tem gravado sobre sua fronte as palavras "mistério: Babilônia, a grande"(Apoc. 17:5), e está representada em Apocalipse 18 como a cidade condenada. "Amulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra" (v. 18). Estesimbolismo duplo de Babilônia (Apoc. 17, 18) contrapõe-se com o da Nova Jerusalémem Apocalipse 21 e 22 por meio de uma antítese perfeita.Todos os habitantes da terra que não procurem refúgio no monte Sião (Apoc. 14:1),pertencem a Babilônia; seus nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro(13:8). Estão obrigados a beber não só do cálice do vinho de Babilônia mas também docálice do vinho da ira de Deus sem mescla de misericórdia (14:10). Esta ira divina adescreve simbolicamente com a imagem da condenação de Sodoma e Gomorra ("comfogo e enxofre") (14:1; cf. Gên. 19:24), e a de Edom ("a fumaça de sua tortura sobepelos séculos dos séculos", Apoc. 14:11; cf. Isa. 34:9, 10). Esta linguagem figuradaexpressa a finalidade do juízo de Deus. Os impenitentes nunca entrarão no descanso deDeus (Apoc. 14:11 ; cf. Sal. 95:11 ).O Apocalipse de João põe em contraste a Jerusalém como a cidade do Cordeiro (Apoc.21:2, 9) com Babilônia como a cidade da besta (caps. 17 e 18). É significativa a formaidêntica como as introduz o anjo do juízo:APOCALIPSE 17:1 APOCALIPSE 21:9"Veio um dos sete anjos que têm as sete "Então, veio um dos sete anjos que têmtaças e falou comigo, dizendo: Vem, as sete taças cheias dos últimos setemostrar-te-ei o julgamento da grande flagelos e falou comigo, dizendo: Vem,meretriz que se acha sentada sobre mostrar-te-ei a noiva, a esposa domuitas águas". Cordeiro".Este arranjo literário ensina que a Nova Jerusalém é a única alternativa para Babilônia.Ambas as visões desenvolvem mais correspondências opostas (ver Apoc. 17:3-5 e
  6. 6. 21:10-14). Ambas as seções literárias sobre Babilônia (17:1-19:10) e a Nova Jerusalém(21:9-22:6) concluem com a mesma segurança de que estas revelações descansam nãomeramente sobre a autoridade de um anjo e sim sobre Deus mesmo e, portanto, são"fiéis e verdadeiras":APOCALIPSE 19:9 APOCALIPSE 22:6"Então, me falou o anjo: Escreve: ...São "Disse-me [o anjo] ainda: Estas palavrasestas as verdadeiras palavras de Deus". são fiéis e verdadeiras".A reação de João de adorar ao anjo depois de cada visão recebe a mesma exortação:"Adora a Deus!" (Apoc. 19:10; 22:8, 9). Enquanto que tanto as seções sobre Babilônia esobre Jerusalém começam e terminam da mesma forma, seus contextos ampliam oscontrastes entre a cidade prostituta e a cidade santa.A Segurança e Consolo Final do ApocalipseEm Apocalipse 21 e 22 João revela "o último das últimas coisas", o ponto culminante detodas suas visões e de toda a Bíblia. A revelação principal é a aparição de uma novacriação e o descida da Nova Jerusalém (21:1, 2), que será a consumação do propósitoeterno de Deus para o planeta terra. Deus garante de uma maneira explícita aconfiabilidade de suas promessas (v. 5). Uma voz que sai do trono de Deus explica seusignificado para a humanidade:"Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com oshomens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará comeles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haveráluto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram" (vs. 3, 4).Estas palavras resumem a essência da esperança de todos os profetas e santos. Disse umcomentador a respeito desta passagem:"Na verdade, é gozo inefável, porque aqui se descreve o propósito final da igrejasofredora e a única recompensa que desejam realmente os mártires de Cristo, quer dizer,o próprio Deus na companhia de todos os que o amam".18As palavras de João, "Vi novo céu e nova terra; porque o primeiro céu e a primeira terrapassaram, e o mar já não existe" (Apoc. 21:1), apontam ao novo ato criador de Deus queestá confirmado por sua declaração: "Eis que faço novas [kainá] todas as coisas!" (v. 5).O termo grego kainós ("novo"), que se emprega 4 vezes nos versículos 1-5, significaalgo fundamentalmente novo, e enfatiza com mais vigor que o termo néos o caráter decumprimento escatológico.Em sua visão anterior do grande trono branco, João declarou: "Vi um grande tronobranco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não seachou lugar para eles" (Apoc. 20:11). João já declara que a velha terra e seus céusatmosféricos serão substituídos por uma nova criação. A nova característica dominanteserá a cidade santa, a Nova Jerusalém. Sua perspectiva está afiançada sobre este centrode existência para os redimidos. Vê a cidade Nova Jerusalém "que descia do céu, daparte de Deus" (21:2). Portanto, não é uma velha Jerusalém reconstruída na Palestina, esim uma nova criação. Cumprirá a esperança de Abraão, "que esperava a cidade quetem fundamentos, cujo arquiteto e construtor é Deus" (Heb. 11:10). Pedro acrescenta aesperança de uma sociedade transformada: "Atendo-nos a sua promessa, aguardamosum céu novo e uma terra nova nos que habite a justiça" (2 Ped. 3:13, NBE).
  7. 7. Tanto Pedro como João fundamentam suas expectativas nas predições de Isaías (ver Isa.65:17-19; 66:22, 23). A promessa do pacto de Deus será levada a cabo na NovaJerusalém sobre a terra feita nova:"Eis o tabernáculo [skené] de Deus com os homens [anthrópon]. Deus habitará[literalmente, tabernaculará] com eles. Eles serão povos de Deus [literalmente povos],e Deus mesmo estará com eles" (Apoc. 21:3).A expressão que diz que Deus "habitará" com os "homens" é profunda, porque recorda apresença redentora de Deus no antigo tabernáculo [skené] de Israel: "E me farão umsantuário, e habitarei no meio deles" (Êxo. 25:8). Em segundo lugar, o verbo "habitar,fazer morada" recorda João 1:14, onde se expressa a encarnação do Verbo de Deus comas palavras: "Habitou [literalmente, acampou, pôs seu tabernáculo] entre nós".Dessa maneira a promessa da Nova Jerusalém conecta a glória de Deus com a glória deCristo e assegura à igreja que Deus deverá habitar entre os "homens" em cumprimentode sua promessa do pacto, o que significa que o primeiro advento de Cristo é a garantiada futura vinda de Deus com os seres humanos. As expressões "homens" e "seus povos"(em plural no texto original) indicam a inclusão de todos os crentes em Cristo nasociedade do futuro. Inclusive serão abolidos os limites da igreja e de todas asdenominações religiosas. A raça humana sobre a terra nova será o povo de Deus porquetodos são "seus povos" (Apoc. 21:3). E ele estará "com eles" sempre como o "Deus-com-eles" (v. 3, BJ).O resultado desta comunhão com Deus é: "E lhes enxugará dos olhos toda lágrima"(Apoc. 21:4). Aqui se repetem as promessas divinas de Isaías 25:8, 35:10 e 65:19 paraindicar seu cumprimento dramático na Nova Jerusalém. Então se cumprirá a esperançamais elevada de todos os santos: "Verão seu rosto..." (Apoc. 22:4). Este ver a Deus dosseres humanos foi a esperança dos crentes hebreus:"Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhançaquando acordar" (Sal. 17:15)."Depois que me arranquem a pele, já sem carne, verei deus; eu mesmo o verei, e nãooutro, meus próprios olhos o verão. O coração me desfaz no peito!" (Jó. 19:26, 27,NBE).Esta foi a promessa explícita de Cristo: "Bem-aventurados os limpos de coração, porqueeles verão a Deus" (Mat. 5:8). Esta foi a segurança do Paulo: "Então veremos face aface" (1 Cor. 13:12). E a de João: "Haveremos de vê-lo como ele é" (1 João 3:2). Aconfiabilidade desta promessa está recalcada por Deus: "Tudo está feito. Eu sou o Alfa eo Ômega, o Princípio e o Fim... " (Apoc. 21:6).Só o Criador pode pronunciar palavras que criarão uma realidade nova (ver Gên. 1).Disse Cristo na cruz: "Está consumado!" (João 19:30), e sua missão de oferecer sua vidaem expiação pela raça humana ficou consumada. No fim das 7 últimas pragas a voz deDeus voltará a dizer: "Feito está!" (Apoc. 16:17), e então se consumará o juízo deBabilônia. Quando a Nova Jerusalém descenda sobre a terra e Deus morre com osredimidos, voltará a dizer: "Feito está!" (21:6).Então se cumprirá a oração do Pai nosso: "Venha o teu reino; faça-se a tua vontade,assim na terra como no céu" (Mat. 6:10). Como "o Alfa e o Ômega", Deus é o iniciadore aperfeiçoador da criação. Apenas Ele dá à história humana seu começo e seu objetivo.O objetivo se realizará tão certamente como seu começo. Outras duas promessas deDeus também nos afetam hoje em dia:"Ao que tiver sede, eu lhe darei gratuitamente [doreán] da fonte da água da vida. Quemvencer herdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho" (Apoc. 21:6,7).
  8. 8. A linguagem figurada de "estar sedento" era familiar para os santos hebreus (ver Isa.55:1). Para eles significava gozar de comunhão com Deus. Colocaram um valor maiselevado neste companheirismo com Deus que no da própria vida física. Davidescarregou seu coração neste cântico poético:"Ó Deus, tu és meu Deus, eu te procuro. Minha alma tem sede de ti, minha carne tedeseja com ardor, como terra seca, esgotada, sem água... Valendo teu amor mais que avida, meus lábios te glorificarão" (Sal. 63:1, 3, BJ)."Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minhaalma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante aface de Deus?" (Sal. 42:1, 2).Esta experiência da alma foi realizada só de maneira intermitente e parcial. Pela fé emCristo está à nossa disposição uma nova comunhão com Deus para todos os que abusquem: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz aEscritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito aoEspírito que haviam de receber os que nele cressem" (João 7:37-39).Quando Deus promete no Apocalipse de João que nos dará "gratuitamente da fonte daágua" (Apoc. 21:6), oferece-nos o Espírito de Cristo, quem pagou o preço definitivo pornós. Esta comunhão também oferece aos vencedores "gratuitamente" [doreán:"livremente" ], um termo muito importante em Paulo (ver Rom. 3:24).O paraíso, como a presença de Deus, é oferecido a todos os vencedores pela graça deDeus. Este caráter-de-graça volta-se a recalcar na segurança de que o vencedor "herdarátodas as coisas" (Apoc. 21:7). Uma herança nunca se pode ganhar, só pode receber-sepela vontade do testador. Paulo explicou esta condição de herdeiro ao conectar aherança futura de uma forma indissolúvel com Cristo como o dom maior de Deus. "Ora,se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros comCristo... Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou,porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?" (Rom. 8:17, 32). A.Pohl observou o seguinte: "O Apocalipse não é menos cristocêntrico que Paulo".19 Istoé evidente pelas sete vezes que o Cordeiro é mencionado em Apocalipse 21 e 22. Aentrada na Nova Jerusalém é dada só a "os que estão inscritos no livro da vida doCordeiro" (21:27).Este é o propósito pastoral que João também indicou em seu contraste entre as duasmulheres simbólicas: a meretriz (Apoc. 17:1-19:5) e a esposa de Cristo (19:6-10; 21:1-22:17). O interesse pastoral de João para a era atual é alertar a cada crente a permanecerfiel no Senhor. Elmer M. Rusten o explica assim: ."A razão pela qual dedica tanta ênfase à meretriz e à noiva é que nas sete cartas escritasàs sete igrejas (Apoc. 1:4, 11) a alternativa básica a que tinham que fazer frente [osmembros] era se iriam formar parte da verdadeira igreja, a noiva, ou da falsa igreja, ameretriz ".20É nosso privilégio escutar o testemunho final de Cristo às igrejas:"Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profeciadeste livro" (Apoc. 22:7)."Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, paraque lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas" (Apoc.22:14).O Interesse Pastoral de João para com a Igreja da Atualidade
  9. 9. João usa um estilo interessante para descrever a novidade da era futura. Define a novacriação em termos negativos. Badenas nota-o como 7 vezes: (1) não haverá mais mar(21:1); (2) não haverá mais morte, lágrimas, pranto, clamor ou dor (v. 4); (3) não haverámais templo (v. 22); (4) não haverá mais necessidade do Sol ou da Lua (21:23; 22:5);(5) não haverá noite, nem as portas nunca serão fechadas (21:25; 22:5); (6) não haverámais pecado (21:27); e (7) não haverá mais maldição (22:3).21 Este estribilho de coisasque na última visão de João "não serão mais", indica quanto relaciona suas visões àsnecessidades presentes de seus membros de igreja. Escreve com um profundo interessepastoral para seus leitores que estavam sofrendo perseguição e estavam ameaçadospelos poderes anticristãos do mar,João não escreve simplesmente para nos informar a respeito dos acontecimento futurosou para satisfazer nossa curiosidade a respeito de realidades futuras. Seu propósitoprático é respirar os crentes que deviam passar por provas a perseverar na Palavra deDeus e no testemunho de Jesus apesar da cruel oposição. Insiste com cada crente paraque faça sua decisão final entre a fidelidade ou a deslealdade a Cristo Jesus. Esterequerimento se apresentou primeiro nas sete cartas de Cristo às igrejas (Apoc. 2, 3). Apromessa da recompensa descreveu-a na visão dos selos (6:9-11; 7) e na das trombetas(cap. 11). João assume constantemente que a causa de Cristo triunfará porque oCordeiro de Deus é "o Rei dos reis e Senhor dos senhores" (17:14; 19:16). A hora darestauração do reino de Deus virá no próprio tempo de Deus durante a última trombeta:"E o sétimo anjo tocou a trombeta, e houve grandes vozes no céu, que diziam: Os reinodo mundo veio a ser de nosso Senhor e de seu Cristo; e ele reinará pelos séculos dosséculos" (Apoc. 11:15).O propósito de João é animar a cada cristão a fazer um compromisso total com Cristo.João trata de obter este objetivo colocando em contraste o Cordeiro e a besta, a esposa ea prostituta, e a Nova Jerusalém e Babilônia. Este dilema de pertencer a umacomunidade ou à outra, insiste conosco a fazer agora uma eleição existencial porquenela estão envoltos destinos eternos. Badenas fez uma lista dos surpreendentescontrastes entre Babilônia e a Nova Jerusalém no marco das visões onde aparecem, suadescrição e seu destino.22 Conclui dizendo:"Estes paralelos mostram que a relação humana para com Deus e o Cordeiro pode ser sóde fidelidade (a noiva) ou de infidelidade (a meretriz). Como Deus é ao mesmo tempojusto e misericordioso, a salvação ou a condenação são os dois resultados possíveis dadecisão humana, ou a cidade celestial ou a cidade terrestre, a Nova Jerusalém ouBabilônia".23João não proporciona informação abstrata para as predições especulativas. Apresentaclaramente sua preocupação pastoral quando destaca que há só duas classes de pessoas:os salvos ou os perdidos, os vencedores e os perdedores (ver Apoc. 21:7, 8; 22:11, 14,15), os que "têm sede" da água de vida e os que não a têm (21:6; 22:17). Esta últimadistinção aponta à necessidade espiritual das pessoas antes que à sua conduta moral. Osque procuram a Deus em primeiro lugar para satisfazer sua sede espiritual comparam-secom os vencedores:"Ao que tiver sede, eu lhe darei gratuitamente da fonte da água da vida. Quem vencerherdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho" (Apoc. 21:6, 7).É iluminador descobrir que as características dos que são excluídos da Nova Jerusalémsão as mesmas com as que se define a Babilônia e a seus habitantes: imundos (Apoc.21:27; 18:2); abomináveis, que faz abominação, abominações (21:8, 27; 17:4, 5);homicidas (17:6; 18:24; 21:8); fornicários (17:1, 2, 5, 15, 16; 18:3, 9; 21:8); feiticeiros,feitiçarias (18:23; 21:8); idólatras (19:20; 21:8); e mentirosos (19:20; 21:8).
  10. 10. Badenas vê estas listas de vícios (Apoc. 21:8 e 22:15) como uma admoestação pastoral"contra os que preferem outras relações à relação com Deus. Isto é o que os exclui dasanta cidade (cf. 21:27)".24 Em outras palavras, João não se está referindo a feitosisolados de pecado a não ser à atitude de maldade e idolatria que separa o pecador deDeus.Não deveria escapar à nossa atenção o fato de que João começa a lista com "oscovardes" (Apoc. 21:8). Os "covardes" são os que fogem de confessar a Cristo na horade prova e por isso falham em perseverar na fé (ver Heb. 10:36-39). Quando Paulo sereferiu à ameaça de "covardia" [deilías], admoestou imediatamente a Timóteo dizendo:"Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor..." (2 Tim. 1:7, 8), e lheassinalou o dom do "espírito... de poder".Em Apocalipse 21:8, João menciona pelo menos sete classes de pessoas que serãoexcluídas da santa cidade. Como uma oitava classe menciona a "todos os mentirosos",Pohl considera que se refere a uma recapitulação das sete anteriores. A lista dosperdedores que João menciona, cumpre a função da contraparte dramática das seteclasses de vencedores mencionados nas cartas às igrejas nos capítulos 2 e 3. Adesignação dos "mentirosos" é significativa, porque assinala a mentira religiosa queperverte a verdade a respeito de Deus e do Cordeiro. Giblin denomina a esta mentira "amentira definitiva", porque "a mentira é a negação da verdade, preeminentemente comoa falsificação de Deus e do que deve a ele".25 Os mentirosos estão em notório contrastecom os 144.000 israelitas que seguem ao Cordeiro, de tal maneira que "em suas bocasnão foi achada mentira" (Apoc. 14:5).Desde a primeira característica (a covardia) até a última (a mentira), o interesse de Joãoaponta à elevada vocação do crente de atestar de Cristo, de seguir ao Cordeiro e deconfessar seu senhorio. A lista mais pequena dos vícios em Apocalipse 22 conclui outravez com "todo aquele que ama e pratica a mentira" (v. 15), o que indica que tais pessoasvivem a "mentira" como uma filosofia de vida, de caráter e de adoração. A mentiracomo a contraparte da verdade foi também a recapitulação que faz Paulo da apostasiafinal em 2 Tessalonicenses 2:9-12.O Significado do Esplendor da Nova JerusalémApocalipse 21:9 a 22:5 contêm uma descrição da Jerusalém celestial. O anjo a comparacom sua interpretação da condenação de Babilônia em Apocalipse 17:1 a 19:10.Reconhece-se que as duas seções são contrapartes intencionais. Felizmente, a visão queJoão teve da Nova Jerusalém é a mais longa e elaborada do Apocalipse. Amplia asprofecias gráficas de uma Nova Jerusalém que apresenta Isaías 54 a 60 e Ezequiel 40 a48.Assim como Ezequiel, João vê sua visão em "um monte muito alto" (Ezeq. 40:2; Apoc.21:10). A glória de Deus na Nova Jerusalém (Apoc. 21:11) corresponde à glória doJeová que vem do oriente no novo templo da visão do Ezequiel (Ezeq. 43:1, 2). Adiferença é que agora Deus mesmo é a glória constante da santa cidade (Apoc. 21:11).Ezequiel se concentra sobre o novo templo, mas João descreve uma cidadeimensamente maior sem um templo particular (Apoc. 21:22).João dedica uma atenção especial a suas amplas muralhas e a suas doze portas. Usa onúmero "doze" doze vezes em Apocalipse 21, cifra que está carregada de significado. Oanjo tem uma vara de medir, de ouro, "para medir a cidade, suas portas e seu muro"
  11. 11. (Apoc. 21:15). A cidade é descrita como um cubo perfeito medindo cada lado doze milestádios, que literalmente seriam 2.400 quilômetros em cada direção, até para cima,muito além da estratosfera! Não é maravilha que os intérpretes responsáveis tenhamadvertido contra um dogmático literalismo com respeito às visões de Apocalipse 21 eEzequiel 40 a 48.Nestas profecias tão gráficas, "o grau de identificação segue sendo um problema quedeverá ainda ser interpretado".26 Giblin declara que João "tenta evocar a imagem de umgigantesco lugar muito santo que era um cubo perfeito, recoberto de ouro (1 Reis6:20)".27 As dimensões de cubo da cidade sugerem claramente que toda a "santacidade" é o lugar santíssimo sobre a terra, o trono de Deus. Isto transcende anecessidade de ter qualquer templo local. O apóstolo o explica assim:"E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor, Deus Todo-poderoso, e oCordeiro..."E tinha a glória de Deus. A sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como apedra de jaspe, como o cristal resplandecente" (Apoc. 21:22, 11).Não pode haver dúvida de que o propósito de João em Apocalipse 17 e 18 é colocar estacidade de Jerusalém em contraste direto com a cidade de Babilônia. A belezasobressalente da Nova Jerusalém consiste na presença de Deus e a dos redimidos. Asincríveis dimensões dos doze mil estádios têm um claro significado simbólico: a cidadecontém o Israel de Deus de toda a história da salvação. Badenas o explica assim:"Eclipsando Babilônia e Roma, a Nova Jerusalém é a cidade verdadeira, e a únicacidade universal".28Os muros da cidade têm uma altura de 144 côvados (Apoc. 21:17), literalmente 66metros, destacando outra vez o número 12 (12 x 12 = 144). Por definição, uma muralhanão só significa segurança, mas também separação do "exterior" (Apoc. 22:15), o que serefere basicamente ao lugar do "lago de fogo" (21:8). Este símbolo pode entender-semelhor como uma referência ao juízo pós-milenial de Apocalipse 20:7-15. A muralha éfeita de jaspe cristalino (21:18) e brilha como um diamante. Está assentada sobre dozefundamentos de pedras preciosas, cada uma das quais é uma gema enorme (vs. 19, 20),cada uma com um nome escrito com um nome de "os doze apóstolos do Cordeiro" (v.14). Entretanto, sobre as doze portas estão os nomes das "doze tribos dos filhos doIsrael" (v. 12). Tudo em seu conjunto significa que o Israel profético de Deus inclui atodos os seguidores do Cristo, o que constitui a mensagem fundamental da visão deJoão a respeito da vida na Nova Jerusalém.As características das doze pedras preciosas e das doze portas de pérola complementama mensagem básica de que Deus unirá a todos os seus filhos em um rebanho enquantoreconhece que também permanecem diversificados em seus caracteres individuais. Cadatipo de caráter refletirá a natureza divina, assim como cada pedra preciosa refletirá aglória de Deus em sua própria forma. Entretanto, a investigação mostra que "as pedrasdo Apocalipse não podem correlacionar-se com tribos específicas, apóstolos, signos dozodíaco ou direções geográficas".29As doze pedras preciosas da Nova Jerusalém simbolizam basicamente "a presença deDeus, a origem divina da cidade, e o novo povo de Deus".30 As doze pedras preciosastambém cumprem a função de ser contrapartes das pedras preciosas que adornam aBabilônia a prostituta (Apoc. 17:4; 18:12, 16). Desde esta perspectiva, as pedraspreciosas da santa cidade são "um emblema para sustentar a fé na vitória final deDeus".31O esplendor da Nova Jerusalém, com o trono de Deus e a árvore da vida, transmite estamensagem: O paraíso será restaurado com uma glória maior que a do jardim do Édenporque o Criador estabelecerá sua presença e seu trono ali para sempre. Cada crente
  12. 12. pode cobrar ânimo e saber que as promessas do pacto que Deus fez com o Israel secumprirão em uma manifestação gloriosa inimaginável no futuro.A profecia categórica que diz que "as nações caminharão à sua luz, e até ela os reis daterra levarão seu esplendor... E levarão até ela o esplendor e a honra das nações" (Apoc.21:24, 26, CI), é provocadora, já que esta predição usa a descrição de Isaías 60 mas aadapta ao estado eterno. Agora os reis da terra já não desfilarão como conquistadores(Isa. 60:10, 11) ou como trazendo tributo (vs. 5-7). Virão antes como gentios redimidospara contribuir com sua glória em sua adoração a Deus e ao Cordeiro durante o festivalde louvor e ação de graças na Nova Jerusalém. Ellul explica que "tudo o que foi a obracultural, científica, técnica, estética e intelectual; toda a música e a escultura; toda apoesia e a matemática; toda a filosofia e o conhecimento em todos as ordens, todosentrarão nesta Jerusalém, e serão empregados por Deus para estabelecer esta obraperfeita final".32Que conceito emocionante! Quem não desejará ser parte desta educação superior navida futura do povo de Deus? Cristo e a Nova Jerusalém convidam a cada pessoa queprocura Deus a formar parte do estado eterno onde reinará a felicidade:"E o Espírito e a esposa dizem: Vem! E quem ouve diga: Vem! E quem tem sede venha;e quem quiser tome de graça da água da vida" (Apoc. 22:17).Para uma exposição de passagens problemáticas como Apocalipse 21:1 ("...e o mar jánão existia mais" ), Apocalipse 21:9 ("...a desposada, a noiva do Cordeiro") eApocalipse 22:2 ("...e as folhas da árvore eram para a sanidade das nações" ), ver oAPÊNDICE B.

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