A história secreta da renúncia de Bento XVI   Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco d...
violação das normas contra a lavagem de dinheiro. Na verdade, a expulsão de Tedeschi     constitui outro episódio da guerr...
Apesar dos esforços de Benelli, Felici e outros cardeais, o Pontificado de João Paulo IItem sido norteado pelos negócios, ...
diferente da que se poderia imaginar num astro do rock em perpétua excursão. Os homenspor trás do astro beija-pista-de-aer...
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VATICANO - A HISTÓRIA SECRETA DA RENÚNCIA DE BENTO XVI

  1. 1. A história secreta da renúncia de Bento XVI Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvospedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção.O texto seguinte é um excerto do artigo de Eduardo Febbro direto de Paris publicado em14/02/2013 em Carta Maior: Bento XVI não foi o sumo pontífice da luz que seus retratistas se empenham em pintar, mas sim o contrário. Philippe Portier assinala a respeito que o papa “se deixou engolir pela opacidade que se instalou sob seu reinado”. E a primeira delas não é doutrinária, mas sim financeira. O Vaticano é um tenebroso gestor de dinheiro e muitas das querelas que surgiram no último ano têm a ver com as finanças, as contas maquiadas e o dinheiro dissimulado. Esta é a herança financeira deixada por João Paulo II, que, para muitos especialistas, explica a crise atual. Em setembro de 2009, Ratzinger nomeou o banqueiro Ettore Gotti Tedeschi para o posto de presidente do Instituto para as Obras de Religião (Instituto per L’Opere de Religione - IOR), o banco do Vaticano. Próximo à Opus Dei, representante do Banco Santander na Itália desde 1992, Gotti Tedeschi participou da preparação da encíclica social e econômica Caritas in veritate, publicada pelo papa Bento XVI em julho passado. A encíclica exige mais justiça social e propõe regras mais transparentes para o sistema financeiro mundial. Tedeschi teve como objetivo ordenar as turvas águas das finanças do Vaticano. As contas da Santa Sé são um labirinto de corrupção e lavagem de dinheiro cujas origens mais conhecidas remontam ao final dos anos 80, quando a justiça italiana emitiu uma ordem de prisão contra o arcebispo norte-americano Paul Marcinkus, o chamado “banqueiro de Deus”, presidente do IOR e máximo responsável pelos investimentos do Vaticano na época. João Paulo II usou o argumento da soberania territorial do Vaticano para evitar a prisão e salvá-lo da cadeia. Não é de se estranhar, pois devia muito a ele. Nos anos 70, Marcinkus havia passado dinheiro “não contabilizado” do IOR para as contas do sindicato polonês Solidariedade, algo que Karol Wojtyla [João Paulo II] não esqueceu jamais. Marcinkus terminou seus dias jogando golfe em Phoenix, em meio a um gigantesco buraco negro de perdas e investimentos mafiosos, além de vários cadáveres. No dia 18 de junho de 1982 apareceu um cadáver enforcado na ponte de Blackfriars, em Londres. O corpo era de Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano. Seu aparente suicídio expôs uma imensa trama de corrupção que incluía, além do Banco Ambrosiano, a loja maçônica Propaganda 2 (mais conhecida como P-2), dirigida por Licio Gelli e o próprio IOR de Marcinkus. Ettore Gotti Tedeschi recebeu uma missão quase impossível e só permaneceu três anos a frente do IOR. Ele foi demitido de forma fulminante em 2012 por supostas “irregularidades” em sua gestão. Tedeschi saiu do banco poucas horas depois da detenção do mordomo do Papa, justamente no momento em que o Vaticano estava sendo investigado por suposta
  2. 2. violação das normas contra a lavagem de dinheiro. Na verdade, a expulsão de Tedeschi constitui outro episódio da guerra entre facções no Vaticano. Quando assumiu seu posto, Tedeschi começou a elaborar um informe secreto onde registrou o que foi descobrindo: contas secretas onde se escondia dinheiro sujo de “políticos, intermediários, construtores e altos funcionários do Estado”. Até Matteo Messina Dernaro, o novo chefe da Cosa Nostra, tinha seu dinheiro depositado no IOR por meio de laranjas. Aí começou o infortúnio de Tedeschi. Quem conhece bem o Vaticano diz que o banqueiro amigo do papa foi vítima de um complô armado por conselheiros do banco com o respaldo do secretário de Estado, Monsenhor Bertone, um inimigo pessoal de Tedeschi e responsável pela comissão de cardeais que fiscaliza o funcionamento do banco. Sua destituição veio acompanhada pela difusão de um “documento” que o vinculava ao vazamento de documentos roubados do papa. Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. Nada muito diferente do mundo no qual vivemos: corrupção, capitalismo suicida, proteção de privilegiados, circuitos de poder que se auto alimentam, o Vaticano não é mais do que um reflexo pontual e decadente da própria decadência do sistema.O texto que segue foi retirado do capítulo Graças ao Assassinato, Os Negócios Continuam ComoSempre do livro Em Nome de Deus do jornalista David Yallop publicado em 1984. Qualquersemelhança com o texto acima de Eduardo Febbro não é mera coincidência, como se diz eminglês, “business as usual”. Graças ao Assassinato, Os Negócios Continuam Como Sempre Quando começou a votação no Conclave para eleger um sucessor de Albino Luciani [Papa João Paulo I], no domingo, 15 de outubro de 1978, o Espírito Santo estava ostensivamente ausente. Uma luta longa e encarniçada, principalmente entre os partidários de Siri e Benelli, foi o tema predominante no primeiro dia de votação. Os responsáveis pelo assassinato de Luciani quase que se viram diante da necessidade de providenciar a morte súbita de um segundo Papa. Durante oito votações, em dois dias, o Cardeal Giovanni Benelli esteve a poucos votos da vitória. Se Benelli fosse eleito, não resta a menor dúvida de que muitos cursos de ação iniciados por Luciani teriam continuidade. Cody seria removido. Villot seria substituído. Marcinkus, De Strobel e Mennini seriam prontamente afastados do Banco do Vaticano. Mas Benelli ficou a nove votos da eleição e o eventual vencedor, Cardeal Karol Wojtyla [Papa João Paulo II], não tem muita semelhança com Albino Luciani. Quanto a seguir o caminho de Albino Luciani, Wojtyla tem dado incontáveis demonstrações de que tudo o que possui em comum com o seu antecessor é o nome papal, João Paulo.
  3. 3. Apesar dos esforços de Benelli, Felici e outros cardeais, o Pontificado de João Paulo IItem sido norteado pelos negócios, como sempre, que se beneficiaram imensamente nãosó pelo assassinato de Albino Luciani, mas por todos os assassinatos que se seguiram àestranha e solitária morte ocorrida no Vaticano, em setembro de 1978. Depois de suaeleição, o atual Papa tomou conhecimento das mudanças que Luciani tencionava efetuar.Foi informado das várias consultas de seu antecessor sobre uma ampla variedade deassuntos.Os levantamentos financeiros coligidos por Benelli, Felici, membros da APSA[Amministrazione del Patrimonio della Sede Apostolica, – Administração do Patrimônio daSé Apostólica] e outros, por conta de Luciani, foram postos à disposição de Wojtyla. Eleconheceu as provas que levaram Luciani a concluir que o Cardeal Cody, de Chicago, deviaser substituído. Conheceu as provas que confirmavam a infiltração da maçonaria noVaticano. Foi informado do diálogo de Luciani com Departamento de Estado americano e aplanejada reunião com o comitê do Congresso dos Estados Unidos sobre população econtrole da natalidade. Villot também esclareceu plenamente o novo Papa sobre a atitude deLuciani em relação ao controle da natalidade. Em suma, o Papa João Paulo II se encontravaem posição excepcional para pôr em prática todos os planos de Luciani. Mas nenhuma dasmudanças propostas por Luciani se converteu em realidade. Quem quer que tenhaassassinado o Papa, não cometeu um crime em vão.Villot foi novamente confirmado como Secretário de Estado. Cody permaneceu no controlede Chicago. Marcinkus, ajudado por Mennini, De Strobel e Monsenhor de Bonis continuoua controlar o Banco do Vaticano e a garantir que florescessem as atividades criminosas emconluio com o Banco Ambrosiano. Calvi e seus mestres da P2, Gelli e Ortolani, estavamlivres para continuarem em seus roubos e fraudes gigantescas, sob a proteção do Banco doVaticano. Sindona pôde manter sua liberdade em Nova York , pelo menos a curto prazo.Baggio não foi para Veneza. O corrupto Poletti permaneceu como o Cardeal Vigário deRoma.Muitos milhões de palavras já se escreveram desde a eleição de Karol Wojtyla, emtentativas de analisar e compreender como é o homem. É o tipo de homem que podepermitir que homens como Villot, Cody, Marcinkus, Mennini, De Strobel, De Bonis ePoletti permaneçam em seus cargos. Não pode haver qualquer defesa sob alegação deignorância. Marcinkus é diretamente subordinado ao Papa e desafia a imaginação ecredulidade que Wojtyla não tenha conhecimento nenhum dos crimes do americano. Emrelação a Cody, Sua Santidade tomou conhecimento de todos os fatos em outubro de 1978,pelos cardeais Benelli e Baggio. Wojtyla não fez nada. Temos um Papa que publicamentecensura os padres da Nicarágua que se envolvem em política, mas ao mesmo tempo concedesua bênção às enormes quantidades de dólares remetidas para o Solidariedade na Polônia,secreta e ilegalmente. É o Pontificado dos duplos padrões: um jogo para o Papa e umsegundo para o resto da humanidade. O Pontificado de João Paulo II tem sido um trunfopara os negocistas, os corruptos, os ladrões internacionais como Calvi, Gelli e Sindona,enquanto Sua Santidade mantém uma imagem altamente divulgada que não é muito
  4. 4. diferente da que se poderia imaginar num astro do rock em perpétua excursão. Os homenspor trás do astro beija-pista-de-aeroporto estão garantindo que os negócios continuam comosempre, as bilheterias aumentando cada vez mais, ao longo dos últimos cinco anos. É de selamentar que os discursos severamente moralistas de Sua Santidade não possampresumivelmente ser ouvidos nos bastidores.Como já registrei anteriormente, depois da eleição de Luciani o Bispo Paul Marcinkusadvertiu a seus colegas no Banco do Vaticano e a Roberto Calvi em Buenos Aires :— Não se esqueçam de que este Papa [Albino Luciani, o Papa João Paulo I] tem idéiasdiferentes do anterior [Paulo VI] e que muitas coisas mudarão por aqui.Com a eleição de Wojtyla, tudo voltou aos valores de Paulo VI, acrescido de juros. Como nocaso da infiltração dos maçons no Vaticano. O Vaticano, através do atual Papa, não apenasabsorveu em seus quadros uma ampla variedade de maçons, de uma ampla variedade delojas, mas também adquiriu a sua própria versão interna. Seu nome é Opus Dei... a Obra deDeus.A 25 de julho, Albino Luciani escrevera sobre a Opus Dei em li Gazzetino o jornalveneziano. Os comentários se limitaram a uma curta história do movimento e o relato dealgumas aspirações da organização para a espiritualidade leiga. Em relação aos aspectosmais controvertidos da Opus Dei, Luciani os ignorava, o que é improvável, ou estavanovamente demonstrando a sua discrição.Com a eleição de Karol Wojtyla, a discrição tornou-se um artigo raro. Seu apoio à Opus Deiestá bem documentado. Como essa organização católica partilha muitas posições e valorescom a corrupta P2 e se tornou uma força dentro da Cidade do Vaticano, deve-se registraralguns detalhes a seu respeito.A Opus Dei é uma organização católica de dimensões internacionais. Embora tenharelativamente poucos associados (as estimativas variam entre 60 e 80 mil), sua influência évasta. É uma sociedade secreta, algo estritamente proibido pela Igreja. A Opus Dei nega queseja uma organização secreta, mas se recusa a divulgar a lista de seus associados. Foifundada por um sacerdote espanhol, Monsenhor Josemaria Escriva, em 1928. Situa-se naextrema direita da Igreja Católica, um fato político que lhe tem atraído inimigos, mastambém muitos associados. Há uma pequena parcela de sacerdotes entre seus membros,cerca de cinco por cento; e leigos de ambos os sexos. Embora se encontre pessoas de todosos níveis sociais, procura atrair principalmente elementos dos escalões superiores, inclusiveestudantes e recém-formados que aspiram a conquistar uma posição executiva. O Dr. JohnRoche, professor da Universidade de Oxford e ex-membro da Opus Dei, descreve-a como"sinistra, furtiva e orwelliana". E possível que a preocupação com a auto-flagelação seja acausa da hostilidade dos meios de comunicação contra a seita. Certamente a idéia de umapessoa chicotear suas próprias costas ou usar tiras de metal cheias de pinos pontiagudos nacoxa pela grandeza da glória de Deus, demonstra ser de difícil aceitação pela maioria daspessoas nesta última parte do século XX. Contudo, ninguém pode duvidar da total
  5. 5. sinceridade dos membros da Opus Dei. Estão igualmente voltados para umatarefa de grande importância: assumir o controle da IgrejaCatólica. Tal coisa deveria ser motivo de grande preocupação não só para os católicoscomo para todos os outros. Sem dúvida, existem alguns aspectos a se admirar nestasociedade secreta. Albino Luciani ressaltou eloquentemente alguns dos conceitos espirituaisbásicos, embora tenha se mantido em discreto silêncio com relação à questão da auto-flagelação e da filosofia política fascista. Sob o pontificado do Papa João Paulo II, Opus Deifloresceu. Se o atual Papa [João Paulo II] não é um membro da Opus Dei, é exatamentecomo os membros da Opus Dei gostariam que um Papa fosse. Um dos primeiros atos apóssua eleição foi dirigir-se à sepultura do fundador da Opus Dei e rezar. A seguir garantiu àseita status de organização episcopal, um passo significativo para o Cardeal Cody, que dizapenas prestar contas a Roma e a Deus.Esta organização tem, de acordo com suas próprias informações, membros trabalhando emmais de 600 jornais, revistas e publicações científicas espalhadas ao redor do mundo. Possuimembros em mais de 50 estações de rádio e televisão. Em 1960, três de seus membrosfaziam parte do gabinete do ditador espanhol, Franco, criando o "milagre econômico"espanhol. O cabeça do enorme conglomerado Rumasa na Espanha, José Mateos, é ummembro da Opus Dei, também está fugindo após construir uma teia de corrupçãosemelhante ao império de Calvi, como foi recentemente revelado. A Opus Dei éextremamente rica. Até recentemente, quando trocou de dono, qualquer um que entrassenuma loja de vinhos Augustus Barnett, na Inglaterra, estaria depositando dinheiro nos cofresda Opus Dei.José Mateos, conhecido como o homem mais rico da Espanha, canalizou milhões para aOpus Dei. Uma parte considerável desse dinheiro proveio de transações ilegais com Calvi,perpetradas tanto na Espanha como na Argentina. O dono do dinheiro da P2 e o dono dodinheiro da Opus Dei: seria possível que a Igreja se refira a isso quando fala nos misteriososcaminhos de Deus?Desde a morte de Albino Luciani e sua sucessão por Karol Wojtyla, a Solução Italiana,aplicada ao problema de um Papa honesto, tem sido usada frequentemente para superar asdificuldades com que se defrontam Marcinkus, Sindona, Calvi e Gelli. A litania deassassinato e ameaça para se encobrir o saque, numa escala além de nossa imaginação,constitui uma leitura macabra. Também serve para confirmar que Albino Luciani foi mesmoassassinado.

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