Historiadores contra a supressão dos feriadosA recente proposta do Governo de acabar com quatro feriados (dois religiosos ...
Pretende assim o Governo atropelar expeditamente o direito ao lazer dos portugueses eagredir a memória simbólica das datas...
Isabel dos Guimarães Sá – Professora da Universidade do MinhoJoaquim Romero de Magalhães – Professor catedrático da FE da ...
Raquel Henriques – Presidente da Direcção da Associação dos Professores de História.Investigadora do Instituto de Historia...
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Historiadores Contra a Supressao dos Feriados

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Historiadores contra a supressão dos feriados - Manifesto de 40 historiadores contra a proposta do Governo de Passos Coelho de suprimir os feriados nacionais do “1º de Dezembro” e o do “ 5 de Outubro”.

Dezembro de 2011

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Historiadores Contra a Supressao dos Feriados

  1. 1. Historiadores contra a supressão dos feriadosA recente proposta do Governo de acabar com quatro feriados (dois religiosos e dois civis: oferiado do “1º de Dezembro” e o do “ 5 de Outubro”) merece da parte dos historiadores quesubscrevem este documento uma clara oposição.Em primeiro lugar, porque assenta numa evidente demagogia: ao contrário do que o Governo,pela mão do seu Ministro da Economia, vem atabalhoadamente explicar ao país, aprodutividade e a competitividade da economia nacional não dependem em nada de essencialdo número dos feriados em vigor. Países europeus ou fora da Europa com tantos ou maisferiados registam níveis de produtividade e competitividade muito superiores aos de Portugal,sendo que é precisamente nas economias mais competitivas e avançadas que se verifica ummenor número médio de horas de trabalho. As razões são obviamente outras e bem maisprofundas, tal como são outras as razões para atacar os feriados, em especial os que, como o 1de Dezembro e o 5 de Outubro, são depositários de um elevado valor simbólico para acomunidade.Em segundo lugar, porque a supressão de feriados, baseada em tal falácia, é, na realidade, umataque ao lazer dura e tardiamente conquistado pelos portugueses, na mesma linha deviolência anti-social da proposta que visa impor meia hora de trabalho não pago. O Governofaz mesmo tábua rasa de tudo o que se sabe e é pacificamente aceite nos nossos dias sobre oslazeres como fonte de conhecimento e de retemperamento indispensáveis a um processosustentado de desenvolvimento económico e social. No caso português, mais ainda, comosustentáculo do turismo interno e das múltiplas actividades e emprego dele dependentes.Em terceiro lugar, porque a anunciada proposta de supressão atenta contra a memória e asimbologia cívica do Dia da Restauração, a 1 de Dezembro, e do dia da implantação daRepública, a 5 de Outubro. Os feriados nessas datas representam, há um século, a forma comoa sociedade escolheu lembrar e homenagear acontecimentos que reputa de transcendenteimportância na História do país. Nem a ditadura salazarista se atreveu a pôr em causa essesferiados e, com eles, o significado que encerram. As celebrações cívicas do 5 de Outubro,durante a ditadura, nunca deixaram de sair à rua, quantas vezes sob cargas policiais e violentasacções repressivas. E não deixa de ser profundamente chocante que seja no ano em queacabam de se encerrar na Assembleia da República as comemorações do centenário daimplantação da República – com largo impacto em todo o país – que o Governo se proponhasuprimir o feriado do 5 de Outubro.
  2. 2. Pretende assim o Governo atropelar expeditamente o direito ao lazer dos portugueses eagredir a memória simbólica das datas da Restauração e da República que os respectivosferiados consagram.Apelamos a que os cidadãos deste país se oponham determinadamente a tal propósito. Atacaros marcos simbólicos da memória e da cidadania é o primeiro passo para ofender os direitosque eles representam e protegem. Se se permitir que isto passe, que mais direitos, quememórias, que outros feriados cívicos cairão a seguir?Lista de Historiadores subscritores do texto:Historiadores contra a Supressão dos FeriadosAlbérico Afonso – Professor da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de SetúbalÁlvaro Garrido – Professor da Faculdade de Economia da Universidade de CoimbraAmadeu Carvalho Homem – Professor catedrático da F. Letras da Universidade CoimbraAndré Belo – Professor da Universidade Rennes II, Haute Bretagne, FrançaAntónio Costa Pinto – Investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de LisboaAntónio Pedro Vicente – Professor catedrático aposentado da FCSH da Universidade Nova deLisboaAntónio Reis – Professor Aposentado da FCSH da UNLArmando Carvalho Homem – Professor catedrático da F. de Letras da Universidade do PortoBernardo Vasconcelos e Sousa – Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH)da Universidade Nova de LisboaDalila Cabrita Mateus – Investigadora do Instituto de História Contemporânea da FCSH/UNLDulce Freire - Investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH daUniversidade Nova de LisboaFernando Catroga – Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de CoimbraFernando Rosas – Professor catedrático da FCSH da Universidade Nova de LisboaGaspar Martins Pereira – Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade doPortoHelena Trindade Lopes – Professora catedrática da FCSH da Universidade Nova de Lisboa
  3. 3. Isabel dos Guimarães Sá – Professora da Universidade do MinhoJoaquim Romero de Magalhães – Professor catedrático da FE da Universidade CoimbraJoão Madeira – Investigador do Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH daUniversidade Nova de LisboaJoão Paulo Avelãs Nunes – Professor da Faculdade de Letras da Universidade de CoimbraJosé Manuel Lopes Cordeiro – Professor da Universidade do MinhoJosé Neves – Professor da FCSH da Universidade Nova de LisboaJosé Medeiros Ferreira – Professor aposentado da FCSH da Universidade Nova de LisboaLuís Farinha – Investigador do Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH daUniversidade Nova de LisboaLuís Reis Torgal – Professor catedrático aposentado da Faculdade de Letras da Universidade deCoimbraLuís Trindade – Professor no Birkbeck College, Universidade de LondresMagda de Avelar Pinheiro – Professora catedrática do ISCTE – Instituto Universitário de LisboaManuel Loff – Professor da Faculdade de Letras da Universidade do PortoMaria Alice Samara – Professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico deSetúbalMaria Antonieta Cruz – Professora da Faculdade de Letras da Universidade do PortoMaria Cândida Proença – Professora aposentada da Faculdade Ciências Sociais Humanas daUNLMaria de Fátima Nunes – Professora do Departamento de História da Universidade de ÉvoraMaria Fernanda Rollo – Professora da FCSH da Universidade Nova de LisboaMaria Inácia Rezola – Professora da Escola Superior de Comunicação Social do InstitutoPolitécnico de LisboaMaria João Raminhos Duarte – Professora do Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes – FaroMaria Manuela Tavares Ribeiro – Professora catedrática da Faculdade de Letras daUniversidade CoimbraMiguel Cardina – Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de CoimbraNorberto Cunha – Professor catedrático aposentado da Universidade do MinhoPedro Aires de Oliveira – Professor na FCSH da Universidade Nova de Lisboa
  4. 4. Raquel Henriques – Presidente da Direcção da Associação dos Professores de História.Investigadora do Instituto de Historia Contemporânea (IHC) da FCSH da Universidade Nova deLisboa.Raquel Varela - Investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH daUniversidade Nova de LisboaRui Bebiano – Professor da Faculdade de Letras da Universidade Coimbra

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