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PRINCESA DO DESEJO
Andrew Philip Collins
A estória contida neste livro é fruto da imaginação de seu autor.
Qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência.
Livro proibido para pessoas menores de 18 anos de idade.
Dedicatória
Ao Amor.
Porque ele é o bem e o mistério mais importantes desta vida e só existe
vida porque existe o Amor.
Felizes aqueles que amaram e foram amados.
Andrew Philip Collins
PRINCESA DO DESEJO
Relato da vida de uma jovem brasileira
Parte I
Nasceu na vila Brasil, em São Luís do Maranhão, num mês de
dezembro, logo após o Natal. Seus pais lhe deram o nome de Andreza.
Morena clara, dos cabelos pretos e olhos de cor castanho escuro. O bairro
é simples, as casas são apertadas e as pessoas são em sua maioria
trabalhadoras. O estilo de vida dos moradores é singelo e os vizinhos se
conhecem bem. Casas pequenas abrigam famílias inteiras, e muitas
pessoas passam o dia e a noite, vivem e dormem em abrigos muitas vezes
apertados, com perda da privacidade, mas ocorre o compartilhamento de
várias gerações numa mesma casa. As pessoas são religiosas e os
costumes geralmente tradicionais. Trabalham em empregos corriqueiros,
na maioria com salários modestos, mas são em geral felizes, por aceitarem
a vida simples que têm. A vila Brasil é o retrato de muitas periferias do
Brasil. Os habitantes são na maior parte amistosos, cordiais e passionais,
guiando-se mais pelas emoções do que pela racionalidade. Em geral, as
pessoas buscam seu espaço no mundo e sua ascensão social pelas vias
honestas, embora isto muitas vezes seja difícil. Alguns então procuram
modos não convencionais e até ilícitos para subir de posição na vida,
adquirindo um melhor status econômico e social. Nesse ambiente é que
ela nasceu e passou sua infância, além do início da adolescência. Sua
família era grande e seus pais de posses modestas.
Quando ela nasceu, seu pai José a pegou no colo e disse: “Minha
primeira filha. Que alegria, meu amor. Você é um presente de Deus para
mim e sua mãe”. Olhando para sua esposa Ester ainda disse: “Como é
morena, parece que só puxou a mãe. Vou te chamar de minha preta.
Você será o orgulho do papai. Jesus abençoe sua vida.”
Ela se mostrou uma criança um pouco calada conforme foi
crescendo, muitas vezes introvertida e muito apegada aos pais, daquelas
que grudam na saia da mãe quando vêem um estranho pela primeira vez.
Sua mãe já tinha uma primeira filha, Marcela, com idade de 5 anos, de um
relacionamento aos 18 anos de idade, quando ainda era solteira. Dois
anos após Andreza nascer, ela ganhou uma terceira irmã, que foi chamada
de Melina.
Cresceram como quase todas as crianças crescem, muito
doentinhas até por volta dos 7 anos, mas depois com mais resistência e
como são quase todos os irmãos, com aquelas desavenças e brigas típicas
da infância. Sua família era cristã protestante e sempre frequentaram a
Assembléia de Deus do bairro, onde foram nascendo as primeiras
amizades, além dos vizinhos e amigos da escola. Andreza, todavia, não
tinha muita amizade com todos os vizinhos; até se interessava mais por
pessoas adultas, mas seus pais não queriam que ela tivesse amizades com
adultos, excetuando os familiares que moravam em sua rua. Na verdade,
tinha amizade com poucas crianças, mas era bastante amiga de Ana Carla,
que também morava perto de sua casa.
Foi crescendo, se tornando adolescente e ocorreu de seus pais se
separarem, amigavelmente. Terminou ficando com seu pai e foi morar em
outra cidade. Suas irmãs ficaram com a mãe. Mas falaremos sobre isso
mais tarde.
Certo dia, quando ainda morava com seus pais, Andreza encontrou
Carla na porta de casa e ficaram sozinhas por alguns instantes. Ela indagou
então:
- Carla, vi algo muito estranho. Acordei ontem a noite assustada e
fui para o quarto de meu pai. Mamãe e papai estavam fazendo umas
coisas estranhas. Não entendi. Ela por cima dele, quase pulando e ela
gemia baixinho. Não entendi. Fiquei mais assustada ainda e preferi voltar
para minha cama. Mas parecia ser bom o que eles faziam. O que era
aquilo?
- Vou tentar ver se minha mãe faz o mesmo com meu pai - disse sua
amiga. “ Vou tentar olhar ela quando estiver dormindo com meu pai”.
- Vou perguntar pra mãe o que ela estava fazendo. Fiquei curiosa.
Tenho que descobrir. Gosto de descobrir as coisas. Sempre gostei.
De fato, Andreza falou com sua mãe e ela desconversou. “Será que
você estava sonhando, querida? Não sei do que você está falando?”,
retrucou Ester.
- Mãe, acho que eu não estava sonhando.
Sua mãe não encontrava outra forma de dissuadi-la. Andreza tinha 8
anos apenas, era curiosa e nessa idade é difícil falar sobre sexo com uma
criança. Fôra um descuido deixar sua filha os ver em momentos íntimos e
os pais não perceberam que eram flagrados fazendo sexo.
Andreza conversou outras vezes com Carla, mas ela não conseguia
descobrir nada.
- Não consigo ver meus pais dormindo - disse Carla. - Passo a noite
no meu quarto com minha irmã mais velha e eles trancam a porta do
quarto deles. Também não escuto nada vindo do quarto deles.
Andreza também não presenciou mais nada estranho. Seus pais
ficaram mais cuidadosos.
O pior viria depois. Um garoto da escola assistiu aos pais fazendo
sexo oral e contou para Andreza. Ela ficou desconfiada, sem entender
bem, mas nasceu daí a malícia em seu coração. Parecia que a idade da
inocência estava acabando.
Não comentou, porém, nada com seus pais sobre o que seu amigo
da escola tinha relatado.
Sua mãe, entretanto, em certo dia, não suportou, tomou uma
decisão, e se voltou para Andreza, reservadamente:“Filha querida, preciso
te falar uma coisa muito séria. Você é criança, mas está ficando mocinha,
e acima de tudo é mulher. As mulheres guardam uma coisa muito
preciosa. E são indefesas. Você precisa se defender. “
- De quê, mamãe? – questionou a menina, de pronto.
- Dos homens – completou Ester. - Se algum homem tocar em você,
nas suas partes íntimas, me conte; me informe de imediato. Não tenha
medo de me falar. Vou te ajudar. E se for o caso, se alguém mexer com
você, grite, não aceite o que quiserem fazer com você e corra. Não me
esconda nada. Sou sua mãe e sempre vou poder te ajudar.
- Tudo bem, mamãe. E o que os homens fazem com as mulheres?
- Podem machucar e se aproveitar da inocência das meninas.
- E por que somos inocentes? O que é inocência?
- As crianças não sabem de tudo, são frágeis e indefesas. Precisam
dos pais. As mulheres, mais ainda. Os homens podem fazer o mal,
baterem, machucarem e até arrastar uma criança e levarem embora.
Podem molestar uma mulher, se valendo da força, por ser o sexo feminino
muito menos forte fisicamente.
Apareceram mais questões em sua mente, mas não quis fazer
muitas perguntas aquele dia.
- Mamãe, você está me pondo medo. Estou ficando assustada.
- Por que, minha filha? Desculpe, mas eu precisava lhe falar estas
coisas.
- Não entendi muito, mas fiquei com medo. Prometo que vou
contar tudo que acontecer comigo. Mamãe, mais uma coisa: papai é
homem! Ele pode fazer mal pra mim?
- Não, minha filha. Ele é seu papai e ele te ama. Não esqueça isso.
- Ainda bem, mamãe. Fiquei mais calma.
Fora difícil para sua mãe estabelecer esta conversa com a filha, mas
achou que se tornara imprescindível e o momento oportuno, apesar da
tenra idade de sua filha. Não quis falar exatamente sobre sexo, não
encontrou forma, mas aquela conversa já era uma entrada. Sentia que sua
filha era muito criança para ouvir sobre sexo.
Andreza ficou curiosa, mais ainda, mas se conteve com suas
dúvidas. Sua mente ainda muito infantil não conseguia entender bem
aquilo e não era imaginativa nem questionadora o bastante para isso.
Aconteceu porém que uns dois anos depois sua irmã mais nova
descobriu novidades na escola, em verdade informações sobre sexo e
contou para Andreza e foi quando as duas começaram a compreender
melhor o que era uma relação sexual.
- Andreza meus amigos disseram que o homem e sua mulher se
deitam na cama e fazem sexo. E vou continuar perguntando como é isso.
Tudo serviu para Andreza reavivar suas memórias e conseguir juntar
as peças do quebra-cabeça para entender de fato o que é uma relação
sexual.
Algum tempo depois, todavia, Andreza confessaria para uma amiga:
“Depois que mamãe me falou umas coisas fiquei muito curiosa e
comecei a tocar partes do meu corpo na hora do banho e ao deitar na
cama para dormir. Comecei a acariciar meus seios e minha periquita e
achei bom. Foi uma sensação diferente, gostosa, que eu não havia sentido
ainda. Ficava molhada e me achava mais relaxada. Mas pensava que não
deveria estar fazendo aquilo, achava errado e me culpava. Tinha medo de
falar isso para mamãe. Ela ia me repreender. Mas, ao mesmo tempo, por
ser proibido, achava que era melhor ainda e eu queria fazer de novo.”
Carla, que era um ano mais velha, descobriu que isso era
masturbação e que se for em excesso pode fazer mal.
- Uma menina da escola disse que isso se chama siririca. E que
algumas meninas fazem nas outras - contou Andreza. - E disse ainda: “
Mas não quero que ninguém faça em mim.”
- E você já andou fazendo isso? Siririca...
- Não, não, nunca fiz. - Mentiu Andreza.
E ainda perguntou:
- Carla, por que se tocar e se masturbar em excesso não é bom?
- Não sei bem, mas acho que pode fazer mal. Você parece ter ficado
muito curiosa sobre tudo isso.
E Andreza não falou mais nada neste dia.
Ela achava, porém, que sua irmã mais nova também já andava-se
masturbando, pois um dia na hora de dormir pareceu-lhe que ela tocava
suas partes íntimas e vocalizava palavras ou murmúrios estranhos.
Mas não quis questioná-la inicialmente. E Andreza deixou de se
masturbar no momento de dormir, com receio de ser desmascarada.
Em sua mente Andreza começou a se questionar por que motivo as
mulheres e as meninas se masturbavam e será que os garotos também
faziam? E como os homens se masturbam?
Aconteceu depois que a mãe de Carla descobriu os conteúdos de
suas conversas com Andreza e contou para Ester.
- Imagine uma coisas dessas. Do que essas meninas andam falando?
Isso é conversa para crianças? Sua filha comentou alguma coisa com
você?- reclamou a mãe de Carla.
- Não, Margareth. Ela nunca falou nada sobre esse assunto comigo.
- Me perdoe perguntar, mas: você já falou sobre temas de sexo com
sua filha? Por que acho um absurdo os pais falarem nessa idade.
- Não. Nunca abordei nada sobre estes assuntos com ela._ mentiu
Ester, pois parecia que aquela sua conversa anterior com Andreza tinha
aberto o interesse de sua filha para os assuntos relacionados a sexo.
- Converse com ela. Mas nem sei como você vai falar. Talvez seja
melhor esquecer por enquanto e apenas ficar mais atenta. Cuidado com
as companhias de sua filha. Preste mais atenção! Acho melhor nossas
filhas ficarem um tempo sem se falar, para não tocarem nestes assuntos.
Não deixe de levar ela aos cultos duas vezes por semana. Veja se ela está
atenta ao que o pastor prega.
- Vou cuidar mais de minha filha. Até outro dia . - E se despediu.
- Pode deixar, - disse Ester, um pouco envergonhada. - Isso não se
repetirá mais. Estarei atenta. Obrigado por me avisar. Vou falar com
Andreza.
Ester procurou sua filha. Expos a razão da conversa com a mãe de
Carla. Relatou o conteúdo da conversa e a garota ficou envergonhada.
Disse que Carla trouxera o assunto e negou ter o tema partido de sua
pessoa. Nem por isso Ester foi amena com sua filha e lhe ordenou que não
falasse mais com suas amigas sobre estes temas.
- Tire suas dúvidas comigo. – Pediu Ester, encarecidamente.
De fato, Ana Carla desde então se afastou de Andreza.
Algum tempo depois na escola um menino levou uma revista com
conteúdo de sexo explícito e Andreza pode ver a revista, ficando chocada,
pois sua reação foi de espanto. O sexo pornográfico a impressionou, e
ficou espantada com tudo aquilo.
- Tira esta revista de perto de mim, só tem coisas feias. - suplicou
Andreza, em reação ao colega da escola.
Não quis comentar todavia nada com seus pais. Eles também não
tinham ainda determinado com ela um canal de comunicação para falar
sobre sexo e relacionamento ou namoro.
Depois em sua escola começou a ter aulas sobre Anatomia Humana,
Reprodução e sobre Sexualidade. Já tinha 12 anos e muita coisa se abriu
em sua mente.
Chegou a ver outras revistas com conteúdo sexual e chegou a
comprar uma revista escondido de seus pais com uma grana dos lanches
que economizou, num comportamento não muito usual para as garotas
de sua idade.
Andreza sempre foi uma criança comedida. Aos 9 anos de idade seu
pai e sua mãe lhe presentearam com uma bicicleta, e apesar de todos os
cuidados de seu pai, a criança se acidentou e ela se machucou, não tendo
sido atropelado por um veículo por pura sorte.
Seus pais a levaram para uma unidade de saúde próxima onde
recebeu atendimento; não foi constatado nada de sério, a garota recebeu
curativos e foi liberada. Todavia, seus pais ficaram apreensivos com o que
havia acontecido com sua filha, recolheram sua bicicleta e ficaram
receosos de que ela pudesse se acidentar novamente, e pior, de forma
mais grave. A bicicleta tinha ficado um pouco danificada, e com muitos
arranhões, e terminaram por vendê-la. Andreza questionou seus pais se
receberia outra bicicleta, e eles mentiram dizendo que sim, mas em
verdade não tiveram coragem de comprar outra bicicleta para Andreza.
Este episódio marcou muito a infância da menina e teria consequências no
seu comportamento futuro. A criança passou a se comportar de maneira
mais melindrosa e arredia e seus pais ficaram mais superprotetores.
Quando a garota adoecia era outro problema. Ela não aceitava bem
tomar as medicações e se indispunha com seus pais, principalmente sua
mãe, que terminava sendo a única que conseguia fazer Andreza tomar as
medicações prescritas, embora muitas vezes de forma impositiva e na
base de muito sacrifício. Tudo isso gerava desconfortos entre Andreza e
sua mãe. Seu pai era mais passivo e era da opinião de que não deveriam
obrigar sua filha a consumir os medicamentos. Ester insistia, porém, que
os medicamentos haviam sido indicados pelo médico por necessidade e
não caberia a Andreza decidir tomá-los ou não, dado ser ela ainda uma
criança, e sua saúde estar na responsabilidade de seus pais. Sua mãe
procurava lhe explicar tudo isso, mas a jovem morena era rebelde para
tomar as medicações. Quando ela adoecia e precisava tomar
medicamentos, sua mãe se via em grande aperto e era uma situação
estressante.
Ainda aos 9 anos de idade ocorreu um fato pitoresco e inusitado na
vida de Andreza. Ela saiu com sua família para assistir à festa e às danças
do boi-bumbá e por um instante A garota se afastou de seus pais, estando
na companhia de Marcela, que já tinha 14 anos de idade. Apareceu então
do nada uma cigana quiromante, a qual segurou a mão esquerda de
Andreza, expondo a região palmar e olhando nos olhos da criança,
começou a dizer:
- Filha, posso ler sua mão e falar de você?
- Ela, de modo inocente, respondeu que sim. Marcela ficou curiosa e se
pronunciou neste instante:
- Senhora, não tenho dinheiro para pagar seu serviço!
- Não irei cobrar nada de duas crianças lindas como vocês. – explicou a
idosa. E a cigana continuou, fitando os olhos de Andreza:
- Minha criança, você se sente com frequência intimidada e desafiada.
Sua mente já é de uma pessoa quase adulta, você é séria e gosta de
amigos bem mais velhos .
- Como a senhora sabe disso? - questionou sua irmã.
- Eu sei, pois eu leio isso nas mãos e nos olhos dela. – justificou a idosa. E
disse mais coisas:
“Você é muito reservada e tem necessidade de ser levada a sério, o que
pode gerar sofrimentos para ti e chega a se sentir desconfortável no papel
de criança; você sempre vai aceitar somente o que é muito bom. Menina,
tu nasceste para o mundo adulto. Tens as habilidades de ser prática e
concreta. Serás sempre uma pessoa extremamente racional. Os outros
toda vida precisarão te pedir permissão para tudo que forem fazer
contigo. És muito apegada aos teus pais, mas haverá de te libertar.
Acreditas hoje em hierarquia, mas logo romperás esta regra. Serás
ambiciosa e sempre confiara mais nos teus próprios esforços ao invés de
confiar nos que te cercam. Amas a paz e a quietude. És tímida, gosta de
ser discreta, mas tens um ótimo senso de humor. Cuidado com o senso de
perfeição, com o orgulho e o medo de demonstrar seus sentimentos. Tens
muita paciência para se concentrar nos teus trabalhos e alcançar seus
objetivos. Terás que lutar a vida toda. Você será muito famosa pelos seus
feitos, mas não pela sua vontade nem pelo seu esforço, mas sim pela
vontade e pelos esforços dos outros. Deus te acompanhe”.
Andreza e Marcela estavam embevecidas. Nisto a mais nova se
pronunciou:
- Senhora, entendi muito pouco do que você falou. É tudo sobre mim?
- Sim, criança.
- Como você sabe tanto da minha vida?
- Suas mãos me contaram. Entendeste pouco hoje, mas conforme o tempo
passar perceberás que eu estava certa.
E a senhora se afastou delas, desaparecendo na multidão.
O pai e a mãe de Andreza surgiram, então, aflitos, pois já procuravam
as duas filhas há 15 minutos e não as encontravam.
- O que vocês faziam, meninas? - questionou-as sua mãe.
- A gente estava conversando com uma senhora. – disse a mais velha.
- Quem, minha filha? Alguma conhecida? - perguntou seu pai, ainda
preocupado.
- Não sabemos quem ela é e também não disse seu nome - revelou
Andreza .
- Não falem com estranhos. - pediu Ester.
- Só sei que a mulher pediu para ver as mãos da minha irmã e começou a
dizer um monte de coisas – confessou Marcela.
- Deve ter sido uma cigana – concluiu José. – Já vi algumas por aqui.
- Filhas, não reparem em nada que ela disse – pediu aquela mãe. - Ler
mãos não é coisa de Deus. Não acreditem em nada do que ela disse.
Somos evangélicos e só podemos crer no que a Palavra de Deus nos
revela.
- Tudo bem, mamãe. – prometeram as duas garotas.
E a família preferiu ir embora daquele lugar.
____________________________
Aos 10 anos de idade os pais de Andreza foram chamados na escola
pois ela havia puxado os cabelos de uma coleguinha de mesma idade que
a sua e também lhe desferiu um pequeno bofete no rosto por conta de
pequenas richas pessoais e ofensas trocadas entre a garota e Andreza com
sua irmã Melina. Ester havia algumas semanas atrás instigado suas filhas a
tirar satisfação de uma garotinha que se desentendeu com Melina. José,
todavia, não ficara sabendo deste episódio. Ao serem convocados pela
diretoria da escola, Ester e seu esposo José, negaram que sua filha do
meio fosse uma criança agressiva e disseram não saber que ela mantinha
desavenças com colegas da escola ou do bairro. Ela tinha bom
comportamento prévio, mas apesar disso recebeu uma suspensão de 3
dias e uma anotação em seu boletim de ocorrência escolar.
José ficou sem entender o comportamento de sua filha e a
questionou sobre o porquê dela ter cometido tal desvio de conduta.
Melina adiantou-se à conversa, dizendo que uma menina mais velha
que ela tinha lhe dado um empurrão e ela Melina se machucara
levemente por conta disso. Andreza, alguns dias depois disso tudo
ocorrer, estava então fazendo um acerto de contas com a garota e
portanto apenas defendendo Melina.
José não aceitou as alegações de sua filha caçula e Andreza limitou-
se a responder que não sabia porque tinha feito aquilo. Quando
perguntada por seu pai se estava arrependida de seus atos ela preferiu
ficar calada. Ele ainda disse:
- Vocês fizeram tudo errado! Não se resolve as coisas assim. Se algum
colega de escola fizer algo de mal para vocês contem os fatos aos
professores e para nós seus pais e não tentem se vingar de seus amigos e
brigar ainda mais com eles. Não aumentem os conflitos. Falem conosco
que vamos tentar resolver de forma amistosa, tomando as providências
certas. Entendidas?
Andreza e sua irmã concordaram com um aceno. Neste momento
olharam para sua mãe totalmente caladas e a mesma fez de conta que
não tinha nenhuma culpa pela atitude da filha.
Ao chegar à sua casa, Ester reclamou com Andreza pelo que ela
tinha feito, disse estar envergonhada do que tinha falado para suas filhas
algumas semanas atrás e pediu para elas guardarem segredo com relação
a José. Elas prometeram que não contariam nada e a história se encerrou
por aí. Depois desse di, Andreza não cometeu mais nenhum deslize ou ato
condenável em sua escola.
Aos 11 anos de idade a morena começou a despertar a atenção de
dois primos de idade próxima à sua, um deles morando em sua rua. Ester
percebeu que os garotos passaram a frequentar sua casa com mais
frequência e indagar mais sobre Andreza, aumentando o interesse por ela.
Eram frequentes os convites deles para acompanhá-la nos cultos e para
tomar sorvete. Ela, porém, de forma antagônica, diante das investidas de
seus primos, preferiu se afastar mais deles, fugindo de qualquer
aproximação. Suas tias e sua mãe Ester notaram isso e acharam a
sobrinha um pouco orgulhosa. Ela terminara por se afastar um pouco da
casa de suas tias, mães dos referidos primos, para fugir do assédio deles.
As irmãs de Ester falaram então com ela e expuseram sua opinião, dizendo
acharem exagerada a reação de Andreza e pediram para ela não se afastar
delas por motivo tão fútil, alegando que as paqueras entre os primos são
frequentes e em geral passageiras, sendo típicas da adolescência. Ester
alegou então que sua filha era muito nova ainda e não cogitava namoros
até então, sendo ainda muito infantis seu comportamento e suas idéias.
Ester procurou, mesmo assim, sua filha para um diálogo. E dirigiu-
se a ela com estas palavras:
- Filha, por que você está se afastando tanto da casa de suas tias? Elas
estão achando seu comportamento estranho. E elas estão tristes por isso.
Elas gostam muito de vocês, minhas filhas! Elas te adoram, Andreza. Não
faça isso. Só por que seus primos estão se interessando por você?!..
- É por este motivo mesmo, mãe. Não sei outra forma de fugir deles.
- Filha, basta dizer não. Fale para eles que só deseja amizade.
- Eles são insistentes.
- Isso vai passar logo, é uma fase... É comum primos quererem namorar
com primas, mas só acontece se os dois aceitam.
- Não quero namorar primos. Até acho que pode prejudicar o relacionamento
na família e criar inimizades se o namoro não der certo, não vingar.
- É verdade. Você pode ter razão, mas também não é motivo para se afastar
de sua própria família. Os rapazes até podem se achar rejeitados...
- E qual o problema?
- Não se faz isso nem com estranhos; imagine com os primos. De atenção a
eles, mas diga logo que não quer namoro; diga que você quer a amizade
deles de primos.
- Pode ser. Vou tentar ser clara com eles.
- Mas não seja preconceituosa com seus primos. E procure falar com jeito,
sem grosserias.
- Eu não sou preconceituosa, mãe. – rebateu Andreza, um
tanto irritada. - E acima de tudo ainda tenho que falar com jeito?!
Eles é que vêm me amolar e pegar no meu pé e eu que vou precisar
de jeitinho para responder a eles. Era só o que me faltava!
- Andreza, não fale assim! Não seja orgulhosa nem arrogante.
A jovem, porém, continuou em tom de exaltação:
- É, mãe, eu não penso em namoro ainda. Sou muito nova.
Mas quando começar não quero namorar qualquer um, não quero
namoro com familiares, eu quero o melhor para mim, quero
crescer, melhorar de vida.
- Andreza, cuidado com o que fala. Eu concordo com você,
mas não trate mal sua família. Eu te peço.
- Está bem, mamãe.
E a garota foi almoçar, encerrando assim o debate daquele
dia com sua mãe.
_______________________________
Ainda aos 11 anos ela se interessou por um colega da Igreja e
depois outro da escola, mas eles não lhe deram bola e não rolou
nada.
Foi aos 12 anos de idade, porém, que rolou um lance na
Igreja, houve uma apresentação com música e após isso um amigo
que simpatizava com ela deu-lhe um beijo na saída, na boca. Beijo
muito inocente, e se separaram, indo embora cada um.
Chegou à sua casa e contou do beijo para sua mãe. Esta retrucou
deste modo:
- Mas, minha filha, você não tinha me falado deste rapaz ainda? E como
você foi beijar um rapaz sem nem eu e nem seu pai conhecermos. Ou você
tinha falado para seu pai sobre ele? Qual o nome dele, quem são os pais?
Como você se interessou por ele?
Andreza ficou um pouco surpresa pela reação de sua mãe; eram tantas
perguntas e se sentiu até um pouco chateada, mas ao fim concordou
parcialmente com ela e respondeu:
- Desculpe, mamãe. Ele é um bom garoto. Também não falei dele para
meu pai. Conversávamos de vez em quando, rapidamente. Achei
sempre que ele trocava olhares comigo. O beijo dele também me
surpreendeu. Foi tudo muito rápido e nos separamos. Não falamos
mais nada.
- E quem são os pais dele?
- Luís Cláudio e Elisangela, me parece.
- Minha filha, você não sabe direito os nomes dos pais do rapaz?
Cuidado. Não faça mais isso.
- Desculpe, mamãe. Mas só fiquei em dúvida sobre o nome da mãe
dele.. Mas conheço bem os dois de vista. O pai e a mãe dele.
- E nunca falou com eles pessoalmente?
- Mamãe, eu não namoro com ele. É apenas meu colega da Igreja.
- Mas é preciso conhecer os pais antes de querer namorar um rapaz.
- E sobre os pais dele? Tudo bem...? Questionou a moça, tentando
obter um retorno de sua mãe.
- Vou falar com seu pai, Andreza. Não conheço eles muito bem. Os pais
deste rapaz. Conversarei com seu pai.
- Mamãe, eu não o estou namorando . Foi somente um beijo. Nem sei se
ele vai me procurar depois.
Andreza achou tudo muita complicação e dificuldades demais para
iniciar um namoro e no fundo não concordou totalmente com sua mãe.
De fato, após este dia o rapaz não procurou mais a jovem e
algumas vezes acenou para ela apenas com um oi, até se afastando das
conversas. Ela ficou sem entender, quis procurá-lo para conversar, porém
desistiu. Ficaram dúvidas em sua cabeça de por que Eduardo não falou
mais com ela e rapidamente o esqueceu. Sua mãe também não a
procurou para dar o resultado da conversa com seu pai sobre o rapaz.
Andreza ficou um pouco chateada no início, pensando se foi
interferência de seus pais ou dos pais dele, e que não aceitariam o namoro
e chegou a conversar com sua mãe.
- Foi até bom, minha filha, ele não procurar mais você. Andreza, você é
muito nova ainda para namorar. Vai haver tempo. Estude primeiro. A
prioridade são os estudos. Namoro vem depois.
Andreza ficou um pouco decepcionada com as alegações de sua mãe.
- Sei que sou muito nova, mas um namoro bobo não faz mal a ninguém.
Conheço duas amigas na escola que têm minha idade e já namoram. Eu
queria ter um namorado.
- Paciência, minha filha. Sua hora vai chegar. Você é lindinha. Os rapazes
vão se interessar por você. As coisas de Deus têm a hora certa e seu
propósito.
- Você me acha só lindinha? E quanto vou esperar ainda?
- Você é linda, minha filha. Muitos garotos vão se interessar por você. E
sua idade de namorar vai chegar, tenha calma. Tudo a seu tempo. Eu
mesma só comecei a namorar com 16 anos.
- Você, mãe. Eu não sou você. Eu quero namorar antes... Com 18 anos
você já era mãe..
Andreza nunca tinha respondido assim sua mãe, em tom questionador.
- Andreza, me respeite. E Deus me livre de você ser mãe aos 18 anos.
Muito nova. Vai estudar primeiro, se formar.
- Eu que não quero ter filho com 18 anos. Tenho muitas coisas a realizar
em minha vida antes de ter filhos. Você me entendeu mal.
- Muito bem - finalizou Ester. – Desculpe.
Quando Andreza nasceu, ela morava com seus pais e seus avós
maternos, além de duas tias, irmãs de sua mãe. Outra tia sua residia na
mesma rua, porém em uma casa próxima. Algum tempo depois a família
se mudaria para uma casa no bairro vizinho de São Cristóvão, onde
morava uma das irmãs de José, a qual se mudaria para Brasília-DF com
seus filhos, deixando sua casa para José morar com sua família.
Naquela casa em que Andreza nasceu na Vila Brasil moravam muitas
pessoas e era desconfortável. A neta tinha 11 anos e indagou sua avó
certa vez:
- Vovó, a senhora teve quantos filhos? Pois só na nossa rua moram quatro:
mamãe e mais três.
- Minha neta, eu tive sete filhos: 5 mulheres e 2 homens. E sua avó
repetiu o nome dos 7 filhos, além de suas idades.
- Vovó, você namorava demais! – brincou Andreza.
- Minha filha, - continuou Maria Augusta – no tempo de sua avó era difícil
conseguir pílulas para não engravidar.
- Vovó, eu já estudei algo sobre isso na escola.
- As crianças de hoje são muito sabidas, Andreza. Sabem de muitas coisas
cedo demais. Informações que na minha criação eu só vim saber com
quase 18 anos de idade.
- E o vovô também era muito danado. Sete filhos. É muito filho.
- Minha neta, sua bisavó teve foi treze filhos!!!
- Vovó Augustinha, no tempo dela não tinha televisão ainda? Vocês só
pensavam em namorar?
- Menina, não diga uma coisa dessas – repreendeu sua avó materna. –
Claro que não tinha televisão no tempo da sua bisa. Mas era bom ter
muitos filhos para cuidarem de casa e da lavoura.
- Ah! Entendi vó.
- E não tinha pílula para não pegar menino e fazer ligação com o médico,
isso é que era difícil as mulheres conseguirem.
- Vovó, eu gosto de saber as coisas: o que é ligação?
- Aí meu Deus, estou falando demais. Essa menina é muito curiosa !
Ligação é uma cirurgia, filha, que as mulheres fazem para não ter mais
filhos.
- Ah! entendi, vó. Mas liga o que mesmo? A senhora sabe?
- Sua avó não é muito estudada, filha. Não sei de muita coisa. Mas dizem
que o médico liga as trompas da mulher, perto do útero.
- Pois, vovó, a senhora sabe é muita coisa. E a senhora fez ligação?
- Não, mas precisei fazer cirurgia e retirar tudo.
- Por quê?
- Sangramento, minha filha e útero caído. Eu tive 7 filhos, esqueceu? E
todos por parto normal. Eu também tinha medo daquela doença, câncer.
Graças a Deus não deu.
- Vó Augustinha, hoje eu não vou perguntar mais nada para não lhe
incomodar.
- Tudo bem, filha. Você falou em televisão. As crianças e os jovens de hoje
aprendem é coisas demais na televisão e por isso querem namorar muito
cedo. A TV ensina coisas boas, mas coisas ruins também.
- Vó, e quem faz cirurgia que tira tudo, ainda pode namorar? - indagou
Andreza, esquecendo-se de que havia prometido não perguntar mais nada
para sua vó aquele dia.
- Menina danada, você quer saber demais! Você é muito sabida! Não vou
responder mais nada pra você hoje! E eu vou contar para sua mãe que
você está muito curiosa...
- Conta não, vovó – pediu Andreza. – Não precisa mais responder.
E as duas encerraram a conversa aquele dia. Sua avó lhe ofereceu
um doce de abóbora com coco ralado que ela mesma tinha preparado e
um copo de água e a sua neta foi experimentar.
___________________________________
A partir de 12 anos de idade Andreza começou a se interessar pelo
universo masculino. Ia assistir treinos de futebol num campo perto de sua
casa. Ela confessou depois por que motivos iniciou este hábito: “Adorava
ver aqueles rapazes suados correndo atrás daquela bola. Parecem uns
bobos. Mas seus corpos são bonitos. Têm pernas e coxas grossas e
torneadas e muitos deles a barriga sarada, bem chapadinha. Eu gosto é
disso. Por isso gosto de ir vê-los jogar. Acho que sou meio tarada por isso
e me dá tesão. Adoro“.
Seu pai gostava muito de futebol e achava curioso sua filha se
interessar por futebol também, pois em sua opinião ainda parecia ser um
esporte muito masculino. Mas também não achava que sua filha gostava
de futebol por ter alguma tendência homossexual. Ele via sua filha como
uma moça totalmente feminina e de comportamento normal. Para
agradar ainda mais seu pai ela se declarou torcedora do mesmo time que
ele, e este ficou bastante orgulhoso. Não tinha um filho, mas tinha uma
filha que torcia com ele pelo seu clube do coração. Tudo isso o alegrou
bastante. Ele repetia:
- Filha do coração, só você mesma para fazer isso pelo seu pai. Te amo
muito.
Quando Andreza tinha 12 anos de idade sua mãe decidiu fazer o curso
de Enfermagem para conseguir um trabalho melhor. Ester procurou então
seu marido e conversou com ele sobre sua intenção.
- José, meu marido, eu pensei em fazer uma faculdade.
- Qual, meu bem? – indagou seu esposo.
- Enfermagem. Sei que será difícil trabalhar, cuidar da família e estudar ao
mesmo tempo, mas preciso conseguir um emprego melhor e sei que esta
profissão tem boas oportunidades de emprego em nossa cidade. E eu me
identifico com a área da saúde.
- Que bom, Ester. Só me preocupo com nossas filhas e sei que sua vida vai
ficar muito atribulada no período em que você estiver estudando.
- Sei José que vou passar por provações e terei que me doar mais ainda,
porém eu sinto que preciso conseguir um trabalho para ganhar melhor e
eu pensei na Enfermagem. Pode-se trabalhar em postos de saúde, em
hospitais, e outros .
- Sim, é verdade.
- Você me apóia?
José respondeu prontamente:
- Claro, minha esposa. Eu também desejo o melhor para você e que seja
para o bem de nossa família.
- Deus vai-me abençoar em minha escolha!
- Você vai conversar com nossas filhas sobre sua decisão?
- Sim, vou falar o quanto antes.
- Quando serão as provas para Enfermagem?
- Vou fazer duas provas. Daqui a 06 meses. Vou frequentar primeiro um
curso preparatório. Tenho estudado em casa, preciso de um reforço. Este
curso será noturno de 19 às 22 horas, de segunda a sexta-feira feira por
quatro meses.
- Bons estudos então, meu amor. Que Deus te ilumine e você passe logo
na primeira tentativa!
- Sim, vai dar certo.
No dia seguinte, a noite, Ester reuniu suas filhas e seu marido após
o jantar e deu a notícia para elas.
- Filhas, - começou a mãe - preciso contar para vocês uma decisão muito
importante que tomei em concordância com o pai de vocês.
- O que foi, mamãe? - indagou a mais velha, Marcela, um tanto assustada.
- Não é nada ruim.- disse Ester, procurando acalmá-las.
- E o que é então, mãe? - questionou por sua vez, Andreza.
- É uma notícia boa, mas vou precisar da compreensão de todas vocês.
Mamãe precisa conseguir um trabalho melhor e para isso eu decidi fazer
um curso de Enfermagem.
- É mesmo, mãe?- indagou a caçula, aparentemente feliz.
- Sim, minhas filhas. Eu sei que será apertado para mim e vou passar por
um período muito atribulado, muito difícil, mas preciso correr atrás de
melhorias para nós e para ajudar seu pai nas despesas de nossa casa. Eu
comecei a trabalhar no comércio, mas ganho pouco e preciso conseguir
um emprego melhor. Eu decidi pela Enfermagem pois gosto dessa área e
aparecem boas oportunidades de trabalho neste setor em nossa cidade.
- Parabéns, mamãe, por sua escolha. – declarou Marcela.
Andreza, porém, afirmou para todos:
- Mamãe, pai, acho bom a senhora trabalhar, mas só me preocupo pelo
fato de que a senhora vai ficar menos tempo conosco pois estará mais
ocupada. Vai nos dar menos atenção e precisamos da senhora.
- Oh, minha querida, é verdade. Mas será por um tempo passageiro e por
uma causa nobre.
- E se a senhora for dar plantões à noite? - questionou Andreza - Vai nos
deixar sozinha com papai nos dias de plantão. Eu sei que enfermeiras
também podem trabalhar à noite.
- Prometo que farei de tudo para não trabalhar a noite quando eu me
formar e conseguir um emprego. Vou procurar trabalhos que sejam
somente durante o dia.
- Mas, mamãe, durante o curso de Enfermagem, a senhora vai ter que dar
plantões à noite? - interpelou a mais velha.
- Sim, filhas, mas somente nos períodos de estágio, que devem durar cerca
de 1 ano e meio.
- Ah, mamãe, fiquei feliz mas também fiquei triste ao mesmo tempo –
desabafou a filha do meio. – Não nos abandone. Papai, e o que o senhor
acha disso tudo?
- Filha, eu estou aqui para apoiar e estimular sua mãe. Foi uma decisão
que partiu dela, e ela tem o direito de estudar e trabalhar, e tenho
convicção de que ela procura o melhor para nossa família. Eu peço que
vocês também apoiem sua mãe na decisão que nós tomamos.
- Vou tentar - revelou Andreza.
- Tomara que esse período passe logo. – desejou Melina.
- E quando você fará as primeiras provas, mamãe? - questionou a filha
mais velha.
- Daqui a 6 meses. Preciso estudar antes dos testes, minha filha. Se tudo
correr bem, inicio o curso de Enfermagem no próximo ano.
- Vamos torcer por você, mamãe. – continuou Marcela. – A senhora é
uma guerreira e merece.
-Deus abençoe nossa família. - pediu aquele pai. – Ester, meu bem, que
você realize seus sonhos e tenha sucesso na carreira que você está
almejando.
- Obrigado, José. Nosso Deus estará sempre comigo. Orem por mim,
filhas. Peçam por sua mãe em suas orações.
- Sim, mamãe, pediremos - concluiu Andreza. – E as demais concordaram
com um aceno de cabeça.
Andreza, porém, saiu daquela sala para seu quarto um pouco
tristonha. Ela acreditava que sua mãe a partir de então não poderia mais
lhe dedicar tanta atenção como antes e as duas terminariam por se
afastar mais uma da outra, de forma gradativa. Andreza passou a ter este
temor.
___________________________________
O relacionamento de Andreza e sua mãe foi piorando com o tempo.
Ester não deixava Andreza sair sozinha com as amigas e o não era a
resposta mais frequente aos pedidos feitos pela filha. Praticamente ela só
podia sair com a irmã mais velha, ou com os pais para o templo evangélico
ou algum outro lugar. Limitavam-se nos finais de semana a visitar
familiares, ir a shoppings, restaurante ou a praia, mas nem eram todos os
finais de semana que saiam de casa para almoçar ou jantar fora. Somente
os cultos evangélicos eram o programa obrigatório.
Andreza interessou-se por outros rapazes, mas devido às reações
anteriores de sua mãe, em geral trazendo empecilhos para que Andreza
namorasse esta preferiu desligar-se um pouco destas investidas, e decidiu
ficar sem namorado. Nasceu nela uma espécie de sentimento de medo de
relacionamentos afetivos. Parecia ser um tabu.
Ester começou a ter medo de que sua filha fosse muito assanhada e
passou a vigia-la. O medo era que Andreza fizesse coisas erradas, se
tornasse muito namoradeira, começasse a ter relações sexuais na
adolescência, contraísse doenças, engravidasse e ficasse mal falada na
vizinhança e na Igreja. Todos os receios de uma mãe superprotetora e com
memórias de casos semelhantes que já tinha presenciado.
Ester ficou até um pouco neurótica e começou a achar que todos os
homens, jovens e adultos, solteiros e casados olhavam demais para sua
filha, com olhares de desejo. Sua filha não era linda em sua opinião, mas
era bonita, e não passava de uma adolescente. Aquelas investidas contra
sua filha a confrontavam e a ameaçavam e não sabia como agir. Isso
tornava Ester vulnerável. Seu esposo, porém, não se ligava muito. Não
parecia notar nada de errado e estranho. Ester também não sabia bem
como abordar tudo isso com seu marido e eram temas delicados para ela.
Até se sentia aliviada por pensar que seu esposo não notava que sua filha
do meio já era desejada por homens. Ester, porém, começou a perceber
que havia algo diferente em sua filha, e que atraía a atenção dos homens
e isso a perturbava. Andreza parecia despertar a cobiça dos homens por
uma fêmea. Quando pensava então que Andreza poderia estar notando
aqueles olhares sedutores é que ficava mais angustiada. Ela não queria
que a filha naquela idade já se sentisse desejada e até assediada por
homens mais velhos.
Parecia então para Andreza que ela era a filha de quem sua mãe tinha
mais ciúmes e que era a mais controlada. Começou a sentir sua vida
cerceada, cheia de limitações e prisões. Sua liberdade e suas vontades
estavam ameaçadas. Não compreendia bem porque sua mãe agia assim,
mas não tinha coragem de conversar seriamente sobre todos esses
dilemas. Tudo foi afetando para pior a relação com sua mãe. Como seu
pai era aparentemente alheio a todos estes questionamentos e era
algumas vezes mais benevolente com Andreza esta foi-se afeiçoando ao
pai e foram se aproximando mais. Andreza sentiu então que estava
gostando mais de seu pai do que sua mãe.
Ester até pediu encarecidamente que sua filha mais velha ajudasse a
guiar Andreza e também a auxiliasse na vigilância de seus
comportamentos. A relação das duas irmãs passou a ser mais estreita a
partir de então; porém, Andreza notou que a intenção era bisbilhotar e
controlar sua vida e em muitos momentos se indispôs com sua irmã mais
velha Marcela e tiveram pequenas discussões. A aproximação das duas,
todavia, fez com que Andreza aprendesse mais sobre relacionamentos
afetivos, pois sua irmã era 5 anos mais velha e já tinha namorado.
Aconteceu, porém, uma reviravolta na família. Marcela infelizmente
cometeu uma ação que gerou desgosto para seus pais e foi mau exemplo
para as irmãs. Marcela descuidou-se e engravidou do namorado. Foi mãe
aos 19 anos.
Ester estava apresentando muitos problemas de relacionamento com
sua filha Andreza, que estava na puberdade. Eram frequentes os
desentendimentos e por isso ela decidiu ter uma conversa com uma
psicóloga com experiência no comportamento dos adolescentes, a qual foi
indicação de uma colega sua que trabalhava no hospital. Esperava
encontrar dicas e soluções para tentar melhorar sua relação com a filha
do meio, a qual já completara 14 anos de idade. A tarefa de manter
saudável o relacionamento entre mãe e filha não é fácil e Ester estava
descobrindo esse fato da pior maneira possível. Andreza era uma
adolescente rebelde e havia se distanciado da amizade de sua mãe, da
qual já não era confissionária de seus segredos e dos detalhes de sua vida.
Ester marcou com a psicóloga sem Andreza saber; apenas José sabia.
Chegando ao consultório se apresentou à atendente, e foi orientada a
aguardar por sua vez. Chegado o momento foi conduzida até a sala da
psicóloga e se dirigiu à profissional:
- Bom dia, dra. Meu nome é Ester e você foi recomendada por uma amiga
minha.
- Bom dia, sua a Dra Priscila Andrade. Qual o nome de sua amiga?
- Tatiana Dutra. Ela trouxe aqui o filho adolescente, Felipe. Você se
lembra? Faz uns três meses aproximadamente, ela me falou .
- Ele é um loiro, bonito e ela morena clara do cabelo longo, da voz suave?
- Sim, são eles mesmos.
- Lembro sim. Mas me diga, Ester, o que te trouxe ao meu consultório?
- São problemas de convivência com minha filha de 14 anos, a minha filha
do meio. Também tenho uma de 19 anos, que teve filho recentemente e
outra de 12 anos, mas esta não está me trazendo dificuldades ainda.
Doutora, são comuns as desavenças entre mães e filhas adolescentes? Eu
nunca pensei que minha filha Andreza (esse é o nome dela) ia ficar assim,
trabalhosa. Ela era uma criança tão calma, comportada e mudou tanto.
- Sim, Ester. Talvez o tema cause estranheza, mas no entanto, o assunto é
recorrente nos consultórios de psicologia e nas conversas entre amigas na
mesma condição que a sua. De fato, o relacionamento entre mãe e
filha apresenta desafios subjetivos e pode, em alguns casos, ser marcado
pela severidade- relatou Priscila.
Apesar de muito se esperar e exigir de um relacionamento entre mãe e
filha, nem sempre vemos a cumplicidade esperada. Também não são
poucas as mães e filhas que relatam dificuldades no relacionamento. A
relação entre ambas não se limita ao apoio e compreensão incondicional.
Mães e filhas são humanas e como tal, enfrentam dilemas e paradigmas.
O que seria isso? Vou explicar: O relacionamento entre mãe e filha pode
enfrentar sentimentos nocivos, mesmo que permaneçam em nível
inconsciente. O julgamento, a culpa, a competição, a negação,
a raiva podem permear essa relação.
A liberdade, a juventude, as descobertas trazem um sentimento de
falta de controle à mãe, que é lembrada pelo seu papel de matriarca.
Pois comece a me relatar, Ester, o que está ocorrendo entre vocês.
- Doutora, é o seguinte: Após entrar na adolescência, como era de se
esperar, Andreza mudou seu comportamento e suas atitudes. Mas não
estou sabendo como lidar com ela. Ela não aceita meus conselhos sobre
namorados, não me comenta sobre eles. Deseja as coisas como um celular
e se ela me pede e não posso dar logo sinto que ela fica aborrecida. Se eu
dou uma ordem ela corre ao pai dela e ele ás vezes cede e assim ela
desrespeita minha ordem. Ela conversa pouco comigo, parece que não
confia mais em mim. Se tenho uma pequena discussão até saudável com o
pai ela fica depois estranha comigo ou parece defender mais o pai dela.
Ela quase não quer ajudar mais nas tarefas de casa. Briga demais com as
irmãs. Implica demais, principalmente com a mais nova, já que a mais
velha não está morando mais conosco. Ela não é carinhosa comigo, eu é
que procuro ser com ela; me trata, ás vezes, de forma grosseira. Não sei
direito quem são os amigos dela da escola; ela não me fala sobre eles.
- Ester, – continuou a dra Priscila - o crescimento da filha traz a constante
lembrança de que o tempo passou. Isso quer dizer que a filha está
conquistando autonomia e maturidade, e tenta mostrar isso à mãe, que
não está ali para realizar seus sonhos, nem viver o que foi sonhado para
ela.
“Nesse conflito entre amor e ódio, elas irão se digladiar até
encontrarem seus novos papéis. Mesmo que isso resulte em afastamentos
parciais ou definitivos, podendo infelizmente destruir ou mudar para
sempre, por completo ou parcialmente, o relacionamento entre mãe e
filha.
“Mas é possível tirar proveito desse comportamento, somando
habilidades, com compreensão, empatia e respeito, fazendo da autonomia
de cada mulher, um reforço extra, ou seja, despertando seu poder criativo
e regenerativo.
- Como é a relação dela com o pai?
- É boa, mas ele é um pouco por fora de algumas questões. Ele, por
exemplo, não conversa muito com ela sobre o que está se passando na
vida de Andreza e ele também não debate comigo sobre a vida de nossa
filha, só se eu entrar no assunto. Eu é que proponho na maioria das vezes
discussões sobre nossa filha. Em geral ele concorda comigo, mas ele é
mais propenso a ceder aos caprichos dela e suas vontades.
- Então converse mais com ele; vocês devem entrar em sintonia, em
completo alinhamento sobre o que vocês acham melhor para sua filha,
mas devem sempre procurar entrar em consenso sobre cada assunto para
evitar passar mensagens ambíguas ou conflituosas para ela. Lembrem-se
que ela está com a mente em formação, numa transição entre a infância
e a idade adulta. Precisa de orientação e apoio e de muita, muita
paciência. Para dialogar com adolescentes é preciso saber ouvir e ter
muita, bastante boa vontade para não nos afastarmos cada vez mais
deles.
- Acredito que o papel da mãe é, além de cuidar da saúde e alimentação,
transmitir informações que nortearão os comportamentos dos filhos para
o resto da vida. – declarou a mãe . Nestas informações estarão incluídos
os valores da mãe que poderão ser aceitos ou não pelos filhos, na minha
forma de ver. Mas confesso que isso gera mesmo muitos conflitos.
- Exato, Ester - continuou a psicóloga. - Quanto melhor for a relação da
mãe com seus filhos mais eles absorverão as informações passadas por
você e terão a mãe como referência.
“Quando a relação é com filhas (mulheres) a figura materna costuma ser
mais forte ainda e, seu papel de modelo a ser seguido é mais marcante.
Tudo o que a filha admirar em sua mãe poderá ser copiado e tudo o que
ela rejeitar poderá ser evitado. Por isso a mãe deve ter muito cuidado em
manter uma ótima comunicação com a filha, de forma a transmitir
exatamente a mensagem que deseja, pois ela pode não captar o que a
mãe tem em mente e distorcer o conteúdo das informações passadas por
você e assim seu comportamento também será diferente da mensagem
que a mãe gostaria de passar.
- Doutora Priscila, o que posso fazer então? Como devo começar para
melhorar a interação com minha filha e para ela confiar mais em mim e se
abrir comigo, que sou sua mãe?
- Em primeiro lugar: Procure conhecer sua personalidade e a de sua filha. É a
primeira dica que te dou. Você deve saber se tem mais similaridades ou
diferenças com sua filha, quanto ás suas personalidades. Vai ajudar no diálogo e
na compreensão mútuos.
Conhecer a si mesmo é fundamental para tomar decisões e observar com
lucidez como nos relacionamos. E se temos o poder de mudar a nós
mesmos, é justo pensar que as mudanças virão com o autoconhecimento.
“Todos os relacionamentos exigem mudanças. E um relacionamento
entre mãe e filha não seria diferente.
“Observe suas reações e os padrões que assumimos para obter o
que queremos. Ao identificar, mude o que gera conflitos.
- Será que minha filha algum dia será minha amiga e serei sua confidente? Eu
sempre imaginei isso para ela...
- E com sua filha maisvelha foi assim?
- Foi, aproximadamente, sim. Tivemos e mantemos boa relação de convívio e
cumplicidade. Conversávamos bastante. Mas apesar disso ela engravidou cedo,
aos 18 anos e eupreferia que ela concluísse seus estudos primeiro.
A psicóloga continuousua fala:
- Não é por serem mãe e filha que tudo deverá ser dito nas suas
conversas. Existe um certo limite entre mãe e filha, principalmente porque
vocês não são apenas “amigas”. Ester, na relação entre uma mãe e sua
filha, por mais que vocês duas possam confiar uma na outra, sempre há
um certo julgamento e críticas por trás das palavras de uma mãe, assim
como a sensação de ser castrada ou controlada por parte da filha. Isso é
natural. Vocês devem superar isso e cada uma ceder um pouco.
“Por isso, mãe, respeite certos limites impostos pela relação, pelas
gerações e diferença de idade; você vai ter que aprender estes limites,
para o seu bem e de sua filha.
- É, não estamos tendo um bom diálogo no momento.
- O relacionamento mãe-filha costuma oscilar mesmo.- redarguiu a
psicóloga - Isto já é esperado. Muitas vezes a filha representa para mãe
uma “segunda chance” de realizar coisas que não foram possíveis para ela
quando jovem e assim podem surgir expectativas irreais nesta mãe em
relação ao que esperar de suas filhas em determinadas épocas da vida.
Não espere que sua filha seja aquilo que você quis ser, mas não conseguiu.
“Outras vezes, são as filhas que precisam sentir mais autonomia e tentam
se desvencilhar dos cuidados das mães – algo que pode “enlouquecer”
uma mãe – especialmente se ela não considera sua filha pronta para
desbravar o mundo sozinha.
“A fase que costuma surgir mais atrito é na adolescência, pois a filha
começa a compreender que tem algum direito de fazer as coisas de seu
jeito, mas muitas vezes a mãe não concorda com esta visão da filha.
- E como vou conseguir fazer isso, doutora?
- Busque se superar, mãe. Não importa se você é mãe ou filha, sempre
podemos ser melhores em algo. Podemos viajar mais, ler mais, estudar
algo novo, aprender a dançar. Ao cuidar de si mesma, a opinião dos outros
não irá nos desestabilizar com facilidade.
“Quando temos certeza daquilo de que gostamos e queremos, é mais fácil
ser admirada e respeitada. No relacionamento entre mãe e filha isso é
fundamental para que cada um tenha autonomia em sua própria vida. Vou
te dar mais umas dicas :
“Realizem alguma atividade de lazer juntas: descubra alguma atividade de
lazer que vocês tenham interesse em comum. Pratiquem uma
caminhada, façam aulas de dança, aulas de canto, saiam às compras,
qualquer coisa que traga prazer para a relação de vocês.
“Respeitem o espaço uma da outra: saibam identificar o espaço e
entender onde começa a liberdade da outra.
“Respeite tanto o espaço de cada uma quanto as preferências pessoais,
o modo de fazer as coisas e opiniões alheias.
“Faça do seu jeito na sua casa, e na casa dela (quando ela for para seu
próprio lar), respeite o modo dela, mesmo que não concorde. É o respeito
às diferenças que promove a boa convivência. Você só vai conseguir
convence-la a mudar de opinião algumas vezes se for desta forma:
buscando compreende-la antes e respeitar suas ideias.
“ Melhore a comunicação entre vocês: vocês não compartilham do mesmo
vocabulário, nem da mesma cultura. São gerações diferentes e o
mesmo acontecerá com seus filhos.
“Logo, a forma como nos comunicamos não é a mesma e muitos conflitos
surgem justamente pela dificuldade de uma comunicação e de oferecer
uma escuta ativa.
“O desejo de felicidade deve ser sempre maior do que o instinto de
superproteção. O que importa é respeitar as formas como lidamos com o
mundo e as pessoas.
- Vou analisar todas as suas proposições, doutora, e vou tentar colocar em
prática o que for de meu alcance. Não vou trazer ela por enquanto para
uma conversa com você.
- Ok. Respeito sua posição.
- Boa sorte com ela. Envie-me notícias.
- Tenha um bom dia e uma ótima semana de trabalho.
E despediram-se com um cordial aperto de mão.
Quando Ester chegou à sua casa encontrou seu esposo José e falou
sobre a conversa que teve com a psicóloga Priscila.
José a indagou:
- Como foi sua consulta com a psicóloga, Ester?
- Foi muito boa, José. Ela me esclareceu muitas coisas e me repassou
várias orientações. Você depois também deve falar com ela; será muito
bom.
- O que ela achou do caso de nossa filha? Ela concordou que suas
preocupações têm fundamento?
- Sim, acredito que sim. Ela me disse que as divergências entre mães e
filhas são frequentes no período da adolescência e os pais devem estar
bem orientados e preparados para lidar com seus filhos nesta fase.
- Ester, você tem certeza de que não está exagerando ? Acho nossa filha
uma moça ótima.
- José, nossa filha é ótima, mas ela está se afastando muito de mim e fico
preocupada. Eu não quero perder minha filha para o mundo.
- Mas nossos filhos são criados para o mundo, e não somente para nós,
Ester, infelizmente. Nós sabemos que isso é verdade.
- Mas uma filha não pode deixar de amar sua mãe e só se importar com o
mundo lá fora só porque está virando adulta. Ou nós agimos agora, ou eu
perco minha filha.
- Valha-me Deus. Isso não vai acontecer, Ester. Com a graça de Deus, não
vamos deixar acontecer.
- A doutora disse que precisamos conversar mais sobre nossa filha e seus
problemas e precisamos nos aproximar dela para tentar ser mais ativos na
vida dela. Mas ela me alertou que precisamos aprender a linguagem dos
adolescentes , ter muita paciência e tentar nos colocar no lugar deles para
compreender seus anseios.
- Eu sei o quanto isso é difícil.
- Eu também. Tenho sentido isso na pele. Tento me aproximar dela, mas é
difícil . Parece que Andreza não confia mais em mim. Preciso recuperar a
confiança de nossa filha, José. Pelo meu bem e para o bem de nossa
família. A doutora me disse que eu preciso buscar fazer algumas coisas
junto dela para criarmos vínculos e conseguirmos ter afinidade mútua. Me
ajude. Me dê ideias. Preciso me aproximar de Andreza.
- Vou tentar ajudar. E a psicóloga quer falar com Andreza?
- Eu pedi para não levar ela ainda. José, eu também me preocupo de não
ter condições financeiras para pagar muitas sessões de psicoterapia. As
sessões são caras e só consegui particular.
- Vamos dar um jeito. Tenha fé. Nós vamos conseguir pagar as sessões que
forem necessárias.
- Obrigado, meu amor.
- Farei isso por você e por nossa filha.
E encerraram a conversa daquele dia.
Ester passou então a tentar fazer tentativas para se aproximar de
sua filha mais problemática. A mãe nos dias seguintes convidou Andreza
para fazerem um curso de culinária e um curso de casais na Igreja.
Ester chegou estava em casa e falou com sua filha Andreza.
- Querida, eu vou fazer um curso de culinária. Você quer me
acompanhar? Posso inscrever você. É permitido adolescentes a partir de
14 anos participarem, acompanhados de um responsável. Você quer vir
comigo, filha?
- Mamãe, eu não me interesso muito por cozinha.
- Filha, é um curso chique. Vai ensinar fazer pratos de comida diferentes,
saber apresentar as refeições e repassa várias técnicas de culinária. Todo
mundo fica vestido naquelas roupas de chefe de cozinha e aprendizes. É
bem legal!
- Mãe, deve ser um curso caro. Não precisa pagar para eu fazer.
- Andreza, eu faço questão – insistiu sua mãe. - Venha me acompanhar.
Eu convidei Marcela e ela não quis vir. – mentiu Ester - Vamos nós duas
participar.
- Ah então a senhora só está me convidando porque Marcela rejeitou seu
convite. – retrucou a filha do meio.
- Não, filha, não é isso. Eu gostaria que participássemos nós três, mas ela
não poderá ir. Eu ia te convidar com certeza, de qualquer forma –
justificou-se a mãe.- Vejo que será um curso muito bom para nós duas.
- Certo, mãe, me inscreva que eu vou participar com a senhora. –
prometeu a morena.
- Combinado, minha filha.
E encerraram assim a conversa daquele dia.
Duas semanas depois foi realizado o curso.
E as duas foram ao curso de culinária, o qual durou quatro dias;
Ester adorou o treinamento e aprendeu muitas dicas para a cozinha e
receitas deliciosas, tendo recebido um caderno com dicas e receitas ao
final de tudo. Andreza, porém, era muito atrapalhada e desastrada na
cozinha, e estragou os materiais de uma receita, deixando os ingredientes
queimarem no fogo; também houve uma receita em que ela esqueceu de
colocar o sal e outra em que ela adicionou pimenta em demasia. Andreza
foi repreendida pela instrutora do curso, que era muito severa, e por sua
mãe, e saiu um pouco chateada e desapontada do curso, pelos
transtornos que ela ocasionou. Sua mãe até se arrependeu depois pela
maneira como falou com sua filha.
Ester retornou ao consultório da psicóloga após cerca de 30 dias
para dar um feedback sobre sua relação com Andreza e para solicitar mais
orientações. Após se cumprimentarem, Ester voltou-se para a profissional
nestes termos:
- Doutora, tenho procurado colocar suas orientações em prática, mas
confesso que não está sendo fácil.
- DAÍ A IMPORTÂNCIA DE MÃE E FILHA TEREM UMA BOA RELAÇÃO,
ESTER.- AFIRMOU A PSICÓLOGA PRISCILA ANDRADE. - MULHERES
GOSTAM DE DIVIDIR SENTIMENTOS E EXPERIÊNCIAS E ACABAM FALANDO
DEMAIS. TALVEZ POR ISSO SUA FILHA NÃO QUEIRA SE ABRIR TANTO COM
VOCÊ NESTE MOMENTO.
- Mas eu preciso saber da minha filha, doutora. Ela pode precisar de mim.
Eu sinto isso.- desabafou a mãe. – Como será dessa forma minha relação
com ela?
- Muitas vezes esta relação pode ter problemas. Pois mãe é mãe, não é
amiguinha. Grandes problemas podem surgir quando a mãe considera que
a filha seja sua confidente, ou pior, quando acha que a filha poderá ser a
confidente da mãe. A filha terá muitas amigas em sua vida e são elas que
deverão cumprir este papel. A mãe deve ser uma figura a qual a filha pode
contar com o apoio para toda a vida, que lutará para que coisas boas lhe
aconteçam, mas que não concordará com todas as ideias da filha, pois
este é o papel de mãe.
- Doutora, neste ponto eu não vou concordar com a senhora. Eu queria
que minha filha fosse íntima comigo e me deixasse a par de sua vida.
- Nem sempre isto será possível, mãe. Ester, você deve repensar muita
coisa. A adolescência é somente uma fase. Ela vai passar. Sua filha no
momento pode desejar não ser confidente de sua vida com você, não de
todos os seus segredos. Infelizmente. Aceite isso. É passageiro.
- DOUTORA, QUAIS PODEM SER OS PIORES ERROS COMETIDOS POR MÃES
E FILHAS EM SUAS CONVERSAS? - INTERPELOU ESTER.
Priscila respondeu :
- Mãe, não há uma resposta definitiva. Talvez seja um erro da filha
considerar que sua mãe é uma supermulher, que nunca erra e que será
sempre completa e perfeita. Aceitar a mãe como uma pessoa que deve ser
ouvida, mas também questionada quando houver informações que não
parecem corretas ou ideais para o momento pode ser conveniente muitas
vezes e a figura materna tem que aprender a aceitar este fato.
“Um erro da mãe, por sua vez, poderia ser acreditar que sua filha é 100%
um ‘produto’ seu. A filha nem é propriedade e nem resultado total de
tudo o que a mãe ofereceu em educação. A filha tem sua própria
personalidade.
- Doutora, fiquei um pouco desiludida agora. - retrucou Ester.
Ester saiu chateada do consultório da psicóloga e pensou em não
retornar mais. Todavia, ela pediu que a psicóloga atendesse José
também, em separado, e procurasse dar umas orientações sobre a criação
de Andreza para aquele pai.
Ester marcou uma reunião entre seu esposo José e a psicóloga
Priscila Andrade.
Após se apresentarem, a psicóloga indagou a José:
- Pai, sua esposa vive muito preocupada com a educação de Andreza e sua
formação psicológica. Ela espera muito de você para ajudar na criação e
na formação do caráter de sua filha Andreza. Como você vê sua filha ? O
que você pensa sobre a pessoa dela e sobre seu comportamento como
adolescente? Eu gostaria de ouvir tudo isso de você. Você poderia me
falar?
- Sim, doutora, sem problemas. Doutora, minha filha é uma boa moça,
mas notei que ao entrar na adolescência ela se tornou um tanto rebelde e
mais difícil de se conviver e ela bate muito de frente com minha esposa.
“Somos evangélicos – continuou José - e gostaríamos que nossa filha
fosse educada segundo os preceitos cristãos e de nossa religião, conforme
também fomos, mas percebo que a juventude de hoje tem outras
demandas e os jovens são mais questionadores. Por outro lado, minha
filha Andreza é uma pessoa um pouco fechada, difícil de se abrir, até
mesmo para as irmãs. Deste modo, eu tento muitas vezes respeitar o jeito
dela de ser e procuro não ser muito invasivo, ou provocar um conflito por
ela não querer revelar tudo que se passa em sua vida. Como qualquer pai
não concordo 100 % das vezes com Andreza nem com sua mãe, minha
esposa, mas procuramos não nos desentender na frente de nossa filha.
COMO PODEMOS FAZER PARA MELHORAR A RELAÇÃO COM NOSSA FILHA,
ENTÃO? - indagou José.
Priscila discorreu suas opiniões:
- José, em primeiro lugar, assuma que nem sempre você conseguirá se
aproximar de sua filha. Ela muitas vezes estará ocupada com o
computador, telefone, livros, amigos, colegas da Igreja ou de sua escola,
trabalhos escolares. Quando você tenta conversar, ela não te ouve ou
simplesmente o deixa falando sozinho, você ou sua esposa. Ela, sua filha,
pode achar você inconveniente neste momento. Entenda. E você, por sua
vez, pode se sentir impotente. Mas não fique assim, triste.
- Já notei isso algumas vezes, dra Priscila, mas quem se ressente mais
dessas percepções é a minha esposa.
- Entendi. Você também pode andar ocupado demais com o seu trabalho,
a outra parte da família, dinheiro, problemas individuais e muitas outras
coisas. Alguma dessas situações parece familiar? Se a resposta for sim,
você precisa melhorar a sua relação de pai e filha e reforçar o vínculo.
- Como farei isso. O que você me sugere, por favor?
- Pode parecer complexo no início, mas, depois de um tempo, vocês pais
vão se dar conta de que não é tão difícil quanto pensavam. Apesar de
tudo, ela é sua filha. Se, ainda assim, tu não sabes como se divertir com
ela e encontrarem interesses em comum, não se preocupe. Vou te
repassar alguns passos que podem ser úteis.
- Pode falar.
- Arrumem tempo para ficar com ela. Tentem encontrar tempo na
sua rotina para fazer atividades com sua filha, você ou sua esposa,
juntos, ou em separado. Escolha um dia da semana ou horário em
que ambos estejam livres, você e sua filha, como domingos e terças
à noite, por exemplo. É bom que seja sempre no mesmo dia e
horário para que se lembrem do momento especial de ficarem
juntos e estejam sem compromissos. Os feriados e as férias são uma
ótima época para aproveitar, mas não somente estas datas.
- Trabalho muito, doutora. Tenho um pequeno frigorífico, de modo
que trabalho para mim, os lucros são pequenos e não posso me dar
o luxo de tirar férias prolongadas. No máximo uma semana por
semestre.
- Não tem problema. Se você ainda estiver trabalhando nestes dias,
tente arranjar tempo no final de semana para ficar com ela. Dê a si
mesmo pequenas folgas, fechando o estabelecimento uma hora
antes pelo menos duas vezes ao mês, por exemplo, se puder, para
sair com ela. Tentem passar pelo menos uma ou duas horas por dia
juntos. Escolha um horário em que ela esteja livre também.
- Em geral não dá para conciliar os horários em que ela está livre
com os meus de folga.
- Ainda assim, pergunte a ela: "Você quer fazer alguma coisa
comigo e com sua mãe ? “ , e fale o dia, ou pergunte qual o melhor
turno no final de semana ". Ou questione quando ela estará livre e
diga que você vai dar um jeito de arrumar tempo. No entanto, nos
dias de semana, sua filha provavelmente vai estar bem ocupada
com os trabalhos da escola, assim como você sem seu negócio.
Respeite isso e veja um outro horário para ficarem juntos.
- Vou conversar sobre isso com Ester, mas já fazemos algumas
coisas juntos, como ir á praia ás vezes e todo sábado e quarta-feira
á noite participamos do culto em nossa congregação.
- Conheça os gostos da sua filha. Saber de que tipos de atividades
sua filha gosta vai ajudar muito quando estiverem juntas, porque
você já saberá o que fazer e aonde ir. Observe sua filha às vezes,
mas não com muita frequência, para ver o que ela está fazendo. Ela
pode estar no computador, vendo televisão, desenhando, lendo ou
brincando lá fora. Veja mais de perto o que ela está fazendo para
conseguir mais pistas do que ela gosta. Se ela estiver lendo,
pergunte qual é o livro. Se estiver assistindo à televisão,
pergunte qual é o programa, e se ela estiver no computador ou lá
fora, pergunte do que está brincando. Você vai ter uma noção
melhor dos gostos dela e, quando perguntar, sua filha vai ficar feliz
por sentir que você se interessa pelas coisas que ela faz. Os
interesses dela talvez sejam bem diferentes dos seus, mas não tente
mudá-los. Procure aprender mais sobre os interesses da sua filha e
fazer coisas relacionadas a essas atividades. Se ela gosta de ler, por
exemplo, leiam juntas em casa ou passem uma tarde na biblioteca.
Se ela gosta de futebol, joguem uma ou duas partidas no quintal ou
no parque. Se sua filha gosta de pintar ou desenhar, leve-a a uma
galeria de arte ou exposição.
- Mas procurem realizar ações diferentes; fujam da rotina; chame-a para
fazerem compras juntos; é uma forma dela aprender e criar
responsabilidade para o futuro. Mas sem exagerar. Esta dica é ótima para
sua esposa. Vocês vão ter a oportunidade de conversar e descobrir mais
sobre os interesses da sua filha enquanto compram coisas novas. Leve-a
com você no mercado para ajudar a escolher o jantar ou lanches gostosos.
Deixe-a colocar alguns itens de que gosta no carrinho e opinar sobre as
compras. Se ela ama ler, vão a uma livraria próxima e procurem alguns
livros juntos.
- Vou convidá-la agora sempre para me acompanhar até o supermercado.
- Ou vão a um shopping quando precisar adquirir roupas ou calçados.
Você também pode pedir a ajuda dela para escolher as suas roupas. Sua
filha irá adorar ser a sua "consultora de moda", principalmente se ela se
interessa pelo assunto. E quando a mesma for escolher o que vestir,
deixe-a criar o próprio estilo. Quando forem comprar roupas, calçados,
livros ou qualquer outro item, ainda mais agora que ela é adolescente,
deixe-a selecionar do que ela gosta. Sua filha estará simplesmente se
expressando e sendo ela mesma, pois é autêntica. Claro que você pode
perguntar "Você gostou desse?", mas não a force a comprar e usar nada
que ela não tenha realmente gostado. Façam compras em uma loja do
agrado de sua filha, assim será mais provável que ela encontre algo de que
aprecie, desde que não comprometa seu orçamento. Seja sempre claro
com ela quanto ao seu poder de compra. Ela vai aprender a entender essa
questão.
- Minha filha já tem consciência disso; ela é bem pé no chão com relação
aos seus desejos de consumo.
- Que bom, então. Saiam para passear com mais frequência, se
puderem. Não precisam ser voltas para gastar. Uma caminhada no
centro, nos parques ou na praia faz todo sentido. Se não quiserem
fazer compras, ainda há muitas opções. Parques, feiras de livros,
praia, restaurantes e eventos para estudantes ou jovens são boas
opções. Procure se enteirar sobre esses eventos. Agora que
conhece mais os interesses de sua filha, você deve começar a
imaginar aonde ela gosta de ir. Como dito antes, escolha um lugar
pelo qual ela se interessaria. Leve sua torcedora de futebol para
uma partida do time dela.
- TaÍ uma boa idéia: só a levei duas vezes até hoje ao estádio para
assistir aos jogos do Sampaio Correa. Vou chamá-la para ver se ela
me acompanha. Ela gosta de futebol...
- Outro fator importante é o clima. Veja na internet, na televisão ou
no jornal os detalhes da previsão do tempo. Deixe as atividades a
céu aberto, como parque e clubes de piscina, para dias ensolarados.
Se estiver no período de chuvas, vão a um café para tomar um
chocolate quente ou café. Ela gosta de café?
- Sim, ela gosta bastante.
- Ótimo. Vão a um cinema, restaurante, clube de piscina coberto,
biblioteca, museu ou qualquer outro lugar fechado, de acordo com
suas possibilidades. Procure fazê-la conhecer a cultura e a história
de nossa cidade. Aposto que ela vai amar. Ela tem sede de aprender
coisas novas.
- Si, doutora, com certeza. Ela é uma garota bastante curiosa e
ligada.
- Assistam a um bom filme antigo em casa. Essa é uma ótima atividade se
estiver chovendo. Assistir a filmes juntos também pode aproximar vocês.
Vejam suas opções e escolham uma que ambas queiram assistir. Selecione
um filme apropriado para a idade dela! Filmes de comédia familiar são
bons para todas as idades e sempre vão fazer vocês rirem. Também há
outras opções. Alguns filmes que você e sua filha podem gostar são A
Garota de Rosa Shocking e Meu Primeiro Amor. Se não tiver filmes bons
em casa, vão ao cinema e vejam um. Outra boa escolha é ver televisão.
Você pode procurar um programa de que ambas gostem e separar um
tempo para assistir. Provavelmente ele vai passar no mesmo horário todos
os dias, o que será bom para a sua própria organização. Se nenhuma de
vocês estiver em casa nesse horário, grave o programa.
- Não gosto muito de assistir a filmes, mas vou me esforçar para fazer
isso com ela. Vou buscar filmes que tenhm uma boa mensagem.
- Sim, vale a pena. Ajude-a também com os trabalhos da
escola. Como pai e mãe, é importante que vocês dêem apoio e
contribuição à educação de sua filha. Sempre tentem ajudá-la com
as lições de casa se ela pedir. Não dêem a resposta, ajudem-na. Por
exemplo, se ela está tendo dificuldades com uma questão de
matemática, não diga a resposta logo de cara. Diga: "Para encontrar
o resultado, você precisa ________." enquanto ela ainda tenta
fazer. Siga os passos com ela, por exemplo: "Aí você multiplica.
Quanto é 9 vezes 13?", e assim ela saberá o que fazer na próxima
vez. Também tente ajudá-la se perceber que sua filha está
precisando, mesmo que ela não peça. Se ela estiver debruçada
sobre o dever há muito tempo, diga que se ela precisar de alguma
ajuda, sempre pode pedir. Faça o mesmo se ela tirar uma nota baixa
em uma prova.
- Tornem o aprendizado divertido. Transformem o estudo para um
teste de ortografia ou vocabulário em um jogo do programa
Jeopardy. Ou diga a sua filha para ser a professora e ensinar a
matéria. Estudem com ela. Pode ser que haja uma prova
importante em breve, então é obrigação de vocês ajudarem-na a
estudar. Ela provavelmente vai dizer o que fazer, como por
exemplo: “Diga a palavra e eu darei a definição”.
- Eu tento ensiná-la algumas matérias, mas há assuntos que não sei
mais. O ensino está muito avançao. Eu sempre chamo uma moça,
a Vanessa, para ajudá-la com reforço escolar.
E a psicóloga continuou com suas sugestões:
- Joguem. Outra maneira de interagir com sua filha é um jogo legal.
Tenham uma noite de jogos regularmente ou simplesmente
pergunte a ela se gostaria de jogar alguma coisa. Alguns bons jogos
de família que vocês podem querer experimentar são Banco
Imobiliário, Jogo da Vida, palavras cruzadas, Tabu e jogo da
cobrinha, mas você pode usar qualquer outro jogo. Os jogos de
cartas também são divertidos. Jogue “Duvido”, War, “Vá Pescar” ou
“Uno” se tiver um baralho disponível.
- Eu gosto de sinuca, mas acho ela muito jovem para jogar ainda.
- É verdade; se você entende que um tipo de jogo não é adequado
para a idade dela, concordo contigo; afinal, você é pai dela;
vozinhem algo juntos. É outra dica minha. Se você não aprecia
culinária passe esta tarefa para sua esposa. Outra maneira de vocês
reforçarem o vínculo é cozinhando ou assando algo. Também é uma
boa forma de começar a ensiná-la a cozinhar e aprender a ter
responsabilidade . Pegue alguns livros de culinária e folheie-os com
sua filha para ver o que fazer. Vocês podem fazer biscoitos, um
bolo, cupcakes, brownies ou outra sobremesa. Vocês também
podem fazer pães caseiros ou uma porção de baguetes, tortas,
crocantes, smoothies, sopas, ensopados e até sorvete!
“Lembre-se que vocês estão cozinhando juntos. Deixe sua filha
fazer algumas coisas, como quebrar os ovos, ajudar a bater a
massa, pôr os líquidos e fazer a decoração. Não espere que as
coisas saiam perfeitas – é assim que os adolescentes aprendem. No
entanto, não a deixe usar o fogão até que tenha certeza que ela é
madura e responsável o suficiente para lidar com o fogo sozinha
(da mesma forma, não sejam superprotetores para sempre – os
adolescentes já devem conseguir usar apropriadamente o fogão
por volta de 12 anos).
- Minha esposa comentou comigo que vai convidá-la para fazerem
juntas um curso de culinária.
- Boa idéia. Mostrem a ela que vocês a amam. Claro, sua filha já
sabe que vocês a amam, mas vocês realmente demonstram isso?
Mesmo que passar o tempo com um jogo ou vendo TV mantenha
vocês juntos, é realmente um momento especial? Vocês podem não
saber como fazer isso muito bem, mas são as pequenas coisas que
importam. Saiam para uma caminhada gostosa juntos, conversem e
apreciem a natureza. Quando sua filha estiver em dias ruins, deixe-a
mais animada com um abraço ou um presentinho, se for possível,
mas sem exageros, e que dar presentes não vire rotina. Dê
mensagens de incentivo com frequência, como “Você é capaz de
fazer isso.”, “Eu acredito em você.” ou "Você é uma jogadora de
futebol/nadadora/artista muito talentosa!". Ela pratica algum
esporte?
– No momento ainda não. Doutora, e não temos videogame e também
nunca aprendi jogos de videogame.
- Ok.. Sem problemas. Não se esqueçam de elogiar os esforços dela,
acima de tudo, porque é importante que ela aprenda que é nas tentativas
e insistências, inclusive aprendendo a lidar com as falhas, que terá sucesso
na vida. Com o apoio de vocês ela seguirá com uma atitude positiva.
Divirtam-se com ela.
E Priscila continuou:
- Converse com sua filha. É importante para ela saber que pode
sempre contar com você se precisar de algo. Quando conversar com
sua filha, olhe-a nos olhos e faça-a retribuir. Diga a ela: "Preciso que
me ouça.", mas em um tom calmo e amigável. Tente ser breve e
amável ou ela vai ficar entediada, desatenta e achar que está
metida em confusão ou levando um sermão. Sejam objetivos logo
na primeira frase e mantenham a conversa simples, usando palavras
curtas e não confusas. Vocês também devem conversar
casualmente. Quando vocês dois se falam, não precisa
necessariamente ser uma conversa séria. Fale sobre a escola, por
exemplo: “O que anda acontecendo na escola? Como foi o dia de
hoje?”. Mas vocês devem ir além disso, aos poucos. Conversem
sobre o futuro, esportes ou hobbies.
- Realmente, eu preciso começar a façar com Andreza sobre planos
para o futuro, mas sei que ela é somente uma adolescente e precisa
se divertir. Nossas conversas tem que ser amenas...
- Saibam ouvir; os adolescentes esperam isso de nós. Vocês e sua filha
precisam aprender a ouvir um ao outro. Se não fizer isso, ela vai achar que
não faz diferença dar atenção às pessoas – também esteja ciente de que
os adolescentes sabem quando os pais não estão realmente ouvindo o
que elas dizem, e não é uma sensação boa, porque eles se sentem
diminuídos. Para ouvir, pare o que estiver fazendo para olhar para sua
filha. Faça contato visual enquanto ouve, para mostrar que está dando
atenção. Faça as perguntas que surgirem em sua mente. Além disso,
parafraseie. Parafrasear é reafirmar algo com suas próprias palavras. Diga,
por exemplo: "Então, você está dizendo que _______?" ou "Você quer
dizer que ________?", para que possa esclarecer o que sua filha acabou
de dizer. Ouça o que ela quer fazer. Por exemplo, se sua filha quer ir ao
cinema, não diga "não" logo de cara. Veja o que você pode fazer; veja os
filmes que estão em cartaz ou pergunte-lhe que filme ela quer assistir.
Você pode não querer fazer isso, mas de vez em quando precisa deixar sua
filha andar com as próprias pernas.
- Achei ótimas essas dicas que você me repassou agora, doutora.
- Seja presente na vida de sua filha. Tu precisas sempre estar lá ao lado
dela, seja indo a um evento importante, dando conselhos ou proferindo
palavras de incentivo. Se há algum evento esportivo, musical, escolar ou
qualquer outro importante que ela prefira que você vá, realmente veja se
pode ir. Se não, veja o porquê. Tente cancelar seja lá o que for no mesmo
dia, mas se alguns compromissos forem inadiáveis, não se esqueça de se
explicar à sua filha. Mas tudo bem se, de fato, for esse o caso. Há muitas
outras maneiras de se fazer presente na vida dela. Ofereça ajuda. Se você
presenciar sua filha com dificuldade em fazer alguma coisa, como as
atividades relacionadas à escola, esportes ou instrumentos musicais,
ajude-a. Ouça-a tocar sua flauta, fale com o professor e ajude nas lições da
escola.
- Já ofereci ensinar tocar violão, mas ela me disse que não pretende agora
fazer isso. Não vou forcá-la e fazer o que ela não tem afinidade.
- Seja motivador também ; pode ser difícil para ela realizar algumas ações,
então você deve estimular sua filha com palavras e atitudes de
encorajamento. Diga "Bons estudos!", “ Boa tarefa “, e “ Parabéns! “,
quando ela realmente tiver se saído bem e você pode até dar um
presentinho como premiação, como um livro, desde que não seja sempre.
Façam elogios. Aprendam a elogiar quando sua filha merecer. Digam, por
exemplo: "Essa camiseta é bonita." ou "Gostei do que fez no seu quarto".
- Procuro motivá-la sim. Sou bastante positivo e incentivador; tenho
consciência disso.
- Então, parabéns. Aprimore-se nos dons de elogiar e incentivar suas
filhas. Celebrem igualmente os talentos da sua filha. Essa é outra forma de
motivação, e vai deixar sua filha muito feliz por reconhecer os talentos
dela. Perguntem se ela gostaria de fazer um teste para a peça de teatro da
escola, para um conjunto de música instrumental ou para um time de
qualquer esporte dentro ou fora da escola (mas não force), e ela pode se
interessar pela ideia. Vejam também se podem colocá-la em algum curso
ou grupo. Outra atitude a se tomar é participar da atividade que ela está
praticando fora de casa. Brinquem com algum jogo, peça a ela que faça
um show em casa ou que te ensine alguns passos de dança. Isso vai fazê-la
se sentir muito bem, você vai aprender algo novo e a relação de vocês vai
se estreitar mais.
- Seja gentil com ela. Nem é necessário dizer isso, mas a sua gentileza tem
um grande efeito sobre a relação de vocês. Não grite com ela logo de cara
quando as coisas não estiverem certas. Ao invés disso, se mantenha calmo
e solícito quando for explicar a ela que fez algo que você não gostou ou
que não quer que se repita. Tente dizer: “Queria que você fizesse isso.” ou
“Por favor, faça isso.”, e não “Faça isso.” ou “Faça isso agora”. É mais
provável que ela obedeça se você se dirigir a ela dessa forma. Além disso,
dê motivos reais, não diga "Porque eu estou mandando". Sua filha vai criar
mais juízo se perceber que pode se prejudicar com perigos, pressão social
ou danos à saúde, resultantes de certas escolhas que fizer. Beije-a e
abrace-a antes de ir para a cama, ou de manhã, antes de ela sair de casa.
Sempre faça as coisas acabarem bem. Respeite-a. Ela é um indivíduo, e
você precisa se lembrar disso. Pode haver algumas coisas sobre a sua filha
com as quais você não concorda ou que não entende muito, mas, ainda
assim, seja respeitoso; ela tem o direito de ter a própria opinião. Não se
esqueçam disso.
- Confiem na sua filha. Pode ser difícil fazer isso, mas você precisa
depositar confiança nela. A razão pela qual você talvez não confie na sua
filha é que ela mente com frequência. E isso pode ser porque você faz o
mesmo. Ela vai achar que não tem problema mentir se vocês também
mentem, então é hora de começar a ser um bom modelo para ela (e para
todo mundo). Sejam honestos; cumpram e não quebrem suas promessas,
dentro do possível; e se ocorrer o contrário, procurem se justificar com
ela; comunicação é tudo. No entanto, se descobrir alguma coisa, não deixe
de falar com ela. Diga a razão da conversa, que ela vai ficar se
perguntando qual é. E quando vê-la com atitudes responsáveis, como
fazendo a lição de casa, ensaiando com a banda ou tirando uma boa nota
em uma prova, pode aumentar sua confiança nela. Compartilhe seus
sentimentos. Diga à sua filha que ela sempre pode contar com você
quando precisar e que deve ser honesta. Você deve compartilhar
os seus sentimentos com ela também. Converse com ela sobre como se
sente em relação a alguma coisa, e às vezes você pode
até pedir conselhos.
Todavia, outros problemas foram aparecendo na vida conjugal
daquele casal e o relacionamento entre Ester e José foi-se desgastando
aos poucos e caindo na rotina. As discussões se tornavam mais frequentes
e os dois foram-se afastando pouco a pouco. Passaram a não ter mais vida
marital e após alguns meses Ester pediu a separação para seu esposo.
Disse Ester:
“Eu precisava de validação emocional no meu relacionamento.
Coisas que meu par tinha que dizer sinceramente como “Você é
inteligente”, “ Tenho orgulho de você “ , “ Você é batalhadora” , “ Admiro
isso em você” , “Gosto da sua presença”, “ Parabéns ! Você é muito
honesta” , “ Tenho prazer de estar ao seu lado “ , “Eu confio em você”.
“Você tem um grande potencial”. Esses são alguns dos elogios que eu
gostaria de ter ouvido de meu marido pois demonstrariam minha
importância para você e o significado que ele tem para mim. Percebi que
a chama do amor entre nós foi-se apagando. Só tenho pena de nossas
filhas, mas prefiro que cada um siga seu caminho. Vamos nos dar um
tempo longe um do outro para que a gente possa tomar uma decisão
definitiva.
“Sinto falta de um olhar, um silêncio em forma de abraço, um toque e até
um sorriso, para me validar emocionalmente, de um jeito empático e
acolhedor. O companheiro precisa treinar as habilidades sociais que
permitem elogiar, dar devolutiva positiva, pedir mudança de
comportamento com afetividade e empatia. Desculpa, mas não recebo
isso de você, José.
- Perdão, Ester, se eu não soube te amar. Só nós resta a separação. Mas eu
proponho que continuemos amigos para o bem de nossas filhas. Só que
eu gostaria de ficar com uma delas, pois não tenho mais ninguém, e minha
vida ficaria solitária. Você me entende ?
- Pode ser que haja uma chance ainda, mas precisamos de um tempo a sós
para pensarmos o que é melhor para cada um e para nossas filhas. Fico
consternada por ter que separar nossas meninas. Mas, se não há um outro
meio de resolver, convide então Andreza ou Melina para morar com você.
Mas acho minha caçula tão nova para se afastar da mãe.
- Pois ficarei com Andreza. Vou falar com ela. - replicou José, com certa
alegria. – Obrigado, Ester, por sua compreensão.
- Será de cortar o coração, mas tenho que aceitar, por mim. Não posso
ficar só. Acho que eu não aguentaria. Enão estou fazendo drama.
- Entendo o seu lado. José, você necessita de uma escuta atenta para
nossa filha e desenvolver empatia com ela, ou seja, a capacidade real de
se colocar no lugar dela, considerando todas as circunstâncias e história
de vida. Ouvir atentamente, dar lugar para aquilo que ela quer
demonstrar, usar palavras de afirmação; são todas situações que vão lhe
dar uma ideia de que você está de fato atento, aberto, e que sabe sentir
o que ela expressar.
Dois dias depois José encontrou Melina e Andreza e teve uma
conversa com as duas
- Filhas, o papai tem que conversar um assunto delicado com vocês duas.
- O que foi, pai? - indagou sua filha do meio. – Alguma reclamação no
colégio contra nós duas ?
- Não, queridas, felizmente não. É um problema mais sério, entre eu e
sua mãe.
- O que foi, papai? – quis saber Melina.
- Fala logo, pai. Você está me deixando ansiosa.
José não sabia como abordar um assunto tão delicado como uma
separação com suas filhas tão jovens.
- Eu vou falar primeiro com vocês e depois sua mãe também vai ter uma
conversa.
- Então papai é algo grave; estou com medo. – pronunciou-se Andreza.
- Filhas, eu até nem sei direito como falar. Primeiro preciso dizer que
pensamos muito em vocês três. Sua mãe está falando agora com Marcela.
A nossa prioridade são vocês. Saibam que vocês estão em primeiro lugar
na nossa vida e sempre faremos tudo por vocês. Mas infelizmente
queridas as coisas nem sempre evoluem como a gente planejou; existem
percalços em nossa jornada.
- Explique melhor, pai. Não estou entendendo.- pediu a filha mais nova.
- Filhas, o papai e a mamãe vem passando por uma crise na nossa relação
de um ano para cá; nós nos desentendemos algumas vezes e fomos nos
afastando um do outro.
- O que o senhor quer dizer com isso? – questionou Andreza.
- Seu pai e sua mãe precisamos de um tempo para nós dois para a gente
refletir se vamos continuar juntos ou não. Sua mãe me pediu esse tempo
para repensar sua vida e tomar uma decisão. A gente pode se separar,
filhas.
Andreza entendeu tudo e começou a chorar; sua irmã permaneceu
calada, aatônia, com os olhos enxarcados.
- O senhor vai sair de casa ? Vai nos deixar sozinhas com mamãe? –
indagou a morena.
- Não exatamente. Eu expliquei para vocês que não é uma decisão
definitiva. Pode ter reversão. Mas falei com sua mãe que eu não posso
ficar só. Eu não suportaria. Ela me disse que seria melhor se Melina
ficasse com ela pois é sua caçula e ela não quer ficar sem ela e eu lhe pedi
que Andreza viesse morar comigo. Vocês aceitam essa proposta
inicialmente?
- Papai, vocês querem nos separar ? - interrogou sua filha do meio.
- Queridas, é uma decisão difícil, mas precisamos tomar. Tentem ver o
lado de cada um. Não queremos ficar sós. Nem eu nem sua mãe. Ela está
sendo boa e altruísta em me deixar conversar com vocês para saber se
aceitam minha proposta. Eu não queria perder vocês duas. Tenho
esperança de que sua mãe sinta minha falta e que a gente volte como
casal, mas agora ela me pediu esse tempo. E aí, o que vocês acham?
Desculpem por tanto sofrimento.
Andreza ainda chorava e um ou duas lágrimas transbordaram das
pálpebras de Melina.
- Papai, eu não gostei nada desta história, mas, se não há outra forma,
vamos tentar.- declarou Andreza - Aceito, papai, a proposta de ficar com o
senhor. Mas eu quero ouvir nossa mãe.
- Papai, eu estou muito triste. – revelou Melina - . O senhor nos pegou de
surpresa. Não sei nem o que dizer. Eu não gostaria de me separar do
senhor e de minha irmã.
José ficou abatido, não disse mais nada e conteve o choro.
No dia seguinte Ester dialogou com suas filhas.
- Queridas, como o pai de vocês já lhes adiantou, nós vamos dar um
tempo.
- Por que, mamãe, a separação entre vocês dois ? – interpelou a mais
velha.
- Não está mais dando certo, filha. Seu pai pensa muita coisa diferente de
mim. Precisamos de um tempo para nós dois, para refletirmos sobre nossa
vida.
- O papai tem outra mulher ? - indagou Andreza.
- Não, filha, não é isso.
- Mãe, vocês tem chance de voltar? - quis saber a caçula.
- Vamos ver, querida. Deus é quem sabe!
- Mãe, como a senhora está? Como vai ter cabeça para estudar ? –
questionou Andreza.
- Pior que eu preciso ter cabeça para terminar minha faculdade.
- E como a senhora vai se sustentar ? – perguntou a filha mais velha.
- Eu me viro. Meus irmãos e minhas irmãs haverão de me ajudar; até já
conversei com eles. E farei alguns bicos, alguns pequenos trabalhos para
me sustentar. Assim que eu concluir o meu curso, tenho a expectativa de
conseguir logo um emprego.
- Deus te abençoe, mamis. – desejou a filha do meio.
- Mamãe, eu quero ficar morando com você. – pediu Melina.
- Eu imaginava, querida, que você optaria por ficar comigo.
- E quanto a mim, a senhora não pensou da mesma forma ? - questionou
Andreza.
- Claro, meu bem, que eu pensei em todas vocês, e eu preferia continuar
com todas, mas seu pai pediu para não ficar só; ele disse que não
suportaria a solidão e o afastamento de vocês três ao mesmo tempo.
- Eu compreendo. – afirmou a morena.
- Mãe, e vamos morar sozinhas ? Tenho medo. Eu me sinto mais segura
quando meu pai está em casa.- confessou a filha mais nova.
- Nosso Senhor vai nos proteger, filha, e ele estará sempre conosco,
guardando nossa casa e nos protegendo. Num dia em que estivermos
preocupadas, peço para um de meus irmãos ou sobrinhos vir dormir aqui
com a gente.
- Dona Ester, meu pai disse que eu ficaria com ele. – afirmou Andreza. –
Partiu dele ou da senhora a opção de eu morar com meu pai após a
separação?
- Partiu dele, querida. Mas eu concordei. Melina ainda é muito nova, só
possui 12 anos de idade; ela ainda precisa muito de mim. E percebo que
José é mais apegado a você; acredito que foi por isso que ele sugeriu que
você vá morar com ele.
- Ok. Mas vou ficar muito triste por me afastar de minhas irmãs.
- Mas eu lhes peço: continuem amigas entre si. Não se afastem na
verdade. Vocês serão irmãs por toda vida, e não se esqueçam disso. Não é
por que vão morar em casas distantes que a amizade de irmãs se perderá.
Cultivem o companheirismo entre vocês .
- Mãe, eu me senti agora um pouco desprestigiada por meu pai. –
queixou-se Melina.
- Filha, ele ama a vocês três igualmente. Até mesmo Marcela, que só é sua
filha do coração; é enteada. Ele sempre a tratou como o faz com vocês
duas: com amor e carinho. Seu pai não faz distinção de tratamento.
- Mas há momentos que não parece isso o que acontece.- continuou
Melina.
- É, se não há outra alternativa , vamos enfrentar a realidade. – afirmou
Marcela.
E as quatro foram almoçar. José não faria a refeição em casa
naquele dia.
Certo dia, antes de Andreza partir com seu pai, estavam as duas
irmãs mais jovens no seu quarto, quando a caçula se dirigiu para a outra e
foi dizendo:
- Andreza, eu tenho muita vontade de fazer sexo. – confessou Melina.
- Com quem, Mel? – indagou Andreza. – Você é só uma adolescente. Nem
sabe direito o que é uma relação sexual.
- Eu queria transar logo... Pode ser com um colega da escola.
- Irmã, não pode. Tire isso da cabeça. Sexo, somente após o casamento.
- Eu acho que não vou esperar tanto tempo.
- Você nem tem namorado ainda.
- Mas estou de olho num garoto. Ele é um ano mais velho do que eu.
- Como é o nome dele ?
- André. Ele já toca guitarra e ele mora num bairro aqui perto, a vila
Cascavel.
- Penso que eu não o conheço.
- Mas acredito que você vai conhecê-lo daqui a algum tempo.
_____________________
Quando Andreza ia completar 15 anos seus pais se separaram. A
priori, de maneira amigável. Ela preferiu mesmo ficar com seu pai e suas
irmãs permaneceram com sua mãe. A família assim se desagregou e as
irmãs se afastaram um pouco, até porque Andreza e seu pai foram morar
por um tempo em uma cidade próxima.
Andreza indagou a seu pai sobre os motivos da separação e este
não deu detalhes, mas atribuiu a Ester a maior parcela na decisão pelo
divórcio. Este fato também contribuiu para Andreza se indispor mais com
sua mãe e deixou Andreza mais entristecida por ser de sua mãe a maior
parte da decisão pela separação do casal. Embora a relação das duas não
estivesse tão boa e se encontrasse até um pouco abalada, Andreza
preferia que sua família ficasse junta. Foi um baque para ela, mas após uns
6 meses foi aceitando. A essa altura Andreza já era a filha predileta de
José e o seu relacionamento com as outras filhas ( uma de sangue e a
outra enteada ) esfriou e se afastaram um pouco. José, por ter ficado
com uma única filha, passou a ter muitos ciúmes dela e ser muito
possessivo, superprotetor, mas por ser muito atencioso com sua filha e
ceder às vezes aos pedidos da mesma, esta parecia suportar e lidar bem
com os sentimentos de seu pai.
Andreza e seu pai passaram 3 anos morando em outra cidade, mas
vinham visitar a família quase todos os meses. Nesta outra cidade Andreza
fez várias amizades, como Nádia e Trícia.
Nádia era uma moça muito alegre e que adorava festas. Seus pais a
deixavam frequentar festas desde 15 anos de idade, pois seu pai tinha um
conjunto de música. Ela convidava Andreza e seu pai, mas esta dizia que
não podia aceitar pois era evangélica e seu pai não frequentava estes
eventos, além de não consumir bebidas alcóolicas e por pensar que estes
ambientes não seriam adequados para sua filha frequentar.
Nádia era natural da mesma cidade natal de José, pai de Andreza.
Ela era uma moça simpática e bastante comunicativa, conhecendo quase
todas as pessoas de sua escola e de seu bairro, mas no momento não
tinha namorado. Ela foi a primeira grande amiga de Andreza, e os laços
entre as duas persistiram até São Luís do Maranhão, para onde as duas se
mudariam depois, e onde, todavia, se desentenderam e se afastaram um
pouco uma da outra. Na escola sentavam próximas, eram confidentes
entre si e frequentavam suas residências mutuamente, embora Andreza
fosse menos à casa da amiga.
No templo da Igreja Evangélica que frequentava em sua nova
cidade Andreza conheceu Trícia, que era uma moça calma e de boa índole,
além de ser fidelíssima aos preceitos de sua religião. Ela também conhecia
Nádia e eram amigas. Trícia tinha um namorado chamado Rafael Gaia e
ela outrossim frequentava a casa da morena.
Os programas das amigas eram frequentar as sorveterias e as
pizzarias daquela cidade e foi aí que nasceu o primeiro apelido de
Andreza, que passou a ser carinhosamente chamada por Nádia de Bruna,
pelo fato de ser morena, em contraste às suas colegas, que tinham a pele
mais clara.
Andreza pediu a seu pai num sábado para que ela fosse a tarde
para a casa de Nádia.
- Filha, pode ir. Mas temos o culto evangélico às 20 h. Não esqueça!
Tenho que te pegar 1 h antes para que haja tempo para a gente se
arrumar e não chegarmos atrasados no templo.
- Pode deixar, papai. Não vou esquecer.
- Filha, e o que vocês vão fazer a tarde na casa dos pais de Nádia?
- Vamos assistir algum filme romântico e vamos brincar com jogos.
- Que jogos? – quis saber seu pai, com grande curiosidade.
- Jogos de cartas, baralho.
- Filha, você quer aprender a jogar baralho. E vocês irão jogar com
mais quem? – questionou José, com preocupação.
- Nunca brinquei de baralho. Vou aprender. O irmão dela e seu pai
também gostam de jogar.
- E você sabe me dizer se o pai dela gosta de jogar apostado.
- Não, pai. Que eu saiba ele só joga em casa e com a família.
- Verdade? Não vai ter outros homens lá jogando?
- Eu já questionei isso para minha amiga. Ela me garantiu que
seremos apenas nós.
- E vai ter bebedeira? O pai dela consome bebidas alcóolicas ?
- Não. E ele nem pode. Ele toma alguns medicamentos, assim ela
me contou. E já ouvi Nádia comentar que o pai dela nunca tomou bebidas
com álcool.
- Filha, você não está me enganando, está? Por favor, não minta
para seu pai.
- Eu juro, meu pai, que disse a verdade. Pelo menos é o que eu sei.
- De toda forma vou deixar você lá pessoalmente e vou ficar por uns
15 a 30 minutos observando tudo. Se eu notar que vai ter bebida alcóolica
ou que tem outros homens lá além dos familiares eu trago você de volta.
Eu juro como eu trago. Entendido?
- Certo, papai. Entendo seu lado. Mas acredito que lá vai ser
tranquilo. Será apenas uma brincadeira de família. A mãe dela vai
preparar panelada pra gente comer
- É mesmo. Adoro panelada com farofa e uma pimentinha.
- Pois vou pedir um pouco para o senhor.
- Não, eu fico com vergonha de você pedir.
- O que é isso, pai. Já sou quase de dentro da casa deles. E lá todo
mundo é gente fina. A mãe dela, dona Conceição, vai adorar mandar um
pouco da panelada dela para o senhor comer. Já estou vendo. Deixe
comigo.
- Não se preocupe comigo, filha. Só peça um pouco de panelada
para mim se sobrar.
- Com certeza. Pode deixar. Ela costuma fazer bastante comida. A
casa deles é muito animada.
- Não se acostume com farras, Suellen.
- Tudo bem, papai; não vou me acostumar.
- Vou sair agora filha e daqui a pouco passo para te pegar e te deixar
na casa de Nádia. Você combinou de ir que horário, mais ou menos?
- Entre 12:30 e 13 h.
- Combinado.
- Obrigado papai.
E seu pai saiu.
Conforme o combinado seu pai a levou até a casa de Nádia e lá
passaram a tarde.
Nádia e sua família ensinaram Andreza a jogar pôquer e sinuca.
As duas garotas adoravam os jogos de baralho e eram para elas uma
diversão nos finais de semana.
Nádia e Andreza se encontraram dentro de três dias e voltaram a
se falar:
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