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Enquanto Mulder esperava pelo seu fim na cela da prisão, eis que Scully,
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O universo ufológico da série Arquivo X

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Este ensaio foi escrito para a revista acadêmica "Caracteres" da Universidade Federal do Cariri- UFCA.

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O universo ufológico da série Arquivo X

  1. 1. CARACTERES56 CARACTERES 57 Dois estudiosos e pesquisadores da ufologia res- saltam os aspectos positivos e negativos da série “Arquivo X”. Eduardo Della Santa, proprietário do site “UFOTVonline”, define o seriado como percus- sor das questões ufológicas: “A série levantou a le- bre sobre o fato da existência de extraterrestres,tra- mas e manipulação governamentais. Boa parte das pessoas abriram sua mente para essas verdades.” Já Renato A. Azevedo, consultor da “Revista UFO” e autor dos livros “De Roswell a Varginha” e “Filhas das Estrelas” diz que o lado negativo da série foi o fato do “aumento desproporcional de pessoas se dizendo abduzidas ou contatadas, nos anos 90, época em que a série estava no auge”. Contudo, Renato afirma que “a influência po- sitiva superou amplamente a negativa, deixan- do claro que, mesmo sendo uma ficção cientí- fica, havia na realidade muita coisa estranha ainda hoje sendo mantida oculta da população. Arquivo-X misturou com perfeição, fatos reais com a ficção, e o exemplo mais claro é o famo- so Caso Roswell, ocorrido em julho de 1947”. O primeiro caso ufológico a nível mundial, considerado como oficial foi o caso Roswell, no Novo México, ocorrido em 8 de julho de 1947, fato este que mudou a vida de uma pacata cida- de americana, tornando-a um dos maiores pon- tos turísticos quando o assunto é disco voador. NA SÉRIE “ARQUIVO X” O UNIVERSO UFOLÓGICO T he X–Files” ou “Arquivo X” (no Brasil) é uma famosa série americana dos anos 90, criada por Chris Carter e produzida pelo estúdio Fox. Foram nove tempora- das (totalizando 202 episódios), originando tam- bém dois spin-off (uma série que foi originada a partir de outra), The Lone Gunmen (Os Pistoleiros Solitários), em 2001, e Millennium em 1996, 18 novelizações (episódios da TV adaptados para li- vros), e quatro filmes: The X-Files: Fight the Futu- re (Arquivo X, O Filme), em 1998; Nothing Impor- tant Happened Today (Nada importante aconteceu hoje), em 2001; The Truth (A verdade), em 2002 e I want to believe (Eu quero acreditar), em 2008. “Arquivo X” alcançou uma dimensão de público inimaginável, recebendo premiações diversas e acumulando um legado de fãs conhecidos como “eXcers”. Oseriadofoiexibidoemmaisde30países, e aqui no Brasil ficou no ar de setembro de 1993 a maiode2002,sendotransmitidopelaRedeRecord. A série televisiva e os filmes mostram o universo da ufologia (o estudo dos fenômenos/casos ligados direta ou indiretamente aos objetos voadores não identificados- OVNIS). A partir dos estudos da ufolo- gia, formulam–se hipóteses voltadas a seres oriun- dosdeoutrosplanetas,ouseja,oEBE(entidadebio- lógica extraterrestre) ou popularmente conhecido como “extraterrestre”. O ufólogo é o nome dado ao pesquisador dos assuntos inerentes a esse campo de conhecimento, ainda considerada uma pseudo- ciência (estudos derivados de informações científi- cas, mas que não há aplicação de métodos cientí- ficos em formulações de hipóteses apresentadas). “ POR: RAQUEL ALVES Ilustração: Marciano Palácio
  2. 2. CARACTERES58 CARACTERES 59 Antonio Raphael Queiroz Alves Rocha, pes- quisador em ufologia e fundador do primeiro site e loja virtual caririense de ufologia (UfoBrasil e UfoBrasil Web Store), enfatiza que “Segundo mo- radores e autoridades que participaram da cap- tura e busca de destroços que caíra em Roswell, não se tratava apenas de um balão como dito pelo Governo, mas de uma nave alienígena que havia se acidentado. Ainda se há controversas a respeito: o número de naves acidentadas, os destroços encontrados, onde teriam sido leva- dos e a existência de corpos extraterrestres.” A ufologia é abordada em diversos livros e ser- ve de inspiração para a criação de tantas outras séries, filmes, desenhos (e afins), que vem in- dagar uma pergunta que podemos ter feito uma vez (ou várias vezes) na vida: realmente estamos sozinhos em meio a esse universo gigantesco ou deve existir diferentes formas de vida além de nós? Independente da resposta, somos susceptí- veis a acreditar que deva existir alguma espé- cie de vida em outro planeta. Nosso imaginário já provou isso. Um bom exemplo são os seres que denominamos de “heróis”: a maior parte de- les são extraterrestres ou mutantes dotados de poderes que vão além de nossa compreensão. Bernadino Sánchez Bueno, engenherio ele- troeletrônico, investigador dos fenômenos ufo- lógicos e autor do livro “Os óvnis e a vida do universo” explica que a “idade da Terra é de 4 bilhões de anos”. O que chamamos de “vida” re- almente veio existir há 500 milhões de anos e “o homem apareceu somente no último milhão.” Olhando para a extensão infinita e observá- vel do universo, não temos a dimensão de que ali abrigam aproximadamente 1 trilhão de galá- xias. Segundo Sánchez, há cálculos que apon- tam para “4 quatrilhões de planetas e apro- ximadamente 12 quatrilhões de satélites.” O fato é que em todo o mundo, pessoas de di- ferentes países, etnias, classes sociais, escolarida- des, afirmam terem testemunhado ou sofrido algu- ma experiências de abduções (quando a pessoa afirmaquefoi“levada”porumanaveextraterrestre), contatos imediatos com entidades desconhecidas (e afirmam que teriam sido submetidas a testes, onde implantavam na pele, objetos estranhos, cuja finalidade poderia ser para identificar a “vítima” ou ter um “histórico” dos processos ou experiências pelas quais aquelas pessoas foram submetidas), ou apenas avistaram “naves” e “seres” suspeitos. Entretanto, o misticismo e o charlatanismo fa- zem com que dúvidas pairem acerca dos estudos e discussões da ufologia. Existem pessoas que tem seriedade e lutam para que a verdade venha à tona, sofrendo inclusive perseguições e aten- tados contra a própria vida; há também aqueles que se aproveitam da ufologia, manipulando as pessoas que não tem tanto conhecimento nessa área, levando ao “fanatismo”, se negando a en- xergar outros meios/justificativas/crenças para certos fatos apresentados em nossa realidade. Não podemos esquecer também da relação en- tre a mídia e os assuntos que norteiam o universo ufológico. Eduardo Della Santa narra uma experiên- cia própria que nos permite ter uma idéia do tipo de manipulação que também há nos veículos comuni- cativos: “Ainda destaco que a mídia se faz de juiz e controla as informações, determina a verdade, mesmo ela sendo montada e manipulada. Posso dizer que já senti na pele a manipulação da mídia. Eduardonarraumepisódioemquenadivulgação de imagens, vídeos e relatos ufológicos em emisso- ras a nível regional, “quase tudo pôde ser veiculado nas emissoras. Agora quando as matérias locais atingem grande público são reivindicadas para a matriz da emissora onde é feita uma nova matéria nacional, e é neste ponto que sofremos a manipu- lação”, que deixa”a dúvida no ar ou manipulam a verdade para o lado do deboche ou algo do gênero”. Segundo Eduardo no momento em que a popu- lação tiver a comprovação de que existe extrater- restres “dois pilares que são as bases da socieda- de da Terra vão ser rachados: a religião e a ciência: a religião por colocar medo e culpa em nome de Deus e manipular as verdades do passado; e a ciência, por manter em segredo, os fatos que ocor- reram no passado e ocorrem até hoje e que não são teorias malucas, e sim fatos comprovando que sempre existiu o intercâmbio de’ raças’ na Terra.” Na época da série Arquivo X, a maneira como a série retrata o universo ufológico foi inovador, no que diz respeito a temas que se aproximasse mais de nossa realidade, e não tão “futurista” como Star Wars, por exemplo. Fatos ou aconteci- mentos vivenciados em nossa realidade servem de referência para o enredo da série, que a prin- cípio, podem parecer uma mera ficção científica, mas deixa aquela famosa “pulga atrás da orelha” sobre os questionamentos por trás da temática de vida em outros planetas e entidades superiores aos seres humanos convivendo em nosso planeta. Mas não podemos ser tão ingênuos em acredi- tar 100% em todo o universo do seriado. É neces- sário discussões, pesquisa e leitura nessa área, para que nos orientemos no caminho certo da ufo- logia e confrontemos suas “realidades”, construin- do nossas próprias verdades, sem nenhuma espé- cie de manipulação. Reno Martins, proprietário do site “Ufologia Objetiva” ressalta que “Quem se pro- põe a estudar ufologia de forma científica, deve en- tender a influência que ela (a fantasia da realida- de) gera nas pessoas sobre a percepção do real”. A série “Arquivo X” também explora o mistério, ro- mance, a paranormalidade, o sobrenatural, a mito- logia, a religião (bruxaria, ocultismo e paganismo), lendas urbanas, literatura, espiritualidade... São te- mas que se apresentam constantemente mescla- dos nos episódios da série, paralelos aos casos e discussões ligados as casuísticas ufológicas (cons- piraçõesgovernamentais,experiênciasdeengenha- ria reversa, metáforas e parábolas de salvadores da humanidade, presságios de “fim do mundo”, etc). Os fenômenos/casos/conspirações que giram em torno do universo ufológico, são bastante explorados na série televisiva “Arquivo X”.
  3. 3. CARACTERES60 CARACTERES 61 A TRAMA A história do seriado televisivo é sobre a incan- sável busca do agente especial do FBI, Fox Mul- der (interpretado por David Duchovny) da verda- de por trás da abdução de sua irmã Samantha, fato este que lhe deixara obcecado e que sem- pre lhe assombrou durante sua vida. Aquela ter- rível experiência lhe deixara traumas profun- dos, ao mesmo tempo, alimentava a luta de Mulder por descobrir o paradeiro de sua irmã. Apesar de suas qualidades como agente, é sempre motivo de piada por parte dos seus cole- gas do FBI, por causas de suas crenças em extra- terrestres e teorias de conspirações, além de que ele assume um setor do FBI chamado “X Files”, local onde reúne documentos de casos diversos e “estranhos”, muitas vezes sem solução concre- ta ou baseada nos parâmetros da normalidade. Sua nova parceira de trabalho, Dana Scully, (interpretada por Gillian Anderson) é na verda- de encarregada de vigiar o trabalho de Mulder. Ao longo das temporadas, mentiras e verdades duelam mortalmente, e os personagens viram marionetes que lutam para se libertar daqueles que tentam manipulá-los. Suas próprias concep- ções sobre crenças e verdades, se alteram no rumo da história, conforme veremos futuramente. Mulder conta com amigos como Longly (inter- pretado por Dean Haglund), Byers (interpreta- do por Bruce Harwood) e Frohike (interpretado por Tom Braidwood) que são membros do grupo “Pistoleiros Solitários”, além de possuírem habi- lidades inclinadas ao ramo da informática e da ciência, produzindo também um jornal indepen- dente chamado “A Bala Mágica”, que relata o que de fato há por trás de segredos governamentais. Walter Skinner (interpretado por Mitch Pileggi) é o supervisor de Mulder e Scully. É um homem que acredita no governo e na justiça, até que começa a ser vítima das perseguições do siste- ma, sendo envolvido em teias de mentiras e en- ganos, que o fazem acreditar no que, até então, eram “maluquices” supostamente frutos da ima- ginação de Mulder, que passam a ser uma pers- pectiva de uma realidade aceitável para Skinner. Canceroso ou Smoking Man (interpretado por William B. Davis) é um homem sem escrúpu- los que persegue Mulder e quem ousar se intro- meter em seu caminho e em seus planos. Sob ele, há um mister de, intrigas, segredos, misté- rios e mortes. Ele é também um dos membros de um grupo conspiratório de humanos que têm o conhecimento de atividades extraterrestres no planeta e são subjugados por uma raça su- perior alienígena, que deseja povoar a Terra. O vilão da série (um dos mais importantes e carrascos) fora amigo do pai de Mulder e “escon- deu” Samantha, que foi abduzida ainda quando tinha apenas oito anos de idade, e logo depois de ser usada como cobaia em experiências alie- nígenas, ficou aos “cuidados” de Canceroso, que fez de tudo para mantê-la afastada de Mulder. Nasétimatemporada,noepisódiointitulado“Clo- sure” (no Brasil, Libertação), enquanto investigava No episódio intitulado “Closure” (no Brasil, Libertação), Mulder se depara com o espírito de sua irmã Samantah. Uma das cenas mais emocionantes do seriado. um misterioso caso, Mulder se depara com os espí- ritos de várias crianças mortas, e eis que ele encon- traSamantha,quemorreraem1978.Contudo,uma parte dele se nega a acreditar que ela está morta. Os alienígenas não confiavam nos humanos e como prova, exigiram que cada membro da so- ciedade de conspiradores “entregasse” um fami- liar como garantia. O pai de Mulder escolheu Sa- mantha. Ela foi levada pelos alienígenas em sua nave e submetida a experiências de clonagem feita em parceria com os conspiradores humanos. Dana Scully passa a se tornar uma pessoa impor- tante na vida de Mulder ao longo do tempo e acaba se convertendo em uma vítima das armações do governo, sendo abduzida. Depois de ser submetida a testes, ela é devolvida, sem saber que em seu ventre está o fruto de um programa do governo e de um raça alienígena, que tenta criar o ser híbri- do perfeito, fundindo pois, os dois tipos de DNA. Posteriormente, Scully dá a luz ao bebê e para proteger o seu filho, entrega-o para a ado- ção, afim de que o menino tenha uma vida normal, longe desses perigos constantes, de- vido a luta insistente do casal pela verdade. Com o desaparecimento de Mulder, novos perso- nagens se inserem na série. John Doggett (interpre- tado por Robert Patrick), um ex-fuzileiro que agora é designado a ficar a frente do Arquivo X. É um ho- mem cético e atormentado pelo desaparecimento do seu filho, um caso também sem solução. Monica Reyes (interpretada por Annabeth Gish) é a dupla de Doggett. Ela é especialista em crimes ritualistas. TODAS AS MENTIRAS LEVAM A VERDADE? The Truth is out there (A verdade está lá fora), Trust no one (Não confie em ninguém) e I want to believe (Eu quero acreditar) são os principais slogans da série Arquivo X. De cara, percebe–se a grande pro- blemática (senão central) do seriado, que é bas- tante enfatizado e discutido neste texto: a verdade. O filme “The truth” lançado em 2001 (A Verda- de) é o resumo de todos os questionamentos da série e encerra (ou tenta) a história das nove tem- poradas. O filme começa no Complexo de Mount Weather em Bluemont, Virgínia, onde Fox Mulder reaparece pela primeira vez depois de um deter- minado tempo ausente de suas atividades no FBI. Neste local, os militares escondem um segre- do, que a princípio, é uma das tantas verdades que Mulder procurou (senão a mais importante): o segredo remete ao dia 22 de dezembro de 2012, tido como o “fim do jogo”. Mulder é preso e julga- do pela “morte” do “super soldado” (é um proje- to genético dos militares que funde dna humano e dna alienígena na concepção ou fabricação de um “híbrido” com grande capacidade de força, ha- bilidade e inteligência) e ex-fuzileiro da marinha Knowle Rohrer (interpretado por Adam Baldwin). Os militares/governo/poderosos estão desejo- sos por silenciar a voz do único homem que foi até as últimas conseqüências para provar que “a ver- dade está lá fora” e que eles tentam de todas as formas ocultá-la da sociedade. Ao longo do filme Mulder conta com a ajuda de espíritos de amigos e inimigos, para ajudá-lo nessa batalha pela verdade. Mas o que vem a ser essa verdade que tan- to se discute? O conceito de verdade atribu- ído ao filósofo alemão Martin Heidegger é que ela é a resposta das indagações huma- nas ou “a revelação da própria existência”. Para o filósofo francês Michel Foucault, em seu livro “A microfísica do poder”, a verdade é “iden- tificada no poder, a uma lei que diz não”, bem como “ela é produzida e transmitida sob controle, não exclusiva, mas dominante”. No fim, a verda- de é regulamentada pelo poder. Cada sociedade “tem seu regime de verdade”, ou seja, tem “dis- cursos, mecanismos, instâncias e procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade”.
  4. 4. CARACTERES62 CARACTERES 63 A concepção de verdade para Mulder está na busca por questionamentos inerentes em sua própria crença em entidades oriundas de outros planetas. Intercalando isso à nossa realidade, diversos pesquisadores atribuem a vida huma- na aos extraterrestres: associam a história da evolução da humanidade com intervenções de “raças alienígenas superiores” que aqui manti- veram contato com povos/civilizações antigas. Guy Tarade, romancista, ufólogo francês e au- tor do livro “Ovnis e as civilizações extraterres- tres” diz que a “história da humanidade prova que o homem sempre encontrou mais do que procurava”. A chave para descobrir alguns dos mistérios da humanidade está na própria his- tória, religião e arqueologia, segundo o autor. No fundo dos mitos, lendas, tradições e cultu- ras há resquícios que os pesquisadores apontam como prova do contato entre humanos e extrater- restres. Erich von Däniken, escritor suíço e autor do livro “De voltas às estrelas: argumentos para o impossível” e do livro “Eram os deuses astro- nautas” acredita numa idéia em que “um deus poderia ter criado o homem segundo sua própria imagem, mediante mutação artificial.” Esse “cos- monauta” (um ser vindo do espaço) teria par- ticipação direta na evolução do homo sapiens. Erich von Däniken vai mais longe em suas pos- tulações: acredita que deva ter existido na antigui- dade um ser híbrido cuja literatura, arte e pinturas rupestres sempre retrataram. Essas “figuras” que habitam o imaginário do homem que a representa de alguma forma, segundo o escritor, seriam seres do espaço que vieram visitar nosso planeta desde os primórdios, instigando a curiosidade dos povos. Durante os capítulos do livro “De voltas às es- trelas: argumentos para o impossível”, o escritor suíço pesquisa a origem de alguns povos antigos. Os indígenas acreditam serem “filhos do céu”. Os incas se assumem como “filhos do sol”. Os maias assumem-se como “filhos da constelação das Plêiades”. Os germânicos atribuem serem ancestrais dos “Wanen”, deuses nórdicos. Os hin- dus, descendentes de Indra, Gurkha ou Bhima. O que essas narrativas têm em comum para Erich é “que os deuses vieram e selecio- naram um grupo, que fecundaram e segrega- ram dos impuros. Equiparam-nos com conhe- cimentos ultramodernos, para, em seguida, desaparecer temporária ou eternamente.” Alguns livros sagrados apresentam narra- tivas, citações e metáforas que podem ser in- terpretadas como aparições, contatos com ex- traterrestres e visualizações de ovnis (objetos voadores não identificados). Juan José Benítez (ou J. J Benítez), jornalista, escritor espanhol e autor do livro “Óvnis: S.O.S. à humanidade” diz que os “caldeus, egípcios, gregos, romanos, he- breus” já tinham notado no céu tais “ovnis”. Podemos citar também a história do persona- gem bíblico Enoque (pai de Matusalém). Em uma narrativa na qual ele “viaja pelos céus” e têm visões proféticas, alguns estudiosos interpretam essa his- tória como um contato com seres angelicais de luz, que mais parecem extraterrestres. E o que dizer da história do personagem bíblico, o profeta Elias? “Metáforasdecarruagenscelestesdefogo”ou“má- quinas de transporte de seres espaciais” podem ser analisadas como óvnis. Um exemplo bíblico tido como frutos de “cruzamento” de raças “diferentes” ou extraterrestres, são os gigantes, nefilins e elioud. Ainda segundo Juan José Benítez, nos sécu- los XVII, XVIII e XIX, há relatos de “bolas ou esfe- ras de fogo, objetos flamejantes, globos enor- mes”, ou seja, ovnis. A freqüência de relatos de óvnis se deu no final da Segunda Guerra Mun- dial, onde soube-se que os aviões eram freqüen- temente seguidos por bolas luminosos e discos prateados, que foram chamados de foo-fighters. Na série, muitas aparições de ovnis e casos de abduções são relatos e exemplificam todas as discussões acima mencionadas. Em se tratando da descoberta que Mulder fizera no Complexo de Maunt Weather em Bluemont, esta causa-lhe um impacto, medo e sensação de fracasso. No dia 22 de dezembro de 2012, ou o “fim do jogo”, é a data dainvasãofinaldosalienígenas.Asérieusoudepro- fecias atribuídas aos maias, com gancho que justi- ficasse todas as tramas da série ao longo dos anos. Falando especificamente dos maias, segundo o ufólogo francês Guy Tarade, em seu calendário, em umdadomomento,ossábiosmaiasdescobriramque “certas conjunções de astros eram mortais para a naturezaeparaohomem.”Ossacerdotesqueassim profetizaram, consideravam tal época “perigosa”. A história de diversas religiões e mitologias apresentam narrativas que justificam o surgi- mento de todo o universo e profetizam o fim de tudo, ou simplesmente o início de um novo ciclo ou uma nova era, onde almeja-se uma elevação espiritual com a finalidade de gerar consciência de nossas ações, que refletem todos os proble- mas existentes no mundo. Ou seja, as mudanças de eras, dizem respeito a consciência e atitude humana necessária para alterarmos a nossa re- alidade que ruma a uma destruição eminente. Há livros que vão além e que afirmam missões extraterrestres a fim de salvar a huma- nidade do “apocalipse”. O escritor espanhol J. J. Benítez conviveu um tempo com membros do Instituto Peruano de Relações Interplanetárias (IPRI), cujos membros afirmam manterem conta- to com seres extraterrestres de diversos mundos. Ao longo do livro, o pesquisador e jornalista des- taca a “Missão Rama”, na qual o propósito é evitar o processo repetitivo de autodestruição do planeta Terra,em umdadomomento notempo: “Hámilhões de anos, as civilizações atingiram metas tecnológi- cas muito elevadas. No entanto, em todos esses processos, o nível espiritual não avançou juntamen- te com o desenvolvimento técnico. E todas essas civilizações, uma após outra, auto destruíram-se.” Em se tratando da conspiração do silên- cio, medo e poder, os governos de certos pa- íses, detêm o conhecimento desses conta- tos de extraterrestres e humanos, bem como armazenam artefatos oriundos de naves aliení- genas. Mas desmentir, ridicularizar e silenciar é melhor do que encarar a verdade dos fatos. Durante o filme da série Arquivo X, o discurso do agente Mulder é magnífico, logo quando é conde- nado a morte por injeção letal, porque este discur- so, na frente dos seus acusadores, sintetiza todo o triângulo que abrange a verdade, poder e medo: MULDER
  5. 5. CARACTERES64 CARACTERES 65 Enquanto Mulder esperava pelo seu fim na cela da prisão, eis que Scully, Doggett, Monica, Skinner e Kersh ajudam Mulder a fugir. Scully decide acompa- nhá-lo e não entende o porquê de Mulder decidir ir a Aldeia de Índios Anasazi, abandona- dos há quase dois mil anos, local onde está o misterioso “Guardião da Verdade” que en- viara a Mulder a chave para que ele se infiltrasse no Complexo Militar, no início do filme. Os Anasazi foram antigos povos indígenas dos EUA, cuja civilização existiu por volta de 1200 a.C, e desapareceu de maneira misteriosa. Alguns vestígios encontrados por arqueólogos permi- tem aos historiadores construírem a história, cultura, religião e a vida desse povo, que provavelmen- te ocupou quatro estados americanos: Utah, Colorado, Arizona e Novo México. O que chega a ser irônico no filme é que este “Guardião da Verdade” é Canceroso, o homem mais hábil em mentiras e manipulações. E é no ápice deste filme, que encontramos os diálogos reveladores da “verdade”: Já a verdade para a agente Dana Scully, a prin- cípio, se baseia na ciência, na explicação racio- nal dos fatos, (inclinado-se também na fé cristã, em situações em que teve que deixar de lados qualquer preconceito, e vê naquele evento “um milagre divino”). Guy Tarade fala que a verdade científica– que não é perfeita–, pode ser pos- ta em dúvida, e é na evolução do homem que está a “revolução do espírito humano”. (p. 167) Em uma certa parte do filme, a personagem Monica Reys, chamada a depor no julgamento de Mulder, enfatiza o questionamen- to de que a verdade é poder, conforme já dizia o filóso- fo francês Francis Bacon: A verdade pode ser vista neste diálogo como algo que não estamos prontos para acei- tá-la e que provavelmente vamos morrer e não achá-la. Vivemos com medo de desco- bri-la e quando temos indícios de que ela existe, de fato, temerosos, nos negamos a acei- tá-la. Mas será que Mulder teve medo da verdade? O fato é que Mulder parece frustrado por saber que existe uma data para o “fim do jogo” e que se encontra impotente diante dessa situação:
  6. 6. CARACTERES66 CARACTERES 67 A verdade é um conceito que passa por refor- mulações adaptáveis a nossa vivência e cren- ça, mas apenas apresento uma perspectiva a ser questionada em relação a veracidade de um campo de estudo complexo e intrigante que é a ufologia, rodeada por véus de misticismo, rea- lidade, fantasia, ou seja, busca constantemen- te comprovar suas “verdades” por meio de fa- tos mitológicos, história, religião, ciência, etc. No final do filme, Mulder, –um homem que ti- nha suas dúvidas quanto Deus ou deuses, que não acredita cem por cento, mas não nega–, toca no crucifixo que está no pescoço de Scully, símbolo de toda a devoção (fé) da agente, encerrando o seu discurso com a frase: “Talvez haja esperança!” Foto:Reprodução

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