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• Evidência empírica de 3 aldeias portuguesas
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Contexto
• O turismo rural é frequentemente apontado como potencial
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Positivos
- Muitos elementos do “estilo de vida rural”
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Metodologia
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Atitudes e comportamento
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Reflexões conclusivas
• Contudo, observam-se diferenças de perceções nas 3 aldeias:
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Reflexões conclusivas
• Contudo, os residentes reconhecem o seu ainda reduzido envolvimento e
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Muito Obrigada!
UNIÃO EUROPEIA
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  1. 1. O turismo enquanto dinamizador do espaço rural? A visão dos residentes de três aldeias portuguesas Elisabeth Kastenholz Celeste Eusébio Elisabete Figueiredo Esta comunicação surge no âmbito do projeto ORTE - “A experiência global em turismo rural e desenvolvimento sustentável de comunidades locais”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (co-financiado pelo COMPETE, QREN e FEDER) (PTDC/CS-GEO/104894/2008), coordenado por Elisabeth Kastenholz Conferência Internacional Europa 2020: retórica, discursos, política e prática 5 e 6 junho 2013
  2. 2. Estrutura da apresentação • O turismo e os seus impactes em meio rural • Evidência empírica de 3 aldeias portuguesas – Metodologia – Resultados de um inquérito à população • Reflexões conclusivas
  3. 3. Contexto • O turismo rural é frequentemente apontado como potencial dinamizador, até como tábua de salvação, para os constrangimentos que alguns territórios rurais enfrentam (CAVACO, 1995; OECD, 1994; RIBEIRO e MARQUES, 2002; SHARPLEY, 2002). • Resultado do declínio da agricultura e de novas tendências de mercado, os territórios rurais transformaram-se de espaços produtivos para espaços de consumo turístico e de lazer das populações urbanas (FIGUEIREDO, 2009). • O mercado turístico procura novas e diferentes experiências, valoriza a natureza, património cultural e sustentabilidade, um estilo de vida saudável, contrastante com a vida citadina (LANE, 2009; OECD, 1994; KASTENHOLZ et al., 2012; SILVA et al., 2003), um “idílio rural” (CAWLEY e GILLMORE, 2008; FIGUEIREDO, 2009; SILVA, 2007). • A perceção dos impactos e dos benefícios – sobretudo económicos – trazidos pelo turismo, a nível coletivo e individual, tem sido identificado como um dos fatores mais determinantes das atitudes dos residentes face a esta atividade (AP e CROMPTON, 1998) e PERDUE et al. (1987).
  4. 4. O turismo e os seus impactes em meio rural Positivos - Muitos elementos do “estilo de vida rural” podem ser convertidos/ integrados em “produtos”, consumidos pelo visitante - Apesar da sua pequena escala, este turismo pode assumir uma importância económica relativamente grande, devido à sua possível integração com outras actividades - O turismo pode, ainda, aumentar o orgulho e auto-estima das populações rurais Estes efeitos positivos são possíveis caso o turismo seja desenvolvido de modo endógeno, integrando o património natural e cultural, bem como a base socioeconómica local/ regional, se for assente em ligações fortes ao mercado, contribuindo assim para a preservação do património, para o desenvolvimento sustentável e a fixação da população Negativos - O turismo pode também produzir impactes negativos, sobretudo se não desenvolvido de modo participativo e integrador das perspectivas e dos interesses de todos - O real potencial dinamizador da actividade para estimular o desenvolvimento rural tem sido questionado, face aos investimentos, por vezes volumosos, realizados - Os impactos positivos (especialmente os económicos) do turismo se limitarem a poucos sectores ou grupos sociais, não criando emprego em grande escala e não contribuindo para uma melhoria substancial das condições de vida das comunidades, podendo até aumentar desigualdades sociais ou a sua perceção Consideramos fundamental compreender a visão dos residentes das áreas rurais, uma vez que são estes os mais afectados e simultaneamente atores na “co-criação” da experiência turística integral, vivida pelos visitantes
  5. 5. Objetivos: analisar, de modo holístico e interdisciplinar a experiência de turismo rural vivida, partilhada e proporcionada em 3 aldeias Portuguesas (em contextos socio- económicos, culturais e geográficos distintos) para identificar: as dimensões mais importantes, apelativas e frustrantes da experiência turística do ponto de vista de todos os envolvidos (turistas, agentes da oferta, população) conflitos de interesse e/ou gaps de percepção/ interpretação e compreensão bem como gaps entre a experiência turística real e potencial/ ideal Contribuir para a otimização da experiência em turismo rural para todos envolvidos, visando o desenvolvimento sustentável do destino “A experiência global em turismo rural e desenvolvimento sustentável de comunidades locais” Evidência empírica resultante do Projeto ORTE
  6. 6. As aldeias alvo do estudo
  7. 7. Metodologia Questionário Perceções dos impactes Perceções dos beneficiários Atitudes e comportamento Perfil sociodemográfico Construção da Amostra - Método de amostragem por quotas (género e idade) - Dimensão da amostra – 274 - JC – 100 (30% população) - LB – 70 (37% da população) - F – 104 (11% da população) - Período de administração: - junho a dezembro de 2012 Questões para medir: Métodos de análise de dados - ANOVA e o teste Post Hoc de Tukey
  8. 8. Apresentação dos resultados – caracterização da amostra • ........... TOTAL LB JC Favaios N % % % % Sexo Masculino 122 44,53 31 44,29 45 45,00 46 44,23 Feminino 152 55,47 39 55,71 55 55,00 58 55,77 Idade 18 – 20 15 5,47 6 8,57 3 3,00 6 5,77 21 - 40 53 19,34 11 15,71 17 17,00 25 24,04 41 – 64 103 37,59 25 35,71 35 35,00 43 41,35 ≥ 65 103 37,59 28 40,00 45 45,00 30 28,85 Nível de Escolaridade Sem Escolaridade 30 17,86 9 13,04 21 21,21 14 13,59 Ensino Básico 73 43,45 31 44,93 42 42,42 32 31,07 Ensino Secundário 56 33,33 25 36,23 31 31,31 47 45,63 12º ano e Ensino Superior 9 5,36 4 5,80 5 5,05 10 9,71 Condição Perante o Trabalho Reformado 117 43,17 30 42,86 54 54,55 33 32,35 Activo 91 33,58 24 34,29 26 26,26 41 40,20 Outros 63 23,25 16 22,86 19 19,19 28 27,45 Residiu fora da aldeia Não 84 30,6 21 30,00 22 22,00 41 39,4 Sim 190 69,3 49 70,00 78 78,00 63 60,6
  9. 9. Apresentação de resultados – beneficiários do desenvolvimento do turismo (perceções) Os residentes de Favaios reconhecem benefícios do turismo para os agricultores, enquanto nas outras aldeias os residentes percebem os maiores benefícios para os agentes da oferta local que vendem produtos e serviços diretamente aos turistas. Perceções dos residentes dos beneficiários do desenvolvimento do turismo Total Linhares Janeiro Favaios ANOVA da Beira de Cima N Média N Média N Média N Média F p-value População em geral 262 2,51 69 2,58 2 94 2,76 2 99 2,23 1 4,28 0,015 Agricultores (venda de produtos) 260 2,38 68 1,99 1 92 1,82 1 100 3,17 2 10,43 0,000 Proprietários de restaurantes, cafés e bares 262 3,56 67 4,00 2 95 3,97 2 100 2,88 1 39,56 0,000 Proprietários de hotéis e de outros tipos de alojamento turístico 236 3,72 68 4,01 2 93 4,08 2 75 3,03 1 24,11 0,000 Proprietários de lojas de artesanato 223 3,50 64 3,67 2 96 4,03 2 63 2,52 1 34,88 0,000
  10. 10. Apresentação de resultados – perceção dos impactes económicos e socioculturais do turismo Perceção dos impactes Efeitos mais percecionados pelos residentes das 3 aldeias Económicos Positivos "Faz crescer a economia" "Estimula a criação de novos negócios" "Ajuda a melhorar a qualidade do comércio" Negativos "faz aumentar o preço de casas e terrenos" Socioculturais Positivos "Faz com que a população sinta mais orgulo em viver na aldeia" "Contribui para que os edifícios antigos sejam recuperados" "Contribui para diminuir o isolamento" Negativos Pouco percecionados Ambientais Positivos "Ajuda a conservar os recursos naturais" Negativos "Contribui para o aumento do trânsito local" "Leva a um aumento do nível de barulho" Diferenças entre as aldeias: - Benefícios socioculturais – os residentes de JC são os que mais percecionam estes benefícios os de Favaios os que menos percecionam - Benefícios do turismo no desenvolvimento agrícola – mais percecionados pelos residentes de Favaios - Custos ambientais – mais percecionados pelos residentes de LB
  11. 11. Apresentação de resultados – atitudes e comportamentos dos residentes face ao desenvolvimento do turismo Atitudes e comportamentos Total LB JC Favaios ANOVA N Média N Média N Média N Média F p-value No geral estou satisfeito com o turismo nesta localidade 270 3,90 70 4,11 2 98 4,26 2 102 3,40 1 20,19 0,000 Gostaria que esta localidade fosse mais conhecida/ tivesse mais fama 273 4,48 69 4,45 1 100 4,30 1,2 104 4,66 2 5,91 0,003 Nesta localidade existe falta de formação na área do turismo 253 3,73 64 3,59 1 88 3,45 1 101 4,06 2 11,37 0,000 Gostaria que mais visitantes visitassem esta localidade 265 4,56 68 4,41 94 4,60 103 4,63 2,66 0,072 Apoio o desenvolvimento do turismo nesta localidade 266 4,31 69 4,38 1,2 96 4,46 2 101 4,12 1 5,07 0,007 A população faz com que o visitante conheça bem e aproveite esta localidade. 258 3,45 64 3,63 2 94 3,98 3 100 2,84 1 37,52 0,000 A população envolve os visitantes nas tradições e festas da localidade. 256 3,21 65 3,18 2 91 3,73 3 100 2,75 1 18,96 0,000 A população mantém a localidade limpa e conservada. 258 3,88 67 4,28 2 91 4,30 2 100 3,23 1 45,72 0,000 A população dá informação sobre a história/ lendas aos visitantes. 258 3,49 67 3,88 2 92 4,02 2 99 2,74 1 41,42 0,000 A população mantém as tradições e festividades da localidade. 254 3,86 64 4,14 2 90 4,30 2 100 3,29 1 31,75 0,000
  12. 12. Reflexões conclusivas • Considerando a especificidade da actividade turística, sobretudo o seu potencial dinamizador de outras atividades, o turismo poderá apresentar um contributo interessante para o respectivo desenvolvimento territorial sustentável. • Reconhecendo ainda impactos a nível social e cultural – a preservação e valorização do património, da identidade local e territorial, o aumento da auto-estima das populações e ainda a dinamização e animação da vida diária de populações que se sentem isoladas – o resultado global do turismo rural para o desenvolvimento sustentável de algumas localidades pode ser bastante positivo, embora haja também o perigo de possíveis impactes negativos (como a invasão da privacidade ou distorção do património cultural pela sua excessiva comercialização). • Relativamente às aldeias analisadas, os benefícios do desenvolvimento da atividade turística são percebidos pelos residentes como muito superiores aos custos, sobretudo nas dimensões socioculturais e económicas, com destaque para o contributo no combate ao isolamento, ao declínio económico e demográfico.
  13. 13. Reflexões conclusivas • Contudo, observam-se diferenças de perceções nas 3 aldeias: – Os residentes de Janeiro de Cima são os que mais percecionam benefícios socioculturais do turismo, – os residentes de Linhares (onde predomina o excursionismo) percepcionam relativamente mais impactes ambientais negativos do turismo e – os residentes de Favaios são os que mais percecionam benefícios do turismo para a agricultura e criação de emprego. • Tais diferenças parecem associar-se aos diferentes estádios de desenvolvimento da atividade turística nas três localidades • Globalmente, os residentes apoiam o desenvolvimento da atividade turística, até gostariam de ver mais turistas na sua aldeia, mesmo reconhecendo que os benefícios económicos não sejam muito significativos nem generalizados à toda a população. • Apreciam o efeito positivo do turismo na animação da vida diária e até mostram orgulho na sua aldeia, empenhando-se na sua preservação.
  14. 14. Reflexões conclusivas • Contudo, os residentes reconhecem o seu ainda reduzido envolvimento e que existe falta de profissionais qualificados e formação na área. • Uma estratégia de desenvolvimento turístico deverá, por isso, considerar ações: – que estimulem o envolvimento da comunidade na criação e dinamização da oferta turística, – que incluam mais recursos endógenos para incrementar o potencial efeito multiplicador bem como para criar experiências turísticas mais apelativas, variadas e distintivas – que fomentem a formação para capacitar os agentes locais para uma acção mais eficaz neste sector • Importa tomar em conta a visão e os interesses da comunidade local, pois só fará sentido desenvolver o turismo em comunidades que aceitem bem o turismo e acolhem bem os turistas, sendo os residentes ativos na partilha e no condicionamento da experiência turística rural e simultaneamente vivem os seus impactos no dia-a-dia
  15. 15. Muito Obrigada! UNIÃO EUROPEIA Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional Contacts: elisabethk@ua.pt This presentation is part of a larger Research Project - “The overall rural tourism experience and sustainable local community development”, financed by the Fundação para a Ciência e Tecnologia (co-financed by COMPETE, QREN e FEDER) (PTDC/CS-GEO/104894/2008) and coordinated by Elisabeth Kastenholz.

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