Aula 7 pronomes

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Aula 7 pronomes

  1. 1. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI PRONOMESPronome é o vocábulo que, ao pé da letra, “fica no lugar do nome” (chamado depronome substantivo) ou o determina (pronome adjetivo).Para compreender melhor a função dos pronomes, precisamos saber o conceito decoesão textual, pois essas palavras, assim como os conectivos (conjunção epreposição – a serem estudados na próxima aula), são responsáveis por estabelecernexo entre as idéias do texto.Coesão textual é a ligação entre os elementos da oração e delas em relação ao texto.A incoerência de um texto muitas vezes se deve à falta de coesão, exatamente porquea leitura fica prejudicada pelo emprego inadequado de pronomes, conjunções ououtros elementos textuais, inclusive a pontuação. Por exemplo, o uso inapropriado de“porquanto” ou de “a ele” pode levar o leitor a uma conclusão diversa da que sepretendia dar, ou até mesmo a nenhuma conclusão (alguns chamam de “rupturasemântica”).Os pronomes exercem um papel decisivo na construção de um texto coeso e coerente,a partir de indicações corretas aos seus elementos.Muitas questões de prova abordam esse conhecimento. Algumas vezes, a banca(especialmente, ESAF e CESPE) faz afirmações sobre as referências textuais e ocandidato deve verificar se estão corretas essas indicações. Para isso, a compreensãocorreta do texto e o domínio do significado de seus elementos são decisivos.DEFINIÇÃOPronomes são palavras que determinam um substantivo ou ocupam o seu lugar. Daí, adesignação pronomes adjetivos ou pronomes substantivos, respectivamente.Servem para, no primeiro caso, acompanhar um substantivo, determinando-lhe aextensão (assim como o faz um adjetivo) e, no segundo, representar o própriosubstantivo, ficando em seu lugar.Todo pronome tem uma função sintática, que pode ser própria do substantivo (sujeito,objeto direto, objeto indireto) ou do adjetivo (adjunto adnominal, predicativo dosujeito, predicativo do objeto). Este produto é importado. (pronome adjetivo / função de adjunto adnominal) Isto é importado. (pronome substantivo / função de sujeito)Os pronomes podem ser pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos,interrogativos e relativos. PESSOAIS representam as três pessoas do discurso - a que fala (1ª pessoa), a com quem se fala (2ª pessoa) e a de quem se fala (3ª pessoa); dividem-se em retos e oblíquos. Regra geral, os retos exercem a função de sujeito ou de predicativo do sujeito, enquanto que os oblíquos funcionam como complementos (objetos diretos, indiretos ou adjuntos); os pronomes oblíquos devem obedecer a certas regras de colocação (sintaxe de colocação pronominal), a serem estudadas mais à frente. www.pontodosconcursos.com.br 1
  2. 2. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIDE TRATAMENTO categoria dos pronomes pessoais que designa a forma de tratamento a ser usada no trato com certas pessoas. a pessoa com quem se fala pode ser expressa também pelo pronome de tratamento, que leva tanto o verbo quanto os pronomes para a 3ª pessoa; os únicos pronomes de tratamento que admitem o uso do artigo acompanhando-os são: senhor, senhora, senhorita.POSSESSIVOS estabelecem relação de posse entre os elementos regente e regido; como já vimos em aula anterior, há casos em que um pronome pessoal oblíquo é usado com valor possessivo, ponto a ser estudado mais adiante.DEMONSTRATIVOS indicam a posição dos seres no espaço e no tempo (função dêitica dos pronomes demonstrativos) ou em referência aos elementos do texto (função anafórica ou catafórica); também podem substituir algum termo, expressão, oração ou idéia, evitando sua repetição, no papel de termos vicários (“Há muito tempo eu planejo sair de férias e vou fazê-lo no meio desse ano.” – fazê-lo = fazer isso = sair de férias, ou “Eu lhe jurei que seria fiel e vou sê-lo” – ser isso – ser fiel – o pronome permanece neutro, sem flexão de gênero ou número, assim como acontece com o “isso”).INDEFINIDOS têm sentido vago ou indeterminado.INTERROGATIVOS é uma subclasse dos pronomes indefinidos. Muito importante é compreender a distinção entre eles e os pronomes relativos, já que a grafia é a mesma em alguns casos (como, quando, quem etc): os pronomes indefinidos são usados nas interrogações, diretas ou indiretas, enquanto que os pronomes relativos apresentam referência a termos antecedentes – veja mais detalhadamente a seguir.RELATIVOS referem-se a um termo anterior chamado antecedente ou referente (substantivo ou pronome substantivo); sempre dão início a orações subordinadas adjetivas.1 - PESSOAIS1.1 - CLASSIFICAÇÃODesignam as três pessoas do discurso. Classificam-se em RETOS e OBLÍQUOS. www.pontodosconcursos.com.br 2
  3. 3. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIRETOS: funcionam como sujeito ou predicativo do sujeito. Por isso, Rocha Lima osdenomina pronomes subjetivos (no papel de sujeito). Tu não és eu. O fato de ele reconhecer o erro não importa.OBLÍQUOS: funcionam como complemento, motivo pelo qual Rocha Lima os chamoude pronomes objetivos. Vi-o na rua Deu-lhe um bom presente Quero comprá-las Fi-los entrarNesse último exemplo (Fi-los entrar.) vemos um caso excepcional em que o pronomeoblíquo exerce a função sintática de sujeito (do verbo entrar), assunto que seráapresentado mais adiante (caso 1.3). QUADRO RESUMO DOS PRONOMES PESSOAIS CASO OBLÍQUO PESSOA CASO RETO TÔNICO ÁTONO (sempre com preposição) 1ª EU ME MIM, COMIGO SINGULAR 2ª TU TE TI, CONTIGO 3ª ELE/ELA SE, O, A, LHE SI, ELE*, ELA* 1ª NÓS NOS NÓS*, CONOSCOPLURAL 2ª VÓS VOS VÓS*, CONVOSCO SE, OS, AS, 3ª ELES/ELAS SI, ELES*, ELAS* LHESOBSERVAÇÕES: 1:(*) Quando oblíquos, são sempre preposicionados: “Nem ele entende a nós,nem nós a ele.”. A preposição está na frase por força do uso do pronome, sendo o casode objeto direto preposicionado. Na linguagem coloquial informal, costumam serusados acompanhados de numerais (Encontrei elas duas.) ou pronome indefinido(Trouxe todas elas.), construção não abonada pela linguagem culta formal(Encontrei-as, as duas. / Trouxe-as todas.).Os oblíquos “nós/vós” podem ser usados acompanhados da preposição com eelementos reforçativos, como os pronomes demonstrativos “MESMOS” ou “PRÓPRIOS”.Ex.: Só podemos contar com nós mesmos. 2: Os pronomes me, te, se, nos, vos podem exercer as funções de objetodireto ou indireto, de acordo com a transitividade do verbo. Uma boa técnica desaber se o pronome está na função de complemento direto ou indireto é trocar opronome por um NOME, ou seja, por um substantivo:“Ele não me obedece.” – trocamos o “me” por “o pai”: “Ele não obedece ao pai”. www.pontodosconcursos.com.br 3
  4. 4. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIComo o complemento verbal foi antecedido de preposição, o pronome “me” exerce afunção de objeto indireto.Não adiantaria nada trocar o “me” por “a mim”, pois, como vimos acima, essepronome oblíquo sempre será preposicionado. 3: Os pronomes oblíquos podem ser, ainda, reflexivos e recíprocos. Osprimeiros, quando o objeto direto ou indireto representa a mesma pessoa ou coisa queo sujeito do verbo; os recíprocos exprimem reciprocidade da oração.Vamos ver como isso já foi objeto de prova? (FCC / TRE PI / 2002) Afinal, os papéis não haviam ficado ......, mas sim ...... . (A)) contigo - com nós mesmos (B) contigo - conosco mesmos (C) com ti - conosco mesmo (D) com tu - conosco mesmos (E) com tu - com nós mesmosNa função de complemento, não se deve usar pronomes retos, como sugerem asopções d e e (“com tu”).A preposição com já faz parte da forma “contigo”, que deve preencher a primeiralacuna.Em seguida, o preposição com antecede o “nós”. Como esse pronome oblíquo estáacompanhado de um pronome demonstrativo mesmos, está correta a forma da opçãoA – contigo / com nós mesmos.1.2 - RELAÇÃO ENTRE PREPOSIÇÃO E PRONOMEAs preposições de e em contraem-se com o pronome reto de 3ª pessoa ele(s) eela(s): A pasta é dele, e nela está o meu livro.Normalmente, após preposição usa-se o pronome oblíquo. Entre mim e ti existe um abismo profundo.Entretanto, se após a preposição, especialmente a preposição para, o pronome estivercomo sujeito do verbo no infinitivo, permanece sendo pronome reto e, segundo anorma culta, não poderá se contrair, embora na linguagem coloquial já se admita acontração. Observe os exemplos.1) Apesar de ela não saber nada, passou no concurso.(quem não sabia nada? Resposta: “ela” – sujeito pronome reto)2) Isto não é trabalho para eu fazer.(quem não vai fazer o trabalho? Resposta: “eu” - sujeito pronome reto)3) Isto não é trabalho para mim. www.pontodosconcursos.com.br 4
  5. 5. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI(O trabalho é para quem? Resposta: “para mim” = complemento nominalpronome oblíquo)4) O milagre de ele existir tinha-se dado naquele momento.(quem existe? Resposta: “ele” - sujeito pronome reto)5) Pouco depois de ela sair, fomos embora.(quem saiu? Resposta: “ela” – sujeito pronome reto)Faça agora um teste: Para mim comparecer a essa reunião foi um prazer.Até o corretor ortográfico do Word cai nessa pegadinha. Ele sugere a troca do “mim”pelo “eu”. Será que isso estaria correto? Vejamos.Primeira pergunta: o que foi um prazer?Resposta: “comparecer a essa reunião”.Então, na ordem direta (SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO), teríamos:“Comparecer a essa reunião foi um prazer”. Ótimo!Isso (comparecer a essa reunião) foi um prazer para quem?Resposta: “para mim”. Então, complementando a estrutura acima, teríamos:“Comparecer a essa reunião foi um prazer para mim.”O que levou o Word (e muitos alunos) a imaginar um erro (que não existe) foi odeslocamento do complemento nominal para o início do período, causando, assim, aaproximação do “mim” (que atua como complemento nominal de “prazer”) com overbo “comparecer” (que faz parte do sujeito oracional).Nessa, até o Bill Gates caiu!!! Sorte dele não precisar fazer um concurso público aquino Brasil....rs....Veja, agora, como já caiu em prova. (FUNDEC / TJ MG / 2002) Tendo em conta o emprego das formas pronominais "eu" e "mim", assinale a alternativa INCORRETA. a) Toda a conversa entre eles e eu se deu a portas fechadas. b) Seria muito penoso para mim comparecer ao julgamento. c) Quando me aproximei, notei que falavam sobre você e mim. d) Não há diferença entre eu lhes dar a notícia ou qualquer outra pessoa.O gabarito foi letra a. A conversa rolou entre eles e MIM. Após uma preposição(entre), o pronome a ser usado é o oblíquo: MIM.Só se usa pronome reto após preposição quando este pronome exerce a função desujeito da forma verbal no infinitivo, como na construção da letra d: quem vai dar anotícia? Resposta: “eu ou qualquer outra pessoa”. Como o pronome é o sujeito doverbo dar, está correto o emprego do pronome reto (eu).A opção b apresenta estrutura idêntica à do exemplo que apresentamos. www.pontodosconcursos.com.br 5
  6. 6. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIMuitas vezes, quando o “mim” fica perto de um verbo no infinitivo, muita gente temcólicas e sai por aí berrando: “mim fazer” quem diz é índio!!! Em parte, tem razão.Mas só em parte, pois é preciso analisar a estrutura para verificar se este “mim” émesmo o sujeito do verbo no infinitivo, antes de sair por aí condenando a estrutura.Na ordem direta, a construção seria: “Comparecer ao julgamento seria muito penosopara mim.”. O pronome, nesse caso, é complemento nominal ao adjetivo “penoso” (Épenoso para quem? Para mim.) e não sujeito de comparecer, que está sendo usadoem sentido genérico (verbo impessoal).Note que o verbo continuaria inflexível qualquer que fosse o pronome: Comparecer aojulgamento seria penoso para nós. Isso porque este verbo é impessoal (não temsujeito) e está sendo usado em sentido amplo (O ato de comparecer).Está perfeita a construção da letra c. Após a preposição “sobre”, foi empregadocorretamente o oblíquo “mim” e o pronome de tratamento “você”.1.3 - PRONOME OBLÍQUO ÁTONO SUJEITO DE UM INFINITIVO CASO 1 - Mandei que ele saísse. CASO 2 - Mandei-o sair.Nos dois casos, o sujeito do verbo mandar é o mesmo e está indicado pela desinênciaverbal: (eu) mandei.No entanto, apresentam complementos diferentes. Verificamos que o objeto direto doverbo mandar (Eu mandei o quê?) é expresso:- no CASO 1: pela oração que ele saísse.- no CASO 2: pelo pronome seguido de infinitivo o sair.Agora, vamos analisar as orações que exercem a função de complemento do verbomandar.CASO 1: oração desenvolvida (iniciada pela conjunção “que”) = que ele saísse. Quemvai sair? Resposta: ele. Então, o sujeito de “saísse” é o pronome pessoal reto “ele”.CASO 2: o sair = Quem vai sair? Resposta: o. Esse pronome oblíquo, que representaalgum substantivo (menino, rapaz, aluno etc.), é o sujeito do verbo “sair”.Esse é o caso especial de que tratamos logo no início da nossa aula. Geralmente, afunção de sujeito é exercida por um pronome pessoal reto, enquanto que cabe aospronomes oblíquos a função de complemento verbal.Pois essa é a única exceção: VERBOS CAUSATIVOS (mandar, deixar, fazer) ouSENSITIVOS (ver, sentir, ouvir) acompanhados de complemento representado por umpronome oblíquo na função de sujeito e um verbo no infinitivo.Para treinar, vamos analisar a construção da belíssima canção: “Deixe-me ir, preciso andar Vou por aí a procurar Rir pra não chorar Quero assistir ao sol nascer Ver as águas do rio correr Ouvir os pássaros cantar www.pontodosconcursos.com.br 6
  7. 7. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI Eu quero nascer, quero viver.” (Preciso me encontrar, de Candeia)Quem é o sujeito de “ir”, na primeira estrofe? O pronome oblíquo “me”.Nas passagens “Ver as águas dos rios correr / Ouvir os pássaros cantar”, vimos que,em relação à concordância do verbo correr/cantar, no infinitivo, quando se apresentaum sujeito nominal (substantivo), não há consenso entre os gramáticos. Uns indicam aflexão verbal obrigatória (Ver as águas dos rios correrem/ Ouvir os pássaroscantarem); outros proíbem a flexão (Ver as águas dos rios correr / Ouvir os pássaroscantar); há também os que facultam indistintamente essa flexão (Ver as águas dosrios correr/correrem, Ouvir os pássaros cantar / cantarem).Contudo, se no lugar dos nomes estiverem os pronomes oblíquos correspondentes, sãounânimes em afirmar que obrigatoriamente o verbo no infinitivo permaneceria semflexão: “Vê-las correr / Ouvi-los cantar”.Na dúvida, releia o item 10.d da Aula 4 – Concordância – parte 2.É muito comum, na linguagem coloquial, usar o pronome reto no lugar do oblíquo:Mandaram eu sair. Vi ela sair.O curioso é que tal incorreção não se repete quando se constrói uma oração negativa:Não me mandaram sair. Não a vi sair.Para fixar esse conceito, a partir de agora, procure usar a construção correta: Ouvi-odizer (e não “Ouvi ele dizer”) e afins.Para terminar o ponto, vejamos como a ESAF abordou o tema. (FISCAL MS / 2001) Marque a palavra, a seqüência ou o sinal de pontuação sublinhado, que foi mal empregado. Vivemos um período de adversidade,(A) mas contamos com o apoio de uma política econômica adequada para contorná-lo(B). Prova disso é a atuação do Banco Central no câmbio, que mantêm(C) também os juros sob(D) controle. No passado, víamos os juros subirem(E) de 15% a 45% de uma só vez. (Fernando Xavier Ferreira, adaptado) a) A b) B c) C d) D e) EO gabarito foi a letra C.Na verdade, a questão versava sobre concordância.O sujeito do verbo manter (pronome relativo que) tem como referente o substantivoatuação, devendo ficar no singular. Afinal, é a atuação do Banco Central quemantém os juros sob controle. www.pontodosconcursos.com.br 7
  8. 8. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIMas, mesmo que a sua interpretação seja de que o pronome relativo se refere a“Banco Central” (“O Banco Central mantém os juros sob controle.”), o verbocontinuaria no singular.Na aula sobre concordância, alertamos bastante para as construções com verbosderivados de pôr, ter e vir. Suas formas plurais não apresentam nenhuma distinçãofonética em relação às formas singulares (mantém/mantêm, convém/convêm), o quepoderia enganar o ouvido do candidato. O mesmo pode ocorrer com outros verbos(compor, propor, contrapor, supor, pressupor).Observe, agora, o item (E) – “No passado, víamos os juros subirem(E)”.Em estruturas como: VERBO CAUSATIVO/SENSITIVO + PRONOME OBLÍQUO + INFINITIVOo verbo no infinito NÃO PODE SE FLEXIONAR, por apresentar como sujeito umpronome (Vi-os sair / Não os deixe fazer isso.).Nessa questão, o verbo sensitivo (ver) vem acompanhado de um substantivo (juros)que é o sujeito de um infinitivo (subirem).Oração reduzida do infinitivo – “Víamos os juros subirem.”Nessas construções, quando o sujeito do infinitivo vem sob a forma de umsubstantivo (e não um pronome), há divergência doutrinária. Contudo, a banca daESAF considerou CORRETA a flexão verbal. Como não há consenso, a ESAF tratou dedefinir o gabarito em outra opção, de modo que, passando ao largo da discussão, nãorestasse dúvida acerca da resposta correta (apresentou um erro crasso deconcordância na opção C).Resumindo:VERBO CAUSATIVO/SENSITIVO + PRONOME OBLÍQUO + INFINITIVOINFINITIVO SEM FLEXÃOVERBO CAUSATIVO/SENSITIVO + SUBSTANTIVO + INFINITIVO O VERBO PODEOU NÃO FLEXIONAR-SE (depende do autor, há divergência doutrinária) = busque nasdemais opções a resposta.1.4 – ALTERAÇÃO GRÁFICA DOS VERBOS EM FUNÇÃO DA COLOCAÇÃO DOSPRONOMESQuando os pronomes átonos o, a, os, as se associam a uma forma verbal, pode haveralterações gráficas nessa última:- verbos terminados em r, s, z – caem essas consoantes e os pronomes são grafadossob as formas lo, la, los, las. Mandaram prender + o = Mandaram prendê-lo- verbos terminados em terminação nasal (ão, õe, am, em) – os pronomes assumemas formas no, na, nos, nas. Sempre que meus pais têm roupas velhas, dão-nas as pobres.1.5 - PRONOME OBLÍQUO COM VALOR POSSESSIVO www.pontodosconcursos.com.br 8
  9. 9. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIJá falamos sobre isso nos comentários à questão 4 da aula 5 -Sintaxe de Regência.O pronome oblíquo pode ser usado com sentido possessivo, exercendo a funçãosintática de ADJUNTO ADNOMINAL. Roubou-lhe a voz, então não pôde mais reclamar. (= Roubou sua voz)1.6 - COMBINAÇÕES E CONTRAÇÕES DOS PRONOMES ÁTONOSVamos ver agora construções raríssimas na linguagem moderna.Quando numa mesma oração ocorrem dois pronomes átonos, um na função de objetodireto e outro, objeto indireto, estes pronomes podem combinar-se, observadas asseguintes regras: o pronome se associa-se aos me, te, nos, vos, lhe(s), e NUNCA aos o(s), a(s). antepostos, conservam-se separados e, pospostos, ligam-se por hífen.1) Eu quero paz. Dê-ma ma = me (a mim) + a (a paz) = Dê a paz (= a) a mim (= me)2) Apesar de não receber cartas minhas, envio-lhas sempre. lhas = lhe (a ela) + as (as cartas) = Envio as cartas a ela = Envio-lhas.3) Justiça se lhe faça. se (pronome apassivador = Justiça seja feita / Justiça se faça) + lhe (aele/ela) = Justiça seja feita a ela.1.7 - COLOCAÇÃO PRONOMINALAdoro essa parte da matéria! É o momento em que posso ajudá-lo(a) a nunca maiserrar uma questão sobre colocação pronominal. Basta que você estude bem o que seráapresentado a seguir.Para começar, precisamos conhecer a terminologia que será usada. Ênclise o pronome aparece após o verbo. Próclise o pronome surge antes do verbo. Mesóclise o pronome é colocado no meio do verbo.Agora, a fim de facilitar a sua vida, resumimos a três todas as regras de colocaçãopronominal: PRÓCLISE OBRIGATÓRIA / CASOS DE PROIBIÇÃO / EMPREGOFACULTATIVO.REGRA GERAL: ÊNCLISESegundo a norma culta, a regra é ênclise, ou seja, o pronome após o verbo. Isso temorigem em Portugal, onde essa colocação é mais comum. No Brasil, o uso da próclise(antes do verbo) é mais freqüente, por apresentar maior informalidade. Mas, comodevemos abordar os aspectos formais da língua, a regra será ênclise, usandopróclise em situações excepcionais. www.pontodosconcursos.com.br 9
  10. 10. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI a) CASOS DE PRÓCLISE OBRIGATÓRIA: Desde que não haja pausa (normalmente marcada na escrita pela vírgula), as PALAVRAS INVARIÁVEIS atraem o pronome. Por “palavras invariáveis”, entendemos as que não se flexionam (olhe o quadro da primeira aula!!!): os advérbios; as conjunções; alguns pronomes, como o pronome relativo que, os pronomes indefinidos quanto/como/ninguém, os pronomes demonstrativos isso/aquilo/isto. Ele não se encontrou com a namorada. (advérbio de negação) Quando se encontra com a namorada, ele fica muito feliz. (conjunção) Havendo pausa, não ocorre a atração. Aqui se aprende a estudar.(sem pausa, advérbio atrai) Aqui, aprende-se a estudar. (com pausa, recai na regra geral) ORAÇÕES EXCLAMATIVAS ou que expressam desejo, chamadas de OPTATIVAS – próclise obrigatória. “Vou te matar!” “Que Deus o abençoe!” “Macacos me mordam!” ORAÇÕES SUBORDINADAS “... e é por isso que nele se acentua o pensador político” (oração subordinada adverbial causal) Há pessoas que nos querem bem. (oração subordinada adjetiva restritiva)Não se preocupe com esses “nomes e sobrenomes” das orações. Tudo isso será objetode aula específica (Períodos). b) CASOS DE PROIBIÇÃO: Iniciar período com pronome - a forma correta é: Dá-me um copo d’água (e não “Me dá”), Permita-me fazer uma observação (e não “Me permita”); Pronome átono após verbo (ênclise) no particípio, no futuro do presente e no futuro do pretérito. Com essas formas verbais, usa-se a próclise (desde que não caia na proibição acima – iniciar período), modifica-se a estrutura (troca o “me” por “a mim”) ou, no caso dos futuros, emprega-se o pronome em mesóclise. Concedida a mim a licença, pude começar a trabalhar. www.pontodosconcursos.com.br 10
  11. 11. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI (Não havia outra saída. A troca foi necessária por não podermos colocar o pronome após o particípio - “concedida-me” – nem iniciar período com ele – “me concedida” esse são dois CASOS DE PROIBIÇÃO). Recolher-me-ei à minha insignificância. (Não poderia ser “recolherei-me” nem “Me recolherei” CASOS DE PROIBIÇÃO). c) EMPREGO FACULTATIVO: Com o verbo no INFINITIVO, mesmo que haja uma palavra “atrativa”, a colocação do verbo pode ser enclítica (após o verbo) ou proclítica (antes do verbo). Tanto faz, desde que não recaia em um dos casos proibidos (como iniciar período). Para não me colocar em situação ruim, encerrei a conversa. Para não colocar-me em situação ruim, encerrei a conversa. Assim, com infinitivo está sempre certa a colocação, desde que não caia em um caso de proibição (começar período, por exemplo). CUIDADO!!! NÃO CONFUNDA INFINITIVO COM FUTURO DO SUBJUNTIVO – Na maior parte dos verbos, essas formas são iguais (para comprar = INFINITIVO /quando comprar = FUTURO DO SUBJUNTIVO). Contudo, a regra da colocação pronominal só se aplica ao infinitivo. Se o verbo estiver no futuro do subjuntivo, aplica-se a regra geral. Para ter certeza de que é o infinitivo mesmo e não o futuro do subjuntivo, troque o verbo por um que apresente formas diferentes, como o verbo trazer (para trazer / quando trouxer), fazer (para fazer/ quando fizer), pôr (para pôr/ quando puser), e tire a prova dos noves. Se for infinitivo, pode colocar o pronome antes ou depois, tanto faz. De qualquer jeito, estará certo, mesmo que haja uma palavra atrativa (invariável).Observação importante: quando houver DUAS palavras invariáveis, o pronomepoderá ser colocado entre elas. A essa intercalação dá-se o nome de APOSSÍNCLISE.“Para não levar-me a mal, irei apresentar minhas desculpas.” – como vimos, cominfinitivo está sempre certa a colocação (caso facultativo), mesmo que haja umapalavra invariável (no caso, são duas – para e não).COLOCAÇÕES IGUALMENTE POSSÍVEIS:(1) “Para não me levar a mal, ...”- O pronome foi atraído pelo advérbio não.(2) “Para me não levar a mal, ...” – O pronome foi atraído pela preposição para.1.8 - COLOCAÇÃO PRONOMINAL EM LOCUÇÃO VERBALLocuções verbais são construções que apresentam um só conceito verbal sob a formade um verbo auxiliar (ou mais) e um verbo principal. O auxiliar (o primeiro, no caso demais de um) irá se flexionar, enquanto que o verbo principal ficará em uma dasformas nominais: infinitivo, particípio ou gerúndio (assim como os demais auxiliares). www.pontodosconcursos.com.br 11
  12. 12. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIEm relação à colocação pronominal, valem os conceitos já apresentados.1 – COM INFINITIVO ESTÁ SEMPRE CERTO;2 – COM GERÚNDIO – ARROZ COM FEIJÃO: REGRA GERAL É ÊNCLISE – HAVENDOPALAVRA INVARIÁVEL, O PRONOME É ATRAÍDO (PRÓCLISE);3 – COM PARTICÍPIO, A ÊNCLISE (PRONOME APÓS O VERBO) É PROIBIDA.A colocação do pronome será analisada em relação a cada um dos verbos quecompõem a locução. COM O VERBO PRINCIPAL NO INFINITIVO 1. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO AUXILIAR- Eu lhe devo pedir um favor. Próclise ao verbo auxiliar – CERTO Ainda que a regra seja a ênclise, modernamente não se condena a próclise em estruturas como essa, desde que não recaia em algum caso de proibição (iniciar período, por exemplo).- Não lhe devo pedir um favor. Próclise ao verbo auxiliar - CERTO Como o advérbio atrai, está CERTÍSSIMA a colocação! Caso de próclise obrigatória.- Eu devo-lhe pedir um favor. Ênclise ao verbo auxiliar – CERTO- Não devo-lhe pedir um favor. Ênclise ao verbo auxiliar – ERRADO. O advérbio atrai o pronome, devendo ser empregada a próclise. 2. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO PRINCIPAL- Eu devo lhe pedir um favor. A norma culta condena a próclise ao verbo principal, ou seja, o pronome “solto” no meio da locução verbal. Na linguagem coloquial, é o mais usado.- Não devo lhe pedir um favor. Note que o advérbio está próximo do verbo auxiliar, e não do principal. Este verbo auxiliar atua como uma pausa, reduzindo o “poder” da palavra invariável. Como já mencionamos, a norma culta condena essa colocação “solta” do pronome no meio da locução. www.pontodosconcursos.com.br 12
  13. 13. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI- Eu devo pedir-lhe um favor. Ênclise em relação ao verbo principal – CERTO. Essa é a construção abonada pela gramática normativa.Não devo pedir-lhe um favor. Como já observamos, há uma “distância” entre o advérbio e o verbo principal. Assim, está CORRETA a colocação do pronome após o verbo. COM O VERBO PRINCIPAL NO GERÚNDIO (igualzinho ao anterior) 1. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO AUXILIAREu lhe estou pedindo perdão. Próclise ao verbo auxiliar – CERTONão lhe estou pedindo perdão. Próclise ao verbo auxiliar - CERTO Como o advérbio atrai, está CERTÍSSIMA a colocação! Caso de próclise obrigatória.Eu estou-lhe pedindo perdão. Ênclise ao verbo auxiliar – CERTONão estou-lhe pedindo perdão. Ênclise ao verbo auxiliar – ERRADO. O advérbio atrai o pronome, devendo ser empregada a próclise. 2. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO PRINCIPALEu estou lhe pedindo perdão. A norma culta condena a próclise ao verbo principal, ou seja, o pronome “solto” no meio da locução verbal. Na linguagem coloquial, é o mais usado.Não estou lhe pedindo perdão. Note que o advérbio está próximo do verbo auxiliar, e não do principal. Este verbo auxiliar atua como uma pausa, reduzindo o “poder” da palavra invariável. Como já mencionamos, a norma culta condena essa colocação “solta” do pronome no meio da locução.Eu estou pedindo-lhe perdão. Ênclise em relação ao verbo principal – www.pontodosconcursos.com.br 13
  14. 14. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI CERTO. Essa é a construção abonada pela gramática normativa.Não estou pedindo-lhe perdão. Como já observamos, há uma “distância” entre o advérbio e o verbo principal. Assim, está CORRETA a colocação do pronome após o verbo principal. COM O VERBO PRINCIPAL NO PARTICÍPIO 1. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO AUXILIAREu lhe tenho obedecido. Próclise ao verbo auxiliar – CERTONão lhe tenho obedecido. Próclise ao verbo auxiliar - CERTO Como o advérbio atrai, está CERTÍSSIMA a colocação! Caso de próclise obrigatória.Eu tenho-lhe obedecido. Ênclise ao verbo auxiliar – CERTONão tenho-lhe obedecido. Ênclise ao verbo auxiliar – ERRADO. O advérbio atrai o pronome, devendo ser empregada a próclise. 2. PRONOME EM RELAÇÃO AO VERBO PRINCIPALEu tenho lhe obedecido. A norma culta condena a próclise ao verbo principal, ou seja, o pronome “solto” no meio da locução verbal. Na linguagem coloquial, é o mais usado.Não tenho lhe obedecido. Note que o advérbio está longe do verbo principal. Este verbo auxiliar atua como uma pausa, reduzindo o “poder” da palavra invariável. Como já mencionamos, a norma culta condena essa colocação “solta” do pronome no meio da locução, construção bastante comum na linguagem coloquial. www.pontodosconcursos.com.br 14
  15. 15. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIEu tenho obedecido-lhe. (ERRADO!) Está INCORRETA a colocação doNão tenho obedecido-lhe. (ERRADO!) pronome após o verbo principal, pois ele está no PARTICÍPIO, e pronome após particípio é um dos casos de PROIBIÇÃO.Veja, agora, como esse assunto já foi abordado em prova. (CESGRANRIO / MPE RO / 2005) Indique a opção em que o pronome oblíquo NÃO está colocado corretamente, de acordo com a norma culta. (A) O professor levou a moto para ser consertada – levou-a. (B) O professor levará a moto para ser consertada – levá-la-á. (C) O professor levaria a moto para ser consertada – a levaria. (D) O professor tinha levado a moto para ser consertada – tinha levado-a. (E) O professor estava levando a moto para ser consertada – a estava levando.A banca apresentou a letra d como o gabarito, e cheia de razão para isso. O pronomeestá INDEVIDAMENTE após um verbo no PARTICÍPIO, um dos casos de proibição.Veja as demais opções:a) Construção certinha. Como vimos, segundo a norma culta, a regra é a ênclise.Assim, a forma “levou-a” é abonada pela gramática.b) Em “levá-la-á” temos um caso de mesóclise. A forma verbal está no futuro dopresente do indicativo. Seria válida também a próclise, uma vez que o pronome nãoiria iniciar período: “O professor a levará ...”. Aproveite para observar a acentuaçãodessa forma mesoclítica. Cada segmento é considerado um vocábulo para as regras deacentuação (lá do início do nosso curso, lembra-se ainda?).c) Como o verbo está no futuro do pretérito do indicativo (levaria), o examinadorapresentou o pronome proclítico ao verbo. Também estaria correta a formamesoclítica: O professor levá-la-ia.e) Desta vez, optou-se pela próclise em relação à locução verbal (O professor a estavalevando). As demais colocações possíveis seriam: O professor estava-a levando(ênclise ao verbo auxiliar, menos recomendável por formar um eco “va-a”) ouO professor estava levando-a (ênclise ao verbo principal).Como podemos ver, nenhuma das opções apresentou próclise ao verbo principal(aquela do pronome ‘solto’ no meio da locução verbal).1.9 – PRONOMES DE TRATAMENTOEntre os pronomes pessoais, destacam-se os pronomes de tratamento, que são usadosno trato com as pessoas. www.pontodosconcursos.com.br 15
  16. 16. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIO pronome a ser utilizado vai depender da intimidade (você, senhor, senhora) e/ou dacerimônia que se tenha com essa pessoa, de acordo com seu cargo, função, título etc.Esses são pronomes da segunda pessoa do discurso, ou seja, representam a pessoacom quem falamos. Para isso, usamos um pronome de 2ª pessoa (vós) – VossaMajestade, Vossa Excelência, Vossa Senhoria etc.Não obstante serem usados ao nos dirigirmos a alguém (2ª pessoa do discurso), essespronomes de tratamento levam o verbo e os pronomes possessivos à 3ª pessoa:Vossa Excelência tem manifestado sua opinião.Para simplificar, basta lembrar o mais famoso pronome de tratamento: VOCÊ.Tudo o que acontece com VOCÊ vai acontecer com qualquer outro pronome detratamento. Você sabia que seu desempenho em Português tem melhorado bastante?Então, se usássemos “Vossa Senhoria”, a construção seria: Vossa Senhoria sabia que seu desempenho em Português tem melhorado bastante?Isso tudo se explica: originalmente, a forma de tratamento era “Vossa Mercê”, quevariou para “vosmecê”, dando origem a “você”. Hoje em dia, na linguagem cotidiana,chegamos a abreviar ainda mais: falando, usamos “cê" (‘Cê soube da última?); naescrita, é comum colocarmos “vc”, especialmente em textos coloquiais e da internet.Assim, encolhemos cada vez mais o pobrezinho! Qualquer dia ele some... rs...Quando nos referimos a pessoa de cerimônia (sem nos dirigirmos a ela), o pronome aser usado passa a ser de 3ª pessoa: Sua Majestade, Sua Excelência, Sua Senhoria etc.Raramente, esse tema é objeto de prova. Vejamos uma dessas raras questões: (FUNDEC / TRT 2ª Região / 2003) Se na festa de inauguração dos trens alguém resolvesse dirigir-se ao Governador do Estado para agradecer a obra realizada, usando uma linguagem correta e adequada, deveria expressar-se de acordo com a forma da opção: A) Senhor Governador, Vossa Excelência tem conhecimento das dificuldades do povo e sabe que todos lhe são extremamente agradecidos por esta obra. B) Senhor Governador, Vossa Excelência tendes conhecimento das dificuldades do povo e sabeis que todos lhe são extremamente agradecidos por esta obra. C) Senhor Governador, Sua Excelência tem conhecimento das dificuldades do povo e sabe que todos lhe são extremamente agradecidos por esta obra. D) Senhor Governador, Sua Excelência tens conhecimento das dificuldades do povo e sabes que todos te são extremamente agradecidos por esta obra. E) Senhor Governador, Vossa Senhoria tem conhecimento das dificuldades do povo e sabe que todos te são extremamente agradecidos por esta obra.Para nos dirigirmos cerimoniosamente a uma autoridade, usamos o pronome detratamento “Vossa Excelência”. Quem acompanha os debates do Congresso Nacionalvê que cortesia e cerimônia se resumem ao emprego do pronome – o teor do discursoe o timbre da voz derrubam qualquer centelha de respeito entre os parlamentares. www.pontodosconcursos.com.br 16
  17. 17. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIDe volta à questão, vamos eliminar a opção e, por apresentar a forma “VossaSenhoria”, que se usa especialmente em ofícios, correspondências e outrostratamentos cerimoniosos a pessoas “comuns”.Vimos que os pronomes de tratamento, apesar de se dirigem às segundas pessoas dodiscurso (com quem se fala), levam o verbo e os pronomes para a 3ª pessoa(exatamente como faz o pronome “você”). Então, podemos eliminar, também, asopções b e d (que empregam verbos nas segundas pessoas, respectivamente do plurale do singular: tendes/tens).Ao nos dirigirmos à pessoa do Governador (como indica o enunciado), devemos usar opronome sob a forma de “Vossa Excelência” (pronome de 2ª), como apresentado naopção a (gabarito), e não “Sua Excelência”, utilizado em referência a ele (OGovernador chegou à capital. Sua Excelência – ELE - deve permanecer na cidade atésexta-feira – pronome de 3ª pessoa).2. POSSESSIVOSEsses pronomes referem-se às pessoas do discurso, atribuindo-lhes posse doselementos possuídos. PESSOA POSSESSIVOS 1ª – EU MEU, MINHA, MEUS, MINHASSINGULAR 2ª – TU TEU, TUA, TEUS, TUAS 3ª – ELE / ELA / VOCÊ SEU, SUA, SEUS, SUAS 1ª – NÓS NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSASPLURAL 2ª – VÓS VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS 3ª – ELES / ELAS / VOCÊS SEU, SUA, SEUS, SUASAlgumas bancas examinadoras exploram bastante a referência textual, solicitando queo candidato indique a qual elemento se refere o pronome possessivo. Muitas vezes, épreciso voltar a ler o texto para identificar a relação entre os vocábulos destacadospelo examinador.O pronome varia em gênero e número de acordo com a coisa possuída. O promotor almoçou em sua casa.Em função do emprego do pronome possessivo “sua” também em relação ao pronomede tratamento “você”, é preciso cuidado para não gerar ambigüidade ao texto.No exemplo acima, de quem era a casa: do promotor ou de você?Para eliminar a confusão, lança-se mão de expressão dele(s)/dela(s).Vimos anteriormente que os pronomes oblíquos podem ser usados com valorpossessivo. Trata-se de construção que imprime ao texto elegância. O vento acariciava-lhe os cabelos. (= os seus cabelos / os cabelos dela) www.pontodosconcursos.com.br 17
  18. 18. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI3. DEMONSTRATIVOSIndicam a posição dos seres em relação às três pessoas do discurso. Essa referênciapode ser em relação a um lugar (posição espacial), a um momento (posição temporal)ou aos elementos de um texto (referência textual).3.1 – FUNÇÕES DOS PRONOMES DEMONSTRATIVOSNo quadro a seguir, serão apresentadas as funções dêitica, anafórica e catafóricados pronomes demonstrativos.O que foi??? Algum problema?? Parece que você levou um susto com essasexpressões. Vamos entender o que cada uma delas significa.- FUNÇÃO DÊITICA: é a capacidade de indicar um objeto sem nomeá-lo. Assim,quando dizemos “aquele tempo era maravilhoso!”, o pronome demonstrativo indica otempo a que me refiro (tempo distante ocorrido no passado – usamos o pronome“aquele” para indicá-lo).- FUNÇÃO ANAFÓRICA e CATAFÓRICA: em relação ao texto, o pronomedemonstrativo pode se referir a algum elemento que já surgiu (referência anafórica –passado – para trás) ou que ainda surgirá (referência catafórica – futuro – para afrente).PESSOA 1ª pessoa 2ª pessoa 3ª pessoa AQUELE, AQUELA,PRONOME ESTE, ESTA, ISTO ESSE, ESSA, ISSO AQUILOPOSIÇÃO Perto do falante Perto do ouvinte Longe do falante e doESPACIAL ouvinte Este documento é Esse documento é Aquele documento meu. - O documento meu. - O documento que está na mesa é está bem próximo do está bem próximo do seu? - O documento falante (ou mesmo em ouvinte. está distante tanto do suas mãos). falante quanto do ouvinte.POSIÇÃO Em referência a um Em referência a um Em referência a momento presente ou momento passado. tempos distantes, tantoTEMPORAL que ainda não passou. no passado quanto no futuro. Este ano está sendo Essa noite sonhei Naquela proveitoso. – O ano a com ela. – A noite a oportunidade algo que se refere está em que se refere já passou estranho ocorreu.. – curso (momento (passado próximo). Faz-se menção a um presente). momento que ocorreu em um passado remoto. www.pontodosconcursos.com.br 18
  19. 19. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIREFERÊNCIA Em relação ao que se Em relação ao que já Em relação ao que se vai enunciar (futuro foi mencionado encontra mais distanteTEXTUAL próximo). anteriormente. no texto, fazendo distinção entre dois elementos textuais. O problema é este: Ninguém está João e Mário ninguém está satisfeito com você. estudam na UERJ. satisfeito com você. Esse é o problema – Este, Física; aquele, –ainda será O pronome faz menção Letras. – O pronome mencionado aquilo que ao que já foi “este” (Mário) faz é indicado pelo apresentado . menção ao mais pronome. próximo, enquanto que “aquele” (João) se refere ao mais distante.Em relação às referências textuais, podemos simplificar a sua vida um pouquinho. Vejaa seguir um método para memorizar o correto emprego dos pronomes demonstrativos.3.2 - PRONOMES DEMONSTRATIVOS EM REFERÊNCIAS TEXTUAISQuando um pronome demonstrativo faz referência a algo já mencionado no texto, ouseja, a algo que está no “paSSado” do texto, deve-se usar ESSE / ESSA / ISSO (com oSS do paSSado). Se a referência ainda vier a ser apresentada (pertence ao fuTuro),usa-se ESTE / ESTA / ISTO (com o T do fuTuro) – gostou dessa dica mnemônica?Modernamente, reduziu-se o rigor no emprego do pronome demonstrativo emreferências textuais, inclusive em relação às provas (veremos em seguida). Contudo,em textos formais, deve-se observar o correto emprego dos pronomes demonstrativos.Veja como isso foi explorado em uma questão de prova da ESAF. (TRF 2002.1) Assinale a opção em que uma das duas possibilidades de redação está gramaticalmente incorreta. a) A economia americana sobreviveu a muitos percalços e, até o início da curta e moderada recessão, da qual parece começar a emergir, conheceu nove anos de uma das mais exuberantes expansões de sua história. / A economia americana sobreviveu a muitos percalços e conheceu nove anos de uma das mais exuberantes expansões de sua história até o início da curta e moderada recessão, de que parece começar a emergir. b) O professor Paul Kennedy, figura expressiva da “escola do declínio” na década de 80, confessa ter mudado de posição. Temia o pior em 1985, quando o esforço militar consumia 45% do PIB. / Figura expressiva da “escola do declínio” na década de 80, o professor Paul Kennedy confessa que mudou de posição. Temia o pior em 1985, quando o esforço militar consumia 45% do PIB. c) Pensa hoje que se tornou barato adquirir a hegemonia ao preço de 3,8% de PIB florescente e produtividade que permite encarar sem susto o momento próximo em que os EUA gastarão com a defesa US$ 1 bilhão por dia. / Seu pensamento hoje é esse: tornou-se barato adquirir a hegemonia ao preço de 3,8% de PIB florescente e produtividade que permite encarar sem susto o momento próximo em que os EUA gastarão com a defesa US$ 1 bilhão por dia. www.pontodosconcursos.com.br 19
  20. 20. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI d) Não quer isso dizer que os americanos sejam onipotentes ou possam ignorar para sempre alguns ameaçadores desequilíbrios de sua economia e as reações do resto do mundo. / Não quer isso dizer que os americanos sejam onipotentes ou que alguns ameaçadores desequilíbrios de sua economia e as reações do resto do mundo possa por eles serem ignorados para sempre. e) Significa apenas reconhecer que a atual configuração do poder mundial está longe do declínio e que um país como os Estados Unidos tem uma extraordinária capacidade para recuperar-se de erros que para outros seriam provavelmente fatais. / Significa apenas o reconhecimento de que a atual configuração do poder mundial está longe do declínio e de que um país como os Estados Unidos tem uma extraordinária capacidade para recuperar-se de erros que para outros seriam provavelmente fatais. (Itens adaptados de Rubens Ricupero)O gabarito foi a letra d. O segundo segmento apresenta um erro de construção dalocução verbal: alguns ameaçadores desequilíbrios de sua economia e as reaçõesdo resto do mundo possa por eles serem ignorados.O sujeito é composto e tem dois núcleos: desequilíbrios e reações. Em uma locuçãoverbal que apresente dois verbos auxiliares (poder + ser + ignorar), o que se flexionaé o primeiro verbo auxiliar (PODER), enquanto que o segundo auxiliar e o verboprincipal ficam sob formas nominais (respectivamente, infinitivo e particípio). Ocorreto, portanto, seria “possam ser ignorados”.O que nos interessa, para esta aula de PRONOMES, é observar a opção c. Este item foiconsiderado CORRETO pela banca da ESAF.Note que, no segundo segmento, o autor usa o pronome demonstrativo esse emreferência catafórica (algo que ainda será mencionado – para frente): “Seupensamento hoje é esse: tornou-se barato adquirir a hegemonia ...”.Isso, segundo os puristas, seria um erro. Contudo, a banca indicou esse item comocorreto, reforçando a tese de que se reduziu o rigor gramatical no emprego dopronome demonstrativo em relação aos elementos textuais.E na hora da prova, o que fazer??? Neste caso, o candidato, para indicar a formaincorreta, estava diante de uma forma duvidosa de referência pronominal (em vez de“este” foi empregado “esse”) e de uma locução verbal com construção totalmenteinaceitável. Ele deveria ficar com a segunda. Analise todas as opções antes de marcar.3.3 – CONTRAÇÃO DO PRONOME COM PREPOSIÇÃOPode ocorrer a contração dos pronomes demonstrativos com as preposições a, de eem. Àquela hora morta da madrugada, todos dormiam. Daquele dia em diante, nunca mais fumei. Ficaremos nesta posição até você chegar.OBSERVAÇÃO: Em expressões de tempo (dia, mês, ano, dia da semana), pode-seomitir a preposição em. Na linguagem formal, recomenda-se manter a preposição. www.pontodosconcursos.com.br 20
  21. 21. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI Vou viajar (n)este ano. (N)esta segunda-feira, será divulgado o resultado do concurso. “(No) Domingo, eu vou ao Maracanã,...”3.4 OUTROS PRONOMES DEMONSTRATIVOSO pronome o (e flexões - a, os, as) também pode ser demonstrativo e aparecer juntoao relativo que ou da preposição de, equivalendo a aquele(s)/ aquela(s) /aquilo. Fiz o que você mandou. Somos o que podemos ser. Prefiro a da direita.Pode também figurar sozinho, equivalendo a “isto, isso, aquilo”. Ele me pediu para sair da sala, e o fiz. (fiz isso – “sair da sala”)Nesse caso, quando um pronome demonstrativo faz referência a algum elemento dotexto, quer antecedente (referência anafórica), quer subseqüente (referênciacatafórica), lança-se mão de um recurso lingüístico para evitar a repetição de palavras,expressões ou mesmo orações:“Os sem-terra ameaçavam invadir a fazenda e isso aconteceu no último domingo.”.(isso = invadir a fazenda).“Para obter a aprovação em um concurso público, são necessários estes elementos:estudo, dedicação e persistência.” (estes = estudo, dedicação e persistência).Esse pronome demonstrativo (o) pode, inclusive, representar toda a oração: Sua mãe não era fácil, ele mesmo o sabia (= que sua mãe não era fácil).Aparecem ainda como demonstrativos os vocábulos tal, mesmo, próprio esemelhante, quando equivalerem aos casos já citados.Vimos, inclusive, na aula sobre Concordância (Aula 3 – item 1.5) que, como pronomesdemonstrativos, essas palavras se flexionam em gênero e número com o substantivoque acompanham. Estamos no mesmo lugar. (NESSE LUGAR) Tal atitude é inaceitável. (ESSA ATITUDE) Lucas errou e doeu-se por semelhante descuido. (ESSE DESCUIDO)Como realce, estes pronomes também se harmonizam com o substantivocorrespondente: Elas chegaram à conclusão por si próprias, por si mesmas.Não há respaldo para o emprego do vocábulo mesmo (e variantes) no lugar de umsubstantivo, como se observa atualmente na linguagem coloquial: Para abrir a porta, bata até que a mesma quebre. (Ui! Essa doeu!!)Para evitar esse tipo de construção, sugerem os gramáticos a substituição porpronomes pessoais ou demonstrativos, por um sinônimo ou até mesmo a repetição da www.pontodosconcursos.com.br 21
  22. 22. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIpalavra. Tudo menos esse mostrengo (é assim mesmo que se escreve essa palavra –se não acreditar, procure o Aurélio!).Não confunda esse pronome MESMO (demonstrativo) com:a) a palavra denotativa de inclusão mesmo (equivalente a até). Mesmo uma ameba retardada seria capaz de entender aquela lição. (Esse exemplo é uma homenagem ao Godinho – prof. Matemática/RJ!)b) advérbio mesmo, equivalente a “realmente”, “de fato”, “de verdade”. O que ela queria mesmo era me atingir.Uma dica: palavras denotativas e advérbios são INVARIÁVEIS!4 - INDEFINIDOSComo o próprio nome já indica, referem-se à terceira pessoa com sentido vago ouindeterminado.São exemplos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, vários, demais, tanto,quanto, qualquer, alguém, ninguém, tudo, outrem, nada, cada, algo, mais,menos, que, quem, (LOCUÇÕES) cada qual, qualquer um, quem quer etc.4.1 – OBSERVAÇÕES SOBRE ALGUNS PRONOMES INDEFINIDOSALGUM - O pronome indefinido algum, posposto ao substantivo, assume valornegativo: Problema algum irá me fazer desistir de estudar. (=NENHUM PROBLEMA)Acredite se puder: esse conceito já caiu em prova: (NCE UFRJ / INCRA / 2005) 38 - Assinale a opção em que a mudança na ordem dos termos altera substancialmente o conteúdo semântico do enunciado: (A) Algum valor deve ser dado a este tipo de quadro / A este tipo de quadro, valor algum deve ser dado; (B) São duas estas ofertas especiais / Estas ofertas especiais são duas; (C) Qualidades que são pelos inimigos reconhecidas / Qualidades que são reconhecidas pelos inimigos; (D) É isto que permite ao professor ganhar um melhor salário / Isto é que permite ao professor ganhar um melhor salário; (E) Esta qualidade intelectual pode ser construída aos poucos / Pode esta qualidade intelectual ser construída aos poucos.A resposta foi, logicamente, a letra A.Em “algum problema”, o pronome indica a existência de pelo menos um problema. Jáem “problema algum”, o pronome passa a ter valor negativo, indicando a presença denenhum problema. www.pontodosconcursos.com.br 22
  23. 23. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIDEMAIS - Não confunda o pronome indefinido demais com o advérbio homônimo.Esse vocábulo é indefinido quando equivale a ‘outros’ e se referem a substantivos. Já oadvérbio indica intensidade, modificando um verbo (Ele bebe demais), adjetivo (Ele éalto demais) ou um advérbio (Ele fala alto demais). Fiquei com dois cãezinhos. Os demais (= OUTROS) foram vendidos na feira.QUALQUER – É o único vocábulo da língua portuguesa que se flexiona “no meio” –quaisquer – em virtude do processo de formação (pronome indefinido qual + verboquer).TODO – Existe diferença entre o emprego desse pronome diretamente ligado aosubstantivo e acompanhado de um artigo. Isso só acontece no singular.No primeiro caso, assume valor indefinido: Toda criança tem direito a assistência familiar. (= qualquer criança)No segundo caso, acompanhado de artigo, passa a significar “inteiro”. Toda a criança ficou machucada. (= a criança toda – inteira)Treine agora essa distinção em: TODO LIVRO É INTERESSANTE x TODO O LIVRO É INTERESSANTENa primeira oração, o autor demonstra prazer na leitura. Acha que qualquer livro (todolivro) é interessante.Já na segunda, ele se refere especificamente a um livro, dizendo que ele éinteressante, do começo ao fim (todo o livro).5 - INTERROGATIVOSComo os pronomes indefinidos (que no fundo também são), referem-se à terceirapessoa de modo vago em interrogações (diretas e indiretas)As diretas exigem uma resposta imediata e terminam com um ponto de interrogação.Já as indiretas se constroem em períodos compostos (normalmente com verbos saber,ver, verificar, ignorar etc.) e não terminam com ponto de interrogação (com pontofinal, reticências etc). Quem vai à praia? / Eu não sei o que você tem feito.Cuidado para não confundir certos pronomes indefinidos com pronomes relativos demesma grafia.Os pronomes indefinidos formam perguntas, mesmo que indiretamente. Não sei quantas velas serão colocadas em seu bolo de aniversário. Quantas velas serão colocadas?Já os pronomes relativos possuem referentes que já foram mencionados. Coloque tantas velas quantas sejam necessárias. www.pontodosconcursos.com.br 23
  24. 24. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIO pronome relativo quantas se refere a velas. Não poderia ser construída uma oraçãointerrogativa direta, como no exemplo anterior.6 - RELATIVOSSem medo de errar, afirmo que a maior parte das questões de prova que tratam dePRONOMES exploram o conhecimento do candidato acerca do emprego dos PRONOMESRELATIVOS.6.1 - DEFINIÇÃOOs pronomes relativos referem-se a termos antecedentes. Já falamos sobreconcordância e regência com pronomes relativos. Agora, veremos quais são essespronomes e como devem ser empregados na oração subordinada adjetiva queiniciam, especialmente em relação aos seus referentes e ao emprego de preposição.Sempre que abordo “pronomes relativos”, lembro a história da Branca de Neve (ésério!!!) – dos sete anões, seis apresentavam características particulares e fisicamenteeram parecidos (pareciam gnomos); somente um deles se destacava dos demais – eracompletamente diferente (parecia um duende, era mudo) e recebia tratamentoespecial (dizem que era o preferido da princesa).Agora, vamos fazer uma analogia com os pronomes relativos.Os pronomes que/o qual, onde, quando, quanto, como e quem devem ser usados,cada qual, de acordo com seus próprios referentes, mas, grosso modo, fazem amesma coisa - referência a um substantivo antecedente.Já “cujo” (o “Dunga” do grupo e, sem dúvida, o predileto das bancas examinadoras) édiferente de todos – liga dois substantivos com “idéia de posse” (coisa que os outrosnão fazem), flexiona-se em gênero e número com o substantivo subseqüente (coisaque os outros também não fazem – “o qual” varia, mas de acordo com o antecedente).Talvez seja esse o motivo de tanta gente já ter abolido o pobrezinho do seu dia-a-dia(mataram o Dunga, e não é o técnico da nossa seleção – é o pronome CUJO!!!),usando o “que” indevidamente no seu lugar.Não é raro ouvirmos esse erro por aí, inclusive em músicas. Veja um exemplo disso:Eu presto atenção em cores que eu não sei o nome/ Cores de Almodóvar/ Cores deFrida Khalo... cores(Esquadros – Adriana Calcanhoto)O que ela não sabe? O nome das cores.Então, a construção seria: Eu presto atenção em cores cujos nomes não sei.Mas NINGUÉM IA CANTAR ISSO AÍ!!! A música não faria tanto sucesso...rs...Vou passar um “dever de casa” para vocês: quero ver quem encontra uma músicacuja letra (gostou dessa?) tenha o pronome CUJO (ou variantes) usado de formacorreta.Confesso que não consegui encontrar nenhum exemplo para colocar aqui.Pode ser sertaneja, rock, pop... qualquer uma, desde que use o “cujo” certinho. Vouaguardar as mensagens no fórum. Vamos ver se alguém consegue... Está lançado odesafio! www.pontodosconcursos.com.br 24
  25. 25. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI6.2 – CARACTERÍSTICAS DOS PRONOMES RELATIVOS QUE Pode ser usado com qualquer antecedente, por isso chamado de “pronome relativo universal”. Normalmente é empregado em relação a “coisa”, já que os demais referentes têm pronomes relativos específicos (lugar, quantidade, modo). Aceita somente preposições monossilábicas, exceto sem e sob. O QUAL Assim como “que”, pode ser usado com qualquer antecedente. Aceita preposição com duas ou mais sílabas, locuções prepositivas, além de sem e sob (rejeitadas pelo “que”). É usado quando o referente se encontra distante ou para evitar ambigüidade: Visitei a tia do rapaz que sofreu o acidente. Quem se acidentou? O rapaz ou a tia dele? Para evitar a dúvida, uso “o qual” para ele ou “a qual” para ela. QUEM Somente usado com antecedente PESSOA. Sempre virá antecedido de preposição – Ele é o rapaz de quem lhe falei. ONDE Utilizado quando o referente for lugar, ou qualquer coisa que a isso se assemelhe (livro, jornal, página etc.) – “A gaveta onde guardei o dinheiro foi arrombada.”; pode ser substituído por “em que”. COMO Usado com antecedente que indique MODO ou MANEIRA – O jeito como escreve mostra a pessoa que é.QUANDO O antecedente dá idéia de TEMPO, também equivalente a “em que” – Época de ouro era aquela, quando todos andavam tranqüilos pelas ruas.QUANTO O antecedente dá idéia de QUANTIDADE - normalmente precedido de um pronome indefinido (tudo, tanto(s), todos, todas) – Tenho tudo quanto quero. Leve tantos quanto quiser.Esses pronomes relativos representam sempre substantivos ou pronomes substantivosnas orações adjetivas que formam.Mais uma vez alertamos para não confundi-los com pronomes interrogativos que idênticagrafia. Estes não têm antecedentes e podem aparecer em orações interrogativas diretasou indiretas (Quem bateu? / Não sei onde moras/ Quanto custa? / Como farei? / Precisosaber quando estará pronto o almoço. / Que gostaria de saber?).CUJO (e flexões) – o mais especial de todos; liga dois substantivos indicando idéiade posse (entre os substantivos, haveria uma preposição de) – “O rapaz cuja mãefaleceu recentemente procurou por você.” (mãe do rapaz faleceu – rapaz cuja mãefaleceu); concorda com o substantivo subseqüente, flexionando-se em gênero e número,e dispensa o artigo (não existe “cujo o” ou “cuja a”);DICA:Ao usar o pronome relativo, verifique:1 – qual deve ser o pronome mais adequado, a depender do antecedente(coisa, pessoa, tempo, modo, lugar...);2 – se o algum termo na oração adjetiva exige preposição.Para não errar, os conceitos de regência devem estar “vivinhos” em sua memória. www.pontodosconcursos.com.br 25
  26. 26. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIExemplo:(1) Este é o livro | que ganhei.Oração principal: Este é o livroOração subordinada adjetiva: que ganhei - O verbo ganhar é transitivo direto (euganhei o livro) e não rege preposição.(2) Este é o livro | a que me referi.Oração principal: Este é o livroOração subordinada adjetiva: a que me referi – o verbo referir-se é indireto erege a preposição a (eu me referi ao livro). Por isso, a preposição antecede o pronomerelativo, que está no lugar do termo regido – “livro”.(3) Aquele é o professor | por quem eu tenho muita admiração.Oração principal: Aquele é o professorOração subordinada adjetiva: por quem eu tenho muita admiração – o substantivoadmiração rege preposição por, que antecede o pronome relativo que substitui otermo regido – “professor” (eu tenho muita admiração pelo professor).Algumas bancas, como a Fundação Carlos Chagas, se cansam de apresentar questõesque envolvem o emprego de preposição (sintaxe de regência) com pronomes relativos.Veremos uma série delas nos exercícios de fixação.Para compreender a “mecânica” da coisa, vamos treinar: (NCE UFRJ / ARQUIVO NACIONAL Agente Adm./ 2006) “com a qual ninguém deseja se identificar”; a utilização da preposição COM antes do pronome relativo QUE se deve à regência cobrada pelo verbo IDENTIFICAR- SE. A alternativa em que houve erro num caso semelhante de regência é: (A) da qual ninguém desejava afastar-se; (B) contra a qual ninguém queria lutar; (C) com a qual ninguém discordava; (D) sem a qual ninguém podia sair; (E) pela qual ninguém escapava.O enunciado já ajuda o candidato. Ele apresenta a regência do verbo identificar-se:Alguém se identifica COM alguma coisa/alguém.O candidato deve marcar o item que apresenta erro no emprego da preposição antesdo pronome relativo. Para isso, deverá analisar a regência de cada um dos verbos.A) ninguém desejava afastar-se – O verbo afastar-se (pronominal) rege apreposição de: Alguém se afasta de algum lugar.Por isso, está correto o emprego da preposição antes do pronome relativo “a qual”: daqual ninguém desejava afastar-se.B) contra a qual ninguém queria lutar – Vamos verificar a regência do verbo lutar:Alguém luta contra algo ou alguém. Como devemos usar uma preposição dissílaba, oúnico pronome relativo cabível é “a qual”. Está certa. www.pontodosconcursos.com.br 26
  27. 27. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIC) com a qual ninguém discordava. O verbo discordar rege a preposição de, e não“com”. Alguém discorda de alguma coisa. Por isso, está INCORRETA essa construção.Esse é o gabarito. A forma correta seria: da qual ninguém discordava.D) sem a qual ninguém podia sair – Vimos também que, com a preposição sem, nãopodemos usar o pronome relativo que; assim, está correta a forma apresentada.E) pela qual alguém escapava – Essa era a opção mais difícil. O verbo escaparapresenta as seguintes possibilidades de regência:- escapar a/de: livrar-se – “eu escapei de ser assaltado.”;- escapar a ou escapar-lhe: passar despercebido, ser omitido – “esse assunto escapaà minha memória.”;- escapar (intransitivo): sobreviver – “O carro bateu fortemente, mas eu escapei.”;- escapar por: fugir por algum lugar, indicando direção – o ladrão escapou pelotelhado.Como outra opção (C) apresentou um erro grosseiro de regência (C), não resta dúvidade que o examinador optou pela última construção (escapar por alguma saída = pelaqual alguém escapava).Mais uma questão de prova. (FGV / MPE AM / 2002) Assinale a alternativa em que a preposição utilizada antes de cuja NÃO é a correta. (A) Ele é o cronista sobre cuja prosa escrevi alguns artigos. (B) Ele é o cronista de cuja prosa já me pronunciei. (C) Ele é o cronista com cuja prosa mais me entretenho. (D) Ele é o cronista a cuja prosa já fiz reparos. (E) Ele é o cronista por cuja prosa mais me interesso.Agora, vamos botar o preconceito de lado e usar o pronome CUJO (coitadinho...).Entre “cronista” e “prosa” (dois substantivos), há uma relação de subordinação (aprosa do cronista).Então, o pronome adequado é CUJO (... cronista cuja prosa...).Não há diferença alguma em relação ao que já vimos. Identifique a preposiçãoporventura exigida pelo verbo da oração adjetiva e coloque-a antes do pronomerelativo, assim como você fez no exemplo anterior.Analisando cada uma das opções:A) Eu escrevi alguns artigos sobre a prosa do cronista = sobre cuja prosa euescreviB) Eu já me pronunciei .... a prosa do cronista – bem, no sentido de emitir opinião, overbo PRONUNCIAR-SE aceita as preposições / locuções prepositivas: • em - pronunciar-se em algum assunto; • sobre - pronunciar-se sobre algum assunto; • acerca de - pronunciar-se acerca de algum assunto; • a respeito de - pronunciar-se a respeito de algum assunto; www.pontodosconcursos.com.br 27
  28. 28. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI • por - pronunciar-se por alguém (a favor ou contra).As possibilidades seriam: Eu já me pronunciei sobre/a respeito da/ acerca da/ naprosa do cronista. O verbo não aceita a preposição de. Essa é a opção INCORRETA.C) Eu me entretenho com a prosa do cronista = com cuja prosa eu me entretenhoD) Eu já fiz reparos (fazer observação, comentário crítico) à prosa do cronista–(também se admite a preposição sobre) = a cuja prosa eu fiz reparosE) Eu me interesso pela prosa do cronista = por cuja prosa eu me interessoMais uma questão para treinarmos. (FCC / BANCO DO BRASIL / 2006) A expressão de que preenche corretamente a lacuna da frase: (A) A privação ...... o autor não se conforma é a de itens como aspirina, fósforos e leituras. (B) O cronista não está nada interessado num tipo de vida ...... muita gente aspira. (C) Há detalhes desagradáveis da vida rústica ...... muita gente parece omitir, no entusiasmo de seus relatos. (D) Muitos leitores partilharão das mesmas fobias ...... o cronista enumerou em seu texto. (E)) Há quem veja como supérfluos os recursos urbanos ...... o cronista se recusa a abrir mão.Essa é a banca campeã nesse assunto.Nessa questão, o examinador procura a opção que deve ser preenchida com DE QUE.Para isso, o verbo da oração adjetiva deve reger a preposição DE. Vamos buscá-lo.A) O autor não se conforma COM a privação – a preposição que antecede o pronomerelativo que é COM e não DE.B) Muita gente aspira A um tipo de vida – também não é essa a resposta correta.C) Muita gente parece omitir detalhes desagradáveis da vida rústica – o verboOMITIR é transitivo direto e não exige nenhuma preposição nesta acepção.D) O cronista enumerou as mesmas fobias – outro verbo transitivo direto. O verboenumerar se liga diretamente ao seu complemento, dispensando a preposição.E) O cronista se recusa a abrir mão DOS recursos urbanos – Ufa! Até que enfim! Jáestava ficando nervosa. Essa expressão (“abrir mão”) exige a preposição DE. É essa aresposta correta.Gabarito: E6.3 – COM A EXPRESSÁO “O QUE” www.pontodosconcursos.com.br 28
  29. 29. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIO pronome “que” sempre será um pronome relativo após o pronome demonstrativo“O”.Cuidado com a concordância verbal nesse caso. Por estar se referindo aodemonstrativo (que está no singular), o relativo, na função de sujeito, leva o verbotambém para o singular: O que importa para mim são os meus filhos.Análise: • o = aquilo – pronome demonstrativo • que = pronome relativo • o que importa = Aquilo que importa para mim são os meus filhos.Mais um exemplo: O que falta são recursos.O sujeito do verbo faltar é o pronome relativo que. O verbo ser concorda com opredicativo do sujeito, que está no plural. Essa possibilidade de concordância foiabordada na aula específica (item 5.c da Aula 4 – Concordância parte 2). Políticos corruptos é o que não falta nesse país.Nessa construção, o sujeito de faltar é novamente o pronome relativo, presente nosegmento “o que não falta”.O antecedente do pronome relativo, em todos esses casos, é o pronome demonstrativo“o”.Quando, em vez de sujeito, o pronome relativo é complemento verbal, todo cuidado épouco com a preposição exigida pelo verbo da oração adjetiva. Preciso saber no que ele pensa.Alguém pensa em alguma coisa. O verbo pensar rege a preposição em.Já o verbo saber, da primeira oração, é transitivo direto (alguém sabe alguma coisa).(eu) preciso saber isso: "aquilo em que ele pensa”.O registro culto formal da construção deveria ser, portanto: Preciso saber o em que ele pensa.Já vamos começar a nos ambientar com a divisão dos períodos.Para visualizar melhor, vamos dividir o período em orações:1ª oração - Preciso saber o (= isso)2ª oração - em que ele pensa. (A preposição é exigida pelo verbo pensar; por isso,pertence à segunda oração).Em virtude disso, há erro de regência em construção como esta: O que mais gosto é chocolate.Alguém gosta de alguma coisa. Há necessidade de se empregar a preposição antes doelemento que representa essa “coisa”: www.pontodosconcursos.com.br 29
  30. 30. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI O de que mais gosto é chocolate.Só que a proximidade do “o” com a preposição “de” acabou formando, na linguagemcoloquial: Do que eu mais gosto é (de) chocolate.Essa forma recebe a simpatia de muitos gramáticos, embora não seja endossada pelospuristas.Vamos, agora, analisar uma questão de prova da ESAF. (Analista Comércio Exterior/ 1998) Marque o item sublinhado que apresenta erro gramatical ou impropriedade vocabular. A primeira expedição científica à(A) Amazônia foi feita em 1638 por George Marcgrave, um naturalista alemão. Até o final do século XVII, o que se procuravam(B) eram animais exóticos, dentro da ótica do "estranho mundo novo": peixe que dá choque, aranhas gigantes, mamíferos que vivem submersos nos rios. Nos séculos seguintes, o objetivo passou a ser a coleta do maior número possível de bichos de diferentes espécies. Até os anos 40, os museus estrangeiros pagavam coletores profissionais(C) para levar espécimes(D) da fauna e flora nacionais(E) para suas coleções. O Brasil só assumiu a pesquisa científica na Amazônia há poucas décadas. Agora, a idéia é conhecer para preservar. a) A b) B c) C d) D e) EO gabarito foi letra BO tema era concordância verbal com construção de voz passiva. Na passagem,podemos observar a forma abordada neste último ponto – pronome demonstrativo “o”acompanhado do pronome relativo “que”.Vamos aproveitar para relembrar um pouco de sintaxe de concordância.Quando um verbo de transitividade direta ou direta e indireta estiver acompanhado dopronome se, todo cuidado é pouco: poderemos estar diante de uma construção de vozpassiva.Para confirmação, temos de fazer duas perguntas:1 – O verbo é transitivo direto (TD) ou transitivo direto e indireto (TDI)?2 – Existe uma idéia passiva na construção?Se ambas as respostas forem SIM, estamos diante de uma construção de voz passivae, então, o verbo deverá se flexionar de acordo com o sujeito paciente.A existência de um objeto direto na transitividade do verbo é necessária pois, comovimos na aula sobre verbos, o objeto direto da construção de voz ativa irá exercer afunção essencial de sujeito da voz passiva. www.pontodosconcursos.com.br 30
  31. 31. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKINa questão de prova ora comentada, “o que se procuravam eram animais exóticos”,temos de fazer duas análises: a primeira, em relação à construção:1ª pergunta: O verbo é transitivo direto (TD) ou transitivo direto e indireto (TDI)?Resposta: O verbo procurar é transitivo direto (alguém procura alguma coisa).2ª pergunta: Existe uma idéia passiva na construção?Resposta: Sim, existe idéia passiva – os animais eram procurados.Conclusão: temos uma construção de voz passiva.A segunda análise versa sobre o antecedente do pronome relativo que. Para isso,vamos separar as orações:Período composto: “o | que se procuravam |eram animais exóticos”1ª oração: o [pronome demonstrativo = aquilo] eram animais exóticos – ORAÇÃOPRINCIPAL2ª oração: que se procuravam – ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA (lembre-se:pronome relativo sempre inicia uma oração adjetiva!)O pronome que é relativo e tem como antecedente o pronome demonstrativo o. Porisso, o verbo que o segue deverá ficar no singular.Para melhor compreensão, iremos fazer a substituição do pronome relativo QUE pelotermo que substitui, o pronome demonstrativo “o”. Para simplificar ainda mais, em vezde “o”, colocaremos “aquilo”, seu equivalente.“que se procurava” - “aquilo se procurava” = AQUILO era procurado.Viu? O verbo só poderá ficar no singular.Na oração principal (“o eram animais exóticos”), devemos relembrar a concordância doverbo ser.Esse é aquele verbo especial, que admite a concordância tanto com o sujeito quantocom o seu predicativo.De um lado, como sujeito, existe um pronome substantivo demonstrativo o - COISA.De outro lado, na função de predicativo do sujeito, há um substantivo acompanhadode um adjetivo: animais exóticos - COISA.Portanto, tanto de um lado (sujeito) como de outro (predicativo), os elementos são“coisas” (substantivos, pronomes substantivos ou orações substantivas).Assim, a concordância pode se dar com qualquer deles, PREFERENCIALMENTE com oelemento que estiver no PLURAL – “... eram animais exóticos”.Isso justifica a flexão do verbo ser no plural.Por hoje é só. Bons estudos e até a próxima aula.Grande abraço.QUESTÕES DE FIXAÇÃO01 – (FUNDEC / TJ MG / 2002) www.pontodosconcursos.com.br 31
  32. 32. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKITendo em conta o emprego dos pronomes pessoais oblíquos átonos, assinale aalternativa em que a substituição das expressões sublinhadas nas sentenças abaixoesteja CORRETA. Os fãs cercaram os cantores, Não pôde dar a informação aos repórteres. Não se sabe quando receberão a restituição desses valores.a) cercaram-os – lhes pôde dar – quando a receberãob) os cercaram – pôde lhes dar – quando recebê-la-ãoc) cercaram-nos – pôde dar-lhes – quando a receberãod) os cercaram – lhes pôde dar – quando recebê-la-ão02 - (FCC / AFTE PB / 2006)A frase inteiramente de acordo com a norma culta é:(A) De fato, punições seriam-lhe impostas, caso não se provasse sua inocência emrelação às graves denúncias.(B) Os relatórios foram-lhe entregues pelos representantes da bancada ruralista.(C) O povo vota à muito tempo sob a influência das elites e dos chefes partidários.(D) A Câmara dos Deputados ficou meia preocupada com as repercuções das últimasvotações nos processos de cassação.(E) Apenas 20% dos deputados estão dispostos à respeitar as conclusões dos relatoresdos processos.03 - (FUNDAÇÃO JOÃO GOULART / SMG - AGENTE DE POSTURAS / 2005)TEXTO – EMPRESAS ACOMPANHAM O RESTO DA SOCIEDADEToni MarquesÀ medida que a cultura pop divulga bem-sucedidos personagens que são tatuados –atletas, cantores, modelos e atores – maior é a chance de as sociedades ocidentaispassarem a aceitar a tatuagem como um adorno tão corriqueiro quanto brincos emorelhas furadas.Com elas, as orelhas, aconteceu o mesmo. Houve tempo e lugar em que mulher deorelha furada não era digna da atenção das pessoas de bem, dada a relação que taispessoas estabeleciam entre a mulher e indígenas diversos. Foi assim na Grã-Bretanha,onde tatuagem, desde o século XIX, é símbolo de orgulho imperial, patriótico ereligioso. Até a década de 50, lá ainda se discutia se mulher podia ou não furar aorelha, muito embora o povo soubesse que o rei Eduardo VII foi tatuado, assim comoseus dois filhos, um deles também monarca.A aceitação da tatuagem nas classes médias do Ocidente se deu a partir do movimentohippie. [....] O mundo corporativo tende a acompanhar o resto da sociedade nessamatéria. Afinal, a estrelinha que Giselle Bundchen tem no pulso não a impediu de setornar a maior modelo do mundo. Do mesmo modo, o jogador de futebol Beckham temmais ou menos tantas tatuagens quanto tem zeros no seu salário no Real Madrid.Giselle e Beckham sabem negociar seus talentos respectivos. www.pontodosconcursos.com.br 32
  33. 33. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKIO antecedente do pronome relativo está indicado incorretamente na seguintealternativa:A) “..dada a relação QUE tais pessoas estabeleciam...” - relaçãoB) “Foi assim na Grã-Bretanha, ONDE tatuagem...” – Grã-BretanhaC) “Afinal, a estrelinha QUE Giselle Bundchen tem no pulso...” - a estrelinhaD) “À medida que a cultura pop divulga bem-sucedidos personagens QUE sãotatuados...” - a cultura pop04 - (FEPESE / TCE SC / 2006 - adaptada)Leia o texto abaixo para responder à questão. Meu pai abraçou-me com lágrimas. — Tua mãe não pode viver, disse-me. Com efeito, não era já o reumatismo que a matava, era um cancro no estômago.A infeliz padecia de um modo cru, porque o cancro é indiferente às virtudes do sujeito;quando rói, rói; roer é o seu ofício. Minha irmã Sabina, já então casada com o Cotrim,andava a cair de fadiga. (...) — Meu filho! A dor suspendeu por um pouco as tenazes; um sorriso alumiou o rosto daenferma, sobre o qual a morte batia a asa eterna. Era menos um rosto do que umacaveira: a beleza passara, como um dia brilhante; restavam os ossos, que nãoemagrecem nunca. Mal poderia conhecê-la; havia oito ou nove anos que nos nãovíamos. Ajoelhado, ao pé da cama, com as mãos dela entre as minhas, fiquei mudo equieto, sem ousar falar, porque cada palavra seria um soluço, e nós temíamos avisá-lado fim. Vão temor! Ela sabia que estava prestes a acabar; disse-mo; verificamo-lo naseguinte manhã. Longa foi a agonia, longa e cruel, de uma crueldade minuciosa, fria, repisada,que me encheu de dor e estupefação. Era a primeira vez que eu via morrer alguém.Conhecia a morte de outiva; quando muito, tinha-a visto já petrificada no rostode algum cadáver, que acompanhei ao cemitério, ou trazia-lhe a idéiaembrulhada nas amplificações de retórica dos professores de cousas antigas,— a morte aleivosa de César, a austera de Sócrates, a orgulhosa de Catão. Mas esseduelo do ser e do não ser, a morte em ação, dolorida, contraída, convulsa, semaparelho político ou filosófico, a morte de uma pessoa amada, essa foi a primeira vezque a pude encarar. Não chorei; lembra-me que não chorei durante o espetáculo:tinha os olhos estúpidos, a garganta presa, a consciência boquiaberta. Quê? uma criatura tão dócil, tão meiga, tão santa, que nunca jamais fizeraverter uma lágrima de desgosto, mãe carinhosa, esposa imaculada, era força quemorresse assim, trateada, mordida pelo dente tenaz de uma doença sem misericórdia?Confesso que tudo aquilo me pareceu obscuro, incongruente, insano... (Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, cap. 23, comadaptações)Indique V para as assertivas verdadeiras e F para as falsas. Em seguida, assinale aopção que apresenta a ordem correta.( ) No trecho “trazia-lhe a idéia embrulhada nas amplificações de retórica” (ls. 20 e www.pontodosconcursos.com.br 33
  34. 34. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI 21), o pronome enclítico retoma por substituição coesiva o vocábulo “morte” (l. 18).( ) O trecho “Tua mãe não pode viver, disse-me” (l. 2) está em desacordo com as regras da gramática normativa, pois o não atrairia o pronome me.( ) No trecho “tinha-a visto já petrificada no rosto de algum cadáver” (ls. 18 e 19), o pronome a faz remissão ao vocábulo “morte” (l. 18).( ) O pronome no trecho “tudo aquilo me pareceu obscuro” (l. 42) admite mudança de colocação em consonância com as regras da gramática normativa. a) V FVF b) V VFV c) V VVF d) V FFF e) V FFV05 - (FUNDAÇÃO JOÃO GOULART / ENGENHEIRO CIVIL / 2004)Reescreve-se em cada alternativa abaixo uma frase do texto mediante inclusão de umpronome pleonástico. A nova redação não é bem sucedida em:A) Um estado emocional patológico pode intensificar ao máximo a tendência às ilusões.A tendência às ilusões, um estado emocional patológico pode intensificá-las aomáximo.B) A emoção tem o poder de transformar ilusoriamente nossas percepções.Nossas percepções, a emoção tem o poder de transformá-las ilusoriamente.C) Diz-se comumente que não há lobos pequenos, todos são enormes.Lobos pequenos, diz-se comumente que não os há, todos são enormes.D) Por si mesma, a ilusão não constitui sintoma de doença mental.Sintoma de doença mental, a ilusão não o constitui por si mesma.06 - (FCC / BANCO DO BRASIL / 2006)O sonho desse amanuense Belmiro vem registrado e desenvolvido em seu diáriopessoal, que é a forma pela qual o romance se apresenta: anotações metódicas,datadas, em que o funcionário fala do que lhe ocorreu na repartição, ou na rua, ou nosencontros com os amigos. Mas fala também de seu amor por Carmélia, moça que lhe éinacessível, que ele idealiza a não mais poder, fazendo dela o mito de sua vida. Oleitor do romance acompanha nas páginas do diário esse ir e vir entre o sonho erotina, entre a vida estreita do funcionário tímido e as projeções de sua fantasiaromântica. A única compensação real para o amanuense está, de fato, em dar àlinguagem de seu diário o capricho da melhor forma possível; seu consolo é aliteratura, ainda que na forma modesta das páginas de um caderno pessoal.Do trecho acima transcrito, no período: Mas fala também de seu amor por Carmélia,moça que lhe é inacessível, que ele idealiza a não mais poder, fazendo dela o mito desua vida.(A)) as duas ocorrências da palavra que têm o mesmo referente da palavra dela. www.pontodosconcursos.com.br 34
  35. 35. CURSOS ON-LINE – PORTUGUÊS – CURSO REGULAR PROFESSORA CLAUDIA KOZLOWSKI(B) as palavras seu e sua referem-se a pessoas distintas.(C) o pronome lhe tem como referência a moça Carmélia.(D) a forma lhe poderia ser desdobrada e substituída por com ele.(E) o segmento que ele idealiza pode ser substituído por que é idealizado.07 - (ESAF/AFRE MG/2005)O setor público não é feito apenas de filas, atrasos, burocracia, ineficiência ereclamações. A sétima edição do Prêmio de Gestão Pública, coordenado pelo Ministériodo Planejamento, mostra que o serviço público federal também é capaz de oferecerserviços com qualidade de primeiro mundo. De 74 instituições públicas inscritas, 13foram selecionadas por ter conseguido, ao longo dos anos, implantar e manter práticase rotinas de gestão capazes de melhorar de forma crescente seus resultados,tornando-os referências nacionais. O perfil dos premiados mostra que o que está emquestão não é tamanho, visibilidade ou importância estratégica, mas, sim, acapacidade de fazer com que as engrenagens da máquina funcionem de formaeficiente, constante e muito bem controlada. (Ilhas de Excelência. ISTOÉ, 2/3/2005, com adaptações)Julgue a assertiva abaixo, em relação aos aspectos textuais.d) A retirada do pronome do termo “tornando-os”(l.8) preserva a correção gramaticale a coerência textual, deixando subentendido o objeto de “referências nacionais”(l.8).08 - (ESAF/Auditor TCE ES/2001)Os contratos e seus aditamentos serão lavrados nas repartições interessadas, as quaismanterão arquivo cronológico dos seus autógrafos e registro sistemático do seuextrato, salvo os relativos a direitos reais sobre imóveis, que se formalizam porinstrumento lavrado em cartório de notas, de tudo juntando-se cópia no processo quelhe deu origem.Julgue a proposição abaixo, em relação aos elementos do texto.c) Os pronomes possessivos na segunda oração referem-se a “arquivo cronológico”.09 - (ESAF/TFC SFC/2000)O saber produzido pelo iluminismo não conduzia à emancipação e sim à técnica eciência moderna que mantêm com seu objeto uma relação ditatorial. Se Kant aindapodia acreditar que a razão humana permitiria emancipar os homens de seus entraves,auxiliando-os a dominar e controlar a natureza externa e interna, temos de reconhecerhoje que essa razão iluminista foi abortada. A razão que hoje se manifesta na ciência ena técnica é uma razão instrumental, repressiva. Enquanto o mito original setransformava em Iluminismo, a natureza se convertia em cega objetividade.Inicialmente a razão instrumental da ciência e técnica positivista tinha sido parteintegrante da razão iluminista, mas no decorrer do tempo ela se autonomizou,voltando-se inclusive contra as suas tendências emancipatórias. (B. Freitag, A Teoria Crítica Ontem e Hoje, p. 35, com adaptações) www.pontodosconcursos.com.br 35

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