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BIBLIOGRAFIA
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Anais da 1ª conferência da associação de estudos baháts do brasil
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  1. 1. ^ ANAIS DA 1." CONFERÊNCIA Realizada em 3 0 / 4 e 1.°/5 1985 no Soltanieh - SP ASSOCIAÇÃO DE E S T U D O S B A H Á Í S DO BRASIL VOLUME I ;
  2. 2. r •> > ANAIS DA 1« CONFERÊNCIA Realizada em 3 0 / 4 e 1.°/5 1985 no Soltanieh - SP V. ASSOCIAÇÃO DE E S T U D O S BAHA'ÍS DO BRASIL VOLUME I
  3. 3. ANAIS DA 1$ CONFERÊNCIA DA ASSOCIAÇÃO DE ESTUDOS BAHÁTs DO BRASIL Ê com enorme satisfação que apresentamos o primeiro volume dos Anais da 19 Conferência da Associação de Estudos Bahá'Is do Brasil realizado em 30 de abril e 19 de maio de 1985 no Instituto Educacional Soltanieh, em Mogi-Kirim, São Paulo. Esta coletânea é o Volume I de alguns trabalhos que até o presente momento chegaram às rrãos da Diretoria Executiva e são o registro histórico da primeira ocasião em que Bahá'ls do Brasil apresentaram trabalhos, correlacionado suas áreas de estudos com os ensinamentos de Bahá'u'llâh. A Associação de Estudos Bahá'ís do Brasil espera, que estes Anais venham a ser para a comunidade uma fonte de inspiração e informações, uma base para futuras pesquisas e um instrumento prático de ensino para apresentação ao público em geral. Esperamos que a publicação destes trabalhos seja um estimulo para os amigos sócios apresentarem nas próximas conferências estudos cada vez mais profundos para uma compreensão mais ampla da fase histórica em que vive a humanidade.
  4. 4. CONTEÚDO Pg PALAVRAS DO CONSELHEIRO, Sr. Farzam Albab 7 CIÊNCIA E RELIGIÃO, de Farhang Sefidvash 11 0 MODELO ANISA, de Ingeborg Grunwaldt 15 OS PODERES HUMANOS EM* FACE DA VERDADE, de Rangvald Taetz 23 A BlBLIA, UM LIVRO DE TEXTOS DO l 9 SÉCULO PARA UM MUNDO DO SÉCULO XXI, de James Walker 27 A ARTE E A CIÊNCIA DA MEDICINA, de Farhad Shayani 33 BIOGRAFIA DE EDMUND JOHN MIESSLER, de Margot Miessler Malkim... 49
  5. 5. Nesta conferência tivemos a valiosa presença e cooperação do • Conselheiro Continental, sr. Farzam Arbab, e foram colhidos os seguintes apontamentos de suas palavras: "Quero felicitar os amigos do Brasil pela criação desta Associação. Ê um evento significativo que vai trazer frutos importantes. Idéias, conceitos, filosofias e as diferentes opiniões devem ser anplamente discutidas. Há uma compilação do Centro Internacional de Ensino sobre o que é ser um estudioso Bahá'í. Gostaria de referir-me a este texto e dar algumas considerações pessoais sobre o que tenho ouvido e observado no continente sobre o assunto: estudiosos bahá'ís. Em 1943 o Guardião explicou quem são os estudiosos Bahá'ís: "... estudiosos bahá'ís são pessoas que além de serem devotadas, acreditarem nesta Fé e falarem sobre ela com outras pessoas, também têm uma compreensão profunda dos Ensinamentos e dos seus significados e que podem correlacionar sua crença com cs atuais pensamentos e problemas dos povos do mundo". É importante observar, que neste pequeno parágrafo o Guardião explica o que é um estudioso bahâ'í. Antes de mais nada é um devotado Bahá'í que realmente crê na Revelação de Bahá'u'l]âh e é zeloso de compartilha-la com outrem. A Casa Universal de Justiça •..' . • . .-;• '.. . •"•, que ã medida que a ""' Comunidade Bahá'1 cresce, necessitai 1 ^ ^ü:-.-ciclistas em diferentes campos Bahã1ls ou conhecedores dos Ensinamentos, embora ainda não se tenham declarada Quando estas pessoas desenvolverem suas capacidades ã luz da Fé, problemas após problemas encontrarão sua solução. Em outros escritos a Casa Universal de Justiça recomenda a promoção de estudos bahá'ís como atividade generalizada para todos e destaca-se nestas referências, que o estudioso aplique seus conhecimentos na solução de problemas. Depreende-se dai, que qualquer pessoa que esteja fazendo isto é um estudioso bahã'1, independente de ter títulos ou diplomas. Então, por exemplo, um camponês que esteja tratando dos problemas de sua aldeia ã luz de estudos bahã'is ê um estudioso bahá'1. Estudioso portanto, não é necessariamente quem tem vida acadêmica. Não existe na Fé Baiiã1 í uma casta de estudiosos bahá'is. Todo aquele que ê sócio da Associação de Estudos Bahã'ís está mostrando interesse em aplicar o Conhecimento da Fé na solução de problemas. Um dos problemas do mundo é que os doutores estão estudando coisas que não têm relação com a realidade humana. Alguém diz alguma coisa e escreve um artigo, nao importando, se o assunto se relaciona com fatos reais. Um outro alguém contesta o que aquela pessoa escreveu e assim se forma uma comunidade de estudiosos que nada tem a ver com a verdade. Lamentavelmente é a situação em que nos encontramos. Nós Bahá'ís não podemos cair neste jogo de palavras. Por isto um dos desafios básicos da Associação consiste em detectar quais são realmente os problemas da vida humana. Isto significa que precisa haver uma ligação correta com a realidade, cujos problemas se quer resolver. Esta realidade está nos bairros, nas aldeias, na sociedade e no Intimo de cada ser humano.
  6. 6. Os estudos bahã'ís não deveir. ser feitos por uma elite, iras deve-se buscar ura participação ampla e deve-se aplicar métodos e sistemas para enfrentar uma realidade que 1 sumamente complexa. Ê rui to irportante utilizar o que se sabe para o desenvolvimento da comunidade, ras nisto reside um grave perigo. Respostas ou fórmulas consagradas no mundo atuai poder, não estar de acordo com a Fé ou não estão-sendo usados em harmonia cem os ensinamentos. Continuamente surge a tentação de se aplicar soluções tradicionais em aspectos de vida da Fé. As vezes é correto, mas sempre deve ser detidamente examinado para nao perturbar a pureza dos ensinamentos. Alguém pensa, por exemplo, perque estudou administração de empresas, deve aplicar seus conhecimentos na comunidade. Este alguém não deve perder de vista, que a administração que estudou nasceu de conceitos inteiramente materialistas. Tomemos coro exemplo a psicologia. Pode parecer, que uma determinada teoria esteja de acordo com os ensinamentos da Fé. Pode até haver uma frase que podemos relacionar com a Revelação. Consequentemente haveria uma tendência de um aluno de certa universidade pensar que ê possível aplicar aquilo na comunidade - não é, que a ciência e a religião devem andar juntas? Cm corpo de conhecimentos nao surge isoladamente. A psicologia moderna, embora tenha nascido de uma mente critica, surgiu no contexto de uma sociedade materialista. Alguém que é autor de uma teoria psicológica, por exemplo nos Estados unidos, não pode formulá-la desligado de sua própria cultura. Ainda não sabemos, ceme será a psicologia da futura comunidade bahá'í. 3ahá'!s que estão dedicados a um certo ramo de conhecimentos estão inclinados a pensar que o seu campo de especialização tem uma importância preponderante na Fé, o que certamente não é verdade. Sua Associação terá que estar vigilante para que todos cs conhecimentos estejam em harmonia. A Casa Universal de Justiça nos previne centra certos perigos que ameaçam principalmente cs estudiosos. Um destes é o orgulho que deve ser tenazmente combatido no seu Intimo cor cada estudioso. A história da Fé nos mestra uma seqülncia de mentes potencialmente privilegiadas perderem-se totalmente por causa do orgulho. £ absolutamente essencial que a atitude dos estudiosos Bahá'Is seja de humildade. Toda vivência da Fé Bahã'I se estriba sobre a humildade. Ma oração do meio dia afirmamos diariamente nossa ignorância e quanto mais estudamos mais consciente se t o m a esta afirmação. Compare-se isto com a atitude dos doutores aí de fora. 0 perigo consiste justamente na facilidade com que alguém pode se considerar um "bom bahá'I", dizer suas orações e ao mesmo tempo sentir-se crguihcso diante dos seus irmãos e, muito pior, ter orgulho diante de Deus. Os intelectuais do mundo por mais de um século estão vivendo o orgulho para com Outro perigo ê aue aí fora ninguém ê tolerante com as idéias dos outros. Ninguém aceita as outras escolas de pensamento. A Casa Universal de Justiça, porém., nes exorta a promover um clima de tolerância, a viver a arte básica da nossa Fé que ê a consulta. Der/emes consultar e não recusar. Uma das pretençôes do mundo intelectual em qualquer campo ê a de que eles são objetivos. Asseveram os pensadores c^ie unicamente a ciência é objetiva e que encentra a verdade per meio de métodos científicos. A religião, porém, é considerada como assunta subjetivo. Esta pretensão gravada na mente da maioria dos intelectuais ê cem por cento falsa. Já não são somente cs Bahá'Is que constatam esta falsidade. Está crescendo•o número de cientistas que restram como é falsa a pretensão de exclusividade da verdade pela ciência. A própria ciência está inserida em uma determinada cultura e subeultura. 0 que o cientista descobre está condicionado pelo discurso da comunidade científica. Prcncve-se, per exemplo, o estudo de uma enfermidade. Constatá-se, que
  7. 7. 9 esta enfermidade já existia há uma século, mas que naquele te"npo nem era considerada uma enfermidade. Era um castigo de Deus. Sao as condições culturais que nos dao as perspectivas com que determinamos os fatos. A ciência portanto, é uma atividade que se transforma e se sujeita a ideologias. Dada esta condição da ciência é estranho que um Bahá'í possa chegar a conclusão que a ciência segue uma metodologia objetiva e que mesmo assim nao está de acordo cora a Revelação Bahá'1. Dizendo assim, estaria afirmando que os métodos científicos são melhores que a cultura bahá'í. A pretensão da objetividade é falsa em todos os casos. Principalmente o estudioso Bahã'1 tem condições de ponderar bem as limitações e a natureza da ciência e o poder da Fé Bahá'í. Finalmente, um ponto muito simples: Comecemos a estudar a realidade brasileira. Há desigualdade entre homens e mulheres. Isto é grave. Fazem-se gracejos, por exemplo, a respeito da própria esposa. Bahá'u'lláh é categórico ao determinar a igualdade e deve ser tratado intensamente. Esta questão não está totalmente solucionada em nenhum país, mas no Brasil seguramente as mulheres estão em condição inferior. A Associação deve tomar este assunto como prioritário e relaciona-lo a outros. Deve analisar os programas de desenvolvimento da mulher que existem. Futuramente a mulher brasileira bahã'í deverá se tornar lider intelectual e lider no campo sócio-econÔmico. Outro assunto de igual importância é o da juventude. Não bastam palavras bonitas. Se os jovens vão começar um movimento bahá'1, é preciso que saibam quais são as forças que estão atuando nos diferentes segmentes da sociedade e dentro dos movimentos da juventude em geral. Há necessidade de desenvolver uma critica social. Se não criticarmos o materialismo pouco a pouco estaremos adotando suas condições. 0 Bahá'1 precisa mostrar com conhecimento de causa, que o que está ai fora não é bom. Tem. que descobrir e descrever, em termos bahá'Is quais as causas desta desintegração e quais as soluções."
  8. 8. 11 CIÊNCIA E RELIGIÃO MÉTODO CIENTIFICO COMO O INSTRUMENTO PARA O ESTUDO DO FENÔMENO DA RELIGIÃO FARKANG SEFIDVASH Departamento de Engenharia Nuclear, Universidade Federal do Rio Grande do Sul RESUMO. A harmonia entre a ciência e a religião á analisada, mostrando-se que, verdadeiramente, não existe conflito entre ambos, quando seus propósitos e naturezas são corretamente compreendidos. Ê demonstrado que o método cientlfi co é universal e aplicável tanto na ciência quanto na religião. A importância da harmonia entre estas duas forças primordiais para o desenvolvimento da sociedade humana é exposta. INTRODUÇÃO ; Entre todos os conflitos que existem na sociedade moderna nenhum é tão destrutivo, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade, como o confli to entre a religião e a ciência. Isto é devido ao importante papel que ambos desempenham na nossa vida como um todo. Para o indivíduo, a religião é a expressão da necessidade de auto-transcedência, uma necessidade de sentir o propósito dado por Deus e não algo criado pelo homem. Para a sociedade, a religião representa a necessidade de unidade, amor, harmonia e cooperação. A ciência, por outro lado, representa a necessidade do saber, do compreender, de ganhar um domínio sobre nós mesmos e sobre o ambiente que nos cerca. Isto é verdadeiro tanto para o indivíduo- que necessita conhecimento para se desenvolver em sua própria vida, como para a sociedade que careca de um conhecimento organizado a fim de progredir. A UNIDADE ENTRE A CIÊNCIA Ê A RELIGIÃO Quando o verdadeiro propósito e a verdadeira natureza da religião e da ciência são compreendidos, descobrimos não existir, de fato, nenhum conflito, entre ambos. Nós descobrimos uma unidade essencial entre estas duas forças mais potentes que governam a sociedade humana, uma unidade que sempre existiu: porém tem sido obscurecida e mal entendida. Uma das razoes para este aparente conflito ê que as novas ciências são comparadas com as religiões antigas. A ciência moderna, a qual floresceu nos séculos 19 e 20 ê, em realidade, revolucionária. As grandes e importantes descobertas que foram realizadas durante este último século não encontram paralelo em nenhum período da história da humanidade. Durante este mesmo período, no entanto, a religião, por ter passado o seu tampo, não foi doravan te capaz de servir como uma fonte de inspiração para a humanidade. Assim, a nova ciência entrou em conflito com as religiões_antigas. Por exemplo, em uma nova religião como a Fé Bahã'"£, este conflito nao é encontrado. Este é um fato importante e deve ser devidamente considerado por todo aquele que honestamente esteja procurando adquirir uma compreensão clara sobre o problema Os cientistas têm, tido a tendência de assumir uma posição de ceticismo em relação ã religião porque eles têm unicamente examinado as religiões antigas. Um cientista moderno, por exemplo ridicularizaria quem julgasse a ciência moderna com base no estudo da ciência de 500 ou 2.000 anos atrás. Não
  9. 9. V moderna da religião, a qual nao é senão a contraparte da ciência moderna. Existe uma unidade entre cs vários ramos das ciências, o que quer dizer que uma verdade afirmada por um. rarro da ciência não é rejeitada per outro. A razão para esta unidade é que rodos os rarros da ciência empregam em suas 0 método cientifico consiste no uso sistemático e organizado de nossas várias facui dadas rr.er.tais no esforço- de chegar a urra compreensão coerente da qualquer fenômeno que esteja sendo investigado. É claro que cada ser rr.rrurc conhece coisas e usa suas faculdades mentais para adquirir conhecimen to. C que distingue o método científico é, no entanto,a sistemática, organizada, direcionada e consciente natureza do processo. Cm. cientista usa temente. a razão forrrulando hipóteses e utilizando a matemática para chegar a conclusões. Ele usa conscientemente a intuição ao meditar sistematicamente 0 emprego do método científico não está apenas limitado ao estudo de u r fenômeno particular. Ele pode ser usado para se estudar forças- invisíveis, r fencr.er.03 misteriosos tão bem. quanto ocorrências comuns do dia-a-dia. Falhar em. apreciar a universalidade do mácedo científico tem levado muitas pessoas a sentir que a ciência é meramente o estudo da matéria e trata puramente de '.és veros que a base da ciência é o seu método e não qualquer objeto mamaria m.as também envolve o estudo de um fascinai"te mundo de energia e forças científico é utilizado no estudo dos seres humanos, temes as ciências sociaia hés tomes a religião quando usamos c método científico para o estude da força •~ca são importantes para cada ser humano tais como o propósito da existência do homem, a pcssibiiidade de vida após a morte, o significado do sofrimento, a existência do bem e do mal etc. Uma vez que nós recoaihecemcs que a base da ciência é o seu método e que a base da religião é o sen objetivo de estudo, então a harmonia essencial entre a ciência e a religião surge através da aplicação do método científico na religião. Qualquer dúvida a respeito da aplicabiiicade do método científico na religião ê devida a más concepções religião e a conexão essencial que procede da realidade das coisas ou, is palavras, a conexão necessária que emana da realidade das coisas. religião é basicamente uma forma de conhecimento, sendo que o seu ie conhecimento e o fenômeno da revelação, ou seja, a religião é o conhecimento oue adota o fenômeno da revelação cerro o seu principal
  10. 10. 13 objeto de estudo. A rigor, a evolução social do homem é devida ã periódica intervenção, dentro das atividades humanas, da força criativa do universo, Deus, através de uma revelação cujo portador é um Mensageiro divino. 0 propósito social da religião é criar uma base espiritual adequada ao progres_ sivo desdobramento de uma ordenada vida social para a humanidade, desde que o homem é um ser espiritual criado por Deus, com um propósito espiritual dado por seu criador. 0 QUE E A CIÊNCIA Um aspecto de conhecimento cientifico é a sua relatividade. Em virtude de a ciência ser o uso autoconsciente de nossas faculdades . nós percebemos . que o homem não possue uma medida absoluta da verdade. As conclusões de investigações cientificas são sempre mais ou menos prováveis. Elas jamais são provas absolutas. Ê claro, se uma conclusão é altamente provável e sua negação altamente improvável, nós podemos ter confiança em soas resultados. Seria um erro dizer que nós aceitamos uma afirmação como urra verdade por causa da razão, ou devido ã intuição ou ainda como resultado da experiência separadamente. Nós aceitamos algo como ura verdade em conseqüência de todas as outras coisas que nós aceitamos como verdadeiras, isto quer dizer que esta afirmação ê consistente com as nossas experiências e compreensão da vida como um todo. Nenhuma afirmação pode ser considerada uma verdade absoluta já que nenhuma afirmação é independente de outras afirmações e fatos que podem vir ao nosso conhecimento no futuro. Portanto, o nosso conhecimento é relativo e nenhuma declaração científica pode ser considerada imune a prováveis revisões e modificações. Então o que é a ciência? A ciência é um conjunto de declarações ou afirmações que são assumidas como verdades sobre a realidade. E entáo qual é o conteúdo para a identificação desta verdade científica? Nós temos o direito de aceitar uma declaração como uma verdade quando nós concluímos que a mesma é consideravelmente mais aceitável que a sua negação. Portanto, uma prova, em. termos científicos, significa nada mais que o processo global através do qual nós concluímos que uma declaração é mais aceitável qua a sua negação. Consequentemente, a possibilidade de uma prova absoluta não existe no domínio do método, científico. 0 QUE É FÉ Surge a pergunta: se o conhecimento é relativo, então de onde provêm o sentimento de convicção e certeza? 0 sentimento de certeza é um estado psicológico. Se o nosso intelecto aceita um conceito como uma verdade, então nossas emoções começam a se organizar ao redor desta idéia, focalizando-a e tomando-se dependentes dela. Quando isto acontece, o conceito deixa de ser uma mera hipótese ou suposição intelectual e toma-se parte do modo em que vivemos e do moco que esperamos que as coisas se comportam. Isto é o que ê chamado de fé. Nós podemos definir a fé de um; indivíduo como o conjunto de todas as orientações emocionais e psicológicas resultantes de suposições consciente ou inconscientemente formuladas sobre a realidade. É claro que a fé do indivíduo pode mudar em. função do tempo, na medida em que seus conceitos forem modificados através de novas experiências. Assim, a fé não é algo vago possuido por poucos místicos religiosos, mas cada ser humano pode ter fé. A qualidade da fã de um indivíduo difere consideravelmente, dependendo do grau em que as suposições nas quais esta fé está baseada são justificadas. Por esta razão, a Fé Baha'í advoga a necessidade de um ponto de vista científico sobre a vida. Esta atitude científica não nos garante um
  11. 11. 14 conhecimento absoluto, pois isto está além da possibilidade humana, mas ele garante que cs nossos conceitos serão funcionais e mais próximos ã realidade tanto quando é possível. Quando os nossos conceitos sao não científicos nossa fé torna-se cega e irreal. Nós aguardamos acontecimentos que são ilusórios e ficamos desapontados quando estes não acontecera como nós esperávamos. CONCLUSÃO Em realidade, não existe conflito entra a ciência e a religião. Isto tcrna-se evidente quando entendemos o verdadeiro propósito e a verdadeira natureza que as caracteriza. A importância da ciência está em seu método e a importância da religião em sua reta e em seu conteúdo. A harmonia entre a religião e a ciência ã alcançada através da aplicação do método científico na religião. Esta harmonia é de prirrordial Importância cerro citado por:«bdu'l Bahã , ar. ura de suas palestras ar. Paris: "A ciência e a religião são as duas asas sobre as quais a inteligência do homem pode voar ãs alturas, e com as quais a alma do h r e r pede progredir. Nao ê possível se voar com uma asa err, sor.er.te! Se um hamam tantas se voar apenas cem a asa da religião ele cairia > rapidarrarte no pântano da superstição; enquanto que, por outro lado, apenas cem a asa da ciência ele não faria progresso, antes ele cairia no lodaçal desesperador do materiaiismo. Quando a religião, despojada de suas superstições, tradições, e dogmas ininteligíveis, mostrar sua conformidade con a ciência, então haverá uma grande força unificadora e purificadora no mundo que irá varrer -codas as guerras, desentendimentos, discordâncias, lutas e, então, a humanidade será unida no poder do amor divino". REFERÊNCIAS 1. Sahá'u'Iiah. 1977. Seleção dos escritos de Bahá'u'lláh. Editora Bahá'l do 2. Acdu'l-5ahá. 1979. Palestras de Abdu'1-Eaha em Paris. Editora Baha'i do Brasil. 3. Hatcher, W.S. The Science of religion. Volume 2, 3ahã'i Studies, Published by The Caradian Asscciaticn for Studies on the Baha'i Faith. AGRADECB-ENTCS Este trabalho é baseado na obra do Cr. Killiam Hatcher e foi preparado na intenção de divulgar os conceitos bahá'ís sobre o relacionamento da religião com a ciência na comunidade cientifica brasileira. Foi publicado na revista "Ciência e Religião" n9 35 (6) de junho de 1984. Seu grato ã Associação de Estudos Bahá'Is do Canadá pelo fornecimento de material_de pesquisa. Agradeço também ao Sr. Henri Vahdat pela valiosa cooperação na redação deste artigo.
  12. 12. 15 O MODELO A N I S A SÍNTESE DE UMA TEORIA EDUCACIONAL ABRANGENTE Dra. INGEBORG GRUNW&LDT Ph.D em Educação : . Tne purpose of this paper is to present the ANISA Model - a tentative and comprehensive plan for educational renewal inspired in baha'i principies. Some of the main issues involved in educational planning are discussed such as: the nature cf man; the range of human potentialities; and the concept of curriculum and of pedagogy. INTRODUÇÃO Ao examinarmos o atual estado da educação formal ministrada nos sistemas escolares do mundo inteiro não podemos deixar de concordar com Rost (1979) que presentemente uma onda crescente de insatisfação se alastra por toda a parte. E como expressou ainda este autor "...atualmente, inteiro, a meta não está clara. claras as metas nas sociedade do mundo suprera da vida humana Igualmente, nao estão da educação..."(9 - p.l). Esta falta de clareza quanto aos objetivos educacionais foi apontada por Evans (1971) e Sigel (1973) como um dos principais impasses da educação atual. Segundo estes autores, a fim de termos condições de tomar decisões adequadas quanto a currículos escolares precisaríamos nos valer de uma filosofia educacional e social capaz de-fornecer informações claras sobre a natureza do homem a forma corro se desenvolve e aprende e, finalmente, sobre quais seriam as características de uma vida desejável. Os ensinamentos bahã'ís poderiam nos ajudar a formular um sistema educacional adequado ã realidade de nossos dias? Para os bahá'ís é óbvio que sim. No entanto, é preciso salientar o que Shoghi Effendi nos explicou nos idos de 1939: "... os ensinamentos de Bahá'ulláh e 'Abdul-Bahá não apresentam um sistema educacional definido e detalhado, mas, simplesmente, oferecem certos princípios básicos e estabelecem diversos ideais de ensino que deveriam guiar os futuros educadores bahã'ís em seus esforços de formular um currículo de ensino adequado" (1 - p.8) E sobre este mesmo assunto Shoghi Effendi acrescentou: "Estes princípios básicos se encontram nas sagradas escrituras da Causa Bahá'í devendo ser cuidadosamente estudados e gradualmente incorporados a vários
  13. 13. 16 t a r e f a cs elaborar urr sistema da educação que seja oficialmente reconhecido pala Causa ten de ser gradualmente r e a l i z a d a pelos e r u d i t o s e educadores '•"o passado j á fcrarr. torradas i n i c i a t i v a s louváveis neste s e n t i d o . U m :icr.ai - desenvolvido pelo Cr. Jordan e sua equipe. Daniel Jordan, que ;r do Centro de Estudos do Potencial Eurr.ano da Faculdade de Educação .versicaãe de :>!assachuserts tendo s i d o , ao mastro terrpo, figura de > ~~r~~j_-.7r> ,J,~~. ^v-^^.c—.~~ trabalho e divnicrar e a n a l i s a r aicruns asoectos lalc dídSA per censiderarr.es -consistir o ".esmo numa t e o r i a educacional neste com. e:ciraordinária3 octenciaiidades-, Embora tenha sido concebido 5 educação p r é - e s c o l a r , pede s e r estendido a outros n í v e i s e s e r v i r de racic cara. projetos educacionais de d i f e r e n t e s contextos sccio-econôrico rurars. lonvérrs f r i s a r , contudo, que a palavra "modelo", caro é empregada neste . não s i g n i f i c a um. paradigma que deva ser a c e i t e per todos e, sim, corro _mc de r e c r i a . Assim ro c ^ e s e r t e t e x t o entende-se cor rrodelo a ferrna rnca como for apresentada a t e o r i a educacional concebida por Jordan e euuuaçac vigente, Jordan e Streets rando a psicologia declarou a sua independência nvcíiica existente então, dcmdnada pela física n • 1 r-.= . :ssao no r e h a v i c r i s r e . Ha cerca.de t r ê s décadas começou, no entanto, a -deista de norem.. Segunde Charles {1976} , e s t e movimento é conhecido corno res, i n t e r e s s e s , a t i t u d e s , emoções, percepção, a u t o - r e a l i z a ç ã o , liberdade,
  14. 14. 11 O projeto ANISA surgiu dentro desta nova linha de pensamento. ANISA é uma palavra que significa "árvore da vida" e representa o contínuo crescimento e fruição em um contexto de proteção e amparo. Este símbolo ilustra uma concepção orgânica de educação em contraposição a concepções puramente mecanistas. A base filosófica do referido modelo inspirou-se em dois pressupostos principais: "a unidade do gênero humano e a natureza espiritual do homem." (6 - p.30) A fim de apresentar um modelo aceitável aos meios acadêmicos e ainda para garantir consistência, coerência e abrangência, Jordan e sua equipe utilizaram a cosmologia "Process and Reality: An Essay in Cosmology" do filósofo Alfred North Whitehead (1929) como referência geral para testar seu próprio pensamento.' Como Jordan (1974) mesmo afirmou, "o processo de filosofia de Rhitehead é am si mesmo uma extraordinária síntese do pensamento oriental e ocidental dos últimos 2.500 anos". (4 - p.59) A Visão de Homem No Modelo ANISA o homem ê visto "como o pináculo da criação - um ser espiritual dotado de potencialidades infinitas e capaz de expressão sem fim" (11 - p.30) A principal característica do homem de acordo com esta concepção orgânica "é a criatividade guiada para um propósito e expressa através das capacidades de conhecer e amar" (7 - p.292) Todas as potencialidades do homem são expressões destas duas capaciadades. Assim, neste Modelo o desenvolvimento do ser humano consiste no processo de transformar as potencialidades em. realidade. E desde que cada realização forma a base para novas expressões de criatividade, como explicam Jcrdan e Streets (1973), a criação da novas potencialidades é em si uma das potencial! dades do ser humano. E justamente esta capacidade de ir além de si mesmo é um sinal de superioridade do homem sobre todas as coisas criadas. Como já se mencionou anteriormente, no Modelo ANISA o homem é visto como um ser espiritual. A capacidade para a consciência é inerente ã natureza humana. Este.atributo depende, no entanto, "da experiência do passado armazenada como memória (uma forma de imanência) e da comparação do passado cem a experiência do presente imediato como preparação ou antecipação ao futuro (uma forma de transcedência)"(7 - p.292)
  15. 15. 18 Stréets e Jordan Í1S73) apresentaram a seguinte conceituação de currícu Io: "o currículo abrange dois conjuntos interrelacionados de objetivos educacionais e aquilo que as crianças fazer?:, am gerai, coro a ajuda dos pais e adultos, para atingi-los. Cm dos conjuntos refere-se ã informação (conteúdo) a ser aprendido. A cultura é a fonte de informação, cuja organização se fundamenta na classificação dos meies e inclui três sistemas básicos de símbolos (matemática, linguagem e arte) que são conjunto de objetivos refere—se ao processe e apoia-se na classificação das potencialidades do organisrro humano e as fonras pelas quais se realizam. 0 alcance destes objetives (conteúdos e processo) resulta na emergência da identidade pessoal - o Eu que ao atingir domínio sobre o seu r.eio e sobre c processo do seu próprio dever, roce tomar-se responsável pelo seu. próprio destino". (11 - p.30) " ' Fará o leitor familiarizado cor. os currículos vigentes nos sistemas escolares em gerai, a classificação das potencialidades em cinco categorias causa surpresa, uma vez que nestes currículos os objetivos são agrupados de Outro aspecto surpreendente deste modelo é a classificação do meio. Segundo Jordan e Streets (1973) , o meio classifica-se e r meio físico, meio r. 0 meio físico- inclui tudo que nele está, exceto os seres humanos. Civids—se nas subcategerias mineral, vegetal e animal. 0 meio humano inclui toces cs seres humanos cem quem porventura entremos em contato. Já o meio do desconhecido ou das incógnitas, nas palavras de Streets e Jordan se refere "acs mistérios últimos do cosmo em relação aos quais nossa consciência nos t o m a capazes de ser conscientes, mesmo cue nao saibamos de cue são constituídos" (ll-~p.33) £, finalmente, a classificação do meio inclui o EU ou o "Self", o qual consti tui-se em um. reflexo dos meios citados anteriormente, ou seja, os outros meios representados no Eu, sobre o Eu, Kalinowski e Jordan (1973) fizeram as seguintes considerações: "Tanto c raio físico, como o humano e o meio das incógnitas eu do desconhecido estão representados no- Eu. 0 corpo e composto de elementos físicos: o Eu q^e estamos discutindo é um eu humano e entre as incógnitas do Eu incluem-se suas potencialidades ainda nao expressas, seu futuro e o fenômeno de sua própria mortalidade pessoal". (8 - p.21)
  16. 16. 19 A imanencia e a transcedência definem a essência humana an termos espirituais, ao invés, de materia-is. 0 pressuposto de que o homem é um ser espiritual não deve ser interpretado em termos de seita ou denominação religiosa, e sim em termos de um reconhecimento de características óbvias de como o ser humano atua. Estes atributos fundamentais do homem o tomam capaz de determinar seu próprio futuro e tornam possível transpor os limites da materialidade. Classificação das Potencialidades Humanas Os idealizadores do Modelo ANISA, com base em estudos minuciosos chegaram a uma classificação que engloba cinco categorias de potencialidades: psicomotoras, perceptuais, cognitivas, afetivas e volitivas. A seguir apresentamos breves resumos dos processos envolvidos no alcance da competência em cada categoria. (Veja em 5, 7 e 11) (Veja em 5, 7 e 11) A competência cognitiva envolve a habilidade de pensar claramente usando o raciocínio lógico. Compreende processos cognitivos caro: análise, síntese, classificação, seleção, relações numéricas, inferências dedutivas e indutivas, interpolação, extrapolação, analogia e conservação. A competência psicomotora, por sua vez, compreende as habilidades de coordenar, controlar e dirigir o movimento e a posição dos músculos voluntários, propiciando a consciência posicionai e funcional das partes do corpo e seu uso como ponto de referência no tempo e no espaço. A aprendizagem na área psico-motora é importante em atividades humanas cerro "andar de bicicleta, tocar violino, escrever, realizar uma cirurgia. 0 uso adequado de ferramentas e a operação de maquinário^ dependem deste tipo de aprendizagem". (5 - pãg.3) A competência perceptual ( refere-se ãs habilidades de diferenciar a informação sensoria (visual, auditiva, olfativa, gustativa, sensório-cutanea e sensorio-vestibulares) e de integrar esta informação'em padrões generalizãveis que constituem interpretações da realidade e que capacitam a tomar decisões significativas. A competência afetiva, por sua vez, refere-se ãs habilidades de sentir e de responder emocionalmente de forma adequada (desenvolvimento emocional e moral), visando o tornar-se plenamente humano - o amar e o como fazer-se amar. Envolve a aceitação de insucessos, o controle da ansiedade, da raiva e do ciúme, o amor ã justiça e ã honestidade e a responsabilidade moral. E, finalmente, a competência volitiva refere-se ãs habilidades de formu lar objetivos últimos, diferencia-los em metas operacionais e integrá-los em um fluxo permanente de comportamento intencional dirigido para a concecação dos mesmos. Envolve processos como: atenção, auto-disciplina, estabelecimento de metas, perseverança e visualização mental de uma meta como já tendo sido atingida. A Conceituacão de Currículo 0 exame da literatura sobre currículos escolares e sua eficácia mostrou que, segundo constatação dos especialistas de currículo, esta área de conhecimento humano estava "moribunda". Por outro lado, as Escrituras Bahá'ís indicavam que os sistamas escolares enfatizavam a educação material mas que era preciso concentrar maior atenção na educação moral e espiritual.
  17. 17. 20 Síntese sobre o currículo pelo Modelo ANISA. Sintetizando pode-se dizer oue o currículo ANISA e de processo quando a criança desenvolve potencialidades psiccmotoras, percentuais, cognitivas, afetivas e volitivas, ã medida que interage cor. cs meios físico, humano, o desconhecido e o EU. Por outro lado, é ao mesmo tetro um currículo de conteúdo quando a criança, por exemplo, assiri Ia conteúdos das Ciências Físicas e Biológicas e da Tecnologia em relação ao meio físico; conteúdos das Ciências Sociais, História, Relações Humanas, Comunicação, Leis, Direitos Humanos, em relação ao meio humano; conteúdos da Filosofia, Religião, Estética e Humanidades relativos ao meio do desconhecido e finalmente todos estes conteúdos, quando se relacionam ao Eu. 2 através de currículo de processos e conteúdos que a criança forma valores materiais relativos ao mundo físico os quais fundamentam sua competência tecnológica; valores sociais relativos ao meio humano, os quais servem de rase para a competência moral; valores religiosos em relação ao meio do desconhecido, qje servem de suporte a competência espiritual; a identidade pessoal ou o caráter, mediante a integração de todos estes vaícres sobre o qual se baseia a realização pessoal que é o objetivo primordial do Modelo ANISA. O Conceito de Pedacoaia Segundo o >rjdelo ANISA o desenvolvimento do ser humano ocorre através da sua interação com o meio. O conceito do que seja ensinar resulta desta premissa. Assim "ensinar significa organizar o meio e orientar . as interações cem ele, com vistas ao alcance dos objetivos especificados no currículo". (11 - p.36) A fim de operacícnalizar suas teorias, o Modelo ANISA adotou um conjunto de práticas a serem desenvolvidas em sala de aula. Uma destas práticas consiste em organizar o ensino de tal modo que se propicie o sucesso de cada aluno. Segundo Jordan "isto é feito descobrindo-se o que cada criança sabe e o que é capaz de fazer, a fim de prover experiências de .aprendizagem; que estejam de acordo com seu nível de desenvolvimento".(7 - p.17) Cutra prática do í-iocelo ANISA é a abordagem individual do ensino, uma vez que as crianças desenvolvem em ritmes diferentes e diferem em seus pontos fracos e fortes. For isto no sistema ANISA é concedido a cada criança o tempo de que necessita para aprender ou completar uma tarefa. A medida que ela vai realizando suas tarefas, a criança recebe informações detalhadas sobre seus pontos fraces e fortes e sobre o que precisa fazer para progredir. Assim, ao prover a cada criança as experiências de que necessita e levando em consideração suas diferenças individuais, inclusive as culturais, o sistema ANISA assegura o progresso máximo possível a cada criança e possibilita a igualdade de oportunidades no seu sentido legítimo.
  18. 18. COMENTÁRIO FINAL Como vimos, o Modelo ANISA constitui-se numa Teoria abrangente de educação em que são considerados não somente os métodos de ensino-aprendizagem, mas também a natureza do conhecimento, a natureza do aluno que vai aprender, bem como as bases morais da educação. Este modelo baseou-se na literatura cientifica pertinente. Além disto, sugere que tenha sido inspirado por princípios eminentemente bahã'Is como o de que "há três espécies de educação: material, humana e espiritual". (1 - p.28) Espera-se que com, esta apresentação tenhamos contribuído com alguns subsídios importantes para a formulação de outros projetos educacionais. Citamos como exemplo, um currículo para a pré-escola, que está sendo elaborado no laboratório da Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e cuja fundamentação teoria está sendo baseada, em grande parte, no Modelo ANISA.
  19. 19. 22 BIBLIOGRAFIA 1. CASA UNIVERSAL DE JUSTIÇA. Educação Bahá'í: urra compilação - Excertos dos : Escritos de Bahá^llãh, Abdu'1-Bahã e Shoghi Effendi. Rio de Janeiro, Ed. 3ahá'I, 1931. 2. CHARLES, Carol M. Educational Psychology: the Instructional Endeavor 2a. ed. St. Louis, The C.V. I-fcsby Ccmpany, 1976. 3. EVANS, Ellis D. Cor.tenporary Influences in Early Childhood Education. 2a. ed. Nova York: Hclt, Rir.ehart and Winstcn, Inc., 1971. 4. JCEDAN, Daniel C. The ANISA Msdel: A Master Plan for Equalizing Educational Gppotunity. Reimpressão permitida pelo Meforum, 1(3), Fali 1974, Faculdade de Educação, Universidade de Massachussetts: 57-62 5. ' Renewal . The ANISA f-Sodel - A Corrprehensive Plan for Educational Amherst, Mass., University of Massachussetts, 1975.- (Brochure). 6. JORDAN; Daniel C. e Shepard, Raymond. The Philoscphy of the ANISA Model. Reinpr&ssao permitida pelo World Order; 7 (1), Fali'1972:23-31 7. JORDAN, Daniel C. Streets, Dcnald T. The ANISA Model - A Ne// Basis for Educational Planning. Reimoressao permitida pela Youna Children, 24(5) junho 1973: 289-307. 8. KALIKDKSKI, Michael F. e Jordan, Daniel C. Beingand Beconing: The ANISA Theorv of Developir.ent. Reimpressão permitida pelo World Order, 7(4) Suirmer 1973:*17-26. 9. ROST, K.D.T. The Brllliant Stars. Oxford, George Ronald, 1979. 10. SIGEL, I. ííhere is preschool education going: or are we en route Without a road irap? In Proceedings of the 1972 Irr/itational Conference on Testing. Princeton, N.J.: Educational Testing Servince, 1973. 99-116. 11. STREETS, Donald T. e Jordan, Daniel C. Guiding the Process Beconing - The ANISA theories of curriculum and Teaching. Reimpressão permitida pelo World Order, 7 (4), Suraner 1973:29-40.
  20. 20. 23 OS PODERES HUMANOS EM FACE DA VERDADE Rangvald Taeta Criação ê vida e vida se manifesta por meio de movimentos, constantes movimentos. Tudo que somos capazes de sentir e compreender está dentro de uma dinâmica que sempre, sempre se transforma, se revela e progride. Tanto esta dinâmica como todas suas manifestações, inclusive o MOVIMENTO, são abstrações. Em última análise todos os conceitos que se referem ã nossa vida são abstratos e nós os representamos com símbolos convencionais para compreender o mundo que nos cerca e compreender os seres humanos com os quais convivemos. Estes símbolos convencionais - assim como as palavras da língua de um povo -_quando universalmente aceitos tornam possíveis os entendimentos e a assimilação ds verdades válidas para todos. Uma verdade é a manifestação de uma lei, de um fato que se mantém inalterado em qualquer espaço ou tempo. A verdade não é, porém, um fato estático, mas sim uma dinâmica em constante movimento, revelando-se e renovando-se sempre. Pode-se tentar representar a VERDADE e sua dinâmica com o símbolo universalmente entendido: a flecha AS DUAS REVELAÇÕES Nós criaturas estamos a todos instantes das nossas vidas confrontados com duas espécies de revelações, ambas preexistentes e que o homem já encontrou em plena atuação ao iniciar sua existência sobre este planeta. As duas revelações são de essência completamente diferentes irias sempre em total e constante harmonia. Se completam e complementam pois provém da mesma fonte: 0 Criador. Uma é a Revelação Natural. E a natureza que nos cerca. É todo este conjunto de fenômenos que nós serros capazes de registrar can os nossos ( sentidos. 0 sol que derrama sua luz, I REVELAÇÃO " seu calor, sua energia e que ESPIRITUAL movimenta a matéria desta terra fazendo com que dos sólidos,líquidos LEIS ] e gasosos surjam todas as formas de W E B n A I^E ' vida em infinita variedade,inclusive V EIÇUMI^E nós próprios seres humanos. Todas as manifestações desta natureza LE|S t obedecem a leis, leis imutáveis, REVELAÇÃO cujas manifestações são observadas NATURAL pelos sentidos físicos e cujos ! registros constituem as ciências exatas. Por convenção vamos representar a Revelação Natural com uma flecha de L .iixo para cima. A outra é a Revelação Espiritual. Imperceptível aos sentidos ela não se mostra na natureza, em nenhum lugar e nenhum tempo do cosmos. De forma
  21. 21. 2H esquemática poderia se dizer que se a natureza nos revela o "Quê", a Revelação Espiritual trata do "Porquê" e do "Para Quê". Ela se dirige diretamente ao que a criatura racional, o homem, tem de mais nobre e que o distingue de toda natureza que o cerca, a alma. Ela dita a regra do jogo da vida, define o certo e o errado, o bem e o mal. Enquanto o animal tem esta regra implantada na sua genética, o homem possui o livre arbítrio que lhe permite a opção da sua consciência. Da mesma maneira como o homem não é autor de nenhuma lei da natureza, também não tem condições de inventar leis morais ou determinar o seu destino espiritual. 0 mesmo poder que transformou o caos para criar este mundo que conhecemos pelos sentidos, implantou a ética da vida no instinto dos animais, também tem revelado as verdades que só o homem é capaz de assimilar e incorporar ao seu espírito. 0 veículo esta revelação sempre foi o Manifestante Deus, aquele ser sublime e misterioso que através dos tempos elevou o homem a patamares cada vez mais elevados de civilização e de compreensão do seu destino. Por convenção também vamos representar a "Revelação Espiritual" com uma flecha dinâmica que é - mas de cima para baixo. No desenho parecem se opor * desenhos têm suas falhas - mas em realidade se entrelaçam em eterna harmonia. Ambas, em conjunto, corpo e espírito, com suas leis bem definidas, são a grande verdade da sinfonia da vida que envolvem o ser humano em toda sua existência. OS PODERES DO HOMEM Por sua vez o ser humano posto neste mundo dentro da conjuntura preexistente recebeu duas maravilhosas dinâmicas na sua área de atuação finita e relativa cem as quais ele pode se ajustar a verdade dentro da qual está mergulhado. Por convenção se representam estas forças na horizontal. Uma destas forças de sua alma é o AMDR. É o campo das emoções, dos desejos que impelem o homem ã conquista de realizações. Nela está a paixão desenfreada mas também a extasiada contemplação de beleza da criação. Nela está sua ambição e seu orgulho e também seu despreendimento, sua humildade e altruismo. É a dinâmica do amor que pode levá-lo ao ódio extremo e ao pecado, mas também é ela que conduz às mais excelsas virtudes. É no amor que se podem alternar desesperos e êxtases cheios de luz. É a força que pode levar a alma do homem ao primeiro dos mundos transcendentais. A outra força ê a razão. É onde se manifesta o raciocinio, a ponderação, a compreensão e a memória. Ê cem a razão que o homem analisa os fenômenos e vê a justa proporção das varias facetas da verdade, Estabelece pelo conhecimento do certo e do errado. Investiga o infinito e eterno, embora nunca os alcance. É capaz de assimilar abstrações. 0 grande desafio do ser humano é dirigir estas duas dinâmicas ao rumo certo e dar sentido ao motivo de sua existência: Conhecer e Adorar ao Criador. Para conhecer ele usa a Razão e para adorar ele usa o Amor. As duas forças não são equivalentes. Diz Bahá'u'lláh: "A mais amada de todas as coisas é a
  22. 22. 25 justiça..." e a justiça pertence ã área da razão, que por sua vez é o poder do "Vale do Conhecimento". D amor entretanto, precede ã razão. A jornada para o "Vale do Conhecimento" passa antes pelo "Vale do Amor". "Ama-me, para que o Meu amor possa te alcançar" e "Meu primeiro conselho é este: Possue um coração puro, bondoso e radiante...", diz Bahá'u'lláh. 0 coração é sede do amor. Por ter o amor uma dinâmica mais potente, representamo-lo com uma flecha maior. 0 ENCONTRO Eis o encontro da criatura com o Criador. 0 amor e a razão, os poderes horizontais do homem, entram em contato com as verticais da Revelação Divina e produzem toda a vida humana. 0 ideal da vida seria a distribuição equitativa representada pelo desenho. Neste caso a criatura RHIGlA) R ^ 1 * * 0 M/ST/CA amará com a mesma força do seu amor a verdade espiritual e a verdade do mundo contingente e a mesma criatura • raciocinará com a mesma intensidade AMOR# sobre o que Deus lhe revela através de Leis Manifestantes e sobre o que ela pode observar na criação que o cerca. ARTE C/ÊNCM A própria dinâmica dos poderes S NATUREZA! exige resultados. Quando o amor se inclina ao Verbo revelado e anseia por Deus, tem como resultado a Religião. A alma se extasia diante da eternidade e de coração aberto absorve a luz espiritual, 0 amor a Deus se projeta sobre todas Suas Manifestações e num infinito Convênio a alma está religada a todas as criaturas. 0 amor condiciona a uma submissão incondicional ã lei e consoliua o caráter do homem. 0 amor diante da natureza se maravilha com a beleza da criação e estimula o ser humano para a Arte. 0 gozo dos sentidos frente ã harmonia das infinitas manifestações da natureza leva ã criação de obras que dignificam todas as civilizações. Por outro lado, se a razão analisa a natureza e registra seus fenômenos temos a Ciência. A razão observa, memoriza e classifica as leis da criação e as põe a serviço do bem estar, da humanidade. Quanto mais a razão penetra ncs segredos da natureza, tanto mais complexos e múltiplos se tornam os problemas que desafiam a mente. A ciência se torna cada vez mais abstrata e se aproxima da espiritualidade que permeia o universo. Quando a razão se volta para a Revelação e medita sobre o Verbo registrado nas Escrituras, descobre o destino espiritual das criaturas. Mundos insuspeitos se descortinam diante do pesquisador que começa a vislumbrar sua infinita espiritualidade, na própria vida. É a Mística quê transpõe a dimensão do tempo e faz o homem maravilhar-se diante da Justiça e a Sabedoria da eternidade com uma visão de mundos que estão por vir. 0 ideal seria que o homem atuasse com suas forças de forma, equilibrada, assim como sugere o desenho esquemático. A diversidade da própria criação torna impossivel esta igualdade. Todas as criaturas são diferentes e ninguém tem as suas emoções e sua intelectualidade em igual intensidade voltadas para todas as manifestações do Criador. Além disso as próprias dinâmicas, tanto as
  23. 23. 26 verticais, como as horizontais atuam de maneira entrelaçada. Embora se possa identificar bem o que é da Razão e o que é do Amor, elas sempre agem em conjunto. Ilã sem dúvida influência do aivor para que a Razão pesquise a ciência e a arte não poderia estar parada na amorosa contemplação da beleza; ela precisa da razão para se manifestar. Os desenhos, além disso, sugerem apenas o aspecto positivo do relacionamento com sua confluência. Podem-se representar graficamente as divergências. 0 amor que se dirige em direção de afastamento da Revelação, mas estribado em noções fragmentárias das Escrituras produz verdadeiras aberrações fanáticas que pretendem chamar-se religião. Ou então a razão pura que se concentra em certas teorias de cunho científico e totalmente afastada do amor ao próximo e de leis espirituais, toma-se destruidora e totalmente imoral. Recorde-se sempre que os poderes do homem são apenas movimentos, forças, e como tais não são boas, nem más. Tudo depende de como o homem dirige estas forças com o seu livre arbítrio dentro desta arena cheia de desafios que é a vida. Arte e Ciência, Religião e Mística são as expressões dos poderes do homem e que só em raras ocasiões estiveram em harmonia. Somente agora, cem os ensinamentos de Bahã^llâh, se estabelece como um mandamento a harmonia total Não existe mais a oposição de sagrado e profano. Toda criação, em todos os seus aspectos, é sagrada.
  24. 24. 27 A B Í B L I A LIVRO DE'TEXTOS DO I o SÉCULO PARA UM MUNDO DO SÉCULO XXI? James Walxer - Brasília Todas as religiões do passado baseiam sua crença na exclusividade do fundador de fé, do seu Profeta. Isto resulta freqüentemente em absolutismo. Nesta época de contatos e confrontos, entretanto o homem encara problemas para os quais os conhecimentos tradicionais não têm respostas e a solução de problemas adquire dimensões inteiramente novas. Exemplos: Como tratar novas formas de vida que podem eventualmente constituir uma ameaça a ecologia ou ã sociedade? Como manipular novas idéias e tecnologias para as quais não existe experiência prévia de solução de problemas? A humanidade precisa de conhecimento e de guia social e espiritual para hoje e amanhã, não para ontem. Deus Criou o homem para levar avante uma civilização em constante progresso. Este ensaio se preocupa com esta relevante questão. Todas as religiões do passado tem muitas coisas em comum!: uma delas é a crença na exclusividade de seus Profetas e seus ensinamentos. Os cristãos também acreditam na exclusividade de seu Profeta. Isto sempre resulta em declarações tais como: "Jesus era filho de Deus", implicando, portanto, que Ele era o absoluto, ou "Porque nós precisamos de outro?", ou "Jesus disse: 'Ninguém chegará ao Pai senão por meu intermédio'", ou "A Bíblia diz que durante o final dos tempos o anti-Cristo virá" ou "A Bíblia nos diz tudo o que devemos saber; necessitando somente, de ser atualizado de tempos em tempos". Contudo, tem sido dito que " a única coisa no Universo que ê constante é a mudança, e mudança não é constante". Tudo no Universo ê dinâmico, e não estático. Religião também ê dinâmica. E uma vez que as coisa no Universo só podem mover-se em uma única direção: do passado para o presente, ou para frente, religião não pode mover-se para trás,nem pode o homem retroceder no tempo ou em pensamento religioso, ponto de vista, ou práticas, por mais confortante que isto possa parecer. Dr. William Hatcher d' diz que "Cientistas modernos achariam ridículo qualquer um que julgasse a ciência moderna sob conhecimentos científicos de 500 ou 2.000 anos atrás, mesmo assim, estes mesmos cientistas julgam todas as religiões sem examinarem a religião de uma forma moderna, a qual é a contraparte da ciência moderna. Ele continua dizendo: que "uma vez que entendemos que as bases da ciência é seu método e que a base da religião é seu objete de estudo, então, (1) "A Unidade de Ciência e Religião", VM; Hatcher.
  25. 25. 28 •a harmonia essencial entre religião e ciência se t o m a lógica e óbvia isto é, aplicar métodos científicos na religião". •'Por volta de 1825, a revolução industrial começou na Inglaterra. Até aquela data, a evolução da civilização tinha sido tao lenta que George Washington fez a__primeira transformação moderna no arado em 2.000 anos. Agora em menos de um século, tivemos desde*a primeira primitiva lâmpada elétrica de' Corporação "Giant Con Edison"; do primeiro primitivo telefone de C-raham Bell's ã "International Telefones e Telégrafos", menos de cam anos que as armas do homem geralmente mataram " alguns milhares na guerra, ã corrente capacidade atômica para completamente civilizações de dezesseis planetas do tamanho da terra. Cs irmãos Kright e Santos Durront inventaram o primeiro avião motorizado, seguido por mísseis bombas capazes de destruir pedaços inteiros de um país cr ance. Por volta de 1850, Auguste Ccmte definiu a nova ciência da sociologia, da qual nasceu a cultura antropológica e também sua irmã, a ciência da psicologia social. Freud começou uma nova ciência, a psicanálise. Se para o bem. ou para c mal, Farl Marx escrever "Das Kapital" e "Manifesto Comunista", mudando para sempre a economia mundial e seu suporte político. Foi nesta época a mais auspiciosa época de toda a história humana - que Eahã'u'liãh veio a esta terra para dar orientação apropriada ao ser humano para ura era que tinha então nascido. O mundo tinha vindo ao fim de uma era, estava no limiar de uma outra era, tão diferentemente deslumbrante de qualquer cutra coisa experimentada antes, que se t o m a uma série de regulamentos tão simples e ao mesmo tempo tão complexos - tão imediatos porém tão longe de serem, alcançados - que poderão se passar séculos antes do homem começar a entende-las. A regra do mundo antigo havia de repente terminado e a regra do' mundo revo havia começado. E aí Bahã'u'llãh revelou, que toda verdade espiritual é relativa e nós descobrimos que o universo, incluindo este minúsculo planeta azul em que vivemos, ê muito mais complexo que os nossos antepassados pudessem admitir. Lembrara antigamente, quando a terra era parada no centro do universo e o sol, lua e as estrelas rodavam em t o m o de nós? Bom, imaginemos um foguete equilibrado em sua rota, sua fumaça de oxigênio líquido congelado na noite, os astronautas ã bordo, e os navegadores de controle de terra, voltados ao controle da missão, fazendo os ajustes finais no curso da nave para que o foguete e a lua se encontrem em um ponto preciso no espaço na mesma hora utilizando um mapa pré-copémico do universo. Obviamente que o homem e a lua se desencontrarão um do outro, provavelmente por milhões de quilômetros. C mapa prê-ccpémico foi útil apenas naqueles dias, (uma vez que o homem não tinha capacidade nem entendimento naquele tampo) - Este mapa é totalmente inadequado para cs trabalhos atuais. Contudo, a maioria dos cristãos está ainda tentando usar um. "mapa" totalmente ultrapassado através do mundo no século XXI e não ê a toa que não esteja dando certo. Como o Dr. Townshend bem diz, a Bíblia ê a maravilha, varredura, história inspirada divina de quatro mil anos da evolução espiritual do homem, e que guiou o gênero humano a maior civilização que o mundo já conheceu até hoje. Porém a Bíblia nunca foi intencionada a funcionar para os problemas de hoje, tanto quanto "Meu Primeiro Livro de Leitura" não foi intencionado a ser usado como livro de texto por um doutorando em engenharia atômica. Com isto, não queremos ir contra o livro ou a Bíblia. Ambos fizeram o que eles intencionaram e o fizeram superlativamente. Uma vez uma jovem senhora me disse, que tudo que o mundo precisa é ficar atualizando cs ensinamentos de Jesus e então estaremos fazendo c suficiente. Bom., ã parte do fato que se isto for verdade, porque não está funcionando? De
  26. 26. 29 fato, porque as coisas do mundo estão cada vez ficando piores? Porém - é isto que Moisés fez? Jesus? Maomé? Isto é como dizer que tudo que precisamos é ficar atualizando "Meu Livro de Primeiro Grau" e o homem pode adquirir qualquer PhD, que ele queira ou precise. 0 número total de palavras em um vocabulário que a maioria dos povos educados tinha a dois mil anos atrás era de aproximadamente 8.000. Hoje se aproxima de um milhão. A maioria das pessoas literárias na época de Cristo não tinha nem vocabulário para entender o mundo de hoje ou o que custa para viver ou ainda sua função. Quantas palavras ou frases a seguir estavam no vocabulário no tempo de Jesus?: foguete, computador, industria de base de satélite, corporação multi-nacional, comunicação instantânea em todo o mundo? Você sabe - os primeiros seguidores de Cristo falavam uma língua, tinham filosofia, teologia e visão que eram estranhas ao judeu, ao romano, ao gôdo, ao celta, e outros do mundo que eles vieram a contactar de acordo com a expansão de sua palavra. Eles tinham modo de ver diferente e eles viam um mundo que mais ninguém daquele tempo podia ver. Mas nunca, em tempo algum, o cristianismo, judaismo, islamismo, budismo ou hinduismo foram a força para unificar o planeta. 0 tampo da consciência social cristã foi, para a maioria das pessoas, nao mais que trinta ou mais quilômetros dentro da área que viviam ou no tempo em que viveram - no máximo, não mais de: duzentos quilômetros de raio 'sobre o que eles ouviam de tempos em tempos. Na Idade Média esta consciência social não havia crescido ao ponto do estado nação que havia somente começado a emergir depois de Maomé. Em 13 séculos e por este tempo que a comunicação se tornou mundial e se fez consciente, cristianismo e judaismo e todo o resto ficaram tão divididos e tão discordantes que agora não há chance que essas religiões possam juntar seus ideais de novo. A idade dos répteis começou a uns 280 milhões de anos atrás...idade do cristianismo a 2.000 anos atrás. Mesmo assim a diferença para o homem nas últimas gerações humanas faz com que sintamos como foi pequena tcda a mudança que houve antes. Para toda a história do homem, as mudanças podem ser medidas em menos de milênios se não em séculos. As mudanças hoje acontecem tão rápido que existem suficientes novas matérias publicadas todos os dias para ocupar umas mil estantes de livros e não há indivíduo que possa estar sempre atualizado com este tipo de desenvolvimento. Existem hoje, conceitos, e problemas para os quais não há precedentes na história humana; e existem preceitos insuficientes em livros religiosos para nos fazer entender o comportamento do homem atual. Nós não vivemos apenas em um tipo totalmente diferente de mundo, mas existem formas totalmente diferentes não só de compreendermos problemas mas também como resolve-los. Desde que bati esta matéria, em outubro de 1932, já existem tantas coisas novas no mundo que eu tive que mudar e atualizar, mudar e atualizar - muitas vezes, e provavelmente eu nunca estarei completamente em dia. Novos desenvolvimentos estão rapidamente explodindo literalmente no mundo que se torna difícil estar em dia com eles; e não sanente novas soluções para problemas são necessárias, mas também novas formas de decisões, e decisões com técnicas, totalmente novas para a experiência do homem,e sem experiência anterior ou orientação. Já que só abrangemos um mínimo percentual do total de tipos de mudanças do dia de hoje, vamos falar de algumas mais: a explosão populacional; os trapaceiros e suas implicações na sociedade; implante de corações, corações artificiais e marca-passo; bebes que nascem com sucesso de mães mortas; máquinas que lêem um livro incluindo termos altamente técnicos, robôs funcionais - e se estima que robôs e computadores serão 90% da industria dos
  27. 27. 30 Estados Knidos em 1987 o que será a menos de dois anos de hoje! Esta é a época de engenharia genética; clones humanos; -transplante de coração - rins e olhes; implante de dedos e braços; satélites para comum.cação instantânea para toco o inundo eu TV ou aparelhagem com longo alcance para orevisão de térreo ou educação em massa, passeio na lua; telescópios em_õrbita; scectreeliscóoios; micro biologia e macro biologia; mésons Mu e Pi e câmara de nuvens; ranisulação mental incluindo subiiminal; satélites espiões e satélites esoices assassines e matadores de satélites assassinos; laser e tecnologia de cartícuias de raio; bombas de neutrons; teenóticos; o desaparecimento de industrias fumacer.tas e nascimento de novas industrias; e uma economia de infcrrraçces-prccessamer.to. Vamos focalizar os clones ou duplicatas humanas: Quantas cópias humanas r>or cessea? Como decidimos quem tem, direito a sua duplicata e quem não tem? Estas cópias humanas seriam hrranas? Ou animais? Meio a meio? Eles teriam alma? Ou metade de sua alma? Se eu for para a cama cem uma cópia da minha esposa, eu estaria cometendo adultério? Ou socorria? Elas poderão se casar? Com um de nos? E as crianças cue nascerem desta união? Qual será seu direito social, legal, moral e educacional? E sua capacidade espiritual? Poderei utilizar a minha cópia para. me substituir? Se eu fizer isto várias vezes a que ponto eu checarei a não ser mais "eu" Se minha copia atirar no presidente,• eu serei responsável? Se eu morrer, minha copia terá que.ser eutanasiada? G estudo das espécies indicam que a fabricação, com sucesso, de cópias humanas de çcrilas ou orançotangos pode ser possível. Se for posta em prática e cem sucesso, como seria esta criatura? Um esperto macaco ou um humano idiota? Teriam eles, como as duplicatas humanas, almas? Meia alma? Seria humano ou animal ou alguma nova designação? Quais seriam, seus direitos, social, legal, moral, ético e religioso? Quais seriam as conseqüências, social, legal, moral, ética e religiosa? O que diria a sociedade? O que diria o cristianismo? O que a sociedade e o cristianismo fariam? Seria possível o direito de propriedade? Casamento? Teriam descendentes? E as mesmas perguntas com relação aos descendentes? Ká um ditado na ciência que diz "se pode ser feito; mais cedo ou mais tarde será feito", portando, isto é uma coisa que teremos que encarar, e possivelmente muito em breve. Eu li em um jornal científico, que uma criatura como esta já nasceu e está crescendo sob uma forte custodia pretetera, onde ela pode ser testada e estudada e também, ver como ela se sai. Eu espero que tenha sido um pai humano e uma mãe macaca em vez de vice v e r s a i — e quem faz as decisões racional, morai espiritual, social e final destas coisas e de milhares de outras novas na humanidade que está proliferando sem controle? A Bíblia é um livro maravilhoso e sagrado, mas, nao se pode consultá-lo para estes tipos de perguntas. A intenção nunca foi esta. E nunca poderia ter sido porque mesmo se os escritores tivessem previsto todas estas coisas, para os leitores da época, não teriam sentido, e provavelmente hoje nao haveria Bíblia porque não havia mercado para ficção científica naqueles dias, e o editor nunca teria ontado por uma segunda edição! A maioria des milagres de hoje trazem com eles problemas e tipos de soluções çue não seriam possíveis há mil anos atras. Nem falemos em dois-' mil anos atrás. Hoje podamos fazer uma pessoa viver muito mais tempo do que a cinqüenta anos atrás, às vezes ligando a elas, aparelhos e aí vem a hora de termos que decidir se desligamos ou não o aparelho e permitimos sua morte.Nos temos realmente o direito de ligarmos ou não estes aparelhos? Isto não seria brincar com Deus? Quem tema estas decisões e com que base? Como devemos fazer decisões éticas para decidir situações que nunca
  28. 28. 31 existiram na história da humanidade? Onde achamos os valores para as decisões de amanhã? As igrejas podem ajudar? Quanto tempo ainda temos? A resposta para algumas destas coisas não deverá ser a que nós possaiios,, mas a que necessariamente 'deveríamos fazer. Mas isto é claro, deverá cobrir todas as várias e reais situações que se apresentam. Todas estas considerações estamos apresentando para mostrar que o mundo de hoje é tão diferente do mundo de ontem. E o amanhã? Como é que podemos "saber qual o tipo de lei social que precisaremos, quando estivermos voando em volta do universo com a mesma naturalidade com que dirigimos nosso Passat em uma rua para uma loja nos dias de hoje? Se Bahã'u'llãh nos tivesse dado leis de tráfego para o espaço nós não saberíamos o que fazer com elas, ainda. Ou se ele tivesse nos dado regras de conduta social para outros planetas, nós teríamos jogado elas fora imediatamente e teríamos esperado talvez milhares' de anos antes de podermos olhar para elas. Com a nossa presente mentalidade de tipo "John Wayne" se nós algum1 .dia encontrarmos outro ser de outro planeta, nós estaríamos inclinados a atirar neles primeiro e depois fazer as perguntas e isto não é a maneira de ganhar um amigo e influenciar um marciano! Nós precisamos primeiro juntar nossos pensamentos neste planeta para depois estarmos preparados para tentar os planetas de fora. Eu uma vez li uma história de ficção científica sobre uma nave que decolou para uma viagem de mil anos em outro planeta. 0 piloto e sua tripulação foram colocados é claro em um estado de hibernação artificial, para serem acordados automaticamente apenas algumas semanas antes de aterrizarem, para que então fossem feitos os ajustes finais, checagem dos equipamentos, eta Mil anos mais tarde quando eles acordaram, eles estavam muito surpresos de ver uma infinidade de naves no planeta, que haviam vindo dar as boas vindas a eles. Nos dez séculos em que eles estiveram embarcados, a tecnologia da terra tinha progredido a um ponto que eles agora podiam permutar informações em apenas duas semanas. E este é o tipo de desenvolvimento acelerado que a terra está sujeita - e é claro, isto pode ser amedrontador. Já é dito que provavelmente 90% do que teremos e faremos nos próximos cinqüenta anos ainda não seja nem falado. Como é que alguém possivelmente pode dar a nós uma orientação para conduta social e espiritual para uma era desconhecida? E quando este século é muito mais diferente do século de Cristo, então, o século de Cristo estava a milhões de anos A.C. da era dos .dinossauros, como alguém poderia esperar que suas leis fossem remotamente intencional para a época do poder atômico que nós temos hoje? Muito menos para os dias de amanhã e depois de amanhã. O que Cristo ensinou era perfeitamente apropriado para os dias dele, e um pouco mais de estudos que façamos sobre suas leis nos mostrará abundantemente a tradição de sua sociedade. Prosseguindo um pouco mais; estudando o desenvolvimento social, político e científico do homem nos últimos dois mil anos, e pergunte a você mesmo se as leis de Jesus realmente mantiveram concomitantemente seus passos. Hoje, na época em que vivemos, o homem com visão emergente do mundo, está consciente que não mais vive em um mundo plano e nem que é o centro do universo. Ele mora no limiar do espaço e está alcançando as estrelas. Ele não pode passar pela civilização do_século XXI com idéias do século XIX, muito menos dos primeiros séculos, e não pode adquirir PhD com ensinamentos de primeiro grau, por mais básico e necessários que estes possam ser. O homem necessita de orientação e tecnologia social e espiritual para os dias de hoje e amanhã, não para ontem. Deus criou o homem para se desenvolver para uma civilização ainda mais avançada e para o mundo de amanha, e somente a luz de Bahã'u'llãh mostra o caminho.
  29. 29. 33 A ARTE E A CIÊNCIA DA MEDICINA VISÃO BAHÁ'f fdfihad Sha.ya.ni INTBDDÜÇflD O presente trabalho pretende distinguir entre a arte da medicina, isto é, a aplicação final do saber médico e a patologia, ou seja, a ciência dos mecanismos das doenças, comumente confundidas ao se referir ã medicina. Nesta distinção visa mostrar que, assim como a patologia lança mão de ciências básicas (como a microbiologia, anatomia, bioquímica, etc.) e de recursos tecnológicos, a arte médica deve utilizar-se para a correta aplicação da ciência médica de todas as realidades que cercam a pessoa doente. Estas realidades são os esquemas de valores sociais, morais, éticos e espirituais do homem. Estes padrões e valores não dependem da patologia para o seu desenvolvimento. Foram, isto sim, em toda a história da humanidade mostrados através de Revelações Divinas, fundamentos das grandes Religiões Universais. Estas surgem, em épocas variada, através de seres humanos especiais, que como mutações na biologia (15) transcendem o pensamento comum, iniciando uma nova era de verdades e conhecimentos, dirigindo os passos da humanidade para o seu progresso material, social e espiritual. Neste estudo visa-se demonstrar; através da análise da história da medicina, que os fundamentos da arte e prática médica foram trazidos pelas grandes religiões reveladas. Mesmo na ausência da instituição religiosa formal sustentando em determinada época a medicina, a sua ética 'e iroralidade senpre se basearam em mensagens de algum ou alguns reveladores divinos. 0 dcminio da patologia sobre a arte médica é um fenômeno recente, como prova Laing Entralgo na sua monumental obra "História Universal da Medicina" (10). Este dominio surgiu a partir da visão mecanicista da vida humana e da medicina, no século passado, sustentada pelo peso da autoridade de pesquisadores como Behring e Wirchow, ambos patologistas, e microbiologistas como Koch. Com este domínio a arte médica tornou-se tecnicista e materialista, esquecendo-se da sua finalidade última de trazer bem estar físico, mental e espiritual ã pessoa do doente. Pretende também este trabalho mostrar a necessidade da medicina voltar a ter na sua prática, além de conhecimentos sociológicos e psicológicos, o embasamento e o direcionamento da religião revelada. Não às doutrinas e leis de milhares de anos passados e inadequados para a etapa atual da evolução humana, mas a religião adaptada ãs necessidades e compreensão do homem moderno.
  30. 30. 34 Esta religião já existe, a partir da revelação da Bahã'u'llãh (1817-1892) e da Fé Mundial, a Fe 3ahã'í por Ele instituída, com ensinamentos sociais, espirituais e práticos, que harmonizam, a ciência e a religião e lançam as bases de urra Kova Era de paz e unidade para a Humanidade. 0 presente artigo tem o objetivo de lançar o alerta de que se não for conferida ã arte médica o direcionamento de uma religião atual e atuante, corre-se o risco do desprezo e abandono da própria ciência médica, um patrirônio da humanidade, a favor de superstições, curandeirismos e crendices. Lamentavelmente, como reação ã desumanizaçao da medicina científica, estão ganhando voz teorias e práticas anticientificas, quando não a pregação da própria extinção da medicina, como pretende Ivan Illich (11). A única forma de salvar a ciência médica ê dando esquema de valores á arte médica. Valores que apenas a Religião confere ao homem pela visão geral, sintética da sua realidade. A causa da crise atual da saúde e da medicina não é tecnológica ou científica e nem mesmo econômica, mas essencialmente espiritual.. Este fenômeno tcma-se mais agudo em países em desenvolvimento como o Brasil, onde uma arte médica elitista é dirigida para o poder e."status" do médico, sem nenhuma visão social, moral e espiritual de milhares de pessoas carentes de custearem a sua cura. Também pretende-se no presente trabalho dar uma visão resumida e panorâmica das contribuições da Fe Eahá'í ao exercício da arte médica no mundo de hoje. Fornece também os princípios elementares trazidos por Bahá'u'llâh para que os homens abandonem uma expectativa passiva diante das doenças, passando a responsabilizarem-se pelos cuidados com a sua própria saúde, prevenindo-se e autoprotecendo-se das moléstias. Que a revelação Bahá'í ê a fonte de inspiração da moderna arte médica, lançando luz também sobre a ciência médica e da patologia e terapêutica, dando elementos para pesquisas e experimentos futuros, terminando com a dualidade ccrpo-espírito na medicina, na demonstração de sua unidade básica. Na conclusão mostram-se as finalidades últimas da medicina e da saúde, que se confundem, na essência, com o propósito e sentido da própria vida do homem na face da Terra. EXERCÍCIO DA ARTE MÉDICA A medicina, caro toda a atividade que lida diretamente com a vida humana, é arte e ciência. No caso, a de prevenir, curar e reabilitar as doenças do humano. Em toda a história da medicina, a arte conferiu direcionamento e orientou na avaliação de todas as condições humanas que envolviam a pessoa do doente. A partir do século passado, fruto do pensamento mecanicista da época, passou-se a ligar a medicina apenas ao estudo dos detalhes dos mecanismo das doenças: a patologia. Esta, empregando urra metodologia científica e impondo-se pela força dos conhecimentos que trazia a luz, acabou tornando-se o sinônimo da medicina. A patolpgia, porém, não apresenta esquemas de valores, não tem direção,
  31. 31. 35 nao traz nenhuma finalidade por si, e nem consegue avaliar ou ponderar sobre o seu sentido último. Assim, com'o tempo, a medicina excessivamente patologista, tornou-se desumana, fria e cada vez mais distante da alma do homem, resumindo-se em um sofisticado conjunto de técnicas e procedimentos. Patologistas como Virchow e bacteriologistas como Emil Behring, apresentavam a bacteriologia como a verdade médica definitiva e Robert Koch, o descobridor do bacilo da tuberculose, como o seu profeta. Virchow e Grotjahn ainda esboçaram alguns conceitos de medicina e higienes sociais, porém sempre dentro de um enfoque puramente biológico. 0 início do século vinte foi o de maior euforia pelas realizações da assim denominada "ciência médica". Houve desprezo de quaisquer outros conceitos, mesmo sociais, que pudessem orientar a medicina. Todo o saber intuitivo e inspirado e toda a base moral e espiritual da prática de curar foram abandonados como conhecimentos vulgares e irracionais. Passou-se a praticar uma medicina excessivamente analítica, dirigida compulsivamente ã detecção de "germes" e das doenças, esquecendo-se da pessoa do doente e sua situação na estrutura social e no contexto da humanidade. A experimentação, sem o uso da sabedoria e moderação, passou a ser unicamente de fatos observáveis pelos sentidos. A quantidade opôs-se a qualidade. Os medicamentos e as técnicas, porém, mostraram-se produtores de efeitos colaterais devastadores. Surgiu um novo ramo da medicina: a iatrogenia - estudo dos males causados pelo próprios remédios. 0 paciente foi obrigado a adotar o papel passivo: nada deveria fazer pela sua saúde, porque ao cair doente sempre haveria algum dos "milagres da medicina" pronto a vir socorrê-lo. A relação médico-paciente alcançou os níveis mais baixos:' os especialistas, cada vez em número maior, passaram a preocupar-se pelos órgãos ou pedaços da anatomia de que eram responsáveis, esquecidos do restante do corpo e especialmente da sensibilidade e da humanidade da pessoa que estava a sua frente. 0 mercantilismo, isto é, a busca da remuneração pelo serviço médico como fim e não como conseqüência, passou a ser a norma ética válida e aceitável. A industria de medicamentos e de novas técnicas e novas cirurgias passou a acenar com novas formas de se tomarem rentáveis às descobertas dos patologistas e terapeutas. E a arte médica a quem caberia dizer para onde a medicina deveria dirigir-se e que padrão seguir, por falta de uma religião viva a lhe impulsionar, passou cada vez mais a ter uma posição secundária. Dos dois caminhos que se dispõe para alcançar a verdade, o método científico e a revelação (além dos imperfeitos como percepção senscrial e tradição), a medicina contentou-se apenas com a primeira. A revelação, base das grandes religiões universais, pcrêm, foi, em toda a historia da humanidade, a que forneceu elementos para a prática médica. Segundo Shriver "a historia sugere que a associação entre a medicina e
  32. 32. ?i f religião é norral para os seres humanos. Os sentimentos religiosos e as cerimônias religiosas... foras e estarão sempre presentes quando as pessoas se encontrara-: doentes. Estarros assim diante de um fenômeno humarlstico amplo e não de um interesse extravagante presente esporadicamente na história da humanidade (18) . Desce o homem priritivo "a vida tinha qualquer coisa de misteriosa; a imortalidade era considerada natural, porque era vista corro*um fenômeno da vida e não da norte" (15). As doenças de cada membro eram doenças de toda a sociedade. A saúde era considerada sagrada. A terapêutica era a purificação do indivíduo e forra de agradar a divindade. í ' s religiões védicas e nos ensinar.entcs de Krishna, as leis fisiológicas .a eram. as contrapartidas das normas ccsmolõgicas e dal surgiu a,"yoga": "o domínio do corpo e do espirito". 3uda, cem. a sua doutrina de não violência, de abstenção de ferir ou de maltratar oualcuer criatura viva, e da sua doutrina de renúncia aos vícios e satisfações materiais, forneceu as bases para a prevenção das doenças. >íuito antes das ciências modernas ensinou a relatividade do universo e a sua causalidade: -cedo o presente de um sistema é conseqüência de um estado passado e de um estado futuro. Esta concepção introduziu elementos éticos na sociedade indiana que levou os reis da época a fundarem os primeiros hospitais (15). Mas tarde Ccnfucio e Lao Tse, inspirados nos ensinamentos de Buda, estruturaram toda uma base médica que sobreviveu durante séculos: são desta época os conceitos de Yang e Yin, a acupuntura e o conceito do corpo humano como reflexo microscópico do universo macroscópico. 0 império persa, nos séculos 6? e 59 antes de Cristo, baseados nos ensinamentos da revelação da Zoroastro, atingiu o auge do desenvolvimento ao ponto de desafiar o mundo grego. Através de conceitos de pureza, representado pelo fogo, aos homens era dispensada a vida, a purificação. A doença tinha, o seu cpor.er.te em Ohrmuzd, a encamação da energia cósmica, a luz da vida, o Bem Através de >5oisés, a revelação divina ao povo hebreu, estes conseguiram suportar a vida nas condições inóspitas do deserto. Moisés estabeleceu regras de higiena da extraordinária sabedoria médica: determinou que tipos de animais poderiam servir de alimentos (o parasitismo nos animais e sua infestação no homem eram a maior praga para o povo judeu da época). Criou a noção de isolamento dos doentes cem. males contagiosos como lepra, proibição de tocar em material putrefato e a proibição de bebidas embriagantes ao entrar na tenda da reunião (Levítico 10 - de 3 a 11). Evidentemente todas as orientações dos reveladores divinos eram dados para as oondiçces da época e para a capacidade de compreensão de cada povo. Com Macnvê que apresentou um livro inspirado, o Alcorão, foi promovido apoio às Ciências. Surgiram por sua influência direta a matemática, a química, e desenvolvidas a astronomia, a arquitetura e especialmente a higiene e medicina. A obrigatoriedade dos fiéis de lavarem as mãos e pés, a cada prece, isto é, cinco vezes ac dia, a necessidade expressa no Alcorão da preservação e conservação da saúde, a prescrição da carne de porco, os deveres de fundar hospitais e cultivar plantas medicinais. Especialmente as leis sociais de profundos efeitos sobre a saúde, como a proibição da bebida alcoólica, a eixeuncisão, as leis sobre as relações sexuais, leis sobre epidemias e a obrigatoriedade de cuidados em relação aos idosos, as mulheres gestantes, aos doentes e feridos.
  33. 33. 37 Foi devido a tudo isto que a medicina árabe foi capaz de alcançar altos estágios de desenvolvimento ao ponto de despertar admiração e respeito dos modernos descobridores da fisiologia. Apesar deste passado de contribuição.da religião revelada no século dezenove com as patologias, considerou-se que a medicina deveria ser livrada de toda influência religiosa. Isto em parte encontrava justificação pela estagnação da religião, permitindo que pela influência de interesses humanos, ter se tornado uma coleção de dogmas, rituais e superstições. 0 século vinte encontrou uma medicina altamente sofisticada em técnica e conhecimentos e cada vez mais distanciada do homem. A partir dos meados deste século as reações contra uma medicina excessivamente mecanicista se tornaram mais intensas. Surgiram obras contestando abertamente a utilidade e real beneficio deste tipo de medicina. Estas mesmas obras, por não distinguirem entre a arte e a ciência da medicina, e por não compreenderem que o que falta é a aplicação final da medicina, passaram a condenar a própria ciência médica e todas as suas conquistas. A visão mais radical desta corrente é de Ivan Illich que põe em dúvida a utilidade e necessidade da exigência do médico, dos medicamentos, dos hospitais e de toda a medicina. Passou-se a realizar uma campanha de desmoralização do médico e da medicina e introduziram-se torrentes de técnicas fúteis e curandeirismos, "benzeduras", crendices e antigas superstições. Esqueceu-se que não ê a ciência médica que está errada. Falta a quem a prática saber e ter elementos e sabedoria superior para direcioná-la adequadamente. E sonde procurar tal orientação? De onde a arte médica deve beber dos conhecimentos humarusticos e conscientização de valores? Certamente de onde em toda a história da medicina sempre surgiu: da Revelação. Esta forma rara, mas periódica da humanidade obter luz e direção pela ligação ã fonte da perfeição. A revelação não deve ser confundida cem alguns fenômenos cerno ocultismo, hipnotismo ou estados psicopatolõgicos. Ê um fenômeno que ocorre naturalmente, de forma periódica (em espaços de aproximadamente mil anos), nada tendo de anormal ou ocultista, destinada ao bem e evolução da humanidade e dependendo da vontade de Deus, assim como dependem todos os fenômenos da natureza (8). A revelação de Deus para a nossa época foi trazida por Bahã^llâh, titulo que significa a "Glória de Deus". Purifica a religião dos elementos estranhos a sua essência e traz conhecimentos adaptados a compreensão do homem moderno. "... é divina na sua origem, universal no seu âmbito, dotada de visão abrangente, cientifica nos seus métodos, humanitária em seus princípios e dinâmica pela influência que exerce sobre o espírito e coração dos homens... apresenta a verdade religiosa como relativa e não absoluta e a Revelação Divina como progressiva e contínua", tal como afirma Shoghi Effendi (1897-1957), guardião e intérprete autorizado das palavras de Bahá'u'lláh. Um dos princípios cardiais da Fé Mundial por Ele fundada, a Fé Bahá'í, é a de que a ciência e a religião devem estar em acordo e harmonia. Em vista da confusão e do conflito que há muito existiu neste campo, muitas pessoas de
  34. 34. 38 ambas as áreas e estudiosos imparciais têm observado atentamente os ensinamentos Bahá'ís e se sentido gratificado pela possibilidade da reconciliação entre a ciência e a religião. Afirma Bahã'u'liãh que "o conhecimento é como asas para a vida do homem, é come uma escada pela qual ele possa ascender. Incumbe a cada um adquiri-lo Grande, verdadeiramente é a prerrogativa dos cientistas e dos artífices entre cs povos do mundo... Na realidade o conhecimento é um verdadeiro tesouro para c homem; é para ele uma fonte de gloria, de graça, de júbilo e exaltação, de alegria e contentamento " (2). Abdu'l-3ahã (1844-1921), filho mais velho de 3ahá'u'lláh, com quem conviveu na prisão e no exílio e por quem, pelo seus profundos laços de idenuicade com Bahã'u'llãh, foi nomeado o intérprete autorizado, o exemplar perfeito dos seus ensinamentos e o Centro de Seu Convênio, mostra como a ciência não pode estar em desacordo com a religião revelada, já que "os Manifestantes Universais conhecem a realidade dos mistérios de tudo o que existe, e assim estabelecem leis apropriadas, adaptáveis ao estado da humanidade; pcis a religião é a conexão essencial que emana da -realidade das coisas". (5) Assim como o Prof. vrilliam Hatcher, da Univeritè Lavai, em-Quebec, matamã-ico 3ahá'í de renome mundial demonstra no'seu estudo "The Science of Heiigicn", esta realidade não pode jamais estar em desacordo com as realidades que a ciência descobre na natureza. E mais que o mesmo método cientifico utilizado pela ciência, pode agora ser utilizado pela religião da nossa ênoca, a Fé 3ahá'í, para aumentar o nosso conhecimento de todos os fenõmencs que cercam o homem, inclusive a religião". Erich Fromm apresenta uma teoria biológica para explicar a necessidade da religião pelo homem. Nesta teoria mostra, que a área do cérebro das faculdades superiores - memória, inteligência e imaginação - chamada neocertax ê maior no homem;, que em qualquer outro animal. Por outro lado as áreas cerebrais correspondentes aos instintos que em todos os animais ocupam proporcionalmente, maior espaço no cérebro, no homem são pouco desenvolvidas. Com isto ele conclui, que o homem, ê na escala da evolução e ponto mais baixo na dependência dos instintos para sua orientação. A complexidade é, porém, maior quanto aos neurôniose intercomunicações cerebrais. Assim, não tendo os instintos para orientá-lo, o homem, necessita de um ponto focai, de uma meta de devoção cara direcionar a sua vida e esta é a religião. A MAIS KERJTCEIA. DAS CIÊNCIAS Nos ensinamentos Bahá'ís é dada uma fundamental importância ã arte e a ciência da medicina. Dirigindc-se a um médico, Bahã'u'lláh, na epístola "La-Ahi-Tibb", louva a medicina como a mais meriteria das ciências e o meio que Deus criou para o Bem estar da Humanidade (1). "Esse conhecimento, isto é, da arte de curar, afirma Ele, é a mais iirpertante de todas as ciências, pois é o maicr meio criado por Deus, o Vivificador do pó, para preservar a saúde de todos, e Ele o colocou a frente de todas as ciências e conhecimentos..." (Bahá'u'iláh, citado em. 13, p.104) . £ direcionada ao benefício da humanidade: "o conhecimento deve ser adquirido de tais ciências que possam prestar benefícios aos povos da terra e não daquelas que por meras palavras começam e assim também terminam" (2, p.62).
  35. 35. 39 A noção de medicina é ampliada para o bem estar físico, mental, social e espiritual do homem e a sua prática elevada ao grau de adoração. Passa a receber a base de sustentação para a sua aplicação "com o amor a Deus todas as ciências são aceitas e estimuladas; sem este amor sao infrutíferas " (5) . Portanto não cabe clamar pela extinção da medicina cientifica, mas fornecer meios que a sua prática seja "com o amor de Deus". E também com isto se impede que a ciência médica seja utilizada pelos interesses individuais, pelo mercantilismo ou dos fabricantes de medicamentos e de aparelhos. A posição do médico ê pela primeira vez em um livro sagrado claramente estabelecida. B a h ã ^ l l ã h no Kitãb-I-Aqdãs, o seu livro Mais Sagrado, o livro de Leis para a Civilização Universal que inaugura, recomenda "consultar médicos competentes quando se está doente" (19, p.50) para que a confiança no médico e na medicina seja cada vez mais desenvolvida. Shoghi Effendi, perguntado sobre a que tipo de médico Bahã'u'llãh se refere, afirmã "... aqueles que tenham estudado um sistema cientifico de medicina " (6, p.43) Na própria família de Bahã'u'lláh havia um. dos membros, especificamente o seu leal irmão Jinab-i-Kalim, que em certa época costumava prescrever ervas medicinais. Mais tarde, Bahá'u'lláh mandou que ele não prescrevesse para doentes para que as pessoas pudessem dirigir-se ã profissão médica e não adquirir o hábito de buscar conselhos médicos de pessoas não qualificadas (1, p.361). Em outras ocasiões, tanto Bahá'u'llãh como Abdu'1-Bahã, quando um dos membros da sua família adoecia, mandavam, recorrer a clínicos profissionais, recomendando que todos os Bahã'ís fizessem o mesmo, consultando com o mais hábil, o mais notável dos especialistas de cada área, mesmo se o próprio paciente é um médico ilustre e eminente (20, citado em 15, p.66). Assim a dignidade e o valor do médico competente são realçados. O curandeirisi» e charlatanismo são claramente proibidos. Ao médico, porém, são dadas as responsabilidades de sua profissão: são verdadeiras diretrizes básicas, morais e espirituais para o exercício da arte médica. Exige-se daqueles que se empenham na arte da cura o esforço na obtenção da excelência "na aquisição de um: conhecimento científico perfeito", permitindo o alívio da dor e de moléstias tanto físicas como mentais, por meios tanto materiais como espirituais. Desencoraja-se a superficialidade, o empirismo e a mediocridade. Também assim as possibilidades de pessoas despreparadas exercerem a medicina. "Deves tornar-te único na tua profissão" recomenda Abdu'1-Bahá ã um médico Bahã'í. Ê enfatizada a necessidade do médico vir a alcançar o conhecimento do caráter e das necessidades do paciente a sua frente. O conhecimento mais importante talvez da revelação Bahã'í, porém ê a de que o médico é, o instrumento de cura e não o seu agente. Deve conscientizarse de que não é ele que cura, mas através dele o restabelecimento da harmonia, equilíbrio natural e saúde são promovidos. Este aspecto é de fundamental importância na medicina moderna por conferir humildade e afastar
  36. 36. a onipotência do médico, de efeitos tão nefastos no exercício da medicina era De acerco com as palavras de Abdu^-Bahã "incumbe a todos procurarem tratamento rédico e seguir as instruções do -edico, pois isto está de acordo c r . a ordenação divina, -as na realidade, Aquele que cura é Deus" (20) . er Como am toca a arte ex_Lgem-se de seu executar.te talentos e qualidades: a convicção ca natureza e da nobreza do homem. A percepção no homem de um espirite a ser respeitado - o corpo cerro c templo ce algo precioso a ser preservado. A ausência ce preconceitos, de maldade, ou de qualquer outro interesse que nao o serviço a humanidade. Ser justo nos seus julgamentos e nas suas determinações. Deve ser o promotor da alegria, felicidade e esperança ao seu paciente. Ter a grandeza de orar e solicitar auxílio superior antes de ministrar cs mais rigorosos conhecimentos científicos. A tal médico é recomendado a maior obediência e respeito: "Deve-se outra ocasião, as palavras de Abdu'l-3ahá e de Shoçhi Efferiai: "... tudo o que aceito e posto em prática..." (3) e "o que quer que o médico hábil prescrever é agradável e aceitável" (21). 5ahã' u' iláh em. certas ocasiões comparava a sua manifestação ã de um médico divino que tendo o pulso da humanidade diagnostica os males e prescreve Do mesmo modo promete ao médico que seguir os seus ensinamentos que "a sua visita será uma. cura - e o seu sopro conferirá mercê e esperança..." Os médicos, também dentro da visão Bahá'í, deverão servir de mestres a fim de educar e ajudar as pessoas a desenvolverem atitudes, disposições, hábitos e práticas que promovam o seu bem estar. 2 o remédio médico de Ballir.t. A própria pessoa do médico deverá ter tamanha bondade e força :;a maioria dos casos dos doentes da nossa angustiada civilização apenas algumas palavras de conforto e confiança genuínas per parte do médico são mais importantes do que dezenas de remédios e tranqüilizantes químicos. Mas por falta de orientação, a nossa arte médica prefere dispe ^Arü. „--___..^._ i i —imees Q£- couares em assim cramacos ansmoliticos cue a esmagadora de não terem, nenhum apoio humano e nem espiritual a oferecer ao seu paciente. __3ahá'u'iiãn oferece, porém, ã arte médica uma posição impar, concedendo ao medico autoridade e liberdade muito especiais no exercício da sua profissão. Assim, embora a veracidade absoluta seja um dos seus ensinamentos que o médico, no intuito de consolar um doente, possa transgredí-lo (Abdu'1Isto se compreende porque exige-se do médico virtudes humanas ás mais ecrupietas possíveis, um. conhecimento científico adequado e uma crença superior. Dei a importância da religião revelada caro base da arte médica.
  37. 37. 41 Assim terras em qoe o imundo médico atualmente encontra-se confuso e sem. rumo, diante de diloiras éticos e rrcrais, caro manipulação genética, eutanásia, transplantes, aborto, contracepçao, inseminação artificial, autópsia, experimentos em seres humanos, poderão muito mais facilmente serem resolvidos no futuro pelo corpo médico. Para isso, Bcthã'u'llãh designou um corpo administrativo mundial, a Casa Universal de Justiça, em funcinamento desde o ano de 1S63, com direito e autoridade espiritual para legislar sobre estes temas e quaisquer outros que durante muitos séculos surgirem e não estiverem claramente legislados txir Bahá'u'lláh. "Todas as épocas têm seus problemas próprios, afirma Ele, toda alma sua aspiração particular. 0 remédio que convém ãs aflições do presente dia não será o que necessitarão os males de uma época ulterior. Inquiri-vos cuidadosamente sobre as necessidades da época em. que vós viveis e que todas as vossas deliberações levem ao que esta época exige e requer" (Bahá'u'lláh, citado em 15, p.75). CUIDADOS COM A PRÓPRIA SAÚDE Não basta a busca do remédio quando se está doente. É necessário cuidar da sua própria saúde. Esta responsabilidade individual de assumir a sua saúde é claramente insistida nos escritos Bahã'ís. Esperar que se adoeça e tenha a sua saúde minada para só após procurar médico é a triste realidade do homem moderno. A postura passiva diante da doença é talvez o maior mal do nosso século. Durante anos as pessoas descuidam da sua saúde, abusando de gorduras animais, de alimentos artificiais ou sem cs principies nutritivos e envoltos por ansiedade e competitividade. Nao ê de se admirar que o enfarto do miocárdio e os derrames cerebrais, duas das maiores causas de rrorue no nosso mundo, se devam especificamente a esues fatores. 0 cuidado do corpo não "é no sentido narcisista de despertar aceitação social, egoística ou preocupação com: o próprio bem esrar, mas para qae o organismo saudável e cheio de energia melhor possa servir a humanidade. A manutenção da saúde, segundo a revelação de Bahã'u'llãh, requer algumas regras simples, mas de profundas mudanças era hábitos arraigados. Em uma epístola ã um médico iraniano, cuja tradução resumida foi publicada no periódico Star of the west (4), B a h á ^ l l á h aconselha o indivíduo a como observar sabedoria para não vir a sofrer de doenças. Sabemos que talvez um dos maiores fatores individuais por trás dos quadros mórbidos, sejam os de excessos alimentares. A recomendação de Bahá'u' llãh de "não comer enquanto não tiver feme", não engolir sem a perfeita mastigação" e de "não alimentar-se sem que o processo digestivo tenha se completado" se destinam a combater estes excessos (4). Esta epístola é de final do século passado. Entretanto, 3ahã'u'llãh já recomendava o exercício físico e especialmente o caminhar após a • alimentação. Hoje sabe-se que o exercício, e mais recentemente comprevou-se CPao a marcha, são dos maiores promotores da saúde e bem estar. Reduzem as gorduras no sangue, ativam a circulação, melnoram a digesuao e pela liberação de substâncias qulraicas no cérebro, melhoram a disposição e o humor.

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