Sinfonia Da Vida

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Sinfonia Da Vida

  1. 1. Apresentação Busco-me em você, caro leitor, esperando que em mim, você encontre alguma afinidade. Tenho aprendido, ao longo da minha existência, que a nossa vida é um constante somatório: em nós estão contidos o bebê, a criança, o adolescente que fomos e o adulto que somos; que todas as pessoas – boas ou más – que passaram e passam por nós são nossos mestres; que as dores, erros, sofrimentos e mágoas que se alternaram às alegrias e tristezas, êxitos e fracassos, vivenciados em cada etapa da nossa jornada, representam o fole, a bigorna e o martelo ... Utilizados pelo Artífice da Vida, foram forjando a nossa personalidade e o nosso caráter, fazendo-nos despertar para a necessidade de tomarmos consciência de que o nosso eu, castrado por crenças atávicas e limitativas, pode ser trabalhado para que venham à luz as nossas reais possibilidades que jazem adormecidas nos porões da descrença ou da desilusão, aguardando o seu despertamento para alcançar a sua plenitude. Reconhecendo que a linguagem de Deus é a poesia expressa na perfeição do Universo, tenho procurado estar atenta ao mundo à minha volta e descobri que um simples livro pode ser tanto um farol a nortear rumos, quanto uma estrela a nos alertar sobre a necessidade de nos voltarmos para o Divino que existe em nós... ou, quiçá, uma simples abelhinha ou um multicolorido colibri, a sugar o néctar das flores para, em se alimentando, contribuir através da polinização com a perenização da vida ... Acredito, pois, que não importa em que estágio da nossa jornada estejamos, o nosso futuro está sendo escrito agora. Assim, cada momento da nossa vida pode ser um novo ponto de partida, na nossa incansável trajetória em busca do Amor e da Paz! Salvador, 29 de março de 2001 Eliza Teixeira de Andrade 15
  2. 2. 16
  3. 3. Sinfonia da Vida Açoitado pelo temporal Range o flamboyant Engrinaldado de flores. Ribombam trovões Disseminando perdões E seus ecos repercutem distante ... Os raios, quais punhais flamejantes, Cortam os céus de ponta a ponta, Preludiando emoções Que em cada ser desponta. Subitamente, acalmam-se os ventos E o arco-íris resplandece; É a natureza em festa Que feérica manifesta A Sinfonia da Vida, Que balsamizando tristezas Veste os prados de esmeralda E de brotos viridentes. Choram as flores Explodindo sementes Do seu ventre ... Revoam-lhe em redor Pássaros trilentes E no ar ecoa Da Vida, a sinfonia, Sagração mais alta da harmonia Hino ao Amor, à alegria, 17
  4. 4. Poesia, divina poesia! 18
  5. 5. O anjo que um dia fomos na infância permanece vivo em nossa memória, acompanhando a nossa trajetória do berço até o último suspiro. 19
  6. 6. Aspiração Sentir a vida Limpa, renascida, É o que anseio Pois dor eu não pranteio; Pensar e amar De forma transparente E expressar o que minh’alma sente; Querer viver Com fé, com esperança, Voltar a ter Alma de criança. Nascer Crescer Amar E ser feliz, Morrer Nascer Em cada cicatriz. 20
  7. 7. 21
  8. 8. Ontem e Hoje Ontem, completaste quinze anos E a vida te sorria em flor; Transcendeste os sutis arcanos Que só se revelariam na dor. Eras mais do que flor – eras rosa Eras mais que paixão – eras amor. Imitando os ciclos da natureza, Cresceste na cadência da vida, Passo a passo, bem construída, Pelo teu inexaurível labor. Eras mais do que flor – eras rosa Eras mais que paixão – eras amor. Trilhaste insólitos caminhos, Cuidando em afastar espinhos Pra não ferir a quem deste amor ... Eras mais do que flor – eras rosa Eras mais que paixão – eras amor. Hoje, tanto tempo já passado E alguns botões desabrochados, Na hástea, ainda jaz a flor, Mercê de um coração que muito amou... E, assim, pela vida afora Constataste, cada hora, Que se a primavera flores tem, É d’outono que o fruto provém ! 22
  9. 9. 23
  10. 10. Sonho Um dia sonhamos que éramos dois estranhos, e despertamos para descobrir que nos amávamos. R. Tagore A h! Quero e espero Que o brando pranto, Que agora aflora Desses olhos teus, Desça no leito Das tuas róseas faces E se evapore Nesses lábios meus; Quero a estrela Que a noite vela, Eu quero a lua, Branca e tão singela, Eu quero a fonte Sob uma firme ponte, Eu quero a calma Da tu’alma bela; Eu quero todas as preces E o encanto, Do suave canto Em afinada voz, Eu quero, ainda, Os sonhos risonhos Que um dia juntos... Sonharemos nós! 24
  11. 11. Reflorescer A flor Que você me deu, Murchou. Mas foi a flor Que secou, Que desistiu de viver, Não eu ... Continuo viva Para viver O reflorescer Das alegrias Advindas Do amor Da lida Do perdão Da vida E das flores... Que ainda virão. 25
  12. 12. Sementeira de Amor Um sorriso é a rosa que cresce sobre o espinho de um suspiro. Sathya Sai Baba É preciso semear Em cada canto da terra, A semente do amor Para exilar a guerra. Semeie, pois, seu sorriso Para a tristeza afastar E no momento preciso, Sorria pra se alegrar; E para ajudar a quem trabalha, A vencer da vida, a batalha E as dificuldades superar, Semeie sua energia Semeie sua coragem Semeie sua alegria! 26
  13. 13. Flagrante A bela donzela De tímido olhar Banha-se despida Sob a luz do luar... E a lua lívida Ao ver tanta beleza Com o manto dos seus raios Empresta-lhe realeza. 27
  14. 14. A Lua e o Poeta O h ! branca lua De luz suave que flutua, Tão singela, lá do alto Sobre a serra; És a rainha da noite És o exílio da terra. Quanto canto solitário Quanta queixa em rosário Quanto suspiro e delírio De casais apaixonados Que pensando estar isolados, Quase esqueceram de ti! E hoje, de alma leve e lavada Lá no riacho da dor, Volto aqui à minha janela Esperando o teu retorno Pra dizer-te, ó minha bela! Que ouviste os meus ais Que já se foram E não voltam mais, Que agora livre e feliz Por te olhar E ser esteta, Não choro mais... Virei poeta! 28
  15. 15. Essas frases cruéis, que mordem como dentes, Só mostram, Arlequim, que somos diferentes, Mas minh´alma, afinal, é compassiva e boa: Não compreendes Pierrot. E Pierrot te perdoa... Menotti Del Picchia 29
  16. 16. Contrastes A vida é o contraste... Entre a noite e o dia, O sol e a lua, A tristeza, a alegria, O rio e a rua, O caos, a harmonia, O velho, a criança, O repouso, a luta, O luto, a dança, A festa e a labuta, A sombra, a luz, A saúde, a doença, A fuga, a cruz, A fé, a descrença, O espelho, o reflexo, O prazer e a dor, Em pé, genuflexo, O ódio, o amor ... A vida apresenta Constante contraste E o que nos alenta É a esperança da Paz! 30
  17. 17. O Fio da Vida Teci fios, como mantos teceram As pacientes mulheres de Atenas; Aguardando do retorno da guerra, Os seus maridos: heróis... ou mecenas? Teci fios, como rendas teceram As sofridas mulheres nordestinas; Esperando no labor – quais aranhas, Que a boa sorte lhes mude as sinas. E no vaivém de agulhas de tricot Apaziguei-me e corpos nus, vesti Compreendendo que o fio da vida, Se origina de um novelo divino Que trabalhado por mão invisível, Tece luz... de beleza indescritível! 31
  18. 18. Soneto do Tempo Como se pudéssemos matar o tempo sem ferir a eternidade! Henry Thoreau Como brisa que passa ligeira, Também o tempo, ligeiro, se vai E a nossa lembrança fagueira Doutros tempos, com o tempo se esvai; É que a roda do tempo é constante E o relógio do tempo, não pára, Traz para uns, momentos vibrantes E pra outros, lamentos cortantes. Que estás a fazer do teu tempo? Já pensaste em fazê-lo render? Pois se ficas parado no tempo, Muito tempo estás a perder. Usa, pois, o teu tempo, buscando Dar amor, para amor receber. 32
  19. 19. 33
  20. 20. Migração Bem-vinda, criança, Da vida, o crisol, Fruto do conúbio Da lua com o sol. Bem-vindo, moleque, Belo e serelepe, Que mostra o rosto Limpo, sem desgosto E chora um choro Leve e sem rancor. Bem-vinda, menina, Faceira, traquina, Com ar de mocinha À espera do amor... Não importa se vindas De plagas distantes: Do sul ou do norte, De qualquer nação. Não importa se louras, Se negras, morenas, Saudáveis, doentes, As nossas crianças São todas ... sementes Do amor, da união. 34
  21. 21. Cuidado criança Cuidado, criança! Que está a brincar... Com os belos cachos Bailando no ar. Cuidado, criança! Com a bola a jogar... Não perca a inocência E o brilho do olhar. Cuidado, criança! De gesto gentil... Cultive a esperança 35
  22. 22. No nosso Brasil! 36
  23. 23. Berceuse U ma estrela distante Brilhou pra avisar Que um anjo, Desceu neste lar... O Sol já raiou Festejando a vida, E os pássaros Cantam felizes: – Boas-vindas! (Ricardo Teixeira Andrade) 37
  24. 24. 38
  25. 25. (*) O Ser ... Down Logo ao nascer Trouxe uma surpresa Misto de alegria e tristeza. Sua vida aparentemente limitada Por um erro genético De intrínseca natureza, Foi indelevelmente marcada No cromossomo 21. Científica certeza. Mas apesar Da aparência singular E de ter o organismo Um ritmo mais lento, Nada impedirá Que ele se desenvolva E conquiste um espaço Que lhe será reservado Por aqueles que sabendo amar E a vida respeitar, Vencem o fascínio de Narciso (Que só valoriza a aparência). Assim, quem se permitir Ser conquistado, Será, de assalto, cativado Já no seu primeiro sorriso! Abençoado ser! Bem-vindo seja entre nós, Ensinando-nos a amar a essência (Quando o ser excede o parecer) E a ver em Deus, o Pai por excelência! _________________ (*) À Associação Baiana de Síndrome de Down – Ser Down 39
  26. 26. O Grilo(*) A verdade é sempre estranha, Mais estranha que a ficção. Lord Byron Aos poucos ele foi chegando E no meu dia-a-dia Foi-se instalando, Sem que eu desse permissão. Quando mudava a estação, Ele se destacava Do coro das cigarras Que nas árvores mais próximas cantava, (E me deixava grilada). Um dia, um “insight” atrasado... Aquele grilo cricrilava Dentro do meu ouvido – que atrevido! Com o tempo a decorrer, Percebi que ele não matava, (Só incomodava), E aprendi com o mesmo, conviver... De um Pinóquio encanecido Sou hoje uma versão transmutante, Já que, como ele, tenho Meu próprio grilo falante, Que está sempre a me dizer: – Calma... silêncio... Pra que eu possa adormecer... Só assim encontro paz... De grilo dormindo! _________________ (*) Dedico esse poema a todas as pessoas que, como eu, têm problema auditivo. 40
  27. 27. Imortalidade Sem que eu o soubesse, meu Rei, Tu imprimiste o sinal da eternidade em muitos momentos fugazes. Rabindranath Tagore Estou viva! E a vida que me quer Bem viva, Sempre está a me dizer: –Vem viver! Fecha de vez A torneira do pranto Que dá quebranto E tira o encanto de viver... E, assim, vivendo, Vivo o tempo todo, Vivendo a vida Com muito prazer; Tiro da vida Lembranças vívidas, Ponho na vida Meu jeito de ser. Transcorre o tempo E eu reconheço, Que ele passa Mas eu permaneço: Viva no ar que respirei, Viva na flor que meu olhar tocou, Viva nas lágrimas que derramei, Viva no Amor que me imortalizou. 41
  28. 28. 42
  29. 29. Poema do Adeus A vida é tua embarcação, não é tua morada ! Lamartine/Teresa de Lisieux Mergulhada nas suas lembranças, Ela fita o porvir – Local do reencontro –; Atrás, fazendo-se distante, O barco da vida Desaparece na linha do horizonte ... Seus olhos refletem Suave nostalgia Que embaça O brilho da alegria, Companheira, outrora, tão constante; No seu corpo ainda tépido, As marcas indeléveis Daquele toque de amor Sutil ... Gentil ... Sedutor ! No seu interior, A firme certeza (Sua maior riqueza), De que aquele barco ancorou Em tranqüilo cais, Lugar de muita paz, – Local do reencontro –. 43
  30. 30. 44
  31. 31. Certeza Com uma lágrima a correr Na sua face – sem disfarce, Ela parte qual ave itinerante... No cais do desencanto aflorara O ontem esquecido no agora: Um belo sonho anelado outrora, Lembrança, ainda, tão constante... À frente a lhe desafiar, O turbilhão do mar Dos sentimentos malogrados Por um desenlace não desejado. Aos poucos, no porto, A silhueta querida diminuía E todo seu corpo, de emoção, fremia... Num último impulso, generoso, de amor, Seu braço levantou E, nostálgica, tentou Traduzir seu sentimento, No agitar do lenço ao sabor do vento, Tendo como cenário As cores afogueadas do arrebol. No seu coração a imperar, A certeza de um dia encontrar As aves de arribação Para, com elas, voar Até a próxima estação: O país do Sol. 45
  32. 32. 46
  33. 33. A Arena da Vida Com porte soberbo O jovem mancebo Adentra na arena Roubando a cena; Ostenta, impecáveis, A negra montera (1) E o traje de luces.(2) Seus olhos vagueiam pela platéia Buscando a jovencita (3) Que lhe retribuindo o olhar, Sorrindo, o felicita... O touro é liberado... Três banderilleros (4) Dele se aproximam E, cada qual, Duas banderillas (5) Crava-lhe, na região nucal. Com fúria, o animal Contra o toureiro investe Seus pontiagudos cornos; O guapo moço as regras impõe (E a vida expõe), Com gestos provocantes; A rubra capa no ar agita, Em delírio, a platéia aplaude, grita E o incita com altos brados: - Olé! 47
  34. 34. E a mão adestrada Coroa a faena (6) Com um só golpe de espada! O silêncio imperante Amortalha a cena Onde o sangue estuante Sai em borbotões... Num relance, Seus olhos procuram, novamente, A bela donzela E dedica-lhe, gentilmente, O touro abatido No duelo mortal. Cheio de orgulho triunfal, Seu peito expande E dando a vuelta al rueda (7) Sai carregado através da porta grande... _________________ Montera – chapéu (1) Traje de luces – Indumentária de gala (2) Jovencita - senhorita (3) Banderilleros – Toureiros que banderilham touros (4) Banderilla – farpa enfeitada que se crava no cachaço dos touros. (5) Faena – faina, luta. (6) (7) Vuelta al rueda – volta na arena. 48
  35. 35. Desafio Ser calmo... Quando o mundo é inquieto Ser lúcido... Quando o mundo é confuso Ser verdade... Quando o mundo é mentira Ser otimista... Quando o mundo é pessimista Ser perdão... Quando o mundo é vingança Ser altruísta... Quando o mundo é desencanto. Perder a ilusão do nada, Saindo das trevas... Ganhar a certeza do Tudo, Indo ao encontro da Luz! 49
  36. 36. 50
  37. 37. Eternidade A Alberto e Júlia (in memoriam) Nunca as neblinas do vale Souberam dizer-se - adeus - Se unidas partem da terra, Perdem-se unidas nos céus. Castro Alves O ano escoara Novembro chegara, No ar, já se ouve, Os sons do Natal! E o jovem casal Sonhando silêncios Busca no mar A dimensão de um ideal... Transgredindo as Leis: Dos homens e a Divina, A violência espreita Com olhos perspicazes E o terreno rapina Com gestos audazes. Perplexos, Os olhos se fitam, Sons... não escutam... Mãos se procuram, Sem rumo... ao léu... E as almas ruflam Buscando o Céu! 51
  38. 38. Violência x dor Quantas tramas Ocultamente urdidas, Quantos dramas E abertas feridas Pela invigilância Que reduz A certeza da imortalidade (Que nem sempre seduz), A um punhado De areia jogada Sobre sonhos soterrados Pela avalanche da dor... E o tempo massacrado Pela angustiante espera, Traz lamento e clamor Que a alma dilacera... E o equilíbrio se quebra Pela insegurança E pelo terror! É preciso chorar... Mas é preciso lembrar Que a centelha da vida Retorna ao Criador E, ali, abastecida, Irradiará amor! 52
  39. 39. Rejeição Como é possível impedir os homens de se matarem uns aos outros se uma mãe pode matar seu próprio filho? Madre Teresa de Calcutá A terra estava gretada Mas recebeu irrigação Da semente ali plantada Nasceu um fruto temporão. O fruto veio verdoso Parecia sem sabor, Logo, fez-se viçoso, Quando recebeu luz e calor; Mas como não foi desejado, Tirado, caiu ao chão, Feneceu, ali, desprezado, Em lenta dissolução... Sem cova e sem lápide, Sob o signo da rejeição! 53
  40. 40. 54
  41. 41. Ianomâmis A perfeição da pedra não vem com os golpes do martelo, mas com a dança E a canção da água. R. Tagore Densas florestas Pontiagudas setas Compridas lanças Rituais e danças; Renomados nomes Primitivos homens, Hipócrita aliança Dizimando a raça. Por quê? Semente de cizânia Na tribo lançada Colhendo conflitos E vidas ceifadas. Pra que? Densas florestas Pontiagudas setas Compridas lanças Rituais e danças... Cadê? _________________ Fonte: Gazeta Mercantil: “ A insistente polêmica da ciência selvagem ” – Ricardo Calil de N.Y. 14 e 15/10/2000 – pág. 3 55
  42. 42. Unidade Somos filhos de um só Pai... Mesmo em nossa ignorância, Manifesta em forma de ânsia De viver sem ter limites ... E, assim, freqüentemente, Nosso ego jaz imaturo Sem passado e sem futuro Por não viver o presente. Desenvolvendo a arrogância, Julga-se senhor de tudo Faz do orgulho seu escudo Para se esquecer de Deus... E querendo muito ter, Inconsciente, elimina, A natureza divina Que permeia o seu ser. E, vivendo assim, separa (Quando deveria unir), Deus de si e das criaturas E vê seu mundo ruir... Do universo, então, se isola E só a dor lhe consola E lhe ensina uma lição: Somente quando conscientes Que temos a mesma origem divina, É que nossa fé sublima E vemos no próximo... um irmão! 56
  43. 43. Elegia A graça de Deus é infinita. O homem é quem a limita, Ao tamanho da sua fé. Eliza Teixeira Batendo na rocha O mar bramia, Chorando saudades Se compungia, E as vagas gigantes Que o cobria, Batendo na areia Se desfazia... No corpo, o desejo O consumia, E a fagulha do amor Se extinguia, Qual tarde, onde o sol Se escondia, No negrume da noite Que surgia, No céu, Nos seus olhos, Na alma vazia... Sem fé, Sem ilusão, Sem alegria! 57
  44. 44. O Intangível e o Precário Na angustiosa busca de um Deus Que possa ser visualizado, O homem desvia o olhar dos Céus Para o plano materializado. Projeta, então, em frágeis criaturas, Toda a sua esperança De um mundo, onde as venturas Fazem perfeita aliança! E, assim, tendente a ligar O intangível ao precário, Constrói o seu santuário Fadado a pouco durar... E onde o Amor não permeia O fracasso acarreta, o abalo da fé alheia. 58
  45. 45. O que é a Vida ? A vida é ... Nascente cíclica De cíclicas andanças; Um porto cíclico, Que sonhando asas, Ancora tardanças; Corrida sem causa ... Para chegar à pausa! Duelo eternal Entre o real E a ilusão, Dueto perfeito S e a fé se alia à razão. 59
  46. 46. So...li...dão H á coração que triste, solitário, Sem ter um lume para lhe aquecer, Pensa que é ave, presa na gaiola, Pra libertar-se... deixa de bater! 60
  47. 47. Você Precisa Você precisa, Ir mais além Na busca de quem Esqueceu o que é amar. Você precisa, Impedir que a cizânia Da cúmplice crítica Faça dueto Com a pérfida infâmia. Você precisa, Ser bandeira branca Simples, desfraldada, Ruflando as asas Da esperança e da paz. 61
  48. 48. O Nascer e o Pôr-do-Sol Em um parque Eu vi uma criança Sorrindo, correndo, Feliz a brincar. Parecia o dia Quando nasce E desperta a natureza, Que se espreguiça, Boceja e se agita, Abrindo-se Num festival De luz e cores... No mesmo parque Eu vi um ancião De andar trôpego, Trazendo na fronte Encanecida, O registro das experiências De uma vida. Lembrei-me do Ocaso Quando o Sol se põe Belo e nostálgico E, apesar de cansado Pelo labor do dia, Vai ressurgir noutra freguesia... 62
  49. 49. Ao meu Pai – De onde virá minha atração Pela abóbada celeste? Retroagindo no tempo Posso ver-me, pequenina, No colo do meu pai, sentada, E ele, a lua a apontar Amoroso a me ensinar Uma singela canção: – “Bênção dindinha lua Me dá pão com farinha Pra eu dar à minha gatinha Que está presa na cozinha.” Já mais crescida, Ele me indicava Onde se encontrava AVia Láctea e várias constelações; E apontando para a cruz De estrelas formada Associava-a ao Redentor Que noutra cruz morreu, por amor! Quando doente eu ficava, Toda a noite me velava Com o coração em prece... Dos meus devaneios acordo E dou graças ao Criador Pelo seu paternal amor. 63
  50. 50. Lembrando doutro Pedro, O apóstolo pescador, Que segundo uma lenda É da porta do Céu, guardador, Vejo o meu pai na terra Com semelhante missão: A de meu Anjo da Guarda Que até hoje, ainda guarda, A porta do meu coração. Obrigada, meu pai! Conselho Paterno Minha filha! por que está a chorar? Eis que já amanhece E no horizonte aparece O Sol, sempre a brilhar ... Procura com os olhos d’alma (Por certo, há de enxergar!) É o mutirão que chega Pressuroso, pra lhe ajudar. Mas depois da ajuda acolhida, Limpa sua casa, põe flores, Eleva ao Céu seus louvores... E nessa feliz mutuação, Dá uma festa de mil cores No templo do seu coração! 64
  51. 51. Consubstanciação O pão que fermenta, A massa aumenta E em dobro alimenta. O mutirão que levanta, Reduz o cansaço E a massa agiganta, Num tempo escasso... Do poeta, a voz ecoa Profética, distante, E em tom sussurrante, O refrão entoa: – “Levedado pelo amor Ou na força do braço Construa o seu traço Com união e labor.” 65
  52. 52. 66
  53. 53. A Missionária sem Sari Um dia, quase da busca a desistir, Soube da obra de Madre Teresa E encantou-se com a paradoxal riqueza De muito ter sem nada possuir... Desde então, não mais parou Mas o seu coração, sossegou. Quem não conhece Ou ainda não ouviu falar, De uma senhora de nome Eunice Conhecida na Ordem Das “Missionárias de Calcutá”, Simplesmente como: Vovó? Desconheço quem na sua idade Tenha tanta vitalidade Para servir como sua, a alheia causa. Sendo rica, tornou-se pedinte Visitando voluntários Pra que sejam solidários Em ajudar os pobres mais pobres! E, assim, abrindo trincheiras Nas humanas resistências, Juntamente com a Irmandade, Consegue dar assistência Às duas casas existentes: Em Coutos e no Uruguai. 67
  54. 54. Para ela não existem ais Que a demova da fé; Pois segundo o seu genro, (Por ela chamado “Seu Pedro”), Ela é também missionária, Só que em grau superlativo, Já que é a “Irmã Maçaranduba” Que nem temporal derruba: “Amorzinho... você é demais!” A Verdadeira Riqueza (*) Meu Deus, aqueles que Possuem tudo menos a Ti riem-se daqueles que Nada possuem além de Ti. R. Tagore Ao nascer, Nada trouxe Senão o corpo; Ao crescer, Fui amealhando O ter Esquecendo-me Do ser; Um dia descobri Que o melhor de mim Estava impregnado de Ti ... Despojei-me, então, Do que amealhei E fiz-me rica Apesar de nada possuir... além de Ti. _________________ (*)Humildemente dedico esses versos à memória de Madre Teresa de Calcutá 68
  55. 55. Maternidade Compartilhei da alegria pujante Daquela primavera especial Quando, ao compasso do meu coração, Senti outro coração bater... À minha volta, em tempo integral, A convivência dulcificante De Ricardo e Ivana que com as pérolas Dos seus sorrisos adornavam O meu feliz semblante. E no outono do ano seguinte Nasce em maio, mês das rosas, Lindo bebê cor-de-rosa! E vendo-a, assim, tão bela, Com as outras flores competindo, Não tive a menor dúvida Em chamá-la... Isabela. Enviados pelo Criador, Meus filhos representam Minha maior vitória, Minha coroa de glória Que um dia, com muita alegria, Depositarei aos pés doutra mãe: Maria! 69
  56. 56. 70
  57. 57. Ave-Maria Na tarde dolente Que aos poucos se esvai, O Sol se esconde E o dia retrai; A noite que veste Um véu róseo, vivaz, Sugere uma prece De amor e de paz: Ave-Maria! Por Deus foste eleita A mãe mais perfeita De toda uma Nação; Ave-Maria! Doce proteção, Entre o céu e a terra És traço-de-união; Ave-Maria! De graça plena Doce e serena Mãe de Jesus; Ave-Maria! Na dor e n’alegria, Enlaçou o Messias Do seu ventre nascido E descido da Cruz! 71
  58. 58. Minha Fé Senhor da Vida! Muito tenho Vos buscado E Convosco, sonhado, Desde a minha juventude. E a minha fé emergente Que tão frágil aparentava, Muitas vezes se apresentava Tal qual estrela cadente. E, hoje, desperta, percebo Que a minha fé aumentou, Não é mais estrela cadente, É Sol nascente e poente Sempre estrela E sempre Sol! 72
  59. 59. Invitation A Elza S. Teixeira Silveira ( tia Elzinha) La terre se change en une grande voliére Et les hommes ressemblent à des oiseaux, Ils sont habitués à la captivité. Dieu, dans cette volière ouvre une petite porte Et les appelle à la liberté: – “Viens, fils, libère-toi de la vanité, De l’égoisme, des ostentations, Qui sont les grilles qui t’emprisonnent Dans cette volière. Ici de hors, l’air est pur, la rosée est fraîche, Elle refraìchit ton âme. Il y a des branches, où tu peux te reposer, Pour ensuite prendre ton envol jusqu’ à I’infinit; Ton gazouillement rencontrera l’echo Et sera un hymne de louange au Seigneur.” Cette porte, elle est ouverte Pour tous ceux qui veulent se libérer. Nambreux sont ceux qui connaissent Cette porte, mais peux sont ceux qui la franchissent. Cette porte s’appelle: charité, humilité et foi. João Pessoa, maio de 1978. 73
  60. 60. 74
  61. 61. Convite (*) A terra tornou-se um grande viveiro E os homens à semelhança dos pássaros, Habituaram-se ao cativeiro. Deus, nesta gaiola abre uma portinhola E os exorta à liberdade: – “Vem, filho, liberta-te da vaidade, Do egoísmo, das ostentações, Que são as grades que te aprisionam Nesta gaiola. Cá fora, o ar é puro, o orvalho é fresco, Refrigera tua alma. Há galhos, onde podes repousar, Para em seguida alçar vôo até o infinito; Teu gorjeio encontrará eco E será um hino de louvor ao Senhor”. Esta porta está aberta Para todos aqueles que querem se libertar. Muitos são os que a conhecem, Mas poucos são os que a transpõem. Esta porta se chama: caridade, humildade e fé. _________________ (*) Tradução do poema “Invitation” 75
  62. 62. 76
  63. 63. Luz e Reflexo Acercando-se do mestre, Indaga o discípulo: – Dizei-me, ó mestre, A diferença que existe Entre a lua e o sol. Reflexivo o mestre responde: – É a mesma existente Entre ser transcendente E ser imanente. E exemplificando, Singela poesia recita: – “A lua em sua tibieza Tem como labor, Espargir sobre a terra Sua claridade argêntea De transcendente beleza, Reflexo do Sol! Centro do planetário Sistema, o Sol, ao contrário, Doando-se no labor, Envia a todos, os seus raios De imanente resplendor... ” E fitando o discípulo com amor, Com voz doce e pausada, falou: “A lua, amado, És tu... reflexo de mim... Eu sou o Sol ... A luz está em mim contida Independente de ação exterior”. 77
  64. 64. 78
  65. 65. Os Três Montes Sobre um monte, Soberbo pedestal, Sua voz ecoa ...distante Soberana, triunfal! Ensina graves e profundas lições, Captando nas almas As mais íntimas angústias E as mais secretas aspirações. Vivifica pela Misericórdia, a Justiça, Transmuda a Lei, em Humanidade, Conclama ao Perdão, o espírito de Liça E libertando o homem pela fraternidade, Revela Deus... na Paternidade! Sobre um monte, O mergulho dentro de si E o olhar para o céu, Como se já tivesse o porvir, Rompido o seu véu: Como areia que o vento do deserto levanta, É volúvel a alma das multidões; Num momento, O escuta e louvores canta, Noutro, se deixa enredar pelas superstições. Mas sob uma aparência misteriosa, A verdade é simples e singular, Não a compreende a alma preconceituosa, Pois só o coração ... sói alcançar. 79
  66. 66. Sobre um monte, O altar do sacrifício; No chão, o vício, Disputava seu manto. É a covardia gerando um crime Hediondo, já que leva ao calvário Um Ser sublime que redime O homem, seu algoz e sicário. Enquanto no firmamento Entrechocam-se a treva e a luz, Um terrível grito se faz ouvir – é o Rabi: – Eli ! Eli ! Lama Sabachtani! (1) Inclinando a cabeça, ainda exclama, Jesus: Consumatum est ! (2) O corpo esvai-se na cruz ... E o espírito vivificado, em êxtase profundo Faz-se, desde então, eterna “Luz do Mundo”. _________________ (1) Mateus, cap.27, V.26 (Meu Deus ! Meu Deus ! por que me abandonaste ?) (2) João, cap.19, V.30 ( Está consumado ! ) 80
  67. 67. Ecos do livro Estação do Amor “Parabenizamo-la pela excelente Obra, rica de lições delicadas e profundas, que enobrecem o leitor, convidando-o a reflexões libertadoras nestes dias tumultuosos.” Divaldo Franco “Poesias belas na forma e na essência, numa apresentação de colorido rico e primoroso artisticamente emoldurado e salpicado, que me enlevaram e elevaram ao mundo dos sonhos belamente sonhados e coloridos.” Lourdes Burgos “Estação do Amor é um livro expressivo; é um cântico de amor e harmonia com mensagens da poetisa Eliza, que se manifestam através da sua sensibilidade, inspirada na sua própria vivência e principalmente fé em Deus. Os seus desenhos, com traços firmes, conferem nitidez às formas e imagens representativas de pessoas e lugares bucólicos e paradisíacos em a natureza. O seu estilo é natural, vivo e simples. Emerson disse: “É prova de alta cultura dizer as coisas mais profundas de modo mais simples.” Receba prezada Eliza, os meus aplausos.” Renato Gazar Miguel “Estação do Amor, li e reli. Os seus versos, todos eles trazem na sua essência, a filosofia da humildade, da caridade, do altruísmo, da renúncia , da fé e do amor. Os títulos, muito coerentes. As ilustrações de cada página, um primor de arte; enfim, realmente, uma “estação de amor”, na qual podemos e devemos embarcar para uma viagem de sentimental cultura poética.” Laudilio Mello 81

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