Apostila defessa pessoal

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Apostila defessa pessoal

  1. 1. ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTESECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA E DA DEFESA SOCIAL POLÍCIA MILITAR DIRETORIA DE ENSINO – DE ACADEMIA CEL MILTON FREIRE DE ANDRADE DEFESA PESSOAL PARTE TEÓRICA DEFESA PESSOAL E CIDADANIA: UMA AGREGAÇÃO À LUZ DOS DIIREITOS Natal – RN Janeiro / 2006
  2. 2. PAULO ROBERTO DE ALBUQUERQUE COSTA – TEN CEL PM DEFESA PESSOAL DEFESA PESSOAL E CIDADANIA: UMA AGREGAÇÃO À LUZ DOS DIIREITOS Apostila da disciplina Defesa Pessoal para as aulas teóricas do Curso de Formação de Oficiais – CFO/PMRN. Natal – RN Janeiro / 2006
  3. 3. PENSAMENTO Nós pedimos com insistência: Não digam nunca: isso é natural!Diante dos acontecimentos de cada dia. Numa época em que reina a confusão. Em que corre sangue. Em que se ordena à desordem. Em que a humanidade se desumaniza. Em que os arbitrários tem força de lei. Não diga nunca: isso é normal. Bertolt Brecht
  4. 4. SUMÁRIOAPRESENTAÇÃO .................................................................................................. 06O INSTRUTOR ....................................................................................................... 07COMENTÁRIOS DO INSTRUTOR ......................................................................... 08CAPÍTULO 1 – O ALUNO ...................................................................................... 11CAPÍTULO 2 – A ORIGEM DO PENSAMENTO MARCIAL .................................. 131. De onde veio a Palavra marcial ........................................................................... 132. Um pouco da História para melhor conhecer a origem das Artes Marciais ......... 153. História das Artes Marciais a serem Estudadas .................................................. 163.1 Origem e Evolução do Jiu Jitsu .......................................................................... 163.2 Na Índia .............................................................................................................. 173.3 Na China ............................................................................................................ 173.4 No Japão ............................................................................................................ 173.5 No Brasil ............................................................................................................ 183.6 No Rio de Janeiro .............................................................................................. 184. Origem e Evolução do Judô ................................................................................ 194.1 Jigoro Kano (1860 – 1938) ................................................................................ 194.3 Sobre a Fundação do Instituto Kodokan ........................................................... 204.4 A chegada do Judô no Brasil ............................................................................. 215. Origem e Evolução do Karatê .............................................................................. 225.1 Os Monges Oriundos da Índia ........................................................................... 225.2 Okinawa – O berço do Karatê Dô ...................................................................... 235.3 Gichin Funakoshi – O Pai do Karatê Moderno ................................................... 275.4 Oficialização do Karatê-Dô na educação escolar de Okinawa .......................... 295.5 O Karatê-Dô Shotokan chega ao Japão ............................................................ 305.6 O missionário do Karatê-Dô Shotokan moderno ............................................... 305.7 A filosofia Budô .................................................................................................. 325.8 As conseqüências da guerra no Karatê-Dô ....................................................... 325.9 A propagação do Karatê-Dô Shotokan no mundo ............................................. 345.10 Início do Karatê no Brasil ................................................................................. 355.11 O Karatê-Dô Shotokan chega ao Rio Grande do Norte .................................. 41CAPÍTULO 3 – Direitos Humanos e Direitos Internacionais Humanitários ...... 441. Perguntas Chaves ................................................................................................ 442. Questões Éticas e Legais Relacionadas ao uso da Força e Arma de Fogo –Armas Letais ............................................................................................................ 443. O Direito a Vida a Liberdade e a Segurança de todos as Pessoas .................... 45
  5. 5. 4. Uso da Força para Encarregados da Aplicação da Lei ....................................... 455. Princípios Básicos sob o Uso da Força e Arma de Fogo - Arma Letal............... 465.1 Dispositivos Gerais e Específicos ...................................................................... 475.2. Princípios Essenciais ........................................................................................ 485.3. Qualificação, Treinamento e Aconselhamento ................................................. 485.4. Uso de Armas .................................................................................................. 495.5 Uso Indevido de Força e Arma de Fogo ........................................................... 505.6. Opções de Uso de Força ................................................................................. 50CAPÍTULO 4 – DO INTERROGATÓRIO JUDICIAL .............................................. 51CAPÍTULO 5 – NOTAS PUBLICADAS NA IMPRENSA ....................................... 53CAPÍTULO 6 – AS ARTES MARCIAIS NA SOCIEDADE ATUAL ........................ 571. A Prática das Artes Marciais ............................................................................... 582. O Karatê-Dô na Educação e Saúde da Criança ................................................. 58CAPÍTULO 7 - DEFESA PESSOAL ....................................................................... 601. Que é Defesa Pessoal ........................................................................................ 602. Ainda sobre Defesa Pessoal ............................................................................... 603. Benefícios e Finalidade da Defesa Pessoal ........................................................ 61CAPITULO 8 – DA AGRESSIVIDADE ................................................................... 631. Agressividade e Violência – um enfoque psicológico ......................................... 632. Origem Generalizada .......................................................................................... 633. O Ser Humano é Agressivo ................................................................................ 634. Tipos de Violência Imposta pela Máquina Estatal e o Sistema Econômico ........ 655. Violência e suas Modalidades ............................................................................. 656. Ação e Reação .................................................................................................... 667. Técnicas para a Dissolução da Violência ............................................................ 67CAPÍTULO 9 - DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO .............................................. 691. Lesão Corporal à Luz da Lei ............................................................................... 692. Legitima Defesa a Luz da Lei .............................................................................. 712.1 Comentários acerca do art 25 CP ..................................................................... 712.2 Tenham cuidado ao responder uma agressão .................................................. 722.3 A Legislação reconhece o direito a defesa, mas condene excessos ............... 723. Emprego da Força .............................................................................................. 73CAPÍTULO 10 – ABUSO DE AUTORIDADE ......................................................... 74CAPÍTULO 11 – DA VIOLENCIA POLICIAL .......................................................... 76A Violência Policial Militar no Exercício da Função ................................................ 76CAPÍTULO 12 – ÉTICA ........................................................................................... 86 Introdução ............................................................................................................ 86
  6. 6. 1. Que é Ética ? ...................................................................................................... 872. Que é Moral ? ..................................................................................................... 883. Que é Amoral ? ................................................................................................... 884. Conduta e Comportamento Humano ................................................................... 885. Influencia Ambiental ............................................................................................. 886. Controle na Formação da Consciência Ética ....................................................... 897. Consciência Ética ................................................................................................ 898. Vícios Sociais ...................................................................................................... 899. Conduta do Ser Humano em sua Comunidade e em sua classe ........................ 9010. Classes Profissionais ......................................................................................... 9011. Código de Ética ................................................................................................. 9012. O que Consta nesse Código ............................................................................. 9113. Base Filosófica do Karatê-Dô Shotokan ........................................................... 9214. Julgamento da Conduta Ética de Classe .......................................................... 95CAPÍTULO 13 – SOBREVIVENCIA POLICIAL ..................................................... 97CAPÍTULO 14 AS ARTES MARCIAIS NA SOCIEDADE MODERNA .................. 98CAPÍTULO 15 – ARTES MARCIAIS COMO ESPORTE ....................................... 100CAPÍTULO 16 – DIFERENÇA ENTRE DEFESA PESSOAL E A ARTEMARCIAL ESPORTE .............................................................................................. 101CAPÍTULO 17 – OS TREINAMENTOS .................................................................. 104CAPÍTULO 18 – TÉCNICAS DE MANUSEIO COM BASTÃO ............................... 1101. Bastão (Policial) ................................................................................................... 1102. Tonfa I .................................................................................................................. 1123. Tonfa II ................................................................................................................. 112CAPITULO 19 – DEFININDO O QUE REALMENTE É DEFESA PESSOAL ......... 114CAPÍTULO 20 – LEGISLAÇÃO – CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃOFÍSICA – CONFEF E CONSELHO REGIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA - CREF 117CAPÍTULO 21 – AULAS DE DEFESA PESSOAL – PRÁTICA DOJO .................. 117CONCLUSÃO .......................................................................................................... 118REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 119ANEXOS ................................................................................................................. 120Anexo 1 – Lei 9.696, de 16 de setembro de 1998 .................................................. 121Anexo 2 – Resolução nº 013/99 – Registro de não-graduados em EducaçãoFísica no CONFEF REVOGADA ............................................................................ 123Anexo 3 – Resolução nº 021/00 – Dispõe sobre o registro de pessoas Jurídicasnos CREFs .............................................................................................................. 125Anexo 4 – Lei nº 9.981, de 14 de julho de 2000. ..................................................... 127Anexo 5 – Resolução nº 030/00 – Dispõe sobre os cursos para práticos ............... 136
  7. 7. Anexo 6 – Resolução nº 036/00 – Dispões sobre o registro dos não graduados noCONFEF. ................................................................................................................. 137Anexo 7 – Resolução COFEF nº 045/2002. – Dispões sobre o registro de nãograduados em Educação Física no Sistema CONFEF/CREFs. ............................. 138Anexo 8 – Resolução nº 039/01 – Dispões sobre data limite para registro de nãograduados no CONFEF. .......................................................................................... 140Anexo 9 – Lei Complementar nº 218, de 18 de setembro de 2001.- Autoriza ainstituição de unidade administrativa que especifica na estrutura da Secretaria deEstado da Defesa Social, e dá outras providencias. ............................................... 141- Plano de Matéria de curso de defesa pessoal. ..................................................... 143- Capa de Avaliação ................................................................................................ 148- Quadro Demonstrativo do Corpo Discente ........................................................... 149- Quadro Horário das Instruções .............................................................................- Termo de Matrícula ................................................................................................ 151- Portaria de Matrículas ............................................................................................ 152- Solicitação de Inscrição em Curso ......................................................................... 153- Plano Didático da Academia de Polícia Militar Cel Milton Freire de Andrade ....... 154- A Filosofia do Karatê-Dô ........................................................................................ 167- O Karatê aplicado a Defesa Pessoal ..................................................................... 174- CURRICULUM VITAE do Ten Cel Albuquerque ................................................... 179
  8. 8. APRESENTAÇÃO Este trabalho é fruto de 25 anos de observações acerca da conduta e visão que policiaismilitares têm sobre a aplicação de técnicas de defesa pessoal, visão esta, totalmentedistorcida, fruto da má orientação ao longo dos tempos em seus cursos de formação somada àfalta de acompanhamento da evolução do mundo através dos tempos, fazendo uso destemecanismo para, através da técnica e do uso da força, agredir não somente fisicamente, mas,principalmente, a integridade moral e psicológica do cidadão, negando-lhe os seus direitos,alegando muitas das vezes para isso, ter feito uso da “legítima defesa”. No entanto, objetivando não só transmitir os ensinamentos corretos a respeito dalegalidade de se poder fazer uso das técnicas de defesa pessoal, procuramos, principalmente,conscientizar estes policiais do direito à cidadania que todos os povos e nações possuemdentro da legalidade. Dentro deste tema, foi necessário interligar a defesa pessoal à cidadania, à luz das leisvigentes não apenas do Brasil, mas, no mundo.
  9. 9. O INSTRUTOR Ten Cel Albuquerque: UMA VIDA EM PROL DAS ARTES MARCIAIS Fotografia do Tc Albuquerque Ten Cel Albuquerque - 3º Dan de Karatê Shotokan Paulo Roberto de Albuquerque Costa, 3º Dan de Karatê estilo Shotokan / FBK /IJKA, Pernambucano de nascimento, Norteriograndense de coração, presidente da FederaçãoInterestadual de Karatê Shotokan do Rio Grande do Norte pelo segundo mandato, proprietárioda Escola de Karatê Shotokan de Natal, com mais de 30 anos de prática de Artes Marciais(defesa pessoal), dentre elas técnicas de Judô, Aikidô, capoeira e jiu jitsu, sendo especialistaem técnicas de karatê aplicada à defesa pessoal, com vários títulos em campeonatos a nívelestadual e nacional e cursos técnicos com os mais renomados Mestres de Karatê do Brasil edo Mundo. É instrutor de Defesa Pessoal dos Alunos Oficiais da APM/PMRN desde 1995.
  10. 10. COMENTÁRIOS DO INSTRUTOR É visível nos dias atuais a expressiva demanda da sociedade pela prática de DefesaPessoal no Brasil. O fenômeno decorre de fatores tais como o crescimento econômico, poderaquisitivo das pessoas, melhor qualidade de vida e principalmente a insegurança pública queassola a sociedade moderna brasileira. No entanto, cresce o número de academias nos centros urbanos. Neste sentido, crescetambém o número de pessoas que se autodenominam professores ou mestres em artesmarciais, abrindo suas academias e colocando em risco a saúde dos alunos, além de no casode artes marciais, servirem de verdadeiras escolas motivadoras de prática de violência. Nesse pensamento, é que existe toda uma legislação desportiva e penal no Brasil,objetivando coibir essa prática clandestina ou irregular. No entanto, a Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte, pelo motivo do seucrescimento, perdeu o controle da prática de instrução de defesa pessoal dentro daCorporação. Cada Unidade aplica os ensinamentos de defesa pessoal e artes marciais sem nenhumtipo de acompanhamento, sem critérios e sem se preocupar com os resultados advindo dessainstrução. Nesse sentido, o objetivo deste comentário é mostrar a necessidade de se analisar ediscutir a prática de defesa pessoal na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, mostrando assuas irregularidades e sua impotencialidade diante de tal situação, chegando a causarcomentários negativos no ambiente desportivo entre dirigentes de organizações eprincipalmente entre os verdadeiros professores de educação física e defesa pessoal. ANÁLISE CRÍTICA DA PRÁTICA DE DEFESA PESSOAL NA PMRN Inicialmente, verifica-se claramente a não valorização da prática de defesa pessoal naPolicia Militar do Estado do Rio Grande do Norte. Outrossim, verifica-se também a falta de conhecimento aprofundado a respeito do temaprática de técnicas de defesa pessoal, ou seja, a falta de pessoas devidamente qualificada quepossa debater o assunto tecnicamente e dentro da ótica da legislação desportiva vigente noBrasil na atualidade. Por essa falta a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, vem errando acada dia em não dar o valor devido a essa prática na Corporação. Sua importância no contextoda formação educacional e o lapidamento do caráter não só do recruta iniciante, mas,principalmente, do policial tido como antigo na Polícia Militar.
  11. 11. A prática da violência policial no Brasil e no mundo, vem sendo tratada também com aprática Planejada bem monitorada de defesa pessoal e artes marciais em geral. Nos países doprimeiro mundo são construídos centros de treinamentos completamente equipados com todoo tipo de material necessário para o desenvolvimento das aulas, tamanha é a importânciadispensada, pois, sabem do percentual de ajuda ao combate da violência através do equilíbrioentre a teoria (filosofia Budô) e a prática (mecânica). Na Polícia Militar do Rio Grande do Norte, não existe um setor exclusivamente paracuidar apenas da prática da defesa pessoal e artes marciais, preferindo que cada Unidadecuide dessa instrução a seu mero prazer. Sem o conhecimento da forma de como está sedesenvolvendo essa prática, principalmente por quem a ministra. Sabemos que o ConselhoFederal de Educação física (CONFEF) juntamente com os Conselhos Regionais (CREFEs)vem fechando o cerco a todas as entidades e órgãos civis e militares do Brasil, com o objetivode fechar os locais de treinamentos de prática de educação física e artes marciais em geralque não se encontram perfeitamente enquadrado dentro da Lei Federal nº 9.696, preferindopassar por constrangimento junto a opinião pública do que dar melhor atenção a necessidade,qualidade e legalidade dos trabalhos desenvolvidos com a prática da defesa pessoal naCorporação, colocando a frente pessoas qualificadas para coordenar através de um setorpróprio, colaborando com a diminuição da prática de violência policial através do esporte(competições), da defesa pessoal científica e de artes marciais bem orientadas. NECESSIDADE DE UM DEPARTAMENTO DE DEFESA PESSOAL NA PMRN As más orientações repassadas nas aulas teóricas/prática de Defesa Pessoal aospoliciais militares, colaboram com a prática da violência policial nas ocorrências quenecessitam do emprego da força por parte dos agentes encarregados da manutenção daordem pública. Todas as Policias do mundo possuem nas suas estruturas organizacional um setor quecuida especificamente da área de Defesa Pessoal como um todo; estes Setores,Departamentos ou Centros, já são uma realidade hoje no Brasil. Podemos citar por exemplo,dentre outras, a Policia Militar do Estado de São Paulo que tem um Centro de Treinamento deDefesa Pessoal, que trabalha em parceria com órgãos da área desportiva do Governo, queplaneja, coordena e disciplina as atividades de Defesa Pessoal e Artes Marciais naquelaorganização policial militar.
  12. 12. Nesta perspectiva, surge a necessidade urgente da criação e ativação de umDepartamento de Defesa Pessoal para a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, com oobjetivo de conduzir essa área tão importante nos dias atuais para uma organização policial ea sociedade em geral, não permitindo que aberrações venham a ocorrer isoladamentecausando prejuízo a Corporação, sendo ela mesma a responsável direta pelo problema. Nesse pensamento, pesquisar a prática de Defesa Pessoal desenvolvida na PolíciaMilitar do Rio Grande do Norte, em particular nas Unidades da Grande Natal, seus reflexos nocontexto educacional, social e operacional, a qualificação e regulamentação dos instrutorescom fulcro na legislação desportiva em vigor no país, é necessário a criação e ativação de umDepartamento de Defesa Pessoal, com a responsabilidade de planejar e coordenar todas asatividades na área de Defesa Pessoal e Artes Marciais na Instituição Policial Militar do RioGrande do Norte. Ten Cel PM Albuquerque 3º Dan Instrutor de Defesa Pessoal
  13. 13. CAPÍTULO 1 O ALUNO O aluno - Enraizado como um dos mais primitivos instintos da vidaanimal, vemos como o homem necessita de uma atenção maior do que orestante dos seres vivos para nascer, crescer, desenvolver-se e, finalmente,morrer. Em todas e em cada destas etapas o aprendizado é constante, aindaque a ordem de importância se veja mais acentuada nas primeiras fases. O aprendizado através da família, da sociedade e de própria experiênciae personalidade joga um papel decisivo na formação integral da pessoa. Anatureza, na maioria dos casos, influi na escolha do caminho a seguir emcasos de dúvida. Se quiséssemos analisar os motivos que levam o homem à prática deuma arte marcial na sociedade moderna, veríamos que seria preciso umainvestigação de psicologia social de longo alcance para podermos ter dadosconfiáveis e objetivos. No entanto, a experiência demonstra que, na maioriadas vezes, estes motivos podem ser englobados em três grupos: formativos,recreativo e criativo, apesar de que sendo mais preciosos, nos damos contaque estes grupos ficam reduzidos a um apenas, que tem suas raízes nanecessidade primária do homem de se relacionar e comunicar com seussemelhantes. Este relacionamento, por sua vez, está condicionado à idade, aosexo e à personalidade tanto do educador quanto do educando. O esotérico e enigmático mundo das artes marciais e a relação do alunocom o professor adquirem transcendental importância. O respeito, a confiançae a estima que se professam são mútuas, chegando a alcançar níveis própriosde um alto grau de maturidade característico de uma sociedade hierárquica ehumana, que forma a pedra angular sobre a qual está assentada a prática daarte marcial ou defesa pessoal. Numa escola de artes marciais o aluno tem uma função dupla, facilitadapelos diferentes graus de conhecimento refletidos na cor da faixa: uma deaprendizado através dos graus superiores, outra de docência para com osgraus inferiores, por sentir-se incorporado como peça válida de uma correntede conhecimentos, na qual recebe e dá simultaneamente, enriquecendo-se noconstante fluir do aprendizado: a) Emprego da Força b) Emprego da força física
  14. 14. c) Arte Marciald) Defesa Pessoale) Abuso de autoridadef) Legitima Defesag) Equipamentos não letaish) Equipamentos letais
  15. 15. CAPÍTULO 2 A ORIGEM DO PENSAMENTO MARCIAL1. DE ONDE VEIO A PALAVRA MARCIAL? Segundo LACEY (1999), o Homem é uma raça que evoluiu de organismos unicelularespara o seu estado mias elevado por meio de uma série de transformações biológicas ocorridasa milhões de anos, onde muitos acreditam que o ser humano tinha vida marítima, umapequena célula, que deu origem a uma outra forma de vida, e com o passar dos anos, foitomando nova forma de vida até chegar no homem. NICHOLAS (1999), afirma que Antropólogos acreditam que o homem tem sua origemem macacos antropóides, ou que este foi derivado de um ancestral antropóide em comum, queao longo de milhões de anos evoluiu, mudando de forma até chegar no seu estado maiselevado, o homem, o que segundo eles, explica a existência do homem das cavernas, queseria uma das fases da evolução do homem. Mas entre as diversas teorias sugeridas pelos Antropólogos evolucionistas, nenhumadelas possui comprovação aceita pela maioria dos estudiosos da antropologia, existem simmuitos casos isolados, mas que não oferecem nada de real, e além disso não há descobertascientificas ou arqueológico para dar sustentação a nenhuma destas teorias. Afirmam alguns cientistas que aproximadamente há 5 milhões de anos, surgia o homemsobre o planeta Terra, tendo provavelmente como berço o continente africano. Tinha início olongo, sangrento e, por vezes, glorioso caminhar da História. Os estudiosos tradicionais dividiam a evolução humana em dois períodos: a Pré-História, caracterizada pela ausência de escrita, e a História propriamente dita, quando seformaram as primeiras civilizações. Essa divisão é bastante simplista e conceitualmente errada,pois, sendo o homem um agente histórico por definição, seu aparecimento e suas primeirasatividades já caracterizam uma realidade que, efetivamente, pode ser denominada de“histórica”. Além disso, os antigos historiadores definiam a Pré-História pelo critério dacarência: ausência de Estado, falta de sofisticação tecnológica, economia estritamente desubsistência e desconhecimento da escrita. Em suma, comunidades selvagens e, porconseguinte, desprovidas de História. Essa visão nos parece preconceituosa, pois parte doconceito de que o processo civilizatório só teve início quando nasceram as estruturas e osvalores que a nossa cultura, neles baseada, define como tais. Também a Pré-História é divididaem períodos: o Paleolítico, o Mesolítico e a Idade dos Metais, desdobrada em período doBronze e o do Ferro. As idéias gerais da teoria da evolução das espécies sofreram, aos poucos, alterações eaperfeiçoamentos. Todavia, as bases do evolucionismo subsistem até hoje e o nome de Darwin
  16. 16. (Charles Darwin, naturalista inglês (1809-1882), à sua doutrina.) ficou ligado a uma das maisnotáveis concepções do espírito humano. Acreditamos que desde o primeiro golpe desferido com um osso em direção a um objetoou ser vivo originou os golpes de espada que hoje aperfeiçoados, denotam a perfeição datécnica atual em relação às suas origens. É inevitável não estabelecermos a origem do pensamento marcial às guerras. Daí o fatode ser chamado de artes marciais, que remonta a origem do deus marte, ou o deus da guerra. Explicarei melhor:MITOLOGIA (Aurélio Buarque de Holanda): s. f. 1. Descrição geral dos mitos. 2. Estudo dos mitos. 3. História dos mistérios, cerimônias e culto com que os pagãos reverenciavam os seus deuses e heróis.MITO (Aurélio Buarque de Holanda): s. m. 1. Fábula que relata a história dos deuses, semideuses e heróis da Antiguidade pagã. 2. Interpretação primitiva e ingênua do mundo e de sua origem. 3. Coisa inacreditável. 4. Enigma. 5. Utopia. 6. Pessoa ou coisa incompreensível. Marte (Ares), deus sanguinário e detestado pelos imortais, nunca teve grandeimportância entre as populações helênicas. Em numerosas localidades, parece até haver sidointeiramente desconhecido, e se o seu culto conservou na Lacônia importância maior quealhures, deve-se à rudeza dos habitantes de tal país. Foi somente entre os romanos que Marteadquiriu importância verdadeira e permanente; o tipo de Palas conformava-se muito mais aogênio grego. Com efeito, Palas é a inteligência guerreira, ao passo que Marte nada mais é doque a personificação da carnificina. Ávido de matar, pouco lhe importa saber de que lado está ajustiça e cuida apenas de tornar mais furiosa a luta. O deus da guerra e da violência aparece-nos sempre em atitude de repouso. Tem, porvezes, numa das mãos a Vitória, como Júpiter ou Minerva. Vemo-lo com tal aspecto numafamosa estátua da Villa Albani. Uma linda pedra gravada mostra Marte segurando com umadas mãos a Vitória e com a outra a oliveira, símbolo da paz proporcionada pela vitória. Amaioria das vezes usa um capacete e empunha uma lança ou gládio. Aparece, assim, emvárias medalhas, mas as estátuas que o representam isoladamente não são demasiadamentecomuns entre os gregos. Entretanto, a bela estátua do Louvre, conhecida pelo nome de AquilesBorghese passa hoje por ser um Marte. Explica-se o elo que usa num dos pés pelo hábito decertos povos, e notadamente os lacedemônios, de agrilhoarem o deus da guerra.
  17. 17. Parece ter sido o escultor Alcameno de Atenas quem fixou o tipo de Marte, tal qualsurge habitualmente nos monumentos artísticos. Os atributos habituais do deus são o lobo, oescudo e a lança com alguns troféus. Uma medalha cunhada na época de Seotímio Severonos mostra Marte com uma lança, um escudo e uma escada para o ataque. Sob tal aspecto,Marte recebe o epíteto de Teichosipletes (o que sacode as muralhas). Resumindo, no que conhecemos por história, Bodhidharma é o pai das artes Marciais.Dizem na China que, quando o homem de Nenderthal utilizou-se pela primeira vez de umosso ou de uma pedra para melhorar suas qualidade na luta, surgiu o KUNG FU. Pois bem,iremos abordar um pouco de história para melhor conhecer a origem das Artes Marciais.2. UM POUCO DA HISTÓRIA PARA MELHOR CONHECER A ORIGEM DAS ARTESMARCIAIS Existem grandes obras elaboradas, por filósofos de comprovada idoneidade quemencionam na China, a prática do Kung Fu, muitos milhares de anos antes de Cristo. Noentanto, existem ainda, muita discordância a respeito de sua origem. Ali pelo ano de 525 da era Cristã, atravessou a fronteira Chinesa, vindo da Índia, pelo"Caminho da Sêda", o 28º patriarca do Budismo que se chamava Bodhisatva AvalokitesvaraBodhidharma, (mais conhecido na China por Ta Mo), esse monge constatou a diversificaçãodos dogmas do Budismo Chinês e, em busca da Iluminação, ingressou no Templo Shao-Lin, naprovíncia de Honan e, pôs-se a meditar durante nove anos frente a um muro. Terminando o período de meditação, tomado por um acesso de mística, Bodhidharmarecodificou o sistema ginástico denominado Kung Fu, filosoficamente comparou-o aosmovimentos dos animais e uni-o a um característico "modus vivendi" estreitamente unido anatureza. Na mesma época, revolucionou o pensamento budico (recatado) universal,redescobrindo a meditação como forma de redescobrimento do homem. (Em crônicasposteriores abordaremos o aspecto filosófico). Mais ou menos mil anos após a morte de Bodhidharma, o Império Chinês foi invadidopelos bárbaros do norte, conhecidos como Manchus. A antiga dinastia dos Ming foi derrubadae seus oficiais esconderam-se no templo Shao-Lin. A fuga dos Oficiais Ming para o templo Shao-Lin representou papel importante nahistoria do Kung Fu, lá praticadas, foram aperfeiçoadas e ganharam um caráter mais bélico emarcial. Adaptando-se inclusive, à utilização de diversos tipos de armas. Porém, por essemotivo o templo Shao-Lin foi destruído e, embora tenha sido reconstruído em outro local, foinovamente destruído, provocando a disseminação dessa luta através de toda a China. No que se refere a Bodhidharma, como sempre acontece com as lendas, tornou-seimpossível separar fato de ficção. As datas são incertas. De fato, eu conheço pelo menos um
  18. 18. erudito budista que duvida que Bodhidharma tenha existido. Mas correndo o risco de escreversobre um homem que nunca existiu, eu esbocei uma biografia, baseada nos registros maisrecentes e algumas suposições, para fornecer um cenário para os sermões a ele atribuídos. Bodhidharma nasceu em torno do ano 440 em Kanchi, capital do reino sulista indiano dePallawa. Ele era um brâmane de nascimento e o terceiro filho do Rei Simhavarman. Quandoele era jovem, ele converteu-se ao budismo, e mais tarde o Dharma lhe foi ensinado porPrajnatara, de Magadha, que foi convidado pelo seu pai. Magadha era o antigo centro dobudismo. Também foi Prajnatara quem disse para Bodhidharma ir para China. Uma vez que atradicional rota terrestre estava bloqueada pelos hunos, e uma vez que Pallawa tinha laçoscomerciais por todo Sudeste Asiático, Bodhidharma partiu de navio de um porto nasproximidades, Mahaballipuram. Depois de contornar a costa da Índia e a Península da Malásiapor três anos, ele finalmente chegou ao sul da China ao redor do ano 475. Nessa época o país estava dividido pelas dinastias Wei do norte e Liu Sung. Essadivisão da China numa série de dinastias nortistas e sulistas começou no início do Séc. III econtinuou até o país ser reunificado sob a dinastia Sui no fim do Séc. VI. Foi durante esseperíodo de divisão e conflito que o budismo indiano transformou-se em budismo chinês, com osnortistas de mente militarista enfatizando meditação e mágica e os intelectuais sulistaspreferindo discussão filosófica e a compreensão intuitiva de princípios. Quando Bodhidharma chegou à China, no fim do Séc. V, haviam aproximadamente 2mil templos budistas e 36 mil clérigos no sul. Ao norte, um recenseamento em 477 contou 6,5mil templos e aproximadamente 80 mil clérigos. Menos de 50 anos mais tarde, outrorecenseamento feito ao norte aumentou esses números para 30 mil templos e 2 milhões declérigos, ou cerca de 5% da população. Sem dúvida, isso incluía muitas pessoas que estavamtentando evitar impostos ou recrutamento ou que procuravam a proteção da igreja por outrasrazões não religiosas, mas claramente o budismo estava espalhando-se pelas pessoascomuns ao norte do Rio Yangtze. No sul, permaneceu muito confinado à elite educada até oSéc. VI. Muitas são as lendas que permeiam as origens dos pensamentos relacionados às artesde guerra. Desde que as origens da religião “shinto” se estabeleceram o Japão como filhos dedeus, muito se fala a respeito das artes marciais japonesas, mas até onde tudo é verdade oufrutos da mitologia criada pelo homem?3. HISTÓRIA DAS ARTES MARCIAIS A SEREM ESTUDADAS3.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO DO JIU-JITSU O Jiu-Jitsu foi criado na Índia, aproximadamente a 2.000 anos antes de Cristo, numapequena e pacata vila interiorana sem recursos para confecção de armas ou grandes sistemas
  19. 19. de defesa, observando as posições em que, de um "meio suave", seria possível aos seushabitantes desequilibrar, derrubar e defender-se de seus ofensores. Após uma invasão detropas chinesas à Índia, foi levado para a região do rio Meckong e usado por lavradores paradefenderem-se de salteadores e andarilhos hostis. Eventualmente, foi introduzido no Japão e láfoi aperfeiçoado adicionando-se torções de articulações, estrangulamentos, imobilizações ealavancas, o que tornou o Jiu-Jitsu mais eficiente numa luta de corpo-a-corpo e na defesapessoal. Com o início da entrada da cultura ocidental no Japão, foi solicitado a Jigoro Kano,excelente atleta de jiu-jitsu, que desenvolvesse uma modalidade que assemelhasse com o jiu-jitsu e que não deixasse transparecer as técnicas eficientes e secretas da nobre arte; JigoroKano, então, desenvolveu o Judô, baseado em projeções e imobilizações com bastantefinalizações, muito assemelhado ao princípio do jiu-jitsu em sua fase chinesa. O Jiu-Jitsu foiintroduzido no Brasil em 1920 por ESAI MAEDA, cônsul japonês no Pará.3.2 Na Índia Segundo os antigos e o conhecimento verbal, esta arte (Jiu-Jitsu), teria se iniciado naantiga Índia. Em especial pelos monges. Segundo os princípios religiosos os monges nãopodiam usar de agressividade e sim desvencilhar de um súbito ataque ou mesmo imobilizar oassaltante em suas peregrinações pelo mundo afora.3.3 Na China A China pôr sua vez caracterizou o Jiu-Jitsu como prática bélica, pois esta civilizaçãodesenvolveu um grande número de estilos de artes marciais. O Jiu-Jitsu era praticado com umkimono curto de mãos livres, além da luta corporal, tinha grande importância no desarmamento.Sua prática chega no auge na época dos “Reinos Combatentes” e na unificação da China por “Chin Shih Huang Ti".3.4 No Japão O Jiu-Jitsu chega ao Japão no séc.II depois de Cristo, advindo da China. Muitas foramas correntes que transmitiram esta arte ao país do " Sol Nascente", inclusive, existeminúmeras lendas nipônicas relacionadas à criação e artes marciais. A história registrada em1.600, afirma que um monge chinês "Chen Gen Pin" teria ensinado três Samurais, a cada qualensinara uma especialização a saber: Atemi, torções e projeções. E estes difundidos a todo ojapão, ou mesmo se fundindo com outras escolas de jiu-jitsu. No Japão Feudal se utilizaminúmeros nomes relacionados com o Jiu-Jitsu, alguns se divergiam em fundamentos técnicos
  20. 20. outros eram extremamente semelhantes; Aikijitsu, Tai Jitsu, Yawara, Kempô, e mesmo o termoJiu-Jitsu se dividia entre estilos como: Kito ryu, Shito Ryu, Tejin e outros. É nesta época, onde aforte divisão da calsse social japonesa enaltecia a nobreza dos Samurais que o Jiu-Jitsu sedesenvolve a fundo. Os pequenos nipônicos aperfeiçoam a arte de lutar, onde poderiam decidira vida ou a morte de um guerreiro em disputa. Era então o Jiu-Jitsu, uma prática obrigatóriaaos jovens que futuramente seriam "Samurais" ao lado da esgrima, literatura, pintura,cavalaria e outros.3.5 No Brasil Carlos Gracie, que fora treinado por Mitsuo Maeda passa pôr Minas Gerais e em BeloHorizonte ministra algumas aulas num hotel da região. Em seguida vem para São Paulo e nobairro das Perdizes monta uma academia. Sem o sucesso desejado se instala no Rio deJaneiro e na Capital começa a ensinar, e também a seus irmãos: George, Gastão, Hélio eOswaldo. Hélio Gracie passa a ser o grande nome e difusor do Jiu-Jitsu. Já instalado no Rio,forma inúmeros discipulos. George Gracie foi um desbravador, viajou por todo o Brasil, noentanto, estimulou muito o Jiu-Jitsu em São Paulo, tendo como alunos: Otávio de Almeida,Nahum Rabay, Candoca, Osvaldo Carnivalle , Romeu Bertho e muitos outros. Algunscontinuam na ativa. No Rio de Janeiro mais especificadamente na zona oeste, o mestre “Fada”foi notoriamente um dos baluartes do Jiu-Jitsu, tendo grande número de formados. Enquantoisso, na mesma época de Mitsuo Maeda, outros japoneses continuaram difundindo o Jiu-Jitsu.“Geo Omori” por exemplo, aceitava desafios no picadeiro do circo “queirolhos” e foi ele tambémquem fundou a primeira Academia do Brasil, em São Paulo no Frontão do Braz na Rua: RangelPestana , no ano de 1925 ( Segundo o historiador Inezil Penna). Os irmãos Ono vieram aoBrasil na década de 30 advindos de um renomado mestre de Jiu-Jitsu do Japão. Aqui no Brasilformaram muitos alunos mas acabaram por adotar a prática do Judô. Takeo Yuano muitoconceituado por sua exímia técnica, viajou por todo o Brasil e ensinou Jiu-Jitsu em cidadescomo São Paulo e principalmente em minas Gerais, onde lecionou e até estimulou a criação daFederação local.3.6 No Rio de Janeiro Conhecida como a “Meca” do Jiu-Jitsu, por ter concentrado praticamente toda a FamíliaGracie.Os grandes nomes da família Gracie depois de Hélio foram: Carlson e Rolls Gracie.Atualmente Rickson Gracie é reconhecido como o melhor lutador do mundo! A primeiraorganização do Brasil, foi a fundação da Federação Carioca, formada por Hélio e continuadapor Robson Gracie. Atualmente existe a Confederação Brasileira e Mundial, comandadas porCarlos Gracie Júnior.
  21. 21. 4. ORIGEM E EVOLUÇÃO DO JUDÔ4.1 O JUDÔ O Judô de hoje é baseado no velho Jiu Jitsu. Das técnicas deste último, reexaminadas,apuradas, sistematizadas e ajuntadas a um ideal, deriva o Judô. O início do desenvolvimento histórico do combate corporal se perde na noite dostempos. A luta, inclusive por necessidade e sobrevivência, nasceu com o homem e, a esserespeito, os documentos remontam os tempos mitológicos. Um manuscrito muito antigo, o Takanogawi, relata que os “deuses” Kashima e Kadorimantinham poderes sobre os seus súditos graças às suas habilidades de ataque e defesa. A Crônica Antiga do Japão (Nihon Shoki), escrita por ordem imperial no ano de 720 denossa era, menciona a existência de certos golpes de habilidade e destreza, não apenasutilizados nos combates corporais mas também, como complemento da força física, espiritual emental, relatando uma história mitológica na qual um dos competidores, agarrando oadversário pela mão, o joga ao solo, como se lançasse uma folha. Segundo alguns historiadores japoneses, o mais antigo relato de um combate corporalocorreu em 230 aC, na presença do imperador Suinin. Taimano Kehaya, um lutador insolentefoi rapidamente nocauteado por um terrível cultor do combate sem armas, Nomino Sukune.Naquele tempo não havia regras e combate padronizadas. As lutas poderiam desenvolver-seaté a morte de um dos competidores. As técnicas de ataque e defesa utilizadas guardam muita semelhança com os golpes dosumô e do antigo ju-jitsu.4.2 Jigoro Kano (1860-1938) Jigoro Kano nasceu no Japão em 28 de outubro de 1860 (fim da dinastia Tokugawa) emMikagemachi, Condado de Huko, Distrito de Hyogo. Era o terceiro filho de Jirosaku MareshibaKano, alto funcionáro da Marinha Imperial. Com onze anos transferiu-se para Kioto paraestudar o idioma inglês, tornou-se professor e tradutor dessa língua. chegando inclusive amontar em Tókio sua própria escola, o Kobunkan. Quem lhe ensinou os primeiros passos no Jiu-Jitsu foi o professor Teinosuke Yagui. Aosdezessete anos matriculou-se na Escola Tenchin Shinyo Ryou sendo seus professores osmestres Hachinosuke Fukuda e Masotono Iso, logo foi a estudar na famosa escola Kito Ryoucom o Mestre Tsunetoshi Iikugo. Em 1882, ano de sua formatura em Filosofia, Economia eCiências Políticas pela Universidade Imperial de Tókio, Jigoro Kano fundou sua escola oKodokan no templo budista Eisho onde começa a ensinar o novo esporte criado por ele: oJudô. Seu primeiro aluno foi Tsunejiro Tomita. A cultura do Dr. Jigoro Kano lhe possibilitou ascender a altos postos no ensino, noesporte e no governo de seu país. Foi Professor, Vice-presidente e Reitor do Colégio dos
  22. 22. Nobres, Adido do Ministro da Casa Imperial, Conselheiro do Ministro da Educação Nacional,Diretor da Escola Normal Superior e ainda, Secretário da Educação Nacional. Fundousociedades e institutos para jovens e também o primeiro clube de beisebol do Japão. Editourevistas, viajou para Europa e América do Norte em missão cultural. Foi ainda Diretor daEducação Primária, Presidente do Centro de Estudos das Artes Marciais (Botukukai) e oprimeiro japonês a pertencer ao Comitê Olímpico Internacional, alem de Presidente daFederação Desportiva do Japão. Em 1920 passou a dedicar-se exclusivamente ao Judô, aindacomo membro da Câmara Alta, Professor Honorário da Escola Normal Superior de Tóquio eConselheiro do Gabinete Japonês de Educação Física. Foi o introdutor da Educação Física noplano educacional do Japão. O Dr Jigoro Kano morreu no dia 4 de maio de 1938, com 77 anos de idade quandovoltava da Assembléia Geral do Comitê Internacional dos Jogos Olímpicos, postumamente foi-lhe outorgado o Segundo Grau na Escala Imperial Japonesa. Foi o único a obter 12. Dan. O Dr.Jigoro Kano é conhecido mundialmente como um grande educador.4.3 Sobre a Fundação do Instituto Kodokan O prof. Kano estabeleceu o Instituto Kodokan em 1882, época em que o dojô (local detreino) tinha apenas 12 tatamis e o número de alunos era nove. O ju-jitsu foi substituído pelojudô pela razão de que enquanto "jitsu" significa técnica o "do" significa caminho, este últimopodendo ter dois significados: o de um caminho em que você anda e passa e o de umamaneira de viver. Como meio de ensino, no Kodokan, Jigoro Kano adotou o randori, kata e métodoscatequéticos, adicionando educação física ao treinamento intelectual e à cultura moral. Aharmonia desses três aspectos de educação constituem a educação ideal pela qual o judô seráensinado. Ao redor do ano 20 da era Meiji (1887), o judô tinha dominado o ju-jitsu, que foi varridode vários países. O princípio do "JU", do judô, passou a significar o mesmo que na frase"gentileza é mais importante que obstinação". Assim a teoria do "JU", que é gentileza, suavidade, pretende utilizar a força do oponentesem agir contra ela, podendo ser aplicada não somente na competição mas também aosaspectos humanos. O prof. Kano disse em 1910 que a teoria da cultivação da energia tratava de adotar ummétodo para melhorar a habilidade mental e física pelo armazenamento de ambas quanto forpossível. Ele disse que o seu bom uso é cultivar e usar a energia humana para o bem e que ateoria pode ser adquiri-la através do treinamento de judô, podendo ainda ser ampliada paratodos os aspectos da vida. Antes de se expandir, o conceito de judô do professor veio a formardois grandes guias: o melhor uso da energia individual e o bem estar mútuo. Com estesprincípios o judô expandiu-se no próprio Japão e no exterior. Com esta base, o prof. Kano
  23. 23. deixou como ensinamento que através do treinamento a pessoa deve se disciplinar, cultivar oseu corpo e espírito através das técnicas de ataque e defesa, fazendo engrandecer a essênciado caminho. O melhor uso da energia e o bem estar mútuo são uma versão resumida dosensinamentos de Jigoro Kano, que definiu como objetivo último do judô construir a perfeição deuma pessoa e beneficiar o mundo.4.4 A Chegada do Judô no Brasil Em 1904, Koma ao lado de Sanshiro Satake, saiu do Japão. Seguiram então para osEstados Unidos, México, Cuba, Honduras, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru(onde conheceram Laku, mestre em ju-jitsu que dava aulas para a polícia peruana), Chile, ondemantiveram contato com outro lutador, (Okura), Argentina (foram apresentados a Shimitsu) eUruguai. Ao lado da troupe que a eles se juntou nos países sul-americanos, Koma exibiu-sepela primeira vez no Brasil em Porto Alegre. Seguiram depois para o Rio de Janeiro, SãoPaulo, Salvador, Recife, São Luís, Belém (em outubro de 1915) e finalmente Manaus, no dia 18de dezembro do mesmo ano. A passagem pelas cidades brasileiras foi marcada apenas porrápidas apresentações. Por sua elegância e semblante sempre triste, Mitsuyo Maeda ganhou oapelido de Conde Koma durante o período que ficou no México. A primeira apresentação dogrupo japonês em Manaus, intermediado pelo empresário Otávio Pires Júnior, em 20 dedezembro de 1915, aconteceu no teatro Politeama. Foram apresentadas técnicas de torções,defesas de agarrões, chaves de articulação, demonstração com armas japonesas e desafio aopúblico. Com o sucesso dos espetáculos, os desafios contra os membros da equipemultiplicaram. Entre os desafiantes, boxeadores como Adolfo Corbiniano, de Barbados, e lutadores deluta livre romana como o árabe Nagib Asef e Severino Sales. Na época Manaus vivia o "boom"da borracha e com isso as lutas eram recheadas de apostas milionárias, feitas pelos barõesdos seringais. De 4 a 8 de janeiro de 1916, foi realizado o primeiro Campeonato de Ju-jitsuamazonense. O campeão geral foi Satake. Conde Koma não lutou desta vez, ficando apenas com aorganização do evento. No dia seguinte (09/01/1916), o Conde, ao lado de Okura e Shimitsu,embarcou para Liverpool, na Inglaterra, onde permaneceram até 1917. Enquanto a duplapermaneceu no Reino Unido, Satake e Laku seguiram lecionando ju-jitsu japonês aosamazonenses no Atlético Rio Negro. E os mestres orientais continuaram vencendo combates aque eram desafiados. Até que em novembro de 1916, o lutador italiano Alfredi Leconti,empresariado por Gastão Gracie, então sócio no American Circus com os Irmãos Queirollo,chegou a Manaus para mais um desafio. Sataki que estava adoentado cedeu seu lugar paraLaku, sendo este derrotado por Leconti. Sataki, em recuperação, seria o próximo adversário do
  24. 24. italiano, mas devido a brigas geradas por ocasião do combate entre Laku e o desafiante, odelegado Bráulio Pinto resolve proibir outras lutas na capital. Em 1917, de volta ao Brasil, mais especificamente em Belém, e tendo ao lado suacompanheira, a inglesa May Iris Maeda, Conde Koma ingressa no American Circus ondeconhece finalmente Gatão Gracie. Em novembro de 1919, o Conde retorna a Manaus, agorana condição de desafiante de seu amigo Satake. Foi então que aconteceu a única derrota deKoma em toda sua carreira. Na biografia anterior diziam que ele nunca havia sido derrotado. Então ele volta para Belém e em 1920, já com a crise da borracha, é desfeito oAmerican Circus. Com isso, Mitsuo Maeda embarca novamente para a Inglaterra. Em 1922,regressa como agente de imigração, trabalhando pela Companhia Industrial Amazonense ecomeça a ensinar judô aos belenenses na Vila Bolonha. No mesmo ano, seu ex-companheiroSatake embarca para a Europa e nunca mais se tem notícias do grande mestre.Conde Komacontinuou em Belém, falecendo em julho de 1941. Carlos e Hélio Gracie, filhos de Gastãoseguiram atuando no ju-jitsu, modalidade que aprenderam com Koma no circo do pai.5. ORIGEM E EVOLUÇÃO DO KARATÊ5.1 Os monges oriundos da índia A história do Karatê perde-se no tempo. Formas de defesa pessoal queusavam os próprios membros como armas, foram vistas em muitos lugares domundo em épocas bem distantes. A teoria mais aceita hoje sobre sua origem éa de que um monge – Daruma – vindo da Índia para a China teria trazido osensinamentos de uma luta ao Mosteiro Shaolin. Na China, sob a orientação de Dharma (Bodhidharma), e como os mongespassavam muitas horas em meditação, permaneciam muitas horas imóveis, oque aliado aos meios de subsistência, faziam com que os monges se tornassemmais volúveis às doenças. Então, Dharma, iniciou com estes monges a prática de uma atividadefísica, com o intuito de lhes estabelecer a força física e espiritual. Foi assimque nascia o Kempô e passado pouco tempo, pelas suas técnicas bastanteeficazes, estes monges eram temidos principalmente pelos salteadores deestradas da época. No século XIV, o Kempô foi introduzido em Okinawa. Lá se desenvolveudesmembrando-se em três escolas importantes, sendo elas: a Shuri-Tê, nacidade de Shuri, antiga capital onde a realeza e os nobres viviam; a Naha-Tê,na cidade de Naha e a Tomari-Tê na cidade de Kume.
  25. 25. Mais tarde, no século XIX, esta prática sofre algumas alteraçõestécnicas, introduzidas por Matsumura, e passa a ser designada por Karatê.Este trabalho foi continuado por Itosu Anko, Ginchin Funakoshi, Mabuni,Nakayama, Asai e tantos outros que continuam a desenvolver o Karatê e criamnovos estilos Ginchin Funakoshi, após uma apresentação pública de Karatê no Japão,em 1922, passa a ser considerado o grande renovador desta arte marcial, umavez que foi o primeiro a conciliar o Karatê com os aspéctos físicos dodesenvolvimento humano.5.2 Okinawa – O berço do karatê-dô Denominado pelos chineses de “Ryu Ryu”, estende-se por mais de 800Km, um vasto grupo de ilhas desde o promontório de Kogoshima (extremo suldo Japão) até a ilha de Taiwan (formosa). Do centro desta grande ilha, de vários tamanhos, esparsas como poeirasalpicando o mar, entre os arquipélagos menores Yiaciama e Myato, destaca-se Okinawa com 1.500 Km 2 , ocupando, sozinha, 53 % da superfície do RyuRyu. “Oki”, oceano ou grande, “Nawa”, cadeia, corrente ou corda – em japonês– essa ilha tem uma centena de quilômetros de comprimento para uma largurade 30 a apenas 4 quilômetros – quando se pode ver o Mar da China a oeste e oOceano Pacífico a leste. Seu aspecto é realmente o de uma corda nodosaflutuante. Ao Norte, montanhas verdes e rugosas ou vulcânicas, belas encostas decorais, baías de águas límpidas e praias brancas e muito sol. Ao sul na partemais baixa, campos de arroz, plantações de nananeiras e cana-de-açúcar e portodo o litoral pequenos pontos de pesca e pequenas aldeias. É enganosa a tranqüilidade aparente do local. O inverno é ameno, overão é terrível, sol forte e chuvas trazidas pelas “monções” (vento típico eperiódico do sul e sudeste asiático) quase sempre acompanhadas pordevastadores tufões. A vida em Okinawa sempre foi rude. Para se adaptar ao meionaturalmente hostil e extrair seu alimento de um solo fino e impróprio aocultivo, o habitante de Okinawa precisou forjar a vontade, a tenacidade e aengenhosidade – qualidade que teria que ter ainda em dobro em face desucessivos invasores que pretendiam subjugá-lo, a todo custo.
  26. 26. O instinto de sobrevivência faria surgir recursos de resistência, técnicasde combate a mãos nuas (ancestrais do Karatê) ou com armas improvisadas(ancestrais do KoBudo – Sai, Bo, Nuchako, Kama, Tonfa, Chimbe, Tekko, etc).Pescadores e agricultores de índole talvez pacífica conheceram uma históriatumultuada sobretudo pela opressão dos poderosos chineses e japoneses. Pelapreservação da própria individualidade e hostis a toda tentativa de integração,geração, acabaram por forjar a alma do povo okinawense, como uma Segundanatureza. Hoje ainda, embora território japonês, Okinawa se sente muito diferentedo restante do Japão. De todas as etnias que vieram se fundir em Okinawa, o elementopuramente japonês foi provavelmente o último, introduzido a partir do século 14– época em que a casta militar nipônica pretendia subjugar a ilha. A situação geográfica fez com que o local sofresse, em todas as épocas,a influência de uma grande variedade de culturas, principalmente de seusvizinhos mais poderosos: China e Japão. Rota de comércio japonês, chinês,filipino ou malásio; ponto de escala e objeto de cobiça dos navios piratas vindode todos os horizontes; entrada estratégica de toda região adjacente. Okinawaacumulou, por muito tempo – aliada a seu sofrimento de resistência – toda umabagagem cultural e artística rica e fecunda. Até o século 13, pouco se sabe sobre a história de Okinawa. A ilhaencontrava-se retalhada por clãs rivais que se enfrentavam continuamente. A figura de Shuten ou Shoto (senhor de Urasor) emerge como provávelprimeiro rei de Okinawa e que construiu um sistema de defesa fortificado doqual ainda restam vestígios. Esse fato histórico ainda marca o início daascensão de uma de uma classe guerreira de nativos que iria se firmando e seindividualizando. No século 14, relações comerciais seguidas estabeleceram-se com aChina, a Coréia, o Japão e, mais além, com Java e Sumatra. Sabe-se que em 1372, o rei Okinawense Satto prestou voto deobediência ao Império chinês Ming (1468-1644), ao qual passou a pagartributo. Em 1429, a ilha foi unificada pelo rei Sho Hanshu que, pela primeiravez soube reunir as velhas províncias de Chuzan, Hokuzan e Nazan. Era aépoca em que as grandes aldeias de Naha e de Shuri se tornavam cidadescomerciais prósperas, entrepostos de todos os pontos os produtos do sudesteasiático e onde se acotovelavam japoneses, chines, indianos, malásios, thais eárabes. É também nessa época que a China da Dinastia Ming, enviou
  27. 27. importante grupo de artesãos e artistas – mencionados em antigos documentoscomo “As 36 Famílias”. Entre esses chineses, sem dúvida, encontravam-seindivíduos que tinham conhecimento tas técnicas de Boxe Chinês. São osprimeiros vestígios de Shaolin Zu Kempo ou Chun-Fa importados” por Okinawa. Mas nada permite afirmar que essa arte tenha oficialmente sidointroduzida na ilha por verdadeiros mestres. Esse primeiro impacto, aindasuperficial, deu-se provavelmente na pequena cidade de Kumemura ondeestava instalada a parte essencial do grupo de imigrantes chineses. Enfim, uma Quarta cidade, Tomari, passou a crescer e mais tarde a seconstituir no centro de um estilo próprio de Karatê (Shuri e Tomari hoje estãoincorporadas à cidade de Naha). Nessa época da história de Okinawa, situa-se um elemento capital queiria decidir sobre a orientação das Artes Marciais já conhecidas na ilha: apromulgação de um édito que proibia o uso, o porte ou a conservação de armasde qualquer natureza. Foram estas recolhidas em praça pública e estocadasem entrepostos severamente guardados, no intuito de desencorajar a menortentativa de revolta. Atribui-se a promulgação da ordem ao rei Sho Hashi(1421-1439). A história é imprecisa neste ponto. Em vez de, no entanto, se desistimularem, os oprimidos okinawensesviram no fato um motivo a mais para desenvolverem técnicas de combateapoiadas nas próprias mãos e em elementos de Chu-Fa (trazidos peloschineses) ou a se bastarem com os instrumentos de uso doméstico de quedispunham, os quais seriam convertidos em novas armas (origem do Ko-Budo). No início do século 17, o Japão saía de mais uma terrível guerra civilcujo vecedor foi o clã dos Tokugawa e o vencido o clã dos Satsuma, dirigidapela família Shimasu. O novo Shugun mostrou-se hábil em desviar o furor dosSatsuma, derrotados mas não destruídos, para a ilha de Ryu-Ryu; maneiraastuciosa de livrar-se do inimigo e ao mesmo tempo estabelecer o controlejaponês sobre uma ilha até então submissa à China (e talvez não pensassetambém em preparar nova invasão à Corréia, pelo sul). Precisamente ao dia 5 de abril de 1609, os Satsumas se atiram sobreOkinawa – que estava estão com meio milhão de habitantes – com uma frota adesembarcar 3 mil guerreiros. Okinawa caiu sob o julgo do clã invasor e assimficou até o ano de 1879, data em que a ilha se tornou território japonês,incorporada ao Império de Matsu-Hito. Logo depois desta ocupação surgiram as primeiras ordens de IchinaShimazu. A mais importante delas reforçava as descrições antigas; ficava
  28. 28. proibidas, pela Segunda vez, a posse de todo tipo de arma e qualquer práticade caráter marcial. Ainda mais: os invasores japoneses confiscaram todos osobjetos e utensílios de ferro e desativaram as fundições. Pretendem algunshistoriadores que, este fato ocorreu também por falta do minério por parte dosSatsumas rechaçados da metrópole. Problemas elementares de subsistência não tardaram a surgir. Conta ahistória ou a lenda, que finalmente os nativos obtiveram do conquistador odireito de cada aldeia possuir, a disposição, uma única faca, presa a grosacorrente na praça central, guardada por dois soldados. É certo que novamente os Okinaenses reagiram ao édito de Shimazu com forte espíritode resistência e vontade de sobrepujar a desvantagem imposta. Uma verdadeira eclosão detáticas e técnicas individuais de ataque e defesa fora a imposta; uma verdadeira eclosão detáticas e técnicas individuais de ataque e defesa fora a resposta. O século 17 completava onascimento do To-De ou Okinawa-Tê, ancestral do Karatê. “To” designava “China” e, porextensão de sentido, “continente”, “Te” significa “técnicas” em Okinawense e mais tardesignificaria “mão” pelo idioma japonês. A dominante das técnicas de combate a mão nuas era indiscutivelmentechinesa (ainda que, com o passar do tempo, se mesclasse com influência deoutras) e reportava-se, no. essencial, à arte Shaolin – seus mais variáveisaspectos como os estilos dos animais, a ênfase à respiração e à força mental,a eficácia dos golpes desferidos nos pontos vitais do corpo. Em suma, asmesmas diretrizes do Kung-Fu. Este último aspecto emergiria bem mais tarde, para tornar-sepreponderante no século 19, seguindo assim com um pouco de atraso a mesmaevolução conhecida pelo conjunto de Artes Marciais japonesas que evoluíramdo Bugei (técnica de guerra) para o Budo (via da arte marcial). A proibição de Shimazu, outra conseqüência inesperada, despertou nãosomente inusitado interesse pelas técnicas de combate como generalizou umaprática até então restrita a pequenas minorias. Foi a época de treinamentosenfurecidos em lugares secretos, geralmente à noite e longe dos lugareshabitados, como nos rochedos, à beira mar, entre os discípulos de confiança.Este ambiente de “conspiração” continuaria praticamente até o final do século19, uma constante no Okinawa-Te. Com receio de serem descobertospraticando a arte marcial proibida, os okinawenses optaram por não deixarregistros escritos, e sim, por um ensino seletivo através da transmissão oral,assim como pelas “representações de técnicas letais, zelosamente oculto asem movimentos aparentemente inócuos (a mesma idéia fundamental que seencontra nos Katas)”.
  29. 29. O Okinawa-Te revivia, assim, a tradição dos monges do mosteiro Shaolin,que eram perseguidos pelo policiamento imperial. Tecnicamente sabe-se bempouco desse período obscuro do Karatê, exeto que pés e mãos (pontas dosdedos, antebraço, cotovelos, joelhos) tornaram-se armas eficientes e rápidas,capaz de substituir as lâminas banidas. Não havia lugar para estética e,também, não se pode dizer que os estilos já haviam se individualizadosnaquela época. É mais sensato situar no século 18 a formação de três estilosbásicos de Okinawa-Te: Shuri-Te – denominações provenientes dos nomes dascidades nas quais eram praticados. Também não se pode afirmar que já sepraticavam alguns Katas – embora algumas fontes citem o Passai (antigo Katapraticado desde o século 14) e o Koshiki-Naihanti (antiga forma do Tekki), cujaposição em “cavaleiro de ferro” se adequaria bem às necessidades doshabitantes da ilha de treinar sobre rochedos. Em Okinawa houve uma verdadeira osmose (mistura) entre homens eseus meios. Nesta época aperfeiçoavam-se as técnicas do Ti-Gua (ancestrais doKobu-Do), denominação que se dava ao treinamento desenvolvido a partis douso de instrumentos agrícolas ou pesqueiros, utilizados na vida cotidiana e quenão eram de natureza a inquietar o policiamento japonês de ocupação. Essastécnicas se desenvolveram em nível de massa. Okinawa-Te e Kubu-Do constituíram-se em um marco da civilização, poisfoi a mensagem deixada por um povo oprimido, mas sempre motivado pelaferoz vontade de independência. Pouco a pouco, homens mais dotados emergiram dos vários grupos depraticantes, e se tornaram mestres, codificaram seus sistemas de ensino comconteúdos objetivos e subjetivos, que viriam a adaptar-se a todas as épocas esituações futuras (guerras, escolas, universidades, prática desportiva).5.3 Gichin Funakoshi – O pai do karatê-dô moderno Ginchin Funakoshi nasceu em 1868, no distrito de Yamakawacho, emChuri, sede administrativa de Okinawa e faleceu em 1957, aos 89 anos emTókio. Filho de família tradicional, desde muito cedo se entregou aos estudos.Tornou-se poeta, estudou Confúcio e gozava de prestígio como perito calígrafo.Casado, foi professor de escola primária em Okinawa. Começou a praticar Karatê em Okinawa com o mestre Yasutsune Azato,um homem alto e dinâmico que tinha batido muitos homens na sua época e,
  30. 30. insuperável na arte do Karatê em toda a Okinawa, além disso, primava na artede equitação, esgrima, e do manejo do arco. Treinou, também, com outrosgrandes mestres, tais como: mestre Ki, que, Kiyuna, que usando a mão semproteção, podia retirar a casca de uma árvore viva numa questão de momentos;mestre Toonno de Naha, um dos eruditos confucianos mais conhecidos da ilha;mestre Niigaki, cujo extraordinário bom senso impressionou-o profundamente.Mestre Matsumura, um dos karatekas mais notáveis e Yasutsume Itosu,também, um dos mestres mais respeitados naquela época. De físico pouco avantajado, Ginchin Funakoshi sofreu muito nostreinamentos. Treinou muito Kata Tekki (Naihanchi) que durante muito tempofoi a base da arte. Desenvolveu força golpeando o makiwara e treinando comchinelo de ferro. Sempre foi costume que o aluno treinasse com um único mestre e nuncao deixasse, mas mestre Azato pensava que não deveria ser assim, razão pelaqual enviava seu alunos para treinar com outros mestres. Com isso Funakoshiteve a oportunidade de treinar com os mestres já mencionados. Ansioso de perfeição, sua imagem refletia o mais completo Budoka e seuideal era conseguir todo bem resultante da prática do Okinawa-Te. Funakoshi passava todo o seu tempo livre treinando na casa do seumestre, e só ia à casa para trocar de roupa. Devido às suas saídas noturnaspara treinar, muita gente pensava que visitava bordel. Mas, um dia, passousobre a cidade uma forte ventania, e viram Funakoshi subindo num telhado epraticando a força de suas bases (posições). Chegaram a pensar simplesmenteque estava louco. Nunca adivinhariam que este homem, professor pobre cujamulher trabalhava numa granja para angariar dinheiro para a família, seria umartista marcial respeitado mundialmente. Além de mestre de Karatê-Dô, era como já vimos, exímio poeta e quandoescrevia os seus poemas usava o pseudônimo de Shoto, que quer significaondas de pinheiro. Ele usava este nome porque a cidade nativa de Shuri, localdo seu nascimento, era rodeada por colinas com florestas de pinheiro Ryu Ryue vegetação subtropical. Entre elas estava o monte Toroa. A palavra Toroasignifica “cauda de tigre” e era particularmente adequada porque a montanhaera estreita e tão densamente arborizada que realmente tinha a aparência deuma cauda de tigre quando vista de longe. Quando dispunha de tempo,costumava caminhar pelo monte Toroa, às vezes à noite quando a lua era cheiaou quando o céu estava tão claro que se podia ficar sob uma cobertura deestrelas. Nestas ocasiões, podia-se ouvir o farfalhar dos pinheiros e sentir oprofundo e impenetrável mistério que está na raiz de toda a vida.
  31. 31. Em 1922, escreveu o seu primeiro livro, ou seja, “KyuRyu Kempo: Karatê,e nele fez a seguinte introdução: “Na profundidade das sombras da culturahumana oculta-se sementes de destruição, exatamente do mesmo modo achuva e o trovão seguem na esteira do tempo bom. A história é o relato daascensão e queda das nações. A mudança é a ordem do céu e da terra; aespada e a caneta são tão inseparáveis quanto as duas rodas de umacarruagem. Assim, o homem deve abraçar os dois campos se quer serconsiderado um homem de realizações. Se ele for demasiadamentecomplacente, acreditando que o tempo bom durará para sempre, um dia serápego desprevenido por terríveis tempestades e enchentes. Assim, éimportantíssimo que nos preparemos a cada dia para qualquer emergênciainesperada.” Em 1935, escreveu os seu segundo livro: “Karatê-Dô Kyuohan”. Neste eledeu ênfase nas técnicas de vários tipos de Kata. Apesar de uma grande habilidade e boa reputação, a vida de GinchinFunakoshi não era nada fácil. Naquela época ele tinha uma família paramanter, e os professores não eram bem pagos. Na época ele foi designadodiretor da Shobukai das Artes Marciais de Okinawa. Em 1936, foi fundado o primeiro Dojo oficial de Karatê, pelo ComitêNacional e, devido aos feitos de mestre Funakoshi foi batizado com o nome deShoto-Kan. Daí surgiu o nome de uma escola (estilo) que até hoje é cultivadaem várias partes do mundo, a Shotokan, ou seja, Shoto, pseudônimo deFunakoshi, mais Kan, escola, formando Escola de Funakoshi. O Karatê que conhecemos hoje foi aperfeiçoado através de mais desessenta anos pelo mestre Ginchin Funakoshi. Portanto, ele é considerado opai do Karatê moderno.5.4 Oficialização do Karatê-Dô na educação escolar de Okinawa No começo deste século, mais precisamente em 1902, durante a visita deShintaro Ogawa, que era então inspetor escolar da prefeitura da cidade deKagoshima, à escola de Funakoshi em Okinawa, foi feito uma demonstração deKaratê. Funakoshi impressionou bastante devido ao seu status de educador.Ogawa ficou tão impressionado que escreveu um relatório ao Ministro daEducação elogiando as virtudes da arte. Foi então que o treinamento de Karatêpassou a ser oficialmente autorizado nas escolas. Até então o Karatê só erapraticado de portas fechadas, mas isso não significava que fosse um segredo.
  32. 32. As casas em Okinawa eram muito próximas uma das outras, e tudo que erafeito numa casa era conhecido pelas outras adjacentes. Enquanto muitosautores pregam o Karatê como sendo um segredo àquela época, ele não eratão secreto assim (do mesmo modo que os Estados Unidos nunca penetrou noCamboja durante a guerra do Vietinã). Contra os pedidos de muitos dos mestres mais antigos de Karatê, que erama favor de manter tudo em segredo, Funakoshi trouxe o Karatê, com a ajuda deItosu, até o sistema de escolas públicas. Logo, crianças estavam aprendendoKata como parte das aulas de educação física. A redescoberta da herançaétnica em Okinawa era moda, então as aulas de Karatê em Okinawa eramvistas como uma coisa legal.5.5 O Karatê-Dô Shotokan chega ao Japão O Imperador japonês Hihoshito, em visita à Okinawa, 1921, na qualidadede príncipe herdeiro, presenciou uma demonstração de Karatê e ficou tãofavoravelmente impressionado, que incluiu este evento em seu informe degoverno. No ano seguinte, o Ministério Japonês de Educação enviou uma carta aogoverno de Okinawa solicitando que mandassem uma delegação esportiva deartes marciais ao Japão, onde ocorreria um festival de educação físicapatrocinada pelo mesmo. Ginchin Funakoshi foi escolhido para dirigir essadelegação. Alguns contestaram essa escolha, pois nesta época, Funakoshi jáestava com 50 anos de idade e eles julgavam que seria mais sensato o enviode alguém com maior vigor físico. Na verdade, havia bons motivos para essaescolha: sua vasta cultura, seu reconhecimento sobre o Japão adquirido emviagens anteriores, sua sensibilidade poética, e principalmente seu grandedomínio técnico do Karatê. Em assim sendo, ficou para nós a lição de que, em uma idade em que amaioria das pessoas pensa em aposentar-se, para Funakoshi havia chegado aaventura mais importante de sua vida.5.6 O missionário do Karatê-Dô Shotokan moderno Chegando ao Japão, Ginchin Funakoshi, que foi contratado para ficarsomente algumas semanas, foi alargando sua estadia, pois suas palavras edemonstrações surpreenderam tanto que criou à sua volta um grande número
  33. 33. de admiradores que não o deixavam regressar a Okinawa. Entre eles estavaJigoro Kano, fundador do Judô moderno, o qual, além de dar-lhe hospedagem,cedeu-lhe uma grande sala do Kodokan para que ensinasse Karatê. A vida deprofessor de escola havia terminado e ao mesmo tempo nascia o primeiroprofessor de Karatê do Japão. Sempre sabendo ser seletivo, Funakoshi, que queria que sua arte fossetão conhecida e respeitada como o Judô e o Kendo, procurou ensinar seusistema principalmente a médicos, advogados e estudantes universitários. Empouco tempo o Karatê ganhou grande fama, com isso vário mestres de Okinawatambém imigraram para o Japão, entre eles: KENWA Mamuni trouxe o Shoty-Ryu, Chijun Miyiagi o Goju-Ryu. Só Funakoshi é que não deu nome ao estiloque praticava. Em 1924, foi escolhido para ministrar aulas de Karatê na Universidade deKeio. Seus ensinamentos foram recebidos com verdadeiro entusiasmo pelosestudantes. Alguns alunos de Funakoshi levaram suas palavras e técnicas parafora da Universidade. Desta maneira, o mestre chegou a supervisionar cincoclubes em Tókyo. No fim de 1939, ele financia a abertura do “Shotokan”, seuprimeiro Dojo. Contam alguns que não foi Funakoshi que deu o nome ao lugar,e sim seus alunos, que diziam que treinavam na Escola (Kan) de Shoto(pseudônimo de Funakoshi), para poderem ser diferenciados dos outrossistemas.Finalmente, a sorte começa a sorrir para o Shotokan e seu criador. Já havia umDojo e clubes nas Universidades, seu filho Yamagushi (Gigo) ajudava-o aensinar e compartilhava as responsabilidades da Shoto-Kai, associação quecriou para unificar a arte. A guerra chegou, e o Karatê teve uma grande paralisação na suadivulgação. Um dos seus melhores alunos, Takeshi Shimoda, faleceu e, poucotempo depois também falece seu filho com tuberculose. Ao terminar a guerra, o mestre já não ensinava, e seu Dojo estava quaseque totalmente destruído. Todas as artes marciais praticadas no Japão foramproibidas por aproximadamente três anos pela força de ocupação. Mas Funakoshi conseguira algo muito importante: o Karatê foi aceito epassado a fazer parte do Budô japonês.
  34. 34. 5.7 A filosofia Budô O que significa Budô? Vejamos: BU - quer dizer “guerreiro”, “samurai”;DÔ - que dizer “caminho”, o caminho do samurai. O principal objetivo dosguerreiros era vencer as guerras. Rigoroso preparo físico, técnico e mental eranecessário, enfatizando ao que transcendia a matéria, afastando-os assim osdesejos mais comuns. Várias artes marciais faziam parte do Budô, embora tivessem técnicasdiferentes, como o Judô, Karatê-Dô, Sumô, Aikidô e outras. Como arte marcialo Karatê se faz respeitar através das seguintes imposições, tais como: as mãose os pés do adversário não podem tocar o seu corpo; as técnicas defensivasdevem ser traumatizastes; se o inimigo cortar a sua carne, deve quebrar-lhe osossos e se ele quebrar-lhe os ossos, você deve matá-lo. Segundo registros existentes, conta-se que o samurai transcende a “vida”e a “morte”, pois ele executa qualquer tarefa determinada, custe o que custar,esquecendo-se de si mesmo. Daí o rigor nos exercícios, a fim de conseguirunificar corpo e mente. Aqueles temidos guerreiros tinham como princípiosbásicos manter a mente tranqüila para, em qualquer situação, não perder aautoconfiança e ser sobretudo, útil à coletividade, cumprindo desta maneirasua missão e influenciando para que os outros, também, o fizessem. O Budô é também, o caminho das artes marciais cujas técnicas sãousadas para desenvolver o espírito, a mente e o corpo. Na prática, o respeito eas boas maneiras são fundamentais. Há o cumprimento de respeito ao entrar esair do Dojo (local de prática) e no início e ao término da prática. Esteprocedimento, junto com a ajuda do professor, inspira amizade e compreensão.Assim, instintivamente, hábitos sociais apropriados são desenvolvidos entretodos os praticantes e professores, através da liberdade controlada deenergias do dia-a-dia. Evita-se assim, agressões perigosas desnecessárias aopróximo, desenvolvendo o espírito de cooperativismo. A filosofia do Budô se traduz também pela busca constante doaperfeiçoamento, autocontrole e na contribuição pessoal para a harmonizaçãodo meio onde se está inserido. A filosofia do Budô sempre deu muita importância à percepção a àsensibilidade, uma vez que as técnicas que nela se baseia, visamessencialmente à conquista da estabilidade e da autoconfiança, através detreino rigoroso e vida disciplinada; ao desenvolvimento da intuição, no sentidode perceber o ataque do adversário antes mesmo do início do seu movimento eda capacidade de analisa o adversário, para prevenir-se contra supressas e à
  35. 35. formação de hábito de saúde, como o uso da meditação Zen e a respiraçãocom o diafragma. A famosa expressão do mestre Funakoshi quando disse: “Karatê Ni SenteNashi”, explica claramente o objetivo do Karatê, ou seja, conter, controlar oespírito de agressão. O Karatê se caracteriza por procedimentos de respeito ede etiqueta.5.8 As consequências da guerra no Karatê-Dô Finalmente o Japão cometeu um grande erro. O bombardeio das forçasnavais americanas em Pearl Harbor a 7 de dezembro de 1941 foi algo além daconta. Numa tentativa de prevenir que as embarcações americanasbloqueassem a importação japonesa de matéria prima, os japoneses tentaramremover a frota americana e varrer a influência ocidental do próprio OceanoPacífico. O plano era bombardear os navios de guerra e os portas aviões queestavam no território do Hawaii. Isto deixaria a força da América no Pacíficotão fraca que a nação iria pedir paz para prevenir a invasão do Hawaii e doAlasca. Infelizmente, o pequeno Japão não tinha os recurso, força humana, oua capacidade industrial dos Estados Unidos. Com uma mão nas costa, osamericanos destruíram completamente os japoneses na Ásia e no Pacífico. Uma das vítimas dos ataques aéreos foi o Shotokan Karatê Dojo quehavia sido construído em 1939. Com a América exercendo pressão emOkinawa, a esposa de Ginchin Funakoshi finalmente iria deixar a ilha e juntar-se a ele em Kyushu no sul do Japão. Eles ficaram lá até 1947. Os americanos destruíram tudo que estava em seu caminho. As ilhasforam bombardeadas do ar, todas as cidades queimadas até o fim, as colinascrivadas de balas pelos cruzadores de guerra da costa, e então as tropasvarreram através da ilha, cercando todo o mundo que estivesse vivo. A eradourada do Karatê em Okinawa tinha acabado. Todas as artes militares haviamsido banidas rapidamente pelas forças ocupantes americanas. Primeira uma, depois outra bomba atômica explodiram sobre as cidadesde Hiroshima e Nagassaki. Três dias depois, bombardeiros americanossobrevoaram Tókyu em tal quantidade que chegaram a cobrir o sol. Tókyu foibombardeada com dispositivos incendiários. Descobrindo que o governo doJapão estava aponto de cometer um suicídio virtual sobre a imagem doImperador, cartas secretas passadas para os japoneses garantindo suasegurança se eles assinassem sua “rendição incondicional”. O Japão estava
  36. 36. acabado, a Guerra do Pacífico também, mas o pesadelo de Funakoshi aindahavia de acabar. Então, Gigo (também conhecido como Yoshitaka, dependendo como sepronunciava os caracteres do seu nome), filho de Funakoshi, um promissorjovem mestre de Karatê-Dô no seu próprio direito, aquele que Funakoshi estavacontando para substituí-lo como instrutor do Shotokan, pegou tuberculose em1945 e morre enquanto teimosamente recusava-se a comer a ração americanadada ao povo faminto. Funakoshi e sua esposa tentaram viver em Kyoshu, uma áreapredominantemente rural, sob ocupação americana no Japão. Mas, em 1947,ela morre, deixando Funakoshi retornar a Tókyo para encontrar seus alunos deKaratê Que ainda viviam. Depois que a guerra havia acabado, as artesmilitares haviam sido completamente banidas. Entretanto, alguns dos alunos deFunakoshi tiveram sucesso em convencer as autoridades que o Karatê era umesporte inofensivo. As autoridades americanas concederam, mas por causa quenaquela época eles não tinham idéia do que Karatê fosse. Também, algunshomens estavam interessados em aprender as artes militares secretas doJapão, então as proibições foram eliminadas completamente em 1948. Em maio de 1949, os alunos de Funakoshi mevem-se para organizartodos os clubes de Karatê universitários e privados numa simples organização,e eles a chanaram de Kihon Karatê Kyokay. Eles nomearam Funakoshi seuinstrutor chefe. Em 1955, um dos alunos de Funakoshi consegue arranjar umDojo para a NKK.5.9 A propagação do Karatê-Dô Shotokan no mundo A primeira idade de ouro do Karatê, como tem sido chamada, ocorreu porvolta de 1940, quando quase todas as importantes universidades do Japãotinham em seus clubes de Karatê. Nos primeiros anos do pós-guerra, ele sofreuum declínio, mas hoje, graças ao entusiasmo dos que defendem o Karatê-Dô,ele é praticado mais amplamente do que nunca, difundindo-se para muitosoutros países no mundo inteiro, criando uma Segunda idade de ouro. Após a 2ª Grande Guerra, eram freqüentes as solicitações as solicitaçõesdas Forças Aliadas estacionadas no Japão para assistir a exibições das artesmarciais. Peritos em Judô, Kempô e Karatê-Dô formaram grupos que visitavamas bases militares duas ou três vezes por semana com a finalidade dedemonstrar suas respectivas artes. Conta-se que era grande o interesse dos
  37. 37. membros das forças armadas pelo Karatê, uma arte que estavam vendo pelaprimeira vez em suas vidas. Em 1952, o Comando Aéreo Estratégico da Força Aérea dos EstadosUnidos enviou um grupo de jovens e de oficiais ao Japão para estudar o Judô,o Aikidô e o Karatê-Dô. O objetivo era treinar instrutores de educação física e,durante os meses em que estiveram no Japão, eles seguiram um programarígido, estudando e praticando intensivamente. O Mestre Nakaima, um dosdiscípulos de Ginchin Funakoshi, era o líder dos homens que ensinavam oKaratê-Dô Shotokan, considerava isso um grande passo adiante para esta arte.Por mais de uma dezena de anos depois, dois ou três grupos continuaram indoao Japão todos os anos. Esse programa de treinamento foi altamente considerado e começaram avir grupos de outros países, além dos Estados Unidos. Vários outros paísestambém solicitaram que fossem enviados instrutores de Karatê-Dô Shotokanpara que se pudesse treinar em maior número de instrutores. Essa, semdúvida, foi uma influência que ajudou a torna popular o Karatê-Dô Shotokan emtodo o mundo. O Karatê-Dô é, como sempre foi, uma arte de defesa pessoal e umaforma saudável de exercícios físicos; mas, com o aumento de suapopularidade, cresceu muito o interesse pela realização de disputas, comoaconteceu com o Kempô e o Judô. Na sua maioria, devido aos esforços dosentusiastas mais jovens, onde, o primeiro campeonato de Karatê-Dô de todo oJapão foi realizado em outubro de 1957. Ele foi promovido pela AssociaçãoJaponesa de Karatê e, no mês seguinte, a Federação dos Estudantes de Karatêde todo o Japão promoveu um campeonato diante de uma audiência de milhõesde pessoas. Além de serem estes eventos memoráveis, esses doiscampeonatos despertaram um interesse maior ainda pela arte marcial em todoo país. Hoje eles são realizados anualmente numa escala cada vez maior. E numgrande número de países, competições semelhantes estão sendo realizadas.No topo de todos eles está o Campeonato Mundial de Karatê-Dô. Ascompetições e a disseminação do Karatê no exterior são os progressos maissignificativos dos anos posteriores à 2ª Grande Guerra.5.10 Início do Karatê no Brasil Como o Judô, o Karatê também chegou ao Brasil com os primeiros imigrantesjaponeses no ano de 1908 e se instalou primeiro em São Paulo, principalmente nas cidades do
  38. 38. interior. Foi introduzido através das colônias japonesas nas cidades de Biguá, Pedro de Toledo,Bastos, Maria e Garça, além do litoral e da capital paulista. Durante vários anos, os imigrantesjaponeses ensinaram a "arte da mão vazia" aos jovens japoneses e aos poucos brasileiros quese interessavam.“MARCO INICIAL DO KARATÊ NO BRASIL” - MESTRE SADAMU URIU “Buscar nas tradições do passado, inspiração para a evolução no futuro” Mestre Sadamu Uriu 8º Dan O karatê, arte marcial japonesa, é praticado por pessoas de todas as idades em todasas regiões do Brasil. Entre os seus admiradores e praticantes estão profissionais liberais,professores, estudantes, empresários, donas-de-casa e pessoas com as mais diversasocupações. Podem ser encontradas nas academias e competições de karatê crianças,adolescentes, adultos e idosos, de ambos os sexos. De todos é possível ouvir comentários e histórias sobre a influência positiva queo karatê teve e tem em suas vidas. Não faltam casos de crianças muito tímidasexcessivamente agressivas que encontraram no karatê uma referência para a busca doequilíbrio. São freqüentes os exemplos de pessoas que começaram a praticar o karatê jána maturidade e nele encontraram uma fonte para a manutenção ou recuperação dealgumas características de sua juventude. Sem que muitos saibam, existe uma pessoa que teve e tem grande influência na vidade todos eles, o Shihan (Mestre) Sadamu Uriu, que completa 78 anos neste ano de 2006.Vindo como imigrante do Japão em 1959, Mestre Uriu foi um dos introdutores do karatêno Brasil e sua história se confunde com a do próprio karatê brasileiro. Nas linhas seguintes encontra-se um pouco da história desse Grande Mestre,acompanhado de parte da história do karatê no Brasil. Esse conhecimento deve servir deestímulo adicional para todos os praticantes e admiradores do karatê. Sadamu Uriu nasceu em 20 de setembro de 1929 no Japão, em Fukuoka-Ken, na ilhade Kyushu, na região sul do Japão, situada a aproximadamente 1500 quilômetros deTóquio. A região, naquela época essencialmente agrícola, hoje tem suas atividadeseconômicas concentradas na mineração, siderurgia e construção naval. Desde o nascimento, mestre Uriu parecia destinado a ter sua vida associada às artesmarciais. Seu pai, Seizaburo Uriu, além de agricultor era praticantes de judô. Sua mãe,Tsuwako Uriu, teve cinco filhos, três homens e duas mulheres, todos ainda vivos, sendoSadamu Uriu o quarto a nascer. Seus dois irmãos homens eram faixas-pretas de Kendo(luta com espadas) e participaram da Segunda guerra Mundial. Um deles era oficial doexército e o outro policial de um grupo de elite. Sadamu Uriu começou a estudar aos sete anos de idade e cursou o ensinofundamental e médio, equivalentes ao 1º e 2º graus brasileiros na própria ilha de Kyushu,nas escolas Dairi-Sho e Mojishogio. Esta formação escolar no Japão tinha a duração dedez anos e durante o 2º grau Mestre Uriu praticou Kendo. Nesta época o Japão sofreu os efeitos da Segunda Guerra Mundial e os jovenstinham que contribuir para o esforço de guerra. Em 1945, aos 16 anos, Sadamu Uriu foipara a Escola de Formação de Pilotos da Marinha. O final da guerra impediu que elefosse enviado para a frente de combate. Em 1951, aos 22 anos, Sadamu Uriu foi para a Universidade Takushoku, em Tóquio,onde já estudava um de seus irmãos. Lá, além de se formar em Economia, iniciou o seutreinamento em Karatê. Naquela época, no Japão, era nas faculdades que se iniciava oaprendizado do Karatê, ao contrário da prática atual, em que mesmo crianças iniciam oseu treinamento em academias especializadas. Seu professor foi o famoso Mestre
  39. 39. Nakayama, que por sua vez fora discípulo do lendário Mestre Gichin Funakoshi,fundador do estilo Shotokan de Karatê e seu divulgador em todo o mundo. Nessa época havia treinamento de Karatê, mas não existiam graduações por faixanem competições, que só surgiram após a criação, em 1954, da Nihon Karate Kyokai(atualmente Japan Karatê Association – JKA). Mestre Uriu graduou-se em karatê (faixa-preta) pela JKA. Na Universidade Takushoku praticaram Karatê com Mestre Nakayama três outrosmestres importantes do Karatê, que acabaram também vindo para locais diversos noBrasil: Higashino, no Distrito Federal, Tanaka, no Rio de Janeiro e Sagara, em São Paulo. Formado em Economia, Sadamu Uriu deparou-se com a extrema dificuldade deconseguir emprego, decorrente da destruição de parte importante da economia japonesadurante a guerra. Ele chegou a pensar em imigrar para a Indonésia, seguindo seu amigoHabu, que hoje é professor universitário lá. Mas o mesmo Habu lhe falou sobre o Brasil eas possibilidades de trabalho aqui, acabando por convencê-lo a tentar a vida em nossopaís. Assim, em 30 de dezembro de 1958, Mestre Uriu embarca, sem nenhumacompanhante, no navio Maru para o Brasil, um navio do governo japonês destinadopara pessoas que desejassem emigrar para o Brasil. Nessa época, o governo japonêsmantinha contatos com japoneses já estabelecidos no Brasil e que precisassem de mão-de-obra. A viagem dura 45 dias e Sadamu Uriu desembarca no porto de Santos/SP, dirigindo-se em seguida para Pindamonhangaba/SP, para trabalhar na atividade agrícola nafazenda de Yoshio Igarashi. Lá ele permanece três meses e conhece D. Aurora, uma dasfilhas do Sr. Yoshio, que viria, mais tarde, a ser sua esposa. De Pindamonhangaba/SP, Sadamu Uriu vai para a capital, São Paulo, para trabalharna fábrica da Toyota, primeiro na linha de montagem e depois na área administrativa. Oentão presidente da Toyota, Sr. Kiyoyasu Koide, que o contrata também formara-se naUniversidade Takushoku. O mais curioso, e um sinal adicional de que a vida de SadamuUriu estava definitivamente associada às artes marciais, é que o presidente era faixa-preta de 5º Dan de Judô e acabaria sendo seu padrinho de casamento. Na Toyota, Sadamu Uriu permanece dois anos, 1960 e 1961, tendo como colega detrabalho, outro mestre importante do Karatê, Yasutaka Tanaka, que deixara o Japão ummês depois de Uriu e, através da troca de cartas, viera se juntar a ele no trabalho naagricultura. A amizade que uniu esses dois mestres atravessou o mar e o tempo epermanece até os dias de hoje. Já estabelecido em São Paulo, Sadamu Uriu começa a se reunir com alguns de seusex-colegas da faculdade de Takushoku no Japão, também imigrantes, para treinar karatê.Entre eles estavam os mestres Tetsuma Higashino, Yasutaka Tanaka e Juichi Sagara.Naquela época não havia ainda a intenção de abrir academias para ensinar o karatê.Atualmente, Uriu e Tanaka vivem no Rio de Janeiro e Sagara em São Paulo, tendoHigashino falecido em 1987. Em 1961 Lirton Monassa (falecido em 2000) procurou Uriu e Tanaka em São Paulopara que se transferissem para Rio de Janeiro para ensinar o karatê, o que eles fazemem 1962, quando passam a lecionar na academia Kobukan, no bairro de Botafogo/RJ. É também em 1962, no dia 29 de setembro, que Sadamu Uriu, nesta época residindoem Duque de Caxias/RJ, se casa com a Sra. Aurora Uriu. Deste casamento nascem doisfilhos, Cezar e Cid, ambos praticantes de karatê desde a infância. Cid Uriu é atualmenteengenheiro da Petrobrás, trabalhando na base de extração de petróleo da cidade deMacaé, situada no litoral norte do estado do Rio de Janeiro. Cezar Uriu é engenheiromecânico, empresário e faixa-preta de 5º Dan, ocupando atualmente a presidência daConfederação Brasileira de Karatê Shotokan (CBKS), fundada por Mestre Sadamu Uriuem 1994. Após o início em 1962 na academia Kobukan, Mestre Uriu passa, em 1963, a lecionarkaratê três vezes por semana no Tijuca Atlético Clube, para um grupo de 30 alunos.Nessa época, apareceram para assistir a um treino os tenentes Pacheco e Valporto, queimpressionados com a técnica do karatê convidaram Mestre Uriu para fazer umademonstração no Batalhão de Infantaria-Paraquedista.

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