SGS Globalrevista do grupo sgs portugal | nº31 Novembro 2012AS pessoasnas organizaçõessegurança edifícios e indústriaopera...
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AS pessoas                                                                                                        recr    ...
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  1. 1. SGS Globalrevista do grupo sgs portugal | nº31 Novembro 2012AS pessoasnas organizaçõessegurança edifícios e indústriaoperational integrity na sgsenergia iso 50001 Testemunhos
  2. 2. xxxrevista do grupo sgs portugal n° 31•Xoutubro 2012 n° • XXXXXXXX 2008 P. 2 . 2 P Índice 04 AS Pessoas nas organizações 06 A adaptação da Escola às mudanças da sociedade Colégio da Nossa Senhora do Rosário 10 Marketing Pessoal – O que todos deveríamos saber Paulo Morais 12 Trabalho, um projeto a dois – Oem destaque crescimento dos profissionais e das empresas ANERH 14 Chefe de equipa – Um gestor de Pessoas NAs gestão de recursos Pessoas ­Organizações humanos APG 16 Segurança – O binómio da PÁG. PÁG. competitividade e da dignidade humana 04 20 ACT 18 O imperativo da Formação e da Aprendizagem ao Longo da Vida Cristina Parente 20 Sistemas de Gestão de Recursos Humanos segundo a Norma Portuguesa 4427 22 A Gestão de Pessoas no Grupo SGS Renato Filipe 26 Segurança em edifícios e segurança em quem prefere a sgs instalações industriais portugal 28 Plano de Segurança Interno SGS apoia MAR Shopping PÁG. PÁG. 26 44 32 SGS realiza Plano Especial de Emergência Município de Ponta Delgada e SAAGA 34 HAZOP e QRA em instalações industriais 36 O papel da ANPC no Regime Jurídico da Segurança Contra Incêndios em Edifícios 38 Serviços SGS na Segurança 42 Operational Integrity – A Qualidade e a Gestão do Risco na SGS 44 quem prefere a SGS as nossas pessoas notÍcias & eventos 46 Sistemas de Gestão da Energia ISO 5001 Funfrap e Cofely PÁG. PÁG. 50 Norma em destaque – ENplus 58 60 ANPEB 52 1º certificado ENplus em Portugal Pinewells 54 Certificações SGS 58 As nossas pessoas Rui Gonçalves rui gonçalves 60 notícias e eventos
  3. 3. xxx n° X • XXXXXXXX 2008 P. 3editorial A Sustentabilidade de uma Sociedade O que mais me incomoda, na atual situação, é a reduzida focalização no desenvolvimento da sociedade e na preparação das gerações mais novas para os desafios com que o nosso país se vai deparar no futuro. Pessoalmente, acredito firmemente na viabilidade económica de Portugal e que saberemos ultrapassar este dificílimo momento. Mas não chega. Temos que encontrar formas de evitar a intervenção de mais uma Troika daqui a 30 anos. E o caminho é investir na educação e na formação das pessoas tornando-as mais competitivas, com atitude e com competências adequadas às necessidades das organizações da nação. Portugal tem um sistema de ensino de elevado valor acrescentado, o que pode ser comprovado pela crescente procura de pessoas especializadas para trabalhar nos diversos cantos do mundo. Então porque é que temos tantas queixas das organizações portuguesas em relação às características dos trabalhadores, quando estes são tão apreciados lá fora? Resumo esta questão a dois problemas fundamentais: atitude e liderança. Uma atitude proativa, criativa, positiva, rigorosa e organizativa pode e deve ser moldada desde tenra idade, ao longo de todo o percurso educacional dos jovens nas escolas. Da mesma forma, que bom seria incutir às nossas crianças valores fundamentais como ética, responsabilidade, cidadania e respeito entre outros. Incluir, no plano curricular do ensino básico e secundário, uma disciplina com estas componentes, de carácter nuclear e ao mesmo nível da matemática e do português seria um dos melhores legados que poderíamos deixar às gerações vindouras. Um projeto editorialpaulo gomes que envolvesse preparação de professores, envolvimento de educadores e, porque não, organizações locais – públicas, privadas ou do terceiro setor. Que sustentável seria estaDiretor do Departamento medida…de Comunicação e Imagemdo Grupo SGS Portugal É à gestão das pessoas que dedicamos este número da SGS Global, com a partilha da 3 visão de proeminentes personalidades e profissionais neste domínio. Espero que seja uma temática para uma leitura motivante dos nossos leitores.FICHA TÉCNICA Propriedade do Grupo SGS Portugal Armazenagem de Gás, SA; Funfrap – Fundição Portuguesa, Polo Tecnológico de Lisboa, Lote 6, Pisos 0 e 1, SA; Cofely GDF Suez; ANPEB – Associação Nacional de 1600-546 Lisboa Pellets Energéticas de Biomassa; Pinewells, SA; EAD – pt.info@sgs.com, Tel: 707 200 747, Empresa de Arquivo e Documentação; ICC Portugal; Escola Fax: 707 200 329. Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Viana do Castelo; ACICO – Associação Nacional de DIREÇÃO: Armazenistas, Comerciantes e importadores de Cereais Paulo Gomes e Oleaginosas; SN – Servicios Normativos; BES – Banco Espírito Santo; Saint-Gobain; Carris; ISVOUGA; Município de REdaÇÃO e design: Vila do Conde; Universidade Católica do Porto; Comunicação & Imagem do Grupo SGS Portugal ISSN 1647-7375 fotografia: impressão: Comunicação & Imagem do Grupo SGS Portugal; SGS Image Lusoimpress - Artes Gráficas, S.A. Bank; iStockphoto; Stock.XCHNG; Colégio da Nossa Senhora Vila Nova de Gaia - 11.2012 do Rosário; Paulo Morais; APG – Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas; ACT – Autoridade para as Condições do tiragem: 8.000 Exemplares Trabalho; Plasoeste; Finaccount; AMClassic; Grove Advanced Chemicals; Inter Ikea Centre Group Portugal; Município DISTRIBUIÇÃO GRATUITA de Ponta Delgada; SAAGA – Sociedade Açoreana de
  4. 4. AS pessoasnas organizações
  5. 5. A Adaptação da escolaàs mudanças da sociedade No Colégio há mais de 25 anos, primeiro como professor, depois como administrador e há mais de 10 anos como diretor, João Trigo parece ter per- cebido o que a comunidade espera do Colégio que dirige: soluções diferen- ciadas e criativas, capazes de integrar e de promover a individualidade dos seus 1515 alunos, ao mesmo tempo que os preparam de forma global para a vida, desde os três anos até ao 12º ano. O que significa ser considerada a melhor escola (nos rankings nacionais de médias do ensino secundário)? João Trigo: É algo que prezamos porque revela que os nossos alunos têm obtido bons resultados académicos. Mas eu partilho das questões que muitas pessoas colocam a essa análise, que é muito limitada aos resultados académicos, que compara coisas que não são à partida compa- ráveis. Para nós é uma imagem redutora da Escola porque consideramos fundamental a formação integral e não apenas a componente académica dos nossos alunos. Face ao projeto educativo que temos, aquilo que os rankings não revelam diretamente é o mais importante. Dou-lhe o exemplo do que chamamos de ‘educação para a justiça’. Colocamos os nossos alunos em contacto com a realidade do mundo, sensibilizando-os para as assimetrias e para a injustiça social. Focamos muito a nossa ação no voluntariado e outras atividades. Isto tem um potencial formativo enorme, desenvolvendo um conjun- to muito alargado de competências importantes para a vida profissional e pessoal. É algo a que os alunos aderem com naturalidade. É uma área em que nós temos um grande sucesso, mas que não é possível ver nos rankings. A nossa primeira preocupação enquanto escola é de formação global e integral. Olhamos para o aluno como Pessoa, para questões como os valores, saber relacionar-se com os outros, saber estar em sociedade, a espiritualidade, a dimensão física, artística, cultural, ou seja, múltiplas dimensões do que é uma Pessoa. Para a Escola do nosso tempo e na nossa comunidade, é muito claro que esta formação global é o que as famílias nos pedem em paralelo com a vertente da instrução formal. Não somos uma escola excessivamente focada no resultado académico, embora obvia- mente saibamos que é uma vertente importante no percurso escolar.O Colégio da Nossa Senhorado Rosário no Porto, não é E conseguem fazê-lo com as famílias e não em sua substituição?estranho aos lugares cimei- Está claro em todas as nossas perspetivas educativas essa parceria com a família. Aliás, pararos dos rankings das escolas nós não faz sentido outra forma. A Escola não pode trabalhar de costas voltadas para as famí- lias. É entre estas duas instituições que os jovens dividem a maior parte do seu tempo.com melhores resultados nosexamos de ensino secundário. É claro que agora se discute muito o papel dos meios de comunicação, da tecnologia, etc., porque também têm um poder muito forte junto dos mais jovens. De qualquer for-Este ano repetiu a proeza e ma, a Família e a Escola são as instituições de referência onde cresce a pessoa.teve a média mais elevada de Não nos interessa tanto o debate teórico sobre se as famílias hoje não são tão boas comotodo o país. João Trigo, diretor há décadas atrás e se a Escola deve ou não substituir-se à Família nas tarefas que lhe sãodo Colégio, analisa estes específicas. É um facto que as famílias hoje são mais ocupadas e estão menos disponíveisresultados e reflete sobre para educarem os seus filhos. Portanto, uma escola responsável e que queira assumir o seu papel de forma plena na sociedade tem de perceber isso e dar as respostas quea organização e missão da outras instituições não dão.Escola. Fala da necessidadede adaptação e de criatividadepara responder às necessida-des colocadas pela sociedade.
  6. 6. AS pessoas ensin nas organizações oQuando a Escola diz que não nais competentes, aos mais diferentes enquanto que os mais jovens estãoé ­ ducadora, há uma falta de e níveis. Depois, há que cuidar das pessoas permanentemente a ‘cavalgar’ a mudançaa­ daptação à sociedade. e das relações entre pessoas, ou seja da e a novidade. As organizações escolares forma como as pessoas se sentem na Es- precisam de refletir as questões da cria-Sem dúvida. Todos nós somos educado- cola, da forma como se entregam ao seu tividade e da inovação para se tornaremres, a modelagem e a imitação são gran- trabalho, individual e enquanto equipas, o mais apelativas para os seus alunos, parades ferramentas de ensino e de aprendi- que se designa por clima organizacional. poderem verdadeiramente chegar a eleszagem. As crianças tornam-se naquilo que É preciso criar um sistema relacional que e para poderem concretizar a sua missãoveem nos outros. Se elas passam a maior seja acolhedor e estimulante, que crie o educativa e formativa.parte do tempo na Escola, como é que a sentimento de comunidade, neste casoEscola não é educadora? comunidade educativa, que permita eÉ bom que a Escola perceba que não é estimule uma boa relação professor-aluno,um mero transmissor/promotor de conhe- entre professores e entre alunos.cimento. O próprio ambiente que se vive A principal competência Outro elemento fundamental é o projeto,na Escola educa. É uma referência para que se pede hoje a um no caso das escolas o projeto educativo.os mais jovens que absorvem tudo isso. Ou seja, as ambições e desafios que a profissional não é aGrande parte da nossa missão centra-se comunidade se propõe a si própria, a for- capacidade de se adaptarnesta vertente não académica. Porque o ma particular de concretizar a sua missãoresultado académico é o requisito mais à mudança? Então, como educativa. As pessoas e o projeto cruzambásico para qualquer escola, não deveria pode a Escola continuar a ensino | joão trigo com a questão da liderança. Não apenasser isso a diferenciar as escolas. liderança de topo, mas liderança a todos educar para a estabilidade?Com isto não estou a desvalorizar as os níveis. É importante haver pessoas que Não faz sentido! É nestasposições nos rankings, porque há escolas ‘puxam as coisas para a frente’, que ins- ‘pequenas’ questões que seque têm o mesmo contexto e recursos piram os outros e os levam a prosseguir joga o futuro.tão bons como os nossos e não obtêm os num determinado rumo.mesmos resultados. É preciso colocar as Neste aspeto do projeto, penso que ascoisas nos seus devidos lugares. Também escolas particulares têm uma vantagemhá um exagero dos detratores dos rankings 7 em poderem ter o seu próprio projetoquando os desvalorizam totalmente. É educativo. Por exemplo, nós somos uma A missão da escola é muito exigenteinegável que, nessa vertente, estamos escola católica inspirada por um sistema porque tem ‘uma clientela’ muito difícil dea fazer um bom trabalho, sendo certo de valores muito específico. As escolas satisfazer, como são crianças e jovens emtambém que temos melhores condições, públicas, nesse aspeto, tendem a ser crescimento, numa sociedade em mudan-a diferentes níveis, para o fazer do que mais iguais. O seu ideário é a Lei de ça acelerada e contínua.muitas das escolas que fazem parte do Bases do Sistema Educativo. A Lei tem Finalmente, as condições materiais,nosso sistema educativo. por objetivo uniformizar e padronizar. As também elas são fundamentais para uma escolas mais dependentes da referência boa escola. Sem recursos, instalações,Pode indicar algumas normativa, como as públicas, têm menos equipamentos e materiais adequados nãocaracterísticas do Colégio do capacidade de dar resposta à missão é possível concretizar projetos e criar as­Rosário que o façam uma das que é educar, porque em educação as melhores condições de aprendizagem emelhores escolas do país? questões da criatividade e da inovação são crescimento para os alunos. muito importantes. A Escola dos nossosHá uma série de componentes que são dias, em geral, é igual ao que era há umchave para o sucesso. Desde logo as século atrás... Está assente num para-pessoas. Qualquer empresa/organização, digma já ultrapassado, pois organiza-setambém a organização Escola, depende hoje da mesma forma, tem as mesmasmuito das pessoas que nela trabalham. metodologias e as mesmas respostas,Para nós é muito importante ter profissio-
  7. 7. A responsabilidade dos maus ça para a exercer. É preciso arriscar,resultados escolares é partilhada tomar decisões, avaliar, questionarpor diversas partes? opções… de gerir verdadeiramente. A autonomia não é só uma questãoA origem dos maus resultados começa legislativa, é a capacidade das comu-por estar na própria sociedade. Quando nidades educativas e dos gestorestodo o sistema social de uma criança ou assumirem a condução dojovem está em falência, desde a família seu próprio percurso. Nãoaté à incapacidade condições de vida con- basta reivindicar autono-dignas para todos, por muito que a Escola mia, é preciso ter vontadee os professores se esforcem, dificilmen- e estar-se preparado parate serão bem-sucedidos. a exercer, ser-se capazEsta não é evidentemente a nossa reali- de assumir responsabi-dade, e isso explica em parte os nossos lidades. A autonomia ébons resultados, mas é a realidade com importante inclusivamen-que lidam permanentemente algumas te ao nível económico, daescolas do nosso sistema educativo. gestão das instalações e da equipa. Uma escolaVoltando-nos para outro aspeto, pública não é capaz deo Colégio do Rosário tem algum escolher a sua equipa, é algo determinado peloespaço de reflexão para os jovens sistema que coloca ospensarem no seu futuro profissio- professores. Muitas vezes,nal? as instalações são da responsa-Um ponto central no nosso projeto é que bilidade da autarquia.as pessoas sejam bem-sucedidas acimade tudo em termos pessoais e não apenas Falando de gestão, sa-em termos profissionais. bemos que o Colégio temUma característica nossa é que tentamos um Sistema de Gestão dater uma relação muito próxima com os Qualidade.alunos, tentamos conhecê-los não só na Sim, nós utilizamos o Modelosua dimensão mais académica e de apren- EFQM. Fazemos Ciclos de Qualida-dizagem, mas também como pessoas, de, refletimos sobre a nossa realidade, osnos seus problemas e anseios. nossos pontos fortes e sobre as nossasTemos um serviço de orientação vocacio- oportunidades de melhoria. É um modelonal e os próprios diretores de turma têm interessante para a organização escolarum papel muito importante de acompa- por estar muito assente em processos denhamento dos alunos. O diretor de turma autoavaliação e por estimular a melhoria nem todas astem um espaço semanal para estar com contínua. pessoas têmos seus alunos – a reunião de turma – algo característicasque já não acontece na Escola Pública... O ensino está atento aos novos de- e projetos de safios da economia e adequa-se às vida que contem-A vossa autonomia permite-vos plem estudar durante necessidades de industrializaçãofazer isso. Acha que com mais auto- quase 20 anos das suas vidas. do país?nomia, as escolas públicas conse- Depois há as próprias necessida- As opções políticas mais recentes, após des económicas e do mercado, deguiriam ter projetos educativos o 25 de abril, focaram-se na educação respostas diferenciadas por parte domais eficazes na sua comunidade? generalista até ao 12º ano de escolarida- sistema educativo para formar pessoasClaro que sim. A Escola Pública rege-se de, em detrimento da preparação para a que tenham uma forte dimensão dopor dogmas que tornam possível a sua vida ativa. Houve um desinvestimento nos saber-fazer e sejam quadros técnicos deorganização atual, assente numa lógica de cursos técnicos, comerciais e industriais, qualidade.gestão ainda fortemente centralizada. A para se dar prioridade ao ensino unificado,perspetiva é que a Escola tem de ser basi- mais vocacionado para prosseguimento O Colégio do Rosário prepara oscamente igual no Porto, em Lisboa ou em dos estudos.Faro, apesar das comunidades poderem alunos para a vida ativa, não apenas Pelo lado positivo, começamos a ter indi-ter necessidades diferentes. Há até a ideia ao nível académico, mas também cadores de acesso ao ensino superior aoque a padronização acaba por ser justa com conceitos de produtividade, nível dos países mais desenvolvidos. Con-porque estabelece as mesmas oportunida- empenho e exigência? tudo, esse desinvestimento nas escolasdes para todos. comerciais e industriais criou um vazio de Tenho a opinião de que a Escola acabaMas a Escola tem o grande desafio de se quadros médios de elevada qualidade. O por ‘produzir um modelo de pessoa’ eadaptar à realidade em que está inserida sistema entretanto tentou recuperar com não pode fugir às suas responsabilidadese a autonomia é, para isto, fundamental. os cursos tecnológicos e profissionais, a este nível. Os padrões de exigência, osSó que a autonomia coloca a questão de mas ainda sem grande efeito... O debate hábitos de trabalho, a fasquia estabelecidahaver pessoas com capacidade de lideran- está ainda em curso. Seguramente que pela Escola em relação aos seus alunos
  8. 8. contributo para a preparação ferramentas, metodologias e formas de deles para a sua vida ativa. organização com mais de100 anos! Por exemplo, o ideal de turma do 1.ºciclo Como vê a Escola do do ensino básico, acompanhada pelo mes- futuro? mo professor, ao longo dos quatro anos. Neste momento, nós estamos a ensaiar A Escola vai ter que ser soluções diferentes. Temos três turmas mais plural, mais criativa, dar deste grau em cada ano de escolaridade e respostas mais diferenciadas tentamos que, ao longo do seu percurso, para chegar a todas as dimen- os grupos não sejam estáveis e trabalhem sões do que é ser pessoa e a uns com os outros, quer alunos quer pro- todas as pessoas. Recente- fessores. A necessidade da turma é artifi- mente temos andado a refle- cial, tem mais a ver com as necessidades tir sobre novos paradigmas do sistema do que com as dos alunos. As que se colocam à Escola, necessidades dos alunos são diferentes. com base nos avanços da É bom que contactem com perspetivas ciência e da sociedade diferentes ‘do que é ser professor’, com e uma das áreas que colegas diferentes, com mais desafios e é muito interessante menos estabilidade. é a das neurociências, nomeadamente as teorias A principal competência que se pede hoje em torno das ‘inteligências a um profissional não é a capacidade de múltiplas’. Nesta perspetiva, se adaptar à mudança? Então, como pode deixa de se valorizar, ao nível a Escola continuar a educar para a estabili- do conhecimento e da inteligência, dade? Não faz sentido! É nestas ‘peque- única ou predominantemente o nas’ questões que se joga o futuro. raciocínio lógico-dedutivo e a inteli- A nossa responsabilidade é encontrar as gência manifestada no conhecimen- melhores soluções para os nossos alunos to matemático e linguístico. Hoje e para as nossas famílias. Ao nível da or- sabemos que as pessoas manifestam as ganização do tempo e dos blocos letivos, suas potencialidades e a sua inteligência apesar do Ministério determinar blocos de formas diferentes: na capacidade de se de 45 e 90 minutos, há mais de dez anos relacionarem, no autoconhecimento, no que nós decidimos organizar-nos em desporto, na arte, etc. Uma Escola atenta blocos de 70 minutos, porque chegámos a estas aquisições da ciência das últimas à conclusão que funcionava melhor para décadas vai ser mais integradora, mais os nossos alunos. Finalmente, a partir capaz de dar resposta às necessidades de deste ano letivo, o Ministério determinou todos os elementos da sua comunidade. ensino | joão trigO que isso passasse a ser uma decisão da Hoje sabemos por que razão muitos dos escola. Nós já o fazíamos, porque faz mais vão pautar a sua atitude reconhecidos ‘génios’ tiveram percursos sentido! ao longo da vida. escolares medíocres: porque a Escola não Volto a enfatizar que o tempo escolar é a Os projetos que referi de lhes deu espaço para eles se afirmarem fase em que a pessoa mais muda e está voluntariado são muito e se distinguirem na área em que eram mais aberta à mudança. Uma organização importantes porque excelentes. que lida com esta realidade tem de estar colocam os nossos Os fenómenos, que ainda persistem especialmente disponível para a mudança alunos em contacto nos sistema educativo, do insucesso, 9 e ser criativa. Tem de ser uma organização com a realidade e da indisciplina e do abandono escolar mais flexível, mais permeável à mudança permitem-lhes de- revelam que a Escola não está adaptada e à criatividade para acompanhar o ritmo senvolver competên- às necessidades da sociedade. Estamos de evolução da própria sociedade. cias como liderança, num mundo de mudança rápida e a Escolaenfrentar dificuldades, dar respostas a muda a uma velocidade lenta, o que fazproblemas concretos. Isto é um forte com que continue a usar maioritariamenteA nossa primeira preocupação enquanto escola é deformação global e integral. Olhamos para o alunocomo Pessoa, para questões como os valores, saberrelacionar-se com os outros, saber estar em sociedade, aespiritualidade, a dimensão física, artística, cultural, ouseja, múltiplas dimensões do que é uma Pessoa. www.colegiodorosario.pt
  9. 9. marketing pessoalo que Todos deveríamos saber No seu primeiro emprego, Paulo Morais aprendeu que um diploma não faz um profissional. Quando acabou o curso superior em Marketing, em 2007 en- , controu um mercado altamente competitivo e pensou “Como“Quando ia a uma empresa, já tinha algo mais do que um currículo para é que eu me vou diferenciar?” .apresentar. Já tinha um artigo, por exemplo, que demonstrava mais clara- Pesquisou e apercebeu-se demente a minha visão. Começaram a chegar alguns convites para dar aulas e algo que ainda ninguém domi-workshops, contacto gera contacto… Foi uma estratégia simples que teve nava: a vertente digital do ma-bons resultados. Mas foram cerca de dois anos de trabalho em que investi rketing. Criou o grupo Marketingmuito neste projeto para começar a ter retorno.” Portugal, onde começou a par- tilhar algumas das suas ideias eÉ com base nesta sua história e na constante observação que faz do merca- a convidar outras pessoas parado, que Paulo Morais aborda o Marketing Pessoal. participarem também.O Marketing Pessoal para quem Ao mesmo tempo, reconhece que a mais importantes para ele. Temos de nosprocura emprego grande maioria das nossas PME não tem apresentar em função da empresa e do recrutadores com formação específica, interlocutor que nos vai entrevistar. ”De acordo com o empreendedor e docen- o que levanta um problema comum: ote Paulo Morais, “acima de tudo, recrutador não quer contratar pessoas Redes sociais: nova área de recrut-o Marketing Pessoal permite-nos conhe- que considera serem melhores que ele amento?cermo-nos como ninguém. Devemos por sentir o seu próprio posto de trabalhoperceber quais são os nossos pontos ameaçado.fortes e fracos. Numa entrevista tenho A discussão sobre os formatos de currícu-de destacar os meus melhores atributos. Por tudo isto, a preparação é a chave para los e a sua eficácia é longa, mas para Pau-No momento da minha ‘venda pessoal’ uma boa entrevista. No seu tom informal lo Morais, “não vale a pena continuarmostenho que saber agarrar e cativar o meu e assertivo, Paulo Morais defende que a banalizar as ferramentas. Por exemplo,‘cliente’. Se tivermos uma atitude passiva, uma entrevista “é como qualquer venda. agora um currículo em vídeo é que é!em que abdicamos de toda a orientação Temos de conhecer bem o cliente para Não! É para as empresas certas!da entrevista para o entrevistador, não direcionarmos a nossa comunicação Já o currículo europeu, não analisoconseguimos diferenciar-nos” . aos atributos do nosso produto que são nenhum que não tenha um site pessoal,
  10. 10. AS pessoas prom nas organizações pess oção oalou LinkedIn, porque não me interessa ver O Marketing Pessoal dentro das O empreendedorismo, desde asó o currículo todo direitinho, mas sim o organizações escola‘habitat natural’ de comportamento do O Marketing Pessoal ajuda não só quem Cada vez mais instituições de ensinocandidato” . procura emprego, mas também o percur- superior se estão a aperceber que éAs redes sociais são uma ferramenta so profissional já dentro das organizações. necessário preparar os seus alunos parafantástica para as pessoas se mostrarem, Para tal, “é fundamental perceber o tipo as novas realidades. No entanto faltammas é preciso gerir bem a informação. de organização em que estamos inseri- recursos, na opinião de Paulo Morais.Nas redes sociais é possível traçar perfis dos. Cada um tem de criar o seu espaço, “É impossível para um docente que semais completos, que de outra forma seria identificar as oportunidades certas para dedica exclusivamente ao ensino, queimpossível. Por isso, o especialista em propor ideias. Mas sempre com a noção não conhece a realidade das empresas,Marketing Pessoal realça que “é fun- que pode haver/há superiores que não manter-se a par das novas tendências.damental a coerência entre a presença estão dispostos a isso. Mas há, da parte de alguns docentes, aon-line e a vivência offline, para a nossa abertura para convidar pessoas externas à Se virmos que não estamos bem, entãocredibilidade enquanto profissionais e Universidade para introduzir uma verten- não podemos parar e devemos criar pro-enquanto pessoas. Por outro lado, muitos te mais prática no ensino. Mesmo sem jetos paralelos. Sempre com a prioridadecandidatos até já nem são chamados para verbas isto é possível, tem é de se criar de sermos o melhor naquele com o quala entrevista, porque já se conseguiu filtrar valor para todas as partes envolvidas. Se a já estamos comprometidos, mas arranjarinformação adicional através das redes Universidade não pode pagar em dinheiro, alternativas que nos preencham mais” ,sociais”. pode sempre ajudar a divulgar projetos aconselha Paulo Morais.Porque qualquer pessoa consegue chegar desse convidado, por exemplo. E mesmo quando uma empresa permitea dezenas de profissionais nas redes Por último, acho que é preciso dar conti- aos seus profissionais criar e inovar, ésociais, a perceção de Paulo Morais é que nuidade a um trabalho deste género. Tem fundamental garantir os resultados. Paulo Promoção PEssoal | paulo morais“o papel dos Recursos Humanos tem de de se dar seguimento e orientação contí- Morais insiste, sempre, neste ponto.se reinventar. Agora preciso dos Recur- nua aos alunos, pois uma única sessão de “Qualitativamente as ideias podem sersos Humanos para acrescentar valor ao duas horas não é suficiente”. muito atrativas, mas tem de haver umrecrutamento: análise de perfil, dinâmi- claro compromisso com os resultados Outra vertente que, segundo Paulo Mo-cas de grupo, obter outras informações quantitativos. Para investir, as empresas rais, já se trabalha no ensino é o empreen-relevantes. têm de ter retorno. É também preciso dedorismo, através dos jogos didáticos eMas acho que muitos profissionais de humildade e perceber o que tem resultado interativos: “Cria a tua empresa (a brincar).Recursos Humanos ainda estão presos para a empresa, ao longo do tempo” . Apresenta-te à turma” O objetivo é conse- .ao processo tradicional, sem uma boa guir bons comunicadores, que no futuro Há empresas (ainda poucas) que já incen-pesquisa na web. Até porque esta tarefa consigam ‘vender’ as suas propostas de tivam os seus trabalhadores a fazeremé exigente. O segredo está na integração valor. o seu Plano de Marketing Pessoal. Masdas diversas plataformas: por exemplo, no se as empresas não o fizerem, cada umLinkedIn temos uma faceta mais profis- deve fazer uma autoanálise e identificarsional, enquanto que no Facebook temos as competências que lhe faltam e aquelas 11outra mais social e descontraída” . em que é mais forte. A partir daí, pode trabalhar, estudar, ir a conferências, etc. “Confrontar as pessoas com situações fora da sua área de conforto eleva os pro- fissionais“ defende Paulo Morais. ,Acima de tudo, o Marketing Pessoal permite-nosconhecermo-nos como ninguém. Devemos perceber quaissão os nossos pontos fortes e fracos. Numa entrevistatenho de destacar os meus melhores atributos.Paulo MoraisManaging Partner na Follow Reference,Docente no IPAM - The Marketing School eCommunity Manager do Marketing Portugal www.marketingportugal.pt
  11. 11. trabalho, um projeto a doiso crescimento dos profissionais e das empresas Rodrigo Ferreira tem uma carreira dedicada aos Recursos Humanos desde 1968, ano em que fundou uma das primei-Desde 2006 que a ANERH - Associação Nacional das Empresas de Recur- ras empresas de psicologia esos Humanos representa empresas, que não tinham interlocutores associa- formação em Portugal. A SGStivos para as áreas de consultadoria, formação profissional, outsourcing e Global foi saber a opinião dotrabalho temporário. Sendo esta uma área muito sensível no domínio social, atual presidente da Direção daa ANERH procura transmitir e defender toda a atividade com base na trans- ANERH - Associação Nacionalparência, na organização, na solidariedade e na legalidade. de Empresas de RecursosCom Rodrigo Ferreira à frente da Direção, a ANERH conta com alguém mui- Humanos sobre a adequação dato experiente, que acompanhou as grandes alterações do mercado de traba- oferta e da procura no merca-lho português. “Historicamente houve sempre um grande divórcio entre os do de trabalho e do papel dacurrículos escolares e as necessidades das empresas. Hoje o ensino muito formação profissional ao longodificilmente se adaptará genericamente às necessidades das empresas”. da vida.Para o dirigente, as escolas são platafor- do a falha no ensino tecnológico. “Por cas eram para a classe operária. Portantomas de conhecimento. “Um curso oferece exemplo, não temos uma escola profis- tínhamos que acabar com isso (ironia).ferramentas, metodologia de raciocínio, sional que forme soldadores. Temos sim Agora há um esforço no sentido de asprincípios e conhecimentos gerais de entidades que, sobre uma plataforma de recuperar.diferentes áreas, que permitem depois conhecimentos, dão cursos de soldadura, No ensino superior já há uma maior orien-aprofundar em função das atividades já de caráter profissional e orientados tação para as atividades profissionais,que se irá desenvolver, que podem ou para o ‘fazer’. Não como formação escolar mas sempre sob uma forma de generali-não ter origem na sua formação inicial. A organizada. dades que depois permite aos licenciadosnecessidade de ‘fazer’ obriga a envolver Continuamos alheados do ensino tecno- integrarem-se com alguma facilidade.conhecimentos a que a Universidade não lógico por razões históricas. Após o 25dá acesso” . Por exemplo em marketing. O marketing de abril, fecharam as escolas técnico- farmacêutico não tem nada a ver com o -profissionais porque era entendido marketing da grande distribuição. Há, deA orientação do ensino para a politicamente que as atividades de caráter facto, uma plataforma de conhecimentos,prática profissional manual eram segregadoras das atividades mas depois há a necessidade de uma intelectuais. Os liceus eram para a classe adequação profissional”.O empresário de Recursos Humanos burguesa, enquanto que as escolas técni-continua com a sua análise, destacan-
  12. 12. AS pessoas recr u nas organizações mentta- oO papel da formação profissional e É claro que há muitas outras empresas desinteressados) da mesma escola, dada gestão que sabem os benefícios de investir na mesma turma, pelo que a família tem uma exigência, na formação, na qualidade. Te- grande importância, assim como os gru-O país tem investido milhares de milhões mos um conjunto de empresas exportado- pos. A comunicação social é facilitadora…de dinheiro comunitário em formação. ras que estão a sustentar o país. “ A própria Escola acaba por ser sectária,Mas na opinião do presidente da ANERH, Na opinião do dirigente, os portugueses porque orienta os alunos segundo as moti-“continua sem qualificações devido a uma funcionam bem se tiverem uma gestão vações pessoais e não as da sociedade” .orientação errónea. É quase para colmatar exigente e profissionalizada. “Os graves Quanto ao recrutamento, o empresárioo desemprego. Depois da formação não problemas nacionais não são dos trabalha- considera que, além da tal plataforma bá-há prática, porque não há emprego. Como dores, são da gestão. Um gestor exigente sica de conhecimentos, são fundamentaiso conhecimento não é sedimentado, cria profissionais exigentes, organiza as aptidões dos candidatos. “As aptidõesdesaparece rapidamente. “ carreiras, promove, dá formação, exige e são as tendências que uma pessoa na-Rodrigo Ferreira optava por formar/capaci- paga bem. turalmente tem para fazer determinadastar quem já está a trabalhar, por considerar Isto leva-me a outra questão: só se conse- coisas, a capacidade de integração emque há imensas oportunidades de melho- gue desenvolvimento através das pessoas grupo, a motivação para aprender, a lutarar o exercício da profissão, rentabilizando e de áreas de investimento que sejam interior pela melhoria contínua e pela con-muito mais a atividade das empresas. sustentáveis. É necessário criar empresas quista. Estes fatores são essenciais para a“Uma pessoa que faz a mesma coisa, da capazes de remunerar adequadamente. competitividade” .mesma forma há 30 anos, não melhorou, Porque não se pode exigir muito a alguém Por outro lado, o gestor tem de estarnão evoluiu. recurtamento | rodrigo ferreira que está a pensar como vai conseguir preparado para dar formação a um recém-Na maior parte das empresas, os colabo- pagar uma consulta médica ou alimentar -formado. A empresa deve ter um projetoradores têm formação de base superior bem os filhos”. para cada profissional. “O maior investi-à do próprio empresário. Estes nunca mento que uma empresa pode fazer é naganharam massa crítica, capacitação nem A atitude dos jovens e as aptidões formação das suas pessoas. Mesmo queconhecimento para se desenvolverem. a empresa feche, com a formação ade- Para Rodrigo Ferreira, hoje há dois tiposDesenvolver não é só formar trabalha- quada, estão preparadas para ir para outra de jovens: os excecionais e os desinte-dores. Desenvolver é ver melhorias nos empresa e para arranjar novo emprego. Se ressados. “Os excecionais são muito bemprodutos/serviços. Mas além da capaci- os seus conhecimentos estão desadequa- preparados, com conhecimentos notáveis,dade de planeamento e da convicção da dos, a economia também está debilitada. com uma capacidade muito superior à domelhoria e da inovação, um projeto de O crescimento do emprego tem de ser meu tempo. Os desinteressados são frutoformação relevante implica investimento. sempre acompanhado com uma formação de conceitos como os direitos adquiridosE a maioria das nossas empresas vive de exigência” conclui Rodrigo Ferreira. , e a subsidiodependência. Quando tiramcom dificuldades extremas económico- um curso superior, têm logo direito a ser 13-financeiras. chefes. Vêm ambos (os excecionais e os Um curso oferece ferramentas, metodologia de raciocínio, princípios e conhecimentos gerais de diferentes áreas, que permitem depois aprofundar em função das atividades que se irá desenvolver, que podem ou não ter origem na sua formação inicial. Rodrigo Ferreira Presidente da Direção da ANERH - Associação Nacional de Empresas de Recursos Humanos www.anerh.pt
  13. 13. chefe de equipaum gestor de pessoasA APG – Associação Portuguesade Gestão das Pessoas temquase 50 anos de história narepresentação dos profissionais Uma das primeiras grandes ideias com que se fica ao falar com Margaridaque gerem pessoas nas organi- Barreto, presidente da Direção Nacional da APG – Associação Portuguesazações. As suas denominações de Gestão das Pessoas e também gestora de Recursos Humanos numae orientações ao longo do tem- multinacional farmacêutica, é a distinção entre Gestores de Pessoas epo são reflexo da evolução dos Gestores de Recursos Humanos. Para a responsável, “os principais atoresconceitos nesta área da gestão: de uma boa Gestão de Pessoas, são os chefes das equipas e não a área dePessoal, Recursos Humanos, Recursos Humanos (RH) da empresa. Isso porque os RH, na minha opinião,Pessoas. são consultores e agentes de mudança. Quem gere realmente as pessoasÉ de pessoas que Margarida são os chefes, nas suas equipas naturais” .Barreto, presidente da DireçãoNacional da APG, quer falar. As O importante papel dos RH passa pela im- ticas mais participativas e mais associa-gestoras e as geridas, que são plementação e formação sobre tudo o que tivas, do que atualmente. “Vejo a Gestãomuitas vezes as mesmas; entre está relacionado com a cultura da empre- de Pessoas em Portugal ainda com sa, com políticas internas, com processos padrões do que se fazia há 40 ou 50 anoso rigor técnico e a sensibilidade e procedimentos para gerir as pessoas e atrás. Em que havia o capataz, o chefe,humana. em ajudar as chefias sempre que necessá- e não o líder. Havia quem mandasse nas rio a atrair, desenvolver, recompensar, pessoas e não quem tentasse construir o reconhecer e reter as pessoas. Margarida futuro, atingir resultados, desenvolver as Barreto debate-se para que os RH tenham pessoas e resolver os problemas. Mas em o mesmo ‘estatuto’ das restantes áreas da Portugal, como em muitos outros sítios, gestão. Mas para isso, “os RH devem sa- temos más práticas e também muito boas ber tanto sobre o negócio como os outros práticas”. departamentos, têm de falar a ‘linguagem’ A formação dos Gestores de Pessoas tor- dos seus colegas, têm de dar contributos na-se, assim, vital para a implementação que sejam percecionados e valorizados das práticas apropriadas a cada situação. pela gestão da empresa” . “Ter aptidão, ‘jeito’, para gerir pessoas ajuda” reconhece a Gestora, “mas não é , Os Gestores de Pessoas suficiente. É preciso conhecer técnicas, A presidente da APG acha que a Gestão inspirar, saber comunicar, ter uma visão. de Pessoas em Portugal deveria ter prá- Além dos conhecimentos intrínsecos ao negócio, os Gestores de Pessoas também
  14. 14. AS pessoas carr eira nas organizaçõesEm condições iguais, as organizações que gerem bemas suas pessoas são mais competitivas. Porque são aspessoas que criam, que inovam, quando estão motivadas eenvolvidas com os objetivos da organização. Margarida Barreto Presidente da Direção Nacional da APG – Associação Portuguesa de Gestão das Pessoasnecessitam de formação específica neste organização. São as pessoas que trazem que fazem a diferença entre a emprega-âmbito, de trabalhar a componente com- valor acrescentado e que conseguem dar bilidade e o desemprego. Os candidatosportamental” . a volta a situações críticas” argumenta a , têm de perceber o que o mercado precisaTodos os Gestores de Pessoas têm nossa entrevistada. e fazer a sua formação nesse sentido. Játambém outras responsabilidades, não podem tirar um curso só por gosto e Da precariedade e da educação depois exigir um emprego nessa área. É carreira | margarida barretooutros objetivos concretos, sejam elescomerciais, de produção, etc. Por isso, a essencial saber quais os cursos necessá- Há um assunto que preocupa imenso aclarificação em geral dos objetivos, assim rios no futuro, superiores ou profissionais. presidente da APG, que é o envelheci-como a ligação entre os objetivos globais A Escola desempenha, aqui, um papel mento ativo. Brevemente (já atualmente)da organização e os individuais de cada importante de orientação. Esta ideia de vai deixar de ser possível ter reformastrabalhador, são importantíssimas para a toda a gente tirar cursos superiores é um antecipadas e viver ainda muitos anos deGestão das Pessoas nas organizações. erro enorme” . pensões. Há já muitos jovens desempre-“Um chefe, para ser líder, deve estar ‘ao gados e muitas pessoas mais velhas ainda Para terminar, Margarida Barreto nãoserviço’ dos seus colaboradores, deve ‘a 100%’. Para responder a este desafio, quis deixar de dizer que “neste país,ser um comunicador que sabe conversar, Margarida Barreto crê que se irá recorrer com pessoas maravilhosas de imensoouvir, pedir feedback. Embora nunca se a novas formas da organização do trabalho potencial e imensas características boas,possam esquecer da razão porque ali para ‘encaixar’ as pessoas mais velhas: só precisamos de líderes para potenciá-estão: produzir e cumprir objetivos. Deve part-times, teletrabalho, ser mentor dos -las. Os portugueses são das pessoas 15ser uma relação de proximidade, mas su- mais novos. Estas novas formas da orga- mais competentes que existem. Têm aficientemente firme para conseguir dizer a nização do trabalho serão facilitadas pela atitude certa, compromisso, capacidadeverdade (que às vezes custa). A preocu- tecnologia. de entrega. Nós, quando bem enqua-pação maior de um chefe deve ser que a drados, conseguimos atingir resultados “E o trabalho será muito mais aprestaçãosua equipa tenha sucesso e, desta forma, espetaculares. Acho é que, por vezes, nos de serviços do que contrato de trabalho.assegura o seu próprio sucesso” defende , falta esse enquadramento. Sendo esse Neste momento, a nossa sociedade aindaMargarida Barreto. enquadramento a forma como a Gestão funciona com base numa segurança queAssim, como as pessoas trabalham, com das Pessoas é encarada, considerando a já não existe. Quando se fala de trabalhomais ou menos motivação, produtivida- capacidade de orientar, envolver, coorde- precário, é porque pensamos de acordode, inovação, depende muito de como nar e construir o futuro em conjunto com com paradigmas tradicionais, que estãose relacionam com a respetiva chefia e, as pessoas, e não as vendo apenas como a mudar. Todo o trabalho será ‘precário’naturalmente, também com os pares. A ferramentas” . e nós teremos de nos adaptar porquecompetitividade das organizações interli- as mudanças são constantes e imprevi-ga-se, afinal, com a Gestão das Pessoas. síveis, afirma Margarida Barreto, cons- ““Em condições iguais, as organizações ciente da polémica. E continua dizendoque gerem bem as suas pessoas são mais que “fundamental para estas mudançascompetitivas. Porque são as pessoas que são as competências pessoais. Línguascriam, que inovam, quando estão moti- estrangeiras, informática, outras compe-vadas e envolvidas com os objetivos da tências consoante as áreas de trabalho www.apg.pt
  15. 15. segurançao binómio da competitividadee da dignidade humana As condições em que o tra- balho é desempenhado são fundamentais à sociedade por diversas razões. Não apenas pela lógica direta da segurançaA ACT - Autoridade para as Condições do Trabalho age em duas grandes e saúde dos trabalhadores, masáreas operacionais: a promoção da Segurança e Saúde no Trabalho e a área também pela competitividadeinspetiva. Luis Lopes, responsável pela primeira, revelou em entrevista à das empresas e pela própriaSGS Global as facetas mais técnicas da sua atuação, mas também as mais dignidade da pessoa humana.humanistas.sgs global: O nível de Segurança Não é por acaso que o tema central para médio de 2,2 para a empresa. Isto é ume Saúde no Trabalho (SST) está 2012 e 2013 da campanha europeia de bom negócio!diretamente relacionada com os SST é “Juntos na Prevenção de Riscos Mas não basta transmitir este número. Profissionais” É nas empresas que se pas- . Precisamos, também de ter técnicos quetécnicos? sa a verdadeira batalha da SST, em todos saibam explicar no local de trabalho o queLuis Lopes: Parcialmente, pois há outros os seus níveis, desde a administração à é que cada medida concreta/investimentofatores em jogo. Podemos ter os melho- portaria. pode trazer à empresa.res técnicos do mundo, mas se eles não Ando nisto há muitos anos e nunca vi umconseguirem convencer os gestores, acidente que não poderia ter sido evitado. A legislação portuguesa éessa empresa nunca terá estes princípios Houve sempre uma regra que não foi d ­ emasiado rigorosa relativamenteinseridos na sua mentalidade e na dos cumprida, uma falha humana ou técnicaseus trabalhadores. Se os empregadores a outros países? que poderia ser perfeitamente evitável.definem horários e outros critérios aos Isso é absolutamente mentira. A nossatrabalhadores, porque é que não definem legislação decorre, na sua quase tota-obrigações e critérios de SST? Focando a gestão, que argumentos lidade, da transposição de diretivas ePor sua vez, os técnicos podem ser devem os gestores ouvir? regulamentos comunitários. Ou seja, aótimos e a gestão envolvida, mas se os Para um gestor ou empresário, é legítimo nossa legislação é semelhante a todos ostrabalhadores não estiverem eles próprios que o dinheiro conte muito. E a SST não é outros países da UE. Convém que se digasensibilizados para o cumprimento, ao um custo é um investimento com retorno que é considerada, em termos mundiais,virar-se as costas eles deixam logo de quantificável. A Associação Internacio- a melhor. A mais protetora do indivíduo ocumprir. O principal equipamento de pro- nal da Segurança Social apresentou um que, no limite, protege as empresas. Nãoteção individual vem de origem, é a nossa estudo que provou inequivocamente que, é igual aos países asiáticos ou outros,inteligência (risos). Se usarmos este, em média, por cada unidade investida em obviamente.usamos os outros todos. prevenção de riscos e SST há um retorno
  16. 16. saúd AS pessoas segu e e nas organizações ranç aComo é que as empresas europeias maus, temos de mostrar que somos segura, com mais consciência.podem ser competitivas com estes capazes de fazer melhor que eles e que Há uma década e meia, tínhamos mais decustos, quando há países com le- temos as condições para produzir com 300 acidentes mortais/ano. Há menos de mais qualidade. uma década, já eram menos de 200. Hágislação mais permissiva? três anos, antes da crise ‘bater em força’,É preciso desenvolver esforços a nível Com a crise económica, há um ali- chegamos aos 116. Estávamos no bominternacional e institucional para que os geiramento da SST? caminho. Portanto, estamos muito melhor.trabalhadores noutros países tenham amesma proteção. É claro que isto não é Mas com a crise, o número daqueles É obvio, era inevitável e expectável.só uma questão de direitos humanos. É acidentes começou a subir um bocadinho. Compete-nos combater isto. A tal men-também uma questão económica. Verifica-se uma inversão da tendência, por sagem de retorno e de competitividade enquanto ainda pequena, mas mesmo as-Depois é preciso passar a mensagem é importante para que os empregadores sim preocupante. Ainda por cima, porqueque os mais competitivos são também percebam que o desinvestimento na pre- ocorre num período de menor atividadeos mais seguros. Ao cruzar estudos de venção pode trazer grandes prejuízos. económica.2004/2005 publicados pela Organização Numa pequena empresa, os custos dire-Mundial do Comércio e pela Organização Temos o direito de estar satisfeitos, tos e indiretos de um acidente de trabalhoInternacional do Trabalho, verifica-se que apesar de tudo, com o trabalho que foi sobem em flecha num contexto de crise,os países mais competitivos eram do feito até agora. Não temos, nem hoje nem porque as suas consequências são muitonorte da Europa e EUA. E que estes eram nunca, o direito de estarmos verdadeira- mais gravosas. Se já está com ‘a corda natambém os mais seguros. Mas eles são mente satisfeitos, conformados. garganta’, no limite de prazos e tiver um saúde e segurança | luis lopesseguros porque são ricos ou são ricos O trabalho é, até ver e até prova em con- acidente de trabalho que até danifiqueporque são seguros? Não sei, mas o que trário, o mais nobre dos modos de vida. máquinas, isto pode significar perder umprova é que não há incompatibilidade O trabalho não é nem pode ser um modo cliente. Se num outro contexto poderia serentre estas duas coisas. de morte. O meu pai dizia que o trabalho ‘chato’, neste contexto pode ser ruinoso eSão necessárias outras medidas, como fatal. Depois, além dos custos diretos para dignifica. Mas o que realmente dignifica éa consciencialização e educação das a empresa, há custos que recaem sobre a a retribuição que se recebe pelo trabalho eopiniões públicas sobre as condições de sociedade: Segurança Social, reparações, as condições em que ele é desempenha-trabalho noutros países – vejam a impor- reabilitações, pensões, invalidez… do. O trabalho por si só cansa. (risos)tância do caso Nike, que teve de mudaros seus padrões. É preciso valorizar esta Estamos melhor do que há 10 anos?vertente da responsabilidade social dasnossas empresas. Em termos de SST, posso dizer com toda a certeza que o país que temos hoje não éHá também um percurso interno: não 17 o mesmo de há 20 anos. É um país ondenos basta dizer que os concorrentes são se trabalha de uma forma muito maisNão é por acaso que o tema central para 2012 e 2013 dacampanha europeia de SST é “Juntos na Prevenção deRiscos Profissionais”. É nas empresas que se passa averdadeira batalha da SST, em todos os seus níveis, desde aadministração à portaria. Luis Lopes Coordenador Executivo para a Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho, da ACT - Autoridade para as Condições do Trabalho www.act.gov.pt
  17. 17. O IMPERATIVO da Formaçãoe da aprendizagem ao Longo da Vida A partir do início do século XXI, existem contornos muito distintos da formação anterior- mente ministrada aos profissio- nais. 1996 foi o Ano Europeu da Aprendizagem ao Longo da Vida, em 1999 inicia-se o Processo deCom o foco generalizado sobre a aprendizagem ao longo da vida, a forma- Bolonha em Portugal e, paralela-ção contínua passou a ser uma responsabilidade partilhada por diversos mente, agravaram-se as crisesatores. Empresas, trabalhadores e Estado? Qual o papel de cada um? Que do mercado de trabalho. Comimportância deve ter a formação em contexto empresarial e individual? tudo isto, e o envelhecimentoRecolhemos a opinião de Cristina Parente, que investiga sobre emprego, progressivo da população, aformação e competências desde os anos 90. Universidade perde alunos e começa a reorientaram-se para a formação contínua e a apostarSGS Global: Com a abertura mundo do trabalho. mais na articulação com asda ­Universidade ao mundo A análise sistemática das carências deempresarial, os cursos tornam-se mão-de-obra nas empresas é dificultada empresas.mais adequados ao mercado por dois fatores: o levantamento destasde trabalho? necessidades é um procedimento muito caro; as necessidades das empresas sãoCristina Parente: Durante muito tempo, que as empresas precisam. cada vez mais difíceis de identificar, dadaa Universidade viveu ‘fechada no seu Embora eu não aplique este raciocínio às a volatilidade do mercado. Se falarmoscasulo’. A partir da década de 90, há um ofertas educativas ao nível do 1º ciclo que num diagnóstico empírico, vemos cadainvestimento nos Observatórios do Em- devem manter o perfil de banda larga, vez mais congressos, seminários ouprego, produzindo-se informação sobre a pois educação e economia têm objetivos, cursos de curta duração que chamam asinserção profissional dos licenciados. Com ritmos e dinâmicas distintas. empresas ao meio académico. Mas é umabase em diagnósticos autónomos, a Uni- análise muito limitada. Daí termos ‘perfisversidade começa a organizar a sua oferta universitários de banda larga’ para dar E sobre quem deve recair estae inicia formação que vai concorrer com resposta às exigências de polivalência do r ­ esponsabilidade de formaçãoas empresas de consultoria e formação mercado de trabalho. contínua de ‘banda específica’?profissional - aparecem os Gabinetes deFormação e Educação Contínua, orienta- Na minha perspetiva, é o Estado que tem No fornecimento de mão-de-obra neces-dos para um segmento distinto de alunos, a obrigação de identificar as necessidades sária ao mercado de trabalho, a formaçãomais qualificados, mais velhos, mais ex- de formação e estabelecer prioridades profissional contínua desempenha umperientes. Começa a haver mais abertura estratégicas para o desenvolvimento eco- papel muito importante.às empresas, ainda que em alguns casos, nómico do país. A partir daí, seria possível À medida que o mercado de trabalhoas Universidades continuem arredadas do ter oferta formativa no sentido da aprendi- tende a liberalizar-se, há menos apetência zagem ao longo da vida mais adaptada ao
  18. 18. AS pessoas form a nas organizações cont ção ínuadas empresas para a formação, pois não dos RH. excelentes formadores, por exemplo. Nãose preveem relações laborais duradou- Tudo isto implica, também, dar à função aproveitar este capital de experiência acu-ras. Paralelamente, a sociedade exige às Pessoal a mesma importância da fun- mulado, significa custos ocultos de que asempresas que assumam um papel de ator ção Financeira, Produtiva ou Marketing empresas não têm consciência. Aquelassocial. A Responsabilidade Social está na e Comercial. Tal é indispensável não só pessoas conhecem como ninguém aagenda do dia. Ora isto é paradoxal… É para a sobrevivência das empresas, mas empresa onde estão, os seus processos,frequente coexistirem no mesmo grupo também para dignificar o trabalho e para as suas lógicas informais. É um desperdí-empresarial Políticas de RH precárias com que ele não de torne psicologicamente cio enorme de recursos. E se há uns anosfantásticas Políticas externas de Respon- opressor. assistíamos a esta desvalorização no con-sabilidade Social. Valoriza-se a imagem texto operário, agora aplica-se a qualquerexterna junto dos stakeholders e degra- quadro, com relevo para os mais velhos. Mas há empresas que refreiamdam-se as relações de emprego. Vendo isto numa perspetiva trabalhador- a formação com receio que sejaEsta situação não favorece o enriqueci- -consumidor, até se coloca a questão da usada como plataforma para sairmento dos RH com origem nas empresas. sustentabilidade das empresas, do próprio da empresa…Coloca o ónus da formação sobre o traba- mercado…lhador. O problema é que as famílias estão Com uma mão-de-obra quase ‘descar-muito descapitalizadas neste momento. tável’, as empresas são reféns das suasTemos um efeito ‘bola de neve’: empresas próprias políticas. No entanto, a crise deem dificuldades, famílias em dificuldades emprego é tão grande que o perigo dase nenhuma com capacidade para quebrar pessoas abandonarem uma empresa éo ciclo vicioso. residual relativamente, por exemplo, ao que acontecia nos anos 90, a época dos formação contínua | cristina parenteDe facto, cada um tem de ser empre- head hunters.endedor da sua própria carreira, mas asempresas também tiram os seus lucros Para que a formação não seja um investi-deste investimento pessoal. Há interesses mento perdido, tem de ser acompanhadapartilhados, logo o investimento também de outros elementos como o reconhe-deve ser partilhado. cimento pessoal, contextos de trabalho favoráveis à aplicação dos novos conheci-Em minha opinião, a sociedade portu- mentos, líderes (e não chefes) que moti-guesa tem respondido muito bem a este vem e envolvam as pessoas e equipas.desafio educacional: vejam-se as taxas delicenciados, mestrandos e doutorandos.No próprio programa Novas Oportunida- Concorda com o modelodes, vemos que as pessoas perceberam t ­ radicional do Diretor de Recursosque não têm outra alternativa senão o Humanos ou antes com uma Gestãoaumento de competências e validação de Pessoas efetuada pelas chefias?das qualificações. Mal tem respondido A Gestão de Pessoas partilhada entre osao ensino profissional: a dignificação das 19 líderes de equipa e a Direção RH seriaprofissões manuais é uma via de resolu- uma situação ideal, apesar da maioria dasção do preconceito. E a crise do emprego empresas portuguesas não ter dimensão A formação tem de sertambém vai ser favorável a estas opções para tal. Por isso caberá à Gestão de Topo,educativas, creio! integrada numa gestão coordenar e até trabalhar com consultores externos especializados nas áreas técnica mais ampla de RecursosQual o papel da Formação na e estratégicas, sendo que aplicação deve Humanos, senão não teráG­ es-tão de Recursos Humanos? contar com os líderes de equipa e ser uma efeitos e será apenas umA formação tem de ser integrada numa responsabilidade partilhada custo e não investimentogestão mais ampla de RH, senão não terá com retorno.efeitos e será apenas um custo e não O desemprego aflige todas asinvestimento com retorno. E, com certeza, f ­ aixas etárias da população,a própria competitividade das empresas, mas no caso dos mais velhos, quedepende da sua estratégia a este nível. o ­ utras considerações se colocamTemos de pensar a formação de uma for- às empresas? Cristina Parentema sistémica. Se a formação estiver aliada Os saberes dos trabalhadores mais velhos Socióloga, Professora Auxiliar Agregadaà avaliação de desempenho individual, são muito mais válidos do que aquilo que do Departamento de Sociologia e Inves-grupal e dos próprios resultados da em- as empresas consideram. Podem ser tigadora do Instituto de Sociologia dapresa, temos uma gestão mais estratégica Universidade do Porto

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