VARIAÇÃO LINGUÍSTICA   A FALA Constituem os atos de fala produções que se caracterizam por serem atualizações de modelos definidos numa instância anterior  a Norma  , que, por sua vez, está calcada no Sistema. Simultânea e complementarmente, definem-se como criações inéditas dos falantes-ouvintes a partir dos modelos existentes na Norma e no Sistema. Por esse motivo, Coseriu observa que, na Fala, "... os atos linguísticos são atos de criação inédita, porque correspondem a criações inéditas, mas são, ao mesmo tempo  pela própria condição essencial da linguagem, que é a comunicação  , atos de re-criação; não são invenções  ex novo  e totalmente arbitrárias do falante, mas se estruturam sobre modelos precedentes que os novos atos contêm e, ao mesmo tempo, superam." (Coseriu, 1979a: 72) .
Na fala, configuram-se dois aspectos:  a)a repetição de modelos explicita a permanência, que manifesta a estabilidade do sistema linguístico;  b) a criação de elementos novos se reporta à inovação, atestada pelas milhares de formas criativas encontradas nas interações verbais dos falantes-ouvintes. Fala Repetição de modelos  /  Criações dos falantes - anteriores  - ouvintes
A NORMA Os falantes-ouvintes, em seus textos, quer criando, quer recriando, realizam estruturas da língua de suas comunidades. A esse primeiro nível de abstração, Coseriu denomina Norma - "um sistema de realizações obrigadas, de imposições sociais e culturais, e varia segundo a comunidade" (Coseriu, 1979a:74) . Considerando a variação-tipo em comunidades, podemos falar em normas de: -   espaço físico: reportam-se às diferenças linguísticas de acordo com a extensão geográfica. Incluem-se aí as diferenças linguísticas percebidas, numa mesma língua, de país a país. estado a estado, e, até, de cidade a cidade. Essas normas são geralmente enfocadas  como dialetos e falares; - classes sociais;
-  faixa etária: além da linguagem dos jovens, cognominada gíria, inscreve-se aqui a linguagem dos idosos; - grupos profissionais: jargões; - discurso: os discursos jurídico, político, pedagógico, tecnológico, etc...; - sexo; - modalidade: oral/escrita; - situação: formal/informal; etc...
Entretanto, de acordo com o sistema de valores vigente numa comunidade ou num segmento social, há uma tendência a valorar, positiva ou negativamente determinadas normas. Tal fato parece explicar alguns fatos arrolados no item "prestígio/discriminação", tais como: 1) o desprezo pela modalidade oral, norma de modalidade tida como incorreta para alguns, mesmo em situações em que ela é exigida; 2) o desprestígio de algumas normas de espaço físico e sua tendência ao desaparecimento; 3) a chamada norma culta tornar-se a forma mais prestigiada na sociedade e, como tal, ser imposta a alguns segmentos sociais, aos quais ela é apresentada como a única possibilidade linguística correta.
O SISTEMA Se, da Norma, isolarmos apenas o que é forma indispensável, oposição funcional, desprezando o que é constante e simples tradição, teremos o Sistema. Conforme Coseriu, "ao passar da norma ao sistema, elimina-se tudo aquilo que é 'variante facultativa' normal ou 'variante combinatória', considerando-se só aquilo que é funcionalmente pertinente'. " (Coseriu, 1979a: 73) Por conseguinte, o Sistema é formado de invariantes, que constituem oposições funcionais. Podemos dizer que, no Sistema, configura-se o grau mínimo de variação. SISTEMA Prescrições  /  Liberdades
O ESQUEMA TRÍADICO SISTEMA/NORMA/FALA E A VARIAÇÃO Permanência / Inovação Fala  Sistema Variação máxima  Invariância Desse modo, temos o seguinte esquema: Fala  Sistema __________________________________________  Variação +  -
NORMA Sistema coletivo  /  Elemento novo Considerando que, na Norma, há um grau intermédio de variação, temos: Fala  Norma  Sistema  ____________________________________________________________ +  -  Variantes  Variantes-tipo  Invariantes

VariaçãO+..

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    VARIAÇÃO LINGUÍSTICA A FALA Constituem os atos de fala produções que se caracterizam por serem atualizações de modelos definidos numa instância anterior a Norma , que, por sua vez, está calcada no Sistema. Simultânea e complementarmente, definem-se como criações inéditas dos falantes-ouvintes a partir dos modelos existentes na Norma e no Sistema. Por esse motivo, Coseriu observa que, na Fala, "... os atos linguísticos são atos de criação inédita, porque correspondem a criações inéditas, mas são, ao mesmo tempo pela própria condição essencial da linguagem, que é a comunicação , atos de re-criação; não são invenções ex novo e totalmente arbitrárias do falante, mas se estruturam sobre modelos precedentes que os novos atos contêm e, ao mesmo tempo, superam." (Coseriu, 1979a: 72) .
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    Na fala, configuram-sedois aspectos: a)a repetição de modelos explicita a permanência, que manifesta a estabilidade do sistema linguístico; b) a criação de elementos novos se reporta à inovação, atestada pelas milhares de formas criativas encontradas nas interações verbais dos falantes-ouvintes. Fala Repetição de modelos / Criações dos falantes - anteriores - ouvintes
  • 3.
    A NORMA Osfalantes-ouvintes, em seus textos, quer criando, quer recriando, realizam estruturas da língua de suas comunidades. A esse primeiro nível de abstração, Coseriu denomina Norma - "um sistema de realizações obrigadas, de imposições sociais e culturais, e varia segundo a comunidade" (Coseriu, 1979a:74) . Considerando a variação-tipo em comunidades, podemos falar em normas de: - espaço físico: reportam-se às diferenças linguísticas de acordo com a extensão geográfica. Incluem-se aí as diferenças linguísticas percebidas, numa mesma língua, de país a país. estado a estado, e, até, de cidade a cidade. Essas normas são geralmente enfocadas como dialetos e falares; - classes sociais;
  • 4.
    - faixaetária: além da linguagem dos jovens, cognominada gíria, inscreve-se aqui a linguagem dos idosos; - grupos profissionais: jargões; - discurso: os discursos jurídico, político, pedagógico, tecnológico, etc...; - sexo; - modalidade: oral/escrita; - situação: formal/informal; etc...
  • 5.
    Entretanto, de acordocom o sistema de valores vigente numa comunidade ou num segmento social, há uma tendência a valorar, positiva ou negativamente determinadas normas. Tal fato parece explicar alguns fatos arrolados no item "prestígio/discriminação", tais como: 1) o desprezo pela modalidade oral, norma de modalidade tida como incorreta para alguns, mesmo em situações em que ela é exigida; 2) o desprestígio de algumas normas de espaço físico e sua tendência ao desaparecimento; 3) a chamada norma culta tornar-se a forma mais prestigiada na sociedade e, como tal, ser imposta a alguns segmentos sociais, aos quais ela é apresentada como a única possibilidade linguística correta.
  • 6.
    O SISTEMA Se,da Norma, isolarmos apenas o que é forma indispensável, oposição funcional, desprezando o que é constante e simples tradição, teremos o Sistema. Conforme Coseriu, "ao passar da norma ao sistema, elimina-se tudo aquilo que é 'variante facultativa' normal ou 'variante combinatória', considerando-se só aquilo que é funcionalmente pertinente'. " (Coseriu, 1979a: 73) Por conseguinte, o Sistema é formado de invariantes, que constituem oposições funcionais. Podemos dizer que, no Sistema, configura-se o grau mínimo de variação. SISTEMA Prescrições / Liberdades
  • 7.
    O ESQUEMA TRÍADICOSISTEMA/NORMA/FALA E A VARIAÇÃO Permanência / Inovação Fala Sistema Variação máxima Invariância Desse modo, temos o seguinte esquema: Fala Sistema __________________________________________ Variação + -
  • 8.
    NORMA Sistema coletivo / Elemento novo Considerando que, na Norma, há um grau intermédio de variação, temos: Fala Norma Sistema ____________________________________________________________ + - Variantes Variantes-tipo Invariantes