Questionamentos sobre o conceito “Nativos Digitais”



A partir do texto “Nativos Digitais, Imigrantes Digitais”, fica claro a intenção de
Marc Presnky de distinguir os sujeitos usuários de tecnologias, segundo o
critério de época de nascimento, a partir do momento em que Presnky define a
década de 1990 como a era do surgimento dos “nativos digitais”, ou seja,
crianças e adolescentes que nasceram a partir desta década, que naturalmente
dominam as tecnologias dispostas na televisão, no computador, no celular e
outras mídias.

O primeiro questionamento a ser feito por mim é: se os imigrantes digitais, que
são adultos que nasceram antes da época da informatização das notícias se
adéquam para viver num mundo conectado a redes de conhecimento, a criança
também não precisa passar por essa etapa de aprendizado? O texto
“Problemas conceituais: evidências empíricas e políticas públicas” deixa claro
ao afirmar que a exclusão digital diz respeito aos jovens de baixa renda que
nunca possuíam acesso a nenhuma mídia digital, por diferentes razões sociais
e econômicas.

A criança não nasce sabendo mexer numa mídia digital. Ela, assim como os
adultos, deixa clara a sua dificuldade ao se deparar com uma mídia diante dela
pela primeira vez. A falta de experiência com essas mídias pode induzi-las a
experimentar sem conhecer o que está realmente provocando problemas
naquelas mídias cuja tecnologia cada vez mais avança.

O erro é ferramenta fundamental do aprendizado, se não errarmos, não
teremos aquela sensação de autonomia, que nos faz ter a liberdade de tentar
conhecer novas tecnologias. Com o adulto, sente-se a mesma coisa. Ele pode
não ter nascido numa época onde praticamente todos os documentos,
inscrições, trabalhos e relatórios são editáveis e disponibilizados para um
número quantitativo de pessoas que passa da casa dos bilhões. Assim como a
criança que nasceu nesta nova era, o adulto também tenta se localizar neste
mundo completamente novo onde as informações estão escritas numa tela
sensível ao toque.

 O problema do conceito dos “nativos digitais” começa na denominação do
termo. Crianças não são nativas de uma linguagem, que mal conhecem, elas
nascem num meio onde as mídias estão prontas para o uso e o meio de
adequação é a troca de informações entre máquina e pessoa. A máquina é um
cérebro preparado para responder os estímulos de uma pessoa através de
seus periféricos.

A autonomia criativa que a criança possui ao mexer numa mídia, não é a
mesma com que ela tem com seus pais ou com o ambiente em que vive. As
regras ditadas por uma sociedade não infringem as regras de uma mídia
operacional, cujo objetivo é acima de tudo entreter o indivíduo. A mídia
operacional nem sempre segue um tipo de sociedade, ela é capaz de criar uma
nova ou transformar aquela mesma que segue estagnada ou nem haver
regras, apenas deliberações das pessoas que ali pertence a um mesmo grupo.
Criar uma categoria para as crianças que desenvolvem seu poder na mídia,
mas que não tem o mesmo poder na sociedade é um dos grandes equívocos
do conceito de “nativos digitais”. Há diversas camadas da sociedade onde a
criança não tem acesso e não é só porque nasce numa época onde um tipo de
mídia que a faz ser melhor bem colocada numa sociedade.



Bibliografia

SORJ,Bernando. Exclusão digital: Problemas conceituais, evidências
empíricas         e        políticas públicas.       Disponível      em
<http://www.scielo.br/scielo.php?
pid=S01013300225000200006&script=sci_arttext> Acesso em 05 abr.2012.

PRENSKY, Marc. Digital natives, digital immigrants. On the Horizon, MCB
University      Press,      v.9,       n.     5,      out.2001.Disponível
em:<http://www.marcprensky.com/writing/Prensky%20-%20Digital%20Natives,
%20Digital%20Immigrants%20-%20Part1.pdf> Acesso em: 05 abr. 2010.

Texto final nativos digitais

  • 1.
    Questionamentos sobre oconceito “Nativos Digitais” A partir do texto “Nativos Digitais, Imigrantes Digitais”, fica claro a intenção de Marc Presnky de distinguir os sujeitos usuários de tecnologias, segundo o critério de época de nascimento, a partir do momento em que Presnky define a década de 1990 como a era do surgimento dos “nativos digitais”, ou seja, crianças e adolescentes que nasceram a partir desta década, que naturalmente dominam as tecnologias dispostas na televisão, no computador, no celular e outras mídias. O primeiro questionamento a ser feito por mim é: se os imigrantes digitais, que são adultos que nasceram antes da época da informatização das notícias se adéquam para viver num mundo conectado a redes de conhecimento, a criança também não precisa passar por essa etapa de aprendizado? O texto “Problemas conceituais: evidências empíricas e políticas públicas” deixa claro ao afirmar que a exclusão digital diz respeito aos jovens de baixa renda que nunca possuíam acesso a nenhuma mídia digital, por diferentes razões sociais e econômicas. A criança não nasce sabendo mexer numa mídia digital. Ela, assim como os adultos, deixa clara a sua dificuldade ao se deparar com uma mídia diante dela pela primeira vez. A falta de experiência com essas mídias pode induzi-las a experimentar sem conhecer o que está realmente provocando problemas naquelas mídias cuja tecnologia cada vez mais avança. O erro é ferramenta fundamental do aprendizado, se não errarmos, não teremos aquela sensação de autonomia, que nos faz ter a liberdade de tentar conhecer novas tecnologias. Com o adulto, sente-se a mesma coisa. Ele pode não ter nascido numa época onde praticamente todos os documentos, inscrições, trabalhos e relatórios são editáveis e disponibilizados para um número quantitativo de pessoas que passa da casa dos bilhões. Assim como a criança que nasceu nesta nova era, o adulto também tenta se localizar neste mundo completamente novo onde as informações estão escritas numa tela sensível ao toque. O problema do conceito dos “nativos digitais” começa na denominação do termo. Crianças não são nativas de uma linguagem, que mal conhecem, elas nascem num meio onde as mídias estão prontas para o uso e o meio de adequação é a troca de informações entre máquina e pessoa. A máquina é um cérebro preparado para responder os estímulos de uma pessoa através de seus periféricos. A autonomia criativa que a criança possui ao mexer numa mídia, não é a mesma com que ela tem com seus pais ou com o ambiente em que vive. As
  • 2.
    regras ditadas poruma sociedade não infringem as regras de uma mídia operacional, cujo objetivo é acima de tudo entreter o indivíduo. A mídia operacional nem sempre segue um tipo de sociedade, ela é capaz de criar uma nova ou transformar aquela mesma que segue estagnada ou nem haver regras, apenas deliberações das pessoas que ali pertence a um mesmo grupo. Criar uma categoria para as crianças que desenvolvem seu poder na mídia, mas que não tem o mesmo poder na sociedade é um dos grandes equívocos do conceito de “nativos digitais”. Há diversas camadas da sociedade onde a criança não tem acesso e não é só porque nasce numa época onde um tipo de mídia que a faz ser melhor bem colocada numa sociedade. Bibliografia SORJ,Bernando. Exclusão digital: Problemas conceituais, evidências empíricas e políticas públicas. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php? pid=S01013300225000200006&script=sci_arttext> Acesso em 05 abr.2012. PRENSKY, Marc. Digital natives, digital immigrants. On the Horizon, MCB University Press, v.9, n. 5, out.2001.Disponível em:<http://www.marcprensky.com/writing/Prensky%20-%20Digital%20Natives, %20Digital%20Immigrants%20-%20Part1.pdf> Acesso em: 05 abr. 2010.