LITERATURA
TEORIA DA LITERATURA
LITERARIEDADE
Mundo ficcional nas
mãos do escritor
Escritor
Mundo Real
Interpretação do mundo
ficcional nas mãos do leitor
Literariedade
Através de sua sensibilidade o escritor
observa o mundo real e cria um mundo
ficcional. Observamos no slide anterior
que este mundo é muito subjetivo,
pessoal, está nas mãos do escritor. Ao
chegar nas mãos do leitor, o escritor
perde o status de dono desse mundo,
pois aí pode-se recriar um mundo
diferente do idealizado pelo autor.
Outra observação importante é que o
escritor não escolhe quem terá acesso à
sua obra, ou se a interpretação será igual
a sua intenção.
Mundo Real
Como ele é: Um casal
namorando, à beira do mar, à
luz da lua cheia
Visão do escritor
Intenção de transmitir ternura, amor, descrever a
natureza como um cenário mágico e cúmplice do
casal
Mundo Ficcional
Mundo Real
Diferenças
Mundo Ficcional
Texto Literário
Os raios do sol por entre as nuvens se abraçando,
refletindo um misto de cores lindas e embriagantes.
Uma noite de lua cheia, e
um casal abraçado à beira
do mar.
Diferença
Texto não literário
O texto não literário, logo
deixará de ser atrativo, é
impessoal, não admite outra
interpretação, a realidade
como ela é,
Preocupa-se com a
informação.
Texto Literário
Despreocupação com a
informação, veja que na cena real,
existe a lua, mostrando que é noite,
o texto literário ilude, mostra o dia
para dar mais cor à natureza
através dos raios do sol.
Permite interpretações diferentes,
deixa no ar um entenda como
quiser no trecho “estávam os ando ”
onde pode-se entender “usando”
ou vários sentidos para a
terminação “ando”, desde
situações carinhosas, até vulgares.
Fundamentos do texto Literário
O autor, com sua cultura, sua experiência
de vida, sua ideologia, escreve uma obra,
que será lida por alguém cuja recepção
estará também impregnada de uma
cultura, uma experiência e uma visão de
mundo
Para que ocorra alguma interação entre
os elementos da tríade autor-obra-leitor, é
necessário que haja entre o emissor e o
recebedor um mínimo de elementos
culturais comuns, a começar pelo código
utilizado na escrita, ou seja, o idioma.
Características do texto literário
Mundo Ficcional.
Relação não-imediatista
Suspensão da convenções de
significados correntes
Despreocupação com a sistematização
Despreocupação com o saber
Inexistência da utilidade prática
Predomínio da linguagem conotativa
Conotação, Recepção, Autoria
Nos textos literários nem sempre a linguagem apresenta
um único sentido, aquele apresentado pelo dicionário.
Empregadas em alguns contextos, elas ganham novos
sentidos, figurados, carregados de valores afetivos ou
sociais.
Quando a palavra é utilizada com seu sentido comum (o
que aparece no dicionário) dizemos que foi empregada
denotativamente.
Quando é utilizada com um sentido diferente daquele
que lhe é comum, dizemos que foi empregada
conotativamente, este recurso é muito explorado na
Literatura.
Conotação
Observe a canção “Dois rios”, de Samuel Rosa,
Lô Borges e Nando Reis, note a caracterização
do sol, ele foi empregado conotativamente:
Note que a expressão “dois rios inteiros”
também foi empregada conotativamente e
compõe um dos elementos básicos para a
interpretação da letra.
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
Que os braços sentem
E os olhos veem
Que os lábios sejam(beijam)
Refrão
Dois rios inteiros
Sem direção
O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão
O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão
Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer
Refrão
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quarto estações
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
Refrão
Recepção
Trata-se mais diretamente da interpretação.
A compreensão do texto não se subordina mais
nem à vida do escritor nem a sua intenção, ao
seu “querer dizer”. Pode-se até admitir, como
dizia Marcel Proust, importante escritor francês
do final do século XIX e início do XX, que haja
uma intenção existente no eu literário do escritor
(um “outro eu”, um eu fictício), e não no eu
físico.
Recepção e Autoria
A obra literária, portanto, supera a
intenção do autor — o texto sobrevive
sem ela. Mesmo admitindo-se a intenção
do “outro eu”, a significação de um texto
nunca se esgota nesse propósito, o
sentido do texto não é determinado
necessariamente pelo “querer dizer” de
quem escreveu.
Metalinguagem
É a linguagem utilizada para falar sobre
outra linguagem.
Na literatura, a metalinguagem é praticada
por um crítico que investiga as relações e
estruturas presentes na obra literária, ou
por um autor que explica seu próprio fazer
literário ou de outrem.
Tipos de Metalinguagem
Linguística (definições dos dicionários,
regras gramaticais, explicações de textos
etc)
Literária( subdividida em metalinguagem
literária ensaística (artigos e ensaios que
falam sobre a literatura e sobre obras
literárias) e ficcional (obras literárias que
falam sobre a linguagem literária).
Metalinguagem
Se alguém um dia perguntar como escrevo
Solidão
Se alguém perguntar por que escrevo
Solidão
Se alguém quiser saber o que desejava mudar
com tudo isso
Solidão
E se quer saber também o motivo para tanto
pessimismo
Solidão
E se quer saber o motivo de tanta determinação
Solidão
Tudo isso é porque não quero existir só eu
mesma.
Em Dom Casmurro, Machado de Assis
enquanto narra, discute o ato e o modo de
narrar .
Ele põe em prática a metalinguagem , em
que a própria narrativa trata de se auto-
explicar. Logo no início, a metalinguagem
ganha corpo, quando o personagem-
narrador explica o título do livro e os
motivos que o impulsionaram a escrevê-
lo.
Explicação de Machado de Assis
Também não achei melhor título para a
minha narração; se não tiver outro daqui
até ao fim do livro, vai este mesmo. O
meu poeta do trem ficará sabendo que
não lhe guardo rancor. E com pequeno
esforço, sendo o título seu, poderá cuidar
que a obra é sua. Há livros que apenas
terão isso dos seus autores, alguns nem
tanto. E mais adiante: Agora que expliquei
o título, passo a escrever o livro. Antes
disso, porém, digamos os motivos que me
põem a pena na mão .
Durante toda a narrativa de Dom
Casmurro, a metalinguagem tem um
papel fundamental, dando um tom muitas
vezes jocoso, ou criando cumplicidade
com o leitor, que ao invés de apenas ler
passivamente, participa do próprio ato de
narrar, ao servir de confidente do escritor,
transcendendo o próprio texto.
Alguns exemplos
Ao narrar as tentações vividas na juventude dirige-
se a uma possível leitora "Tudo isso é obscuro,
dona leitora, mas a culpa é do vosso sexo, que
perturba assim a adolescência de um pobre
seminarista".
Ao dar uma explicação, dialoga com o leitor
dizendo: "Não sei se me explico bem. Supondo
uma concepção grande executada por meios
pequenos".
Depois de longa narração preliminar, chega ao
ponto em que vai narrar o casamento e diz: "Pois
sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor
pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer a
outra parte; casemo-nos."
Intertextualidade
Intertextualidade
A intertextualidade consiste na apropriação de um texto
por outro. Essa apropriação se dá por meio da citação,
da epígrafe, da alusão ou referência, da imitação (servil
ou não) de um estilo, etc.
O processo intertextual está na percepção do leitor de
relações entre um texto e outros que o precederam, isto
é, o reconhecimento num texto de palavras, expressões,
frases, versos, parágrafos, às vezes páginas inteiras de
outros textos. Esses “outros textos” podem ser outras
obras de ficção ou não, mitos, provérbios, escritos
publicitários, orações, letras de canções populares,
histórias da tradição oral etc.
Canção do Exílio
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
Gonçalves Dias
Canção do Exílio
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas,
cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a
prestações.
gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha
a
[ Gioconda
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola
de
[ verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!
Murilo Mendes
A intertextualidade pode ser:
Citação - Citar um texto é transcrevê-lo tal
como ele aparece em seu original. Esse recurso
é muito comum em trabalhos científicos, por
exemplo, em que outros autores concorrem para
conferir autoridade a um determinado estudo.
Epígrafe - Um tipo de citação de outro autor que
antecede um poema, um conto, um capítulo de
um livro, um romance etc. O texto que aparece
na epígrafe em geral guarda alguma relação
com o texto que se vai escrever.
Alusão - Aludir é fazer referência a um texto,
ao seu autor, a algum personagem de outra
obra, ou a algum acontecimento marcante
que aparece em algum livro.
Bricolagem - Uma montagem feita de
vários textos para produzir outro.
Pastiche - Imitar o estilo de outro autor. Num
sentido mais antigo, o pastiche era
considerado uma imitação de baixa
qualidade, subalterna, que um escritor
“menor” fazia de um texto de um escritor
“maior”. Numa concepção contemporânea, a
ideia de pastiche não envolve juízo de valor.
É
P aródia e Paráfrase
importante lembrar que as formas de
intertextualidade comentadas acima não
devem ser confundidas com paráfrase e
paródia , que pertencem a outra categoria.
Assim, podemos ter uma citação
parafrásica ou parodística, ou uma alusão
idem, e assim por diante.
Paródia
A paródia é a criação de um texto a partir de um
bastante conhecido, ou seja, com base em um
texto consagrado alguém utiliza sua forma e
rima para criar um novo texto cômico, irônico,
humorístico, zombeteiro ou contestador, dando
um novo sentido ao texto. Parte da
intertextualidade, a paródia é um intertexto, ou
seja, é um texto resultante de um texto origem
que pode ser escrito ou oral. Essa
intertextualidade também pode ocorrer em
pinturas, no jornalismo e nas publicidades.
Canto de regresso à pátria
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu
morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu
morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo
[Oswald de Andrade]
Na
Paráfrase
paráfrase as palavras são mudadas,
porém a ideia do texto é confirmada pelo
novo texto, a alusão ocorre para atualizar,
reafirmar os sentidos ou alguns sentidos
do texto citado. É dizer com outras
palavras o que já foi dito. Temos um
exemplo citado por Affonso Romano
Sant’Anna em seu livro “Paródia,
paráfrase & Cia” (p. 23):
Paráfrase
Paráfrase
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa,
França e Bahia”).
Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do
Exílio”, é muito utilizado como exemplo de
paráfrase e de paródia, aqui o poeta
Carlos Drummond de Andrade retoma o
texto primitivo conservando suas ideias,
não há mudança do sentido principal do
texto que é a saudade da terra natal.
Gêneros Literários
• Épico: é a narrativa com temática histórica;
são os feitos heróicos de um determinado povo.
O narrador conta os fatos passados, apenas
observando e relatando os feitos objetivamente,
sem interferência, o que faz a narrativa ser
objetiva.
• Dramático: é o gênero ligado diretamente à
representação de um acontecimento por atores.
• Lírico: gênero essencialmente poético, que
expõe a subjetividade do autor e diz ao leitor do
estado emocional do “eu-lírico”.
Fontes de Pesquisa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Literariedade
http://www.brasilescola.com/literatura/denotac
http://www.alunosonline.com.br/portugues/par
http://www.solar.virtual.ufc.br/TeoriadaLiteratu

teoriadaliteratura-100703164724-phpapp01.pptx

  • 1.
  • 2.
    LITERARIEDADE Mundo ficcional nas mãosdo escritor Escritor Mundo Real Interpretação do mundo ficcional nas mãos do leitor
  • 3.
    Literariedade Através de suasensibilidade o escritor observa o mundo real e cria um mundo ficcional. Observamos no slide anterior que este mundo é muito subjetivo, pessoal, está nas mãos do escritor. Ao chegar nas mãos do leitor, o escritor perde o status de dono desse mundo, pois aí pode-se recriar um mundo diferente do idealizado pelo autor.
  • 4.
    Outra observação importanteé que o escritor não escolhe quem terá acesso à sua obra, ou se a interpretação será igual a sua intenção.
  • 5.
    Mundo Real Como eleé: Um casal namorando, à beira do mar, à luz da lua cheia Visão do escritor Intenção de transmitir ternura, amor, descrever a natureza como um cenário mágico e cúmplice do casal Mundo Ficcional
  • 6.
    Mundo Real Diferenças Mundo Ficcional TextoLiterário Os raios do sol por entre as nuvens se abraçando, refletindo um misto de cores lindas e embriagantes. Uma noite de lua cheia, e um casal abraçado à beira do mar.
  • 7.
    Diferença Texto não literário Otexto não literário, logo deixará de ser atrativo, é impessoal, não admite outra interpretação, a realidade como ela é, Preocupa-se com a informação. Texto Literário Despreocupação com a informação, veja que na cena real, existe a lua, mostrando que é noite, o texto literário ilude, mostra o dia para dar mais cor à natureza através dos raios do sol. Permite interpretações diferentes, deixa no ar um entenda como quiser no trecho “estávam os ando ” onde pode-se entender “usando” ou vários sentidos para a terminação “ando”, desde situações carinhosas, até vulgares.
  • 8.
    Fundamentos do textoLiterário O autor, com sua cultura, sua experiência de vida, sua ideologia, escreve uma obra, que será lida por alguém cuja recepção estará também impregnada de uma cultura, uma experiência e uma visão de mundo
  • 9.
    Para que ocorraalguma interação entre os elementos da tríade autor-obra-leitor, é necessário que haja entre o emissor e o recebedor um mínimo de elementos culturais comuns, a começar pelo código utilizado na escrita, ou seja, o idioma.
  • 10.
    Características do textoliterário Mundo Ficcional. Relação não-imediatista Suspensão da convenções de significados correntes Despreocupação com a sistematização Despreocupação com o saber Inexistência da utilidade prática Predomínio da linguagem conotativa
  • 11.
    Conotação, Recepção, Autoria Nostextos literários nem sempre a linguagem apresenta um único sentido, aquele apresentado pelo dicionário. Empregadas em alguns contextos, elas ganham novos sentidos, figurados, carregados de valores afetivos ou sociais. Quando a palavra é utilizada com seu sentido comum (o que aparece no dicionário) dizemos que foi empregada denotativamente. Quando é utilizada com um sentido diferente daquele que lhe é comum, dizemos que foi empregada conotativamente, este recurso é muito explorado na Literatura.
  • 12.
    Conotação Observe a canção“Dois rios”, de Samuel Rosa, Lô Borges e Nando Reis, note a caracterização do sol, ele foi empregado conotativamente: Note que a expressão “dois rios inteiros” também foi empregada conotativamente e compõe um dos elementos básicos para a interpretação da letra.
  • 13.
    O céu estáno chão O céu não cai do alto É o claro, é a escuridão O céu que toca o chão E o céu que vai no alto Dois lados deram as mãos Como eu fiz também Só pra poder conhecer O que a voz da vida vem dizer Que os braços sentem E os olhos veem Que os lábios sejam(beijam) Refrão Dois rios inteiros Sem direção O sol é o pé e a mão O sol é a mãe e o pai Dissolve a escuridão O sol se põe se vai E após se pôr O sol renasce no Japão Eu vi também Só pra poder entender Na voz a vida ouvi dizer Refrão E o meu lugar é esse Ao lado seu, meu corpo inteiro Dou o meu lugar pois o seu lugar É o meu amor primeiro O dia e a noite as quarto estações O céu está no chão O céu não cai do alto É o claro, é a escuridão O céu que toca o chão E o céu que vai no alto Dois lados deram as mãos Como eu fiz também Só pra poder conhecer O que a voz da vida vem dizer Refrão
  • 14.
    Recepção Trata-se mais diretamenteda interpretação. A compreensão do texto não se subordina mais nem à vida do escritor nem a sua intenção, ao seu “querer dizer”. Pode-se até admitir, como dizia Marcel Proust, importante escritor francês do final do século XIX e início do XX, que haja uma intenção existente no eu literário do escritor (um “outro eu”, um eu fictício), e não no eu físico.
  • 15.
    Recepção e Autoria Aobra literária, portanto, supera a intenção do autor — o texto sobrevive sem ela. Mesmo admitindo-se a intenção do “outro eu”, a significação de um texto nunca se esgota nesse propósito, o sentido do texto não é determinado necessariamente pelo “querer dizer” de quem escreveu.
  • 16.
    Metalinguagem É a linguagemutilizada para falar sobre outra linguagem. Na literatura, a metalinguagem é praticada por um crítico que investiga as relações e estruturas presentes na obra literária, ou por um autor que explica seu próprio fazer literário ou de outrem.
  • 17.
    Tipos de Metalinguagem Linguística(definições dos dicionários, regras gramaticais, explicações de textos etc) Literária( subdividida em metalinguagem literária ensaística (artigos e ensaios que falam sobre a literatura e sobre obras literárias) e ficcional (obras literárias que falam sobre a linguagem literária).
  • 18.
    Metalinguagem Se alguém umdia perguntar como escrevo Solidão Se alguém perguntar por que escrevo Solidão Se alguém quiser saber o que desejava mudar com tudo isso Solidão E se quer saber também o motivo para tanto pessimismo Solidão E se quer saber o motivo de tanta determinação Solidão Tudo isso é porque não quero existir só eu mesma.
  • 19.
    Em Dom Casmurro,Machado de Assis enquanto narra, discute o ato e o modo de narrar . Ele põe em prática a metalinguagem , em que a própria narrativa trata de se auto- explicar. Logo no início, a metalinguagem ganha corpo, quando o personagem- narrador explica o título do livro e os motivos que o impulsionaram a escrevê- lo.
  • 20.
    Explicação de Machadode Assis Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores, alguns nem tanto. E mais adiante: Agora que expliquei o título, passo a escrever o livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a pena na mão .
  • 21.
    Durante toda anarrativa de Dom Casmurro, a metalinguagem tem um papel fundamental, dando um tom muitas vezes jocoso, ou criando cumplicidade com o leitor, que ao invés de apenas ler passivamente, participa do próprio ato de narrar, ao servir de confidente do escritor, transcendendo o próprio texto.
  • 22.
    Alguns exemplos Ao narraras tentações vividas na juventude dirige- se a uma possível leitora "Tudo isso é obscuro, dona leitora, mas a culpa é do vosso sexo, que perturba assim a adolescência de um pobre seminarista". Ao dar uma explicação, dialoga com o leitor dizendo: "Não sei se me explico bem. Supondo uma concepção grande executada por meios pequenos". Depois de longa narração preliminar, chega ao ponto em que vai narrar o casamento e diz: "Pois sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer a outra parte; casemo-nos."
  • 23.
  • 24.
    Intertextualidade A intertextualidade consistena apropriação de um texto por outro. Essa apropriação se dá por meio da citação, da epígrafe, da alusão ou referência, da imitação (servil ou não) de um estilo, etc. O processo intertextual está na percepção do leitor de relações entre um texto e outros que o precederam, isto é, o reconhecimento num texto de palavras, expressões, frases, versos, parágrafos, às vezes páginas inteiras de outros textos. Esses “outros textos” podem ser outras obras de ficção ou não, mitos, provérbios, escritos publicitários, orações, letras de canções populares, histórias da tradição oral etc.
  • 25.
    Canção do Exílio "Minhaterra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar — sozinho, à noite — Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá." Gonçalves Dias Canção do Exílio Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista, os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações. gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Os sururus em família têm por testemunha a [ Gioconda Eu morro sufocado em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia. Ai quem me dera chupar uma carambola de [ verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade! Murilo Mendes
  • 26.
    A intertextualidade podeser: Citação - Citar um texto é transcrevê-lo tal como ele aparece em seu original. Esse recurso é muito comum em trabalhos científicos, por exemplo, em que outros autores concorrem para conferir autoridade a um determinado estudo. Epígrafe - Um tipo de citação de outro autor que antecede um poema, um conto, um capítulo de um livro, um romance etc. O texto que aparece na epígrafe em geral guarda alguma relação com o texto que se vai escrever.
  • 27.
    Alusão - Aludiré fazer referência a um texto, ao seu autor, a algum personagem de outra obra, ou a algum acontecimento marcante que aparece em algum livro. Bricolagem - Uma montagem feita de vários textos para produzir outro. Pastiche - Imitar o estilo de outro autor. Num sentido mais antigo, o pastiche era considerado uma imitação de baixa qualidade, subalterna, que um escritor “menor” fazia de um texto de um escritor “maior”. Numa concepção contemporânea, a ideia de pastiche não envolve juízo de valor.
  • 28.
    É P aródia eParáfrase importante lembrar que as formas de intertextualidade comentadas acima não devem ser confundidas com paráfrase e paródia , que pertencem a outra categoria. Assim, podemos ter uma citação parafrásica ou parodística, ou uma alusão idem, e assim por diante.
  • 29.
    Paródia A paródia éa criação de um texto a partir de um bastante conhecido, ou seja, com base em um texto consagrado alguém utiliza sua forma e rima para criar um novo texto cômico, irônico, humorístico, zombeteiro ou contestador, dando um novo sentido ao texto. Parte da intertextualidade, a paródia é um intertexto, ou seja, é um texto resultante de um texto origem que pode ser escrito ou oral. Essa intertextualidade também pode ocorrer em pinturas, no jornalismo e nas publicidades.
  • 30.
    Canto de regressoà pátria Minha terra tem palmares Onde gorjeia o mar Os passarinhos daqui Não cantam como os de lá Minha terra tem mais rosas E quase que mais amores Minha terra tem mais ouro Minha terra tem mais terra Ouro terra amor e rosas Eu quero tudo de lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá Não permita Deus que eu morra Sem que volte pra São Paulo Sem que veja a Rua 15 E o progresso de São Paulo [Oswald de Andrade]
  • 31.
    Na Paráfrase paráfrase as palavrassão mudadas, porém a ideia do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre para atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do texto citado. É dizer com outras palavras o que já foi dito. Temos um exemplo citado por Affonso Romano Sant’Anna em seu livro “Paródia, paráfrase & Cia” (p. 23):
  • 32.
    Paráfrase Paráfrase Meus olhos brasileirosse fecham saudosos Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’. Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? Eu tão esquecido de minha terra… Ai terra que tem palmeiras Onde canta o sabiá! (Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”).
  • 33.
    Este texto deGonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é muito utilizado como exemplo de paráfrase e de paródia, aqui o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o texto primitivo conservando suas ideias, não há mudança do sentido principal do texto que é a saudade da terra natal.
  • 34.
    Gêneros Literários • Épico:é a narrativa com temática histórica; são os feitos heróicos de um determinado povo. O narrador conta os fatos passados, apenas observando e relatando os feitos objetivamente, sem interferência, o que faz a narrativa ser objetiva. • Dramático: é o gênero ligado diretamente à representação de um acontecimento por atores. • Lírico: gênero essencialmente poético, que expõe a subjetividade do autor e diz ao leitor do estado emocional do “eu-lírico”.
  • 35.