CAPÍTULO 6 CAPITAL SOCIAL E DESEMPENHO INSTITUCIONAL
DILEMAS DA AÇÃO COLETIVA Parábola do filósofo David Hume;
“ Como indivíduos perfeitamente racionais podem produzir, sob certas circunstâncias, resultados que não são ‘racionais’ do ponto  de vista de todos os que estão envolvidos”. (p.174) Principal dilema da ação coletiva: Incerteza de punição para quem desertar. Hobbes: Coerção de um terceiro, “Leviatã”. North: Coerção imparcial de um terceiro; Avaliar os atributos do contrato; Fazer o infrator cumprir o contrato; Infrator deve indenizar a parte lesada, de forma que lhe resultasse oneroso violar o contrato.
“ Num mundo onde existem dilemas do prisioneiro, as comunidades cooperativas permitirão aos indivíduos racionais  superam dilemas coletivos”. (p.176)
CAPITAL SOCIAL, CONFIANÇA E ASSOCIAÇÕES DE CRÉDITO ROTATIVO Regras de reciprocidade   Confiança  CAPITAL SOCIAL Sistemas de participação cívica
“ Capital social facilita a cooperação espontânea”. (p.177) Associação de crédito rotativo
“ A cadeia de relações sociais permite transmitir e disseminar confiança: confio em você porque confio nela, e ela me garante que  confia em você”.  (p.178)
REGRAS DE RECIPROCIDADE E  SISTEMAS DE PARTICIPAÇÃO CÍVICA Regras de reciprocidade: “ fortalecem a confiança social, vingam porque reduzem os custos de transação e facilitam a cooperação”. (p.181) Reciprocidade “balanceada”:  permuta simultânea de itens de igual valor.  Reciprocidade “generalizada”:  supõe expectativas mútuas de que um favor concedido hoje venha a ser retribuído no futuro. “ A regra da reciprocidade generalizada é um componente altamente produtivo do capital social.” (p.182)
Sistemas de participação cívica “ Os sistemas de participação cívica são uma forma essencial de capital social: quanto mais desenvolvidos forem esses sistemas numa comunidade, maior será a probabilidade de que seus cidadãos sejam capazes de cooperação em benefício mútuo”. (p.183)
Sistemas de participação cívica e  efeitos secundários: Aumentam os custos potenciais para o transgressor em qualquer transação individual; Promovem sólidas regras de reciprocidade; Facilitam a comunicação e melhoram o fluxo de informações sobre a confiabilidade dos indivíduos; Criam um modelo culturalmente definido para colaborações futuras;
HISTÓRIA E DESEMPENHO INSTITUCIONAL: DOIS EQUILÍBRIOS SOCIAIS Os dilemas das ações coletivas são obstáculos para as tentativas de cooperar em benefícios mútuo. “ A coerção de um terceiro é uma solução inadequada para esse problema”. (p.186) “ A cooperação voluntária depende do capital social”. (p.186) “ As regras de reciprocidade generalizada e os sistemas de participação cívica estimulam a cooperação e a confiança social (...)”. (p.186) “ Os estoques de capital social, como confiança, normas e sistemas de participação, tendem a ser cumulativos e a reforçar-se mutuamente”. (p.186)
EQUILÍBRIOS SOCIAIS Círculo Virtuoso: Redundam  em equilíbrios  sociais com elevados níveis de: cooperação; confiança; reciprocidade; civismo; bem-estar coletivo.
Círculo Vicioso: Redundam em equilíbrios sociais com elevados níveis de : deserção;  - desconfiança;   - omissão;   - exploração;    - isolamento;   - desordem e estagnação.
Análise de Sugden: Segundo Sugdem, tanto a reciprocidade/confiança quanto a dependência/exploração podem manter unida a sociedade, mas com diferentes níveis de eficiência e desempenho institucional. No entanto, é a história quem determina qual desses dois equilíbrios estáveis irá caracterizar uma dada sociedade. “ Subordinação  à trajetória”:  “o lugar a que se pode chegar depende do lugar de onde se veio, e simplesmente é impossível chegar a certos lugares a partir de onde se está”.
Douglass North: “ Experiências pós-coloniais  das Américas do Norte e Sul e  respectivos legados coloniais ” Mesmos recursos e oportunidades, porém resultados diferentes: Estados Unidos: Beneficiados pelas tradições inglesas: descentralização e parlamentarismo. Tradições de civismo. Repúblicas latino-americanas: Autoritarismo centralizado, o familismo e o clientelismo herdados da Espanha medieval. Tradição de dependência vertical e exploração.
LIÇÕES DA EXPERIÊNCIA REGIONAL ITALIANA Itália:  As regiões Norte e Sul adotaram métodos divergentes para lidar com os dilemas da ação coletiva. Norte: Regras de reciprocidade; Sistemas de participação cívica; Vínculos cívicos horizontais. Sul: Dependência vertical; Desconfiança mútua; Exploração; Isolamento...
Lições importantes da pesquisa de Putnam: “ Contexto social e a história condicionam profundamente o desempenho das instituições” (p.191) Demanda: “(...) os cidadãos das comunidades cívicas querem um bom governo e conseguem tê-los”. (...) “os cidadãos das regiões menos cívicas costumam assumir o papel de suplicantes cínicos e alienados”. (p.191) Oferta: “(...) o desempenho do governo representativo é favorecido pela infra-estrutura social das comunidades cívicas e pelos valores democráticos tanto das autoridades quanto dos cidadãos”. (p.192)
“ Mudando-se as instituições formais pode-se mudar a prática política”. (p.193) Nas Regiões Norte e Sul: As  novas instituições nutriram  entre as elites  uma cultura mais moderada, pragmática e tolerante . A  reforma modificou  as antigas  estruturas de poder  e  produziu uma autêntica autonomia subnacional . A própria  reforma gerou pressões , dentro e fora do governo, no sentindo de  maior descentralização . Os  governos regionais  foram considerados  melhores  do que as  instituições que eles substituíram .
“ A história institucional costuma evoluir lentamente”. (p.193) o tempo é medido em décadas; “ A história evolui talvez mais lentamente quando se trata de instituir regras de reciprocidade e sistemas de participação cívica, muito embora faltem-nos parâmetros para afirmá-lo com certeza”. (p.193)
“ Criar capital social não será fácil, mas é fundamental para fazer a democracia funcionar”.  (PUTNAM: 2006, p.193)

Slides do capítulo 6 da obra "Comunidade e Democracia" de Putnam.

  • 1.
    CAPÍTULO 6 CAPITALSOCIAL E DESEMPENHO INSTITUCIONAL
  • 2.
    DILEMAS DA AÇÃOCOLETIVA Parábola do filósofo David Hume;
  • 3.
    “ Como indivíduosperfeitamente racionais podem produzir, sob certas circunstâncias, resultados que não são ‘racionais’ do ponto de vista de todos os que estão envolvidos”. (p.174) Principal dilema da ação coletiva: Incerteza de punição para quem desertar. Hobbes: Coerção de um terceiro, “Leviatã”. North: Coerção imparcial de um terceiro; Avaliar os atributos do contrato; Fazer o infrator cumprir o contrato; Infrator deve indenizar a parte lesada, de forma que lhe resultasse oneroso violar o contrato.
  • 4.
    “ Num mundoonde existem dilemas do prisioneiro, as comunidades cooperativas permitirão aos indivíduos racionais superam dilemas coletivos”. (p.176)
  • 5.
    CAPITAL SOCIAL, CONFIANÇAE ASSOCIAÇÕES DE CRÉDITO ROTATIVO Regras de reciprocidade Confiança CAPITAL SOCIAL Sistemas de participação cívica
  • 6.
    “ Capital socialfacilita a cooperação espontânea”. (p.177) Associação de crédito rotativo
  • 7.
    “ A cadeiade relações sociais permite transmitir e disseminar confiança: confio em você porque confio nela, e ela me garante que confia em você”. (p.178)
  • 8.
    REGRAS DE RECIPROCIDADEE SISTEMAS DE PARTICIPAÇÃO CÍVICA Regras de reciprocidade: “ fortalecem a confiança social, vingam porque reduzem os custos de transação e facilitam a cooperação”. (p.181) Reciprocidade “balanceada”: permuta simultânea de itens de igual valor. Reciprocidade “generalizada”: supõe expectativas mútuas de que um favor concedido hoje venha a ser retribuído no futuro. “ A regra da reciprocidade generalizada é um componente altamente produtivo do capital social.” (p.182)
  • 9.
    Sistemas de participaçãocívica “ Os sistemas de participação cívica são uma forma essencial de capital social: quanto mais desenvolvidos forem esses sistemas numa comunidade, maior será a probabilidade de que seus cidadãos sejam capazes de cooperação em benefício mútuo”. (p.183)
  • 10.
    Sistemas de participaçãocívica e efeitos secundários: Aumentam os custos potenciais para o transgressor em qualquer transação individual; Promovem sólidas regras de reciprocidade; Facilitam a comunicação e melhoram o fluxo de informações sobre a confiabilidade dos indivíduos; Criam um modelo culturalmente definido para colaborações futuras;
  • 11.
    HISTÓRIA E DESEMPENHOINSTITUCIONAL: DOIS EQUILÍBRIOS SOCIAIS Os dilemas das ações coletivas são obstáculos para as tentativas de cooperar em benefícios mútuo. “ A coerção de um terceiro é uma solução inadequada para esse problema”. (p.186) “ A cooperação voluntária depende do capital social”. (p.186) “ As regras de reciprocidade generalizada e os sistemas de participação cívica estimulam a cooperação e a confiança social (...)”. (p.186) “ Os estoques de capital social, como confiança, normas e sistemas de participação, tendem a ser cumulativos e a reforçar-se mutuamente”. (p.186)
  • 12.
    EQUILÍBRIOS SOCIAIS CírculoVirtuoso: Redundam em equilíbrios sociais com elevados níveis de: cooperação; confiança; reciprocidade; civismo; bem-estar coletivo.
  • 13.
    Círculo Vicioso: Redundamem equilíbrios sociais com elevados níveis de : deserção; - desconfiança; - omissão; - exploração; - isolamento; - desordem e estagnação.
  • 14.
    Análise de Sugden:Segundo Sugdem, tanto a reciprocidade/confiança quanto a dependência/exploração podem manter unida a sociedade, mas com diferentes níveis de eficiência e desempenho institucional. No entanto, é a história quem determina qual desses dois equilíbrios estáveis irá caracterizar uma dada sociedade. “ Subordinação à trajetória”: “o lugar a que se pode chegar depende do lugar de onde se veio, e simplesmente é impossível chegar a certos lugares a partir de onde se está”.
  • 15.
    Douglass North: “Experiências pós-coloniais das Américas do Norte e Sul e respectivos legados coloniais ” Mesmos recursos e oportunidades, porém resultados diferentes: Estados Unidos: Beneficiados pelas tradições inglesas: descentralização e parlamentarismo. Tradições de civismo. Repúblicas latino-americanas: Autoritarismo centralizado, o familismo e o clientelismo herdados da Espanha medieval. Tradição de dependência vertical e exploração.
  • 16.
    LIÇÕES DA EXPERIÊNCIAREGIONAL ITALIANA Itália: As regiões Norte e Sul adotaram métodos divergentes para lidar com os dilemas da ação coletiva. Norte: Regras de reciprocidade; Sistemas de participação cívica; Vínculos cívicos horizontais. Sul: Dependência vertical; Desconfiança mútua; Exploração; Isolamento...
  • 17.
    Lições importantes dapesquisa de Putnam: “ Contexto social e a história condicionam profundamente o desempenho das instituições” (p.191) Demanda: “(...) os cidadãos das comunidades cívicas querem um bom governo e conseguem tê-los”. (...) “os cidadãos das regiões menos cívicas costumam assumir o papel de suplicantes cínicos e alienados”. (p.191) Oferta: “(...) o desempenho do governo representativo é favorecido pela infra-estrutura social das comunidades cívicas e pelos valores democráticos tanto das autoridades quanto dos cidadãos”. (p.192)
  • 18.
    “ Mudando-se asinstituições formais pode-se mudar a prática política”. (p.193) Nas Regiões Norte e Sul: As novas instituições nutriram entre as elites uma cultura mais moderada, pragmática e tolerante . A reforma modificou as antigas estruturas de poder e produziu uma autêntica autonomia subnacional . A própria reforma gerou pressões , dentro e fora do governo, no sentindo de maior descentralização . Os governos regionais foram considerados melhores do que as instituições que eles substituíram .
  • 19.
    “ A históriainstitucional costuma evoluir lentamente”. (p.193) o tempo é medido em décadas; “ A história evolui talvez mais lentamente quando se trata de instituir regras de reciprocidade e sistemas de participação cívica, muito embora faltem-nos parâmetros para afirmá-lo com certeza”. (p.193)
  • 20.
    “ Criar capitalsocial não será fácil, mas é fundamental para fazer a democracia funcionar”. (PUTNAM: 2006, p.193)

Notas do Editor

  • #4 A solução para o problema segundo Hobbes e North, mas Putnam afirma que, “A coerção de um terceiro é uma solução inadequada para esse problema. (p. 186)
  • #5 “ Soluções conciliadoras”, segundo Robert Bates: Comunidade; Confiança.
  • #9 As comunidade em que essa regra é obedecida têm melhores condições de coibir o oportunismo e solucionar os problemas da ação coletiva. (p.182)
  • #14 Justamente pela falta de confiança, é de se esperar que predomine a solução hierárquica hobbesiana para os dilemas da ação coletiva – coerção exploração e dependência. Essa situação opressiva é nitidamente inferior a uma solução cooperativa, pois condena a sociedade a uma atraso que só tende a perpetua-se. (p.187)
  • #15 p.188 a história nem sempre é eficiente, no sentido de suprimir práticas sociais que impeçam o progresso e incentivem a irracionalidade coletiva. Tal inércia tampouco pode ser de algum modo atribuída à irracionalidade individual. Ao contrário, por reagirem racionalmente ao contexto social que lhes foi legado pela história, os indivíduos acabam reforçando as patologias sociais. Segundo teoricos da historia econômica:
  • #16 Não que as preferências ou predileções de norte-americanos e latino-americanos fossem diferentes; o fato é que contextos sociais historicamente determinados propiciaram-lhes diferentes oportunidades e motivação.
  • #18 1º Frase: Quando o solo regional é fértil, as regiões sustentam-se das tradições regionais, mas quando o solo é fértil, as regiões sustentam-se das tradições regionais, mas quando o solo é ruim, as novas instituições definham.