O documento discute a natureza e objetivo da revelação divina, como Deus se revela a si mesmo e revela o mistério de sua vontade. Também aborda a inspiração divina da Bíblia e a transmissão da revelação por meio dos apóstolos e seus sucessores.
PARÓQUIA SANTA TERESINHADO MENINO JESUS
SEMANA DE FORMAÇÃO: SOB A LUZ DA VERDADE
GRUPO DE ORAÇÃO TURÍBULO DO SENHOR
2.
O Valor daSanta Missa
- Celebrar o mistério da Paixão, Morte e
Ressurreição de Cristo.
- A Partir: Comunidade que se reúne;
Palavra de Deus ouvida, refletida e
atualizada.
- Poder de perdoar pecados;
- Experiência de fé: sobretudo pelo Corpo de
Cristo;
- Ide em Paz e o Senhor vos acompanhe;
- O retorno semanal, principalmente no Domingo.
CONCÍLIO VATICANO II
ConstituiçãoDogmática Dei Verbum
Sobre a Revelação de Deus
Intenção do Concílio
O sagrado Concilio, ouvindo religiosamente a Palavra
de Deus proclamando-a com confiança, faz suas as
palavras de S. João: «anunciamo-vos a vida eterna,
que estava junto do Pai e que nos apareceu:
anunciamo-vos o que vimos e ouvimos, para que
também vós vivais em comunhão conosco, e a nossa
comunhão seja com o Pai e com o seu Filho Jesus
Cristo" (1 Jo. 1, 2-3). O Concílio propõe a genuína
doutrina sobre a Revelação divina e a sua
transmissão, para que o mundo inteiro, ouvindo,
acredite na mensagem da salvação, acreditando
espere, e esperando ame.
5.
A REVELAÇÃO EMSI MESMA
Natureza e objeto da revelação
Aprouve a Deus na sua bondade e sabedoria,
revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o
mistério da sua vontade (cf. Ef. 1,9), segundo o
qual os homens, por meio de Cristo, Verbo
encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e
se tornam participantes da natureza divina (cf.
Ef. 2,18; 2 Pd. 1,4). Em virtude desta revelação,
Deus invisível (cf. Col. 1,15; 1 Tm. 1,17), na
riqueza do seu amor fala aos homens como
amigos (cf. Ex. 33, 11; Jo. 15,1415) e convive
com eles (cf. Bar. 3,38), para os convidar e
admitir à comunhão com Ele.
6.
Aceitação da revelação pela fé
A Deus que revela é devida a «obediência da fé»
(Rm. 16,26; cf. Rm. 1,5; 2 Cor. 10, 5-6); pela fé, o
homem entrega-se total e livremente a Deus
oferecendo «a Deus revelador o obséquio pleno da
inteligência e da vontade» e prestando voluntário
assentimento à Sua revelação. Para prestar esta
adesão da fé, são necessários a prévia e
concomitante ajuda da graça divina e os interiores
auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte
a Deus o coração, abre os olhos do entendimento,
e dá «a todos a suavidade em aceitar e crer na
verdade». Para que a compreensão da revelação
seja sempre mais profunda, o mesmo Espírito
Santo aperfeiçoa sem cessar a fé mediante os seus
dons.
7.
A TRANSMISSÃO DAREVELAÇÃO DIVINA
Os apóstolos e seus sucessores, transmissores
do Evangelho
Deus dispôs amorosamente que permanecesse
integro e fosse transmitido a todas as gerações
tudo quanto tinha revelado para salvação de
todos os povos. Por isso, Cristo Senhor, em
quem toda a revelação do Deus altíssimo se
consuma (cf. 2 Cor. 1,20; 3,16-4,6), mandou aos
Apóstolos que pregassem a todos, como fonte
de toda a verdade salutar e de toda a disciplina
de costumes, o Evangelho prometido antes pelos
profetas e por Ele cumprido e promulgado
pessoalmente, comunicando-lhes assim os dons
divinos.
8.
Natureza da inspiração e verdade da Sagrada
Escritura
As coisas reveladas por Deus, contidas e
manifestadas na Sagrada Escritura, foram
escritas por inspiração do Espírito Santo. Com
efeito, a Santa Mãe Igreja, segundo a fé
apostólica, considera como santos e canônicos
os livros inteiros do Antigo e do Novo
Testamento com todas as suas partes, porque,
escritos por inspiração do Espírito Santo (cf. Jo.
20,31; 2 Tm. 3,16; 2 Pd. 1, 19-21; 3, 15-16),
têm Deus por autor, e como tais foram
confiados à própria Igreja.
9.
Todavia, paraescrever os
livros sagrados, Deus
escolheu e serviu-se de
homens na posse das suas
faculdades e capacidades,
para que, agindo Ele neles e
por eles, pusessem por
escrito, como verdadeiros
autores, tudo aquilo e só
aquilo que Ele queria.
10.
O ANTIGO TESTAMENTO
A história da salvação consignada nos livros do
Antigo Testamento
A «economia» da salvação de antemão
anunciada, narrada e explicada pelos autores
sagrados, encontra-se nos livros do Antigo
Testamento como verdadeira palavra de Deus.
Por isso, estes livros divinamente inspirados
conservam um valor perene: «Tudo quanto está
escrito, para nossa instrução está escrito, para
que, por meio da paciência e consolação que
nos vem da Escritura, tenhamos esperança» (Rm.
15,4).
11.
Importância
do Antigo
Testamento para os cristãos
A «economia» do Antigo
Testamento destinava-se
sobretudo a preparar, a anunciar
proféticamente (cfr. Lc. 24,44;
Jo. 5,39; 1 Ped. 1,10) e a
simbolizar com várias figuras
(cfr. 1 Cor. 10,11) o advento de
Cristo, redentor universal, e o do
reino messiânico.
12.
Unidade de ambos ao Testamentos
Foi por isso que Deus, inspirador e autor dos
livros dos dois Testamentos, dispôs tão
sabiamente as coisas, que o Novo Testamento
está latente no Antigo, e o Antigo está patente
no Novo. Pois, apesar de Cristo ter alicerçado a
nova Aliança no seu sangue (cfr. Lc. 22,20; 1
Cor. 11,25), os livros do Antigo Testamento, ao
serem integralmente assumidos na pregação
evangélica adquirem e manifestam a sua plena
significação no Novo Testamento (cf. Mt. 5,17;
Lc. 24,27; Rom. 16, 25-26; 2 Cor. 3, 1416), que
por sua vez iluminam e explicam.
Roma, 18 de Novembro de 1965
Constituição Dogmática LumemGentium
Sobre a Igreja
O MISTÉRIO DA IGREJA
A luz dos povos é Cristo: por isso, este sagrado
Concílio, reunido no Espírito Santo, deseja
ardentemente iluminar com a Sua luz, que
resplandece no rosto da Igreja, todos os
homens, anunciando o Evangelho a toda a
criatura (cf. Mc. 16,15). A Igreja, em Cristo, é
como que o sacramento, ou sinal, e o
instrumento da íntima união com Deus e da
unidade de todo o gênero humano
15.
A vontade salvífica do Pai
O Eterno Pai, pelo libérrimo e insondável
desígnio da Sua sabedoria e bondade, criou o
universo, decidiu elevar os homens à
participação da vida divina e não os abandonou,
uma vez caídos em Adão, antes, em atenção a
Cristo Redentor «que é a imagem de Deus
invisível, primogênito de toda a criação» (Col.
1,15) sempre lhes concedeu os auxílios para se
salvarem. Aos eleitos, o Pai, antes de todos os
séculos os «discerniu e predestinou para
reproduzirem a imagem de Seu Filho (Rm. 8,29).
E, aos que crêem em Cristo, decidiu chamá-los à
santa Igreja
16.
Missão e obra do Filho: fundação da
Igreja
Veio pois o Filho, enviado pelo Pai, que
n'Ele nos elegeu antes de criar o
mundo, e nos predestinou para sermos
seus filhos de adoção, porque lhe
aprouve reunir n'Ele todas as coisas (cf.
Ef. 1, 4-5. 10). Por isso, Cristo, a fim de
cumprir a vontade do Pai, deu começo
na terra ao Reino dos Céus e revelou-
nos o seu mistério, realizando, com a
própria obediência, a redenção.
17.
A Igreja, ouseja, o Reino de Cristo
já presente em mistério, cresce
visivelmente no mundo pelo poder
de Deus. Tal começo e crescimento
exprimem-nos o sangue e a água
que manaram do lado aberto de
Jesus crucificado (cf. Jo. 19,34), e
preanunciam-nos as palavras do
Senhor acerca da Sua morte na cruz:
«Quando Eu for elevado acima da
terra, atrairei todos a mim» (Jo.
12,32).
18.
O Espírito santificador e vivificador da Igreja
Consumada a obra que o Pai confiou ao Filho
para Ele cumprir na terra (cf. Jo. 17,4), foi
enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes,
para que santificasse continuamente a Igreja e
deste modo os fiéis tivessem acesso ao Pai, por
Cristo, num só Espírito (cf. Ef. 2,18). Ele é o
Espírito de vida, ou a fonte de água que jorra
para a vida eterna (cfr. Jo. 4,14; 7, 38-39); por
quem o Pai vivifica os homens mortos pelo
pecado.
19.
A Igreja, Corpo místico de Cristo
O filho de Deus, vencendo, na natureza
humana a Si unida, a morte, com a Sua
morte e ressurreição, remiu o homem e
transformou-o em nova criatura (cf. Gl.
6,15; 2 Cor. 5,17). Pois, comunicando o
Seu Espírito, fez misteriosamente de
todos os Seus irmãos, chamados de
entre todos os povos, como que o Seu
Corpo. A cabeça deste corpo é Cristo.
Ele é a cabeça do corpo que a é Igreja.
20.
Carácter missionário da Igreja
Assim como o Filho foi enviado pelo
Pai, assim também Ele enviou os
Apóstolos (cf. Jo. 20,21) dizendo:
«ide, pois, ensinai todas as gentes,
batizai-as em nome do Pai e do
Filho e do Espírito Santo, ensinai-as
a observar tudo aquilo que vos
mandei. Eis que estou convosco
todos os dias até à consumação dos
séculos» (Mt. 28, 19-20).
21.
A Igreja recebeudos Apóstolos este
mandato solene de Cristo, de
anunciar a verdade da salvação e de
a levar até aos confins da terra (cf.
At. 1,8). Faz, portanto, suas as
palavras do Apóstolo: «ai de mim,
se não prego o Evangelho» (1 Cor.
9,16), e por isso continua a mandar
incessantemente os seus arautos,
até que as novas igrejas se formem
plenamente e prossigam, por sua
vez, a obra da evangelização.
22.
Jesus, mestre e modelo
Jesus, mestre e modelo divino de toda a
perfeição, pregou a santidade de vida, de que
Ele é autor e consumador, a todos e a cada um
dos seus discípulos, de qualquer condição:
«sede perfeitos como vosso Pai celeste é
perfeito» (Mt. 5,48) (121). A todos enviou o
Espírito Santo, que os move interiormente a
amarem a Deus com todo o coração, com toda
a alma, com todo o espírito e com todas as
forças (cf. Mc. 12,30) e a amarem-se uns aos
outros como Cristo os amou (cf. Jo. 13,34;
15,12).
23.
Os seguidores deCristo,
chamados por Deus e
justificados no Senhor Jesus,
não por merecimento próprio
mas pela vontade e graça de
Deus, são feitos, pelo Batismo
da fé, verdadeiramente filhos
e participantes da natureza
divina e, por conseguinte,
realmente santos.
24.
União da Igreja celeste com a Igreja peregrina
Enquanto o Senhor não vier na Sua majestade e
todos os Seus anjos com Ele (cf. Mt. 25,31) e,
vencida a morte, tudo Lhe for submetido (cfr. 1
Cor. 15, 26-27), dos Seus discípulos uns
peregrinam sobre a terra, outros, passada esta
vida, são purificados, outros, finalmente, são
glorificados e contemplam «claramente Deus
trino e uno, como Ele é»(146); todos, porém,
comungamos, embora em modo e grau diversos,
no mesmo amor de Deus e do próximo, e todos
entoamos ao nosso Deus o mesmo hino de
louvor. Com efeito, todos os que são de Cristo e
têm o Seu Espírito, estão unidos numa só Igreja
e ligados uns aos outros n'Ele (cf. Ef. 4,16).
25.
A BEM-AVENTURADA VIRGEMMARIA MÃE DE DEUS
NO MISTÉRIO DE CRISTO E DA IGREJA
A Virgem e a Igreja
Efetivamente, a Virgem Maria, que na anunciação do
Anjo recebeu o Verbo no coração e no seio, e deu ao
mundo a Vida, é reconhecida e honrada como
verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida dum
modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu
Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e
indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e
dignidade de Mãe de Deus Filho; é, por isso, filha
predileta do Pai e templo do Espírito Santo, e, por
este insigne dom da graça, leva vantagem à todas as
demais criaturas do céu e da terra.
Roma, 21 de Novembro de 1964.
Constituição Pastoral Gaudiumet Spes
Sobre a Igreja no Mundo Atual
A quem se dirige o Concílio: todos os homens
Por isso, o Concílio Vaticano II, tendo
investigado mais profundamente o mistério da
Igreja, não hesita agora em dirigir a sua palavra,
não já apenas aos filhos da Igreja e a quantos
invocam o nome de Cristo, mas a todos os
homens. Deseja expor-lhes o seu modo de
conceber a presença e atividade da Igreja no
mundo de hoje.
28.
Tem, portanto, diantedos olhos o mundo dos
homens, ou seja a inteira família humana, com
todas as realidades no meio das quais vive; esse
mundo que é teatro da história da humanidade,
marcado pelo seu engenho, pelas suas derrotas
e vitórias; mundo, que os cristãos acreditam ser
criado e conservado pelo amor do Criador; caído,
sem dúvida, sob a escravidão do pecado, mas
libertado pela cruz e ressurreição de Cristo,
vencedor do poder do maligno; mundo,
finalmente, destinado, segundo o desígnio de
Deus, a ser transformado e alcançar a própria
realização
29.
Evolução e domínio da técnica e da ciência
A atual perturbação dos espíritos e a mudança
das condições de vida, estão ligadas a uma
transformação mais ampla, a qual tende a dar o
predomínio, na formação do espírito, às ciências
matemáticas e naturais, e, no plano da ação, às
técnicas, fruto dessas ciências. Esta mentalidade
científica modela a cultura e os modos de pensar
duma maneira diferente do que no passado. A
técnica progrediu tanto que transforma a face da
terra e tenta já dominar o espaço.
30.
O próprio movimento da história torna-se tão
rápido, que os indivíduos dificilmente o podem
seguir. O destino da comunidade humana torna-
se um só, e não já dividido entre histórias
independentes. A humanidade passa, assim,
duma concepção predominantemente estática da
ordem das coisas para um outra,
preferentemente dinâmica e evolutiva; daqui
nasce uma nova e imensa problemática, a qual
está a exigir novas análises e novas sínteses.
31.
Mudanças na ordem social
Pelo mesmo fato, verificam-se cada dia maiores
transformações nas comunidades locais
tradicionais, como são famílias patriarcais, as
clãs, as tribos, aldeias e outros diferentes
grupos, e nas relações da convivência social.
Difunde-se progressivamente a sociedade de
tipo industrial, levando algumas nações à
opulência econômica e transformando
radicalmente as concepções e as condições de
vida social vigentes desde há séculos. Novos e
mais perfeitos meios de comunicação social
permitem o conhecimento dos acontecimentos e
a rápida e vasta difusão dos modos de pensar e
de sentir; o que, por sua vez, dá origem a
numerosas repercussões.
32.
Transformações psicológicas, morais e religiosas
A transformação de mentalidade e de estruturas
põe muitas vezes em questão os valores
admitidos, sobretudo no caso dos jovens.
Tornam-se frequentemente impacientes e
mesmo, com a inquietação, rebeldes;
conscientes da própria importância na vida
social, aspiram a participar nela o mais depressa
possível. Por este motivo, os pais e educadores
encontram não raro crescentes dificuldades no
desempenho da sua missão.
33.
As novas circunstâncias afectam a própria vida
religiosa. Por um lado, um sentido crítico mais
apurado purifica-a duma concepção mágica do
mundo e de certas sobrevivências supersticiosas,
e exige cada dia mais a adesão a uma fé pessoal
e operante; desta maneira, muitos chegam a um
mais vivo sentido de Deus. Mas, por outro lado,
grandes massas afastam-se praticamente da
religião. Ao contrário do que sucedia em tempos
passados, negar Deus ou a religião, ou
prescindir deles já não é um fato individual e
insólito: hoje, com efeito, isso é muitas vezes
apresentado como exigência do progresso
científico ou dum novo tipo de humanismo.
34.
Desequilíbrios familiares e sociais
No seio da família, originam-se tensões, quer
devido à pressão das condições demográficas,
econômicas e sociais, quer pelas dificuldades
que surgem entre as diferentes gerações, quer
pelo novo tipo de relações sociais entre homens
e mulheres. Grandes discrepâncias surgem entre
as raças e os diversos grupos sociais; entre as
nações ricas, as menos prósperas e as pobres.
Daqui nascem desconfianças e inimizades
mútuas, conflitos e desgraças, das quais o
homem é simultâneamente causa e vítima.
35.
Jesus Cristo, resposta e solução da problemática
humana
Na verdade, os desequilíbrios de que sofre o
mundo atual estão ligados com aquele
desequilíbrio fundamental que se radica no
coração do homem. Porque no íntimo do próprio
homem muitos elementos se combatem.
Enquanto, por uma parte, ele se experimenta,
como criatura que é, múltiplamente limitado, por
outra sente-se ilimitado nos seus desejos, e
chamado a uma vida superior. Atraído por
muitas solicitações, vê-se obrigado a escolher
entre elas e a renunciar a algumas.
36.
Mais ainda, fracoe pecador, faz muitas vezes
aquilo que não quer e não realiza o que desejaria
fazer. Sofre assim em si mesmo a divisão, da
qual tantas e tão grandes discórdias se originam
para a sociedade. Muitos, sem dúvida, que levam
uma vida impregnada de materialismo prático,
não podem ter uma clara percepção desta
situação dramática; ou, oprimidos pela miséria,
não lhe podem prestar atenção. Outros pensam
encontrar a paz nas diversas interpretações da
realidade que lhes são propostas. Alguns só do
esforço humano esperam a verdadeira e plena
libertação do género humano.
37.
AIgreja, por suaparte, acredita
que Jesus Cristo, morto e
ressuscitado por todos, oferece aos
homens pelo seu Espírito a luz e a
força para poderem corresponder à
sua altíssima vocação; nem foi
dado aos homens sob o céu outro
nome, no qual devam ser salvos.
Acredita também que a chave, o
centro e o fim de toda a história
humana se encontram no seu
Senhor e mestre.
38.
A DIGNIDADE DAPESSOA HUMANA
O homem criado à imagem de Deus
A Sagrada Escritura ensina que o homem foi
criado «à imagem de Deus», capaz de conhecer e
amar o seu Criador, e por este constituído
senhor de todas as criaturas terrenas, para as
dominar e delas se servir, dando glória a Deus.
«Que é, pois, o homem, para que dele te
lembres? ou o filho do homem, para que te
preocupes com ele? Fizeste dele pouco menos
que um anjo, coroando-o de glória e de
esplendor. Estabeleceste-o sobre a obra de tuas
mãos, tudo puseste sob os seus pés» (Sl 8, 5-7).
39.
Deus, porém, nãocriou o homem
sozinho: desde o princípio criou-os
«varão e mulher (Gn. 1,27); e a sua
união constitui a primeira forma de
comunhão entre pessoas. Pois o
homem, por sua própria natureza, é um
ser social, que não pode viver nem
desenvolver as suas qualidades sem
entrar em relação com os outros. Como
também lemos na Sagrada Escritura,
Deus viu «todas as coisas que fizera, e
eram excelentes» (Gn. 1,31).
40.
O pecado e suas consequências
Estabelecido por Deus num estado de santidade, o
homem, seduzido pelo maligno, logo no começo da
sua história abusou da própria liberdade,
levantando-se contra Deus e desejando alcançar o
seu fim fora d'Ele. Tendo conhecido a Deus, não lhe
prestou a glória a Ele devida, mas o seu coração
insensato obscureceu-se e ele serviu à criatura,
preferindo-a ao Criador. Quando o homem olha
para dentro do próprio coração, descobre-se
inclinado também para o mal, e imerso em muitos
males, que não podem provir de seu Criador, que é
bom. A sublime vocação e a profunda miséria que
os homens em si mesmos experimentam,
encontram a sua explicação última à luz desta
revelação.
41.
Cristo, o homem novo
Na realidade, o mistério do homem só no
mistério do Verbo encarnado se esclarece
verdadeiramente. Adão, o primeiro homem, era
efetivamente figura do futuro, isto é, de Cristo
Senhor. Cristo, novo Adão, na própria revelação
do mistério do Pai e do seu amor, revela o
homem a si mesmo e descobre-lhe a sua
vocação sublime. Não é por isso de admirar que
as verdades acima ditas tenham n'Ele a sua fonte
e n'Ele atinjam a plenitude. «Imagem de Deus
invisível» (Col. 1,15) (21), Ele é o homem
perfeito.
Roma, 7 de Dezembro de 1965