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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
INSTITUTO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
SELEÇÃO DE FAMÍLIAS DE TOMATEIRO
PARA PROCESSAMENTO NOS SISTEMAS
PIVÔ CENTRAL E GOTEJAMENTO
JOSÉ ORESTES MEROLA DE CARVALHO
2002
JOSÉ ORESTES MEROLA DE CARVALHO
SELEÇÃO DE FAMÍLIAS DE TOMATEIRO PARA
PROCESSAMENTO NOS SISTEMAS PIVÔ CENTRAL E
GOTEJAMENTO
Dissertação apresentada à Universidade
Federal de Uberlândia como parte das
exigências para obtenção do título de
Mestre em Agronomia – área de con-
centração Fitotecnia.
Orientador
Prof. Dr. José Magno Queiroz Luz
Co-orientador
Prof. Dr. Fernando Cézar Juliatti
UBERLÂNDIA
MINAS GERAIS - BRASIL
2002
Ficha Catalográfica Preparada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca
da UFU
C331s Carvalho, José Orestes Merola de, 1970-.
Seleção de famílias de tomateiro para processamento nos
sistemas pivô central e gotejamento / José Orestes Merola de
Carvalho. - Uberlândia, 2002.
113 p. : il.
Orientador: José Magno Queiroz Luz.
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Uberlân-
dia, Programa de Pós-Graduação em Agronomia.
Inclui bibliografia.
1. Tomate - Melhoramento genético - Teses. 2. Tomate –
Processamento - Teses. 3. Tomate - Seleção – Teses. 4. Toma-
te – Irrigação -Teses. 5. Irrigação por pivô central - Teses. 6.
Irrigação por gotejamento - Teses. 7. Licopersicon esculentum
- Teses. I. Luz, José Magno Queiroz. II. Universidade Federal
de Uberlândia. Programa de Pós-Graduação em Agronomia.
III. Título.
CDU: 635.64:631.52(043.3)
“Aprendi a transformar o medo em respeito, o respeito
em confiança.
Descobri como é bom chegar quando se tem paciência.
E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é
preciso dominar a força, mas a razão.
É preciso, antes de tudo, querer.”
Amyr Klink
Aos meus avós
Giuseppe, Maria (in memoriam),
Heitor, Albertina (in memoriam) e Orestes (in memoriam)
DEDICO
Aos meus queridíssimos pais
Zacarias e Marli
AGRADEÇO
À Lais Mary,
minha esposa e companheira e
ao Alberto,
meu filhinho muito amado
OFEREÇO
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela oportunidade de evolução em que se concretiza esta existência.
Ao Prof. José Magno Queiroz Luz, pelas orientações sempre oportunas e sábias,
e sobretudo pela amizade e exemplo de vida.
Ao Prof. Fernando Cézar Juliatti, pela co-orientação e por sua dedicação à ciên-
cia, que tornaram possível a realização deste trabalho.
Ao pesquisador M. Sc. Leonardo C. Fonte, gerente de pesquisa agrícola da Uni-
lever Bestfoods – Patos de Minas/MG, por toda ajuda na condução dos experi-
mentos, sua boa vontade em ensinar e esclarecer minhas dúvidas e pelo apoio
logístico cedendo os funcionários da empresa, as áreas experimentais e os mate-
riais necessários para a realização de nosso trabalho.
Aos funcionários da estação experimental da Unilever Bestfoods, em Patos de
Minas - MG, em especial ao Sebastião Hernandez e ao Fernando, pela atenção
dada à condução dos trabalhos de campo.
Aos professores Leonardo Cunha Melo (UFU), Wilson Roberto Maluf (UFLA),
Débora (Escola Agrotécnica Federal de Uberlândia) e ao pesquisador Leonardo
Brito Giordano (EMBRAPA-CNPH), pelas valiosas sugestões quanto a forma
de utilização dos dados deste trabalho.
A todos os professores do Mestrado em Agronomia do ICIAG/UFU, em especial
àqueles com os quais mantive contato mais constante devido, principalmente, à
oportunidade de cursar suas disciplinas.
Ao professor Norberto da Silva (UNESP – Botucatu), a quem devo os primeiros
passos no caminho da ciência.
Aos colegas de curso: Guilhermina, Jadir, Karina, Jane, Suzana, Odorico, Zé
Antônio, Ronaldo, Eledir, Roselene, Zilda, Tininha, Komori, Inácio, Zé Eduar-
do, Heloísa, Lúcia, Maria Eugênia, Machain, Lenita, Marlos, Claudia, Michele e
os que não estão nesta lista, pelo companheirismo e pela amizade.
Aos funcionários do ICIAG e das Bibliotecas da UFU, pelos inúmeros favores e
pela convivência agradável.
Aos membros da banca examinadora, por deixarem seus afazeres para contribuir
com suas valiosas apreciações e sugestões acerca deste trabalho.
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal (CAPES/ME) pela concessão da
bolsa de estudos.
BIOGRAFIA
José Orestes Merola de Carvalho nasceu aos 17 de março de 1970, no
Município de São Carlos, Estado de São Paulo, sendo filho de Zacarias Antônio
de Carvalho e Leonilde Marli Merola de Carvalho.
Iniciou seus estudos em 1977, quando ingressou na 1ª série do 1º grau,
na Escola Estadual de 1º e 2º graus “Professor Astrogildo Silva”, no bairro do
Ipiranga, Município de São Paulo, Estado de São Paulo. Cursou todo o 1º grau
em escola pública, tendo concluído a 8ª série no ano de 1984, na Escola Estadual
de 1º Grau “Professor Felipe Cantúsio”, no Município de Campinas, Estado de
São Paulo.
Cursou o 2º grau entre os anos de 1985 e 1989, na Escola Estadual
“Prof. Aníbal de Freitas”, no Município de Campinas, Estado de São Paulo.
Após cursar o Extensivo do Cursinho Universitário – Campinas, ingres-
sou no curso de graduação em Agronomia da Universidade Estadual Paulista
“Professor Júlio de Mesquita Filho” no ano de 1995, tendo obtido o 2º lugar no
concurso vestibular. Foi bolsista de iniciação científica durante os cinco anos de
curso. Concluiu o curso no ano de 1999.
Em março de 2000, iniciou seus estudos de pós-graduação no curso de
Mestrado em Agronomia, área de concentração Fitotecnia, no Instituto de Ciên-
cias Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, no Município de Uberlândia,
Estado de Minas Gerais. Pelo seu desempenho acadêmico, foi contemplado com
uma bolsa de estudos da CAPES a partir de agosto de 2000 até a conclusão do
curso, em março de 2002.
SUMÁRIO
RESUMO i
ABSTRACT ii
1. INTRODUÇÃO 1
2. REVISÃO DE LITERATURA 4
2.1. Origem, composição e grupos de cultivares 4
2.2. Tomateiro tipo industrial no Brasil 8
2.3. Melhoramento do tomateiro industrial no Brasil 10
2.4. Sistema de irrigação no tomateiro 14
3. MATERIAL E MÉTODOS 19
3.1. Localização e características gerais da área experimental 19
3.2. Clima 19
3.3. Principais características do solo 19
3.4. Genótipos utilizados 20
3.5. Delineamento experimental 21
3.6. Condução dos ensaios 21
3.6.1. Preparo do solo e adubação 22
3.6.2. Semeadura, germinação e transplantio 23
3.6.3. Irrigação 23
3.6.4. Tratamentos fitossanitários 28
3.6.5. Colheita 31
3.7. Características avaliadas 31
3.7.1. Características agronômicas 31
3.7.2. Características industriais 35
3.8. Métodos de análise estatística 37
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 39
4.1. Características gerais dos ensaios 39
4.2. Características de planta e frutos analisadas visualmente 40
4.3. Produção total 47
4.4. Produção de frutos adequados ao processamento (maduros) 52
4.5. Porcentagem de frutos inadequados ao processamento 56
4.6. Peso médio, comprimento e diâmetro dos frutos maduros 63
4.7. Número de frutos maduros por planta 66
4.8. Coloração do suco de frutos maduros (relação a/b) 71
4.9. Porcentagem de sólidos solúveis totais (º Brix), acidez titulável e pH 76
4.10. Rendimento industrial 83
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 88
6. CONCLUSÕES 90
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 91
ANEXO A 100
i
RESUMO
Este trabalho foi conduzido com o objetivo de se avaliar, caracterizar e
selecionar agronômica e industrialmente as melhores dentre 30 famílias elite
provenientes do programa de melhoramento do tomateiro do Instituto de Ciên-
cias Agrárias – Universidade Federal de Uberlândia/MG, em dois sistemas de
produção de tomate com finalidade industrial e comparar seus desempenhos com
os híbridos mais utilizados pelos produtores da região de Patos de Minas – MG.
Os ensaios foram instalados na Estação Experimental Fazenda Barreiro - Unile-
ver Bestfoods Brasil, situada no município de Patos de Minas – MG (46º51’
Oeste e 18º57’ Sul). O delineamento experimental adotado foi, para cada um dos
sistemas de produção, o de blocos casualizados, com 4 blocos e 1 repetição por
bloco. No sistema de produção com irrigação via pivô central utilizou-se parce-
las com linhas simples de 5 metros de comprimento, espaçadas 1,3 metros entre
si e população de 27 mil plantas por hectare. No sistema de produção com irri-
gação via gotejamento utilizou-se parcelas com linhas duplas de 10 metros de
comprimento, com espaçamento entre linhas de 0,5 metros e entre duplas de 1,3
metros e população de 27 mil plantas por hectare. O sistema de produção não
exerceu influência sobre o rendimento industrial. O sistema de produção com
irrigação por gotejamento produziu maior quantidade de frutos adequados para o
processamento, porém com menor porcentagem de sólidos solúveis totais. Os
melhores genótipos, com alto potencial produtivo para ambos os sistemas de
produção foram os híbridos Heinz 7155N2, Heinz 9553 e Hypeel 108 e a família
UFU 06. A seleção de genótipos com maiores produção de frutos adequados ao
processamento, número de frutos maduros por planta e produção total de frutos e
menor peso médio de frutos maduros proporciona aumento na produtividade
industrial de polpa a 28 °Brix.
Palavras–chave: Licopersicon esculentum, processamento, melhoramento, fa-
mílias, irrigação, gotejamento, pivô central, espaçamento.
ii
ABSTRACT
SELECTION OF FAMILIES OF PROCESSING TOMATO IN THE
IRRIGATED CENTRAL PIVOT AND DRIP SYSTEMS
This work was made with the objective of evaluating, to characterise and
to select, for agronomic and industrial characteristics, the best ones among 30
elite families, coming of the Agrarians Sciences Institute – Uberlândia Federal
University/MG/Brazil program of tomato breeding, in two systems of tomato
production with industrial purpose and to compare its acting with the hybrid
ones more used by the producers in the Patos de Minas – MG area. The rehears-
als were installed in the Barreiro Farm Experimental Station, leased by Unilever
Bestfoods Brazil, placed in the municipal district of Patos de Minas – MG
(46º51‘ West and 18º57‘ South). The adopted experimental design was, for each
one of the production systems, the one of randomised blocks, with 4 blocks and
1 repetition for block. In the production system with irrigation through central
pivot was used plots with simple lines of 5 meters in length, spaced 1,3 meters to
each other and population of 27 thousand plants for hectare. In the production
system with irrigation through leak was used plots with double lines of 10 me-
ters in length, with spacing among lines of 0,5 meters and enter couples of 1,3
meters and population of 27 thousand plants for hectare. The production system
didn't exercise influence on the industrial revenue. The production system with
drip irrigation produced larger amount of fruits adapted for the processing, even
so with smaller percentage of total soluble solids. The best genotypes, with high
productive potential for both production systems was hybrids Heinz 7155N2,
Heinz 9553 and Hypeel 108 and the family UFU 06. The genotypes selection
with larger production of fruits adapted to the processing, number of mature
fruits for plant and total production of fruits and smaller medium weight of ma-
ture fruits provides increase in the industrial productivity of pulp to 28 °Brix.
Key–words: Lycopersicon esculentum, processing, breeding, bulk, families,
irrigation, central pivot, drip, spacing.
1
1. INTRODUÇÃO
O tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill.) é uma planta pertencente à
família Solanaceae e constitui-se na mais universal das hortaliças. A versatilida-
de de uso, seja na forma natural ou industrializada, é considerada como um dos
fatores responsáveis pela explosão mundial de seu consumo, no corrente século.
É, em ordem econômica, a hortaliça mais consumida no Brasil, tendo superado a
batata nos últimos anos.
O mercado brasileiro de tomate industrial, de cultivo rasteiro, destinado
à produção de purês, molhos prontos, extratos, sucos etc., é avaliado em US$
445 milhões anuais (Nakamae & Pastrello, 1999). O consumo nacional de polpa
aumenta com o crescimento das redes de fast-food e o ingresso de novas indús-
trias de molhos prontos. Estimativas mostram que o consumo de polpa de tomate
passou de 95 mil toneladas, em 1994, para 140 mil toneladas em 1998 (Nakamae
& Pastrello, 2000). No Brasil, a produção de tomate para processamento indus-
trial, no último quinquênio, ficou em torno de 1 milhão de t/ano, com a marca
recorde de 1,29 milhão de toneladas alcançada na safra de 1999 (Melo, 2001).
Um fato marcante, no início dos anos 90, foi a expansão da agroindústria
de tomate em novas regiões, em especial no Cerrado, abrangendo áreas dos esta-
dos de Goiás e de Minas Gerais (Melo, 1993). No Cerrado, a rápida expansão da
lavoura deveu-se às boas condições climáticas, aliadas à disponibilidade de terra
de baixo custo e ao suprimento adequado de água para irrigação. Outro fator
favorável foi a proximidade dos grandes centros de consumo do Sudeste e do
Sul. Em 2000, o Cerrado transformou-se na mais importante zona de produção
de tomate industrial do país, com 77 % da área plantada, seguido de São Paulo,
com 14 % e do Nordeste, com apenas 9 % (Melo, 2001).
O sistema de irrigação predominante nas três regiões de cultivo de toma-
te industrial no Brasil é o de aspersão (portátil, permanente, pivô central). O
2
sistema de sulcos de infiltração está restrito a algumas áreas do submédio São
Francisco, em solos de topografia e textura favoráveis. A irrigação por aspersão
com pivô central tem sido questionada, sobretudo por favorecer a incidência de
doenças bacterianas e fúngicas da parte foliar e do solo (mofo-branco), de difícil
controle. O sistema de gotejamento vem sendo adotado em pequena escala, es-
pecialmente no cerrado, como uma alternativa aos pivôs. O grande interesse
atual por gotejamento na tomaticultura industrial foi despertado, principalmente,
pelos excelentes resultados de economia de água e energia, aliados a um subs-
tancial aumento de produtividade e melhoria da qualidade da matéria-prima. As
maiores limitações dessa nova tecnologia são o alto custo inicial de implantação
do sistema e a necessidade de melhor conhecimento técnico por parte do usuá-
rio. Ademais, para que o gotejamento possa ser consolidado como uma alterna-
tiva viável e se expandir no futuro, é imperativo que os teores de sólidos solú-
veis (Brix) da matéria-prima não sejam negativamente afetados (Melo, 2001).
A agroindústria exige um tipo especial de tomate, obrigatoriamente em
cultura rasteira, sem tratos culturais sofisticados. Os frutos devem apresentar alta
resistência ao transporte, coloração vermelha intensa, elevado teor de sólidos
solúveis, baixo pH e teor adequado de ácido cítrico.
Para desenvolver novas cultivares que atendam às exigências de merca-
do, tem-se basicamente as seguintes alternativas: melhoramento genético de
linhagem, importação de genótipos (cultivares prontas ou não) e uso de híbridos
simples. Essas alternativas, naturalmente, são interdependentes e normalmente
trabalhadas simultaneamente num programa de melhoramento genético, visando
à melhoria da qualidade da planta e do fruto.
Na atualidade, o uso de híbridos tem se destacado como alternativa de
melhoramento genético do tomate, em razão da qualidade das cultivares produ-
zidas, num prazo relativamente curto, principalmente em relação ao melhora-
mento de linhagens, que tem como vantagem ao seu favor o menor custo de
3
produção de sementes, já que estas últimas são produzidas sem a necessidade de
cruzamento entre linhagens.
Neste sentido, o Instituto de Ciências Agrárias – Universidade Federal
de Uberlândia vem desenvolvendo, desde 1995, o Programa de Melhoramento
Genético do tomateiro, com o objetivo de lançar novas cultivares para mesa e
indústria com qualidade superior às já existentes no mercado. Assim, a partir de
cruzamentos entre os parentais BHRS-2-3, Jumbo, Nemadoro, Stevens e TOM-
556, e posterior seleção entre e dentro das famílias, o programa obteve famílias
F5 com resistência múltipla a doenças (Tospovírus, Murcha de Fusarium, Gemi-
nivírus, nematóides das galhas, pinta bacteriana, pinta preta e cancro bacteriano).
Como em qualquer trabalho de melhoramento, visando incorporar o
maior número possível de alelos desejáveis em função de solo, clima, doenças,
pragas e desenvolvimento tecnológico de uma região, a avaliação do tomateiro é
uma atividade necessária e constante. Em se tratando de tomate para processa-
mento, torna-se necessária a avaliação do comportamento das cultivares tanto na
fase de campo, como de suas características industriais.
Desta forma, este trabalho foi conduzido com o objetivo de se avaliar,
caracterizar e selecionar agronômica e industrialmente as melhores dentre 30
famílias elite, provenientes do programa de melhoramento do tomateiro do
ICIAG-UFU, em dois sistemas de cultivo (irrigação via pivô central e goteja-
mento) e comparar seus desempenhos com os híbridos F1 mais utilizados pelos
produtores na região de Patos de Minas – MG.
4
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1. Origem, composição e grupos de cultivares
O nome tomate, usado hoje em muitos idiomas com ligeiras variações,
deriva de “tomalt”, palavra da língua Náuatle, falada por um grupo de povos
Astecas do sul do México (Maranca, 1998).
O tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill.) é uma solanácea herbácea,
com caule flexível e incapaz de suportar o peso dos frutos e manter a posição
vertical. A forma natural lembra uma moita, com abundante ramificação lateral
(Filgueira, 2000).
O centro de origem Sul-Americano é apontado como provável região de
origem, mais precisamente no Equador e norte do Chile (Jenkins, 1948) e, pro-
vavelmente, também as ilhas Galápagos (Rick, 1967). O México é também
apontado como o provável centro de origem do tomate cultivado (Lycopersicon
esculentum Mill), particularmente as regiões de Vera Cruz e Puebla (Jenkins,
1948; Rick & Fobes, 1975). Rick & Fobes (1975) consideram L. esculentum var.
cerasiforme como ancestral do tomate cultivado. Quiroz (1974) sugeriu uma
filogenia que segue de um ancestral pré-lycopersicon para L. peruvianum, L.
hirsutum, L. esculentum var. cerasiforme até, finalmente, chegar ao tomate do-
mesticado (Lycopersicon esculentum Mill).
O tomate é uma hortaliça de fruto que encontrou no mundo uma extra-
ordinária acolhida, ainda difícil de explicar, pois não possui de fato nenhuma
excepcional característica química ou organoléptica. Talvez o principal fator
que explique a expansão do consumo mundial do tomate seja o agradável sabor,
com grande equilíbrio entre os açúcares e os ácidos do fruto; ou talvez a cor
vermelha, atrativa e brilhante, da casca, da polpa e do suco, que permitiu acres-
centar ao sabor uma apresentação atrativa (Maranca, 1988).
5
Não é uma das hortaliças mais ricas em vitaminas e sais minerais, espe-
cialmente por conter, em média, 94% de água no fruto ao natural. No entanto,
por ser consumido em maior quantidade, com maior frequência em relação a
outras hortaliças e seu consumo ser feito em grande parte sem a cocção, o toma-
te torna-se uma importante fonte de vitaminas e sais minerais na dieta do brasi-
leiro, como, por exemplo, de vitamina C, cujo teor varia de 11,2 a 21,6 mg/100 g
de frutos e das vitaminas A, B1, B2, P e K. O tomate contém outras substâncias,
em doses mínimas, porém muito importantes, a começar pelas substâncias co-
rantes licopeno (vermelho) e caroteno (amarelo). Folhas e frutos ainda verdes
também possuem uma substância levemente tóxica, o alcalóide tomatina, que
parece eficaz contra fungos de micoses da pele humana (Filgueira, 2000).
O tomateiro é considerado uma planta que prefere um clima subtropical
de altitude ou temperado e seco (Filgueira, 2000). A temperatura é o principal
fator climático que determina seu desenvolvimento. Não é sensível ao compri-
mento do dia, formando frutos com 7 a 19 horas de luz por dia. O tomateiro se
desenvolve melhor sob tempo claro, relativamente seco e com temperaturas
moderadas entre 18 a 24ºC. As plantas são congeladas a temperaturas abaixo de
0º e os frutos não se desenvolvem em temperaturas acima de 35ºC. Altas tempe-
raturas, acompanhadas de alta umidade, favorecem o desenvolvimento de doen-
ças.
Segundo Filgueira (2000), as cultivares atualmente plantadas podem ser
reunidas em cinco grupos com tipos diferenciados: Santa Cruz, Salada, Cereja,
Italiano e Agroindustrial.
A agroindústria exige um tipo especial de tomate, obrigatoriamente pro-
duzido em cultura rasteira, sem tratos culturais sofisticados, objetivando baixo
custo de obtenção da matéria-prima. Os frutos devem apresentar certas caracte-
rísticas: alta resistência ao transporte, inclusive a granel; coloração vermelha
intensa e distribuída uniformemente pelo fruto; elevado teor de sólidos solúveis
6
e teor adequado de ácido cítrico. Com a introdução de colhedeiras exige-se,
também, que a maior parte dos frutos amadureça simultaneamente, já que haverá
uma única colheita (Melo, 2001).
A planta é de hábito de crescimento determinado, com a haste principal
apresentando inflorescência terminal. As plantas mostram-se mais ramificadas,
com porte bem menor, e mais compactas. São conduzidas em cultura rasteira,
sem podas ou tutoramento. As cultivares desse grupo podem apresentar dois
formatos básicos: periforme, em cultivares mais antigas; ou similar aos frutos do
grupo Santa Cruz (“quadrado”), preferidos pela melhor qualidade e maior resis-
tência dos frutos, inclusive ao transporte a granel, em caminhões caçamba (Fil-
gueira, 2000).
A cor é uma característica de qualidade extremamente importante. Para
o consumidor, cor é um importante indicador de qualidade alimentar. Para o
processador, a cor é de suprema importância, uma vez que, para muitos produ-
tos, a cor dos frutos é um determinante primário da quantidade de tomates reque-
rida para fazer produtos de alta qualidade. A cor de tomates vermelhos é deter-
minada, principalmente, pelo conteúdo de licopeno. -caroteno é o outro princi-
pal carotenóide de tomates vermelhos e pode ser um importante fator na cor do
tomate sob certas condições ambientais. O conteúdo de -caroteno também de-
termina a atividade de vitamina A nos frutos.
Existe uma relação direta entre o conteúdo de clorofila em frutos verdes
e o conteúdo de carotenóides em frutos maduros, a qual, segundo Khudairi
(1972), aparentemente se deve ao fato dos cloroplastos se transformarem em
cromoplastos durante o amadurecimento. Isto pode explicar porque os genes hp
e dg, que condicionam frutos verde-escuros, resultam em altos níveis de licope-
no e -caroteno.
A coloração dos frutos é característica fundamental em tomates destina-
dos à industrialização. Segundo Vogele (1937), a temperatura ótima para a for-
7
mação do licopeno (pigmento vermelho) está em torno de 24ºC. Acima de 30ºC
o licopeno não se forma e o fruto torna-se amarelado. Acima de 40ºC o fruto
permanece verde.
Acidez total, normalmente, é dada como teor de ácido cítrico, que é o
ácido predominante no tomate e exige-se um mínimo de 0,35%. Lower & Tom-
pson (1967) concluíram que a herança da acidez é quantitativa, mas que houve
evidência de um único gene maior condicionando alta acidez em duas de suas
populações.
O pH desempenha um papel relevante no que diz respeito a sua ação na
inativação de microorganismos, principalmente na esporulação de Clostridium
botulinum. A FDA Regulations on Thermal Processing of Food aponta como
máximo o pH 4,6 (Conceição, 1981).
O teor de sólidos solúveis existente no fruto determinará a maior ou
menor rentabilidade no processamento, pois se constitui no produto final. Toma-
tes com baixos teores de sólidos solúveis exigirão muito mais energia para a
evaporação da água existente. Segundo Conceição (1981), o tomate apresenta de
7,0 a 8,5% de sólidos totais e de 4,0 a 6,0% de sólidos solúveis. Contudo, essas
porcentagens podem sofrer grandes variações de acordo com cultivares, caracte-
rísticas do solo e especialmente pelas chuvas ocorridas durante o desenvolvi-
mento das plantas.
Para Stevens & Rick (1986), não se tem obtido muito sucesso em au-
mentar o teor de sólidos nos frutos, através de melhoramento genético, por causa
da correlação negativa existente entre produtividade e conteúdo de sólidos. Ob-
ter sucesso numa seleção de progênies em uma população segregante é difícil,
também, por causa do impacto ambiental no conteúdo de sólidos. Suscetibilida-
de a doenças que afetam a absorção de água pelas plantas pode ter um efeito
muito maior do que a variação genotípica para conteúdo de sólido nos frutos.
Muitas vezes, a seleção em populações segregantes não é efetiva porque as vari-
8
ações na irrigação, textura do solo e resistência a doenças podem ter grandes
efeitos sobre o conteúdo de sólidos.
2.2. Tomateiro tipo industrial no Brasil
A produção mundial de tomate para processamento, em 2000, foi esti-
mada em 27 milhões de toneladas pelo Conselho Mundial dos Processadores de
Tomate (WPTC). O Brasil ocupa a sexta posição entre os principais produtores.
Na América do Sul, o Brasil é o principal produtor, seguido por Chile e Argenti-
na (Melo, 2001).
O mercado brasileiro de tomate industrial, de cultivo rasteiro, destinado
à produção de purês, molhos prontos, extratos, sucos etc., é avaliado em US$
445 milhões anuais (Nakamae & Pastrello, 1999). O consumo nacional de polpa
aumenta com o crescimento das redes de fast-food e o ingresso de novas indús-
trias de molhos prontos. Estimativas mostram que o consumo de polpa de tomate
passou de 95 mil toneladas, em 1994, para 140 mil toneladas em 1998 (Nakamae
& Pastrello, 2000).
No Brasil, a produção de tomate para processamento industrial, no últi-
mo quinquênio, ficou em torno de 1 milhão de t/ano, com a marca recorde de
1,29 milhão de toneladas alcançada na safra de 1999 (Melo, 2001).
Um fato marcante, no início dos anos 90, foi a expansão da agroindústria
de tomate em novas regiões, em especial no Cerrado, abrangendo áreas dos esta-
dos de Goiás e de Minas Gerais (Melo, 1993). No Cerrado, a rápida expansão da
lavoura deveu-se às boas condições climáticas, aliadas à disponibilidade de terra
de baixo custo e ao suprimento adequado de água para irrigação. Outro fator
favorável foi a proximidade dos grandes centros de consumo do Sudeste e do
Sul. Em 2000, o Cerrado transformou-se na mais importante zona de produção
9
de tomate industrial do país, com 77 % da área plantada, seguido de São Paulo,
com 14 % e do Nordeste, com apenas 9 % (Melo, 2001).
Houve também um extraordinário incremento de produtividade nesse
período. Enquanto que em 1990 o rendimento médio do país foi de cerca de 34,6
t/ha, a safra 2000 foi encerrada com uma produtividade de 67 t/ha. A causa prin-
cipal dessa mudança foi a maior concentração da área plantada nas novas fron-
teiras de produção do Cerrado. A condição edafo-climática dessa região tem se
mostrado altamente favorável à expansão da cultura, propiciando o uso de técni-
cas de manejo voltadas para alto rendimento e economia de custos.
No novo cenário de produção do Brasil Central, o tomate vem sendo
cultivado por empresas agrícolas de grande porte, ou seja, empresas com mais de
500 ha, as quais utilizam-se de um sistema de manejo tecnologicamente avança-
do, visando economia de custos e alto rendimento. Neste sistema, a maior parte
das operações culturais é mecanizada, incluindo plantio e colheita.
Embora já tivesse sido introduzida em pequena escala desde o início da
década de 90, a colheita mecanizada do tomate rasteiro passou a ser largamente
praticada a partir da safra 1997, na zona de produção do cerrado (GO e MG).
Nessa região, a tomaticultura industrial está baseada em grandes produtores e a
topografia predominante é muito favorável à mecanização da colheita. Nos dois
últimos anos, a colheita mecanizada mostrou expressivo crescimento, concen-
trando-se na região de Patos de Minas, MG e nas zonas de produção do Estado
de Goiás (Melo, 2001).
Ao longo da década de 90, as linhagens foram, paulatinamente, sendo
substituídas por híbridos de alto potencial produtivo e com características agro-
nômicas e industriais que atendem aos requisitos dos processadores. Desse mo-
do, as variedades de polinização aberta, como a IPA-5, que chegou a ocupar, até
os primeiros anos da década passada, cerca de 75 % de toda área cultivada com
tomate industrial no país, deixaram praticamente de ser plantadas. Em 2000, as
10
cultivares de polinização aberta foram plantadas em menos de 5 % dos quase 15
mil hectares contratados pelas indústrias (Melo, 2001).
O impulso expansionista do uso de cultivares híbridas ocorreu recente-
mente. Na safra 1997, a área plantada com híbridos foi estimada em 3 mil hecta-
res, representando apenas 15 % do total da área cultivada com tomate industrial.
Em 1998 e 1999, passou para 46 % e 83 %, respectivamente. Os atributos mais
vantajosos dos híbridos, em comparação com as linhagens, são os seguintes: a)
alto potencial de produção; b) maturação concentrada, fundamental para a co-
lheita mecanizada; c) alta capacidade de armazenamento dos frutos na planta; e
d) resistência múltipla a doenças. Os principais híbridos plantados, atualmente,
são: Heinz 9553, Heinz 9498, APT 529, APT 533, Malinta, Hypeel 108, Hypeel
45, Nemapride, Calroma e RTP 1095 (Melo, 2001).
2.3. Melhoramento do tomateiro industrial no Brasil
De acordo com Maluf (1994), os objetivos do melhoramento do tomate
de indústria, em todo país são: alta produtividade; alto teor de sólidos solúveis;
melhor coloração de frutos; frutos firmes; jointless; maturação concentrada;
precocidade; conservação do fruto na planta e firmeza (transporte a granel).
Durante o processo de seleção de genótipos para colheita mecanizada
devem ser avaliados prioritariamente: a concentração de maturação, o potencial
produtivo, o tamanho da rama que deve ser mediano, a cobertura dos frutos, a
capacidade de permanência dos frutos na planta, a firmeza que permita o trans-
porte dos frutos a granel e o índice de retenção de pedúnculo. Outras caracterís-
ticas inerentes às cultivares que se destinam ao processamento industrial, como o
teor de sólidos solúveis (Brix acima de 5,0), coloração vermelho intenso (exter-
na e interna), pericarpo espesso, inserção peduncular pequena, ausência de defei-
11
tos (ombro amarelo, coração negro, zippering, split setting) entre outras, devem
ser cuidadosamente avaliadas durante o processo de seleção (Melo, 2001).
Em programa de melhoramento visando a obtenção de cultivares com
boas características agronômicas e industriais, após onze gerações conduzidas
pelo método genealógico, chegou-se a nove linhagens puras (Ferraz et al.,
1989). Todas apresentam boa produtividade, destacando-se a linhagem 72-23 em
precocidade, concentração da maturação e índice de aproveitamento na colheita.
Desse programa foi liberada a cultivar IPA-5. Esta é resistente a várias doenças e
tolerante a temperaturas elevadas e se tornou uma das cultivares mais difundidas
nas áreas irrigadas do Nordeste.
Em ensaio com cultivares de tomate irrigado sob pivô central e com
semeadura direta, na região de Uberlândia – MG, Grizzo (1991) determinou que
a maior produtividade foi alcançada pelas cultivares Petomech (29 t/ha), Agroci-
ca 8 e UC 82. A baixa produtividade do ensaio foi devida a um ataque severo de
traça do tomateiro.
Em ensaio realizado em Brasília - DF, com cultivares de tomate indus-
trial, os genótipos Nema 512, XPH 12044, AF 1479 e CNPH 401-08, apresenta-
ram as maiores produções de frutos por hectare. Nema 512 e IPA 5 apresentaram
baixos teores de sólidos solúveis. CNPH 401-17, AF 1482, Heinz 8773 e 9175 e
XPH 12045 foram os que apresentaram melhor coloração de fruto. A maior pro-
dutividade de pasta foi obtida pelos genótipos XPH 12044, AF 479 e Spectrum.
A linhagem CNPH 401-08 e a cultivar IPA 5 proporcionaram um rendimento de
pasta de 13,0 e 10,6 t/ha, respectivamente (Carrrijo et al., 1995).
Em outro ensaio com variedades de tomate industrial, na mesma locali-
dade, os genótipos AF 1479, Silverado e Heinz 9425, apresentaram as maiores
produções por hectare. Os híbridos AF 1695 e Hypeel 153 apresentaram os me-
lhores teores de sólidos solúveis. Os genótipos Heinz 2710, Sunex 6117 e AG
6601, apresentaram as melhores notas referentes a coloração de frutos. Os maio-
12
res índices para firmeza ficaram com Sun 6108, Agrocica 94 e AG 6601. Os
maiores rendimentos de pasta, padronizados para Brix 28, foram obtidos com os
genótipos AF 1476, XPH 1205 e Spectrum 385 (Carrijo et al., 1996).
Entre 42 genótipos oriundos de programas de melhoramento e cultivares
de interesse das empresas, Carrijo et al. (1996) identificaram os híbridos PSR
33415, Heinz 9382, Hypeel 45, Heinz 9036, XPH 12045 e Spectrum 385 como
os de maiores índices de rendimento de pasta, em experimento realizado com
objetivo de avaliar a produção, teor de sólidos solúveis totais (ºBrix), firmeza e
índice de rendimento de pasta.
Ao avaliar progênies F3 de tomateiro, oriundas do programa de melho-
ramento do tomateiro da Universidade Federal de Uberlândia, provenientes do
cruzamento entre as linhagens Jumbo, Stevens, Nemadoro e BHRS 2-3, Batista
(1997) encontrou 50 progênies heterozigotas para o gene de resistência à Tospo-
vírus (Sw5), proveniente da linhagem Stevens, e 10 progênies susceptíveis. Fo-
ram avaliados, também, acessos de tomateiro provenientes do banco de germo-
plasma da Embrapa, da Agroceres e da UFLA quanto a resistência a raça 1 de
Fusarium oxysporum f.sp. lycopersici e 70 % dos acessos avaliados mostraram-
se resistentes ao patógeno.
Camargo (1997) avaliou 192 progênies de tomateiro, na geração F3, ori-
undas do programa de melhoramento do tomateiro da Universidade Federal de
Uberlândia, provenientes de policruzamentos entre os parentais Jumbo, Nema-
doro, BHRS 2-3, Stevens e TOM 556 quanto a resistência à raça 2 de Fusarium
oxysporum f.sp. lycopersici. O cruzamento com maior porcentagem de progênies
resistentes homozigotas (I2I2) foi F1[(Jumbo x BHRS 2-3) x (Jumbo x Stevens)].
Através do método descendente de uma única semente (SSD), Giordano
et al. (1997) obtiveram a linhagem F7 TX 401-08 que é oriunda de população
segregante para resistência a doenças, caráter jointless, cor, firmeza e brix. A
linhagem possui resistência a murcha de fusarium, à mancha de estenfilium, à
13
pinta bacteriana e aos nematóides de galhas. Apresenta plantas vigorosas, de
crescimento determinado, frutos com formato oval e com peso médio de 70
gramas, triloculares, com boa coloração e valores de Brix 5% superiores aos da
cultivar IPA-5.
Resende et al. (1998) conduziram um ensaio para indicar cultivares e/ou
híbridos de tomate industrial mais produtivos e de melhor qualidade para o cul-
tivo no Vale do São Francisco. Houve destaque para a IPA-5 como a de maior
produtividade. Para peso médio de frutos, sobressaiu-se o híbrido Hypeel-108.
Em 1998, foram avaliadas dezoito cultivares de tomate para processa-
mento em diferentes condições edafoclimáticas do Estado de Goiás. Entre as
cultivares de produtividade mais elevada, destacaram-se, por apresentar maior
firmeza de fruto, as cultivares Petomech, IPA 6 e Topmech melhorado, seguidas
de IPA 5 e Agrocica 72. As cultivares Agrocica 08, IPA 5, Nemadoro e UC 204
foram as mais influenciadas pelas variações do ambiente, enquanto as cultivares
Agrocica 33, Calmec VF, IPA 6, Rio Fuego, Santa Adélia, Topmec melhorado e
UC 82 foram as mais estáveis (Peixoto et al., 1999).
Para obter famílias de tomateiro com resistência a nematóides, Pimenta
(1999) avaliou famílias na geração F4 oriundas de policruzamentos com o geni-
tor Nemadoro, provenientes do programa de melhoramento do tomateiro da
Universidade Federal de Uberlândia. De 71 famílias experimentais avaliadas,
foram obtidas 25 famílias homozigotas resistentes a M .javanica e 27 resistentes
a M. incognita raça 3, 20 famílias resistentes aos dois nematóides, 6 resistentes a
um e suscetível a outro e ainda 45 famílias suscetíveis às duas espécies de nema-
tóides.
Ao avaliar a resistência de 223 famílias F3 de tomateiro, oriundas do
programa de melhoramento do tomateiro da Universidade Federal de Uberlân-
dia, provenientes de policruzamentos entre os parentais Jumbo, Nemadoro,
BHRS 2-3, Stevens e TOM 556, quanto a resistência ao nematóides M. incogni-
14
ta raça 3 e M. javanica, Juliatti et al. (2000) obtiveram 12 progênies homozigo-
tas resistentes a M. javanica, 34 progênies resistentes a M. incognita raça 3 e 6
progênies resistentes às duas espécies de nematóides das galhas.
Em experimento conduzido em Jaboticabal/SP com a finalidade de ca-
racterizar os frutos de 28 cultivares de tomate com finalidade industrial, obser-
vou-se que IPA 6 e Andino apresentaram valores altos de comprimento, diâme-
tro e espessura de polpa, destacando-se como materiais de qualidade para indús-
tria e uma alternativa para o mercado in natura. As que obtiveram ºBrix maiores
que 3,5 foram Botu 13, Hypeel 45, H 9492, H 9498, RPT 1478, AG 33, Hypeel
108, AG 72 e Halley (Cintra et al., 2000).
Com o objetivo de avaliar 28 cultivares de tomateiro de hábito de cres-
cimento determinado, Grilli et al. (2000) classificaram-nas de acordo sua produ-
ção, tamanho e peso dos frutos. As cultivares H 9498, Curico, Hypeel 45, RPT
1095 e AG 72 apresentaram acima de 70 frutos por planta e produção acima de 4
kg por planta.
Ao avaliar a produtividade de 28 cultivares de tomateiro para processa-
mento, em três etapas de colheita, Santos et al. (2000) verificaram que a cultivar
Curico mostrou-se precoce e com elevada produção/planta, entretanto, observou-
se que outras cultivares como a AG 72, Hypeel 45 e H 9498, não diferiram esta-
tisticamente desta em precocidade e produtividade.
Juliatti et al. (2001) avaliaram 23 famílias F5 de tomateiro tipo indústria
do Programa de Melhoramento do tomateiro da Universidade Federal de Uber-
lândia, quanto a características agronômicas e físico-químicas dos frutos. Para as
características avaliadas, a maioria das famílias mostrou-se superior às testemu-
nhas Nemadoro e Malinta.
2.4. Sistemas de irrigação para o tomateiro
15
De acordo com Silva & Marouelli (1999), até o início da década 80, o
método de irrigação para o tomateiro para processamento mais utilizado no Bra-
sil era o de sulcos superficiais, mesmo apesar da maioria dos solos terem altas
capacidades de infiltração, não sendo apropriados para esse sistema de irrigação.
Na década de 70, produtores, extensionistas e pesquisadores iniciaram a
procura por sistemas de irrigação mais eficientes, principalmente para solos com
alta capacidade de infiltração. Caixeta et al. (1977) compararam irrigação por
sulcos com irrigação por gotejamento em um solo com textura grossa, ambos
aplicando a mesma quantidade de água. Embora não tenham encontrado diferen-
ças significativas para a maioria das características entre os métodos avaliados, a
performance da irrigação por sulcos foi um pouco melhor para produtividade.
Soares & Faria (1983) estudaram a influência de sistemas de irrigação
na produção de tomates para processamento em um latossolo. Eles encontraram
uma produção de frutos comercializáveis similar para os sistemas de irrigação
por sulcos superficiais e aspersão. Entretanto, a eficiência do uso da água no
sistema de aspersão foi aproximadamente duas vezes superior. Contudo, a irri-
gação por aspersão favoreceu alta ocorrência de frutos podres e 2,5 vezes mais
frutos com podridão do final do florescimento.
Estudos sobre o efeito de diferentes sistemas de irrigação na produção e
qualidade de frutos de tomate para processamento no sudeste da Espanha (região
semi-árida) foram realizados por Prieto et al. (1999). Sob as condições experi-
mentais, a irrigação por sulcos teve a menor produtividade quando um alto nível
de umidade no solo foi mantido. O uso de estratégias de irrigação produzindo
déficit hídrico moderado permitiu uma economia de água significativa, e tam-
bém proporcionou um aumento no valor do Brix. Esse aumento em sólidos solú-
veis foi mais claramente observado usando irrigação por gotejamento. O déficit
hídrico induzido nestes ensaios produziu alguma perda na produção de frutos
vermelhos (maduros).
16
Nos últimos dez anos, a maioria das plantações de tomate industrial têm
sido irrigadas por sistemas de aspersão, especialmente por pivô central, tendo
alcançado produtividades acima de 75 t/ha. Por causa de muitos problemas como
a falta de um bom manejo da água, falta de esquemas eficientes de rotação de
culturas e severas ocorrências de doenças, os produtores vêm procurando por
sistemas de irrigação alternativos. Trabalhos experimentais têm mostrado que a
microirrigação, especialmente o gotejamento, é praticável (Silva & Marouelli,
1995).
Mais recentemente, tem-se observado que a fertirrigação por gotejamen-
to subsuperficial tem favorecido a elevação das produtividades de muitos culti-
vares e híbridos de tomate para processamento para acima de 98 t/ha, associadas
com baixa ocorrência de doenças e baixa porcentagem de frutos podres (Silva et
al. , 1997).
Segundo Phene et al. (1987) a microirrigação, seja por gotejamento
superficial ou subterrâneo, tem condições de proporcionar alto controle e alta
uniformidade na aplicação de água e de fertilizantes, suficientes para maximizar
a produtividade de tomate industrial.
Phene (1999) relatou que, em pesquisas com tomate para processamento
(Var. UC-82B) na Califórnia – EUA, foram alcançadas produtividades total
acima de 200 t/ha e comercial acima de 145 t/ha. Nestes trabalhos, utilizou-se
irrigação por gotejamento subsuperficial, alta frequência de irrigação e acurada
fertirrigação.
O sistema de irrigação predominante nas três regiões de cultivo de toma-
te industrial no Brasil é o de aspersão (portátil, permanente, pivô central). O
sistema de sulcos de infiltração está restrito a algumas áreas do submédio São
Francisco, em solos de topografia e textura favoráveis. A irrigação por aspersão
com pivô central tem sido questionada, sobretudo por favorecer a incidência de
doenças bacterianas e fúngicas da parte foliar e do solo (mofo-branco), de difícil
17
controle. O sistema de gotejamento vem sendo adotado em pequena escala, es-
pecialmente no cerrado, como uma alternativa aos pivôs. O grande interesse
atual por gotejamento na tomaticultura industrial foi despertado principalmente
pelos excelentes resultados de economia de água e energia, aliados a um subs-
tancial aumento de produtividade e melhoria da qualidade da matéria-prima. As
maiores limitações dessa nova tecnologia são o alto custo inicial de implantação
do sistema e a necessidade de melhor conhecimento técnico por parte do usuá-
rio. Ademais, para que o gotejamento possa ser consolidado como uma alterna-
tiva viável e se expandir no futuro, é imperativo que os teores de sólidos solú-
veis (Brix) da matéria-prima não sejam negativamente afetados (Melo, 2001).
Marouelli et al. (2001) avaliaram o efeito dos fatores espaçamento entre
gotejadores (10 e 30 cm) e sistema de plantio (fileiras simples e duplas, com
uma linha de gotejo) sobre a produção do tomateiro, em Brasília, DF. Um trata-
mento de controle com plantio em fileiras simples foi irrigado por aspersão. A
produtividade comercial para espaçamento de 10 cm foi 10% maior que para 30
cm. O plantio em fileiras simples produziu 9% mais frutos do que em fileiras
duplas. A produtividade do tratamento por aspersão não diferiu do tratamento
com gotejadores a 30 cm e fileiras duplas, mas foi pelo menos 15% menor do
que nos demais tratamentos. A porcentagem de frutos podres não foi afetada
pelo fator espaçamento entre gotejadores, mas foi maior no plantio em fileiras
duplas. Na aspersão, a porcentagem de podres foi pelo menos 68% maior que
nos tratamentos por gotejamento. Maior retorno financeiro foi obtido no trata-
mento com espaçamento de 10 cm e plantio em fileiras simples.
Nas condições edafoclimáticas da região de cerrados do Brasil Central
avaliou-se a resposta do tomateiro industrial, irrigado por gotejamento, a dife-
rentes tensões de água no solo. Os tratamentos resultaram da combinação de três
tensões no estádio vegetativo e três no reprodutivo (15, 30 e 70 kPa), mais dois
tratamentos adicionais, um irrigado diariamente por gotejamento e outro irrigado
18
por aspersão. As variáveis não foram afetadas pelo fator tensão de água no está-
dio vegetativo. O número de frutos por unidade de área e a produtividade co-
mercial foram reduzidos com o aumento da tensão no estádio reprodutivo. A
produtividade do tratamento por aspersão (103 Mg.ha-1
) foi 22% menor que a do
tratamento por gotejamento mais produtivo (70 kPa/15 kPa). A porcentagem de
frutos podres na aspersão foi pelo menos três vezes maior que nos tratamentos
irrigados por gotejamento (Marouelli & Silva, 2001).
19
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1. Localização e características gerais da área experimental
Os ensaios foram instalados na Estação Experimental Fazenda Barreiro,
arrendada pela Unilever Bestfoods Brasil, situada no município de Patos de Mi-
nas – MG (46º51’ Oeste e 18º57’ Sul), que está localizado a 427 Km a noroeste
de Belo Horizonte -MG, 180 Km a leste de Uberlândia – MG e a 480 km a su-
deste de Goiânia – GO.
3.2. Clima
Patos de Minas caracteriza-se por estar situada em uma região climática
Aw, segundo a classificação de Köppen (Tubelis et al., 1972), recebendo a de-
nominação de Clima Tropical Brasil Central subquente semi-úmido (4 a 5 meses
de seca). A região apresenta uma temperatura média de 17º C para o mês mais
frio, julho; 23º C para o mês mais quente, fevereiro; com precipitações no verão,
sendo de 300 mm no mês mais chuvoso, dezembro; com Inverno seco, sendo de
5 mm no mês mais seco, julho/agosto (EPAMIG et al. , 1982).
3.3. Principais características do solo
As análises químicas do solo das áreas experimentais foram realizadas
pelo Laboratório Unithal – Campinas/SP, em 31 de janeiro de 2001 (Tabela 1).
O solo da área experimental pertence à classe textural argiloso, possuin-
do 52,3 % de argila, 23,6 % de silte e 24,1 % de areia, com densidades aparente
e real de 1,0 e 2,7 respectivamente, na área irrigada por gotejamento. Na área
20
irrigada por pivô central, o solo pertence à classe textural argiloso, com 21,5 %
de areia, 55,3 % de argila e 23,2 % de silte, com densidades aparente de 1,0 e
real de 2,7.
Tabela 1 - Análise química do solo da área experimental em Patos de Minas –
MG, pertencente à Unilever Bestfoods. Uberlândia, 2002.
Macronutrientes Gotejo Setor 6 Pivô Quadrante 4
pH CaCl2 5,6 5,1
pH H2O 6,2 5,8
pH SMP 6,45 6,25
H + Al cmolc 2,6 3,3
Al cmolc 0,0 0,0
Ca cmolc 6,0 3,1
Mg cmolc 2,7 1,7
K cmolc 0,32 0,25
P mg/dm3
(Mehlich) 25,0 12,0
P mg/dm3
(resina) 41,0 25,0
P mg/dm3
(remane.) 14,0 5,0
C g/dm3
25,0 22,0
M.O. % 4,3 3,8
SB cmolc 9,02 5,05
CTC cmolc 11,62 8,35
V % 77,62 60,48
Ca/Mg 2,2 1,8
Micronutrientes
S mg/dm3
30,6 14,0
Na mg/dm3
2,5 4,0
B mg/dm3
0,2 0,3
Fe mg/dm3
35,5 37,5
Mn mg/dm3
7,5 4,0
Cu mg/dm3
2,0 2,5
Zn mg/dm3
8,5 10,5
Mo mg/dm3
0,2 0,2
Co mg/dm3
0,1 0,2
3.4. Genótipos utilizados
21
No presente trabalho utilizou-se 30 famílias de tomateiro nas gerações
F5 ou F6 (numeradas de 1 a 30), provenientes do Programa de Melhoramento do
Tomateiro da Universidade Federal de Uberlândia – Instituto de Ciências Agrá-
rias. A escolha das famílias se deu a partir de dados de experimentos realizados
em Uberlândia – MG, em anos anteriores, levando-se em consideração os valo-
res médios obtidos pelas famílias para produtividade, sólidos solúveis totais, pH
e acidez total titulável.
Optou-se por incluir no ensaio os híbridos Heinz 9553, Heinz 7155 N2 e
Hypeel 108, atualmente mais utilizados pelos produtores da região de Patos de
Minas – MG, por alcançarem os melhores padrões de qualidade e produtividade
em ensaios realizados pela equipe de pesquisa da Unilever Bestfoods.
3.5. Delineamento experimental
Os 33 genótipos foram avaliados no sistema de produção com irrigação
por pivô central e no sistema de produção com irrigação por gotejamento. O
delineamento experimental adotado foi, para cada um dos sistemas de produção,
o de blocos casualizados, com 4 blocos e 1 repetição por bloco.
No sistema de produção com irrigação via pivô central utilizou-se parce-
las com linhas simples de 5 metros de comprimento, espaçadas 1,3 metros entre
si. A população foi de 27 mil plantas por hectare.
No sistema de produção com irrigação via gotejamento utilizou-se par-
celas com linhas duplas de 10 metros de comprimento, com espaçamento entre
linhas de 0,5 metros e entre duplas de 1,3 metros. A população foi de 27 mil
plantas por hectare.
3.6. Condução dos ensaios
22
3.6.1. Preparo do solo e adubação
Na área destinada ao ensaio sob irrigação via pivô central, o solo foi
preparado com uma aração a 25 cm de profundidade e gradeado. Na seqüência
aplicou-se 1,5 litros por hectare de Trifluralina e 1,0 litro por hectare de Sencor,
em pré-plantio-incorporado. A adubação de plantio consistiu de 1500 kg/ha de
04-30-16 + 0,5% Zn + 0,02% B. Junto à adubação de plantio, foram aplicados
30 kg/ha de Furadan 5G para o controle de nematóides. A adubação de cobertura
foi feita com 160 kg/ha de nitrato de amônia e 103 kg/ha de cloreto de potássio
granulado, aos 25 dias após o transplantio.
Na área destinada ao ensaio sob irrigação via gotejamento, o solo foi
preparado com uma aração a 25 cm de profundidade e gradeado. A seguir apli-
cou-se, em pré-plantio-incorporado, os herbicidas Trifluralina (1,3 litros/ha) e
Sencor (0,9 l/ha). A adubação de plantio consistiu-se de 1500 kg/ha de 04-30-16
+ 0,5% Zn + 0,02% B. Junto com a adubação de plantio, aplicou-se 30 kg/ha de
Furadan 5G. A complementação da adubação foi feita via água de irrigação (Ta-
bela 2). O Nitrogênio foi fornecido na forma de nitrato de amônio, o Fósforo na
forma de ácido fosfórico e o Potássio como cloreto de potássio branco.
23
Tabela 2 - Fertirrigação na área destinada ao ensaio sob irrigação via gotejamen-
to. Uberlândia, 2002.
DATA
N P2O5 K2O
kg/ha
18/07/01 20 10
24/07/01 10 10
01/08/01 10 5
08/08/01 10 10
15/08/01 10 10
24/08/01 10 20
31/08/01 10 20
07/09/01 10 10 20
13/09/01 20
20/09/01 20
Total 80 65 100
3.6.2. Semeadura, germinação e transplantio
A semeadura foi realizada em bandejas de prolipropileno expandido de
200 células com substrato comercial para hortaliças, mantidas em túnel plástico,
sobre bancadas distantes cerca de 1,0 metro do chão.
Para o experimento conduzido sob irrigação por pivô central, a semea-
dura foi realizada em 12 de maio de 2001, tendo se iniciado a germinação em 19
de maio de 2001. O transplante das mudas para o campo ocorreu em 13 de junho
de 2001, com uma muda por cova.
Para o experimento conduzido sob irrigação via gotejamento, a semea-
dura realizou-se em 19 de maio de 2001 e a germinação iniciou em 27 de maio
de 2001. O transplante das mudas para o campo deu-se em 20 de junho de 2001,
com uma muda por cova.
3.6.3. Irrigação
24
O pivô central é da marca Agrogeral modelo 1LM4LP, com 309,4 m de
comprimento e 7 torres e foi instalado no ano de 1991. A distância entre os as-
persores varia de 2,5 m a 3,5 m, da extremidade ao centro, respectivamente. A
vazão dos aspersores varia de 0,22 m3
/h a 1,7 m3
/h do centro à extremidade,
respectivamente.
A irrigação por gotejamento foi feita via subsuperfície com fita Netafin
com 120 m de comprimento, 1,65 l/h de vazão por gotejador e 0,4 m de distância
entre gotejadores, enterrada a cerca de 20 cm da superfície do solo. A bomba
utilizada possui 10 cv de potência. A adição de fertilizantes à água de irrigação
foi feita através de tubo tipo venturi acoplado à tubulação principal.
Para os dois sistemas, fez-se o monitoramento da umidade do solo atra-
vés de tensiômetros instalados a 20 cm e a 40 cm de profundidade. Antes de se
iniciar o transplante aplicou-se uma lâmina de irrigação para a tensão de água no
solo alcançar a capacidade de campo, para facilitar o trabalho de transplantio e
ocasionar menor estresse às plantas.
Durante os 100 primeiros dias após o transplantio, procurou-se iniciar a
aplicação das lâminas de irrigação sempre que a tensão de água no solo na pro-
fundidade de 20 cm alcançava 0,25-0,35 KPa para a área sob gotejamento. A
evaporação real no período entre duas irrigações subsequentes foi determinada
através da evaporação da água medida em tanque classe “A” menos a precipita-
ção pluviométrica no período. A lâmina real a ser aplicada foi calculada multi-
plicando-se a evaporação real por uma constante que variou conforme o estádio
de desenvolvimento da cultura (Tabela 3).
Por não se dispor de dados relativos à correlação entre tensão da água e
umidade do solo na área do pivô central, fez-se o intervalo entre duas lâminas
subsequentes de acordo com a experiência empírica do técnico responsável. A
lâmina real aplicada em cada momento de irrigação foi calculada subtraindo-se a
25
precipitação pluviométrica da evaporação da água medida em tanque classe “A”
(Tabela 3).
A partir de aproximadamente 100 dias após o transplantio não mais se
aplicaram lâminas de irrigação aos experimentos, nos dois sistemas. Desta fase
da cultura em diante, correspondente ao período de maturação de frutos, reco-
menda-se a aplicação de lâminas mínimas, somente para as plantas não alcança-
rem o ponto de murcha permanente, visando obter maior concentração de sóli-
dos solúveis nos frutos. Mas, devido ao experimento ter sido conduzido no final
da estação de cultivo (plantio tardio), a ocorrência de chuvas no final do ciclo,
principalmente no experimento sob irrigação via gotejamento, que foi colhido 20
dias após o experimento com irrigação via pivô central, limitou bastante o es-
tresse hídrico que pretendia-se aplicar à cultura neste estádio.
26
Tabela 3 - Evapotranspiração medida no tanque classe A (mm), precipitação
pluviométrica (mm), lâmina de irrigação aplicada (mm), tensão média de água
no solo nas profundidades de 20 cm e 40 cm das áreas experimentais sob irriga-
ção via pivô central e gotejamento. Uberlândia, 2002.
Pivô Central Gotejamento
DATA TCA P.P. LAM 20cm 40cm LAM 20cm 40cm
10/06/01 2,90 9,68
11/06/01 3,60 5,81
12/06/01 2,70
13/06/01 2,60 5,81
14/06/01 2,50 9,68
15/06/01 3,40
16/06/01 2,90 0,11 0,17
17/06/01 3,30 12,60 0,12 0,18
18/06/01 2,80 0,08 0,17 36,60
19/06/01 2,30 0,10 0,16
20/06/01 3,50 7,50 0,12 0,17 11,80
21/06/01 2,60 0,11 0,18
22/06/01 2,30 0,13 0,18 11,60
23/06/01 3,30 0,16 0,19
24/06/01 3,10 0,18 0,19 6,90
25/06/01 4,50 0,21 0,21
26/06/01 3,90 0,22 0,22 4,60
27/06/01 3,50 19,16 0,29 0,23
28/06/01 3,50 0,18 0,22 8,00
29/06/01 3,40 0,14 0,23 4,60
30/06/01 3,60 26,80 0,14 0,22
01/07/01 3,40 0,06 0,16 6,90
02/07/01 2,40 0,09 0,16 0,09 0,12
03/07/01 3,30 0,10 0,15 0,10 0,13
04/07/01 3,10 0,11 0,16 9,20 0,13 0,15
05/07/01 3,80 0,13 0,16 0,12 0,15
06/07/01 5,30 0,16 0,17 0,11 0,14
07/07/01 3,40 19,30 0,21 0,19 0,12 0,14
08/07/01 2,80 0,17 0,21 0,14 0,15
09/07/01 2,90 0,13 0,19 0,16 0,16
10/07/01 3,40 0,13 0,19 0,19 0,17
11/07/01 4,20 0,16 0,20 0,21 0,18
12/07/01 3,80 0,23 0,21 0,24 0,19
13/07/01 4,00 0,32 0,23 0,30 0,20
14/07/01 3,70 0,42 0,25 0,38 0,21
15/07/01 3,50 0,47 0,26 0,48 0,22
16/07/01 4,00 0,49 0,27 0,57 0,23
17/07/01 3,30 0,55 0,31 0,61 0,24
18/07/01 4,20 19,40 0,59 0,35 27,50 0,70 0,27
19/07/01 3,10 0,42 0,37 0,56 0,15
20/07/01 3,90 0,40 0,35 0,09 0,12
21/07/01 4,30 0,42 0,36 0,17 0,15
22/07/01 3,00 0,45 0,37 0,19 0,17
continua...
27
Tabela 3. continuação
23/07/01 3,70 0,49 0,41 0,27 0,18
24/07/01 2,70 0,48 0,41 11,10 0,51 0,23
25/07/01 3,90 0,51 0,44 0,13 0,16
26/07/01 5,10 0,58 0,48 0,18 0,19
27/07/01 4,80 0,64 0,55 0,29 0,21
28/07/01 4,90 36,80 0,65 0,62 0,53 0,26
29/07/01 3,80 0,45 0,65 10,70 0,68 0,32
30/07/01 3,80 0,27 0,56 0,39 0,22
31/07/01 3,30 0,24 0,39 0,32 0,24
01/08/01 4,50 0,30 0,40 8,70 0,52 0,30
02/08/01 5,00 0,40 0,44 0,46 0,27
03/08/01 5,20 0,50 0,48 0,38 0,27
04/08/01 5,30 0,59 0,56 0,59 0,44
05/08/01 4,90 47,50 0,65 0,59 14,00 0,62 0,47
06/08/01 5,00 0,19 0,45 0,38 0,20
07/08/01 4,70 0,08 0,40 0,26 0,23
08/08/01 5,10 6,80 0,12 0,36 10,20 0,39 0,30
09/08/01 4,20 0,11 0,27 0,24 0,25
10/08/01 3,80 0,14 0,33 0,23 0,23
11/08/01 4,50 0,18 0,36 13,10 0,41 0,37
12/08/01 5,20 0,24 0,45 0,11 0,16
13/08/01 4,50 0,29 0,49 0,17 0,21
14/08/01 5,50 0,55 0,53 0,30 0,28
15/08/01 4,80 32,60 0,19 0,49 15,80 0,56 0,43
16/08/01 5,50 0,09 0,48 0,10 0,15
17/08/01 5,40 0,14 0,41 0,15 0,21
18/08/01 6,10 0,17 0,44 0,27 0,30
19/08/01 4,70 0,30 0,47 21,80 0,52 0,46
20/08/01 5,30 0,42 0,53 0,08 0,13
21/08/01 4,80 0,55 0,60 0,11 0,17
22/08/01 5,80 0,65 0,68 0,18 0,23
23/08/01 4,90 2,00 0,71 0,71 0,33 0,29
24/08/01 0,00 11,00 0,57 0,81 10,10 0,56 0,49
25/08/01 2,00 2,00 0,60 0,84 0,24 0,14
26/08/01 0,00 3,50 0,61 0,85 0,11 0,16
27/08/01 0,00 9,00 0,61 0,85 0,16 0,21
28/08/01 3,70 0,53 0,79 0,10 0,22
29/08/01 0,00 23,00 0,56 0,82 0,14 0,26
30/08/01 2,80 0,16 0,81 0,07 0,24
31/08/01 3,00 0,08 0,78 0,08 0,15
01/09/01 4,90 0,22 0,59 0,12 0,17
02/09/01 4,80 0,37 0,62 0,16 0,19
03/09/01 5,00 0,41 0,66 0,13 0,18
04/09/01 4,70 0,54 0,70 0,19 0,28
05/09/01 4,80 0,61 0,76 0,30 0,34
06/09/01 5,50 0,68 0,80 0,50 0,41
07/09/01 4,70 0,72 0,80 38,00 0,45 0,49
08/09/01 5,30 53,00 0,79 0,83 0,05 0,10
09/09/01 5,00 0,58 0,74 0,08 0,13
continua...
28
Tabela 3. Continuação
10/09/01 5,20 0,30 0,61 0,10 0,14
11/09/01 5,70 0,10 0,23 0,12 0,19
12/09/01 1,80 5,00 0,22 0,42 0,16 0,27
13/09/01 5,00 0,36 0,53 30,50 0,45 0,35
14/09/01 0,00 7,00 0,46 0,58 0,07 0,12
15/09/01 0,00 2,00 0,59 0,64 0,11 0,16
16/09/01 1,70 2,00 0,59 0,65 0,12 0,17
17/09/01 5,50 0,57 0,63 0,11 0,16
18/09/01 5,30 0,57 0,65 0,14 0,19
19/09/01 5,70 0,62 0,69 0,19 0,22
20/09/01 6,50 0,64 0,72 23,20 0,34 0,34
21/09/01 6,20 0,70 0,74 0,07 0,10
22/09/01 5,00 53,00 0,66 0,80 0,12 0,14
23/09/01 0,00 12,00 0,19 0,19
24/09/01 0,00 8,00 0,06 0,59 0,21 0,22
25/09/01 2,50 2,50 0,06 0,23 0,25 0,29
26/09/01 0,00 4,00 0,08 0,13 0,28 0,31
27/09/01 1,00 2,00 0,09 0,15 0,29 0,32
28/09/01 0,00 16,00 0,09 0,14 0,27 0,32
29/09/01 2,80 0,06 0,11 0,12 0,35
30/09/01 4,50 0,08 0,13 0,10 0,32
01/10/01 2,40 0,08 0,13 0,12 0,32
02/10/01 0,00 37,00 0,09 0,14 0,14 0,32
03/10/01 5,00 0,05 0,09 0,05 0,26
04/10/01 4,50 0,07 0,12 0,07 0,17
05/10/01 6,80 0,07 0,12 0,08 0,14
06/10/01 5,70 0,08 0,12 0,09 0,16
07/10/01 0,00 6,50 0,13 0,14 0,13 0,19
08/10/01 0,00 20,00 0,23 0,19 0,21 0,25
09/10/01 0,00 6,00 0,08 0,17 0,16 0,25
10/10/01 2,90 0,07 0,11 0,08 0,20
11/10/01 4,10 0,08 0,12 0,10 0,18
12/10/01 3,50 0,10 0,16
13/10/01 5,80 0,12 0,18
14/10/01 4,40 1,00 0,11 0,17
15/10/01 0,20 2,00 0,19 0,22
16/10/01 4,70 0,19 0,22
17/10/01 0,00 5,00 0,24 0,24
18/10/01 4,00 0,26 0,23
3.6.4. Tratamentos fitossanitários
Os tratamentos fitossanitários foram feitos de acordo com o monitora-
mento das áreas experimentais, em função dos patógenos, pragas e ervas dani-
nhas presentes (Tabelas 4 e 5).
29
Tabela 4 - Pulverizações de produtos agroquímicos visando o controle das pra-
gas, doenças e ervas daninhas no experimento irrigado via pivô central. Uber-
lândia, 2002.
Data Produto
Dose Vazão
kg/l/ha l/ha
29/05/01 Sencor 1 400
" Trifuralina 1,5 400
11/06/01 Clorpirifos 1,3 via pivot
(100%)
18/06/01 Orthocide 2 300
" Tamarom 0,9 300
" Aminosan 1,5 300
22/06/01 Manzate 2,5 300
" Hostathion 1 300
" Map Purifica-
do
0,50% 300
03/07/01 Bravonil
Ultrex
1,5 300
" Orthene 0,52 300
Trigard 0,1 300
11/07/01 Dithane 3 300
" Kocide 1,2 300
" Tamaron 1 300
" Applaud 1 300
19/07/01 Bravonil
Ultrex
1,6 400
" Orthene 1 400
" Danimen 0,25 400
31/07/01 Brav, Ultrex 1,75 500
" Sialex 1 500
" Fastac 0,375 500
" Trigard 0,12 500
" Agral 0,025% 500
03/08/01 Molibdato De
Sodio
0,015% 500
" Viça Horta 2 500
08/08/01 Frowncide 2 via pivot
(100%)
09/08/01 Tracer 0,13 600
" Tamaron 1 600
" Recop 2,5 600
" Manzate 3 600
" Agral 0,025% 600
10/08/01 Grow Master
Calcio E Boro
0,4% 600
16/08/01 Turbo 0,5 1000
" Orthene 1 1000
Data Produto
Dose Vazão
kg/l/ha l/ha
16/08/01 Bravonil
Ultrex
1,5 1000
" Sialex 1,5 1000
" Agral 0,03% 1000
23/08/01 Fusilade 1,5 500
" Profol (Foliar) 2 500
30/08/01 Cartap 1,6 800
" Applaud 1,08 800
" Manzate 3,2 800
" Cercobin 1 800
" Agral 0,03% 800
04/09/01 Cobre Recop 3 kg 1000
" Sulfato De
Magnêsio
0,50% 1000
" Aminosan 1,5lt 1000
" Nomolt 0,4 kg 1001
12/09/01 Cordial 1 1000
" Turbo 0,5 1000
" Frowncide 1 1000
18/09/01 Rumo 0,15 kg 1000
" Danimen 0,25 lt 1000
" Oleo Vegetal 0,25% 1000
" Amistar 0,12 kg 1000
" Manzate 3,0 kg 1000
28/09/01 Cartap 2 ,0 kg 1000
" Tracer 0,15 lt 1000
" Aumax 0,20% 1000
" Amistar 0,16 kg 1000
" Dithane 3,5 kg 1000
04/10/01 Sialex 1,5 kg 1000
" Cercobin 1,5 lt 1000
" Cobre Recop 2,5 kg 1000
" Danimen 0,3 lt 1000
" Tracer 0,15 lt 1000
" Agral 0,05% 1000
11/10/01 Rumo 0,13 1000
" Bac Control 1 1000
" Amistar 0,2 1000
" Oleo Vegetal 0,25% 1000
20/10/01 Oleo Vegetal 0,25% 1000
" Cercobin 1,0 lt 1000
" Folicur 1,5 lt 1000
" Brav, Ultrex 2,0 kg 1000
30
Tabela 5 - Pulverizações de produtos agroquímicos visando o controle das pra-
gas, doenças e ervas daninhas no experimento sob irrigação via gotejamento.
Uberlândia, 2002.
DATA Produto DOSE VAZÃO
kg/l/ha l/ha
15/06/01 Sencor 0,9 300
" Trifuralina 1,3 300
22/06/01 Manzate 2,5 300
" Tamarom 1 300
03/07/01 Brav, Ultrex 1,5 300
" Orthene 1 300
" Bac Control 0,6 300
" Trigard 0,1 300
" Aumax 0,20% 300
11/07/01 Tamaron 1 300
" Applaud 1 300
" Bac Control 0,6 300
20/07/01 Dithane 3 400
" Bac Control 0,8 400
" Orthene 1 400
" Agral 0,03% 400
27/07/01 Bac Control 0,8 400
" Agral 0,03% 400
31/07/01 Brav Ultrex 1,6 500
" Bac Control 0,8 500
" Danimem 0,2 500
" Kocide 1,0 500
Agral 0,03% 500
03/08/01 Molibdato De
Sodio
0,015% 500
" Viça Horta 2 500
07/08/01 Tracer 0,13 600
" Tamaron 1 600
" Manzate 3 600
" Agral 0,025% 600
11/08/01 Frowncide 1,5 gotejo
14/08/01 Bac Control 0,8 800
" Fastac 0,3 800
" Trigard 0,12 800
" Cercobin 1 800
" Aumax 0,15% 800
" Agral 0,025% 800
22/08/01 Bac Control 0,8 800
" Turbo 0,4 800
" Brav. Ultrex 2 800
" Recop 2,5 800
" Agral 0,03% 800
31/08/01 Rumo 0,12 800
" Oleo Vegetal 0,25% 800
" Cordial 0,99 800
DATA Produto DOSE VAZÃO
kg/l/ha l/ha
" Sialex 1,2 800
" Manzate 3 800
06/09/01 Tracer 013 kg 1000
" Bac Control 0,8 kg 1000
" Kocide 1,5 kg 1000
" Brav Ultrex 2,0 kg 1000
11/09/01 Orthene 1 1000
" Turbo 0,4 1000
" Othocide 2,8 1000
13/09/01 Ronilan 1,25 gotejo
17/09/01 Dithane 3,0 kg 1000
" Pirate 1,0 l 1000
" Cartap 2,0 l 1000
" Aumax 0,02% 1000
28/09/01 Oleo Vegetal 0,25% 1000
" Rumo 0,15 kg 1000
" Danimen 0,3 l 1000
" Amistar 0,16 kg 1000
" Cercobin 1,25 l 1000
04/10/01 Sialex 1,5 kg 1000
" Cercobin 1,5 lt 1000
" Cobre Recop 2,5 kg 1000
" Danimen 0,3 l 1000
" Tracer 0,15 l 1000
" Agral 0,05% 1000
11/10/01 Turbo 0,5 1000
" Vertimec 0,5 1001
" Amistar 0,16 1002
" Bravonil 2 1003
" Agral 0,05% 1004
20/10/01 Oleo Vegetal 0,25% 1000
" Cercobin 1,0 l 1000
" Folicur 1,5 l 1000
" Brav, Ultrex 2,0 kg 1000
" Turbo 0,5 l 1000
31
3.6.5. Colheita
A colheita dos experimentos foi feita de forma manual. Sob o pivô cen-
tral foi realizada quando os híbridos apresentaram porcentagem visual de frutos
maduros adequada. Nesta época, devido à ocorrência de chuvas e às característi-
cas de porte de planta e precocidade de algumas famílias, houve pequena por-
centagem de frutos podres, correspondentes à primeira penca, principalmente,
que estavam derretidos devido à podridão bacteriana e portanto não foram con-
tabilizados no ensaio. Para a colheita do experimento sob irrigação via goteja-
mento, adotou-se os mesmos critérios.
Colheram-se os frutos do experimento sob pivô central no dia 11 de
outubro de 2001, aos 152 dias após a semeadura e 120 dias após o transplante. Já
no experimento sob irrigação via gotejamento, a colheita realizou-se no dia 30
de outubro de 2001, aos 164 dias após a semeadura e 132 dias após o transplan-
tio.
3.7. Características avaliadas
3.7.1. Características agronômicas
3.7.1.1. Características de planta e fruto analisadas visualmente
No dia da colheita, procedeu-se análise visual das parcelas em um dos
blocos de cada experimento com a finalidade de caracterizar cada um dos genó-
tipos quanto às seguintes características (Tabela 6):
a) Porte da planta - refere-se ao comprimento das hastes principais e
secundárias. O tipo “grande” ocupa uma grande área em torno da cova, enquanto
32
o tipo “compacto” possui hastes mais curtas e, portanto, ocupa menor área em
torno da cova.
b) Grau de uniformidade das plantas - mostra se todas as plantas da par-
cela apresentam as mesmas características de cobertura foliar e porte de planta.
c) Formato do fruto - tipo “bloco” apresenta-se com comprimento maior
que o diâmetro e formato que se assemelha a um paralelepípedo. O fruto com
formato tipo “pêra” apresenta a região próxima ao pedúnculo com diâmetro
menor do que a região da base do fruto. O fruto com formato tipo “redondo”
apresenta comprimento e diâmetro iguais. O fruto com formato tipo “pê-
ra/bloco” apresenta as características do tipo bloco, porém, com a região próxi-
ma ao pedúnculo com diâmetro menor. O fruto com formato tipo “alongado”
apresenta diâmetro uniforme por todo o sentido longitudinal do fruto e bem me-
nor do que o comprimento. O fruto com formato tipo “oval” apresenta os diâme-
tros das extremidades menores do que o diâmetro da região equatorial do fruto,
sendo o diâmetro menor do que o comprimento. O fruto com formato tipo “lo-
bado” apresenta depressões por todo o sentido longitudinal do fruto, que come-
çam próximo à cicatriz peduncular e vão até a base do fruto, acompanhando as
junções entre os lóculos do fruto. O fruto com formato tipo “caqui” apresenta
diâmetro bem maior que o comprimento.
d) Firmeza dos frutos - refere-se à capacidade do fruto resistir à com-
pressão feita através da ponta dos dedos. Os frutos moles amassam-se com faci-
lidade, enquanto os frutos com firmeza excelente resistem praticamente intactos
à pressão.
e) Cor externa - é excelente quando todos os frutos da parcela apresen-
tam coloração vermelha e ruim quando apenas uma pequena quantidade dos
frutos a exibem.
33
f) Densidade - refere-se ao preenchimento interno dos frutos. Nos frutos
cheios não há espaços vazios e nos frutos muito ocados há predominância de
espaços vazios no seu interior.
g) Teor de água - foi obtido amassando-se uma metade de três frutos por
parcela com a palma das mãos. Dos frutos muito secos nenhuma água pôde ser
extraída, enquanto que dos frutos aguados considerável quantidade de água era
extraída quando da compressão dos frutos.
h) Quantidade de sementes nos frutos - adotou-se uma escala comparati-
va que variou de muito poucas sementes até muitas sementes.
i) Observou-se também a ocorrência de podridão apical dos frutos (de
ausente até alta) e de rachaduras longitudinais + concêntricas (ausente até alta).
Tabela 6 - Características avaliadas visualmente nos experimentos sob irrigação
por gotejamento e pivô central. Uberlândia, 2002.
Características
das Plantas
Níveis de Avaliação
Hábito de
Crescimento
Indeterminado
(I)
Determinado
(D)
Porte
compacto
(C)
pequeno
(Pq)
médio
(M)
grande
(G)
Uniformidade
excelente
(E)
boa
(B)
regular
(R)
péssima
(Pe)
Características
dos Frutos
Níveis de Avaliação
Formato
bloco
(Bl)
pêra
(P)
redondo
(Rd)
pêra/bloco
(P/B)
alongado
(A)
oval
(O)
lobado
(L)
caqui
(Ca)
Firmeza
excelente
(E)
firme
(F)
regular
(R)
mole
(Mo)
Cor Externa
excelente
(E)
boa
(B)
regular
(R)
ruim
(Ru)
Densidade
cheio
(Ch)
normal
(N)
ocado
(Oc)
muito ocado
(MO)
Teor de Água
muito seco
(MS)
enxuto
(E)
normal
(N)
aguado
(A)
Qde
. Sementes
muitas
(M)
normal
(N)
poucas
(P)
muito poucas
(MP)
Podridão Apical
ausente
(Au)
baixa
(Bx)
média
(M)
alta
(At)
Rachaduras
ausente
(Au)
baixa
(Bx)
média
(M)
alta
(At)
34
3.7.1.2. Produção total
A produção total de frutos, em toneladas por hectare, foi obtida pela
soma das produções de frutos maduros, coloridos, verdes e podres, colhidos em
caixas separadas e pesados imediatamente após a colheita.
3.7.1.3. – Produção de frutos adequados ao processamento
Considerou-se como frutos adequados ao processamento aqueles frutos
que se apresentaram maduros no dia da colheita. A porcentagem de frutos madu-
ros foi obtida através da relação desta variável com a variável produção total.
3.7.1.4. Produção de frutos inadequados ao processamento
A produção de frutos inadequados para o processamento, em toneladas
por hectare, foi obtida pela soma das produções de frutos coloridos, verdes e
podres. Obteve-se as respectivas porcentagens de frutos coloridos, verdes e po-
dres através da relação destas variáveis com a variável produção total.
3.7.1.5. Peso médio, comprimento e diâmetro dos frutos madu-
ros
O peso médio dos frutos maduros foi obtido a partir de uma amostra de
20 frutos maduros coletados ao acaso dentro das parcelas, no dia da colheita, que
foram pesados imediatamente.
A partir de 20 frutos maduros de um dos blocos do ensaio sob irrigação
via gotejamento, obteve-se ainda as medidas de comprimento e diâmetro de
frutos maduros, como medida auxiliar na caracterização dos genótipos. Os inter-
35
valos de confiança para as médias foram obtidos de acordo com o proposto por
Gomes (1990), ao nível de 5% de probabilidade.
3.7.1.6. Número de frutos maduros por planta
A partir do peso médio de frutos maduros (PMFM), do número de plan-
tas por hectare (NPH) e da produção de frutos maduros por hectare (PFMH),
obteve-se o número médio de frutos maduros por planta (NMFMP), fazendo-se a
seguinte relação: NMFMP = PFMH / (PMFM*NPH).
3.7.2. Características industriais
Para determinação das principais características industriais coletou-se,
ao acaso, 20 frutos de tomate maduros, de cada parcela, no dia da colheita.
Após a coleta no campo, as amostras foram imediatamente transportadas
para a planta piloto, localizada na unidade industrial para processamento de to-
mates da Unilever Bestfoods Brasil, no município de Patos de Minas – MG.
3.7.2.1. - Sólidos solúveis totais
Para a determinação da porcentagem de sólidos solúveis totais (º brix),
pH e acidez total titulável, triturou-se 10 frutos em liqüidificador. O suco foi
homogeneizado e algumas gotas da amostra foram colocadas sobre o prisma de
um refratômetro marca Bellingham + Stanley, modelo RFM320, que retorna a
porcentagem de sólidos solúveis totais da amostra.
3.7.2.2. – Acidez total titulável
36
Para determinar a acidez total titulável utilizou-se um equipamento mar-
ca Metrohm 712S Titrino com eletrodo e teclado e uma balança analítica. Pesou-
se uma amostra de 10 g do suco em um beaker sobre a balança analítica. Acres-
centou-se água destilada até o peso de 60 g e homogeneizou-se a amostra. Com
o beaker sobre um agitador magnético (marca Metrohm 728), introduziu-se o
eletrodo. O aparelho retorna o valor da acidez total titulável já corrigida para
porcentagem de ácido cítrico.
3.7.2.3. – pH
Para a determinação do pH utilizou-se equipamento PerpHecT pH, mar-
ca Orion, modelo 310 com um eletrodo tipo Ross Sureflow, modelo 8172. Em
um beaker com a amostra do suco introduziu-se o eletrodo e quando o aparelho
estabilizou anotou-se o valor.
3.7.2.4. Coloração do suco
Para obtenção dos parâmetros de cor (a, b e L) utilizou-se colorímetro
marca HunterLab, modelo ColorQUEST. Dez frutos de tomate foram triturados
em liquidificador, filtrados e homogeneizados tomando-se o cuidado de não
incorporar bolhas de ar na amostra. A seguir, uma amostra de 80 g foi colocada
na leitora do aparelho.
3.7.2.5. – Rendimento industrial
O rendimento industrial de polpa foi obtido utilizando-se a fórmula: R (t
de polpa/ha) = [(PFM (t/ha) x 0,95) x ºBrix do suco ] / 28, onde R é o rendimen-
37
to industrial de polpa concentrada a 28 ºBrix e PFM é a produção de frutos ma-
duros (Giordano et al. , 2000).
3.8. Métodos de análise estatística
3.8.1. Transformação dos dados
Antes da análise estatística, os dados foram submetidos aos testes de
normalidade e homogeneidade de variâncias, através do programa Prophet 5.0.
As variáveis que apresentaram distribuição normal e homogeneidade de variân-
cia não sofreram transformação. As variáveis que apresentaram distribuição não-
normal e/ou heterogeneidade de variâncias foram transformadas seguindo reco-
mendação de Gomes (1990).
3.8.2. Análise de variância
As análises de variância (teste F) foram processadas no programa com-
putacional Genes (Cruz, 1997).
Para a análise de variância conjunta dos experimentos utilizou-se a roti-
na análise de variância fatorial com testemunhas adicionais, análise conjunta
modelo Yijk = m + Gi + B/Ajk + Aj + GAij + Eijk, onde considerou-se os três
híbridos como testemunhas adicionais, as famílias como genótipos e os sistemas
como ambientes, com efeitos de genótipos e ambientes fixos. Y é o valor obser-
vado, m é a média, G é o efeito do genótipo, B é o efeito do bloco, A é o efeito
do ambiente e E é o efeito do erro experimental.
Quando a análise conjunta apresentou significância, ao nível de 5%, para
a interação tratamentos x ambiente, procedeu-se a análise individual, através do
programa GENES, utilizando-se a rotina análise de variância fatorial com teste-
munhas adicionais, análise individual modelo Yijk = m + Gi + Bk + Eik. Y é o
38
valor observado, m é a média, G é o efeito do genótipo, B é o efeito do bloco e E
é o efeito do erro experimental.
3.8.3. Comparação entre médias
As comparações entre as médias foram processadas no programa com-
putacional Genes (Cruz, 1997) utilizando-se o teste de Scott-Knott (Scott &
Knott, 1974, Ferreira et al., 1999).
3.8.4. Correlação entre caracteres
As correlações entre os caracteres foram obtidas e testadas pela metodo-
logia proposta por Gomes (1990), utilizando-se a rotina correlação de Pearson
no programa computacional SAEG (Euclides, 1999).
39
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1. Características gerais dos ensaios
Durante o ano agrícola de 2001, foram medidos diariamente, no local do
ensaio, os valores de temperatura do ar máxima, mínima e média, da umidade
relativa do ar, da precipitação pluviométrica e da evaporação no tanque classe
“A” (Tabela 7).
Tabela 7 - Médias mensais de temperatura máxima, mínima e média, umidade
relativa do ar, precipitação pluviométrica e evaporação (tanque classe “A”) na
Estação Experimental Fazenda Barreiro no ano de 2001. Uberlândia, 2002.
Mês
Temperatura ºC
U.R.
(%)
Chuva
(mm)
Evaporação
(mm)Máxima
Média
Mínima
Média
Média
Jan. 29,0 16,5 22,0 65,3 155,5 -
Fev. 29,4 15,5 22,4 64,2 39,0 139,18
Mar. 26,6 14,5 20,5 64,9 295,5 106,3
Abr. 26,9 12,5 19,7 67,1 10,0 123,5
Mai. 24,6 9,5 17,0 63,8 43,0 87,4
Jun. 23,8 7,0 15,4 63,9 0,0 96,6
Jul. 24,7 6,5 15,6 63,5 0,0 115,5
Ago. 24,2 7,1 15,6 60,5 50,5 126,2
Set. 25,8 10,6 18,2 62,1 60,5 109,1
Out. 26,4 13,6 20,0 65,9 95,5 114,4
Nov. 27,1 16,4 21,8 68,2 203,0 -
Dez. 26,1 15,9 21,0 70,2 223,0 -
Ano 26,2 12,1 19,1 65,0 1175,5 -
Pelas médias obtidas inferiu-se que, no ano de 2001, o comportamento
das principais variáveis climáticas não diferiu das normais climatológicas da
região obtidas por EPAMIG et al. (1982), para o município de Patos de Minas –
MG.
40
4.2. Características de planta e frutos analisadas visualmente
Segundo Zahara (1970), Rich (1978) e Melo (2001), os melhores traba-
lhos de melhoramento de tomateiros visando produção industrial dizem respeito
à obtenção de plantas compactas, pequenas, com amadurecimento dos frutos
concentrado, produtivas, resistentes a doenças e outras características visando
especialmente a colheita mecânica.
Desta forma, os resultados da avaliação visual dos genótipos serão utili-
zados, neste trabalho, para ajudar na seleção de genótipos com estas característi-
cas adicionais, além das tradicionalmente utilizadas (produção e qualidade in-
dustrial).
No ensaio sob pivô central (Tabela 8), o genótipo que mais se destacou
foi o híbrido Heinz 9553. Apresentou hábito de crescimento determinado, porte
de planta pequeno, boa uniformidade de plantas, fruto com formato alongado,
firme, boa cor externa, densidade cheio, teor de água enxuto, quantidade de se-
mentes normal, jointless, sem podridão apical e sem rachaduras.
A família UFU-06 destacou-se das demais, pois tem hábito de cresci-
mento determinado, boa uniformidade de plantas, frutos redondos, firmes, com
boa coloração externa, densidade cheio, teor de água normal, quantidade de se-
mentes normal, jointless, sem podridão apical e sem rachaduras. Só apresentou
um defeito: plantas com porte médio. Este parece ser o principal problema com
as famílias estudadas, pois nenhuma apresentou porte pequeno ou compacto, o
que é desejável no tomateiro industrial (Filgueira, 2000 e Melo 2001). Deve-se
destacar que esta é uma característica importante, por facilitar a colheita manual
ou mecânica e permitir um ambiente mais aerado, diminuindo os problemas com
podridão de frutos e aumentando a porcentagem de frutos maduros.
Os híbridos Heinz 7155N2 e Hypeel 108 apresentaram apenas dois pe-
quenos defeitos: firmeza e cor externa regulares. Para as outras características
41
tiveram a mesma performance dos genótipos Heinz 9553 e UFU 06. A coloração
dos frutos é característica fundamental em tomates destinados à industrialização
(Conceição, 1981; Melo, 2001; Maluf, 1994).
As famílias UFU 11, UFU 15, UFU 22 e UFU 29 também apresentaram
boas características e por isso podem ser destacadas das demais, mas seu defeito
mais grave foi a presença de um nível médio de rachaduras. As famílias UFU-
02, UFU-05 e UFU 13 também merecem destaque, mas todas apresentaram um
defeito um pouco mais grave para o tomateiro com finalidade industrial que é a
presença de joelho (fenótipo jointed), o que, segundo Maluf (1994), praticamen-
te inviabiliza a colheita mecânica e dificulta a seleção de frutos na esteira de
recepção da unidade processadora. Já a família UFU 26 apresentou como defeito
apenas a pequena quantidade de sementes produzida em seus frutos, o que pode
dificultar muito a aceitação de uma linhagem por elevar muito o custo de produ-
ção de sementes.
No ensaio sob irrigação por gotejamento (Tabela 9) os três híbridos
obtiveram posição de destaque, pois mostraram-se adequados para o tipo indus-
trial em todos os caracteres avaliados visualmente. O mesmo ocorreu com as
famílias UFU 06, UFU 15 e UFU 29. Porém, nestas últimas foi constatado porte
de planta médio. Podendo-se destacar que a família UFU 15 não apresentou
rachaduras no ensaio sob gotejamento, diferentemente do que ocorreu no expe-
rimento sob pivô central, enquanto que a família UFU 29 as apresentou com
nível médio em ambos os experimentos.
A família UFU 02 apresentou plantas com fenótipo jointed, mas nas
demais características mostrou-se adequada para o cultivo industrial. Segundo
Giordano et al. (2000), a ausência de “joelho” faz com que o pedúnculo fique
aderido à planta, facilitando a operação de colheita manual e evitando o trabalho
de remoção dos pedúnculos na linha de processamento.
42
A família UFU 27 apresentou boas características visuais, porém apre-
sentou formato de fruto tipo caqui. O formato de fruto similar aos frutos do
grupo Santa Cruz (“quadrado”) são os preferidos para a indústria (Filgueira,
2000).
Entre os melhores genótipos listados acima em cada sistema separada-
mente, os que se destacaram em ambos os sistemas, para as características avali-
adas neste tópico, foram: H 9553, UFU 06, H 7155 N2, Hypeel 108, UFU 15,
UFU 29 e UFU 02.
As características hábito de crescimento, porte de planta, formato de
fruto, quantidade de sementes, facilidade de colheita e podridão apical mostra-
ram pouca ou nenhuma variação quando comparados os resultados por genótipo
entre os dois ensaios. Já as características uniformidade de plantas, firmeza de
frutos, cor externa, densidade do fruto, teor de água e rachaduras apresentaram
grande variação num mesmo genótipo entre os dois sistemas de cultivo, não se
podendo dizer, nas condições deste experimento, que um ou outro sistema pro-
porcionou melhores ou piores resultados para estas características.
43
Tabela 8 – Avaliação visual de características das plantas (Hábito de Crescimento, Porte e Uniformidade) e característi-
cas dos frutos (Formato, Firmeza, Cor Externa, Densidade, Teor de Água, Qde. Sementes, Podridão Apical e Rachaduras)
dos genótipos de tomateiro para processamento avaliados no sistema de produção irrigado via pivô central. Uberlândia,
2002.
características da
planta
características do fruto
genótipo Há-
bito
Porte Unifor-
midade
Formato Firmeza Cor
Externa
Densidade Teor de
Água
Quant. de
Sementes
Facilidade de
Colheita
Podridão
Apical
Racha-
duras
UFU 01 I1
G B Bl F R Ch MS P Js Au Au
UFU 02 D M B O F B Ch E P Jd Au Au
UFU 03 D G B A R B Ch E N Js Au Au
UFU 04 D G R Bl F R Oc MS P Js Au Au
UFU 05 D M B Rd R B Ch N N Jd Au Au
UFU 06 D M B Rd F B Ch N N Js Au Au
UFU 07 D G B Ca R R Ch E N Jd Au M
UFU 08 D G R Rd/Ca2
F R Ch E N Jd/Js2
Au M
UFU 09 D G B Bl/O2
F B Ch E N Jd Au Au
UFU 10 I G R Rd F B Ch N N Js Au Au
UFU 11 D M B Rd R R Ch N N Js Au M
UFU 12 D G B Rd F B Ch E P Js/Jd2
Au Bx
UFU 13 D M B Bl F B N MS P Jd/Js2
Au Au
UFU 14 I. G B Bl F R Oc N P Js Au Au
UFU 15 D M R Rd R R Ch E N Js Au M
UFU 16 D G B Ca/Rd2
F R Ch N N Jd/Js2
Au M
UFU 17 I G B Rd E R Ch N N Jd Au M
UFU 18 D G R Rd/Ca2
F R Ch N N Jd Au M
UFU 19 I G R Ca/Rd2
F R Ch N N Jd/Js2
Au At
UFU 20 D G B Bl F R Ch MS P Js Au M
UFU 21 I G R Ca F R Ch N N Jd Bx M
UFU 22 D M B Rd F R Ch N N Js Au M
UFU 23 I G B Pe/A2
F B N E N Js Bx Au
UFU 24 I G B Bl/Rd2
F B Oc MS P Js Bx Au
UFU 25 D G R Rd F Ru Oc MS P Js Bx M
44
continua...
Tabela 8 - Continuação
características da
planta
características do fruto
genótipo Há-
bito
Porte Unifor-
midade
Formato Firmeza Cor
Externa
Densidade Teor de
Água
Quant. de
Sementes
Facilidade de
Colheita
Podridão
Apical
Racha-
duras
UFU 26 D M B Pe F R Oc MS P Js Au Au
UFU 27 D G B Ca R R Ch N N Js Au M
UFU 28 I G R Rd F B N E N Js Au Bx
UFU 29 D M B Rd R R N N N Js Au M
UFU 30 I G R Rd F R Ch E N Jd Au M
Heinz 9553 D Pq B A F B Ch E N Js Au Au
Heinz
7155N2
D Pq B A R R N N N Js Au Au
Hypeel 108 D Pq B A R R Ch N N Js Au Au
1
– I (Indeterminado); D (determinado); G (grande); M (médio); Pq (pequeno); C (compacto); E (excelente); B (bom); R
(regular); Ru (ruim); Bl (bloco); O (oval); A (alongado); Rd (redondo); Ca (caqui); Pe (pêra); F (firme); N (normal); Ch
(cheio); Oc (ocado); MS (muito seco); P (poucas); MP (muito poucas); Js (jointless); Jd (jointed); Au (ausente); Bx (bai-
xa); At (alta)
2
– Plantas segregando para a característica dentro da parcela
45
Tabela 9 – Avaliação visual de características das plantas (Hábito de Crescimento, Porte e Uniformidade) e
características dos frutos (Formato, Firmeza, Cor Externa, Densidade, Teor de Água, Qde. Sementes, Podridão
Apical e Rachaduras) dos genótipos de tomateiro para processamento avaliados no sistema de produção irriga-
do via gotejamento. Uberlândia, 2002.
características da planta características do fruto
genótipo Há-
bito
Porte Unifor-
midade
Formato Firmeza Cor
Externa
Densidade Teor de
Água
Quant. de
Sementes
Facilidade de
Colheita
Podridão
Apical
Racha-
duras
UFU 01 I G R Bl R B Ch E P Js Au Au
UFU 02 D Pq B O F R Ch E P Jd Au Au
UFU 03 D G R A R R N E N Js Au Au
UFU 04 D G R Bl R B N E N Js Au Au
UFU 05 D G E Rd R R Ch N N Jd Au Au
UFU 06 D M B Rd F B Ch E N Js Au Au
UFU 07 D G R Ca R R Ch N N Jd Bx At
UFU 08 D G P Rd/Ca2
R B Ch N N Jd/Js2
M At
UFU 09 D M R O/Bl2
R R Oc N P Jd Au Bx
UFU 10 I G R Rd R B Ch N N Js Au Au
UFU 11 D G B Rd/Ca2
R R Ch E N Js Au Au
UFU 12 D G R Rd/Ca2
R B Ch N N Js/Jd2
Au Bx
UFU 13 D G R Bl/Pe2
F B Ch E P Js/Jd2
Au Au
UFU 14 I G R Bl E B Oc E P Js Au Au
UFU 15 D M B Rd F R Ch N N Js Au Au
UFU 16 D G R Ca/Rd2
R R Ch N N Js/Jd2
Au At
UFU 17 I G R Rd/Ca2
F B Ch E N Jd Bx M
UFU 18 D G R Rd/Ca2
R R Ch N N Jd Au At
UFU 19 I G R Ca/Rd2
R R N N N Js/Jd2
M At
UFU 20 D G R Bl R R Oc E P Js Au Bx
UFU 21 I G R Ca/Rd2
F R Ch N N Jd Bx At
UFU 22 D G R Rd F R Ch N N Js Au Au
UFU 23 I G R A/Pe2
F R Oc E P Js Au Au
UFU 24 I G R Rd/Bl2
R R N E P Js Au Au
continua...
46
Tabela 9 - Continuação
características da planta características do fruto
genótipo Há-
bito
Porte Unifor-
midade
Formato Firmeza Cor
Externa
Densidade Teor de
Água
Quant. de
Sementes
Facilidade de
Colheita
Podridão
Apical
Racha-
duras
UFU 25 D G R Rd F B Ch N N Js Au Bx
UFU 26 D M B Pe F B Oc MS MP Js Au Au
UFU 27 D M B Ca R R Ch N N Js Au Au
UFU 28 I G R Rd R B Ch N N Js Au Bx
UFU 29 D M B Rd R R Ch E N Js Au M
UFU 30 I G R Rd F B Ch E N Jd Au Bx
Heinz 9553 D Pq E A F B Ch E N Js Au Au
Heinz
7155N2
D Pq E A F R Ch E N Js Au Au
Hypeel 108 D Pq B A R B Ch N N Js Au Au
1
– I (Indeterminado); D (determinado); G (grande); M (médio); Pq (pequeno); C (compacto); E (excelente); B (bom); R
(regular); Ru (ruim); Bl (bloco); O (oval); A (alongado); Rd (redondo); Ca (caqui); Pe (pêra); F (firme); N (normal); Ch
(cheio); Oc (ocado); MS (muito seco); P (poucas); MP (muito poucas); Js (jointless); Jd (jointed); Au (ausente); Bx (bai-
xa); At (alta)
2
– Plantas segregando para a característica dentro da parcela
47
4.3. Produção total
A análise de variância da produção total realizada conjuntamente entre
os sistemas de produção (Tabela 10) indica que houve diferença significativa
entre genótipos, famílias, híbridos, contraste família versus híbridos, sistemas,
interação genótipos x sistemas, interação famílias x sistemas e interação híbridos
x sistemas. A significância das interações indicam que os genótipos responde-
ram de forma diferencial aos sistemas de irrigação. Este resultado obriga a reali-
zação das análises de variância individuais (Tabela 11).
Tabela 10 – Valores dos Quadrados Médios e respectivos níveis de significância
obtidos pela análise de variância da produção total e da produção de frutos ade-
quados ao processamento (maduros), realizada em conjunto para os sistemas de
produção pivô central e gotejamento. Uberlândia, 2002.
FV GL
Quadrado Médio
Produção Total1
Produção Maduros2
blocos/sistemas 6 0,00265 0,415661
blocos 3 0,001922 0,384775
blocos x sistemas 3 0,003378 0,446547
genótipos (g) 32 0,019798** 5,393486**
famílias (f) 29 0,017157** 3,36859**
híbridos (h) 2 0,010529* 1,534017*
f vs h 1 0,004946** 71,834405**
sistemas (s) 1 0,427214** 16,675464**
g x s 32 0,004961** 1,056702**
f x s 29 0,005327** 1,060133**
h x s 2 0,001579 ns
0,126067 ns
(f vs h) x s 1 0,001095 ns
2,81848*
resíduo 192 0,002656 0,470354
total 263
CV = 2,47 % 7,58 %
* e ** - significativo pelo teste F, aos níveis de 5% e 1% de significância, respectivamente. ns
Não significativo
ao nível de 5% de probabilidade. 1
Dados transformados para Log.(x). 2
Dados transformados para raiz (x).
Em ambos os sistemas, ocorreu significância para os quadrados médios
de genótipos, famílias e para o contraste famílias vs híbridos. Isto significa que
houve diferenças entre as famílias e que as médias de famílias e de híbridos fo-
48
ram diferentes em ambos os sistemas. E ainda, que os híbridos não diferiram
entre si para esta característica, em ambos os sistemas.
A produção total média dos 33 genótipos foi maior no sistema de cultivo
para irrigação por pivô central, produzindo 133,7 t/ha contra 110,9 t/ha produzi-
dos sob irrigação via gotejamento. Este resultado difere de Soares & Farias
(1983), que obtiveram maior produção no sistema de irrigação por gotejamento e
por Phene (1999), que obteve produção acima de 200 t/ha no sistema de irriga-
ção por gotejamento. A explicação para esta divergência pode estar nas chuvas
ocorridas no final do experimento, o que favoreceu a ocorrência de frutos apo-
drecidos que não puderam ser contabilizados na soma para produção total. Como
o ensaio sob gotejamento foi colhido vinte dias depois do ensaio sob pivô cen-
tral, as condições ambientais no início da maturação dos frutos sob gotejamento
favoreceram o apodrecimento de maior número de frutos neste sistema.
Tabela 11 - Valores dos Quadrados Médios e respectivos níveis de signifi-
cância obtidos pela análise de variância da produção total e da produção
de frutos adequados ao processamento (maduros), para os sistemas de
produção com irrigação via pivô central e gotejamento. Uberlândia, 2002.
FV GL
Quadrado Médio
Produção Total 1
Produção Maduros 2
gotejamento pivô central gotejamento pivô central
blocos 3 0,0041 0,0012 0,22638 0,6049
genótipos 32 0,0105** 0,0142** 2,0046** 4,4455**
famílias (f) 29 0,0096** 0,0128** 1,3522** 3,0764**
híbridos (h) 2 0,0048 ns
0,0073 ns
0,9175 ns
0,7425 ns
f vs h 1 0,0468** 0,0692** 23,0975** 51,5554**
resíduo 96 0,0028 0,0024 0,4297 0,5109
total 131
CV = 2,62 % 2,34 % 7,07% 8,15%
Média genótipos 110,9 t/ha 133,7 t/ha 86,85 t/ha 78,45 t/ha
Média famílias 109,4 t/ha 131,4 t/ha 84,27 t/ha 74,70 t/ha
Média híbridos 129,5 t/ha 156,8 t/ha 112,68 t/ha 115,90 t/ha
* e ** - significativo pelo teste F, aos níveis de 5% e 1% de significância, respectivamente. ns
Não significativo
ao nível de 5% de probabilidade; 1
Dados transformados para Log.(x); 2
Dados transformados para raiz (x).
49
Para os dois sistemas, a produção total média dos híbridos foi maior do
que a das famílias. No sistema pivô central, os híbridos produziram cerca de
156,8 t/ha contra 131,4 t/ha das famílias. No sistema gotejamento, os híbridos
produziram cerca de 125,9 t/ha contra 109,4 t/ha das famílias. Porém, a média
das famílias representa uma população de genótipos muito diferentes entre si,
havendo famílias com produtividade tão boa quanto a dos híbridos e famílias
com baixa produtividade. Mas, por outro lado, a maior produção média dos hí-
bridos está de acordo com o sugerido por Melo (2001), que coloca entre os prin-
cipais atributos dos híbridos o alto potencial de produção. Também Araújo
(1987) afirma que a uniformidade, a alta produção, o amadurecimento precoce, o
tamanho e a boa aparência dos frutos de certas combinações híbridas, não são
igualados por nenhuma outra variedade de polinização aberta.
A diferença entre as médias dos híbridos, de um sistema para outro, foi
de 30,9 t/ha a favor do sistema pivô central, e a análise de variância conjunta
(Tabela 10) mostra que não houve interação híbridos x sistemas. Já a diferença
entre sistemas para a média de famílias foi de 22 t/ha a favor do sistema pivô
central e a interação famílias x sistemas foi significativa ao nível de 1% de pro-
babilidade.
Também a partir da análise de variância conjunta, pôde-se observar sig-
nificância para o quadrado médio de híbridos. Mas, em ambas as análises de
variância individuais (Tabela 11), observou-se que os híbridos não diferiram
entre si para produtividade total.
A variável produção total correlacionou-se com a variável rendimento
industrial de forma positiva e significativa (0,6158**), com a variável produção
de frutos adequados ao processamento de forma positiva e significativa
(0,5911**), com a variável ºBrix de forma não significativa (-0,0298) e com a
variável a/b de forma positiva e significativa (0,3208**). Então, ao selecionar-se
genótipos com maior produção total, consequentemente seleciona-se genótipos
50
com maior rendimento industrial e produção de frutos adequados ao processa-
mento. Com relação à correlação com a variável a/b, apesar de significativa, esta
foi muito baixa, não havendo, portanto grandes influências sobre ela.
Pelos dados da Tabela 12 pode-se verificar que, no sistema de produção
para irrigação via pivô central, os genótipos mais produtivos, sem se diferencia-
rem entre si, foram: Heinz 7155 N2, UFU 02, UFU 10, Hypeel 108, UFU 05,
UFU 11, UFU 06, UFU 15, UFU 25, UFU 20, UFU 12, Heinz 9553, UFU 26,
UFU 29, UFU 01, UFU 27, UFU 22, UFU 04, UFU 13, e UFU 24. Os genótipos
intermediários, sem se diferenciarem entre si, foram: UFU 21, UFU 08, UFU 07,
UFU 17, UFU 18, UFU 28, UFU 19, UFU 09 e UFU 14.
Entre as famílias no grupo A, de acordo com o exposto no item 4.2.
(características analisadas visualmente), as famílias UFU 02, UFU 05, UFU 06,
UFU 11, UFU 15, UFU 22, UFU 26 e UFU 29 reúnem as características desejá-
veis para o uso agro-industrial. Importante salientar que nenhum genótipo do
grupo B foi considerado apto para o uso agro-industrial, de acordo com a análise
visual das parcelas.
51
Tabela 12 – Produção total média, dada em t/ha, nos sistemas de produção pivô
central e gotejamento. Uberlândia, 2002.
Pivô Central Gotejamento
Genótipo Produção total Genótipo Produção total
Heinz 7155 N2 173,46 a1
UFU 10 140,9 a1
UFU 02 155,92 a UFU 06 138,1 a
UFU 10 155,69 a Heinz 7155 N2 136,5 a
Hypeel 108 154,23 a UFU 01 133,2 a
UFU 05 153,04 a Heinz 9553 124,0 b
UFU 11 151,62 a UFU 12 123,0 b
UFU 06 150,96 a UFU 13 122,6 b
UFU15 150,92 a Hypeel 108 117,3 b
UFU 25 146,62 a UFU 02 116,3 b
UFU 20 145,31 a UFU 26 115,2 b
UFU 12 143,23 a UFU 22 114,1 b
Heinz 9553 142,65 a UFU 15 111,3 c
UFU 26 137,62 a UFU 20 110,8 c
UFU 29 137,46 a UFU 11 110,3 c
UFU 01 137,12 a UFU 24 110,1 c
UFU 27 136,15 a UFU 23 110,0 c
UFU 22 134,31 a UFU 14 109,8 c
UFU 04 134,00 a UFU 30 108,5 c
UFU 13 132,23 a UFU 08 108,4 c
UFU 24 131,08 a UFU 07 107,7 c
UFU 21 127,35 b UFU 05 107,2 c
UFU 08 124,85 b UFU 25 107,2 c
UFU 07 124,85 b UFU 04 105,3 c
UFU 17 124,65 b UFU 28 103,2 c
UFU 18 123,62 b UFU 21 102,3 c
UFU 28 123,19 b UFU 18 100,8 c
UFU 19 120,85 b UFU 19 100,5 c
UFU 09 115,88 b UFU 17 99,0 c
UFU 14 113,88 b UFU 09 96,5 c
UFU 16 107,77 c UFU 27 95,6 c
UFU 30 107,19 c UFU 29 95,1 c
UFU 23 99,12 c UFU 03 93,6 c
UFU 03 96,15 c UFU 16 85,0 c
1
Letras iguais indicam que não há diferença significativa ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de agru-
pamento de médias de Scott-Knott.
Para o sistema de produção com irrigação via gotejamento, os seguintes
genótipos destacaram-se como mais produtivos: UFU 10, UFU 06, Heinz 7155
N2 e UFU 01. Os genótipos intermediários foram: Heinz 9553, UFU 12, UFU
52
13, Hypeel 108, UFU 02, UFU 26 e UFU 22. Neste sistema, com exceção dos
híbridos, no grupo A, apenas a família UFU 06 está entre as que apresentam
características propícias para o uso agro-industrial e no grupo B, a família UFU
02, de acordo com as análises visuais mostradas nas Tabelas 08 e 09.
As famílias que apareceram no grupo dos genótipos mais produtivos nos
dois sistemas foram UFU 10 e UFU 06, sendo que, de acordo com a análise
visual das parcelas, a família UFU 10 apresenta características impróprias para o
cultivo industrial e a família UFU 06 mostrou-se apta para este tipo de produção.
Os resultados para esta característica, que por sua natureza genética está
apta a sofrer grande influência ambiental, confirmam a idéia de que entre as
famílias ocorre baixa estabilidade fenotípica, enquanto que com os híbridos
ocorre o inverso. Além dos híbridos, em geral, terem uma maior adaptação e
produção mais estável quando ocorrem variações entre anos e locais (Paterniani,
1974). Porém, deve-se ressaltar a ótima estabilidade da família UFU 06, que
manteve alta produtividade em ambos os sistemas.
4.4. Produção de frutos adequados ao processamento (maduros)
A análise de variância conjunta (Tabela 10) indicou haver diferenças
entre genótipos, famílias, híbridos, contraste famílias vs híbridos, sistemas, inte-
ração genótipos x sistemas, interação famílias x sistemas. A significância das
interações indica que as famílias responderam diferentemente aos sistemas estu-
dados. Assim, a análise de variância deve ser feita individualmente em cada
sistema.
De acordo com as análises de variância individuais (Tabela 11), houve
significância para os quadrados médios de genótipos, famílias e do contraste
famílias vs híbridos, para ambos os sistemas de produção. Isto significa que há
famílias mais produtivas do que outras em ambos os sistemas e que as médias
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Seleção de famílias de tomateiro para processamento nos sistemas pivô central e gotejamento

  • 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA SELEÇÃO DE FAMÍLIAS DE TOMATEIRO PARA PROCESSAMENTO NOS SISTEMAS PIVÔ CENTRAL E GOTEJAMENTO JOSÉ ORESTES MEROLA DE CARVALHO 2002
  • 2. JOSÉ ORESTES MEROLA DE CARVALHO SELEÇÃO DE FAMÍLIAS DE TOMATEIRO PARA PROCESSAMENTO NOS SISTEMAS PIVÔ CENTRAL E GOTEJAMENTO Dissertação apresentada à Universidade Federal de Uberlândia como parte das exigências para obtenção do título de Mestre em Agronomia – área de con- centração Fitotecnia. Orientador Prof. Dr. José Magno Queiroz Luz Co-orientador Prof. Dr. Fernando Cézar Juliatti UBERLÂNDIA MINAS GERAIS - BRASIL 2002
  • 3. Ficha Catalográfica Preparada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca da UFU C331s Carvalho, José Orestes Merola de, 1970-. Seleção de famílias de tomateiro para processamento nos sistemas pivô central e gotejamento / José Orestes Merola de Carvalho. - Uberlândia, 2002. 113 p. : il. Orientador: José Magno Queiroz Luz. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Uberlân- dia, Programa de Pós-Graduação em Agronomia. Inclui bibliografia. 1. Tomate - Melhoramento genético - Teses. 2. Tomate – Processamento - Teses. 3. Tomate - Seleção – Teses. 4. Toma- te – Irrigação -Teses. 5. Irrigação por pivô central - Teses. 6. Irrigação por gotejamento - Teses. 7. Licopersicon esculentum - Teses. I. Luz, José Magno Queiroz. II. Universidade Federal de Uberlândia. Programa de Pós-Graduação em Agronomia. III. Título. CDU: 635.64:631.52(043.3)
  • 4. “Aprendi a transformar o medo em respeito, o respeito em confiança. Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de tudo, querer.” Amyr Klink
  • 5. Aos meus avós Giuseppe, Maria (in memoriam), Heitor, Albertina (in memoriam) e Orestes (in memoriam) DEDICO Aos meus queridíssimos pais Zacarias e Marli AGRADEÇO À Lais Mary, minha esposa e companheira e ao Alberto, meu filhinho muito amado OFEREÇO
  • 6. AGRADECIMENTOS A Deus, pela oportunidade de evolução em que se concretiza esta existência. Ao Prof. José Magno Queiroz Luz, pelas orientações sempre oportunas e sábias, e sobretudo pela amizade e exemplo de vida. Ao Prof. Fernando Cézar Juliatti, pela co-orientação e por sua dedicação à ciên- cia, que tornaram possível a realização deste trabalho. Ao pesquisador M. Sc. Leonardo C. Fonte, gerente de pesquisa agrícola da Uni- lever Bestfoods – Patos de Minas/MG, por toda ajuda na condução dos experi- mentos, sua boa vontade em ensinar e esclarecer minhas dúvidas e pelo apoio logístico cedendo os funcionários da empresa, as áreas experimentais e os mate- riais necessários para a realização de nosso trabalho. Aos funcionários da estação experimental da Unilever Bestfoods, em Patos de Minas - MG, em especial ao Sebastião Hernandez e ao Fernando, pela atenção dada à condução dos trabalhos de campo. Aos professores Leonardo Cunha Melo (UFU), Wilson Roberto Maluf (UFLA), Débora (Escola Agrotécnica Federal de Uberlândia) e ao pesquisador Leonardo Brito Giordano (EMBRAPA-CNPH), pelas valiosas sugestões quanto a forma de utilização dos dados deste trabalho. A todos os professores do Mestrado em Agronomia do ICIAG/UFU, em especial àqueles com os quais mantive contato mais constante devido, principalmente, à oportunidade de cursar suas disciplinas.
  • 7. Ao professor Norberto da Silva (UNESP – Botucatu), a quem devo os primeiros passos no caminho da ciência. Aos colegas de curso: Guilhermina, Jadir, Karina, Jane, Suzana, Odorico, Zé Antônio, Ronaldo, Eledir, Roselene, Zilda, Tininha, Komori, Inácio, Zé Eduar- do, Heloísa, Lúcia, Maria Eugênia, Machain, Lenita, Marlos, Claudia, Michele e os que não estão nesta lista, pelo companheirismo e pela amizade. Aos funcionários do ICIAG e das Bibliotecas da UFU, pelos inúmeros favores e pela convivência agradável. Aos membros da banca examinadora, por deixarem seus afazeres para contribuir com suas valiosas apreciações e sugestões acerca deste trabalho. À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal (CAPES/ME) pela concessão da bolsa de estudos.
  • 8. BIOGRAFIA José Orestes Merola de Carvalho nasceu aos 17 de março de 1970, no Município de São Carlos, Estado de São Paulo, sendo filho de Zacarias Antônio de Carvalho e Leonilde Marli Merola de Carvalho. Iniciou seus estudos em 1977, quando ingressou na 1ª série do 1º grau, na Escola Estadual de 1º e 2º graus “Professor Astrogildo Silva”, no bairro do Ipiranga, Município de São Paulo, Estado de São Paulo. Cursou todo o 1º grau em escola pública, tendo concluído a 8ª série no ano de 1984, na Escola Estadual de 1º Grau “Professor Felipe Cantúsio”, no Município de Campinas, Estado de São Paulo. Cursou o 2º grau entre os anos de 1985 e 1989, na Escola Estadual “Prof. Aníbal de Freitas”, no Município de Campinas, Estado de São Paulo. Após cursar o Extensivo do Cursinho Universitário – Campinas, ingres- sou no curso de graduação em Agronomia da Universidade Estadual Paulista “Professor Júlio de Mesquita Filho” no ano de 1995, tendo obtido o 2º lugar no concurso vestibular. Foi bolsista de iniciação científica durante os cinco anos de curso. Concluiu o curso no ano de 1999. Em março de 2000, iniciou seus estudos de pós-graduação no curso de Mestrado em Agronomia, área de concentração Fitotecnia, no Instituto de Ciên- cias Agrárias, Universidade Federal de Uberlândia, no Município de Uberlândia, Estado de Minas Gerais. Pelo seu desempenho acadêmico, foi contemplado com uma bolsa de estudos da CAPES a partir de agosto de 2000 até a conclusão do curso, em março de 2002.
  • 9. SUMÁRIO RESUMO i ABSTRACT ii 1. INTRODUÇÃO 1 2. REVISÃO DE LITERATURA 4 2.1. Origem, composição e grupos de cultivares 4 2.2. Tomateiro tipo industrial no Brasil 8 2.3. Melhoramento do tomateiro industrial no Brasil 10 2.4. Sistema de irrigação no tomateiro 14 3. MATERIAL E MÉTODOS 19 3.1. Localização e características gerais da área experimental 19 3.2. Clima 19 3.3. Principais características do solo 19 3.4. Genótipos utilizados 20 3.5. Delineamento experimental 21 3.6. Condução dos ensaios 21 3.6.1. Preparo do solo e adubação 22 3.6.2. Semeadura, germinação e transplantio 23 3.6.3. Irrigação 23 3.6.4. Tratamentos fitossanitários 28 3.6.5. Colheita 31 3.7. Características avaliadas 31 3.7.1. Características agronômicas 31 3.7.2. Características industriais 35 3.8. Métodos de análise estatística 37 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 39
  • 10. 4.1. Características gerais dos ensaios 39 4.2. Características de planta e frutos analisadas visualmente 40 4.3. Produção total 47 4.4. Produção de frutos adequados ao processamento (maduros) 52 4.5. Porcentagem de frutos inadequados ao processamento 56 4.6. Peso médio, comprimento e diâmetro dos frutos maduros 63 4.7. Número de frutos maduros por planta 66 4.8. Coloração do suco de frutos maduros (relação a/b) 71 4.9. Porcentagem de sólidos solúveis totais (º Brix), acidez titulável e pH 76 4.10. Rendimento industrial 83 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 88 6. CONCLUSÕES 90 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 91 ANEXO A 100
  • 11. i RESUMO Este trabalho foi conduzido com o objetivo de se avaliar, caracterizar e selecionar agronômica e industrialmente as melhores dentre 30 famílias elite provenientes do programa de melhoramento do tomateiro do Instituto de Ciên- cias Agrárias – Universidade Federal de Uberlândia/MG, em dois sistemas de produção de tomate com finalidade industrial e comparar seus desempenhos com os híbridos mais utilizados pelos produtores da região de Patos de Minas – MG. Os ensaios foram instalados na Estação Experimental Fazenda Barreiro - Unile- ver Bestfoods Brasil, situada no município de Patos de Minas – MG (46º51’ Oeste e 18º57’ Sul). O delineamento experimental adotado foi, para cada um dos sistemas de produção, o de blocos casualizados, com 4 blocos e 1 repetição por bloco. No sistema de produção com irrigação via pivô central utilizou-se parce- las com linhas simples de 5 metros de comprimento, espaçadas 1,3 metros entre si e população de 27 mil plantas por hectare. No sistema de produção com irri- gação via gotejamento utilizou-se parcelas com linhas duplas de 10 metros de comprimento, com espaçamento entre linhas de 0,5 metros e entre duplas de 1,3 metros e população de 27 mil plantas por hectare. O sistema de produção não exerceu influência sobre o rendimento industrial. O sistema de produção com irrigação por gotejamento produziu maior quantidade de frutos adequados para o processamento, porém com menor porcentagem de sólidos solúveis totais. Os melhores genótipos, com alto potencial produtivo para ambos os sistemas de produção foram os híbridos Heinz 7155N2, Heinz 9553 e Hypeel 108 e a família UFU 06. A seleção de genótipos com maiores produção de frutos adequados ao processamento, número de frutos maduros por planta e produção total de frutos e menor peso médio de frutos maduros proporciona aumento na produtividade industrial de polpa a 28 °Brix. Palavras–chave: Licopersicon esculentum, processamento, melhoramento, fa- mílias, irrigação, gotejamento, pivô central, espaçamento.
  • 12. ii ABSTRACT SELECTION OF FAMILIES OF PROCESSING TOMATO IN THE IRRIGATED CENTRAL PIVOT AND DRIP SYSTEMS This work was made with the objective of evaluating, to characterise and to select, for agronomic and industrial characteristics, the best ones among 30 elite families, coming of the Agrarians Sciences Institute – Uberlândia Federal University/MG/Brazil program of tomato breeding, in two systems of tomato production with industrial purpose and to compare its acting with the hybrid ones more used by the producers in the Patos de Minas – MG area. The rehears- als were installed in the Barreiro Farm Experimental Station, leased by Unilever Bestfoods Brazil, placed in the municipal district of Patos de Minas – MG (46º51‘ West and 18º57‘ South). The adopted experimental design was, for each one of the production systems, the one of randomised blocks, with 4 blocks and 1 repetition for block. In the production system with irrigation through central pivot was used plots with simple lines of 5 meters in length, spaced 1,3 meters to each other and population of 27 thousand plants for hectare. In the production system with irrigation through leak was used plots with double lines of 10 me- ters in length, with spacing among lines of 0,5 meters and enter couples of 1,3 meters and population of 27 thousand plants for hectare. The production system didn't exercise influence on the industrial revenue. The production system with drip irrigation produced larger amount of fruits adapted for the processing, even so with smaller percentage of total soluble solids. The best genotypes, with high productive potential for both production systems was hybrids Heinz 7155N2, Heinz 9553 and Hypeel 108 and the family UFU 06. The genotypes selection with larger production of fruits adapted to the processing, number of mature fruits for plant and total production of fruits and smaller medium weight of ma- ture fruits provides increase in the industrial productivity of pulp to 28 °Brix. Key–words: Lycopersicon esculentum, processing, breeding, bulk, families, irrigation, central pivot, drip, spacing.
  • 13. 1 1. INTRODUÇÃO O tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill.) é uma planta pertencente à família Solanaceae e constitui-se na mais universal das hortaliças. A versatilida- de de uso, seja na forma natural ou industrializada, é considerada como um dos fatores responsáveis pela explosão mundial de seu consumo, no corrente século. É, em ordem econômica, a hortaliça mais consumida no Brasil, tendo superado a batata nos últimos anos. O mercado brasileiro de tomate industrial, de cultivo rasteiro, destinado à produção de purês, molhos prontos, extratos, sucos etc., é avaliado em US$ 445 milhões anuais (Nakamae & Pastrello, 1999). O consumo nacional de polpa aumenta com o crescimento das redes de fast-food e o ingresso de novas indús- trias de molhos prontos. Estimativas mostram que o consumo de polpa de tomate passou de 95 mil toneladas, em 1994, para 140 mil toneladas em 1998 (Nakamae & Pastrello, 2000). No Brasil, a produção de tomate para processamento indus- trial, no último quinquênio, ficou em torno de 1 milhão de t/ano, com a marca recorde de 1,29 milhão de toneladas alcançada na safra de 1999 (Melo, 2001). Um fato marcante, no início dos anos 90, foi a expansão da agroindústria de tomate em novas regiões, em especial no Cerrado, abrangendo áreas dos esta- dos de Goiás e de Minas Gerais (Melo, 1993). No Cerrado, a rápida expansão da lavoura deveu-se às boas condições climáticas, aliadas à disponibilidade de terra de baixo custo e ao suprimento adequado de água para irrigação. Outro fator favorável foi a proximidade dos grandes centros de consumo do Sudeste e do Sul. Em 2000, o Cerrado transformou-se na mais importante zona de produção de tomate industrial do país, com 77 % da área plantada, seguido de São Paulo, com 14 % e do Nordeste, com apenas 9 % (Melo, 2001). O sistema de irrigação predominante nas três regiões de cultivo de toma- te industrial no Brasil é o de aspersão (portátil, permanente, pivô central). O
  • 14. 2 sistema de sulcos de infiltração está restrito a algumas áreas do submédio São Francisco, em solos de topografia e textura favoráveis. A irrigação por aspersão com pivô central tem sido questionada, sobretudo por favorecer a incidência de doenças bacterianas e fúngicas da parte foliar e do solo (mofo-branco), de difícil controle. O sistema de gotejamento vem sendo adotado em pequena escala, es- pecialmente no cerrado, como uma alternativa aos pivôs. O grande interesse atual por gotejamento na tomaticultura industrial foi despertado, principalmente, pelos excelentes resultados de economia de água e energia, aliados a um subs- tancial aumento de produtividade e melhoria da qualidade da matéria-prima. As maiores limitações dessa nova tecnologia são o alto custo inicial de implantação do sistema e a necessidade de melhor conhecimento técnico por parte do usuá- rio. Ademais, para que o gotejamento possa ser consolidado como uma alterna- tiva viável e se expandir no futuro, é imperativo que os teores de sólidos solú- veis (Brix) da matéria-prima não sejam negativamente afetados (Melo, 2001). A agroindústria exige um tipo especial de tomate, obrigatoriamente em cultura rasteira, sem tratos culturais sofisticados. Os frutos devem apresentar alta resistência ao transporte, coloração vermelha intensa, elevado teor de sólidos solúveis, baixo pH e teor adequado de ácido cítrico. Para desenvolver novas cultivares que atendam às exigências de merca- do, tem-se basicamente as seguintes alternativas: melhoramento genético de linhagem, importação de genótipos (cultivares prontas ou não) e uso de híbridos simples. Essas alternativas, naturalmente, são interdependentes e normalmente trabalhadas simultaneamente num programa de melhoramento genético, visando à melhoria da qualidade da planta e do fruto. Na atualidade, o uso de híbridos tem se destacado como alternativa de melhoramento genético do tomate, em razão da qualidade das cultivares produ- zidas, num prazo relativamente curto, principalmente em relação ao melhora- mento de linhagens, que tem como vantagem ao seu favor o menor custo de
  • 15. 3 produção de sementes, já que estas últimas são produzidas sem a necessidade de cruzamento entre linhagens. Neste sentido, o Instituto de Ciências Agrárias – Universidade Federal de Uberlândia vem desenvolvendo, desde 1995, o Programa de Melhoramento Genético do tomateiro, com o objetivo de lançar novas cultivares para mesa e indústria com qualidade superior às já existentes no mercado. Assim, a partir de cruzamentos entre os parentais BHRS-2-3, Jumbo, Nemadoro, Stevens e TOM- 556, e posterior seleção entre e dentro das famílias, o programa obteve famílias F5 com resistência múltipla a doenças (Tospovírus, Murcha de Fusarium, Gemi- nivírus, nematóides das galhas, pinta bacteriana, pinta preta e cancro bacteriano). Como em qualquer trabalho de melhoramento, visando incorporar o maior número possível de alelos desejáveis em função de solo, clima, doenças, pragas e desenvolvimento tecnológico de uma região, a avaliação do tomateiro é uma atividade necessária e constante. Em se tratando de tomate para processa- mento, torna-se necessária a avaliação do comportamento das cultivares tanto na fase de campo, como de suas características industriais. Desta forma, este trabalho foi conduzido com o objetivo de se avaliar, caracterizar e selecionar agronômica e industrialmente as melhores dentre 30 famílias elite, provenientes do programa de melhoramento do tomateiro do ICIAG-UFU, em dois sistemas de cultivo (irrigação via pivô central e goteja- mento) e comparar seus desempenhos com os híbridos F1 mais utilizados pelos produtores na região de Patos de Minas – MG.
  • 16. 4 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. Origem, composição e grupos de cultivares O nome tomate, usado hoje em muitos idiomas com ligeiras variações, deriva de “tomalt”, palavra da língua Náuatle, falada por um grupo de povos Astecas do sul do México (Maranca, 1998). O tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill.) é uma solanácea herbácea, com caule flexível e incapaz de suportar o peso dos frutos e manter a posição vertical. A forma natural lembra uma moita, com abundante ramificação lateral (Filgueira, 2000). O centro de origem Sul-Americano é apontado como provável região de origem, mais precisamente no Equador e norte do Chile (Jenkins, 1948) e, pro- vavelmente, também as ilhas Galápagos (Rick, 1967). O México é também apontado como o provável centro de origem do tomate cultivado (Lycopersicon esculentum Mill), particularmente as regiões de Vera Cruz e Puebla (Jenkins, 1948; Rick & Fobes, 1975). Rick & Fobes (1975) consideram L. esculentum var. cerasiforme como ancestral do tomate cultivado. Quiroz (1974) sugeriu uma filogenia que segue de um ancestral pré-lycopersicon para L. peruvianum, L. hirsutum, L. esculentum var. cerasiforme até, finalmente, chegar ao tomate do- mesticado (Lycopersicon esculentum Mill). O tomate é uma hortaliça de fruto que encontrou no mundo uma extra- ordinária acolhida, ainda difícil de explicar, pois não possui de fato nenhuma excepcional característica química ou organoléptica. Talvez o principal fator que explique a expansão do consumo mundial do tomate seja o agradável sabor, com grande equilíbrio entre os açúcares e os ácidos do fruto; ou talvez a cor vermelha, atrativa e brilhante, da casca, da polpa e do suco, que permitiu acres- centar ao sabor uma apresentação atrativa (Maranca, 1988).
  • 17. 5 Não é uma das hortaliças mais ricas em vitaminas e sais minerais, espe- cialmente por conter, em média, 94% de água no fruto ao natural. No entanto, por ser consumido em maior quantidade, com maior frequência em relação a outras hortaliças e seu consumo ser feito em grande parte sem a cocção, o toma- te torna-se uma importante fonte de vitaminas e sais minerais na dieta do brasi- leiro, como, por exemplo, de vitamina C, cujo teor varia de 11,2 a 21,6 mg/100 g de frutos e das vitaminas A, B1, B2, P e K. O tomate contém outras substâncias, em doses mínimas, porém muito importantes, a começar pelas substâncias co- rantes licopeno (vermelho) e caroteno (amarelo). Folhas e frutos ainda verdes também possuem uma substância levemente tóxica, o alcalóide tomatina, que parece eficaz contra fungos de micoses da pele humana (Filgueira, 2000). O tomateiro é considerado uma planta que prefere um clima subtropical de altitude ou temperado e seco (Filgueira, 2000). A temperatura é o principal fator climático que determina seu desenvolvimento. Não é sensível ao compri- mento do dia, formando frutos com 7 a 19 horas de luz por dia. O tomateiro se desenvolve melhor sob tempo claro, relativamente seco e com temperaturas moderadas entre 18 a 24ºC. As plantas são congeladas a temperaturas abaixo de 0º e os frutos não se desenvolvem em temperaturas acima de 35ºC. Altas tempe- raturas, acompanhadas de alta umidade, favorecem o desenvolvimento de doen- ças. Segundo Filgueira (2000), as cultivares atualmente plantadas podem ser reunidas em cinco grupos com tipos diferenciados: Santa Cruz, Salada, Cereja, Italiano e Agroindustrial. A agroindústria exige um tipo especial de tomate, obrigatoriamente pro- duzido em cultura rasteira, sem tratos culturais sofisticados, objetivando baixo custo de obtenção da matéria-prima. Os frutos devem apresentar certas caracte- rísticas: alta resistência ao transporte, inclusive a granel; coloração vermelha intensa e distribuída uniformemente pelo fruto; elevado teor de sólidos solúveis
  • 18. 6 e teor adequado de ácido cítrico. Com a introdução de colhedeiras exige-se, também, que a maior parte dos frutos amadureça simultaneamente, já que haverá uma única colheita (Melo, 2001). A planta é de hábito de crescimento determinado, com a haste principal apresentando inflorescência terminal. As plantas mostram-se mais ramificadas, com porte bem menor, e mais compactas. São conduzidas em cultura rasteira, sem podas ou tutoramento. As cultivares desse grupo podem apresentar dois formatos básicos: periforme, em cultivares mais antigas; ou similar aos frutos do grupo Santa Cruz (“quadrado”), preferidos pela melhor qualidade e maior resis- tência dos frutos, inclusive ao transporte a granel, em caminhões caçamba (Fil- gueira, 2000). A cor é uma característica de qualidade extremamente importante. Para o consumidor, cor é um importante indicador de qualidade alimentar. Para o processador, a cor é de suprema importância, uma vez que, para muitos produ- tos, a cor dos frutos é um determinante primário da quantidade de tomates reque- rida para fazer produtos de alta qualidade. A cor de tomates vermelhos é deter- minada, principalmente, pelo conteúdo de licopeno. -caroteno é o outro princi- pal carotenóide de tomates vermelhos e pode ser um importante fator na cor do tomate sob certas condições ambientais. O conteúdo de -caroteno também de- termina a atividade de vitamina A nos frutos. Existe uma relação direta entre o conteúdo de clorofila em frutos verdes e o conteúdo de carotenóides em frutos maduros, a qual, segundo Khudairi (1972), aparentemente se deve ao fato dos cloroplastos se transformarem em cromoplastos durante o amadurecimento. Isto pode explicar porque os genes hp e dg, que condicionam frutos verde-escuros, resultam em altos níveis de licope- no e -caroteno. A coloração dos frutos é característica fundamental em tomates destina- dos à industrialização. Segundo Vogele (1937), a temperatura ótima para a for-
  • 19. 7 mação do licopeno (pigmento vermelho) está em torno de 24ºC. Acima de 30ºC o licopeno não se forma e o fruto torna-se amarelado. Acima de 40ºC o fruto permanece verde. Acidez total, normalmente, é dada como teor de ácido cítrico, que é o ácido predominante no tomate e exige-se um mínimo de 0,35%. Lower & Tom- pson (1967) concluíram que a herança da acidez é quantitativa, mas que houve evidência de um único gene maior condicionando alta acidez em duas de suas populações. O pH desempenha um papel relevante no que diz respeito a sua ação na inativação de microorganismos, principalmente na esporulação de Clostridium botulinum. A FDA Regulations on Thermal Processing of Food aponta como máximo o pH 4,6 (Conceição, 1981). O teor de sólidos solúveis existente no fruto determinará a maior ou menor rentabilidade no processamento, pois se constitui no produto final. Toma- tes com baixos teores de sólidos solúveis exigirão muito mais energia para a evaporação da água existente. Segundo Conceição (1981), o tomate apresenta de 7,0 a 8,5% de sólidos totais e de 4,0 a 6,0% de sólidos solúveis. Contudo, essas porcentagens podem sofrer grandes variações de acordo com cultivares, caracte- rísticas do solo e especialmente pelas chuvas ocorridas durante o desenvolvi- mento das plantas. Para Stevens & Rick (1986), não se tem obtido muito sucesso em au- mentar o teor de sólidos nos frutos, através de melhoramento genético, por causa da correlação negativa existente entre produtividade e conteúdo de sólidos. Ob- ter sucesso numa seleção de progênies em uma população segregante é difícil, também, por causa do impacto ambiental no conteúdo de sólidos. Suscetibilida- de a doenças que afetam a absorção de água pelas plantas pode ter um efeito muito maior do que a variação genotípica para conteúdo de sólido nos frutos. Muitas vezes, a seleção em populações segregantes não é efetiva porque as vari-
  • 20. 8 ações na irrigação, textura do solo e resistência a doenças podem ter grandes efeitos sobre o conteúdo de sólidos. 2.2. Tomateiro tipo industrial no Brasil A produção mundial de tomate para processamento, em 2000, foi esti- mada em 27 milhões de toneladas pelo Conselho Mundial dos Processadores de Tomate (WPTC). O Brasil ocupa a sexta posição entre os principais produtores. Na América do Sul, o Brasil é o principal produtor, seguido por Chile e Argenti- na (Melo, 2001). O mercado brasileiro de tomate industrial, de cultivo rasteiro, destinado à produção de purês, molhos prontos, extratos, sucos etc., é avaliado em US$ 445 milhões anuais (Nakamae & Pastrello, 1999). O consumo nacional de polpa aumenta com o crescimento das redes de fast-food e o ingresso de novas indús- trias de molhos prontos. Estimativas mostram que o consumo de polpa de tomate passou de 95 mil toneladas, em 1994, para 140 mil toneladas em 1998 (Nakamae & Pastrello, 2000). No Brasil, a produção de tomate para processamento industrial, no últi- mo quinquênio, ficou em torno de 1 milhão de t/ano, com a marca recorde de 1,29 milhão de toneladas alcançada na safra de 1999 (Melo, 2001). Um fato marcante, no início dos anos 90, foi a expansão da agroindústria de tomate em novas regiões, em especial no Cerrado, abrangendo áreas dos esta- dos de Goiás e de Minas Gerais (Melo, 1993). No Cerrado, a rápida expansão da lavoura deveu-se às boas condições climáticas, aliadas à disponibilidade de terra de baixo custo e ao suprimento adequado de água para irrigação. Outro fator favorável foi a proximidade dos grandes centros de consumo do Sudeste e do Sul. Em 2000, o Cerrado transformou-se na mais importante zona de produção
  • 21. 9 de tomate industrial do país, com 77 % da área plantada, seguido de São Paulo, com 14 % e do Nordeste, com apenas 9 % (Melo, 2001). Houve também um extraordinário incremento de produtividade nesse período. Enquanto que em 1990 o rendimento médio do país foi de cerca de 34,6 t/ha, a safra 2000 foi encerrada com uma produtividade de 67 t/ha. A causa prin- cipal dessa mudança foi a maior concentração da área plantada nas novas fron- teiras de produção do Cerrado. A condição edafo-climática dessa região tem se mostrado altamente favorável à expansão da cultura, propiciando o uso de técni- cas de manejo voltadas para alto rendimento e economia de custos. No novo cenário de produção do Brasil Central, o tomate vem sendo cultivado por empresas agrícolas de grande porte, ou seja, empresas com mais de 500 ha, as quais utilizam-se de um sistema de manejo tecnologicamente avança- do, visando economia de custos e alto rendimento. Neste sistema, a maior parte das operações culturais é mecanizada, incluindo plantio e colheita. Embora já tivesse sido introduzida em pequena escala desde o início da década de 90, a colheita mecanizada do tomate rasteiro passou a ser largamente praticada a partir da safra 1997, na zona de produção do cerrado (GO e MG). Nessa região, a tomaticultura industrial está baseada em grandes produtores e a topografia predominante é muito favorável à mecanização da colheita. Nos dois últimos anos, a colheita mecanizada mostrou expressivo crescimento, concen- trando-se na região de Patos de Minas, MG e nas zonas de produção do Estado de Goiás (Melo, 2001). Ao longo da década de 90, as linhagens foram, paulatinamente, sendo substituídas por híbridos de alto potencial produtivo e com características agro- nômicas e industriais que atendem aos requisitos dos processadores. Desse mo- do, as variedades de polinização aberta, como a IPA-5, que chegou a ocupar, até os primeiros anos da década passada, cerca de 75 % de toda área cultivada com tomate industrial no país, deixaram praticamente de ser plantadas. Em 2000, as
  • 22. 10 cultivares de polinização aberta foram plantadas em menos de 5 % dos quase 15 mil hectares contratados pelas indústrias (Melo, 2001). O impulso expansionista do uso de cultivares híbridas ocorreu recente- mente. Na safra 1997, a área plantada com híbridos foi estimada em 3 mil hecta- res, representando apenas 15 % do total da área cultivada com tomate industrial. Em 1998 e 1999, passou para 46 % e 83 %, respectivamente. Os atributos mais vantajosos dos híbridos, em comparação com as linhagens, são os seguintes: a) alto potencial de produção; b) maturação concentrada, fundamental para a co- lheita mecanizada; c) alta capacidade de armazenamento dos frutos na planta; e d) resistência múltipla a doenças. Os principais híbridos plantados, atualmente, são: Heinz 9553, Heinz 9498, APT 529, APT 533, Malinta, Hypeel 108, Hypeel 45, Nemapride, Calroma e RTP 1095 (Melo, 2001). 2.3. Melhoramento do tomateiro industrial no Brasil De acordo com Maluf (1994), os objetivos do melhoramento do tomate de indústria, em todo país são: alta produtividade; alto teor de sólidos solúveis; melhor coloração de frutos; frutos firmes; jointless; maturação concentrada; precocidade; conservação do fruto na planta e firmeza (transporte a granel). Durante o processo de seleção de genótipos para colheita mecanizada devem ser avaliados prioritariamente: a concentração de maturação, o potencial produtivo, o tamanho da rama que deve ser mediano, a cobertura dos frutos, a capacidade de permanência dos frutos na planta, a firmeza que permita o trans- porte dos frutos a granel e o índice de retenção de pedúnculo. Outras caracterís- ticas inerentes às cultivares que se destinam ao processamento industrial, como o teor de sólidos solúveis (Brix acima de 5,0), coloração vermelho intenso (exter- na e interna), pericarpo espesso, inserção peduncular pequena, ausência de defei-
  • 23. 11 tos (ombro amarelo, coração negro, zippering, split setting) entre outras, devem ser cuidadosamente avaliadas durante o processo de seleção (Melo, 2001). Em programa de melhoramento visando a obtenção de cultivares com boas características agronômicas e industriais, após onze gerações conduzidas pelo método genealógico, chegou-se a nove linhagens puras (Ferraz et al., 1989). Todas apresentam boa produtividade, destacando-se a linhagem 72-23 em precocidade, concentração da maturação e índice de aproveitamento na colheita. Desse programa foi liberada a cultivar IPA-5. Esta é resistente a várias doenças e tolerante a temperaturas elevadas e se tornou uma das cultivares mais difundidas nas áreas irrigadas do Nordeste. Em ensaio com cultivares de tomate irrigado sob pivô central e com semeadura direta, na região de Uberlândia – MG, Grizzo (1991) determinou que a maior produtividade foi alcançada pelas cultivares Petomech (29 t/ha), Agroci- ca 8 e UC 82. A baixa produtividade do ensaio foi devida a um ataque severo de traça do tomateiro. Em ensaio realizado em Brasília - DF, com cultivares de tomate indus- trial, os genótipos Nema 512, XPH 12044, AF 1479 e CNPH 401-08, apresenta- ram as maiores produções de frutos por hectare. Nema 512 e IPA 5 apresentaram baixos teores de sólidos solúveis. CNPH 401-17, AF 1482, Heinz 8773 e 9175 e XPH 12045 foram os que apresentaram melhor coloração de fruto. A maior pro- dutividade de pasta foi obtida pelos genótipos XPH 12044, AF 479 e Spectrum. A linhagem CNPH 401-08 e a cultivar IPA 5 proporcionaram um rendimento de pasta de 13,0 e 10,6 t/ha, respectivamente (Carrrijo et al., 1995). Em outro ensaio com variedades de tomate industrial, na mesma locali- dade, os genótipos AF 1479, Silverado e Heinz 9425, apresentaram as maiores produções por hectare. Os híbridos AF 1695 e Hypeel 153 apresentaram os me- lhores teores de sólidos solúveis. Os genótipos Heinz 2710, Sunex 6117 e AG 6601, apresentaram as melhores notas referentes a coloração de frutos. Os maio-
  • 24. 12 res índices para firmeza ficaram com Sun 6108, Agrocica 94 e AG 6601. Os maiores rendimentos de pasta, padronizados para Brix 28, foram obtidos com os genótipos AF 1476, XPH 1205 e Spectrum 385 (Carrijo et al., 1996). Entre 42 genótipos oriundos de programas de melhoramento e cultivares de interesse das empresas, Carrijo et al. (1996) identificaram os híbridos PSR 33415, Heinz 9382, Hypeel 45, Heinz 9036, XPH 12045 e Spectrum 385 como os de maiores índices de rendimento de pasta, em experimento realizado com objetivo de avaliar a produção, teor de sólidos solúveis totais (ºBrix), firmeza e índice de rendimento de pasta. Ao avaliar progênies F3 de tomateiro, oriundas do programa de melho- ramento do tomateiro da Universidade Federal de Uberlândia, provenientes do cruzamento entre as linhagens Jumbo, Stevens, Nemadoro e BHRS 2-3, Batista (1997) encontrou 50 progênies heterozigotas para o gene de resistência à Tospo- vírus (Sw5), proveniente da linhagem Stevens, e 10 progênies susceptíveis. Fo- ram avaliados, também, acessos de tomateiro provenientes do banco de germo- plasma da Embrapa, da Agroceres e da UFLA quanto a resistência a raça 1 de Fusarium oxysporum f.sp. lycopersici e 70 % dos acessos avaliados mostraram- se resistentes ao patógeno. Camargo (1997) avaliou 192 progênies de tomateiro, na geração F3, ori- undas do programa de melhoramento do tomateiro da Universidade Federal de Uberlândia, provenientes de policruzamentos entre os parentais Jumbo, Nema- doro, BHRS 2-3, Stevens e TOM 556 quanto a resistência à raça 2 de Fusarium oxysporum f.sp. lycopersici. O cruzamento com maior porcentagem de progênies resistentes homozigotas (I2I2) foi F1[(Jumbo x BHRS 2-3) x (Jumbo x Stevens)]. Através do método descendente de uma única semente (SSD), Giordano et al. (1997) obtiveram a linhagem F7 TX 401-08 que é oriunda de população segregante para resistência a doenças, caráter jointless, cor, firmeza e brix. A linhagem possui resistência a murcha de fusarium, à mancha de estenfilium, à
  • 25. 13 pinta bacteriana e aos nematóides de galhas. Apresenta plantas vigorosas, de crescimento determinado, frutos com formato oval e com peso médio de 70 gramas, triloculares, com boa coloração e valores de Brix 5% superiores aos da cultivar IPA-5. Resende et al. (1998) conduziram um ensaio para indicar cultivares e/ou híbridos de tomate industrial mais produtivos e de melhor qualidade para o cul- tivo no Vale do São Francisco. Houve destaque para a IPA-5 como a de maior produtividade. Para peso médio de frutos, sobressaiu-se o híbrido Hypeel-108. Em 1998, foram avaliadas dezoito cultivares de tomate para processa- mento em diferentes condições edafoclimáticas do Estado de Goiás. Entre as cultivares de produtividade mais elevada, destacaram-se, por apresentar maior firmeza de fruto, as cultivares Petomech, IPA 6 e Topmech melhorado, seguidas de IPA 5 e Agrocica 72. As cultivares Agrocica 08, IPA 5, Nemadoro e UC 204 foram as mais influenciadas pelas variações do ambiente, enquanto as cultivares Agrocica 33, Calmec VF, IPA 6, Rio Fuego, Santa Adélia, Topmec melhorado e UC 82 foram as mais estáveis (Peixoto et al., 1999). Para obter famílias de tomateiro com resistência a nematóides, Pimenta (1999) avaliou famílias na geração F4 oriundas de policruzamentos com o geni- tor Nemadoro, provenientes do programa de melhoramento do tomateiro da Universidade Federal de Uberlândia. De 71 famílias experimentais avaliadas, foram obtidas 25 famílias homozigotas resistentes a M .javanica e 27 resistentes a M. incognita raça 3, 20 famílias resistentes aos dois nematóides, 6 resistentes a um e suscetível a outro e ainda 45 famílias suscetíveis às duas espécies de nema- tóides. Ao avaliar a resistência de 223 famílias F3 de tomateiro, oriundas do programa de melhoramento do tomateiro da Universidade Federal de Uberlân- dia, provenientes de policruzamentos entre os parentais Jumbo, Nemadoro, BHRS 2-3, Stevens e TOM 556, quanto a resistência ao nematóides M. incogni-
  • 26. 14 ta raça 3 e M. javanica, Juliatti et al. (2000) obtiveram 12 progênies homozigo- tas resistentes a M. javanica, 34 progênies resistentes a M. incognita raça 3 e 6 progênies resistentes às duas espécies de nematóides das galhas. Em experimento conduzido em Jaboticabal/SP com a finalidade de ca- racterizar os frutos de 28 cultivares de tomate com finalidade industrial, obser- vou-se que IPA 6 e Andino apresentaram valores altos de comprimento, diâme- tro e espessura de polpa, destacando-se como materiais de qualidade para indús- tria e uma alternativa para o mercado in natura. As que obtiveram ºBrix maiores que 3,5 foram Botu 13, Hypeel 45, H 9492, H 9498, RPT 1478, AG 33, Hypeel 108, AG 72 e Halley (Cintra et al., 2000). Com o objetivo de avaliar 28 cultivares de tomateiro de hábito de cres- cimento determinado, Grilli et al. (2000) classificaram-nas de acordo sua produ- ção, tamanho e peso dos frutos. As cultivares H 9498, Curico, Hypeel 45, RPT 1095 e AG 72 apresentaram acima de 70 frutos por planta e produção acima de 4 kg por planta. Ao avaliar a produtividade de 28 cultivares de tomateiro para processa- mento, em três etapas de colheita, Santos et al. (2000) verificaram que a cultivar Curico mostrou-se precoce e com elevada produção/planta, entretanto, observou- se que outras cultivares como a AG 72, Hypeel 45 e H 9498, não diferiram esta- tisticamente desta em precocidade e produtividade. Juliatti et al. (2001) avaliaram 23 famílias F5 de tomateiro tipo indústria do Programa de Melhoramento do tomateiro da Universidade Federal de Uber- lândia, quanto a características agronômicas e físico-químicas dos frutos. Para as características avaliadas, a maioria das famílias mostrou-se superior às testemu- nhas Nemadoro e Malinta. 2.4. Sistemas de irrigação para o tomateiro
  • 27. 15 De acordo com Silva & Marouelli (1999), até o início da década 80, o método de irrigação para o tomateiro para processamento mais utilizado no Bra- sil era o de sulcos superficiais, mesmo apesar da maioria dos solos terem altas capacidades de infiltração, não sendo apropriados para esse sistema de irrigação. Na década de 70, produtores, extensionistas e pesquisadores iniciaram a procura por sistemas de irrigação mais eficientes, principalmente para solos com alta capacidade de infiltração. Caixeta et al. (1977) compararam irrigação por sulcos com irrigação por gotejamento em um solo com textura grossa, ambos aplicando a mesma quantidade de água. Embora não tenham encontrado diferen- ças significativas para a maioria das características entre os métodos avaliados, a performance da irrigação por sulcos foi um pouco melhor para produtividade. Soares & Faria (1983) estudaram a influência de sistemas de irrigação na produção de tomates para processamento em um latossolo. Eles encontraram uma produção de frutos comercializáveis similar para os sistemas de irrigação por sulcos superficiais e aspersão. Entretanto, a eficiência do uso da água no sistema de aspersão foi aproximadamente duas vezes superior. Contudo, a irri- gação por aspersão favoreceu alta ocorrência de frutos podres e 2,5 vezes mais frutos com podridão do final do florescimento. Estudos sobre o efeito de diferentes sistemas de irrigação na produção e qualidade de frutos de tomate para processamento no sudeste da Espanha (região semi-árida) foram realizados por Prieto et al. (1999). Sob as condições experi- mentais, a irrigação por sulcos teve a menor produtividade quando um alto nível de umidade no solo foi mantido. O uso de estratégias de irrigação produzindo déficit hídrico moderado permitiu uma economia de água significativa, e tam- bém proporcionou um aumento no valor do Brix. Esse aumento em sólidos solú- veis foi mais claramente observado usando irrigação por gotejamento. O déficit hídrico induzido nestes ensaios produziu alguma perda na produção de frutos vermelhos (maduros).
  • 28. 16 Nos últimos dez anos, a maioria das plantações de tomate industrial têm sido irrigadas por sistemas de aspersão, especialmente por pivô central, tendo alcançado produtividades acima de 75 t/ha. Por causa de muitos problemas como a falta de um bom manejo da água, falta de esquemas eficientes de rotação de culturas e severas ocorrências de doenças, os produtores vêm procurando por sistemas de irrigação alternativos. Trabalhos experimentais têm mostrado que a microirrigação, especialmente o gotejamento, é praticável (Silva & Marouelli, 1995). Mais recentemente, tem-se observado que a fertirrigação por gotejamen- to subsuperficial tem favorecido a elevação das produtividades de muitos culti- vares e híbridos de tomate para processamento para acima de 98 t/ha, associadas com baixa ocorrência de doenças e baixa porcentagem de frutos podres (Silva et al. , 1997). Segundo Phene et al. (1987) a microirrigação, seja por gotejamento superficial ou subterrâneo, tem condições de proporcionar alto controle e alta uniformidade na aplicação de água e de fertilizantes, suficientes para maximizar a produtividade de tomate industrial. Phene (1999) relatou que, em pesquisas com tomate para processamento (Var. UC-82B) na Califórnia – EUA, foram alcançadas produtividades total acima de 200 t/ha e comercial acima de 145 t/ha. Nestes trabalhos, utilizou-se irrigação por gotejamento subsuperficial, alta frequência de irrigação e acurada fertirrigação. O sistema de irrigação predominante nas três regiões de cultivo de toma- te industrial no Brasil é o de aspersão (portátil, permanente, pivô central). O sistema de sulcos de infiltração está restrito a algumas áreas do submédio São Francisco, em solos de topografia e textura favoráveis. A irrigação por aspersão com pivô central tem sido questionada, sobretudo por favorecer a incidência de doenças bacterianas e fúngicas da parte foliar e do solo (mofo-branco), de difícil
  • 29. 17 controle. O sistema de gotejamento vem sendo adotado em pequena escala, es- pecialmente no cerrado, como uma alternativa aos pivôs. O grande interesse atual por gotejamento na tomaticultura industrial foi despertado principalmente pelos excelentes resultados de economia de água e energia, aliados a um subs- tancial aumento de produtividade e melhoria da qualidade da matéria-prima. As maiores limitações dessa nova tecnologia são o alto custo inicial de implantação do sistema e a necessidade de melhor conhecimento técnico por parte do usuá- rio. Ademais, para que o gotejamento possa ser consolidado como uma alterna- tiva viável e se expandir no futuro, é imperativo que os teores de sólidos solú- veis (Brix) da matéria-prima não sejam negativamente afetados (Melo, 2001). Marouelli et al. (2001) avaliaram o efeito dos fatores espaçamento entre gotejadores (10 e 30 cm) e sistema de plantio (fileiras simples e duplas, com uma linha de gotejo) sobre a produção do tomateiro, em Brasília, DF. Um trata- mento de controle com plantio em fileiras simples foi irrigado por aspersão. A produtividade comercial para espaçamento de 10 cm foi 10% maior que para 30 cm. O plantio em fileiras simples produziu 9% mais frutos do que em fileiras duplas. A produtividade do tratamento por aspersão não diferiu do tratamento com gotejadores a 30 cm e fileiras duplas, mas foi pelo menos 15% menor do que nos demais tratamentos. A porcentagem de frutos podres não foi afetada pelo fator espaçamento entre gotejadores, mas foi maior no plantio em fileiras duplas. Na aspersão, a porcentagem de podres foi pelo menos 68% maior que nos tratamentos por gotejamento. Maior retorno financeiro foi obtido no trata- mento com espaçamento de 10 cm e plantio em fileiras simples. Nas condições edafoclimáticas da região de cerrados do Brasil Central avaliou-se a resposta do tomateiro industrial, irrigado por gotejamento, a dife- rentes tensões de água no solo. Os tratamentos resultaram da combinação de três tensões no estádio vegetativo e três no reprodutivo (15, 30 e 70 kPa), mais dois tratamentos adicionais, um irrigado diariamente por gotejamento e outro irrigado
  • 30. 18 por aspersão. As variáveis não foram afetadas pelo fator tensão de água no está- dio vegetativo. O número de frutos por unidade de área e a produtividade co- mercial foram reduzidos com o aumento da tensão no estádio reprodutivo. A produtividade do tratamento por aspersão (103 Mg.ha-1 ) foi 22% menor que a do tratamento por gotejamento mais produtivo (70 kPa/15 kPa). A porcentagem de frutos podres na aspersão foi pelo menos três vezes maior que nos tratamentos irrigados por gotejamento (Marouelli & Silva, 2001).
  • 31. 19 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1. Localização e características gerais da área experimental Os ensaios foram instalados na Estação Experimental Fazenda Barreiro, arrendada pela Unilever Bestfoods Brasil, situada no município de Patos de Mi- nas – MG (46º51’ Oeste e 18º57’ Sul), que está localizado a 427 Km a noroeste de Belo Horizonte -MG, 180 Km a leste de Uberlândia – MG e a 480 km a su- deste de Goiânia – GO. 3.2. Clima Patos de Minas caracteriza-se por estar situada em uma região climática Aw, segundo a classificação de Köppen (Tubelis et al., 1972), recebendo a de- nominação de Clima Tropical Brasil Central subquente semi-úmido (4 a 5 meses de seca). A região apresenta uma temperatura média de 17º C para o mês mais frio, julho; 23º C para o mês mais quente, fevereiro; com precipitações no verão, sendo de 300 mm no mês mais chuvoso, dezembro; com Inverno seco, sendo de 5 mm no mês mais seco, julho/agosto (EPAMIG et al. , 1982). 3.3. Principais características do solo As análises químicas do solo das áreas experimentais foram realizadas pelo Laboratório Unithal – Campinas/SP, em 31 de janeiro de 2001 (Tabela 1). O solo da área experimental pertence à classe textural argiloso, possuin- do 52,3 % de argila, 23,6 % de silte e 24,1 % de areia, com densidades aparente e real de 1,0 e 2,7 respectivamente, na área irrigada por gotejamento. Na área
  • 32. 20 irrigada por pivô central, o solo pertence à classe textural argiloso, com 21,5 % de areia, 55,3 % de argila e 23,2 % de silte, com densidades aparente de 1,0 e real de 2,7. Tabela 1 - Análise química do solo da área experimental em Patos de Minas – MG, pertencente à Unilever Bestfoods. Uberlândia, 2002. Macronutrientes Gotejo Setor 6 Pivô Quadrante 4 pH CaCl2 5,6 5,1 pH H2O 6,2 5,8 pH SMP 6,45 6,25 H + Al cmolc 2,6 3,3 Al cmolc 0,0 0,0 Ca cmolc 6,0 3,1 Mg cmolc 2,7 1,7 K cmolc 0,32 0,25 P mg/dm3 (Mehlich) 25,0 12,0 P mg/dm3 (resina) 41,0 25,0 P mg/dm3 (remane.) 14,0 5,0 C g/dm3 25,0 22,0 M.O. % 4,3 3,8 SB cmolc 9,02 5,05 CTC cmolc 11,62 8,35 V % 77,62 60,48 Ca/Mg 2,2 1,8 Micronutrientes S mg/dm3 30,6 14,0 Na mg/dm3 2,5 4,0 B mg/dm3 0,2 0,3 Fe mg/dm3 35,5 37,5 Mn mg/dm3 7,5 4,0 Cu mg/dm3 2,0 2,5 Zn mg/dm3 8,5 10,5 Mo mg/dm3 0,2 0,2 Co mg/dm3 0,1 0,2 3.4. Genótipos utilizados
  • 33. 21 No presente trabalho utilizou-se 30 famílias de tomateiro nas gerações F5 ou F6 (numeradas de 1 a 30), provenientes do Programa de Melhoramento do Tomateiro da Universidade Federal de Uberlândia – Instituto de Ciências Agrá- rias. A escolha das famílias se deu a partir de dados de experimentos realizados em Uberlândia – MG, em anos anteriores, levando-se em consideração os valo- res médios obtidos pelas famílias para produtividade, sólidos solúveis totais, pH e acidez total titulável. Optou-se por incluir no ensaio os híbridos Heinz 9553, Heinz 7155 N2 e Hypeel 108, atualmente mais utilizados pelos produtores da região de Patos de Minas – MG, por alcançarem os melhores padrões de qualidade e produtividade em ensaios realizados pela equipe de pesquisa da Unilever Bestfoods. 3.5. Delineamento experimental Os 33 genótipos foram avaliados no sistema de produção com irrigação por pivô central e no sistema de produção com irrigação por gotejamento. O delineamento experimental adotado foi, para cada um dos sistemas de produção, o de blocos casualizados, com 4 blocos e 1 repetição por bloco. No sistema de produção com irrigação via pivô central utilizou-se parce- las com linhas simples de 5 metros de comprimento, espaçadas 1,3 metros entre si. A população foi de 27 mil plantas por hectare. No sistema de produção com irrigação via gotejamento utilizou-se par- celas com linhas duplas de 10 metros de comprimento, com espaçamento entre linhas de 0,5 metros e entre duplas de 1,3 metros. A população foi de 27 mil plantas por hectare. 3.6. Condução dos ensaios
  • 34. 22 3.6.1. Preparo do solo e adubação Na área destinada ao ensaio sob irrigação via pivô central, o solo foi preparado com uma aração a 25 cm de profundidade e gradeado. Na seqüência aplicou-se 1,5 litros por hectare de Trifluralina e 1,0 litro por hectare de Sencor, em pré-plantio-incorporado. A adubação de plantio consistiu de 1500 kg/ha de 04-30-16 + 0,5% Zn + 0,02% B. Junto à adubação de plantio, foram aplicados 30 kg/ha de Furadan 5G para o controle de nematóides. A adubação de cobertura foi feita com 160 kg/ha de nitrato de amônia e 103 kg/ha de cloreto de potássio granulado, aos 25 dias após o transplantio. Na área destinada ao ensaio sob irrigação via gotejamento, o solo foi preparado com uma aração a 25 cm de profundidade e gradeado. A seguir apli- cou-se, em pré-plantio-incorporado, os herbicidas Trifluralina (1,3 litros/ha) e Sencor (0,9 l/ha). A adubação de plantio consistiu-se de 1500 kg/ha de 04-30-16 + 0,5% Zn + 0,02% B. Junto com a adubação de plantio, aplicou-se 30 kg/ha de Furadan 5G. A complementação da adubação foi feita via água de irrigação (Ta- bela 2). O Nitrogênio foi fornecido na forma de nitrato de amônio, o Fósforo na forma de ácido fosfórico e o Potássio como cloreto de potássio branco.
  • 35. 23 Tabela 2 - Fertirrigação na área destinada ao ensaio sob irrigação via gotejamen- to. Uberlândia, 2002. DATA N P2O5 K2O kg/ha 18/07/01 20 10 24/07/01 10 10 01/08/01 10 5 08/08/01 10 10 15/08/01 10 10 24/08/01 10 20 31/08/01 10 20 07/09/01 10 10 20 13/09/01 20 20/09/01 20 Total 80 65 100 3.6.2. Semeadura, germinação e transplantio A semeadura foi realizada em bandejas de prolipropileno expandido de 200 células com substrato comercial para hortaliças, mantidas em túnel plástico, sobre bancadas distantes cerca de 1,0 metro do chão. Para o experimento conduzido sob irrigação por pivô central, a semea- dura foi realizada em 12 de maio de 2001, tendo se iniciado a germinação em 19 de maio de 2001. O transplante das mudas para o campo ocorreu em 13 de junho de 2001, com uma muda por cova. Para o experimento conduzido sob irrigação via gotejamento, a semea- dura realizou-se em 19 de maio de 2001 e a germinação iniciou em 27 de maio de 2001. O transplante das mudas para o campo deu-se em 20 de junho de 2001, com uma muda por cova. 3.6.3. Irrigação
  • 36. 24 O pivô central é da marca Agrogeral modelo 1LM4LP, com 309,4 m de comprimento e 7 torres e foi instalado no ano de 1991. A distância entre os as- persores varia de 2,5 m a 3,5 m, da extremidade ao centro, respectivamente. A vazão dos aspersores varia de 0,22 m3 /h a 1,7 m3 /h do centro à extremidade, respectivamente. A irrigação por gotejamento foi feita via subsuperfície com fita Netafin com 120 m de comprimento, 1,65 l/h de vazão por gotejador e 0,4 m de distância entre gotejadores, enterrada a cerca de 20 cm da superfície do solo. A bomba utilizada possui 10 cv de potência. A adição de fertilizantes à água de irrigação foi feita através de tubo tipo venturi acoplado à tubulação principal. Para os dois sistemas, fez-se o monitoramento da umidade do solo atra- vés de tensiômetros instalados a 20 cm e a 40 cm de profundidade. Antes de se iniciar o transplante aplicou-se uma lâmina de irrigação para a tensão de água no solo alcançar a capacidade de campo, para facilitar o trabalho de transplantio e ocasionar menor estresse às plantas. Durante os 100 primeiros dias após o transplantio, procurou-se iniciar a aplicação das lâminas de irrigação sempre que a tensão de água no solo na pro- fundidade de 20 cm alcançava 0,25-0,35 KPa para a área sob gotejamento. A evaporação real no período entre duas irrigações subsequentes foi determinada através da evaporação da água medida em tanque classe “A” menos a precipita- ção pluviométrica no período. A lâmina real a ser aplicada foi calculada multi- plicando-se a evaporação real por uma constante que variou conforme o estádio de desenvolvimento da cultura (Tabela 3). Por não se dispor de dados relativos à correlação entre tensão da água e umidade do solo na área do pivô central, fez-se o intervalo entre duas lâminas subsequentes de acordo com a experiência empírica do técnico responsável. A lâmina real aplicada em cada momento de irrigação foi calculada subtraindo-se a
  • 37. 25 precipitação pluviométrica da evaporação da água medida em tanque classe “A” (Tabela 3). A partir de aproximadamente 100 dias após o transplantio não mais se aplicaram lâminas de irrigação aos experimentos, nos dois sistemas. Desta fase da cultura em diante, correspondente ao período de maturação de frutos, reco- menda-se a aplicação de lâminas mínimas, somente para as plantas não alcança- rem o ponto de murcha permanente, visando obter maior concentração de sóli- dos solúveis nos frutos. Mas, devido ao experimento ter sido conduzido no final da estação de cultivo (plantio tardio), a ocorrência de chuvas no final do ciclo, principalmente no experimento sob irrigação via gotejamento, que foi colhido 20 dias após o experimento com irrigação via pivô central, limitou bastante o es- tresse hídrico que pretendia-se aplicar à cultura neste estádio.
  • 38. 26 Tabela 3 - Evapotranspiração medida no tanque classe A (mm), precipitação pluviométrica (mm), lâmina de irrigação aplicada (mm), tensão média de água no solo nas profundidades de 20 cm e 40 cm das áreas experimentais sob irriga- ção via pivô central e gotejamento. Uberlândia, 2002. Pivô Central Gotejamento DATA TCA P.P. LAM 20cm 40cm LAM 20cm 40cm 10/06/01 2,90 9,68 11/06/01 3,60 5,81 12/06/01 2,70 13/06/01 2,60 5,81 14/06/01 2,50 9,68 15/06/01 3,40 16/06/01 2,90 0,11 0,17 17/06/01 3,30 12,60 0,12 0,18 18/06/01 2,80 0,08 0,17 36,60 19/06/01 2,30 0,10 0,16 20/06/01 3,50 7,50 0,12 0,17 11,80 21/06/01 2,60 0,11 0,18 22/06/01 2,30 0,13 0,18 11,60 23/06/01 3,30 0,16 0,19 24/06/01 3,10 0,18 0,19 6,90 25/06/01 4,50 0,21 0,21 26/06/01 3,90 0,22 0,22 4,60 27/06/01 3,50 19,16 0,29 0,23 28/06/01 3,50 0,18 0,22 8,00 29/06/01 3,40 0,14 0,23 4,60 30/06/01 3,60 26,80 0,14 0,22 01/07/01 3,40 0,06 0,16 6,90 02/07/01 2,40 0,09 0,16 0,09 0,12 03/07/01 3,30 0,10 0,15 0,10 0,13 04/07/01 3,10 0,11 0,16 9,20 0,13 0,15 05/07/01 3,80 0,13 0,16 0,12 0,15 06/07/01 5,30 0,16 0,17 0,11 0,14 07/07/01 3,40 19,30 0,21 0,19 0,12 0,14 08/07/01 2,80 0,17 0,21 0,14 0,15 09/07/01 2,90 0,13 0,19 0,16 0,16 10/07/01 3,40 0,13 0,19 0,19 0,17 11/07/01 4,20 0,16 0,20 0,21 0,18 12/07/01 3,80 0,23 0,21 0,24 0,19 13/07/01 4,00 0,32 0,23 0,30 0,20 14/07/01 3,70 0,42 0,25 0,38 0,21 15/07/01 3,50 0,47 0,26 0,48 0,22 16/07/01 4,00 0,49 0,27 0,57 0,23 17/07/01 3,30 0,55 0,31 0,61 0,24 18/07/01 4,20 19,40 0,59 0,35 27,50 0,70 0,27 19/07/01 3,10 0,42 0,37 0,56 0,15 20/07/01 3,90 0,40 0,35 0,09 0,12 21/07/01 4,30 0,42 0,36 0,17 0,15 22/07/01 3,00 0,45 0,37 0,19 0,17 continua...
  • 39. 27 Tabela 3. continuação 23/07/01 3,70 0,49 0,41 0,27 0,18 24/07/01 2,70 0,48 0,41 11,10 0,51 0,23 25/07/01 3,90 0,51 0,44 0,13 0,16 26/07/01 5,10 0,58 0,48 0,18 0,19 27/07/01 4,80 0,64 0,55 0,29 0,21 28/07/01 4,90 36,80 0,65 0,62 0,53 0,26 29/07/01 3,80 0,45 0,65 10,70 0,68 0,32 30/07/01 3,80 0,27 0,56 0,39 0,22 31/07/01 3,30 0,24 0,39 0,32 0,24 01/08/01 4,50 0,30 0,40 8,70 0,52 0,30 02/08/01 5,00 0,40 0,44 0,46 0,27 03/08/01 5,20 0,50 0,48 0,38 0,27 04/08/01 5,30 0,59 0,56 0,59 0,44 05/08/01 4,90 47,50 0,65 0,59 14,00 0,62 0,47 06/08/01 5,00 0,19 0,45 0,38 0,20 07/08/01 4,70 0,08 0,40 0,26 0,23 08/08/01 5,10 6,80 0,12 0,36 10,20 0,39 0,30 09/08/01 4,20 0,11 0,27 0,24 0,25 10/08/01 3,80 0,14 0,33 0,23 0,23 11/08/01 4,50 0,18 0,36 13,10 0,41 0,37 12/08/01 5,20 0,24 0,45 0,11 0,16 13/08/01 4,50 0,29 0,49 0,17 0,21 14/08/01 5,50 0,55 0,53 0,30 0,28 15/08/01 4,80 32,60 0,19 0,49 15,80 0,56 0,43 16/08/01 5,50 0,09 0,48 0,10 0,15 17/08/01 5,40 0,14 0,41 0,15 0,21 18/08/01 6,10 0,17 0,44 0,27 0,30 19/08/01 4,70 0,30 0,47 21,80 0,52 0,46 20/08/01 5,30 0,42 0,53 0,08 0,13 21/08/01 4,80 0,55 0,60 0,11 0,17 22/08/01 5,80 0,65 0,68 0,18 0,23 23/08/01 4,90 2,00 0,71 0,71 0,33 0,29 24/08/01 0,00 11,00 0,57 0,81 10,10 0,56 0,49 25/08/01 2,00 2,00 0,60 0,84 0,24 0,14 26/08/01 0,00 3,50 0,61 0,85 0,11 0,16 27/08/01 0,00 9,00 0,61 0,85 0,16 0,21 28/08/01 3,70 0,53 0,79 0,10 0,22 29/08/01 0,00 23,00 0,56 0,82 0,14 0,26 30/08/01 2,80 0,16 0,81 0,07 0,24 31/08/01 3,00 0,08 0,78 0,08 0,15 01/09/01 4,90 0,22 0,59 0,12 0,17 02/09/01 4,80 0,37 0,62 0,16 0,19 03/09/01 5,00 0,41 0,66 0,13 0,18 04/09/01 4,70 0,54 0,70 0,19 0,28 05/09/01 4,80 0,61 0,76 0,30 0,34 06/09/01 5,50 0,68 0,80 0,50 0,41 07/09/01 4,70 0,72 0,80 38,00 0,45 0,49 08/09/01 5,30 53,00 0,79 0,83 0,05 0,10 09/09/01 5,00 0,58 0,74 0,08 0,13 continua...
  • 40. 28 Tabela 3. Continuação 10/09/01 5,20 0,30 0,61 0,10 0,14 11/09/01 5,70 0,10 0,23 0,12 0,19 12/09/01 1,80 5,00 0,22 0,42 0,16 0,27 13/09/01 5,00 0,36 0,53 30,50 0,45 0,35 14/09/01 0,00 7,00 0,46 0,58 0,07 0,12 15/09/01 0,00 2,00 0,59 0,64 0,11 0,16 16/09/01 1,70 2,00 0,59 0,65 0,12 0,17 17/09/01 5,50 0,57 0,63 0,11 0,16 18/09/01 5,30 0,57 0,65 0,14 0,19 19/09/01 5,70 0,62 0,69 0,19 0,22 20/09/01 6,50 0,64 0,72 23,20 0,34 0,34 21/09/01 6,20 0,70 0,74 0,07 0,10 22/09/01 5,00 53,00 0,66 0,80 0,12 0,14 23/09/01 0,00 12,00 0,19 0,19 24/09/01 0,00 8,00 0,06 0,59 0,21 0,22 25/09/01 2,50 2,50 0,06 0,23 0,25 0,29 26/09/01 0,00 4,00 0,08 0,13 0,28 0,31 27/09/01 1,00 2,00 0,09 0,15 0,29 0,32 28/09/01 0,00 16,00 0,09 0,14 0,27 0,32 29/09/01 2,80 0,06 0,11 0,12 0,35 30/09/01 4,50 0,08 0,13 0,10 0,32 01/10/01 2,40 0,08 0,13 0,12 0,32 02/10/01 0,00 37,00 0,09 0,14 0,14 0,32 03/10/01 5,00 0,05 0,09 0,05 0,26 04/10/01 4,50 0,07 0,12 0,07 0,17 05/10/01 6,80 0,07 0,12 0,08 0,14 06/10/01 5,70 0,08 0,12 0,09 0,16 07/10/01 0,00 6,50 0,13 0,14 0,13 0,19 08/10/01 0,00 20,00 0,23 0,19 0,21 0,25 09/10/01 0,00 6,00 0,08 0,17 0,16 0,25 10/10/01 2,90 0,07 0,11 0,08 0,20 11/10/01 4,10 0,08 0,12 0,10 0,18 12/10/01 3,50 0,10 0,16 13/10/01 5,80 0,12 0,18 14/10/01 4,40 1,00 0,11 0,17 15/10/01 0,20 2,00 0,19 0,22 16/10/01 4,70 0,19 0,22 17/10/01 0,00 5,00 0,24 0,24 18/10/01 4,00 0,26 0,23 3.6.4. Tratamentos fitossanitários Os tratamentos fitossanitários foram feitos de acordo com o monitora- mento das áreas experimentais, em função dos patógenos, pragas e ervas dani- nhas presentes (Tabelas 4 e 5).
  • 41. 29 Tabela 4 - Pulverizações de produtos agroquímicos visando o controle das pra- gas, doenças e ervas daninhas no experimento irrigado via pivô central. Uber- lândia, 2002. Data Produto Dose Vazão kg/l/ha l/ha 29/05/01 Sencor 1 400 " Trifuralina 1,5 400 11/06/01 Clorpirifos 1,3 via pivot (100%) 18/06/01 Orthocide 2 300 " Tamarom 0,9 300 " Aminosan 1,5 300 22/06/01 Manzate 2,5 300 " Hostathion 1 300 " Map Purifica- do 0,50% 300 03/07/01 Bravonil Ultrex 1,5 300 " Orthene 0,52 300 Trigard 0,1 300 11/07/01 Dithane 3 300 " Kocide 1,2 300 " Tamaron 1 300 " Applaud 1 300 19/07/01 Bravonil Ultrex 1,6 400 " Orthene 1 400 " Danimen 0,25 400 31/07/01 Brav, Ultrex 1,75 500 " Sialex 1 500 " Fastac 0,375 500 " Trigard 0,12 500 " Agral 0,025% 500 03/08/01 Molibdato De Sodio 0,015% 500 " Viça Horta 2 500 08/08/01 Frowncide 2 via pivot (100%) 09/08/01 Tracer 0,13 600 " Tamaron 1 600 " Recop 2,5 600 " Manzate 3 600 " Agral 0,025% 600 10/08/01 Grow Master Calcio E Boro 0,4% 600 16/08/01 Turbo 0,5 1000 " Orthene 1 1000 Data Produto Dose Vazão kg/l/ha l/ha 16/08/01 Bravonil Ultrex 1,5 1000 " Sialex 1,5 1000 " Agral 0,03% 1000 23/08/01 Fusilade 1,5 500 " Profol (Foliar) 2 500 30/08/01 Cartap 1,6 800 " Applaud 1,08 800 " Manzate 3,2 800 " Cercobin 1 800 " Agral 0,03% 800 04/09/01 Cobre Recop 3 kg 1000 " Sulfato De Magnêsio 0,50% 1000 " Aminosan 1,5lt 1000 " Nomolt 0,4 kg 1001 12/09/01 Cordial 1 1000 " Turbo 0,5 1000 " Frowncide 1 1000 18/09/01 Rumo 0,15 kg 1000 " Danimen 0,25 lt 1000 " Oleo Vegetal 0,25% 1000 " Amistar 0,12 kg 1000 " Manzate 3,0 kg 1000 28/09/01 Cartap 2 ,0 kg 1000 " Tracer 0,15 lt 1000 " Aumax 0,20% 1000 " Amistar 0,16 kg 1000 " Dithane 3,5 kg 1000 04/10/01 Sialex 1,5 kg 1000 " Cercobin 1,5 lt 1000 " Cobre Recop 2,5 kg 1000 " Danimen 0,3 lt 1000 " Tracer 0,15 lt 1000 " Agral 0,05% 1000 11/10/01 Rumo 0,13 1000 " Bac Control 1 1000 " Amistar 0,2 1000 " Oleo Vegetal 0,25% 1000 20/10/01 Oleo Vegetal 0,25% 1000 " Cercobin 1,0 lt 1000 " Folicur 1,5 lt 1000 " Brav, Ultrex 2,0 kg 1000
  • 42. 30 Tabela 5 - Pulverizações de produtos agroquímicos visando o controle das pra- gas, doenças e ervas daninhas no experimento sob irrigação via gotejamento. Uberlândia, 2002. DATA Produto DOSE VAZÃO kg/l/ha l/ha 15/06/01 Sencor 0,9 300 " Trifuralina 1,3 300 22/06/01 Manzate 2,5 300 " Tamarom 1 300 03/07/01 Brav, Ultrex 1,5 300 " Orthene 1 300 " Bac Control 0,6 300 " Trigard 0,1 300 " Aumax 0,20% 300 11/07/01 Tamaron 1 300 " Applaud 1 300 " Bac Control 0,6 300 20/07/01 Dithane 3 400 " Bac Control 0,8 400 " Orthene 1 400 " Agral 0,03% 400 27/07/01 Bac Control 0,8 400 " Agral 0,03% 400 31/07/01 Brav Ultrex 1,6 500 " Bac Control 0,8 500 " Danimem 0,2 500 " Kocide 1,0 500 Agral 0,03% 500 03/08/01 Molibdato De Sodio 0,015% 500 " Viça Horta 2 500 07/08/01 Tracer 0,13 600 " Tamaron 1 600 " Manzate 3 600 " Agral 0,025% 600 11/08/01 Frowncide 1,5 gotejo 14/08/01 Bac Control 0,8 800 " Fastac 0,3 800 " Trigard 0,12 800 " Cercobin 1 800 " Aumax 0,15% 800 " Agral 0,025% 800 22/08/01 Bac Control 0,8 800 " Turbo 0,4 800 " Brav. Ultrex 2 800 " Recop 2,5 800 " Agral 0,03% 800 31/08/01 Rumo 0,12 800 " Oleo Vegetal 0,25% 800 " Cordial 0,99 800 DATA Produto DOSE VAZÃO kg/l/ha l/ha " Sialex 1,2 800 " Manzate 3 800 06/09/01 Tracer 013 kg 1000 " Bac Control 0,8 kg 1000 " Kocide 1,5 kg 1000 " Brav Ultrex 2,0 kg 1000 11/09/01 Orthene 1 1000 " Turbo 0,4 1000 " Othocide 2,8 1000 13/09/01 Ronilan 1,25 gotejo 17/09/01 Dithane 3,0 kg 1000 " Pirate 1,0 l 1000 " Cartap 2,0 l 1000 " Aumax 0,02% 1000 28/09/01 Oleo Vegetal 0,25% 1000 " Rumo 0,15 kg 1000 " Danimen 0,3 l 1000 " Amistar 0,16 kg 1000 " Cercobin 1,25 l 1000 04/10/01 Sialex 1,5 kg 1000 " Cercobin 1,5 lt 1000 " Cobre Recop 2,5 kg 1000 " Danimen 0,3 l 1000 " Tracer 0,15 l 1000 " Agral 0,05% 1000 11/10/01 Turbo 0,5 1000 " Vertimec 0,5 1001 " Amistar 0,16 1002 " Bravonil 2 1003 " Agral 0,05% 1004 20/10/01 Oleo Vegetal 0,25% 1000 " Cercobin 1,0 l 1000 " Folicur 1,5 l 1000 " Brav, Ultrex 2,0 kg 1000 " Turbo 0,5 l 1000
  • 43. 31 3.6.5. Colheita A colheita dos experimentos foi feita de forma manual. Sob o pivô cen- tral foi realizada quando os híbridos apresentaram porcentagem visual de frutos maduros adequada. Nesta época, devido à ocorrência de chuvas e às característi- cas de porte de planta e precocidade de algumas famílias, houve pequena por- centagem de frutos podres, correspondentes à primeira penca, principalmente, que estavam derretidos devido à podridão bacteriana e portanto não foram con- tabilizados no ensaio. Para a colheita do experimento sob irrigação via goteja- mento, adotou-se os mesmos critérios. Colheram-se os frutos do experimento sob pivô central no dia 11 de outubro de 2001, aos 152 dias após a semeadura e 120 dias após o transplante. Já no experimento sob irrigação via gotejamento, a colheita realizou-se no dia 30 de outubro de 2001, aos 164 dias após a semeadura e 132 dias após o transplan- tio. 3.7. Características avaliadas 3.7.1. Características agronômicas 3.7.1.1. Características de planta e fruto analisadas visualmente No dia da colheita, procedeu-se análise visual das parcelas em um dos blocos de cada experimento com a finalidade de caracterizar cada um dos genó- tipos quanto às seguintes características (Tabela 6): a) Porte da planta - refere-se ao comprimento das hastes principais e secundárias. O tipo “grande” ocupa uma grande área em torno da cova, enquanto
  • 44. 32 o tipo “compacto” possui hastes mais curtas e, portanto, ocupa menor área em torno da cova. b) Grau de uniformidade das plantas - mostra se todas as plantas da par- cela apresentam as mesmas características de cobertura foliar e porte de planta. c) Formato do fruto - tipo “bloco” apresenta-se com comprimento maior que o diâmetro e formato que se assemelha a um paralelepípedo. O fruto com formato tipo “pêra” apresenta a região próxima ao pedúnculo com diâmetro menor do que a região da base do fruto. O fruto com formato tipo “redondo” apresenta comprimento e diâmetro iguais. O fruto com formato tipo “pê- ra/bloco” apresenta as características do tipo bloco, porém, com a região próxi- ma ao pedúnculo com diâmetro menor. O fruto com formato tipo “alongado” apresenta diâmetro uniforme por todo o sentido longitudinal do fruto e bem me- nor do que o comprimento. O fruto com formato tipo “oval” apresenta os diâme- tros das extremidades menores do que o diâmetro da região equatorial do fruto, sendo o diâmetro menor do que o comprimento. O fruto com formato tipo “lo- bado” apresenta depressões por todo o sentido longitudinal do fruto, que come- çam próximo à cicatriz peduncular e vão até a base do fruto, acompanhando as junções entre os lóculos do fruto. O fruto com formato tipo “caqui” apresenta diâmetro bem maior que o comprimento. d) Firmeza dos frutos - refere-se à capacidade do fruto resistir à com- pressão feita através da ponta dos dedos. Os frutos moles amassam-se com faci- lidade, enquanto os frutos com firmeza excelente resistem praticamente intactos à pressão. e) Cor externa - é excelente quando todos os frutos da parcela apresen- tam coloração vermelha e ruim quando apenas uma pequena quantidade dos frutos a exibem.
  • 45. 33 f) Densidade - refere-se ao preenchimento interno dos frutos. Nos frutos cheios não há espaços vazios e nos frutos muito ocados há predominância de espaços vazios no seu interior. g) Teor de água - foi obtido amassando-se uma metade de três frutos por parcela com a palma das mãos. Dos frutos muito secos nenhuma água pôde ser extraída, enquanto que dos frutos aguados considerável quantidade de água era extraída quando da compressão dos frutos. h) Quantidade de sementes nos frutos - adotou-se uma escala comparati- va que variou de muito poucas sementes até muitas sementes. i) Observou-se também a ocorrência de podridão apical dos frutos (de ausente até alta) e de rachaduras longitudinais + concêntricas (ausente até alta). Tabela 6 - Características avaliadas visualmente nos experimentos sob irrigação por gotejamento e pivô central. Uberlândia, 2002. Características das Plantas Níveis de Avaliação Hábito de Crescimento Indeterminado (I) Determinado (D) Porte compacto (C) pequeno (Pq) médio (M) grande (G) Uniformidade excelente (E) boa (B) regular (R) péssima (Pe) Características dos Frutos Níveis de Avaliação Formato bloco (Bl) pêra (P) redondo (Rd) pêra/bloco (P/B) alongado (A) oval (O) lobado (L) caqui (Ca) Firmeza excelente (E) firme (F) regular (R) mole (Mo) Cor Externa excelente (E) boa (B) regular (R) ruim (Ru) Densidade cheio (Ch) normal (N) ocado (Oc) muito ocado (MO) Teor de Água muito seco (MS) enxuto (E) normal (N) aguado (A) Qde . Sementes muitas (M) normal (N) poucas (P) muito poucas (MP) Podridão Apical ausente (Au) baixa (Bx) média (M) alta (At) Rachaduras ausente (Au) baixa (Bx) média (M) alta (At)
  • 46. 34 3.7.1.2. Produção total A produção total de frutos, em toneladas por hectare, foi obtida pela soma das produções de frutos maduros, coloridos, verdes e podres, colhidos em caixas separadas e pesados imediatamente após a colheita. 3.7.1.3. – Produção de frutos adequados ao processamento Considerou-se como frutos adequados ao processamento aqueles frutos que se apresentaram maduros no dia da colheita. A porcentagem de frutos madu- ros foi obtida através da relação desta variável com a variável produção total. 3.7.1.4. Produção de frutos inadequados ao processamento A produção de frutos inadequados para o processamento, em toneladas por hectare, foi obtida pela soma das produções de frutos coloridos, verdes e podres. Obteve-se as respectivas porcentagens de frutos coloridos, verdes e po- dres através da relação destas variáveis com a variável produção total. 3.7.1.5. Peso médio, comprimento e diâmetro dos frutos madu- ros O peso médio dos frutos maduros foi obtido a partir de uma amostra de 20 frutos maduros coletados ao acaso dentro das parcelas, no dia da colheita, que foram pesados imediatamente. A partir de 20 frutos maduros de um dos blocos do ensaio sob irrigação via gotejamento, obteve-se ainda as medidas de comprimento e diâmetro de frutos maduros, como medida auxiliar na caracterização dos genótipos. Os inter-
  • 47. 35 valos de confiança para as médias foram obtidos de acordo com o proposto por Gomes (1990), ao nível de 5% de probabilidade. 3.7.1.6. Número de frutos maduros por planta A partir do peso médio de frutos maduros (PMFM), do número de plan- tas por hectare (NPH) e da produção de frutos maduros por hectare (PFMH), obteve-se o número médio de frutos maduros por planta (NMFMP), fazendo-se a seguinte relação: NMFMP = PFMH / (PMFM*NPH). 3.7.2. Características industriais Para determinação das principais características industriais coletou-se, ao acaso, 20 frutos de tomate maduros, de cada parcela, no dia da colheita. Após a coleta no campo, as amostras foram imediatamente transportadas para a planta piloto, localizada na unidade industrial para processamento de to- mates da Unilever Bestfoods Brasil, no município de Patos de Minas – MG. 3.7.2.1. - Sólidos solúveis totais Para a determinação da porcentagem de sólidos solúveis totais (º brix), pH e acidez total titulável, triturou-se 10 frutos em liqüidificador. O suco foi homogeneizado e algumas gotas da amostra foram colocadas sobre o prisma de um refratômetro marca Bellingham + Stanley, modelo RFM320, que retorna a porcentagem de sólidos solúveis totais da amostra. 3.7.2.2. – Acidez total titulável
  • 48. 36 Para determinar a acidez total titulável utilizou-se um equipamento mar- ca Metrohm 712S Titrino com eletrodo e teclado e uma balança analítica. Pesou- se uma amostra de 10 g do suco em um beaker sobre a balança analítica. Acres- centou-se água destilada até o peso de 60 g e homogeneizou-se a amostra. Com o beaker sobre um agitador magnético (marca Metrohm 728), introduziu-se o eletrodo. O aparelho retorna o valor da acidez total titulável já corrigida para porcentagem de ácido cítrico. 3.7.2.3. – pH Para a determinação do pH utilizou-se equipamento PerpHecT pH, mar- ca Orion, modelo 310 com um eletrodo tipo Ross Sureflow, modelo 8172. Em um beaker com a amostra do suco introduziu-se o eletrodo e quando o aparelho estabilizou anotou-se o valor. 3.7.2.4. Coloração do suco Para obtenção dos parâmetros de cor (a, b e L) utilizou-se colorímetro marca HunterLab, modelo ColorQUEST. Dez frutos de tomate foram triturados em liquidificador, filtrados e homogeneizados tomando-se o cuidado de não incorporar bolhas de ar na amostra. A seguir, uma amostra de 80 g foi colocada na leitora do aparelho. 3.7.2.5. – Rendimento industrial O rendimento industrial de polpa foi obtido utilizando-se a fórmula: R (t de polpa/ha) = [(PFM (t/ha) x 0,95) x ºBrix do suco ] / 28, onde R é o rendimen-
  • 49. 37 to industrial de polpa concentrada a 28 ºBrix e PFM é a produção de frutos ma- duros (Giordano et al. , 2000). 3.8. Métodos de análise estatística 3.8.1. Transformação dos dados Antes da análise estatística, os dados foram submetidos aos testes de normalidade e homogeneidade de variâncias, através do programa Prophet 5.0. As variáveis que apresentaram distribuição normal e homogeneidade de variân- cia não sofreram transformação. As variáveis que apresentaram distribuição não- normal e/ou heterogeneidade de variâncias foram transformadas seguindo reco- mendação de Gomes (1990). 3.8.2. Análise de variância As análises de variância (teste F) foram processadas no programa com- putacional Genes (Cruz, 1997). Para a análise de variância conjunta dos experimentos utilizou-se a roti- na análise de variância fatorial com testemunhas adicionais, análise conjunta modelo Yijk = m + Gi + B/Ajk + Aj + GAij + Eijk, onde considerou-se os três híbridos como testemunhas adicionais, as famílias como genótipos e os sistemas como ambientes, com efeitos de genótipos e ambientes fixos. Y é o valor obser- vado, m é a média, G é o efeito do genótipo, B é o efeito do bloco, A é o efeito do ambiente e E é o efeito do erro experimental. Quando a análise conjunta apresentou significância, ao nível de 5%, para a interação tratamentos x ambiente, procedeu-se a análise individual, através do programa GENES, utilizando-se a rotina análise de variância fatorial com teste- munhas adicionais, análise individual modelo Yijk = m + Gi + Bk + Eik. Y é o
  • 50. 38 valor observado, m é a média, G é o efeito do genótipo, B é o efeito do bloco e E é o efeito do erro experimental. 3.8.3. Comparação entre médias As comparações entre as médias foram processadas no programa com- putacional Genes (Cruz, 1997) utilizando-se o teste de Scott-Knott (Scott & Knott, 1974, Ferreira et al., 1999). 3.8.4. Correlação entre caracteres As correlações entre os caracteres foram obtidas e testadas pela metodo- logia proposta por Gomes (1990), utilizando-se a rotina correlação de Pearson no programa computacional SAEG (Euclides, 1999).
  • 51. 39 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1. Características gerais dos ensaios Durante o ano agrícola de 2001, foram medidos diariamente, no local do ensaio, os valores de temperatura do ar máxima, mínima e média, da umidade relativa do ar, da precipitação pluviométrica e da evaporação no tanque classe “A” (Tabela 7). Tabela 7 - Médias mensais de temperatura máxima, mínima e média, umidade relativa do ar, precipitação pluviométrica e evaporação (tanque classe “A”) na Estação Experimental Fazenda Barreiro no ano de 2001. Uberlândia, 2002. Mês Temperatura ºC U.R. (%) Chuva (mm) Evaporação (mm)Máxima Média Mínima Média Média Jan. 29,0 16,5 22,0 65,3 155,5 - Fev. 29,4 15,5 22,4 64,2 39,0 139,18 Mar. 26,6 14,5 20,5 64,9 295,5 106,3 Abr. 26,9 12,5 19,7 67,1 10,0 123,5 Mai. 24,6 9,5 17,0 63,8 43,0 87,4 Jun. 23,8 7,0 15,4 63,9 0,0 96,6 Jul. 24,7 6,5 15,6 63,5 0,0 115,5 Ago. 24,2 7,1 15,6 60,5 50,5 126,2 Set. 25,8 10,6 18,2 62,1 60,5 109,1 Out. 26,4 13,6 20,0 65,9 95,5 114,4 Nov. 27,1 16,4 21,8 68,2 203,0 - Dez. 26,1 15,9 21,0 70,2 223,0 - Ano 26,2 12,1 19,1 65,0 1175,5 - Pelas médias obtidas inferiu-se que, no ano de 2001, o comportamento das principais variáveis climáticas não diferiu das normais climatológicas da região obtidas por EPAMIG et al. (1982), para o município de Patos de Minas – MG.
  • 52. 40 4.2. Características de planta e frutos analisadas visualmente Segundo Zahara (1970), Rich (1978) e Melo (2001), os melhores traba- lhos de melhoramento de tomateiros visando produção industrial dizem respeito à obtenção de plantas compactas, pequenas, com amadurecimento dos frutos concentrado, produtivas, resistentes a doenças e outras características visando especialmente a colheita mecânica. Desta forma, os resultados da avaliação visual dos genótipos serão utili- zados, neste trabalho, para ajudar na seleção de genótipos com estas característi- cas adicionais, além das tradicionalmente utilizadas (produção e qualidade in- dustrial). No ensaio sob pivô central (Tabela 8), o genótipo que mais se destacou foi o híbrido Heinz 9553. Apresentou hábito de crescimento determinado, porte de planta pequeno, boa uniformidade de plantas, fruto com formato alongado, firme, boa cor externa, densidade cheio, teor de água enxuto, quantidade de se- mentes normal, jointless, sem podridão apical e sem rachaduras. A família UFU-06 destacou-se das demais, pois tem hábito de cresci- mento determinado, boa uniformidade de plantas, frutos redondos, firmes, com boa coloração externa, densidade cheio, teor de água normal, quantidade de se- mentes normal, jointless, sem podridão apical e sem rachaduras. Só apresentou um defeito: plantas com porte médio. Este parece ser o principal problema com as famílias estudadas, pois nenhuma apresentou porte pequeno ou compacto, o que é desejável no tomateiro industrial (Filgueira, 2000 e Melo 2001). Deve-se destacar que esta é uma característica importante, por facilitar a colheita manual ou mecânica e permitir um ambiente mais aerado, diminuindo os problemas com podridão de frutos e aumentando a porcentagem de frutos maduros. Os híbridos Heinz 7155N2 e Hypeel 108 apresentaram apenas dois pe- quenos defeitos: firmeza e cor externa regulares. Para as outras características
  • 53. 41 tiveram a mesma performance dos genótipos Heinz 9553 e UFU 06. A coloração dos frutos é característica fundamental em tomates destinados à industrialização (Conceição, 1981; Melo, 2001; Maluf, 1994). As famílias UFU 11, UFU 15, UFU 22 e UFU 29 também apresentaram boas características e por isso podem ser destacadas das demais, mas seu defeito mais grave foi a presença de um nível médio de rachaduras. As famílias UFU- 02, UFU-05 e UFU 13 também merecem destaque, mas todas apresentaram um defeito um pouco mais grave para o tomateiro com finalidade industrial que é a presença de joelho (fenótipo jointed), o que, segundo Maluf (1994), praticamen- te inviabiliza a colheita mecânica e dificulta a seleção de frutos na esteira de recepção da unidade processadora. Já a família UFU 26 apresentou como defeito apenas a pequena quantidade de sementes produzida em seus frutos, o que pode dificultar muito a aceitação de uma linhagem por elevar muito o custo de produ- ção de sementes. No ensaio sob irrigação por gotejamento (Tabela 9) os três híbridos obtiveram posição de destaque, pois mostraram-se adequados para o tipo indus- trial em todos os caracteres avaliados visualmente. O mesmo ocorreu com as famílias UFU 06, UFU 15 e UFU 29. Porém, nestas últimas foi constatado porte de planta médio. Podendo-se destacar que a família UFU 15 não apresentou rachaduras no ensaio sob gotejamento, diferentemente do que ocorreu no expe- rimento sob pivô central, enquanto que a família UFU 29 as apresentou com nível médio em ambos os experimentos. A família UFU 02 apresentou plantas com fenótipo jointed, mas nas demais características mostrou-se adequada para o cultivo industrial. Segundo Giordano et al. (2000), a ausência de “joelho” faz com que o pedúnculo fique aderido à planta, facilitando a operação de colheita manual e evitando o trabalho de remoção dos pedúnculos na linha de processamento.
  • 54. 42 A família UFU 27 apresentou boas características visuais, porém apre- sentou formato de fruto tipo caqui. O formato de fruto similar aos frutos do grupo Santa Cruz (“quadrado”) são os preferidos para a indústria (Filgueira, 2000). Entre os melhores genótipos listados acima em cada sistema separada- mente, os que se destacaram em ambos os sistemas, para as características avali- adas neste tópico, foram: H 9553, UFU 06, H 7155 N2, Hypeel 108, UFU 15, UFU 29 e UFU 02. As características hábito de crescimento, porte de planta, formato de fruto, quantidade de sementes, facilidade de colheita e podridão apical mostra- ram pouca ou nenhuma variação quando comparados os resultados por genótipo entre os dois ensaios. Já as características uniformidade de plantas, firmeza de frutos, cor externa, densidade do fruto, teor de água e rachaduras apresentaram grande variação num mesmo genótipo entre os dois sistemas de cultivo, não se podendo dizer, nas condições deste experimento, que um ou outro sistema pro- porcionou melhores ou piores resultados para estas características.
  • 55. 43 Tabela 8 – Avaliação visual de características das plantas (Hábito de Crescimento, Porte e Uniformidade) e característi- cas dos frutos (Formato, Firmeza, Cor Externa, Densidade, Teor de Água, Qde. Sementes, Podridão Apical e Rachaduras) dos genótipos de tomateiro para processamento avaliados no sistema de produção irrigado via pivô central. Uberlândia, 2002. características da planta características do fruto genótipo Há- bito Porte Unifor- midade Formato Firmeza Cor Externa Densidade Teor de Água Quant. de Sementes Facilidade de Colheita Podridão Apical Racha- duras UFU 01 I1 G B Bl F R Ch MS P Js Au Au UFU 02 D M B O F B Ch E P Jd Au Au UFU 03 D G B A R B Ch E N Js Au Au UFU 04 D G R Bl F R Oc MS P Js Au Au UFU 05 D M B Rd R B Ch N N Jd Au Au UFU 06 D M B Rd F B Ch N N Js Au Au UFU 07 D G B Ca R R Ch E N Jd Au M UFU 08 D G R Rd/Ca2 F R Ch E N Jd/Js2 Au M UFU 09 D G B Bl/O2 F B Ch E N Jd Au Au UFU 10 I G R Rd F B Ch N N Js Au Au UFU 11 D M B Rd R R Ch N N Js Au M UFU 12 D G B Rd F B Ch E P Js/Jd2 Au Bx UFU 13 D M B Bl F B N MS P Jd/Js2 Au Au UFU 14 I. G B Bl F R Oc N P Js Au Au UFU 15 D M R Rd R R Ch E N Js Au M UFU 16 D G B Ca/Rd2 F R Ch N N Jd/Js2 Au M UFU 17 I G B Rd E R Ch N N Jd Au M UFU 18 D G R Rd/Ca2 F R Ch N N Jd Au M UFU 19 I G R Ca/Rd2 F R Ch N N Jd/Js2 Au At UFU 20 D G B Bl F R Ch MS P Js Au M UFU 21 I G R Ca F R Ch N N Jd Bx M UFU 22 D M B Rd F R Ch N N Js Au M UFU 23 I G B Pe/A2 F B N E N Js Bx Au UFU 24 I G B Bl/Rd2 F B Oc MS P Js Bx Au UFU 25 D G R Rd F Ru Oc MS P Js Bx M
  • 56. 44 continua... Tabela 8 - Continuação características da planta características do fruto genótipo Há- bito Porte Unifor- midade Formato Firmeza Cor Externa Densidade Teor de Água Quant. de Sementes Facilidade de Colheita Podridão Apical Racha- duras UFU 26 D M B Pe F R Oc MS P Js Au Au UFU 27 D G B Ca R R Ch N N Js Au M UFU 28 I G R Rd F B N E N Js Au Bx UFU 29 D M B Rd R R N N N Js Au M UFU 30 I G R Rd F R Ch E N Jd Au M Heinz 9553 D Pq B A F B Ch E N Js Au Au Heinz 7155N2 D Pq B A R R N N N Js Au Au Hypeel 108 D Pq B A R R Ch N N Js Au Au 1 – I (Indeterminado); D (determinado); G (grande); M (médio); Pq (pequeno); C (compacto); E (excelente); B (bom); R (regular); Ru (ruim); Bl (bloco); O (oval); A (alongado); Rd (redondo); Ca (caqui); Pe (pêra); F (firme); N (normal); Ch (cheio); Oc (ocado); MS (muito seco); P (poucas); MP (muito poucas); Js (jointless); Jd (jointed); Au (ausente); Bx (bai- xa); At (alta) 2 – Plantas segregando para a característica dentro da parcela
  • 57. 45 Tabela 9 – Avaliação visual de características das plantas (Hábito de Crescimento, Porte e Uniformidade) e características dos frutos (Formato, Firmeza, Cor Externa, Densidade, Teor de Água, Qde. Sementes, Podridão Apical e Rachaduras) dos genótipos de tomateiro para processamento avaliados no sistema de produção irriga- do via gotejamento. Uberlândia, 2002. características da planta características do fruto genótipo Há- bito Porte Unifor- midade Formato Firmeza Cor Externa Densidade Teor de Água Quant. de Sementes Facilidade de Colheita Podridão Apical Racha- duras UFU 01 I G R Bl R B Ch E P Js Au Au UFU 02 D Pq B O F R Ch E P Jd Au Au UFU 03 D G R A R R N E N Js Au Au UFU 04 D G R Bl R B N E N Js Au Au UFU 05 D G E Rd R R Ch N N Jd Au Au UFU 06 D M B Rd F B Ch E N Js Au Au UFU 07 D G R Ca R R Ch N N Jd Bx At UFU 08 D G P Rd/Ca2 R B Ch N N Jd/Js2 M At UFU 09 D M R O/Bl2 R R Oc N P Jd Au Bx UFU 10 I G R Rd R B Ch N N Js Au Au UFU 11 D G B Rd/Ca2 R R Ch E N Js Au Au UFU 12 D G R Rd/Ca2 R B Ch N N Js/Jd2 Au Bx UFU 13 D G R Bl/Pe2 F B Ch E P Js/Jd2 Au Au UFU 14 I G R Bl E B Oc E P Js Au Au UFU 15 D M B Rd F R Ch N N Js Au Au UFU 16 D G R Ca/Rd2 R R Ch N N Js/Jd2 Au At UFU 17 I G R Rd/Ca2 F B Ch E N Jd Bx M UFU 18 D G R Rd/Ca2 R R Ch N N Jd Au At UFU 19 I G R Ca/Rd2 R R N N N Js/Jd2 M At UFU 20 D G R Bl R R Oc E P Js Au Bx UFU 21 I G R Ca/Rd2 F R Ch N N Jd Bx At UFU 22 D G R Rd F R Ch N N Js Au Au UFU 23 I G R A/Pe2 F R Oc E P Js Au Au UFU 24 I G R Rd/Bl2 R R N E P Js Au Au continua...
  • 58. 46 Tabela 9 - Continuação características da planta características do fruto genótipo Há- bito Porte Unifor- midade Formato Firmeza Cor Externa Densidade Teor de Água Quant. de Sementes Facilidade de Colheita Podridão Apical Racha- duras UFU 25 D G R Rd F B Ch N N Js Au Bx UFU 26 D M B Pe F B Oc MS MP Js Au Au UFU 27 D M B Ca R R Ch N N Js Au Au UFU 28 I G R Rd R B Ch N N Js Au Bx UFU 29 D M B Rd R R Ch E N Js Au M UFU 30 I G R Rd F B Ch E N Jd Au Bx Heinz 9553 D Pq E A F B Ch E N Js Au Au Heinz 7155N2 D Pq E A F R Ch E N Js Au Au Hypeel 108 D Pq B A R B Ch N N Js Au Au 1 – I (Indeterminado); D (determinado); G (grande); M (médio); Pq (pequeno); C (compacto); E (excelente); B (bom); R (regular); Ru (ruim); Bl (bloco); O (oval); A (alongado); Rd (redondo); Ca (caqui); Pe (pêra); F (firme); N (normal); Ch (cheio); Oc (ocado); MS (muito seco); P (poucas); MP (muito poucas); Js (jointless); Jd (jointed); Au (ausente); Bx (bai- xa); At (alta) 2 – Plantas segregando para a característica dentro da parcela
  • 59. 47 4.3. Produção total A análise de variância da produção total realizada conjuntamente entre os sistemas de produção (Tabela 10) indica que houve diferença significativa entre genótipos, famílias, híbridos, contraste família versus híbridos, sistemas, interação genótipos x sistemas, interação famílias x sistemas e interação híbridos x sistemas. A significância das interações indicam que os genótipos responde- ram de forma diferencial aos sistemas de irrigação. Este resultado obriga a reali- zação das análises de variância individuais (Tabela 11). Tabela 10 – Valores dos Quadrados Médios e respectivos níveis de significância obtidos pela análise de variância da produção total e da produção de frutos ade- quados ao processamento (maduros), realizada em conjunto para os sistemas de produção pivô central e gotejamento. Uberlândia, 2002. FV GL Quadrado Médio Produção Total1 Produção Maduros2 blocos/sistemas 6 0,00265 0,415661 blocos 3 0,001922 0,384775 blocos x sistemas 3 0,003378 0,446547 genótipos (g) 32 0,019798** 5,393486** famílias (f) 29 0,017157** 3,36859** híbridos (h) 2 0,010529* 1,534017* f vs h 1 0,004946** 71,834405** sistemas (s) 1 0,427214** 16,675464** g x s 32 0,004961** 1,056702** f x s 29 0,005327** 1,060133** h x s 2 0,001579 ns 0,126067 ns (f vs h) x s 1 0,001095 ns 2,81848* resíduo 192 0,002656 0,470354 total 263 CV = 2,47 % 7,58 % * e ** - significativo pelo teste F, aos níveis de 5% e 1% de significância, respectivamente. ns Não significativo ao nível de 5% de probabilidade. 1 Dados transformados para Log.(x). 2 Dados transformados para raiz (x). Em ambos os sistemas, ocorreu significância para os quadrados médios de genótipos, famílias e para o contraste famílias vs híbridos. Isto significa que houve diferenças entre as famílias e que as médias de famílias e de híbridos fo-
  • 60. 48 ram diferentes em ambos os sistemas. E ainda, que os híbridos não diferiram entre si para esta característica, em ambos os sistemas. A produção total média dos 33 genótipos foi maior no sistema de cultivo para irrigação por pivô central, produzindo 133,7 t/ha contra 110,9 t/ha produzi- dos sob irrigação via gotejamento. Este resultado difere de Soares & Farias (1983), que obtiveram maior produção no sistema de irrigação por gotejamento e por Phene (1999), que obteve produção acima de 200 t/ha no sistema de irriga- ção por gotejamento. A explicação para esta divergência pode estar nas chuvas ocorridas no final do experimento, o que favoreceu a ocorrência de frutos apo- drecidos que não puderam ser contabilizados na soma para produção total. Como o ensaio sob gotejamento foi colhido vinte dias depois do ensaio sob pivô cen- tral, as condições ambientais no início da maturação dos frutos sob gotejamento favoreceram o apodrecimento de maior número de frutos neste sistema. Tabela 11 - Valores dos Quadrados Médios e respectivos níveis de signifi- cância obtidos pela análise de variância da produção total e da produção de frutos adequados ao processamento (maduros), para os sistemas de produção com irrigação via pivô central e gotejamento. Uberlândia, 2002. FV GL Quadrado Médio Produção Total 1 Produção Maduros 2 gotejamento pivô central gotejamento pivô central blocos 3 0,0041 0,0012 0,22638 0,6049 genótipos 32 0,0105** 0,0142** 2,0046** 4,4455** famílias (f) 29 0,0096** 0,0128** 1,3522** 3,0764** híbridos (h) 2 0,0048 ns 0,0073 ns 0,9175 ns 0,7425 ns f vs h 1 0,0468** 0,0692** 23,0975** 51,5554** resíduo 96 0,0028 0,0024 0,4297 0,5109 total 131 CV = 2,62 % 2,34 % 7,07% 8,15% Média genótipos 110,9 t/ha 133,7 t/ha 86,85 t/ha 78,45 t/ha Média famílias 109,4 t/ha 131,4 t/ha 84,27 t/ha 74,70 t/ha Média híbridos 129,5 t/ha 156,8 t/ha 112,68 t/ha 115,90 t/ha * e ** - significativo pelo teste F, aos níveis de 5% e 1% de significância, respectivamente. ns Não significativo ao nível de 5% de probabilidade; 1 Dados transformados para Log.(x); 2 Dados transformados para raiz (x).
  • 61. 49 Para os dois sistemas, a produção total média dos híbridos foi maior do que a das famílias. No sistema pivô central, os híbridos produziram cerca de 156,8 t/ha contra 131,4 t/ha das famílias. No sistema gotejamento, os híbridos produziram cerca de 125,9 t/ha contra 109,4 t/ha das famílias. Porém, a média das famílias representa uma população de genótipos muito diferentes entre si, havendo famílias com produtividade tão boa quanto a dos híbridos e famílias com baixa produtividade. Mas, por outro lado, a maior produção média dos hí- bridos está de acordo com o sugerido por Melo (2001), que coloca entre os prin- cipais atributos dos híbridos o alto potencial de produção. Também Araújo (1987) afirma que a uniformidade, a alta produção, o amadurecimento precoce, o tamanho e a boa aparência dos frutos de certas combinações híbridas, não são igualados por nenhuma outra variedade de polinização aberta. A diferença entre as médias dos híbridos, de um sistema para outro, foi de 30,9 t/ha a favor do sistema pivô central, e a análise de variância conjunta (Tabela 10) mostra que não houve interação híbridos x sistemas. Já a diferença entre sistemas para a média de famílias foi de 22 t/ha a favor do sistema pivô central e a interação famílias x sistemas foi significativa ao nível de 1% de pro- babilidade. Também a partir da análise de variância conjunta, pôde-se observar sig- nificância para o quadrado médio de híbridos. Mas, em ambas as análises de variância individuais (Tabela 11), observou-se que os híbridos não diferiram entre si para produtividade total. A variável produção total correlacionou-se com a variável rendimento industrial de forma positiva e significativa (0,6158**), com a variável produção de frutos adequados ao processamento de forma positiva e significativa (0,5911**), com a variável ºBrix de forma não significativa (-0,0298) e com a variável a/b de forma positiva e significativa (0,3208**). Então, ao selecionar-se genótipos com maior produção total, consequentemente seleciona-se genótipos
  • 62. 50 com maior rendimento industrial e produção de frutos adequados ao processa- mento. Com relação à correlação com a variável a/b, apesar de significativa, esta foi muito baixa, não havendo, portanto grandes influências sobre ela. Pelos dados da Tabela 12 pode-se verificar que, no sistema de produção para irrigação via pivô central, os genótipos mais produtivos, sem se diferencia- rem entre si, foram: Heinz 7155 N2, UFU 02, UFU 10, Hypeel 108, UFU 05, UFU 11, UFU 06, UFU 15, UFU 25, UFU 20, UFU 12, Heinz 9553, UFU 26, UFU 29, UFU 01, UFU 27, UFU 22, UFU 04, UFU 13, e UFU 24. Os genótipos intermediários, sem se diferenciarem entre si, foram: UFU 21, UFU 08, UFU 07, UFU 17, UFU 18, UFU 28, UFU 19, UFU 09 e UFU 14. Entre as famílias no grupo A, de acordo com o exposto no item 4.2. (características analisadas visualmente), as famílias UFU 02, UFU 05, UFU 06, UFU 11, UFU 15, UFU 22, UFU 26 e UFU 29 reúnem as características desejá- veis para o uso agro-industrial. Importante salientar que nenhum genótipo do grupo B foi considerado apto para o uso agro-industrial, de acordo com a análise visual das parcelas.
  • 63. 51 Tabela 12 – Produção total média, dada em t/ha, nos sistemas de produção pivô central e gotejamento. Uberlândia, 2002. Pivô Central Gotejamento Genótipo Produção total Genótipo Produção total Heinz 7155 N2 173,46 a1 UFU 10 140,9 a1 UFU 02 155,92 a UFU 06 138,1 a UFU 10 155,69 a Heinz 7155 N2 136,5 a Hypeel 108 154,23 a UFU 01 133,2 a UFU 05 153,04 a Heinz 9553 124,0 b UFU 11 151,62 a UFU 12 123,0 b UFU 06 150,96 a UFU 13 122,6 b UFU15 150,92 a Hypeel 108 117,3 b UFU 25 146,62 a UFU 02 116,3 b UFU 20 145,31 a UFU 26 115,2 b UFU 12 143,23 a UFU 22 114,1 b Heinz 9553 142,65 a UFU 15 111,3 c UFU 26 137,62 a UFU 20 110,8 c UFU 29 137,46 a UFU 11 110,3 c UFU 01 137,12 a UFU 24 110,1 c UFU 27 136,15 a UFU 23 110,0 c UFU 22 134,31 a UFU 14 109,8 c UFU 04 134,00 a UFU 30 108,5 c UFU 13 132,23 a UFU 08 108,4 c UFU 24 131,08 a UFU 07 107,7 c UFU 21 127,35 b UFU 05 107,2 c UFU 08 124,85 b UFU 25 107,2 c UFU 07 124,85 b UFU 04 105,3 c UFU 17 124,65 b UFU 28 103,2 c UFU 18 123,62 b UFU 21 102,3 c UFU 28 123,19 b UFU 18 100,8 c UFU 19 120,85 b UFU 19 100,5 c UFU 09 115,88 b UFU 17 99,0 c UFU 14 113,88 b UFU 09 96,5 c UFU 16 107,77 c UFU 27 95,6 c UFU 30 107,19 c UFU 29 95,1 c UFU 23 99,12 c UFU 03 93,6 c UFU 03 96,15 c UFU 16 85,0 c 1 Letras iguais indicam que não há diferença significativa ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de agru- pamento de médias de Scott-Knott. Para o sistema de produção com irrigação via gotejamento, os seguintes genótipos destacaram-se como mais produtivos: UFU 10, UFU 06, Heinz 7155 N2 e UFU 01. Os genótipos intermediários foram: Heinz 9553, UFU 12, UFU
  • 64. 52 13, Hypeel 108, UFU 02, UFU 26 e UFU 22. Neste sistema, com exceção dos híbridos, no grupo A, apenas a família UFU 06 está entre as que apresentam características propícias para o uso agro-industrial e no grupo B, a família UFU 02, de acordo com as análises visuais mostradas nas Tabelas 08 e 09. As famílias que apareceram no grupo dos genótipos mais produtivos nos dois sistemas foram UFU 10 e UFU 06, sendo que, de acordo com a análise visual das parcelas, a família UFU 10 apresenta características impróprias para o cultivo industrial e a família UFU 06 mostrou-se apta para este tipo de produção. Os resultados para esta característica, que por sua natureza genética está apta a sofrer grande influência ambiental, confirmam a idéia de que entre as famílias ocorre baixa estabilidade fenotípica, enquanto que com os híbridos ocorre o inverso. Além dos híbridos, em geral, terem uma maior adaptação e produção mais estável quando ocorrem variações entre anos e locais (Paterniani, 1974). Porém, deve-se ressaltar a ótima estabilidade da família UFU 06, que manteve alta produtividade em ambos os sistemas. 4.4. Produção de frutos adequados ao processamento (maduros) A análise de variância conjunta (Tabela 10) indicou haver diferenças entre genótipos, famílias, híbridos, contraste famílias vs híbridos, sistemas, inte- ração genótipos x sistemas, interação famílias x sistemas. A significância das interações indica que as famílias responderam diferentemente aos sistemas estu- dados. Assim, a análise de variância deve ser feita individualmente em cada sistema. De acordo com as análises de variância individuais (Tabela 11), houve significância para os quadrados médios de genótipos, famílias e do contraste famílias vs híbridos, para ambos os sistemas de produção. Isto significa que há famílias mais produtivas do que outras em ambos os sistemas e que as médias