Saúde Mental e Trabalho: Um Compromisso Necessário
Nos últimos anos, falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho deixou de ser um tabu e passou a ser uma urgência. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que os transtornos mentais, como ansiedade, depressão e estresse crônico, estão entre as principais causas de afastamento do trabalho em todo o mundo. No Brasil, o cenário é igualmente preocupante: milhares de profissionais adoecem física e emocionalmente por conta das pressões, sobrecargas, metas abusivas e falta de reconhecimento.
A saúde mental não é um tema individual – ela é coletiva. Está relacionada à forma como o trabalho é organizado, às condições oferecidas para execução das tarefas, ao estilo de liderança e ao tipo de vínculo que se estabelece com a equipe. Trabalhar em um ambiente tóxico, com medo constante de punições, metas inalcançáveis ou ausência de diálogo, pode gerar sofrimento psíquico profundo. Por outro lado, contextos organizacionais que promovem acolhimento, escuta ativa, respeito e flexibilidade contribuem significativamente para o bem-estar emocional dos colaboradores.
A pandemia da COVID-19 escancarou essa realidade, acelerando mudanças e reflexões sobre o papel do trabalho em nossas vidas. O que antes era considerado “normal” – longas jornadas, ausência de pausas, glorificação do cansaço – agora é questionado. Surgiu um novo olhar: o de que o trabalho precisa caber na vida, e não o contrário.
Nesse contexto, o conceito de Segurança Psicológica ganha força. Trata-se da criação de ambientes onde as pessoas se sintam seguras para serem quem são, expressarem ideias, dúvidas ou emoções sem medo de represálias. É um solo fértil para o engajamento, a inovação e a colaboração. Quando há segurança psicológica, as relações se tornam mais humanas e o trabalho mais saudável.
Além disso, empresas que investem em saúde mental observam melhorias na produtividade, na retenção de talentos e na construção de uma cultura organizacional mais ética e sustentável. Cuidar das pessoas é, também, uma estratégia inteligente de gestão.
Mas é preciso ir além das campanhas e dos discursos. É necessário compromisso. Isso inclui: oferecer acesso a apoio psicológico, treinar lideranças para uma escuta empática, garantir jornadas de trabalho justas, respeitar períodos de descanso e construir políticas que valorizem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Por fim, é importante lembrar: saúde mental é direito de todos. E quando o trabalho adoece, é dever coletivo repensar estruturas. O cuidado com a saúde mental no trabalho não é apenas uma questão de produtividade — é uma questão de humanidade.