Equipe Técnica                       Meio Físico
                                     Ana Mônica Correia, MSc.
                                     Geógrafa
                                     Adauto Gomes Barbosa
Coordenação Geral                    Geógrafo
Ivan Dornelas, MSc.                  Antônio Vicente Ferreira Júnior
Engº. Cartógrafo                     Geógrafo
                                     Bruno Ferreira
Coordenação Técnica                  Geógrafo

Maria do Carmo Martins Sobral, Drª   Doris Regina Alves Veleda
Engª Civil                           Meteorologista
                                     Fabíola de Souza Gomes
Apoio a Coordenação Técnica          Engª Civil

Rita de Cássia Barreto Figueiredo    Glauber Matias de Souza
Engª Química                         Geólogo

Gustavo Lira de Melo                 Márcia Cristina de Souza Matos Carneiro
Biólogo                              Engª Cartógrafa

Alessandra Maciel de Lima Barros     Maria das Neves Gregório
Engª Civil                           Geógrafa
                                     Maria das Vitórias do Nascimento, Msc
                                     Engª Civil
Análise do Projeto
                                     Romilson Ferreira da Silva
Ana Paula Batista Lemos Ferreira
                                     Meteorologista
Engª. Civil
                                     Simone Karine Silva da Paixão, Especª.
                                     Engª Civil
Supervisão Geral E. Ambientais
                                     Wanderson Dos Santos Sousa
Wbaneide Martins de Andrade, MSc.
                                     Meteorologista
Bióloga/Botânica
                                     Weronica Meira de Souza
                                     Meteorologista
Supervisão Meio Físico
Simone Karine Silva da Paixão
                                     Meio Biótico
Engª Civil
                                     Alfredo Matos Moura Júnior, Dr.
                                     Biólogo/Botânico
Supervisão Meio Biótico
                                     Cristiane Maria V. A. de Castro, Drª.
Maristela Casé Costa Cunha, Drª
                                     Bióloga/Oceanógrafa
Bióloga
                                     Geraldo Jorge Barbosa de Moura, Dr.
                                     Biólogo/Zoólogo
Supervisão do Meio Socioeconômico    Hélida Karla Philippini da Silva
Lúcia de Fátima Soares Escorel       Química
Arquiteta e Urbanista
                                     Karine Matos Magalhães, Drª.
                                     Bióloga/ Botânica
Análise Jurídica                     Marcondes Albuquerque de Oliveira, Drº
Talden Queiroz Farias, MSc.          Biólogo
Advogado                             Maristela Casé Costa Cunha, Drª
                                     Bióloga/Oceanógrafa
Mauro Melo Júnior                         Aramis Leite de Lima, MsC.
Biólogo                                   Engº. Cartógrafo
Paula Braga Gomes                         Daniel Quintino Silva
Bióloga                                   Tecnólogo em Geoprocessamento
Paulo Guilherme Vasconcelos de Oliveira   Diego Quintino Silva
Engº de Pesca                             Tecnólogo em Geoprocessamento
Petrônio Alves Coelho Filho               Felipe José Alves de Albuquerque
Biólogo                                   Geógrafo
                                          Flávio Porfírio Alves, MsC.
Meio Sócioeconômico                       Engº. Cartógrafo

Beatriz Mesquita Jardim Pedrosa
Engª de Pesca                             Apoio Técnico
Carlos Celestino Rios e Souza             Anthony Epifânio Alves
Arqueólogo                                Biólogo/Macroinvertebrados bentônicos
George F. C. de Souza                     Cacilda Michele Cardoso Rocha
Historiador                               Biólogo/Avifauna
José Geraldo Pimentel Neto                Elizardo Batista F. Lisboa
Geógrafo                                  Biólogo/Herpetologia
Lúcia de Fátima Soares Escorel            Ericarlos Neiva Lima
Arquiteta e Urbanista                     Engº. de Pesca/Ictiologia
Lúcia Maria Goés Moutinho                 Jana Ribeiro de Santana
Economista                                Engª. de Pesca/Ictiologia
Luís Henrique Romani Campos               Josinaldo Alves da Silva
Economista                                Biólogo/Botânica
Marcos Antônio G. Matos de Albuquerque    Milena Duarte de Oliveira Souza
Arqueólogo                                Arqueóloga
Maria Eleônora da Gama Guerra Curado      Tatiana de Oliveira Calado
Arqueóloga                                Bióloga
Osmil Torres Galindo Filho
Economista                                Apoio Administrativo
Paulo Alves Silva Filho, Msc.             Eva Luzia Nesso
Geógrafo                                  Analista de Sistemas
Veleda Christina Lucena de Albuquerque    Marlúcia Alves Rodrigues
Arqueóloga                                Pedagoga
                                          Solange C. da Costa e Silva
Geoinformação                             Advogada
Daniel Quintino Silva                     Viviane Cabral Gomes
Tecnólogo em Geoprocessamento             Administradora
Diego Quintino Silva                      Simone Rosa de Oliveira, MSc.
Tecnólogo em Geoprocessamento             Bibliotecária



Cartografia                               Mobilização e Articulação Social
Ana Carolina Schuler, MSc.                Cândida Maria Jucá Gonçalves
Engª. Cartógrafa                          Assistente Social

Ana Mônica Correia, MSc
Geógrafa
6




    ESTADO DE
    PERNAMBUCO
    Governador                               Instituto de Tecnologia de Pernambuco
    Eduardo Henrique Accioly Campos          (ITEP-OS)


    Vice-Governador                          Diretor Presidente
    João Soares Lyra Neto                    Frederico Cavalcanti Montenegro


    Secretaria de Meio Ambiente e            Diretor Técnico
                                             Ivan Dornelas Falcone de Melo
    Sustentabilidade – SEMAS
    Sérgio Xavier
                                             Diretora Administrativa Financeira
                                             Fabiana Albuquerque de Freitas
    Secretário Executivo de Meio Ambiente
    e Sustentabilidade – SEMAS
    Hélvio Polito Lopes Filho
                                             Superintendente de Inovação
                                             Tecnológica
                                             Márcia Maria Pereira Lira
    Superintendência Técnica de Meio
    Ambiente e Sustentabilidade – SEMAS
    Leslie Tavares
                                             Coordenador da UGP Barragens
                                             Ivan Dornelas Falcone de Melo

    Gerente Geral de Planejamento e Gestão
    de Meio Ambiente e Sustentabilidade –
    SEMAS
    Benedito Parente
7
Apresentação
“Uma das experiências mais recifenses que o adventício pode ter no
Recife: um mar de água morna, um sol que em pouco tempo amorena
o corpo do europeu ou do brasileiro do Sul”


Gilberto Freyre,
Guia prático, histórico e sentimental da Cidade do Recife




O Recife e a sua Região Metropolitana nasceram a partir do mar.
A cidade costeira e mercantil é também portuária e turística. A sua
urbanização é forte na região costeira, a ocupação é disputada, densa,
vertical. O metro quadrado próximo à praia tem valorização constan-
te. A infraestrutura pública da orla é boa. As praias do Grande Recife
representam a mais democrática opção de lazer do pernambucano e
também o mais atraente cartão postal do Estado.


Essa história, semelhante à de outras capitais no litoral brasileiro, pos-
sui problemas específicos. A erosão costeira está entre os problemas
mais persistentes. Contra seus efeitos, algumas alternativas foram co-
locadas em prática, como os muros de proteção, diques, quebra-mares,
espigões, molhes e outras construções com a finalidade de manter o
recorte do litoral. A erosão continua e ignora a ação do homem.


Os estudos ambientais presentes neste relatório representam uma
resposta do Governo de Pernambuco, manifestada pela Secretaria de
Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), ao contratar a Associação
Instituto de Tecnologia de Pernambuco – ITEP/OS. A missão dada foi a
de acompanhar e coordenar os estudos ambientais do Projeto de Recu-
peração da Orla Marítima dos Municípios de Jaboatão dos Guararapes,
do Recife, de Olinda e do Paulista.
É um projeto estruturador, uma iniciativa do Governo do Estado. Faz
parte da política pública de controle dos efeitos causados pelas mu-
danças climáticas. Recuperar a praia e sua areia tem repercussão
direta no desenvolvimento socioeconômico e ambiental de importantes
municípios litorâneos. Representa a criação de novas oportunidades
em um espaço democrático e público.


O presente Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresenta uma
síntese dos estudos desenvolvidos para obtenção de licenciamento
junto à Agência Ambiental de Pernambuco (CPRH). O RIMA relaciona
os principais resultados dos estudos realizados para os meios físico,
para os seres vivos e o ambiente socioeconômico, no que se refere
ao diagnóstico ambiental atual, os prováveis impactos e as formas de
mitigação e controle que poderão ser implantadas. O relatório contém
dados sobre o empreendimento e sobre os responsáveis envolvidos no
projeto de recuperação da orla e nos estudos ambientais.
159     INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO

Relatório de impacto ambiental-RIMA:

Recuperação da Orla Marítima – Municípios
de Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e
Paulista (Pernambuco)/ Instituto de Tecnologia
de Pernambuco. –Recife, 2012.


98p.: il.
ISBN:
Sumário




POR QUE ESSA OBRA?						                           14	




A ÁREA DO EMPREENDIMENTO                       	   18



QUAL A ÁREA DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO?       42




COMO É O MEIO FÍSICO NA ÁREA DO EMPREENDIMENTO?    46




COMO SE APRESENTA O MEIO BIÓTICO NA ÁREA

DOEMPREENDIMENTO?                                  76




QUAIS OS ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS DA ÁREA DO

EMPREENDIMENTO?                                    100




QUAIS SÃO OS IMPACTOS DO EMPREENDIMENTO?           110
EMPREENDEDOR                                      O RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS AMBIENTAIS

Secretaria de Meio Ambiente                       Associação Instituto de Tecnologia

e Sustentabilidade – SEMAS                        de Pernambuco – ITEP OS

Responsável: Sérgio Luís de Carvalho Xavier       Responsável: Frederico Cavalcanti Montenegro

CNPJ: 13.471.612/000-04                           CNPJ : 05.774.391/0001-15



Avenida Marquês de Olinda, 222                    Av. Professor Luiz Freire, 700

Bairro do Recife, Recife - PE, CEP - 50030– 000   Cidade Universitária – Recife/PE

Telefone: (081) 31835506 / 31835513               Telefone: (81) 3183-4399

http://www2.semas.pe.gov.br/web/sectma            http://www.itep.br
1
14




         Por que essa obra?
         Pernambuco vive um momento de grande crescimento econômico. O
         desenvolvimento é maior na região costeira, com a valorização urbana e
         atração de novos empreendimentos residenciais turísticos, concentração
         de empresariais, projetos comerciais e industriais. O litoral possui a maior
         densidade demográfica do Estado, uma das maiores do Nordeste. A pre-
         sença humana gera problemas ambientais e desequilíbrio.


         A erosão costeira é uma reação da natureza à urbanização. Os processos
         erosivos são evidentes ao longo da costa e variam apenas na intensidade.
         Pedras com função de quebra-mar, diques, espigões, muros de proteção
         e outras tentativas para conter a erosão foram construídas em busca da
         solução de um problema local. Essas ações passaram a induzir a erosão
         em áreas próximas e o problema atingiu regiões vizinhas.


         O litoral de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista
         foi atingida pela erosão marinha ou mesmo em consequência das estrutu-
         ras de contenção instaladas. A erosão destruiu parte do potencial da orla
         para o turismo e o lazer. Os dois setores representam a base de empre-
         gos, geração de renda e riqueza de parte da população do Estado: afeta o
         vendedor de picolé e a indústria alimentícia, o movimento do quiosque na
         beira-mar e a ocupação do hotel de luxo, atinge o orçamento do motorista
         de táxi e da agência de turismo.


         A irregular faixa de areia das praias desses quatro municípios evidencia
         a necessidade da implantação de projetos de engenharia, integrados de
         forma regional. A partir de uma solução técnica que permita corrigir os
         impactos ambientais, que atenda à legislação e às exigências dos órgãos
         ambientais e que leve em consideração as fragilidades ambientais de cada
         um dos setores, além das características de cada um dos municípios.


         Com esse panorama, as prefeituras decretaram situação de emergência
15
em algumas áreas da orla. Essa decisão levou o governo de Pernambuco a realizar medidas para
reduzir esses impactos, com uma visão mais ampla do litoral e dos municípios envolvidos.


Esse projeto está limitado ao sul pela foz do rio Jaboatão e ao norte pela foz do rio Timbó, compre-
endendo os municípios de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista. São os
trechos definidos como Pontos Críticos de Erosão (MAI, 2009). A recuperação da orla marítima e
recomposição da areia das praias vão criar melhores condições para o desenvolvimento socioeco-
nômico e ambiental. Representam novas oportunidades, melhores condições e praias com quali-
dade.

Localização da área de estudo. Municípios de Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e
Paulista. Região Metropolitana de Recife (RMR).




                                                     Fonte: Coastal Planning & Engineering do Brasil
16




     Características dos municípios – situação atual das praias

     EXTENSÃO DE ORLA	     PRAIAS	 		                 FORMAÇÃO DE PRAIAS	       	   TIPOS DE OBRAS

     				

     JABOATÃO DOS GUARARAPES	
     7.961 m			           Piedade, Candeias, 		       58,9% Sedimentos 	 		         Enrocamentos, Espigões,
                    	     Barra de Jangada 		         41,1% Obras Rígidas			        Muros	



     RECIFE	

     13.444 m			          Boa Viagem, Pina		          44,6% Sedimentos 			          Arrecifes
     			                  Brasília Teimosa 		         55,4% Obras Rígidas 			       Enrocamentos



     OLINDA	
     12.261 m			          Praia dos Milagres		        34,4% Sedimentos			           Enrocamentos
     			                  Praia do Carmo		            65,6% Obras Rígidas			        Espigões
     			                  São Francisco, Farol						                                Muros
     			                  Bairro Novo	 Casa Caiada	
                                     ,
     			                  Rio Doce

     PAULISTA	
     14.468 m			          Praia de Enseadinha		       66,5% Sedimentos			           Enrocamentos
     			                  Janga, Pau Amarelo		        33,5% Obras Rígidas			        Espigões
     			                  Nossa Senhora do Ó						                                  Muros
     			                  Conceição, Maria Farinha
17
2
18




         A área do
         empreendimento
         A urbanização da zona costeira pernambucana com diferentes objetivos
         e componentes culturais começa com a criação das primeiras vilas e
         cidades. As primeiras ocupações eram de grupos com interesse na pesca
         – praias e bordas das lagunas (AB’SABER, 1990).


         É esse o contexto do espaço urbano no litoral em Jaboatão dos Guarara-
         pes, no Recife, em Olinda e no Paulista resultante de relações sociais que
         se manifestam desde o período colonial, reflexo na urbanização presente
         nas cidades brasileiras.


         A pesquisa de Carneiro (2003) constatou que, em um período de trinta
         anos, considerando a série dos censos demográficos de 1970 até 2000, o
         aumento da população é multiplicado por seis. Esse dado, até mesmo de
         forma isolada, comprova o impacto ambiental.


         A pesquisa de Carneiro (2003) comprova os momentos de transformação
         estrutural na orla olindense. Foram mudanças sociais, políticas e econômi-
         cas, que refletiram no adensamento urbano desse espaço do litoral.


         Em outro estudo realizado em maio de 2003, Araújo et al. (2004) registra
         uma caminhada nas praias do litoral pernambucano, nas duas horas antes
         e nas duas horas depois da maré baixa. O estudo fez a identificação do
         ponto, com demarcação georreferenciada (GPS GARMIM) relacionada à
         ocupação urbana. A pesquisa também observa a presença, ou não, de
         edificações próximas à praia.


         A metodologia foi objetiva. Adotou trechos de praia e classificou em três
         graus de ocupação: ausência de ocupação da pós-praia; ocupação da
         pós-praia; e ocupação concomitante da pós-praia e da praia (estirâncio).
19
Compartimentação geomorfológica do ambiente praial




                                                                               Fonte: Adaptada de Araújo et al. (2004)


O resultado do estudo de Araújo et al. (2004) demonstrou que o setor metropolitano é o mais for-
temente ocupado, seguido pelos setores Norte e Sul pernambucanos respectivamente, conforme a
tabela abaixo.


Setores do litoral pernambucano X extensão (km) e percentual do litoral
X percentual de ocupação por edificações e/ou obras de contenção
Setores	        Extensão (km)	   % do litoral		   Ausência de ocupação	   Ocupação na pós-praia (%) 	   Ocupação associada da		
					                                             na pós-praia (%)				                                  pós-praia e da praia (%)

Norte	              58		            31		               79.1			                     5.6		                          5.3
Metropolitano       42		            22.5		             49.0			                     4.0		                          47
Sul	                87		            46.5		             78.7			                     9.7		                         11.6
Total	             187		            100		              72.1			                     7.13		                       20.63


                                                                               Fonte: Adaptada de Araújo et al. (2004)




O setor metropolitano, de acordo com a pesquisa de Araújo et al. (2004), representa 22,5% do li-
toral pernambucano. Associado a esse indicador, metade do ambiente praial encontra-se ocupado.
Essa ocupação ganhou nova dinâmica na década de 1970. As casas de veraneio se transformaram
em residências. Em seguida, começa a substituição das casas por edifícios residenciais e hotéis.


Cinquenta por cento das praias da região metropolitana apresentam áreas construídas que se es-
tendem até o estirâncio. O elevado percentual de ocupação da praia, principalmente por
residências ou obras de contenção, ocorre        maior impacto é facilmente verificado nessas
porque o setor possui as maiores aglomerações    praias. São as obras de engenharia que alteram
urbanas do estado, em especial o Recife, Jabo-   ou retêm a deriva de sedimentos arenosos,
atão dos Guararapes e Olinda. Os trechos mais    fundamentais para a alimentação da areia das
críticos corresponderam às praias em Jaboatão    praias.
e em Olinda. Elas possuem diversas obras de
contenção, como exemplo, os 38 diques com        A urbanização no litoral dos quatro municípios
intervalos de 50m de Olinda e, em Jaboatão       ocorreu sobre as dunas frontais, de forma de-
dos Guararapes, enrocamentos e outras cate-      sordenada. A inadequação provoca e intensifi-
gorias de intervenção.                           ca a erosão costeira. Em seguida, a construção
                                                 de estruturas para mitigar os efeitos da erosão
Olinda apresentou a pior situação em termos      agrava o problema. As obras de contenção
de ocupação do ambiente na praia. O litoral      têm sido construídas com o intuito de proteger
é praticamente todo ocupado por grandes          propriedades ameaçadas. Essas estruturas (em
obras públicas de contenção. As poucas praias    especial os enrocamentos e muros de conten-
existentes ocorreram com a engorda de praia      ção) são levantadas em frente da escarpa das
artificial (PEREIRA et al., 2003).               dunas e se têm mostrado economicamente
                                                 inviáveis. Proprietários ou mesmo o poder
A ocupação observada próxima ao litoral em       público gastaram recursos a tentar solucionar
Jaboatão dos Guararapes, no Recife, em Olinda    os problemas da erosão costeira que afetam as
e no Paulista é semelhante a de outras cidades   obras construídas em locais indevidos. A cons-
no mundo. A urbanização não deixou espaço        trução dessas obras na pós-praia e na praia
para a praia, gerando prejuízos de toda ordem.   altera a dinâmica sedimentar, compromete a
O principal são as construções que impedem o     estética do local, interfere na visão cênica e no
suprimento de areia.                             seu valor econômico.


A infraestrutura urbana representada por ruas,   Essa zona costeira precisa de ações corretivas
calçadas, residências em área sob a ação do      e preventivas (como o estabelecimento de
mar são as intervenções mais comuns. Confor-     limites para construção) para promover uma
me estudos como o de Carneiro (2003), Araújo     ocupação mais adequada da orla. A ordenação
et al. (2004), Manso (2004) e MAI (2009), o      desse espaço é uma prioridade e um desafio.
21
Histórico da ocupação da costa de Olinda:
primeiras décadas do século XX e depois de 1960 e 2010




                                                         Fonte: SEMAS, 2011.

Histórico da ocupação da costa em Jaboatão dos Guararapes




                                                         Fonte: SEMAS, 2011.
22




     Histórico da ocupação da costa do Paulista e variação da linha de costa
     da praia do Janga.




                Fonte: Patrícia de Oliveira, Hewerton da Silva, Neiva de Santana, Elisabeth Silva, Valdir Manso.




     Histórico das obras e intervenção
     de contenção do avanço do mar
     Os primeiros registros de erosão costeira no          o avanço do mar na praia dos Milagres. A praia
     estado de Pernambuco são de 1914 (COUTI-              perdeu 80 metros no período 1914 a 1950.
     NHO, 1997). Eles tratam dos danos causados            Desde esta época, os problemas de erosão vêm
     pelo molhe localizado no istmo de Olinda. O           sendo registrados em vários trechos do litoral,
     molhe em construção, na primeira década do            em especial em áreas urbanas onde foram
     século XX, fazia parte das obras de ampliação         implantadas obras costeiras de proteção (COU-
     do Porto de Recife. As figuras abaixo mostram         TINHO, 1997).
23
Fotografia da praia dos Milagres, em 1950, onde ocorreu um avanço de
80 metros da linha de costa




                                           Fonte: Cedida pelo Sr. José Maria, 1950




                                          Fonte: Cedida pelo Sr. José Maria, 1950
24




     Fotografias de ruína de antigas residências em Olinda: praia do Carmo e
     praia dos Milagres (1960)




                                                            Fonte: Coutinho (1997)




                                                            Fonte: Coutinho (1997)
25
Nos últimos vinte anos, diversas foram as obras     lógicas provocadas por essas intervenções na
de contenção construídas nas praias dos qua-        foz do rio Jaboatão, inclusive com significativa
tro municípios. Em Jaboatão dos Guararapes,         redução de área na extremidade do pontal
instalaram-se estruturas do tipo guia corrente,     do Paiva (Ilha do Amor, ao longo da margem
espigões, enrocamentos aderentes e muros,           direita do rio). Os efeitos da erosão também
desde a margem esquerda do rio Jaboatão até         são visíveis com as perdas de área de praia em
as praias de Piedade e Candeias. Nas figuras        Candeias e Piedade (MAI, 2009).
a seguir, é mostrada as modificações morfo-



Foz do rio Jaboatão em 1989 (a) e (b) detalhe da área com obras
costeiras do tipo molhes e espigões ao longo da margem esquerda do
rio em 2004




                                   Fonte: a - Laborel (1963); b - Google Earth e fotografias CPRH (2006)
26




     Trecho das praias de Candeias e Piedade em 1963 (a) e em 2004 (b)




     No Recife, foram colocados pedras-rachão         naturais, presentes até hoje. Na figura a seguir,
     e sacos de areia em resposta a erosão que        vê-se a fotografia aérea de 1974, que retrata o
     destruiu parte do calçadão a praia de Boa Via-   litoral da Praia de Boa Viagem, com a presen-
     gem, em 1994. No ano seguinte, novo estudo       ça de dunas frontais preservadas e vegetação
     concluiu que a obra mais adequada à proteção     (MAI, 2009).
     do calçadão seria o revestimento de blocos


     Fotografia aérea de 1974 da praia de Boa viagem, com o ambiente
     praial preservado e a presença de dunas frontais e vegetação




                                                                                      Fonte: MAI (2009)
27
A seguir, percebe-se a alteração que essa região sofreu com o processo de urbanização nos últi-
mos 36 anos. As fotografias em detalhe (a e b) mostram a descaracterização da praia em um


Fotografias de ruína de antigas residências em Olinda: praia do Carmo e
praia dos Milagres (1960)




                                     Fonte: a - Fidem; b - Google Earth; fotografias de Tereza Araújo, 2004

As primeiras obras de contenção do mar em             Ela provocou diversos danos às construções si-
Olinda ocorreram em 1950. As modificações             tuadas entre as praias dos Milagres e do Farol.
para a ampliação do Porto do Recife (1909-            Uma mudança notável foi a realocação do farol
1917) e da Base Naval do Recife são aponta-           de Olinda, que funcionava à beira-mar.
das como uma das causas da erosão.

Fotografia de sobrevoo mostra a praia do Farol, Olinda




   Nota: No detalhe, antiga posição do farol de Olinda, 1940. A seta em amarelo mostra a posição atual do
                                                            farol, construído no alto do morro do Serapião.
                        Fonte: CPRH; fotografia de Alexandre Berzin, acervo da Fundação Joaquim Nabuco
28




     A ampliação do Porto do Recife e, em seguida,    de ser ampliados. Na figura abaixo, de 1974,
     a construção das obras de contenção em Olin-     podem-se perceber recifes naturais submer-
     da interferiram no balanço sedimentar costeiro   sos, que serviram de suporte para o sistema
     nessa orla, provocando a erosão costeira em      de quebra-mares. As modificações podem ser
     Paulista. Como forma de contenção da erosão,     visualizadas na figura a seguir. Há formação de
     criou-se um sistema de quebra-mares asso-        saliências e reentrâncias na zona de sombra
     ciados a espigões, que posteriormente tiveram    dos quebra-mares (MAI, 2009).


     Fotografia da zona costeira do município de Paulista em 1974 (a) e
     em 2004 (b) depois da implantação do sistema de quebra-mares
29
Em resposta à erosão, as prefeituras dos mu-         Essas intervenções representaram altos custos
nicípios decidiram por fixar a linha de costa.       sem resultados satisfatórios. A erosão era trans-
Obras de contenção foram executadas ao longo         ferida para praias ao lado.
do litoral, em geral de forma pontual e sem
maior conhecimento da dinâmica costeira. A
praia foi profundamente modificada e a beleza
cênica desvalorizada.



Recuperação da orla marítima e
seus resultados na contenção dos
processos erosivos
Em todo mundo, as zonas costeiras convivem           •	 Alteração do transporte litorâneo – inter-
com problemas. Os mais comuns estão ligados             rupção ou modificação da movimentação
ao recuo (erosão) ou avanço da linha de costa.          de sedimentos ao longo da costa, sob
Normalmente, relacionados com a retirada ou             a ação das ondas e correntes. Como a
deposição de sedimentos. Os problemas estão             construção de um espigão perpendicular à
mais associados à erosão, pelo risco de danos           praia e molhes de proteção portuária, entre
materiais. A erosão é de difícil controle.              outras.
                                                     •	 Alterações nos padrões das correntes
De acordo com o estudo do MAI (2009),                   litorâneas. Por exemplo, a construção de
podem ser citadas entre as causas de erosão             obras na pós-praia, na zona de arrebenta-
costeira: (a) ação dos agentes naturais que             ção, causando alteração das correntes.
atuam ao longo da costa e (b) ações do homem         •	 Remoção de sedimentos por dragagem.
ligadas à implantação de estruturas artificiais,     •	 Lançamento do produto de dragagem de
seja para criar áreas (equipamentos de lazer e          canais e de portos.
turismo, portos entre outras), seja para a tenta-    •	 Modificação das características das on-
tiva de correção de problemas.                          das por efeito de refração e/ou difração
                                                        em estruturas. Interrupção do aporte de
Como exemplos dos problemas causados pela               sedimentos por obras nos rios (barragens,
interferência de estruturas artificiais, podem ser      fixação de margens e leito). (MAI, 2009, v.
citados:                                                2, p. 127).
30




     Podemos citar como exemplos de alterações da      A implantação de obras de proteção costeiras
     linha de costa por meio de causas naturais:       depende do tipo, do tamanho e da localização
                                                       das necessidades; da eficiência do método
     •	 Alterações climáticas (efeito estufa, natu-    utilizado; dos efeitos sobre as praias adjacentes
        rais), gerando modificações no regime de       e do impacto econômico resultante da obra
        ventos, como agente diretamente transpor-      costeira.
        tador de sedimentos (transporte eólico) ou     Busca-se eleger o tipo de proteção a ser
        indiretamente, como gerador de ondas e         definido, como muro de proteção, espigão e
        responsável, juntamente com as correntes       alimentação artificial, procurando suprir as
        e ondas, pela dinâmica dos sedimentos.         necessidades de acordo com a disponibilidade
                                                       econômica local. Aliado a essa premissa, é
     •	 Ondas e correntes, como principais agen-       necessária a realização de estudos ambientais,
        tes de transporte na zona imersa.              como o monitoramento dos diferentes parâme-
     •	 Variação do nível de água, marés astronô-      tros envolvidos no fenômeno, como a dinâmica
        micas, ressacas (marés de tempestades),        das ondas, dos ventos, dos níveis de água, as
        alterações do nível médio do mar.              alterações na movimentação e no abasteci-
     •	 Alterações naturais no aporte sedimentar       mento dos sedimentos, e as variações do perfil
        dos rios.                                      topobatimétrico de praia, como condicionan-
     •	 Chuvas intensas. (MAI, 2009, v. 2, p.          tes para um adequado manejo costeiro (MAI,
        127).                                          2009).


     As ondas geradas por ventos são as principais
     agentes de alteração da linha de costa, aliadas
     às variações do nível de água (maré, ressacas),
     combinados com a falta ou o excesso de aporte
     de sedimentos.
31
Principais métodos usados na
proteção costeira
Os principais métodos utilizados na prote-        •	 Grupos de espigões – reduzem o transpor-
ção costeira buscam, no primeiro momento,           te longitudinal e, consequentemente, o
prevenir ou eliminar os efeitos. É denominado       recuo da linha de costa. Algumas vezes,
método direto. O outro método procura a cor-        podem forçar a deposição de sedimentos e
reção do problema por meio de eliminação das        a reconstituição da área erodida. Podem,
causas (MAI, 2009).                                 entretanto, estar na origem (devido à redu-
                                                    ção do transporte sedimentar) da erosão de
De acordo com MAI (2009), são exemplos de           praias a sotamar. Exigem monitoramento e
medidas indiretas:                                  manutenção periódicos.


•	 Retomada dos aportes sólidos retidos em        •	 Quebra-mar destacado – construído em pa-
   barragens, ao sistema costeiro.                  ralelo à certa distância da linha de costa.
                                                    Protege a praia, alterando a capacidade
•	 Correção do transporte litorâneo por meio        de transporte litorâneo, pela interceptação
   de modificações definidas, adequadamen-          das ondas, total ou parcialmente (quebra-
   te, através de um estudo de monitora-            mares com interrupções ou submersos).
   mento – no projeto de espigões, molhes,          Podem originar a formação de tômbolos
   quebra-mares, muros novos ou existentes,         (acréscimos na faixa de areia). Algumas
   entre outros (MAI, 2009, v. 2, p 128)            dessas estruturas têm efeitos a sotamar,
                                                    comparáveis aos dos espigões. Podem ser
Vale acrescentar os exemplos de medidas             isolados ou em grupos. Exigem monitora-
diretas:                                            mento e manutenção periódicos.


Alimentação artificial – utilizada na reposição   •	 Quebra-mar em T – quebra-mar ligado
de material de áreas erodidas. Este método pa-      à praia através de espigão. Tem efeito
rece, à primeira vista, economicamente dispen-      comparável ao anterior, com maior impacto
dioso, além da necessidade de monitoramento         sobre o transporte longitudinal de sedi-
e manutenção. Seu uso, no entanto, pode ser         mentos, devido à existência do espigão.
vantajoso, por manter o aspecto de praia natu-      Podem ser isolados ou em grupos. Exigem
ral, agradável ao lazer e à contemplação.           monitoramento e manutenção periódicos.
32




     •	 Muros longitudinais – podem ser verticais     •	 Enrocamento aderente – tem finalidade e
        ou com perfil adaptado (construídos em           efeito semelhante ao muro, com a vanta-
        concreto, gabiões, entre outros), cons-          gem de apresentar menor coeficiente de
        truídos próximos à linha de costa, com           reflexão, reduzindo o efeito da erosão do
        a finalidade de fixá-la. Neste método, a         fundo. Exigem monitoramento e manuten-
        erosão no perfil de praia se restringe à         ção periódicos. (MAI, 2009, v. 2, p. 129).
        erosão do fundo imediatamente à frente do
        muro, podendo ainda causar problemas de       No entanto, toda intervenção de proteção cos-
        instabilidade da estrutura, redução da pós-   teira, seja estrutural ou não, demanda cons-
        praia e, finalmente, acarretar seu completo   tante monitoramento e manutenção, de acordo
        desaparecimento. São mais agressivos ao       com o tipo. O monitoramento permite detectar
        perfil praial, devido a um maior poder de     as alterações ocorridas durante a vida útil
        reflexão. Exigem monitoramento e manu-        das intervenções e orienta com relação à boa
        tenção periódicos.                            manutenção. A descrição e avaliação das obras
                                                      costeiras no Jaboatão dos Guararapes, no Reci-
                                                      fe, em Olinda e em Paulista estão relatadas no
                                                      diagnóstico do meio físico, Seção 8.8.
33
Resultados das obras costeiras
na contenção dos processos
erosivos
Dois fatores são condicionantes na análise da        Com o plano de reduzir os problemas, foram
eficiência das intervenções em um dado trecho        implantadas diferentes tipos de obras nas
de praia. São eles: (i) o tipo de obra adotado e     praias dos quatro municípios para proteção de
(ii) a qualidade dos dados hidrossedimentológi-      propriedades privadas e infraestrutura públi-
cos existentes.                                      ca. Muitas dessas estruturas se apresentam
                                                     ineficientes quanto à proteção pretendida.
As praias em Jaboatão dos Guararapes, do             (MAI,2009,v2).
Recife, de Olinda e do Paulista possuem uma
dinâmica diferenciada, que depende dos               As obras do tipo enrocamento aderente, pre-
fatores físicos costeiros locais. Até então, esses   sente no litoral dos quatro municípios, foram
agentes ambientais e a localização das obras         construídas como soluções emergenciais.
favoreceram a erosão costeira, que se agrava         Elas têm por objetivo a proteção do terreno (e
com a ocupação inadequada da orla, como              não da praia) aos danos produzidos pela ação
ilustra a Figura 3.2-9 (MAI, 2009, v. 2).            das ondas, particularmente sob condições das
                                                     ondas de tempestade.


Estrutura 004 na praia de Candeias, Jaboatão dos Guararapes,
ocupando totalmente a faixa de praia




                                                                       Fonte: MAI (2009, v. 2, p. 134)
34




     Essa intervenção é efetiva na proteção do          ção da linha de costa. Se essas estruturas fo-
     terreno contra a erosão, na proteção da parte      rem construídas próximas da praia ou se forem
     mais elevada da praia. No entanto, as estru-       muito extensas em relação ao comprimento das
     turas que não protegem a orla dos efeitos das      ondas incidentes, ou ainda muito impermeá-
     inundações, nem da erosão dos sedimentos da        veis, podem desenvolver uma saliência, que
     porção mais baixa do perfil praial, nem contra a   passa a funcionar como um espigão, a barrar a
     redução da intensidade das tempestades. Essa       deriva litorânea e causando efeitos erosivos nas
     intervenção pode contribuir para o rebaixamen-     praias à jusante. Nessas condições, a deriva
     to dos depósitos de areia do perfil praial, com    litorânea é forçada a se desenvolver no lado
     alteração significativa da paisagem.               externo do quebra-mar, desviando a deriva
                                                        litorânea do sistema praial (MAI, 2009, v. 2).
     Outra técnica presente no litoral em análise
     são os espigões. Esse tipo de obra é construída    Segundo estudos desenvolvidos pelo MAI
     para ampliar na zona a barlamar a largura da       (2009), as obras costeiras, ao longo da orla dos
     pós-praia ou para reduzir as taxas de deriva       municípios de Jaboatão dos Guararapes, do
     litorânea. “A implantação dessas estruturas,       Recife, de Olinda e do Paulista, somam uma
     dependendo do seu número e tamanho, pode           extensão de 20.090m de estruturas cons-
     causar significativa retenção de sedimentos        truídas, das quais 4.390m encontram-se em
     e, consequentemente, um déficit no balanço         Jaboatão dos Guararapes; 3.440m no Recife;
     de areia, com redução no suprimento para as        7.610m em Olinda e 4.650m no Paulista.
     praias a jusante.” (MAI, 2009, v. 2, p. 144).      Em Jaboatão dos Guararapes, de acordo com
                                                        MAI (2009), as estruturas são as seguintes:
     Os quebra-mares são usados principalmen-
     te para reduzir a intensidade de energia das       •	 3.260m de enrocamentos e muros (74%);
     ondas durante os ventos de tempestade. Esse        •	 30m de espigões e molhes (12%);
     tipo de estrutura possibilita o desenvolvimento    •	 600m de quebra-mar (14%).
     de uma ampla e estável praia na sua área de
     sombra. Os efeitos adversos estão relaciona-       Com esta distribuição de estruturas, pode-se
     dos com a redução da deriva litorânea para as      concluir que nas praias de Jaboatão predomi-
     praias que se encontram à jusante do quebra-       nam obras de proteção do terreno, do tipo en-
     mar.                                               rocamentos aderentes e muros. O objetivo é a
                                                        proteção do terreno, com a fixação da “linha de
     Outro efeito hidrodinâmico do quebra-mar é o       costa”, em detrimento da faixa de praia, com o
     desenvolvimento de tômbolos de areia, peque-       consequente impacto à paisagem e à vocação
     nas barras de areia que resultam na deforma-       turística local.
35
No Recife, a principal estrutura costeira é um     Nas praias do Paulista, os enrocamentos,
enrocamento com 2.100m de comprimento              espigões e quebra-mares protegem os terrenos.
na praia de Boa Viagem e outro de 1.340m na        Contudo, os quebra-mares, embora construídos
praia de Brasília Teimosa conforme estudo do       com altura elevada, causam proteção parcial da
MAI (2009). A obra protege o terreno e não a       linha de costa. Esse tipo de intervenção, aliado
praia.                                             ao engordamento da praia, com sedimentos de
                                                   composição e tamanhos inadequados, pode es-
Na praias de Olinda, predominam obras de           tar relacionado com os focos de erosão instala-
proteção do terreno na forma de enrocamen-         dos em alguns trechos. As estruturas presentes
tos, espigões e quebra-mares que causam boa        na orla de Paulista têm a seguinte distribuição:
proteção da linha de costa. Entretanto, essas
estruturas causam significativa modificação nas    •	 1.850m de enrocamentos e muros (40%);
taxas de deriva litorânea, com efeitos negativos   •	 80m de espigões e molhes (6%);
à jusante, aliados ao impacto na vocação turís-    •	 2.520m de quebra-mares (54%).
tica. As estruturas têm a seguinte distribuição:


•	 1.700m de enrocamentos e muros (22%);
•	 250m de espigões e molhes (3%);
•	 5.660m de quebra-mares (75%).
36




     Histórico da evolução da linha
     de praia: processo natural x
     interferência antrópica
     Os registros comprovam que a alteração da po-       O estudo histórico evolutivo da linha de praia
     sição da linha de praia no litoral pernambucano     dos municípios de Jaboatão dos Guararapes,
     é antigo, em especial na costa de Olinda, que,      do Recife, de Olinda e do Paulista foi feito pelo
     entre 1915 e 1950, experimentou um signifi-         MAI (2009). Esse estudo mediu por meio de
     cativo recuo de aproximadamente 80 metros, o        coordenadas, de precisão geodésica, de pontos
     que resultou em um intenso processo erosivo,        a linha de praia dos municípios. A linha de cos-
     que se instalou, principalmente nas praias dos      ta é uma feição extremamente dinâmica (BIRD,
     Milagres, do Carmo e de São Francisco.              1996) e, para sua medição, é necessário iden-
                                                         tificar no ambiente praial as feições que melhor
     A zona costeira pernambucana apresenta altu-        a representem. A linha de costa, neste estudo,
     ras médias de maré de sizígia de 2,07 metros,       foi definida como a feição no plano horizontal,
     de acordo com a Diretoria de Hidrografia e Na-      limite entre a área seca do continente, ou de
     vegação (DHN). A zona de espraiamento (zona         uma ilha, e a parte onde há efetiva ação das
     situada entre o limite superior da preamar e o      águas. Considera-se que o local está fora do
     limite inferior da baixa-mar) pode atingir até 60   alcance das águas, incluindo as maiores marés
     metros de largura na praia.                         de sizígia (MENDONÇA, 2005).



     Mapa ilustrando a posição da Linha de Costa em 1915 e 1950 (praia
     dos Milagres – Olinda/PE)




                                                                                     Fonte: BRASIL (1985)
37
No estudo do MAI (2009), foram utilizados dois        se, principalmente, de trechos com obras
receptores GPS, sempre utilizados no modo             do tipo enrocamentos, espigões e muros.
relativo, com um permanecendo fixo em um           •	 (2) Paulista tem 14.468,36m de litoral,
ponto enquanto o outro era conduzido no modo          sendo que em 9.626,93m (66,5%) é
cinemático sobre a feição que identificava a          formado por praias com sedimento, e em
linha de costa. Os dados coletados pelos recep-       4.841,43m (33,5%) sem praias com sedi-
tores durante os deslocamentos e os obtidos na        mentos, constituindo-se, principalmente,
estação base foram pós-processados no softwa-         em trechos com obras do tipo enrocamen-
re GPSurvey 2.35 Dual Frequency Kinematic             tos, espigões e muros.
Processor, desenvolvido pela Trimble. As coor-     •	 (3) Olinda possui 12.261,14m de litoral,
denadas são referenciadas ao Sistema Geodé-           sendo que em 4.222,33m (34,4%) é
sico Brasileiro (SGB), por meio de uma estação        formado por praias com sedimento e em
da rede nacional (estação da RBMC – Rede de           8.038,81m (65,6%) sem praias com sedi-
Monitoramento Contínuo do IBGE) no campus             mentos, constituindo-se, principalmente,
da Universidade Federal de Pernambuco. O              de trechos com obras do tipo enrocamen-
estudo concluiu que o litoral dos municípios do       tos, espigões e muros.
Paulista, de Olinda, do Recife e de Jaboatão       •	 (4) Recife tem 13.444,38m de litoral,
dos Guararapes totaliza 48.135,07m de linha           sendo que em 5.999.25m (44,6%) é
de costa; desses, são formados por praias com         formado de praias com sedimento, e em
sedimentos 24.539,45m (51%) e 23.595,63m              7.445,13m (55,4%) sem praias com se-
(49%) não têm praias com sedimentos. Nesse            dimentos, constituindo-se de dois trechos:
segundo segmento, o litoral é marcado pela            um com recifes e outro com enrocamentos.
presença de recifes e obras costeiras, tais como
enrocamentos, espigões e muros (MAI, 2009).        O estudo CPEB (2011, v. 2) permitiu o cálculo
                                                   evolutivo da linha de praia dos municípios de
Os resultados do estudo do MAI (2009, v. 1, p.     Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda
58-59) apresentam uma distribuição da linha        e do Paulista; para tal, utilizando fotografias
de costa ao longo dos litorais dos municípios      aéreas e dois conjuntos de imagens extraídos
de:                                                do Google Earth®. O voo aerofotogramétrico
                                                   realizou-se em 1974 e as imagens do Google
•	 (1) Jaboatão dos Guararapes possui              Earth® são de 2007 e 2010. A escolha do local
      7.961,20m de litoral, sendo que em           de linha de costa baseou-se num indicador que
      4.690,94m (58,9%) é formado por praias       não sofresse muita influência da variação de
      com sedimento, e em 3.270,26m (41,1%)        um ciclo de maré. De acordo com o estudo do
      sem praias com sedimentos, constituindo-     CPEB (2011, v. 2), decidiu-se extrair a linha de
38




     costa por meio da posição da berma da praia,       e entre 2007 e 2010, calculadas pelo método
     que se mostrou aparente em todas as fotogra-       EPR (End Point Rate), e a incerteza associada
     fias aéreas e imagens. O objetivo dessa análise    a cada variação; (iv) a taxa de deslocamento da
     foi identificar áreas historicamente vulneráveis   linha de costa em metros por ano entre 1974
     à erosão e, de posse dessa informação, ter         e 2007, e entre 1974 e 2010, calculadas pelo
     embasamento para a escolha de alternativas de      método EPR e a incerteza associada. Esses
     intervenção que serão sugeridas pela CPE.          resultados encontram-se detalhados no diag-
                                                        nóstico do meio físico (CPEB, 2011, v. 2).
     Conforme o diagnóstico do CPEB (2011, v. 2),
     a costa dos quatro municípios tem aproxima-        A análise do diagnóstico (CPEB, 2011) foi feito
     damente 50km de extensão; analisada com o          a partir de uma série temporal de trinta e seis
     enfoque de determinar taxas de variação de         anos e composta de três linhas de costa em
     linha de costa (LC) para cada município, feita     diferentes momentos. Nesse contexto, percebe-
     por meio de transectos perpendiculares à linha     se que a evolução recente da linha de costa
     de costa, com espaçamento de 50 metros. Um         dos municípios de Jaboatão dos Guararapes,
     total de 923 transectos na análise, 185 para o     do Recife, de Olinda e do Paulista está firme-
     município de Jaboatão dos Guararapes, 241          mente atrelada à instalação das estruturas cos-
     para o município do Recife, 206 no município       teiras. Nota-se que as variações mais acentua-
     de Olinda e 291 para o município do Paulista.      das coincidem, na maior parte, com a presença
     Cada taxa de variação gerada por um transecto      de estruturas rígidas naturais, como os arre-
     é a média entre o próprio transecto analisado e    cifes, ou introduzidas pelo homem, como os
     os dois adjacentes. Isso suaviza as discrepân-     quebra-mares e espigões e guias correntes.
     cias entre os resultados.
                                                        A partir do resultado obtido pelo estudo CPEB
     Para apresentação dos resultados da análise,       (2011) pode-se afirmar que a linha de praia no
     foram feitas imagens em que os segmentos de        litoral dos municípios de Jaboatão dos Guarara-
     costa se dividiram para cada município. Além       pes, do Recife, de Olinda e do Paulista, apre-
     da localização da área de estudo, em cada          senta uma acentuada interferência antrópica,
     figura, apresentam-se gráficos contendo: (i)       resultando numa linha de praia atual experi-
     o deslocamento linear total da linha de costa      mentando erosão em diversos trechos e perdas
     para 2007 e 2010, tendo por base a linha de        patrimoniais elevadas (CPEB, 2011, v. 2).
     1974; (ii) o deslocamento linear total da linha
     de costa de 2010, tendo por base a linha de
     2007; (iii) a taxa de deslocamento da linha de
     costa em metros por ano entre 1974 e 2007,
39
Ocupação do solo e erosão
costeira
O litoral pernambucano tem 187 quilômetros       Atualmente não existem estudos que possam
de extensão, 21 municípios e é o mais impor-     comprovar a contribuição relativa de cada
tante aglomerado populacional do Estado, com     um desses fatores, no entanto, sabe-se que a
44% de sua população (ARAÚJO et al., 2004).      ocupação do ambiente da praia por edificações
Essa zona costeira apresenta uma densidade       ou outras estruturas modifica a manutenção
populacional maior do que 900 hab/km2, sig-      do equilíbrio sedimentar natural (MAI,2009).
nificando uma das maiores concentrações do       Nessas franjas costeiras, observa-se, com fre-
Brasil, que tende a aumentar considerando os     quência, a presença de muitas obras (prédios,
novos empreendimentos que estão instalando-      muros de contenção, estradas e estruturas de
se na região nos últimos anos (MAPLAC, 2010).    engenharia costeira) que foram construídas
                                                 sobre o pós-praia, setor da praia essencial para
Diferentes pesquisas (CARNEIRO,2003; GRE-        o suprimento de sedimentos, comprometendo
GÓRIO, 2009; MAI, 2009) feitas ao longo da       assim vários trechos de praia que estão sob um
zona costeira pernambucana e, em especial,       forte processo de erosão (SOUZA, 2006).
na região metropolitana do Recife, comprovam
que estão ocorrendo intensos processos erosi-    Nos trechos críticos da zona costeira da região
vos, com muitos trechos da costa em desequilí-   metropolitana do Recife, que experimentam o
brio, apresentando erosão marinha progressiva    processo de erosão, o manejo desse problema
(CPRH, 1998 apud SOUZA, 2006). A combina-        tem sido realizado por meio da colocação de
ção de diversos fatores tem resultado nos pro-   muros aderentes, enrocamentos, espigões e
cessos erosivos constados atualmente: o aporte   quebra-mares sem o devido suporte de in-
sedimentar para as praias é deficiente pela      formações (MAI, 2010). Ao longo do tempo,
ausência de grandes rios; a plataforma conti-    observa-se que essas intervenções frequente-
nental é estreita e dificulta o armazenamento    mente resultam em insucessos ou mesmo na
de sedimentos para remobilização; as linhas de   intensificação do processo erosivo, localmente
arrecifes submersos na plataforma dificultam     ou em áreas adjacentes, implicando investi-
a remobilização de sedimentos; a ocupação        mento de somas elevadas para a manutenção
desordenada do ambiente praial imobiliza as      e, também, em prejuízo estético (SOUZA,
dunas e dificulta a reconstrução das praias no   2006; MAPLAC, 2010).
período de verão.
40




     Os primeiros relatos à erosão costeira nos             problemas de erosão em vários trechos do
     municípios litorâneos pernambucanos são de             litoral e mais notadamente nas áreas urba-
     1914 e mencionam os danos causados pela                nas (MAI, 2009). A próxima figura apresenta
     intervenção no molhe localizado no istmo de            fotografias de diversas épocas das praias dos
     Olinda, parte das obras de ampliação do Porto          municípios de Jaboatão dos Guararapes, do
     do Recife. A partir de então, constataram-se           Recife, de Olinda e do Paulista.


     Ocupação do solo e erosão costeira




        Nota: As fotografias A, B e C mostram a ocupação atual do solo e processos erosivos da orla de Jaboatão
       dos Guararapes, assim como as obras de contenção do avanço do mar, tipo enrocamento; as fotografias D,
       E e F mostram a ocupação atual do solo e processos erosivos do litoral do Recife, assim como as obras de
      contenção do avanço do mar, tipo enrocamento na praia de Boa Viagem; a fotografia da ocupação do litoral
        de Olinda (no alto, à direita) retrata uma praia ocupada por obras de contenção costeira do tipo espigão,
            enrocamento e quebra-mares. A fotografia aérea da ocupação do litoral do Paulista retrata uma praia
                                                   ocupada por obras de contenção costeira do tipo quebra-mares.

     Projeto MAI (2009) estudou a variação da ocu-          de 2008 (Agência Condepe/Fidem). A área cos-
     pação do solo por trinta e quatro anos no litoral      teira selecionada, considerada para monitorar
     dos quatro municípios da Região Metropolitana          a ocupação do solo, foi uma faixa demarcada
     do Recife com o objetivo de comprovar que              por quadras e vias, afastada da linha de costa
     o aumento da ocupação do solo tem relação              entre 200 e 300 metros. Conforme o estudo
     direta com a erosão. Essa pesquisa foi realizada       do Projeto MAI (2009), foram consideradas na
     com a análise de fotografias aéreas de 1974            análise as seguintes faixas de densidade para a
     (Agência Condepe/Fidem) e imagens Quickbird            área ocupada:
41
•	 Baixa densidade – menor que 30% de                      Para ilustrar a metodologia utilizada, selecio-
    ocupação;                                              nou-se um recorte costeiro no município de
•	 Média densidade – entre 30% e 70% de                    Jaboatão dos Guararapes, com praia arenosa
    ocupação;                                              em 1974, e atualmente, com problemas de
•	 Alta densidade – maior que 70% de ocu-                  erosão. Para tanto, a classificação realizada
    pação.                                                 para ocupação do solo foi disposta sob uma
                                                           mesma base cartográfica, para 1974 e 2008 e
                                                           os resultados encontrados são apresentados na
                                                           tabela abaixo.




Distâncias e percentuais da ocupação do litoral dos municípios de
Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista

MUNICÍPIO		                1974			                      2008			                     CLASSIFICAÇÃO


Jaboatão dos Guararapes	   414.411,92 m² 	    25,2% 	   1.086.408,01 m²	   66,1%	   Alta densidade
			                        464.950,26 m²	     28,3%	    439.471,14 m²	     26,7%	   Média densidade
			                        764.863,87 m² 	    46,5%	    118.346,9 m²	      7,2%	    Baixa densidade
Recife			                  1.525.669,83 m2	   72,6%	    1.896.909,94 m2	   90,3%	   Alta densidade
			                        358.328,85 m2	     17,1%	    95.549,73 m2	      4,5%	    Média densidade
			                        216.650,35 m2	     10,3%	    108.189,68 m2	     5,2%	    Baixa densidade
Olinda			                  887.321,60 m2	     50,9%	    1.135.018,63 m2	   65,1%	   Alta densidade
			                        451.465,43 m2	     25,9%	    467.874,07 m2	     26,8%	   Média densidade
			                        405.829,62 m2	     23,2%	    141.723,95 m2	     8,1%	    Baixa densidade
Paulista			                273.203,12 m2	     6,7%	     1.637.269,64 m2	   40,4%	   Alta densidade
			                        555.163,67 m2	     13,7%	    1.202.753,91 m2	   29,7%	   Média densidade
			                        3.220.752,67 m2	   79,6%	    1.209.095,92 m2	   29,9%	   Baixa densidade

                                                                                                Fonte: MAI (2009)
3
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         Qual a área de influência
         do empreendimento?
         A área de influência do empreendimento corresponde aos espaços geográ-
         ficos passíveis de alterações em termos de dinâmica ambiental a partir da
         projeção de cenários relacionados à implantação e operação do mesmo,
         tratando-se aqui da Recuperação da Orla Marítima – Jaboatão, Recife, Olinda
         e Paulista – Pernambuco. Conforme legislação ambiental vigente e exigências
         do Termo de Referência 14/2011 emitido pela CPRH (Agência Estadual de
         Meio Ambiente de Pernambuco) em 14 de setembro de 2011, serão aborda-
         dos e justificados de forma distinta, os meios físico, biótico e socioeconômico.
         As áreas de influência do empreendimento serão estabelecidas segundo os
         seguintes níveis hierárquicos (CPRH, 2011, p. 9):


         •	 Área de Influência Indireta (AII): aquela onde os impactos provenien-
            tes da implantação e operação do empreendimento se fazem sentir
            de maneira indireta e com menor intensidade em relação à área de
            influência direta.
         •	 Área de Influência Direta (AID): aquela sujeita aos impactos diretos
            provenientes da implantação e operação do empreendimento, incluí-
            do faixa marítima a ser utilizada para transporte de matéria prima.
         •	 Área Diretamente Afetada (ADA): aquela onde ocorrem as interven-
            ções relacionadas ao empreendimento, incluindo áreas de apoio
            como canteiros de obra, acessos, áreas de jazida, etc.


         O diagrama na próxima página mostra uma representação hierárquica das
         áreas de influência do empreendimento:
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Níveis Hierárquicos das Áreas de Influência do Empreendimento




                                                                     Fonte: ITEP – UGP Barragens 2011

É importante lembrar que os meios físico, biótico    entre outros aspectos. Vale frisar o estreitamen-
e socieconômico compõem o universo de estudos        to da faixa de areia, o fim do ambiente praial e
integrados do meio ambiente, previstos na elabo-     pós-praial em muitos pontos ao longo da costa
ração do EIA/RIMA. Para efeitos de elaboração        metropolitana ocorre por fatores relacionados à
do diagnóstico e prognóstico ambiental, impactos     evolução histórica das formas de uso dessa faixa
e planos de controle ambiental, os três meios        de orla, associada a outros fatores, como a dimi-
citados devem ser entendidos de forma interrela-     nuição da quantidade de sedimentos carreados
cionada e interdisciplinar.                          pelos rios, como a dinâmica de correntes maríti-
É necessário ressaltar o caráter de localização do   mas e padrões de ventos e ondas. Nesse sentido
empreendimento. O projeto de Recuperação da          estabeleceu-se a seguinte delimitação para efeitos
Orla Marítima dos municípios de Jaboatão dos         de estudo:
Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista
concentra-se na faixa de orla destes municí-         MEIO FÍSICO
pios, a qual se insere no contexto de uma região
metropolitana brasileira com elevados níveis de      A Área de Influência Indireta (AII) corresponde
impermeabilização do solo, grande concentração       aos municípios do Cabo de Santo Agostinho, de
populacional, valorização do metro quadrado,         Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda,
forte especulação imobiliária, limitações de áreas   do Paulista, de Abreu e Lima, Igarassu e Itama-
verdes, áreas estuarinas ocupadas e poluídas,        racá. Ao se considerar esse nível hierárquico é
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     importante ter como foco a área de jazida de           MEIO BIÓTICO
     areia (no litoral do Cabo de Santo Agostinho), as
     áreas que irão sofrer intervenção por meio da          A delimitação da Área de Influência Indireta
     obra (municípios de Jaboatão dos Guararapes,           (AII) segue os mesmos procedimentos utilizados
     do Recife, de Olinda e do Paulista) e uma impor-       para o meio físico. Supõe-se que a delimitação
     tante zona estuarina nos municípios de Igarassu        dos municípios do Cabo de Santo Agostinho, de
     e Itamaracá. A AII engloba os seguintes relevos: i)    Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda,
     semi-plano: predominam as áreas baixas e englo-        do Paulista, de Abreu e Lima, de Igarassu e de
     ba a área de planície flúvio-costeira, os tabuleiros   Itamaracá abrange uma área significativa em ter-
     e os terraços; ii) ondulado: formado por morros e      mos de diversidade de espécies da flora e fauna,
     colinas, com declividades acentuadas. A inserção       além de contemplar possíveis rotas de migração
     de Itamaracá nessa regionalização reflete uma          de espécies com a implementação do empreen-
     preocupação relacionada à Ilhota da Coroa do           dimento. Assim, tem-se a importância do Cabo
     Avião, uma vez que representa uma formação             de Santo Agostinho quanto à posição da jazida e
     emersa de origem recente (menos de 50 anos).           prováveis impactos nas espécies subaquáticas,
                                                            Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda, Paulista
     A Área de Influência Direta (AID) se estende da        com relação à zona de intervenção física e impac-
     linha de costa até a isóbata (linhas de profundi-      tos em espécies terrestres e subaquáticas e, em
     dade) de 20m. Essa área foi projetada para todo        Itamaracá, no que diz respeito à Coroa do Avião
     o litoral dos quatro municípios, já que apresenta      e sua necessidade por recomendações, a fim de
     os processos erosivos que serão focos de análise       viabilizar a manutenção de espécies vivas desse
     dos estudos e concentra as principais dinâmicas        ambiente recentemente formado.
     marinhas relacionadas ao transporte de sedimen-
     tos e incidência de ondas na costa.                    A Área de Influência Direta (AID) corresponde à
                                                            área inserida entre a linha de costa e limite médio
     A Área Diretamente Afetada (ADA) segue os mes-         de 3km no sentido leste em relação à costa
     mos critérios de delimitação adotados na AID (se       (plataforma marinha). Considera em sua delimi-
     estende da linha de costa até a isóbata de 20m),       tação à diversidade verificada nos beach rocks e
     porém restringe-se apenas aos quatro municípios        áreas de prováveis concentração e deslocamento
     que irão receber o empreendimento: Jaboatão            de tubarões (aproximadamente a 2km da linha
     dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista.             de costa). A Área Diretamente Afetada (ADA)
                                                            respeita como limite a área inserida entre a linha
                                                            de costa e os beach rocks e enroncamentos.
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MEIO SOCIOECONÔMICO                                  A Área Diretamente Afetada (ADA) obedece à fai-
                                                     xa de orla marítima enquanto unidade geográfica

A Área de Inlfuência Indireta (AII) é representada   inclusa na zona costeira. Sua delimitação segue

pela totalidade dos espaços territoriais represen-   as recomendações do Ministério do Meio Am-

tados pelos municípios de Jaboatão dos Guarara-      biente (2006, p.28), o qual estabelece um limite

pes, do Recife, de Olinda e do Paulista, uma vez     para a área terrestre de 50m em áreas urbaniza-

que o empreendimento proposto contempla uma          das e de 200m em áreas não urbanizadas. Dado

área pública urbanizada.                             os elevados níveis de densidade de ocupação do
                                                     solo deste empreendimento, resolveu-se fazer

A Área de Influência Direta (AID) corresponde        uma ampliação na faixa de área terrestre em

aos setores censitários que contém os trechos de     áreas urbanizadas, passando de 50m para 100m

orla destes municípios. Essa escolha se deve ao      e mantendo os mesmos 200m para áreas não ur-

fato dessa ser a menor unidade de medida onde        banizadas. A área é correspondente às praias que

é possível obter informações com dados secun-        sofrerão a intervenção e aos prédios em frente a

dários.                                              essas. Para os estudos de patrimônio cultural, a
                                                     ADA também considerou regiões subaquáticas, a
                                                     exemplo dos pontos de naufrágio na costa destes
                                                     municípios.
4
46




         Como é o meio
         físico na área do
         empreendimento?
         Geologia e Geomorfologia
         Geologicamente, a área de estudo do projeto de Proteção Costeira, que
         engloba os Municípios de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda
         e do Paulista, está inserida nos domínios das bacias de Pernambuco e
         Paraíba.


         Mapa de localização das bacias de Pernambuco e
         Paraíba com ênfase nos seus limites estruturais




                                                 Fonte: Barbosa & Lima Filho (2006).
47
Essas bacias possuem características estrutu-      do Gelo, ocorreram diversas glaciações, que
rais, geocronológicas e estratigráficas diferen-   representaram eventos de variações climáticas
tes, as quais refletem o processo de formação      extremas e que repercutiram sobre todos os
diferenciado. As bacias de Pernambuco e Pa-        ambientes terrestres.
raíba se relacionam geneticamente ao processo
de rifteamento que afetou o paleocontinente        A sedimentação de ambientes costeiros está di-
de Gondwana durante o Cretáceo Inferior. A         retamente relacionada às variações do nível do
bacia de Pernambuco seria controlada por           mar, ao espaço de acomodação e ao suprimen-
um sistema de falhas normais, com direção          to sedimentar. O nível do mar sofre variações ao
principalmente NE, e falhas de transferência,      longo do tempo geológico, de ordem global, de-
predominantemente, de direção NW, sendo            vido à eustasia que é consequência da variação
que ambas definem um eixo principal de dis-        de volume de água dos oceanos, decorrente de
tensão (s3) de orientação NW. A bacia Paraíba      glaciações e deglaciações, e variações na capa-
sofreu eventos tectônicos diferenciados dos        cidade reservatória dos oceanos, causadas pela
fenômenos ocorridos nas bacias adjacentes ao       dinâmica das placas tectônicas. Localmente ou
norte e ao sul (Barbosa, 2004 apud Asmus &         regionalmente, o nível do mar se modifica devi-
Carvalho, 1978). A preservação de uma ligação      do à isostasia. A costa brasileira foi submetida,
(landbridge) entre a África e a América do Sul,    durante o Quaternário, a diversas oscilações do
durante o Cretáceo Superior (Barbosa, 2004         nível do mar que ficaram registradas em teste-
apud Rand, 1985; Rand & Mabesoone, 1982)           munhos fósseis. Grande parte desses registros
possivelmente é responsável pela diferenciação     fósseis foi submetida a estudos, utilizando
entre a bacia Paraíba e as bacias de Alagoas,      métodos de datação isotópicos, paleontológi-
Pernambuco e Potiguar. Conforme Barbosa &          cos, arqueológicos para definição da idade de
Lima Filho (2006), a bacia Paraíba comparti-       formação do registro.
menta-se em sub-bacias que se baseiam nas
principais feições tectônicas da área.             Geomorfologicamente, a área de estudo
                                                   apresenta-se inserida em um único domínio
A sub-bacia Olinda é limitada pelo Lineamento      morfoestrutural denominado de Domínio Rifte.
Pernambuco e pela falha de Goiana; a sub-          Ela se apresenta, de modo geral, em dois
bacia Alhandra/Miriri é limitada pela falha de     conjuntos distintos de relevo: o relevo semi-
Goiana e o Lineamento Paraíba. O período           plano e o relevo ondulado. O relevo semi-plano
geológico conhecido como Quaternário com-          encontra-se na porção Leste, com maior
preende as Séries do Pleistoceno e Holoceno,       presença no município do Recife, englobando a
esses inseridos na Era Cenozóica. Nesse espa-      área de planície flúvio-costeira, os tabuleiros e
ço temporal, também conhecido como a Era           os terraços. É onde predomina as áreas baixas
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     e ocupa a maior parte da área de estudo. O         de extrema importância em análises meteo-
     relevo ondulado ocupa uma pequena porção           rológicas e climatológicas em zonas costeiras.
     da área e é formado por morros e colinas, com      Verifica-se que o semestre mais chuvoso
     declividades acentuadas.                           corresponde aos meses de março a agosto, e o
                                                        mais seco ao período de setembro a janeiro. Os

     Condições                                          meses mais chuvosos correspondem a maio,
                                                        junho e julho com precipitação de 295mm,
     meteorológicas                                     362mm e 301mm, respectivamente. Outubro e

     hidrodinâmicas                                     novembro são os meses mais secos com preci-
                                                        pitação inferior a 40mm.

     As condições meteorológicas e o clima são
     influenciados por características geográficas
     como oceano, latitude, relevo, solo e por siste-
     mas de circulação atmosféricos dinâmicos. A
     orla marítima dos quatro municípios analisados
     está situada em posição geográfica favorável à
     atuação simultânea dessas influências, prin-
     cipalmente das variáveis atmosféricas como
     vento e pressão atmosférica, que provocam
     alterações no nível do mar costeiro, afetando de
     forma considerável as cidades localizadas na
     linha de costa.
     A precipitação se apresenta como uma variável
49
Climatologia da precipitação média mensal em Olinda, Recife e
Jaboatão dos Guararapes.




Com relação a vento, na faixa litorânea de Per-
nambuco verificou-se que os maiores valores
                                                    Praias
em intensidade foram observados no setor
                                                    As praias são depósitos de sedimentos, co-
leste, fator esse que está associado à atuação
                                                    mumente arenosos, acumulados pela ação
dos ventos alísios de sudeste, devido o deslo-
                                                    das ondas, ventos e marés (MUEHE, 2009).
camento da Alta Subtropical do Atlântico Sul.
                                                    Representam um elemento natural de prote-
Os meses de novembro, dezembro e janeiro
                                                    ção ao litoral. O perfil transversal de uma praia
apresentam direção predominante de leste
                                                    varia com o ganho ou perda de sedimentos, de
com intensidade de 3 a 5m/s em novembro e
                                                    acordo com o nível de energia das ondas e com
dezembro, e 2 a 3m/s em janeiro. Em fevereiro
                                                    a alternância de tempo bom (acumulação) no
e março, há um aumento na magnitude do
                                                    prisma subaéreo ou de tempestade (erosão),
vento com valores em torno de 3 a 4m/s e uma
                                                    com a retirada de sedimentos do perfil subaé-
pequena mudança na direção do vento que
                                                    reo para o perfil submerso, ocorrendo à erosão.
passa de Leste para Sudeste. Nos meses de
abril, maio, junho, julho, agosto, setembro e ou-
                                                    O ambiente praial, segundo Reading e Collin-
tubro, a direção é de sudeste com intensidade
                                                    son (1996), consiste em dunas frontais,
de 5 a 6m/s, com exceção dos meses de abril e
                                                    pós-praia, praia e antepraia. As dunas frontais
outubro com velocidade entre 4 a 6m/s.
50




     limitam-se com a pós-praia na parte inferior da    ta. Foi utilizada a nomenclatura morfológica e
     escarpa. A pós-praia situa-se acima da linha da    hidrodinâmica sugerida por Hoefel (1998) para
     preamar, sendo atingida pela ação das ondas        a definição da divisão do perfil praial.
     em ocasião de tempestades. Praia ou estirâncio
     está situada entre o limite superior da preamar    O monitoramento realizou 460 nivelamentos
     e o limite inferior da baixamar. A antepraia       topográficos, distribuídos em 28 perfis localiza-
     compreende a parte submersa do perfil e se         dos em Jaboatão dos Guararapes, nas praias
     delimita com a praia no nível da maré baixa,       de Barra de Jangadas (01), Candeias (02) e
     estendendo-se em direção offshore, até onde        Piedade (02); no Recife, nas praias da Boa Via-
     não há remobilização dos sedimentos. Os            gem (04) e do Pina (01); em Olinda, nas praias
     fatores que influenciam na construção e na         dos Milagres (01), do Carmo (03), do Bairro
     variação de um perfil praial são condições de      Novo (03), de Casa Caiada (02) e do Rio Doce
     energia das ondas, o tipo de arrebentação, o       (02); no Paulista, nas praias do Janga (03),
     sedimento e o seu transporte, que interagem        de Pau Amarelo (01), de Nossa Senhora do
     com as condições hidrodinâmica locais.             Ó (01), de Conceição (01) e de Maria Farinha
                                                        (01).
     Mudanças no ambiente praial podem ser
     medidas por vários métodos, um deles é o           De acordo com o projeto MAI, os resultados ob-
     método topográfico convencional, tal como o        tidos durante o monitoramento correspondem:
     teodolito (BIRD, 1996). Esses métodos podem
     avaliar e monitorar o avanço ou a recessão da      •	 Jaboatão dos Guararapes apresentou um
     linha de costa ao longo do tempo (LARSON e            balanço sedimentar positivo para os perfil
     KRAUS, 1994; CLARK e ELIOT, 1988; LACEY e             1 (42,4m3/m), perfil 4 (28,5m3/m) e um
     PECK, 1998; SWALES, 2002; ANFUSO e DEL                balanço negativo para o perfil 2 no valor
     RIO, 2003). O nivelamento topográfico tem por         de 16,5m3/m, para o perfil 4 na ordem
     finalidade verificar a variabilidade vertical do      de 22m3/m. O município do Jaboatão dos
     perfil praial, se há uma tendência erosiva ou         Guararapes apresentou em sua região cen-
     deposicional no ambiente.                             tral um déficit de sedimentos, porém os
                                                           perfis 2 e 3 apresentaram o menor volume
     O projeto Monitoramento Ambiental Integra-            de sedimentos;
     do (MAI) foi realizado no ambiente praial da       •	 No Recife, os perfis apresentaram um
     Região Metropolitana do Recife (RMR), nos             balanço sedimentar positivo, considerando
     anos de 2006 e 2007. O nivelamento dos perfis         a diferença no volume sedimentar entre
     foi determinado a partir de uma Referência de         o primeiro mês monitorado e o ultimo
     Nível (RN) perpendicularmente à linha de cos-         mês. São observados os seguintes valo-
51
   res PR1 (7,4m3/m); PR2 (13,7m3/m);           A análise sedimentar fornece subsídios para
   PR3 (9,6m3/m); PR4 (12,1m3/m); PR5           a correlação entre as características texturais
   (+17,8m3/m). Entretanto, Gregório e Arau-    dos sedimentos e dos vários ambientes, que
   jo (2008) realizaram um monitoramento        compõe a dinâmica deposicional, e estabele-
   por um período mais longo nas praias de      cer parâmetros utilizáveis na identificação e
   Boa Viagem e do Pina, entre os anos de       característica do ambiente (SUGUIO, 1973).
   2001 a 2005, e constataram uma maior         Segundo a classificação de WENTWORTH
   variação no volume de sedimentos nos         (1922 apud MUEHE, 1996) são classificados
   extremos das praias, inclusive na praia do   em: cascalho (-1 Φ), areia muito grossa (-1 a 0
   Pina, e no perfil ao norte da obra de con-   Φ), areia grossa (0 a 1 Φ), areia média (1 a 2 Φ),
   tenção (enrocamento);                        areia fina (2 a 3 Φ), areia muito fina (3 a 4 Φ).
•	 Em Olinda, apresentaram um balanço sedi-     O tamanho do grão depende da natureza do
   mentar positivo os perfis PO1 (7,46m3/m),    material envolvido, do tempo e da distância do
   PO2b (13,10m3/m), PO2c (6,85m3/m             transporte.
   ), PO5 (17,59m3/m), PO6 (3,10m3/m ),
   PO7 (3,00m3/m), PO8 (4,10m3/m ); e           A metodologia utilizada pelo MAI foi a classi-
   um balanço sedimentar negativo (Figura       ficação proposta por FOLK e WARD (1957).
   8.6-2) para os perfis PO2a (0,69m3/m),       Os dados foram processados no software
   PO3 (19,98m3/m), PO4 (9,49m3/m ) e           SYSGRAM, sendo utilizado o tamanho médio
   PO9 (2,00m3/m). Os perfis localizados        do grão. Para os perfis de Jaboatão dos Gua-
   na praia do Carmo se encontram em uma        rarapes predominou areia fina nos perfis PJ1
   saliência, que corresponde aos vestígios     e PJ2 e PJ5, na parte extremas do segmento
   da ponte utilizada para a construção do      Jaboatão; e em sua parte central PJ3 e PJ4
   quebra-mar, aumentando o volume sedi-        foi observado areia média. No Recife, há uma
   mentar da parte superior do perfil;          predominância de areia fina em todo o arco
•	 No Paulista, os resultados apresentaram      praial. Em Olinda, verificou-se a presença de
   um balanço sedimentar positivo nos perfis    areia grossa em todos os perfis; porém o perfil
   PA1 (28,46m3/m), PA2 (0,28m3/m), PA3         PJ3 apresentou uma maior variação de areia
   (13,26m3/m), PA4 (27,06m3/m), PA5            média a grossa. Em relação ao município do
   (12,57m3/m), PA7 (11,07m3/m); e um           Paulista, há predominância de areia média,
   balanço sedimentar negativo para o perfil    sendo observado também uma variação de
   PA6 (48,33m3/m).                             areia fina a média, principalmente nos perfis
                                                nos perfis PA4 e PA5, correspondendo à parte
                                                central segmento.
52




     Variação volumétrica dos perfis topográficos do município de Olinda




                                                   Fonte: MAI (2009).
53
Plataforma                                           arenosos, marcas de ondas e os tipos de se-
                                                     dimentos (areia, cascalho ou lama). Os dados

Interna                                              batimétricos descritos possibilitaram uma análi-
                                                     se de reconhecimento preliminar da morfologia

A plataforma continental de Pernambuco é             da plataforma interna da região estudada. Os

caracterizada por uma largura média de 34km,         dados compilados de outros projetos foram

variando aproximadamente de 30km no trecho           interpolados e com isso foi gerado um modelo

sul a 40km no extremo norte. Possui um relevo        digital de terreno para a referida área (ver figura

suave, com a quebra da plataforma na faixa de        a seguir).

60metros de profundidade (Araújo et al. 2004).
                                                     A morfologia de fundo na área estudada

O levantamento batimétrico detalhado permitiu        influencia de forma significativa os processos

a visualização das variações da profundidade,        hidrodinâmicos que ocorrem na região, tais

bem como a morfologia da plataforma con-             como a dinâmica das correntes, a incidência

tinental interna na área pesquisada. Sendo           das ondas e o transporte sedimentar. Portanto,

assim, foi possível identificar as principais fei-   são informações imprescindíveis para a com-

ções, tais como os arenitos de praia, os bancos      preensão dos problemas de erosão costeira que

arenosos, os paleocanais e os leitos planos e        atinge a Região Metropolitana do Recife.

com declives pouco acentuados.
                                                     Ao analisar o comportamento dos sedimentos

De forma geral, foi possível observar que a          do ambiente praial e da plataforma continental

plataforma interna dos municípios de Olinda          interna do Recife, Gregório (2009) observou

e, particularmente, do Paulista apresentam           uma forte influência da presença da linha de

gradientes suaves em direção offshore, com           arenito de praia, na distribuição e transporte

profundidade máxima em torno de 19m. Na              dos sedimentos. Os sedimentos encontrados no

plataforma interna dos municípios do Recife          ambiente praial são constituídos, em sua maio-

e de Jaboatão dos Guararapes, os valores de          ria, por areia fina a muito fina. Entre o ambiente

profundidade variam abruptamente e a mor-            praial e a primeira linha de arenitos de praia

fologia é mais acidentada, com presença de           submersos, que corresponde à área do canal, a

paleocanais e diversas linhas de arenitos de         predominância é de areia muito fina. Depois da

praia. A área da plataforma interna mostra           linha de arenito de praia, há uma variação de

várias estruturas e feições na superfície do         areia grossa a cascalho, com presença predo-

fundo marinho, representada por três linhas de       minante de areia grossa, e com maior teor de

arenitos de praia, além de paleocanais, bancos       carbonato de cálcio.
54




     A característica marcante desse fundo marinho     No município de Jaboatão dos Guararapes,
     é a primeira linha de arenito de praia submerso   implantaram-se estruturas do tipo guia corren-
     que serve como um divisor entre os sedimen-       te, espigões, enrocamentos aderentes e muros,
     tos.                                              desde a margem esquerda do rio Jaboatão até
                                                       as praias de Piedade e Candeias (MAI, 2009).

     Presença de                                       O resultado é um litoral que contempla em
                                                       cerca de 20% de sua faixa com algum tipo de
     obras costeiras                                   obra costeira de proteção, em que se destacam
                                                       estruturas rígidas perpendiculares à praia – de-
     Nas últimas décadas, diversas obras de con-       nominada de espigões; assim como na praia de
     tenção da linha de costa vêm sendo implan-        Candeias encontra-se o enrocamento aderente
     tadas, no sentido de reduzir o problema de        formado por blocos de pedras (ARAÚJO, 2001
     erosão costeira. No entanto, os resultados        apud MOURA et al., 2010).
     dessas intervenções nem sempre tiveram
     êxito, acarretando um ambiente praial bastante    Em 1994, na Praia de Boa Viagem, no Reci-
     modificado, e, em alguns trechos, transferência   fe, foram construídas obras de contenção em
     do processo erosivo para praias vizinhas (MAI,    razão do processo erosivo que destruiu parte
     2009).                                            do calçadão. Essa obra consistiu na colocação
55
de pedras-rachão e sacos de areia. No entanto,   A ampliação do Porto do Recife e a constru-
o problema da erosão continuava e realizou-se    ção das obras de defesa do litoral de Olinda
outro estudo que indicou que a obra mais ade-    modificaram o balanço sedimentar costeiro
quada à proteção da praia seria o revestimento   original nessa zona, aparentemente provocando
com blocos naturais, atualmente encontrada,      uma aceleração da erosão no litoral de Pau-
em contraposição à restauração com reposi-       lista. Para contenção da erosão no município,
ção de areia e utilização mista de espigões e    implantou-se um sistema de quebra-mares
quebra-mares (MAI, 2009).                        associados a espigões, que posteriormente am-
                                                 pliados. Recifes naturais submersos serviram
A ocupação do espaço litorâneo olindense com     de suporte para o sistema de quebra-mares.
obras de proteção costeira contra o avanço do    As modificações ocorridas na praia do Paulista
mar data de 1950. A posição da linha de costa    ocasionaram a formação de saliências e um
de Olinda, entre 1915 e 1950, experimentou       tômbolo na zona de sombra dos quebra-mares
um recuo de aproximadamente 80 metros, o         (MAI, 2009). As obras costeiras ao longo dos
que resultou em um intenso processo erosivo,     municípios da RMR, identificadas no relatório
principalmente nas praias dos Milagres, do       do projeto (MAI, 2009).
Carmo e de São Francisco (CARNEIRO, 2003).
As mudanças decorrentes da ampliação do          Na zona costeira dos quatro municípios, cons-
Porto do Recife, entre os anos de 1909 e 1917,   tatam-se 19 áreas com intervenções, algumas
assim como da Base Naval do Recife, concluí-     ilustradas e descritas, com as estruturas cos-
das em 1948.                                     teiras e respectiva descrição ao longo da orla
                                                 dos municípios de Jaboatão dos Guararapes,
Atualmente, a zona costeira do município de      Recife, Olinda e Paulista-PE, o tipo de obra
Olinda apresenta dez quebra-mares paralelos à    costeira, sua localização, o tamanho, a função,
linha de costa, 34 espigões perpendiculares e    o resultado e a similaridade (CPEB, 2011, v1).
diversos trechos com enrocamentos aderentes.
Diversas obras vêm sendo eficientes na prote-    Na orla do município de Jaboatão dos Guarara-
ção do patrimônio urbanístico, assim como na     pes, prevalecem obras de proteção do terreno,
fixação da linha de costa. Contudo, na época     ou seja, as intervenções adotadas são, princi-
de sua instalação, não havia a valorização       palmente, as do tipo enrocamentos aderentes
econômica sustentável do uso da praia direcio-   e muros. São obras que têm por objetivo a
nado tanto para o turismo quanto para o lazer    proteção do terreno, por meio da fixação da
(CPEB, 2011, v1).                                “linha de costa”, em detrimento da faixa de
                                                 praia (MAI, 2009). As estruturas se distribuem
                                                 da seguinte maneira: 3.260m de enrocamentos
56




     e muros (74%); 530m de espigões e molhes          costeira municipal. As estruturas têm a se-
     (12%) e 600m de quebra-mar (14%) (CPEB,           guinte configuração: 1.700m de enrocamentos
     2011, v1).                                        e muros (22%); 250m de espigões e molhes
                                                       (3%); e 5.660m de quebra-mares, 75% (MAI,
     No Recife, a principal estrutura costeira é um    2009).
     enrocamento com 2.100m de comprimento
     na praia de Boa Viagem e outro de 1.340m na       O litoral do município de Paulista tem o mes-
     praia de Brasília Teimosa (MAI, 2009). Entre      mo modo de proteção do terreno, na forma
     1900 e 1912, realizaram-se obras de ampliação     de enrocamentos, espigões e quebra-mares.
     do Porto do Recife a fim de protegê-lo de ações   Contudo, os quebra-mares vêm protegendo
     causadas pelas ondas. Entre elas, destacam-       parcialmente a linha de costa apesar de sua
     se o prolongado do quebra-mar natural e a         altura bastante elevada. Encontra-se nesse
     construção dos recifes paralelos à costa, que     trecho obra de engordamento da praia, aliada à
     atingiram 4 km de comprimento; além de            construção dos quebra-mares; contudo utiliza-
     construído o molhe de Olinda com 800m e o         ram sedimentos de composição e granulome-
     quebra-mar do Branco Inglês com 1.150m de         tria inadequados, causando, assim, os focos
     extensão (CPEB, 2011, v1).                        de erosão, instalados em alguns trechos desse
                                                       litoral (MAI, 2009). As estruturas têm a seguin-
     A zona costeira de Olinda apresenta-se com        te distribuição: 1.850 metros de enrocamentos
     obras de proteção do terreno, constituída de      e muros (40%); 280m de espigões e molhes
     enrocamento, espigões e quebra-mares que          (6%); e 2.520m de quebra-mares, 54 % (MAI,
     estabilizaram e protegeram eficientemente essa    2009).


     Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira 001,
     002 e 003 no estuário do rio Jaboatão, Jaboatão dos Guararapes - PE




                                                                                 Fonte: MAI (2009, v. 1)
57
Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira 004,
005, 006, 007 e 008 na praia de Candeias, Jaboatão dos Guararapes –
PE




                                                     Fonte: MAI (2009, v. 3)


Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira 008
e 009 na praia de Candeias, e estrutura 010 na praia de Piedade,
Jaboatão dos Guararapes - PE




                                                     Fonte: MAI (2009, v. 1)

Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira e
detalhe do enrocamento presente na praia de Boa Viagem, Recife - PE




                                                     Fonte: MAI (2009, v. 1)
58




     Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira e
     detalhe das estruturas presentes na praia de Brasília Teimosa, Recife -
     PE




                                                             Fonte: MAI (2009, v. 1)

     Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira
     presentes na praia dos Milagres e do Carmo (013), e na praia do Bairro
     Novo (014), Olinda - PE	




                                                             Fonte: MAI (2009, v. 1)
59
Vulnerabilidade                                      linha de costa de 2008 foi realizada através de
                                                     caminhamento, com o uso de equipamentos

a erosão                                             (Global Positioning Systm) geodésicos, no modo


costeira                                             relativo cinemático (MENDONÇA, 2005). O ano
                                                     de 1974 foi considerado o ano mais antigo e o
                                                     ano de 2008 o mais recente. A linha de costa
A orla costeira é a estreita faixa de contato da
                                                     (última maré) e os limites da zona de interesse
terra com o mar na qual a ação dos processos
                                                     (a primeira linha de edificação) foram vetoriza-
costeiros se faz sentir de forma mais acentu-
                                                     dos em formato shapefile e organizados numa
ada e potencialmente mais crítica à medida
                                                     base de dados geográficos (Geodatabase).
que efeitos erosivos ou construcionais podem
alterar sensivelmente a configuração da linha
                                                     A área de estudo foi dividida em segmentos
de costa. Representa também uma faixa na
                                                     assim distribuídos: Jaboatão dos Guararapes
qual a degradação ambiental por destruição da
                                                     (05), Recife (04), Olinda (12), Paulista (08),
vegetação e construção de edificações se torna
                                                     totalizando 29 segmentos (ver figura na página
extremamente evidentes (MUEHE, 2001).
                                                     seguinte). Para a divisão dos segmentos foram
                                                     considerados suas características naturais e
O termo vulnerabilidade é frequentemente
                                                     antrópicas, bem como a presença ou não de
empregado na área de geociências associados
                                                     obras de contenção. Sendo que, essas não
ao desastre e incidência de fenômenos natu-
                                                     foram calculadas por estarem imobilizadas.
rais (MAZZER, 2007). Nas últimas décadas,
especial importância tem sido dada a estudos
                                                     Segundo o projeto MAI, para a análise da vul-
relacionados com a evolução do litoral e da
                                                     nerabilidade, foi utilizado um número reduzido
linha de costa. Segundo Gornitz et al. (2002),
                                                     de variáveis, a fim de reproduzir o principal
a vulnerabilidade é o estudo em uma grande
                                                     processo de dinâmica de linha de costa local,
extensão territorial e de um volume de dados,
                                                     como por exemplo, à susceptibilidade da praia
que considerem como fatores aqueles ligados
                                                     em ser impactada pelas taxas de avanço da
diretamente aos processos costeiros.
                                                     ocupação, bem como, atual largura da pós-
                                                     praia.
Nos estudos realizados pelo projeto MAI sobre
a vulnerabilidade dos municípios do Jaboatão
                                                     Os segmentos foram identificados ou classifica-
dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Pau-
                                                     dos segundo o seu grau de vulnerabilidade de
lista foi utilizada a linha de costa digitalizada,
                                                     baixo a muito alto, bem como, o termo con-
de 1974, bem como a linha de costa do ano de
                                                     dicional e não avaliado para o diagnostico do
2008, totalizando um período de 34 anos. A
60




     grau de vulnerabilidade. O desenvolvimento do      Os segmentos Candeias e Piedade Sul (Ja-
     sistema praial pode ser alterado com a influ-      boatão dos Guararapes); Casa Caiada III, Rio
     ência de edificações em uma de suas regiões,       Doce II (Olinda); Enseadinha, Pau Amarelo,
     como por exemplo, muitas dessas construções        Conceição e Maria Farinha (Paulista) apresen-
     se localizam na região da pós-praia, alterando a   taram grau de vulnerabilidade alto, indepen-
     sua largura e dinâmica. Isto permite que esses     dentemente da utilização da zona de interesse
     ambientes alterem a sua vulnerabilidade.           ou não. Os segmentos que apresentaram baixa
                                                        vulnerabilidade nas duas condições foram
     Duas projeções foram realizadas pelo projeto       Piedade Norte II, Casa Caiada I, Rio Doce IV,
     MAI, com a finalidade de identificar o grau        localizados no município de Olinda. E outros
     de vulnerabilidade das praias em estudo. Na        segmentos que apresentaram um alto grau de
     primeira projeção, foi desconsiderado o des-       vulnerabilidade considerando a zona de interes-
     locamento da zona de interesse e a segunda         se, como por exemplo, no segmento Barra de
     considerando o deslocamento da zona de inte-       Jangadas (Jaboatão), Boa Viagem Sul (Recife),
     resse. Consta no relatório do projeto MAI, uma     Enseadinha Quebra-mar, Nossa Senhora do Ó,
     estimativa para a largura da pós-praia de 30m      Pontal de Maria Farinha (Paulista).
     para os próximos 20 anos.
61
Extensão aproximada dos segmentos (m) considerados para o estudo




                                                                                 Fonte: MAI (2009)




Análise da linha                                  A sua posição resulta da interação entre agen-


de costa                                          tes costeiros tais como ondas, marés e outros.
                                                  As modificações na configuração da linha de
                                                  costa podem ocorrer em escalas de tempo
A linha de costa corresponde ao limite entre o
                                                  variadas: diárias, mensais, sazonais e seculares
continente e o oceano, é uma região dinâmica
                                                  (ESTEVES, 2002).
e sofre constantes mudanças em relação ao
continente ou em relação ao oceano. Quando
                                                  Em praias arenosas, a linha de costa é utilizada
ela avança em direção ao oceano, fala-se que
                                                  pelo homem para diversos fins, destacando
a linha de costa progradou. Se a linha de costa
                                                  aqueles de natureza recreacional e turística.
se desloca em direção ao continente, houve
                                                  A crescente demanda por tais usos nos mu-
uma retração.
62




     nicípios litorâneos induz muitas vezes a um         se encontra em uma situação que pode ser
     desenvolvimento sem planejamento, desconsi-         considerada grave, no que se refere ao pro-
     derando a natureza móvel e dinâmica da linha        cesso erosivo, tendo em vista que a erosão se
     de costa (MAZZER e DILLENBURG, 2009).               faz presente na maior parte do litoral, tem se
                                                         intensificado e tende a se agravar no futuro
     A metodologia utilizada pelo projeto MAI, para      (MAI, 2009).
     o estudo da linha de costa dos municípios do
     Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda       Utilizando uma serie temporal de 36 anos, a
     e do Paulista foi realizada através do geopro-      Coastal Planning & Engineering do Brasil (CPE,
     cessamento no programa ArcGiz 9.1. O ano            2011) investigou o deslocamento da linha de
     de 1974 digitalizado foi considerado o ano          costa, através da posição da linha da berna e
     mais antigo e o ano de 2008 o mais recente,         onde a linha de costa se encontra fixada por
     totalizando um período de 34 anos. O estudo         estruturas rígidas, estas foram consideradas
     da linha de costa, MAI (2009) foi vetorizada        como o indicador. O estudo foi realizado com
     em formato shapefile e organizada numa base         fotografias áreas do ano de 1974 e as imagens
     de dados geográficos (Geodatabase). Segundo         do Google Earth® de 2007 e 2010. A área foi
     este projeto o deslocamento da linha de costa       dividida em quatro setores: (i) Paulista, (ii) Olin-
     dos municípios do Jaboatão dos Guararapes,          da, (iii) Recife e (iv) Jaboatão dos Guararapes.
     Recife, Olinda e Paulista foram os mesmos           A taxa de deslocamento da linha foi realizada
     seguimentos da zona de interesse, bem como a        entre o ano de 1974 e 2007, e entre 1974 e
     linha de costa também foi utilizada para saber      2010, e a incerteza associada.
     a distancia entre esta linha e a zona de interes-
     se para o calculo da vulnerabilidade.               Segundo a CPE (2011), em Jaboatão dos
                                                         Guararapes, no período entre 1974 e 2007,
     Os resultados obtidos nos valores médios para       houve progradação da linha de costa ao norte
     o deslocamento da linha de costa estão repre-       da área, e apresentou um deslocamento posi-
     sentados na figura a seguir. Os segmentos que       tivo no valor médio de 0,45m/ano. No período
     apresentaram os maiores deslocamentos se            entre 1974 a 2010, uma variação média de
     encontram ao norte e ao sul da área de estudo,      0,47m/ano. Na parte central do município, a
     isto pode ser explicado pela presença de um         linha de costa se encontra fixada por obras de
     maior numero de segmento na parte central da        contenção, do tipo enrocamento, bem como o
     área que corresponde ao município de Olinda.        trecho entre os transectos 124 e 146 mais ao
     Exceto no segmento de Casa Caiada I, que            sul. Porém, é observada entre as duas obras
     apresentou um deslocamento maior para este          de contenção uma progradação da linha de
     município. A Região Metropolitana do Recife         costa, com valores médios de 1,33 m/ano. Para
63
o período entre 2007 a 2010, observa-se uma       Foram observados trechos em progradação na
retração da linha de costa entre as obras de      zona de sombra dos quebra-mares. Em direção
contenção e ao norte destas.                      ao sul da área, exceto a praia de Del Chifre, a
                                                  linha de costa se encontra fixada por obras de
Segundo a CPE (2011), no Recife, o trecho         contenção. Segundo a CPE (2011), a linha de
compreendido entre a praia do Pina e o norte      costa da praia de Del Chifre sofreu um proces-
da praia da Boa Viagem, entre o período de        so rotacional e apresentou uma retração em
1974 a 2007, a linha de costa progradou em        sua direção norte e progradação ao sul.
uma taxa de 0,43m/ano, apresentando-se
estável no segmento seguinte, para o mesmo        Segundo a CPE (2011), para o município do
período. Mas ao sul da área a linha de costa      Paulista, entre 1974 a 2010, o pontal arenoso
apresentou retração com uma variação média        ao norte sofreu progradação (2,22m/ano). A
em torno de 0,55m/ano, bem como, entre            partir deste trecho, observa-se uma retração da
2007 e 2010, no valor médio de 4,00m/ano.         linha de costa, a partir de 1974 (0,26m/ano).
No extremo sul, a linha de costa se apresentou    Esse mesmo seguimento se apresenta estável,
estável.                                          entre 2007 e 2010. Na direção sul do muni-
                                                  cípio, a linha de costa apresentou variações
Entre o ano de 1974 e 2007, em Olinda, ao         de progradação e retrogradação, causando
norte da área, a linha de costa sofreu retração   avanços e recuos. Do centro em direção ao sul,
até ser fixada por obras de contenção, apre-      a linha de costa, encontra-se fixada por obra de
sentado uma variação média de 13,32m (CPE,        contenção. Para o período entre 2007 a 2010,
2011), exceto próximo a desembocadura do rio      a maior progradação também ocorreu ao norte
Paratibe. Onde a linha de costa não foi fixada,   da área e uma retração é evidenciada nos últi-
apresentou uma progradação em torno de            mos transectos devido à fixação do rio Paratibe.
0,35m/ano.
64




     Resultados dos valores médios do deslocamento da linha de costa para
     os municípios do Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista




                                                                                     Fonte: MAI (2009)




     Perfis topo-                                      tria usada para a modelagem numérica das
                                                       condições atuais e alternativas (CPE, 2011). O

     batimétricos                                      quadro a seguir faz um resumo por trecho de
                                                       praia x comprimento x espaçamento x números

     Segundo CPEB (2011), os resultados obtidos        de perfis. O gráfico ilustra um exemplo de uso

     na medição dos perfis topo-batimétricos ao        de dados topo-batimétricos complementados,

     longo da Região Metropolitana do Recife foram     neste caso para um perfil de Jaboatão dos Gua-

     complementados com os dados fornecidos pela       rarapes. Em vermelho, a linha representando o

     SECTMA e UFPE coletados durante a execução        que foi medido pela CPE (2010). No caso algu-

     dos projetos MAI (2009) e MAPLAC (2010). Os       ma porção do perfil não medida, usou-se dados

     procedimentos adotados garantiram a cober-        complementares dos perfis medidos durante os

     tura de dados com alta exatidão para toda a       projetos MAI (2009) e MAPLAC (2010).

     área estudada, onde os perfis serviram para o
     desenvolvimento das alternativas de projetos de
     engenharia, e para a interpolação da batime-
65
Perfis Topo-Batimétricos

Trecho de Praia 	        Comprimento(m)		   Espaçamento(m)          Número de Perfis	       Observações
Boa Viagem	              6000			            300			                  20		                Praia aberta sem
estruturas 										                                                                   com muros de contenção
										                                                                              e enrocamentos
Del-Chifre ao início 	   1700 			           300			                  6		                 Praias com
dos espigões 									                                                                  espigões e quebra-mares
de Olinda		                										
Espigões de Olinda	      1900			            300			                  6		                 Praia com diversos
										                                                                              espigões curtos
Longos 		                4100			            300			                  14		                Praia com muitos
quebra-mares 									                                                                  quebra-mares
(Olinda)	
Janga a Pau Amarelo 	 2500			               300			                  8		                 Praia aberta convexa
(Paulista)										                                                                    com recife. Erosão
acentuada
Marinha Farinha 	        1800			            300			                  6		                 Área próxima a
(Paulista)		             (Paulista)										
desembocadura do rio Timbó




Definição e pro-                                      dos quais podemos obter a altura significativa,
                                                      período de pico e direção como uma relação

pagação do re-                                        do espectro, que descreve o cenário geral


gime de ondas                                         das condições de onda em um determinado
                                                      momento. Porém, o espectro é composto mais
                                                      detalhadamente, com energia de ondas for-
No presente estudo é apresentado o procedi-
                                                      madas por ventos locais em uma determinada
mento adotado para obtenção da onda, o qual
                                                      região e grupos de ondas originários de locais
envolve a geração e análise de dados de ondas
                                                      afastados, que se unem aos ventos locais desta
em águas profundas, propagação de ondas
                                                      região para compor a totalidade de energia
em águas rasas através do emprego de mode-
                                                      contida em um espectro. Desta forma, quan-
lo numérico. Para isso, utilizaram-se modelos
                                                      do se caracteriza um clima de ondas de uma
de onda, como o WAVEWATCH III ou WWIII
                                                      região, é necessário ter conhecimento de suas
(TOLMAN, 2002) desenvolvido pela NOAA/
                                                      características de formação.
NCEP (National Ocean and Atmosphere Ad-
ministration/National Centers of Environmental
                                                      Os dados utilizados para análise e caracteriza-
Prediction). É um modelo espectral, que simula
                                                      ção do regime de ondas em águas profundas,
processos de geração e propagação de ondas
                                                      obtido a partir do modelo WWIII, foram extra-
em águas profundas, com base em dados
                                                      ídos do elemento da grade de cálculo situado
66




     nas coordenadas 8°S e 034°W (Datum SIR-          Dados analisados pelo MAI (2009) apresentam
     GAS-2000), a uma profundidade de aproxima-       séries temporais obtidas para a área de estudo
     damente 2000m, para o período compreendido       com ondas de gravidade com alturas significati-
     entre 30 de janeiro de 1997 e 1º de março de     vas médias de 0,60 a 0,97m nas áreas cos-
     2010, com dados a cada três horas. Dados         teiras de Jaboatão dos Guararapes, do Recife
     analisados permitem concluir que as ondas        e de Olinda e de 0,27 a 0,29m no Paulista.
     de águas profundas são predominantemente         Os períodos significativos das ondulações nos
     provenientes de direções entre NNO e SSO         municípios analisadas variaram entre 5,1 e 6,8
     (98,3% dos registros), com alturas de onda va-   segundos. As maiores ondulações ocorreram
     riando entre 0,5 e 4,3m e períodos de 3 a 22s.   na região do Recife, com Hs de 1,57 no perío-
                                                      do de ventos mais intensos.


     Exemplo de uso de dados topo-batimétricos complementados, (um
     perfil de Jaboatão dos Guararapes, PE). Em vermelho está representado
     o que foi medido pela CPE (2010).




                                                                                    Fonte: CEPB,2011
67
Perfis topo-batimétricos medidos em Recife, PE. Coordenadas em
metros UTM. Imagem: Google Earth




                                                         Fonte: CEPB,2011



Fotografia da embarcação Loba do Mar II, utilizada no levantamento
batimétrico




                                                         Fonte: CEPB,2011
68




     Calibração para                                    É necessária a calibração do modelo para


     modelagem                                          se obter sucesso na modelagem costeira. O
                                                        processo de calibração de um modelo numé-

     numérica                                           rico consiste na escolha dos parâmetros mais
                                                        adequados de modo a aproximar os resultados

     A maior parte dos problemas de erosão costeira     simulados dos medidos. A modelagem através

     tem sua causa relacionada à perda sedimen-         de simulação numérica tem-se mostrado de

     tar em longa escala de tempo, que por sua          elevada importância no campo da investigação,

     vez está relacionada à mudança na fonte de         previsões e soluções para problemas dentro do

     sedimento, ou a mudanças na orientação da          ambiente marinho.

     costa devido a construções (LIMA, 2008). Esse
     problema é comum em cidades modernas ou            O uso de modelos numéricos possibilita que,

     de veraneio que tiveram sua linha de costa         depois da calibração em um único (ou alguns

     modelada pelo uso de muros de contenção de-        pontos), possamos extrapolar as informações

     vido à ocupação costeira (BLACK AND MEAD,          para todo o domínio de cálculo. O processo de

     2001). O problema fundamental, nestes casos,       calibração foca na comparação entre os resul-

     é o desequilíbrio entre a orientação da linha de   tados do modelo e observações de campo, de

     costa em relação à orientação média da direção     forma que quanto melhor o ajuste entre estes

     de ondas, a qual governa a direção das corren-     valores, melhor o resultado fornecido pelo mo-

     tes ao longo da costa. São estas correntes as      delo (COASTAL PLANNING & ENGINEERING,

     responsáveis pelo transporte de sedimento que      2010).

     ocasiona a erosão.
                                                        O processo de calibração do modelo numérico

     Uma ferramenta utilizada para o entendimento       Delft3D envolveu comparações entre dados de

     de sistemas costeiros é a modelagem numéri-        marés, ondas e correntes medidos em campo e

     ca. A ideia da modelagem numérica pode ser         simulados. As séries temporais foram medidas

     entendida como a tentativa de explicar nume-       entre o período de 29 de julho de 2009 e 13 de

     ricamente o comportamento ou característica        agosto de 2009 e obtidas no âmbito do proje-

     de um determinado sistema, permitindo-nos          to PROCOSTA (2010). Foram utilizados dois

     dizer se a forma de se tratar um determinado       ondógrafos/marégrafos/correntógrafos InterO-

     sistema é a mais adequada. A ferramenta é          cean S4ADWi, com frequência de amostragem

     extremamente útil.
69
de 2Hz, operando em modo intermitente com        da simulação foram feitas para dois pontos
aquisição de 30 minutos de dados em inter-       diferentes em frente à praia de Boa Viagem, no
valos de uma hora. Os equipamentos foram         Recife. Verifica-se a posição em planta, pro-
fundeados a 1m de distância do fundo do          fundidade e esquema de fundeio dos sensores
mar (COASTAL PLANNING & ENGINEERING,             fundeados nos pontos cujos dados levantados
2011).                                           foram utilizados para calibração (BVE e BVI) e
As comparações das simulações com os dados       também para os pontos cujos dados não foram
de nível do mar, ondas e correntes ao longo      utilizados (CANE, CANI e foz do rio Jaboatão).



Em sentido horário, da esquerda para a direita: localização do fundeio dos sensores S4 na área
do estudo BVI – BVE: praia de Boa Viagem; CANI – CANE: praia de Candeias; FOZ: foz do rio
Jaboatão e os respectivos valores de profundidades (m) de cada estação. Esquema demonstrando a
profundidade e configuração de fundeio dos equipamentos.




                                                                         Fonte: PROCOSTA (2010).
70




     Modelagem                                          mento (conservação do momento), na equação
                                                        de continuidade, equações de transporte para

     com Delft3D                                        constituintes conservativos e um modelo de
                                                        fechamento turbulento. A equação vertical de

     A calibração do modelo numérico Delft3D en-        conservação do momento é reduzida à rela-

     volveu comparações com os dados de marés,          ção de pressão hidrostática e as acelerações

     ondas e correntes medidos em campo, para           verticais são assumidas como sendo pequenas

     dois pontos diferentes em frente à praia de Boa    em relação à aceleração da gravidade. Isso faz

     Viagem, no Recife (Coastal Planning & Engine-      com que o Delft3D-FLOW seja adequado para

     ering, 2011). São descritas as calibrações de      a predição de fluxos em mares rasos, áreas

     marés, ondas e correntes no modelo numéri-         costeiras, estuários, lagos, rios e lagoas.

     co utilizado. Uma breve descrição é dada ao
     modelo numérico Delft3D, desenvolvido pela         O modelo SWAN é baseado na equação de

     Deltares®, em Delft, Holanda, e seus módulos,      conservação da ação de onda e é espectral

     assim como o módulo hidrodinâmico Delft3D-         (em todas as direções e frequências). Isso

     FLOW, o modelo de propagação de ondas              significa que um campo de ondas de cristas

     SWAN, o módulo morfológico Delft3D-Mor,            curtas, randômico, propagando-se simultanea-

     assim como as grades numéricas e batimetria        mente a partir de diferentes direções, pode ser

     utilizados ao longo da costa.                      bem representado. O SWAN calcula a evolu-
                                                        ção de um campo de ondas de cristas curtas

     Para este trabalho foi utilizado o Delft3D. Este   randômico, em águas profundas, intermediá-

     modelo constitui-se em um avançado sistema         rias e rasas, assim como em ambientes com

     de modelos numéricos 2D/3D (duas ou três di-       presença de correntes (e.g. desembocaduras).

     mensões) composto de diversos módulos para         O modelo calcula os processos de refração

     a simulação de processos costeiros complexos,      provocados por correntes ou por mudanças

     tais como geração e propagação de ondas, cir-      na profundidade e representa os processos de

     culação hidrodinâmica, transporte de sedimen-      geração de ondas pelo vento, dissipação por

     tos e mudanças da morfologia.                      whitecapping (“carneirinhos”), fricção com o
                                                        fundo e quebra induzida pela profundidade,

     O módulo hidrodinâmico Delft3D-FLOW resolve        assim como interações não-lineares onda-onda

     um sistema de equações de águas rasas em           (quadruplets e triads), explicitamente, com as

     modo bidimensional (ou integrado em vertical)      formulações que representam o “estado da

     ou tri-dimensional. O sistema de equações          arte” em modelagem de ondas. Ondas bloque-

     consiste nas equações horizontais de movi-         adas por correntes são também representadas
                                                        explicitamente no modelo.
71
As grades numéricas determinam a resolução e       ecobatímetro e utilizaram a mesma metodo-
delimitam as células de cálculo do modelo. As      logia. Além dos levantamentos batimétricos
propriedades e características variam, portan-     realizados durante os projetos MAI (2009) e
to, de acordo com o objetivo proposto, tipo de     MAPLAC (2010), em 2010, a CPE realizou
modelagem aplicada e com a área de estudo.         um levantamento batimétrico da praia média,
Foram criadas três grades numéricas para           antepraia e plataforma interna de Jaboatão dos
realizar a calibração do modelo.                   Guararapes. Esses dados foram coletados com
                                                   o objetivo de subsidiar a elaboração do projeto
Os levantamentos batimétricos (hidrográficos)      conceitual de recuperação da orla do muni-
na área de estudo foram apresentados como          cípio. Maiores detalhes sobre o levantamento
resultados nos relatórios dos projetos MAI         batimétrico podem ser encontrados em Coastal
(2009) e MAPLAC (2010). Ambos os levan-            Planning & Engineering (2011).
tamentos foram realizados com emprego de


Grades numéricas aninhadas: R - Grade regional (branco). I – Grade intermediária (Azul). L – Grade
local (vermelho). As grades foram utilizadas na modelagem e calibração dos modelos. Datum WGS
84, projeção UTM, zona 25 S, coordenadas em metros. Imagem: Google Earth ®.




                                                        Fonte: Coastal Planning & Engineering (2011).
72




     Modelagem do                                        O CPEB (2011) elaborou um modelo acoplado
                                                         aos módulos Delft3D-FLOW e Delft3D-WAVE

     cenário atual                                       para avaliar a propagação de ondas e o sistema
                                                         de correntes gerado nos quatro municípios.
                                                         Foram realizadas medições nos doze tipos de
     Na faixa costeira, entender os processos hidro-
                                                         onda previamente escolhidos, em três níveis de
     dinâmicos constitui atividade indispensável à
                                                         maré, preamar média de sizígia (maré de lua
     ocupação, uso e intervenção. Todas as ações
                                                         cheia ou nova), nível médio e baixa-mar média
     nesses ambientes essencialmente complexos e
                                                         de sizígia. As forçantes foram originadas nos
     dinâmicos devem ser minuciosamente estu-
                                                         tensores de radiação computados pelo modelo
     dadas e testadas. Essas raras paisagens e de
                                                         SWAN (CPEB, 2011).
     variados ecossistemas merecem o máximo de
     atenção para que sua manutenção e diversida-
                                                         O CPEB (2011) acoplou módulos Delft3D-WA-
     de sejam conservadas.
                                                         VE, Delft-3D-FLOW e Delft3D-MOR na análise
                                                         do transporte de sedimentos e de mudanças
     O levantamento dos processos hidrodinâmicos
                                                         morfológicas. Foram utilizados, nessa simula-
     das orlas dos municípios de Jaboatão dos Gua-
                                                         ção, forçantes a maré morfológica e dos doze
     rarapes, do Recife, de Olinda e do Paulista foi
                                                         casos representativos do clima de ondas. Cada
     realizado a partir de dados indiretos obtidos de-
                                                         tipo de onda foi simulado em três ciclos de
     pois de revisão bibliográfica, cartográfica e do-
                                                         maré. Foram registrados, como resultado, os
     cumental. Os estudos encontrados se baseiam
                                                         campos de correntes geradas tanto pela varia-
     principalmente em dois modelos: o de ondas,
                                                         ção de marés quanto pelas ondas, para aferir
     avaliando a hidrodinâmica e o de transporte de
                                                         o transporte de sedimentos. Nesse modelo,
     sedimentos, contendo simulação de orientação
                                                         utilizou-se sedimentos na fração 0,3mm, em
     dos fluxos e direções do transporte de sedi-
                                                         amostras previamente coletadas. Com base em
     mentos pelas mesmas. Esses estudos foram
                                                         imagens aéreas, foram delimitadas as áreas
     realizados em três níveis de maré (MHHW, MSL
                                                         com presença de arrecifes expostos, definidas
     e MLLW), utilizando doze modelos de ondas e;
                                                         no modelo como área sem sedimentos dispo-
     modelo da Morfologia e transporte de Sedimen-
                                                         nível para os processos erosivos. Desse mesmo
     tos, mudanças morfológicas, correntes, trans-
                                                         modo, foram identificadas e classificadas as
     porte de sedimentos e processos de ondas.
                                                         áreas com estruturas antropogênicas (e.g. es-
     Na aplicação desses modelos CPEB (2011),
                                                         pigões, quebra-mares e enrocamentos). Para o
     adotou períodos de estabilização (spin-up time)
                                                         calculo das alterações morfológicas, utilizou-se
     cerca de 745 minutos (um ciclo de maré semi-
                                                         os fluxos de erosão e deposição em cada célula
     diurna) (CPEB, 2011).
                                                         da grade multiplicas pelo fator de aceleração
73
morfológica (morfac) para cada caso de onda.        ondas. As ondas vindas de leste geram corren-
Os resultados foram apresentados de forma           tes longitudinais próximas à praia no sentido
esquemática de 1 e 5 anos respectivamente.          de norte para sul. Já nas ondas proveniente do
                                                    quadrante sul-sudeste, a corrente longitudinal
Os resultados obtidos por CPEB (2011), em           paralela à praia apresenta sentido de sul para
Jaboatão dos Guararapes, mostram que a              norte. Na baixa-mar, as ondas quebram mais
variação do nível de maré influencia significati-   afastadas da costa, devido a menor profundida-
vamente a propagação de ondas e campos de           de dos arrecifes offshore.
correntes geradas por ondas. Durante a baixa-
mar, as ondas quebram nos arrecifes, locali-        Os mapas batimétricos mostram a existência de
zados a offshore, emersos, onde grande parte        uma região com característica deposicional no
da energia é dissipada. Nos períodos de maré        extremo sul da praia de Boa Viagem. Ao norte,
intermediária, parte das ondas não quebra           a praia apresenta erosão da porção subaérea
sobre os arrecifes, atingindo a praia, principal-   e deposição na antepraia, onde o transporte
mente onde os mesmos são mais rebaixados            residual possui sentido sul norte bem próximo
ou nem existem.                                     à costa. Os padrões de erosão e deposição são
                                                    semelhantes nos resultados de 1 e 5 anos, com
Ao analisar os mapas de batimetria inicial e        maior magnitude na simulação de 5 (CPEB,
final, juntamente com os de erosão/sedimen-         2011).
tação, é possível observar que a praia de Barra
de Jangada, a norte da foz do rio Jaboatão,         Em Olinda, os resultados apresentados por
apresenta erosão na porção subaérea do perfil       CPEB (2011) mostram que o nível da maré
e deposição em sua porção subaquosa, praia          influencia significativamente a propagação de
estável, com tendência deposicional em alguns       ondas e os campos de correntes geradas por
pontos. Quando analisado o modelo de 5 anos,        onda. Na maré baixa, os arrecifes localizados
essa tendência a deposição passa de alguns          mais distantes da costa influenciam a quebra
pontos para uma área bem maior (CPEB,               de ondas e dissipam grande parte da energia.
2011).                                              Na maré alta (nível médio de maré e nível
                                                    médio de preamar), a quebra de ondas ocorre
Para o Recife, os resultados obtidos por CPEB       mais próxima à costa.
(2011) mostram que as mudanças de maré
tem tido efeito significativo na quebra de ondas    Na costa do Paulista, os resultados por CPEB
e no campo de correntes gerado por elas. A          (2011) indicam que a variação de maré tam-
configuração de mar prolongado também vem           bém influencia fortemente na quebra de ondas.
influenciando os padrões de circulação de           Na maré baixa, os arrecifes que estão na região
74




     offshore ficam mais rasos, fazendo com que         bactérias do grupo coliforme na água para de-
     ocorra uma dissipação da energia de onda na        terminar essa qualidade. Apesar de não serem
     área mais afastada da costa. Na maré alta, a       patogênicos, a presença dos coliformes indica
     quebra ocorre na praia ou quebra-mares da          a ocorrência de poluição de origem humana ou
     praia do Janga. A configuração morfológica e       animal, o que pode significar a existência de
     feições batimétricas dos recifes criam correntes   outros microorganismos danosos.
     perpendiculares à linha de costa. Essas fei-
     ções, por sua vez, sofrem influência do nível de   A Resolução do CONAMA nº 247/00 dá orien-
     maré, sendo um pouco mais intensas quando          tações sobre como essas análises devem ser
     da maré alta (CPEB, 2011).                         feitas e classifica as águas como Próprias ou
                                                        Impróprias, de acordo com a densidade de co-
     Em toda a extensão da linha de costa, entre        liformes fecal, E. coli e Enterococos. As águas
     a praia de Nossa Senhora da Conceição e o          Próprias podem ser subdivididas nas categorias
     pontal de Maria Farinha, predomina um caráter      Excelente, Muito boa ou Satisfatória. A classi-
     erosivo, tanto na simulação de um ano quanto       ficação Imprópria indica um comprometimento
     de cinco anos. O transporte de sedimentos é        na qualidade sanitária das águas, porém, uma
     no sentido norte, intensificado na porção sul,     praia pode entrar nessa classificação mesmo
     na praia de Nossa Senhora da Conceição, e ao       com baixos níveis de coliformes, em situações
     sul do rio Timbó, no pontal de Maria Farinha       como presença de óleo, maré vermelha ou
     (CPEB, 2011). Em toda a costa dos quatro mu-       doenças de veiculação hídrica.
     nicípios, a propagação de onda e transporte de     Em Pernambuco, a CPRH é a responsável pelo
     sedimentos são fortemente influenciados pela       monitoramento da balneabilidade das praias
     variação de maré e pela presença de estruturas     e realiza coletas todas as segundas-feiras, em
     de dissipação e quebra da energia de onda,         locais pré-determinados, escolhidos em função
     que também oferecem barreira ao transporte         da frequência do público e proximidade com
     de sedimentos.                                     adensamentos urbanos. As amostras são leva-
                                                        das ao laboratório e analisadas utilizando o mé-

     Balneabilidade                                     todo Determinação do Número Mais Provável
                                                        (NMP), que estima a densidade de bactérias. O
     das praias                                         monitoramento permite informar os locais com
                                                        melhores condições de uso pelos banhistas,
     A balneabilidade trata da qualidade das águas      assim como a sua frequência permite traçar os
     destinadas ao contato primário, onde são rea-      perfis de balneabilidade das praias.
     lizadas atividades como natação, mergulho e        O monitoramento semanal realizado pela CPRH
     esportes aquáticos. São analisados os níveis de    permite atualizar os usuários das praias quan-
75
to às melhores áreas para fins de recreação,      estando disponíveis para toda a população. A
sendo que a médio/longo prazo, é possível         tabela a seguir exemplifica os dados de classifi-
traçar um perfil mais confiável da qualidade      cação dos pontos de monitoramento segundo a
das águas nos locais específicos. Os resultados   CPRH, durante a semana de 16 a 22/12/2011.
das análises são publicados no site da CPRH,


Condições das praias dos municípios de Jaboatão dos Guararapes,
Recife, Olinda e Paulista, durante a semana de 16 a 22/12/2011.

ESTAÇÃO 		               		             PRAIA	    			                   CLASSIFICAÇÃO

JABOATÃO DOS GUARARAPES
		              JAB-10			               Barra de Jangada			             PRÓPRIA
		              JAB-20			               Candeias				                    PRÓPRIA
		              JAB-30			               Candeias				                    PRÓPRIA
		              JAB-40			               Candeias				                    IMPRÓPRIA
		              JAB-50			               Piedade				                     PRÓPRIA
		              JAB-60			               Piedade				                     PRÓPRIA
		              JAB-70			               Piedade				                     PRÓPRIA
		              JAB-80			               Piedade				                     PRÓPRIA

RECIFE
		              REC-10			               Boa Viagem			                   PRÓPRIA
		              REC-20			               Boa Viagem			                   PRÓPRIA
		              REC-30			               Boa Viagem			                   PRÓPRIA
		              REC-40			               Boa Viagem			                   PRÓPRIA
		              REC-50			               Boa Viagem			                   PRÓPRIA
		              REC-60			               Boa Viagem			                   PRÓPRIA
		              REC-70			               Pina				                        PRÓPRIA
		              REC-80			               Pina				                        IMPRÓPRIA

OLINDA	
		              OLD-10			               Milagres				                    PRÓPRIA
		              OLD-20			               Carmo				                       PRÓPRIA
		              OLD-30			               Farol				                       PRÓPRIA
		              OLD-40			               Bairro Novo				                 PRÓPRIA
		              OLD-50			               Bairro Novo				                 IMPRÓPRIA
		              OLD-60			               Casa Caiada			                  IMPRÓPRIA
		              OLD-70			               Casa Caiada			                  IMPRÓPRIA
		              OLD-80			               Casa Caiada			                  PRÓPRIA
		              OLD-90			               Rio Doce				                    PRÓPRIA
		              OLD-97			               Rio Doce				                    PRÓPRIA

PAULISTA	
		              PAL-10			               Janga				                       IMPRÓPRIA
		              PAL-20			               Janga				                       PRÓPRIA
		              PAL-30			               Pau Amarelo			                  IMPRÓPRIA
		              PAL-33			               Conceição				                   IMPRÓPRIA
		              PAL-40			               Maria Farinha			                IMPRÓPRIA


                                                                          Fonte: www.cprh.pe.gov.br
5
76




         Como se apresenta o
         meio biótico na área do
         empreendimento?
         Flora aquática
         Os estudos relativos à composição da comunidade de microalgas planc-
         tônicas (fitoplâncton), na Área Diretamente Afetada, são poucos princi-
         palmente na zona de arrebentação. O fitoplâncton é o principal produtor
         primário dos ambientes costeiros, responsável pelo início do fluxo de
         matéria e energia da rede trófica destes ambientes, contribuindo para a
         sua fertilização, sustentando diretamente os herbívoros e indiretamente
         os animais dos níveis tróficos superiores, incluindo espécies economica-
         mente importantes. A composição dessa comunidade é influenciada pelas
         variações do nível das marés, bem como da contribuição dos estuários.
         No diagnóstico realizado, a baixa riqueza de táxons (24) não condiz com
         estudos dessa natureza para os locais amostrados.


         Os grupos registrados (clorofíceas, diatomáceas, dinoflagelados e ciano-
         bactérias) foram citados em levantamentos anteriores, mas não foram
         registrados nas análises qualitativas. Um estudo considerando uma malha
         amostral que contemple um maior número de estações, com as regiões
         estuarinas incluídas, necessita ser realizado para o entendimento de como
         o empreendimento afetara a comunidade fitoplanctônica nas praias e estu-
         ários localizados na ADA e AID. Outro aspecto importante é considerar as
         variações de maré e sazonalidade, observando a influência do continente
         para a composição de espécies.


         O perifiton é uma complexa comunidade de microrganismos (algas,
         bactérias, fungos e animais), detritos orgânicos e inorgânicos aderidos a
         substratos inorgânicos (rochas, conchas) ou orgânicos vivos ou mortos.
         Rico em proteínas, vitaminas e minerais, constitui importante alimento
77
para muitos organismos aquáticos. Sua quali-       realizada somente uma única vez. Porém, fica
dade alimentar é determinada pela composição       evidenciada, em nível de Divisão, a presen-
dos grupos de algas dominantes, influenciando      ça das três principais Divisões no ambiente
a produção secundária e o fluxo de energia dos     aquático marinho (Cyanobacteria, Rhodophyta
micro-organismos consumidores.                     e Chlorophyta), representadas por espécies
                                                   cosmopolitas que pouco diferiam entre os
Com a efetiva participação na reciclagem de        substratos. Neste caso, as diferenças florísticas
nutrientes inorgânicos, quase toda produção        existentes entre os dois substratos analisados
fotossintética é mineralizada continuamente no     poderiam estar relacionadas mais às desigual-
biofilme perifítico. As macrolagas Dictiopterys    dades arquitetônicas dos dois hospedeiros, do
sp. (Paheophyceae) e Caulerpa sertularioides       que às mudanças ambientais, que apresentam
(Chlorophyceae) foram eleitas como substrato,      pequenas variações em todo litoral do Estado.
por apresentarem ampla distribuição e abun-        Portanto, o monitoramento, em longo prazo,
dância no litoral de Pernambuco, nas praias        deve trazer informações mais precisas sobre
do Cabo de Santo Agostinho, de Jaboatão dos        a dinâmica desta comunidade, pois as micro-
Guararapes, do Recife e de Olinda. Foram           algas têm uma alta taxa de reprodução em
identificadas 10 taxa de microalgas epífitas nos   curtíssimo intervalo de tempo, favorecendo-as
dois substratos, sendo um baixo número de          como indicadores rápidos da qualidade am-
espécies, devido a amostragem ter sido             biental da região onde habita.


Bellerochea sp.




                                                                                Fonte: ITEP-OS/UFQB
78




     Licmophora abbreviata




                             Fonte: ITEP-OS/UFQB




     Chaetoceros sp.




                             Fonte: ITEP-OS/UFQB
79
Aspecto geral de Ceratium sp.




                                                                              Fonte: ITEP-OS/UFQB



Entre os organismos bentônicos, aqueles que       dos ambientes. É fundamental o monitoramento
vivem no sedimento, podem ser encontrados         dessas plantas tanto durante as obras como
representantes da flora, além de animais. Na      depois do engordamento das praias uma vez
área do empreendimento, foram registradas         que a manutenção dos bancos destas plantas
três espécies de angiospermas marinhas,           podem ser benéficas para o empreendimento,
alimento preferencial do peixe-boi, nas praias    por ajudarem na manutenção do sedimento na
do Paulista e de Piedade, além de áreas mais      área.
afastadas da costa no Recife e no Cabo de
Santo Agostinho. Destaca-se a presença da         Importante produtor primário, as macroalgas
espécie Halophila baillonis que ocorre, no        bentônicas tiveram registradas em literatura
Brasil, exclusivamente nas Áreas de Influência    mais de 100 espécies na área do empreen-
Direta e Indiretas do empreendimento. Embora      dimento, contudo, nas amostragens inicias
as angiospermas marinhas não apresentem um        apenas 30 espécies foram identificadas. São
número representativo de espécies, sua impor-     necessários maiores esforços de inventário de
tância econômica, ecológica e biológica é alta,   espécies e seu monitoramento, uma vez que
sendo consideradas “engenheiras de ecossis-       esses organismos podem ser utilizados como
temas”, por terem a capacidade de modificar       bioindicadores. Atualmente, por exemplo,
as condições hidrológicas, físicas e geológicas   foram encontradas várias espécies que indicam
80




     áreas eutrofizadas (com muitos nutrientes), o    Apesar de não estarem na área diretamen-
     que pode ser alterado durante e depois das       te afetada pela obra, encontramos na área
     obras propostas. Nas áreas de dragagem,          manguezais. Nessa área se encontram um
     foram identificados bancos de rodolitos, algas   dos maiores manguezais em área urbana do
     calcárias compostas basicamente por carbo-       mundo, localizado no complexo estuarino dos
     nato de cálcio e de magnésio, que apresentam     rios Pina, Jordão e Tejipió, além dos mangue-
     importância econômica, por sua utilização na     zais dos estuários do rio Jaboatão e do canal de
     agricultura, potabilização de água para consu-   Santa Cruz. Os manguezais desempenham fun-
     mo humano, indústria de cosméticos, implan-      ção prioritária na estabilidade da geomorfologia
     tes em cirurgia óssea, aquariofilia e nutrição   costeira, na conservação da biodiversidade e
     animal. Esses bancos devem ser mapeados          na manutenção de amplos recursos pesqueiros
     imediatamente, até porque eles não servem aos    devendo, assim, ser monitorados para garantia
     fins de engordamento de praia devido a sua       de sua conservação e de toda fauna e flora
     alta taxa de carbonato.                          dependente.



     Aspecto de um prado de Halophila decipiens com destaque a fauna
     acompanhante




                                                                           Fonte: //http: home.coqui.net/
81
Aspecto da angiosperma Halophila baillonis




                                                 Fonte://http: aquaportail.com/

Gracilaria sp., Rhodophyta




                                             Foto: Cacilda Rocha (25/11/2011)
82




     Sargassum sp., Heterokontophyta




                                                                             Fonte://http: aquaportail.com/




     Fauna aquática                                     partir da análise dos resultados obtidos no pre-
                                                        sente estudo, bem como uma breve síntese do
                                                        estado atual de conhecimento científico, foram
     O zooplâncton consiste em uma parcela da bio-
                                                        identificadas expressivas lacunas, na região em
     ta marinha composta por vários representantes
                                                        questão, quanto aos estudos sobre a comuni-
     heterótrofos (aqueles que não possuem a capa-
                                                        dade zooplanctônica de ambientes costeiros
     cidade de produzir seu próprio alimento). Eles
                                                        não estuarinos. O presente estudo consiste em
     desempenham importante papel na transfe-
                                                        um dos primeiros levantamentos da composi-
     rência da energia das microalgas planctônicas
                                                        ção e estrutura desta comunidade em vários
     para elos superiores das teias alimentares mari-
                                                        trechos da área do empreendimento.
     nhas. Por essa razão, esses pequenos animais
     são grupos-chaves na caracterização ambiental
                                                        Foram registrados 50 táxons zooplanctônicos,
     de quase todos os ecossistemas aquáticos,
                                                        todos típicos de regiões costeiras marinhas e
     servindo como bioindicadores da qualidade
                                                        estuarinas brasileiras. Algumas áreas estuda-
     ambiental em curta e longa escalas de tempo.
                                                        das apresentaram vários grupos meroplanctô-
     O monitoramento da comunidade zooplanctô-
                                                        nicos, tais como larvas de medusas, planárias,
     nica é essencial para um manejo adequado de
                                                        moluscos, poliquetos, decápodes, cirripédios,
     ambientes aquáticos, em todas suas escalas. A
                                                        ascídias e peixes, além de alguns organismos
83
ticoplanctônicos (foraminíferos, copépodes        caduras dos diversos estuários que deságuam
harpacticóides da meiofauna, além de isópodes     nesta área do empreendimento, de modo a
e anfípodes, que vivem associados à vegetação     manter o equilíbrio nos ecossistemas. Espécies
aquática) de importantes ecossistemas bentô-      e grupos típicos de tais ambientes podem servir
nicos.                                            como bioindicadores, a curto e longo prazos,
                                                  da manutenção dessa dinâmica oceanográfica
Especial atenção deve ser dada à manutenção       costeira. Nesse caso, é extremamente necessá-
da dinâmica das massas d’água costeiras que       rio um acompanhamento desses táxons indica-
banham os recifes costeiros, os bancos de         dores da qualidade ambiental durante todas as
macrófitas e as áreas adjacentes às desembo-      etapas de consolidação do empreendimento.



Nauplius de Copepoda, típico de regiões costeiras tropicais de
Pernambuco.




                                                               Foto: Cacilda Rocha (25/11/2011)



Os organismos que compõem o ambiente ben-         constituem a meiofauna são de grande impor-
tônico têm sido amplamente utilizados como        tância, pois desempenham papel fundamental
bioindicadores, uma vez que estão intimamente     na teia alimentar. Participam como elo entre os
associados a ele, respondendo a vários tipos de   recursos basais (detritos e algas) e os peixes,
alterações naturais e antropogênicas. Dentre os   além de que, sua diversidade, junto com os
organismos que ocorrem no sedimento, os que       fatores abióticos, é um fator relevante para o
84




     estudo desses ambientes. Com base nos resul-      apresentam as melhores condições ambientais,
     tados obtidos no estudo, a meiofauna das áreas    com dominância de Copepoda Harpacticoi-
     estudadas não foge aos padrões encontrados        da, que é indicador de ambiente com pouca
     para outras áreas, tais como do estuário do rio   influência de matéria orgânica, detrito. Porém,
     Jaboatão (Silva 1997), canal de Santa Cruz        somente um monitoramento de longo prazo,
     (Da Rocha, 1991), Pina e Boa Viagem (Silva,       contemplando coletas nos diferentes períodos,
     1997), onde os grupos mais representativos        seco e chuvoso, e nos diferentes habitats (praia
     são Foraminifera, Nematoda e Copepoda Har-        e estuário) trará informações mais precisas
     pacticoida. É possível observar que há alguns     sobre as flutuações e o funcionamento dessa
     pontos com baixa diversidade, como é o caso       comunidade que é de fundamental importância
     de Jaboatão dos Guararapes e de Boa Viagem,       para o conhecimento da qualidade do sedi-
     porém tal aspecto pode estar relacionado com      mento e na transferência de energia no ecos-
     a flutuação sazonal normal, com a disponibi-      sistema.
     lidade de matéria orgânica, granulometria ou
     pode estar refletindo um ambiente com certo
     grau de impacto. Das áreas estudadas,
     os pontos localizados na praia do Paulista




     Macho do Copepoda Parvocalanus crassirostris, espécie muito comum
     no litoral de Pernambuco




                                                                            Fonte: Xiomara F. García-Díaz
85
Fêmea do Copepoda Oithona hebes – espécie muito comum no litoral
de Pernambuco




                                                Fonte: Fernando F. Porto Neto




Fêmea ovada do Copepoda Euterpina acutifrons – espécie muito comum
no litoral de Pernambuco.




                                                Fonte: Xiomara F. García-Díaz
86




     Imagem de
     representantes do Filo            Imagem de representante do    Imagem de representante da
     Foraminifera                      Filo Nematoda                 Ordem Harpacticoida




                                                                           Fonte: http://migre.me/7F0vW

      Vários motivos justificam o interesse pelo co-   3.023,94 ind.m2 na praia protegida do Pau-
     nhecimento da fauna de praias. Muitas espé-       lista. Não foram encontrados organismos na
     cies têm importância econômica direta, como       praia exposta estudada no Recife, município
     os crustáceos e moluscos utilizados na alimen-    no qual foram encontradas as menores densi-
     tação humana ou como isca para pesca. A           dades durante o estudo. Observou-se também
     esses são somados os poliquetas, que também       que as maiores densidades foram encontradas
     constituem rica fonte de alimento para alguns     nas praias protegidas em todos os municípios
     organismos, principalmente peixes, crustáce-      analisados.
     os e aves (AMARAL et al., 1994). Além disso,      No total das amostras da área de jazida foram
     diversos estudos têm demonstrado a relevância     encontrados 841 organismos de 31 táxons
     da utilização de comunidades bentônicas na        diferentes. Em termos de grandes grupos
     avaliação da qualidade ambiental.                 taxonômicos, Polychaeta foi o mais abundante
                                                       (37,81%), seguido por Crustacea (21,40%),
     As análises das amostras das praias de Jabo-      Mollusca (21,05%), Sipuncula (10,46%) e
     atão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e       Echinodermata (9,27%).
     do Paulista revelaram a ocorrência dos tá-
     xons Crustacea Isopoda, Nematoda, Mollusca        Dos 31 táxons encontrados, Bivalvia foi o único
     (Bivalvia, Gastropoda, Scaphopoda), Polycha-      constante com quase 87% de frequência de
     eta e Sipuncula, tendo Sipuncula (47,54%)         ocorrência, enquanto que Gammaridea, Ophiu-
     apresentado a maior abundância, seguido por       roidea, Polychaeta, Sipuncula e Scaphopoda
     Polychaeta (20,77%) e Nematoda (15,85%).          foram muito frequentes, e Paguroidea, Gastro-
     Os demais grupos foram responsáveis por           poda, Isopoda e Portunus sp foram comuns. Os
     15,85% do total.                                  outros 21 táxons foram considerados raros na
                                                       área estudada.
     A densidade total variou de 31,83 ind.m2 na
     praia exposta de Jaboatão dos Guararapes a
87
Os resultados obtidos podem estar relacionados   Também merecem destaque a crescente espe-
com a variação espaço-temporal, com a dinâ-      culação imobiliária, a mineração com retirada
mica do ambiente ou podem estar refletindo       de areia das praias e dunas, e o crescimento
um ambiente impactado. As praias dos muni-       explosivo e desordenado do turismo sem qual-
cípios estudados vêm sofrendo uma crescente      quer planejamento ambiental e investimentos
descaracterização em razão da ocupação           em infraestrutura.
desordenada.

Paractaea r. nodosa (Stimpson, 1860).            Inachoides forceps A. Milne-Edwards, 1879.
Macho em vista dorsal. Marca=0,5mm               Macho em vista dorsal. Marca=1mm.




                                                                      Foto: Petrônio A. Coelho Filho

Pelia rotunda A. Milne-Edwards, 1875.            Sicyonia typica (Boeck, 1864).
Macho em vista dorsal. Marca=0,5mm.              Marca=1mm.




                                                                      Foto: Petrônio A. Coelho Filho
88




     Na área afetada pelo empreendimento, o substrato consolidado está representado por ambientes
     recifais. São entendidos como ambientes recifais aqueles ecossistemas de substrato consolidado
     que possuem elevada cobertura viva, podendo incluir corais, e que apresentam fauna e flora típica
     dos recifes costeiros. A diversidade de vida e a produtividade destes ambientes são bem elevadas,
     reforçando sua importância ecológica. Na área do estudo são encontrados recifes de arenito cos-
     teiros, em franja e também recifes artificiais compostos pelos quebra-mares dispostos previamente
     em diversos pontos da orla para mitigar efeitos erosivos das ondas.


     Recife de arenito costeiro na praia de Boa Viagem, Recife - PE.




                                                                            Foto: Petrônio A. Coelho Filho



                                                                                   Fonte: Paula B. Gomes
89
Recife artificial (quebra-mar) em Jaboatão dos Guararapes-PE.




                                                                         Foto: Petrônio A. Coelho Filho




As amostragens realizadas na área diretamente        Os quebra-mares funcionam como recifes
afetada pelo empreendimento revelam dois             artificiais, porém apresentam uma comunidade
tipos de comunidades bentônicas, aquelas as-         menos rica que os naturais devido à excessiva
sociadas aos recifes naturais e as que habitam       altura. Abrigam uma fauna típica de ambientes
os recifes artificiais (quebra-mares). Nos recifes   costeiros com longo tempo de exposição ao ar.
costeiros, a comunidade esteve composta por          No entanto, a comunidade destes ambientes é
representantes típicos destes ambientes, po-         bem característica e será afetada pela abertura
rém, com baixa riqueza quando comparada a            dessas estruturas, com retirada direta de orga-
outros recifes de áreas não urbanizadas.             nismos e alterações nas condições químicas,
90




     Exemplares de Uca rapax (Smith, 1870) coletado no quebra-mar de
     Olinda - PE.




                                                          Fonte: Paula B. Gomes




     Banco de areia com presença de caranguejos chama marés (Uca rapax
     e Uca thayeri) em Olinda - PE.




                                                         Fonte: Paula B. Gomes
91
Exemplares de crustáceos cirripédios no quebra-mar de Jaboatão dos
Guararapes - PE.




                                                       Fonte: Paula B. Gomes




Exemplares de ostras (Mollusca) no quebra-mar do Paulista - PE.




                                                       Fonte: Paula B. Gomes
92




     físicas e biológicas do ecossistema.              tem importantes inferências sobre impactos
     O conhecimento da composição da assem-            ambientais nos ecossistemas em questão.
     bleia de peixes vem a ser uma das ferramentas     Foram analisados 225 indivíduos distribuídos
     utilizadas para compreender o nível da inter-     em 42 espécies e 24 famílias. Os indivíduos
     ferência antrópica sofrida nessas regiões. A      pertencentes às famílias Ariidae (Bagres) não
     comunidade de peixes é a mais diversificada       foram identificados em gênero e espécie, em
     fauna de vertebrados conhecida e representam      virtude do tamanho muito reduzido dos indiví-
     o maior componente biológico em ecossistemas      duos, além do fato de alguns exemplares serem
     costeiros (SALE, 1985).                           danificados durante o arrasto. As famílias com
                                                       maior número de espécies foram: Gerreidae e
     Os peixes são o mais antigo e numeroso grupo      Sciaenidae, ambas com cinco espécies cada e
     entre os vertebrados. São cerca de 24.000         a Tetraodontidae com três diferentes espécies.
     espécies de peixes, número semelhante ao de       Todas as outras famílias apresentaram duas ou
     anfíbios, répteis, aves e mamíferos somados       uma única espécie. As espécies mais captura-
     (NELSON, 1994). As comunidades de pei-            das durante as amostragens foram a carapeba-
     xes apresentam numerosas vantagens como           branca, Diapterus rhombeus; n=58 (25,5%),
     indicadora nos programas de monitoramento         a solha ou linguado, Citharichthys spilopterus
     biótico e levantamentos, realizados em um         n=37 (12,6%) e o coró, Stellifer stellifer, n=26
     espaço de tempo definido e replicável. Permi-     (11,5%) respectivamente.



     Principais espécies de organismos marinhos, com enfoque para os peixes, coletados na zona de
     arrebentação do litoral de Pernambuco, destacando o juvenil de mero (círculo azul)




                                                                                   Fonte: Paula B. Gomes
93
Indivíduos de Cephalopholis fulva que são capturados pela frota artesanal, com armadilhas de fundo
(covos), e são encontrados ao longo na plataforma continental do Estado




                                                                              Fonte: Paula B. Gomes
94




                                                        grande diversidade de ecossistemas, como

     Flora terrestre                                    praias, restingas, tabuleiros, cerrados, pontais
                                                        rochosos, recifes de corais, ilhotas e mangue-
                                                        zais (Andrade-Lima, 1960).
     Historicamente, os ecossistemas costeiros no
     Brasil foram os que maior impacto sofreram
                                                        Nas zonas de praia, antedunas e dunas mais
     principalmente pela ocupação desordenada e
                                                        próximas ao mar predominam espécies herbá-
     especulação imobiliária, devido a sua posição
                                                        ceas reptantes e rizomatosas, principalmente
     geográfica ao longo do litoral – local preferen-
                                                        ciperáceas e gramíneas, com destaque tam-
     cial para a ocupação, desde a colonização do
                                                        bém as jitiranas ou salsa da praia, bredo e
     Brasil (Coimbra-Filho & Câmara, 1996).
                                                        feijão da praia. Em alguns casos, arbustos e
                                                        árvores, que ocorrem de forma isolada e pouco
     Diversas áreas de vegetação nativa de floresta
                                                        expressiva ou formando agrupamentos ou moi-
     atlântica, restingas, manguezais e zona de praia
                                                        tas mais densos.
     foram suprimidos para ceder espaço à criação
     de importantes centros comerciais e residen-
                                                        Árvore símbolo da praia, o coco-da-baía ou
     ciais, plantações de monocultura, especulação
                                                        coco-da-praia é a planta de maior represen-
     imobiliária, extração de jazidas, exploração de
                                                        tatividade ao longo de toda a orla das praias
     recursos vegetais e animais (Coimbra-Filho &
                                                        nordestinas e, não poderia ser diferente na orla
     Câmara, 1996). A vegetação desses ecossis-
                                                        pernambucana. Essas espécies acompanham
     temas tem sido reduzida em cerca de mais de
                                                        toda a costa. Com suas propriedades alimentí-
     90% de sua área (SOS Mata Atlântica, 1998).
                                                        cias e medicinais, o fruto é bastante apreciado
     A Zona Costeira de Pernambuco apresenta
                                                        pelos nordestinos, além de servir como orna-
     um litoral com 187km de extensão, abrigando
                                                        mento urbano.

     Visão panorâmica da praia de Boa Viagem, Recife - PE




                                                                                 Fonte: Marcondes Oliveira
95
Ramos frutíferos de Anacardium                     Ramo frutificado de
occidentale L. (Cajueiro)                          Crotalaria retusa




                                                                            Fonte: Marcondes Oliveira




                                                   Guapira pernambucensis, Guilandina bonduc,
A área de estudo, apesar de impactada,
                                                   Ipomoea pes-caprae (Salsa-da-prais), Ipomoea
apresenta importantes fitofiosonomias diferen-
                                                   stolonifera (Salsa-branca), Paspalum mariti-
ciadas, desde faixa de praia, pequenas dunas,
                                                   mum, Paspalum vaginatum, Remirea marítima,
reduzido trecho de restinga e manguezal con-
                                                   Sesuvium portulacastrum, Sophora tomentosa,
tornando alguns estuários como os de Pirapa-
                                                   Sporobolus virginicus.
ma e de Jaboatão, de Beberibe, de Paratibe e
de Timbó.
                                                   Foram detectadas importantes áreas para a
                                                   preservação da flora e da fauna costeira, como
A flora da orla da Região Metropolitana do Re-
                                                   estuários, manguezais e restinga, ambientes
cife apresenta-se mista, com diversas espécies
                                                   associados à zona de praia. O impacto dos
exóticas, ou seja, estrangeiras e, ruderais, com
                                                   ecossistemas é fato consumado e notório,
ampla distribuição na natureza. Entre as espé-
                                                   porém são urgentes e prudentes medidas
cies nativas na faixa de praia, temos: Alternan-
                                                   conservacionistas que visem minimizar esses
thera littoralis var. maritima (Mart.) Pedersen,
                                                   impactos, tais como poluição de resíduos sóli-
Blutaparon portulacoides (Bredo-da-praia),
                                                   dos, redução de áreas naturais, exploração de
Canavalia rosea (Feijão-da-praia), Dalbergia
                                                   caça, pesca e retirada da vegetação, proteção à
ecastaphyllum (Bugi), Fimbristylis spathacea,
                                                   desova de tartarugas marinhas.
96




     Ramos floridos de Canavalia rosea    Dalbergia ecastaphyllum (bugi)




                                                                 Fonte: Marcondes Oliveira


     Ipomoea stolonifera (salsa-branca)   Gramínea Sporobolus virginicus




                                                                  Fonte: Marcondes Oliveira
97
                                                     ção, ocorrendo em grande parte do estado e

Fauna terrestre                                      na maioria dos estados nordestinos, em es-
                                                     pecial em ambientes de Mata Atlântica, áreas
                                                     de transição entre Mata Atlântica e Caatinga e
Nas áreas Diretamente Afetada (ADA), de Influ-
                                                     em áreas abertas de Caatinga. Em relação aos
ência Direta (AID) e de Influência Indireta (AII)
                                                     estágios de conservação, doze espécies encon-
do empreendimento de “Recuperação da Orla
                                                     tram-se classificadas como “pouco preocupan-
dos Municípios de Jaboatão dos Guararapes,
                                                     te” na lista de espécies ameaçadas da IUCN
Recife, Olinda, Paulista e adjacentes” encon-
                                                     (2010); estando todas ausentes dos Apêndices
tram-se basicamente três ambientes propícios
                                                     I, II e III da CITES (2011), que também trata
à ocorrência da fauna terrestre, representantes
                                                     das espécies sob ameaça de conservação.
dos grupos dos anfíbios, répteis, aves e ma-
míferos: i. Ambientes aquático marinho com
                                                     Em relação aos répteis, foram registradas qua-
registro de tartarugas marinhas; ii. Ambientes
                                                     tro espécies nas Áreas Diretamente Afetada,
aquático lótico, com registro principalmente de
                                                     de Influência Direta e de Influência Indireta e
cágados, jabutis e jacarés; iii. Ambientes flores-
                                                     55 apenas na Área de Influência Indireta do
tados em diferentes estágios de conservação,
                                                     empreendimento. São 42 espécies registradas
com ocorrência marcante de anuros, lagartos,
                                                     em Jaboatão dos Guararapes, 12 no Recife, 18
serpentes, testudines e jacarés.
                                                     em Paulista, 19 em Igarassu e 4 espécies nas
                                                     áreas costeiras dos municípios analisados – es-
A fauna de vertebrados terrestres está repre-
                                                     sas últimas se destacam por ocorrerem simul-
sentada por 430 espécies, sendo 41 anfíbios
                                                     taneamente nas Áreas Diretamente Afetada,
anuros, 59 répteis, 261 aves e 69 mamíferos.
                                                     de Influência Direta e de Influência Indireta do
                                                     Empreendimento. Os répteis registrados estão
Quanto aos anfíbios, todos foram registrados na
                                                     distribuídos em cinco grandes grupos, testudi-
Área de Influência Indireta-AII do empreendi-
                                                     nes (5 spp.), lagartos (19 spp.), amphisbaena
mento, sendo 26 em Jaboatão dos Guararapes,
                                                     (1 sp.), serpentes (32 spp.) e jacaré (2 spp.).
28 no Recife, 19 em Paulista e 34 em Igarassu.
                                                     No que se refere aos testudines, foram regis-
As espécies registradas podem ser enquadra-
                                                     tradas duas famílias: Cheloniidae (4 spp.) e
das em nove famílias: Amphignathodontidae
                                                     Chelidae (1 sp.). Os amphisbaenídeos tiveram
(1 sp.), Brachycephalidae (2 spp.), Bufonidae
                                                     registro de uma família: Amphisbaenidae (1
(4 spp.), Cycloramphidae (1 sp.), Hylidae (20
                                                     sp.). Os lagartos tiveram registro de dez famí-
spp.), Leiuperidae (3 spp.), Leptodactylidae (7
                                                     lias: Gekkonidae (1 sp.), Gymnophtalmidae (2
spp.), Microhylidae (2 spp.) e Ranidae (1 sp.),
                                                     spp.), Iguanidae (1 sp.), Leiosauridae (1 sp.),
estando todas as espécies com ampla distribui-
                                                     Phyllodactylidae (1 sp.), Polychrotidae (4 spp.),
98




     Scincidae (2 spp.), Sphaerodactylidae (1 sp.),     Caatinga. Uma parte menor de espécies ocorre
     Teidae (4 spp.) e Tropiduridae (2 spp.). As ser-   preferencialmente em áreas costeiras. Em re-
     pentes tiveram registro de seis famílias: Boidae   lação ao status de conservação, duas espécies
     (3 spp.), Colubridae (6 spp.), Dipsadidae (16      se enquadram na categoria de espécies em
     spp.), Elapidae (1 sp.), Typhlopidae (1 sp.) e     perigo (Myrmeciza ruficauda e Curaeus forbe-
     Viperidae (5 spp.). Os jacarés tiveram registro    si), três na categoria de espécies quase amea-
     de uma família: Alligatoridae (2 sp.). Dentre as   çadas (Pyrrhura lépida, Thalurania watertonii e
     espécies de répteis registradas, todas possuem     Picumnus fulvescens), quatro na categoria de
     ampla distribuição, ocorrendo em grande parte      espécies vulneráveis e 234 espécies na catego-
     do Nordeste, em especial na Mata Atlântica e       ria de pouco preocupantes segundo o IBAMA
     algumas em áreas abertas de Caatinga.              (2008) e IUCN (2010); estando duas no Apên-
                                                        dice II (Pteroglossus aracari e Tangara fastuosa)
     Em relação ao status de conservação, qua-          e duas no Apêndice III (Dendrocygna bicolor e
     tro espécies de tartarugas marinhas (Caretta       Cairina moschata) da CITES (2011).
     caretta, Chelonia mydas, Eretmochelys imbri-
     cata e Lepidochelys olivacea) se encontram         Em relação aos Mamíferos, todas as espécies
     classificadas pelo Ibama (2008) e IUCN (2010)      foram registradas apenas na Área de Influência
     como criticamente em perigo; além das espécie      Indireta-AII do empreendimento, especifica-
     Caiman latirostris e Paleosuchus palpebrosus       mente 31 espécies em Jaboatão dos Guara-
     comporem o Apêndice I e os squamatas Tupi-         rapes, 47 no Recife e 33 em Paulista. Entre
     nambis marianae, Iguana iguana, Boa constric-      as espécies, 48 representando a mastofauna
     tor e Epicrates cenchria comporem o Apêndice       não alada e 21 a mastofauna alada (morce-
     II da CITES (2011).                                gos). Ressaltando o registro de oito espécies
                                                        que ocorrem em áreas urbanas. Em relação
     Quanto as aves, quatorze espécies foram regis-     aos status de conservação, uma espécie se
     tradas simultaneamente nas Áreas Diretamente       enquadra na categoria de dados deficientes
     Afetada, de Influência Direta e de Influência      (Lontra longicaudis); uma espécie na categoria
     Indireta e 247 registradas exclusivamente na       de quase ameaçada (Leopardus wiedii); uma
     Área de Influência Indireta. Essas espécies se     espécie na categoria de vulnerável (Leopardus
     enquadram em 46 famílias, sendo todas com          tigrinus) e 52 espécies na categoria de pouco
     ampla distribuição, ocorrendo em grande parte      preocupante segundo o IBAMA (2008) e IUCN
     do estado e na maioria das fitofisionomias e       (2010); estando quatro no Apêndice I (Leopar-
     dos estados da região nordeste, em especial na     dus pardalis, Leopardus tigrinus, Leopardus
     Mata Atlântica, áreas de transição entre Mata      wiedii e Lontra longicaudis), duas no Apêndice
     Atlântica e Caatinga e em áreas abertas de         II (Bradypus variegatus e Cerdocyon thous) e
99
cinco no Apêndice III (Cuniculus paca, Eira         Destaca-se que embora tenhamos registrado
barbara, Galictis vittata, Nasua nasua e Platyr-    uma riqueza expressiva e quatro espécies criti-
rhinus lineatus) da CITES (2011).                   camente em perigo de extinção, as populações
                                                    existentes são de ampla distribuição geográfica
Quanto ao uso pelas comunidades, destacam-          e abundantes em todo território nacional, não
se duas espécie de anfíbios anuros (Leptodac-       representando obstáculo a implementação da
tulus vastos e Leptodactylus latrans), cinco de     obra almejada, desde que seja operacional-
testudines (Caretta caretta, Chelonia mydas,        mente efetuada dentro de critérios que possibi-
Eretmochelys imbricata, Lepidochelys olivá-         litem a conservação das populações relaciona-
cea e Phrynops geoffroanus), uma de lagarto         das.
(Tupinambis meriana), duas de jacaré (Caiman
latirostris e Paleosuchus palpebrosus), nove de     No que se refere aos impactos negativos para
aves (Columbina passerina, Columbina minuta,        a fauna de vertebrados terrestres é possível re-
Columba livia, Columbina talpacoti, Leptotila ru-   conhecer dois núcleos, uma vez que a grande
faxilla, Geotrygon montana, Porphyrio martini-      maioria das espécies de anfíbios, répteis, aves
ca, Gallinula chloropus e Ortalis guttata) e doze   e mamíferos ocorrem na AII em áreas relati-
de mamíferos (Cuniculus paca, Cabassous             vamente distantes da costa: i. Destruição de
unicinctus, Cavia aperea, Dasyprocta prymnolo-      ninhos de tartarugas marinhas e o ii. Atropela-
pha, Dasypus novemcinctus, Didelphis albi-          mento e destruição das áreas de alimentação
ventris, Euphractus sexcinctus, Hydrochaeris        e reprodução das tartarugas marinhas por
hydrochaeris, Leopardus pardalis, Leopardus         ocasião do tráfego das embarcações e da cons-
tigrinus, Nasua nasua e Tamandua tetradactyla)      trução dos espigões decorrentes do empreendi-
por serem expressivamente utilizadas como           mento. Tais impactos podem ser mitigados ou
fonte de alimentação e consequentemente são         controlados através de medidas e programas
alvos de caça (espécies cinegéticas).               que deverão ser realizados durante e depois da
                                                    implantação do empreendimento.
6
100




          Quais são os aspectos
          socioeconômicos da área
          do empreendimento?

          Socioeconomia
          Os estudos efetuados pela equipe de socioeconomia para avaliar os im-
          pactos com a implantação do projeto de recuperação da orla de Jaboatão
          dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista destacaram alguns
          pontos da caracterização dos municípios e de sua área de influência
          direta:


          •	 O crescimento populacional dos municípios intensificou-se no século
             XX como resultado da atração populacional decorrente da concentra-
             ção de investimentos na Região Metropolitana do Recife;
          •	 A ocupação urbana ocorreu de forma desordenada e sem planeja-
             mento;
          •	 Existem grandes disparidades sociais, que se refletem no perfil da
             ocupação da orla;
          •	 A atual pressão populacional na parte sul da região metropolitana
             é um importante impulsionador na ocupação mais intensa da orla,
             principalmente de Jaboatão dos Guararapes e do Recife;
          •	 As taxas de crescimento populacional indicam que o Recife e Olinda
             estão apresentando menor atração populacional, tendo em vista as
             menores taxas de crescimento populacional nos últimos anos;
          •	 Os municípios apresentam perfil extremamente urbanizado;
          •	 A expectativa de vida está aumentando, a população tem envelhecido
             pela diminuição da taxa de natalidade, o que reduz a necessidade de
             crescimento da infraestrutura para atendimento da primeira infância,
             mas aumenta a necessidade de crescer a oferta de infraestrutura
             para atendimento de idosos, desenvolvimento de novas tecnologias
101
   medicinais, melhorias no atendimento          •	 A ocupação da orla do Recife e de Jaboa-
   básico a saúde;                                  tão dos Guararapes se faz de forma mais
•	 Quase a metade do PIB estadual ocorre            densa e com unidades imobiliárias mais
   nos municípios que receberão o projeto;          valorizadas;
•	 O crescimento econômico do conjunto dos       •	 A distribuição de moradores por domicílio
   municípios está pouco inferior à média           do Recife é mais concentrada nas uni-
   do estado, mas existe disparidade entre          dades menores. Isto indica que o perfil
   os quatro, com a parte sul apresentando          socioeconômico, incluindo ainda o capital
   crescimento bem mais intenso que a parte         social dos moradores, é diferenciado neste
   norte;                                           município. Tendo em vista o alto valor dos
•	 O PIB per capita é muito maior nos muni-         imóveis nesta região, pode-se supor que
   cípios do que no restante do estado;             o número de pessoas viúvas, divorciadas
•	 Os municípios de Jaboatão dos Guararapes         e solteiras com alto poder aquisitivo seja
   e do Paulista apresentam importante papel        elevado na orla do Recife;
   no setor industrial do estado;                •	 Existe um grande diferencial na utiliza-
•	 No Recife, o setor de serviços é bastante        ção econômica da orla dos municípios.
   dinâmico, inclusive com a presença de            O Recife possui um volume muito maior
   alguns APLs focados em conhecimento,             de estabelecimentos do que os demais,
   como o Porto Digital e o Polo Médico;            mesmo não possuindo a maior extensão
•	 Os níveis de escolaridade são mais ele-          de orla. Jaboatão, que apresenta um perfil
   vados nos municípios da AII do que no            de domicílios mais próximo ao de Recife
   restante do estado;                              possui volume de estabelecimentos mui-
•	 O contingente populacional que reside            to menor. Olinda também tem número
   na área diretamente afetada é de 31.839          expressivo de estabelecimentos, mas sua
   domicílios e 76.542 pessoas;                     área é superior à do Recife. Paulista é o
•	 O perfil socioeconômico médio dos domicí-        município que tem a menor densidade de
   lios da orla apresenta evidências de maior       empresas situadas na orla.
   nível de renda, educação e composição
   etária diferenciada do restante dos muni-
   cípios, corroborando o fato de que as áreas
   de orla são, proporcionalmente dentro dos
   municípios, mais valorizadas;
102




      Enrocamento, próximo ao Golden Beach             Limite da Praia de Piedade próximo ao Sesc
      (Jaboatão dos Guararapes - PE)                   Piedade (Jaboatão dos Guararapes - PE)




                                                                          Fonte: Éder Lira de Souza Leão


      Vista do enrocamento da praia, próximo a praça de Boa Viagem (Recife – PE)




                                                                          Fonte: Éder Lira de Souza Leão


      Os estudos socioeconômicos relativos à área      Os empreendimentos de agentes econômicos,
      diretamente afetada se dividiram em duas         tais como: ambulantes, quiosqueiros, donos de
      frentes, que usaram metodologias distintas. De   bares e de restaurantes bem como de empre-
      um lado, analisaram-se as atividades econômi-    sários da hotelaria situados na orla marítima
      cas voltadas à exploração da praia, tais como    de Pernambuco no percurso que se estende
      ambulantes, barraqueiros, bares, restaurantes    de Jaboatão dos Guararapes ao Paulista vêm
      e hotéis e a análise baseou-se em entrevistas    sendo afetados diretamente e fortemente pelo
      semiestruturadas. De outro, tratou-se a pesca    avanço do mar. Nem todos os empreende-
      artesanal, que se baseou, além de entrevistas    dores interpretam esse fenômeno como uma
      semiestruturadas, em reuniões e oficinas.        ameaça aos seus negócios, uma vez que não
                                                       existem hotéis nas praias ao norte de Olinda.
103
Os ambulantes e donos de bares e quiosques,          inúmeros estuários e rios que cortam essas
por serem os principais afetados e por terem         cidades.
sido transformados em “nômades da orla”,
têm uma melhor percepção do problema. São            A pesca artesanal é multiespecifica, ou seja,
empurrados sistematicamente e juntamente             um pescador realiza diversas pescarias de
com seus clientes, da areia em direção às cal-       acordo com as condições oceanográficas,
çadas, quando estas existem. Porém, essa não         biológicas e de mercado, podendo capturar a
é a opinião de todo o grupo, pois muitos deles       lagosta em certa época, peixes que realizam
atribuem a evasão de clientes à falta de banhei-     migração em outra ou mesmo a sardinha ou
ros públicos, aos dejetos que são despejados         peixes de menor valor comercial em outra épo-
nas praias (no Paulista), a falta de segurança       ca. Na região estudada, é praticada uma série
diante da presença da marginalidade, tal como        de pescarias que podem ser resumidas em
a existência dos usuários de drogas, ao lixo não     pescarias de mar de fora, pescarias de mar de
recolhido pelas prefeituras, entre outros fatores.   dentro e a pesca estuarina. A pesca motorizada
Quanto ao Projeto Orla, os que o conhecem            é muito frequente e captura espécies de alto
têm dúvidas quanto à sua realização, embora          valor comercial. A pesca estuarina é realizada
achem que ele viria estimular a clientela em         por um grande contingente de pessoas, em
seus empreendimentos atraindo novos cientes,         sua maioria mulheres, e representa uma das
especialmente o turista em busca de lazer.           formas mais democráticas de geração de renda
Nenhum desses agentes econômicos demons-             na região estudada.
trou preocupação com os efeitos sobre os
negócios, que envolveria a fase de operação e        Em relação à cadeia produtiva, a pesca tem
implantação do projeto, talvez pelo descrédito       características de dispersão espacial e perecibi-
da realização da intervenção.                        lidade dos produtos, que dificultam os proces-
                                                     sos de conservação e comercialização, exigindo
A pesca artesanal na região urbana do Grande         assim complexos mecanismos logísticos entre
Recife, apesar de ser tratada como uma ativi-        a produção e o consumidor final. Essas difi-
dade marginal, representa historicamente uma         culdades favorecem a presença de inúmeros
atividade socioeconômica forte, que engloba          elos na cadeia produtiva. Algumas espécies de
milhares de pessoas e sustenta uma cadeia            pescado passam por até quatro vendedores até
produtiva grande, muitas vezes formada por           atingir o consumidor final, elevando o preço do
relações familiares e de parentesco. No Recife       produto na ponta e diminuindo, consequen-
e municípios vizinhos, a pesca assume propor-        temente, o preço pago ao pescador na praia.
ção não encontrada em outras áreas altamente         Essa complexa cadeia agrega uma série de
urbanizadas do país devido à presença de             pessoas que são dependentes da pesca.
104




      O foco da pesca artesanal nos municípios es-      pais causas da diminuição dos recursos nessa
      tudados pode ser dividido em três direções ou     região. Apesar de toda a poluição, estima-se a
      três classificações: a primeira reside em uma     partir da bibliografia consultada e de informa-
      pesca artesanal mais capitalizada, utilizando     ções das instituições de representação dos pes-
      embarcações de madeira ou fibra, a motor, as      cadores que aproximadamente 7.600 pessoas
      quais pescam em áreas mais distantes da costa     realizem a pesca como atividade profissional na
      até a região do talude continental (paredes)      região dos municípios do Cabo de Santo Agos-
      e chamada de pesca de “mar de fora”. É nas        tinho, de Jaboatão dos Guararapes, do Recife,
      paredes que se realiza a pesca de linha, a qual   de Olinda e do Paulista – regiões que serão
      captura peixes nobres como a cioba. A segun-      diretamente afetadas pelo “Projeto Recupera-
      da classe pode ser chamada de pesca de “mar       ção da Orla Marítima”.
      de dentro”, segundo denominação dos próprios
      pescadores, é a pesca costeira, realizada na      Foram realizadas entrevistas com lideranças
      região protegida pelos arrecifes, em geral com    de pescadores, questionários semiestrutura-
      pequenas embarcações (jangadas principal-         dos (50) e dez reuniões e oficinas das quais
      mente) ou mesmo desembarcada. Esse tipo           participaram 203 pescadores e pescadoras,
      de pesca também é visualizada nos municípios      com o objetivo de levantar informações sobre
      estudados, em menor proporção. Exceção para       as comunidades e os impactos visualizados por
      a pesca de arrasto de camarão, que é realizada    estes em relação ao “Projeto Recuperação da
      nessa região com o auxílio de barcos de maior     Orla Marítima”. O projeto é prejudicial trazendo
      porte. O terceiro grande contingente de pes-      inúmeros impactos negativos, por vezes não
      cadores encontra-se envolvido em uma pesca        mitigáveis para a pesca artesanal.
      que exige menos capital – a pesca estuarina –,
      realizada com o apoio de pequenas embarca-        Diante das incertezas existentes em relação ao
      ções a remo ou a vela (baiteras). As mulheres     projeto, principalmente no que tange a inexis-
      são os grandes atores da região estuarina, onde   tência de jazida de areia para a maioria das
      catam seus mariscos, sururus e outros molus-      engordas de praia propostas, o projeto deve ser
      cos. Em todos os municípios pesquisados a         revisto. A participação dos pescadores e seu
      pesca estuarina é realizada e depende dire-       conhecimento deveriam ter sido contemplados
      tamente dos estuários e boa saúde da região       quando da concepção da ideia e mesmo do
      costeira e adjacências da praia.                  projeto. É altamente recomendável que um pro-
                                                        jeto desse porte reconheça o saber tradicional
      A pesca e o meio ambiente são interdependen-      de longas gerações e os impactos causados a
      tes, sendo os impactos ambientais as princi-      uma classe de profissionais que por direito é a
105
usuária legítima das regiões costeiras e estua-   O dimensionamento dos impactos positivos e
rinas.                                            negativos apontados foi feita de forma quali-
                                                  ficada, ou seja, considerando que o cenário
Vários impactos negativos podem ser citados       descrito no projeto de engenharia fosse cumpri-
em relação ao “Projeto Recuperação da Orla        do. Contudo destacaram-se algumas incertezas
Marítima”. Os principais são ambientais e         críticas que afetam sensivelmente a tomada de
causam a diminuição e mesmo o impedimento         decisão acerca do licenciamento ambiental do
da atividade da pesca artesanal. A diminui-       projeto.
ção da produção poderá ser causada pela
dragagem dos sedimentos, pelos sedimentos         As incertezas críticas levantadas pela equipe
em suspensão na água, aterros de bancos de        de socioeconomia são: i) impossibilidade de
moluscos, barulho e movimentação da dra-          estimar a viabilidade econômica do empreen-
ga, assoreamento de habitats (leito de rios e     dimento; ii) indefinições no projeto apresenta-
lagoas, recifes, manguezais), entre outros. A     do sobre a tomada de areia; iii) divergências
atividade da pesca também será prejudicada        sobre a melhor alternativa de engenharia no
com a movimentação das máquinas na obra,          tocante às estruturas rígidas; iv) inexistência de
as modificações na orla com possível impedi-      detalhamento sobre impactos nos sedimentos
mento da atracação dos barcos, funcionamento      que se acumulam na comunidade da “Ilha do
da draga e exclusão da pesca na região de inte-   Maruim”; v) cronograma de realização da obra
resse de dragagem. As caiçaras e moradias de      extremamente otimista e vi) necessidade de
pescadores também serão atingidas. Em menor       manutenção constante do engordamento de
grau, cita-se uma série de impactos negativos à   praia, o que gerará custos de manutenção altos
pesca: dificuldades de trânsito de embarcações    para as prefeituras, além de impactos ambien-
e aumento de acidentes, aumento no número         tais de longo prazo causados pelas dragagens.
de afogamentos na região de Suape e outras
onde ocorrerem às dragagens, dificuldades         Os impactos positivos recaem sobre um contin-
para a comercialização de produtos pesqueiros     gente populacional bastante superior ao con-
nas praias, dificuldades de acesso às praias,     tingente populacional que recebe os impactos
problemas de saúde decorrentes do acúmulo         negativos e podem ser resumidos em valoriza-
de lixo e propagação de pragas nas estruturas     ção dos imóveis da orla; aumento do bem estar
de contenção e problemas de pele devidos a        dos usuários das praias e aumento do potencial
matéria orgânica no sedimento.                    turístico (não necessariamente do turismo)
                                                  das praias dos quatro municípios. Os impactos
                                                  negativos são de natureza transitória para os
106




      moradores das parcelas mais valorizadas da              ao Projeto Recuperação da Orla Marítima, a
      orla, mas algumas vezes permanentes para os             contextualização etno-histórica envolveu parte
      pescadores e moradores de áreas de orla me-             da faixa litorânea de Pernambuco; mais especi-
      nos valorizados. A clássica solução de valorizar        ficamente os municípios de Olinda, do Paulista,
      as perdas da menor parcela da população que             do Recife e de Jaboatão dos Guararapes, que
      será negativamente afetada é possível, mas              integram atualmente a Mesorregião Metropo-
      pode inviabilizar economicamente o projeto,             litana do Recife. Inclui-se aqui ainda, como
      uma vez que as incertezas críticas fazem com            área de influência direta do empreendimen-
      que o tamanho econômico dos impactos posi-              to, o município do Cabo de Santo Agostinho,
      tivos seja bastante duvidoso e também porque            considerando-se que o ponto de dragagem faz
      sobrecarregaria demasiadamente o futuro                 face àquele litoral. Na faixa litorânea destes
      orçamentário dos municípios.                            municípios, os estudos envolveram a busca
                                                              pela coleta de dados primários, de modo não
      A melhor alternativa parece ser o aprofunda-            interventivo, além do levantamento de dados
      mento dos estudos de engenharia, principal-             secundários.
      mente detalhando melhor as origens de areia e
      o complemento do projeto de engenharia com              Durante o diagnóstico, foram levantados os
      um projeto socioeconômico de implantação e              aspectos culturais dos municípios estudados,
      gestão da orla acoplado ao projeto de engenha-          incluindo o levantamento do patrimônio ima-
      ria. Um enriquecimento no projeto deste tipo            terial (festas, danças, comidas típicas, lendas,
      pode, por exemplo, propor que sejam criados             artesanato), do patrimônio paisagístico, do
      tributos específicos para os beneficiários do           patrimônio espeleológico (cavernas e furnas)
      projeto, de sorte a que as compensações am-             e paleontológico, e do patrimônio material (ar-
      bientais e a manutenção da orla sejam garan-            queológico e histórico), relativos à AII.
      tidas.
                                                              Os aspectos relativos ao patrimônio imaterial

      Patrimônio                                              dos referidos municípios, no geral, correspon-
                                                              dem àqueles que ocorrem na região pernam-
      cultural                                                bucana como um todo. Merece destaque as
                                                              festas populares como o Carnaval e o São João,
      A legislação federal aplicável ao patrimônio            quando ocorrem manifestações culturais típicas
      histórico-cultural protege os conjuntos urbanos         que envolvem grupos organizados como os
      e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico,   blocos de Carnaval, o Galo da Madrugada e
      arqueológico, paleontológico, ecológico e cien-         outros.
      tífico. No estudo do Patrimônio Cultural relativo       Entre as festas religiosas e profanas, desta-
107
cam-se a Festa da Pitomba em Jaboatão dos           mônio paisagístico pela esfera federal, como o
Guararapes e a Festa da Lavadeira, uma festa        conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagísti-
de cunho religioso realizada todo dia 1 de maio,    co de Olinda; o conjunto arquitetônico, urbanís-
na praia do Paiva. Ainda no âmbito das festas       tico e paisagístico do antigo Bairro do Recife;
populares e religiosas, a corrida de jangadas no    o conjunto paisagístico do Sítio da Trindade,
Paulista e a Romaria ciclística a São Severino      estrada do Arraial n° 3250; a casa de Gilberto
do Ramos.                                           Freyre - Vivenda Santo Antônio de Apipucos,
                                                    envolvendo as edificações e o sítio paisagístico
Ainda no âmbito do patrimônio imaterial, cons-      ao seu redor. Menção específica se deve aos
tam na lista gastronômica o Bolo Souza Leão,        coqueirais, que outrora caracterizavam pratica-
a tapioca, além dos frutos do mar típicos da        mente todo o litoral.
região (peixes, camarões, caranguejo, sururu,
marisco, entre outros), os licores e doces ca-      Do ponto de vista do Patrimônio Espeleológi-
seiros vendidos em barracas de rua nas áreas        co, o Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil
de praia são famosos na região. São doces e         (CNC) não registra a presença de formações
licores de frutas regionais produzidos artesanal-   cavernícolas de interesse espeleológico na
mente. A passa-de-caju é um dos doces mais          Área de Influência Indireta (AII) deste empre-
procurados.                                         endimento. A despeito da presença de rochas
                                                    carbonáticas, representada pelas Formações
Há que se mencionar ainda a relação da popu-        Gramame e Maria Farinha do Grupo Paraíba,
lação com a orla marítima e as atividades que       presentes no litoral Norte de Pernambuco,
nela ocorrem como cerimoniais e festividades        mesmo no litoral onde tais rochas se expõem
religiosas (manifestações dos cultos afro-bra-      em contato com o mar, não há referências à
sileiros), a pesca artesanal, além do uso como      presença de cavernas.
lazer e o comércio informal.
                                                    Todavia, aquelas rochas carbonáticas têm
O patrimônio paisagístico profuso na AII, na        revelado a presença de alguns fósseis relatados
realidade se sobressai como paisagem valoriza-      em pesquisas que precederam a explotação
da. Facilmente a população consultada elenca        industrial daqueles depósitos. Do mesmo
um número significativo de locais de interesse      modo, se tem em Olinda, onde na década de
paisagístico, onde certamente se incluem as         1940 foi identificada a ocorrência de depósitos
praias e as áreas de esporte e passeio náutico.     de fosforitos marinhos com considerável teor
                                                    em fosfato, associados aos arenitos calcíferos
No âmbito da Área de Influência Indireta, al-       da bacia sedimentar costeira nos estados de
guns bens têm o reconhecimento como patri-          Pernambuco e Paraíba. Kegel (1953) denomi-
108




      nou de Formação Itamaracá esses arenitos cal-       no Recife, 2 em Olinda, 4 no Paulista e 176 no
      cíferos de granulometria grossa com abundante       Cabo de Santo Agostinho.
      fauna cretácea e, posteriormente, Kegel (1955)
      incluiu na referida formação a porção inferior      A implantação do Projeto Recuperação da
      de arenitos friáveis, continentais, com restos de   Orla Marítima interferirá fisicamente em áre-
      plantas carbonizadas, por vezes conglomeráti-       as urbanas, entretanto, no que concerne às
      cos, interdigitados com calcarenitos de fácies      edificações reconhecidas como de interesse
      marinhas anteriores.                                histórico e arqueológico, tem-se o caso da área
                                                          onde provavelmente existiu a primitiva Igreja de
      O patrimônio material identificado na AII, do       Nossa Senhora das Candeias, hoje destruída.
      ponto de vista histórico, representa o foco         No trecho onde se supõe ter existido aquela
      inicial da ocupação histórica do Estado. Longa      igreja, foram realizadas obras de contenção
      é a lista dos bens tombados, sobretudo em           marinha. De permeio com o material utilizado
      Olinda e no Recife, onde se destaca o conjunto      nas obras, podem ser vistos blocos de calcário
      de igrejas que está entre os mais antigos do        com evidencias de trabalho de cantaria. Parte
      Brasil. O rol de edificações históricas tombadas    desse material calcário foi reunido e transporta-
      (e em processo de tombamento), por institui-        do por moradores interessados na preservação
      ções do governo federal, estadual e municipal       do patrimônio, que de há muito sugerem que
      abrange uma vasta gama de exemplares da             sejam realizados estudos na área para a iden-
      arquitetura histórica, envolvendo não apenas        tificação do local e das ruínas da antiga igreja,
      edificações religiosas e de defesa, mas exem-       cuja construção remonta ao primeiro quartel do
      plares da arquitetura civil governamental e         século XVII.
      particular. Quanto à distribuição temporal,
      estão contemplados desde monumentos com             As obras do empreendimento envolvem ainda
      origem no século XVII, àqueles representantes       riscos com relação ao patrimônio arqueológico
      do século XX.                                       não manifesto, além do natural e paisagístico.
                                                          A expectativa de tais riscos converge para as
      No âmbito do patrimônio material arqueológico,      áreas onde existiram obras de defesa, como
      estão registrados no Cadastro Nacional de Sí-       aquelas que cercavam a cidade de Olinda, em
      tios Arqueológicos do IPHAN (CNSA), 39 Sítios       que se inclui o Forte do Buraco.
      arqueológicos. Todavia com base nas consultas
      realizadas na sede do IPHAN em Pernambuco,          As áreas a serem aterradas, em parte corres-
      bem como em outras instituições de pesquisa,        pondem àquelas que foram atingidas pelo
      foram arrolados mais 206 sítios arqueológicos,      avanço das águas do mar. Entretanto, há que
      sendo que 7 em Jaboatão dos Guararapes, 17          se considerar o risco que a dragagem a ser
109
realizada representa para eventuais sítios ar-   na datação de outros sítios arqueológicos. Por
queológicos subaquáticos não manifestos, visto   outro lado, o ato de dragar acarreta em retira-
que o material para o engordamento das praias    da de um pacote sedimentar, podendo expor
será obtido a partir da dragagem de trechos do   vestígios que estejam enterrados, ou mesmo
leito oceânico nas proximidades do Cabo de       removê-los.
Santo Agostinho.
                                                 Considerando-se o potencial arqueológico da
A grande maioria dos múltiplos naufrágios        área e avaliando-se a intensidade no local das
listados na costa pernambucana é de localiza-    ações que interferirão fisicamente no leito
ção imprecisa ou desconhecida. O potencial       oceânico, no trecho considerado e adjacências,
em termos de informações, de remanescentes       as ações de dragagem, potencialmente pro-
materiais destes sítios arqueológicos é dos      moverão o deslocamento de vestígios arque-
mais ricos. Quando identificados, os vestígios   ológicos eventualmente presentes na área;
de naufrágios apresentam um valor científico     alterações e mesmo inversões estratigráficas no
agregado, representado pela exatidão cronoló-    terreno contíguo, o que representa a destruição
gica dos remanescentes, que podem auxiliar       do contexto arqueológico de uma área.
110



      7
          Quais são os impactos do
          empreendimento?
          A identificação dos impactos previsíveis em decorrência do empreen-
          dimento de recuperação da orla marítima, as medidas que deverão ser
          tomadas para minimizar os efeitos negativos e maximizar os positivos, em
          todas as etapas da obra são, de fato, as informações e os instrumentos
          essenciais para a sustentabilidade ambiental da área modificada. Por sua
          vez, os Programas de Controle e Monitoramento Ambiental propostos para
          acompanhar possíveis mudanças e adequar seu curso, contribuem para
          a consolidação de um Sistema de Gestão Ambiental na área da bacia que
          será afetada.


                                       Grupo de Discussão Multidisciplinar




                Matriz de Correlação
                   (Meio físico - Meio Biótico -
                     Meio Socioeconômico)




              DESCRIÇÃO dos Impactos                            MEDIDAS de Mitigação e Controle
              AVALIAÇÃO dos Impactos                             PROPOSTAS de Monitoramento




                                                   Prognóstico Ambiental



          Os impactos identificados foram localizados, avaliados e descritos e,
          para cada um deles, foram sugeridas medidas mitigadoras e de controle
          ambiental, além de ações de monitoramento. Os impactos identificados
          foram:
111
MEIO		         IMPACTO

Físico	
		             Aumento da oferta da praia
		             Propagação da linha de costa
		             Instabilidade do fundo arenoso
		             Aumento de processos erosivos
		             Risco de compactação da camada superficial da areia na área destinada
		             ao reforço do leito da praia
		             Alteração da qualidade da água
		             Geração de efluentes e resíduos sólidos decorrentes da obra
		             Modificação da dinâmica sedimentar
		             Aumento do nível de ruídos e vibrações
		             Alteração da qualidade do ar (emissão de gases e material particulado)
		             Risco de alteração da qualidade da água com óleos e graxas

Biótico	
		             Perda da área de alimentação/reprodução de espécies
		             Interferências sobre a fauna associada
		             Alterações que impliquem em extinção de espécies
		             Interrupção da migração de espécies
		             Perda de diversidade biológica
		             Favorecimento da seleção de organismos existentes
		             Destruição de ninhos de tartarugas marinhas
		             Atropelamento e destruição das áreas de alimentação e reprodução das tartarugas marinhas
		             Perda de biodiversidade e das características das comunidades vegetais

Socioeconômico	
		             Expectativa da população em relação à implantação do empreendimento
		             Eliminação de equipamentos disponíveis para atividades sociais e culturais
		             Risco de acidentes com a população local e o pessoal alocado às obras
		             Impactos sobre a população decorrentes da instalação das obras e canteiro de obras
		             Valorização imobiliária do entorno
		             Desvalorização imobiliária do entorno
		             Incremento das atividades econômicas
		             Paralisação e /ou redução de atividades econômicas
		             Alteração na oferta de emprego
		             Impactos sobre a saúde pública - doenças dermatológicas e bacteriológicas
		             Aumento do valor do imobilizado dos empreendimentos através da valorização dos imóveis onde 			
		             estão instalados os bares, restaurantes e hotéis
		             Aumento do número de clientes que resultarão em elevação de receita de todos os 				
		             empreendimentos: quiosques, bares, ambulantes, hotéis e restaurantes
		             Diminuição da demanda para os negócios dos grupos econômicos
		             Diminuição da produção pesqueira
		             Impedimento da atividade pesqueira
		             Impactos sobre as caiçaras e atividade produtiva dos pescadores realizada na beira-mar
		             Aumento de acidentes com embarcações e em terra
		             Diminuição das vendas de produtos pesqueiros nas praias durante as obras
		             Comprometimento de estruturas em terra devido a deposição de sedimento – Ilha do Maruim, Olinda
		             Restrição de acesso a área de praia
		             Aumento no número de afogamentos na área de Suape e outras áreas a serem
		             estabelecidas como áreas de tomada de sedimento
		             Possibilidade de aumento nos ataques de tubarão
	          	   Possibilidade de implantação de projetos turísticos
		             Aumento das receitas municipais
112




      	       Aumento da educação ambiental da população
      	       Interferência no patrimônio cultural arqueológico, histórico de interesse arqueológico, 					
      	       paisagístico e imaterial
      	       Interferência no patrimônio cultural subaquático




      Programas de                                               Sistema
      acompanha-                                                 de Gestão
      mento e                                                    Ambiental
      monitoramento
      de impactos                                                O Sistema de Gestão Ambiental proposto para
                                                                 o empreendimento tem seus fundamentos no
                                                                 arcabouço legal pertinente e na articulação
      O Programa de Acompanhamento e Monitora-
                                                                 interinstitucional necessária à sua efetivação.
      mento dos Impactos que se apresenta a seguir,
                                                                 Sua concepção busca favorecer e estimular a
      atende ao Termo de Referência da Agência
                                                                 participação da sociedade, não apenas no que
      Estadual de Meio Ambiente (CPRH), TR GT Nº
                                                                 se refere aos programas educativos, mas em
      14/11, para elaboração do Estudo de Impacto
                                                                 todas as ações implementadas. Nesse sen-
      Ambiental e do Relatório do Impacto Ambiental
                                                                 tido, o processo de gestão incorporará como
      (Rima) para implantação do empreendimento
                                                                 instrumentos básicos os Programas Ambientais
      Recuperação da Orla Marítima de Jaboatão, do
                                                                 apresentados no quadro seguinte, relacionados
      Recife, de Olinda e do Paulista e incorpora da-
                                                                 aos temas maiores do EIA e sintetizados em
      dos dos estudos anteriores bem como as reco-
                                                                 seguida.
      mendações decorrentes do presente trabalho.


      O monitoramento ambiental durante e depois
      da execução das obras é de fundamental
      importância para garantir que o projeto exe-
      cutivo seja corretamente implementado, bem
      como para sugerir alguns ajustes que se façam
      necessários, e avaliar os possíveis impactos
      ambientais decorrentes da interferência no
      meio ambiente.
113
Programas de Acompanhamento e Monitoramento dos Impactos (PAs)

Temática do PA		   Denominação

MEIO FÍSICO	
			                PA 1 - Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
			                PA 2 - Programa de Monitoramento da Linha e do Perfil Praial
			                PA 3 - Programa de Monitoramento da Qualidade da Água e Balneabilidade
			                PA 4 - Programa de Recuperação de Restinga e Áreas de Dunas na Praia Engordada
			                PA 5 - Programa de Monitoramento Contínuo para Identificação de Hotspots de Erosão
			                PA 6 - Programa de Segurança do Trabalho
			                PA 7 - Programa de Acompanhamento da Execução das Obras

MEIO BIÓTICO	
			                PA 8 - Programa de Salvamento e Conservação da Fauna Marinha
			                PA 9 - Programa de Salvamento e Conservação da Fauna Costeira
			                PA 10 - Programa de Monitoramento da Flora Terrestre
			                PA 11 - Programa de Monitoramento da Fauna e Flora (Marinhas e Associadas)
			                PA 12 - Programa de e Resgate de Germoplasma e Conservação da Flora

MEIO SOCIOECONÔMICO	
			                PA 13 - Compensação Socioeconômica para Pescadores
			                PA 14 - Programa de Cooperativismo Pesqueiro
			                PA 15 - Programa de Melhoria da Qualidade e Beneficiamento dos Pescados
			                PA 16 - Capacitação em Zooartesanato
			                PA 17 - Programa de Capacitação Técnica e Profissional do Estaleiro Escola
			                PA 18 - Programa de Comunicação Social (PCS)
			                PA 19 - Apoio a Atividades Econômicas e Produtivas Ligadas Diretamente à Praia
			                PA 20 - Programa de Educação Ambiental
			                PA 21 - Prospecção e Resgate do Forte do Buraco
			                PA 22 - Programa de Prospecção e de Resgate Arqueológico
			                PA 23 - Programa de Prospecção Arqueológica Subaquática
			                PA 24 - Programa de Monitoramento, de Resgate Arqueológico e Educação Patrimonial 			
			                das Obras de Contenção e de Engordamento das Praias
			                PA 25 - Programa Paisagístico Integrando às Obras e às “Novas Praias”
114



                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Gerenciamento de resíduos Sólidos

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 Monitoramento da linha e do Perfil Praial

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          Monitoramento da qualidade da Água e Balneabilidade

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     Recuperação de Restinga e Áreas de Dunas na Praia da Engordada




                                                                                                                                                                                                             empreendimento.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     Monitoramento contínuo para identificação de hotspots de Erosão
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Prog. meio físico
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          Segurança do trabalho

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 Acompanhamento da execução das Obras




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      ambiental
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              Salvamentos e conservação da Fauna Marinha




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Prognóstico
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              Salvamentos e conservação da Fauna Costeira




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      da qualidade
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     Monitoramento da flora terrestre




                                                                                                                                                                                                                                                             situações sem o empreendimento e com o
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          Monitoramento da fauna e flora (marinha e associadas)




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          O prognóstico ambiental foi elaborado com




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        ção de impactos, apresentando uma análise
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              bem como na sua análise integrada e avalia-


                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                comparativa dos cenários ambientais para as
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            base nas informações do diagnóstico ambien-
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     tal dos meios físico, biótico e socioeconômico,
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             Resgate de germoplasmas e conservação da flora
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Prog. meio biótico




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              Compensação socioeconomica para pescadores

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         Cooperativismo Pesqueiro

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          Melhoria da qualidade e Beneficiamento dos pescados

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Capacitação em Zooartesanato
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Sistema de gestão ambiental




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Capacitação técnica e profissional do estaleiro escola

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        Comunicação social (PCS)




do turismo na região.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Apoio a atividades econômicas e produtivas ligadas




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            dimento
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           diretamente a praia.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Educação Ambiental
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            Qualidade                                            Prospecção e resgate do forte do buraco




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            o empreen-
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Prospecção e resgate arqueológico
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Prog. meio sócioeconômico




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Prospecção arqueolócia subaquática
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Monitoramento, de resgate arqueológico e educação
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            ambiental sem
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     patrimonial das obras de contenção de engoradamento das praias




                                                                           das perdas econômicas com a desvalorização
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 ao longo das décadas associado às atividades




                                                                                                                        nio material e imaterial, representadas através
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           O processo desordenado da ocupação urbana


                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         antrópicas, à urbanização, à construção de al-




                                                                                                                                                                                                                         orla marítima ao longo das décadas, revelando
                                                                                                                                                                          uma tendência de grandes perdas do patrimô-
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   ternativas inadequadas para o controle do pro-
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Paisagístico integrando as obras e as “novas praias”




                        imobiliária, perdas do espaço público de lazer e
                                                                                                                                                                                                                                                                                            cesso erosivo vem provocando a degradação da
115
Esse processo de degradação avança, sendo
um processo progressivo contínuo.
                                                  Qualidade
                                                  ambiental com
A situação ambiental, no que se refere à faixa
de praia futura da área, sem o empreendimen-
                                                  o empreen-
to, pode ser prognosticada da seguinte forma:     dimento
•	 Sem a segmentação do quebra-mar, as as         O projeto de recuperação da orla marítima tem
   ondas continuarão atingindo fortemente         como finalidade reduzir os danos provocados
   a praia. Essa variação gera um gradiente       pelo avanço do mar nas últimas décadas, mi-
   de pressão que induz correntes longitudi-      tigando o efeito da perda de área de acesso a
   nais na zona de surfe (entre o arrecife e      praia, bem com reduzindo o risco de perda dos
   a praia). Essas correntes são capazes de       imóveis, equipamentos de infraestrutura e lazer
   transportar sedimento para fora do sistema     construídos na orla marítima.
   costeiro, servindo como um sumidouro           Esta obra trará usos múltiplos, tendo em vista
   natural;                                       que o espaço da orla garante o equilíbrio do
•	 O enrocamento não potencializará a             ecossistema praial, assegura o habitat susten-
   recuperação da praia preexistente como é       tável da fauna e flora existentes, que propor-
   observado atualmente, devido aos pro-          cionarão uma melhoria da qualidade de vida
   cessos erosivos, o que reflete em perdas       da população diretamente afetada, ao permitir
   econômicas;                                    a dinamização de atividades econômicas e
•	 O engordamento (aterro hidráulico) terá        aumento de emprego e renda. A obra também
   vida útil curta, devido aos processos erosi-   vai oferecer um espaço de beleza paisagística e
   vos o que reflete em perdas econômicas;        de uso de área de lazer para a população local
•	 A área a ser recuperada retornará as condi-    e os turistas.
   ções atuais, prevendo-se o avanço do mar       Ressalta-se que o processo de engorda da orla,
   sobre o calçadão.                              contemplando reposição de areia e constru-
                                                  ção de espigões, implica necessariamente na
Dessa forma, a não construção de uma obra         ocorrência de vários impactos adversos sobre
de porte sistêmico mantém esse status quo,        o ambiente atual, cuja importância foi avaliada
deixando os bens da população residente, bem      e coberta por um conjunto de propostas de
como a população usuária, além da infraestru-     mitigação e por Programas Ambientais, que
tura pública, a mercê do avanço do nível do       permitirão desenvolver a gestão ambiental da
mar e degradação progressiva da orla marítima.    área.
116




      Entre os impactos positivos, ressaltam-se a pro-      ecossistema, prevendo-se temporariamente
      teção do patrimônio construído, estímulo à eco-       a degradação da paisagem pela própria
      nomia local, fortalecimento do turismo, diversi-      exposição do canteiro de obras e movimen-
      ficação das atividades econômicas, contratação        tação das máquinas, materiais e trabalha-
      de mão de obra e do fornecimento de produtos          dores no local;
      e serviços ao empreendimento, contribuindo         •	 O local em obras demonstrará uma situa-
      para a geração direta de emprego e renda,             ção de desconforto ambiental em decor-
      além de incentivar de forma indireta a geração        rência da emissão de ruídos e lançamento
      de postos de trabalho em outros setores.              de poeiras, bem como pela situação de
                                                            alteração da paisagem pelas obras;
      Deve-se considerar que o aumento das de-           •	 Como efeito da situação de desconforto
      mandas de infraestrutura física e social da orla      ambiental, os estabelecimentos do entorno
      marítima nos últimos anos, vem acontecendo            sofrerão perdas temporárias, uma vez que
      face à grande especulação imobiliária, particu-       é previsível uma diminuição na frequência
      larmente em razão do crescimento econômico            de visitantes ao local, o que deverá per-
      de Pernambuco. Este crescimento se deve à             manecer até que as condições ambientais
      existência de empreendimentos estruturado-            favoráveis sejam restabelecidas;
      res, tais como o Complexo Portuário Eraldo         •	 Temporariamente, o tráfego de veículos na
      Gueiros (Suape), o Polo Industrial de Goiana,         via principal e nas secundárias (vias de
      bem como as obras estruturadoras, como a Via          acesso) sofrerá alteração no trânsito, uma
      Mangue, para atender as demandas futuras da           vez que haverá necessidade do transporte
      Copa do Mundo de 2014.                                de diversos materiais de construção civil e
                                                            máquinas pesadas;
      Durante a fase de implantação das obras de         •	 A qualidade da água nessa faixa de praia,
      controle da erosão na orla dos municípios do          bem como no seu entorno, apresentará
      Paulista, de Olinda, do Recife e de Jaboatão          alteração, tornando-se temporariamente
      dos Guararapes, o processo construtivo do             turva, devido o aumento de sólidos em
      empreendimento que envolve ações como                 suspensão;
      manejo de materiais rochosos, manuseio de          •	 Durante o período de instalação da
      equipamentos, movimentação de máquinas e              segmentação do quebra-mar e do en-
      de trabalhadores, poderá apresentar os seguin-        gordamento da praia, é provável que os
      tes prognósticos:                                     componentes da fauna e flora marinha
                                                            (ecossistema aquático), bem como as
      •	 Ficar submetida à instabilidade ambiental          relações tróficas estabelecidas, sofram
         e desequilíbrio da dinâmica natural do             desequilíbrio em caráter temporário. Pos-
117
   teriormente, é notório que a obra se torne        o equilíbrio morfodinâmico;
   um atrativo para a fauna e flora, criando-se   •	 Na área de interferência física do quebra-
   desta forma um novo habitat para algas e          mar no ambiente aquático, ou seja, entre
   organismos incrustantes.                          a praia e o alto-mar, não há previsão de
                                                     alterações nos parâmetros físicos ou bio-
Depois da segmentação do quebra-mar e en-            lógicos, desde que não haja intervenções
gordamento da praia:                                 antrópicas no local.


•	 A segmentação do quebra-mar, para área         O prognóstico desse estudo é o de que o
   em foco, irá intensificar a troca de sedi-     empreendimento recuperação da orla maríti-
   mentos pelas correntes de retorno e permi-     ma dos municípios de Jaboatão, do Recife, de
   tir a oxigenação da água, não afetando o       Olinda e do Paulista deve ser implementado, o
   equilíbrio do ecossistema marinho;             que contribuirá para o desenvolvimento susten-
•	 A paisagem local será alterada com a ins-      tável da região. A recuperação da orla marítima
   talação de uma nova feição a qual deverá,      corresponde ao principal impacto positivo deste
   a médio e longo prazo, ser reincorporada       projeto.
   aos cartões postais da orla marítima dos
   municípios da Região Metropolitana do
   Recife, restabelecendo a beleza anterior;
                                                  Conclusões
•	 A obra proporcionará a conservação da
                                                  O Estado de Pernambuco se encontra em gran-
   faixa de praia recuperada com o aterro
                                                  de crescimento, em especial na Zona Costeira,
   hidráulico, gerando saldos positivos;
                                                  que apresenta a maior densidade demográfica
•	 A manutenção da praia recuperada, garan-
                                                  do Estado, concentrando atividades econômi-
   tida com o engordamento da mesma, redu-
                                                  cas, industriais, de recreação e turismo. Diver-
   zirá sensivelmente os custos com possíveis
                                                  sos problemas ambientais têm se desenvolvido
   reposição do aterro hidráulico;
                                                  no litoral pernambucano com destaque para
•	 A faixa litorânea, no entorno, poderá levar
                                                  os processos erosivos ao longo da costa. Na
   vários anos para estabelecer um novo equi-
                                                  tentativa de contê-los, ao longo dos anos, di-
   líbrio, especialmente se houver transporte
                                                  versas alternativas foram implementadas, como
   de areia pela deriva litorânea. Por isso é
                                                  a instalação de estruturas rígidas, a exemplo
   essencial o monitoramento posterior;
                                                  de muros de proteção, diques, quebra-mares,
•	 Como a estrutura será construída paralela
                                                  espigões e outras técnicas de contenção cons-
   a praia, ocorrerá significativa redução na
                                                  truídas para solucionar um problema local, e
   altura das ondas e ressacas que alcançam
                                                  que passaram a induzir o processo de erosão
   a linha de costa promovendo, dessa forma,
                                                  em áreas próximas.
118




      Os municípios de Jaboatão dos Guararapes,          analisados e avaliados. Para mitigar, controlar e
      do Recife, de Olinda e do Paulista, localizados    até neutralizar o efeito desses impactos foram
      na Região Metropolitana do Recife, sofrem          propostas medidas mitigadoras, e elaborados
      bastante com os processos erosivos causados        25 Programas Ambientais para subsidiar o de-
      pela ação do mar ou como consequência das          senvolvimento da Gestão Ambiental da área.
      estruturas de contenção instaladas, provocando
      a destruição do potencial da orla para o turismo   A análise dos impactos positivos e negativos
      e o lazer. A partir desse panorama, as prefei-     e a convicção da necessidade de obras estru-
      turas decretaram situação de emergência em         turadoras concatenadas em políticas públicas
      algumas áreas da orla marítima, o que levou        efetivas para a redução dos desastres recorren-
      o Governo de Pernambuco a buscar medidas           tes do avanço do mar no litoral pernambucano
      para minimizar esses impactos, através de          mostrou que é importante e indispensável para
      projetos que considerem uma visão mais ampla       a implementação do empreendimento. Por fim,
      do Estado.                                         considerando o caráter dinâmico e a especifi-
      O empreendimento Recuperação da Orla Ma-           cidade do empreendimento, é possível que, ao
      rítima dos municípios de Jaboatão dos Gua-         longo do tempo, ou até mesmo durante a fase
      rarapes, do Recife, de Olinda e do Paulista é      de discussão e análise deste EIA, seja neces-
      uma ação estruturadora do Governo do Estado,       sária a adoção de medidas complementares
      inserida numa política pública de controle das     não previstas neste documento. Assim sendo,
      Mudanças Climáticas. A recuperação da orla         é relevante o acompanhamento sistemático de
      marítima e recomposição das praias arenosas        todas as fases de operacionalização do empre-
      proporcionarão melhores condições para o           endimento, de forma a possibilitar a adoção, de
      desenvolvimento socioeconômico e ambiental         modo proativo, de medidas complementares
      destes municípios, através de novas oportuni-      que se fizerem necessárias. Do ponto de vista
      dades e melhores condições.                        técnico, pode-se considerar que os cuidados
                                                         ambientais prévios, as medidas mitigadoras
      O Estudo de Impacto Ambiental (RIMA) foi de-       e de controle, quando bem implementadas,
      senvolvido com o objetivo de avaliar os diferen-   contribuirão efetivamente para a viabilidade
      tes tipos de impactos ambientais, associados às    ambiental da atividade descrita e avaliada neste
      distintas fases de planejamento, implantação e     documento.
      de operação do empreendimento. Foi realizado
      um diagnóstico do ambiente a ser afetado, con-
      templando os elementos ambientais dos meios
      físico, biótico e socioeconômico, sendo iden-
      tificados prováveis impactos, os quais foram
119
Rima menor

Rima menor

  • 4.
    Equipe Técnica Meio Físico Ana Mônica Correia, MSc. Geógrafa Adauto Gomes Barbosa Coordenação Geral Geógrafo Ivan Dornelas, MSc. Antônio Vicente Ferreira Júnior Engº. Cartógrafo Geógrafo Bruno Ferreira Coordenação Técnica Geógrafo Maria do Carmo Martins Sobral, Drª Doris Regina Alves Veleda Engª Civil Meteorologista Fabíola de Souza Gomes Apoio a Coordenação Técnica Engª Civil Rita de Cássia Barreto Figueiredo Glauber Matias de Souza Engª Química Geólogo Gustavo Lira de Melo Márcia Cristina de Souza Matos Carneiro Biólogo Engª Cartógrafa Alessandra Maciel de Lima Barros Maria das Neves Gregório Engª Civil Geógrafa Maria das Vitórias do Nascimento, Msc Engª Civil Análise do Projeto Romilson Ferreira da Silva Ana Paula Batista Lemos Ferreira Meteorologista Engª. Civil Simone Karine Silva da Paixão, Especª. Engª Civil Supervisão Geral E. Ambientais Wanderson Dos Santos Sousa Wbaneide Martins de Andrade, MSc. Meteorologista Bióloga/Botânica Weronica Meira de Souza Meteorologista Supervisão Meio Físico Simone Karine Silva da Paixão Meio Biótico Engª Civil Alfredo Matos Moura Júnior, Dr. Biólogo/Botânico Supervisão Meio Biótico Cristiane Maria V. A. de Castro, Drª. Maristela Casé Costa Cunha, Drª Bióloga/Oceanógrafa Bióloga Geraldo Jorge Barbosa de Moura, Dr. Biólogo/Zoólogo Supervisão do Meio Socioeconômico Hélida Karla Philippini da Silva Lúcia de Fátima Soares Escorel Química Arquiteta e Urbanista Karine Matos Magalhães, Drª. Bióloga/ Botânica Análise Jurídica Marcondes Albuquerque de Oliveira, Drº Talden Queiroz Farias, MSc. Biólogo Advogado Maristela Casé Costa Cunha, Drª Bióloga/Oceanógrafa
  • 5.
    Mauro Melo Júnior Aramis Leite de Lima, MsC. Biólogo Engº. Cartógrafo Paula Braga Gomes Daniel Quintino Silva Bióloga Tecnólogo em Geoprocessamento Paulo Guilherme Vasconcelos de Oliveira Diego Quintino Silva Engº de Pesca Tecnólogo em Geoprocessamento Petrônio Alves Coelho Filho Felipe José Alves de Albuquerque Biólogo Geógrafo Flávio Porfírio Alves, MsC. Meio Sócioeconômico Engº. Cartógrafo Beatriz Mesquita Jardim Pedrosa Engª de Pesca Apoio Técnico Carlos Celestino Rios e Souza Anthony Epifânio Alves Arqueólogo Biólogo/Macroinvertebrados bentônicos George F. C. de Souza Cacilda Michele Cardoso Rocha Historiador Biólogo/Avifauna José Geraldo Pimentel Neto Elizardo Batista F. Lisboa Geógrafo Biólogo/Herpetologia Lúcia de Fátima Soares Escorel Ericarlos Neiva Lima Arquiteta e Urbanista Engº. de Pesca/Ictiologia Lúcia Maria Goés Moutinho Jana Ribeiro de Santana Economista Engª. de Pesca/Ictiologia Luís Henrique Romani Campos Josinaldo Alves da Silva Economista Biólogo/Botânica Marcos Antônio G. Matos de Albuquerque Milena Duarte de Oliveira Souza Arqueólogo Arqueóloga Maria Eleônora da Gama Guerra Curado Tatiana de Oliveira Calado Arqueóloga Bióloga Osmil Torres Galindo Filho Economista Apoio Administrativo Paulo Alves Silva Filho, Msc. Eva Luzia Nesso Geógrafo Analista de Sistemas Veleda Christina Lucena de Albuquerque Marlúcia Alves Rodrigues Arqueóloga Pedagoga Solange C. da Costa e Silva Geoinformação Advogada Daniel Quintino Silva Viviane Cabral Gomes Tecnólogo em Geoprocessamento Administradora Diego Quintino Silva Simone Rosa de Oliveira, MSc. Tecnólogo em Geoprocessamento Bibliotecária Cartografia Mobilização e Articulação Social Ana Carolina Schuler, MSc. Cândida Maria Jucá Gonçalves Engª. Cartógrafa Assistente Social Ana Mônica Correia, MSc Geógrafa
  • 6.
    6 ESTADO DE PERNAMBUCO Governador Instituto de Tecnologia de Pernambuco Eduardo Henrique Accioly Campos (ITEP-OS) Vice-Governador Diretor Presidente João Soares Lyra Neto Frederico Cavalcanti Montenegro Secretaria de Meio Ambiente e Diretor Técnico Ivan Dornelas Falcone de Melo Sustentabilidade – SEMAS Sérgio Xavier Diretora Administrativa Financeira Fabiana Albuquerque de Freitas Secretário Executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMAS Hélvio Polito Lopes Filho Superintendente de Inovação Tecnológica Márcia Maria Pereira Lira Superintendência Técnica de Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMAS Leslie Tavares Coordenador da UGP Barragens Ivan Dornelas Falcone de Melo Gerente Geral de Planejamento e Gestão de Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMAS Benedito Parente
  • 7.
  • 8.
    Apresentação “Uma das experiênciasmais recifenses que o adventício pode ter no Recife: um mar de água morna, um sol que em pouco tempo amorena o corpo do europeu ou do brasileiro do Sul” Gilberto Freyre, Guia prático, histórico e sentimental da Cidade do Recife O Recife e a sua Região Metropolitana nasceram a partir do mar. A cidade costeira e mercantil é também portuária e turística. A sua urbanização é forte na região costeira, a ocupação é disputada, densa, vertical. O metro quadrado próximo à praia tem valorização constan- te. A infraestrutura pública da orla é boa. As praias do Grande Recife representam a mais democrática opção de lazer do pernambucano e também o mais atraente cartão postal do Estado. Essa história, semelhante à de outras capitais no litoral brasileiro, pos- sui problemas específicos. A erosão costeira está entre os problemas mais persistentes. Contra seus efeitos, algumas alternativas foram co- locadas em prática, como os muros de proteção, diques, quebra-mares, espigões, molhes e outras construções com a finalidade de manter o recorte do litoral. A erosão continua e ignora a ação do homem. Os estudos ambientais presentes neste relatório representam uma resposta do Governo de Pernambuco, manifestada pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), ao contratar a Associação Instituto de Tecnologia de Pernambuco – ITEP/OS. A missão dada foi a de acompanhar e coordenar os estudos ambientais do Projeto de Recu- peração da Orla Marítima dos Municípios de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista. É um projeto estruturador, uma iniciativa do Governo do Estado. Faz parte da política pública de controle dos efeitos causados pelas mu- danças climáticas. Recuperar a praia e sua areia tem repercussão direta no desenvolvimento socioeconômico e ambiental de importantes
  • 9.
    municípios litorâneos. Representaa criação de novas oportunidades em um espaço democrático e público. O presente Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresenta uma síntese dos estudos desenvolvidos para obtenção de licenciamento junto à Agência Ambiental de Pernambuco (CPRH). O RIMA relaciona os principais resultados dos estudos realizados para os meios físico, para os seres vivos e o ambiente socioeconômico, no que se refere ao diagnóstico ambiental atual, os prováveis impactos e as formas de mitigação e controle que poderão ser implantadas. O relatório contém dados sobre o empreendimento e sobre os responsáveis envolvidos no projeto de recuperação da orla e nos estudos ambientais.
  • 10.
    159 INSTITUTO DE TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO Relatório de impacto ambiental-RIMA: Recuperação da Orla Marítima – Municípios de Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista (Pernambuco)/ Instituto de Tecnologia de Pernambuco. –Recife, 2012. 98p.: il. ISBN:
  • 11.
    Sumário POR QUE ESSAOBRA? 14 A ÁREA DO EMPREENDIMENTO 18 QUAL A ÁREA DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO? 42 COMO É O MEIO FÍSICO NA ÁREA DO EMPREENDIMENTO? 46 COMO SE APRESENTA O MEIO BIÓTICO NA ÁREA DOEMPREENDIMENTO? 76 QUAIS OS ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS DA ÁREA DO EMPREENDIMENTO? 100 QUAIS SÃO OS IMPACTOS DO EMPREENDIMENTO? 110
  • 13.
    EMPREENDEDOR O RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS AMBIENTAIS Secretaria de Meio Ambiente Associação Instituto de Tecnologia e Sustentabilidade – SEMAS de Pernambuco – ITEP OS Responsável: Sérgio Luís de Carvalho Xavier Responsável: Frederico Cavalcanti Montenegro CNPJ: 13.471.612/000-04 CNPJ : 05.774.391/0001-15 Avenida Marquês de Olinda, 222 Av. Professor Luiz Freire, 700 Bairro do Recife, Recife - PE, CEP - 50030– 000 Cidade Universitária – Recife/PE Telefone: (081) 31835506 / 31835513 Telefone: (81) 3183-4399 http://www2.semas.pe.gov.br/web/sectma http://www.itep.br
  • 14.
    1 14 Por que essa obra? Pernambuco vive um momento de grande crescimento econômico. O desenvolvimento é maior na região costeira, com a valorização urbana e atração de novos empreendimentos residenciais turísticos, concentração de empresariais, projetos comerciais e industriais. O litoral possui a maior densidade demográfica do Estado, uma das maiores do Nordeste. A pre- sença humana gera problemas ambientais e desequilíbrio. A erosão costeira é uma reação da natureza à urbanização. Os processos erosivos são evidentes ao longo da costa e variam apenas na intensidade. Pedras com função de quebra-mar, diques, espigões, muros de proteção e outras tentativas para conter a erosão foram construídas em busca da solução de um problema local. Essas ações passaram a induzir a erosão em áreas próximas e o problema atingiu regiões vizinhas. O litoral de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista foi atingida pela erosão marinha ou mesmo em consequência das estrutu- ras de contenção instaladas. A erosão destruiu parte do potencial da orla para o turismo e o lazer. Os dois setores representam a base de empre- gos, geração de renda e riqueza de parte da população do Estado: afeta o vendedor de picolé e a indústria alimentícia, o movimento do quiosque na beira-mar e a ocupação do hotel de luxo, atinge o orçamento do motorista de táxi e da agência de turismo. A irregular faixa de areia das praias desses quatro municípios evidencia a necessidade da implantação de projetos de engenharia, integrados de forma regional. A partir de uma solução técnica que permita corrigir os impactos ambientais, que atenda à legislação e às exigências dos órgãos ambientais e que leve em consideração as fragilidades ambientais de cada um dos setores, além das características de cada um dos municípios. Com esse panorama, as prefeituras decretaram situação de emergência
  • 15.
    15 em algumas áreasda orla. Essa decisão levou o governo de Pernambuco a realizar medidas para reduzir esses impactos, com uma visão mais ampla do litoral e dos municípios envolvidos. Esse projeto está limitado ao sul pela foz do rio Jaboatão e ao norte pela foz do rio Timbó, compre- endendo os municípios de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista. São os trechos definidos como Pontos Críticos de Erosão (MAI, 2009). A recuperação da orla marítima e recomposição da areia das praias vão criar melhores condições para o desenvolvimento socioeco- nômico e ambiental. Representam novas oportunidades, melhores condições e praias com quali- dade. Localização da área de estudo. Municípios de Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista. Região Metropolitana de Recife (RMR). Fonte: Coastal Planning & Engineering do Brasil
  • 16.
    16 Características dos municípios – situação atual das praias EXTENSÃO DE ORLA PRAIAS FORMAÇÃO DE PRAIAS TIPOS DE OBRAS JABOATÃO DOS GUARARAPES 7.961 m Piedade, Candeias, 58,9% Sedimentos Enrocamentos, Espigões, Barra de Jangada 41,1% Obras Rígidas Muros RECIFE 13.444 m Boa Viagem, Pina 44,6% Sedimentos Arrecifes Brasília Teimosa 55,4% Obras Rígidas Enrocamentos OLINDA 12.261 m Praia dos Milagres 34,4% Sedimentos Enrocamentos Praia do Carmo 65,6% Obras Rígidas Espigões São Francisco, Farol Muros Bairro Novo Casa Caiada , Rio Doce PAULISTA 14.468 m Praia de Enseadinha 66,5% Sedimentos Enrocamentos Janga, Pau Amarelo 33,5% Obras Rígidas Espigões Nossa Senhora do Ó Muros Conceição, Maria Farinha
  • 17.
  • 18.
    2 18 A área do empreendimento A urbanização da zona costeira pernambucana com diferentes objetivos e componentes culturais começa com a criação das primeiras vilas e cidades. As primeiras ocupações eram de grupos com interesse na pesca – praias e bordas das lagunas (AB’SABER, 1990). É esse o contexto do espaço urbano no litoral em Jaboatão dos Guarara- pes, no Recife, em Olinda e no Paulista resultante de relações sociais que se manifestam desde o período colonial, reflexo na urbanização presente nas cidades brasileiras. A pesquisa de Carneiro (2003) constatou que, em um período de trinta anos, considerando a série dos censos demográficos de 1970 até 2000, o aumento da população é multiplicado por seis. Esse dado, até mesmo de forma isolada, comprova o impacto ambiental. A pesquisa de Carneiro (2003) comprova os momentos de transformação estrutural na orla olindense. Foram mudanças sociais, políticas e econômi- cas, que refletiram no adensamento urbano desse espaço do litoral. Em outro estudo realizado em maio de 2003, Araújo et al. (2004) registra uma caminhada nas praias do litoral pernambucano, nas duas horas antes e nas duas horas depois da maré baixa. O estudo fez a identificação do ponto, com demarcação georreferenciada (GPS GARMIM) relacionada à ocupação urbana. A pesquisa também observa a presença, ou não, de edificações próximas à praia. A metodologia foi objetiva. Adotou trechos de praia e classificou em três graus de ocupação: ausência de ocupação da pós-praia; ocupação da pós-praia; e ocupação concomitante da pós-praia e da praia (estirâncio).
  • 19.
    19 Compartimentação geomorfológica doambiente praial Fonte: Adaptada de Araújo et al. (2004) O resultado do estudo de Araújo et al. (2004) demonstrou que o setor metropolitano é o mais for- temente ocupado, seguido pelos setores Norte e Sul pernambucanos respectivamente, conforme a tabela abaixo. Setores do litoral pernambucano X extensão (km) e percentual do litoral X percentual de ocupação por edificações e/ou obras de contenção Setores Extensão (km) % do litoral Ausência de ocupação Ocupação na pós-praia (%) Ocupação associada da na pós-praia (%) pós-praia e da praia (%) Norte 58 31 79.1 5.6 5.3 Metropolitano 42 22.5 49.0 4.0 47 Sul 87 46.5 78.7 9.7 11.6 Total 187 100 72.1 7.13 20.63 Fonte: Adaptada de Araújo et al. (2004) O setor metropolitano, de acordo com a pesquisa de Araújo et al. (2004), representa 22,5% do li- toral pernambucano. Associado a esse indicador, metade do ambiente praial encontra-se ocupado. Essa ocupação ganhou nova dinâmica na década de 1970. As casas de veraneio se transformaram em residências. Em seguida, começa a substituição das casas por edifícios residenciais e hotéis. Cinquenta por cento das praias da região metropolitana apresentam áreas construídas que se es- tendem até o estirâncio. O elevado percentual de ocupação da praia, principalmente por
  • 20.
    residências ou obrasde contenção, ocorre maior impacto é facilmente verificado nessas porque o setor possui as maiores aglomerações praias. São as obras de engenharia que alteram urbanas do estado, em especial o Recife, Jabo- ou retêm a deriva de sedimentos arenosos, atão dos Guararapes e Olinda. Os trechos mais fundamentais para a alimentação da areia das críticos corresponderam às praias em Jaboatão praias. e em Olinda. Elas possuem diversas obras de contenção, como exemplo, os 38 diques com A urbanização no litoral dos quatro municípios intervalos de 50m de Olinda e, em Jaboatão ocorreu sobre as dunas frontais, de forma de- dos Guararapes, enrocamentos e outras cate- sordenada. A inadequação provoca e intensifi- gorias de intervenção. ca a erosão costeira. Em seguida, a construção de estruturas para mitigar os efeitos da erosão Olinda apresentou a pior situação em termos agrava o problema. As obras de contenção de ocupação do ambiente na praia. O litoral têm sido construídas com o intuito de proteger é praticamente todo ocupado por grandes propriedades ameaçadas. Essas estruturas (em obras públicas de contenção. As poucas praias especial os enrocamentos e muros de conten- existentes ocorreram com a engorda de praia ção) são levantadas em frente da escarpa das artificial (PEREIRA et al., 2003). dunas e se têm mostrado economicamente inviáveis. Proprietários ou mesmo o poder A ocupação observada próxima ao litoral em público gastaram recursos a tentar solucionar Jaboatão dos Guararapes, no Recife, em Olinda os problemas da erosão costeira que afetam as e no Paulista é semelhante a de outras cidades obras construídas em locais indevidos. A cons- no mundo. A urbanização não deixou espaço trução dessas obras na pós-praia e na praia para a praia, gerando prejuízos de toda ordem. altera a dinâmica sedimentar, compromete a O principal são as construções que impedem o estética do local, interfere na visão cênica e no suprimento de areia. seu valor econômico. A infraestrutura urbana representada por ruas, Essa zona costeira precisa de ações corretivas calçadas, residências em área sob a ação do e preventivas (como o estabelecimento de mar são as intervenções mais comuns. Confor- limites para construção) para promover uma me estudos como o de Carneiro (2003), Araújo ocupação mais adequada da orla. A ordenação et al. (2004), Manso (2004) e MAI (2009), o desse espaço é uma prioridade e um desafio.
  • 21.
    21 Histórico da ocupaçãoda costa de Olinda: primeiras décadas do século XX e depois de 1960 e 2010 Fonte: SEMAS, 2011. Histórico da ocupação da costa em Jaboatão dos Guararapes Fonte: SEMAS, 2011.
  • 22.
    22 Histórico da ocupação da costa do Paulista e variação da linha de costa da praia do Janga. Fonte: Patrícia de Oliveira, Hewerton da Silva, Neiva de Santana, Elisabeth Silva, Valdir Manso. Histórico das obras e intervenção de contenção do avanço do mar Os primeiros registros de erosão costeira no o avanço do mar na praia dos Milagres. A praia estado de Pernambuco são de 1914 (COUTI- perdeu 80 metros no período 1914 a 1950. NHO, 1997). Eles tratam dos danos causados Desde esta época, os problemas de erosão vêm pelo molhe localizado no istmo de Olinda. O sendo registrados em vários trechos do litoral, molhe em construção, na primeira década do em especial em áreas urbanas onde foram século XX, fazia parte das obras de ampliação implantadas obras costeiras de proteção (COU- do Porto de Recife. As figuras abaixo mostram TINHO, 1997).
  • 23.
    23 Fotografia da praiados Milagres, em 1950, onde ocorreu um avanço de 80 metros da linha de costa Fonte: Cedida pelo Sr. José Maria, 1950 Fonte: Cedida pelo Sr. José Maria, 1950
  • 24.
    24 Fotografias de ruína de antigas residências em Olinda: praia do Carmo e praia dos Milagres (1960) Fonte: Coutinho (1997) Fonte: Coutinho (1997)
  • 25.
    25 Nos últimos vinteanos, diversas foram as obras lógicas provocadas por essas intervenções na de contenção construídas nas praias dos qua- foz do rio Jaboatão, inclusive com significativa tro municípios. Em Jaboatão dos Guararapes, redução de área na extremidade do pontal instalaram-se estruturas do tipo guia corrente, do Paiva (Ilha do Amor, ao longo da margem espigões, enrocamentos aderentes e muros, direita do rio). Os efeitos da erosão também desde a margem esquerda do rio Jaboatão até são visíveis com as perdas de área de praia em as praias de Piedade e Candeias. Nas figuras Candeias e Piedade (MAI, 2009). a seguir, é mostrada as modificações morfo- Foz do rio Jaboatão em 1989 (a) e (b) detalhe da área com obras costeiras do tipo molhes e espigões ao longo da margem esquerda do rio em 2004 Fonte: a - Laborel (1963); b - Google Earth e fotografias CPRH (2006)
  • 26.
    26 Trecho das praias de Candeias e Piedade em 1963 (a) e em 2004 (b) No Recife, foram colocados pedras-rachão naturais, presentes até hoje. Na figura a seguir, e sacos de areia em resposta a erosão que vê-se a fotografia aérea de 1974, que retrata o destruiu parte do calçadão a praia de Boa Via- litoral da Praia de Boa Viagem, com a presen- gem, em 1994. No ano seguinte, novo estudo ça de dunas frontais preservadas e vegetação concluiu que a obra mais adequada à proteção (MAI, 2009). do calçadão seria o revestimento de blocos Fotografia aérea de 1974 da praia de Boa viagem, com o ambiente praial preservado e a presença de dunas frontais e vegetação Fonte: MAI (2009)
  • 27.
    27 A seguir, percebe-sea alteração que essa região sofreu com o processo de urbanização nos últi- mos 36 anos. As fotografias em detalhe (a e b) mostram a descaracterização da praia em um Fotografias de ruína de antigas residências em Olinda: praia do Carmo e praia dos Milagres (1960) Fonte: a - Fidem; b - Google Earth; fotografias de Tereza Araújo, 2004 As primeiras obras de contenção do mar em Ela provocou diversos danos às construções si- Olinda ocorreram em 1950. As modificações tuadas entre as praias dos Milagres e do Farol. para a ampliação do Porto do Recife (1909- Uma mudança notável foi a realocação do farol 1917) e da Base Naval do Recife são aponta- de Olinda, que funcionava à beira-mar. das como uma das causas da erosão. Fotografia de sobrevoo mostra a praia do Farol, Olinda Nota: No detalhe, antiga posição do farol de Olinda, 1940. A seta em amarelo mostra a posição atual do farol, construído no alto do morro do Serapião. Fonte: CPRH; fotografia de Alexandre Berzin, acervo da Fundação Joaquim Nabuco
  • 28.
    28 A ampliação do Porto do Recife e, em seguida, de ser ampliados. Na figura abaixo, de 1974, a construção das obras de contenção em Olin- podem-se perceber recifes naturais submer- da interferiram no balanço sedimentar costeiro sos, que serviram de suporte para o sistema nessa orla, provocando a erosão costeira em de quebra-mares. As modificações podem ser Paulista. Como forma de contenção da erosão, visualizadas na figura a seguir. Há formação de criou-se um sistema de quebra-mares asso- saliências e reentrâncias na zona de sombra ciados a espigões, que posteriormente tiveram dos quebra-mares (MAI, 2009). Fotografia da zona costeira do município de Paulista em 1974 (a) e em 2004 (b) depois da implantação do sistema de quebra-mares
  • 29.
    29 Em resposta àerosão, as prefeituras dos mu- Essas intervenções representaram altos custos nicípios decidiram por fixar a linha de costa. sem resultados satisfatórios. A erosão era trans- Obras de contenção foram executadas ao longo ferida para praias ao lado. do litoral, em geral de forma pontual e sem maior conhecimento da dinâmica costeira. A praia foi profundamente modificada e a beleza cênica desvalorizada. Recuperação da orla marítima e seus resultados na contenção dos processos erosivos Em todo mundo, as zonas costeiras convivem • Alteração do transporte litorâneo – inter- com problemas. Os mais comuns estão ligados rupção ou modificação da movimentação ao recuo (erosão) ou avanço da linha de costa. de sedimentos ao longo da costa, sob Normalmente, relacionados com a retirada ou a ação das ondas e correntes. Como a deposição de sedimentos. Os problemas estão construção de um espigão perpendicular à mais associados à erosão, pelo risco de danos praia e molhes de proteção portuária, entre materiais. A erosão é de difícil controle. outras. • Alterações nos padrões das correntes De acordo com o estudo do MAI (2009), litorâneas. Por exemplo, a construção de podem ser citadas entre as causas de erosão obras na pós-praia, na zona de arrebenta- costeira: (a) ação dos agentes naturais que ção, causando alteração das correntes. atuam ao longo da costa e (b) ações do homem • Remoção de sedimentos por dragagem. ligadas à implantação de estruturas artificiais, • Lançamento do produto de dragagem de seja para criar áreas (equipamentos de lazer e canais e de portos. turismo, portos entre outras), seja para a tenta- • Modificação das características das on- tiva de correção de problemas. das por efeito de refração e/ou difração em estruturas. Interrupção do aporte de Como exemplos dos problemas causados pela sedimentos por obras nos rios (barragens, interferência de estruturas artificiais, podem ser fixação de margens e leito). (MAI, 2009, v. citados: 2, p. 127).
  • 30.
    30 Podemos citar como exemplos de alterações da A implantação de obras de proteção costeiras linha de costa por meio de causas naturais: depende do tipo, do tamanho e da localização das necessidades; da eficiência do método • Alterações climáticas (efeito estufa, natu- utilizado; dos efeitos sobre as praias adjacentes rais), gerando modificações no regime de e do impacto econômico resultante da obra ventos, como agente diretamente transpor- costeira. tador de sedimentos (transporte eólico) ou Busca-se eleger o tipo de proteção a ser indiretamente, como gerador de ondas e definido, como muro de proteção, espigão e responsável, juntamente com as correntes alimentação artificial, procurando suprir as e ondas, pela dinâmica dos sedimentos. necessidades de acordo com a disponibilidade econômica local. Aliado a essa premissa, é • Ondas e correntes, como principais agen- necessária a realização de estudos ambientais, tes de transporte na zona imersa. como o monitoramento dos diferentes parâme- • Variação do nível de água, marés astronô- tros envolvidos no fenômeno, como a dinâmica micas, ressacas (marés de tempestades), das ondas, dos ventos, dos níveis de água, as alterações do nível médio do mar. alterações na movimentação e no abasteci- • Alterações naturais no aporte sedimentar mento dos sedimentos, e as variações do perfil dos rios. topobatimétrico de praia, como condicionan- • Chuvas intensas. (MAI, 2009, v. 2, p. tes para um adequado manejo costeiro (MAI, 127). 2009). As ondas geradas por ventos são as principais agentes de alteração da linha de costa, aliadas às variações do nível de água (maré, ressacas), combinados com a falta ou o excesso de aporte de sedimentos.
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    31 Principais métodos usadosna proteção costeira Os principais métodos utilizados na prote- • Grupos de espigões – reduzem o transpor- ção costeira buscam, no primeiro momento, te longitudinal e, consequentemente, o prevenir ou eliminar os efeitos. É denominado recuo da linha de costa. Algumas vezes, método direto. O outro método procura a cor- podem forçar a deposição de sedimentos e reção do problema por meio de eliminação das a reconstituição da área erodida. Podem, causas (MAI, 2009). entretanto, estar na origem (devido à redu- ção do transporte sedimentar) da erosão de De acordo com MAI (2009), são exemplos de praias a sotamar. Exigem monitoramento e medidas indiretas: manutenção periódicos. • Retomada dos aportes sólidos retidos em • Quebra-mar destacado – construído em pa- barragens, ao sistema costeiro. ralelo à certa distância da linha de costa. Protege a praia, alterando a capacidade • Correção do transporte litorâneo por meio de transporte litorâneo, pela interceptação de modificações definidas, adequadamen- das ondas, total ou parcialmente (quebra- te, através de um estudo de monitora- mares com interrupções ou submersos). mento – no projeto de espigões, molhes, Podem originar a formação de tômbolos quebra-mares, muros novos ou existentes, (acréscimos na faixa de areia). Algumas entre outros (MAI, 2009, v. 2, p 128) dessas estruturas têm efeitos a sotamar, comparáveis aos dos espigões. Podem ser Vale acrescentar os exemplos de medidas isolados ou em grupos. Exigem monitora- diretas: mento e manutenção periódicos. Alimentação artificial – utilizada na reposição • Quebra-mar em T – quebra-mar ligado de material de áreas erodidas. Este método pa- à praia através de espigão. Tem efeito rece, à primeira vista, economicamente dispen- comparável ao anterior, com maior impacto dioso, além da necessidade de monitoramento sobre o transporte longitudinal de sedi- e manutenção. Seu uso, no entanto, pode ser mentos, devido à existência do espigão. vantajoso, por manter o aspecto de praia natu- Podem ser isolados ou em grupos. Exigem ral, agradável ao lazer e à contemplação. monitoramento e manutenção periódicos.
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    32 • Muros longitudinais – podem ser verticais • Enrocamento aderente – tem finalidade e ou com perfil adaptado (construídos em efeito semelhante ao muro, com a vanta- concreto, gabiões, entre outros), cons- gem de apresentar menor coeficiente de truídos próximos à linha de costa, com reflexão, reduzindo o efeito da erosão do a finalidade de fixá-la. Neste método, a fundo. Exigem monitoramento e manuten- erosão no perfil de praia se restringe à ção periódicos. (MAI, 2009, v. 2, p. 129). erosão do fundo imediatamente à frente do muro, podendo ainda causar problemas de No entanto, toda intervenção de proteção cos- instabilidade da estrutura, redução da pós- teira, seja estrutural ou não, demanda cons- praia e, finalmente, acarretar seu completo tante monitoramento e manutenção, de acordo desaparecimento. São mais agressivos ao com o tipo. O monitoramento permite detectar perfil praial, devido a um maior poder de as alterações ocorridas durante a vida útil reflexão. Exigem monitoramento e manu- das intervenções e orienta com relação à boa tenção periódicos. manutenção. A descrição e avaliação das obras costeiras no Jaboatão dos Guararapes, no Reci- fe, em Olinda e em Paulista estão relatadas no diagnóstico do meio físico, Seção 8.8.
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    33 Resultados das obrascosteiras na contenção dos processos erosivos Dois fatores são condicionantes na análise da Com o plano de reduzir os problemas, foram eficiência das intervenções em um dado trecho implantadas diferentes tipos de obras nas de praia. São eles: (i) o tipo de obra adotado e praias dos quatro municípios para proteção de (ii) a qualidade dos dados hidrossedimentológi- propriedades privadas e infraestrutura públi- cos existentes. ca. Muitas dessas estruturas se apresentam ineficientes quanto à proteção pretendida. As praias em Jaboatão dos Guararapes, do (MAI,2009,v2). Recife, de Olinda e do Paulista possuem uma dinâmica diferenciada, que depende dos As obras do tipo enrocamento aderente, pre- fatores físicos costeiros locais. Até então, esses sente no litoral dos quatro municípios, foram agentes ambientais e a localização das obras construídas como soluções emergenciais. favoreceram a erosão costeira, que se agrava Elas têm por objetivo a proteção do terreno (e com a ocupação inadequada da orla, como não da praia) aos danos produzidos pela ação ilustra a Figura 3.2-9 (MAI, 2009, v. 2). das ondas, particularmente sob condições das ondas de tempestade. Estrutura 004 na praia de Candeias, Jaboatão dos Guararapes, ocupando totalmente a faixa de praia Fonte: MAI (2009, v. 2, p. 134)
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    34 Essa intervenção é efetiva na proteção do ção da linha de costa. Se essas estruturas fo- terreno contra a erosão, na proteção da parte rem construídas próximas da praia ou se forem mais elevada da praia. No entanto, as estru- muito extensas em relação ao comprimento das turas que não protegem a orla dos efeitos das ondas incidentes, ou ainda muito impermeá- inundações, nem da erosão dos sedimentos da veis, podem desenvolver uma saliência, que porção mais baixa do perfil praial, nem contra a passa a funcionar como um espigão, a barrar a redução da intensidade das tempestades. Essa deriva litorânea e causando efeitos erosivos nas intervenção pode contribuir para o rebaixamen- praias à jusante. Nessas condições, a deriva to dos depósitos de areia do perfil praial, com litorânea é forçada a se desenvolver no lado alteração significativa da paisagem. externo do quebra-mar, desviando a deriva litorânea do sistema praial (MAI, 2009, v. 2). Outra técnica presente no litoral em análise são os espigões. Esse tipo de obra é construída Segundo estudos desenvolvidos pelo MAI para ampliar na zona a barlamar a largura da (2009), as obras costeiras, ao longo da orla dos pós-praia ou para reduzir as taxas de deriva municípios de Jaboatão dos Guararapes, do litorânea. “A implantação dessas estruturas, Recife, de Olinda e do Paulista, somam uma dependendo do seu número e tamanho, pode extensão de 20.090m de estruturas cons- causar significativa retenção de sedimentos truídas, das quais 4.390m encontram-se em e, consequentemente, um déficit no balanço Jaboatão dos Guararapes; 3.440m no Recife; de areia, com redução no suprimento para as 7.610m em Olinda e 4.650m no Paulista. praias a jusante.” (MAI, 2009, v. 2, p. 144). Em Jaboatão dos Guararapes, de acordo com MAI (2009), as estruturas são as seguintes: Os quebra-mares são usados principalmen- te para reduzir a intensidade de energia das • 3.260m de enrocamentos e muros (74%); ondas durante os ventos de tempestade. Esse • 30m de espigões e molhes (12%); tipo de estrutura possibilita o desenvolvimento • 600m de quebra-mar (14%). de uma ampla e estável praia na sua área de sombra. Os efeitos adversos estão relaciona- Com esta distribuição de estruturas, pode-se dos com a redução da deriva litorânea para as concluir que nas praias de Jaboatão predomi- praias que se encontram à jusante do quebra- nam obras de proteção do terreno, do tipo en- mar. rocamentos aderentes e muros. O objetivo é a proteção do terreno, com a fixação da “linha de Outro efeito hidrodinâmico do quebra-mar é o costa”, em detrimento da faixa de praia, com o desenvolvimento de tômbolos de areia, peque- consequente impacto à paisagem e à vocação nas barras de areia que resultam na deforma- turística local.
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    35 No Recife, aprincipal estrutura costeira é um Nas praias do Paulista, os enrocamentos, enrocamento com 2.100m de comprimento espigões e quebra-mares protegem os terrenos. na praia de Boa Viagem e outro de 1.340m na Contudo, os quebra-mares, embora construídos praia de Brasília Teimosa conforme estudo do com altura elevada, causam proteção parcial da MAI (2009). A obra protege o terreno e não a linha de costa. Esse tipo de intervenção, aliado praia. ao engordamento da praia, com sedimentos de composição e tamanhos inadequados, pode es- Na praias de Olinda, predominam obras de tar relacionado com os focos de erosão instala- proteção do terreno na forma de enrocamen- dos em alguns trechos. As estruturas presentes tos, espigões e quebra-mares que causam boa na orla de Paulista têm a seguinte distribuição: proteção da linha de costa. Entretanto, essas estruturas causam significativa modificação nas • 1.850m de enrocamentos e muros (40%); taxas de deriva litorânea, com efeitos negativos • 80m de espigões e molhes (6%); à jusante, aliados ao impacto na vocação turís- • 2.520m de quebra-mares (54%). tica. As estruturas têm a seguinte distribuição: • 1.700m de enrocamentos e muros (22%); • 250m de espigões e molhes (3%); • 5.660m de quebra-mares (75%).
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    36 Histórico da evolução da linha de praia: processo natural x interferência antrópica Os registros comprovam que a alteração da po- O estudo histórico evolutivo da linha de praia sição da linha de praia no litoral pernambucano dos municípios de Jaboatão dos Guararapes, é antigo, em especial na costa de Olinda, que, do Recife, de Olinda e do Paulista foi feito pelo entre 1915 e 1950, experimentou um signifi- MAI (2009). Esse estudo mediu por meio de cativo recuo de aproximadamente 80 metros, o coordenadas, de precisão geodésica, de pontos que resultou em um intenso processo erosivo, a linha de praia dos municípios. A linha de cos- que se instalou, principalmente nas praias dos ta é uma feição extremamente dinâmica (BIRD, Milagres, do Carmo e de São Francisco. 1996) e, para sua medição, é necessário iden- tificar no ambiente praial as feições que melhor A zona costeira pernambucana apresenta altu- a representem. A linha de costa, neste estudo, ras médias de maré de sizígia de 2,07 metros, foi definida como a feição no plano horizontal, de acordo com a Diretoria de Hidrografia e Na- limite entre a área seca do continente, ou de vegação (DHN). A zona de espraiamento (zona uma ilha, e a parte onde há efetiva ação das situada entre o limite superior da preamar e o águas. Considera-se que o local está fora do limite inferior da baixa-mar) pode atingir até 60 alcance das águas, incluindo as maiores marés metros de largura na praia. de sizígia (MENDONÇA, 2005). Mapa ilustrando a posição da Linha de Costa em 1915 e 1950 (praia dos Milagres – Olinda/PE) Fonte: BRASIL (1985)
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    37 No estudo doMAI (2009), foram utilizados dois se, principalmente, de trechos com obras receptores GPS, sempre utilizados no modo do tipo enrocamentos, espigões e muros. relativo, com um permanecendo fixo em um • (2) Paulista tem 14.468,36m de litoral, ponto enquanto o outro era conduzido no modo sendo que em 9.626,93m (66,5%) é cinemático sobre a feição que identificava a formado por praias com sedimento, e em linha de costa. Os dados coletados pelos recep- 4.841,43m (33,5%) sem praias com sedi- tores durante os deslocamentos e os obtidos na mentos, constituindo-se, principalmente, estação base foram pós-processados no softwa- em trechos com obras do tipo enrocamen- re GPSurvey 2.35 Dual Frequency Kinematic tos, espigões e muros. Processor, desenvolvido pela Trimble. As coor- • (3) Olinda possui 12.261,14m de litoral, denadas são referenciadas ao Sistema Geodé- sendo que em 4.222,33m (34,4%) é sico Brasileiro (SGB), por meio de uma estação formado por praias com sedimento e em da rede nacional (estação da RBMC – Rede de 8.038,81m (65,6%) sem praias com sedi- Monitoramento Contínuo do IBGE) no campus mentos, constituindo-se, principalmente, da Universidade Federal de Pernambuco. O de trechos com obras do tipo enrocamen- estudo concluiu que o litoral dos municípios do tos, espigões e muros. Paulista, de Olinda, do Recife e de Jaboatão • (4) Recife tem 13.444,38m de litoral, dos Guararapes totaliza 48.135,07m de linha sendo que em 5.999.25m (44,6%) é de costa; desses, são formados por praias com formado de praias com sedimento, e em sedimentos 24.539,45m (51%) e 23.595,63m 7.445,13m (55,4%) sem praias com se- (49%) não têm praias com sedimentos. Nesse dimentos, constituindo-se de dois trechos: segundo segmento, o litoral é marcado pela um com recifes e outro com enrocamentos. presença de recifes e obras costeiras, tais como enrocamentos, espigões e muros (MAI, 2009). O estudo CPEB (2011, v. 2) permitiu o cálculo evolutivo da linha de praia dos municípios de Os resultados do estudo do MAI (2009, v. 1, p. Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda 58-59) apresentam uma distribuição da linha e do Paulista; para tal, utilizando fotografias de costa ao longo dos litorais dos municípios aéreas e dois conjuntos de imagens extraídos de: do Google Earth®. O voo aerofotogramétrico realizou-se em 1974 e as imagens do Google • (1) Jaboatão dos Guararapes possui Earth® são de 2007 e 2010. A escolha do local 7.961,20m de litoral, sendo que em de linha de costa baseou-se num indicador que 4.690,94m (58,9%) é formado por praias não sofresse muita influência da variação de com sedimento, e em 3.270,26m (41,1%) um ciclo de maré. De acordo com o estudo do sem praias com sedimentos, constituindo- CPEB (2011, v. 2), decidiu-se extrair a linha de
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    38 costa por meio da posição da berma da praia, e entre 2007 e 2010, calculadas pelo método que se mostrou aparente em todas as fotogra- EPR (End Point Rate), e a incerteza associada fias aéreas e imagens. O objetivo dessa análise a cada variação; (iv) a taxa de deslocamento da foi identificar áreas historicamente vulneráveis linha de costa em metros por ano entre 1974 à erosão e, de posse dessa informação, ter e 2007, e entre 1974 e 2010, calculadas pelo embasamento para a escolha de alternativas de método EPR e a incerteza associada. Esses intervenção que serão sugeridas pela CPE. resultados encontram-se detalhados no diag- nóstico do meio físico (CPEB, 2011, v. 2). Conforme o diagnóstico do CPEB (2011, v. 2), a costa dos quatro municípios tem aproxima- A análise do diagnóstico (CPEB, 2011) foi feito damente 50km de extensão; analisada com o a partir de uma série temporal de trinta e seis enfoque de determinar taxas de variação de anos e composta de três linhas de costa em linha de costa (LC) para cada município, feita diferentes momentos. Nesse contexto, percebe- por meio de transectos perpendiculares à linha se que a evolução recente da linha de costa de costa, com espaçamento de 50 metros. Um dos municípios de Jaboatão dos Guararapes, total de 923 transectos na análise, 185 para o do Recife, de Olinda e do Paulista está firme- município de Jaboatão dos Guararapes, 241 mente atrelada à instalação das estruturas cos- para o município do Recife, 206 no município teiras. Nota-se que as variações mais acentua- de Olinda e 291 para o município do Paulista. das coincidem, na maior parte, com a presença Cada taxa de variação gerada por um transecto de estruturas rígidas naturais, como os arre- é a média entre o próprio transecto analisado e cifes, ou introduzidas pelo homem, como os os dois adjacentes. Isso suaviza as discrepân- quebra-mares e espigões e guias correntes. cias entre os resultados. A partir do resultado obtido pelo estudo CPEB Para apresentação dos resultados da análise, (2011) pode-se afirmar que a linha de praia no foram feitas imagens em que os segmentos de litoral dos municípios de Jaboatão dos Guarara- costa se dividiram para cada município. Além pes, do Recife, de Olinda e do Paulista, apre- da localização da área de estudo, em cada senta uma acentuada interferência antrópica, figura, apresentam-se gráficos contendo: (i) resultando numa linha de praia atual experi- o deslocamento linear total da linha de costa mentando erosão em diversos trechos e perdas para 2007 e 2010, tendo por base a linha de patrimoniais elevadas (CPEB, 2011, v. 2). 1974; (ii) o deslocamento linear total da linha de costa de 2010, tendo por base a linha de 2007; (iii) a taxa de deslocamento da linha de costa em metros por ano entre 1974 e 2007,
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    39 Ocupação do soloe erosão costeira O litoral pernambucano tem 187 quilômetros Atualmente não existem estudos que possam de extensão, 21 municípios e é o mais impor- comprovar a contribuição relativa de cada tante aglomerado populacional do Estado, com um desses fatores, no entanto, sabe-se que a 44% de sua população (ARAÚJO et al., 2004). ocupação do ambiente da praia por edificações Essa zona costeira apresenta uma densidade ou outras estruturas modifica a manutenção populacional maior do que 900 hab/km2, sig- do equilíbrio sedimentar natural (MAI,2009). nificando uma das maiores concentrações do Nessas franjas costeiras, observa-se, com fre- Brasil, que tende a aumentar considerando os quência, a presença de muitas obras (prédios, novos empreendimentos que estão instalando- muros de contenção, estradas e estruturas de se na região nos últimos anos (MAPLAC, 2010). engenharia costeira) que foram construídas sobre o pós-praia, setor da praia essencial para Diferentes pesquisas (CARNEIRO,2003; GRE- o suprimento de sedimentos, comprometendo GÓRIO, 2009; MAI, 2009) feitas ao longo da assim vários trechos de praia que estão sob um zona costeira pernambucana e, em especial, forte processo de erosão (SOUZA, 2006). na região metropolitana do Recife, comprovam que estão ocorrendo intensos processos erosi- Nos trechos críticos da zona costeira da região vos, com muitos trechos da costa em desequilí- metropolitana do Recife, que experimentam o brio, apresentando erosão marinha progressiva processo de erosão, o manejo desse problema (CPRH, 1998 apud SOUZA, 2006). A combina- tem sido realizado por meio da colocação de ção de diversos fatores tem resultado nos pro- muros aderentes, enrocamentos, espigões e cessos erosivos constados atualmente: o aporte quebra-mares sem o devido suporte de in- sedimentar para as praias é deficiente pela formações (MAI, 2010). Ao longo do tempo, ausência de grandes rios; a plataforma conti- observa-se que essas intervenções frequente- nental é estreita e dificulta o armazenamento mente resultam em insucessos ou mesmo na de sedimentos para remobilização; as linhas de intensificação do processo erosivo, localmente arrecifes submersos na plataforma dificultam ou em áreas adjacentes, implicando investi- a remobilização de sedimentos; a ocupação mento de somas elevadas para a manutenção desordenada do ambiente praial imobiliza as e, também, em prejuízo estético (SOUZA, dunas e dificulta a reconstrução das praias no 2006; MAPLAC, 2010). período de verão.
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    40 Os primeiros relatos à erosão costeira nos problemas de erosão em vários trechos do municípios litorâneos pernambucanos são de litoral e mais notadamente nas áreas urba- 1914 e mencionam os danos causados pela nas (MAI, 2009). A próxima figura apresenta intervenção no molhe localizado no istmo de fotografias de diversas épocas das praias dos Olinda, parte das obras de ampliação do Porto municípios de Jaboatão dos Guararapes, do do Recife. A partir de então, constataram-se Recife, de Olinda e do Paulista. Ocupação do solo e erosão costeira Nota: As fotografias A, B e C mostram a ocupação atual do solo e processos erosivos da orla de Jaboatão dos Guararapes, assim como as obras de contenção do avanço do mar, tipo enrocamento; as fotografias D, E e F mostram a ocupação atual do solo e processos erosivos do litoral do Recife, assim como as obras de contenção do avanço do mar, tipo enrocamento na praia de Boa Viagem; a fotografia da ocupação do litoral de Olinda (no alto, à direita) retrata uma praia ocupada por obras de contenção costeira do tipo espigão, enrocamento e quebra-mares. A fotografia aérea da ocupação do litoral do Paulista retrata uma praia ocupada por obras de contenção costeira do tipo quebra-mares. Projeto MAI (2009) estudou a variação da ocu- de 2008 (Agência Condepe/Fidem). A área cos- pação do solo por trinta e quatro anos no litoral teira selecionada, considerada para monitorar dos quatro municípios da Região Metropolitana a ocupação do solo, foi uma faixa demarcada do Recife com o objetivo de comprovar que por quadras e vias, afastada da linha de costa o aumento da ocupação do solo tem relação entre 200 e 300 metros. Conforme o estudo direta com a erosão. Essa pesquisa foi realizada do Projeto MAI (2009), foram consideradas na com a análise de fotografias aéreas de 1974 análise as seguintes faixas de densidade para a (Agência Condepe/Fidem) e imagens Quickbird área ocupada:
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    41 • Baixa densidade– menor que 30% de Para ilustrar a metodologia utilizada, selecio- ocupação; nou-se um recorte costeiro no município de • Média densidade – entre 30% e 70% de Jaboatão dos Guararapes, com praia arenosa ocupação; em 1974, e atualmente, com problemas de • Alta densidade – maior que 70% de ocu- erosão. Para tanto, a classificação realizada pação. para ocupação do solo foi disposta sob uma mesma base cartográfica, para 1974 e 2008 e os resultados encontrados são apresentados na tabela abaixo. Distâncias e percentuais da ocupação do litoral dos municípios de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista MUNICÍPIO 1974 2008 CLASSIFICAÇÃO Jaboatão dos Guararapes 414.411,92 m² 25,2% 1.086.408,01 m² 66,1% Alta densidade 464.950,26 m² 28,3% 439.471,14 m² 26,7% Média densidade 764.863,87 m² 46,5% 118.346,9 m² 7,2% Baixa densidade Recife 1.525.669,83 m2 72,6% 1.896.909,94 m2 90,3% Alta densidade 358.328,85 m2 17,1% 95.549,73 m2 4,5% Média densidade 216.650,35 m2 10,3% 108.189,68 m2 5,2% Baixa densidade Olinda 887.321,60 m2 50,9% 1.135.018,63 m2 65,1% Alta densidade 451.465,43 m2 25,9% 467.874,07 m2 26,8% Média densidade 405.829,62 m2 23,2% 141.723,95 m2 8,1% Baixa densidade Paulista 273.203,12 m2 6,7% 1.637.269,64 m2 40,4% Alta densidade 555.163,67 m2 13,7% 1.202.753,91 m2 29,7% Média densidade 3.220.752,67 m2 79,6% 1.209.095,92 m2 29,9% Baixa densidade Fonte: MAI (2009)
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    3 42 Qual a área de influência do empreendimento? A área de influência do empreendimento corresponde aos espaços geográ- ficos passíveis de alterações em termos de dinâmica ambiental a partir da projeção de cenários relacionados à implantação e operação do mesmo, tratando-se aqui da Recuperação da Orla Marítima – Jaboatão, Recife, Olinda e Paulista – Pernambuco. Conforme legislação ambiental vigente e exigências do Termo de Referência 14/2011 emitido pela CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco) em 14 de setembro de 2011, serão aborda- dos e justificados de forma distinta, os meios físico, biótico e socioeconômico. As áreas de influência do empreendimento serão estabelecidas segundo os seguintes níveis hierárquicos (CPRH, 2011, p. 9): • Área de Influência Indireta (AII): aquela onde os impactos provenien- tes da implantação e operação do empreendimento se fazem sentir de maneira indireta e com menor intensidade em relação à área de influência direta. • Área de Influência Direta (AID): aquela sujeita aos impactos diretos provenientes da implantação e operação do empreendimento, incluí- do faixa marítima a ser utilizada para transporte de matéria prima. • Área Diretamente Afetada (ADA): aquela onde ocorrem as interven- ções relacionadas ao empreendimento, incluindo áreas de apoio como canteiros de obra, acessos, áreas de jazida, etc. O diagrama na próxima página mostra uma representação hierárquica das áreas de influência do empreendimento:
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    43 Níveis Hierárquicos dasÁreas de Influência do Empreendimento Fonte: ITEP – UGP Barragens 2011 É importante lembrar que os meios físico, biótico entre outros aspectos. Vale frisar o estreitamen- e socieconômico compõem o universo de estudos to da faixa de areia, o fim do ambiente praial e integrados do meio ambiente, previstos na elabo- pós-praial em muitos pontos ao longo da costa ração do EIA/RIMA. Para efeitos de elaboração metropolitana ocorre por fatores relacionados à do diagnóstico e prognóstico ambiental, impactos evolução histórica das formas de uso dessa faixa e planos de controle ambiental, os três meios de orla, associada a outros fatores, como a dimi- citados devem ser entendidos de forma interrela- nuição da quantidade de sedimentos carreados cionada e interdisciplinar. pelos rios, como a dinâmica de correntes maríti- É necessário ressaltar o caráter de localização do mas e padrões de ventos e ondas. Nesse sentido empreendimento. O projeto de Recuperação da estabeleceu-se a seguinte delimitação para efeitos Orla Marítima dos municípios de Jaboatão dos de estudo: Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista concentra-se na faixa de orla destes municí- MEIO FÍSICO pios, a qual se insere no contexto de uma região metropolitana brasileira com elevados níveis de A Área de Influência Indireta (AII) corresponde impermeabilização do solo, grande concentração aos municípios do Cabo de Santo Agostinho, de populacional, valorização do metro quadrado, Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda, forte especulação imobiliária, limitações de áreas do Paulista, de Abreu e Lima, Igarassu e Itama- verdes, áreas estuarinas ocupadas e poluídas, racá. Ao se considerar esse nível hierárquico é
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    44 importante ter como foco a área de jazida de MEIO BIÓTICO areia (no litoral do Cabo de Santo Agostinho), as áreas que irão sofrer intervenção por meio da A delimitação da Área de Influência Indireta obra (municípios de Jaboatão dos Guararapes, (AII) segue os mesmos procedimentos utilizados do Recife, de Olinda e do Paulista) e uma impor- para o meio físico. Supõe-se que a delimitação tante zona estuarina nos municípios de Igarassu dos municípios do Cabo de Santo Agostinho, de e Itamaracá. A AII engloba os seguintes relevos: i) Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda, semi-plano: predominam as áreas baixas e englo- do Paulista, de Abreu e Lima, de Igarassu e de ba a área de planície flúvio-costeira, os tabuleiros Itamaracá abrange uma área significativa em ter- e os terraços; ii) ondulado: formado por morros e mos de diversidade de espécies da flora e fauna, colinas, com declividades acentuadas. A inserção além de contemplar possíveis rotas de migração de Itamaracá nessa regionalização reflete uma de espécies com a implementação do empreen- preocupação relacionada à Ilhota da Coroa do dimento. Assim, tem-se a importância do Cabo Avião, uma vez que representa uma formação de Santo Agostinho quanto à posição da jazida e emersa de origem recente (menos de 50 anos). prováveis impactos nas espécies subaquáticas, Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda, Paulista A Área de Influência Direta (AID) se estende da com relação à zona de intervenção física e impac- linha de costa até a isóbata (linhas de profundi- tos em espécies terrestres e subaquáticas e, em dade) de 20m. Essa área foi projetada para todo Itamaracá, no que diz respeito à Coroa do Avião o litoral dos quatro municípios, já que apresenta e sua necessidade por recomendações, a fim de os processos erosivos que serão focos de análise viabilizar a manutenção de espécies vivas desse dos estudos e concentra as principais dinâmicas ambiente recentemente formado. marinhas relacionadas ao transporte de sedimen- tos e incidência de ondas na costa. A Área de Influência Direta (AID) corresponde à área inserida entre a linha de costa e limite médio A Área Diretamente Afetada (ADA) segue os mes- de 3km no sentido leste em relação à costa mos critérios de delimitação adotados na AID (se (plataforma marinha). Considera em sua delimi- estende da linha de costa até a isóbata de 20m), tação à diversidade verificada nos beach rocks e porém restringe-se apenas aos quatro municípios áreas de prováveis concentração e deslocamento que irão receber o empreendimento: Jaboatão de tubarões (aproximadamente a 2km da linha dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista. de costa). A Área Diretamente Afetada (ADA) respeita como limite a área inserida entre a linha de costa e os beach rocks e enroncamentos.
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    45 MEIO SOCIOECONÔMICO A Área Diretamente Afetada (ADA) obedece à fai- xa de orla marítima enquanto unidade geográfica A Área de Inlfuência Indireta (AII) é representada inclusa na zona costeira. Sua delimitação segue pela totalidade dos espaços territoriais represen- as recomendações do Ministério do Meio Am- tados pelos municípios de Jaboatão dos Guarara- biente (2006, p.28), o qual estabelece um limite pes, do Recife, de Olinda e do Paulista, uma vez para a área terrestre de 50m em áreas urbaniza- que o empreendimento proposto contempla uma das e de 200m em áreas não urbanizadas. Dado área pública urbanizada. os elevados níveis de densidade de ocupação do solo deste empreendimento, resolveu-se fazer A Área de Influência Direta (AID) corresponde uma ampliação na faixa de área terrestre em aos setores censitários que contém os trechos de áreas urbanizadas, passando de 50m para 100m orla destes municípios. Essa escolha se deve ao e mantendo os mesmos 200m para áreas não ur- fato dessa ser a menor unidade de medida onde banizadas. A área é correspondente às praias que é possível obter informações com dados secun- sofrerão a intervenção e aos prédios em frente a dários. essas. Para os estudos de patrimônio cultural, a ADA também considerou regiões subaquáticas, a exemplo dos pontos de naufrágio na costa destes municípios.
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    4 46 Como é o meio físico na área do empreendimento? Geologia e Geomorfologia Geologicamente, a área de estudo do projeto de Proteção Costeira, que engloba os Municípios de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista, está inserida nos domínios das bacias de Pernambuco e Paraíba. Mapa de localização das bacias de Pernambuco e Paraíba com ênfase nos seus limites estruturais Fonte: Barbosa & Lima Filho (2006).
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    47 Essas bacias possuemcaracterísticas estrutu- do Gelo, ocorreram diversas glaciações, que rais, geocronológicas e estratigráficas diferen- representaram eventos de variações climáticas tes, as quais refletem o processo de formação extremas e que repercutiram sobre todos os diferenciado. As bacias de Pernambuco e Pa- ambientes terrestres. raíba se relacionam geneticamente ao processo de rifteamento que afetou o paleocontinente A sedimentação de ambientes costeiros está di- de Gondwana durante o Cretáceo Inferior. A retamente relacionada às variações do nível do bacia de Pernambuco seria controlada por mar, ao espaço de acomodação e ao suprimen- um sistema de falhas normais, com direção to sedimentar. O nível do mar sofre variações ao principalmente NE, e falhas de transferência, longo do tempo geológico, de ordem global, de- predominantemente, de direção NW, sendo vido à eustasia que é consequência da variação que ambas definem um eixo principal de dis- de volume de água dos oceanos, decorrente de tensão (s3) de orientação NW. A bacia Paraíba glaciações e deglaciações, e variações na capa- sofreu eventos tectônicos diferenciados dos cidade reservatória dos oceanos, causadas pela fenômenos ocorridos nas bacias adjacentes ao dinâmica das placas tectônicas. Localmente ou norte e ao sul (Barbosa, 2004 apud Asmus & regionalmente, o nível do mar se modifica devi- Carvalho, 1978). A preservação de uma ligação do à isostasia. A costa brasileira foi submetida, (landbridge) entre a África e a América do Sul, durante o Quaternário, a diversas oscilações do durante o Cretáceo Superior (Barbosa, 2004 nível do mar que ficaram registradas em teste- apud Rand, 1985; Rand & Mabesoone, 1982) munhos fósseis. Grande parte desses registros possivelmente é responsável pela diferenciação fósseis foi submetida a estudos, utilizando entre a bacia Paraíba e as bacias de Alagoas, métodos de datação isotópicos, paleontológi- Pernambuco e Potiguar. Conforme Barbosa & cos, arqueológicos para definição da idade de Lima Filho (2006), a bacia Paraíba comparti- formação do registro. menta-se em sub-bacias que se baseiam nas principais feições tectônicas da área. Geomorfologicamente, a área de estudo apresenta-se inserida em um único domínio A sub-bacia Olinda é limitada pelo Lineamento morfoestrutural denominado de Domínio Rifte. Pernambuco e pela falha de Goiana; a sub- Ela se apresenta, de modo geral, em dois bacia Alhandra/Miriri é limitada pela falha de conjuntos distintos de relevo: o relevo semi- Goiana e o Lineamento Paraíba. O período plano e o relevo ondulado. O relevo semi-plano geológico conhecido como Quaternário com- encontra-se na porção Leste, com maior preende as Séries do Pleistoceno e Holoceno, presença no município do Recife, englobando a esses inseridos na Era Cenozóica. Nesse espa- área de planície flúvio-costeira, os tabuleiros e ço temporal, também conhecido como a Era os terraços. É onde predomina as áreas baixas
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    48 e ocupa a maior parte da área de estudo. O de extrema importância em análises meteo- relevo ondulado ocupa uma pequena porção rológicas e climatológicas em zonas costeiras. da área e é formado por morros e colinas, com Verifica-se que o semestre mais chuvoso declividades acentuadas. corresponde aos meses de março a agosto, e o mais seco ao período de setembro a janeiro. Os Condições meses mais chuvosos correspondem a maio, junho e julho com precipitação de 295mm, meteorológicas 362mm e 301mm, respectivamente. Outubro e hidrodinâmicas novembro são os meses mais secos com preci- pitação inferior a 40mm. As condições meteorológicas e o clima são influenciados por características geográficas como oceano, latitude, relevo, solo e por siste- mas de circulação atmosféricos dinâmicos. A orla marítima dos quatro municípios analisados está situada em posição geográfica favorável à atuação simultânea dessas influências, prin- cipalmente das variáveis atmosféricas como vento e pressão atmosférica, que provocam alterações no nível do mar costeiro, afetando de forma considerável as cidades localizadas na linha de costa. A precipitação se apresenta como uma variável
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    49 Climatologia da precipitaçãomédia mensal em Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes. Com relação a vento, na faixa litorânea de Per- nambuco verificou-se que os maiores valores Praias em intensidade foram observados no setor As praias são depósitos de sedimentos, co- leste, fator esse que está associado à atuação mumente arenosos, acumulados pela ação dos ventos alísios de sudeste, devido o deslo- das ondas, ventos e marés (MUEHE, 2009). camento da Alta Subtropical do Atlântico Sul. Representam um elemento natural de prote- Os meses de novembro, dezembro e janeiro ção ao litoral. O perfil transversal de uma praia apresentam direção predominante de leste varia com o ganho ou perda de sedimentos, de com intensidade de 3 a 5m/s em novembro e acordo com o nível de energia das ondas e com dezembro, e 2 a 3m/s em janeiro. Em fevereiro a alternância de tempo bom (acumulação) no e março, há um aumento na magnitude do prisma subaéreo ou de tempestade (erosão), vento com valores em torno de 3 a 4m/s e uma com a retirada de sedimentos do perfil subaé- pequena mudança na direção do vento que reo para o perfil submerso, ocorrendo à erosão. passa de Leste para Sudeste. Nos meses de abril, maio, junho, julho, agosto, setembro e ou- O ambiente praial, segundo Reading e Collin- tubro, a direção é de sudeste com intensidade son (1996), consiste em dunas frontais, de 5 a 6m/s, com exceção dos meses de abril e pós-praia, praia e antepraia. As dunas frontais outubro com velocidade entre 4 a 6m/s.
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    50 limitam-se com a pós-praia na parte inferior da ta. Foi utilizada a nomenclatura morfológica e escarpa. A pós-praia situa-se acima da linha da hidrodinâmica sugerida por Hoefel (1998) para preamar, sendo atingida pela ação das ondas a definição da divisão do perfil praial. em ocasião de tempestades. Praia ou estirâncio está situada entre o limite superior da preamar O monitoramento realizou 460 nivelamentos e o limite inferior da baixamar. A antepraia topográficos, distribuídos em 28 perfis localiza- compreende a parte submersa do perfil e se dos em Jaboatão dos Guararapes, nas praias delimita com a praia no nível da maré baixa, de Barra de Jangadas (01), Candeias (02) e estendendo-se em direção offshore, até onde Piedade (02); no Recife, nas praias da Boa Via- não há remobilização dos sedimentos. Os gem (04) e do Pina (01); em Olinda, nas praias fatores que influenciam na construção e na dos Milagres (01), do Carmo (03), do Bairro variação de um perfil praial são condições de Novo (03), de Casa Caiada (02) e do Rio Doce energia das ondas, o tipo de arrebentação, o (02); no Paulista, nas praias do Janga (03), sedimento e o seu transporte, que interagem de Pau Amarelo (01), de Nossa Senhora do com as condições hidrodinâmica locais. Ó (01), de Conceição (01) e de Maria Farinha (01). Mudanças no ambiente praial podem ser medidas por vários métodos, um deles é o De acordo com o projeto MAI, os resultados ob- método topográfico convencional, tal como o tidos durante o monitoramento correspondem: teodolito (BIRD, 1996). Esses métodos podem avaliar e monitorar o avanço ou a recessão da • Jaboatão dos Guararapes apresentou um linha de costa ao longo do tempo (LARSON e balanço sedimentar positivo para os perfil KRAUS, 1994; CLARK e ELIOT, 1988; LACEY e 1 (42,4m3/m), perfil 4 (28,5m3/m) e um PECK, 1998; SWALES, 2002; ANFUSO e DEL balanço negativo para o perfil 2 no valor RIO, 2003). O nivelamento topográfico tem por de 16,5m3/m, para o perfil 4 na ordem finalidade verificar a variabilidade vertical do de 22m3/m. O município do Jaboatão dos perfil praial, se há uma tendência erosiva ou Guararapes apresentou em sua região cen- deposicional no ambiente. tral um déficit de sedimentos, porém os perfis 2 e 3 apresentaram o menor volume O projeto Monitoramento Ambiental Integra- de sedimentos; do (MAI) foi realizado no ambiente praial da • No Recife, os perfis apresentaram um Região Metropolitana do Recife (RMR), nos balanço sedimentar positivo, considerando anos de 2006 e 2007. O nivelamento dos perfis a diferença no volume sedimentar entre foi determinado a partir de uma Referência de o primeiro mês monitorado e o ultimo Nível (RN) perpendicularmente à linha de cos- mês. São observados os seguintes valo-
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    51 res PR1 (7,4m3/m); PR2 (13,7m3/m); A análise sedimentar fornece subsídios para PR3 (9,6m3/m); PR4 (12,1m3/m); PR5 a correlação entre as características texturais (+17,8m3/m). Entretanto, Gregório e Arau- dos sedimentos e dos vários ambientes, que jo (2008) realizaram um monitoramento compõe a dinâmica deposicional, e estabele- por um período mais longo nas praias de cer parâmetros utilizáveis na identificação e Boa Viagem e do Pina, entre os anos de característica do ambiente (SUGUIO, 1973). 2001 a 2005, e constataram uma maior Segundo a classificação de WENTWORTH variação no volume de sedimentos nos (1922 apud MUEHE, 1996) são classificados extremos das praias, inclusive na praia do em: cascalho (-1 Φ), areia muito grossa (-1 a 0 Pina, e no perfil ao norte da obra de con- Φ), areia grossa (0 a 1 Φ), areia média (1 a 2 Φ), tenção (enrocamento); areia fina (2 a 3 Φ), areia muito fina (3 a 4 Φ). • Em Olinda, apresentaram um balanço sedi- O tamanho do grão depende da natureza do mentar positivo os perfis PO1 (7,46m3/m), material envolvido, do tempo e da distância do PO2b (13,10m3/m), PO2c (6,85m3/m transporte. ), PO5 (17,59m3/m), PO6 (3,10m3/m ), PO7 (3,00m3/m), PO8 (4,10m3/m ); e A metodologia utilizada pelo MAI foi a classi- um balanço sedimentar negativo (Figura ficação proposta por FOLK e WARD (1957). 8.6-2) para os perfis PO2a (0,69m3/m), Os dados foram processados no software PO3 (19,98m3/m), PO4 (9,49m3/m ) e SYSGRAM, sendo utilizado o tamanho médio PO9 (2,00m3/m). Os perfis localizados do grão. Para os perfis de Jaboatão dos Gua- na praia do Carmo se encontram em uma rarapes predominou areia fina nos perfis PJ1 saliência, que corresponde aos vestígios e PJ2 e PJ5, na parte extremas do segmento da ponte utilizada para a construção do Jaboatão; e em sua parte central PJ3 e PJ4 quebra-mar, aumentando o volume sedi- foi observado areia média. No Recife, há uma mentar da parte superior do perfil; predominância de areia fina em todo o arco • No Paulista, os resultados apresentaram praial. Em Olinda, verificou-se a presença de um balanço sedimentar positivo nos perfis areia grossa em todos os perfis; porém o perfil PA1 (28,46m3/m), PA2 (0,28m3/m), PA3 PJ3 apresentou uma maior variação de areia (13,26m3/m), PA4 (27,06m3/m), PA5 média a grossa. Em relação ao município do (12,57m3/m), PA7 (11,07m3/m); e um Paulista, há predominância de areia média, balanço sedimentar negativo para o perfil sendo observado também uma variação de PA6 (48,33m3/m). areia fina a média, principalmente nos perfis nos perfis PA4 e PA5, correspondendo à parte central segmento.
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    52 Variação volumétrica dos perfis topográficos do município de Olinda Fonte: MAI (2009).
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    53 Plataforma arenosos, marcas de ondas e os tipos de se- dimentos (areia, cascalho ou lama). Os dados Interna batimétricos descritos possibilitaram uma análi- se de reconhecimento preliminar da morfologia A plataforma continental de Pernambuco é da plataforma interna da região estudada. Os caracterizada por uma largura média de 34km, dados compilados de outros projetos foram variando aproximadamente de 30km no trecho interpolados e com isso foi gerado um modelo sul a 40km no extremo norte. Possui um relevo digital de terreno para a referida área (ver figura suave, com a quebra da plataforma na faixa de a seguir). 60metros de profundidade (Araújo et al. 2004). A morfologia de fundo na área estudada O levantamento batimétrico detalhado permitiu influencia de forma significativa os processos a visualização das variações da profundidade, hidrodinâmicos que ocorrem na região, tais bem como a morfologia da plataforma con- como a dinâmica das correntes, a incidência tinental interna na área pesquisada. Sendo das ondas e o transporte sedimentar. Portanto, assim, foi possível identificar as principais fei- são informações imprescindíveis para a com- ções, tais como os arenitos de praia, os bancos preensão dos problemas de erosão costeira que arenosos, os paleocanais e os leitos planos e atinge a Região Metropolitana do Recife. com declives pouco acentuados. Ao analisar o comportamento dos sedimentos De forma geral, foi possível observar que a do ambiente praial e da plataforma continental plataforma interna dos municípios de Olinda interna do Recife, Gregório (2009) observou e, particularmente, do Paulista apresentam uma forte influência da presença da linha de gradientes suaves em direção offshore, com arenito de praia, na distribuição e transporte profundidade máxima em torno de 19m. Na dos sedimentos. Os sedimentos encontrados no plataforma interna dos municípios do Recife ambiente praial são constituídos, em sua maio- e de Jaboatão dos Guararapes, os valores de ria, por areia fina a muito fina. Entre o ambiente profundidade variam abruptamente e a mor- praial e a primeira linha de arenitos de praia fologia é mais acidentada, com presença de submersos, que corresponde à área do canal, a paleocanais e diversas linhas de arenitos de predominância é de areia muito fina. Depois da praia. A área da plataforma interna mostra linha de arenito de praia, há uma variação de várias estruturas e feições na superfície do areia grossa a cascalho, com presença predo- fundo marinho, representada por três linhas de minante de areia grossa, e com maior teor de arenitos de praia, além de paleocanais, bancos carbonato de cálcio.
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    54 A característica marcante desse fundo marinho No município de Jaboatão dos Guararapes, é a primeira linha de arenito de praia submerso implantaram-se estruturas do tipo guia corren- que serve como um divisor entre os sedimen- te, espigões, enrocamentos aderentes e muros, tos. desde a margem esquerda do rio Jaboatão até as praias de Piedade e Candeias (MAI, 2009). Presença de O resultado é um litoral que contempla em cerca de 20% de sua faixa com algum tipo de obras costeiras obra costeira de proteção, em que se destacam estruturas rígidas perpendiculares à praia – de- Nas últimas décadas, diversas obras de con- nominada de espigões; assim como na praia de tenção da linha de costa vêm sendo implan- Candeias encontra-se o enrocamento aderente tadas, no sentido de reduzir o problema de formado por blocos de pedras (ARAÚJO, 2001 erosão costeira. No entanto, os resultados apud MOURA et al., 2010). dessas intervenções nem sempre tiveram êxito, acarretando um ambiente praial bastante Em 1994, na Praia de Boa Viagem, no Reci- modificado, e, em alguns trechos, transferência fe, foram construídas obras de contenção em do processo erosivo para praias vizinhas (MAI, razão do processo erosivo que destruiu parte 2009). do calçadão. Essa obra consistiu na colocação
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    55 de pedras-rachão esacos de areia. No entanto, A ampliação do Porto do Recife e a constru- o problema da erosão continuava e realizou-se ção das obras de defesa do litoral de Olinda outro estudo que indicou que a obra mais ade- modificaram o balanço sedimentar costeiro quada à proteção da praia seria o revestimento original nessa zona, aparentemente provocando com blocos naturais, atualmente encontrada, uma aceleração da erosão no litoral de Pau- em contraposição à restauração com reposi- lista. Para contenção da erosão no município, ção de areia e utilização mista de espigões e implantou-se um sistema de quebra-mares quebra-mares (MAI, 2009). associados a espigões, que posteriormente am- pliados. Recifes naturais submersos serviram A ocupação do espaço litorâneo olindense com de suporte para o sistema de quebra-mares. obras de proteção costeira contra o avanço do As modificações ocorridas na praia do Paulista mar data de 1950. A posição da linha de costa ocasionaram a formação de saliências e um de Olinda, entre 1915 e 1950, experimentou tômbolo na zona de sombra dos quebra-mares um recuo de aproximadamente 80 metros, o (MAI, 2009). As obras costeiras ao longo dos que resultou em um intenso processo erosivo, municípios da RMR, identificadas no relatório principalmente nas praias dos Milagres, do do projeto (MAI, 2009). Carmo e de São Francisco (CARNEIRO, 2003). As mudanças decorrentes da ampliação do Na zona costeira dos quatro municípios, cons- Porto do Recife, entre os anos de 1909 e 1917, tatam-se 19 áreas com intervenções, algumas assim como da Base Naval do Recife, concluí- ilustradas e descritas, com as estruturas cos- das em 1948. teiras e respectiva descrição ao longo da orla dos municípios de Jaboatão dos Guararapes, Atualmente, a zona costeira do município de Recife, Olinda e Paulista-PE, o tipo de obra Olinda apresenta dez quebra-mares paralelos à costeira, sua localização, o tamanho, a função, linha de costa, 34 espigões perpendiculares e o resultado e a similaridade (CPEB, 2011, v1). diversos trechos com enrocamentos aderentes. Diversas obras vêm sendo eficientes na prote- Na orla do município de Jaboatão dos Guarara- ção do patrimônio urbanístico, assim como na pes, prevalecem obras de proteção do terreno, fixação da linha de costa. Contudo, na época ou seja, as intervenções adotadas são, princi- de sua instalação, não havia a valorização palmente, as do tipo enrocamentos aderentes econômica sustentável do uso da praia direcio- e muros. São obras que têm por objetivo a nado tanto para o turismo quanto para o lazer proteção do terreno, por meio da fixação da (CPEB, 2011, v1). “linha de costa”, em detrimento da faixa de praia (MAI, 2009). As estruturas se distribuem da seguinte maneira: 3.260m de enrocamentos
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    56 e muros (74%); 530m de espigões e molhes costeira municipal. As estruturas têm a se- (12%) e 600m de quebra-mar (14%) (CPEB, guinte configuração: 1.700m de enrocamentos 2011, v1). e muros (22%); 250m de espigões e molhes (3%); e 5.660m de quebra-mares, 75% (MAI, No Recife, a principal estrutura costeira é um 2009). enrocamento com 2.100m de comprimento na praia de Boa Viagem e outro de 1.340m na O litoral do município de Paulista tem o mes- praia de Brasília Teimosa (MAI, 2009). Entre mo modo de proteção do terreno, na forma 1900 e 1912, realizaram-se obras de ampliação de enrocamentos, espigões e quebra-mares. do Porto do Recife a fim de protegê-lo de ações Contudo, os quebra-mares vêm protegendo causadas pelas ondas. Entre elas, destacam- parcialmente a linha de costa apesar de sua se o prolongado do quebra-mar natural e a altura bastante elevada. Encontra-se nesse construção dos recifes paralelos à costa, que trecho obra de engordamento da praia, aliada à atingiram 4 km de comprimento; além de construção dos quebra-mares; contudo utiliza- construído o molhe de Olinda com 800m e o ram sedimentos de composição e granulome- quebra-mar do Branco Inglês com 1.150m de tria inadequados, causando, assim, os focos extensão (CPEB, 2011, v1). de erosão, instalados em alguns trechos desse litoral (MAI, 2009). As estruturas têm a seguin- A zona costeira de Olinda apresenta-se com te distribuição: 1.850 metros de enrocamentos obras de proteção do terreno, constituída de e muros (40%); 280m de espigões e molhes enrocamento, espigões e quebra-mares que (6%); e 2.520m de quebra-mares, 54 % (MAI, estabilizaram e protegeram eficientemente essa 2009). Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira 001, 002 e 003 no estuário do rio Jaboatão, Jaboatão dos Guararapes - PE Fonte: MAI (2009, v. 1)
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    57 Posicionamento das estruturasde contenção de erosão costeira 004, 005, 006, 007 e 008 na praia de Candeias, Jaboatão dos Guararapes – PE Fonte: MAI (2009, v. 3) Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira 008 e 009 na praia de Candeias, e estrutura 010 na praia de Piedade, Jaboatão dos Guararapes - PE Fonte: MAI (2009, v. 1) Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira e detalhe do enrocamento presente na praia de Boa Viagem, Recife - PE Fonte: MAI (2009, v. 1)
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    58 Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira e detalhe das estruturas presentes na praia de Brasília Teimosa, Recife - PE Fonte: MAI (2009, v. 1) Posicionamento das estruturas de contenção de erosão costeira presentes na praia dos Milagres e do Carmo (013), e na praia do Bairro Novo (014), Olinda - PE Fonte: MAI (2009, v. 1)
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    59 Vulnerabilidade linha de costa de 2008 foi realizada através de caminhamento, com o uso de equipamentos a erosão (Global Positioning Systm) geodésicos, no modo costeira relativo cinemático (MENDONÇA, 2005). O ano de 1974 foi considerado o ano mais antigo e o ano de 2008 o mais recente. A linha de costa A orla costeira é a estreita faixa de contato da (última maré) e os limites da zona de interesse terra com o mar na qual a ação dos processos (a primeira linha de edificação) foram vetoriza- costeiros se faz sentir de forma mais acentu- dos em formato shapefile e organizados numa ada e potencialmente mais crítica à medida base de dados geográficos (Geodatabase). que efeitos erosivos ou construcionais podem alterar sensivelmente a configuração da linha A área de estudo foi dividida em segmentos de costa. Representa também uma faixa na assim distribuídos: Jaboatão dos Guararapes qual a degradação ambiental por destruição da (05), Recife (04), Olinda (12), Paulista (08), vegetação e construção de edificações se torna totalizando 29 segmentos (ver figura na página extremamente evidentes (MUEHE, 2001). seguinte). Para a divisão dos segmentos foram considerados suas características naturais e O termo vulnerabilidade é frequentemente antrópicas, bem como a presença ou não de empregado na área de geociências associados obras de contenção. Sendo que, essas não ao desastre e incidência de fenômenos natu- foram calculadas por estarem imobilizadas. rais (MAZZER, 2007). Nas últimas décadas, especial importância tem sido dada a estudos Segundo o projeto MAI, para a análise da vul- relacionados com a evolução do litoral e da nerabilidade, foi utilizado um número reduzido linha de costa. Segundo Gornitz et al. (2002), de variáveis, a fim de reproduzir o principal a vulnerabilidade é o estudo em uma grande processo de dinâmica de linha de costa local, extensão territorial e de um volume de dados, como por exemplo, à susceptibilidade da praia que considerem como fatores aqueles ligados em ser impactada pelas taxas de avanço da diretamente aos processos costeiros. ocupação, bem como, atual largura da pós- praia. Nos estudos realizados pelo projeto MAI sobre a vulnerabilidade dos municípios do Jaboatão Os segmentos foram identificados ou classifica- dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Pau- dos segundo o seu grau de vulnerabilidade de lista foi utilizada a linha de costa digitalizada, baixo a muito alto, bem como, o termo con- de 1974, bem como a linha de costa do ano de dicional e não avaliado para o diagnostico do 2008, totalizando um período de 34 anos. A
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    60 grau de vulnerabilidade. O desenvolvimento do Os segmentos Candeias e Piedade Sul (Ja- sistema praial pode ser alterado com a influ- boatão dos Guararapes); Casa Caiada III, Rio ência de edificações em uma de suas regiões, Doce II (Olinda); Enseadinha, Pau Amarelo, como por exemplo, muitas dessas construções Conceição e Maria Farinha (Paulista) apresen- se localizam na região da pós-praia, alterando a taram grau de vulnerabilidade alto, indepen- sua largura e dinâmica. Isto permite que esses dentemente da utilização da zona de interesse ambientes alterem a sua vulnerabilidade. ou não. Os segmentos que apresentaram baixa vulnerabilidade nas duas condições foram Duas projeções foram realizadas pelo projeto Piedade Norte II, Casa Caiada I, Rio Doce IV, MAI, com a finalidade de identificar o grau localizados no município de Olinda. E outros de vulnerabilidade das praias em estudo. Na segmentos que apresentaram um alto grau de primeira projeção, foi desconsiderado o des- vulnerabilidade considerando a zona de interes- locamento da zona de interesse e a segunda se, como por exemplo, no segmento Barra de considerando o deslocamento da zona de inte- Jangadas (Jaboatão), Boa Viagem Sul (Recife), resse. Consta no relatório do projeto MAI, uma Enseadinha Quebra-mar, Nossa Senhora do Ó, estimativa para a largura da pós-praia de 30m Pontal de Maria Farinha (Paulista). para os próximos 20 anos.
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    61 Extensão aproximada dossegmentos (m) considerados para o estudo Fonte: MAI (2009) Análise da linha A sua posição resulta da interação entre agen- de costa tes costeiros tais como ondas, marés e outros. As modificações na configuração da linha de costa podem ocorrer em escalas de tempo A linha de costa corresponde ao limite entre o variadas: diárias, mensais, sazonais e seculares continente e o oceano, é uma região dinâmica (ESTEVES, 2002). e sofre constantes mudanças em relação ao continente ou em relação ao oceano. Quando Em praias arenosas, a linha de costa é utilizada ela avança em direção ao oceano, fala-se que pelo homem para diversos fins, destacando a linha de costa progradou. Se a linha de costa aqueles de natureza recreacional e turística. se desloca em direção ao continente, houve A crescente demanda por tais usos nos mu- uma retração.
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    62 nicípios litorâneos induz muitas vezes a um se encontra em uma situação que pode ser desenvolvimento sem planejamento, desconsi- considerada grave, no que se refere ao pro- derando a natureza móvel e dinâmica da linha cesso erosivo, tendo em vista que a erosão se de costa (MAZZER e DILLENBURG, 2009). faz presente na maior parte do litoral, tem se intensificado e tende a se agravar no futuro A metodologia utilizada pelo projeto MAI, para (MAI, 2009). o estudo da linha de costa dos municípios do Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda Utilizando uma serie temporal de 36 anos, a e do Paulista foi realizada através do geopro- Coastal Planning & Engineering do Brasil (CPE, cessamento no programa ArcGiz 9.1. O ano 2011) investigou o deslocamento da linha de de 1974 digitalizado foi considerado o ano costa, através da posição da linha da berna e mais antigo e o ano de 2008 o mais recente, onde a linha de costa se encontra fixada por totalizando um período de 34 anos. O estudo estruturas rígidas, estas foram consideradas da linha de costa, MAI (2009) foi vetorizada como o indicador. O estudo foi realizado com em formato shapefile e organizada numa base fotografias áreas do ano de 1974 e as imagens de dados geográficos (Geodatabase). Segundo do Google Earth® de 2007 e 2010. A área foi este projeto o deslocamento da linha de costa dividida em quatro setores: (i) Paulista, (ii) Olin- dos municípios do Jaboatão dos Guararapes, da, (iii) Recife e (iv) Jaboatão dos Guararapes. Recife, Olinda e Paulista foram os mesmos A taxa de deslocamento da linha foi realizada seguimentos da zona de interesse, bem como a entre o ano de 1974 e 2007, e entre 1974 e linha de costa também foi utilizada para saber 2010, e a incerteza associada. a distancia entre esta linha e a zona de interes- se para o calculo da vulnerabilidade. Segundo a CPE (2011), em Jaboatão dos Guararapes, no período entre 1974 e 2007, Os resultados obtidos nos valores médios para houve progradação da linha de costa ao norte o deslocamento da linha de costa estão repre- da área, e apresentou um deslocamento posi- sentados na figura a seguir. Os segmentos que tivo no valor médio de 0,45m/ano. No período apresentaram os maiores deslocamentos se entre 1974 a 2010, uma variação média de encontram ao norte e ao sul da área de estudo, 0,47m/ano. Na parte central do município, a isto pode ser explicado pela presença de um linha de costa se encontra fixada por obras de maior numero de segmento na parte central da contenção, do tipo enrocamento, bem como o área que corresponde ao município de Olinda. trecho entre os transectos 124 e 146 mais ao Exceto no segmento de Casa Caiada I, que sul. Porém, é observada entre as duas obras apresentou um deslocamento maior para este de contenção uma progradação da linha de município. A Região Metropolitana do Recife costa, com valores médios de 1,33 m/ano. Para
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    63 o período entre2007 a 2010, observa-se uma Foram observados trechos em progradação na retração da linha de costa entre as obras de zona de sombra dos quebra-mares. Em direção contenção e ao norte destas. ao sul da área, exceto a praia de Del Chifre, a linha de costa se encontra fixada por obras de Segundo a CPE (2011), no Recife, o trecho contenção. Segundo a CPE (2011), a linha de compreendido entre a praia do Pina e o norte costa da praia de Del Chifre sofreu um proces- da praia da Boa Viagem, entre o período de so rotacional e apresentou uma retração em 1974 a 2007, a linha de costa progradou em sua direção norte e progradação ao sul. uma taxa de 0,43m/ano, apresentando-se estável no segmento seguinte, para o mesmo Segundo a CPE (2011), para o município do período. Mas ao sul da área a linha de costa Paulista, entre 1974 a 2010, o pontal arenoso apresentou retração com uma variação média ao norte sofreu progradação (2,22m/ano). A em torno de 0,55m/ano, bem como, entre partir deste trecho, observa-se uma retração da 2007 e 2010, no valor médio de 4,00m/ano. linha de costa, a partir de 1974 (0,26m/ano). No extremo sul, a linha de costa se apresentou Esse mesmo seguimento se apresenta estável, estável. entre 2007 e 2010. Na direção sul do muni- cípio, a linha de costa apresentou variações Entre o ano de 1974 e 2007, em Olinda, ao de progradação e retrogradação, causando norte da área, a linha de costa sofreu retração avanços e recuos. Do centro em direção ao sul, até ser fixada por obras de contenção, apre- a linha de costa, encontra-se fixada por obra de sentado uma variação média de 13,32m (CPE, contenção. Para o período entre 2007 a 2010, 2011), exceto próximo a desembocadura do rio a maior progradação também ocorreu ao norte Paratibe. Onde a linha de costa não foi fixada, da área e uma retração é evidenciada nos últi- apresentou uma progradação em torno de mos transectos devido à fixação do rio Paratibe. 0,35m/ano.
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    64 Resultados dos valores médios do deslocamento da linha de costa para os municípios do Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista Fonte: MAI (2009) Perfis topo- tria usada para a modelagem numérica das condições atuais e alternativas (CPE, 2011). O batimétricos quadro a seguir faz um resumo por trecho de praia x comprimento x espaçamento x números Segundo CPEB (2011), os resultados obtidos de perfis. O gráfico ilustra um exemplo de uso na medição dos perfis topo-batimétricos ao de dados topo-batimétricos complementados, longo da Região Metropolitana do Recife foram neste caso para um perfil de Jaboatão dos Gua- complementados com os dados fornecidos pela rarapes. Em vermelho, a linha representando o SECTMA e UFPE coletados durante a execução que foi medido pela CPE (2010). No caso algu- dos projetos MAI (2009) e MAPLAC (2010). Os ma porção do perfil não medida, usou-se dados procedimentos adotados garantiram a cober- complementares dos perfis medidos durante os tura de dados com alta exatidão para toda a projetos MAI (2009) e MAPLAC (2010). área estudada, onde os perfis serviram para o desenvolvimento das alternativas de projetos de engenharia, e para a interpolação da batime-
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    65 Perfis Topo-Batimétricos Trecho dePraia Comprimento(m) Espaçamento(m) Número de Perfis Observações Boa Viagem 6000 300 20 Praia aberta sem estruturas com muros de contenção e enrocamentos Del-Chifre ao início 1700 300 6 Praias com dos espigões espigões e quebra-mares de Olinda Espigões de Olinda 1900 300 6 Praia com diversos espigões curtos Longos 4100 300 14 Praia com muitos quebra-mares quebra-mares (Olinda) Janga a Pau Amarelo 2500 300 8 Praia aberta convexa (Paulista) com recife. Erosão acentuada Marinha Farinha 1800 300 6 Área próxima a (Paulista) (Paulista) desembocadura do rio Timbó Definição e pro- dos quais podemos obter a altura significativa, período de pico e direção como uma relação pagação do re- do espectro, que descreve o cenário geral gime de ondas das condições de onda em um determinado momento. Porém, o espectro é composto mais detalhadamente, com energia de ondas for- No presente estudo é apresentado o procedi- madas por ventos locais em uma determinada mento adotado para obtenção da onda, o qual região e grupos de ondas originários de locais envolve a geração e análise de dados de ondas afastados, que se unem aos ventos locais desta em águas profundas, propagação de ondas região para compor a totalidade de energia em águas rasas através do emprego de mode- contida em um espectro. Desta forma, quan- lo numérico. Para isso, utilizaram-se modelos do se caracteriza um clima de ondas de uma de onda, como o WAVEWATCH III ou WWIII região, é necessário ter conhecimento de suas (TOLMAN, 2002) desenvolvido pela NOAA/ características de formação. NCEP (National Ocean and Atmosphere Ad- ministration/National Centers of Environmental Os dados utilizados para análise e caracteriza- Prediction). É um modelo espectral, que simula ção do regime de ondas em águas profundas, processos de geração e propagação de ondas obtido a partir do modelo WWIII, foram extra- em águas profundas, com base em dados ídos do elemento da grade de cálculo situado
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    66 nas coordenadas 8°S e 034°W (Datum SIR- Dados analisados pelo MAI (2009) apresentam GAS-2000), a uma profundidade de aproxima- séries temporais obtidas para a área de estudo damente 2000m, para o período compreendido com ondas de gravidade com alturas significati- entre 30 de janeiro de 1997 e 1º de março de vas médias de 0,60 a 0,97m nas áreas cos- 2010, com dados a cada três horas. Dados teiras de Jaboatão dos Guararapes, do Recife analisados permitem concluir que as ondas e de Olinda e de 0,27 a 0,29m no Paulista. de águas profundas são predominantemente Os períodos significativos das ondulações nos provenientes de direções entre NNO e SSO municípios analisadas variaram entre 5,1 e 6,8 (98,3% dos registros), com alturas de onda va- segundos. As maiores ondulações ocorreram riando entre 0,5 e 4,3m e períodos de 3 a 22s. na região do Recife, com Hs de 1,57 no perío- do de ventos mais intensos. Exemplo de uso de dados topo-batimétricos complementados, (um perfil de Jaboatão dos Guararapes, PE). Em vermelho está representado o que foi medido pela CPE (2010). Fonte: CEPB,2011
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    67 Perfis topo-batimétricos medidosem Recife, PE. Coordenadas em metros UTM. Imagem: Google Earth Fonte: CEPB,2011 Fotografia da embarcação Loba do Mar II, utilizada no levantamento batimétrico Fonte: CEPB,2011
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    68 Calibração para É necessária a calibração do modelo para modelagem se obter sucesso na modelagem costeira. O processo de calibração de um modelo numé- numérica rico consiste na escolha dos parâmetros mais adequados de modo a aproximar os resultados A maior parte dos problemas de erosão costeira simulados dos medidos. A modelagem através tem sua causa relacionada à perda sedimen- de simulação numérica tem-se mostrado de tar em longa escala de tempo, que por sua elevada importância no campo da investigação, vez está relacionada à mudança na fonte de previsões e soluções para problemas dentro do sedimento, ou a mudanças na orientação da ambiente marinho. costa devido a construções (LIMA, 2008). Esse problema é comum em cidades modernas ou O uso de modelos numéricos possibilita que, de veraneio que tiveram sua linha de costa depois da calibração em um único (ou alguns modelada pelo uso de muros de contenção de- pontos), possamos extrapolar as informações vido à ocupação costeira (BLACK AND MEAD, para todo o domínio de cálculo. O processo de 2001). O problema fundamental, nestes casos, calibração foca na comparação entre os resul- é o desequilíbrio entre a orientação da linha de tados do modelo e observações de campo, de costa em relação à orientação média da direção forma que quanto melhor o ajuste entre estes de ondas, a qual governa a direção das corren- valores, melhor o resultado fornecido pelo mo- tes ao longo da costa. São estas correntes as delo (COASTAL PLANNING & ENGINEERING, responsáveis pelo transporte de sedimento que 2010). ocasiona a erosão. O processo de calibração do modelo numérico Uma ferramenta utilizada para o entendimento Delft3D envolveu comparações entre dados de de sistemas costeiros é a modelagem numéri- marés, ondas e correntes medidos em campo e ca. A ideia da modelagem numérica pode ser simulados. As séries temporais foram medidas entendida como a tentativa de explicar nume- entre o período de 29 de julho de 2009 e 13 de ricamente o comportamento ou característica agosto de 2009 e obtidas no âmbito do proje- de um determinado sistema, permitindo-nos to PROCOSTA (2010). Foram utilizados dois dizer se a forma de se tratar um determinado ondógrafos/marégrafos/correntógrafos InterO- sistema é a mais adequada. A ferramenta é cean S4ADWi, com frequência de amostragem extremamente útil.
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    69 de 2Hz, operandoem modo intermitente com da simulação foram feitas para dois pontos aquisição de 30 minutos de dados em inter- diferentes em frente à praia de Boa Viagem, no valos de uma hora. Os equipamentos foram Recife. Verifica-se a posição em planta, pro- fundeados a 1m de distância do fundo do fundidade e esquema de fundeio dos sensores mar (COASTAL PLANNING & ENGINEERING, fundeados nos pontos cujos dados levantados 2011). foram utilizados para calibração (BVE e BVI) e As comparações das simulações com os dados também para os pontos cujos dados não foram de nível do mar, ondas e correntes ao longo utilizados (CANE, CANI e foz do rio Jaboatão). Em sentido horário, da esquerda para a direita: localização do fundeio dos sensores S4 na área do estudo BVI – BVE: praia de Boa Viagem; CANI – CANE: praia de Candeias; FOZ: foz do rio Jaboatão e os respectivos valores de profundidades (m) de cada estação. Esquema demonstrando a profundidade e configuração de fundeio dos equipamentos. Fonte: PROCOSTA (2010).
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    70 Modelagem mento (conservação do momento), na equação de continuidade, equações de transporte para com Delft3D constituintes conservativos e um modelo de fechamento turbulento. A equação vertical de A calibração do modelo numérico Delft3D en- conservação do momento é reduzida à rela- volveu comparações com os dados de marés, ção de pressão hidrostática e as acelerações ondas e correntes medidos em campo, para verticais são assumidas como sendo pequenas dois pontos diferentes em frente à praia de Boa em relação à aceleração da gravidade. Isso faz Viagem, no Recife (Coastal Planning & Engine- com que o Delft3D-FLOW seja adequado para ering, 2011). São descritas as calibrações de a predição de fluxos em mares rasos, áreas marés, ondas e correntes no modelo numéri- costeiras, estuários, lagos, rios e lagoas. co utilizado. Uma breve descrição é dada ao modelo numérico Delft3D, desenvolvido pela O modelo SWAN é baseado na equação de Deltares®, em Delft, Holanda, e seus módulos, conservação da ação de onda e é espectral assim como o módulo hidrodinâmico Delft3D- (em todas as direções e frequências). Isso FLOW, o modelo de propagação de ondas significa que um campo de ondas de cristas SWAN, o módulo morfológico Delft3D-Mor, curtas, randômico, propagando-se simultanea- assim como as grades numéricas e batimetria mente a partir de diferentes direções, pode ser utilizados ao longo da costa. bem representado. O SWAN calcula a evolu- ção de um campo de ondas de cristas curtas Para este trabalho foi utilizado o Delft3D. Este randômico, em águas profundas, intermediá- modelo constitui-se em um avançado sistema rias e rasas, assim como em ambientes com de modelos numéricos 2D/3D (duas ou três di- presença de correntes (e.g. desembocaduras). mensões) composto de diversos módulos para O modelo calcula os processos de refração a simulação de processos costeiros complexos, provocados por correntes ou por mudanças tais como geração e propagação de ondas, cir- na profundidade e representa os processos de culação hidrodinâmica, transporte de sedimen- geração de ondas pelo vento, dissipação por tos e mudanças da morfologia. whitecapping (“carneirinhos”), fricção com o fundo e quebra induzida pela profundidade, O módulo hidrodinâmico Delft3D-FLOW resolve assim como interações não-lineares onda-onda um sistema de equações de águas rasas em (quadruplets e triads), explicitamente, com as modo bidimensional (ou integrado em vertical) formulações que representam o “estado da ou tri-dimensional. O sistema de equações arte” em modelagem de ondas. Ondas bloque- consiste nas equações horizontais de movi- adas por correntes são também representadas explicitamente no modelo.
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    71 As grades numéricasdeterminam a resolução e ecobatímetro e utilizaram a mesma metodo- delimitam as células de cálculo do modelo. As logia. Além dos levantamentos batimétricos propriedades e características variam, portan- realizados durante os projetos MAI (2009) e to, de acordo com o objetivo proposto, tipo de MAPLAC (2010), em 2010, a CPE realizou modelagem aplicada e com a área de estudo. um levantamento batimétrico da praia média, Foram criadas três grades numéricas para antepraia e plataforma interna de Jaboatão dos realizar a calibração do modelo. Guararapes. Esses dados foram coletados com o objetivo de subsidiar a elaboração do projeto Os levantamentos batimétricos (hidrográficos) conceitual de recuperação da orla do muni- na área de estudo foram apresentados como cípio. Maiores detalhes sobre o levantamento resultados nos relatórios dos projetos MAI batimétrico podem ser encontrados em Coastal (2009) e MAPLAC (2010). Ambos os levan- Planning & Engineering (2011). tamentos foram realizados com emprego de Grades numéricas aninhadas: R - Grade regional (branco). I – Grade intermediária (Azul). L – Grade local (vermelho). As grades foram utilizadas na modelagem e calibração dos modelos. Datum WGS 84, projeção UTM, zona 25 S, coordenadas em metros. Imagem: Google Earth ®. Fonte: Coastal Planning & Engineering (2011).
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    72 Modelagem do O CPEB (2011) elaborou um modelo acoplado aos módulos Delft3D-FLOW e Delft3D-WAVE cenário atual para avaliar a propagação de ondas e o sistema de correntes gerado nos quatro municípios. Foram realizadas medições nos doze tipos de Na faixa costeira, entender os processos hidro- onda previamente escolhidos, em três níveis de dinâmicos constitui atividade indispensável à maré, preamar média de sizígia (maré de lua ocupação, uso e intervenção. Todas as ações cheia ou nova), nível médio e baixa-mar média nesses ambientes essencialmente complexos e de sizígia. As forçantes foram originadas nos dinâmicos devem ser minuciosamente estu- tensores de radiação computados pelo modelo dadas e testadas. Essas raras paisagens e de SWAN (CPEB, 2011). variados ecossistemas merecem o máximo de atenção para que sua manutenção e diversida- O CPEB (2011) acoplou módulos Delft3D-WA- de sejam conservadas. VE, Delft-3D-FLOW e Delft3D-MOR na análise do transporte de sedimentos e de mudanças O levantamento dos processos hidrodinâmicos morfológicas. Foram utilizados, nessa simula- das orlas dos municípios de Jaboatão dos Gua- ção, forçantes a maré morfológica e dos doze rarapes, do Recife, de Olinda e do Paulista foi casos representativos do clima de ondas. Cada realizado a partir de dados indiretos obtidos de- tipo de onda foi simulado em três ciclos de pois de revisão bibliográfica, cartográfica e do- maré. Foram registrados, como resultado, os cumental. Os estudos encontrados se baseiam campos de correntes geradas tanto pela varia- principalmente em dois modelos: o de ondas, ção de marés quanto pelas ondas, para aferir avaliando a hidrodinâmica e o de transporte de o transporte de sedimentos. Nesse modelo, sedimentos, contendo simulação de orientação utilizou-se sedimentos na fração 0,3mm, em dos fluxos e direções do transporte de sedi- amostras previamente coletadas. Com base em mentos pelas mesmas. Esses estudos foram imagens aéreas, foram delimitadas as áreas realizados em três níveis de maré (MHHW, MSL com presença de arrecifes expostos, definidas e MLLW), utilizando doze modelos de ondas e; no modelo como área sem sedimentos dispo- modelo da Morfologia e transporte de Sedimen- nível para os processos erosivos. Desse mesmo tos, mudanças morfológicas, correntes, trans- modo, foram identificadas e classificadas as porte de sedimentos e processos de ondas. áreas com estruturas antropogênicas (e.g. es- Na aplicação desses modelos CPEB (2011), pigões, quebra-mares e enrocamentos). Para o adotou períodos de estabilização (spin-up time) calculo das alterações morfológicas, utilizou-se cerca de 745 minutos (um ciclo de maré semi- os fluxos de erosão e deposição em cada célula diurna) (CPEB, 2011). da grade multiplicas pelo fator de aceleração
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    73 morfológica (morfac) paracada caso de onda. ondas. As ondas vindas de leste geram corren- Os resultados foram apresentados de forma tes longitudinais próximas à praia no sentido esquemática de 1 e 5 anos respectivamente. de norte para sul. Já nas ondas proveniente do quadrante sul-sudeste, a corrente longitudinal Os resultados obtidos por CPEB (2011), em paralela à praia apresenta sentido de sul para Jaboatão dos Guararapes, mostram que a norte. Na baixa-mar, as ondas quebram mais variação do nível de maré influencia significati- afastadas da costa, devido a menor profundida- vamente a propagação de ondas e campos de de dos arrecifes offshore. correntes geradas por ondas. Durante a baixa- mar, as ondas quebram nos arrecifes, locali- Os mapas batimétricos mostram a existência de zados a offshore, emersos, onde grande parte uma região com característica deposicional no da energia é dissipada. Nos períodos de maré extremo sul da praia de Boa Viagem. Ao norte, intermediária, parte das ondas não quebra a praia apresenta erosão da porção subaérea sobre os arrecifes, atingindo a praia, principal- e deposição na antepraia, onde o transporte mente onde os mesmos são mais rebaixados residual possui sentido sul norte bem próximo ou nem existem. à costa. Os padrões de erosão e deposição são semelhantes nos resultados de 1 e 5 anos, com Ao analisar os mapas de batimetria inicial e maior magnitude na simulação de 5 (CPEB, final, juntamente com os de erosão/sedimen- 2011). tação, é possível observar que a praia de Barra de Jangada, a norte da foz do rio Jaboatão, Em Olinda, os resultados apresentados por apresenta erosão na porção subaérea do perfil CPEB (2011) mostram que o nível da maré e deposição em sua porção subaquosa, praia influencia significativamente a propagação de estável, com tendência deposicional em alguns ondas e os campos de correntes geradas por pontos. Quando analisado o modelo de 5 anos, onda. Na maré baixa, os arrecifes localizados essa tendência a deposição passa de alguns mais distantes da costa influenciam a quebra pontos para uma área bem maior (CPEB, de ondas e dissipam grande parte da energia. 2011). Na maré alta (nível médio de maré e nível médio de preamar), a quebra de ondas ocorre Para o Recife, os resultados obtidos por CPEB mais próxima à costa. (2011) mostram que as mudanças de maré tem tido efeito significativo na quebra de ondas Na costa do Paulista, os resultados por CPEB e no campo de correntes gerado por elas. A (2011) indicam que a variação de maré tam- configuração de mar prolongado também vem bém influencia fortemente na quebra de ondas. influenciando os padrões de circulação de Na maré baixa, os arrecifes que estão na região
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    74 offshore ficam mais rasos, fazendo com que bactérias do grupo coliforme na água para de- ocorra uma dissipação da energia de onda na terminar essa qualidade. Apesar de não serem área mais afastada da costa. Na maré alta, a patogênicos, a presença dos coliformes indica quebra ocorre na praia ou quebra-mares da a ocorrência de poluição de origem humana ou praia do Janga. A configuração morfológica e animal, o que pode significar a existência de feições batimétricas dos recifes criam correntes outros microorganismos danosos. perpendiculares à linha de costa. Essas fei- ções, por sua vez, sofrem influência do nível de A Resolução do CONAMA nº 247/00 dá orien- maré, sendo um pouco mais intensas quando tações sobre como essas análises devem ser da maré alta (CPEB, 2011). feitas e classifica as águas como Próprias ou Impróprias, de acordo com a densidade de co- Em toda a extensão da linha de costa, entre liformes fecal, E. coli e Enterococos. As águas a praia de Nossa Senhora da Conceição e o Próprias podem ser subdivididas nas categorias pontal de Maria Farinha, predomina um caráter Excelente, Muito boa ou Satisfatória. A classi- erosivo, tanto na simulação de um ano quanto ficação Imprópria indica um comprometimento de cinco anos. O transporte de sedimentos é na qualidade sanitária das águas, porém, uma no sentido norte, intensificado na porção sul, praia pode entrar nessa classificação mesmo na praia de Nossa Senhora da Conceição, e ao com baixos níveis de coliformes, em situações sul do rio Timbó, no pontal de Maria Farinha como presença de óleo, maré vermelha ou (CPEB, 2011). Em toda a costa dos quatro mu- doenças de veiculação hídrica. nicípios, a propagação de onda e transporte de Em Pernambuco, a CPRH é a responsável pelo sedimentos são fortemente influenciados pela monitoramento da balneabilidade das praias variação de maré e pela presença de estruturas e realiza coletas todas as segundas-feiras, em de dissipação e quebra da energia de onda, locais pré-determinados, escolhidos em função que também oferecem barreira ao transporte da frequência do público e proximidade com de sedimentos. adensamentos urbanos. As amostras são leva- das ao laboratório e analisadas utilizando o mé- Balneabilidade todo Determinação do Número Mais Provável (NMP), que estima a densidade de bactérias. O das praias monitoramento permite informar os locais com melhores condições de uso pelos banhistas, A balneabilidade trata da qualidade das águas assim como a sua frequência permite traçar os destinadas ao contato primário, onde são rea- perfis de balneabilidade das praias. lizadas atividades como natação, mergulho e O monitoramento semanal realizado pela CPRH esportes aquáticos. São analisados os níveis de permite atualizar os usuários das praias quan-
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    75 to às melhoresáreas para fins de recreação, estando disponíveis para toda a população. A sendo que a médio/longo prazo, é possível tabela a seguir exemplifica os dados de classifi- traçar um perfil mais confiável da qualidade cação dos pontos de monitoramento segundo a das águas nos locais específicos. Os resultados CPRH, durante a semana de 16 a 22/12/2011. das análises são publicados no site da CPRH, Condições das praias dos municípios de Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista, durante a semana de 16 a 22/12/2011. ESTAÇÃO PRAIA CLASSIFICAÇÃO JABOATÃO DOS GUARARAPES JAB-10 Barra de Jangada PRÓPRIA JAB-20 Candeias PRÓPRIA JAB-30 Candeias PRÓPRIA JAB-40 Candeias IMPRÓPRIA JAB-50 Piedade PRÓPRIA JAB-60 Piedade PRÓPRIA JAB-70 Piedade PRÓPRIA JAB-80 Piedade PRÓPRIA RECIFE REC-10 Boa Viagem PRÓPRIA REC-20 Boa Viagem PRÓPRIA REC-30 Boa Viagem PRÓPRIA REC-40 Boa Viagem PRÓPRIA REC-50 Boa Viagem PRÓPRIA REC-60 Boa Viagem PRÓPRIA REC-70 Pina PRÓPRIA REC-80 Pina IMPRÓPRIA OLINDA OLD-10 Milagres PRÓPRIA OLD-20 Carmo PRÓPRIA OLD-30 Farol PRÓPRIA OLD-40 Bairro Novo PRÓPRIA OLD-50 Bairro Novo IMPRÓPRIA OLD-60 Casa Caiada IMPRÓPRIA OLD-70 Casa Caiada IMPRÓPRIA OLD-80 Casa Caiada PRÓPRIA OLD-90 Rio Doce PRÓPRIA OLD-97 Rio Doce PRÓPRIA PAULISTA PAL-10 Janga IMPRÓPRIA PAL-20 Janga PRÓPRIA PAL-30 Pau Amarelo IMPRÓPRIA PAL-33 Conceição IMPRÓPRIA PAL-40 Maria Farinha IMPRÓPRIA Fonte: www.cprh.pe.gov.br
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    5 76 Como se apresenta o meio biótico na área do empreendimento? Flora aquática Os estudos relativos à composição da comunidade de microalgas planc- tônicas (fitoplâncton), na Área Diretamente Afetada, são poucos princi- palmente na zona de arrebentação. O fitoplâncton é o principal produtor primário dos ambientes costeiros, responsável pelo início do fluxo de matéria e energia da rede trófica destes ambientes, contribuindo para a sua fertilização, sustentando diretamente os herbívoros e indiretamente os animais dos níveis tróficos superiores, incluindo espécies economica- mente importantes. A composição dessa comunidade é influenciada pelas variações do nível das marés, bem como da contribuição dos estuários. No diagnóstico realizado, a baixa riqueza de táxons (24) não condiz com estudos dessa natureza para os locais amostrados. Os grupos registrados (clorofíceas, diatomáceas, dinoflagelados e ciano- bactérias) foram citados em levantamentos anteriores, mas não foram registrados nas análises qualitativas. Um estudo considerando uma malha amostral que contemple um maior número de estações, com as regiões estuarinas incluídas, necessita ser realizado para o entendimento de como o empreendimento afetara a comunidade fitoplanctônica nas praias e estu- ários localizados na ADA e AID. Outro aspecto importante é considerar as variações de maré e sazonalidade, observando a influência do continente para a composição de espécies. O perifiton é uma complexa comunidade de microrganismos (algas, bactérias, fungos e animais), detritos orgânicos e inorgânicos aderidos a substratos inorgânicos (rochas, conchas) ou orgânicos vivos ou mortos. Rico em proteínas, vitaminas e minerais, constitui importante alimento
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    77 para muitos organismosaquáticos. Sua quali- realizada somente uma única vez. Porém, fica dade alimentar é determinada pela composição evidenciada, em nível de Divisão, a presen- dos grupos de algas dominantes, influenciando ça das três principais Divisões no ambiente a produção secundária e o fluxo de energia dos aquático marinho (Cyanobacteria, Rhodophyta micro-organismos consumidores. e Chlorophyta), representadas por espécies cosmopolitas que pouco diferiam entre os Com a efetiva participação na reciclagem de substratos. Neste caso, as diferenças florísticas nutrientes inorgânicos, quase toda produção existentes entre os dois substratos analisados fotossintética é mineralizada continuamente no poderiam estar relacionadas mais às desigual- biofilme perifítico. As macrolagas Dictiopterys dades arquitetônicas dos dois hospedeiros, do sp. (Paheophyceae) e Caulerpa sertularioides que às mudanças ambientais, que apresentam (Chlorophyceae) foram eleitas como substrato, pequenas variações em todo litoral do Estado. por apresentarem ampla distribuição e abun- Portanto, o monitoramento, em longo prazo, dância no litoral de Pernambuco, nas praias deve trazer informações mais precisas sobre do Cabo de Santo Agostinho, de Jaboatão dos a dinâmica desta comunidade, pois as micro- Guararapes, do Recife e de Olinda. Foram algas têm uma alta taxa de reprodução em identificadas 10 taxa de microalgas epífitas nos curtíssimo intervalo de tempo, favorecendo-as dois substratos, sendo um baixo número de como indicadores rápidos da qualidade am- espécies, devido a amostragem ter sido biental da região onde habita. Bellerochea sp. Fonte: ITEP-OS/UFQB
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    78 Licmophora abbreviata Fonte: ITEP-OS/UFQB Chaetoceros sp. Fonte: ITEP-OS/UFQB
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    79 Aspecto geral deCeratium sp. Fonte: ITEP-OS/UFQB Entre os organismos bentônicos, aqueles que dos ambientes. É fundamental o monitoramento vivem no sedimento, podem ser encontrados dessas plantas tanto durante as obras como representantes da flora, além de animais. Na depois do engordamento das praias uma vez área do empreendimento, foram registradas que a manutenção dos bancos destas plantas três espécies de angiospermas marinhas, podem ser benéficas para o empreendimento, alimento preferencial do peixe-boi, nas praias por ajudarem na manutenção do sedimento na do Paulista e de Piedade, além de áreas mais área. afastadas da costa no Recife e no Cabo de Santo Agostinho. Destaca-se a presença da Importante produtor primário, as macroalgas espécie Halophila baillonis que ocorre, no bentônicas tiveram registradas em literatura Brasil, exclusivamente nas Áreas de Influência mais de 100 espécies na área do empreen- Direta e Indiretas do empreendimento. Embora dimento, contudo, nas amostragens inicias as angiospermas marinhas não apresentem um apenas 30 espécies foram identificadas. São número representativo de espécies, sua impor- necessários maiores esforços de inventário de tância econômica, ecológica e biológica é alta, espécies e seu monitoramento, uma vez que sendo consideradas “engenheiras de ecossis- esses organismos podem ser utilizados como temas”, por terem a capacidade de modificar bioindicadores. Atualmente, por exemplo, as condições hidrológicas, físicas e geológicas foram encontradas várias espécies que indicam
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    80 áreas eutrofizadas (com muitos nutrientes), o Apesar de não estarem na área diretamen- que pode ser alterado durante e depois das te afetada pela obra, encontramos na área obras propostas. Nas áreas de dragagem, manguezais. Nessa área se encontram um foram identificados bancos de rodolitos, algas dos maiores manguezais em área urbana do calcárias compostas basicamente por carbo- mundo, localizado no complexo estuarino dos nato de cálcio e de magnésio, que apresentam rios Pina, Jordão e Tejipió, além dos mangue- importância econômica, por sua utilização na zais dos estuários do rio Jaboatão e do canal de agricultura, potabilização de água para consu- Santa Cruz. Os manguezais desempenham fun- mo humano, indústria de cosméticos, implan- ção prioritária na estabilidade da geomorfologia tes em cirurgia óssea, aquariofilia e nutrição costeira, na conservação da biodiversidade e animal. Esses bancos devem ser mapeados na manutenção de amplos recursos pesqueiros imediatamente, até porque eles não servem aos devendo, assim, ser monitorados para garantia fins de engordamento de praia devido a sua de sua conservação e de toda fauna e flora alta taxa de carbonato. dependente. Aspecto de um prado de Halophila decipiens com destaque a fauna acompanhante Fonte: //http: home.coqui.net/
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    81 Aspecto da angiospermaHalophila baillonis Fonte://http: aquaportail.com/ Gracilaria sp., Rhodophyta Foto: Cacilda Rocha (25/11/2011)
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    82 Sargassum sp., Heterokontophyta Fonte://http: aquaportail.com/ Fauna aquática partir da análise dos resultados obtidos no pre- sente estudo, bem como uma breve síntese do estado atual de conhecimento científico, foram O zooplâncton consiste em uma parcela da bio- identificadas expressivas lacunas, na região em ta marinha composta por vários representantes questão, quanto aos estudos sobre a comuni- heterótrofos (aqueles que não possuem a capa- dade zooplanctônica de ambientes costeiros cidade de produzir seu próprio alimento). Eles não estuarinos. O presente estudo consiste em desempenham importante papel na transfe- um dos primeiros levantamentos da composi- rência da energia das microalgas planctônicas ção e estrutura desta comunidade em vários para elos superiores das teias alimentares mari- trechos da área do empreendimento. nhas. Por essa razão, esses pequenos animais são grupos-chaves na caracterização ambiental Foram registrados 50 táxons zooplanctônicos, de quase todos os ecossistemas aquáticos, todos típicos de regiões costeiras marinhas e servindo como bioindicadores da qualidade estuarinas brasileiras. Algumas áreas estuda- ambiental em curta e longa escalas de tempo. das apresentaram vários grupos meroplanctô- O monitoramento da comunidade zooplanctô- nicos, tais como larvas de medusas, planárias, nica é essencial para um manejo adequado de moluscos, poliquetos, decápodes, cirripédios, ambientes aquáticos, em todas suas escalas. A ascídias e peixes, além de alguns organismos
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    83 ticoplanctônicos (foraminíferos, copépodes caduras dos diversos estuários que deságuam harpacticóides da meiofauna, além de isópodes nesta área do empreendimento, de modo a e anfípodes, que vivem associados à vegetação manter o equilíbrio nos ecossistemas. Espécies aquática) de importantes ecossistemas bentô- e grupos típicos de tais ambientes podem servir nicos. como bioindicadores, a curto e longo prazos, da manutenção dessa dinâmica oceanográfica Especial atenção deve ser dada à manutenção costeira. Nesse caso, é extremamente necessá- da dinâmica das massas d’água costeiras que rio um acompanhamento desses táxons indica- banham os recifes costeiros, os bancos de dores da qualidade ambiental durante todas as macrófitas e as áreas adjacentes às desembo- etapas de consolidação do empreendimento. Nauplius de Copepoda, típico de regiões costeiras tropicais de Pernambuco. Foto: Cacilda Rocha (25/11/2011) Os organismos que compõem o ambiente ben- constituem a meiofauna são de grande impor- tônico têm sido amplamente utilizados como tância, pois desempenham papel fundamental bioindicadores, uma vez que estão intimamente na teia alimentar. Participam como elo entre os associados a ele, respondendo a vários tipos de recursos basais (detritos e algas) e os peixes, alterações naturais e antropogênicas. Dentre os além de que, sua diversidade, junto com os organismos que ocorrem no sedimento, os que fatores abióticos, é um fator relevante para o
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    84 estudo desses ambientes. Com base nos resul- apresentam as melhores condições ambientais, tados obtidos no estudo, a meiofauna das áreas com dominância de Copepoda Harpacticoi- estudadas não foge aos padrões encontrados da, que é indicador de ambiente com pouca para outras áreas, tais como do estuário do rio influência de matéria orgânica, detrito. Porém, Jaboatão (Silva 1997), canal de Santa Cruz somente um monitoramento de longo prazo, (Da Rocha, 1991), Pina e Boa Viagem (Silva, contemplando coletas nos diferentes períodos, 1997), onde os grupos mais representativos seco e chuvoso, e nos diferentes habitats (praia são Foraminifera, Nematoda e Copepoda Har- e estuário) trará informações mais precisas pacticoida. É possível observar que há alguns sobre as flutuações e o funcionamento dessa pontos com baixa diversidade, como é o caso comunidade que é de fundamental importância de Jaboatão dos Guararapes e de Boa Viagem, para o conhecimento da qualidade do sedi- porém tal aspecto pode estar relacionado com mento e na transferência de energia no ecos- a flutuação sazonal normal, com a disponibi- sistema. lidade de matéria orgânica, granulometria ou pode estar refletindo um ambiente com certo grau de impacto. Das áreas estudadas, os pontos localizados na praia do Paulista Macho do Copepoda Parvocalanus crassirostris, espécie muito comum no litoral de Pernambuco Fonte: Xiomara F. García-Díaz
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    85 Fêmea do CopepodaOithona hebes – espécie muito comum no litoral de Pernambuco Fonte: Fernando F. Porto Neto Fêmea ovada do Copepoda Euterpina acutifrons – espécie muito comum no litoral de Pernambuco. Fonte: Xiomara F. García-Díaz
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    86 Imagem de representantes do Filo Imagem de representante do Imagem de representante da Foraminifera Filo Nematoda Ordem Harpacticoida Fonte: http://migre.me/7F0vW Vários motivos justificam o interesse pelo co- 3.023,94 ind.m2 na praia protegida do Pau- nhecimento da fauna de praias. Muitas espé- lista. Não foram encontrados organismos na cies têm importância econômica direta, como praia exposta estudada no Recife, município os crustáceos e moluscos utilizados na alimen- no qual foram encontradas as menores densi- tação humana ou como isca para pesca. A dades durante o estudo. Observou-se também esses são somados os poliquetas, que também que as maiores densidades foram encontradas constituem rica fonte de alimento para alguns nas praias protegidas em todos os municípios organismos, principalmente peixes, crustáce- analisados. os e aves (AMARAL et al., 1994). Além disso, No total das amostras da área de jazida foram diversos estudos têm demonstrado a relevância encontrados 841 organismos de 31 táxons da utilização de comunidades bentônicas na diferentes. Em termos de grandes grupos avaliação da qualidade ambiental. taxonômicos, Polychaeta foi o mais abundante (37,81%), seguido por Crustacea (21,40%), As análises das amostras das praias de Jabo- Mollusca (21,05%), Sipuncula (10,46%) e atão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e Echinodermata (9,27%). do Paulista revelaram a ocorrência dos tá- xons Crustacea Isopoda, Nematoda, Mollusca Dos 31 táxons encontrados, Bivalvia foi o único (Bivalvia, Gastropoda, Scaphopoda), Polycha- constante com quase 87% de frequência de eta e Sipuncula, tendo Sipuncula (47,54%) ocorrência, enquanto que Gammaridea, Ophiu- apresentado a maior abundância, seguido por roidea, Polychaeta, Sipuncula e Scaphopoda Polychaeta (20,77%) e Nematoda (15,85%). foram muito frequentes, e Paguroidea, Gastro- Os demais grupos foram responsáveis por poda, Isopoda e Portunus sp foram comuns. Os 15,85% do total. outros 21 táxons foram considerados raros na área estudada. A densidade total variou de 31,83 ind.m2 na praia exposta de Jaboatão dos Guararapes a
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    87 Os resultados obtidospodem estar relacionados Também merecem destaque a crescente espe- com a variação espaço-temporal, com a dinâ- culação imobiliária, a mineração com retirada mica do ambiente ou podem estar refletindo de areia das praias e dunas, e o crescimento um ambiente impactado. As praias dos muni- explosivo e desordenado do turismo sem qual- cípios estudados vêm sofrendo uma crescente quer planejamento ambiental e investimentos descaracterização em razão da ocupação em infraestrutura. desordenada. Paractaea r. nodosa (Stimpson, 1860). Inachoides forceps A. Milne-Edwards, 1879. Macho em vista dorsal. Marca=0,5mm Macho em vista dorsal. Marca=1mm. Foto: Petrônio A. Coelho Filho Pelia rotunda A. Milne-Edwards, 1875. Sicyonia typica (Boeck, 1864). Macho em vista dorsal. Marca=0,5mm. Marca=1mm. Foto: Petrônio A. Coelho Filho
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    88 Na área afetada pelo empreendimento, o substrato consolidado está representado por ambientes recifais. São entendidos como ambientes recifais aqueles ecossistemas de substrato consolidado que possuem elevada cobertura viva, podendo incluir corais, e que apresentam fauna e flora típica dos recifes costeiros. A diversidade de vida e a produtividade destes ambientes são bem elevadas, reforçando sua importância ecológica. Na área do estudo são encontrados recifes de arenito cos- teiros, em franja e também recifes artificiais compostos pelos quebra-mares dispostos previamente em diversos pontos da orla para mitigar efeitos erosivos das ondas. Recife de arenito costeiro na praia de Boa Viagem, Recife - PE. Foto: Petrônio A. Coelho Filho Fonte: Paula B. Gomes
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    89 Recife artificial (quebra-mar)em Jaboatão dos Guararapes-PE. Foto: Petrônio A. Coelho Filho As amostragens realizadas na área diretamente Os quebra-mares funcionam como recifes afetada pelo empreendimento revelam dois artificiais, porém apresentam uma comunidade tipos de comunidades bentônicas, aquelas as- menos rica que os naturais devido à excessiva sociadas aos recifes naturais e as que habitam altura. Abrigam uma fauna típica de ambientes os recifes artificiais (quebra-mares). Nos recifes costeiros com longo tempo de exposição ao ar. costeiros, a comunidade esteve composta por No entanto, a comunidade destes ambientes é representantes típicos destes ambientes, po- bem característica e será afetada pela abertura rém, com baixa riqueza quando comparada a dessas estruturas, com retirada direta de orga- outros recifes de áreas não urbanizadas. nismos e alterações nas condições químicas,
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    90 Exemplares de Uca rapax (Smith, 1870) coletado no quebra-mar de Olinda - PE. Fonte: Paula B. Gomes Banco de areia com presença de caranguejos chama marés (Uca rapax e Uca thayeri) em Olinda - PE. Fonte: Paula B. Gomes
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    91 Exemplares de crustáceoscirripédios no quebra-mar de Jaboatão dos Guararapes - PE. Fonte: Paula B. Gomes Exemplares de ostras (Mollusca) no quebra-mar do Paulista - PE. Fonte: Paula B. Gomes
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    92 físicas e biológicas do ecossistema. tem importantes inferências sobre impactos O conhecimento da composição da assem- ambientais nos ecossistemas em questão. bleia de peixes vem a ser uma das ferramentas Foram analisados 225 indivíduos distribuídos utilizadas para compreender o nível da inter- em 42 espécies e 24 famílias. Os indivíduos ferência antrópica sofrida nessas regiões. A pertencentes às famílias Ariidae (Bagres) não comunidade de peixes é a mais diversificada foram identificados em gênero e espécie, em fauna de vertebrados conhecida e representam virtude do tamanho muito reduzido dos indiví- o maior componente biológico em ecossistemas duos, além do fato de alguns exemplares serem costeiros (SALE, 1985). danificados durante o arrasto. As famílias com maior número de espécies foram: Gerreidae e Os peixes são o mais antigo e numeroso grupo Sciaenidae, ambas com cinco espécies cada e entre os vertebrados. São cerca de 24.000 a Tetraodontidae com três diferentes espécies. espécies de peixes, número semelhante ao de Todas as outras famílias apresentaram duas ou anfíbios, répteis, aves e mamíferos somados uma única espécie. As espécies mais captura- (NELSON, 1994). As comunidades de pei- das durante as amostragens foram a carapeba- xes apresentam numerosas vantagens como branca, Diapterus rhombeus; n=58 (25,5%), indicadora nos programas de monitoramento a solha ou linguado, Citharichthys spilopterus biótico e levantamentos, realizados em um n=37 (12,6%) e o coró, Stellifer stellifer, n=26 espaço de tempo definido e replicável. Permi- (11,5%) respectivamente. Principais espécies de organismos marinhos, com enfoque para os peixes, coletados na zona de arrebentação do litoral de Pernambuco, destacando o juvenil de mero (círculo azul) Fonte: Paula B. Gomes
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    93 Indivíduos de Cephalopholisfulva que são capturados pela frota artesanal, com armadilhas de fundo (covos), e são encontrados ao longo na plataforma continental do Estado Fonte: Paula B. Gomes
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    94 grande diversidade de ecossistemas, como Flora terrestre praias, restingas, tabuleiros, cerrados, pontais rochosos, recifes de corais, ilhotas e mangue- zais (Andrade-Lima, 1960). Historicamente, os ecossistemas costeiros no Brasil foram os que maior impacto sofreram Nas zonas de praia, antedunas e dunas mais principalmente pela ocupação desordenada e próximas ao mar predominam espécies herbá- especulação imobiliária, devido a sua posição ceas reptantes e rizomatosas, principalmente geográfica ao longo do litoral – local preferen- ciperáceas e gramíneas, com destaque tam- cial para a ocupação, desde a colonização do bém as jitiranas ou salsa da praia, bredo e Brasil (Coimbra-Filho & Câmara, 1996). feijão da praia. Em alguns casos, arbustos e árvores, que ocorrem de forma isolada e pouco Diversas áreas de vegetação nativa de floresta expressiva ou formando agrupamentos ou moi- atlântica, restingas, manguezais e zona de praia tas mais densos. foram suprimidos para ceder espaço à criação de importantes centros comerciais e residen- Árvore símbolo da praia, o coco-da-baía ou ciais, plantações de monocultura, especulação coco-da-praia é a planta de maior represen- imobiliária, extração de jazidas, exploração de tatividade ao longo de toda a orla das praias recursos vegetais e animais (Coimbra-Filho & nordestinas e, não poderia ser diferente na orla Câmara, 1996). A vegetação desses ecossis- pernambucana. Essas espécies acompanham temas tem sido reduzida em cerca de mais de toda a costa. Com suas propriedades alimentí- 90% de sua área (SOS Mata Atlântica, 1998). cias e medicinais, o fruto é bastante apreciado A Zona Costeira de Pernambuco apresenta pelos nordestinos, além de servir como orna- um litoral com 187km de extensão, abrigando mento urbano. Visão panorâmica da praia de Boa Viagem, Recife - PE Fonte: Marcondes Oliveira
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    95 Ramos frutíferos deAnacardium Ramo frutificado de occidentale L. (Cajueiro) Crotalaria retusa Fonte: Marcondes Oliveira Guapira pernambucensis, Guilandina bonduc, A área de estudo, apesar de impactada, Ipomoea pes-caprae (Salsa-da-prais), Ipomoea apresenta importantes fitofiosonomias diferen- stolonifera (Salsa-branca), Paspalum mariti- ciadas, desde faixa de praia, pequenas dunas, mum, Paspalum vaginatum, Remirea marítima, reduzido trecho de restinga e manguezal con- Sesuvium portulacastrum, Sophora tomentosa, tornando alguns estuários como os de Pirapa- Sporobolus virginicus. ma e de Jaboatão, de Beberibe, de Paratibe e de Timbó. Foram detectadas importantes áreas para a preservação da flora e da fauna costeira, como A flora da orla da Região Metropolitana do Re- estuários, manguezais e restinga, ambientes cife apresenta-se mista, com diversas espécies associados à zona de praia. O impacto dos exóticas, ou seja, estrangeiras e, ruderais, com ecossistemas é fato consumado e notório, ampla distribuição na natureza. Entre as espé- porém são urgentes e prudentes medidas cies nativas na faixa de praia, temos: Alternan- conservacionistas que visem minimizar esses thera littoralis var. maritima (Mart.) Pedersen, impactos, tais como poluição de resíduos sóli- Blutaparon portulacoides (Bredo-da-praia), dos, redução de áreas naturais, exploração de Canavalia rosea (Feijão-da-praia), Dalbergia caça, pesca e retirada da vegetação, proteção à ecastaphyllum (Bugi), Fimbristylis spathacea, desova de tartarugas marinhas.
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    96 Ramos floridos de Canavalia rosea Dalbergia ecastaphyllum (bugi) Fonte: Marcondes Oliveira Ipomoea stolonifera (salsa-branca) Gramínea Sporobolus virginicus Fonte: Marcondes Oliveira
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    97 ção, ocorrendo em grande parte do estado e Fauna terrestre na maioria dos estados nordestinos, em es- pecial em ambientes de Mata Atlântica, áreas de transição entre Mata Atlântica e Caatinga e Nas áreas Diretamente Afetada (ADA), de Influ- em áreas abertas de Caatinga. Em relação aos ência Direta (AID) e de Influência Indireta (AII) estágios de conservação, doze espécies encon- do empreendimento de “Recuperação da Orla tram-se classificadas como “pouco preocupan- dos Municípios de Jaboatão dos Guararapes, te” na lista de espécies ameaçadas da IUCN Recife, Olinda, Paulista e adjacentes” encon- (2010); estando todas ausentes dos Apêndices tram-se basicamente três ambientes propícios I, II e III da CITES (2011), que também trata à ocorrência da fauna terrestre, representantes das espécies sob ameaça de conservação. dos grupos dos anfíbios, répteis, aves e ma- míferos: i. Ambientes aquático marinho com Em relação aos répteis, foram registradas qua- registro de tartarugas marinhas; ii. Ambientes tro espécies nas Áreas Diretamente Afetada, aquático lótico, com registro principalmente de de Influência Direta e de Influência Indireta e cágados, jabutis e jacarés; iii. Ambientes flores- 55 apenas na Área de Influência Indireta do tados em diferentes estágios de conservação, empreendimento. São 42 espécies registradas com ocorrência marcante de anuros, lagartos, em Jaboatão dos Guararapes, 12 no Recife, 18 serpentes, testudines e jacarés. em Paulista, 19 em Igarassu e 4 espécies nas áreas costeiras dos municípios analisados – es- A fauna de vertebrados terrestres está repre- sas últimas se destacam por ocorrerem simul- sentada por 430 espécies, sendo 41 anfíbios taneamente nas Áreas Diretamente Afetada, anuros, 59 répteis, 261 aves e 69 mamíferos. de Influência Direta e de Influência Indireta do Empreendimento. Os répteis registrados estão Quanto aos anfíbios, todos foram registrados na distribuídos em cinco grandes grupos, testudi- Área de Influência Indireta-AII do empreendi- nes (5 spp.), lagartos (19 spp.), amphisbaena mento, sendo 26 em Jaboatão dos Guararapes, (1 sp.), serpentes (32 spp.) e jacaré (2 spp.). 28 no Recife, 19 em Paulista e 34 em Igarassu. No que se refere aos testudines, foram regis- As espécies registradas podem ser enquadra- tradas duas famílias: Cheloniidae (4 spp.) e das em nove famílias: Amphignathodontidae Chelidae (1 sp.). Os amphisbaenídeos tiveram (1 sp.), Brachycephalidae (2 spp.), Bufonidae registro de uma família: Amphisbaenidae (1 (4 spp.), Cycloramphidae (1 sp.), Hylidae (20 sp.). Os lagartos tiveram registro de dez famí- spp.), Leiuperidae (3 spp.), Leptodactylidae (7 lias: Gekkonidae (1 sp.), Gymnophtalmidae (2 spp.), Microhylidae (2 spp.) e Ranidae (1 sp.), spp.), Iguanidae (1 sp.), Leiosauridae (1 sp.), estando todas as espécies com ampla distribui- Phyllodactylidae (1 sp.), Polychrotidae (4 spp.),
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    98 Scincidae (2 spp.), Sphaerodactylidae (1 sp.), Caatinga. Uma parte menor de espécies ocorre Teidae (4 spp.) e Tropiduridae (2 spp.). As ser- preferencialmente em áreas costeiras. Em re- pentes tiveram registro de seis famílias: Boidae lação ao status de conservação, duas espécies (3 spp.), Colubridae (6 spp.), Dipsadidae (16 se enquadram na categoria de espécies em spp.), Elapidae (1 sp.), Typhlopidae (1 sp.) e perigo (Myrmeciza ruficauda e Curaeus forbe- Viperidae (5 spp.). Os jacarés tiveram registro si), três na categoria de espécies quase amea- de uma família: Alligatoridae (2 sp.). Dentre as çadas (Pyrrhura lépida, Thalurania watertonii e espécies de répteis registradas, todas possuem Picumnus fulvescens), quatro na categoria de ampla distribuição, ocorrendo em grande parte espécies vulneráveis e 234 espécies na catego- do Nordeste, em especial na Mata Atlântica e ria de pouco preocupantes segundo o IBAMA algumas em áreas abertas de Caatinga. (2008) e IUCN (2010); estando duas no Apên- dice II (Pteroglossus aracari e Tangara fastuosa) Em relação ao status de conservação, qua- e duas no Apêndice III (Dendrocygna bicolor e tro espécies de tartarugas marinhas (Caretta Cairina moschata) da CITES (2011). caretta, Chelonia mydas, Eretmochelys imbri- cata e Lepidochelys olivacea) se encontram Em relação aos Mamíferos, todas as espécies classificadas pelo Ibama (2008) e IUCN (2010) foram registradas apenas na Área de Influência como criticamente em perigo; além das espécie Indireta-AII do empreendimento, especifica- Caiman latirostris e Paleosuchus palpebrosus mente 31 espécies em Jaboatão dos Guara- comporem o Apêndice I e os squamatas Tupi- rapes, 47 no Recife e 33 em Paulista. Entre nambis marianae, Iguana iguana, Boa constric- as espécies, 48 representando a mastofauna tor e Epicrates cenchria comporem o Apêndice não alada e 21 a mastofauna alada (morce- II da CITES (2011). gos). Ressaltando o registro de oito espécies que ocorrem em áreas urbanas. Em relação Quanto as aves, quatorze espécies foram regis- aos status de conservação, uma espécie se tradas simultaneamente nas Áreas Diretamente enquadra na categoria de dados deficientes Afetada, de Influência Direta e de Influência (Lontra longicaudis); uma espécie na categoria Indireta e 247 registradas exclusivamente na de quase ameaçada (Leopardus wiedii); uma Área de Influência Indireta. Essas espécies se espécie na categoria de vulnerável (Leopardus enquadram em 46 famílias, sendo todas com tigrinus) e 52 espécies na categoria de pouco ampla distribuição, ocorrendo em grande parte preocupante segundo o IBAMA (2008) e IUCN do estado e na maioria das fitofisionomias e (2010); estando quatro no Apêndice I (Leopar- dos estados da região nordeste, em especial na dus pardalis, Leopardus tigrinus, Leopardus Mata Atlântica, áreas de transição entre Mata wiedii e Lontra longicaudis), duas no Apêndice Atlântica e Caatinga e em áreas abertas de II (Bradypus variegatus e Cerdocyon thous) e
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    99 cinco no ApêndiceIII (Cuniculus paca, Eira Destaca-se que embora tenhamos registrado barbara, Galictis vittata, Nasua nasua e Platyr- uma riqueza expressiva e quatro espécies criti- rhinus lineatus) da CITES (2011). camente em perigo de extinção, as populações existentes são de ampla distribuição geográfica Quanto ao uso pelas comunidades, destacam- e abundantes em todo território nacional, não se duas espécie de anfíbios anuros (Leptodac- representando obstáculo a implementação da tulus vastos e Leptodactylus latrans), cinco de obra almejada, desde que seja operacional- testudines (Caretta caretta, Chelonia mydas, mente efetuada dentro de critérios que possibi- Eretmochelys imbricata, Lepidochelys olivá- litem a conservação das populações relaciona- cea e Phrynops geoffroanus), uma de lagarto das. (Tupinambis meriana), duas de jacaré (Caiman latirostris e Paleosuchus palpebrosus), nove de No que se refere aos impactos negativos para aves (Columbina passerina, Columbina minuta, a fauna de vertebrados terrestres é possível re- Columba livia, Columbina talpacoti, Leptotila ru- conhecer dois núcleos, uma vez que a grande faxilla, Geotrygon montana, Porphyrio martini- maioria das espécies de anfíbios, répteis, aves ca, Gallinula chloropus e Ortalis guttata) e doze e mamíferos ocorrem na AII em áreas relati- de mamíferos (Cuniculus paca, Cabassous vamente distantes da costa: i. Destruição de unicinctus, Cavia aperea, Dasyprocta prymnolo- ninhos de tartarugas marinhas e o ii. Atropela- pha, Dasypus novemcinctus, Didelphis albi- mento e destruição das áreas de alimentação ventris, Euphractus sexcinctus, Hydrochaeris e reprodução das tartarugas marinhas por hydrochaeris, Leopardus pardalis, Leopardus ocasião do tráfego das embarcações e da cons- tigrinus, Nasua nasua e Tamandua tetradactyla) trução dos espigões decorrentes do empreendi- por serem expressivamente utilizadas como mento. Tais impactos podem ser mitigados ou fonte de alimentação e consequentemente são controlados através de medidas e programas alvos de caça (espécies cinegéticas). que deverão ser realizados durante e depois da implantação do empreendimento.
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    6 100 Quais são os aspectos socioeconômicos da área do empreendimento? Socioeconomia Os estudos efetuados pela equipe de socioeconomia para avaliar os im- pactos com a implantação do projeto de recuperação da orla de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, de Olinda e do Paulista destacaram alguns pontos da caracterização dos municípios e de sua área de influência direta: • O crescimento populacional dos municípios intensificou-se no século XX como resultado da atração populacional decorrente da concentra- ção de investimentos na Região Metropolitana do Recife; • A ocupação urbana ocorreu de forma desordenada e sem planeja- mento; • Existem grandes disparidades sociais, que se refletem no perfil da ocupação da orla; • A atual pressão populacional na parte sul da região metropolitana é um importante impulsionador na ocupação mais intensa da orla, principalmente de Jaboatão dos Guararapes e do Recife; • As taxas de crescimento populacional indicam que o Recife e Olinda estão apresentando menor atração populacional, tendo em vista as menores taxas de crescimento populacional nos últimos anos; • Os municípios apresentam perfil extremamente urbanizado; • A expectativa de vida está aumentando, a população tem envelhecido pela diminuição da taxa de natalidade, o que reduz a necessidade de crescimento da infraestrutura para atendimento da primeira infância, mas aumenta a necessidade de crescer a oferta de infraestrutura para atendimento de idosos, desenvolvimento de novas tecnologias
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    101 medicinais, melhorias no atendimento • A ocupação da orla do Recife e de Jaboa- básico a saúde; tão dos Guararapes se faz de forma mais • Quase a metade do PIB estadual ocorre densa e com unidades imobiliárias mais nos municípios que receberão o projeto; valorizadas; • O crescimento econômico do conjunto dos • A distribuição de moradores por domicílio municípios está pouco inferior à média do Recife é mais concentrada nas uni- do estado, mas existe disparidade entre dades menores. Isto indica que o perfil os quatro, com a parte sul apresentando socioeconômico, incluindo ainda o capital crescimento bem mais intenso que a parte social dos moradores, é diferenciado neste norte; município. Tendo em vista o alto valor dos • O PIB per capita é muito maior nos muni- imóveis nesta região, pode-se supor que cípios do que no restante do estado; o número de pessoas viúvas, divorciadas • Os municípios de Jaboatão dos Guararapes e solteiras com alto poder aquisitivo seja e do Paulista apresentam importante papel elevado na orla do Recife; no setor industrial do estado; • Existe um grande diferencial na utiliza- • No Recife, o setor de serviços é bastante ção econômica da orla dos municípios. dinâmico, inclusive com a presença de O Recife possui um volume muito maior alguns APLs focados em conhecimento, de estabelecimentos do que os demais, como o Porto Digital e o Polo Médico; mesmo não possuindo a maior extensão • Os níveis de escolaridade são mais ele- de orla. Jaboatão, que apresenta um perfil vados nos municípios da AII do que no de domicílios mais próximo ao de Recife restante do estado; possui volume de estabelecimentos mui- • O contingente populacional que reside to menor. Olinda também tem número na área diretamente afetada é de 31.839 expressivo de estabelecimentos, mas sua domicílios e 76.542 pessoas; área é superior à do Recife. Paulista é o • O perfil socioeconômico médio dos domicí- município que tem a menor densidade de lios da orla apresenta evidências de maior empresas situadas na orla. nível de renda, educação e composição etária diferenciada do restante dos muni- cípios, corroborando o fato de que as áreas de orla são, proporcionalmente dentro dos municípios, mais valorizadas;
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    102 Enrocamento, próximo ao Golden Beach Limite da Praia de Piedade próximo ao Sesc (Jaboatão dos Guararapes - PE) Piedade (Jaboatão dos Guararapes - PE) Fonte: Éder Lira de Souza Leão Vista do enrocamento da praia, próximo a praça de Boa Viagem (Recife – PE) Fonte: Éder Lira de Souza Leão Os estudos socioeconômicos relativos à área Os empreendimentos de agentes econômicos, diretamente afetada se dividiram em duas tais como: ambulantes, quiosqueiros, donos de frentes, que usaram metodologias distintas. De bares e de restaurantes bem como de empre- um lado, analisaram-se as atividades econômi- sários da hotelaria situados na orla marítima cas voltadas à exploração da praia, tais como de Pernambuco no percurso que se estende ambulantes, barraqueiros, bares, restaurantes de Jaboatão dos Guararapes ao Paulista vêm e hotéis e a análise baseou-se em entrevistas sendo afetados diretamente e fortemente pelo semiestruturadas. De outro, tratou-se a pesca avanço do mar. Nem todos os empreende- artesanal, que se baseou, além de entrevistas dores interpretam esse fenômeno como uma semiestruturadas, em reuniões e oficinas. ameaça aos seus negócios, uma vez que não existem hotéis nas praias ao norte de Olinda.
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    103 Os ambulantes edonos de bares e quiosques, inúmeros estuários e rios que cortam essas por serem os principais afetados e por terem cidades. sido transformados em “nômades da orla”, têm uma melhor percepção do problema. São A pesca artesanal é multiespecifica, ou seja, empurrados sistematicamente e juntamente um pescador realiza diversas pescarias de com seus clientes, da areia em direção às cal- acordo com as condições oceanográficas, çadas, quando estas existem. Porém, essa não biológicas e de mercado, podendo capturar a é a opinião de todo o grupo, pois muitos deles lagosta em certa época, peixes que realizam atribuem a evasão de clientes à falta de banhei- migração em outra ou mesmo a sardinha ou ros públicos, aos dejetos que são despejados peixes de menor valor comercial em outra épo- nas praias (no Paulista), a falta de segurança ca. Na região estudada, é praticada uma série diante da presença da marginalidade, tal como de pescarias que podem ser resumidas em a existência dos usuários de drogas, ao lixo não pescarias de mar de fora, pescarias de mar de recolhido pelas prefeituras, entre outros fatores. dentro e a pesca estuarina. A pesca motorizada Quanto ao Projeto Orla, os que o conhecem é muito frequente e captura espécies de alto têm dúvidas quanto à sua realização, embora valor comercial. A pesca estuarina é realizada achem que ele viria estimular a clientela em por um grande contingente de pessoas, em seus empreendimentos atraindo novos cientes, sua maioria mulheres, e representa uma das especialmente o turista em busca de lazer. formas mais democráticas de geração de renda Nenhum desses agentes econômicos demons- na região estudada. trou preocupação com os efeitos sobre os negócios, que envolveria a fase de operação e Em relação à cadeia produtiva, a pesca tem implantação do projeto, talvez pelo descrédito características de dispersão espacial e perecibi- da realização da intervenção. lidade dos produtos, que dificultam os proces- sos de conservação e comercialização, exigindo A pesca artesanal na região urbana do Grande assim complexos mecanismos logísticos entre Recife, apesar de ser tratada como uma ativi- a produção e o consumidor final. Essas difi- dade marginal, representa historicamente uma culdades favorecem a presença de inúmeros atividade socioeconômica forte, que engloba elos na cadeia produtiva. Algumas espécies de milhares de pessoas e sustenta uma cadeia pescado passam por até quatro vendedores até produtiva grande, muitas vezes formada por atingir o consumidor final, elevando o preço do relações familiares e de parentesco. No Recife produto na ponta e diminuindo, consequen- e municípios vizinhos, a pesca assume propor- temente, o preço pago ao pescador na praia. ção não encontrada em outras áreas altamente Essa complexa cadeia agrega uma série de urbanizadas do país devido à presença de pessoas que são dependentes da pesca.
  • 104.
    104 O foco da pesca artesanal nos municípios es- pais causas da diminuição dos recursos nessa tudados pode ser dividido em três direções ou região. Apesar de toda a poluição, estima-se a três classificações: a primeira reside em uma partir da bibliografia consultada e de informa- pesca artesanal mais capitalizada, utilizando ções das instituições de representação dos pes- embarcações de madeira ou fibra, a motor, as cadores que aproximadamente 7.600 pessoas quais pescam em áreas mais distantes da costa realizem a pesca como atividade profissional na até a região do talude continental (paredes) região dos municípios do Cabo de Santo Agos- e chamada de pesca de “mar de fora”. É nas tinho, de Jaboatão dos Guararapes, do Recife, paredes que se realiza a pesca de linha, a qual de Olinda e do Paulista – regiões que serão captura peixes nobres como a cioba. A segun- diretamente afetadas pelo “Projeto Recupera- da classe pode ser chamada de pesca de “mar ção da Orla Marítima”. de dentro”, segundo denominação dos próprios pescadores, é a pesca costeira, realizada na Foram realizadas entrevistas com lideranças região protegida pelos arrecifes, em geral com de pescadores, questionários semiestrutura- pequenas embarcações (jangadas principal- dos (50) e dez reuniões e oficinas das quais mente) ou mesmo desembarcada. Esse tipo participaram 203 pescadores e pescadoras, de pesca também é visualizada nos municípios com o objetivo de levantar informações sobre estudados, em menor proporção. Exceção para as comunidades e os impactos visualizados por a pesca de arrasto de camarão, que é realizada estes em relação ao “Projeto Recuperação da nessa região com o auxílio de barcos de maior Orla Marítima”. O projeto é prejudicial trazendo porte. O terceiro grande contingente de pes- inúmeros impactos negativos, por vezes não cadores encontra-se envolvido em uma pesca mitigáveis para a pesca artesanal. que exige menos capital – a pesca estuarina –, realizada com o apoio de pequenas embarca- Diante das incertezas existentes em relação ao ções a remo ou a vela (baiteras). As mulheres projeto, principalmente no que tange a inexis- são os grandes atores da região estuarina, onde tência de jazida de areia para a maioria das catam seus mariscos, sururus e outros molus- engordas de praia propostas, o projeto deve ser cos. Em todos os municípios pesquisados a revisto. A participação dos pescadores e seu pesca estuarina é realizada e depende dire- conhecimento deveriam ter sido contemplados tamente dos estuários e boa saúde da região quando da concepção da ideia e mesmo do costeira e adjacências da praia. projeto. É altamente recomendável que um pro- jeto desse porte reconheça o saber tradicional A pesca e o meio ambiente são interdependen- de longas gerações e os impactos causados a tes, sendo os impactos ambientais as princi- uma classe de profissionais que por direito é a
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    105 usuária legítima dasregiões costeiras e estua- O dimensionamento dos impactos positivos e rinas. negativos apontados foi feita de forma quali- ficada, ou seja, considerando que o cenário Vários impactos negativos podem ser citados descrito no projeto de engenharia fosse cumpri- em relação ao “Projeto Recuperação da Orla do. Contudo destacaram-se algumas incertezas Marítima”. Os principais são ambientais e críticas que afetam sensivelmente a tomada de causam a diminuição e mesmo o impedimento decisão acerca do licenciamento ambiental do da atividade da pesca artesanal. A diminui- projeto. ção da produção poderá ser causada pela dragagem dos sedimentos, pelos sedimentos As incertezas críticas levantadas pela equipe em suspensão na água, aterros de bancos de de socioeconomia são: i) impossibilidade de moluscos, barulho e movimentação da dra- estimar a viabilidade econômica do empreen- ga, assoreamento de habitats (leito de rios e dimento; ii) indefinições no projeto apresenta- lagoas, recifes, manguezais), entre outros. A do sobre a tomada de areia; iii) divergências atividade da pesca também será prejudicada sobre a melhor alternativa de engenharia no com a movimentação das máquinas na obra, tocante às estruturas rígidas; iv) inexistência de as modificações na orla com possível impedi- detalhamento sobre impactos nos sedimentos mento da atracação dos barcos, funcionamento que se acumulam na comunidade da “Ilha do da draga e exclusão da pesca na região de inte- Maruim”; v) cronograma de realização da obra resse de dragagem. As caiçaras e moradias de extremamente otimista e vi) necessidade de pescadores também serão atingidas. Em menor manutenção constante do engordamento de grau, cita-se uma série de impactos negativos à praia, o que gerará custos de manutenção altos pesca: dificuldades de trânsito de embarcações para as prefeituras, além de impactos ambien- e aumento de acidentes, aumento no número tais de longo prazo causados pelas dragagens. de afogamentos na região de Suape e outras onde ocorrerem às dragagens, dificuldades Os impactos positivos recaem sobre um contin- para a comercialização de produtos pesqueiros gente populacional bastante superior ao con- nas praias, dificuldades de acesso às praias, tingente populacional que recebe os impactos problemas de saúde decorrentes do acúmulo negativos e podem ser resumidos em valoriza- de lixo e propagação de pragas nas estruturas ção dos imóveis da orla; aumento do bem estar de contenção e problemas de pele devidos a dos usuários das praias e aumento do potencial matéria orgânica no sedimento. turístico (não necessariamente do turismo) das praias dos quatro municípios. Os impactos negativos são de natureza transitória para os
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    106 moradores das parcelas mais valorizadas da ao Projeto Recuperação da Orla Marítima, a orla, mas algumas vezes permanentes para os contextualização etno-histórica envolveu parte pescadores e moradores de áreas de orla me- da faixa litorânea de Pernambuco; mais especi- nos valorizados. A clássica solução de valorizar ficamente os municípios de Olinda, do Paulista, as perdas da menor parcela da população que do Recife e de Jaboatão dos Guararapes, que será negativamente afetada é possível, mas integram atualmente a Mesorregião Metropo- pode inviabilizar economicamente o projeto, litana do Recife. Inclui-se aqui ainda, como uma vez que as incertezas críticas fazem com área de influência direta do empreendimen- que o tamanho econômico dos impactos posi- to, o município do Cabo de Santo Agostinho, tivos seja bastante duvidoso e também porque considerando-se que o ponto de dragagem faz sobrecarregaria demasiadamente o futuro face àquele litoral. Na faixa litorânea destes orçamentário dos municípios. municípios, os estudos envolveram a busca pela coleta de dados primários, de modo não A melhor alternativa parece ser o aprofunda- interventivo, além do levantamento de dados mento dos estudos de engenharia, principal- secundários. mente detalhando melhor as origens de areia e o complemento do projeto de engenharia com Durante o diagnóstico, foram levantados os um projeto socioeconômico de implantação e aspectos culturais dos municípios estudados, gestão da orla acoplado ao projeto de engenha- incluindo o levantamento do patrimônio ima- ria. Um enriquecimento no projeto deste tipo terial (festas, danças, comidas típicas, lendas, pode, por exemplo, propor que sejam criados artesanato), do patrimônio paisagístico, do tributos específicos para os beneficiários do patrimônio espeleológico (cavernas e furnas) projeto, de sorte a que as compensações am- e paleontológico, e do patrimônio material (ar- bientais e a manutenção da orla sejam garan- queológico e histórico), relativos à AII. tidas. Os aspectos relativos ao patrimônio imaterial Patrimônio dos referidos municípios, no geral, correspon- dem àqueles que ocorrem na região pernam- cultural bucana como um todo. Merece destaque as festas populares como o Carnaval e o São João, A legislação federal aplicável ao patrimônio quando ocorrem manifestações culturais típicas histórico-cultural protege os conjuntos urbanos que envolvem grupos organizados como os e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, blocos de Carnaval, o Galo da Madrugada e arqueológico, paleontológico, ecológico e cien- outros. tífico. No estudo do Patrimônio Cultural relativo Entre as festas religiosas e profanas, desta-
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    107 cam-se a Festada Pitomba em Jaboatão dos mônio paisagístico pela esfera federal, como o Guararapes e a Festa da Lavadeira, uma festa conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagísti- de cunho religioso realizada todo dia 1 de maio, co de Olinda; o conjunto arquitetônico, urbanís- na praia do Paiva. Ainda no âmbito das festas tico e paisagístico do antigo Bairro do Recife; populares e religiosas, a corrida de jangadas no o conjunto paisagístico do Sítio da Trindade, Paulista e a Romaria ciclística a São Severino estrada do Arraial n° 3250; a casa de Gilberto do Ramos. Freyre - Vivenda Santo Antônio de Apipucos, envolvendo as edificações e o sítio paisagístico Ainda no âmbito do patrimônio imaterial, cons- ao seu redor. Menção específica se deve aos tam na lista gastronômica o Bolo Souza Leão, coqueirais, que outrora caracterizavam pratica- a tapioca, além dos frutos do mar típicos da mente todo o litoral. região (peixes, camarões, caranguejo, sururu, marisco, entre outros), os licores e doces ca- Do ponto de vista do Patrimônio Espeleológi- seiros vendidos em barracas de rua nas áreas co, o Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil de praia são famosos na região. São doces e (CNC) não registra a presença de formações licores de frutas regionais produzidos artesanal- cavernícolas de interesse espeleológico na mente. A passa-de-caju é um dos doces mais Área de Influência Indireta (AII) deste empre- procurados. endimento. A despeito da presença de rochas carbonáticas, representada pelas Formações Há que se mencionar ainda a relação da popu- Gramame e Maria Farinha do Grupo Paraíba, lação com a orla marítima e as atividades que presentes no litoral Norte de Pernambuco, nela ocorrem como cerimoniais e festividades mesmo no litoral onde tais rochas se expõem religiosas (manifestações dos cultos afro-bra- em contato com o mar, não há referências à sileiros), a pesca artesanal, além do uso como presença de cavernas. lazer e o comércio informal. Todavia, aquelas rochas carbonáticas têm O patrimônio paisagístico profuso na AII, na revelado a presença de alguns fósseis relatados realidade se sobressai como paisagem valoriza- em pesquisas que precederam a explotação da. Facilmente a população consultada elenca industrial daqueles depósitos. Do mesmo um número significativo de locais de interesse modo, se tem em Olinda, onde na década de paisagístico, onde certamente se incluem as 1940 foi identificada a ocorrência de depósitos praias e as áreas de esporte e passeio náutico. de fosforitos marinhos com considerável teor em fosfato, associados aos arenitos calcíferos No âmbito da Área de Influência Indireta, al- da bacia sedimentar costeira nos estados de guns bens têm o reconhecimento como patri- Pernambuco e Paraíba. Kegel (1953) denomi-
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    108 nou de Formação Itamaracá esses arenitos cal- no Recife, 2 em Olinda, 4 no Paulista e 176 no cíferos de granulometria grossa com abundante Cabo de Santo Agostinho. fauna cretácea e, posteriormente, Kegel (1955) incluiu na referida formação a porção inferior A implantação do Projeto Recuperação da de arenitos friáveis, continentais, com restos de Orla Marítima interferirá fisicamente em áre- plantas carbonizadas, por vezes conglomeráti- as urbanas, entretanto, no que concerne às cos, interdigitados com calcarenitos de fácies edificações reconhecidas como de interesse marinhas anteriores. histórico e arqueológico, tem-se o caso da área onde provavelmente existiu a primitiva Igreja de O patrimônio material identificado na AII, do Nossa Senhora das Candeias, hoje destruída. ponto de vista histórico, representa o foco No trecho onde se supõe ter existido aquela inicial da ocupação histórica do Estado. Longa igreja, foram realizadas obras de contenção é a lista dos bens tombados, sobretudo em marinha. De permeio com o material utilizado Olinda e no Recife, onde se destaca o conjunto nas obras, podem ser vistos blocos de calcário de igrejas que está entre os mais antigos do com evidencias de trabalho de cantaria. Parte Brasil. O rol de edificações históricas tombadas desse material calcário foi reunido e transporta- (e em processo de tombamento), por institui- do por moradores interessados na preservação ções do governo federal, estadual e municipal do patrimônio, que de há muito sugerem que abrange uma vasta gama de exemplares da sejam realizados estudos na área para a iden- arquitetura histórica, envolvendo não apenas tificação do local e das ruínas da antiga igreja, edificações religiosas e de defesa, mas exem- cuja construção remonta ao primeiro quartel do plares da arquitetura civil governamental e século XVII. particular. Quanto à distribuição temporal, estão contemplados desde monumentos com As obras do empreendimento envolvem ainda origem no século XVII, àqueles representantes riscos com relação ao patrimônio arqueológico do século XX. não manifesto, além do natural e paisagístico. A expectativa de tais riscos converge para as No âmbito do patrimônio material arqueológico, áreas onde existiram obras de defesa, como estão registrados no Cadastro Nacional de Sí- aquelas que cercavam a cidade de Olinda, em tios Arqueológicos do IPHAN (CNSA), 39 Sítios que se inclui o Forte do Buraco. arqueológicos. Todavia com base nas consultas realizadas na sede do IPHAN em Pernambuco, As áreas a serem aterradas, em parte corres- bem como em outras instituições de pesquisa, pondem àquelas que foram atingidas pelo foram arrolados mais 206 sítios arqueológicos, avanço das águas do mar. Entretanto, há que sendo que 7 em Jaboatão dos Guararapes, 17 se considerar o risco que a dragagem a ser
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    109 realizada representa paraeventuais sítios ar- na datação de outros sítios arqueológicos. Por queológicos subaquáticos não manifestos, visto outro lado, o ato de dragar acarreta em retira- que o material para o engordamento das praias da de um pacote sedimentar, podendo expor será obtido a partir da dragagem de trechos do vestígios que estejam enterrados, ou mesmo leito oceânico nas proximidades do Cabo de removê-los. Santo Agostinho. Considerando-se o potencial arqueológico da A grande maioria dos múltiplos naufrágios área e avaliando-se a intensidade no local das listados na costa pernambucana é de localiza- ações que interferirão fisicamente no leito ção imprecisa ou desconhecida. O potencial oceânico, no trecho considerado e adjacências, em termos de informações, de remanescentes as ações de dragagem, potencialmente pro- materiais destes sítios arqueológicos é dos moverão o deslocamento de vestígios arque- mais ricos. Quando identificados, os vestígios ológicos eventualmente presentes na área; de naufrágios apresentam um valor científico alterações e mesmo inversões estratigráficas no agregado, representado pela exatidão cronoló- terreno contíguo, o que representa a destruição gica dos remanescentes, que podem auxiliar do contexto arqueológico de uma área.
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    110 7 Quais são os impactos do empreendimento? A identificação dos impactos previsíveis em decorrência do empreen- dimento de recuperação da orla marítima, as medidas que deverão ser tomadas para minimizar os efeitos negativos e maximizar os positivos, em todas as etapas da obra são, de fato, as informações e os instrumentos essenciais para a sustentabilidade ambiental da área modificada. Por sua vez, os Programas de Controle e Monitoramento Ambiental propostos para acompanhar possíveis mudanças e adequar seu curso, contribuem para a consolidação de um Sistema de Gestão Ambiental na área da bacia que será afetada. Grupo de Discussão Multidisciplinar Matriz de Correlação (Meio físico - Meio Biótico - Meio Socioeconômico) DESCRIÇÃO dos Impactos MEDIDAS de Mitigação e Controle AVALIAÇÃO dos Impactos PROPOSTAS de Monitoramento Prognóstico Ambiental Os impactos identificados foram localizados, avaliados e descritos e, para cada um deles, foram sugeridas medidas mitigadoras e de controle ambiental, além de ações de monitoramento. Os impactos identificados foram:
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    111 MEIO IMPACTO Físico Aumento da oferta da praia Propagação da linha de costa Instabilidade do fundo arenoso Aumento de processos erosivos Risco de compactação da camada superficial da areia na área destinada ao reforço do leito da praia Alteração da qualidade da água Geração de efluentes e resíduos sólidos decorrentes da obra Modificação da dinâmica sedimentar Aumento do nível de ruídos e vibrações Alteração da qualidade do ar (emissão de gases e material particulado) Risco de alteração da qualidade da água com óleos e graxas Biótico Perda da área de alimentação/reprodução de espécies Interferências sobre a fauna associada Alterações que impliquem em extinção de espécies Interrupção da migração de espécies Perda de diversidade biológica Favorecimento da seleção de organismos existentes Destruição de ninhos de tartarugas marinhas Atropelamento e destruição das áreas de alimentação e reprodução das tartarugas marinhas Perda de biodiversidade e das características das comunidades vegetais Socioeconômico Expectativa da população em relação à implantação do empreendimento Eliminação de equipamentos disponíveis para atividades sociais e culturais Risco de acidentes com a população local e o pessoal alocado às obras Impactos sobre a população decorrentes da instalação das obras e canteiro de obras Valorização imobiliária do entorno Desvalorização imobiliária do entorno Incremento das atividades econômicas Paralisação e /ou redução de atividades econômicas Alteração na oferta de emprego Impactos sobre a saúde pública - doenças dermatológicas e bacteriológicas Aumento do valor do imobilizado dos empreendimentos através da valorização dos imóveis onde estão instalados os bares, restaurantes e hotéis Aumento do número de clientes que resultarão em elevação de receita de todos os empreendimentos: quiosques, bares, ambulantes, hotéis e restaurantes Diminuição da demanda para os negócios dos grupos econômicos Diminuição da produção pesqueira Impedimento da atividade pesqueira Impactos sobre as caiçaras e atividade produtiva dos pescadores realizada na beira-mar Aumento de acidentes com embarcações e em terra Diminuição das vendas de produtos pesqueiros nas praias durante as obras Comprometimento de estruturas em terra devido a deposição de sedimento – Ilha do Maruim, Olinda Restrição de acesso a área de praia Aumento no número de afogamentos na área de Suape e outras áreas a serem estabelecidas como áreas de tomada de sedimento Possibilidade de aumento nos ataques de tubarão Possibilidade de implantação de projetos turísticos Aumento das receitas municipais
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    112 Aumento da educação ambiental da população Interferência no patrimônio cultural arqueológico, histórico de interesse arqueológico, paisagístico e imaterial Interferência no patrimônio cultural subaquático Programas de Sistema acompanha- de Gestão mento e Ambiental monitoramento de impactos O Sistema de Gestão Ambiental proposto para o empreendimento tem seus fundamentos no arcabouço legal pertinente e na articulação O Programa de Acompanhamento e Monitora- interinstitucional necessária à sua efetivação. mento dos Impactos que se apresenta a seguir, Sua concepção busca favorecer e estimular a atende ao Termo de Referência da Agência participação da sociedade, não apenas no que Estadual de Meio Ambiente (CPRH), TR GT Nº se refere aos programas educativos, mas em 14/11, para elaboração do Estudo de Impacto todas as ações implementadas. Nesse sen- Ambiental e do Relatório do Impacto Ambiental tido, o processo de gestão incorporará como (Rima) para implantação do empreendimento instrumentos básicos os Programas Ambientais Recuperação da Orla Marítima de Jaboatão, do apresentados no quadro seguinte, relacionados Recife, de Olinda e do Paulista e incorpora da- aos temas maiores do EIA e sintetizados em dos dos estudos anteriores bem como as reco- seguida. mendações decorrentes do presente trabalho. O monitoramento ambiental durante e depois da execução das obras é de fundamental importância para garantir que o projeto exe- cutivo seja corretamente implementado, bem como para sugerir alguns ajustes que se façam necessários, e avaliar os possíveis impactos ambientais decorrentes da interferência no meio ambiente.
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    113 Programas de Acompanhamentoe Monitoramento dos Impactos (PAs) Temática do PA Denominação MEIO FÍSICO PA 1 - Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos PA 2 - Programa de Monitoramento da Linha e do Perfil Praial PA 3 - Programa de Monitoramento da Qualidade da Água e Balneabilidade PA 4 - Programa de Recuperação de Restinga e Áreas de Dunas na Praia Engordada PA 5 - Programa de Monitoramento Contínuo para Identificação de Hotspots de Erosão PA 6 - Programa de Segurança do Trabalho PA 7 - Programa de Acompanhamento da Execução das Obras MEIO BIÓTICO PA 8 - Programa de Salvamento e Conservação da Fauna Marinha PA 9 - Programa de Salvamento e Conservação da Fauna Costeira PA 10 - Programa de Monitoramento da Flora Terrestre PA 11 - Programa de Monitoramento da Fauna e Flora (Marinhas e Associadas) PA 12 - Programa de e Resgate de Germoplasma e Conservação da Flora MEIO SOCIOECONÔMICO PA 13 - Compensação Socioeconômica para Pescadores PA 14 - Programa de Cooperativismo Pesqueiro PA 15 - Programa de Melhoria da Qualidade e Beneficiamento dos Pescados PA 16 - Capacitação em Zooartesanato PA 17 - Programa de Capacitação Técnica e Profissional do Estaleiro Escola PA 18 - Programa de Comunicação Social (PCS) PA 19 - Apoio a Atividades Econômicas e Produtivas Ligadas Diretamente à Praia PA 20 - Programa de Educação Ambiental PA 21 - Prospecção e Resgate do Forte do Buraco PA 22 - Programa de Prospecção e de Resgate Arqueológico PA 23 - Programa de Prospecção Arqueológica Subaquática PA 24 - Programa de Monitoramento, de Resgate Arqueológico e Educação Patrimonial das Obras de Contenção e de Engordamento das Praias PA 25 - Programa Paisagístico Integrando às Obras e às “Novas Praias”
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    114 Gerenciamento de resíduos Sólidos Monitoramento da linha e do Perfil Praial Monitoramento da qualidade da Água e Balneabilidade Recuperação de Restinga e Áreas de Dunas na Praia da Engordada empreendimento. Monitoramento contínuo para identificação de hotspots de Erosão Prog. meio físico Segurança do trabalho Acompanhamento da execução das Obras ambiental Salvamentos e conservação da Fauna Marinha Prognóstico Salvamentos e conservação da Fauna Costeira da qualidade Monitoramento da flora terrestre situações sem o empreendimento e com o Monitoramento da fauna e flora (marinha e associadas) O prognóstico ambiental foi elaborado com ção de impactos, apresentando uma análise bem como na sua análise integrada e avalia- comparativa dos cenários ambientais para as base nas informações do diagnóstico ambien- tal dos meios físico, biótico e socioeconômico, Resgate de germoplasmas e conservação da flora Prog. meio biótico Compensação socioeconomica para pescadores Cooperativismo Pesqueiro Melhoria da qualidade e Beneficiamento dos pescados Capacitação em Zooartesanato Sistema de gestão ambiental Capacitação técnica e profissional do estaleiro escola Comunicação social (PCS) do turismo na região. Apoio a atividades econômicas e produtivas ligadas dimento diretamente a praia. Educação Ambiental Qualidade Prospecção e resgate do forte do buraco o empreen- Prospecção e resgate arqueológico Prog. meio sócioeconômico Prospecção arqueolócia subaquática Monitoramento, de resgate arqueológico e educação ambiental sem patrimonial das obras de contenção de engoradamento das praias das perdas econômicas com a desvalorização ao longo das décadas associado às atividades nio material e imaterial, representadas através O processo desordenado da ocupação urbana antrópicas, à urbanização, à construção de al- orla marítima ao longo das décadas, revelando uma tendência de grandes perdas do patrimô- ternativas inadequadas para o controle do pro- Paisagístico integrando as obras e as “novas praias” imobiliária, perdas do espaço público de lazer e cesso erosivo vem provocando a degradação da
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    115 Esse processo dedegradação avança, sendo um processo progressivo contínuo. Qualidade ambiental com A situação ambiental, no que se refere à faixa de praia futura da área, sem o empreendimen- o empreen- to, pode ser prognosticada da seguinte forma: dimento • Sem a segmentação do quebra-mar, as as O projeto de recuperação da orla marítima tem ondas continuarão atingindo fortemente como finalidade reduzir os danos provocados a praia. Essa variação gera um gradiente pelo avanço do mar nas últimas décadas, mi- de pressão que induz correntes longitudi- tigando o efeito da perda de área de acesso a nais na zona de surfe (entre o arrecife e praia, bem com reduzindo o risco de perda dos a praia). Essas correntes são capazes de imóveis, equipamentos de infraestrutura e lazer transportar sedimento para fora do sistema construídos na orla marítima. costeiro, servindo como um sumidouro Esta obra trará usos múltiplos, tendo em vista natural; que o espaço da orla garante o equilíbrio do • O enrocamento não potencializará a ecossistema praial, assegura o habitat susten- recuperação da praia preexistente como é tável da fauna e flora existentes, que propor- observado atualmente, devido aos pro- cionarão uma melhoria da qualidade de vida cessos erosivos, o que reflete em perdas da população diretamente afetada, ao permitir econômicas; a dinamização de atividades econômicas e • O engordamento (aterro hidráulico) terá aumento de emprego e renda. A obra também vida útil curta, devido aos processos erosi- vai oferecer um espaço de beleza paisagística e vos o que reflete em perdas econômicas; de uso de área de lazer para a população local • A área a ser recuperada retornará as condi- e os turistas. ções atuais, prevendo-se o avanço do mar Ressalta-se que o processo de engorda da orla, sobre o calçadão. contemplando reposição de areia e constru- ção de espigões, implica necessariamente na Dessa forma, a não construção de uma obra ocorrência de vários impactos adversos sobre de porte sistêmico mantém esse status quo, o ambiente atual, cuja importância foi avaliada deixando os bens da população residente, bem e coberta por um conjunto de propostas de como a população usuária, além da infraestru- mitigação e por Programas Ambientais, que tura pública, a mercê do avanço do nível do permitirão desenvolver a gestão ambiental da mar e degradação progressiva da orla marítima. área.
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    116 Entre os impactos positivos, ressaltam-se a pro- ecossistema, prevendo-se temporariamente teção do patrimônio construído, estímulo à eco- a degradação da paisagem pela própria nomia local, fortalecimento do turismo, diversi- exposição do canteiro de obras e movimen- ficação das atividades econômicas, contratação tação das máquinas, materiais e trabalha- de mão de obra e do fornecimento de produtos dores no local; e serviços ao empreendimento, contribuindo • O local em obras demonstrará uma situa- para a geração direta de emprego e renda, ção de desconforto ambiental em decor- além de incentivar de forma indireta a geração rência da emissão de ruídos e lançamento de postos de trabalho em outros setores. de poeiras, bem como pela situação de alteração da paisagem pelas obras; Deve-se considerar que o aumento das de- • Como efeito da situação de desconforto mandas de infraestrutura física e social da orla ambiental, os estabelecimentos do entorno marítima nos últimos anos, vem acontecendo sofrerão perdas temporárias, uma vez que face à grande especulação imobiliária, particu- é previsível uma diminuição na frequência larmente em razão do crescimento econômico de visitantes ao local, o que deverá per- de Pernambuco. Este crescimento se deve à manecer até que as condições ambientais existência de empreendimentos estruturado- favoráveis sejam restabelecidas; res, tais como o Complexo Portuário Eraldo • Temporariamente, o tráfego de veículos na Gueiros (Suape), o Polo Industrial de Goiana, via principal e nas secundárias (vias de bem como as obras estruturadoras, como a Via acesso) sofrerá alteração no trânsito, uma Mangue, para atender as demandas futuras da vez que haverá necessidade do transporte Copa do Mundo de 2014. de diversos materiais de construção civil e máquinas pesadas; Durante a fase de implantação das obras de • A qualidade da água nessa faixa de praia, controle da erosão na orla dos municípios do bem como no seu entorno, apresentará Paulista, de Olinda, do Recife e de Jaboatão alteração, tornando-se temporariamente dos Guararapes, o processo construtivo do turva, devido o aumento de sólidos em empreendimento que envolve ações como suspensão; manejo de materiais rochosos, manuseio de • Durante o período de instalação da equipamentos, movimentação de máquinas e segmentação do quebra-mar e do en- de trabalhadores, poderá apresentar os seguin- gordamento da praia, é provável que os tes prognósticos: componentes da fauna e flora marinha (ecossistema aquático), bem como as • Ficar submetida à instabilidade ambiental relações tróficas estabelecidas, sofram e desequilíbrio da dinâmica natural do desequilíbrio em caráter temporário. Pos-
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    117 teriormente, é notório que a obra se torne o equilíbrio morfodinâmico; um atrativo para a fauna e flora, criando-se • Na área de interferência física do quebra- desta forma um novo habitat para algas e mar no ambiente aquático, ou seja, entre organismos incrustantes. a praia e o alto-mar, não há previsão de alterações nos parâmetros físicos ou bio- Depois da segmentação do quebra-mar e en- lógicos, desde que não haja intervenções gordamento da praia: antrópicas no local. • A segmentação do quebra-mar, para área O prognóstico desse estudo é o de que o em foco, irá intensificar a troca de sedi- empreendimento recuperação da orla maríti- mentos pelas correntes de retorno e permi- ma dos municípios de Jaboatão, do Recife, de tir a oxigenação da água, não afetando o Olinda e do Paulista deve ser implementado, o equilíbrio do ecossistema marinho; que contribuirá para o desenvolvimento susten- • A paisagem local será alterada com a ins- tável da região. A recuperação da orla marítima talação de uma nova feição a qual deverá, corresponde ao principal impacto positivo deste a médio e longo prazo, ser reincorporada projeto. aos cartões postais da orla marítima dos municípios da Região Metropolitana do Recife, restabelecendo a beleza anterior; Conclusões • A obra proporcionará a conservação da O Estado de Pernambuco se encontra em gran- faixa de praia recuperada com o aterro de crescimento, em especial na Zona Costeira, hidráulico, gerando saldos positivos; que apresenta a maior densidade demográfica • A manutenção da praia recuperada, garan- do Estado, concentrando atividades econômi- tida com o engordamento da mesma, redu- cas, industriais, de recreação e turismo. Diver- zirá sensivelmente os custos com possíveis sos problemas ambientais têm se desenvolvido reposição do aterro hidráulico; no litoral pernambucano com destaque para • A faixa litorânea, no entorno, poderá levar os processos erosivos ao longo da costa. Na vários anos para estabelecer um novo equi- tentativa de contê-los, ao longo dos anos, di- líbrio, especialmente se houver transporte versas alternativas foram implementadas, como de areia pela deriva litorânea. Por isso é a instalação de estruturas rígidas, a exemplo essencial o monitoramento posterior; de muros de proteção, diques, quebra-mares, • Como a estrutura será construída paralela espigões e outras técnicas de contenção cons- a praia, ocorrerá significativa redução na truídas para solucionar um problema local, e altura das ondas e ressacas que alcançam que passaram a induzir o processo de erosão a linha de costa promovendo, dessa forma, em áreas próximas.
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    118 Os municípios de Jaboatão dos Guararapes, analisados e avaliados. Para mitigar, controlar e do Recife, de Olinda e do Paulista, localizados até neutralizar o efeito desses impactos foram na Região Metropolitana do Recife, sofrem propostas medidas mitigadoras, e elaborados bastante com os processos erosivos causados 25 Programas Ambientais para subsidiar o de- pela ação do mar ou como consequência das senvolvimento da Gestão Ambiental da área. estruturas de contenção instaladas, provocando a destruição do potencial da orla para o turismo A análise dos impactos positivos e negativos e o lazer. A partir desse panorama, as prefei- e a convicção da necessidade de obras estru- turas decretaram situação de emergência em turadoras concatenadas em políticas públicas algumas áreas da orla marítima, o que levou efetivas para a redução dos desastres recorren- o Governo de Pernambuco a buscar medidas tes do avanço do mar no litoral pernambucano para minimizar esses impactos, através de mostrou que é importante e indispensável para projetos que considerem uma visão mais ampla a implementação do empreendimento. Por fim, do Estado. considerando o caráter dinâmico e a especifi- O empreendimento Recuperação da Orla Ma- cidade do empreendimento, é possível que, ao rítima dos municípios de Jaboatão dos Gua- longo do tempo, ou até mesmo durante a fase rarapes, do Recife, de Olinda e do Paulista é de discussão e análise deste EIA, seja neces- uma ação estruturadora do Governo do Estado, sária a adoção de medidas complementares inserida numa política pública de controle das não previstas neste documento. Assim sendo, Mudanças Climáticas. A recuperação da orla é relevante o acompanhamento sistemático de marítima e recomposição das praias arenosas todas as fases de operacionalização do empre- proporcionarão melhores condições para o endimento, de forma a possibilitar a adoção, de desenvolvimento socioeconômico e ambiental modo proativo, de medidas complementares destes municípios, através de novas oportuni- que se fizerem necessárias. Do ponto de vista dades e melhores condições. técnico, pode-se considerar que os cuidados ambientais prévios, as medidas mitigadoras O Estudo de Impacto Ambiental (RIMA) foi de- e de controle, quando bem implementadas, senvolvido com o objetivo de avaliar os diferen- contribuirão efetivamente para a viabilidade tes tipos de impactos ambientais, associados às ambiental da atividade descrita e avaliada neste distintas fases de planejamento, implantação e documento. de operação do empreendimento. Foi realizado um diagnóstico do ambiente a ser afetado, con- templando os elementos ambientais dos meios físico, biótico e socioeconômico, sendo iden- tificados prováveis impactos, os quais foram
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