Luís Carlos Timm
                                                                          Vítor Emanuel Quevedo Tavares
                                                                                Carlos Reisser Junior
                                                                                Carina Costa Estrela
                                                                                     (Editores)




                                                                       Morangueiro Irrigado




Morangueiro Irrigado: aspectos técnicos e ambientais do cultivo
                                                                  Aspectos técnicos e ambientais do cultivo
Morangueiro Irrigado
Aspectos técnicos e ambientais do cultivo
Luís Carlos Timm
    Vitor Emanuel Quevedo Tavares
          Carlos Reisser Júnior
          Carina Costa Estrela
                    Editores




  Morangueiro Irrigado
Aspectos técnicos e ambientais do cultivo




              Pelotas – RS – Brasil

         Universidade Federal de Pelotas

                      2009
Obra publicada pela Universidade Federal de Pelotas
    Reitor: Prof. Dr. Antonio Cesar Gonçalves Borges
    Vice-Reitor: Prof. Manoel Luiz Brenner de Moraes
    Pró-Reitor de Extensão e Cultura: Prof. Dr. Luiz Ernani Gonçalves Ávila
    Pró-Reitor de Graduação: Prof. Dra. Eliana Póvoas Brito
    Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Dr. Manoel de Souza Maia
    Pró-Reitor Administrativo: Eng. Francisco Carlos Gomes Luzzardi
    Pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento: Prof. Ms. Élio Paulo Zonta
    Pró-Reitor de Recursos Humanos: Admin. Roberta Trierweiler
    Pró-Reitor de Infra-Estrutura: Mario Renato Cardoso Amaral
    Pró-Reitoria de Assistência Estudantil: Assistente Social Carmen de Fátima de Mattos do Nascimento

                                        CONSELHO EDITORIAL
Profa. Dra. Carla Rodrigues                   Prof. Dr. José Estevan Gaya
Prof. Dr. Carlos Eduardo Wayne Nogueira       Profa. Dra. Luciane Prado Kantorski
Profa. Dra. Cristina Maria Rosa               Prof. Dr. Luiz Alberto Brettas
Profa. Dra. Flavia Fontana Fernandes          Profa. Dra. Maria Tereza Fernandes Pouey
Profa. Dra. Francisca Ferreira Michelon       Prof. Dr. Volmar Geraldo da Silva Nunes

                       Editora e Gráfica Universitária
                       R Lobo da Costa,447 – Pelotas, RS – CEP 96010-150
                       Fone/fax:(53)3227 8411
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                       Diretor da Editora e Gráfica Universitária: Prof. Dr. Volmar Geraldo da Silva Nunes
                       Gerência Operacional: Bel. Daniela da Silva Pieper
                       Chefe da Seção Gráfica: Carlos Gilberto Costa da Silva
Impresso no Brasil
Edição: 2009
© Copyright 2009 by – Luís Carlos Timm, Vitor Emanuel Quevedo Tavares, Carlos Reisser Júnior, Carina Costa
                        Estrela
ISBN: 978-85-7192-612-7
Tiragem: 150 exemplares
Capa, layout e editoração eletrônica: Vitor Emanuel Quevedo Tavares


      Apoio:                                       Processo CNPq/ CT-Agronegócio nº 554299/2006-2


                                  Dados de catalogação na fonte:
                               (Marlene Cravo Castillo – CRB 10/744)

     M829 Morangueiro irrigado: aspectos técnicos e ambientais do cultivo /
               editado [por] Luís Carlos Timm.../et al./. Pelotas : Ed. da
               Universidade Federal de Pelotas, 2009
               163 p. : il.

                       1. Irrigação. 2. Qualidade da água. 3. Atributos do solo.
               4. Sistemas de produção de morango. 5. Fragaria x ananassa Duch.
               I. Timm, Luís Carlos. II Tavares, Vitor Emanuel Quevedo. III Reisser
               Júnior, Carlos. IV. Estrela, Carina Costa. V. Título.
                                                               CDD 634.75
Informações sobre os Autores e Co-Autores
Luís Carlos Timm - Eng. Agrícola, Prof. Adjunto, Depto de
     Engenharia Rural, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel,
     UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista de
     Produtividade   em     Pesquisa    CNPq     –    Nível 2,
     lctimm@ufpel.edu.br.

Vítor Emanuel Quevedo Tavares - Eng. Agrícola, Prof. Associado,
      Depto de Engenharia Rural, Faculdade de Agronomia Eliseu
      Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970,
      Bolsista PET/SESu/MEC, vtavares@ufpel.tche.br.

Carlos Reisser Júnior - Eng. Agrícola, Pesquisador, Embrapa Clima
     Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970,
     reisser@cpact.embrapa.br.

Carina Costa Estrela - Ecóloga, MSc. em Ciências, Pelotas-RS.
     ccestrela@terra.com.br

Denise de Souza Martins – Eng. Agrônoma, Mestranda no
     PPGSPAF, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel,
     Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista CAPES.

André Samuel Strassburger – Eng. Agrônomo, Doutorando no
     PPGSPAF, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel,
     Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista FAPEG.

Roberta Marins Nogueira Peil – Eng. Agrônoma, Profa. Associada,
     Depto de Fitotecnia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel,
     UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.

José Ernani Schwengber – Eng. Agrônomo, Pesquisador, Embrapa
      Clima Temperado, Estação Experimental Cascata, Cx. Postal
      403, Pelotas-RS, 96001-970.
Leonardo Göetzke Furtado – Eng. Agrônomo, Depto de Solos,
     Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal
     354, Pelotas-RS, 96001-970.

Luís Carlos Philipsen – Técnico Agrícola, EMATER – Escritório
     Municipal de Turuçu-RS.

Luís Eduardo Correa Antunes - Eng. Agrônomo, Pesquisador,
     Embrapa Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS,
     96001-970.

Noel Gomes da Cunha - Eng. Agrônomo, Pesquisador, Embrapa
     Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970.

Maria Laura Turino Mattos – Eng. Agrônoma, Pesquisadora,
     Embrapa Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS,
     96001-970.

Leandro Sanzi Aquino – Eng. Agrônomo, Mestrando do PPGA-
     Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx.
     Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista CAPES.

Gabrieli da Cunha Pereira – Tecnóloga em Gestão Ambiental,
     Pelotas-RS.

Manoela Terra de Almeida – Acadêmica do Curso de Química
    Ambiental, Universidade Católica de Pelotas, Pelotas-RS.

Carla Denize Venzke – Tecnóloga em Gestão Ambiental, Pelotas-
     RS.

Adilson Luís Bamberg – Eng. Agrícola, Doutorando do PPGA-
      Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx.
      Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista CAPES.

Eloy Antonio Pauletto – Eng. Agrônomo, Prof. Associado, Depto de
      Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx.
Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista de Produtividade
      em Pesquisa CNPq – Nível 2.

Luiz Fernando Spinelli Pinto – Geólogo, Prof. Associado, Depto de
      Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx.
      Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.

Álvaro Luiz Carvalho Nebel – Eng. Agrícola, Doutorando do
     PPGA-Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel,
     Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.

Wildon Panziera – Graduando em Agronomia, Faculdade de
     Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS,
     96001-970.

Gláucia Oliveira Islabão – Química, Doutoranda do PPGA-Solos,
     Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal
     354, Pelotas-RS, 96001-970.

Ledemar Carlos Vahl – Eng. Agrônomo, Prof. Titular, Depto de
     Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx.
     Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.

Danilo Dufech Castilhos – Eng. Agrônomo, Prof. Associado, Depto
      de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx.
      Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970.

Rodrigo Bubolz Prestes – Graduando em Agronomia, Faculdade de
     Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS,
     96001-970, Bolsista BIC FAPERGS.
Colaboradores

• Sérgio Leal Fernandes (DER/FAEM/UFPel-Pelotas-RS)
• Eroni Emilio Konrad (Secretaria da Agricultura-Turuçu-RS)
• Lauro Francisco Schneid (EMATER – Escritório Municipal
  de Turuçu-RS)
• Dalgisa Philipsen (EMATER – Escritório Municipal de
  Turuçu-RS)
• Michel David Gerber (CEFET/RS-Pelotas-RS)
• Fioravante Jaekel dos Santos (DER/FAEM/UFPel-Pelotas-
  RS)
• Jocelito Saccol de Sá (CEFET/RS-Pelotas-RS)
• João Carlos Medeiros Madail (Embrapa Clima Temperado-
  Pelotas-RS)
• João Soares Viegas Filho (DEA/FEA/UFPel-Pelotas-RS)
• Marco Moro (EMATER – Escritório Regional de Pelotas-
  RS)
• Gilnei Manke (Eng. Agrônomo-Pelotas-RS)
• Clênio Nailto Pillon (Embrapa Clima Temperado-Pelotas-
  RS)
• Marilice Cordeiro Garrastazu (Embrapa Clima Temperado-
  Pelotas-RS)
• Orlando Pereira Ramirez (DEA/FEA/UFPel-Pelotas-RS)
• Endrigo Pereira Lima (CEFET/RS-Pelotas-RS)
• Gabriel Rodrigues Bruno (CEFET/RS-Pelotas-RS)
Agradecimentos

         Para a concretização do presente trabalho, os autores
receberam apoio financeiro bem como a concessão de bolsas de
estudo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico, CNPq. Também agradecem a CAPES e a
FAPERGS pela concessão de bolsas de estudo.
         Os autores agradecem aos produtores de morango que
contribuíram para a realização do projeto intitulado
“VARIABILIDADE ESPACIAL E TEMPORAL DA
QUALIDADE DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO E SEU
IMPACTO AMBIENTAL NO SISTEMA FAMILIAR DE
PRODUÇÃO DE MORANGO DO PÓLO PRODUTIVO DO
MUNICÍPIO DE TURUÇU-RS”, especialmente aos produtores
Abel Winter, Arnildo Weinert, Cassio Peter, Dioni Stern,
Ermindo Milech, Fábio Zitzke, Gilso Zuge, Ildo Beiersdorf,
Paulo Scherdien, Paulo Tuchtenhagen, Pedro Bonow, Silmo
Stocker, Teodorico Kabke, Valdenir Hartwig e Valdomiro de
Souza, os quais pertencem a Associação dos Produtores de
Morango do Município de Turuçu-RS.
         A todos, NOSSO MUITO OBRIGADO pela
colaboração e compreensão ao longo do projeto.
SUMÁRIO


  CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................ 14

CAPÍTULO 1 - FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO
DE MORANGUEIRO ........................................................... 16
  1.1 INTRODUÇÃO ................................................................. 16
  1.2 CARACTERÍSTICAS DA PLANTA ...................................... 17
     1.2.1 Botânica ............................................................... 17
     1.2.2 Sistema radicular .................................................. 18
     1.2.3 Fisiologia da planta .............................................. 20
     1.2.4 Exigência hídrica.................................................. 22
  1.3 CULTIVARES .................................................................. 23
     1.3.1 Características das cultivares utilizadas em
           Turuçu-RS ............................................................ 24
     1.3.2 Novas cultivares para a Região Sul...................... 25
  1.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................ 27
  1.5 LITERATURA CITADA ..................................................... 28

CAPÍTULO 2 - SISTEMA DE PRODUÇÃO
DO MORANGUEIRO: FATORES QUE
INFLUENCIAM O MANEJO DA IRRIGAÇÃO............... 30
  2.1 INTRODUÇÃO ................................................................. 30
  2.2 UTILIZAÇÃO DE COBERTURA DO SOLO ........................... 31
     2.2.1 Materiais de origem vegetal ................................. 32
     2.2.2 Materiais sintéticos .............................................. 33


                                                                                    9
2.2.3 Influência da cobertura do solo no aporte
           de água ................................................................. 33
  2.3 UTILIZAÇÃO DE TÚNEIS ................................................. 34
     2.3.1 Manejo dos túneis ................................................ 34
     2.3.2 Influência dos túneis de cultivo sobre
           a irrigação ............................................................. 36
  2.4 ESCOLHA DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO ............................ 36
     2.4.1 Aspersão ............................................................... 36
     2.4.2 Gotejamento ......................................................... 37
     2.4.3 Influência dos sistemas de irrigação na
           incidência de doenças e pragas ............................ 38
  2.5 FERTIRRIGAÇÃO ............................................................ 41
     2.5.1 Aspectos nutricionais do morangueiro ................. 42
     2.5.2 Tipos e fontes de nutrientes para a fertirrigação .. 44
     2.5.3 Utilização de soluções de origem orgânica .......... 45
     2.5.4 Estrutura necessária.............................................. 46
     2.5.5 Manejo da fertirrigação ........................................ 47
  2.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................ 48
  2.7 LITERATURA CITADA ..................................................... 48

CAPÍTULO 3 - SOLO E MANEJO DA ÁGUA................ 51
  3.1 O SOLO .......................................................................... 51
  3.2 ATRIBUTOS FÍSICO-HÍDRICOS DO SOLO .......................... 54
     3.2.1 Textura do solo..................................................... 54
     3.2.2 Estrutura do solo .................................................. 55
  3.3 ÁGUA NO SOLO .............................................................. 59
     3.3.1 Umidade do solo .................................................. 59
     3.3.2 Retenção de água no solo ..................................... 61


10
3.3.3 Capacidade de campo e ponto de murcha
           permanente ........................................................... 62
     3.3.4 Capacidade de água disponível ............................ 62
     3.3.5 Armazenamento de água no solo ......................... 63
  3.4 DETERMINAÇÃO DA UMIDADE DO SOLO ......................... 65
  3.5 MANEJO DA ÁGUA ......................................................... 69
     3.5.1 Produção de mudas .............................................. 69
     3.5.2 Produção de frutos ............................................... 72
     3.5.3 Resposta do morangueiro à disponibilidade
           hídrica................................................................... 80
     3.5.4 Manejo da irrigação localizada ............................ 84
     3.5.5 Fertirrigação ......................................................... 87
  3.6 LITERATURA CITADA ..................................................... 88

CAPÍTULO 4 - QUALIDADE DA ÁGUA ........................ 92
  4.1 A ÁGUA USADA NA AGRICULTURA ................................. 92
     4.1.1 A água usada na cultura do morangueiro ............. 94
  4.2 QUALIDADE DA ÁGUA USADA NA IRRIGAÇÃO ................ 95
     4.2.1 Qualidade da água usada na irrigação
           localizada ............................................................. 97
  4.3 FONTES DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA PARA IRRIGAÇÃO ........ 99
  4.4 ESTUDO DE CASO: QUALIDADE DA ÁGUA USADA
        PARA IRRIGAÇÃO DO MORANGUEIRO NO MUNICÍPIO
        DE TURUÇU-RS ........................................................... 100
     4.4.1 Caracterização e origem das fontes de
           captação de água para irrigação ......................... 103
     4.4.2 Potencial de risco de danos ao sistema de
           irrigação do morangueiro ................................... 106


                                                                                    11
4.4.3 Variabilidade espacial e temporal da
            qualidade da água de irrigação ........................... 109
   4.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................. 110
   4.6 LITERATURA CITADA ................................................... 111

CAPÍTULO 5 - QUALIDADE FÍSICO-HÍDRICA
DO SOLO E A PRODUÇÃO DE MORANGO................. 115
   5.1 QUALIDADE DO SOLO................................................... 115
      5.1.1 Solos do Município de Turuçu-RS..................... 118
      5.1.2 Qualidade do solo e a produção de morango ..... 121
   5.2 ESTUDO DE CASO: INDICADORES DA QUALIDADE
        FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO ............................................. 125
      5.2.1 Estabilidade de agregados em água: distribuição
             de agregados do solo em classes de tamanho e
             diâmetro médio ponderado (DMP) .................... 125
      5.2.2 Porosidade do solo ............................................. 130
      5.2.3 Curva de retenção de água no solo..................... 132
      5.2.4 Capacidade de Água Disponível (CAD) ............ 134
   5.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................. 135
   5.4 LITERATURA CITADA ................................................... 136

CAPÍTULO 6 - INDICADORES QUÍMICOS E
MICROBIOLÓGICOS DO SOLO NA PRODUÇÃO
DE MORANGO .................................................................. 140
   6.1 INDICADORES DE QUALIDADE DO SOLO ........................ 140
      6.1.1 Indicadores químicos ......................................... 141
      6.1.2 Indicadores microbiológicos .............................. 145
      6.1.3 Indicadores relacionados à fertilidade................ 146


12
6.2 ESTUDO DE CASO: INDICADORES QUÍMICOS E
     MICROBIOLÓGICOS DO SOLO NA PRODUÇÃO DE
     MORANGO DO MUNICÍPIO DE TURUÇU-RS .................... 148
   6.2.1 Indicadores químicos ......................................... 148
   6.2.2 Indicadores microbiológicos .............................. 154
   6.2.3 Indicadores de fertilidade ................................... 156
6.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................. 159
6.4 LITERATURA CITADA ................................................... 160




                                                                          13
CONSIDERAÇÕES INICIAIS

         Ao longo dos últimos anos, a técnica de irrigação vem
sendo usada em sistemas de produção de morango em
propriedades familiares no município de Turuçu-RS.
Entretanto, as informações regionais sobre a qualidade da água
que vem sendo utilizada na irrigação, a eficiência dos sistemas
já implantados bem como os possíveis impactos da água de
irrigação sobre os atributos do solo são escassas. Aliado a este
fator, a dificuldade de assistência, a falta de informações e a
não disponibilização e apropriação de conhecimentos e
tecnologias aos produtores, tem conduzido a um manejo de
irrigação completamente empírico, causando impactos
negativos que estão comprometendo o desenvolvimento da
cultura e afetando os recursos naturais, trazendo conseqüências
tanto sociais como para a atividade econômica propriamente
dita. Em vista disso, informações referentes ao solo, à planta,
ao clima e aos sistemas de irrigação podem ser úteis para o
manejo de água, além de permitir o uso dos recursos hídricos
de modo mais eficiente.
         As relações entre os componentes do Sistema Solo-
Água-Planta-Atmosfera são complexas, o que torna o manejo
da irrigação uma tomada de decisão criteriosa. Este manejo
compreende o uso combinado de informações, sendo o nível
técnico e o grau de interesse do produtor fatores primordiais
para o seu sucesso. Ressalta-se que tal manejo deve ser
praticado e analisado continuamente, para que com o decorrer
dos anos o produtor adquira maior experiência e conhecimento
técnico, e se torne mais eficiente quanto ao uso da água. Desta
forma, o objetivo do presente texto é apresentar, de modo
simples e direto, aos técnicos e produtores, como as


14
informações do solo, da planta, do clima e do sistema de
irrigação são importantes ao manejo de irrigação.
         O texto está dividido em seis capítulos. O primeiro
trata da fisiologia da cultura do morangueiro; o segundo tem
como enfoque os diferentes sistemas de produção de morango;
o terceiro traz informações básicas sobre o solo do ponto de
vista agronômico e manejo da água de irrigação; o quarto
aborda questões ligadas a qualidade da água de irrigação; o
quinto e o sexto capítulos abordam aspectos relativos a
qualidade do solo do ponto de vista físico-hídrico, químico e
microbiológico. Acreditamos que a apresentação de estudos de
casos, nos capítulos quarto, quinto e sexto, seja um importante
diferencial deste texto em relação aos demais nesta mesma
temática.
        Palavras-chave: irrigação, qualidade da água, atributos
        do solo, sistemas de produção de morango, Fragaria x
        ananassa Duch.




                                                             15
CAPÍTULO 1 - FISIOLOGIA DA
PRODUÇÃO DE MORANGUEIRO

                                         Denise de Souza Martins
                                      André Samuel Strassburger
                                    Roberta Marins Nogueira Peil
                                         José Ernani Schwengber
                                            Carlos Reisser Júnior
                                       Leonardo Göetzke Furtado


1.1 INTRODUÇÃO
         O morangueiro é cultivado e suas frutas apreciadas nas
mais diversas regiões do planeta. A produção mundial é
estimada em cerca de 3,1 milhões de toneladas e, a brasileira,
em 100 mil toneladas (CARVALHO, 2006).
         No Rio Grande do Sul, a área plantada é estimada em
600 ha, com produção aproximada de 18 mil toneladas anuais
(IBGE, 2005 apud CARVALHO, 2006), sendo a cultura
conduzida, predominantemente, em propriedades agrícolas
familiares, devido à grande necessidade de mão de obra.
         No município de Turuçu, o cultivo do morangueiro
passou a ganhar maior importância a partir do ano de 2001,
pela implantação de tecnologias como túneis baixos, sistema de
irrigação por gotejamento, cobertura do solo e fertirrigação, e,
sobretudo, pela organização dos agricultores. Hoje a

16
Capítulo I


Associação de Produtores de Morango de Turuçu - RS conta
com 22 agricultores, com predominância de áreas de até 1 ha.
         As cultivares mais utilizadas em Turuçu são Camarosa
e Camino Real. Para alcançar o potencial produtivo destas
cultivares, assim como para outras recomendadas para nossa
região, é necessário entender a fisiologia da planta, ou seja,
como a planta responde aos estímulos ambientais externos
durante o seu ciclo.
         Neste capítulo serão abordados aspectos relativos à
botânica e fisiologia da planta, caracterização de algumas
cultivares utilizadas e de outras com potencial para utilização
na região.

1.2 CARACTERÍSTICAS DA PLANTA

1.2.1 Botânica

         O morangueiro pertence à família Rosaceae, ao gênero
Fragaria e à espécie Fragaria x ananassa Duch. É um híbrido
interespecífico resultante do cruzamento das espécies
F. chiloensis e F. virginiana. As plantas que compõem o gênero
Fragaria são herbáceas, atingem de 15 a 30 cm de altura,
podendo ser rasteiras ou mais eretas. Formam pequenas
touceiras (hábito de crescimento em roseta) que aumentam de
tamanho à medida que a planta envelhece. É uma planta perene
cultivada como planta anual, principalmente por questões
sanitárias e fisiológicas (RONQUE, 1998).
         A folha do morangueiro normalmente é constituída por
um pecíolo longo e três folíolos. Os folíolos são dentados e
apresentam um grande número de estômatos (300 a 400 por
mm2 de folha) o que confere ao morangueiro uma maior
sensibilidade à falta de água, à baixa umidade relativa do ar e às
altas temperaturas (SANHUEZA et al., 2005 apud SILVA et
al., 2007).

                                                               17
Morangueiro Irrigado


         Os estolões são caules verdadeiros, muito flexíveis,
que se desenvolvem em contato com o solo, permitindo que, a
partir da roseta foliar existente em seus nós, cresçam raízes que
penetram no solo, dando origem a novas plantas independentes
(RONQUE, 1998). O estolão é a forma mais utilizada de
multiplicação vegetativa do morangueiro (SILVA et al., 2007).
         As flores do morangueiro estão agrupadas em
inflorescências do tipo cimeira, ou seja, depois de aberta a
primeira flor, os botões laterais vão se abrindo um a um,
acompanhando o desenvolvimento da inflorescência. O número
de inflorescências por planta é variável dependendo da cultivar,
assim como o número de flores por inflorescência. As
inflorescências se formam a partir das gemas existentes nas
axilas das folhas. A primeira flor normalmente origina o
primeiro fruto, em geral o mais desenvolvido de cada
inflorescência (SILVA et al., 2007).
         Os frutos do tipo aquênio são minúsculos de coloração
vermelho amarronzados, duros e superficiais, que normalmente
as pessoas confundem achando que é a semente. Na verdade
estes aquênios são os frutos verdadeiros. O que chamamos de
fruta do morangueiro é, na verdade, o receptáculo floral que
engrossa e se torna carnoso e doce, de formato e sabor variável
de acordo com a cultivar utilizada (SILVA et al., 2007).
         As características botânicas da planta são importantes,
pois as cultivares de morangueiro são caracterizadas com base
nas diferenças morfológicas da folha, da planta ou do fruto
(CONTI et al., 2002 apud SILVA et al., 2007).

1.2.2 Sistema radicular

        O sistema radicular do morangueiro é formado por
raízes adventícias e fasciculadas. As raízes adventícias ou
primárias são grandes e perenes (não morrem de um ano para o


18
Capítulo I


outro), com função de reserva, contribuindo na absorção de
água e nutrientes (PIRES et al., 2000).
         As raízes fasciculadas ou secundárias são longas e se
desenvolvem lateralmente ao rizoma, em camadas sobrepostas,
ficando as camadas de raízes mais novas acima das raízes mais
velhas. Estas raízes têm a vida mais curta (NATIVIDADE,
1940 apud INFORZATTO; CAMARGO, 1973).
         As raízes do morangueiro se renovam continuamente
durante o ciclo da cultura, e devido a essa forma de renovação
das raízes, o sistema radicular do morangueiro é pouco
profundo (GALLETA; BRINGHURTS, 1990 apud PIRES et
al., 2000).
         A distribuição do sistema radicular no solo depende de
muitos fatores, como a compactação do solo, a umidade, a
aeração e a fertilidade do mesmo. Para fins de irrigação, a
profundidade efetiva das raízes (que representa a camada desde
a superfície do solo até onde se encontra a maior parte das
raízes absorventes) é um dos parâmetros básicos para projetos
de manejo de água para a cultura (PIRES et al., 2000).
         A quase totalidade das raízes do morangueiro
encontra-se até 60cm de profundidade. Todavia, a maior parte
do sistema radicular se concentra nos primeiros 30cm do solo,
profundidade recomendada para fins de irrigação (RONQUE,
1998; PIRES, et al., 2000).
         As raízes servem de órgão de reserva de
fotoassimilados da planta, para que ocorra a brotação do
próximo ano.
         A vida saudável do morangueiro, no que diz respeito
às suas raízes, depende da contínua produção de novas raízes
principais do caule e da possibilidade dessas raízes produzirem
novos tecidos, assegurando a existência duradoura da planta
(INFORZATTO; CAMARGO, 1973).
         Como o sistema radicular do morangueiro é bastante
superficial, a área de cultivo deve ser mantida sempre limpa e

                                                            19
Morangueiro Irrigado


protegida por cobertura morta, mantendo úmida a camada
superficial do solo, evitando que as plantas espontâneas
concorram por nutrientes e água com o morangueiro.

1.2.3 Fisiologia da planta

         Para a melhor exploração da cultura do morangueiro é
de fundamental importância o conhecimento sobre os aspectos
fisiológicos da planta.
         Segundo Duarte Filho et al. (1999), durante a série de
transformações que a planta passa em seu ciclo, existem
diferenças marcantes entre as fases de desenvolvimento
vegetativo - formação de biomassa como folhas, caules e
estolões, e desenvolvimento reprodutivo - formação de
componentes da flor como pétalas, estames e pistilo.
         A fase vegetativa é verificada logo após o transplante
das mudas, que no município de Turuçu geralmente ocorre no
mês de abril (ESTRELA, 2008).
         A diferenciação do meristema vegetativo para floral,
que resultará no florescimento, é muito dependente de um
conjunto de fatores, sendo o fotoperíodo (duração do dia), a
temperatura e a interação entre estes os de maior relevância
(SILVA et al., 2007; RONQUE, 1998).
         Em função da resposta da planta ao fotoperíodo, as
cultivares se classificam em cultivares de dias curtos, cultivares
de dias neutros (ou indiferentes ao fotoperíodo) e cultivares de
dias longos. Atualmente, as cultivares de dias longos não são
utilizadas no Brasil (WREGE et al., 2007).
         As cultivares de dias curtos são aquelas que florescem
quando há redução do comprimento do dia (menor que 14 horas
de luz) e da temperatura (menor que 15°C) (SILVA et al.,
2007). Nesse grupo, encontram-se a maioria das cultivares
utilizadas no Brasil, como Camarosa e Camino Real,


20
Capítulo I


amplamente utilizadas no município de Turuçu (ESTRELA,
2008).
          As cultivares de dias neutros são aquelas que
apresentam uma menor sensibilidade ao fotoperíodo em
comparação às de dias curtos, prolongando o florescimento até
que as baixas temperaturas paralisem suas atividades (SILVA
et al., 2007). As cultivares Diamante, Aromas e Albion são
cultivares de dias neutros que já estão sendo introduzidas nos
municípios da região Sul do Rio Grande do Sul.
          Para que o florescimento seja abundante é preciso que
a planta tenha suprido as horas de frio necessárias para a
indução floral no período anterior ao transplante (período em
que está no viveiro), que varia de acordo com a cultivar. Esse
requerimento de horas de frio, geralmente abaixo de 7°C, é
necessário para uma normal formação de folhas e flores na
planta (SILVA et al., 2007).
          Segundo Ronque (1998) é interessante que os viveiros
de mudas estejam localizados em regiões de latitude e/ou
altitudes elevadas, a fim de que o número de horas acumuladas
de frio (380 a 700 horas, dependendo da cultivar) seja suprida.
          Devido a este aspecto fisiológico e também pelo
aspecto sanitário, a grande maioria das mudas utilizadas no Rio
Grande do Sul é importada do Chile e Argentina, pois os
viveiros destes países possuem as condições climáticas mais
favoráveis.
          Wrege et al. (2007) realizaram um zoneamento
agroclimático para produção de mudas no Rio Grande do Sul e
verificaram que, na Região Sul do Estado, as horas de frio estão
abaixo das exigência da cultura. Assim, a produtividade das
mudas produzidas nessa região pode ser inferior àquelas
produzidas em locais mais recomendados para a produção de
mudas, conforme demonstra Oliveira e Scivittaro (2006).
          Dependendo do estímulo de luz (fotoperíodo) e
temperatura que a planta recebe após o transplante nos

                                                             21
Morangueiro Irrigado


canteiros, ela pode vir a ter uma florada precoce, sem que a
parte vegetativa esteja bem desenvolvida. Nestes casos,
aconselha-se que estes primeiros cachos florais sejam
removidos da planta, ainda quando pequenos, para que haja um
incremento no crescimento vegetativo da planta e, assim, ela
suporte o crescimento das frutas que virão posteriormente. Em
plantas que são mantidas com cultivo de 18 meses, além do
incremento no crescimento vegetativo que ocorre no primeiro
ano quando se adota esta prática, existe um incremento na
produtividade das plantas no segundo ano (DAUGAARD,
1999).
         Em cultivares de dias curtos, como a Camarosa e a
Camino Real, o aumento do fotoperíodo e da temperatura
estimulam a planta a emitir estolões, em detrimento da emissão
de inflorescências. As cultivares de dias neutros ou
indiferentes, como Aromas e Albion, são menos influenciadas
por esses dois fatores, e, portanto, apresentam uma menor
emissão de estolões e uma continuidade na emissão de
inflorescências. Se a intenção é a produção de frutas, se
aconselha retirar os estolões das plantas, pois eles são fortes
drenos, favorecendo o desenvolvimento das inflorescências e
das frutas.

1.2.4 Exigência hídrica

         O morangueiro é extremamente sensível ao déficit
hídrico do solo. A irrigação é, portanto, uma prática cultural
indispensável para que a lavoura atinja níveis satisfatórios de
produtividade e qualidade das frutas (SANTOS et al., 2005).
         Pela característica do sistema radicular pouco
profundo, a cultura do morangueiro exige um bom manejo da
irrigação, evitando-se deficiências, assim como excessos,
reduzindo a incidências de doenças.


22
Capítulo I


         As necessidades hídricas do morangueiro estão
relacionadas ao clima, às condições de umidade do solo e à fase
de desenvolvimento da planta, necessitando de 900 a 1100 mm
de chuvas bem distribuídas durante o ciclo de cultivo
(CARVALHO, 2006).
         A fase de maior exigência hídrica do morangueiro é a
de frutificação. Nessa fase, a planta necessita mais água para
formar os frutos, que possuem baixos teores de matéria seca, e,
também, por ser a fase que coincide com a primavera-verão,
quando a transpiração da cultura aumenta devido ao calor.
         Segundo Severo et al. (2006), 86% da água consumida
durante o ciclo do morangueiro é durante a fase de frutificação.
Como essa fase é longa, atenção especial deve ser dada para o
manejo da água neste período, para que não ocorram excessos e
nem déficits.

1.3 CULTIVARES
        As principais cultivares de morangueiro utilizadas no
Brasil provêm dos programas de melhoramento dos Estados
Unidos, destacando-se: Aromas, Camarosa, Camino Real,
Diamante, Dover, Oso Grande, Sweet Charlie e Ventana; da
Espanha: Milsei-Tudla; do programa de melhoramento genético
da Embrapa Clima Temperado: Bürkley, Santa Clara e Vila
Nova; e do Instituto Agronômico – IAC: cultivar Campinas
(OLIVEIRA et al., 2005 apud OLIVEIRA; SCIVITTARO,
2006).
        No Rio Grande do Sul, as cultivares Aromas e
Camarosa são, respectivamente, as cultivares de dias neutros e
de dias curtos mais utilizadas, sendo ambas indicadas para
consumo in natura e industrialização (OLIVEIRA;
SCIVITTARO, 2006).



                                                             23
Morangueiro Irrigado


1.3.1 Características das cultivares utilizadas em Turuçu-
      RS

         Segundo ESTRELA (2008) as cultivares de
morangueiro mais utilizadas no município de Turuçu são
Camarosa e Camino Real, ambas de dias curtos.
         A cultivar Camarosa (Figura 1.1) foi obtida na
Universidade da Califórnia, em 1993, apresentando plantas
vigorosas, com folhas grandes de coloração verde-escura, ciclo
precoce, com alta capacidade de produção, frutas grandes,
uniformes, de coloração vermelho-escura, polpa firme e sabor
sub-ácido, sendo indicada tanto para consumo in natura quanto
para industrialização (SANTOS, 2003).




Figura 1.1 - Cultivar Camarosa (foto: Denise de Souza
             Martins).

         A cultivar Camino Real (Figura 1.2) é nova no
mercado brasileiro. Foi desenvolvida na Universidade da
Califórnia em 2001 e introduzida no Brasil a partir de 2006
(OLIVEIRA et al., 2007). Mostra-se tão produtiva quanto a
Camarosa e a Aromas, com até 1 Kg de frutas comerciais por
planta, sendo a colheita concentrada no período de agosto a
dezembro (OLIVEIRA et al., 2007).
24
Capítulo I




Figura 1.2 - Cultivar Camino Real (foto: Denise de Souza
             Martins).

1.3.2 Novas cultivares para a Região Sul

          Algumas cultivares de dias neutros vem sendo testadas
com sucesso na região Sul do RS. Como exemplos, pode-se
citar as cultivares Aromas e Albion.
          A cultivar Aromas (Figura 1.3) também foi obtida na
Universidade da Califórnia, porém em 1997. É uma cultivar
muito produtiva, com hábito de crescimento ereto. As frutas são
de tamanho grande, coloração vermelha-escura, sabor
agradável e qualidade excelente para consumo in natura e
industrialização (SHAW, 2004). Essa cultivar já está sendo
implantada na região, com resultados de produtividade
semelhantes às cultivares Camarosa e Camino Real, que
possuem maior produção na fase intermediária do período
produtivo, enquanto a Aromas apresenta maior produção na
fase final do ciclo produtivo (OLIVEIRA; SCIVITTARO,
2006).



                                                            25
Morangueiro Irrigado




Figura 1.3 - Cultivar Aromas (foto: Denise de Souza Martins).

          Outra cultivar que está sendo introduzida no Estado é a
Albion (Figura 1.4). Essa cultivar apresenta folhas mais
coriáceas e mais eretas que a Camino Real, assim como as
inflorescências, que também são mais eretas, deixando os frutos
suspensos, diminuindo o ataque de insetos como a broca das
frutas e os danos por queimaduras devido ao contato com o
plástico. É relativamente resistente à antracnose (SHAW, 2004)
o que pode facilitar seu cultivo a céu aberto. As frutas são de
tamanho grande, de sabor excelente, com formato cônico
alongado, sendo de coloração vermelho escuras quando bem
maduras, tanto internamente quanto externamente, mostrando
aptidão tanto para consumo in natura quanto para
industrialização.
       Uma das principais vantagens do cultivo de plantas de
dias neutros juntamente com as de dias curtos é o
escalonamento da produção durante o ciclo, pois as plantas de
dias curtos são mais precoces e as de dias neutros produzem até
janeiro ou fevereiro, aumentando o período de oferta da fruta
no mercado.


26
Capítulo I




Figura 1.4 - Cultivar Albion (foto: Denise de Souza Martins).

1.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
         O conhecimento da fisiologia da produção e os
aspectos botânicos da planta são de fundamental importância
para o adequado manejo da cultura. A utilização de cultivares
de dias neutros conciliadas às cultivares de dias curtos, já
cultivadas no município de Turuçu, mostra-se uma alternativa
interessante para aumentar o período de oferta da fruta no
mercado.
         O maior conhecimento sobre fatores como a
característica do sistema radicular, a exigência hídrica da
cultura, a qualidade da muda e as respostas da planta aos
fatores climáticos, permite uma otimização do sistema de
produção e, consequentemente, melhores resultados em relação
à produtividade.




                                                           27
Morangueiro Irrigado


1.5 LITERATURA CITADA
CARVALHO, S. P. Boletim do morango: cultivo
convencional, segurança alimentar, cultivo orgânico. Belo
Horizonte: FAEMG, 2006. 160p.
DAUGAARD, H. The effect of flower removal on the yield
and vegetative growth of A+ frigo plants of strawberry
(Fragaria x ananassa Duch). Scientia Horticulturae, v. 82,
n. 1-2, p. 153-157, 1999.
DUARTE FILHO, J. et al. Aspectos do florescimento e
técnicas empregadas objetivando a produção precoce em
morangueiros. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 20,
n. 198, p. 1-9, 1999.
ESTRELA, C. C. Variabilidade espacial e temporal da
qualidade da água de irrigação no sistema de produção de
morango em propriedades familiares no município de
Turuçu-RS. Pelotas, 2008. 98p. Dissertação (Mestrado em
Sistemas de Produção Agrícola Familiar) – Faculdade de
Agronomia “Eliseu Maciel”, Universidade Federal de Pelotas,
2008.
INFORZATTO, R.; CAMARGO, L. S. Sistema radicular do
morangueiro (Fragaria híbridos), em duas fases do ciclo
vegetativo. Bragantia, Campinas, v. 32, n. 8, p. 185-191, 1973.
OLIVEIRA, R. P.; SCIVITTARO, W. B. Desempenho
produtivo de mudas nacionais e importadas de morangueiro.
Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal - SP, v. 28,
n. 3, p. 520-522, 2006.
OLIVEIRA, R. P.; SCIVITTARO, W. B.; FERREIRA, L. V.
Camino Real: nova cultivar de morangueiro recomendada
para o Rio Grande do Sul. Pelotas: Embrapa Clima
Temperado, Comunicado Técnico 161, 4p., 2007.


28
Capítulo I


PIRES, R. C. M. et al. Profundidade efetiva do sistema
radicular do morangueiro sob diferentes coberturas do solo e
níveis de água. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília,
v. 32, n. 4, p. 793-799, 2000.
RONQUE, E. R. V. Cultura do morangueiro; revisão e
prática. Curitiba: Emater, 1998. 206 p.
SANTOS, A. M. Cultivares. In: SANTOS, A. M.; MEDEIROS,
A. R. M. (Ed.) Morango: produção. Pelotas: Embrapa Clima
Temperado; Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2003.
p. 24-30. (Frutas do Brasil, 40).
SANTOS, A. M.; MEDEIROS, A. R. M.; WREGE, M. S.
Sistema de produção do morango: irrigação e fertirrigação.
Embrapa Clima Temperado, ISSN 1806-9207 Versão
Eletrônica,      novembro     2005.      Disponível     em:
<http://sistemasdeproducao. cnptia.embrapa.br/>. Acesso em
18 de março de 2009.
SEVERO, F. D. et al. Consumo hídrico do morangueiro
cultivado em ambiente protegido. CD do Congresso de
Iniciação Científica – UFPel, 2006.
SILVA, A. F.; DIAS, M. S. C.; MARO, L. A. C. Botânica e
Fisiologia do morangueiro. Informe Agropecuário, Belo
Horizonte, v. 28, n. 236, p. 7-13, 2007.
SHAW, D. V. Strawberry Production Systems, Breeding and
Cultivars in Califórnia. In: II Simpósio Nacional do
Morango; I Encontro de Pequenas Frutas e Frutas Nativas
do Mercosul. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, p. 16-21,
2004.
WREGE, M. S. et al. Zoneamento agroclimático para
produção de mudas de morangueiro no Rio Grande do Sul.
Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2007. 27p. Documento
187, versão online.

                                                         29
CAPÍTULO 2 - SISTEMA DE
PRODUÇÃO DO MORANGUEIRO:
FATORES QUE INFLUENCIAM O
MANEJO DA IRRIGAÇÃO

                                      André Samuel Strassburger
                                         Denise de Souza Martins
                                            Carlos Reisser Júnior
                                         José Ernani Schwengber
                                    Roberta Marins Nogueira Peil
                                            Luís Carlos Philipsen


2.1 INTRODUÇÃO
         Dentre as práticas culturais empregadas na cultura do
morangueiro, a irrigação apresenta-se como uma das mais
importantes. Esta prática torna-se fundamental, pois a cultura é
altamente exigente em relação à disponibilidade hídrica e os
regimes de chuvas em algumas regiões podem não ser
suficientes ou não apresentar uma distribuição adequada.
         Para que as plantas expressem o seu potencial
produtivo, é necessário que as condições adequadas de cultivo
sejam proporcionadas, tornando-se fundamental a manutenção
da umidade do solo dentro dos parâmetros exigidos pela
cultura. O déficit hídrico, assim como o excesso por períodos
de tempo prolongados, pode causar danos irreversíveis à planta,
reduzindo a produtividade.

30
Capítulo II


          Algumas práticas culturais adotadas no cultivo do
morangueiro influenciam de maneira significativa o manejo da
irrigação, como a utilização de cobertura do solo e túnel baixo.
O sistema de produção predominante entre os agricultores do
município de Turuçu-RS caracteriza-se pela utilização de
cobertura do solo com plástico de coloração preta, pela
utilização de túneis baixos e irrigação por gotejamento.
          A adubação segue as recomendações tradicionais,
utilizando-se    adubos      químicos.      Alguns      produtores
eventualmente utilizam adubos de origem orgânica e
fertirrigação. O controle de pragas e doenças é realizado com
agrotóxicos tradicionais ou, menos comumente, produtos
alternativos.
          O manejo da cultura e o sistema de produção adotado
exercem fundamental importância para o sucesso da lavoura.
Neste capítulo, as principais práticas culturais utilizadas para o
cultivo do morangueiro serão abordadas destacando-se o
adequado manejo e a influência destas sobre a irrigação.

2.2 UTILIZAÇÃO DE COBERTURA DO SOLO
         Uma das práticas culturais mais importantes para a
cultura do morangueiro é a utilização de cobertura do solo, que
consiste na aplicação de qualquer cobertura na superfície do
solo que forme uma barreira física à transferência de energia e
vapor d’água entre o solo e a atmosfera.
         Tem como principais objetivos: evitar o contato direto
dos frutos com o solo, aumentando sua qualidade; reduzir a
incidência de plantas invasoras; reduzir as perdas de nutrientes
por lixiviação; modificar o microclima do solo; reduzir as
oscilações de temperatura; e reduzir as perdas de água do solo
por evaporação (RONQUE, 1998; SANTOS; MEDEIROS,
2003).


                                                               31
Morangueiro Irrigado


         Os materiais utilizados como cobertura do solo para a
cultura do morangueiro podem ser de origem vegetal (como a
acícula de pinus e a casca de arroz) ou sintéticos (como os
filmes de polietileno).
         A cobertura do solo deve ser realizada
aproximadamente 30 dias após o transplante, quando as mudas
já estiverem com o sistema radicular bem desenvolvido,
evitando maiores danos ao manuseá-las (RONQUE, 1998;
SANTOS; MEDEIROS, 2003).

2.2.1 Materiais de origem vegetal

         Os principais materiais de origem vegetal utilizados
como cobertura do solo na cultura do morangueiro são: casca
de arroz, acícula de pinus, sabugo de milho picado, serragem,
maravalha, palhas, hastes de cereais e folhas diversas.
         Ronque (1998) destaca que os materiais utilizados
como cobertura do solo devem ser isentos de contaminantes ou
qualquer outra substância que possa vir a prejudicar o adequado
desenvolvimento das plantas.
         A camada formada pelos resíduos vegetais deve ter
uma espessura suficiente para evitar que os raios solares
penetrem, mantendo a umidade do solo devido à menor
evaporação da água.
         Dentre as vantagens da utilização da cobertura com
resíduos vegetais destacam-se: menor ataque de ácaros, em
razão do microclima úmido abaixo das folhas; menor custo; e
enriquecimento do teor de matéria orgânica do solo, com a
incorporação da cobertura morta após o término do cultivo
(SANTOS; MEDEIROS, 2003). A dificuldade de manejo e
danos físicos às frutas são os principais limitantes da utilização
de materiais de origem vegetal em comparação aos materiais
sintéticos.


32
Capítulo II


2.2.2 Materiais sintéticos

         Os primeiros materiais sintéticos a serem utilizados
como cobertura do solo foram o papel e resíduos de petróleo.
Com o surgimento da indústria petroquímica, a partir da década
de 50, materiais mais baratos, como os filmes de polietileno,
passaram a ser utilizados como cobertura do solo (STRECK et
al., 1994). Atualmente, para a cultura do morangueiro a
cobertura mais utilizada é o polietileno opaco preto, com 30 ou
50 micras de espessura.
         As coberturas plásticas têm como principais
vantagens: a redução da umidade relativa, o que diminui a
incidência de fungos, especialmente aqueles que ocasionam
podridões de frutos, preservando sua qualidade; o estímulo à
produção precoce; e a redução da mão-de-obra de transporte e
colocação, em comparação com outras opções de coberturas.
         As principais desvantagens são o elevado custo do
plástico, o estímulo ao desenvolvimento de ácaros pela
formação de microclima seco (SANTOS; MEDEIROS, 2003) e
o impacto ambiental causado pelo plástico após sua retirada do
solo.

2.2.3 Influência da cobertura do solo no aporte de água

        Um dos principais efeitos esperados pela utilização de
cobertura do solo é a redução da perda de água do solo. A
magnitude da redução da evaporação pelo material de cobertura
depende da sua natureza. A cobertura morta de palha seca reduz
menos a evaporação da água do solo que os materiais sintéticos,
possivelmente porque o vapor d'água difunde-se através da
camada de resíduos (STRECK et al., 1994).
        Com a utilização de cobertura plástica a evaporação da
água da superfície do solo pode ser reduzida em até 21%, em
comparação ao solo nu (STRECK et al., 1994). Dessa forma, a

                                                            33
Morangueiro Irrigado


utilização de cobertura mantém a umidade do solo por um
período de tempo maior que o solo descoberto, o que significa
um aumento da eficiência da irrigação e uma economia de água
e energia, caso a irrigação não seja por gravidade.

2.3 UTILIZAÇÃO DE TÚNEIS
         Com a introdução da plasticultura na produção
agrícola, o morangueiro passou a ser cultivado com algum tipo
de proteção plástica, seja em túneis baixos, altos ou casas
plásticas. Grande parte dos agricultores tem preferência pela
utilização de túneis baixos para a cultura do morangueiro em
comparação a outras estruturas de maior porte, devido ao
menor custo de implantação e a possibilidade de rodízio das
áreas de cultivo, fator importante para evitar maiores problemas
com doenças.
         Dentre as vantagens que os túneis proporcionam em
relação ao cultivo a céu aberto, podem ser citadas a antecipação
da colheita, maior produção e melhor qualidade, oriundas da
maior proteção quanto aos fenômenos climáticos como geadas,
excesso de chuvas, queda acentuada de temperatura durante a
noite, proteção do solo contra a lixiviação e, consequentemente,
redução dos custos com fertilizantes e agrotóxicos. Como
principais desvantagens têm-se o elevado custo do plástico e o
aumento da mão-de-obra para abrir e fechar os túneis.

2.3.1 Manejo dos túneis

         Para que as vantagens da utilização dos túneis sejam
obtidas, é importante que o manejo adotado seja adequado.
Caso contrário, pode ocorrer aumento na incidência de doenças,
culminando em uma redução da produção. Abaixo segue o
manejo adequado dos túneis a ser adotado, baseado nas


34
Capítulo II


recomendações de Santos e Medeiros (2003) e em observações
da equipe.
          Abertura dos túneis: deve ser realizada logo pela
manhã. Ambas laterais devem ser abertas de forma que toda a
umidade seja eliminada. Em dias de ventos moderados, pode-se
abrir apenas o lado oposto àqueles predominantes, evitando
danos ao plástico e as plantas. Quanto maior a ventilação menor
será a ocorrência de doenças;
          Fechamento dos túneis: no final da tarde, deve-se
realizar a operação inversa, ou seja, deve-se fechar as laterais
dos túneis para aumentar o acúmulo térmico, elevando a
temperatura noturna dentro dos túneis. Em dias de chuva, os
túneis devem ser mantidos fechados, sendo abertos assim que
as condições climáticas melhorarem.
          A manutenção do túnel fechado durante o dia aumenta
a temperatura do ar e a umidade relativa dentro do túnel.
Nessas condições, tem-se um aumento da ocorrência de
doenças que se desenvolvem sob condições de alta umidade
relativa. O cultivo protegido, desde que bem manejado, e a
irrigação localizada constituem práticas valiosas para o manejo
de doenças na cultura do morangueiro e possibilitam a redução
do uso de agrotóxicos.
          Outra questão importante a ser observada em relação
ao manejo dos túneis é a polinização. Na cultura do
morangueiro a polinização é realizada principalmente pelas
abelhas. O acesso às flores deve ser facilitado, ou seja, os túneis
devem estar abertos no horário de maior atividade das abelhas.
          Quanto maior o número de visitas, melhor será a
polinização e, consequentemente, a qualidade das frutas. Em
locais nos quais não exista uma grande ocorrência de abelhas,
para melhorar a polinização recomenda-se colocar caixas de
abelhas próximas à lavoura.
          Caso os túneis sejam mantidos fechados por um
período de tempo prolongado, o número de visitas será

                                                                35
Morangueiro Irrigado


reduzido, com reflexos negativos sobre a polinização, assim, a
qualidade e a produtividade da lavoura serão afetadas.

2.3.2 Influência dos túneis de cultivo sobre a irrigação

         A utilização de abrigos plásticos está diretamente
ligada à necessidade de um sistema de irrigação, mesmo
quando a estrutura de proteção utilizada é o túnel baixo. O ciclo
natural da água nesse tipo de estrutura é quebrado e o
fornecimento de água para as plantas na forma de precipitação
não ocorre.
         Em se tratando do cultivo do morangueiro em túneis
baixos, embora ocorram precipitações elevadas, a água
acumula-se nos corredores, sendo que parte dela infiltra nos
canteiros, parte volta para a atmosfera na forma de vapor e
parte é perdida por percolação.
         Muitas vezes a fração infiltrada nos canteiros não é
suficiente para manter a umidade do solo em níveis adequados.
Assim, mesmo com precipitações abundantes, pode existir a
necessidade de se realizar a irrigação, sendo necessária a
observação da umidade do solo, para a definição do momento
de irrigar.
         Quando se utilizam túneis para o cultivo, a irrigação
por aspersão fica inviabilizada, sendo necessária a implantação
de irrigação localizada.

2.4 ESCOLHA DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO

2.4.1 Aspersão

        No Brasil, até a década de 80, grande parte das
lavouras de morangueiro era irrigada por aspersão (SANTOS et
al., 2005). Esse sistema propicia condições favoráveis ao
aparecimento de doenças, devido ao molhamento que ocorre na
36
Capítulo II


parte aérea das plantas. As gotas de água da irrigação também
servem como disseminadoras dos esporos de patógenos.
         Para Santos et al. (2005) e Carvalho (2006), os únicos
benefícios de um sistema de irrigação por aspersão são a
diminuição do ataque de ácaros e o controle de geadas,
podendo evitar dano às flores e frutos pequenos. Atualmente,
esse método de irrigação é mais utilizado após o plantio, para
garantir a sobrevivência das mudas a campo (SANTOS et al.,
2005) e na produção de mudas de morangueiro em viveiros.

2.4.2 Gotejamento

         O sistema de irrigação por gotejamento vem sendo
amplamente adotado na cultura do morangueiro. Isso ocorre
devido à maior eficiência no uso da água e menor incidência de
doenças, pela redução do molhamento da parte aérea da planta.
Como consequência, há um aumento na produtividade, no
tamanho e na qualidade da fruta (SANTOS et al., 2005).
         Além da redução do molhamento foliar, o sistema de
irrigação por gotejamento reduz o consumo de energia elétrica
e possibilita o uso de fertirrigação. Todavia, necessita água
limpa, filtrada e manutenção constante dos equipamentos, o que
acarreta um custo inicial mais elevado em comparação ao
sistema de irrigação por aspersão (CARVALHO, 2006).
Mesmo com essas desvantagens, o sistema de irrigação por
gotejamento é o mais indicado para a cultura do morangueiro e
amplamente utilizado entre os agricultores do município de
Turuçu.
         Porém, se o sistema não for bem manejado, pode
conduzir a resultados negativos, como o excesso de água no
solo, o que pode aumentar a incidência de fungos de solo,
reduzindo a produtividade e até causando a morte das plantas
(SANTOS et al., 2005; CARVALHO, 2006).


                                                            37
Morangueiro Irrigado


2.4.3 Influência dos sistemas de irrigação na incidência de
      doenças e pragas

         A irrigação por aspersão, pela característica do
molhamento da parte aérea da planta, favorece o aparecimento
de doenças nas folhas e nas frutas.
         A mancha da micosferela (Figura 2.1) é causada pelo
fungo Micosphaerella fragaria (Tul.) Lindau e ocorre na fase
inicial e final do ciclo. Maiores danos ocorrem quando se
utiliza altas densidades, irrigação por aspersão e excesso de
adubação nitrogenada (FORTES; OSÓRIO, 2003).




Figura 2.1 - Mancha da micosferela (foto: Denise de Souza
             Martins).

         A antracnose, causada pelos fungos Colletotrichum
gloreosporioidis, C. acutatum e C. Fragariae, produz lesões e
estrangulamento em estolões, pecíolo, pedúnculo, fruta (Figura
2.2) e coroa da planta. Quando ataca os botões florais causa a
chamada flor-preta. Maior ataque às plantas é observado com o
aumento da umidade. Assim, a irrigação por aspersão pode ser
prejudicial, favorecendo o aparecimento da doença. Como
controle preventivo recomenda-se a eliminação de restos
culturais, uma vez que o fungo pode sobreviver neles e a
utilização de túneis de polietileno que evitam o molhamento da
parte aérea da planta.

38
Capítulo II




Figura 2.2 - Antracnose na fruta (foto: Denise de Souza
             Martins).

         O mofo cinzento (Botrytis cinerea Pers) ataca
principalmente as frutas (Figura 2.3) em qualquer estádio de
desenvolvimento, desde que ocorram longos períodos com
umidade. A água da chuva e da irrigação por aspersão são
veículos para disseminar os esporos do fungo.




Figura 2.3 - Mofo cinzento na fruta (foto: Denise de Souza
             Martins).

                                                         39
Morangueiro Irrigado


         As principais pragas que atacam a cultura do
morangueiro são o pulgão e o ácaro rajado. Os pulgões (Figura
2.4) são insetos de corpo mole, de coloração variada,
dependendo da espécie. Vivem agrupados, em colônias, na face
inferior das folhas. O dano dos pulgões ao morangueiro é
devido à sucção da seiva da planta e pela possível transmissão
de viroses que levam ao enfraquecimento e eventual morte da
planta (SANTOS et al., 2005).




Figura 2.4 - Pulgão verde na folha. (foto: Denise de Sousa
             Martins).

          O ácaro rajado (Tetranychus urticae Koch) ocorre no
Sul do Brasil e onde são aplicados sistematicamente inseticidas
e acaricidas no cultivo do morangueiro. Ele tem cor verde
amarelado a verde escuro, com duas manchas escuras nos lados
do corpo, não sendo visível a olho nu.
          Os ácaros vivem em colônias, na face inferior das
folhas, principalmente junto à nervura central, formando uma
espécie de teia. Eles removem os tecidos superficiais da folha,
causando perda de seiva junto às primeiras camadas do tecido
foliar, ocorrendo amarelecimento ao longo da nervura central e
um tipo de bronzeamento lateral da folha.
          O período ou época de incidência dos pulgões e ácaros
depende mais das condições climáticas (temperaturas elevadas

40
Capítulo II


e longas estiagens) do que do estádio de desenvolvimento da
planta. Os ácaros predadores (ácaros vermelhos – Figura 2.5)
ocorrem naturalmente nas lavouras, desde que não haja a
aplicação de acaricidas.




Figura 2.5 - Ácaro predador, na parte superior da figura, e
             ácaros rajados, na parte inferior da figura (foto:
             Denise de Sousa Martins).

        Como os pulgões e ácaros aparecem nas lavouras
devido a altas temperaturas e baixa umidade, a irrigação por
aspersão diminui a incidências destas pragas.

2.5 FERTIRRIGAÇÃO
          A fertirrigação é o processo de aplicação de
fertilizantes juntamente com a água de irrigação, visando
fornecer as quantidades de nutrientes requeridas pela cultura no
momento adequado para obtenção de altos rendimentos e
produtos de qualidade (CARRIJO et al., 2004).
          A utilização de sistemas de irrigação por gotejamento
permite a aplicação concomitante de água e fertilizantes, pois
apresenta características estruturais e operacionais que

                                                             41
Morangueiro Irrigado


favorecem a implantação dessa prática. É uma maneira racional
e eficiente de nutrir as plantas na agricultura irrigada.
Representa aproximadamente 10% do custo de implantação do
sistema de irrigação (COELHO et al., 2003), necessitando
apenas a aquisição do sistema de injeção de fertilizantes quando
o sistema de irrigação já está instalado.
         Dentre as vantagens da fertirrigação podem ser citadas
o atendimento das necessidades nutricionais das plantas, de
acordo com a curva de absorção dos nutrientes; a aplicação dos
nutrientes restrita ao volume molhado, na região de maior
abundância das raízes; as quantidades e concentrações dos
nutrientes podem ser adaptadas às necessidades da planta em
função de seu estádio fenológico e condições climáticas;
proporciona economia de mão-de-obra; reduz as perdas; e
reduz a atividade de pessoas ou máquinas na área de cultivo,
diminuindo a compactação e favorecendo as condições físicas
do solo (COELHO et al., 2003).
         Como inconvenientes do sistema podem ser citados
possíveis entupimentos que podem ocorrer durante o processo,
a salinização e a contaminação de solos e mananciais devido à
lixiviação de nutrientes. Esses inconvenientes estão
relacionados principalmente com o manejo incorreto do sistema
de fertirrigação, pela não diluição total do fertilizante e pela
aplicação em excesso.

2.5.1 Aspectos nutricionais do morangueiro

         A primeira etapa para a determinação dos fertilizantes
e corretivos a serem aplicados para o cultivo do morangueiro é
a análise química do solo. De posse desta, deve-se realizar a
correção da acidez do solo, se necessário, buscando alcançar
pH próximo a 6,0 e com no mínimo três meses de antecedência
ao transplante das mudas (COMISSÃO DE QUÍMICA E
FERTILIDADE DO SOLO - RS/SC, 2004).

42
Capítulo II


         Como o período de cultivo do morangueiro é longo,
recomenda-se o parcelamento da recomendação total da
adubação para a cultura, visando reduzir as perdas de nutrientes
e manter os níveis de fertilidade do solo sempre próximo ao
ideal em cada fase de crescimento das plantas, reduzindo
perdas por lixiviação. Dessa forma, o suprimento de nutrientes
pode ser realizado todo via fertirrigação, começando o
procedimento logo após o transplante das mudas ou com uma
aplicação na base e o restante parcelado (CARVALHO, 2006).
         Segundo Filho et al. (1999), até o início das primeiras
colheitas, a planta absorve 37,2% do nitrogênio (N); 28,7% do
fósforo (P) e 23,1% do potássio (K) requerido durante todo o
período, fator importante a ser levado em consideração para o
planejamento da aplicação dos fertilizantes.
         O nitrogênio, apesar de ser um dos nutrientes mais
exigidos pela cultura, não pode ser adicionado de forma
indiscriminada. O excesso pode causar crescimento vegetativo
exuberante em detrimento da produção (PACHECO et al.,
2007), favorecendo o aparecimento de doenças devido ao
desequilíbrio nutricional. Em contrapartida, a deficiência de N
causa redução no crescimento das plantas. Por ser um nutriente
móvel no solo, deve-se atentar ao fato de que irrigações pesadas
podem causar lixiviação do nutriente, causando perdas
substanciais.
         A deficiência de P causa paralisia tanto no crescimento
vegetativo (emissão de folhas e estolões), quanto no
reprodutivo (emissão de flores). Os frutos tornam-se ácidos e
com aroma desagradável. A adequada nutrição fosfatada é
importante para aumentar a resistência do morangueiro às
doenças, a consistência e o tamanho dos frutos (PACHECO et
al., 2007).
         O K é o nutriente que mais favorece a qualidade da
fruta, aumentando os teores de sólidos solúveis totais, de ácido
ascórbico e melhorando o aroma, o sabor, a cor e a firmeza

                                                             43
Morangueiro Irrigado


(FILHO et al., 2000). Além disso, confere maior longevidade à
planta, tornando-a mais produtiva por um período de tempo
maior (PACHECO et al., 2007).
          O cálcio (Ca) melhora a firmeza e resistência da fruta.
Sua deficiência avançada ocasiona mortalidade das gemas
associadas à emissão de novas folhas e raízes, sendo importante
para definir a firmeza das frutas (PACHECO et al., 2007).
          Os micronutrientes, embora absorvidos em menor
quantidade, são tão importantes quanto os macronutrientes para
um adequado crescimento e produção. O zinco e o boro são os
dois micronutrientes para os quais as plantas mais comumente
apresentam sintomas de deficiência (PACHECO et al., 2007).
A carência de ambos os elementos produz uma diminuição na
fertilidade do pólen e na frutificação e, consequentemente, na
produtividade final.

2.5.2 Tipos e fontes de nutrientes para a fertirrigação

          Para a cultura do morangueiro, tanto os
macronutrientes como os micronutrientes podem ser aplicados
via fertirrigação. Como fonte de nitrogênio, pode-se utilizar a
uréia, o nitrato de amônio, o sulfato de amônio, o nitrato de
cálcio, o nitrato de potássio, o fosfato monoamônico (MAP) e o
fosfato diamônico (DAP).
          As fontes de potássio mais utilizadas são o cloreto de
potássio, o nitrato de potássio, o sulfato de potássio e o fosfato
monopotássico. Para a adubação fosfatada, podem ser
utilizados o ácido fosfórico, o fosfato monopotássico, o fosfato
monoamônico purificado e o fosfato diamônico.
          Para a adição de micronutrientes, existem outras
fontes, que são menos utilizadas e mais difíceis de serem
encontradas no mercado como nitrato de magnésio, sulfato
ferroso, Fe EDTA, ácido bórico, sulfato de cobre, sulfato de
manganês, sulfato de zinco e molibidato de sódio.

44
Capítulo II


          A escolha de um desses fertilizantes para suprir a
demanda de um determinado nutriente deve ser realizada de
acordo com o teor de cada nutriente presente no fertilizante,
com a disponibilidade no mercado e com o preço.
          Alguns desses fertilizantes são fontes de mais de um
nutriente, como o nitrato de cálcio, que além de ser fonte de
nitrogênio, também é fonte de cálcio, outro nutriente
importante para a cultura do morangueiro. Dessa forma, em
alguns casos, pode ser mais interessante a aplicação de um
fertilizante que forneça mais de um nutriente do que a
utilização de outro fertilizante que forneça apenas um nutriente.

2.5.3 Utilização de soluções de origem orgânica

          Além dos fertilizantes químicos de alta solubilidade,
também podem ser utilizadas soluções de origem orgânica para
a fertirrigação. É uma das alternativas que os agricultores que
se dedicam a produção orgânica de morangos encontraram para
a aplicação de nutrientes juntamente com a irrigação durante o
ciclo produtivo.
          Uma das opções para a utilização desse tipo de fonte
de nutrientes é o húmus líquido. A fertirrigação com húmus
líquido tem sido utilizada com sucesso nos experimentos
realizados na Estação Experimental Cascata (Embrapa Clima
Temperado), demonstrando bons resultados para a cultura do
morangueiro. O preparo do húmus líquido é simples. A seguir
seguem as recomendações para a elaboração do húmus líquido
de acordo com Schiedeck et al. (2006).
          Para preparar 100 L de húmus líquido, na proporção de
1:10, utiliza-se 10 kg de húmus e mistura-se em 100 L de água,
obtendo-se uma concentração aproximada de 5%, uma vez que
a umidade do húmus é cerca de 50%. Em um recipiente,
adiciona-se primeiramente a água e posteriormente o húmus,
agitando-se de forma vigorosa para que todo o sólido se

                                                              45
Morangueiro Irrigado


dissolva na água. Pode ser preparado em qualquer recipiente
evitando que a solução fique exposta ao sol. Concentrações
superiores a 5% não são recomendadas, pois são difíceis de
serem filtradas. A mistura deve ser agitada pelo menos uma vez
ao dia para que o máximo de nutrientes e microorganismos do
húmus seja liberado na água. O processo de preparo dura cerca
de 4 a 7 dias. Anteriormente a aplicação, o material deve ser
muito bem filtrado em peneira fina, removendo-se todo o
material sólido para evitar o entupimento do sistema de
irrigação.

2.5.4 Estrutura necessária

          Para realizar a fertirrigação, é necessário além do
sistema de irrigação, equipamentos adequados para injeção dos
nutrientes no sistema. Segundo Silva e Marouelli (2002), a
injeção dos fertilizantes no sistema de irrigação pode ser
realizada por três diferentes sistemas:
          a) com tanques de injeção com cilindro
hermeticamente fechado, onde o fertilizante é colocado e por
onde parte da água que se destina às plantas passa por diferença
de pressão, transportando, dessa forma, o produto até os
emissores;
          b) com bomba injetora de fertilizantes que retira o
fertilizante a ser aplicado de um reservatório e o injeta
diretamente no sistema de irrigação;
          c) com o tubo de Venturi, que se baseia no princípio
hidráulico de Venturi, que consiste de um estrangulamento de
uma tubulação, causando uma sucção resultante da mudança na
velocidade do fluxo e, assim, injeta a solução a ser aplicada no
sistema de irrigação.
          De acordo com as necessidades, qualquer um desses
mecanismos pode ser utilizado. Observa-se que o mais simples,
mais barato e que vem sendo amplamente utilizado para a

46
Capítulo II


cultura do morangueiro, apresentando uma distribuição
satisfatória da solução no sistema de irrigação é o tubo de
Venturi.

2.5.5 Manejo da fertirrigação

          O manejo adequado da fertirrigação requer que a
injeção de fertilizantes seja iniciada quando toda tubulação
estiver cheia de água e os emissores em pleno funcionamento.
Caso contrário, a uniformidade de distribuição de fertilizantes
será prejudicada. O processo de fertirrigação pode ser dividido
em três etapas: a primeira para enchimento da tubulação; a
segunda para aplicação propriamente dita da solução na água de
irrigação; e a terceira para promover a lavagem da tubulação e
dos emissores (MAROUELLI et al., 1996; SOUSA et al.,
2003).
          Em relação à frequência da fertirrigação, esta pode ser
feita todas as vezes que for realizada a irrigação ou em
intervalos maiores. A frequência depende de fatores como a
capacidade do sistema, mão-de-obra disponível, tipo de solo,
tipo de cultura ou mesmo da preferência do produtor.
          O parcelamento deve ser realizado de acordo com os
parâmetros químicos do solo ou pela taxa de absorção dos
nutrientes pela cultura. Salienta-se que é importante o
monitoramento do estado nutricional das plantas para
determinar a necessidade da fertirrigação, observando-se
sintomas de deficiências ou excessos de nutrientes nas plantas
ou pela análise química foliar.
          Aplicações de fertilizantes em regime de alta
frequência e em pequenas quantidades têm a vantagem de
reduzir a lixiviação dos nutrientes e manter o nível de
fertilidade próximo do ótimo (SILVA; MAROUELLI, 2002).
          Em solos arenosos, onde as perdas de água e nutrientes
ocorrem com maior intensidade, o uso da fertirrigação permite

                                                              47
Morangueiro Irrigado


reduzir significativamente essas perdas com aplicações mais
frequentes de forma pontual, principalmente em relação a
adubação nitrogenada (VÁSQUEZ, 2003).

2.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
         A cultura do morangueiro reveste-se de importância
para os horticultores da Região Sul do Estado, em especial no
município de Turuçu, tornando-se uma alternativa que
proporciona uma fonte de renda durante um longo período do
ano.
         O morango é uma fruta muito apreciada e de alto valor
no mercado, no entanto, apresenta em seu sistema de produção
uma série de detalhes que dificultam a produção de frutas de
alta qualidade, sem contaminantes químicos ou biológicos.
         Se o sistema de produção for bem manejado, ocorre
uma redução na incidência de doenças e na necessidade de
aplicação de agrotóxicos, obtendo-se um produto com um baixo
nível de contaminantes químicos e, ainda, com um menor custo
de produção.

2.7 LITERATURA CITADA
CARRIJO, O. A.; SOUZA, R. B. de; MAROUELLI, W. A.;
ANDRADE, R. J. de. Fertirrigação de hortaliças. Brasília:
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48
Capítulo II


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                                                        49
Morangueiro Irrigado


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50
CAPÍTULO 3 - SOLO E MANEJO DA
ÁGUA

                                             Carlos Reisser Júnior
                                  Vitor Emanuel Quevedo Tavares
                                                Luís Carlos Timm
                                              Carina Costa Estrela
                                     Luís Eduardo Correa Antunes
                                               Noel Gomes Cunha


3.1 O SOLO
          Do ponto de vista agronômico, o termo solo refere-se à
camada externa e agricultável da superfície terrestre sendo
constituído das fases sólida, líquida e gasosa. O material de
origem, o tempo, o clima, a topografia da região e os
organismos vivos são os fatores que atuam no processo de sua
formação. Sua origem é a rocha que, por ação de processos
físicos, químicos e biológicos de desintegração, decomposição
e recombinação, se transformou, no decorrer das eras
geológicas, em material poroso de características peculiares.
          O solo é o reservatório de água e nutrientes para as
plantas, além de permitir a sustentação dos vegetais. A Figura
3.1 ilustra um corte vertical no perfil de um solo, constituído de
uma série de camadas superpostas, denominadas horizontes do
solo.



                                                               51
Morangueiro Irrigado




                                       A00     M.O. não decomposta
                                       A0      M.O. humificada
  A                                    A1      hor. mineral c/ m.o
                                       A2      hor. de perdas
                                       A3      hor. de transição
                                       B1      hor. de transição
  B
                                       B2      hor. de iluviação
                                       B3      hor. de transição


  C
                                    Rocha em decomposição

  D                                  Rocha matriz


Figura 3.1 - Ilustração dos horizontes de um perfil completo
             de solo (REICHARDT; TIMM, 2008).

         Um solo completo é formado de quatro horizontes:
- horizonte A (horizonte de eluviação) - é a camada superficial
do solo, exposta diretamente à atmosfera. Ele é o horizonte que
perde elementos químicos por lavagens sucessivas com a água
da chuva. Subdivide-se em Aoo (camadas superficiais em solos
de florestas com grande quantidade de material orgânico, não
decomposto: galhos, folhas e frutos); Ao (situa-se abaixo do
Aoo, constituído de material orgânico decomposto); A1 (já é
horizonte mineral, mas com alta porcentagem de matéria
orgânica decomposta que lhe confere uma cor escura); A2 (que
é o típico horizonte A, de cor mais clara, correspondendo à
zona de máxima perda de elementos minerais) e A3 (é um


52
Capítulo III


horizonte de transição entre A e B, possuindo características de
ambos);
- horizonte B (horizonte de iluviação) - é o horizonte que ganha
elementos químicos provenientes do horizonte A, situado
acima;
- horizonte C – é o horizonte formado pelo material que deu
origem ao solo, em estado de decomposição;
- horizonte D – é o horizonte formado pela rocha matriz.
         As espessuras dos horizontes são variáveis e a falta de
alguns horizontes em determinados solos é bastante comum.
Tudo isto depende da intensidade da ação dos fatores de
formação do solo sobre o material de origem. A Figura 3.2
ilustra um perfil de solo ARGISSOLO VERMELHO-
AMARELO Eutrófico Típico encontrado em uma propriedade
situada no município de Turuçu-RS.




Figura 3.2 - Ilustração do perfil de um solo ARGISSOLO
             VERMELHO-AMARELO Eutrófico Típico
             encontrado em uma propriedade situada no
             município de Turuçu-RS.



                                                             53
Morangueiro Irrigado


3.2 ATRIBUTOS FÍSICO-HÍDRICOS DO SOLO
         Em se tratando do dimensionamento e do manejo de
sistemas de irrigação é importante o conhecimento dos
atributos físico-hídricos do solo que estão diretamente
relacionados à retenção e o armazenamento de água no seu
perfil. Aqui serão abordados de forma sucinta os seguintes
atributos:

3.2.1 Textura do solo

         A fase sólida do solo é constituída pela matéria
mineral e orgânica que variam em termos de qualidade e de
tamanho. Quanto ao tamanho, algumas são suficientemente
grandes para serem vistas a olho nu, ao passo que outras são tão
diminutas que apresentam propriedades coloidais.
         Na maioria das vezes, as partículas do solo são
divididas em três frações de tamanho, chamadas frações
texturais: areia, silte e argila. Determinadas as quantidades
relativas das três frações, o solo é enquadrado em uma dada
classe textural (arenoso, siltoso ou argiloso) em função das
diferentes proporções de areia, silte e argila. O tamanho das
partículas é de grande importância, pois ele determina o
número de partículas por unidade de volume ou peso e a
superfície que estas partículas expõem. Por exemplo: partículas
mais finas (argila) possuem uma maior superfície específica
(maior relação entre área da superfície e o volume da partícula)
e, portanto, possuem maior superfície de contato com a água e
nutrientes o que confere ao solo uma maior capacidade de reter
estas substâncias.




54
Capítulo III


3.2.2 Estrutura do solo

          O arranjo, a orientação e a organização das partículas
sólidas do solo definem a geometria dos espaços porosos, ou
seja, a estrutura de um solo. Como o arranjo das partículas do
solo é geralmente muito complexo para permitir qualquer
caracterização geométrica simples, não há meio prático de
medir a estrutura de um solo. Devido a isso, o conceito de
estrutura do solo é qualitativo.
          A junção das partículas do solo dá origem aos
agregados, os quais são classificados segundo a forma
(prismáticos, laminares, colunares, granulares e em blocos) e o
tamanho do agregado (de acordo com seu diâmetro). Um solo
bem agregado (ou estruturado) apresenta boa quantidade de
poros de tamanho relativamente grande (macroporos). Dizemos
que possui alta macroporosidade, qualidade que afeta a
penetração das raízes, circulação de ar (aeração), operações de
cultivo (manejo do solo) e a infiltração de água (irrigação).
          O solo possui poros de variadas formas e dimensões,
que condicionam um comportamento peculiar a cada solo. A
fração sólida do solo que mais decisivamente determina seu
comportamento físico é a fração argila, já que é a mais ativa em
processos físico-químicos que ocorrem no solo. As frações
areia e silte têm áreas específicas relativamente pequenas e, em
conseqüência, não mostram grande atividade físico-química.
Elas são importantes quando o solo se encontra próximo à
saturação onde predominam fenômenos capilares.
          Tanto a textura como a estrutura conferem ao solo um
espaço poroso, ou volume de poros, onde se encontram a parte
líquida e a gasosa. Desta forma, a quantidade de água que o
solo retém (capacidade de retenção), a passagem da água pela
superfície do solo (infiltração) e a distribuição de água no
interior do solo (drenagem) são dependentes da textura e da
estrutura do solo.

                                                             55
Morangueiro Irrigado


         Se coletarmos uma amostra de solo (Figura 3.3)
contendo as três frações e que represente certa porção do perfil
do solo, é possível discriminar as massas e os volumes de cada
fração e as seguintes relações massa-volume podem ser
obtidas:


                                               ms,Vs (sólidos)
                                                ml,Vl (líquidos)
     mt , Vt
                                                  mg,Vg (gases)
                                       Poros ou vazios: Vv =   Vl +Vg
Figura 3.3 - Amostra do perfil de um solo ilustrando a fração
             sólida, líquida e gasosa.

mt = ms + ml + mg                                               (3.1)

Vt = Vs + Vl + Vg                                               (3.2)

onde: mt é a massa total da amostra de solo; ms é a massa das
partículas sólidas do solo; ml é a massa líquida do solo, que por
ser diluída, é tomada como massa de água; mg é a massa de gás,
isto é, ar do solo, que é uma massa desprezível em relação a ms
e ml; Vt é o volume total da amostra de solo; Vs é o volume
ocupado pelas partículas sólidas; Vl pela água e Vg o volume
dos gases (não desprezível como no caso de sua massa).
          As seguintes definições relacionadas à fração sólida do
solo são importantes tanto no dimensionamento como no
manejo de um sistema de irrigação:
          A densidade do solo (Ds, g/cm3), definida como a
relação entre a massa das partículas sólidas ms (g) e o volume
total de solo Vt (cm3), é um parâmetro útil que indica se um

56
Capítulo III


solo está estruturado (menor densidade) ou compactado (maior
densidade). Coletando-se amostras de solo de estrutura
preservada com anéis cilíndricos de volume conhecido, a Ds
pode ser calculada por meio da seguinte equação:
       ms
Ds =                                                     (3.3)
       Vt
         A densidade do solo varia de acordo com o seu
volume total Vt. Ao se compactar (comprimir) uma amostra, ms
permanece constante e Vt diminui, por conseguinte Ds aumenta.
A densidade do solo é, portanto, um indicativo do grau de
compactação de um solo. Para solos de textura grossa, mais
arenosos, as possibilidades de arranjo das partículas não são
muito grandes e, por isso, os níveis de compactação também
não são grandes. Pelo fato de possuírem partículas maiores, o
espaço poroso também é constituído, sobretudo, de poros
grandes denominados, de modo arbitrário, de macroporos; de
forma aparentemente paradoxal, nesses, o volume de poros é
pequeno. A faixa de variação dos valores de densidade do solo
para solos arenosos é de 1,40 a 1,80 g/cm3. Para um mesmo
solo arenoso, esse intervalo de variação, a diferentes níveis de
compactação, é bem menor. A compactação do solo representa
uma mesma massa de solo ocupando um volume de solo
menor. Isso modifica sua estrutura, seu arranjo e seu volume de
poros.
         Para solos de textura fina, mais argilosos, as
possibilidades de arranjo das partículas são bem maiores. Seu
espaço poroso é constituído, essencialmente, de microporos e o
volume de poros Vv é grande, razão pela qual os valores Ds
apresentam uma faixa de variação maior (0,90 a 1,60 g/cm3).
         A relação entre a densidade do solo e a densidade da
água (1,0 g/cm3) é denominada densidade relativa do solo (Dr),
a qual é adimensional.


                                                             57
Morangueiro Irrigado


         A densidade das partículas do solo (Dp, g/cm3) é a
relação entre a massa das partículas sólidas ms (g) e o
respectivo volume ocupado pelas partículas Vs (cm3).
       ms
Dp =                                                     (3.4)
       Vs
         A densidade das partículas depende da constituição do
solo e como varia relativamente pouco de solo para solo, não
varia de modo excessivo entre diferentes solos. A densidade
das partículas aproxima-se da densidade das rochas. O quartzo
tem Dp = 2,65 g/cm3 e como é um componente freqüente nos
solos, a densidade das partículas oscila em torno desse valor. A
média para uma grande variedade de solos é 2,70 g/cm3. Se a
constituição do solo for muito diferente, como é o caso de solos
turfosos (com muita matéria orgânica), seu valor pode ser mais
baixo.
         A porosidade total do solo (P), que está diretamente
ligada à definição de densidade, é uma medida do espaço
poroso do solo. É definida pela relação entre o volume de poros
(Vv) e o volume total do solo (Vt):
     VV  VT − VS   
P=     =            × 100                              (3.5)
     Vt  Vt
        
                    
                    
          Ela é adimensional e, em geral, expressa em
porcentagem.
          Quanto maior a porosidade total de um solo, maior a
sua capacidade de reter água. Por isso os solos de textura fina
(argilosos), em geral, têm maior capacidade de retenção de
água. A porosidade total também é, logicamente, afetada pelo
nível de compactação. Quanto maior Ds, menor P.
          Uma equação muito utilizada para estimar, de forma
indireta, P a partir de dados de Ds e Dp é a seguinte:


58
Capítulo III


       D 
P = 1 − s  × 100                                      (3.6)
     D 
        p 


         A fase gasosa do solo (ar do solo) ocupa os espaços
vazios não ocupados pela água do solo. A presença de camadas
de impedimento (compactação) pode diminuir essa aeração, por
meio da redução dos poros, resultando em uma infiltração e
redistribuição mais lenta da água no solo.
         A fase líquida do solo é uma solução aquosa de sais
minerais e substâncias orgânicas, sendo os sais minerais os de
maior importância.

3.3 ÁGUA NO SOLO

3.3.1 Umidade do solo

          A determinação quantitativa da fase líquida, que não
leva em conta os solutos, ou simplesmente da água do solo é
feita de várias formas, dependendo da finalidade da medida:
          - Umidade à base de peso U
     ml mt − ms
U=      =                                               (3.7)
     ms   ms
onde mt, ml e ms foram definidos na equação 3.1.
         A umidade U é adimensional (g/g), mas suas unidades
devem ser mantidas para não confundir com a umidade à base
de volume, que também é adimensional, mas numericamente
diferente. A umidade U também é, com freqüência, apresentada
em porcentagem. Sua medida é bastante simples: a amostra é
pesada úmida mu (= mt) e, em seguida, deixada em estufa à
105oC, até peso constante ms (24 a 48 h ou até peso constante),
sendo a diferença entre essas massas a massa de água ml. A
amostra pode ter qualquer tamanho, desde que não seja muito

                                                            59
Morangueiro Irrigado


pequena, nem muito grande (ideal de 50 a 500 g) e pode ter sua
estrutura deformada. Para sua determinação servem, portanto,
amostras retiradas no campo com qualquer instrumento (trado,
pá, enxada, colher etc.), devendo-se, porém, ter o cuidado de
não deixar a água evaporar antes da pesagem úmida.
         - Umidade à base do volume θ
     Vl ml mu − ms
θ=     =   =                                           (3.8)
     Vt Vt   Vt
onde Vl e Vt foram definidos na equação 3.2.
         A umidade θ é adimensional (cm3/cm3) e, com
freqüência, é apresentada em porcentagem. Sua medida é mais
complicada, pois envolve a medida do volume Vt e, por isso, a
amostra não pode ser deformada. Normalmente toma-se Vl = ml
(considerando a densidade da solução do solo como 1,0 g/cm3).
O volume Vt é o mais difícil de ser medido. A técnica mais
comum é a do uso de anéis volumétricos, idênticos aos
utilizados para a medida da densidade do solo.
         O procedimento mais conveniente para determinar θ é
medir U e depois multiplicar o resultado por Dr:
θ = U × Dr                                             (3.9)
sendo U dado em g de água/g de solo e Dr adimensional
resultando θ em cm3 de água/cm3 de solo. Logicamente Dr
precisa ser conhecido, mas a densidade do solo não varia muito
no tempo, a não ser quando são realizadas operações de manejo
(aração, gradagem, subsolagem, dentre outras). Mas, em geral,
as maiores variações de Dr ocorrem nos primeiros 30 cm. Para
maiores profundidades, geralmente considera-se Dr constante.

         Exemplo:
         Coletou-se uma amostra de solo com um volume de
       3
150 cm , cuja massa úmida é 228 g e a massa seca é 193 g.
Dessa forma:
60
Capítulo III


     228 − 193
U=             = 0,181 g/g ou 18,1 %
       193

     228 − 193
θ=             = 0,233 cm 3 / cm3 ou 23,3 %
       150
         Note-se que para a mesma amostra, U é diferente de θ,
daí a necessidade de manter as unidades, mesmo sendo ambos
os valores adimensionais.
       193
DS =       = 1,287 g / cm3
       150

       1,287
Dr =         = 1,287
        1,0

θ = U × Dr = 0,181×1,287 = 0,233 cm3 / cm3
        Vê-se, portanto, que só para o caso particular de Dr =
1, θ = U, que é o caso de solo bem fofo. Ainda usando o valor
médio de 2,65 g/cm3 para a densidade das partículas:
         DS      1,287
P = 1−      = 1−       = 0,514 cm3 / cm3 ou 51,4 %
         Dp      2,650


3.3.2 Retenção de água no solo

         A retenção de água no solo ocorre devido a
fenômenos de capilaridade e adsorção. A capilaridade atua na
retenção da água no solo quando os poros estão cheios de água
(solo úmido). A medida que o solo vai secando, os poros vão se
esvaziando, filmes de água recobrem as partículas sólidas do
solo e a adsorção passa a predominar na retenção de água. A


                                                           61
Morangueiro Irrigado


energia requerida para se retirar a água na condição seca é
muito maior que na condição úmida.

3.3.3 Capacidade       de       campo        e     ponto   de   murcha
      permanente

         Diz-se que um solo está saturado quando todos os
poros estão cheios de água. Nesta condição, a água que drena é
aquela retida devido à capilaridade nos poros maiores. Quando
essa drenagem cessa, o solo atinge a capacidade de campo
(θcc). Continuando a drenagem, a adsorção passa a predominar
no processo de retenção de água e, neste caso, os poros
menores passam a perder água. Quando a umidade do solo é tão
baixa que a quantidade de água existente faz com que a planta
murche, sem recuperar o turgor mesmo com o umedecimento
do solo, diz-se que o solo atingiu o ponto de murcha
permanente (θPMP).

3.3.4 Capacidade de água disponível

         A diferença de umidade entre a capacidade de campo e
o ponto de murcha permanente é definida como a capacidade
de água disponível (CAD). A CAD (mm) é calculada pela
seguinte equação:
CAD = (θ cc − θ PMP ) × z                                        (3.10)

onde θcc é a umidade do solo na capacidade de campo
(cm3/cm3), θPMP é a umidade do solo no ponto de murcha
permanente (cm3/cm3) e z é a espessura da camada de solo
(mm).
         A quantidade de água disponível em um solo está
relacionada com a energia com que a água é retida na matriz do
solo, ou seja, o potencial matricial da água no solo (Reichardt e

62
Capítulo III


Timm, 2008). Essa relação origina a curva de retenção de água
no solo, que é elaborada em laboratório.

3.3.5 Armazenamento de água no solo

         Dados os valores de umidade do solo, que são
pontuais, como se determina a quantidade de água armazenada
em uma dada camada de solo?
         A quantidade de água que cai sobre um determinado
local, comumente, é expressa em termos de altura. Por
exemplo, em Turuçu/RS chove em média 1.900 mm por ano. O
que representa isso? A água de chuva é medida em
pluviômetros, que são recipientes coletores de água expostos ao
tempo (Figura 3.4). Eles têm uma área de captação S (m2)
(seção transversal de sua boca) e coletam um volume V (m3) de
água durante a chuva. A altura de chuva é h (m) = V/S, que
pode ser convertida em mm. O interessante é que h independe
do tamanho da boca do pluviômetro, pois um pluviômetro de
boca 2S coletará o dobro do volume, isto é, 2V, resultando no
mesmo valor de h. O significado de h pode, então, ser melhor
visualizado para o caso de S = 1 m2, isto é, h igual ao volume
de água que cai sobre a superfície unitária.




                                                            63
Morangueiro Irrigado




Figura 3.4 - Ilustração de um pluviômetro tipo “Ville Paris”
             utilizado para medir a quantidade de água da
             chuva em uma propriedade no município de
             Turuçu/RS.

          Se jogarmos 1 L de água sobre uma superfície plana e
impermeável de 1 m2, obteremos uma altura de 1 mm. Assim,
1 mm de chuva corresponde a 1 L/m2 e, portanto, 1.900 mm a
1.900 L/m2. Então, se toda a água que precipita em Turuçu não
infiltrasse, nem escorresse ou evaporasse, ao final de um ano
teríamos 1,9 m de água distribuídos por toda a área. Água
aplicada via irrigação, água perdida por evaporação, etc., são
todas medidas em mm. Seria interessante, portanto, medir
também a água do solo em mm. Este é o armazenamento da
água no solo (A, mm). É calculado multiplicando-se a umidade
do solo (θ, cm3/cm3) de uma camada de interesse pela sua
espessura (z, mm), ou seja:
A =θ × z                                               (3.11)


64
Capítulo III


         Assim como no caso da chuva, a altura de água
armazenada pelo solo independe da área e, para o caso de uma
superfície unitária, A = V. Para que esse conceito possa ser
mais bem visualizado didaticamente, será utilizado o
centímetro como unidade de comprimento. Tomemos, então,
como superfície unitária (S) o cm2 e consideremos o primeiro
cm de profundidade do solo. Nesse caso V = 1 cm3 de solo com
umidade θ1 (cm3 de H2O por cm3 de solo) e S = 1 cm2. Temos,
então, um volume de água V igual a θ1 cm3 de água em uma
área de 1 cm2 e, então, θ1 = A1. Vejamos um exemplo: se 1 cm3
de solo tem θ = 0,30 cm3/cm3, isso significa que nesse cubo de
solo cuja base é 1 cm2 temos 0,30 cm3 de água. Portanto, a
altura de água é 0,30 cm ou 3,0 mm.

3.4 DETERMINAÇÃO                    DA    UMIDADE         DO
    SOLO
         Um dos atributos do solo mais comumente utilizado
para o manejo de irrigação é a umidade do solo. Conhecendo-o
em uma determinada camada de solo, pode-se determinar o
momento e a quantidade de água a ser aplicada em uma
irrigação.
         O instrumento mais prático para se medir o potencial
matricial de água no solo é o tensiômetro, que consiste,
basicamente, de uma cápsula porosa conectada a um tubo de
PVC (Figura 3.5), onde se encontra conectado um vacuômetro
de Bourdon (Figura 3.6). As leituras de potencial neste
vacuômetro são obtidas em mm de Hg (escala externa - cada
traço equivale a -20 mmHg) ou em polegadas de Hg (inHg,
escala interna – cada traço equivale a –0,5 inHg). Quanto mais
úmido o solo, menor são os valores lidos de potencial matricial
e vice-versa. Por exemplo, em um solo em condições de
saturação o potencial matricial lido seria “0 mmHg”.


                                                            65
Morangueiro Irrigado




Figura 3.5 - Ilustração de um tensiômetro (figura extraída de
             REICHARDT, 1994).




Figura 3.6 - Ilustração de um vacuômetro de Bourdon
             utilizado para a realização das leituras de
             potencial matricial na profundidade de intere
                                                    interesse.


66
Capítulo III


         Por meio das leituras do potencial matricial no
tensiômetro e da curva de retenção de água no solo, são obtidos
os valores da umidade do solo.
         As unidades de potencial matricial podem ser
convertidas pelas seguintes relações aproximadas:

        1 atm = 1 bar = 760 mm Hg = 1000 cm H2O

          1 atm = 100 kPa = 0,1 MPa = 14,7 psi
onde:   atm = atmosfera;
        bar = bar;
        mm Hg = milímetros de mercúrio;
        cm H2O = centímetros de coluna de água;
        Pa = Pascal;
        kPa = quilo Pascal = 1.000 Pa = 103 Pa;
        MPa = mega Pascal = 1.000.000 Pa = 106 Pa;
        PSI = pound ou libra por polegada quadrada (1 pound
        ou libra = 453,6 gramas; 1 polegada = 25,4 cm).

         A Figura 3.7 ilustra dois tensiômetros instalados em
um canteiro de solo cultivado com morango em uma
propriedade localizada no município de Turuçu/RS. Os
tensiômetros foram instalados em um determinado local do
canteiro próximos a uma linha de irrigação com gotejadores,
com o auxílio de um trado, nas profundidades de 20 e 30 cm,
tomando-se o cuidado de garantir um bom contato entre a
cápsula porosa e o solo. Eles foram instalados com o objetivo
de avaliar e comparar o manejo empírico de irrigação que vem
sendo adotado pelo produtor de morango ao longo do ciclo da
cultura com o manejo baseado em informações técnicas que
foram levantadas ao longo do projeto.



                                                            67
Morangueiro Irrigado




Figura 3.7 - Ilustração de dois tensiômetros instalados em um
             canteiro de solo cultivado com morangueiro.

         Exemplo de aplicação do tensiômetro:
         Um tensiômetro com um vacuômetro de Bourdon, foi
instalado a 30 cm de profundidade (altura correspondente à
metade da cápsula porosa até a superfície do solo) e com uma
altura do vacuômetro a superfície do solo de 10 cm,
apresentando uma leitura de 160 mm Hg. Então, o potencial
matricial (Ψm ) a 30 cm é:
         160 mm Hg = 211 cm H2O
         Ψm = 211 – 30 – 10 = 171 cm H2O
         Para se conhecer a umidade do solo, basta entrar com
este valor de Ψm na curva de retenção de água no solo,
previamente elaborada no laboratório.




68
Capítulo III


3.5 MANEJO DA ÁGUA
         O manejo da água na cultura do morangueiro Fragaria
x ananassa Duch apresenta-se de maneira diferenciada de
outros sistemas de produção visto que a cultura apresenta
particularidades importantes.
          Apesar de ser uma planta perene, o morangueiro
possui uma fase em que as mudas são produzidas e
comercializadas e outra onde seus frutos são comercializados
para o consumo “in natura” ou para industrialização (Figura
3.8). Para cada uma destas fases, que representam sistemas de
produção diferentes, o manejo recomendado e normalmente
adotado apresenta características totalmente distintas, como se
fossem culturas diferentes.


3.5.1 Produção de mudas

          O sistema de produção de mudas é baseado na fase de
multiplicação da planta incentivada pelo fotoperíodo diário da
época do ano, que faz com que a planta seja estimulada a
desenvolver sua parte vegetativa/reprodutiva, em forma de
estolhos.
          Para esta etapa da produção, as mudas se desenvolvem
ao redor da planta matriz, produzindo até 300 plântulas
(filhotes) por planta mãe.
          Como nesta etapa se formam as raízes, a partir de nós
existentes nos estolhos, que necessitam de umidade no solo
para que estas se desenvolvam, a disponibilidade de água é
fundamental para o sucesso da produção. Todas as propriedades
com esta atividade possuem a irrigação como fator fundamental
no desenvolvimento desta fase.



                                                            69
Morangueiro Irrigado




Figura 3.8 - Planta de morangueiro durante a formação de
             plântulas na fase reprodutiva (fase de produção de
             mudas).

         A irrigação recomendada é a aspersão ou micro
aspersão visto que toda a área ao redor das plantas matrizes
necessita de umidade adequada ao longo de todo o ciclo (do
transplante das matrizes até coleta das mudas). Quando as
matrizes estão cultivadas no espaçamento adequado e existe
crescimento compatível, o solo de toda a área fica coberto pelas
plântulas a serem coletadas (Figura 3.9).
         Em alguns sistemas de produção as mudas são
cultivadas sob cobertura plástica e substrato artificial, que são
recomendados em regiões com alta probabilidade de ocorrência
de chuvas no período de produção de mudas. Nestes sistemas, o
uso de irrigação por gotejamento é utilizado e recomendado,
pois as plantas se desenvolvem dentro de recipientes que
concentram as mudas juntas aos tubos gotejadores. Sempre que

70
Capítulo III


possível a irrigação por gotejamento deve ser usada, pois
eliminando ou reduzindo o molhamento foliar, o risco de
ocorrência de doenças é quase eliminado.




Figura 3.9 - Viveiro de produção de mudas na Argentina. Fase
             de cobertura total do solo cultivado (foto:
             Proplant Argentina).

          O manejo da irrigação em viveiros de produção de
mudas deve ser feito de modo que a umidade permaneça o
maior tempo possível próxima à superfície. Isto é conseguido
com irrigações freqüentes e volumes de irrigação menores.
          Para o morangueiro, a boa disponibilidade de água
durante a fase de crescimento vegetativo é fundamental, o que
justifica o uso de irrigação complementar em regiões onde as
chuvas são insuficientes para o consumo da planta (DWIER et
al., 1987). Farias (1997) verificou que para uma maior
produção de mudas e para produção de mudas de melhor
qualidade, o potencial matricial da água no solo de -10 kPa é o


                                                            71
Morangueiro Irrigado


mais adequado. No estudo este potencial foi assumido como
equivalente à umidade do solo na capacidade de campo.
         Portanto, recomenda-se, para se manejar a água de
irrigação para produção de mudas de morangueiro com melhor
qualidade e maior quantidade, o uso de tensiômetros, deixando
a umidade no solo sempre próxima à capacidade de campo.
         O método recomendado para o manejo é o de
microaspersão ou de aspersão convencional, devendo-se fazer
irrigação ao amanhecer ou nas primeiras horas da manhã.
         Atenção especial deve ser dada à qualidade da água de
irrigação, com o objetivo de reduzir inóculos de doenças.
Conforme Balbino et al. (2004), a água pode ser portadora de
linhagens patogênicas de Esclerotínia coli, Salmonella sp.,
Vibrio cholerae, Shigella sp., Cryptosporidium parvum,
Giardia lambia, Cyclospora cayetanensis, Toxiplasma gondii e
os vírus Nowalk e hepatite A.

3.5.2 Produção de frutos

         O sistema de produção de frutos inicia quando se faz o
transplante das mudas ou plântulas para o canteiro definitivo.
Normalmente nos canteiros são cultivadas duas linhas de
plantas, estas espaçadas por aproximadamente 35 cm. Também
podem ser usadas três ou quatro linhas de cultivo em cada
canteiro (Figura 3.10).
         O sistema radicular do morangueiro, que é fasciculado
e superficial, surge na volta da coroa da planta. Apesar de poder
chegar a 50 cm de profundidade, 95% das raízes encontra-se
nos primeiros 20 cm (RONQUE, 1998).
         Logo após o transplante das mudas, inicia-se um
período vegetativo, onde o crescimento é rápido. Períodos de
dias longos e temperaturas elevadas favorecem o crescimento
vegetativo, que é fundamental para o número de gemas florais
e, por conseqüência, para a produção (BRANZANTI, 1989). A

72
Capítulo III


qualidade de formação da muda também é um aspecto
importantíssimo no potencial produtivo do morangueiro. A
partir desta fase inicia-se a produção, que se dá juntamente com
a ocorrência de novas flores, frutos, aumento da área foliar e do
porte da planta.




Figura 3.10 - Canteiro de morangueiro em fase inicial de
              desenvolvimento, cultivado em três linhas no
              canteiro, com plantas espaçadas de 30 cm na linha
              (foto: Carlos Reisser Júnior).

         O cultivo de morangos no Rio Grande do Sul, tem
como características a utilização de túneis baixos, construídos
com filmes plásticos transparentes, cobertura do solo dos
canteiros com filmes plásticos pretos e irrigação por
gotejamento sob a cobertura (REISSER JÚNIOR et al., 2004),
tendo estas características elevada influência sobre o manejo de
água da cultura, conforme descrito a seguir.
         Cobertura do solo ou “mulching”: considera-se
cobertura do solo todo o elemento colocado junto ao solo, que
                                                              73
Morangueiro Irrigado


tenha elevada resistência à transferência de vapor de água ou
totalmente impermeável. Este tipo de cobertura, além de
reduzir ou eliminar a evaporação da água nos canteiros,
também é capaz de modificar totalmente o regime térmico do
solo, conforme sua composição e coloração.
         A variável que melhor se relaciona com o consumo de
água pela planta, logo após o transplante das mudas, é a
evapotranspiração de referência (ETo), com pouca influência
da planta visto que esta se encontra com as folhas pouco
desenvolvidas e sem a cobertura, a qual normalmente é
colocada após o pegamento total das plântulas. A partir da
análise da Figura 3.11 Coelho Filho et al. (2007) mostraram
que no início do ciclo da cultura (até 50 dias após o plantio -
DAP) a evapotranspiração da cultura ETc é totalmente
dependente da ETo e semelhante na magnitude de seus valores.




Figura 3.11 - Variação da Evapotranspiração do morangueiro
              irrigado por gotejamento (ETc got) e por
              microaspersão (ETc mic) (A) e Evapotranspiração
              de referência (ETo) (B), no mesmo período, em
              função de dias após o plantio (DAP), município
              de Nova Porteirinha, MG (COELHO FILHO et
              al., 2007).

        Estes valores semelhantes devem-se ao fato de que o
solo no canteiro se apresentava sem cobertura. Logo após a

74
Capítulo III


colocação de cobertura, os valores de Kc (coeficiente de
cultivo) (que relaciona ETo com ETc) se tornam dependentes
da área foliar da cultura e do método de irrigação (Figura 3.12).

                      KC Got          KC Got = f (AF)          Kc Micro     Kc Micro = f (AF)
              2
         1.8
         1.6
         1.4
         1.2
         Kc




              1
         0.8
         0.6
         0.4
         0.2
              0
                  0   0.02     0.04      0.06     0.08    0.1       0.12   0.14    0.16     0.18
                                                    AF (m2)


Figura 3.12 - Coeficiente de cultivo do morangueiro irrigado
              por gotejamento (Kc Got) e por microaspersão
              (Kc Micro) em função da área foliar (AF),
              município de Nova Porteirinha, MG (COELHO
              FILHO et al., 2007).

          Além dos filmes de polietileno, outros tipos de
cobertura do solo também são importantes no aspecto consumo
de água da cultura. Reisser Júnior et al. (2008) verificaram que
em coberturas de polipropileno de tecido não tecido (TNT) a
ETc é maior do que em coberturas de filme de polietileno preto.
Os mesmos autores verificaram também que filmes de TNT
branco, por não controlarem as plantas invasoras, tornam o
consumo de água do sistema, mais elevado. Outro efeito das
coberturas de solo impermeáveis verificado pelos autores é o
retardo da infiltração de água da chuva ou redução do volume
infiltrado junto à planta, quando comparado a outros sistemas
de produção.
          Cobertura das plantas (túneis e estufas): o uso de
coberturas sobre as plantas dos canteiros é uma prática que está

                                                                                                   75
Morangueiro Irrigado


presente nas lavouras de melhor qualidade, nas regiões onde
ocorrem precipitações pluviométricas abundantes durante o
ciclo de produção (Figura 3.13). A prática reduz a ocorrência
de doenças ligadas à disponibilidade de água livre na folha e
por este motivo reduz o aparecimento de doenças e o número
de aplicações de fungicidas, melhorando a qualidade dos frutos.




Figura 3.13 - Sistema de produção de morangueiro com
              cobertura do solo e túnel baixo de polietileno
              branco (esquerda) e transparente (direita), no
              início do ciclo de produção de frutos.

         Esta prática também produz impactos importantes no
manejo da irrigação e outros aspectos ligados à água. A barreira
exercida pelo plástico, além de reduzir a presença de água livre
sobre a superfície das plantas, também apresenta outros
benefícios como: aumento da temperatura junto ao dossel
vegetativo, redução de danos mecânicos causados pelo vento e
pela chuva e redução da radiação (dependendo da composição
da cobertura), quando esta é excessiva (verão).
         Com relação ao consumo de água, a evaporação e a
evapotranspiração das culturas é reduzida dentro destes

76
Capítulo III


ambientes, visto que em trabalhos comparativos verificou-se
que tanto a evaporação do tanque classe A (FARIAS et al.,
1994), quanto a evapotranspiração das culturas, medida com
lisímetros (REISSER JÚNIOR, 1991), dentro de abrigos são
menores. Sabe-se também que existe uma relação direta entre a
redução da evapotranspiração das culturas em estufas plásticas
e a redução da radiação global incidente sobre a cultura,
provocada pela cobertura (REISSER JÚNIOR, 1991).
         O polietileno de baixa densidade aditivado contra raios
ultravioleta (PEbd anti-uv) apresenta transmissividade em torno
de 80% da radiação solar global. Porém, com o
envelhecimento, aderência de poeira e em conjunto com o
efeito dos elementos estruturais, que lhe dão suporte, sua
transmissividade média é reduzida para 70%. Outros materiais
podem reduzir mais a radiação, como as telas de sombreamento
ou os filmes não tecidos de polipropileno.
         O motivo do aumento de produção em ambientes
cobertos com polietileno, conforme Martinez Garcia (1978) é a
redução do período diário de fechamento dos estômatos que,
como conseqüência, aumenta a produção de matéria seca. Já
para Reisser Júnior et al. (2003), as alterações morfológicas que
ocorrem nas plantas cultivadas em estufas plásticas, típicas de
plantas de sombra, contribuem para que estas mantenham os
mesmos níveis de produção de biomassa em ambientes com
redução de radiação. Outro efeito benéfico que influencia a
produtividade é o aumento da eficiência de uso de radiação
pelas plantas cultivadas nestes ambientes (RADIN, 2002).
         Irrigação: os métodos de irrigação utilizados no
sistema de produção de morangos são: irrigação localizada
(sistema de gotejamento) e aspersão (sistema de aspersão
convencional). Atualmente o sistema de gotejamento é o mais
indicado, principalmente pela presença da cobertura plástica
nos canteiros com túneis e pela redução do molhamento da
folha da planta. Alguns sistemas de produção de morango,

                                                              77
Morangueiro Irrigado


como é o caso da “Produção Integrada”, não aceitam outro
sistema que não seja o de gotejamento.
         -Aspersão: atualmente o sistema de irrigação por
aspersão convencional e outros de alto consumo de energia, se
encontram em desuso. Somente pequenos produtores menos
tecnificados ainda adotam a prática, que somente seria
recomendada para materiais genéticos de morangueiro
resistentes às doenças, porém com baixo potencial produtivo.
Estas lavouras, normalmente, utilizam baixa tecnologia e
alcançam       produtividades     reduzidas,    tornando     o
empreendimento pouco rentável (Figura 3.14).
         Uma vantagem que o sistema apresenta é a
possibilidade de uso para controle de geadas. Em locais onde é
elevada a probabilidade de ocorrência de geadas tardias e é
planejada a produção precoce (no início da safra gaúcha) é
recomendado o uso desta técnica de controle de geadas.




Figura 3.14 - Lavoura de morangueiro irrigada por aspersão
              convencional, cobertura do solo com casca de
              arroz e mudas de baixa qualidade (foto: Carlos
              Reisser Júnior).


78
Capítulo III


         -Gotejamento: o sistema de gotejamento se adequou
perfeitamente ao sistema de produção de morangueiro, visto
que a presença dos tubos gotejadores sob o filme de cobertura
do solo (Figura 3.15) permite que se façam adubações em
cobertura, sob o plástico, com adubos solúveis junto à água de
irrigação (fertirrigação). A evolução deste sistema deve-se,
além de sua eficiência de aplicação, à simplicidade dos seus
componentes e dos acessórios que permitem outras utilizações.
Uma das vantagens é a possibilidade de aplicação de produtos
químicos no solo para controle de pragas.




Figura 3.15 - Lavoura    de   morangueiro    irrigada   por
              gotejamento, com cobertura do solo com filme
              plástico.




                                                           79
Morangueiro Irrigado


3.5.3 Resposta do morangueiro à disponibilidade hídrica

          De acordo com Krüger et al. (1999), o morangueiro é
classificado como uma cultura susceptível e de baixa
resistência ao estresse hídrico. Isto quer dizer que a cultura
reduz muito seu potencial produtivo com pequenas reduções da
umidade do solo. Os mesmos autores demonstraram que a
produção, o tamanho e a qualidade dos frutos estão
relacionados à irrigação.
          O consumo de água das plantas varia dependendo de
fatores como estágio de crescimento, potencial produtivo,
condições climáticas e seus efeitos sobre a área foliar da
cultura. Hoppula e Salo (2007) salientaram que estas variáveis
podem se resumir na medida de umidade ou tensão da água no
solo e proporcionar ao agricultor a informação mais importante
na hora que ele desejar.
          O morangueiro é tão sensível à falta de água que
tentativas de elevar a eficiência do uso da água (relação entre a
produção da planta e o consumo de água), mediante a redução
da água aplicada, não foram eficientes para viabilizar a
produção, visto que a redução da produtividade torna-se
expressiva. Liu et al. (2007) verificaram que a redução do
fornecimento de água para parte do sistema radicular é sentido
pela planta como deficiência hídrica.
          Em trabalhos em andamento na região sul do Brasil,
verificou-se que a cultura responde claramente à
disponibilidade de água ao longo do ciclo cultural. Manejando
a irrigação com tensões mais elevadas (restrição de água) o
morangueiro reduz sua produção (Figura 3.16).
          O mesmo trabalho mostrou que a produção total por
planta também apresenta relação com a tensão da água
manejada. De acordo com a Figura 3.17, a tensão de água no
solo mais adequada para produtividade máxima é próxima a 10
kPa ou 75 mmHg.

80
Capítulo III




                        1800
                        1600
                        1400
                        1200
    Prod acum (g/pl)




                        1000
                                       800
                                                                                               160
                                       600
                                                                                               80
                                       400                                                     120

                                       200
                                               0
                                                    0   25       50   DAIC   75   100   125          150

Figura 3.16 - Produção acumulada de morangos em função de
              dias após o início da produção (DAIC) para
              manejo da cultura com tensiômetros indicando
              tensões de 80, 120 e 160 mmHg. Caxias do Sul,
              2008.

                                               2
                       Produção (Kg/planta)




                                              1,5

                                               1

                                              0,5

                                               0
                                                    0        5          10        15          20
                                                                  Tensão (KPa)


Figura 3.17 - Produtividade do morangueiro (Kg/planta) em
              função da tensão de água no solo, manejada com
              tensiometria. Caxias do Sul-RS, 2008.



                                                                                                       81
Morangueiro Irrigado


         Costa et al. (2007) recomendam que a disponibilidade
de água não seja reduzida em mais do que 35% dos valores
ideais indicados, mesmo em regiões ou períodos de baixa
demanda atmosférica. Também recomendam que em períodos
de alta demanda (ETo > 5mm/dia) esta redução não ultrapasse a
20%. Este tipo de informação indica que o produtor maneje a
irrigação com alta freqüência e com redução do volume. Esta
mesma recomendação é valida também para cultivos em solos
de baixa capacidade de armazenamento.
         Na região produtora de morangos do município de
Turuçu-RS vários produtores já estão testando o uso de
tensiômetros para o manejo da irrigação em suas lavouras. A
Figura 3.18 apresenta a distribuição dos valores diários de
tensão de água no solo, verificados em tensiômetros instalados
a 20 cm de profundidade, em 15 lavouras pertencentes a
produtores de morango de Turuçú, indicando os valores de
tensão de água no solo adotados por cada produtor no manejo
de irrigação.
                          500



                          400



                          300
          Tensão (mmHg)




                          200



                          100



                           0




                                0   1   2   3   4   5   6    7   8   9   10 11 12 13 14 15 16 17

                                                            Produtores


Figura 3.18 - Valores de tensão da água no solo medidos em
              tensiômetros instalados a 20 cm de profundidade
              em lavouras de produtores de morango do
              município de Turuçu-RS. Turuçu, 2007.
82
Capítulo III


         Foi verificado que os produtores que atingiram as
maiores produtividades, manejaram a água com tensões
semelhantes entre os primeiros 30 cm de profundidade do solo
(Figura 3.19). Também foi constatado que, nos períodos de
maior demanda (próximo ao verão), a frequência de irrigação
era de dois dias e o sistema ligado durante uma hora. Neste
período, as tensões foram manejadas de modo a manter a tensão
entre 40 e 70 mmHg (5,3 kPa e 9,2 kPa).
         Na mesma Figura 3.19, observa-se que, na maior parte
do tempo, a lâmina de água armazenada no solo permaneceu
entre 60 e 80 mm, logo após as chuvas, quando cessava a
drenagem de água livre, ou seja, umidade do solo referente à
capacidade de campo.




Figura 3.19 - Leituras dos tensiômetros a 20 e 30 cm (20 e 30)
              de profundidade, utilizados para o manejo de
              irrigação na cultura de morangueiro, chuva,
              tempo de irrigação (irrig) e lâmina armazenada de
              água (LamDisp), até 30 cm de profundidade, no
              ano de 2007. Turuçu-RS, 2007.

       Outras formas de manejo da irrigação da cultura, como
os métodos climatológicos, baseados em balanços da água no
                                                            83
Morangueiro Irrigado


solo, são possíveis porém há uma maior necessidade de dados
do clima e do solo. Com manejos deste tipo, Trout e Gartung
(2004) verificaram que o morangueiro atingiu as maiores
produtividades (0,8 kg/planta) quando se aplicavam lâminas de
água via irrigação iguais a 125% da ETc. No trabalho destes
autores, a cultura foi cultivada sobre plástico preto e sem
cobertura de túneis de cultivo.
         Outros autores, usando um manejo climatológico
semelhante, onde a ETo era calculada a partir dos dados de
evaporação do tanque Classe A, verificaram que as maiores
produtividades foram conseguidas com a aplicação de lâminas
de água iguais a ETo (Kc=1,0) (YUAN et al., 2004). Estes
autores realizaram o trabalho em estufas plásticas, onde a
demanda atmosférica normalmente é menor do que em
ambiente natural. Esta redução permite que se trabalhe com
valores de umidade no solo mais baixos.

3.5.4 Manejo da irrigação localizada

         A resposta às perguntas básicas, “quando?” e
“quanto?” irrigar, é que definem a maneira correta de se aplicar
água no solo para atender as necessidades hídricas da cultura,
de forma a proporcionar a condição ideal de umidade do solo
para o seu desenvolvimento. Porém, não é a maximização da
produtividade o principal desafio do manejo correto, mas sim a
viabilidade econômica da prática.
         As formas de programação da irrigação baseiam-se em
dados climáticos, ou em função da umidade do solo, ou
também em função de indicadores de estresse hídrico.
         a) Dados Climáticos: o manejo por meio dos dados
climáticos é função do balanço hídrico do solo. Os volumes de
água a considerar como “entrada” são os precipitados na área
(chuva e irrigação). Estes volumes devem ser avaliados, pois
devem ser considerados somente aqueles que ficam

84
Capítulo III


efetivamente disponíveis para a cultura. Já dentre os volumes
considerados como “saída” de água, a evapotranspiração de
referência (ETo) deve ser calculada ou estimada utilizando-se
um dos vários métodos de cálculo descritos na literatura. O
método de Penman é um dos que melhor calcula a ETo, porém
apresenta como desvantagem a necessidade de medida de
vários parâmetros meteorológicos. Outra maneira de se estimar
a ETo é por meio da medida de Evaporação do tanque “Classe
A”, que, juntamente com alguns coeficientes, permite estimar a
evapotranspiração da cultura do morangueiro, quando
multiplicado pelo coeficiente de cultura Kc (Figura 3.12).
         Na Tabela 3.1 encontram-se valores de Kc do
morangueiro determinados para as condições do Estado da
Califórnia-EUA.

Tabela 3.1 – Coeficientes de cultivo (Kc) para o morangueiro
em condições de ETo entre 1,5 a 4,7 mm/dia.
DAP       0       15      30         45     60     75     90
Kc       0,15    0,18    0,25       0,35   0,45   0,55   0,62
DAP      105     120     135        150    165    180    195
Kc       0,65    0,68    0,69       0,69   0,69   0,79   0,70
       DAP- Dias após o plantio. Adaptada de Hanson e
Bendixen (1985).

         Os volumes ou lâminas de água a serem aplicados
devem ser administrados considerando o espaçamento da
cultura (dentro do canteiro) e a profundidade do sistema
radicular (em torno de 30 cm). A aplicação de água via
gotejadores forma um bulbo úmido que deve ser considerado na
hora de irrigar (Figura 3.20).




                                                           85
Morangueiro Irrigado




Figura 3.20 - Movimento da água no sentido vertical e
              horizontal, a partir dos pontos de emissão.

         b) Umidade do solo: o manejo da irrigação em função
da umidade do solo baseia-se na informação da tensão com que
a água se encontra retida no solo. A tensão, quando medida
com equipamentos como o tensiômetro, é relacionada com a
umidade do solo (curva de retenção de água no solo) e pode ser
medida em kPa, mmHg e também em bar.
         Alguns problemas inerentes ao sistema, como falta de
representatividade do ponto medido, podem ser reparados com
um número maior de pontos de medição.
         No caso de tensiômetros, recomenda-se a sua
colocação em duas profundidades, uma informa o momento de
iniciar a irrigar (o mais superficial) e o outro o momento de
parar a irrigação (o mais profundo). Para o morangueiro, a
instalação nas profundidades de 20 e 30 cm pode promover um
bom manejo.
         c) Indicadores de estresse hídrico: esta forma de
manejar a irrigação é a mais técnica e também necessita de
maior número de equipamentos e informações da fisiologia da
planta. Mesmo sendo a mais correta, pois indica quando a


86
Capítulo III


planta necessita ou possui água em demasia, é a mais difícil,
sendo indicada para pesquisas científicas.

3.5.5 Fertirrigação

         Como foi comentado anteriormente, o uso de irrigação
por gotejamento permitiu que fosse criada uma forma nova de
aplicar adubos agrícolas. Nos sistemas brasileiros de produção,
a colocação de adubos era feita em forma sólida e normalmente
aplicada na base, pouco antes da implantação da cultura e por
cobertura, quando a cultura estava em desenvolvimento.
         A aplicação de base se recomendava para adubos
menos solúveis e os de cobertura para os mais solúveis e
necessários nos estágios finais da cultura.
         O uso de coberturas plásticas para o controle de
invasoras tornou a adubação de cobertura uma prática quase
impossível de ser feita. Com o aparecimento das fitas
gotejadoras ou tubos gotejadores e os adubos solúveis, esta
prática viabilizou-se criando uma nomenclatura nova para esta
prática que é a fertirrigação.
         Por um lado a técnica promove economia de adubos,
melhora a assimilação dos nutrientes, permite fracionar
aplicações e adequá-las às necessidades das plantas, permite
rapidez na correção das fertilizações e reduz o custo da prática.
Por outro lado, pode reduzir a uniformidade de aplicação de
água devido a entupimentos dos gotejadores, necessita de
maiores conhecimentos técnicos para o manejo e pode salinizar
o solo.
         Basicamente o sistema é composto por um tanque de
adubação, onde se realiza os preparos dos adubos a serem
aplicados, um injetor e um dosador de adubos.
         Cuidados devem ser tomados com esta prática,
principalmente nas dosagens utilizadas e nas necessidades
momentâneas da planta.

                                                              87
Morangueiro Irrigado


         O morangueiro é uma cultura que apresenta alta
sensibilidade à salinidade. Esta sensibilidade é dependente do
material genético, sendo que algumas cultivares apresentam
maior tolerância ao estresse salino. Casierra-Posada e Riaño
(2006) verificaram que níveis elevados de sais no solo,
variando de 2,6 a 12,6 dS/m, determinaram reduções de até
20% na produtividade da cultivar Sweet Charlie. O aumento
nos níveis de salinidade reduziu em até 50% a produtividade da
cultivar Camarosa, a mais susceptível a este problema.

3.6 LITERATURA CITADA
BALBINO, J. M de S.; ATHAYDE, M. O.; TEIXEIRA, C. P.;
COSTA, H. Tecnologias para produção de mudas e cultivo
comercial de morango. In: BALBINO, J. M. de S.
Tecnologias para produção colheita e pós-colheita de
morangueiro. Vitória-ES, Incaper, p. 25-34. 2004. Incaper
Documentos 124.
BRANZANTI, E. C. La fresa. Madrid: Mundi-Prensa, 1989.
386 p.
CASIERRA-POSADA, F.; RIAÑO, N. G. Produción y
calidade de fruta en cultivares de fresa (Fragaria sp.) afectados
por estrés salino. Revista de la Facultad Nacional Agrária de
Medelin, v. 59, n. 2, p. 3527-3542, 2006.
COELHO FILHO, M. A.; COELHO, E. F.; COSTA, E. L.;
OLIVEIRA, V. M. de O.; SILVA, T. S. M.; DINIZ, R. S.;
SILVA, A. J. P. da. Evapotranspiração de morangueiro no
norte de Minas Gerais. In: Congresso Nacional de Irrigação e
Drenagem, 2007, Mossoró. Anais do XVII Congresso Nacional
de Irrigação e Drenagem, 2007.




88
Capítulo III


COSTA, E. L. da; COELHO, E. F.; COELHO FILHO, M. A.
Irrigação do morangueiro. Informe agropecuário. Belo
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HOPPULA, K. I.; SALO, T. J. Tensiometer-based irrigation
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LIU, F.; SAVIC, S.; JENSEN, C. R.; SHAHNAZARI, A.;
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                                                            89
Morangueiro Irrigado


MARTINEZ GARCIA, P. F. Características climaticas de los
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RADIN,       B.  Eficiência   do     uso   da     radiação
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REICHARDT, K. Controle da irrigação do milho. Campinas:
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90
Capítulo III


REISSER JÚNIOR, C.; CARVALHO, J. C.; CASTAÑEDA, L.
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Huelva. Book of Abstracts VI International Strawberry
Symposium ISHS. Huelva: Junta da Andalucia, 2008. v. 1. p.
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RONQUE, E. R. V. A cultura do morangueiro: revisão e
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TROUT, T. J.; GARTING, J. Irrigation water requirements of
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YUAN, B. Z.; SUN, J.; NISHIYAMA, S. Effect of drip
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greenhouse. Biosystems Engineering, v. 87, n. 2, p. 237-245,
2004.




                                                         91
CAPÍTULO 4 - QUALIDADE DA ÁGUA

                                           Carina Costa Estrela
                                     Maria Laura Turino Mattos
                                             Luís Carlos Timm
                                Vitor Emanuel Quevedo Tavares
                                         Leandro Sanzi Aquino
                                      Gabrieli da Cunha Pereira
                                     Manoela Terra de Almeida
                                          Carla Denize Venzke


4.1 A ÁGUA USADA NA AGRICULTURA
         Desde a antiguidade as principais civilizações
originaram-se em regiões áridas e fixaram-se à margem de rios
como o Nilo no Egito, Tigre e Eufrates na Mesopotâmia,
Ganges na Índia e Huang Ho e Iang-tse-Kiang na China. O uso
dos recursos hidráulicos possibilitou o surgimento e a
conservação destes povos demonstrando que a irrigação sempre
foi um fator de riqueza, prosperidade e segurança
(MANTOVANI; BERNARDO; PALARETTI, 2006).
         Considerada no passado como uma opção técnica para
a garantia de produção em locais ou períodos onde predomina a
seca, a irrigação passou a ser utilizada na atualidade, como
estratégia para o aumento da produção e rentabilidade da
propriedade     agrícola   (MANTOVANI;          BERNARDO;
PALARETTI, 2006). A irrigação proporciona ainda uma

92
Capítulo IV


produtividade considerada segura, pois, independentemente da
ocorrência de precipitações, possibilita que normalmente a
produção próxima à máxima esperada seja alcançada,
viabilizando os investimentos de capital necessários à
exploração agrícola (OLITTA, 1984).
         O uso da irrigação na produção de alimentos é a
atividade que mais utiliza água no mundo (MAÑAS; FUSTER;
BELMONTE, 2005; TUNDISI, 2003). A irrigação é a técnica
que complementa a necessidade de água, naturalmente
fornecida pela precipitação, promovendo teor de umidade
adequado ao solo que permite o crescimento normal das
plantas, garantindo a produção agrícola (SETTI et al., 2001).
Portanto, sendo considerada como elemento fomentador do
desenvolvimento socioeconômico (TESTEZLAF; MATSURA;
CARDOSO, 2002).
         A alta demanda hídrica pela irrigação, embora esteja
relacionada ao alto consumo das plantas, muitas vezes, também
se deve a baixa eficiência no uso da água. Devido ao emprego
incorreto dos métodos e/ou das técnicas de manejo da irrigação
no Brasil, as perdas de água chegam ao valor estimado de
37,7% (CHRISTOFIDIS, 1999 apud VANZELA, 2004).
         Quirino et al. (1999) descrevem que não só as águas
superficiais, como também os mananciais subterrâneos tem
sido prejudicados pelo desenvolvimento agropecuário devido às
condições climáticas e ao despreparo dos agricultores quanto à
utilização de um manejo adequado.
         A agricultura brasileira, conforme descrevem
Rodrigues et al. (2004), gera problemas ambientais tais como:
destruição da cobertura vegetal e a consequente destruição dos
solos; utilização de insumos e máquinas em excesso na
tentativa de dirimir os problemas de fertilidade, associados a
problemas de qualidade da produção e comprometimento da
saúde dos trabalhadores e consumidores; e o avanço das áreas


                                                           93
Morangueiro Irrigado


agrícolas sobre as reservas naturais como forma de reposição
dos solos tornados inadequados à agricultura.

4.1.1 A água usada na cultura do morangueiro

         Os estudos que fornecem a sustentação ao uso racional
da água sob diferentes circunstâncias ambientais são de grande
importância segundo Pires et al. (2006), sendo que no Brasil a
irrigação é uma técnica essencial para o cultivo do morango,
devido à sensibilidade da cultura aos déficits hídricos, podendo
exercer forte interferência no crescimento da planta e na
produtividade.
         O nível tecnológico da irrigação empregado nos
diferentes Estados é bastante variado, adaptando-se às
condições de clima e à capacidade de investimento do produtor.
Nos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, em
virtude da ocorrência de registros pluviométricos elevados
durante o ciclo da cultura, mais de 50% dos cultivos ocorrem
sob plástico (túneis baixos, túneis altos e casas de vegetação).
         No Brasil, até a década de 80, a maior parte das
lavouras de morangueiro era irrigada por aspersão que, por
meio dos respingos causados pelo impacto das gotas d'água,
contribui na disseminação de patógenos, tornando
indispensáveis os tratamentos fitossanitários, oferecendo alto
risco à saúde do produtor e do consumidor. Estes fatores,
conforme Santos, Medeiros e Wrege (2003), favoreceram a
adoção da irrigação por gotejamento.
         A irrigação por gotejamento permite que se mantenha
o solo úmido e com boa aeração, devido ao fato de que este
sistema permite aplicar pequenas quantidades de água com alta
frequência de irrigação, mantendo sua umidade sempre
próxima à capacidade de campo na zona radicular. Bernardo,
Soares e Mantovani (2006) destacaram que o sistema de
irrigação localizada permite uma maior eficiência no controle

94
Capítulo IV


fitossanitário, não interfere nas práticas culturais e se adapta a
diferentes tipos de solos e topografia.


4.2 QUALIDADE              DA        ÁGUA      USADA         NA
    IRRIGAÇÃO
         A irrigação é definida por Lima et al. (2004), como o
conjunto de técnicas destinadas a deslocar a água no intuito de
modificar as possibilidades agrícolas de cada região, visando
corrigir a distribuição natural das chuvas. Os mesmos autores
ainda comentam que, enquanto complementação às demais
técnicas agrícolas, a irrigação proporciona ao produtor alcançar
a máxima produção, com o mínimo desperdício de água e
energia quando desenvolvida por meio de um manejo racional,
fornecendo a cultura a quantidade de água necessária e a
aplicação no momento correto.
         Qualquer atividade humana que altere o regime das
águas influencia a qualidade e a disponibilidade da água em
uma bacia hidrográfica, afetando drasticamente a qualidade dos
recursos hídricos superficiais e subterrâneos (SETTI et al.,
2001; COSTA et al., 2005). A irrigação, quando utilizada de
forma incorreta sem a adoção de técnicas especiais para o
aproveitamento racional visando o mínimo desperdício de água,
além de afetar a qualidade do solo pode causar problemas
quantitativos nos corpos hídricos.
         Como forma consuntiva de água, onde parte da água
utilizada não retorna ao seu curso original, a irrigação pode
causar a redução efetiva da disponibilidade do manancial e a
contaminação por meio da água que retorna, além de
modificações no meio ambiente, salinização do solo nas regiões
áridas e semi-áridas e problemas de saúde pública (LIMA et al.,
2007).


                                                               95
Morangueiro Irrigado


          Os impactos negativos, gerados por sistemas de
irrigação inadequadamente projetados e manejados de forma
não apropriada, podem comprometer o desenvolvimento da
irrigação, pois esses impactos afetam geralmente os recursos
naturais (água, solo, flora e fauna) tendo consequências sociais
(qualidade de vida) e econômicas (TESTEZLAF; MATSURA;
CARDOSO, 2002). Ainda segundo os autores, o primeiro
recurso natural que irá sofrer os efeitos do uso da irrigação é o
recurso hídrico, pois a aplicação desuniforme e incorreta
proporciona desperdício de água e de insumos químicos que
venham a ser aplicados via irrigação. Além disto, as aplicações
excessivas de água podem contaminar, por meio da lixiviação,
águas superficiais e subterrâneas, prejudicando e
comprometendo a fauna e a flora da região. O solo é outro
recurso natural que pode sofrer o impacto destas aplicações
excessivas, que podem vir a causar tanto a compactação quanto
a desagregação de partículas. O escoamento superficial pode
causar erosão, transportando sedimentos e nutrientes, retirando
a camada superficial e expondo horizontes mais profundos
inférteis.
          Entretanto, os efeitos adversos acima citados, podem
ser solucionados e algumas ações são recomendadas para
aperfeiçoar o seu uso e minimizar os impactos, tais como: i) os
dimensionamentos dos sistemas de irrigação devem estar
adequados às necessidades da cultura e às condições da
propriedade; ii) o manejo de água deve ser realizado
racionalmente, atendendo as necessidades da cultura e as
limitações do solo da propriedade; iii) a operação dos
equipamentos deve atender as especificações de projeto e as
técnicas de cultivo devem ser apropriadas à lavoura irrigada
(TESTEZLAF; MATSURA; CARDOSO, 2002).
          Os problemas mais comuns estão relacionados com a
salinidade do solo, infiltração de água, toxicidade de íons
específicos e outros problemas tais como excesso de nutrientes,

96
Capítulo IV


oligoelementos ou corrosão de equipamentos (AYERS;
WESTCOT, 1999). Em relação à contaminação dos produtos
agrícolas, os diferentes métodos de irrigação, devido a
características que cada um apresenta, podem levar à
contaminação de toda a planta, da parte aérea ou apenas do
sistema radicular (MATTOS, 2003).

4.2.1 Qualidade da água usada na irrigação localizada

         A irrigação localizada consiste na distribuição de água
por uma rede de tubos que apresentam emissores afixados,
responsáveis por aplicar a água muito próximo da zona
radicular, em pequenas intensidades e alta freqüência,
apresentando um elevado potencial de produtividade e uso
eficiente da água na irrigação (MANTOVANI; BERNARDO;
PALARETTI, 2006).
         O sistema de cultivo e o sistema de irrigação adotados
são determinantes quanto à caracterização da qualidade da
água, especialmente na produção de vegetais consumidos crus,
sem remoção de película, para os quais uma melhor qualidade
de água é exigida a fim de evitar a contaminação dos produtos
agrícolas. Neste sentido, a irrigação localizada por gotejamento
propicia a aplicação de água diretamente ao volume de solo
explorado pelo sistema radicular diminuindo a contaminação de
folhas e frutos (MATTOS, 2003). A irrigação pode ser
complementada pela cobertura do solo, que segundo Ronque
(1998) e Santos e Medeiros (2003), tem como um dos
principais objetivos evitar o contato direto dos frutos com o
solo, proporcionando uma melhor qualidade.
         Vieira et al. (2004) descrevem a uniformidade na
distribuição de água como um dos aspectos mais importantes
no método de irrigação localizada por gotejamento, porém,
obstruções físicas dos emissores podem comprometer esta
uniformidade, causando danos às culturas.

                                                             97
Morangueiro Irrigado


          De acordo com diversos autores (OLITTA, 1984;
NAKAYAMA; BUCKS, 1986 apud VANZELA, 2004;
VIEIRA et al., 2004; ZAMBERLAN, 2007), a obstrução física
de tubulações e emissores é um dos principais problemas
relacionados à qualidade da água usada neste método de
irrigação.
          As origens do entupimento de emissores foram
classificadas quanto à causa como: físicas - entupimento por
partículas minerais e orgânicas; químicas - precipitação de sais;
e biológicas - desenvolvimento de microrganismos
(MANTOVANI; BERNARDO; PALARETTI, 2006).
          As partículas minerais e orgânicas podem e devem ser
evitadas instalando sistemas de filtragem (filtros de areia, ou de
tela, ou de discos ou de ação centrífuga), comumente usados na
irrigação localizada. Os filtros de discos, que são os mais
utilizados pelos produtores de morango do município de
Turuçu-RS, são compostos por um conjunto de pequenos anéis,
com ranhuras, presos sobre um suporte central cilíndrico e
perfurado, filtrando a água ao passar pelos pequenos condutos
formados entre os anéis consecutivos. São mais eficientes que
os filtros de tela e mais fáceis de limpar quando comparados
aos demais (BERNARDO; SOARES; MONTAVANI, 2006).
          A sensibilidade ao entupimento dos diferentes tipos de
gotejadores e a qualidade da água a ser usada na irrigação são
determinantes no dimensionamento do sistema a ser adotado
bem como a viabilidade do uso deste método de irrigação.
Sendo assim diversos trabalhos vêm destacando a importância
de avaliar a qualidade da água principalmente em sistemas de
irrigação por gotejamento: Resende et al. (2001), Ribeiro et al.
(2005), Scatolini e Paterniani (2001) e Testezlaf et al. (2001),
dentre outros.




98
Capítulo IV


4.3 FONTES DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA PARA
    IRRIGAÇÃO
          As principais fontes de captação de água para irrigação
são rios, lagos ou reservatórios onde diversos fatores devem ser
considerados na análise da adaptabilidade da fonte para sua
utilização na irrigação. Dentre estes estão o volume de água
disponível e a qualidade da água (ALBUQUERQUE;
DURÃES, 2008).
          O correto manejo das lavouras e das áreas que
influenciam as fontes de captação de água pode evitar danos à
qualidade da água. Dentre estas práticas, a manutenção da
vegetação ciliar é um exemplo, pois atua como uma barreira
física entre os sistemas terrestres e aquáticos, promovendo a
estabilização das margens, reduzindo as perdas de solo pela
erosão e o assoreamento nos mananciais, reduzindo também, a
possibilidade de contaminação dos cursos d’água por
sedimentos e resíduos agroquímicos, por ser um excelente
consumidor de nutrientes provenientes de agroecossistemas
vizinhos. Sendo assim, a falta da vegetação ciliar pode levar à
redução não só da quantidade e da disponibilidade como
também da qualidade da água dos corpos hídricos (COSTA et
al., 2005).
          A irrigação depende tanto da qualidade quanto da
quantidade de água de um determinado corpo hídrico, que pelos
usos intensivos atuais vêm sofrendo alterações. Por este
motivo, a demanda de água para irrigação, torna-se um assunto
a ser tratado com mais atenção, devido à qualidade da água
exigida para garantir uma produção que atenda as demandas,
impostas pelos exigentes mercados compradores de frutas e
produtos agrícolas in natura (RODRIGUES et al., 2004).
          O conhecimento e a habilidade no manejo da água no
sistema de irrigação, por parte do usuário, além do clima e do
tipo de solo, são determinantes quando se trata de problemas

                                                              99
Morangueiro Irrigado


relativos à qualidade da água de irrigação (AYERS;
WESTCOT, 1999). Desta forma, é importante o
desenvolvimento de estudos mais detalhados sobre a dinâmica
da água e o manejo do solo no entorno das fontes de captação
de água para irrigação, no que se refere a seus parâmetros de
qualidade, que possam vir a interferir na eficiência da irrigação,
por oferecerem riscos ao sistema e à qualidade do produto.

4.4 ESTUDO DE CASO: QUALIDADE DA
    ÁGUA USADA PARA IRRIGAÇÃO DO
    MORANGUEIRO NO MUNICÍPIO DE
    TURUÇU-RS
          No município de Turuçu-RS, as principais atividades
econômicas desenvolvidas são a pecuária leiteira, a produção
de frutíferas de clima temperado, de fumo e de pimenta
vermelha. Dentre as frutíferas, destaca-se o morangueiro que
proporciona aos produtores rurais deste município, boa
rentabilidade constituindo-se em instrumento de geração de
emprego e renda, inclusão social e assim incrementando o
padrão de qualidade de vida destes produtores.
          A irrigação localizada por gotejamento foi um dos
incrementos tecnológicos adotados na produção do
morangueiro em Turuçu-RS, que possibilitou aos produtores
alcançarem produtividades maiores desta cultura. Embora
reconhecida a sua importância e seus benefícios pelos
agricultores, existe uma carência de informações relacionadas à
qualidade da água que vem sendo aplicada à cultura,
justificando desta forma o presente estudo de caso.
          Este estudo envolveu 14 produtores que pertencem à
Associação de Produtores de Morangos de Turuçu – RS e teve
como objetivos: i) caracterizar e avaliar as fontes de captação
de água usada para irrigação das lavouras de morangos;
ii) quantificar os parâmetros de qualidade dessa água, que
100
Capítulo IV


indicam o potencial de ocorrência de danos ao sistema de
irrigação localizada; iii) avaliar e quantificar a variabilidade
espacial e temporal da qualidade dessa água.
         Para o atendimento dos objetivos acima descritos,
foram caracterizadas as fontes de captação de água usada para
irrigação, sob os aspectos de recarga e origem de
abastecimento. Também foram coletadas mensalmente
amostras de água em cada uma das propriedades envolvidas,
durante um período de 14 meses (outubro de 2007 a novembro
de 2008), determinando suas características físicas (sólidos
suspensos, sólidos dissolvidos e turbidez), químicas (pH, ferro
total, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica e dureza), e
microbiológicas (coliformes totais e fecais).
         Estas características foram avaliadas quanto ao
potencial de causar danos ao sistema de irrigação por
gotejamento (Tabela 4.1) e quanto a sua distribuição espacial e
temporal ao longo do período utilizando gráficos em caixa.




                                                            101
Morangueiro Irrigado


Tabela 4.1 – Classificação da qualidade da água de irrigação
quanto ao potencial em causar danos no sistema de irrigação
localizada, quanto ao excesso de sólidos e carga orgânica,
quanto ao risco de salinização do solo e quanto ao risco de
precipitação de sais (VANZELA, 2004).
    Problema                       Limites Estabelecidos                    Referência
                    Classificação       Baixo         Médio         Alto

                      Sólidos
                     Suspensos           < 50        50 – 100      > 100
      Dano a           (mg/L)
                                                                            Nakayama
    sistemas de       Sólidos                                                e Bucks
     irrigação      Dissolvidos         < 500    500 – 2.000      > 2.000
                                                                              (1986)
     localizada        (mg/L)

                         pH             < 7,0        7,0 – 8,0      > 8,0
                     Ferro Total
                                        < 0,2        0,2 – 1,5      > 1,5
                       (mg/L)

    Excesso de      Classificação         Adequado            Inadequado    Resolução
     sólidos e     Turbidez (NTU)            ≤ 40                > 40       CONAMA
       carga          Oxigênio                                              nº 357/05
                                             ≥ 6,0               < 6,0
     orgânica        Dissolvido                                              classe I

                    Classificação       Baixo          Médio         Alto    U.S.D.A.
     Risco de
                   Condutividade                                            Agriculture
    salinização
                      elétrica          < 250        250 - 750      > 750   Handbook
      do solo
                   ( S/cm a 25ºC)                                              nº 60
‘

                    Classificação       Baixo          Médio         Alto      Pitts;
     Risco de
                                                                             Haman;
    precipitação       Dureza
                                        < 150        150 – 300      > 300    Smajstla
      de Sais      (mg CaCO3/L)
                                                                              (1990)



102
Capítulo IV




4.4.1 Caracterização e origem das fontes de captação de
      água para irrigação

          A água para irrigação das lavouras de morangos em
Turuçu é captada em reservatórios artificiais exceto em uma
das 14 propriedades envolvidas, que utiliza como fonte de
captação um corpo de água corrente. Os reservatórios artificiais
utilizados nas propriedades envolvidas não foram construídos a
partir de projetos técnicos, mas sim a partir da experiência e do
conhecimento do produtor, em áreas identificadas com
potencialidade de acumular água.
          Em cada uma das propriedades, os reservatórios
construídos apresentaram características diferentes quanto à
origem e quanto ao tipo de recarga, sendo: seis fontes de
captação com reservatórios originados por nascentes e
abastecidos por água subterrânea; cinco fontes originadas de
banhados e abastecidas por nascentes ou cabeceiras de cursos
d’água; e três fontes de reservatórios construídos a partir de
barramentos, utilizando a declividade natural do terreno sendo
abastecidos pelo escoamento superficial.
          As atividades agrícolas desenvolvidas em cada uma
das propriedades apresentaram particularidades quanto à
ocupação e uso do solo no entorno das fontes de captação.
Foram identificadas: fontes de captação mais isoladas com
difícil acesso pela densidade da vegetação do entorno (Figura
4.1); fontes com presença de animais domésticos em seu
entorno, incluindo estábulos para o abrigo dos mesmos na área
de contribuição do reservatório (Figura 4.2); fontes com
lavouras de fumo em seu entorno (Figura 4.3); e reservatórios
circundados por estrada sem barreira de proteção (Figura 4.4).



                                                             103
Morangueiro Irrigado




Figura 4.1 - Fonte de captação isolada com difícil acesso pela
             densidade da vegetação do entorno, Turuçu, RS.




Figura 4.2 - Fonte de captação de água com estábulo para o
             abrigo de animais, na área de contribuição do
             reservatório, Turuçu, RS.

104
Capítulo IV




Figura 4.3 - Entorno de fonte da captação com lavoura de
             fumo, Turuçu, RS.




Figura 4.4 - Reservatório circundado por estrada, Turuçu, RS.




                                                          105
Morangueiro Irrigado


4.4.2 Potencial de risco de danos ao sistema de irrigação
      do morangueiro

         Dentre os parâmetros físicos utilizados para avaliar o
risco de entupimento dos gotejadores, nos sistemas de irrigação
do morangueiro em Turuçu-RS, a concentração de sólidos em
suspensão apresentou o maior número de amostras classificadas
como baixo potencial de risco. Os maiores valores foram
obtidos nas fontes de captação em que o entorno apresentava
pouca cobertura do solo, com presença de lavouras de fumo.
Também foram encontrados valores elevados na água coletada
em um reservatório circundado por uma estrada.
         A concentração de sólidos dissolvidos apresentou
baixo potencial de risco em quase todas as amostras analisadas,
exceto em uma fonte, que apresentou potencial de risco
moderado em uma amostra coletada no período em que o solo
estava sendo preparado para a implantação da lavoura de fumo
(Figura 4.5). Este fato possibilita relacionar o resultado mais
alto da concentração de sólidos dissolvidos com o manejo do
solo no entorno do reservatório.
         Os valores de turbidez foram menores nas fontes de
captação nas quais o entorno estava protegido pela cobertura
vegetal. Os reservatórios construídos a partir de barramentos,
utilizando a declividade natural do terreno e abastecidos pelo
escoamento superficial, apresentaram maior número de
amostras classificadas como inadequadas, em relação a este
parâmetro.




106
Capítulo IV




               Valores Máximos da concentração de sólidos dissolvidos
                                                  Severo
              2.500,00

              2.000,00
                                                 Moderado
       mg/L




              1.500,00

              1.000,00
                                                  Baixo
               500,00

                 0,00
                         1   2   3   4   5   6    7       8   9   10   11   12   13   14

                                             Propriedades


Figura 4.5 - Valores máximos da concentração de sólidos
             dissolvidos na água de irrigação, em cada uma das
             propriedades, ao longo do período de coleta, e o
             padrão de qualidade da água quanto ao potencial
             de risco de danos no sistema de irrigação.

          Dentre os parâmetros químicos, os valores da
concentração de ferro total, na maioria das amostras de água
analisadas, apresentaram valores que caracterizam moderado
potencial de risco de dano ao sistema, sendo que os valores
máximos obtidos em cada uma das propriedades envolvidas
estiveram muito acima dos limites estabelecidos para a
classificação do potencial de risco como severo (Figura 4.6).
          Já os parâmetros químicos condutividade elétrica e
dureza total apresentaram potencial de risco baixo em todas as
amostras de água analisadas ao longo deste estudo.




                                                                                           107
Morangueiro Irrigado




                         Valores Máximos da concentração de ferro total

             16,00
             14,00
             12,00                               Severo
      mg/L




             10,00
              8,00
              6,00
              4,00                           Moderado
              2,00                            Baixo
              0,00
                     1     2    3   4   5    6      7     8   9   10   11   12   13   14

                                             Propriedades


Figura 4.6 - Valores máximos da concentração de ferro total
             na água de irrigação, em cada uma das
             propriedades, ao longo do período de coleta, e o
             padrão de qualidade da água quanto ao potencial
             de risco a causar danos no sistema de irrigação.

         Nas análises dos parâmetros microbiológicos, a
presença de coliformes totais não foi detectada em quatro
amostras de água. As bactérias do grupo coliformes são
encontradas na água e no solo, sendo assim, dificilmente sua
presença não é detectada em águas superficiais. Já as bactérias
do grupo coliformes fecais são indicadoras de organismos
originários do trato intestinal humano e de outros animais de
sangue quente, sendo assim indicadoras de contaminação por
fezes de animais. Na grande maioria das propriedades
envolvidas foi observada a presença de animais no entorno das
fontes de captação, o que explicaria os percentuais elevados de
amostras com presença de coliformes fecais.




108
Capítulo IV


4.4.3 Variabilidade espacial e temporal da qualidade da
      água de irrigação

         Foram realizadas coletas mensais de água em cada
fonte de captação, sendo feita uma avaliação do comportamento
de cada um dos parâmetros acima descritos, ao longo do
período, em cada uma das propriedades envolvidas.
         Para cada um dos parâmetros analisados, a qualidade
da água usada para irrigação do morangueiro nas propriedades
envolvidas apresentou variabilidade espacial e temporal com
diferentes magnitudes. A concentração de sólidos dissolvidos
apresentou a maior variabilidade dentre os parâmetros físicos e
o oxigênio dissolvido dentre os parâmetros químicos. A
variabilidade destes parâmetros pode ser observada nos gráficos
em caixa apresentados na Figura 4.7 e na Figura 4.8,
respectivamente.

                                            700
      Concentração de Sólidos Dissolvidos




                                            600


                                            500


                                            400
                    (mg/l)




                                            300


                                            200


                                            100


                                              0



                                                  0   1   2   3   4   5     6   7   8   9   10   11   12   13   14   15

                                                                                Meses


Figura 4.7 - Variabilidade espacial e temporal da concentração
             de sólidos em suspensão nas 14 propriedades
             durante os 14 meses de coleta de amostras de
             água utilizada para irrigação.



                                                                                                                          109
Morangueiro Irrigado



                                            14

      Concentração de Oxigênio Dissolvido
                                            12


                                            10


                                             8
                 (mg OD/l )
                          -1




                                             6


                                             4


                                             2


                                             0



                                                 0   1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11   12   13   14   15

                                                                             Meses


Figura 4.8 - Variabilidade espacial e temporal da concentração
             de oxigênio dissolvido nas 14 propriedades
             durante os 14 meses de coleta de amostras de
             água utilizada para irrigação.

        A variabilidade, tanto espacial como temporal, dos
parâmetros químicos de qualidade da água de irrigação
apresentou maior amplitude, quando comparada à variabilidade
dos parâmetros físicos.

4.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
         As fontes de captação de água para irrigação das
lavouras de morangos em Turuçu – RS merecem especial
atenção, principalmente quanto às características de ocupação e
uso do solo no entorno das mesmas.
         Uma das fontes apresentou altas concentrações de
sólidos em suspensão, sólidos dissolvidos e turbidez, com
valores acima dos encontrados nas fontes de captação das
demais propriedades. A particularidade desta fonte é a ausência
de vegetação e a proximidade de uma lavoura de fumo, sistema
de produção que exige o revolvimento do solo, não só para sua
110
Capítulo IV


implementação, mas também pelos tratos culturais, deixando o
solo exposto durante boa parte do ciclo da cultura.
          Os resultados obtidos indicaram que pode haver
correlação entre os parâmetros químicos (pH e condutividade
elétrica) com o tipo de fonte de captação e entre os parâmetros
físicos com o manejo no entorno destas fontes, indicando que
futuros estudos deverão ser desenvolvidos no sentido de avaliar
estas correlações.
          A concentração de ferro total na água usada para
irrigação apresentou o maior potencial de risco de danos no
sistema de irrigação dentre todos os parâmetros analisados,
podendo estar relacionada com as classes de solos da região
abrangida neste estudo, sugerindo a necessidade de
investigações futuras quanto às possíveis causas dos elevados
valores deste parâmetro.

4.6 LITERATURA CITADA
ALBUQUERQUE, P. E. P. de; DURÃES, F. O. M. Uso e
manejo de irrigação. Brasília: Embrapa Informação
Tecnológica, 2008. 527 p.
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agricultura. Tradução: GHEYI, H. R.; MEDEIROS, J. F.;
DAMASCENO, F. A. V. Campina Grande: UFPB, 1999. 153p.
(Estudos FAO: Irrigação e Drenagem, 29. Revisado 1).
BERNARDO, S.; SOARES, A. A.; MANTOVANI, E. C.
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COSTA, P. da et al. A Água e as Florestas Ribeirinhas. Boa
Vista: Embrapa Roraima, 2005. 17p. (Embrapa Roraima.
Documentos, 6).




                                                           111
Morangueiro Irrigado


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RODRIGUES, G. S. et al. Diagnóstico Ambiental das Fontes
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112
Capítulo IV


do Norte de Minas e do Submédio São Francisco.
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VANZELA, L. S. Qualidade de água para a irrigação na
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Marinópolis, SP. 2004. 91p. Dissertação (Mestrado em

                                                           113
Morangueiro Irrigado


Agronomia) – Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira,
Universidade Estadual Paulista, Ilha Solteira, 2004.
VIEIRA, G. H. S. et al. Recuperação de gotejadores obstruídos
devido à utilização de águas ferruginosas. Revista Brasileira
de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 8, n. 1, p. 1-6, 2004.
ZAMBERLAN, J. F. Caracterização de águas de
reservatórios superficiais para uso em microirrigação. 2007.
88p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola) –
Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2007.




114
CAPÍTULO 5 - QUALIDADE FÍSICO-
HÍDRICA DO SOLO E A PRODUÇÃO DE
MORANGO

                                         Adilson Luís Bamberg
                                              Luís Carlos Timm
                                          Eloy Antonio Pauletto
                                    Luiz Fernando Spinelli Pinto
                                    Álvaro Luiz Carvalho Nebel
                                               Wildon Panziera


5.1 QUALIDADE DO SOLO
         Ao longo desses últimos anos, a preocupação voltada
para a produção agrícola vem sendo modificada, com base na
busca da sustentabilidade ambiental, incluindo a preocupação
com os efeitos dos métodos de produção sobre a diversidade da
fauna, da flora e do próprio recurso solo. Isso tem sido mais
evidente em países desenvolvidos e industrializados, onde a
função da agricultura moderna de fornecer alimentos em
quantidades e a preços acessíveis já não é suficiente. As
atenções também estão voltadas à qualidade da água, do ar e do
solo, onde o manejo desses recursos naturais é determinante
para a qualidade e sanidade dos produtos agropecuários e, ao
mesmo tempo, para a conservação do ambiente e para o bem
estar do produtor.


                                                            115
Morangueiro Irrigado


         O solo é considerado como um sistema aberto,
continuamente inter-relacionado com o ambiente devido às
transferências e trocas de matéria e energia com a atmosfera
(BRADY; WEIL, 2002; HILLEL, 2003). Por isso, ele deve ser
capaz de exercer suas funções naturais, funcionando como um
meio para o crescimento das plantas, regulando o fluxo de água
no ambiente, estocando e promovendo a ciclagem de elementos
na biosfera e servindo como um tampão ambiental para a
formação, atenuação e degradação de compostos prejudiciais ao
ambiente (LARSON; PIERCE, 1994; DORAN, 1997;
KARLEN et al., 1997).
         A utilização do solo como ferramenta para o ser
humano, na produção agrícola e pecuária, teve papel decisivo
na evolução da espécie. O homem passou a se alimentar mais e
melhor, possibilitando um maior crescimento intelectual. Mas a
ação antrópica de hoje é muitas vezes desorientada,
desordenada e impactante. A camada superficial do solo
composta pelo horizonte A, é a região de maior atividade
biológica e geralmente enriquecida com matéria orgânica e
nutrientes em relação às camadas inferiores, sendo, por isso,
mais fértil. Entretanto, por situar-se na interface com a
atmosfera é também a mais vulnerável quanto à perda de sua
habilidade em cumprir suas funções no meio ambiente
(HILLEL, 2003).
         Mais do que nunca, a exploração racional dos solos é,
atualmente, a condição necessária para que haja uma produção
agrícola moderna e sustentável. Essa condição envolve a
conscientização do produtor sobre a importância de minimizar
os processos de degradação ambiental, que atingem grandes
proporções em algumas áreas. Os agricultores hoje querem não
só produzir bastante para garantir o sustento financeiro da
família, mas também melhorar as condições de trabalho, o
acesso à saúde, à educação e ao lazer, que influenciam o modo
de viver no campo. Associado a isso, a percepção sobre a

116
Capítulo V


qualidade do ambiente rural passa a ser também motivo de
reflexão e de cuidado. Danos ao ambiente solo, como a erosão,
a desagregação, a desestruturação, o encrostamento superficial,
a compactação, a lixiviação acelerada de bases, a acidificação,
a salinização e outros são, muitas vezes, decorrentes da
utilização de sistemas de cultivo com técnicas que se
contrapõem ao bom uso e conservação dos solos e da água e,
conseqüentemente, à sustentabilidade da agricultura.
          O conhecimento sobre as características específicas e
as diferenças entre os tipos de solos são informações essenciais
que contribuem para o seu uso adequado. Explorar os solos
conforme sua aptidão agrícola, considerando as suas limitações
de uso são ferramentas essenciais que os técnicos do setor
agrícola precisam conhecer para a sua melhor aplicação.
          Neste sentido, avaliar e conhecer a qualidade do solo e
a velocidade das suas mudanças com o tempo são os primeiros
passos para se buscar um manejo mais adequado e sustentável
(DORAN, 1997). Para Costa et al. (2006), entretanto,
determinar ou quantificar a qualidade do solo não é tarefa fácil.
A dificuldade advém do fato de que a qualidade do solo
depende de suas propriedades intrínsecas, de suas interações
com o ecossistema e, ainda, de aspectos socioeconômicos e até
políticos que definem prioridades para o uso do solo.
          Ao se fazer uma análise mais clara e consistente a
respeito do solo e de sua qualidade é fundamental definir
(CAMARGO, 2000): o solo deve ter boa qualidade para que?
Quais funções o solo deve ser capaz de cumprir? O que analisar
do solo para avaliar a sua capacidade de desempenhar e
suportar diferentes funções? A multifuncionalidade é, sem
dúvida, a realidade mais observada na produção agrícola
familiar. Nessa situação, o agricultor depende muito da
fertilidade natural do solo e da manutenção de sua capacidade
produtiva ao longo do tempo para manter o seu sustento.


                                                             117
Morangueiro Irrigado


         A seguir será feita uma abordagem com relação às
características naturais dos solos do município de Turuçu-RS e
suas implicações na produção de morango na região.

5.1.1 Solos do Município de Turuçu-RS

        O Estado do Rio Grande do Sul pode ser separado em
onze regiões fisiográficas. (Figura 5.1).




Figura 5.1 - Regiões Fisiográficas do Rio Grande do Sul
             (Fonte: http://coralx.ufsm.br/ifcrs/fisiografia.htm).

        Dentre elas, a Encosta do Sudeste ocupa uma estreita e
extensa faixa territorial situada entre o Litoral e a Serra do
Sudeste. A parte mais elevada dessa região fisiográfica é

118
Capítulo V


composta, em essência, por sedimentos graníticos e granitóides
erodidos do Escudo Sul-rio-grandense, associada com maciços
de rochas graníticas que, em muitos locais, afloram na
superfície.
          No Estado do Rio Grande do Sul, particularmente na
Mesorregião da Metade Sul, grandes diferenças podem ser
reconhecidas com relação à utilização e à ocupação do
território. Enquanto que na maioria das várzeas e campos da
região predominam médias a grandes propriedades, ocupadas
com orizicultura e pecuária extensiva, algumas regiões da Serra
do Sudeste e da Encosta do Sudeste, estão sustentadas na
agricultura de base familiar, onde o solo é cultivado de forma
mais intensiva e diversificada com hortigranjeiros, grãos e
oleaginosas, frutíferas, pecuária de leite e de corte. Nos últimos
anos, essa realidade vem sendo modificada pela introdução de
florestas plantadas e, principalmente pela utilização mais
intensa com a cultura do fumo. Apesar do aumento da renda,
esse modelo estabelece uma mudança importante na forma de
produção da pequena propriedade de base familiar, com
reflexos na qualidade do solo e da água.
          Inserido nesta realidade está o município de Turuçu,
onde o sistema de produção agrícola familiar é predominante e
que tem como principais atividades a pecuária leiteira, a
produção de frutíferas, de fumo e de pimenta vermelha, cultura
que deu ao município de Turuçu o título de Capital Nacional da
Pimenta Vermelha, por ser o município com maior área
plantada desta cultura em todo o Brasil. Dentre as frutíferas,
destaca-se a produção de morango que vem ocupando uma área
e importância cada vez maior no município.
          A produção e a comercialização de morango “in
natura” têm propiciado aos produtores uma boa rentabilidade,
constituindo-se, portanto, em atividade alternativa para a
diversificação das fontes de renda. As áreas de Turuçu que são
utilizadas para a produção de morango in natura estão situadas

                                                              119
Morangueiro Irrigado


em locais de relevo suave ondulado a ondulado e, em algumas
situações, com relevo forte ondulado associado à presença de
afloramentos rochosos. Nessas condições podem ser
encontrados solos rasos a pouco profundos (Neossolos)
associados aos solos mais profundos (Argissolos) (Figura 5.2).




Figura 5.2 - Mapa de Solos do Município de Turuçu-RS
             (Fonte: Tagliani, 2007).

        A agricultura é a principal atividade econômica de
Turuçu e região. Mas o seu desenvolvimento limita-se pela
aptidão agrícola dos solos, pois a maior parte das terras
120
Capítulo V


agricultáveis situadas na parte alta é mais indicada para a
produção de culturas perenes do que para culturas anuais
(CUNHA; SILVEIRA, 2000; CUNHA et al., 2006). Pelo fato
do relevo ser ondulado e o solo frequentemente raso e pouco
desenvolvido, as terras possuem uma alta susceptibilidade à
erosão hídrica. Além disso, os solos possuem horizonte
superficial com CTC (capacidade de troca de cátions) e
fertilidade natural baixas, em consequência da textura arenosa e
dos baixos teores de matéria orgânica (ELTZ; ROVEDDER,
2005).

5.1.2 Qualidade do solo e a produção de morango

         A adequação do manejo da cultura do morango é uma
das formas para melhorar a qualidade do fruto produzido,
reduzir os custos de produção e também evitar a degradação do
solo e da água. Para tal, é importante seguir algumas
recomendações básicas que favorecem o desenvolvimento da
cultura.
         O morangueiro tem algumas exigências relacionadas
às condições físicas e hídricas do solo: desenvolve-se bem nas
áreas onde o horizonte A tem a textura média; prefere solos
bem drenados, ricos em matéria orgânica e de boa estrutura;
não tolera a falta de água tampouco o seu excesso, por isso, o
emprego da irrigação e o seu correto controle é indispensável.
Como o morangueiro é delicado, principalmente o seu sistema
radicular, a técnica de construção de canteiros a cada novo ciclo
de produção é amplamente utilizada para deixar o solo solto e
remover camadas superficiais compactadas, além de facilitar o
plantio das mudas e crescimento das raízes (DAROLT, 2001).
         No entanto, a falta de ações estratégicas e coletivas de
proteção e conservação do solo contribui para agravar os
processos de degradação do solo e da água que causam sérios
prejuízos. Entre eles, podem ser destacados:

                                                             121
Morangueiro Irrigado


         a) Erosão hídrica e assoreamento: segundo Omuto
(2008), a erosão resulta da ação de chuvas torrenciais de alta
intensidade (mm/h), provocando enxurradas que levam
sedimentos, nutrientes e resíduos de agro-químicos para as
partes mais baixas. A camada superficial e mais rica do
horizonte A do solo é transportada para o leito de riachos,
açudes, lagos e outros. Na região de Turuçu ainda predomina o
sistema de preparo convencional do solo sem o uso de
instrumentos de proteção como a implantação dos canteiros em
nível ou pequeno desnível, a manutenção dos corredores entre
os canteiros cobertos com palha, o uso de terraços e cordões
vegetados nas áreas mais íngremes. Surgem também problemas
de assoreamento e contaminação de rios e lagos, largamente
utilizados para irrigação de hortifrutigranjeiros, além de afetar a
qualidade da água consumida e a saúde da população. O
prejuízo também ocorre para os peixes e outros organismos que
habitam esses locais. No município de Turuçu e região, as
chuvas com maior energia e potencial erosivo ocorrem nos
meses de janeiro, fevereiro e março, sendo fevereiro
considerado como o mês de maior erosividade (LAGO, 2000).
A erosão no campo pode ser visualizada pela presença de
sulcos e ravinas (Figura 5.3).




Figura 5.3 - Erosão em sulcos em Turuçu-RS (esquerda);
             Cobertura morta entre os canteiros para evitar a
             erosão (direita).
122
Capítulo V


          Outra forma de erosão não muito perceptível, mas
muito danosa, é a erosão laminar. Ela acontece quando a água
da chuva carrega uniformemente o solo, sem formar canais
definidos sendo, portanto, mais difícil de ser visualizada.
Tomando como exemplo os Argissolos dessa região, a presença
de um horizonte A arenoso com baixos teores de matéria
orgânica, torna-os muito suscetíveis à erosão hídrica e sujeitos
à rápida decomposição de resíduos culturais, exigindo intensas
práticas de manejo e conservação do solo (STRECK et al.,
2008).
          b) Dispersão e perda da fração argila, óxidos e
materiais orgânicos: os componentes mais finos do solo
precisam estar floculados (agregados) para evitar a sua
lixiviação e a sua desagregação (LAVELLE; SPAIN, 2001).
Quando alguns fertilizantes como o Salitre do Chile (que possui
na sua composição química o íon dispersante Na+) são
aplicados em excesso, podem ocorrer perdas da fração mais
fina do solo (argila) pelo processo de lixiviação, a qual é a mais
importante do ponto de vista físico-químico do solo para a
produção agrícola.
          c) Alterações na estrutura do solo: a produção
agropecuária intensiva, em solos de baixa resistência a
processos de degradação, requer a aplicação de práticas rígidas
e permanentes de conservação do solo. O solo, submetido ao
cultivo, tende a perder sua estrutura original, pelo
fracionamento dos agregados maiores em unidades menores,
com consequente redução da macroporosidade e aumento da
microporosidade e da sua densidade (CARPENEDO;
MIELNICZUK, 1990). A falta de cobertura vegetal no inverno
e de utilização de culturas diversificadas em rotação e sucessão
tem desequilibrado a ciclagem e reposição da matéria orgânica,
particularmente nos Argissolos, Neossolos, e Cambissolos da
região. Segundo Tisdall e Oades (1982) e Golchin et al. (1994),


                                                              123
Morangueiro Irrigado


a contínua perda de matéria orgânica influencia diretamente o
processo de degradação estrutural do solo.
         d) Acidificação do solo: a manutenção do pH em
valores adequados para a produção agrícola é uma condição
importante no manejo do solo, pois afeta a disponibilidade de
nutrientes e, consequentemente, a nutrição das plantas
(JOHNSTON, 2004). Este tipo de degradação é comum nos
solos da região, dado a facilidade de lixiviação dos nutrientes
em face da textura arenosa. Uma alternativa para melhorar a
capacidade de troca de cátions (CTC) desses solos é o
incremento do teor de matéria orgânica, via adubação orgânica.
         e) Redução da Capacidade de Água Disponível: a
degradação da estrutura e a perda da matéria orgânica nestes
solos diminuem a quantidade de água disponível para as
plantas, fazendo com que as culturas fiquem mais susceptíveis
aos períodos de estiagem.
         Por outro lado, a forma como é cultivado o morango
em Turuçu demonstra a capacidade dos produtores em aceitar e
adotar técnicas apuradas para a maximização da produção: o
uso da fertirrigação, da plasticultura e de variedades com alta
sanidade e alto potencial produtivo são alguns exemplos. É
fundamental que os produtores e os técnicos visualizem
também a necessidade de preservar o solo e os mananciais
hídricos, visando a manutenção da quantidade e da qualidade
destes recursos para as gerações futuras.
         A produção de morango, dentro dessa realidade, tem o
desafio de cumprir requisitos que abrangem não só as
necessidades humanas. Ela também requer a adoção de
tecnologias e o controle de variáveis do ambiente (solo-água)
onde a planta se desenvolve, levando em consideração as
características e peculiaridades regionais. A avaliação de
parâmetros físico-hídricos indica a condição atual do solo para
o desenvolvimento das plantas, podendo também ser
relacionada com o estado de conservação do solo.

124
Capítulo V


5.2 ESTUDO DE CASO: INDICADORES DA
    QUALIDADE FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO
         A seguir são apresentados alguns resultados de
pesquisas realizadas em propriedades de produção de morango
no município de Turuçu-RS, ao longo da safra agrícola de
2007. Foram determinados parâmetros que avaliam a relação
solo-água-planta, no intuito de diagnosticar o seu estado atual
no sistema de produção, fazendo-se uma comparação com áreas
no seu estado natural (mata nativa). Também buscou-se
compreender como o sistema de produção de morango é
afetado e/ou como ele interfere no ambiente enquanto se
desenvolve o ciclo produtivo. Espera-se que esses resultados
possam servir de base para ações concretas de recuperação e
conservação dos recursos naturais utilizados no sistema de
produção, bem como para ampliar a capacidade produtiva, a
qualidade do fruto e a melhoria das condições de trabalho e
renda para os agricultores familiares.

5.2.1 Estabilidade de agregados em água: distribuição de
      agregados do solo em classes de tamanho e diâmetro
      médio ponderado (DMP)

         O termo estabilidade é usado para descrever a
habilidade do solo em manter o seu arranjo de sólidos e espaços
porosos, quando submetido a diferentes situações de estresse
(ou perturbações). A estabilidade dos agregados e a sua
distribuição em classes de tamanho são utilizadas como
indicadores da qualidade do solo (KARLEN; STOTT, 1994),
sendo intimamente relacionadas com os processos envolvidos
na degradação do solo (TIPPKÖTTER, 1994). A importância
também está nas relações que estes parâmetros têm com a
erosão, a infiltração e o movimento de água no perfil do solo,
além da penetração das raízes e da aeração do solo.

                                                           125
Morangueiro Irrigado


         A determinação da distribuição de agregados estáveis
em água em diferentes classes de tamanho e do diâmetro médio
ponderado (DMP) é realizada com base no peneiramento úmido
de agregados (KEMPER; ROSENAU, 1986). Os agregados são
distribuídos em peneiras, totalizando seis classes de tamanho:
C1 = 9,52 - 4,76 mm; C2 = 4,76 - 2,00 mm; C3 = 2,00 - 1,00
mm; C4 = 1,00 - 0,25 mm; C5 = 0,25 - 0,105 mm e C6 < 0,105
mm.
         A quantidade de agregados estáveis em água retida em
cada classe foi obtida conforme a expressão (PALMEIRA et
al., 1999):
                     
        MAGR − m 
AGRi =  n    i   i
                       × 100                            (5.1)
        (MAGR − m )
       ∑
        i =1
                i   i 
                      
Onde:
          AGRi = proporção de agregados estáveis em água na
classe i (g.g-1);
          MAGRi = massa de agregados + material inerte na
classe i (g);
          mi = massa de material inerte na classe i (g).
         Na Figura 5.4 são comparadas as quantidades de
agregados estáveis em água (distribuídos em seis diferentes
classes de diâmetro) de 14 áreas de produção de morango, em
quatro diferentes épocas de coleta (1ª, 2ª, 3ª e 4ª) ao longo do
ciclo produtivo do morango, e em 14 áreas tomadas como Área
de Referência - AF (área de campo natural, sem cultivo) onde
foram coletadas amostras de solo somente na primeira coleta.
        Observa-se que a distribuição dos agregados das AF se
concentrou nas classes de maior tamanho (C1 e C2),
apresentando, nessas classes, valores médios significativamente
superiores (aplicando-se o teste de Tukey a 5% de nível de

126
Capítulo V


significância) em relação às demais épocas de coleta. Nas áreas
cultivadas, a maior parte dos agregados se concentrou nas
classes de menores diâmetros, C3, C4 e C6, sobretudo na C4.
                                            6,
Apesar de esses valores demonstrarem a degradação da
estrutura do solo, não significa que simplesmente o fato de se
cultivar morango, da forma que vem sendo feito, por si só, leva
a tal situação. Isso se deve, provavelmente, aos sucessi
                                                     sucessivos
cultivos com alto revolvimento do solo e sem as devidas
práticas conservacionistas, resultando em um decréscimo do
teor de matéria orgânica. Além disso, ocorrem na região dois
agravantes naturais: as áreas que têm sido utilizadas para o
cultivo do morango possuem média a alta declividade e os
                                      a
solos apresentam, em sua maioria, elevados teores da fração
areia, fato este que facilita a rápida decomposição da matéria
orgânica, tornando-os também mais erodíveis.




Figura 5.4 - Agregados estáveis em água, distribuídos em seis
             classes de tamanho, coletados em 14 lavouras de
             produção de morango, em 4 épocas do ciclo da
             cultura (1ª, 2ª, 3ª e 4ª) e áreas de referência (AF)
             somente na primeira coleta. Teste aplicado: Tukey
             a 5% de nível de significância.


                                                             127
Morangueiro Irrigado


        Outra constatação importante é que houve efeito do
tempo na agregação. No início do ciclo produtivo a construção
dos canteiros mediante uso de enxada rotativa fraciona os
macroagregados. Com o tempo, cerca de quatro meses (3ª
coleta) após a construção dos canteiros, o solo apresentou sinais
de reacomodação e a quantidade de macroagregados aumenta
significativamente nas classes C1 e C2, com um correspondente
decréscimo na classe C4.
         A predominância de agregados com diâmetros
inferiores a 2 mm relaciona-se intimamente com a degradação
da estrutura do solo. Esse fato também está ligado com a
pulverização ou fragmentação, tornando o solo mais propenso
ao transporte pela água, lixiviação rápida dos nutrientes
adicionados via adubação, além de favorecer a diminuição da
quantidade de matéria orgânica, mais protegida no interior dos
agregados. O DMP é uma média ponderada do tamanho dos
agregados, que está diretamente relacionada com o grau de
desagregação do solo.
         Para o cálculo do diâmetro médio ponderado (DMP) é
utilizada a expressão (PALMEIRA et al., 1999):
       n                       
       ∑ (DM i × (MAGRi − mi ))
DMP =  i =1 n                                           (5.2)
      
      
      
             ∑ (MAGRi − mi ) 
             i =1
                                
                                
onde:
        DMP = diâmetro médio ponderado (mm);
        DMi = diâmetro médio da classe i (mm).

         O diagrama de caixa dos dados de DMP das 14 áreas
cultivadas com morango (TS, TM e TI), ao longo das quatro
épocas de coletas de solo durante o ciclo do morango no ano de
2007, é apresentado na Figura 5.5.


128
Capítulo V




Figura 5.5 - Diagrama de caixa dos dados de DMP
                                            DMP.

        Os valores médios de DMP encontrados nas áreas
cultivadas (em torno de 1 mm) são considerados baixos quando
comparados com os encontrados em amostras de solos de
outras regiões e quando comparados com os apresentados pelas
áreas de referência (AF) (Figura 5.5). A figura ainda mostra
que houve um aumento considerável do DMP, após seis m   meses
de cultivo (4ª coleta). Isso pode ter sido causado pela
acomodação das partículas do solo, fato esse que aumentou
gradualmente após a construção dos canteiros e,
principalmente, devido aos sucessivos ciclos de umedecimento
e secagem regidos pela prática da irrigação, o que favoreceu a
                             ca
aproximação das partículas e, conseqüentemente a sua
agregação. Também pode ser considerado, em menor escala, o
efeito das raízes do morangueiro que, ao se desenvolverem
causaram a aproximação das partículas.
        Um aumento considerável do DMP dos agregados do
solo está muito relacionado com o aumento da matéria orgânica
no solo e com o número de vezes que este foi revolvido

                                                          129
Morangueiro Irrigado


(WOHLENBERG et al., 2004). Sabe-se que é indispensável
construir os canteiros para o morangueiro; porém, é
recomendável diminuir o número de vezes que o solo é
revolvido e também reaproveitar os canteiros para culturas
posteriores ao máximo possível, visando aproveitar a adubação
residual, a proteção da lona plástica e o sistema de irrigação já
instalado.
        O plantio de espécies forrageiras após a destruição dos
canteiros, durante o período de pousio (descanso) da terra, e a
sua posterior incorporação da palha ao solo também é uma
prática recomendada. Exemplos de espécies tradicionalmente
utilizadas para esse fim são: aveia, azevém, ervilhaca, nabo
forrageiro, entre outras. A aplicação de resíduos de culturas e
adubos orgânicos também são práticas reconhecidamente
efetivas para a recuperação e conservação do solo.

5.2.2 Porosidade do solo

        O espaço poroso do solo é constituído por cavidades de
diferentes tamanhos e formas, dependentes do arranjo das
partículas sólidas, que influencia na aeração, na condução e
retenção de água, na resistência à penetração das raízes das
plantas, bem como na sua ramificação e, conseqüentemente, no
aproveitamento da água e dos nutrientes disponíveis (HILLEL,
2003).
         Costuma-se fazer uma separação dos poros do solo
em: i) macroporos: poros com diâmetro maior que 0,05mm,
responsáveis pela aeração e drenagem do excesso de água no
perfil; e ii) microporos: poros com diâmetro menor que
0,05mm, responsáveis pela retenção e armazenamento da água
e dos nutrientes dissolvidos na solução, podendo estar
disponíveis para as plantas.
         Para os solos, de forma geral, a porosidade total ótima
é próxima de 50% (0,5 cm3 de poros/cm3 de solo) normalmente

130
Capítulo V


dividida na razão de 1/3 de macroporos e 2/3 de microporos.
No entanto, deve-se considerar que solos utilizados por vários
anos com agricultura normalmente se apresentam mais
compactados, com menor porosidade, sendo os macroporos os
mais afetados.
         A natureza do solo também exerce influência na
porosidade: solos de textura argilosa apresentam entre 40 e
60% do seu volume ocupado por poros, principalmente se
tiverem altos conteúdos de matéria orgânica, ao passo que solos
arenosos raramente ultrapassam os 50%.
         Relacionada ao crescimento radicular das plantas, a
porosidade de aeração (PA) corresponde ao volume de poros
ocupado pelo ar. Para o desenvolvimento adequado da maioria
das culturas, é desejável ter, no mínimo, 0,1 cm3 de poros/cm3
de solo (10% do volume total), de modo a proporcionar boas
condições de aeração para as raízes e o desenvolvimento dos
microrganismos aeróbios, importantes para a biociclagem de
nutrientes para as plantas.
         Nas 14 lavouras de morango de Turuçu (Figura 5.6),
observa-se que, logo após a construção dos canteiros o solo
apresentava bons níveis de porosidade total, macro e
microporosidade. Com o término do ciclo produtivo do
morango (4ª coleta), cerca de seis meses após a implantação da
lavoura, ocorreu uma redução da porosidade total e da
macroporosidade, enquanto que a microporosidade aumentou
consideravelmente. Com isso, o solo passou a ter uma maior
capacidade de armazenamento de água, com uma redução da
capacidade de infiltração e de drenagem da água bem como da
aeração para as raízes.




                                                           131
Morangueiro Irrigado




Figura 5.6 - Variação da porosidade total, macro e
             microporosidade do solo ao longo de um ciclo de
             produção de morango no ano de 2007.

5.2.3 Curva de retenção de água no solo

         A curva de retenção de água está relacionada à
quantidade de água retida no solo e a energia com que esta é
retida. Na medida em que se aumenta a energia de sucção
aplicada para extrair água de uma amostra de solo (potencial
matricial), menor quantidade de água (θ, conteúdo de água no
solo expresso em base volumétrica) permanece retida. Essa
relação pode ser expressa graficamente, sendo conhecida como
curva de retenção da água no solo. Essa é fundamental para
saber o quanto e quando irrigar uma cultura, perguntas
freqüentes durante o manejo da irrigação.
         No manejo da irrigação podem ser utilizados
tensiômetros, que permitem medir o potencial matricial com
132
Capítulo V


que a água encontra-se retida no solo e, conseqüentemente,
responder se é o momento de irrigar ou não.
         Para tal determinação, uma amostra de solo é coletada
em anéis de aço inox, mantendo o solo na sua condição natural,
e é submetida a diferentes valores de sucção (ou tensão quando
expressa em módulo) que são aplicados por meio de
equipamentos: pontos de baixas tensões (1 kPa a 10 kPa) são
aplicados via Mesa de Tensão e os pontos de altas tensões (>10
kPa até 1500 kPa), via Câmaras de Pressão de Richards
(RICHARDS, 1949), conforme Reichardt e Timm (2004). A
partir dos pares de pontos, que relacionam a tensão aplicada (ou
Potencial matricial quando expresso negativamente: -Ψm) com
o conteúdo de água volumétrico (θ), elabora-se a curva de
retenção de água no solo. Nesse estudo foram determinados
sete pares experimentais θ – tensão aplicada.
         A partir desses sete pares de pontos, obtém-se
graficamente a curva de retenção de água. Estes dados podem
ser ajustados a uma equação que permite calcular o conteúdo de
água no solo em qualquer tensão, desde a saturação do solo
(condição mais úmida) até tensões mais altas (condição de solo
mais seco). A equação mais amplamente utilizada é a proposta
por van Genuchten (1980), sendo necessária a aplicação de um
programa computacional (software) para a determinação dos
parâmetros dessa equação. O software SWRC, desenvolvido
por Dourado-Neto et al. (1996), faz o ajuste dos dados
experimentais da curva ao modelo de van Genuchten.
         Na Figura 5.7 são apresentadas, como exemplo, as
curvas de retenção de água em amostras de solo coletadas em
uma lavoura de morango em Turuçu, elaboradas em quatro
diferentes épocas de coleta ao longo de um ciclo produtivo no
ano de 2007. A retenção de água no solo é influenciada pelo
tempo, especialmente em baixas tensões e altas tensões.
Comparando a curva da 1ª com a curva da 4ª coleta, a
quantidade de água retida na condição de saturação diminuiu de

                                                            133
Morangueiro Irrigado


0,53 para 0,38 cm3·cm-3, do mesmo modo que na condição de
Ponto de Murcha Permanente (tensão de 1500 kPa), onde a
quantidade de água retida diminuiu de 0,15 para 0,07 cm3·cm-3.


               0,6
                                                                   1ª

                                                                   2ª
               0,5
                                                                   3ª

               0,4                                                 4ª
 θ (cm .cm )
 -3




               0,3
 3




               0,2


               0,1


                0
                     1    10         100         1000     10000         100000

                         Log Tensão aplicada (cm coluna de água)



Figura 5.7 - Curvas de retenção de água em amostras de solo
             coletadas em uma lavoura de morango, em quatro
             diferentes epocas de coleta, ao longo de um ciclo
             de produção de morango, ano de 2007.

5.2.4 Capacidade de Água Disponível (CAD)

        A CAD pode ser definida, de forma simples, como
toda a água que se encontra retida e armazenada no solo de
forma acessível para as plantas. Para uma melhor definição da
CAD é preciso definir também outros dois conceitos: a

134
Capítulo V


Capacidade de Campo (CC) e o Ponto de Murcha Permanente
(PMP). Também de forma simplificada, pode-se definir que a
CC representa o conteúdo de água no solo quando o movimento
de descida de água no perfil do solo, após uma chuva ou
irrigação, é mínimo. O PMP, por sua vez, representa a
quantidade de água remanescente no solo, que está tão
fortemente retida que as raízes das plantas não conseguem mais
absorvê-la. Conhecendo-se a CAD de um determinado tipo de
solo, pode-se estimar a quantidade de água a ser recolocada no
solo em lavouras irrigadas.
         De acordo com dados preliminares do estudo das 14
lavouras de produção de morango de Turuçu, pode-se constatar
que houve um aumento no valor médio da CAD da ordem de
20 a 25%, após seis meses do início do ciclo produtivo em
relação à construção dos canteiros (4ª coleta). Com isso, pode-
se concluir que o solo, no final do ciclo apresentou uma maior
retenção de água, em face da acomodação do solo nos
canteiros, resultado de um aumento da microporosidade.

5.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
         O solo é um recurso natural lentamente renovável,
imprescindível para a sobrevivência humana. A manutenção da
sua qualidade depende da função que se deseja que ele
desempenhe e da forma como é manejado e conservado. A
qualidade físico-hídrica dos solos de Turuçu-RS, quando
direcionada para a produção de morango, pode ser considerada
boa, pois estes solos apresentam características estruturais que
favorecem o desenvolvimento dessa cultura, sobretudo dentro
do sistema adotado atualmente, com a construção de canteiros.
Entretanto, é preciso dirigir atenção para a conservação do solo,
principalmente no intuito de minimizar a erosão e a redução
dos teores de matéria orgânica.


                                                             135
Morangueiro Irrigado


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                                                            139
CAPÍTULO 6 - INDICADORES
QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS DO
SOLO NA PRODUÇÃO DE MORANGO

                                        Gláucia Oliveira Islabão
                                          Leandro Sanzi Aquino
                                 Vitor Emanuel Quevedo Tavares
                                           Ledemar Carlos Vahl
                                        Danilo Dufech Castilhos
                                         Rodrigo Bubolz Prestes


6.1 INDICADORES DE QUALIDADE DO SOLO
         Os indicadores de qualidade do solo formam um
conjunto de dados mínimos que são utilizados para avaliar o
comportamento das principais funções do solo (KARLEN;
DITZLER; ANDREWS, 2003). Segundo Doran e Parkin
(1994), um bom indicador deve integrar processos e atributos
físicos, químicos e/ou biológicos do solo, ser acessível aos
diferentes usuários, ser aplicável em diversas condições de
campo e ser sensível às variações do manejo e do clima.
         Os critérios para a seleção de indicadores relacionam-
se, principalmente, com a sua utilidade em definir os processos
do ecossistema. Stenberg (1999) enfatizou que nenhum
indicador individualmente consegue descrever e quantificar
todos os aspectos da qualidade do solo, existindo uma relação
entre todos os atributos do solo. Na literatura os indicadores

140
Capítulo VI


químicos e microbiológicos têm sido apontados como os
principais indicadores de qualidade do solo, entretanto, neste
texto também será proposta a utilização de alguns elementos
relacionados à fertilidade do solo como indicadores de sua
qualidade.

6.1.1 Indicadores químicos

        Dentre os indicadores químicos do solo destacam-se a
matéria orgânica (MO), a capacidade de troca de cátions
(CTC), a acidez ativa (pH em água) e a acidez potencial (H +
Al), a saturação por alumínio (M%) e a saturação por bases
(V%) que serão descritos nesse capítulo.

            a) Matéria orgânica

         O termo matéria orgânica do solo refere-se a todos os
compostos que contêm carbono orgânico no solo, incluindo os
microrganismos vivos e mortos, resíduos de plantas e animais
parcialmente decompostos, produtos de sua decomposição e
substâncias orgânicas microbiologicamente e/ou quimicamente
alteradas (SILVA; CAMARGO; CERETTA, 2006).
         Conceição et al. (2005) consideraram a matéria
orgânica como um eficiente indicador para discriminar a
qualidade do solo induzida por diferentes sistemas de manejo,
sendo, ainda, fonte primária de nutrientes às plantas,
influenciando na infiltração, na retenção de água e na
susceptibilidade à erosão (GREGORICH et al., 1994). As
diferentes práticas de manejo, de acordo com Karlen et al.
(1994), que podem adicionar ou manter o carbono orgânico no
solo, parecem estar entre as mais importantes para restabelecer,
manter ou melhorar a qualidade do solo.



                                                            141
Morangueiro Irrigado


            b) Acidez ativa e potencial

         Existem dois tipos de acidez no solo: a acidez ativa e a
acidez potencial. A acidez ativa refere-se à concentração dos
íons H+ na solução do solo e sua medida é expressa pelo pH do
solo em água.
         A acidez potencial é constituída pelo somatório de
todas as fontes de H+ que existem nos componentes sólidos do
solo, principalmente, o alumínio trocável e os grupos
funcionais orgânicos e inorgânicos. Ela é, portanto,
proporcional aos teores de alumínio, de argila e de matéria
orgânica existentes no solo e determina a necessidade de
calcário (ERNANI, 2008). Um esquema dos principais
componentes de acidez, em relação às frações ativas da matéria
orgânica, minerais de argila e sesquióxidos de ferro e alumínio
é mostrado na Figura 6.1, para uma consolidação mais efetiva
destes conceitos.




Figura 6.1 - Componentes da acidez do solo, na fase sólida e
             na fase líquida. Fonte: Lopes & Guilherme (2004)
             adaptado de van Raij & Quaggio (1994).


142
Capítulo VI


            c) CTC efetiva e CTC pH 7,0

         Os cátions retidos (adsorvidos) nos colóides do solo
podem ser substituídos por outros cátions, ou seja, em termos
práticos, significa que são trocáveis (LOPES; GUILHERME,
2004). A capacidade de troca de cátions (CTC) expressa a
quantidade de cátions que o solo pode reter na forma de
complexos de esfera-externa (íons trocáveis), representando
indiretamente a quantidade de cargas negativas presentes no
solo (MEURER, 2006). A CTC é de grande importância no que
diz respeito à fertilidade do solo, uma vez que indica a
capacidade total de retenção de cátions, os quais, em geral,
estarão disponíveis às plantas (CHAVES et al., 2004). A Figura
6.2 apresenta uma visão esquemática do potencial de
capacidade de troca de cátions entre dois solos de texturas
diferentes e suas implicações práticas.
         Segundo Ernani (2008), existem basicamente dois
tipos de CTC: a efetiva e a potencial (determinada a pH 7,0). A
CTC efetiva é a quantidade de cargas negativas existentes no
solo em seu pH atual. O princípio de determinação de sua
magnetude se baseia na troca de cátions. Por isso, ela é
quantificada por meio do somatório das quantidades de todos os
cátions trocáveis [cálcio (Ca+2), magnésio (Mg+2), sódio (Na+1),
potássio (K+1) e alumínio (Al+3)] que se encontram
neutralizando essas cargas até esse pH (pH atual do solo). Esses
cátions são extraídos do solo com uma solução salina não
tamponada. Uma vez presentes na solução, os cátions são
quantificados e somados. Já a CTC determinada com solução
tamponada a pH 7,0 quantifica o somatório das cargas
negativas existentes no solo em seu pH atual com as que serão
criadas por meio da dissociação dos grupos funcionais (saída de
H+), desde o valor do pH atual do solo até o pH 7,0.




                                                            143
Morangueiro Irrigado




Figura 6.2 - Visão esquemática do potencial de capacidade de
             troca de cátions (CTC) entre dois solos de
             texturas diferentes e suas implicações práticas.
             Fonte: Lopes & Guilherme (2004) adaptado do
             texto publicado pelo Instituto da Potassa e Fosfato
             (1998).

            d) Saturação por alumínio

         Expressa a fração da CTC efetiva que é “ocupada” por
alumínio trocável, fornecendo um indicativo da probabilidade
de fitotoxidez deste elemento às espécies vegetais (MEURER,
2006). De acordo com Lopes e Guilherme (2004), em termos
práticos, ela reflete a percentagem de cargas negativas do solo,
próximo ao pH natural, que está “ocupada” por Al trocável. Em
geral, quanto mais ácido um solo, maior o teor de Al trocável
em valor absoluto, menores os teores de Ca, Mg e K, menor a
soma de bases e maior a percentagem de saturação por
alumínio.




144
Capítulo VI


            e) Saturação por bases

         Segundo Lopes e Guilherme (2004), este parâmetro
reflete a percentagem dos pontos de troca de cátions do
complexo coloidal do solo que estão ocupados por bases, ou
seja, a percentagem das cargas negativas, passíveis de troca a
pH 7,0, que estão ocupadas por cálcio (Ca+2), magnésio (Mg+2),
sódio (Na+1) e potássio (K+1) em comparação com aquelas
ocupadas por H+Al.

6.1.2 Indicadores microbiológicos

         Dentre os indicadores microbiológicos do solo
destacam-se a biomassa microbiana do solo (BMS), a
respiração basal (RB) e o quociente metabólico (qCO2) que
serão descritos a seguir.

            a) Biomassa microbiana do solo

         A BMS compreende a parte viva da matéria orgânica
do solo, excluídas as raízes e os organismos maiores que 5x103
  m3, contendo em média 2 a 5% do carbono orgânico e 1 a 5%
do nitrogênio total do solo (CERRI; VOLKOFF; EDUARDO,
1985; DE-POLLI; GUERRA, 1999). Atua como agente de
transformação da matéria orgânica, na ciclagem de nutrientes e
no fluxo de energia. O conhecimento da dinâmica da BMS
pode auxiliar os estudos que visam à conservação da matéria
orgânica do solo e ao melhor aproveitamento da matéria
orgânica adicionada.

            b) Respiração basal

       A respiração basal do solo, que é a oxidação biológica
da matéria orgânica ao CO2 pelos microrganismos aeróbios,

                                                          145
Morangueiro Irrigado


ocupa uma posição chave no ciclo do carbono nos ecossistemas
terrestres. A avaliação da respiração basal é a técnica mais
frequente para quantificar a atividade microbiana, sendo
positivamente relacionada com o conteúdo de matéria orgânica
e com a biomassa microbiana (ALEFF; NANNIPIERI, 1995).

            c) Quociente metabólico

         O quociente metabólico (qCO2) é um índice que
combina os resultados de biomassa microbiana com as
determinações das taxas de respiração, representado pela taxa
de respiração por unidade de biomassa microbiana na forma de
carbono microbiano (ANDERSON; DOMSCH, 1993).
         Sistemas agrícolas que promovam menores qCO2
indicam uma microbiota em equilíbrio, com menores perdas de
CO2 pela respiração e maior incorporação de carbono à
biomassa microbiana.

6.1.3 Indicadores relacionados à fertilidade

            a) Nitrogênio

         O nitrogênio (N) é o macronutriente absorvido em
maior quantidade pelas culturas, sendo o solo a sua principal
fonte. A exceção fica por conta das culturas leguminosas como
a soja, que obtêm grande parte do nitrogênio via fixação
simbiótica com bactérias do gênero Rhizóbium (BAYER, 1993;
AMADO; MIELNICZUK; AITA, 2002). A dinâmica do N no
solo é complexa, cujas transformações envolvem reações de
natureza química e biológica, além de tratar-se de um nutriente
muito móvel no solo, o que potencializa as suas perdas por
lixiviação (AITA, 2003).
         A transformação de N orgânico (resíduos vegetais e
MO do solo) em N mineral é denominada de mineralização,

146
Capítulo VI


enquanto a incorporação de formas de N mineral (NH4+ e NO3-)
na biomassa microbiana é denominada imobilização. Os
processos de imobilização e mineralização do N ocorrem
concomitantemente no solo, sendo que a intensidade de cada
um é dependente, principalmente, do tipo de resíduo vegetal em
decomposição (MARY; RECOUS, 1994; JENSEN, 1997;
AITA, 2003).

            b) Fósforo

         Segundo Vale , Guilherme e Guedes (1993), dentre os
macronutrientes, o fósforo é o exigido em menores quantidades
pelas plantas. Todavia, trata-se do nutriente aplicado em
maiores quantidades em adubação no Brasil. A explicação para
este fato relaciona-se com a baixa disponibilidade de fósforo
nos solos do Brasil e, também, com a forte tendência do fósforo
aplicado ao solo reagir com outros componentes, formando
compostos de baixa solubilidade. Portanto, ao contrário da
adubação com os demais nutrientes, com o fósforo existe a
necessidade de acréscimos superiores à exigência nutricional
das plantas, pois é necessário satisfazer também a exigência do
solo, saturando os componentes consumidores do elemento.

            c) Potássio

        O potássio é o segundo macronutriente em teor contido
nas plantas. Depois do fósforo, é o nutriente mais consumido
como fertilizante pela agricultura brasileira. Os teores totais em
solos bem supridos podem superar a 1% de potássio. Grande
parte desse nutriente encontra-se em rochas minerais que
contêm o elemento nas formas cristalinas (van RAIJ, 1991).




                                                              147
Morangueiro Irrigado


6.2 ESTUDO DE CASO: INDICADORES
    QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS DO
    SOLO NA PRODUÇÃO DE MORANGO DO
    MUNICÍPIO DE TURUÇU-RS
         No intuito de exemplificar e estabelecer uma discussão
mais prática desses conceitos é apresentado, neste item, um
estudo de caso avaliando o comportamento da variabilidade
espacial e temporal de atributos químicos e microbiológicos ao
longo do ciclo de produção da cultura do morango no ano de
2007. A área que abrange este estudo compreende a Associação
de Produtores de morango do município de Turuçu–RS,
totalizando quatorze propriedades que estão situadas nas
microrregiões Picada Flor, Centenário e São Domingos.


6.2.1 Indicadores químicos

            a) Matéria orgânica

         O cultivo do morangueiro é altamente exigente,
necessitando um solo com boa estrutura física, rico em matéria
orgânica, bem arejado e com boa capacidade de drenagem
(SANTOS; MEDEIROS, 2003). Na maioria das lavouras
estudadas, os teores médios de matéria orgânica (MO) do solo
encontrados ao longo do tempo são classificados como baixos
(MO ≤ 2,5%) segundo CQFS (2004), com exceção de duas
propriedades que, de acordo com as atividades desenvolvidas
anteriormente pelos produtores, contribuíram para o incremento
da matéria orgânica (Tabela 6.1). Como a matéria orgânica é
fonte fundamental de nutrientes para as plantas,
disponibilizando elementos como nitrogênio (N), fósforo (P) e
enxofre (S), se o solo apresenta pouca matéria orgânica,

148
Capítulo VI


disponibiliza  poucos     nutrientes,            comprometendo          o
desenvolvimento das plantas.
Tabela 6.1 – Teores médios de matéria orgânica do solo
(MO, %) nas lavouras de morango de 14 propriedades, em
quatro coletas.
                                   MO (%)
                                          Coleta
     Propriedades                                                Média
                         1          2          3      4
           1            1,4 a      1,3 a      1,2 a  1,6 a         1,4
           2            1,6 b      1,7 ab     1,6 b  2,1 a         1,8
           4            0,9 a      1,0 a      0,9 a  1,1 a         1,0
           5            1,5 a      1,0 b      1,1 ab 1,4 ab        1,2
           6            1,6 a      1,5 a      1,5 a  1,8 a         1,6
           7            1,2 a      1,2 a      1,1 a  1,4 a         1,2
           8            2,4 a      2,8 a      2,4 a  2,9 a         2,6
           9            1,1 a      1,1 a      1,3 a  1,5 a         1,3
          10            1,4 a      1,5 a      1,4 a  1,5 a         1,4
          11            0,8 a      1,0 a      1,1 a  1,2 a         1,0
          12            2,2 ab     2,1 ab     1,9 b  2,4 a         2,1
          13            2,3 a      2,5 a      2,1 a  2,5 a         2,4
          14            2,0 a      2,2 a      2,0 a  2,4 a         2,1
          15            3,0 a      2,9 a      2,9 a  2,9 a         2,9
        Média           1,7        1,7        1,6    1,9
Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si, ao nível de 5%
de significância, aplicando o teste DMS.

         A manutenção ou recuperação dos teores de matéria
orgânica e da qualidade do solo pode ser alcançada pela
utilização de pastagens ou em casos de sistemas agrícolas
intensos, pela utilização de métodos de preparo sem
revolvimento, ou com a mínima mobilização do solo e por
sistemas de cultura com alta adição de resíduos vegetais. Isso
resulta em menores taxas de perdas e maiores taxas de adição
de matéria orgânica ao sistema solo (BAYER; MIELNICZUK,
2008).

                                                                     149
Morangueiro Irrigado


            b) Acidez ativa e potencial

          Analisando os valores médios de acidez ativa do solo
em cada uma das quatorze lavouras estudadas, nas diferentes
épocas de coleta (Tabela 6.2), verifica-se que estes se
classificaram desde muito baixo (≤ 5,0), até alto (>6,0).
          A necessidade de calagem (aplicação de calcário)
depende do pH atual do solo e do pH considerado adequado
para a cultura. Segundo CQFS (2004), o pH ideal do solo para
o cultivo do morango é 6,0, sendo que em valores de pH mais
elevados, o desenvolvimento da planta é prejudicado.
          Baseado nisto, verifica-se que, nas amostras de solo
coletadas nas lavouras das Propriedades 1, 6, 14 e 15, por
apresentarem valores de pH em água acima de 6,0, não
necessitam de corretivo de acidez. Nas lavouras das demais
propriedades a calagem é necessária. A quantidade de corretivo
a ser aplicada depende da acidez potencial, que é determinada
pelo índice SMP. Conforme indicações da Tabela 6.3, o solo da
lavoura pertencente à Propriedade 8 é o que necessita maior
dosagem de corretivo (3,7 t.ha-1), por apresentar o menor índice
SMP (5,9).
          Nas lavouras das propriedades 4 e 11, as quantidades
calculadas de corretivo a serem aplicadas foram de 0,68 t·ha-1 e
0,51 t·ha-1, respectivamente. Essas quantidades foram
calculadas a partir dos teores de MO e Al, conforme sugerido
pela CQFS (2004), pois em solos com baixo poder tampão de
pH, o método SMP não é eficiente.




150
Capítulo VI


Tabela 6.2 – Teores médios de acidez ativa e acidez potencial
nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas.
       a)                             Acidez ativa
                                     Coleta
 Propriedades                                                      Média
                      1           2          3            4
       1         5,90 a      6,24 a      6,21 a      6,10 a         6,11
       2         5,33 b      5,27 b      5,84 a      5,67 ab        5,52
       4         5,56 a      5,59 a      5,90 a      5,90 a         5,73
       5         4,86 a      4,69 a      4,65 a      4,53 a         4,68
       6         6,21 a      6,11 a      6,51 a      6,09 a         6,22
       7         5,92 a      5,52 a      5,88 a      5,77 a         5,77
       8         4,58 a      4,26 a      4,26 a      4,37 a         4,36
       9         4,84 a      4,67 a      4,43 a      4,53 a         4,62
      10         4,94 a      4,88 a      4,68 a      4,61 a         4,77
      11         5,93 a      5,73 ab     5,82 ab     5,44 b         5,73
      12         5,48 ab     5,08 b      5,57 a      5,43 ab        5,39
      13         5,04 a      5,03 a      5,12 a      5,15 a         5,08
      14         5,96 b      5,75 b      6,47 a      6,13 a         6,07
      15         6,50 a      6,76 a      6,71 a      6,92 a         6,72
     Média          5,50        5,40        5,57        5,47
      b)                             Acidez Potencial
                                     Coleta
 Propriedades                                                      Média
                      1           2          3            4
       1         1,60 a      1,27 a      1,54 a      1,43 a         1,46
       2         1,97 a      2,21 a      1,73 a      1,88 a         1,95
       4         1,31 a      1,35 a      1,16 a      1,23 a         1,26
       5         2,99 a      1,95 b      2,46 ab     2,39 ab        2,45
       6         1,25 a      1,20 a      1,19 a      1,20 a         1,21
       7         1,69 a      2,00 a      1,82 a      1,82 a         1,83
       8         4,40 b      5,34 a      4,94 ab     4,77 ab        4,86
       9         2,52 b      2,79 ab     3,31 a      2,61 ab        2,80
      10         3,71 ab     2,95 b      3,80 a      3,60 ab        3,51
      11         1,26 a      1,37 a      1,48 a      1,70 a         1,45
      12         2,46 a      3,05 a      2,51 ab     2,58 ab        2,65
      13         2,85 a      2,97 a      2,86 a      2,91 a         2,90
      14         2,19 a      2,26 a      1,86 a      1,92 a         2,06
      15         1,43 a      1,41 a      1,48 a      1,35 a         1,42
     Média          2,26        2,29        2,30        2,24
Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível de 5% de
significância aplicando o teste DMS.

                                                                       151
Morangueiro Irrigado


Tabela 6.3 – Quantidade de calcário (t.ha-1) necessária para
elevar o pH em água do solo a 6,0, estimada pelo índice SMP.
   Propriedade     Índice SMP             Quantidade de Calcário
                     (média)                     (t·ha-1)
       2               6,7                         0,5
       5               6,5                         1,1
       7               6,8                         0,3
       8               5,9                         3,7
       9               6,4                         1,4
       10              6,2                         2,2
       12              6,5                         1,1
       13              6,4                         1,4



            c) CTC efetiva CTC pH 7,0

         A CTC está muito relacionada com os teores de
matéria orgânica. A capacidade de troca de cátions reflete o
poder de retenção de cátions que o solo tem, sendo que os
fatores que alteram o poder de retenção de cátions também
alteram a CTC. Por exemplo: se diminuir o teor de matéria
orgânica, também diminuirá a CTC do solo. Solos argilosos,
com argilas de alta atividade, podem reter grandes quantidades
de cátions. Solos arenosos, com baixo teor de matéria orgânica
e, conseqüentemente, baixa CTC, retêm pequenas quantidades
de cátions, ocorrendo com mais frequência sua perda por
lixiviação.
         Na Tabela 6.4 pode-se observar que nas propriedades
onde se tem os maiores teores de matéria orgânica, têm-se
também os maiores valores de CTC, sendo que na microrregião
da Picada Flor estes valores apresentam um patamar mais
elevado do que nas microrregiões Centenário e São Domingos.




152
Capítulo VI

Tabela 6.4 – Teores médios de CTC efetiva e de CTC pH 7,0 no solo
nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas.
a)                              CTC Efetiva (cmolc.dm-3)
                                     Coleta
 Propriedades                                                      Média
                     1           2            3          4
       1         4,54 a      3,63 a      3,77 a     4,46 a          4,10
       2         5,41 a      5,11 a      5,98 a     5,92 a          5,61
       4         5,16 a      4,29 a      4,06 a     5,41 a          4,73
       5         2,44 a      2,49 a      1,82 a     2,34 a          2,27
       6         5,54 a      5,21 a      5,16 a     6,34 a          5,56
       7         4,88 a      4,23 a      4,00 a     4,20 a          4,17
       8         4,33 a      3,82 a      4,45 a     4,98 a          4,40
       9         2,77 a      3,27 a      2,48 a     3,01 a          2,98
      10         3,79 a      2,88 a      3,06 a     2,99 a          3,18
      11         3,19 a      3,29 a      3,84 a     3,45 a          3,28
      12         9,46 a      7,83 ab     6,32 b     8,62 a          8,06
      13         6,81 a      5,68 a      6,32 a     5,09 a          5,90
      14         5,62 a      6,62 a      6,19 a     6,60 a          6,26
      15         9,95 a      9,50 a      9,22 a     10,38 a         9,76
     Média          5,27        4,85        4,76       5,27
b)                              CTC pH 7,0 (cmolc.dm-3)
                                     Coleta
 Propriedades                                                      Média
                     1           2            3          4
       1         5,96 a      4,62 a      5,25 a     5,82 a          5,41
       2         7,18 ab     7,24 ab     5,61 b     7,70 a         6,93
       4         6,32 a      5,56 a      5,19 a     6,53 a          5,90
       5         4,71 a      4,07 a      3,71 a     4,24 a          4,18
       6         6,64 a      6,35 a      6,31 a     7,44 a          6,69
       7         6,41 a      6,12 a      5,75 a     5,90 a          6,04
       8         7,70 a      7,90 a      8,15 a     8,69 a          8,11
       9         4,87 a      4,52 a      5,20 a     5,04 a          4,91
      10         6,36 a      5,23 a      6,28 a     6,12 a          6,00
      11         4,35 a      4,56 a      4,26 a     5,05 a          4,56
      12         11,75 a     10,67 a     8,68 b     11,07 a        10,54
      13         9,33 a      8,37 a      8,72 a     7,86 a          8,57
      14         7,61 a      8,73 a      7,99 b     8,44 a         8,19
      15         11,22 a     10,86 a     10,64 a    11,63 a        11,09
     Média          7,17        6,77        6,55       7,25
Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível de 5% de
significância aplicando o teste DMS.


                                                                       153
Morangueiro Irrigado


6.2.2 Indicadores microbiológicos

              a) Biomassa microbiana

        A biomassa microbiana determinada através dos teores
de carbono microbiano se encontra na Tabela 6.5.

Tabela 6.5 – Teores médios de carbono microbiano (C) no solo
nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas.
                           Cmicrob (mg.kg-1)
                                       Coleta
    Propriedades                                                 Média
                           1          2       3          4
           1           162 a       141 a  63 a      146 a          128
           2           234 ab      170 ab 94 b      321 a          205
           4           114 a       111 a  208 a     127 a          140
           5           302 a       137 a  168 a     296 a          226
           6           253 a       225 a  73 a      172 a          181
           7           216 a       133 a  123 a     205 a          170
           8           358 b       591 a  505 ab    601 a          514
           9           264 ab      215 ab 171 b     401 a          263
          10           313 ab      266 ab 160 b     393 a          283
          11           98 b        184 ab 68 b      337 a          173
          12           505 a       360 a  118 b     296 ab         320
          13           272 a       359 a  267 a     375 a          319
          14           458 a       389 a  55 b      400 a          326
          15           510 a       223 b  219 b     496 a          363
        Média            290         251     164       327
Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível de 5%
de significância aplicando o teste DMS.

         Na maioria das lavouras, o teste de comparação de
médias DMS, ao nível de 5% de significância, indicou
diferenças entre os teores médios de carbono microbiano
determinados ao longo do tempo nas amostras de solo. Este fato
era esperado, visto que o carbono microbiano é um indicador

154
Capítulo VI


muito sensível a interferências causadas no sistema (por
exemplo, variações na temperatura do solo, umidade do solo,
etc.).
         Os valores mais altos de carbono microbiano foram
encontrados nas amostras de solos com os maiores teores de
matéria orgânica, indicando que, apesar do teor de carbono da
biomassa microbiana ser influenciado por outros fatores, ele
representa a fração ativa e biodegradável da matéria orgânica,
refletindo as mudanças que ocorrem nesse atributo do solo.

            b) Respiração basal

         As bactérias e os fungos são os principais responsáveis
pela maior liberação de CO2 via degradação da matéria
orgânica. A medida da respiração do solo é bastante variável e
dependente de vários fatores, dentre eles a temperatura e a
umidade do solo.
         Na Tabela 6.6 são encontrados os valores médios de
respiração basal (RB) determinados nas amostras de solo
coletadas nas quatorze lavouras de morango ao longo do tempo.
Verifica-se que os valores médios de RB variaram de 0,08 µg
CO2.h-1.g-1 de solo (Propriedade 11) a 0,26 µg CO2.h-1.g-1 de
solo (Propriedade 8). Dentre os indicadores microbiológicos
estudados, os valores médios de RB não diferiram entre si ao
longo do tempo, i.e. entre as coletas, somente nas amostras de
solo coletadas na lavoura da Propriedade 11, quando aplicado o
teste DMS ao nível de 5% de significância.




                                                            155
Morangueiro Irrigado


Tabela 6.6 – Teores médios de respiração basal (RB) no solo
nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas.
                        RB (µg CO2 h-1 g-1 solo)
                                     Coleta
   Propriedades                                             Média
                   1         2           3         4
        1          0,29 a    0,09 b      0,11 b    0,17 b   0,17
        2          0,21 a    0,17 ab     0,12 bc   0,06 c   0,14
        4          0,17 a    0,06 b      0,10 ab   0,06 b   0,09
        5          0,24 a    0,03 b      0,11 b    0,06 b   0,11
        6          0,43 a    0,15 b      0,12 bc   0,06 c   0,19
        7          0,18 a    0,13 ab     0,15 a    0,06 b   0,13
        8          0,39 a    0,26 b      0,23 bc   0,17 c   0,26
        9          0,20 a    0,06 b      0,13 ab   0,06 b   0,11
       10          0,17 a    0,08 bc     0,14 ab   0,05 c   0,11
       11          0,12 a    0,06 a      0,09 a    0,07 a   0,08
       12          0,39 a    0,17 b      0,09 b    0,14 b   0,20
       13          0,25 a    0,13 b      0,09 b    0,09 b   0,14
       14          0,28 a    0,11 bc     0,18 b    0,08 c   0,16
       15          0,26 a    0,17 b      0,13 bc   0,08 c   0,15
      Média        0,25      0,12        0,13      0,09
Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível
de 5% de significância aplicando o teste DMS.



6.2.3 Indicadores de fertilidade

              a) Nitrogênio

         Como observado para outros atributos que são
influenciados pela matéria orgânica do solo, os maiores valores
de nitrogênio total do solo foram verificados nas lavouras em
que se encontraram os maiores valores de matéria orgânica
(Tabela 6.7).

156
Capítulo VI


Tabela 6.7 – Teores médios de nitrogênio total (Ntotal) no solo
nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas.

                             Ntotal (g.kg-1)
                                       Coleta
    Propriedades                                               Média
                    1           2           3        4
         1          0,58 a      0,58 a      0,58 a   0,51 a   0,56
         2          0,72 a      0,78 a      0,70 a   0,73 a   0,73
         4          0,37 a      0,45 a      0,31 a   0,41 a   0,39
         5          0,57 a      0,34 a      0,47 a   0,45 a   0,46
         6          0,68 a      0,54 a      0,47 a   0,60 a   0,57
         7          0,49 a      0,56 a      0,54 a   0,48 a   0,52
         8          1,10 a      1,12 a      0,98 a   0,99 a   1,05
         9          0,55 a      0,54 a      0,57 a   0,51 a   0,54
        10          0,64 a      0,73 a      0,64 a   0,53 a   0,63
        11          0,46 a      0,45 a      0,46 a   0,38 a   0,44
        12          0,88 a      0,83 a      0,72 a   0,86 a   0,82
        13          0,99 b      1,04 b      1,35 a   0,87 b   1,06
        14          0,92 a      1,02 a      0,95 a   1,03 a   0,98
        15          1,28 a      1,40 a      1,42 a   1,18 a   1,32
       Média        0,73        0,74        0,73     0,68
Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível
de 5% de significância aplicando o teste DMS.

               b) Fósforo

          A Tabela 6.8 apresenta a distribuição dos teores
médios de fósforo (P) determinados a partir da coleta de
amostras de solo em cada uma das 14 lavouras de morango ao
longo do tempo e do espaço. O teor médio de fósforo foi
classificado como muito alto em todas as amostras coletadas,
de acordo com a classificação encontrada em CQFS (2004).




                                                                     157
Morangueiro Irrigado


Tabela 6.8 – Teores médios de fósforo no solo nas lavouras de
morango de 14 propriedades, em quatro coletas.

                            Fósforo (mg.dm-3)
                                       Coleta
      Propriedades                                          Média
                          1        2          3         4
           1           161 b    161 b    232 a     199 ab    189
           2           140 b    210 a    166 ab    192 ab    177
           4           248 a    209 a    211 a     236 a     226
           5           70 b     131 a    118 ab    88 ab     102
           6           125 a    116 a    131 a     169 a     136
           7           110 a    101 a    138 a     110 a     115
           8           50 ab    49 b     111 a     79 ab      73
           9           106 a    114 a    139 a     117 a     120
          10           127 a    99 a     143 a     146 a     130
          11           78 a     77 a     85 a      101 a      86
          12           155 b    139 b    218 a     178 ab    173
          13           104 a    125 a    88 a      94 a      103
          14           72 a     88 a     133 a     120 a     104
          15           224 a    189 a    185 a     183 a     196
         Média           127      129       150       145
Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível
de 5% de significância aplicando o teste DMS.

                 c) Potássio

         Os teores médios de potássio (K) determinados nas
amostras de solo coletadas em cada uma das quatorze lavouras
de morango envolvidas neste trabalho são apresentados na
Tabela 6.9. Segundo a CQFS (2004), a classificação dos teores
médios de K variou de muito alto (Propriedades 4, 5, 9, 11, 12,
13, 14 e 15) a alto (Propriedades 1, 2, 6, 7, 8 e 10). O teste de
comparação de médias indica que os teores de K não diferiram
significativamente ao longo do tempo nas amostras de solo
coletadas nas Propriedades 1, 5, 6, 7, 8, 10 e 11.


158
Capítulo VI


Tabela 6.9 – Teores médios de potássio no solo nas lavouras de
morango de 14 propriedades, em quatro coletas.

                        Potássio (cmolc.dm-3)
                                    Coleta
   Propriedades                                             Média
                      1          2          3         4
       1           0,36 a 0,27 a        0,23 a    0,26 a    0,26
       2           0,46 a 0,28 ab       0,22 b    0,33 ab   0,33
       4           0,72 a 0,30 b        0,27 b    0,44 b    0,43
       5           0,33 a 0,27 a        0,17 a    0,25 a    0,26
       6           0,30 a 0,27 a        0,24 a    0,39 a    0,30
       7           0,31 a 0,24 a        0,23 a    0,24 a    0,25
       8           0,34 a 0,28 a        0,18 a    0,21 a    0,25
       9           0,46 a 0,29 ab       0,26 ab   0,24 b    0,31
       10          0,34 a 0,26 a        0,21 a    0,24 a    0,26
       11          0,35 a 0,30 a        0,22 a    0,40 a    0,32
       12          1,03 a 0,59 b        0,30 c    0,65 b    0,64
       13          0,62 a 0,32 b        0,27 b    0,30 b    0,38
       14          0,50 a 0,48 a        0,24 b    0,44 a    0,41
       15          1,18 a 0,30 b        0,27 b    0,30 b    0,51
      Média          0,52      0,31        0,24      0,33
Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível
de 5% de significância aplicando o teste DMS.


6.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
         Esse estudo possibilitou identificar que o manejo do
solo utilizado pelos produtores deve ser conduzido em função
de elevar os teores de matéria orgânica. Também, constatou-se
que a aplicação de fertilizantes está acima do necessário, não
seguindo as recomendações fornecidas pela análise de solo.




                                                               159
Morangueiro Irrigado


6.4 LITERATURA CITADA
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Morangueiro Irrigado


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162
Capítulo VI


STENBERG, B. Monitoring soil quality of arable land:
microbiological indicators. Acta Agriculturae Scandinavica,
Section B, Soil and Plant Science, v. 49, p. 1-24, 1999.
VALE, F. R.; GUILHERME, L. R. G.; GUEDES, G. A. A.
Fertilidade do solo – Dinâmica e disponibilidade dos
nutrientes de Plantas. Lavras: ESAL/FAEPE, 1993. 171 p.




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Impressão:
                Graphos Ltda
Rua Gonçalves Chaves, 659 – Lj. 09 – Pelotas, RS.
                    2009
                 Pelotas, RS

Morangueiro irrigado-completo+capa

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    Luís Carlos Timm Vítor Emanuel Quevedo Tavares Carlos Reisser Junior Carina Costa Estrela (Editores) Morangueiro Irrigado Morangueiro Irrigado: aspectos técnicos e ambientais do cultivo Aspectos técnicos e ambientais do cultivo
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    Luís Carlos Timm Vitor Emanuel Quevedo Tavares Carlos Reisser Júnior Carina Costa Estrela Editores Morangueiro Irrigado Aspectos técnicos e ambientais do cultivo Pelotas – RS – Brasil Universidade Federal de Pelotas 2009
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    Obra publicada pelaUniversidade Federal de Pelotas Reitor: Prof. Dr. Antonio Cesar Gonçalves Borges Vice-Reitor: Prof. Manoel Luiz Brenner de Moraes Pró-Reitor de Extensão e Cultura: Prof. Dr. Luiz Ernani Gonçalves Ávila Pró-Reitor de Graduação: Prof. Dra. Eliana Póvoas Brito Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Prof. Dr. Manoel de Souza Maia Pró-Reitor Administrativo: Eng. Francisco Carlos Gomes Luzzardi Pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento: Prof. Ms. Élio Paulo Zonta Pró-Reitor de Recursos Humanos: Admin. Roberta Trierweiler Pró-Reitor de Infra-Estrutura: Mario Renato Cardoso Amaral Pró-Reitoria de Assistência Estudantil: Assistente Social Carmen de Fátima de Mattos do Nascimento CONSELHO EDITORIAL Profa. Dra. Carla Rodrigues Prof. Dr. José Estevan Gaya Prof. Dr. Carlos Eduardo Wayne Nogueira Profa. Dra. Luciane Prado Kantorski Profa. Dra. Cristina Maria Rosa Prof. Dr. Luiz Alberto Brettas Profa. Dra. Flavia Fontana Fernandes Profa. Dra. Maria Tereza Fernandes Pouey Profa. Dra. Francisca Ferreira Michelon Prof. Dr. Volmar Geraldo da Silva Nunes Editora e Gráfica Universitária R Lobo da Costa,447 – Pelotas, RS – CEP 96010-150 Fone/fax:(53)3227 8411 e-mail: editora@ufpel.edu.br Diretor da Editora e Gráfica Universitária: Prof. Dr. Volmar Geraldo da Silva Nunes Gerência Operacional: Bel. Daniela da Silva Pieper Chefe da Seção Gráfica: Carlos Gilberto Costa da Silva Impresso no Brasil Edição: 2009 © Copyright 2009 by – Luís Carlos Timm, Vitor Emanuel Quevedo Tavares, Carlos Reisser Júnior, Carina Costa Estrela ISBN: 978-85-7192-612-7 Tiragem: 150 exemplares Capa, layout e editoração eletrônica: Vitor Emanuel Quevedo Tavares Apoio: Processo CNPq/ CT-Agronegócio nº 554299/2006-2 Dados de catalogação na fonte: (Marlene Cravo Castillo – CRB 10/744) M829 Morangueiro irrigado: aspectos técnicos e ambientais do cultivo / editado [por] Luís Carlos Timm.../et al./. Pelotas : Ed. da Universidade Federal de Pelotas, 2009 163 p. : il. 1. Irrigação. 2. Qualidade da água. 3. Atributos do solo. 4. Sistemas de produção de morango. 5. Fragaria x ananassa Duch. I. Timm, Luís Carlos. II Tavares, Vitor Emanuel Quevedo. III Reisser Júnior, Carlos. IV. Estrela, Carina Costa. V. Título. CDD 634.75
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    Informações sobre osAutores e Co-Autores Luís Carlos Timm - Eng. Agrícola, Prof. Adjunto, Depto de Engenharia Rural, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq – Nível 2, lctimm@ufpel.edu.br. Vítor Emanuel Quevedo Tavares - Eng. Agrícola, Prof. Associado, Depto de Engenharia Rural, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista PET/SESu/MEC, vtavares@ufpel.tche.br. Carlos Reisser Júnior - Eng. Agrícola, Pesquisador, Embrapa Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970, reisser@cpact.embrapa.br. Carina Costa Estrela - Ecóloga, MSc. em Ciências, Pelotas-RS. ccestrela@terra.com.br Denise de Souza Martins – Eng. Agrônoma, Mestranda no PPGSPAF, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista CAPES. André Samuel Strassburger – Eng. Agrônomo, Doutorando no PPGSPAF, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista FAPEG. Roberta Marins Nogueira Peil – Eng. Agrônoma, Profa. Associada, Depto de Fitotecnia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970. José Ernani Schwengber – Eng. Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Clima Temperado, Estação Experimental Cascata, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970.
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    Leonardo Göetzke Furtado– Eng. Agrônomo, Depto de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970. Luís Carlos Philipsen – Técnico Agrícola, EMATER – Escritório Municipal de Turuçu-RS. Luís Eduardo Correa Antunes - Eng. Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970. Noel Gomes da Cunha - Eng. Agrônomo, Pesquisador, Embrapa Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970. Maria Laura Turino Mattos – Eng. Agrônoma, Pesquisadora, Embrapa Clima Temperado, Cx. Postal 403, Pelotas-RS, 96001-970. Leandro Sanzi Aquino – Eng. Agrônomo, Mestrando do PPGA- Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista CAPES. Gabrieli da Cunha Pereira – Tecnóloga em Gestão Ambiental, Pelotas-RS. Manoela Terra de Almeida – Acadêmica do Curso de Química Ambiental, Universidade Católica de Pelotas, Pelotas-RS. Carla Denize Venzke – Tecnóloga em Gestão Ambiental, Pelotas- RS. Adilson Luís Bamberg – Eng. Agrícola, Doutorando do PPGA- Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista CAPES. Eloy Antonio Pauletto – Eng. Agrônomo, Prof. Associado, Depto de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx.
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    Postal 354, Pelotas-RS,96001-970, Bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq – Nível 2. Luiz Fernando Spinelli Pinto – Geólogo, Prof. Associado, Depto de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970. Álvaro Luiz Carvalho Nebel – Eng. Agrícola, Doutorando do PPGA-Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970. Wildon Panziera – Graduando em Agronomia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970. Gláucia Oliveira Islabão – Química, Doutoranda do PPGA-Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970. Ledemar Carlos Vahl – Eng. Agrônomo, Prof. Titular, Depto de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970. Danilo Dufech Castilhos – Eng. Agrônomo, Prof. Associado, Depto de Solos, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970. Rodrigo Bubolz Prestes – Graduando em Agronomia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, UFPel, Cx. Postal 354, Pelotas-RS, 96001-970, Bolsista BIC FAPERGS.
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    Colaboradores • Sérgio LealFernandes (DER/FAEM/UFPel-Pelotas-RS) • Eroni Emilio Konrad (Secretaria da Agricultura-Turuçu-RS) • Lauro Francisco Schneid (EMATER – Escritório Municipal de Turuçu-RS) • Dalgisa Philipsen (EMATER – Escritório Municipal de Turuçu-RS) • Michel David Gerber (CEFET/RS-Pelotas-RS) • Fioravante Jaekel dos Santos (DER/FAEM/UFPel-Pelotas- RS) • Jocelito Saccol de Sá (CEFET/RS-Pelotas-RS) • João Carlos Medeiros Madail (Embrapa Clima Temperado- Pelotas-RS) • João Soares Viegas Filho (DEA/FEA/UFPel-Pelotas-RS) • Marco Moro (EMATER – Escritório Regional de Pelotas- RS) • Gilnei Manke (Eng. Agrônomo-Pelotas-RS) • Clênio Nailto Pillon (Embrapa Clima Temperado-Pelotas- RS) • Marilice Cordeiro Garrastazu (Embrapa Clima Temperado- Pelotas-RS) • Orlando Pereira Ramirez (DEA/FEA/UFPel-Pelotas-RS) • Endrigo Pereira Lima (CEFET/RS-Pelotas-RS) • Gabriel Rodrigues Bruno (CEFET/RS-Pelotas-RS)
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    Agradecimentos Para a concretização do presente trabalho, os autores receberam apoio financeiro bem como a concessão de bolsas de estudo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq. Também agradecem a CAPES e a FAPERGS pela concessão de bolsas de estudo. Os autores agradecem aos produtores de morango que contribuíram para a realização do projeto intitulado “VARIABILIDADE ESPACIAL E TEMPORAL DA QUALIDADE DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO E SEU IMPACTO AMBIENTAL NO SISTEMA FAMILIAR DE PRODUÇÃO DE MORANGO DO PÓLO PRODUTIVO DO MUNICÍPIO DE TURUÇU-RS”, especialmente aos produtores Abel Winter, Arnildo Weinert, Cassio Peter, Dioni Stern, Ermindo Milech, Fábio Zitzke, Gilso Zuge, Ildo Beiersdorf, Paulo Scherdien, Paulo Tuchtenhagen, Pedro Bonow, Silmo Stocker, Teodorico Kabke, Valdenir Hartwig e Valdomiro de Souza, os quais pertencem a Associação dos Produtores de Morango do Município de Turuçu-RS. A todos, NOSSO MUITO OBRIGADO pela colaboração e compreensão ao longo do projeto.
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    SUMÁRIO CONSIDERAÇÕESINICIAIS ............................................ 14 CAPÍTULO 1 - FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO DE MORANGUEIRO ........................................................... 16 1.1 INTRODUÇÃO ................................................................. 16 1.2 CARACTERÍSTICAS DA PLANTA ...................................... 17 1.2.1 Botânica ............................................................... 17 1.2.2 Sistema radicular .................................................. 18 1.2.3 Fisiologia da planta .............................................. 20 1.2.4 Exigência hídrica.................................................. 22 1.3 CULTIVARES .................................................................. 23 1.3.1 Características das cultivares utilizadas em Turuçu-RS ............................................................ 24 1.3.2 Novas cultivares para a Região Sul...................... 25 1.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................ 27 1.5 LITERATURA CITADA ..................................................... 28 CAPÍTULO 2 - SISTEMA DE PRODUÇÃO DO MORANGUEIRO: FATORES QUE INFLUENCIAM O MANEJO DA IRRIGAÇÃO............... 30 2.1 INTRODUÇÃO ................................................................. 30 2.2 UTILIZAÇÃO DE COBERTURA DO SOLO ........................... 31 2.2.1 Materiais de origem vegetal ................................. 32 2.2.2 Materiais sintéticos .............................................. 33 9
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    2.2.3 Influência dacobertura do solo no aporte de água ................................................................. 33 2.3 UTILIZAÇÃO DE TÚNEIS ................................................. 34 2.3.1 Manejo dos túneis ................................................ 34 2.3.2 Influência dos túneis de cultivo sobre a irrigação ............................................................. 36 2.4 ESCOLHA DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO ............................ 36 2.4.1 Aspersão ............................................................... 36 2.4.2 Gotejamento ......................................................... 37 2.4.3 Influência dos sistemas de irrigação na incidência de doenças e pragas ............................ 38 2.5 FERTIRRIGAÇÃO ............................................................ 41 2.5.1 Aspectos nutricionais do morangueiro ................. 42 2.5.2 Tipos e fontes de nutrientes para a fertirrigação .. 44 2.5.3 Utilização de soluções de origem orgânica .......... 45 2.5.4 Estrutura necessária.............................................. 46 2.5.5 Manejo da fertirrigação ........................................ 47 2.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................ 48 2.7 LITERATURA CITADA ..................................................... 48 CAPÍTULO 3 - SOLO E MANEJO DA ÁGUA................ 51 3.1 O SOLO .......................................................................... 51 3.2 ATRIBUTOS FÍSICO-HÍDRICOS DO SOLO .......................... 54 3.2.1 Textura do solo..................................................... 54 3.2.2 Estrutura do solo .................................................. 55 3.3 ÁGUA NO SOLO .............................................................. 59 3.3.1 Umidade do solo .................................................. 59 3.3.2 Retenção de água no solo ..................................... 61 10
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    3.3.3 Capacidade decampo e ponto de murcha permanente ........................................................... 62 3.3.4 Capacidade de água disponível ............................ 62 3.3.5 Armazenamento de água no solo ......................... 63 3.4 DETERMINAÇÃO DA UMIDADE DO SOLO ......................... 65 3.5 MANEJO DA ÁGUA ......................................................... 69 3.5.1 Produção de mudas .............................................. 69 3.5.2 Produção de frutos ............................................... 72 3.5.3 Resposta do morangueiro à disponibilidade hídrica................................................................... 80 3.5.4 Manejo da irrigação localizada ............................ 84 3.5.5 Fertirrigação ......................................................... 87 3.6 LITERATURA CITADA ..................................................... 88 CAPÍTULO 4 - QUALIDADE DA ÁGUA ........................ 92 4.1 A ÁGUA USADA NA AGRICULTURA ................................. 92 4.1.1 A água usada na cultura do morangueiro ............. 94 4.2 QUALIDADE DA ÁGUA USADA NA IRRIGAÇÃO ................ 95 4.2.1 Qualidade da água usada na irrigação localizada ............................................................. 97 4.3 FONTES DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA PARA IRRIGAÇÃO ........ 99 4.4 ESTUDO DE CASO: QUALIDADE DA ÁGUA USADA PARA IRRIGAÇÃO DO MORANGUEIRO NO MUNICÍPIO DE TURUÇU-RS ........................................................... 100 4.4.1 Caracterização e origem das fontes de captação de água para irrigação ......................... 103 4.4.2 Potencial de risco de danos ao sistema de irrigação do morangueiro ................................... 106 11
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    4.4.3 Variabilidade espaciale temporal da qualidade da água de irrigação ........................... 109 4.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................. 110 4.6 LITERATURA CITADA ................................................... 111 CAPÍTULO 5 - QUALIDADE FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO E A PRODUÇÃO DE MORANGO................. 115 5.1 QUALIDADE DO SOLO................................................... 115 5.1.1 Solos do Município de Turuçu-RS..................... 118 5.1.2 Qualidade do solo e a produção de morango ..... 121 5.2 ESTUDO DE CASO: INDICADORES DA QUALIDADE FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO ............................................. 125 5.2.1 Estabilidade de agregados em água: distribuição de agregados do solo em classes de tamanho e diâmetro médio ponderado (DMP) .................... 125 5.2.2 Porosidade do solo ............................................. 130 5.2.3 Curva de retenção de água no solo..................... 132 5.2.4 Capacidade de Água Disponível (CAD) ............ 134 5.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................. 135 5.4 LITERATURA CITADA ................................................... 136 CAPÍTULO 6 - INDICADORES QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS DO SOLO NA PRODUÇÃO DE MORANGO .................................................................. 140 6.1 INDICADORES DE QUALIDADE DO SOLO ........................ 140 6.1.1 Indicadores químicos ......................................... 141 6.1.2 Indicadores microbiológicos .............................. 145 6.1.3 Indicadores relacionados à fertilidade................ 146 12
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    6.2 ESTUDO DECASO: INDICADORES QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS DO SOLO NA PRODUÇÃO DE MORANGO DO MUNICÍPIO DE TURUÇU-RS .................... 148 6.2.1 Indicadores químicos ......................................... 148 6.2.2 Indicadores microbiológicos .............................. 154 6.2.3 Indicadores de fertilidade ................................... 156 6.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................. 159 6.4 LITERATURA CITADA ................................................... 160 13
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    CONSIDERAÇÕES INICIAIS Ao longo dos últimos anos, a técnica de irrigação vem sendo usada em sistemas de produção de morango em propriedades familiares no município de Turuçu-RS. Entretanto, as informações regionais sobre a qualidade da água que vem sendo utilizada na irrigação, a eficiência dos sistemas já implantados bem como os possíveis impactos da água de irrigação sobre os atributos do solo são escassas. Aliado a este fator, a dificuldade de assistência, a falta de informações e a não disponibilização e apropriação de conhecimentos e tecnologias aos produtores, tem conduzido a um manejo de irrigação completamente empírico, causando impactos negativos que estão comprometendo o desenvolvimento da cultura e afetando os recursos naturais, trazendo conseqüências tanto sociais como para a atividade econômica propriamente dita. Em vista disso, informações referentes ao solo, à planta, ao clima e aos sistemas de irrigação podem ser úteis para o manejo de água, além de permitir o uso dos recursos hídricos de modo mais eficiente. As relações entre os componentes do Sistema Solo- Água-Planta-Atmosfera são complexas, o que torna o manejo da irrigação uma tomada de decisão criteriosa. Este manejo compreende o uso combinado de informações, sendo o nível técnico e o grau de interesse do produtor fatores primordiais para o seu sucesso. Ressalta-se que tal manejo deve ser praticado e analisado continuamente, para que com o decorrer dos anos o produtor adquira maior experiência e conhecimento técnico, e se torne mais eficiente quanto ao uso da água. Desta forma, o objetivo do presente texto é apresentar, de modo simples e direto, aos técnicos e produtores, como as 14
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    informações do solo,da planta, do clima e do sistema de irrigação são importantes ao manejo de irrigação. O texto está dividido em seis capítulos. O primeiro trata da fisiologia da cultura do morangueiro; o segundo tem como enfoque os diferentes sistemas de produção de morango; o terceiro traz informações básicas sobre o solo do ponto de vista agronômico e manejo da água de irrigação; o quarto aborda questões ligadas a qualidade da água de irrigação; o quinto e o sexto capítulos abordam aspectos relativos a qualidade do solo do ponto de vista físico-hídrico, químico e microbiológico. Acreditamos que a apresentação de estudos de casos, nos capítulos quarto, quinto e sexto, seja um importante diferencial deste texto em relação aos demais nesta mesma temática. Palavras-chave: irrigação, qualidade da água, atributos do solo, sistemas de produção de morango, Fragaria x ananassa Duch. 15
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    CAPÍTULO 1 -FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO DE MORANGUEIRO Denise de Souza Martins André Samuel Strassburger Roberta Marins Nogueira Peil José Ernani Schwengber Carlos Reisser Júnior Leonardo Göetzke Furtado 1.1 INTRODUÇÃO O morangueiro é cultivado e suas frutas apreciadas nas mais diversas regiões do planeta. A produção mundial é estimada em cerca de 3,1 milhões de toneladas e, a brasileira, em 100 mil toneladas (CARVALHO, 2006). No Rio Grande do Sul, a área plantada é estimada em 600 ha, com produção aproximada de 18 mil toneladas anuais (IBGE, 2005 apud CARVALHO, 2006), sendo a cultura conduzida, predominantemente, em propriedades agrícolas familiares, devido à grande necessidade de mão de obra. No município de Turuçu, o cultivo do morangueiro passou a ganhar maior importância a partir do ano de 2001, pela implantação de tecnologias como túneis baixos, sistema de irrigação por gotejamento, cobertura do solo e fertirrigação, e, sobretudo, pela organização dos agricultores. Hoje a 16
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    Capítulo I Associação deProdutores de Morango de Turuçu - RS conta com 22 agricultores, com predominância de áreas de até 1 ha. As cultivares mais utilizadas em Turuçu são Camarosa e Camino Real. Para alcançar o potencial produtivo destas cultivares, assim como para outras recomendadas para nossa região, é necessário entender a fisiologia da planta, ou seja, como a planta responde aos estímulos ambientais externos durante o seu ciclo. Neste capítulo serão abordados aspectos relativos à botânica e fisiologia da planta, caracterização de algumas cultivares utilizadas e de outras com potencial para utilização na região. 1.2 CARACTERÍSTICAS DA PLANTA 1.2.1 Botânica O morangueiro pertence à família Rosaceae, ao gênero Fragaria e à espécie Fragaria x ananassa Duch. É um híbrido interespecífico resultante do cruzamento das espécies F. chiloensis e F. virginiana. As plantas que compõem o gênero Fragaria são herbáceas, atingem de 15 a 30 cm de altura, podendo ser rasteiras ou mais eretas. Formam pequenas touceiras (hábito de crescimento em roseta) que aumentam de tamanho à medida que a planta envelhece. É uma planta perene cultivada como planta anual, principalmente por questões sanitárias e fisiológicas (RONQUE, 1998). A folha do morangueiro normalmente é constituída por um pecíolo longo e três folíolos. Os folíolos são dentados e apresentam um grande número de estômatos (300 a 400 por mm2 de folha) o que confere ao morangueiro uma maior sensibilidade à falta de água, à baixa umidade relativa do ar e às altas temperaturas (SANHUEZA et al., 2005 apud SILVA et al., 2007). 17
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    Morangueiro Irrigado Os estolões são caules verdadeiros, muito flexíveis, que se desenvolvem em contato com o solo, permitindo que, a partir da roseta foliar existente em seus nós, cresçam raízes que penetram no solo, dando origem a novas plantas independentes (RONQUE, 1998). O estolão é a forma mais utilizada de multiplicação vegetativa do morangueiro (SILVA et al., 2007). As flores do morangueiro estão agrupadas em inflorescências do tipo cimeira, ou seja, depois de aberta a primeira flor, os botões laterais vão se abrindo um a um, acompanhando o desenvolvimento da inflorescência. O número de inflorescências por planta é variável dependendo da cultivar, assim como o número de flores por inflorescência. As inflorescências se formam a partir das gemas existentes nas axilas das folhas. A primeira flor normalmente origina o primeiro fruto, em geral o mais desenvolvido de cada inflorescência (SILVA et al., 2007). Os frutos do tipo aquênio são minúsculos de coloração vermelho amarronzados, duros e superficiais, que normalmente as pessoas confundem achando que é a semente. Na verdade estes aquênios são os frutos verdadeiros. O que chamamos de fruta do morangueiro é, na verdade, o receptáculo floral que engrossa e se torna carnoso e doce, de formato e sabor variável de acordo com a cultivar utilizada (SILVA et al., 2007). As características botânicas da planta são importantes, pois as cultivares de morangueiro são caracterizadas com base nas diferenças morfológicas da folha, da planta ou do fruto (CONTI et al., 2002 apud SILVA et al., 2007). 1.2.2 Sistema radicular O sistema radicular do morangueiro é formado por raízes adventícias e fasciculadas. As raízes adventícias ou primárias são grandes e perenes (não morrem de um ano para o 18
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    Capítulo I outro), comfunção de reserva, contribuindo na absorção de água e nutrientes (PIRES et al., 2000). As raízes fasciculadas ou secundárias são longas e se desenvolvem lateralmente ao rizoma, em camadas sobrepostas, ficando as camadas de raízes mais novas acima das raízes mais velhas. Estas raízes têm a vida mais curta (NATIVIDADE, 1940 apud INFORZATTO; CAMARGO, 1973). As raízes do morangueiro se renovam continuamente durante o ciclo da cultura, e devido a essa forma de renovação das raízes, o sistema radicular do morangueiro é pouco profundo (GALLETA; BRINGHURTS, 1990 apud PIRES et al., 2000). A distribuição do sistema radicular no solo depende de muitos fatores, como a compactação do solo, a umidade, a aeração e a fertilidade do mesmo. Para fins de irrigação, a profundidade efetiva das raízes (que representa a camada desde a superfície do solo até onde se encontra a maior parte das raízes absorventes) é um dos parâmetros básicos para projetos de manejo de água para a cultura (PIRES et al., 2000). A quase totalidade das raízes do morangueiro encontra-se até 60cm de profundidade. Todavia, a maior parte do sistema radicular se concentra nos primeiros 30cm do solo, profundidade recomendada para fins de irrigação (RONQUE, 1998; PIRES, et al., 2000). As raízes servem de órgão de reserva de fotoassimilados da planta, para que ocorra a brotação do próximo ano. A vida saudável do morangueiro, no que diz respeito às suas raízes, depende da contínua produção de novas raízes principais do caule e da possibilidade dessas raízes produzirem novos tecidos, assegurando a existência duradoura da planta (INFORZATTO; CAMARGO, 1973). Como o sistema radicular do morangueiro é bastante superficial, a área de cultivo deve ser mantida sempre limpa e 19
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    Morangueiro Irrigado protegida porcobertura morta, mantendo úmida a camada superficial do solo, evitando que as plantas espontâneas concorram por nutrientes e água com o morangueiro. 1.2.3 Fisiologia da planta Para a melhor exploração da cultura do morangueiro é de fundamental importância o conhecimento sobre os aspectos fisiológicos da planta. Segundo Duarte Filho et al. (1999), durante a série de transformações que a planta passa em seu ciclo, existem diferenças marcantes entre as fases de desenvolvimento vegetativo - formação de biomassa como folhas, caules e estolões, e desenvolvimento reprodutivo - formação de componentes da flor como pétalas, estames e pistilo. A fase vegetativa é verificada logo após o transplante das mudas, que no município de Turuçu geralmente ocorre no mês de abril (ESTRELA, 2008). A diferenciação do meristema vegetativo para floral, que resultará no florescimento, é muito dependente de um conjunto de fatores, sendo o fotoperíodo (duração do dia), a temperatura e a interação entre estes os de maior relevância (SILVA et al., 2007; RONQUE, 1998). Em função da resposta da planta ao fotoperíodo, as cultivares se classificam em cultivares de dias curtos, cultivares de dias neutros (ou indiferentes ao fotoperíodo) e cultivares de dias longos. Atualmente, as cultivares de dias longos não são utilizadas no Brasil (WREGE et al., 2007). As cultivares de dias curtos são aquelas que florescem quando há redução do comprimento do dia (menor que 14 horas de luz) e da temperatura (menor que 15°C) (SILVA et al., 2007). Nesse grupo, encontram-se a maioria das cultivares utilizadas no Brasil, como Camarosa e Camino Real, 20
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    Capítulo I amplamente utilizadasno município de Turuçu (ESTRELA, 2008). As cultivares de dias neutros são aquelas que apresentam uma menor sensibilidade ao fotoperíodo em comparação às de dias curtos, prolongando o florescimento até que as baixas temperaturas paralisem suas atividades (SILVA et al., 2007). As cultivares Diamante, Aromas e Albion são cultivares de dias neutros que já estão sendo introduzidas nos municípios da região Sul do Rio Grande do Sul. Para que o florescimento seja abundante é preciso que a planta tenha suprido as horas de frio necessárias para a indução floral no período anterior ao transplante (período em que está no viveiro), que varia de acordo com a cultivar. Esse requerimento de horas de frio, geralmente abaixo de 7°C, é necessário para uma normal formação de folhas e flores na planta (SILVA et al., 2007). Segundo Ronque (1998) é interessante que os viveiros de mudas estejam localizados em regiões de latitude e/ou altitudes elevadas, a fim de que o número de horas acumuladas de frio (380 a 700 horas, dependendo da cultivar) seja suprida. Devido a este aspecto fisiológico e também pelo aspecto sanitário, a grande maioria das mudas utilizadas no Rio Grande do Sul é importada do Chile e Argentina, pois os viveiros destes países possuem as condições climáticas mais favoráveis. Wrege et al. (2007) realizaram um zoneamento agroclimático para produção de mudas no Rio Grande do Sul e verificaram que, na Região Sul do Estado, as horas de frio estão abaixo das exigência da cultura. Assim, a produtividade das mudas produzidas nessa região pode ser inferior àquelas produzidas em locais mais recomendados para a produção de mudas, conforme demonstra Oliveira e Scivittaro (2006). Dependendo do estímulo de luz (fotoperíodo) e temperatura que a planta recebe após o transplante nos 21
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    Morangueiro Irrigado canteiros, elapode vir a ter uma florada precoce, sem que a parte vegetativa esteja bem desenvolvida. Nestes casos, aconselha-se que estes primeiros cachos florais sejam removidos da planta, ainda quando pequenos, para que haja um incremento no crescimento vegetativo da planta e, assim, ela suporte o crescimento das frutas que virão posteriormente. Em plantas que são mantidas com cultivo de 18 meses, além do incremento no crescimento vegetativo que ocorre no primeiro ano quando se adota esta prática, existe um incremento na produtividade das plantas no segundo ano (DAUGAARD, 1999). Em cultivares de dias curtos, como a Camarosa e a Camino Real, o aumento do fotoperíodo e da temperatura estimulam a planta a emitir estolões, em detrimento da emissão de inflorescências. As cultivares de dias neutros ou indiferentes, como Aromas e Albion, são menos influenciadas por esses dois fatores, e, portanto, apresentam uma menor emissão de estolões e uma continuidade na emissão de inflorescências. Se a intenção é a produção de frutas, se aconselha retirar os estolões das plantas, pois eles são fortes drenos, favorecendo o desenvolvimento das inflorescências e das frutas. 1.2.4 Exigência hídrica O morangueiro é extremamente sensível ao déficit hídrico do solo. A irrigação é, portanto, uma prática cultural indispensável para que a lavoura atinja níveis satisfatórios de produtividade e qualidade das frutas (SANTOS et al., 2005). Pela característica do sistema radicular pouco profundo, a cultura do morangueiro exige um bom manejo da irrigação, evitando-se deficiências, assim como excessos, reduzindo a incidências de doenças. 22
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    Capítulo I As necessidades hídricas do morangueiro estão relacionadas ao clima, às condições de umidade do solo e à fase de desenvolvimento da planta, necessitando de 900 a 1100 mm de chuvas bem distribuídas durante o ciclo de cultivo (CARVALHO, 2006). A fase de maior exigência hídrica do morangueiro é a de frutificação. Nessa fase, a planta necessita mais água para formar os frutos, que possuem baixos teores de matéria seca, e, também, por ser a fase que coincide com a primavera-verão, quando a transpiração da cultura aumenta devido ao calor. Segundo Severo et al. (2006), 86% da água consumida durante o ciclo do morangueiro é durante a fase de frutificação. Como essa fase é longa, atenção especial deve ser dada para o manejo da água neste período, para que não ocorram excessos e nem déficits. 1.3 CULTIVARES As principais cultivares de morangueiro utilizadas no Brasil provêm dos programas de melhoramento dos Estados Unidos, destacando-se: Aromas, Camarosa, Camino Real, Diamante, Dover, Oso Grande, Sweet Charlie e Ventana; da Espanha: Milsei-Tudla; do programa de melhoramento genético da Embrapa Clima Temperado: Bürkley, Santa Clara e Vila Nova; e do Instituto Agronômico – IAC: cultivar Campinas (OLIVEIRA et al., 2005 apud OLIVEIRA; SCIVITTARO, 2006). No Rio Grande do Sul, as cultivares Aromas e Camarosa são, respectivamente, as cultivares de dias neutros e de dias curtos mais utilizadas, sendo ambas indicadas para consumo in natura e industrialização (OLIVEIRA; SCIVITTARO, 2006). 23
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    Morangueiro Irrigado 1.3.1 Característicasdas cultivares utilizadas em Turuçu- RS Segundo ESTRELA (2008) as cultivares de morangueiro mais utilizadas no município de Turuçu são Camarosa e Camino Real, ambas de dias curtos. A cultivar Camarosa (Figura 1.1) foi obtida na Universidade da Califórnia, em 1993, apresentando plantas vigorosas, com folhas grandes de coloração verde-escura, ciclo precoce, com alta capacidade de produção, frutas grandes, uniformes, de coloração vermelho-escura, polpa firme e sabor sub-ácido, sendo indicada tanto para consumo in natura quanto para industrialização (SANTOS, 2003). Figura 1.1 - Cultivar Camarosa (foto: Denise de Souza Martins). A cultivar Camino Real (Figura 1.2) é nova no mercado brasileiro. Foi desenvolvida na Universidade da Califórnia em 2001 e introduzida no Brasil a partir de 2006 (OLIVEIRA et al., 2007). Mostra-se tão produtiva quanto a Camarosa e a Aromas, com até 1 Kg de frutas comerciais por planta, sendo a colheita concentrada no período de agosto a dezembro (OLIVEIRA et al., 2007). 24
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    Capítulo I Figura 1.2- Cultivar Camino Real (foto: Denise de Souza Martins). 1.3.2 Novas cultivares para a Região Sul Algumas cultivares de dias neutros vem sendo testadas com sucesso na região Sul do RS. Como exemplos, pode-se citar as cultivares Aromas e Albion. A cultivar Aromas (Figura 1.3) também foi obtida na Universidade da Califórnia, porém em 1997. É uma cultivar muito produtiva, com hábito de crescimento ereto. As frutas são de tamanho grande, coloração vermelha-escura, sabor agradável e qualidade excelente para consumo in natura e industrialização (SHAW, 2004). Essa cultivar já está sendo implantada na região, com resultados de produtividade semelhantes às cultivares Camarosa e Camino Real, que possuem maior produção na fase intermediária do período produtivo, enquanto a Aromas apresenta maior produção na fase final do ciclo produtivo (OLIVEIRA; SCIVITTARO, 2006). 25
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    Morangueiro Irrigado Figura 1.3- Cultivar Aromas (foto: Denise de Souza Martins). Outra cultivar que está sendo introduzida no Estado é a Albion (Figura 1.4). Essa cultivar apresenta folhas mais coriáceas e mais eretas que a Camino Real, assim como as inflorescências, que também são mais eretas, deixando os frutos suspensos, diminuindo o ataque de insetos como a broca das frutas e os danos por queimaduras devido ao contato com o plástico. É relativamente resistente à antracnose (SHAW, 2004) o que pode facilitar seu cultivo a céu aberto. As frutas são de tamanho grande, de sabor excelente, com formato cônico alongado, sendo de coloração vermelho escuras quando bem maduras, tanto internamente quanto externamente, mostrando aptidão tanto para consumo in natura quanto para industrialização. Uma das principais vantagens do cultivo de plantas de dias neutros juntamente com as de dias curtos é o escalonamento da produção durante o ciclo, pois as plantas de dias curtos são mais precoces e as de dias neutros produzem até janeiro ou fevereiro, aumentando o período de oferta da fruta no mercado. 26
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    Capítulo I Figura 1.4- Cultivar Albion (foto: Denise de Souza Martins). 1.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O conhecimento da fisiologia da produção e os aspectos botânicos da planta são de fundamental importância para o adequado manejo da cultura. A utilização de cultivares de dias neutros conciliadas às cultivares de dias curtos, já cultivadas no município de Turuçu, mostra-se uma alternativa interessante para aumentar o período de oferta da fruta no mercado. O maior conhecimento sobre fatores como a característica do sistema radicular, a exigência hídrica da cultura, a qualidade da muda e as respostas da planta aos fatores climáticos, permite uma otimização do sistema de produção e, consequentemente, melhores resultados em relação à produtividade. 27
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    Morangueiro Irrigado 1.5 LITERATURACITADA CARVALHO, S. P. Boletim do morango: cultivo convencional, segurança alimentar, cultivo orgânico. Belo Horizonte: FAEMG, 2006. 160p. DAUGAARD, H. The effect of flower removal on the yield and vegetative growth of A+ frigo plants of strawberry (Fragaria x ananassa Duch). Scientia Horticulturae, v. 82, n. 1-2, p. 153-157, 1999. DUARTE FILHO, J. et al. Aspectos do florescimento e técnicas empregadas objetivando a produção precoce em morangueiros. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 20, n. 198, p. 1-9, 1999. ESTRELA, C. C. Variabilidade espacial e temporal da qualidade da água de irrigação no sistema de produção de morango em propriedades familiares no município de Turuçu-RS. Pelotas, 2008. 98p. Dissertação (Mestrado em Sistemas de Produção Agrícola Familiar) – Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel”, Universidade Federal de Pelotas, 2008. INFORZATTO, R.; CAMARGO, L. S. Sistema radicular do morangueiro (Fragaria híbridos), em duas fases do ciclo vegetativo. Bragantia, Campinas, v. 32, n. 8, p. 185-191, 1973. OLIVEIRA, R. P.; SCIVITTARO, W. B. Desempenho produtivo de mudas nacionais e importadas de morangueiro. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal - SP, v. 28, n. 3, p. 520-522, 2006. OLIVEIRA, R. P.; SCIVITTARO, W. B.; FERREIRA, L. V. Camino Real: nova cultivar de morangueiro recomendada para o Rio Grande do Sul. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, Comunicado Técnico 161, 4p., 2007. 28
  • 32.
    Capítulo I PIRES, R.C. M. et al. Profundidade efetiva do sistema radicular do morangueiro sob diferentes coberturas do solo e níveis de água. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 32, n. 4, p. 793-799, 2000. RONQUE, E. R. V. Cultura do morangueiro; revisão e prática. Curitiba: Emater, 1998. 206 p. SANTOS, A. M. Cultivares. In: SANTOS, A. M.; MEDEIROS, A. R. M. (Ed.) Morango: produção. Pelotas: Embrapa Clima Temperado; Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2003. p. 24-30. (Frutas do Brasil, 40). SANTOS, A. M.; MEDEIROS, A. R. M.; WREGE, M. S. Sistema de produção do morango: irrigação e fertirrigação. Embrapa Clima Temperado, ISSN 1806-9207 Versão Eletrônica, novembro 2005. Disponível em: <http://sistemasdeproducao. cnptia.embrapa.br/>. Acesso em 18 de março de 2009. SEVERO, F. D. et al. Consumo hídrico do morangueiro cultivado em ambiente protegido. CD do Congresso de Iniciação Científica – UFPel, 2006. SILVA, A. F.; DIAS, M. S. C.; MARO, L. A. C. Botânica e Fisiologia do morangueiro. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 28, n. 236, p. 7-13, 2007. SHAW, D. V. Strawberry Production Systems, Breeding and Cultivars in Califórnia. In: II Simpósio Nacional do Morango; I Encontro de Pequenas Frutas e Frutas Nativas do Mercosul. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, p. 16-21, 2004. WREGE, M. S. et al. Zoneamento agroclimático para produção de mudas de morangueiro no Rio Grande do Sul. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2007. 27p. Documento 187, versão online. 29
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    CAPÍTULO 2 -SISTEMA DE PRODUÇÃO DO MORANGUEIRO: FATORES QUE INFLUENCIAM O MANEJO DA IRRIGAÇÃO André Samuel Strassburger Denise de Souza Martins Carlos Reisser Júnior José Ernani Schwengber Roberta Marins Nogueira Peil Luís Carlos Philipsen 2.1 INTRODUÇÃO Dentre as práticas culturais empregadas na cultura do morangueiro, a irrigação apresenta-se como uma das mais importantes. Esta prática torna-se fundamental, pois a cultura é altamente exigente em relação à disponibilidade hídrica e os regimes de chuvas em algumas regiões podem não ser suficientes ou não apresentar uma distribuição adequada. Para que as plantas expressem o seu potencial produtivo, é necessário que as condições adequadas de cultivo sejam proporcionadas, tornando-se fundamental a manutenção da umidade do solo dentro dos parâmetros exigidos pela cultura. O déficit hídrico, assim como o excesso por períodos de tempo prolongados, pode causar danos irreversíveis à planta, reduzindo a produtividade. 30
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    Capítulo II Algumas práticas culturais adotadas no cultivo do morangueiro influenciam de maneira significativa o manejo da irrigação, como a utilização de cobertura do solo e túnel baixo. O sistema de produção predominante entre os agricultores do município de Turuçu-RS caracteriza-se pela utilização de cobertura do solo com plástico de coloração preta, pela utilização de túneis baixos e irrigação por gotejamento. A adubação segue as recomendações tradicionais, utilizando-se adubos químicos. Alguns produtores eventualmente utilizam adubos de origem orgânica e fertirrigação. O controle de pragas e doenças é realizado com agrotóxicos tradicionais ou, menos comumente, produtos alternativos. O manejo da cultura e o sistema de produção adotado exercem fundamental importância para o sucesso da lavoura. Neste capítulo, as principais práticas culturais utilizadas para o cultivo do morangueiro serão abordadas destacando-se o adequado manejo e a influência destas sobre a irrigação. 2.2 UTILIZAÇÃO DE COBERTURA DO SOLO Uma das práticas culturais mais importantes para a cultura do morangueiro é a utilização de cobertura do solo, que consiste na aplicação de qualquer cobertura na superfície do solo que forme uma barreira física à transferência de energia e vapor d’água entre o solo e a atmosfera. Tem como principais objetivos: evitar o contato direto dos frutos com o solo, aumentando sua qualidade; reduzir a incidência de plantas invasoras; reduzir as perdas de nutrientes por lixiviação; modificar o microclima do solo; reduzir as oscilações de temperatura; e reduzir as perdas de água do solo por evaporação (RONQUE, 1998; SANTOS; MEDEIROS, 2003). 31
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    Morangueiro Irrigado Os materiais utilizados como cobertura do solo para a cultura do morangueiro podem ser de origem vegetal (como a acícula de pinus e a casca de arroz) ou sintéticos (como os filmes de polietileno). A cobertura do solo deve ser realizada aproximadamente 30 dias após o transplante, quando as mudas já estiverem com o sistema radicular bem desenvolvido, evitando maiores danos ao manuseá-las (RONQUE, 1998; SANTOS; MEDEIROS, 2003). 2.2.1 Materiais de origem vegetal Os principais materiais de origem vegetal utilizados como cobertura do solo na cultura do morangueiro são: casca de arroz, acícula de pinus, sabugo de milho picado, serragem, maravalha, palhas, hastes de cereais e folhas diversas. Ronque (1998) destaca que os materiais utilizados como cobertura do solo devem ser isentos de contaminantes ou qualquer outra substância que possa vir a prejudicar o adequado desenvolvimento das plantas. A camada formada pelos resíduos vegetais deve ter uma espessura suficiente para evitar que os raios solares penetrem, mantendo a umidade do solo devido à menor evaporação da água. Dentre as vantagens da utilização da cobertura com resíduos vegetais destacam-se: menor ataque de ácaros, em razão do microclima úmido abaixo das folhas; menor custo; e enriquecimento do teor de matéria orgânica do solo, com a incorporação da cobertura morta após o término do cultivo (SANTOS; MEDEIROS, 2003). A dificuldade de manejo e danos físicos às frutas são os principais limitantes da utilização de materiais de origem vegetal em comparação aos materiais sintéticos. 32
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    Capítulo II 2.2.2 Materiaissintéticos Os primeiros materiais sintéticos a serem utilizados como cobertura do solo foram o papel e resíduos de petróleo. Com o surgimento da indústria petroquímica, a partir da década de 50, materiais mais baratos, como os filmes de polietileno, passaram a ser utilizados como cobertura do solo (STRECK et al., 1994). Atualmente, para a cultura do morangueiro a cobertura mais utilizada é o polietileno opaco preto, com 30 ou 50 micras de espessura. As coberturas plásticas têm como principais vantagens: a redução da umidade relativa, o que diminui a incidência de fungos, especialmente aqueles que ocasionam podridões de frutos, preservando sua qualidade; o estímulo à produção precoce; e a redução da mão-de-obra de transporte e colocação, em comparação com outras opções de coberturas. As principais desvantagens são o elevado custo do plástico, o estímulo ao desenvolvimento de ácaros pela formação de microclima seco (SANTOS; MEDEIROS, 2003) e o impacto ambiental causado pelo plástico após sua retirada do solo. 2.2.3 Influência da cobertura do solo no aporte de água Um dos principais efeitos esperados pela utilização de cobertura do solo é a redução da perda de água do solo. A magnitude da redução da evaporação pelo material de cobertura depende da sua natureza. A cobertura morta de palha seca reduz menos a evaporação da água do solo que os materiais sintéticos, possivelmente porque o vapor d'água difunde-se através da camada de resíduos (STRECK et al., 1994). Com a utilização de cobertura plástica a evaporação da água da superfície do solo pode ser reduzida em até 21%, em comparação ao solo nu (STRECK et al., 1994). Dessa forma, a 33
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    Morangueiro Irrigado utilização decobertura mantém a umidade do solo por um período de tempo maior que o solo descoberto, o que significa um aumento da eficiência da irrigação e uma economia de água e energia, caso a irrigação não seja por gravidade. 2.3 UTILIZAÇÃO DE TÚNEIS Com a introdução da plasticultura na produção agrícola, o morangueiro passou a ser cultivado com algum tipo de proteção plástica, seja em túneis baixos, altos ou casas plásticas. Grande parte dos agricultores tem preferência pela utilização de túneis baixos para a cultura do morangueiro em comparação a outras estruturas de maior porte, devido ao menor custo de implantação e a possibilidade de rodízio das áreas de cultivo, fator importante para evitar maiores problemas com doenças. Dentre as vantagens que os túneis proporcionam em relação ao cultivo a céu aberto, podem ser citadas a antecipação da colheita, maior produção e melhor qualidade, oriundas da maior proteção quanto aos fenômenos climáticos como geadas, excesso de chuvas, queda acentuada de temperatura durante a noite, proteção do solo contra a lixiviação e, consequentemente, redução dos custos com fertilizantes e agrotóxicos. Como principais desvantagens têm-se o elevado custo do plástico e o aumento da mão-de-obra para abrir e fechar os túneis. 2.3.1 Manejo dos túneis Para que as vantagens da utilização dos túneis sejam obtidas, é importante que o manejo adotado seja adequado. Caso contrário, pode ocorrer aumento na incidência de doenças, culminando em uma redução da produção. Abaixo segue o manejo adequado dos túneis a ser adotado, baseado nas 34
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    Capítulo II recomendações deSantos e Medeiros (2003) e em observações da equipe. Abertura dos túneis: deve ser realizada logo pela manhã. Ambas laterais devem ser abertas de forma que toda a umidade seja eliminada. Em dias de ventos moderados, pode-se abrir apenas o lado oposto àqueles predominantes, evitando danos ao plástico e as plantas. Quanto maior a ventilação menor será a ocorrência de doenças; Fechamento dos túneis: no final da tarde, deve-se realizar a operação inversa, ou seja, deve-se fechar as laterais dos túneis para aumentar o acúmulo térmico, elevando a temperatura noturna dentro dos túneis. Em dias de chuva, os túneis devem ser mantidos fechados, sendo abertos assim que as condições climáticas melhorarem. A manutenção do túnel fechado durante o dia aumenta a temperatura do ar e a umidade relativa dentro do túnel. Nessas condições, tem-se um aumento da ocorrência de doenças que se desenvolvem sob condições de alta umidade relativa. O cultivo protegido, desde que bem manejado, e a irrigação localizada constituem práticas valiosas para o manejo de doenças na cultura do morangueiro e possibilitam a redução do uso de agrotóxicos. Outra questão importante a ser observada em relação ao manejo dos túneis é a polinização. Na cultura do morangueiro a polinização é realizada principalmente pelas abelhas. O acesso às flores deve ser facilitado, ou seja, os túneis devem estar abertos no horário de maior atividade das abelhas. Quanto maior o número de visitas, melhor será a polinização e, consequentemente, a qualidade das frutas. Em locais nos quais não exista uma grande ocorrência de abelhas, para melhorar a polinização recomenda-se colocar caixas de abelhas próximas à lavoura. Caso os túneis sejam mantidos fechados por um período de tempo prolongado, o número de visitas será 35
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    Morangueiro Irrigado reduzido, comreflexos negativos sobre a polinização, assim, a qualidade e a produtividade da lavoura serão afetadas. 2.3.2 Influência dos túneis de cultivo sobre a irrigação A utilização de abrigos plásticos está diretamente ligada à necessidade de um sistema de irrigação, mesmo quando a estrutura de proteção utilizada é o túnel baixo. O ciclo natural da água nesse tipo de estrutura é quebrado e o fornecimento de água para as plantas na forma de precipitação não ocorre. Em se tratando do cultivo do morangueiro em túneis baixos, embora ocorram precipitações elevadas, a água acumula-se nos corredores, sendo que parte dela infiltra nos canteiros, parte volta para a atmosfera na forma de vapor e parte é perdida por percolação. Muitas vezes a fração infiltrada nos canteiros não é suficiente para manter a umidade do solo em níveis adequados. Assim, mesmo com precipitações abundantes, pode existir a necessidade de se realizar a irrigação, sendo necessária a observação da umidade do solo, para a definição do momento de irrigar. Quando se utilizam túneis para o cultivo, a irrigação por aspersão fica inviabilizada, sendo necessária a implantação de irrigação localizada. 2.4 ESCOLHA DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO 2.4.1 Aspersão No Brasil, até a década de 80, grande parte das lavouras de morangueiro era irrigada por aspersão (SANTOS et al., 2005). Esse sistema propicia condições favoráveis ao aparecimento de doenças, devido ao molhamento que ocorre na 36
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    Capítulo II parte aéreadas plantas. As gotas de água da irrigação também servem como disseminadoras dos esporos de patógenos. Para Santos et al. (2005) e Carvalho (2006), os únicos benefícios de um sistema de irrigação por aspersão são a diminuição do ataque de ácaros e o controle de geadas, podendo evitar dano às flores e frutos pequenos. Atualmente, esse método de irrigação é mais utilizado após o plantio, para garantir a sobrevivência das mudas a campo (SANTOS et al., 2005) e na produção de mudas de morangueiro em viveiros. 2.4.2 Gotejamento O sistema de irrigação por gotejamento vem sendo amplamente adotado na cultura do morangueiro. Isso ocorre devido à maior eficiência no uso da água e menor incidência de doenças, pela redução do molhamento da parte aérea da planta. Como consequência, há um aumento na produtividade, no tamanho e na qualidade da fruta (SANTOS et al., 2005). Além da redução do molhamento foliar, o sistema de irrigação por gotejamento reduz o consumo de energia elétrica e possibilita o uso de fertirrigação. Todavia, necessita água limpa, filtrada e manutenção constante dos equipamentos, o que acarreta um custo inicial mais elevado em comparação ao sistema de irrigação por aspersão (CARVALHO, 2006). Mesmo com essas desvantagens, o sistema de irrigação por gotejamento é o mais indicado para a cultura do morangueiro e amplamente utilizado entre os agricultores do município de Turuçu. Porém, se o sistema não for bem manejado, pode conduzir a resultados negativos, como o excesso de água no solo, o que pode aumentar a incidência de fungos de solo, reduzindo a produtividade e até causando a morte das plantas (SANTOS et al., 2005; CARVALHO, 2006). 37
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    Morangueiro Irrigado 2.4.3 Influênciados sistemas de irrigação na incidência de doenças e pragas A irrigação por aspersão, pela característica do molhamento da parte aérea da planta, favorece o aparecimento de doenças nas folhas e nas frutas. A mancha da micosferela (Figura 2.1) é causada pelo fungo Micosphaerella fragaria (Tul.) Lindau e ocorre na fase inicial e final do ciclo. Maiores danos ocorrem quando se utiliza altas densidades, irrigação por aspersão e excesso de adubação nitrogenada (FORTES; OSÓRIO, 2003). Figura 2.1 - Mancha da micosferela (foto: Denise de Souza Martins). A antracnose, causada pelos fungos Colletotrichum gloreosporioidis, C. acutatum e C. Fragariae, produz lesões e estrangulamento em estolões, pecíolo, pedúnculo, fruta (Figura 2.2) e coroa da planta. Quando ataca os botões florais causa a chamada flor-preta. Maior ataque às plantas é observado com o aumento da umidade. Assim, a irrigação por aspersão pode ser prejudicial, favorecendo o aparecimento da doença. Como controle preventivo recomenda-se a eliminação de restos culturais, uma vez que o fungo pode sobreviver neles e a utilização de túneis de polietileno que evitam o molhamento da parte aérea da planta. 38
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    Capítulo II Figura 2.2- Antracnose na fruta (foto: Denise de Souza Martins). O mofo cinzento (Botrytis cinerea Pers) ataca principalmente as frutas (Figura 2.3) em qualquer estádio de desenvolvimento, desde que ocorram longos períodos com umidade. A água da chuva e da irrigação por aspersão são veículos para disseminar os esporos do fungo. Figura 2.3 - Mofo cinzento na fruta (foto: Denise de Souza Martins). 39
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    Morangueiro Irrigado As principais pragas que atacam a cultura do morangueiro são o pulgão e o ácaro rajado. Os pulgões (Figura 2.4) são insetos de corpo mole, de coloração variada, dependendo da espécie. Vivem agrupados, em colônias, na face inferior das folhas. O dano dos pulgões ao morangueiro é devido à sucção da seiva da planta e pela possível transmissão de viroses que levam ao enfraquecimento e eventual morte da planta (SANTOS et al., 2005). Figura 2.4 - Pulgão verde na folha. (foto: Denise de Sousa Martins). O ácaro rajado (Tetranychus urticae Koch) ocorre no Sul do Brasil e onde são aplicados sistematicamente inseticidas e acaricidas no cultivo do morangueiro. Ele tem cor verde amarelado a verde escuro, com duas manchas escuras nos lados do corpo, não sendo visível a olho nu. Os ácaros vivem em colônias, na face inferior das folhas, principalmente junto à nervura central, formando uma espécie de teia. Eles removem os tecidos superficiais da folha, causando perda de seiva junto às primeiras camadas do tecido foliar, ocorrendo amarelecimento ao longo da nervura central e um tipo de bronzeamento lateral da folha. O período ou época de incidência dos pulgões e ácaros depende mais das condições climáticas (temperaturas elevadas 40
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    Capítulo II e longasestiagens) do que do estádio de desenvolvimento da planta. Os ácaros predadores (ácaros vermelhos – Figura 2.5) ocorrem naturalmente nas lavouras, desde que não haja a aplicação de acaricidas. Figura 2.5 - Ácaro predador, na parte superior da figura, e ácaros rajados, na parte inferior da figura (foto: Denise de Sousa Martins). Como os pulgões e ácaros aparecem nas lavouras devido a altas temperaturas e baixa umidade, a irrigação por aspersão diminui a incidências destas pragas. 2.5 FERTIRRIGAÇÃO A fertirrigação é o processo de aplicação de fertilizantes juntamente com a água de irrigação, visando fornecer as quantidades de nutrientes requeridas pela cultura no momento adequado para obtenção de altos rendimentos e produtos de qualidade (CARRIJO et al., 2004). A utilização de sistemas de irrigação por gotejamento permite a aplicação concomitante de água e fertilizantes, pois apresenta características estruturais e operacionais que 41
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    Morangueiro Irrigado favorecem aimplantação dessa prática. É uma maneira racional e eficiente de nutrir as plantas na agricultura irrigada. Representa aproximadamente 10% do custo de implantação do sistema de irrigação (COELHO et al., 2003), necessitando apenas a aquisição do sistema de injeção de fertilizantes quando o sistema de irrigação já está instalado. Dentre as vantagens da fertirrigação podem ser citadas o atendimento das necessidades nutricionais das plantas, de acordo com a curva de absorção dos nutrientes; a aplicação dos nutrientes restrita ao volume molhado, na região de maior abundância das raízes; as quantidades e concentrações dos nutrientes podem ser adaptadas às necessidades da planta em função de seu estádio fenológico e condições climáticas; proporciona economia de mão-de-obra; reduz as perdas; e reduz a atividade de pessoas ou máquinas na área de cultivo, diminuindo a compactação e favorecendo as condições físicas do solo (COELHO et al., 2003). Como inconvenientes do sistema podem ser citados possíveis entupimentos que podem ocorrer durante o processo, a salinização e a contaminação de solos e mananciais devido à lixiviação de nutrientes. Esses inconvenientes estão relacionados principalmente com o manejo incorreto do sistema de fertirrigação, pela não diluição total do fertilizante e pela aplicação em excesso. 2.5.1 Aspectos nutricionais do morangueiro A primeira etapa para a determinação dos fertilizantes e corretivos a serem aplicados para o cultivo do morangueiro é a análise química do solo. De posse desta, deve-se realizar a correção da acidez do solo, se necessário, buscando alcançar pH próximo a 6,0 e com no mínimo três meses de antecedência ao transplante das mudas (COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO - RS/SC, 2004). 42
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    Capítulo II Como o período de cultivo do morangueiro é longo, recomenda-se o parcelamento da recomendação total da adubação para a cultura, visando reduzir as perdas de nutrientes e manter os níveis de fertilidade do solo sempre próximo ao ideal em cada fase de crescimento das plantas, reduzindo perdas por lixiviação. Dessa forma, o suprimento de nutrientes pode ser realizado todo via fertirrigação, começando o procedimento logo após o transplante das mudas ou com uma aplicação na base e o restante parcelado (CARVALHO, 2006). Segundo Filho et al. (1999), até o início das primeiras colheitas, a planta absorve 37,2% do nitrogênio (N); 28,7% do fósforo (P) e 23,1% do potássio (K) requerido durante todo o período, fator importante a ser levado em consideração para o planejamento da aplicação dos fertilizantes. O nitrogênio, apesar de ser um dos nutrientes mais exigidos pela cultura, não pode ser adicionado de forma indiscriminada. O excesso pode causar crescimento vegetativo exuberante em detrimento da produção (PACHECO et al., 2007), favorecendo o aparecimento de doenças devido ao desequilíbrio nutricional. Em contrapartida, a deficiência de N causa redução no crescimento das plantas. Por ser um nutriente móvel no solo, deve-se atentar ao fato de que irrigações pesadas podem causar lixiviação do nutriente, causando perdas substanciais. A deficiência de P causa paralisia tanto no crescimento vegetativo (emissão de folhas e estolões), quanto no reprodutivo (emissão de flores). Os frutos tornam-se ácidos e com aroma desagradável. A adequada nutrição fosfatada é importante para aumentar a resistência do morangueiro às doenças, a consistência e o tamanho dos frutos (PACHECO et al., 2007). O K é o nutriente que mais favorece a qualidade da fruta, aumentando os teores de sólidos solúveis totais, de ácido ascórbico e melhorando o aroma, o sabor, a cor e a firmeza 43
  • 47.
    Morangueiro Irrigado (FILHO etal., 2000). Além disso, confere maior longevidade à planta, tornando-a mais produtiva por um período de tempo maior (PACHECO et al., 2007). O cálcio (Ca) melhora a firmeza e resistência da fruta. Sua deficiência avançada ocasiona mortalidade das gemas associadas à emissão de novas folhas e raízes, sendo importante para definir a firmeza das frutas (PACHECO et al., 2007). Os micronutrientes, embora absorvidos em menor quantidade, são tão importantes quanto os macronutrientes para um adequado crescimento e produção. O zinco e o boro são os dois micronutrientes para os quais as plantas mais comumente apresentam sintomas de deficiência (PACHECO et al., 2007). A carência de ambos os elementos produz uma diminuição na fertilidade do pólen e na frutificação e, consequentemente, na produtividade final. 2.5.2 Tipos e fontes de nutrientes para a fertirrigação Para a cultura do morangueiro, tanto os macronutrientes como os micronutrientes podem ser aplicados via fertirrigação. Como fonte de nitrogênio, pode-se utilizar a uréia, o nitrato de amônio, o sulfato de amônio, o nitrato de cálcio, o nitrato de potássio, o fosfato monoamônico (MAP) e o fosfato diamônico (DAP). As fontes de potássio mais utilizadas são o cloreto de potássio, o nitrato de potássio, o sulfato de potássio e o fosfato monopotássico. Para a adubação fosfatada, podem ser utilizados o ácido fosfórico, o fosfato monopotássico, o fosfato monoamônico purificado e o fosfato diamônico. Para a adição de micronutrientes, existem outras fontes, que são menos utilizadas e mais difíceis de serem encontradas no mercado como nitrato de magnésio, sulfato ferroso, Fe EDTA, ácido bórico, sulfato de cobre, sulfato de manganês, sulfato de zinco e molibidato de sódio. 44
  • 48.
    Capítulo II A escolha de um desses fertilizantes para suprir a demanda de um determinado nutriente deve ser realizada de acordo com o teor de cada nutriente presente no fertilizante, com a disponibilidade no mercado e com o preço. Alguns desses fertilizantes são fontes de mais de um nutriente, como o nitrato de cálcio, que além de ser fonte de nitrogênio, também é fonte de cálcio, outro nutriente importante para a cultura do morangueiro. Dessa forma, em alguns casos, pode ser mais interessante a aplicação de um fertilizante que forneça mais de um nutriente do que a utilização de outro fertilizante que forneça apenas um nutriente. 2.5.3 Utilização de soluções de origem orgânica Além dos fertilizantes químicos de alta solubilidade, também podem ser utilizadas soluções de origem orgânica para a fertirrigação. É uma das alternativas que os agricultores que se dedicam a produção orgânica de morangos encontraram para a aplicação de nutrientes juntamente com a irrigação durante o ciclo produtivo. Uma das opções para a utilização desse tipo de fonte de nutrientes é o húmus líquido. A fertirrigação com húmus líquido tem sido utilizada com sucesso nos experimentos realizados na Estação Experimental Cascata (Embrapa Clima Temperado), demonstrando bons resultados para a cultura do morangueiro. O preparo do húmus líquido é simples. A seguir seguem as recomendações para a elaboração do húmus líquido de acordo com Schiedeck et al. (2006). Para preparar 100 L de húmus líquido, na proporção de 1:10, utiliza-se 10 kg de húmus e mistura-se em 100 L de água, obtendo-se uma concentração aproximada de 5%, uma vez que a umidade do húmus é cerca de 50%. Em um recipiente, adiciona-se primeiramente a água e posteriormente o húmus, agitando-se de forma vigorosa para que todo o sólido se 45
  • 49.
    Morangueiro Irrigado dissolva naágua. Pode ser preparado em qualquer recipiente evitando que a solução fique exposta ao sol. Concentrações superiores a 5% não são recomendadas, pois são difíceis de serem filtradas. A mistura deve ser agitada pelo menos uma vez ao dia para que o máximo de nutrientes e microorganismos do húmus seja liberado na água. O processo de preparo dura cerca de 4 a 7 dias. Anteriormente a aplicação, o material deve ser muito bem filtrado em peneira fina, removendo-se todo o material sólido para evitar o entupimento do sistema de irrigação. 2.5.4 Estrutura necessária Para realizar a fertirrigação, é necessário além do sistema de irrigação, equipamentos adequados para injeção dos nutrientes no sistema. Segundo Silva e Marouelli (2002), a injeção dos fertilizantes no sistema de irrigação pode ser realizada por três diferentes sistemas: a) com tanques de injeção com cilindro hermeticamente fechado, onde o fertilizante é colocado e por onde parte da água que se destina às plantas passa por diferença de pressão, transportando, dessa forma, o produto até os emissores; b) com bomba injetora de fertilizantes que retira o fertilizante a ser aplicado de um reservatório e o injeta diretamente no sistema de irrigação; c) com o tubo de Venturi, que se baseia no princípio hidráulico de Venturi, que consiste de um estrangulamento de uma tubulação, causando uma sucção resultante da mudança na velocidade do fluxo e, assim, injeta a solução a ser aplicada no sistema de irrigação. De acordo com as necessidades, qualquer um desses mecanismos pode ser utilizado. Observa-se que o mais simples, mais barato e que vem sendo amplamente utilizado para a 46
  • 50.
    Capítulo II cultura domorangueiro, apresentando uma distribuição satisfatória da solução no sistema de irrigação é o tubo de Venturi. 2.5.5 Manejo da fertirrigação O manejo adequado da fertirrigação requer que a injeção de fertilizantes seja iniciada quando toda tubulação estiver cheia de água e os emissores em pleno funcionamento. Caso contrário, a uniformidade de distribuição de fertilizantes será prejudicada. O processo de fertirrigação pode ser dividido em três etapas: a primeira para enchimento da tubulação; a segunda para aplicação propriamente dita da solução na água de irrigação; e a terceira para promover a lavagem da tubulação e dos emissores (MAROUELLI et al., 1996; SOUSA et al., 2003). Em relação à frequência da fertirrigação, esta pode ser feita todas as vezes que for realizada a irrigação ou em intervalos maiores. A frequência depende de fatores como a capacidade do sistema, mão-de-obra disponível, tipo de solo, tipo de cultura ou mesmo da preferência do produtor. O parcelamento deve ser realizado de acordo com os parâmetros químicos do solo ou pela taxa de absorção dos nutrientes pela cultura. Salienta-se que é importante o monitoramento do estado nutricional das plantas para determinar a necessidade da fertirrigação, observando-se sintomas de deficiências ou excessos de nutrientes nas plantas ou pela análise química foliar. Aplicações de fertilizantes em regime de alta frequência e em pequenas quantidades têm a vantagem de reduzir a lixiviação dos nutrientes e manter o nível de fertilidade próximo do ótimo (SILVA; MAROUELLI, 2002). Em solos arenosos, onde as perdas de água e nutrientes ocorrem com maior intensidade, o uso da fertirrigação permite 47
  • 51.
    Morangueiro Irrigado reduzir significativamenteessas perdas com aplicações mais frequentes de forma pontual, principalmente em relação a adubação nitrogenada (VÁSQUEZ, 2003). 2.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A cultura do morangueiro reveste-se de importância para os horticultores da Região Sul do Estado, em especial no município de Turuçu, tornando-se uma alternativa que proporciona uma fonte de renda durante um longo período do ano. O morango é uma fruta muito apreciada e de alto valor no mercado, no entanto, apresenta em seu sistema de produção uma série de detalhes que dificultam a produção de frutas de alta qualidade, sem contaminantes químicos ou biológicos. Se o sistema de produção for bem manejado, ocorre uma redução na incidência de doenças e na necessidade de aplicação de agrotóxicos, obtendo-se um produto com um baixo nível de contaminantes químicos e, ainda, com um menor custo de produção. 2.7 LITERATURA CITADA CARRIJO, O. A.; SOUZA, R. B. de; MAROUELLI, W. A.; ANDRADE, R. J. de. Fertirrigação de hortaliças. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2004. 13p. (Circular Técnica). CARVALHO, S. P. Boletim do Morango: cultivo convencional, segurança alimentar, cultivo orgânico. Belo Horizonte: FAEMG, 2006. 160p. COELHO, E. F.; SOUZA, V. F. de; PINTO, J. M. Manejo de fertirrigação em fruteiras. Bahia Agrícola, Salvador, v. 6, n. 1, p. 67-70, 2003. 48
  • 52.
    Capítulo II COMISSÃO DEQUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO - RS/SC. 2004. Manual de adubação e calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Porto Alegre: SBCS - Núcleo Regional Sul UFRGS, p. 258-259, 2004. FILHO, H. G.; SANTOS, C. H. dos; CRESTE, J. E. Nutrição e adubação do morangueiro. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 20, n. 198, p. 36-40, 1999. FORTES, J. F.; OSÓRIO, V. A. Morango. Fitossanidade. Embrapa Clima Temperado. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2003. MAROUELLI, W. A.; SILVA, W. L. C.; SILVA, H. R. Fertirrigação em hortaliças. In: MAROUELLI, W. A.; SILVA, W. L. C.; SILVA, H. R. Manejo da irrigação em hortaliças. Brasília: Embrapa informação tecnológica CNPH, 1996. p. 48- 52. PACHECO, D. D.; DIAS, M. S. C.; ANTUNES, P. D.; RIBEIRO, D. P.; SILVA, J. J. C.; PINHO, D. B. Nutrição mineral do morangueiro. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 28, n. 236, p. 40-49, 2007. SANTOS, A. M.; MEDEIROS, A. R. M. Frutas do Brasil. Embrapa Informações Tecnológicas: Brasília, 2003. 81p. RONQUE, E. R. Cultura do morangueiro, revisão e prática. Curitiba: EMATER-Paraná, 1998. 206 p. SANTOS, A. M.; MEDEIROS, A. R. M.; WREGE, M. S. Sistema de produção do morango: irrigação e fertirrigação. Embrapa Clima Temperado, ISSN 1806-9207 Versão Eletrônica, novembro 2005. Disponível em: <http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/>. Acesso em: 20 mar. 2009. 49
  • 53.
    Morangueiro Irrigado SCHIEDECK, G.;GONÇALVES, M. de M.; SCHWENGBER, J. E. Minhocultura e produção de húmus para a agricultura familiar. Pelotas: Embrapa Clima Temperado. 2006. 12 p. Circular Técnica. Versão online. Disponível em: <http://www.cpact.embrapa.br/publicacoes/download/circulare s/Circular_57.pdf> Acesso em: 10 mar. 2009 SILVA, W. L. C.; MAROUELLI, W. A. Fertirrigação de hortaliças. Irrigação Tecnologia Moderna, Brasília, n. 52/53, p. 45-47, 2002. SOUSA, V. F.; FOLEGATTI, M. V.; FRIZZONE, J. A.; CORRÊA, R. A. L.; ALENCAR, C. M. Distribuição de fertilizantes em um sistema de fertirrigação por gotejamento. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v. 7, n. 1, p. 186-189, 2003. STRECK, N. A.; SCHNEIDER, F. M.; BURIOL, G. A. Modificações físicas causadas pela cobertura do solo. Revista Brasileira de Agrometeorologia, Santa Maria, v. 2, p. 131- 142, 1994. VÁSQUEZ, A. N. Fertirrigação por gotejamento superficial e subsuperficial no meloeiro (Cucumis melo L.) sob condições protegidas. 2003. 174 p. (Doutorado em Agronomia). Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Universidade de São Paulo. 50
  • 54.
    CAPÍTULO 3 -SOLO E MANEJO DA ÁGUA Carlos Reisser Júnior Vitor Emanuel Quevedo Tavares Luís Carlos Timm Carina Costa Estrela Luís Eduardo Correa Antunes Noel Gomes Cunha 3.1 O SOLO Do ponto de vista agronômico, o termo solo refere-se à camada externa e agricultável da superfície terrestre sendo constituído das fases sólida, líquida e gasosa. O material de origem, o tempo, o clima, a topografia da região e os organismos vivos são os fatores que atuam no processo de sua formação. Sua origem é a rocha que, por ação de processos físicos, químicos e biológicos de desintegração, decomposição e recombinação, se transformou, no decorrer das eras geológicas, em material poroso de características peculiares. O solo é o reservatório de água e nutrientes para as plantas, além de permitir a sustentação dos vegetais. A Figura 3.1 ilustra um corte vertical no perfil de um solo, constituído de uma série de camadas superpostas, denominadas horizontes do solo. 51
  • 55.
    Morangueiro Irrigado A00 M.O. não decomposta A0 M.O. humificada A A1 hor. mineral c/ m.o A2 hor. de perdas A3 hor. de transição B1 hor. de transição B B2 hor. de iluviação B3 hor. de transição C Rocha em decomposição D Rocha matriz Figura 3.1 - Ilustração dos horizontes de um perfil completo de solo (REICHARDT; TIMM, 2008). Um solo completo é formado de quatro horizontes: - horizonte A (horizonte de eluviação) - é a camada superficial do solo, exposta diretamente à atmosfera. Ele é o horizonte que perde elementos químicos por lavagens sucessivas com a água da chuva. Subdivide-se em Aoo (camadas superficiais em solos de florestas com grande quantidade de material orgânico, não decomposto: galhos, folhas e frutos); Ao (situa-se abaixo do Aoo, constituído de material orgânico decomposto); A1 (já é horizonte mineral, mas com alta porcentagem de matéria orgânica decomposta que lhe confere uma cor escura); A2 (que é o típico horizonte A, de cor mais clara, correspondendo à zona de máxima perda de elementos minerais) e A3 (é um 52
  • 56.
    Capítulo III horizonte detransição entre A e B, possuindo características de ambos); - horizonte B (horizonte de iluviação) - é o horizonte que ganha elementos químicos provenientes do horizonte A, situado acima; - horizonte C – é o horizonte formado pelo material que deu origem ao solo, em estado de decomposição; - horizonte D – é o horizonte formado pela rocha matriz. As espessuras dos horizontes são variáveis e a falta de alguns horizontes em determinados solos é bastante comum. Tudo isto depende da intensidade da ação dos fatores de formação do solo sobre o material de origem. A Figura 3.2 ilustra um perfil de solo ARGISSOLO VERMELHO- AMARELO Eutrófico Típico encontrado em uma propriedade situada no município de Turuçu-RS. Figura 3.2 - Ilustração do perfil de um solo ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Eutrófico Típico encontrado em uma propriedade situada no município de Turuçu-RS. 53
  • 57.
    Morangueiro Irrigado 3.2 ATRIBUTOSFÍSICO-HÍDRICOS DO SOLO Em se tratando do dimensionamento e do manejo de sistemas de irrigação é importante o conhecimento dos atributos físico-hídricos do solo que estão diretamente relacionados à retenção e o armazenamento de água no seu perfil. Aqui serão abordados de forma sucinta os seguintes atributos: 3.2.1 Textura do solo A fase sólida do solo é constituída pela matéria mineral e orgânica que variam em termos de qualidade e de tamanho. Quanto ao tamanho, algumas são suficientemente grandes para serem vistas a olho nu, ao passo que outras são tão diminutas que apresentam propriedades coloidais. Na maioria das vezes, as partículas do solo são divididas em três frações de tamanho, chamadas frações texturais: areia, silte e argila. Determinadas as quantidades relativas das três frações, o solo é enquadrado em uma dada classe textural (arenoso, siltoso ou argiloso) em função das diferentes proporções de areia, silte e argila. O tamanho das partículas é de grande importância, pois ele determina o número de partículas por unidade de volume ou peso e a superfície que estas partículas expõem. Por exemplo: partículas mais finas (argila) possuem uma maior superfície específica (maior relação entre área da superfície e o volume da partícula) e, portanto, possuem maior superfície de contato com a água e nutrientes o que confere ao solo uma maior capacidade de reter estas substâncias. 54
  • 58.
    Capítulo III 3.2.2 Estruturado solo O arranjo, a orientação e a organização das partículas sólidas do solo definem a geometria dos espaços porosos, ou seja, a estrutura de um solo. Como o arranjo das partículas do solo é geralmente muito complexo para permitir qualquer caracterização geométrica simples, não há meio prático de medir a estrutura de um solo. Devido a isso, o conceito de estrutura do solo é qualitativo. A junção das partículas do solo dá origem aos agregados, os quais são classificados segundo a forma (prismáticos, laminares, colunares, granulares e em blocos) e o tamanho do agregado (de acordo com seu diâmetro). Um solo bem agregado (ou estruturado) apresenta boa quantidade de poros de tamanho relativamente grande (macroporos). Dizemos que possui alta macroporosidade, qualidade que afeta a penetração das raízes, circulação de ar (aeração), operações de cultivo (manejo do solo) e a infiltração de água (irrigação). O solo possui poros de variadas formas e dimensões, que condicionam um comportamento peculiar a cada solo. A fração sólida do solo que mais decisivamente determina seu comportamento físico é a fração argila, já que é a mais ativa em processos físico-químicos que ocorrem no solo. As frações areia e silte têm áreas específicas relativamente pequenas e, em conseqüência, não mostram grande atividade físico-química. Elas são importantes quando o solo se encontra próximo à saturação onde predominam fenômenos capilares. Tanto a textura como a estrutura conferem ao solo um espaço poroso, ou volume de poros, onde se encontram a parte líquida e a gasosa. Desta forma, a quantidade de água que o solo retém (capacidade de retenção), a passagem da água pela superfície do solo (infiltração) e a distribuição de água no interior do solo (drenagem) são dependentes da textura e da estrutura do solo. 55
  • 59.
    Morangueiro Irrigado Se coletarmos uma amostra de solo (Figura 3.3) contendo as três frações e que represente certa porção do perfil do solo, é possível discriminar as massas e os volumes de cada fração e as seguintes relações massa-volume podem ser obtidas: ms,Vs (sólidos) ml,Vl (líquidos) mt , Vt mg,Vg (gases) Poros ou vazios: Vv = Vl +Vg Figura 3.3 - Amostra do perfil de um solo ilustrando a fração sólida, líquida e gasosa. mt = ms + ml + mg (3.1) Vt = Vs + Vl + Vg (3.2) onde: mt é a massa total da amostra de solo; ms é a massa das partículas sólidas do solo; ml é a massa líquida do solo, que por ser diluída, é tomada como massa de água; mg é a massa de gás, isto é, ar do solo, que é uma massa desprezível em relação a ms e ml; Vt é o volume total da amostra de solo; Vs é o volume ocupado pelas partículas sólidas; Vl pela água e Vg o volume dos gases (não desprezível como no caso de sua massa). As seguintes definições relacionadas à fração sólida do solo são importantes tanto no dimensionamento como no manejo de um sistema de irrigação: A densidade do solo (Ds, g/cm3), definida como a relação entre a massa das partículas sólidas ms (g) e o volume total de solo Vt (cm3), é um parâmetro útil que indica se um 56
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    Capítulo III solo estáestruturado (menor densidade) ou compactado (maior densidade). Coletando-se amostras de solo de estrutura preservada com anéis cilíndricos de volume conhecido, a Ds pode ser calculada por meio da seguinte equação: ms Ds = (3.3) Vt A densidade do solo varia de acordo com o seu volume total Vt. Ao se compactar (comprimir) uma amostra, ms permanece constante e Vt diminui, por conseguinte Ds aumenta. A densidade do solo é, portanto, um indicativo do grau de compactação de um solo. Para solos de textura grossa, mais arenosos, as possibilidades de arranjo das partículas não são muito grandes e, por isso, os níveis de compactação também não são grandes. Pelo fato de possuírem partículas maiores, o espaço poroso também é constituído, sobretudo, de poros grandes denominados, de modo arbitrário, de macroporos; de forma aparentemente paradoxal, nesses, o volume de poros é pequeno. A faixa de variação dos valores de densidade do solo para solos arenosos é de 1,40 a 1,80 g/cm3. Para um mesmo solo arenoso, esse intervalo de variação, a diferentes níveis de compactação, é bem menor. A compactação do solo representa uma mesma massa de solo ocupando um volume de solo menor. Isso modifica sua estrutura, seu arranjo e seu volume de poros. Para solos de textura fina, mais argilosos, as possibilidades de arranjo das partículas são bem maiores. Seu espaço poroso é constituído, essencialmente, de microporos e o volume de poros Vv é grande, razão pela qual os valores Ds apresentam uma faixa de variação maior (0,90 a 1,60 g/cm3). A relação entre a densidade do solo e a densidade da água (1,0 g/cm3) é denominada densidade relativa do solo (Dr), a qual é adimensional. 57
  • 61.
    Morangueiro Irrigado A densidade das partículas do solo (Dp, g/cm3) é a relação entre a massa das partículas sólidas ms (g) e o respectivo volume ocupado pelas partículas Vs (cm3). ms Dp = (3.4) Vs A densidade das partículas depende da constituição do solo e como varia relativamente pouco de solo para solo, não varia de modo excessivo entre diferentes solos. A densidade das partículas aproxima-se da densidade das rochas. O quartzo tem Dp = 2,65 g/cm3 e como é um componente freqüente nos solos, a densidade das partículas oscila em torno desse valor. A média para uma grande variedade de solos é 2,70 g/cm3. Se a constituição do solo for muito diferente, como é o caso de solos turfosos (com muita matéria orgânica), seu valor pode ser mais baixo. A porosidade total do solo (P), que está diretamente ligada à definição de densidade, é uma medida do espaço poroso do solo. É definida pela relação entre o volume de poros (Vv) e o volume total do solo (Vt): VV  VT − VS  P= =  × 100 (3.5) Vt  Vt    Ela é adimensional e, em geral, expressa em porcentagem. Quanto maior a porosidade total de um solo, maior a sua capacidade de reter água. Por isso os solos de textura fina (argilosos), em geral, têm maior capacidade de retenção de água. A porosidade total também é, logicamente, afetada pelo nível de compactação. Quanto maior Ds, menor P. Uma equação muito utilizada para estimar, de forma indireta, P a partir de dados de Ds e Dp é a seguinte: 58
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    Capítulo III  D  P = 1 − s  × 100 (3.6)  D   p  A fase gasosa do solo (ar do solo) ocupa os espaços vazios não ocupados pela água do solo. A presença de camadas de impedimento (compactação) pode diminuir essa aeração, por meio da redução dos poros, resultando em uma infiltração e redistribuição mais lenta da água no solo. A fase líquida do solo é uma solução aquosa de sais minerais e substâncias orgânicas, sendo os sais minerais os de maior importância. 3.3 ÁGUA NO SOLO 3.3.1 Umidade do solo A determinação quantitativa da fase líquida, que não leva em conta os solutos, ou simplesmente da água do solo é feita de várias formas, dependendo da finalidade da medida: - Umidade à base de peso U ml mt − ms U= = (3.7) ms ms onde mt, ml e ms foram definidos na equação 3.1. A umidade U é adimensional (g/g), mas suas unidades devem ser mantidas para não confundir com a umidade à base de volume, que também é adimensional, mas numericamente diferente. A umidade U também é, com freqüência, apresentada em porcentagem. Sua medida é bastante simples: a amostra é pesada úmida mu (= mt) e, em seguida, deixada em estufa à 105oC, até peso constante ms (24 a 48 h ou até peso constante), sendo a diferença entre essas massas a massa de água ml. A amostra pode ter qualquer tamanho, desde que não seja muito 59
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    Morangueiro Irrigado pequena, nemmuito grande (ideal de 50 a 500 g) e pode ter sua estrutura deformada. Para sua determinação servem, portanto, amostras retiradas no campo com qualquer instrumento (trado, pá, enxada, colher etc.), devendo-se, porém, ter o cuidado de não deixar a água evaporar antes da pesagem úmida. - Umidade à base do volume θ Vl ml mu − ms θ= = = (3.8) Vt Vt Vt onde Vl e Vt foram definidos na equação 3.2. A umidade θ é adimensional (cm3/cm3) e, com freqüência, é apresentada em porcentagem. Sua medida é mais complicada, pois envolve a medida do volume Vt e, por isso, a amostra não pode ser deformada. Normalmente toma-se Vl = ml (considerando a densidade da solução do solo como 1,0 g/cm3). O volume Vt é o mais difícil de ser medido. A técnica mais comum é a do uso de anéis volumétricos, idênticos aos utilizados para a medida da densidade do solo. O procedimento mais conveniente para determinar θ é medir U e depois multiplicar o resultado por Dr: θ = U × Dr (3.9) sendo U dado em g de água/g de solo e Dr adimensional resultando θ em cm3 de água/cm3 de solo. Logicamente Dr precisa ser conhecido, mas a densidade do solo não varia muito no tempo, a não ser quando são realizadas operações de manejo (aração, gradagem, subsolagem, dentre outras). Mas, em geral, as maiores variações de Dr ocorrem nos primeiros 30 cm. Para maiores profundidades, geralmente considera-se Dr constante. Exemplo: Coletou-se uma amostra de solo com um volume de 3 150 cm , cuja massa úmida é 228 g e a massa seca é 193 g. Dessa forma: 60
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    Capítulo III 228 − 193 U= = 0,181 g/g ou 18,1 % 193 228 − 193 θ= = 0,233 cm 3 / cm3 ou 23,3 % 150 Note-se que para a mesma amostra, U é diferente de θ, daí a necessidade de manter as unidades, mesmo sendo ambos os valores adimensionais. 193 DS = = 1,287 g / cm3 150 1,287 Dr = = 1,287 1,0 θ = U × Dr = 0,181×1,287 = 0,233 cm3 / cm3 Vê-se, portanto, que só para o caso particular de Dr = 1, θ = U, que é o caso de solo bem fofo. Ainda usando o valor médio de 2,65 g/cm3 para a densidade das partículas: DS 1,287 P = 1− = 1− = 0,514 cm3 / cm3 ou 51,4 % Dp 2,650 3.3.2 Retenção de água no solo A retenção de água no solo ocorre devido a fenômenos de capilaridade e adsorção. A capilaridade atua na retenção da água no solo quando os poros estão cheios de água (solo úmido). A medida que o solo vai secando, os poros vão se esvaziando, filmes de água recobrem as partículas sólidas do solo e a adsorção passa a predominar na retenção de água. A 61
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    Morangueiro Irrigado energia requeridapara se retirar a água na condição seca é muito maior que na condição úmida. 3.3.3 Capacidade de campo e ponto de murcha permanente Diz-se que um solo está saturado quando todos os poros estão cheios de água. Nesta condição, a água que drena é aquela retida devido à capilaridade nos poros maiores. Quando essa drenagem cessa, o solo atinge a capacidade de campo (θcc). Continuando a drenagem, a adsorção passa a predominar no processo de retenção de água e, neste caso, os poros menores passam a perder água. Quando a umidade do solo é tão baixa que a quantidade de água existente faz com que a planta murche, sem recuperar o turgor mesmo com o umedecimento do solo, diz-se que o solo atingiu o ponto de murcha permanente (θPMP). 3.3.4 Capacidade de água disponível A diferença de umidade entre a capacidade de campo e o ponto de murcha permanente é definida como a capacidade de água disponível (CAD). A CAD (mm) é calculada pela seguinte equação: CAD = (θ cc − θ PMP ) × z (3.10) onde θcc é a umidade do solo na capacidade de campo (cm3/cm3), θPMP é a umidade do solo no ponto de murcha permanente (cm3/cm3) e z é a espessura da camada de solo (mm). A quantidade de água disponível em um solo está relacionada com a energia com que a água é retida na matriz do solo, ou seja, o potencial matricial da água no solo (Reichardt e 62
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    Capítulo III Timm, 2008).Essa relação origina a curva de retenção de água no solo, que é elaborada em laboratório. 3.3.5 Armazenamento de água no solo Dados os valores de umidade do solo, que são pontuais, como se determina a quantidade de água armazenada em uma dada camada de solo? A quantidade de água que cai sobre um determinado local, comumente, é expressa em termos de altura. Por exemplo, em Turuçu/RS chove em média 1.900 mm por ano. O que representa isso? A água de chuva é medida em pluviômetros, que são recipientes coletores de água expostos ao tempo (Figura 3.4). Eles têm uma área de captação S (m2) (seção transversal de sua boca) e coletam um volume V (m3) de água durante a chuva. A altura de chuva é h (m) = V/S, que pode ser convertida em mm. O interessante é que h independe do tamanho da boca do pluviômetro, pois um pluviômetro de boca 2S coletará o dobro do volume, isto é, 2V, resultando no mesmo valor de h. O significado de h pode, então, ser melhor visualizado para o caso de S = 1 m2, isto é, h igual ao volume de água que cai sobre a superfície unitária. 63
  • 67.
    Morangueiro Irrigado Figura 3.4- Ilustração de um pluviômetro tipo “Ville Paris” utilizado para medir a quantidade de água da chuva em uma propriedade no município de Turuçu/RS. Se jogarmos 1 L de água sobre uma superfície plana e impermeável de 1 m2, obteremos uma altura de 1 mm. Assim, 1 mm de chuva corresponde a 1 L/m2 e, portanto, 1.900 mm a 1.900 L/m2. Então, se toda a água que precipita em Turuçu não infiltrasse, nem escorresse ou evaporasse, ao final de um ano teríamos 1,9 m de água distribuídos por toda a área. Água aplicada via irrigação, água perdida por evaporação, etc., são todas medidas em mm. Seria interessante, portanto, medir também a água do solo em mm. Este é o armazenamento da água no solo (A, mm). É calculado multiplicando-se a umidade do solo (θ, cm3/cm3) de uma camada de interesse pela sua espessura (z, mm), ou seja: A =θ × z (3.11) 64
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    Capítulo III Assim como no caso da chuva, a altura de água armazenada pelo solo independe da área e, para o caso de uma superfície unitária, A = V. Para que esse conceito possa ser mais bem visualizado didaticamente, será utilizado o centímetro como unidade de comprimento. Tomemos, então, como superfície unitária (S) o cm2 e consideremos o primeiro cm de profundidade do solo. Nesse caso V = 1 cm3 de solo com umidade θ1 (cm3 de H2O por cm3 de solo) e S = 1 cm2. Temos, então, um volume de água V igual a θ1 cm3 de água em uma área de 1 cm2 e, então, θ1 = A1. Vejamos um exemplo: se 1 cm3 de solo tem θ = 0,30 cm3/cm3, isso significa que nesse cubo de solo cuja base é 1 cm2 temos 0,30 cm3 de água. Portanto, a altura de água é 0,30 cm ou 3,0 mm. 3.4 DETERMINAÇÃO DA UMIDADE DO SOLO Um dos atributos do solo mais comumente utilizado para o manejo de irrigação é a umidade do solo. Conhecendo-o em uma determinada camada de solo, pode-se determinar o momento e a quantidade de água a ser aplicada em uma irrigação. O instrumento mais prático para se medir o potencial matricial de água no solo é o tensiômetro, que consiste, basicamente, de uma cápsula porosa conectada a um tubo de PVC (Figura 3.5), onde se encontra conectado um vacuômetro de Bourdon (Figura 3.6). As leituras de potencial neste vacuômetro são obtidas em mm de Hg (escala externa - cada traço equivale a -20 mmHg) ou em polegadas de Hg (inHg, escala interna – cada traço equivale a –0,5 inHg). Quanto mais úmido o solo, menor são os valores lidos de potencial matricial e vice-versa. Por exemplo, em um solo em condições de saturação o potencial matricial lido seria “0 mmHg”. 65
  • 69.
    Morangueiro Irrigado Figura 3.5- Ilustração de um tensiômetro (figura extraída de REICHARDT, 1994). Figura 3.6 - Ilustração de um vacuômetro de Bourdon utilizado para a realização das leituras de potencial matricial na profundidade de intere interesse. 66
  • 70.
    Capítulo III Por meio das leituras do potencial matricial no tensiômetro e da curva de retenção de água no solo, são obtidos os valores da umidade do solo. As unidades de potencial matricial podem ser convertidas pelas seguintes relações aproximadas: 1 atm = 1 bar = 760 mm Hg = 1000 cm H2O 1 atm = 100 kPa = 0,1 MPa = 14,7 psi onde: atm = atmosfera; bar = bar; mm Hg = milímetros de mercúrio; cm H2O = centímetros de coluna de água; Pa = Pascal; kPa = quilo Pascal = 1.000 Pa = 103 Pa; MPa = mega Pascal = 1.000.000 Pa = 106 Pa; PSI = pound ou libra por polegada quadrada (1 pound ou libra = 453,6 gramas; 1 polegada = 25,4 cm). A Figura 3.7 ilustra dois tensiômetros instalados em um canteiro de solo cultivado com morango em uma propriedade localizada no município de Turuçu/RS. Os tensiômetros foram instalados em um determinado local do canteiro próximos a uma linha de irrigação com gotejadores, com o auxílio de um trado, nas profundidades de 20 e 30 cm, tomando-se o cuidado de garantir um bom contato entre a cápsula porosa e o solo. Eles foram instalados com o objetivo de avaliar e comparar o manejo empírico de irrigação que vem sendo adotado pelo produtor de morango ao longo do ciclo da cultura com o manejo baseado em informações técnicas que foram levantadas ao longo do projeto. 67
  • 71.
    Morangueiro Irrigado Figura 3.7- Ilustração de dois tensiômetros instalados em um canteiro de solo cultivado com morangueiro. Exemplo de aplicação do tensiômetro: Um tensiômetro com um vacuômetro de Bourdon, foi instalado a 30 cm de profundidade (altura correspondente à metade da cápsula porosa até a superfície do solo) e com uma altura do vacuômetro a superfície do solo de 10 cm, apresentando uma leitura de 160 mm Hg. Então, o potencial matricial (Ψm ) a 30 cm é: 160 mm Hg = 211 cm H2O Ψm = 211 – 30 – 10 = 171 cm H2O Para se conhecer a umidade do solo, basta entrar com este valor de Ψm na curva de retenção de água no solo, previamente elaborada no laboratório. 68
  • 72.
    Capítulo III 3.5 MANEJODA ÁGUA O manejo da água na cultura do morangueiro Fragaria x ananassa Duch apresenta-se de maneira diferenciada de outros sistemas de produção visto que a cultura apresenta particularidades importantes. Apesar de ser uma planta perene, o morangueiro possui uma fase em que as mudas são produzidas e comercializadas e outra onde seus frutos são comercializados para o consumo “in natura” ou para industrialização (Figura 3.8). Para cada uma destas fases, que representam sistemas de produção diferentes, o manejo recomendado e normalmente adotado apresenta características totalmente distintas, como se fossem culturas diferentes. 3.5.1 Produção de mudas O sistema de produção de mudas é baseado na fase de multiplicação da planta incentivada pelo fotoperíodo diário da época do ano, que faz com que a planta seja estimulada a desenvolver sua parte vegetativa/reprodutiva, em forma de estolhos. Para esta etapa da produção, as mudas se desenvolvem ao redor da planta matriz, produzindo até 300 plântulas (filhotes) por planta mãe. Como nesta etapa se formam as raízes, a partir de nós existentes nos estolhos, que necessitam de umidade no solo para que estas se desenvolvam, a disponibilidade de água é fundamental para o sucesso da produção. Todas as propriedades com esta atividade possuem a irrigação como fator fundamental no desenvolvimento desta fase. 69
  • 73.
    Morangueiro Irrigado Figura 3.8- Planta de morangueiro durante a formação de plântulas na fase reprodutiva (fase de produção de mudas). A irrigação recomendada é a aspersão ou micro aspersão visto que toda a área ao redor das plantas matrizes necessita de umidade adequada ao longo de todo o ciclo (do transplante das matrizes até coleta das mudas). Quando as matrizes estão cultivadas no espaçamento adequado e existe crescimento compatível, o solo de toda a área fica coberto pelas plântulas a serem coletadas (Figura 3.9). Em alguns sistemas de produção as mudas são cultivadas sob cobertura plástica e substrato artificial, que são recomendados em regiões com alta probabilidade de ocorrência de chuvas no período de produção de mudas. Nestes sistemas, o uso de irrigação por gotejamento é utilizado e recomendado, pois as plantas se desenvolvem dentro de recipientes que concentram as mudas juntas aos tubos gotejadores. Sempre que 70
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    Capítulo III possível airrigação por gotejamento deve ser usada, pois eliminando ou reduzindo o molhamento foliar, o risco de ocorrência de doenças é quase eliminado. Figura 3.9 - Viveiro de produção de mudas na Argentina. Fase de cobertura total do solo cultivado (foto: Proplant Argentina). O manejo da irrigação em viveiros de produção de mudas deve ser feito de modo que a umidade permaneça o maior tempo possível próxima à superfície. Isto é conseguido com irrigações freqüentes e volumes de irrigação menores. Para o morangueiro, a boa disponibilidade de água durante a fase de crescimento vegetativo é fundamental, o que justifica o uso de irrigação complementar em regiões onde as chuvas são insuficientes para o consumo da planta (DWIER et al., 1987). Farias (1997) verificou que para uma maior produção de mudas e para produção de mudas de melhor qualidade, o potencial matricial da água no solo de -10 kPa é o 71
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    Morangueiro Irrigado mais adequado.No estudo este potencial foi assumido como equivalente à umidade do solo na capacidade de campo. Portanto, recomenda-se, para se manejar a água de irrigação para produção de mudas de morangueiro com melhor qualidade e maior quantidade, o uso de tensiômetros, deixando a umidade no solo sempre próxima à capacidade de campo. O método recomendado para o manejo é o de microaspersão ou de aspersão convencional, devendo-se fazer irrigação ao amanhecer ou nas primeiras horas da manhã. Atenção especial deve ser dada à qualidade da água de irrigação, com o objetivo de reduzir inóculos de doenças. Conforme Balbino et al. (2004), a água pode ser portadora de linhagens patogênicas de Esclerotínia coli, Salmonella sp., Vibrio cholerae, Shigella sp., Cryptosporidium parvum, Giardia lambia, Cyclospora cayetanensis, Toxiplasma gondii e os vírus Nowalk e hepatite A. 3.5.2 Produção de frutos O sistema de produção de frutos inicia quando se faz o transplante das mudas ou plântulas para o canteiro definitivo. Normalmente nos canteiros são cultivadas duas linhas de plantas, estas espaçadas por aproximadamente 35 cm. Também podem ser usadas três ou quatro linhas de cultivo em cada canteiro (Figura 3.10). O sistema radicular do morangueiro, que é fasciculado e superficial, surge na volta da coroa da planta. Apesar de poder chegar a 50 cm de profundidade, 95% das raízes encontra-se nos primeiros 20 cm (RONQUE, 1998). Logo após o transplante das mudas, inicia-se um período vegetativo, onde o crescimento é rápido. Períodos de dias longos e temperaturas elevadas favorecem o crescimento vegetativo, que é fundamental para o número de gemas florais e, por conseqüência, para a produção (BRANZANTI, 1989). A 72
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    Capítulo III qualidade deformação da muda também é um aspecto importantíssimo no potencial produtivo do morangueiro. A partir desta fase inicia-se a produção, que se dá juntamente com a ocorrência de novas flores, frutos, aumento da área foliar e do porte da planta. Figura 3.10 - Canteiro de morangueiro em fase inicial de desenvolvimento, cultivado em três linhas no canteiro, com plantas espaçadas de 30 cm na linha (foto: Carlos Reisser Júnior). O cultivo de morangos no Rio Grande do Sul, tem como características a utilização de túneis baixos, construídos com filmes plásticos transparentes, cobertura do solo dos canteiros com filmes plásticos pretos e irrigação por gotejamento sob a cobertura (REISSER JÚNIOR et al., 2004), tendo estas características elevada influência sobre o manejo de água da cultura, conforme descrito a seguir. Cobertura do solo ou “mulching”: considera-se cobertura do solo todo o elemento colocado junto ao solo, que 73
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    Morangueiro Irrigado tenha elevadaresistência à transferência de vapor de água ou totalmente impermeável. Este tipo de cobertura, além de reduzir ou eliminar a evaporação da água nos canteiros, também é capaz de modificar totalmente o regime térmico do solo, conforme sua composição e coloração. A variável que melhor se relaciona com o consumo de água pela planta, logo após o transplante das mudas, é a evapotranspiração de referência (ETo), com pouca influência da planta visto que esta se encontra com as folhas pouco desenvolvidas e sem a cobertura, a qual normalmente é colocada após o pegamento total das plântulas. A partir da análise da Figura 3.11 Coelho Filho et al. (2007) mostraram que no início do ciclo da cultura (até 50 dias após o plantio - DAP) a evapotranspiração da cultura ETc é totalmente dependente da ETo e semelhante na magnitude de seus valores. Figura 3.11 - Variação da Evapotranspiração do morangueiro irrigado por gotejamento (ETc got) e por microaspersão (ETc mic) (A) e Evapotranspiração de referência (ETo) (B), no mesmo período, em função de dias após o plantio (DAP), município de Nova Porteirinha, MG (COELHO FILHO et al., 2007). Estes valores semelhantes devem-se ao fato de que o solo no canteiro se apresentava sem cobertura. Logo após a 74
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    Capítulo III colocação decobertura, os valores de Kc (coeficiente de cultivo) (que relaciona ETo com ETc) se tornam dependentes da área foliar da cultura e do método de irrigação (Figura 3.12). KC Got KC Got = f (AF) Kc Micro Kc Micro = f (AF) 2 1.8 1.6 1.4 1.2 Kc 1 0.8 0.6 0.4 0.2 0 0 0.02 0.04 0.06 0.08 0.1 0.12 0.14 0.16 0.18 AF (m2) Figura 3.12 - Coeficiente de cultivo do morangueiro irrigado por gotejamento (Kc Got) e por microaspersão (Kc Micro) em função da área foliar (AF), município de Nova Porteirinha, MG (COELHO FILHO et al., 2007). Além dos filmes de polietileno, outros tipos de cobertura do solo também são importantes no aspecto consumo de água da cultura. Reisser Júnior et al. (2008) verificaram que em coberturas de polipropileno de tecido não tecido (TNT) a ETc é maior do que em coberturas de filme de polietileno preto. Os mesmos autores verificaram também que filmes de TNT branco, por não controlarem as plantas invasoras, tornam o consumo de água do sistema, mais elevado. Outro efeito das coberturas de solo impermeáveis verificado pelos autores é o retardo da infiltração de água da chuva ou redução do volume infiltrado junto à planta, quando comparado a outros sistemas de produção. Cobertura das plantas (túneis e estufas): o uso de coberturas sobre as plantas dos canteiros é uma prática que está 75
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    Morangueiro Irrigado presente naslavouras de melhor qualidade, nas regiões onde ocorrem precipitações pluviométricas abundantes durante o ciclo de produção (Figura 3.13). A prática reduz a ocorrência de doenças ligadas à disponibilidade de água livre na folha e por este motivo reduz o aparecimento de doenças e o número de aplicações de fungicidas, melhorando a qualidade dos frutos. Figura 3.13 - Sistema de produção de morangueiro com cobertura do solo e túnel baixo de polietileno branco (esquerda) e transparente (direita), no início do ciclo de produção de frutos. Esta prática também produz impactos importantes no manejo da irrigação e outros aspectos ligados à água. A barreira exercida pelo plástico, além de reduzir a presença de água livre sobre a superfície das plantas, também apresenta outros benefícios como: aumento da temperatura junto ao dossel vegetativo, redução de danos mecânicos causados pelo vento e pela chuva e redução da radiação (dependendo da composição da cobertura), quando esta é excessiva (verão). Com relação ao consumo de água, a evaporação e a evapotranspiração das culturas é reduzida dentro destes 76
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    Capítulo III ambientes, vistoque em trabalhos comparativos verificou-se que tanto a evaporação do tanque classe A (FARIAS et al., 1994), quanto a evapotranspiração das culturas, medida com lisímetros (REISSER JÚNIOR, 1991), dentro de abrigos são menores. Sabe-se também que existe uma relação direta entre a redução da evapotranspiração das culturas em estufas plásticas e a redução da radiação global incidente sobre a cultura, provocada pela cobertura (REISSER JÚNIOR, 1991). O polietileno de baixa densidade aditivado contra raios ultravioleta (PEbd anti-uv) apresenta transmissividade em torno de 80% da radiação solar global. Porém, com o envelhecimento, aderência de poeira e em conjunto com o efeito dos elementos estruturais, que lhe dão suporte, sua transmissividade média é reduzida para 70%. Outros materiais podem reduzir mais a radiação, como as telas de sombreamento ou os filmes não tecidos de polipropileno. O motivo do aumento de produção em ambientes cobertos com polietileno, conforme Martinez Garcia (1978) é a redução do período diário de fechamento dos estômatos que, como conseqüência, aumenta a produção de matéria seca. Já para Reisser Júnior et al. (2003), as alterações morfológicas que ocorrem nas plantas cultivadas em estufas plásticas, típicas de plantas de sombra, contribuem para que estas mantenham os mesmos níveis de produção de biomassa em ambientes com redução de radiação. Outro efeito benéfico que influencia a produtividade é o aumento da eficiência de uso de radiação pelas plantas cultivadas nestes ambientes (RADIN, 2002). Irrigação: os métodos de irrigação utilizados no sistema de produção de morangos são: irrigação localizada (sistema de gotejamento) e aspersão (sistema de aspersão convencional). Atualmente o sistema de gotejamento é o mais indicado, principalmente pela presença da cobertura plástica nos canteiros com túneis e pela redução do molhamento da folha da planta. Alguns sistemas de produção de morango, 77
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    Morangueiro Irrigado como éo caso da “Produção Integrada”, não aceitam outro sistema que não seja o de gotejamento. -Aspersão: atualmente o sistema de irrigação por aspersão convencional e outros de alto consumo de energia, se encontram em desuso. Somente pequenos produtores menos tecnificados ainda adotam a prática, que somente seria recomendada para materiais genéticos de morangueiro resistentes às doenças, porém com baixo potencial produtivo. Estas lavouras, normalmente, utilizam baixa tecnologia e alcançam produtividades reduzidas, tornando o empreendimento pouco rentável (Figura 3.14). Uma vantagem que o sistema apresenta é a possibilidade de uso para controle de geadas. Em locais onde é elevada a probabilidade de ocorrência de geadas tardias e é planejada a produção precoce (no início da safra gaúcha) é recomendado o uso desta técnica de controle de geadas. Figura 3.14 - Lavoura de morangueiro irrigada por aspersão convencional, cobertura do solo com casca de arroz e mudas de baixa qualidade (foto: Carlos Reisser Júnior). 78
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    Capítulo III -Gotejamento: o sistema de gotejamento se adequou perfeitamente ao sistema de produção de morangueiro, visto que a presença dos tubos gotejadores sob o filme de cobertura do solo (Figura 3.15) permite que se façam adubações em cobertura, sob o plástico, com adubos solúveis junto à água de irrigação (fertirrigação). A evolução deste sistema deve-se, além de sua eficiência de aplicação, à simplicidade dos seus componentes e dos acessórios que permitem outras utilizações. Uma das vantagens é a possibilidade de aplicação de produtos químicos no solo para controle de pragas. Figura 3.15 - Lavoura de morangueiro irrigada por gotejamento, com cobertura do solo com filme plástico. 79
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    Morangueiro Irrigado 3.5.3 Respostado morangueiro à disponibilidade hídrica De acordo com Krüger et al. (1999), o morangueiro é classificado como uma cultura susceptível e de baixa resistência ao estresse hídrico. Isto quer dizer que a cultura reduz muito seu potencial produtivo com pequenas reduções da umidade do solo. Os mesmos autores demonstraram que a produção, o tamanho e a qualidade dos frutos estão relacionados à irrigação. O consumo de água das plantas varia dependendo de fatores como estágio de crescimento, potencial produtivo, condições climáticas e seus efeitos sobre a área foliar da cultura. Hoppula e Salo (2007) salientaram que estas variáveis podem se resumir na medida de umidade ou tensão da água no solo e proporcionar ao agricultor a informação mais importante na hora que ele desejar. O morangueiro é tão sensível à falta de água que tentativas de elevar a eficiência do uso da água (relação entre a produção da planta e o consumo de água), mediante a redução da água aplicada, não foram eficientes para viabilizar a produção, visto que a redução da produtividade torna-se expressiva. Liu et al. (2007) verificaram que a redução do fornecimento de água para parte do sistema radicular é sentido pela planta como deficiência hídrica. Em trabalhos em andamento na região sul do Brasil, verificou-se que a cultura responde claramente à disponibilidade de água ao longo do ciclo cultural. Manejando a irrigação com tensões mais elevadas (restrição de água) o morangueiro reduz sua produção (Figura 3.16). O mesmo trabalho mostrou que a produção total por planta também apresenta relação com a tensão da água manejada. De acordo com a Figura 3.17, a tensão de água no solo mais adequada para produtividade máxima é próxima a 10 kPa ou 75 mmHg. 80
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    Capítulo III 1800 1600 1400 1200 Prod acum (g/pl) 1000 800 160 600 80 400 120 200 0 0 25 50 DAIC 75 100 125 150 Figura 3.16 - Produção acumulada de morangos em função de dias após o início da produção (DAIC) para manejo da cultura com tensiômetros indicando tensões de 80, 120 e 160 mmHg. Caxias do Sul, 2008. 2 Produção (Kg/planta) 1,5 1 0,5 0 0 5 10 15 20 Tensão (KPa) Figura 3.17 - Produtividade do morangueiro (Kg/planta) em função da tensão de água no solo, manejada com tensiometria. Caxias do Sul-RS, 2008. 81
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    Morangueiro Irrigado Costa et al. (2007) recomendam que a disponibilidade de água não seja reduzida em mais do que 35% dos valores ideais indicados, mesmo em regiões ou períodos de baixa demanda atmosférica. Também recomendam que em períodos de alta demanda (ETo > 5mm/dia) esta redução não ultrapasse a 20%. Este tipo de informação indica que o produtor maneje a irrigação com alta freqüência e com redução do volume. Esta mesma recomendação é valida também para cultivos em solos de baixa capacidade de armazenamento. Na região produtora de morangos do município de Turuçu-RS vários produtores já estão testando o uso de tensiômetros para o manejo da irrigação em suas lavouras. A Figura 3.18 apresenta a distribuição dos valores diários de tensão de água no solo, verificados em tensiômetros instalados a 20 cm de profundidade, em 15 lavouras pertencentes a produtores de morango de Turuçú, indicando os valores de tensão de água no solo adotados por cada produtor no manejo de irrigação. 500 400 300 Tensão (mmHg) 200 100 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 Produtores Figura 3.18 - Valores de tensão da água no solo medidos em tensiômetros instalados a 20 cm de profundidade em lavouras de produtores de morango do município de Turuçu-RS. Turuçu, 2007. 82
  • 86.
    Capítulo III Foi verificado que os produtores que atingiram as maiores produtividades, manejaram a água com tensões semelhantes entre os primeiros 30 cm de profundidade do solo (Figura 3.19). Também foi constatado que, nos períodos de maior demanda (próximo ao verão), a frequência de irrigação era de dois dias e o sistema ligado durante uma hora. Neste período, as tensões foram manejadas de modo a manter a tensão entre 40 e 70 mmHg (5,3 kPa e 9,2 kPa). Na mesma Figura 3.19, observa-se que, na maior parte do tempo, a lâmina de água armazenada no solo permaneceu entre 60 e 80 mm, logo após as chuvas, quando cessava a drenagem de água livre, ou seja, umidade do solo referente à capacidade de campo. Figura 3.19 - Leituras dos tensiômetros a 20 e 30 cm (20 e 30) de profundidade, utilizados para o manejo de irrigação na cultura de morangueiro, chuva, tempo de irrigação (irrig) e lâmina armazenada de água (LamDisp), até 30 cm de profundidade, no ano de 2007. Turuçu-RS, 2007. Outras formas de manejo da irrigação da cultura, como os métodos climatológicos, baseados em balanços da água no 83
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    Morangueiro Irrigado solo, sãopossíveis porém há uma maior necessidade de dados do clima e do solo. Com manejos deste tipo, Trout e Gartung (2004) verificaram que o morangueiro atingiu as maiores produtividades (0,8 kg/planta) quando se aplicavam lâminas de água via irrigação iguais a 125% da ETc. No trabalho destes autores, a cultura foi cultivada sobre plástico preto e sem cobertura de túneis de cultivo. Outros autores, usando um manejo climatológico semelhante, onde a ETo era calculada a partir dos dados de evaporação do tanque Classe A, verificaram que as maiores produtividades foram conseguidas com a aplicação de lâminas de água iguais a ETo (Kc=1,0) (YUAN et al., 2004). Estes autores realizaram o trabalho em estufas plásticas, onde a demanda atmosférica normalmente é menor do que em ambiente natural. Esta redução permite que se trabalhe com valores de umidade no solo mais baixos. 3.5.4 Manejo da irrigação localizada A resposta às perguntas básicas, “quando?” e “quanto?” irrigar, é que definem a maneira correta de se aplicar água no solo para atender as necessidades hídricas da cultura, de forma a proporcionar a condição ideal de umidade do solo para o seu desenvolvimento. Porém, não é a maximização da produtividade o principal desafio do manejo correto, mas sim a viabilidade econômica da prática. As formas de programação da irrigação baseiam-se em dados climáticos, ou em função da umidade do solo, ou também em função de indicadores de estresse hídrico. a) Dados Climáticos: o manejo por meio dos dados climáticos é função do balanço hídrico do solo. Os volumes de água a considerar como “entrada” são os precipitados na área (chuva e irrigação). Estes volumes devem ser avaliados, pois devem ser considerados somente aqueles que ficam 84
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    Capítulo III efetivamente disponíveispara a cultura. Já dentre os volumes considerados como “saída” de água, a evapotranspiração de referência (ETo) deve ser calculada ou estimada utilizando-se um dos vários métodos de cálculo descritos na literatura. O método de Penman é um dos que melhor calcula a ETo, porém apresenta como desvantagem a necessidade de medida de vários parâmetros meteorológicos. Outra maneira de se estimar a ETo é por meio da medida de Evaporação do tanque “Classe A”, que, juntamente com alguns coeficientes, permite estimar a evapotranspiração da cultura do morangueiro, quando multiplicado pelo coeficiente de cultura Kc (Figura 3.12). Na Tabela 3.1 encontram-se valores de Kc do morangueiro determinados para as condições do Estado da Califórnia-EUA. Tabela 3.1 – Coeficientes de cultivo (Kc) para o morangueiro em condições de ETo entre 1,5 a 4,7 mm/dia. DAP 0 15 30 45 60 75 90 Kc 0,15 0,18 0,25 0,35 0,45 0,55 0,62 DAP 105 120 135 150 165 180 195 Kc 0,65 0,68 0,69 0,69 0,69 0,79 0,70 DAP- Dias após o plantio. Adaptada de Hanson e Bendixen (1985). Os volumes ou lâminas de água a serem aplicados devem ser administrados considerando o espaçamento da cultura (dentro do canteiro) e a profundidade do sistema radicular (em torno de 30 cm). A aplicação de água via gotejadores forma um bulbo úmido que deve ser considerado na hora de irrigar (Figura 3.20). 85
  • 89.
    Morangueiro Irrigado Figura 3.20- Movimento da água no sentido vertical e horizontal, a partir dos pontos de emissão. b) Umidade do solo: o manejo da irrigação em função da umidade do solo baseia-se na informação da tensão com que a água se encontra retida no solo. A tensão, quando medida com equipamentos como o tensiômetro, é relacionada com a umidade do solo (curva de retenção de água no solo) e pode ser medida em kPa, mmHg e também em bar. Alguns problemas inerentes ao sistema, como falta de representatividade do ponto medido, podem ser reparados com um número maior de pontos de medição. No caso de tensiômetros, recomenda-se a sua colocação em duas profundidades, uma informa o momento de iniciar a irrigar (o mais superficial) e o outro o momento de parar a irrigação (o mais profundo). Para o morangueiro, a instalação nas profundidades de 20 e 30 cm pode promover um bom manejo. c) Indicadores de estresse hídrico: esta forma de manejar a irrigação é a mais técnica e também necessita de maior número de equipamentos e informações da fisiologia da planta. Mesmo sendo a mais correta, pois indica quando a 86
  • 90.
    Capítulo III planta necessitaou possui água em demasia, é a mais difícil, sendo indicada para pesquisas científicas. 3.5.5 Fertirrigação Como foi comentado anteriormente, o uso de irrigação por gotejamento permitiu que fosse criada uma forma nova de aplicar adubos agrícolas. Nos sistemas brasileiros de produção, a colocação de adubos era feita em forma sólida e normalmente aplicada na base, pouco antes da implantação da cultura e por cobertura, quando a cultura estava em desenvolvimento. A aplicação de base se recomendava para adubos menos solúveis e os de cobertura para os mais solúveis e necessários nos estágios finais da cultura. O uso de coberturas plásticas para o controle de invasoras tornou a adubação de cobertura uma prática quase impossível de ser feita. Com o aparecimento das fitas gotejadoras ou tubos gotejadores e os adubos solúveis, esta prática viabilizou-se criando uma nomenclatura nova para esta prática que é a fertirrigação. Por um lado a técnica promove economia de adubos, melhora a assimilação dos nutrientes, permite fracionar aplicações e adequá-las às necessidades das plantas, permite rapidez na correção das fertilizações e reduz o custo da prática. Por outro lado, pode reduzir a uniformidade de aplicação de água devido a entupimentos dos gotejadores, necessita de maiores conhecimentos técnicos para o manejo e pode salinizar o solo. Basicamente o sistema é composto por um tanque de adubação, onde se realiza os preparos dos adubos a serem aplicados, um injetor e um dosador de adubos. Cuidados devem ser tomados com esta prática, principalmente nas dosagens utilizadas e nas necessidades momentâneas da planta. 87
  • 91.
    Morangueiro Irrigado O morangueiro é uma cultura que apresenta alta sensibilidade à salinidade. Esta sensibilidade é dependente do material genético, sendo que algumas cultivares apresentam maior tolerância ao estresse salino. Casierra-Posada e Riaño (2006) verificaram que níveis elevados de sais no solo, variando de 2,6 a 12,6 dS/m, determinaram reduções de até 20% na produtividade da cultivar Sweet Charlie. O aumento nos níveis de salinidade reduziu em até 50% a produtividade da cultivar Camarosa, a mais susceptível a este problema. 3.6 LITERATURA CITADA BALBINO, J. M de S.; ATHAYDE, M. O.; TEIXEIRA, C. P.; COSTA, H. Tecnologias para produção de mudas e cultivo comercial de morango. In: BALBINO, J. M. de S. Tecnologias para produção colheita e pós-colheita de morangueiro. Vitória-ES, Incaper, p. 25-34. 2004. Incaper Documentos 124. BRANZANTI, E. C. La fresa. Madrid: Mundi-Prensa, 1989. 386 p. CASIERRA-POSADA, F.; RIAÑO, N. G. Produción y calidade de fruta en cultivares de fresa (Fragaria sp.) afectados por estrés salino. Revista de la Facultad Nacional Agrária de Medelin, v. 59, n. 2, p. 3527-3542, 2006. COELHO FILHO, M. A.; COELHO, E. F.; COSTA, E. L.; OLIVEIRA, V. M. de O.; SILVA, T. S. M.; DINIZ, R. S.; SILVA, A. J. P. da. Evapotranspiração de morangueiro no norte de Minas Gerais. In: Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem, 2007, Mossoró. Anais do XVII Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem, 2007. 88
  • 92.
    Capítulo III COSTA, E.L. da; COELHO, E. F.; COELHO FILHO, M. A. Irrigação do morangueiro. Informe agropecuário. Belo Horizonte, v. 28, n. 236, p. 50-55, 2007. DWYER, E. E.; STUWART, D. W.; HOUWING, L.; BALCHIN, D. Response of strawberry to irrigation scheduling. Hortscience, Mount Vernon, v. 22, p. 42-44, 1987. FARIAS, C. A. Produção e qualidade de mudas de morangueiro (Fragaria x ananassa Duch.) sob diferentes níveis de irrigação em Pelotas, RS. 1997, 53p. Dissertação. (Mestrado em Agronomia) - Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 1997. FARIAS, J. R. B.; BERGAMASCHI, H.; MARTINS, S. R. Evapotranspiração no interior de estufas plásticas. Revista Brasileira de Agrometeorologia, Santa Maria, v. 2, n. 1, p. 17- 22, 1994. HANSON, B.; BENDIXEN, W. Drip irragation evaluated in Santa Maria Valley strawberries. California Agriculture, v. 58, n. 1, p. 48-53, 1985. HOPPULA, K. I.; SALO, T. J. Tensiometer-based irrigation scheduling in perennial strawberry cultivation. Irrigation Science, New York, v. 25, p. 401-409, 2007. KRÜGER, E.; SCHMIDT, G.; BRUCHNER, U. Scheduling strawberry irrigation based upon tensiometer measurement and a climatic water balance model. Scientia Horticulturae, New York, v. 81, p. 409–424, 1999. LIU, F.; SAVIC, S.; JENSEN, C. R.; SHAHNAZARI, A.; JACOBSEN, S. E.; STIKIC, R.; ANDERSEN, M. N. Water relations and yield of lysimeter-grown strawberries under limited irrigation. Scientia Horticulturae, New York, v. 111, p. 128-132, 2007. 89
  • 93.
    Morangueiro Irrigado MARTINEZ GARCIA,P. F. Características climaticas de los invernaderos de plastico. Madrid: INIA-Dep. Horticultura, 1978. 43p. (Hoja Tecnica). RADIN, B. Eficiência do uso da radiação fotossinteticamente ativa pela cultura do tomateiro em diferentes ambientes. 2002. 124f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia, Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2002. REICHARDT, K. Controle da irrigação do milho. Campinas: Fundação Cargill, 1994. 20p. REICHARDT, K.; TIMM, L. C. Solo, planta e atmosfera: conceitos, processos e aplicações. 1ª edição. 1ª reimpressão Barueri: Editora Manole, 2008. 478p. REISSER JÚNIOR, C. et al. Alterações morfológicas do tomateiro em resposta à redução de radiação solar em ambientes de estufa plástica. Revista Brasileira de Agrometeorologia, Santa Maria, v. 11, n. 1, p. 7-14, 2003. REISSER JÚNIOR, C. Evapotranspiração de alface em estufa plástica e ambiente natural. Santa Maria, 1991. 78f. Dissertação (Mestrado em Irrigação e Drenagem) - Programa de Pós-graduação em Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Santa Maria. REISSER JÚNIOR, C.; ANTUNES, L. E. C.; RADIN, B. Técnicas de proteção da cultura do morangueiro com filmes de polietileno de baixa densidade. In:. Simpósio nacional do morango, 2, Encontro de pequenas frutas e frutas nativas do mercosul, 1. 2004, Pelotas. Palestras... Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2004. p. 115-132, 2004 (Embrapa Clima Temperado. Documentos 124). 90
  • 94.
    Capítulo III REISSER JÚNIOR,C.; CARVALHO, J. C.; CASTAÑEDA, L. M. F.; RISTOW, N. C.; CARPENEDO, S.; ANTUNES, L. E. C. Water potential change in the beds of strawberry cultivated under different types of mulching. In: INTERNATIONAL STRAWBERRY SYMPOSIUM, 6., 2008, Huelva. Book of Abstracts VI International Strawberry Symposium ISHS. Huelva: Junta da Andalucia, 2008. v. 1. p. 292-292. RONQUE, E. R. V. A cultura do morangueiro: revisão e prática. Curitiba: EMATER-Paraná, 206 p. 1998. TROUT, T. J.; GARTING, J. Irrigation water requirements of strawberries. Acta Horticulturae, v. 664, p. 665-671, 2004. YUAN, B. Z.; SUN, J.; NISHIYAMA, S. Effect of drip irrigation on strawberry growth and yield inside a plastic greenhouse. Biosystems Engineering, v. 87, n. 2, p. 237-245, 2004. 91
  • 95.
    CAPÍTULO 4 -QUALIDADE DA ÁGUA Carina Costa Estrela Maria Laura Turino Mattos Luís Carlos Timm Vitor Emanuel Quevedo Tavares Leandro Sanzi Aquino Gabrieli da Cunha Pereira Manoela Terra de Almeida Carla Denize Venzke 4.1 A ÁGUA USADA NA AGRICULTURA Desde a antiguidade as principais civilizações originaram-se em regiões áridas e fixaram-se à margem de rios como o Nilo no Egito, Tigre e Eufrates na Mesopotâmia, Ganges na Índia e Huang Ho e Iang-tse-Kiang na China. O uso dos recursos hidráulicos possibilitou o surgimento e a conservação destes povos demonstrando que a irrigação sempre foi um fator de riqueza, prosperidade e segurança (MANTOVANI; BERNARDO; PALARETTI, 2006). Considerada no passado como uma opção técnica para a garantia de produção em locais ou períodos onde predomina a seca, a irrigação passou a ser utilizada na atualidade, como estratégia para o aumento da produção e rentabilidade da propriedade agrícola (MANTOVANI; BERNARDO; PALARETTI, 2006). A irrigação proporciona ainda uma 92
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    Capítulo IV produtividade consideradasegura, pois, independentemente da ocorrência de precipitações, possibilita que normalmente a produção próxima à máxima esperada seja alcançada, viabilizando os investimentos de capital necessários à exploração agrícola (OLITTA, 1984). O uso da irrigação na produção de alimentos é a atividade que mais utiliza água no mundo (MAÑAS; FUSTER; BELMONTE, 2005; TUNDISI, 2003). A irrigação é a técnica que complementa a necessidade de água, naturalmente fornecida pela precipitação, promovendo teor de umidade adequado ao solo que permite o crescimento normal das plantas, garantindo a produção agrícola (SETTI et al., 2001). Portanto, sendo considerada como elemento fomentador do desenvolvimento socioeconômico (TESTEZLAF; MATSURA; CARDOSO, 2002). A alta demanda hídrica pela irrigação, embora esteja relacionada ao alto consumo das plantas, muitas vezes, também se deve a baixa eficiência no uso da água. Devido ao emprego incorreto dos métodos e/ou das técnicas de manejo da irrigação no Brasil, as perdas de água chegam ao valor estimado de 37,7% (CHRISTOFIDIS, 1999 apud VANZELA, 2004). Quirino et al. (1999) descrevem que não só as águas superficiais, como também os mananciais subterrâneos tem sido prejudicados pelo desenvolvimento agropecuário devido às condições climáticas e ao despreparo dos agricultores quanto à utilização de um manejo adequado. A agricultura brasileira, conforme descrevem Rodrigues et al. (2004), gera problemas ambientais tais como: destruição da cobertura vegetal e a consequente destruição dos solos; utilização de insumos e máquinas em excesso na tentativa de dirimir os problemas de fertilidade, associados a problemas de qualidade da produção e comprometimento da saúde dos trabalhadores e consumidores; e o avanço das áreas 93
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    Morangueiro Irrigado agrícolas sobreas reservas naturais como forma de reposição dos solos tornados inadequados à agricultura. 4.1.1 A água usada na cultura do morangueiro Os estudos que fornecem a sustentação ao uso racional da água sob diferentes circunstâncias ambientais são de grande importância segundo Pires et al. (2006), sendo que no Brasil a irrigação é uma técnica essencial para o cultivo do morango, devido à sensibilidade da cultura aos déficits hídricos, podendo exercer forte interferência no crescimento da planta e na produtividade. O nível tecnológico da irrigação empregado nos diferentes Estados é bastante variado, adaptando-se às condições de clima e à capacidade de investimento do produtor. Nos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, em virtude da ocorrência de registros pluviométricos elevados durante o ciclo da cultura, mais de 50% dos cultivos ocorrem sob plástico (túneis baixos, túneis altos e casas de vegetação). No Brasil, até a década de 80, a maior parte das lavouras de morangueiro era irrigada por aspersão que, por meio dos respingos causados pelo impacto das gotas d'água, contribui na disseminação de patógenos, tornando indispensáveis os tratamentos fitossanitários, oferecendo alto risco à saúde do produtor e do consumidor. Estes fatores, conforme Santos, Medeiros e Wrege (2003), favoreceram a adoção da irrigação por gotejamento. A irrigação por gotejamento permite que se mantenha o solo úmido e com boa aeração, devido ao fato de que este sistema permite aplicar pequenas quantidades de água com alta frequência de irrigação, mantendo sua umidade sempre próxima à capacidade de campo na zona radicular. Bernardo, Soares e Mantovani (2006) destacaram que o sistema de irrigação localizada permite uma maior eficiência no controle 94
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    Capítulo IV fitossanitário, nãointerfere nas práticas culturais e se adapta a diferentes tipos de solos e topografia. 4.2 QUALIDADE DA ÁGUA USADA NA IRRIGAÇÃO A irrigação é definida por Lima et al. (2004), como o conjunto de técnicas destinadas a deslocar a água no intuito de modificar as possibilidades agrícolas de cada região, visando corrigir a distribuição natural das chuvas. Os mesmos autores ainda comentam que, enquanto complementação às demais técnicas agrícolas, a irrigação proporciona ao produtor alcançar a máxima produção, com o mínimo desperdício de água e energia quando desenvolvida por meio de um manejo racional, fornecendo a cultura a quantidade de água necessária e a aplicação no momento correto. Qualquer atividade humana que altere o regime das águas influencia a qualidade e a disponibilidade da água em uma bacia hidrográfica, afetando drasticamente a qualidade dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos (SETTI et al., 2001; COSTA et al., 2005). A irrigação, quando utilizada de forma incorreta sem a adoção de técnicas especiais para o aproveitamento racional visando o mínimo desperdício de água, além de afetar a qualidade do solo pode causar problemas quantitativos nos corpos hídricos. Como forma consuntiva de água, onde parte da água utilizada não retorna ao seu curso original, a irrigação pode causar a redução efetiva da disponibilidade do manancial e a contaminação por meio da água que retorna, além de modificações no meio ambiente, salinização do solo nas regiões áridas e semi-áridas e problemas de saúde pública (LIMA et al., 2007). 95
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    Morangueiro Irrigado Os impactos negativos, gerados por sistemas de irrigação inadequadamente projetados e manejados de forma não apropriada, podem comprometer o desenvolvimento da irrigação, pois esses impactos afetam geralmente os recursos naturais (água, solo, flora e fauna) tendo consequências sociais (qualidade de vida) e econômicas (TESTEZLAF; MATSURA; CARDOSO, 2002). Ainda segundo os autores, o primeiro recurso natural que irá sofrer os efeitos do uso da irrigação é o recurso hídrico, pois a aplicação desuniforme e incorreta proporciona desperdício de água e de insumos químicos que venham a ser aplicados via irrigação. Além disto, as aplicações excessivas de água podem contaminar, por meio da lixiviação, águas superficiais e subterrâneas, prejudicando e comprometendo a fauna e a flora da região. O solo é outro recurso natural que pode sofrer o impacto destas aplicações excessivas, que podem vir a causar tanto a compactação quanto a desagregação de partículas. O escoamento superficial pode causar erosão, transportando sedimentos e nutrientes, retirando a camada superficial e expondo horizontes mais profundos inférteis. Entretanto, os efeitos adversos acima citados, podem ser solucionados e algumas ações são recomendadas para aperfeiçoar o seu uso e minimizar os impactos, tais como: i) os dimensionamentos dos sistemas de irrigação devem estar adequados às necessidades da cultura e às condições da propriedade; ii) o manejo de água deve ser realizado racionalmente, atendendo as necessidades da cultura e as limitações do solo da propriedade; iii) a operação dos equipamentos deve atender as especificações de projeto e as técnicas de cultivo devem ser apropriadas à lavoura irrigada (TESTEZLAF; MATSURA; CARDOSO, 2002). Os problemas mais comuns estão relacionados com a salinidade do solo, infiltração de água, toxicidade de íons específicos e outros problemas tais como excesso de nutrientes, 96
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    Capítulo IV oligoelementos oucorrosão de equipamentos (AYERS; WESTCOT, 1999). Em relação à contaminação dos produtos agrícolas, os diferentes métodos de irrigação, devido a características que cada um apresenta, podem levar à contaminação de toda a planta, da parte aérea ou apenas do sistema radicular (MATTOS, 2003). 4.2.1 Qualidade da água usada na irrigação localizada A irrigação localizada consiste na distribuição de água por uma rede de tubos que apresentam emissores afixados, responsáveis por aplicar a água muito próximo da zona radicular, em pequenas intensidades e alta freqüência, apresentando um elevado potencial de produtividade e uso eficiente da água na irrigação (MANTOVANI; BERNARDO; PALARETTI, 2006). O sistema de cultivo e o sistema de irrigação adotados são determinantes quanto à caracterização da qualidade da água, especialmente na produção de vegetais consumidos crus, sem remoção de película, para os quais uma melhor qualidade de água é exigida a fim de evitar a contaminação dos produtos agrícolas. Neste sentido, a irrigação localizada por gotejamento propicia a aplicação de água diretamente ao volume de solo explorado pelo sistema radicular diminuindo a contaminação de folhas e frutos (MATTOS, 2003). A irrigação pode ser complementada pela cobertura do solo, que segundo Ronque (1998) e Santos e Medeiros (2003), tem como um dos principais objetivos evitar o contato direto dos frutos com o solo, proporcionando uma melhor qualidade. Vieira et al. (2004) descrevem a uniformidade na distribuição de água como um dos aspectos mais importantes no método de irrigação localizada por gotejamento, porém, obstruções físicas dos emissores podem comprometer esta uniformidade, causando danos às culturas. 97
  • 101.
    Morangueiro Irrigado De acordo com diversos autores (OLITTA, 1984; NAKAYAMA; BUCKS, 1986 apud VANZELA, 2004; VIEIRA et al., 2004; ZAMBERLAN, 2007), a obstrução física de tubulações e emissores é um dos principais problemas relacionados à qualidade da água usada neste método de irrigação. As origens do entupimento de emissores foram classificadas quanto à causa como: físicas - entupimento por partículas minerais e orgânicas; químicas - precipitação de sais; e biológicas - desenvolvimento de microrganismos (MANTOVANI; BERNARDO; PALARETTI, 2006). As partículas minerais e orgânicas podem e devem ser evitadas instalando sistemas de filtragem (filtros de areia, ou de tela, ou de discos ou de ação centrífuga), comumente usados na irrigação localizada. Os filtros de discos, que são os mais utilizados pelos produtores de morango do município de Turuçu-RS, são compostos por um conjunto de pequenos anéis, com ranhuras, presos sobre um suporte central cilíndrico e perfurado, filtrando a água ao passar pelos pequenos condutos formados entre os anéis consecutivos. São mais eficientes que os filtros de tela e mais fáceis de limpar quando comparados aos demais (BERNARDO; SOARES; MONTAVANI, 2006). A sensibilidade ao entupimento dos diferentes tipos de gotejadores e a qualidade da água a ser usada na irrigação são determinantes no dimensionamento do sistema a ser adotado bem como a viabilidade do uso deste método de irrigação. Sendo assim diversos trabalhos vêm destacando a importância de avaliar a qualidade da água principalmente em sistemas de irrigação por gotejamento: Resende et al. (2001), Ribeiro et al. (2005), Scatolini e Paterniani (2001) e Testezlaf et al. (2001), dentre outros. 98
  • 102.
    Capítulo IV 4.3 FONTESDE CAPTAÇÃO DE ÁGUA PARA IRRIGAÇÃO As principais fontes de captação de água para irrigação são rios, lagos ou reservatórios onde diversos fatores devem ser considerados na análise da adaptabilidade da fonte para sua utilização na irrigação. Dentre estes estão o volume de água disponível e a qualidade da água (ALBUQUERQUE; DURÃES, 2008). O correto manejo das lavouras e das áreas que influenciam as fontes de captação de água pode evitar danos à qualidade da água. Dentre estas práticas, a manutenção da vegetação ciliar é um exemplo, pois atua como uma barreira física entre os sistemas terrestres e aquáticos, promovendo a estabilização das margens, reduzindo as perdas de solo pela erosão e o assoreamento nos mananciais, reduzindo também, a possibilidade de contaminação dos cursos d’água por sedimentos e resíduos agroquímicos, por ser um excelente consumidor de nutrientes provenientes de agroecossistemas vizinhos. Sendo assim, a falta da vegetação ciliar pode levar à redução não só da quantidade e da disponibilidade como também da qualidade da água dos corpos hídricos (COSTA et al., 2005). A irrigação depende tanto da qualidade quanto da quantidade de água de um determinado corpo hídrico, que pelos usos intensivos atuais vêm sofrendo alterações. Por este motivo, a demanda de água para irrigação, torna-se um assunto a ser tratado com mais atenção, devido à qualidade da água exigida para garantir uma produção que atenda as demandas, impostas pelos exigentes mercados compradores de frutas e produtos agrícolas in natura (RODRIGUES et al., 2004). O conhecimento e a habilidade no manejo da água no sistema de irrigação, por parte do usuário, além do clima e do tipo de solo, são determinantes quando se trata de problemas 99
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    Morangueiro Irrigado relativos àqualidade da água de irrigação (AYERS; WESTCOT, 1999). Desta forma, é importante o desenvolvimento de estudos mais detalhados sobre a dinâmica da água e o manejo do solo no entorno das fontes de captação de água para irrigação, no que se refere a seus parâmetros de qualidade, que possam vir a interferir na eficiência da irrigação, por oferecerem riscos ao sistema e à qualidade do produto. 4.4 ESTUDO DE CASO: QUALIDADE DA ÁGUA USADA PARA IRRIGAÇÃO DO MORANGUEIRO NO MUNICÍPIO DE TURUÇU-RS No município de Turuçu-RS, as principais atividades econômicas desenvolvidas são a pecuária leiteira, a produção de frutíferas de clima temperado, de fumo e de pimenta vermelha. Dentre as frutíferas, destaca-se o morangueiro que proporciona aos produtores rurais deste município, boa rentabilidade constituindo-se em instrumento de geração de emprego e renda, inclusão social e assim incrementando o padrão de qualidade de vida destes produtores. A irrigação localizada por gotejamento foi um dos incrementos tecnológicos adotados na produção do morangueiro em Turuçu-RS, que possibilitou aos produtores alcançarem produtividades maiores desta cultura. Embora reconhecida a sua importância e seus benefícios pelos agricultores, existe uma carência de informações relacionadas à qualidade da água que vem sendo aplicada à cultura, justificando desta forma o presente estudo de caso. Este estudo envolveu 14 produtores que pertencem à Associação de Produtores de Morangos de Turuçu – RS e teve como objetivos: i) caracterizar e avaliar as fontes de captação de água usada para irrigação das lavouras de morangos; ii) quantificar os parâmetros de qualidade dessa água, que 100
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    Capítulo IV indicam opotencial de ocorrência de danos ao sistema de irrigação localizada; iii) avaliar e quantificar a variabilidade espacial e temporal da qualidade dessa água. Para o atendimento dos objetivos acima descritos, foram caracterizadas as fontes de captação de água usada para irrigação, sob os aspectos de recarga e origem de abastecimento. Também foram coletadas mensalmente amostras de água em cada uma das propriedades envolvidas, durante um período de 14 meses (outubro de 2007 a novembro de 2008), determinando suas características físicas (sólidos suspensos, sólidos dissolvidos e turbidez), químicas (pH, ferro total, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica e dureza), e microbiológicas (coliformes totais e fecais). Estas características foram avaliadas quanto ao potencial de causar danos ao sistema de irrigação por gotejamento (Tabela 4.1) e quanto a sua distribuição espacial e temporal ao longo do período utilizando gráficos em caixa. 101
  • 105.
    Morangueiro Irrigado Tabela 4.1– Classificação da qualidade da água de irrigação quanto ao potencial em causar danos no sistema de irrigação localizada, quanto ao excesso de sólidos e carga orgânica, quanto ao risco de salinização do solo e quanto ao risco de precipitação de sais (VANZELA, 2004). Problema Limites Estabelecidos Referência Classificação Baixo Médio Alto Sólidos Suspensos < 50 50 – 100 > 100 Dano a (mg/L) Nakayama sistemas de Sólidos e Bucks irrigação Dissolvidos < 500 500 – 2.000 > 2.000 (1986) localizada (mg/L) pH < 7,0 7,0 – 8,0 > 8,0 Ferro Total < 0,2 0,2 – 1,5 > 1,5 (mg/L) Excesso de Classificação Adequado Inadequado Resolução sólidos e Turbidez (NTU) ≤ 40 > 40 CONAMA carga Oxigênio nº 357/05 ≥ 6,0 < 6,0 orgânica Dissolvido classe I Classificação Baixo Médio Alto U.S.D.A. Risco de Condutividade Agriculture salinização elétrica < 250 250 - 750 > 750 Handbook do solo ( S/cm a 25ºC) nº 60 ‘ Classificação Baixo Médio Alto Pitts; Risco de Haman; precipitação Dureza < 150 150 – 300 > 300 Smajstla de Sais (mg CaCO3/L) (1990) 102
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    Capítulo IV 4.4.1 Caracterizaçãoe origem das fontes de captação de água para irrigação A água para irrigação das lavouras de morangos em Turuçu é captada em reservatórios artificiais exceto em uma das 14 propriedades envolvidas, que utiliza como fonte de captação um corpo de água corrente. Os reservatórios artificiais utilizados nas propriedades envolvidas não foram construídos a partir de projetos técnicos, mas sim a partir da experiência e do conhecimento do produtor, em áreas identificadas com potencialidade de acumular água. Em cada uma das propriedades, os reservatórios construídos apresentaram características diferentes quanto à origem e quanto ao tipo de recarga, sendo: seis fontes de captação com reservatórios originados por nascentes e abastecidos por água subterrânea; cinco fontes originadas de banhados e abastecidas por nascentes ou cabeceiras de cursos d’água; e três fontes de reservatórios construídos a partir de barramentos, utilizando a declividade natural do terreno sendo abastecidos pelo escoamento superficial. As atividades agrícolas desenvolvidas em cada uma das propriedades apresentaram particularidades quanto à ocupação e uso do solo no entorno das fontes de captação. Foram identificadas: fontes de captação mais isoladas com difícil acesso pela densidade da vegetação do entorno (Figura 4.1); fontes com presença de animais domésticos em seu entorno, incluindo estábulos para o abrigo dos mesmos na área de contribuição do reservatório (Figura 4.2); fontes com lavouras de fumo em seu entorno (Figura 4.3); e reservatórios circundados por estrada sem barreira de proteção (Figura 4.4). 103
  • 107.
    Morangueiro Irrigado Figura 4.1- Fonte de captação isolada com difícil acesso pela densidade da vegetação do entorno, Turuçu, RS. Figura 4.2 - Fonte de captação de água com estábulo para o abrigo de animais, na área de contribuição do reservatório, Turuçu, RS. 104
  • 108.
    Capítulo IV Figura 4.3- Entorno de fonte da captação com lavoura de fumo, Turuçu, RS. Figura 4.4 - Reservatório circundado por estrada, Turuçu, RS. 105
  • 109.
    Morangueiro Irrigado 4.4.2 Potencialde risco de danos ao sistema de irrigação do morangueiro Dentre os parâmetros físicos utilizados para avaliar o risco de entupimento dos gotejadores, nos sistemas de irrigação do morangueiro em Turuçu-RS, a concentração de sólidos em suspensão apresentou o maior número de amostras classificadas como baixo potencial de risco. Os maiores valores foram obtidos nas fontes de captação em que o entorno apresentava pouca cobertura do solo, com presença de lavouras de fumo. Também foram encontrados valores elevados na água coletada em um reservatório circundado por uma estrada. A concentração de sólidos dissolvidos apresentou baixo potencial de risco em quase todas as amostras analisadas, exceto em uma fonte, que apresentou potencial de risco moderado em uma amostra coletada no período em que o solo estava sendo preparado para a implantação da lavoura de fumo (Figura 4.5). Este fato possibilita relacionar o resultado mais alto da concentração de sólidos dissolvidos com o manejo do solo no entorno do reservatório. Os valores de turbidez foram menores nas fontes de captação nas quais o entorno estava protegido pela cobertura vegetal. Os reservatórios construídos a partir de barramentos, utilizando a declividade natural do terreno e abastecidos pelo escoamento superficial, apresentaram maior número de amostras classificadas como inadequadas, em relação a este parâmetro. 106
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    Capítulo IV Valores Máximos da concentração de sólidos dissolvidos Severo 2.500,00 2.000,00 Moderado mg/L 1.500,00 1.000,00 Baixo 500,00 0,00 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Propriedades Figura 4.5 - Valores máximos da concentração de sólidos dissolvidos na água de irrigação, em cada uma das propriedades, ao longo do período de coleta, e o padrão de qualidade da água quanto ao potencial de risco de danos no sistema de irrigação. Dentre os parâmetros químicos, os valores da concentração de ferro total, na maioria das amostras de água analisadas, apresentaram valores que caracterizam moderado potencial de risco de dano ao sistema, sendo que os valores máximos obtidos em cada uma das propriedades envolvidas estiveram muito acima dos limites estabelecidos para a classificação do potencial de risco como severo (Figura 4.6). Já os parâmetros químicos condutividade elétrica e dureza total apresentaram potencial de risco baixo em todas as amostras de água analisadas ao longo deste estudo. 107
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    Morangueiro Irrigado Valores Máximos da concentração de ferro total 16,00 14,00 12,00 Severo mg/L 10,00 8,00 6,00 4,00 Moderado 2,00 Baixo 0,00 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Propriedades Figura 4.6 - Valores máximos da concentração de ferro total na água de irrigação, em cada uma das propriedades, ao longo do período de coleta, e o padrão de qualidade da água quanto ao potencial de risco a causar danos no sistema de irrigação. Nas análises dos parâmetros microbiológicos, a presença de coliformes totais não foi detectada em quatro amostras de água. As bactérias do grupo coliformes são encontradas na água e no solo, sendo assim, dificilmente sua presença não é detectada em águas superficiais. Já as bactérias do grupo coliformes fecais são indicadoras de organismos originários do trato intestinal humano e de outros animais de sangue quente, sendo assim indicadoras de contaminação por fezes de animais. Na grande maioria das propriedades envolvidas foi observada a presença de animais no entorno das fontes de captação, o que explicaria os percentuais elevados de amostras com presença de coliformes fecais. 108
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    Capítulo IV 4.4.3 Variabilidadeespacial e temporal da qualidade da água de irrigação Foram realizadas coletas mensais de água em cada fonte de captação, sendo feita uma avaliação do comportamento de cada um dos parâmetros acima descritos, ao longo do período, em cada uma das propriedades envolvidas. Para cada um dos parâmetros analisados, a qualidade da água usada para irrigação do morangueiro nas propriedades envolvidas apresentou variabilidade espacial e temporal com diferentes magnitudes. A concentração de sólidos dissolvidos apresentou a maior variabilidade dentre os parâmetros físicos e o oxigênio dissolvido dentre os parâmetros químicos. A variabilidade destes parâmetros pode ser observada nos gráficos em caixa apresentados na Figura 4.7 e na Figura 4.8, respectivamente. 700 Concentração de Sólidos Dissolvidos 600 500 400 (mg/l) 300 200 100 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Meses Figura 4.7 - Variabilidade espacial e temporal da concentração de sólidos em suspensão nas 14 propriedades durante os 14 meses de coleta de amostras de água utilizada para irrigação. 109
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    Morangueiro Irrigado 14 Concentração de Oxigênio Dissolvido 12 10 8 (mg OD/l ) -1 6 4 2 0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Meses Figura 4.8 - Variabilidade espacial e temporal da concentração de oxigênio dissolvido nas 14 propriedades durante os 14 meses de coleta de amostras de água utilizada para irrigação. A variabilidade, tanto espacial como temporal, dos parâmetros químicos de qualidade da água de irrigação apresentou maior amplitude, quando comparada à variabilidade dos parâmetros físicos. 4.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS As fontes de captação de água para irrigação das lavouras de morangos em Turuçu – RS merecem especial atenção, principalmente quanto às características de ocupação e uso do solo no entorno das mesmas. Uma das fontes apresentou altas concentrações de sólidos em suspensão, sólidos dissolvidos e turbidez, com valores acima dos encontrados nas fontes de captação das demais propriedades. A particularidade desta fonte é a ausência de vegetação e a proximidade de uma lavoura de fumo, sistema de produção que exige o revolvimento do solo, não só para sua 110
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    Capítulo IV implementação, mastambém pelos tratos culturais, deixando o solo exposto durante boa parte do ciclo da cultura. Os resultados obtidos indicaram que pode haver correlação entre os parâmetros químicos (pH e condutividade elétrica) com o tipo de fonte de captação e entre os parâmetros físicos com o manejo no entorno destas fontes, indicando que futuros estudos deverão ser desenvolvidos no sentido de avaliar estas correlações. A concentração de ferro total na água usada para irrigação apresentou o maior potencial de risco de danos no sistema de irrigação dentre todos os parâmetros analisados, podendo estar relacionada com as classes de solos da região abrangida neste estudo, sugerindo a necessidade de investigações futuras quanto às possíveis causas dos elevados valores deste parâmetro. 4.6 LITERATURA CITADA ALBUQUERQUE, P. E. P. de; DURÃES, F. O. M. Uso e manejo de irrigação. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2008. 527 p. AYERS, R. S.; WESTCOT, D. W. A qualidade da água na agricultura. Tradução: GHEYI, H. R.; MEDEIROS, J. F.; DAMASCENO, F. A. V. Campina Grande: UFPB, 1999. 153p. (Estudos FAO: Irrigação e Drenagem, 29. Revisado 1). BERNARDO, S.; SOARES, A. A.; MANTOVANI, E. C. Manual de Irrigação. Viçosa: UFV, 2006. 625 p. COSTA, P. da et al. A Água e as Florestas Ribeirinhas. Boa Vista: Embrapa Roraima, 2005. 17p. (Embrapa Roraima. Documentos, 6). 111
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    Morangueiro Irrigado LIMA, J.E. F. W. et al. O Uso da Irrigação no Brasil. 2004 Disponível em: http://www.cf.org.br/cf2004/irrigação.doc. Acesso em: 24 de jun. de 2007. MAÑAS, F. M. de S. O.; FUSTER, P. L.; BELMONTE, A. C. Agua y Agronomía. Madrid: Mundi-Prensa, 2005. 606p. MANTOVANI, E. C.; BERNARDO, S.; PALARETTI, L. F. Irrigação Princípios e Métodos. Viçosa: UFV, 2006. 318p. MATTOS, K. M. da C. Viabilidade da irrigação com água contaminada por esgoto doméstico na produção hortícola. 2003. 168p. Tese (Doutorado em Agronomia) - Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 2003. OLITTA, A. F. L. Os métodos de irrigação. São Paulo: Nobel, 1984. 267p. PIRES, R. C. de M. et al. Desenvolvimento vegetativo e produtividade do morangueiro irrigado, com coberturas de solo em diferentes ambientes de cultivo. Scientia Agricola, v. 63, n. 5, p. 417-425, 2006. QUIRINO, T. R. et al. Impacto Agroambiental. Perspectivas, Problemas e Prioridades. São Paulo: Edgard Blücher, 1999. 184 p. RESENDE, R. S. et al. Ocorrência de entupimento de origem biológica em sistema de irrigação por gotejamento. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 5, n. 1, p. 156-160, 2001. RIBEIRO, T. A. P. et al. Variação dos parâmetros físicos, químicos e biológicos da água em um sistema de irrigação localizada. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 9, n. 3, p. 295-301, 2005. RODRIGUES, G. S. et al. Diagnóstico Ambiental das Fontes Pontuais de Poluição das Águas nas Bacias Hidrográficas 112
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    Capítulo IV do Nortede Minas e do Submédio São Francisco. Jaguariúna: EMBRAPA Meio Ambiente, 2004. 42p. (Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento 23). SANTOS, A. M.; MEDEIROS, A. R. M. Frutas do Brasil. Embrapa Informações Tecnológicas: Brasília, 2003. 81p. RONQUE, E. R. Cultura do morangueiro, revisão e prática. Curitiba: EMATER-Paraná, 1998. 206 p. SANTOS, A. M.; MEDEIROS, A. R. M.; WREGE, M. S. Sistemas de Produção do Morango. Embrapa Clima Temperado. Pelotas,RS. 2003. Disponível em: (http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/M orango/SistemaProducaoMorango/) Acesso em: 04 de jul. de 2007. SCATOLINI, M. E.; PATERNIANI, J. E. Remoção de sólidos suspensos na água de irrigação utilizando mantas sintéticas não tecidas. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 5, n. 3, p. 382-385, 2001. SETTI, A. A. et al. Introdução ao gerenciamento de recursos hídricos. Brasília: ANAEE; ANA, 2001. 328p. TESTEZLAF, R. et al. Análise do Potencial de Entupimento em Gotejadores Através da Avaliação da Qualidade de Água de Irrigação. Revista Irriga, v. 6, n. 1, p. 53-62, 2001. TESTEZLAF, R.; MATSURA, E. E.; CARDOSO, J. L. Importância da irrigação no desenvolvimento do agronegócio. ABIMAQ/UNICAMP, 2002. 45p. TUNDISI, J. G. Água no século XXI: enfrentando a escassez. São Carlos: RiMa, 2003. 248p. VANZELA, L. S. Qualidade de água para a irrigação na microbacia do córrego Três Barras no município de Marinópolis, SP. 2004. 91p. Dissertação (Mestrado em 113
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    Morangueiro Irrigado Agronomia) –Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, Universidade Estadual Paulista, Ilha Solteira, 2004. VIEIRA, G. H. S. et al. Recuperação de gotejadores obstruídos devido à utilização de águas ferruginosas. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 8, n. 1, p. 1-6, 2004. ZAMBERLAN, J. F. Caracterização de águas de reservatórios superficiais para uso em microirrigação. 2007. 88p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2007. 114
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    CAPÍTULO 5 -QUALIDADE FÍSICO- HÍDRICA DO SOLO E A PRODUÇÃO DE MORANGO Adilson Luís Bamberg Luís Carlos Timm Eloy Antonio Pauletto Luiz Fernando Spinelli Pinto Álvaro Luiz Carvalho Nebel Wildon Panziera 5.1 QUALIDADE DO SOLO Ao longo desses últimos anos, a preocupação voltada para a produção agrícola vem sendo modificada, com base na busca da sustentabilidade ambiental, incluindo a preocupação com os efeitos dos métodos de produção sobre a diversidade da fauna, da flora e do próprio recurso solo. Isso tem sido mais evidente em países desenvolvidos e industrializados, onde a função da agricultura moderna de fornecer alimentos em quantidades e a preços acessíveis já não é suficiente. As atenções também estão voltadas à qualidade da água, do ar e do solo, onde o manejo desses recursos naturais é determinante para a qualidade e sanidade dos produtos agropecuários e, ao mesmo tempo, para a conservação do ambiente e para o bem estar do produtor. 115
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    Morangueiro Irrigado O solo é considerado como um sistema aberto, continuamente inter-relacionado com o ambiente devido às transferências e trocas de matéria e energia com a atmosfera (BRADY; WEIL, 2002; HILLEL, 2003). Por isso, ele deve ser capaz de exercer suas funções naturais, funcionando como um meio para o crescimento das plantas, regulando o fluxo de água no ambiente, estocando e promovendo a ciclagem de elementos na biosfera e servindo como um tampão ambiental para a formação, atenuação e degradação de compostos prejudiciais ao ambiente (LARSON; PIERCE, 1994; DORAN, 1997; KARLEN et al., 1997). A utilização do solo como ferramenta para o ser humano, na produção agrícola e pecuária, teve papel decisivo na evolução da espécie. O homem passou a se alimentar mais e melhor, possibilitando um maior crescimento intelectual. Mas a ação antrópica de hoje é muitas vezes desorientada, desordenada e impactante. A camada superficial do solo composta pelo horizonte A, é a região de maior atividade biológica e geralmente enriquecida com matéria orgânica e nutrientes em relação às camadas inferiores, sendo, por isso, mais fértil. Entretanto, por situar-se na interface com a atmosfera é também a mais vulnerável quanto à perda de sua habilidade em cumprir suas funções no meio ambiente (HILLEL, 2003). Mais do que nunca, a exploração racional dos solos é, atualmente, a condição necessária para que haja uma produção agrícola moderna e sustentável. Essa condição envolve a conscientização do produtor sobre a importância de minimizar os processos de degradação ambiental, que atingem grandes proporções em algumas áreas. Os agricultores hoje querem não só produzir bastante para garantir o sustento financeiro da família, mas também melhorar as condições de trabalho, o acesso à saúde, à educação e ao lazer, que influenciam o modo de viver no campo. Associado a isso, a percepção sobre a 116
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    Capítulo V qualidade doambiente rural passa a ser também motivo de reflexão e de cuidado. Danos ao ambiente solo, como a erosão, a desagregação, a desestruturação, o encrostamento superficial, a compactação, a lixiviação acelerada de bases, a acidificação, a salinização e outros são, muitas vezes, decorrentes da utilização de sistemas de cultivo com técnicas que se contrapõem ao bom uso e conservação dos solos e da água e, conseqüentemente, à sustentabilidade da agricultura. O conhecimento sobre as características específicas e as diferenças entre os tipos de solos são informações essenciais que contribuem para o seu uso adequado. Explorar os solos conforme sua aptidão agrícola, considerando as suas limitações de uso são ferramentas essenciais que os técnicos do setor agrícola precisam conhecer para a sua melhor aplicação. Neste sentido, avaliar e conhecer a qualidade do solo e a velocidade das suas mudanças com o tempo são os primeiros passos para se buscar um manejo mais adequado e sustentável (DORAN, 1997). Para Costa et al. (2006), entretanto, determinar ou quantificar a qualidade do solo não é tarefa fácil. A dificuldade advém do fato de que a qualidade do solo depende de suas propriedades intrínsecas, de suas interações com o ecossistema e, ainda, de aspectos socioeconômicos e até políticos que definem prioridades para o uso do solo. Ao se fazer uma análise mais clara e consistente a respeito do solo e de sua qualidade é fundamental definir (CAMARGO, 2000): o solo deve ter boa qualidade para que? Quais funções o solo deve ser capaz de cumprir? O que analisar do solo para avaliar a sua capacidade de desempenhar e suportar diferentes funções? A multifuncionalidade é, sem dúvida, a realidade mais observada na produção agrícola familiar. Nessa situação, o agricultor depende muito da fertilidade natural do solo e da manutenção de sua capacidade produtiva ao longo do tempo para manter o seu sustento. 117
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    Morangueiro Irrigado A seguir será feita uma abordagem com relação às características naturais dos solos do município de Turuçu-RS e suas implicações na produção de morango na região. 5.1.1 Solos do Município de Turuçu-RS O Estado do Rio Grande do Sul pode ser separado em onze regiões fisiográficas. (Figura 5.1). Figura 5.1 - Regiões Fisiográficas do Rio Grande do Sul (Fonte: http://coralx.ufsm.br/ifcrs/fisiografia.htm). Dentre elas, a Encosta do Sudeste ocupa uma estreita e extensa faixa territorial situada entre o Litoral e a Serra do Sudeste. A parte mais elevada dessa região fisiográfica é 118
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    Capítulo V composta, emessência, por sedimentos graníticos e granitóides erodidos do Escudo Sul-rio-grandense, associada com maciços de rochas graníticas que, em muitos locais, afloram na superfície. No Estado do Rio Grande do Sul, particularmente na Mesorregião da Metade Sul, grandes diferenças podem ser reconhecidas com relação à utilização e à ocupação do território. Enquanto que na maioria das várzeas e campos da região predominam médias a grandes propriedades, ocupadas com orizicultura e pecuária extensiva, algumas regiões da Serra do Sudeste e da Encosta do Sudeste, estão sustentadas na agricultura de base familiar, onde o solo é cultivado de forma mais intensiva e diversificada com hortigranjeiros, grãos e oleaginosas, frutíferas, pecuária de leite e de corte. Nos últimos anos, essa realidade vem sendo modificada pela introdução de florestas plantadas e, principalmente pela utilização mais intensa com a cultura do fumo. Apesar do aumento da renda, esse modelo estabelece uma mudança importante na forma de produção da pequena propriedade de base familiar, com reflexos na qualidade do solo e da água. Inserido nesta realidade está o município de Turuçu, onde o sistema de produção agrícola familiar é predominante e que tem como principais atividades a pecuária leiteira, a produção de frutíferas, de fumo e de pimenta vermelha, cultura que deu ao município de Turuçu o título de Capital Nacional da Pimenta Vermelha, por ser o município com maior área plantada desta cultura em todo o Brasil. Dentre as frutíferas, destaca-se a produção de morango que vem ocupando uma área e importância cada vez maior no município. A produção e a comercialização de morango “in natura” têm propiciado aos produtores uma boa rentabilidade, constituindo-se, portanto, em atividade alternativa para a diversificação das fontes de renda. As áreas de Turuçu que são utilizadas para a produção de morango in natura estão situadas 119
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    Morangueiro Irrigado em locaisde relevo suave ondulado a ondulado e, em algumas situações, com relevo forte ondulado associado à presença de afloramentos rochosos. Nessas condições podem ser encontrados solos rasos a pouco profundos (Neossolos) associados aos solos mais profundos (Argissolos) (Figura 5.2). Figura 5.2 - Mapa de Solos do Município de Turuçu-RS (Fonte: Tagliani, 2007). A agricultura é a principal atividade econômica de Turuçu e região. Mas o seu desenvolvimento limita-se pela aptidão agrícola dos solos, pois a maior parte das terras 120
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    Capítulo V agricultáveis situadasna parte alta é mais indicada para a produção de culturas perenes do que para culturas anuais (CUNHA; SILVEIRA, 2000; CUNHA et al., 2006). Pelo fato do relevo ser ondulado e o solo frequentemente raso e pouco desenvolvido, as terras possuem uma alta susceptibilidade à erosão hídrica. Além disso, os solos possuem horizonte superficial com CTC (capacidade de troca de cátions) e fertilidade natural baixas, em consequência da textura arenosa e dos baixos teores de matéria orgânica (ELTZ; ROVEDDER, 2005). 5.1.2 Qualidade do solo e a produção de morango A adequação do manejo da cultura do morango é uma das formas para melhorar a qualidade do fruto produzido, reduzir os custos de produção e também evitar a degradação do solo e da água. Para tal, é importante seguir algumas recomendações básicas que favorecem o desenvolvimento da cultura. O morangueiro tem algumas exigências relacionadas às condições físicas e hídricas do solo: desenvolve-se bem nas áreas onde o horizonte A tem a textura média; prefere solos bem drenados, ricos em matéria orgânica e de boa estrutura; não tolera a falta de água tampouco o seu excesso, por isso, o emprego da irrigação e o seu correto controle é indispensável. Como o morangueiro é delicado, principalmente o seu sistema radicular, a técnica de construção de canteiros a cada novo ciclo de produção é amplamente utilizada para deixar o solo solto e remover camadas superficiais compactadas, além de facilitar o plantio das mudas e crescimento das raízes (DAROLT, 2001). No entanto, a falta de ações estratégicas e coletivas de proteção e conservação do solo contribui para agravar os processos de degradação do solo e da água que causam sérios prejuízos. Entre eles, podem ser destacados: 121
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    Morangueiro Irrigado a) Erosão hídrica e assoreamento: segundo Omuto (2008), a erosão resulta da ação de chuvas torrenciais de alta intensidade (mm/h), provocando enxurradas que levam sedimentos, nutrientes e resíduos de agro-químicos para as partes mais baixas. A camada superficial e mais rica do horizonte A do solo é transportada para o leito de riachos, açudes, lagos e outros. Na região de Turuçu ainda predomina o sistema de preparo convencional do solo sem o uso de instrumentos de proteção como a implantação dos canteiros em nível ou pequeno desnível, a manutenção dos corredores entre os canteiros cobertos com palha, o uso de terraços e cordões vegetados nas áreas mais íngremes. Surgem também problemas de assoreamento e contaminação de rios e lagos, largamente utilizados para irrigação de hortifrutigranjeiros, além de afetar a qualidade da água consumida e a saúde da população. O prejuízo também ocorre para os peixes e outros organismos que habitam esses locais. No município de Turuçu e região, as chuvas com maior energia e potencial erosivo ocorrem nos meses de janeiro, fevereiro e março, sendo fevereiro considerado como o mês de maior erosividade (LAGO, 2000). A erosão no campo pode ser visualizada pela presença de sulcos e ravinas (Figura 5.3). Figura 5.3 - Erosão em sulcos em Turuçu-RS (esquerda); Cobertura morta entre os canteiros para evitar a erosão (direita). 122
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    Capítulo V Outra forma de erosão não muito perceptível, mas muito danosa, é a erosão laminar. Ela acontece quando a água da chuva carrega uniformemente o solo, sem formar canais definidos sendo, portanto, mais difícil de ser visualizada. Tomando como exemplo os Argissolos dessa região, a presença de um horizonte A arenoso com baixos teores de matéria orgânica, torna-os muito suscetíveis à erosão hídrica e sujeitos à rápida decomposição de resíduos culturais, exigindo intensas práticas de manejo e conservação do solo (STRECK et al., 2008). b) Dispersão e perda da fração argila, óxidos e materiais orgânicos: os componentes mais finos do solo precisam estar floculados (agregados) para evitar a sua lixiviação e a sua desagregação (LAVELLE; SPAIN, 2001). Quando alguns fertilizantes como o Salitre do Chile (que possui na sua composição química o íon dispersante Na+) são aplicados em excesso, podem ocorrer perdas da fração mais fina do solo (argila) pelo processo de lixiviação, a qual é a mais importante do ponto de vista físico-químico do solo para a produção agrícola. c) Alterações na estrutura do solo: a produção agropecuária intensiva, em solos de baixa resistência a processos de degradação, requer a aplicação de práticas rígidas e permanentes de conservação do solo. O solo, submetido ao cultivo, tende a perder sua estrutura original, pelo fracionamento dos agregados maiores em unidades menores, com consequente redução da macroporosidade e aumento da microporosidade e da sua densidade (CARPENEDO; MIELNICZUK, 1990). A falta de cobertura vegetal no inverno e de utilização de culturas diversificadas em rotação e sucessão tem desequilibrado a ciclagem e reposição da matéria orgânica, particularmente nos Argissolos, Neossolos, e Cambissolos da região. Segundo Tisdall e Oades (1982) e Golchin et al. (1994), 123
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    Morangueiro Irrigado a contínuaperda de matéria orgânica influencia diretamente o processo de degradação estrutural do solo. d) Acidificação do solo: a manutenção do pH em valores adequados para a produção agrícola é uma condição importante no manejo do solo, pois afeta a disponibilidade de nutrientes e, consequentemente, a nutrição das plantas (JOHNSTON, 2004). Este tipo de degradação é comum nos solos da região, dado a facilidade de lixiviação dos nutrientes em face da textura arenosa. Uma alternativa para melhorar a capacidade de troca de cátions (CTC) desses solos é o incremento do teor de matéria orgânica, via adubação orgânica. e) Redução da Capacidade de Água Disponível: a degradação da estrutura e a perda da matéria orgânica nestes solos diminuem a quantidade de água disponível para as plantas, fazendo com que as culturas fiquem mais susceptíveis aos períodos de estiagem. Por outro lado, a forma como é cultivado o morango em Turuçu demonstra a capacidade dos produtores em aceitar e adotar técnicas apuradas para a maximização da produção: o uso da fertirrigação, da plasticultura e de variedades com alta sanidade e alto potencial produtivo são alguns exemplos. É fundamental que os produtores e os técnicos visualizem também a necessidade de preservar o solo e os mananciais hídricos, visando a manutenção da quantidade e da qualidade destes recursos para as gerações futuras. A produção de morango, dentro dessa realidade, tem o desafio de cumprir requisitos que abrangem não só as necessidades humanas. Ela também requer a adoção de tecnologias e o controle de variáveis do ambiente (solo-água) onde a planta se desenvolve, levando em consideração as características e peculiaridades regionais. A avaliação de parâmetros físico-hídricos indica a condição atual do solo para o desenvolvimento das plantas, podendo também ser relacionada com o estado de conservação do solo. 124
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    Capítulo V 5.2 ESTUDODE CASO: INDICADORES DA QUALIDADE FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO A seguir são apresentados alguns resultados de pesquisas realizadas em propriedades de produção de morango no município de Turuçu-RS, ao longo da safra agrícola de 2007. Foram determinados parâmetros que avaliam a relação solo-água-planta, no intuito de diagnosticar o seu estado atual no sistema de produção, fazendo-se uma comparação com áreas no seu estado natural (mata nativa). Também buscou-se compreender como o sistema de produção de morango é afetado e/ou como ele interfere no ambiente enquanto se desenvolve o ciclo produtivo. Espera-se que esses resultados possam servir de base para ações concretas de recuperação e conservação dos recursos naturais utilizados no sistema de produção, bem como para ampliar a capacidade produtiva, a qualidade do fruto e a melhoria das condições de trabalho e renda para os agricultores familiares. 5.2.1 Estabilidade de agregados em água: distribuição de agregados do solo em classes de tamanho e diâmetro médio ponderado (DMP) O termo estabilidade é usado para descrever a habilidade do solo em manter o seu arranjo de sólidos e espaços porosos, quando submetido a diferentes situações de estresse (ou perturbações). A estabilidade dos agregados e a sua distribuição em classes de tamanho são utilizadas como indicadores da qualidade do solo (KARLEN; STOTT, 1994), sendo intimamente relacionadas com os processos envolvidos na degradação do solo (TIPPKÖTTER, 1994). A importância também está nas relações que estes parâmetros têm com a erosão, a infiltração e o movimento de água no perfil do solo, além da penetração das raízes e da aeração do solo. 125
  • 129.
    Morangueiro Irrigado A determinação da distribuição de agregados estáveis em água em diferentes classes de tamanho e do diâmetro médio ponderado (DMP) é realizada com base no peneiramento úmido de agregados (KEMPER; ROSENAU, 1986). Os agregados são distribuídos em peneiras, totalizando seis classes de tamanho: C1 = 9,52 - 4,76 mm; C2 = 4,76 - 2,00 mm; C3 = 2,00 - 1,00 mm; C4 = 1,00 - 0,25 mm; C5 = 0,25 - 0,105 mm e C6 < 0,105 mm. A quantidade de agregados estáveis em água retida em cada classe foi obtida conforme a expressão (PALMEIRA et al., 1999):    MAGR − m  AGRi =  n i i  × 100 (5.1)  (MAGR − m ) ∑  i =1 i i   Onde: AGRi = proporção de agregados estáveis em água na classe i (g.g-1); MAGRi = massa de agregados + material inerte na classe i (g); mi = massa de material inerte na classe i (g). Na Figura 5.4 são comparadas as quantidades de agregados estáveis em água (distribuídos em seis diferentes classes de diâmetro) de 14 áreas de produção de morango, em quatro diferentes épocas de coleta (1ª, 2ª, 3ª e 4ª) ao longo do ciclo produtivo do morango, e em 14 áreas tomadas como Área de Referência - AF (área de campo natural, sem cultivo) onde foram coletadas amostras de solo somente na primeira coleta. Observa-se que a distribuição dos agregados das AF se concentrou nas classes de maior tamanho (C1 e C2), apresentando, nessas classes, valores médios significativamente superiores (aplicando-se o teste de Tukey a 5% de nível de 126
  • 130.
    Capítulo V significância) emrelação às demais épocas de coleta. Nas áreas cultivadas, a maior parte dos agregados se concentrou nas classes de menores diâmetros, C3, C4 e C6, sobretudo na C4. 6, Apesar de esses valores demonstrarem a degradação da estrutura do solo, não significa que simplesmente o fato de se cultivar morango, da forma que vem sendo feito, por si só, leva a tal situação. Isso se deve, provavelmente, aos sucessi sucessivos cultivos com alto revolvimento do solo e sem as devidas práticas conservacionistas, resultando em um decréscimo do teor de matéria orgânica. Além disso, ocorrem na região dois agravantes naturais: as áreas que têm sido utilizadas para o cultivo do morango possuem média a alta declividade e os a solos apresentam, em sua maioria, elevados teores da fração areia, fato este que facilita a rápida decomposição da matéria orgânica, tornando-os também mais erodíveis. Figura 5.4 - Agregados estáveis em água, distribuídos em seis classes de tamanho, coletados em 14 lavouras de produção de morango, em 4 épocas do ciclo da cultura (1ª, 2ª, 3ª e 4ª) e áreas de referência (AF) somente na primeira coleta. Teste aplicado: Tukey a 5% de nível de significância. 127
  • 131.
    Morangueiro Irrigado Outra constatação importante é que houve efeito do tempo na agregação. No início do ciclo produtivo a construção dos canteiros mediante uso de enxada rotativa fraciona os macroagregados. Com o tempo, cerca de quatro meses (3ª coleta) após a construção dos canteiros, o solo apresentou sinais de reacomodação e a quantidade de macroagregados aumenta significativamente nas classes C1 e C2, com um correspondente decréscimo na classe C4. A predominância de agregados com diâmetros inferiores a 2 mm relaciona-se intimamente com a degradação da estrutura do solo. Esse fato também está ligado com a pulverização ou fragmentação, tornando o solo mais propenso ao transporte pela água, lixiviação rápida dos nutrientes adicionados via adubação, além de favorecer a diminuição da quantidade de matéria orgânica, mais protegida no interior dos agregados. O DMP é uma média ponderada do tamanho dos agregados, que está diretamente relacionada com o grau de desagregação do solo. Para o cálculo do diâmetro médio ponderado (DMP) é utilizada a expressão (PALMEIRA et al., 1999):  n   ∑ (DM i × (MAGRi − mi )) DMP =  i =1 n  (5.2)    ∑ (MAGRi − mi )  i =1   onde: DMP = diâmetro médio ponderado (mm); DMi = diâmetro médio da classe i (mm). O diagrama de caixa dos dados de DMP das 14 áreas cultivadas com morango (TS, TM e TI), ao longo das quatro épocas de coletas de solo durante o ciclo do morango no ano de 2007, é apresentado na Figura 5.5. 128
  • 132.
    Capítulo V Figura 5.5- Diagrama de caixa dos dados de DMP DMP. Os valores médios de DMP encontrados nas áreas cultivadas (em torno de 1 mm) são considerados baixos quando comparados com os encontrados em amostras de solos de outras regiões e quando comparados com os apresentados pelas áreas de referência (AF) (Figura 5.5). A figura ainda mostra que houve um aumento considerável do DMP, após seis m meses de cultivo (4ª coleta). Isso pode ter sido causado pela acomodação das partículas do solo, fato esse que aumentou gradualmente após a construção dos canteiros e, principalmente, devido aos sucessivos ciclos de umedecimento e secagem regidos pela prática da irrigação, o que favoreceu a ca aproximação das partículas e, conseqüentemente a sua agregação. Também pode ser considerado, em menor escala, o efeito das raízes do morangueiro que, ao se desenvolverem causaram a aproximação das partículas. Um aumento considerável do DMP dos agregados do solo está muito relacionado com o aumento da matéria orgânica no solo e com o número de vezes que este foi revolvido 129
  • 133.
    Morangueiro Irrigado (WOHLENBERG etal., 2004). Sabe-se que é indispensável construir os canteiros para o morangueiro; porém, é recomendável diminuir o número de vezes que o solo é revolvido e também reaproveitar os canteiros para culturas posteriores ao máximo possível, visando aproveitar a adubação residual, a proteção da lona plástica e o sistema de irrigação já instalado. O plantio de espécies forrageiras após a destruição dos canteiros, durante o período de pousio (descanso) da terra, e a sua posterior incorporação da palha ao solo também é uma prática recomendada. Exemplos de espécies tradicionalmente utilizadas para esse fim são: aveia, azevém, ervilhaca, nabo forrageiro, entre outras. A aplicação de resíduos de culturas e adubos orgânicos também são práticas reconhecidamente efetivas para a recuperação e conservação do solo. 5.2.2 Porosidade do solo O espaço poroso do solo é constituído por cavidades de diferentes tamanhos e formas, dependentes do arranjo das partículas sólidas, que influencia na aeração, na condução e retenção de água, na resistência à penetração das raízes das plantas, bem como na sua ramificação e, conseqüentemente, no aproveitamento da água e dos nutrientes disponíveis (HILLEL, 2003). Costuma-se fazer uma separação dos poros do solo em: i) macroporos: poros com diâmetro maior que 0,05mm, responsáveis pela aeração e drenagem do excesso de água no perfil; e ii) microporos: poros com diâmetro menor que 0,05mm, responsáveis pela retenção e armazenamento da água e dos nutrientes dissolvidos na solução, podendo estar disponíveis para as plantas. Para os solos, de forma geral, a porosidade total ótima é próxima de 50% (0,5 cm3 de poros/cm3 de solo) normalmente 130
  • 134.
    Capítulo V dividida narazão de 1/3 de macroporos e 2/3 de microporos. No entanto, deve-se considerar que solos utilizados por vários anos com agricultura normalmente se apresentam mais compactados, com menor porosidade, sendo os macroporos os mais afetados. A natureza do solo também exerce influência na porosidade: solos de textura argilosa apresentam entre 40 e 60% do seu volume ocupado por poros, principalmente se tiverem altos conteúdos de matéria orgânica, ao passo que solos arenosos raramente ultrapassam os 50%. Relacionada ao crescimento radicular das plantas, a porosidade de aeração (PA) corresponde ao volume de poros ocupado pelo ar. Para o desenvolvimento adequado da maioria das culturas, é desejável ter, no mínimo, 0,1 cm3 de poros/cm3 de solo (10% do volume total), de modo a proporcionar boas condições de aeração para as raízes e o desenvolvimento dos microrganismos aeróbios, importantes para a biociclagem de nutrientes para as plantas. Nas 14 lavouras de morango de Turuçu (Figura 5.6), observa-se que, logo após a construção dos canteiros o solo apresentava bons níveis de porosidade total, macro e microporosidade. Com o término do ciclo produtivo do morango (4ª coleta), cerca de seis meses após a implantação da lavoura, ocorreu uma redução da porosidade total e da macroporosidade, enquanto que a microporosidade aumentou consideravelmente. Com isso, o solo passou a ter uma maior capacidade de armazenamento de água, com uma redução da capacidade de infiltração e de drenagem da água bem como da aeração para as raízes. 131
  • 135.
    Morangueiro Irrigado Figura 5.6- Variação da porosidade total, macro e microporosidade do solo ao longo de um ciclo de produção de morango no ano de 2007. 5.2.3 Curva de retenção de água no solo A curva de retenção de água está relacionada à quantidade de água retida no solo e a energia com que esta é retida. Na medida em que se aumenta a energia de sucção aplicada para extrair água de uma amostra de solo (potencial matricial), menor quantidade de água (θ, conteúdo de água no solo expresso em base volumétrica) permanece retida. Essa relação pode ser expressa graficamente, sendo conhecida como curva de retenção da água no solo. Essa é fundamental para saber o quanto e quando irrigar uma cultura, perguntas freqüentes durante o manejo da irrigação. No manejo da irrigação podem ser utilizados tensiômetros, que permitem medir o potencial matricial com 132
  • 136.
    Capítulo V que aágua encontra-se retida no solo e, conseqüentemente, responder se é o momento de irrigar ou não. Para tal determinação, uma amostra de solo é coletada em anéis de aço inox, mantendo o solo na sua condição natural, e é submetida a diferentes valores de sucção (ou tensão quando expressa em módulo) que são aplicados por meio de equipamentos: pontos de baixas tensões (1 kPa a 10 kPa) são aplicados via Mesa de Tensão e os pontos de altas tensões (>10 kPa até 1500 kPa), via Câmaras de Pressão de Richards (RICHARDS, 1949), conforme Reichardt e Timm (2004). A partir dos pares de pontos, que relacionam a tensão aplicada (ou Potencial matricial quando expresso negativamente: -Ψm) com o conteúdo de água volumétrico (θ), elabora-se a curva de retenção de água no solo. Nesse estudo foram determinados sete pares experimentais θ – tensão aplicada. A partir desses sete pares de pontos, obtém-se graficamente a curva de retenção de água. Estes dados podem ser ajustados a uma equação que permite calcular o conteúdo de água no solo em qualquer tensão, desde a saturação do solo (condição mais úmida) até tensões mais altas (condição de solo mais seco). A equação mais amplamente utilizada é a proposta por van Genuchten (1980), sendo necessária a aplicação de um programa computacional (software) para a determinação dos parâmetros dessa equação. O software SWRC, desenvolvido por Dourado-Neto et al. (1996), faz o ajuste dos dados experimentais da curva ao modelo de van Genuchten. Na Figura 5.7 são apresentadas, como exemplo, as curvas de retenção de água em amostras de solo coletadas em uma lavoura de morango em Turuçu, elaboradas em quatro diferentes épocas de coleta ao longo de um ciclo produtivo no ano de 2007. A retenção de água no solo é influenciada pelo tempo, especialmente em baixas tensões e altas tensões. Comparando a curva da 1ª com a curva da 4ª coleta, a quantidade de água retida na condição de saturação diminuiu de 133
  • 137.
    Morangueiro Irrigado 0,53 para0,38 cm3·cm-3, do mesmo modo que na condição de Ponto de Murcha Permanente (tensão de 1500 kPa), onde a quantidade de água retida diminuiu de 0,15 para 0,07 cm3·cm-3. 0,6 1ª 2ª 0,5 3ª 0,4 4ª θ (cm .cm ) -3 0,3 3 0,2 0,1 0 1 10 100 1000 10000 100000 Log Tensão aplicada (cm coluna de água) Figura 5.7 - Curvas de retenção de água em amostras de solo coletadas em uma lavoura de morango, em quatro diferentes epocas de coleta, ao longo de um ciclo de produção de morango, ano de 2007. 5.2.4 Capacidade de Água Disponível (CAD) A CAD pode ser definida, de forma simples, como toda a água que se encontra retida e armazenada no solo de forma acessível para as plantas. Para uma melhor definição da CAD é preciso definir também outros dois conceitos: a 134
  • 138.
    Capítulo V Capacidade deCampo (CC) e o Ponto de Murcha Permanente (PMP). Também de forma simplificada, pode-se definir que a CC representa o conteúdo de água no solo quando o movimento de descida de água no perfil do solo, após uma chuva ou irrigação, é mínimo. O PMP, por sua vez, representa a quantidade de água remanescente no solo, que está tão fortemente retida que as raízes das plantas não conseguem mais absorvê-la. Conhecendo-se a CAD de um determinado tipo de solo, pode-se estimar a quantidade de água a ser recolocada no solo em lavouras irrigadas. De acordo com dados preliminares do estudo das 14 lavouras de produção de morango de Turuçu, pode-se constatar que houve um aumento no valor médio da CAD da ordem de 20 a 25%, após seis meses do início do ciclo produtivo em relação à construção dos canteiros (4ª coleta). Com isso, pode- se concluir que o solo, no final do ciclo apresentou uma maior retenção de água, em face da acomodação do solo nos canteiros, resultado de um aumento da microporosidade. 5.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS O solo é um recurso natural lentamente renovável, imprescindível para a sobrevivência humana. A manutenção da sua qualidade depende da função que se deseja que ele desempenhe e da forma como é manejado e conservado. A qualidade físico-hídrica dos solos de Turuçu-RS, quando direcionada para a produção de morango, pode ser considerada boa, pois estes solos apresentam características estruturais que favorecem o desenvolvimento dessa cultura, sobretudo dentro do sistema adotado atualmente, com a construção de canteiros. Entretanto, é preciso dirigir atenção para a conservação do solo, principalmente no intuito de minimizar a erosão e a redução dos teores de matéria orgânica. 135
  • 139.
    Morangueiro Irrigado 5.4 LITERATURACITADA BRADY, N.; WEIL, R. R. The nature and properties of soils. 13 ed. Prentice Hall, Upper Saddle River, 2002. 960p. CAMARGO, O. A. Reflexões sobre a pesquisa em qualidade do solo no plantio direto. O Agronômico, Campinas, n. 52, v. 2/3, p. 39-40, 2000. CARPENEDO, V., MIELNICZUK, J. Estado de agregação e qualidade de agregados de latossolos roxos submetidos a diferentes sistemas de manejo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Campinas, v. 14, p. 99-105, 1990. COSTA, E. A., GOEDERT, W. J., SOUSA, D. M. G. Qualidade de solo submetido a sistemas de cultivo com preparo convencional e plantio direto. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 41, n. 7, p. 1185-1191, 2006. CUNHA, N. G.; SILVEIRA, R. J. C. Município de Turuçu: estudo de reconhecimento de terras – mapa de solos do município de Turuçu-RS. Pelotas: EMBRAPA Clima Temperado, 2000. CUNHA, N. G.; SILVEIRA, R. J. C.; SEVERO, C. R. S. Solos e Terras do Planalto Sul-Rio-Grandense e Planícies Costeiras. Pelotas: EMBRAPA –CPACT: UFPel, 2006. 43 p. DAROLT, M. R. Morango: sistema orgânico apresenta viabilidade técnica, econômica e ecológica. Disponível em: http://www.planetaorganico.com/darmorang.htm. 2001. Acesso em: 02/04/2009. DORAN, J. W. Soil Quality and Sustainability. Commission V "Inventory, Genesis, Morphology and Classification of Soils”. In: XXVI Brazilian Congress of Soil Science, Rio de Janeiro, July 20-26, 1997. 136
  • 140.
    Capítulo V DOURADO-NETO, D.;NIELSEN, D. R.; HOPMANS, J. W.; PARLANGE, M. B. Curva de retenção: SWRC, v. 2.0. Piracicaba: FAPESP, 1996. ELTZ, F. L F.; ROVEDDER, A. P. M. Revegetação e Temperatura do Solo em Áreas Degradadas no Sudoeste do Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Agrociência, Pelotas, v. 11, n. 2, p. 193-200, 2005. GOLCHIN, A.; OADES, J. M.; SKJEMSTAD, J. O.; CLARKE, P. Study of free and occluded particulate organic matter in soils by solid state 13C CP/MAS NMR spectroscopy and scanning electron microscopy. Australian Journal of Soil Research, v. 32, p. 285-309, 1994. HILLEL, D. Introduction to environmental soil physics. San Diego, CA: Elsevier/Academic Press, 2003. 494 p. JOHNSTON, A. E. Soil Acidity – Resilience and Thresholds. In: CAB International: Managing Soil Quality: Challenges in Modern Agriculture. eds. SCHJONNING, P.; ELMHOLT, S.; CHRISTENSEN, B. T. Denmark (Tjede): Danish Institute of Agricultural Sciences, 2004. 344 p. KARLEN, D. L., STOTT, D. E. A framework for evaluating physical and chemical indicators of soil quality. In: DORAN, J. W. et al. (Ed.) Defining soil quality for a sustainable environment. Madison: SSSA and ASA, 1994. p.53-72. KARLEN, D. L.; MAUSBACH, M. J.; DORAN, J. W.; CLINE, R. G.; HARRIS, R. F.; SCHUMAN, G. E. Soil quality: a concept, definition, and framework for evaluation. Soil Science Society of America Journal, n. 61, p. 4–10, 1997. KEMPER, W. D.; ROSENAU, R. C. Aggregate Stability and Size Distribution. In: KLUTE, A. Methods of Soil Analysis. 2 ed., Madison: American Society of Agronomy, 1986. p. 425- 442. 137
  • 141.
    Morangueiro Irrigado LAGO, J.C. Erosividade das chuvas na metade Sul do Rio Grande do Sul. Pelotas, 2000. 138p. Tese de Doutorado (Doutorado em Produção Vegetal) Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas. LARSON, W. E.; PIERCE, F. J. The dynamics of soil quality as a measure of sustainable management. In: DORAN, J. W.; COLEMAN, D. C.; BEZDICEK, D. F.; STEWART, B. A. (Org.) Defining soil quality for a sustainable environment. Madison: Soil Science Society of America, 1994. p. 37-51. LAVELLE, P.; SPAIN, A. V. Soil Ecology. Dordrecht: Kluwer Academic, 2001. 654 p. OMUTO, C. T. Assessment of soil physical degradation in Eastern Kenya by use of a sequential soil testing protocol. Journal of Agriculture, Ecosystems and Environment, n. 128, p. 199–211, 2008. PALMEIRA, P. R. T.; PAULETTO, E. A.; TEIXEIRA, C. F. A.; GOMES, A. S.; SILVA, J. B. Agregação de um Planossolo submetido a diferentes sistemas de cultivo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 23, p. 189-195, 1999. REICHARDT, K.; TIMM, L. C. Solo, Planta e Atmosfera: conceitos, processos e aplicações. São Paulo: Editora Manole, 2004. 478 p. RICHARDS, L. A. Methods of measuring soil moisture tension. Soil Science, v. 68, p. 95–112, 1949. STRECK, E. V.; KÄMPF, N.; DALMOLIN, R. S. D.; KLAMT, E.; NASCIMENTO, P. C.; SCHNEIDER, P.; GIASSON, E.; PINTO, L. F. S. Solos do Rio Grande do Sul. 2 ed. Porto Alegre: EMATER/RS, 2008. 222p. TAGLIANI, C. R. A. (Coord.). Plano Ambiental de Turuçu. Rio Grande: Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG), 2007. 113p. 138
  • 142.
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    CAPÍTULO 6 -INDICADORES QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS DO SOLO NA PRODUÇÃO DE MORANGO Gláucia Oliveira Islabão Leandro Sanzi Aquino Vitor Emanuel Quevedo Tavares Ledemar Carlos Vahl Danilo Dufech Castilhos Rodrigo Bubolz Prestes 6.1 INDICADORES DE QUALIDADE DO SOLO Os indicadores de qualidade do solo formam um conjunto de dados mínimos que são utilizados para avaliar o comportamento das principais funções do solo (KARLEN; DITZLER; ANDREWS, 2003). Segundo Doran e Parkin (1994), um bom indicador deve integrar processos e atributos físicos, químicos e/ou biológicos do solo, ser acessível aos diferentes usuários, ser aplicável em diversas condições de campo e ser sensível às variações do manejo e do clima. Os critérios para a seleção de indicadores relacionam- se, principalmente, com a sua utilidade em definir os processos do ecossistema. Stenberg (1999) enfatizou que nenhum indicador individualmente consegue descrever e quantificar todos os aspectos da qualidade do solo, existindo uma relação entre todos os atributos do solo. Na literatura os indicadores 140
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    Capítulo VI químicos emicrobiológicos têm sido apontados como os principais indicadores de qualidade do solo, entretanto, neste texto também será proposta a utilização de alguns elementos relacionados à fertilidade do solo como indicadores de sua qualidade. 6.1.1 Indicadores químicos Dentre os indicadores químicos do solo destacam-se a matéria orgânica (MO), a capacidade de troca de cátions (CTC), a acidez ativa (pH em água) e a acidez potencial (H + Al), a saturação por alumínio (M%) e a saturação por bases (V%) que serão descritos nesse capítulo. a) Matéria orgânica O termo matéria orgânica do solo refere-se a todos os compostos que contêm carbono orgânico no solo, incluindo os microrganismos vivos e mortos, resíduos de plantas e animais parcialmente decompostos, produtos de sua decomposição e substâncias orgânicas microbiologicamente e/ou quimicamente alteradas (SILVA; CAMARGO; CERETTA, 2006). Conceição et al. (2005) consideraram a matéria orgânica como um eficiente indicador para discriminar a qualidade do solo induzida por diferentes sistemas de manejo, sendo, ainda, fonte primária de nutrientes às plantas, influenciando na infiltração, na retenção de água e na susceptibilidade à erosão (GREGORICH et al., 1994). As diferentes práticas de manejo, de acordo com Karlen et al. (1994), que podem adicionar ou manter o carbono orgânico no solo, parecem estar entre as mais importantes para restabelecer, manter ou melhorar a qualidade do solo. 141
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    Morangueiro Irrigado b) Acidez ativa e potencial Existem dois tipos de acidez no solo: a acidez ativa e a acidez potencial. A acidez ativa refere-se à concentração dos íons H+ na solução do solo e sua medida é expressa pelo pH do solo em água. A acidez potencial é constituída pelo somatório de todas as fontes de H+ que existem nos componentes sólidos do solo, principalmente, o alumínio trocável e os grupos funcionais orgânicos e inorgânicos. Ela é, portanto, proporcional aos teores de alumínio, de argila e de matéria orgânica existentes no solo e determina a necessidade de calcário (ERNANI, 2008). Um esquema dos principais componentes de acidez, em relação às frações ativas da matéria orgânica, minerais de argila e sesquióxidos de ferro e alumínio é mostrado na Figura 6.1, para uma consolidação mais efetiva destes conceitos. Figura 6.1 - Componentes da acidez do solo, na fase sólida e na fase líquida. Fonte: Lopes & Guilherme (2004) adaptado de van Raij & Quaggio (1994). 142
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    Capítulo VI c) CTC efetiva e CTC pH 7,0 Os cátions retidos (adsorvidos) nos colóides do solo podem ser substituídos por outros cátions, ou seja, em termos práticos, significa que são trocáveis (LOPES; GUILHERME, 2004). A capacidade de troca de cátions (CTC) expressa a quantidade de cátions que o solo pode reter na forma de complexos de esfera-externa (íons trocáveis), representando indiretamente a quantidade de cargas negativas presentes no solo (MEURER, 2006). A CTC é de grande importância no que diz respeito à fertilidade do solo, uma vez que indica a capacidade total de retenção de cátions, os quais, em geral, estarão disponíveis às plantas (CHAVES et al., 2004). A Figura 6.2 apresenta uma visão esquemática do potencial de capacidade de troca de cátions entre dois solos de texturas diferentes e suas implicações práticas. Segundo Ernani (2008), existem basicamente dois tipos de CTC: a efetiva e a potencial (determinada a pH 7,0). A CTC efetiva é a quantidade de cargas negativas existentes no solo em seu pH atual. O princípio de determinação de sua magnetude se baseia na troca de cátions. Por isso, ela é quantificada por meio do somatório das quantidades de todos os cátions trocáveis [cálcio (Ca+2), magnésio (Mg+2), sódio (Na+1), potássio (K+1) e alumínio (Al+3)] que se encontram neutralizando essas cargas até esse pH (pH atual do solo). Esses cátions são extraídos do solo com uma solução salina não tamponada. Uma vez presentes na solução, os cátions são quantificados e somados. Já a CTC determinada com solução tamponada a pH 7,0 quantifica o somatório das cargas negativas existentes no solo em seu pH atual com as que serão criadas por meio da dissociação dos grupos funcionais (saída de H+), desde o valor do pH atual do solo até o pH 7,0. 143
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    Morangueiro Irrigado Figura 6.2- Visão esquemática do potencial de capacidade de troca de cátions (CTC) entre dois solos de texturas diferentes e suas implicações práticas. Fonte: Lopes & Guilherme (2004) adaptado do texto publicado pelo Instituto da Potassa e Fosfato (1998). d) Saturação por alumínio Expressa a fração da CTC efetiva que é “ocupada” por alumínio trocável, fornecendo um indicativo da probabilidade de fitotoxidez deste elemento às espécies vegetais (MEURER, 2006). De acordo com Lopes e Guilherme (2004), em termos práticos, ela reflete a percentagem de cargas negativas do solo, próximo ao pH natural, que está “ocupada” por Al trocável. Em geral, quanto mais ácido um solo, maior o teor de Al trocável em valor absoluto, menores os teores de Ca, Mg e K, menor a soma de bases e maior a percentagem de saturação por alumínio. 144
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    Capítulo VI e) Saturação por bases Segundo Lopes e Guilherme (2004), este parâmetro reflete a percentagem dos pontos de troca de cátions do complexo coloidal do solo que estão ocupados por bases, ou seja, a percentagem das cargas negativas, passíveis de troca a pH 7,0, que estão ocupadas por cálcio (Ca+2), magnésio (Mg+2), sódio (Na+1) e potássio (K+1) em comparação com aquelas ocupadas por H+Al. 6.1.2 Indicadores microbiológicos Dentre os indicadores microbiológicos do solo destacam-se a biomassa microbiana do solo (BMS), a respiração basal (RB) e o quociente metabólico (qCO2) que serão descritos a seguir. a) Biomassa microbiana do solo A BMS compreende a parte viva da matéria orgânica do solo, excluídas as raízes e os organismos maiores que 5x103 m3, contendo em média 2 a 5% do carbono orgânico e 1 a 5% do nitrogênio total do solo (CERRI; VOLKOFF; EDUARDO, 1985; DE-POLLI; GUERRA, 1999). Atua como agente de transformação da matéria orgânica, na ciclagem de nutrientes e no fluxo de energia. O conhecimento da dinâmica da BMS pode auxiliar os estudos que visam à conservação da matéria orgânica do solo e ao melhor aproveitamento da matéria orgânica adicionada. b) Respiração basal A respiração basal do solo, que é a oxidação biológica da matéria orgânica ao CO2 pelos microrganismos aeróbios, 145
  • 149.
    Morangueiro Irrigado ocupa umaposição chave no ciclo do carbono nos ecossistemas terrestres. A avaliação da respiração basal é a técnica mais frequente para quantificar a atividade microbiana, sendo positivamente relacionada com o conteúdo de matéria orgânica e com a biomassa microbiana (ALEFF; NANNIPIERI, 1995). c) Quociente metabólico O quociente metabólico (qCO2) é um índice que combina os resultados de biomassa microbiana com as determinações das taxas de respiração, representado pela taxa de respiração por unidade de biomassa microbiana na forma de carbono microbiano (ANDERSON; DOMSCH, 1993). Sistemas agrícolas que promovam menores qCO2 indicam uma microbiota em equilíbrio, com menores perdas de CO2 pela respiração e maior incorporação de carbono à biomassa microbiana. 6.1.3 Indicadores relacionados à fertilidade a) Nitrogênio O nitrogênio (N) é o macronutriente absorvido em maior quantidade pelas culturas, sendo o solo a sua principal fonte. A exceção fica por conta das culturas leguminosas como a soja, que obtêm grande parte do nitrogênio via fixação simbiótica com bactérias do gênero Rhizóbium (BAYER, 1993; AMADO; MIELNICZUK; AITA, 2002). A dinâmica do N no solo é complexa, cujas transformações envolvem reações de natureza química e biológica, além de tratar-se de um nutriente muito móvel no solo, o que potencializa as suas perdas por lixiviação (AITA, 2003). A transformação de N orgânico (resíduos vegetais e MO do solo) em N mineral é denominada de mineralização, 146
  • 150.
    Capítulo VI enquanto aincorporação de formas de N mineral (NH4+ e NO3-) na biomassa microbiana é denominada imobilização. Os processos de imobilização e mineralização do N ocorrem concomitantemente no solo, sendo que a intensidade de cada um é dependente, principalmente, do tipo de resíduo vegetal em decomposição (MARY; RECOUS, 1994; JENSEN, 1997; AITA, 2003). b) Fósforo Segundo Vale , Guilherme e Guedes (1993), dentre os macronutrientes, o fósforo é o exigido em menores quantidades pelas plantas. Todavia, trata-se do nutriente aplicado em maiores quantidades em adubação no Brasil. A explicação para este fato relaciona-se com a baixa disponibilidade de fósforo nos solos do Brasil e, também, com a forte tendência do fósforo aplicado ao solo reagir com outros componentes, formando compostos de baixa solubilidade. Portanto, ao contrário da adubação com os demais nutrientes, com o fósforo existe a necessidade de acréscimos superiores à exigência nutricional das plantas, pois é necessário satisfazer também a exigência do solo, saturando os componentes consumidores do elemento. c) Potássio O potássio é o segundo macronutriente em teor contido nas plantas. Depois do fósforo, é o nutriente mais consumido como fertilizante pela agricultura brasileira. Os teores totais em solos bem supridos podem superar a 1% de potássio. Grande parte desse nutriente encontra-se em rochas minerais que contêm o elemento nas formas cristalinas (van RAIJ, 1991). 147
  • 151.
    Morangueiro Irrigado 6.2 ESTUDODE CASO: INDICADORES QUÍMICOS E MICROBIOLÓGICOS DO SOLO NA PRODUÇÃO DE MORANGO DO MUNICÍPIO DE TURUÇU-RS No intuito de exemplificar e estabelecer uma discussão mais prática desses conceitos é apresentado, neste item, um estudo de caso avaliando o comportamento da variabilidade espacial e temporal de atributos químicos e microbiológicos ao longo do ciclo de produção da cultura do morango no ano de 2007. A área que abrange este estudo compreende a Associação de Produtores de morango do município de Turuçu–RS, totalizando quatorze propriedades que estão situadas nas microrregiões Picada Flor, Centenário e São Domingos. 6.2.1 Indicadores químicos a) Matéria orgânica O cultivo do morangueiro é altamente exigente, necessitando um solo com boa estrutura física, rico em matéria orgânica, bem arejado e com boa capacidade de drenagem (SANTOS; MEDEIROS, 2003). Na maioria das lavouras estudadas, os teores médios de matéria orgânica (MO) do solo encontrados ao longo do tempo são classificados como baixos (MO ≤ 2,5%) segundo CQFS (2004), com exceção de duas propriedades que, de acordo com as atividades desenvolvidas anteriormente pelos produtores, contribuíram para o incremento da matéria orgânica (Tabela 6.1). Como a matéria orgânica é fonte fundamental de nutrientes para as plantas, disponibilizando elementos como nitrogênio (N), fósforo (P) e enxofre (S), se o solo apresenta pouca matéria orgânica, 148
  • 152.
    Capítulo VI disponibiliza poucos nutrientes, comprometendo o desenvolvimento das plantas. Tabela 6.1 – Teores médios de matéria orgânica do solo (MO, %) nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas. MO (%) Coleta Propriedades Média 1 2 3 4 1 1,4 a 1,3 a 1,2 a 1,6 a 1,4 2 1,6 b 1,7 ab 1,6 b 2,1 a 1,8 4 0,9 a 1,0 a 0,9 a 1,1 a 1,0 5 1,5 a 1,0 b 1,1 ab 1,4 ab 1,2 6 1,6 a 1,5 a 1,5 a 1,8 a 1,6 7 1,2 a 1,2 a 1,1 a 1,4 a 1,2 8 2,4 a 2,8 a 2,4 a 2,9 a 2,6 9 1,1 a 1,1 a 1,3 a 1,5 a 1,3 10 1,4 a 1,5 a 1,4 a 1,5 a 1,4 11 0,8 a 1,0 a 1,1 a 1,2 a 1,0 12 2,2 ab 2,1 ab 1,9 b 2,4 a 2,1 13 2,3 a 2,5 a 2,1 a 2,5 a 2,4 14 2,0 a 2,2 a 2,0 a 2,4 a 2,1 15 3,0 a 2,9 a 2,9 a 2,9 a 2,9 Média 1,7 1,7 1,6 1,9 Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si, ao nível de 5% de significância, aplicando o teste DMS. A manutenção ou recuperação dos teores de matéria orgânica e da qualidade do solo pode ser alcançada pela utilização de pastagens ou em casos de sistemas agrícolas intensos, pela utilização de métodos de preparo sem revolvimento, ou com a mínima mobilização do solo e por sistemas de cultura com alta adição de resíduos vegetais. Isso resulta em menores taxas de perdas e maiores taxas de adição de matéria orgânica ao sistema solo (BAYER; MIELNICZUK, 2008). 149
  • 153.
    Morangueiro Irrigado b) Acidez ativa e potencial Analisando os valores médios de acidez ativa do solo em cada uma das quatorze lavouras estudadas, nas diferentes épocas de coleta (Tabela 6.2), verifica-se que estes se classificaram desde muito baixo (≤ 5,0), até alto (>6,0). A necessidade de calagem (aplicação de calcário) depende do pH atual do solo e do pH considerado adequado para a cultura. Segundo CQFS (2004), o pH ideal do solo para o cultivo do morango é 6,0, sendo que em valores de pH mais elevados, o desenvolvimento da planta é prejudicado. Baseado nisto, verifica-se que, nas amostras de solo coletadas nas lavouras das Propriedades 1, 6, 14 e 15, por apresentarem valores de pH em água acima de 6,0, não necessitam de corretivo de acidez. Nas lavouras das demais propriedades a calagem é necessária. A quantidade de corretivo a ser aplicada depende da acidez potencial, que é determinada pelo índice SMP. Conforme indicações da Tabela 6.3, o solo da lavoura pertencente à Propriedade 8 é o que necessita maior dosagem de corretivo (3,7 t.ha-1), por apresentar o menor índice SMP (5,9). Nas lavouras das propriedades 4 e 11, as quantidades calculadas de corretivo a serem aplicadas foram de 0,68 t·ha-1 e 0,51 t·ha-1, respectivamente. Essas quantidades foram calculadas a partir dos teores de MO e Al, conforme sugerido pela CQFS (2004), pois em solos com baixo poder tampão de pH, o método SMP não é eficiente. 150
  • 154.
    Capítulo VI Tabela 6.2– Teores médios de acidez ativa e acidez potencial nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas. a) Acidez ativa Coleta Propriedades Média 1 2 3 4 1 5,90 a 6,24 a 6,21 a 6,10 a 6,11 2 5,33 b 5,27 b 5,84 a 5,67 ab 5,52 4 5,56 a 5,59 a 5,90 a 5,90 a 5,73 5 4,86 a 4,69 a 4,65 a 4,53 a 4,68 6 6,21 a 6,11 a 6,51 a 6,09 a 6,22 7 5,92 a 5,52 a 5,88 a 5,77 a 5,77 8 4,58 a 4,26 a 4,26 a 4,37 a 4,36 9 4,84 a 4,67 a 4,43 a 4,53 a 4,62 10 4,94 a 4,88 a 4,68 a 4,61 a 4,77 11 5,93 a 5,73 ab 5,82 ab 5,44 b 5,73 12 5,48 ab 5,08 b 5,57 a 5,43 ab 5,39 13 5,04 a 5,03 a 5,12 a 5,15 a 5,08 14 5,96 b 5,75 b 6,47 a 6,13 a 6,07 15 6,50 a 6,76 a 6,71 a 6,92 a 6,72 Média 5,50 5,40 5,57 5,47 b) Acidez Potencial Coleta Propriedades Média 1 2 3 4 1 1,60 a 1,27 a 1,54 a 1,43 a 1,46 2 1,97 a 2,21 a 1,73 a 1,88 a 1,95 4 1,31 a 1,35 a 1,16 a 1,23 a 1,26 5 2,99 a 1,95 b 2,46 ab 2,39 ab 2,45 6 1,25 a 1,20 a 1,19 a 1,20 a 1,21 7 1,69 a 2,00 a 1,82 a 1,82 a 1,83 8 4,40 b 5,34 a 4,94 ab 4,77 ab 4,86 9 2,52 b 2,79 ab 3,31 a 2,61 ab 2,80 10 3,71 ab 2,95 b 3,80 a 3,60 ab 3,51 11 1,26 a 1,37 a 1,48 a 1,70 a 1,45 12 2,46 a 3,05 a 2,51 ab 2,58 ab 2,65 13 2,85 a 2,97 a 2,86 a 2,91 a 2,90 14 2,19 a 2,26 a 1,86 a 1,92 a 2,06 15 1,43 a 1,41 a 1,48 a 1,35 a 1,42 Média 2,26 2,29 2,30 2,24 Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível de 5% de significância aplicando o teste DMS. 151
  • 155.
    Morangueiro Irrigado Tabela 6.3– Quantidade de calcário (t.ha-1) necessária para elevar o pH em água do solo a 6,0, estimada pelo índice SMP. Propriedade Índice SMP Quantidade de Calcário (média) (t·ha-1) 2 6,7 0,5 5 6,5 1,1 7 6,8 0,3 8 5,9 3,7 9 6,4 1,4 10 6,2 2,2 12 6,5 1,1 13 6,4 1,4 c) CTC efetiva CTC pH 7,0 A CTC está muito relacionada com os teores de matéria orgânica. A capacidade de troca de cátions reflete o poder de retenção de cátions que o solo tem, sendo que os fatores que alteram o poder de retenção de cátions também alteram a CTC. Por exemplo: se diminuir o teor de matéria orgânica, também diminuirá a CTC do solo. Solos argilosos, com argilas de alta atividade, podem reter grandes quantidades de cátions. Solos arenosos, com baixo teor de matéria orgânica e, conseqüentemente, baixa CTC, retêm pequenas quantidades de cátions, ocorrendo com mais frequência sua perda por lixiviação. Na Tabela 6.4 pode-se observar que nas propriedades onde se tem os maiores teores de matéria orgânica, têm-se também os maiores valores de CTC, sendo que na microrregião da Picada Flor estes valores apresentam um patamar mais elevado do que nas microrregiões Centenário e São Domingos. 152
  • 156.
    Capítulo VI Tabela 6.4– Teores médios de CTC efetiva e de CTC pH 7,0 no solo nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas. a) CTC Efetiva (cmolc.dm-3) Coleta Propriedades Média 1 2 3 4 1 4,54 a 3,63 a 3,77 a 4,46 a 4,10 2 5,41 a 5,11 a 5,98 a 5,92 a 5,61 4 5,16 a 4,29 a 4,06 a 5,41 a 4,73 5 2,44 a 2,49 a 1,82 a 2,34 a 2,27 6 5,54 a 5,21 a 5,16 a 6,34 a 5,56 7 4,88 a 4,23 a 4,00 a 4,20 a 4,17 8 4,33 a 3,82 a 4,45 a 4,98 a 4,40 9 2,77 a 3,27 a 2,48 a 3,01 a 2,98 10 3,79 a 2,88 a 3,06 a 2,99 a 3,18 11 3,19 a 3,29 a 3,84 a 3,45 a 3,28 12 9,46 a 7,83 ab 6,32 b 8,62 a 8,06 13 6,81 a 5,68 a 6,32 a 5,09 a 5,90 14 5,62 a 6,62 a 6,19 a 6,60 a 6,26 15 9,95 a 9,50 a 9,22 a 10,38 a 9,76 Média 5,27 4,85 4,76 5,27 b) CTC pH 7,0 (cmolc.dm-3) Coleta Propriedades Média 1 2 3 4 1 5,96 a 4,62 a 5,25 a 5,82 a 5,41 2 7,18 ab 7,24 ab 5,61 b 7,70 a 6,93 4 6,32 a 5,56 a 5,19 a 6,53 a 5,90 5 4,71 a 4,07 a 3,71 a 4,24 a 4,18 6 6,64 a 6,35 a 6,31 a 7,44 a 6,69 7 6,41 a 6,12 a 5,75 a 5,90 a 6,04 8 7,70 a 7,90 a 8,15 a 8,69 a 8,11 9 4,87 a 4,52 a 5,20 a 5,04 a 4,91 10 6,36 a 5,23 a 6,28 a 6,12 a 6,00 11 4,35 a 4,56 a 4,26 a 5,05 a 4,56 12 11,75 a 10,67 a 8,68 b 11,07 a 10,54 13 9,33 a 8,37 a 8,72 a 7,86 a 8,57 14 7,61 a 8,73 a 7,99 b 8,44 a 8,19 15 11,22 a 10,86 a 10,64 a 11,63 a 11,09 Média 7,17 6,77 6,55 7,25 Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível de 5% de significância aplicando o teste DMS. 153
  • 157.
    Morangueiro Irrigado 6.2.2 Indicadoresmicrobiológicos a) Biomassa microbiana A biomassa microbiana determinada através dos teores de carbono microbiano se encontra na Tabela 6.5. Tabela 6.5 – Teores médios de carbono microbiano (C) no solo nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas. Cmicrob (mg.kg-1) Coleta Propriedades Média 1 2 3 4 1 162 a 141 a 63 a 146 a 128 2 234 ab 170 ab 94 b 321 a 205 4 114 a 111 a 208 a 127 a 140 5 302 a 137 a 168 a 296 a 226 6 253 a 225 a 73 a 172 a 181 7 216 a 133 a 123 a 205 a 170 8 358 b 591 a 505 ab 601 a 514 9 264 ab 215 ab 171 b 401 a 263 10 313 ab 266 ab 160 b 393 a 283 11 98 b 184 ab 68 b 337 a 173 12 505 a 360 a 118 b 296 ab 320 13 272 a 359 a 267 a 375 a 319 14 458 a 389 a 55 b 400 a 326 15 510 a 223 b 219 b 496 a 363 Média 290 251 164 327 Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível de 5% de significância aplicando o teste DMS. Na maioria das lavouras, o teste de comparação de médias DMS, ao nível de 5% de significância, indicou diferenças entre os teores médios de carbono microbiano determinados ao longo do tempo nas amostras de solo. Este fato era esperado, visto que o carbono microbiano é um indicador 154
  • 158.
    Capítulo VI muito sensívela interferências causadas no sistema (por exemplo, variações na temperatura do solo, umidade do solo, etc.). Os valores mais altos de carbono microbiano foram encontrados nas amostras de solos com os maiores teores de matéria orgânica, indicando que, apesar do teor de carbono da biomassa microbiana ser influenciado por outros fatores, ele representa a fração ativa e biodegradável da matéria orgânica, refletindo as mudanças que ocorrem nesse atributo do solo. b) Respiração basal As bactérias e os fungos são os principais responsáveis pela maior liberação de CO2 via degradação da matéria orgânica. A medida da respiração do solo é bastante variável e dependente de vários fatores, dentre eles a temperatura e a umidade do solo. Na Tabela 6.6 são encontrados os valores médios de respiração basal (RB) determinados nas amostras de solo coletadas nas quatorze lavouras de morango ao longo do tempo. Verifica-se que os valores médios de RB variaram de 0,08 µg CO2.h-1.g-1 de solo (Propriedade 11) a 0,26 µg CO2.h-1.g-1 de solo (Propriedade 8). Dentre os indicadores microbiológicos estudados, os valores médios de RB não diferiram entre si ao longo do tempo, i.e. entre as coletas, somente nas amostras de solo coletadas na lavoura da Propriedade 11, quando aplicado o teste DMS ao nível de 5% de significância. 155
  • 159.
    Morangueiro Irrigado Tabela 6.6– Teores médios de respiração basal (RB) no solo nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas. RB (µg CO2 h-1 g-1 solo) Coleta Propriedades Média 1 2 3 4 1 0,29 a 0,09 b 0,11 b 0,17 b 0,17 2 0,21 a 0,17 ab 0,12 bc 0,06 c 0,14 4 0,17 a 0,06 b 0,10 ab 0,06 b 0,09 5 0,24 a 0,03 b 0,11 b 0,06 b 0,11 6 0,43 a 0,15 b 0,12 bc 0,06 c 0,19 7 0,18 a 0,13 ab 0,15 a 0,06 b 0,13 8 0,39 a 0,26 b 0,23 bc 0,17 c 0,26 9 0,20 a 0,06 b 0,13 ab 0,06 b 0,11 10 0,17 a 0,08 bc 0,14 ab 0,05 c 0,11 11 0,12 a 0,06 a 0,09 a 0,07 a 0,08 12 0,39 a 0,17 b 0,09 b 0,14 b 0,20 13 0,25 a 0,13 b 0,09 b 0,09 b 0,14 14 0,28 a 0,11 bc 0,18 b 0,08 c 0,16 15 0,26 a 0,17 b 0,13 bc 0,08 c 0,15 Média 0,25 0,12 0,13 0,09 Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível de 5% de significância aplicando o teste DMS. 6.2.3 Indicadores de fertilidade a) Nitrogênio Como observado para outros atributos que são influenciados pela matéria orgânica do solo, os maiores valores de nitrogênio total do solo foram verificados nas lavouras em que se encontraram os maiores valores de matéria orgânica (Tabela 6.7). 156
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    Capítulo VI Tabela 6.7– Teores médios de nitrogênio total (Ntotal) no solo nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas. Ntotal (g.kg-1) Coleta Propriedades Média 1 2 3 4 1 0,58 a 0,58 a 0,58 a 0,51 a 0,56 2 0,72 a 0,78 a 0,70 a 0,73 a 0,73 4 0,37 a 0,45 a 0,31 a 0,41 a 0,39 5 0,57 a 0,34 a 0,47 a 0,45 a 0,46 6 0,68 a 0,54 a 0,47 a 0,60 a 0,57 7 0,49 a 0,56 a 0,54 a 0,48 a 0,52 8 1,10 a 1,12 a 0,98 a 0,99 a 1,05 9 0,55 a 0,54 a 0,57 a 0,51 a 0,54 10 0,64 a 0,73 a 0,64 a 0,53 a 0,63 11 0,46 a 0,45 a 0,46 a 0,38 a 0,44 12 0,88 a 0,83 a 0,72 a 0,86 a 0,82 13 0,99 b 1,04 b 1,35 a 0,87 b 1,06 14 0,92 a 1,02 a 0,95 a 1,03 a 0,98 15 1,28 a 1,40 a 1,42 a 1,18 a 1,32 Média 0,73 0,74 0,73 0,68 Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível de 5% de significância aplicando o teste DMS. b) Fósforo A Tabela 6.8 apresenta a distribuição dos teores médios de fósforo (P) determinados a partir da coleta de amostras de solo em cada uma das 14 lavouras de morango ao longo do tempo e do espaço. O teor médio de fósforo foi classificado como muito alto em todas as amostras coletadas, de acordo com a classificação encontrada em CQFS (2004). 157
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    Morangueiro Irrigado Tabela 6.8– Teores médios de fósforo no solo nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas. Fósforo (mg.dm-3) Coleta Propriedades Média 1 2 3 4 1 161 b 161 b 232 a 199 ab 189 2 140 b 210 a 166 ab 192 ab 177 4 248 a 209 a 211 a 236 a 226 5 70 b 131 a 118 ab 88 ab 102 6 125 a 116 a 131 a 169 a 136 7 110 a 101 a 138 a 110 a 115 8 50 ab 49 b 111 a 79 ab 73 9 106 a 114 a 139 a 117 a 120 10 127 a 99 a 143 a 146 a 130 11 78 a 77 a 85 a 101 a 86 12 155 b 139 b 218 a 178 ab 173 13 104 a 125 a 88 a 94 a 103 14 72 a 88 a 133 a 120 a 104 15 224 a 189 a 185 a 183 a 196 Média 127 129 150 145 Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível de 5% de significância aplicando o teste DMS. c) Potássio Os teores médios de potássio (K) determinados nas amostras de solo coletadas em cada uma das quatorze lavouras de morango envolvidas neste trabalho são apresentados na Tabela 6.9. Segundo a CQFS (2004), a classificação dos teores médios de K variou de muito alto (Propriedades 4, 5, 9, 11, 12, 13, 14 e 15) a alto (Propriedades 1, 2, 6, 7, 8 e 10). O teste de comparação de médias indica que os teores de K não diferiram significativamente ao longo do tempo nas amostras de solo coletadas nas Propriedades 1, 5, 6, 7, 8, 10 e 11. 158
  • 162.
    Capítulo VI Tabela 6.9– Teores médios de potássio no solo nas lavouras de morango de 14 propriedades, em quatro coletas. Potássio (cmolc.dm-3) Coleta Propriedades Média 1 2 3 4 1 0,36 a 0,27 a 0,23 a 0,26 a 0,26 2 0,46 a 0,28 ab 0,22 b 0,33 ab 0,33 4 0,72 a 0,30 b 0,27 b 0,44 b 0,43 5 0,33 a 0,27 a 0,17 a 0,25 a 0,26 6 0,30 a 0,27 a 0,24 a 0,39 a 0,30 7 0,31 a 0,24 a 0,23 a 0,24 a 0,25 8 0,34 a 0,28 a 0,18 a 0,21 a 0,25 9 0,46 a 0,29 ab 0,26 ab 0,24 b 0,31 10 0,34 a 0,26 a 0,21 a 0,24 a 0,26 11 0,35 a 0,30 a 0,22 a 0,40 a 0,32 12 1,03 a 0,59 b 0,30 c 0,65 b 0,64 13 0,62 a 0,32 b 0,27 b 0,30 b 0,38 14 0,50 a 0,48 a 0,24 b 0,44 a 0,41 15 1,18 a 0,30 b 0,27 b 0,30 b 0,51 Média 0,52 0,31 0,24 0,33 Letras iguais ao longo da mesma linha não diferem entre si ao nível de 5% de significância aplicando o teste DMS. 6.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esse estudo possibilitou identificar que o manejo do solo utilizado pelos produtores deve ser conduzido em função de elevar os teores de matéria orgânica. Também, constatou-se que a aplicação de fertilizantes está acima do necessário, não seguindo as recomendações fornecidas pela análise de solo. 159
  • 163.
    Morangueiro Irrigado 6.4 LITERATURACITADA AITA, C.; Dinâmica do nitrogênio no solo durante a decomposição de plantas de cobertura: efeito sobre a disponibilidade de nitrogênio para a cultura em sucessão. In: Atualização em recomendação de adubação e calagem: ênfase ao plantio direto. Santa Maria: UFSM, 2003. p. 76- 111. ALEFF, K.; NANNIPIERI, P. Methods in applied soil microbiology and biochemistry. Londres: Academic Press, 1995. 576 p. AMADO, T. J. C.; MIELNICZUK, J.; AITA, C. Recomendação de adubação nitrogenada para o milho no RS e SC adaptada ao uso de culturas de cobertura do solo, sob sistema plantio direto. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 26, p. 241-248, 2002. ANDERSON, T. H.; DOMSCH, K. H. The metabolic quotient for CO2 (qCO2) as a specific activity parameter to assess the efects of environmental conditions such as pH, on the microbial biomass of florest soil. Soil Biology & Biochemistry, v. 25, n. 3, p. 393-395, 1993. BAYER, C.; MIELNICZUK, J. Dinâmica e função da matéria orgânica In: Fundamentos da matéria orgânica do solo: ecossistemas tropicais e subtropicais. Porto Alegre: Metrópole, 2008. 654 p. BAYER, C. Manejo da fertilidade do solo na cultura do milho. In: BRESOLIN, M., (Ed.). Contribuições para a cultura do milho para o Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: CIENTEC, 1993. p. 71-93. CERRI, C. C.; VOLKOFF, B.; EDUARDO, B. P. Efeito do desmatamento sobre a biomassa microbiana em Latossolo 160
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    Impressão: Graphos Ltda Rua Gonçalves Chaves, 659 – Lj. 09 – Pelotas, RS. 2009 Pelotas, RS