Edição Especial KM Brasil -Brasil 2007 e 2008
    Esdição Especial • KM 2007                                                                                                                                                       ISSN 1981-5751
                                                                                                                                                                                   ISSN 1981-5751




                                                                                              A Revista da Sociedade Brasileira dede Gestão do Conhecimento. nº Dezembro de 2008
                                                                                              A Revista da Sociedade Brasileira Gestão do Conhecimento. nº 09. 10. Maio de 2009



                                                                                        Biblioteca Multimídia em
                                                                                        saúde pública

                                                                                        A gestão estratégica do
                                                                                        conhecimento a partir de
                                                                                        hábitos organizacionais
                                                                                        inteligentes

                                                                                        Inteligência Corporativa
A Revista da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento. nº 10. Maio de 2009 2008




                                                                                                                                                                      PARTE III
A Revista da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento. nº 09. Dezembro de
SUMÁRIO

                                Editorial 04              28 Artigo 09
                                                             A Gestão do Conhecimento como
PARTE I                      Artigo 01 05
                                                                  determinante para o desempenho das
                                                                  estratégias organizacionais
                     Gestão Do Conhecimento                       por Ivani Costa, Jailma Araujo dos Santos,
                    E Redes Organizacionais                       José de Arimatéia A. de Lima, Luciana
      por Sonia Maria Marques de Oliveira,                        Ribeiro Rabay, e João Batista de Freitas
    Ana Cristina Francisco e Vera Lúcia Harcar

                             Artigo 02 16                 37 Artigoavaliação do conhecimento
                                                             Método de
                                                                       10
                  Gestão do Conhecimento e                        organizacional
               desenvolvimento tecnológico e                      por Maria De Fátima Peregrino Torres, Ana
                 econômico na avaliação da                        Flávia P. M. Da Fonseca,
         conformidade de válvulas industriais                     Cassia Regina Ossipe Martins Botelho e
     por Ricardo Nóbrega e Walter Câmara.                         Luiz Vicente Da Costa Braga

                             Artigo 03 25                                                    PARTE III
                        Grupos de trabalho

                                                          06 Artigo 11 em saúde pública
                     e comunidades virtuais
           por Marco Aurélio Ferreira Pinto e
                   Carlos Cesar Leal Xavier                  Biblioteca Multimídia
                                                                  por Ana Cristina Da Matta Furniel, Rosane
                             Artigo 04 31                         Mendes, Maria Elisa Andries Reis e Ana
                                                                  Paula Mendonça
      Compartilhamento do conhecimento por

                                                          14 Artigo 12 do conhecimento
           meio da auto-avaliação da gestão
    por João Silva dos Santos e Ricardo José Dória
                                                             A gestão estratégica
                             Artigo 05 44                         a partir de hábitos organizacionais
                                                                  inteligentes
             Gestão do Conhecimento como
                Estratégia para a Inovação                        por Jacqueline Sá Ricarte

                                                          21 Artigo 13
                  na Indústria Farmacêutica
     por Ana Matilde Zarif Moukrzel Rached
                                                             Índice de Desenvolvimento da Gestão
                                                                  Pública na Prefeitura Municipal de Curitiba
PARTE II                   Artigo 06 05                           por Marcia Schlichting
                        O Perfil do Profissional
                   de Inteligência Competitiva
           por Alfredo Passos, Telma Gonçalves
                                                          27 ArtigoCorporativa
                                                             Inteligência
                                                                          14
                   Cunha e Luiz Ricardo Cobra                     por Ana Paula Guzela Bertolin, Adriana
                                                                  Andréa Rodrigues, Cicemara A. D.
                                                                  Cordeiro e Felipe De Lameida Rezende
                             Artigo 07 15
               A educação corporativa como                51 Palavra da SBGC
                    estratégia de Gestão do                       por Heitor Pereira
                               Conhecimento
           por Pedro Carlos Resende Junior e
                 Lúcia Helena Rosa Da Costa


                             Artigo 08 24
           Portal corporativo como diferencial
                  estratégico para tomada de
          decisões e Gestão do Conhecimento
                   por Paulo Roberto Floriano,
                       Juliana Vale Marques e
                   Luciano Xavier De Miranda
Expediente
            EXPEDIENTE

                   Uma publicação da:          Prof. Dr. Ricardo Roberto Behr
        SBGC – Sociedade Brasileira de         Prof. Dr. Roberto Pacheco
              Gestão do Conhecimento           Prof. Dr. Rodrigo Baroni
                      www.sbgc.org.br          Prof. Dr. Serafim Firmo
                                               de Souza Ferraz
                                               Prof. Dr. Silvio Aparecido dos Santos
              Integrantes Permanentes do       Prof. Dr. Sonisley Machado
             Conselho Científico da SBGC       Prof. Dr. Walter Felix Cardoso Jr.




                                                                                       03
              Presidente: Profª Drª Neusa
                   Maria Bastos F. Santos
                                               REVISTA GC BRASIL
  Prof. Dr. Alberto Sulaiman Sade Junior
         Profª Drª Aline França de Abreu       Editora-Chefe:
                       Prof. Dr. André Saito   Elisabeth Gomes
           Prof. Dr. Carlos Olavo Quandt
                   Prof. Dr. Chu Shao Yong     Produção Executiva:
                                               Maria de Lourdes Martins
                  Prof. Dr. Eduardo Moresi
      Profª Drª Faimara do Rocio Strauhs       Jornalista Responsável:
Prof. Dr. Fernando Antonio Ribeiro Serra       Cristiano Pio MG 09315 JP
      Prof. Dr. Hélio Gomes de Carvalho
                 Prof. Dr. Gilson Schwartz     Revisão:
          Prof. Dr. Guilherme Ary Plonski      Isabella Gomes
       Profª Drª Helena Pereira da Silva
                                               Diagramação:
                    Profª Drª Helena Tonet     Ana Mambrini
               Prof. Dr. João Amato Neto
  Prof. Dr. Jorge Tadeu de Ramos Neves         Edição de Imagens:
           Prof. Dr. José Ângelo Gregolin      Maria de Lourdes Martins e
                   Prof. Dr. José Rodrigues    Ana Mambrini
                Profª Drª Kira Tarapanoff
                                               Design:
                Prof. Dr. Marcio Kuniyoshi     Quinto Elemento
   Profª Drª Marília M.R. Damiani Costa
          Prof. Dr. Moacir de M. Oliveira
Profª Drª Mônica Erichsen Nassif Borges
                 Profª Drª Raquel Balceiro     Tecle conosco:
              Profª Drª Resilda Rodrigues      revistagcbrasil@gmail.com
Editorial
04




            EDITORIAL

            Prezados leitores,
            A Gestão de Conhecimento preconiza         organizacionais nos âmbitos privado e
            que todo conhecimento relevante            público, consultores empresariais, acadêmicos
            deve ser identificado, registrado e        (professores, pesquisadores e estudantes) e
            disseminado para uso e criação de          representantes do Terceiro Setor.
            novos conhecimentos. Sendo assim,          Portanto, boa leitura a todos e, qualquer
            mesmo depois de tanto tempo a SBGC         atualização que se faça necessária, enviem
            resolveu publicar os conteúdos relativos   para nosso email: revista, que faremos a errata
            aos eventos KM Brasil 2007 e KM            na próxima edição.
            Brasil 2008. Neste número vocês irão
            verificar ou relembrar o que aconteceu     KM BRASIL 2007
            nos eventos Mas todos, com certeza         O Congresso anual da Sociedade Brasileira de
            irão gostar e, usar.                       Gestão do Conhecimento – SBGC, o KMBRASIL
            O público presente nos dois eventos        2007 foi realizado na cidade de São Paulo,
            foi de aproximadamente mil pessoas         nos dias 29 e 30 de novembro de 2007.
            de vários segmentos da sociedade,          Em sua sexta versão, o evento contou com a
            incluindo empresários empreendedores,      participação da área acadêmica, da área , do
            gestores dos setores privado e público,    setor privado e com expressiva participação
            formuladores de políticas e diretrizes     do terceiro setor.




                                                                Elisabeth Gomes
                                                         Editora-Chefe da GC Brasil
                                                       Coordenadora de Conteúdo e
                                                               Publicações da SBGC
Em 2007 o tema praticado foi – Crescimento           O tema em 2008 foi – O Conhecimento




                                                                                               Editorial
Econômico Sustentável: o Papel da Gestão do          como Recurso Estratégico Agregando
Conhecimento. No evento se discutiu as práticas      Valor à Organização. A proposta
relacionadas à informação e ao conhecimento          foi estabelecer um debate para que
nas organizações, tanto no desenvolvimento           os participantes do evento pudessem
de tecnologias, processos, produtos e serviços,      trocar experiências sobre como formular
como na relação com o ambiente, clientes,            estratégias de criação, disseminação
fornecedores e parceiros.                            e aplicação do conhecimento nos
Dentro do tema debatido se buscou destacar           processos organizacionais de modo
iniciativas no setor privado e público com relação   a transformar o conhecimento (tácito)
a práticas de Gestão do Conhecimento, focada         das pessoas em ativos (recursos
em inovações relacionadas a soluções de infra-       estratégicos) que agreguem valor à
estrutura do país com visão de longo prazo.          organização como um todo, visando
Foi um momento para congregar profissionais,         sua sustentabilidade.




                                                                                               05
gestores e acadêmicos que tem interesse em
                                                     Como sabemos o conhecimento é cada
GC e querem compartilhar informações e trocar
                                                     vez mais o recurso estratégico para
experiências voltadas para inovações.
                                                     a competitividade e sobrevivência
Durante o KM BRASIL 2007 verificamos um              das organizações, portanto construí-
ambiente propício para trocas de experiências        lo e disseminá-lo nas organizações é
e geração de novo conhecimento relacionado           prioritário.
ao crescimento econômico sustentável do país.
                                                     No decorrer do evento os congressistas
O evento ainda trouxe ao Brasil o ex-diretor         tiveram a oportunidade de manter
do Cynefin Center da IBM, Dave Snowden,              contato com os melhores profissionais
grande referências mundial no campo da GC e          oriundos das empresas nacionais e
o indiano Soumodip Sarkar, professor associado
                                                     internacionais com experiências em
e diretor do Centro de Estudos e Formação
                                                     práticas de Gestão do Conhecimento.
Avançada em Gestão e Economia (CEFAGE-UE)
                                                     Aconteceu também um encontro com
da Universidade de Évora.
                                                     profes-sores e estudantes atuantes em
KM BRASIL 2008                                       linhas de pesquisa relacionadas à GC
Realizado em 2008 o já tradicional evento de         e temas co-relacionados. Em paralelo
Gestão do conhecimento promovido pela SBGC           pudemos ver uma feira com exposição
aconteceu no período de 27 a 29 de agosto de         de empresas fornecedoras de soluções
2008.                                                tecnológicas para GC.
Biblioteca Multimídia
             em saúde pública:
           compartilhamento de
   conhecimento e transparência
                 da informação
Ana Cristina Da Matta Furniel
Rosane Mendes
Maria Elisa Andries Reis
Ana Paula Mendonça
Escola Nacional De Saúde Pública/Fiocruz.
Resumo: A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz,




                                                                                                   Artigo 11
lançou, em agosto de 2007, a segunda versão de sua Biblioteca Multimídia da ENSP.
Trata-se de um ambiente baseado na internet, apoiando-se na metodologia de gestão
do conhecimento, em que qualquer usuário conectado à rede mundial pode, depois de se
cadastrar, incluir documentos em formato texto, planilha, vídeo, imagem, áudio ou hipertexto.
Dessa forma, o conteúdo deixa de ser privado e passa a ser preservado e, ao mesmo tempo,
público.
O novo ambiente digital da ENSP tem o objetivo de apoiar, reutilizar e construir coletivamente
o conhecimento na área de saúde pública, visando atender às necessidades dos cidadãos.
Além de dar acesso livre a qualquer usuário da internet, a Biblioteca Multimídia da ENSP
também possibilita que todos façam comentários sobre cada um dos documentos postados,
promovendo a interação e o debate.
A partir de uma ferramenta de busca, o usuário consegue recuperar os arquivos eletrônicos
postados. Entre outros objetivos da nova ferramenta estão: ampliar e melhorar as formas




                                                                                                   93
de comunicação e disseminação das informações em saúde pública; potencializar a geração
de novos conhecimentos na área de saúde pública; e fomentar o compartilhamento do
conhecimento entre alunos e pesquisadores da ENSP e entre a comunidade científica da
Escola e o campo da saúde pública.
A primeira versão da Biblioteca Multimídia foi lançada em 2004. Na primeira versão, a
gestão do conteúdo era feita de forma centralizada: apenas os editores tinham permissão
para postar documentos. Hoje, com a inserção de documentos feita de forma descentralizada,
seguindo padrões da Web 2.0, os arquivos são avaliados por editores e, depois, liberados
para acesso na Biblioteca. O conteúdo considerado impróprio, desrespeitando princípios
éticos, ferindo a privacidade dos colaboradores ou denegrindo a imagem institucional, não
é publicado.
Palavras Chave: biblioteca, virtual, multimídia, gestão do conhecimento, saúde pública

1. TEMA                                                digitais em espaços desenhados para
                                                       favorecer a comunicação entre as
De acordo com a enciclopédia livre Wikipédia,
                                                       pessoas, a recuperação e a transfe-
biblioteca é todo espaço, concreto ou virtual,
                                                       rência de informação e o intercâmbio
destinado a uma coleção de livros de quaisquer
                                                       de idéias.
tipos e ainda outros tipos de materiais
digitais que possam ser úteis para consulta.           Desse modo, apresenta-se como desafio
O desenvolvimento das bibliotecas virtuais             a necessidade de contextualização e
está intimamente relacionado com a evolução            organização estruturada da informa-
da tecnologia e com o modo de tratamento               ção, determinando requisitos de
e transmissão de dados. Com o advento e a              qualidade e relevância dos conteúdos,
popularização da Internet, passa-se a dispor           tornando-se necessária a utilização de
de novos meios de acesso a diversos recursos           categorias que permitam organizar,
informacionais. No entanto, se é fato que a Internet   de forma eficiente, o oceano onde
beneficia a disseminação e a transferência da          ocorre um “dilúvio de informações”
informação, é também verdade que com a rede            (LÉVY;1999).
surgiu a necessidade de organizar a informação         A desterritorialização da informação
através de repositórios atualizados e confiáveis       através do mundo virtual e a criação
que facilitem o uso desses recursos.                   de novos espaços e velocidades são
Marchionini (2001) apresenta uma definição de          necessidades reais. A informação é
                                                       destituída do objeto físico que a contém.
biblioteca virtual como um lugar de reunião onde
os usuários trocam idéias com outros usuários,         “O conhecimento e a informação não são
virtualmente, e com coleções de documentos             imateriais, e sim, desterritorializados;
longe de estarem presos a um suporte       O presente trabalho contextualiza a sociedade
Artigo 11



            privilegiado, eles podem viajar. Mas       da informação e da comunicação e a
            a informação e o conhecimento tão          necessidade de organização de informação
            pouco são materiais. A alternativa         em ambientes virtuais. A segunda parte
            do material e imaterial vale apenas        justifica e aborda a relevância do trabalho,
            para substâncias, coisas, ao passo que     apresentando a Escola Nacional de Saúde
            a informação e o conhecimento são          Pública, unidade técnico-científica da Fundação
            da ordem do acontecimento ou do            Oswaldo Cruz, e suas necessidades de
            processo.” (LÉVY;1996:56)                  utilização das novas tecnologias em práticas de
            A distância e o tempo entre a fonte        gestão do conhecimento relacionadas ao ensino
            de informação e os que buscam a            e à aprendizagem. Em seguida, apresentamos
            informação deixaram de ter qualquer        os objetivos, a metodologia e os resultados da
            importância, pois as pessoas não           implantação da Biblioteca Multimídia da ENSP
            precisam mais se deslocar visto que        e, buscamos compartilhar todas as informações
                                                       relativas à implantação da biblioteca e a
94




            são os dados que trafegam. Estas
            mudanças levam a novas exigências,         tecnologia utilizada. Por fim, em “resultados”,
            estratégias e ações. Como são os novos     o objetivo é mostrar de que forma a Biblioteca
            meios, os novos conteúdos, quem são os     Multimídia contribuirá para o avanço do campo
            profissionais e os usuários desse novo     da saúde pública no Brasil e no mundo.
            imperativo tecnológico são questões
            que devem acompanhar este debate.
            As instituições que atuam como             2 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO
            produtoras e disseminadoras de             TRABALHO
            informação lidam com problemas con-        Em países em desenvolvimento, como o Brasil,
            cretos para garantir sua inserção nesse    o acesso à informação científica tem sido um
            novo contexto. Prover acesso on-line,      grande desafio. Instituições de ensino, pesquisa
            estruturar instrumentos de pesquisas de    e desenvolvimento tecnológico encontram-
            maior qualidade, conhecer seu usuário,     se num momento de questionamento sobre as
            adotar estratégias de disseminação         novas práticas desenvolvidas a partir do uso
            mais agressiva e fazer uso das novas
                                                       intensivo das tecnologias de informação e de
            tecnologias da informação repre-
                                                       comunicação no novo cenário da disseminação
            sentam um conjunto de demandas que
                                                       do conhecimento.
            impulsionam essas instituições a adotar
            novos caminhos.                            É o caso da Escola Nacional de Saúde Pública
            No entanto, afirmar que a Internet hoje    Sergio Arouca – unidade técnico-científica da
            é um imenso repositório de informações     Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – a maior
            onde se encontra praticamente tudo,        escola de saúde publica da América Latina,
            não é mais novidade. Para Tarapanoff       sendo membro articulador e privilegiado de
            (2000), “a informação dispersa não         uma rede em saúde publica e de escolas de
            constitui inteligência”, ou seja, se a     governo em saúde. Constitui-se numa escola de
            “informação está disponível na Internet,   pós-graduação acadêmica, com três programas
            mas não é localizada, o conhecimento       com excelentes avaliações da Coordenação
            não é realizado” (MARCONDES;2002).         de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
            “A cada minuto que passa, novas pessoas    Superior (Capes), do Ministério da Educação.
            passam a acessar a Internet, novos         Ao mesmo tempo, é uma das principais
            computadores são interconectados,          formadoras de profissionais de saúde através
            novas informações são injetadas na         de seus programas de capacitação em cursos
            rede. Quanto mais o ciberespaço se         Lato sensu presenciais e a distância. Um dos
            amplia, mais ele se torna “universal”, e   seus objetivos é facilitar a formação de redes
            menos o mundo informacional se torna       de aprendizagem na área e possibilitar a
            totalizável.” (LÉVY;1999:111).             construção coletiva do conhecimento.
Em 2004, a ENSP/Fiocruz decidiu criar a             integral do seu trabalho, recurso de




                                                                                                Artigo 11
primeira versão da sua Biblioteca Multimídia.       informação ou objeto de aprendizagem,
Na época, o objetivo era atender à demanda          em qualquer formato de arquivo
interna para armazenar materiais divulgados         digital (texto, planilha eletrônica, víd-
no Informe ENSP, boletim eletrônico da Escola.      eo, imagem, áudio ou hipertexto).
Todo material apresentado em eventos da             Dessa forma, o conteúdo deixa de ser
ENSP, tratados por professores em salas de          privado e passa a ser preservado e
aula ou fruto de discussões e debates passaram      ao mesmo tempo público. Além disso, a
a ser incluídos no novo ambiente. No entanto,       proposta é apoiar, reutilizar e construir
essa primeira versão, apesar de atender aos         coletivamente o conhecimento na área
objetivos iniciais, apresentava problemas de        de saúde pública, visando atender às
navegação, acessibilidade e busca do material       necessidades dos cidadãos.
através de ferramenta própria.                      Denominada Biblioteca Virtual Multi-
O Informe ENSP – que circula todos os dias com      mídia, sua atribuição principal é a




                                                                                                95
reportagens sobre a área de saúde pública           oferta de um ambiente que, além de
e, principalmente, com a cobertura jornalística     permitir a publicação de informações
de todos os eventos realizados na ENSP/             multimodais na rede, de forma orga-
Fiocruz – é enviado para todos os alunos,           nizada, abre possibilidades de pensar
professores, pesquisadores e funcionários da        coletivamente e construir o conhe-
Escola e para qualquer pessoa com interesse         cimento numa área estratégica para o
na área. Atualmente, conta com uma base de          desenvolvimento do país, como a da
cerca de cinco mil assinantes. Esse produto         saúde pública. Seu desafio é se tornar
da Escola – que é enviado pela internet e           uma ferramenta de gestão coletiva da
tem assinatura gratuita – ajudou a divulgar a       inteligência pública.
Biblioteca Multimídia da ENSP, uma vez que          “Permirtir-nos compartilhar nossos
todo o material referenciado no Informe ENSP        conhecimentos e apontá-los uns para os
era incluído na biblioteca virtual para acesso      outros, o que é condição elementar da
do público. O aumento da demanda e da               inteligência coletiva” (LÉVY;1999:18).
visibilidade mostrou que era necessária uma
avaliação do projeto e a realização de ajustes
para uma segunda versão, principalmente em          3 OBJETIVOS
relação à classificação do material.
                                                    No intuito de alcançar o resultado
Frente ao compromisso da ENSP/Fiocruz               esperado e preencher a lacuna da
de garantir a transparência na gestão e o           falta de acesso e disseminação das
acesso irrestrito às informações públicas, foi      informações e do conhecimento em
desenvolvido um modelo de biblioteca virtual        saúde pública, estabelecemos objeti-
organizado por temas de interesse. Um modelo        vos específicos para a criação da
que possibilita a publicação de conteúdos           Biblioteca Virtual Multimídia da ENSP.
na internet com acesso livre e completo às          São eles:
informações e de interface amigável para os
usuários. O público-alvo da biblioteca constitui-   -Promover e apoiar estratégias alter-
se numa rede formada por alunos da Escola,          nativas de cooperacão em rede,
pesquisadores, profissionais de saúde, gestores     regionais, sub-regionais, nacionais ou
do Sistema Único de Saúde e seus usuários,          institucionais;
estudantes e cidadãos.                              -Possibilitar o armazenamento de
                                                    arquivos eletrônicos a serem compar-
Apoiando-se na metodologia de gestão do
                                                    tilhados, ou seja, não ser apenas um
conhecimento, a Biblioteca Multimídia da ENSP
                                                    apontador para fontes de informações
encaixa-se como um projeto de formação
                                                    e sim um repositório on-line;
colaborativa de base de conhecimento, onde
qualquer usuário cadastrado envia uma versão        -Fomentar o debate direto entre os
usuários da biblioteca virtual multimídia   atualmente na Internet. Baseia-se no GILS (Glo-
Artigo 11



            e seus colaboradores;                       bal Information Locator Service) e no formato
            -Disponibilizar um ambiente para sub-       Dublin Core, com alguns campos de dados
            missão, busca e recuperação de arqui-       adicionais. Todo o acervo será classificado me-
            vos eletrônicos;                            diante esta metodologia.

            -Ampliar e melhorar as formas de            • Elaboração de ferramenta web considerando
            comunicação e disseminação das infor-       as políticas de software livre e as diretrizes
            mações em saúde pública no Brasil,          de acessibilidade que sirva de modelo para
            com a conseqüente geração de novos          utilização coletiva, inclusive para uso da Fiocruz
            conhecimentos;                              e demais parceiros institucionais.

            -Fornecer um ambiente agradável,            • Desenvolvimento de um sistema de distribuição
            interativo e com ferramentas de auxí-       de informes diários ou semanais (listas aéreas)
            -lio de pesquisa, de modo a am-             para os interessados para que suscite o interesse
                                                        constante de utilização intensa do modelo para
96




            pliar a usabilidade do mesmo para
            diversos grupos de usuários, do mais        compartilhar e recuperar informações.
            especializado ao leigo;                     • Estabelecer critérios para controle de quali-
            -Possibilitar que profissionais de outras   dade e avaliação, como o preenchimento de
            instituições de ensino, pesquisa e orga-    formulários, documentos enviados e cadastra-
            nizações não-governamentais do setor        mento de usuários.
            saúde compartilhem seus recursos de         • Adoção de um sistema de métrica que possa
            informação.                                 ajudar na avaliação do alcance da biblioteca,
                                                        seu público e novas metas a serem alcançadas.

            4 METODOLOGIA                               Fases compreendidas durante o processo de
                                                        desenvolvimento:
            O aumento da informação circulante
            não significa necessariamente a garan-      1. Planejamento:
            tia de informação qualificada ou            • Levantamento bibliográfico: pesquisa biblio-
            classificada. Desse modo, apresenta-        gráfica sobre Bibliotecas Virtuais;
            se como desafio a necessidade de
                                                        • Definição de políticas de gerenciamento de
            contextualização e organização estrutu-
                                                        submissão de arquivos e da preservação dos
            rada da informação, determinando
                                                        mesmos;
            requisitos de qualidade e relevância
            dos conteúdos, tornando-se necessária a     • Definição de um conjunto mínimo de metadados.
            utilização de categorias que permitam       2. Desenvolvimento e Implantação:
            organizar as informações. Em outras
            palavras, colaborar para a informação       • Definição dos tipos de documentos contem-
            se constituir em conhecimento. Para isso,   plados;
            alguns procedimentos foram seguidos:        • Definição do conjunto de campos para cada
            • Utilização do sistema de classificação    documento, inclusive atribuindo obrigatoriedade
            de acordo com a metodologia LIS             quando for o caso;
            (Loca-lizador de Informação em              • Soluções de Tecnologia da Informação: Mode-
            Saúde), resultado da cooperação             lar um banco de dados onde serão depositados
            técnica entre o Centro Nacional de          os arquivos;
            Información de Ciências Médicas
                                                        • Desenvolvimento de piloto que possibilite a
            (CNICM), a Red Telemática de Salud de
                                                        geração de dados para analisar o modelo;
            Cuba (INFOMED) e a BIREME. Seguindo
            normas e formatos internacionais já         • Elaboração da ferramenta WEB, atentando
            amplamente adotados em bibliotecas          para as políticas de software livre e as diretrizes
            e centros de documentação e em uso          de Acessibilidade;
• Teste da ferramenta.                              Institucional da ENSP/Fiocruz, apontou




                                                                                               Artigo 11
3. Disseminação da informação:                      a importância da ferramenta de
                                                    comentários existente na Biblioteca,
• Desenvolvimento de um pequeno sistema de          embaixo de cada publicação. Vários
distribuição de informes diários ou semanais        documentos foram alvos de debates
(listas aéreas) para os usuários para que suscite   direto entre os colaboradores/usuá-
o interesse constante de utilização intensa         rios.
do modelo para compartilhar e recuperar
informações.                                        O relatório de avaliação teve por
                                                    objetivo realizar os ajustes necessários
4. Definição de critérios para controle de          para a nova versão e definir uma
qualidade e avaliação para o preenchimento          estratégia de divulgação. De acordo
de formulários, documentos enviados e               com o relatório, a Biblioteca Multimídia
cadastramento de usuários.                          da ENSP possui um acervo de cerca de
5. Adoção de um sistema de métrica que              mil documentos armazenados, sem a




                                                                                               97
possa ajudar na avaliação do alcance da             participação do público externo – até
biblioteca, seu público e novas metas a serem       2007, apenas a equipe de jornalismo
alcançadas.                                         fazia a inclusão dos documentos na
                                                    ferramenta. Essa constatação mostrou
                                                    a necessidade de alteração no ambi-
5 RESULTADOS                                        ente e a classificação do material.
                                                    A solução foi buscada em conversas
O acesso a Biblioteca Multimídia é feito pelo
                                                    com os técnicos da área de saúde pú-
público através do Portal da Escola Nacional de
                                                    blica e biblioteconomia e adotamos
Saúde Pública Sergio Arouca – ENSP/Fiocruz.
                                                    então a classificação conforme as
A entrada do material é aberta a qualquer
                                                    áreas temáticas da saúde pública
usuário, especificamente os que acessam o Portal
                                                    na metodologia LIS (Localizador de
ENSP e o Portal Fiocruz, mediante cadastro e
senha. O controle da publicação é feito pela        Informação em Saúde), resultado da
equipe de jornalismo da Coordenação de              cooperação técnica entre o Centro
Comunicação Institucional da ENSP/Fiocruz. A        Nacional de Información de Ciências
Escola conta com infra-estrutura tecnológica e      Médicas (CNICM), a Red Telemática
com o apoio de pessoal técnico especializado        de Salud de Cuba (INFOMED) e a
que desenvolveu a ferramenta.                       BIREME.

A operação da Biblioteca Virtual Multimídia de      No entanto, o que mais caracteriza a
Saúde Pública é assistida pela Coordenação de       aceitação e a viabilidade da ferra-
Comunicação Institucional da Escola Nacional de     menta são os mais de 52 mil acessos
Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) e sua alimentação      a diversas publicações no período de
é feita de maneira descentralizada por              março de 2006 a março de 2007, sem
qualquer usuário cadastrado, obedecendo a           que qualquer divulgação fosse feita. A
critérios de qualidade, assim como metodologias     Biblioteca Multimídia da ENSP é hoje
e tecnologias públicas, sendo avaliada por          uma referência na Fundação Oswaldo
uma equipe de profissionais de informação           Cruz para o armazenamento, a busca
responsáveis pela aprovação para efetiva            e a divulgação de documentos. Além
publicação na internet.                             disso, a divulgação do projeto nesta
                                                    segunda versão, a participação do
Em 2007, o ambiente foi totalmente reformulado
                                                    público inserindo documentos e comen-
para garantir uma navegação mais amigável
                                                    tários fomentará o debate sobre os
ao público, uma vez que o acesso foi ampliado
                                                    temas e aumentará o alcance da rede
de forma irrestrita. O relatório de avaliação
                                                    de conhecimento.
dos dois primeiros anos (2004-2006) de
existência da Biblioteca Multimídia da ENSP,        A Biblioteca Virtual Multimídia de
realizado pela Coordenação de Comunicação           Saúde Pública constitui-se num ambi-
ente interativo onde uma rede de         vez mais se tornam indistintas suas barreiras
Artigo 11



            pessoas e instituições compartilham      (RUSSELL;2001). Certamente, a gratuidade
            conhecimento com o propósito de faci-    de acesso a diversos periódicos e documentos
            litar o acesso à informação para o       eletrônicos já influi no modo como se organiza
            desenvolvimento de competências indi-    a comunicação científica. Alguns estudos indi-
            viduais e capacidades institucionais.    cam que artigos, livros, papers disponíveis
            Um espaço de aprendizagem e de           gratuitamente on-line são mais freqüentemente
            cooperação interdisciplinar no campo     citados. Os profissionais de informação e de
            da saúde pública.                        comunicação e os bibliotecários sabem há muito
            A Biblioteca Virtual Multimídia da       tempo que a facilidade de uso é crucial.
            ENSP possui algumas particularidades.    No entanto, a quantidade de informações
            Mas o sistema pode ser implantado        muitas vezes encontra-se dispersa e sem liga-
            em institutos de ensino e pesquisa da    ções claras para os usuários, ficando de fora
            área de saúde pública com algumas        todas as possibilidades de trabalho em redes
98




            adaptações. Para implantá-la, é ne-      de conhecimentos que poderiam advir das
            cessário ter um servidor de banco de     bibliotecas virtuais. Ontalba y Ruipérez (2002)
            dados MySQL ou Oracle e servidor         estudou a RedIris – rede acadêmica e de pes-
            web Linux ou Windows, para hospedar      quisa espanhola – e verificou que são pouco
            os dados, e os scripts que germa a       aproveitadas as possibilidades de trabalho,
            interface do Sistema. Por ser uma        de investigação colaborativa e de criação
            aplicação internet, esse servidor deve   cooperativa de conteúdos que a rede oferece.
            ficar na área desmilitarizada (DMZ)      Atualmente, documentos tradicionalmente de
            e ter um esquema de proteção que         tiragens reduzidas, divulgações restritas e de
            garanta a segurança dos dados. A         difíceis acessos vêm se tornando cada vez
            criação de tabelas no banco de dados     mais visíveis graças aos esforços de criação
            pode ser feita por scripts ou por uma    de bibliotecas virtuais. No entanto, dentro da
            ferramenta case.                         temática de saúde pública, encontramos, em
            A Biblioteca Multimídia da ENSP foi      sua maioria, bibliotecas virtuais que oferecem
            desenvolvida em PHP 4.0 (http://         acesso apenas a apontadores, ou seja, são
            www.php.net), podendo rodar sobre        compostas por links que levam a outros
            qualquer arquitetura de hardware e       sites, normalmente relacionados a um tema
            sistema operacional (Linux, Windows,     específico. Muitas vezes, limitam-se a seleção e
            Solaris, Mac, etc.), o que permite       organização de referências afins.
            a utilização de uma plataforma           A Biblioteca Virtual Multimídia da ENSP vai
            totalmente baseada em software           além dos apontadores, pois se apresenta como
            livre (sistema operacional, banco de     um espaço para difusão e o compartilhamento
            dados, servidores e demais recursos).    de informações e conhecimentos, onde o próprio
            No entanto, apesar de termos toda        colaborador remete seu material na íntegra e
            a estrutura de banco de dados            este pode se tornar alvo de debate direto entre
            funcionando para MySQL (http://          os leitores e o colaborador. Em outras palavras,
            www.mysql.com), optamos em utilizar o    colaborar para a informação se constituir em
            banco de dados Oracle (http://www.       conhecimento público.
            oracle.com), pois o mesmo é o adotado
            pela instituição. Essa                   A iniciativa de constituição da Biblioteca Multi-
                                                     mídia da ENSP encaixa-se nas diretrizes do
            decisão baseou-se nos critérios adota-   governo federal de democratização das
            dos para a integração de todas as        informações publicas, de inclusão digital e
            ferramentas do Portal da ENSP.           acessibilidade.
            A comunicação científica, seja formal    No mundo contemporâneo da sociedade da
            ou informal, está passando por mu-       informação, ou sociedade em rede, a grande
            danças tão significativas que cada       questão é como as pessoas terão amplo e
livre acesso aos benefícios das tecnologias de       e, conseqüentemente, no cumprimento




                                                                                                         Artigo 11
informação e comunicação, de forma que a             dos compromissos de saúde contidos
Internet, por sua apropriação social, seja um        nos Objetivos de Desarrollo del
poderoso instrumento de educação, ciência e          Milenio. Com isso, todas as instituições
tecnologia, cultura e formação de cidadania.         envolvidas reafirmam o direito
Para tudo isso se torne realidade é necessário que   de universalizar e democratizar o
governos e instituições nacionais e internacionais   acesso à informação, que é condição
proporcionem não apenas a infra-estrutura            fundamental para o processo de
tecnológica, de comunicação e de informação,         desenvolvimento social e de acesso
mas também formulem e concretizem políticas          universal aos serviços na sociedade
com essa finalidade, abarcando, ao mesmo             contemporânea.
tempo, coleções e acervos manuscritos, impressos
e eletrônicos, aí incluída a pluralidade do
diversificado conjunto de textos, imagens e sons
                                                     BIBLIOGRAFIA




                                                                                                         99
– patrimônio documental e patrimônio digital,        CEBRIÁN, Juan Luis. A rede: como nossas vidas
                                                     serão transformadas pelos novos meios de
memória do mundo.                                    comunicação. São Paulo: Summus, 1999.
É fato afirmar que maior acessibilidade é igual      DONATH, Judith S.; ROBERTSON, Niel. The
a maior uso, que significa maior impacto, que,       sociable web. In: INTERNATIONAL WWW
por sua vez, significa maiores recompensas,          CONFERENCE, 2., 1994, Chicago. (Anais
                                                     eletrônicos).
provocando mais produção, a qual, estando
                                                     LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34,
mais acessível, provoca maior uso e assim            1999.
sucessivamente.
                                                     LÉVY, P. A Inteligência coletiva: por uma
Com isso, esta Biblioteca Virtual Multimídia da      antropologia do ciberespaço. 3 ed. São Paulo:
ENSP pode ser considerada um instrumento que         Ed. Loyola, (a). 212 p, 2000.
mobilizará e impulsionará a disseminação e           MARCONDES, C.H.; GOMES, S.L.R. O
a democratização das informações em saúde            impacto da Internet nas bibliotecas brasileira.
                                                     Transinformação, Campinas, v. 9, n. 2., jul./
pública no Brasil e para os países de língua         ago., 1997.
portuguesa, visto que todo o conteúdo da
                                                     MARCHIONINI, G. Research and Development
mesma estará disponível, também, no Campus           in Digital Libraries. Disponível em: <http://ils.
Virtual de Saúde Pública – projeto organizado        unc.edu/~march/digital_library_R_and_D.
pela Organização Pan-Americana de Saúde              html>, acesso em: 24 mar. 2001.
(Opas/OMS) de desenvolvimento de um                  ONTALBA Y RUIPÉREZ, José Antonio. Las
ambiente virtual que seja um meio de operação        comunidades virtuales académicas y científicas
                                                     españolas: el caso de RedIris. El Profesional de
conjunta entre a Organização e os países da          la Información, v. 11, n. 5, p. 328-338, sept./
Região. O projeto abrange vários países da           oct. 2002.
América Latina, além da Espanha. No Brasil, a        PINHEIRO, Lena Vânia R. Comunidades
coordenação do campus virtual está a cargo           científicas e infra-estrutura tecnológica no
da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio           Brasil para uso de recursos eletrônicos de
Arouca (ENSP/Fiocruz).                               comunicação e informação na pesquisa.
                                                     Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 3, p.
O Campus Virtual de Saúde Pública Brasil             62-73, set./dez. 2003.
insere-se nessa política de ampliação de             RUSSELL, Jane M. La comunicación científica a
acesso e informações. Constitui-se num espaço        comienzos del siglo XXI. Disponível em <http://
                                                     www.oei.es/salactsi> Acesso em: 30 jul. 2007.
virtual privilegiado que potencializa a gestão
do conhecimento nos programas de educação            TARAPANOFF, K; ARAÚJO JÚNIOR, R. H;
                                                     CORMIER, P. M. J. Sociedade da informação
permanente para o desenvolvimento de recursos        e inteligência em unidades de informação.
humanos em saúde pública, contribuindo               Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 3, p.
ativamente para La Iniciativa La Salud Pública       91-100, set./dez 2000.
en las Américas, através do compartilhamento e       Wikipedia. Disponível em: <http://www.
da disseminação das práticas em saúde pública        wikipedia.com>. Acesso em: 15 mar. 2007.
A gestão
estratégica do
CONHECIMENTO
a partir de hábitos
organizacionais       Jacqueline Sá Ricarte

inteligentes.             Fundo Brasileiro Para
                      A Biodiversidade - Funbio
Resumo: Este trabalho apresenta idéias e             congressos, seminários, feiras e




                                                                                                Artigo 12
métodos para a promoção do conhecimento em           encontros, associações profissionais e
organizações, tendo como base as premissas           setoriais, governo e instituições com
de inovação, simplicidade e competências             relações preferenciais, consultores e,
essenciais. Embora sem a apresentação de um          claro, os próprios empregados.
caso específico, foi pensado e escrito tendo         A gestão inteligente está orientada para
como foco a organização não-governamental            o conhecimento. Como? Identificando e
Fundo Brasileiro para a Biodiversidade - Funbio,     desenvolvendo as competências dos
onde a autora é funcionária.                         trabalhadores, estimulando as idéias,
Palavras Chave: estratégia, competências,            fomentando o intercâmbio pessoal
gestão do conhecimento, inovação, inteligência       de conhecimentos, promovendo o
organizacional                                       aprendizado, promovendo a gestão de
                                                     projetos orientada ao conhecimento,
                                                     estruturando a documentação e

1




                                                                                                101
    - Introdução                                     melhorando a transparência da
                                                     informação, inovando, atuando com
                                                     simplicidade, entre outros hábitos que
A palestra proferida pelo Prof. Klaus North*,
                                                     serão abordados neste trabalho.
em dezembro de 2007, no Rio de Janeiro,
intitulada “Construindo empresas inteligentes”,      E o que é o FUNBIO? Fundo Brasileiro
serviu de inspiração para a elaboração deste         para      a    Biodiversidade,     uma
trabalho. A palestra foi iniciada com a seguinte     associação civil sem fins lucrativos
questão: A sua organização é inteligente?            criada em 28/09/1995 com o
Segundo North, A escala do saber é a base            objetivo de complementar as ações
para a organização inteligente. Signos, dados,       governamentais para a conservação
informações, conhecimento, saber fazer, inovar       e o uso sustentável da diversidade
com simplicidade, agir com competência, ter          biológica do país. A atuação do Funbio
capacidade competitiva, entre outros.                é pautada pelas decisões do seu
                                                     Conselho Deliberativo, que é formado
Para uma organização se considerar inteligente
                                                     por representantes dos setores
ela deve ter processos bem estruturados,
                                                     empresarial, ambiental, acadêmico
transparentes, integrando pessoas e motivando
                                                     e governamental. Sua Missão é
seus funcionários. Os conhecimentos básicos
                                                     aportar recursos estratégicos para a
estão relacionados a mercado, clientes,
                                                     conservação da biodiversidade. E sua
processos, tecnologia, produtos e serviços, e aos
                                                     Visão é ser o parceiro preferencial dos
empregados.
                                                     principais atores ambientais nacionais
A organização inteligente se abre para               e globais na busca de soluções para
fora. Compartilhar conhecimentos é poder!            esta finalidade.
É preciso apoiar uma cultura de intercâmbio
de conhecimentos. É necessário aprender,
sistematicamente, de mercados, clientes,
competidores, provedores e outras fontes
externas.
                                                     2   – Inovação


                                                     Como fazer com que a organização
Quem são as fontes de informação e                   seja ágil para se adaptar à velocidade
conhecimento? Livros, revistas, páginas web,         das mudanças mundiais? Como tornar a
catálogos, redes, contatos pessoais, clientes        organização atraente para trabalhar?
e clientes potenciais, bancos e agências             Como mobilizar a imaginação e as
financeiras, universidades e centros tecnológicos,   ações dos funcionários diariamente?
Como diz C.K. Prahalad*, um dos                     espalhados pelo mundo, em vez de tentar fazer
Artigo 12



            maiores especialistas em estratégia da              a maior parte das coisas elas mesmas.
            atualidade, são necessárias mudan-
                                                                É necessário aproveitar as oportu-nidades,
            ças significativas - fronteiras menos
                                                                sem deixar que a inovação fracasse ao
            definidas entre os setores - fim da
                                                                chocar-se com as barei-ras organizacionais.
            intermediação - nova consciência –
                                                                Segundo Larry Prusak*, a unidade de análise
            entre outras - e elas precisam ser
                                                                do conhecimento não deve ser a organi-zação,
            administradas simultaneamente. E para
                                                                nem o indivíduo, mas sim grupos com contextos
            administrar essas mudanças, os gesto-
                                                                comuns.
            res se defrontarão com desafios novos
            e complexos.                                        Complementando, outro especialista em
                                                                estratégia, Lowell Bryan*, considera que o
            O papel fundamental dos líderes do
                                                                modelo tradicional do século 20, baseado em
            futuro será gerenciar o presente, es-
                                                                hierarquias, não é efetivo para organizar o tipo
            quecer seletivamente o passado e
102




                                                                de trabalho das novas gerações, que aprendem
            dar combustível para o futuro. Não
            poderão simplesmente deixar de fazer                a se autogerir e criam critérios subjetivos
            o que fazem hoje e começar algo 100%                com base no próprio conhecimento adquirido
            novo. Terão de proteger o negócio                   em contextos dinâmicos. Na era digital, são
            atual e, ao mesmo tempo, conduzir a                 essas pessoas que geram riqueza. Todas as
            empresa para uma nova fronteira.                    grandes instituições têm muitos funcionários
            Por que empresas fabulosas perdem                   que usam o pensamento de forma intensa e
            a liderança do mercado? Porque não                  devem colaborar entre si. As organizações que
            conseguem escapar do passado ou                     permitem a esses profissionais canalisar seu
            porque não conseguem criar o futuro.                poder mental coletivo inteligente conseguirão
            O mesmo vale para os profissionais.                 obter mais lucros e se posicionar no mercado
            (Prahalad. Artigo da Você S.A, 2000)                com sucesso.*

            A verdadeira inovação caracteriza-
            se por ser um potencial jogo de mu-
            danças. Prahalad vislumbra um futuro
            onde as organizações de ponta
                                                                3   - Simplicidade


            serão inovadoras em duas frentes: a                 As soluções mais eficientes normalmente são
            primeira, co-criando valor com seus                 simples, não possuem grandes sofisticações.
            clientes e tratando cada um deles                   Por tal motivo, são aprendidas por todos,
            individualmente. A segunda, utilizando              independentemente do nível hierárquico, e
            recursos de terceiros, especializados e             aplicadas de forma objetiva no dia a dia.


            * O Dr. Klaus North é professor catedrático em Administração Internacional de Empresas da Universidade de
            Wiesbaden (Alemanha) e consultor de diversos organismos internacionais (OIT - Organização Internacional do
            Trabalho) no tema gestão do conhecimento. É Diretor Cientifico do Prêmio Alemão de Gestão do Conhecimento
            e Presidente fundador da Sociedade Alemã de Gestão do Conhecimento.
            * C.K. Prahalad é um dos mais influentes especialistas em estratégia empresarial da atualidade. Consagrado
            internacionalmente por sua inestimável contribuição ao pensamento estratégico corporativo, é considerado um
            dos dez maiores especialistas em administração e negócios do mundo.
            * Larry Prusak é pesquisador e consultor pioneiro em Gestão do Conhecimento. Tem ministrado palestras sobre
            os temas aprendizado organizacional, gestão da informação e gestão do conhecimento, capital humano e social
            nas melhores universidades e conferências dos E.U.A., Canadá, Europa, Japão, Austrália, China, Coréia, etc.
            * Lowell Bryan é sócio da Consultoria McKinsey. Ao longo dos últimos 30 anos, ele tem falado e escrito
            extensamente sobre estratégia e organização. Ele é colaborador freqüente do Wall Street Journal página
            editorial e os seus artigos têm sido publicados na Harvard Business Review e na McKinsey Quarterly.
Todos os empregados têm como colaborar              um portfólio de atividades distintas,




                                                                                                Artigo 12
com a Inovação na sua organização, indepen-         uma organização é um portfólio de
dentemente de seu nível hierárquico bem como        competências essenciais, que são uma
da relevância da idéia proposta.                    combinação de:
Uma idéia simples pode ser aperfeiçoada a           • Várias tecnologias (hard e soft).
partir da colaboração. Uma boa idéia que            • Aprendizado coletivo (multinível, mul-
funcione bem em um domínio, pode servir de          tifuncional).
inspiração para ser reutilizada em um outro
domínio.                                            • Capacidade de compartilhar (além
                                                    das fronteiras organizacionais e geo-
Na organização, a simplicidade deverá ser           gráficas).
objetivo permanente. Não há lugar para des-
perdício, em sentido geral e, em particular, para   Uma competência essencial pode
o desperdício causado pelas práticas buro-          ser representada como uma função
                                                    multiplicadora desses três elementos.




                                                                                                103
cratizantes e desnecessárias.
                                                    Para administrar as mudanças compe-
O tempo dedicado à burocracia e às atividades
                                                    titivas, os gestores terão desafios novos
artificialmente complicadas é tempo que poderia
                                                    e complexos. Eles deverão tomar as
ser dedicado à inovação, ao aprendizado, à
                                                    seguintes iniciativas:
criatividade, enfim, ao aperfeiçoamento pessoal,
organizacional e dos produtos e serviços.           • Incorporar novos pacotes de tecno-
                                                    logias aos negócios tradicionais da
O auto-desenvolvimento deve ser promovido
                                                    organização.
com ênfase. O desenvolvimento somente pode
ser obtido por meio do engajamento, interesse,      • Modificar a composição das equipes.
emoção e persistência do próprio empregado.         A globalização exige que os membros
                                                    das equipes provenientes de diferentes
O gerente deve atuar como elo dos empregados
                                                    culturas aprendam como um grupo
à Visão organizacional. Ele deve fomentar o
                                                    único.
alinhamento dos empregados sendo mais um
facilitador, fomentador, criador de condições e     • Transferir rapidamente as competên-
persistente identificador de oportunidades para     cias essenciais para as diferentes uni-
desenvolver pessoas e reconhecer seus méritos.      dades da organização.
A simplicidade está em pensamentos just-in-time,    A seguir, três das nove tarefas para
equipes pequenas e com membros multi-tarefas,       administrar as competências, elen-
com ações rápidas, eficazes e participativas.       cadas por Prahalad:
O diferencial da simplicidade está em ser           1. Conquistar acesso ao conhecimento
amigável e pessoal, em atuar com menos              e conquistar novos conhecimentos.
burocracia e mais liberdade, em estar sempre        O modo mais óbvio de conquistar
disponível para o cliente, em manter uma cultura    acesso ao novo fluxo de conhecimento
aberta que torne fácil corrigir erros e aceitar     é recrutar pessoas que já possuam o
novas idéias. É preciso pensar grande, agindo       novo conhecimento necessário. E, além
pequeno.                                            disso, vários níveis da organização
                                                    precisam aprender e aplicar o saber

4   - Competências essenciais                       desse novo conhecimento. Não basta
                                                    identificar a necessidade de novos
                                                    conhecimentos e tomar as providências
Ainda segundo Prahalad, o conceito, já              para adquiri-los. É preciso dar
amplamente aceito, é o de que, além de ser          legitimidade e urgência a essa tarefa.
2. Associar os fluxos de conhecimento.     vantes para as atividades da organização é
Artigo 12



            Mais difícil que adquirir um novo conhe-   a primeira ação de gestão. Deve-se levan-
            cimento é associá-lo coerentemente ao      tar os conhecimentos necessários para o
            conhecimento tradicional para criar        desenvolvimento de cada projeto, definindo
            novas oportunidades de negócio. As         o grau de importância, associando-os com
            organizações aprendem fazendo.             as responsabilidades de cada Unidade da
            Portanto, é crucial que os gestores de-    organização e relacionando-os com as compe-
            senvolvam projetos específicos e peque-    tências essenciais necessárias.
            nos. Os projetos são os portadores do      O resgate e a disseminação das lições aprendidas
            novo aprendizado. Eles concentram a        em projetos desenvolvidos anteriormente
            atenção da organização na solução          pela organização é fundamental e deve ser
            dos problemas de associação do novo        amplamente multiplicado internamente. Deve-
            conhecimento ao antigo. As equipes de      se criar uma política de incentivo ao registro e
            projeto com membros de várias áreas        disseminação de resultados, buscando motivar
104




            são imprescindíveis para o sucesso da      os colaboradores por meio de premiação
            aprendizagem e da aplicação daquilo        e realização de eventos presenciais para a
            que foi aprendido.                         socialização do aprendizado. O Aprendizado
            3. Aprender a esquecer                     adquirido em projetos anteriores possibilita o
                                                       desenvolvimento de novos projetos e produtos
            Em um ambiente competitivo, para con-      com menor custo, maior qualidade e, por fim,
            correr na nova economia é essencial        em um menor período de tempo.
            esquecer os antigos padrões. A lógica
            predominante da organização ou das         A organização precisa “aprender” a partir do
            pessoas pode se tornar um sério obs-       aprendizado e, porque não, também, com os
            táculo ao aprendizado. As pessoas pre-     “erros” de seus colaboradores. “Tolerar erros”
            cisam aprender a esquecer, e esque-        é um sinal de que o aprendizado tem papel
            cer é mais difícil do que aprender.        importante na organização. A “ameaça” aos
                                                       erros cometidos faz com que os colaboradores
                                                       tenham receio de evoluir e implantar inovações

            5   - A Gestão para a promoção
                do Conhecimento baseada na
            Inovação, na Simplicidade e nas
                                                       que podem proporcionar melhorias. O erro
                                                       não é um fracasso, e sim uma oportunidade de
                                                       aprender. Deve-se incentivar o registro dos erros,
            Competências Organizacionais               premiando os colaboradores que registram os
            Essenciais.                                erros cometidos em um projeto, criando eventos
                                                       para divulgar e discutir os problemas ocorridos
                                                       durante o seu desenvolvimento. É importante
            A inovação deve ser tratada com            aprender com os “acertos”, para repeti-los e,
            simplicidade. Ela pode ser desen-          com os “erros”, para evitá-los.
            volvida em qualquer área da orga-
                                                       Considerações relevantes para a promoção do
            nização. Qualquer funcionário, inde-
                                                       conhecimento nas organizações:
            pendente de seu nível hierárquico,
            pode contribuir de forma decisiva          • Tendo como objetivo registrar idéias inovadoras
            para o desenvolvimento de inovações.       e originais que uma vez implementadas possam
            Deve-se reconhecer a importância e         proporcionar melhorias contínuas de qualidade,
            as experiências dos profissionais da       otimização dos processos, redução dos custos e
            organização e incentivar seu apren-        dos prazos, dentre outros benefícios, deve-se
            dizado e colaboração.                      criar um Programa de Idéias.
            A definição dos conhecimentos rele-        • É de vital importância a divulgação dos nomes
de todos os colaboradores que se dispõem a                  Como diz o Prof. Rivadávia*, o




                                                                                                           Artigo 12
registrar e disseminar seus conhecimentos aos               conhecimento é essencialmente humano.
demais colegas. Esta divulgação deve considerar             Não é possível alcançar a Gestão do
todos os níveis hierárquicos e não estar restrita           Conhecimento sem se voltar para o
a um grupo de profissionais.                                aspecto da humanidade. É preciso
• Todo colaborador que registra e dissemina                 que treinemos os colaboradores a se
idéias e conhecimentos, deve receber algum                  comportarem pró-ativamente em favor
destaque que permita com que ele passe                      da busca e da obtenção do saber. Mas
a ser considerado referência e ponto de                     se não houver disposição, motivação,
consulta para o desenvolvimento de novas                    empatia, propósito e atitude, de nada
soluções e para atuar em projetos que exigem                valerá o saber.
tal especialidade. Deve-se considerar o                     Nesse contexto, o maior desafio de
desenvolvimento de Mecanismo que permita                    uma organização deve ser o de criar
divulgar os conhecimentos e as idéias mais                  a cultura voltada para o ‘aprender




                                                                                                           105
consultadas, com o devido destaque aos nomes                a aprender’. Não basta inserir no
dos colaboradores responsáveis pelas mesmas.                profissional um conhecimento específico
• Os colaboradores devem ser estimulados a                  da organização, ou, até mesmo,
fazerem apresentações sobre soluções propostas              colocá-lo para realizar cursos. Existe,
para melhorias de atividades da organização.                hoje, a necessidade de se trabalhar
Deve-se criar Programas de Incentivo à Colabo-              habilidades, ou, até mesmo “gênios”,
ração e ao Compartilhamento.                                que se não encontrarem um ambiente
                                                            propício e estimulante, certamente não
• Com o objetivo de incentivar o desenvolvimento            permanecerão e levarão consigo toda
de novas tecnologias e processos de inovação,               a bagagem de anos de experiência.
torna-se importante desenvolver prêmios                     Tornar o conhecimento produtivo é uma
específicos. A escolha dos melhores trabalhos               responsabilidade gerencial.
deve levar em conta as opiniões dos próprios
colaboradores. Deve-se estruturar uma publi-
cação, em papel ou eletrônica, para divulgar os
novos conhecimentos.                                        6    – Conclusões

• A criação de redes de trabalho entre pessoas,             A Inovação tem se tornado um dos
também denominada comunidades de prática,                   principais fatores de geração de
normalmente espontâneas e informais em                      riqueza e valor das organizações.
relação à estrutura formal da organização,                  Atualmente, as organizações consi-
podendo envolver pessoas de dentro e de                     deradas Inovadoras
fora na troca de experiências e na busca de
novas abordagens para problemas comuns,                     são mais reconhecidas e valorizadas no
deve receber incentivos e motivações. Dessas                Mercado. Constata-se uma significativa
comunidades surgem proposições de idéias e                  diferença entre o Valor de Mercado e
soluções originais, além do estímulo ao compar-             o Valor dos Ativos das organizações.
tilhamento de experiências individuais no                   O Capital Intelectual de uma orga-
ambiente de trabalho.                                       nização é constituído de patentes,

* Rivadávia Correa Drummond de Alvarenga Neto é doutor e mestre em Ciência da Informação pela
Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, especialista em Negócios Internacionais pela PUC Minas e
bacharel em Administração pela UFMG. É Professor Titular do curso de Mestrado Profissionalizante da FEAD
Minas, e Professor e Pesquisador Convidado da Fundação Dom Cabral e do Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação da UFMG.
processos de inovação, habilidades de      ser buscada na hora que dela necessitamos, e
Artigo 12



            funcionários, tecnologias, informações,    armazenada se necessário for, o conhecimento
            conhecimentos e, talvez, sabedoria.        exige inferência e uso para gerar valor.
            Para continuarem competitivas, em seus     A propósito, o conhecimento só serve para duas
            mercados, as organizações precisam         coisas: ser compartilhado ou gerar valor. O
            executar suas atividades com maior         conhecimento retido na pessoa ou num livro que
            rapidez – A Inovação exerce um             nunca será lido é um tesouro no fundo do mar. A
            importante papel para o atendimento        sabedoria, por sua vez, é todo o conhecimento
            deste intento. “As Únicas Vantagens        aplicado. Quando você usa conhecimento para
            Competitivas que uma Empresa tem           viver melhor, produzir melhor, está exercendo
            são aquilo que ela coletivamente sabe,     uma certa sabedoria.
            a eficiência com que ela usa o que sabe    A obsolescência nas organizações parece advir
            e a prontidão com que ela adquire e        cada vez mais da incapacidade de gerir e
            usa novos conhecimentos”. DAVENPORT
106




                                                       compartilhar as experiências que estão nas
            & PRUSAK (1998)                            pessoas que lá trabalham. Por outro lado,
            O valor de uma organização é               você sabe que está ficando obsoleto no campo
            dividido em Valores Tangíveis (visíveis)   pessoal quando pára de aprender.
            e Valores Intangíveis, difíceis de serem   A organização que é centrada em valores
            visualizados porque são baseados           é aquela que ensina, que reflete, que tem
            no conhecimento e competência dos          memória, que opera em rede, que experimenta,
            colaboradores. Há uma significativa        que inova, que é transparente, que aprende.
            diferença entre o valor de mercado
            de uma organização e seu efetivo           Referências
            valor físico. Esta diferença se deve       Bryan, Lowell. Gestão inovadora: uma conversa
            a valorização de ativos intangíveis        com Gary Hamel e Lowell Bryan. Revista
            (informações, conhecimentos, idéias,       Marketeer, março/2008.
            inovações, criatividade), e estes
                                                       Alvarenga Neto, Rivadávia Correa Drummond
            representam cerca de 70% do valor
                                                       de. Gestão do conhecimento em organizações :
            de uma organização.                        proposta de mapeamento conceitual integrativo.
            É importante que se entenda muito bem      São Paulo : Saraiva, 2008.
            que o que traz valor para as pessoas       Davenport, T. H.; Prusak, L. Conhecimento
            e para as empresas, no longo prazo,        empresarial: como as organizações gerenciam o
            é o conhecimento e não a informação.       seu capital intelectual. Rio de Janeiro: Campus,
            Não se trata de renegar o valor da         1998.
            informação certa na hora certa,
            principalmente aquelas de caráter          North, Klaus. Palestra: Construindo empresas
            competitivo. Porém, há de se definir que   inteligentes. Coppe/UFRJ, Centro de Tecnologia,
                                                       Rio de Janeiro, dia 19/12/2007.
            a informação tem caráter cumulativo,
            enquanto o conhecimento é seletivo,        Prahalad, C. K. O trabalho no futuro. Artigo
            ou seja, enquanto a informação pode        publicado na Revista Você S.A., agosto/2000.
Índice de Desenvolvimento da Gestão
Pública na Prefeitura Municipal de Curitiba

uma estratégia
focada no
conhecimento
                                 Marcia Schlichting
                                  Instituto Municipal de
                                 Administração Pública
Resumo: Este relato técnico tem                   Desde 2004 a Prefeitura estuda e utiliza o
Artigo 13



            como objetivo apresentar o Índice de              modelo de excelência em gestão pública,
            Desenvolvimento da Gestão Pública.                nos processos de plane-jamento, utilizando-
            Este índice é uma estratégia focada               se da auto-avaliação para alguns órgãos da
            no conhecimentode para avaliação da               administração municipal. Esta experiência trouxe
            gestão pública municipal que contém               resultados altamente positivos, com impacto
            22 indicadores que estão relacionados             direto nos diversos processos de trabalho e nos
            às práticas de gestão utilizadas na               resultados de cada um dos órgãos.
            Prefeitura Municipal de Curitiba.                 Com o conhecimento da ferramenta de auto-
            Palavras Chave: Práticas de avaliação             avaliação, a necessidade de avaliar mais
            da gestão; inovação, Índice de Desen-             objetivamente a gestão e focar o conhecimento
            volvimento da Gestão Pública                      já existente, desenvolveu um índice, com
                                                              indicadores que possam dar uma noção objetiva
                                                              da realidade, que agrupados, formaram o
108




            1    . Tema                                       índice de cada Órgão e o da Prefeitura.


            A Prefeitura Municipal de Curitiba, ao
            longo do tempo, tem sido reconhecida
                                                              2     . Objetivo


            como uma Instituição que adota                    Este relato técnico tem como objetivo apresentar
            constantemente novas práticas, que                um instrumento de avaliação de gestão que
            venham a contribuir com uma gestão                contempla 22 práticas utilizadas na Prefeitura
            administrativa moderna, incorporando              Municipal de Curitiba como uma estratégia
            medidas de execução e controle                    focada no conhecimento.
            capazes de substituir velhas práticas,


                                                              3
            por instrumentos criados sob o princípio
            da Administração Pública Gerencial,
                                                                    . Metodologia
            voltada para resultados e com foco no
            atendimento ao cidadão e à sociedade.             O Índice de Desenvolvimento da Gestão Pública
            Para cumprir com este papel implantou,            é um Instrumento de Política de Governança que
            em 2007, o Índice de Desenvolvimento              estimula e avalia as práticas de gestão pública,
            da Gestão Pública - IDGP, com o                   com foco na melhoria contínua dos serviços
            objetivo de avaliar e estimular o de-             prestados. É formado por 22 indicadores
            senvolvimento das práticas em gestão              estratégicos, agrupados de acordo com os 07
            pública, utilizadas pelos Órgãos da               critérios do Sistema de Excelência : liderança,
            Administração Municipal, com vistas a             estratégias e planos, cidadão e sociedade,
            padrões elevados de resultado.                    informação e conhecimento, pessoas, processos
            Esta proposta tem como diretriz o Plano           e resultados.
            de Governo 2005-2008, é uma ação
                                                              Cada um dos 22 indicadores está relacionado
            do programa denominado Governança
                                                              com uma prática realizada nos órgãos da
            Pública e tem como base o Modelo de
                                                              Prefeitura e 9 deles já monitorados em
            Excelência do Programa Nacional de
                                                              sistemas informatizados. Os resultados destes
            Gestão Pública e Desburocratização
                                                              indicadores foram levantados em relatórios
            – Gespública – que estabelece 07
                                                              específicos para cada um dos órgãos e os
            critérios de excelência: liderança,
                                                              demais por uma pesquisa aplicada diretamente
            estratégias e planos, cidadão e socie-
                                                              aos gestores municipais.
            dade, informação e conhecimento, pes-
            soas, processos e resultados.                     Cada um dos indicadores tem a descrição, a

            1
             Este sistema faz parte do Modelo de Excelência em Gestão Pública do Programa Nacional de Gestão Pública
            e Desburocratização – Gespública.
fundamentação, a base de cálculo, o peso que este indicador tem no índice, as suas faixas




                                                                                                Artigo 13
de pontuação, bem como a sua fonte de informação. Alguns indicadores precisaram ser
normalizados para que ficassem na escala entre 0 e 1.
Para cada um dos critérios há uma média dos indicadores e o resultado final estabelecido,
pode ser analisado conforme as faixas de pontuação descritas no quadro a seguir:




                                                                                                109
Quadro 1 – Faixas de pontuação para cada critério

A composição do resultado final da Prefeitura foi obtida pela média do resultado do Índice
de cada Órgão, respeitando sua classificação em faixas de pontuação, com variações de 0
a 1, conforme o quadro a seguir:




Quadro 2 – Faixas de pontuação global para o Índice de cada órgão

Em novembro de 2007 o levantamento de alguns indicadores foi feito por meio de uma
pesquisa com os gestores da Prefeitura e seu resultado foi apresentado em dezembro de
2007 em reunião de Secretariado a todos os dirigentes.
Para 2008, uma das prioridades será a análise dos resultados atingidos no IDGP de cada
Órgão e o resultado consolidado da PMC, visando o envolvimento dos gestores municipais,
na implementação de ações de melhorias.
A partir do diagnóstico e da análise destes índices, torna-se necessário uma ampla discussão,
com o auxílio de ferramentas adequadas, que propicie a análise e a instrumentalização
para que os gestores possam adotar práticas de intervenção na melhoria da gestão dos
processos de trabalho, melhorando os indicadores e consequentemente a gestão de cada
Órgão, visando o desenvolvimento institucional.
Os indicadores estão divididos em cada um dos 7 critérios conforme ilustrado no quadro a
seguir:
Artigo 13
110




            Quadro 3 - Indicadores em cada critério
            A seguir a descrição e a forma de         os líderes participam e conduzem o processo
            levantar o resultado de cada um dos       de definição da Estratégia e Políticas de
            indicadores:                              Gestão para o Órgão, bem como disseminam
            1. Eficiência do sistema de reuniões      o processo em todos os níveis da organização.
            - manutenção do sistema de reuni-         Resultado obtido pela média das respostas dos
            ões, para compartilhamento das infor-     gestores do Órgão
            mações e tomada de decisões, envol-       3. Aproveitamento no desenvolvimento
            vendo todos os níveis com regularidade.   gerencial - relação entre o número total de
            Este indicador foi obtido pela média      horas realizadas no Desenvolvimento Gerencial
            das respostas dos gestores do Órgão.      pelos gestores de cada Órgão pelo número total
            2. O papel da liderança na estrutura-     de horas de capacitação no Desenvolvimento
            ção da estratégia - forma pela qual       Gerencial ofertadas pelo IMAP para cada
Órgão. Resultado verificado em relatórios         às ações realizadas no Órgão. Resul-




                                                                                             Artigo 13
específicos.                                      tado obtido pela média das respostas
4. Eficácia do desdobramento do plane-            dos gestores do Órgão.
jamento: eficácia quanto ao desdobramento do      12. Registro de melhores práticas -
Planejamento em planos de ação, programas,        Quantidade de melhores práticas por
projetos, objetivos, metas, ações e tarefas.      100 servidores registradas por Órgão
Resultado obtido pela média das respostas dos     no sistema. Registro de melhores
gestores do Órgão.                                práticas construídas coletivamente
5. Utilização gerencial do SAGA-PG - Perio-       pelo grupo de servidores, visando
dicidade e forma de atualização do Sistema        inovações que venham a promover
de Acompanhamento das Ações do Plano de           melhoria e eficácia na consecução das
Governo - SAGA–PG, pela análise do preen-         atividades, produtos e/ou serviços,
chimento dos campos iniciais dos projetos e       tornando o conhecimento tácito em
                                                  explícito. Resultado obtido em rela-




                                                                                             111
verificação da atualização das ações e tarefas.
O indicador é calculado pela média do índice      tórios específicos.
de preenchimento e do índice de atualização       13. Registro de idéias - Quantidade
do sistema em cada um dos projetos do Plano       de idéias registradas por servidor em
de Governo.                                       cada Órgão no sistema. Resultado
6. Execução orçamentária - Relação entre os       obtido em relatórios específicos.
valores orçados e executados da Lei Orçamen-      14. Reconhecimento e valorização
tária Anual em cada Órgão. Resultado              dos servidores - Analisar a existência
verificado em relatórios específicos.             de práticas que permitem ao gestor
7. Levantamento das necessidades - Verificação    reconhecer e valorizar os servidores.
da existência de práticas que permitam levantar   Resultado obtido em relatórios
as necessidades do cidadão/usuário, visando       específicos.
à criação de produtos e ou serviços. Resultado    15. Utilização do SemEADor - Número
obtido pela média das respostas dos gestores      médio de horas de capacitação no
do Órgão.                                         projeto     SemEADor/por    servidor.
8. Qualidade do atendimento - Verificação da      Resultado obtido em relatórios
existência de atitude dos servidores de prestar   específicos.
atendimento de qualidade ao cidadão/usuário.      16. Cobertura em educação perma-
Resultado obtido pela média das respostas dos     nente - Verificar a % de servidores
gestores do Órgão.                                por órgão que participaram de
9. Práticas de avaliação da satisfação -          cursos de capacitação em educação
Verificação da existência de práticas que         permanente. Resultado obtido em
permitam avaliar e verificar a satisfação do      relatórios específicos.
cidadão/usuário com os produtos e/ou serviços     17. Clima organizacional - Verificar o
prestados. Resultado obtido pela média das        percentual de satisfação dos servidores
respostas dos gestores do Órgão.                  com a gestão do Órgão. Resultado
10. Compartilhamento das informações              obtido em relatórios específicos de
- Verificação de como as informações são          Pesquisa de Clima Organizacional
organizadas, atualizadas, disponibilizadas        18. Gestão de processos - Verificar a
e como ocorre o compartilhamento com os           existência de práticas que permitam
servidores. Resultado obtido pela média das       identificar, descrever, avaliar e refor-
respostas dos gestores do Órgão.                  mular os processos de trabalho do
11. Uso de informações comparativas - Uso de      Órgão. Resultado obtido pela média
forma sistemática de informações comparativas     das respostas dos gestores do Órgão.
para avaliar e analisar experiências correlatas   19. Qualidade dos produtos e servi-
ços prestados pelos fornecedores -        julgadas principais para que a gestão tenha
Artigo 13



            Analisar a existência de práticas que     sucesso. Assim sendo, se cada gestor tiver a
            verifiquem a qualidade dos produtos e     preocupação de acompanhar e monitorar cada
            serviços prestados pelos fornecedores     um destes indicadores terá, conseqüentemente,
            no Órgão. Resultado obtido pela           um bom nível de desenvolvimento em sua gestão.
            média das respostas dos gestores do       Outra evidência significativa de que o IDGP é
            Órgão.                                    uma ferramenta importante de avaliação da
            20. Redução de custos no E-Com-pras       gestão pública municipal, é a incorporação
            - Verificar a economia por meio de        destes indicadores como instrumento de
            pregão eletrônico/ano (preço inicial      monitoramento e avaliação de uma parte
            x preço final). Resultado obtido em       de gestão de um Programa Integrado
            relatórios específicos                    de Desenvolvimento Social e Urbano de
                                                      Curitiba, vinculado ao Banco Interamericano
            21. Práticas de avaliação de resultados
                                                      de Desenvolvimento – BID. O resultado do
112




            - Verificar a existência de práticas      IDGP será a síntese para o componente de
            que permitam identificar a análise        desenvolvimento institucional do programa de
            gerencial do desempenho do Órgão          investimento em infra-estrutura da cidade.
            através de um sistema de avaliação
            dos seus resultados. Resultado obtido     Este instrumento mostra que não mede tudo
            pela média das respostas dos gestores     sobre gestão, mas procura indicar das práticas
            do Órgão.                                 existentes o que pode ser avaliado como
                                                      gestão de excelência tanto dentro de cada um
            22. Apresentação dos resultados           dos órgãos como da Prefeitura como um todo.
            - Analisar a existência de práticas       E também faz com que ocorra um movimento
            que permitam divulgar os resultados       de focar as práticas existentes para que cada
            dos Órgãos, aos atores envolvidos         gestor tenha como ponto de partida para sua
            (comunidade, servidores e parceiros) e    atuação, os 7 critérios de excelência e as 22
            implementar as sugestões de melhoria.     práticas escolhidas.
            Resultado obtido pela média das
            respostas dos gestores do Órgão.          Em resumo, este índice se propôs a unificar uma
                                                      sistemática de acompanhamento e avaliação
                                                      da gestão pública na Prefeitura de Curitiba,


            4   . Resultados, discussões e            bem como identificar e entender, de forma
                                                      sistemática, a situação atual da gestão dos seus
                conclusões                            Órgãos, por meio do conhecimento e análise
                                                      de indicadores estratégicos de gestão. Pode-
            O IDGP não pretende abranger todas        se oportunizar o envolvimento, a participação
            as dimensões da gestão, mas sim           e a construção coletiva dos gestores municipais
            avaliar as práticas mais importantes      para trabalhar com o resultado do índice da
                                                      gestão do seu Órgão especificamente.
            para a gestão do município de
            Curitiba e mobilizar os gestores para     Conclui-se desta forma, que o conhecimento
            que aperfeiçoem os seus processos de      sistematizado em uma metodologia de
            trabalho para atingirem, da melhor        avaliação possibilita parâmetros de análise e
            forma os resultados de excelência na      melhoria da gestão como uma linguagem única
            gestão. Foram selecionadas as práticas    entre os gestores.
Inteligência Corporativa
A integração de modelos
de gestão transformando
planejamento em resultado    Ana Paula Guzela Bertolin
                             Adriana Andréa Rodrigues
                                Cicemara A. D. Cordeiro
                            Felipe De Lameida Rezende
                             Instituto Curitiba De Informática
Resumo: O cenário competitivo             organizacionais e que a aplicação de métodos,
Artigo 14



            atual em que operam as empresas é         como o BSC, são eficientes neste contexto
            determinado pela dinâmica de novas        pois materializam a visão e a estratégia da
            tecnologias, variados modelos de gestão   organização. Pela experiência obtida com
            e grande volume de informações que        a prática do modelo piloto Cartão Quali-
            exige o constante acompanhamento de       dade Quickstart, orientado e alinhado ao
            tendências comerciais, informacionais     Planejamento Estratégico do ICI, pode ser
            ou tecnológicas para o sólido posi-       apurada a importância da escolha precisa e
            cionamento no mercado. Este acompa-       acertiva de indicadores de desempenho, mesmo
            nhamento pode ser traduzido como          sendo trabalho árduo pelo processo inovador
            um processo investigatório que agre-      que caracterizou-se na organização.
            ga valor ao Planejamento Estratégi-       Palavras Chave: Gestão do conhecimento.
            co (PE) de uma organização, pois de       Tecnologia da informação. BPM. BSC. BI.
            forma prospectiva antecipa oportuni-      Planejamento estratégico.
114




            dades, identifica potenciais e mapeia
            resultados que subsidiam a tomada de
            decisão. A implementação de processos     1. Introdução
            que organizem e sistematizem a cap-
            tura, a geração, o armazenamento, a       O cenário competitivo atual em que operam
            tradução, a análise e o compartilha-      as empresas é determinado pela dinâmica de
            mento rápido e preciso da informação      novas tecnologias, variados modelos de gestão
            deve ser avaliada, devendo ser            e grande volume de informações que exige
            analisada as situações para definir       o constante acompanhamento de tendências
            para quem as informações devem ser        comerciais, informacionais ou tecnológicas para
            repassadas dentro de um processo          o sólido posicionamento no mercado, quer seja
            decisório eficaz. Neste contexto é que    este, a referência de uma marca ou o aumento
            se encaixa o modelo de gestão, com        da receita. Este acompanhamento pode ser
            base no ciclo do PDCA, planejado          traduzido como um processo investigatório que
            e proposto ao Instituto Curitiba de       agrega valor ao Planejamento Estratégico (PE)
            Informática onde metodologias como        de uma organização, pois de forma prospectiva
            Planejamento Estratégico, Business        antecipa oportunidades, identifica potenciais e
            Process Management (BPM), Business        mapeia resultados que subsidiam a tomada de
            Intelligence (BI), e Balanced Scorecard   decisão.
            (BSC) trabalham em conjunto para          O ciclo do PDCA (plan, do, check, act),
            prover informação e criar diferenciais    difundido por DEMING (1990), se traduz ainda
            competitivos por meio da Gestão           modernamente como instrumento de grande
            do Conhecimento. Este relato se           apoio ao sucesso na gestão de empresas,
            propõe a descrever a experiência da       independentemente do segmento que atue.
            implementação inovadora de um piloto      Traduzidas essas “palavras de ordem” temos:
            de Balanced Scorecard (BSC) no projeto
            denominado Cartão Qualidade (CQ)          • Plan (planejar) : estabelecer missão, visão,
            do Instituto Curitiba de Informática,     objetivos (metas), procedimentos e processos
            destacando a importância da definição     (metodologias) necessários para atingir os
            de indicadores de desempenho de           resultados;
            resultados, como elementos úteis e        • Do (executar): realizar e executar as ativida-
            essenciais ao controle e monitoramento    des;
            das ações do Planejamento Estratégico
                                                      • Check (verificar) : monitorar e avaliar siste-
            e o conseqüente alcance de suas
                                                      maticamente resultados, analisar processos,
            metas. Verificou-se que indicadores
                                                      confrontando-os com o que foi planejado, com
            de inteligência corporativa são
                                                      o estado desejado, consolidando informações;
            fundamentais para avaliações contí-
            nuas do desempenho das atividades         • Act (agir) : agir de acordo com o avaliado
e de acordo com os relatórios, eventualmente         O diagrama da Figura 1 traduz o




                                                                                                 Artigo 14
determinar e elaborar novos planos de ação,          modelo de gestão, com base no ciclo
de forma a melhorar a qualidade, eficiência e        do PDCA, planejado e proposto ao
eficácia, aprimorando a execução e corrigindo        ICI. Cada um destes instrumentos pode
eventuais falhas.                                    objetivamente atender ao ciclo do
Estas ações visam dar o suporte fundamental          PDCA para os processos institucionais,
para que gestores possam claramente planejar         sendo valorosos meios para um
diretrizes estratégicas, gerenciais ou táticas       posicionamento destacado do Instituto
no âmbito de organizações, projetos e/ou             frente aos seus objetivos estratégicos
processo, onde se deve estabelecer a necessária      pretendidos. Ordená-los e sistematizá-
sistematização para o funcionamento mais             los sob a perspectiva da Gestão do
adequado da organização para que haja maior          Conhecimento trará sem dúvidas um
perspectiva de êxito nas tomadas de decisão.         grande diferencial à instituição na
                                                     afirmativa que organizações bem




                                                                                                 115
O relato técnico aqui exposto refere-se ao           geridas tendem ao sucesso.
Instituto Curitiba de Informática (ICI), uma
organização social sem fins lucrativos que investe
seu lucro em pesquisas para o desenvolvimento
de novos projetos. Este modelo de gestão
pública tem por objetivo transferir para
estruturas autônomas a responsabilidade pela
prestação dos serviços públicos considerados
não-essenciais.
O ICI foi criado para absorver todos os
trabalhos relativos à informática do município
de Curitiba. São serviços não-essenciais, cuja
evolução tecnológica acontece de forma
permanente, garantindo à Prefeitura de               Figura 1: Modelo de Gestão ICI
Curitiba os mais modernos sistemas de gestão
pública. Concentra-se em potencializar ações         Muitas das informações existentes
estratégicas e criar soluções para apoiar a          na organização estão nas mãos de
administração pública.                               pessoas que não conseguem utilizá-las
                                                     a favor da melhoria contínua de seus
O conceito do PDCA pode ser utilizado no             processos de trabalho. Informações
âmbito de empresas privadas ou públicas,             importantes e detalhadas destes
sempre visando um objetivo comum: o sucesso          processos estão guardadas apenas
da organização e no caso de uma Organização          nas mentes dos profissionais, por isso
Social não seria diferente, talvez mais              o conhecimento é tido como ativo
estimulante, dada à complexidade de trâmites         intangível e estas pessoas devem ser
e controles nas duas dimensões.                      consideradas criadoras de informação
Assim, para uma instituição de tecnologia, cuja      e de conhecimento, como defendem
exigência de velocidade é ampliada e que             NONAKA e TAKEUCHI (1997) e
atua dentro de um formato “híbrido”, criar e         SIMON (1997). Estes autores partem
manter um modelo de gestão que atenda às             do princípio que existem dois tipos
exigências produz uma necessidade maior de           de conhecimento: tácito e explícito
aliar ferramentas para o suporte à governança        e partem do pressuposto que o
corporativa.                                         crescimento organizacional provém da
O Instituto Curitiba de Informática (ICI) vem        maneira como estes conhecimentos, que
buscando o desenvolvimento dos mais modernos         cada profissional possui, são utilizados.
instrumentos de gestão, buscando os melhores         As informações existentes estão
resultados para inovação contínua da instituição.    alocadas e navegam nas diversas
áreas da organização e são elas o           organização, criando métodos para que juntos
Artigo 14



            resultado de decisões estratégicas bem      possam ser transferidos e transformados em
            fundamentadas através da combinação         valor, diferenciando o seu capital intelectual.
            de dados tratados e contextualizados.       A gestão do conhecimento tem como objetivo
            Porém é importante salientar que            assegurar que o conhecimento presente em uma
            quando se fala sobre estratégia             organização seja aplicado produtivamente para
            deve-se ter em mente a diferenciação        seu benefício (PROBST, 2002). Para que isso
            entre os elementos que a compõe e           ocorra com eficiência é necessário organizar um
            a definem, ou seja, missão e visão.         repositório compartilhado de informações onde
            Segundo COELHO e MAGALHÃES                  haja uma visão coletiva dos processos existentes
            (2004), a Missão refere-se à finalidade     na organização. Espera-se que ao existir uma
            ou a razão de ser da organização, o         visão coletiva e compartilhada, todos aqueles
            que a organização sabe fazer, como          que pertencem a um processo comum possam
            quer fazer e porque. Já a Visão parte       ter mais agilidade e capacidade de resposta.
116




            da Missão, mas seu foco está em médio
                                                        Segundo NONAKA e TAKEUCHI (1997) gerir o
            prazo, com foco no mercado. Portanto,
                                                        conhecimento é gerir o “processo que amplifica
            a estratégia e os objetivos estratégicos,   organizacionalmente o conhecimento criado por
            segundo os autores, “são a forma que a      indivíduos e o cristaliza como parte da rede de
            organização escolhe para implementar        conhecimento da organização”. Considerando
            a Visão”.                                   esta definição é necessário reconhecer como
            Nesta perspectiva, cada vez mais            acontece a interação entre os indivíduos na
            as informações transformam-se em            organização, ou seja, a rede de conhecimento.
            recursos valiosos. A implementação          Segundo PORTER (1995) o que a organização
            de processos que organizem e siste-         faz ou deve fazer está delineado nas suas
            matizem a captura, a geração, o             atividades e é nelas que se encontram os
            armazenamento, a tradução, a análise        relacionamentos entre tarefas e as pessoas que
            e o compartilhamento rápido e preciso       compõe a rede de conhecimento da organização.
            deve ser avaliada, devendo ser              Com este objetivo, a aplicação de metodologias
            analisada as situações para definir         como BPM podem ser facilitadoras na criação
            para quem as informações devem ser          de uma base de conhecimento organizacional
            repassadas dentro de um processo            efetiva para este objetivo que nada mais é
            decisório e eficaz. Neste contexto é        que um dos objetivos da gestão por processos:
            que se encaixa o modelo de gestão,          assegurar que o desempenho da organização
            com base no ciclo do PDCA, planejado        esteja sempre voltado à melhoria contínua por
            e proposto ao ICI onde metodologias         meio de seus níveis de qualidade.
            como Planejamento Estratégico, Business     Um processo de negócio nada mais é do que
            Process Management (BPM), Business          um conjunto de diferentes atividades, tarefas
            Intelligence (BI) e Balanced Scoredcard     ou etapas que sequencialmente executadas
            (BSC) trabalham em conjunto para            colaboram para um objetivo final, ou seja,
            prover informação e criar diferenciais      alinhar os processos de negócio com a
            competitivos por meio da Gestão do          estratégia, objetivos e a cadeia de valor que
            Conhecimento.                               os compõe.
            A Gestão do Conhecimento é o resul-         Todos os objetivos da organização, segundo
            tado da capacidade da organiza-             COELHO e MAGALHÃES (2004), devem
            ção de implementar suas decisões            estar relacionados com processos. O objetivo
            estratégicas, buscando identificar co-      representa a orientação de como desempenhar
            nhecimentos já presentes na organi-         os processos e são os processos que possuem
            zação, tratando processos, informação       os recursos para tornar os objetivos possíveis.
            e pessoas, auxiliada por tecnologia.        Ao serem definidos os objetivos tem-se uma
            Tem por finalidade captar os conhe-         clara visão também das responsabilidades na
            cimentos existentes nas práticas da         organização.
A gestão por processos, segundo cita a              inovação e melhoria da organização.




                                                                                                    Artigo 14
WIKIPEDIA possui como melhores práticas a
                                                    Em ambientes não estruturados, não
descoberta e mapeamento dos processos, sua
                                                    se pode definir exatamente onde e
modelagem, definição do nível de maturidade,
                                                    quando as decisões podem ser tomadas
documentação, plano de comunicação,
                                                    com um grau de certeza absoluto sobre
automação, monitoramento por indicadores de
                                                    as informações disponíveis e se as
desempenho e qualidade e ciclo de melhoria
                                                    mesmas são suficientes para subsidiá-
contínua. Se for levada em consideração a
                                                    las. Já em ambientes estruturados, os
implementação de total ou parcial destas
                                                    gestores podem visualizar os objetivos
práticas, é visto que entre elas permeia sempre
                                                    coletivos dos processos de negócio
um fluxo de informação, que formará a base
                                                    e os stakeholders responsáveis pelo
de conhecimento organizacional, resultando
                                                    cumprimento dos mesmos.
em diferenciais de qualidade e vantagem
competitiva do mercado globalizado. Se              O Canadian Institute of Knowledge
                                                    Management (VISEU, 2005) desenvol-




                                                                                                    117
existem processos sistematizados dentro da
empresa, então existem fluxos de informação e       veu um framework com 3 níveis
esse fluxo é a base do processo de inteligência     associados a 3 componentes temporais
competitiva (FILHO, 2000).                          distintos que podem demonstrar como
                                                    a gestão do conhecimento trata as
As quatro atividades fundamentais para a
                                                    informações contidas na gestão por
gestão de processos podem ser relacionadas aos
                                                    processos. Os níveis são: KM vision,
quatro modos de conversão do conhecimento em
                                                    que responde onde queremos ir, KM
uma organização, apresentados pelo modelo
                                                    objetctives, responde como chegamos
SECI (socialização, externalização, combinação,
                                                    lá e KM management, índices que
internalização), conforme demonstrado na
                                                    respondem onde estamos atualmente.
Figura 2 (NONAKA e KONNO, 1998):
                                                    Esta visão nada mais é do que
Modelagem: definição e construção da repre-         a formação de uma inteligência
sentação do processo com todos os seus              competitiva por meio da criação de
componentes. Esta atividade correlaciona-se         uma base única, necessária para a
com a fase de socialização do modelo SECI onde      organização como apoio à geração de
ocorre o compartilhamento do conhecimento           conhecimento a respeito dos processos
tácito entre os indivíduos por meio de atividades   de negócio, suporte ao conhecimento
conjuntas, captura do conhecimento tácito;          organizacional e também como supor-
Integração: conexão entre os componentes            te a modelos de apoio à tomada de
do processso, promovendo a interação e a            decisão, como Balanced Scorecard
troca de informações. Corresponde a fase de         (BSC) e Business Intelligence (BI).
externalização onde se transforma o conhe-          Figura 2: Modelo SECI – Espiral de Criação do

cimento tácito em conhecimento explícito, ou
seja, traduzido de uma forma que possa ser
entendida por todos;
Monitoramento: visualização dos processos em
atividade, correlacionando-se a fase da combi-
nação onde ocorre a comunicação, difusão e
sistematização do conhecimento aos membros da
organização, tornando-o utilizável e permitindo
análises práticas e concretas;
Otimização: capacidade de análise dos pro-
cessos ativos, permitindo a melhoria contínua.
No modelo SECI corresponde a internalização,
                                                    Conhecimento
onde ocorre a identificação do que é importante,    Fonte: NONAKA, I. e TAKEUCHI, H. Criação de
tornando reais os conceitos sobre a estratégia,     Conhecimento na Empresa. RJ, Campus, 1997.
Porém, de nada adianta existirem            Este conhecimento da influência de cada
Artigo 14



            processos bem definidos e mapeados          pessoa ou setor no funcionamento da orga-
            se os mesmos não forem constantemente       nização é naturalmente identificado pelo
            monitorados e analisados. É importante      BSC e estrategicamente dirigido às áreas
            definir    indicadores      estratégicos,   de competência que conduz ao aumento da
            auxiliando aos gestores nas tomadas         produtividade por meio de esforços reconhe-
            de decisão, portanto, a aplicação da        cidos.
            metodologia do BSC, cujo enfoque
                                                        Outro suporte ao processo de tomada de
            é “estratégia para a ação” permite,
                                                        decisão é a aplicação da metodologia de
            segundo FILHO et al (2004), que seja
            sistematizada a monitoração de criação      Business Intelligence (BI) que apresenta recur-
            de intangíveis na organização, ou seja,     sos para ordenar, categorizar e estruturar
            permitir avaliar e corrigir possíveis       informação, baseando-se em registros forma-
            desvios de alinhamento das atividades       tados de bases de dados onde procura-se iden-
            da organização e sua estratégia.            tificar informações não perceptíveis nos dados
118




            “Como ferramenta de medição do              (conhecimento explícito), resultando relatórios
            desempenho organizacional, o BSC é          estratégicos.
            capaz de clarificar a visão dos gestores
            em relação aos caminhos que devem
            ser tomados, orientando o processo de       2 Estudo de Caso
            tomada de decisão” (PINTO, 2005).           Este relato se propõe a descrever a experiência
            Desta forma, o perfeito entendimento        da implementação inovadora de um piloto
            dos requisitos da organização é             de Balanced Scorecard (BSC) no projeto
            essencial à definição das perspectivas      denominado Cartão Qualidade (CQ) do Insti-
            que irão traduzir as ações e estra-         tuto Curitiba de Informática, destacando a
            tégias afetando diretamente a gestão        importância da definição de indicadores de
            do negócio, entendimento este que           desempenho de resultados, como elementos
            ficou explicitado a partir do Plane-        úteis e essenciais ao controle e monitoramento
            jamento Estratégico do Instituto            das ações do Planejamento Estratégico e o
            Curitiba de Informática (ICI) que           conseqüente alcance de suas metas.
            buscava aperfeiçoar suas estratégias        O projeto Cartão Qualidade foi desenvolvido
            para o negócio e para a Tecnologia
                                                        pelo Instituto Curitiba de Informática (ICI)
            da Informação (TI) como vantagem
                                                        para a Prefeitura Municipal de Curitiba. Ini-
            competitiva.
                                                        cialmente destinado para a identificação
            Outro conceito elementar ao BSC é o         pessoal, em função de seu potencial de apli-
            mapa estratégico. KAPLAN e NORTON           cabilidade passou também a ser utilizado como
            (2001) definem o mapa estratégico           cartão-ponto, cartão de débito, controle de
            como uma arquitetura genérica para          consignações e vale-transporte.
            a descrição da estratégia de maneira
                                                        Atualmente, são 40 mil usuários e uma rede de
            coesiva, integrada e sistemática. A
                                                        200 empresas conveniadas, que, juntas, tota-
            relação de causa e efeito que o ma-
                                                        lizam cerca de 533 pontos de venda – super-
            pa estratégico promove entre as
                                                        mercados, farmácias, postos de gasolina, lojas
            perspectivas nos remete ao racio-
                                                        de confecções, óticas e bancos – distribuídos em
            cínio lógico e sistêmico. Em outras
                                                        Curitiba e Região Metropolitana.
            palavras, quando acontece a melhoria
            da capacidade do funcionário a              O projeto Cartão Qualidade dispõe de um
            qualidade de um processo é melhorada        chip que permite a gravação dos valores con-
            ou aumentada o que conduz a prazos          signados e da operação com leitoras on-line e
            pontuais e a satisfação do cliente,         off-line. Assim, o usuário pode fazer compras
            repercutindo na empresa inteira como        utilizando-o como cartão de débito e também
            uma engrenagem perfeita dos papéis          na obtenção de empréstimos bancários
            e responsabilidades de cada setor.          consignados.
Em 2007, uma das missões do instituto foi           nas bases de dados também foi uma




                                                                                                Artigo 14
transformar o Cartão Qualidade, produto de          preocupação na fase de coleta e para
solidez no município de Curitiba, em referência     a fase de análise afinal, a garantia da
nacional no segmento de cartões multifunção.        medição efetiva dos indicadores e a
Para a condução do trabalho denominado              análise e simulação de cenários que
Cartão Qualidade QuickStart foi escolhido           dependia da filtragem e mineração
um departamento intermediário entre o nível         de dados essencialmente relevantes.
estratégico e operacional do organograma,           A credibilidade desta base levaria
onde foi concentrado o processo investigatório      a indicadores corretos e vantagem
restrito ao setor e integrando ações com outros     competitiva de sucesso.
departamentos do Instituto.                         Nesta fase sabia-se que o BSC pode-
A necessidade do instituto em manter a com-         ria auxiliar, uma vez que serviria no
petitividade do Cartão Qualidade frente às          futuro, em curto prazo, como plano de
                                                    aferição dos indicadores. Desta forma




                                                                                                119
soluções inovadoras de cartões inteligentes
conduziu à revisão da situação atual dos            os esforços foram concentrados em
processos operacionais e à definição de novas       sistematizar os processos de negócios
estratégias de negócio. Quatro premissas bási-      com foco no CQ, fornecendo os ele-
cas fundamentam o cenário do projeto:               mentos para a fase de análise da
                                                    informação.
Vendas: incremento do plano de comercialização
e vendas;                                           A fase de análise tornou-se completa
                                                    com o alcance de dois grandes resul-
TI: antecipação de tecnologias que tornassem o      tados os quais auxiliariam como entra-
produto um diferencial;                             da de dados para a base de conhe-
Serviço: otimização dos processos conduzindo        cimento:
para o aumento da produtividade e melhoria          Processos identificados, mapeados e
do atendimento; e,                                  sistematizados com o apoio do BPM; e,
Produto: posicionamento no mercado.                 Mapa estratégico das informações e
O trabalho foi executado em fases. A fase de        conhecimentos relevantes ao negócio
preparação constituiu o treinamento da equipe       por meio da adoção do BSC.
especializada em TI para o aprendizado do           O estabelecimento das perspectivas
negócio (CQ), fundamental para o início dos         de valor que traduzem as medidas
trabalhos de análise do ambiente externo            e os objetivos do Cartão Qualidade
(mercado) e organizacional (interno).               QuickStart foram baseados em sua
Pesquisas de mercado, identificação de compe-       missão, no alinhamento dos requisitos
tências técnicas internas da organização,           dos stakeholders e no cenário
pesquisa de problemas sociais, políticos e eco-     inicialmente mapeado. Os indicadores
nômicos, clientes atuais e clientes potenciais,     foram encadeados nas perspectivas
perfis de possíveis parceiros em alianças,          definidas para o projeto, garantindo
parcerias concorrentes, pesquisas em artigos de     o acompanhamento e a medição
jornais e periódicos, participação em congres-      efetiva das ações para os resultados
sos, perfis dos concorrentes e indicadores eco-     almejados.
nômicos formaram a segunda fase, a coleta das       Apesar do alto volume de informações
informações.                                        o foco foi mantido nas premissas
O dispêndio de tempo e o comprometimento da         iniciais. Os objetivos foram revistos e
equipe foram altos haja vista a não totalidade      redefinidos, por meio de comparações
da sistematização das informações, isto é, muitas   financeiras,     dados      estatísticos,
das informações capturadas produzidas por           histogramas e painéis de controle,
alguns departamentos da organização ainda em        ou seja, a base de conhecimento
fase de automação. O volume de informações          estava populada e pronta para a
disseminação aos gestores. Com a base         informação se dá justamente pelo uso eficiente
Artigo 14



            de conhecimento sólida e os indicadores       da mesma. O equilibro das atividades diárias
            definidos, partimos para a mineração          direcionadas para o planejamento estratégico
            dos dados essenciais, por meio do             tornam-se diferenciais competitivos quando
            BI, ferramenta que contribuiu com as          alinhados à busca contínua por indicadores
            análises comparativas e enriqueceu            de avaliação de performance ligados a este
            nossas informações competitivas por           fluxo de informação, gerando conhecimento
            meio da demonstração de dashboards            e construindo um capital estratégico eficiente
            (painel de controle), agora com alto grau     para a criação de uma inteligência corporativa.
            de maturidade. Os painéis integraram          Indicadores de inteligência corporativa são
            variáveis financeiras, técnicas, clientes e   fundamentais para avaliações contínuas do
            processos. O expertise dos profissionais      desempenho das atividades organizacionais.
            especialistas em BI potencializou as          A aplicação de métodos, como o BSC, são
            ações decisórias respondendo às               eficientes neste contexto pois materializam a
120




            demandas com simulações e projeções           visão e a estratégia da organização.
            que apoiaram o plano de ação
            tornando o BI indispensável para admi-        Pela experiência obtida com a prática do
            nistrar os recursos e as atividades do        modelo piloto Cartão Qualidade QuickStart,
            Cartão Qualidade QuickStart.                  orientado e alinhado ao Planejamento
                                                          Estratégico do ICI, pode ser apurada a
                                                          importância da escolha precisa e acertiva de
            3 Resultados Obtidos                          indicadores de desempenho, mesmo sendo
                                                          trabalho árduo pelo processo inovador que
            Com a aplicação deste piloto de Balan-        caracterizou-se na organização.
            ced Scorecard verificou-se que:
                                                          A sistematização unificada e integrada de
            • O produto mantém-se competitivo e           informações para a gestão, o acompanhamento
            com solidez na sua marca;                     e comparação do desempenho das metas e o
            • O faturamento, no período de 1 ano,         controle das decisões frente às tendências em
            aumentou em 97,21%;                           geral tornou-se uma realidade no cotidiano
                                                          de nossos gestores, graças às visualizações em
            • A expansão da rede de vendas cres-
                                                          tempo real das informações desejadas.
            ceu, em 1 ano, em 82,80%;
                                                          Ações para o processo decisório ficaram
            • Novos nichos de mercado foram
                                                          mais claras a partir dos mapas estratégicos
            identificados como oportunidades de
                                                          apresentados. A relação de causa-e-efeito
            negócio;
                                                          entre as perspectivas distintas e de mesmo grau
            • Aumento da satisfação do cliente, no        de importância foram demonstradas em um
            período de 1 ano, cresceu em 25%;             único dashboard com os resultados pretendidos.
            • Melhoria relativa, impulsionada por         O fortalecimento da posição competitiva foi
            definição de metas tipo “benchmark”           obtido e a iniciativa foi adotada pelo grupo
            de curto prazo;                               gestor da organização como um novo processo
            Inovação contínua por meio de cria-           de inovação contínua.
            ção/transformação de políticas, imple-
            mentações e avaliações de serviços/
            processos para geração de valor.              5 Bibliografia
                                                          BARONI, Rodrigo; MOREIRA, Norton P.; ROCHA,
                                                          Renato; TERRA, José Cláudio C. Gestão de
            4 Conclusão                                   Empresas na Era do Conhecimento. Cap. 6. São
                                                          Paulo: Serinews, 2004.
            A diferenciação das organizações
            no atual contexto da sociedade da             COELHO, Jorge S. e MAGALHÃES, Rodrigo.
                                                          Estratégia e Gestão do Conhecimento: o papel
do BPM. Actas da 5ª Conferência da Associação      Scorecard – measures that drive




                                                                                             Artigo 14
Portuguesa de Sistemas de Informação. Lisboa,      performance. Harvard Business Review,
2004.                                              p. 71-79, January-February 1992.
CONTADOR, José Celso et al. Gestão do              NONAKA, Ikujiro e TAKEUCHI,
Conhecimento Aplicada à Gestão por Processos:      Hirotaka. Criação do Conhecimento na
identificação de funcionalidade requeridas         Empresa. Como as empresas japonesas
à soluções de business process management          geram a dinâmica da inovação. Rio de
system (BPMS). RAI – Revista de Administração      Janeiro: Campus, 1997
e Inovação, São Paulo, v. 2, n.2, p. 5-18, 2005.   NONAKA, Ikujiro e KONNO, Noburo.
DEMING, W. E. Qualidade: a revolução da            O conceito de “Ba”. Criando bases
administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva,    para a criação do conhecimento.
1990.                                              Califórnia Management Review, vol.
FILHO,     Jaime    Teixeira.  Gerenciando         40/spring 1998.




                                                                                             121
Conhecimento: como a empresa pode usar             PINTO, Américo. Balanced Scorecard
a memória organizacional e a inteligência          para Projetos. Revista Mundo PM, n.
competitiva no desenvolvimento de negócios.        02, ano 1.
Rio de Janeiro. SENAC, 2000                        PORTER,    Michael.  Competitive
FILHO, Jaime Teixeira; SILVA, Ricardo; POUSA,      Advantage. New York: Free Press,
Marcelino. Gestão de Empresas na Era do            1995.
Conhecimento. Cap. 12. São Paulo: Serinews,        PROBST, Gilbert; RAUB, Steffen;
2004.                                              HOMHARDT,       Kai.   Gestão       do
HERRERO, Emilio. Balanced Scorecard e a            Conhecimento: os elementos construtivos
Gestão Estratégica: uma abordagem prática.         do sucesso. Porto Alegre: Bookman,
Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.                    2002
HIKAGE, Oswaldo K.; SPINOLA, Mauro de              SIMON, H. Administrative Behavior.
M.; LAURINDO, Fernando J.B. Software de            New York: The Free Press,1997.
Balanced Socrecard: proposta de um roteiro de      VISEU, Tiago. Relatório Individual:
implantação. Produção, v. 16, n. 1, p. 140-160,    gestão do conhecimento. Organização
jan/abr 2006.                                      e Gestão da Função Informática –
KAPLAN, R.; NORTON, D. P. The Balanced             OGFI 2004/2005
Caros Leitores e Associados da SBGC          palestrantes e autores de trabalhos científicos, bem
                                             como moderadores e painelistas de diversas mesas
Estamos entregando para voces mais uma
                                             de debate aprofundaram estes temas e trouxeram
edição especial da Revista GC BRASIL,
                                             excelente resultado em termos de disseminação de
que sintetiza os principais momentos dos
                                             práticas e ferramentas de gestão do conhecimento.
KMs Brasil 2007 e 2008. Esperamos que
vocês aproveitem bem o seu conteúdo          Já o KM Brasil 2008, realizado em Salvador, teve
e, brevemente teremos uma biblioteca         inspiração no tema “O Brasil no Contexto da Gestão
organizada em nosso portal, no qual todos    do Conhecimento para a Inovação”, cujo objetivo
os conteúdos destes dois eventos estarão     era alinhar os temas Gestão do Conhecimento
disponibilizados. O KM Brasil 2007 teve      & Inovação, que frequentemente ainda são
por tema principal “O Conhecimento           abordados como conceitos desconectados, tanto
como Recurso Estratégico Agregando           no âmbito empresarial como acadêmico. É preciso
Valor à Organização”. O foco deste tema      entender que não há inovação sem criação e
era demonstrar para nossas organizações      aplicação do conhecimento, e da mesma forma, de
privadas e públicas a importância de         nada adianta um enorme esforço organizacional
tratar o conhecimento como um (novo)         para gerenciar conhecimento, se no final isto tudo
ativo, de caráter intangível, que se         não resultar em inovação, esta sim percebida
manifesta através da gestão de ambientes     pelo cliente, que não entende o que é gestão do
colaborativos nos quais as pessoas podem     conhecimento, por ser um processo mais endógeno.
criar e interagir conhecimento pessoal,
                                             Destacaram-se as palestras internacionais de
transformando assim o trabalho num
                                             Soumodip Sarkar sobre inovação; de Kent
processo de aprendizado coletivo.
                                             Greenes sobre compartilhamento de conhecimento
Portanto, o resultado final agrega um        nos ambientes de trabalhos; e de Pierre Fayard
valor que o cliente sabe apreciar, através   sobre um modelo de Gestão do Conhecimento
da inovação, e valorar o produto/serviço,    baseado na cultura japonesa. Deve-se destacar
atingindo assim a competitividade no         também as dezenas de autores que contribuíram
mercado (empresa privada) ou cumprindo       com trabalhos científicos e as mesas de debate que
a sua razão de ser (empresa pública).        focalizaram temas pertinentes ao foco principal do
Neste sentido, tivemos algumas palestras     congresso.
que trouxeram muitas luzes sobre este
                                             Portanto, nesta revista voces terão a recuperação
tema, como a abordagem de Redes Sociais
                                             e memória de várias propostas e idéias que
(Ana Neves) de Portugal, que demonstrou
                                             evoluíram nos dois últimos anos e que evidenciam o
como a utilização dos ambientes 2.0 da
                                             grau de maturidade com que nossas organizações
Internet podem ser ferramentas essenciais
                                             e profissionais vão evoluindo nos conceitos e
para construir redes de conhecimento
                                             práticas de Gestão do Conhecimento, hoje uma das
nas organizações. Esta abordagem foi
                                             áreas de gestão consideradas prioritárias pelos
complementada pelo segundo palestrante
                                             executivos das grandes corporações mundiais e
internacional, que mostrou uma nova visão
                                             nacionais.
da gestão do conhecimento, a partir da
postura de seus dirigentes e gestores como   Boa leitura e aplicação prática das idéias para
mobilizadores do conhecimento. Outros        todos!




                                                        Heitor J. Pereira
                                              Presidente da SBGC - Gestão
                                                               2007-2009
empresas parceiras do conhecimento




                                     Parcerias
                                     123

REVISTA GC BRASIL N°. 10

  • 1.
    Edição Especial KMBrasil -Brasil 2007 e 2008 Esdição Especial • KM 2007 ISSN 1981-5751 ISSN 1981-5751 A Revista da Sociedade Brasileira dede Gestão do Conhecimento. nº Dezembro de 2008 A Revista da Sociedade Brasileira Gestão do Conhecimento. nº 09. 10. Maio de 2009 Biblioteca Multimídia em saúde pública A gestão estratégica do conhecimento a partir de hábitos organizacionais inteligentes Inteligência Corporativa A Revista da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento. nº 10. Maio de 2009 2008 PARTE III A Revista da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento. nº 09. Dezembro de
  • 2.
    SUMÁRIO Editorial 04 28 Artigo 09 A Gestão do Conhecimento como PARTE I Artigo 01 05 determinante para o desempenho das estratégias organizacionais Gestão Do Conhecimento por Ivani Costa, Jailma Araujo dos Santos, E Redes Organizacionais José de Arimatéia A. de Lima, Luciana por Sonia Maria Marques de Oliveira, Ribeiro Rabay, e João Batista de Freitas Ana Cristina Francisco e Vera Lúcia Harcar Artigo 02 16 37 Artigoavaliação do conhecimento Método de 10 Gestão do Conhecimento e organizacional desenvolvimento tecnológico e por Maria De Fátima Peregrino Torres, Ana econômico na avaliação da Flávia P. M. Da Fonseca, conformidade de válvulas industriais Cassia Regina Ossipe Martins Botelho e por Ricardo Nóbrega e Walter Câmara. Luiz Vicente Da Costa Braga Artigo 03 25 PARTE III Grupos de trabalho 06 Artigo 11 em saúde pública e comunidades virtuais por Marco Aurélio Ferreira Pinto e Carlos Cesar Leal Xavier Biblioteca Multimídia por Ana Cristina Da Matta Furniel, Rosane Artigo 04 31 Mendes, Maria Elisa Andries Reis e Ana Paula Mendonça Compartilhamento do conhecimento por 14 Artigo 12 do conhecimento meio da auto-avaliação da gestão por João Silva dos Santos e Ricardo José Dória A gestão estratégica Artigo 05 44 a partir de hábitos organizacionais inteligentes Gestão do Conhecimento como Estratégia para a Inovação por Jacqueline Sá Ricarte 21 Artigo 13 na Indústria Farmacêutica por Ana Matilde Zarif Moukrzel Rached Índice de Desenvolvimento da Gestão Pública na Prefeitura Municipal de Curitiba PARTE II Artigo 06 05 por Marcia Schlichting O Perfil do Profissional de Inteligência Competitiva por Alfredo Passos, Telma Gonçalves 27 ArtigoCorporativa Inteligência 14 Cunha e Luiz Ricardo Cobra por Ana Paula Guzela Bertolin, Adriana Andréa Rodrigues, Cicemara A. D. Cordeiro e Felipe De Lameida Rezende Artigo 07 15 A educação corporativa como 51 Palavra da SBGC estratégia de Gestão do por Heitor Pereira Conhecimento por Pedro Carlos Resende Junior e Lúcia Helena Rosa Da Costa Artigo 08 24 Portal corporativo como diferencial estratégico para tomada de decisões e Gestão do Conhecimento por Paulo Roberto Floriano, Juliana Vale Marques e Luciano Xavier De Miranda
  • 3.
    Expediente EXPEDIENTE Uma publicação da: Prof. Dr. Ricardo Roberto Behr SBGC – Sociedade Brasileira de Prof. Dr. Roberto Pacheco Gestão do Conhecimento Prof. Dr. Rodrigo Baroni www.sbgc.org.br Prof. Dr. Serafim Firmo de Souza Ferraz Prof. Dr. Silvio Aparecido dos Santos Integrantes Permanentes do Prof. Dr. Sonisley Machado Conselho Científico da SBGC Prof. Dr. Walter Felix Cardoso Jr. 03 Presidente: Profª Drª Neusa Maria Bastos F. Santos REVISTA GC BRASIL Prof. Dr. Alberto Sulaiman Sade Junior Profª Drª Aline França de Abreu Editora-Chefe: Prof. Dr. André Saito Elisabeth Gomes Prof. Dr. Carlos Olavo Quandt Prof. Dr. Chu Shao Yong Produção Executiva: Maria de Lourdes Martins Prof. Dr. Eduardo Moresi Profª Drª Faimara do Rocio Strauhs Jornalista Responsável: Prof. Dr. Fernando Antonio Ribeiro Serra Cristiano Pio MG 09315 JP Prof. Dr. Hélio Gomes de Carvalho Prof. Dr. Gilson Schwartz Revisão: Prof. Dr. Guilherme Ary Plonski Isabella Gomes Profª Drª Helena Pereira da Silva Diagramação: Profª Drª Helena Tonet Ana Mambrini Prof. Dr. João Amato Neto Prof. Dr. Jorge Tadeu de Ramos Neves Edição de Imagens: Prof. Dr. José Ângelo Gregolin Maria de Lourdes Martins e Prof. Dr. José Rodrigues Ana Mambrini Profª Drª Kira Tarapanoff Design: Prof. Dr. Marcio Kuniyoshi Quinto Elemento Profª Drª Marília M.R. Damiani Costa Prof. Dr. Moacir de M. Oliveira Profª Drª Mônica Erichsen Nassif Borges Profª Drª Raquel Balceiro Tecle conosco: Profª Drª Resilda Rodrigues revistagcbrasil@gmail.com
  • 4.
    Editorial 04 EDITORIAL Prezados leitores, A Gestão de Conhecimento preconiza organizacionais nos âmbitos privado e que todo conhecimento relevante público, consultores empresariais, acadêmicos deve ser identificado, registrado e (professores, pesquisadores e estudantes) e disseminado para uso e criação de representantes do Terceiro Setor. novos conhecimentos. Sendo assim, Portanto, boa leitura a todos e, qualquer mesmo depois de tanto tempo a SBGC atualização que se faça necessária, enviem resolveu publicar os conteúdos relativos para nosso email: revista, que faremos a errata aos eventos KM Brasil 2007 e KM na próxima edição. Brasil 2008. Neste número vocês irão verificar ou relembrar o que aconteceu KM BRASIL 2007 nos eventos Mas todos, com certeza O Congresso anual da Sociedade Brasileira de irão gostar e, usar. Gestão do Conhecimento – SBGC, o KMBRASIL O público presente nos dois eventos 2007 foi realizado na cidade de São Paulo, foi de aproximadamente mil pessoas nos dias 29 e 30 de novembro de 2007. de vários segmentos da sociedade, Em sua sexta versão, o evento contou com a incluindo empresários empreendedores, participação da área acadêmica, da área , do gestores dos setores privado e público, setor privado e com expressiva participação formuladores de políticas e diretrizes do terceiro setor. Elisabeth Gomes Editora-Chefe da GC Brasil Coordenadora de Conteúdo e Publicações da SBGC
  • 5.
    Em 2007 otema praticado foi – Crescimento O tema em 2008 foi – O Conhecimento Editorial Econômico Sustentável: o Papel da Gestão do como Recurso Estratégico Agregando Conhecimento. No evento se discutiu as práticas Valor à Organização. A proposta relacionadas à informação e ao conhecimento foi estabelecer um debate para que nas organizações, tanto no desenvolvimento os participantes do evento pudessem de tecnologias, processos, produtos e serviços, trocar experiências sobre como formular como na relação com o ambiente, clientes, estratégias de criação, disseminação fornecedores e parceiros. e aplicação do conhecimento nos Dentro do tema debatido se buscou destacar processos organizacionais de modo iniciativas no setor privado e público com relação a transformar o conhecimento (tácito) a práticas de Gestão do Conhecimento, focada das pessoas em ativos (recursos em inovações relacionadas a soluções de infra- estratégicos) que agreguem valor à estrutura do país com visão de longo prazo. organização como um todo, visando Foi um momento para congregar profissionais, sua sustentabilidade. 05 gestores e acadêmicos que tem interesse em Como sabemos o conhecimento é cada GC e querem compartilhar informações e trocar vez mais o recurso estratégico para experiências voltadas para inovações. a competitividade e sobrevivência Durante o KM BRASIL 2007 verificamos um das organizações, portanto construí- ambiente propício para trocas de experiências lo e disseminá-lo nas organizações é e geração de novo conhecimento relacionado prioritário. ao crescimento econômico sustentável do país. No decorrer do evento os congressistas O evento ainda trouxe ao Brasil o ex-diretor tiveram a oportunidade de manter do Cynefin Center da IBM, Dave Snowden, contato com os melhores profissionais grande referências mundial no campo da GC e oriundos das empresas nacionais e o indiano Soumodip Sarkar, professor associado internacionais com experiências em e diretor do Centro de Estudos e Formação práticas de Gestão do Conhecimento. Avançada em Gestão e Economia (CEFAGE-UE) Aconteceu também um encontro com da Universidade de Évora. profes-sores e estudantes atuantes em KM BRASIL 2008 linhas de pesquisa relacionadas à GC Realizado em 2008 o já tradicional evento de e temas co-relacionados. Em paralelo Gestão do conhecimento promovido pela SBGC pudemos ver uma feira com exposição aconteceu no período de 27 a 29 de agosto de de empresas fornecedoras de soluções 2008. tecnológicas para GC.
  • 6.
    Biblioteca Multimídia em saúde pública: compartilhamento de conhecimento e transparência da informação Ana Cristina Da Matta Furniel Rosane Mendes Maria Elisa Andries Reis Ana Paula Mendonça Escola Nacional De Saúde Pública/Fiocruz.
  • 7.
    Resumo: A EscolaNacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz, Artigo 11 lançou, em agosto de 2007, a segunda versão de sua Biblioteca Multimídia da ENSP. Trata-se de um ambiente baseado na internet, apoiando-se na metodologia de gestão do conhecimento, em que qualquer usuário conectado à rede mundial pode, depois de se cadastrar, incluir documentos em formato texto, planilha, vídeo, imagem, áudio ou hipertexto. Dessa forma, o conteúdo deixa de ser privado e passa a ser preservado e, ao mesmo tempo, público. O novo ambiente digital da ENSP tem o objetivo de apoiar, reutilizar e construir coletivamente o conhecimento na área de saúde pública, visando atender às necessidades dos cidadãos. Além de dar acesso livre a qualquer usuário da internet, a Biblioteca Multimídia da ENSP também possibilita que todos façam comentários sobre cada um dos documentos postados, promovendo a interação e o debate. A partir de uma ferramenta de busca, o usuário consegue recuperar os arquivos eletrônicos postados. Entre outros objetivos da nova ferramenta estão: ampliar e melhorar as formas 93 de comunicação e disseminação das informações em saúde pública; potencializar a geração de novos conhecimentos na área de saúde pública; e fomentar o compartilhamento do conhecimento entre alunos e pesquisadores da ENSP e entre a comunidade científica da Escola e o campo da saúde pública. A primeira versão da Biblioteca Multimídia foi lançada em 2004. Na primeira versão, a gestão do conteúdo era feita de forma centralizada: apenas os editores tinham permissão para postar documentos. Hoje, com a inserção de documentos feita de forma descentralizada, seguindo padrões da Web 2.0, os arquivos são avaliados por editores e, depois, liberados para acesso na Biblioteca. O conteúdo considerado impróprio, desrespeitando princípios éticos, ferindo a privacidade dos colaboradores ou denegrindo a imagem institucional, não é publicado. Palavras Chave: biblioteca, virtual, multimídia, gestão do conhecimento, saúde pública 1. TEMA digitais em espaços desenhados para favorecer a comunicação entre as De acordo com a enciclopédia livre Wikipédia, pessoas, a recuperação e a transfe- biblioteca é todo espaço, concreto ou virtual, rência de informação e o intercâmbio destinado a uma coleção de livros de quaisquer de idéias. tipos e ainda outros tipos de materiais digitais que possam ser úteis para consulta. Desse modo, apresenta-se como desafio O desenvolvimento das bibliotecas virtuais a necessidade de contextualização e está intimamente relacionado com a evolução organização estruturada da informa- da tecnologia e com o modo de tratamento ção, determinando requisitos de e transmissão de dados. Com o advento e a qualidade e relevância dos conteúdos, popularização da Internet, passa-se a dispor tornando-se necessária a utilização de de novos meios de acesso a diversos recursos categorias que permitam organizar, informacionais. No entanto, se é fato que a Internet de forma eficiente, o oceano onde beneficia a disseminação e a transferência da ocorre um “dilúvio de informações” informação, é também verdade que com a rede (LÉVY;1999). surgiu a necessidade de organizar a informação A desterritorialização da informação através de repositórios atualizados e confiáveis através do mundo virtual e a criação que facilitem o uso desses recursos. de novos espaços e velocidades são Marchionini (2001) apresenta uma definição de necessidades reais. A informação é destituída do objeto físico que a contém. biblioteca virtual como um lugar de reunião onde os usuários trocam idéias com outros usuários, “O conhecimento e a informação não são virtualmente, e com coleções de documentos imateriais, e sim, desterritorializados;
  • 8.
    longe de estarempresos a um suporte O presente trabalho contextualiza a sociedade Artigo 11 privilegiado, eles podem viajar. Mas da informação e da comunicação e a a informação e o conhecimento tão necessidade de organização de informação pouco são materiais. A alternativa em ambientes virtuais. A segunda parte do material e imaterial vale apenas justifica e aborda a relevância do trabalho, para substâncias, coisas, ao passo que apresentando a Escola Nacional de Saúde a informação e o conhecimento são Pública, unidade técnico-científica da Fundação da ordem do acontecimento ou do Oswaldo Cruz, e suas necessidades de processo.” (LÉVY;1996:56) utilização das novas tecnologias em práticas de A distância e o tempo entre a fonte gestão do conhecimento relacionadas ao ensino de informação e os que buscam a e à aprendizagem. Em seguida, apresentamos informação deixaram de ter qualquer os objetivos, a metodologia e os resultados da importância, pois as pessoas não implantação da Biblioteca Multimídia da ENSP precisam mais se deslocar visto que e, buscamos compartilhar todas as informações relativas à implantação da biblioteca e a 94 são os dados que trafegam. Estas mudanças levam a novas exigências, tecnologia utilizada. Por fim, em “resultados”, estratégias e ações. Como são os novos o objetivo é mostrar de que forma a Biblioteca meios, os novos conteúdos, quem são os Multimídia contribuirá para o avanço do campo profissionais e os usuários desse novo da saúde pública no Brasil e no mundo. imperativo tecnológico são questões que devem acompanhar este debate. As instituições que atuam como 2 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO produtoras e disseminadoras de TRABALHO informação lidam com problemas con- Em países em desenvolvimento, como o Brasil, cretos para garantir sua inserção nesse o acesso à informação científica tem sido um novo contexto. Prover acesso on-line, grande desafio. Instituições de ensino, pesquisa estruturar instrumentos de pesquisas de e desenvolvimento tecnológico encontram- maior qualidade, conhecer seu usuário, se num momento de questionamento sobre as adotar estratégias de disseminação novas práticas desenvolvidas a partir do uso mais agressiva e fazer uso das novas intensivo das tecnologias de informação e de tecnologias da informação repre- comunicação no novo cenário da disseminação sentam um conjunto de demandas que do conhecimento. impulsionam essas instituições a adotar novos caminhos. É o caso da Escola Nacional de Saúde Pública No entanto, afirmar que a Internet hoje Sergio Arouca – unidade técnico-científica da é um imenso repositório de informações Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – a maior onde se encontra praticamente tudo, escola de saúde publica da América Latina, não é mais novidade. Para Tarapanoff sendo membro articulador e privilegiado de (2000), “a informação dispersa não uma rede em saúde publica e de escolas de constitui inteligência”, ou seja, se a governo em saúde. Constitui-se numa escola de “informação está disponível na Internet, pós-graduação acadêmica, com três programas mas não é localizada, o conhecimento com excelentes avaliações da Coordenação não é realizado” (MARCONDES;2002). de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível “A cada minuto que passa, novas pessoas Superior (Capes), do Ministério da Educação. passam a acessar a Internet, novos Ao mesmo tempo, é uma das principais computadores são interconectados, formadoras de profissionais de saúde através novas informações são injetadas na de seus programas de capacitação em cursos rede. Quanto mais o ciberespaço se Lato sensu presenciais e a distância. Um dos amplia, mais ele se torna “universal”, e seus objetivos é facilitar a formação de redes menos o mundo informacional se torna de aprendizagem na área e possibilitar a totalizável.” (LÉVY;1999:111). construção coletiva do conhecimento.
  • 9.
    Em 2004, aENSP/Fiocruz decidiu criar a integral do seu trabalho, recurso de Artigo 11 primeira versão da sua Biblioteca Multimídia. informação ou objeto de aprendizagem, Na época, o objetivo era atender à demanda em qualquer formato de arquivo interna para armazenar materiais divulgados digital (texto, planilha eletrônica, víd- no Informe ENSP, boletim eletrônico da Escola. eo, imagem, áudio ou hipertexto). Todo material apresentado em eventos da Dessa forma, o conteúdo deixa de ser ENSP, tratados por professores em salas de privado e passa a ser preservado e aula ou fruto de discussões e debates passaram ao mesmo tempo público. Além disso, a a ser incluídos no novo ambiente. No entanto, proposta é apoiar, reutilizar e construir essa primeira versão, apesar de atender aos coletivamente o conhecimento na área objetivos iniciais, apresentava problemas de de saúde pública, visando atender às navegação, acessibilidade e busca do material necessidades dos cidadãos. através de ferramenta própria. Denominada Biblioteca Virtual Multi- O Informe ENSP – que circula todos os dias com mídia, sua atribuição principal é a 95 reportagens sobre a área de saúde pública oferta de um ambiente que, além de e, principalmente, com a cobertura jornalística permitir a publicação de informações de todos os eventos realizados na ENSP/ multimodais na rede, de forma orga- Fiocruz – é enviado para todos os alunos, nizada, abre possibilidades de pensar professores, pesquisadores e funcionários da coletivamente e construir o conhe- Escola e para qualquer pessoa com interesse cimento numa área estratégica para o na área. Atualmente, conta com uma base de desenvolvimento do país, como a da cerca de cinco mil assinantes. Esse produto saúde pública. Seu desafio é se tornar da Escola – que é enviado pela internet e uma ferramenta de gestão coletiva da tem assinatura gratuita – ajudou a divulgar a inteligência pública. Biblioteca Multimídia da ENSP, uma vez que “Permirtir-nos compartilhar nossos todo o material referenciado no Informe ENSP conhecimentos e apontá-los uns para os era incluído na biblioteca virtual para acesso outros, o que é condição elementar da do público. O aumento da demanda e da inteligência coletiva” (LÉVY;1999:18). visibilidade mostrou que era necessária uma avaliação do projeto e a realização de ajustes para uma segunda versão, principalmente em 3 OBJETIVOS relação à classificação do material. No intuito de alcançar o resultado Frente ao compromisso da ENSP/Fiocruz esperado e preencher a lacuna da de garantir a transparência na gestão e o falta de acesso e disseminação das acesso irrestrito às informações públicas, foi informações e do conhecimento em desenvolvido um modelo de biblioteca virtual saúde pública, estabelecemos objeti- organizado por temas de interesse. Um modelo vos específicos para a criação da que possibilita a publicação de conteúdos Biblioteca Virtual Multimídia da ENSP. na internet com acesso livre e completo às São eles: informações e de interface amigável para os usuários. O público-alvo da biblioteca constitui- -Promover e apoiar estratégias alter- se numa rede formada por alunos da Escola, nativas de cooperacão em rede, pesquisadores, profissionais de saúde, gestores regionais, sub-regionais, nacionais ou do Sistema Único de Saúde e seus usuários, institucionais; estudantes e cidadãos. -Possibilitar o armazenamento de arquivos eletrônicos a serem compar- Apoiando-se na metodologia de gestão do tilhados, ou seja, não ser apenas um conhecimento, a Biblioteca Multimídia da ENSP apontador para fontes de informações encaixa-se como um projeto de formação e sim um repositório on-line; colaborativa de base de conhecimento, onde qualquer usuário cadastrado envia uma versão -Fomentar o debate direto entre os
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    usuários da bibliotecavirtual multimídia atualmente na Internet. Baseia-se no GILS (Glo- Artigo 11 e seus colaboradores; bal Information Locator Service) e no formato -Disponibilizar um ambiente para sub- Dublin Core, com alguns campos de dados missão, busca e recuperação de arqui- adicionais. Todo o acervo será classificado me- vos eletrônicos; diante esta metodologia. -Ampliar e melhorar as formas de • Elaboração de ferramenta web considerando comunicação e disseminação das infor- as políticas de software livre e as diretrizes mações em saúde pública no Brasil, de acessibilidade que sirva de modelo para com a conseqüente geração de novos utilização coletiva, inclusive para uso da Fiocruz conhecimentos; e demais parceiros institucionais. -Fornecer um ambiente agradável, • Desenvolvimento de um sistema de distribuição interativo e com ferramentas de auxí- de informes diários ou semanais (listas aéreas) -lio de pesquisa, de modo a am- para os interessados para que suscite o interesse constante de utilização intensa do modelo para 96 pliar a usabilidade do mesmo para diversos grupos de usuários, do mais compartilhar e recuperar informações. especializado ao leigo; • Estabelecer critérios para controle de quali- -Possibilitar que profissionais de outras dade e avaliação, como o preenchimento de instituições de ensino, pesquisa e orga- formulários, documentos enviados e cadastra- nizações não-governamentais do setor mento de usuários. saúde compartilhem seus recursos de • Adoção de um sistema de métrica que possa informação. ajudar na avaliação do alcance da biblioteca, seu público e novas metas a serem alcançadas. 4 METODOLOGIA Fases compreendidas durante o processo de desenvolvimento: O aumento da informação circulante não significa necessariamente a garan- 1. Planejamento: tia de informação qualificada ou • Levantamento bibliográfico: pesquisa biblio- classificada. Desse modo, apresenta- gráfica sobre Bibliotecas Virtuais; se como desafio a necessidade de • Definição de políticas de gerenciamento de contextualização e organização estrutu- submissão de arquivos e da preservação dos rada da informação, determinando mesmos; requisitos de qualidade e relevância dos conteúdos, tornando-se necessária a • Definição de um conjunto mínimo de metadados. utilização de categorias que permitam 2. Desenvolvimento e Implantação: organizar as informações. Em outras palavras, colaborar para a informação • Definição dos tipos de documentos contem- se constituir em conhecimento. Para isso, plados; alguns procedimentos foram seguidos: • Definição do conjunto de campos para cada • Utilização do sistema de classificação documento, inclusive atribuindo obrigatoriedade de acordo com a metodologia LIS quando for o caso; (Loca-lizador de Informação em • Soluções de Tecnologia da Informação: Mode- Saúde), resultado da cooperação lar um banco de dados onde serão depositados técnica entre o Centro Nacional de os arquivos; Información de Ciências Médicas • Desenvolvimento de piloto que possibilite a (CNICM), a Red Telemática de Salud de geração de dados para analisar o modelo; Cuba (INFOMED) e a BIREME. Seguindo normas e formatos internacionais já • Elaboração da ferramenta WEB, atentando amplamente adotados em bibliotecas para as políticas de software livre e as diretrizes e centros de documentação e em uso de Acessibilidade;
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    • Teste daferramenta. Institucional da ENSP/Fiocruz, apontou Artigo 11 3. Disseminação da informação: a importância da ferramenta de comentários existente na Biblioteca, • Desenvolvimento de um pequeno sistema de embaixo de cada publicação. Vários distribuição de informes diários ou semanais documentos foram alvos de debates (listas aéreas) para os usuários para que suscite direto entre os colaboradores/usuá- o interesse constante de utilização intensa rios. do modelo para compartilhar e recuperar informações. O relatório de avaliação teve por objetivo realizar os ajustes necessários 4. Definição de critérios para controle de para a nova versão e definir uma qualidade e avaliação para o preenchimento estratégia de divulgação. De acordo de formulários, documentos enviados e com o relatório, a Biblioteca Multimídia cadastramento de usuários. da ENSP possui um acervo de cerca de 5. Adoção de um sistema de métrica que mil documentos armazenados, sem a 97 possa ajudar na avaliação do alcance da participação do público externo – até biblioteca, seu público e novas metas a serem 2007, apenas a equipe de jornalismo alcançadas. fazia a inclusão dos documentos na ferramenta. Essa constatação mostrou a necessidade de alteração no ambi- 5 RESULTADOS ente e a classificação do material. A solução foi buscada em conversas O acesso a Biblioteca Multimídia é feito pelo com os técnicos da área de saúde pú- público através do Portal da Escola Nacional de blica e biblioteconomia e adotamos Saúde Pública Sergio Arouca – ENSP/Fiocruz. então a classificação conforme as A entrada do material é aberta a qualquer áreas temáticas da saúde pública usuário, especificamente os que acessam o Portal na metodologia LIS (Localizador de ENSP e o Portal Fiocruz, mediante cadastro e senha. O controle da publicação é feito pela Informação em Saúde), resultado da equipe de jornalismo da Coordenação de cooperação técnica entre o Centro Comunicação Institucional da ENSP/Fiocruz. A Nacional de Información de Ciências Escola conta com infra-estrutura tecnológica e Médicas (CNICM), a Red Telemática com o apoio de pessoal técnico especializado de Salud de Cuba (INFOMED) e a que desenvolveu a ferramenta. BIREME. A operação da Biblioteca Virtual Multimídia de No entanto, o que mais caracteriza a Saúde Pública é assistida pela Coordenação de aceitação e a viabilidade da ferra- Comunicação Institucional da Escola Nacional de menta são os mais de 52 mil acessos Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) e sua alimentação a diversas publicações no período de é feita de maneira descentralizada por março de 2006 a março de 2007, sem qualquer usuário cadastrado, obedecendo a que qualquer divulgação fosse feita. A critérios de qualidade, assim como metodologias Biblioteca Multimídia da ENSP é hoje e tecnologias públicas, sendo avaliada por uma referência na Fundação Oswaldo uma equipe de profissionais de informação Cruz para o armazenamento, a busca responsáveis pela aprovação para efetiva e a divulgação de documentos. Além publicação na internet. disso, a divulgação do projeto nesta segunda versão, a participação do Em 2007, o ambiente foi totalmente reformulado público inserindo documentos e comen- para garantir uma navegação mais amigável tários fomentará o debate sobre os ao público, uma vez que o acesso foi ampliado temas e aumentará o alcance da rede de forma irrestrita. O relatório de avaliação de conhecimento. dos dois primeiros anos (2004-2006) de existência da Biblioteca Multimídia da ENSP, A Biblioteca Virtual Multimídia de realizado pela Coordenação de Comunicação Saúde Pública constitui-se num ambi-
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    ente interativo ondeuma rede de vez mais se tornam indistintas suas barreiras Artigo 11 pessoas e instituições compartilham (RUSSELL;2001). Certamente, a gratuidade conhecimento com o propósito de faci- de acesso a diversos periódicos e documentos litar o acesso à informação para o eletrônicos já influi no modo como se organiza desenvolvimento de competências indi- a comunicação científica. Alguns estudos indi- viduais e capacidades institucionais. cam que artigos, livros, papers disponíveis Um espaço de aprendizagem e de gratuitamente on-line são mais freqüentemente cooperação interdisciplinar no campo citados. Os profissionais de informação e de da saúde pública. comunicação e os bibliotecários sabem há muito A Biblioteca Virtual Multimídia da tempo que a facilidade de uso é crucial. ENSP possui algumas particularidades. No entanto, a quantidade de informações Mas o sistema pode ser implantado muitas vezes encontra-se dispersa e sem liga- em institutos de ensino e pesquisa da ções claras para os usuários, ficando de fora área de saúde pública com algumas todas as possibilidades de trabalho em redes 98 adaptações. Para implantá-la, é ne- de conhecimentos que poderiam advir das cessário ter um servidor de banco de bibliotecas virtuais. Ontalba y Ruipérez (2002) dados MySQL ou Oracle e servidor estudou a RedIris – rede acadêmica e de pes- web Linux ou Windows, para hospedar quisa espanhola – e verificou que são pouco os dados, e os scripts que germa a aproveitadas as possibilidades de trabalho, interface do Sistema. Por ser uma de investigação colaborativa e de criação aplicação internet, esse servidor deve cooperativa de conteúdos que a rede oferece. ficar na área desmilitarizada (DMZ) Atualmente, documentos tradicionalmente de e ter um esquema de proteção que tiragens reduzidas, divulgações restritas e de garanta a segurança dos dados. A difíceis acessos vêm se tornando cada vez criação de tabelas no banco de dados mais visíveis graças aos esforços de criação pode ser feita por scripts ou por uma de bibliotecas virtuais. No entanto, dentro da ferramenta case. temática de saúde pública, encontramos, em A Biblioteca Multimídia da ENSP foi sua maioria, bibliotecas virtuais que oferecem desenvolvida em PHP 4.0 (http:// acesso apenas a apontadores, ou seja, são www.php.net), podendo rodar sobre compostas por links que levam a outros qualquer arquitetura de hardware e sites, normalmente relacionados a um tema sistema operacional (Linux, Windows, específico. Muitas vezes, limitam-se a seleção e Solaris, Mac, etc.), o que permite organização de referências afins. a utilização de uma plataforma A Biblioteca Virtual Multimídia da ENSP vai totalmente baseada em software além dos apontadores, pois se apresenta como livre (sistema operacional, banco de um espaço para difusão e o compartilhamento dados, servidores e demais recursos). de informações e conhecimentos, onde o próprio No entanto, apesar de termos toda colaborador remete seu material na íntegra e a estrutura de banco de dados este pode se tornar alvo de debate direto entre funcionando para MySQL (http:// os leitores e o colaborador. Em outras palavras, www.mysql.com), optamos em utilizar o colaborar para a informação se constituir em banco de dados Oracle (http://www. conhecimento público. oracle.com), pois o mesmo é o adotado pela instituição. Essa A iniciativa de constituição da Biblioteca Multi- mídia da ENSP encaixa-se nas diretrizes do decisão baseou-se nos critérios adota- governo federal de democratização das dos para a integração de todas as informações publicas, de inclusão digital e ferramentas do Portal da ENSP. acessibilidade. A comunicação científica, seja formal No mundo contemporâneo da sociedade da ou informal, está passando por mu- informação, ou sociedade em rede, a grande danças tão significativas que cada questão é como as pessoas terão amplo e
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    livre acesso aosbenefícios das tecnologias de e, conseqüentemente, no cumprimento Artigo 11 informação e comunicação, de forma que a dos compromissos de saúde contidos Internet, por sua apropriação social, seja um nos Objetivos de Desarrollo del poderoso instrumento de educação, ciência e Milenio. Com isso, todas as instituições tecnologia, cultura e formação de cidadania. envolvidas reafirmam o direito Para tudo isso se torne realidade é necessário que de universalizar e democratizar o governos e instituições nacionais e internacionais acesso à informação, que é condição proporcionem não apenas a infra-estrutura fundamental para o processo de tecnológica, de comunicação e de informação, desenvolvimento social e de acesso mas também formulem e concretizem políticas universal aos serviços na sociedade com essa finalidade, abarcando, ao mesmo contemporânea. tempo, coleções e acervos manuscritos, impressos e eletrônicos, aí incluída a pluralidade do diversificado conjunto de textos, imagens e sons BIBLIOGRAFIA 99 – patrimônio documental e patrimônio digital, CEBRIÁN, Juan Luis. A rede: como nossas vidas serão transformadas pelos novos meios de memória do mundo. comunicação. São Paulo: Summus, 1999. É fato afirmar que maior acessibilidade é igual DONATH, Judith S.; ROBERTSON, Niel. The a maior uso, que significa maior impacto, que, sociable web. In: INTERNATIONAL WWW por sua vez, significa maiores recompensas, CONFERENCE, 2., 1994, Chicago. (Anais eletrônicos). provocando mais produção, a qual, estando LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, mais acessível, provoca maior uso e assim 1999. sucessivamente. LÉVY, P. A Inteligência coletiva: por uma Com isso, esta Biblioteca Virtual Multimídia da antropologia do ciberespaço. 3 ed. São Paulo: ENSP pode ser considerada um instrumento que Ed. Loyola, (a). 212 p, 2000. mobilizará e impulsionará a disseminação e MARCONDES, C.H.; GOMES, S.L.R. O a democratização das informações em saúde impacto da Internet nas bibliotecas brasileira. Transinformação, Campinas, v. 9, n. 2., jul./ pública no Brasil e para os países de língua ago., 1997. portuguesa, visto que todo o conteúdo da MARCHIONINI, G. Research and Development mesma estará disponível, também, no Campus in Digital Libraries. Disponível em: <http://ils. Virtual de Saúde Pública – projeto organizado unc.edu/~march/digital_library_R_and_D. pela Organização Pan-Americana de Saúde html>, acesso em: 24 mar. 2001. (Opas/OMS) de desenvolvimento de um ONTALBA Y RUIPÉREZ, José Antonio. Las ambiente virtual que seja um meio de operação comunidades virtuales académicas y científicas españolas: el caso de RedIris. El Profesional de conjunta entre a Organização e os países da la Información, v. 11, n. 5, p. 328-338, sept./ Região. O projeto abrange vários países da oct. 2002. América Latina, além da Espanha. No Brasil, a PINHEIRO, Lena Vânia R. Comunidades coordenação do campus virtual está a cargo científicas e infra-estrutura tecnológica no da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Brasil para uso de recursos eletrônicos de Arouca (ENSP/Fiocruz). comunicação e informação na pesquisa. Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 3, p. O Campus Virtual de Saúde Pública Brasil 62-73, set./dez. 2003. insere-se nessa política de ampliação de RUSSELL, Jane M. La comunicación científica a acesso e informações. Constitui-se num espaço comienzos del siglo XXI. Disponível em <http:// www.oei.es/salactsi> Acesso em: 30 jul. 2007. virtual privilegiado que potencializa a gestão do conhecimento nos programas de educação TARAPANOFF, K; ARAÚJO JÚNIOR, R. H; CORMIER, P. M. J. Sociedade da informação permanente para o desenvolvimento de recursos e inteligência em unidades de informação. humanos em saúde pública, contribuindo Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 3, p. ativamente para La Iniciativa La Salud Pública 91-100, set./dez 2000. en las Américas, através do compartilhamento e Wikipedia. Disponível em: <http://www. da disseminação das práticas em saúde pública wikipedia.com>. Acesso em: 15 mar. 2007.
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    A gestão estratégica do CONHECIMENTO apartir de hábitos organizacionais Jacqueline Sá Ricarte inteligentes. Fundo Brasileiro Para A Biodiversidade - Funbio
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    Resumo: Este trabalhoapresenta idéias e congressos, seminários, feiras e Artigo 12 métodos para a promoção do conhecimento em encontros, associações profissionais e organizações, tendo como base as premissas setoriais, governo e instituições com de inovação, simplicidade e competências relações preferenciais, consultores e, essenciais. Embora sem a apresentação de um claro, os próprios empregados. caso específico, foi pensado e escrito tendo A gestão inteligente está orientada para como foco a organização não-governamental o conhecimento. Como? Identificando e Fundo Brasileiro para a Biodiversidade - Funbio, desenvolvendo as competências dos onde a autora é funcionária. trabalhadores, estimulando as idéias, Palavras Chave: estratégia, competências, fomentando o intercâmbio pessoal gestão do conhecimento, inovação, inteligência de conhecimentos, promovendo o organizacional aprendizado, promovendo a gestão de projetos orientada ao conhecimento, estruturando a documentação e 1 101 - Introdução melhorando a transparência da informação, inovando, atuando com simplicidade, entre outros hábitos que A palestra proferida pelo Prof. Klaus North*, serão abordados neste trabalho. em dezembro de 2007, no Rio de Janeiro, intitulada “Construindo empresas inteligentes”, E o que é o FUNBIO? Fundo Brasileiro serviu de inspiração para a elaboração deste para a Biodiversidade, uma trabalho. A palestra foi iniciada com a seguinte associação civil sem fins lucrativos questão: A sua organização é inteligente? criada em 28/09/1995 com o Segundo North, A escala do saber é a base objetivo de complementar as ações para a organização inteligente. Signos, dados, governamentais para a conservação informações, conhecimento, saber fazer, inovar e o uso sustentável da diversidade com simplicidade, agir com competência, ter biológica do país. A atuação do Funbio capacidade competitiva, entre outros. é pautada pelas decisões do seu Conselho Deliberativo, que é formado Para uma organização se considerar inteligente por representantes dos setores ela deve ter processos bem estruturados, empresarial, ambiental, acadêmico transparentes, integrando pessoas e motivando e governamental. Sua Missão é seus funcionários. Os conhecimentos básicos aportar recursos estratégicos para a estão relacionados a mercado, clientes, conservação da biodiversidade. E sua processos, tecnologia, produtos e serviços, e aos Visão é ser o parceiro preferencial dos empregados. principais atores ambientais nacionais A organização inteligente se abre para e globais na busca de soluções para fora. Compartilhar conhecimentos é poder! esta finalidade. É preciso apoiar uma cultura de intercâmbio de conhecimentos. É necessário aprender, sistematicamente, de mercados, clientes, competidores, provedores e outras fontes externas. 2 – Inovação Como fazer com que a organização Quem são as fontes de informação e seja ágil para se adaptar à velocidade conhecimento? Livros, revistas, páginas web, das mudanças mundiais? Como tornar a catálogos, redes, contatos pessoais, clientes organização atraente para trabalhar? e clientes potenciais, bancos e agências Como mobilizar a imaginação e as financeiras, universidades e centros tecnológicos, ações dos funcionários diariamente?
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    Como diz C.K.Prahalad*, um dos espalhados pelo mundo, em vez de tentar fazer Artigo 12 maiores especialistas em estratégia da a maior parte das coisas elas mesmas. atualidade, são necessárias mudan- É necessário aproveitar as oportu-nidades, ças significativas - fronteiras menos sem deixar que a inovação fracasse ao definidas entre os setores - fim da chocar-se com as barei-ras organizacionais. intermediação - nova consciência – Segundo Larry Prusak*, a unidade de análise entre outras - e elas precisam ser do conhecimento não deve ser a organi-zação, administradas simultaneamente. E para nem o indivíduo, mas sim grupos com contextos administrar essas mudanças, os gesto- comuns. res se defrontarão com desafios novos e complexos. Complementando, outro especialista em estratégia, Lowell Bryan*, considera que o O papel fundamental dos líderes do modelo tradicional do século 20, baseado em futuro será gerenciar o presente, es- hierarquias, não é efetivo para organizar o tipo quecer seletivamente o passado e 102 de trabalho das novas gerações, que aprendem dar combustível para o futuro. Não poderão simplesmente deixar de fazer a se autogerir e criam critérios subjetivos o que fazem hoje e começar algo 100% com base no próprio conhecimento adquirido novo. Terão de proteger o negócio em contextos dinâmicos. Na era digital, são atual e, ao mesmo tempo, conduzir a essas pessoas que geram riqueza. Todas as empresa para uma nova fronteira. grandes instituições têm muitos funcionários Por que empresas fabulosas perdem que usam o pensamento de forma intensa e a liderança do mercado? Porque não devem colaborar entre si. As organizações que conseguem escapar do passado ou permitem a esses profissionais canalisar seu porque não conseguem criar o futuro. poder mental coletivo inteligente conseguirão O mesmo vale para os profissionais. obter mais lucros e se posicionar no mercado (Prahalad. Artigo da Você S.A, 2000) com sucesso.* A verdadeira inovação caracteriza- se por ser um potencial jogo de mu- danças. Prahalad vislumbra um futuro onde as organizações de ponta 3 - Simplicidade serão inovadoras em duas frentes: a As soluções mais eficientes normalmente são primeira, co-criando valor com seus simples, não possuem grandes sofisticações. clientes e tratando cada um deles Por tal motivo, são aprendidas por todos, individualmente. A segunda, utilizando independentemente do nível hierárquico, e recursos de terceiros, especializados e aplicadas de forma objetiva no dia a dia. * O Dr. Klaus North é professor catedrático em Administração Internacional de Empresas da Universidade de Wiesbaden (Alemanha) e consultor de diversos organismos internacionais (OIT - Organização Internacional do Trabalho) no tema gestão do conhecimento. É Diretor Cientifico do Prêmio Alemão de Gestão do Conhecimento e Presidente fundador da Sociedade Alemã de Gestão do Conhecimento. * C.K. Prahalad é um dos mais influentes especialistas em estratégia empresarial da atualidade. Consagrado internacionalmente por sua inestimável contribuição ao pensamento estratégico corporativo, é considerado um dos dez maiores especialistas em administração e negócios do mundo. * Larry Prusak é pesquisador e consultor pioneiro em Gestão do Conhecimento. Tem ministrado palestras sobre os temas aprendizado organizacional, gestão da informação e gestão do conhecimento, capital humano e social nas melhores universidades e conferências dos E.U.A., Canadá, Europa, Japão, Austrália, China, Coréia, etc. * Lowell Bryan é sócio da Consultoria McKinsey. Ao longo dos últimos 30 anos, ele tem falado e escrito extensamente sobre estratégia e organização. Ele é colaborador freqüente do Wall Street Journal página editorial e os seus artigos têm sido publicados na Harvard Business Review e na McKinsey Quarterly.
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    Todos os empregadostêm como colaborar um portfólio de atividades distintas, Artigo 12 com a Inovação na sua organização, indepen- uma organização é um portfólio de dentemente de seu nível hierárquico bem como competências essenciais, que são uma da relevância da idéia proposta. combinação de: Uma idéia simples pode ser aperfeiçoada a • Várias tecnologias (hard e soft). partir da colaboração. Uma boa idéia que • Aprendizado coletivo (multinível, mul- funcione bem em um domínio, pode servir de tifuncional). inspiração para ser reutilizada em um outro domínio. • Capacidade de compartilhar (além das fronteiras organizacionais e geo- Na organização, a simplicidade deverá ser gráficas). objetivo permanente. Não há lugar para des- perdício, em sentido geral e, em particular, para Uma competência essencial pode o desperdício causado pelas práticas buro- ser representada como uma função multiplicadora desses três elementos. 103 cratizantes e desnecessárias. Para administrar as mudanças compe- O tempo dedicado à burocracia e às atividades titivas, os gestores terão desafios novos artificialmente complicadas é tempo que poderia e complexos. Eles deverão tomar as ser dedicado à inovação, ao aprendizado, à seguintes iniciativas: criatividade, enfim, ao aperfeiçoamento pessoal, organizacional e dos produtos e serviços. • Incorporar novos pacotes de tecno- logias aos negócios tradicionais da O auto-desenvolvimento deve ser promovido organização. com ênfase. O desenvolvimento somente pode ser obtido por meio do engajamento, interesse, • Modificar a composição das equipes. emoção e persistência do próprio empregado. A globalização exige que os membros das equipes provenientes de diferentes O gerente deve atuar como elo dos empregados culturas aprendam como um grupo à Visão organizacional. Ele deve fomentar o único. alinhamento dos empregados sendo mais um facilitador, fomentador, criador de condições e • Transferir rapidamente as competên- persistente identificador de oportunidades para cias essenciais para as diferentes uni- desenvolver pessoas e reconhecer seus méritos. dades da organização. A simplicidade está em pensamentos just-in-time, A seguir, três das nove tarefas para equipes pequenas e com membros multi-tarefas, administrar as competências, elen- com ações rápidas, eficazes e participativas. cadas por Prahalad: O diferencial da simplicidade está em ser 1. Conquistar acesso ao conhecimento amigável e pessoal, em atuar com menos e conquistar novos conhecimentos. burocracia e mais liberdade, em estar sempre O modo mais óbvio de conquistar disponível para o cliente, em manter uma cultura acesso ao novo fluxo de conhecimento aberta que torne fácil corrigir erros e aceitar é recrutar pessoas que já possuam o novas idéias. É preciso pensar grande, agindo novo conhecimento necessário. E, além pequeno. disso, vários níveis da organização precisam aprender e aplicar o saber 4 - Competências essenciais desse novo conhecimento. Não basta identificar a necessidade de novos conhecimentos e tomar as providências Ainda segundo Prahalad, o conceito, já para adquiri-los. É preciso dar amplamente aceito, é o de que, além de ser legitimidade e urgência a essa tarefa.
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    2. Associar osfluxos de conhecimento. vantes para as atividades da organização é Artigo 12 Mais difícil que adquirir um novo conhe- a primeira ação de gestão. Deve-se levan- cimento é associá-lo coerentemente ao tar os conhecimentos necessários para o conhecimento tradicional para criar desenvolvimento de cada projeto, definindo novas oportunidades de negócio. As o grau de importância, associando-os com organizações aprendem fazendo. as responsabilidades de cada Unidade da Portanto, é crucial que os gestores de- organização e relacionando-os com as compe- senvolvam projetos específicos e peque- tências essenciais necessárias. nos. Os projetos são os portadores do O resgate e a disseminação das lições aprendidas novo aprendizado. Eles concentram a em projetos desenvolvidos anteriormente atenção da organização na solução pela organização é fundamental e deve ser dos problemas de associação do novo amplamente multiplicado internamente. Deve- conhecimento ao antigo. As equipes de se criar uma política de incentivo ao registro e projeto com membros de várias áreas disseminação de resultados, buscando motivar 104 são imprescindíveis para o sucesso da os colaboradores por meio de premiação aprendizagem e da aplicação daquilo e realização de eventos presenciais para a que foi aprendido. socialização do aprendizado. O Aprendizado 3. Aprender a esquecer adquirido em projetos anteriores possibilita o desenvolvimento de novos projetos e produtos Em um ambiente competitivo, para con- com menor custo, maior qualidade e, por fim, correr na nova economia é essencial em um menor período de tempo. esquecer os antigos padrões. A lógica predominante da organização ou das A organização precisa “aprender” a partir do pessoas pode se tornar um sério obs- aprendizado e, porque não, também, com os táculo ao aprendizado. As pessoas pre- “erros” de seus colaboradores. “Tolerar erros” cisam aprender a esquecer, e esque- é um sinal de que o aprendizado tem papel cer é mais difícil do que aprender. importante na organização. A “ameaça” aos erros cometidos faz com que os colaboradores tenham receio de evoluir e implantar inovações 5 - A Gestão para a promoção do Conhecimento baseada na Inovação, na Simplicidade e nas que podem proporcionar melhorias. O erro não é um fracasso, e sim uma oportunidade de aprender. Deve-se incentivar o registro dos erros, Competências Organizacionais premiando os colaboradores que registram os Essenciais. erros cometidos em um projeto, criando eventos para divulgar e discutir os problemas ocorridos durante o seu desenvolvimento. É importante A inovação deve ser tratada com aprender com os “acertos”, para repeti-los e, simplicidade. Ela pode ser desen- com os “erros”, para evitá-los. volvida em qualquer área da orga- Considerações relevantes para a promoção do nização. Qualquer funcionário, inde- conhecimento nas organizações: pendente de seu nível hierárquico, pode contribuir de forma decisiva • Tendo como objetivo registrar idéias inovadoras para o desenvolvimento de inovações. e originais que uma vez implementadas possam Deve-se reconhecer a importância e proporcionar melhorias contínuas de qualidade, as experiências dos profissionais da otimização dos processos, redução dos custos e organização e incentivar seu apren- dos prazos, dentre outros benefícios, deve-se dizado e colaboração. criar um Programa de Idéias. A definição dos conhecimentos rele- • É de vital importância a divulgação dos nomes
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    de todos oscolaboradores que se dispõem a Como diz o Prof. Rivadávia*, o Artigo 12 registrar e disseminar seus conhecimentos aos conhecimento é essencialmente humano. demais colegas. Esta divulgação deve considerar Não é possível alcançar a Gestão do todos os níveis hierárquicos e não estar restrita Conhecimento sem se voltar para o a um grupo de profissionais. aspecto da humanidade. É preciso • Todo colaborador que registra e dissemina que treinemos os colaboradores a se idéias e conhecimentos, deve receber algum comportarem pró-ativamente em favor destaque que permita com que ele passe da busca e da obtenção do saber. Mas a ser considerado referência e ponto de se não houver disposição, motivação, consulta para o desenvolvimento de novas empatia, propósito e atitude, de nada soluções e para atuar em projetos que exigem valerá o saber. tal especialidade. Deve-se considerar o Nesse contexto, o maior desafio de desenvolvimento de Mecanismo que permita uma organização deve ser o de criar divulgar os conhecimentos e as idéias mais a cultura voltada para o ‘aprender 105 consultadas, com o devido destaque aos nomes a aprender’. Não basta inserir no dos colaboradores responsáveis pelas mesmas. profissional um conhecimento específico • Os colaboradores devem ser estimulados a da organização, ou, até mesmo, fazerem apresentações sobre soluções propostas colocá-lo para realizar cursos. Existe, para melhorias de atividades da organização. hoje, a necessidade de se trabalhar Deve-se criar Programas de Incentivo à Colabo- habilidades, ou, até mesmo “gênios”, ração e ao Compartilhamento. que se não encontrarem um ambiente propício e estimulante, certamente não • Com o objetivo de incentivar o desenvolvimento permanecerão e levarão consigo toda de novas tecnologias e processos de inovação, a bagagem de anos de experiência. torna-se importante desenvolver prêmios Tornar o conhecimento produtivo é uma específicos. A escolha dos melhores trabalhos responsabilidade gerencial. deve levar em conta as opiniões dos próprios colaboradores. Deve-se estruturar uma publi- cação, em papel ou eletrônica, para divulgar os novos conhecimentos. 6 – Conclusões • A criação de redes de trabalho entre pessoas, A Inovação tem se tornado um dos também denominada comunidades de prática, principais fatores de geração de normalmente espontâneas e informais em riqueza e valor das organizações. relação à estrutura formal da organização, Atualmente, as organizações consi- podendo envolver pessoas de dentro e de deradas Inovadoras fora na troca de experiências e na busca de novas abordagens para problemas comuns, são mais reconhecidas e valorizadas no deve receber incentivos e motivações. Dessas Mercado. Constata-se uma significativa comunidades surgem proposições de idéias e diferença entre o Valor de Mercado e soluções originais, além do estímulo ao compar- o Valor dos Ativos das organizações. tilhamento de experiências individuais no O Capital Intelectual de uma orga- ambiente de trabalho. nização é constituído de patentes, * Rivadávia Correa Drummond de Alvarenga Neto é doutor e mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, especialista em Negócios Internacionais pela PUC Minas e bacharel em Administração pela UFMG. É Professor Titular do curso de Mestrado Profissionalizante da FEAD Minas, e Professor e Pesquisador Convidado da Fundação Dom Cabral e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFMG.
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    processos de inovação,habilidades de ser buscada na hora que dela necessitamos, e Artigo 12 funcionários, tecnologias, informações, armazenada se necessário for, o conhecimento conhecimentos e, talvez, sabedoria. exige inferência e uso para gerar valor. Para continuarem competitivas, em seus A propósito, o conhecimento só serve para duas mercados, as organizações precisam coisas: ser compartilhado ou gerar valor. O executar suas atividades com maior conhecimento retido na pessoa ou num livro que rapidez – A Inovação exerce um nunca será lido é um tesouro no fundo do mar. A importante papel para o atendimento sabedoria, por sua vez, é todo o conhecimento deste intento. “As Únicas Vantagens aplicado. Quando você usa conhecimento para Competitivas que uma Empresa tem viver melhor, produzir melhor, está exercendo são aquilo que ela coletivamente sabe, uma certa sabedoria. a eficiência com que ela usa o que sabe A obsolescência nas organizações parece advir e a prontidão com que ela adquire e cada vez mais da incapacidade de gerir e usa novos conhecimentos”. DAVENPORT 106 compartilhar as experiências que estão nas & PRUSAK (1998) pessoas que lá trabalham. Por outro lado, O valor de uma organização é você sabe que está ficando obsoleto no campo dividido em Valores Tangíveis (visíveis) pessoal quando pára de aprender. e Valores Intangíveis, difíceis de serem A organização que é centrada em valores visualizados porque são baseados é aquela que ensina, que reflete, que tem no conhecimento e competência dos memória, que opera em rede, que experimenta, colaboradores. Há uma significativa que inova, que é transparente, que aprende. diferença entre o valor de mercado de uma organização e seu efetivo Referências valor físico. Esta diferença se deve Bryan, Lowell. Gestão inovadora: uma conversa a valorização de ativos intangíveis com Gary Hamel e Lowell Bryan. Revista (informações, conhecimentos, idéias, Marketeer, março/2008. inovações, criatividade), e estes Alvarenga Neto, Rivadávia Correa Drummond representam cerca de 70% do valor de. Gestão do conhecimento em organizações : de uma organização. proposta de mapeamento conceitual integrativo. É importante que se entenda muito bem São Paulo : Saraiva, 2008. que o que traz valor para as pessoas Davenport, T. H.; Prusak, L. Conhecimento e para as empresas, no longo prazo, empresarial: como as organizações gerenciam o é o conhecimento e não a informação. seu capital intelectual. Rio de Janeiro: Campus, Não se trata de renegar o valor da 1998. informação certa na hora certa, principalmente aquelas de caráter North, Klaus. Palestra: Construindo empresas competitivo. Porém, há de se definir que inteligentes. Coppe/UFRJ, Centro de Tecnologia, Rio de Janeiro, dia 19/12/2007. a informação tem caráter cumulativo, enquanto o conhecimento é seletivo, Prahalad, C. K. O trabalho no futuro. Artigo ou seja, enquanto a informação pode publicado na Revista Você S.A., agosto/2000.
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    Índice de Desenvolvimentoda Gestão Pública na Prefeitura Municipal de Curitiba uma estratégia focada no conhecimento Marcia Schlichting Instituto Municipal de Administração Pública
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    Resumo: Este relatotécnico tem Desde 2004 a Prefeitura estuda e utiliza o Artigo 13 como objetivo apresentar o Índice de modelo de excelência em gestão pública, Desenvolvimento da Gestão Pública. nos processos de plane-jamento, utilizando- Este índice é uma estratégia focada se da auto-avaliação para alguns órgãos da no conhecimentode para avaliação da administração municipal. Esta experiência trouxe gestão pública municipal que contém resultados altamente positivos, com impacto 22 indicadores que estão relacionados direto nos diversos processos de trabalho e nos às práticas de gestão utilizadas na resultados de cada um dos órgãos. Prefeitura Municipal de Curitiba. Com o conhecimento da ferramenta de auto- Palavras Chave: Práticas de avaliação avaliação, a necessidade de avaliar mais da gestão; inovação, Índice de Desen- objetivamente a gestão e focar o conhecimento volvimento da Gestão Pública já existente, desenvolveu um índice, com indicadores que possam dar uma noção objetiva da realidade, que agrupados, formaram o 108 1 . Tema índice de cada Órgão e o da Prefeitura. A Prefeitura Municipal de Curitiba, ao longo do tempo, tem sido reconhecida 2 . Objetivo como uma Instituição que adota Este relato técnico tem como objetivo apresentar constantemente novas práticas, que um instrumento de avaliação de gestão que venham a contribuir com uma gestão contempla 22 práticas utilizadas na Prefeitura administrativa moderna, incorporando Municipal de Curitiba como uma estratégia medidas de execução e controle focada no conhecimento. capazes de substituir velhas práticas, 3 por instrumentos criados sob o princípio da Administração Pública Gerencial, . Metodologia voltada para resultados e com foco no atendimento ao cidadão e à sociedade. O Índice de Desenvolvimento da Gestão Pública Para cumprir com este papel implantou, é um Instrumento de Política de Governança que em 2007, o Índice de Desenvolvimento estimula e avalia as práticas de gestão pública, da Gestão Pública - IDGP, com o com foco na melhoria contínua dos serviços objetivo de avaliar e estimular o de- prestados. É formado por 22 indicadores senvolvimento das práticas em gestão estratégicos, agrupados de acordo com os 07 pública, utilizadas pelos Órgãos da critérios do Sistema de Excelência : liderança, Administração Municipal, com vistas a estratégias e planos, cidadão e sociedade, padrões elevados de resultado. informação e conhecimento, pessoas, processos Esta proposta tem como diretriz o Plano e resultados. de Governo 2005-2008, é uma ação Cada um dos 22 indicadores está relacionado do programa denominado Governança com uma prática realizada nos órgãos da Pública e tem como base o Modelo de Prefeitura e 9 deles já monitorados em Excelência do Programa Nacional de sistemas informatizados. Os resultados destes Gestão Pública e Desburocratização indicadores foram levantados em relatórios – Gespública – que estabelece 07 específicos para cada um dos órgãos e os critérios de excelência: liderança, demais por uma pesquisa aplicada diretamente estratégias e planos, cidadão e socie- aos gestores municipais. dade, informação e conhecimento, pes- soas, processos e resultados. Cada um dos indicadores tem a descrição, a 1 Este sistema faz parte do Modelo de Excelência em Gestão Pública do Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização – Gespública.
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    fundamentação, a basede cálculo, o peso que este indicador tem no índice, as suas faixas Artigo 13 de pontuação, bem como a sua fonte de informação. Alguns indicadores precisaram ser normalizados para que ficassem na escala entre 0 e 1. Para cada um dos critérios há uma média dos indicadores e o resultado final estabelecido, pode ser analisado conforme as faixas de pontuação descritas no quadro a seguir: 109 Quadro 1 – Faixas de pontuação para cada critério A composição do resultado final da Prefeitura foi obtida pela média do resultado do Índice de cada Órgão, respeitando sua classificação em faixas de pontuação, com variações de 0 a 1, conforme o quadro a seguir: Quadro 2 – Faixas de pontuação global para o Índice de cada órgão Em novembro de 2007 o levantamento de alguns indicadores foi feito por meio de uma pesquisa com os gestores da Prefeitura e seu resultado foi apresentado em dezembro de 2007 em reunião de Secretariado a todos os dirigentes. Para 2008, uma das prioridades será a análise dos resultados atingidos no IDGP de cada Órgão e o resultado consolidado da PMC, visando o envolvimento dos gestores municipais, na implementação de ações de melhorias. A partir do diagnóstico e da análise destes índices, torna-se necessário uma ampla discussão, com o auxílio de ferramentas adequadas, que propicie a análise e a instrumentalização para que os gestores possam adotar práticas de intervenção na melhoria da gestão dos processos de trabalho, melhorando os indicadores e consequentemente a gestão de cada Órgão, visando o desenvolvimento institucional. Os indicadores estão divididos em cada um dos 7 critérios conforme ilustrado no quadro a seguir:
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    Artigo 13 110 Quadro 3 - Indicadores em cada critério A seguir a descrição e a forma de os líderes participam e conduzem o processo levantar o resultado de cada um dos de definição da Estratégia e Políticas de indicadores: Gestão para o Órgão, bem como disseminam 1. Eficiência do sistema de reuniões o processo em todos os níveis da organização. - manutenção do sistema de reuni- Resultado obtido pela média das respostas dos ões, para compartilhamento das infor- gestores do Órgão mações e tomada de decisões, envol- 3. Aproveitamento no desenvolvimento vendo todos os níveis com regularidade. gerencial - relação entre o número total de Este indicador foi obtido pela média horas realizadas no Desenvolvimento Gerencial das respostas dos gestores do Órgão. pelos gestores de cada Órgão pelo número total 2. O papel da liderança na estrutura- de horas de capacitação no Desenvolvimento ção da estratégia - forma pela qual Gerencial ofertadas pelo IMAP para cada
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    Órgão. Resultado verificadoem relatórios às ações realizadas no Órgão. Resul- Artigo 13 específicos. tado obtido pela média das respostas 4. Eficácia do desdobramento do plane- dos gestores do Órgão. jamento: eficácia quanto ao desdobramento do 12. Registro de melhores práticas - Planejamento em planos de ação, programas, Quantidade de melhores práticas por projetos, objetivos, metas, ações e tarefas. 100 servidores registradas por Órgão Resultado obtido pela média das respostas dos no sistema. Registro de melhores gestores do Órgão. práticas construídas coletivamente 5. Utilização gerencial do SAGA-PG - Perio- pelo grupo de servidores, visando dicidade e forma de atualização do Sistema inovações que venham a promover de Acompanhamento das Ações do Plano de melhoria e eficácia na consecução das Governo - SAGA–PG, pela análise do preen- atividades, produtos e/ou serviços, chimento dos campos iniciais dos projetos e tornando o conhecimento tácito em explícito. Resultado obtido em rela- 111 verificação da atualização das ações e tarefas. O indicador é calculado pela média do índice tórios específicos. de preenchimento e do índice de atualização 13. Registro de idéias - Quantidade do sistema em cada um dos projetos do Plano de idéias registradas por servidor em de Governo. cada Órgão no sistema. Resultado 6. Execução orçamentária - Relação entre os obtido em relatórios específicos. valores orçados e executados da Lei Orçamen- 14. Reconhecimento e valorização tária Anual em cada Órgão. Resultado dos servidores - Analisar a existência verificado em relatórios específicos. de práticas que permitem ao gestor 7. Levantamento das necessidades - Verificação reconhecer e valorizar os servidores. da existência de práticas que permitam levantar Resultado obtido em relatórios as necessidades do cidadão/usuário, visando específicos. à criação de produtos e ou serviços. Resultado 15. Utilização do SemEADor - Número obtido pela média das respostas dos gestores médio de horas de capacitação no do Órgão. projeto SemEADor/por servidor. 8. Qualidade do atendimento - Verificação da Resultado obtido em relatórios existência de atitude dos servidores de prestar específicos. atendimento de qualidade ao cidadão/usuário. 16. Cobertura em educação perma- Resultado obtido pela média das respostas dos nente - Verificar a % de servidores gestores do Órgão. por órgão que participaram de 9. Práticas de avaliação da satisfação - cursos de capacitação em educação Verificação da existência de práticas que permanente. Resultado obtido em permitam avaliar e verificar a satisfação do relatórios específicos. cidadão/usuário com os produtos e/ou serviços 17. Clima organizacional - Verificar o prestados. Resultado obtido pela média das percentual de satisfação dos servidores respostas dos gestores do Órgão. com a gestão do Órgão. Resultado 10. Compartilhamento das informações obtido em relatórios específicos de - Verificação de como as informações são Pesquisa de Clima Organizacional organizadas, atualizadas, disponibilizadas 18. Gestão de processos - Verificar a e como ocorre o compartilhamento com os existência de práticas que permitam servidores. Resultado obtido pela média das identificar, descrever, avaliar e refor- respostas dos gestores do Órgão. mular os processos de trabalho do 11. Uso de informações comparativas - Uso de Órgão. Resultado obtido pela média forma sistemática de informações comparativas das respostas dos gestores do Órgão. para avaliar e analisar experiências correlatas 19. Qualidade dos produtos e servi-
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    ços prestados pelosfornecedores - julgadas principais para que a gestão tenha Artigo 13 Analisar a existência de práticas que sucesso. Assim sendo, se cada gestor tiver a verifiquem a qualidade dos produtos e preocupação de acompanhar e monitorar cada serviços prestados pelos fornecedores um destes indicadores terá, conseqüentemente, no Órgão. Resultado obtido pela um bom nível de desenvolvimento em sua gestão. média das respostas dos gestores do Outra evidência significativa de que o IDGP é Órgão. uma ferramenta importante de avaliação da 20. Redução de custos no E-Com-pras gestão pública municipal, é a incorporação - Verificar a economia por meio de destes indicadores como instrumento de pregão eletrônico/ano (preço inicial monitoramento e avaliação de uma parte x preço final). Resultado obtido em de gestão de um Programa Integrado relatórios específicos de Desenvolvimento Social e Urbano de Curitiba, vinculado ao Banco Interamericano 21. Práticas de avaliação de resultados de Desenvolvimento – BID. O resultado do 112 - Verificar a existência de práticas IDGP será a síntese para o componente de que permitam identificar a análise desenvolvimento institucional do programa de gerencial do desempenho do Órgão investimento em infra-estrutura da cidade. através de um sistema de avaliação dos seus resultados. Resultado obtido Este instrumento mostra que não mede tudo pela média das respostas dos gestores sobre gestão, mas procura indicar das práticas do Órgão. existentes o que pode ser avaliado como gestão de excelência tanto dentro de cada um 22. Apresentação dos resultados dos órgãos como da Prefeitura como um todo. - Analisar a existência de práticas E também faz com que ocorra um movimento que permitam divulgar os resultados de focar as práticas existentes para que cada dos Órgãos, aos atores envolvidos gestor tenha como ponto de partida para sua (comunidade, servidores e parceiros) e atuação, os 7 critérios de excelência e as 22 implementar as sugestões de melhoria. práticas escolhidas. Resultado obtido pela média das respostas dos gestores do Órgão. Em resumo, este índice se propôs a unificar uma sistemática de acompanhamento e avaliação da gestão pública na Prefeitura de Curitiba, 4 . Resultados, discussões e bem como identificar e entender, de forma sistemática, a situação atual da gestão dos seus conclusões Órgãos, por meio do conhecimento e análise de indicadores estratégicos de gestão. Pode- O IDGP não pretende abranger todas se oportunizar o envolvimento, a participação as dimensões da gestão, mas sim e a construção coletiva dos gestores municipais avaliar as práticas mais importantes para trabalhar com o resultado do índice da gestão do seu Órgão especificamente. para a gestão do município de Curitiba e mobilizar os gestores para Conclui-se desta forma, que o conhecimento que aperfeiçoem os seus processos de sistematizado em uma metodologia de trabalho para atingirem, da melhor avaliação possibilita parâmetros de análise e forma os resultados de excelência na melhoria da gestão como uma linguagem única gestão. Foram selecionadas as práticas entre os gestores.
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    Inteligência Corporativa A integraçãode modelos de gestão transformando planejamento em resultado Ana Paula Guzela Bertolin Adriana Andréa Rodrigues Cicemara A. D. Cordeiro Felipe De Lameida Rezende Instituto Curitiba De Informática
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    Resumo: O cenáriocompetitivo organizacionais e que a aplicação de métodos, Artigo 14 atual em que operam as empresas é como o BSC, são eficientes neste contexto determinado pela dinâmica de novas pois materializam a visão e a estratégia da tecnologias, variados modelos de gestão organização. Pela experiência obtida com e grande volume de informações que a prática do modelo piloto Cartão Quali- exige o constante acompanhamento de dade Quickstart, orientado e alinhado ao tendências comerciais, informacionais Planejamento Estratégico do ICI, pode ser ou tecnológicas para o sólido posi- apurada a importância da escolha precisa e cionamento no mercado. Este acompa- acertiva de indicadores de desempenho, mesmo nhamento pode ser traduzido como sendo trabalho árduo pelo processo inovador um processo investigatório que agre- que caracterizou-se na organização. ga valor ao Planejamento Estratégi- Palavras Chave: Gestão do conhecimento. co (PE) de uma organização, pois de Tecnologia da informação. BPM. BSC. BI. forma prospectiva antecipa oportuni- Planejamento estratégico. 114 dades, identifica potenciais e mapeia resultados que subsidiam a tomada de decisão. A implementação de processos 1. Introdução que organizem e sistematizem a cap- tura, a geração, o armazenamento, a O cenário competitivo atual em que operam tradução, a análise e o compartilha- as empresas é determinado pela dinâmica de mento rápido e preciso da informação novas tecnologias, variados modelos de gestão deve ser avaliada, devendo ser e grande volume de informações que exige analisada as situações para definir o constante acompanhamento de tendências para quem as informações devem ser comerciais, informacionais ou tecnológicas para repassadas dentro de um processo o sólido posicionamento no mercado, quer seja decisório eficaz. Neste contexto é que este, a referência de uma marca ou o aumento se encaixa o modelo de gestão, com da receita. Este acompanhamento pode ser base no ciclo do PDCA, planejado traduzido como um processo investigatório que e proposto ao Instituto Curitiba de agrega valor ao Planejamento Estratégico (PE) Informática onde metodologias como de uma organização, pois de forma prospectiva Planejamento Estratégico, Business antecipa oportunidades, identifica potenciais e Process Management (BPM), Business mapeia resultados que subsidiam a tomada de Intelligence (BI), e Balanced Scorecard decisão. (BSC) trabalham em conjunto para O ciclo do PDCA (plan, do, check, act), prover informação e criar diferenciais difundido por DEMING (1990), se traduz ainda competitivos por meio da Gestão modernamente como instrumento de grande do Conhecimento. Este relato se apoio ao sucesso na gestão de empresas, propõe a descrever a experiência da independentemente do segmento que atue. implementação inovadora de um piloto Traduzidas essas “palavras de ordem” temos: de Balanced Scorecard (BSC) no projeto denominado Cartão Qualidade (CQ) • Plan (planejar) : estabelecer missão, visão, do Instituto Curitiba de Informática, objetivos (metas), procedimentos e processos destacando a importância da definição (metodologias) necessários para atingir os de indicadores de desempenho de resultados; resultados, como elementos úteis e • Do (executar): realizar e executar as ativida- essenciais ao controle e monitoramento des; das ações do Planejamento Estratégico • Check (verificar) : monitorar e avaliar siste- e o conseqüente alcance de suas maticamente resultados, analisar processos, metas. Verificou-se que indicadores confrontando-os com o que foi planejado, com de inteligência corporativa são o estado desejado, consolidando informações; fundamentais para avaliações contí- nuas do desempenho das atividades • Act (agir) : agir de acordo com o avaliado
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    e de acordocom os relatórios, eventualmente O diagrama da Figura 1 traduz o Artigo 14 determinar e elaborar novos planos de ação, modelo de gestão, com base no ciclo de forma a melhorar a qualidade, eficiência e do PDCA, planejado e proposto ao eficácia, aprimorando a execução e corrigindo ICI. Cada um destes instrumentos pode eventuais falhas. objetivamente atender ao ciclo do Estas ações visam dar o suporte fundamental PDCA para os processos institucionais, para que gestores possam claramente planejar sendo valorosos meios para um diretrizes estratégicas, gerenciais ou táticas posicionamento destacado do Instituto no âmbito de organizações, projetos e/ou frente aos seus objetivos estratégicos processo, onde se deve estabelecer a necessária pretendidos. Ordená-los e sistematizá- sistematização para o funcionamento mais los sob a perspectiva da Gestão do adequado da organização para que haja maior Conhecimento trará sem dúvidas um perspectiva de êxito nas tomadas de decisão. grande diferencial à instituição na afirmativa que organizações bem 115 O relato técnico aqui exposto refere-se ao geridas tendem ao sucesso. Instituto Curitiba de Informática (ICI), uma organização social sem fins lucrativos que investe seu lucro em pesquisas para o desenvolvimento de novos projetos. Este modelo de gestão pública tem por objetivo transferir para estruturas autônomas a responsabilidade pela prestação dos serviços públicos considerados não-essenciais. O ICI foi criado para absorver todos os trabalhos relativos à informática do município de Curitiba. São serviços não-essenciais, cuja evolução tecnológica acontece de forma permanente, garantindo à Prefeitura de Figura 1: Modelo de Gestão ICI Curitiba os mais modernos sistemas de gestão pública. Concentra-se em potencializar ações Muitas das informações existentes estratégicas e criar soluções para apoiar a na organização estão nas mãos de administração pública. pessoas que não conseguem utilizá-las a favor da melhoria contínua de seus O conceito do PDCA pode ser utilizado no processos de trabalho. Informações âmbito de empresas privadas ou públicas, importantes e detalhadas destes sempre visando um objetivo comum: o sucesso processos estão guardadas apenas da organização e no caso de uma Organização nas mentes dos profissionais, por isso Social não seria diferente, talvez mais o conhecimento é tido como ativo estimulante, dada à complexidade de trâmites intangível e estas pessoas devem ser e controles nas duas dimensões. consideradas criadoras de informação Assim, para uma instituição de tecnologia, cuja e de conhecimento, como defendem exigência de velocidade é ampliada e que NONAKA e TAKEUCHI (1997) e atua dentro de um formato “híbrido”, criar e SIMON (1997). Estes autores partem manter um modelo de gestão que atenda às do princípio que existem dois tipos exigências produz uma necessidade maior de de conhecimento: tácito e explícito aliar ferramentas para o suporte à governança e partem do pressuposto que o corporativa. crescimento organizacional provém da O Instituto Curitiba de Informática (ICI) vem maneira como estes conhecimentos, que buscando o desenvolvimento dos mais modernos cada profissional possui, são utilizados. instrumentos de gestão, buscando os melhores As informações existentes estão resultados para inovação contínua da instituição. alocadas e navegam nas diversas
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    áreas da organizaçãoe são elas o organização, criando métodos para que juntos Artigo 14 resultado de decisões estratégicas bem possam ser transferidos e transformados em fundamentadas através da combinação valor, diferenciando o seu capital intelectual. de dados tratados e contextualizados. A gestão do conhecimento tem como objetivo Porém é importante salientar que assegurar que o conhecimento presente em uma quando se fala sobre estratégia organização seja aplicado produtivamente para deve-se ter em mente a diferenciação seu benefício (PROBST, 2002). Para que isso entre os elementos que a compõe e ocorra com eficiência é necessário organizar um a definem, ou seja, missão e visão. repositório compartilhado de informações onde Segundo COELHO e MAGALHÃES haja uma visão coletiva dos processos existentes (2004), a Missão refere-se à finalidade na organização. Espera-se que ao existir uma ou a razão de ser da organização, o visão coletiva e compartilhada, todos aqueles que a organização sabe fazer, como que pertencem a um processo comum possam quer fazer e porque. Já a Visão parte ter mais agilidade e capacidade de resposta. 116 da Missão, mas seu foco está em médio Segundo NONAKA e TAKEUCHI (1997) gerir o prazo, com foco no mercado. Portanto, conhecimento é gerir o “processo que amplifica a estratégia e os objetivos estratégicos, organizacionalmente o conhecimento criado por segundo os autores, “são a forma que a indivíduos e o cristaliza como parte da rede de organização escolhe para implementar conhecimento da organização”. Considerando a Visão”. esta definição é necessário reconhecer como Nesta perspectiva, cada vez mais acontece a interação entre os indivíduos na as informações transformam-se em organização, ou seja, a rede de conhecimento. recursos valiosos. A implementação Segundo PORTER (1995) o que a organização de processos que organizem e siste- faz ou deve fazer está delineado nas suas matizem a captura, a geração, o atividades e é nelas que se encontram os armazenamento, a tradução, a análise relacionamentos entre tarefas e as pessoas que e o compartilhamento rápido e preciso compõe a rede de conhecimento da organização. deve ser avaliada, devendo ser Com este objetivo, a aplicação de metodologias analisada as situações para definir como BPM podem ser facilitadoras na criação para quem as informações devem ser de uma base de conhecimento organizacional repassadas dentro de um processo efetiva para este objetivo que nada mais é decisório e eficaz. Neste contexto é que um dos objetivos da gestão por processos: que se encaixa o modelo de gestão, assegurar que o desempenho da organização com base no ciclo do PDCA, planejado esteja sempre voltado à melhoria contínua por e proposto ao ICI onde metodologias meio de seus níveis de qualidade. como Planejamento Estratégico, Business Um processo de negócio nada mais é do que Process Management (BPM), Business um conjunto de diferentes atividades, tarefas Intelligence (BI) e Balanced Scoredcard ou etapas que sequencialmente executadas (BSC) trabalham em conjunto para colaboram para um objetivo final, ou seja, prover informação e criar diferenciais alinhar os processos de negócio com a competitivos por meio da Gestão do estratégia, objetivos e a cadeia de valor que Conhecimento. os compõe. A Gestão do Conhecimento é o resul- Todos os objetivos da organização, segundo tado da capacidade da organiza- COELHO e MAGALHÃES (2004), devem ção de implementar suas decisões estar relacionados com processos. O objetivo estratégicas, buscando identificar co- representa a orientação de como desempenhar nhecimentos já presentes na organi- os processos e são os processos que possuem zação, tratando processos, informação os recursos para tornar os objetivos possíveis. e pessoas, auxiliada por tecnologia. Ao serem definidos os objetivos tem-se uma Tem por finalidade captar os conhe- clara visão também das responsabilidades na cimentos existentes nas práticas da organização.
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    A gestão porprocessos, segundo cita a inovação e melhoria da organização. Artigo 14 WIKIPEDIA possui como melhores práticas a Em ambientes não estruturados, não descoberta e mapeamento dos processos, sua se pode definir exatamente onde e modelagem, definição do nível de maturidade, quando as decisões podem ser tomadas documentação, plano de comunicação, com um grau de certeza absoluto sobre automação, monitoramento por indicadores de as informações disponíveis e se as desempenho e qualidade e ciclo de melhoria mesmas são suficientes para subsidiá- contínua. Se for levada em consideração a las. Já em ambientes estruturados, os implementação de total ou parcial destas gestores podem visualizar os objetivos práticas, é visto que entre elas permeia sempre coletivos dos processos de negócio um fluxo de informação, que formará a base e os stakeholders responsáveis pelo de conhecimento organizacional, resultando cumprimento dos mesmos. em diferenciais de qualidade e vantagem competitiva do mercado globalizado. Se O Canadian Institute of Knowledge Management (VISEU, 2005) desenvol- 117 existem processos sistematizados dentro da empresa, então existem fluxos de informação e veu um framework com 3 níveis esse fluxo é a base do processo de inteligência associados a 3 componentes temporais competitiva (FILHO, 2000). distintos que podem demonstrar como a gestão do conhecimento trata as As quatro atividades fundamentais para a informações contidas na gestão por gestão de processos podem ser relacionadas aos processos. Os níveis são: KM vision, quatro modos de conversão do conhecimento em que responde onde queremos ir, KM uma organização, apresentados pelo modelo objetctives, responde como chegamos SECI (socialização, externalização, combinação, lá e KM management, índices que internalização), conforme demonstrado na respondem onde estamos atualmente. Figura 2 (NONAKA e KONNO, 1998): Esta visão nada mais é do que Modelagem: definição e construção da repre- a formação de uma inteligência sentação do processo com todos os seus competitiva por meio da criação de componentes. Esta atividade correlaciona-se uma base única, necessária para a com a fase de socialização do modelo SECI onde organização como apoio à geração de ocorre o compartilhamento do conhecimento conhecimento a respeito dos processos tácito entre os indivíduos por meio de atividades de negócio, suporte ao conhecimento conjuntas, captura do conhecimento tácito; organizacional e também como supor- Integração: conexão entre os componentes te a modelos de apoio à tomada de do processso, promovendo a interação e a decisão, como Balanced Scorecard troca de informações. Corresponde a fase de (BSC) e Business Intelligence (BI). externalização onde se transforma o conhe- Figura 2: Modelo SECI – Espiral de Criação do cimento tácito em conhecimento explícito, ou seja, traduzido de uma forma que possa ser entendida por todos; Monitoramento: visualização dos processos em atividade, correlacionando-se a fase da combi- nação onde ocorre a comunicação, difusão e sistematização do conhecimento aos membros da organização, tornando-o utilizável e permitindo análises práticas e concretas; Otimização: capacidade de análise dos pro- cessos ativos, permitindo a melhoria contínua. No modelo SECI corresponde a internalização, Conhecimento onde ocorre a identificação do que é importante, Fonte: NONAKA, I. e TAKEUCHI, H. Criação de tornando reais os conceitos sobre a estratégia, Conhecimento na Empresa. RJ, Campus, 1997.
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    Porém, de nadaadianta existirem Este conhecimento da influência de cada Artigo 14 processos bem definidos e mapeados pessoa ou setor no funcionamento da orga- se os mesmos não forem constantemente nização é naturalmente identificado pelo monitorados e analisados. É importante BSC e estrategicamente dirigido às áreas definir indicadores estratégicos, de competência que conduz ao aumento da auxiliando aos gestores nas tomadas produtividade por meio de esforços reconhe- de decisão, portanto, a aplicação da cidos. metodologia do BSC, cujo enfoque Outro suporte ao processo de tomada de é “estratégia para a ação” permite, decisão é a aplicação da metodologia de segundo FILHO et al (2004), que seja sistematizada a monitoração de criação Business Intelligence (BI) que apresenta recur- de intangíveis na organização, ou seja, sos para ordenar, categorizar e estruturar permitir avaliar e corrigir possíveis informação, baseando-se em registros forma- desvios de alinhamento das atividades tados de bases de dados onde procura-se iden- da organização e sua estratégia. tificar informações não perceptíveis nos dados 118 “Como ferramenta de medição do (conhecimento explícito), resultando relatórios desempenho organizacional, o BSC é estratégicos. capaz de clarificar a visão dos gestores em relação aos caminhos que devem ser tomados, orientando o processo de 2 Estudo de Caso tomada de decisão” (PINTO, 2005). Este relato se propõe a descrever a experiência Desta forma, o perfeito entendimento da implementação inovadora de um piloto dos requisitos da organização é de Balanced Scorecard (BSC) no projeto essencial à definição das perspectivas denominado Cartão Qualidade (CQ) do Insti- que irão traduzir as ações e estra- tuto Curitiba de Informática, destacando a tégias afetando diretamente a gestão importância da definição de indicadores de do negócio, entendimento este que desempenho de resultados, como elementos ficou explicitado a partir do Plane- úteis e essenciais ao controle e monitoramento jamento Estratégico do Instituto das ações do Planejamento Estratégico e o Curitiba de Informática (ICI) que conseqüente alcance de suas metas. buscava aperfeiçoar suas estratégias O projeto Cartão Qualidade foi desenvolvido para o negócio e para a Tecnologia pelo Instituto Curitiba de Informática (ICI) da Informação (TI) como vantagem para a Prefeitura Municipal de Curitiba. Ini- competitiva. cialmente destinado para a identificação Outro conceito elementar ao BSC é o pessoal, em função de seu potencial de apli- mapa estratégico. KAPLAN e NORTON cabilidade passou também a ser utilizado como (2001) definem o mapa estratégico cartão-ponto, cartão de débito, controle de como uma arquitetura genérica para consignações e vale-transporte. a descrição da estratégia de maneira Atualmente, são 40 mil usuários e uma rede de coesiva, integrada e sistemática. A 200 empresas conveniadas, que, juntas, tota- relação de causa e efeito que o ma- lizam cerca de 533 pontos de venda – super- pa estratégico promove entre as mercados, farmácias, postos de gasolina, lojas perspectivas nos remete ao racio- de confecções, óticas e bancos – distribuídos em cínio lógico e sistêmico. Em outras Curitiba e Região Metropolitana. palavras, quando acontece a melhoria da capacidade do funcionário a O projeto Cartão Qualidade dispõe de um qualidade de um processo é melhorada chip que permite a gravação dos valores con- ou aumentada o que conduz a prazos signados e da operação com leitoras on-line e pontuais e a satisfação do cliente, off-line. Assim, o usuário pode fazer compras repercutindo na empresa inteira como utilizando-o como cartão de débito e também uma engrenagem perfeita dos papéis na obtenção de empréstimos bancários e responsabilidades de cada setor. consignados.
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    Em 2007, umadas missões do instituto foi nas bases de dados também foi uma Artigo 14 transformar o Cartão Qualidade, produto de preocupação na fase de coleta e para solidez no município de Curitiba, em referência a fase de análise afinal, a garantia da nacional no segmento de cartões multifunção. medição efetiva dos indicadores e a Para a condução do trabalho denominado análise e simulação de cenários que Cartão Qualidade QuickStart foi escolhido dependia da filtragem e mineração um departamento intermediário entre o nível de dados essencialmente relevantes. estratégico e operacional do organograma, A credibilidade desta base levaria onde foi concentrado o processo investigatório a indicadores corretos e vantagem restrito ao setor e integrando ações com outros competitiva de sucesso. departamentos do Instituto. Nesta fase sabia-se que o BSC pode- A necessidade do instituto em manter a com- ria auxiliar, uma vez que serviria no petitividade do Cartão Qualidade frente às futuro, em curto prazo, como plano de aferição dos indicadores. Desta forma 119 soluções inovadoras de cartões inteligentes conduziu à revisão da situação atual dos os esforços foram concentrados em processos operacionais e à definição de novas sistematizar os processos de negócios estratégias de negócio. Quatro premissas bási- com foco no CQ, fornecendo os ele- cas fundamentam o cenário do projeto: mentos para a fase de análise da informação. Vendas: incremento do plano de comercialização e vendas; A fase de análise tornou-se completa com o alcance de dois grandes resul- TI: antecipação de tecnologias que tornassem o tados os quais auxiliariam como entra- produto um diferencial; da de dados para a base de conhe- Serviço: otimização dos processos conduzindo cimento: para o aumento da produtividade e melhoria Processos identificados, mapeados e do atendimento; e, sistematizados com o apoio do BPM; e, Produto: posicionamento no mercado. Mapa estratégico das informações e O trabalho foi executado em fases. A fase de conhecimentos relevantes ao negócio preparação constituiu o treinamento da equipe por meio da adoção do BSC. especializada em TI para o aprendizado do O estabelecimento das perspectivas negócio (CQ), fundamental para o início dos de valor que traduzem as medidas trabalhos de análise do ambiente externo e os objetivos do Cartão Qualidade (mercado) e organizacional (interno). QuickStart foram baseados em sua Pesquisas de mercado, identificação de compe- missão, no alinhamento dos requisitos tências técnicas internas da organização, dos stakeholders e no cenário pesquisa de problemas sociais, políticos e eco- inicialmente mapeado. Os indicadores nômicos, clientes atuais e clientes potenciais, foram encadeados nas perspectivas perfis de possíveis parceiros em alianças, definidas para o projeto, garantindo parcerias concorrentes, pesquisas em artigos de o acompanhamento e a medição jornais e periódicos, participação em congres- efetiva das ações para os resultados sos, perfis dos concorrentes e indicadores eco- almejados. nômicos formaram a segunda fase, a coleta das Apesar do alto volume de informações informações. o foco foi mantido nas premissas O dispêndio de tempo e o comprometimento da iniciais. Os objetivos foram revistos e equipe foram altos haja vista a não totalidade redefinidos, por meio de comparações da sistematização das informações, isto é, muitas financeiras, dados estatísticos, das informações capturadas produzidas por histogramas e painéis de controle, alguns departamentos da organização ainda em ou seja, a base de conhecimento fase de automação. O volume de informações estava populada e pronta para a
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    disseminação aos gestores.Com a base informação se dá justamente pelo uso eficiente Artigo 14 de conhecimento sólida e os indicadores da mesma. O equilibro das atividades diárias definidos, partimos para a mineração direcionadas para o planejamento estratégico dos dados essenciais, por meio do tornam-se diferenciais competitivos quando BI, ferramenta que contribuiu com as alinhados à busca contínua por indicadores análises comparativas e enriqueceu de avaliação de performance ligados a este nossas informações competitivas por fluxo de informação, gerando conhecimento meio da demonstração de dashboards e construindo um capital estratégico eficiente (painel de controle), agora com alto grau para a criação de uma inteligência corporativa. de maturidade. Os painéis integraram Indicadores de inteligência corporativa são variáveis financeiras, técnicas, clientes e fundamentais para avaliações contínuas do processos. O expertise dos profissionais desempenho das atividades organizacionais. especialistas em BI potencializou as A aplicação de métodos, como o BSC, são ações decisórias respondendo às eficientes neste contexto pois materializam a 120 demandas com simulações e projeções visão e a estratégia da organização. que apoiaram o plano de ação tornando o BI indispensável para admi- Pela experiência obtida com a prática do nistrar os recursos e as atividades do modelo piloto Cartão Qualidade QuickStart, Cartão Qualidade QuickStart. orientado e alinhado ao Planejamento Estratégico do ICI, pode ser apurada a importância da escolha precisa e acertiva de 3 Resultados Obtidos indicadores de desempenho, mesmo sendo trabalho árduo pelo processo inovador que Com a aplicação deste piloto de Balan- caracterizou-se na organização. ced Scorecard verificou-se que: A sistematização unificada e integrada de • O produto mantém-se competitivo e informações para a gestão, o acompanhamento com solidez na sua marca; e comparação do desempenho das metas e o • O faturamento, no período de 1 ano, controle das decisões frente às tendências em aumentou em 97,21%; geral tornou-se uma realidade no cotidiano de nossos gestores, graças às visualizações em • A expansão da rede de vendas cres- tempo real das informações desejadas. ceu, em 1 ano, em 82,80%; Ações para o processo decisório ficaram • Novos nichos de mercado foram mais claras a partir dos mapas estratégicos identificados como oportunidades de apresentados. A relação de causa-e-efeito negócio; entre as perspectivas distintas e de mesmo grau • Aumento da satisfação do cliente, no de importância foram demonstradas em um período de 1 ano, cresceu em 25%; único dashboard com os resultados pretendidos. • Melhoria relativa, impulsionada por O fortalecimento da posição competitiva foi definição de metas tipo “benchmark” obtido e a iniciativa foi adotada pelo grupo de curto prazo; gestor da organização como um novo processo Inovação contínua por meio de cria- de inovação contínua. ção/transformação de políticas, imple- mentações e avaliações de serviços/ processos para geração de valor. 5 Bibliografia BARONI, Rodrigo; MOREIRA, Norton P.; ROCHA, Renato; TERRA, José Cláudio C. Gestão de 4 Conclusão Empresas na Era do Conhecimento. Cap. 6. São Paulo: Serinews, 2004. A diferenciação das organizações no atual contexto da sociedade da COELHO, Jorge S. e MAGALHÃES, Rodrigo. Estratégia e Gestão do Conhecimento: o papel
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    do BPM. Actasda 5ª Conferência da Associação Scorecard – measures that drive Artigo 14 Portuguesa de Sistemas de Informação. Lisboa, performance. Harvard Business Review, 2004. p. 71-79, January-February 1992. CONTADOR, José Celso et al. Gestão do NONAKA, Ikujiro e TAKEUCHI, Conhecimento Aplicada à Gestão por Processos: Hirotaka. Criação do Conhecimento na identificação de funcionalidade requeridas Empresa. Como as empresas japonesas à soluções de business process management geram a dinâmica da inovação. Rio de system (BPMS). RAI – Revista de Administração Janeiro: Campus, 1997 e Inovação, São Paulo, v. 2, n.2, p. 5-18, 2005. NONAKA, Ikujiro e KONNO, Noburo. DEMING, W. E. Qualidade: a revolução da O conceito de “Ba”. Criando bases administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, para a criação do conhecimento. 1990. Califórnia Management Review, vol. FILHO, Jaime Teixeira. Gerenciando 40/spring 1998. 121 Conhecimento: como a empresa pode usar PINTO, Américo. Balanced Scorecard a memória organizacional e a inteligência para Projetos. Revista Mundo PM, n. competitiva no desenvolvimento de negócios. 02, ano 1. Rio de Janeiro. SENAC, 2000 PORTER, Michael. Competitive FILHO, Jaime Teixeira; SILVA, Ricardo; POUSA, Advantage. New York: Free Press, Marcelino. Gestão de Empresas na Era do 1995. Conhecimento. Cap. 12. São Paulo: Serinews, PROBST, Gilbert; RAUB, Steffen; 2004. HOMHARDT, Kai. Gestão do HERRERO, Emilio. Balanced Scorecard e a Conhecimento: os elementos construtivos Gestão Estratégica: uma abordagem prática. do sucesso. Porto Alegre: Bookman, Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 2002 HIKAGE, Oswaldo K.; SPINOLA, Mauro de SIMON, H. Administrative Behavior. M.; LAURINDO, Fernando J.B. Software de New York: The Free Press,1997. Balanced Socrecard: proposta de um roteiro de VISEU, Tiago. Relatório Individual: implantação. Produção, v. 16, n. 1, p. 140-160, gestão do conhecimento. Organização jan/abr 2006. e Gestão da Função Informática – KAPLAN, R.; NORTON, D. P. The Balanced OGFI 2004/2005
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    Caros Leitores eAssociados da SBGC palestrantes e autores de trabalhos científicos, bem como moderadores e painelistas de diversas mesas Estamos entregando para voces mais uma de debate aprofundaram estes temas e trouxeram edição especial da Revista GC BRASIL, excelente resultado em termos de disseminação de que sintetiza os principais momentos dos práticas e ferramentas de gestão do conhecimento. KMs Brasil 2007 e 2008. Esperamos que vocês aproveitem bem o seu conteúdo Já o KM Brasil 2008, realizado em Salvador, teve e, brevemente teremos uma biblioteca inspiração no tema “O Brasil no Contexto da Gestão organizada em nosso portal, no qual todos do Conhecimento para a Inovação”, cujo objetivo os conteúdos destes dois eventos estarão era alinhar os temas Gestão do Conhecimento disponibilizados. O KM Brasil 2007 teve & Inovação, que frequentemente ainda são por tema principal “O Conhecimento abordados como conceitos desconectados, tanto como Recurso Estratégico Agregando no âmbito empresarial como acadêmico. É preciso Valor à Organização”. O foco deste tema entender que não há inovação sem criação e era demonstrar para nossas organizações aplicação do conhecimento, e da mesma forma, de privadas e públicas a importância de nada adianta um enorme esforço organizacional tratar o conhecimento como um (novo) para gerenciar conhecimento, se no final isto tudo ativo, de caráter intangível, que se não resultar em inovação, esta sim percebida manifesta através da gestão de ambientes pelo cliente, que não entende o que é gestão do colaborativos nos quais as pessoas podem conhecimento, por ser um processo mais endógeno. criar e interagir conhecimento pessoal, Destacaram-se as palestras internacionais de transformando assim o trabalho num Soumodip Sarkar sobre inovação; de Kent processo de aprendizado coletivo. Greenes sobre compartilhamento de conhecimento Portanto, o resultado final agrega um nos ambientes de trabalhos; e de Pierre Fayard valor que o cliente sabe apreciar, através sobre um modelo de Gestão do Conhecimento da inovação, e valorar o produto/serviço, baseado na cultura japonesa. Deve-se destacar atingindo assim a competitividade no também as dezenas de autores que contribuíram mercado (empresa privada) ou cumprindo com trabalhos científicos e as mesas de debate que a sua razão de ser (empresa pública). focalizaram temas pertinentes ao foco principal do Neste sentido, tivemos algumas palestras congresso. que trouxeram muitas luzes sobre este Portanto, nesta revista voces terão a recuperação tema, como a abordagem de Redes Sociais e memória de várias propostas e idéias que (Ana Neves) de Portugal, que demonstrou evoluíram nos dois últimos anos e que evidenciam o como a utilização dos ambientes 2.0 da grau de maturidade com que nossas organizações Internet podem ser ferramentas essenciais e profissionais vão evoluindo nos conceitos e para construir redes de conhecimento práticas de Gestão do Conhecimento, hoje uma das nas organizações. Esta abordagem foi áreas de gestão consideradas prioritárias pelos complementada pelo segundo palestrante executivos das grandes corporações mundiais e internacional, que mostrou uma nova visão nacionais. da gestão do conhecimento, a partir da postura de seus dirigentes e gestores como Boa leitura e aplicação prática das idéias para mobilizadores do conhecimento. Outros todos! Heitor J. Pereira Presidente da SBGC - Gestão 2007-2009
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