L i ç õ e s B í b l i c a s
4º trimestre 2017
Seguidores
de CristoTestemunhando numa Sociedade em Ruínas
Professor
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Professor
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2358-8136
Professor
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Lição 1
Relevantes como o sal, resplandecentes como a luz				 3
Lição 2
A cosmovisão cristã em um mundo de vãs ideologias			 10
Lição 3
O problema da fome no mundo contemporâneo				 17
Lição 4
O cristão diante da pobreza e da desigualdade social		 	 23
Lição 5
Refugiados: um problema da atualidade?		 	 		 30
Lição 6
Lidando com o preconceito e a discriminação				 37
Lição 7
Política e corrupção na perspectiva cristã					 44
Lição 8
A resposta cristã para a violência urbana					 51
Lição 9	
Em tempos de violência cibernética					 58
Lição 10
Os perigos e as oportunidades das redes sociais 				 64
Lição 11
Sabedoria divina para interagir com os meios de comunicação 		 72
Lição 12
A educação secular em tempos trabalhosos				 80
Lição 13
E agora, como viveremos na sociedade de consumo?		 	 87
Lição 14
A importância do ensino cristão no mundo atual		 		 92
SEGUIDORES DE CRISTO
Testemunhando numa Sociedade em Ruínas
Comentarista: Valmir Nascimento 4º trimestre 2017
4º trimestre 2017
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ASSEMBLEIAS DE DEUS
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SEGUIDORES DE CRISTO
Testemunhando numa
Sociedade em Ruínas
Neste trimestre, estudaremos a
relevância de sermos “sal” e “luz” nesse
tempo. Fomos salvos por Cristo para
fazer a diferença na vida das pessoas
que estão precisando do socorro e da
ajuda da Igreja: são os refugiados, os
desvalidos que sofrem com a fome
e a miséria, vítimas de preconceito
e violência, etc. Como discípulos de
Cristo, precisamos revelar a nossa fé a
estes, fazer a diferença em suas vidas
e ser “sal fora do saleiro”.
Jesus, no célebre Sermão do Mon-
te, enfatizou que nós, seus discípulos
somos sal e luz nesta Terra (Mt 5.13-16).
Esta responsabilidade não é somente
para a liderança da igreja, mas é nossa.
Ela tem ecoado em sua vida?
Estamos vivendo dias difíceis, um
tempo de caos político, econômico,
ético e social sem precedentes em
nossa nação e no mundo. Um tempo
de aflição e desigualdades. Mas, não
podemos nos intimidar, precisamos
continuar levantando a bandeira de
Cristo, trazendo equilíbrio e luz para
a nossa nação e o mundo. Fomos
chamados, como Igreja, para fazer a
diferença.
Que Deus o abençoe.
Até o próximo trimestre.RIO DE JANEIRO
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Comentarista
Valmir Nascimento
Redatora
Telma Bueno
Designer, Diagramação e Capa
Suzane Barboza
Fotos
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JOVENS 3
RELEVANTES COMO O
SAL, RESPLANDECENTES
COMO A LUZ
SÍNTESE
O viver cristão autêntico é
capaz de fazer uma diferença
substancial na sociedade, não
por meio de palavras, mas
através de ações verdadeiras.
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Mc 9.49
Salgados com fogo
TERÇA – Pv 4.18
A vereda dos justos brilha
QUARTA – Jo 1.7
Dando testemunho da luz
QUINTA – Jo 1.9
A luz que ilumina todos os
homens
SEXTA – Jo 8.12
A luz dissipa as trevas
SÁBADO – Tg 1.17
Deus, o Pai das Luzes
LIÇÃO
101/10/2017
TEXTO DO DIA
“Assim resplandeça a vossa
luz diante dos homens, para
que vejam as vossas boas
obras e glorifiquem o vosso
Pai, que está nos céus.”
(Mt 5.16)
4 JOVENS
Prezado(a) professor(a), enquanto educadores, temos a nobre
tarefa de preparar a juventude cristã para viver como sal e
luz em um mundo caído, onde impera o engano, a violência,
a injustiça e muitos outros tipos de maldades que brotam
do coração humano. Nesta aula introdutória, apresente aos
alunos a síntese do conteúdo da revista, enfatizando – com
base no sumário – os temas que trabalharemos ao longo do
trimestre. Explore nesta aula inaugural o conceito de rele-
vância e integridade da fé cristã. Ao final da lição, os jovens
devem estar cônscios de que a espiritualidade cristã, inclusive
da vertente pentecostal, pode ser útil para a sociedade, caso
o povo de Deus viva integralmente o Evangelho e aplique os
princípios bíblicos a todas as esferas da sociedade.
Tenha um trimestre proveitoso e abençoador!
Estamos iniciando uma nova lição da Escola Bíblica Domi-
nical sob o título “Seguidores de Cristo: Testemunhando
numa Sociedade em Ruínas”. As aulas deste trimestre serão
desafiadoras, pois teremos a oportunidade de aprender e
discutir a respeito dos diversos temas que emergem na
sociedade contemporânea. Falaremos sobre questões nacio-
nais, internacionais, políticas, econômicas e muitos outros
assuntos que fazem parte do nosso cotidiano, a respeito dos
quais somos chamados a dar respostas contundentes à luz
das Escrituras e das convicções cristãs.
Aproveite estas lições para instigar os alunos a serem relevan-
tes e resplandecentes nesses tempos trabalhosos (2 Tm 3.1).
“Fazer a diferença” não pode ser um mero bordão religioso,
e sim o resultado do efetivo testemunho cristão.
O comentarista das lições, Valmir Nascimento, é ministro do
evangelho, jurista, mestre em Teologia, professor universitário,
colunista do portal CPAD News e escritor. Ele é membro da
Assembleia de Deus em Cuiabá/MT.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
•	RECONHECER o poder do Evangelho para transformar a
realidade social;
•	EXPLICAR o que significa o cristão ser o “sal da terra”;
•	SABER o sentido de ser “luz do mundo”.
JOVENS 5
2. Comissão cultural. Depreendemos
da declaração de Jesus que ser sal e luz
não é mera faculdade conferida à sua
Igreja, é imperativo. Além da Grande
Comissão (Mc 16.15), pela qual a comu-
nidade cristã recebeu a incumbência de
proclamar o evangelho e fazer discípulos,
foi-nos outorgada também a comissão
cultural – a chamada para salgar e ilu-
minar a cultura do mundo. Isso significa
tanto confrontar as culturas que se
opõem ao evangelho, quanto produzir
cultura de qualidade, para exaltação do
nome do Senhor. Tal determinação está
em sintonia com o mandamento que o
I – COMISSIONADOS PARA
TRANSFORMAR O MUNDO
1. A riqueza da metáfora. No contexto
do Sermão da Montanha, logo após falar
sobre as beatitudes, Jesus declarou que
os seus discípulos são o “sal da terra” e
a “luz do mundo” (Mt 5.13-16). Ensinador
por excelência, o Mestre valeu-se de
metáfora, extraída das práticas comuns à
vida, para transmitir um rico ensinamento
a respeito do testemunho cristão no
ambiente social. A alegoria empregada
nos fala sobre um aspecto essencial da
missão da Igreja na Terra: a sua presença
ativa e transformadora na sociedade.
INTRODUÇÃO
Jesus foi contundente ao dizer que os seus discípulos eram o sal da terra
e a luz do mundo (Mt 5.13-16). Passados mais de dois mil anos após o
Mestre proferir essa majestosa declaração, a responsabilidade que dela
se extrai continua a ecoar sobre a vida dos seus seguidores. No decorrer
deste trimestre, estudaremos a respeito de vários temas que evocam a
aplicação dessa alegoria. Vivendo em tempos de caos, em meio a injusti-
ças, desigualdades e conflitos, a Igreja é chamada a fazer a diferença e a
testemunhar, diante dos homens, a relevância da fé cristã.
Nesta primeira lição, aprenderemos acerca do comissionamento que re-
cebemos do Senhor para fazermos a diferença no mundo, mesmo dentro
de uma cultura decadente.
COMENTÁRIO
TEXTO BÍBLICO
15	 nem se acende a candeia e se coloca
debaixo do alqueire, mas, no velador,
e dá luz a todos que estão na casa.
16	 Assim resplandeça a vossa luz diante
dos homens, para que vejam as vossas
boas obras e glorifiquem o vosso Pai,
que está nos céus.
Mateus 5.13-16
13	 Vós sois o sal da terra; e se o sal for
insípido, com que se há de salgar?
Para nada mais presta, senão para se
lançar fora e ser pisado pelos homens.
14	 Vós sois a luz do mundo; não se pode
esconder uma cidade edificada sobre
um monte;
6 JOVENS
Criador deu ao primeiro casal para su-
jeitar a terra e dominar sobre as demais
criaturas (Gn 1.28). Surge daí a responsa-
bilidade ética e espiritual de cuidarmos
da criação de Deus de maneira zelosa,
o que compreende aplicar os valores e
princípios bíblicos em todos os setores
da sociedade.
3. O poder impactante do Evange-
lho em tempos sombrios. Apesar de
vivermos em uma cultura decadente,
caótica e sombria, o povo de Deus é
capaz de testemunhar a graça divina e
transformar a realidade social, política
e econômica da presente era. Tal trans-
formação se dá primeiramente com a
correta compreensão de que o mundo
jaz no maligno (1 Jo 5.19), mas não lhe
pertence. O deus deste século cegou o
entendimento dos incrédulos (2 Co 4.4).
O Inimigo de Deus, depois da Queda,
intrometeu-se na Criação e agora tenta
subjulgá-la. Entretanto, com a morte e a
ressurreição de Jesus Cristo, o Criador
contra-atacou mostrando que intervém
e que tem o controle da História. Além
disso, Ele nos comissionou para fazer
a sua obra. Assim vivendo a dimensão
presente do Reino, o povo de Deus pode
influenciar o mundo com o poder do
evangelho (Rm 1.16).
Pense!
A verdade do Evangelho não está
confinada ao ambiente da Igreja.
Ela abrange cada centímetro do
universo.
Ponto Importante
Apesar de vivermos em uma cultura
decadente, caótica e sombria, o povo
de Deus é capaz de testemunhar a
graça divina e transformar a reali-
dade social, política e econômica da
presente era.
II – RELEVANTES COMO O SAL
1. “Vocês são o sal da terra”. O sal é
um elemento útil na culinária. Podemos
usá-lo tanto para dar sabor quanto para
conservar os alimentos. Ao dizer que
os discípulos são o sal da terra, Jesus
destaca o papel relevante que podemos
exercer em seu nome na sociedade.
Quando o evangelho é pregado e vivido
em toda a sua pureza, a Igreja torna-se
o tempero gracioso para um mundo
decadente (Ef 3.10,11; 1 Pe 2.9).
Imagine como seria a história da
humanidade sem o tempero dos cren-
tes sobre a face da terra? Através dos
séculos, encontramos vários exemplos
da influência transformadora da Igreja
no mundo: a Reforma Protestante foi
um marco divisor da história mundial; o
Avivamento Wesleyano do Século XVIII
afetou poderosamente a história e a
cultura britânica; o Avivamento Pente-
costal moderno iniciado na Rua Azusa
tem promovido, até hoje, resultados
extraordinários para a civilização. Todos
esses eventos demonstram que Deus se
importa com a história e nela intervém
com a sua soberana vontade.
2. Cadê o sabor do sal que estava
aqui? “E se o sal for insípido, com que
se há de salgar? Para nada mais presta
senão para se lançar fora, e ser pisado
pelos homens” (v. 13). Aqui o Mestre
adverte do perigo de se perder a es-
sência do sal. Quando possui sabor,
o cristianismo é realmente útil para
atender às diversas necessidades do
homem. Porém, insípido, se resume à
mera religiosidade formal, inútil para pro-
mover qualquer mudança. Guarda-nos,
Deus, de perdemos o sabor de Cristo
em nossas vidas, tornando-nos servos
inúteis (Mt 25.30) ou árvores infrutíferas
JOVENS 7
(Jo 15.1). Devemos estar temperados
com a graça!
3. Não confunda! Não é correto
associar relevância social da Igreja
com o seu crescimento numérico, pois
nem sempre quantidade representa
qualidade espiritual. Se o aumento da
população evangélica não for fruto de
genuíno avivamento pela Palavra, não
haverá testemunho público impactante.
Por outro lado, mesmo em pequena
quantidade, cristãos comprometidos
com o Reino fazem a diferença onde
estiverem, assim como ocorreu com a
Igreja Primitiva. Apesar de ser minoria,
cheios do Espírito Santo, os crentes do
primeiro século davam grande testemu-
nho da fé em Cristo (At 4.33).
Relevância também não significa
ativismo social e político dos crentes. A
utilidade cristã na esfera pública ocorre
de maneira natural, como consequência
da vivência contínua e duradoura dos
discípulos sob o senhorio de Cristo.
Afinal, a Igreja não é uma organização,
é um organismo vivo (1 Co 12.12)!
Cabe realçar, por fim, que a busca por
relevância social jamais pode nos fazer
esquecer da vocação evangelística da
Igreja (Lc 9.2; 1 Co 9.16). A transformação
social somente ocorre após a redenção
das pessoas a Cristo!
Pense!
Na perspectiva cristã, não existe
transformação social sem trans-
formação individual.
Ponto Importante
Não é adequado associar rele-
vância social da igreja com o seu
crescimento numérico, pois nem
sempre quantidade representa
qualidade espiritual.
III – RESPLANDECENTES COMO
A LUZ
1. Devemos ser como “astros” no
mundo. Na Física, luz é uma onda ele-
tromagnética. Mas, fique tranquilo. Certa-
mente não era sobre isso queJesus estava
se referindo quando disse que os seus
discípulos são a luz do mundo. O Mestre
tinha em mente a função iluminadora,
resplandecente da luz. O princípio aqui
aduzido é de que a comunidade cristã é
o luzeiro moral e espiritual de Deus neste
mundo tenebroso. Em meio às trevas
morais que empalidecem e ofuscam a
vida contemporânea, a Igreja faz raiar o
brilho da esperança. Com efeito, nosso
compromisso com Cristo deve nos levar
a viver de uma maneira tal que sirva
de modelo para as demais pessoas. O
apóstolo Paulo expressou essa verdade
ao dizer que devemos ser “irrepreensíveis
e sinceros, filhos de Deus inculpáveis,
no meio de uma geração corrompida e
perversa, entre a qual resplandecemos
como astros no mundo” (Fp 2.15).
2. Não esconda a sua luz! Para cum-
prir a sua finalidade, a lâmpada não
pode ficar escondida. Ela precisa ser
posta em local propício para que suas
ondas se propaguem em todas as di-
reções. Igualmente, os filhos de Deus
são chamados a reluzir amplamente,
fazendo-se notar em todos os seg-
mentos. Ao restringirmos a dimensão
da nossa espiritualidade somente aos
limites da Igreja e do lar, escondemos
a luminosidade que resplandeceu em
nossos corações (2 Co 4.6) e sobre a qual
é-nos exigido testificar. Se a nossa vida
é completamente iluminada pelo Se-
nhor, não tendo trevas em parte alguma
(Lc 11.36), então o brilho da nossa fé é
igualmente integral e abrangente, capaz
8 JOVENS
“A Influência Deles (5.13-16)
Jesus usou dois símbolos para
descrever a influência que os cristãos
têm sobre uma sociedade não cristã.
O primeiro foi o sal, e o segundo, a luz.
a) Como o Sal (5.13). O sal possui
dois usos - dar gosto e conservar.
1) Alimentos como mingau de aveia
ou molhos são muito desagradáveis
ao paladar sem sal. Durante a Idade
Média, na Europa, quando as pessoas
preparavam a maior parte de seu pró-
prio alimento, elas ainda tinham que
viajar para os mercados anuais para
comprar sal. O sal era considerado um
ingrediente absolutamente essencial.
Dessa mesma forma, a vida sem Cristo e
sem o cristianismo é insuportavelmente
insípida. Assim como Cristo revitalizou
e deu gosto à vida do crente, cada
discípulo, por sua vez, deve fazer o
mesmo pela vida de outros.
2) O sal conserva. Antes do advento
das caixas de gelo e dos modernos
refrigeradores, o sal era um dos princi-
pais meios de conservar os alimentos.
Quando peixes eram transportados no
lombo de burros por cento e sessenta
quilômetros de Cafarnaum até Jeru-
salém, eles tinham que ser abundan-
temente salgados. Assim, o seguidor
de Cristo deve agir como um conser-
vante no mundo. Não se pode deixar
de imaginar o que aconteceria com a
sociedade moderna, com toda a sua
podridão moral, se não fosse a presença
da igreja cristã” (Comentário Bíblico
Beacon. Vol. 6: Mateus a Lucas. 1.ed.
Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.56,57).
SUBSÍDIOde alumiar o mundo além da religião, o
que inclui as grandes áreas de influência
do mundo: economia, comércio, direito,
meios de comunicação, artes, educação,
governo e política.
3. Luz Pentecostal. É significativo
observar que o símbolo do batismo com
o Espírito Santo e do pentecostalismo
é o fogo, em alusão a Atos 2.3. Além de
aquecer, a chama irradia luz. Consequen-
temente, a espiritualidade pentecostal
não se restringe a um gueto religioso; ela
é capaz de impactar o mundo no poder
do Espírito Santo e fornecer uma visão
distinta sobre a sociedade, iluminando-a.
Podemos afirmar que a fé pentecostal
tem sempre algo a dizer, seja nos de-
graus do templo de Jerusalém (At 2) ou
no Areópago de Atenas (At 17).
4. Resplandecentes para a glória de
Deus. Jesus concluiu o ensino a respeito
do sal e da luz enfatizando o propósito
final do testemunho relevante dos discí-
pulos diante dos homens: “ (...) para que
vejam as vossas boas obras e glorifiquem
o vosso Pai, que está no céu”. Fica claro
que a iluminação cristã no mundo não
é algo para a autoglorificação da Igreja.
Esta não existe para atrair os holofotes
da fama, mas para ser como o farol, que
irradia luz e serve como norte para as
pessoas, para a glória de Deus!
Pense!
A chama pentecostal, ao tempo
em que aquece a vida espiritual
das pessoas, irradia o brilho de
Cristo diante dos homens.
Ponto Importante
A Igreja não existe para atrair os
holofotes da fama, mas para ser
como o farol, que irradia luz e
serve como norte para as pesso-
as, para a glória de Deus!
Comentário Bíblico Beacon. Vol. 6: Mateus a Lucas. 1.ed.
Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 A metáfora empregada por Jesus a respeito do sal e da luz fala sobre qual aspecto
da missão da Igreja na Terra?
Sobre a sua presença ativa e transformadora na sociedade.
2.	De acordo com a lição, o que é a comissão cultural da Igreja?
A chamada para salgar e iluminar a cultura do mundo.
3.	Cite três exemplos da influência transformadora da Igreja na sociedade.
A Reforma Protestante, o Avivamento Wesleyano do Século XVIII e o Avivamento
Pentecostal moderno iniciado na Rua Azusa.
4.	Por que não é correto associar relevância social da Igreja com o seu crescimento
numérico?
Porque nem sempre quantidade representa qualidade espiritual. Se o aumento
da população evangélica não for fruto de genuíno avivamento pela Palavra (Hb
3.2), não haverá testemunho público impactante.
5.	Qual o propósito final do testemunho relevante dos discípulos diante dos homens?
A glória de Deus.
HORA DA REVISÃO
O intuito desta lição introdutória foi explicitar o significado da metáfora de Jesus
sobre o sal e a luz. A alegoria enfatiza a presença ativa e transformadora da Igreja na
sociedade. O sal preserva e dá paladar; representando a relevância cristã no mundo.
A luz resplandece nas trevas, em alusão ao testemunho moral e espiritual dos crentes
diante dos homens. Com base nessas premissas, nas lições seguintes veremos como a
fé cristã encara e responde aos vários problemas sociais, éticos e políticos que flores-
cem nestes tempos de crise e calamidade moral. Embora o cenário seja sombrio, não
há motivos para desespero. Afinal de contas, além de encontrarmos nas Escrituras as
respostas para as questões da atualidade, nossa esperança está em Cristo!
CONCLUSÃO
10 JOVENS
SÍNTESE
Desenvolver uma visão de
mundo essencialmente cristã
é crucial para discernir a von-
tade de Deus em uma época
cheia de ideologias vãs.
TEXTO DO DIA
“E não vos conformeis com
este mundo, mas transformai-
vos pela renovação do vosso
entendimento, para que
experimenteis qual seja a boa,
agradável e perfeita vontade
de Deus.” (Rm 12.2)
LIÇÃO
208/10/2017
A COSMOVISÃO CRISTÃ
EM UM MUNDO DE VÃS
IDEOLOGIAS
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Gn 1—2
A Criação
TERÇA – Gn 3
A Queda
QUARTA – Gn 3.15
A Redenção
QUINTA – At 17.18
Paulo enfrenta as ideologias
da sua época
SEXTA – Ef 4.23
Renovação da mente
SÁBADO – At 17.28
O sentido da cosmovisão
cristã
JOVENS 11
Prezado professor, no decorrer do trimestre utilizaremos em
várias oportunidades – implícita ou explicitamente – a palavra
cosmovisão. Por isso, é importante que os seus alunos sejam
familiarizados com este termo (Tópico 3). Cosmovisão é uma
visão de mundo; a forma como enxergamos intelectualmente
as coisas e os acontecimentos à nossa volta. Sendo assim,
cosmovisão cristã é a compreensão de todas as coisas a par-
tir da perspectiva bíblica; a leitura da realidade através das
lentes das Escrituras Sagradas e da vontade de Deus. A visão
de mundo cristã se direciona por três pressupostos bíblicos
básicos, que respondem às grandes questões da humanidade,
conforme sintetizados no quadro a seguir:
A juventude é a fase dos sonhos e dos grandes ideais de
vida. Nesse período existencial, é comum se interessar e até
mesmo aderir a alguma causa social ou sistema político. Até
certo ponto, não há nenhum problema nisso, contanto que
a ideia central de tal sistema não seja incompatível com as
doutrinas da fé cristã. O fato é que vivemos em um momento
de pluralismo e diversidade, em que se multiplicam pontos
de vistas, teorias, doutrinas e religiões de todos os tipos e
origens. Em meio a isso, como separar o joio do trigo? Este
é o tema desta lição.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
•	EXPLICAR o conceito de ideologia;
•	REFLETIR a respeito das características das ideologias
contrárias ao Evangelho;
•	SABER como formar uma mentalidade essencialmente cristã.
COMO TUDO COMEÇOU?
DE ONDE VIEMOS?
O QUE DEU ERRADO? QUAL
É A FONTE DO MAL E DO
SOFRIMENTO?
O QUE FAZER A RESPEI-
TO? COMO CONSERTAR O
MUNDO?
Deus criou todas as coisas
em perfeição, inclusive o
ser humano (Gn 1.26). Ele
é a fonte exclusiva de toda
a ordem criada, tanto das
leis da natureza quanto da
natureza humana.
Em virtude da
desobediência, do pecado
original, o homem afastou-
se de Deus. O ser humano e
a natureza foram afetados
pela Queda, provocando o
mal e a desordem.
Quando Deus nos redime,
Ele nos liberta da culpa e do
poder do pecado, e restaura
nossa plena humanidade.
Além do aspecto salvífico,
a redenção atinge a vida
humana como um todo.
12 JOVENS
I – UM MUNDO MOVIDO POR
IDEIAS E IDEAIS
1. Ideologia e seu sentido. Diariamente,
as pessoas são compelidas a decidirsobre
uma série de coisas ou a se pronunciar
a respeito dos mais variados temas que
emergem na sociedade. Tais ações não
são adotadas em completa neutralidade.
Um dos aspectos que moldam a conduta
e a opinião de alguém, especialmente nos
temas mais complexos, é a sua ideologia.
Em linhas gerais, os dicionários definem
“ideologia” como o conjunto de ideias,
convicções e princípios filosóficos, sociais,
políticos que caracterizam o pensamento
de um indivíduo ou grupo social. A ideo-
logia é um elemento crucial em qualquer
visão de mundo, pois fornece as crenças
básicas e estabelece os ideais de vida de
uma pessoa.
2. Ideias e consequências. “Ideias
têm consequências” é a frase que me-
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Sabemos que a sociedade atual é dominada por ideologias incompatíveis
com o evangelho. Tais formas de pensamento negam a soberania de Cristo
e tentam substituir os valores cristãos por concepções secularizadas do
mundo. Saber, portanto, como elas funcionam e quais são os seus funda-
mentos é crucial para o crente não ser enredado por engodos e vãs sutilezas.
Nesta lição, além do conceito de ideologia e as características que contradizem
a fé cristã, veremos como formar uma mentalidade essencialmente cristã,
uma visão de mundo abrangente, pela qual possamos discernir as vozes do
nosso tempo e refutar os sistemas de ideias incompatíveis com as Escrituras.
TEXTO BÍBLICO
Romanos 12
1 	 Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão
de Deus, que apresenteis o vosso corpo
em sacrifício vivo, santo e agradável a
Deus, que é o vosso culto racional.
2	 E não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos pela renovação
do vosso entendimento, para que ex-
perimenteis qual seja a boa, agradável
e perfeita vontade de Deus.
Colossenses 2
4 	 E digo isto para que ninguém vos
engane com palavras persuasivas.
5 	 Porque, ainda que esteja ausente
quanto ao corpo, contudo, em espírito,
estou convosco, regozijando-me e
vendo a vossa ordem e a firmeza da
vossa fé em Cristo.
6 	 Como, pois, recebestes o Senhor Jesus
Cristo, assim também andai nele,
7 	 arraigados e edificados nele e con-
firmados na fé, assim como fostes
ensinados, crescendo em ação de
graças.
8 	 Tende cuidado para que ninguém vos
faça presa sua, por meio de filosofias e
vãs sutilezas, segundo a tradição dos
homens, segundo os rudimentos do
mundo e não segundo Cristo;
JOVENS 13
lhor explica o caráter orientador das
ideologias, seja de forma individual ou
coletiva. Jesus afirmou que uma árvore é
conhecida pelos seus frutos (Mt. 7.15-20).
Assim como árvores ruins não podem
dar bons frutos, ideologias maléficas,
portadoras de visões distorcidas acer-
ca da humanidade e da moralidade,
não podem dar bons resultados para
a sociedade; ao contrário, elas trazem
prejuízos e levam ao caos social. Por
esse motivo, devemos ter cautela e
discernimento para não nos tornarmos
presas de ideologias desvirtuadas, por
meio de filosofias e vãs sutilezas, segun-
do a tradição dos homens, segundo os
rudimentos do mundo (Cl 2.8).
Pense!
Ideologia não é algo puramente
teórico. Tem consequência
prática na vida das pessoas.
Ponto Importante
A ideologia é um elemento
crucial em qualquer cosmovisão,
pois fornece as crenças básicas e
estabelece os ideais de vida.
II – CARACTERÍSTICAS DAS
IDEOLOGIAS CONTRÁRIAS AO
EVANGELHO
1. Idolatram algo dentro da criação.
O ponto comum a todas as ideologias
contrárias ao Evangelho é a ênfase
excessiva a algum aspecto da criação,
o que faz surgir um tipo de idolatria
(Êx 20.3; Rm 1.25; 1 Co 10.7). Tal ocorre
quando se valoriza mais a liberdade
(individualismo), a nação (nacionalismo),
o dinheiro (capitalismo), a propriedade
comum (socialismo) ou o meio ambiente
(ambientalismo), por exemplo, acima
de Deus, crendo que tais elementos,
por si sós, possam proporcionar pros-
peridade, segurança e salvação para
o homem.
Ainda que possam expressar dese-
jos legítimos, a devoção demasiada a
cada um desses aspectos equipara-se
à idolatria. Afinal, compreendemos que
o pecado de idolatria se expressa não
somente pela adoração aos deuses fei-
tos de pedra ou madeira, mas também
pela veneração a ideias e doutrinas
humanas, que possam levar a um estilo
de vida correspondente (Sl 115.8). Nesse
aspecto, cabe o alerta paulino para fugir
da idolatria (1 Co 10.14). Não se deixe
enganar por ideias que têm aparência
de piedade (2 Tm 3.5) e dizem defender
o bem, mas no fundo estão cheias de
mentiras (Jo 8.44).
2. Negam a realidade do pecado. As
ideologias mundanas negam os efeitos
do pecado, ao dizer que a natureza hu-
mana é essencialmente boa. O filósofo
francês do Século XVIII Jean-Jacques
Rousseau dizia que o homem nasce
bom, mas a sociedade o corrompe. Tal
concepção, além de defender a comple-
ta liberdade e autonomia do indivíduo,
como forma de libertação das instituições
da sociedade, especialmente família e
igreja, leva a uma visão utópica da reali-
dade, na qual acredita ser possível criar
uma sociedade perfeita nesse mundo,
bastando estabelecer as estruturas eco-
nômicas e sociais adequadas. O utopismo
não se coaduna com as bases cristãs,
pois sabemos que os problemas deste
mundo, embora possam ser remediados
pela lei e pelos bons costumes, nunca
serão solucionados completamente,
diante da falibilidade humana. Depois
da Queda, nos tornamos falhos e pre-
cisamos de regeneração, por isso o
14 JOVENS
teólogo holandês Jacó Armínio afirmou
ser necessário uma renovação do nosso
intelecto, afeições ou vontade.
3. Descreem no mundo espiritual.
A ideologia materialista não concebe
a existência de algo além da matéria,
assim como rejeita a concepção bíblica
sobre os eventos escatológicos, tais
como a volta de Jesus (1 Ts 4.16,17), o
julgamento dos pecadores (Ap 20.11) e
a eternidade (Êx 15.18). Pense no perigo
que essa ideia representa. Se não existe
nada além do que podemos enxergar, a
vida não tem propósito e o ser humano
não deve prestar contas de seus atos a
ninguém. Fiódor Dostoiévski escreveu:
“Se Deus não existe, tudo é permitido”.
Nessa mentira diabólica está a justifi-
cação para o hedonismo, o liberalismo
moral, o antropocentrismo e todo tipo
de “ismo” iníquo, destruidor da moral e
dos bons costumes.
Contradizendo a natureza e a narrativa
bíblica (Gn 1.27), a mundana “ideologia de
gênero”, por exemplo, apregoa que os
dois sexos – masculino e feminino – são
construções culturais e sociais, razão pela
qual cada pessoa tem o direito de fazer a
sua opção sexual (gênero). É uma prova
do poder devastador das ideologias de-
fendidas pelos ímpios. Paulovaticinou que
o “fim deles é a perdição, o deus deles é
o ventre, e a glória deles é para confusão
deles mesmos, que só pensam nas coisas
terrenas” (Fp 3.19). Mas nós pensamos nas
coisas que são de cima! (Cl 3.2).
Pense!
Enquanto as ideologias são
concebidas pelos homens,
as verdades da fé cristã
são reveladas por Deus. O
cristianismo, por isso, não é uma
ideologia.
Ponto Importante
Se não existe nada além do que
podemos enxergar, a vida não
tem propósito e o ser humano
não deve prestar contas de seus
atos a ninguém.
III – MENTES RENOVADAS PARA
UM MUNDO CHEIO DE IDEOLO-
GIAS VÃS
1. Inconformados com o mundo.
Diante de um contexto repleto de filoso-
fias e ideologias nocivas à fé cristã, é pre-
ciso vivenciar na íntegra a recomendação
paulina para não nos conformarmos (gr.
syschematizesthe) com este mundo (Rm
12.2a). O sentido deste aconselhamento
é que não nos amoldemos à forma, ao
modelo, ao esquema do mundo. Nesta
passagem, a palavra “mundo” não se
refere às pessoas ou ao universo físico,
e sim ao sistema filosófico, ideológico
e espiritual fomentado pelo deus deste
século e pela carne, em oposição à von-
tade de Deus. Nesse aspecto, expressou
A. W Tozer: “A cruz ergue-se em ousada
oposição ao homem natural. Sua filosofia
é contrária aos processos da mente não
regenerada”.
Não permita que o mundo à sua
volta e as tendências da presente época
definam o seu modo de viver. Mantenha
a sua identidade, ainda que a maioria o
ridicularize por suas convicções cristãs!
2. Transformação permanente. O
aconselhamento bíblico não se encerra
no inconformismo. Além de rejeitar o
costume do mundo, o salvo em Cristo
deve ser transformado (gr. metamor-
phos). Isto ocorre primeiramente com a
nova vida (Rm 6.4), mas deve prosseguir
como uma prática constante (2 Co 3.18).
É um processo contínuo, como explica
o Comentário Beacon: “Transformai-vos
JOVENS 15
“Em anos recentes, todas as gran-
des proposições avançadas durante o
século XIX caíram, uma por uma, como
soldadinhos de brinquedo. O século XX
foi a era da ideologia, dos grandes “is-
mos”: comunismo, socialismo, nazismo,
liberalismo etc. Em todos os lugares, os
ideólogos alimentaram visões de criar
uma sociedade ideal com um esquema
utópico. Mas hoje todas as grandes cons-
truções ideológicas estão jogadas nos
montes de cinzas da história. Tudo o que
resta é o cinismo do pós-modernismo,
com suas afirmações falidas de que não
existe verdade objetiva ou significado,
que somos livres para criar a nossa
própria verdade, enquanto entendemos
que tal teoria nada mais é do que um
sonho subjetivo, uma ilusão confortante.
Enquanto as ideologias reinantes esmi-
galham-se, as pessoas são pegas diante
de um impasse: tendo acreditado que a
autonomia individual era o santo graal
que as levaria à libertação, elas agora
veem que foram levadas apenas para
o caos moral e a coerção do Estado. O
tempo está maduro para a mensagem
em que a paz social e a satisfação
pessoal que as pessoas realmente
almejam estão disponíveis somente
no Cristianismo. A igreja se manteve
inabalável através do fluxo e refluxo
de dois milênios. Ela tem sobrevivido
à perseguição dos primeiros séculos, à
invasão dos bárbaros e da idolatria da
Idade Média e aos assaltos intelectuais
da era moderna. Suas paredes sólidas
soerguem-se acima das ruínas espa-
lhadas através da paisagem intelectual.
Deus nos livre que nós, herdeiros de
santos e mártires, venhamos a falhar
neste momento primordial”(COLSON, C.;
PEARCEY. E Agora, Como Viveremos?
2.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p.360).
SUBSÍDIOtem a força de ‘continuem sendo trans-
formados’. Ao invés de nos entregarmos
às influências que tendem a nos moldar
à semelhança das coisas que estão ao
nosso redor, devemos, dia após dia,
empreender uma mudança na direção
oposta”.
3. Em direção a uma cosmovisão
cristã. A transformação a que Paulo
alude se dá pela renovação da mente.
Enquanto cristãos, somos conclama-
dos a desenvolver uma mentalidade
eminentemente cristã, uma visão de
mundo direcionada pelo pensamento
de Deus, aplicável a todos os setores
da sociedade. Em uma sociedade cada
vez mais secularizada, renovar a mente,
moldando-a aos valores do Reino, é algo
crucial. O apóstolo Paulo expressou
isso da seguinte forma: “Porque quem
conheceu a mente do Senhor, para que
possa instruí-lo? Mas nós temos a mente
de Cristo” (1 Co 2.16). No original grego, a
palavra mente (gr. nous) significa o lugar
da consciência reflexiva, compreendendo
as faculdades de percepção e entendi-
mento, e do sentimento, julgamento e
determinação.
Pense!
“No âmago do sistema
cristão está a cruz de Cristo
com o seu divino paradoxo.
O poder do cristianismo
aparece em sua antipatia
pelos caminhos do ho-
mem decaído, jamais em
seu acordo com ele” ( A. W.
Tozer).
Ponto Importante
A vida de Jesus é o paradigma de
todo cristão, por isso raciocinar
como Ele não é uma questão de
escolha, mas de obediência.
AYRES, Antônio Tadeu. 1.ed. Reflexos da Globalização So-
bre a Igreja: Até que ponto as últimas tendências mundiais
afetam o Corpo de Cristo. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 Como se define a palavra “ideologia”?
Conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que ca-
racterizam o pensamento de um indivíduo ou grupo social.
2.	Além da adoração aos falsos deuses, como a idolatria pode se expressar?
Pela veneração a falsas ideias.
3.	Por que o utopismo não se coaduna com as bases cristãs?
Pois sabemos que os problemas deste mundo, embora possam ser remediados
pela lei e pelos bons costumes, nunca será perfeito diante da falibilidade humana.
4.	Qual o sentido do aconselhamento de Paulo em Romanos 12.1 ao dizer para não
nos conformarmos com este mundo?
Não nos amoldemos à forma, ao modelo, ao esquema do mundo.
5.	Na sua opinião, como podemos desenvolver a mente cristã?
Resposta pessoal.
HORA DA REVISÃO
Além de formar a própria lente do cristianismo, a tríade bíblica: Criação, Queda e Re-
denção nos ajuda a compreender e a refutar as ideologias não cristãs, pois toda visão
de mundo pode ser analisada pela maneira como responde a três perguntas básicas: De
onde viemos e quem somos nós (criação)? O que deu errado com o mundo (Queda)? E
o que podemos fazer para consertar isso (redenção)? A Bíblia responde plausivelmente
a todos esses questionamentos.
CONCLUSÃO
JOVENS 17
LIÇÃO
315/10/2017
SÍNTESE
Os crentes expressam a graça
e o amor divino na sociedade
quando partilham o alimento
com os famintos.
TEXTO DO DIA
“E, perseverando unânimes
todos os dias no templo
e partindo o pão em casa,
comiam juntos com alegria e
singeleza de coração.” (At 2.46)
O PROBLEMA DA
FOME NO MUNDO
CONTEMPORÂNEO
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Gn 43.1
Fome na terra
TERÇA – Am 8.11
Fome, mas não de pão
QUARTA – Mt 4.2
Jesus teve fome
QUINTA – Rm 12.20
Comida para o inimigo
SEXTA – Mc 8.1,2
Compaixão de Jesus para com
os famintos
SÁBADO – Lc 9.13
“Dai-lhes vós de comer”
18 JOVENS
Professor(a), para enriquecer o conteúdo de sua aula, utilize
os recursos pedagógicos que a CPAD dispõe no site www.
licoesbiblicas.com.br. Este é um espaço voltado exclusiva-
mente para a área de Educação Cristã, criado não só para
divulgar as revistas Lições Bíblicas, mas para dar suporte às
necessidades dos educadores e alunos da Escola Dominical.
A página contém rico material de apoio ao professor, englo-
bando subsídio da lição, ilustrações, slides para apresentação
e vídeo-aula com o comentarista. Lembre-se que o educador
dedicado complementa seu ensino com material de qualidade!
A falta de acesso à alimentação básica ainda é um grave
problema social na sociedade contemporânea. As estatísticas
são tristes: 30 mil crianças morrem de fome a cada dia, e um
terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam
atraso no crescimento físico e intelectual. Uma pessoa, a cada
sete, padece fome no mundo. Nesta lição, analisaremos esse
tema à luz das Escrituras e realçaremos aos nossos alunos,
primordialmente, que a escassez e a má divisão de comida
são decorrentes da Queda do primeiro casal. Assim o peca-
do – em suas várias faces – é o responsável por essa mazela.
Não obstante, tendo como exemplo a vida do jovem José e da
Igreja Primitiva, os cristãos da atualidade podem contribuir
para minimizar esse problema social, com sabedoria divina,
no poder do Espírito Santo.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
•	CONHECER, à luz das Escrituras, a origem da fome;
•	IDENTIFICAR a fome como um sinal dos últimos dias;
•	COMPREENDER a importância do testemunho da
Igreja por meio do partir do pão.
JOVENS 19
I – A FOME NAS ESCRITURAS
SAGRADAS
1. Origem da fome. Deus criou a Terra
com fartura, produzindo mantimento su-
ficiente para a sobrevivência do homem
(Gn 1.11,12,28,29). Antes da Queda havia
abundância, pois até então o pecado não
tinha sido introduzido no mundo. Além de
afastaro homem de Deus, a desobediência
do primeiro casal afetou toda a criação,
provocando desordem no Universo. Disse
Deus: [...] “maldita é a terra por causa de ti;
com dorcomerás dela todos os dias da tua
vida” (Gn 3.17). Desse momento em diante
o trabalho passou a ser realizado com
mais dificuldade, em virtude dos “cardos”
e “espinhos” que vieram a existir (Gn 3.18).
2. A fome e o pecado. Os efeitos da
Queda sobrepujam a escassez e as di-
ficuldades naturais. O pecado acarretou
ainda consequências danosas na natureza
humana, gerando condições sociais e
comportamentos responsáveis pelo au-
mento da fome, guerras, governos injustos,
egoísmo, ociosidade (Pv 19.15), corrupção
e consumo descontrolado (Lc 15.14). As
Escrituras relatam vários casos de fome
durante os dias deAbraão (Gn 12.10), Isaque
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Todos nós sentimos fome, aquele desejo normal por alimento e certamen-
te, esta não é uma sensação agradável, não acha? Agora imagine aquelas
pessoas que passam fome por não terem condições de adquirir o sustento
básico. No mundo atual, milhares de pessoas encontram-se nessa situação.
Nesta lição, veremos que no Gênesis está a origem da fome e da escassez
de alimentos. A Queda do homem afetou toda a ordem do universo, e
provocou esse problema que persiste até hoje, e que será um dos sinais
dos últimos dias. Mas a Igreja de Cristo tem exemplos bíblicos suficientes
para saber como enfrentar a crise de alimentos.
TEXTO BÍBLICO
Lucas 9.12-17
12	 E já o dia começava a declinar; então,
chegando-se a ele os doze, disse-
ram-lhe: Despede a multidão, para
que, indo aos campos e aldeias ao
redor, se agasalhem e achem o que
comer, porque aqui estamos em lugar
deserto.
13	 Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de
comer. E eles disseram: Não temos
senão cinco pães e dois peixes, salvo
se nós próprios formos comprar comida
para todo este povo.
14	 Porquanto estavam ali quase cinco
mil homens. Disse, então, aos seus
discípulos: Fazei-os assentar, em
grupos de cinquenta em cinquenta.
15 	 E assim o fizeram, fazendo-os assentar
a todos.
16 	 E,tomandooscincopãeseosdoispeixes
e olhando para o céu, abençoou-os, e
partiu-os, e deu-os aos seus discípulos
para os porem diante da multidão.
17	 E comeram todos e saciaram-se; e
levantaram, do que lhes sobejou, doze
cestos de pedaços.
20 JOVENS
As pessoas irão errantes de um lado para
outro,edonorteatéaooriente;correrãopor
todaaparte,buscandoaPalavradoSenhor,
mas não a acharão (Am 8.11,12). Você tem
aproveitadooseutempoparasealimentar
espiritualmente da Palavra de Deus?
Pense!
O principal motivo da fome dos
últimos dias não será a falta de
comida, mas a ausência de amor.
Ponto Importante
No sermão proferido no Monte
das Oliveiras Jesus predisse que
a fome seria um dos sinais do
tempo da sua volta.
III – A FOME NO MUNDO CON-
TEMPORÂNEO
1. Má distribuição e desperdício. Exis-
tem hoje cerca de 800 milhões de pessoas
quepassamfomenomundo,epelomenos
2 milhões sofrem de deficiências nutritivas
graves. Outro levantamento indica que
cerca de 3,5 milhões de crianças morrem
anualmente pela falta de refeição básica e
doenças relacionadas com a desnutrição.
Apesardosavançoscientíficosdacivilização
e do aumento da produção de alimentos,
as altas cifras de pessoas famintas com-
provam a má distribuição e o desperdício
de alimentos no mundo todo. O Brasilestá
entre os dez países mais impactados pela
fome. Mais de 7 milhões de brasileiros
convivemcomesseproblemae15milhões
de crianças são consideradas desnutridas.
Não sejamos indiferentes a essa situação,
ouçamos o clamor dos famintos!
2. Dando de comer aos famintos.
Diante desse cenário, aos servos de Deus
cabe testemunhar do amor cristão para
com aqueles que passam fome, pois a
fé, se não tiver as obras, é morta em si
mesma (Tg 2.17). Dar pão ao faminto é,
(Gn 26.1), José (Gn 41.56,57), Elimeleque
e Noemi (Rt 1.1), Davi (2 Sm 21.1), Elias (1
Rs 18.2), Eliseu (2 Rs 6.25) e do cerco final
de Jerusalém (2 Rs 25.3). Isso nos leva a
compreender que os problemas sociais,
incluindo a falta de comida, começam
quando os homens desobedecem a Deus!
Pense!
O propósito original de Deus é fartu-
ra e abundância para a humanidade.
Ponto Importante
A Queda ocasionou condições
sociais e comportamentos respon-
sáveis pelo aumento da fome, guer-
ras, governos injustos, egoísmo,
ociosidade, corrupção e consumo
descontrolado.
II – A FOME COMO SINAL DA
VINDA DE JESUS
1. Profecia escatológica. No sermão
proferido no Monte das Oliveiras, Jesus
predisse que a fome seria um dos sinais
do tempo da sua volta (Mt 24.7). Isso por-
que os últimos dias serão caracterizados
pelo aumento da iniquidade (Mt 24.12), o
colapso dos padrões morais (2 Tm 3.1-5) e
a operação da injustiça (2 Ts 2.7), formando
assim, juntamente com as guerras e os
terremotos, um contexto propício para a
proliferação da miséria em todo o mundo.
2.Oesfriamentodoamor.Oesfriamento
do amor (Mt 24.12) será, igualmente, um
dos principais fatores responsáveis pela
pobreza extrema que assolará aTerra nos
tempos do fim. Não havendo compaixão e
sentimentodesolidariedade,ocontingente
de pessoas sem acesso à alimentação bá-
sica, em situação de miséria, será enorme.
3. A fome e o amor de Deus. A Bíblia
também preconiza que haverá um tempo
de fome; não fome de pão, nem sede de
água, mas de ouvir as palavras do Senhor.
JOVENS 21
também, uma forma de fazer a vontade
de Deus (Mt 25.40). Lembremo-nos dos
milagres de multiplicação dos pães e
peixes operados por Jesus que se com-
padeceu da multidão faminta (Mc 6.30-44;
8.1-10; Lc 9.12-17). A ordem do Mestre aos
discípulos em relação ao povo é signifi-
cativa e continua a reverberar: “Dai-lhes
vós de comer” (Lc 9.13).
3. Pentecostalismo solidário. A Igreja
Primitiva, como vemos em Atos dos
Apóstolos, expandiu-se de uma forma
extraordinária. Após o recebimento da
virtude do Espírito, os discípulos saíram
a influenciar a sociedade, pois em todos
eles havia “abundante graça” (At 4.33).
Ao anunciarem com ousadia a Palavra
de Deus, não olvidaram de ajudar os
necessitados (At 4.34). A Bíblia retrata
isso com fidelidade ao dizer que eles
“perseveravam na doutrina dos apóstolos,
e na comunhão, e no partir do pão, e nas
orações” (At 2.42). A partilha do alimento,
portanto, não foi algo ignorado pelo pen-
tecostalismo primitivo, especialmente
com os domésticos da fé. Os primeiros
crentes viviam um pentecostalismo so-
lidário. Será que é isso que temos visto
em nossas igrejas? Estamos igualmente
preocupados com a fome das pessoas
necessitadas? Clamemos a Deus por um
despertamento integral, que envolva tanto
o mover do Espírito quanto o partir do pão.
Pense!
Antes de desperdiçar alimentos, lem-
bre-se daqueles que passam fome.
Ponto Importante
A partilha do alimento, portanto,
não foi algo ignorado pelo pen-
tecostalismo primitivo, especial-
mente com os domésticos da fé.
Os primeiros crentes viviam um
pentecostalismo solidário.
“Fome
Uma condição de extrema escas-
sez de comida. Durante uma extrema
fome em terra distante, o filho pródigo
foi trazido de volta à razão (Lc 15.14).
Uma grande fome ocorreu nos dias
do imperador romano Cláudio (At
11.28). Em seu sermão no monte das
Oliveiras, o Senhor Jesus predisse
que haverá fome durante o período
da tribulação no final dos tempos (Mt
24.7), e o Apocalipse faz alusão à fome
que virá sobre a Grande Babilônia (Ap
18.8). Uma das bênçãos para o Israel
restaurado é que não haverá mais
fome (Ez 36.29,30). Há uma referência
a pessoas, durante períodos de fome,
pagando altos preços por alimentos
intragáveis como cabeças de jumento
e esterco de pombas (2 Rs 6.25), e até
mesmo praticando o tipo mais hor-
rendo de canibalismo (Dt 28.53-57; 2
Rs 6.28,29). Evidentemente, nos dias
bíblicos as causas naturais responsá-
veis pela fome eram principalmente
a seca (1 Rs 18.1,2) e a guerra em seus
vários aspectos (Ez 6.11; 2 Rs 25.2,3). No
entanto, ela é muitas vezes retratada
como um juízo divino pelo pecado (2
Sm 21.1; 24.13; 1 Rs 8.37; 2 Rs 8.1; ls 51.19;
Jr 14.12-18; Ez 5,12). Neste sentido, ela
é citada como os ‘quatro maus juízos’
de Deus (Ez 14.21)” (Dicionário Bíblico
Wyclife. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
2009, p. 815).
SUBSÍDIO
Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2006.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 Em relação aos alimentos, como era o mundo quando Deus o criou?
Deus criou a Terra com fartura, produzindo mantimento suficiente para a sobre-
vivência do homem (Gn 1.11,12; 28,29).
2.	O que provocou a fome?
A Queda do homem no pecado.
3.	Por que a fome será um dos sinais dos últimos dias?
Porque os últimos dias serão caracterizados pelo aumento da iniquidade, o colapso dos
padrões morais e a operação da injustiça, formando assim, juntamente com as guerras
e os terremotos, um contexto propício para a proliferação da miséria em todo o mundo.
4.	Por que podemos dizer que o pentecostalismo primitivo era solidário?
Porque, além de anunciarem com ousadia a Palavra de Deus, eles não se esque-
ceram de ajudar os necessitados.
5.	Em sua opinião, quais estratégias a Igreja pode adotar para diminuir o problema
da fome?
Resposta pessoal.
HORA DA REVISÃO
A fome continua a ser um grave problema social dos tempos atuais. Em virtude da
Queda, a escassez de alimentos e a sua má distribuição são resultado direto do pecado
do homem. Não obstante, o cristão não pode viver indiferente diante da existência de
milhares de famintos pelo mundo, pois, ao olharmos para o livro de Atos encontramos
o exemplo de solidariedade daqueles cristãos que, no poder do Espírito, impactaram
o mundo pela pregação da Palavra e serviço. Sigamos esse modelo!
CONCLUSÃO
JOVENS 23
LIÇÃO
422/10/2017
SÍNTESE
Diante da desigualdade e da
marginalização social, a ação
solidária da Igreja testifica a
relevância da fé cristã diante
dos homens e dá credibilidade
à pregação do evangelho.
TEXTO DO DIA
“O que oprime ao pobre
insulta àquele que o criou,
mas o que se compadece
do necessitado honra-o.”
(Pv 14.31)
O CRISTÃO DIANTE
DA POBREZA E DA
DESIGUALDADE SOCIAL
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – 1 Jo 3.7
O justo pratica a justiça
TERÇA – Pv 31.20
Abre a mão ao pobre
QUARTA – Pv 22.22
Não roube ao pobre
QUINTA – 2 Co 8.9
Cristo se fez pobre por amor
de nós
SEXTA – Sl 128.2
Comerás do teu trabalho
SÁBADO – Am 5.11
Denúncia profética
24 JOVENS
Prezado(a) professor(a), esperamos que você esteja motiva-
do(a) para ensinar aos jovens alunos a respeito da pobreza e
desigualdade social. Não deixe que o desânimo prejudique o
ministério do ensino que Deus lhe confiou! Tenha em mente
a advertência do apóstolo Paulo para a dedicação ao ensino
(Rm 12.7).
Nesta aula, utilize o método do debate para proporcionar uma
reflexão sadia entre os seus educandos. Divida a turma em
grupos. Em seguida, peça para discutirem, dentro dos respec-
tivos grupos, sobre os pontos a seguir. Abra, na sequência, o
debate geral, com os demais grupos. Ouça as respostas e veja
se os demais grupos concordam com as opiniões emitidas.
• Há desigualdade social no Brasil?
• Como a desigualdade social se expressa?
• Você percebe alguma desigualdade na igreja local?
• O que a Igreja deveria fazer diante da pobreza?
• Em sua opinião, o que significa ajudar o necessitado?
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
•	CONSCIENTIZAR da importância de cuidar do pobre;
•	ENTENDER a relação entre justiça social e profetismo
bíblico;
•	CONHECER os princípios bíblicos sobre economia e desi-
gualdade social.
INTERAÇÃO
OBJETIVOS
A ação solidária e caridosa é uma das maneiras mais eficazes
de demonstração da autenticidade e relevância da fé cristã.
Apesar disso, há quem entenda que não é papel dos discípulos
de Jesus combater a pobreza e as desigualdades sociais, por
acreditar que somos salvos pela graça. Realmente, as obras
não servem para a salvação (pois pela graça somos salvos),
porém elas testificam a nova vida em Cristo. As obras de justiça
e misericórdia exteriorizam a graça divina e revelam o amor
depositado em nossos corações. Afinal, quem foi agraciado
com as Boas-Novas, passa a ser um agente de boas obras. Por
esse motivo, Tiago escreveu que a fé, sem as obras, é morta
em si mesma (Tg 2.17).
JOVENS 25
I – A ASCENÇÃO ECONÔMICA E
O CUIDADO COM O POBRE
1. A pobreza nas Escrituras. Nas
Escrituras, o pobre é retratado como a
pessoa necessitada, desamparada ou
que se encontra em situação de mi-
séria (Sl 37.25; 72.13; Lc 16.20; 1 Tm 5.5).
A pobreza é um fenômeno complexo
e vários fatores econômicos e sociais
podem contribuir para que alguém
chegue a esta condição, tais como:
desastres naturais, dívidas, falta de em-
prego, política econômica inadequada
e até mesmo a preguiça (Pv 19.15). Em
todos os casos não é suficiente olhar
para o pobre simplesmente a partir da
situação social ou econômica imediata.
Biblicamente, devemos compreender
que vivemos em um mundo caído, e
a pobreza, assim como a doença e a
morte, resulta da rebelião do homem
contra o Criador.
2. O pobre e o amor ao próximo.
Enfaticamente, a Palavra destaca a im-
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A desigualdade social e a pobreza são problemas sociais presentes em
praticamente todos os países do mundo, mas principalmente nas nações
em desenvolvimento do Sul Global, incluindo o Brasil. Aqui, milhares de
famílias vivem em condição de miséria, cuja renda é insuficiente para
suprir as necessidades básicas. Não há como viver indiferente a esta
realidade calamitosa!
Diante disso, a presente lição demonstrará a importância da participação
cristã nas obras sociais, como expressão de amor e misericórdia, e como
os princípios bíblicos podem contribuir para a formação de uma sociedade
livre, justa e produtiva.
TEXTO BÍBLICO
Tiago 5.1-6
1 	 Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e
pranteai porvossas misérias, que sobre
vós hão de vir.
2 	 Asvossas riquezas estão apodrecidas, e
asvossasvestes estão comidas da traça.
3 	 O vosso ouro e a vossa prata se en-
ferrujaram; e a sua ferrugem dará
testemunho contra vós e comerá como
fogo a vossa carne. Entesourastes para
os últimos dias.
4 	 Eis que o salário dos trabalhadores
que ceifaram as vossas terras e que
por vós foi diminuído clama; e os
clamores dos que ceifaram entraram
nos ouvidos do Senhor dos Exércitos.
5 	 Deliciosamente, vivestes sobre a
terra, e vos deleitastes, e cevastes
o vosso coração, como num dia de
matança.
6 	 Condenastes e matastes o justo; ele
não vos resistiu.
26 JOVENS
portância do cuidado ao pobre, assim
como denuncia a discriminação e a
desonra contra as pessoas carentes (Tg
2.1-6). Tal se deve ao mandamento de
amar o próximo como a nós mesmos (Mt
22.39) e do imperativo de demonstrarmos
o resplendor das virtudes cristãs para a
glória de Deus (Mt 5.16). Contudo, não
encontramos nas Escrituras respaldo para
a Teologia da Libertação, que centraliza
na pobreza a ênfase do evangelho, e
interpreta as Escrituras com base no
sofrimento do oprimido. A teologia bíblica
irradia graça para todos, sem distinção
de classe social (Tt 2.11).
Igualmente, ainda que sejamos
advertidos para não ajuntarmos te-
souros na terra (Mt 6.19), e acerca dos
perigos do amor ao dinheiro (1 Tm
6.7-10), não se pressupõe que os ricos
tenham conquistado sua riqueza por
meio desonesto. Tanto o rico quanto
o pobre carecem da graça de Deus, e
devem igualmente ser tratados com
equidade (Êx 23.3,6).
3. Ascensão econômica e desigual-
dade social. Mesmo quando há ascensão
econômica e melhores condições de
vida, a desigualdade social e os grupos
em situação abaixo da linha da pobreza
persistem em existir. Isso porque, em
razão dos efeitos do pecado, a Bíblia
declara que “sempre haverá pobres na
terra” (Mc 14.7). Todavia, longe de indicar
uma postura de conformismo e indife-
rença, e servir como desculpa contra a
ação social, tal afirmação deveria nos
conduzir ao cuidado permanente dos
necessitados, enquanto eles existirem
(Rm 15.25, 26; Gl 2.10; 1 Jo 3.17). Somos
apenas mordomos de Deus nesta ter-
ra; aquilo que possuímos, na verdade,
pertence a Ele!
Pense!
“A evidência da graça divina é
vista na pregação e no alívio
das necessidades materiais dos
pobres” (Comentário Bíblico
Pentecostal).
Ponto Importante
Biblicamente, devemos com-
preender que vivemos em um
mundo caído, e a pobreza, assim
como a doença e a morte, resulta
da rebelião do homem contra o
Criador.
II – JUSTIÇA SOCIAL E PROFE-
TISMO
1. Justiça social e igualdade. Fazer
justiça é um aspecto vital do nosso viver
diário. Justiça, no sentido ora empregado,
não tem qualquer acepção ideológica ou
político-partidária. Em termos bíblicos, a
justiça social parte do pressuposto de que
todas as pessoas devem ser tratadas com
igual respeito e dignidade, possuindo os
mesmos direitos e deveres na sociedade.
Considerando que o homem foi criado
à imagem de Deus (Gn 1.26), a injustiça
(Sl 92.15) e a acepção de pessoas (Rm
2.11) são rejeitadas por Ele. Desde o An-
tigo Testamento, aliás, vemos o Senhor
instruindo a nação de Israel para cuidar
dos pobres e vulneráveis (Mq 6.8; Zc 7.9);
por isso a Lei estabelecia uma série de
disposições contra a opressão aos menos
favorecidos (Êx 22.25; 23.6; 30.15; Lv 19.10).
A prática da justiça na sociedade é
uma prova da justificação que recebe-
mos em Cristo. É certo que as obras são
incapazes de salvar o homem caído e
que as obras de misericórdia e justiça
testificam a salvação alcançada pela
graça. Tiago retratou fielmente essa
verdade ao dizer que a fé, sem as obras,
JOVENS 27
é morta em si mesma (Tg 2.17). Do crente,
portanto, se espera a prática da justiça!
O espírito cristão de amor mútuo e
caridade comum é uma marca do cris-
tianismo ao longo da história.
2. Profetizando contra as injustiças.
A função profética sobrepuja a tarefa
de transmitir mensagens de bênçãos
da parte de Deus. Ela envolve também
a denúncia do erro e a exortação con-
tra as injustiças. Em outras palavras, o
profetismo bíblico é abrangente, pois
compreende, além do aspecto eminente-
mente religioso, as esferas econômicas e
políticas. Profetas como Isaías, Jeremias,
Miqueias e Zacarias falaram ousadamen-
te contra a corrupção, exploração e as
injustiças do seu tempo. Em um contexto
difícil, Amós condenou o desprezo e a
opressão dos poderosos em relação aos
pobres, que eram pisados (Am 5.11) e
vendidos ao preço de sandálias. Contra
essa situação desumana e degradante,
o profeta alçou a sua voz em defesa das
pessoas carentes (Am 4.1,2).
3.Voz profética da Igreja. Adimensão
política do ministério profético permanece
válida ainda hoje. Os cristãos são chamados
a testemunhar publicamente acerca da
justiça divina, ao tempo em que denunciam
todo tipo de injustiça. Avoz profética dos
cristãos deve consolare edificar, mas tam-
bém precisa exortar (1 Co 14.3), apontando
tanto os desvios morais quanto sociais, a
partir das verdades bíblicas.
Pense!
A Palavra de Deus condena
aqueles que manipulam a econo-
mia para satisfazer os próprios
interesses egoístas.Ela também
condena qualquer forma de mal-
dade, como a cobiça, a indolência
e o engano.
Ponto Importante
Profetas como Miqueias, Isaías e
Jeremias falaram ousadamente
contra a corrupção, exploração e
as injustiças do seu tempo.
III – A POLÍTICA ECONÔMICA E
A DESIGUALDADE SOCIAL NO
BRASIL
1. Desigualdade social no Brasil.
O país em que vivemos é marcado
pela desigualdade social. Enquanto
existe enorme concentração de renda
entre as pessoas mais ricas, milhões
de pessoas vivem abaixo da linha da
pobreza, em condições de miséria. É
papel da política econômica de uma
nação avaliar os fatores que provo-
cam as distorções sociais, e criar leis
e mecanismos que possibilitem uma
sociedade mais produtiva e justa. A
economia, portanto, é um elemento
importante para a vida das pessoas
e das instituições públicas. Por essa
razão, considerando que os princípios
que norteiam a economia são vitais
para o desenvolvimento sustentável
da comunidade, adotar uma visão
econômica coerente e que considere
adequadamente a natureza humana
(especialmente o seu estado decaído)
é essencial para a redução da pobreza.
2. Economia na perspectiva cristã.
Embora a Bíblia não seja um livro de
economia, ela contém relatos e princípios
que nos fazem compreender a relação
entre pobreza, riqueza, trabalho, desi-
gualdade social e muitos outros temas
da área econômica. Enquanto visão de
mundo, o cristianismo considera todos
os aspectos da vida humana, inclusive
a dimensão econômica. Nesse sentido,
encontramos nas Escrituras e na história
28 JOVENS
“As Escrituras condenam aqueles
que manipulam a economia para sa-
tisfazer os próprios propósitos peca-
minosos, tanto acumulando somente
para si, como por outras formas de
maldade, como cobiça, indolência e
engano (Pv 3.27-28; 11.26; Tg 5.1-6). A
justiça econômica condena aqueles
que aumentam seus créditos, tirando
vantagem dos que lhes devem; por
outro lado, os que contraem dívida
devem reembolsá-la (Êx 22.14; 2 Rs
4,1-7; Sl 37.21; Pv 22.7). O princípio sub-
jacente é que a propriedade privada é
um dom de Deus para ser usado com o
propósito de estabelecer a justiça social
e cuidar do pobre e do necessitado. O
ladrão arrependido é orientado a não
mais roubar, mas sim trabalhar com
as mãos e assim ganhar o sustento e
‘para que tenha o que repartir com o
que tiver necessidade’ (Ef 4.28, ênfase
acrescentada). Poucos temas nas Escri-
turas se evidenciam de forma tão direta
e clara do que as ordens de Deus para
que nos preocupemos com os menos
afortunados. ‘Aprendei a fazer o bem’,
Deus brada, ‘praticai o que é reto; ajudai
o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai
da causa das viúvas’ (Is 1.17). Através
do mesmo profeta, Deus anuncia que
o verdadeiro jejum não é um ritual re-
ligioso vazio (Is 58.7). Jesus aprofunda
nosso sentimento de responsabilidade,
falando que ao ajudarmos o faminto,
o desnudo, o doente e o encarcerado,
estamos, na verdade, servindo-o (Mt
25.31-46)”(COLSON, C.; PEARCEY. E
Agora, Como Viveremos? 2.ed., Rio
de Janeiro: CPAD, 2000, pp. 454,455).
SUBSÍDIOda tradição cristã orientações suficientes
para que a sociedade possa ser livre,
próspera e justa.
Vejamos algumas dessas diretrizes:
incentivo ao trabalho e repreensão à
preguiça (Pv. 6.6-11), limitação da função
do governo (1 Pe 2.13,14); condenação
àqueles que manipulam a economia
(Tg 5.1-6); proteção da propriedade
privada (Êx 20.15); ênfase na liberdade
responsável (1 Co 6.12; 8.9) e valorização
do espírito comunitário de ajuda ao
próximo, dentre outros.
3. Assistência e desenvolvimento.
Mesmo no ambiente coletivo, a assistên-
cia às pessoas carentes é uma atitude
vital de solidariedade. Embora o governo
civil deva promover o bem, o que inclui
programas de assistência social para
atender às necessidades básicas dos
cidadãos, não é recomendável criar
uma cultura de assistencialismo que
perpetue a condição da pobreza. É
necessário focar no desenvolvimento,
para que pessoas e famílias adquiram
independência econômica e ganhem o
pão do suor do próprio rosto (Gn 3.19).
Pense!
“A fé deve nos mover em prol
de boas ações, não para sermos
salvos, mas para demonstrarmos
que somos salvos, que nossa
fé não é estática, e que Deus
pode usar nossas ações para
apresentar a fé pura e imaculada”
(Silas Daniel).
Ponto Importante
Embora a Bíblia não seja um
livro de economia, ela contém
relatos e princípios que nos
fazem compreender a relação
entre pobreza, riqueza, trabalho,
desigualdade social.
Anotações
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Fé e Obras: Ensinos
de Tiago para uma vida cristã autêntica. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2014.
1.	 Cite alguns fatores e sociais que podem levar alguém a essa condição:	
Desastres naturais, dívidas, falta de emprego, política econômica inadequada e
até mesmo preguiça.
2.	Por que a Teologia da Libertação é equivocada?
Porque centraliza na pobreza a ênfase do evangelho, e interpreta as Escrituras
com base no sofrimento do oprimido.
3.	Quais profetas falaram ousadamente contra corrupção, exploração e injustiças?
Isaías, Jeremias, Miqueias e Zacarias.
4.	Qual o papel da política econômica de uma nação?
Avaliar os fatores que provocam as distorções sociais, e criar leis e mecanismos
que possibilitem uma sociedade mais produtiva e justa.
5.	Quais orientações econômicas a Bíblia oferece?
Incentivo ao trabalho e repreensão à preguiça, limitação da função do governo;
condenação àqueles que manipulam a economia; proteção da propriedade pri-
vada; ênfase na liberdade responsável e valorização do espírito comunitário de
ajuda ao próximo, dentre outros.
HORA DA REVISÃO
CONCLUSÃO
Como percebemos nesta lição, o trabalho solidário da Igreja testifica a relevância da
fé cristã diante dos homens, ao mesmo tempo em que dá credibilidade à pregação do
Evangelho. Não podemos nos esquecer, porém de que Igreja, no sentido aqui empregado,
não se resume à congregação local. Individual ou coletivamente, cristãos regenerados
são capazes de desenvolver obras sociais que expressem o amor e a misericórdia divina,
a partir da igreja local.
ESTANTE DO PROFESSOR
30 JOVENS
SÍNTESE
Numa época em que
refugiados são perseguidos
e marginalizados, a Igreja
deve servir como exemplo de
acolhimento e hospitalidade.
TEXTO DO DIA
“Também não oprimirás
o estrangeiro; porque vós
conheceis o coração do
estrangeiro, pois fostes
estrangeiros na terra do
Egito.” (Êx 23.9)
LIÇÃO
529/10/2017
REFUGIADOS: UM
PROBLEMA DA
ATUALIDADE?
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Sl 9.9
Refúgio para o oprimido
TERÇA – Hb 11.38
Caminhando como refugiados
QUARTA – Mt 2.13
O menino Jesus, um refugiado
QUINTA – Lv 23.22
A lei da respiga para os estran-
geiros
SEXTA – Rm 12.13
Seguindo a hospitalidade
SÁBADO – Hb 13.2
Não esqueça a hospitalidade
JOVENS 31
Professor(a), o assunto da lição desta semana envolve um
tema atual. Lembre-se que o jovem aprecia aulas contex-
tualizadas, que façam sentido para a vida dele. Desse modo,
no desenvolvimento desta aula leve para discussão em sala
algumas notícias e dados estatísticos atualizados sobre a
crise de refugiados no mundo todo, destacando a relevância
do problema e a importância do posicionamento cristão.
A atual crise de refugiados ganhou repercussão internacio-
nal em 2015, quando a imagem do corpo do menino sírio
AylanKurdi, de apenas três anos, morto à beira da praia, rodou
o mundo. Aylam viajava com a família na tentativa de fugir
do conflito de seu país. O episódio expôs uma das maiores
tragédias do nosso tempo. Todavia, o problema não é novo.
Ao longo da história, por motivos religiosos, sociais, políticos
e/ou sociais, milhares de famílias tiveram de abandonar seus
países em busca de proteção em outras nações. O povo isra-
elita e até mesmo cristãos perseguidos por causa da fé em
Cristo viveram refugiados, estrangeiros pelo mundo. Logo,
refletir a respeito da aludida temática é algo premente. É
crucial que a juventude cristã esteja sintonizada com o que
ocorre no mundo à sua volta, e saiba responder cristãmente
sobre tal tema.
•	EXPLICAR o conceito de refugiado;
•	CONSCIENTIZAR-SE da crise dos refugiados no Brasil e
no mundo;
•	REFLETIR a respeito da postura da Igreja em relação aos
refugiados.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
32 JOVENS
TEXTO BÍBLICO
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Você já parou para refletir sobre as dificuldades enfrentadas pelas pes-
soas refugiadas, que deixam seus países de origem por causa de algum
tipo de perseguição e saem pelo mundo à procura de um local seguro
para viverem? Pense por um momento acerca das barreiras geográficas,
físicas, culturais, sociais e linguísticas que lhes são impostas pela força
irresistível das circunstâncias, assim como a discriminação e preconceito
que geralmente sofrem em terras estranhas. É exatamente sobre esse
tema que trataremos nesta lição: os refugiados. Embora o assunto tenha
ressurgido em anos recentes, em decorrência da crise migratória que
eclodiu na Europa, o problema é tão antigo quanto a humanidade.
Mateus 25.31-46
31	 E, quando o Filho do Homem vier em
sua glória, e todos os santos anjos,
com ele, então, se assentará no trono
da sua glória;
32	 e todas as nações serão reunidas diante
dele, e apartará uns dos outros, como
o pastor aparta dos bodes as ovelhas.
33 	 E porá as ovelhas à sua direita, mas
os bodes à esquerda.
34	 Então, dirá o Rei aos que estiverem à
sua direita:Vinde, benditos de meu Pai,
possuí porherança o Reino quevos está
preparado desde a fundação do mundo;
35 	 porque tive fome, e destes-me de co-
mer; tive sede, e destes-me de beber;
era estrangeiro, e hospedastes-me;
36	 estavanu,evestistes-me;adoeci,evisitas-
tes-me; estive na prisão, e fostesver-me.
37	 Então, os justos lhe responderão, di-
zendo: Senhor, quando te vimos com
fome e te demos de comer? Ou com
sede e te demos de beber?
38	 E, quando te vimos estrangeiro e te
hospedamos? Ou nu e te vestimos?
39	 E, quando te vimos enfermo ou na
prisão e fomos ver-te?
40	 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em
verdade vos digo que, quando o fi-
zestes a um destes meus pequeninos
irmãos, a mim o fizestes.
41	 Então, dirá também aos que estiverem
à sua esquerda: Apartai-vos de mim,
malditos, para o fogo eterno, preparado
para o diabo e seus anjos;
42	 porque tive fome, e não me destes de
comer; tive sede, e não me destes de
beber;
43	 sendo estrangeiro, não me recolhes-
tes; estando nu, não me vestistes; e
estando enfermo e na prisão, não me
visitastes.
44	 Então, eles também lhe responderão,
dizendo: Senhor, quando te vimos com
fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou
nu, ou enfermo, ou na prisão e não te
servimos?
45	 Então, lhes responderá, dizendo: Em
verdade vos digo que, quando a um
destes pequeninos o não fizestes, não
o fizestes a mim.
46	 E irão estes para o tormento eterno,
mas os justos, para a vida eterna.
JOVENS 33
I – O CONCEITO DE REFUGIADOS
1. Um breve conceito. De acordo
com a Agência da ONU para Refugiados
(ACNUR), são refugiadas as pessoas que
se “encontram fora do seu país por causa
de fundado temor de perseguição por
motivos de raça, religião, nacionalida-
de, opinião política ou participação em
grupos sociais, e que não possa (ou não
queira) voltar para casa”.
2. Quem é o refugiado. Também são
assim considerados aqueles que foram
obrigados a deixar seu país devido a
conflitos armados, violência genera-
lizada e violação massiva dos direitos
humanos. Em outras palavras, refugiado
significa muito mais que um estrangeiro,
é aquele que está em busca de proteção
e segurança, tentando escapar de um
perigo de sua terra natal.
II - O POVO DE ISRAEL COMO
PEREGRINO EM TERRA ESTRAN-
GEIRA
1. Israel como peregrino no Egito.
Embora a crise dos refugiados seja um
tema recente, o problema é antigo. Nas
Escrituras, encontramos o exemplo se-
melhante dos israelitas como peregrinos
em terra estrangeira. Escravos no Egito
eles trabalharam na edificação de cida-
des, na agricultura e em outros serviços
forçados (Êx 1.11-14).
Evidentemente, o Egito não era local
de refúgio, mas de opressão e trabalho
penoso. Segundo o Manual do Pentateu-
co (CPAD), a submissão dos hebreus a
esse tipo de trabalho tinha a intenção de
“desmoralizá-los, convencê-los de sua
posição de escravos e reduzir ao máximo
qualquer possibilidade de insurreição”.
Porém, quanto mais os egípcios casti-
gavam-nos, mais eles cresciam. Afinal,
a graça de Deus, mesmo no sofrimento,
pairava sobre o seu povo!
2. Refugiados pelo mundo. A experi-
ência dos israelitas como forasteiros não
se ateve à terra de Faraó. A descendência
de Abraão viveu como estrangeira em
várias outras oportunidades ao longo de
sua história (assírios – 2 Rs 17.6, babilô-
nios – 2 Rs 25.21, gregos – Alexandria no
século III a.C). Após a diáspora de 70 d.C,
quando os romanos invadiram Jerusa-
lém e destruíram o Templo, milhares de
israelitas foram dispersos pelo mundo,
vivendo exilados de sua pátria como
refugiados (Lc 21.24).
3. Deus manda proteger o estran-
geiro. Não é de admirar, portanto, que
Deus tenha ordenado ao povo de Israel
a proteção e o cuidado do estrangeiro.
As exortações bíblicas para não oprimir
(Êx 23.9), permitir a colheita remanes-
cente (lei da respiga, Dt 24.19-22) e amar
o estrangeiro (Lv 19.33,34) levam em
consideração a experiência vivenciada
pelos israelitas como peregrinos. Em
um tempo em que os estrangeiros eram
considerados inimigos, Deus instrui
seu povo ao acolhimento, agindo com
compaixão. Isso porque, assim como o
pobre, o órfão e a viúva, o estrangeiro,
nos termos aqui mencionados, en-
contra-se igualmente em condição de
vulnerabilidade, a depender de proteção
e amparo. Viver longe do lar e tendo de
enfrentar barreiras geográficas, cultu-
rais, sociais, linguísticas, ao tempo em
que sofre discriminação e preconceito
étnico, inegavelmente é uma situação
que evoca cuidados especiais.
Pense!
Colocar-se no lugar do refugiado
é a melhor maneira de compre-
ender a sua dor e sofrimento.
34 JOVENS
Ponto Importante
Refugiado significa muito mais
que um imigrante; é o estrangei-
ro que está em busca de proteção
e segurança, tentando escapar de
um perigo de sua terra natal.
III – OS REFUGIADOS NA EURO-
PA E NO BRASIL
1. A atual crise de refugiados. De-
vido a conflitos internos, terrorismo,
guerras civis, perseguição religiosa e
outras formas de perseguição, a última
década tem testemunhado a maior crise
de refugiados desde a Segunda Guerra
Mundial. Em várias partes do mundo,
milhares de pessoas fogem de seus
países em busca de abrigo em outras
nações, com famílias inteiras deixando
seus lares e arriscando suas vidas em
viagens e travessias perigosas, a pé ou
pelos mares. Estudo realizado pela AC-
NUR/ONU, em 2015, apontou um total
de 65,3 milhões de pessoas deslocadas
por guerras e conflitos até o final daquele
ano. É um verdadeiro caos humanitário!
2. Refugiados na Europa. O con-
tinente europeu é uma das regiões
mais afetadas pela crise de refugiados.
Isso se deve ao crescente número de
migrantes que chegam às suas fron-
teiras em busca de abrigo, oriundas,
em sua maioria, do Oriente Médio e da
África, especialmente em decorrência
do terrorismo do Estado Islâmico. Na
tentativa de atravessar o Mediterrâneo e
chegar à Europa, famílias inteiras arris-
cam suas vidas em viagens a bordo de
embarcações clandestinas. Muitos não
completam o percurso. Outros tantos
desaparecem.
3. Refugiados no Brasil. O Brasil tam-
bém recebe refugiados do mundo todo.
Segundo estatísticas, o número total de
solicitações de refúgio aumentou mais
de 2.868% entre 2010 e 2015. Entre as
principais causas dos pedidos de refúgio
estão a violação de direitos humanos,
perseguições políticas, reencontro
de famílias e perseguição religiosa. A
grande maioria dessas pessoas advém
da África, Ásia (inclusive Oriente Médio)
e do Caribe. Jovem, você conhece ou
já viu alguma pessoa refugiada em sua
cidade? Qual foi a sua reação?
Pense!
Mais da metade dos refugiados
no mundo é criança.
Ponto Importante
A última década tem testemu-
nhado a maior crise de refu-
giados desde a Segunda Guerra
Mundial.
IV – OS REFUGIADOS E A IGREJA
1. Um problema dos últimos tempos.
As guerras e os rumores de guerras
serão sinais dos últimos dias (Mc 13.7),
ocasionando em grande medida a crise
dos refugiados. Mas isso não pode nos
anestesiar em face desse problema
humanitário. Os eventos escatológicos
não afastam a responsabilidade do
povo de Deus de dar mostras do seu
amor e justiça para com o próximo e
necessitado (Sl 72.13; Pv 31.20), enquanto
aqui estiver.
2. Amor e compaixão pelo estran-
geiro. Em o Novo Testamento, temos
o exemplo do próprio Jesus que, ainda
criança, foge com seus pais para o Egito
em razão da perseguição de Herodes (Mt
2.13). O Filho de Deus encarnado, portan-
to, foi um refugiado nessa terra. Cristo
se importa e se compadece daqueles
JOVENS 35
“Serviço e Comunhão
Hebreus também apresenta um
testemunho poderoso sobre a neces-
sidade de o cristão alcançar os outros
em serviço amoroso e abnegado e
responder a Deus em adoração sincera.
O fato de estar sob pressão pessoal não
é desculpa para viver uma existência
autocentrada e de ingratidão.
O principal ensinamento a respeito
do serviço cristão é apresentado em
uma série de exortações do capítulo
final de Hebreus. Algumas são instru-
ções padrões a respeito da vida cristã,
necessárias em qualquer tempo e lugar,
mas a maioria reflete a situação espe-
cífica dos leitores. Essas são exortações
ao amor fraternal, à hospitalidade, ao
cuidado dos prisioneiros e dos perse-
guidos, ao contentamento financeiro e
à estabilidade e firmeza espiritual em
face de opiniões distintas e de oposi-
ção (13.1-14). Tudo isso é necessário,
em especial, para uma comunidade
que passa por uma situação difícil.
No entanto, elas revelam a orientação
particularmente cristã de cuidar das
necessidades dos outros e buscar de
forma ativa o bem deles, em vez de se
absorver nos interesses pessoais ou na
autocomiseração” (ZUCK, Roy B (ed.).
Teologia do Novo Testamento. 1.ed. Rio
de Janeiro: CPAD, 2008, pp. 459,460).
SUBSÍDIOque se encontram nessa condição, pois
conhece o seu sofrimento e infortúnio
(Hb 2.17,18). Por esse motivo, aqueles
que acolhem o estrangeiro necessitado
são dignos de honra.
3. Oração e hospitalidade. Além da
oração, é possível promover o acolhimen-
to e amparo aos refugiados, colocando
em prática a recomendação bíblica da
hospitalidade (Rm 12.13; Hb 13.2; 1 Tm 3.2;
1 Pe 4.9). Tal hospitalidade faz parte do
serviço cristão, e se estende aos crentes
e àqueles que estão no mundo. Sem
adentrar aos aspectos que envolvem a
segurança nacional e a política migratória,
que competem ao Estado, o povo do
Senhor serve como uma comunidade
de refúgio e apoio às pessoas e famílias
fragilizadas que sofrem perseguição.
4. A igreja e os refugiados. Devemos
lembrar de que muitos refugiados são
cristãos que se encontram afastados de
seus países por diversos motivos, alguns
por causa da perseguição religiosa, por
professarem a fé em Cristo. Enquanto
arauto da justiça, a igreja também pode
agir estrategicamente no enfretamento
desse problema social, alçando sua voz
profética para que o assunto seja devi-
damente tratado pelo poder público,
apoiando organizações sérias que traba-
lham nessa causa, inclusive levantando
recursos para a ajuda humanitária.
Pense!
Seja um instrumento de refúgio
para aqueles que buscam socorro.
Ponto Importante
A comunidade cristã pode pro-
mover o acolhimento e o amparo
aos refugiados, colocando em
prática a recomendação bíblica
da hospitalidade.
HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. 2.ed. Rio
de Janeiro: CPAD, 2007.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
A questão dos refugiados é um tema atual e complexo. Não obstante, considerando que
o Senhor é um alto refúgio para o oprimido (Sl 9.9), a comunidade cristã deve também
ser uma comunidade de refúgio para os estrangeiros perseguidos. Sem desconsiderar
os aspectos que envolvem a segurança nacional e a política migratória, aos cristãos
cabe, do ponto de vista prático, dar acolhimento àqueles que precisam de proteção.
CONCLUSÃO
HORA DA REVISÃO
1.	 De acordo com a lição, qual o conceito de refugiado?
Refugiadas são as pessoas que se encontram fora do seu país por causa de fun-
dado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, opinião
política ou participação em grupos sociais, e que não possa (ou não queira) voltar
para casa.
2.	Quais as principais causas da crise de refugiados no mundo?
Conflitos internos, terrorismo, guerras civis, perseguição religiosa e outras formas
de perseguição.
3.	De onde é oriunda a grande maioria dos refugiados na Europa?
Do Oriente Médio e da África.
4.	Cite três exortações de Deus no Antigo Testamento sobre o tratamento aos es-
trangeiros?
Não oprimir, permitir a colheita remanescente e amar o estrangeiro.
5.	O que a comunidade cristã pode fazer em relação aos refugiados?
Promover o acolhimento e amparo aos refugiados, colocando em prática a reco-
mendação bíblica da hospitalidade.
JOVENS 37
SÍNTESE
A imagem de Deus no homem
e o exemplo de vida do Senhor
Jesus jogam por terra o pre-
conceito e a discriminação.
TEXTO DO DIA
“E disse Deus: Façamos o
homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança;
e domine [...] sobre toda a
terra [...].” (Gn 1.26)
LIÇÃO
605/11/2017
LIDANDO COM O
PRECONCEITO E A
DISCRIMINAÇÃO
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Rm 2.11
Para Deus não há acepção
de pessoas
TERÇA – Tg 2.1
O pecado da acepção de
pessoas
QUARTA – Lc 20.21
Conduta que não leva em
consideração a aparência
QUINTA – Dt 1.17
Não discriminarás
SEXTA – Mt 7.1
Não julgueis
SÁBADO – Ap 7.9
A salvação abrange todas as
raças e línguas
38 JOVENS
Para a aula de hoje propomos a aplicação da “dinâmica dos
rótulos”. Prepare várias etiquetas autocolantes com as frases
abaixo sugeridas. As etiquetas devem ser coladas na testa de
cada aluno. O aluno não pode saber o que está escrito na pró-
pria etiqueta, e os demais participantes também não devem
contar. Depois que todos estiverem devidamente “rotulados”,
peça para que andem pela sala e interajam por 5 minutos,
considerando o que está escrito na testa de cada um. Enquanto
isso, anote as reações dos alunos. Ao final do tempo, peça para
todos se sentarem, sem retirar as etiquetas. Depois, comece a
indagar os participantes: O que acha que está escrito em sua
testa? Assim que ver a frase na etiqueta, indague: Era isso
que esperava que estivesse escrito? A atitude que tiveram
com você foi justa? Agora que sabe o que estava escrito, seu
sentimento em relação a como lhe trataram mudou?
Ao término, pergunte ao grupo o que podem extrair dessa
experiência? Será que é isso o que ocorre no caso de precon-
ceito e discriminação? Ao rotular alguém por sua condição
social, etnia ou religião acabamos agindo de acordo com este
rótulo que nós mesmos colocamos?
Diariamente, feridas são abertas nos corações de milhares de
pessoas por causa do preconceito, seja o preconceito manifesto
ou aquele velado. E outras tantas sofrem com o desprezo
decorrente da discriminação racial, social e religiosa. Este é
o tema da lição de hoje.
•	APRESENTAR o conceito de preconceito;
•	SABER o significado de discriminação e os seus vários tipos;
•	RECONHECER a importância da lei no combate à discriminação.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
RÓTULOS
SOU INFERIOR: IGNORE-ME!/ SOU PREPOTENTE: TENHA MEDO! / SOU
SURDO(A): GRITE! / SOU IGNORANTE: FALE COMO UM BOBO/
JOVENS 39
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Uma das maiores contribuições sociais do cristianismo ao longo da história
tem sido a doutrina bíblica da imagem de Deus no homem (Gn 1.26). Sem ela,
é impensável falar de igualdade, liberdade e direitos humanos. O valor indi-
vidual de cada ser humano, fundado no amor indistinto de Deus por todas
as pessoas, faz parte do legado da fé cristã em sua trajetória na face da Terra.
Com apoio nessa bela doutrina bíblica, ensinada e vivenciada exemplar-
mente por Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, é que a Igreja encontra
respaldo suficiente para lidar e combater o preconceito e a discriminação
em todas as formas que se apresentam. Esse é o tema da presente lição.
TEXTO BÍBLICO
Gênesis 1.26,27; Colossenses 3.9-11;
Tiago 2.8-10
Gênesis 1
26	 E disse Deus: Façamos o homem à nossa
imagem, conforme a nossa semelhança;
e domine sobre os peixes do mar, e
sobre as aves dos céus, e sobre o gado,
e sobre toda a terra, e sobre todo réptil
que se move sobre a terra.
27 	 E criou Deus o homem à sua imagem;
à imagem de Deus o criou; macho e
fêmea os criou.
	 Colossenses 3
9	 Não mintais uns aos outros, pois que
já vos despistes do velho homem com
os seus feitos
10	 e vos vestistes do novo, que se reno-
va para o conhecimento, segundo a
imagem daquele que o criou;
11 	 ondenãohágregonemjudeu,circuncisão
nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo
ou livre; mas Cristo é tudo em todos.
Tiago 2
8	 Todavia, se cumprirdes, conforme
a Escritura, a lei real: Amarás a teu
próximo como a ti mesmo, bem fazeis.
9 	 Mas, se fazeis acepção de pessoas,
cometeis pecado e sois redarguidos
pela lei como transgressores.
10	 Porque qualquer que guardar toda a lei
e tropeçar em um só ponto tornou-se
culpado de todos.
I – PRECONCEITO: CONCEITO
GERAL E BÍBLICO
1. Definição geral. Os dicionários defi-
nem ovocábulo preconceito como a ideia
ou opinião formada antecipadamente
sobre determinado assunto. Em certo
sentido, todos nós temos algum tipo de
convicção prévia; conceitos anteriores
que nos levam a decidir as questões da
vida. Não há nada de errado nisso, pois
trata-se de um “preconceito natural”.
Por outro lado, o preconceito negativo é
aquele em que alguém faz um juízo de
condenação acerca de outrem ou de um
grupo de pessoas, sem conhecimento,
reflexão ou com imparcialidade. Esse tipo
de preconceito é prejudicial e perigoso,
pois leva à intolerância, à discriminação,
e até mesmo, à violência.
2.Juízesdemauspensamentos.Apesar
de não acharmos nas Escrituras a palavra
preconceito, hávárias advertências contra
40 JOVENS
esse comportamento que pode ser ex-
presso por meio do desprezo (Rm 10.12)
e pelo julgamento condenatório dirigido
pelas aparências (Jo 7.24) e sem critérios
justos (Jo 8.15, 16).Tiago chama de “juízes
de maus pensamentos”aqueles que me-
nosprezavamosmenosafortunados(Tg2.4).
3. O preconceito de Pedro. Antes de
receber a revelação de Deus, Pedro agia
com preconceito em relação aos gentios
(At 10). No entanto ao serconfrontado pela
verdade divina, entendeu que Deus não
fazacepçãodepessoas(At10.34).Quantos
agem como juízes de maus pensamentos
emrelaçãoaosoutros,fazendojulgamentos
moraisbaseadosemrótulos,estereótipose
inverdades?Devemosfazerumaprofunda
avaliação de nossos corações para ver se
não estamos agindo da mesma forma. O
EspíritodeDeusampliaavisãoestreitadoser
humanoederrubatodotipodepreconceito.
4.Julgandocomsabedoria.Aadvertên-
cia do Mestre em Mateus 7.1, “não julgueis,
para que não sejais julgados,”é importante
para combater o julgamento prematuro.
É necessário observar, no entanto, que
o Senhor Jesus não estabeleceu, com
estas palavras, um mandamento contra
qualquer tipo de julgamento, pelo qual
não possamos denunciar o erro e exortar
os pecadores. O objetivo maior da decla-
ração é que devemos tratar os outros da
maneira como queremos sertratados, com
base na regra de ouro (Mt 7.12). Devemos
procurar avaliar a nós mesmos, e aos
outros, utilizando os mesmos padrões.
Somos convidados, como servos de Deus,
a julgar com discernimento e sabedoria.
Pense!
O preconceito, seja ele étnico,
social ou cultural, nos impede de
testemunhar o amor e a graça de
Deus na sociedade.
Ponto Importante
Apesar de não acharmos nas
Escrituras a palavra preconceito,
há várias advertências contra esse
comportamento que pode ser
expresso por meio do desprezo
e pelo julgamento condenatório
dirigido pelas aparências e sem
critérios justos.
II – DISCRIMINAÇÃO RACIAL, SO-
CIAL E RELIGIOSA
Discriminação significa o tratamento
desigual e injusto de uma pessoa ou um
grupo de pessoas em razão de classe
social, cor da pele, nacionalidade, convic-
ções religiosas, etc. É uma conduta que
desonra a Deus e desmerece o valor do
próximo. Conheça os principais tipos de
discriminação:
1. Discriminação étnica. Consiste em
qualquer distinção, exclusão, restrição
ou preferência, baseadas em raça, cor,
descendência ou origem nacional ou
étnica. É uma das mais terríveis e cruéis
formas de acepção de pessoas, pois
aquele que é discriminado é tratado
como um ser de segunda categoria.
Tal discriminação é errônea já que
nega o princípio extraído de Gênesis
1.26, segundo o qual todos os seres
humanos são criados à imagem de
Deus. A Bíblia profere um duro golpe
no racismo ao enfatizar que, segundo a
imagem daquEle que nos criou, não há
grego, nem judeu, nem bárbaro ou cita;
mas Cristo é tudo, e em todos (Cl 3.11).
O pensamento de segregação étnica
também não consegue se sustentar
diante da irrefutável verdade bíblica
de que a graça salvadora se estende a
toda humanidade (Jo 3.16), às pessoas
de todas as nações, e tribos, e povos,
e línguas (Ap 7.9).
JOVENS 41
É significativo observar que o derra-
mamento do Espírito Santo registrado
em Atos 2 ocorreu quando pessoas de
várias nacionalidades (v.5) estavam reu-
nidas, demonstrando que a graça divina
promove conciliação que ultrapassa as
barreiras raciais.
2. Discriminação social. Esse tipo de
discriminação provoca o afastamento dos
indivíduos em virtude da classe social a
que pertencem, gerando marginalização
e segregação social. Tiago repreendeu
aqueles que em reuniões solenes da-
vam tratamento privilegiado aos ricos, e
desonroso aos pobres, numa verdadeira
acepção de pessoas (Tg 2.6).
Jesus é o exemplo por excelência de
conduta não discriminatória. Ele confrontou
as barreiras sociais, religiosas e culturais
da sua época, tratando todos com igual
dignidade e respeito, Ele via cada pessoa
dotada de valor especial para Deus, por
isso aproximou-se dos marginalizados e
excluídos na cultura judaica de seu tempo.
A graça do evangelho abrange aqueles
que estão em um nível social inferior, o
que significa que todos têm esperança
por causa da encarnação do Verbo; por
causa da descida de Deus. Quer seja rico
ou pobre, todos são iguais aos olhos de
Deus! Se olharmos para o ser humano a
partirda perspectiva deJesus, evitaremos
a discriminação e exclusão social!
3. Discriminação religiosa. Refere-se
ao tratamento diferenciado em virtude
da crença, religião ou culto praticado por
determinada pessoa. Geralmente, esse
tipo de discriminação provoca intolerân-
cia, perseguição,violência e morte, como
podem atestarvários episódios da história
da humanidade.Ainda hoje, cerca de 73%
da população do mundo vive em países
onde as restrições à liberdade religiosa
são consideradas altas ou muito altas, em
decorrênciadadiscriminaçãopormotivode
crença religiosa, de acordo com pesquisa
do Christian SolidarityWorldwide.
O fato de o cristão crer que Jesus é
o único mediador entre Deus e o homem
(1 Tm 2.5), não serve como pretexto para
agir com intolerância e menosprezo em
relação à religião alheia. O testemunho
cristão no meio social deve ser feito com
cordialidade, mansidão e respeito à liber-
dade religiosa daqueles que professam
crenças diferentes da nossa.
Pense!
A graça de Cristo cura as feridas do
racismo e da discriminação.
Ponto Importante
Discriminação significa o tratamen-
to desigual e injusto de uma pessoa
ou um grupo de pessoas em razão
de classe social, cor da pele, nacio-
nalidade, convicções religiosas, etc.
III –ALEI E O COMBATEÀDISCRI-
MINAÇÃO
1. Conheça seus direitos e deveres.
Enquantocidadão,ocristãoépossuidorde
direitos e deveres. Esse é o sentido básico
da cidadania. Logo, conhecer as noções
jurídicasbásicaséimportanteparacontribuir
comadefesadenossosdireitosegarantias
legais,assimcomoparanosconscientizarde
nossas responsabilidades, especialmente
emrelaçãoaopreconceitoeàdiscriminação.
2. Direito à igualdade e o combate à
discriminação. Um dos principais direitos
fundamentais expressos na Constituição
Federaldo Brasilé o direito à isonomia; ou
seja, “todos são iguais perante a lei, sem
distinção de qualquer natureza...” (art. 5º,
caput, CF/88).Taldireito possui uma clara
herança cristã, na medida em que parte da
42 JOVENS
compreensão de que todas as pessoas são
dotadas de igualvalor, em clara referência
ao princípio bíblico da imagem de Deus
(Gn 1.26). Por esse motivo, além do fato da
discriminação, o racismo e a injuria racial
constituírem crime, conforme estabelece
a legislação do país (Código Penal Brasi-
leiro e Lei número 7.716/89), combater a
discriminação é uma maneira de honrar
essa doutrina bíblica basilar.
3. Direito à liberdade religiosa. A li-
berdade religiosa é igualmente um direito
fundamentaldevalorinestimável, previsto
em nossa Constituição Federal: “É inviolável
a liberdade de consciência e de crença,
sendo assegurado o livre exercício dos
cultos religiosos e garantida, na forma da
lei, a proteção aos locais de culto e a suas
liturgias” (art, 5º, VI, CF/88). Compreende,
primeiramente, o direito de crença, isto é, o
direito de acreditar, não acreditarou deixar
de acreditarem alguma coisa, assim como
aderir a qualquer religião de sua escolha,
seja ela organizada ou não; assim como o
direito de não professar qualquer religião.
Engloba também a liberdade de culto,
consistente na possibilidade de realizar
cerimônias, liturgias, cânticos e outros
atos próprios da fé.
Pense!
A liberdade religiosa é uma das
principais garantias do ser huma-
no. É um direito antes dos demais
direitos.
Ponto Importante
Conhecer as noções jurídicas bá-
sicas é importante para contribuir
com a defesa de nossos direitos
e garantias legais, assim como
para nos conscientizar de nossas
responsabilidades, especialmente
em relação ao preconceito e à
discriminação.
“Tiago 2.4
Este tipo de distinção mostra que
os crentes estão sendo dirigidos por
motivos errados. Tiago condenou o
seu comportamento, porque Cristo os
tinha tornado um só (Gl 3.28). Por que
é errado julgar uma pessoa com base
na sua situação econômica? A riqueza
pode ser um sinal de inteligência, de
decisões sábias, e de trabalho árduo.
Por outro lado, ela pode querer dizer
simplesmente que a pessoa teve a
boa sorte de nascer em uma família
rica. Ela também pode até ser um sinal
de avareza, desonestidade e egoísmo.
Quando honramos uma pessoa apenas
porque ela se veste bem, estamos
considerando a aparência como algo
mais importante do que o caráter.
Outra suposição falsa que às vezes
influencia o nosso tratamento dos ricos
é a interpretação equivocada do rela-
cionamento de Deus com a riqueza. É
fácil, porém enganoso, acreditar que
as riquezas são um sinal da bênção e
da aprovação de Deus. Mas Deus não
nos promete recompensas ou riquezas
terrenas; na verdade, Cristo nos con-
voca para que estejamos dispostos a
sofrer por Ele e desistir de tudo para
nos agarrarmos à vida eterna (Mt 6.19-
21; 19.28-30; Lc 12.14-34; 1 Tm 6.17-19).
Teremos riquezas incalculáveis na
eternidade se formos fiéis na nossa
vida atual (Lc6.35; Jo 12.23-25; Gl 6.7-10;
Tt 3.4-8)” (Comentário do Novo Testa-
mento: Aplicação Pessoal. 1.ed. Vol. 2.
Rio de Janeiro: CPAD, p. 671).
SUBSÍDIO
Comentário do Novo Testamento: Aplicação Pessoal. 1.ed.
Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
HORA DA REVISÃO
A doutrina da imagem de Deus (Gn 1.26) é essencial para conscientizar a sociedade de que
todas as pessoas são portadoras de igual valor e dignidade, independentemente da raça,
condição social ou religião. Nenhuma teoria secular fornece tão belo ensinamento. Tal ver-
dade é princípio elementar para a convivência pacífica e harmoniosa, e, uma vez aplicada,
produz relacionamentos comunitários sadios. Portadores dessa verdade e imbuídos da graça
de Deus, os crentes são vitais para combater o preconceito e todo tipo de discriminação.
CONCLUSÃO
1.	 Qual a definição do vocábulo “preconceito” segundo os dicionários?
A ideia ou opinião formada antecipadamente sobre determinado assunto.
2.	Na Bíblia, como o preconceito pode ser expresso?
Por meio do desprezo (Rm 10.12) e pelo julgamento condenatório dirigido pelas
aparências (Jo 7.24) e sem critérios justos (Jo 8.15, 16).
3.	O que é discriminação?
Tratamento desigual e injusto de uma pessoa ou um grupo de pessoas em razão
de classe social, cor da pele, nacionalidade, convicções religiosas, etc.
4.	Quais os principais tipos de discriminação?
Discriminação racial (étnica), social e religiosa.
5.	Por que a discriminação é algo errado?
Porque nega o princípio extraído de Gênesis 1.26, segundo o qual todos os seres
humanos são criados à imagem de Deus.
44 JOVENS
SÍNTESE
Em tempos de crise moral
e política, a Igreja deve
ser exemplo íntegro de
participação cívica e de
combate à corrupção.
TEXTO DO DIA
“Toda alma esteja sujeita
às autoridades superiores;
porque não há autoridade
que não venha de Deus; e as
autoridades que há foram
ordenadas por Deus.” (Rm 13.1)
LIÇÃO
712/11/2017
POLÍTICA E CORRUPÇÃO
NA PERSPECTIVA CRISTÃ
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Is 51.4
A justiça de Deus é luz para as
nações
TERÇA – Pv 29.2
O povo se alegra com a admi-
nistração sábia e justa
QUARTA – Pv 29.4
A diferença entre o governan-
te justo e o corrupto
QUINTA – At 5.29
Melhor obedecer a Deus que
aos homens
SEXTA – Ef 4.28
Aquelequefurtava,nãofurtemais
SÁBADO – Jo 10.10
O ladrão mata, rouba e destrói
JOVENS 45
Professor(a), no tópico III, utilize o esquema abaixo para refletir
com os seus alunos acerca de algumas medidas importantes
para evitar a prática da corrupção, tanto no setor público
quanto no privado. Lembre aos jovens que todas essas medidas
decorrem de princípios bíblicos, e partem do pressuposto de
que o homem possui a tendência natural para a prática da
corrupção. Na segunda coluna, peça para os alunos opinarem
a respeito do objetivo da medida anticorrupção constante da
primeira coluna.
A história de nosso país é assinalada por má governança e
escândalos de corrupção. Sem dúvida alguma, a desonestidade
e a trapaça não são novidades para o país que criou o “jeitinho
brasileiro” – a artimanha utilizada por muitos para resolver
problemas ou levar vantagem em alguma coisa. Em tempos
recentes, porém, a crise política que se instalou na nação
parece ter atingido níveis alarmantes. A estrutura política
encontra-se transtornada. Diante desse contexto, o que pode
fazer o justo? Na aula de hoje, veremos que o justo muito
pode fazer pela nação. A participação política dos crentes de
maneira íntegra, alinhada às recomendações das Escrituras,
é vital para a boa governança e combate à corrupção.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
•	CONSCIENTIZAR-SE do papel da política governamental
e dos efeitos da corrupção;
•	CONHECER a base bíblica da separação entre Estado e Igreja;
•	SABER como o cristão deve lidar com a política e a corrupção.
MEDIDAS ANTICORRUPÇÃO 		 OBJETIVO
Divisão de poder.
Fiscalização constante.
Transparência.
Punição, inclusive dos pequenos delitos.
Afixação de regras claras.
Recordação da importância do agir ético.
46 JOVENS
I – POLÍTICA GOVERNAMENTAL
E CORRUPÇÃO
1. Política governamental. Na esfera
pública, a política refere-se à forma como
os governantes administram e tomam as
melhores decisões para a nação, estado
ou município. As Escrituras ensinam que
Deus delega certa autoridade ao homem
para governar (Tt 3.1). Utilizada de forma
correta, portanto, a política deve servir
para aprovar leis justas, refrear o mal e
praticar o bem, a fim de proporcionar
aos cidadãos uma sociedade onde haja
liberdade, acesso à saúde, segurança e
educação de qualidade.
2. O mal da corrupção. Infelizmente,
nem todos aqueles que ocupam cargos
públicos estão preocupados com a so-
ciedade e o interesse coletivo. Conforme
a história e os noticiários podem atestar,
com frequência pessoas se utilizam da
função política para proveito próprio e
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Na lição de hoje falaremos a respeito de política e corrupção. A palavra “polí-
tica” deriva do grego politikos, e em geral refere-se à ciência de governar ou
bem administrar. O homem é um ser político, pois foi criado por Deus para se
relacionar com o próximo e viver em comunidade (Gn 2.18). Embora, na maioria
das vezes, o termo seja aplicado à esfera pública, a política envolve todas as
áreas da vida em que haja interação humana, seja em casa, nas empresas, nas
escolas ou nas demais instituições. Por outro lado, a corrupção é a prática
desonesta que visa à obtenção de vantagem ilícita, incluindo suborno, propina,
fraude ou qualquer outra forma de desvio de dinheiro. Como a fé cristã lida
com estes dois temas? É o que veremos na presente lição.
TEXTO BÍBLICO
Romanos 13.1-7
1	 Toda alma esteja sujeita às autoridades
superiores; porque não há autoridade
que não venha de Deus; e as autori-
dades que há foram ordenadas por
Deus.
2 	 Por isso, quem resiste à autoridade
resiste à ordenação de Deus; e os
que resistem trarão sobre si mesmos
a condenação.
3 	 Porque os magistrados não são
terror para as boas obras, mas para
as más. Queres tu, pois, não temer
a autoridade? Faze o bem e terás
louvor dela.
4 	 Porque ela é ministro de Deus para
teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme,
pois não traz debalde a espada; porque
é ministro de Deus e vingador para
castigar o que faz o mal.
5 	 Portanto, é necessário que lhe estejais
sujeitos, não somente pelo castigo,
mas também pela consciência.
6 	 Por esta razão também pagais tribu-
tos, porque são ministros de Deus,
atendendo sempre a isto mesmo.
7 	 Portanto, dai a cada um o que deveis: a
quem tributo, tributo; a quem imposto,
imposto; a quem temor, temor; a quem
honra, honra.
JOVENS 47
aumento do patrimônio pessoal, através
do desvio de dinheiro dos cofres públicos
e outros esquemas, falcatruas e “jeitinhos”
para obtenção de vantagens ilícitas. A
corrupção é um mal moral que decorre
da natureza decaída e pecaminosa do
homem, provocando enormes prejuízos
sociais (2 Pe 2.19). Ela contribui para a
desigualdade e o aumento da miséria,
reduz o crescimento econômico e pre-
judica, por consequência, a oferta dos
serviços públicos básicos aos cidadãos.
De acordo com Provérbios 29.2, o povo
se alegra com a administração sábia e
justa, mas geme quando os impiedosos
dominam. Igualmente, o governante justo
administra corretamente a sua terra, mas
o corrupto a destrói (Pv 29.4).
Pense!
“Jeitinho” é um eufemismo para a
trapaça.
Ponto Importante
A corrupção é um mal moral que
decorre da natureza decaída e
pecaminosa do homem, provo-
cando enormes prejuízos sociais.
II –ASEPARAÇÃO ENTRE ESTADO
E IGREJA
A reflexão a respeito da participação
adequada do crente na esfera política
inicia com o correto entendimento sobre
a relação entre Estado e Igreja.
1. Entre César e Deus. Há uma
passagem bíblica em particular que
serve como diretriz hermenêutica do
pensamento cristão acerca do rela-
cionamento entre cristão e estado: “[...]
Dai, pois, a César o que é de César e a
Deus, o que é de Deus” (Lc 20.25). Ao
responder uma pergunta carregada de
falsidade e perversidade dos religiosos
de sua época sobre o tributo romano,
Jesus ensina sobre a necessidade de
separação entre Estado e Igreja, haja
vista possuírem papéis distintos. Isso
não significa dizer, entretanto, que a
Igreja não possa colaborar com o Es-
tado em assuntos de interesse social e
influenciar positivamente a vida política
da nação, a fim de conformar com a
vontade de Deus.
Francis Beckwith observa que, em-
bora a imagem da moeda seja de César,
há outra pergunta implícita na narrativa
bíblica que também deve ser respondida:
Quem tem em si a imagem de Deus?
Beckwith conclui: “Se a moeda repre-
senta a autoridade de César, porque
tem nela sua imagem, então nós, seres
humanos, estamos sob a autoridade
de Deus, porque temos em nós a sua
imagem”. Portanto, “o governo e a Igreja,
apesar de terem jurisdições distintas,
partilham da obrigação de promover o
bem daqueles que são feitos à imagem
de Deus” (Razões para Crer, CPAD).
2. Soberania divina sobre o Estado.
Na perspectiva cristã, a autoridade dos
governantes provém de Deus (Rm 13.1-
4). Ele é a fonte do poder de onde os
governantes retiram a sua legitimidade
para governar, por isso a recomendação
bíblica para nos sujeitarmos à autoridade
humana por amor ao Senhor (1 Pe 2.13). A
partir dessa verdade, compreendemos
que o Estado ou qualquer outra insti-
tuição pública está abaixo do Criador.
Quando a vontade do poder público e do
povo entram em conflito com a vontade
divina, não há outra opção senão obe-
decer a Deus (At 5.29). Assim, tão errado
quanto adorar a César nos tempos de
Jesus, é a lealdade absoluta ao Estado
nos dias atuais.
48 JOVENS
3. Estado laico, não ateu. Em nosso
país, o modelo atualmente adotado de
relação entre Estado e organizações
religiosas é o da laicidade. O poder
público não pode adotar ou patrocinar
uma determinada igreja ou religião.
Estado laico (ou leigo), todavia, não
significa estado ateu ou laicista, que
busca o desaparecimento das religiões
ou a defesa da sua influência somente
ao ambiente privado. O modelo histo-
ricamente adotado no Brasil valoriza
o fenômeno religioso como tal, per-
mitindo, inclusive, a colaboração de
interesse público. Assim, a igreja cristã
deve respeitar o princípio da laicidade,
mantendo-se separada institucional-
mente do governo, ao mesmo tempo
em que pode colaborar com temas de
interesse da sociedade, com programas
de educação, filantropia e recuperação
de usuários de drogas, por exemplo.
Pense!
“A lealdade ao reino de César é
condicional, mas a lealdade ao
Reino de Deus é absoluta” (Co-
mentário Bíblico Pentecostal).
Ponto Importante
Deus é a fonte que emana o
poder de onde os governantes
retiram a sua legitimidade para
governar, por isso a recomenda-
ção bíblica para nos sujeitarmos à
autoridade humana por amor ao
Senhor.
III – COMO O CRISTÃO DEVE
LIDAR COM A POLÍTICA E A COR-
RUPÇÃO
1. Adotando uma postura adequada
sobre a política. Não há nada de errado
com a participação política dos cristãos.
Enquanto cidadãos, os crentes também
têm direitos e responsabilidades na cidade
dos homens. O apóstolo Paulo valeu-se
da cidadania romana para exercer seus
direitos e garantias legais (At 16.37-39).
Uma vez que os crentes são portadores
de cidadania política, nos é possível par-
ticipar da escolha dos governantes, assim
como contribuir com as discussões e o
rumo político da nação. Mas, se por um
lado a aversão à política é uma conduta
equivocada, por outro, o engajamento
inadequado prejudica a vida espiritual da
Igreja, especialmente quando esta atua
em busca de benefícios próprios e por
meio de envolvimento com a politicagem
mundana.
2. Influenciando o mundo político. O
caminho para iluminar o mundo político
com a luz de Cristo é o engajamento
político socialmente adequado e teolo-
gicamente consistente da comunidade
cristã. Isso, sem se perder nos jogos
de poder e nas disputas partidárias e
ideológicas. A Igreja pode exercer uma
influência expressiva sobre a política e
o governo, por meio da conscientização
dos seus membros sobre a importância
do voto. Deve atuar como voz profética
de transformação, combate ao mal e
defesa dos princípios e valores morais
expressos nas Escrituras.
Daniel é exemplo de um jovem fiel
a Deus que influenciou positivamente o
governo de seu tempo. Ele era gover-
nador de toda a província da Babilônia e
chefe de todos os sábios (Dn 2.48). Além
de aplicar a sabedoria na administração
do governo, Daniel confrontou corajosa-
mente os erros do rei Nabucodonosor
(Dn 4.27). Jovem, aja como Daniel, com
coragem para denunciar os erros obser-
vados na política, e com sabedoria para
sobressair-se na esfera pública!
JOVENS 49
“A Questão de Pagar Impostos a
César (20.20-26)
Jesus lhes pede que lhe mostrem
uma moeda de prata (denarion, o pa-
gamento médio de um dia de trabalho).
Quando Ele pergunta de quem é a ins-
crição na moeda, eles respondem: ‘De
César’, dando a entender que os judeus
aceitam o governo do imperador como
uma realidade prática. Naquela época,
era ponto comum que o governo de um
soberano se estendia tanto quanto iam
suas moedas (Geldenhuys, 1951, p. 504).
Sem interromper, Jesus lhes responde
a pergunta — não com um ‘Sim’ ou um
‘Não’, como esperavam, mas com estas
palavras: ‘Dai, pois, a César o que é de
César e a Deus, o que é de Deus’. Esta
respostavai além do pagamento de im-
postos(cf.Rm13-1-7;1Pe2.13-17).Ascoisas
que pertencem a Césardevem serpagas
a ele; as coisas que pertencem a Deus
devem ser pagas a Deus. Obviamente
a moeda pertence a César; os impostos
devem ser pagos ao imperador.
Os assuntos que giram em tomo dos
deveres a Deus e dos deveres a César
podem ficar complexos. Quando os as-
suntos de estado entram em conflito com
a vontade de Deus, o povo de Deus tem
de obedecer a Deus (cf. At 5.29). Como
Jesus ensina, há dois reinos: um terreno e
um divino. O povo de Deus deve lealdade
a ambos — a lealdade ao reino de César
é condicional, mas a lealdade ao Reino
de Deus é absoluta. Os inimigos de Je-
sus lhe fizeram uma pergunta teológica
difícil. Sua resposta significa que o povo
de Deus tem de permanecer fiel a Deus
e obediente à autoridade civil, contanto
que suas ações não entrem em conflito
com a lei do Senhor”(Comentário Bíblico
PentecostalNovoTestamento. 2. ed. Rio
de Janeiro: CPAD, 2004, p. 449).
SUBSÍDIO3. A corrupção e o sétimo manda-
mento. Por contrariar o sétimo man-
damento (Êx 20.15), a corrupção é
severamente condenada aos olhos de
Deus (Lv 19.35,36). Ao longo da narrativa
bíblica, encontramos várias advertências
contra diversos tipos de corrupção,
no funcionalismo público (Lc 3.12-14),
no Judiciário (Dt 16.19,20; Êx 23.8) e no
Legislativo: “Ai dos que decretam leis
injustas e dos escrivães que escrevem
perversidade, para prejudicarem os
pobres em juízo, e para arrebatarem o
direito dos aflitos do meu povo, e para
despojarem as viúvas, e para roubarem
os órfãos!” (Is 10.1,2).
4. Combatendo a corrupção. A fé
verdadeira tem um sério compromisso
com o combate à corrupção em todos
os níveis. Aquele que teve um encontro
com o Senhor é aconselhado a não
roubar mais e é também compungido a
devolver o que defraudou (Lc 19.8). Não
coaduna, portanto, com a prática de atos
desonestos, fraudadores e corruptos, e
nem com aqueles que assim agem (Rm
1.32). Se nova vida não combina com a
vigarice, é inconcebível que a bênção
de Deus esteja em negócios escusos
e deletérios.
Pense!
Se nova vida não combina com
a vigarice, é inconcebível que a
bênção de Deus esteja em negó-
cios escusos e deletérios.
Ponto Importante
O caminho para iluminar o mun-
do político com a luz de Cristo
é o engajamento político social-
mente adequado e teologicamen-
te consistente da comunidade
cristã.
GEISLER, Norman; MEISTER, Chad V. (Orgs). Razões
para Crer: Apresentando argumentos a favor da fé cristã.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 De acordo com a lição, o que é corrupção?
É a prática desonesta que visa a obtenção de vantagem ilícita, incluindo suborno,
propina, fraude ou qualquer outra forma de desvio de dinheiro.
2.	Cite algumas consequências da corrupção.
Ela contribui para a desigualdade e o aumento da miséria, reduz o crescimento
econômico e prejudica, por consequência, a oferta dos serviços públicos básicos
aos cidadãos.
3.	Qual o sentido da afirmação de Jesus ao dizer: “Daí a César o que é de César, e
a Deus o que é de Deus” (Lc 20.25).
A necessidade de separação entre Estado e Igreja, haja vista possuírem papéis
distintos.
4.	Qual o modelo adotado no Brasil de relação entre Estado e organizações religiosas?
Modelo da laicidade.
5.	Qual o caminho para a comunidade cristã iluminar o mundo político com a luz
de Cristo?
Por meio do engajamento político socialmente adequado e teologicamente
consistente.
HORA DA REVISÃO
Como foi possível perceber, política e combate à corrupção também são “coisas de
crente”. Em tempos de crise moral na política do nosso país, a Igreja de Cristo pode
instruir, conscientizar, denunciar e mobilizar-se para propósitos cívicos legítimos.
CONCLUSÃO
JOVENS 51
SÍNTESE
O enfrentamento da violência
urbana e a compaixão
pelas vítimas são faces da
responsabilidade cristã
na sociedade.
TEXTO DO DIA
“A terra, porém, estava
corrompida diante da face de
Deus; e encheu-se a terra de
violência.” (Gn 6.11)
LIÇÃO
819/11/2017
A RESPOSTA CRISTÃ
PARA A VIOLÊNCIA
URBANA
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Ez 7.23
Cidade cheia de violência
TERÇA – Pv 16.29
A ação do homem violento
QUARTA – Pv 24.1,2
Não tenha inveja de homens
violentos
QUINTA – Sl 11.5
Deus odeia quem ama a vio-
lência
SEXTA – Na 3.1
Ai da cidade de derramamento
de sangue
SÁBADO – Is 60.18
Nunca mais haverá violência
52 JOVENS
Nesta lição, utilize o esquema abaixo para ensinar a impor-
tância do Decálogo para o estabelecimento da ordem social.
Dos Dez Mandamentos, os quatro primeiros referem-se ao
relacionamento entre Deus e o homem, e os outros seis, do
homem com o próximo. O intuito dos mandamentos era
organizar a vida em comunidade, para proteger os israelitas
contra o arbítrio e a ofensa alheia.
Caro(a) professor(a), como tem sido o nível de assimilação
dos seus alunos em relação as lições até aqui estudadas? Não
deixe de recapitular, em suas aulas, conceitos e definições
importantes que foram objeto de estudos em lições anteriores,
pois ajuda na assimilação do conteúdo. E como tem sido a
sua vida devocional? Tens orado pela vida de seus alunos?
Aproveite a semana que antecede a lição para colocar cada
um dos seus aprendizes diante do Senhor, para que Deus os
guarde e os livre diante dessa sociedade tão violenta.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
•	EXPLICAR a perspectiva bíblica sobre a violência;
•	ENTENDER o papel do poder público no combate à violência
urbana;
•	SABER como a Igreja pode agir diante de uma sociedade
violenta.
RESUMO DO DECÁLOGODivisão de poder.
1º Mandamento 	 — Não terás outros deuses diante de mim.
2º Mandamento 	 — Não farás imagens de escultura.
3º Mandamento 	 — Não tomarás o nome de Deus em vão.
4º Mandamento 	 — Lembra-te do sábado, para o santificar.
5º Mandamento 	 — Honra o teu pai e a tua mãe.
6º Mandamento 	 — Não matarás.
7º Mandamento 	 — Não adulterarás.
8º Mandamento 	 — Não furtarás.
9º Mandamento 	 — Não dirás falso testemunho.
10º Mandamento 	 — Não cobiçarás.
JOVENS 53
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Na lição deste domingo, violência urbana é o tema a ser estudado. No
sentido aqui compreendido, o termo violência urbana alude a toda con-
duta humana que ofenda a lei e a ordem pública.
TEXTO BÍBLICO
Lucas 10.30-37
30	 E, respondendo Jesus, disse: Descia
um homem de Jerusalém para Jericó,
e caiu nas mãos dos salteadores, os
quais o despojaram e, espancando-o,
se retiraram, deixando-o meio morto.
31 	 E, ocasionalmente, descia pelo mesmo
caminho certo sacerdote; e, vendo-o,
passou de largo.
32	 E, de igual modo, também um levita,
chegando àquele lugar e vendo-o,
passou de largo.
33	 Mas um samaritano que ia de viagem
chegouaopédelee,vendo-o,moveu-se
de íntima compaixão.
34	 E, aproximando-se, atou-lhe as feridas,
aplicando-lhes azeite e vinho; e, pon-
do-o sobre a sua cavalgadura, levou-o
para uma estalagem e cuidou dele;
35	 E, partindo ao outro dia, tirou dois
dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e
disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de
mais gastares eu to pagarei, quando
voltar.
36	 Qual, pois, destes três te parece que
foi o próximo daquele que caiu nas
mãos dos salteadores?
37	 E ele disse: O que usou de misericórdia
para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai e
faze da mesma maneira.
I – PERSPECTIVA BÍBLICA SOBRE
A VIOLÊNCIA
1. A violência na Bíblia. O primeiro
episódio violento registrado nas Escrituras
após a rebelião humana foi protagonizado
por Caim. Este entrou para os anais da
história como o homem que inaugurou a
violência na face da terra, ao assassinar
friamente seu irmão Abel (Gn 4.1-16).
Depois deste fatídico evento, e com a
crescente degeneração humana, não
pararia mais a escalada da violência
social, a ponto de homens sanguinários
se vangloriarem de seus feitos cruéis
(Gn 4.23) e assassinos serem cultuados
como verdadeiro heróis (Gn 6.4).
2. A geração do dilúvio. Violência e
depravação vieram a atingir níveis alar-
mantes nos tempos de Noé (Gn 6.5). De
acordo com Gênesis 6.11, a terra estava
corrompida diante da face de Deus; e
encheu-se a terra de violência. O Guia
do Leitor da Bíblia explica que maldade
e violência são as duas palavras usadas
para caracterizar os pecados que cau-
saram o dilúvio do Gênesis: “Maldade
é rasah, atos criminosos que violam os
direitos dos outros e tiram proveito do
sofrimento deles. Violência é hamas,
atos deliberadamente destrutivos que
visam prejudicar outras pessoas”. Eis aí
as características da violência urbana.
54 JOVENS
3. Violência ao longo da Bíblia. As
Escrituras relatam muitos outros episó-
dios de violência, crueldade e agressão,
física e emocional, a fim de evidenciar
a condição pecaminosa do homem (Êx
2.11,12; 2 Sm 13; 1 Rs 21). Ao lermos tais
passagens, devemos ter em mente que
se trata de relatos descritivos, e não
prescritivos. Ou seja, descrevem fatos,
mas não prescrevem condutas!
Pense!
Por amor à humanidade, Jesus
submeteu-se à maior de todas as
violências: a morte.
Ponto Importante
A Bíblia faz questão de registrar
a violência humana. Afinal, não
é objetivo de Deus esconder a
verdade ou falsear a história da
humanidade.
II – O PODER PÚBLICO E A VIO-
LÊNCIA URBANA
1. “Nínives” da atualidade. O Brasil
é um dos países com maior índice de
criminalidade do mundo, com elevada
taxa de homicídios, roubos, sequestros
e outros atos criminosos. Algumas
cidades se assemelham a Nínive: há
derramamento de sangue, são repletas
de roubo e nunca ficam sem presas
(Na 3.1). Nesse quadro avassalador, a
população vive em estado de pânico,
insegura e traumatizada com a de-
linquência dominante. Oremos pelo
nosso país!
2. O Estado e a sua função de punir
o mal. Conforme estudamos na lição
anterior, Deus delegou ao governo civil
a autoridade para castigar os malfeitores
(1 Pe 2.14). Paulo diz que os magistrados
são ministros de Deus, e vingador para
castigar o que faz o mal (Rm 13.4). Fica
claro, à luz do texto bíblico, que somente
o Estado, sob a autoridade divina, pode
punir os malvados, o que contraria qual-
quer ideia de revanchismo, vingança
privada e o “justiçamento” feito com as
próprias mãos.
3. O papel do Poder Público. É
responsabilidade do poder público a
promoção da segurança e o combate
a todo tipo de criminalidade, mediante
a atuação conjunta e eficiente dos três
poderes governamentais. Espera-se do
Legislativo a criação de leis e normas
que coíbam todo e qualquer ato de
violência a fim de garantir a ordem e a
paz social. O poder Executivo, além de
criar políticas públicas que busquem
garantir a segurança da população, deve
manter um corpo policial preparado,
próximo da comunidade, que saiba
atuar de forma preventiva e repressi-
va. Enquanto isso, o Judiciário tem o
importante papel de julgar de maneira
célere e punir com justiça os homens
violentos e sanguinários, evitando, com
isso, a impunidade.
Pense!
“Não vos vingueis a vós mesmos
[...].” (Rm 12.19)
Ponto Importante
É responsabilidade do poder
público a promoção da segurança
e o combate a todo tipo de crimi-
nalidade.
III – A IGREJA EM UMA SOCIE-
DADE VIOLENTA
1. Utilizando as ferramentas de Deus.
Os filhos de Deus têm condições suficien-
tes de contribuir com o enfrentamento
da violência urbana, valendo-se das
JOVENS 55
ferramentas que Deus nos disponibilizou
em sua Palavra. Vejamos como fazer isso:
a) Fornecendo uma lei moral abso-
luta: Para criarmos uma boa sociedade
do ponto de vista cristão, é necessário,
em primeiro lugar, um firme sentimento
do que é certo e errado e uma deter-
minação para colocar adequadamente
em ordem a vida de alguém. A violência
urbana da presente época deve-se em
grande parte à desconstrução dos va-
lores judaico-cristãos que serviram de
base para a história da humanidade. O
cristianismo rejeita o relativismo pós-
-moderno e fornece ao homem uma lei
moral absoluta que permite julgar entre
o certo e o errado.
b) Envolvendo-se com a comunidade
local: Na fé cristã, palavras e ações de-
vem caminhar juntas. Logo, o agir cristão
impactante no contexto das cidades
inicia-se com o envolvimento da igreja
com a comunidade, famílias e escolas
locais. A congregação de crentes não
pode viver alienada do cotidiano e dos
problemas que afetam o bairro onde
está instalada.
c) Desenvolvendo projetos contra
a violência: Você já pensou como os
grupos de jovens crentes podem ajudar
a desenvolver projetos contra a violência
urbana? Colocando em prática a força
espiritual a que João alude (1 Jo 2.14),
é possível promover ações sociais que
incentivem o comportamento virtuoso
e confrontem os vícios sociais que
conduzem à destruição e à delinqu-
ência juvenil.
d) Apoiando as vítimas da violência:
Por fim, e não menos importante, é a
ajuda às vítimas da violência. No exemplo
de Jesus (Lc 10.37), a atuação do Bom
Samaritano não se resumiu às palavras
de apoio ao homem que fora espancado
a caminho de Jericó. A Bíblia diz que
ele “atou-lhe as feridas, deitando-lhes
azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu
animal, levou-o para uma estalagem, e
cuidou dele” (v. 34). Há muitos feridos e
moribundos ainda hoje. Cuidar dessas
pessoas revela a nobreza do amor de
Deus derramado em nossos corações.
Pense!
Além de pôr em prática a dimen-
são do cuidado, o Bom Samari-
tano garantiu financeiramente a
continuidade do tratamento da
vítima.
Ponto Importante
Na fé cristã, palavras e ações
devem caminhar juntas.
Anotações
56 JOVENS
“Os servos de Deus devem ma-
nifestar-se contra a violência (Jr 20.8;
Hc 1.2). Eles oram pela libertação dos
homens violentos (Sl 140.1,4) sabendo
que somente Deus poderá libertá-los
(2 Sm 22.3,49; Sl 72.14; 86,14). Os gover-
nantes devem eliminar a violência (Jr
22.2ss.; Ez 45.9). As cidades devem se
arrepender dela (Jn 3.8). Entretanto, sua
presença na sociedade humana ainda
cria problemas em relação à doutrina da
justiça divina (Ec 5,8; Hc 1.2-4). Somente
Cristo estava livre dela (Is 53.9) e ela
não existirá na nova terra (Is 60.18ss.).
Deve-se observar que a violência na
época de Noé (Gn 6.11,13) repetir-se-á
nos últimos dias antes do segundo ad-
vento de Cristo (Mt 24.12,37)” (Dicionário
Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2009. p.2022).
“É certo que somente os cristãos
têm a cosmovisão capaz de prover so-
luções exequíveis para os problemas da
vida comunitária. Assim, devemos estar
na vanguarda, ajudando comunidades
a cuidarem de seus próprios bairros.
Seja mobilizando esforços para acabar
com as pichações e limpar terrenos
desocupados, ou ativismo político
para fazer votar leis que obriguem
padrões de comportamento público,
deveríamos estar ajudando a restabe-
lecer a ordem nessas áreas menores
como primeiro passo em direção aos
principais problemas sociais” (COLSON,
Charles; PEARCEY, Nancy. E Agora,
como Viveremos. 1.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2000, pp. 434,435).
“Todas as vezes que os líderes
das grandes potências, ignorando a
soberania de Deus, proclamam uma
política de globalização, o mundo é
mergulhado numa guerra. Haja vista
a euforia do primeiro-ministro inglês
Neville de Chamberlain às vésperas da
Segunda Guerra Mundial. Terminado
o conflito, constataram os estadistas
que o mundo estava mais dividido do
que nunca.
Assim acontece a esta geração
de estadistas. Apesar de sua retórica,
o mundo nunca teve tão dividido em
aldeias e tribos. O ser humano continua
o mesmo: bairrista, selvagem, violento.
Se o romano Petrônio estivesse aqui,
vendo as cenas que neste momento
comovem o mundo, repetiria mais en-
faticamente sua sentença: “O homem
é o lobo do homem’.
A globalização jamais melhorará
o homem, nem o arrancará de suas
estreitas fronteiras de violência e terror.
Somente o Senhor Jesus Cristo poderá
transformar radicalmente o ser humano
numa nova criatura (Jo 3.3).
O que estamos fazendo enquanto o
mundo arde em nosso redor? Não nos
enganemos! [...] Que ninguém pense
que seremos poupados de semelhan-
tes provações por sermos o país do
futebol e do carnaval. Deus exige que
sejamos conhecidos também como a
pátria do Evangelho e da responsabi-
lidade moral” (ANDRADE, Claudionor
Corrêa de. Quando os Símbolos e Mitos
Caem: Ícones de riqueza, globalização
e segurança desabam em Nova Iorque.
Mensageiro da Paz, CPAD: Rio de Ja-
neiro. Set. 2001, p. 11).
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
RICHARDS, L. O. O guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2005.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 De acordo com a lição, o que é violência urbana?
Alude a toda conduta humana que ofenda a lei e a ordem pública. Refere-se,
portanto, à criminalidade de maneira geral.
2.	Por que a Bíblia contém vários relatos de violência?
Não é objetivo de Deus esconder a verdade ou falsear a história da humanidade
com as suas mazelas decorrentes do pecado.
3.	Por que o revanchismo, a vingança privada e o “justiçamento” feito com as próprias
mãos não são condutas apropriadas?
Porque fica claro, à luz do texto bíblico (1 Pe 2.14; Rm 13.4), que Deus delegou ao
governo civil a autoridade para castigar os malfeitores.
4.	Do ponto de vista social, qual era o intuito dos mandamentos?
Organizar a vida em comunidade, para proteger os israelitas contra o arbítrio e
a ofensa alheia.
5.	De que modo os filhos de Deus podem contribuir para o enfrentamento da vio-
lência urbana?
Podem contribuir: a) fornecendo uma lei moral absoluta; b) envolvendo-se com
a comunidade local; c) desenvolvendo projetos contra a violência e; apoiando
as vítimas da violência.
HORA DA REVISÃO
CONCLUSÃO
Ao final desta lição, a parábola do Bom Samaritano ainda continua a nos ensinar mui-
to a respeito do enfretamento cristão à violência urbana de hoje. . Deus nos chama a
desempenhar esse mesmo ministério da compaixão e da misericórdia nesta sociedade
fraturada pela violência física, emocional e patrimonial.
58 JOVENS
SÍNTESE
Numa época dominada
pela criminalidade virtual,
os discípulos de Jesus são
instados a mostrar
o diferencial pelo
testemunho online.
TEXTO DO DIA
“Um divertimento é para o
tolo praticar a iniquidade;
para o homem inteligente,
o mesmo é o ser sábio.”
(Pv 10.23)
LIÇÃO
926/11/2017
EM TEMPOS DE
VIOLÊNCIA CIBERNÉTICA
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Pv 3.31
Não siga o caminho dos maus
TERÇA – Pv 12.6
As palavras dos ímpios são
ciladas para derramar sangue
QUARTA – Pv 18.21
A morte e a vida estão no po-
der da língua
QUINTA – 2 Rs 2.23,24
Bullying com um fim trágico
SEXTA – Tg 3.1-9
O poder da língua
SÁBADO – Pv 3.31
Não tenha inveja do homem
violento
JOVENS 59
Caro(a) educador(a), a elaboração do plano de ensino é crucial
para o sucesso da sua aula. Bem elaborado, tal documento
direciona a ministração do ensino e evita o improviso. É im-
portantíssimo lembrar que o plano deve prever, inclusive, os
recursos didáticos a serem utilizados em sala. Na obra Uma
Pedagogia para a Educação Cristã (CPAD), César Moisés es-
creve: “A grande maioria dos educadores cristãos não faz seu
trabalho de forma planejada, por isso, essa falta de costume,
traz a tendência do improviso na educação. Temos com isso
não poucos prejuízos, pois, a falta de planejamento carrega
em si o fazer a educação a esmo. O planejamento, de quais
“quais” e “como” utilizar os recursos didáticos, é inerente ao
plano de aula, não há como dissociá-los” (p. 378).
Dando prosseguimento ao nosso seriado de estudo, veremos
nesta lição a extensão dos chamados crimes cibernéticos
e os perigos que rondam a internet, e como os crentes são
instados a mostrar o diferencial cristão pelo testemunho
online. Lembre-se que a maioria de seus alunos, se não todos,
passam boa parte do dia conectados ao mundo digital. Desse
modo, o presente estudo toca diretamente no cotidiano deles.
Para que o conteúdo seja melhor aproveitado, não deixe de
interagir com a turma, pois sabemos que os jovens gostam
de opinar sobre assuntos práticos para eles.
•	CONSCIENTIZAR a respeito da realidade da violência digital
na sociedade da informação;
•	COMPREENDER os males do bullying virtual;
•	CONHECER os principais tipos de crimes cibernéticos
punidos pela lei.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
60 JOVENS
I – A VIOLÊNCIA DIGITAL NA
SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
1.Vivendo na sociedade da informa-
ção. Depois das fases agrícola e industrial,
o mundo encontra-se hoje no tempo da
sociedade da informação. As frequentes
e cada vez mais velozes inovações tec-
nológicas caracterizam o atualestágio da
civilização, proporcionando ao serhumano
maiorcomunicação, interatividade, agilida-
de e acesso ao conhecimento. Emvirtude
da ampla utilização de computadores,
smartphones e tablets conectados à rede
mundial de computadores, todo tipo de
conteúdo está hoje somente a um clique!
2. Violência real no mundo virtual.
Mas, tal qual ocorre na sociedade co-
mum, a rede de computadores é prova
da multiplicação da iniquidade prenun-
ciada pelo Senhor Jesus (Mt 24.12). Com
o crescimento das novas tecnologias e
o fácil acesso à internet, o mundo digital
é palco de inúmeros atos de violência
cibernética, ou seja: crimes praticados no
ambiente virtual, envolvendo desde furto
de informações, violência psicológica,
ameaças, golpes a ataques pessoais.
Certamente, você deve conhecer al-
guém, amigo inclusive, que foi vítima de
algumas dessas ações na rede mundial
de computadores, ou talvez até você
mesmo tenha passado por isso.
3. Riscos na rede de computadores.
Se por um lado, o ato de navegar pela
internet nos oferece vários benefícios, por
outro, a rede contém perigos e ameaças
que não devemos ignorar. As Escrituras
afirmam que “o prudente prevê o mal, e
esconde-se; mas os simples passam e
acabam pagando” (Pv 22.3 - ARA). Nessa
porção bíblica, “simples” não significa a
pessoa humilde, mas aquela inexperiente
que age com imprudência. Mais que em
qualquer outro local, a internet exige
cautela. É preciso ter cuidado para não
cairmos nas redes e nos laços lançados
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Não bastasse a violência urbana tratada na lição anterior, outra forma comum
de violência em nossos dias é aquela praticada na rede de computadores.
Tal se deve à multiplicação da iniquidade, que faz com que a maldade esteja
presente até mesmo no ambiente virtual. A lição deste domingo, portanto, é
um alerta para os perigos que rondam a vida online. Os novos tempos exigem
dos crentes vigilância constante para não cair nas ciladas dos homens maus.
TEXTO BÍBLICO
Provérbios 10.11-14
11 	 A boca do justo é manancial de vida,
mas aviolência cobre a boca dos ímpios.
12 	 O ódio excita contendas, mas o amor
cobre todas as transgressões.
13 	 Nos lábios do sábio se acha a sabe-
doria, mas a vara é para as costas do
falto de entendimento.
14 	 Os sábios escondem a sabedoria, mas
a boca do tolo é uma destruição.
JOVENS 61
pelas pessoas más, assim como nas
ciladas dos homens ímpios (Sl 10.9).
Pense!
“O prudente prevê o mal, e escon-
de-se; mas os simples passam e
acabam pagando” (Pv 22.3 - ARA).
Ponto Importante
Se por um lado o ato de navegar pela
internet nos oferece vários benefí-
cios, por outro a rede contém perigos
e ameaças que não devemos ignorar.
II – OS MALES DO BULLYING
VIRTUAL
1. O que é bullying virtual? Também
chamado de cyberbullying, consiste na in-
timidação sistemática de outra pessoa, por
meio de insultos, humilhação, depreciação
e agressão verbal, de modo a provocar
constrangimento perante os outros. Em
virtude da facilidade do anonimato, a in-
ternet é um meioveloz de propagação de
imagens e comentários depreciativos sobre
a vida de alguém. É um problema grave,
pois as palavras, não raro, ferem mais que
a dor física (Pv12.18).Assim como a língua,
que serve para proferirpalavras de bênção
ou maldição (Tg 3.10), as publicações na
rede de computadores podem devastar
vidas como o fogo (Tg 3.6).
2. Brincadeira sem graça. Na maioria
dos casos essa prática inicia como uma
brincadeira de péssimo gosto para diver-
timento dos envolvidos. Mas, vale aqui a
advertência de Provérbios 26.18,19. Não
há qualquer graça em tal brincadeira
maligna e odiosa, afinal as consequên-
cias do bullying virtual são sérias; afeta
os sentimentos e a imagem do ofendido
perante a sociedade. Pesquisas indicam
que esse tipo de agressão pode acarretar
trauma psicológico, isolamento social, de-
senvolvimento de problemas relacionados
à depressão, e até mesmo levar a vítima
ao suicídio. Não é algo para rir, mas chorar!
3. A conduta do jovem cristão. Em
meio a uma cultura de “zoação” e escár-
nio (2 Pe 3.3), em que muitos encaram
com naturalidade as brincadeiras e
piadas que expõem a vida dos outros
no ambiente virtual, o jovem cristão é
instado a mostrar o diferencial pelo tes-
temunho online, com conduta exemplar
na palavra, no comportamento, no amor,
no espírito, na fé e na pureza (1 Tm 4.12).
O ponto de partida é seguir a reco-
mendação do salmista: “Bem-aventu-
rado o varão que não anda segundo o
conselho dos ímpios, nem se detém no
caminho dos pecadores, nem se assenta
na roda dos escarnecedores. Antes tem o
seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei
medita de dia e de noite” (Sl 1.1,2). Aquele
que medita na Palavra de Deus não
perde tempo com brincadeiras inúteis
e destrutivas, compartilhando conteúdo
produzido pelos escarnecedores virtuais.
Além de não praticar o bullying, o
crente em Cristo deve intervir quando
alguém, cristão ou não, estiversendovítima
de intimidação virtual. Quebrar as corren-
tes da maledicência e aconselhar seus
autores para que cessem o desrespeito,
são práticas que exprimem o amor divino.
Pense!
O bullying não é uma prática
condizente com a vida cristã.
Ponto Importante
Pesquisas indicam que bullying
pode acarretar trauma psicológi-
co, isolamento social, desenvolvi-
mento de problemas relacionados
à depressão, e até mesmo levar a
vítima ao suicídio.
62 JOVENS
III – A LEI E A PUNIÇÃO DOS CRI-
MES CIBERNÉTICOS
1. Crimes contra a honra. Englobam
as ações que ofendem a honra e a moral
de uma pessoa: calúnia, difamação e
injúria. A calúnia é a afirmação falsa de
que alguém cometeu um determinado
crime; difamação é associar uma pessoa
a um fato que ofende sua reputação e
injúria refere-se à ofensa que atinge a dig-
nidade e o decoro do ofendido. A defesa
da verdade e da honra das pessoas se
fundamenta nas Escrituras (2 Co 13.8; Ef
4.25), por isso o servo de Deus não deve
disseminar informações inverídicas e
caluniosas que trafegam no mundo digital.
2. Crimes de pedofilia. A troca de in-
formações, imagens e vídeos envolvendo
a sexualidade de crianças e adolescentes
caracteriza o crime de pedofilia. Infeliz-
mente, há no mundo virtual redes malig-
nas de indivíduos sem afeição natural que
aliciam menores e espalham conteúdo
pornográfico. Tais atos são abomináveis
para Deus, uma vez que expõem os
frágeis pequeninos amados do Senhor
(Mt 18.10). É dever do cristão denunciar
essa prática pecaminosa e desumana.
3. Crimes informáticos. Referem-se
aos delitos de invasão de dispositivos
informatizados, roubo de dados e frau-
des financeiras por meios tecnológicos.
Tais atos delinquentes normalmente são
praticados mediante a disseminação de
vírus e outras pragas virtuais. Devemos
ter em mente que todo usuário da rede
de computador é um alvo em potencial
para essa espécie de crime. Assim, utili-
zar mecanismos de segurança, acessar
páginas seguras e não compartilhar
informações pessoais na internet são
ações básicas para evitar ser vítima de
ataques virtuais.
“O uso do entretenimento para a
educação também está se espalhan-
do rapidamente nos países ociden-
tais. Infelizmente, o pornógrafo está
criando outra vez uma desconfiança
das novas fronteiras da mídia, como
a Internet. Em vez de permitir que
os usos corruptores potenciais da
tecnologia de comunicação nos fa-
çam bater em retirada por causa dos
gigantes da Canaã do ciberespaço, o
povo de Deus deveria estar agressi-
vamente procurando saber como Ele
quer usar os CD-ROMs, a realidade
virtual interativa e a World Wide Web
(a Rede Mundial) para o cumprimento
dos seus propósitos. Será que nós,
cristãos, não devemos presumir que
Deus nos permitiu usar os novos
processos de imagens digitais para
mais do que apenas visualizar as
interações de ex-presidentes com
ForrestGump ou Elvis Presley com
os Amantes da Pizza?”(PALMER, M.
D. (Ed.). Panorama do Pensamento
Cristão. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
2001, p. 412).
SUBSÍDIO
Pense!
“O que segue a justiça e a bon-
dade achará a vida, a justiça e a
honra.” (Pv 21.21)
Ponto Importante
Infelizmente, há no mundo virtu-
al redes malignas de indivíduos
sem afeição natural que aliciam
menores e espalham conteúdo
pornográfico.
MOISÉS, César. Uma Pedagogia para a Educação Cristã:
Noções básicas da ciência da educação a pessoas não
especializadas. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 Em que consiste o bullying virtual?
Consiste na intimidação sistemática de outra pessoa, por meio de insultos, hu-
milhação, depreciação e agressão verbal, de modo a provocar constrangimento
perante os outros.
2.	Por que não há graça no bullying virtual?
Porque as suas consequências são sérias; afeta os sentimentos e a imagem do
ofendido perante a sociedade.
3.	Em meio a uma cultura de “zoação” e escárnio (2 Pe 3.3), em que muitos encaram
com naturalidade as brincadeiras e piadas que expõem a vida dos outros no
ambiente virtual, o jovem cristão é instado a fazer o quê?
A mostrar o diferencial pelo testemunho online, com conduta exemplar na palavra,
no comportamento, no amor, no espírito, na fé e na pureza (1 Tm 4.12).
4.	O que caracteriza o crime de pedofilia na internet?
A troca de informações, imagens e vídeos envolvendo a sexualidade de crianças
e adolescentes.
5.	Você já foi vítima de algum crime contra a sua honra? Como se sentiu?
Resposta pessoal.
HORA DA REVISÃO
Concluímos a presente lição advertindo a respeito da importância de se ter cuidado ao
navegar na internet. Embora seja uma ferramenta útil, a rede de computadores está cheia
de pessoas mal intencionadas, cujo propósito é contribuir com as obras das trevas. Tome
cuidado para que você não seja vítima, e muito menos autor, de qualquer crime ciber-
nético. Embora o ambiente possa ser virtual, a fé que professamos deve sempre ser real!
CONCLUSÃO
64 JOVENS
LIÇÃO
1003/12/2017
SÍNTESE
As redes sociais podem
servir como bênção ou
maldição na vida do crente.
TEXTO DO DIA
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o
que é verdadeiro, tudo o que é
honesto, tudo o que é justo, tudo
o que é puro, tudo o que é amá-
vel, tudo o que é de boa fama, se
há alguma virtude, e se há algum
louvor, nisso pensai.”(Fp 4.8)
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Ef 5.16
Remindo o tempo
TERÇA – 1 Co 10.13
Deus não nos deixa tentar acima
do que podemos resistir
QUARTA – 1 Co 16.9
Uma porta aberta por Deus
QUINTA – Mc 1.18
Deixaram as redes e seguiram a
Jesus
SEXTA – Jo 21.6
Lançando a rede para o lado
determinado pelo Mestre
SÁBADO – Mt 13.47
A rede apanha toda qualidade
de peixe
OS PERIGOS E AS
OPORTUNIDADES DAS
REDES SOCIAIS
JOVENS 65
Professor(a), inicie a aula fazendo uma rápida pesquisa entre
os seus alunos. Faça a seguinte pergunta: “Quantos possuem
conta em alguma rede social?”Verifique quais possuem mais
e menos contas ativas. Depois, peça que digam quanto tempo
em média gastam por dia acessando esses sites e aplicativos.
Indague se, verdadeiramente, eles acham que estão sendo
beneficiados ou prejudicados pelas mídias sociais. Peça para
que cada aluno faça uma profunda reflexão individual, a fim
de avaliar se não se tornaram dependentes de tais platafor-
mas. Ao final da aula, ore por aqueles que confirmaram as
dificuldades que possuem em lidar com as novas ferramentas
digitais, pedindo libertação de Deus sobre a vida deles.
Os jovens da atualidade fazem parte da chamada “geração
ponto-com”. Nascidos após o surgimento da web, eles têm
uma intensa relação com a internet, e mais especialmente
com as redes sociais. Vivem plugados e conectados a todo
instante e gostam de interagir com outras pessoas através dos
novos aplicativos de compartilhamento de textos, imagens
e vídeos. O educador cristão possui a nobre - e ao mesmo
tempo difícil - responsabilidade de preparar seus aprendizes
para que encontrem o equilíbrio comportamental adequado,
de modo a usufruir dessa cultura digital, sem confrontar
os limites bíblicos. Em meio a tantas informações que se
multiplicam velozmente nas redes sociais, o povo de Deus
é chamado a ter discernimento, a fim de usar sabiamente
essas novas ferramentas e rejeitar, quando necessário, tudo
aquilo que prejudica a vida cristã.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
•	CONHECER o fenômeno das redes sociais e os seus bene-
fícios;
•	MOSTRAR os perigos presentes nas redes sociais;
•	SABER como usar as redes sociais para a glória de Deus.
66 JOVENS
I – O FENÔMENO DAS REDES
SOCIAIS E SEUS BENEFÍCIOS
1. A explosão das redes sociais.
Nos últimos anos, as redes sociais se
transformaram na principal forma de
comunicação e troca de informações
entre as pessoas. Sites e aplicativos
como Facebook, Twitter, Snapchat e
Google+, por exemplo, são usados
para conectar pessoas e comparti-
lhar informações, ideias e imagens
na web. Em nossos dias, elas são tão
utilizadas que em alguns círculos é
quase incompreensível uma pessoa
não possuir uma conta em pelo me-
nos um desses canais. Quem não têm
whatsapp, então, é quase considerado
um ser de outro planeta!
2. Os benefícios das redes sociais.
Usadas de maneira correta e com
sabedoria, as mídias sociais podem
proporcionar vários benefícios. Manter
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Inegavelmente, as novas plataformas de comunicação e interação online
são o ponto alto da cultural digital neste início do Século XXI, alterando
até mesmo a forma como interagimos. Pesquisas indicam que pelo menos
70% dos usuários da internet usam algum tipo de rede social. Mas, como
ocorre com os demais tipos de mídia, os sites de mídia social também
podem ser usados para o bem ou para o mal; estão cheios de perigos, mas
também podem servir como oportunidade pelos crentes para glorificar
o nome do Senhor. Este, aliás, é o tema da presente lição.
TEXTO BÍBLICO
1 Tessalonicenses 1.6-10;
Filipenses 4.8
1 Tessalonicenses 1
6	 Evósfostesfeitosnossosimitadoresedo
Senhor, recebendo a palavra em muita
tribulação, com gozo do Espírito Santo,
7 	 de maneira que fostes exemplo para
todos os fiéis na Macedônia e Acaia.
8 	 Porque por vós soou a palavra do
Senhor, não somente na Macedônia
e Acaia, mas também em todos os
lugares a vossa fé para com Deus se
espalhou, de tal maneira que já dela
não temos necessidade de falar coisa
alguma;
9 	 porque eles mesmos anunciam de
nós qual a entrada que tivemos para
convosco, e como dos ídolos vos
convertestes a Deus, para servir ao
Deus vivo e verdadeiro
10 	 e esperar dos céus a seu Filho, a quem
ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus,
que nos livra da ira futura.
Filipenses 4
8 	 Quanto ao mais, irmãos, tudo o que
é verdadeiro, tudo o que é honesto,
tudo o que é justo, tudo o que é puro,
tudo o que é amável, tudo o que é de
boa fama, se há alguma virtude, e se
há algum louvor, nisso pensai.
JOVENS 67
contato com amigos e parentes; criar
uma rede de contato profissional; atu-
alizar-se com informações e notícias
do dia a dia; adquirir conhecimento;
produzir conteúdo e divulgar as ideias
para outras pessoas são alguns exem-
plos de como tais plataformas digitais
podem servir como bênção para a vida
das pessoas.
Pense!
Quando a rede é lançada na di-
reção determinada pelo Mestre,
o resultado sempre é positivo.
Ponto Importante
Usadas de maneira correta
e com sabedoria, as mídias
sociais podem proporcionar
vários benefícios.
II – OS PERIGOS DAS REDES
SOCIAIS
Se por um lado as redes sociais
apresentam vários fatores positivos,
por outro também podem ser noci-
vas, a depender da forma como são
administradas. Vejamos alguns dos
seus perigos:
1. Vício digital. O vício no uso das
redes sociais é uma realidade e tem
prejudicado a vida de milhares de
jovens e adolescentes da “geração
ponto-com”. A utilização por horas
ininterruptas da internet é um claro
sinal de tal compulsão digital. Rapazes
e moças dependentes que desenvolve-
ram dependência das atividades online
não conseguem vencer a tentação de
acessar seus dispositivos para acompa-
nhar as publicações de seus contatos.
Normalmente, demonstram, como
sintomas, desinteresse pelas demais
atividades da vida real e sensação
de ansiedade e angústia quando não
estão conectadas, em momento de
abstinência. Isso se chama nomofobia!
Caso esteja acontecendo com você, é
hora de buscar ajuda para libertar-se
desse vício! A vigilância e a oração
são hábitos espirituais essenciais
para o crente vencer a dependência
cibernética (Mc 14.38).
2. Uso inadequado do tempo.
Graças ao poder de interatividade das
mídias sociais, há quem passe horas
e mais horas conectadas aos seus
equipamentos digitais consumindo
tempo nas atividades do mundo vir-
tual, seja no decorrer do dia, da noite
e até mesmo durante as madrugadas.
Isso resulta em ociosidade, atrasos e
pouco (ou quase nenhum) tempo para
estudo, leitura das Escrituras, intera-
ção com as pessoas do mundo real e
para outras atividades importantes. Há
tempo para todas as coisas debaixo
do céu (Ec 3.1) e podemos presumir
que há tempo de estar conectado e
tempo de estar desconectado das
mídias sociais. Afinal, somos acon-
selhados a aproveitar o tempo pois
os dias são maus. Se você não tem
mais tempo para orar e desfrutar de
períodos devocionais com o Senhor,
em virtude do tempo gasto na internet,
então, parafraseando Marcos 1.18, é
necessário deixar as redes sociais
para estar com Jesus!
3. Pornografia na rede. As mídias
sociais também abrem várias possibilida-
des de acesso à pornografia e conteúdos
imorais que aguçam a concupiscência
da carne e a concupiscência dos olhos.
Pesquisa realizada pelo Instituto Barna
apontou que a nova realidade tecnoló-
gica dos smartphones e da internet de
68 JOVENS
alta velocidade mudaram fundamental-
mente a paisagem da pornografia e a
introduziram na cultura atual, passando
a ser cada vez mais aceita. Davi caiu em
um momento de descuido em sua vida,
que o levou ao adultério (2 Sm 11.1,2).
Tome cuidado com as páginas que você
acessa na internet; um clique errado
pode ser fatal para sua integridade
moral e espiritual. Todas as coisas nos
são lícitas, mas nem todas nos convêm
(1 Co 10.23). Tal recomendação bíblica
também se aplica aos bate-papos vir-
tuais e às conversas eletrônicas, que
às vezes podem conduzir para a troca
de conteúdos inadequados. Seja fiel a
Deus, ainda que as pessoas não estejam
vendo o que você faz!
4. Perigo da superexposição. A
exposição exagerada é outro perigo
real na utilização das mídias sociais.
O compartilhamento indiscriminado
e impulsivo de opiniões, imagens e
acontecimentos da vida particular
expõe indevidamente a imagem de
alguém. Em muitos casos, essa busca
de “curtidas” representa certa fuga
da realidade e desejo de aprovação
social. Seguindo o exemplo de Cristo,
devemos nos afastar da cultura de
fama e celebridade instantânea, com
modéstia e singeleza de coração. A
melhor maneira de exposição do crente
na sociedade é por meio do brilho
de Cristo, no meio de uma geração
corrompida e perversa, entre a qual
precisamos resplandecer como astros
no mundo (Fp 2.15).
5. Amizades instantâneas e des-
cartáveis. Na maior parte das vezes,
os “amigos” das redes sociais não
são verdadeiros amigos. Não raro, as
amizades são instantâneas e descar-
táveis. O amigo real é aquele que é
mais chegado que irmão (Pv 18.24).
Pense!
Desconecte-se do mundo virtu-
al e redescubra a alegria de
estar fisicamente com amigos e
familiares.
Ponto Importante
Se você não tem mais tempo
para orar e desfrutar de
períodos devocionais com o
Senhor, em virtude do tempo
gasto na internet, então,
parafraseando Marcos 1.18,
é necessário deixar as redes
sociais para estar com Jesus!
III – USANDO AS REDES SO-
CIAIS PARA A GLÓRIA DE DEUS
Seja como for, podemos aprovei-
tar as plataformas sociais como uma
grande oportunidade para glorificar
o nome do Senhor.
1. Glorificando a Deus em tudo.
Consideremos o que está escrito
em 1 Coríntios 10.31: “Portanto, quer
comais, quer bebais ou façais outra
qualquer coisa, fazei tudo para gló-
ria de Deus”. Todas as nossas ações,
inclusive aquelas que consideramos
mais simples, como acessar a internet,
devem glorificar ao Criador. Quando
o nosso coração está voltado para a
majestade divina, não existem coisas
ordinárias; tudo é extraordinário, pois
se voltam para a glória de Deus. Reflita
se você está usando as redes sociais
com o propósito de glorificar a Deus
ou simplesmente como passatempo
e entretenimento.
O filtro ideal para saber se você tem
usado as redes sociais de modo a en-
grandecer a Cristo está registrado em
JOVENS 69
Filipenses 4.8. Assim, para saber se está
usando adequadamente tais mídias per-
gunte a si mesmo: O que estou fazendo
é verdadeiro? É honesto? É justo? É puro?
É amável? É de boa fama? Há alguma
virtude? Deus está sendo louvado? Se
as respostas forem positivas, então não
há com o que se preocupar.
2. Testemunho no mundo virtual.
As Escrituras afirmam que as pessoas
davam bom testemunho de Timó-
teo (At 16.1,2). Ou seja, enxergavam
nele as evidências, as marcas de
um verdadeiro cristão. Igualmente,
ao imitarem o proceder de Paulo, os
tessalonicenses foram exemplos dos
fiéis na Macedônia e Acaia (1 Ts 1.6-8).
Lembre-se, jovem de que, no ambiente
virtual, você também é avaliado, seja
por meio das palavras ou imagens que
posta, e pelo modo como interage com
os outros. Evitar discussões inúteis,
proceder com respeito e cordialidade
com aqueles que pensam diferente e
produzir conteúdo de qualidade são
algumas boas maneiras de salgar e
iluminar as redes sociais.
3. Evangelização nas redes. As
redes sociais são ambientes propícios
para a pregação do evangelho (Mc
16.15), ante a grande quantidade de
pessoas que acessam tais plataformas.
Nesse ambiente, é importante ter
criatividade e usar pontos de contato
para atrair a atenção dos descrentes,
assim como Paulo fez no Areópago (At
17.23). Para tanto, não devemos con-
fundir evangelismo com proselitismo
religioso. Enquanto o proselitismo
dá ênfase excessiva à religiosidade
e à denominação eclesiástica, de
forma altiva e às vezes autoritária, o
evangelismo genuíno é realizado com
amor e humildade, a fim de oferecer
a salvação proporcionada por Cristo.

Pense!
“Considerando que Deus é o
ser mais criativo do universo,
os cristãos deveriam estar na
vanguarda da criatividade que
explora as novas tecnologias de
comunicação como meios de
propagar ideias, elaborar men-
sagens e comunicar a verdade”
(Terrence Lindvall e Matthew
Melton).
Ponto Importante
Não devemos confundir evange-
lismo com proselitismo religio-
so. Enquanto o proselitismo dá
ênfase excessiva à religiosidade
e à denominação eclesiástica, de
forma altiva e às vezes autori-
tária, o evangelismo genuíno é
realizado com amor e humilda-
de, a fim de oferecer a salvação
proporcionada por Cristo.
As redes sociais são ambientes propícios
para a pregação do evangelho (Mc 16.15),
ante a grande quantidade de pessoas
que acessam tais plataformas.
70 JOVENS
“Dicas de sobrevivência na internet
•Não use o computador depois que
o resto da família estiver na cama. Assim
como as ruas da cidade, a Internet é
mais perigosa quando atravessada
no escuro.
•Seja sábio. Isso é particularmente
verdade na Internet: Não fale com
estranhos.
•Proteja a privacidade de sua família.
Nunca divulgue o seu nome, endereço,
número de telefone ou qualquer outra
informação pessoal na Web.
•Nunca vá conhecer alguém pes-
soalmente sozinho. Se você descobrir
alguém na rede com quem queira se
encontrar no mundo real, tenha certeza
de que seus pais estão com você e
certifique-se que o encontro aconteça
em local público.
•Nunca acesse sites pornográficos.
Satanás tentará lhe falar o contrário,
especialmente no calor do momento,
mas tais sites são perigosos para a sua
alma e seu futuro matrimônio.
•Ouça sua mãe e seu pai. Quando
eles lhe pedirem para se desconectar,
faça-o.
•Socialize-se. Faça pelo menos uma
atividade social não relacionada com
computador com pessoas reais” (ROSS,
Michael. Cresci e agora? 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2013, p. 169).
SUBSÍDIO 2
“O jovem cristão e o mundo virtual
A tecnologia impõe uma nova cul-
tura da competição, da performance,
da simulação, do imediatismo, culto ao
corpo e a crise de identidade. Dentre as
muitas faces da tecnologia, o Mundo
Virtual tem sido o mais nocivo, em
especial aos jovens. O conceito básico
do Mundo Virtual fundamenta-se em
algo que não é físico, que ainda não é
realizado, não concreto e não palpável,
tornando-o extremamente prejudicial
e perigoso. Como sabemos, existem
coisas que não são boas e nem ruins,
pois são simplesmente coisas, isto é,
seus efeitos são determinados pela
forma como são usadas, determinada
pela disposição do coração da pessoa
que as utiliza, e o Mundo Virtual é uma
delas. É possível identificar quando o
Mundo Virtual está sendo benéfico ou
maléfico aos seus usuários, especial-
mente aos jovens.
O Mundo Virtual tem que ser visto
como prejudicial quando:
• O tempo na rede é demasiado
• Estar na rede é mais atraente do
que estar com amigos e familiares
• Para usá-lo é preciso usar de
engano
• O que é essencial é substituído
pelo Mundo Virtual
Você precisa ser honesto consigo
mesmo (caso queira honrar a Deus), e
para isso algumas perguntas são ne-
cessárias: “Você tem usado o Mundo
Virtual com quem, para quê e de que
forma?” (Revista Geração JC. Disponível
em: http://www.geracaojc.com.br/
home/index.php/explore/item/407-o-
-jovem-cristao-e-o-mundo-virtual).
SUBSÍDIO 1
MCDOWELL, Josh. A Verdade Nua e Crua: Amor, sexo e
relacionamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 De acordo com a lição, cite alguns benefícios das redes sociais.
Manter contato com amigos e parentes; criar uma rede de contato profissional;
atualizar-se com informações e notícias do dia a dia; adquirir conhecimento;	
conteúdo e divulgar as ideias para outras pessoas.
2.	Cite, conforme a lição estudada, alguns sintomas do vício digital.
Desinteresse pelas demais atividades da vida real e sensação de ansiedade e
angústia quando não estão conectadas, em momento de abstinência.
3.	Qual versículo bíblico pode ser usado como filtro ideal para saber se estamos
usando as redes sociais de modo a engrandecer a Cristo?
Filipenses 4.8.
4.	Qual a diferença entre evangelismo e proselitismo religioso?
Enquanto o proselitismo dá ênfase excessiva à religiosidade e à denominação
eclesiástica, de forma altiva e às vezes autoritária, o evangelismo genuíno é realizado
com amor e humildade, a fim de oferecer a salvação proporcionada por Cristo.
5.	Você se considera uma pessoa dependente das mídias sociais?
Resposta pessoal.
HORA DA REVISÃO
A suma do que temos estudado nesta lição é a seguinte: use a internet para glorificar
a Deus! Isso ocorrerá se você mantiver a sua identidade cristã no mundo virtual, sem
desprezar as atividades da vida real. Usemos as mídias sociais com sabedoria e equilíbrio!
CONCLUSÃO
72 JOVENS
SÍNTESE
Com sabedoria e
discernimento, o servo de
Deus é capaz de interagir
adequadamente com os meios
de comunicação.
TEXTO DO DIA
“E não comuniqueis com
as obras infrutuosas das
trevas, mas, antes,
condenai-as.” (Ef 5.11)
LIÇÃO
1110/12/2017
SABEDORIA DIVINA PARA
INTERAGIR COM OS
MEIOS DE COMUNICAÇÃO
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – 2 Pe 2.14
Olhos cheios de adultério
TERÇA – 2 Co 11.3
A corrupção dos sentidos
QUARTA – 2 Co 6.14
Não há comunhão entre luz e
trevas
QUINTA – Pv 9.10
O princípio da sabedoria é
temer a Deus
SEXTA – Tg 3.17
A sabedoria do alto
SÁBADO – Hb 1.1
O Deus que se comunica
Dia da Bíblia
JOVENS 73
Professor(a), nesta lição nosso bate-papo com os jovens
é a respeito dos meios de comunicação. A lição destaca a
necessidade de sabedoria divina para o crente interagir
adequadamente com a mídia.
Enfatize nesta aula que os meios de comunicação podem
ser utilizados tanto para o bem quanto para o mal. Com isso
em mente, utilizando o esquema abaixo, peça para os alunos
opinarem sobre as características e os tipos de programas
e entretenimento produzido pela mídia ímpia – aquela des-
compromissada com a moral e os bons costumes, e também
como seria a programação da mídia virtuosa, preocupada em
fornecer notícias, cultura e entretenimento de qualidade.
Considerado o quarto poder, os meios de comunicação pos-
suem notável poder de influência cultural. Na maior parte,
o influir da mídia se dá de maneira negativa, pela produção
e disseminação de conteúdo que passa por cima dos mais
básicos valores morais e familiares, exaltando a violência, a
libertinagem, a pornografia, o adultério e muitas outras prá-
ticas imorais. Sob o disfarce do entretenimento e da cultura
popular de massa, a juventude incauta acaba por ser seduzida
e negativamente influenciada pela mídia ímpia. Nesta lição,
uma vez mais nos voltamos para as Escrituras em busca
de diretrizes para interagir com os meios de comunicação.
Destaque aos alunos que, apesar de difícil, é possível usarmos
tais meios adequadamente, em vez de sermos usados por
eles. O princípio básico é sabedoria do alto!
•	MOSTRAR a influência dos meios de comunicação;
•	CONSCIENTIZARarespeitodoperigosdofalsoentretenimento;
•	EXPLICAR sobre a importância de utilizar os meios de
comunicação com sabedoria.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
MÍDIA ÍMPIA MÍDIA VIRTUOSA
74 JOVENS
I – OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
E SUA INFLUÊNCIA CULTURAL
1. A importância e a utilidade da
mídia. Não há como negar a importância
e a utilidade dos meios de comunicação
na vida moderna, pois permitem ao ser
humano transmitir e receber informa-
ções. Embora se aplique à comunicação
interpessoal, a exemplo do telefone e
da carta, o termo geralmente se refere
à comunicação em massa, aludindo
aos instrumentos e canais que alcan-
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Em termos bíblicos, sabedoria não significa conhecimento adquirido ou
inteligência para resolver equações matemáticas; ela está relacionada com
discernimento e habilidade para tomar boas decisões. O princípio da vida
sábia é o temor ao Senhor (Pv 9.10). Os crentes são convidados a buscar a
sabedoria do alto, pois ela é pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia
de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia (Tg
3.17). Tal sabedoria é essencial para interagirmos adequadamente com os
meios de comunicação. Este é o assunto da lição de hoje!
TEXTO BÍBLICO
Efésios 5.1-14
1 	 Sede, pois, imitadores de Deus, como
filhos amados;
2	 e andai em amor, como também Cristo
vos amou e se entregou a si mesmo
por nós, em oferta e sacrifício a Deus,
em cheiro suave.
3	 Mas a prostituição e toda impureza ou
avareza nem ainda se nomeiem entre
vós, como convém a santos;
4	 nem torpezas, nem parvoíces, nem
chocarrices, que não convêm; mas,
antes, ações de graças.
5	 Porque bem sabeis isto: que nenhum
fornicador, ou impuro, ou avarento, o
qual é idólatra, tem herança no Reino
de Cristo e de Deus.
6	 Ninguém vos engane com palavras
vãs; porque por essas coisas vem a
ira de Deus sobre os filhos da deso-
bediência.
7 	 Portanto, não sejais seus companheiros.
8	 Porque, noutro tempo, éreis trevas,
mas, agora, sois luz no Senhor; andai
como filhos da luz
9 	 (porque o fruto do Espírito está em
toda bondade, e justiça, e verdade),
10	 aprovando o que é agradável ao Senhor.
11 	 E não comuniqueis com as obras infrutu-
osas das trevas, mas, antes, condenai-as.
12	 Porque o que eles fazem em oculto,
até dizê-lo é torpe.
13	 Mas todas essas coisas se manifestam,
sendo condenadas pela luz, porque a
luz tudo manifesta.
14 	 Pelo que diz: Desperta, ó tu que dor-
mes, e levanta-te dentre os mortos, e
Cristo te esclarecerá.
JOVENS 75
çam várias pessoas ao mesmo tempo,
como jornais, revistas, rádio, televisão
e a própria internet.
2. Para o bem e para o mal. A comu-
nicação é dom de Deus (Gn 3.8), mas o
homem caído subverte-a para propósitos
inadequados. Assim, os meios de comuni-
cação não são maléficos por natureza, vai
depender da forma como são utilizados
e dos valores que transmitem. Sob esse
enfoque, a mídia pode servir tanto para
disseminar ódio, pornografia e violência,
como pode fornecer notícias, cultura e
entretenimento de qualidade.
No início do Século XVI, por exemplo,
a criação da imprensa de tipos móveis
revolucionou a comunicação de massa,
fato este que contribuiu com a Reforma
Protestante iniciada por Martinho Lu-
tero, já que a Bíblia foi o primeiro livro
a ser impresso, facilitando o acesso à
Palavra de Deus.
3. O poder de influência dos meios
de comunicação. Igualmente evidente
é o poder de influência que os meios de
comunicação exercem sobre a mente
humana, seja de maneira explícita ou
subliminar. A cultura popular, os gostos e
os valores de grande parte da população
são amplamente moldados pelos co-
merciais, músicas e slogans propagados
nos programas de TV e nos filmes de
Hollywood. Isso explica porque muitos
jovens formam seus sonhos, opiniões e
visões de mundo com base em letras
de músicas, campanhas publicitárias
e frases difundidas na mídia, sem ao
menos refletirem sobre a veracidade e
a coerência do conteúdo.
Pense!
Qual a dimensão da influência
da mídia em sua vida?
Ponto Importante
Os meios de comunicação não
são maléficos por natureza.
Depende da forma como são
utilizados e dos valores que
transmitem.
II – A MÍDIA ÍMPIA E OS PERIGOS
DO FALSO ENTRETENIMENTO
1. A eficácia destrutiva da mídia
ímpia. A mídia ímpia, descompromis-
sada com os valores morais, espirituais
e familiares, é eficiente em produzir
programas, séries, músicas e filmes
que exploram a concupiscência da
carne, a concupiscência dos olhos e a
soberba da vida (1 Jo 2.16). Transmite-
-se a ideia de completa naturalidade
na prática da luxúria (1 Co 5.1), do
adultério (2 Pe 2.14), do orgulho (2 Pe
2.18), da bebedice (1 Pe 4.3), do roubo
e da vingança, assim como exaltam a
mentira e a libertinagem irresponsável
e a corrupção (2 Pe 2.19).
Utilizando a estratégia da emoção e
de enredos românticos, tais produções
tentam convencer os expectadores
da suposta normalidade da bruxaria,
da homossexualidade e de outras
práticas pecaminosas. Ao mesmo
tempo, ridicularizam a Deus, a Igreja
e os valores cristãos, sob o título de
“entretenimento”.
2. A sedução do falso entreteni-
mento. Esse tipo de falso entreteni-
mento produzido pela mídia perversa
impacta negativamente a vida dos
expectadores contumazes. Essa não
é uma afirmação eminentemente re-
ligiosa. Pesquisas científicas apontam
que a exposição constante a certos
conteúdos influencia diretamente
o comportamento humano. Ado-
76 JOVENS
lescentes e jovens que se expõem
excessivamente a programas que
incentivam a sexualidade precoce,
a violência e o consumo de álcool,
desenvolvem, com passar do tempo,
esses mesmos hábitos. Pesquisadores
da Universidade de Otago, na Nova
Zelândia, concluíram que crianças
que passam muito tempo em frente
à televisão sentem mais emoções
negativas e tendem a apresentar uma
personalidade agressiva e antissocial
ao longo da vida.
Jovem, esteja em constante vigi-
lância. Não permita que esse tipo de
conteúdo entre em seu lar e em sua
mente!
4. A manipulação da sociedade e
das mentes. É necessário reconhe-
cer também que a indústria da mídia
manipula informações e a opinião
pública, tanto para fins ideológicos ou
por interesses comerciais. Lançam-se
campanhas e mais campanhas pu-
blicitárias com o objetivo de vender
determinados produtos, por meio do
incentivo ao consumo desenfreado.
Dentre milhares de expectadores, os
que não possuem discernimento e
não sabem filtrar criticamente a grande
gama de informações que recebem,
acabam manipulados como verdadeiras
marionetes.
Pense!
“A cultura, como a natureza,
detesta o vazio. Apressa-se
em encher o vácuo do desejo
humano. Nesse processo, as
pessoas podem ser seduzidas
pelo aparecimento da cultura
popular, que são falsificações
da voz de Deus” (Terrence
Lindvall e J. Matthew Melton).
Ponto Importante
Utilizando a estratégia da emo-
ção e de enredos românticos,
tais produções tentam conven-
cer os expectadores da suposta
normalidade da bruxaria, da
homossexualidade e de outras
práticas pecaminosas.
III – UTILIZANDO OS MEIOS DE
COMUNICAÇÃO COM SABE-
DORIA
Diante desse panorama, como de-
vem agir os cristãos em relação aos
meios de comunicação?
1. Entretenimento com piedade. Na
condição de filhos da luz, os crentes não
devem comunicar com as obras infrutuo-
sas das trevas, mas condená-las (Ef 5.11).
Isso implica selecionar com cuidado e
temor a Deus os programas que assiste,
pois o verdadeiro discípulo de Jesus
não tem a sua consciência cauterizada
pelo pecado (1 Tm 4.2). Tudo o que é
depravado, impuro e enaltece as obras
da carne não pode ser considerado pelo
servo de Deus como entretenimento. Na
perspectiva bíblica, o entretenimento
nunca é separado da piedade (1 Tm 6.6).
Em todo o tempo devemos dar mostras
da nossa regeneração, inclusive no
momento de recreação.
2. O uso sábio da mídia. Não é nada
fácil interagir adequadamente com os
inúmeros recursos midiáticos que são
hoje ofertados. Mas, com a sabedoria
do alto e com a ajuda do Espírito Santo
temos condições de despojar da velha
natureza (Cl 3.8,9) e desenvolver hábitos
saudáveis. A realização de cultos do-
mésticos, oração e o jejum são práticas
essenciais para confrontar o desejo
carnal pelo consumo da mídia. Quanto
JOVENS 77
mais desenvolvemos estes hábitos, mais
nos afastamos da sedução da cultura
popular. Quanto mais nos aproximamos
de Deus,mais nos distanciamos da
influência maligna da mídia.
3. Influenciando a mídia. O relacio-
namento do cristão com a mídia não se
resume a separar o joio do trigo. Podemos
nos valer da sabedoria divina para usar
a mídia em prol do Reino de Deus, tanto
para anunciar o evangelho, como propor-
cionar cultura, educação e informação em
sintonia com os valores e princípios das
Escrituras. Isso porque, a comunicação
não é uma invenção do Diabo, mas de
Deus. Portanto, não há como nos furtar de
comunicar as verdades bíblicas por meio
da mídia, segundo afirmam os pastores
norte americanos James Kennedy e
Jerry Newcombe: “Acabou o tempo de
apenas reclamarmos entre nós sobre o
ataque ao Cristianismo nos filmes e na
TV. É tempo de agir. É tempo de fazer-
mos nossas vozes audíveis por aqueles
que estão envolvidos na perseguição
contra os cristãos. É tempo de escrever
cartas ao editor. É tempo de orar pelos
cristãos que estão na mídia e de levar
mais pessoas a Cristo, inclusive aquelas
que estão na mídia. Enfim, é tempo de
os cristãos entrarem corajosamente nos
meios de comunicação”.
Pense!
Entretenimento com discerni-
mento é virtude do crente.
Ponto Importante
A realização de cultos
domésticos, oração e o jejum
são práticas essenciais para
confrontar o desejo carnal pelo
consumo da mídia.
Anotações
78 JOVENS
“Não precisamos ver muito da mídia
de entretenimento para descobrir se
é ruim. Nossos padrões baseados na
Escritura (não nos padrões da cultura
popular), mais o testemunho do Espírito
Santo dentro de nós, deveriam filtrar
muitos produtos da cultura popular
de nossa consideração, para não dizer
de nossa frequência. Aguçar nossas
habilidades críticas de ver exige que
adquiramos uma gramática básica
e um entendimento de produção.
Podemos aprender a reconhecer os
efeitos retóricos e emocionais que a
escolha de atores e atrizes, música,
iluminação, ângulos de filmagem e
muitas outras técnicas de edição,
causam em nossas reações a diferen-
tes filmes ou programas de televisão.
Também podemos sondar os valores
explícitos e implícitos no filme. Por
exemplo, qual é a visão da natureza
humana e do dilema humano que o
filme apresenta? Que posições morais
ou intelectuais assume? Sua visão da
vida é relativista, existencialmente sem
sentido, determinista, romantizada?
Como retrata a religião, Deus, a igreja ou
o cristianismo? Contribui para a nossa
percepção de vida como mais violenta
ou ridícula ou sublime? Finalmente,
nossa perspectiva sobre a mídia deve
ser testada continuamente dentro ou
contra uma comunidade de família,
amigos, igreja, professores e outros
cristãos. Com certeza tal interação
sincera e aberta de discussão e debate
causa um maior impacto em nós do
que o próprio programa” (PALMER,
M. D. (Ed.). Panorama do Pensamento
Cristão. 1.ed., RJ: CPAD, 2001, p. 418).
SUBSÍDIO 2
“Cultura Popular e Mídia
Graças à tecnologia moderna das
comunicações, a cultura popular tor-
nou-se incomodamente penetrante.
A cultura popular está em todas as
partes, moldando os nossos gostos,
linguagem e valores. Hoje a cultura
popular aparece em cada cartaz, grita
da televisão em inúmeros canais du-
rante o dia inteiro, explode em nossos
computadores, ressoa no rádio do carro
e enfeita nossas camisetas e tênis.
Nenhum de nós consegue escapar.
À medida que a cultura popular se
espalhou, o seu conteúdo piorou de
maneira chocante. Não é preciso dizer
que durante as últimas três ou quatro
décadas o nível do sexo e da violência
cresceu imensamente nos cinemas, na
música, na televisão e até mesmo nas
revistas em quadrinhos. Naturalmente
os cristãos sempre tiveram de lidar com
as coisas que eram vulgares, luxuriosas
ou grosseiras, mas na maioria dos casos
nós podíamos simplesmente evitá-las.
Hoje isto é praticamente impossível.
Podemos desfrutar da ‘comida rápida’
cultural desde que estejamos treinados
para ser seletivos, desde que não nos
entreguemos aos hábitos do escapismo
e da distração, e desde que definamos
limites para que as sensibilidades da
cultura popular não moldem o nosso
caráter” (COLSON, C.; PEARCEY, N. O
Cristão na Cultura de Hoje. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2006, p.287,288).
SUBSÍDIO 1
KENNEDY, D. James; NEWCOMBE, JERRY. As Portas do
Inferno não Prevalecerão. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 Conforme a lição, por que se afirma que os meios de comunicação não são ma-
léficos por natureza?
Pois depende da forma como são utilizados e dos valores que transmitem. Sob
esse enfoque, a mídia pode servir tanto para disseminar ódio, pornografia e
violência, como pode fornecer notícias, cultura e entretenimento de qualidade.
2.	Como são as estratégias da mídia para convencer os expectadores da maturidade
de comportamentos desvirtuados?
A estratégia da emoção e de enredos românticos.
3.	Segundo a lição, quais práticas são essenciais para confrontar o desejo carnal
pelo consumo da mídia?
A realização de cultos domésticos, oração e o jejum.
4.	Em relação à mídia, o cristão pode valer-se da sabedoria divina para fazer o quê?
Usar a mídia em prol do Reino de Deus, tanto para anunciar o Evangelho, como
proporcionar cultura, educação e informação em sintonia com os valores e prin-
cípios das Escrituras.
5.	Na sua opinião, o que os cristãos poderiam fazer para desenvolver meios de
comunicação virtuosos?
Resposta pessoal.
Se o nosso Deus é um Deus que se comunica e interage com o ser humano, é do seu
interesse que os seus servos igualmente sejam hábeis na arte da comunicação. Desse
modo, os meios de comunicação podem auxiliar a Igreja e os cristãos a realizar tal
tarefa. Além de confrontar o falso entretenimento que destrói os valores familia-
res e morais da sociedade, podemos anunciar a Palavra, educar e difundir virtudes
através da mídia.
CONCLUSÃO
HORA DA REVISÃO
80 JOVENS
LIÇÃO
1217/12/2017
SÍNTESE
Saber defender a fé é
essencial para o crente
demonstrar a relevância
cristã no meio estudantil.
TEXTO DO DIA
“[...] e estai sempre preparados
para responder com
mansidão e temor a qualquer
que vos pedir a razão da
esperança que há em vós.”
(1Pe 3.15)
A EDUCAÇÃO
SECULAR EM TEMPOS
TRABALHOSOS
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Pv 9.9
Dá instrução ao sábio e ele se
fará mais sábio
TERÇA – Cl 1.9,10
Sabedoria e inteligência
espiritual
QUARTA – Jo 1.1
Cristo, o Verbo e a sabedoria
de Deus
QUINTA – Dn 1.17-20
Daniel, jovem sábio e inteligente
SEXTA – Jd 3
Batalhando pela fé
SÁBADO – 2 Tm 3.16
Escritura inspirada para
ensinar
JOVENS 81
Professor(a), considerando o ambiente desafiador das escolas
e universidades da atualidade, nesta aula, instigue seus alunos
a se aprofundarem em apologética cristã. Por meio dela, o
crente poderá apresentar as razões da esperança cristã (1 Pe
3.15). Explique que “a palavra apologética deriva do termo
grego apologia, um termo relativo à defesa de alguém no
tribunal, um discurso de justificação (At 22.1; 26.1). Sempre
que, como cristãos, somos confrontados a apresentar os
fundamentos da nossa fé e desafiados a argumentar sobre
a existência de Deus, sobre a divindade de Cristo ou ainda
acerca da veracidade das Sagradas Escrituras, por exemplo,
precisamos apresentar respostas satisfatórias em defesa
do cristianismo” (O Cristão e a Universidade, CPAD, p. 183).
Caro(a) professor(a), a presente aula é propícia para refletir
com seus alunos acerca dos dilemas e conflitos que eles
enfrentam no ambiente educacional, tanto escolas quanto
universidades. Nesta lição, deixe claro que, embora pesquisas
indiquem um elevado índice de cristãos que se afastam da
igreja após ingressarem em cursos de nível superior (pelo
menos 60%), as faculdades não são responsáveis diretas pelo
desvio espiritual dos crentes. Na verdade, tal índice também
é elevado entre aqueles que não ingressam na universidade.
A juventude é uma fase de mudanças e de aquisição de maior
liberdade. Assim, aqueles que não possuem um compromisso
profundo com Cristo e não sabem como manter a fé diante
dos questionamentos tão comuns no ambiente acadêmico,
normalmente hostil à religião, acabam se afastando de Deus
e da igreja. Nesse estudo, enfatize a importância da educação
secular, mas também a importância do discípulo de Jesus
capacitar-se bíblica e apologeticamente para enfrentar os
ataques que surgirão.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
•	CONHECER as características da educação em tempos
pós-modernos;
•	REFLETIR a respeito da contribuição do cristianismo para
a história da educação e da ciência;
•	FALAR sobre o relacionamento do cristão com a escola e a
universidade.
82 JOVENS
I – EDUCAÇÃO EM TEMPOS
PÓS-MODERNOS
1. Relativismo. A filosofia educacio-
nal que dita grande parte do ensino nas
salas de aula de hoje fundamenta-se
no relativismo, o qual nega a existência
da verdade objetiva e afirma que cada
pessoa pode construir a sua própria ver-
dade. Nessa concepção, a sua verdade
é a sua verdade, e a minha verdade é
a minha verdade; e as crenças são, em
última análise, questão de contexto
social, gostos e interesses pessoais.
“O que é certo para nós talvez não o
seja para você” e “o que está errado em
nosso contexto talvez seja aceitável ou
até mesmo preferível no seu”, dizem
os relativistas. Ao descontruir valores
e princípios imutáveis, o relativismo
pedagógico promove inversão de
valores e acaba com os referenciais
éticos para a sociedade e consequen-
temente, os que se submetem a esse
tipo de educação aprendem sempre,
mas nunca chegam ao conhecimento
da verdade (2 Tm 3.7).
Isso não é perigoso somente para
a fé cristã — que têm na existência
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
No final do século XX o mundo passou por profundas mudanças sociais,
culturais e tecnológicas, dando início à pós-modernidade. Acompanhando
o espírito desta época, a filosofia educacional das escolas e faculdades de
hoje é marcada pelo relativismo, pelo naturalismo ateísta e pela doutrinação
ideológica, representando, assim, enorme desafio aos estudantes cristãos.
O intuito desta lição é demonstrar que a Bíblia não aprova o anti-intelec-
tualismo e a aversão ao estudo sistematizado. Ao mesmo tempo, veremos
a necessidade de preparo bíblico e apologético do jovem cristão, para
confrontar os ataques proferidos pelos inimigos da cruz.
TEXTO BÍBLICO
2 Timóteo 3.1-7
1 	 Sabe, porém, isto: que nos últimos dias
sobrevirão tempos trabalhosos;
2	 porque haverá homens amantes de
si mesmos, avarentos, presunçosos,
soberbos, blasfemos, desobedientes
a pais e mães, ingratos, profanos,
3	 sem afeto natural, irreconciliáveis,
caluniadores, incontinentes, cruéis,
sem amor para com os bons,
4 	 traidores, obstinados, orgulhosos, mais
amigos dos deleites do que amigos
de Deus,
5 	 tendo aparência de piedade, mas ne-
gando a eficácia dela. Destes afasta-te.
6	 Porque deste número são os que se
introduzem pelas casas e levam cativas
mulheres néscias carregadas de peca-
dos, levadas de várias concupiscências,
7	 que aprendem sempre e nunca podem
chegar ao conhecimento da verdade.
JOVENS 83
da verdade objetiva um de seus fun-
damentos — mas é perigoso para a
sociedade em geral. Ao desconstruir
valores e princípios imutáveis, o rela-
tivismo pedagógico promove inversão
de valores e acaba com os referenciais
éticos para a sociedade.
2. Naturalismo ateísta. Apesar de
ser fruto da modernidade, período que
depositou a confiança no método cien-
tífico, o naturalismo ateísta predomina
ainda hoje nas escolas e universidades.
Ao desconsiderar antecipadamente a
existência de Deus como algo possí-
vel (Rm 1.21), tal pensamento defende
que o universo, a vida e o ser humano
são resultantes de fatores aleatórios
e acidentais, destituídos de qualquer
sentido, propósito e valor intrínseco.
Esse tipo de pensamento que dita
hoje as aulas da grande maioria das
universidades seculares, a partir da
premissa que o avanço científico fez
desaparecer a necessidade de um Cria-
dor para explicar a origem do universo
e da espécie humana. Essa é a razão
pela qual hoje boa parte dos estudantes
universitários são convidados a deixarem
suas “crenças religiosas ultrapassadas”
longe das salas de aulas, pois esse
espaço, segundo dizem, é destinado à
produção imparcial de conhecimento
segundo evidências cientificas (e não
baseado na fé). Essa filosofia está pre-
sente não somente nas ciências naturais,
mas em todas as áreas da produção
acadêmica, incluindo-se aí as ciências
exatas, biológicas, humanas e sociais.
3. Doutrinação ideológica. De muitas
maneiras, o ensino contemporâneo está
impregnado de ideologias partidárias,
antirreligiosas e até mesmo imorais.
Educadores tendenciosos, em vez de
ensinarem tão somente o conteúdo
de suas disciplinas, buscam realizar
verdadeira doutrinação ideológica dos
alunos, enredando-os com filosofias e
vãs sutilezas (Cl 2.8). Em outros casos,
o próprio poder público tenta induzir os
alunos a assimilarem noções distorcidas
sobre ética, sexualidade e religião em
sintonia com as ideias daqueles que
ocupam o poder, mediante programas e
adoção de material literário que sirvam
aos seus interesses.
Pense!
“Os homens se tornaram
cientistas porque esperavam
haver leis na natureza, porque
acreditavam num legislador”
(C. S. Lewis).
Ponto Importante
A filosofia educacional que dita
grande parte do ensino nas salas
de aula de hoje fundamenta-se
no relativismo, o qual nega a
existência da verdade objetiva
e afirma que cada pessoa pode
construir a sua própria verdade.
II – A CONTRIBUIÇÃO DO CRIS-
TIANISMO PARA A HISTÓRIA DA
EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA
1. O valor da educação. Somente
a fé cristã fornece adequadamente o
pressuposto que fundamenta a ne-
cessidade da educação. A doutrina da
depravação humana (Rm 3.23) explica
a natureza do homem e ao mesmo
tempo exige um processo pedagógico
de constante instrução acerca da Lei de
Deus. Nessa perspectiva, a educação
não é um fim e si mesmo. Ela serve
para nos proporcionar conhecimento
e desenvolver habilidades e atitudes
que honrem o propósito de Deus para
84 JOVENS
o ser humano. Certo teólogo inglês
captou essa verdade ao dizer que “o
conhecimento deve, em primeiro lu-
gar, nos conduzir à adoração a Deus,
a quem nos submetemos com plena
admiração” (Rm 11.33).
2. O surgimento das universida-
des. Em decorrência disso, a história
da educação e do surgimento das
primeiras universidades no Ocidente
(Paris, Bolonha, Oxford, Cambridge)
está intimamente ligada ao cristianis-
mo. A própria palavra “universidade” foi
concebida com a ideia de encontrar
unidade na diversidade. Com base nas
Escrituras, acreditava-se numa verdade
fundamental, que interligava todas as
áreas do pensamento humano. Como
o Deus cristão é único, a fonte de todas
as verdades, o currículo era unificado
pois esperava-se que toda disciplina
lançasse luz sobre as demais e com
elas se harmonizasse.
3. Fé cristã e a ciência. Igualmen-
te, não há como falar em ciência sem
mencionar a contribuição cristã. O pen-
samento de que o universo obedece a
um conjunto de leis fixas e que o papel
do cientista é basicamente desvendar
tais leis, surge da concepção cristã.
Nesse sentido, C. S. Lewis escreveu: “Os
homens se tornaram cientistas porque
esperavam haver leis na natureza, por-
que acreditavam num legislador”. Isso
explica porque proeminentes cientistas
do passado acreditavam em Deus,
homens como Galileu, Kepler, Pascal,
Boyle, Newton, Faraday, Babbage e
Mendel. A boa ciência, portanto, não
refuta a existência do Criador! Ela re-
vela as maravilhas da criação de Deus
(Rm 1.19,20).
Pense!
“A Educação Cristã, tendo como
base o Evangelho de Cristo,
transforma radicalmente o ser
humano, tornando-o útil a Deus,
à sociedade e a si mesmo” (Clau-
dionor de Andrade).
Ponto Importante
O pensamento de que o universo
obedece a um conjunto de leis
fixas e que o papel do cientista é
basicamente desvendar tais leis,
surge da concepção cristã.
Anotações
JOVENS 85
“Seja qual for o motivo que enseje
o abandono da fé cristã, a universidade
não é culpada pelo desvio espiritual
das pessoas. Muito embora os números
apresentados nas pesquisas possam
levar apressadamente a esta conclusão,
precisamos ter o máximo de cautela
antes de concluir que a academia não
é lugar para cristão, pois – para além
de outros fatores – a grande maioria
dos estudos não traça um paralelo
com o abandono da fé daqueles que
não chegaram a ir para a universidade.
Em análise interessante sobre o
tema, Frank Turek concluiu que o
abandono da fé também é elevado
entre os que não vão para a faculdade.
Turek observou que após o término do
ensino médio é comum que jovens
cristãos pretendam dar uma pausa
em seu relacionamento com a igreja,
e isso acontece tanto em relação aos
católicos quanto aos evangélicos, em
virtude – diz ele – do ´cristianismo
fácil e de entretenimento tão pregado
atualmente, o qual não incentiva as
pessoas a desenvolverem uma vida
cristã focada na verdade, mas sim
na emoção”(NASCIMENTO, Valmir. O
Cristão e a Universidade. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016, p. 26).
“O professor comprometido com
a orientação bíblica para a vida e o
ministério assume obrigação perpétua
com a integridade da verdade. Deus,
como fonte suprema de toda a verdade,
dotou o Universo de insinuações dessa
verdade, e a operação da graça comum
permite que homens falíveis e até não
convertidos divulguem elementos des-
sa verdade. Por essa razão, os cristãos
não devem arbitrariamente descartar
a possibilidade de conclusões válidas
que emergem de estudos empíricos
do comportamento humano. O crente
também compreende que a verdade
é declarada mais explicitamente nas
Escrituras; a coerência exige que a
verdade da revelação geral seja confor-
mada com a fornecida pela revelação
especial.
Ao procurar integrar a verdade
precisamos evitar duas tendências
igualmente perigosas. A primeira é
assumir ‘nada mais que’ a Escritura
como guia para formar abordagem
coerente para o educando. A Bíblia fala
frequente e fortemente sobre o papel
constrangedor do ensino para levar as
pessoas à fé e maturidade espiritual,
mas em grande parte é silenciosa a
respeito de métodos eficazes. O perigo
oposto acha-se na aceitação inques-
tionável dos achados científicos sem
examiná-los à luz da verdade bíblica”
(GANGEL, K.; HENDRICKS, H. G. (Eds.)
Manual de Ensino para o Educador
Cristão: Compreendendo a natureza,
as bases e o alcance do verdadeiro
ensino cristão. 1 ed., Rio de Janeiro:
CPAD, 1999, p. 107).
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
♣
NASCIMENTO, Valmir. O Cristão e a Universidade: Um
guia para a defesa e o anúncio da cosmovisão cristã no
ambiente universitário. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 De acordo com a lição, o que é relativismo?
Pensamento que nega a existência da verdade objetiva e afirma que cada pessoa
pode construir a sua própria verdade.
2.	O que o naturalismo ateísta defende?
Tal pensamento defende que o universo, a vida e o ser humano são resultantes
de fatores aleatórios e acidentais, destituídos de qualquer sentido, propósito e
valor intrínseco.
3.	Segundo a lição, para que serve a educação?
Ela serve para nos proporcionar conhecimento e desenvolver habilidades e ati-
tudes que honrem o propósito de Deus para o ser humano.
4.	As primeiras universidades estão ligadas ao cristianismo?
Sim. A história da educação e do surgimento das primeiras universidades no Oci-
dente (Paris, Bolonha, Oxford, Cambridge) está intimamente ligada ao cristianismo.
5.	Segundo a lição o que significa a palavra “universidade”?
A palavra “universidade” foi concebida com a ideia de encontrar unidade na
diversidade.
HORA DA REVISÃO
Não há, afinal, incompatibilidade entre fé cristã e intelectualidade. Assim como Daniel
e seus amigos, os crentes podem sobressair no meio estudantil, inclusive no ambiente
universitário, visto que somente a Palavra de Deus fornece as bases adequadas para a
plena formação do ser humano.
CONCLUSÃO
JOVENS 87
SÍNTESE
Consumo santificado é a
chave bíblica para viver com
moderação e rejeitar
o consumismo.
TEXTO DO DIA
“Por que gastais o dinheiro
naquilo que não é pão? E o
produto do vosso trabalho
naquilo que não pode
satisfazer?”(Is 55.2).
LIÇÃO
1324/12/2017
EAGORA,COMO
VIVEREMOSNASOCIEDADE
DECONSUMO?
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – 1 Co 7.23
A melhor de todas as compras
TERÇA – Jo 4.8
Os discípulos vão às compras
QUARTA – Mt 16.26
Não adianta ganhar o mundo e
perder a alma
QUINTA – Pv 23.23
Espírito de moderação
SEXTA – Rm 12.9
Apegue-se ao bem
SÁBADO – Hb 12.14
Seguindo a santificação
88 JOVENS
Professor(a), escreva no quadro ou em outro recurso visual
o termo “Consumo santificado”. Depois, peça para os alunos
dizerem o que entendem por santidade e se é possível
aplicar a santidade aos hábitos de consumo. Explique que a
santidade que Deus espera de seus filhos aplica-se a todas
as áreas da vida humana, inclusive na prática de compras,
a fim de tornar o crente moderado, resistindo aos apelos
das propagandas e dos desejos carnais.
Prezado(a) professor(a), você acha estranho falarmos em
“consumo santificado?”Geralmente, pensamos em santidade
como algo distante da realidade do cotidiano; ou conforme
escreveu John Eldredge, no livro Santidade que Liberta (CPAD),
como algo “espiritualmente elitista e, francamente bastante
severo. Abrir mão de prazeres mundanos, coisas inocentes
como açúcar, música ou pesca; viver uma vida inteiramente
‘espiritual’; orar muito, ser uma pessoa muito boa. Algo
que apenas os santos muito antigos conseguiram”. Mas, é
preciso recordar que a santidade é algo que abrange toda a
maneira de viver de quem se entregou uma vez a Cristo (1
Pe 1.15), o que inclui a prática do consumo. Eldredge explica
que “o amor de Deus procura nos tornar íntegros e santos
a fim de que os seres humanos se tornem o que eles devem
ser”. Certamente, Deus não quer que sejamos consumistas
compulsivos. A santidade é capaz de nos libertar dos desejos
desenfreados da carne.
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
•	CONHECER a era do mercado de consumo;
•	EXPOR os perigos da mentalidade de consumo na Igreja.
JOVENS 89
I – A ERA DO MERCADO DE CON-
SUMO
1. Sociedade de consumo. Você já
percebeu a quantidade de produtos e
serviços colocados àvenda na atualidade?
Vende-se praticamente de tudo. O mundo
parece um grande shopping center. Isso
se deve, em grande parte, às mudanças
ocorridas após o fim do Século XIX, com
o desenvolvimento da industrialização e
a produção cada vez maior dos bens de
consumo. Vivemos, segundo os teóricos,
na “sociedade de consumo”, que se dis-
tingue pelos seguintes fatores: economia
de mercado, oferta em grande escala e
consumo em massa.
2. O papel do marketing. Dentro
da cultura de consumo, a publicidade
comercial desempenha papel prepon-
derante. As pessoas são estimuladas
pelas campanhas publicitárias, muitas
vezes apelativas, a adquirirem novos
produtos. Os anúncios estão ao alcance
dos nossos olhos em todos os lugares,
nos programas televisivos, na internet e
nas avenidas das cidades, tentando nos
seduzir. A indústria midiática se vale de
técnicas psicológicas com o objetivo de
induzir a emoção do público, fazendo
com que as pessoas comprem sem que
tenham necessidade. Atire a primeira
pedra quem nunca se sentiu seduzido
por alguma propaganda.
3. Do consumo ao consumismo.
Evidentemente, o consumo faz parte da
vida humana. Todavia, há sérios riscos à
sociedade e à verdadeira espiritualidade
quando o consumo básico e ordinário
se converte em consumismo: o de-
sejo desenfreado pelas compras. Tal
comportamento inverte as prioridades:
transforma o supérfluo em necessário,
e o necessário em supérfluo. Homens e
mulheres vão às compras pelo simples
prazer carnal de comprar, numa prática
de verdadeira idolatria ao consumo.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Nesta lição, falaremos a respeito da sociedade de consumo. Além de discorrer
sobreosperigosdoconsumismoedamentalidadedeconsumonaigreja,desta-
caremosanecessidadedocrentedesenvolverhábitosdeconsumosantificado.
TEXTO BÍBLICO
Isaías 55.1,2
1	 Ó vós todos os que tendes sede,
vinde às águas, e vós que não tendes
dinheiro, vinde, comprai e comei; sim,
vinde e comprai, sem dinheiro e sem
preço, vinho e leite.
2	 Por que gastais o dinheiro naquilo que
não é pão? E o produto do vosso traba-
lho naquilo que não pode satisfazer?
Ouvi-me atentamente e comei o que
é bom, e a vossa alma se deleite com
a gordura.
90 JOVENS
No consumismo, as pessoas nunca
estão satisfeitas com o que possuem, e
gastam o que têm e até mesmo o que
não têm, endividando-se, para comprar
algo novo. Embora alguns consigam
satisfazer o desejo material, suas almas
no fundo ainda permanecem vazias e
sedentas por algo mais. E assim nunca
se sentem completamente satisfeitas.
II – O PERIGO DA MENTALIDADE
DO CONSUMO NA IGREJA
1. Igrejas e a lógica do mercado. Se
por um lado glorificamos a Deus pelo
crescimento das igrejas evangélicas
nas últimas décadas no Brasil, por outro
ficamos apreensivos com a quantidade
de modismos e inovações que surgem
em decorrência dessas novas expressões
de fé. Nem sempre o crescimento quan-
titativo representa elevação da qualidade
espiritual. Afinal, frequentemente deno-
minações são abertas sem o mínimo de
discernimento bíblico e orientação divina.
Uma reportagem publicada tempos atrás
pela BBC Brasil realçava essa realidade.
Sob o título “Crescimento evangélico
estimula mercado que une consumo
e religião” a matéria destacava a sede
de prosperar e consumir dos religiosos,
assim como as novas estratégias de
negócios das igrejas.
2. Igrejas ao gosto do freguês.
Emerge neste contexto a competição
religiosa, pela qual as igrejas passam
a atuar como verdadeiras agências de
mercado, com base no princípio básico
da lei de consumo: obter as maiores
recompensas por meio dos menores
custos. Para sobressair, alguns minis-
térios passaram a oferecer duas coisas:
benefícios terrenos e baixo custo aos
fiéis. E o resultado, infelizmente, foi a
apresentação do evangelho não como
dádiva, obra da graça de Cristo, e sim
como produto de mercado. Dentro
dessa concepção antibíblica, o crente é
visto como mero freguês, cujos desejos
devem ser atendidos, e o pastor como
um empreendedor, que faz da igreja o
seu próprio negócio (2 Pe 2.3).
A expressão máxima dessa concep-
ção é percebida na teologia da pros-
peridade, que centraliza nas bênçãos
materiais (ou seja, no consumo) o foco do
evangelho. O nível espiritual do cristão é
medido em padrões econômicos, como
roupas de grife, carros de luxo, mansões
e equipamentos de última geração. In-
felizmente, muitos crentes estão sendo
enganados por essa mentira diabólica.
Não importa, jovem, a sua capaci-
dade de consumo, Deus não o avalia
pela quantidade de bens que possui,
mas pela comunhão que tem com Ele!
“Todos os dias você e eu estamos
tomando decisões que nos ajudam a
construir um ou outro tipo de mundo,
estamos nós cooptados pela cosmo-
visão passageira do mundo da nossa
época, ou estamos ajudando a criar um
mundo novo de paz, amor e perdão?
E agora, como viveremos?
Abraçando a verdade de Deus,
entendendo a ordem moral e física
que Ele criou, argumentando amavel-
mente com nossos vizinhos por amor
à verdade, e então tendo a coração de
vivê-la em todos os aspectos da vida.
Corajosamente, sim, e com alegria”
(COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy.
E agora, como viveremos. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2010, p. 566).
SUBSÍDIO
BUENO, Telma. Boas Ideias para Professores de
Educação Cristã. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 O que distingue a sociedade de consumo?
A “sociedade de consumo” se distingue pelos seguintes fatores: economia de
mercado, oferta em grande escala e consumo em massa.
2.	Qual o papel da publicidade dentro da sociedade de consumo?
Dentro da cultura de consumo, a publicidade comercial desempenha papel pre-
ponderante. As pessoas são estimuladas pelas campanhas publicitárias, muitas
vezes apelativas, a adquirirem novos produtos.
3.	De que se vale a indústria midiática para seduzir as pessoas ao consumo?
A indústria midiática se vale de técnicas psicológicas com o objetivo de induzir
a emoção do público, fazendo com que as pessoas comprem sem que tenham
necessidade.
4.	O que o consumismo faz com as prioridades?
Ele inverte as prioridades: transforma o supérfluo em necessário, e o necessário
em supérfluo.
5.	O que alguns ministérios fazem para sobressair na sociedade de consumo?
Para sobressair, alguns ministérios passaram a oferecer duas coisas: benefícios
terrenos e baixo custo aos fiéis. E o resultado, infelizmente, foi a apresentação
do Evangelho não como dádiva, obra da graça de Cristo, e sim como produto
de mercado.
HORA DA REVISÃO
Neste mundo caído, viveremos de acordo com a vontade de Deus, o que implica resistir e
confrontar o pecado, testemunhar o amor de Deus em tudo e proclamar a mensagem simples,
mas poderosa do evangelho: Jesus Cristo salva, liberta, cura, santifica e em breve voltará!
CONCLUSÃO
92 JOVENS
SÍNTESE
O ensino bíblico
cristocêntrico nos ajuda
a viver como “sal” e “luz’
no mundo.
TEXTO DO DIA
“Portanto, ide, ensinai todas
as nações, batizando-as em
nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo.” (Mt 28.19)
A IMPORTÂNCIA DO
ENSINO CRISTÃO NO
MUNDO ATUAL
AGENDA DE LEITURA
SEGUNDA – Lv 10.11
Ensinar os filhos de Deus
TERÇA – Dt 6.7
Pais e professores
QUARTA – Os 4.6
A falta de conhecimento
QUINTA – Os 6.3
Conheçamos a Deus
SEXTA – Os 6.6
Deus deseja o conhecimento
SÁBADO – Mc 12.24
A falta de conhecimento e o
erro
LIÇÃO
1431/12/2017
JOVENS 93
Professor(a), para introduzir a lição escreva no quadro
ou em outro recurso visual as palavras “cristão, escola e
universidade”. Depois, peça para os alunos dizerem o que
vem à mente deles quando ouvem essas palavras. Ouça a
todos com atenção e incentive a participação. Em seguida,
utilizando o conteúdo da lição, explique que a Bíblia não
condena a intelectualidade e o estudo sistematizado e que,
inclusive, encontramos vários versículos que exaltam o
conhecimento e a sabedoria.
Caro(a) professor(a), chegamos ao final de mais um trimestre.
Esperamos que as aulas tenham sido valiosas para o cres-
cimento intelectual e espiritual seu e de seus alunos. Nesta
derradeira aula, falaremos a respeito da importância do
ensino cristão no mundo atual. Veremos que somente por
meio do conhecimento da Palavra de Deus temos condições
de sermos “sal e luz” em meio a uma sociedade em ruínas.
Nesta lição, reflita com seus alunos a respeito dos principais
pontos que foram estudados no decorrer do trimestre. Ao
final, ore com eles, pedindo que o Consolador os inspire e os
dirija para que sejam sal e luz diante dos homens!
OBJETIVOS
INTERAÇÃO
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
•	MOSTRAR a importância do ensino das Escrituras Sagradas;
•	EXPLICAR que a Palavra de Deus não aprova o anti-inte-
lectualismo.
94 JOVENS
I – A IMPORTÂNCIA DO ENSINO
NAS ESCRITURAS
1. Israel e o ensino hereditário e
permanente (Lv 10.11). No Antigo Tes-
tamento, toda tradição e história de
Israel era pautada pela necessidade do
ensino da Lei de Deus para as gerações
seguintes (Dt 6.6-9). Como o plano de
Deus para Israel envolvia as gerações
futuras (Gn 12.2), era imprescindível que
os pais transmitissem aos seus filhos a
Lei do Senhor de forma efetiva (Pv 22.6).
2. Educação contracultural. O ensino,
por isso, tinha prioridade entre os judeus.
Não é sem razão que a palavra hebraica
Torah, que se refere aos primeiros cinco
livros da Bíblia, significa instrução, doutrina
ou lei. O objetivo da educação judaica,
diz César Moisés, “era preservar o povo
de Deus das más influências dos povos
idólatras e corrompidos que havia ao redor
da Terra Prometida, em outros termos
era uma contracultura” (Uma Pedagogia
para a Educação Cristã, CPAD). Em outras
palavras, os descendentes de Abraão
eram educados para servir ao Senhor e
ao mesmo tempo refutar a influência dos
falsos ensinamentos externos.
3. Destruído por falta de conheci-
mento (Jr 32.33; 2 Cr 15.3). Obviamente,
sempre que o povo israelita abandonava
o ensino e a prática da lei, toda a nação
era afetada. Eis o motivo pelo qual Deus
declarou por intermédio do profeta
Oseias: “O meu povo foi destruído, por-
que lhe faltou conhecimento; porque tu
rejeitaste o conhecimento, também eu te
rejeitarei, para que não sejas sacerdote
diante de mim; visto que te esqueceste
da lei do teu Deus, também eu me es-
quecerei de teus filhos” (Os 4.6).
II – O CRISTÃO, A ESCOLA E A
UNIVERSIDADE
1. Intelecto a serviço do Reino. A
Bíblia não aprova o anti-intelectualismo
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Com a graça de Deus, chegamos à última lição do trimestre. Esperamos
que as lições bíblicas estudadas no decorrer deste período tenham sido
de grande proveito para a sua vida, e que os temas e as reflexões em sala
de aula tenham despertado em você o desejo ardente de dar mostras da
relevância cristã em um mundo caído.
TEXTO BÍBLICO
Deuteronômio 6.6-9
6 	 E estas palavras que hoje te ordeno
estarão no teu coração;
7 	 e as intimarás a teus filhos e delas falarás
assentado em tua casa, e andando pelo
caminho, e deitando-te, e levantando-te.
8 	 Também as atarás por sinalna tua mão,
e te serão por testeiras entre os teus
olhos.
9 	 E as escreverás nos umbrais de tua casa
e nas tuas portas.
JOVENS 95
e a aversão ao estudo sistematizado.
Embora desabone o orgulho de filósofos
humanistas (1 Co 1.20; 2.5,6), a Palavra
de Deus aprecia o conhecimento, pois
as Escrituras partem do pressuposto
de que o homem foi criado à imagem
e semelhança de Deus (Gn 1.26), e por
isso é um ser inteligente, comunicativo,
com capacidade de aprender e ensinar.
Jesus foi enfático ao dizer que precisamos
amar a Deus de todo o nosso coração,
de toda a nossa alma, de toda a nossa
força e de todo o nosso entendimento
(Mt. 22.37).
Logo, valorizar a vida da mente é algo
tão espiritual quanto pregar, ensinar ou
louvar. É uma atividade que deve ser
feita em sintonia com a Palavra e para a
glorificação do nome do Senhor. A Bíblia
possui várias passagens exaltando o
conhecimento e a sabedoria (Pv 18.15; 2
Pe 3.18) e alerta para os perigos da sua
falta (Os 4.6).
2. A necessidade de preparo bíblico
e apologético. Ainda que nas escolas e
universidades contemporâneas exista
muito ensino hostil ao cristianismo
bíblico, o cristão deve primar por sua
formação cultural e profissional. Afinal,
as instituições de ensino, em si, não
desviam o crente. Se o cristão tiver o
necessário preparo bíblico e apologé-
tico, não há razão alguma para temer
o ingresso no ambiente educacional.
Certamente, tal preparo envolve uma
educação cristã abrangente, capaz de
habilitar o crente a defender de forma
consistente suas convicções no ambien-
te escolar, de modo a refutar as ideias
e opiniões que se levantam contra o
conhecimento de Deus, e levando cativo
todo o entendimento à obediência de
Cristo (2 Co 10.5).
“Pesquisascomoestasnosdãoafalsa
impressão de que a universidade não é
lugar para aqueles que professam a fé
cristã.Apriori,osnúmerosindicamqueao
ingressarna universidade o jovem cristão
fatalmente será levado a esmorecerna fé
e a abandonara igreja e as suas doutrinas
primordiais.Esetaisconclusõesestiverem
realmente corretas, não há motivos para
defendere muito menos incentivara ida
dos cristãos para um lugar que os fará,
mais cedo ou mais tarde, desacreditarna
veracidade das Escrituras e nas doutrinas
do Cristianismo. Para alguns, isso seria o
mesmo que mandá-los para o campo de
batalha, tendo a morte espiritual como
consequência inescapável.Diante desse
panorama, muitos líderes cristãos não
encaram a instituição universitária com
bons olhos.Além do ambiente intelectual
hostil, a possibilidade do desvirtuamento
moral é outro argumento invocado para
apontaro risco de o cristão frequentarum
curso superior. Outros, ainda, recorrem
a passagens bíblicas analisadas fora do
seu contexto para suscitar uma espécie
de anti-intelectualismo evangélico, afas-
tando os seguidores de Cristo da ciência,
da filosofia e do conhecimento secular”
(NASCIMENTO,Valmir. O Cristão e a Uni-
versidade. 1 .ed. Rio deJaneiro, CPAD, 20).
SUBSÍDIO
Pense!
“Valorizar a vida da mente é algo
tão espiritual quanto pregar, en-
sinar ou louvar. É uma atividade
que deve ser feita em sintonia
com a Palavra e para a glorifica-
ção do nome do Senhor.”
Ponto Importante
Se o cristão tiver o necessário
preparo bíblico e apologético, não
há razão alguma para temer o in-
gresso no ambiente educacional.
CARVALHO, César Moisés. Pentecostalismo e Pós-
Modernidade: Quando a experiência sobrepõe-se à
teologia. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
ESTANTE DO PROFESSOR
Anotações
1.	 Quem deveria transmitir a Lei de forma efetiva às gerações?
Os pais eram os responsáveis.
2.	O que significa Torah?
Se refere aos cinco primeiro livros da Bíblia e significa instrução, doutrina ou lei.
3.	Segundo César Moisés, qual era o objetivo da educação judaica?
Era preservar o povo de Deus das más influências dos povos idólatras e corrom-
pidos que havia ao redor da Terra Prometida.
4.	As instituições de ensino desviam o crente?
De forma alguma.
5.	O que é necessário que o jovem cristão tenha antes de ingressar no ambiente
educacional?
É preciso que o crente tenha conhecimento bíblico e apologético.
HORA DA REVISÃO
Para vivermos neste mundo caído de forma que agrade a Deus não podemos negligenciar
o ensino e o conhecimento das verdades bíblicas, pois somente assim vamos confrontar o
pecado e testemunhar o amor de Deus até a volta a vinda de Jesus.
CONCLUSÃO
A Razão da Nossa Fé
Chegamos em um período de tempos nebulosos:
corrupção,inversões de valores,desvalorização
da família tradicional,intolerância religiosa,heresias
e tantos outros problemas que têm afetado nossa
sociedade e Igreja.
O que podemos fazer para declararmos nossa
fé, e continuarmos sendo o sal e luz do mundo?
Credo, confissão de fé, regra de fé ou declaração
de fé são interpretações autorizadas das Escrituras
Sagradas aceitas e reconhecidas por uma igreja
ou denominação.
O atual contexto social e político por si só exige
uma definição daquilo em que a Igreja crê e
daquilo que professa desde as suas origens.Como
membros do corpo de Cristo não podemos nos
conformar com esse mundo, e devemos mais
que nunca reafirmar nossas doutrinas básicas e
declarar nossa fé em Cristo Jesus.
1176620 Teaser declaração da fé.indd 1 06/07/17 08:50

Rev ebd jovens 4º trimestre - 2017

  • 1.
    L i çõ e s B í b l i c a s 4º trimestre 2017 Seguidores de CristoTestemunhando numa Sociedade em Ruínas Professor cpad.com.br Professor cpad.com.br 2358-8136
  • 2.
    Professor cpad.com.br Lição 1 Relevantes comoo sal, resplandecentes como a luz 3 Lição 2 A cosmovisão cristã em um mundo de vãs ideologias 10 Lição 3 O problema da fome no mundo contemporâneo 17 Lição 4 O cristão diante da pobreza e da desigualdade social 23 Lição 5 Refugiados: um problema da atualidade? 30 Lição 6 Lidando com o preconceito e a discriminação 37 Lição 7 Política e corrupção na perspectiva cristã 44 Lição 8 A resposta cristã para a violência urbana 51 Lição 9 Em tempos de violência cibernética 58 Lição 10 Os perigos e as oportunidades das redes sociais 64 Lição 11 Sabedoria divina para interagir com os meios de comunicação 72 Lição 12 A educação secular em tempos trabalhosos 80 Lição 13 E agora, como viveremos na sociedade de consumo? 87 Lição 14 A importância do ensino cristão no mundo atual 92 SEGUIDORES DE CRISTO Testemunhando numa Sociedade em Ruínas Comentarista: Valmir Nascimento 4º trimestre 2017 4º trimestre 2017
  • 3.
    CASA PUBLICADORA DAS ASSEMBLEIASDE DEUS Comunique-se com a editora da revista de Jovens Por carta: Av. Brasil, 34.401 - Bangu CEP: 21852-002 - Rio de Janeiro/RJ Por e-mail: telma.bueno@cpad.com.br SEGUIDORES DE CRISTO Testemunhando numa Sociedade em Ruínas Neste trimestre, estudaremos a relevância de sermos “sal” e “luz” nesse tempo. Fomos salvos por Cristo para fazer a diferença na vida das pessoas que estão precisando do socorro e da ajuda da Igreja: são os refugiados, os desvalidos que sofrem com a fome e a miséria, vítimas de preconceito e violência, etc. Como discípulos de Cristo, precisamos revelar a nossa fé a estes, fazer a diferença em suas vidas e ser “sal fora do saleiro”. Jesus, no célebre Sermão do Mon- te, enfatizou que nós, seus discípulos somos sal e luz nesta Terra (Mt 5.13-16). Esta responsabilidade não é somente para a liderança da igreja, mas é nossa. Ela tem ecoado em sua vida? Estamos vivendo dias difíceis, um tempo de caos político, econômico, ético e social sem precedentes em nossa nação e no mundo. Um tempo de aflição e desigualdades. Mas, não podemos nos intimidar, precisamos continuar levantando a bandeira de Cristo, trazendo equilíbrio e luz para a nossa nação e o mundo. Fomos chamados, como Igreja, para fazer a diferença. Que Deus o abençoe. Até o próximo trimestre.RIO DE JANEIRO CPAD Matriz Av. Brasil, 34.401 - Bangu - CEP21852-002 Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 2406-7373 - Fax: (21) 2406-7326 E-mail: comercial@cpad.com.br Telemarketing 0800-021-7373 Ligação gratuita Segunda a sexta: 8h às 18h - Sábado de 8h às 14h. Livraria Virtual http://www.cpad.com.br DA REDAÇÃO Presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil José Wellington Costa Júnior Conselho Administrativo José Wellington Bezerra da Costa Diretor Executivo Ronaldo Rodrigues de Souza Gerente de Publicações Alexandre Claudino Coelho Consultoria Doutrinária e Teológica Antonio Gilberto e Claudionor de Andrade Gerente Financeiro Josafá Franklin Santos Bomfim Gerente de Produção Jarbas Ramires Silva Gerente Comercial Cícero da Silva Gerente da Rede de Lojas João Batista Guilherme da Silva Chefe de Arte & Design Wagner de Almeida Chefe do Setor de Educação Cristã César Moisés Carvalho Comentarista Valmir Nascimento Redatora Telma Bueno Designer, Diagramação e Capa Suzane Barboza Fotos Shutterstock
  • 4.
    JOVENS 3 RELEVANTES COMOO SAL, RESPLANDECENTES COMO A LUZ SÍNTESE O viver cristão autêntico é capaz de fazer uma diferença substancial na sociedade, não por meio de palavras, mas através de ações verdadeiras. AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Mc 9.49 Salgados com fogo TERÇA – Pv 4.18 A vereda dos justos brilha QUARTA – Jo 1.7 Dando testemunho da luz QUINTA – Jo 1.9 A luz que ilumina todos os homens SEXTA – Jo 8.12 A luz dissipa as trevas SÁBADO – Tg 1.17 Deus, o Pai das Luzes LIÇÃO 101/10/2017 TEXTO DO DIA “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.” (Mt 5.16)
  • 5.
    4 JOVENS Prezado(a) professor(a),enquanto educadores, temos a nobre tarefa de preparar a juventude cristã para viver como sal e luz em um mundo caído, onde impera o engano, a violência, a injustiça e muitos outros tipos de maldades que brotam do coração humano. Nesta aula introdutória, apresente aos alunos a síntese do conteúdo da revista, enfatizando – com base no sumário – os temas que trabalharemos ao longo do trimestre. Explore nesta aula inaugural o conceito de rele- vância e integridade da fé cristã. Ao final da lição, os jovens devem estar cônscios de que a espiritualidade cristã, inclusive da vertente pentecostal, pode ser útil para a sociedade, caso o povo de Deus viva integralmente o Evangelho e aplique os princípios bíblicos a todas as esferas da sociedade. Tenha um trimestre proveitoso e abençoador! Estamos iniciando uma nova lição da Escola Bíblica Domi- nical sob o título “Seguidores de Cristo: Testemunhando numa Sociedade em Ruínas”. As aulas deste trimestre serão desafiadoras, pois teremos a oportunidade de aprender e discutir a respeito dos diversos temas que emergem na sociedade contemporânea. Falaremos sobre questões nacio- nais, internacionais, políticas, econômicas e muitos outros assuntos que fazem parte do nosso cotidiano, a respeito dos quais somos chamados a dar respostas contundentes à luz das Escrituras e das convicções cristãs. Aproveite estas lições para instigar os alunos a serem relevan- tes e resplandecentes nesses tempos trabalhosos (2 Tm 3.1). “Fazer a diferença” não pode ser um mero bordão religioso, e sim o resultado do efetivo testemunho cristão. O comentarista das lições, Valmir Nascimento, é ministro do evangelho, jurista, mestre em Teologia, professor universitário, colunista do portal CPAD News e escritor. Ele é membro da Assembleia de Deus em Cuiabá/MT. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA • RECONHECER o poder do Evangelho para transformar a realidade social; • EXPLICAR o que significa o cristão ser o “sal da terra”; • SABER o sentido de ser “luz do mundo”.
  • 6.
    JOVENS 5 2. Comissãocultural. Depreendemos da declaração de Jesus que ser sal e luz não é mera faculdade conferida à sua Igreja, é imperativo. Além da Grande Comissão (Mc 16.15), pela qual a comu- nidade cristã recebeu a incumbência de proclamar o evangelho e fazer discípulos, foi-nos outorgada também a comissão cultural – a chamada para salgar e ilu- minar a cultura do mundo. Isso significa tanto confrontar as culturas que se opõem ao evangelho, quanto produzir cultura de qualidade, para exaltação do nome do Senhor. Tal determinação está em sintonia com o mandamento que o I – COMISSIONADOS PARA TRANSFORMAR O MUNDO 1. A riqueza da metáfora. No contexto do Sermão da Montanha, logo após falar sobre as beatitudes, Jesus declarou que os seus discípulos são o “sal da terra” e a “luz do mundo” (Mt 5.13-16). Ensinador por excelência, o Mestre valeu-se de metáfora, extraída das práticas comuns à vida, para transmitir um rico ensinamento a respeito do testemunho cristão no ambiente social. A alegoria empregada nos fala sobre um aspecto essencial da missão da Igreja na Terra: a sua presença ativa e transformadora na sociedade. INTRODUÇÃO Jesus foi contundente ao dizer que os seus discípulos eram o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5.13-16). Passados mais de dois mil anos após o Mestre proferir essa majestosa declaração, a responsabilidade que dela se extrai continua a ecoar sobre a vida dos seus seguidores. No decorrer deste trimestre, estudaremos a respeito de vários temas que evocam a aplicação dessa alegoria. Vivendo em tempos de caos, em meio a injusti- ças, desigualdades e conflitos, a Igreja é chamada a fazer a diferença e a testemunhar, diante dos homens, a relevância da fé cristã. Nesta primeira lição, aprenderemos acerca do comissionamento que re- cebemos do Senhor para fazermos a diferença no mundo, mesmo dentro de uma cultura decadente. COMENTÁRIO TEXTO BÍBLICO 15 nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa. 16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus. Mateus 5.13-16 13 Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
  • 7.
    6 JOVENS Criador deuao primeiro casal para su- jeitar a terra e dominar sobre as demais criaturas (Gn 1.28). Surge daí a responsa- bilidade ética e espiritual de cuidarmos da criação de Deus de maneira zelosa, o que compreende aplicar os valores e princípios bíblicos em todos os setores da sociedade. 3. O poder impactante do Evange- lho em tempos sombrios. Apesar de vivermos em uma cultura decadente, caótica e sombria, o povo de Deus é capaz de testemunhar a graça divina e transformar a realidade social, política e econômica da presente era. Tal trans- formação se dá primeiramente com a correta compreensão de que o mundo jaz no maligno (1 Jo 5.19), mas não lhe pertence. O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos (2 Co 4.4). O Inimigo de Deus, depois da Queda, intrometeu-se na Criação e agora tenta subjulgá-la. Entretanto, com a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, o Criador contra-atacou mostrando que intervém e que tem o controle da História. Além disso, Ele nos comissionou para fazer a sua obra. Assim vivendo a dimensão presente do Reino, o povo de Deus pode influenciar o mundo com o poder do evangelho (Rm 1.16). Pense! A verdade do Evangelho não está confinada ao ambiente da Igreja. Ela abrange cada centímetro do universo. Ponto Importante Apesar de vivermos em uma cultura decadente, caótica e sombria, o povo de Deus é capaz de testemunhar a graça divina e transformar a reali- dade social, política e econômica da presente era. II – RELEVANTES COMO O SAL 1. “Vocês são o sal da terra”. O sal é um elemento útil na culinária. Podemos usá-lo tanto para dar sabor quanto para conservar os alimentos. Ao dizer que os discípulos são o sal da terra, Jesus destaca o papel relevante que podemos exercer em seu nome na sociedade. Quando o evangelho é pregado e vivido em toda a sua pureza, a Igreja torna-se o tempero gracioso para um mundo decadente (Ef 3.10,11; 1 Pe 2.9). Imagine como seria a história da humanidade sem o tempero dos cren- tes sobre a face da terra? Através dos séculos, encontramos vários exemplos da influência transformadora da Igreja no mundo: a Reforma Protestante foi um marco divisor da história mundial; o Avivamento Wesleyano do Século XVIII afetou poderosamente a história e a cultura britânica; o Avivamento Pente- costal moderno iniciado na Rua Azusa tem promovido, até hoje, resultados extraordinários para a civilização. Todos esses eventos demonstram que Deus se importa com a história e nela intervém com a sua soberana vontade. 2. Cadê o sabor do sal que estava aqui? “E se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens” (v. 13). Aqui o Mestre adverte do perigo de se perder a es- sência do sal. Quando possui sabor, o cristianismo é realmente útil para atender às diversas necessidades do homem. Porém, insípido, se resume à mera religiosidade formal, inútil para pro- mover qualquer mudança. Guarda-nos, Deus, de perdemos o sabor de Cristo em nossas vidas, tornando-nos servos inúteis (Mt 25.30) ou árvores infrutíferas
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    JOVENS 7 (Jo 15.1).Devemos estar temperados com a graça! 3. Não confunda! Não é correto associar relevância social da Igreja com o seu crescimento numérico, pois nem sempre quantidade representa qualidade espiritual. Se o aumento da população evangélica não for fruto de genuíno avivamento pela Palavra, não haverá testemunho público impactante. Por outro lado, mesmo em pequena quantidade, cristãos comprometidos com o Reino fazem a diferença onde estiverem, assim como ocorreu com a Igreja Primitiva. Apesar de ser minoria, cheios do Espírito Santo, os crentes do primeiro século davam grande testemu- nho da fé em Cristo (At 4.33). Relevância também não significa ativismo social e político dos crentes. A utilidade cristã na esfera pública ocorre de maneira natural, como consequência da vivência contínua e duradoura dos discípulos sob o senhorio de Cristo. Afinal, a Igreja não é uma organização, é um organismo vivo (1 Co 12.12)! Cabe realçar, por fim, que a busca por relevância social jamais pode nos fazer esquecer da vocação evangelística da Igreja (Lc 9.2; 1 Co 9.16). A transformação social somente ocorre após a redenção das pessoas a Cristo! Pense! Na perspectiva cristã, não existe transformação social sem trans- formação individual. Ponto Importante Não é adequado associar rele- vância social da igreja com o seu crescimento numérico, pois nem sempre quantidade representa qualidade espiritual. III – RESPLANDECENTES COMO A LUZ 1. Devemos ser como “astros” no mundo. Na Física, luz é uma onda ele- tromagnética. Mas, fique tranquilo. Certa- mente não era sobre isso queJesus estava se referindo quando disse que os seus discípulos são a luz do mundo. O Mestre tinha em mente a função iluminadora, resplandecente da luz. O princípio aqui aduzido é de que a comunidade cristã é o luzeiro moral e espiritual de Deus neste mundo tenebroso. Em meio às trevas morais que empalidecem e ofuscam a vida contemporânea, a Igreja faz raiar o brilho da esperança. Com efeito, nosso compromisso com Cristo deve nos levar a viver de uma maneira tal que sirva de modelo para as demais pessoas. O apóstolo Paulo expressou essa verdade ao dizer que devemos ser “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandecemos como astros no mundo” (Fp 2.15). 2. Não esconda a sua luz! Para cum- prir a sua finalidade, a lâmpada não pode ficar escondida. Ela precisa ser posta em local propício para que suas ondas se propaguem em todas as di- reções. Igualmente, os filhos de Deus são chamados a reluzir amplamente, fazendo-se notar em todos os seg- mentos. Ao restringirmos a dimensão da nossa espiritualidade somente aos limites da Igreja e do lar, escondemos a luminosidade que resplandeceu em nossos corações (2 Co 4.6) e sobre a qual é-nos exigido testificar. Se a nossa vida é completamente iluminada pelo Se- nhor, não tendo trevas em parte alguma (Lc 11.36), então o brilho da nossa fé é igualmente integral e abrangente, capaz
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    8 JOVENS “A InfluênciaDeles (5.13-16) Jesus usou dois símbolos para descrever a influência que os cristãos têm sobre uma sociedade não cristã. O primeiro foi o sal, e o segundo, a luz. a) Como o Sal (5.13). O sal possui dois usos - dar gosto e conservar. 1) Alimentos como mingau de aveia ou molhos são muito desagradáveis ao paladar sem sal. Durante a Idade Média, na Europa, quando as pessoas preparavam a maior parte de seu pró- prio alimento, elas ainda tinham que viajar para os mercados anuais para comprar sal. O sal era considerado um ingrediente absolutamente essencial. Dessa mesma forma, a vida sem Cristo e sem o cristianismo é insuportavelmente insípida. Assim como Cristo revitalizou e deu gosto à vida do crente, cada discípulo, por sua vez, deve fazer o mesmo pela vida de outros. 2) O sal conserva. Antes do advento das caixas de gelo e dos modernos refrigeradores, o sal era um dos princi- pais meios de conservar os alimentos. Quando peixes eram transportados no lombo de burros por cento e sessenta quilômetros de Cafarnaum até Jeru- salém, eles tinham que ser abundan- temente salgados. Assim, o seguidor de Cristo deve agir como um conser- vante no mundo. Não se pode deixar de imaginar o que aconteceria com a sociedade moderna, com toda a sua podridão moral, se não fosse a presença da igreja cristã” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 6: Mateus a Lucas. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.56,57). SUBSÍDIOde alumiar o mundo além da religião, o que inclui as grandes áreas de influência do mundo: economia, comércio, direito, meios de comunicação, artes, educação, governo e política. 3. Luz Pentecostal. É significativo observar que o símbolo do batismo com o Espírito Santo e do pentecostalismo é o fogo, em alusão a Atos 2.3. Além de aquecer, a chama irradia luz. Consequen- temente, a espiritualidade pentecostal não se restringe a um gueto religioso; ela é capaz de impactar o mundo no poder do Espírito Santo e fornecer uma visão distinta sobre a sociedade, iluminando-a. Podemos afirmar que a fé pentecostal tem sempre algo a dizer, seja nos de- graus do templo de Jerusalém (At 2) ou no Areópago de Atenas (At 17). 4. Resplandecentes para a glória de Deus. Jesus concluiu o ensino a respeito do sal e da luz enfatizando o propósito final do testemunho relevante dos discí- pulos diante dos homens: “ (...) para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está no céu”. Fica claro que a iluminação cristã no mundo não é algo para a autoglorificação da Igreja. Esta não existe para atrair os holofotes da fama, mas para ser como o farol, que irradia luz e serve como norte para as pessoas, para a glória de Deus! Pense! A chama pentecostal, ao tempo em que aquece a vida espiritual das pessoas, irradia o brilho de Cristo diante dos homens. Ponto Importante A Igreja não existe para atrair os holofotes da fama, mas para ser como o farol, que irradia luz e serve como norte para as pesso- as, para a glória de Deus!
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    Comentário Bíblico Beacon.Vol. 6: Mateus a Lucas. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. A metáfora empregada por Jesus a respeito do sal e da luz fala sobre qual aspecto da missão da Igreja na Terra? Sobre a sua presença ativa e transformadora na sociedade. 2. De acordo com a lição, o que é a comissão cultural da Igreja? A chamada para salgar e iluminar a cultura do mundo. 3. Cite três exemplos da influência transformadora da Igreja na sociedade. A Reforma Protestante, o Avivamento Wesleyano do Século XVIII e o Avivamento Pentecostal moderno iniciado na Rua Azusa. 4. Por que não é correto associar relevância social da Igreja com o seu crescimento numérico? Porque nem sempre quantidade representa qualidade espiritual. Se o aumento da população evangélica não for fruto de genuíno avivamento pela Palavra (Hb 3.2), não haverá testemunho público impactante. 5. Qual o propósito final do testemunho relevante dos discípulos diante dos homens? A glória de Deus. HORA DA REVISÃO O intuito desta lição introdutória foi explicitar o significado da metáfora de Jesus sobre o sal e a luz. A alegoria enfatiza a presença ativa e transformadora da Igreja na sociedade. O sal preserva e dá paladar; representando a relevância cristã no mundo. A luz resplandece nas trevas, em alusão ao testemunho moral e espiritual dos crentes diante dos homens. Com base nessas premissas, nas lições seguintes veremos como a fé cristã encara e responde aos vários problemas sociais, éticos e políticos que flores- cem nestes tempos de crise e calamidade moral. Embora o cenário seja sombrio, não há motivos para desespero. Afinal de contas, além de encontrarmos nas Escrituras as respostas para as questões da atualidade, nossa esperança está em Cristo! CONCLUSÃO
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    10 JOVENS SÍNTESE Desenvolver umavisão de mundo essencialmente cristã é crucial para discernir a von- tade de Deus em uma época cheia de ideologias vãs. TEXTO DO DIA “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai- vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2) LIÇÃO 208/10/2017 A COSMOVISÃO CRISTÃ EM UM MUNDO DE VÃS IDEOLOGIAS AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Gn 1—2 A Criação TERÇA – Gn 3 A Queda QUARTA – Gn 3.15 A Redenção QUINTA – At 17.18 Paulo enfrenta as ideologias da sua época SEXTA – Ef 4.23 Renovação da mente SÁBADO – At 17.28 O sentido da cosmovisão cristã
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    JOVENS 11 Prezado professor,no decorrer do trimestre utilizaremos em várias oportunidades – implícita ou explicitamente – a palavra cosmovisão. Por isso, é importante que os seus alunos sejam familiarizados com este termo (Tópico 3). Cosmovisão é uma visão de mundo; a forma como enxergamos intelectualmente as coisas e os acontecimentos à nossa volta. Sendo assim, cosmovisão cristã é a compreensão de todas as coisas a par- tir da perspectiva bíblica; a leitura da realidade através das lentes das Escrituras Sagradas e da vontade de Deus. A visão de mundo cristã se direciona por três pressupostos bíblicos básicos, que respondem às grandes questões da humanidade, conforme sintetizados no quadro a seguir: A juventude é a fase dos sonhos e dos grandes ideais de vida. Nesse período existencial, é comum se interessar e até mesmo aderir a alguma causa social ou sistema político. Até certo ponto, não há nenhum problema nisso, contanto que a ideia central de tal sistema não seja incompatível com as doutrinas da fé cristã. O fato é que vivemos em um momento de pluralismo e diversidade, em que se multiplicam pontos de vistas, teorias, doutrinas e religiões de todos os tipos e origens. Em meio a isso, como separar o joio do trigo? Este é o tema desta lição. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA • EXPLICAR o conceito de ideologia; • REFLETIR a respeito das características das ideologias contrárias ao Evangelho; • SABER como formar uma mentalidade essencialmente cristã. COMO TUDO COMEÇOU? DE ONDE VIEMOS? O QUE DEU ERRADO? QUAL É A FONTE DO MAL E DO SOFRIMENTO? O QUE FAZER A RESPEI- TO? COMO CONSERTAR O MUNDO? Deus criou todas as coisas em perfeição, inclusive o ser humano (Gn 1.26). Ele é a fonte exclusiva de toda a ordem criada, tanto das leis da natureza quanto da natureza humana. Em virtude da desobediência, do pecado original, o homem afastou- se de Deus. O ser humano e a natureza foram afetados pela Queda, provocando o mal e a desordem. Quando Deus nos redime, Ele nos liberta da culpa e do poder do pecado, e restaura nossa plena humanidade. Além do aspecto salvífico, a redenção atinge a vida humana como um todo.
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    12 JOVENS I –UM MUNDO MOVIDO POR IDEIAS E IDEAIS 1. Ideologia e seu sentido. Diariamente, as pessoas são compelidas a decidirsobre uma série de coisas ou a se pronunciar a respeito dos mais variados temas que emergem na sociedade. Tais ações não são adotadas em completa neutralidade. Um dos aspectos que moldam a conduta e a opinião de alguém, especialmente nos temas mais complexos, é a sua ideologia. Em linhas gerais, os dicionários definem “ideologia” como o conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo ou grupo social. A ideo- logia é um elemento crucial em qualquer visão de mundo, pois fornece as crenças básicas e estabelece os ideais de vida de uma pessoa. 2. Ideias e consequências. “Ideias têm consequências” é a frase que me- COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Sabemos que a sociedade atual é dominada por ideologias incompatíveis com o evangelho. Tais formas de pensamento negam a soberania de Cristo e tentam substituir os valores cristãos por concepções secularizadas do mundo. Saber, portanto, como elas funcionam e quais são os seus funda- mentos é crucial para o crente não ser enredado por engodos e vãs sutilezas. Nesta lição, além do conceito de ideologia e as características que contradizem a fé cristã, veremos como formar uma mentalidade essencialmente cristã, uma visão de mundo abrangente, pela qual possamos discernir as vozes do nosso tempo e refutar os sistemas de ideias incompatíveis com as Escrituras. TEXTO BÍBLICO Romanos 12 1 Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. 2 E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que ex- perimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Colossenses 2 4 E digo isto para que ninguém vos engane com palavras persuasivas. 5 Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito, estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo. 6 Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, 7 arraigados e edificados nele e con- firmados na fé, assim como fostes ensinados, crescendo em ação de graças. 8 Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo;
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    JOVENS 13 lhor explicao caráter orientador das ideologias, seja de forma individual ou coletiva. Jesus afirmou que uma árvore é conhecida pelos seus frutos (Mt. 7.15-20). Assim como árvores ruins não podem dar bons frutos, ideologias maléficas, portadoras de visões distorcidas acer- ca da humanidade e da moralidade, não podem dar bons resultados para a sociedade; ao contrário, elas trazem prejuízos e levam ao caos social. Por esse motivo, devemos ter cautela e discernimento para não nos tornarmos presas de ideologias desvirtuadas, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segun- do a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo (Cl 2.8). Pense! Ideologia não é algo puramente teórico. Tem consequência prática na vida das pessoas. Ponto Importante A ideologia é um elemento crucial em qualquer cosmovisão, pois fornece as crenças básicas e estabelece os ideais de vida. II – CARACTERÍSTICAS DAS IDEOLOGIAS CONTRÁRIAS AO EVANGELHO 1. Idolatram algo dentro da criação. O ponto comum a todas as ideologias contrárias ao Evangelho é a ênfase excessiva a algum aspecto da criação, o que faz surgir um tipo de idolatria (Êx 20.3; Rm 1.25; 1 Co 10.7). Tal ocorre quando se valoriza mais a liberdade (individualismo), a nação (nacionalismo), o dinheiro (capitalismo), a propriedade comum (socialismo) ou o meio ambiente (ambientalismo), por exemplo, acima de Deus, crendo que tais elementos, por si sós, possam proporcionar pros- peridade, segurança e salvação para o homem. Ainda que possam expressar dese- jos legítimos, a devoção demasiada a cada um desses aspectos equipara-se à idolatria. Afinal, compreendemos que o pecado de idolatria se expressa não somente pela adoração aos deuses fei- tos de pedra ou madeira, mas também pela veneração a ideias e doutrinas humanas, que possam levar a um estilo de vida correspondente (Sl 115.8). Nesse aspecto, cabe o alerta paulino para fugir da idolatria (1 Co 10.14). Não se deixe enganar por ideias que têm aparência de piedade (2 Tm 3.5) e dizem defender o bem, mas no fundo estão cheias de mentiras (Jo 8.44). 2. Negam a realidade do pecado. As ideologias mundanas negam os efeitos do pecado, ao dizer que a natureza hu- mana é essencialmente boa. O filósofo francês do Século XVIII Jean-Jacques Rousseau dizia que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Tal concepção, além de defender a comple- ta liberdade e autonomia do indivíduo, como forma de libertação das instituições da sociedade, especialmente família e igreja, leva a uma visão utópica da reali- dade, na qual acredita ser possível criar uma sociedade perfeita nesse mundo, bastando estabelecer as estruturas eco- nômicas e sociais adequadas. O utopismo não se coaduna com as bases cristãs, pois sabemos que os problemas deste mundo, embora possam ser remediados pela lei e pelos bons costumes, nunca serão solucionados completamente, diante da falibilidade humana. Depois da Queda, nos tornamos falhos e pre- cisamos de regeneração, por isso o
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    14 JOVENS teólogo holandêsJacó Armínio afirmou ser necessário uma renovação do nosso intelecto, afeições ou vontade. 3. Descreem no mundo espiritual. A ideologia materialista não concebe a existência de algo além da matéria, assim como rejeita a concepção bíblica sobre os eventos escatológicos, tais como a volta de Jesus (1 Ts 4.16,17), o julgamento dos pecadores (Ap 20.11) e a eternidade (Êx 15.18). Pense no perigo que essa ideia representa. Se não existe nada além do que podemos enxergar, a vida não tem propósito e o ser humano não deve prestar contas de seus atos a ninguém. Fiódor Dostoiévski escreveu: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Nessa mentira diabólica está a justifi- cação para o hedonismo, o liberalismo moral, o antropocentrismo e todo tipo de “ismo” iníquo, destruidor da moral e dos bons costumes. Contradizendo a natureza e a narrativa bíblica (Gn 1.27), a mundana “ideologia de gênero”, por exemplo, apregoa que os dois sexos – masculino e feminino – são construções culturais e sociais, razão pela qual cada pessoa tem o direito de fazer a sua opção sexual (gênero). É uma prova do poder devastador das ideologias de- fendidas pelos ímpios. Paulovaticinou que o “fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles é para confusão deles mesmos, que só pensam nas coisas terrenas” (Fp 3.19). Mas nós pensamos nas coisas que são de cima! (Cl 3.2). Pense! Enquanto as ideologias são concebidas pelos homens, as verdades da fé cristã são reveladas por Deus. O cristianismo, por isso, não é uma ideologia. Ponto Importante Se não existe nada além do que podemos enxergar, a vida não tem propósito e o ser humano não deve prestar contas de seus atos a ninguém. III – MENTES RENOVADAS PARA UM MUNDO CHEIO DE IDEOLO- GIAS VÃS 1. Inconformados com o mundo. Diante de um contexto repleto de filoso- fias e ideologias nocivas à fé cristã, é pre- ciso vivenciar na íntegra a recomendação paulina para não nos conformarmos (gr. syschematizesthe) com este mundo (Rm 12.2a). O sentido deste aconselhamento é que não nos amoldemos à forma, ao modelo, ao esquema do mundo. Nesta passagem, a palavra “mundo” não se refere às pessoas ou ao universo físico, e sim ao sistema filosófico, ideológico e espiritual fomentado pelo deus deste século e pela carne, em oposição à von- tade de Deus. Nesse aspecto, expressou A. W Tozer: “A cruz ergue-se em ousada oposição ao homem natural. Sua filosofia é contrária aos processos da mente não regenerada”. Não permita que o mundo à sua volta e as tendências da presente época definam o seu modo de viver. Mantenha a sua identidade, ainda que a maioria o ridicularize por suas convicções cristãs! 2. Transformação permanente. O aconselhamento bíblico não se encerra no inconformismo. Além de rejeitar o costume do mundo, o salvo em Cristo deve ser transformado (gr. metamor- phos). Isto ocorre primeiramente com a nova vida (Rm 6.4), mas deve prosseguir como uma prática constante (2 Co 3.18). É um processo contínuo, como explica o Comentário Beacon: “Transformai-vos
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    JOVENS 15 “Em anosrecentes, todas as gran- des proposições avançadas durante o século XIX caíram, uma por uma, como soldadinhos de brinquedo. O século XX foi a era da ideologia, dos grandes “is- mos”: comunismo, socialismo, nazismo, liberalismo etc. Em todos os lugares, os ideólogos alimentaram visões de criar uma sociedade ideal com um esquema utópico. Mas hoje todas as grandes cons- truções ideológicas estão jogadas nos montes de cinzas da história. Tudo o que resta é o cinismo do pós-modernismo, com suas afirmações falidas de que não existe verdade objetiva ou significado, que somos livres para criar a nossa própria verdade, enquanto entendemos que tal teoria nada mais é do que um sonho subjetivo, uma ilusão confortante. Enquanto as ideologias reinantes esmi- galham-se, as pessoas são pegas diante de um impasse: tendo acreditado que a autonomia individual era o santo graal que as levaria à libertação, elas agora veem que foram levadas apenas para o caos moral e a coerção do Estado. O tempo está maduro para a mensagem em que a paz social e a satisfação pessoal que as pessoas realmente almejam estão disponíveis somente no Cristianismo. A igreja se manteve inabalável através do fluxo e refluxo de dois milênios. Ela tem sobrevivido à perseguição dos primeiros séculos, à invasão dos bárbaros e da idolatria da Idade Média e aos assaltos intelectuais da era moderna. Suas paredes sólidas soerguem-se acima das ruínas espa- lhadas através da paisagem intelectual. Deus nos livre que nós, herdeiros de santos e mártires, venhamos a falhar neste momento primordial”(COLSON, C.; PEARCEY. E Agora, Como Viveremos? 2.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p.360). SUBSÍDIOtem a força de ‘continuem sendo trans- formados’. Ao invés de nos entregarmos às influências que tendem a nos moldar à semelhança das coisas que estão ao nosso redor, devemos, dia após dia, empreender uma mudança na direção oposta”. 3. Em direção a uma cosmovisão cristã. A transformação a que Paulo alude se dá pela renovação da mente. Enquanto cristãos, somos conclama- dos a desenvolver uma mentalidade eminentemente cristã, uma visão de mundo direcionada pelo pensamento de Deus, aplicável a todos os setores da sociedade. Em uma sociedade cada vez mais secularizada, renovar a mente, moldando-a aos valores do Reino, é algo crucial. O apóstolo Paulo expressou isso da seguinte forma: “Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo” (1 Co 2.16). No original grego, a palavra mente (gr. nous) significa o lugar da consciência reflexiva, compreendendo as faculdades de percepção e entendi- mento, e do sentimento, julgamento e determinação. Pense! “No âmago do sistema cristão está a cruz de Cristo com o seu divino paradoxo. O poder do cristianismo aparece em sua antipatia pelos caminhos do ho- mem decaído, jamais em seu acordo com ele” ( A. W. Tozer). Ponto Importante A vida de Jesus é o paradigma de todo cristão, por isso raciocinar como Ele não é uma questão de escolha, mas de obediência.
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    AYRES, Antônio Tadeu.1.ed. Reflexos da Globalização So- bre a Igreja: Até que ponto as últimas tendências mundiais afetam o Corpo de Cristo. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. Como se define a palavra “ideologia”? Conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que ca- racterizam o pensamento de um indivíduo ou grupo social. 2. Além da adoração aos falsos deuses, como a idolatria pode se expressar? Pela veneração a falsas ideias. 3. Por que o utopismo não se coaduna com as bases cristãs? Pois sabemos que os problemas deste mundo, embora possam ser remediados pela lei e pelos bons costumes, nunca será perfeito diante da falibilidade humana. 4. Qual o sentido do aconselhamento de Paulo em Romanos 12.1 ao dizer para não nos conformarmos com este mundo? Não nos amoldemos à forma, ao modelo, ao esquema do mundo. 5. Na sua opinião, como podemos desenvolver a mente cristã? Resposta pessoal. HORA DA REVISÃO Além de formar a própria lente do cristianismo, a tríade bíblica: Criação, Queda e Re- denção nos ajuda a compreender e a refutar as ideologias não cristãs, pois toda visão de mundo pode ser analisada pela maneira como responde a três perguntas básicas: De onde viemos e quem somos nós (criação)? O que deu errado com o mundo (Queda)? E o que podemos fazer para consertar isso (redenção)? A Bíblia responde plausivelmente a todos esses questionamentos. CONCLUSÃO
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    JOVENS 17 LIÇÃO 315/10/2017 SÍNTESE Os crentesexpressam a graça e o amor divino na sociedade quando partilham o alimento com os famintos. TEXTO DO DIA “E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração.” (At 2.46) O PROBLEMA DA FOME NO MUNDO CONTEMPORÂNEO AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Gn 43.1 Fome na terra TERÇA – Am 8.11 Fome, mas não de pão QUARTA – Mt 4.2 Jesus teve fome QUINTA – Rm 12.20 Comida para o inimigo SEXTA – Mc 8.1,2 Compaixão de Jesus para com os famintos SÁBADO – Lc 9.13 “Dai-lhes vós de comer”
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    18 JOVENS Professor(a), paraenriquecer o conteúdo de sua aula, utilize os recursos pedagógicos que a CPAD dispõe no site www. licoesbiblicas.com.br. Este é um espaço voltado exclusiva- mente para a área de Educação Cristã, criado não só para divulgar as revistas Lições Bíblicas, mas para dar suporte às necessidades dos educadores e alunos da Escola Dominical. A página contém rico material de apoio ao professor, englo- bando subsídio da lição, ilustrações, slides para apresentação e vídeo-aula com o comentarista. Lembre-se que o educador dedicado complementa seu ensino com material de qualidade! A falta de acesso à alimentação básica ainda é um grave problema social na sociedade contemporânea. As estatísticas são tristes: 30 mil crianças morrem de fome a cada dia, e um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresentam atraso no crescimento físico e intelectual. Uma pessoa, a cada sete, padece fome no mundo. Nesta lição, analisaremos esse tema à luz das Escrituras e realçaremos aos nossos alunos, primordialmente, que a escassez e a má divisão de comida são decorrentes da Queda do primeiro casal. Assim o peca- do – em suas várias faces – é o responsável por essa mazela. Não obstante, tendo como exemplo a vida do jovem José e da Igreja Primitiva, os cristãos da atualidade podem contribuir para minimizar esse problema social, com sabedoria divina, no poder do Espírito Santo. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA • CONHECER, à luz das Escrituras, a origem da fome; • IDENTIFICAR a fome como um sinal dos últimos dias; • COMPREENDER a importância do testemunho da Igreja por meio do partir do pão.
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    JOVENS 19 I –A FOME NAS ESCRITURAS SAGRADAS 1. Origem da fome. Deus criou a Terra com fartura, produzindo mantimento su- ficiente para a sobrevivência do homem (Gn 1.11,12,28,29). Antes da Queda havia abundância, pois até então o pecado não tinha sido introduzido no mundo. Além de afastaro homem de Deus, a desobediência do primeiro casal afetou toda a criação, provocando desordem no Universo. Disse Deus: [...] “maldita é a terra por causa de ti; com dorcomerás dela todos os dias da tua vida” (Gn 3.17). Desse momento em diante o trabalho passou a ser realizado com mais dificuldade, em virtude dos “cardos” e “espinhos” que vieram a existir (Gn 3.18). 2. A fome e o pecado. Os efeitos da Queda sobrepujam a escassez e as di- ficuldades naturais. O pecado acarretou ainda consequências danosas na natureza humana, gerando condições sociais e comportamentos responsáveis pelo au- mento da fome, guerras, governos injustos, egoísmo, ociosidade (Pv 19.15), corrupção e consumo descontrolado (Lc 15.14). As Escrituras relatam vários casos de fome durante os dias deAbraão (Gn 12.10), Isaque COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Todos nós sentimos fome, aquele desejo normal por alimento e certamen- te, esta não é uma sensação agradável, não acha? Agora imagine aquelas pessoas que passam fome por não terem condições de adquirir o sustento básico. No mundo atual, milhares de pessoas encontram-se nessa situação. Nesta lição, veremos que no Gênesis está a origem da fome e da escassez de alimentos. A Queda do homem afetou toda a ordem do universo, e provocou esse problema que persiste até hoje, e que será um dos sinais dos últimos dias. Mas a Igreja de Cristo tem exemplos bíblicos suficientes para saber como enfrentar a crise de alimentos. TEXTO BÍBLICO Lucas 9.12-17 12 E já o dia começava a declinar; então, chegando-se a ele os doze, disse- ram-lhe: Despede a multidão, para que, indo aos campos e aldeias ao redor, se agasalhem e achem o que comer, porque aqui estamos em lugar deserto. 13 Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram: Não temos senão cinco pães e dois peixes, salvo se nós próprios formos comprar comida para todo este povo. 14 Porquanto estavam ali quase cinco mil homens. Disse, então, aos seus discípulos: Fazei-os assentar, em grupos de cinquenta em cinquenta. 15 E assim o fizeram, fazendo-os assentar a todos. 16 E,tomandooscincopãeseosdoispeixes e olhando para o céu, abençoou-os, e partiu-os, e deu-os aos seus discípulos para os porem diante da multidão. 17 E comeram todos e saciaram-se; e levantaram, do que lhes sobejou, doze cestos de pedaços.
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    20 JOVENS As pessoasirão errantes de um lado para outro,edonorteatéaooriente;correrãopor todaaparte,buscandoaPalavradoSenhor, mas não a acharão (Am 8.11,12). Você tem aproveitadooseutempoparasealimentar espiritualmente da Palavra de Deus? Pense! O principal motivo da fome dos últimos dias não será a falta de comida, mas a ausência de amor. Ponto Importante No sermão proferido no Monte das Oliveiras Jesus predisse que a fome seria um dos sinais do tempo da sua volta. III – A FOME NO MUNDO CON- TEMPORÂNEO 1. Má distribuição e desperdício. Exis- tem hoje cerca de 800 milhões de pessoas quepassamfomenomundo,epelomenos 2 milhões sofrem de deficiências nutritivas graves. Outro levantamento indica que cerca de 3,5 milhões de crianças morrem anualmente pela falta de refeição básica e doenças relacionadas com a desnutrição. Apesardosavançoscientíficosdacivilização e do aumento da produção de alimentos, as altas cifras de pessoas famintas com- provam a má distribuição e o desperdício de alimentos no mundo todo. O Brasilestá entre os dez países mais impactados pela fome. Mais de 7 milhões de brasileiros convivemcomesseproblemae15milhões de crianças são consideradas desnutridas. Não sejamos indiferentes a essa situação, ouçamos o clamor dos famintos! 2. Dando de comer aos famintos. Diante desse cenário, aos servos de Deus cabe testemunhar do amor cristão para com aqueles que passam fome, pois a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma (Tg 2.17). Dar pão ao faminto é, (Gn 26.1), José (Gn 41.56,57), Elimeleque e Noemi (Rt 1.1), Davi (2 Sm 21.1), Elias (1 Rs 18.2), Eliseu (2 Rs 6.25) e do cerco final de Jerusalém (2 Rs 25.3). Isso nos leva a compreender que os problemas sociais, incluindo a falta de comida, começam quando os homens desobedecem a Deus! Pense! O propósito original de Deus é fartu- ra e abundância para a humanidade. Ponto Importante A Queda ocasionou condições sociais e comportamentos respon- sáveis pelo aumento da fome, guer- ras, governos injustos, egoísmo, ociosidade, corrupção e consumo descontrolado. II – A FOME COMO SINAL DA VINDA DE JESUS 1. Profecia escatológica. No sermão proferido no Monte das Oliveiras, Jesus predisse que a fome seria um dos sinais do tempo da sua volta (Mt 24.7). Isso por- que os últimos dias serão caracterizados pelo aumento da iniquidade (Mt 24.12), o colapso dos padrões morais (2 Tm 3.1-5) e a operação da injustiça (2 Ts 2.7), formando assim, juntamente com as guerras e os terremotos, um contexto propício para a proliferação da miséria em todo o mundo. 2.Oesfriamentodoamor.Oesfriamento do amor (Mt 24.12) será, igualmente, um dos principais fatores responsáveis pela pobreza extrema que assolará aTerra nos tempos do fim. Não havendo compaixão e sentimentodesolidariedade,ocontingente de pessoas sem acesso à alimentação bá- sica, em situação de miséria, será enorme. 3. A fome e o amor de Deus. A Bíblia também preconiza que haverá um tempo de fome; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.
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    JOVENS 21 também, umaforma de fazer a vontade de Deus (Mt 25.40). Lembremo-nos dos milagres de multiplicação dos pães e peixes operados por Jesus que se com- padeceu da multidão faminta (Mc 6.30-44; 8.1-10; Lc 9.12-17). A ordem do Mestre aos discípulos em relação ao povo é signifi- cativa e continua a reverberar: “Dai-lhes vós de comer” (Lc 9.13). 3. Pentecostalismo solidário. A Igreja Primitiva, como vemos em Atos dos Apóstolos, expandiu-se de uma forma extraordinária. Após o recebimento da virtude do Espírito, os discípulos saíram a influenciar a sociedade, pois em todos eles havia “abundante graça” (At 4.33). Ao anunciarem com ousadia a Palavra de Deus, não olvidaram de ajudar os necessitados (At 4.34). A Bíblia retrata isso com fidelidade ao dizer que eles “perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2.42). A partilha do alimento, portanto, não foi algo ignorado pelo pen- tecostalismo primitivo, especialmente com os domésticos da fé. Os primeiros crentes viviam um pentecostalismo so- lidário. Será que é isso que temos visto em nossas igrejas? Estamos igualmente preocupados com a fome das pessoas necessitadas? Clamemos a Deus por um despertamento integral, que envolva tanto o mover do Espírito quanto o partir do pão. Pense! Antes de desperdiçar alimentos, lem- bre-se daqueles que passam fome. Ponto Importante A partilha do alimento, portanto, não foi algo ignorado pelo pen- tecostalismo primitivo, especial- mente com os domésticos da fé. Os primeiros crentes viviam um pentecostalismo solidário. “Fome Uma condição de extrema escas- sez de comida. Durante uma extrema fome em terra distante, o filho pródigo foi trazido de volta à razão (Lc 15.14). Uma grande fome ocorreu nos dias do imperador romano Cláudio (At 11.28). Em seu sermão no monte das Oliveiras, o Senhor Jesus predisse que haverá fome durante o período da tribulação no final dos tempos (Mt 24.7), e o Apocalipse faz alusão à fome que virá sobre a Grande Babilônia (Ap 18.8). Uma das bênçãos para o Israel restaurado é que não haverá mais fome (Ez 36.29,30). Há uma referência a pessoas, durante períodos de fome, pagando altos preços por alimentos intragáveis como cabeças de jumento e esterco de pombas (2 Rs 6.25), e até mesmo praticando o tipo mais hor- rendo de canibalismo (Dt 28.53-57; 2 Rs 6.28,29). Evidentemente, nos dias bíblicos as causas naturais responsá- veis pela fome eram principalmente a seca (1 Rs 18.1,2) e a guerra em seus vários aspectos (Ez 6.11; 2 Rs 25.2,3). No entanto, ela é muitas vezes retratada como um juízo divino pelo pecado (2 Sm 21.1; 24.13; 1 Rs 8.37; 2 Rs 8.1; ls 51.19; Jr 14.12-18; Ez 5,12). Neste sentido, ela é citada como os ‘quatro maus juízos’ de Deus (Ez 14.21)” (Dicionário Bíblico Wyclife. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 815). SUBSÍDIO
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    Dicionário Bíblico Wycliffe.1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. Em relação aos alimentos, como era o mundo quando Deus o criou? Deus criou a Terra com fartura, produzindo mantimento suficiente para a sobre- vivência do homem (Gn 1.11,12; 28,29). 2. O que provocou a fome? A Queda do homem no pecado. 3. Por que a fome será um dos sinais dos últimos dias? Porque os últimos dias serão caracterizados pelo aumento da iniquidade, o colapso dos padrões morais e a operação da injustiça, formando assim, juntamente com as guerras e os terremotos, um contexto propício para a proliferação da miséria em todo o mundo. 4. Por que podemos dizer que o pentecostalismo primitivo era solidário? Porque, além de anunciarem com ousadia a Palavra de Deus, eles não se esque- ceram de ajudar os necessitados. 5. Em sua opinião, quais estratégias a Igreja pode adotar para diminuir o problema da fome? Resposta pessoal. HORA DA REVISÃO A fome continua a ser um grave problema social dos tempos atuais. Em virtude da Queda, a escassez de alimentos e a sua má distribuição são resultado direto do pecado do homem. Não obstante, o cristão não pode viver indiferente diante da existência de milhares de famintos pelo mundo, pois, ao olharmos para o livro de Atos encontramos o exemplo de solidariedade daqueles cristãos que, no poder do Espírito, impactaram o mundo pela pregação da Palavra e serviço. Sigamos esse modelo! CONCLUSÃO
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    JOVENS 23 LIÇÃO 422/10/2017 SÍNTESE Diante dadesigualdade e da marginalização social, a ação solidária da Igreja testifica a relevância da fé cristã diante dos homens e dá credibilidade à pregação do evangelho. TEXTO DO DIA “O que oprime ao pobre insulta àquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado honra-o.” (Pv 14.31) O CRISTÃO DIANTE DA POBREZA E DA DESIGUALDADE SOCIAL AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – 1 Jo 3.7 O justo pratica a justiça TERÇA – Pv 31.20 Abre a mão ao pobre QUARTA – Pv 22.22 Não roube ao pobre QUINTA – 2 Co 8.9 Cristo se fez pobre por amor de nós SEXTA – Sl 128.2 Comerás do teu trabalho SÁBADO – Am 5.11 Denúncia profética
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    24 JOVENS Prezado(a) professor(a),esperamos que você esteja motiva- do(a) para ensinar aos jovens alunos a respeito da pobreza e desigualdade social. Não deixe que o desânimo prejudique o ministério do ensino que Deus lhe confiou! Tenha em mente a advertência do apóstolo Paulo para a dedicação ao ensino (Rm 12.7). Nesta aula, utilize o método do debate para proporcionar uma reflexão sadia entre os seus educandos. Divida a turma em grupos. Em seguida, peça para discutirem, dentro dos respec- tivos grupos, sobre os pontos a seguir. Abra, na sequência, o debate geral, com os demais grupos. Ouça as respostas e veja se os demais grupos concordam com as opiniões emitidas. • Há desigualdade social no Brasil? • Como a desigualdade social se expressa? • Você percebe alguma desigualdade na igreja local? • O que a Igreja deveria fazer diante da pobreza? • Em sua opinião, o que significa ajudar o necessitado? ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA • CONSCIENTIZAR da importância de cuidar do pobre; • ENTENDER a relação entre justiça social e profetismo bíblico; • CONHECER os princípios bíblicos sobre economia e desi- gualdade social. INTERAÇÃO OBJETIVOS A ação solidária e caridosa é uma das maneiras mais eficazes de demonstração da autenticidade e relevância da fé cristã. Apesar disso, há quem entenda que não é papel dos discípulos de Jesus combater a pobreza e as desigualdades sociais, por acreditar que somos salvos pela graça. Realmente, as obras não servem para a salvação (pois pela graça somos salvos), porém elas testificam a nova vida em Cristo. As obras de justiça e misericórdia exteriorizam a graça divina e revelam o amor depositado em nossos corações. Afinal, quem foi agraciado com as Boas-Novas, passa a ser um agente de boas obras. Por esse motivo, Tiago escreveu que a fé, sem as obras, é morta em si mesma (Tg 2.17).
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    JOVENS 25 I –A ASCENÇÃO ECONÔMICA E O CUIDADO COM O POBRE 1. A pobreza nas Escrituras. Nas Escrituras, o pobre é retratado como a pessoa necessitada, desamparada ou que se encontra em situação de mi- séria (Sl 37.25; 72.13; Lc 16.20; 1 Tm 5.5). A pobreza é um fenômeno complexo e vários fatores econômicos e sociais podem contribuir para que alguém chegue a esta condição, tais como: desastres naturais, dívidas, falta de em- prego, política econômica inadequada e até mesmo a preguiça (Pv 19.15). Em todos os casos não é suficiente olhar para o pobre simplesmente a partir da situação social ou econômica imediata. Biblicamente, devemos compreender que vivemos em um mundo caído, e a pobreza, assim como a doença e a morte, resulta da rebelião do homem contra o Criador. 2. O pobre e o amor ao próximo. Enfaticamente, a Palavra destaca a im- COMENTÁRIO INTRODUÇÃO A desigualdade social e a pobreza são problemas sociais presentes em praticamente todos os países do mundo, mas principalmente nas nações em desenvolvimento do Sul Global, incluindo o Brasil. Aqui, milhares de famílias vivem em condição de miséria, cuja renda é insuficiente para suprir as necessidades básicas. Não há como viver indiferente a esta realidade calamitosa! Diante disso, a presente lição demonstrará a importância da participação cristã nas obras sociais, como expressão de amor e misericórdia, e como os princípios bíblicos podem contribuir para a formação de uma sociedade livre, justa e produtiva. TEXTO BÍBLICO Tiago 5.1-6 1 Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai porvossas misérias, que sobre vós hão de vir. 2 Asvossas riquezas estão apodrecidas, e asvossasvestes estão comidas da traça. 3 O vosso ouro e a vossa prata se en- ferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias. 4 Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos. 5 Deliciosamente, vivestes sobre a terra, e vos deleitastes, e cevastes o vosso coração, como num dia de matança. 6 Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu.
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    26 JOVENS portância docuidado ao pobre, assim como denuncia a discriminação e a desonra contra as pessoas carentes (Tg 2.1-6). Tal se deve ao mandamento de amar o próximo como a nós mesmos (Mt 22.39) e do imperativo de demonstrarmos o resplendor das virtudes cristãs para a glória de Deus (Mt 5.16). Contudo, não encontramos nas Escrituras respaldo para a Teologia da Libertação, que centraliza na pobreza a ênfase do evangelho, e interpreta as Escrituras com base no sofrimento do oprimido. A teologia bíblica irradia graça para todos, sem distinção de classe social (Tt 2.11). Igualmente, ainda que sejamos advertidos para não ajuntarmos te- souros na terra (Mt 6.19), e acerca dos perigos do amor ao dinheiro (1 Tm 6.7-10), não se pressupõe que os ricos tenham conquistado sua riqueza por meio desonesto. Tanto o rico quanto o pobre carecem da graça de Deus, e devem igualmente ser tratados com equidade (Êx 23.3,6). 3. Ascensão econômica e desigual- dade social. Mesmo quando há ascensão econômica e melhores condições de vida, a desigualdade social e os grupos em situação abaixo da linha da pobreza persistem em existir. Isso porque, em razão dos efeitos do pecado, a Bíblia declara que “sempre haverá pobres na terra” (Mc 14.7). Todavia, longe de indicar uma postura de conformismo e indife- rença, e servir como desculpa contra a ação social, tal afirmação deveria nos conduzir ao cuidado permanente dos necessitados, enquanto eles existirem (Rm 15.25, 26; Gl 2.10; 1 Jo 3.17). Somos apenas mordomos de Deus nesta ter- ra; aquilo que possuímos, na verdade, pertence a Ele! Pense! “A evidência da graça divina é vista na pregação e no alívio das necessidades materiais dos pobres” (Comentário Bíblico Pentecostal). Ponto Importante Biblicamente, devemos com- preender que vivemos em um mundo caído, e a pobreza, assim como a doença e a morte, resulta da rebelião do homem contra o Criador. II – JUSTIÇA SOCIAL E PROFE- TISMO 1. Justiça social e igualdade. Fazer justiça é um aspecto vital do nosso viver diário. Justiça, no sentido ora empregado, não tem qualquer acepção ideológica ou político-partidária. Em termos bíblicos, a justiça social parte do pressuposto de que todas as pessoas devem ser tratadas com igual respeito e dignidade, possuindo os mesmos direitos e deveres na sociedade. Considerando que o homem foi criado à imagem de Deus (Gn 1.26), a injustiça (Sl 92.15) e a acepção de pessoas (Rm 2.11) são rejeitadas por Ele. Desde o An- tigo Testamento, aliás, vemos o Senhor instruindo a nação de Israel para cuidar dos pobres e vulneráveis (Mq 6.8; Zc 7.9); por isso a Lei estabelecia uma série de disposições contra a opressão aos menos favorecidos (Êx 22.25; 23.6; 30.15; Lv 19.10). A prática da justiça na sociedade é uma prova da justificação que recebe- mos em Cristo. É certo que as obras são incapazes de salvar o homem caído e que as obras de misericórdia e justiça testificam a salvação alcançada pela graça. Tiago retratou fielmente essa verdade ao dizer que a fé, sem as obras,
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    JOVENS 27 é mortaem si mesma (Tg 2.17). Do crente, portanto, se espera a prática da justiça! O espírito cristão de amor mútuo e caridade comum é uma marca do cris- tianismo ao longo da história. 2. Profetizando contra as injustiças. A função profética sobrepuja a tarefa de transmitir mensagens de bênçãos da parte de Deus. Ela envolve também a denúncia do erro e a exortação con- tra as injustiças. Em outras palavras, o profetismo bíblico é abrangente, pois compreende, além do aspecto eminente- mente religioso, as esferas econômicas e políticas. Profetas como Isaías, Jeremias, Miqueias e Zacarias falaram ousadamen- te contra a corrupção, exploração e as injustiças do seu tempo. Em um contexto difícil, Amós condenou o desprezo e a opressão dos poderosos em relação aos pobres, que eram pisados (Am 5.11) e vendidos ao preço de sandálias. Contra essa situação desumana e degradante, o profeta alçou a sua voz em defesa das pessoas carentes (Am 4.1,2). 3.Voz profética da Igreja. Adimensão política do ministério profético permanece válida ainda hoje. Os cristãos são chamados a testemunhar publicamente acerca da justiça divina, ao tempo em que denunciam todo tipo de injustiça. Avoz profética dos cristãos deve consolare edificar, mas tam- bém precisa exortar (1 Co 14.3), apontando tanto os desvios morais quanto sociais, a partir das verdades bíblicas. Pense! A Palavra de Deus condena aqueles que manipulam a econo- mia para satisfazer os próprios interesses egoístas.Ela também condena qualquer forma de mal- dade, como a cobiça, a indolência e o engano. Ponto Importante Profetas como Miqueias, Isaías e Jeremias falaram ousadamente contra a corrupção, exploração e as injustiças do seu tempo. III – A POLÍTICA ECONÔMICA E A DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL 1. Desigualdade social no Brasil. O país em que vivemos é marcado pela desigualdade social. Enquanto existe enorme concentração de renda entre as pessoas mais ricas, milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, em condições de miséria. É papel da política econômica de uma nação avaliar os fatores que provo- cam as distorções sociais, e criar leis e mecanismos que possibilitem uma sociedade mais produtiva e justa. A economia, portanto, é um elemento importante para a vida das pessoas e das instituições públicas. Por essa razão, considerando que os princípios que norteiam a economia são vitais para o desenvolvimento sustentável da comunidade, adotar uma visão econômica coerente e que considere adequadamente a natureza humana (especialmente o seu estado decaído) é essencial para a redução da pobreza. 2. Economia na perspectiva cristã. Embora a Bíblia não seja um livro de economia, ela contém relatos e princípios que nos fazem compreender a relação entre pobreza, riqueza, trabalho, desi- gualdade social e muitos outros temas da área econômica. Enquanto visão de mundo, o cristianismo considera todos os aspectos da vida humana, inclusive a dimensão econômica. Nesse sentido, encontramos nas Escrituras e na história
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    28 JOVENS “As Escriturascondenam aqueles que manipulam a economia para sa- tisfazer os próprios propósitos peca- minosos, tanto acumulando somente para si, como por outras formas de maldade, como cobiça, indolência e engano (Pv 3.27-28; 11.26; Tg 5.1-6). A justiça econômica condena aqueles que aumentam seus créditos, tirando vantagem dos que lhes devem; por outro lado, os que contraem dívida devem reembolsá-la (Êx 22.14; 2 Rs 4,1-7; Sl 37.21; Pv 22.7). O princípio sub- jacente é que a propriedade privada é um dom de Deus para ser usado com o propósito de estabelecer a justiça social e cuidar do pobre e do necessitado. O ladrão arrependido é orientado a não mais roubar, mas sim trabalhar com as mãos e assim ganhar o sustento e ‘para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade’ (Ef 4.28, ênfase acrescentada). Poucos temas nas Escri- turas se evidenciam de forma tão direta e clara do que as ordens de Deus para que nos preocupemos com os menos afortunados. ‘Aprendei a fazer o bem’, Deus brada, ‘praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas’ (Is 1.17). Através do mesmo profeta, Deus anuncia que o verdadeiro jejum não é um ritual re- ligioso vazio (Is 58.7). Jesus aprofunda nosso sentimento de responsabilidade, falando que ao ajudarmos o faminto, o desnudo, o doente e o encarcerado, estamos, na verdade, servindo-o (Mt 25.31-46)”(COLSON, C.; PEARCEY. E Agora, Como Viveremos? 2.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2000, pp. 454,455). SUBSÍDIOda tradição cristã orientações suficientes para que a sociedade possa ser livre, próspera e justa. Vejamos algumas dessas diretrizes: incentivo ao trabalho e repreensão à preguiça (Pv. 6.6-11), limitação da função do governo (1 Pe 2.13,14); condenação àqueles que manipulam a economia (Tg 5.1-6); proteção da propriedade privada (Êx 20.15); ênfase na liberdade responsável (1 Co 6.12; 8.9) e valorização do espírito comunitário de ajuda ao próximo, dentre outros. 3. Assistência e desenvolvimento. Mesmo no ambiente coletivo, a assistên- cia às pessoas carentes é uma atitude vital de solidariedade. Embora o governo civil deva promover o bem, o que inclui programas de assistência social para atender às necessidades básicas dos cidadãos, não é recomendável criar uma cultura de assistencialismo que perpetue a condição da pobreza. É necessário focar no desenvolvimento, para que pessoas e famílias adquiram independência econômica e ganhem o pão do suor do próprio rosto (Gn 3.19). Pense! “A fé deve nos mover em prol de boas ações, não para sermos salvos, mas para demonstrarmos que somos salvos, que nossa fé não é estática, e que Deus pode usar nossas ações para apresentar a fé pura e imaculada” (Silas Daniel). Ponto Importante Embora a Bíblia não seja um livro de economia, ela contém relatos e princípios que nos fazem compreender a relação entre pobreza, riqueza, trabalho, desigualdade social.
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    Anotações COELHO, Alexandre; DANIEL,Silas. Fé e Obras: Ensinos de Tiago para uma vida cristã autêntica. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014. 1. Cite alguns fatores e sociais que podem levar alguém a essa condição: Desastres naturais, dívidas, falta de emprego, política econômica inadequada e até mesmo preguiça. 2. Por que a Teologia da Libertação é equivocada? Porque centraliza na pobreza a ênfase do evangelho, e interpreta as Escrituras com base no sofrimento do oprimido. 3. Quais profetas falaram ousadamente contra corrupção, exploração e injustiças? Isaías, Jeremias, Miqueias e Zacarias. 4. Qual o papel da política econômica de uma nação? Avaliar os fatores que provocam as distorções sociais, e criar leis e mecanismos que possibilitem uma sociedade mais produtiva e justa. 5. Quais orientações econômicas a Bíblia oferece? Incentivo ao trabalho e repreensão à preguiça, limitação da função do governo; condenação àqueles que manipulam a economia; proteção da propriedade pri- vada; ênfase na liberdade responsável e valorização do espírito comunitário de ajuda ao próximo, dentre outros. HORA DA REVISÃO CONCLUSÃO Como percebemos nesta lição, o trabalho solidário da Igreja testifica a relevância da fé cristã diante dos homens, ao mesmo tempo em que dá credibilidade à pregação do Evangelho. Não podemos nos esquecer, porém de que Igreja, no sentido aqui empregado, não se resume à congregação local. Individual ou coletivamente, cristãos regenerados são capazes de desenvolver obras sociais que expressem o amor e a misericórdia divina, a partir da igreja local. ESTANTE DO PROFESSOR
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    30 JOVENS SÍNTESE Numa épocaem que refugiados são perseguidos e marginalizados, a Igreja deve servir como exemplo de acolhimento e hospitalidade. TEXTO DO DIA “Também não oprimirás o estrangeiro; porque vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito.” (Êx 23.9) LIÇÃO 529/10/2017 REFUGIADOS: UM PROBLEMA DA ATUALIDADE? AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Sl 9.9 Refúgio para o oprimido TERÇA – Hb 11.38 Caminhando como refugiados QUARTA – Mt 2.13 O menino Jesus, um refugiado QUINTA – Lv 23.22 A lei da respiga para os estran- geiros SEXTA – Rm 12.13 Seguindo a hospitalidade SÁBADO – Hb 13.2 Não esqueça a hospitalidade
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    JOVENS 31 Professor(a), oassunto da lição desta semana envolve um tema atual. Lembre-se que o jovem aprecia aulas contex- tualizadas, que façam sentido para a vida dele. Desse modo, no desenvolvimento desta aula leve para discussão em sala algumas notícias e dados estatísticos atualizados sobre a crise de refugiados no mundo todo, destacando a relevância do problema e a importância do posicionamento cristão. A atual crise de refugiados ganhou repercussão internacio- nal em 2015, quando a imagem do corpo do menino sírio AylanKurdi, de apenas três anos, morto à beira da praia, rodou o mundo. Aylam viajava com a família na tentativa de fugir do conflito de seu país. O episódio expôs uma das maiores tragédias do nosso tempo. Todavia, o problema não é novo. Ao longo da história, por motivos religiosos, sociais, políticos e/ou sociais, milhares de famílias tiveram de abandonar seus países em busca de proteção em outras nações. O povo isra- elita e até mesmo cristãos perseguidos por causa da fé em Cristo viveram refugiados, estrangeiros pelo mundo. Logo, refletir a respeito da aludida temática é algo premente. É crucial que a juventude cristã esteja sintonizada com o que ocorre no mundo à sua volta, e saiba responder cristãmente sobre tal tema. • EXPLICAR o conceito de refugiado; • CONSCIENTIZAR-SE da crise dos refugiados no Brasil e no mundo; • REFLETIR a respeito da postura da Igreja em relação aos refugiados. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
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    32 JOVENS TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Vocêjá parou para refletir sobre as dificuldades enfrentadas pelas pes- soas refugiadas, que deixam seus países de origem por causa de algum tipo de perseguição e saem pelo mundo à procura de um local seguro para viverem? Pense por um momento acerca das barreiras geográficas, físicas, culturais, sociais e linguísticas que lhes são impostas pela força irresistível das circunstâncias, assim como a discriminação e preconceito que geralmente sofrem em terras estranhas. É exatamente sobre esse tema que trataremos nesta lição: os refugiados. Embora o assunto tenha ressurgido em anos recentes, em decorrência da crise migratória que eclodiu na Europa, o problema é tão antigo quanto a humanidade. Mateus 25.31-46 31 E, quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os santos anjos, com ele, então, se assentará no trono da sua glória; 32 e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas. 33 E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. 34 Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita:Vinde, benditos de meu Pai, possuí porherança o Reino quevos está preparado desde a fundação do mundo; 35 porque tive fome, e destes-me de co- mer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; 36 estavanu,evestistes-me;adoeci,evisitas- tes-me; estive na prisão, e fostesver-me. 37 Então, os justos lhe responderão, di- zendo: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? 38 E, quando te vimos estrangeiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? 39 E, quando te vimos enfermo ou na prisão e fomos ver-te? 40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fi- zestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. 41 Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; 42 porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; 43 sendo estrangeiro, não me recolhes- tes; estando nu, não me vestistes; e estando enfermo e na prisão, não me visitastes. 44 Então, eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão e não te servimos? 45 Então, lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. 46 E irão estes para o tormento eterno, mas os justos, para a vida eterna.
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    JOVENS 33 I –O CONCEITO DE REFUGIADOS 1. Um breve conceito. De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), são refugiadas as pessoas que se “encontram fora do seu país por causa de fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalida- de, opinião política ou participação em grupos sociais, e que não possa (ou não queira) voltar para casa”. 2. Quem é o refugiado. Também são assim considerados aqueles que foram obrigados a deixar seu país devido a conflitos armados, violência genera- lizada e violação massiva dos direitos humanos. Em outras palavras, refugiado significa muito mais que um estrangeiro, é aquele que está em busca de proteção e segurança, tentando escapar de um perigo de sua terra natal. II - O POVO DE ISRAEL COMO PEREGRINO EM TERRA ESTRAN- GEIRA 1. Israel como peregrino no Egito. Embora a crise dos refugiados seja um tema recente, o problema é antigo. Nas Escrituras, encontramos o exemplo se- melhante dos israelitas como peregrinos em terra estrangeira. Escravos no Egito eles trabalharam na edificação de cida- des, na agricultura e em outros serviços forçados (Êx 1.11-14). Evidentemente, o Egito não era local de refúgio, mas de opressão e trabalho penoso. Segundo o Manual do Pentateu- co (CPAD), a submissão dos hebreus a esse tipo de trabalho tinha a intenção de “desmoralizá-los, convencê-los de sua posição de escravos e reduzir ao máximo qualquer possibilidade de insurreição”. Porém, quanto mais os egípcios casti- gavam-nos, mais eles cresciam. Afinal, a graça de Deus, mesmo no sofrimento, pairava sobre o seu povo! 2. Refugiados pelo mundo. A experi- ência dos israelitas como forasteiros não se ateve à terra de Faraó. A descendência de Abraão viveu como estrangeira em várias outras oportunidades ao longo de sua história (assírios – 2 Rs 17.6, babilô- nios – 2 Rs 25.21, gregos – Alexandria no século III a.C). Após a diáspora de 70 d.C, quando os romanos invadiram Jerusa- lém e destruíram o Templo, milhares de israelitas foram dispersos pelo mundo, vivendo exilados de sua pátria como refugiados (Lc 21.24). 3. Deus manda proteger o estran- geiro. Não é de admirar, portanto, que Deus tenha ordenado ao povo de Israel a proteção e o cuidado do estrangeiro. As exortações bíblicas para não oprimir (Êx 23.9), permitir a colheita remanes- cente (lei da respiga, Dt 24.19-22) e amar o estrangeiro (Lv 19.33,34) levam em consideração a experiência vivenciada pelos israelitas como peregrinos. Em um tempo em que os estrangeiros eram considerados inimigos, Deus instrui seu povo ao acolhimento, agindo com compaixão. Isso porque, assim como o pobre, o órfão e a viúva, o estrangeiro, nos termos aqui mencionados, en- contra-se igualmente em condição de vulnerabilidade, a depender de proteção e amparo. Viver longe do lar e tendo de enfrentar barreiras geográficas, cultu- rais, sociais, linguísticas, ao tempo em que sofre discriminação e preconceito étnico, inegavelmente é uma situação que evoca cuidados especiais. Pense! Colocar-se no lugar do refugiado é a melhor maneira de compre- ender a sua dor e sofrimento.
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    34 JOVENS Ponto Importante Refugiadosignifica muito mais que um imigrante; é o estrangei- ro que está em busca de proteção e segurança, tentando escapar de um perigo de sua terra natal. III – OS REFUGIADOS NA EURO- PA E NO BRASIL 1. A atual crise de refugiados. De- vido a conflitos internos, terrorismo, guerras civis, perseguição religiosa e outras formas de perseguição, a última década tem testemunhado a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Em várias partes do mundo, milhares de pessoas fogem de seus países em busca de abrigo em outras nações, com famílias inteiras deixando seus lares e arriscando suas vidas em viagens e travessias perigosas, a pé ou pelos mares. Estudo realizado pela AC- NUR/ONU, em 2015, apontou um total de 65,3 milhões de pessoas deslocadas por guerras e conflitos até o final daquele ano. É um verdadeiro caos humanitário! 2. Refugiados na Europa. O con- tinente europeu é uma das regiões mais afetadas pela crise de refugiados. Isso se deve ao crescente número de migrantes que chegam às suas fron- teiras em busca de abrigo, oriundas, em sua maioria, do Oriente Médio e da África, especialmente em decorrência do terrorismo do Estado Islâmico. Na tentativa de atravessar o Mediterrâneo e chegar à Europa, famílias inteiras arris- cam suas vidas em viagens a bordo de embarcações clandestinas. Muitos não completam o percurso. Outros tantos desaparecem. 3. Refugiados no Brasil. O Brasil tam- bém recebe refugiados do mundo todo. Segundo estatísticas, o número total de solicitações de refúgio aumentou mais de 2.868% entre 2010 e 2015. Entre as principais causas dos pedidos de refúgio estão a violação de direitos humanos, perseguições políticas, reencontro de famílias e perseguição religiosa. A grande maioria dessas pessoas advém da África, Ásia (inclusive Oriente Médio) e do Caribe. Jovem, você conhece ou já viu alguma pessoa refugiada em sua cidade? Qual foi a sua reação? Pense! Mais da metade dos refugiados no mundo é criança. Ponto Importante A última década tem testemu- nhado a maior crise de refu- giados desde a Segunda Guerra Mundial. IV – OS REFUGIADOS E A IGREJA 1. Um problema dos últimos tempos. As guerras e os rumores de guerras serão sinais dos últimos dias (Mc 13.7), ocasionando em grande medida a crise dos refugiados. Mas isso não pode nos anestesiar em face desse problema humanitário. Os eventos escatológicos não afastam a responsabilidade do povo de Deus de dar mostras do seu amor e justiça para com o próximo e necessitado (Sl 72.13; Pv 31.20), enquanto aqui estiver. 2. Amor e compaixão pelo estran- geiro. Em o Novo Testamento, temos o exemplo do próprio Jesus que, ainda criança, foge com seus pais para o Egito em razão da perseguição de Herodes (Mt 2.13). O Filho de Deus encarnado, portan- to, foi um refugiado nessa terra. Cristo se importa e se compadece daqueles
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    JOVENS 35 “Serviço eComunhão Hebreus também apresenta um testemunho poderoso sobre a neces- sidade de o cristão alcançar os outros em serviço amoroso e abnegado e responder a Deus em adoração sincera. O fato de estar sob pressão pessoal não é desculpa para viver uma existência autocentrada e de ingratidão. O principal ensinamento a respeito do serviço cristão é apresentado em uma série de exortações do capítulo final de Hebreus. Algumas são instru- ções padrões a respeito da vida cristã, necessárias em qualquer tempo e lugar, mas a maioria reflete a situação espe- cífica dos leitores. Essas são exortações ao amor fraternal, à hospitalidade, ao cuidado dos prisioneiros e dos perse- guidos, ao contentamento financeiro e à estabilidade e firmeza espiritual em face de opiniões distintas e de oposi- ção (13.1-14). Tudo isso é necessário, em especial, para uma comunidade que passa por uma situação difícil. No entanto, elas revelam a orientação particularmente cristã de cuidar das necessidades dos outros e buscar de forma ativa o bem deles, em vez de se absorver nos interesses pessoais ou na autocomiseração” (ZUCK, Roy B (ed.). Teologia do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, pp. 459,460). SUBSÍDIOque se encontram nessa condição, pois conhece o seu sofrimento e infortúnio (Hb 2.17,18). Por esse motivo, aqueles que acolhem o estrangeiro necessitado são dignos de honra. 3. Oração e hospitalidade. Além da oração, é possível promover o acolhimen- to e amparo aos refugiados, colocando em prática a recomendação bíblica da hospitalidade (Rm 12.13; Hb 13.2; 1 Tm 3.2; 1 Pe 4.9). Tal hospitalidade faz parte do serviço cristão, e se estende aos crentes e àqueles que estão no mundo. Sem adentrar aos aspectos que envolvem a segurança nacional e a política migratória, que competem ao Estado, o povo do Senhor serve como uma comunidade de refúgio e apoio às pessoas e famílias fragilizadas que sofrem perseguição. 4. A igreja e os refugiados. Devemos lembrar de que muitos refugiados são cristãos que se encontram afastados de seus países por diversos motivos, alguns por causa da perseguição religiosa, por professarem a fé em Cristo. Enquanto arauto da justiça, a igreja também pode agir estrategicamente no enfretamento desse problema social, alçando sua voz profética para que o assunto seja devi- damente tratado pelo poder público, apoiando organizações sérias que traba- lham nessa causa, inclusive levantando recursos para a ajuda humanitária. Pense! Seja um instrumento de refúgio para aqueles que buscam socorro. Ponto Importante A comunidade cristã pode pro- mover o acolhimento e o amparo aos refugiados, colocando em prática a recomendação bíblica da hospitalidade.
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    HAMILTON, Victor P.Manual do Pentateuco. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações A questão dos refugiados é um tema atual e complexo. Não obstante, considerando que o Senhor é um alto refúgio para o oprimido (Sl 9.9), a comunidade cristã deve também ser uma comunidade de refúgio para os estrangeiros perseguidos. Sem desconsiderar os aspectos que envolvem a segurança nacional e a política migratória, aos cristãos cabe, do ponto de vista prático, dar acolhimento àqueles que precisam de proteção. CONCLUSÃO HORA DA REVISÃO 1. De acordo com a lição, qual o conceito de refugiado? Refugiadas são as pessoas que se encontram fora do seu país por causa de fun- dado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais, e que não possa (ou não queira) voltar para casa. 2. Quais as principais causas da crise de refugiados no mundo? Conflitos internos, terrorismo, guerras civis, perseguição religiosa e outras formas de perseguição. 3. De onde é oriunda a grande maioria dos refugiados na Europa? Do Oriente Médio e da África. 4. Cite três exortações de Deus no Antigo Testamento sobre o tratamento aos es- trangeiros? Não oprimir, permitir a colheita remanescente e amar o estrangeiro. 5. O que a comunidade cristã pode fazer em relação aos refugiados? Promover o acolhimento e amparo aos refugiados, colocando em prática a reco- mendação bíblica da hospitalidade.
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    JOVENS 37 SÍNTESE A imagemde Deus no homem e o exemplo de vida do Senhor Jesus jogam por terra o pre- conceito e a discriminação. TEXTO DO DIA “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine [...] sobre toda a terra [...].” (Gn 1.26) LIÇÃO 605/11/2017 LIDANDO COM O PRECONCEITO E A DISCRIMINAÇÃO AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Rm 2.11 Para Deus não há acepção de pessoas TERÇA – Tg 2.1 O pecado da acepção de pessoas QUARTA – Lc 20.21 Conduta que não leva em consideração a aparência QUINTA – Dt 1.17 Não discriminarás SEXTA – Mt 7.1 Não julgueis SÁBADO – Ap 7.9 A salvação abrange todas as raças e línguas
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    38 JOVENS Para aaula de hoje propomos a aplicação da “dinâmica dos rótulos”. Prepare várias etiquetas autocolantes com as frases abaixo sugeridas. As etiquetas devem ser coladas na testa de cada aluno. O aluno não pode saber o que está escrito na pró- pria etiqueta, e os demais participantes também não devem contar. Depois que todos estiverem devidamente “rotulados”, peça para que andem pela sala e interajam por 5 minutos, considerando o que está escrito na testa de cada um. Enquanto isso, anote as reações dos alunos. Ao final do tempo, peça para todos se sentarem, sem retirar as etiquetas. Depois, comece a indagar os participantes: O que acha que está escrito em sua testa? Assim que ver a frase na etiqueta, indague: Era isso que esperava que estivesse escrito? A atitude que tiveram com você foi justa? Agora que sabe o que estava escrito, seu sentimento em relação a como lhe trataram mudou? Ao término, pergunte ao grupo o que podem extrair dessa experiência? Será que é isso o que ocorre no caso de precon- ceito e discriminação? Ao rotular alguém por sua condição social, etnia ou religião acabamos agindo de acordo com este rótulo que nós mesmos colocamos? Diariamente, feridas são abertas nos corações de milhares de pessoas por causa do preconceito, seja o preconceito manifesto ou aquele velado. E outras tantas sofrem com o desprezo decorrente da discriminação racial, social e religiosa. Este é o tema da lição de hoje. • APRESENTAR o conceito de preconceito; • SABER o significado de discriminação e os seus vários tipos; • RECONHECER a importância da lei no combate à discriminação. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA RÓTULOS SOU INFERIOR: IGNORE-ME!/ SOU PREPOTENTE: TENHA MEDO! / SOU SURDO(A): GRITE! / SOU IGNORANTE: FALE COMO UM BOBO/
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    JOVENS 39 COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Uma dasmaiores contribuições sociais do cristianismo ao longo da história tem sido a doutrina bíblica da imagem de Deus no homem (Gn 1.26). Sem ela, é impensável falar de igualdade, liberdade e direitos humanos. O valor indi- vidual de cada ser humano, fundado no amor indistinto de Deus por todas as pessoas, faz parte do legado da fé cristã em sua trajetória na face da Terra. Com apoio nessa bela doutrina bíblica, ensinada e vivenciada exemplar- mente por Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, é que a Igreja encontra respaldo suficiente para lidar e combater o preconceito e a discriminação em todas as formas que se apresentam. Esse é o tema da presente lição. TEXTO BÍBLICO Gênesis 1.26,27; Colossenses 3.9-11; Tiago 2.8-10 Gênesis 1 26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra. 27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. Colossenses 3 9 Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos 10 e vos vestistes do novo, que se reno- va para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; 11 ondenãohágregonemjudeu,circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos. Tiago 2 8 Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. 9 Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores. 10 Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos. I – PRECONCEITO: CONCEITO GERAL E BÍBLICO 1. Definição geral. Os dicionários defi- nem ovocábulo preconceito como a ideia ou opinião formada antecipadamente sobre determinado assunto. Em certo sentido, todos nós temos algum tipo de convicção prévia; conceitos anteriores que nos levam a decidir as questões da vida. Não há nada de errado nisso, pois trata-se de um “preconceito natural”. Por outro lado, o preconceito negativo é aquele em que alguém faz um juízo de condenação acerca de outrem ou de um grupo de pessoas, sem conhecimento, reflexão ou com imparcialidade. Esse tipo de preconceito é prejudicial e perigoso, pois leva à intolerância, à discriminação, e até mesmo, à violência. 2.Juízesdemauspensamentos.Apesar de não acharmos nas Escrituras a palavra preconceito, hávárias advertências contra
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    40 JOVENS esse comportamentoque pode ser ex- presso por meio do desprezo (Rm 10.12) e pelo julgamento condenatório dirigido pelas aparências (Jo 7.24) e sem critérios justos (Jo 8.15, 16).Tiago chama de “juízes de maus pensamentos”aqueles que me- nosprezavamosmenosafortunados(Tg2.4). 3. O preconceito de Pedro. Antes de receber a revelação de Deus, Pedro agia com preconceito em relação aos gentios (At 10). No entanto ao serconfrontado pela verdade divina, entendeu que Deus não fazacepçãodepessoas(At10.34).Quantos agem como juízes de maus pensamentos emrelaçãoaosoutros,fazendojulgamentos moraisbaseadosemrótulos,estereótipose inverdades?Devemosfazerumaprofunda avaliação de nossos corações para ver se não estamos agindo da mesma forma. O EspíritodeDeusampliaavisãoestreitadoser humanoederrubatodotipodepreconceito. 4.Julgandocomsabedoria.Aadvertên- cia do Mestre em Mateus 7.1, “não julgueis, para que não sejais julgados,”é importante para combater o julgamento prematuro. É necessário observar, no entanto, que o Senhor Jesus não estabeleceu, com estas palavras, um mandamento contra qualquer tipo de julgamento, pelo qual não possamos denunciar o erro e exortar os pecadores. O objetivo maior da decla- ração é que devemos tratar os outros da maneira como queremos sertratados, com base na regra de ouro (Mt 7.12). Devemos procurar avaliar a nós mesmos, e aos outros, utilizando os mesmos padrões. Somos convidados, como servos de Deus, a julgar com discernimento e sabedoria. Pense! O preconceito, seja ele étnico, social ou cultural, nos impede de testemunhar o amor e a graça de Deus na sociedade. Ponto Importante Apesar de não acharmos nas Escrituras a palavra preconceito, há várias advertências contra esse comportamento que pode ser expresso por meio do desprezo e pelo julgamento condenatório dirigido pelas aparências e sem critérios justos. II – DISCRIMINAÇÃO RACIAL, SO- CIAL E RELIGIOSA Discriminação significa o tratamento desigual e injusto de uma pessoa ou um grupo de pessoas em razão de classe social, cor da pele, nacionalidade, convic- ções religiosas, etc. É uma conduta que desonra a Deus e desmerece o valor do próximo. Conheça os principais tipos de discriminação: 1. Discriminação étnica. Consiste em qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica. É uma das mais terríveis e cruéis formas de acepção de pessoas, pois aquele que é discriminado é tratado como um ser de segunda categoria. Tal discriminação é errônea já que nega o princípio extraído de Gênesis 1.26, segundo o qual todos os seres humanos são criados à imagem de Deus. A Bíblia profere um duro golpe no racismo ao enfatizar que, segundo a imagem daquEle que nos criou, não há grego, nem judeu, nem bárbaro ou cita; mas Cristo é tudo, e em todos (Cl 3.11). O pensamento de segregação étnica também não consegue se sustentar diante da irrefutável verdade bíblica de que a graça salvadora se estende a toda humanidade (Jo 3.16), às pessoas de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas (Ap 7.9).
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    JOVENS 41 É significativoobservar que o derra- mamento do Espírito Santo registrado em Atos 2 ocorreu quando pessoas de várias nacionalidades (v.5) estavam reu- nidas, demonstrando que a graça divina promove conciliação que ultrapassa as barreiras raciais. 2. Discriminação social. Esse tipo de discriminação provoca o afastamento dos indivíduos em virtude da classe social a que pertencem, gerando marginalização e segregação social. Tiago repreendeu aqueles que em reuniões solenes da- vam tratamento privilegiado aos ricos, e desonroso aos pobres, numa verdadeira acepção de pessoas (Tg 2.6). Jesus é o exemplo por excelência de conduta não discriminatória. Ele confrontou as barreiras sociais, religiosas e culturais da sua época, tratando todos com igual dignidade e respeito, Ele via cada pessoa dotada de valor especial para Deus, por isso aproximou-se dos marginalizados e excluídos na cultura judaica de seu tempo. A graça do evangelho abrange aqueles que estão em um nível social inferior, o que significa que todos têm esperança por causa da encarnação do Verbo; por causa da descida de Deus. Quer seja rico ou pobre, todos são iguais aos olhos de Deus! Se olharmos para o ser humano a partirda perspectiva deJesus, evitaremos a discriminação e exclusão social! 3. Discriminação religiosa. Refere-se ao tratamento diferenciado em virtude da crença, religião ou culto praticado por determinada pessoa. Geralmente, esse tipo de discriminação provoca intolerân- cia, perseguição,violência e morte, como podem atestarvários episódios da história da humanidade.Ainda hoje, cerca de 73% da população do mundo vive em países onde as restrições à liberdade religiosa são consideradas altas ou muito altas, em decorrênciadadiscriminaçãopormotivode crença religiosa, de acordo com pesquisa do Christian SolidarityWorldwide. O fato de o cristão crer que Jesus é o único mediador entre Deus e o homem (1 Tm 2.5), não serve como pretexto para agir com intolerância e menosprezo em relação à religião alheia. O testemunho cristão no meio social deve ser feito com cordialidade, mansidão e respeito à liber- dade religiosa daqueles que professam crenças diferentes da nossa. Pense! A graça de Cristo cura as feridas do racismo e da discriminação. Ponto Importante Discriminação significa o tratamen- to desigual e injusto de uma pessoa ou um grupo de pessoas em razão de classe social, cor da pele, nacio- nalidade, convicções religiosas, etc. III –ALEI E O COMBATEÀDISCRI- MINAÇÃO 1. Conheça seus direitos e deveres. Enquantocidadão,ocristãoépossuidorde direitos e deveres. Esse é o sentido básico da cidadania. Logo, conhecer as noções jurídicasbásicaséimportanteparacontribuir comadefesadenossosdireitosegarantias legais,assimcomoparanosconscientizarde nossas responsabilidades, especialmente emrelaçãoaopreconceitoeàdiscriminação. 2. Direito à igualdade e o combate à discriminação. Um dos principais direitos fundamentais expressos na Constituição Federaldo Brasilé o direito à isonomia; ou seja, “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...” (art. 5º, caput, CF/88).Taldireito possui uma clara herança cristã, na medida em que parte da
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    42 JOVENS compreensão deque todas as pessoas são dotadas de igualvalor, em clara referência ao princípio bíblico da imagem de Deus (Gn 1.26). Por esse motivo, além do fato da discriminação, o racismo e a injuria racial constituírem crime, conforme estabelece a legislação do país (Código Penal Brasi- leiro e Lei número 7.716/89), combater a discriminação é uma maneira de honrar essa doutrina bíblica basilar. 3. Direito à liberdade religiosa. A li- berdade religiosa é igualmente um direito fundamentaldevalorinestimável, previsto em nossa Constituição Federal: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” (art, 5º, VI, CF/88). Compreende, primeiramente, o direito de crença, isto é, o direito de acreditar, não acreditarou deixar de acreditarem alguma coisa, assim como aderir a qualquer religião de sua escolha, seja ela organizada ou não; assim como o direito de não professar qualquer religião. Engloba também a liberdade de culto, consistente na possibilidade de realizar cerimônias, liturgias, cânticos e outros atos próprios da fé. Pense! A liberdade religiosa é uma das principais garantias do ser huma- no. É um direito antes dos demais direitos. Ponto Importante Conhecer as noções jurídicas bá- sicas é importante para contribuir com a defesa de nossos direitos e garantias legais, assim como para nos conscientizar de nossas responsabilidades, especialmente em relação ao preconceito e à discriminação. “Tiago 2.4 Este tipo de distinção mostra que os crentes estão sendo dirigidos por motivos errados. Tiago condenou o seu comportamento, porque Cristo os tinha tornado um só (Gl 3.28). Por que é errado julgar uma pessoa com base na sua situação econômica? A riqueza pode ser um sinal de inteligência, de decisões sábias, e de trabalho árduo. Por outro lado, ela pode querer dizer simplesmente que a pessoa teve a boa sorte de nascer em uma família rica. Ela também pode até ser um sinal de avareza, desonestidade e egoísmo. Quando honramos uma pessoa apenas porque ela se veste bem, estamos considerando a aparência como algo mais importante do que o caráter. Outra suposição falsa que às vezes influencia o nosso tratamento dos ricos é a interpretação equivocada do rela- cionamento de Deus com a riqueza. É fácil, porém enganoso, acreditar que as riquezas são um sinal da bênção e da aprovação de Deus. Mas Deus não nos promete recompensas ou riquezas terrenas; na verdade, Cristo nos con- voca para que estejamos dispostos a sofrer por Ele e desistir de tudo para nos agarrarmos à vida eterna (Mt 6.19- 21; 19.28-30; Lc 12.14-34; 1 Tm 6.17-19). Teremos riquezas incalculáveis na eternidade se formos fiéis na nossa vida atual (Lc6.35; Jo 12.23-25; Gl 6.7-10; Tt 3.4-8)” (Comentário do Novo Testa- mento: Aplicação Pessoal. 1.ed. Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD, p. 671). SUBSÍDIO
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    Comentário do NovoTestamento: Aplicação Pessoal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações HORA DA REVISÃO A doutrina da imagem de Deus (Gn 1.26) é essencial para conscientizar a sociedade de que todas as pessoas são portadoras de igual valor e dignidade, independentemente da raça, condição social ou religião. Nenhuma teoria secular fornece tão belo ensinamento. Tal ver- dade é princípio elementar para a convivência pacífica e harmoniosa, e, uma vez aplicada, produz relacionamentos comunitários sadios. Portadores dessa verdade e imbuídos da graça de Deus, os crentes são vitais para combater o preconceito e todo tipo de discriminação. CONCLUSÃO 1. Qual a definição do vocábulo “preconceito” segundo os dicionários? A ideia ou opinião formada antecipadamente sobre determinado assunto. 2. Na Bíblia, como o preconceito pode ser expresso? Por meio do desprezo (Rm 10.12) e pelo julgamento condenatório dirigido pelas aparências (Jo 7.24) e sem critérios justos (Jo 8.15, 16). 3. O que é discriminação? Tratamento desigual e injusto de uma pessoa ou um grupo de pessoas em razão de classe social, cor da pele, nacionalidade, convicções religiosas, etc. 4. Quais os principais tipos de discriminação? Discriminação racial (étnica), social e religiosa. 5. Por que a discriminação é algo errado? Porque nega o princípio extraído de Gênesis 1.26, segundo o qual todos os seres humanos são criados à imagem de Deus.
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    44 JOVENS SÍNTESE Em temposde crise moral e política, a Igreja deve ser exemplo íntegro de participação cívica e de combate à corrupção. TEXTO DO DIA “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.” (Rm 13.1) LIÇÃO 712/11/2017 POLÍTICA E CORRUPÇÃO NA PERSPECTIVA CRISTÃ AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Is 51.4 A justiça de Deus é luz para as nações TERÇA – Pv 29.2 O povo se alegra com a admi- nistração sábia e justa QUARTA – Pv 29.4 A diferença entre o governan- te justo e o corrupto QUINTA – At 5.29 Melhor obedecer a Deus que aos homens SEXTA – Ef 4.28 Aquelequefurtava,nãofurtemais SÁBADO – Jo 10.10 O ladrão mata, rouba e destrói
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    JOVENS 45 Professor(a), notópico III, utilize o esquema abaixo para refletir com os seus alunos acerca de algumas medidas importantes para evitar a prática da corrupção, tanto no setor público quanto no privado. Lembre aos jovens que todas essas medidas decorrem de princípios bíblicos, e partem do pressuposto de que o homem possui a tendência natural para a prática da corrupção. Na segunda coluna, peça para os alunos opinarem a respeito do objetivo da medida anticorrupção constante da primeira coluna. A história de nosso país é assinalada por má governança e escândalos de corrupção. Sem dúvida alguma, a desonestidade e a trapaça não são novidades para o país que criou o “jeitinho brasileiro” – a artimanha utilizada por muitos para resolver problemas ou levar vantagem em alguma coisa. Em tempos recentes, porém, a crise política que se instalou na nação parece ter atingido níveis alarmantes. A estrutura política encontra-se transtornada. Diante desse contexto, o que pode fazer o justo? Na aula de hoje, veremos que o justo muito pode fazer pela nação. A participação política dos crentes de maneira íntegra, alinhada às recomendações das Escrituras, é vital para a boa governança e combate à corrupção. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA • CONSCIENTIZAR-SE do papel da política governamental e dos efeitos da corrupção; • CONHECER a base bíblica da separação entre Estado e Igreja; • SABER como o cristão deve lidar com a política e a corrupção. MEDIDAS ANTICORRUPÇÃO OBJETIVO Divisão de poder. Fiscalização constante. Transparência. Punição, inclusive dos pequenos delitos. Afixação de regras claras. Recordação da importância do agir ético.
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    46 JOVENS I –POLÍTICA GOVERNAMENTAL E CORRUPÇÃO 1. Política governamental. Na esfera pública, a política refere-se à forma como os governantes administram e tomam as melhores decisões para a nação, estado ou município. As Escrituras ensinam que Deus delega certa autoridade ao homem para governar (Tt 3.1). Utilizada de forma correta, portanto, a política deve servir para aprovar leis justas, refrear o mal e praticar o bem, a fim de proporcionar aos cidadãos uma sociedade onde haja liberdade, acesso à saúde, segurança e educação de qualidade. 2. O mal da corrupção. Infelizmente, nem todos aqueles que ocupam cargos públicos estão preocupados com a so- ciedade e o interesse coletivo. Conforme a história e os noticiários podem atestar, com frequência pessoas se utilizam da função política para proveito próprio e COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Na lição de hoje falaremos a respeito de política e corrupção. A palavra “polí- tica” deriva do grego politikos, e em geral refere-se à ciência de governar ou bem administrar. O homem é um ser político, pois foi criado por Deus para se relacionar com o próximo e viver em comunidade (Gn 2.18). Embora, na maioria das vezes, o termo seja aplicado à esfera pública, a política envolve todas as áreas da vida em que haja interação humana, seja em casa, nas empresas, nas escolas ou nas demais instituições. Por outro lado, a corrupção é a prática desonesta que visa à obtenção de vantagem ilícita, incluindo suborno, propina, fraude ou qualquer outra forma de desvio de dinheiro. Como a fé cristã lida com estes dois temas? É o que veremos na presente lição. TEXTO BÍBLICO Romanos 13.1-7 1 Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autori- dades que há foram ordenadas por Deus. 2 Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. 3 Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela. 4 Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal. 5 Portanto, é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência. 6 Por esta razão também pagais tribu- tos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. 7 Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.
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    JOVENS 47 aumento dopatrimônio pessoal, através do desvio de dinheiro dos cofres públicos e outros esquemas, falcatruas e “jeitinhos” para obtenção de vantagens ilícitas. A corrupção é um mal moral que decorre da natureza decaída e pecaminosa do homem, provocando enormes prejuízos sociais (2 Pe 2.19). Ela contribui para a desigualdade e o aumento da miséria, reduz o crescimento econômico e pre- judica, por consequência, a oferta dos serviços públicos básicos aos cidadãos. De acordo com Provérbios 29.2, o povo se alegra com a administração sábia e justa, mas geme quando os impiedosos dominam. Igualmente, o governante justo administra corretamente a sua terra, mas o corrupto a destrói (Pv 29.4). Pense! “Jeitinho” é um eufemismo para a trapaça. Ponto Importante A corrupção é um mal moral que decorre da natureza decaída e pecaminosa do homem, provo- cando enormes prejuízos sociais. II –ASEPARAÇÃO ENTRE ESTADO E IGREJA A reflexão a respeito da participação adequada do crente na esfera política inicia com o correto entendimento sobre a relação entre Estado e Igreja. 1. Entre César e Deus. Há uma passagem bíblica em particular que serve como diretriz hermenêutica do pensamento cristão acerca do rela- cionamento entre cristão e estado: “[...] Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Lc 20.25). Ao responder uma pergunta carregada de falsidade e perversidade dos religiosos de sua época sobre o tributo romano, Jesus ensina sobre a necessidade de separação entre Estado e Igreja, haja vista possuírem papéis distintos. Isso não significa dizer, entretanto, que a Igreja não possa colaborar com o Es- tado em assuntos de interesse social e influenciar positivamente a vida política da nação, a fim de conformar com a vontade de Deus. Francis Beckwith observa que, em- bora a imagem da moeda seja de César, há outra pergunta implícita na narrativa bíblica que também deve ser respondida: Quem tem em si a imagem de Deus? Beckwith conclui: “Se a moeda repre- senta a autoridade de César, porque tem nela sua imagem, então nós, seres humanos, estamos sob a autoridade de Deus, porque temos em nós a sua imagem”. Portanto, “o governo e a Igreja, apesar de terem jurisdições distintas, partilham da obrigação de promover o bem daqueles que são feitos à imagem de Deus” (Razões para Crer, CPAD). 2. Soberania divina sobre o Estado. Na perspectiva cristã, a autoridade dos governantes provém de Deus (Rm 13.1- 4). Ele é a fonte do poder de onde os governantes retiram a sua legitimidade para governar, por isso a recomendação bíblica para nos sujeitarmos à autoridade humana por amor ao Senhor (1 Pe 2.13). A partir dessa verdade, compreendemos que o Estado ou qualquer outra insti- tuição pública está abaixo do Criador. Quando a vontade do poder público e do povo entram em conflito com a vontade divina, não há outra opção senão obe- decer a Deus (At 5.29). Assim, tão errado quanto adorar a César nos tempos de Jesus, é a lealdade absoluta ao Estado nos dias atuais.
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    48 JOVENS 3. Estadolaico, não ateu. Em nosso país, o modelo atualmente adotado de relação entre Estado e organizações religiosas é o da laicidade. O poder público não pode adotar ou patrocinar uma determinada igreja ou religião. Estado laico (ou leigo), todavia, não significa estado ateu ou laicista, que busca o desaparecimento das religiões ou a defesa da sua influência somente ao ambiente privado. O modelo histo- ricamente adotado no Brasil valoriza o fenômeno religioso como tal, per- mitindo, inclusive, a colaboração de interesse público. Assim, a igreja cristã deve respeitar o princípio da laicidade, mantendo-se separada institucional- mente do governo, ao mesmo tempo em que pode colaborar com temas de interesse da sociedade, com programas de educação, filantropia e recuperação de usuários de drogas, por exemplo. Pense! “A lealdade ao reino de César é condicional, mas a lealdade ao Reino de Deus é absoluta” (Co- mentário Bíblico Pentecostal). Ponto Importante Deus é a fonte que emana o poder de onde os governantes retiram a sua legitimidade para governar, por isso a recomenda- ção bíblica para nos sujeitarmos à autoridade humana por amor ao Senhor. III – COMO O CRISTÃO DEVE LIDAR COM A POLÍTICA E A COR- RUPÇÃO 1. Adotando uma postura adequada sobre a política. Não há nada de errado com a participação política dos cristãos. Enquanto cidadãos, os crentes também têm direitos e responsabilidades na cidade dos homens. O apóstolo Paulo valeu-se da cidadania romana para exercer seus direitos e garantias legais (At 16.37-39). Uma vez que os crentes são portadores de cidadania política, nos é possível par- ticipar da escolha dos governantes, assim como contribuir com as discussões e o rumo político da nação. Mas, se por um lado a aversão à política é uma conduta equivocada, por outro, o engajamento inadequado prejudica a vida espiritual da Igreja, especialmente quando esta atua em busca de benefícios próprios e por meio de envolvimento com a politicagem mundana. 2. Influenciando o mundo político. O caminho para iluminar o mundo político com a luz de Cristo é o engajamento político socialmente adequado e teolo- gicamente consistente da comunidade cristã. Isso, sem se perder nos jogos de poder e nas disputas partidárias e ideológicas. A Igreja pode exercer uma influência expressiva sobre a política e o governo, por meio da conscientização dos seus membros sobre a importância do voto. Deve atuar como voz profética de transformação, combate ao mal e defesa dos princípios e valores morais expressos nas Escrituras. Daniel é exemplo de um jovem fiel a Deus que influenciou positivamente o governo de seu tempo. Ele era gover- nador de toda a província da Babilônia e chefe de todos os sábios (Dn 2.48). Além de aplicar a sabedoria na administração do governo, Daniel confrontou corajosa- mente os erros do rei Nabucodonosor (Dn 4.27). Jovem, aja como Daniel, com coragem para denunciar os erros obser- vados na política, e com sabedoria para sobressair-se na esfera pública!
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    JOVENS 49 “A Questãode Pagar Impostos a César (20.20-26) Jesus lhes pede que lhe mostrem uma moeda de prata (denarion, o pa- gamento médio de um dia de trabalho). Quando Ele pergunta de quem é a ins- crição na moeda, eles respondem: ‘De César’, dando a entender que os judeus aceitam o governo do imperador como uma realidade prática. Naquela época, era ponto comum que o governo de um soberano se estendia tanto quanto iam suas moedas (Geldenhuys, 1951, p. 504). Sem interromper, Jesus lhes responde a pergunta — não com um ‘Sim’ ou um ‘Não’, como esperavam, mas com estas palavras: ‘Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus’. Esta respostavai além do pagamento de im- postos(cf.Rm13-1-7;1Pe2.13-17).Ascoisas que pertencem a Césardevem serpagas a ele; as coisas que pertencem a Deus devem ser pagas a Deus. Obviamente a moeda pertence a César; os impostos devem ser pagos ao imperador. Os assuntos que giram em tomo dos deveres a Deus e dos deveres a César podem ficar complexos. Quando os as- suntos de estado entram em conflito com a vontade de Deus, o povo de Deus tem de obedecer a Deus (cf. At 5.29). Como Jesus ensina, há dois reinos: um terreno e um divino. O povo de Deus deve lealdade a ambos — a lealdade ao reino de César é condicional, mas a lealdade ao Reino de Deus é absoluta. Os inimigos de Je- sus lhe fizeram uma pergunta teológica difícil. Sua resposta significa que o povo de Deus tem de permanecer fiel a Deus e obediente à autoridade civil, contanto que suas ações não entrem em conflito com a lei do Senhor”(Comentário Bíblico PentecostalNovoTestamento. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 449). SUBSÍDIO3. A corrupção e o sétimo manda- mento. Por contrariar o sétimo man- damento (Êx 20.15), a corrupção é severamente condenada aos olhos de Deus (Lv 19.35,36). Ao longo da narrativa bíblica, encontramos várias advertências contra diversos tipos de corrupção, no funcionalismo público (Lc 3.12-14), no Judiciário (Dt 16.19,20; Êx 23.8) e no Legislativo: “Ai dos que decretam leis injustas e dos escrivães que escrevem perversidade, para prejudicarem os pobres em juízo, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo, e para despojarem as viúvas, e para roubarem os órfãos!” (Is 10.1,2). 4. Combatendo a corrupção. A fé verdadeira tem um sério compromisso com o combate à corrupção em todos os níveis. Aquele que teve um encontro com o Senhor é aconselhado a não roubar mais e é também compungido a devolver o que defraudou (Lc 19.8). Não coaduna, portanto, com a prática de atos desonestos, fraudadores e corruptos, e nem com aqueles que assim agem (Rm 1.32). Se nova vida não combina com a vigarice, é inconcebível que a bênção de Deus esteja em negócios escusos e deletérios. Pense! Se nova vida não combina com a vigarice, é inconcebível que a bênção de Deus esteja em negó- cios escusos e deletérios. Ponto Importante O caminho para iluminar o mun- do político com a luz de Cristo é o engajamento político social- mente adequado e teologicamen- te consistente da comunidade cristã.
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    GEISLER, Norman; MEISTER,Chad V. (Orgs). Razões para Crer: Apresentando argumentos a favor da fé cristã. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. De acordo com a lição, o que é corrupção? É a prática desonesta que visa a obtenção de vantagem ilícita, incluindo suborno, propina, fraude ou qualquer outra forma de desvio de dinheiro. 2. Cite algumas consequências da corrupção. Ela contribui para a desigualdade e o aumento da miséria, reduz o crescimento econômico e prejudica, por consequência, a oferta dos serviços públicos básicos aos cidadãos. 3. Qual o sentido da afirmação de Jesus ao dizer: “Daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Lc 20.25). A necessidade de separação entre Estado e Igreja, haja vista possuírem papéis distintos. 4. Qual o modelo adotado no Brasil de relação entre Estado e organizações religiosas? Modelo da laicidade. 5. Qual o caminho para a comunidade cristã iluminar o mundo político com a luz de Cristo? Por meio do engajamento político socialmente adequado e teologicamente consistente. HORA DA REVISÃO Como foi possível perceber, política e combate à corrupção também são “coisas de crente”. Em tempos de crise moral na política do nosso país, a Igreja de Cristo pode instruir, conscientizar, denunciar e mobilizar-se para propósitos cívicos legítimos. CONCLUSÃO
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    JOVENS 51 SÍNTESE O enfrentamentoda violência urbana e a compaixão pelas vítimas são faces da responsabilidade cristã na sociedade. TEXTO DO DIA “A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência.” (Gn 6.11) LIÇÃO 819/11/2017 A RESPOSTA CRISTÃ PARA A VIOLÊNCIA URBANA AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Ez 7.23 Cidade cheia de violência TERÇA – Pv 16.29 A ação do homem violento QUARTA – Pv 24.1,2 Não tenha inveja de homens violentos QUINTA – Sl 11.5 Deus odeia quem ama a vio- lência SEXTA – Na 3.1 Ai da cidade de derramamento de sangue SÁBADO – Is 60.18 Nunca mais haverá violência
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    52 JOVENS Nesta lição,utilize o esquema abaixo para ensinar a impor- tância do Decálogo para o estabelecimento da ordem social. Dos Dez Mandamentos, os quatro primeiros referem-se ao relacionamento entre Deus e o homem, e os outros seis, do homem com o próximo. O intuito dos mandamentos era organizar a vida em comunidade, para proteger os israelitas contra o arbítrio e a ofensa alheia. Caro(a) professor(a), como tem sido o nível de assimilação dos seus alunos em relação as lições até aqui estudadas? Não deixe de recapitular, em suas aulas, conceitos e definições importantes que foram objeto de estudos em lições anteriores, pois ajuda na assimilação do conteúdo. E como tem sido a sua vida devocional? Tens orado pela vida de seus alunos? Aproveite a semana que antecede a lição para colocar cada um dos seus aprendizes diante do Senhor, para que Deus os guarde e os livre diante dessa sociedade tão violenta. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA • EXPLICAR a perspectiva bíblica sobre a violência; • ENTENDER o papel do poder público no combate à violência urbana; • SABER como a Igreja pode agir diante de uma sociedade violenta. RESUMO DO DECÁLOGODivisão de poder. 1º Mandamento — Não terás outros deuses diante de mim. 2º Mandamento — Não farás imagens de escultura. 3º Mandamento — Não tomarás o nome de Deus em vão. 4º Mandamento — Lembra-te do sábado, para o santificar. 5º Mandamento — Honra o teu pai e a tua mãe. 6º Mandamento — Não matarás. 7º Mandamento — Não adulterarás. 8º Mandamento — Não furtarás. 9º Mandamento — Não dirás falso testemunho. 10º Mandamento — Não cobiçarás.
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    JOVENS 53 COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Na liçãodeste domingo, violência urbana é o tema a ser estudado. No sentido aqui compreendido, o termo violência urbana alude a toda con- duta humana que ofenda a lei e a ordem pública. TEXTO BÍBLICO Lucas 10.30-37 30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. 31 E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. 32 E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo. 33 Mas um samaritano que ia de viagem chegouaopédelee,vendo-o,moveu-se de íntima compaixão. 34 E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pon- do-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele; 35 E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar. 36 Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? 37 E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai e faze da mesma maneira. I – PERSPECTIVA BÍBLICA SOBRE A VIOLÊNCIA 1. A violência na Bíblia. O primeiro episódio violento registrado nas Escrituras após a rebelião humana foi protagonizado por Caim. Este entrou para os anais da história como o homem que inaugurou a violência na face da terra, ao assassinar friamente seu irmão Abel (Gn 4.1-16). Depois deste fatídico evento, e com a crescente degeneração humana, não pararia mais a escalada da violência social, a ponto de homens sanguinários se vangloriarem de seus feitos cruéis (Gn 4.23) e assassinos serem cultuados como verdadeiro heróis (Gn 6.4). 2. A geração do dilúvio. Violência e depravação vieram a atingir níveis alar- mantes nos tempos de Noé (Gn 6.5). De acordo com Gênesis 6.11, a terra estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. O Guia do Leitor da Bíblia explica que maldade e violência são as duas palavras usadas para caracterizar os pecados que cau- saram o dilúvio do Gênesis: “Maldade é rasah, atos criminosos que violam os direitos dos outros e tiram proveito do sofrimento deles. Violência é hamas, atos deliberadamente destrutivos que visam prejudicar outras pessoas”. Eis aí as características da violência urbana.
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    54 JOVENS 3. Violênciaao longo da Bíblia. As Escrituras relatam muitos outros episó- dios de violência, crueldade e agressão, física e emocional, a fim de evidenciar a condição pecaminosa do homem (Êx 2.11,12; 2 Sm 13; 1 Rs 21). Ao lermos tais passagens, devemos ter em mente que se trata de relatos descritivos, e não prescritivos. Ou seja, descrevem fatos, mas não prescrevem condutas! Pense! Por amor à humanidade, Jesus submeteu-se à maior de todas as violências: a morte. Ponto Importante A Bíblia faz questão de registrar a violência humana. Afinal, não é objetivo de Deus esconder a verdade ou falsear a história da humanidade. II – O PODER PÚBLICO E A VIO- LÊNCIA URBANA 1. “Nínives” da atualidade. O Brasil é um dos países com maior índice de criminalidade do mundo, com elevada taxa de homicídios, roubos, sequestros e outros atos criminosos. Algumas cidades se assemelham a Nínive: há derramamento de sangue, são repletas de roubo e nunca ficam sem presas (Na 3.1). Nesse quadro avassalador, a população vive em estado de pânico, insegura e traumatizada com a de- linquência dominante. Oremos pelo nosso país! 2. O Estado e a sua função de punir o mal. Conforme estudamos na lição anterior, Deus delegou ao governo civil a autoridade para castigar os malfeitores (1 Pe 2.14). Paulo diz que os magistrados são ministros de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal (Rm 13.4). Fica claro, à luz do texto bíblico, que somente o Estado, sob a autoridade divina, pode punir os malvados, o que contraria qual- quer ideia de revanchismo, vingança privada e o “justiçamento” feito com as próprias mãos. 3. O papel do Poder Público. É responsabilidade do poder público a promoção da segurança e o combate a todo tipo de criminalidade, mediante a atuação conjunta e eficiente dos três poderes governamentais. Espera-se do Legislativo a criação de leis e normas que coíbam todo e qualquer ato de violência a fim de garantir a ordem e a paz social. O poder Executivo, além de criar políticas públicas que busquem garantir a segurança da população, deve manter um corpo policial preparado, próximo da comunidade, que saiba atuar de forma preventiva e repressi- va. Enquanto isso, o Judiciário tem o importante papel de julgar de maneira célere e punir com justiça os homens violentos e sanguinários, evitando, com isso, a impunidade. Pense! “Não vos vingueis a vós mesmos [...].” (Rm 12.19) Ponto Importante É responsabilidade do poder público a promoção da segurança e o combate a todo tipo de crimi- nalidade. III – A IGREJA EM UMA SOCIE- DADE VIOLENTA 1. Utilizando as ferramentas de Deus. Os filhos de Deus têm condições suficien- tes de contribuir com o enfrentamento da violência urbana, valendo-se das
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    JOVENS 55 ferramentas queDeus nos disponibilizou em sua Palavra. Vejamos como fazer isso: a) Fornecendo uma lei moral abso- luta: Para criarmos uma boa sociedade do ponto de vista cristão, é necessário, em primeiro lugar, um firme sentimento do que é certo e errado e uma deter- minação para colocar adequadamente em ordem a vida de alguém. A violência urbana da presente época deve-se em grande parte à desconstrução dos va- lores judaico-cristãos que serviram de base para a história da humanidade. O cristianismo rejeita o relativismo pós- -moderno e fornece ao homem uma lei moral absoluta que permite julgar entre o certo e o errado. b) Envolvendo-se com a comunidade local: Na fé cristã, palavras e ações de- vem caminhar juntas. Logo, o agir cristão impactante no contexto das cidades inicia-se com o envolvimento da igreja com a comunidade, famílias e escolas locais. A congregação de crentes não pode viver alienada do cotidiano e dos problemas que afetam o bairro onde está instalada. c) Desenvolvendo projetos contra a violência: Você já pensou como os grupos de jovens crentes podem ajudar a desenvolver projetos contra a violência urbana? Colocando em prática a força espiritual a que João alude (1 Jo 2.14), é possível promover ações sociais que incentivem o comportamento virtuoso e confrontem os vícios sociais que conduzem à destruição e à delinqu- ência juvenil. d) Apoiando as vítimas da violência: Por fim, e não menos importante, é a ajuda às vítimas da violência. No exemplo de Jesus (Lc 10.37), a atuação do Bom Samaritano não se resumiu às palavras de apoio ao homem que fora espancado a caminho de Jericó. A Bíblia diz que ele “atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele” (v. 34). Há muitos feridos e moribundos ainda hoje. Cuidar dessas pessoas revela a nobreza do amor de Deus derramado em nossos corações. Pense! Além de pôr em prática a dimen- são do cuidado, o Bom Samari- tano garantiu financeiramente a continuidade do tratamento da vítima. Ponto Importante Na fé cristã, palavras e ações devem caminhar juntas. Anotações
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    56 JOVENS “Os servosde Deus devem ma- nifestar-se contra a violência (Jr 20.8; Hc 1.2). Eles oram pela libertação dos homens violentos (Sl 140.1,4) sabendo que somente Deus poderá libertá-los (2 Sm 22.3,49; Sl 72.14; 86,14). Os gover- nantes devem eliminar a violência (Jr 22.2ss.; Ez 45.9). As cidades devem se arrepender dela (Jn 3.8). Entretanto, sua presença na sociedade humana ainda cria problemas em relação à doutrina da justiça divina (Ec 5,8; Hc 1.2-4). Somente Cristo estava livre dela (Is 53.9) e ela não existirá na nova terra (Is 60.18ss.). Deve-se observar que a violência na época de Noé (Gn 6.11,13) repetir-se-á nos últimos dias antes do segundo ad- vento de Cristo (Mt 24.12,37)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009. p.2022). “É certo que somente os cristãos têm a cosmovisão capaz de prover so- luções exequíveis para os problemas da vida comunitária. Assim, devemos estar na vanguarda, ajudando comunidades a cuidarem de seus próprios bairros. Seja mobilizando esforços para acabar com as pichações e limpar terrenos desocupados, ou ativismo político para fazer votar leis que obriguem padrões de comportamento público, deveríamos estar ajudando a restabe- lecer a ordem nessas áreas menores como primeiro passo em direção aos principais problemas sociais” (COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. E Agora, como Viveremos. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, pp. 434,435). “Todas as vezes que os líderes das grandes potências, ignorando a soberania de Deus, proclamam uma política de globalização, o mundo é mergulhado numa guerra. Haja vista a euforia do primeiro-ministro inglês Neville de Chamberlain às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Terminado o conflito, constataram os estadistas que o mundo estava mais dividido do que nunca. Assim acontece a esta geração de estadistas. Apesar de sua retórica, o mundo nunca teve tão dividido em aldeias e tribos. O ser humano continua o mesmo: bairrista, selvagem, violento. Se o romano Petrônio estivesse aqui, vendo as cenas que neste momento comovem o mundo, repetiria mais en- faticamente sua sentença: “O homem é o lobo do homem’. A globalização jamais melhorará o homem, nem o arrancará de suas estreitas fronteiras de violência e terror. Somente o Senhor Jesus Cristo poderá transformar radicalmente o ser humano numa nova criatura (Jo 3.3). O que estamos fazendo enquanto o mundo arde em nosso redor? Não nos enganemos! [...] Que ninguém pense que seremos poupados de semelhan- tes provações por sermos o país do futebol e do carnaval. Deus exige que sejamos conhecidos também como a pátria do Evangelho e da responsabi- lidade moral” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Quando os Símbolos e Mitos Caem: Ícones de riqueza, globalização e segurança desabam em Nova Iorque. Mensageiro da Paz, CPAD: Rio de Ja- neiro. Set. 2001, p. 11). SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
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    RICHARDS, L. O.O guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. De acordo com a lição, o que é violência urbana? Alude a toda conduta humana que ofenda a lei e a ordem pública. Refere-se, portanto, à criminalidade de maneira geral. 2. Por que a Bíblia contém vários relatos de violência? Não é objetivo de Deus esconder a verdade ou falsear a história da humanidade com as suas mazelas decorrentes do pecado. 3. Por que o revanchismo, a vingança privada e o “justiçamento” feito com as próprias mãos não são condutas apropriadas? Porque fica claro, à luz do texto bíblico (1 Pe 2.14; Rm 13.4), que Deus delegou ao governo civil a autoridade para castigar os malfeitores. 4. Do ponto de vista social, qual era o intuito dos mandamentos? Organizar a vida em comunidade, para proteger os israelitas contra o arbítrio e a ofensa alheia. 5. De que modo os filhos de Deus podem contribuir para o enfrentamento da vio- lência urbana? Podem contribuir: a) fornecendo uma lei moral absoluta; b) envolvendo-se com a comunidade local; c) desenvolvendo projetos contra a violência e; apoiando as vítimas da violência. HORA DA REVISÃO CONCLUSÃO Ao final desta lição, a parábola do Bom Samaritano ainda continua a nos ensinar mui- to a respeito do enfretamento cristão à violência urbana de hoje. . Deus nos chama a desempenhar esse mesmo ministério da compaixão e da misericórdia nesta sociedade fraturada pela violência física, emocional e patrimonial.
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    58 JOVENS SÍNTESE Numa épocadominada pela criminalidade virtual, os discípulos de Jesus são instados a mostrar o diferencial pelo testemunho online. TEXTO DO DIA “Um divertimento é para o tolo praticar a iniquidade; para o homem inteligente, o mesmo é o ser sábio.” (Pv 10.23) LIÇÃO 926/11/2017 EM TEMPOS DE VIOLÊNCIA CIBERNÉTICA AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Pv 3.31 Não siga o caminho dos maus TERÇA – Pv 12.6 As palavras dos ímpios são ciladas para derramar sangue QUARTA – Pv 18.21 A morte e a vida estão no po- der da língua QUINTA – 2 Rs 2.23,24 Bullying com um fim trágico SEXTA – Tg 3.1-9 O poder da língua SÁBADO – Pv 3.31 Não tenha inveja do homem violento
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    JOVENS 59 Caro(a) educador(a),a elaboração do plano de ensino é crucial para o sucesso da sua aula. Bem elaborado, tal documento direciona a ministração do ensino e evita o improviso. É im- portantíssimo lembrar que o plano deve prever, inclusive, os recursos didáticos a serem utilizados em sala. Na obra Uma Pedagogia para a Educação Cristã (CPAD), César Moisés es- creve: “A grande maioria dos educadores cristãos não faz seu trabalho de forma planejada, por isso, essa falta de costume, traz a tendência do improviso na educação. Temos com isso não poucos prejuízos, pois, a falta de planejamento carrega em si o fazer a educação a esmo. O planejamento, de quais “quais” e “como” utilizar os recursos didáticos, é inerente ao plano de aula, não há como dissociá-los” (p. 378). Dando prosseguimento ao nosso seriado de estudo, veremos nesta lição a extensão dos chamados crimes cibernéticos e os perigos que rondam a internet, e como os crentes são instados a mostrar o diferencial cristão pelo testemunho online. Lembre-se que a maioria de seus alunos, se não todos, passam boa parte do dia conectados ao mundo digital. Desse modo, o presente estudo toca diretamente no cotidiano deles. Para que o conteúdo seja melhor aproveitado, não deixe de interagir com a turma, pois sabemos que os jovens gostam de opinar sobre assuntos práticos para eles. • CONSCIENTIZAR a respeito da realidade da violência digital na sociedade da informação; • COMPREENDER os males do bullying virtual; • CONHECER os principais tipos de crimes cibernéticos punidos pela lei. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
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    60 JOVENS I –A VIOLÊNCIA DIGITAL NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO 1.Vivendo na sociedade da informa- ção. Depois das fases agrícola e industrial, o mundo encontra-se hoje no tempo da sociedade da informação. As frequentes e cada vez mais velozes inovações tec- nológicas caracterizam o atualestágio da civilização, proporcionando ao serhumano maiorcomunicação, interatividade, agilida- de e acesso ao conhecimento. Emvirtude da ampla utilização de computadores, smartphones e tablets conectados à rede mundial de computadores, todo tipo de conteúdo está hoje somente a um clique! 2. Violência real no mundo virtual. Mas, tal qual ocorre na sociedade co- mum, a rede de computadores é prova da multiplicação da iniquidade prenun- ciada pelo Senhor Jesus (Mt 24.12). Com o crescimento das novas tecnologias e o fácil acesso à internet, o mundo digital é palco de inúmeros atos de violência cibernética, ou seja: crimes praticados no ambiente virtual, envolvendo desde furto de informações, violência psicológica, ameaças, golpes a ataques pessoais. Certamente, você deve conhecer al- guém, amigo inclusive, que foi vítima de algumas dessas ações na rede mundial de computadores, ou talvez até você mesmo tenha passado por isso. 3. Riscos na rede de computadores. Se por um lado, o ato de navegar pela internet nos oferece vários benefícios, por outro, a rede contém perigos e ameaças que não devemos ignorar. As Escrituras afirmam que “o prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando” (Pv 22.3 - ARA). Nessa porção bíblica, “simples” não significa a pessoa humilde, mas aquela inexperiente que age com imprudência. Mais que em qualquer outro local, a internet exige cautela. É preciso ter cuidado para não cairmos nas redes e nos laços lançados COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Não bastasse a violência urbana tratada na lição anterior, outra forma comum de violência em nossos dias é aquela praticada na rede de computadores. Tal se deve à multiplicação da iniquidade, que faz com que a maldade esteja presente até mesmo no ambiente virtual. A lição deste domingo, portanto, é um alerta para os perigos que rondam a vida online. Os novos tempos exigem dos crentes vigilância constante para não cair nas ciladas dos homens maus. TEXTO BÍBLICO Provérbios 10.11-14 11 A boca do justo é manancial de vida, mas aviolência cobre a boca dos ímpios. 12 O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões. 13 Nos lábios do sábio se acha a sabe- doria, mas a vara é para as costas do falto de entendimento. 14 Os sábios escondem a sabedoria, mas a boca do tolo é uma destruição.
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    JOVENS 61 pelas pessoasmás, assim como nas ciladas dos homens ímpios (Sl 10.9). Pense! “O prudente prevê o mal, e escon- de-se; mas os simples passam e acabam pagando” (Pv 22.3 - ARA). Ponto Importante Se por um lado o ato de navegar pela internet nos oferece vários benefí- cios, por outro a rede contém perigos e ameaças que não devemos ignorar. II – OS MALES DO BULLYING VIRTUAL 1. O que é bullying virtual? Também chamado de cyberbullying, consiste na in- timidação sistemática de outra pessoa, por meio de insultos, humilhação, depreciação e agressão verbal, de modo a provocar constrangimento perante os outros. Em virtude da facilidade do anonimato, a in- ternet é um meioveloz de propagação de imagens e comentários depreciativos sobre a vida de alguém. É um problema grave, pois as palavras, não raro, ferem mais que a dor física (Pv12.18).Assim como a língua, que serve para proferirpalavras de bênção ou maldição (Tg 3.10), as publicações na rede de computadores podem devastar vidas como o fogo (Tg 3.6). 2. Brincadeira sem graça. Na maioria dos casos essa prática inicia como uma brincadeira de péssimo gosto para diver- timento dos envolvidos. Mas, vale aqui a advertência de Provérbios 26.18,19. Não há qualquer graça em tal brincadeira maligna e odiosa, afinal as consequên- cias do bullying virtual são sérias; afeta os sentimentos e a imagem do ofendido perante a sociedade. Pesquisas indicam que esse tipo de agressão pode acarretar trauma psicológico, isolamento social, de- senvolvimento de problemas relacionados à depressão, e até mesmo levar a vítima ao suicídio. Não é algo para rir, mas chorar! 3. A conduta do jovem cristão. Em meio a uma cultura de “zoação” e escár- nio (2 Pe 3.3), em que muitos encaram com naturalidade as brincadeiras e piadas que expõem a vida dos outros no ambiente virtual, o jovem cristão é instado a mostrar o diferencial pelo tes- temunho online, com conduta exemplar na palavra, no comportamento, no amor, no espírito, na fé e na pureza (1 Tm 4.12). O ponto de partida é seguir a reco- mendação do salmista: “Bem-aventu- rado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl 1.1,2). Aquele que medita na Palavra de Deus não perde tempo com brincadeiras inúteis e destrutivas, compartilhando conteúdo produzido pelos escarnecedores virtuais. Além de não praticar o bullying, o crente em Cristo deve intervir quando alguém, cristão ou não, estiversendovítima de intimidação virtual. Quebrar as corren- tes da maledicência e aconselhar seus autores para que cessem o desrespeito, são práticas que exprimem o amor divino. Pense! O bullying não é uma prática condizente com a vida cristã. Ponto Importante Pesquisas indicam que bullying pode acarretar trauma psicológi- co, isolamento social, desenvolvi- mento de problemas relacionados à depressão, e até mesmo levar a vítima ao suicídio.
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    62 JOVENS III –A LEI E A PUNIÇÃO DOS CRI- MES CIBERNÉTICOS 1. Crimes contra a honra. Englobam as ações que ofendem a honra e a moral de uma pessoa: calúnia, difamação e injúria. A calúnia é a afirmação falsa de que alguém cometeu um determinado crime; difamação é associar uma pessoa a um fato que ofende sua reputação e injúria refere-se à ofensa que atinge a dig- nidade e o decoro do ofendido. A defesa da verdade e da honra das pessoas se fundamenta nas Escrituras (2 Co 13.8; Ef 4.25), por isso o servo de Deus não deve disseminar informações inverídicas e caluniosas que trafegam no mundo digital. 2. Crimes de pedofilia. A troca de in- formações, imagens e vídeos envolvendo a sexualidade de crianças e adolescentes caracteriza o crime de pedofilia. Infeliz- mente, há no mundo virtual redes malig- nas de indivíduos sem afeição natural que aliciam menores e espalham conteúdo pornográfico. Tais atos são abomináveis para Deus, uma vez que expõem os frágeis pequeninos amados do Senhor (Mt 18.10). É dever do cristão denunciar essa prática pecaminosa e desumana. 3. Crimes informáticos. Referem-se aos delitos de invasão de dispositivos informatizados, roubo de dados e frau- des financeiras por meios tecnológicos. Tais atos delinquentes normalmente são praticados mediante a disseminação de vírus e outras pragas virtuais. Devemos ter em mente que todo usuário da rede de computador é um alvo em potencial para essa espécie de crime. Assim, utili- zar mecanismos de segurança, acessar páginas seguras e não compartilhar informações pessoais na internet são ações básicas para evitar ser vítima de ataques virtuais. “O uso do entretenimento para a educação também está se espalhan- do rapidamente nos países ociden- tais. Infelizmente, o pornógrafo está criando outra vez uma desconfiança das novas fronteiras da mídia, como a Internet. Em vez de permitir que os usos corruptores potenciais da tecnologia de comunicação nos fa- çam bater em retirada por causa dos gigantes da Canaã do ciberespaço, o povo de Deus deveria estar agressi- vamente procurando saber como Ele quer usar os CD-ROMs, a realidade virtual interativa e a World Wide Web (a Rede Mundial) para o cumprimento dos seus propósitos. Será que nós, cristãos, não devemos presumir que Deus nos permitiu usar os novos processos de imagens digitais para mais do que apenas visualizar as interações de ex-presidentes com ForrestGump ou Elvis Presley com os Amantes da Pizza?”(PALMER, M. D. (Ed.). Panorama do Pensamento Cristão. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p. 412). SUBSÍDIO Pense! “O que segue a justiça e a bon- dade achará a vida, a justiça e a honra.” (Pv 21.21) Ponto Importante Infelizmente, há no mundo virtu- al redes malignas de indivíduos sem afeição natural que aliciam menores e espalham conteúdo pornográfico.
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    MOISÉS, César. UmaPedagogia para a Educação Cristã: Noções básicas da ciência da educação a pessoas não especializadas. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. Em que consiste o bullying virtual? Consiste na intimidação sistemática de outra pessoa, por meio de insultos, hu- milhação, depreciação e agressão verbal, de modo a provocar constrangimento perante os outros. 2. Por que não há graça no bullying virtual? Porque as suas consequências são sérias; afeta os sentimentos e a imagem do ofendido perante a sociedade. 3. Em meio a uma cultura de “zoação” e escárnio (2 Pe 3.3), em que muitos encaram com naturalidade as brincadeiras e piadas que expõem a vida dos outros no ambiente virtual, o jovem cristão é instado a fazer o quê? A mostrar o diferencial pelo testemunho online, com conduta exemplar na palavra, no comportamento, no amor, no espírito, na fé e na pureza (1 Tm 4.12). 4. O que caracteriza o crime de pedofilia na internet? A troca de informações, imagens e vídeos envolvendo a sexualidade de crianças e adolescentes. 5. Você já foi vítima de algum crime contra a sua honra? Como se sentiu? Resposta pessoal. HORA DA REVISÃO Concluímos a presente lição advertindo a respeito da importância de se ter cuidado ao navegar na internet. Embora seja uma ferramenta útil, a rede de computadores está cheia de pessoas mal intencionadas, cujo propósito é contribuir com as obras das trevas. Tome cuidado para que você não seja vítima, e muito menos autor, de qualquer crime ciber- nético. Embora o ambiente possa ser virtual, a fé que professamos deve sempre ser real! CONCLUSÃO
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    64 JOVENS LIÇÃO 1003/12/2017 SÍNTESE As redessociais podem servir como bênção ou maldição na vida do crente. TEXTO DO DIA “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amá- vel, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.”(Fp 4.8) AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Ef 5.16 Remindo o tempo TERÇA – 1 Co 10.13 Deus não nos deixa tentar acima do que podemos resistir QUARTA – 1 Co 16.9 Uma porta aberta por Deus QUINTA – Mc 1.18 Deixaram as redes e seguiram a Jesus SEXTA – Jo 21.6 Lançando a rede para o lado determinado pelo Mestre SÁBADO – Mt 13.47 A rede apanha toda qualidade de peixe OS PERIGOS E AS OPORTUNIDADES DAS REDES SOCIAIS
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    JOVENS 65 Professor(a), iniciea aula fazendo uma rápida pesquisa entre os seus alunos. Faça a seguinte pergunta: “Quantos possuem conta em alguma rede social?”Verifique quais possuem mais e menos contas ativas. Depois, peça que digam quanto tempo em média gastam por dia acessando esses sites e aplicativos. Indague se, verdadeiramente, eles acham que estão sendo beneficiados ou prejudicados pelas mídias sociais. Peça para que cada aluno faça uma profunda reflexão individual, a fim de avaliar se não se tornaram dependentes de tais platafor- mas. Ao final da aula, ore por aqueles que confirmaram as dificuldades que possuem em lidar com as novas ferramentas digitais, pedindo libertação de Deus sobre a vida deles. Os jovens da atualidade fazem parte da chamada “geração ponto-com”. Nascidos após o surgimento da web, eles têm uma intensa relação com a internet, e mais especialmente com as redes sociais. Vivem plugados e conectados a todo instante e gostam de interagir com outras pessoas através dos novos aplicativos de compartilhamento de textos, imagens e vídeos. O educador cristão possui a nobre - e ao mesmo tempo difícil - responsabilidade de preparar seus aprendizes para que encontrem o equilíbrio comportamental adequado, de modo a usufruir dessa cultura digital, sem confrontar os limites bíblicos. Em meio a tantas informações que se multiplicam velozmente nas redes sociais, o povo de Deus é chamado a ter discernimento, a fim de usar sabiamente essas novas ferramentas e rejeitar, quando necessário, tudo aquilo que prejudica a vida cristã. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA • CONHECER o fenômeno das redes sociais e os seus bene- fícios; • MOSTRAR os perigos presentes nas redes sociais; • SABER como usar as redes sociais para a glória de Deus.
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    66 JOVENS I –O FENÔMENO DAS REDES SOCIAIS E SEUS BENEFÍCIOS 1. A explosão das redes sociais. Nos últimos anos, as redes sociais se transformaram na principal forma de comunicação e troca de informações entre as pessoas. Sites e aplicativos como Facebook, Twitter, Snapchat e Google+, por exemplo, são usados para conectar pessoas e comparti- lhar informações, ideias e imagens na web. Em nossos dias, elas são tão utilizadas que em alguns círculos é quase incompreensível uma pessoa não possuir uma conta em pelo me- nos um desses canais. Quem não têm whatsapp, então, é quase considerado um ser de outro planeta! 2. Os benefícios das redes sociais. Usadas de maneira correta e com sabedoria, as mídias sociais podem proporcionar vários benefícios. Manter COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Inegavelmente, as novas plataformas de comunicação e interação online são o ponto alto da cultural digital neste início do Século XXI, alterando até mesmo a forma como interagimos. Pesquisas indicam que pelo menos 70% dos usuários da internet usam algum tipo de rede social. Mas, como ocorre com os demais tipos de mídia, os sites de mídia social também podem ser usados para o bem ou para o mal; estão cheios de perigos, mas também podem servir como oportunidade pelos crentes para glorificar o nome do Senhor. Este, aliás, é o tema da presente lição. TEXTO BÍBLICO 1 Tessalonicenses 1.6-10; Filipenses 4.8 1 Tessalonicenses 1 6 Evósfostesfeitosnossosimitadoresedo Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo, 7 de maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedônia e Acaia. 8 Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedônia e Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma; 9 porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro 10 e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura. Filipenses 4 8 Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.
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    JOVENS 67 contato comamigos e parentes; criar uma rede de contato profissional; atu- alizar-se com informações e notícias do dia a dia; adquirir conhecimento; produzir conteúdo e divulgar as ideias para outras pessoas são alguns exem- plos de como tais plataformas digitais podem servir como bênção para a vida das pessoas. Pense! Quando a rede é lançada na di- reção determinada pelo Mestre, o resultado sempre é positivo. Ponto Importante Usadas de maneira correta e com sabedoria, as mídias sociais podem proporcionar vários benefícios. II – OS PERIGOS DAS REDES SOCIAIS Se por um lado as redes sociais apresentam vários fatores positivos, por outro também podem ser noci- vas, a depender da forma como são administradas. Vejamos alguns dos seus perigos: 1. Vício digital. O vício no uso das redes sociais é uma realidade e tem prejudicado a vida de milhares de jovens e adolescentes da “geração ponto-com”. A utilização por horas ininterruptas da internet é um claro sinal de tal compulsão digital. Rapazes e moças dependentes que desenvolve- ram dependência das atividades online não conseguem vencer a tentação de acessar seus dispositivos para acompa- nhar as publicações de seus contatos. Normalmente, demonstram, como sintomas, desinteresse pelas demais atividades da vida real e sensação de ansiedade e angústia quando não estão conectadas, em momento de abstinência. Isso se chama nomofobia! Caso esteja acontecendo com você, é hora de buscar ajuda para libertar-se desse vício! A vigilância e a oração são hábitos espirituais essenciais para o crente vencer a dependência cibernética (Mc 14.38). 2. Uso inadequado do tempo. Graças ao poder de interatividade das mídias sociais, há quem passe horas e mais horas conectadas aos seus equipamentos digitais consumindo tempo nas atividades do mundo vir- tual, seja no decorrer do dia, da noite e até mesmo durante as madrugadas. Isso resulta em ociosidade, atrasos e pouco (ou quase nenhum) tempo para estudo, leitura das Escrituras, intera- ção com as pessoas do mundo real e para outras atividades importantes. Há tempo para todas as coisas debaixo do céu (Ec 3.1) e podemos presumir que há tempo de estar conectado e tempo de estar desconectado das mídias sociais. Afinal, somos acon- selhados a aproveitar o tempo pois os dias são maus. Se você não tem mais tempo para orar e desfrutar de períodos devocionais com o Senhor, em virtude do tempo gasto na internet, então, parafraseando Marcos 1.18, é necessário deixar as redes sociais para estar com Jesus! 3. Pornografia na rede. As mídias sociais também abrem várias possibilida- des de acesso à pornografia e conteúdos imorais que aguçam a concupiscência da carne e a concupiscência dos olhos. Pesquisa realizada pelo Instituto Barna apontou que a nova realidade tecnoló- gica dos smartphones e da internet de
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    68 JOVENS alta velocidademudaram fundamental- mente a paisagem da pornografia e a introduziram na cultura atual, passando a ser cada vez mais aceita. Davi caiu em um momento de descuido em sua vida, que o levou ao adultério (2 Sm 11.1,2). Tome cuidado com as páginas que você acessa na internet; um clique errado pode ser fatal para sua integridade moral e espiritual. Todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas nos convêm (1 Co 10.23). Tal recomendação bíblica também se aplica aos bate-papos vir- tuais e às conversas eletrônicas, que às vezes podem conduzir para a troca de conteúdos inadequados. Seja fiel a Deus, ainda que as pessoas não estejam vendo o que você faz! 4. Perigo da superexposição. A exposição exagerada é outro perigo real na utilização das mídias sociais. O compartilhamento indiscriminado e impulsivo de opiniões, imagens e acontecimentos da vida particular expõe indevidamente a imagem de alguém. Em muitos casos, essa busca de “curtidas” representa certa fuga da realidade e desejo de aprovação social. Seguindo o exemplo de Cristo, devemos nos afastar da cultura de fama e celebridade instantânea, com modéstia e singeleza de coração. A melhor maneira de exposição do crente na sociedade é por meio do brilho de Cristo, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual precisamos resplandecer como astros no mundo (Fp 2.15). 5. Amizades instantâneas e des- cartáveis. Na maior parte das vezes, os “amigos” das redes sociais não são verdadeiros amigos. Não raro, as amizades são instantâneas e descar- táveis. O amigo real é aquele que é mais chegado que irmão (Pv 18.24). Pense! Desconecte-se do mundo virtu- al e redescubra a alegria de estar fisicamente com amigos e familiares. Ponto Importante Se você não tem mais tempo para orar e desfrutar de períodos devocionais com o Senhor, em virtude do tempo gasto na internet, então, parafraseando Marcos 1.18, é necessário deixar as redes sociais para estar com Jesus! III – USANDO AS REDES SO- CIAIS PARA A GLÓRIA DE DEUS Seja como for, podemos aprovei- tar as plataformas sociais como uma grande oportunidade para glorificar o nome do Senhor. 1. Glorificando a Deus em tudo. Consideremos o que está escrito em 1 Coríntios 10.31: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para gló- ria de Deus”. Todas as nossas ações, inclusive aquelas que consideramos mais simples, como acessar a internet, devem glorificar ao Criador. Quando o nosso coração está voltado para a majestade divina, não existem coisas ordinárias; tudo é extraordinário, pois se voltam para a glória de Deus. Reflita se você está usando as redes sociais com o propósito de glorificar a Deus ou simplesmente como passatempo e entretenimento. O filtro ideal para saber se você tem usado as redes sociais de modo a en- grandecer a Cristo está registrado em
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    JOVENS 69 Filipenses 4.8.Assim, para saber se está usando adequadamente tais mídias per- gunte a si mesmo: O que estou fazendo é verdadeiro? É honesto? É justo? É puro? É amável? É de boa fama? Há alguma virtude? Deus está sendo louvado? Se as respostas forem positivas, então não há com o que se preocupar. 2. Testemunho no mundo virtual. As Escrituras afirmam que as pessoas davam bom testemunho de Timó- teo (At 16.1,2). Ou seja, enxergavam nele as evidências, as marcas de um verdadeiro cristão. Igualmente, ao imitarem o proceder de Paulo, os tessalonicenses foram exemplos dos fiéis na Macedônia e Acaia (1 Ts 1.6-8). Lembre-se, jovem de que, no ambiente virtual, você também é avaliado, seja por meio das palavras ou imagens que posta, e pelo modo como interage com os outros. Evitar discussões inúteis, proceder com respeito e cordialidade com aqueles que pensam diferente e produzir conteúdo de qualidade são algumas boas maneiras de salgar e iluminar as redes sociais. 3. Evangelização nas redes. As redes sociais são ambientes propícios para a pregação do evangelho (Mc 16.15), ante a grande quantidade de pessoas que acessam tais plataformas. Nesse ambiente, é importante ter criatividade e usar pontos de contato para atrair a atenção dos descrentes, assim como Paulo fez no Areópago (At 17.23). Para tanto, não devemos con- fundir evangelismo com proselitismo religioso. Enquanto o proselitismo dá ênfase excessiva à religiosidade e à denominação eclesiástica, de forma altiva e às vezes autoritária, o evangelismo genuíno é realizado com amor e humildade, a fim de oferecer a salvação proporcionada por Cristo.
 Pense! “Considerando que Deus é o ser mais criativo do universo, os cristãos deveriam estar na vanguarda da criatividade que explora as novas tecnologias de comunicação como meios de propagar ideias, elaborar men- sagens e comunicar a verdade” (Terrence Lindvall e Matthew Melton). Ponto Importante Não devemos confundir evange- lismo com proselitismo religio- so. Enquanto o proselitismo dá ênfase excessiva à religiosidade e à denominação eclesiástica, de forma altiva e às vezes autori- tária, o evangelismo genuíno é realizado com amor e humilda- de, a fim de oferecer a salvação proporcionada por Cristo. As redes sociais são ambientes propícios para a pregação do evangelho (Mc 16.15), ante a grande quantidade de pessoas que acessam tais plataformas.
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    70 JOVENS “Dicas desobrevivência na internet •Não use o computador depois que o resto da família estiver na cama. Assim como as ruas da cidade, a Internet é mais perigosa quando atravessada no escuro. •Seja sábio. Isso é particularmente verdade na Internet: Não fale com estranhos. •Proteja a privacidade de sua família. Nunca divulgue o seu nome, endereço, número de telefone ou qualquer outra informação pessoal na Web. •Nunca vá conhecer alguém pes- soalmente sozinho. Se você descobrir alguém na rede com quem queira se encontrar no mundo real, tenha certeza de que seus pais estão com você e certifique-se que o encontro aconteça em local público. •Nunca acesse sites pornográficos. Satanás tentará lhe falar o contrário, especialmente no calor do momento, mas tais sites são perigosos para a sua alma e seu futuro matrimônio. •Ouça sua mãe e seu pai. Quando eles lhe pedirem para se desconectar, faça-o. •Socialize-se. Faça pelo menos uma atividade social não relacionada com computador com pessoas reais” (ROSS, Michael. Cresci e agora? 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p. 169). SUBSÍDIO 2 “O jovem cristão e o mundo virtual A tecnologia impõe uma nova cul- tura da competição, da performance, da simulação, do imediatismo, culto ao corpo e a crise de identidade. Dentre as muitas faces da tecnologia, o Mundo Virtual tem sido o mais nocivo, em especial aos jovens. O conceito básico do Mundo Virtual fundamenta-se em algo que não é físico, que ainda não é realizado, não concreto e não palpável, tornando-o extremamente prejudicial e perigoso. Como sabemos, existem coisas que não são boas e nem ruins, pois são simplesmente coisas, isto é, seus efeitos são determinados pela forma como são usadas, determinada pela disposição do coração da pessoa que as utiliza, e o Mundo Virtual é uma delas. É possível identificar quando o Mundo Virtual está sendo benéfico ou maléfico aos seus usuários, especial- mente aos jovens. O Mundo Virtual tem que ser visto como prejudicial quando: • O tempo na rede é demasiado • Estar na rede é mais atraente do que estar com amigos e familiares • Para usá-lo é preciso usar de engano • O que é essencial é substituído pelo Mundo Virtual Você precisa ser honesto consigo mesmo (caso queira honrar a Deus), e para isso algumas perguntas são ne- cessárias: “Você tem usado o Mundo Virtual com quem, para quê e de que forma?” (Revista Geração JC. Disponível em: http://www.geracaojc.com.br/ home/index.php/explore/item/407-o- -jovem-cristao-e-o-mundo-virtual). SUBSÍDIO 1
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    MCDOWELL, Josh. AVerdade Nua e Crua: Amor, sexo e relacionamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. De acordo com a lição, cite alguns benefícios das redes sociais. Manter contato com amigos e parentes; criar uma rede de contato profissional; atualizar-se com informações e notícias do dia a dia; adquirir conhecimento; conteúdo e divulgar as ideias para outras pessoas. 2. Cite, conforme a lição estudada, alguns sintomas do vício digital. Desinteresse pelas demais atividades da vida real e sensação de ansiedade e angústia quando não estão conectadas, em momento de abstinência. 3. Qual versículo bíblico pode ser usado como filtro ideal para saber se estamos usando as redes sociais de modo a engrandecer a Cristo? Filipenses 4.8. 4. Qual a diferença entre evangelismo e proselitismo religioso? Enquanto o proselitismo dá ênfase excessiva à religiosidade e à denominação eclesiástica, de forma altiva e às vezes autoritária, o evangelismo genuíno é realizado com amor e humildade, a fim de oferecer a salvação proporcionada por Cristo. 5. Você se considera uma pessoa dependente das mídias sociais? Resposta pessoal. HORA DA REVISÃO A suma do que temos estudado nesta lição é a seguinte: use a internet para glorificar a Deus! Isso ocorrerá se você mantiver a sua identidade cristã no mundo virtual, sem desprezar as atividades da vida real. Usemos as mídias sociais com sabedoria e equilíbrio! CONCLUSÃO
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    72 JOVENS SÍNTESE Com sabedoriae discernimento, o servo de Deus é capaz de interagir adequadamente com os meios de comunicação. TEXTO DO DIA “E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as.” (Ef 5.11) LIÇÃO 1110/12/2017 SABEDORIA DIVINA PARA INTERAGIR COM OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – 2 Pe 2.14 Olhos cheios de adultério TERÇA – 2 Co 11.3 A corrupção dos sentidos QUARTA – 2 Co 6.14 Não há comunhão entre luz e trevas QUINTA – Pv 9.10 O princípio da sabedoria é temer a Deus SEXTA – Tg 3.17 A sabedoria do alto SÁBADO – Hb 1.1 O Deus que se comunica Dia da Bíblia
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    JOVENS 73 Professor(a), nestalição nosso bate-papo com os jovens é a respeito dos meios de comunicação. A lição destaca a necessidade de sabedoria divina para o crente interagir adequadamente com a mídia. Enfatize nesta aula que os meios de comunicação podem ser utilizados tanto para o bem quanto para o mal. Com isso em mente, utilizando o esquema abaixo, peça para os alunos opinarem sobre as características e os tipos de programas e entretenimento produzido pela mídia ímpia – aquela des- compromissada com a moral e os bons costumes, e também como seria a programação da mídia virtuosa, preocupada em fornecer notícias, cultura e entretenimento de qualidade. Considerado o quarto poder, os meios de comunicação pos- suem notável poder de influência cultural. Na maior parte, o influir da mídia se dá de maneira negativa, pela produção e disseminação de conteúdo que passa por cima dos mais básicos valores morais e familiares, exaltando a violência, a libertinagem, a pornografia, o adultério e muitas outras prá- ticas imorais. Sob o disfarce do entretenimento e da cultura popular de massa, a juventude incauta acaba por ser seduzida e negativamente influenciada pela mídia ímpia. Nesta lição, uma vez mais nos voltamos para as Escrituras em busca de diretrizes para interagir com os meios de comunicação. Destaque aos alunos que, apesar de difícil, é possível usarmos tais meios adequadamente, em vez de sermos usados por eles. O princípio básico é sabedoria do alto! • MOSTRAR a influência dos meios de comunicação; • CONSCIENTIZARarespeitodoperigosdofalsoentretenimento; • EXPLICAR sobre a importância de utilizar os meios de comunicação com sabedoria. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA MÍDIA ÍMPIA MÍDIA VIRTUOSA
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    74 JOVENS I –OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E SUA INFLUÊNCIA CULTURAL 1. A importância e a utilidade da mídia. Não há como negar a importância e a utilidade dos meios de comunicação na vida moderna, pois permitem ao ser humano transmitir e receber informa- ções. Embora se aplique à comunicação interpessoal, a exemplo do telefone e da carta, o termo geralmente se refere à comunicação em massa, aludindo aos instrumentos e canais que alcan- COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Em termos bíblicos, sabedoria não significa conhecimento adquirido ou inteligência para resolver equações matemáticas; ela está relacionada com discernimento e habilidade para tomar boas decisões. O princípio da vida sábia é o temor ao Senhor (Pv 9.10). Os crentes são convidados a buscar a sabedoria do alto, pois ela é pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia (Tg 3.17). Tal sabedoria é essencial para interagirmos adequadamente com os meios de comunicação. Este é o assunto da lição de hoje! TEXTO BÍBLICO Efésios 5.1-14 1 Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; 2 e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. 3 Mas a prostituição e toda impureza ou avareza nem ainda se nomeiem entre vós, como convém a santos; 4 nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas, antes, ações de graças. 5 Porque bem sabeis isto: que nenhum fornicador, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus. 6 Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da deso- bediência. 7 Portanto, não sejais seus companheiros. 8 Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz 9 (porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça, e verdade), 10 aprovando o que é agradável ao Senhor. 11 E não comuniqueis com as obras infrutu- osas das trevas, mas, antes, condenai-as. 12 Porque o que eles fazem em oculto, até dizê-lo é torpe. 13 Mas todas essas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta. 14 Pelo que diz: Desperta, ó tu que dor- mes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá.
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    JOVENS 75 çam váriaspessoas ao mesmo tempo, como jornais, revistas, rádio, televisão e a própria internet. 2. Para o bem e para o mal. A comu- nicação é dom de Deus (Gn 3.8), mas o homem caído subverte-a para propósitos inadequados. Assim, os meios de comuni- cação não são maléficos por natureza, vai depender da forma como são utilizados e dos valores que transmitem. Sob esse enfoque, a mídia pode servir tanto para disseminar ódio, pornografia e violência, como pode fornecer notícias, cultura e entretenimento de qualidade. No início do Século XVI, por exemplo, a criação da imprensa de tipos móveis revolucionou a comunicação de massa, fato este que contribuiu com a Reforma Protestante iniciada por Martinho Lu- tero, já que a Bíblia foi o primeiro livro a ser impresso, facilitando o acesso à Palavra de Deus. 3. O poder de influência dos meios de comunicação. Igualmente evidente é o poder de influência que os meios de comunicação exercem sobre a mente humana, seja de maneira explícita ou subliminar. A cultura popular, os gostos e os valores de grande parte da população são amplamente moldados pelos co- merciais, músicas e slogans propagados nos programas de TV e nos filmes de Hollywood. Isso explica porque muitos jovens formam seus sonhos, opiniões e visões de mundo com base em letras de músicas, campanhas publicitárias e frases difundidas na mídia, sem ao menos refletirem sobre a veracidade e a coerência do conteúdo. Pense! Qual a dimensão da influência da mídia em sua vida? Ponto Importante Os meios de comunicação não são maléficos por natureza. Depende da forma como são utilizados e dos valores que transmitem. II – A MÍDIA ÍMPIA E OS PERIGOS DO FALSO ENTRETENIMENTO 1. A eficácia destrutiva da mídia ímpia. A mídia ímpia, descompromis- sada com os valores morais, espirituais e familiares, é eficiente em produzir programas, séries, músicas e filmes que exploram a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (1 Jo 2.16). Transmite- -se a ideia de completa naturalidade na prática da luxúria (1 Co 5.1), do adultério (2 Pe 2.14), do orgulho (2 Pe 2.18), da bebedice (1 Pe 4.3), do roubo e da vingança, assim como exaltam a mentira e a libertinagem irresponsável e a corrupção (2 Pe 2.19). Utilizando a estratégia da emoção e de enredos românticos, tais produções tentam convencer os expectadores da suposta normalidade da bruxaria, da homossexualidade e de outras práticas pecaminosas. Ao mesmo tempo, ridicularizam a Deus, a Igreja e os valores cristãos, sob o título de “entretenimento”. 2. A sedução do falso entreteni- mento. Esse tipo de falso entreteni- mento produzido pela mídia perversa impacta negativamente a vida dos expectadores contumazes. Essa não é uma afirmação eminentemente re- ligiosa. Pesquisas científicas apontam que a exposição constante a certos conteúdos influencia diretamente o comportamento humano. Ado-
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    76 JOVENS lescentes ejovens que se expõem excessivamente a programas que incentivam a sexualidade precoce, a violência e o consumo de álcool, desenvolvem, com passar do tempo, esses mesmos hábitos. Pesquisadores da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, concluíram que crianças que passam muito tempo em frente à televisão sentem mais emoções negativas e tendem a apresentar uma personalidade agressiva e antissocial ao longo da vida. Jovem, esteja em constante vigi- lância. Não permita que esse tipo de conteúdo entre em seu lar e em sua mente! 4. A manipulação da sociedade e das mentes. É necessário reconhe- cer também que a indústria da mídia manipula informações e a opinião pública, tanto para fins ideológicos ou por interesses comerciais. Lançam-se campanhas e mais campanhas pu- blicitárias com o objetivo de vender determinados produtos, por meio do incentivo ao consumo desenfreado. Dentre milhares de expectadores, os que não possuem discernimento e não sabem filtrar criticamente a grande gama de informações que recebem, acabam manipulados como verdadeiras marionetes. Pense! “A cultura, como a natureza, detesta o vazio. Apressa-se em encher o vácuo do desejo humano. Nesse processo, as pessoas podem ser seduzidas pelo aparecimento da cultura popular, que são falsificações da voz de Deus” (Terrence Lindvall e J. Matthew Melton). Ponto Importante Utilizando a estratégia da emo- ção e de enredos românticos, tais produções tentam conven- cer os expectadores da suposta normalidade da bruxaria, da homossexualidade e de outras práticas pecaminosas. III – UTILIZANDO OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO COM SABE- DORIA Diante desse panorama, como de- vem agir os cristãos em relação aos meios de comunicação? 1. Entretenimento com piedade. Na condição de filhos da luz, os crentes não devem comunicar com as obras infrutuo- sas das trevas, mas condená-las (Ef 5.11). Isso implica selecionar com cuidado e temor a Deus os programas que assiste, pois o verdadeiro discípulo de Jesus não tem a sua consciência cauterizada pelo pecado (1 Tm 4.2). Tudo o que é depravado, impuro e enaltece as obras da carne não pode ser considerado pelo servo de Deus como entretenimento. Na perspectiva bíblica, o entretenimento nunca é separado da piedade (1 Tm 6.6). Em todo o tempo devemos dar mostras da nossa regeneração, inclusive no momento de recreação. 2. O uso sábio da mídia. Não é nada fácil interagir adequadamente com os inúmeros recursos midiáticos que são hoje ofertados. Mas, com a sabedoria do alto e com a ajuda do Espírito Santo temos condições de despojar da velha natureza (Cl 3.8,9) e desenvolver hábitos saudáveis. A realização de cultos do- mésticos, oração e o jejum são práticas essenciais para confrontar o desejo carnal pelo consumo da mídia. Quanto
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    JOVENS 77 mais desenvolvemosestes hábitos, mais nos afastamos da sedução da cultura popular. Quanto mais nos aproximamos de Deus,mais nos distanciamos da influência maligna da mídia. 3. Influenciando a mídia. O relacio- namento do cristão com a mídia não se resume a separar o joio do trigo. Podemos nos valer da sabedoria divina para usar a mídia em prol do Reino de Deus, tanto para anunciar o evangelho, como propor- cionar cultura, educação e informação em sintonia com os valores e princípios das Escrituras. Isso porque, a comunicação não é uma invenção do Diabo, mas de Deus. Portanto, não há como nos furtar de comunicar as verdades bíblicas por meio da mídia, segundo afirmam os pastores norte americanos James Kennedy e Jerry Newcombe: “Acabou o tempo de apenas reclamarmos entre nós sobre o ataque ao Cristianismo nos filmes e na TV. É tempo de agir. É tempo de fazer- mos nossas vozes audíveis por aqueles que estão envolvidos na perseguição contra os cristãos. É tempo de escrever cartas ao editor. É tempo de orar pelos cristãos que estão na mídia e de levar mais pessoas a Cristo, inclusive aquelas que estão na mídia. Enfim, é tempo de os cristãos entrarem corajosamente nos meios de comunicação”. Pense! Entretenimento com discerni- mento é virtude do crente. Ponto Importante A realização de cultos domésticos, oração e o jejum são práticas essenciais para confrontar o desejo carnal pelo consumo da mídia. Anotações
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    78 JOVENS “Não precisamosver muito da mídia de entretenimento para descobrir se é ruim. Nossos padrões baseados na Escritura (não nos padrões da cultura popular), mais o testemunho do Espírito Santo dentro de nós, deveriam filtrar muitos produtos da cultura popular de nossa consideração, para não dizer de nossa frequência. Aguçar nossas habilidades críticas de ver exige que adquiramos uma gramática básica e um entendimento de produção. Podemos aprender a reconhecer os efeitos retóricos e emocionais que a escolha de atores e atrizes, música, iluminação, ângulos de filmagem e muitas outras técnicas de edição, causam em nossas reações a diferen- tes filmes ou programas de televisão. Também podemos sondar os valores explícitos e implícitos no filme. Por exemplo, qual é a visão da natureza humana e do dilema humano que o filme apresenta? Que posições morais ou intelectuais assume? Sua visão da vida é relativista, existencialmente sem sentido, determinista, romantizada? Como retrata a religião, Deus, a igreja ou o cristianismo? Contribui para a nossa percepção de vida como mais violenta ou ridícula ou sublime? Finalmente, nossa perspectiva sobre a mídia deve ser testada continuamente dentro ou contra uma comunidade de família, amigos, igreja, professores e outros cristãos. Com certeza tal interação sincera e aberta de discussão e debate causa um maior impacto em nós do que o próprio programa” (PALMER, M. D. (Ed.). Panorama do Pensamento Cristão. 1.ed., RJ: CPAD, 2001, p. 418). SUBSÍDIO 2 “Cultura Popular e Mídia Graças à tecnologia moderna das comunicações, a cultura popular tor- nou-se incomodamente penetrante. A cultura popular está em todas as partes, moldando os nossos gostos, linguagem e valores. Hoje a cultura popular aparece em cada cartaz, grita da televisão em inúmeros canais du- rante o dia inteiro, explode em nossos computadores, ressoa no rádio do carro e enfeita nossas camisetas e tênis. Nenhum de nós consegue escapar. À medida que a cultura popular se espalhou, o seu conteúdo piorou de maneira chocante. Não é preciso dizer que durante as últimas três ou quatro décadas o nível do sexo e da violência cresceu imensamente nos cinemas, na música, na televisão e até mesmo nas revistas em quadrinhos. Naturalmente os cristãos sempre tiveram de lidar com as coisas que eram vulgares, luxuriosas ou grosseiras, mas na maioria dos casos nós podíamos simplesmente evitá-las. Hoje isto é praticamente impossível. Podemos desfrutar da ‘comida rápida’ cultural desde que estejamos treinados para ser seletivos, desde que não nos entreguemos aos hábitos do escapismo e da distração, e desde que definamos limites para que as sensibilidades da cultura popular não moldem o nosso caráter” (COLSON, C.; PEARCEY, N. O Cristão na Cultura de Hoje. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.287,288). SUBSÍDIO 1
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    KENNEDY, D. James;NEWCOMBE, JERRY. As Portas do Inferno não Prevalecerão. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. Conforme a lição, por que se afirma que os meios de comunicação não são ma- léficos por natureza? Pois depende da forma como são utilizados e dos valores que transmitem. Sob esse enfoque, a mídia pode servir tanto para disseminar ódio, pornografia e violência, como pode fornecer notícias, cultura e entretenimento de qualidade. 2. Como são as estratégias da mídia para convencer os expectadores da maturidade de comportamentos desvirtuados? A estratégia da emoção e de enredos românticos. 3. Segundo a lição, quais práticas são essenciais para confrontar o desejo carnal pelo consumo da mídia? A realização de cultos domésticos, oração e o jejum. 4. Em relação à mídia, o cristão pode valer-se da sabedoria divina para fazer o quê? Usar a mídia em prol do Reino de Deus, tanto para anunciar o Evangelho, como proporcionar cultura, educação e informação em sintonia com os valores e prin- cípios das Escrituras. 5. Na sua opinião, o que os cristãos poderiam fazer para desenvolver meios de comunicação virtuosos? Resposta pessoal. Se o nosso Deus é um Deus que se comunica e interage com o ser humano, é do seu interesse que os seus servos igualmente sejam hábeis na arte da comunicação. Desse modo, os meios de comunicação podem auxiliar a Igreja e os cristãos a realizar tal tarefa. Além de confrontar o falso entretenimento que destrói os valores familia- res e morais da sociedade, podemos anunciar a Palavra, educar e difundir virtudes através da mídia. CONCLUSÃO HORA DA REVISÃO
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    80 JOVENS LIÇÃO 1217/12/2017 SÍNTESE Saber defendera fé é essencial para o crente demonstrar a relevância cristã no meio estudantil. TEXTO DO DIA “[...] e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” (1Pe 3.15) A EDUCAÇÃO SECULAR EM TEMPOS TRABALHOSOS AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Pv 9.9 Dá instrução ao sábio e ele se fará mais sábio TERÇA – Cl 1.9,10 Sabedoria e inteligência espiritual QUARTA – Jo 1.1 Cristo, o Verbo e a sabedoria de Deus QUINTA – Dn 1.17-20 Daniel, jovem sábio e inteligente SEXTA – Jd 3 Batalhando pela fé SÁBADO – 2 Tm 3.16 Escritura inspirada para ensinar
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    JOVENS 81 Professor(a), considerandoo ambiente desafiador das escolas e universidades da atualidade, nesta aula, instigue seus alunos a se aprofundarem em apologética cristã. Por meio dela, o crente poderá apresentar as razões da esperança cristã (1 Pe 3.15). Explique que “a palavra apologética deriva do termo grego apologia, um termo relativo à defesa de alguém no tribunal, um discurso de justificação (At 22.1; 26.1). Sempre que, como cristãos, somos confrontados a apresentar os fundamentos da nossa fé e desafiados a argumentar sobre a existência de Deus, sobre a divindade de Cristo ou ainda acerca da veracidade das Sagradas Escrituras, por exemplo, precisamos apresentar respostas satisfatórias em defesa do cristianismo” (O Cristão e a Universidade, CPAD, p. 183). Caro(a) professor(a), a presente aula é propícia para refletir com seus alunos acerca dos dilemas e conflitos que eles enfrentam no ambiente educacional, tanto escolas quanto universidades. Nesta lição, deixe claro que, embora pesquisas indiquem um elevado índice de cristãos que se afastam da igreja após ingressarem em cursos de nível superior (pelo menos 60%), as faculdades não são responsáveis diretas pelo desvio espiritual dos crentes. Na verdade, tal índice também é elevado entre aqueles que não ingressam na universidade. A juventude é uma fase de mudanças e de aquisição de maior liberdade. Assim, aqueles que não possuem um compromisso profundo com Cristo e não sabem como manter a fé diante dos questionamentos tão comuns no ambiente acadêmico, normalmente hostil à religião, acabam se afastando de Deus e da igreja. Nesse estudo, enfatize a importância da educação secular, mas também a importância do discípulo de Jesus capacitar-se bíblica e apologeticamente para enfrentar os ataques que surgirão. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA • CONHECER as características da educação em tempos pós-modernos; • REFLETIR a respeito da contribuição do cristianismo para a história da educação e da ciência; • FALAR sobre o relacionamento do cristão com a escola e a universidade.
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    82 JOVENS I –EDUCAÇÃO EM TEMPOS PÓS-MODERNOS 1. Relativismo. A filosofia educacio- nal que dita grande parte do ensino nas salas de aula de hoje fundamenta-se no relativismo, o qual nega a existência da verdade objetiva e afirma que cada pessoa pode construir a sua própria ver- dade. Nessa concepção, a sua verdade é a sua verdade, e a minha verdade é a minha verdade; e as crenças são, em última análise, questão de contexto social, gostos e interesses pessoais. “O que é certo para nós talvez não o seja para você” e “o que está errado em nosso contexto talvez seja aceitável ou até mesmo preferível no seu”, dizem os relativistas. Ao descontruir valores e princípios imutáveis, o relativismo pedagógico promove inversão de valores e acaba com os referenciais éticos para a sociedade e consequen- temente, os que se submetem a esse tipo de educação aprendem sempre, mas nunca chegam ao conhecimento da verdade (2 Tm 3.7). Isso não é perigoso somente para a fé cristã — que têm na existência COMENTÁRIO INTRODUÇÃO No final do século XX o mundo passou por profundas mudanças sociais, culturais e tecnológicas, dando início à pós-modernidade. Acompanhando o espírito desta época, a filosofia educacional das escolas e faculdades de hoje é marcada pelo relativismo, pelo naturalismo ateísta e pela doutrinação ideológica, representando, assim, enorme desafio aos estudantes cristãos. O intuito desta lição é demonstrar que a Bíblia não aprova o anti-intelec- tualismo e a aversão ao estudo sistematizado. Ao mesmo tempo, veremos a necessidade de preparo bíblico e apologético do jovem cristão, para confrontar os ataques proferidos pelos inimigos da cruz. TEXTO BÍBLICO 2 Timóteo 3.1-7 1 Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; 2 porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, 3 sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, 4 traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, 5 tendo aparência de piedade, mas ne- gando a eficácia dela. Destes afasta-te. 6 Porque deste número são os que se introduzem pelas casas e levam cativas mulheres néscias carregadas de peca- dos, levadas de várias concupiscências, 7 que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.
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    JOVENS 83 da verdadeobjetiva um de seus fun- damentos — mas é perigoso para a sociedade em geral. Ao desconstruir valores e princípios imutáveis, o rela- tivismo pedagógico promove inversão de valores e acaba com os referenciais éticos para a sociedade. 2. Naturalismo ateísta. Apesar de ser fruto da modernidade, período que depositou a confiança no método cien- tífico, o naturalismo ateísta predomina ainda hoje nas escolas e universidades. Ao desconsiderar antecipadamente a existência de Deus como algo possí- vel (Rm 1.21), tal pensamento defende que o universo, a vida e o ser humano são resultantes de fatores aleatórios e acidentais, destituídos de qualquer sentido, propósito e valor intrínseco. Esse tipo de pensamento que dita hoje as aulas da grande maioria das universidades seculares, a partir da premissa que o avanço científico fez desaparecer a necessidade de um Cria- dor para explicar a origem do universo e da espécie humana. Essa é a razão pela qual hoje boa parte dos estudantes universitários são convidados a deixarem suas “crenças religiosas ultrapassadas” longe das salas de aulas, pois esse espaço, segundo dizem, é destinado à produção imparcial de conhecimento segundo evidências cientificas (e não baseado na fé). Essa filosofia está pre- sente não somente nas ciências naturais, mas em todas as áreas da produção acadêmica, incluindo-se aí as ciências exatas, biológicas, humanas e sociais. 3. Doutrinação ideológica. De muitas maneiras, o ensino contemporâneo está impregnado de ideologias partidárias, antirreligiosas e até mesmo imorais. Educadores tendenciosos, em vez de ensinarem tão somente o conteúdo de suas disciplinas, buscam realizar verdadeira doutrinação ideológica dos alunos, enredando-os com filosofias e vãs sutilezas (Cl 2.8). Em outros casos, o próprio poder público tenta induzir os alunos a assimilarem noções distorcidas sobre ética, sexualidade e religião em sintonia com as ideias daqueles que ocupam o poder, mediante programas e adoção de material literário que sirvam aos seus interesses. Pense! “Os homens se tornaram cientistas porque esperavam haver leis na natureza, porque acreditavam num legislador” (C. S. Lewis). Ponto Importante A filosofia educacional que dita grande parte do ensino nas salas de aula de hoje fundamenta-se no relativismo, o qual nega a existência da verdade objetiva e afirma que cada pessoa pode construir a sua própria verdade. II – A CONTRIBUIÇÃO DO CRIS- TIANISMO PARA A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA 1. O valor da educação. Somente a fé cristã fornece adequadamente o pressuposto que fundamenta a ne- cessidade da educação. A doutrina da depravação humana (Rm 3.23) explica a natureza do homem e ao mesmo tempo exige um processo pedagógico de constante instrução acerca da Lei de Deus. Nessa perspectiva, a educação não é um fim e si mesmo. Ela serve para nos proporcionar conhecimento e desenvolver habilidades e atitudes que honrem o propósito de Deus para
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    84 JOVENS o serhumano. Certo teólogo inglês captou essa verdade ao dizer que “o conhecimento deve, em primeiro lu- gar, nos conduzir à adoração a Deus, a quem nos submetemos com plena admiração” (Rm 11.33). 2. O surgimento das universida- des. Em decorrência disso, a história da educação e do surgimento das primeiras universidades no Ocidente (Paris, Bolonha, Oxford, Cambridge) está intimamente ligada ao cristianis- mo. A própria palavra “universidade” foi concebida com a ideia de encontrar unidade na diversidade. Com base nas Escrituras, acreditava-se numa verdade fundamental, que interligava todas as áreas do pensamento humano. Como o Deus cristão é único, a fonte de todas as verdades, o currículo era unificado pois esperava-se que toda disciplina lançasse luz sobre as demais e com elas se harmonizasse. 3. Fé cristã e a ciência. Igualmen- te, não há como falar em ciência sem mencionar a contribuição cristã. O pen- samento de que o universo obedece a um conjunto de leis fixas e que o papel do cientista é basicamente desvendar tais leis, surge da concepção cristã. Nesse sentido, C. S. Lewis escreveu: “Os homens se tornaram cientistas porque esperavam haver leis na natureza, por- que acreditavam num legislador”. Isso explica porque proeminentes cientistas do passado acreditavam em Deus, homens como Galileu, Kepler, Pascal, Boyle, Newton, Faraday, Babbage e Mendel. A boa ciência, portanto, não refuta a existência do Criador! Ela re- vela as maravilhas da criação de Deus (Rm 1.19,20). Pense! “A Educação Cristã, tendo como base o Evangelho de Cristo, transforma radicalmente o ser humano, tornando-o útil a Deus, à sociedade e a si mesmo” (Clau- dionor de Andrade). Ponto Importante O pensamento de que o universo obedece a um conjunto de leis fixas e que o papel do cientista é basicamente desvendar tais leis, surge da concepção cristã. Anotações
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    JOVENS 85 “Seja qualfor o motivo que enseje o abandono da fé cristã, a universidade não é culpada pelo desvio espiritual das pessoas. Muito embora os números apresentados nas pesquisas possam levar apressadamente a esta conclusão, precisamos ter o máximo de cautela antes de concluir que a academia não é lugar para cristão, pois – para além de outros fatores – a grande maioria dos estudos não traça um paralelo com o abandono da fé daqueles que não chegaram a ir para a universidade. Em análise interessante sobre o tema, Frank Turek concluiu que o abandono da fé também é elevado entre os que não vão para a faculdade. Turek observou que após o término do ensino médio é comum que jovens cristãos pretendam dar uma pausa em seu relacionamento com a igreja, e isso acontece tanto em relação aos católicos quanto aos evangélicos, em virtude – diz ele – do ´cristianismo fácil e de entretenimento tão pregado atualmente, o qual não incentiva as pessoas a desenvolverem uma vida cristã focada na verdade, mas sim na emoção”(NASCIMENTO, Valmir. O Cristão e a Universidade. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016, p. 26). “O professor comprometido com a orientação bíblica para a vida e o ministério assume obrigação perpétua com a integridade da verdade. Deus, como fonte suprema de toda a verdade, dotou o Universo de insinuações dessa verdade, e a operação da graça comum permite que homens falíveis e até não convertidos divulguem elementos des- sa verdade. Por essa razão, os cristãos não devem arbitrariamente descartar a possibilidade de conclusões válidas que emergem de estudos empíricos do comportamento humano. O crente também compreende que a verdade é declarada mais explicitamente nas Escrituras; a coerência exige que a verdade da revelação geral seja confor- mada com a fornecida pela revelação especial. Ao procurar integrar a verdade precisamos evitar duas tendências igualmente perigosas. A primeira é assumir ‘nada mais que’ a Escritura como guia para formar abordagem coerente para o educando. A Bíblia fala frequente e fortemente sobre o papel constrangedor do ensino para levar as pessoas à fé e maturidade espiritual, mas em grande parte é silenciosa a respeito de métodos eficazes. O perigo oposto acha-se na aceitação inques- tionável dos achados científicos sem examiná-los à luz da verdade bíblica” (GANGEL, K.; HENDRICKS, H. G. (Eds.) Manual de Ensino para o Educador Cristão: Compreendendo a natureza, as bases e o alcance do verdadeiro ensino cristão. 1 ed., Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 107). SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
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    ♣ NASCIMENTO, Valmir. OCristão e a Universidade: Um guia para a defesa e o anúncio da cosmovisão cristã no ambiente universitário. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. De acordo com a lição, o que é relativismo? Pensamento que nega a existência da verdade objetiva e afirma que cada pessoa pode construir a sua própria verdade. 2. O que o naturalismo ateísta defende? Tal pensamento defende que o universo, a vida e o ser humano são resultantes de fatores aleatórios e acidentais, destituídos de qualquer sentido, propósito e valor intrínseco. 3. Segundo a lição, para que serve a educação? Ela serve para nos proporcionar conhecimento e desenvolver habilidades e ati- tudes que honrem o propósito de Deus para o ser humano. 4. As primeiras universidades estão ligadas ao cristianismo? Sim. A história da educação e do surgimento das primeiras universidades no Oci- dente (Paris, Bolonha, Oxford, Cambridge) está intimamente ligada ao cristianismo. 5. Segundo a lição o que significa a palavra “universidade”? A palavra “universidade” foi concebida com a ideia de encontrar unidade na diversidade. HORA DA REVISÃO Não há, afinal, incompatibilidade entre fé cristã e intelectualidade. Assim como Daniel e seus amigos, os crentes podem sobressair no meio estudantil, inclusive no ambiente universitário, visto que somente a Palavra de Deus fornece as bases adequadas para a plena formação do ser humano. CONCLUSÃO
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    JOVENS 87 SÍNTESE Consumo santificadoé a chave bíblica para viver com moderação e rejeitar o consumismo. TEXTO DO DIA “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer?”(Is 55.2). LIÇÃO 1324/12/2017 EAGORA,COMO VIVEREMOSNASOCIEDADE DECONSUMO? AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – 1 Co 7.23 A melhor de todas as compras TERÇA – Jo 4.8 Os discípulos vão às compras QUARTA – Mt 16.26 Não adianta ganhar o mundo e perder a alma QUINTA – Pv 23.23 Espírito de moderação SEXTA – Rm 12.9 Apegue-se ao bem SÁBADO – Hb 12.14 Seguindo a santificação
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    88 JOVENS Professor(a), escrevano quadro ou em outro recurso visual o termo “Consumo santificado”. Depois, peça para os alunos dizerem o que entendem por santidade e se é possível aplicar a santidade aos hábitos de consumo. Explique que a santidade que Deus espera de seus filhos aplica-se a todas as áreas da vida humana, inclusive na prática de compras, a fim de tornar o crente moderado, resistindo aos apelos das propagandas e dos desejos carnais. Prezado(a) professor(a), você acha estranho falarmos em “consumo santificado?”Geralmente, pensamos em santidade como algo distante da realidade do cotidiano; ou conforme escreveu John Eldredge, no livro Santidade que Liberta (CPAD), como algo “espiritualmente elitista e, francamente bastante severo. Abrir mão de prazeres mundanos, coisas inocentes como açúcar, música ou pesca; viver uma vida inteiramente ‘espiritual’; orar muito, ser uma pessoa muito boa. Algo que apenas os santos muito antigos conseguiram”. Mas, é preciso recordar que a santidade é algo que abrange toda a maneira de viver de quem se entregou uma vez a Cristo (1 Pe 1.15), o que inclui a prática do consumo. Eldredge explica que “o amor de Deus procura nos tornar íntegros e santos a fim de que os seres humanos se tornem o que eles devem ser”. Certamente, Deus não quer que sejamos consumistas compulsivos. A santidade é capaz de nos libertar dos desejos desenfreados da carne. OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA • CONHECER a era do mercado de consumo; • EXPOR os perigos da mentalidade de consumo na Igreja.
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    JOVENS 89 I –A ERA DO MERCADO DE CON- SUMO 1. Sociedade de consumo. Você já percebeu a quantidade de produtos e serviços colocados àvenda na atualidade? Vende-se praticamente de tudo. O mundo parece um grande shopping center. Isso se deve, em grande parte, às mudanças ocorridas após o fim do Século XIX, com o desenvolvimento da industrialização e a produção cada vez maior dos bens de consumo. Vivemos, segundo os teóricos, na “sociedade de consumo”, que se dis- tingue pelos seguintes fatores: economia de mercado, oferta em grande escala e consumo em massa. 2. O papel do marketing. Dentro da cultura de consumo, a publicidade comercial desempenha papel prepon- derante. As pessoas são estimuladas pelas campanhas publicitárias, muitas vezes apelativas, a adquirirem novos produtos. Os anúncios estão ao alcance dos nossos olhos em todos os lugares, nos programas televisivos, na internet e nas avenidas das cidades, tentando nos seduzir. A indústria midiática se vale de técnicas psicológicas com o objetivo de induzir a emoção do público, fazendo com que as pessoas comprem sem que tenham necessidade. Atire a primeira pedra quem nunca se sentiu seduzido por alguma propaganda. 3. Do consumo ao consumismo. Evidentemente, o consumo faz parte da vida humana. Todavia, há sérios riscos à sociedade e à verdadeira espiritualidade quando o consumo básico e ordinário se converte em consumismo: o de- sejo desenfreado pelas compras. Tal comportamento inverte as prioridades: transforma o supérfluo em necessário, e o necessário em supérfluo. Homens e mulheres vão às compras pelo simples prazer carnal de comprar, numa prática de verdadeira idolatria ao consumo. COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Nesta lição, falaremos a respeito da sociedade de consumo. Além de discorrer sobreosperigosdoconsumismoedamentalidadedeconsumonaigreja,desta- caremosanecessidadedocrentedesenvolverhábitosdeconsumosantificado. TEXTO BÍBLICO Isaías 55.1,2 1 Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas, e vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. 2 Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso traba- lho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura.
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    90 JOVENS No consumismo,as pessoas nunca estão satisfeitas com o que possuem, e gastam o que têm e até mesmo o que não têm, endividando-se, para comprar algo novo. Embora alguns consigam satisfazer o desejo material, suas almas no fundo ainda permanecem vazias e sedentas por algo mais. E assim nunca se sentem completamente satisfeitas. II – O PERIGO DA MENTALIDADE DO CONSUMO NA IGREJA 1. Igrejas e a lógica do mercado. Se por um lado glorificamos a Deus pelo crescimento das igrejas evangélicas nas últimas décadas no Brasil, por outro ficamos apreensivos com a quantidade de modismos e inovações que surgem em decorrência dessas novas expressões de fé. Nem sempre o crescimento quan- titativo representa elevação da qualidade espiritual. Afinal, frequentemente deno- minações são abertas sem o mínimo de discernimento bíblico e orientação divina. Uma reportagem publicada tempos atrás pela BBC Brasil realçava essa realidade. Sob o título “Crescimento evangélico estimula mercado que une consumo e religião” a matéria destacava a sede de prosperar e consumir dos religiosos, assim como as novas estratégias de negócios das igrejas. 2. Igrejas ao gosto do freguês. Emerge neste contexto a competição religiosa, pela qual as igrejas passam a atuar como verdadeiras agências de mercado, com base no princípio básico da lei de consumo: obter as maiores recompensas por meio dos menores custos. Para sobressair, alguns minis- térios passaram a oferecer duas coisas: benefícios terrenos e baixo custo aos fiéis. E o resultado, infelizmente, foi a apresentação do evangelho não como dádiva, obra da graça de Cristo, e sim como produto de mercado. Dentro dessa concepção antibíblica, o crente é visto como mero freguês, cujos desejos devem ser atendidos, e o pastor como um empreendedor, que faz da igreja o seu próprio negócio (2 Pe 2.3). A expressão máxima dessa concep- ção é percebida na teologia da pros- peridade, que centraliza nas bênçãos materiais (ou seja, no consumo) o foco do evangelho. O nível espiritual do cristão é medido em padrões econômicos, como roupas de grife, carros de luxo, mansões e equipamentos de última geração. In- felizmente, muitos crentes estão sendo enganados por essa mentira diabólica. Não importa, jovem, a sua capaci- dade de consumo, Deus não o avalia pela quantidade de bens que possui, mas pela comunhão que tem com Ele! “Todos os dias você e eu estamos tomando decisões que nos ajudam a construir um ou outro tipo de mundo, estamos nós cooptados pela cosmo- visão passageira do mundo da nossa época, ou estamos ajudando a criar um mundo novo de paz, amor e perdão? E agora, como viveremos? Abraçando a verdade de Deus, entendendo a ordem moral e física que Ele criou, argumentando amavel- mente com nossos vizinhos por amor à verdade, e então tendo a coração de vivê-la em todos os aspectos da vida. Corajosamente, sim, e com alegria” (COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 566). SUBSÍDIO
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    BUENO, Telma. BoasIdeias para Professores de Educação Cristã. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. O que distingue a sociedade de consumo? A “sociedade de consumo” se distingue pelos seguintes fatores: economia de mercado, oferta em grande escala e consumo em massa. 2. Qual o papel da publicidade dentro da sociedade de consumo? Dentro da cultura de consumo, a publicidade comercial desempenha papel pre- ponderante. As pessoas são estimuladas pelas campanhas publicitárias, muitas vezes apelativas, a adquirirem novos produtos. 3. De que se vale a indústria midiática para seduzir as pessoas ao consumo? A indústria midiática se vale de técnicas psicológicas com o objetivo de induzir a emoção do público, fazendo com que as pessoas comprem sem que tenham necessidade. 4. O que o consumismo faz com as prioridades? Ele inverte as prioridades: transforma o supérfluo em necessário, e o necessário em supérfluo. 5. O que alguns ministérios fazem para sobressair na sociedade de consumo? Para sobressair, alguns ministérios passaram a oferecer duas coisas: benefícios terrenos e baixo custo aos fiéis. E o resultado, infelizmente, foi a apresentação do Evangelho não como dádiva, obra da graça de Cristo, e sim como produto de mercado. HORA DA REVISÃO Neste mundo caído, viveremos de acordo com a vontade de Deus, o que implica resistir e confrontar o pecado, testemunhar o amor de Deus em tudo e proclamar a mensagem simples, mas poderosa do evangelho: Jesus Cristo salva, liberta, cura, santifica e em breve voltará! CONCLUSÃO
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    92 JOVENS SÍNTESE O ensinobíblico cristocêntrico nos ajuda a viver como “sal” e “luz’ no mundo. TEXTO DO DIA “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” (Mt 28.19) A IMPORTÂNCIA DO ENSINO CRISTÃO NO MUNDO ATUAL AGENDA DE LEITURA SEGUNDA – Lv 10.11 Ensinar os filhos de Deus TERÇA – Dt 6.7 Pais e professores QUARTA – Os 4.6 A falta de conhecimento QUINTA – Os 6.3 Conheçamos a Deus SEXTA – Os 6.6 Deus deseja o conhecimento SÁBADO – Mc 12.24 A falta de conhecimento e o erro LIÇÃO 1431/12/2017
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    JOVENS 93 Professor(a), paraintroduzir a lição escreva no quadro ou em outro recurso visual as palavras “cristão, escola e universidade”. Depois, peça para os alunos dizerem o que vem à mente deles quando ouvem essas palavras. Ouça a todos com atenção e incentive a participação. Em seguida, utilizando o conteúdo da lição, explique que a Bíblia não condena a intelectualidade e o estudo sistematizado e que, inclusive, encontramos vários versículos que exaltam o conhecimento e a sabedoria. Caro(a) professor(a), chegamos ao final de mais um trimestre. Esperamos que as aulas tenham sido valiosas para o cres- cimento intelectual e espiritual seu e de seus alunos. Nesta derradeira aula, falaremos a respeito da importância do ensino cristão no mundo atual. Veremos que somente por meio do conhecimento da Palavra de Deus temos condições de sermos “sal e luz” em meio a uma sociedade em ruínas. Nesta lição, reflita com seus alunos a respeito dos principais pontos que foram estudados no decorrer do trimestre. Ao final, ore com eles, pedindo que o Consolador os inspire e os dirija para que sejam sal e luz diante dos homens! OBJETIVOS INTERAÇÃO ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA • MOSTRAR a importância do ensino das Escrituras Sagradas; • EXPLICAR que a Palavra de Deus não aprova o anti-inte- lectualismo.
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    94 JOVENS I –A IMPORTÂNCIA DO ENSINO NAS ESCRITURAS 1. Israel e o ensino hereditário e permanente (Lv 10.11). No Antigo Tes- tamento, toda tradição e história de Israel era pautada pela necessidade do ensino da Lei de Deus para as gerações seguintes (Dt 6.6-9). Como o plano de Deus para Israel envolvia as gerações futuras (Gn 12.2), era imprescindível que os pais transmitissem aos seus filhos a Lei do Senhor de forma efetiva (Pv 22.6). 2. Educação contracultural. O ensino, por isso, tinha prioridade entre os judeus. Não é sem razão que a palavra hebraica Torah, que se refere aos primeiros cinco livros da Bíblia, significa instrução, doutrina ou lei. O objetivo da educação judaica, diz César Moisés, “era preservar o povo de Deus das más influências dos povos idólatras e corrompidos que havia ao redor da Terra Prometida, em outros termos era uma contracultura” (Uma Pedagogia para a Educação Cristã, CPAD). Em outras palavras, os descendentes de Abraão eram educados para servir ao Senhor e ao mesmo tempo refutar a influência dos falsos ensinamentos externos. 3. Destruído por falta de conheci- mento (Jr 32.33; 2 Cr 15.3). Obviamente, sempre que o povo israelita abandonava o ensino e a prática da lei, toda a nação era afetada. Eis o motivo pelo qual Deus declarou por intermédio do profeta Oseias: “O meu povo foi destruído, por- que lhe faltou conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me es- quecerei de teus filhos” (Os 4.6). II – O CRISTÃO, A ESCOLA E A UNIVERSIDADE 1. Intelecto a serviço do Reino. A Bíblia não aprova o anti-intelectualismo COMENTÁRIO INTRODUÇÃO Com a graça de Deus, chegamos à última lição do trimestre. Esperamos que as lições bíblicas estudadas no decorrer deste período tenham sido de grande proveito para a sua vida, e que os temas e as reflexões em sala de aula tenham despertado em você o desejo ardente de dar mostras da relevância cristã em um mundo caído. TEXTO BÍBLICO Deuteronômio 6.6-9 6 E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; 7 e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. 8 Também as atarás por sinalna tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos. 9 E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.
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    JOVENS 95 e aaversão ao estudo sistematizado. Embora desabone o orgulho de filósofos humanistas (1 Co 1.20; 2.5,6), a Palavra de Deus aprecia o conhecimento, pois as Escrituras partem do pressuposto de que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26), e por isso é um ser inteligente, comunicativo, com capacidade de aprender e ensinar. Jesus foi enfático ao dizer que precisamos amar a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de toda a nossa força e de todo o nosso entendimento (Mt. 22.37). Logo, valorizar a vida da mente é algo tão espiritual quanto pregar, ensinar ou louvar. É uma atividade que deve ser feita em sintonia com a Palavra e para a glorificação do nome do Senhor. A Bíblia possui várias passagens exaltando o conhecimento e a sabedoria (Pv 18.15; 2 Pe 3.18) e alerta para os perigos da sua falta (Os 4.6). 2. A necessidade de preparo bíblico e apologético. Ainda que nas escolas e universidades contemporâneas exista muito ensino hostil ao cristianismo bíblico, o cristão deve primar por sua formação cultural e profissional. Afinal, as instituições de ensino, em si, não desviam o crente. Se o cristão tiver o necessário preparo bíblico e apologé- tico, não há razão alguma para temer o ingresso no ambiente educacional. Certamente, tal preparo envolve uma educação cristã abrangente, capaz de habilitar o crente a defender de forma consistente suas convicções no ambien- te escolar, de modo a refutar as ideias e opiniões que se levantam contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo (2 Co 10.5). “Pesquisascomoestasnosdãoafalsa impressão de que a universidade não é lugar para aqueles que professam a fé cristã.Apriori,osnúmerosindicamqueao ingressarna universidade o jovem cristão fatalmente será levado a esmorecerna fé e a abandonara igreja e as suas doutrinas primordiais.Esetaisconclusõesestiverem realmente corretas, não há motivos para defendere muito menos incentivara ida dos cristãos para um lugar que os fará, mais cedo ou mais tarde, desacreditarna veracidade das Escrituras e nas doutrinas do Cristianismo. Para alguns, isso seria o mesmo que mandá-los para o campo de batalha, tendo a morte espiritual como consequência inescapável.Diante desse panorama, muitos líderes cristãos não encaram a instituição universitária com bons olhos.Além do ambiente intelectual hostil, a possibilidade do desvirtuamento moral é outro argumento invocado para apontaro risco de o cristão frequentarum curso superior. Outros, ainda, recorrem a passagens bíblicas analisadas fora do seu contexto para suscitar uma espécie de anti-intelectualismo evangélico, afas- tando os seguidores de Cristo da ciência, da filosofia e do conhecimento secular” (NASCIMENTO,Valmir. O Cristão e a Uni- versidade. 1 .ed. Rio deJaneiro, CPAD, 20). SUBSÍDIO Pense! “Valorizar a vida da mente é algo tão espiritual quanto pregar, en- sinar ou louvar. É uma atividade que deve ser feita em sintonia com a Palavra e para a glorifica- ção do nome do Senhor.” Ponto Importante Se o cristão tiver o necessário preparo bíblico e apologético, não há razão alguma para temer o in- gresso no ambiente educacional.
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    CARVALHO, César Moisés.Pentecostalismo e Pós- Modernidade: Quando a experiência sobrepõe-se à teologia. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. ESTANTE DO PROFESSOR Anotações 1. Quem deveria transmitir a Lei de forma efetiva às gerações? Os pais eram os responsáveis. 2. O que significa Torah? Se refere aos cinco primeiro livros da Bíblia e significa instrução, doutrina ou lei. 3. Segundo César Moisés, qual era o objetivo da educação judaica? Era preservar o povo de Deus das más influências dos povos idólatras e corrom- pidos que havia ao redor da Terra Prometida. 4. As instituições de ensino desviam o crente? De forma alguma. 5. O que é necessário que o jovem cristão tenha antes de ingressar no ambiente educacional? É preciso que o crente tenha conhecimento bíblico e apologético. HORA DA REVISÃO Para vivermos neste mundo caído de forma que agrade a Deus não podemos negligenciar o ensino e o conhecimento das verdades bíblicas, pois somente assim vamos confrontar o pecado e testemunhar o amor de Deus até a volta a vinda de Jesus. CONCLUSÃO
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    A Razão daNossa Fé Chegamos em um período de tempos nebulosos: corrupção,inversões de valores,desvalorização da família tradicional,intolerância religiosa,heresias e tantos outros problemas que têm afetado nossa sociedade e Igreja. O que podemos fazer para declararmos nossa fé, e continuarmos sendo o sal e luz do mundo? Credo, confissão de fé, regra de fé ou declaração de fé são interpretações autorizadas das Escrituras Sagradas aceitas e reconhecidas por uma igreja ou denominação. O atual contexto social e político por si só exige uma definição daquilo em que a Igreja crê e daquilo que professa desde as suas origens.Como membros do corpo de Cristo não podemos nos conformar com esse mundo, e devemos mais que nunca reafirmar nossas doutrinas básicas e declarar nossa fé em Cristo Jesus. 1176620 Teaser declaração da fé.indd 1 06/07/17 08:50