História da Cultura e das Artes 10
© Raiz Editora, 2018. Todos os direitos reservados.
Gil Vicente é considerado o primeiro grande dramaturgo português.
A sua obra situa-se no contexto do Humanismo e reflete a transição
da Idade Média para o Renascimento.
Gil Vicente (c. 1465-c. 1536).
A reputação e o prestígio que adquiriu garantiram-lhe muitas
encomendas para organizar AUTOS e FARSAS para a corte e para a
Igreja.
AUTO
Composição teatral de origem medieval, em forma poética e
tratando temas religiosos e profanos, com um sentido cómico e
satírico.
Normalmente tem uma intenção moralizadora, representando as
virtudes e os pecados, os anjos, santos e demónios.
FARSA
Género teatral de caráter profano, criticando a sociedade com
sarcasmo e ironia.
CASO PRÁTICO 2: Gil Vicente (c. 1465-c. 1536) – o teatro na corte
MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
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Estátua de Gil Vicente, Francisco Assis Rodrigues,
Teatro Nacional D. Maria II, 1842.
As suas peças destinavam-se a ser representadas em:
1 – Cerimónias solenes (casamentos, nascimentos e outros eventos reais)
2 – Receções a membros da realeza
3 – Comemorações de datas cristãs (Natal ou Páscoa)
5 – Grande número de atores em cena
1 – As peças eram encenadas em palácios e igrejas
2 – Técnicas de dramatização
3 – Expressividade dos atores
4 – Cenografias muito elaboradas, concebidas por ele
próprio
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA OBRA DE GIL VICENTE:
CASO PRÁTICO 2: Gil Vicente (c. 1465-c. 1536) – o teatro na corte
MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
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Gil Vicente fez-se valer do prestígio que tinha junto da
corte e da nobreza para traçar um retrato muito incisivo
do quotidiano português do século XVI.
NOS SEUS AUTOS E FARSAS:
1 – Satirizou os vícios do clero e da nobreza
2 – Retratou a sociedade portuguesa com um
espírito acutilante
As suas personagens são inspiradas
na sociedade da época –
marinheiros, camponeses ou
fidalgos, que convivem com anjos,
demónios ou fadas.
3 – Produziu não só um retrato de Lisboa,
onde despontava o comércio e a
revolução marítima, mas também do
meio rural, com a sua linguagem,
tradições e costumes
Os seus argumentos tratam de
temas religiosos, mitológicos,
contos populares, romances de
cavalaria ou sermões burlescos.
GIL VICENTE FOI UM CRÍTICO SEVERO DE
COSTUMES:
CASO PRÁTICO 2: Gil Vicente (c. 1465-c. 1536) – o teatro na corte
MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
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O maior interesse da obra de Gil Vicente reside na
forma simples, direta e eficaz com que soube
exprimir os sentimentos coletivos e a realidade
criticável da sociedade portuguesa.
Gil Vicente produziu
uma obra única no
panorama do teatro
português.
PRINCIPAIS OBRAS DE GIL VICENTE:
Auto da Índia (1509)
Auto da Sibila Cassandra (1511)
A trilogia de sátiras:
Auto da Barca do Inferno (1517)
Auto da Barca do Purgatório (1518)
Auto da Barca da Glória (1519)
Farsa de Inês Pereira (1523)
IMAGINAÇÃO
ORIGINALIDADE
SENTIDO DRAMÁTICO
CASO PRÁTICO 2: Gil Vicente (c. 1465-c. 1536) – o teatro na corte
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O Auto da Lusitânia foi uma das últimas peças
de Gil Vicente.
A peça foi representada em 1532 na corte de
D. João III para celebrar o nascimento do seu
filho D. Manuel.
O tema da peça é o casamento entre Lusitânia
e Portugal, aqui entendidos como personagens
mitológicas, em cujo enredo se misturam
outros assuntos, outras cenas e outras
personagens à margem do tema central.
Lusitânia nasce da união de uma ninfa (Lisibeia)
com o Sol, e tem uma extrema beleza, tal como
a sua mãe.
Portugal é um caçador grego que irá ser
seduzido por Lusitânia, e com quem virá a casar.
CASO PRÁTICO 2: O Auto da Lusitânia (1532)
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JUDEU, pai de Lediça
PRIMEIRA PARTE
A AÇÃO
LEDIÇA, a filha do Judeu
Atribulações de uma família judaica de Lisboa, na qual
dois judeus discutem a melhor forma de organizar as
comemorações do nascimento de D. Manuel, filho de
D. João III.
CORTESÃO, que entra na loja do
Judeu e dirige galanteios a Lediça
JACOB, um judeu amigo
MÃE de Lediça
LICENCIADO, o argumentador do texto
FALA DO LICENCIADO
O Licenciado, que representa o próprio Gil Vicente,
apresenta o assunto da peça que ele quer
representar.
CASO PRÁTICO 2: O Auto da Lusitânia (1532) – A Fala do Licenciado
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Dinato e Belzebu são dois diabos que, escondidos,
escutam a conversa entre os outros dois, para ir
contar ao seu mestre Lúcifer.
SEGUNDA PARTE
A AÇÃO
Todo-o-Mundo é um mercador rico, vaidoso e
petulante, representando toda a gente comum do
Mundo.
Gil Vicente aborda a origem mítica de Portugal: da união
entre a ninfa Lisibeia e o Sol nasce Lusitânia, que herda a
beleza da mãe.
Ninguém é um homem do povo, humilde, pobre e
virtuoso, pretendendo significar que ninguém é
assim.
DIÁLOGO ENTRE TODO-O-MUNDO E NINGUÉM
Lusitânia seduz Portugal, um belo caçador grego, o que
provoca ciúmes na sua mãe Lisibeia.
Lisibeia morre e é enterrada no local onde será fundada a
cidade de Lisboa.
Posteriormente, Portugal virá a casar com Lusitânia.
CASO PRÁTICO 2: O Auto da Lusitânia (1532) – O Diálogo entre Todo-o-Mundo e Ninguém
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As personagens dos diabos Dinato e Belzebu, que ouvem o diálogo,
fazem trocadilhos com os nomes de Todo-o-Mundo e Ninguém,
evidenciando a vaidade, a cobiça, a virtude e a honra dos homens.
Com Todo-o-Mundo, Gil Vicente pretendeu criticar a sociedade e os
comportamentos de ganância, mentira, vaidade e petulância, como
se «todo o mundo» – a maioria das pessoas – fosse assim.
Na personagem Ninguém, Gil Vicente representa a pobreza, a modéstia
e o virtuosismo; segundo o autor, ninguém é assim.
CASO PRÁTICO 2: O Auto da Lusitânia (1532) – O Diálogo entre Todo-o-Mundo e Ninguém
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As personagens de Gil Vicente agrupam-se em duas categorias típicas:
Personagens-tipo Representam uma classe social, uma categoria profissional ou outras
pessoas identificadas por traços psicológicos comuns.
Exemplos: o camponês humilde, o criado matreiro, o velho
namoradeiro, o médico charlatão, o frade folião, o juiz corrupto, a
mulher alcoviteira – são personagens que personificam desvios
morais, vícios e males da sociedade, retratados com um espírito
crítico sagaz e de sátira social.
Personagens alegóricas As personagens alegóricas personificam ideias ou instituições –
anjos, demónios, deuses mitológicos.
No diálogo entre Todo-o-Mundo e Ninguém, estas personagens-tipo
misturam-se com as personagens alegóricas de Dinato e Belzebu.
CASO PRÁTICO 2: O Auto da Lusitânia (1532) – O Diálogo entre Todo-o-Mundo e Ninguém
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    História da Culturae das Artes 10 © Raiz Editora, 2018. Todos os direitos reservados. Gil Vicente é considerado o primeiro grande dramaturgo português. A sua obra situa-se no contexto do Humanismo e reflete a transição da Idade Média para o Renascimento. Gil Vicente (c. 1465-c. 1536). A reputação e o prestígio que adquiriu garantiram-lhe muitas encomendas para organizar AUTOS e FARSAS para a corte e para a Igreja. AUTO Composição teatral de origem medieval, em forma poética e tratando temas religiosos e profanos, com um sentido cómico e satírico. Normalmente tem uma intenção moralizadora, representando as virtudes e os pecados, os anjos, santos e demónios. FARSA Género teatral de caráter profano, criticando a sociedade com sarcasmo e ironia. CASO PRÁTICO 2: Gil Vicente (c. 1465-c. 1536) – o teatro na corte MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
  • 2.
    História da Culturae das Artes 10 © Raiz Editora, 2018. Todos os direitos reservados. Estátua de Gil Vicente, Francisco Assis Rodrigues, Teatro Nacional D. Maria II, 1842. As suas peças destinavam-se a ser representadas em: 1 – Cerimónias solenes (casamentos, nascimentos e outros eventos reais) 2 – Receções a membros da realeza 3 – Comemorações de datas cristãs (Natal ou Páscoa) 5 – Grande número de atores em cena 1 – As peças eram encenadas em palácios e igrejas 2 – Técnicas de dramatização 3 – Expressividade dos atores 4 – Cenografias muito elaboradas, concebidas por ele próprio PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA OBRA DE GIL VICENTE: CASO PRÁTICO 2: Gil Vicente (c. 1465-c. 1536) – o teatro na corte MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
  • 3.
    História da Culturae das Artes 10 © Raiz Editora, 2018. Todos os direitos reservados. Gil Vicente fez-se valer do prestígio que tinha junto da corte e da nobreza para traçar um retrato muito incisivo do quotidiano português do século XVI. NOS SEUS AUTOS E FARSAS: 1 – Satirizou os vícios do clero e da nobreza 2 – Retratou a sociedade portuguesa com um espírito acutilante As suas personagens são inspiradas na sociedade da época – marinheiros, camponeses ou fidalgos, que convivem com anjos, demónios ou fadas. 3 – Produziu não só um retrato de Lisboa, onde despontava o comércio e a revolução marítima, mas também do meio rural, com a sua linguagem, tradições e costumes Os seus argumentos tratam de temas religiosos, mitológicos, contos populares, romances de cavalaria ou sermões burlescos. GIL VICENTE FOI UM CRÍTICO SEVERO DE COSTUMES: CASO PRÁTICO 2: Gil Vicente (c. 1465-c. 1536) – o teatro na corte MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
  • 4.
    História da Culturae das Artes 10 © Raiz Editora, 2018. Todos os direitos reservados. O maior interesse da obra de Gil Vicente reside na forma simples, direta e eficaz com que soube exprimir os sentimentos coletivos e a realidade criticável da sociedade portuguesa. Gil Vicente produziu uma obra única no panorama do teatro português. PRINCIPAIS OBRAS DE GIL VICENTE: Auto da Índia (1509) Auto da Sibila Cassandra (1511) A trilogia de sátiras: Auto da Barca do Inferno (1517) Auto da Barca do Purgatório (1518) Auto da Barca da Glória (1519) Farsa de Inês Pereira (1523) IMAGINAÇÃO ORIGINALIDADE SENTIDO DRAMÁTICO CASO PRÁTICO 2: Gil Vicente (c. 1465-c. 1536) – o teatro na corte MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
  • 5.
    História da Culturae das Artes 10 © Raiz Editora, 2018. Todos os direitos reservados. O Auto da Lusitânia foi uma das últimas peças de Gil Vicente. A peça foi representada em 1532 na corte de D. João III para celebrar o nascimento do seu filho D. Manuel. O tema da peça é o casamento entre Lusitânia e Portugal, aqui entendidos como personagens mitológicas, em cujo enredo se misturam outros assuntos, outras cenas e outras personagens à margem do tema central. Lusitânia nasce da união de uma ninfa (Lisibeia) com o Sol, e tem uma extrema beleza, tal como a sua mãe. Portugal é um caçador grego que irá ser seduzido por Lusitânia, e com quem virá a casar. CASO PRÁTICO 2: O Auto da Lusitânia (1532) MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
  • 6.
    História da Culturae das Artes 10 © Raiz Editora, 2018. Todos os direitos reservados. JUDEU, pai de Lediça PRIMEIRA PARTE A AÇÃO LEDIÇA, a filha do Judeu Atribulações de uma família judaica de Lisboa, na qual dois judeus discutem a melhor forma de organizar as comemorações do nascimento de D. Manuel, filho de D. João III. CORTESÃO, que entra na loja do Judeu e dirige galanteios a Lediça JACOB, um judeu amigo MÃE de Lediça LICENCIADO, o argumentador do texto FALA DO LICENCIADO O Licenciado, que representa o próprio Gil Vicente, apresenta o assunto da peça que ele quer representar. CASO PRÁTICO 2: O Auto da Lusitânia (1532) – A Fala do Licenciado MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
  • 7.
    História da Culturae das Artes 10 © Raiz Editora, 2018. Todos os direitos reservados. Dinato e Belzebu são dois diabos que, escondidos, escutam a conversa entre os outros dois, para ir contar ao seu mestre Lúcifer. SEGUNDA PARTE A AÇÃO Todo-o-Mundo é um mercador rico, vaidoso e petulante, representando toda a gente comum do Mundo. Gil Vicente aborda a origem mítica de Portugal: da união entre a ninfa Lisibeia e o Sol nasce Lusitânia, que herda a beleza da mãe. Ninguém é um homem do povo, humilde, pobre e virtuoso, pretendendo significar que ninguém é assim. DIÁLOGO ENTRE TODO-O-MUNDO E NINGUÉM Lusitânia seduz Portugal, um belo caçador grego, o que provoca ciúmes na sua mãe Lisibeia. Lisibeia morre e é enterrada no local onde será fundada a cidade de Lisboa. Posteriormente, Portugal virá a casar com Lusitânia. CASO PRÁTICO 2: O Auto da Lusitânia (1532) – O Diálogo entre Todo-o-Mundo e Ninguém MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
  • 8.
    História da Culturae das Artes 10 © Raiz Editora, 2018. Todos os direitos reservados. As personagens dos diabos Dinato e Belzebu, que ouvem o diálogo, fazem trocadilhos com os nomes de Todo-o-Mundo e Ninguém, evidenciando a vaidade, a cobiça, a virtude e a honra dos homens. Com Todo-o-Mundo, Gil Vicente pretendeu criticar a sociedade e os comportamentos de ganância, mentira, vaidade e petulância, como se «todo o mundo» – a maioria das pessoas – fosse assim. Na personagem Ninguém, Gil Vicente representa a pobreza, a modéstia e o virtuosismo; segundo o autor, ninguém é assim. CASO PRÁTICO 2: O Auto da Lusitânia (1532) – O Diálogo entre Todo-o-Mundo e Ninguém MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO
  • 9.
    História da Culturae das Artes 10 © Raiz Editora, 2018. Todos os direitos reservados. As personagens de Gil Vicente agrupam-se em duas categorias típicas: Personagens-tipo Representam uma classe social, uma categoria profissional ou outras pessoas identificadas por traços psicológicos comuns. Exemplos: o camponês humilde, o criado matreiro, o velho namoradeiro, o médico charlatão, o frade folião, o juiz corrupto, a mulher alcoviteira – são personagens que personificam desvios morais, vícios e males da sociedade, retratados com um espírito crítico sagaz e de sátira social. Personagens alegóricas As personagens alegóricas personificam ideias ou instituições – anjos, demónios, deuses mitológicos. No diálogo entre Todo-o-Mundo e Ninguém, estas personagens-tipo misturam-se com as personagens alegóricas de Dinato e Belzebu. CASO PRÁTICO 2: O Auto da Lusitânia (1532) – O Diálogo entre Todo-o-Mundo e Ninguém MÓDULO 5 | A CULTURA DO PALÁCIO