II – São Paulo, 122 (55)
IV– São Paulo, 122 (55)                                                                                   Diário Oficial Poder Executivo - Seção I                                        quinta-feira, 22 de março de 2012




Uma casa impregnada
pelo gosto do café                                                                                                                                                               Bilhetinhos para exaltar o café



Q
         uem visita o Museu do Café em
         Santos realiza uma viagem pela          FOTOS: FERNANDES DIAS PEREIRA

         história do Estado de São Paulo. A
         casa, que completou 14 anos este
         mês, funciona no prédio da antiga
         Bolsa Official de Café, construída
         em 1922. Tornou-se, até 1957,
         quando fechou, ponto de encontro
         de fazendeiros, empresários e
         exportadores. Em 1998, o Governo
         paulista resolveu restaurar a velha
         Bolsa e inaugurou o museu, locali-
         zado na Rua 15 de Novembro, cen-
         tro histórico da cidade.


Sede da antiga Bolsa
Offi cial de Café, em Santos,
guarda lembranças dos
tempos em que o café fazia
fortunas e movimentava a
riqueza nacional
                                               MUSEU DO CAFÉ/REPRODUÇÃO




                                                                                    Embarque de café                                                                             Ex-Bolsa de Café: instalações suntuosas
             O espaço dispõe de dois anda-                                          no porto de Santos, final
                                                                                    do século 19, foto da
         res ocupados (térreo e mezani-                                             exposição permanente                                                                            Novidades no ano
         no). Há outros dois acima, ainda
         não restaurados. No térreo, está                                                                                                                                               que vem
         montado o pregão do café, uma                                                                                                                                                 Um grupo de pesquisadores traba-
         sequência de centenas de cadei-                                                                                                                                          lha atualmente no projeto Memória do
                                                                                                                                                                                  Café no Estado de São Paulo. Marília
       100% arábica                                                                                                                                                               Bonas, diretora técnica da Associação
      Dentro do prédio da Bolsa funcio-                                                                                                                                           dos Amigos do Museu do Café, entidade
 na há 12 anos a Cafeteria do Museu,                                                                                                                                              que administra o museu, explica que a
 onde o visitante saboreia uma xícara de                                                                                                                                          pesquisa vai mapear as referências dei-
 café arábica de primeira, proveniente de                                                                                                                                         xadas pela cultura cafeeira no Estado,
 várias regiões produtoras de São Paulo                                                                                                                                           entre 1830 e 1930. Junto com outros
 e de outros Estados. Quem quiser com-                                                                                                                                            estudos da associação, o projeto será
 pra pacotes do produto moído ou em                                              ras, que eram destinadas aos corretores, e      Entre as fotos antigas e ampliadas, uma          utilizado na futura exposição permanen-
 grão. O gerente, Rodrigo José Araújo                                            algumas mesas, então ocupadas pelo presi-       delas retrata uma fazenda de café com área       te do museu, que vai passar por obras
 Neves, há sete anos na loja, informa que                                        dente da Bolsa e seus secretários. No meza-     de secagem ao ar livre e dezenas de homens       de restauro para ocupar os dois andares
 são vendidas por dia aproximadamen-                                             nino ficavam os produtores e exportadores       carregando sacas nos ombros e em cavalos.        acima do mezanino, hoje não utilizados.
 te 300 xícaras a R$ 3 cada. São mais                                            que assistiam ao leilão, mas sem interferir.    Outra apresenta uma comitiva de fazendei-        A previsão de conclusão da obra é 2013.
 de dez tipos de café (Blend, Cerrado,                                           “Vez ou outra, eles davam sinais a seus         ros em frente a um lotado trem da antiga              Marília conta que a primeira parte
 Sul de Minas, Alta Mogiana, Chapadão,                                           corretores para fechar ou não determinada       São Paulo Railway.                               do estudo, iniciada em novembro passa-
 Orgânico, Bourbon, Rio de Janeiro,                                              compra”, observa o presidente-executivo do           A mostra Café Porto – Cidade, uma           do, estará pronta no final deste mês. No
 Jacu Bird, Tejupá e Vale da Grama).                                             museu, Cornélio Ridel, que atuou por quase      Relação muito mais que Econômica retrata         período, o trabalho foi feito nos institu-
      Rodrigo diz que os preços dos cafés                                        50 anos no setor.                               o desenvolvimento do porto e de Santos nos       tos públicos de pesquisa em café, como
 variam muito, desde R$ 40 até surpre-                                                As cadeiras, que mantêm a beleza da        últimos 120 anos. Uma das fotos que mais         o Agronômico (Campinas), Biológico
 endentes R$ 532 (neste caso, pelo quilo                                         madeira envernizada, formam um conjunto         impressiona é do início do famoso porto no       (capital) e a Esalq, de Piracicaba. Visitou
 do café Jacu Bird). Este produto curio-                                         elíptico no térreo do prédio, onde os leilões   final do século 19, com uma carga enorme         também fazendas produtoras no período
 so é obtido das fezes do jacu, pássaro                                          eram diários. Atrás das mesas do pregão, des-   de sacas de café para ser levada aos navios      áureo do café e outros museus do inte-
 que engole as sementes mais saboro-                                             tacam-se telas enormes de Benedito Calixto      e pessoas circulando.                            rior dedicados ao tema. A segunda fase
 sas, porém não as digere totalmente.                                            (1853-1927) sobre a fundação de Santos. No           Entre 2011 e 2012 se comemora o ano         do projeto tratará apenas da cidade de
 As fezes são colhidas com vários grãos                                          mezanino, encontra- se a área de exposições,    Brasil-Itália. Para celebrar, o museu pre-       Santos e a terceira, do interior paulista.
 de café, que depois são processados.                                            com três temas. “O café é o propulsor da        parou a exposição Qui si Beve Caffè, que
 Na loja, a xícara do Jacu custa R$ 18.                                          industrialização de São Paulo”, lembra Ridel.   mostra a importância e contribuição do
 Aberta a semana inteira, a loja vende                                                                                           país europeu ao consumo do famoso pro-          ficar frases em inglês, francês, espanhol e
 também pacotes de 250 e 500 gramas                                                  Qui si beve – A exposição perma-            duto. Ridel informa que a Itália ganhou         alfabetos dos povos orientais. É a exaltação
 de qualquer tipo dos cafés disponíveis.                                         nente, Trajetória do Café no Brasil, tem        renome com suas máquinas de café expres-        internacional ao café.
                                                                                 fotos, desenhos, mapas e outras ilustrações.    so e indústrias que processam o grão. Além           O coronel da Aeronáutica, Ruy Barros,
                                                                                                                                 disso, o imigrante italiano, que chegou ao      de São Paulo, aproveitou uns dias de folga
                                                                            Cornélio Ridel:                                      Brasil no século 19, tem destacada relevân-     para ir ao museu e ficou encantado. Ele
                                                                            “O café foi o propulsor
                                                                            da industrialização de
                                                                                                                                 cia na cultura do café no Estado.               já conhecia e chegou a visitar o prédio da
                                                                            São Paulo”                                                Ridel assegura que é notável a visita de   Bolsa antes de virar museu, quando ainda
                                                                                                                                 estrangeiros ao museu. “Curiosamente, eles      era menino. “Agora, estou de volta e admi-
                                                                                                                                 conhecem grande parte de nossa história e       rado”, observa Barros, ao lado da mulher,
                                                                                                                                 a importância que o café tem para o nosso       Solange, a sobrinha Samira e a irmã Ana.
                                                                                                                                 desenvolvimento econômico”. Ele também
                                                                                                                                 lembra que o turista internacional elogia       Otávio Nunes
                                                                                                                                 a organização das exposições e a beleza         Da Agência Imprensa Oficial
                                                                                                                                 arquitetônica do velho prédio.
                                                                                                                                      Em uma das exposições, foi instalado          SERVIÇO
                                                                                                                                 um grande mural onde o visitante escreve           Museu do Café
                                                                                                                                 bilhetes sobre a importância do café em sua        Rua 15 de Novembro, 95 – Santos – SP
                                                                                                                                                                                    Telefone (13) 3213-1750
                                                                                                                                 vida. Há muitas anotações em vários idio-
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projeto Memória do Café

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    II – SãoPaulo, 122 (55) IV– São Paulo, 122 (55) Diário Oficial Poder Executivo - Seção I quinta-feira, 22 de março de 2012 Uma casa impregnada pelo gosto do café Bilhetinhos para exaltar o café Q uem visita o Museu do Café em Santos realiza uma viagem pela FOTOS: FERNANDES DIAS PEREIRA história do Estado de São Paulo. A casa, que completou 14 anos este mês, funciona no prédio da antiga Bolsa Official de Café, construída em 1922. Tornou-se, até 1957, quando fechou, ponto de encontro de fazendeiros, empresários e exportadores. Em 1998, o Governo paulista resolveu restaurar a velha Bolsa e inaugurou o museu, locali- zado na Rua 15 de Novembro, cen- tro histórico da cidade. Sede da antiga Bolsa Offi cial de Café, em Santos, guarda lembranças dos tempos em que o café fazia fortunas e movimentava a riqueza nacional MUSEU DO CAFÉ/REPRODUÇÃO Embarque de café Ex-Bolsa de Café: instalações suntuosas O espaço dispõe de dois anda- no porto de Santos, final do século 19, foto da res ocupados (térreo e mezani- exposição permanente Novidades no ano no). Há outros dois acima, ainda não restaurados. No térreo, está que vem montado o pregão do café, uma Um grupo de pesquisadores traba- sequência de centenas de cadei- lha atualmente no projeto Memória do Café no Estado de São Paulo. Marília 100% arábica Bonas, diretora técnica da Associação Dentro do prédio da Bolsa funcio- dos Amigos do Museu do Café, entidade na há 12 anos a Cafeteria do Museu, que administra o museu, explica que a onde o visitante saboreia uma xícara de pesquisa vai mapear as referências dei- café arábica de primeira, proveniente de xadas pela cultura cafeeira no Estado, várias regiões produtoras de São Paulo entre 1830 e 1930. Junto com outros e de outros Estados. Quem quiser com- estudos da associação, o projeto será pra pacotes do produto moído ou em ras, que eram destinadas aos corretores, e Entre as fotos antigas e ampliadas, uma utilizado na futura exposição permanen- grão. O gerente, Rodrigo José Araújo algumas mesas, então ocupadas pelo presi- delas retrata uma fazenda de café com área te do museu, que vai passar por obras Neves, há sete anos na loja, informa que dente da Bolsa e seus secretários. No meza- de secagem ao ar livre e dezenas de homens de restauro para ocupar os dois andares são vendidas por dia aproximadamen- nino ficavam os produtores e exportadores carregando sacas nos ombros e em cavalos. acima do mezanino, hoje não utilizados. te 300 xícaras a R$ 3 cada. São mais que assistiam ao leilão, mas sem interferir. Outra apresenta uma comitiva de fazendei- A previsão de conclusão da obra é 2013. de dez tipos de café (Blend, Cerrado, “Vez ou outra, eles davam sinais a seus ros em frente a um lotado trem da antiga Marília conta que a primeira parte Sul de Minas, Alta Mogiana, Chapadão, corretores para fechar ou não determinada São Paulo Railway. do estudo, iniciada em novembro passa- Orgânico, Bourbon, Rio de Janeiro, compra”, observa o presidente-executivo do A mostra Café Porto – Cidade, uma do, estará pronta no final deste mês. No Jacu Bird, Tejupá e Vale da Grama). museu, Cornélio Ridel, que atuou por quase Relação muito mais que Econômica retrata período, o trabalho foi feito nos institu- Rodrigo diz que os preços dos cafés 50 anos no setor. o desenvolvimento do porto e de Santos nos tos públicos de pesquisa em café, como variam muito, desde R$ 40 até surpre- As cadeiras, que mantêm a beleza da últimos 120 anos. Uma das fotos que mais o Agronômico (Campinas), Biológico endentes R$ 532 (neste caso, pelo quilo madeira envernizada, formam um conjunto impressiona é do início do famoso porto no (capital) e a Esalq, de Piracicaba. Visitou do café Jacu Bird). Este produto curio- elíptico no térreo do prédio, onde os leilões final do século 19, com uma carga enorme também fazendas produtoras no período so é obtido das fezes do jacu, pássaro eram diários. Atrás das mesas do pregão, des- de sacas de café para ser levada aos navios áureo do café e outros museus do inte- que engole as sementes mais saboro- tacam-se telas enormes de Benedito Calixto e pessoas circulando. rior dedicados ao tema. A segunda fase sas, porém não as digere totalmente. (1853-1927) sobre a fundação de Santos. No Entre 2011 e 2012 se comemora o ano do projeto tratará apenas da cidade de As fezes são colhidas com vários grãos mezanino, encontra- se a área de exposições, Brasil-Itália. Para celebrar, o museu pre- Santos e a terceira, do interior paulista. de café, que depois são processados. com três temas. “O café é o propulsor da parou a exposição Qui si Beve Caffè, que Na loja, a xícara do Jacu custa R$ 18. industrialização de São Paulo”, lembra Ridel. mostra a importância e contribuição do Aberta a semana inteira, a loja vende país europeu ao consumo do famoso pro- ficar frases em inglês, francês, espanhol e também pacotes de 250 e 500 gramas Qui si beve – A exposição perma- duto. Ridel informa que a Itália ganhou alfabetos dos povos orientais. É a exaltação de qualquer tipo dos cafés disponíveis. nente, Trajetória do Café no Brasil, tem renome com suas máquinas de café expres- internacional ao café. fotos, desenhos, mapas e outras ilustrações. so e indústrias que processam o grão. Além O coronel da Aeronáutica, Ruy Barros, disso, o imigrante italiano, que chegou ao de São Paulo, aproveitou uns dias de folga Cornélio Ridel: Brasil no século 19, tem destacada relevân- para ir ao museu e ficou encantado. Ele “O café foi o propulsor da industrialização de cia na cultura do café no Estado. já conhecia e chegou a visitar o prédio da São Paulo” Ridel assegura que é notável a visita de Bolsa antes de virar museu, quando ainda estrangeiros ao museu. “Curiosamente, eles era menino. “Agora, estou de volta e admi- conhecem grande parte de nossa história e rado”, observa Barros, ao lado da mulher, a importância que o café tem para o nosso Solange, a sobrinha Samira e a irmã Ana. desenvolvimento econômico”. Ele também lembra que o turista internacional elogia Otávio Nunes a organização das exposições e a beleza Da Agência Imprensa Oficial arquitetônica do velho prédio. Em uma das exposições, foi instalado SERVIÇO um grande mural onde o visitante escreve Museu do Café bilhetes sobre a importância do café em sua Rua 15 de Novembro, 95 – Santos – SP Telefone (13) 3213-1750 vida. Há muitas anotações em vários idio- www.museudocafe.org.br mas. Além do português, é possível identi-