BOLETIM TÉCNICO 19/07 
TÉCNICAS DE PROJETO DE BANCOS AUTOMÁTICOS PARA 
CORREÇÃO DE FATOR DE POTÊNCIA 
1. POR QUE CORRIGIR O FATOR DE POTÊNCIA? 
A correção de fator de potência é importante, em primeiro lugar, porque melhora o sistema elétri-co 
como um todo. O excesso de reativo na rede produz perdas desnecessárias e aumenta o cus-to 
do próprio sistema, pois é necessária a instalação de condutores com bitola maior e, em conse-qüência, 
a estrutura física também deve ser reforçada. Em segundo lugar há o fato de que a legis-lação 
permite às concessionárias a cobrarem do consumidor pesadas multas devidas ao reativo 
excessivo. 
2. O QUE É O FATOR DE POTÊNCIA? 
O fator de potência é um fenômeno produzido pelas cargas que possuem indutâncias (todas 
aquelas que possuem enrolamentos, tais como, transformadores, motores, lâmpadas fluorescen-tes, 
etc.). Fisicamente trata-se de um problema de defasagem entre a tensão e a corrente que 
produz picos negativos de potência. Essa potência negativa é gerada pelas cargas do consumidor 
e enviada à rede da concessionária. O problema é que essa potência é prejudicial ao sistema, 
motivo pelo qual é necessário fazer uma “filtragem”. Essa “filtragem” é feita com o uso de capaci-tores. 
Para visualizar o problema, imagine a água limpa que sai de um cano e é utilizada para la-var 
roupas. Imagine que essa água, depois de usada volta para a rede de água limpa. Se isso 
acontecesse à água da rede sujaria e haveria um prejuízo coletivo. É mais ou menos isso que 
acontece quando a potência produzida pelas cargas indutivas, denominada de potência reativa, é 
devolvida à rede elétrica. 
3. ESCOLHA DO MODO DE CORREÇÃO 
A correção de fator de potência pode ser feita, no mínimo, de duas maneiras: correção manual 
nas cargas ou em banco automático. 
A correção manual só é viável em pequenas instalações ou onde as cargas são muito concentra-das, 
tipo uma instalação com apenas alguns motores elétricos. O ideal é a utilização de bancos 
automáticos, até porque as medições de fator de potência da concessionária são rigorosas e o 
não cumprimento dos parâmetros mínimos gera pesadas multas. Neste trabalho abordaremos 
apenas a correção com banco automático. Sempre que se fala no controlador automático de fator 
de potência, toma-se como base o CFP12 da CCA Materiais Elétricos. 
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4. DETERMINAÇÃO DA QUANTIDADE DE KVAR NECESSÁRIOS: 
Para determinar a quantidade de KVAR necessários no banco é necessário levar em conta as 
médias da demanda e do fator de potência atuais. Esses dados, geralmente, são conseguidos 
nas faturas de energia elétrica. Para determinar as médias pode-se, por exemplo, tomar as 3 últi-mas 
faturas e fazer a determinação das médias aritméticas de cada um dos dois itens envolvidos. 
Muito cuidado na determinação dessas médias com relação a questões do tipo sazonalidade ou 
com projetos de expansão já definidos e que possam produzir aumento do consumo de energia 
elétrica. Há instalações onde durante certos meses do ano o consumo é bem maior, o que pode 
conduzir a cálculos errôneos das médias. 
Outro detalhe que deve ser considerado é a presença de grandes motores na instalação. Nesse 
caso é interessante, porém, não obrigatório, corrigir esses motores fora do banco, ou seja, colocar 
capacitores que ligam e desligam sempre junto com o motor. Esse procedimento evita um aumen-to 
no tamanho do banco e também grandes variações na demanda. 
Exemplo: suponhamos que as três ultimas faturas de uma certa empresa apresentaram os segu-intes 
números referentes à demanda e ao fator de potência: 
Último mês Penúltimo mês Antepenúltimo mês 
Fator de potência (%) 75% 79% 72% 
Demanda (KVA) 120 115 110 
Para a situação acima as médias aritméticas são: 
- Fator de potência: 75,3% = 0,753 
- Demanda: 115 KVA 
O fator de potência mínimo a ser atingido é 92% (0,92). Para calcular a quantidade de KVAR ne-cessários 
pode-se utilizar tabelas, que é bem mais simples, ou uma calculadora científica. 
Veja em seguida como utilizar uma tabela padrão (veja a nossa tabela abaixo) e uma calculadora 
científica: 
Na tabela, trace uma linha horizontal partindo do fator de potência atual: 0,75 
Trace uma outra linha vertical partindo do fator de potência de desejado: 0,92 
Anote o número onde as duas linhas se encontram: 0,456. 
Utilizando-se uma calculadora científica poderíamos chegar ao mesmo valor da seguinte maneira: 
 
X1 tg(Arc Cos(0,75)) 
 
X2 tg(Arc Cos(0,92)) 
 
X1 0,88 
 
X2 0,42 
 
Multiplicador X1 - X2 
 
Multiplicador 0,46 
De posse deste multiplicador a seqüência do trabalho é igual em qualquer uma das duas situa-ções. 
Multiplique a demanda atual pelo número encontrado no cruzamento das duas linhas traçadas so-bre 
a tabela: 115 x 0,456 = 52,44 KVAR. Esse é o valor mínimo teórico que o banco precisaria 
para manter o fator de potência em 0,92 (92%). 
2 
Arc Cos = função arco cosseno da calculadora; tg = função tangente da cal-culadora. 
Note que o multiplicador aqui calculado é 0,46 enquanto que o valor encon-trado 
na tabela é 0,456. A diferença são simplesmente arredondamentos.
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Evidentemente é necessário dar uma margem de segurança bastante significativa, pois existe va-riação 
na demanda que faz com que o banco não consiga atingir o valor necessário. Não há ne-nhuma 
regra para determinar quantos KVAR a mais são necessários além dos calculados, porém, 
na maioria das instalações uma margem de 30% é adequada. 
Então teríamos: 52,44 x 1,3 = 68,17 KVAR. 
Esse é um valor adequado para iniciar o projeto do banco. 
5. COMO DISTRIBUIR OS KVAR NO BANCO AUTOMÁTICO? 
A correta resposta a essa pergunta é o segredo de um bom banco automático. Saber como distri-buir 
os KVAR no banco é uma tarefa que deve considerar o tipo de instalação e o comportamento 
das cargas. 
Não há uma regra única e definitiva para esta etapa. Os passos mais usuais seriam os seguintes: 
5.1. Verificar qual é a demanda mínima da instalação. Isso é muito importante para que não 
ocorra a situação em que o menor capacitor é um valor muito elevado que, se ligado, torna a ins-talação 
capacitiva. Nesta situação, o nosso controlador de fator de potência não aciona o banco li-gado 
ao primeiro estágio para não tornar a instalação capacitiva. 
Por exemplo: se a demanda mínima, de madrugada e nos finais de semana, por exemplo, for de 
10 KVA e a média do fator de potência, como no nosso exemplo, está em 0,75, pode-se recorrer 
à tabela para verificar qual o menor capacitor que o banco deve conter. Na nossa tabela temos 
um multiplicador de 0,456, que multiplicado pela demanda mínima nos dá 4,5 KVAR. Ou seja: o 
menor capacitor deve ser menor do que 4,5 KVAR. Se for utilizado um capacitor maior do que 4,5 
KVAR, provavelmente ele não será acionado e gerará multa por excesso de reativo. Uma opção 
comercial interessante seria utilizar 2,5 KVAR. 
5.2. Fazer uma distribuição lógica do restante dos bancos de modo a conseguir sempre o 
maior número possível de combinações. A distribuição dos capacitores nos vários estágios do 
banco deve ser aquela que proporciona o maior número possível de combinações de capacitores. 
Nesta etapa, geralmente são utilizadas as seguintes seqüências práticas: 
a) 1-1-1-1-1-1-1-1.......... 
b) 1-2-2-2-2-2-2-2.......... 
c) 1-2-4-4-4-4-4-4.......... 
d) 1-2-4-8-8-8-8-8.......... 
e) 1-2-4-8-16-16-16....... 
Essas seqüências indicam o seguinte: 
a) Todos os capacitores possuem o mesmo valor. Por exemplo, se o primeiro capacitor for 5K-VAR, 
todos os outros também tem esse valor. Essa seqüência só é viável em instalações onde as 
cargas possuem uma variação mais ou menos regular. Não há recomendamos. 
b) Do segundo estágio em diante os capacitores possuem o dobro do valor do primeiro. Por 
exemplo; se o primeiro capacitor for 5 KVAR, os outros todos serão 10 KVAR. É um tipo de se-qüência 
que não permite muitas combinações de valores, por isso não é muito recomendada. 
c) Seguindo a mesma analogia dos itens anteriores, se o primeiro capacitor for 5 KVAR, o segun-do 
será 10 KVAR e todos os outros 20 KVAR. É uma combinação mais apropriada porém, não é a 
melhor para boa parte das instalações. 
d) Na mesma linha de raciocínio, se o primeiro capacitor for 5 KVAR, o segundo será 10 KVAR, o 
terceiro 20 KVAR e do quarto em diante 40 KVAR. É uma seqüência muito apropriada para a mai-oria 
das instalações. Poderíamos classificá-la com sendo uma das mais adequadas. 
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e) A próxima é uma expansão da anterior. Também é muito apropriada e apresenta um grande 
número de combinações possíveis. 
Basicamente, com uma das seqüências de combinações apresentadas sempre é possível fazer 
um bom banco. 
Existe também a possibilidade de distribuir os capacitores sem seguir nenhuma lógica, porém, 
isso quase nunca terá os resultados obtidos através de uma seqüência lógica. Analise uma das 
distribuições acima, por exemplo, a “c”. Suponha que o primeiro capacitor é de 2,5 KVAR. Veja as 
combinações possíveis: 
- No início liga o banco 1: 2,5 KVAR 
- Assim que necessário liga o banco 2 e desliga o banco 1: 5 KVAR 
- Quando aumenta o reativo liga os bancos 1 e 2: 7,5 KVAR 
- Em seguida desliga os bancos 1 e 2 e liga o banco 3: 10 KVAR 
- Depois liga os bancos 1 e 3: 12,5 KVAR 
- E assim por diante. 
Veja que os passos são sempre de 2,5 KVAR, ou seja, o primeiro banco define sempre o passo 
que o banco irá seguir. 
5.3. Determinação do número de estágios necessários. A quantidade de estágios vai sempre 
depender de quantos KVAR são necessários no banco. Tendo a quantidade de KVAR necessári-os 
e a seqüência lógica, é possível determinar os estágios. 
Vamos voltar ao nosso exemplo anterior. 
Um banco que necessita de 68 KVAR em uma instalação com cargas bem distribuídas, cuja de-manda 
mínima é de 3 KVAR. Nesta situação necessitamos de uma seqüência que permita uma 
partida menor do que 3 KVAR e tenha um número adequado de possíveis combinações (como já 
citado, não há uma regra única para determinar como o banco deve ser feito). 
Primeiramente, vamos utilizar a seqüência “d”. 
O primeiro capacitor será de 2,5KVAR. A tabela abaixo mostra como devem ficar os outros estági-os: 
1° Estágio 2,5 KVAR 
2° Estágio 5 KVAR 
3° Estágio 10 KVAR 
4° Estágio 20 KVAR 
5° Estágio 20 KVAR 
6° Estágio 20 KVAR 
Para o fechamento final ficamos com 77,5 KVAR. 
Agora ficamos com a seqüência “c” 
1° Estágio 2,5 KVAR 
2° Estágio 5 KVAR 
3° Estágio 10 KVAR 
4° Estágio 10 KVAR 
5° Estágio 10 KVAR 
6° Estágio 10 KVAR 
7° Estágio 10 KVAR 
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8° Estágio 10 KVAR 
Ficamos com 8 estágios e um total de 67,5 KVAR. 
O segundo projeto se mostra mais adequado porque proporciona um número maior de combina-ções 
de capacitores e o banco máximo é de 10 KVAR, o que torna o seu chaveamento mais bara-to, 
porém precisa de um controlador de12 estágios. 
Bancos com controlador automático de apenas 6 estágios são altamente problemáticos em insta-lações 
horo-sazonais, porque não permitem muitas combinações e nem permitem muitas altera-ções. 
O ideal é pensar sempre em um controlador com 12 estágios e deixar alguns de reserva 
para futuras expansões. 
6. DICAS DE INSTALAÇÃO DO CONTROLADOR AUTOMÁTICO DE FATOR DE POTÊNCIA 
CFP12 DA SIBRATEC. O controlador de fator de potência SIBRATEC, modelo CFP12, foi proje-tado 
para ser o mais eficiente controlador do mercado. O primeiro fator que foi levado em conta 
durante o projeto foi a modernidade do circuito eletrônico. Este circuito é totalmente gerenciado 
por um microprocessador de última geração, o que possibilita grande flexibilidade no controle de 
fator de potência. O segundo importante item foi a facilidade de programação. Desde o início do 
projeto a idéia foi levar ao cliente um controlador com programação extremamente fácil, o que foi 
amplamente conseguido. 
Existem dois modelos diferentes de controlador: 
- Alimentação fase-neutro 220V 
- Alimentação fase-fase 220V (para instalações que não possuem o neutro). 
Para a instalação do modelo fase-neutro é importante notar que a fase utilizada para a alimenta-ção 
deve ser a mesma da utilizada para o TC. 
No caso do modelo fase-fase, a fase do TC deve ser diferente das duas fases da alimentação, ou 
seja, serão necessárias as três fases. 
Depois de feita a instalação, se o controlador estiver indicando valores negativos é porque o TC 
está invertido. Neste caso troque de posição os dois condutores que vem do TC. 
Outra situação que pode ocorrer: se na medida em que os bancos forem ligados, o fator de potên-cia 
diminuir, ao invés de aumentar, como seria o lógico, então a fase de alimentação e do TC não 
estão corretas ou o modelo fase-fase está sendo utilizado em uma rede fase-neutro. 
Se, após a instalação o controlador se recusa a ligar os capacitores, verifique se um dos dois leds 
localizados a direita com o nome de “Over Voltage, Under voltage, Over Vthd” e “Over or under 
compensation” estão acesos. Se algum desses Leds estiver aceso o controlador não opera por-que 
nessas condições pode haver queima de capacitores. O primeiro led está indicando que a 
tensão está acima ou abaixo da permitida ou que a distorção da tensão está acima da parametri-zada, 
o segundo indica que o controlador não está conseguindo chegar ao valor parametrizado 
de fator de potência. Esta condição pode ocorrer se o primeiro capacitor possui um valor de 
KVAR muito elevado, que, se ligado torna a instalação capacitiva ou que todos os capacitores do 
banco estão ligados e mesmo assim não foi atingido o fator de potência parametrizado. 
O controlador de fator de potência CFP12 possui uma saída de alarme. O alarme dispara sempre 
que ocorrer uma condição em que o controlador não consegue atingir o fator de potência mínimo 
para evitar multas, por isso é muito importante que seja instalado um buzzer ou uma corneta para 
poder ouvir quando ocorre uma anormalidade deste tipo. 
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Projeto bancos capacitores

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    BOLETIM TÉCNICO 19/07 TÉCNICAS DE PROJETO DE BANCOS AUTOMÁTICOS PARA CORREÇÃO DE FATOR DE POTÊNCIA 1. POR QUE CORRIGIR O FATOR DE POTÊNCIA? A correção de fator de potência é importante, em primeiro lugar, porque melhora o sistema elétri-co como um todo. O excesso de reativo na rede produz perdas desnecessárias e aumenta o cus-to do próprio sistema, pois é necessária a instalação de condutores com bitola maior e, em conse-qüência, a estrutura física também deve ser reforçada. Em segundo lugar há o fato de que a legis-lação permite às concessionárias a cobrarem do consumidor pesadas multas devidas ao reativo excessivo. 2. O QUE É O FATOR DE POTÊNCIA? O fator de potência é um fenômeno produzido pelas cargas que possuem indutâncias (todas aquelas que possuem enrolamentos, tais como, transformadores, motores, lâmpadas fluorescen-tes, etc.). Fisicamente trata-se de um problema de defasagem entre a tensão e a corrente que produz picos negativos de potência. Essa potência negativa é gerada pelas cargas do consumidor e enviada à rede da concessionária. O problema é que essa potência é prejudicial ao sistema, motivo pelo qual é necessário fazer uma “filtragem”. Essa “filtragem” é feita com o uso de capaci-tores. Para visualizar o problema, imagine a água limpa que sai de um cano e é utilizada para la-var roupas. Imagine que essa água, depois de usada volta para a rede de água limpa. Se isso acontecesse à água da rede sujaria e haveria um prejuízo coletivo. É mais ou menos isso que acontece quando a potência produzida pelas cargas indutivas, denominada de potência reativa, é devolvida à rede elétrica. 3. ESCOLHA DO MODO DE CORREÇÃO A correção de fator de potência pode ser feita, no mínimo, de duas maneiras: correção manual nas cargas ou em banco automático. A correção manual só é viável em pequenas instalações ou onde as cargas são muito concentra-das, tipo uma instalação com apenas alguns motores elétricos. O ideal é a utilização de bancos automáticos, até porque as medições de fator de potência da concessionária são rigorosas e o não cumprimento dos parâmetros mínimos gera pesadas multas. Neste trabalho abordaremos apenas a correção com banco automático. Sempre que se fala no controlador automático de fator de potência, toma-se como base o CFP12 da CCA Materiais Elétricos. 1
  • 2.
    BOLETIM TÉCNICO 19/07 4. DETERMINAÇÃO DA QUANTIDADE DE KVAR NECESSÁRIOS: Para determinar a quantidade de KVAR necessários no banco é necessário levar em conta as médias da demanda e do fator de potência atuais. Esses dados, geralmente, são conseguidos nas faturas de energia elétrica. Para determinar as médias pode-se, por exemplo, tomar as 3 últi-mas faturas e fazer a determinação das médias aritméticas de cada um dos dois itens envolvidos. Muito cuidado na determinação dessas médias com relação a questões do tipo sazonalidade ou com projetos de expansão já definidos e que possam produzir aumento do consumo de energia elétrica. Há instalações onde durante certos meses do ano o consumo é bem maior, o que pode conduzir a cálculos errôneos das médias. Outro detalhe que deve ser considerado é a presença de grandes motores na instalação. Nesse caso é interessante, porém, não obrigatório, corrigir esses motores fora do banco, ou seja, colocar capacitores que ligam e desligam sempre junto com o motor. Esse procedimento evita um aumen-to no tamanho do banco e também grandes variações na demanda. Exemplo: suponhamos que as três ultimas faturas de uma certa empresa apresentaram os segu-intes números referentes à demanda e ao fator de potência: Último mês Penúltimo mês Antepenúltimo mês Fator de potência (%) 75% 79% 72% Demanda (KVA) 120 115 110 Para a situação acima as médias aritméticas são: - Fator de potência: 75,3% = 0,753 - Demanda: 115 KVA O fator de potência mínimo a ser atingido é 92% (0,92). Para calcular a quantidade de KVAR ne-cessários pode-se utilizar tabelas, que é bem mais simples, ou uma calculadora científica. Veja em seguida como utilizar uma tabela padrão (veja a nossa tabela abaixo) e uma calculadora científica: Na tabela, trace uma linha horizontal partindo do fator de potência atual: 0,75 Trace uma outra linha vertical partindo do fator de potência de desejado: 0,92 Anote o número onde as duas linhas se encontram: 0,456. Utilizando-se uma calculadora científica poderíamos chegar ao mesmo valor da seguinte maneira:  X1 tg(Arc Cos(0,75))  X2 tg(Arc Cos(0,92))  X1 0,88  X2 0,42  Multiplicador X1 - X2  Multiplicador 0,46 De posse deste multiplicador a seqüência do trabalho é igual em qualquer uma das duas situa-ções. Multiplique a demanda atual pelo número encontrado no cruzamento das duas linhas traçadas so-bre a tabela: 115 x 0,456 = 52,44 KVAR. Esse é o valor mínimo teórico que o banco precisaria para manter o fator de potência em 0,92 (92%). 2 Arc Cos = função arco cosseno da calculadora; tg = função tangente da cal-culadora. Note que o multiplicador aqui calculado é 0,46 enquanto que o valor encon-trado na tabela é 0,456. A diferença são simplesmente arredondamentos.
  • 3.
    BOLETIM TÉCNICO 19/07 Evidentemente é necessário dar uma margem de segurança bastante significativa, pois existe va-riação na demanda que faz com que o banco não consiga atingir o valor necessário. Não há ne-nhuma regra para determinar quantos KVAR a mais são necessários além dos calculados, porém, na maioria das instalações uma margem de 30% é adequada. Então teríamos: 52,44 x 1,3 = 68,17 KVAR. Esse é um valor adequado para iniciar o projeto do banco. 5. COMO DISTRIBUIR OS KVAR NO BANCO AUTOMÁTICO? A correta resposta a essa pergunta é o segredo de um bom banco automático. Saber como distri-buir os KVAR no banco é uma tarefa que deve considerar o tipo de instalação e o comportamento das cargas. Não há uma regra única e definitiva para esta etapa. Os passos mais usuais seriam os seguintes: 5.1. Verificar qual é a demanda mínima da instalação. Isso é muito importante para que não ocorra a situação em que o menor capacitor é um valor muito elevado que, se ligado, torna a ins-talação capacitiva. Nesta situação, o nosso controlador de fator de potência não aciona o banco li-gado ao primeiro estágio para não tornar a instalação capacitiva. Por exemplo: se a demanda mínima, de madrugada e nos finais de semana, por exemplo, for de 10 KVA e a média do fator de potência, como no nosso exemplo, está em 0,75, pode-se recorrer à tabela para verificar qual o menor capacitor que o banco deve conter. Na nossa tabela temos um multiplicador de 0,456, que multiplicado pela demanda mínima nos dá 4,5 KVAR. Ou seja: o menor capacitor deve ser menor do que 4,5 KVAR. Se for utilizado um capacitor maior do que 4,5 KVAR, provavelmente ele não será acionado e gerará multa por excesso de reativo. Uma opção comercial interessante seria utilizar 2,5 KVAR. 5.2. Fazer uma distribuição lógica do restante dos bancos de modo a conseguir sempre o maior número possível de combinações. A distribuição dos capacitores nos vários estágios do banco deve ser aquela que proporciona o maior número possível de combinações de capacitores. Nesta etapa, geralmente são utilizadas as seguintes seqüências práticas: a) 1-1-1-1-1-1-1-1.......... b) 1-2-2-2-2-2-2-2.......... c) 1-2-4-4-4-4-4-4.......... d) 1-2-4-8-8-8-8-8.......... e) 1-2-4-8-16-16-16....... Essas seqüências indicam o seguinte: a) Todos os capacitores possuem o mesmo valor. Por exemplo, se o primeiro capacitor for 5K-VAR, todos os outros também tem esse valor. Essa seqüência só é viável em instalações onde as cargas possuem uma variação mais ou menos regular. Não há recomendamos. b) Do segundo estágio em diante os capacitores possuem o dobro do valor do primeiro. Por exemplo; se o primeiro capacitor for 5 KVAR, os outros todos serão 10 KVAR. É um tipo de se-qüência que não permite muitas combinações de valores, por isso não é muito recomendada. c) Seguindo a mesma analogia dos itens anteriores, se o primeiro capacitor for 5 KVAR, o segun-do será 10 KVAR e todos os outros 20 KVAR. É uma combinação mais apropriada porém, não é a melhor para boa parte das instalações. d) Na mesma linha de raciocínio, se o primeiro capacitor for 5 KVAR, o segundo será 10 KVAR, o terceiro 20 KVAR e do quarto em diante 40 KVAR. É uma seqüência muito apropriada para a mai-oria das instalações. Poderíamos classificá-la com sendo uma das mais adequadas. 3
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    BOLETIM TÉCNICO 19/07 e) A próxima é uma expansão da anterior. Também é muito apropriada e apresenta um grande número de combinações possíveis. Basicamente, com uma das seqüências de combinações apresentadas sempre é possível fazer um bom banco. Existe também a possibilidade de distribuir os capacitores sem seguir nenhuma lógica, porém, isso quase nunca terá os resultados obtidos através de uma seqüência lógica. Analise uma das distribuições acima, por exemplo, a “c”. Suponha que o primeiro capacitor é de 2,5 KVAR. Veja as combinações possíveis: - No início liga o banco 1: 2,5 KVAR - Assim que necessário liga o banco 2 e desliga o banco 1: 5 KVAR - Quando aumenta o reativo liga os bancos 1 e 2: 7,5 KVAR - Em seguida desliga os bancos 1 e 2 e liga o banco 3: 10 KVAR - Depois liga os bancos 1 e 3: 12,5 KVAR - E assim por diante. Veja que os passos são sempre de 2,5 KVAR, ou seja, o primeiro banco define sempre o passo que o banco irá seguir. 5.3. Determinação do número de estágios necessários. A quantidade de estágios vai sempre depender de quantos KVAR são necessários no banco. Tendo a quantidade de KVAR necessári-os e a seqüência lógica, é possível determinar os estágios. Vamos voltar ao nosso exemplo anterior. Um banco que necessita de 68 KVAR em uma instalação com cargas bem distribuídas, cuja de-manda mínima é de 3 KVAR. Nesta situação necessitamos de uma seqüência que permita uma partida menor do que 3 KVAR e tenha um número adequado de possíveis combinações (como já citado, não há uma regra única para determinar como o banco deve ser feito). Primeiramente, vamos utilizar a seqüência “d”. O primeiro capacitor será de 2,5KVAR. A tabela abaixo mostra como devem ficar os outros estági-os: 1° Estágio 2,5 KVAR 2° Estágio 5 KVAR 3° Estágio 10 KVAR 4° Estágio 20 KVAR 5° Estágio 20 KVAR 6° Estágio 20 KVAR Para o fechamento final ficamos com 77,5 KVAR. Agora ficamos com a seqüência “c” 1° Estágio 2,5 KVAR 2° Estágio 5 KVAR 3° Estágio 10 KVAR 4° Estágio 10 KVAR 5° Estágio 10 KVAR 6° Estágio 10 KVAR 7° Estágio 10 KVAR 4
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    BOLETIM TÉCNICO 19/07 8° Estágio 10 KVAR Ficamos com 8 estágios e um total de 67,5 KVAR. O segundo projeto se mostra mais adequado porque proporciona um número maior de combina-ções de capacitores e o banco máximo é de 10 KVAR, o que torna o seu chaveamento mais bara-to, porém precisa de um controlador de12 estágios. Bancos com controlador automático de apenas 6 estágios são altamente problemáticos em insta-lações horo-sazonais, porque não permitem muitas combinações e nem permitem muitas altera-ções. O ideal é pensar sempre em um controlador com 12 estágios e deixar alguns de reserva para futuras expansões. 6. DICAS DE INSTALAÇÃO DO CONTROLADOR AUTOMÁTICO DE FATOR DE POTÊNCIA CFP12 DA SIBRATEC. O controlador de fator de potência SIBRATEC, modelo CFP12, foi proje-tado para ser o mais eficiente controlador do mercado. O primeiro fator que foi levado em conta durante o projeto foi a modernidade do circuito eletrônico. Este circuito é totalmente gerenciado por um microprocessador de última geração, o que possibilita grande flexibilidade no controle de fator de potência. O segundo importante item foi a facilidade de programação. Desde o início do projeto a idéia foi levar ao cliente um controlador com programação extremamente fácil, o que foi amplamente conseguido. Existem dois modelos diferentes de controlador: - Alimentação fase-neutro 220V - Alimentação fase-fase 220V (para instalações que não possuem o neutro). Para a instalação do modelo fase-neutro é importante notar que a fase utilizada para a alimenta-ção deve ser a mesma da utilizada para o TC. No caso do modelo fase-fase, a fase do TC deve ser diferente das duas fases da alimentação, ou seja, serão necessárias as três fases. Depois de feita a instalação, se o controlador estiver indicando valores negativos é porque o TC está invertido. Neste caso troque de posição os dois condutores que vem do TC. Outra situação que pode ocorrer: se na medida em que os bancos forem ligados, o fator de potên-cia diminuir, ao invés de aumentar, como seria o lógico, então a fase de alimentação e do TC não estão corretas ou o modelo fase-fase está sendo utilizado em uma rede fase-neutro. Se, após a instalação o controlador se recusa a ligar os capacitores, verifique se um dos dois leds localizados a direita com o nome de “Over Voltage, Under voltage, Over Vthd” e “Over or under compensation” estão acesos. Se algum desses Leds estiver aceso o controlador não opera por-que nessas condições pode haver queima de capacitores. O primeiro led está indicando que a tensão está acima ou abaixo da permitida ou que a distorção da tensão está acima da parametri-zada, o segundo indica que o controlador não está conseguindo chegar ao valor parametrizado de fator de potência. Esta condição pode ocorrer se o primeiro capacitor possui um valor de KVAR muito elevado, que, se ligado torna a instalação capacitiva ou que todos os capacitores do banco estão ligados e mesmo assim não foi atingido o fator de potência parametrizado. O controlador de fator de potência CFP12 possui uma saída de alarme. O alarme dispara sempre que ocorrer uma condição em que o controlador não consegue atingir o fator de potência mínimo para evitar multas, por isso é muito importante que seja instalado um buzzer ou uma corneta para poder ouvir quando ocorre uma anormalidade deste tipo. 5
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