MATO GROSO: Trajetória histórica, Colonização e Dinâmicas
Territoriais Contemporâneas 1
Ana Paula dos Santos2
Declaro que o trabalho apresentado é de minha autoria, não contendo plágios ou citações não
referenciadas. Informo que, caso o trabalho seja reprovado por conter plágio pagarei uma taxa
no valor de R$ 199,00 para a nova correção. Caso o trabalho seja reprovado não poderei pedir
dispensa, conforme Cláusula 2.6 do Contrato de Prestação de Serviços (referente aos cursos
de pós-graduação lato sensu, com exceção à Engenharia de Segurança do Trabalho. Em
cursos de Complementação Pedagógica e Segunda Licenciatura a apresentação do Trabalho
de Conclusão de Curso é obrigatória).
RESUMO
O estado de Mato Grosso destaca-se por sua vasta biodiversidade e localização estratégica, sendo um elo
comercial entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Este artigo tem como objetivo compreender a trajetória histórica
e política do estado, abordando desde os primórdios da colonização até suas dinâmicas contemporâneas de
ocupação territorial. A pesquisa, de cunho bibliográfico, fundamenta-se em obras clássicas e recentes, e busca
identificar os principais processos e atores envolvidos na construção territorial e política de Mato Grosso.
Palavras-chave: História de Mato Grosso; Colonização; Identidade regional; Ocupação territorial
ABSTRACT
The state of Mato Grosso stands out for its vast biodiversity and strategic location, being a commercial link
between the Atlantic and Pacific oceans. This article aims to understand the historical and political trajectory of
the state, covering everything from the beginnings of colonization to its contemporary dynamics of territorial
occupation. The research, of a bibliographic nature, is based on classic and recent works, and seeks to identify
the main processes and actors involved in the territorial and political construction of Mato Grosso.
Keywords: History of Mato Grosso; Colonization; Regional identity; Territorial occupation
1
Mato Grosso: Trajetória histórica, Colonização e Dinâmicas Territoriais Contemporâneas Artigo científico
apresentado ao Grupo Educacional IBRA como requisito para a aprovação na disciplina de TCC.
2
Discente do curso R2 História.
1 INTRODUÇÃO
Mato Grosso é um dos estados brasileiros mais ricos em biodiversidade e recursos
naturais. Sua posição geográfica privilegiada contribuiu para torná-lo um polo estratégico na
ligação entre diferentes regiões do Brasil e da América do Sul. Todavia, o atual dinamismo
econômico e territorial do estado é fruto de uma história marcada por disputas, lutas sociais e
diferentes formas de ocupação e exploração do território.
O Estado de Mato Grosso destaca-se ainda, pela privilegiada e estratégica
localização geográfica configurando-se como importante entreposto comercial, unindo
corredores que ligam o Atlântico ao Pacífico. Um Estado sólido, produtivo e atrativo tanto
do ponto de vista turístico quando empreendedor, torna o Estado do Mato Grosso um
orgulho de seus milhares de habitantes. Entretanto, todos estes substantivos não surgiram
no vácuo, mas são frutos de uma história de batalhas, lutas e manifestações
Atualmente o Estado do Mato Grosso exerce um protagonismo no que tange à
agropecuária. Essa posição foi consolidada, em parte pelas condições climáticas presentes no
Centro-Oeste, em parte pela abundância de terras e, em outra parte, pelos grandes incentivos
em diferentes épocas para o uso e ocupação do território na região. Ademais, as formas
históricas do acesso à terra em Mato Grosso e sua institucionalização em propriedade privada
estão relacionadas a distintos etapas do processo de ocupação e formação do território
nacional, que se fez acompanhado de um aparato jurídico-político criado para sustentar à
lógica do desenvolvimento capitalista no Brasil. Assim, através desse artigo busca-se
identificar as diferentes formas de ocupação desse território.
A Colonização no Brasil e em Mato Grosso tem sido alvo de estudos com a intenção
de compreender a formação econômica e social do território brasileiro. E, nesse aspecto, vale
observar Prado Júnior (1999:32), onde assinala que “o sentido da evolução brasileira que é o
que estamos aqui indagando, ainda se afirma por aquele caráter inicial da colonização”. E
nesse aspecto vale dizer que a colonização constituiu e constitui-se em um grande negócio
nos casos brasileiro e mato-grossense.
A política de colonização no Brasil estava baseada em uma ideologia de ocupação
dos vazios demográficos que deveriam ser incorporados ao mercado capitalista. O governo
utilizou a colonização no Brasil como estratégia para o povoamento e a exploração
econômica de “novas terras”, com a finalidade de ocupar espaços que tinham pouca ou
quase nenhuma densidade populacional no interior do país. Desconsiderava-se, porém, nos
programas de colonização, que nesses espaços vazios morava uma população indígena,
como também “garimpeiros, posseiros, além de povos e comunidades tradicionais
representados por extrativistas, pescadores, quilombolas e ribeirinhos.” (MENDES,
2012:201).
Vale ressaltar as palavras de José Graziano da Silva (1982, p. 20), ao dizer que, Esses
tipos, que foram a gênese dos pequenos agricultores no Brasil, sempre foram tidos como
“vadios”, “ociosos” e qualificações semelhantes. Sempre foram considerados como
marginais pelas autoridades da Colônia e pela ideologia dominante da época. Não resta
dúvida de que esses “marginais” nada mais são do que reflexos criados pelo próprio sistema
latifundiário implantado no Brasil. Percebe-se claramente que Mato Grosso nasceu sob os
auspícios da violência, da exploração..., características que têm acompanhado toda história
da ocupação e colonização da Região Norte do Brasil (Martins, 1985). Uma prática muito
comum nas mais diferentes atividades e nas mais diferentes regiões, ainda hoje vigente. Com
certeza, uma herança forte de uma prática política que vem desde o Brasil-Colônia, época
em que surgem os pequenos produtores dedicados à agricultura de subsistência, praticada em
terras não doadas pela Coroa, cuja posse, dentro dos critérios oficiais, era ilegal. Foi desse
modo que começaram a formar as pequenas propriedades rurais no Brasil. E como se pode
perceber, formaram-se como verdadeiros apêndices da grande propriedade.
Este artigo visa percorrer os caminhos históricos da formação do estado, abordando a
colonização inicial, os projetos de integração nacional, como a "Marcha para o Oeste", e os
efeitos da colonização contemporânea. Com base em fontes bibliográficas, busca-se analisar
como tais processos contribuíram para a formação da identidade e da estrutura territorial atual
do estado.
.
2 A Colonização em Mato Grosso: Marcha para o Oeste e Projetos Colonizadores
A colonização no Brasil, segundo Mendes (2012:201), “[...] sempre foi utilizada como
estratégia governamental para o povoamento e exploração econômica de novas terras, sob
responsabilidade oficial ou privada, que busca encaminhar levas humanas para ocupar espaços
com pouca densidade populacional no interior do país [...]”. Enquanto processo, para um
povoamento dirigido, é resultado de decisão governamental definida em planejamento. A fim de
entendermos como ocorreu a colonização em Mato Grosso, torna-se necessário revisarmos o
conceito de colonização.
O que hoje conhecemos como Mato Grosso já foi território espanhol. As primeiras
excursões feitas no Estado datam de 1525, quando Pedro Aleixo Garcia vai em direção à Bolívia,
seguindo as águas dos rios Paraná e Paraguai. Posteriormente, portugueses e espanhóis são
atraídos à região graças aos rumores de que havia muita riqueza naquelas terras ainda não
exploradas devidamente. Também vieram jesuítas espanhóis que construíram missões entre os
rios Paraná e Paraguai.
A história de Mato Grosso, no período "colonial" é importantíssima porque, durante os
governos, o Brasil defendeu o seu perfil territorial e consolidou a sua propriedade e posse até os
limites do rio Guaporé e Mamoré. Foram assim contidas as aspirações espanholas de domínio
desse imenso território. Proclamada a nossa independência, os governos imperiais de D. Pedro I
e das Regências ( 1º Império) nomearam para Mato Grosso cinco governantes e os fatos mais
importantes ocorridos nesses anos ( 7/9/1822 a 23/7/1840) foram a oficialização da Capital da
Província para Cuiabá (lei nº 19 de 28/8/1835) e a "Rusga" (movimento nativista de matança de
portugueses, a 30/05/1834).
O projeto inaugural de colonizar efetivamente o Mato Grosso ocorreu no governo Vargas,
principalmente a partir de 1937. Naquele contexto, afirmava-se que as regiões CentroOeste e
Norte do Brasil eram zonas desabitadas, necessitando que fossem povoadas. Tais regiões eram,
para as autoridades, imensos espaços vazios, que pouco ou quase nada representavam para o
crescimento da economia nacional, que deveriam ser colonizadas, para que se tornassem espaços
produtivos e economicamente dinâmicos
A colonização do estado ganhou intensidade a partir da década de 1930, com os projetos
do governo Vargas que objetivavam a ocupação dos chamados "vazios demográficos".
Programas como a "Marcha para o Oeste" visavam integrar o Centro-Oeste ao restante do país,
promovendo a migração dirigida e a implantação de infraestrutura.
Nos anos 1970, destacaram-se os projetos de colonização oficial e privada, com ênfase na
região norte do estado. As companhias colonizadoras, muitas vezes financiadas com recursos
públicos, venderam lotes para agricultores, em sua maioria oriundos da região Sul. Esses
movimentos foram fundamentais para consolidar o atual perfil agrário do estado, ainda que
tenham sido marcados por desigualdades e conflitos fundiários.
A colonização no Brasil, segundo Mendes (2012:201), “[...] sempre foi utilizada como
estratégia governamental para o povoamento e exploração econômica de novas terras, sob
responsabilidade oficial ou privada, que busca encaminhar levas humanas para ocupar espaços
com pouca densidade populacional no interior do país [...]”. Enquanto processo, para um
povoamento dirigido, é resultado de decisão governamental definida em planejamento. A fim de
entendermos como ocorreu a colonização em Mato Grosso, torna-se necessário revisarmos o
conceito de colonização.
O que hoje conhecemos como Mato Grosso já foi território espanhol. As primeiras
excursões feitas no Estado datam de 1525, quando Pedro Aleixo Garcia vai em direção à Bolívia,
seguindo as águas dos rios Paraná e Paraguai. Posteriormente, portugueses e espanhóis são
atraídos à região graças aos rumores de que havia muita riqueza naquelas terras ainda não
exploradas devidamente. Também vieram jesuítas espanhóis que construíram missões entre os
rios Paraná e Paraguai.
Pode-se dizer, sinteticamente, que colonização é o povoamento com planejamento, seja
ele público ou privado; uma das formas mais frequentes de direcionar os movimentos
populacionais para regiões de fronteiras.
2.1 Formação Histórica e Territorial do Estado de Mato Grosso
Desde o século XVI, o território que hoje compõe Mato Grosso foi palco de explorações
portuguesas e espanholas. O auge da mineração aurífera no século XVIII levou à criação da
Capitania de Mato Grosso. Expedições conhecidas como monções ligavam a região a São
Paulo, transportando mercadorias e pessoas em viagens que podiam durar até seis meses.
Segundo ROSA et al., 2016, durante anos, as migrações provocaram o encontro de
diferentes culturas, sociedades e economias, não sendo diferente no Brasil. A ocupação e
formação do território brasileiro ocorreram por meio de conflitos, grilagens, destruições e
mortes. Mas, em seu contexto, temos uma história de resistência, de protesto, de revoltas, de
lutas étnicas e sociais. No Brasil, a expansão da fronteira e a formação da propriedade privada
está diretamente conectada aos processos históricos baseados na violência, na utilização do
espaço público em beneficio privado e no descumprimento de legislações vigentes.
A esperança de encontrar riquezas com a exploração aurífera, fez com que muitos
imigrantes viessem para essa região. Ao decorrer do século XVIII, a população do Mato Grosso
atingiu a marca de 40 mil pessoas. Porém, é importante salientar que a exploração aurífera
também fez com que muitas pessoas viessem com o objetivo no desenvolvimento de um
comércio para abastecer as minas. Esses abastecimentos ficaram denominados de monções.
Elas eram caracterizadas por expedições que saíam da capitania de São Paulo e levavam até
Cuiabá autoridades governamentais, o clero entre outros. Também levavam produtos como
ferramentas de trabalho, escravos, remédios, alimentos, dentre outros. Devido às longas
distâncias percorridas e às dificuldades das viagens, os produtos chegavam em Cuiabá a um
preço exorbitante.
A ocupação territorial foi consolidada com o reconhecimento oficial dos limites do
Brasil com a Espanha, por meio dos tratados de Madri (1750) e Santo Ildefonso (1777). Com o
fim da mineração, o estado mergulhou em um período de estagnação econômica, sendo
sustentado por atividades de subsistência até o advento da agropecuária moderna.
2.2 A Colonização Contemporânea e seus Impactos Socioeconômicos
A partir da década de 1940, a colonização passou a ser pensada como estratégia de
Estado. Migrações organizadas, especialmente a partir da região Sul do Brasil, levaram à
implantação de projetos como Canarana, Sinop, Lucas do Rio Verde e Querência. Esses
projetos alavancaram a produção agropecuária e consolidaram o papel do estado como líder na
produção de commodities.
Na visão de Rosa et al. 2016, durante anos, as migrações provocaram o encontro de
diferentes culturas, sociedades e economias, não sendo diferente no Brasil. A ocupação e
formação do território brasileiro ocorreram por meio de conflitos, grilagens, destruições e
mortes. Mas, em seu contexto, temos uma história de resistência, de protesto, de revoltas, de
lutas étnicas e sociais. No Brasil, a expansão da fronteira e a formação da propriedade privada
está diretamente conectada aos processos históricos baseados na violência, na utilização do
espaço público em beneficio privado e no descumprimento de legislações vigentes.
Do ponto de vista de Rosa et al.,2016 , a área referente ao Mato Grosso é resultado de
um processo de ocupação que começou com a colonização portuguesa na América em um
sistema de exploração das riquezas naturais dentro de um processo da colonização do território
brasileiro. Durante anos ocorreram disputas territoriais entre Portugal e Espanha, com destaque
no período colonial, onde as questões relacionadas aos limites estavam sem solução e,
consequentemente, eram justificativas de disputas diplomáticas. Nesse contexto, a posição
geográfica de Mato Grosso, distante do centro de poder, era estratégico na geopolítica colonial
portuguesa.
A esperança de encontrar riquezas com a exploração aurífera, fez com que muitos
imigrantes viessem para essa região. Ao decorrer do século XVIII, a população do Mato Grosso
atingiu a marca de 40 mil pessoas. Porém, é importante salientar que a exploração aurífera
também fez com que muitas pessoas viessem com o objetivo no desenvolvimento de um
comércio para abastecer as minas. Esses abastecimentos ficaram denominados de monções.
Elas eram caracterizadas por expedições que saíam da capitania de São Paulo e levavam até
Cuiabá autoridades governamentais, o clero entre outros. Também levavam produtos como
ferramentas de trabalho, escravos, remédios, alimentos, dentre outros. Devido às longas
distâncias percorridas e às dificuldades das viagens, os produtos chegavam em Cuiabá a um
preço exorbitante.
Contudo, tais processos também causaram profundas transformações sociais. O
deslocamento de populações tradicionais, como povos indígenas e comunidades ribeirinhas,
bem como a concentração fundiária, resultaram em conflitos e impactos ambientais e culturais
significativos.
2.3 A colonização contemporânea de Mato Grosso: breve contexto
A colonização contemporânea de Mato Grosso pode ser entendida como aquela ocorrida
a partir da década de 1940 com a implementação de políticas nacionais para ocupar as terras a
oeste. Para Santos (1993, p. 16), “a colonização sempre foi uma questão de Estado e, portanto,
uma relação de poder, um ato de poder”, empregada para demonstrar o poder institucional
perante a população e ações que fortalecem e enaltecem governos dando a eles mais respaldo
junto à sociedade.
Na opinião de Martins 2009, aponta que o processo de colonização é a expansão de parte
da população sobre a outra parte e causadora de conflitos. É ocupação e ampliação das fronteiras
como “território da morte e o lugar de renascimento e maquiagem dos arcadismos mais
desumanizados, cujas consequências não se limitam a seus protagonistas mais imediatos”
(Martins, 2009, p. 13), deixando de ser um local de encontro para ser lugar de conflito e de
afastamento entre os povos.
Esse processo de deslocamento, que por diversas vezes teve início, levou à interiorização
da população, sempre motivada por ações oficiais. Movimento que, para Villas Bôas (1994),
deveria ser liderado pelo Governo Federal, para que assim as ocupações demográficas do sertão
se tornassem possíveis e reais. “Em 1943, os nossos quarenta e tantos milhões de habitantes
viviam praticamente na faixa litorânea. A Amazônia era um mundo remoto, e o Brasil Central
[...] parecia ‘mais distante que a África’” (Villas Bôas, 1994, p. 24). Como exemplo, a ‘Marcha
para o Oeste’. Entretanto, não foram apenas as ocupações oficiais ou das colonizadoras que
promoveram deslocamentos populacionais de outros lugares para Mato Grosso.
Dessa forma, ocorreu o que se considera colonização contemporânea de Mato Grosso, via
migração demográfica, para ocupar territórios que até então eram moradas de povos indígenas,
exceto grande parte nas proximidades da Baixada Cuiabana, que já estava povoada por
colonizadores desde o século XVIII.
2.4- Origem do nome “ Mato Grosso”
O nome "Mato Grosso" remonta a 1734, quando os irmãos Paes de Barros, explorando o
interior, denominaram uma região de vegetação densa como "Mato Grosso". A expressão foi
posteriormente adotada para nomear as minas descobertas e, mais tarde, a capitania criada pela
Coroa Portuguesa.
A designação oficial como Capitania de Mato Grosso ocorreu com a nomeação de Dom
Antônio Rolim de Moura como Capitão-General em 1748, sendo mantida nos documentos
oficiais desde então. Com a independência, a capitania tornou-se província, e mais tarde, estado
da federação brasileira.
A mesma Rainha, no ano seguinte, a 19 de janeiro, entrega a Dom Rolim a suas famosas
Instruções, que determinariam as orientações para a administração da Capitania, em especial os
tratos com a fronteira do reino espanhol. E a partir daí, da Carta Patente e das Instruções da
Rainha, o governo colonial mais longínquo, mais ao oriente em terras portuguesas na América,
passou a se chamar de Capitania de Mato Grosso, tanto nos documentos oficiais como no trato
diário por sua própria população. Logo se assimilou o nome institucional Mato Grosso em
desfavor do nome Cuiabá. A vigilância e proteção da fronteira oeste era mais importante que as
combalidas minas cuiabanas. A prioridade era Mato Grosso e não Cuiabá.
Com a independência do Brasil em 1822, passou a ser a Província de Mato Grosso, e com
a República em 1899, a denominação passou a Estado de Mato Grosso.
A partir do início do século XIX, a extração de ouro diminui bastante, dessa maneira, a
economia começa um período de decadência e a população daquele estado pára de crescer.
Militares e civis dão início a um movimento separatista, em 1892, contra o governo do então
presidente Mal. Floriano Peixoto. O movimento separatista é sufocado por intervenção do
governo federal.
A economia do estado começa a melhorar com a implantação de estradas de ferro e
telégrafos, época em que começam a chegar seringueiros, pessoas que cultivaram erva-mate e
criadores de gado.
Em 1977, Mato Grosso é desmembrado em dois estados: Mato Grosso e Mato Grosso do
Sul.
3 CONCLUSÃO
A formação do estado de Mato Grosso é resultado de um processo histórico
multifacetado, envolvendo colonização, ocupação militar e projetos de desenvolvimento
econômico. Desde os tempos das monções até os grandes projetos agroindustriais
contemporâneos, a história do estado é marcada por contradições, resistências e transformações.
A colonização contemporânea, impulsionada por interesses econômicos, trouxe
crescimento, mas também desafios sociais e ambientais. Entre esses desafios estão a questão
fundiária, os impactos às comunidades tradicionais e os problemas relacionados à
sustentabilidade. Compreender esse percurso é essencial para pensar alternativas de
desenvolvimento mais justas e equilibradas para o futuro do estado.
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Processo histórico de Mato Grosso e características

Processo histórico de Mato Grosso e características

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    MATO GROSO: Trajetóriahistórica, Colonização e Dinâmicas Territoriais Contemporâneas 1 Ana Paula dos Santos2 Declaro que o trabalho apresentado é de minha autoria, não contendo plágios ou citações não referenciadas. Informo que, caso o trabalho seja reprovado por conter plágio pagarei uma taxa no valor de R$ 199,00 para a nova correção. Caso o trabalho seja reprovado não poderei pedir dispensa, conforme Cláusula 2.6 do Contrato de Prestação de Serviços (referente aos cursos de pós-graduação lato sensu, com exceção à Engenharia de Segurança do Trabalho. Em cursos de Complementação Pedagógica e Segunda Licenciatura a apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso é obrigatória). RESUMO O estado de Mato Grosso destaca-se por sua vasta biodiversidade e localização estratégica, sendo um elo comercial entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Este artigo tem como objetivo compreender a trajetória histórica e política do estado, abordando desde os primórdios da colonização até suas dinâmicas contemporâneas de ocupação territorial. A pesquisa, de cunho bibliográfico, fundamenta-se em obras clássicas e recentes, e busca identificar os principais processos e atores envolvidos na construção territorial e política de Mato Grosso. Palavras-chave: História de Mato Grosso; Colonização; Identidade regional; Ocupação territorial ABSTRACT The state of Mato Grosso stands out for its vast biodiversity and strategic location, being a commercial link between the Atlantic and Pacific oceans. This article aims to understand the historical and political trajectory of the state, covering everything from the beginnings of colonization to its contemporary dynamics of territorial occupation. The research, of a bibliographic nature, is based on classic and recent works, and seeks to identify the main processes and actors involved in the territorial and political construction of Mato Grosso. Keywords: History of Mato Grosso; Colonization; Regional identity; Territorial occupation 1 Mato Grosso: Trajetória histórica, Colonização e Dinâmicas Territoriais Contemporâneas Artigo científico apresentado ao Grupo Educacional IBRA como requisito para a aprovação na disciplina de TCC. 2 Discente do curso R2 História.
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    1 INTRODUÇÃO Mato Grossoé um dos estados brasileiros mais ricos em biodiversidade e recursos naturais. Sua posição geográfica privilegiada contribuiu para torná-lo um polo estratégico na ligação entre diferentes regiões do Brasil e da América do Sul. Todavia, o atual dinamismo econômico e territorial do estado é fruto de uma história marcada por disputas, lutas sociais e diferentes formas de ocupação e exploração do território. O Estado de Mato Grosso destaca-se ainda, pela privilegiada e estratégica localização geográfica configurando-se como importante entreposto comercial, unindo corredores que ligam o Atlântico ao Pacífico. Um Estado sólido, produtivo e atrativo tanto do ponto de vista turístico quando empreendedor, torna o Estado do Mato Grosso um orgulho de seus milhares de habitantes. Entretanto, todos estes substantivos não surgiram no vácuo, mas são frutos de uma história de batalhas, lutas e manifestações Atualmente o Estado do Mato Grosso exerce um protagonismo no que tange à agropecuária. Essa posição foi consolidada, em parte pelas condições climáticas presentes no Centro-Oeste, em parte pela abundância de terras e, em outra parte, pelos grandes incentivos em diferentes épocas para o uso e ocupação do território na região. Ademais, as formas históricas do acesso à terra em Mato Grosso e sua institucionalização em propriedade privada estão relacionadas a distintos etapas do processo de ocupação e formação do território nacional, que se fez acompanhado de um aparato jurídico-político criado para sustentar à lógica do desenvolvimento capitalista no Brasil. Assim, através desse artigo busca-se identificar as diferentes formas de ocupação desse território. A Colonização no Brasil e em Mato Grosso tem sido alvo de estudos com a intenção de compreender a formação econômica e social do território brasileiro. E, nesse aspecto, vale observar Prado Júnior (1999:32), onde assinala que “o sentido da evolução brasileira que é o que estamos aqui indagando, ainda se afirma por aquele caráter inicial da colonização”. E nesse aspecto vale dizer que a colonização constituiu e constitui-se em um grande negócio nos casos brasileiro e mato-grossense. A política de colonização no Brasil estava baseada em uma ideologia de ocupação dos vazios demográficos que deveriam ser incorporados ao mercado capitalista. O governo utilizou a colonização no Brasil como estratégia para o povoamento e a exploração econômica de “novas terras”, com a finalidade de ocupar espaços que tinham pouca ou quase nenhuma densidade populacional no interior do país. Desconsiderava-se, porém, nos
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    programas de colonização,que nesses espaços vazios morava uma população indígena, como também “garimpeiros, posseiros, além de povos e comunidades tradicionais representados por extrativistas, pescadores, quilombolas e ribeirinhos.” (MENDES, 2012:201). Vale ressaltar as palavras de José Graziano da Silva (1982, p. 20), ao dizer que, Esses tipos, que foram a gênese dos pequenos agricultores no Brasil, sempre foram tidos como “vadios”, “ociosos” e qualificações semelhantes. Sempre foram considerados como marginais pelas autoridades da Colônia e pela ideologia dominante da época. Não resta dúvida de que esses “marginais” nada mais são do que reflexos criados pelo próprio sistema latifundiário implantado no Brasil. Percebe-se claramente que Mato Grosso nasceu sob os auspícios da violência, da exploração..., características que têm acompanhado toda história da ocupação e colonização da Região Norte do Brasil (Martins, 1985). Uma prática muito comum nas mais diferentes atividades e nas mais diferentes regiões, ainda hoje vigente. Com certeza, uma herança forte de uma prática política que vem desde o Brasil-Colônia, época em que surgem os pequenos produtores dedicados à agricultura de subsistência, praticada em terras não doadas pela Coroa, cuja posse, dentro dos critérios oficiais, era ilegal. Foi desse modo que começaram a formar as pequenas propriedades rurais no Brasil. E como se pode perceber, formaram-se como verdadeiros apêndices da grande propriedade. Este artigo visa percorrer os caminhos históricos da formação do estado, abordando a colonização inicial, os projetos de integração nacional, como a "Marcha para o Oeste", e os efeitos da colonização contemporânea. Com base em fontes bibliográficas, busca-se analisar como tais processos contribuíram para a formação da identidade e da estrutura territorial atual do estado. .
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    2 A Colonizaçãoem Mato Grosso: Marcha para o Oeste e Projetos Colonizadores A colonização no Brasil, segundo Mendes (2012:201), “[...] sempre foi utilizada como estratégia governamental para o povoamento e exploração econômica de novas terras, sob responsabilidade oficial ou privada, que busca encaminhar levas humanas para ocupar espaços com pouca densidade populacional no interior do país [...]”. Enquanto processo, para um povoamento dirigido, é resultado de decisão governamental definida em planejamento. A fim de entendermos como ocorreu a colonização em Mato Grosso, torna-se necessário revisarmos o conceito de colonização. O que hoje conhecemos como Mato Grosso já foi território espanhol. As primeiras excursões feitas no Estado datam de 1525, quando Pedro Aleixo Garcia vai em direção à Bolívia, seguindo as águas dos rios Paraná e Paraguai. Posteriormente, portugueses e espanhóis são atraídos à região graças aos rumores de que havia muita riqueza naquelas terras ainda não exploradas devidamente. Também vieram jesuítas espanhóis que construíram missões entre os rios Paraná e Paraguai. A história de Mato Grosso, no período "colonial" é importantíssima porque, durante os governos, o Brasil defendeu o seu perfil territorial e consolidou a sua propriedade e posse até os limites do rio Guaporé e Mamoré. Foram assim contidas as aspirações espanholas de domínio desse imenso território. Proclamada a nossa independência, os governos imperiais de D. Pedro I e das Regências ( 1º Império) nomearam para Mato Grosso cinco governantes e os fatos mais importantes ocorridos nesses anos ( 7/9/1822 a 23/7/1840) foram a oficialização da Capital da Província para Cuiabá (lei nº 19 de 28/8/1835) e a "Rusga" (movimento nativista de matança de portugueses, a 30/05/1834). O projeto inaugural de colonizar efetivamente o Mato Grosso ocorreu no governo Vargas, principalmente a partir de 1937. Naquele contexto, afirmava-se que as regiões CentroOeste e Norte do Brasil eram zonas desabitadas, necessitando que fossem povoadas. Tais regiões eram, para as autoridades, imensos espaços vazios, que pouco ou quase nada representavam para o crescimento da economia nacional, que deveriam ser colonizadas, para que se tornassem espaços produtivos e economicamente dinâmicos A colonização do estado ganhou intensidade a partir da década de 1930, com os projetos do governo Vargas que objetivavam a ocupação dos chamados "vazios demográficos".
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    Programas como a"Marcha para o Oeste" visavam integrar o Centro-Oeste ao restante do país, promovendo a migração dirigida e a implantação de infraestrutura. Nos anos 1970, destacaram-se os projetos de colonização oficial e privada, com ênfase na região norte do estado. As companhias colonizadoras, muitas vezes financiadas com recursos públicos, venderam lotes para agricultores, em sua maioria oriundos da região Sul. Esses movimentos foram fundamentais para consolidar o atual perfil agrário do estado, ainda que tenham sido marcados por desigualdades e conflitos fundiários. A colonização no Brasil, segundo Mendes (2012:201), “[...] sempre foi utilizada como estratégia governamental para o povoamento e exploração econômica de novas terras, sob responsabilidade oficial ou privada, que busca encaminhar levas humanas para ocupar espaços com pouca densidade populacional no interior do país [...]”. Enquanto processo, para um povoamento dirigido, é resultado de decisão governamental definida em planejamento. A fim de entendermos como ocorreu a colonização em Mato Grosso, torna-se necessário revisarmos o conceito de colonização. O que hoje conhecemos como Mato Grosso já foi território espanhol. As primeiras excursões feitas no Estado datam de 1525, quando Pedro Aleixo Garcia vai em direção à Bolívia, seguindo as águas dos rios Paraná e Paraguai. Posteriormente, portugueses e espanhóis são atraídos à região graças aos rumores de que havia muita riqueza naquelas terras ainda não exploradas devidamente. Também vieram jesuítas espanhóis que construíram missões entre os rios Paraná e Paraguai. Pode-se dizer, sinteticamente, que colonização é o povoamento com planejamento, seja ele público ou privado; uma das formas mais frequentes de direcionar os movimentos populacionais para regiões de fronteiras. 2.1 Formação Histórica e Territorial do Estado de Mato Grosso Desde o século XVI, o território que hoje compõe Mato Grosso foi palco de explorações portuguesas e espanholas. O auge da mineração aurífera no século XVIII levou à criação da Capitania de Mato Grosso. Expedições conhecidas como monções ligavam a região a São Paulo, transportando mercadorias e pessoas em viagens que podiam durar até seis meses. Segundo ROSA et al., 2016, durante anos, as migrações provocaram o encontro de diferentes culturas, sociedades e economias, não sendo diferente no Brasil. A ocupação e formação do território brasileiro ocorreram por meio de conflitos, grilagens, destruições e
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    mortes. Mas, emseu contexto, temos uma história de resistência, de protesto, de revoltas, de lutas étnicas e sociais. No Brasil, a expansão da fronteira e a formação da propriedade privada está diretamente conectada aos processos históricos baseados na violência, na utilização do espaço público em beneficio privado e no descumprimento de legislações vigentes. A esperança de encontrar riquezas com a exploração aurífera, fez com que muitos imigrantes viessem para essa região. Ao decorrer do século XVIII, a população do Mato Grosso atingiu a marca de 40 mil pessoas. Porém, é importante salientar que a exploração aurífera também fez com que muitas pessoas viessem com o objetivo no desenvolvimento de um comércio para abastecer as minas. Esses abastecimentos ficaram denominados de monções. Elas eram caracterizadas por expedições que saíam da capitania de São Paulo e levavam até Cuiabá autoridades governamentais, o clero entre outros. Também levavam produtos como ferramentas de trabalho, escravos, remédios, alimentos, dentre outros. Devido às longas distâncias percorridas e às dificuldades das viagens, os produtos chegavam em Cuiabá a um preço exorbitante. A ocupação territorial foi consolidada com o reconhecimento oficial dos limites do Brasil com a Espanha, por meio dos tratados de Madri (1750) e Santo Ildefonso (1777). Com o fim da mineração, o estado mergulhou em um período de estagnação econômica, sendo sustentado por atividades de subsistência até o advento da agropecuária moderna. 2.2 A Colonização Contemporânea e seus Impactos Socioeconômicos A partir da década de 1940, a colonização passou a ser pensada como estratégia de Estado. Migrações organizadas, especialmente a partir da região Sul do Brasil, levaram à implantação de projetos como Canarana, Sinop, Lucas do Rio Verde e Querência. Esses projetos alavancaram a produção agropecuária e consolidaram o papel do estado como líder na produção de commodities. Na visão de Rosa et al. 2016, durante anos, as migrações provocaram o encontro de diferentes culturas, sociedades e economias, não sendo diferente no Brasil. A ocupação e formação do território brasileiro ocorreram por meio de conflitos, grilagens, destruições e mortes. Mas, em seu contexto, temos uma história de resistência, de protesto, de revoltas, de lutas étnicas e sociais. No Brasil, a expansão da fronteira e a formação da propriedade privada está diretamente conectada aos processos históricos baseados na violência, na utilização do
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    espaço público embeneficio privado e no descumprimento de legislações vigentes. Do ponto de vista de Rosa et al.,2016 , a área referente ao Mato Grosso é resultado de um processo de ocupação que começou com a colonização portuguesa na América em um sistema de exploração das riquezas naturais dentro de um processo da colonização do território brasileiro. Durante anos ocorreram disputas territoriais entre Portugal e Espanha, com destaque no período colonial, onde as questões relacionadas aos limites estavam sem solução e, consequentemente, eram justificativas de disputas diplomáticas. Nesse contexto, a posição geográfica de Mato Grosso, distante do centro de poder, era estratégico na geopolítica colonial portuguesa. A esperança de encontrar riquezas com a exploração aurífera, fez com que muitos imigrantes viessem para essa região. Ao decorrer do século XVIII, a população do Mato Grosso atingiu a marca de 40 mil pessoas. Porém, é importante salientar que a exploração aurífera também fez com que muitas pessoas viessem com o objetivo no desenvolvimento de um comércio para abastecer as minas. Esses abastecimentos ficaram denominados de monções. Elas eram caracterizadas por expedições que saíam da capitania de São Paulo e levavam até Cuiabá autoridades governamentais, o clero entre outros. Também levavam produtos como ferramentas de trabalho, escravos, remédios, alimentos, dentre outros. Devido às longas distâncias percorridas e às dificuldades das viagens, os produtos chegavam em Cuiabá a um preço exorbitante. Contudo, tais processos também causaram profundas transformações sociais. O deslocamento de populações tradicionais, como povos indígenas e comunidades ribeirinhas, bem como a concentração fundiária, resultaram em conflitos e impactos ambientais e culturais significativos. 2.3 A colonização contemporânea de Mato Grosso: breve contexto A colonização contemporânea de Mato Grosso pode ser entendida como aquela ocorrida a partir da década de 1940 com a implementação de políticas nacionais para ocupar as terras a oeste. Para Santos (1993, p. 16), “a colonização sempre foi uma questão de Estado e, portanto, uma relação de poder, um ato de poder”, empregada para demonstrar o poder institucional perante a população e ações que fortalecem e enaltecem governos dando a eles mais respaldo junto à sociedade.
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    Na opinião deMartins 2009, aponta que o processo de colonização é a expansão de parte da população sobre a outra parte e causadora de conflitos. É ocupação e ampliação das fronteiras como “território da morte e o lugar de renascimento e maquiagem dos arcadismos mais desumanizados, cujas consequências não se limitam a seus protagonistas mais imediatos” (Martins, 2009, p. 13), deixando de ser um local de encontro para ser lugar de conflito e de afastamento entre os povos. Esse processo de deslocamento, que por diversas vezes teve início, levou à interiorização da população, sempre motivada por ações oficiais. Movimento que, para Villas Bôas (1994), deveria ser liderado pelo Governo Federal, para que assim as ocupações demográficas do sertão se tornassem possíveis e reais. “Em 1943, os nossos quarenta e tantos milhões de habitantes viviam praticamente na faixa litorânea. A Amazônia era um mundo remoto, e o Brasil Central [...] parecia ‘mais distante que a África’” (Villas Bôas, 1994, p. 24). Como exemplo, a ‘Marcha para o Oeste’. Entretanto, não foram apenas as ocupações oficiais ou das colonizadoras que promoveram deslocamentos populacionais de outros lugares para Mato Grosso. Dessa forma, ocorreu o que se considera colonização contemporânea de Mato Grosso, via migração demográfica, para ocupar territórios que até então eram moradas de povos indígenas, exceto grande parte nas proximidades da Baixada Cuiabana, que já estava povoada por colonizadores desde o século XVIII. 2.4- Origem do nome “ Mato Grosso” O nome "Mato Grosso" remonta a 1734, quando os irmãos Paes de Barros, explorando o interior, denominaram uma região de vegetação densa como "Mato Grosso". A expressão foi posteriormente adotada para nomear as minas descobertas e, mais tarde, a capitania criada pela Coroa Portuguesa. A designação oficial como Capitania de Mato Grosso ocorreu com a nomeação de Dom Antônio Rolim de Moura como Capitão-General em 1748, sendo mantida nos documentos oficiais desde então. Com a independência, a capitania tornou-se província, e mais tarde, estado da federação brasileira. A mesma Rainha, no ano seguinte, a 19 de janeiro, entrega a Dom Rolim a suas famosas Instruções, que determinariam as orientações para a administração da Capitania, em especial os tratos com a fronteira do reino espanhol. E a partir daí, da Carta Patente e das Instruções da
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    Rainha, o governocolonial mais longínquo, mais ao oriente em terras portuguesas na América, passou a se chamar de Capitania de Mato Grosso, tanto nos documentos oficiais como no trato diário por sua própria população. Logo se assimilou o nome institucional Mato Grosso em desfavor do nome Cuiabá. A vigilância e proteção da fronteira oeste era mais importante que as combalidas minas cuiabanas. A prioridade era Mato Grosso e não Cuiabá. Com a independência do Brasil em 1822, passou a ser a Província de Mato Grosso, e com a República em 1899, a denominação passou a Estado de Mato Grosso. A partir do início do século XIX, a extração de ouro diminui bastante, dessa maneira, a economia começa um período de decadência e a população daquele estado pára de crescer. Militares e civis dão início a um movimento separatista, em 1892, contra o governo do então presidente Mal. Floriano Peixoto. O movimento separatista é sufocado por intervenção do governo federal. A economia do estado começa a melhorar com a implantação de estradas de ferro e telégrafos, época em que começam a chegar seringueiros, pessoas que cultivaram erva-mate e criadores de gado. Em 1977, Mato Grosso é desmembrado em dois estados: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
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    3 CONCLUSÃO A formaçãodo estado de Mato Grosso é resultado de um processo histórico multifacetado, envolvendo colonização, ocupação militar e projetos de desenvolvimento econômico. Desde os tempos das monções até os grandes projetos agroindustriais contemporâneos, a história do estado é marcada por contradições, resistências e transformações. A colonização contemporânea, impulsionada por interesses econômicos, trouxe crescimento, mas também desafios sociais e ambientais. Entre esses desafios estão a questão fundiária, os impactos às comunidades tradicionais e os problemas relacionados à sustentabilidade. Compreender esse percurso é essencial para pensar alternativas de desenvolvimento mais justas e equilibradas para o futuro do estado.
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    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARROZZO, J.C. Os Posseiros nos Projetos de Colonização: o caso de Guarantã. In: Cadernos do Neru, ICHS – UFMT, n. º 1. Cuiabá: EdUFMT, p. 110 - 11; 114 e116, 1993 BOXER, Charles Ralph. A Idade de Ouro do Brasil. Dores de Crescimento de Uma Sociedade Colonial. 3• ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. CAMARGO, I. A. A historiografia da escravidão em mato grosso e o escravo na lida com o gado: enfoque para a localidade de Sant’ana de Paranaíba (1857-1874). Fronteiras: Revista de História, v. 17, n. 29, p. 202-218, Dourado-MS, 2015. CAMARGO, I. C. Considerações historiográficas sobre a escravidão na província de Mato Grosso (séculos XVIII e XIX). XXVII Simpósio Nacional de História, 2013. Disponível em: Acesso 12 de dezembro de 2024. CANUTO, Antônio. Resistência e luta conquistam território no Araguaia mato-grossense. São Paulo: Outras Expressões, 2019. CORRÊA, Samuel A. A. (org). Recordações Inéditas de Virgílio Corrêa Filho em seu centenário. Rio de Janeiro: s/ed., 1987. CORRÊA, Valmir Batista. “Os herdeiros de Leverger” in. Edição comemorativa dos 75 anos do Instituto Histórico. Revista do Instituto Histórico de Mato Grosso. Tomo CXLI-CXLII. Ano LXVI. Cuiabá, 1994. CORRÊA, Valmir Batista. “Coronéis e bandidos em Mato Grosso” (1889-1943). Campo Grande: Editora da UFMS, 1995 CHAVES, O. R. ESCRAVIDÃO, FRONTEIRA E LIBERDADE (Resistência Escrava em Mato Grosso, 1752-1850). Dissertação de Mestrado. Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bahia- BA, 2000. Disponível em: Acesso 12 de dezembro de 2024. FERNANDES, A . J. C. Violência, luta pela terra e assentamentos: a construção social dos assentamentos em Mato Grosso. Porto Alegre: UFRGS, 1997. (Dissertação de Mestrado em Sociologia FILGUEIRAS, Valéria. História de Mato Grosso - Período Colonial. Disponível em: http://historiaensinareaprender.blogspot.com/2009/04/historia-de-mato-grosso-periodo.html. Acesso em: 12 de dezembro de 2024.
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