Trabalhos vencedores
do prêmio Adjori/SC

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Trabalhos vencedores
do prêmio Adjori/SC

Categoria: Coluna
Gaspar/SC - 17 de Agosto de 2011




                                      Somos 7 bilhões de solitários
                                                                                                                                                           Conversações
                                                                                                                                                                         andre@jornalmetas.com.br
                                                                                                                                                                               Por André Soltau



                                                                                                                                                                  comunidade mundial: os con-
“Em se tratando de crises pessoais, parece                                    imediato às infor-
                                                                              mações que es-                                                                                            sumidores e
existir um consenso de que o melhor                                           tão literalmente                                                                                              freqüen-
remédio é a solidão”                                                          ao alcance de                                                                                                tar      os
                                                                              nossas mãos em                                                                                              seus     lo-
                                                                              brinquedinhos                                                                                               cais     de




E
                                                                              eletrônicos                                                                                                encontros:
            m 1719, quando o          casa na serra ou tranca sua porta,      cada vez me-                                                                                               os     shop-
            escritor inglês Daniel    tira o telefone do gancho, desliga      nores. Quanto                                                                                             pings.     Só
            Defoé lançou o roman-     celular e se vê no frenético mun-       maior o gru-                                                                                              existimos
            ce Robinson Crusoé, a     do das emergências em que tudo          po de ami-                                                                                               se consumi-
            Modernidade estava        é aqui, já e para hoje.                 gos que nos                                                                                              mos certos
em seu auge defendendo o ra-             O fato é que esse blá-blá-blá ro-    seguem em                                                                                               tipos de bens
cionalismo, o individualismo e o      mântico é a síndrome contempo-          alguma site                                                                                            (com      marca
sucesso a qualquer preço. Sua         rânea. Cada dia um número maior         de relacio-                                                                                           reconhecida e
história foi popularizada em di-      de pessoas está só. Em um país          namentos                                                                                             status de pri-
ferentes versões para o cinema        como o Brasil, segundo dados do         mais soli-                                                                                           vilégios).     Um
- com direito a inspirar outras       censo IBGE, mais de 4 milhões de        tários pa-                                                                                          celular ou carro
como no filme O Naúfrago (Dire-        pessoas moram sozinhas. Vendo           recemos                                                                                             só existem en-
ção Robert Zemeckis. Ano 2000)        os dados lembrei da frase do filó-       estar    e                                                                                         quanto o modelo
- resiste ao tempo e arriscaria al-   sofo Mcluhan: Os homens criam           os    en-                                                                                          novo não chega
gumas hipóteses sobre os moti-        as ferramentas e as ferramentas         contros                                                                                           às lojas. Nós? Va-
vos que mantém viva a trajetória      recriam os homens . A vida está         são mais                                                                                         mos trabalhando
do sobrevivente de um naufrágio       mostrando que a solidão não ser-        virtuais                                                                                         para pagar o mo-
e suas artimanhas para sobrevi-       ve para revermos nossos mundi-          do que                                                                                          delo velho em uso,
ver em uma ilha deserta acom-         nhos pessoais e sim que vejamos         pesso-                                                                                          adquirir       dinheiro
panhado de um amigo que não           nossas próprias criações huma-          ais. A                                                                                         para comprar o mo-
se comunica com ele pela pala-        nas determinando o que somos,           soli-                                                                                          delo novo e, enfim
vra - Crusoé tem a companhia de       pensamos fazemos ou queremos.           dão é                                                                                         desfilar diante de
Sexta-feira, nome que identifica          A solidão é um mal contemporâ-       u m                                                                                           olhos seduzidos pela
o dia em que apareceu na ilha         neo. Alguns países a tratam como                                                                                                     fantasia de também
já não tão deserta; e um Wilson,      doença que prejudica a sociedade        grande proble-                                                                              tê-lo.
boneco montado com uma bola           como um todo. Os dinamarqueses          ma do presente e tende a ser um                                                                                 E s s e
velha e palha para servir de com-     possuem 36 % de sua população           problema ainda maior no futuro.     novo é tão compul-                                     movimento          frenético
panhia ao personagem de Tom           atingida pela solidão; 35% dos in-      A Organização Mundial da Saúde      sivo a ponto de não percebermos                       e constante alimenta o
Hanks.                                gleses, 30% dos Alemães e chega         estima que mais de um milhão        que os objetos que compramos                 mundo ocidental e vai tomando,
   Em se tratando de                        a 50% dos moradores da ro-        de pessoas se suicidem por ano      começam a desvalorizar assim                 aos poucos, o oriental. Afunda-
crises pessoais,                                   mântica Paris. Outro       tanto que criou o Dia Mundial de    que o agarramos. Uma vez ad-                 mos em empréstimos interminá-
parece exis-                                           dado curioso é que     Prevenção ao Suicídio em 10 de      quiridos, o celular/carro/roupa/             veis que nos privam das coisas
tir um certo                                             nesses países os     setembro.                           bolsa perde seu sentido e o nosso            básicas da vida em nome do sta-
consenso                                                  índices de sui-        Os humanos sempre procu-         de desejo de possuir não se encer-           tus de possuir. Status de ser! Ser
de que o                                                  cídios são alar-    raram formas de acalentar seus      ra com o produto em nossa pro-               o que mesmo? Eis a aldeia global.
melhor re-                                                mantes.             momentos solitários criando deu-    priedade. Logo terá outro produto            Afinal não estamos sós. Temos o
médio é a                                                   No     cenário    ses para si, buscando soluções e    que chamará nossa atenção. So-               direito de participar do mágico
solidão. O                                                tecnológico         criando expectativas em outros      mos colecionadores de múltiplos              universo fashion. Os objetos que
isolamento                                               do século XXI,       humanos, apropriando-se de ví-      atos de compra e venda e não de              compramos parecem dar à gente
serve para                                               como explicamos      cios, jogos leituras, músicas ou    atos solidários.                             o sentindo de existência. Fazem
que observe-                                            que vivemos imer-     filmes. Com o consumo não fun-         Assim, chegamos às nossas                  de nós colecionadores de atos de
mos      melhor                                        sos em imagens         ciona assim. A cultura do efêmero   identidades. Os objetos nos dão              compra. Com essa solidão não se
nossos limites                                        em uma cultura          mundo consumista oferece uma        o direito de participar em uma               brinca.
e as armadilhas                                     midiática que torna       abundante e variada gama de
que nossas vidas                                   as vidas privadas um       objetos de desejo ao alcance das
aprontam.      SPAs,                                espetáculo e as re-       possibilidades de nossos bolsos.
                                                                                                                       Dicas
praias,                                                    des sociais co-    Abundância que cresce na mesma
                                                              locam todos     proporção em que nos tornamos
                                                                                                                        Livros:
                                                                os     dias   sós.
                                                                  muitas         Vivemos um medo constante
                                                                                                                        ONZE TIPOS DE SOLIDÃO. Richard Yates. Editora Quetzal.
                                                                   pesso-     que é estendido para a educação
                                                                    as em     aos filhos. Ofertamos objetos de
                                                                                                                        Filmes:
                                                                    con-      última geração compensando-os
                                                                     tatos    pelas nossas falhas e ausências.
                                                                                                                        A Casa de Areia. ( Direção: Andrucha Waddinngton. Ano 2005)
                                                                     virtu-   Como Crusoé - nosso personagem
                                                                                                                        Nell ( Direção: Michel Apted. Ano 1994)
                                                                     ais.     literário - mantemos uma comu-
                                                                     T e -    nicação com os objetos sem um
                                                                                                                        Primavera, verão, outono, inverno e... primavera
                                                                     mos      retorno. Falamos sós. Sonhamos
                                                                                                                        ( Direção: Kim Ki-Duk. Ano 2003)
                                                                     aces-    com o que está a venda em lojas
                                                                     s    o   virtuais ou reais. O desejo pelo
Trabalhos vencedores
do prêmio Adjori/SC

Categoria:
Projeto Especial
Herói ou vilão?                                                                                                                                               O primeiro trabalho científico
                                                                                                                                                                Resgatar a história de um
                                                                                                                                                                                                                                    Reprodução/Capa




H
                                                                                                                                                             herói que virou vilão é ain-
                                                                                                                                                             da mais difícil. Muitos docu-
               erói ou vilão?                                                                                                                                mentos da época da coloni-
               Conclu-                                                                                                                                       zação foram queimados por
               sões são                                                                                                                                      Joseph Phillipe Fontaine,
               tiradas em                                                                                                                                    diretor interino da Colônia
               cima     de                                                                                                                                   Belga, deixado aqui por Van
relatos, de boatos e até                                                                                                                                     Lede após seu retorno para
do emocional de quem                                                                                                                                         a Bélgica.
participa como agente                                                                                                                                           Fontaine temia que a pa-
dos acontecimentos. A                                                                                                                                        pelada fosse usada como
história, no entanto, exis-                                                                                                                                  prova das falsas promessas
te para pesquisar e orga-                                                                                                                                    feitas por seu patrão aos
nizar cronologicamente os                                                                                                                                     colonizadores e ao governo
fatos.                                                                                                                                                        brasileiro. Ao longo da his-
   Antes, porém, eles pre-                                                                                                                                     tória, alguns descendentes                 zação Belga em Santa Ca-
cisam ser exaustivamente                                                                                                                                        de belgas, por curiosidade,               tarina”, publicado na revista
analisados, juntados e re-                                                                                                                                       pesquisaram seus ante-                   Blumenau em Cadernos, ten-
montados para que os mitos                                                                                                                                       passados, reuniram fotos                 do como um de seus focos
deem lugar a verdade que                                                                                                                                          de família e de eventos                 a discussão das questões
será narrada às gerações.                                                                                                                                         públicos, mas nada que                  relacionadas à história de
Em nenhum outro lugar des-                                                                                                                                        pudesse lançar luzes so-                Blumenau e do Vale.
te imenso Vale do Itajaí sur-                                                                                                                                     bre a verdadeira história                  Outros 33 anos se pas-
giram tantos pontos de inter-                                                                                                                                    da colônia. Passaram-se,                 saram para que o professor
rogações como na pequena                                                                                                                                         então, 128 anos para o                   Paulo Rogério Maes fosse
Ilhota, cidade de pouco mais                                                                                                                                     surgimento do primei-                    atrás de suas raízes e trans-
de 12 mil habitantes, que faz                                                                                                                                    ro relato científico sobre               formasse sua pesquisa em li-
fronteira com Itajaí, Gaspar,                                                                                                                                   a colonização belga em                    vro. “Toda vez que pergunta-
Brusque e Luiz Alves. O herói                                                                                                                                   Santa Catarina. Em 1972,                  vam meu nome, pronunciava
colonizador, que tanto orgulho                                                                                                                                  o professor e pesquisador                 Maes, logo vinha a exclama-
provoca nas pessoas pelo seu                                                                                                                                   joinvilense Carlos Ficker,                 ção - Ah! Alemão! E quando
pioneirismo e altruísmo, neste                                                                                                                                assina a bibliografia “Char-                eu falava que não, que era
caso não passa de um grande                                                                                                                                    les Van Lede e a Coloni-                   belga, que era flamengo, se-
aproveitador, explorador e mal
                                                                                                                                                                                        Reprodução/Capa   guia-se a interrogação - Bel-
feitor.                                                                                                                                                                                                   gas? Flamengos? Em Santa
   A história, em Ilhota, teria                                                                                                                                                                           Catarina? De onde vieram?
seguido outro rumo não fosse                                                                                                                                                                              Quando vieram? Por que
a coragem de um punhado de                                                                                                                                                                                vieram?”, escreve o autor na
agricultores belgas ignorantes e                                                                                                                                                                          introdução de “Colonização
empobrecidos que, enganados                                                                                                                                                                               Flamenga em Santa Catarina
pelo seu líder, rebelaram-se tão                                                                                                                                                                          Ilhota” (2005). Maes tam-
logo desembarcaram na terra                                                                                                                                                                               bém fala da sua angústia de
prometida do baixo Vale.                                                                                                                                                                                  ver crescer em Santa Cata-
   Hoje, graças a essa alforria                                     tes por vergo-                 ascendência Flamenga. As con-                                                                          rina cidades colonizadas por
forçada Ilhota pode orgulhar-se                     nha, desconhecimento ou medo                   dições de vida eram as piores                                                                          alemães, italianos, polone-
de ser a primeira e única colô-                     de remexer na ferida aberta                    possíveis, além do fato que a                                                                          ses, austríacos, enquanto a
nia belga a prosperar no Brasil,                    em novembro de 1844 quan-                      intenção não era colonizar, mas                                                                        história da colônia belga no
título, aliás, que por muito tem-                   do Charles Maximiliano Van                     explorar as riquezas minerais                                                                          estado simplesmente diluiu-
po foi negado aos descenden-                        Lede trouxe para cá o primeiro                 encontrados no subsolo catari-                                                                         se no meio de outras etnias.
                                                    grupo de imigrantes belgas de                  nense.


      Outras iniciativas
                                  Reprodução/Capa


                                                      Do livro de Paulo Rogério                    na Colônia belga estabelecida                      didático sobre a história da co-                    ração”, justifica. Na esteira
                                                    Maes a outra iniciativa de his-                em Ilhota na segunda metade                        lonização de Ilhota e passou a                      da obra, foi lançada, em
                                                    toriagrafar a colonização belga                do século XIX. “Iniciamos o tra-                   ser utilizado nas escolas como                      2009, “Ilhota - O Encan-
                                                    em Ilhota passaram-se apenas                   balho em 1998, foram mais de                       referência. “É quase uma obra                       to dos Belgas no Vale do
                                                    doze meses. Em 2006, as pro-                   mil horas de entrevistas”, conta                   de apoio pedagógico”, acres-                        Grande Rio, de Ana Luiza
                                                    fessoras de Estudos Sociais e                  Viviane.                                           centa Elaine. Para a professora,                    Mette e Elaine Cristina de
                                                    bacharéis em História, Viviane                    As dificuldades foram enor-                     em história não existe verdade                      Souza, outras manifesta-
                                                    dos Santos e Elaine Cristina                   mes porque o material de pes-                      absoluta. Portanto, acusar Van                      ções de resgate da história
                                                    de Souza, publicaram “Movidos                  quisa era bastante escasso.                        Lede de enganar e explorar os                       da colonização e da cultura
                                                    pela esperança - a história cen-               “Na década de 1980, houve um                       imigrantes belgas é simplista                       belga surgiram por iniciativa
                                                    tenária de Ilhota”.                            movimento de resgate da histó-                     demais. “É preciso contextuali-                     do poder público, como a
                                                      O livro, baseado em documen-                 ria, nos embalos das festas de                     zar os fatos à realidade. Naque-                    Expobelga, e dos próprios
                                                    tos, entrevistas e pesquisa, se                outubro, mas que acabou não                        la época, o governo brasileiro                      descendentes, interessados
                                                    aproxima ainda mais da verdade                 prosperando”, lembra Viviane.                      dava terras para os coloniza-                       em saber mais sobre seus
                                                    sobre o que de fato aconteceu                     O livro foi o primeiro material                 dores com o objetivo da explo-                      antepassados.



Expediente
Diretor: José Rober to Deschamps - Gerente Adm. Financ: Juliana P. Z Deschamps - Produção gráfica: Pedro Paulo F. Schmitt - Textos: Kássia Dalmagro - Edição: Alexandre Melo - Impressão: Jornal de Santa Catarina - e-mail: jornal@jornalmetas.com.br
O país dos colonizadores
M
                as,      afinal,
                como é o País
                de onde vie-
                ram os primei-
                ros coloniza-
dores de Ilhota? Com
uma área total
de 30.502Km²,
a Bélgica, que
possui cerca de
10,7 milhões de
habitantes, é divi-
dida em três regi-
ões: Flandres, Va-
lônia e Bruxelas e
definida em quatro
áreas linguísticas: fran-
cês, alemão, holandês e                                    por
bilíngue na capital Bruxelas.                            rios e
No País, existem as comu-                             inúmeros
nidades francesa, flamenga e                          afluentes
germânica. Seu território limi-                       e     canais
ta-se ao norte com a Holanda                          que promo-
e o Mar do Norte; a oeste,                            vem o desen-
com Alemanha; a sudeste,                              volvimento da navegação.
com Luxemburgo; e ao sul,                               Este pequeno País pos-
com a França. A superfície do                         sui uma longa história.
território belga apresenta ca-                        No início da nossa era, o                               cia    do
racterísticas físicas básicas,                        território estava ocupado pelo                          país     foi
sendo a planície costeira, lo-                        general Romano Júlio César.                             proclama-
calizada a noroeste do país;                          Então, o rei medieval Clovis                            da no dia
o planalto central, situado no                        adaptou este país para sua                              21 de julho
interior; e as ardenas, loca-                         casa. As hordas escandina-                              de 1831,
lizada no sudeste. A Bélgica                          vias pilharam esta região em                            sendo que
possui dois importantes rios,                         várias ocasiões. A linha dos                            seu     pri-
são eles: Escalda e Mosa. A                           Condes de Flandres nasceu                               meiro rei foi
região é influenciada pelo cli-                       no norte do país, enquanto                              Leopoldo de Saxony-
ma do tipo temperado, apre-                           os luteranos reclamavam so-                             -Coburg.
senta temperaturas médias de                          berania mais ao sul. Sob os                               Com o passar dos anos, o
25°C no verão e de 7°C no                             duques da Burgundy, a Bélgi-                            país conquistou um elevado
inverno. O país possui uma                            ca viveu um período de pros-                            índice de industrialização e            fabricação   de
excelente infraestrutura de                           peridade econômica e cultural                           exerce um papel importante              vidros, chocola-
transportes: uma densa rede                           que durou até os espanhóis                              na União Europeia.                      tes, diamantes e mó-
ferroviária, uma rede de es-                          estabelecerem as regras.                                  A economia do país é bas-             veis.
tradas segundo as modernas                              Foi finalmente sob a ocu-                             tante diversificada, sendo que            Além da agricultura, que
exigências, e um desenvolvi-                          pação francesa que as funda-                            os setores que mais se des-             se destaca na produção de
mento conjunto de cursos de                           ções do reino da Bélgica foram                          tacam são: metalurgia, medi-            frutas, como uva, ameixa e
água navegáveis constituído                           estabelecidas. A independên-                            camentos, eletrônicos, têxtil,          morangos.
                                      Reprodução livro “Bélgica - Figuras a 300 Cores”



                                                                                                                                                         Informações

                                                                                                                                                          Nome: Reino da Bélgica

                                                                                                                                                          Capital: Bruxelas.

                                                                                                                                                          Governo: Monarquia constitucional.

                                                                                                                                                          Moeda: Euro.
O Palácio Real na capital, Bruxelas                                                      Castelo em Ieper, no sopé dos montes da Flandres Ocidental
                                                                                                                                                          Ingresso na União Europeia: 25 de março de 1957.

                                                                                                                                                          Densidade demográfica: 350,5 hab./ km².

                                                                                                                                                          PIB (Produto Interno Bruto): 454.580 milhões de dólares.

                                                                                                                                                          Renda per capita: 45.310 US$.

                                                                                                                                                          Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,867.

                                                                                                                                                          Religião: cristianismo 90,4% (católicos 90%, protestantes
                                                                                                                                                        0,4%), islamismo 1,1%, sem filiação e ateísmo 7,5%, outras 1%.
Liège fica localizada na confluência do Meuse com o Ourthe                                 Lumecon é uma antiga procissão em honra ao santo padroeiro                                                        Fonte: Governo da Bélgica
Reprodução Dos Açores ao Zaire, de Patrick Marselis (2005)   Recusa resoluta de apoio real pelo ministro, para Charles Van Lede




Pobreza trouxe belgas ao Brasil                                                                                                                                                                                                   Arquivo pessoal
                                                                                                                                                                                                                                                     Um belga em terras tupiniquim
                                                                                                                                                                                                                                                        Personagem central da colo-
                                                                                                                                                                                                                                                     nização belga em Santa Cata-
                                                                                                                                                                                                                                                     rina, Charles Maximiliano Luiz
                                                                                                                                                                                                                                                                                        belge-brésilienne de Colonisa-
                                                                                                                                                                                                                                                                                        tion, Van Lede desembarcou no
                                                                                                                                                                                                                                                                                        Brasil. A sua missão era avaliar
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  Conflitos marcam o início da colônia
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     Em sua primeira viagem ao
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  Brasil, Van Lede havia se en-
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  cantado com a o Vale do Ita-
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             o grupo no Rio de Janeiro. Dessa
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             forma, Van Lede não conseguiria
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             cumprir a exigência contratual de
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     zação, onde as condições cli-
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     máticas, os animais selvagens
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     e serpentes espalhavam-se por
                                                                                                                                                                                                                                                     Van Lede, para alguns, é vilão,    o solo e as florestas catarinen-                                          jaí. O solo era propício para a            trazer 100 imigrantes.                  toda a região”.
                                                                                                                                                                                                                                                     para outros herói. Historiadores   ses, para a exploração de fer-                                            agricultura e havia a possibili-              Ainda assim, ele não desanimou          Diante do ambiente hostil,
                                                                                                                                                                                                                                                     e pesquisadores ainda procu-       ro, carvão e outros minérios. O                                           dade de exploração de miné-                e iniciou a construção das primei-      Fontaine também decidiu re-
                                                                                                                                                                                                                                                     ram por essa resposta.             belga foi o                                                               rios. No entanto, ele não teve             ras 16 casas de madeira que de-         tornar à Bélgica, deixando os
                                                                                                                                                                                                                                                        O que todos têm certeza é       primeiro                                                                              o seu contrato ra-             ram origem a aldeia de Ilhota. Em       imigrantes sem rumo. Antes de
                                                                                                                                                                                                                                                     que Van Lede foi um homem          a realizar                                                                                   tificado pelo           fevereiro de 1845, Van Lede viajou      partir, destruiu todos os docu-
                                                                                                                                                                                                                                                     à frente do seu tempo, um em-      uma via-                                                                                     governo bra-            para o Rio de Janeiro e, em maio        mentos e ainda exigiu que os
                                                                                                                                                                                                                                                     preendedor com espírito aven-      gem de                                                                                       sileiro. Van            do mesmo ano, embarcou de volta         colonos assinassem um termo
                                                                                                                                                                                                                                                     tureiro. “Cada homem é filho do    cunho                                                                                        Lede atribuiu           para a Bélgica, deixando a Colônia      confirmando terem recebido as
                                                                                                                                                                                                                                                     seu tempo”, afirma a historia-     científico                                                                                  a       negativa         aos cuidados de Philippe Fontaine.      terras e toda a infraestrutura
                                                                                                                                                                                                                                                     dora Elaine Cristina de Souza.     à parte                                                                                     ao episódio              Em 28 de julho de 1845, a Câma-         necessária para se estabele-
                                                                                                                                                                                                                                                     Ela lembra a importância de        navegá-                                                                                     anterior com             ra dos Deputados aprovou o Pro-         cerem. Nessa época, a colônia
                                                                                                                                                                                                                                                     Van Lede para o desenvolvi-        vel do                                                                                      De Jaeger. O             jeto de Lei de criação da Colônia.      era formada por 63 pessoas. A
                                                                                                                                                                                                                                                     mento do Vale. “Foi ele (Van       Itajaí-                                                                                    belga decidiu             No entanto, o clima já era ruim e       direção da Colônia passou en-
                                                                                                                                                                                                                                                     Lede) que abriu as portas para     -Açu.                                                                                      lançar-se num             as desavenças entre a chefia e os       tão para Gustave Lebon, que
                                                                                                                                                                                                                                                     a colonização e mapeou o Vale.     Na via-                                                                                    projeto próprio,          trabalhadores só cresceram.             também teria desistido meses
                                                                                                                                                                                                                                                     O Dr. Blumenau só chegaria à       gem,                                                                                      e        comprou              O cotidiano dos colonos belgas       depois. A embaixada da Bélgi-
                                                                                                                                                                                                                                                     região oito anos depois”. Nas-     a l i -                                                                                   9.600 hectares             ficou marcado por uma série de          ca também negou ajuda.
                                                                                                                                                                                                                                                     cido em 1801, na região de         men-                                                                                      de terras, sen-            conflitos, trabalho e dificuldades de      A vida na colônia só pros-
                                                                                                                                                                                                                                                     Bruges, Van Lede estudou em        tou a                                                                                     do 6.250 do                adaptação. Aprenderam a pescar,         perou graças ao trabalho dos
                                                                                                                                                                                                                                                     Paris, cumpriu serviço militar     ideia                                                                                     Coronel Henri-             caçar, derrubar árvores, construir      imigrantes. Em 1874, um fato
                                                                                                                                                                                                                                                     na Espanha, como um solda-         d e                                                                                      que Flores, na              casas, engenhos de fabricação de        novo tirou o sossego dos mo-
                                                                                                                                                                                                                                                     do mercenário que rebelou-se       u m                                                                                      época um gran-              farinha, açúcar, e principalmente       radores. Os herdeiros de Van
                                                                                                                                                                                                                                                     contra a tirania absoluta do rei   gran-                                                                                    de latifundiário,           reivindicar seus direitos. De acordo    Lede reivindicaram a posse das
                                                                                                                                                                                                                                                     Fernando VII. Em 1830, com a       de pro-                                                                                 2.150 hectares               com as historiadores Ana Luiz Met-      terras. O Cônsul da Bélgica no
                                                                                                                                                                                                                                                     independência da Bélgica, re-      jeto colonizador, com a finalida-                                                 do padre Rodrigues e               te e Elaine Cristina de Souza, no       Desterro, Henry Schutel, tam-
                                                                                                                                                                                                                                                     tornou ao país para ser recru-     de de explorar a mao de obra.                                             outros 1.200 de uma senho-                 livro Ilhota - Encanto dos Belgas       bém colaborou para o conflito
                                                                                                                                                                                                                                                     tado como oficial de engenha-      Van Lede trouxe o primeiro                                                ra de sobrenome Aranha. Em                 no Vale do Grande Rio - as dis-         ao valer-se de uma procuração
                                                                                                                                                                                                                                                     ria. Enviado em missão militar     grupo em 1844, permanecendo                                               4.100 hectares, Van Lede fun-              córdias iam desde o descontenta-        de Van Lede para negociar al-
                                                                                                                                                                                                                                                     ao México, Van Lede viajou as      no Brasil pouco tempo. Retor-                                             dou uma pequena povoação                   mento pelo pagamento maior pelos        guns terrenos. Não bastasse
                                                                                                                                                                                                                                                     Américas como técnico em mi-       nou para Bélgica em maio de                                               que batizou de Ilhota, porque              serviços desmatamento a colonos         estes dois fatos, em 1889 o
                                                                                                                                                                                                                                                     nas e tesouros ocultos.            1845, deixando a colônia sob a                                            em frente ao local havia uma               brasileiros do que aos belgas até       Hospital de Bruges requereu
                                                                                                                                                                                                                                                        Esteve na Argentina e depois    direção de Joseph Philipp Fon-                                            ilha que submergiu em defini-              escassez de mantimentos. Eram           parte das terras da colônia de-
                                                                                                                                                                                                                                                     no Chile, onde trabalhou para      taine, e nunca mais retornou.                                             tivo na grande cheia de 1911.              frequentes as rebeliões na colônia,     ixadas por Van Lede em tes-
                                                                                                                                                                                                                                                     o governo daquele país como        Na Bélgica, ocupou cargo no                                                  Em agosto de 1844, 114                  por isso os belgas foram taxados        tamento. Quando o procurador
                                                                                                                                                                                                                                                     engenheiro de construção de        Conselho Provincial de Flandres                                           imigrantes belgas da região de             de arruaceiros, brigões e malan-        Van Dal iniciou o trabalhos de
                                                                                                                                                                                                                                                     pontes, estradas e portos.         em 1848. Van Lede faleceu em                                              Bruges, de origem Flamenga,                dros. Gonçalves, neto de uma jo-        medição das terras, mais de
                                                                                                                                                                                                                                                        Em 1842, já a serviço da        1875, deixando suas terras no                                             partiram do Porto de Ostende               vem belga, descreve as condições        80 moradores de Ilhota e das
                                                                                                                                                                                                                                                     Societé Commercial de Bruges       Brasil como doação ao Hospital                                            com contrato firmado para cul-             de vida dos imigrantes: “Se por um      vizinhanças, todos armados, o
                                                                                                                                                                                                                                                     e proprietário da Compaigne        de Bruges.                                                                tivar nas terras da futura co-             lado, viver na Europa estava difícil    agrediram, apoderaram-se de




P
Governo brasileiro incentivou a vinda de imigrantes europeus com a finalidade de ocupação de áreas que estavam sendo ameaçadas por expedições de espanhóis e holandeses                                                                                                                                                                                            lônia a 3 francos por dia de               em virtude dos vários conflitos e       seus instrumentos e o expul-
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  serviço. Os problemas de Van               a pobreza que assolava as família       saram de Ilhota. O Ministério da
             ara entender o que               medida em que trocavam a força                 via um pequeno povoado, com                      Alves Ramos. Além destes ha-        imigrantes foram chegando e se                                                                                                                                                  Lede começaram antes de                    europeias, viver na cocanha brasi-      Bélgica pronunciou-se e favor
             se passou na Colô-               do seu trabalho por um pedaço                  pouco mais de 1.100 habitantes,                  bitantes, havia muitos índios, ou   estabelecendo nas colônias, os                                                                                                                                                  chegar ao Brasil. Segundo re-              leira, também não era tarefa fácil      dos colonos e a pendência foi
             nia Belga em Santa               de terra. O governo brasileiro, por            fundado por volta de 1820. As                    bugres como eram conhecidos,        silvícolas foram sendo expulsos                                     Primeira tentativa frustrada                                                                                latos, 16 belgas abandonaram               nas primeiras décadas de coloni-        encerrada.
             Catarina, é preciso              sua vez, tinha interesse de po-                terras eram praticamente todas                   nas matas.Os índios não tinham      para o interior e, por fim, dizi-                                                                                                                                                                                                                                                Arquivo pessoal Salviano Castelain

             contextualizar     os            voar o litoral que estava sendo                de posse do Coronel Agostinho                    local fixo. Na medida em que os     mados pelos caçadores.                                                 Embora a serviço da Socie-     dentes têm hoje sobrenomes
cenários econômico e social da                alvo de muitas expedições es-                                                                                                            Reprodução dos Açores ao Zaires, de Patrick Marselis (2005)    té Commercial de Bruges, Van      aportuguesados). A tradução
segunda metade do século XIX.                 panholas, no Sul, e holandesas,                                                                                                                                                                         Lede nunca escondeu de nin-       do contrato do francês para o
A Europa vivia uma grande cri-                no Norte/Nordeste.                                                                                                                                                                                      guém o seu projeto pessoal de     português foi feita por C. De
se econômica em função da Re-                                                                                                                                                                                                                         aproveitar a mão de obra dos      Jaeger. Segundo Van Lede, o
volução Industrial que provocou                  Incentivo                                                                                                                                                                                            seus compatriotas para explo-     contrato teria sido traduzido,
desemprego em massa, fome e                      Depois da implantação da po-                                                                                                                                                                         rar os minérios. Em 1841, a       propositalmente, de maneira
o empobrecimento da população                 lítica de defesa e ocupação con-                                                                                                                                                                        Societé de Bruges, por inter-     distorcida. As cláusulas não
rural.                                        tra a invasão do seu Litoral, o                                                                                                                                                                         médio de Van Lede, adquiriu       agradaram nem um pouco a
  O Brasil, com pouco mais de 20              governo brasileiro passou a in-                                                                                                                                                                         a concessão de 900 km² ao         Societé. De Jaeger rebateu as
anos de independência, despon-                centivar a formação de núcleos                                                                                                                                                                          longo do rio Itajaí-Açu, com      acusações dizendo que o Van
tava no cenário pela abundância               colonizadores. Em Santa Catari-                                                                                                                                                                         direitos sob o subsolo. Entre     Lede agia movido por inte-
de terras férteis e riquezas em               na, embora tardia, várias regiões                                                                                                                                                                       as cláusulas do contrato es-      resses pessoais. Ele também
minérios, principalmente carvão,              passaram a receber imigrantes:                                                                                                                                                                          tavam o investimento de BEF       acusou o belga de não se pre-
ferro e ouro. No entanto, a mão               São Pedro de Alcântara, Vale                                                                                                                                                                            6.000.000 (hoje em torno de       ocupar com os interesses de
de obra escrava havia se tor-                 do Rio Tijucas, Vale do Itajaí                                                                                                                                                                          30.000.000 euros); assen-         seus compatriotas ao aceitar a
nado cara e escassa em função                 e as margens do Itajaí-Mirim.                                                                                                                                                                           tamento de 100 famílias; in-      cláusula da nacionalidade bra-
da proibição do seu tráfego. A                A região Sul era o alvo prin-                                                                                                                                                                           vestimentos em infraestrutura     sileira aos filhos de imigrantes.
solução era importar trabalha-                cipal das empresas colonizado-                                                                                                                                                                          e a subsistência das famílias.    Ao retornar a Bélgica em 1842,
dores da Europa. As fazendas de               ras por causa das terras serem                                                                                                                                                                          Para os colonizadores, havia      Van Lede foi mal recebido pe-
café de São Paulo e de outros                 inoculadas, o clima semelhante                                                                                                                                                                          um parágrafo especial em que      los seus sócios. As duas so-
estados do Sudeste e Nordeste                 ao europeu e a possibilidade de                                                                                                                                                                         eles não podiam ser escravi-      ciedades foram dissolvidas. No
do país passaram a atrair a mão               desenvolver outras culturas em                                                                                                                                                                          zados e que os filhos nascidos    entanto, Van Lede não desis-
de obra europeia em troca do                  substituição a cana-de-açúcar                                                                                                                                                                           no Brasil teriam automatica-      tiu e, com o apoio do rei da
sonho dos agricultores cultivarem             em franca decadência no Brasil.                                                                                                                                                                         mente nacionalidade brasilei-     Bélgica Leonardo I, constitui                                           Vista geral do centro da cidade de Ilhota - década de 1950
em seu próprio pedaço de terra.                  Na região que mais tarde viria                                                                                                                                                                       ra (por isso, muitos descen-      uma nova Companhia Belga.
Esta independência acontecia na               a ser ocupada pelos belgas, ha-                Descrição e esboço da colônia belga na região de Itajaí
Cultura relegada                                                                                                                      Os primeiros imigrantes
                                                                                                                                      Philipe Fontaine, 43 anos         (diretor da Colônia)
                                                                                                                                      Jean Nicolas Denis Isler, 46 anos (sub diretor)



a segundo plano
                                                                                                                                      Pierre Plettincks, 43 anos         (médico)
                                                                                                                                      Emmeric Crebeels, 48 anos         (alfaiate)
                                                                                                                                      Pierre Deprez, 42 anos            (particular)
                                                                                                                                      Leonard Vandergucht, 48 anos (agricultor)
                                                                                                                                      François Walthez, 48 anos         (particular)
                                                                                                                                      François Hollenvoet, 36 anos      (particular)
                                                                             Fotos Jornal Metas                                       Reine de Vrekc, 36 anos           (dona de casa)
                                                                                                  com outras cidades da região.       Jean Van Heicke, 46 anos          (agricultor)
                                                                                                  Historiadores defendem que          Louis Christiaens, 28 anos        (negociante)
                                                                                                  essa cultura é maquiada, pron-      Pierre Veighe, 36 anos            (jardineiro)
                                                                                                  ta para ser comercializada. Ana     Cherles de Waele, 37 anos          (ourives)
                                                                                                  Luiz Mette e Elaine Cristina de     François de Smedt, 40 anos        (agricultor)
                                                                                                  Souza, afirmam na obra “Ilhota -    François Beyts, 44 anos           (agricultor)
                                                                                                  O encanto dos belgas no Vale do     Maxem Milcamps, 20 anos           (particular)
                                                                                                  Grande do Rio”: “Em Blumenau,       Louis Maebe, 27 anos              (carpinteiro)
                                                                                                  ao assistir um daqueles bem         Hypolite V. Heyde. 23 anos        (capitalista)
                                                                                                  organizados desfiles a imagem       Henri Plancke, 42 anos            (agricultor)
                                                                                                  que se guarda é de um povo          Leonard Degand, 52 anos           (agricultor)
                                                                                                  loiro de olhos claros, tipicamen-   Eugene Maes, 43 anos              (agricultor)
                                                                                                  te vestidos. Ora, nenhum colono     Ignace de Sanders, 42 anos        (agricultor)
                                                                                                  alemão usava aqueles trajes que     GregoireHimpens, 40 anos          (agricultor)
                                                                                                  são chamados de típicos, nem        Henri Devreker, 29 anos           (carpinteiro)
                                                                                                  tão menos construíram casas em      Charles Castelein, 31 anos        (agricultor)
                                                                                                  estilo enxaimel. Esses símbolos     Louis Van der Busche, 32 anos (arador)
                                                                                                  foram criados no presente”.         Jean Baptiste Buelens, 29 anos (pedreiro)




R
A futura sede da Fundação Cultural de Ilhota                                                         Criada há quatro meses, a        Pierre Heytens, 38 anos           (agricultor)
                                                                                                  Fundação Cultural de Ilhota, ini-   Gustave Lebon, 26 anos            (particular)
              aras foram as ten-                  O professor Paulo Maes,                         ciou um trabalho de resgate da      Pierre Brackeveld, 42 anos        (agricultor)
              tativas de resgate               conta na introdução do seu li-                     colonização belga em Ilhota. A      Henri Wismer,40 anos              (agricultor)
              da cultura belga                 vro “Colonização Flamenga em                       ideia, de acordo com o diretor,     Ange Gevaet, 47 anos              (agricultor)
              entre os descen-                 Santa Catarina - Ilhota”, que o                    Vanderlei Dal Bello Lazarotti, é    E. François Milcamp, 22 anos (charleroi)
              dentes.    “Nunca                motivo mais forte para buscar                      resgatar nas famílias o orgulho     Jean Van de Vrecken, 30 anos (agricultor)
houve preocupação em preser-                   suas raízes foi ver as lágrimas                    de descender de belgas, pois        Jean Baptiste Vilain, 31 anos     (agricultor)
var a cultura belga, em alguns                 nos olhos do seu avô, cada vez                     muitos sequer sabem da sua          Edouard de Smet, 22 anos          (trabalhador)
momentos os descendentes                       que ele falava de sua gente. “...                  origem. A história será levada ao   Bernard Lecluyse, 21 anos         (barbeiro)
sentiam até vergonha das sua                   Ele tomava minha mão e pa-                         povo por meio de intercâmbios,      Judoc Mussche, 23 anos            (carpinteiro)
origens”, conta a historiadora                 recia reviver contando as his-                     seminários, projetos e eventos      Michel Coucke, 21 anos            (agricultor)
Viviane dos Santos. A religio-                 tórias do seu tempo, dos seus                      culturais. “A Casa da Cultura vai   Romain Busso, 17 anos             (estudante)
sidade, segundo ela, é até hoje                pais que, nos dias de festas                       aproximar o povo de Ilhota da       Martin Verlinden, 30 anos         (trabalhador)
a grande herança deixada pelos                 com seus sapatos de paus,                          sua história, tornando-o agente     Auguste Lebon, 22 anos            (particular)
belgas. “Todos os descenden-                   reuniam-se e conversavam em                        multiplicador das informações”,     Charles Devleeschower, 36 anos (serrador de madeira)
tes eram muito católicos”. Per-                flamengo, enquanto as espo-                        explica Lazarrotti. A sede da       Gerard De Rycke, 49 anos          (jardineiro)
manece, também, como forte                     sas, com seus aventais e seus                      Fundação Cultural será o prédio     Jean B. Van Hamme, 39 anos        (caçador)
vínculo, os sobrenomes Maes,                   gorros, tratavam na cozinha de                     reformado da antiga prefeitura,     Benoit De Ny’s, 23 anos           (particular)
Maba, Brockveld, Castellain,                   preparar-lhes a refeição”.                         que, segundo Lazarotti, é hoje      Charles de Gandt, 56 anos         (proprirtário)
Gevaerd, Hostins, Maba, Villain,                  Inevitável, no entanto, é com-                  a única referência da arquitetura   Ange Gillis, 18 anos              (trabalhador)
entre outros.                                  parar a colonização de Ilhota                      belga no município.                 Ange de Neve, 31 anos             (trabalhador)
                                                                                                                                      Bernard Van Rie, 47 anos          (trabalhador)
                                                                                                                                      Bruno Claeys, 32 anos             (trabalhador)
     Ilhotense junta imagens da história do município                                                                                 Charles Opstaele, 22 anos
                                                                                                                                      Honoré Ego, 30 anos
                                                                                                                                                                        (agricultor)
                                                                                                                                                                        (agricultor)
       Salviano Castelain, 64                                                                                                         Philippe Deprez, 29 anos          (agricultor)
    anos, é um apaixonado pela                                                                                                        Leonard Maes, 31 anos             (agricultor)
    história dos seus antepassa-                                                                                                      Charles Schloppal, 22 anos        (vive de rendas)
    dos. Embora tenha saído de                                                                                                        Pierre Sijs, 17 anos              (carpinteiro)
    Ilhota muito cedo, em 1965,                                                                                                       Clement Vanysere, 21 anos         (agricultor)
    para servir ao Exército e tra-                                                                                                    François Meuwens, 26 anos         (fundidor de ouro)
    balhar, ele nunca abandonou                                                                                                       Joseph Loens, 21 anos             (ourives)
    suas raízes. Há 30 anos,                                                                                                          Emile De Gandt, 19 anos           (particular)
                                                                                                                                      *Obs: emigraram com sua mulher e filhos.
    Salviano iniciou um trabalho                                                                                                      Fonte: Colonização Flamenga em Santa Catarina - Ilhota - Paulo Rogério Maes (2005)
    de casa em casa, em Ilhota,
    a fim de juntar documentos
    e imagens da história do
    município. Reuniu em torno
    de 100 fotos. Viúva, a sua
    bisavó, Catarina Castelain,                Salviano: desejo de realizar uma exposição fotográfica com o seu acervo de imagens
    veio da Bélgica com três
    filhos - Pedro, Joaquim e                  famílias, Castelain e Maes, eram                   descendência. Este é o mo-
    Catarina. Pedro casou com                  numerosas e influentes. “Era                       tivo dele ter se interessado
    Cristina Castelain e se insta-             donos da maioria das terras e                      pela história. Hoje, residin-
    lou no bairro Minas. Ali nas-              mandavam na política de Ilhota”,                   do em Balneário Camboriú,
    ceu José Pedro Castelain                   recorda Salviano. Ele conta que                    seu maior sonho é reunir
    que casou com Rosa Maes,                   seu avô falava muito dos belgas                    todo o acervo de imagens
    pais de Salviano. As duas                  e a família tinha orgulho da sua                   em uma exposição.                   Famílias de descendentes em encontro duranta a Expobelga
Raízes na
música e
na dança
O
                Grupo Folclóri-      suficientes para a realização
                co Belga, criado     dos trabalhos. “Era muito difí-
                oficialmente há      cil conseguir, por exemplo, os
                quatro anos, é       discos com as músicas belgas”,
                hoje o principal     afirma.
divulgador da cultura em Ilho-          Mas, em dezembro de 2006,
ta. Mas, conforme explica a          um telefonema de Imbituba (SC)
professora Elaine Cristina de        à Secretaria de Turismo, Indús-
Souza, autora do livro “Ilhota,      tria e Comércio de Ilhota, deu
o Encanto dos Belgas no Vale         novo fôlego ao sonho. Do outro
do Grande Rio”, escrito em           lado linha, falava Maria Anna
parceria com Ana Luiza Mette,        Catharina Van Deun, de 69
não foi fácil conseguir a conso-     anos, descendente de belgas.
lidação do grupo. Várias tenta-      Ela, que é originária de Bier-
tivas fracassaram neste senti-       se, a 15Km do sul da Holanda,
do. Isso porque não havia na         queria doar para a cidade vários
cidade material e informações        materiais que guardava em sua
                                     residência. Na época, em en-
                                     trevista ao Jornal Metas, Anna
                                     disse que decidiu doar o que
                                     tinha guardado após ler uma
                                     reportagem publicada em um
                                     jornal sobre a colonização bel-
                                     ga em Ilhota. “Como eu iria me
                                     desfazer destas coisas, resolvi
                                     doar para o município. Acredito
                                     que estes materiais ajudarão a
                                     enriquecer a cultura belga em
                                     Ilhota”, disse na época.
                                        E Anna estava certa. En-
                                     tre os materiais doados estava
                                     um livro que mostra passos de
                                     danças belgas, além de diver-
                                     sos discos, utilizados pelo grupo
                                     folclórico até hoje. “Estes ma-
                                     teriais facilitaram a criação do
                                     grupo e sua permanência na           semanalmente para ensaiar as          Escola Estadual Marcos Konder,                   juntam para realizar as apresen-
                                     cidade”, explica Elaine. Hoje,       coreografias. Formado por alu-        o grupo se divide em dois para                   tações em Ilhota e também em
Elaine                               são 15 crianças que se reúnem        nos do ensino fundamental da          os ensaios, e os dançarinos se                   eventos nas cidades da região.


     Resgate passa pela criação de uma associação de descendentes
       A história da colonização     de seus antepassados. É ela quem     de obter a dupla cidadania. Acre-
     belga em Ilhota, perdida no     lidera, inclusive, os passos para    ditamos que a criação da associa-
     fundo do baú de memórias,       organizar e criar a Associação das   ção é o primeiro passo para essa
     aos poucos, vem se mostran-     Famílias de Descendentes Belgas.     conquista”, explica. Segundo Sue-
     do para o mundo e, principal-      A intenção, conforme explica      li, diversos encontros e estudos já
     mente, para os descendentes     a tataraneta de belga, é divulgar    foram realizados, com o intuito
     belgas que aqui residem e       a história da colonização e res-     de adquirir informações para a
     que tão pouco conhecem do       gatar as origens dos ilhotenses.     elaboração de um estatuto para a
     País de onde vieram seus des-   “Esta é uma forma de fazer com       fundação da Associação.
     cendentes. O resgate cultural   que a história não fique perdi-          Em agosto do ano passado,
     deste caminho tão árduo e       da no tempo”, ressalta Sueli. Ela    Sueli teve a oportunidade de re-
     cheio de polêmicas e con-       explica que a ideia é formar uma     alizar um sonho: colocar os pés
     troversas, se deve a pessoas    associação nos moldes dos Cir-       no País de seus antepassados. A       Sueli (E), com Marisa e o casal de belgas Francine e Frans
     como Sueli Ana dos Santos,      colos Trentinos e assim, além de     viagem à Bélgica, feita na compa-
     de 38 anos.                     reunir os descendentes, buscar       nhia da ex-secretária de Turismo      Na Europa, as amigas passaram                    muito alegres e hospitaleiros.
       Apaixonada por cultura,       direitos como a cidadania belga e    de Ilhota, Marisa Pereira, ficará      três dias abrigadas na residência                Uma das características deles
     a descendente das famílias      promover ações que aproximem         para sempre na memória da des-        do casal belga Frans e Francine                  que percebemos durante esta
     Vilain e Vander Hecht resol-    ainda mais os dois países. “Vários   cendente, que nasceu em Ilhota        Damnels e, de lá, trouxeram mui-                 viagem foi a pontualidade”,
     veu ir em busca da história     descendentes possuem a vontade       e que reside na cidade até hoje.      tas informações. “Os belgas são                  afirma.
Especial
                                                                                                                                                                            Jornal Metas
                                                                                                                                                         Gaspar, 17 de Dezembro de 2011
                                                                                                                                                                  www.jornalmetas.com.br




Expobelga resgata as tradições
                                                                      B
                                                                                      uscar uma identifi-        climática de sua história (32 pes-           tir ainda mais na festa e oferecer
                                                                                      cação com os coloni-      soas morreram atingidas por des-             ao público ainda mais atrações tí-
                                                                                      zadores e trazer para     lizamentos de terra) e os festejos           picas, como gastronomia, música e
                                                                                      Ilhota as principais      foram também uma forma de fazer              apresentações culturais.
                                                                                      tradições da Bélgica.     com que nossa comunidade recu-
                                                                      Foram estes os principais motivos         perasse a autoestima”, explica.
                                                                      que impulsionaram e incentiva-               A 1ª Expobelga contou com a im-              Pão de “Berga”
                                                                      ram a realização da 1ª Expobelga          portante presença do cônsul Geral
                                                                      em Ilhota. A festa, promovida pela        da Bélgica no Brasil, Peter Claes,
                                                                        primeira vez em setembro de             que ficou na cidade por aproxima-
                                                                           2009, foi um acontecimento           damente quatro horas. O diploma-
                                                                             importante para fazer com          ta do país de origem dos primeiros
                                                                              que os próprios ilhotenses se     imigrantes que chegaram a Ilhota
                                                                              interessassem e aprendes-         pisou pela primeira vez na locali-
                                                                               sem um pouco mais sobre          dade mais antiga colonizada pelo
                                                                               o passado de seus antepas-       seu povo e manifestou, na época,
                                                                                sados. Nos dois primeiros       o desejo de estreitar os laços co-
                                                                                 anos - a festa foi nova-       merciais e culturais de Ilhota com
                                                                                 mente realizada em 2010        a Bélgica. Em entrevista ao Jornal
                                                                                  - os festejos foram orga-     Metas, o cônsul ressaltou a impor-
                                                                                   nizados pela Associação      tância em se resgatar a história da
                                                                                   Beneficente Cristã, com       colonização. “A história de Ilho-
                                                                                   o apoio da prefeitura e      ta era pouco conhecida, por isso,
                                                                                   também de descenden-         acho importante fazer esse resgate
                                                                                  tes belgas.                   e manter viva essa história de liga-
                                                                                   “A realização da festa foi   ção com a Bélgica aqui em Santa
                                                                                um passo importante para        Catarina”, disse na oportunidade.
                                                                            resgatar a nossa história. Além     Foi durante a realização da primei-
                                                                         de estreitar laços entre o Brasil e    ra festa também que a comunidade                Dona Ana ainda prepara o pão belga
                                                                        a Bélgica, os festejos chamaram         teve a oportunidade de participar
                                                                        a atenção de diversos belgas, que       de uma missa celebrada na Igreja                  Ingredientes
                                                                       residem em outras cidades cata-          Matriz São Pio X, que contou com                  Soro da manteiga
                                                                      rinenses e até mesmo em outros            a participação de Padre Emílio, da                sal à gosto
                                                                      estados do Brasil”, ressalta Paulo        Bélgica, que veio especialmente de                Farinha de mandioca
                                                                      Drum, que presidia a associação na        Curitiba para participar dos feste-
                                                                      época.                                    jos. Este ano, por falta de recursos,             Modo de preparo: Junte to-
                                                                         Segundo ele, a intenção foi fazer      a festa não foi realizada. Entretan-            dos os ingredientes até formar
                                                                      com que os ilhotenses pudessem            to, segundo Drum, o projeto para                um pirão. Frite a massa, dos
                                                                      descobrir as principais caracterís-       os festejos do ano que vem já está              dois lados, em um frigideira
                                                                      ticas do País de onde vieram os           sendo feito. Em 2012, as comemo-                como se fosse uma panqueca.
                                                                      primeiros colonizadores. “Além            rações passarão a ser organizadas               O pão pode ser servido com
                                                                      disso, nosso município havia aca-         pela prefeitura, através da Funda-              nata.
                                                                      bado de vivenciar a pior tragédia         ção Cultural. “A intenção é inves-



Gastronomia sofreu influência francesa e alemã
   Para os amantes da boa         grande e fumegante, acompa-         belgas levam sua cerveja muito
 comida, a Bélgica é um           nhados de maionese caseira. Eles    a sério, e com boa razão. O país
 verdadeiro paraíso. A gas-       são servidos por toda a Bélgica e   tem a reputação de especialista
 tronomia do país sofreu          de várias formas diferentes. Uma    em cervejas desde a Idade Média.
 influência das cozinhas ale-      das preparações mais comuns é         Infelizmente, toda esta rica
 mãs e francesas e os pratos      um caldo de vegetais, com aipo,     gastronomia não foi preservada
 são preparados com muitos        cebola e alho-poró com os mexi-     pelos colonizadores em Ilhota.
 temperos. Da proximidade         lhões ainda em suas conchas.        O resgate da culinária típica é
 com a França, veio o refina-        Outra receita muito consumi-      recente: os pratos mais consumi-
 mento dos pratos e o gosto       da no país são os waffles, palavra   dos na Bélgica foram apresenta-
 pela culinária. Da Alema-        que vem do neerlandês wafel,        dos para os moradores de Ilhota
 nha, a fartura nas porções.      que significa favo de mel. Geral-    na 1ª Expoblega. De lá, apesar
 O prato mais apreciado na        mente aromatizadas com canela       de não ter comprovação oficial,
 Bélgica é o “mexilhões com       e açúcar, são servidas com caldas   apenas uma receita foi passada
 batata frita”. Aliás, no país,   doces. A Bélgica também reina       de geração em geração: o Pão de
 as batatas fritas podem ser      quando o assunto é chocolate. O     Belga. Até hoje, ele é consumido
 saboreadas em quiosques ou       país produz 172 mil toneladas de    pela família de Ana Francisco dos
 adquiridas com vendedo-          chocolate por ano, nas mais de      Santos, de 85 anos. Casada com
 res de rua. Existem mais de      duas mil chocolaterias espalhadas   Nelson José dos Santos, ela teve          O waffles é uma especialidade da Bélgica
 quatro mil destes quiosques      pelo país. Muitos dos chocolates    12 filhos, descendentes de duas
 e a batata pode ser apreciada    ainda são confeccionados artesa-    famílias belgas: Vilain e Vander          sando descobri que na verdade                sua infância. “Aprendi a fazer
 com 50 diferentes molhos         nalmente. É na Bélgica, também,     Hecht. O casal é pai de Sueli (leia       ela se referia ao Pão de Belga”,             a receita com a minha vó”,
 de acompanhamento. Já os         que encontramos uma infinidade       matéria na página 6). “Desde              explica. Apesar de não conhecer              afirma. Segundo Ana, outras
 mexilhões são servidos tra-      de marcas de cervejas - são quase   criança, sempre ouvi minha mãe            muito de seu país de origem, Ana             famílias em Ilhota também
 dicionalmente em um pote         mil espalhadas por todo país. Os    dizer “pão de berga”, e, pesqui-          lembra que comia o pão desde a               consomem o pão.
Trabalhos vencedores
do prêmio Adjori/SC

Categoria:
Reportagem Livre
Ano XI       Número 844   Gaspar/SC, 7 de Dezembro de 2011   R$ 2,00            Bissemanal             www.jornalmetas.com.br

                     André Soltau fala                       Evento para                       Entrevista exclusiva
                     sobre o excesso                         doação e                          com o novo técnico
                     de consumo                              homenagens                                     do Tupi

                             DIA-A-DIA           B           COMUNIDADE              A5                                            ESPORTES                A19


                                                                          FOTOS JORNAL METAS




                                                                                               Comunidade celebra a padroeira
                                                                                                                                   EVENTOS           A15



                                                                                                   COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS ZONI LTDA.
                                                                                                           CNPJ nº 03.332.531/0001-70
                                                                                                              NIRE: 42 2 0270843 2

                                                                                                                - FATO RELEVANTE -

                                                                                               COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS ZONI LTDA., em res-
                                                                                               peito aos seus clientes, fornecedores e ao público em geral,
                                                                                               comunica que através da 18ª Alteração do Contrato Social,
                                                                                               o sócio Vilmar da Costa tornou-se proprietário das quotas
                                                                                               representativas da participação de 99,9999% no seu capital
                                                                                               social.
                                                                                               O fato ora noticiado vai ao encontro dos objetivos de implan-
                                                                                               tar uma gestão profissional na empresa e o fortalecimento
                                                                                               de sua estrutura de capitais. Neste sentido, está sendo cria-
                                                                                               do um Conselho de Administração, composto dos seguintes
                                                                                               profissionais:

                                                                                               Sergio Roberto Waldrich – Presidente
                                                                                               Sergio da Costa – Conselheiro
                                                                                               Vilmar da Costa – Conselheiro

    BR-470                                                                                     Comunica ainda que através da 19ª Alteração do Contrato




   Progresso e perigo
                                                                                               Social, está promovendo a alteração de sua razão social,
                                                                                               passando a denominar-se ZONI SUPERMERCADOS LTDA.

                                                                                               Gaspar (SC), 01 de dezembro de 2011.
                                                                                               COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS ZONI LTDA.




   na mesma rota
                                                                                                   Vilmar da Costa – Diretor Presidente




   A rodovia mais perigosa do Vale também gera empregos
                                                                  GERAL    A9a A12
   e desenvolvimento
Gaspar/SC - 7 de Dezembro de 2011


                                                                                                                                                                                                 FOTOS JORNAL METAS




  Rodovia de morte e progresso
                                 mos nestes dois municípios,       cujo um dos acessos é jus-
                                 cresceram e desenvolveram-        tamente pela BR-470, o ca-       Ganha-pão à beira da BR-470
A “rodovia da                    -se nas margens da BR-470. A      minhoneiro conta que já se
morte”, também                   estrada é o ganha-pão de mi-      envolveu em um acidente na
é o meio de vida                 lhares de profissionais: cami-
                                 nhoneiros, frentistas, chapas,
                                                                   rodovia, mas jura que a culpa
                                                                   foi do outro motorista. Foi
de milhares de                   donos de postos de combustí-      no Viaduto da Mafisa, em
pessoas                          veis, mecânicos, borracheiros     Blumenau, um carro cortou
                                 e prostitutas que transitam       a minha frente. Por sorte, os




S
                                 durante o dia com desenvol-       danos foram apenas mate-
          ão 472,3 quilôme-      tura pelo acostamento.            riais. A motorista estava com
          tros entre Nave-          Na profissão há 20 anos, o      o cinto e a criança na cadei-
          gantes e Camaquã,      caminhoneiro Jorge Alves de       rinha do banco de trás. Mas
          no Rio Grande do       Andrade, 52 anos, conseguiu,      foi um susto, fiquei branco e
          Sul, cortando todo o   há seis anos, um emprego em       bateu um desespero na hora ,
Vale do Itajaí e parte do Meio   que precisa percorrer a rodo-     relembra Andrade.
Oeste Catarinense. A BR-470      via de Rodeio a Navegantes. A        A mesma sorte não teve o
é uma das principais artérias    mudança foi boa, diz Andra-       seu sobrinho, Juliano Sabel.
rodoviárias do Estado e uma      de, que às 6 horas da manhã       Também caminhoneiro, o
das mais importantes estra-      já está na rodovia, retornando    jovem morreu em 2005, em
das de escoamento da produ-      no final do dia.                   um acidente no quilômetro
ção agrícola e industrial ca-       A BR-470 registrou de ja-      35, próximo ao Auto Posto        Faça chuva ou sol, Campos está à beira da rodovia para oferecer seus serviços de chapa
tarinense. Em contrapartida,     neiro a início de dezembro,       Gaspar. Ele tinha uma carre-
a BR-470 é a mais perigosa       só no trecho do Vale do Itajaí,   ta, mas morreu dirigindo um        Um pequeno barraco          tenho uma filha de dois me-             pos garante que há ser-
do Vale do Itajaí, por isso é    137 mortes. Enquanto o pro-       carro da família. Ele saiu do    erguido com pedaços           ses para sustentar, mas está           viço para todos. A briga
popularmente conhecida por       cesso de duplicação esbarra       posto e tentou cruzar a pista,   de madeira, montado as        dando tudo certo em casa, eu           entre eles é para manter
 rodovia da morte .              na burocracia, os motoristas      mas bateu de frente com ou-      margens da rodovia, com       e a esposa , confirma.                  os melhores clientes, ou
   Em alguns trechos, o fluxo     precisam trafegar pela rodo-      tro carro , conta o tio.         a placa Chapa a 100             Campos divide o ponto com            seja, os caminhoneiros
diário de veículos chega a       via com atenção redobrada,           A morte do sobrinho foi na    metros , revela que ali       outro chapa. Eles chegam às            que pagam mais pelos
ser quatro vezes maior que a     principalmente por causa da       mesma época em que Andra-        existe mais um profissio-      6h da manhã na rodovia e fi-            serviços. E para isto, ele
capacidade planejada da ro-      imprudência, a causa mais         de se preparava para assumir     nal que vive do tráfego       cam até o fim do dia. O chapa           faz o seu marketing: A
dovia. Somado à imprudência      comum dos acidentes.              no atual emprego. A tragédia     na BR-470. Os chapas          aguarda o serviço sentado em           moto é uma das apostas.
dos motoristas, o resultado é        Os mais irresponsáveis        o fez repensar se valia à pena   são trabalhadores autô-       um banco de carro colocado             Quero sempre, agilizar
o elevado número de aciden-      são os caminhoneiros. Temos       seguir na profissão, porém        nomos, que ajudam os          na barraca, ouvindo música             o serviço. E quando tu
tes e de vítimas fatais. Por     que admitir isso. Muitos tra-     a decisão foi por permane-       caminhoneiros a descar-       no celular e acompanhando o            fazes algo bem feito, és
trás dessa verdadeira carni-     balham sobre uma pressão          cer na boleia da carreta. Eu     regar a mercadoria. Eles      movimento na estrada. A te-            reconhecido.     Fazemos
ficina que se tornou o trân-      absurda, precisam cumprir         gosto de dirigir, gosto de es-   também são bastante           levisão, colocada no espaço,           amizades com os cami-
sito da BR-470, escondem-se      horários e enfrentam con-         tar na estrada, viajando e co-   úteis na orientação do lo-    não funciona. Não tem ener-            nhoneiros, um conta para
histórias de sucesso graças      gestionamentos e outros pro-      nhecendo pessoas. Trabalhei      cal de entrega nas áreas      gia aqui, a televisão estragou.        o outro que tal chapa em
justamente ao surgimento da      blemas. Acabam cometendo          seis meses em malharia e não     urbanas das cidades. Ao       Colocamos ali para dar uma             tal rodovia trabalha bem
rodovia há mais de 40 anos.      imprudências para chegar no       gostei. Num emprego normal       longo da BR-470 existem       moral , brinca Campos.                 e assim fazemos os nos-
Determinados bairros de Gas-     horário , afirma Andrade.          a gente fica preso. Aqui é li-    vários pontos de cha-           Na maioria dos casos, o              sos contatos. Tem uma
par e Blumenau, só para ficar-       Morador do bairro Lagoa,       vre. Paro todos os dias nos      pas. Um deles fica próxi-      caminhoneiro para o veícu-             transportadora de São
                                                                   postos e nas empresas, con-      mo à entrada do Belchior      lo e o chapa entra na caro-            Paulo que sempre me
                                                                   verso com gente diferente e      Central, ao lado de um        na, guiando-o até a empresa            aciona quando vem para
                                                                   faço amizades, é disso que eu    ferro velho. A pequena        aonde será entregue a carga.           cá . Trabalhar em uma ro-
                                                                   gosto. Quando aposentar, aí      barraca é a instalação de     Campos decidiu aprimorar o             dovia perigosa não assus-
                                                                   sim vou parar. Hoje, não .       Paulo Campos, 25 anos.        serviço: colocou sua moto à            ta Campos. Para ele, os
                                                                      Para Andrade, a imprudên-       Ele trocou um em-           disposição. Para o caminho-            acidentes têm origem na
                                                                   cia na BR-470 não é apenas       prego na fábrica pelo         neiro que quer ajuda só na             imprudência e na falta de
                                                                   dos caminhoneiros. Ele faz       trabalho de chapa na          hora de descarregar, a gente           atenção dos motoristas.
                                                                   uma alerta para quem vai tra-    rodovia há um ano e não       tem a moto. Vai rápido e dá             Muitas vezes, são peque-
                                                                   fegar neste final de ano pela     se arrepende. Eu ganho        mais segurança para eles, que          nos detalhes. Uma distra-
                                                                   rodovia: Eu gostaria de ter      bem mais , revela. Para       não precisam colocar um es-            ída, a pessoa está meio
                                                                   uma câmera fotográfica para       o chapa, quem trabalha        tranho na boleia , comenta.            sonolenta de manhã. Isso
                                                                   registrar as coisas absurdas     honesto, com dedicação,         A concorrência entre os              acaba gerando tragédias
                                                                   que vejo. Tem motorista que      consegue o que quer. Eu       chapas é grande, mas Cam-              maiores , comenta.
Andrade perdeu um sobrinho em acidente de trânsito na BR-470       ultrapassa pelo acostamento .
Gaspar/SC - 7 de Dezembro de 2011


                                                                                                                                                          FOTOS JORNAL METAS

                                                                                                                                                                                ia até conseguir uma banda.



  Vidas interrompidas
                                                                                                                                                                                A festa seria no dia 20 , re-
                                                                                                                                                                                corda Juquinha.
                                                                                                                                                                                   Jonas e Nilson tinham mais
                                                                                                                                                                                nove irmãos. Eles moravam
                                                                                                                                                                                com os pais e outros dois
                                                                                                                                                                                irmãos mais novos. Os mais
                                                                                                                                                                                velhos tiveram a missão de
                                                                                                                                                                                ajudar os pais, que até hoje
                                                                                                                                                                                não superaram a dor da per-
                                                                                                                                                                                da. O pai, Jadir, participou do
                                                                                                                                                                                protesto por mais segurança
                                                                                                                                                                                na BR-470 realizado em se-
                                                                                                                                                                                tembro, levando uma faixa
                                                                                                                                                                                com a foto dos filhos e uma
                                                                                                                                                                                frase de protesto.
                                                                                                                                                                                    É revoltante saber que al-
                                                                                                                                                                                gumas pendências ainda não
                                                                                                                                                                                conseguimos resolver. Que-
                                                                                                                                                                                ríamos que as economias do
                                                                                                                                                                                Jonas para comprar o carro
                                                                                                                                                                                fossem passadas para o meu
                                                                                                                                                                                pai. Até agora não deu. Pedi-
                                                                                                                                                                                ram até um exame de san-
                                                                                                                                                                                gue, para comprovar se eles
                                                                                                                                                                                não tinham bebido. Pô, sete
                                                                                                                                                                                meses depois? , desabafa Ju-
                                                                                                                                                                                quinha. A revolta do irmão
                                                                                                                                                                                está relacionada também ao
                                                                                                                                                                                que aconteceu com o moto-
                                                                                                                                                                                rista causador do acidente.
Nilson e Jonas estão na lista das 137 pessoas que morreram em acidentes na BR-470 até o início de dezembro de 2011                                                               Ele foi flagrado alcoolizado.
                                                                                                                                                                                Havido bebido duas latas de
  Em abril deste ano, um jo-       sai da cabeça da família Hos-      não tem como , comenta.            e levou o irmão de 19 para      à Sociedade Ferroviário, no            cerveja, andou na contramão.
vem casal planejava o dia do       tin. Ele teve ferimentos na        Tiago, que permaneceu cala-        trabalhar na estamparia. O      quilômetro 35. Nilson mor-             Pagou R$ 950,00 de fiança
casamento em Gaspar. Tia-          perna e após tratamento, já        do durante toda a entrevista,      caminho de casa até a em-       reu no local. Jonas chegou a           e foi liberado uma hora e
go Rubens Hostin, 19 anos,         consegue andar normalmen-          está na fase final do trata-        presa era feito de moto. Jo-    ser levado ao hospital, mas            meia depois. Isso é justo? ,
e Cintia Regina de Souza,          te. Mas o trauma psicológico       mento, aos poucos começa           nas redobrava os esforços no    não resistiu aos ferimentos.           desabafa. Sete meses após
também 19, já estavam nos          permanece. Solange, mãe de         a praticar atividades físicas.     trabalho para juntar dinheiro      Um dos irmãos, Elton Ben-           a morte dos irmãos, a vida
preparativos para a festa. Os      Tiago, ainda está bastante         Perguntado sobre a tragédia        e comprar um carro, que lhe     to, popularmente conhecido             de Juquinha mudou e será
sonhos do casal foram inter-       abalada com a tragédia. Ela        de abril, apenas acenou com        daria mais segurança. Para      como Juquinha, foi avisado             assim para sempre. A gente
rompidos no feriado da pás-        chora toda vez que se lembra       a cabeça que não queria fa-        fugir dos riscos na BR-470,     por telefone do acidente.              começa a repensar a vida e
coa na BR-470, próximo da          do acidente, enquanto busca        lar.                               os dois normalmente usavam      Morador do Gaspar Grande,              com certeza, a valorizar mais
casa de Hostin. Um acidente        forças para motivar o filho a          Sonho                           outro trajeto, pela Rua Pedro   ele foi na hora saber o que            ela. Também damos mais va-
envolvendo dois carros atin-       continuar a vida. É horrível.         No começo deste ano, os         Simon, paralela à BR-470.       havia acontecido, mas nada             lor à família, aos amigos. Isso
giu a moto Honda onde eles         Lembramos disso quase to-          irmãos Jonas e Nilson Bento          No dia 9 de maio, eles de-    pode fazer. Eu estava orga-            conta muito. Do que adianta
estavam.                           dos os dias. A mãe da Cintia       cumpriam uma rotina diária         cidiram passar pelo trecho da   nizando a festa de aniversá-           o dinheiro, do que adianta
  Tiago foi levado ao hos-         está em uma situação pior.         do bairro Lagoa, onde mora-        BR-470 que tanto evitavam.      rio do Jonas. Ele tinha pedido         trabalhar como um louco se
pital e se recuperou. Cintia       Ela perdeu uma filha de 19          vam até o Gasparinho, local        Acabaram atingidos por um       para usar um rancho que eu             não for para estar do lado
morreu no local. Sete meses        anos que ia casar. Ela não         trabalho. Nilson, 31 anos,         veículo que fazia uma ultra-    tenho. Já estávamos vendo              das pessoas que a gente gos-
se passaram e a tragédia não       consegue falar no assunto,         já era experiente na função        passagem forçada em frente      quem seriam os convidados,             ta? , conclui Juquinha,



                                                                          Prostesto exige mais segurança
                                                                                                                                                                                caram-se as negociações
                                                                                                                                                                                para que lombadas ele-
                                                                                                                                                                                trônicas fossem instala-
                                                                                                                                                                                das na rodovia, além de
                                                                                                                                                                                uma maior fiscalização
                                                                                                                                                                                da Polícia Rodoviária
                                                                                                                                                                                Federal.
                                                                                                                                                                                    Graças a Deus não
                                                                                                                                                                                teve mais nenhum aci-
                                                                                                                                                                                dente no trevo de acesso
                                                                                                                                                                                a Gaspar depois da tra-
                                                                                                                                                                                gédia com os alunos.
                                                                                                                                                                                   Acho que as orações
                                                                                                                                                                                do padre e do pastor
                                                                                                                                                                                que estiveram no dia do
                                                                         Rodovia foi fechada, por uma hora, num apelo por mais segurança no mês de setembro                     protesto deram resulta-
                                                                                                                                                                                do. É uma coisa divina,
                                                                           Foram 20 anos como            setembro, pedindo por mais      vi que não poderia mais fi-             porque a rodovia con-
                                                                         proprietário de um fer-         segurança.                      car quieto. Algo precisava             tinua insegura. Vamos
                                                                         ro velho a 100 metros              Demorei demais para to-      ser feito. A população não             rezar para que continue
                                                                         da BR-470 e do trevo            mar essa atitude. Eu sempre     aceitava mais tanta insegu-            assim. O que nós que-
                                                                         de acesso a Gaspar. Ro-         falava que ia fazer isso, mas   rança , lembra.                        remos é lutar pela vida,
                                                                         mildo Marafon foi o or-         acabava me acomodando.            O protesto fechou a rodo-            impedir mais mortes,
                                                                         ganizador do protesto           Depois daquela tragédia         via por mais de uma hora e             mais tristezas nesta ro-
                                                                         que fechou a rodovia em         com a van de Nova Erechim,      depois do evento, intensifi-            dovia , finaliza.
Indignação levou familiares das vítimas ao protesto
Gaspar/SC - 7 de Dezembro de 2011




Com a missão de salvar                                                                  FOTOS JORNAL METAS
                                                                                                                                             Trabalho próximo do perigo



                                                                                                             é a imprudência, principal-
                                                                                                             mente a velocidade. Todo
                                                                                                             mundo está sempre com
                                                                                                             pressa. Os cinco minutos
                                                                                                             que se perde ao sair de casa
                                                                                                             tenta-se compensar na es-
                                                                                                             trada , comenta Pereira.
                                                                                                                O sargento lembra tam-
                                                                                                             bém, de outro problema de
                                                                                                             atrapalha o atendimento
                                                                                                             dos profissionais: a quanti-
                                                                                                             dade de pessoas em volta        O frentista Campos já presenciou vários acidentes na rodovia
                                                                                                             de um acidente. Os curio-
                                                                                                             sos atrapalham muito nas          Em maio deste ano,              paralelepípedo do Mar-
                                                                                                             ocorrências. Todo mundo         no bairro Margem Es-              gem Esquerda e evita,
                                                                                                             quer ver, todo mundo quer       querda, em Gaspar. Era            ao máximo, trafegar na
                                                                                                             ajudar, mas só atrapalham.      17h30min e o frentis-             rodovia. Ele reclama da
                                                                                                             Essas pessoas colocam a         ta Pedro Campos, 45               falta de respeito dos
                                                                                                             própria vida em risco, ao       anos, já estava em casa           motoristas, para ele a
                                                                                                             ficarem parado, no meio da       após um dia de traba-             maior causa de aciden-
                                                                                                             pista , acrescenta.             lho quando ouviu um               tes. Uma vez, em um
                                                                                                                Os bombeiros que traba-      barulho vindo da BR-              acidente com morte
                                                                                                             lham na BR-470 também           470, Km 39, que fica a            no trevo de acesso ao
                                                                                                             aguardam pelo funciona-         poucos metros de onde             Sertão Verde, alguns
                                                                                                             mento das lombadas ele-         mora. Ele perguntou               frentistas ajudaram no
                                                                                                             trônicas e do processo de       para um vizinho se sabia          atendimento, tentando
                                                                                                             duplicação. Valério alerta      o que havia acontecido,           isolar o local onde ocor-
                                                                                                             que as obras ajudarão na        que respondeu tratar-se           reu a batida. Mas nin-
                                                                                                             segurança, mas não inibirão     do estouro do pneu de             guém respeita, os mo-
                                                                                                             todos os acidentes. O fluxo      uma carreta.                      toristas passam em alta
                                                                                                             de veículos cresce a cada         Campos foi até a ro-            velocidade e ignoram o
                                                                                                             dia nesta rodovia. Mesmo        dovia conferir e viu que          que ocorre na pista , re-
                                                                                                             com a duplicação, as im-        era mais que um simples           clama.
                                                                                                             prudências e o excesso de       furo de pneu. Um aci-               Ele conta ainda, que
                                                                                                             velocidade vão permanecer.      dente envolvendo um               frentistas e outros tra-
                                                                                                             Então, não adianta apenas       Fiat Uno, que tentou ul-          balhadores as margens
                                                                                                             fazer mais pistas, é preciso    trapassar um caminhão.            da rodovia costumam
                                                                                                             trabalhar a educação dos         O motorista morreu na            auxiliar em caso de aci-
                                                                                                             motoristas e também dos         hora, foi um acidente             dentes: Eu não gosto
                                                                                                             outros passageiros dos veí-     muito grave , recorda             muito disso. Teve um
                                                                                                             culos , afirma. Um exemplo       Pedro.                            acidente com um moto-
                                                                                                             de cuidados com outros            Acidentes fazem par-            ciclista em que o pneu
Cruzes foram fincadas no acostamento da rodovia em protesto as mortes ocorridas no trevo de Gaspar           passageiros é com as crian-     te da rotina de Campos.           da moto furou e ele se
                                                                                                             ças. Pai de uma menina de       Além de morar perto da            perdeu na pista. O pes-
  Sábado, 27 de agosto de         precárias. A iluminação, por        26 anos de carreira, ele pas-          quatro anos, Pereira acre-      BR-470, ele agora tra-            soal do posto foi ajudar,
2011. Um veículo cruza a          exemplo, não existe sequer          sou os últimos 15 no posto             dita que muitos pais não        balha na rodovia, como            mas fazer isso também
BR-470 no trevo de acesso         em trevos de acesso. Outro          da área Norte de Blumenau,             prestam atenção nos filhos       frentista em um posto             é arriscado. Não enten-
a Gaspar em alta velocida-        fator é a bebida e volante,         localizado a 50 metros da              pequenos durante uma via-       no Margem Esquerda.               do como eles ainda não
de. Uma van de Nova Ere-          uma combinação que já se            BR-470. É deste ponto que              gem, que pode causas pro-       Para ir ao trabalho, ele          duplicaram a BR-470.
chim tenta desviar e bate de      provou não combina , ob-            sai o socorro dos Bombei-              blemas depois. Eu sou pai       percorre todos os dias a          Se os governantes tives-
frente com um caminhão.           serva José Carlos.                  ros em acidentes na rodovia            e já vi a minha filha tentan-    pé, as margens da rodo-           sem responsabilidade,
Quatro pessoas morreram,            Tragédias também fazem            no trecho de Blumenau e, às            do tirar. Por mais que tu fa-   via. Tem que ter muito            resolveriam tudo em
entre elas três crianças.         parte do cotidiano do sar-          vezes, de Gaspar e Indaial.            les, ensine, sempre haverá o    cuidado mesmo, porque             uns três anos , dispara o
Uma quinta vítima morreu          gento Valério Pereira. Com             O maior problema ainda              risco .                         se não vem um carro em            frentista.
semanas depois no hospital.                                                                                                                  alta velocidade e te atro-
  O sargento do Corpo de                                                                                                                     pela , afirma.                      Lombadas
Bombeiros de Gaspar, José                                                                                                                      Campos apoia e acre-              Outro acidente que
Carlos da Silva, estava de                                                                                                                   dita que a instalação das         marcou Nicoletti foi no
plantão neste dia e, mes-                                                                                                                    lombadas       eletrônicas        trevo de acesso a Gas-
mo acostumado a atender                                                                                                                      (uma perto de sua casa),          par, onde quatro pes-
pessoas acidentadas dia-                                                                                                                     irá ajudar a diminuir os          soas morreram em uma
riamente, não conseguiu                                                                                                                      acidentes na BR-470. A            van, sendo três crianças.
conter a emoção. Para ele,                                                                                                                   opinião é compartilha-               O pai de uma destas
este foi um dos momentos                                                                                                                     da por Gilberti Nicoletti,        crianças esteve aqui
mais tristes entre tantos                                                                                                                    colega de profissão que           no final de novembro,
que presenciou em seus 24                                                                                                                    também já testemunhou             para saber o que havia
anos de profissão. Ainda no                                                                                                                   diversos acidentes gra-           sido feito para dar mais
local do acidente, José Car-                                                                                                                 ves na rodovia.                   segurança no trevo.
los pedia por mais seguran-                                                                                                                    Nicoletti mora no               Eu não conversei dire-
ça no trevo. Quantos ainda                                                                                                                   bairro Gasparinho, mas            tamente com ele, mas
precisarão morrer aqui? ,                                                                                                                    vem para o trabalho               colegas aqui do posto
questionou. Na opinião do                                                                                                                    de ônibus, pois, segun-           falaram das lombadas
sargento, a rodovia só é                                                                                                                     do ele, é mais seguro.            eletrônicas que estão
perigosa porque há muita                                                                                                                     Quando precisa vir de             sendo instaladas , reve-
imprudência. A sinalização                                                                                                                   carro, utiliza as ruas de         la Nicoletti.
e iluminação também são           Sargento Pereira: duplicação não irá inibir todos os acidentes de trânsito na rodovia
Gaspar/SC - 7 de Dezembro de 2011




Comunidade cobra duplicação já                                                                                                                                                                  FOTOS JORNAL METAS




   “Algo que nunca vai me sair da                                    “Não tem como um lugar ter    “Nós ainda esperamos a duplicação,
  cabeça é uma tragédia em 2000”.                                progresso sem um acesso decente”.   mas já está virando uma utopia”.
       Zenilda Regina da Silva                                              Mário Werner                      Sérgio Niques
   Os acidentes no trevo de      já está virando uma utopia,     um lugar ter progresso sem
acesso a Gaspar na BR-470        de tanto que atrasam , afir-     um acesso decente, isso não     Agricultor diz que antes era mais tranquilo
já viraram rotina para os tra-   ma. Uma das três lombadas       existe , afirma.
balhadores do Posto Pionei-      instaladas na rodovia fica no                                       O processo de duplica-       reno ser cortado pela BR-470           muito abaixo do valor de
ros, que fica junto ao trevo.     Km 39, em frente a Serra-         Comércio                      ção da BR-470 já mobi-          no anos 90, quando foram               mercado, gerando perdas
O local é o que possui maior     ria Werner. O proprietário        A empresária Zenilda Re-      lizou diversas entidades,       feitas as obras de extensão.           para a família. Plantador
frequência de acidentes no       do estabelecimento, Mário       gina da Silva conhece bem       reuniu abaixo-assinados             Até então, a rodovia ia só         de arroz, ele tem sua pro-
trecho do Médio Vale.            Werner, acredita que a me-      a BR-470. Ela nasceu e cres-    e foi motivo de protestos       até Gaspar. Aqui nós tínha-            dução nos dois lados da
   O gerente do posto, Sérgio    dida vai ajudar a diminuir      ceu em uma casa nas mar-        nas cidades cortadas pela       mos o acesso ao Morro do               rodovia e precisa cruzar
Niques, vem todo dia de Ita-     o número de acidentes na        gens da rodovia, no bairro      rodovia. No entanto, a          Baú por uma estrada de bar-            a pista com o maquiná-
jaí, passando pela rodovia.      região. Porém, alerta para a    Margem Esquerda. Após o         proposta não é unânime.         ro. Era uma tranquilidade só.          rio. Eu não posso colocar
Ele conta que já foi chama-      criação de outro problema:      casamento, ela trocou a re-        O   agricultor    Hélio      Eu saía de casa de manhã e             um trator na pista. Então,
do de louco por fazer este       os congestionamentos na         gião pelo Gasparinho, mas       Stanke, 56 anos, morador        deixava tudo aberto. Depois            para chegar do outro
trajeto diariamente e que já     via.                            voltou a morar nos anos         do Morro Grande, entre          que fizeram a rodovia, eu já            lado, eu vou precisar an-
viu tudo que é tipo de impru-       Quanto a parte dos aci-      1990. Hoje, é dono do res-      Gaspar e Ilhota, é um dos       fui assaltado quatro vezes ,           dar quilômetros até um
dência na pista.                 dentes, as lombadas são ne-     taurante e lanchonete La        contrários ao projeto. Ele      desabafa.                              retorno. Eles fizeram o
    No começo, a cada aci-       cessárias e vão ajudar. Ago-    Terra.                          nasceu e sempre morou              Stanke conta que a inde-            projeto e não ouviram a
dente, o pessoal aqui saia       ra, podem ter certeza que         Zenilda presenciou vários     na região e viu o seu ter-      nização feita nos anos 90 foi          gente , dispara.
correndo para ver o que          elas irão segurar o trânsito.   acidentes e casos de impru-
havia acontecido. Hoje, já       A velocidade caindo vai ge-     dência ao volante. Fatos que
virou uma triste rotina. Não     rar filas enormes , declara.     fazem ela redobrar a aten-
nos surpreendemos mais.             Werner está há 21 anos       ção ao trafegar na rodovia.
Motoristas em alta velocida-     com o negócio as margens         Algo que nunca vai me sair
de, fazendo ultrapassagens       do rodovia. Ele conta que       da cabeça é uma tragédia
em curvas, pelo acostamen-       instalou a empresa no local     ocorrida em 2000. Era 24
to, ninguém respeita mais        de olho no deslocamento         de dezembro, às 4h30min
nada , comenta.                  dos clientes. O empresário      quando ouvimos o barulho.
   Para Niques, a instalação     também cobra a duplicação       Um motociclista havia se
de lombadas eletrônicas vai      da rodovia e não entende        acidentado e depois uma
amenizar o problema, mas         por que o assunto ainda não     Saveiro passou por cima. O
o Dnit deveria ter aceito a      foi resolvido.                  condutor da moto morreu
proposta de uma rotatória           Quando nós falamos de        horas antes de estar com a
no trevo. Só assim para o        desenvolvimento, do cres-       família, celebrando o natal ,
pessoal realmente diminuir       cimento de uma região,          relembra. Pelos problemas       O agricultor Hélio diz que o projeto de duplicação foi feito sem ouvir os moradores
a velocidade. Nós ainda es-      automaticamente      falamos    de segurança, Zenilda tam-
peramos a duplicação, mas        nos acessos. Não tem como       bém defende a duplicação.
Trabalhos vencedores
do prêmio Adjori/SC

Categoria:
Reportagem Pautada
Ano XI    Número 846   Gaspar/SC, 14 de Dezembro de 2011                R$ 2,00            Bissemanal                                www.jornalmetas.com.br

                    Caminhão do                                        Católicos do                                             Santos tem
                    Lions mantém a                                     Belchior celebram                                         o primeiro
                    tradição natalina                                  111 anos                                                     desafio

                               GERAL          A6                               ESPECIAL           A14 e 15                                                     ESPORTES          A19




Paca assume
                                                                                                                                                                     JORNAL METAS




pré-candidatura
Líder do PMDB reaparece na cena política em grande estilo                          POLÍTICA A3
                                                                                                                                Dom José Negri veio para a
                                                                                                                                inauguração da iluminação da Matriz



                                                                                                             BARBARA BERNARDO
                                                                                                                                São Pedro Apóstolo

                                                                                                                                                                 GERAL      A6




                                                                                                                                                                  GERAL             A7

                                                                                                                                Briga em bar termina com homem
                                                                                                                                esfaqueado em Ilhota



                                                                                                                                                                DIA-A-DIA           B

                                                                                                                                Terra do Sol completa dez anos de
                                                                                                                                serviços prestados à comunidade



                                                                                                                                                           COMUNIDADE               A5

                                                                                                                                Moradores reclamam de problemas de
                                                                                                                                drenagem no Santa Terezinha




                                                              Uma volta às origens                                                                                 GERAL            A8

                                                            para conhecer o legado                                              Motorista embriagado provoca acidente
                                                                                                                                e termina na prisão
                                                            dos italianos em Gaspar
                                                                              GERAL     A9a A12
Gaspar/SC -14 de Dezembro de 2011




M
                  iséria, fome e de-
                  semprego.       Estes
                  fantasmas atormen-
                  tavam as vidas das
                  famílias de imigrantes
italianos em meados dos anos 1870. A
Itália sofria as consequências devastadoras
de seguidas guerras de unificação, economia
inflacionada e desabastecimento. Sem conseguir
enxergar solução, muitas famílias decidiram por
um caminho radical: atravessar o Atlântico e recome-
çar suas vidas em uma terra pouco conhecida, o Brasil.
Na época, a abundância de terras e a escassez de mão de
obra atraíam os europeus para o novo mundo. Por meio de um
contrato feito entre o governo imperial e Joaquim Caetano Pinto foi
possível que 100 mil imigrantes viessem para o Brasil. Além da força do
seu trabalho, trouxeram uma forte influência cultural - gastronomia, artes,
arquitetura, idioma, música e etc. - até hoje enraizada na população brasileira.
   Gaspar recebeu três grupos de italianos. O primeiro veio do Sul da Itália, e os outros
dois do Norte, sendo que o terceiro de uma região, na época, dominada pelo Império Austro-
-Húngaro, conhecidos por tiroleses ou trentinos. Os imigrantes que compraram terras nas áreas
dos Vales do Itajaí e Itajaí-Mirim eram encaminhados a um barracão antes de seguir para a cidade de
destino. Esse procedimento acabou por denominar um dos bairros de Gaspar de forte influência italiana, o
Barracão. Outros bairros, como Gasparinho e o Alto Gasparinho, sendo o último caracterizado quase essencial-
mente por tiroleses, também foram ocupados por imigrantes italianos. Muitos imigrantes, depois de tentarem a
sorte em outras cidades da região, mudaram-se para Gaspar. É o caso da família Mondini, pioneira no cultivo de arroz
irrigado em quadras no município, além dos sobrenomes Moser, Moretto, Sevegnani, Venturi, Ferretti e Poffo.
   Os primeiros anos foram de muita dificuldade e trabalho. Eles chegaram com a expectativa de que escorria o leite e o
mel. Pegaram, no entanto, terras ruins, extremamente ácidas, morros altos e baixa fertilidade. No começo sobreviveram
mais por teimosia do que pelo o que a terra lhes devolvia. Enfrentar estas dificuldades apegados às heranças culturais fez
com que os imigrantes italianos vencessem todas as dificuldades. Não só a colônia do Gasparinho, mas também do Bateias
e Barracão , acredita Lovídio Bertoldi, relações públicas do Circolo Trentino di Gasparin, estudioso da história italiana
em Gaspar e descendente de trentinos. Para os descendentes ficou a certeza de que
nada existiria não fosse o trabalho sustentado em três pilares: religiosidade,
trabalho e amor pela família. Por isso, em um rancho na Rua da Santinha,
no Gasparinho, um agradecimento àqueles que ergueram os primeiros
alicerces: antepassados, muito obrigado .
   E o legado continua muito vivo na memória dos habitantes mais anti-
gos. Era muita dificuldade. Por exemplo, minha mãe, a cada ano tinha
um bebê. Ganhava o bebê ao meio-dia e à noite já estava de pé para
cuidar da família e dos afazeres da casa. Quando eu era pequena, cuida-
va dos irmãos, fazia a comida e frequentava a escola quando dava; depois
de alguns anos comecei a ir também para a roça , conta Matilde Santina
Bertoldi, de 73 anos. Tenho até dó de morrer de tão bom que é viver , com-
pleta o sempre bem humorado marido, Hercílio Marcelino Bertoldi, 84 anos.

(informações retiradas dos livros “Memória Gasparense - imigração italiana em Gaspar” e
“Simplesmente Gaspar” de Leda Maria Baptista).
Gaspar/SC - 14 de Dezembro de 2011




Famílias preservam a tradição nos hábitos, costumes e idioma
                                                                                                                                                                                               ARQUIVO JORNAL METAS




Os italianos mantêm uma forte identididade cultural que passa de geração em geração


  Ao ver um visitante apro-       do pelos imigrantes vin-           em uma série de apresen-       na maior parte da Itália,          ções públicas do Circolo             nha geração, já os nossos
ximar-se da casa, Érica Ni-       dos da região de Trento e          tações feitas pela região.     não consegue compreen-             Trentino di Gasparin, ex-            filhos e sobrinhos não fa-
coletti o saúda no primei-        preservado ainda hoje em           É por brasileiro que as        der o que a nona, nono e           plica que a entidade fez             lam mais. O italiano clás-
ro idioma que aprendeu.           várias famílias que moram          famílias   da    localidade    tios falam quando empre-           um trabalho interessante             sico é o que eles usarão
Quando a família reúne-se,        no bairro Alto Gasparinho.         referem-se ao idioma fa-       gam o trentino. Em casa,           com os filhos de descen-             caso resolvam viajar para
os nonos e seus filhos            Os trentinos também pre-           lado no Brasil, e que foi a    quando estamos só nos              dentes de trentinos em               a Itália , justifica Bertoldi.
falam somente no idioma           servam o idioma nos can-           segunda língua aprendida       dois ou quando estamos             que foi oferecido curso                 A escola Ferandino Dag-
da pátria dos seus ante-          tos entoados pelo grupo            pelos imigrantes.              com os filhos, só falamos          gratuito de italiano por um          noni - que leva o nome de
passados. Uma das noras,          folclórico que faz                          Bárbara Bernar-       o trentino. Só quando vem          período de mais de quatro            um importante descenden-
Rose Nicoletti, aprendeu o        parte do Circo-                             do, neta de San-      alguém que não entende,            anos.                                te de italianos nascido em
dialeto trentino apenas ou-       lo Trentino di                                tina e Hercílio     falamos o brasileiro. É im-          As crianças aprenderam             Gaspar - manteve até pou-
vindo as conversas dos de-        Gasparin.     Se                                Bertoldi, admi-   portante manter o costu-           o italiano clássico, não             co tempo aulas de italiano.
mais familiares. Há muitas        não entendido,                                  te que, mesmo     me, fomos criados assim ,          o trentino trazido pelos             Porém, a falta de professo-
diferenças entre o italiano       o idioma pode                                   conhecendo o      revela Santina.                    primeiros imigrantes. O              res acabou encerrando o
clássico e o trentino fala-       ser    admirado                                 idioma falado       Lovídio Bertoldi, rela-          trentino é falado até a mi-          projeto.


                                  Nona Santina Bertoldi
                                  ajuda a preparar a
                                  polenta da festa
                                                                                                        Festa Italiana resgata a cultura
                                                                                                        Um dos eventos mais            boa festa todos os anos. A           grantes. Por isso, é presen-
                                                                                                        aguardados pela comuni-        cada evento escolhe-se um            ça constante na mesa das
                                                                                                          dade trentina de Gaspar      tema, que pode ser a própria         famílias e restaurantes da
                                                                                                            é a Festa Italiana. Or-    história, as brincadeiras das        região. Polenta tinha pelo
                                                                                                            ganizada pelo Circolo      crianças, o canto (que já era        menos uma vez por dia.
                                                                                                            Trentino di Gasparin,      feito pelo Grupo Folclórico          Ou com leite, queijo ou
                                                                                                           a festa reúne diversas      Gasparetto) e a gastronomia.         ovo. Não se passava fome,
                                                                                                          atrações, como o grupo        Por duas festas, trouxemos          só miséria de dinheiro , re-
                                                                                                         folclórico do Circolo, além   dona Paula Venturi, de Ro-           corda Santina Bertoldi. A
                                                                                                       da famosa e farta culinária     deio, para nos auxiliar no res-      receita que passa de mãe
                                                                                                      regada a muito vinho. A fes-     gate dos pratos típicos. Hoje,       para filha continua mui-
                                                                                                    ta foi criada para resgatar e      o cardápio está mais requin-         to presente no cotidiano
                                                                                                    manter vivos os costumes           tado, com massas e carnes            dela, que faz de três a qua-
                                                                                                    italianos.                         específicas e algumas saladas         tro polentas, por semana,
                                                                                                       Lovídio Bertoldi, relações      que ela incrementou , conta          para o restaurante dos fi-
                                                                                                    públicas do Circolo, reforça       Lovídio.                             lhos. Antes, a polenta era
                                                                                                    essa proposta de resgate da           Entre os vários pratos trazi-     comida de pobre, hoje é
                                                                                                    herança cultural trazida pe-       dos da Itália está o tortéi, uma     prato de luxo , diverte-se a
                                                                                                    los imigrantes. Segundo ele,       espécie de massa recheada, e         simpática senhora.
                                                                                                    tudo se assenta sobre o tripé      que até ganhou um evento                Pelo menos uma vez na
                                                                                                    amor (à família, à Deus e às       próprio, no CDC Aliança, no          semana Érica Nicoletti faz
                                                                                                    suas coisas), a religiosidade      bairro Barracão, também de           a polenta no fogão à lenha.
                                                                                                    e o trabalho. Conseguimos          forte colonização italiana.           Geralmente faço quando
                                                                                                    mostrar a importância de um                                             os filhos estão aqui. Dá
                                                                                                    povo ter a sua história. Nes-         Polenta                           também para fazer no fo-
                                                                                                    te caso, tivemos uma grande           Macarrão, lasanha e tor-          gão a gás, mas não fica tão
                                                                                                    parceria da historiadora Leda      téi são saborosos pratos da          gostosa , garante.
                                                                                                    Batista , revela Lovídio.          culinária italiana. Porém, não          Para a nona, a verdadei-
                                                                                                       A Festa Italiana incorpo-       existe nenhum que se identi-         ra polenta precisa ser cor-
                                                                                                    rou-se de tal forma à cultura      fique mais com o povo que a           tada com uma linha, como
                                                                                                    dos trentinos que é quase          polenta. Aliás, esse foi o prato     fazia sua mãe e sua nona
                                                                                                    uma obrigação fazer uma            que mais alimentou os imi-           italianas.
Gaspar/SC - 14 de Dezembro de 2011




                                                                               BarBara Bernardo


                                                                                                   Raízes fortes na música

                                                                                                      Em 1996, Lovídio           ter um coral, cantando com           de seu país de origem,
                                                                                                   Bertoldi foi à região de      vozes definidas, ou ter um           a viagem e o progresso.
                                                                                                   Trento visitar a terra de     grupo para cantar como               “É algo que está dentro
                                                                                                   onde vieram seus bi-          faziam nossos nonos. Op-             da gente. Um povo sem
                                                                                                   savôs. Na Associazone         tamos por um grupo com               história é um povo sem
                                                                                                   Trentini Nel Mondo, ele       homens, mulheres e todo o            memória. Manter as tra-
                                                                                                   foi incentivado a procu-      tipo de vozes. Não impor-            dições é manter a histó-
                                                                                                   rar o Circolo Trentino        ta a forma, mas o resgate            ria viva”, diz.
                                                                                                   de Rodeio, responsável        deste canto em memória de              A casa de Santina e
                                                                                                   por organizar as de-          nossos antepassados”, afir-          Hercílio Bertoldi, além
                                                                                                   mais entidades na re-         ma Lovídio.                          de ser local de reunião
                                                                                                   gião, para que o grupo           Euclides Rampelotti con-          dos filhos, é também
                                                                                                   de Gaspar passasse a          ta que, em 1992, durante             onde se guardam rou-
                                                                                                   ser um Circolo - até en-      a inauguração da Associa-            pas e utensílios utiliza-
                                                                                                   tão era o Grupo Folcló-       ção Esportiva Recreativa             dos pelos Circolo. Mes-
                                                                                                   rico Gasparetto.              Gasparinho, foi feita a pri-         mo já tendo passado
O engenho do Nono será uma das atrações do futuro Roteiro Vila D´Itália                               Foi a paixão pela Itá-     meira “cantoria” e então             dos 70 anos, o casal faz
                                                                                                   lia e heranças deixadas       surgiu a ideia de organizar          questão de estar presen-
   Embora a região do            Truticultura                      tura produz aproxima-           pelos imigrantes que o        o grupo. “É bastante grati-          te nas apresentações,
Gasparinho, por nature-          O restaurante aberto pe-          damente 60 mil peixes           Circolo se formou e res-      ficante participar, manter           sejam elas na região ou,
za, seja muito bonita e        los irmãos Dionísio e Ni-           por ano, sendo 50 mil           gatou a história e cos-       viva a raiz que veio da Itá-         como já aconteceu uma
atraia turistas de todo        valdo Bertoldi é conhecido          criados no outro municí-        tumes dos imigrantes.         lia”. Para Euclides, a música        vez, na Argentina. “Can-
o mundo, ainda não há          pelos deliciosos pratos à           pio. “Antes faltava peixe,      Dentre um dos princi-         que mais chama a atenção             tamos por alegria. Não
integração entre os lo-        base de um peixe de águas           principalmente nos me-          pais resgates está a mú-      dos trentinos é a canção do          é um cantar de músico
cais. A proposta do Ro-        geladas: a truta. Até 2001,         ses de fevereiro, março         sica italiana. “Fizemos       imigrante, que fala sobre o          mesmo, é para diverti-
teiro Vila D’Itália, que       o negócio dos Bertoldi              e abril, quando o mo-           uma opção. Poderíamos         momento em que partiram              mento”, conta Hercílio.
existe no papel, mas de        era uma serraria, mantida           vimento aumenta. Hoje                                                                                            arquivo Jornal Metas

fato não está estrutu-         em parceria com a família           não falta mais”, garante
rado, é integrar estes         Rampelotti. Ao perceberem           Dionísio. Os clientes do
locais, proporcionando         que o empreendimento não            restaurante vêm de to-
experiências culturais e       era mais tão viável, eles in-       dos os municípios da
contato com hábitos e          vestiram em outra área. Na          região e Litoral, mas al-
costumes locais.               verdade, o empreendimen-            gum vem de Curitiba es-
   “Temos o Fazzenda           to começou em 1996, com             pecialmente para apre-
Park Hotel, hoje o me-         criação e pesque-pague. A           ciar os pratos à base de
lhor do seu segmento no        evolução para restaurante e         truta. Vera e Terezinha,
Brasil, e a Truticultura       os diversos pratos servidos         esposas de Dionísio e
Bertoldi, que atraem tu-       hoje foi consequência da            Nivaldo, respectivamen-
ristas o ano todo, mas         qualidade do trabalho. Em           te, são responsáveis por
existe a necessidade de        2001, Dionísio foi a Trento         preparar todo o cardá-
integrar os locais turísti-    conhecer a criação de tru-          pio. O rodízio inclui filé
cos para que possam ser        tas de Olívio Armanini, um          de truta com alcaparras,        O grupo de cantoria completa 20 anos em 2012
complementares e ainda         dos maiores do país. Ele            vinho, amêndoas, alho e
ampliarmos o trabalho          passou dicas e adaptações           óleo e agridoce de aba-
para as áreas da música        que seriam necessárias              caxi, além da truta frita e
e teatro”, comenta Iza-        para a Truticultura Bertoldi        defumada. A Truticultu-         Uma descendente distribuindo conhecimento
bel Soppa, diretora de         tornar-se um local atrativo.        ra Bertoldi também está
Turismo da prefeitura.         Em parceria com primos de           na internet (www.truti-            Entre os tantos descen-    mação. Se alguém queria um           grafia cedida pela diretora
Além destes dois atra-         Botuverá, hoje a truticul-          culturabertoldi.com.br).        dentes de italianos que       conselho, pedia para ela. Era        Sandra, Ana era uma pes-
tivos, Izabel cita o en-                                                            Jornal Metas
                                                                                                   fizeram a história de Gas-    referência na localidade por-        soa boa e calma, mas que
genho do nono, embora                                                                              par, a figura de Ana Lira     que tinha estudo a mais, o           às vezes passava a régua
ainda não totalmente                                                                               se destaca. Ela não era       que era bem visto na época”,         nas canelas dos alunos
em condições de rece-                                                                              natural da cidade, porém      conta Sandra.                        mais atrevidos, como era
ber o turista.                                                                                     teve grande participação                                           costume.
   O objetivo principal do                                                                         na educação de crianças,                                              Ela ficou muitos anos
Vila D´Itália é agregar                                                                            principalmente no bair-                                            internada em um hospi-
valor ao patrimônio cul-                                                                           ro Gasparinho. Sandra                                              tal e morreu em 1959,
tural italiano que existe                                                                          Buchmann, diretora da                                              porém teve tempo de
na região por meio da                                                                              escola que leva o nome                                             ver um de seus sonhos
estruturação      turística                                                                        da educadora, vê Ana                                               tornar-se realidade. Como
baseada em modelos                                                                                 Lira como uma pessoa                                               devota de Nossa Senhora,
trentinos. O projeto foi                                                                           batalhadora, que dedicou                                           ela idealizou uma gruta
enviado para apreciação                                                                            sua vida à educação, um                                            em local próximo à capela
da Associazone Trentini                                                                            verdadeiro marco na vida                                           Santo Antônio, onde em
Nel Mondo e cadastra-                                                                              da comunidade. Ela não                                             uma noite ocorreu uma
do para pleitear verbas                                                                            casou, não teve filhos e                                           procissão. Pela distância
junto ao Ministério do                                                                             viveu grande parte de sua                                          da capela e condições do
Turismo. “O maior patri-                                                                           vida na sacristia da igreja                                        terreno, Frei Pedro, na
mônio não é o que se vê                                                                            da comunidade Santo An-          Aneta ensinava em portu-          época, sugeriu que a gru-
de fora e sim o conhe-                                                                             tônio, onde ela também        guês, mas também falava ita-         ta fosse erguida na entra-
cimento, costumes e a                                                                              dava catequese, limpava,      liano, o que a ajudava a lecio-      da do cemitério. No dia da
cultura que vamos tra-                                                                             organizava as missas e as     nar entre os filhos e netos de       inauguração, Aneta veio
zer de dentro das casas                                                                            liturgias. “Ana, conheci-     imigrantes. O forte sotaque          do hospital e, sobre uma
para o turista”, observa                                                                           da na comunidade como         que marcava as palavras que          cadeira de rodas presen-
Izabel.                                                                                            Aneta, destacava-se pela      pronunciava mostrava a sua           ciou a realização de seu
                               Dionísio cuida dos peixes criados em águas geladas
                                                                                                   sua educação, sua for-        origem. De acordo com a bio-         sonho.
Gaspar/SC - 14 de Dezembro de 2011




A história em imagens                                                                                 A fé deixou marcas profundas

   Integrante do Circolo            pais pontos que a fazem           chama a atenção da jo-             As mãos entrelaçadas        no canal católico Rede Vida
desde pequena, Bárbara              lembrar da Itália. Tudo o         vem. Alguém tem que              em um rosário deixam          todos os dias. Na companhia
Bernardo hoje estuda                que tem a ver com a Itália,       continuar indo atrás de          clara uma das principais      de seu marido, Hercílio
jornalismo e tenta regis-           eu tenho que estar dentro.        coisas novas e antigas           características dos italia-   - ministro
trar a história de seus             Faço parte de um comitê jo-       relacionadas aos italia-         nos: a religiosidade. Os      da Eucaris-
antepassados através de             vem com pessoas do Para-          nos. Não podemos per-            trentinos trouxeram para      tia há 36
trabalhos realizados na             ná e Santa Catarina em que        der esta coisa bonita ,          Gaspar essa vocação.          a n o s
faculdade. Este ano, para           falamos sobre como pode-          finaliza Barbara.                 Santina Bertoldi lembra       - San-
a disciplina de Fotojor-            mos resgatar esta cultura .                                        que, quando os filhos          t ina
nalismo, ela elaborou o               Para o trabalho de con-                                          eram pequenos, depois         acom-
livro Terra dei nonni               clusão de seu curso, ela                                           de passar o dia na roça,      panha
- a imigração na voz de             pensa em fazer algo re-                                            iam para a casa, lavavam-     o terço
quem vive como eles .               lacionado à imigração.                                             -se, rezavam o terço e só     e a mis-
Ela explora os princi-              O canto é o que mais                                               então dormiam. Quando         sa     trans-
                                                                                                       vinha trovoada, o costu-      mitidos pela
                                        REPRODUÇÃO “TERRA DEI NONNI
                                                                                                       me era rezar de joelhos       emissora.
                                                                                                       e todos marcavam pre-            Lovídio Bertoldi, filho do
                                                                                                       sença sempre que havia        casal, acredita que a fidelida-      irmãos, meus primos,
                                                                                                       missa na comunidade A         de à religião foi fundamental       pessoas do Circolo, e
                                                                                                       gente foi criado assim. A     não apenas para a adapta-           muitos outros italianos
                                                                                                       fé é muito importante,        ção dos imigrantes ao Brasil,       acreditam em Deus des-
                                                                                                       quando precisamos de          mas também para o cotidia-          ta forma: não como uma
                                                                                                       alguma coisa, nos agar-       no e conforto nos momentos          obrigatoriedade,    algo
                                                                                                       ramos a Deus , diz a se-      mais difíceis. Ele se recorda       imposto, mas com a con-
                                                                                                       nhora.                        de ver sua nona sempre com          vicção, com a crença de
                                                                                                         E o tempo a tornou          um rosário na mão e de re-          que esta é a maneira de
                                                                                                       ainda mais devota. A te-      zar o terço todas as noites         enfrentar a vida de uma
O livro de Barbara resgata, em imagens, a evolução dos trentinos em Gaspar
                                                                                                       levisão fica sintonizada       em casa. Não só eu, meus            ótica melhor .




Vanguarda no plantio de arroz                                            Receita antiga que dona Erica prepara todos os anos no Natal

  Foi também um des-                para Gaspar a novidade,                 Ao       se
cendente de italiano                que chamou a atenção                 aproximar a                                                                                           genros e noras se
que mudou completa-                 de outros agricultores               época de Na-                                                                                          reuniram e passa-
mente a agricultura em              e aos poucos se espa-                tal, a família                                                                                        ram todo aquele
Gaspar. As sementes                 lhou pela cidade. Hoje o             Nicoletti tira                                                                                        dia limpando a
de arroz viajaram no                arroz irrigado é o prin-             dos     fornos                                                                                        casa, para deixá-
navio com o imigrante               cipal produto agrícola               de      dentro                                                                                        -la brilhando para
Giovanni Mondini, pio-              do município e sustenta              de casa e os                                                                                          o Natal. As corti-
neiro no plantio de ar-             mais de 300 famílias.                leva até a                                                                                            nas deixaram as
roz irrigado em Santa                 Lino Mondini, filho de              garagem da                                                                                            janelas e serão
Catarina. Foi na cidade             José, continuou a plan-              casa dos no-                                                                                          substituídas      por
de Ascurra que ele ini-             tar arroz por 48 anos,               nos para as-                                                                                          novas e até o lado
ciou sua plantação de               mas decidiu arrendar as              sar deliciosos                                                                                        de fora recebeu
arroz em quadros, tra-              terras quando os filhos               docinhos de                                                                                           uma nova pintura.
dição que passou para               não puderam mais aju-                Natal. A re-                                                                                           A família é tudo
seu filho, José, a quem              dá-lo na lavoura. Vejo               ceita é antiga                                                                                        para nós. Como
deu um lote de terras               que hoje os agricultores             e de família.                                                                                         seria se nós esti-
em Gaspar. José trouxe              que plantam arroz pas-               A vó, Erica                                                                                           véssemos aqui so-
     ARQUIVO FOTO CLUBE DE GASPAR
                                    sam trabalho. Não tem                Nicoletti,                                                                                            zinhos, sem eles? ,
                                    incentivo e o preço é                chamada                                                                                                  questiona Érica.
                                    maluco, o arroz é prati-             por to-                                                                                                       Somos sem-
                                    camente dado , observa.              dos de                                                                                                       pre unidos.
                                    Lino consegue lembrar-               nona,                                                                                                        Não só com
                                    -se ainda dos tempos                 aprendeu a fazer com       desde cedo para preparar         do temos algum problema,            os filhos, mas os netos
                                    em que usavam o cava-                sua mãe, que aprendeu      a massa, cortar, assar e         todos vem aqui. Estão to-           também sempre vem,
                                    lo para puxar o arado e              com a mãe dela. Com        pintar os docinhos. É com        dos dispostos a ajudar .            conversam com a gen-
                                    conta que até a década               formas que ganhou no       muita alegria e uma mesa         Apenas um dos seis filhos           te, nos respeitam , conta
                                    de 1970 foi bom plan-                dia de seu casamen-        cheia para o almoço que          do casal não mora nas               Paulino. A família italiana,
                                    tar arroz, depois o pre-             to, há 55 anos, ela faz    os nonos recebem a famí-         proximidades, porém, vem            além de ser bastante uni-
                                    ço começou a cair.                   doces em forma de          lia em casa, para mais uma       todo o final de semana de           da, geralmente tem uma
                                       Lembro do tempo em                pequenos cavalos que       ocasião.                         Blumenau para visitar a fa-         grande prole. Paulino con-
                                    que a gente se sacrifica-             serão distribuídos en-        Como em toda a família        mília. Os finais de semana          ta que isto acontecia por-
                                    va para cortar o arroz               tre toda a família. Com    italiana, tudo é feito em        costumam ser de reunião             que os casais de imigran-
                                    à mão. Amarrávamos o                 ajuda de filhos e no-      conjunto. A gente faz tudo       e nos dias de semana, há            tes eram instruídos pela
                                    arroz com cipó e trazia              ras, as bacias logo se     junto. É muito bom poder         sempre um filho ou um               igreja a ter muitos filhos.
                                    para casa. Era uma fes-              enchem de docinhos         receber a família para es-       neto que passa pela casa             Na época de meus pais,
                                    ta. A gente era acostu-              quentes,     esperando     tas coisas , conta a nona.       dos nonos.                          os padres diziam que uma
                                    mado assim , relembra.               por glacê e tinta. O dia   Já o nono, Paulino Nicolet-        Neste ano, no dia em que          família com poucos filhos
                                                                         reservado para fazer       ti, destaca que não é ape-       o casal voltou do encer-            não era família de verdade
                                    José Mondini foi o                   o doce de Natal é um       nas na hora dos doces ou         ramento de atividades da            e que evitar filhos era pe-
                                    primeiro a plantar arroz             acontecimento fami-        do almoço de domingo que         terceira idade, encontrou           cado. Por isso as famílias
                                    irrigado em Gaspar                   liar. Todos se reúnem      a família se reúne. Quan-        uma surpresa. Os filhos,            eram tão grandes .
Trabalhos vencedores
do prêmio Adjori/SC

Categoria:
Anúncio de Equipe
Gaspar/SC - 10 de Dezembro de 2011
Trabalhos vencedores
do prêmio Adjori/SC

Categoria:
Anúncio de Agência
Gaspar/SC - 8 de Outubro de 2011

Prêmios - Jornal Metas

  • 1.
    Trabalhos vencedores do prêmioAdjori/SC -Jornalismo -Publicidade & Propaganda
  • 2.
    Trabalhos vencedores do prêmioAdjori/SC Categoria: Coluna
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    Gaspar/SC - 17de Agosto de 2011 Somos 7 bilhões de solitários Conversações andre@jornalmetas.com.br Por André Soltau comunidade mundial: os con- “Em se tratando de crises pessoais, parece imediato às infor- mações que es- sumidores e existir um consenso de que o melhor tão literalmente freqüen- remédio é a solidão” ao alcance de tar os nossas mãos em seus lo- brinquedinhos cais de E eletrônicos encontros: m 1719, quando o casa na serra ou tranca sua porta, cada vez me- os shop- escritor inglês Daniel tira o telefone do gancho, desliga nores. Quanto pings. Só Defoé lançou o roman- celular e se vê no frenético mun- maior o gru- existimos ce Robinson Crusoé, a do das emergências em que tudo po de ami- se consumi- Modernidade estava é aqui, já e para hoje. gos que nos mos certos em seu auge defendendo o ra- O fato é que esse blá-blá-blá ro- seguem em tipos de bens cionalismo, o individualismo e o mântico é a síndrome contempo- alguma site (com marca sucesso a qualquer preço. Sua rânea. Cada dia um número maior de relacio- reconhecida e história foi popularizada em di- de pessoas está só. Em um país namentos status de pri- ferentes versões para o cinema como o Brasil, segundo dados do mais soli- vilégios). Um - com direito a inspirar outras censo IBGE, mais de 4 milhões de tários pa- celular ou carro como no filme O Naúfrago (Dire- pessoas moram sozinhas. Vendo recemos só existem en- ção Robert Zemeckis. Ano 2000) os dados lembrei da frase do filó- estar e quanto o modelo - resiste ao tempo e arriscaria al- sofo Mcluhan: Os homens criam os en- novo não chega gumas hipóteses sobre os moti- as ferramentas e as ferramentas contros às lojas. Nós? Va- vos que mantém viva a trajetória recriam os homens . A vida está são mais mos trabalhando do sobrevivente de um naufrágio mostrando que a solidão não ser- virtuais para pagar o mo- e suas artimanhas para sobrevi- ve para revermos nossos mundi- do que delo velho em uso, ver em uma ilha deserta acom- nhos pessoais e sim que vejamos pesso- adquirir dinheiro panhado de um amigo que não nossas próprias criações huma- ais. A para comprar o mo- se comunica com ele pela pala- nas determinando o que somos, soli- delo novo e, enfim vra - Crusoé tem a companhia de pensamos fazemos ou queremos. dão é desfilar diante de Sexta-feira, nome que identifica A solidão é um mal contemporâ- u m olhos seduzidos pela o dia em que apareceu na ilha neo. Alguns países a tratam como fantasia de também já não tão deserta; e um Wilson, doença que prejudica a sociedade grande proble- tê-lo. boneco montado com uma bola como um todo. Os dinamarqueses ma do presente e tende a ser um E s s e velha e palha para servir de com- possuem 36 % de sua população problema ainda maior no futuro. novo é tão compul- movimento frenético panhia ao personagem de Tom atingida pela solidão; 35% dos in- A Organização Mundial da Saúde sivo a ponto de não percebermos e constante alimenta o Hanks. gleses, 30% dos Alemães e chega estima que mais de um milhão que os objetos que compramos mundo ocidental e vai tomando, Em se tratando de a 50% dos moradores da ro- de pessoas se suicidem por ano começam a desvalorizar assim aos poucos, o oriental. Afunda- crises pessoais, mântica Paris. Outro tanto que criou o Dia Mundial de que o agarramos. Uma vez ad- mos em empréstimos interminá- parece exis- dado curioso é que Prevenção ao Suicídio em 10 de quiridos, o celular/carro/roupa/ veis que nos privam das coisas tir um certo nesses países os setembro. bolsa perde seu sentido e o nosso básicas da vida em nome do sta- consenso índices de sui- Os humanos sempre procu- de desejo de possuir não se encer- tus de possuir. Status de ser! Ser de que o cídios são alar- raram formas de acalentar seus ra com o produto em nossa pro- o que mesmo? Eis a aldeia global. melhor re- mantes. momentos solitários criando deu- priedade. Logo terá outro produto Afinal não estamos sós. Temos o médio é a No cenário ses para si, buscando soluções e que chamará nossa atenção. So- direito de participar do mágico solidão. O tecnológico criando expectativas em outros mos colecionadores de múltiplos universo fashion. Os objetos que isolamento do século XXI, humanos, apropriando-se de ví- atos de compra e venda e não de compramos parecem dar à gente serve para como explicamos cios, jogos leituras, músicas ou atos solidários. o sentindo de existência. Fazem que observe- que vivemos imer- filmes. Com o consumo não fun- Assim, chegamos às nossas de nós colecionadores de atos de mos melhor sos em imagens ciona assim. A cultura do efêmero identidades. Os objetos nos dão compra. Com essa solidão não se nossos limites em uma cultura mundo consumista oferece uma o direito de participar em uma brinca. e as armadilhas midiática que torna abundante e variada gama de que nossas vidas as vidas privadas um objetos de desejo ao alcance das aprontam. SPAs, espetáculo e as re- possibilidades de nossos bolsos. Dicas praias, des sociais co- Abundância que cresce na mesma locam todos proporção em que nos tornamos Livros: os dias sós. muitas Vivemos um medo constante ONZE TIPOS DE SOLIDÃO. Richard Yates. Editora Quetzal. pesso- que é estendido para a educação as em aos filhos. Ofertamos objetos de Filmes: con- última geração compensando-os tatos pelas nossas falhas e ausências. A Casa de Areia. ( Direção: Andrucha Waddinngton. Ano 2005) virtu- Como Crusoé - nosso personagem Nell ( Direção: Michel Apted. Ano 1994) ais. literário - mantemos uma comu- T e - nicação com os objetos sem um Primavera, verão, outono, inverno e... primavera mos retorno. Falamos sós. Sonhamos ( Direção: Kim Ki-Duk. Ano 2003) aces- com o que está a venda em lojas s o virtuais ou reais. O desejo pelo
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    Trabalhos vencedores do prêmioAdjori/SC Categoria: Projeto Especial
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    Herói ou vilão? O primeiro trabalho científico Resgatar a história de um Reprodução/Capa H herói que virou vilão é ain- da mais difícil. Muitos docu- erói ou vilão? mentos da época da coloni- Conclu- zação foram queimados por sões são Joseph Phillipe Fontaine, tiradas em diretor interino da Colônia cima de Belga, deixado aqui por Van relatos, de boatos e até Lede após seu retorno para do emocional de quem a Bélgica. participa como agente Fontaine temia que a pa- dos acontecimentos. A pelada fosse usada como história, no entanto, exis- prova das falsas promessas te para pesquisar e orga- feitas por seu patrão aos nizar cronologicamente os colonizadores e ao governo fatos. brasileiro. Ao longo da his- Antes, porém, eles pre- tória, alguns descendentes zação Belga em Santa Ca- cisam ser exaustivamente de belgas, por curiosidade, tarina”, publicado na revista analisados, juntados e re- pesquisaram seus ante- Blumenau em Cadernos, ten- montados para que os mitos passados, reuniram fotos do como um de seus focos deem lugar a verdade que de família e de eventos a discussão das questões será narrada às gerações. públicos, mas nada que relacionadas à história de Em nenhum outro lugar des- pudesse lançar luzes so- Blumenau e do Vale. te imenso Vale do Itajaí sur- bre a verdadeira história Outros 33 anos se pas- giram tantos pontos de inter- da colônia. Passaram-se, saram para que o professor rogações como na pequena então, 128 anos para o Paulo Rogério Maes fosse Ilhota, cidade de pouco mais surgimento do primei- atrás de suas raízes e trans- de 12 mil habitantes, que faz ro relato científico sobre formasse sua pesquisa em li- fronteira com Itajaí, Gaspar, a colonização belga em vro. “Toda vez que pergunta- Brusque e Luiz Alves. O herói Santa Catarina. Em 1972, vam meu nome, pronunciava colonizador, que tanto orgulho o professor e pesquisador Maes, logo vinha a exclama- provoca nas pessoas pelo seu joinvilense Carlos Ficker, ção - Ah! Alemão! E quando pioneirismo e altruísmo, neste assina a bibliografia “Char- eu falava que não, que era caso não passa de um grande les Van Lede e a Coloni- belga, que era flamengo, se- aproveitador, explorador e mal Reprodução/Capa guia-se a interrogação - Bel- feitor. gas? Flamengos? Em Santa A história, em Ilhota, teria Catarina? De onde vieram? seguido outro rumo não fosse Quando vieram? Por que a coragem de um punhado de vieram?”, escreve o autor na agricultores belgas ignorantes e introdução de “Colonização empobrecidos que, enganados Flamenga em Santa Catarina pelo seu líder, rebelaram-se tão Ilhota” (2005). Maes tam- logo desembarcaram na terra bém fala da sua angústia de prometida do baixo Vale. ver crescer em Santa Cata- Hoje, graças a essa alforria tes por vergo- ascendência Flamenga. As con- rina cidades colonizadas por forçada Ilhota pode orgulhar-se nha, desconhecimento ou medo dições de vida eram as piores alemães, italianos, polone- de ser a primeira e única colô- de remexer na ferida aberta possíveis, além do fato que a ses, austríacos, enquanto a nia belga a prosperar no Brasil, em novembro de 1844 quan- intenção não era colonizar, mas história da colônia belga no título, aliás, que por muito tem- do Charles Maximiliano Van explorar as riquezas minerais estado simplesmente diluiu- po foi negado aos descenden- Lede trouxe para cá o primeiro encontrados no subsolo catari- se no meio de outras etnias. grupo de imigrantes belgas de nense. Outras iniciativas Reprodução/Capa Do livro de Paulo Rogério na Colônia belga estabelecida didático sobre a história da co- ração”, justifica. Na esteira Maes a outra iniciativa de his- em Ilhota na segunda metade lonização de Ilhota e passou a da obra, foi lançada, em toriagrafar a colonização belga do século XIX. “Iniciamos o tra- ser utilizado nas escolas como 2009, “Ilhota - O Encan- em Ilhota passaram-se apenas balho em 1998, foram mais de referência. “É quase uma obra to dos Belgas no Vale do doze meses. Em 2006, as pro- mil horas de entrevistas”, conta de apoio pedagógico”, acres- Grande Rio, de Ana Luiza fessoras de Estudos Sociais e Viviane. centa Elaine. Para a professora, Mette e Elaine Cristina de bacharéis em História, Viviane As dificuldades foram enor- em história não existe verdade Souza, outras manifesta- dos Santos e Elaine Cristina mes porque o material de pes- absoluta. Portanto, acusar Van ções de resgate da história de Souza, publicaram “Movidos quisa era bastante escasso. Lede de enganar e explorar os da colonização e da cultura pela esperança - a história cen- “Na década de 1980, houve um imigrantes belgas é simplista belga surgiram por iniciativa tenária de Ilhota”. movimento de resgate da histó- demais. “É preciso contextuali- do poder público, como a O livro, baseado em documen- ria, nos embalos das festas de zar os fatos à realidade. Naque- Expobelga, e dos próprios tos, entrevistas e pesquisa, se outubro, mas que acabou não la época, o governo brasileiro descendentes, interessados aproxima ainda mais da verdade prosperando”, lembra Viviane. dava terras para os coloniza- em saber mais sobre seus sobre o que de fato aconteceu O livro foi o primeiro material dores com o objetivo da explo- antepassados. Expediente Diretor: José Rober to Deschamps - Gerente Adm. Financ: Juliana P. Z Deschamps - Produção gráfica: Pedro Paulo F. Schmitt - Textos: Kássia Dalmagro - Edição: Alexandre Melo - Impressão: Jornal de Santa Catarina - e-mail: jornal@jornalmetas.com.br
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    O país doscolonizadores M as, afinal, como é o País de onde vie- ram os primei- ros coloniza- dores de Ilhota? Com uma área total de 30.502Km², a Bélgica, que possui cerca de 10,7 milhões de habitantes, é divi- dida em três regi- ões: Flandres, Va- lônia e Bruxelas e definida em quatro áreas linguísticas: fran- cês, alemão, holandês e por bilíngue na capital Bruxelas. rios e No País, existem as comu- inúmeros nidades francesa, flamenga e afluentes germânica. Seu território limi- e canais ta-se ao norte com a Holanda que promo- e o Mar do Norte; a oeste, vem o desen- com Alemanha; a sudeste, volvimento da navegação. com Luxemburgo; e ao sul, Este pequeno País pos- com a França. A superfície do sui uma longa história. território belga apresenta ca- No início da nossa era, o cia do racterísticas físicas básicas, território estava ocupado pelo país foi sendo a planície costeira, lo- general Romano Júlio César. proclama- calizada a noroeste do país; Então, o rei medieval Clovis da no dia o planalto central, situado no adaptou este país para sua 21 de julho interior; e as ardenas, loca- casa. As hordas escandina- de 1831, lizada no sudeste. A Bélgica vias pilharam esta região em sendo que possui dois importantes rios, várias ocasiões. A linha dos seu pri- são eles: Escalda e Mosa. A Condes de Flandres nasceu meiro rei foi região é influenciada pelo cli- no norte do país, enquanto Leopoldo de Saxony- ma do tipo temperado, apre- os luteranos reclamavam so- -Coburg. senta temperaturas médias de berania mais ao sul. Sob os Com o passar dos anos, o 25°C no verão e de 7°C no duques da Burgundy, a Bélgi- país conquistou um elevado inverno. O país possui uma ca viveu um período de pros- índice de industrialização e fabricação de excelente infraestrutura de peridade econômica e cultural exerce um papel importante vidros, chocola- transportes: uma densa rede que durou até os espanhóis na União Europeia. tes, diamantes e mó- ferroviária, uma rede de es- estabelecerem as regras. A economia do país é bas- veis. tradas segundo as modernas Foi finalmente sob a ocu- tante diversificada, sendo que Além da agricultura, que exigências, e um desenvolvi- pação francesa que as funda- os setores que mais se des- se destaca na produção de mento conjunto de cursos de ções do reino da Bélgica foram tacam são: metalurgia, medi- frutas, como uva, ameixa e água navegáveis constituído estabelecidas. A independên- camentos, eletrônicos, têxtil, morangos. Reprodução livro “Bélgica - Figuras a 300 Cores” Informações Nome: Reino da Bélgica Capital: Bruxelas. Governo: Monarquia constitucional. Moeda: Euro. O Palácio Real na capital, Bruxelas Castelo em Ieper, no sopé dos montes da Flandres Ocidental Ingresso na União Europeia: 25 de março de 1957. Densidade demográfica: 350,5 hab./ km². PIB (Produto Interno Bruto): 454.580 milhões de dólares. Renda per capita: 45.310 US$. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,867. Religião: cristianismo 90,4% (católicos 90%, protestantes 0,4%), islamismo 1,1%, sem filiação e ateísmo 7,5%, outras 1%. Liège fica localizada na confluência do Meuse com o Ourthe Lumecon é uma antiga procissão em honra ao santo padroeiro Fonte: Governo da Bélgica
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    Reprodução Dos Açoresao Zaire, de Patrick Marselis (2005) Recusa resoluta de apoio real pelo ministro, para Charles Van Lede Pobreza trouxe belgas ao Brasil Arquivo pessoal Um belga em terras tupiniquim Personagem central da colo- nização belga em Santa Cata- rina, Charles Maximiliano Luiz belge-brésilienne de Colonisa- tion, Van Lede desembarcou no Brasil. A sua missão era avaliar Conflitos marcam o início da colônia Em sua primeira viagem ao Brasil, Van Lede havia se en- cantado com a o Vale do Ita- o grupo no Rio de Janeiro. Dessa forma, Van Lede não conseguiria cumprir a exigência contratual de zação, onde as condições cli- máticas, os animais selvagens e serpentes espalhavam-se por Van Lede, para alguns, é vilão, o solo e as florestas catarinen- jaí. O solo era propício para a trazer 100 imigrantes. toda a região”. para outros herói. Historiadores ses, para a exploração de fer- agricultura e havia a possibili- Ainda assim, ele não desanimou Diante do ambiente hostil, e pesquisadores ainda procu- ro, carvão e outros minérios. O dade de exploração de miné- e iniciou a construção das primei- Fontaine também decidiu re- ram por essa resposta. belga foi o rios. No entanto, ele não teve ras 16 casas de madeira que de- tornar à Bélgica, deixando os O que todos têm certeza é primeiro o seu contrato ra- ram origem a aldeia de Ilhota. Em imigrantes sem rumo. Antes de que Van Lede foi um homem a realizar tificado pelo fevereiro de 1845, Van Lede viajou partir, destruiu todos os docu- à frente do seu tempo, um em- uma via- governo bra- para o Rio de Janeiro e, em maio mentos e ainda exigiu que os preendedor com espírito aven- gem de sileiro. Van do mesmo ano, embarcou de volta colonos assinassem um termo tureiro. “Cada homem é filho do cunho Lede atribuiu para a Bélgica, deixando a Colônia confirmando terem recebido as seu tempo”, afirma a historia- científico a negativa aos cuidados de Philippe Fontaine. terras e toda a infraestrutura dora Elaine Cristina de Souza. à parte ao episódio Em 28 de julho de 1845, a Câma- necessária para se estabele- Ela lembra a importância de navegá- anterior com ra dos Deputados aprovou o Pro- cerem. Nessa época, a colônia Van Lede para o desenvolvi- vel do De Jaeger. O jeto de Lei de criação da Colônia. era formada por 63 pessoas. A mento do Vale. “Foi ele (Van Itajaí- belga decidiu No entanto, o clima já era ruim e direção da Colônia passou en- Lede) que abriu as portas para -Açu. lançar-se num as desavenças entre a chefia e os tão para Gustave Lebon, que a colonização e mapeou o Vale. Na via- projeto próprio, trabalhadores só cresceram. também teria desistido meses O Dr. Blumenau só chegaria à gem, e comprou O cotidiano dos colonos belgas depois. A embaixada da Bélgi- região oito anos depois”. Nas- a l i - 9.600 hectares ficou marcado por uma série de ca também negou ajuda. cido em 1801, na região de men- de terras, sen- conflitos, trabalho e dificuldades de A vida na colônia só pros- Bruges, Van Lede estudou em tou a do 6.250 do adaptação. Aprenderam a pescar, perou graças ao trabalho dos Paris, cumpriu serviço militar ideia Coronel Henri- caçar, derrubar árvores, construir imigrantes. Em 1874, um fato na Espanha, como um solda- d e que Flores, na casas, engenhos de fabricação de novo tirou o sossego dos mo- do mercenário que rebelou-se u m época um gran- farinha, açúcar, e principalmente radores. Os herdeiros de Van contra a tirania absoluta do rei gran- de latifundiário, reivindicar seus direitos. De acordo Lede reivindicaram a posse das Fernando VII. Em 1830, com a de pro- 2.150 hectares com as historiadores Ana Luiz Met- terras. O Cônsul da Bélgica no independência da Bélgica, re- jeto colonizador, com a finalida- do padre Rodrigues e te e Elaine Cristina de Souza, no Desterro, Henry Schutel, tam- tornou ao país para ser recru- de de explorar a mao de obra. outros 1.200 de uma senho- livro Ilhota - Encanto dos Belgas bém colaborou para o conflito tado como oficial de engenha- Van Lede trouxe o primeiro ra de sobrenome Aranha. Em no Vale do Grande Rio - as dis- ao valer-se de uma procuração ria. Enviado em missão militar grupo em 1844, permanecendo 4.100 hectares, Van Lede fun- córdias iam desde o descontenta- de Van Lede para negociar al- ao México, Van Lede viajou as no Brasil pouco tempo. Retor- dou uma pequena povoação mento pelo pagamento maior pelos guns terrenos. Não bastasse Américas como técnico em mi- nou para Bélgica em maio de que batizou de Ilhota, porque serviços desmatamento a colonos estes dois fatos, em 1889 o nas e tesouros ocultos. 1845, deixando a colônia sob a em frente ao local havia uma brasileiros do que aos belgas até Hospital de Bruges requereu Esteve na Argentina e depois direção de Joseph Philipp Fon- ilha que submergiu em defini- escassez de mantimentos. Eram parte das terras da colônia de- no Chile, onde trabalhou para taine, e nunca mais retornou. tivo na grande cheia de 1911. frequentes as rebeliões na colônia, ixadas por Van Lede em tes- o governo daquele país como Na Bélgica, ocupou cargo no Em agosto de 1844, 114 por isso os belgas foram taxados tamento. Quando o procurador engenheiro de construção de Conselho Provincial de Flandres imigrantes belgas da região de de arruaceiros, brigões e malan- Van Dal iniciou o trabalhos de pontes, estradas e portos. em 1848. Van Lede faleceu em Bruges, de origem Flamenga, dros. Gonçalves, neto de uma jo- medição das terras, mais de Em 1842, já a serviço da 1875, deixando suas terras no partiram do Porto de Ostende vem belga, descreve as condições 80 moradores de Ilhota e das Societé Commercial de Bruges Brasil como doação ao Hospital com contrato firmado para cul- de vida dos imigrantes: “Se por um vizinhanças, todos armados, o e proprietário da Compaigne de Bruges. tivar nas terras da futura co- lado, viver na Europa estava difícil agrediram, apoderaram-se de P Governo brasileiro incentivou a vinda de imigrantes europeus com a finalidade de ocupação de áreas que estavam sendo ameaçadas por expedições de espanhóis e holandeses lônia a 3 francos por dia de em virtude dos vários conflitos e seus instrumentos e o expul- serviço. Os problemas de Van a pobreza que assolava as família saram de Ilhota. O Ministério da ara entender o que medida em que trocavam a força via um pequeno povoado, com Alves Ramos. Além destes ha- imigrantes foram chegando e se Lede começaram antes de europeias, viver na cocanha brasi- Bélgica pronunciou-se e favor se passou na Colô- do seu trabalho por um pedaço pouco mais de 1.100 habitantes, bitantes, havia muitos índios, ou estabelecendo nas colônias, os chegar ao Brasil. Segundo re- leira, também não era tarefa fácil dos colonos e a pendência foi nia Belga em Santa de terra. O governo brasileiro, por fundado por volta de 1820. As bugres como eram conhecidos, silvícolas foram sendo expulsos Primeira tentativa frustrada latos, 16 belgas abandonaram nas primeiras décadas de coloni- encerrada. Catarina, é preciso sua vez, tinha interesse de po- terras eram praticamente todas nas matas.Os índios não tinham para o interior e, por fim, dizi- Arquivo pessoal Salviano Castelain contextualizar os voar o litoral que estava sendo de posse do Coronel Agostinho local fixo. Na medida em que os mados pelos caçadores. Embora a serviço da Socie- dentes têm hoje sobrenomes cenários econômico e social da alvo de muitas expedições es- Reprodução dos Açores ao Zaires, de Patrick Marselis (2005) té Commercial de Bruges, Van aportuguesados). A tradução segunda metade do século XIX. panholas, no Sul, e holandesas, Lede nunca escondeu de nin- do contrato do francês para o A Europa vivia uma grande cri- no Norte/Nordeste. guém o seu projeto pessoal de português foi feita por C. De se econômica em função da Re- aproveitar a mão de obra dos Jaeger. Segundo Van Lede, o volução Industrial que provocou Incentivo seus compatriotas para explo- contrato teria sido traduzido, desemprego em massa, fome e Depois da implantação da po- rar os minérios. Em 1841, a propositalmente, de maneira o empobrecimento da população lítica de defesa e ocupação con- Societé de Bruges, por inter- distorcida. As cláusulas não rural. tra a invasão do seu Litoral, o médio de Van Lede, adquiriu agradaram nem um pouco a O Brasil, com pouco mais de 20 governo brasileiro passou a in- a concessão de 900 km² ao Societé. De Jaeger rebateu as anos de independência, despon- centivar a formação de núcleos longo do rio Itajaí-Açu, com acusações dizendo que o Van tava no cenário pela abundância colonizadores. Em Santa Catari- direitos sob o subsolo. Entre Lede agia movido por inte- de terras férteis e riquezas em na, embora tardia, várias regiões as cláusulas do contrato es- resses pessoais. Ele também minérios, principalmente carvão, passaram a receber imigrantes: tavam o investimento de BEF acusou o belga de não se pre- ferro e ouro. No entanto, a mão São Pedro de Alcântara, Vale 6.000.000 (hoje em torno de ocupar com os interesses de de obra escrava havia se tor- do Rio Tijucas, Vale do Itajaí 30.000.000 euros); assen- seus compatriotas ao aceitar a nado cara e escassa em função e as margens do Itajaí-Mirim. tamento de 100 famílias; in- cláusula da nacionalidade bra- da proibição do seu tráfego. A A região Sul era o alvo prin- vestimentos em infraestrutura sileira aos filhos de imigrantes. solução era importar trabalha- cipal das empresas colonizado- e a subsistência das famílias. Ao retornar a Bélgica em 1842, dores da Europa. As fazendas de ras por causa das terras serem Para os colonizadores, havia Van Lede foi mal recebido pe- café de São Paulo e de outros inoculadas, o clima semelhante um parágrafo especial em que los seus sócios. As duas so- estados do Sudeste e Nordeste ao europeu e a possibilidade de eles não podiam ser escravi- ciedades foram dissolvidas. No do país passaram a atrair a mão desenvolver outras culturas em zados e que os filhos nascidos entanto, Van Lede não desis- de obra europeia em troca do substituição a cana-de-açúcar no Brasil teriam automatica- tiu e, com o apoio do rei da sonho dos agricultores cultivarem em franca decadência no Brasil. mente nacionalidade brasilei- Bélgica Leonardo I, constitui Vista geral do centro da cidade de Ilhota - década de 1950 em seu próprio pedaço de terra. Na região que mais tarde viria ra (por isso, muitos descen- uma nova Companhia Belga. Esta independência acontecia na a ser ocupada pelos belgas, ha- Descrição e esboço da colônia belga na região de Itajaí
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    Cultura relegada Os primeiros imigrantes Philipe Fontaine, 43 anos (diretor da Colônia) Jean Nicolas Denis Isler, 46 anos (sub diretor) a segundo plano Pierre Plettincks, 43 anos (médico) Emmeric Crebeels, 48 anos (alfaiate) Pierre Deprez, 42 anos (particular) Leonard Vandergucht, 48 anos (agricultor) François Walthez, 48 anos (particular) François Hollenvoet, 36 anos (particular) Fotos Jornal Metas Reine de Vrekc, 36 anos (dona de casa) com outras cidades da região. Jean Van Heicke, 46 anos (agricultor) Historiadores defendem que Louis Christiaens, 28 anos (negociante) essa cultura é maquiada, pron- Pierre Veighe, 36 anos (jardineiro) ta para ser comercializada. Ana Cherles de Waele, 37 anos (ourives) Luiz Mette e Elaine Cristina de François de Smedt, 40 anos (agricultor) Souza, afirmam na obra “Ilhota - François Beyts, 44 anos (agricultor) O encanto dos belgas no Vale do Maxem Milcamps, 20 anos (particular) Grande do Rio”: “Em Blumenau, Louis Maebe, 27 anos (carpinteiro) ao assistir um daqueles bem Hypolite V. Heyde. 23 anos (capitalista) organizados desfiles a imagem Henri Plancke, 42 anos (agricultor) que se guarda é de um povo Leonard Degand, 52 anos (agricultor) loiro de olhos claros, tipicamen- Eugene Maes, 43 anos (agricultor) te vestidos. Ora, nenhum colono Ignace de Sanders, 42 anos (agricultor) alemão usava aqueles trajes que GregoireHimpens, 40 anos (agricultor) são chamados de típicos, nem Henri Devreker, 29 anos (carpinteiro) tão menos construíram casas em Charles Castelein, 31 anos (agricultor) estilo enxaimel. Esses símbolos Louis Van der Busche, 32 anos (arador) foram criados no presente”. Jean Baptiste Buelens, 29 anos (pedreiro) R A futura sede da Fundação Cultural de Ilhota Criada há quatro meses, a Pierre Heytens, 38 anos (agricultor) Fundação Cultural de Ilhota, ini- Gustave Lebon, 26 anos (particular) aras foram as ten- O professor Paulo Maes, ciou um trabalho de resgate da Pierre Brackeveld, 42 anos (agricultor) tativas de resgate conta na introdução do seu li- colonização belga em Ilhota. A Henri Wismer,40 anos (agricultor) da cultura belga vro “Colonização Flamenga em ideia, de acordo com o diretor, Ange Gevaet, 47 anos (agricultor) entre os descen- Santa Catarina - Ilhota”, que o Vanderlei Dal Bello Lazarotti, é E. François Milcamp, 22 anos (charleroi) dentes. “Nunca motivo mais forte para buscar resgatar nas famílias o orgulho Jean Van de Vrecken, 30 anos (agricultor) houve preocupação em preser- suas raízes foi ver as lágrimas de descender de belgas, pois Jean Baptiste Vilain, 31 anos (agricultor) var a cultura belga, em alguns nos olhos do seu avô, cada vez muitos sequer sabem da sua Edouard de Smet, 22 anos (trabalhador) momentos os descendentes que ele falava de sua gente. “... origem. A história será levada ao Bernard Lecluyse, 21 anos (barbeiro) sentiam até vergonha das sua Ele tomava minha mão e pa- povo por meio de intercâmbios, Judoc Mussche, 23 anos (carpinteiro) origens”, conta a historiadora recia reviver contando as his- seminários, projetos e eventos Michel Coucke, 21 anos (agricultor) Viviane dos Santos. A religio- tórias do seu tempo, dos seus culturais. “A Casa da Cultura vai Romain Busso, 17 anos (estudante) sidade, segundo ela, é até hoje pais que, nos dias de festas aproximar o povo de Ilhota da Martin Verlinden, 30 anos (trabalhador) a grande herança deixada pelos com seus sapatos de paus, sua história, tornando-o agente Auguste Lebon, 22 anos (particular) belgas. “Todos os descenden- reuniam-se e conversavam em multiplicador das informações”, Charles Devleeschower, 36 anos (serrador de madeira) tes eram muito católicos”. Per- flamengo, enquanto as espo- explica Lazarrotti. A sede da Gerard De Rycke, 49 anos (jardineiro) manece, também, como forte sas, com seus aventais e seus Fundação Cultural será o prédio Jean B. Van Hamme, 39 anos (caçador) vínculo, os sobrenomes Maes, gorros, tratavam na cozinha de reformado da antiga prefeitura, Benoit De Ny’s, 23 anos (particular) Maba, Brockveld, Castellain, preparar-lhes a refeição”. que, segundo Lazarotti, é hoje Charles de Gandt, 56 anos (proprirtário) Gevaerd, Hostins, Maba, Villain, Inevitável, no entanto, é com- a única referência da arquitetura Ange Gillis, 18 anos (trabalhador) entre outros. parar a colonização de Ilhota belga no município. Ange de Neve, 31 anos (trabalhador) Bernard Van Rie, 47 anos (trabalhador) Bruno Claeys, 32 anos (trabalhador) Ilhotense junta imagens da história do município Charles Opstaele, 22 anos Honoré Ego, 30 anos (agricultor) (agricultor) Salviano Castelain, 64 Philippe Deprez, 29 anos (agricultor) anos, é um apaixonado pela Leonard Maes, 31 anos (agricultor) história dos seus antepassa- Charles Schloppal, 22 anos (vive de rendas) dos. Embora tenha saído de Pierre Sijs, 17 anos (carpinteiro) Ilhota muito cedo, em 1965, Clement Vanysere, 21 anos (agricultor) para servir ao Exército e tra- François Meuwens, 26 anos (fundidor de ouro) balhar, ele nunca abandonou Joseph Loens, 21 anos (ourives) suas raízes. Há 30 anos, Emile De Gandt, 19 anos (particular) *Obs: emigraram com sua mulher e filhos. Salviano iniciou um trabalho Fonte: Colonização Flamenga em Santa Catarina - Ilhota - Paulo Rogério Maes (2005) de casa em casa, em Ilhota, a fim de juntar documentos e imagens da história do município. Reuniu em torno de 100 fotos. Viúva, a sua bisavó, Catarina Castelain, Salviano: desejo de realizar uma exposição fotográfica com o seu acervo de imagens veio da Bélgica com três filhos - Pedro, Joaquim e famílias, Castelain e Maes, eram descendência. Este é o mo- Catarina. Pedro casou com numerosas e influentes. “Era tivo dele ter se interessado Cristina Castelain e se insta- donos da maioria das terras e pela história. Hoje, residin- lou no bairro Minas. Ali nas- mandavam na política de Ilhota”, do em Balneário Camboriú, ceu José Pedro Castelain recorda Salviano. Ele conta que seu maior sonho é reunir que casou com Rosa Maes, seu avô falava muito dos belgas todo o acervo de imagens pais de Salviano. As duas e a família tinha orgulho da sua em uma exposição. Famílias de descendentes em encontro duranta a Expobelga
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    Raízes na música e nadança O Grupo Folclóri- suficientes para a realização co Belga, criado dos trabalhos. “Era muito difí- oficialmente há cil conseguir, por exemplo, os quatro anos, é discos com as músicas belgas”, hoje o principal afirma. divulgador da cultura em Ilho- Mas, em dezembro de 2006, ta. Mas, conforme explica a um telefonema de Imbituba (SC) professora Elaine Cristina de à Secretaria de Turismo, Indús- Souza, autora do livro “Ilhota, tria e Comércio de Ilhota, deu o Encanto dos Belgas no Vale novo fôlego ao sonho. Do outro do Grande Rio”, escrito em lado linha, falava Maria Anna parceria com Ana Luiza Mette, Catharina Van Deun, de 69 não foi fácil conseguir a conso- anos, descendente de belgas. lidação do grupo. Várias tenta- Ela, que é originária de Bier- tivas fracassaram neste senti- se, a 15Km do sul da Holanda, do. Isso porque não havia na queria doar para a cidade vários cidade material e informações materiais que guardava em sua residência. Na época, em en- trevista ao Jornal Metas, Anna disse que decidiu doar o que tinha guardado após ler uma reportagem publicada em um jornal sobre a colonização bel- ga em Ilhota. “Como eu iria me desfazer destas coisas, resolvi doar para o município. Acredito que estes materiais ajudarão a enriquecer a cultura belga em Ilhota”, disse na época. E Anna estava certa. En- tre os materiais doados estava um livro que mostra passos de danças belgas, além de diver- sos discos, utilizados pelo grupo folclórico até hoje. “Estes ma- teriais facilitaram a criação do grupo e sua permanência na semanalmente para ensaiar as Escola Estadual Marcos Konder, juntam para realizar as apresen- cidade”, explica Elaine. Hoje, coreografias. Formado por alu- o grupo se divide em dois para tações em Ilhota e também em Elaine são 15 crianças que se reúnem nos do ensino fundamental da os ensaios, e os dançarinos se eventos nas cidades da região. Resgate passa pela criação de uma associação de descendentes A história da colonização de seus antepassados. É ela quem de obter a dupla cidadania. Acre- belga em Ilhota, perdida no lidera, inclusive, os passos para ditamos que a criação da associa- fundo do baú de memórias, organizar e criar a Associação das ção é o primeiro passo para essa aos poucos, vem se mostran- Famílias de Descendentes Belgas. conquista”, explica. Segundo Sue- do para o mundo e, principal- A intenção, conforme explica li, diversos encontros e estudos já mente, para os descendentes a tataraneta de belga, é divulgar foram realizados, com o intuito belgas que aqui residem e a história da colonização e res- de adquirir informações para a que tão pouco conhecem do gatar as origens dos ilhotenses. elaboração de um estatuto para a País de onde vieram seus des- “Esta é uma forma de fazer com fundação da Associação. cendentes. O resgate cultural que a história não fique perdi- Em agosto do ano passado, deste caminho tão árduo e da no tempo”, ressalta Sueli. Ela Sueli teve a oportunidade de re- cheio de polêmicas e con- explica que a ideia é formar uma alizar um sonho: colocar os pés troversas, se deve a pessoas associação nos moldes dos Cir- no País de seus antepassados. A Sueli (E), com Marisa e o casal de belgas Francine e Frans como Sueli Ana dos Santos, colos Trentinos e assim, além de viagem à Bélgica, feita na compa- de 38 anos. reunir os descendentes, buscar nhia da ex-secretária de Turismo Na Europa, as amigas passaram muito alegres e hospitaleiros. Apaixonada por cultura, direitos como a cidadania belga e de Ilhota, Marisa Pereira, ficará três dias abrigadas na residência Uma das características deles a descendente das famílias promover ações que aproximem para sempre na memória da des- do casal belga Frans e Francine que percebemos durante esta Vilain e Vander Hecht resol- ainda mais os dois países. “Vários cendente, que nasceu em Ilhota Damnels e, de lá, trouxeram mui- viagem foi a pontualidade”, veu ir em busca da história descendentes possuem a vontade e que reside na cidade até hoje. tas informações. “Os belgas são afirma.
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    Especial Jornal Metas Gaspar, 17 de Dezembro de 2011 www.jornalmetas.com.br Expobelga resgata as tradições B uscar uma identifi- climática de sua história (32 pes- tir ainda mais na festa e oferecer cação com os coloni- soas morreram atingidas por des- ao público ainda mais atrações tí- zadores e trazer para lizamentos de terra) e os festejos picas, como gastronomia, música e Ilhota as principais foram também uma forma de fazer apresentações culturais. tradições da Bélgica. com que nossa comunidade recu- Foram estes os principais motivos perasse a autoestima”, explica. que impulsionaram e incentiva- A 1ª Expobelga contou com a im- Pão de “Berga” ram a realização da 1ª Expobelga portante presença do cônsul Geral em Ilhota. A festa, promovida pela da Bélgica no Brasil, Peter Claes, primeira vez em setembro de que ficou na cidade por aproxima- 2009, foi um acontecimento damente quatro horas. O diploma- importante para fazer com ta do país de origem dos primeiros que os próprios ilhotenses se imigrantes que chegaram a Ilhota interessassem e aprendes- pisou pela primeira vez na locali- sem um pouco mais sobre dade mais antiga colonizada pelo o passado de seus antepas- seu povo e manifestou, na época, sados. Nos dois primeiros o desejo de estreitar os laços co- anos - a festa foi nova- merciais e culturais de Ilhota com mente realizada em 2010 a Bélgica. Em entrevista ao Jornal - os festejos foram orga- Metas, o cônsul ressaltou a impor- nizados pela Associação tância em se resgatar a história da Beneficente Cristã, com colonização. “A história de Ilho- o apoio da prefeitura e ta era pouco conhecida, por isso, também de descenden- acho importante fazer esse resgate tes belgas. e manter viva essa história de liga- “A realização da festa foi ção com a Bélgica aqui em Santa um passo importante para Catarina”, disse na oportunidade. resgatar a nossa história. Além Foi durante a realização da primei- de estreitar laços entre o Brasil e ra festa também que a comunidade Dona Ana ainda prepara o pão belga a Bélgica, os festejos chamaram teve a oportunidade de participar a atenção de diversos belgas, que de uma missa celebrada na Igreja Ingredientes residem em outras cidades cata- Matriz São Pio X, que contou com Soro da manteiga rinenses e até mesmo em outros a participação de Padre Emílio, da sal à gosto estados do Brasil”, ressalta Paulo Bélgica, que veio especialmente de Farinha de mandioca Drum, que presidia a associação na Curitiba para participar dos feste- época. jos. Este ano, por falta de recursos, Modo de preparo: Junte to- Segundo ele, a intenção foi fazer a festa não foi realizada. Entretan- dos os ingredientes até formar com que os ilhotenses pudessem to, segundo Drum, o projeto para um pirão. Frite a massa, dos descobrir as principais caracterís- os festejos do ano que vem já está dois lados, em um frigideira ticas do País de onde vieram os sendo feito. Em 2012, as comemo- como se fosse uma panqueca. primeiros colonizadores. “Além rações passarão a ser organizadas O pão pode ser servido com disso, nosso município havia aca- pela prefeitura, através da Funda- nata. bado de vivenciar a pior tragédia ção Cultural. “A intenção é inves- Gastronomia sofreu influência francesa e alemã Para os amantes da boa grande e fumegante, acompa- belgas levam sua cerveja muito comida, a Bélgica é um nhados de maionese caseira. Eles a sério, e com boa razão. O país verdadeiro paraíso. A gas- são servidos por toda a Bélgica e tem a reputação de especialista tronomia do país sofreu de várias formas diferentes. Uma em cervejas desde a Idade Média. influência das cozinhas ale- das preparações mais comuns é Infelizmente, toda esta rica mãs e francesas e os pratos um caldo de vegetais, com aipo, gastronomia não foi preservada são preparados com muitos cebola e alho-poró com os mexi- pelos colonizadores em Ilhota. temperos. Da proximidade lhões ainda em suas conchas. O resgate da culinária típica é com a França, veio o refina- Outra receita muito consumi- recente: os pratos mais consumi- mento dos pratos e o gosto da no país são os waffles, palavra dos na Bélgica foram apresenta- pela culinária. Da Alema- que vem do neerlandês wafel, dos para os moradores de Ilhota nha, a fartura nas porções. que significa favo de mel. Geral- na 1ª Expoblega. De lá, apesar O prato mais apreciado na mente aromatizadas com canela de não ter comprovação oficial, Bélgica é o “mexilhões com e açúcar, são servidas com caldas apenas uma receita foi passada batata frita”. Aliás, no país, doces. A Bélgica também reina de geração em geração: o Pão de as batatas fritas podem ser quando o assunto é chocolate. O Belga. Até hoje, ele é consumido saboreadas em quiosques ou país produz 172 mil toneladas de pela família de Ana Francisco dos adquiridas com vendedo- chocolate por ano, nas mais de Santos, de 85 anos. Casada com res de rua. Existem mais de duas mil chocolaterias espalhadas Nelson José dos Santos, ela teve O waffles é uma especialidade da Bélgica quatro mil destes quiosques pelo país. Muitos dos chocolates 12 filhos, descendentes de duas e a batata pode ser apreciada ainda são confeccionados artesa- famílias belgas: Vilain e Vander sando descobri que na verdade sua infância. “Aprendi a fazer com 50 diferentes molhos nalmente. É na Bélgica, também, Hecht. O casal é pai de Sueli (leia ela se referia ao Pão de Belga”, a receita com a minha vó”, de acompanhamento. Já os que encontramos uma infinidade matéria na página 6). “Desde explica. Apesar de não conhecer afirma. Segundo Ana, outras mexilhões são servidos tra- de marcas de cervejas - são quase criança, sempre ouvi minha mãe muito de seu país de origem, Ana famílias em Ilhota também dicionalmente em um pote mil espalhadas por todo país. Os dizer “pão de berga”, e, pesqui- lembra que comia o pão desde a consomem o pão.
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    Trabalhos vencedores do prêmioAdjori/SC Categoria: Reportagem Livre
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    Ano XI Número 844 Gaspar/SC, 7 de Dezembro de 2011 R$ 2,00 Bissemanal www.jornalmetas.com.br André Soltau fala Evento para Entrevista exclusiva sobre o excesso doação e com o novo técnico de consumo homenagens do Tupi DIA-A-DIA B COMUNIDADE A5 ESPORTES A19 FOTOS JORNAL METAS Comunidade celebra a padroeira EVENTOS A15 COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS ZONI LTDA. CNPJ nº 03.332.531/0001-70 NIRE: 42 2 0270843 2 - FATO RELEVANTE - COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS ZONI LTDA., em res- peito aos seus clientes, fornecedores e ao público em geral, comunica que através da 18ª Alteração do Contrato Social, o sócio Vilmar da Costa tornou-se proprietário das quotas representativas da participação de 99,9999% no seu capital social. O fato ora noticiado vai ao encontro dos objetivos de implan- tar uma gestão profissional na empresa e o fortalecimento de sua estrutura de capitais. Neste sentido, está sendo cria- do um Conselho de Administração, composto dos seguintes profissionais: Sergio Roberto Waldrich – Presidente Sergio da Costa – Conselheiro Vilmar da Costa – Conselheiro BR-470 Comunica ainda que através da 19ª Alteração do Contrato Progresso e perigo Social, está promovendo a alteração de sua razão social, passando a denominar-se ZONI SUPERMERCADOS LTDA. Gaspar (SC), 01 de dezembro de 2011. COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS ZONI LTDA. na mesma rota Vilmar da Costa – Diretor Presidente A rodovia mais perigosa do Vale também gera empregos GERAL A9a A12 e desenvolvimento
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    Gaspar/SC - 7de Dezembro de 2011 FOTOS JORNAL METAS Rodovia de morte e progresso mos nestes dois municípios, cujo um dos acessos é jus- cresceram e desenvolveram- tamente pela BR-470, o ca- Ganha-pão à beira da BR-470 A “rodovia da -se nas margens da BR-470. A minhoneiro conta que já se morte”, também estrada é o ganha-pão de mi- envolveu em um acidente na é o meio de vida lhares de profissionais: cami- nhoneiros, frentistas, chapas, rodovia, mas jura que a culpa foi do outro motorista. Foi de milhares de donos de postos de combustí- no Viaduto da Mafisa, em pessoas veis, mecânicos, borracheiros Blumenau, um carro cortou e prostitutas que transitam a minha frente. Por sorte, os S durante o dia com desenvol- danos foram apenas mate- ão 472,3 quilôme- tura pelo acostamento. riais. A motorista estava com tros entre Nave- Na profissão há 20 anos, o o cinto e a criança na cadei- gantes e Camaquã, caminhoneiro Jorge Alves de rinha do banco de trás. Mas no Rio Grande do Andrade, 52 anos, conseguiu, foi um susto, fiquei branco e Sul, cortando todo o há seis anos, um emprego em bateu um desespero na hora , Vale do Itajaí e parte do Meio que precisa percorrer a rodo- relembra Andrade. Oeste Catarinense. A BR-470 via de Rodeio a Navegantes. A A mesma sorte não teve o é uma das principais artérias mudança foi boa, diz Andra- seu sobrinho, Juliano Sabel. rodoviárias do Estado e uma de, que às 6 horas da manhã Também caminhoneiro, o das mais importantes estra- já está na rodovia, retornando jovem morreu em 2005, em das de escoamento da produ- no final do dia. um acidente no quilômetro ção agrícola e industrial ca- A BR-470 registrou de ja- 35, próximo ao Auto Posto Faça chuva ou sol, Campos está à beira da rodovia para oferecer seus serviços de chapa tarinense. Em contrapartida, neiro a início de dezembro, Gaspar. Ele tinha uma carre- a BR-470 é a mais perigosa só no trecho do Vale do Itajaí, ta, mas morreu dirigindo um Um pequeno barraco tenho uma filha de dois me- pos garante que há ser- do Vale do Itajaí, por isso é 137 mortes. Enquanto o pro- carro da família. Ele saiu do erguido com pedaços ses para sustentar, mas está viço para todos. A briga popularmente conhecida por cesso de duplicação esbarra posto e tentou cruzar a pista, de madeira, montado as dando tudo certo em casa, eu entre eles é para manter rodovia da morte . na burocracia, os motoristas mas bateu de frente com ou- margens da rodovia, com e a esposa , confirma. os melhores clientes, ou Em alguns trechos, o fluxo precisam trafegar pela rodo- tro carro , conta o tio. a placa Chapa a 100 Campos divide o ponto com seja, os caminhoneiros diário de veículos chega a via com atenção redobrada, A morte do sobrinho foi na metros , revela que ali outro chapa. Eles chegam às que pagam mais pelos ser quatro vezes maior que a principalmente por causa da mesma época em que Andra- existe mais um profissio- 6h da manhã na rodovia e fi- serviços. E para isto, ele capacidade planejada da ro- imprudência, a causa mais de se preparava para assumir nal que vive do tráfego cam até o fim do dia. O chapa faz o seu marketing: A dovia. Somado à imprudência comum dos acidentes. no atual emprego. A tragédia na BR-470. Os chapas aguarda o serviço sentado em moto é uma das apostas. dos motoristas, o resultado é Os mais irresponsáveis o fez repensar se valia à pena são trabalhadores autô- um banco de carro colocado Quero sempre, agilizar o elevado número de aciden- são os caminhoneiros. Temos seguir na profissão, porém nomos, que ajudam os na barraca, ouvindo música o serviço. E quando tu tes e de vítimas fatais. Por que admitir isso. Muitos tra- a decisão foi por permane- caminhoneiros a descar- no celular e acompanhando o fazes algo bem feito, és trás dessa verdadeira carni- balham sobre uma pressão cer na boleia da carreta. Eu regar a mercadoria. Eles movimento na estrada. A te- reconhecido. Fazemos ficina que se tornou o trân- absurda, precisam cumprir gosto de dirigir, gosto de es- também são bastante levisão, colocada no espaço, amizades com os cami- sito da BR-470, escondem-se horários e enfrentam con- tar na estrada, viajando e co- úteis na orientação do lo- não funciona. Não tem ener- nhoneiros, um conta para histórias de sucesso graças gestionamentos e outros pro- nhecendo pessoas. Trabalhei cal de entrega nas áreas gia aqui, a televisão estragou. o outro que tal chapa em justamente ao surgimento da blemas. Acabam cometendo seis meses em malharia e não urbanas das cidades. Ao Colocamos ali para dar uma tal rodovia trabalha bem rodovia há mais de 40 anos. imprudências para chegar no gostei. Num emprego normal longo da BR-470 existem moral , brinca Campos. e assim fazemos os nos- Determinados bairros de Gas- horário , afirma Andrade. a gente fica preso. Aqui é li- vários pontos de cha- Na maioria dos casos, o sos contatos. Tem uma par e Blumenau, só para ficar- Morador do bairro Lagoa, vre. Paro todos os dias nos pas. Um deles fica próxi- caminhoneiro para o veícu- transportadora de São postos e nas empresas, con- mo à entrada do Belchior lo e o chapa entra na caro- Paulo que sempre me verso com gente diferente e Central, ao lado de um na, guiando-o até a empresa aciona quando vem para faço amizades, é disso que eu ferro velho. A pequena aonde será entregue a carga. cá . Trabalhar em uma ro- gosto. Quando aposentar, aí barraca é a instalação de Campos decidiu aprimorar o dovia perigosa não assus- sim vou parar. Hoje, não . Paulo Campos, 25 anos. serviço: colocou sua moto à ta Campos. Para ele, os Para Andrade, a imprudên- Ele trocou um em- disposição. Para o caminho- acidentes têm origem na cia na BR-470 não é apenas prego na fábrica pelo neiro que quer ajuda só na imprudência e na falta de dos caminhoneiros. Ele faz trabalho de chapa na hora de descarregar, a gente atenção dos motoristas. uma alerta para quem vai tra- rodovia há um ano e não tem a moto. Vai rápido e dá Muitas vezes, são peque- fegar neste final de ano pela se arrepende. Eu ganho mais segurança para eles, que nos detalhes. Uma distra- rodovia: Eu gostaria de ter bem mais , revela. Para não precisam colocar um es- ída, a pessoa está meio uma câmera fotográfica para o chapa, quem trabalha tranho na boleia , comenta. sonolenta de manhã. Isso registrar as coisas absurdas honesto, com dedicação, A concorrência entre os acaba gerando tragédias que vejo. Tem motorista que consegue o que quer. Eu chapas é grande, mas Cam- maiores , comenta. Andrade perdeu um sobrinho em acidente de trânsito na BR-470 ultrapassa pelo acostamento .
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    Gaspar/SC - 7de Dezembro de 2011 FOTOS JORNAL METAS ia até conseguir uma banda. Vidas interrompidas A festa seria no dia 20 , re- corda Juquinha. Jonas e Nilson tinham mais nove irmãos. Eles moravam com os pais e outros dois irmãos mais novos. Os mais velhos tiveram a missão de ajudar os pais, que até hoje não superaram a dor da per- da. O pai, Jadir, participou do protesto por mais segurança na BR-470 realizado em se- tembro, levando uma faixa com a foto dos filhos e uma frase de protesto. É revoltante saber que al- gumas pendências ainda não conseguimos resolver. Que- ríamos que as economias do Jonas para comprar o carro fossem passadas para o meu pai. Até agora não deu. Pedi- ram até um exame de san- gue, para comprovar se eles não tinham bebido. Pô, sete meses depois? , desabafa Ju- quinha. A revolta do irmão está relacionada também ao que aconteceu com o moto- rista causador do acidente. Nilson e Jonas estão na lista das 137 pessoas que morreram em acidentes na BR-470 até o início de dezembro de 2011 Ele foi flagrado alcoolizado. Havido bebido duas latas de Em abril deste ano, um jo- sai da cabeça da família Hos- não tem como , comenta. e levou o irmão de 19 para à Sociedade Ferroviário, no cerveja, andou na contramão. vem casal planejava o dia do tin. Ele teve ferimentos na Tiago, que permaneceu cala- trabalhar na estamparia. O quilômetro 35. Nilson mor- Pagou R$ 950,00 de fiança casamento em Gaspar. Tia- perna e após tratamento, já do durante toda a entrevista, caminho de casa até a em- reu no local. Jonas chegou a e foi liberado uma hora e go Rubens Hostin, 19 anos, consegue andar normalmen- está na fase final do trata- presa era feito de moto. Jo- ser levado ao hospital, mas meia depois. Isso é justo? , e Cintia Regina de Souza, te. Mas o trauma psicológico mento, aos poucos começa nas redobrava os esforços no não resistiu aos ferimentos. desabafa. Sete meses após também 19, já estavam nos permanece. Solange, mãe de a praticar atividades físicas. trabalho para juntar dinheiro Um dos irmãos, Elton Ben- a morte dos irmãos, a vida preparativos para a festa. Os Tiago, ainda está bastante Perguntado sobre a tragédia e comprar um carro, que lhe to, popularmente conhecido de Juquinha mudou e será sonhos do casal foram inter- abalada com a tragédia. Ela de abril, apenas acenou com daria mais segurança. Para como Juquinha, foi avisado assim para sempre. A gente rompidos no feriado da pás- chora toda vez que se lembra a cabeça que não queria fa- fugir dos riscos na BR-470, por telefone do acidente. começa a repensar a vida e coa na BR-470, próximo da do acidente, enquanto busca lar. os dois normalmente usavam Morador do Gaspar Grande, com certeza, a valorizar mais casa de Hostin. Um acidente forças para motivar o filho a Sonho outro trajeto, pela Rua Pedro ele foi na hora saber o que ela. Também damos mais va- envolvendo dois carros atin- continuar a vida. É horrível. No começo deste ano, os Simon, paralela à BR-470. havia acontecido, mas nada lor à família, aos amigos. Isso giu a moto Honda onde eles Lembramos disso quase to- irmãos Jonas e Nilson Bento No dia 9 de maio, eles de- pode fazer. Eu estava orga- conta muito. Do que adianta estavam. dos os dias. A mãe da Cintia cumpriam uma rotina diária cidiram passar pelo trecho da nizando a festa de aniversá- o dinheiro, do que adianta Tiago foi levado ao hos- está em uma situação pior. do bairro Lagoa, onde mora- BR-470 que tanto evitavam. rio do Jonas. Ele tinha pedido trabalhar como um louco se pital e se recuperou. Cintia Ela perdeu uma filha de 19 vam até o Gasparinho, local Acabaram atingidos por um para usar um rancho que eu não for para estar do lado morreu no local. Sete meses anos que ia casar. Ela não trabalho. Nilson, 31 anos, veículo que fazia uma ultra- tenho. Já estávamos vendo das pessoas que a gente gos- se passaram e a tragédia não consegue falar no assunto, já era experiente na função passagem forçada em frente quem seriam os convidados, ta? , conclui Juquinha, Prostesto exige mais segurança caram-se as negociações para que lombadas ele- trônicas fossem instala- das na rodovia, além de uma maior fiscalização da Polícia Rodoviária Federal. Graças a Deus não teve mais nenhum aci- dente no trevo de acesso a Gaspar depois da tra- gédia com os alunos. Acho que as orações do padre e do pastor que estiveram no dia do Rodovia foi fechada, por uma hora, num apelo por mais segurança no mês de setembro protesto deram resulta- do. É uma coisa divina, Foram 20 anos como setembro, pedindo por mais vi que não poderia mais fi- porque a rodovia con- proprietário de um fer- segurança. car quieto. Algo precisava tinua insegura. Vamos ro velho a 100 metros Demorei demais para to- ser feito. A população não rezar para que continue da BR-470 e do trevo mar essa atitude. Eu sempre aceitava mais tanta insegu- assim. O que nós que- de acesso a Gaspar. Ro- falava que ia fazer isso, mas rança , lembra. remos é lutar pela vida, mildo Marafon foi o or- acabava me acomodando. O protesto fechou a rodo- impedir mais mortes, ganizador do protesto Depois daquela tragédia via por mais de uma hora e mais tristezas nesta ro- que fechou a rodovia em com a van de Nova Erechim, depois do evento, intensifi- dovia , finaliza. Indignação levou familiares das vítimas ao protesto
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    Gaspar/SC - 7de Dezembro de 2011 Com a missão de salvar FOTOS JORNAL METAS Trabalho próximo do perigo é a imprudência, principal- mente a velocidade. Todo mundo está sempre com pressa. Os cinco minutos que se perde ao sair de casa tenta-se compensar na es- trada , comenta Pereira. O sargento lembra tam- bém, de outro problema de atrapalha o atendimento dos profissionais: a quanti- dade de pessoas em volta O frentista Campos já presenciou vários acidentes na rodovia de um acidente. Os curio- sos atrapalham muito nas Em maio deste ano, paralelepípedo do Mar- ocorrências. Todo mundo no bairro Margem Es- gem Esquerda e evita, quer ver, todo mundo quer querda, em Gaspar. Era ao máximo, trafegar na ajudar, mas só atrapalham. 17h30min e o frentis- rodovia. Ele reclama da Essas pessoas colocam a ta Pedro Campos, 45 falta de respeito dos própria vida em risco, ao anos, já estava em casa motoristas, para ele a ficarem parado, no meio da após um dia de traba- maior causa de aciden- pista , acrescenta. lho quando ouviu um tes. Uma vez, em um Os bombeiros que traba- barulho vindo da BR- acidente com morte lham na BR-470 também 470, Km 39, que fica a no trevo de acesso ao aguardam pelo funciona- poucos metros de onde Sertão Verde, alguns mento das lombadas ele- mora. Ele perguntou frentistas ajudaram no trônicas e do processo de para um vizinho se sabia atendimento, tentando duplicação. Valério alerta o que havia acontecido, isolar o local onde ocor- que as obras ajudarão na que respondeu tratar-se reu a batida. Mas nin- segurança, mas não inibirão do estouro do pneu de guém respeita, os mo- todos os acidentes. O fluxo uma carreta. toristas passam em alta de veículos cresce a cada Campos foi até a ro- velocidade e ignoram o dia nesta rodovia. Mesmo dovia conferir e viu que que ocorre na pista , re- com a duplicação, as im- era mais que um simples clama. prudências e o excesso de furo de pneu. Um aci- Ele conta ainda, que velocidade vão permanecer. dente envolvendo um frentistas e outros tra- Então, não adianta apenas Fiat Uno, que tentou ul- balhadores as margens fazer mais pistas, é preciso trapassar um caminhão. da rodovia costumam trabalhar a educação dos O motorista morreu na auxiliar em caso de aci- motoristas e também dos hora, foi um acidente dentes: Eu não gosto outros passageiros dos veí- muito grave , recorda muito disso. Teve um culos , afirma. Um exemplo Pedro. acidente com um moto- de cuidados com outros Acidentes fazem par- ciclista em que o pneu Cruzes foram fincadas no acostamento da rodovia em protesto as mortes ocorridas no trevo de Gaspar passageiros é com as crian- te da rotina de Campos. da moto furou e ele se ças. Pai de uma menina de Além de morar perto da perdeu na pista. O pes- Sábado, 27 de agosto de precárias. A iluminação, por 26 anos de carreira, ele pas- quatro anos, Pereira acre- BR-470, ele agora tra- soal do posto foi ajudar, 2011. Um veículo cruza a exemplo, não existe sequer sou os últimos 15 no posto dita que muitos pais não balha na rodovia, como mas fazer isso também BR-470 no trevo de acesso em trevos de acesso. Outro da área Norte de Blumenau, prestam atenção nos filhos frentista em um posto é arriscado. Não enten- a Gaspar em alta velocida- fator é a bebida e volante, localizado a 50 metros da pequenos durante uma via- no Margem Esquerda. do como eles ainda não de. Uma van de Nova Ere- uma combinação que já se BR-470. É deste ponto que gem, que pode causas pro- Para ir ao trabalho, ele duplicaram a BR-470. chim tenta desviar e bate de provou não combina , ob- sai o socorro dos Bombei- blemas depois. Eu sou pai percorre todos os dias a Se os governantes tives- frente com um caminhão. serva José Carlos. ros em acidentes na rodovia e já vi a minha filha tentan- pé, as margens da rodo- sem responsabilidade, Quatro pessoas morreram, Tragédias também fazem no trecho de Blumenau e, às do tirar. Por mais que tu fa- via. Tem que ter muito resolveriam tudo em entre elas três crianças. parte do cotidiano do sar- vezes, de Gaspar e Indaial. les, ensine, sempre haverá o cuidado mesmo, porque uns três anos , dispara o Uma quinta vítima morreu gento Valério Pereira. Com O maior problema ainda risco . se não vem um carro em frentista. semanas depois no hospital. alta velocidade e te atro- O sargento do Corpo de pela , afirma. Lombadas Bombeiros de Gaspar, José Campos apoia e acre- Outro acidente que Carlos da Silva, estava de dita que a instalação das marcou Nicoletti foi no plantão neste dia e, mes- lombadas eletrônicas trevo de acesso a Gas- mo acostumado a atender (uma perto de sua casa), par, onde quatro pes- pessoas acidentadas dia- irá ajudar a diminuir os soas morreram em uma riamente, não conseguiu acidentes na BR-470. A van, sendo três crianças. conter a emoção. Para ele, opinião é compartilha- O pai de uma destas este foi um dos momentos da por Gilberti Nicoletti, crianças esteve aqui mais tristes entre tantos colega de profissão que no final de novembro, que presenciou em seus 24 também já testemunhou para saber o que havia anos de profissão. Ainda no diversos acidentes gra- sido feito para dar mais local do acidente, José Car- ves na rodovia. segurança no trevo. los pedia por mais seguran- Nicoletti mora no Eu não conversei dire- ça no trevo. Quantos ainda bairro Gasparinho, mas tamente com ele, mas precisarão morrer aqui? , vem para o trabalho colegas aqui do posto questionou. Na opinião do de ônibus, pois, segun- falaram das lombadas sargento, a rodovia só é do ele, é mais seguro. eletrônicas que estão perigosa porque há muita Quando precisa vir de sendo instaladas , reve- imprudência. A sinalização carro, utiliza as ruas de la Nicoletti. e iluminação também são Sargento Pereira: duplicação não irá inibir todos os acidentes de trânsito na rodovia
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    Gaspar/SC - 7de Dezembro de 2011 Comunidade cobra duplicação já FOTOS JORNAL METAS “Algo que nunca vai me sair da “Não tem como um lugar ter “Nós ainda esperamos a duplicação, cabeça é uma tragédia em 2000”. progresso sem um acesso decente”. mas já está virando uma utopia”. Zenilda Regina da Silva Mário Werner Sérgio Niques Os acidentes no trevo de já está virando uma utopia, um lugar ter progresso sem acesso a Gaspar na BR-470 de tanto que atrasam , afir- um acesso decente, isso não Agricultor diz que antes era mais tranquilo já viraram rotina para os tra- ma. Uma das três lombadas existe , afirma. balhadores do Posto Pionei- instaladas na rodovia fica no O processo de duplica- reno ser cortado pela BR-470 muito abaixo do valor de ros, que fica junto ao trevo. Km 39, em frente a Serra- Comércio ção da BR-470 já mobi- no anos 90, quando foram mercado, gerando perdas O local é o que possui maior ria Werner. O proprietário A empresária Zenilda Re- lizou diversas entidades, feitas as obras de extensão. para a família. Plantador frequência de acidentes no do estabelecimento, Mário gina da Silva conhece bem reuniu abaixo-assinados Até então, a rodovia ia só de arroz, ele tem sua pro- trecho do Médio Vale. Werner, acredita que a me- a BR-470. Ela nasceu e cres- e foi motivo de protestos até Gaspar. Aqui nós tínha- dução nos dois lados da O gerente do posto, Sérgio dida vai ajudar a diminuir ceu em uma casa nas mar- nas cidades cortadas pela mos o acesso ao Morro do rodovia e precisa cruzar Niques, vem todo dia de Ita- o número de acidentes na gens da rodovia, no bairro rodovia. No entanto, a Baú por uma estrada de bar- a pista com o maquiná- jaí, passando pela rodovia. região. Porém, alerta para a Margem Esquerda. Após o proposta não é unânime. ro. Era uma tranquilidade só. rio. Eu não posso colocar Ele conta que já foi chama- criação de outro problema: casamento, ela trocou a re- O agricultor Hélio Eu saía de casa de manhã e um trator na pista. Então, do de louco por fazer este os congestionamentos na gião pelo Gasparinho, mas Stanke, 56 anos, morador deixava tudo aberto. Depois para chegar do outro trajeto diariamente e que já via. voltou a morar nos anos do Morro Grande, entre que fizeram a rodovia, eu já lado, eu vou precisar an- viu tudo que é tipo de impru- Quanto a parte dos aci- 1990. Hoje, é dono do res- Gaspar e Ilhota, é um dos fui assaltado quatro vezes , dar quilômetros até um dência na pista. dentes, as lombadas são ne- taurante e lanchonete La contrários ao projeto. Ele desabafa. retorno. Eles fizeram o No começo, a cada aci- cessárias e vão ajudar. Ago- Terra. nasceu e sempre morou Stanke conta que a inde- projeto e não ouviram a dente, o pessoal aqui saia ra, podem ter certeza que Zenilda presenciou vários na região e viu o seu ter- nização feita nos anos 90 foi gente , dispara. correndo para ver o que elas irão segurar o trânsito. acidentes e casos de impru- havia acontecido. Hoje, já A velocidade caindo vai ge- dência ao volante. Fatos que virou uma triste rotina. Não rar filas enormes , declara. fazem ela redobrar a aten- nos surpreendemos mais. Werner está há 21 anos ção ao trafegar na rodovia. Motoristas em alta velocida- com o negócio as margens Algo que nunca vai me sair de, fazendo ultrapassagens do rodovia. Ele conta que da cabeça é uma tragédia em curvas, pelo acostamen- instalou a empresa no local ocorrida em 2000. Era 24 to, ninguém respeita mais de olho no deslocamento de dezembro, às 4h30min nada , comenta. dos clientes. O empresário quando ouvimos o barulho. Para Niques, a instalação também cobra a duplicação Um motociclista havia se de lombadas eletrônicas vai da rodovia e não entende acidentado e depois uma amenizar o problema, mas por que o assunto ainda não Saveiro passou por cima. O o Dnit deveria ter aceito a foi resolvido. condutor da moto morreu proposta de uma rotatória Quando nós falamos de horas antes de estar com a no trevo. Só assim para o desenvolvimento, do cres- família, celebrando o natal , pessoal realmente diminuir cimento de uma região, relembra. Pelos problemas O agricultor Hélio diz que o projeto de duplicação foi feito sem ouvir os moradores a velocidade. Nós ainda es- automaticamente falamos de segurança, Zenilda tam- peramos a duplicação, mas nos acessos. Não tem como bém defende a duplicação.
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    Trabalhos vencedores do prêmioAdjori/SC Categoria: Reportagem Pautada
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    Ano XI Número 846 Gaspar/SC, 14 de Dezembro de 2011 R$ 2,00 Bissemanal www.jornalmetas.com.br Caminhão do Católicos do Santos tem Lions mantém a Belchior celebram o primeiro tradição natalina 111 anos desafio GERAL A6 ESPECIAL A14 e 15 ESPORTES A19 Paca assume JORNAL METAS pré-candidatura Líder do PMDB reaparece na cena política em grande estilo POLÍTICA A3 Dom José Negri veio para a inauguração da iluminação da Matriz BARBARA BERNARDO São Pedro Apóstolo GERAL A6 GERAL A7 Briga em bar termina com homem esfaqueado em Ilhota DIA-A-DIA B Terra do Sol completa dez anos de serviços prestados à comunidade COMUNIDADE A5 Moradores reclamam de problemas de drenagem no Santa Terezinha Uma volta às origens GERAL A8 para conhecer o legado Motorista embriagado provoca acidente e termina na prisão dos italianos em Gaspar GERAL A9a A12
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    Gaspar/SC -14 deDezembro de 2011 M iséria, fome e de- semprego. Estes fantasmas atormen- tavam as vidas das famílias de imigrantes italianos em meados dos anos 1870. A Itália sofria as consequências devastadoras de seguidas guerras de unificação, economia inflacionada e desabastecimento. Sem conseguir enxergar solução, muitas famílias decidiram por um caminho radical: atravessar o Atlântico e recome- çar suas vidas em uma terra pouco conhecida, o Brasil. Na época, a abundância de terras e a escassez de mão de obra atraíam os europeus para o novo mundo. Por meio de um contrato feito entre o governo imperial e Joaquim Caetano Pinto foi possível que 100 mil imigrantes viessem para o Brasil. Além da força do seu trabalho, trouxeram uma forte influência cultural - gastronomia, artes, arquitetura, idioma, música e etc. - até hoje enraizada na população brasileira. Gaspar recebeu três grupos de italianos. O primeiro veio do Sul da Itália, e os outros dois do Norte, sendo que o terceiro de uma região, na época, dominada pelo Império Austro- -Húngaro, conhecidos por tiroleses ou trentinos. Os imigrantes que compraram terras nas áreas dos Vales do Itajaí e Itajaí-Mirim eram encaminhados a um barracão antes de seguir para a cidade de destino. Esse procedimento acabou por denominar um dos bairros de Gaspar de forte influência italiana, o Barracão. Outros bairros, como Gasparinho e o Alto Gasparinho, sendo o último caracterizado quase essencial- mente por tiroleses, também foram ocupados por imigrantes italianos. Muitos imigrantes, depois de tentarem a sorte em outras cidades da região, mudaram-se para Gaspar. É o caso da família Mondini, pioneira no cultivo de arroz irrigado em quadras no município, além dos sobrenomes Moser, Moretto, Sevegnani, Venturi, Ferretti e Poffo. Os primeiros anos foram de muita dificuldade e trabalho. Eles chegaram com a expectativa de que escorria o leite e o mel. Pegaram, no entanto, terras ruins, extremamente ácidas, morros altos e baixa fertilidade. No começo sobreviveram mais por teimosia do que pelo o que a terra lhes devolvia. Enfrentar estas dificuldades apegados às heranças culturais fez com que os imigrantes italianos vencessem todas as dificuldades. Não só a colônia do Gasparinho, mas também do Bateias e Barracão , acredita Lovídio Bertoldi, relações públicas do Circolo Trentino di Gasparin, estudioso da história italiana em Gaspar e descendente de trentinos. Para os descendentes ficou a certeza de que nada existiria não fosse o trabalho sustentado em três pilares: religiosidade, trabalho e amor pela família. Por isso, em um rancho na Rua da Santinha, no Gasparinho, um agradecimento àqueles que ergueram os primeiros alicerces: antepassados, muito obrigado . E o legado continua muito vivo na memória dos habitantes mais anti- gos. Era muita dificuldade. Por exemplo, minha mãe, a cada ano tinha um bebê. Ganhava o bebê ao meio-dia e à noite já estava de pé para cuidar da família e dos afazeres da casa. Quando eu era pequena, cuida- va dos irmãos, fazia a comida e frequentava a escola quando dava; depois de alguns anos comecei a ir também para a roça , conta Matilde Santina Bertoldi, de 73 anos. Tenho até dó de morrer de tão bom que é viver , com- pleta o sempre bem humorado marido, Hercílio Marcelino Bertoldi, 84 anos. (informações retiradas dos livros “Memória Gasparense - imigração italiana em Gaspar” e “Simplesmente Gaspar” de Leda Maria Baptista).
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    Gaspar/SC - 14de Dezembro de 2011 Famílias preservam a tradição nos hábitos, costumes e idioma ARQUIVO JORNAL METAS Os italianos mantêm uma forte identididade cultural que passa de geração em geração Ao ver um visitante apro- do pelos imigrantes vin- em uma série de apresen- na maior parte da Itália, ções públicas do Circolo nha geração, já os nossos ximar-se da casa, Érica Ni- dos da região de Trento e tações feitas pela região. não consegue compreen- Trentino di Gasparin, ex- filhos e sobrinhos não fa- coletti o saúda no primei- preservado ainda hoje em É por brasileiro que as der o que a nona, nono e plica que a entidade fez lam mais. O italiano clás- ro idioma que aprendeu. várias famílias que moram famílias da localidade tios falam quando empre- um trabalho interessante sico é o que eles usarão Quando a família reúne-se, no bairro Alto Gasparinho. referem-se ao idioma fa- gam o trentino. Em casa, com os filhos de descen- caso resolvam viajar para os nonos e seus filhos Os trentinos também pre- lado no Brasil, e que foi a quando estamos só nos dentes de trentinos em a Itália , justifica Bertoldi. falam somente no idioma servam o idioma nos can- segunda língua aprendida dois ou quando estamos que foi oferecido curso A escola Ferandino Dag- da pátria dos seus ante- tos entoados pelo grupo pelos imigrantes. com os filhos, só falamos gratuito de italiano por um noni - que leva o nome de passados. Uma das noras, folclórico que faz Bárbara Bernar- o trentino. Só quando vem período de mais de quatro um importante descenden- Rose Nicoletti, aprendeu o parte do Circo- do, neta de San- alguém que não entende, anos. te de italianos nascido em dialeto trentino apenas ou- lo Trentino di tina e Hercílio falamos o brasileiro. É im- As crianças aprenderam Gaspar - manteve até pou- vindo as conversas dos de- Gasparin. Se Bertoldi, admi- portante manter o costu- o italiano clássico, não co tempo aulas de italiano. mais familiares. Há muitas não entendido, te que, mesmo me, fomos criados assim , o trentino trazido pelos Porém, a falta de professo- diferenças entre o italiano o idioma pode conhecendo o revela Santina. primeiros imigrantes. O res acabou encerrando o clássico e o trentino fala- ser admirado idioma falado Lovídio Bertoldi, rela- trentino é falado até a mi- projeto. Nona Santina Bertoldi ajuda a preparar a polenta da festa Festa Italiana resgata a cultura Um dos eventos mais boa festa todos os anos. A grantes. Por isso, é presen- aguardados pela comuni- cada evento escolhe-se um ça constante na mesa das dade trentina de Gaspar tema, que pode ser a própria famílias e restaurantes da é a Festa Italiana. Or- história, as brincadeiras das região. Polenta tinha pelo ganizada pelo Circolo crianças, o canto (que já era menos uma vez por dia. Trentino di Gasparin, feito pelo Grupo Folclórico Ou com leite, queijo ou a festa reúne diversas Gasparetto) e a gastronomia. ovo. Não se passava fome, atrações, como o grupo Por duas festas, trouxemos só miséria de dinheiro , re- folclórico do Circolo, além dona Paula Venturi, de Ro- corda Santina Bertoldi. A da famosa e farta culinária deio, para nos auxiliar no res- receita que passa de mãe regada a muito vinho. A fes- gate dos pratos típicos. Hoje, para filha continua mui- ta foi criada para resgatar e o cardápio está mais requin- to presente no cotidiano manter vivos os costumes tado, com massas e carnes dela, que faz de três a qua- italianos. específicas e algumas saladas tro polentas, por semana, Lovídio Bertoldi, relações que ela incrementou , conta para o restaurante dos fi- públicas do Circolo, reforça Lovídio. lhos. Antes, a polenta era essa proposta de resgate da Entre os vários pratos trazi- comida de pobre, hoje é herança cultural trazida pe- dos da Itália está o tortéi, uma prato de luxo , diverte-se a los imigrantes. Segundo ele, espécie de massa recheada, e simpática senhora. tudo se assenta sobre o tripé que até ganhou um evento Pelo menos uma vez na amor (à família, à Deus e às próprio, no CDC Aliança, no semana Érica Nicoletti faz suas coisas), a religiosidade bairro Barracão, também de a polenta no fogão à lenha. e o trabalho. Conseguimos forte colonização italiana. Geralmente faço quando mostrar a importância de um os filhos estão aqui. Dá povo ter a sua história. Nes- Polenta também para fazer no fo- te caso, tivemos uma grande Macarrão, lasanha e tor- gão a gás, mas não fica tão parceria da historiadora Leda téi são saborosos pratos da gostosa , garante. Batista , revela Lovídio. culinária italiana. Porém, não Para a nona, a verdadei- A Festa Italiana incorpo- existe nenhum que se identi- ra polenta precisa ser cor- rou-se de tal forma à cultura fique mais com o povo que a tada com uma linha, como dos trentinos que é quase polenta. Aliás, esse foi o prato fazia sua mãe e sua nona uma obrigação fazer uma que mais alimentou os imi- italianas.
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    Gaspar/SC - 14de Dezembro de 2011 BarBara Bernardo Raízes fortes na música Em 1996, Lovídio ter um coral, cantando com de seu país de origem, Bertoldi foi à região de vozes definidas, ou ter um a viagem e o progresso. Trento visitar a terra de grupo para cantar como “É algo que está dentro onde vieram seus bi- faziam nossos nonos. Op- da gente. Um povo sem savôs. Na Associazone tamos por um grupo com história é um povo sem Trentini Nel Mondo, ele homens, mulheres e todo o memória. Manter as tra- foi incentivado a procu- tipo de vozes. Não impor- dições é manter a histó- rar o Circolo Trentino ta a forma, mas o resgate ria viva”, diz. de Rodeio, responsável deste canto em memória de A casa de Santina e por organizar as de- nossos antepassados”, afir- Hercílio Bertoldi, além mais entidades na re- ma Lovídio. de ser local de reunião gião, para que o grupo Euclides Rampelotti con- dos filhos, é também de Gaspar passasse a ta que, em 1992, durante onde se guardam rou- ser um Circolo - até en- a inauguração da Associa- pas e utensílios utiliza- tão era o Grupo Folcló- ção Esportiva Recreativa dos pelos Circolo. Mes- rico Gasparetto. Gasparinho, foi feita a pri- mo já tendo passado O engenho do Nono será uma das atrações do futuro Roteiro Vila D´Itália Foi a paixão pela Itá- meira “cantoria” e então dos 70 anos, o casal faz lia e heranças deixadas surgiu a ideia de organizar questão de estar presen- Embora a região do Truticultura tura produz aproxima- pelos imigrantes que o o grupo. “É bastante grati- te nas apresentações, Gasparinho, por nature- O restaurante aberto pe- damente 60 mil peixes Circolo se formou e res- ficante participar, manter sejam elas na região ou, za, seja muito bonita e los irmãos Dionísio e Ni- por ano, sendo 50 mil gatou a história e cos- viva a raiz que veio da Itá- como já aconteceu uma atraia turistas de todo valdo Bertoldi é conhecido criados no outro municí- tumes dos imigrantes. lia”. Para Euclides, a música vez, na Argentina. “Can- o mundo, ainda não há pelos deliciosos pratos à pio. “Antes faltava peixe, Dentre um dos princi- que mais chama a atenção tamos por alegria. Não integração entre os lo- base de um peixe de águas principalmente nos me- pais resgates está a mú- dos trentinos é a canção do é um cantar de músico cais. A proposta do Ro- geladas: a truta. Até 2001, ses de fevereiro, março sica italiana. “Fizemos imigrante, que fala sobre o mesmo, é para diverti- teiro Vila D’Itália, que o negócio dos Bertoldi e abril, quando o mo- uma opção. Poderíamos momento em que partiram mento”, conta Hercílio. existe no papel, mas de era uma serraria, mantida vimento aumenta. Hoje arquivo Jornal Metas fato não está estrutu- em parceria com a família não falta mais”, garante rado, é integrar estes Rampelotti. Ao perceberem Dionísio. Os clientes do locais, proporcionando que o empreendimento não restaurante vêm de to- experiências culturais e era mais tão viável, eles in- dos os municípios da contato com hábitos e vestiram em outra área. Na região e Litoral, mas al- costumes locais. verdade, o empreendimen- gum vem de Curitiba es- “Temos o Fazzenda to começou em 1996, com pecialmente para apre- Park Hotel, hoje o me- criação e pesque-pague. A ciar os pratos à base de lhor do seu segmento no evolução para restaurante e truta. Vera e Terezinha, Brasil, e a Truticultura os diversos pratos servidos esposas de Dionísio e Bertoldi, que atraem tu- hoje foi consequência da Nivaldo, respectivamen- ristas o ano todo, mas qualidade do trabalho. Em te, são responsáveis por existe a necessidade de 2001, Dionísio foi a Trento preparar todo o cardá- integrar os locais turísti- conhecer a criação de tru- pio. O rodízio inclui filé cos para que possam ser tas de Olívio Armanini, um de truta com alcaparras, O grupo de cantoria completa 20 anos em 2012 complementares e ainda dos maiores do país. Ele vinho, amêndoas, alho e ampliarmos o trabalho passou dicas e adaptações óleo e agridoce de aba- para as áreas da música que seriam necessárias caxi, além da truta frita e e teatro”, comenta Iza- para a Truticultura Bertoldi defumada. A Truticultu- Uma descendente distribuindo conhecimento bel Soppa, diretora de tornar-se um local atrativo. ra Bertoldi também está Turismo da prefeitura. Em parceria com primos de na internet (www.truti- Entre os tantos descen- mação. Se alguém queria um grafia cedida pela diretora Além destes dois atra- Botuverá, hoje a truticul- culturabertoldi.com.br). dentes de italianos que conselho, pedia para ela. Era Sandra, Ana era uma pes- tivos, Izabel cita o en- Jornal Metas fizeram a história de Gas- referência na localidade por- soa boa e calma, mas que genho do nono, embora par, a figura de Ana Lira que tinha estudo a mais, o às vezes passava a régua ainda não totalmente se destaca. Ela não era que era bem visto na época”, nas canelas dos alunos em condições de rece- natural da cidade, porém conta Sandra. mais atrevidos, como era ber o turista. teve grande participação costume. O objetivo principal do na educação de crianças, Ela ficou muitos anos Vila D´Itália é agregar principalmente no bair- internada em um hospi- valor ao patrimônio cul- ro Gasparinho. Sandra tal e morreu em 1959, tural italiano que existe Buchmann, diretora da porém teve tempo de na região por meio da escola que leva o nome ver um de seus sonhos estruturação turística da educadora, vê Ana tornar-se realidade. Como baseada em modelos Lira como uma pessoa devota de Nossa Senhora, trentinos. O projeto foi batalhadora, que dedicou ela idealizou uma gruta enviado para apreciação sua vida à educação, um em local próximo à capela da Associazone Trentini verdadeiro marco na vida Santo Antônio, onde em Nel Mondo e cadastra- da comunidade. Ela não uma noite ocorreu uma do para pleitear verbas casou, não teve filhos e procissão. Pela distância junto ao Ministério do viveu grande parte de sua da capela e condições do Turismo. “O maior patri- vida na sacristia da igreja terreno, Frei Pedro, na mônio não é o que se vê da comunidade Santo An- Aneta ensinava em portu- época, sugeriu que a gru- de fora e sim o conhe- tônio, onde ela também guês, mas também falava ita- ta fosse erguida na entra- cimento, costumes e a dava catequese, limpava, liano, o que a ajudava a lecio- da do cemitério. No dia da cultura que vamos tra- organizava as missas e as nar entre os filhos e netos de inauguração, Aneta veio zer de dentro das casas liturgias. “Ana, conheci- imigrantes. O forte sotaque do hospital e, sobre uma para o turista”, observa da na comunidade como que marcava as palavras que cadeira de rodas presen- Izabel. Aneta, destacava-se pela pronunciava mostrava a sua ciou a realização de seu Dionísio cuida dos peixes criados em águas geladas sua educação, sua for- origem. De acordo com a bio- sonho.
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    Gaspar/SC - 14de Dezembro de 2011 A história em imagens A fé deixou marcas profundas Integrante do Circolo pais pontos que a fazem chama a atenção da jo- As mãos entrelaçadas no canal católico Rede Vida desde pequena, Bárbara lembrar da Itália. Tudo o vem. Alguém tem que em um rosário deixam todos os dias. Na companhia Bernardo hoje estuda que tem a ver com a Itália, continuar indo atrás de clara uma das principais de seu marido, Hercílio jornalismo e tenta regis- eu tenho que estar dentro. coisas novas e antigas características dos italia- - ministro trar a história de seus Faço parte de um comitê jo- relacionadas aos italia- nos: a religiosidade. Os da Eucaris- antepassados através de vem com pessoas do Para- nos. Não podemos per- trentinos trouxeram para tia há 36 trabalhos realizados na ná e Santa Catarina em que der esta coisa bonita , Gaspar essa vocação. a n o s faculdade. Este ano, para falamos sobre como pode- finaliza Barbara. Santina Bertoldi lembra - San- a disciplina de Fotojor- mos resgatar esta cultura . que, quando os filhos t ina nalismo, ela elaborou o Para o trabalho de con- eram pequenos, depois acom- livro Terra dei nonni clusão de seu curso, ela de passar o dia na roça, panha - a imigração na voz de pensa em fazer algo re- iam para a casa, lavavam- o terço quem vive como eles . lacionado à imigração. -se, rezavam o terço e só e a mis- Ela explora os princi- O canto é o que mais então dormiam. Quando sa trans- vinha trovoada, o costu- mitidos pela REPRODUÇÃO “TERRA DEI NONNI me era rezar de joelhos emissora. e todos marcavam pre- Lovídio Bertoldi, filho do sença sempre que havia casal, acredita que a fidelida- irmãos, meus primos, missa na comunidade A de à religião foi fundamental pessoas do Circolo, e gente foi criado assim. A não apenas para a adapta- muitos outros italianos fé é muito importante, ção dos imigrantes ao Brasil, acreditam em Deus des- quando precisamos de mas também para o cotidia- ta forma: não como uma alguma coisa, nos agar- no e conforto nos momentos obrigatoriedade, algo ramos a Deus , diz a se- mais difíceis. Ele se recorda imposto, mas com a con- nhora. de ver sua nona sempre com vicção, com a crença de E o tempo a tornou um rosário na mão e de re- que esta é a maneira de ainda mais devota. A te- zar o terço todas as noites enfrentar a vida de uma O livro de Barbara resgata, em imagens, a evolução dos trentinos em Gaspar levisão fica sintonizada em casa. Não só eu, meus ótica melhor . Vanguarda no plantio de arroz Receita antiga que dona Erica prepara todos os anos no Natal Foi também um des- para Gaspar a novidade, Ao se cendente de italiano que chamou a atenção aproximar a genros e noras se que mudou completa- de outros agricultores época de Na- reuniram e passa- mente a agricultura em e aos poucos se espa- tal, a família ram todo aquele Gaspar. As sementes lhou pela cidade. Hoje o Nicoletti tira dia limpando a de arroz viajaram no arroz irrigado é o prin- dos fornos casa, para deixá- navio com o imigrante cipal produto agrícola de dentro -la brilhando para Giovanni Mondini, pio- do município e sustenta de casa e os o Natal. As corti- neiro no plantio de ar- mais de 300 famílias. leva até a nas deixaram as roz irrigado em Santa Lino Mondini, filho de garagem da janelas e serão Catarina. Foi na cidade José, continuou a plan- casa dos no- substituídas por de Ascurra que ele ini- tar arroz por 48 anos, nos para as- novas e até o lado ciou sua plantação de mas decidiu arrendar as sar deliciosos de fora recebeu arroz em quadros, tra- terras quando os filhos docinhos de uma nova pintura. dição que passou para não puderam mais aju- Natal. A re- A família é tudo seu filho, José, a quem dá-lo na lavoura. Vejo ceita é antiga para nós. Como deu um lote de terras que hoje os agricultores e de família. seria se nós esti- em Gaspar. José trouxe que plantam arroz pas- A vó, Erica véssemos aqui so- ARQUIVO FOTO CLUBE DE GASPAR sam trabalho. Não tem Nicoletti, zinhos, sem eles? , incentivo e o preço é chamada questiona Érica. maluco, o arroz é prati- por to- Somos sem- camente dado , observa. dos de pre unidos. Lino consegue lembrar- nona, Não só com -se ainda dos tempos aprendeu a fazer com desde cedo para preparar do temos algum problema, os filhos, mas os netos em que usavam o cava- sua mãe, que aprendeu a massa, cortar, assar e todos vem aqui. Estão to- também sempre vem, lo para puxar o arado e com a mãe dela. Com pintar os docinhos. É com dos dispostos a ajudar . conversam com a gen- conta que até a década formas que ganhou no muita alegria e uma mesa Apenas um dos seis filhos te, nos respeitam , conta de 1970 foi bom plan- dia de seu casamen- cheia para o almoço que do casal não mora nas Paulino. A família italiana, tar arroz, depois o pre- to, há 55 anos, ela faz os nonos recebem a famí- proximidades, porém, vem além de ser bastante uni- ço começou a cair. doces em forma de lia em casa, para mais uma todo o final de semana de da, geralmente tem uma Lembro do tempo em pequenos cavalos que ocasião. Blumenau para visitar a fa- grande prole. Paulino con- que a gente se sacrifica- serão distribuídos en- Como em toda a família mília. Os finais de semana ta que isto acontecia por- va para cortar o arroz tre toda a família. Com italiana, tudo é feito em costumam ser de reunião que os casais de imigran- à mão. Amarrávamos o ajuda de filhos e no- conjunto. A gente faz tudo e nos dias de semana, há tes eram instruídos pela arroz com cipó e trazia ras, as bacias logo se junto. É muito bom poder sempre um filho ou um igreja a ter muitos filhos. para casa. Era uma fes- enchem de docinhos receber a família para es- neto que passa pela casa Na época de meus pais, ta. A gente era acostu- quentes, esperando tas coisas , conta a nona. dos nonos. os padres diziam que uma mado assim , relembra. por glacê e tinta. O dia Já o nono, Paulino Nicolet- Neste ano, no dia em que família com poucos filhos reservado para fazer ti, destaca que não é ape- o casal voltou do encer- não era família de verdade José Mondini foi o o doce de Natal é um nas na hora dos doces ou ramento de atividades da e que evitar filhos era pe- primeiro a plantar arroz acontecimento fami- do almoço de domingo que terceira idade, encontrou cado. Por isso as famílias irrigado em Gaspar liar. Todos se reúnem a família se reúne. Quan- uma surpresa. Os filhos, eram tão grandes .
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    Trabalhos vencedores do prêmioAdjori/SC Categoria: Anúncio de Equipe
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    Gaspar/SC - 10de Dezembro de 2011
  • 26.
    Trabalhos vencedores do prêmioAdjori/SC Categoria: Anúncio de Agência
  • 27.
    Gaspar/SC - 8de Outubro de 2011