Este documento descreve as tradições e costumes das mulheres ciganas em Portugal, incluindo os papéis de gênero, educação, casamento e vida após o casamento. Discute também os preconceitos e discriminação que enfrentam.
NOÇÃO DE PRECONCEITO Para Wood & Wood o preconceito é explicado através da cognição social. Os potenciais sujeitos vítimas de preconceito são aqueles cujas características pessoais são suplantadas pelas características grupais: raça, religião, etnia, opção sexual, deficiências, entre outros. O preconceito é a não-aceitação e é provocado só pelo indivíduo. Têm como componentes as crenças, os sentimentos e as tendências comportamentais. O preconceito é o resultado da intolerância social, racial e sexual.
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NOÇÃO DE DISCRIMINAÇÃO“ A discriminação marca a segregação como sinal do indesejável.” (A. T. Fernandes). As atitudes discriminatórias - que tratam as pessoas de maneira diferente - são normalmente acompanhadas por procedimentos de segregação, isto é, colocam as pessoas à distância e em espaços à parte.
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Os primeiros temposde vida da menina cigana Uma menina recém – nascida. Actualmente os bebés já nascem no hospital, o que não acontecia há anos atrás, pois devido ao nomadismo, estes filhos da estrada e do vento … iam nascendo onde calhava. O baptismo é especial para os ciganos. Baptizam os seus filhos ainda muito pequeninos (normalmente até aos seis meses de idade). O vestido do baptismo é sempre oferecido pelos padrinhos. Associa-se a esta cerimónia, um ritual cigano – os tombinhos no altar – que consiste em colocar o bebé no altar e tombá-lo três vezes, o que deve ser feito pela madrinha.
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Do nascimento atéaos 4 anos Até aos 4 anos, a criança cigana é vista como um bebé. A grande maioria são amamentados ao peito até muito tarde. É frequente acontecer quando uma mãe não tem leite, a criança ser amamentada por outras ciganas também com filhos pequenos. A educação da criança está a encargo da mãe, tias e irmãs. O pai, raramente intervém ou as coloca no colo. Os homens ciganos, preferem sempre filhos homens, para evitar a desonra da família..
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Dos 4 aos7 anos, a menina cigana, tem toda a liberdade… As regras sociais são-lhes transmitidas pelas irmãs e primas da comunidade, já que a mãe se ocupa dos irmãos mais novos. Raramente brinca com meninas não – ciganas. Não se conhecem no concelho de Bragança, casos de meninas ciganas que tenham frequentado o Jardim de Infância. A entrada na escola é sempre forçada. Estas meninas, não cortam o cabelo, nem aderem às modas. Salienta-se que vivem em barracas, sem o mínimo de condições.
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PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃOAs meninas ciganas não frequentam o jardim de infância; A escolarização realiza-se com dificuldades de ordem psicologia, social e cognitiva; A cultura cigana é agrafa, sendo um entrave à escolarização; O ensino resume-se a saber ler, escrever e contar. Frequentam a escola geralmente até à 1ª menstruação, ou 4ª classe; A taxa de abandono escolar é muito elevado;
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Dos 7 aos11 anos, a menina cigana começa a ter responsabilidades Nesta fase, a menina cigana deixa de frequentar a escola. É uma imposição familiar e da cultura cigana. É considerada aprendiz pelas mulheres mais velhas da clã. Dedica-se a fazer tarefas domésticas. A sua principal ocupação é cuidar dos irmãos e dos primos mais novos. Não pode andar sozinha, nem acompanhada com rapazes, só com os primos ou irmãos.
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DOS 12 AOS16 ANOS – A APRENDIZA Esta é a fase de todas as decisões da mulher cigana. Logo após a Menarca (menstruação), a rapariga é preparada para o casamento. Muitas vezes são prometidas em casamento ainda crianças. São sujeitas a um ritual muito antigo – a prova do lenço – ou seja, um teste de virgindade. Considerada uma aprendiza pela matriarca. Nesta fase, a adolescente prepara-se para o casamento. Podem casar a partir dos 12 anos. São mães jovens e assumem desde muito cedo, a responsabilidade dos filhos.
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Os 16 anose a idade adulta Depois do casamento, a mulher é vista como adulta e respeitada por toda a comunidade cigana. Estas mulheres são geralmente muito recatadas, com a excepção dos seios. Para elas, descobrir um seio para amamentar um filho é tão natural como dar-lhe um pedaço de pão. No entanto, destapar um joelho é um atentado ao pudor face à cultura cigana.
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O casamento eos filhos - mudanças Ocorre após a menarca, entre os 12 e os 17. O casamento só é reconhecido pela lei cigana, o ritual não é reconhecido institucionalmente. O ritual do casamento dura 3 a 9 dias. O conjugue é escolhido no grupo ou sub-grupo. O ritual do casamento começa com a verificação da virgindade. Não vão sozinhas a locais públicos.
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O seu vestuárioaltera-se : começam a usar aventais e as rendas por debaixo das saias pelissadas; exibem os fios de ouro, como sinal de riqueza familiar e de amor do marido; não usam carteira ou porta – moedas. O dinheiro é guardado em saquinhos de pano, junto aos seios. São muito submissas à vontade dos maridos. Quem toma as decisões é sempre o marido ou a sogra. É tradição a mulher cigana ir viver com a sogra, a quem deve obediência. Se ficar viúva ainda jovem, deve casar com um cunhado, se for possível.
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MULHER MATRIARCA Nalgumascomunidades ciganas é a mulher que assume o comando da família. Quando viúvas, são respeitadas por toda a clã. Vestem-se de negro, não dançam, não bebem, não cortam o cabelo, tapam as argolas de ouro com panos pretos, deixam de comer carne, conforme o tempo estipulado nas reuniões familiares. A 3ª idade da mulher cigana é vivida com os filhos e netos, ela é responsável por transmitir às mais novas a cultura e a forma de vida da etnia, ensinando-lhe que a mulher cigana é como a terra – fértil, maternal e resistente às tempestades da vida…
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Mulheres … eCiganas Há mulheres ciganas que fugiram á tradição. Têm cursos universitários e emprego. A mulher cigana trabalha no seio da sua comunidade: comercio abundante, mendicidade, trabalho domestico, geiras; Papel subalternizado em relação ao patriarca, ao marido e à sogra; Elemento transmissor dos costumes e da prepetuação da cultura cigana.
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Usos e costumesAdaptam a sua fé as exigências dos países de acolhimento; Católicos, não praticantes; Culto a santa Sari, S. António, S. Jorge; Usam a mágia, ler a sina para enganar os ciganos; Superticiosos, usam amuletos, contra o “mau-olhado”; A dança cigana é a maior forma de expressão da sua cultura, serve para seduzir os homens do seu povo, a sensualidade e as alegrias e tristezas do seu povo.
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Discriminação e preconceitodas mulheres ciganas As representações das mulheres ciganas baseiam-se em preconceitos e estereótipos; A discriminação resulta da pressão popular e social; As mulheres ciganas são consideradas como, ladras, enganadora, encantadora, feiticeira, bonita; São alvo de violência conjugal( sexual, físicos, psicológica); Quando julgadas em tribunal são condenadas, pelos mesmos crimes, com penas superiores às não ciganas; São condenadas principalmente por burlas, roubos, trafico de estupefacientes; Desprezadas e ignoradas na atribuição de ajudas sociais pelas autarquias e serviços sociais.
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Comunidade cigana deBragança Dentro desta etnia existem vários sub – grupos. Em Bragança existem: Ciganos Transmontanos (originários desta região, dedicavam-se ao negócio dos burros, albardas e cestaria). Os Ciganos Quitanos (vieram de Braga à cerca de 10 anos, dedicavam-se à venda de roupas nas feiras). Ciganos Caldeireiros (ocupavam-se do conserto e restauro de latos, caldeiras e outros utensílios domésticos).
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DIFERENÇAS NOTÓRIAS DAMULHER A Cigana Quitana, pinta-se, usa decotes e pode fumar. As viúvas usam luto e rapam o cabelo para sempre. A Cigana Caldeireira é a mais vistosa das três. Usa roupas mais coloridas, pode andar sozinha, não faz o casamento cigano, mas sim o religioso. É também a que mais cuida da higiene. A Cigana Transmontana, é a mais apegada à sua cultura. É a que mais descuida a higiene, sua e dos filhos. Não trabalha fora de casa para não desobedecer ao marido. Entre este três grupos não há casamentos, rejeitam-se mutuamente e é raro falarem-se. O dialecto cigano – o Romanó – também tem diferenças muito acentuadas de grupo para grupo. FIM