Pré-natal de Risco
Habitual
Prof. Esp. Mario Hélio A. Pamplona
2022
UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE
CENTRO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES
UNIDADE ACADÊMICA DE ENFERMAGEM
DISCIPLINA DE SAÚDE DA MULHER II
CONTEXTUALIZANDO
• No Brasil, a saúde da mulher foi incorporada às políticas nacionais de saúde nas primeiras décadas do século
XX;
• Sendo limitada, nesse período, as demandas relativas à gravidez e ao parto;
• Estratégias de proteção aos grupos de risco e de maior vulnerabilidade, como crianças e gestantes, através
de programas verticalizados e com ações centralizadas pelo governo federal;
• Fragmentação da assistência e baixo impacto nos indicadores de saúde da mulher;
• O Movimento Feminista Brasileiro e a Reforma Sanitária na década de 1980, foram importantes para a
inclusão de ações integrais de saúde da mulher na agenda nacional;
• Criação do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM), 1984 – necessidades identificadas a
partir do perfil populacional (saúde da mulher em todos os seus ciclos);
• PAISM é fortemente influenciado pelas características do SUS, com o processo de municipalização e pela
reorganização da Atenção Básica, por meio da estratégia do Programa Saúde da Família;
• Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher – 2004.
REDE CEGONHA
A Estratégia da Rede Cegonha, consiste numa rede de cuidados que visa assegurar a mulher o direito ao
planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como à criança
o direito ao nascimento seguro e crescimento e desenvolvimento saudáveis.
• A Rede Cegonha representa um conjunto de iniciativas que envolvem mudanças:
̶ Processo de cuidado à gravidez, ao parto e ao nascimento;
̶ Articulação dos pontos de atenção em rede e regulação obstétrica
̶ Momento do parto;
̶ Qualificação técnica das equipes de atenção primária e no âmbito das maternidades;
̶ Melhoria da ambiência dos serviços de saúde (UBS e maternidades);
̶ Ampliação de serviços e profissionais, para estimular a prática do parto fisiológico;
̶ Humanização do parto e do nascimento (Casa de Parto Normal, enfermeira obstétrica, parteiras, Casa da
Mãe e do Bebê).
DESMONTE DA SAÚDE PÚBLICA
• RAMI – Rede de atenção materno-infantil Portaria 715/22
̶ Inobservância de negociação na CIB e CIT (8.080/90)
̶ Indicadores de qualidade da assistência foram retirados (qual o custo disso?)
• Nova caderneta da gestante: valorização médica X retirada da autonomia da mulher
̶ Excluído informações sobre: doula, plano de parto
̶ Redução da assistência por enfermeiros obstetras, exclusão de assistência em casas de parto e
institucionalização e supervalorização da equipe médica
̶ Volta ao modelo medicalocêntrico
AVALIAÇÃO PRÉ-CONCEPCIONAL
• Entende-se por avaliação pré-concepcional a consulta que o casal faz antes de uma gravidez, objetivando
identificar fatores de risco ou doenças que possam alterar a evolução normal de uma futura gestação
• 50% das gestações não são planejadas (adolescentes)
• Atividades desenvolvidas na avaliação pré-concepcional devem incluir:
̶ anamnese e exame físico
̶ exame ginecológico
̶ exames laboratoriais
̶ Passado obstétrico e ginecológico
̶ Histórico familiar
̶ Situação vacinal
̶ IST’s
̶ Uso de substâncias lícitas e ilícitas
̶ Condições de trabalho
̶ É importante, também, a avaliação pré-concepcional dos parceiros sexuais, oferecendo a testagem para sífilis,
hepatite B e HIV/Aids.
A avaliação pré-concepcional tem-se mostrado
altamente eficaz quando existem doenças crônicas, tais
como:
 DM
 HAS
 Epilepsia
 HIV
 Doença falciforme
 CA de mama e colo de útero
10 PASSOS PARA O PRÉ-NATAL DE QUALIDADE NA ATENÇÃO
BÁSICA
1) Iniciar o pré-natal na Atenção Primária à Saúde até a 12ª semana de gestação (captação precoce)
2) Garantir os recursos humanos, físicos, materiais e técnicos necessários à atenção pré-natal.
3) Toda gestante deve ter assegurado a solicitação, realização e avaliação em termo oportuno do resultado dos
exames preconizados no atendimento pré-natal.
4) Promover a escuta ativa da gestante e de seus(suas) acompanhantes, considerando aspectos intelectuais,
emocionais, sociais e culturais e não somente um cuidado biológico: "rodas de gestantes".
5) Garantir o transporte público gratuito da gestante para o atendimento pré-natal, quando necessário.
6) É direito do(a) parceiro(a) ser cuidado (realização de consultas, exames e ter acesso a informações) antes, durante
e depois da gestação: "pré-natal do(a) parceiro(a)".
7) Garantir o acesso à unidade de referência especializada, caso seja necessário.
8) Estimular e informar sobre os benefícios do parto fisiológico, incluindo a elaboração do "Plano de Parto".
9) Toda gestante tem direito de conhecer e visitar previamente o serviço de saúde no qual irá dar à luz (vinculação).
10) As mulheres devem conhecer e exercer os direitos garantidos por lei no período gravídico-puerperal.
GARANTIA DE EFETIVIDADE DO PRÉ-NATAL
• Discussão permanente sobre a importância da assistência pré-natal na unidade de saúde e nas diversas ações
comunitárias;
• Identificação precoce de todas as gestantes e o pronto início do acompanhamento pré-natal
• Deve-se garantir a possibilidade de que as mulheres realizem o teste de gravidez na unidade de saúde sempre que
necessário.
• Acolhimento imediato e garantia de atendimento a todos os recém-natos e à totalidade das gestantes e puérperas
que procurarem a unidade de saúde;
• Realização do cadastro da gestante, após confirmada a gravidez, por intermédio do preenchimento da ficha de
cadastramento do SisPreNatal ou diretamente no sistema para os serviços de saúde informatizados, fornecendo e
preenchendo o Cartão da Gestante;
• Classificação do risco gestacional (em toda consulta) e encaminhamento, quando necessário, ao pré-natal de alto
risco ou à urgência/emergência obstétrica;
• Acompanhamento periódico e contínuo de todas as gestantes, para assegurar seu seguimento durante toda a
gestação, em intervalos preestabelecidos até o momento do pré-parto/parto, objetivando seu encaminhamento
oportuno ao centro obstétrico, a fim de evitar sofrimento fetal por pós-datismo.
• Incentivo ao parto normal e à redução da cesárea;
• Realização de anamnese, exame físico e exames complementares indicados; o Imunização antitetânica e
para hepatite B;
• Oferta de medicamentos necessários (inclusive sulfato ferroso, para tratamento e profilaxia de anemia, e
ácido fólico, com uso recomendado desde o período pré-concepcional e durante o primeiro trimestre de
gestação);
• Diagnóstico e prevenção do câncer de colo de útero e de mama;
• Avaliação do estado nutricional e acompanhamento do ganho de peso no decorrer da gestação;
• Atenção à adolescente conforme suas especificidades;
• Realização de práticas educativas, abordando principalmente: (a) o incentivo ao aleitamento materno, ao
parto normal e aos hábitos saudáveis de vida; (b) a identificação de sinais de alarme na gravidez e o
reconhecimento do trabalho de parto; (c) os cuidados com o recém-nascido; (d) a importância do
acompanhamento pré-natal, da consulta de puerpério e do planejamento familiar; (e) os direitos da gestante
e do pai; (f) os riscos do tabagismo, do uso de álcool e de outras drogas; e (g) o uso de medicações na
gestação. Tais práticas podem ser realizadas de forma individual ou coletiva, por meio de grupos de
gestantes, sala de espera e intervenções comunitárias.
GARANTIA DE EFETIVIDADE DO PRÉ-NATAL
• Identificação do risco de abandono da amamentação e encaminhamento da gestante aos grupos de apoio ao
aleitamento materno e/ou ao banco de leite humano (BLH) de referência;
• Oferta de atendimento clínico e psicológico à gestante vítima de violência, seja esta de qualquer tipo
(doméstica, física, sexual, psicológica etc.), seja àquela em risco de depressão pós-parto, referenciando-a
para equipes especializadas e/ou encaminhamento para serviços específicos, conforme fluxograma local;
• Visita domiciliar às gestantes e puérperas, principalmente no último mês de gestação e na primeira semana
após o parto, com o objetivo de monitorar a mulher e a criança, orientar cuidados adequados, identificar
possíveis fatores de risco e realizar os encaminhamentos necessários;
• Busca ativa das gestantes faltosas ao pré-natal e à consulta na primeira semana após o parto;
• Sistema eficiente de referência e contrarreferência, objetivando garantir a continuidade da assistência pré-
natal (em todos os níveis do sistema de saúde) para todas as gestantes, conforme a exigência de cada caso.
Toda gestante encaminhada para um diferente serviço de saúde deverá levar consigo o Cartão da Gestante,
bem como informações sobre o motivo do encaminhamento e os dados clínicos de interesse. Da mesma
forma, deve-se assegurar o retorno da gestante à unidade básica de origem, que está de posse de todas as
informações necessárias para o seu seguimento;
GARANTIA DE EFETIVIDADE DO PRÉ-NATAL
• Vinculação das unidades básicas de saúde (UBS) aos hospitais, às maternidades, às casas de parto, às residências de
parto domiciliar (feito por parteira) de referência e aos serviços diagnósticos, conforme definição do gestor local, além do
registro do nome do hospital ou da maternidade ou da casa de parto ou das residências de parto domiciliar no Cartão da
Gestante.
• Deve-se informar à gestante a possibilidade de realizar uma visita ao serviço de saúde onde provavelmente se realizará o
parto e, caso seja de seu interesse, agendar a visita por volta do sexto mês de gestação.
• Toda gestante deve ser orientada a procurar o referido serviço quando apresentar intercorrências clínicas/obstétricas ou
quando estiver em trabalho de parto;
• Vinculação à central de regulação obstétrica e neonatal, quando existente, de modo a garantir a internação da
parturiente e do recém-nascido nos casos de demanda excedente;
• Transferência da gestante e/ou do neonato em transporte adequado (Samu), mediante vaga assegurada em outra
unidade, quando necessário;
• Atendimento às intercorrências obstétricas e neonatais, assim como controle de doenças crônicas e profilaxia de doenças
infecciosas;
• Registro das informações em prontuário, no Cartão da Gestante e no SisPreNatal, inclusive com preenchimento da Ficha
Perinatal, abordando a história clínica perinatal, as intercorrências e as urgências/emergências que requeiram avaliação
hospitalar;
• Atenção à puérpera e ao recém-nascido na primeira semana após o parto e na consulta puerperal (até o 42º dia após o
parto).
GARANTIA DE EFETIVIDADE DO PRÉ-NATAL
PARA QUE TAIS PRÁTICAS SEJAM
DESENVOLVIDAS
RECURSOS
HUMANOS
ÁREA FÍSICA
EQUIPAMENTOS
E
INSTRUMENTAIS
MEDICAÇÕES,
VACINAS,
TESTES RÁPIDOS
EXAMES
LABORATORIAIS
INSTRUMENTOS
DE REGISTRO
REGULAMENTAÇÃO DO EXERCÍCIO
PROFISSIONAL
O profissional enfermeiro pode acompanhar inteiramente o pré-natal de baixo
risco na rede básica de saúde, de acordo com o Ministério de Saúde e conforme
garantido pela Lei do Exercício Profissional, regulamentada pelo Decreto nº
94.406 de 08 de junho de 1987, que regulamenta a Lei nº 7.498/1986; /87.
PAPEL DO ENFERMEIRO FRENTE À
CONSULTA PRÉ-NATAL
• Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da vacinação;
• Realizar o cadastramento da gestante no SisPreNatal e fornecer o Cartão da Gestante devidamente
preenchido (o cartão deve ser verificado e atualizado a cada consulta);
• Realizar a consulta de pré-natal de gestação de baixo risco intercalada com a presença do(a) médico(a);
• Solicitar exames complementares de acordo com o protocolo local de pré-natal;
• Realizar testes rápidos;
• Prescrever medicamentos padronizados para o programa de pré-natal (sulfato ferroso e ácido fólico, além de
medicamentos padronizados para tratamento das DST, conforme protocolo da abordagem sindrômica);
• Orientar a vacinação das gestantes (contra tétano e hepatite B);
• Identificar as gestantes com algum sinal de alarme e/ou identificadas como de alto risco e encaminhá-las
para consulta médica. Caso seja classificada como de alto risco e houver dificuldade para agendar a consulta
médica (ou demora significativa para este atendimento), a gestante deve ser encaminhada diretamente ao
serviço de referência;
• Realizar exame clínico das mamas e coleta para exame citopatológico do colo do útero;
• Desenvolver atividades educativas, individuais e em grupos (grupos ou atividades de sala de espera);
• Orientar as gestantes e a equipe quanto aos fatores de risco e à vulnerabilidade;
• Orientar as gestantes sobre a periodicidade das consultas e realizar busca ativa das gestantes faltosas;
• Realizar visitas domiciliares durante o período gestacional e puerperal, acompanhar o processo de
aleitamento e orientar a mulher e seu companheiro sobre o planejamento familiar.
PAPEL DO ENFERMEIRO FRENTE À
CONSULTA PRÉ-NATAL
DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ
Atraso menstrual >15 dias = (TIG)
ßHCG = 8 a 11 dias após a concepção
Ultrassonografia transvaginal de 1º trimestre
Atraso menstrual >12 semanas = diagnóstico clínico
As queixas principais são devidas ao atraso menstrual, à fadiga, à mastalgia, ao aumento da frequência urinária e
aos enjoos/vômitos matinais
• Sinais de presunção:
̶ Atraso menstrual
̶ Manifestações clínicas (náuseas, vômitos, tonturas, sialorréia, mudança de apetite, polaciúria e sonolência);
̶ Modificações anatômicas (aumento do volume das mamas, hipersensibilidade nos mamilos, tubérculos de
Montgomery, saída de colostro pelo mamilo, coloração violácea vulvar, aumento do volume abdominal).
̶ Formação de aréola secundária (Sinal de Hunter)
̶ Coloração violácea da mucosa vaginal ( Sinal de Kluge)
DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ
• Sinais de probabilidade:
̶ Amolecimento da cérvice uterina, com posterior aumento do seu volume (Sinal de Hegar);
̶ Paredes vaginais aumentadas, com aumento da vascularização (pode-se observar pulsação da artéria vaginal
nos fundos de sacos laterais - Sinal de Osiander);
̶ Positividade da fração beta do HCG no soro materno a partir do oitavo ou nono dia após a fertilização.
DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ
• Sinais de certeza:
̶ Presença dos batimentos cardíacos fetais (BCF), que são detectados pelo sonar a partir de 12 semanas e pelo
Pinard a partir de 20 semanas;
̶ Percepção dos movimentos fetais (de 18 a 20 semanas);
̶ Ultrassonografia: o saco gestacional pode ser observado por via transvaginal com apenas 4 a 5 semanas
gestacionais e a atividade cardíaca é a primeira manifestação do embrião com 6 semanas gestacionais;
̶ Rechaço do polo fetal (Sinal de Puzzos).
DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ
POSITIVO PARA GRAVIDEZ E AGORA?
• Cadastramento no SisPreNatal. Os procedimentos e as condutas que se seguem devem ser realizados
sistematicamente e avaliados em toda consulta de pré-natal.
• Anotações na Ficha de Pré-Natal e no Cartão da Gestante.
• Fornecimento do Cartão da Gestante, com a identificação preenchida, o número do CNS, o hospital de
referência para o parto e as orientações sobre este;
• Calendário de vacinas e suas orientações;
• Solicitação dos exames de rotina;
• Orientações sobre a participação nas atividades educativas
Informações essenciais que devem constar explicitamente no
Cartão da Gestante são as relacionadas ao nome do hospital de
referência para o parto e as relativas às intercorrências
durante a gestação.
CLASSIFICAÇÃO DE RISCO GESTACIONAL
Avaliação de risco
permanente
Fatores
associados a pior
prognóstico
materno e
perinatal
Alto risco
Maior densidade
tecnológica
Atenção
Básica
Porta de entrada da RAS
Ordenadora do sistema de saúde
Intervir e transferir
FATORES DE RISCO QUE PERMITEM A REALIZAÇÃO
DO PRÉ-NATAL PELA EQUIPE DE ATENÇÃO BÁSICA
• Fatores relacionados às características individuais e às condições sociodemográficas desfavoráveis:
̶ Idade menor do que 15 e maior do que 35 anos;
̶ Ocupação: esforço físico excessivo, carga horária extensa, rotatividade de horário, exposição a agentes
físicos, químicos e biológicos, estresse;
̶ Situação familiar insegura e não aceitação da gravidez, principalmente em se tratando de adolescente;
̶ Situação conjugal insegura;
̶ Baixa escolaridade (menor do que cinco anos de estudo regular);
̶ Condições ambientais desfavoráveis;
̶ Altura menor do que 1,45m;
̶ IMC que evidencie baixo peso, sobrepeso ou obesidade
• Fatores relacionados à história reprodutiva anterior:
̶ Recém-nascido com restrição de crescimento, pré-termo ou malformado;
̶ Macrossomia fetal;
̶ Síndromes hemorrágicas ou hipertensivas;
̶ Intervalo interpartal menor do que dois anos ou maior do que cinco anos;
̶ Nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais partos);
̶ Cirurgia uterina anterior;
̶ Três ou mais cesarianas.
̶ Fatores relacionados à gravidez atual:
̶ Ganho ponderal inadequado;
̶ Infecção urinária;
̶ Anemia.
FATORES DE RISCO QUE PERMITEM A REALIZAÇÃO
DO PRÉ-NATAL PELA EQUIPE DE ATENÇÃO BÁSICA
FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR
ENCAMINHAMENTO AO PRÉNATAL DE ALTO RISCO
• Fatores relacionados às condições prévias:
̶ Cardiopatias;
̶ Pneumopatias graves (incluindo asma brônquica);
̶ Nefropatias graves (como insuficiência renal crônica e em casos de transplantados);
̶ Endocrinopatias (especialmente diabetes mellitus, hipotireoidismo e hipertireoidismo);
̶ Doenças hematológicas (inclusive doença falciforme e talassemia);
̶ Hipertensão arterial crônica e/ou caso de paciente que faça uso de anti-hipertensivo (PA>140/90mmHg antes de
20 semanas de idade gestacional – IG);
̶ Doenças neurológicas (como epilepsia);
̶ Doenças psiquiátricas que necessitam de acompanhamento (psicoses, depressão grave etc.);
̶ Doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, outras colagenoses);
̶ Alterações genéticas maternas;
̶ Antecedente de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar;
̶ Ginecopatias (malformação uterina, miomatose, tumores anexiais e outras);
̶ Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com
malformação fetal) e outras DSTs (condiloma);
̶ Hanseníase;
̶ Tuberculose;
̶ Dependência de drogas lícitas ou ilícitas;
̶ Qualquer patologia clínica que necessite de acompanhamento especializado
FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR
ENCAMINHAMENTO AO PRÉNATAL DE ALTO RISCO
• Fatores relacionados à história reprodutiva anterior:
̶ Morte intrauterina ou perinatal em gestação anterior, principalmente se for de causa desconhecida;
̶ História prévia de doença hipertensiva da gestação, com mau resultado obstétrico e/ou perinatal
(interrupção prematura da gestação, morte fetal intrauterina, síndrome Hellp, eclâmpsia, internação da mãe
em UTI);
̶ Abortamento habitual;
̶ Esterilidade/infertilidade.
• Fatores relacionados à gravidez atual:
̶ Restrição do crescimento intrauterino;
̶ Polidrâmnio ou oligoidrâmnio;
̶ Gemelaridade;
̶ Malformações fetais ou arritmia fetal;
̶ Distúrbios hipertensivos da gestação (hipertensão crônica preexistente, hipertensão gestacional ou
transitória);
FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR
ENCAMINHAMENTO AO PRÉNATAL DE ALTO RISCO
̶ Infecção urinária de repetição ou dois ou mais episódios de pielonefrite (toda gestante com pielonefrite deve
ser inicialmente encaminhada ao hospital de referência, para avaliação);
̶ Anemia grave ou não responsiva a 30-60 dias de tratamento com sulfato ferroso;
̶ Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com
malformação fetal) e outras DSTs (condiloma);
̶ Infecções como a rubéola e a citomegalovirose adquiridas na gestação atual;
̶ Evidência laboratorial de proteinúria;
̶ Diabetes mellitus gestacional;
̶ Desnutrição materna severa;
̶ Obesidade mórbida ou baixo peso (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante para avaliação nutricional);
̶ NIC III (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante ao oncologista);
̶ Alta suspeita clínica de câncer de mama ou mamografia com Bi-rads III ou mais (nestes casos, deve-se
encaminhar a gestante ao oncologista);
̶ Adolescentes com fatores de risco psicossocial.
FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR
ENCAMINHAMENTO AO PRÉNATAL DE ALTO RISCO
FATORES DE RISCO QUE INDICAM ENCAMINHAMENTO
À URGÊNCIA/EMERGÊNCIA OBSTÉTRICA
̶ Síndromes hemorrágicas (incluindo descolamento prematuro de placenta, placenta prévia),
independentemente da dilatação cervical e da idade gestacional;
̶ Suspeita de pré-eclâmpsia: pressão arterial > 140/90, medida após um mínimo de 5 minutos de repouso, na
posição sentada. Quando estiver associada à proteinúria, pode-se usar o teste rápido de proteinúria;
̶ Sinais premonitórios de eclâmpsia em gestantes hipertensas: escotomas cintilantes, cefaleia típica occipital,
epigastralgia ou dor intensa no hipocôndrio direito;
̶ Eclâmpsia (crises convulsivas em pacientes com pré-eclâmpsia); Crise hipertensiva (PA > 160/110);
̶ Amniorrexe prematura: perda de líquido vaginal (consistência líquida, em pequena ou grande quantidade,
mas de forma persistente), podendo ser observada mediante exame especular com manobra de Valsalva e
elevação da apresentação fetal;
̶ Isoimunização Rh;
̶ Anemia grave (hemoglobina < 8);
̶ Trabalho de parto prematuro (contrações e modificação de colo uterino em gestantes com menos de 36
semanas);
̶ IG a partir de 41 semanas confirmadas;
̶ Hipertermia (Tax > = 37,8C), na ausência de sinais ou sintomas clínicos de Ivas;
̶ Suspeita/diagnóstico de abdome agudo em gestantes;
̶ Suspeita/diagnóstico de pielonefrite, infecção ovular ou outra infecção que necessite de internação hospitalar;
̶ Suspeita de trombose venosa profunda em gestantes (dor no membro inferior, edema localizado e/ou
varicosidade aparente);
̶ Investigação de prurido gestacional/icterícia;
̶ Vômitos incoercíveis não responsivos ao tratamento, com comprometimento sistêmico com menos de 20
semanas;
̶ Vômitos inexplicáveis no 3º trimestre;
̶ Restrição de crescimento intrauterino;
̶ Oligoidrâmnio;
̶ Casos clínicos que necessitem de avaliação hospitalar: cefaleia intensa e súbita, sinais neurológicos, crise aguda
de asma etc. Nos casos com menos de 20 semanas, as gestantes podem ser encaminhadas à emergência clínica.
FATORES DE RISCO QUE INDICAM ENCAMINHAMENTO
À URGÊNCIA/EMERGÊNCIA OBSTÉTRICA
CALENDÁRIO DE CONSULTAS
• Início precoce (no primeiro trimestre) e regular;
• Mínimo de 6 (seis), com acompanhamento intercalado entre médico e enfermeiro;
Até 28ª semana – mensalmente;
Da 28ª até a 36ª semana – quinzenalmente;
Da 36ª até a 41ª semana – semanalmente.
• Não existe alta do pré-natal antes do parto
• O acompanhamento no ciclo gravídico - puerperal deve ser iniciado o mais precoce possível e só se encerra
após o 42º dia após o puerpério, período em que deve ser realizado a consulta de puerpério.
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
• Identificação:
• - Nome;
• - Número do Cartão Nacional de Saúde;
• - Idade;
• - Cor;
• - Naturalidade;
• - Procedência;
• - Endereço atual;
• - Unidade de referência.
• Dados socioeconômicos:
- Grau de instrução;
- Profissão/ocupação (deve-se identificar fatores de risco);
- Estado civil/união;
- Número e idade de dependentes (deve-se avaliar a sobrecarga de trabalho doméstico);
- Renda familiar;
- Pessoas da família com renda;
- Condições de moradia (tipo, nº de cômodos);
- Condições de saneamento (água, esgoto, coleta de lixo);
- Distância da residência até a unidade de saúde.
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
• Antecedentes familiares:
- Hipertensão arterial;
- Diabetes mellitus;
- Malformações congênitas e anomalias genéticas;
- Gemelaridade;
- Câncer de mama e/ou do colo uterino;
- Hanseníase;
- Tuberculose e outros contatos domiciliares (deve-se anotar a doença e o grau de parentesco);
- Doença de Chagas;
- Parceiro sexual portador de infecção pelo HIV.
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
• Antecedentes pessoais gerais:
- Hipertensão arterial crônica;
- Diabetes mellitus;
- Cardiopatias, inclusive doença de Chagas;
- Doenças renais crônicas;
- Anemias e deficiências de nutrientes específicos;
- Desvios nutricionais (baixo peso, desnutrição, sobrepeso, obesidade);
- Epilepsia;
- Doenças da tireoide e outras endocrinopatias;
- Viroses (rubéola, hepatites);
- Hanseníase, tuberculose, malária, sífilis ou outras doenças infecciosas;
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
- Portadora de infecção pelo HIV (deve-se anotar se a paciente está em uso de antirretrovirais e especificar o
esquema utilizado);
- Infecção do trato urinário;
- Doenças neurológicas e psiquiátricas;
- Cirurgia (tipo e data);
- Transfusões de sangue;
- Alergias (inclusive medicamentosas);
- Doenças neoplásicas;
- Vacinação;
- Uso de medicamentos;
- Uso de drogas, tabagismo e alcoolismo.
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
• Antecedentes ginecológicos:
- Ciclos menstruais (duração, intervalo e regularidade; idade da menarca);
- Uso de métodos anticoncepcionais prévios (quais, por quanto tempo e motivo do abandono);
- Infertilidade e esterilidade (tratamento);
- Doenças sexualmente transmissíveis, inclusive doença inflamatória pélvica (tratamentos realizados, inclusive
pelo parceiro);
- Cirurgias ginecológicas (idade e motivo);
- Malformações uterinas;
- Mamas (patologias e tratamento realizado);
- Última colpocitologia oncótica (papanicolau ou “preventivo”, data e resultado).
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
• Sexualidade:
- Início da atividade sexual (idade da primeira relação);
- Dispareunia (dor ou desconforto durante o ato sexual);
- Prática sexual na gestação atual ou em gestações anteriores;
- Número de parceiros da gestante e de seu parceiro em época recente ou pregressa;
- Uso de preservativos masculinos e/ou femininos (“uso correto” e “uso habitual”).
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
• Antecedentes obstétricos:
- Número de gestações (incluindo abortamentos, gravidez ectópica, mola hidatiforme);
- Número de partos (domiciliares, hospitalares, vaginais espontâneos, por fórceps, cesáreas – indicações);
- Número de abortamentos (espontâneos, provocados, causados por DST, complicados por infecções, relato
de insuficiência istmo-cervical, história de curetagem pós-abortamento);
- Número de filhos vivos;
- Idade na primeira gestação;
- Intervalo entre as gestações (em meses);
- Isoimunização Rh;
- Número de recém-nascidos: pré-termo (antes da 37ª semana de gestação), pós-termo (igual ou mais de 42
semanas de gestação);
- Número de recém-nascidos de baixo peso (menos de 2.500g) e com mais de 4.000g;
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
- Número de recém-nascidos prematuros ou pequenos para a idade gestacional;
- Mortes neonatais precoces: até sete dias de vida (número e motivo dos óbitos);
- Mortes neonatais tardias: entre sete e 28 dias de vida (número e motivo dos óbitos);
- Natimortos (morte fetal intraútero e idade gestacional em que ocorreu);
- Recém-nascidos com icterícia, transfusão, hipoglicemia, ex-sanguíneo- transfusões;
- Intercorrências ou complicações em gestações anteriores (deve-se especificá-las);
- Complicações nos puerpérios (deve-se descrevê-las);
- Histórias de aleitamentos anteriores (duração e motivo do desmame).
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
• Gestação atual:
- Data do primeiro dia/mês/ano da última menstruação – DUM (anotar certeza ou dúvida);
- Peso prévio e altura;
- Sinais e sintomas na gestação em curso;
- Hábitos alimentares;
- Medicamentos utilizados na gestação;
- Internação durante a gestação atual;
- Hábitos: fumo (número de cigarros/dia), álcool e drogas ilícitas;
- Ocupação habitual (esforço físico intenso, exposição a agentes químicos e físicos potencialmente nocivos, estresse);
- Aceitação ou não da gravidez pela mulher, pelo parceiro e pela família, principalmente se for adolescente;
- Identificar gestantes com fraca rede de suporte social;
- Cálculo da idade gestacional e data provável do parto.
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
ANAMNESE OBSTÉTRICA
• Primigrávida ou primigesta
• Primípara
• multigesta ou multigrávida
• Secundi-, terci- ou quartigesta
• Multíparas
• Secundi-, terci- ou quartipara
• Nulípara
• nuligesta
• Exame físico geral:
̶ Inspeção da pele e das mucosas;
̶ Sinais vitais: aferição do pulso, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura axilar;
̶ Palpação da tireoide, região cervical, supraclavicular e axilar (pesquisa de nódulos ou outras anormalidades);
̶ Ausculta cardiopulmonar;
̶ Exame do abdome;
̶ Exame dos membros inferiores;
̶ Determinação do peso;
̶ Determinação da altura;
̶ Cálculo do IMC;
̶ Avaliação do estado nutricional e do ganho de peso gestacional;
̶ Medida da pressão arterial;
̶ Pesquisa de edema (membros, face, região sacra, tronco).
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
• Exame físico específico (gineco-obstétrico):
• Palpação obstétrica;
• Medida e avaliação da altura uterina;
• Ausculta dos batimentos cardiofetais;
• Registro dos movimentos fetais;
• Exame clínico das mamas;
• Exame ginecológico (inspeção dos genitais externos, exame especular, coleta de material para exame
colpocitopatológico, toque vaginal);
• Orientar uso de repelente.
ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
EXAMES COMPLEMENTARES 1º TRIMESTRE
EXAMES COMPLEMENTARES 2º TRIMESTRE
EXAMES COMPLEMENTARES 3º TRIMESTRE
CONDUTAS GERAIS
• Deve haver a interpretação dos dados da anamnese, o exame clínico/obstétrico e a instituição de condutas
específicas;
• Orientar a gestante sobre a alimentação e o acompanhamento do ganho de peso gestacional;
• Incentivar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses;
• Fornecer todas as informações necessárias e respostas às indagações da mulher, de seu companheiro e da
família;
• Prescrever suplementação de sulfato ferroso (40mg de ferro elementar/dia) e ácido fólico (5mg/dia) para
profilaxia da anemia;
• Orientar a gestante sobre os sinais de risco e a necessidade de assistência em cada caso;
• Referenciar a gestante para atendimento odontológico;
• Encaminhar a gestante para imunização antitetânica (vacina dupla viral), quando a paciente não estiver
imunizada;
• Referenciar a gestante para serviços especializados quando o procedimento for indicado.
Entretanto, mesmo com referência para serviço especializado, a mulher deverá continuar sendo
acompanhada, conjuntamente, na unidade básica de saúde;
ROTEIRO DAS CONSULTAS SUBSEQUENTES
• Anamnese atual sucinta:
̶ deve-se enfatizar a pesquisa das queixas mais comuns na gestação e dos sinais de intercorrências clínicas e
obstétricas, com o propósito de se reavaliar o risco gestacional e de se realizar ações mais efetivas;
̶ Exame físico direcionado (deve-se avaliar o bem-estar materno e fetal);
̶ Verificação do calendário de vacinação;
̶ Deve-se avaliar o resultado dos exames complementares;
̶ Devem ser feitas a revisão e a atualização do Cartão da Gestante e da Ficha de Pré-Natal
̶ Revisão da ficha perinatal e anamnese atual;
̶ Cálculo e anotação da gestação atual;
CÁLCULO DA IDADE GESTACIONAL
É a referência de duas
datas: DUM e a data da
consulta
Contam-se quantos dias se
passaram entre esse
intervalo
Total de dias será dividido
por 7
O resultado da divisão será
a quantidade de semanas, e
o resto da conta, nº de dias
DUM = 02/06/2010 data da consulta =
14/07/2010
28 dias de junho + 14 dias de julho 42 dias/7= 6 semanas
Quando a data da última menstruação (DUM) é conhecida e certa:
Quando a data da última menstruação (DUM) é desconhecida mas se conhece o mês:
05 15 25
• Quando a data e o período da última menstruação são desconhecidos:
• Serão inicialmente, determinadas por aproximação, basicamente pela medida da altura do fundo do útero e
pelo toque vaginal, além da informação sobre a data de início dos movimentos fetais, que habitualmente
ocorrem entre 18 e 20 semanas. Pode-se utilizar a altura uterina e o toque vaginal, considerando-se os
seguintes parâmetros:
̶ Até a 6ª semana, não ocorre alteração do tamanho uterino;
̶ Na 8ª semana, o útero corresponde ao dobro do tamanho normal;
̶ Na 10ª semana, o útero corresponde a três vezes o tamanho habitual;
̶ Na 12ª semana, o útero enche a pelve, de modo que é palpável na sínfise púbica;
̶ Na 16ª semana, o fundo uterino encontra-se entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical;
̶ Na 20ª semana, o fundo do útero encontra-se na altura da cicatriz umbilical.
A partir da 20ª semana, existe relação direta entre as semanas da gestação e a medida da
altura uterina. Porém, este parâmetro torna-se menos fiel a partir da 30ª semana de idade
gestacional. Quando não for possível determinar clinicamente a idade gestacional, solicite o
mais precocemente possível a ultrassonografia obstétrica
CÁLCULO DA IDADE GESTACIONAL
• Soma 07 dias ao 1º dia da última menstruação
• Se for até mês 03 meses = +9 / conservando o ano
• Se for mais que 03 meses = -3 / aumentando um ano
• Nos casos em que o número de dias encontrado for maior do que o número de dias do mês, passe os dias
excedentes para o mês seguinte, adicionando 1 (um) ao final do cálculo do mês
CÁLCULO DA DATA PROVÁVEL DO PARTO
Duração média da gestação
normal (280 dias ou 40
semanas, a partir da DUM)
Gestograma Regra de Naegele
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA
GESTANTE
• Objetivo: avaliar e acompanhar o estado nutricional da gestante e o ganho de peso durante a gestação
̶ Medidas de peso e altura da gestante;
̶ Orientações: Descalça; vestida com roupas leves; de costas para o medidor com os braços estendidos ao
longo do corpo e sem apoio;
̶ Calcular o Índice de Massa Corpórea (IMC)
• IG = Calcular a semana gestacional arredondando os dias 1, 2 e 3 para a semana anterior e 4, 5 e 6 para a
semana seguinte.
AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA
GESTANTE
AVALIAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL
Objetivo: detectar precocemente estados hipertensivos que constituam em risco materno e perinatal.
Característico de hipertensão arterial sistêmica na gestação:
• Observação de níveis tensionais iguais ou maiores que 140x90 mmHg de pressão arterial;
Pontos a serem considerados na aferição da PA em gestantes:
Certificar-se de que a mulher :
̶ Está com a bexiga vazia;
̶ Não praticou exercícios físicos;
̶ Não ingeriu bebida alcoólica, café, alimentos ou fumou nos últimos 30
̶ minutos.
AVALIAÇÃO DE EDEMA
• Objetivo: detectar precocemente a ocorrência de edema patológico.
Avaliar MMII e Região sacral:
• MMII – Gestante em decúbito dorsal ou sentada:
• Pressiona-se a pele ao redor do tornozelo;
• Terço médio da perna
• Sacra – Posição lateral ou sentada:
• Pressionar a pele do sacro com o polegar.
• O edema é evidente mediante a presença de depressão duradoura no local pressionado.
PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA
• Manobras de Leopold-Zweifel:
1º tempo ou 1ª manobra
- Delimite o fundo do útero com a borda cubital de ambas as mãos e reconheça a parte fetal que o ocupa
PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA
• Manobras de Leopold-Zweifel:
2º tempo ou 2ª manobra
- Deslize as mãos do fundo uterino até o polo inferior do útero, procurando sentir o dorso e as pequenas partes
do feto (direita ou esquerda)
PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA
• Manobras de Leopold-Zweifel:
3º tempo ou 3ª manobra
- Explore a mobilidade do polo, que se apresenta no estreito superior pélvico (cefálico, pélvico, córmico)
PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA
• Manobras de Leopold-Zweifel:
4º tempo ou 4ª manobra
Determine a situação fetal, colocando as mãos sobre as fossas ilíacas, deslizando-as em direção à escava
pélvica e abarcando o polo fetal, que se apresenta. As situações que podem ser encontradas são: longitudinal
(apresentação cefálica e pélvica), transversa (apresentação córmica) e oblíquas.
MEDIDA DA ALTURA UTERINA (AU)
• Visa ao acompanhamento do crescimento fetal e à detecção precoce de alterações:
̶ Delimite a borda superior da sínfise púbica e o fundo uterino;
̶ Por meio da palpação, procure corrigir a comum dextroversão uterina;
̶ Fixe a extremidade inicial (0cm) da fita métrica, flexível e não extensível, na borda superior da sínfise púbica
com uma das mãos, passando-a entre os dedos indicador e médio.
̶ Deslize a fita métrica entre os dedos indicador e médio da outra mão até alcançar o fundo do útero com a
margem cubital da mesma mão;
̶ Proceda à leitura quando a borda cubital da mão atingir o fundo uterino;
̶ Anote a medida (em centímetros) na ficha e no cartão e marque o ponto na curva da altura uterina.
MEDIDA DA ALTURA UTERINA (AU)
AUSCULTA DOS BATIMENTOS CARDIOFETAIS
• Constatar a cada consulta a presença, o ritmo, a frequência e a normalidade dos batimentos cardíacos
fetais (BCF)
Sonar-doppler
• 10 a 12
semanas
Estoscópio de Pinard
• 20 semanas
110-160bpm* (valor de referência)
• Registro diário dos movimentos fetais pode ser iniciado a partir da 34ª semana gestacional
REGISTRO DIÁRIO DE MOVIMENTOS FETAIS
PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS
ALIMENTARES
• Ácido fólico: Indicado para prevenção de anormalidades congênitas do tubo neural, especialmente nas
mulheres com antecedentes desse tipo de malformação
̶ Deve ser usado rotineiramente pelo menos dois meses antes e nos dois primeiros meses da gestação
̶ Recomendado administração preventiva de 0,4mg VO/dia
• Sulfato ferroso: a deficiência de ferro na gravidez, ocorre principalmente pela ingestão insulficiente na dieta,
devido à maior necessidade desse nutriente nesse período
• Recomendado dose diária de 40mg de ferro elementar durante
HIMUNIZAÇÃO NA GESTAÇÃO
Influenza: pode ser utilizada em qualquer período gestacional – dose única
Covid: pode ser utilizada em qualquer período gestacional – manter esquema
HIMUNIZAÇÃO NA GESTAÇÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma atenção pré-natal e puerperal de qualidade e humanizada é
fundamental para a saúde materna e neonatal e, para sua humanização e
qualificação, faz-se necessário: construir um novo olhar sobre o processo
saúde/doença, que compreenda a pessoa em sua totalidade corpo/mente e
considere o ambiente social, econômico, cultural e físico no qual vive.

Pré-Natal de Risco Habitual - aula 02.pptx

  • 1.
    Pré-natal de Risco Habitual Prof.Esp. Mario Hélio A. Pamplona 2022 UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE CENTRO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES UNIDADE ACADÊMICA DE ENFERMAGEM DISCIPLINA DE SAÚDE DA MULHER II
  • 2.
    CONTEXTUALIZANDO • No Brasil,a saúde da mulher foi incorporada às políticas nacionais de saúde nas primeiras décadas do século XX; • Sendo limitada, nesse período, as demandas relativas à gravidez e ao parto; • Estratégias de proteção aos grupos de risco e de maior vulnerabilidade, como crianças e gestantes, através de programas verticalizados e com ações centralizadas pelo governo federal; • Fragmentação da assistência e baixo impacto nos indicadores de saúde da mulher; • O Movimento Feminista Brasileiro e a Reforma Sanitária na década de 1980, foram importantes para a inclusão de ações integrais de saúde da mulher na agenda nacional; • Criação do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM), 1984 – necessidades identificadas a partir do perfil populacional (saúde da mulher em todos os seus ciclos); • PAISM é fortemente influenciado pelas características do SUS, com o processo de municipalização e pela reorganização da Atenção Básica, por meio da estratégia do Programa Saúde da Família; • Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher – 2004.
  • 3.
    REDE CEGONHA A Estratégiada Rede Cegonha, consiste numa rede de cuidados que visa assegurar a mulher o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como à criança o direito ao nascimento seguro e crescimento e desenvolvimento saudáveis. • A Rede Cegonha representa um conjunto de iniciativas que envolvem mudanças: ̶ Processo de cuidado à gravidez, ao parto e ao nascimento; ̶ Articulação dos pontos de atenção em rede e regulação obstétrica ̶ Momento do parto; ̶ Qualificação técnica das equipes de atenção primária e no âmbito das maternidades; ̶ Melhoria da ambiência dos serviços de saúde (UBS e maternidades); ̶ Ampliação de serviços e profissionais, para estimular a prática do parto fisiológico; ̶ Humanização do parto e do nascimento (Casa de Parto Normal, enfermeira obstétrica, parteiras, Casa da Mãe e do Bebê).
  • 4.
    DESMONTE DA SAÚDEPÚBLICA • RAMI – Rede de atenção materno-infantil Portaria 715/22 ̶ Inobservância de negociação na CIB e CIT (8.080/90) ̶ Indicadores de qualidade da assistência foram retirados (qual o custo disso?) • Nova caderneta da gestante: valorização médica X retirada da autonomia da mulher ̶ Excluído informações sobre: doula, plano de parto ̶ Redução da assistência por enfermeiros obstetras, exclusão de assistência em casas de parto e institucionalização e supervalorização da equipe médica ̶ Volta ao modelo medicalocêntrico
  • 6.
    AVALIAÇÃO PRÉ-CONCEPCIONAL • Entende-sepor avaliação pré-concepcional a consulta que o casal faz antes de uma gravidez, objetivando identificar fatores de risco ou doenças que possam alterar a evolução normal de uma futura gestação • 50% das gestações não são planejadas (adolescentes) • Atividades desenvolvidas na avaliação pré-concepcional devem incluir: ̶ anamnese e exame físico ̶ exame ginecológico ̶ exames laboratoriais ̶ Passado obstétrico e ginecológico ̶ Histórico familiar ̶ Situação vacinal ̶ IST’s ̶ Uso de substâncias lícitas e ilícitas ̶ Condições de trabalho ̶ É importante, também, a avaliação pré-concepcional dos parceiros sexuais, oferecendo a testagem para sífilis, hepatite B e HIV/Aids. A avaliação pré-concepcional tem-se mostrado altamente eficaz quando existem doenças crônicas, tais como:  DM  HAS  Epilepsia  HIV  Doença falciforme  CA de mama e colo de útero
  • 7.
    10 PASSOS PARAO PRÉ-NATAL DE QUALIDADE NA ATENÇÃO BÁSICA 1) Iniciar o pré-natal na Atenção Primária à Saúde até a 12ª semana de gestação (captação precoce) 2) Garantir os recursos humanos, físicos, materiais e técnicos necessários à atenção pré-natal. 3) Toda gestante deve ter assegurado a solicitação, realização e avaliação em termo oportuno do resultado dos exames preconizados no atendimento pré-natal. 4) Promover a escuta ativa da gestante e de seus(suas) acompanhantes, considerando aspectos intelectuais, emocionais, sociais e culturais e não somente um cuidado biológico: "rodas de gestantes". 5) Garantir o transporte público gratuito da gestante para o atendimento pré-natal, quando necessário. 6) É direito do(a) parceiro(a) ser cuidado (realização de consultas, exames e ter acesso a informações) antes, durante e depois da gestação: "pré-natal do(a) parceiro(a)". 7) Garantir o acesso à unidade de referência especializada, caso seja necessário. 8) Estimular e informar sobre os benefícios do parto fisiológico, incluindo a elaboração do "Plano de Parto". 9) Toda gestante tem direito de conhecer e visitar previamente o serviço de saúde no qual irá dar à luz (vinculação). 10) As mulheres devem conhecer e exercer os direitos garantidos por lei no período gravídico-puerperal.
  • 8.
    GARANTIA DE EFETIVIDADEDO PRÉ-NATAL • Discussão permanente sobre a importância da assistência pré-natal na unidade de saúde e nas diversas ações comunitárias; • Identificação precoce de todas as gestantes e o pronto início do acompanhamento pré-natal • Deve-se garantir a possibilidade de que as mulheres realizem o teste de gravidez na unidade de saúde sempre que necessário. • Acolhimento imediato e garantia de atendimento a todos os recém-natos e à totalidade das gestantes e puérperas que procurarem a unidade de saúde; • Realização do cadastro da gestante, após confirmada a gravidez, por intermédio do preenchimento da ficha de cadastramento do SisPreNatal ou diretamente no sistema para os serviços de saúde informatizados, fornecendo e preenchendo o Cartão da Gestante; • Classificação do risco gestacional (em toda consulta) e encaminhamento, quando necessário, ao pré-natal de alto risco ou à urgência/emergência obstétrica; • Acompanhamento periódico e contínuo de todas as gestantes, para assegurar seu seguimento durante toda a gestação, em intervalos preestabelecidos até o momento do pré-parto/parto, objetivando seu encaminhamento oportuno ao centro obstétrico, a fim de evitar sofrimento fetal por pós-datismo.
  • 9.
    • Incentivo aoparto normal e à redução da cesárea; • Realização de anamnese, exame físico e exames complementares indicados; o Imunização antitetânica e para hepatite B; • Oferta de medicamentos necessários (inclusive sulfato ferroso, para tratamento e profilaxia de anemia, e ácido fólico, com uso recomendado desde o período pré-concepcional e durante o primeiro trimestre de gestação); • Diagnóstico e prevenção do câncer de colo de útero e de mama; • Avaliação do estado nutricional e acompanhamento do ganho de peso no decorrer da gestação; • Atenção à adolescente conforme suas especificidades; • Realização de práticas educativas, abordando principalmente: (a) o incentivo ao aleitamento materno, ao parto normal e aos hábitos saudáveis de vida; (b) a identificação de sinais de alarme na gravidez e o reconhecimento do trabalho de parto; (c) os cuidados com o recém-nascido; (d) a importância do acompanhamento pré-natal, da consulta de puerpério e do planejamento familiar; (e) os direitos da gestante e do pai; (f) os riscos do tabagismo, do uso de álcool e de outras drogas; e (g) o uso de medicações na gestação. Tais práticas podem ser realizadas de forma individual ou coletiva, por meio de grupos de gestantes, sala de espera e intervenções comunitárias. GARANTIA DE EFETIVIDADE DO PRÉ-NATAL
  • 10.
    • Identificação dorisco de abandono da amamentação e encaminhamento da gestante aos grupos de apoio ao aleitamento materno e/ou ao banco de leite humano (BLH) de referência; • Oferta de atendimento clínico e psicológico à gestante vítima de violência, seja esta de qualquer tipo (doméstica, física, sexual, psicológica etc.), seja àquela em risco de depressão pós-parto, referenciando-a para equipes especializadas e/ou encaminhamento para serviços específicos, conforme fluxograma local; • Visita domiciliar às gestantes e puérperas, principalmente no último mês de gestação e na primeira semana após o parto, com o objetivo de monitorar a mulher e a criança, orientar cuidados adequados, identificar possíveis fatores de risco e realizar os encaminhamentos necessários; • Busca ativa das gestantes faltosas ao pré-natal e à consulta na primeira semana após o parto; • Sistema eficiente de referência e contrarreferência, objetivando garantir a continuidade da assistência pré- natal (em todos os níveis do sistema de saúde) para todas as gestantes, conforme a exigência de cada caso. Toda gestante encaminhada para um diferente serviço de saúde deverá levar consigo o Cartão da Gestante, bem como informações sobre o motivo do encaminhamento e os dados clínicos de interesse. Da mesma forma, deve-se assegurar o retorno da gestante à unidade básica de origem, que está de posse de todas as informações necessárias para o seu seguimento; GARANTIA DE EFETIVIDADE DO PRÉ-NATAL
  • 11.
    • Vinculação dasunidades básicas de saúde (UBS) aos hospitais, às maternidades, às casas de parto, às residências de parto domiciliar (feito por parteira) de referência e aos serviços diagnósticos, conforme definição do gestor local, além do registro do nome do hospital ou da maternidade ou da casa de parto ou das residências de parto domiciliar no Cartão da Gestante. • Deve-se informar à gestante a possibilidade de realizar uma visita ao serviço de saúde onde provavelmente se realizará o parto e, caso seja de seu interesse, agendar a visita por volta do sexto mês de gestação. • Toda gestante deve ser orientada a procurar o referido serviço quando apresentar intercorrências clínicas/obstétricas ou quando estiver em trabalho de parto; • Vinculação à central de regulação obstétrica e neonatal, quando existente, de modo a garantir a internação da parturiente e do recém-nascido nos casos de demanda excedente; • Transferência da gestante e/ou do neonato em transporte adequado (Samu), mediante vaga assegurada em outra unidade, quando necessário; • Atendimento às intercorrências obstétricas e neonatais, assim como controle de doenças crônicas e profilaxia de doenças infecciosas; • Registro das informações em prontuário, no Cartão da Gestante e no SisPreNatal, inclusive com preenchimento da Ficha Perinatal, abordando a história clínica perinatal, as intercorrências e as urgências/emergências que requeiram avaliação hospitalar; • Atenção à puérpera e ao recém-nascido na primeira semana após o parto e na consulta puerperal (até o 42º dia após o parto). GARANTIA DE EFETIVIDADE DO PRÉ-NATAL
  • 12.
    PARA QUE TAISPRÁTICAS SEJAM DESENVOLVIDAS RECURSOS HUMANOS ÁREA FÍSICA EQUIPAMENTOS E INSTRUMENTAIS MEDICAÇÕES, VACINAS, TESTES RÁPIDOS EXAMES LABORATORIAIS INSTRUMENTOS DE REGISTRO
  • 13.
    REGULAMENTAÇÃO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL Oprofissional enfermeiro pode acompanhar inteiramente o pré-natal de baixo risco na rede básica de saúde, de acordo com o Ministério de Saúde e conforme garantido pela Lei do Exercício Profissional, regulamentada pelo Decreto nº 94.406 de 08 de junho de 1987, que regulamenta a Lei nº 7.498/1986; /87.
  • 14.
    PAPEL DO ENFERMEIROFRENTE À CONSULTA PRÉ-NATAL • Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e da vacinação; • Realizar o cadastramento da gestante no SisPreNatal e fornecer o Cartão da Gestante devidamente preenchido (o cartão deve ser verificado e atualizado a cada consulta); • Realizar a consulta de pré-natal de gestação de baixo risco intercalada com a presença do(a) médico(a); • Solicitar exames complementares de acordo com o protocolo local de pré-natal; • Realizar testes rápidos; • Prescrever medicamentos padronizados para o programa de pré-natal (sulfato ferroso e ácido fólico, além de medicamentos padronizados para tratamento das DST, conforme protocolo da abordagem sindrômica); • Orientar a vacinação das gestantes (contra tétano e hepatite B); • Identificar as gestantes com algum sinal de alarme e/ou identificadas como de alto risco e encaminhá-las para consulta médica. Caso seja classificada como de alto risco e houver dificuldade para agendar a consulta médica (ou demora significativa para este atendimento), a gestante deve ser encaminhada diretamente ao serviço de referência;
  • 15.
    • Realizar exameclínico das mamas e coleta para exame citopatológico do colo do útero; • Desenvolver atividades educativas, individuais e em grupos (grupos ou atividades de sala de espera); • Orientar as gestantes e a equipe quanto aos fatores de risco e à vulnerabilidade; • Orientar as gestantes sobre a periodicidade das consultas e realizar busca ativa das gestantes faltosas; • Realizar visitas domiciliares durante o período gestacional e puerperal, acompanhar o processo de aleitamento e orientar a mulher e seu companheiro sobre o planejamento familiar. PAPEL DO ENFERMEIRO FRENTE À CONSULTA PRÉ-NATAL
  • 16.
    DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ Atrasomenstrual >15 dias = (TIG) ßHCG = 8 a 11 dias após a concepção Ultrassonografia transvaginal de 1º trimestre Atraso menstrual >12 semanas = diagnóstico clínico As queixas principais são devidas ao atraso menstrual, à fadiga, à mastalgia, ao aumento da frequência urinária e aos enjoos/vômitos matinais
  • 17.
    • Sinais depresunção: ̶ Atraso menstrual ̶ Manifestações clínicas (náuseas, vômitos, tonturas, sialorréia, mudança de apetite, polaciúria e sonolência); ̶ Modificações anatômicas (aumento do volume das mamas, hipersensibilidade nos mamilos, tubérculos de Montgomery, saída de colostro pelo mamilo, coloração violácea vulvar, aumento do volume abdominal). ̶ Formação de aréola secundária (Sinal de Hunter) ̶ Coloração violácea da mucosa vaginal ( Sinal de Kluge) DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ
  • 18.
    • Sinais deprobabilidade: ̶ Amolecimento da cérvice uterina, com posterior aumento do seu volume (Sinal de Hegar); ̶ Paredes vaginais aumentadas, com aumento da vascularização (pode-se observar pulsação da artéria vaginal nos fundos de sacos laterais - Sinal de Osiander); ̶ Positividade da fração beta do HCG no soro materno a partir do oitavo ou nono dia após a fertilização. DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ
  • 19.
    • Sinais decerteza: ̶ Presença dos batimentos cardíacos fetais (BCF), que são detectados pelo sonar a partir de 12 semanas e pelo Pinard a partir de 20 semanas; ̶ Percepção dos movimentos fetais (de 18 a 20 semanas); ̶ Ultrassonografia: o saco gestacional pode ser observado por via transvaginal com apenas 4 a 5 semanas gestacionais e a atividade cardíaca é a primeira manifestação do embrião com 6 semanas gestacionais; ̶ Rechaço do polo fetal (Sinal de Puzzos). DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ
  • 20.
    POSITIVO PARA GRAVIDEZE AGORA? • Cadastramento no SisPreNatal. Os procedimentos e as condutas que se seguem devem ser realizados sistematicamente e avaliados em toda consulta de pré-natal. • Anotações na Ficha de Pré-Natal e no Cartão da Gestante. • Fornecimento do Cartão da Gestante, com a identificação preenchida, o número do CNS, o hospital de referência para o parto e as orientações sobre este; • Calendário de vacinas e suas orientações; • Solicitação dos exames de rotina; • Orientações sobre a participação nas atividades educativas Informações essenciais que devem constar explicitamente no Cartão da Gestante são as relacionadas ao nome do hospital de referência para o parto e as relativas às intercorrências durante a gestação.
  • 21.
    CLASSIFICAÇÃO DE RISCOGESTACIONAL Avaliação de risco permanente Fatores associados a pior prognóstico materno e perinatal Alto risco Maior densidade tecnológica Atenção Básica Porta de entrada da RAS Ordenadora do sistema de saúde Intervir e transferir
  • 22.
    FATORES DE RISCOQUE PERMITEM A REALIZAÇÃO DO PRÉ-NATAL PELA EQUIPE DE ATENÇÃO BÁSICA • Fatores relacionados às características individuais e às condições sociodemográficas desfavoráveis: ̶ Idade menor do que 15 e maior do que 35 anos; ̶ Ocupação: esforço físico excessivo, carga horária extensa, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos, estresse; ̶ Situação familiar insegura e não aceitação da gravidez, principalmente em se tratando de adolescente; ̶ Situação conjugal insegura; ̶ Baixa escolaridade (menor do que cinco anos de estudo regular); ̶ Condições ambientais desfavoráveis; ̶ Altura menor do que 1,45m; ̶ IMC que evidencie baixo peso, sobrepeso ou obesidade
  • 23.
    • Fatores relacionadosà história reprodutiva anterior: ̶ Recém-nascido com restrição de crescimento, pré-termo ou malformado; ̶ Macrossomia fetal; ̶ Síndromes hemorrágicas ou hipertensivas; ̶ Intervalo interpartal menor do que dois anos ou maior do que cinco anos; ̶ Nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais partos); ̶ Cirurgia uterina anterior; ̶ Três ou mais cesarianas. ̶ Fatores relacionados à gravidez atual: ̶ Ganho ponderal inadequado; ̶ Infecção urinária; ̶ Anemia. FATORES DE RISCO QUE PERMITEM A REALIZAÇÃO DO PRÉ-NATAL PELA EQUIPE DE ATENÇÃO BÁSICA
  • 24.
    FATORES DE RISCOQUE PODEM INDICAR ENCAMINHAMENTO AO PRÉNATAL DE ALTO RISCO • Fatores relacionados às condições prévias: ̶ Cardiopatias; ̶ Pneumopatias graves (incluindo asma brônquica); ̶ Nefropatias graves (como insuficiência renal crônica e em casos de transplantados); ̶ Endocrinopatias (especialmente diabetes mellitus, hipotireoidismo e hipertireoidismo); ̶ Doenças hematológicas (inclusive doença falciforme e talassemia); ̶ Hipertensão arterial crônica e/ou caso de paciente que faça uso de anti-hipertensivo (PA>140/90mmHg antes de 20 semanas de idade gestacional – IG); ̶ Doenças neurológicas (como epilepsia); ̶ Doenças psiquiátricas que necessitam de acompanhamento (psicoses, depressão grave etc.); ̶ Doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, outras colagenoses); ̶ Alterações genéticas maternas; ̶ Antecedente de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar; ̶ Ginecopatias (malformação uterina, miomatose, tumores anexiais e outras);
  • 25.
    ̶ Portadoras dedoenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras DSTs (condiloma); ̶ Hanseníase; ̶ Tuberculose; ̶ Dependência de drogas lícitas ou ilícitas; ̶ Qualquer patologia clínica que necessite de acompanhamento especializado FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR ENCAMINHAMENTO AO PRÉNATAL DE ALTO RISCO
  • 26.
    • Fatores relacionadosà história reprodutiva anterior: ̶ Morte intrauterina ou perinatal em gestação anterior, principalmente se for de causa desconhecida; ̶ História prévia de doença hipertensiva da gestação, com mau resultado obstétrico e/ou perinatal (interrupção prematura da gestação, morte fetal intrauterina, síndrome Hellp, eclâmpsia, internação da mãe em UTI); ̶ Abortamento habitual; ̶ Esterilidade/infertilidade. • Fatores relacionados à gravidez atual: ̶ Restrição do crescimento intrauterino; ̶ Polidrâmnio ou oligoidrâmnio; ̶ Gemelaridade; ̶ Malformações fetais ou arritmia fetal; ̶ Distúrbios hipertensivos da gestação (hipertensão crônica preexistente, hipertensão gestacional ou transitória); FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR ENCAMINHAMENTO AO PRÉNATAL DE ALTO RISCO
  • 27.
    ̶ Infecção urináriade repetição ou dois ou mais episódios de pielonefrite (toda gestante com pielonefrite deve ser inicialmente encaminhada ao hospital de referência, para avaliação); ̶ Anemia grave ou não responsiva a 30-60 dias de tratamento com sulfato ferroso; ̶ Portadoras de doenças infecciosas como hepatites, toxoplasmose, infecção pelo HIV, sífilis terciária (USG com malformação fetal) e outras DSTs (condiloma); ̶ Infecções como a rubéola e a citomegalovirose adquiridas na gestação atual; ̶ Evidência laboratorial de proteinúria; ̶ Diabetes mellitus gestacional; ̶ Desnutrição materna severa; ̶ Obesidade mórbida ou baixo peso (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante para avaliação nutricional); ̶ NIC III (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante ao oncologista); ̶ Alta suspeita clínica de câncer de mama ou mamografia com Bi-rads III ou mais (nestes casos, deve-se encaminhar a gestante ao oncologista); ̶ Adolescentes com fatores de risco psicossocial. FATORES DE RISCO QUE PODEM INDICAR ENCAMINHAMENTO AO PRÉNATAL DE ALTO RISCO
  • 28.
    FATORES DE RISCOQUE INDICAM ENCAMINHAMENTO À URGÊNCIA/EMERGÊNCIA OBSTÉTRICA ̶ Síndromes hemorrágicas (incluindo descolamento prematuro de placenta, placenta prévia), independentemente da dilatação cervical e da idade gestacional; ̶ Suspeita de pré-eclâmpsia: pressão arterial > 140/90, medida após um mínimo de 5 minutos de repouso, na posição sentada. Quando estiver associada à proteinúria, pode-se usar o teste rápido de proteinúria; ̶ Sinais premonitórios de eclâmpsia em gestantes hipertensas: escotomas cintilantes, cefaleia típica occipital, epigastralgia ou dor intensa no hipocôndrio direito; ̶ Eclâmpsia (crises convulsivas em pacientes com pré-eclâmpsia); Crise hipertensiva (PA > 160/110); ̶ Amniorrexe prematura: perda de líquido vaginal (consistência líquida, em pequena ou grande quantidade, mas de forma persistente), podendo ser observada mediante exame especular com manobra de Valsalva e elevação da apresentação fetal; ̶ Isoimunização Rh; ̶ Anemia grave (hemoglobina < 8); ̶ Trabalho de parto prematuro (contrações e modificação de colo uterino em gestantes com menos de 36 semanas);
  • 29.
    ̶ IG apartir de 41 semanas confirmadas; ̶ Hipertermia (Tax > = 37,8C), na ausência de sinais ou sintomas clínicos de Ivas; ̶ Suspeita/diagnóstico de abdome agudo em gestantes; ̶ Suspeita/diagnóstico de pielonefrite, infecção ovular ou outra infecção que necessite de internação hospitalar; ̶ Suspeita de trombose venosa profunda em gestantes (dor no membro inferior, edema localizado e/ou varicosidade aparente); ̶ Investigação de prurido gestacional/icterícia; ̶ Vômitos incoercíveis não responsivos ao tratamento, com comprometimento sistêmico com menos de 20 semanas; ̶ Vômitos inexplicáveis no 3º trimestre; ̶ Restrição de crescimento intrauterino; ̶ Oligoidrâmnio; ̶ Casos clínicos que necessitem de avaliação hospitalar: cefaleia intensa e súbita, sinais neurológicos, crise aguda de asma etc. Nos casos com menos de 20 semanas, as gestantes podem ser encaminhadas à emergência clínica. FATORES DE RISCO QUE INDICAM ENCAMINHAMENTO À URGÊNCIA/EMERGÊNCIA OBSTÉTRICA
  • 30.
    CALENDÁRIO DE CONSULTAS •Início precoce (no primeiro trimestre) e regular; • Mínimo de 6 (seis), com acompanhamento intercalado entre médico e enfermeiro; Até 28ª semana – mensalmente; Da 28ª até a 36ª semana – quinzenalmente; Da 36ª até a 41ª semana – semanalmente. • Não existe alta do pré-natal antes do parto • O acompanhamento no ciclo gravídico - puerperal deve ser iniciado o mais precoce possível e só se encerra após o 42º dia após o puerpério, período em que deve ser realizado a consulta de puerpério.
  • 31.
    ROTEIRO DA PRIMEIRACONSULTA • Identificação: • - Nome; • - Número do Cartão Nacional de Saúde; • - Idade; • - Cor; • - Naturalidade; • - Procedência; • - Endereço atual; • - Unidade de referência.
  • 32.
    • Dados socioeconômicos: -Grau de instrução; - Profissão/ocupação (deve-se identificar fatores de risco); - Estado civil/união; - Número e idade de dependentes (deve-se avaliar a sobrecarga de trabalho doméstico); - Renda familiar; - Pessoas da família com renda; - Condições de moradia (tipo, nº de cômodos); - Condições de saneamento (água, esgoto, coleta de lixo); - Distância da residência até a unidade de saúde. ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 33.
    • Antecedentes familiares: -Hipertensão arterial; - Diabetes mellitus; - Malformações congênitas e anomalias genéticas; - Gemelaridade; - Câncer de mama e/ou do colo uterino; - Hanseníase; - Tuberculose e outros contatos domiciliares (deve-se anotar a doença e o grau de parentesco); - Doença de Chagas; - Parceiro sexual portador de infecção pelo HIV. ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 34.
    • Antecedentes pessoaisgerais: - Hipertensão arterial crônica; - Diabetes mellitus; - Cardiopatias, inclusive doença de Chagas; - Doenças renais crônicas; - Anemias e deficiências de nutrientes específicos; - Desvios nutricionais (baixo peso, desnutrição, sobrepeso, obesidade); - Epilepsia; - Doenças da tireoide e outras endocrinopatias; - Viroses (rubéola, hepatites); - Hanseníase, tuberculose, malária, sífilis ou outras doenças infecciosas; ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 35.
    - Portadora deinfecção pelo HIV (deve-se anotar se a paciente está em uso de antirretrovirais e especificar o esquema utilizado); - Infecção do trato urinário; - Doenças neurológicas e psiquiátricas; - Cirurgia (tipo e data); - Transfusões de sangue; - Alergias (inclusive medicamentosas); - Doenças neoplásicas; - Vacinação; - Uso de medicamentos; - Uso de drogas, tabagismo e alcoolismo. ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 36.
    • Antecedentes ginecológicos: -Ciclos menstruais (duração, intervalo e regularidade; idade da menarca); - Uso de métodos anticoncepcionais prévios (quais, por quanto tempo e motivo do abandono); - Infertilidade e esterilidade (tratamento); - Doenças sexualmente transmissíveis, inclusive doença inflamatória pélvica (tratamentos realizados, inclusive pelo parceiro); - Cirurgias ginecológicas (idade e motivo); - Malformações uterinas; - Mamas (patologias e tratamento realizado); - Última colpocitologia oncótica (papanicolau ou “preventivo”, data e resultado). ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 37.
    • Sexualidade: - Inícioda atividade sexual (idade da primeira relação); - Dispareunia (dor ou desconforto durante o ato sexual); - Prática sexual na gestação atual ou em gestações anteriores; - Número de parceiros da gestante e de seu parceiro em época recente ou pregressa; - Uso de preservativos masculinos e/ou femininos (“uso correto” e “uso habitual”). ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 38.
    • Antecedentes obstétricos: -Número de gestações (incluindo abortamentos, gravidez ectópica, mola hidatiforme); - Número de partos (domiciliares, hospitalares, vaginais espontâneos, por fórceps, cesáreas – indicações); - Número de abortamentos (espontâneos, provocados, causados por DST, complicados por infecções, relato de insuficiência istmo-cervical, história de curetagem pós-abortamento); - Número de filhos vivos; - Idade na primeira gestação; - Intervalo entre as gestações (em meses); - Isoimunização Rh; - Número de recém-nascidos: pré-termo (antes da 37ª semana de gestação), pós-termo (igual ou mais de 42 semanas de gestação); - Número de recém-nascidos de baixo peso (menos de 2.500g) e com mais de 4.000g; ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 39.
    - Número derecém-nascidos prematuros ou pequenos para a idade gestacional; - Mortes neonatais precoces: até sete dias de vida (número e motivo dos óbitos); - Mortes neonatais tardias: entre sete e 28 dias de vida (número e motivo dos óbitos); - Natimortos (morte fetal intraútero e idade gestacional em que ocorreu); - Recém-nascidos com icterícia, transfusão, hipoglicemia, ex-sanguíneo- transfusões; - Intercorrências ou complicações em gestações anteriores (deve-se especificá-las); - Complicações nos puerpérios (deve-se descrevê-las); - Histórias de aleitamentos anteriores (duração e motivo do desmame). ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 40.
    • Gestação atual: -Data do primeiro dia/mês/ano da última menstruação – DUM (anotar certeza ou dúvida); - Peso prévio e altura; - Sinais e sintomas na gestação em curso; - Hábitos alimentares; - Medicamentos utilizados na gestação; - Internação durante a gestação atual; - Hábitos: fumo (número de cigarros/dia), álcool e drogas ilícitas; - Ocupação habitual (esforço físico intenso, exposição a agentes químicos e físicos potencialmente nocivos, estresse); - Aceitação ou não da gravidez pela mulher, pelo parceiro e pela família, principalmente se for adolescente; - Identificar gestantes com fraca rede de suporte social; - Cálculo da idade gestacional e data provável do parto. ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 41.
    ANAMNESE OBSTÉTRICA • Primigrávidaou primigesta • Primípara • multigesta ou multigrávida • Secundi-, terci- ou quartigesta • Multíparas • Secundi-, terci- ou quartipara • Nulípara • nuligesta
  • 42.
    • Exame físicogeral: ̶ Inspeção da pele e das mucosas; ̶ Sinais vitais: aferição do pulso, frequência cardíaca, frequência respiratória, temperatura axilar; ̶ Palpação da tireoide, região cervical, supraclavicular e axilar (pesquisa de nódulos ou outras anormalidades); ̶ Ausculta cardiopulmonar; ̶ Exame do abdome; ̶ Exame dos membros inferiores; ̶ Determinação do peso; ̶ Determinação da altura; ̶ Cálculo do IMC; ̶ Avaliação do estado nutricional e do ganho de peso gestacional; ̶ Medida da pressão arterial; ̶ Pesquisa de edema (membros, face, região sacra, tronco). ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 43.
    • Exame físicoespecífico (gineco-obstétrico): • Palpação obstétrica; • Medida e avaliação da altura uterina; • Ausculta dos batimentos cardiofetais; • Registro dos movimentos fetais; • Exame clínico das mamas; • Exame ginecológico (inspeção dos genitais externos, exame especular, coleta de material para exame colpocitopatológico, toque vaginal); • Orientar uso de repelente. ROTEIRO DA PRIMEIRA CONSULTA
  • 44.
  • 45.
  • 47.
  • 48.
    CONDUTAS GERAIS • Devehaver a interpretação dos dados da anamnese, o exame clínico/obstétrico e a instituição de condutas específicas; • Orientar a gestante sobre a alimentação e o acompanhamento do ganho de peso gestacional; • Incentivar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses; • Fornecer todas as informações necessárias e respostas às indagações da mulher, de seu companheiro e da família; • Prescrever suplementação de sulfato ferroso (40mg de ferro elementar/dia) e ácido fólico (5mg/dia) para profilaxia da anemia; • Orientar a gestante sobre os sinais de risco e a necessidade de assistência em cada caso; • Referenciar a gestante para atendimento odontológico; • Encaminhar a gestante para imunização antitetânica (vacina dupla viral), quando a paciente não estiver imunizada; • Referenciar a gestante para serviços especializados quando o procedimento for indicado. Entretanto, mesmo com referência para serviço especializado, a mulher deverá continuar sendo acompanhada, conjuntamente, na unidade básica de saúde;
  • 49.
    ROTEIRO DAS CONSULTASSUBSEQUENTES • Anamnese atual sucinta: ̶ deve-se enfatizar a pesquisa das queixas mais comuns na gestação e dos sinais de intercorrências clínicas e obstétricas, com o propósito de se reavaliar o risco gestacional e de se realizar ações mais efetivas; ̶ Exame físico direcionado (deve-se avaliar o bem-estar materno e fetal); ̶ Verificação do calendário de vacinação; ̶ Deve-se avaliar o resultado dos exames complementares; ̶ Devem ser feitas a revisão e a atualização do Cartão da Gestante e da Ficha de Pré-Natal ̶ Revisão da ficha perinatal e anamnese atual; ̶ Cálculo e anotação da gestação atual;
  • 50.
    CÁLCULO DA IDADEGESTACIONAL É a referência de duas datas: DUM e a data da consulta Contam-se quantos dias se passaram entre esse intervalo Total de dias será dividido por 7 O resultado da divisão será a quantidade de semanas, e o resto da conta, nº de dias DUM = 02/06/2010 data da consulta = 14/07/2010 28 dias de junho + 14 dias de julho 42 dias/7= 6 semanas Quando a data da última menstruação (DUM) é conhecida e certa: Quando a data da última menstruação (DUM) é desconhecida mas se conhece o mês: 05 15 25
  • 51.
    • Quando adata e o período da última menstruação são desconhecidos: • Serão inicialmente, determinadas por aproximação, basicamente pela medida da altura do fundo do útero e pelo toque vaginal, além da informação sobre a data de início dos movimentos fetais, que habitualmente ocorrem entre 18 e 20 semanas. Pode-se utilizar a altura uterina e o toque vaginal, considerando-se os seguintes parâmetros: ̶ Até a 6ª semana, não ocorre alteração do tamanho uterino; ̶ Na 8ª semana, o útero corresponde ao dobro do tamanho normal; ̶ Na 10ª semana, o útero corresponde a três vezes o tamanho habitual; ̶ Na 12ª semana, o útero enche a pelve, de modo que é palpável na sínfise púbica; ̶ Na 16ª semana, o fundo uterino encontra-se entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical; ̶ Na 20ª semana, o fundo do útero encontra-se na altura da cicatriz umbilical. A partir da 20ª semana, existe relação direta entre as semanas da gestação e a medida da altura uterina. Porém, este parâmetro torna-se menos fiel a partir da 30ª semana de idade gestacional. Quando não for possível determinar clinicamente a idade gestacional, solicite o mais precocemente possível a ultrassonografia obstétrica CÁLCULO DA IDADE GESTACIONAL
  • 52.
    • Soma 07dias ao 1º dia da última menstruação • Se for até mês 03 meses = +9 / conservando o ano • Se for mais que 03 meses = -3 / aumentando um ano • Nos casos em que o número de dias encontrado for maior do que o número de dias do mês, passe os dias excedentes para o mês seguinte, adicionando 1 (um) ao final do cálculo do mês CÁLCULO DA DATA PROVÁVEL DO PARTO Duração média da gestação normal (280 dias ou 40 semanas, a partir da DUM) Gestograma Regra de Naegele
  • 53.
    AVALIAÇÃO DO ESTADONUTRICIONAL DA GESTANTE • Objetivo: avaliar e acompanhar o estado nutricional da gestante e o ganho de peso durante a gestação ̶ Medidas de peso e altura da gestante; ̶ Orientações: Descalça; vestida com roupas leves; de costas para o medidor com os braços estendidos ao longo do corpo e sem apoio; ̶ Calcular o Índice de Massa Corpórea (IMC)
  • 54.
    • IG =Calcular a semana gestacional arredondando os dias 1, 2 e 3 para a semana anterior e 4, 5 e 6 para a semana seguinte. AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DA GESTANTE
  • 55.
    AVALIAÇÃO DA PRESSÃOARTERIAL Objetivo: detectar precocemente estados hipertensivos que constituam em risco materno e perinatal. Característico de hipertensão arterial sistêmica na gestação: • Observação de níveis tensionais iguais ou maiores que 140x90 mmHg de pressão arterial; Pontos a serem considerados na aferição da PA em gestantes: Certificar-se de que a mulher : ̶ Está com a bexiga vazia; ̶ Não praticou exercícios físicos; ̶ Não ingeriu bebida alcoólica, café, alimentos ou fumou nos últimos 30 ̶ minutos.
  • 56.
    AVALIAÇÃO DE EDEMA •Objetivo: detectar precocemente a ocorrência de edema patológico. Avaliar MMII e Região sacral: • MMII – Gestante em decúbito dorsal ou sentada: • Pressiona-se a pele ao redor do tornozelo; • Terço médio da perna • Sacra – Posição lateral ou sentada: • Pressionar a pele do sacro com o polegar. • O edema é evidente mediante a presença de depressão duradoura no local pressionado.
  • 57.
    PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA • Manobrasde Leopold-Zweifel: 1º tempo ou 1ª manobra - Delimite o fundo do útero com a borda cubital de ambas as mãos e reconheça a parte fetal que o ocupa
  • 58.
    PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA • Manobrasde Leopold-Zweifel: 2º tempo ou 2ª manobra - Deslize as mãos do fundo uterino até o polo inferior do útero, procurando sentir o dorso e as pequenas partes do feto (direita ou esquerda)
  • 59.
    PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA • Manobrasde Leopold-Zweifel: 3º tempo ou 3ª manobra - Explore a mobilidade do polo, que se apresenta no estreito superior pélvico (cefálico, pélvico, córmico)
  • 60.
    PROPEDÊUTICA OBSTÉTRICA • Manobrasde Leopold-Zweifel: 4º tempo ou 4ª manobra Determine a situação fetal, colocando as mãos sobre as fossas ilíacas, deslizando-as em direção à escava pélvica e abarcando o polo fetal, que se apresenta. As situações que podem ser encontradas são: longitudinal (apresentação cefálica e pélvica), transversa (apresentação córmica) e oblíquas.
  • 61.
    MEDIDA DA ALTURAUTERINA (AU) • Visa ao acompanhamento do crescimento fetal e à detecção precoce de alterações: ̶ Delimite a borda superior da sínfise púbica e o fundo uterino; ̶ Por meio da palpação, procure corrigir a comum dextroversão uterina; ̶ Fixe a extremidade inicial (0cm) da fita métrica, flexível e não extensível, na borda superior da sínfise púbica com uma das mãos, passando-a entre os dedos indicador e médio. ̶ Deslize a fita métrica entre os dedos indicador e médio da outra mão até alcançar o fundo do útero com a margem cubital da mesma mão; ̶ Proceda à leitura quando a borda cubital da mão atingir o fundo uterino; ̶ Anote a medida (em centímetros) na ficha e no cartão e marque o ponto na curva da altura uterina.
  • 62.
    MEDIDA DA ALTURAUTERINA (AU)
  • 63.
    AUSCULTA DOS BATIMENTOSCARDIOFETAIS • Constatar a cada consulta a presença, o ritmo, a frequência e a normalidade dos batimentos cardíacos fetais (BCF) Sonar-doppler • 10 a 12 semanas Estoscópio de Pinard • 20 semanas 110-160bpm* (valor de referência)
  • 64.
    • Registro diáriodos movimentos fetais pode ser iniciado a partir da 34ª semana gestacional REGISTRO DIÁRIO DE MOVIMENTOS FETAIS
  • 65.
    PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS ALIMENTARES •Ácido fólico: Indicado para prevenção de anormalidades congênitas do tubo neural, especialmente nas mulheres com antecedentes desse tipo de malformação ̶ Deve ser usado rotineiramente pelo menos dois meses antes e nos dois primeiros meses da gestação ̶ Recomendado administração preventiva de 0,4mg VO/dia • Sulfato ferroso: a deficiência de ferro na gravidez, ocorre principalmente pela ingestão insulficiente na dieta, devido à maior necessidade desse nutriente nesse período • Recomendado dose diária de 40mg de ferro elementar durante
  • 66.
    HIMUNIZAÇÃO NA GESTAÇÃO Influenza:pode ser utilizada em qualquer período gestacional – dose única Covid: pode ser utilizada em qualquer período gestacional – manter esquema
  • 67.
  • 68.
    CONSIDERAÇÕES FINAIS Uma atençãopré-natal e puerperal de qualidade e humanizada é fundamental para a saúde materna e neonatal e, para sua humanização e qualificação, faz-se necessário: construir um novo olhar sobre o processo saúde/doença, que compreenda a pessoa em sua totalidade corpo/mente e considere o ambiente social, econômico, cultural e físico no qual vive.