Os Movimentos
Migratórios
A mobilidade é uma característica de praticamente todos os
seres vivos. Fundamentalmente, as migrações são movimentos
horizontais (deslocamentos), que tendem a um equilíbrio
demográfico à superfície do Globo, este equilíbrio, como é óbvio,
é realizado inconscientemente, mas qualquer migração tende a
estabelecer um determinado equilíbrio.
As Migrações
Os grandes fluxos migratórios
internacionais
Foi possivelmente com os Descobrimentos, nos séculos XV
e XVI, que se abriram os horizontes geográficos, dando a
conhecer enormes espaços praticamente despovoados, e
permitiram uma vontade e oportunidade de emigrar para
esses novos locais. Foi talvez a partir desta época que se
abriu uma nova era na história das migrações. É do
conhecimento de todos que a partir dessa época, espanhóis
e portugueses ocuparam países da América latina e África,
Franceses e Britânicos, ocuparam a América do Norte.
Mas de todos os movimentos migratórios, os dos finais do séc. XIX e
princípios do séc. XX, foram os mais espectaculares. Estes gigantescos
fluxos migratórios desempenharam um grande papel na redistribuição
e no equilíbrio da população mundial. A maior parte dos países de
origem, eram países europeus. Convém lembrar que a Europa (a partir
da Revolução Industrial), conheceu um enorme crescimento
populacional, chegando a uma situação em que a industria e os
serviços, já não conseguiam garantir emprego a todos os que o
desejavam. Por isso a pressão demográfica europeia era enorme. Por
outro lado, vastos e ainda inexplorados e escassamente povoados
territórios não faltavam. Assim, nessa época, milhões de portugueses,
espanhóis, irlandeses, britânicos, franceses, alemães suecos,
dinamarqueses ... emigraram para onde a "terra não faltava" - os
territórios do Novo Mundo (EUA, Canadá, Brasil, Venezuela,
Argentina, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul... Estes movimentos
migratórios, ajudaram a diminuir a pressão demográfica na Europa e
ajudaram o crescimento económico e populacional do Novo Mundo.
Após o fim da II Guerra Mundial, houve uma retoma dos fluxos
migratórios, mas com outra "direção". Os países europeus encontravam-se
destruídos pelo conflito e procuravam a sua reconstrução e o tornar a
dinamizar a sua economia. Porém havia obstáculos; os fluxos migratórios
anteriores tinham "esvaziado" a Europa de jovens e adultos, por outro lado,
as duas guerras mundiais devastaram imensas vidas humanas, também
principalmente, adultos e jovens, pelo que a população europeia, além de
reduzida, estava envelhecida. Deste modo, a falta de mão-de-obra era o maior
obstáculo à reconstrução. Contudo, nessa época (cerca de 1950), muitos países
mediterrâneos, ou que não entraram directamente nos conflitos, possuíam
uma economia pouco desenvolvida e sobretudo agrícola, e portanto incapaz
de absorver essa mão-de-obra toda, originando nesses países, muito
desemprego e salários reduzidos. A possibilidade de poderem arranjar
emprego, emigrado para os países que estavam destruídos, foi uma
alternativa de melhorar o seu nível de vida. Desencadeou-se assim outro
fluxo migratório enorme, só que agora, o destino não era o Novo Mundo, mas
sim os países da Europa Ocidental, que em poucas décadas conseguiu
recuperar o seu desenvolvimento económico. Os principais países de
acolhimento foram a França, a Alemanha (na altura a RFA), o reino Unido, a
Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Suíça. Dos países de partida, destacam-se a
Espanha, Portugal, Irlanda, ex-Jugoslávia, Turquia, Marrocos, Argélia e
Tunísia.
A partir de 1990, assistiu-se a grandes mudanças a nível de
mudanças económicas e políticas de muitos países
(desmembramento da ex-URSS e da ex-Jugoslávia, conflitos pelo
poder em África, os boat people do sudeste asiático e de Cuba, etc..)
que originam, actualmente, um grande fluxo migratórios. Contudo as
características destas actuais migrações internacionais são
inovadoras: a maior parte delas são clandestinas e de refugiados, que
tentam fugir de conflitos políticos e étnicos.
CLUBE EUROPEU AEPS
9 – maio - 2016

Os movimentos migratórios

  • 1.
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    A mobilidade éuma característica de praticamente todos os seres vivos. Fundamentalmente, as migrações são movimentos horizontais (deslocamentos), que tendem a um equilíbrio demográfico à superfície do Globo, este equilíbrio, como é óbvio, é realizado inconscientemente, mas qualquer migração tende a estabelecer um determinado equilíbrio. As Migrações
  • 11.
    Os grandes fluxosmigratórios internacionais Foi possivelmente com os Descobrimentos, nos séculos XV e XVI, que se abriram os horizontes geográficos, dando a conhecer enormes espaços praticamente despovoados, e permitiram uma vontade e oportunidade de emigrar para esses novos locais. Foi talvez a partir desta época que se abriu uma nova era na história das migrações. É do conhecimento de todos que a partir dessa época, espanhóis e portugueses ocuparam países da América latina e África, Franceses e Britânicos, ocuparam a América do Norte.
  • 12.
    Mas de todosos movimentos migratórios, os dos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX, foram os mais espectaculares. Estes gigantescos fluxos migratórios desempenharam um grande papel na redistribuição e no equilíbrio da população mundial. A maior parte dos países de origem, eram países europeus. Convém lembrar que a Europa (a partir da Revolução Industrial), conheceu um enorme crescimento populacional, chegando a uma situação em que a industria e os serviços, já não conseguiam garantir emprego a todos os que o desejavam. Por isso a pressão demográfica europeia era enorme. Por outro lado, vastos e ainda inexplorados e escassamente povoados territórios não faltavam. Assim, nessa época, milhões de portugueses, espanhóis, irlandeses, britânicos, franceses, alemães suecos, dinamarqueses ... emigraram para onde a "terra não faltava" - os territórios do Novo Mundo (EUA, Canadá, Brasil, Venezuela, Argentina, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul... Estes movimentos migratórios, ajudaram a diminuir a pressão demográfica na Europa e ajudaram o crescimento económico e populacional do Novo Mundo.
  • 14.
    Após o fimda II Guerra Mundial, houve uma retoma dos fluxos migratórios, mas com outra "direção". Os países europeus encontravam-se destruídos pelo conflito e procuravam a sua reconstrução e o tornar a dinamizar a sua economia. Porém havia obstáculos; os fluxos migratórios anteriores tinham "esvaziado" a Europa de jovens e adultos, por outro lado, as duas guerras mundiais devastaram imensas vidas humanas, também principalmente, adultos e jovens, pelo que a população europeia, além de reduzida, estava envelhecida. Deste modo, a falta de mão-de-obra era o maior obstáculo à reconstrução. Contudo, nessa época (cerca de 1950), muitos países mediterrâneos, ou que não entraram directamente nos conflitos, possuíam uma economia pouco desenvolvida e sobretudo agrícola, e portanto incapaz de absorver essa mão-de-obra toda, originando nesses países, muito desemprego e salários reduzidos. A possibilidade de poderem arranjar emprego, emigrado para os países que estavam destruídos, foi uma alternativa de melhorar o seu nível de vida. Desencadeou-se assim outro fluxo migratório enorme, só que agora, o destino não era o Novo Mundo, mas sim os países da Europa Ocidental, que em poucas décadas conseguiu recuperar o seu desenvolvimento económico. Os principais países de acolhimento foram a França, a Alemanha (na altura a RFA), o reino Unido, a Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Suíça. Dos países de partida, destacam-se a Espanha, Portugal, Irlanda, ex-Jugoslávia, Turquia, Marrocos, Argélia e Tunísia.
  • 16.
    A partir de1990, assistiu-se a grandes mudanças a nível de mudanças económicas e políticas de muitos países (desmembramento da ex-URSS e da ex-Jugoslávia, conflitos pelo poder em África, os boat people do sudeste asiático e de Cuba, etc..) que originam, actualmente, um grande fluxo migratórios. Contudo as características destas actuais migrações internacionais são inovadoras: a maior parte delas são clandestinas e de refugiados, que tentam fugir de conflitos políticos e étnicos.
  • 17.
    CLUBE EUROPEU AEPS 9– maio - 2016