Conversando sobre memória
Adalberto Santos
O que é memória
Depósito passivo dos vestígios do
passado que sobrevivem no
presente
 não se pode rememorar o que
desapareceu por completo
 apenas aquilo que sobrevive,
concretamente, no presente
Princípio ativo = uma reflexão
 que se debruça sobre vestígios do
passado
 que sobrevivem no presente no
intuito
– de selecioná-los
– condensá-los
 dando sentido ao passado
e ao presente
Forma de ação
 atividade auto-representativa que
indivíduo, grupo ou sociedade
produz
 buscando assumir e defender a
identidade e orientar a ação
individual e coletiva
Caráter unificador
Se liga à reprodução da sociedade
– ao lastro da tradição de uma cultura
 conferindo sentido de permanência às sociedades e aos
grupos
Fixa os sentidos e as identidades
– permitindo às sociedades e aos grupos
 traçar suas origens
 garantir e reconhecer sua permanência no decorrer do
tempo
Caráter ativo transformador
Potencialmente uma ação reflexiva sobre a
mudança
– traze em si a possibilidade do presente ser visto não
como uma realidade fixa e imutável
 mas como um produto da ação humana
Ato de poder
A memória integra os mecanismos de controle
– Desse embate resulta
 o que será lembrado
 o que deve ser esquecido
Poder
 de transmitir ou eternizar memória(s)
 de propor ou impor dada memória à coletividade
– campo de conflitos
 pode criar, refazer ou destruir identidades sociais
 pode dar sentido e eficácia aos atos coletivos
Atuar na produção social da
memória coletiva e do
esquecimento é uma das grandes
preocupações dos grupos e dos
indivíduos que dominaram e
dominam as sociedades.
Estados-nacionais
Usurparam para si muitos dos antigos lugares
da memória
– a reforma dos calendários
– a reorganização das comemorações coletivas
– a proposição de novos símbolos e novas tradições
 conferiram-lhes unidade e legitimidade política
Mesmo reconhecendo os esforços de controle da produção da
memória, não se pode afirmar que apenas uma memória
unificada e monolítica vem sendo produzida
Hoje = proliferação de memórias particulares
 que têm como objetos e como autores
– grupos sociais antes excluídos do discurso social
 esforço para construir identidades e para redefinir
posição e interesses diante da sociedade.
Elementos que constituem a memória
Acontecimentos
Vividos individualmente
Vividos pelo grupo ou pela coletividade
Eventos fora do espaço-tempo da pessoa ou grupo
– por meio da socialização ocorre o fenômeno de
projeção ou de identificação com determinado
passado
 memória (quase) herdada
Elementos que constituem a memória
Pessoas = personagens
Encontradas no decorrer da vida
Que não pertenceram necessariamente ao
espaço-tempo da pessoa
Elementos que constituem a memória
Lugares
Ligados a uma lembrança pessoal
Ligados a uma lembrança que não tem apoio no
tempo cronológico
Na memória da pessoa, pode haver lugares de
apoio da memória, que são os lugares de
comemoração
Registro e memória
Para os antigos gregos, a memória era
sobrenatural
Um dom a ser exercitado
Mnemosine, mãe das Musas, protetoras das
artes e da história, possibilitava aos poetas
lembrar do passado e transmiti-lo aos mortais
Registro e memória
Surgimento da escrita e de outras formas de
registros
– configuram o esvaziamento das antigas
mnemotecnias orais
– Simmel fala de separação entre cultura subjetiva e
cultura objetiva
 distanciamento entre os recursos objetivados de memória e
a experiência vivida da rememoração
– desencadeia um processo de autonomização virtual
dos processos de racionalização do pensamento
importante para surgimento das “civilizações”
Registro e memória
A aceleração proporcionada pelo presente
trouxe consigo
– preocupação com passado
 traduzida em proecupação com memória
O alto grau de informação na(s) sociedade(s)
contemporânea(s) (visuais, sonoras, auditivas,e
virtuais)
– faz com que o célebro não registre todas infomações
Ameaça do esquecimento
 desejo de recuperar o passado
– vontade de memorizar
– dever de lembrar
Na sociedade
contemporânea
recorre-se aos recursos
tecnológicos para fazer
o inventário, o registro
e o reconhecimento
das manifestações
culturais, a fim de
assegurar sua
salvaguarda.
Inventariar, proteger e
garantir a transmissão
de fenômenos tão
diferentes (música,
artesanato, saberes) se
constitui em um
trabalho de análise
científica e conceitual
que deverá ser
registrado através de
novas tecnologias.
Todas essas questões são importantes de
serem pensadas, quando o foco do
interesse é o Patrimônio Cultural Brasileiro,
um conjunto de bens de natureza material e
imaterial que se referem à ação, à memória
e à identidade dos grupos formadores da
sociedade nacional

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  • 1.
  • 2.
    O que émemória Depósito passivo dos vestígios do passado que sobrevivem no presente  não se pode rememorar o que desapareceu por completo  apenas aquilo que sobrevive, concretamente, no presente Princípio ativo = uma reflexão  que se debruça sobre vestígios do passado  que sobrevivem no presente no intuito – de selecioná-los – condensá-los  dando sentido ao passado e ao presente Forma de ação  atividade auto-representativa que indivíduo, grupo ou sociedade produz  buscando assumir e defender a identidade e orientar a ação individual e coletiva
  • 3.
    Caráter unificador Se ligaà reprodução da sociedade – ao lastro da tradição de uma cultura  conferindo sentido de permanência às sociedades e aos grupos Fixa os sentidos e as identidades – permitindo às sociedades e aos grupos  traçar suas origens  garantir e reconhecer sua permanência no decorrer do tempo
  • 4.
    Caráter ativo transformador Potencialmenteuma ação reflexiva sobre a mudança – traze em si a possibilidade do presente ser visto não como uma realidade fixa e imutável  mas como um produto da ação humana
  • 5.
    Ato de poder Amemória integra os mecanismos de controle – Desse embate resulta  o que será lembrado  o que deve ser esquecido Poder  de transmitir ou eternizar memória(s)  de propor ou impor dada memória à coletividade – campo de conflitos  pode criar, refazer ou destruir identidades sociais  pode dar sentido e eficácia aos atos coletivos
  • 6.
    Atuar na produçãosocial da memória coletiva e do esquecimento é uma das grandes preocupações dos grupos e dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades.
  • 7.
    Estados-nacionais Usurparam para simuitos dos antigos lugares da memória – a reforma dos calendários – a reorganização das comemorações coletivas – a proposição de novos símbolos e novas tradições  conferiram-lhes unidade e legitimidade política
  • 8.
    Mesmo reconhecendo osesforços de controle da produção da memória, não se pode afirmar que apenas uma memória unificada e monolítica vem sendo produzida Hoje = proliferação de memórias particulares  que têm como objetos e como autores – grupos sociais antes excluídos do discurso social  esforço para construir identidades e para redefinir posição e interesses diante da sociedade.
  • 9.
    Elementos que constituema memória Acontecimentos Vividos individualmente Vividos pelo grupo ou pela coletividade Eventos fora do espaço-tempo da pessoa ou grupo – por meio da socialização ocorre o fenômeno de projeção ou de identificação com determinado passado  memória (quase) herdada
  • 10.
    Elementos que constituema memória Pessoas = personagens Encontradas no decorrer da vida Que não pertenceram necessariamente ao espaço-tempo da pessoa
  • 11.
    Elementos que constituema memória Lugares Ligados a uma lembrança pessoal Ligados a uma lembrança que não tem apoio no tempo cronológico Na memória da pessoa, pode haver lugares de apoio da memória, que são os lugares de comemoração
  • 12.
    Registro e memória Paraos antigos gregos, a memória era sobrenatural Um dom a ser exercitado Mnemosine, mãe das Musas, protetoras das artes e da história, possibilitava aos poetas lembrar do passado e transmiti-lo aos mortais
  • 13.
    Registro e memória Surgimentoda escrita e de outras formas de registros – configuram o esvaziamento das antigas mnemotecnias orais – Simmel fala de separação entre cultura subjetiva e cultura objetiva  distanciamento entre os recursos objetivados de memória e a experiência vivida da rememoração – desencadeia um processo de autonomização virtual dos processos de racionalização do pensamento importante para surgimento das “civilizações”
  • 14.
    Registro e memória Aaceleração proporcionada pelo presente trouxe consigo – preocupação com passado  traduzida em proecupação com memória O alto grau de informação na(s) sociedade(s) contemporânea(s) (visuais, sonoras, auditivas,e virtuais) – faz com que o célebro não registre todas infomações
  • 15.
    Ameaça do esquecimento desejo de recuperar o passado – vontade de memorizar – dever de lembrar
  • 16.
    Na sociedade contemporânea recorre-se aosrecursos tecnológicos para fazer o inventário, o registro e o reconhecimento das manifestações culturais, a fim de assegurar sua salvaguarda. Inventariar, proteger e garantir a transmissão de fenômenos tão diferentes (música, artesanato, saberes) se constitui em um trabalho de análise científica e conceitual que deverá ser registrado através de novas tecnologias.
  • 17.
    Todas essas questõessão importantes de serem pensadas, quando o foco do interesse é o Patrimônio Cultural Brasileiro, um conjunto de bens de natureza material e imaterial que se referem à ação, à memória e à identidade dos grupos formadores da sociedade nacional