%HermesFileInfo:H-1:20130522:
H1 QUARTA-FEIRA, 22 DE MAIO DE 2013 O ESTADO DE S. PAULO
1925 2013★ ✝
O
jornalista Ruy Mesquita, diretor de O Estado
de S. Paulo, morreu ontem às 20h40. “Dr.
Ruy”, como era conhecido na redação, foi in-
ternado no dia 25 no Hospital Sírio-Libanês,
em São Paulo. Um câncer na base da língua havia sido
diagnosticado em abril. Seguindo a tradição da família,
Ruy Mesquita foi um defensor da liberdade, da democra-
cia e da livre-iniciativa, princípios que sempre nortea-
ram a linha editorial do Estado. Ao longo de seus 88
anos, teve participação ativa em momentos importantes
da história do Brasil e da América Latina. Presenciou o
início da revolução em Cuba, nos anos 50, e foi homena-
geado pelos irmãos Castro. Depois, tornou-se crítico con-
tumaz do regime. Reuniu-se com militares antes do gol-
pe de 1964, que apoiou, em nome da defesa da democra-
cia, mas, assim como seu pai e seu irmão, também pas-
sou a criticar a ditadura. Os três lideraram uma das mais
emblemáticas resistências à censura prévia, substituindo
as reportagens cortadas por poemas e receitas. Aos 88
anos, Ruy manteve sua rotina de trabalho até a véspera
da internação. Responsável pela opinião do Estado des-
de a morte de seu irmão Julio de Mesquita Neto, em
1996, ele se reunia diariamente com os editorialistas pa-
ra definir as tradicionais “Notas & Informações” da pági-
na 3. De hábitos reclusos, dividia seu tempo entre o jor-
nal e a casa, onde se dedicava a leituras. Deixa a mulher,
Laura Maria Sampaio Lara Mesquita, os filhos Ruy, Fer-
não, Rodrigo e João, 12 netos e um bisneto. O velório se-
rá na casa da família. O enterro ocorrerá às 15 horas no
Cemitério da Consolação.
Ruy Mesquita
VALÉRIA GONÇALVEZ/ESTADÃO - 24/4/2004

Ruy Mesquita, obituário Estadão, H1

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    %HermesFileInfo:H-1:20130522: H1 QUARTA-FEIRA, 22DE MAIO DE 2013 O ESTADO DE S. PAULO 1925 2013★ ✝ O jornalista Ruy Mesquita, diretor de O Estado de S. Paulo, morreu ontem às 20h40. “Dr. Ruy”, como era conhecido na redação, foi in- ternado no dia 25 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Um câncer na base da língua havia sido diagnosticado em abril. Seguindo a tradição da família, Ruy Mesquita foi um defensor da liberdade, da democra- cia e da livre-iniciativa, princípios que sempre nortea- ram a linha editorial do Estado. Ao longo de seus 88 anos, teve participação ativa em momentos importantes da história do Brasil e da América Latina. Presenciou o início da revolução em Cuba, nos anos 50, e foi homena- geado pelos irmãos Castro. Depois, tornou-se crítico con- tumaz do regime. Reuniu-se com militares antes do gol- pe de 1964, que apoiou, em nome da defesa da democra- cia, mas, assim como seu pai e seu irmão, também pas- sou a criticar a ditadura. Os três lideraram uma das mais emblemáticas resistências à censura prévia, substituindo as reportagens cortadas por poemas e receitas. Aos 88 anos, Ruy manteve sua rotina de trabalho até a véspera da internação. Responsável pela opinião do Estado des- de a morte de seu irmão Julio de Mesquita Neto, em 1996, ele se reunia diariamente com os editorialistas pa- ra definir as tradicionais “Notas & Informações” da pági- na 3. De hábitos reclusos, dividia seu tempo entre o jor- nal e a casa, onde se dedicava a leituras. Deixa a mulher, Laura Maria Sampaio Lara Mesquita, os filhos Ruy, Fer- não, Rodrigo e João, 12 netos e um bisneto. O velório se- rá na casa da família. O enterro ocorrerá às 15 horas no Cemitério da Consolação. Ruy Mesquita VALÉRIA GONÇALVEZ/ESTADÃO - 24/4/2004