TRABALHO
Para Marx, otrabalho é uma dimensão ineliminável da vida
humana, isto é, uma dimensão ontológica fundamental, pois, por
meio dele, o homem cria, livre e conscientemente, a realidade, bem
como o permite dar um salto da mera existência orgânica à
sociabilidade.
A Mercadoria constituicategoria
central para a compreensão do
sistema capitalista de produção. É,
antes de tudo, um bem ou um
objeto que satisfaz uma
necessidade qualquer do
homem e que pode ser trocado
por outro bem.
6.
“A riqueza dassociedades em que domina o modo de produção
capitalista aparece como uma ‘imensa coleção de mercadorias’ e a
mercadoria individual como sua forma elementar. (...) A mercadoria
é antes do tudo, um objeto externo, uma coisa, a qual pelas suas
propriedades satisfaz necessidades humanas de qualquer espécie
(...) se elas se originam do estômago ou da fantasia não altera
nada na coisa”
Precondições para a produção de mercadorias: divisão da
sociedade em classes sociais; divisão social do trabalho e
propriedade privada dos meios de produção.
Marx abre o Cap. 1 do “O Capital” nos seguintes termos:
7.
“Uma coisa podeser útil e produto do trabalho humano, sem ser
mercadoria. Quem com seu produto satisfaz sua própria necessidade cria
valor de uso mas não mercadoria. (...) Para tornar-se mercadoria, é
preciso que o produto seja transferido a quem vai servir como valor de
uso por meio da troca (...) nenhuma coisa pode ser valor, sem ser objeto
de uso. Sendo inútil, do mesmo modo é inútil o trabalho nela contido, não
conta como trabalho e não constitui qualquer valor”. (K. Marx)
“Como criador devalores de uso,
como trabalho útil, é o trabalho,
por isso, uma condição de
existência do homem,
independente de todas as
formas de sociedade, eterna
necessidade natural de mediação
entre homem e natureza e,
portanto, da vida humana.” (Karl
Marx)
Valor de Uso
10.
VALOR DE TROCA
Ovalor de uma mercadoria é a quantidade de trabalho média,
em condições históricas dadas, exigida para a sua produção
(trabalho socialmente necessário); tal valor só pode manifestar-
se quando mercadorias diferentes são comparadas no processo
de troca – isto é, através do valor de troca: é na troca que o
valor das mercadorias se expressa.
11.
O DUPLO CARÁTERDO TRABALHO
O trabalho, enquanto mercadoria também apresenta um duplo
aspecto:
TRABALHO CONCRETO: É o trabalho que se destina a um fim
determinado ou a produção de um valor de uso.
TRABALHO ABSTRATO: o dispêndio humano de força de trabalho, o
trabalho humano em geral. Este é o trabalho abstrato, a forma pela
qual o trabalho cria valor.
Valor de uso
Valor de troca
Trabalho concreto
Trabalho abstrato
MERCADORIA TRABALHO
12.
TRABALHO CONCRETO OU
ÚTIL
Otrabalho que cria valor de uso
é o TRABALHO CONCRETO, ou
trabalho útil, e a criação de
valores de uso é uma condição
necessária à existência de
qualquer sociedade. Isso significa
que toda sociedade exigirá
trabalho concreto de seus
membros.
13.
TRABALHO ABSTRATO
Para sertrocada, toda mercadoria precisa ser comparada: quando
o sapateiro leva ao mercado os seus sapatos para trocá-los por
tecidos, há que comparar-se o trabalho do sapateiro com o do
tecelão.
Essa comparação necessária para a troca, realiza-se com a
eliminação das particularidades das diversas formas de trabalho e
com a sua redução a um denominador comum, àquilo que todas
as formas de trabalho têm entre si: o fato de todas implicarem
um dispêndio de energia física e psíquica – o fato de serem
trabalho em geral; quanto o trabalho concreto é reduzido à
condição de trabalho em geral, tem-se o TRABALHO ABSTRATO
FETICHISMO DA MERCADORIA
Consistena incapacidade dos homens perceberem como sociais
os frutos de seu trabalho. Esse estranhamento entre os
trabalhadores e os produtos de sua atividade ocorre pois os
trabalhadores são incapazes de se reconhecer nos objetos que
criam.
16.
Feitiço, magia exercidapela mercadoria sobre os próprios feiticeiros.
Os homens fizeram o fetiche a base das relações sociais
capitalistas. Não o dominam; são dominados por eles.
17.
No Capitalismo, asmercadorias adquirem uma forma fantástica
capazes de oferecer mais do que utilidade, pois trariam também
felicidade, poder, status, etc...
Homem Mercadoria
Humaniza
Coisifica
19.
TRABALHO, FORÇA DETRABALHO E
PROCESSO DE TRABALHO
O trabalho é fonte de valor, como produtor de riquezas. (Teoria de
Valor-trabalho – Smith e Ricardo)
Toda riqueza e todo capital é trabalho humano objetivado. O
trabalho vivo transforma-se em trabalho morto. Este último, é
trabalho acumulado, cristalizado, é trabalho passado.
É o trabalho vivo que é responsável pela valorização constante
do capital. O capital é o produto da extração do sobretrabalho
(mais-valia) no processo de produção capitalista.
20.
Segundo Marx, noCapitalismo, é preciso distinguir “trabalho” e “força
de trabalho”.
A relação salarial, de compra e venda entre o capitalista e o
trabalhador, é uma relação de compra e venda de uma mercadoria
especial: a FORÇA DE TRABALHO.
No processo de trabalho, o capitalista precisa converter essa
capacidade de trabalho em trabalho efetivo, em valores. A força de
trabalho produz mais valor que seu próprio valor de troca no mercado
de trabalho. Para entender melhor esse processo é preciso
compreender o sentido da Mais-Valia.
GÊNESE
A base doprocesso de exploração no
sistema Capitalista e que fundamenta a
divisão de classes e a acumulação de
Capital nas mãos de uma única classe,
a burguesia, consiste no processo
denominado por Marx, de Mais-Valia.
Assim, a Mais-Valia (ou mais-valor) é
o fundamento objetivo das relações
de antagonismo e exploração entre
capital e trabalho.
23.
Ao contrário daideia comum de que os lucros no Capitalismo se
assentam no processo de troca, de circulação de mercadorias,
(sujeitas essas às inúmeras vicissitudes e oscilações do mercado)
Marx afirma que o processo de extração da Mais-Valia ocorre em
sua origem, no campo mesmo da produção econômica.
24.
MAIS-VALIA
A Mais-Valia podeser definida a partir da diferença entre o valor
produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador. Desse
modo, a jornada de trabalho do trabalhador é formada por:
Tempo Necessário:
tempo de trabalho necessário para produzir mercadorias cujo
valor é igual ao valor da força de trabalho
Tempo Excedente:
tempo de trabalho que excede, que vale mais que a força de
trabalho: Mais Valia. O trabalhador, embora tenha feito juridicamente
um contrato de trabalho de 08 horas, trabalha 04 horas de graça
25.
MAIS-VALIA ABSOLUTA
“A produçãode mais valia absoluta se realiza com o
prolongamento da jornada de trabalho além do ponto em que o
trabalhador produz apenas um equivalente ao valor de sua força
de trabalho e com a apropriação pelo capital desse trabalho
excedente” (Marx, O Capital)
26.
EXEMPLO
Imaginemos um capitalistainteressado em produzir sapatos, utilizando
uma unidade determinada unidade de valor, p.ex. em reais (R$). E que
para produzir um par de sapatos tenha os seguintes custos de produção:
O custo de cada par de sapatos é, portanto de R$ 150,00. Vamos supor
agora que o operário tenha uma jornada de 9 horas e que para
confecciona cada par de sapatos em três horas.
Matéria Prima R$ 100,00
Desgaste dos Instrumentos R$ 20,00
Salário R$ 30,00
Total R$ 150,00
27.
Sendo assim emcada jornada diária de trabalho o trabalhador irá produzir três pares de
sapatos. Nesse caso cada par de sapatos continua valendo R$ 150,00 mas graças à
Mais-Valia eles custam menos ao capitalista:
Assim, ao final da jornada de trabalho, o trabalhador recebe R$ 30,00, ainda que seu
trabalho tenha rendido o dobro ao capitalista, R$ 60,00. Esse excedente produzido é a
Mais-Valia.
Meios de Produção R$ 120,00 x 3 = R$ 360,00
+
Salários R$ 30,00
Total R$ 390,00
Custo final do par de sapatos – jornada diária
R$ 390,00 / 3 = R$ 130,00
28.
Marx aponta queo capitalista pode
ampliar a exploração da Mais-Valia
simplesmente aumentando a
Jornada de Trabalho (mesmo as
vezes com o pagamento de horas-
extras) mas isso esbarra nos limites
físicos do trabalhador e na
necessidade de controlar a própria
quantidade de mercadorias
produzidas.
29.
MAIS-VALIA RELATIVA
A Mais-Valiarelativa ocorre com desenvolvimento tecnológico das
Forças produtivas, que, teoricamente, resultaria na diminuição dos
custos e do tempo de produção. Ocorre que esse processo não
se traduz em melhorias para o trabalhador, nem na diminuição de
sua jornada de trabalho, já que este produziria a mesma
quantidade de riqueza necessária para pagar por seu trabalho em
menor espaço de tempo.
30.
No caso doexemplo do capitalista que produz sapados vamos imaginar que, ao
introduzir maquinário mais moderno o trabalhador passe a produzir não mais três
sapatos por dia (jornada de 9 horas) mas seis sapatos. Nesse caso, a Mais-Valia
extraída, ou o trabalho excedente e não pago será como segue:
Assim, ao final da jornada de trabalho, o trabalhador continua recebendo R$ 30,00, ainda
que seu trabalho tenha rendido ao capitalista, R$ 95,00, ou seja mais de três vezes o
valor do salário. Essa é a Mais-Valia Relativa.
Meios de Produção R$ 120,00 x 6 = R$ 720,00
+
Salário R$ 30,00
Total R$ 750,00
Custo final do par de sapatos – jornada diária
R$ 750,00 / 6 = R$ 125,00 R$ 125,00 – R$30,00 = R$ 95,00
31.
A Mais-Valia relativaconsiste justamente nessa na não diminuição
da jornada de trabalho e na manutenção do valor do trabalho
aplicado ao produto independentemente do aumento da
produção. Assim, quanto mais avançado o maquinário ou as
ferramentas de produção, maior seria a produção em um mesmo
espaço de tempo e maior seria a Mais-Valia extraída.
32.
A Mais-Valia Relativa,na medida em que, de forma crescente, diminui a
necessidade de trabalhadores a partir do aumento da produtividade e
eficiência no processo produtivo (introdução e aperfeiçoamento
tecnológico) causa impactos produtos no mercado de trabalho,
pressionando os trabalhadores no sentido de maior formação técnica,
diminuindo as médias salariais e produzindo o chamado
DESEMPREGO ESTRUTURAL.
33.
Base da exploraçãodo Capital sobre o Trabalho a Mais-
Valia consiste portanto num trabalho excedente gerado,
num trabalho realizado e não pago.
A aceitação desse processo é realizada através da
naturalização dessa apropriação por meio da ideologia e
alienação do trabalhador.