Ofício Faustino Rachide
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS:
Categorias e Implicações no Contexto Educativo
(Licenciatura em Ensino da língua portuguesa)
ISDRB
2025
Ofício Faustino Rachide
NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS:
Categorias e Implicações no Contexto Educativo
Departamento de letras e ciências sociais.
ISDRB
2025
Introdução
Este artigo propõe-se a analisar as diferentes categorias de Necessidades Educativas Especiais,
com particular enfoque nas necessidades sensoriais, físicas e nas dificuldades específicas de
aprendizagem, bem como nas suas implicações para o processo educativo.
Objectivos Geral
Ø Analisar as diferentes categorias de Necessidades Educativas Especiais.
Objectivos Específicos
Ø Caracterizar as diversas categorias de Necessidades Educativas Especiais;
Ø Identificar as principais implicações das NEE no processo de ensino-aprendizagem;
Ø Propor estratégias pedagógicas adequadas para a inclusão efectiva de alunos com NEE no
contexto educativo regular.
Metodologia
Este estudo recorre a uma metodologia de revisão bibliográfica sistemática, analisando fontes
científicas relevantes publicadas nos últimos dez anos sobre NEE e inclusão educativa.
2. O que são Necessidades Educativas Especiais?
As Necessidades Educativas Especiais incluem todas as dificuldades que afectam
significativamente a aprendizagem e o desenvolvimento global do aluno, exigindo adaptações
específicas no processo de ensino. Segundo Correia (2013), as NEE manifestam-se através de
condições específicas que podem ser de caráter intelectual, processológico, emocional, físico,
sensorial, ou uma combinação destas.
Na perspetiva de Rodrigues (2017), é fundamental compreender que as NEE não se resumem a
deficiências permanentes, mas abrangem também condições temporárias que exigem
intervenções educativas especializadas. Esta visão ampla das NEE tem permitido uma abordagem
mais inclusiva e individualizada no contexto educativo.
Assim pode se dizer : Necessidades educativas especiais são todas dificuldade que a afectam o
desenvolvimento de um certo indivíduo.
3. Categorias de Necessidades Educativas Especiais
Como já vimos as NEES são o todo , mas dentro dela temos divisões, cada Necessidade na sua
categoria, assim temos :
Quais são os tipos de Necessidades Educativas especiais?
3.1. Necessidades Sensoriais
As necessidades sensoriais constituem uma categoria significativa das NEE, afectando a forma
como os alunos percepcionam e interagem com o ambiente envolvente. De acordo com Nunes e
Madureira (2015), estas necessidades resultam do mau funcionamento ou ausência de
funcionamento dos órgãos sensoriais, comprometendo a recepção e interpretação da informação
sensorial.
ü Sensorial Visual
Dentro desta subcategoria, podemos identificar dois níveis distintos de comprometimento:
Deficiência visual (mal funcionamento): Caracteriza-se pela presença de percepção visual, ainda
que reduzida ou alterada. Segundo Mendonça et al. (2008), esta condição inclui casos de baixa
visão ou problemas passíveis de correcção com recurso a óculos ou lentes. Apesar das limitações,
existe algum grau de visão funcional que pode ser potenciado através de estratégias pedagógicas
adequadas.
Cegueira (não funcionamento): Corresponde à ausência total de visão, situação em que "os olhos
já não captam qualquer informação visual, e o uso de óculos não traz benefício, pois não há
percepção visual residual" (Martins, 2016, p. 78). Nestes casos, torna-se necessário o recurso a
sistemas alternativos de comunicação, como o Braille.
ü Sensorial Auditiva
À semelhança da sensorial visual, esta subcategoria também se subdivide em função do grau de
comprometimento:
Deficiência auditiva (mal funcionamento): Caracteriza-se pela presença de audição, ainda que
reduzida. Segundo Fonseca (2019), as pessoas com hipoacusia podem beneficiar do uso de
aparelhos auditivos para amplificar os sons, facilitando a sua participação no processo
comunicativo e educativo.
Surdez (não funcionamento): Representa a ausência completa de percepção auditiva, situação em
que o aparelho auditivo se revela ineficaz. Coelho (2010), a língua gestual assume-se como o
principal meio de comunicação e acesso ao conhecimento.
ü Sensorial Táctil
Esta subcategoria envolve alterações na percepção do tacto, manifestando-se através de:
Deficiência táctil : Problemas na percepção do toque, temperatura ou dor. De acordo com
Fernandes e Neves (2018), esta condição pode comprometer significativamente a iteração com o
ambiente e a realização de determinadas tarefas académicas.
Invulnerabilidade: Casos em que a pessoa não sente dor ou esta é percebida de forma muito
retardada, podendo provocar ferimentos inadvertidamente. Segundo Santos (2014, p. 32), "esta
condição requer uma supervisão constante, bem como uma adaptação do ambiente educativo para
minimizar os riscos de lesão".
3.2. Necessidades Físicas
As necessidades físicas incluem situações como a falta de um membro, limitações motoras ou
outras condições que afectam a mobilidade e a autonomia funcional dos alunos. Segundo Costa
(2016), estas necessidades exigem adaptações significativas no ambiente escolar, bem como o
desenvolvimento de estratégias pedagógicas que permitam a participação efectiva dos alunos em
todas as actividades.
Entre as condições mais comuns nesta categoria encontramos as amputações e as doenças
neuromusculares. De acordo com Pereira (2012), a inclusão de alunos com necessidades físicas
requer não apenas a eliminação de barreiras arquitectónicas, mas também a adaptação de
materiais e recursos didácticos, bem como a formação adequada dos profissionais da educação.
3.3. Dificuldades Específicas de Aprendizagem
As dificuldades específicas de aprendizagem (DEA) constituem uma categoria de NEE que afecta
significativamente o desempenho académico dos alunos. Segundo Fonseca (2014), estas
dificuldades caracterizam-se por um funcionamento abaixo do esperado em áreas académicas
específicas, apesar de um nível de inteligência normal.
Entre as principais dificuldades específicas de aprendizagem encontramos:
Dislexia: Caracteriza-se por dificuldades na aprendizagem da leitura. Segundo Teles (2018, p.
56), "a dislexia manifesta-se através de dificuldades na descodificação de palavras, na fluência e
compreensão da leitura, comprometendo significativamente o desempenho académico".
Discalculia: Envolve dificuldades específicas na aprendizagem da matemática. De acordo com
Serra (2015), esta condição manifesta-se através de dificuldades na compreensão de conceitos
numéricos, memorização de factos aritméticos e execução de procedimentos de cálculo.
Disgrafia e disortografia: Referem-se a dificuldades na escrita, afectando a qualidade do traçado
(disgrafia) e a correcção ortográfica (disortografia). Como salientam Alves e Martins (2017),
estas dificuldades comprometem significativamente a expressão escrita dos alunos, podendo
conduzir a situações de insucesso escolar se não forem adequadamente abordadas.
3.4. Necessidades Psicológicas
As necessidades psicológicas envolvem perturbações emocionais e comportamentais que
influenciam o desempenho escolar e social dos alunos. Segundo Lopes (2012), estas necessidades
manifestam-se através de condições como ansiedade, depressão e transtorno de défice de atenção
e hiperatividade (TDAH).
De acordo com Simões (2016), os alunos com necessidades psicológicas requerem uma
intervenção multidisciplinar, envolvendo não apenas os professores, mas também psicólogos e
outros profissionais especializados. A criação de um ambiente educativo estruturado, previsível e
emocionalmente seguro revela-se essencial para o sucesso académico destes alunos.
Assim podemos responder a pergunta : tipos de Necessidades Educativas especiais, são várias
dependendo da sua categoria ou classificação.
Classificação: dentro da classificação tem os tipos . E como exemplos .
Classificação quanto ao sensor , temos quatro tipos : Sensorial táctil, sensorial visual , sensorial
auditiva.
NB: há outras classificações que não tem seus tipos como podemos responder a isso ?
Para responder essa pergunta basta colocar a classificação como sendo um tipo , pós ela
generaliza todas como um só e não tem como distinguir, como exemplo as Necessidades Físicas e
psicológica, são classificações mas também são tipos.
4. Temporalidade das Necessidades Educativas Especiais
Um aspecto fundamental na compreensão das NEE prende-se com a sua temporalidade. Como
sublinham Morgado e Silva (2018), qualquer necessidade educativa especial pode ter um caráter
temporário ou permanente, dependendo do caso específico.
O carácter temporário ou permanente das NEE tem implicações significativas na definição das
estratégias de intervenção. Segundo Carvalho e Peixoto (2013, p. 87), "enquanto as NEE
temporárias exigem uma adaptação parcial do currículo durante um determinado período de
tempo, as NEE permanentes requerem uma adaptação generalizada do currículo, mantida durante
grande parte ou todo o percurso escolar do aluno".
A título exemplificativo, uma deficiência visual pode ser temporária, como no caso de uma
doença ocular tratável, ou permanente, como na cegueira congénita. Esta distinção sublinha a
importância de uma avaliação rigorosa e contínua das NEE, permitindo ajustar as intervenções às
necessidades específicas de cada aluno em cada momento do seu percurso educativo.
5. Implicações para a Prática Educativa
A presença de alunos com NEE no contexto educativo regular apresenta desafios significativos
para os sistemas de ensino. Como afirma Ainscow (2016), a educação inclusiva requer uma
transformação profunda nas práticas pedagógicas, bem como uma mudança de atitude face à
diversidade.
Segundo Correia (2013), a inclusão efectiva de alunos com NEE exige:
- Formação adequada dos professores e outros profissionais da educação;
- Adaptação dos espaços físicos e dos materiais didácticos;
- Diferenciação pedagógica e flexibilização curricular;
- Trabalho colaborativo entre os diversos intervenientes no processo educativo;
- Participação ativa das famílias no processo educativo.
Na perspectiva de Rodrigues (2017), a inclusão não se limita à colocação física dos alunos com
NEE nas escolas regulares, mas implica a criação de condições efectivas de participação e
aprendizagem para todos os alunos, independentemente das suas características ou necessidades
específicas.
Conclusão
A análise aprofundada das diferentes categorias de Necessidades Educativas Especiais revela a
complexidade e diversidade das condições que afectam o processo de ensino-aprendizagem.
Como ficou demonstrado, as NEE abrangem um vasto espectro de condições, desde as
necessidades sensoriais e físicas até às dificuldades específicas de aprendizagem e às
necessidades psicológicas.
A compreensão da temporalidade das NEE - que podem ser temporárias ou permanentes -
sublinha a importância de uma avaliação contínua e de uma intervenção flexível, adaptada às
necessidades específicas de cada aluno em cada momento do seu percurso educativo.
Face ao exposto, torna-se evidente que a inclusão efectiva de alunos com NEE no contexto
educativo regular requer uma transformação profunda nas práticas pedagógicas, bem como o
desenvolvimento de uma cultura escolar verdadeiramente inclusiva, que valorize a diversidade
como uma oportunidade de enriquecimento para toda a comunidade educativa.
Os desafios que se colocam aos sistemas educativos contemporâneos exigem um compromisso
coletivos com a educação inclusiva, bem como um investimento significativo na formação de
professores e na adaptação dos contextos educativos. Só assim será possível garantir que todos os
alunos, independentemente das suas características ou necessidades específicas, têm acesso a uma
educação de qualidade, que promova o seu desenvolvimento integral e a sua participação plena
na sociedade.
Referências Bibliográficas
Ainscow, M. (2016). Diversity and equity: A global education challenge. New Zealand Journal of
Educational Studies, 51(2), 143-155.
Alves, R., & Martins, J. (2017). Disgrafia e disortografia: Estratégias de intervenção em contexto
escolar. Revista Portuguesa de Educação Especial, 8(3), 45-62.
Carvalho, L., & Peixoto, S. (2013). NEE temporárias e permanentes: Implicações para a prática
educativa. Revista Educação Inclusiva 4(2), 78-93.
Coelho, O. (2010). Um copo vazio está cheio de ar: Assim é a surdez. Livros Horizonte.
Correia, L. M. (2008). Inclusão e necessidades educativas especiais: Um guia para educadores e
professores (2ª ed.). Porto Editora.
Correia, L. M. (2013). Inclusão e necessidades educativas especiais: Um guia para educadores e
professores (3ª ed.). Porto Editora.
Costa, A. (2016). A inclusão de alunos com necessidades físicas no ensino regular: Desafios e
possibilidades. Revista Portuguesa de Pedagogia, 50(1), 127-144.
Fernandes, H., & Neves, M. (2018). Perceção tátil e aprendizagem: Estratégias para a inclusão.
Revista de Estudos em Educação, 12(3), 234-251.
Fonseca, V. (2014). Dificuldades de aprendizagem: Abordagem neuropsicopedagógica (5ª ed.).
Âncora Editora.
Fonseca, V. (2019). Deficiência auditiva e aprendizagem: Perspetivas atuais. Revista Portuguesa
de Educação Especial, 10(2), 34-48.
Lopes, J. (2012). Psicopatologia da infância e da adolescência. Psiquilibrios Edições.
Martins, A. (2016). Cegueira e educação: Novos caminhos para a inclusão. Edições Colibri.
Mendonça, A., Miguel, C., Neves, G., Micaelo, M., & Reino, V. (2008). Alunos cegos e com
baixa visão: Orientações curriculares. Direção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento
Curricular.
Morgado, J., & Silva, J. (2018). Temporalidade das NEE: Desafios para a escola inclusiva.
Revista Educação Especial, 15(4), 112-128.
Nunes, C., & Madureira, I. (2015). Desenho universal para a aprendizagem: Construindo práticas
pedagógicas inclusivas. Da Investigação às Práticas, 5(2), 126-143.
Pereira, F. (2012). Alunos com limitações físicas: Estratégias de inclusão Lisboa: Edições Piaget.
Rodrigues, D. (2017). Equidade e educação inclusiva. Profedições.
Santos, M. (2014). Deficiência táctil: Implicações educativas. Revista Educação Inclusiva. 5(1),
28-36.
Serra, H. (2015). Dificuldades específicas de aprendizagem: Um desafio (2ª ed.). Areal Editores.
Simões, C. (2016). Perturbações emocionais e comportamentais: Estratégias para a sala de
aula. Edições Silabo.
Teles, P. (2018). Dislexia: Método fonomímico - Abordagem multissensorial. Revista de Estudos
em Educação, 12(2), 52-68.
UNESCO (2020). Global education monitoring report 2020: Inclusion and education - All means
all. UNESCO Publishing.

Necessidades Educativas especiais .docx

  • 1.
    Ofício Faustino Rachide NECESSIDADESEDUCATIVAS ESPECIAIS: Categorias e Implicações no Contexto Educativo (Licenciatura em Ensino da língua portuguesa) ISDRB 2025 Ofício Faustino Rachide
  • 2.
    NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS: Categoriase Implicações no Contexto Educativo Departamento de letras e ciências sociais. ISDRB 2025 Introdução
  • 3.
    Este artigo propõe-sea analisar as diferentes categorias de Necessidades Educativas Especiais, com particular enfoque nas necessidades sensoriais, físicas e nas dificuldades específicas de aprendizagem, bem como nas suas implicações para o processo educativo. Objectivos Geral Ø Analisar as diferentes categorias de Necessidades Educativas Especiais. Objectivos Específicos Ø Caracterizar as diversas categorias de Necessidades Educativas Especiais; Ø Identificar as principais implicações das NEE no processo de ensino-aprendizagem; Ø Propor estratégias pedagógicas adequadas para a inclusão efectiva de alunos com NEE no contexto educativo regular. Metodologia Este estudo recorre a uma metodologia de revisão bibliográfica sistemática, analisando fontes científicas relevantes publicadas nos últimos dez anos sobre NEE e inclusão educativa. 2. O que são Necessidades Educativas Especiais?
  • 4.
    As Necessidades EducativasEspeciais incluem todas as dificuldades que afectam significativamente a aprendizagem e o desenvolvimento global do aluno, exigindo adaptações específicas no processo de ensino. Segundo Correia (2013), as NEE manifestam-se através de condições específicas que podem ser de caráter intelectual, processológico, emocional, físico, sensorial, ou uma combinação destas. Na perspetiva de Rodrigues (2017), é fundamental compreender que as NEE não se resumem a deficiências permanentes, mas abrangem também condições temporárias que exigem intervenções educativas especializadas. Esta visão ampla das NEE tem permitido uma abordagem mais inclusiva e individualizada no contexto educativo. Assim pode se dizer : Necessidades educativas especiais são todas dificuldade que a afectam o desenvolvimento de um certo indivíduo. 3. Categorias de Necessidades Educativas Especiais Como já vimos as NEES são o todo , mas dentro dela temos divisões, cada Necessidade na sua categoria, assim temos : Quais são os tipos de Necessidades Educativas especiais? 3.1. Necessidades Sensoriais As necessidades sensoriais constituem uma categoria significativa das NEE, afectando a forma como os alunos percepcionam e interagem com o ambiente envolvente. De acordo com Nunes e Madureira (2015), estas necessidades resultam do mau funcionamento ou ausência de funcionamento dos órgãos sensoriais, comprometendo a recepção e interpretação da informação sensorial. ü Sensorial Visual Dentro desta subcategoria, podemos identificar dois níveis distintos de comprometimento: Deficiência visual (mal funcionamento): Caracteriza-se pela presença de percepção visual, ainda que reduzida ou alterada. Segundo Mendonça et al. (2008), esta condição inclui casos de baixa visão ou problemas passíveis de correcção com recurso a óculos ou lentes. Apesar das limitações, existe algum grau de visão funcional que pode ser potenciado através de estratégias pedagógicas adequadas.
  • 5.
    Cegueira (não funcionamento):Corresponde à ausência total de visão, situação em que "os olhos já não captam qualquer informação visual, e o uso de óculos não traz benefício, pois não há percepção visual residual" (Martins, 2016, p. 78). Nestes casos, torna-se necessário o recurso a sistemas alternativos de comunicação, como o Braille. ü Sensorial Auditiva À semelhança da sensorial visual, esta subcategoria também se subdivide em função do grau de comprometimento: Deficiência auditiva (mal funcionamento): Caracteriza-se pela presença de audição, ainda que reduzida. Segundo Fonseca (2019), as pessoas com hipoacusia podem beneficiar do uso de aparelhos auditivos para amplificar os sons, facilitando a sua participação no processo comunicativo e educativo. Surdez (não funcionamento): Representa a ausência completa de percepção auditiva, situação em que o aparelho auditivo se revela ineficaz. Coelho (2010), a língua gestual assume-se como o principal meio de comunicação e acesso ao conhecimento. ü Sensorial Táctil Esta subcategoria envolve alterações na percepção do tacto, manifestando-se através de: Deficiência táctil : Problemas na percepção do toque, temperatura ou dor. De acordo com Fernandes e Neves (2018), esta condição pode comprometer significativamente a iteração com o ambiente e a realização de determinadas tarefas académicas. Invulnerabilidade: Casos em que a pessoa não sente dor ou esta é percebida de forma muito retardada, podendo provocar ferimentos inadvertidamente. Segundo Santos (2014, p. 32), "esta condição requer uma supervisão constante, bem como uma adaptação do ambiente educativo para minimizar os riscos de lesão". 3.2. Necessidades Físicas
  • 6.
    As necessidades físicasincluem situações como a falta de um membro, limitações motoras ou outras condições que afectam a mobilidade e a autonomia funcional dos alunos. Segundo Costa (2016), estas necessidades exigem adaptações significativas no ambiente escolar, bem como o desenvolvimento de estratégias pedagógicas que permitam a participação efectiva dos alunos em todas as actividades. Entre as condições mais comuns nesta categoria encontramos as amputações e as doenças neuromusculares. De acordo com Pereira (2012), a inclusão de alunos com necessidades físicas requer não apenas a eliminação de barreiras arquitectónicas, mas também a adaptação de materiais e recursos didácticos, bem como a formação adequada dos profissionais da educação. 3.3. Dificuldades Específicas de Aprendizagem As dificuldades específicas de aprendizagem (DEA) constituem uma categoria de NEE que afecta significativamente o desempenho académico dos alunos. Segundo Fonseca (2014), estas dificuldades caracterizam-se por um funcionamento abaixo do esperado em áreas académicas específicas, apesar de um nível de inteligência normal. Entre as principais dificuldades específicas de aprendizagem encontramos: Dislexia: Caracteriza-se por dificuldades na aprendizagem da leitura. Segundo Teles (2018, p. 56), "a dislexia manifesta-se através de dificuldades na descodificação de palavras, na fluência e compreensão da leitura, comprometendo significativamente o desempenho académico". Discalculia: Envolve dificuldades específicas na aprendizagem da matemática. De acordo com Serra (2015), esta condição manifesta-se através de dificuldades na compreensão de conceitos numéricos, memorização de factos aritméticos e execução de procedimentos de cálculo. Disgrafia e disortografia: Referem-se a dificuldades na escrita, afectando a qualidade do traçado (disgrafia) e a correcção ortográfica (disortografia). Como salientam Alves e Martins (2017), estas dificuldades comprometem significativamente a expressão escrita dos alunos, podendo conduzir a situações de insucesso escolar se não forem adequadamente abordadas. 3.4. Necessidades Psicológicas As necessidades psicológicas envolvem perturbações emocionais e comportamentais que influenciam o desempenho escolar e social dos alunos. Segundo Lopes (2012), estas necessidades
  • 7.
    manifestam-se através decondições como ansiedade, depressão e transtorno de défice de atenção e hiperatividade (TDAH). De acordo com Simões (2016), os alunos com necessidades psicológicas requerem uma intervenção multidisciplinar, envolvendo não apenas os professores, mas também psicólogos e outros profissionais especializados. A criação de um ambiente educativo estruturado, previsível e emocionalmente seguro revela-se essencial para o sucesso académico destes alunos. Assim podemos responder a pergunta : tipos de Necessidades Educativas especiais, são várias dependendo da sua categoria ou classificação. Classificação: dentro da classificação tem os tipos . E como exemplos . Classificação quanto ao sensor , temos quatro tipos : Sensorial táctil, sensorial visual , sensorial auditiva. NB: há outras classificações que não tem seus tipos como podemos responder a isso ? Para responder essa pergunta basta colocar a classificação como sendo um tipo , pós ela generaliza todas como um só e não tem como distinguir, como exemplo as Necessidades Físicas e psicológica, são classificações mas também são tipos. 4. Temporalidade das Necessidades Educativas Especiais Um aspecto fundamental na compreensão das NEE prende-se com a sua temporalidade. Como sublinham Morgado e Silva (2018), qualquer necessidade educativa especial pode ter um caráter temporário ou permanente, dependendo do caso específico. O carácter temporário ou permanente das NEE tem implicações significativas na definição das estratégias de intervenção. Segundo Carvalho e Peixoto (2013, p. 87), "enquanto as NEE temporárias exigem uma adaptação parcial do currículo durante um determinado período de tempo, as NEE permanentes requerem uma adaptação generalizada do currículo, mantida durante grande parte ou todo o percurso escolar do aluno". A título exemplificativo, uma deficiência visual pode ser temporária, como no caso de uma doença ocular tratável, ou permanente, como na cegueira congénita. Esta distinção sublinha a
  • 8.
    importância de umaavaliação rigorosa e contínua das NEE, permitindo ajustar as intervenções às necessidades específicas de cada aluno em cada momento do seu percurso educativo. 5. Implicações para a Prática Educativa A presença de alunos com NEE no contexto educativo regular apresenta desafios significativos para os sistemas de ensino. Como afirma Ainscow (2016), a educação inclusiva requer uma transformação profunda nas práticas pedagógicas, bem como uma mudança de atitude face à diversidade. Segundo Correia (2013), a inclusão efectiva de alunos com NEE exige: - Formação adequada dos professores e outros profissionais da educação; - Adaptação dos espaços físicos e dos materiais didácticos; - Diferenciação pedagógica e flexibilização curricular; - Trabalho colaborativo entre os diversos intervenientes no processo educativo; - Participação ativa das famílias no processo educativo. Na perspectiva de Rodrigues (2017), a inclusão não se limita à colocação física dos alunos com NEE nas escolas regulares, mas implica a criação de condições efectivas de participação e aprendizagem para todos os alunos, independentemente das suas características ou necessidades específicas. Conclusão A análise aprofundada das diferentes categorias de Necessidades Educativas Especiais revela a complexidade e diversidade das condições que afectam o processo de ensino-aprendizagem. Como ficou demonstrado, as NEE abrangem um vasto espectro de condições, desde as
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    necessidades sensoriais efísicas até às dificuldades específicas de aprendizagem e às necessidades psicológicas. A compreensão da temporalidade das NEE - que podem ser temporárias ou permanentes - sublinha a importância de uma avaliação contínua e de uma intervenção flexível, adaptada às necessidades específicas de cada aluno em cada momento do seu percurso educativo. Face ao exposto, torna-se evidente que a inclusão efectiva de alunos com NEE no contexto educativo regular requer uma transformação profunda nas práticas pedagógicas, bem como o desenvolvimento de uma cultura escolar verdadeiramente inclusiva, que valorize a diversidade como uma oportunidade de enriquecimento para toda a comunidade educativa. Os desafios que se colocam aos sistemas educativos contemporâneos exigem um compromisso coletivos com a educação inclusiva, bem como um investimento significativo na formação de professores e na adaptação dos contextos educativos. Só assim será possível garantir que todos os alunos, independentemente das suas características ou necessidades específicas, têm acesso a uma educação de qualidade, que promova o seu desenvolvimento integral e a sua participação plena na sociedade. Referências Bibliográficas Ainscow, M. (2016). Diversity and equity: A global education challenge. New Zealand Journal of Educational Studies, 51(2), 143-155.
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    Alves, R., &Martins, J. (2017). Disgrafia e disortografia: Estratégias de intervenção em contexto escolar. Revista Portuguesa de Educação Especial, 8(3), 45-62. Carvalho, L., & Peixoto, S. (2013). NEE temporárias e permanentes: Implicações para a prática educativa. Revista Educação Inclusiva 4(2), 78-93. Coelho, O. (2010). Um copo vazio está cheio de ar: Assim é a surdez. Livros Horizonte. Correia, L. M. (2008). Inclusão e necessidades educativas especiais: Um guia para educadores e professores (2ª ed.). Porto Editora. Correia, L. M. (2013). Inclusão e necessidades educativas especiais: Um guia para educadores e professores (3ª ed.). Porto Editora. Costa, A. (2016). A inclusão de alunos com necessidades físicas no ensino regular: Desafios e possibilidades. Revista Portuguesa de Pedagogia, 50(1), 127-144. Fernandes, H., & Neves, M. (2018). Perceção tátil e aprendizagem: Estratégias para a inclusão. Revista de Estudos em Educação, 12(3), 234-251. Fonseca, V. (2014). Dificuldades de aprendizagem: Abordagem neuropsicopedagógica (5ª ed.). Âncora Editora. Fonseca, V. (2019). Deficiência auditiva e aprendizagem: Perspetivas atuais. Revista Portuguesa de Educação Especial, 10(2), 34-48. Lopes, J. (2012). Psicopatologia da infância e da adolescência. Psiquilibrios Edições. Martins, A. (2016). Cegueira e educação: Novos caminhos para a inclusão. Edições Colibri. Mendonça, A., Miguel, C., Neves, G., Micaelo, M., & Reino, V. (2008). Alunos cegos e com baixa visão: Orientações curriculares. Direção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular. Morgado, J., & Silva, J. (2018). Temporalidade das NEE: Desafios para a escola inclusiva. Revista Educação Especial, 15(4), 112-128. Nunes, C., & Madureira, I. (2015). Desenho universal para a aprendizagem: Construindo práticas pedagógicas inclusivas. Da Investigação às Práticas, 5(2), 126-143.
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    Pereira, F. (2012).Alunos com limitações físicas: Estratégias de inclusão Lisboa: Edições Piaget. Rodrigues, D. (2017). Equidade e educação inclusiva. Profedições. Santos, M. (2014). Deficiência táctil: Implicações educativas. Revista Educação Inclusiva. 5(1), 28-36. Serra, H. (2015). Dificuldades específicas de aprendizagem: Um desafio (2ª ed.). Areal Editores. Simões, C. (2016). Perturbações emocionais e comportamentais: Estratégias para a sala de aula. Edições Silabo. Teles, P. (2018). Dislexia: Método fonomímico - Abordagem multissensorial. Revista de Estudos em Educação, 12(2), 52-68. UNESCO (2020). Global education monitoring report 2020: Inclusion and education - All means all. UNESCO Publishing.