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Modernismo brasileiro Segunda fase 1930 a 1945
DI CAVALCANTI
CÂNDIDO PORTINARI “ MESTIÇO”- 1934
A época A época O processo de transformação dos meios de comunicação acelerou-se a partir do início do século XX, graças à união de alguns recursos tecnológicos, como o telégrafo, o telefone, as máquinas rotativas, que possibilitaram o aumento das tiragens dos jornais, e principalmente o rádio, que chegou ao Brasil em 1923. Com isso, as informações sobre música, teatro, cinema, política, problemas econômicos e sociais do mundo inteiro tornaram-se acessíveis a locais cada vez mais distantes do centro que as divulgava. Tinha  início a chamada Era da Informação .
O cenário do século XX, porém, não era de tranqüilidade, nem para o Brasil, nem para o resto do mundo. Esse século produziu guerras catastróficas e imensos massacres populacionais: o número de mortos entre civis e militares, de 1914 a 1945, período que compreende as duas grandes guerras, ultrapassa os 100 milhões! A partir da década de 1920, o mundo passou a viver outro período histórico conturbado devido a uma série de transformações políticas e econômicas. Para o Brasil, são importantes os seguintes fatos:
. A quebra da bolsa de Nova York, em 1929, ao desencadear uma depressão econômica mundial, fez cair vertiginosamente o preço do café, nosso principal produto de exportação. . Na esteira da perda de poder econômico dos barões do café, ocorre a Revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas à presidência da República, pondo fim à política do “café-com-leite”.  A chamada Era Vargas só terminaria em 1945.
  Em meio à onda de greves operárias, formou-se uma frente paulista em oposição à política de Vargas, que evoluiu, em 1932, para a Revolução Constitucionalista, que reivindica a autonomia dos estados, então sob intervenção federal. Os paulistas foram  derrotados.
Cartazes da Revolução  Constitucionalista
Modelos de aviões utilizados na Revolução Constitucionalista
  Para se manter no poder e evitar futuras rebeliões, em 1935 , Getúlio decreta a Lei de Segurança Nacional, que franqueava ao governo a repressão de quaisquer atividades consideradas subversivas, como a fracassada tentativa de levante organizada pelos comunistas, no mesmo ano.
  Em 1937, Vargas, autorizado pelo Congresso, instaura o “estado de guerra”. Fecha, por noventa dias o Congresso, que o apoiara; outorga nova Constituição, de teor claramente fascista; nomeia novos interventores para todos os estados; extingue os partidos políticos e determina a supressão dos direitos individuais. Estava implantada a ditadura do Estado Novo, com o apoio de classe média e da burguesia.
Em 1939, tem início a Segunda Guerra Mundial. Getúlio Vargas cria o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), órgão de censura aos meios de comunicação. Em 1942, apesar da simpatia que Vargas nutria pelo fascismo, o Brasil, devido a pressões internacionais, alia-se aos Estados Unidos e declara guerra aos países do Eixo: Itália, Alemanha e Japão.
Em  1945 , Getúlio Vargas é deposto pelas Forças Armadas. Extingue-se a ditadura do Estado Novo.
É um dos idealizadores e organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, autor do material gráfico da exposição.   DI   CAVALCANTI Contexto cultural da época -  A mulata, para mim, é um símbolo do Brasil.  Ela não é preta nem branca.  Nem rica nem pobre.  Gosta de música, gosta do futebol, como nosso povo. (...)"   " Moço continuarei até a morte porque, além dos bens que obtenho com minha imaginação, nada mais ambiciono."
Poemas de Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes a Di Cavalcanti ...  Que bom que existas, pintor Enamorado das ruas Que bom vivas, que bom sejas Que bom lutes e construas Poeta o mais carioca Pintor o mais brasileiro Entidade mais dileta Do meu Rio de Janeiro - Perdão meu irmão poeta Nosso Rio de Janeiro (Vinícius de Morais, setembro de 1963) Uma Flor para Di Cavalcanti Esta é uma flor para Di, uma flor em forma di- ferente: de flor-mulher, desabrochada onde quer que exista amor e verão. Verão como a cor cinti- la nas curvas, e sorri nesse púrpuro arrebol que Di tirou do seu Rio coado de mel e sol. Uma flor-pintura, zi- nindo o canto de amor que acompanhou toda a vi- da do pincel, o gozo-dor  de criar e de sentir, di- vina e tão sensual ração  que coube, na Terra, a Di. Carlos Drummond de Andrade
O desejo de pesquisar nossa realidade social, cultural e religiosa revelou-se forte nas artes plásticas e na literatura. A arte mergulhou profundamente no tenso panorama ideológico da época, procurando analisar as contradições vividas pelo país e representá-las por meio da linguagem estética.
Dois dos mais importantes pintores dessa tendência foram Cândido Portinari, que adotou como tema central da sua pintura o povo e seu cotidiano, e Di Cavalcanti que pintou as mulheres dos bordéis, as festas nas ruas do subúrbio carioca, os pescadores.  Na arquitetura, destacam-se Oscar Niemeyer  e Lúcio Costa, os quais, posteriormente, fariam os projetos da capital federal, Brasília.
“ Auto-retrato” - 1943 “ Moças no vilarejo” década de 1940   DI CAVALCANTI- Obras
“ Mulatas e pássaros” década de 30 “ Colonos” - 1945
CÂNDIDO PORTINARI - Obras “ Futebol”- 1935 “ Circo” -1933
“ Retirantes” – 1936 “ Marias” - 1936
Na música, o inovador maestro e compositor Heitor Villa-Lobos compõe, em 1930, as  Bachianas brasileiras,  unindo à estrutura da música de Bach as melodias, os ritmos e a sonoridade da música brasileira. Com a difusão do rádio, a música popular também ganha repercussão. O samba dos morros do Rio de Janeiro passa a ser divulgado nacionalmente e consagra-se, com compositores como Noel Rosa, Pixinguinha, Ary Barroso,  Lamartine Babo.
No teatro, Flávio de Carvalho encena a peça  “O bailado do Deus morto”, em 1939, que teve sua apresentação interrompida pela polícia, sob a alegação de ser ofensiva ao pudor. Quanto ao cinema, a produção viu-se derrotada pela concorrência estrangeira. O primeiro filme brasileiro,  Os estranguladores , data de 1929. Em 1931, Mário Peixoto lança  Limite , um marco na história de nosso cinema.
Poetas da época Na segunda fase do Modernismo, com o surgimento de uma nova geração de autores, a poesia entra numa fase de grande amadurecimento. Os poetas abandonam o tom irreverente e polêmico dos primeiros tempos e, com a liberdade estética conquistada, desenvolvem plenamente suas próprias tendências, sem a preocupação de chocar os tradicionalistas. É o período em que se afirma uma das mais fecundas gerações de poetas brasileiros: Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Dante Milano, Mário Quintana.
Cecília Meireles Cecília Meireles é a primeira grande escritora da literatura brasileira e a principal voz feminina de nossa poesia moderna. Os temas mais constantes na poesia de Cecília Meireles são a precariedade da existência humana, a fugacidade dos bens materiais e do tempo, a falta de sentido da vida, a solidão a que o indivíduo está condenado, a distância, a perda, a falta. MOTIVO Eu canto porque o instante existe E a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: Sou poeta.
“ Liberdade,essa palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”
Vinícius de Moraes Mais conhecido pelas suas composições musicais, Vinícius de Moraes iniciou sua obra poética em 1930. Nas obras iniciais, aproximou-se de temas como a religiosidade e a angústia associada à oscilação entre matéria e espírito. Aos poucos, porém, seu interesse voltou-se para aspectos do cotidiano e para o relacionamento amoroso. “ Se você quer ser minha namorada “Olha que coisa mais linda Ah, que linda namorada Mais cheia de graça  Você poderia ser...” É ela menina Que vem e que passa...”
 
Carlos Drummond de Andrade A poesia de Carlos Drummond de Andrade revela um lento processo de investigação da realidade humana, e suas linhas básicas já estão presentes nos primeiros livros: visão crítica da sociedade, certo desencanto com relação à vida, recusando-se a uma participação lírica ou sentimental e revelando um pessimismo em que o homem se encontra  frente a frente com o vazio e o nada. O estilo despojado de sua obra, a visão crítica da realidade e a constante preocupação com a linguagem dão a Carlos Drummond de Andrade um lugar de destaque na história da literatura brasileira.
No meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho Tinha uma pedra No meio do caminho tinha uma pedra... José E agora, José? A festa acabou A luz apagou, O povo sumiu A noite esfriou, E agora, José?...
Murilo Mendes Murilo Mendes utilizou como material para seus poemas lembranças da infância, temas religiosos, visões oníricas e cultivou a sátira e a paródia – tudo em um estilo absolutamente original. Foi o poeta brasileiro que melhor soube expressar a tendência surrealista. Canção do exílio Minha terra tem macieiras da Califórnia Onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra São pretos que vivem em torres de ametista... ... Murilo Mendes -1931 Por C. Portinari
Jorge de Lima Jorge de Lima aprendeu com o mestre Manuel Bandeira a lição de que a poesia está nas coisas mais simples: o sal da água e a luz do céu. Mas relê a lição modernista pela lente do catolicismo e atribui a Deus a existência de tudo. O mais conhecido de seus poemas é “Essa Negra Fulô”, que tematiza a relação entre os escravos e seus senhores, estabelecendo uma crítica à maneira como os negros eram física e emocionalmente torturados. “ Qualquer que seja a chuva desses campos devemos esperar pelos estios E ao chegar os serões e os fiéis enganos amar os sonhos que restarem frios.”  (Invenção de Orfeu)
Essa  negra fulô Ora, se deu que chegou (isso já faz muito tempo) No bangüê dum meu avô Uma negra bonitinha Chamada negra Fulô. Essa negra Fulô! Essa negra Fulô! ...
O Romance de 1930 O Brasil testemunhou, na década de 1930, uma explosão do romance. Preocupados com o país em que viviam, escritores usaram a narrativa como instrumento de denúncia de uma realidade que, principalmente na região Nordeste, condena milhares de brasileiros à miséria. Caracterizavam-se por adotarem uma visão crítica das relações sociais e, todos se integram, num sentido amplo, ao regionalismo, seja na base das áreas rurais e campesinas, seja na fixação de cenários urbanos, de subúrbios ou pequenas cidades. Em todas as vertentes, o que ressalta é o homem hostilizado pelo ambiente, pela terra, pela cidade, o homem devorado pelos problemas que o meio lhe impõe.
O romance desenvolveu diversas linhas temáticas. O drama das secas, a crise dos engenhos, o cangaço, a luta pela terra, o coronelismo, são temas abordados na ficção de Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado e Rachel de Queiroz; os problemas do homem urbano estão na obra de Érico Veríssimo; a investigação psicológica das personagens e seus conflitos íntimos encontram-se na ficção de Dionélio Machado.  De modo geral, o trabalho com a linguagem busca trazer para a narrativa a “cor local”, ou seja, as informações sobre espaços, comportamentos e costumes, que permitem ao leitor reconhecer os aspectos típicos, característicos de uma região específica.
GRACILIANO RAMOS O cuidado com as palavras é um dos traços mais importantes da prosa de Graciliano Ramos. A economia absoluta no uso de adjetivos e advérbios, a escolha cuidadosa dos substantivos que melhor contam uma realidade, todos os aspectos da construção de seus romances colaboram para a criação do “realismo bruto” que define o olhar neo-realista desse autor.  É, sem dúvida, o romancista que soube exprimir, com maior agudeza, a dura realidade do homem nordestino.
Capa da última edição da obra Vidas Secas (50 anos da morte do escritor/2003) e busto de Graciliano Ramos por Cândido Portinari.
RACHEL DE QUEIROZ Os dois primeiros romances de Rachel de Queiroz, “O QUINZE e JOÃO MIGUEL”, têm como espaço o Ceará e revelam com intensidade a problemática social da região do Nordeste do país: a miséria, a seca, a desigualdade, a indiferença dos poderosos diante de tão grave situação. Permaneceu três meses presa em 1937, perseguida pela ditadura do Estado Novo. Escreveu crônicas em diversos jornais brasileiros até o fim de sua vida. Foi a primeira escritora a conquistar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, em 1977.
Rachel de Queiroz, a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras Inserida no Modernismo, a prosa regionalista de Rachel de Queiroz retrata numa linguagem enxuta e viva, o Nordeste, mais especificamente, o Ceará.
JOSÉ LINS DO REGO Muitas das obras de José Lins do Rego apresentam forte conteúdo memorialista, revelando reminiscências da infância e adolescência passadas no engenho do avô. Na Paraíba.Os romances em que tratou da vida nos engenhos, da decadência das velhas estruturas econômicas do Nordeste e dos desmandos dos autoritários senhores de engenho costumam ser reunidos no que ele próprio chamou de “ciclo da cana-de-açúcar” e são os seguintes:  Menino de Engenho, Doidinho, Bangüê, Usina, Fogo Morto  (sua obra-prima). Também se interessou pelo cangaço, questão tipicamente nordestina, que foi explorada em  “Pedra Bonita e Cangaceiros”.
Fotos de José Lins do Rego e José Américo de Almeida, autor de A Bagaceira.
JORGE AMADO Um dos escritores brasileiros mais conhecidos e lidos de todos os tempos, Jorge Amado conseguiu com seus romances, traçar um vasto painel do povo brasileiro, usando a Bahia como representação da diversidade étnica e social brasileira. Seus romances ultrapassaram a marca dos dez milhões de títulos vendidos só no Brasil e foram traduzidos para 49 línguas estrangeiras. Apesar de sua popularidade, a maior parte da crítica credita seu talento e valor literário às primeiras produções, como:Jubiabá, Terras do Sem-Fim, Mar Morto e Capitães da Areia.
Jorge Amado - 1934 por Cândido Portinari
ÉRICO VERÍSSIMO É antes de mais nada um grande contador de histórias. Autor de estilo simples e despojado, conquistou desde logo a posição de um dos escritores mais populares de nossa literatura. Grande criador de tipos humanos o escritor funde análise psicológica e sociológica. Vale-se de linguagem simples e de recursos como: discurso indireto livre, ritmo de cortes cinematográficos, temas prosaicos e universais. Em “O TEMPO E O VENTO” (O Continente, O Retrato e O Arquipélago), o autor reconstrói a história do Rio Grande do Sul, por meio da trajetória das famílias Terra e Cambará, ambientada na cidade de Santa Fé.
Érico Veríssimo relendo seus manuscritos.
 
Comentários finais “ Talvez se possa dizer que os romancistas da geração de trinta, de certo modo, inauguraram o romance brasileiro, porque tentaram resolver a grande contradição que caracteriza a nossa cultura, a saber, a oposição entre as estruturas civilizadas do litoral e as camadas humanas que povoam o interior – entendendo-se por litoral e interior menos as regiões geograficamente correspondentes do que os tipos de existência, os padrões de cultura comumente subentendidos em tais designações. [...]” (Antônio Cândido)
Trabalho organizado pelas professoras de Português – matutino/2007 do Centro de Ensino Médio 01 de São Sebastião.

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Modernismo brasileiro apresentação final

  • 1. Modernismo brasileiro Segunda fase 1930 a 1945
  • 3. CÂNDIDO PORTINARI “ MESTIÇO”- 1934
  • 4. A época A época O processo de transformação dos meios de comunicação acelerou-se a partir do início do século XX, graças à união de alguns recursos tecnológicos, como o telégrafo, o telefone, as máquinas rotativas, que possibilitaram o aumento das tiragens dos jornais, e principalmente o rádio, que chegou ao Brasil em 1923. Com isso, as informações sobre música, teatro, cinema, política, problemas econômicos e sociais do mundo inteiro tornaram-se acessíveis a locais cada vez mais distantes do centro que as divulgava. Tinha início a chamada Era da Informação .
  • 5. O cenário do século XX, porém, não era de tranqüilidade, nem para o Brasil, nem para o resto do mundo. Esse século produziu guerras catastróficas e imensos massacres populacionais: o número de mortos entre civis e militares, de 1914 a 1945, período que compreende as duas grandes guerras, ultrapassa os 100 milhões! A partir da década de 1920, o mundo passou a viver outro período histórico conturbado devido a uma série de transformações políticas e econômicas. Para o Brasil, são importantes os seguintes fatos:
  • 6. . A quebra da bolsa de Nova York, em 1929, ao desencadear uma depressão econômica mundial, fez cair vertiginosamente o preço do café, nosso principal produto de exportação. . Na esteira da perda de poder econômico dos barões do café, ocorre a Revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas à presidência da República, pondo fim à política do “café-com-leite”. A chamada Era Vargas só terminaria em 1945.
  • 7. Em meio à onda de greves operárias, formou-se uma frente paulista em oposição à política de Vargas, que evoluiu, em 1932, para a Revolução Constitucionalista, que reivindica a autonomia dos estados, então sob intervenção federal. Os paulistas foram derrotados.
  • 8. Cartazes da Revolução Constitucionalista
  • 9. Modelos de aviões utilizados na Revolução Constitucionalista
  • 10. Para se manter no poder e evitar futuras rebeliões, em 1935 , Getúlio decreta a Lei de Segurança Nacional, que franqueava ao governo a repressão de quaisquer atividades consideradas subversivas, como a fracassada tentativa de levante organizada pelos comunistas, no mesmo ano.
  • 11. Em 1937, Vargas, autorizado pelo Congresso, instaura o “estado de guerra”. Fecha, por noventa dias o Congresso, que o apoiara; outorga nova Constituição, de teor claramente fascista; nomeia novos interventores para todos os estados; extingue os partidos políticos e determina a supressão dos direitos individuais. Estava implantada a ditadura do Estado Novo, com o apoio de classe média e da burguesia.
  • 12. Em 1939, tem início a Segunda Guerra Mundial. Getúlio Vargas cria o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), órgão de censura aos meios de comunicação. Em 1942, apesar da simpatia que Vargas nutria pelo fascismo, o Brasil, devido a pressões internacionais, alia-se aos Estados Unidos e declara guerra aos países do Eixo: Itália, Alemanha e Japão.
  • 13. Em 1945 , Getúlio Vargas é deposto pelas Forças Armadas. Extingue-se a ditadura do Estado Novo.
  • 14. É um dos idealizadores e organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, autor do material gráfico da exposição. DI CAVALCANTI Contexto cultural da época - A mulata, para mim, é um símbolo do Brasil.  Ela não é preta nem branca.  Nem rica nem pobre.  Gosta de música, gosta do futebol, como nosso povo. (...)"  " Moço continuarei até a morte porque, além dos bens que obtenho com minha imaginação, nada mais ambiciono."
  • 15. Poemas de Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes a Di Cavalcanti ... Que bom que existas, pintor Enamorado das ruas Que bom vivas, que bom sejas Que bom lutes e construas Poeta o mais carioca Pintor o mais brasileiro Entidade mais dileta Do meu Rio de Janeiro - Perdão meu irmão poeta Nosso Rio de Janeiro (Vinícius de Morais, setembro de 1963) Uma Flor para Di Cavalcanti Esta é uma flor para Di, uma flor em forma di- ferente: de flor-mulher, desabrochada onde quer que exista amor e verão. Verão como a cor cinti- la nas curvas, e sorri nesse púrpuro arrebol que Di tirou do seu Rio coado de mel e sol. Uma flor-pintura, zi- nindo o canto de amor que acompanhou toda a vi- da do pincel, o gozo-dor  de criar e de sentir, di- vina e tão sensual ração  que coube, na Terra, a Di. Carlos Drummond de Andrade
  • 16. O desejo de pesquisar nossa realidade social, cultural e religiosa revelou-se forte nas artes plásticas e na literatura. A arte mergulhou profundamente no tenso panorama ideológico da época, procurando analisar as contradições vividas pelo país e representá-las por meio da linguagem estética.
  • 17. Dois dos mais importantes pintores dessa tendência foram Cândido Portinari, que adotou como tema central da sua pintura o povo e seu cotidiano, e Di Cavalcanti que pintou as mulheres dos bordéis, as festas nas ruas do subúrbio carioca, os pescadores. Na arquitetura, destacam-se Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, os quais, posteriormente, fariam os projetos da capital federal, Brasília.
  • 18. “ Auto-retrato” - 1943 “ Moças no vilarejo” década de 1940 DI CAVALCANTI- Obras
  • 19. “ Mulatas e pássaros” década de 30 “ Colonos” - 1945
  • 20. CÂNDIDO PORTINARI - Obras “ Futebol”- 1935 “ Circo” -1933
  • 21. “ Retirantes” – 1936 “ Marias” - 1936
  • 22. Na música, o inovador maestro e compositor Heitor Villa-Lobos compõe, em 1930, as Bachianas brasileiras, unindo à estrutura da música de Bach as melodias, os ritmos e a sonoridade da música brasileira. Com a difusão do rádio, a música popular também ganha repercussão. O samba dos morros do Rio de Janeiro passa a ser divulgado nacionalmente e consagra-se, com compositores como Noel Rosa, Pixinguinha, Ary Barroso, Lamartine Babo.
  • 23. No teatro, Flávio de Carvalho encena a peça “O bailado do Deus morto”, em 1939, que teve sua apresentação interrompida pela polícia, sob a alegação de ser ofensiva ao pudor. Quanto ao cinema, a produção viu-se derrotada pela concorrência estrangeira. O primeiro filme brasileiro, Os estranguladores , data de 1929. Em 1931, Mário Peixoto lança Limite , um marco na história de nosso cinema.
  • 24. Poetas da época Na segunda fase do Modernismo, com o surgimento de uma nova geração de autores, a poesia entra numa fase de grande amadurecimento. Os poetas abandonam o tom irreverente e polêmico dos primeiros tempos e, com a liberdade estética conquistada, desenvolvem plenamente suas próprias tendências, sem a preocupação de chocar os tradicionalistas. É o período em que se afirma uma das mais fecundas gerações de poetas brasileiros: Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Dante Milano, Mário Quintana.
  • 25. Cecília Meireles Cecília Meireles é a primeira grande escritora da literatura brasileira e a principal voz feminina de nossa poesia moderna. Os temas mais constantes na poesia de Cecília Meireles são a precariedade da existência humana, a fugacidade dos bens materiais e do tempo, a falta de sentido da vida, a solidão a que o indivíduo está condenado, a distância, a perda, a falta. MOTIVO Eu canto porque o instante existe E a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: Sou poeta.
  • 26. “ Liberdade,essa palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”
  • 27. Vinícius de Moraes Mais conhecido pelas suas composições musicais, Vinícius de Moraes iniciou sua obra poética em 1930. Nas obras iniciais, aproximou-se de temas como a religiosidade e a angústia associada à oscilação entre matéria e espírito. Aos poucos, porém, seu interesse voltou-se para aspectos do cotidiano e para o relacionamento amoroso. “ Se você quer ser minha namorada “Olha que coisa mais linda Ah, que linda namorada Mais cheia de graça Você poderia ser...” É ela menina Que vem e que passa...”
  • 28.  
  • 29. Carlos Drummond de Andrade A poesia de Carlos Drummond de Andrade revela um lento processo de investigação da realidade humana, e suas linhas básicas já estão presentes nos primeiros livros: visão crítica da sociedade, certo desencanto com relação à vida, recusando-se a uma participação lírica ou sentimental e revelando um pessimismo em que o homem se encontra frente a frente com o vazio e o nada. O estilo despojado de sua obra, a visão crítica da realidade e a constante preocupação com a linguagem dão a Carlos Drummond de Andrade um lugar de destaque na história da literatura brasileira.
  • 30. No meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho Tinha uma pedra No meio do caminho tinha uma pedra... José E agora, José? A festa acabou A luz apagou, O povo sumiu A noite esfriou, E agora, José?...
  • 31. Murilo Mendes Murilo Mendes utilizou como material para seus poemas lembranças da infância, temas religiosos, visões oníricas e cultivou a sátira e a paródia – tudo em um estilo absolutamente original. Foi o poeta brasileiro que melhor soube expressar a tendência surrealista. Canção do exílio Minha terra tem macieiras da Califórnia Onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra São pretos que vivem em torres de ametista... ... Murilo Mendes -1931 Por C. Portinari
  • 32. Jorge de Lima Jorge de Lima aprendeu com o mestre Manuel Bandeira a lição de que a poesia está nas coisas mais simples: o sal da água e a luz do céu. Mas relê a lição modernista pela lente do catolicismo e atribui a Deus a existência de tudo. O mais conhecido de seus poemas é “Essa Negra Fulô”, que tematiza a relação entre os escravos e seus senhores, estabelecendo uma crítica à maneira como os negros eram física e emocionalmente torturados. “ Qualquer que seja a chuva desses campos devemos esperar pelos estios E ao chegar os serões e os fiéis enganos amar os sonhos que restarem frios.” (Invenção de Orfeu)
  • 33. Essa negra fulô Ora, se deu que chegou (isso já faz muito tempo) No bangüê dum meu avô Uma negra bonitinha Chamada negra Fulô. Essa negra Fulô! Essa negra Fulô! ...
  • 34. O Romance de 1930 O Brasil testemunhou, na década de 1930, uma explosão do romance. Preocupados com o país em que viviam, escritores usaram a narrativa como instrumento de denúncia de uma realidade que, principalmente na região Nordeste, condena milhares de brasileiros à miséria. Caracterizavam-se por adotarem uma visão crítica das relações sociais e, todos se integram, num sentido amplo, ao regionalismo, seja na base das áreas rurais e campesinas, seja na fixação de cenários urbanos, de subúrbios ou pequenas cidades. Em todas as vertentes, o que ressalta é o homem hostilizado pelo ambiente, pela terra, pela cidade, o homem devorado pelos problemas que o meio lhe impõe.
  • 35. O romance desenvolveu diversas linhas temáticas. O drama das secas, a crise dos engenhos, o cangaço, a luta pela terra, o coronelismo, são temas abordados na ficção de Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado e Rachel de Queiroz; os problemas do homem urbano estão na obra de Érico Veríssimo; a investigação psicológica das personagens e seus conflitos íntimos encontram-se na ficção de Dionélio Machado. De modo geral, o trabalho com a linguagem busca trazer para a narrativa a “cor local”, ou seja, as informações sobre espaços, comportamentos e costumes, que permitem ao leitor reconhecer os aspectos típicos, característicos de uma região específica.
  • 36. GRACILIANO RAMOS O cuidado com as palavras é um dos traços mais importantes da prosa de Graciliano Ramos. A economia absoluta no uso de adjetivos e advérbios, a escolha cuidadosa dos substantivos que melhor contam uma realidade, todos os aspectos da construção de seus romances colaboram para a criação do “realismo bruto” que define o olhar neo-realista desse autor. É, sem dúvida, o romancista que soube exprimir, com maior agudeza, a dura realidade do homem nordestino.
  • 37. Capa da última edição da obra Vidas Secas (50 anos da morte do escritor/2003) e busto de Graciliano Ramos por Cândido Portinari.
  • 38. RACHEL DE QUEIROZ Os dois primeiros romances de Rachel de Queiroz, “O QUINZE e JOÃO MIGUEL”, têm como espaço o Ceará e revelam com intensidade a problemática social da região do Nordeste do país: a miséria, a seca, a desigualdade, a indiferença dos poderosos diante de tão grave situação. Permaneceu três meses presa em 1937, perseguida pela ditadura do Estado Novo. Escreveu crônicas em diversos jornais brasileiros até o fim de sua vida. Foi a primeira escritora a conquistar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, em 1977.
  • 39. Rachel de Queiroz, a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras Inserida no Modernismo, a prosa regionalista de Rachel de Queiroz retrata numa linguagem enxuta e viva, o Nordeste, mais especificamente, o Ceará.
  • 40. JOSÉ LINS DO REGO Muitas das obras de José Lins do Rego apresentam forte conteúdo memorialista, revelando reminiscências da infância e adolescência passadas no engenho do avô. Na Paraíba.Os romances em que tratou da vida nos engenhos, da decadência das velhas estruturas econômicas do Nordeste e dos desmandos dos autoritários senhores de engenho costumam ser reunidos no que ele próprio chamou de “ciclo da cana-de-açúcar” e são os seguintes: Menino de Engenho, Doidinho, Bangüê, Usina, Fogo Morto (sua obra-prima). Também se interessou pelo cangaço, questão tipicamente nordestina, que foi explorada em “Pedra Bonita e Cangaceiros”.
  • 41. Fotos de José Lins do Rego e José Américo de Almeida, autor de A Bagaceira.
  • 42. JORGE AMADO Um dos escritores brasileiros mais conhecidos e lidos de todos os tempos, Jorge Amado conseguiu com seus romances, traçar um vasto painel do povo brasileiro, usando a Bahia como representação da diversidade étnica e social brasileira. Seus romances ultrapassaram a marca dos dez milhões de títulos vendidos só no Brasil e foram traduzidos para 49 línguas estrangeiras. Apesar de sua popularidade, a maior parte da crítica credita seu talento e valor literário às primeiras produções, como:Jubiabá, Terras do Sem-Fim, Mar Morto e Capitães da Areia.
  • 43. Jorge Amado - 1934 por Cândido Portinari
  • 44. ÉRICO VERÍSSIMO É antes de mais nada um grande contador de histórias. Autor de estilo simples e despojado, conquistou desde logo a posição de um dos escritores mais populares de nossa literatura. Grande criador de tipos humanos o escritor funde análise psicológica e sociológica. Vale-se de linguagem simples e de recursos como: discurso indireto livre, ritmo de cortes cinematográficos, temas prosaicos e universais. Em “O TEMPO E O VENTO” (O Continente, O Retrato e O Arquipélago), o autor reconstrói a história do Rio Grande do Sul, por meio da trajetória das famílias Terra e Cambará, ambientada na cidade de Santa Fé.
  • 45. Érico Veríssimo relendo seus manuscritos.
  • 46.  
  • 47. Comentários finais “ Talvez se possa dizer que os romancistas da geração de trinta, de certo modo, inauguraram o romance brasileiro, porque tentaram resolver a grande contradição que caracteriza a nossa cultura, a saber, a oposição entre as estruturas civilizadas do litoral e as camadas humanas que povoam o interior – entendendo-se por litoral e interior menos as regiões geograficamente correspondentes do que os tipos de existência, os padrões de cultura comumente subentendidos em tais designações. [...]” (Antônio Cândido)
  • 48. Trabalho organizado pelas professoras de Português – matutino/2007 do Centro de Ensino Médio 01 de São Sebastião.