SlideShare uma empresa Scribd logo
Professor Germano da Fonseca Sacarrão, Museu Bocage. Lisboa. 1994. pp. 167- 199.
ESTABELECIMENTO DE PRIORIDADES DE
CONSERVAÇÃO DE VERTEBRADOS
TERRESTRES A NíVEL REGIONAL: O CASO
DA COSTA SUDOESTE PORTUGUESA
por
JORGE M. PALMEIRIM
Departamento de Zoologia e Antropologia.
Faculdade de CiSncias. Bloco C2. Campo Grande. 1700 Lisboa.
FRANCISCO MOREIRA
Rua Prof. João Barreira, 2. 3C, 1600 Lisboa
PEDRO BEJA
Praceta Moínho da Bôba, Lote 188. 5° Dto,
Casal de S. Brás. 2700 Amadora
ABSTRACT
Conservation priorities of terrestrial Vertebrates at national
levei: the case Df Soutwestern coast Df Portugal
Conservation priorities established at the international and na-
tional leveis are oflen nol applicable aI lhe regional leve!. This
paper describes a quantilalive melhodology lo rank species ac-
cording lo lhe levei of attention Ihal Ihey deserve in regional
conservalion. ln Ihis melhodology lhe species are ranked accord-
168 J. M. Palmeirim, F Moreira & P. Beja
ing to two main components: (I) 'the vulnerability, which is cal-
culated using biological variables that are related to the fragility
of the populations, and (2) the relevance, which reflects the
importance of the regional populations at the national and inter-
nationaI leveIs, and can also incorporate any particularities af its
taxonomy, biogeography, etc. The proposed methodo10gy is here
illustrated with the selection of conservation priorities .for South-
Western coast of Portugal.
RESUMO
As prioridades de conservação estabelecidas a nível internacional
e nacional não são necessariamente as mais apropriadas para a
implementação de medidas de conservação a nível regional. O
presente trabalho descreve uma metodologia quantitativa para
determinar prioridades de conservação de espécies ao nível re-
gional. Nesta metodologia as espécies são ordenadas com base em
duas componentes: (I) a sensibilidade, calculada a partir de um con-
junto de variáveis biológicas relacionadas com a vulnerabilidade
das populações; e (2) a relevância, que reflecte a importância das
populações da região no contexto nacional e internacional, e ain-
da o seu interesse biogeográfico, sistemático, etc.. A metodologia
descrita é aqui ilustrada com a selecção de espécies prioritárias
para acções de conservação na costa sudoeste portuguesa.
I. INTRODUÇÃO
A acção do Homem sobre uma dada região afecta de forma mais ou
menos significativa as comunidades naturais que nela ocorrem. A
destruição do coberto vegetal, a fragmentação dos habitats, a perturbação,
etc., levam a que muitas espécies vejam as suas populações divididas e
reduzidas, podendo mesmo ocorrer a sua total extinção. Assim, nos
últimos anos, tem-se assistido a uma crescente preocupação no sentido
de prever quais as consequências das intervenções humanas sobre as
populações animais e vegetais - estudos de impacte - e de organizar
espacialmente as intervenções de forma a permitir a conservação destas
populações - ordenamento do território.
Um factor chave na abordagem das questões regionais de
conservação consiste no conhecimento detalhado da biologia, ecologia e
vulnerabilidade das espécies existentes nessa região aos diversos tipos de
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 169
agressão humana. Se este objectivo é de alguma forma concretizável para
um conjunto relativamente reduzido de espécies, é claramente impossível
para a totalidade dos taxa que ocorrem numa dada região. Desta forma,
as tomadas de decisão no que diz respeito a opções de desenvolvimento
e de conservação, confrontam-se na prática com uma escassez de dados
de base que permitam prever a sua real repercussão nos sistemas· naturais.
Uma possível solução para estes problemas consiste na definição de
prioridades de conservação, que tenham em conta simultaneamente a
sensibilidade biológica das espécies e a relevância das suas populações
na região em estudo. É sobre estas espécies que, em geral, deverá incidir
o maior esforço de conservação.
Vários sistemas foram já propostos para a definição de prioridades
de conservação da fauna de vertebrados (e.g., Hiraldo & Alonso, 1985;
Burke & Humphrey, 1987, Millsap et ai., 1990). Nenhum destes sistemas é
contudo de aplicação generalizada, devido às características específicas de
cada área para a qual o sistema foi desenvolvido e ao tipo de informação
biológica existente para as diferentes espécies. Para além disso, estes
sistemas foram desenvolvidos para grandes áreas geográficas, sendo pouco
apropriados para definir prioridades de conservação a nível regional.
Desta forma, procurou-se no presente trabalho, desenvolver um
sistema de definição de prioridades de conservação da fauna de
vertebrados, que possa ser utilizado a nível regional sobre espécies cuja
biologia seja relativamente mal conhecida. Com um sistema de aplicação
generalizada deste tipo, pretendeu-se desenvolver um método de trabalho
expedito e prático, utilizável em estudos de impacte, planos de orde-
namento, desenvolvimento de estratégias regionais de conservação, etc..
O presente sistema de definição de prioridades foi desenvolvido no ãm-
bito do plano de ordenamento da Área de Paisagem Protegida do Sudo-
este Alentejano e Costa Vicentina (APPSACV) (Palmeirim et ai., 1992).
Esta área é adequada para aplicação do sistema, uma vez que é uma
região geograficamente restrita, em que a ecologia da maioria das
espécies que nela ocorrem é relativamente mal conhecida. A flora, fauna e
valor natural da APPSACV foram já descritos por diversos autores (e.g., Ta-
vares & Sacarrão, 1960, Palma et ai., 1984, Beja, 1988, Woodell, 1989).
Tavares & Sacarrão (1960) foram dos primeiros autores a salientar o
grande valor natural do promontório vicentino, integrado na área coberta
por este estudo.
170 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja
2. DESENVOLVIMENTO DO 'SISTEMA DE ORDENAÇÃO
Um sistema de definição de prioridades de conservação será tanto
mais exacto quanto maior for o nível de conhecimentos existente sobre
as espécIes nele incluídas. No entanto, um sistema com uma grande exi-
gência de informação de base tende a ter uma apJicaç~o restrita.
Para o presente sistema de ordenação procurou-se determinar a sensi-
bilidade relativa das diferentes espécies através de um conjunto de variá-
veis biológicas geralmente disponíveis - fecundidade, idade de primeira
maturação, biomassa média individual, nível trófico, etc.. Estudos
recentes têm vindo a demonstrar que este tipo de variáveis se correla-
cionam com a susceptibilidade para a extinção das espécies, podendo ser
utilizadas para prever directa ou indirectamente a sua vulnerabilidade
relativa (Laurence, 1991, Tracy & George, 1992).
Para além das variáveis destinadas a indicar a sensibilidade das
espécies, utilizou-se ainda um conjunto de variáveis destinadas a indicar
a relevância das populações da região em estudo no contexto nacional e
internacional. Estas variáveis foram definidas com base no pressuposto
de que o esforço de conservação de uma dada espécie numa dada região
deverá depender não só da sua sensibilidade biológica, mas também da
importância relativa que a região tem para a sua conservação.
Definiram-se assim os seguintes dois conjuntos de variáveis:
i) variáveis que exprimem a sensibilidade das espécies em função
das suas características biológicas (ecológicas, demográficas, etc.);
li) variáveis que exprimem a relevância das populações em função da
representatividade relativa das populações existentes da região no contexto
nacional e internacional, e o seu interesse biogeográfico, sistemático, etc..
Cada variável foi dividida em várias categorias, correspondentes a
uma pontuação entre O e lO. Para o cálculo dos índices de sensibili-
dade e relevância relativas de cada espécie, adicionaram-se os pontos
correspondentes às várias variáveis de cada grupo, e dividiu-se o total
pelo número de variáveis utilizadas para o seu cálculo. Obteve-se assim
uma ordenação das espécies segundo a sua sensibilidade e relevância.
Para obtenção das prioridades de conservação, calculou-se um índice
biológico, igual à média dos índices de sensibilidade e de relevância.
A atribuição das pontuações em algumas das variáveis é de alguma
forma subjectiva. No entanto, as imprecisões causadas por esta subjec-
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 171
tividade são em grande parte compensadas pela utilização de um grande
número de variáveis e de uma certa redundância existente entre elas.
A ordenação inicial obtida foi avaliada com base na posição relativa
de espécies com vulnerabilidade relativa conhecida. Em função dos
resultados obtidos, o sistema foi revisto, tendo sido alteradas algumas
variáveis e incluídas outras. Uma vez que se pretendia uma ordenação
global de todas as espécies, não se incluíram variáveis apenas com
significado para alguns grupos.
O índice biológico reflecte conjuntamente a fragilidade biológica das
espécies e a importância relativa que têm as populações que ocorrem na
região. Este índice não considera o estatuto actual de ameaça das
espécies, mas é simplesmente uma medida das características biológicas
intrínsecas que poderão potenciar essa ameaça. Assim, para além do
índice biológico procurou-se tomar em consideração na hierarquização das
espécies o seu estatuto actual de ameaça. Este estatuto foi calculado com
base na presença das várias espécies nos livros vermelhos português,
espanhol e internacional (UICN). Esta ordenação pretende reflectir o
estatuto actual das espécies, a nível global, peninsular e nacional,
delineado por outros grupos de especialistas. Para o cálculo deste índice
utilizou-se uma metodologia semelhante, constituída por um sistema de
pontuações e a determinação final de uma pontuação média.
Para além da sensibilidade, relevância e estatuto de ameaça das
espécies, um outro factor que poderá ser considerado para a definição de
prioridades de conservação consiste na responsabilidade politicamente
assumida por Portugal, através da assinatura e ratificação de convenções
internacionais, na conservação de algumas espécies. Um índice de
responsabilização política foi assim calculado com base no estatuto das
espécies em convenções internacionais. Este índice não foi considerado
na hierarquização final, uma vez que não reflecte necessariamente
realidades biológicas definidas. Contudo, optou-se por calculá-lo a fim de
propiciar um elemento adicional em processos de tomada de decisão, e
também com o intuito de verificar qual a relação entre o estatuto das
espécies definido biológica e politicamente.
A hierarquização final das espécies foi obtida considerando o valor
do índice biológico para todas espécies com um estatuto de ameaça
superior a 0, i.e., excluíram-se da ordenação todas as espécie que figuram
em todos os livros vermelhos com o estatuto de não ameaçadas.
172 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja
Contudo, incluiu-se na ordenação o pombo-das-rochas (Columba livia),
espécie que apesar de não preencher este requisito, é frequentemente
considerada ameaçada por degenerescência do património genético
(Johnston et aI., 1988, Ragionieri et aI., 1991).
2.1 Selecção das espécies
Para a ordenação, seleccionaram-se todas as espécies de vertebrados
terrestres que se sabe ocorrerem regularmente na APPSACV (n = 291;
Apêndice), incluindo os peixes dulciaquícolas e migradores anfibióticos,
mas excluindo as aves pelágicas [Procellariformes, ganso-patola (Sula
bassalUl), etc.] e os mamíferos marinhos. O inventário faunístico foi
efectuado essencialmente com base em Beja (1988), mas também em
observações de campo mais recentes. Consideraram-se como de
ocorrência regular todas as espécies residentes e todas as espécies
invernantes ou migradoras em que pelo menos 2 indivíduos são
observados anualmente na APPSACV. Com este critério, pretendeu-se
excluir espécies de ocorrência acidental, para as quais o significado da
APPSACV para a sua conservação é muito reduzido. Apesar da escassez
de dados existentes, não se excluíram no entanto algumas espécies que
se suspeita ocorrerem regularmente em número apreciável, mas para as
quais se pensa existirem deficiências na cobertura efectiva dos seus locais
de ocorrência durante os períodos adequados (e.g., maçarico-bastardo
Tringa glareola, melro-das-rochas Monticola saxatilis, melro-de-peito-
-branco Turdus torquatus, etc.).
Em relação aos morcegos, na APPSACV apenas os cavernícolas têm
sido estudados com regularidade, pelo que a grande maioria das espécies
não cavernícolas não foram ainda referenciadas nesta área. Para obstar a
esta falta de informação, decidiu-se incluir 4 espécies de quirópteros
ainda não recenseados (morcego-anão Pipistrellus pipistrellus, morcego-
-de-Kuhl P. kuhli, morcego-hortelão Eptesicus serotinus e morcego-
-orelhudo-cinzento Plecotus austricus), mas cuja ocorrência na APPSACV
é quase certa, uma vez que são espécies comuns, de distribuição alargada
em todo o país (Palmeirim, 1990) e foram observados próximo da
APPSACV (Rodrigues & Palmeirim, com. pess.).
Incluiu-se também na ordenação o airo (Uria aalge), o toirão (Turnix
sylvatica) e o lince (Lynx pardina), apesar de a primeira espécie estar
extinta como nidificante na APPSACV (Teixeira, 1984), e em relação às
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 173
outras duas não haver observações confirmadas recentes quanto à sua
ocorrência nesta área. O toirão está provavelmente extinto no nosso país
(Rufino, 1989), sendo contudo de ter em consideração a possibilidade de
que ainda ocorra de forma restrita em algumas áreas de habitat adequado.
O lince é uma espécie de baixa detectabilidade, especialmente em áreas
de baixa densidade populacional, sendo a sua ocorrência· na APPSACV
bastante provável, dada a existência de habitat aparentemente favorável, e à
presença na Serra do Espinhaço de Cão de uma pequena população residual
(Palma, 1978). Pegadas de lince foram recentemente detectadas numa
zona adjacente à APPSACV, perto da aldeia da Vilarinha (palma, com. pess.).
A inclusão destas espécies ficou a dever-se, em todos os casos, à necessida-
de de serem consideradas em qualquer plano de gestão e ordenamento da
APPSACV, apesar dos conhecimentos insuficientes que sobre elas existem.
Para a determinação das variáveis, não foram consideradas .entidades
taxon6micas inferiores à espécie.
2.2 Descrição das variáveis
Os critérios de cálculo das variáveis utilizadas são indicados na ta-
bela 1 e figura I. No conjunto utilizaram-se as 16 variáveis apresentadas
seguidamente, sendo indicados exemplos de cálculo nalguns casos em
que os critérios poderiam suscitar dúvidas de interpretação. Os dados
utilizados para o cálculo das variáveis foram obtidos em bibliografia
demasiado extensa para ser citada neste trabalho e, pontualmente, em
informações prestadas por especialistas de alguns grupos faunísticos.
escrita.
Sensibilidade
Para a determinação da ordenação correspondente à sensibilidade das
espécies utilizaram-se sete variáveis.
i) Tendência global da população - Esta variável considera a ten-
dência actual ou recente das populações de uma espécie, quer em número
de indivíduos, quer em área de distribuição, para o conjunto da sua área
de distribuição europeia. As pontuações foram dadas consoante a espécie
esteja em declínio, estável ou em aumento, e consoante esta tendência
seja bem conhecida ou apenas suspeitada. Espécies como o falcão-
peregrino (Falco peregrinus), que sofreram a partir dos anos 40 e até aos
Índice
Biológico
Sensibilidade Relevância Estatuto de
ameaça
I
1. Tendência global 1. Distribuição 1. Estatuto no
da população Global Livro Vermelho
2. Tendência da 2. Distribuição em Português
população Portugal 2. Estatuto no
em Portugal 3. Período de Livro Vermelho
3. Concentração da ocorrência Espanhol
população 4. Singularidades 3. Estatuto no
4. Potencial reprodutor Livro Vermelho
a) Fecundidade da UICN
b) Idade de primeira
maturação
5. Especialização do
habitat
6. Nível trófico
7. Biomassa média
individual
Fig. I - Representação esquemática da metodologia descrita.
Índice de
~esponsabilização
Politica
1. Convenção de
Bona
2. Convenção de
Berna
-~
;..
~
~
~
'"::;.
~.
:>l
~
ii!
~.
Ro
~
~
~.
"
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 175
TABELA 1 - CR1TÉRlOS PARA CÁLCULO DAS VARIÁVEIS UTILIZADAS
NO ESTABELECIMENTO DE PRlORlDADES DE CONSERVAÇÃO
DA FAUNA.
VARIÁVEIS BIOLÓGICAS
Sensibilidade
1. Tendência Global da População
a) População em decréscimo 10
b) Tendência desconhecida, mas população
possivelmente em decréscimo 8
c) A população esteve em decréscimo.
mas actualmente está estável ou em aumento 6
d) Tendência desconhecida 3
e) População estável ou presumivelmente estável 2
!J População em aumento O
2 Tendência da População em Portugal
Critérios idênticos aI)
3. Concentração da População
a) Concentra-se em poucos sítios
b) Concentra-se em pequeno número
em muitos sítios
c) Não se concentra
4. Potencial Reprodutor
!O
5
O
(i) Fecundidade (Número médio de crias/ovos por fêmea adulta por ano)
a) < 2
b) 2 - !O
c) !O - 100
ti) > 100
(ii) Idade de Primeira Maturação
a) > 3 anos
b) 2 - 3 anos
c) I ano
ti) < I ano
5
3
1
O
5
3
I
O
176 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja
TABELA I (Continuação)
5. Especialização do Habitat
a) Espécie muito especializada, dependente
de biótopos pouco abundantes
b) Nem (a) nem (c)
c) Espécie plástica, ou dependente
de biótopos abundantes
6. Nfvel Tr6fico
a) Carnívoros
b) Misto I (Camívoros+lnsectívoros)
c) Insectívoros
ál Misto II (Insectívoros+Herbívoros)
e omnívoros
e) Herbívoros
7. Biomassa Média Individual
a) Mais que 10 Kg
b) 6 - lO Kg
c) 3 - 6 Kg
ál1.5-3Kg
e) 0.8 - 1.5 Kg
j) 0.4 - 0.8 Kg
g) 0.2 - 0.4 Kg
h) 0.1 - 0.2 Kg
i) 0.05 - 0.1 Kg
j) 0.025 - 0.05 Kg
l) Menor que 0.025 Kg
Relevância
.1. Distribuição Global
a) Península Ibérica
b) Península Ibérica + sul de França
c) Menos de 30% da Europa
ál Distribuição alargada
2 Distribuição em Portugal
a) Localizada
b) Menos de 1/3 do País
lO
5
O
lO
8
5
3
O
10
9
8
7
6
5
4
3
2
I
O
lO
8
4
O
10
6
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 177
c) 1/3 a 2/3 do País
tI) Mais de 2/3 do País
3. Per{odo de ocorrência
a) Residente
b) Estivante
c) Invernante
tI) Migrador
e) Acidental
4. Singularidades
TABELA I (Continuaçilo)
a) Existência de singularidade
b) Inexistência de singularidades
ESTATUTO ACTUAL DE AMEAÇA
1. Estatuto no Livro Vermelho Português
a) Espécie em perigo (E)
b) Espécie vulnerável (V) ou Indeterminada (I)
c) Espécie rara (R)
tI) Espécie insuficientemente conhecida (K)
e) Espécie não ameaçada (NA)
2 Estatuto no Livro Vermelho Espanhol
Critérios idênticos aI)
3. Estatuto no Livro Vermelho da UICN
Critérios idênticos a I)
CONVENÇÕES INTERNACIONAIS
1. Convenção de Bona
a) Incluída na Convenção
b) Não incluída na Convenção
2 Convenção de Berna
a) Incluída no Anexo II da Convenção
b) Incluída no Anexo III da Convenção
c) Não Incluída na Convenção
3
O
lO
8
4
2
O
lO
O
lO
8
6
3
O
lO
O
lO
4
O
178 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja
anos 70 um forte declínio motivado pela contaminação com DDT, e
consequente diminuição do potencial reprodutor (Ratcliffe, 1970), mas
que actualmente se encontram em franca recuperação (Palma et aI., 1993)
receberam para esta variável 6 pontos (Categoria c: a população esteve
em declínio mas actualmente está estável ou em aumento).
ii) Tendência da população em Portugal - Esta variável difere da
anterior, por dizer apenas respeito às populações portuguesas. As
tendências das populações da maioria das espécies são mal conhecidas
em Portugal, existindo poucos estudos que documentem com detalhe a
sua evolução. Assim, para todas as espécies para as quais estudos
populacionais não existiam, utilizaram-se as tendências indicadas nos
Livros Vermelhos dos vertebrados portugueses (SNPRCN, 1990, 1991).
A pontuação máxima foi dada a espécies como a águia-pesqueira
(Pandion haliaetus), com uma regressão acentuada e bem documentada
no nosso país (Palma, 1984) (Categoria a: população em decréscimo).
iii) Concentração da população - Esta variável foi definida
assumindo que espécies cujas populações se concentram numa dada fase
do seu ciclo de vida (reprodução colonial, dormitórios, migrações, etc.),
são mais vulneráveis do que espécies que .não têm tendência a
concentrar-se. Para espécies migradoras, a concentração da população foi
determinada para o período em que a espécie ocorre na região estudada.
Assim, espécies como a garça-boieira (Bubulcus ibis) e o morcego-de-
-peluche (Miniopterus schreibersii) que se concentram em grandes
colónias durante a época de reprodução, foram classificados para esta
variável com a pontuação máxima (Categoria a: concentra-se em poucos
sítios). Com 5 pontos (Categoria b: concentra-se em pequeno número em
muitos sítios) foram classificadas por exemplo espécies que formam
muitas colónias de criação, cada qual com um número reduzido de
indivíduos em relação à população total existente numa dada área - e.g.,
cegonha-branca (Ciconia ciconia) e pombo-das-rochas (Columba livia).
Espécies em que toda a população de uma área utiliza locais confinados
para a sua reprodução - caso dos peixes e anfíbios -, e espécies que
nas suas áreas de invernada tendem a concentrar-se em áreas limita-
das - e.g., limícolas - receberam também 5 pontos.
iv) Potencial reprodutor - A probabilidade de extinção de uma dada
espécie depende, em grande medida, dos seus parâmetros populacionais
(fecundidade, longevidade, idade de .' maturação, mortalidade, etc.), sen-
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 179
do estes parâmetros utilizados frequentemente para prever as flutuações
populacionais a que as espécies estão sujeitas e a possível influência do
Homem sobre estas flutuações (Smies, 1983a,b). No entanto, a disponibi-
lidade de dados populacionais detalhados é sempre muito reduzida, pelo
que, para o presente sistema se optou por utilizar apenas dois parâmetros
geralmente disponíveis: (1) fecundidade e (2) idade de primeir" matu-
ração. A cada uma destas sub-variáveis foi atribuído um valor máximo
de 5 pontos. Para o cálculo da primeira sub-variável, a fecundidade, consi-
derou-se o número de descendentes potenciais (ovos ou crias) produzidos
anualmente por cada fêmea. Para espécies cujos indivíduos têm potencial
para se reproduzirem mais de uma vez por ano, como por exemplo certos
passeriformes, considerou-se a totalidade de descendentes produzidos e
não a dimensão média de cada ninhada. A pontuação máxima para esta
sub-variável é dada para espécies com o menor potencial reprodutor.
A segunda sub-variável (2) é determinada com base na idade média
de primeira maturação das fêmeas. Espécies com uma pequena idade de
primeira maturação são as menos pontuadas nesta sub-variável.
v) Especialização do habitat - Esta variável mede as exigências das
espécies em relação a biótopos específicos. Considera-se que espécies
estritamente dependentes de biótopos pouco abundantes são mais
vulneráveis que espécies também especializadas, mas dependentes de
biótopos abundantes. Tal como para a variável (iii), considera-se para a
determinação da especialização do habitat o período em que a espécie
ocorre na região estudada. O cálculo desta variável foi seriamente
limitado.pela escassez de dados disponíveis sobre a maioria das espécies.
Assim, considerou-se com a pontuação máxima (Categoria a: espécie
muito especializada dependente de biótopos pouco abundantes) espécies
como a gralha-de-bico-verinelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), para as quais
existem estudos que inequivocamente demonstram a sua ligação estrita a
um tipo de biótopo particular (Farinha, 1991). Espécies ligadas a
biótopos mais abundantes (e.g., zonas húmidas, montados, etc.) foram
classificadas na categoria intermédia (Categoria b: nem a nem c).
vi) Nível tr6fico - Esta variável mede a posição da espécie nas
cadeias alimentares. Considera-se que as espécies são em média tanto
mais vulneráveis .quanto mais alta for a sua posição nas cadeias alimen-
tares. Esta suposição prende-se com a existência de efeitos de bio-acumu-
lação de poluentes ao longo das cadeias alimentares (e.g., Hernández et
180 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja
ai., 1985), e com o facto de as espécies que ocupam o topo das cadeias
alimentares terem em geral densidades populacionais mais baixas que
espécies a níveis tróficos intermédios e inferiores (Peters, 1983).
vii) Biomassa média individual - Espécies com maiores dimensões
têm tendência a necessitar de maior quantidade de recursos, ocupar
maiores áreas vitais e ocorrer em menores densidades. (Peters, 1983,
Carrascal & Telleria. 1991). e portanto serem mais susceptíveis à
extinção (Brown & Nicoletto. 1991). Uma vez que dados sobre a
extensão de áreas vitais e densidade não existem para a maioria das
espécies. e que estes são parâmetros importantes a ter em conta quanto
se pretende determinar a sua vulnerabilidade. utilizou-se a biomassa
média individual como parâmetro indicador. Considerou-se assim que
espécies com maior biomassa média individual têm maior vulnerabilidade
do que espécies com menor biomassa.
Relevância
Para a ordenação correspondente à relevância das espécies utiliza-
ram-se quatro variáveis. Estas variáveis pretendem traduzir a importân-
cia relativa da região para a conservação das populações nacionais e euro-
peias das várias espécies. Inclui igualmente uma variável que indica se
as populações que ocorrem na região apresentam alguma característica
sistemática. biogeográfica. ecológica. etc.• de particular interesse. Para
as espécies migradoras as variáveis relacionadas com a distribuição geo-
gráfica são calculadas para o período em que a espécie ocorre na região
estudada.
i) Area de distribuição global - Esta variável assume que a
relevância de uma população que ocorre na APPSACV é tanto maior
quanto menor for a distribuição europeia da espécie. Por exemplo.
considera-se mais relevante o tritão-de-ventre-Iaranja (Triturus boseai),
que devido a ser endémico da região Ocidental da Península Ibérica
(Oliveira & Crespo. 1989) é cotado com 10 pontos (categoria I: espécie
exclusiva da Península Ibérica). do que a salamandra (Salamandra
salamandra), cuja distribuição generalizada em toda a Europa (Oliveira
& Crespo. 1989) implica uma relevância mais reduzida da população
existente na APPSACV. sendo portanto esta espécie cotada com O pontos
(categoria 4: espécie com distribuição alargada na Europa).
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 181
il) Area de distribuição em Portugal ~ Uma espécie para a qual a
APPSACV constitua uma fracção importante da área de distribuição é
mais relevante que uma espécie com uma distribuição generalizada no país.
Assim, a águia-pesqueira (Pandion haliaetus), cuja totalidade da população
nidificante portuguesa ocorre na APPSACV, é cotada para esta variável
com a pontuação máxima (10 pontos; categoria 1: espécie com distribuição
localizada), apesar de durante o Inverno a espécie ocorrer em todo o país.
iii) Período de ocorrência - Valores mais elevados para esta variável
foram dados a espécies residentes ou estivantes na área, como por exem-
plo o falcão-peregrino (Falco peregrinus) (10 pontos; categoria a: espécie
residente) ou o peneireiro-de-dorso-liso (Falco naumanni) (8 pontos;
categoria b: espécie estivante), sendo os valores inferiores dados a espé-
cies que não se reproduzem na área, como por exemplo o esmerilhão (Falco
columbarius) (4 pontos; categoria c: espécie invernante) ou o falcão-da-
rainha (Falco eleonorae) (2 pontos; categoria d: espécie migradora).
iv) Singularidades - Esta variável foi incluída, devido a reconhecer-se
que determinadas espécies têm um interesse científico ou conservacio-
nista particular (10 pontos; categoria I : espécies que apresentam na
região estudada populações com características singulares relevantes),
devido às suas características genéticas, sistemáticas, biogeográficas, etc.,
ou por apresentarem adaptações ecológicas particulares, sendo por isso de
especial relevância as populações que ocorrem na APP. Foram incluídas
nesta categoria, a cegonha-branca (Ciconia ciconia), cuja população
nidificante na APPSACV é a única conhecida que utiliza falésias
marítimas como locais de construção do ninho (Palma et ai., 1984), o
pombo-das-rochas (Columba livia), cujas populações naturais se
encontram em grave risco por degenerescência do património genético
devido a cruzamento com formas domésticas (Jonhston et aI., 1988), e
que na APPSACV parece ainda apresentar uma pureza considerável, pelo
menos fenotípica (Palma, com. pess. ), e a lontra (Lutra IUlra), que na
APPSACV ocorre em meio marinho (Beja, 1989), sendo a população
mais meridional que ocupa este biótopo invulgar para a espécie.
Estatuto de ameaça
Para o cálculo desta variável, utilizou-se o estatuto com que as várias
espécies são referidas pelos Livros Vermelhos dos Vertebrados de Portugal,
182 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja
Espanha e V.I.C.N.. Com estes três Livros Vennelhos, procurou-se consi-
derar a situação das espécies a nível nacional, peninsular e internacional.
Para efeitos de cálculo das pontuações, as categorias vulnerável (V) e indeter-
minado (I) foram consideradas em conjunto, tendo-se-Ihes atribuído o
valor 8 (Tabela 1). Esta opção foi tomada, uma vez que a categoria indeter-
minado é dada a espécies presumivelmente ameaçadas, .vulneráveis ou
raras (SNPRCN, 1991), tendo-se decidido atlibuir-lhe um valor intennédio.
Índice de responsabilização política
Para o cálculo do índice de responsabilização política utilizaram-se as
Convenções de Bona e de Berna. Outras convenções e directivas de âmbito
mais restrito (e.g., Directiva Aves) não foram utilizadas devido a sobrevalori-
zarem a irnportãncia de certos grupos taxonómicos, nomeadamente as aves.
3. AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE ORDENAÇÃO
Qualquer método de ordenação é de certa fonna imperfeito, urna vez que
se baseia em conhecimentos biológicos e ecológicos incompletos, e porque
as variáveis utilizadas nem sempre se correlacionam linearmente com a proba-
bilidade de extinção das populações. Para além disso, o facto de se conside-
rarem simultaneamente espécies pertencentes a grupos taxonómicos muito
distintos, com características biológicas diferenciadas, faz com que as variá-
veis utilizadas possam não ter significado idêntico para todos os grupos con-
siderados. Por exemplo, para espécies de igual biomassa, as aves tendem
a apresentar menores densidades que outros grupos animais (Carrascal &
Telleria, 1991), pelo que a variável (vii) - biomassa média individual
- poderá tender a subestimar a sensibilidade relativa desta Classe.
Para além dos factores biológicos intrínsecos das espécies, a probabi-
lidade de extinção poderá estar também dependente das fonnas de utili-
zação dos recursos naturais pelo Homem (Burke & Humphrey, 1987). Por
exemplo, espécies com elevado valor cinegético ou que tendam a ocorrer
preferencialmente em zonas muito utilizadas pelo Homem, como é o caso
do litoral, tendem a apresentar maiores probabilidades de extinção.
Apesar das dificuldades inerentes aos métodos de ordenação, é
contudo cada vez mais necessário estabelecer objectivamente prioridades
relativas de conservação, uma vez que, com ou sem conhecimentos
biológicos detalhados, as opções de desenvolvimento têm que ser
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 183
tomadas quase diariamente. Os métodos 'de ordenação surgem assim
como uma solução expedita, para a articulação da informação biológica
disponível a cada momento e seu processamento sob uma forma
facilmente utilizável por planeadores e gestores do ambiente. Neste
quadro, o método desenvolvido neste trabalho parece ser eficaz, tendo
produzido bons resultados como um dos elementos de base do plano de
ordenamento de uma área protegida (APPSACV). ' .
3.1 Aplicação do sistema de ordenação
Inter-relações entre as variáveis
Para compreender a forma como cada variável contribui para a orde-
nação final, calcularam-se as correlações ordinais de Spearman como
medida de associação entre as variáveis utilizadas, e entre estas e os
índices de sensibilidade, relevãncia e biológico (Tabela 2). Não foram
observadas correlações muito elevadas (r,>0.5) entre as variáveis
utilizadas. Os valores mais elevados foram observados entre o índice de
sensibilidade e as seguintes variáveis: biomassa média individual
(r,=O.57), idade de primeira maturação (r,=O.63), tendência global da
população (r,=O.53), tendência da população em Portugal (r,=0.55) e
nlvel trófico (r,=0.59). Foi também observada uma correlação elevada
entre os índices de sensibilidade e relevância (r,=0.54).
Ordenação das espécies
A ordenação das espécies existentes na APPSACV é apresentada na ta-
bela 3. Nesta tabela, apenas são indicadas as 50 espécies com maior índice
biológico, uma vez que são estas que em geral deverão ser consideradas prio-
ritariamente em estudos de impacte, planos de ordenamento, estratégias de
conservação, etc. Em conjunto com O índice biológico são também indicados
na tabela 3 o estatuto de ameaça e o índice de responsabilização política.
Os resultados da aplicação do método sobre os dados reais da
APPSACV parecem sugerir que a hierarquização de prioridades reflecte
bem a sensibilidade e relevãncia relativas das várias espécies ao nível
regional estudado. Assim, as quatro espécies que estão extintas ou
praticamente extintas na APPSACV ( Uria aalge, Lynx pardina, Pandion
haliaetus e Turnyx sylvatica), são aquelas que apresentam os quatro
TABELA 2 - MATRIZ DE CORRELAÇÃO ORDINAL DE SPEARMAN
ENTRE AS VARIÁVEIS ESTUDADAS:
CONC - Concentração da população; DGLOB Distribuição global;
DPOR - Distribuição em Portugal; FEC - Fecundidade;
HAB Especialização do habitat; MAT - Idade de primeira maturação; OCO - Período de Ocorrência;
TGLO Tendência populacional global; TPOR - Tendência populacional em Ponugal; TROF - Posição na
cadeia trófica; BIOL - indice Biológico; RELE - Relevância;
SENS - Sensibilidade.' - p<O.OI (n=29I).
CONC 0.14'
OGLO -0.06 O.OS
OPOR 0.13 0.22' 0.21 '
FEC 0.10 -0.03 -0.11 0.12
HAB -0.06 0.27' 0.05 0.33' 0.17'
MAT 0.2S" 0.41" 0.22" 0.03 O.OS 0.21'
OCO -0.11 0.05 0.06 -0.24' -0.21' -0.26' 0.00
TGLO 0.14' -0.01 -0.05 0.01 0.15' 0.15' O.IS' -0.05
TPOR 0.21' 0.02 -0.01 0.05 O. IS' 0.24' 0.20' -0.04 0.56'
TROF 0.35' -0.04 0.04 -0.04 0.24' 0.00 0.44' -0.16' 0.2S' 0.33'
BIOL 0.40' 0.50' 0.45' 0.3S' 0.16' 0.32' 0.5S' 0.22' 0.41' 0.44' 0.40'
RELE 0.2S' 0.11 0.00 0.20" 0.27' 0.34" 0.27' -0.13 O.4S" 0.50' 0.29' 0.45'
SENS 0.57' 0.49' 0.06 0.24' 0.31" 0.43' 0.63' -0.16' 0.53' 0.55' 0.59" 0.79' 0.54'
BIOM CONC OGLO OPOR FEC HAB MAT OCO TGLO TPOR TROF BIOL RELE
-00
.j>.
~
il:
~
3
'"
~:
:>l
~
~
~.
Ro
~
to
~,,.
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 185
maiores valores de índice biológico (Tabela 3). Para além disso, das 10
espécies ordenadas nos primeiros lugares, 5 são consideradas ameaçadas
(E) e 3 vulneráveis (V) no livro vermelho dos vertebrados terrestres
portugueses (SNPRCN, 1990). Desta forma, o sistema parece indicar
satisfatoriamente espécies com estatuto crítico.
A fim de verificar se o sistema também ordena satisfatoriamente
espécies com estatuto de conservação menos crítico, comparou-se
o índice biológico e o estatuto de ameaça dessas espécies definido
pelo Livro Vermelho dos Vertebrados Portugueses (SNPRCN, 1990,
1991). Para isso, calculou-se a correlação ordinal de Spearman entre
o índice biológico e o valor que reflecte o estatuto de ameaça no re-
ferido Livro Vermelho e graficou-se o valor mediano do índice biológico
em função do estatuto de ameaça (Figura 2). Em ambos os casos veri-
fica-se que as espécies com um maior estatuto de ameaça tendem a
apresentar maiores valores do índice biológico (r,=0.40, n=291, p<O.OOI).
Estes resultados corroboram a robustez da metodologia aplicada na
ordenação das espécies; as prioridades de conservação devem estar
relacionadas com o estatuto das espécies, mas não ser por ele
inteiramente determinado, uma vez que devem também reflectir as
especificidades regionais das populações das espécies consideradas.
As espécies definidas como de conservação prioritária apresentam
índices de responsabilização política elevados. No entanto, fica claro da
análise da tabela 3, que algumas espécies que não são consideradas
prioritárias em convenções internacionais podem merecer, pelo menos a
nível regional, um estatuto de conservação importante.
3.2 Limitações do método
Apesar dos aparentes bons resultados obtidos com a aplicação do
presente método, há que ter em conta as dificuldades inerentes a qualquer
método objectivo de estabelecimento de prioridades de conservação. Com
efeito, a qualidade dos resultados depende em grande medida dos
seguintes aspectos:
i) rigor da informação biológica disponível;
ii) relação entre as variáveis utilizadas e a probabilidade de extinção
das espécies;
iii) peso relativo das diferentes variáveis;
o
u
.-Ol}
'o......
o
.-~
il)
u
.--o
~
.......
7
6
5
4
3
2
1
O
NA K R V/I E
Estatuto
Fig. 2 - Mediana e distância inter-quartis do Índice Biológico em função do estatuto de ameaça das espécies
no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. NA - Não ameaçadas (0=216); K - Insuficientemente
conhecidas (n~18); R - Raras (n~21); VII - Vulneráveis ou Indeterminadas (n~24); E - Em Perigo (n~12).
-00
O-
~
~
~
~~.
...
~.
:">l
~
~
~.
R-
:"
b:l
~
",'
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 187
TABELA 3 - PRIORIDADES DE CONSERVAÇÃO DA FAUNA
DA APPSACV.
fndice Estatuto índice
Biológico Ameaça Político
Uria aalge 8.0 3.3 2
Lynx pardina 6.9 10.0 5
Pandion haliaetus 6.9 6.7 10
Turnix sylvatica 6.5 6.0 5
Ciconia ciconia 6.4 5.3 10
Lutra Zurra 5.9 6.3 5
Rhinolophus mehelyi 5.9 4.3 10
Pyrrhocorax pyrrhocorax 5.7 2.7 5
Falco naumanni 5.4 7.3 10
Myotis blythii 5.4 6.0 10
Alosa fallax 5.4 5.3 2
Barbus sclateri 5.2 4.0 2
Chondrostoma lusitanicum 5.2 4.0 2
Myotis myotis 5.1 8.7 10
Miniopterus schreibersii 5.0 5.3 10
Vipera latastei 5.0 2.7 5
Circaetus gallicus 5.0 2.0 10
Aquila adalberti 4.9 10.0 10
Neophron percnopterus 4.9 5.3 10
Porzana pusilla 4.9 5.3 5
Myotis nattereri 4.9 4.3 10
Hieraaetus fasciatus 4.9 4.0 10
Rhinolophus ferrumequinum 4.8 6.0 10
Bubo bubo 4.8 4.0 5
Accipiter nisus 4.8 3.7 10
Apus melba 4.8 2.0 5
Calandrella rufescens 4.8 1.0 5
Macroprotodon cuccullatus 4.8 1.0 2
Rhinolophus hipposideros 4.7 6.0 10
Falco peregrinus 4.7 4.0 10
Emys orbicularis 4.7 2.0 5
Hemydactylus turcicus 4.7 1.0 2
Gyps fulvus 4.6 4.7 10
Tetrax tetrax 4.6 4.0 5
Microtus cabrerae 4.5 4.7 2
Sterna sandvicensis 4.5 2.7 5
188 J. M. Palmeirim. F. Moreira & P. Beja
TABELA III (Continuação)
índice Estatuto índice
Biológico Ameaça Político
Burhinus oedicnemus 4.4 2.0 10
Ardea purpurea 4.3 5.3 5
Elanus caeruleus 4.3 4.0 10
Circus pygargus 4.2 5.3 10
Corvus corax 4.2 2.7 2
Falco eleonorae 4.2 2.0 10
Prunel/a col/aris 4.1 2.0 5
Ciconia nigra 4.0 6.7 10
Ixobrychus minutus 4.0 2.7 5
Botaurus stellaris 3.9 6.7 5
Streptopelia turtur 3.9 5.3 2
Felis silvestris 3.8 5.3 5
Numenius arquata 3.7 3.3 7
Pipistrellus savii 3.7 2.0 10
iv) existência de factores de pressão humana directos sobre as
espécies. independentes das características biológicas e que aumentem a sua
probabilidade de extinção. Desta forma. recomenda-se que:
i) a ordenação seja aferida com base na opinião de especialistas dos
diversos grupos taxonómicos. devendo ser sujeitas a uma análise mais
detalhada espécies com baixa prioridade de conservação consideradas
pelos especialistas como ameaçadas;
ii) a ordenação deverá ser efectuada com base em informação
actualizada. de forma a enquadrar nova informação biológica tornada
disponível e a eventual mudança de estatuto das espécies.
Apesar das vantagens dos métodos de ordenação. o estabelecimento
de prioridades de conservação a nível regional deverá sempre ter em
conta um conhecimento tão detalhado quanto possível das espécies e das
regiões a que se aplica.
AGRADECIMENTOS
Desejamos desta forma expressar o nosso agradecimento a todos
os que nos ajudaram a recolher a grande quantidade de informação
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 189
necessária à realização deste trabalho, em especial ao Dr. Luís Palma,
que nos 'cedeu dados pessoais que recolheu ao longo dos anos e ao
Gonçalo Oliveira, que participou na realização do Plano de Ordenamento
da APPSACV. Agradecemos também à Dr.' Filomena Magalhães e aos
Drs. António Mira, Octávio Paulo e João Gil a colaboração prestada na
recolha de dados sobre alguns grupos de vertebrados.
REFERÊNCIAS
BEJA, P. (1988) - Flora e Fauna da Costa Sudoeste. Relatório não publicado para
a Liga para a Protecção da Natureza, Lisboa. 234 pp.
BEJA, P. (1989) - Coastal otters in southwest Portugal. I.U.G.N. Oller Specialist
Group Bulletin. 4: 2-7.
BURKE, R.L. & HUMPHREY, S. R. (1987) - Rarity as a criterion for endangerment
in Florida's fauna. Oryx, 21: 97-102.
BROWN, J. H. & NICOLEITO, P. F. (1991) - Spatial scaling of species composi-
tioo: body masses of north american land mammals. American Naturalist, 138:
1478-1512.
CARRASCAL, L. M. & TELLERÍA, J.L. (1991) - Bird size and density: a regional
approach. American Na/uraUsl, 138: 777-784.
FARINHA, J. C. (1991) - Medidas urgentes para a conservação da Gralha-de-bico-
-vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax em Portugal. Estudos de Bfo[ogia e
Conservação da Natureza, 2: 1-47.
HERNÁNDEZ, L. M., GONZALÉZ, M. J., RICO, M. C., FERNANDÉZ, M. A. &
BALUJA, G. (1985) - Presence and biomagnification of organochlorine pollu-
tants and heavy metais in mammasls of Donana National Park (Spain), 1982-
-1983. J. Environmental Science and Health. 820: 633-650.
HIRALDO, F. & ALONSO, J. C. (1985) - Sistema de indicadores faunisticos
(Vertebrados) aplicable a la planificacion y gestion dei medio natural en la
Peninsula Iberica. Naturalia Hispanica, 26: 1-32.
JOHNSTON, R. F., SIEGEL-CAUSEY, D & JOHNSON, S. (1988) - European
populations of the Rock Dove Columba livia and Genotypic extinction. Am. Midl.
Nat.. 120: 1-10.
LAURENCE, W. F. (1991) - Ecological correlates of extinction proneness in Aus-
tralian tropical rain forest mammals. Conservation Biology, 5: 79-89.
MILLSAP, B. A., GORE, 1. A., RUNDE, D. E. & CERULEAN, S. I. (1990) - Set-
ting priorities for the conservarion of fish and wildlife species in Florida. Wildl.
Monagraphs, 111: l-57.
OLIVEIRA, M. E. & CRESPO, E. G. (1989) - Atlas da distribuição dos Anflbios e
Répteis de Portugal Continental. SNPRCN, Lisboa.
PALMA, L. (1978) - Sobre a distribuição, ecologia e conservação do lince ibérico
em Portugal. I Reunion [beroam. Zool. Vert.: 569-586.
190 J. M. Palmeirim, F Moreira & P. Beja
PALMA. L. (1984) - A avifauna nidificante na costa rochosa do sul de Portugal.
11 Reunion lberoam. Zool VerL: 206-221.
PALMA, L., COSTA, A. S. & FONSECA, L. C. (1984) - Importância natural e
conservação da costa SW portuguesa. BoI. Lig. Prol. Nal., (3.' série), 18: 59-75.
PALMA, L., ONOFRE, N. & POMBAL, E. (1993) - Revised distribution and status
of birds of prey in Portugal. Relatório não publicado.
PALMEIRIM, J. (1990) - Bats of Portugal: zoogeography and sy.st~matics. Miscell.
Publ. kansas Univ. Mus. Nat. Hisl., 82: 53 pp.
PALMEIRIM, 1., BEJA, P., OLIVEIRA, G. & MOREIRA, F. (1992) - Plano de
Ordenamento da Área de Paisagem Protegida do Sudoeste Alentejano e Costa
Vicentina. Fauna. Relatório não publicado.
PETERS, R. H. (1983) - The ecological implicalions of body size. Cambridge stu-
dies in Ecology. Cambridge.
RATCLIFF.E, D. A. (1970) - Changes attributable to pesticides in egg breakage,
break-age frequency and eggshell thickness in some British Birds. J. App/. Eco/.
7: 67-115.
RAGIONIERI, L., MONGONI, E. & BALDACINI, N. E. (1991) - Problemi di
conservazione in una popolazione di colombo selvatico (Columba livia /ivia
Gmelin) della Sardegna. Ricerche di Biologia della Selvaggina, 18: 35~46.
RUFINO, R. (1989) - Atlas das aves que nidificam em Portugal Continental. CEMPA.
Serviço Nacional de Parques Reservas e Conservação da Natureza. Lisboa.
SMIES, M. (1983a) - Simulation of small bird populations. L Development of a
stochastic model. Ecological ModeIling, 20: 259277.
SMIES, M. (1983b) - Simulation of small bird populations. II. Reduced breeding in
two british raptor species. Ecological ModeIling, 20: 279~296.
SNPRCN (1990) - Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Vol I - Mamiferos,
Aves, Répteis e Anjfbios. SNPRCN, Lisboa.
SNPRCN (1991) - Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Voi II ~ Pei;us
dulciaqufcolas e migradores anfibi6ticos. SNPRCN, Lisboa.
TAVARES, C. N. & SACARRÃO, G.F. (1960) - A protecção da natureza em Sa-
gres - S. Vicente, seu interesse e urgência. Protecção da NatureZA 3/4: 18 pp.
TEIXEIRA, A. M. (1984) - Aves marinhas nidificantes no litoral português. Boi. Liga
Prol. Nal.. 3.' série, 18: 105-115.
TRACY, C. R. & GEORGE, T. L. (1992) - On the determinants of extinction. Ameri~
can Naturalist, 139: 102~122.
WOODEL, S. R. J. (1989) - Cape St Vincent and the Sagres Peninsula, Portugal:
important biological sites under tbreat. Environmenral Conservation, 16: 33~39 .
Prioridades Ife conservação de vertebrados terrestres 191
APÊNDICE
LISTA DOS TAXA CONSIDERADOS PARA O ESTABELECIMENTO DE
PRIORIDADES DE CONSERVAÇÃO DA FAUNA NA APPSACV
OSTHEICHTYES
Anguilliformes
Anguilla anguilla
Clupeiformes
Alosa fal/ax
Cypriniformes
Barbus selater;
Carassius auratus
Carassius carassius
Chondrostoma lusitanicum
Cyprinus carpia
Leuciscus pyrenaicus
Cobitis maroccana
Cyprinodontiformes
Gambusia holbrooki
Gasterosteiformes
Gasterosteus aculeatus
Perciformes
Lepomis gibbosus
Micropterus salmoides
AMPHIBIA
Caudata
Pleurodeles waltl
Salamandra salamandra
Triturns bascai
Triturus marmoratus
Taxa
Enguia
Savelha
Barbo do Sul
Pimpão
Boga-portuguesa
Carpa
Escalo do Sul
Verdemã
Gambúsia
Esgana-gata
Perca-sol
Achigã
Salamandra-de-
-costelas-salientes
Salamandra-de-pintas-
-amarelas
Tritão-de-ventre-
-laranja
Tritão-marmorado
Pontuação
~ _média
3.54
5.43
5.23
2.90
2.90
5.16
2.68
4.30
2.47
1.97
3.10
2.10
2.47
4.70
3.18
4.21
3.97
192 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja
Anura
Alytes cisternasii
Diseoglossus galganoi
Pelobates eultripes
Pelodytes punetatus
Bufo bufo
Bufo ealamita
Hyla arborea
Hyla meridionalis
Rana perezi
REPTILIA
Testudines
Emys orbicularis
Mauremys leprosa
Sauria
Hemydactylus turdeus
Tarentola mauritanica
Blanus cinereus
Aeanthodaetylus erythrurus
Laeerta lepida
Podareis hispanica
Psammodromus algirus
Psammodromus hispanicus
Chalcides bedriagai
Chaleides ehalcides
Serpentes
Coluber hippoerepis
Coronella girondiea
Elaphe sealaris
Macroprotodon cuccullatus
Malpolon monspessulanus
Natrix maura
Sapo-parteiro-ibérico
Rã-de-focinho-
-pontiagudo
Sapo-de-unha-negra
Sapinho-de-verrugas-
-verdes
Sapo comum
Sapo-corredor
Rela
Rela-meridional
Rã-verde
Cágado-de-carapaça-
-estriada
Cágado
Osga-turca
Osga
Cobra-cega
Lagartixa-de-
-dedos-denteados
Sardão
Lagartixa-ibérica
Lagartixa-do-mato
Lagartixa-do-mato-
-ibérica
Cobra-de-pernas-de-
-cinco-dedos
Cobra-de-pernas-de-
-três-dedos
Cobra-de-ferradura
Cobra-lisa-bordalesa
Cobra-de-escada
Cobra-de-capuz
Cobra-rateira
Cobra-de-água-
-viperina
4.59
4.36
4.32
3.32
4.04
2.97
4.18
4.41
4.11
4.68
4.82
4.65
4.04
3.47
3.82
4.25
3.43
3.18
3.47
4.43
3.47
3.60
3.68
3.54
4.77
3.10
4.68
Pr':widades de conservação de vertebrados terrestres 193
Natrix natrix
Vipera lataste;
AVES
Podicipediformes
Tachybaptus ruficollis
Pelecaniformes
Phalacrocorax carbo
Phalacrocorax aristotelis
Ciconiiformes
Botaurus stellaris
lxobrychllS minutus
Nycticorax nycticorax
Bubu/cus ibis
Egretta garzetta
Ardea cinerea
Ardea purpurea
Cicania nigTa
Cicania ciconia
Anseriformes
Anas penelope
Anas strepera
Anas erecca
Anas platyrhynchos
Anas acura
Anas querquedula
Anas c/ypeata
Aythya ferina
Accipitriformes
Pernis apivorus
Elanus caeruleus
Milvus migrans
Milvus milvus
Neophron percnopterus
Gyps fulvus
Circaetus gallicus
Circus aeruginosus
Cobra-de-água-de-colar
Víbora-cornuda
Mergulhão-pequeno
Corvo-marinho-de-
-faces-brancas
Corvo-marinho-de-
-crista
Abetouro
Garça-pequena
Goraz
Garça-boieira
Garça-branca
Garça-real
Garça-vermelha
Cegonha-preta
Cegonha-branca
Piadeira
Frisada
Marrequinho
Pato-real
Arrabio
Marreco
Pato-trombeteiro
Zarro-comum
Falcão-abelheiro
Peneireiro-cinzento
Milhafre-preto
Milhafre-real
Abutre do Egipto
Grifo
Águia-cabreira
Tanaranhão-ruivo-
-dos-paúis
3.82
4.96
2.90
3.66
6.21
3.91
3.96
3.50
4.77
4.77
3.07
4.31
3.98
6.36
3.32
2.97
3.29
3.32
3.32
3.35
3.40
2.47
2.60
4.34
3.60
3.32
4.89
4.61
4.95
3.54
194 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja
Circus cyaneus
Circus pygargus
Accipiter gentilis
Accipiter nisus
Buteo buteo
Buteo rufinus
Aquila adalberti
Hieraaetus pennatus
Hieraaetus fasciatus
Pandion haliaetus
Falconiformes
Falco naumann;
Falco tinnunculus
Falco columbarius
Falco subbuteo
Falco eleonorae
Falco peregrinus
Galliformes
Alectoris rufa
Coturnix coturnix
Gruiformes
Rallus aquaticus
Porzana porzana
Porzana pusilla
Gallinula chloropus
Fulica alra
Tetrax tetrax
Turnis sylvatica
Charadriiformes
Haematopus ostralegus
Himantopus himantopus
Burhinus oedicnemus
Charadrius dubius
Charadrius hiaticula
Charadrius alexandrinus
Eudromias morinellus
Pluvialis apricaria
Pluvialis squatarola
Tartaranhão-azulado
Tartaranhão-caçador
Açor
Gavião
Águia-d' asa-redonda
Búteo-fiouro
Águia-imperial .
Águia-calçada
Águia de Bonelli
Águia-pesqueira
Peneireiro-das-torres
Peneireiro-vulgar
Esmerilhão
Ógea
Falcão-da-rainha
Falcão-peregrino
Perdiz-comum
Codorniz
Frango-d' água
Franga-d'água-grande
Franga-d' água-pequena
Galinha-d'água
Galeirão
Sisão
Toirão
Ostraceiro
Perna-longa
Alcaravão
Borrelho-pequeno-
-de-coleira
Borrelho-grande-
-de-coleira
Borrelho-de-coleira-
-interrompida
Tarambola-carambola
Tarambola-dourada
Tarambola-cinzenta
3.65
4.21
3.46
4.75
3.32
3.15
4.90
3.18
4.91
6.90
5.38
3.82
3.00
2.68
4.18
4.71
3.25
3.21
3.06
2.31
4.86
2.75
3.41
4.62
6.46
3.16
4.31
4.40
1.97
4.46
4.04
2.84
3.44
3.27
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres
Vanellus vanellus
Calidris canutus
Calidris alba
Calidris minuta
Calidris ferruginea
Calidris maritima
Calidris a/pina
Gallinago gallinago
Scolopax rusticola
Limosa limosa
Limosa lapponica
Numenius phaeopus
Numenius arquata
Tringa totanU$
Tringa nebularia
Tringa ochropus
Tringa g/areola
Actitis hypoleucos
Arenaria interpres
Larus melanocephalus
Larus ridibundus
Larus fuscus
Larus argentatus
Sterna sandvicensis
Chlidonias niger
Urin aalge
Columbiformes
Co/umba livia
Columba oenas
Columba palumbus
Streptopelia turtur
Cuculiformes
Clamarar glandarius
Cuculus canorus
Strigiforrnes
Tyto alba
Bubo bubo
Athene noctua
Strix a/ueo
Asio flammeus
Abibe
Seixoeira
Pilrito-d'areia
Pilrito-pequeno
Pilrito-de-bico-
-comprido
Pilrito-escuro
Pilrito-comum
Narceja
Galinhola
Maçarico-de-bico-
-direito
Fuselo
Maçarico-galego
Maçarico-real
Perna-vermelha
Perna-verde
Bique-bique
Maçarico-bastardo
Maçarico-das-rochas
Rola-da-mar
Gaivota-dó-mediterrãneo
Guincho
Gaivota-d' asa-escura
Gaivota-argêntea
Garajau-comum
Gaivina-preta
Airo
Pombo-da-rocha
Pombo-bravo
Pombo-torcaz
Rola
Cuco-rabilongo
Cuco
Coruja-das-torres
Bufo-real
Mocho-galego
Coruja-do-mato
Coruja-da-nabal
195
2.71
3.12
3.06
3.34
3.48
4.18
4.11
3.35
2.81
3.48
3.62
3.09
3.69
3.54
3.12
3.25
2.82
2.22
2.59
3.09
2.50
2.93
4.12
4.52
3.06
7.96
5.82
1.32
2.47
3.85
1.78
2.79
3.46
4.77
3.25
3.32
2.25
196 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja
Caprimulgiformes
Caprimulgus ruficollis Noitib6-de-nuca-vermelha 4.27
Apodiformes
Apus apus Andorinhão-preto 2.57
Apus pallidus Andorinhão-pálido 4.09
Apus melba Andorinhão-rea! 4.75
Coraciiformes
Alcedo atthis Guarda-rios 3.32
Merops apiaster Abelharuco 3.23
Coracias garrulus Rolieiro 3.41
Upupa epops Poupa 3.18
Piciformes
Jynx torquilla Torcicolo 3.23
Picus viridis Peto-verde 2.82
Dendrocopus major Pica-pau-malhado-grande 2.82
Dendrocopus minor Pica-pau-malhado-pequeno 3.48
Passeriformes
Calandrella brachydactyla Calhandrinha 3.16
Calandrella rufescens Calhandrinha-das-marismas 4.79
Galerida cristata Cotovia-de-poupa 2.18
Galerida theklae Cotovia-do-monte 3.91
Lullula arborea Cotovia-pequena 2.54
Alauda arvensis Laverca 2.70
Riparia riparia Andorinha-das-batteiras 3.38
Ptyonoprogne rupestris Andorinha-das-rochas 3.23
Hirundo rustica Andorinha-das-chaminés 2.29
Hirundo daurica Andorinha-daurica 2.72
Delichon urbica Andorinha-dos-beirais 2.29
Anthus campestris Petinha-dos-campos 2.43
Anthus trivialis Petinha-das-árvores 1.75
Anthus pratensis Petinha-dos-prados 1.93
Anthus spinoletta Petinha-ribeirinha 1.75
Motacilla flava Alvéola-amarela 3.16
Motacilla cinerea Alvéola-cinzenta 2.68
Motacilla alba Alvéola-branca 2.9
Troglodytes troglodytes Carriça 2.75
Prunella modularis Ferreirinha 2.68
Prunella collaris Ferreirinha-alpina 4.11
Erithacus rubecula Pisco-de-peito-ruivo 2.56
Luscinia megarhynchos Rouxinol 2.43
Luscinia svecica Pisco-de-peito-azul 2.68
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 197
Phoenicurus ochruros
Phoenicurus phoenicurus
Saxicola rubelra
Saxicola torquata
Oenanthe oenanthe
Oenanthe hispanica
Monticola saxatilis
Monticola solitarius
Turdus torquatus
Turdus merula
Turdus pilaris
Turdus philome/os
rurdus viscivorus
Cettia cetti
Cistico/a juncidis
Locustella naevia
Locustella luscinioides
Acrocepha/us schoenobaenus
Acrocephalus scirpaceus
Acrocephalus arundinaceus
Hippo/ais po/yg/otta
Sy/via undata
Sy/via conspicillata
Sy/via cantil/ans
Sy/via me/anocepha/a
Sylvia communis
Sy/via borin
Sy/via atricapilla
Phylloscopus bonelli
Phylloscopus sibilatrix
Phylloscopus collybita
Phylloscopus trochilus
Regulus regulus
Regulus ignicapillus
Muscicapa SITiata
Ficedula hypoleuca
Aegitha/us caudatus
Parus cristatus
Parus caeruleus
Parus major
Sitta europaea
Rabirruivo-preto
Rabirruivo-de-testa-
-branca
Cartaxo-da-norte
Cartaxo-comum
Chasco-cinzento
Chasco-ruivo
Melro-das-rochas
Melro-azul
Melro-de-peito-branco
Melro-preto
Tordo-zomal
Tordo-músico
Tordoveia
Rouxinol-bravo
Fuinha-dos-juncos
Feiosa-malhada
Feiosa-unicolor
Felosa-dos-juncos
Rouxinol-pequeno-
-dos-caniços
Rouxinol-grande-
-dos-caniços
Feiosa-poliglota
Felosa-do-mato
Toutinegra-tomilheira
Toutinegra-carrasqueira
Toutinegra-de-
-cabeça-preta
Papa-amoras
Felosa-das-figueiras
Toutinegra-de-barrete-preto
Feiosa de Bonelli
Felosa-assobiadeira
FeIosa-comum
FeIosa-musical
Estrelinha
Estrelinha-real
Papa-mascas-cinzento
Papa-moscas-preto
Chapim-rabilongo
Chapim-de-poupa
Chapim-azul
Chapim-real
Trepadeira-azul
2.91
1.53
1.68
2.18
1.68
3.00
i.IO
3.98
1.68
2.32
1.78
1.57
2.75
2.68
3.04
1.91
2.06
2.06
2.81
2.81
2.93
3.18
3.54
3.31
2.82
1.68
1.68
2.68
2.45
1.68
2.68
1.68
2.16
2.16
1.68
1.68
2.54
2.68
2.18
2.18
2.68
198 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja
Certhia brachydactyla Trepadeira-comum 2.68
Oriolus oriolus Papa-figos 2.29
Lanius excubitor Picanço-real 3.04
Lanius senator Picanço-barreteiro 2.43
Garrulus glandarius Gaio 2.68
Pica pica Pega 2.43
Pyrrhocorax pyrrhocorax Gralha-de-bico-vermelho 5.71
Corvus monedula Gralha-de-nuca-cinzenta 3.12
Corvus carone Gralha-preta 2.40
Corvus corax Corvo 4.18
Sturnus vulgaris Estorninho-malhado 1.43
Sturnus unicolor Estorninho-preto 2.68
Passer domesticus Pardal-comum 1.75
Passer montanus Pardal-montês 2.32
Petronia petronia Pardal-francês 3.20
Estrilda astrild Bico-de-lacre 2.27
Fringilla coelebs Tentilhão 2.32
Serinus serinus Chamariz 2.32
Carduelis chioris Verdilhão 2.32
Carduelis carduelis Pintassilgo 2.32
Carduelis spinus Lugre 1.57
Carduelis cannabina Pintarroxo 2.32
Loxia curvirostra Cruza-bico 2.32
Coccothraustes coccothraustes Bico-grossudo 2.32
Emberiza cirlus Escrevedeira 2.32
Emberiza cia Cia 2.32
Emberiza hortulana Sombria 2.07
Miliaria calandra Trigueirão 2.32
MAMMALIA
Insectivora
Erinaceus europaeus Ouriço-cacheiro 2.75
Crocidura russula Musaranho-de-
-dentes-brancos 2.25
Suncus etruscus Musaranho-anão-
-de-dentes-brancos 2.75
Taipa occidentalis Toupeira 3.72
Chiroptera
Rhinolophus ferrumequinum Morcego-de-ferradura-
-grande 4.75
Rhinolophus hipposideros Morcego-de-ferradura-
-pequeno 4.68
Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 199
Rhinolophus mehelyi Morcego-de-ferradura-
-mourisco 5.91
Myotis nalterer; Morcego-de-franja 4.90
Myotis myotis Morcego-rato-grande 5.11
Myotis b/ythii Morcego-rato-pequeno 5.41
Myotis daubentonii Morcego-de-água 3.18
Pipistrellus pipistrellus Morcego-anão 3.25
Pipistrellus kuhli Morcego-de-Kuhl -2.68
Pipistrellus savii Morcego-de-Savi 3.69
Eptesicus serotinus Morcego-hortelão 2.82
Plecotus austriacus Morcego-orelhudo-
-cinzento 2.90
Miniopterus schreibersii Morcego-de-peluche 5.04
Tadarida tenioris Morcego-rabudo 3.40
Lagomorpha
Lepus capensis Lebre 2.47
Oryctolagus cuniculus Coelho-bravo 2.40
Rodentia
Arvicola sapidus Rata-de-água 2.40
MicTOtus cabrerae Rato-de-Cabrera 4.52
Microtus lusitanicus Rato-cego 2.62
Microtus duodecimcostatus Rato-cega-mediterrânico 2.62
Apodemus sylvaticus Rato-do-campo 1.75
Rattus rattus Ratazana 2.25
Rattus norvegicus Ratazana-de-água 2.32
Mus musculus Rato-caseiro 1.75
Mus spretus Rato-das-hortas 1.75
Eliomys quercinus Leirão 1.90
Camivora
Vulpes vulpes Raposa 3.25
Mustela nivalis Doninha 2.82
Mustela putorius Toirão 3.46
Martes foina Fuinha 3.25
Meles meles. Texugo 3.40
Lutra Zulra Lontra 5.93
Genetta genetta Geneta 3.18
Herpestes ichneumon Sacarrabos 3.69
Felis silvestris Gato-bravo 3.82
Lynx pardina Lince-ibérico 6.90
Artiodactila
Sus scrofa Javali 3.04

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Umburana Mensagem Doce 100
Umburana Mensagem Doce 100Umburana Mensagem Doce 100
Umburana Mensagem Doce 100APIME
 
Mudanças do código florestal e seu impacto sobre os mamíferos na brasil
Mudanças do código florestal e seu impacto sobre os mamíferos na brasilMudanças do código florestal e seu impacto sobre os mamíferos na brasil
Mudanças do código florestal e seu impacto sobre os mamíferos na brasilJoão Vitor Soares Ramos
 
Itapua peixes artigo
Itapua peixes artigoItapua peixes artigo
Itapua peixes artigo
avisaassociacao
 
Diversidade biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e Orla do Guaíba no Muni...
Diversidade biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e Orla do Guaíba no Muni...Diversidade biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e Orla do Guaíba no Muni...
Diversidade biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e Orla do Guaíba no Muni...
Luciano Moura
 
ExploraçãO Madeireira Impactos2
ExploraçãO Madeireira Impactos2ExploraçãO Madeireira Impactos2
ExploraçãO Madeireira Impactos2Myris Silva
 
Areas Prioritarias Cbuc 2007 Ronaldo Weigand
Areas Prioritarias Cbuc 2007   Ronaldo WeigandAreas Prioritarias Cbuc 2007   Ronaldo Weigand
Areas Prioritarias Cbuc 2007 Ronaldo Weigand
Ronaldo Weigand Jr
 
Anais do-Iv-Simpósio-de-Entomologia
Anais do-Iv-Simpósio-de-EntomologiaAnais do-Iv-Simpósio-de-Entomologia
Anais do-Iv-Simpósio-de-Entomologia
Carlos Alberto Monteiro
 
Guia de fauna silvestre do município de São Sepé, Rio Grande do Sul: aves, ma...
Guia de fauna silvestre do município de São Sepé, Rio Grande do Sul: aves, ma...Guia de fauna silvestre do município de São Sepé, Rio Grande do Sul: aves, ma...
Guia de fauna silvestre do município de São Sepé, Rio Grande do Sul: aves, ma...
Luciano Moura
 
Itapua flora epífita musskopf
Itapua flora epífita musskopfItapua flora epífita musskopf
Itapua flora epífita musskopf
avisaassociacao
 
Etnoecologia e Etnobotânica
Etnoecologia e EtnobotânicaEtnoecologia e Etnobotânica
Etnoecologia e Etnobotânica
lenacarvalho
 
Pesquisa população rural e mamíferos
Pesquisa população rural e mamíferosPesquisa população rural e mamíferos
Pesquisa população rural e mamíferosEsperancaConduru
 
Diversidade de abelhas (hymenoptera apidae) em área de amta atlantica (piraí)
Diversidade de abelhas (hymenoptera  apidae) em área de amta atlantica (piraí)Diversidade de abelhas (hymenoptera  apidae) em área de amta atlantica (piraí)
Diversidade de abelhas (hymenoptera apidae) em área de amta atlantica (piraí)
Label-ha
 
Variação da comunidade de artropodes
Variação da comunidade de artropodesVariação da comunidade de artropodes
Variação da comunidade de artropodesMiguel Rocha Neto
 
Guia para criar e implementar uma rppn – reserva particular de patrimônio nat...
Guia para criar e implementar uma rppn – reserva particular de patrimônio nat...Guia para criar e implementar uma rppn – reserva particular de patrimônio nat...
Guia para criar e implementar uma rppn – reserva particular de patrimônio nat...
EcoHospedagem
 
A comunidade de abelhas e seus recursos tróficos em área de clima temperado n...
A comunidade de abelhas e seus recursos tróficos em área de clima temperado n...A comunidade de abelhas e seus recursos tróficos em área de clima temperado n...
A comunidade de abelhas e seus recursos tróficos em área de clima temperado n...
Label-ha
 
Ecossistemologia Biodiversidade 2016
Ecossistemologia Biodiversidade 2016Ecossistemologia Biodiversidade 2016
Ecossistemologia Biodiversidade 2016
Carlos Alberto Monteiro
 
Mamíferos de médio e grande porte no parque ecológico quedas do rio bonito
Mamíferos de médio e grande porte no parque ecológico quedas do rio bonitoMamíferos de médio e grande porte no parque ecológico quedas do rio bonito
Mamíferos de médio e grande porte no parque ecológico quedas do rio bonitoKassius Santos
 
Aprendendo Com A Biodiversidade Da Amazonia
Aprendendo Com A Biodiversidade Da AmazoniaAprendendo Com A Biodiversidade Da Amazonia
Aprendendo Com A Biodiversidade Da AmazoniaMauro de Oliveira Lima
 

Mais procurados (20)

Livro Flora
Livro FloraLivro Flora
Livro Flora
 
Umburana Mensagem Doce 100
Umburana Mensagem Doce 100Umburana Mensagem Doce 100
Umburana Mensagem Doce 100
 
Mudanças do código florestal e seu impacto sobre os mamíferos na brasil
Mudanças do código florestal e seu impacto sobre os mamíferos na brasilMudanças do código florestal e seu impacto sobre os mamíferos na brasil
Mudanças do código florestal e seu impacto sobre os mamíferos na brasil
 
Itapua peixes artigo
Itapua peixes artigoItapua peixes artigo
Itapua peixes artigo
 
Diversidade biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e Orla do Guaíba no Muni...
Diversidade biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e Orla do Guaíba no Muni...Diversidade biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e Orla do Guaíba no Muni...
Diversidade biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e Orla do Guaíba no Muni...
 
ExploraçãO Madeireira Impactos2
ExploraçãO Madeireira Impactos2ExploraçãO Madeireira Impactos2
ExploraçãO Madeireira Impactos2
 
Areas Prioritarias Cbuc 2007 Ronaldo Weigand
Areas Prioritarias Cbuc 2007   Ronaldo WeigandAreas Prioritarias Cbuc 2007   Ronaldo Weigand
Areas Prioritarias Cbuc 2007 Ronaldo Weigand
 
Anais do-Iv-Simpósio-de-Entomologia
Anais do-Iv-Simpósio-de-EntomologiaAnais do-Iv-Simpósio-de-Entomologia
Anais do-Iv-Simpósio-de-Entomologia
 
Guia de fauna silvestre do município de São Sepé, Rio Grande do Sul: aves, ma...
Guia de fauna silvestre do município de São Sepé, Rio Grande do Sul: aves, ma...Guia de fauna silvestre do município de São Sepé, Rio Grande do Sul: aves, ma...
Guia de fauna silvestre do município de São Sepé, Rio Grande do Sul: aves, ma...
 
Itapua flora epífita musskopf
Itapua flora epífita musskopfItapua flora epífita musskopf
Itapua flora epífita musskopf
 
Etnoecologia e Etnobotânica
Etnoecologia e EtnobotânicaEtnoecologia e Etnobotânica
Etnoecologia e Etnobotânica
 
Pesquisa população rural e mamíferos
Pesquisa população rural e mamíferosPesquisa população rural e mamíferos
Pesquisa população rural e mamíferos
 
Diversidade de abelhas (hymenoptera apidae) em área de amta atlantica (piraí)
Diversidade de abelhas (hymenoptera  apidae) em área de amta atlantica (piraí)Diversidade de abelhas (hymenoptera  apidae) em área de amta atlantica (piraí)
Diversidade de abelhas (hymenoptera apidae) em área de amta atlantica (piraí)
 
Variação da comunidade de artropodes
Variação da comunidade de artropodesVariação da comunidade de artropodes
Variação da comunidade de artropodes
 
Guia para criar e implementar uma rppn – reserva particular de patrimônio nat...
Guia para criar e implementar uma rppn – reserva particular de patrimônio nat...Guia para criar e implementar uma rppn – reserva particular de patrimônio nat...
Guia para criar e implementar uma rppn – reserva particular de patrimônio nat...
 
A comunidade de abelhas e seus recursos tróficos em área de clima temperado n...
A comunidade de abelhas e seus recursos tróficos em área de clima temperado n...A comunidade de abelhas e seus recursos tróficos em área de clima temperado n...
A comunidade de abelhas e seus recursos tróficos em área de clima temperado n...
 
Ecossistemologia Biodiversidade 2016
Ecossistemologia Biodiversidade 2016Ecossistemologia Biodiversidade 2016
Ecossistemologia Biodiversidade 2016
 
Mamíferos de médio e grande porte no parque ecológico quedas do rio bonito
Mamíferos de médio e grande porte no parque ecológico quedas do rio bonitoMamíferos de médio e grande porte no parque ecológico quedas do rio bonito
Mamíferos de médio e grande porte no parque ecológico quedas do rio bonito
 
Ecoturismo Marinho no Brasil
Ecoturismo Marinho no BrasilEcoturismo Marinho no Brasil
Ecoturismo Marinho no Brasil
 
Aprendendo Com A Biodiversidade Da Amazonia
Aprendendo Com A Biodiversidade Da AmazoniaAprendendo Com A Biodiversidade Da Amazonia
Aprendendo Com A Biodiversidade Da Amazonia
 

Semelhante a Mnhnl 0001464-mb-doc-web

Livro - Diversidade Biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e orla do Guaíba...
Livro - Diversidade Biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e orla do Guaíba...Livro - Diversidade Biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e orla do Guaíba...
Livro - Diversidade Biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e orla do Guaíba...
Guellity Marcel
 
Metodologia em levantamentos de fauna
Metodologia em levantamentos de faunaMetodologia em levantamentos de fauna
Metodologia em levantamentos de faunaSilvio Xavier
 
Mata atlântica
Mata atlânticaMata atlântica
Mata atlântica
Andrey Moreira
 
Biologia da conservação seminário sobre história natural e auto-ecologia es...
Biologia da conservação   seminário sobre história natural e auto-ecologia es...Biologia da conservação   seminário sobre história natural e auto-ecologia es...
Biologia da conservação seminário sobre história natural e auto-ecologia es...Manoel Santhos
 
Fitossociologia ibitipoca
Fitossociologia ibitipocaFitossociologia ibitipoca
Fitossociologia ibitipoca
Cassiano Fonseca
 
Comparativos de levantamentos fitossociológicos realizados em diferentes área...
Comparativos de levantamentos fitossociológicos realizados em diferentes área...Comparativos de levantamentos fitossociológicos realizados em diferentes área...
Comparativos de levantamentos fitossociológicos realizados em diferentes área...
OZILDO1
 
A AVIFAUNA EM DUAS ÁREAS DE UMA ZONA RURAL COM REMANESCENTES DE MATA ATLÂNTIC...
A AVIFAUNA EM DUAS ÁREAS DE UMA ZONA RURAL COM REMANESCENTES DE MATA ATLÂNTIC...A AVIFAUNA EM DUAS ÁREAS DE UMA ZONA RURAL COM REMANESCENTES DE MATA ATLÂNTIC...
A AVIFAUNA EM DUAS ÁREAS DE UMA ZONA RURAL COM REMANESCENTES DE MATA ATLÂNTIC...
Marcos Paulo Machado Thome
 
inventario rapido
inventario rapidoinventario rapido
O código florestal tem base científica
O código florestal tem base científicaO código florestal tem base científica
O código florestal tem base científica
mvezzone
 
Artigo bioterra v1_n1_2019_04
Artigo bioterra v1_n1_2019_04Artigo bioterra v1_n1_2019_04
Artigo bioterra v1_n1_2019_04
Universidade Federal de Sergipe - UFS
 
Manual Técnico de Restauração de Áreas Degradadas RJ
Manual Técnico de Restauração de Áreas Degradadas RJManual Técnico de Restauração de Áreas Degradadas RJ
Manual Técnico de Restauração de Áreas Degradadas RJ
Urialisson Queiroz
 
Mapa de Áreas Prioritárias para a Biodiversidade - Amazônia - Ronaldo Weigand
Mapa de Áreas Prioritárias para a Biodiversidade - Amazônia - Ronaldo WeigandMapa de Áreas Prioritárias para a Biodiversidade - Amazônia - Ronaldo Weigand
Mapa de Áreas Prioritárias para a Biodiversidade - Amazônia - Ronaldo Weigand
Ronaldo Weigand Jr
 
Banhado pachecos avifauna_accordi
Banhado pachecos avifauna_accordiBanhado pachecos avifauna_accordi
Banhado pachecos avifauna_accordi
avisaassociacao
 
Trabalho de B. conservacao.docx
Trabalho de B. conservacao.docxTrabalho de B. conservacao.docx
Trabalho de B. conservacao.docx
LucasPauloMandava
 
Artigo bioterra v18_n1_05
Artigo bioterra v18_n1_05Artigo bioterra v18_n1_05
Artigo bioterra v18_n1_05
Universidade Federal de Sergipe - UFS
 
biodiversidade (1).pdf
biodiversidade (1).pdfbiodiversidade (1).pdf
biodiversidade (1).pdf
PabloFirmino2
 

Semelhante a Mnhnl 0001464-mb-doc-web (20)

Livro - Diversidade Biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e orla do Guaíba...
Livro - Diversidade Biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e orla do Guaíba...Livro - Diversidade Biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e orla do Guaíba...
Livro - Diversidade Biológica dos Arroios Capivaras, Ribeiro e orla do Guaíba...
 
Biogeografia
BiogeografiaBiogeografia
Biogeografia
 
Metodologia em levantamentos de fauna
Metodologia em levantamentos de faunaMetodologia em levantamentos de fauna
Metodologia em levantamentos de fauna
 
255 762-1-pb
255 762-1-pb255 762-1-pb
255 762-1-pb
 
Cinzas
CinzasCinzas
Cinzas
 
Mata atlântica
Mata atlânticaMata atlântica
Mata atlântica
 
Biologia da conservação seminário sobre história natural e auto-ecologia es...
Biologia da conservação   seminário sobre história natural e auto-ecologia es...Biologia da conservação   seminário sobre história natural e auto-ecologia es...
Biologia da conservação seminário sobre história natural e auto-ecologia es...
 
Fitossociologia ibitipoca
Fitossociologia ibitipocaFitossociologia ibitipoca
Fitossociologia ibitipoca
 
Comparativos de levantamentos fitossociológicos realizados em diferentes área...
Comparativos de levantamentos fitossociológicos realizados em diferentes área...Comparativos de levantamentos fitossociológicos realizados em diferentes área...
Comparativos de levantamentos fitossociológicos realizados em diferentes área...
 
A AVIFAUNA EM DUAS ÁREAS DE UMA ZONA RURAL COM REMANESCENTES DE MATA ATLÂNTIC...
A AVIFAUNA EM DUAS ÁREAS DE UMA ZONA RURAL COM REMANESCENTES DE MATA ATLÂNTIC...A AVIFAUNA EM DUAS ÁREAS DE UMA ZONA RURAL COM REMANESCENTES DE MATA ATLÂNTIC...
A AVIFAUNA EM DUAS ÁREAS DE UMA ZONA RURAL COM REMANESCENTES DE MATA ATLÂNTIC...
 
inventario rapido
inventario rapidoinventario rapido
inventario rapido
 
O código florestal tem base científica
O código florestal tem base científicaO código florestal tem base científica
O código florestal tem base científica
 
Artigo bioterra v1_n1_2019_04
Artigo bioterra v1_n1_2019_04Artigo bioterra v1_n1_2019_04
Artigo bioterra v1_n1_2019_04
 
O código florestal tem base ciêntífica?
O código florestal tem base ciêntífica?O código florestal tem base ciêntífica?
O código florestal tem base ciêntífica?
 
Manual Técnico de Restauração de Áreas Degradadas RJ
Manual Técnico de Restauração de Áreas Degradadas RJManual Técnico de Restauração de Áreas Degradadas RJ
Manual Técnico de Restauração de Áreas Degradadas RJ
 
Mapa de Áreas Prioritárias para a Biodiversidade - Amazônia - Ronaldo Weigand
Mapa de Áreas Prioritárias para a Biodiversidade - Amazônia - Ronaldo WeigandMapa de Áreas Prioritárias para a Biodiversidade - Amazônia - Ronaldo Weigand
Mapa de Áreas Prioritárias para a Biodiversidade - Amazônia - Ronaldo Weigand
 
Banhado pachecos avifauna_accordi
Banhado pachecos avifauna_accordiBanhado pachecos avifauna_accordi
Banhado pachecos avifauna_accordi
 
Trabalho de B. conservacao.docx
Trabalho de B. conservacao.docxTrabalho de B. conservacao.docx
Trabalho de B. conservacao.docx
 
Artigo bioterra v18_n1_05
Artigo bioterra v18_n1_05Artigo bioterra v18_n1_05
Artigo bioterra v18_n1_05
 
biodiversidade (1).pdf
biodiversidade (1).pdfbiodiversidade (1).pdf
biodiversidade (1).pdf
 

Mnhnl 0001464-mb-doc-web

  • 1. Professor Germano da Fonseca Sacarrão, Museu Bocage. Lisboa. 1994. pp. 167- 199. ESTABELECIMENTO DE PRIORIDADES DE CONSERVAÇÃO DE VERTEBRADOS TERRESTRES A NíVEL REGIONAL: O CASO DA COSTA SUDOESTE PORTUGUESA por JORGE M. PALMEIRIM Departamento de Zoologia e Antropologia. Faculdade de CiSncias. Bloco C2. Campo Grande. 1700 Lisboa. FRANCISCO MOREIRA Rua Prof. João Barreira, 2. 3C, 1600 Lisboa PEDRO BEJA Praceta Moínho da Bôba, Lote 188. 5° Dto, Casal de S. Brás. 2700 Amadora ABSTRACT Conservation priorities of terrestrial Vertebrates at national levei: the case Df Soutwestern coast Df Portugal Conservation priorities established at the international and na- tional leveis are oflen nol applicable aI lhe regional leve!. This paper describes a quantilalive melhodology lo rank species ac- cording lo lhe levei of attention Ihal Ihey deserve in regional conservalion. ln Ihis melhodology lhe species are ranked accord-
  • 2. 168 J. M. Palmeirim, F Moreira & P. Beja ing to two main components: (I) 'the vulnerability, which is cal- culated using biological variables that are related to the fragility of the populations, and (2) the relevance, which reflects the importance of the regional populations at the national and inter- nationaI leveIs, and can also incorporate any particularities af its taxonomy, biogeography, etc. The proposed methodo10gy is here illustrated with the selection of conservation priorities .for South- Western coast of Portugal. RESUMO As prioridades de conservação estabelecidas a nível internacional e nacional não são necessariamente as mais apropriadas para a implementação de medidas de conservação a nível regional. O presente trabalho descreve uma metodologia quantitativa para determinar prioridades de conservação de espécies ao nível re- gional. Nesta metodologia as espécies são ordenadas com base em duas componentes: (I) a sensibilidade, calculada a partir de um con- junto de variáveis biológicas relacionadas com a vulnerabilidade das populações; e (2) a relevância, que reflecte a importância das populações da região no contexto nacional e internacional, e ain- da o seu interesse biogeográfico, sistemático, etc.. A metodologia descrita é aqui ilustrada com a selecção de espécies prioritárias para acções de conservação na costa sudoeste portuguesa. I. INTRODUÇÃO A acção do Homem sobre uma dada região afecta de forma mais ou menos significativa as comunidades naturais que nela ocorrem. A destruição do coberto vegetal, a fragmentação dos habitats, a perturbação, etc., levam a que muitas espécies vejam as suas populações divididas e reduzidas, podendo mesmo ocorrer a sua total extinção. Assim, nos últimos anos, tem-se assistido a uma crescente preocupação no sentido de prever quais as consequências das intervenções humanas sobre as populações animais e vegetais - estudos de impacte - e de organizar espacialmente as intervenções de forma a permitir a conservação destas populações - ordenamento do território. Um factor chave na abordagem das questões regionais de conservação consiste no conhecimento detalhado da biologia, ecologia e vulnerabilidade das espécies existentes nessa região aos diversos tipos de
  • 3. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 169 agressão humana. Se este objectivo é de alguma forma concretizável para um conjunto relativamente reduzido de espécies, é claramente impossível para a totalidade dos taxa que ocorrem numa dada região. Desta forma, as tomadas de decisão no que diz respeito a opções de desenvolvimento e de conservação, confrontam-se na prática com uma escassez de dados de base que permitam prever a sua real repercussão nos sistemas· naturais. Uma possível solução para estes problemas consiste na definição de prioridades de conservação, que tenham em conta simultaneamente a sensibilidade biológica das espécies e a relevância das suas populações na região em estudo. É sobre estas espécies que, em geral, deverá incidir o maior esforço de conservação. Vários sistemas foram já propostos para a definição de prioridades de conservação da fauna de vertebrados (e.g., Hiraldo & Alonso, 1985; Burke & Humphrey, 1987, Millsap et ai., 1990). Nenhum destes sistemas é contudo de aplicação generalizada, devido às características específicas de cada área para a qual o sistema foi desenvolvido e ao tipo de informação biológica existente para as diferentes espécies. Para além disso, estes sistemas foram desenvolvidos para grandes áreas geográficas, sendo pouco apropriados para definir prioridades de conservação a nível regional. Desta forma, procurou-se no presente trabalho, desenvolver um sistema de definição de prioridades de conservação da fauna de vertebrados, que possa ser utilizado a nível regional sobre espécies cuja biologia seja relativamente mal conhecida. Com um sistema de aplicação generalizada deste tipo, pretendeu-se desenvolver um método de trabalho expedito e prático, utilizável em estudos de impacte, planos de orde- namento, desenvolvimento de estratégias regionais de conservação, etc.. O presente sistema de definição de prioridades foi desenvolvido no ãm- bito do plano de ordenamento da Área de Paisagem Protegida do Sudo- este Alentejano e Costa Vicentina (APPSACV) (Palmeirim et ai., 1992). Esta área é adequada para aplicação do sistema, uma vez que é uma região geograficamente restrita, em que a ecologia da maioria das espécies que nela ocorrem é relativamente mal conhecida. A flora, fauna e valor natural da APPSACV foram já descritos por diversos autores (e.g., Ta- vares & Sacarrão, 1960, Palma et ai., 1984, Beja, 1988, Woodell, 1989). Tavares & Sacarrão (1960) foram dos primeiros autores a salientar o grande valor natural do promontório vicentino, integrado na área coberta por este estudo.
  • 4. 170 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja 2. DESENVOLVIMENTO DO 'SISTEMA DE ORDENAÇÃO Um sistema de definição de prioridades de conservação será tanto mais exacto quanto maior for o nível de conhecimentos existente sobre as espécIes nele incluídas. No entanto, um sistema com uma grande exi- gência de informação de base tende a ter uma apJicaç~o restrita. Para o presente sistema de ordenação procurou-se determinar a sensi- bilidade relativa das diferentes espécies através de um conjunto de variá- veis biológicas geralmente disponíveis - fecundidade, idade de primeira maturação, biomassa média individual, nível trófico, etc.. Estudos recentes têm vindo a demonstrar que este tipo de variáveis se correla- cionam com a susceptibilidade para a extinção das espécies, podendo ser utilizadas para prever directa ou indirectamente a sua vulnerabilidade relativa (Laurence, 1991, Tracy & George, 1992). Para além das variáveis destinadas a indicar a sensibilidade das espécies, utilizou-se ainda um conjunto de variáveis destinadas a indicar a relevância das populações da região em estudo no contexto nacional e internacional. Estas variáveis foram definidas com base no pressuposto de que o esforço de conservação de uma dada espécie numa dada região deverá depender não só da sua sensibilidade biológica, mas também da importância relativa que a região tem para a sua conservação. Definiram-se assim os seguintes dois conjuntos de variáveis: i) variáveis que exprimem a sensibilidade das espécies em função das suas características biológicas (ecológicas, demográficas, etc.); li) variáveis que exprimem a relevância das populações em função da representatividade relativa das populações existentes da região no contexto nacional e internacional, e o seu interesse biogeográfico, sistemático, etc.. Cada variável foi dividida em várias categorias, correspondentes a uma pontuação entre O e lO. Para o cálculo dos índices de sensibili- dade e relevância relativas de cada espécie, adicionaram-se os pontos correspondentes às várias variáveis de cada grupo, e dividiu-se o total pelo número de variáveis utilizadas para o seu cálculo. Obteve-se assim uma ordenação das espécies segundo a sua sensibilidade e relevância. Para obtenção das prioridades de conservação, calculou-se um índice biológico, igual à média dos índices de sensibilidade e de relevância. A atribuição das pontuações em algumas das variáveis é de alguma forma subjectiva. No entanto, as imprecisões causadas por esta subjec-
  • 5. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 171 tividade são em grande parte compensadas pela utilização de um grande número de variáveis e de uma certa redundância existente entre elas. A ordenação inicial obtida foi avaliada com base na posição relativa de espécies com vulnerabilidade relativa conhecida. Em função dos resultados obtidos, o sistema foi revisto, tendo sido alteradas algumas variáveis e incluídas outras. Uma vez que se pretendia uma ordenação global de todas as espécies, não se incluíram variáveis apenas com significado para alguns grupos. O índice biológico reflecte conjuntamente a fragilidade biológica das espécies e a importância relativa que têm as populações que ocorrem na região. Este índice não considera o estatuto actual de ameaça das espécies, mas é simplesmente uma medida das características biológicas intrínsecas que poderão potenciar essa ameaça. Assim, para além do índice biológico procurou-se tomar em consideração na hierarquização das espécies o seu estatuto actual de ameaça. Este estatuto foi calculado com base na presença das várias espécies nos livros vermelhos português, espanhol e internacional (UICN). Esta ordenação pretende reflectir o estatuto actual das espécies, a nível global, peninsular e nacional, delineado por outros grupos de especialistas. Para o cálculo deste índice utilizou-se uma metodologia semelhante, constituída por um sistema de pontuações e a determinação final de uma pontuação média. Para além da sensibilidade, relevância e estatuto de ameaça das espécies, um outro factor que poderá ser considerado para a definição de prioridades de conservação consiste na responsabilidade politicamente assumida por Portugal, através da assinatura e ratificação de convenções internacionais, na conservação de algumas espécies. Um índice de responsabilização política foi assim calculado com base no estatuto das espécies em convenções internacionais. Este índice não foi considerado na hierarquização final, uma vez que não reflecte necessariamente realidades biológicas definidas. Contudo, optou-se por calculá-lo a fim de propiciar um elemento adicional em processos de tomada de decisão, e também com o intuito de verificar qual a relação entre o estatuto das espécies definido biológica e politicamente. A hierarquização final das espécies foi obtida considerando o valor do índice biológico para todas espécies com um estatuto de ameaça superior a 0, i.e., excluíram-se da ordenação todas as espécie que figuram em todos os livros vermelhos com o estatuto de não ameaçadas.
  • 6. 172 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja Contudo, incluiu-se na ordenação o pombo-das-rochas (Columba livia), espécie que apesar de não preencher este requisito, é frequentemente considerada ameaçada por degenerescência do património genético (Johnston et aI., 1988, Ragionieri et aI., 1991). 2.1 Selecção das espécies Para a ordenação, seleccionaram-se todas as espécies de vertebrados terrestres que se sabe ocorrerem regularmente na APPSACV (n = 291; Apêndice), incluindo os peixes dulciaquícolas e migradores anfibióticos, mas excluindo as aves pelágicas [Procellariformes, ganso-patola (Sula bassalUl), etc.] e os mamíferos marinhos. O inventário faunístico foi efectuado essencialmente com base em Beja (1988), mas também em observações de campo mais recentes. Consideraram-se como de ocorrência regular todas as espécies residentes e todas as espécies invernantes ou migradoras em que pelo menos 2 indivíduos são observados anualmente na APPSACV. Com este critério, pretendeu-se excluir espécies de ocorrência acidental, para as quais o significado da APPSACV para a sua conservação é muito reduzido. Apesar da escassez de dados existentes, não se excluíram no entanto algumas espécies que se suspeita ocorrerem regularmente em número apreciável, mas para as quais se pensa existirem deficiências na cobertura efectiva dos seus locais de ocorrência durante os períodos adequados (e.g., maçarico-bastardo Tringa glareola, melro-das-rochas Monticola saxatilis, melro-de-peito- -branco Turdus torquatus, etc.). Em relação aos morcegos, na APPSACV apenas os cavernícolas têm sido estudados com regularidade, pelo que a grande maioria das espécies não cavernícolas não foram ainda referenciadas nesta área. Para obstar a esta falta de informação, decidiu-se incluir 4 espécies de quirópteros ainda não recenseados (morcego-anão Pipistrellus pipistrellus, morcego- -de-Kuhl P. kuhli, morcego-hortelão Eptesicus serotinus e morcego- -orelhudo-cinzento Plecotus austricus), mas cuja ocorrência na APPSACV é quase certa, uma vez que são espécies comuns, de distribuição alargada em todo o país (Palmeirim, 1990) e foram observados próximo da APPSACV (Rodrigues & Palmeirim, com. pess.). Incluiu-se também na ordenação o airo (Uria aalge), o toirão (Turnix sylvatica) e o lince (Lynx pardina), apesar de a primeira espécie estar extinta como nidificante na APPSACV (Teixeira, 1984), e em relação às
  • 7. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 173 outras duas não haver observações confirmadas recentes quanto à sua ocorrência nesta área. O toirão está provavelmente extinto no nosso país (Rufino, 1989), sendo contudo de ter em consideração a possibilidade de que ainda ocorra de forma restrita em algumas áreas de habitat adequado. O lince é uma espécie de baixa detectabilidade, especialmente em áreas de baixa densidade populacional, sendo a sua ocorrência· na APPSACV bastante provável, dada a existência de habitat aparentemente favorável, e à presença na Serra do Espinhaço de Cão de uma pequena população residual (Palma, 1978). Pegadas de lince foram recentemente detectadas numa zona adjacente à APPSACV, perto da aldeia da Vilarinha (palma, com. pess.). A inclusão destas espécies ficou a dever-se, em todos os casos, à necessida- de de serem consideradas em qualquer plano de gestão e ordenamento da APPSACV, apesar dos conhecimentos insuficientes que sobre elas existem. Para a determinação das variáveis, não foram consideradas .entidades taxon6micas inferiores à espécie. 2.2 Descrição das variáveis Os critérios de cálculo das variáveis utilizadas são indicados na ta- bela 1 e figura I. No conjunto utilizaram-se as 16 variáveis apresentadas seguidamente, sendo indicados exemplos de cálculo nalguns casos em que os critérios poderiam suscitar dúvidas de interpretação. Os dados utilizados para o cálculo das variáveis foram obtidos em bibliografia demasiado extensa para ser citada neste trabalho e, pontualmente, em informações prestadas por especialistas de alguns grupos faunísticos. escrita. Sensibilidade Para a determinação da ordenação correspondente à sensibilidade das espécies utilizaram-se sete variáveis. i) Tendência global da população - Esta variável considera a ten- dência actual ou recente das populações de uma espécie, quer em número de indivíduos, quer em área de distribuição, para o conjunto da sua área de distribuição europeia. As pontuações foram dadas consoante a espécie esteja em declínio, estável ou em aumento, e consoante esta tendência seja bem conhecida ou apenas suspeitada. Espécies como o falcão- peregrino (Falco peregrinus), que sofreram a partir dos anos 40 e até aos
  • 8. Índice Biológico Sensibilidade Relevância Estatuto de ameaça I 1. Tendência global 1. Distribuição 1. Estatuto no da população Global Livro Vermelho 2. Tendência da 2. Distribuição em Português população Portugal 2. Estatuto no em Portugal 3. Período de Livro Vermelho 3. Concentração da ocorrência Espanhol população 4. Singularidades 3. Estatuto no 4. Potencial reprodutor Livro Vermelho a) Fecundidade da UICN b) Idade de primeira maturação 5. Especialização do habitat 6. Nível trófico 7. Biomassa média individual Fig. I - Representação esquemática da metodologia descrita. Índice de ~esponsabilização Politica 1. Convenção de Bona 2. Convenção de Berna -~ ;.. ~ ~ ~ '"::;. ~. :>l ~ ii! ~. Ro ~ ~ ~. "
  • 9. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 175 TABELA 1 - CR1TÉRlOS PARA CÁLCULO DAS VARIÁVEIS UTILIZADAS NO ESTABELECIMENTO DE PRlORlDADES DE CONSERVAÇÃO DA FAUNA. VARIÁVEIS BIOLÓGICAS Sensibilidade 1. Tendência Global da População a) População em decréscimo 10 b) Tendência desconhecida, mas população possivelmente em decréscimo 8 c) A população esteve em decréscimo. mas actualmente está estável ou em aumento 6 d) Tendência desconhecida 3 e) População estável ou presumivelmente estável 2 !J População em aumento O 2 Tendência da População em Portugal Critérios idênticos aI) 3. Concentração da População a) Concentra-se em poucos sítios b) Concentra-se em pequeno número em muitos sítios c) Não se concentra 4. Potencial Reprodutor !O 5 O (i) Fecundidade (Número médio de crias/ovos por fêmea adulta por ano) a) < 2 b) 2 - !O c) !O - 100 ti) > 100 (ii) Idade de Primeira Maturação a) > 3 anos b) 2 - 3 anos c) I ano ti) < I ano 5 3 1 O 5 3 I O
  • 10. 176 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja TABELA I (Continuação) 5. Especialização do Habitat a) Espécie muito especializada, dependente de biótopos pouco abundantes b) Nem (a) nem (c) c) Espécie plástica, ou dependente de biótopos abundantes 6. Nfvel Tr6fico a) Carnívoros b) Misto I (Camívoros+lnsectívoros) c) Insectívoros ál Misto II (Insectívoros+Herbívoros) e omnívoros e) Herbívoros 7. Biomassa Média Individual a) Mais que 10 Kg b) 6 - lO Kg c) 3 - 6 Kg ál1.5-3Kg e) 0.8 - 1.5 Kg j) 0.4 - 0.8 Kg g) 0.2 - 0.4 Kg h) 0.1 - 0.2 Kg i) 0.05 - 0.1 Kg j) 0.025 - 0.05 Kg l) Menor que 0.025 Kg Relevância .1. Distribuição Global a) Península Ibérica b) Península Ibérica + sul de França c) Menos de 30% da Europa ál Distribuição alargada 2 Distribuição em Portugal a) Localizada b) Menos de 1/3 do País lO 5 O lO 8 5 3 O 10 9 8 7 6 5 4 3 2 I O lO 8 4 O 10 6
  • 11. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 177 c) 1/3 a 2/3 do País tI) Mais de 2/3 do País 3. Per{odo de ocorrência a) Residente b) Estivante c) Invernante tI) Migrador e) Acidental 4. Singularidades TABELA I (Continuaçilo) a) Existência de singularidade b) Inexistência de singularidades ESTATUTO ACTUAL DE AMEAÇA 1. Estatuto no Livro Vermelho Português a) Espécie em perigo (E) b) Espécie vulnerável (V) ou Indeterminada (I) c) Espécie rara (R) tI) Espécie insuficientemente conhecida (K) e) Espécie não ameaçada (NA) 2 Estatuto no Livro Vermelho Espanhol Critérios idênticos aI) 3. Estatuto no Livro Vermelho da UICN Critérios idênticos a I) CONVENÇÕES INTERNACIONAIS 1. Convenção de Bona a) Incluída na Convenção b) Não incluída na Convenção 2 Convenção de Berna a) Incluída no Anexo II da Convenção b) Incluída no Anexo III da Convenção c) Não Incluída na Convenção 3 O lO 8 4 2 O lO O lO 8 6 3 O lO O lO 4 O
  • 12. 178 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja anos 70 um forte declínio motivado pela contaminação com DDT, e consequente diminuição do potencial reprodutor (Ratcliffe, 1970), mas que actualmente se encontram em franca recuperação (Palma et aI., 1993) receberam para esta variável 6 pontos (Categoria c: a população esteve em declínio mas actualmente está estável ou em aumento). ii) Tendência da população em Portugal - Esta variável difere da anterior, por dizer apenas respeito às populações portuguesas. As tendências das populações da maioria das espécies são mal conhecidas em Portugal, existindo poucos estudos que documentem com detalhe a sua evolução. Assim, para todas as espécies para as quais estudos populacionais não existiam, utilizaram-se as tendências indicadas nos Livros Vermelhos dos vertebrados portugueses (SNPRCN, 1990, 1991). A pontuação máxima foi dada a espécies como a águia-pesqueira (Pandion haliaetus), com uma regressão acentuada e bem documentada no nosso país (Palma, 1984) (Categoria a: população em decréscimo). iii) Concentração da população - Esta variável foi definida assumindo que espécies cujas populações se concentram numa dada fase do seu ciclo de vida (reprodução colonial, dormitórios, migrações, etc.), são mais vulneráveis do que espécies que .não têm tendência a concentrar-se. Para espécies migradoras, a concentração da população foi determinada para o período em que a espécie ocorre na região estudada. Assim, espécies como a garça-boieira (Bubulcus ibis) e o morcego-de- -peluche (Miniopterus schreibersii) que se concentram em grandes colónias durante a época de reprodução, foram classificados para esta variável com a pontuação máxima (Categoria a: concentra-se em poucos sítios). Com 5 pontos (Categoria b: concentra-se em pequeno número em muitos sítios) foram classificadas por exemplo espécies que formam muitas colónias de criação, cada qual com um número reduzido de indivíduos em relação à população total existente numa dada área - e.g., cegonha-branca (Ciconia ciconia) e pombo-das-rochas (Columba livia). Espécies em que toda a população de uma área utiliza locais confinados para a sua reprodução - caso dos peixes e anfíbios -, e espécies que nas suas áreas de invernada tendem a concentrar-se em áreas limita- das - e.g., limícolas - receberam também 5 pontos. iv) Potencial reprodutor - A probabilidade de extinção de uma dada espécie depende, em grande medida, dos seus parâmetros populacionais (fecundidade, longevidade, idade de .' maturação, mortalidade, etc.), sen-
  • 13. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 179 do estes parâmetros utilizados frequentemente para prever as flutuações populacionais a que as espécies estão sujeitas e a possível influência do Homem sobre estas flutuações (Smies, 1983a,b). No entanto, a disponibi- lidade de dados populacionais detalhados é sempre muito reduzida, pelo que, para o presente sistema se optou por utilizar apenas dois parâmetros geralmente disponíveis: (1) fecundidade e (2) idade de primeir" matu- ração. A cada uma destas sub-variáveis foi atribuído um valor máximo de 5 pontos. Para o cálculo da primeira sub-variável, a fecundidade, consi- derou-se o número de descendentes potenciais (ovos ou crias) produzidos anualmente por cada fêmea. Para espécies cujos indivíduos têm potencial para se reproduzirem mais de uma vez por ano, como por exemplo certos passeriformes, considerou-se a totalidade de descendentes produzidos e não a dimensão média de cada ninhada. A pontuação máxima para esta sub-variável é dada para espécies com o menor potencial reprodutor. A segunda sub-variável (2) é determinada com base na idade média de primeira maturação das fêmeas. Espécies com uma pequena idade de primeira maturação são as menos pontuadas nesta sub-variável. v) Especialização do habitat - Esta variável mede as exigências das espécies em relação a biótopos específicos. Considera-se que espécies estritamente dependentes de biótopos pouco abundantes são mais vulneráveis que espécies também especializadas, mas dependentes de biótopos abundantes. Tal como para a variável (iii), considera-se para a determinação da especialização do habitat o período em que a espécie ocorre na região estudada. O cálculo desta variável foi seriamente limitado.pela escassez de dados disponíveis sobre a maioria das espécies. Assim, considerou-se com a pontuação máxima (Categoria a: espécie muito especializada dependente de biótopos pouco abundantes) espécies como a gralha-de-bico-verinelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), para as quais existem estudos que inequivocamente demonstram a sua ligação estrita a um tipo de biótopo particular (Farinha, 1991). Espécies ligadas a biótopos mais abundantes (e.g., zonas húmidas, montados, etc.) foram classificadas na categoria intermédia (Categoria b: nem a nem c). vi) Nível tr6fico - Esta variável mede a posição da espécie nas cadeias alimentares. Considera-se que as espécies são em média tanto mais vulneráveis .quanto mais alta for a sua posição nas cadeias alimen- tares. Esta suposição prende-se com a existência de efeitos de bio-acumu- lação de poluentes ao longo das cadeias alimentares (e.g., Hernández et
  • 14. 180 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja ai., 1985), e com o facto de as espécies que ocupam o topo das cadeias alimentares terem em geral densidades populacionais mais baixas que espécies a níveis tróficos intermédios e inferiores (Peters, 1983). vii) Biomassa média individual - Espécies com maiores dimensões têm tendência a necessitar de maior quantidade de recursos, ocupar maiores áreas vitais e ocorrer em menores densidades. (Peters, 1983, Carrascal & Telleria. 1991). e portanto serem mais susceptíveis à extinção (Brown & Nicoletto. 1991). Uma vez que dados sobre a extensão de áreas vitais e densidade não existem para a maioria das espécies. e que estes são parâmetros importantes a ter em conta quanto se pretende determinar a sua vulnerabilidade. utilizou-se a biomassa média individual como parâmetro indicador. Considerou-se assim que espécies com maior biomassa média individual têm maior vulnerabilidade do que espécies com menor biomassa. Relevância Para a ordenação correspondente à relevância das espécies utiliza- ram-se quatro variáveis. Estas variáveis pretendem traduzir a importân- cia relativa da região para a conservação das populações nacionais e euro- peias das várias espécies. Inclui igualmente uma variável que indica se as populações que ocorrem na região apresentam alguma característica sistemática. biogeográfica. ecológica. etc.• de particular interesse. Para as espécies migradoras as variáveis relacionadas com a distribuição geo- gráfica são calculadas para o período em que a espécie ocorre na região estudada. i) Area de distribuição global - Esta variável assume que a relevância de uma população que ocorre na APPSACV é tanto maior quanto menor for a distribuição europeia da espécie. Por exemplo. considera-se mais relevante o tritão-de-ventre-Iaranja (Triturus boseai), que devido a ser endémico da região Ocidental da Península Ibérica (Oliveira & Crespo. 1989) é cotado com 10 pontos (categoria I: espécie exclusiva da Península Ibérica). do que a salamandra (Salamandra salamandra), cuja distribuição generalizada em toda a Europa (Oliveira & Crespo. 1989) implica uma relevância mais reduzida da população existente na APPSACV. sendo portanto esta espécie cotada com O pontos (categoria 4: espécie com distribuição alargada na Europa).
  • 15. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 181 il) Area de distribuição em Portugal ~ Uma espécie para a qual a APPSACV constitua uma fracção importante da área de distribuição é mais relevante que uma espécie com uma distribuição generalizada no país. Assim, a águia-pesqueira (Pandion haliaetus), cuja totalidade da população nidificante portuguesa ocorre na APPSACV, é cotada para esta variável com a pontuação máxima (10 pontos; categoria 1: espécie com distribuição localizada), apesar de durante o Inverno a espécie ocorrer em todo o país. iii) Período de ocorrência - Valores mais elevados para esta variável foram dados a espécies residentes ou estivantes na área, como por exem- plo o falcão-peregrino (Falco peregrinus) (10 pontos; categoria a: espécie residente) ou o peneireiro-de-dorso-liso (Falco naumanni) (8 pontos; categoria b: espécie estivante), sendo os valores inferiores dados a espé- cies que não se reproduzem na área, como por exemplo o esmerilhão (Falco columbarius) (4 pontos; categoria c: espécie invernante) ou o falcão-da- rainha (Falco eleonorae) (2 pontos; categoria d: espécie migradora). iv) Singularidades - Esta variável foi incluída, devido a reconhecer-se que determinadas espécies têm um interesse científico ou conservacio- nista particular (10 pontos; categoria I : espécies que apresentam na região estudada populações com características singulares relevantes), devido às suas características genéticas, sistemáticas, biogeográficas, etc., ou por apresentarem adaptações ecológicas particulares, sendo por isso de especial relevância as populações que ocorrem na APP. Foram incluídas nesta categoria, a cegonha-branca (Ciconia ciconia), cuja população nidificante na APPSACV é a única conhecida que utiliza falésias marítimas como locais de construção do ninho (Palma et ai., 1984), o pombo-das-rochas (Columba livia), cujas populações naturais se encontram em grave risco por degenerescência do património genético devido a cruzamento com formas domésticas (Jonhston et aI., 1988), e que na APPSACV parece ainda apresentar uma pureza considerável, pelo menos fenotípica (Palma, com. pess. ), e a lontra (Lutra IUlra), que na APPSACV ocorre em meio marinho (Beja, 1989), sendo a população mais meridional que ocupa este biótopo invulgar para a espécie. Estatuto de ameaça Para o cálculo desta variável, utilizou-se o estatuto com que as várias espécies são referidas pelos Livros Vermelhos dos Vertebrados de Portugal,
  • 16. 182 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja Espanha e V.I.C.N.. Com estes três Livros Vennelhos, procurou-se consi- derar a situação das espécies a nível nacional, peninsular e internacional. Para efeitos de cálculo das pontuações, as categorias vulnerável (V) e indeter- minado (I) foram consideradas em conjunto, tendo-se-Ihes atribuído o valor 8 (Tabela 1). Esta opção foi tomada, uma vez que a categoria indeter- minado é dada a espécies presumivelmente ameaçadas, .vulneráveis ou raras (SNPRCN, 1991), tendo-se decidido atlibuir-lhe um valor intennédio. Índice de responsabilização política Para o cálculo do índice de responsabilização política utilizaram-se as Convenções de Bona e de Berna. Outras convenções e directivas de âmbito mais restrito (e.g., Directiva Aves) não foram utilizadas devido a sobrevalori- zarem a irnportãncia de certos grupos taxonómicos, nomeadamente as aves. 3. AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE ORDENAÇÃO Qualquer método de ordenação é de certa fonna imperfeito, urna vez que se baseia em conhecimentos biológicos e ecológicos incompletos, e porque as variáveis utilizadas nem sempre se correlacionam linearmente com a proba- bilidade de extinção das populações. Para além disso, o facto de se conside- rarem simultaneamente espécies pertencentes a grupos taxonómicos muito distintos, com características biológicas diferenciadas, faz com que as variá- veis utilizadas possam não ter significado idêntico para todos os grupos con- siderados. Por exemplo, para espécies de igual biomassa, as aves tendem a apresentar menores densidades que outros grupos animais (Carrascal & Telleria, 1991), pelo que a variável (vii) - biomassa média individual - poderá tender a subestimar a sensibilidade relativa desta Classe. Para além dos factores biológicos intrínsecos das espécies, a probabi- lidade de extinção poderá estar também dependente das fonnas de utili- zação dos recursos naturais pelo Homem (Burke & Humphrey, 1987). Por exemplo, espécies com elevado valor cinegético ou que tendam a ocorrer preferencialmente em zonas muito utilizadas pelo Homem, como é o caso do litoral, tendem a apresentar maiores probabilidades de extinção. Apesar das dificuldades inerentes aos métodos de ordenação, é contudo cada vez mais necessário estabelecer objectivamente prioridades relativas de conservação, uma vez que, com ou sem conhecimentos biológicos detalhados, as opções de desenvolvimento têm que ser
  • 17. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 183 tomadas quase diariamente. Os métodos 'de ordenação surgem assim como uma solução expedita, para a articulação da informação biológica disponível a cada momento e seu processamento sob uma forma facilmente utilizável por planeadores e gestores do ambiente. Neste quadro, o método desenvolvido neste trabalho parece ser eficaz, tendo produzido bons resultados como um dos elementos de base do plano de ordenamento de uma área protegida (APPSACV). ' . 3.1 Aplicação do sistema de ordenação Inter-relações entre as variáveis Para compreender a forma como cada variável contribui para a orde- nação final, calcularam-se as correlações ordinais de Spearman como medida de associação entre as variáveis utilizadas, e entre estas e os índices de sensibilidade, relevãncia e biológico (Tabela 2). Não foram observadas correlações muito elevadas (r,>0.5) entre as variáveis utilizadas. Os valores mais elevados foram observados entre o índice de sensibilidade e as seguintes variáveis: biomassa média individual (r,=O.57), idade de primeira maturação (r,=O.63), tendência global da população (r,=O.53), tendência da população em Portugal (r,=0.55) e nlvel trófico (r,=0.59). Foi também observada uma correlação elevada entre os índices de sensibilidade e relevância (r,=0.54). Ordenação das espécies A ordenação das espécies existentes na APPSACV é apresentada na ta- bela 3. Nesta tabela, apenas são indicadas as 50 espécies com maior índice biológico, uma vez que são estas que em geral deverão ser consideradas prio- ritariamente em estudos de impacte, planos de ordenamento, estratégias de conservação, etc. Em conjunto com O índice biológico são também indicados na tabela 3 o estatuto de ameaça e o índice de responsabilização política. Os resultados da aplicação do método sobre os dados reais da APPSACV parecem sugerir que a hierarquização de prioridades reflecte bem a sensibilidade e relevãncia relativas das várias espécies ao nível regional estudado. Assim, as quatro espécies que estão extintas ou praticamente extintas na APPSACV ( Uria aalge, Lynx pardina, Pandion haliaetus e Turnyx sylvatica), são aquelas que apresentam os quatro
  • 18. TABELA 2 - MATRIZ DE CORRELAÇÃO ORDINAL DE SPEARMAN ENTRE AS VARIÁVEIS ESTUDADAS: CONC - Concentração da população; DGLOB Distribuição global; DPOR - Distribuição em Portugal; FEC - Fecundidade; HAB Especialização do habitat; MAT - Idade de primeira maturação; OCO - Período de Ocorrência; TGLO Tendência populacional global; TPOR - Tendência populacional em Ponugal; TROF - Posição na cadeia trófica; BIOL - indice Biológico; RELE - Relevância; SENS - Sensibilidade.' - p<O.OI (n=29I). CONC 0.14' OGLO -0.06 O.OS OPOR 0.13 0.22' 0.21 ' FEC 0.10 -0.03 -0.11 0.12 HAB -0.06 0.27' 0.05 0.33' 0.17' MAT 0.2S" 0.41" 0.22" 0.03 O.OS 0.21' OCO -0.11 0.05 0.06 -0.24' -0.21' -0.26' 0.00 TGLO 0.14' -0.01 -0.05 0.01 0.15' 0.15' O.IS' -0.05 TPOR 0.21' 0.02 -0.01 0.05 O. IS' 0.24' 0.20' -0.04 0.56' TROF 0.35' -0.04 0.04 -0.04 0.24' 0.00 0.44' -0.16' 0.2S' 0.33' BIOL 0.40' 0.50' 0.45' 0.3S' 0.16' 0.32' 0.5S' 0.22' 0.41' 0.44' 0.40' RELE 0.2S' 0.11 0.00 0.20" 0.27' 0.34" 0.27' -0.13 O.4S" 0.50' 0.29' 0.45' SENS 0.57' 0.49' 0.06 0.24' 0.31" 0.43' 0.63' -0.16' 0.53' 0.55' 0.59" 0.79' 0.54' BIOM CONC OGLO OPOR FEC HAB MAT OCO TGLO TPOR TROF BIOL RELE -00 .j>. ~ il: ~ 3 '" ~: :>l ~ ~ ~. Ro ~ to ~,,.
  • 19. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 185 maiores valores de índice biológico (Tabela 3). Para além disso, das 10 espécies ordenadas nos primeiros lugares, 5 são consideradas ameaçadas (E) e 3 vulneráveis (V) no livro vermelho dos vertebrados terrestres portugueses (SNPRCN, 1990). Desta forma, o sistema parece indicar satisfatoriamente espécies com estatuto crítico. A fim de verificar se o sistema também ordena satisfatoriamente espécies com estatuto de conservação menos crítico, comparou-se o índice biológico e o estatuto de ameaça dessas espécies definido pelo Livro Vermelho dos Vertebrados Portugueses (SNPRCN, 1990, 1991). Para isso, calculou-se a correlação ordinal de Spearman entre o índice biológico e o valor que reflecte o estatuto de ameaça no re- ferido Livro Vermelho e graficou-se o valor mediano do índice biológico em função do estatuto de ameaça (Figura 2). Em ambos os casos veri- fica-se que as espécies com um maior estatuto de ameaça tendem a apresentar maiores valores do índice biológico (r,=0.40, n=291, p<O.OOI). Estes resultados corroboram a robustez da metodologia aplicada na ordenação das espécies; as prioridades de conservação devem estar relacionadas com o estatuto das espécies, mas não ser por ele inteiramente determinado, uma vez que devem também reflectir as especificidades regionais das populações das espécies consideradas. As espécies definidas como de conservação prioritária apresentam índices de responsabilização política elevados. No entanto, fica claro da análise da tabela 3, que algumas espécies que não são consideradas prioritárias em convenções internacionais podem merecer, pelo menos a nível regional, um estatuto de conservação importante. 3.2 Limitações do método Apesar dos aparentes bons resultados obtidos com a aplicação do presente método, há que ter em conta as dificuldades inerentes a qualquer método objectivo de estabelecimento de prioridades de conservação. Com efeito, a qualidade dos resultados depende em grande medida dos seguintes aspectos: i) rigor da informação biológica disponível; ii) relação entre as variáveis utilizadas e a probabilidade de extinção das espécies; iii) peso relativo das diferentes variáveis;
  • 20. o u .-Ol} 'o...... o .-~ il) u .--o ~ ....... 7 6 5 4 3 2 1 O NA K R V/I E Estatuto Fig. 2 - Mediana e distância inter-quartis do Índice Biológico em função do estatuto de ameaça das espécies no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. NA - Não ameaçadas (0=216); K - Insuficientemente conhecidas (n~18); R - Raras (n~21); VII - Vulneráveis ou Indeterminadas (n~24); E - Em Perigo (n~12). -00 O- ~ ~ ~ ~~. ... ~. :">l ~ ~ ~. R- :" b:l ~ ",'
  • 21. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 187 TABELA 3 - PRIORIDADES DE CONSERVAÇÃO DA FAUNA DA APPSACV. fndice Estatuto índice Biológico Ameaça Político Uria aalge 8.0 3.3 2 Lynx pardina 6.9 10.0 5 Pandion haliaetus 6.9 6.7 10 Turnix sylvatica 6.5 6.0 5 Ciconia ciconia 6.4 5.3 10 Lutra Zurra 5.9 6.3 5 Rhinolophus mehelyi 5.9 4.3 10 Pyrrhocorax pyrrhocorax 5.7 2.7 5 Falco naumanni 5.4 7.3 10 Myotis blythii 5.4 6.0 10 Alosa fallax 5.4 5.3 2 Barbus sclateri 5.2 4.0 2 Chondrostoma lusitanicum 5.2 4.0 2 Myotis myotis 5.1 8.7 10 Miniopterus schreibersii 5.0 5.3 10 Vipera latastei 5.0 2.7 5 Circaetus gallicus 5.0 2.0 10 Aquila adalberti 4.9 10.0 10 Neophron percnopterus 4.9 5.3 10 Porzana pusilla 4.9 5.3 5 Myotis nattereri 4.9 4.3 10 Hieraaetus fasciatus 4.9 4.0 10 Rhinolophus ferrumequinum 4.8 6.0 10 Bubo bubo 4.8 4.0 5 Accipiter nisus 4.8 3.7 10 Apus melba 4.8 2.0 5 Calandrella rufescens 4.8 1.0 5 Macroprotodon cuccullatus 4.8 1.0 2 Rhinolophus hipposideros 4.7 6.0 10 Falco peregrinus 4.7 4.0 10 Emys orbicularis 4.7 2.0 5 Hemydactylus turcicus 4.7 1.0 2 Gyps fulvus 4.6 4.7 10 Tetrax tetrax 4.6 4.0 5 Microtus cabrerae 4.5 4.7 2 Sterna sandvicensis 4.5 2.7 5
  • 22. 188 J. M. Palmeirim. F. Moreira & P. Beja TABELA III (Continuação) índice Estatuto índice Biológico Ameaça Político Burhinus oedicnemus 4.4 2.0 10 Ardea purpurea 4.3 5.3 5 Elanus caeruleus 4.3 4.0 10 Circus pygargus 4.2 5.3 10 Corvus corax 4.2 2.7 2 Falco eleonorae 4.2 2.0 10 Prunel/a col/aris 4.1 2.0 5 Ciconia nigra 4.0 6.7 10 Ixobrychus minutus 4.0 2.7 5 Botaurus stellaris 3.9 6.7 5 Streptopelia turtur 3.9 5.3 2 Felis silvestris 3.8 5.3 5 Numenius arquata 3.7 3.3 7 Pipistrellus savii 3.7 2.0 10 iv) existência de factores de pressão humana directos sobre as espécies. independentes das características biológicas e que aumentem a sua probabilidade de extinção. Desta forma. recomenda-se que: i) a ordenação seja aferida com base na opinião de especialistas dos diversos grupos taxonómicos. devendo ser sujeitas a uma análise mais detalhada espécies com baixa prioridade de conservação consideradas pelos especialistas como ameaçadas; ii) a ordenação deverá ser efectuada com base em informação actualizada. de forma a enquadrar nova informação biológica tornada disponível e a eventual mudança de estatuto das espécies. Apesar das vantagens dos métodos de ordenação. o estabelecimento de prioridades de conservação a nível regional deverá sempre ter em conta um conhecimento tão detalhado quanto possível das espécies e das regiões a que se aplica. AGRADECIMENTOS Desejamos desta forma expressar o nosso agradecimento a todos os que nos ajudaram a recolher a grande quantidade de informação
  • 23. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 189 necessária à realização deste trabalho, em especial ao Dr. Luís Palma, que nos 'cedeu dados pessoais que recolheu ao longo dos anos e ao Gonçalo Oliveira, que participou na realização do Plano de Ordenamento da APPSACV. Agradecemos também à Dr.' Filomena Magalhães e aos Drs. António Mira, Octávio Paulo e João Gil a colaboração prestada na recolha de dados sobre alguns grupos de vertebrados. REFERÊNCIAS BEJA, P. (1988) - Flora e Fauna da Costa Sudoeste. Relatório não publicado para a Liga para a Protecção da Natureza, Lisboa. 234 pp. BEJA, P. (1989) - Coastal otters in southwest Portugal. I.U.G.N. Oller Specialist Group Bulletin. 4: 2-7. BURKE, R.L. & HUMPHREY, S. R. (1987) - Rarity as a criterion for endangerment in Florida's fauna. Oryx, 21: 97-102. BROWN, J. H. & NICOLEITO, P. F. (1991) - Spatial scaling of species composi- tioo: body masses of north american land mammals. American Naturalist, 138: 1478-1512. CARRASCAL, L. M. & TELLERÍA, J.L. (1991) - Bird size and density: a regional approach. American Na/uraUsl, 138: 777-784. FARINHA, J. C. (1991) - Medidas urgentes para a conservação da Gralha-de-bico- -vermelho Pyrrhocorax pyrrhocorax em Portugal. Estudos de Bfo[ogia e Conservação da Natureza, 2: 1-47. HERNÁNDEZ, L. M., GONZALÉZ, M. J., RICO, M. C., FERNANDÉZ, M. A. & BALUJA, G. (1985) - Presence and biomagnification of organochlorine pollu- tants and heavy metais in mammasls of Donana National Park (Spain), 1982- -1983. J. Environmental Science and Health. 820: 633-650. HIRALDO, F. & ALONSO, J. C. (1985) - Sistema de indicadores faunisticos (Vertebrados) aplicable a la planificacion y gestion dei medio natural en la Peninsula Iberica. Naturalia Hispanica, 26: 1-32. JOHNSTON, R. F., SIEGEL-CAUSEY, D & JOHNSON, S. (1988) - European populations of the Rock Dove Columba livia and Genotypic extinction. Am. Midl. Nat.. 120: 1-10. LAURENCE, W. F. (1991) - Ecological correlates of extinction proneness in Aus- tralian tropical rain forest mammals. Conservation Biology, 5: 79-89. MILLSAP, B. A., GORE, 1. A., RUNDE, D. E. & CERULEAN, S. I. (1990) - Set- ting priorities for the conservarion of fish and wildlife species in Florida. Wildl. Monagraphs, 111: l-57. OLIVEIRA, M. E. & CRESPO, E. G. (1989) - Atlas da distribuição dos Anflbios e Répteis de Portugal Continental. SNPRCN, Lisboa. PALMA, L. (1978) - Sobre a distribuição, ecologia e conservação do lince ibérico em Portugal. I Reunion [beroam. Zool. Vert.: 569-586.
  • 24. 190 J. M. Palmeirim, F Moreira & P. Beja PALMA. L. (1984) - A avifauna nidificante na costa rochosa do sul de Portugal. 11 Reunion lberoam. Zool VerL: 206-221. PALMA, L., COSTA, A. S. & FONSECA, L. C. (1984) - Importância natural e conservação da costa SW portuguesa. BoI. Lig. Prol. Nal., (3.' série), 18: 59-75. PALMA, L., ONOFRE, N. & POMBAL, E. (1993) - Revised distribution and status of birds of prey in Portugal. Relatório não publicado. PALMEIRIM, J. (1990) - Bats of Portugal: zoogeography and sy.st~matics. Miscell. Publ. kansas Univ. Mus. Nat. Hisl., 82: 53 pp. PALMEIRIM, 1., BEJA, P., OLIVEIRA, G. & MOREIRA, F. (1992) - Plano de Ordenamento da Área de Paisagem Protegida do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Fauna. Relatório não publicado. PETERS, R. H. (1983) - The ecological implicalions of body size. Cambridge stu- dies in Ecology. Cambridge. RATCLIFF.E, D. A. (1970) - Changes attributable to pesticides in egg breakage, break-age frequency and eggshell thickness in some British Birds. J. App/. Eco/. 7: 67-115. RAGIONIERI, L., MONGONI, E. & BALDACINI, N. E. (1991) - Problemi di conservazione in una popolazione di colombo selvatico (Columba livia /ivia Gmelin) della Sardegna. Ricerche di Biologia della Selvaggina, 18: 35~46. RUFINO, R. (1989) - Atlas das aves que nidificam em Portugal Continental. CEMPA. Serviço Nacional de Parques Reservas e Conservação da Natureza. Lisboa. SMIES, M. (1983a) - Simulation of small bird populations. L Development of a stochastic model. Ecological ModeIling, 20: 259277. SMIES, M. (1983b) - Simulation of small bird populations. II. Reduced breeding in two british raptor species. Ecological ModeIling, 20: 279~296. SNPRCN (1990) - Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Vol I - Mamiferos, Aves, Répteis e Anjfbios. SNPRCN, Lisboa. SNPRCN (1991) - Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Voi II ~ Pei;us dulciaqufcolas e migradores anfibi6ticos. SNPRCN, Lisboa. TAVARES, C. N. & SACARRÃO, G.F. (1960) - A protecção da natureza em Sa- gres - S. Vicente, seu interesse e urgência. Protecção da NatureZA 3/4: 18 pp. TEIXEIRA, A. M. (1984) - Aves marinhas nidificantes no litoral português. Boi. Liga Prol. Nal.. 3.' série, 18: 105-115. TRACY, C. R. & GEORGE, T. L. (1992) - On the determinants of extinction. Ameri~ can Naturalist, 139: 102~122. WOODEL, S. R. J. (1989) - Cape St Vincent and the Sagres Peninsula, Portugal: important biological sites under tbreat. Environmenral Conservation, 16: 33~39 .
  • 25. Prioridades Ife conservação de vertebrados terrestres 191 APÊNDICE LISTA DOS TAXA CONSIDERADOS PARA O ESTABELECIMENTO DE PRIORIDADES DE CONSERVAÇÃO DA FAUNA NA APPSACV OSTHEICHTYES Anguilliformes Anguilla anguilla Clupeiformes Alosa fal/ax Cypriniformes Barbus selater; Carassius auratus Carassius carassius Chondrostoma lusitanicum Cyprinus carpia Leuciscus pyrenaicus Cobitis maroccana Cyprinodontiformes Gambusia holbrooki Gasterosteiformes Gasterosteus aculeatus Perciformes Lepomis gibbosus Micropterus salmoides AMPHIBIA Caudata Pleurodeles waltl Salamandra salamandra Triturns bascai Triturus marmoratus Taxa Enguia Savelha Barbo do Sul Pimpão Boga-portuguesa Carpa Escalo do Sul Verdemã Gambúsia Esgana-gata Perca-sol Achigã Salamandra-de- -costelas-salientes Salamandra-de-pintas- -amarelas Tritão-de-ventre- -laranja Tritão-marmorado Pontuação ~ _média 3.54 5.43 5.23 2.90 2.90 5.16 2.68 4.30 2.47 1.97 3.10 2.10 2.47 4.70 3.18 4.21 3.97
  • 26. 192 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja Anura Alytes cisternasii Diseoglossus galganoi Pelobates eultripes Pelodytes punetatus Bufo bufo Bufo ealamita Hyla arborea Hyla meridionalis Rana perezi REPTILIA Testudines Emys orbicularis Mauremys leprosa Sauria Hemydactylus turdeus Tarentola mauritanica Blanus cinereus Aeanthodaetylus erythrurus Laeerta lepida Podareis hispanica Psammodromus algirus Psammodromus hispanicus Chalcides bedriagai Chaleides ehalcides Serpentes Coluber hippoerepis Coronella girondiea Elaphe sealaris Macroprotodon cuccullatus Malpolon monspessulanus Natrix maura Sapo-parteiro-ibérico Rã-de-focinho- -pontiagudo Sapo-de-unha-negra Sapinho-de-verrugas- -verdes Sapo comum Sapo-corredor Rela Rela-meridional Rã-verde Cágado-de-carapaça- -estriada Cágado Osga-turca Osga Cobra-cega Lagartixa-de- -dedos-denteados Sardão Lagartixa-ibérica Lagartixa-do-mato Lagartixa-do-mato- -ibérica Cobra-de-pernas-de- -cinco-dedos Cobra-de-pernas-de- -três-dedos Cobra-de-ferradura Cobra-lisa-bordalesa Cobra-de-escada Cobra-de-capuz Cobra-rateira Cobra-de-água- -viperina 4.59 4.36 4.32 3.32 4.04 2.97 4.18 4.41 4.11 4.68 4.82 4.65 4.04 3.47 3.82 4.25 3.43 3.18 3.47 4.43 3.47 3.60 3.68 3.54 4.77 3.10 4.68
  • 27. Pr':widades de conservação de vertebrados terrestres 193 Natrix natrix Vipera lataste; AVES Podicipediformes Tachybaptus ruficollis Pelecaniformes Phalacrocorax carbo Phalacrocorax aristotelis Ciconiiformes Botaurus stellaris lxobrychllS minutus Nycticorax nycticorax Bubu/cus ibis Egretta garzetta Ardea cinerea Ardea purpurea Cicania nigTa Cicania ciconia Anseriformes Anas penelope Anas strepera Anas erecca Anas platyrhynchos Anas acura Anas querquedula Anas c/ypeata Aythya ferina Accipitriformes Pernis apivorus Elanus caeruleus Milvus migrans Milvus milvus Neophron percnopterus Gyps fulvus Circaetus gallicus Circus aeruginosus Cobra-de-água-de-colar Víbora-cornuda Mergulhão-pequeno Corvo-marinho-de- -faces-brancas Corvo-marinho-de- -crista Abetouro Garça-pequena Goraz Garça-boieira Garça-branca Garça-real Garça-vermelha Cegonha-preta Cegonha-branca Piadeira Frisada Marrequinho Pato-real Arrabio Marreco Pato-trombeteiro Zarro-comum Falcão-abelheiro Peneireiro-cinzento Milhafre-preto Milhafre-real Abutre do Egipto Grifo Águia-cabreira Tanaranhão-ruivo- -dos-paúis 3.82 4.96 2.90 3.66 6.21 3.91 3.96 3.50 4.77 4.77 3.07 4.31 3.98 6.36 3.32 2.97 3.29 3.32 3.32 3.35 3.40 2.47 2.60 4.34 3.60 3.32 4.89 4.61 4.95 3.54
  • 28. 194 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja Circus cyaneus Circus pygargus Accipiter gentilis Accipiter nisus Buteo buteo Buteo rufinus Aquila adalberti Hieraaetus pennatus Hieraaetus fasciatus Pandion haliaetus Falconiformes Falco naumann; Falco tinnunculus Falco columbarius Falco subbuteo Falco eleonorae Falco peregrinus Galliformes Alectoris rufa Coturnix coturnix Gruiformes Rallus aquaticus Porzana porzana Porzana pusilla Gallinula chloropus Fulica alra Tetrax tetrax Turnis sylvatica Charadriiformes Haematopus ostralegus Himantopus himantopus Burhinus oedicnemus Charadrius dubius Charadrius hiaticula Charadrius alexandrinus Eudromias morinellus Pluvialis apricaria Pluvialis squatarola Tartaranhão-azulado Tartaranhão-caçador Açor Gavião Águia-d' asa-redonda Búteo-fiouro Águia-imperial . Águia-calçada Águia de Bonelli Águia-pesqueira Peneireiro-das-torres Peneireiro-vulgar Esmerilhão Ógea Falcão-da-rainha Falcão-peregrino Perdiz-comum Codorniz Frango-d' água Franga-d'água-grande Franga-d' água-pequena Galinha-d'água Galeirão Sisão Toirão Ostraceiro Perna-longa Alcaravão Borrelho-pequeno- -de-coleira Borrelho-grande- -de-coleira Borrelho-de-coleira- -interrompida Tarambola-carambola Tarambola-dourada Tarambola-cinzenta 3.65 4.21 3.46 4.75 3.32 3.15 4.90 3.18 4.91 6.90 5.38 3.82 3.00 2.68 4.18 4.71 3.25 3.21 3.06 2.31 4.86 2.75 3.41 4.62 6.46 3.16 4.31 4.40 1.97 4.46 4.04 2.84 3.44 3.27
  • 29. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres Vanellus vanellus Calidris canutus Calidris alba Calidris minuta Calidris ferruginea Calidris maritima Calidris a/pina Gallinago gallinago Scolopax rusticola Limosa limosa Limosa lapponica Numenius phaeopus Numenius arquata Tringa totanU$ Tringa nebularia Tringa ochropus Tringa g/areola Actitis hypoleucos Arenaria interpres Larus melanocephalus Larus ridibundus Larus fuscus Larus argentatus Sterna sandvicensis Chlidonias niger Urin aalge Columbiformes Co/umba livia Columba oenas Columba palumbus Streptopelia turtur Cuculiformes Clamarar glandarius Cuculus canorus Strigiforrnes Tyto alba Bubo bubo Athene noctua Strix a/ueo Asio flammeus Abibe Seixoeira Pilrito-d'areia Pilrito-pequeno Pilrito-de-bico- -comprido Pilrito-escuro Pilrito-comum Narceja Galinhola Maçarico-de-bico- -direito Fuselo Maçarico-galego Maçarico-real Perna-vermelha Perna-verde Bique-bique Maçarico-bastardo Maçarico-das-rochas Rola-da-mar Gaivota-dó-mediterrãneo Guincho Gaivota-d' asa-escura Gaivota-argêntea Garajau-comum Gaivina-preta Airo Pombo-da-rocha Pombo-bravo Pombo-torcaz Rola Cuco-rabilongo Cuco Coruja-das-torres Bufo-real Mocho-galego Coruja-do-mato Coruja-da-nabal 195 2.71 3.12 3.06 3.34 3.48 4.18 4.11 3.35 2.81 3.48 3.62 3.09 3.69 3.54 3.12 3.25 2.82 2.22 2.59 3.09 2.50 2.93 4.12 4.52 3.06 7.96 5.82 1.32 2.47 3.85 1.78 2.79 3.46 4.77 3.25 3.32 2.25
  • 30. 196 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja Caprimulgiformes Caprimulgus ruficollis Noitib6-de-nuca-vermelha 4.27 Apodiformes Apus apus Andorinhão-preto 2.57 Apus pallidus Andorinhão-pálido 4.09 Apus melba Andorinhão-rea! 4.75 Coraciiformes Alcedo atthis Guarda-rios 3.32 Merops apiaster Abelharuco 3.23 Coracias garrulus Rolieiro 3.41 Upupa epops Poupa 3.18 Piciformes Jynx torquilla Torcicolo 3.23 Picus viridis Peto-verde 2.82 Dendrocopus major Pica-pau-malhado-grande 2.82 Dendrocopus minor Pica-pau-malhado-pequeno 3.48 Passeriformes Calandrella brachydactyla Calhandrinha 3.16 Calandrella rufescens Calhandrinha-das-marismas 4.79 Galerida cristata Cotovia-de-poupa 2.18 Galerida theklae Cotovia-do-monte 3.91 Lullula arborea Cotovia-pequena 2.54 Alauda arvensis Laverca 2.70 Riparia riparia Andorinha-das-batteiras 3.38 Ptyonoprogne rupestris Andorinha-das-rochas 3.23 Hirundo rustica Andorinha-das-chaminés 2.29 Hirundo daurica Andorinha-daurica 2.72 Delichon urbica Andorinha-dos-beirais 2.29 Anthus campestris Petinha-dos-campos 2.43 Anthus trivialis Petinha-das-árvores 1.75 Anthus pratensis Petinha-dos-prados 1.93 Anthus spinoletta Petinha-ribeirinha 1.75 Motacilla flava Alvéola-amarela 3.16 Motacilla cinerea Alvéola-cinzenta 2.68 Motacilla alba Alvéola-branca 2.9 Troglodytes troglodytes Carriça 2.75 Prunella modularis Ferreirinha 2.68 Prunella collaris Ferreirinha-alpina 4.11 Erithacus rubecula Pisco-de-peito-ruivo 2.56 Luscinia megarhynchos Rouxinol 2.43 Luscinia svecica Pisco-de-peito-azul 2.68
  • 31. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 197 Phoenicurus ochruros Phoenicurus phoenicurus Saxicola rubelra Saxicola torquata Oenanthe oenanthe Oenanthe hispanica Monticola saxatilis Monticola solitarius Turdus torquatus Turdus merula Turdus pilaris Turdus philome/os rurdus viscivorus Cettia cetti Cistico/a juncidis Locustella naevia Locustella luscinioides Acrocepha/us schoenobaenus Acrocephalus scirpaceus Acrocephalus arundinaceus Hippo/ais po/yg/otta Sy/via undata Sy/via conspicillata Sy/via cantil/ans Sy/via me/anocepha/a Sylvia communis Sy/via borin Sy/via atricapilla Phylloscopus bonelli Phylloscopus sibilatrix Phylloscopus collybita Phylloscopus trochilus Regulus regulus Regulus ignicapillus Muscicapa SITiata Ficedula hypoleuca Aegitha/us caudatus Parus cristatus Parus caeruleus Parus major Sitta europaea Rabirruivo-preto Rabirruivo-de-testa- -branca Cartaxo-da-norte Cartaxo-comum Chasco-cinzento Chasco-ruivo Melro-das-rochas Melro-azul Melro-de-peito-branco Melro-preto Tordo-zomal Tordo-músico Tordoveia Rouxinol-bravo Fuinha-dos-juncos Feiosa-malhada Feiosa-unicolor Felosa-dos-juncos Rouxinol-pequeno- -dos-caniços Rouxinol-grande- -dos-caniços Feiosa-poliglota Felosa-do-mato Toutinegra-tomilheira Toutinegra-carrasqueira Toutinegra-de- -cabeça-preta Papa-amoras Felosa-das-figueiras Toutinegra-de-barrete-preto Feiosa de Bonelli Felosa-assobiadeira FeIosa-comum FeIosa-musical Estrelinha Estrelinha-real Papa-mascas-cinzento Papa-moscas-preto Chapim-rabilongo Chapim-de-poupa Chapim-azul Chapim-real Trepadeira-azul 2.91 1.53 1.68 2.18 1.68 3.00 i.IO 3.98 1.68 2.32 1.78 1.57 2.75 2.68 3.04 1.91 2.06 2.06 2.81 2.81 2.93 3.18 3.54 3.31 2.82 1.68 1.68 2.68 2.45 1.68 2.68 1.68 2.16 2.16 1.68 1.68 2.54 2.68 2.18 2.18 2.68
  • 32. 198 J. M. Palmeirim, F. Moreira & P. Beja Certhia brachydactyla Trepadeira-comum 2.68 Oriolus oriolus Papa-figos 2.29 Lanius excubitor Picanço-real 3.04 Lanius senator Picanço-barreteiro 2.43 Garrulus glandarius Gaio 2.68 Pica pica Pega 2.43 Pyrrhocorax pyrrhocorax Gralha-de-bico-vermelho 5.71 Corvus monedula Gralha-de-nuca-cinzenta 3.12 Corvus carone Gralha-preta 2.40 Corvus corax Corvo 4.18 Sturnus vulgaris Estorninho-malhado 1.43 Sturnus unicolor Estorninho-preto 2.68 Passer domesticus Pardal-comum 1.75 Passer montanus Pardal-montês 2.32 Petronia petronia Pardal-francês 3.20 Estrilda astrild Bico-de-lacre 2.27 Fringilla coelebs Tentilhão 2.32 Serinus serinus Chamariz 2.32 Carduelis chioris Verdilhão 2.32 Carduelis carduelis Pintassilgo 2.32 Carduelis spinus Lugre 1.57 Carduelis cannabina Pintarroxo 2.32 Loxia curvirostra Cruza-bico 2.32 Coccothraustes coccothraustes Bico-grossudo 2.32 Emberiza cirlus Escrevedeira 2.32 Emberiza cia Cia 2.32 Emberiza hortulana Sombria 2.07 Miliaria calandra Trigueirão 2.32 MAMMALIA Insectivora Erinaceus europaeus Ouriço-cacheiro 2.75 Crocidura russula Musaranho-de- -dentes-brancos 2.25 Suncus etruscus Musaranho-anão- -de-dentes-brancos 2.75 Taipa occidentalis Toupeira 3.72 Chiroptera Rhinolophus ferrumequinum Morcego-de-ferradura- -grande 4.75 Rhinolophus hipposideros Morcego-de-ferradura- -pequeno 4.68
  • 33. Prioridades de conservação de vertebrados terrestres 199 Rhinolophus mehelyi Morcego-de-ferradura- -mourisco 5.91 Myotis nalterer; Morcego-de-franja 4.90 Myotis myotis Morcego-rato-grande 5.11 Myotis b/ythii Morcego-rato-pequeno 5.41 Myotis daubentonii Morcego-de-água 3.18 Pipistrellus pipistrellus Morcego-anão 3.25 Pipistrellus kuhli Morcego-de-Kuhl -2.68 Pipistrellus savii Morcego-de-Savi 3.69 Eptesicus serotinus Morcego-hortelão 2.82 Plecotus austriacus Morcego-orelhudo- -cinzento 2.90 Miniopterus schreibersii Morcego-de-peluche 5.04 Tadarida tenioris Morcego-rabudo 3.40 Lagomorpha Lepus capensis Lebre 2.47 Oryctolagus cuniculus Coelho-bravo 2.40 Rodentia Arvicola sapidus Rata-de-água 2.40 MicTOtus cabrerae Rato-de-Cabrera 4.52 Microtus lusitanicus Rato-cego 2.62 Microtus duodecimcostatus Rato-cega-mediterrânico 2.62 Apodemus sylvaticus Rato-do-campo 1.75 Rattus rattus Ratazana 2.25 Rattus norvegicus Ratazana-de-água 2.32 Mus musculus Rato-caseiro 1.75 Mus spretus Rato-das-hortas 1.75 Eliomys quercinus Leirão 1.90 Camivora Vulpes vulpes Raposa 3.25 Mustela nivalis Doninha 2.82 Mustela putorius Toirão 3.46 Martes foina Fuinha 3.25 Meles meles. Texugo 3.40 Lutra Zulra Lontra 5.93 Genetta genetta Geneta 3.18 Herpestes ichneumon Sacarrabos 3.69 Felis silvestris Gato-bravo 3.82 Lynx pardina Lince-ibérico 6.90 Artiodactila Sus scrofa Javali 3.04