Quais de mim você procura?
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Quais de mim
você procura??
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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Quais de mim você procura?
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Quais de mim
você procura??
Quais de mim você procura?
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DIREÇÃO EDITORIAL
Katia Teixeira
CAPA E DIAGRAMAÇÃO
Ativa Comunicação & Design
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
© ORGANIZADORAS, 2016.
Q22
Quais de mim você procura ? : 50 mães empreendedoras que chegaram lá.
Coordenação Katia Teixeira e Liz Vargas - 1Ed - São Paulo 2016
196 p. ; 23 cm
ISBN 978-85-93015-00-7
1. Mulheres de negocíos teixeira. Katia
COD 650.1 CDU 65.011-4
Editora Dimensão - 2016
Rua Capitão Mor Passos, n° 64 - Salas 23/24/25
Bairro - Canindé CEP 03024-010 São Paulo - SP
Telefone - (11) 2893-9966
www.agoraquesaoelas.com.br
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É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou por qualquer
meio sem a autorização prévia e por escrito do autor.
A violação dos Direitos Autorias ( Lei n° 9610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184
do Código Penal.
REVISÃO
Tradupoints/Tradução e Textos
Monica Pires Rodrigues
Quais de mim você procura?
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Transformando SONHOS em um negócio com propósito! ............. 0
Adriana Valente
“Sou mulher, sou guerreira. Eu posso tudo!” ...................................... 0
Ana Bianca Ciarlini
Ser Mãe, isso dá Negócio .................................................................................... 0
Andrea Gasques
Como encontrar o seu empreendimento de sucesso ...................... 0
Bruna Betoli
Vidas Transformadas .......................................................................................... 0
Carol marcan
A MÃE, A FILHA E AS VACAS ...................................................................................... 0
Dalva Regina
reviravoltas, recomeços e conquistas ................................................... 0
Deise Pinheiro
Mãe com Excelência ............................................................................................. 0
Diana Cândida de Oliveira
Dedicação para crescer .................................................................................... 0
Edna Magda Ferreira Góes
Um quadro em branco e uma vida passada a limpo ........................... 0
Eliana Araújo
Sonhe,acrediteenãotenhapressa...oqueéseu,estáreservado!!!...00
Élide Soul
Por que não mãe e também empreendedora? ....................................... 00
Erica Biondo
Nada muda se eu não mudar! ........................................................................ 00
Erika sakugawa
Um “raio” cai duas vezes no mesmo lugar: raios de bençãos! ... 00
Érika Stancolovich
DEPOISDECERTOTEMPOTUDO QUENOSÉESTRANHOSETORNAFAMILIAR ... 00
Erika Zoeller Veras
E AGORA? MÃE OU EMPREENDEDORA... ................................................................ 00
Gabriela Silvério
QUANDO TUDO DIZ QUE NÃO... CONTINUE QUE NÃO É O FIM... ................ 00
Gezane Almeida
SUMÁRIO
Quais de mim você procura?
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{Entre nós} ............................................................................................................... 00
Ivete Costa
Reinventar-se é acreditar no melhor, sempre .................................. 00
Janaína Graciele
A vida de trás pra frente ................................................................................ 00
Juliana Albanez
Ousar ser ................................................................................................................... 00
Juliana de Oliveira Souto
Faltou colocar o título do texto .......................................................... 00
Katia Camargo
ME DESCOBRINDO E ENTENDENDO OS PLANOS DE DEUS ............................. 00
Kátia Miranda
TEM UM CNPJ EM MINHA VIDA ................................................................................ 00
Katia Teixeira
DESISTIR NÃO É OPÇÃO ................................................................................................ 00
Ligia Dutra Zeppelini
Empreendedorismo de Mãe é diferente? ................................................ 00
Lilia Martins
Quão doce é a palavra mãe... ......................................................................... 00
Lilian Fernandes
Renascimento! O poder de transformação e o milagre da vida ... 00
Lilian Isabel Sarturato de Sales,
“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...” ............................... 00
Liz Vargas
Jamais substime o quão poderosa uma mulher pode ser ............ 00
Luci do Carmo Santana
O deserto de cada um... ..................................................................................... 00
Malu Neves
RENOVAR A CADA AÇÃO ............................................................................................ 000
Marcilene Evangelista
A Jornada Mágica: Um Chamado à Aventura ................................... 000
Maria Almeida
Como traduzir o amor ................................................................................... 000
Mônica Pires Rodrigues
Amor Incondicional ........................................................................................ 000
Nara Lygia Leme Brisola Caseiro
CHEGOU A HORA DE MUDAR O RUMO DA SUA HISTÓRIA ............................ 000
Patrícia Duarte
Reconstruindo a filha do empreendedor ......................................... 000
Patrícia Pereira
Quais de mim você procura?
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Minha família, meu alicerce ....................................................................... 000
Pepita Busta Pignocchi
EU, MÃE EMPREENDEDORA - AMOR, SUPERAÇÃO E CONQUISTAS ............ 000
Priscila Molino
UMA IDEIA PODE MUDAR TUDO ............................................................................ 000
Rafaela da Silva Caetano
Nunca é tarde para se realizar... ............................................................. 000
Ramy Arany
Primeira posição... plie... nado borboleta, nado cachorrinho...
poesias sem fim... ................................................................................................... 000
Regina Alvares
Ser Mulher... inspiração e amor... ............................................................. 000
Rita Rocha
A chance de dar tudo errado era tudo que eu tinha ............... 000
Rosangela Machado
Era uma vez uma menina, hoje mulher que acreditou nos seus
sonhos... ................................................................................................................... 000
Roseli Cunha
“Ser mãe é ir além de procriar: amar e criar!” .................................. 000
Selma Lourdes Favero Fincatto
FILHOS: NOSSA MELHOR PARTE .............................................................................. 000
Sueli Campos
UM NEGÓCIO PERFEITO PARA MIM ...................................................................... 000
Taís Bonilha
NASCE MINHA FILHA, NASCE TAMBÉM UM EMPREENDIMENTO ............... 000
Tatiana Sklarow
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50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Transformando SONHOS em um negócio
com propósito!
Muitos me perguntam como me tornei empreendedora e a resposta é
simples, eu sempre fui e não sabia! Desde criança eu sempre gostei de empreender e
inovar, enquanto minhas amigas se preocupavam em gastar dinheiro, eu pensava em
como ganhar.
Filha única, de pais nordestinos, família humilde, minha maior meta era entrar
na tão sonhada faculdade, graças a Deus eu consegui, com muito esforço e dedicação.
Fiz Gestão em Marketing de Varejo, Graduação em Propaganda e Marketing e MBA
em Gestão Empresarial.
Quando meu filho nasceu o assunto maternidade me deixou “super”
apaixonada. Eu só tinha olhos para ele. Quando chegou o momento de voltar da
licença maternidade eu fui demitida e decidi cuidar do meu filho. Porém, esse prazo
normalmente tem validade, quando ele completou 01 ano me veio a inquietude de
fazer alguma coisa, mas eu não sabia o que fazer.
Não queria apenas uma estabilidade financeira, queria fazer algo que estivesse
alinhado com meu propósito de vida, onde eu pudesse compartilhar com o mundo
aquilo que eu tinha de melhor, ser feliz e fazer aquilo que me alegrasse. Em meio a
tantas dúvidas e incertezas comecei a pensar, o que eu poderia fazer e, além disso,
como ter meu tempo flexível para cuidar e acompanhar o crescimento do filho.
Nesse universo de incertezas eu percebi que eu não estava sozinha e tinha
centenas e até milhares de mamães na mesma situação, perdidas sem saber o que fazer.
Foi ai que comecei a TRANSFORMAR meus SONHOS em NEGÓCIO, e decidi partir
para ação!
Em fevereiro de 2015 eu criei a Comunidade Empreender Mulher, que iniciou
com um grupo no Facebook e depois, uma plataforma online com conteúdos criados
de maneira colaborativa, de empreendedora para empreendedora! Conectando mais
de 54 mil mulheres no mundo. Ao longo do tempo surgiram muitas iniciativas e
negócios, gerando assim um impacto socioeconômico em nosso país.
Meu negócio dos SONHOS!
Com esse projeto eu consigo compartilhar com o mundo aquilo que eu
tenho de melhor, que são minhas consultorias de negócio e marketing, onde ajudo
Quais de mim você procura?
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empreendedoras que desejam começar ou desenvolver seus projetos a se posicionarem
no mercado de uma maneira estratégica.
Cada consultoria que eu faço é muito mais que um trabalho, é uma conquista!
Eu choro e vibro com cada projeto que nasce e tendo um prazer em tudo isso!
Esse é o meu negócio, é a minha PAIXÃO!!! Amo o que faço e faço o que amo .
Além disso, faço palestras pelo Brasil e no Exterior, compartilhando meus
conhecimentos e minha história com o mundo!
Também realizamos eventos presenciais em diversas cidades do país, com o
objetivo de levar conteúdo de qualidade, incentivando o empreendedorismo feminino
e principalmente motivando as participantes a irem em busca dos seus sonhos e
objetivos de vida! Enfim, transformando seus SONHOS em negócios!
Empreendendo seus talentos!
Será que não seriam aqueles quitutes que você manda muito bem na cozinha,
ou aquele artesanato que você tanto ama fazer? Quem sabe montar uma loja virtual,
costurar, ajudar outras pessoas através de consultorias naquele assunto que você
entende muito pode ser o seu negócio?
Não importa o que seja, mostre para o mundo aquilo que você tem de melhor!
Você também poderá contar sempre comigo para te ajudar nessa jornada
onde a força e determinação são fundamentais. Eu acredito em você e se EXISTE UM
SONHO, FAÇA ACONTECER!!!
Acredite e “Cuidado com seus SONHOS, eles podem e vão se tornar realidade”.
Tenha fé em Deus e muita atitude para realizar e fazer a diferença no mundo.
Tenho uma SURPRESA para VOCÊ que acabou de ler a minha história!!! Me
mande um e-mail agora com o assunto: EU TENHO UM SONHO e ganhe uma sessão
de consultoria cortesia .
Grande Beijo e espero você!
Adriana Valente
Mãe Empreendedora | Consultora de Marketing |
Fundadora do Empreender Mulher
www.adrianavalente.com.br
www.empreendermulher.com
contato@adrianavalente.com.br
Quais de mim você procura?
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“Sou mulher, sou guerreira. Eu posso tudo!”
Sou a Ana Bianca Flores Ciarlini, tenho 46 anos e santista com muito
orgulho! Pertenço a uma família tradicional. Meu pai, Ítalo Orlando Ciarlini, era
nordestino. Minha mãe, Ianyra Flores Ciarlini, uma “carioca da gema”, assim ela
confirma. Do amor de um jogador de futebol do Ceará, que não resistiu aos encantos
da bela professorinha da cidade de Araruama (na região dos Lagos) em breve tempo
casaram-se. Dessa união amorosa nasceram 7 filhos. Sou a caçulinha! Mamãe ao
relembrar sua poesia “Fortuna” declarou: “Eu tenho duas rainhas, cinco reis... bela
fortuna se diz”!
A minha mãe sempre foi muito rigorosa e falante. Papai, suavemente
observador e engraçado. Formavam um casal amoroso, equilibrado e gracioso. A
partir dos exemplos de respeito e construções vividas no cotidiano, percebi claramente
a liderança matriarcal, especialmente nas situações difíceis - mamãe tinha mesmo o
comando.
Outra pessoa, muito importante na minha vida, foi minha irmã Andrea di
Paola (seis anos a mais do que eu). Minha “musa” inspiradora; a minha bailarina,
patinadora e que tornou-se uma Educadora física. Nela, me espelhava totalmente. Sua
beleza (física e espiritual) a tornava um ser de luz, movida pelo lindo sorriso, astral
bom e muito caridosa. Perdê-la, com apenas 27 anos, foi um momento indescritível
de muita dor na minha vida.
Em segunda união, sou casada com o meu querido companheiro, parceiro, “pau
pra toda obra”, Ricardo Luiz de Oliveira, com quem divido o meu amor e cumplicidade
há 10 anos. Sou mãe do Felipe, meu único e amado filho, hoje com 19 anos, um belo
jovem cursando a Universidade. Faz Publicidade .
Assim, movida pelos valores morais e o amor maternal, fundamentais para
a nossa união familiar, encarei cada dificuldade como aprendizado, o que só me
fortaleceu. Foram muitas as superações e com elas redescobri-me. Novos horizontes
acenaram.
Desde a infância mostrava uma certa liderança, fossem nas brincadeiras
infantis, no esporte ou nas aulas de dança.. Ah, a experiência mais gratificante: a dança!
Vencer e aperfeiçoar-me sempre me inspiravam! A dança tocou a minha alma por
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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inteiro. E já na adolescência, ditava a “moda do belo” foi quando resolvi empreender
e passei a vender a “moda de praia carioca”, ali aflorava “a empreendedora”. Ôpa! Sem
dúvida, ingressei na comercialização de trajes esportivos para ginástica “fitness” que
tornou-se a minha atividade de trabalho e rentabilidade até chegar a hora de encarar
a Universidade e realizar o meu sonho: Licenciatura plena em Dança.
Moro na capital mais feminina (54,13% de mulheres) e uma das mais idosas do
país, por isso priorizei este segmento em minhas escolhas profissionais. Assim, há 10
anos, existe o projeto “Vibra Vida” que tornou-se um método conceituado em técnicas
de dança, embasado no conceito do Envelhecimento Ativo. Tornei-me coreografa
do Grupo de Competição da Terceira Idade da cidade de Santos, resultado nunca
conquistado para a nossa cidade. O “tricampeonato” consecutivo nos Jogos Regionais
do Idoso foi uma avalanche de alegrias.
Atualmente,souprofissionaldaPrefeituradeSantosem trabalhointergeracional
e construtivista, executado nas Secretarias de Educação (crianças/adolescentes) e
na área de Esportes (adultos e idosos). Mais além, sou voluntária através da dança
adaptada na ABASE (Associação Beneficente de Assistência Social ao Excepcional
“Centro de Convivência Maria Helena”) com público alvo para jovens, adultos e idosos
que possuem deficiência intelectual ou múltipla.
O que me mais me encanta é o poder transformador que a dança tem. Através
dela, nos tornamos melhores, mais sutis. O Projeto “Vibra Vida” cresceu e está mais
completo ao abraçar também Ações Sociais.
Ser uma líder movida pela determinação da atleta que um dia fui, aliada a eterna
busca por projetos maiores, o destino lançou-me um novo caminhar diante da vida.
Com essa proposta ingressei nos caminhos da política, resgatando o seu verdadeiro
significado, segundo os gregos: “o que cuida da comunidade”. Muito centrada a lutar
por uma maior representatividade feminina, busco melhorias para os idosos que tanto
admiro, além de uma visão ampliada para os deficientes e crianças, todos no meu
pensamento e coração.
Tendo a certeza absoluta de que a educação é uma poderosa ferramenta de
transformação em nossas vidas, aceitei o desafio e sou candidata a Vereadora em
Santos – SP. Nessa conduta, penso que a sociedade pode ser melhorada, abarcando
com mais sensibilidade as reivindicações humanas, sejam pelos relacionamentos,
sentimentos, modos de ser, de estar, de agir e de se manifestar.
Considero, por fim, que as “mulheres que fazem a diferença” são muitas em
várias áreas de atuação no Brasil inteiro. Elas merecem destaque. Há um novo cenário
que vem descortinando a importância do feminino na vida pública. Somos, na maioria
dos países do mundo, um contingente crescente populacional se comparado aos homens.
Na política brasileira, a mulher é uma desconhecida. Precisamos romper com
Quais de mim você procura?
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as barreiras: desafiar e incorporar nossa atuante presença para que estes números
estabeleçam condições de justiça e igualdade perante aos homens.
Por isso mesmo, enfrentarei as eleições com a dignidade que sempre me
inspirou. Seja qual for o resultado, considero um privilégio chegar até aqui.
Ana Bianca Ciarlini
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Ser Mãe, isso dá Negócio.
Aos23anosdeidade,encontrei-mecasadaemãededoislindosmeninos.
Prazer. Meu nome é Andréa Gasques Pacheco Nogueira. Sou empreendedora!
Minha vida não tem histórias de grande superação. Minha vida é feita de
experiências. Não empreendo por necessidade, mas por oportunidades, por gostar de
ser desafiada, por curiosidade e por querer fazer o bem. A maternidade me levou a
empreender sim, mas não por querer estar mais tempo com meus filhos, mas por me
mostrar novas ideias e novos mundos.
Venho de uma família de empreendedores. Desde criança frequentava o
ambiente da empresa. Aos quinze anos, assumi responsabilidades e comecei a
trabalhar efetivamente na corretora de seguros da família. Segui o caminho natural e
me graduei em administração de empresas e, por meu próprio gosto, especializei-me
em Marketing.
Eu não havia planejado ser mãe e isso nem fazia parte dos meus sonhos. Com a
chegada dos meus filhos, algumas coisas mudaram muito. Uma delas é que minha sala
se tornou um berçário. Com diferença de dois anos entre o Guilherme e o Gabriel, me
vi entre papéis e fraldas por um bom tempo. Não imaginava a mãe que existia dentro
de mim e nem como era bom ser mãe. Hoje entendo porque muitas mulheres saem de
seus empregos formais para empreender. Eu pude acompanhar o crescimento deles,
meu tempo quem fazia era eu e eles estavam sempre comigo.
Com 3 anos de idade o Guilherme já frequentava a escola. Sim começou
pequeno, pois com a chegada do Gabriel escolhi colocá-lo numa escola para que
ambos, eu e ele, tivéssemos nossos momentos e pudesse ter meu tempo com o Gabriel.
A escola mandava tarefas para serem feitas em família e foi através de uma
dessas tarefas que nasceu meu primeiro negócio. Um dia, o Guilherme precisou fazer
uma atividade para a feira cultural da escola. Tinha que fazer um instrumento musical;
não fazia ideia do quê e nem como fazer. Então fui pesquisar procurar ideias e foi
aí que me deparei com um material chamado E.V.A. Fizemos juntos o seu trabalho
que, por sinal, ficou lindo e foi muito elogiado. Vendo isso acontecer, pensei: “Isso dá
Negócio!”. Era minha veia empreendedora pulsando.
Foi então que criei minha empresa de produtos artesanais para decoração. A
empresa chamava-se Deart’s Sonhos Possíveis. Apaixonei-me pela possibilidade de criar
peças para pessoas ficarem felizes, deixarem a vida mais colorida, de tornar alguns
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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sonhos possíveis. Fiz muitos cursos para aprender técnicas, conheci pessoas incríveis
que se tornaram amigas e fiz parcerias com grandes empresas.
Meu trabalho ia para buffets, escolas e festas. As pessoas encomendavam para
dar de presente, atendia o Brasil todo. A internet nos possibilita isso, quebra barreiras.
Fiz feiras de artesanato e demonstrações em lojas do ramo. Tudo era lindo, encantador
e colorido. A satisfação de ver as pessoas felizes era incrível.
O negócio atingiu sua maturidade, estabilizou-se, não crescia e nem diminuía.
Isso acontece com a maioria das empresas. Novos clientes pararam de aparecer. Atendia
aos mesmos, pois as pessoas sempre faziam aniversários, sempre tinha algum bebê
chegando à família, as escolas sempre precisavam de alguma nova decoração. Então,
a cada ano os mesmos clientes entravam em contato e faziam seus pedidos. Aquilo
foi desanimando um pouco, pois já não trazia desafios, não havia novidades. Eu me
encontrava num momento pessoal ruim; não pela empresa, mas por mim mesma. Não
estava me sentindo bem, não tinha prazer no trabalho manual. Resolvi dar um tempo
com meu negócio e cuidar de mim, pois sei que o problema estava em mim e que nada
daria certo se não me cuidasse.
Continuei a trabalhar na empresa da família, de onde nunca me desliguei
totalmente. Dividia-me entre as duas empresas. Fazia meu trabalho e via meus filhos
crescerem e aquela sala-berçário foi se adaptando ao crescimento deles. As coisas
foram melhorando pra mim, aprendi neste tempo a importância de me valorizar,
cuidei da cabeça e do corpo. Com a autoestima bem cuidada, comecei a sentir falta de
ter meu negócio, de ser desafiada e de explorar ideias e usar a criatividade.
Havia mantido amizades e parcerias que havia feito com minha empresa. Não
abri mão do que havia conquistado, mesmo dando um tempo. Conversava muito
com as amigas artesãs, acompanhava o trabalho delas e durante estas conversas,
dava orientações sobre como elas podiam melhorar seus negócios, como divulgar
seu trabalho, como legalizar o seu negócio, etc. Junto, também auxiliava em seu
empoderamento como mulher empreendedora.
“Isso dá negócio!”, pensei novamente.
Sempre gostei do mundo dos negócios, do mundo das empresas. Sou fascinada
comojogodoganha-ganhadesteuniversoempreendedor,criarestratégias,issosempre
me fascinou. Desde criança, achava lindas aquelas mulheres de negócios, empresárias
poderosas, mesmo elas sendo poucas, infelizmente. Sonhava, na época de criança, em
ser executiva. Bem, não me tornei uma executiva, mas descobri o empreendedorismo.
Retomando a história, havia observado que aquelas conversas com as amigas
eram oportunidades de mudar o foco da minha empresa. Foi então que mudei o
caminho: direcionei minha empresa de produtos artesanais para uma consultoria para
artesãs, em especial na parte que mais gosto, que é o Marketing. Precisava aprimorar o
conhecimento que tinha de base.
Voltei a estudar; precisava reciclar meu conhecimento, pois o mundo vai
mudando e novos conhecimentos vão chegando. Precisava aprender sobre novas
Quais de mim você procura?
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ferramentas, novos modelos de Marketing para atender bem quem precisasse deste
serviço.
Nesta busca de novos conhecimentos, encontrei vários grupos de mulheres
empreendedoras e de empoderamento feminino. Aprendi muito, conheci histórias
incríveis de superação, exemplos de grandes empreendedoras que, como eu, tinham
sua família, filhos e sonhos.
Isso me abriu novos horizontes. Via que o mundo era bem maior e que não
cabia trabalhar somente com artesãs. Surgiram oportunidades de me desenvolver mais
a cada dia, de redescobrir o que eu gostava de fazer, no que eu poderia contribuir para
a sociedade, de trabalhar com isso e de ser feliz.
O foco da minha nova empresa hoje não é somente artesãs, pois hoje atende
a todo tipo de negócio. A maternidade nos dá certas habilidades que ajudam muito
nos negócios: lidar com pessoas, acreditar que vai dar certo, saber dividir, lidar com
conflitos e imprevistos. A maternidade nos deixa mais fortes de uma maneira incrível.
Empreender e ser mãe não são tarefas fáceis. Em algumas situações, temos
que nos dedicar mais à nossa empresa que aos nossos filhos, mas o lado bom é ver o
orgulho deles estampados em seus rostos e acompanhando o dia-a-dia da mãe. Saber
que estamos dando exemplos bons e deixando legados.
Hoje, aos 36 anos, encontro-me casada e mãe de dois lindos rapazes. Eu e
meus negócios somos resultados de todas as experiências vividas como esposa, mãe
e mulher.
Andrea Gasques
Quais de mim você procura?
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Como encontrar o seu empreendimento
de sucesso
Durante muito tempo, eu busquei minha missão de vida, minha razão
de ser, do meu trabalho, de mim mesma. Sou de natureza questionadora, curiosa,
investigativa. Respostas curtas e simples nunca me satisfizeram, só me tornaram uma
incomodada! E talvez seja esse incômodo que me mova em busca das respostas a todas
as perguntas.
Na busca por descobrir o meu propósito, me tornei mãe. E a maternidade
mudou tudo para mim.
Antes, advogada com carreira promissora e em ascensão profissional. Agora,
mãe, deixou de fazer sentido trabalhar loucamente por mais de 14 horas por dia para
gerar lucro para a empresa, o escritório, o mercado...
E sei que esse incômodo e a conclusão a que cheguei são muito particulares.
Também sei, por experiência no contato com diversas mulheres-­mães, que esses são
motivos que nos levam a enxergar no empreendedorismo o “caminho do meio”: uma
forma de continuar a investir em uma carreira e ter tempo para também se dedicar ao
que realmente importa.
Para encontrar o seu caminho como empreendedora, o passo inicial é descobrir o
que você busca. O que te move? O que te faz acordar todos os dias de manhã e ir à luta?
Sendo mãe, como eu sou, a sua resposta primeira, aquela que o seu cérebro te
condicionou a dar é “meu(s) filho(s)”.
Linda resposta. Porque sim, nossos filhos são a razão de nossa batalha.
O que eu quero que você pense é: o que TE move?
O que vai além dos seus filhos, que te faz querer trilhar o caminho (seja ele qual
for)?
Fazer o que se faz pelo bem-estar dos filhos é sim uma maravilhosa razão e
motivação. Mas eu quero saber o que está por trás disso.
Como você espera se SENTIR e quem você quer SER sendo mãe de filhos
fortes, saudáveis e felizes?
Você quer se sentir realizada? Satisfeita com a vida, ativa intelectualmente, capaz?
Eu poderia continuar listando exemplos infinitos aqui.
O importante é que você consiga vislumbrar onde está o verdadeiro motivo:
dentro de você. Esse motivo é que te fará levantar da cama todos os dias de manhã e
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Quais de mim você procura?
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continuar caminhando mesmo no mais sombrio dos dias, em que parece que está tudo
dando errado.
Será esse motivo que te permitirá continuar trilhando o caminho que você
escolheu e a busca pelo seu objetivo.
E qual é o seu objetivo? O que você deseja lá no fundo da alma?
Sua resposta pode ser dinheiro, por exemplo. Todas nós queremos dinheiro. Só
que o dinheiro pelo dinheiro não significa nada. Ninguém vai ver o dinheiro e dizer:
agora sim!! O que o dinheiro vai trazer pra você?
Conforto? Segurança? Tempo? Viagens? Diversão?
O que você REALMENTE deseja?
Na minha jornada, no meu caminhar, passei do descobrir que a advocacia não
era pra mim, a que a maternidade não era suficiente e, finalmente, a me permitir SER
quem eu gostaria de ser.
Para me permitir realizar o que, no fundo da alma, sinto que é minha missão de
vida: auxiliar pessoas a encontrarem soluções efetivas para a vida, para sua melhoria
permanente. Uma jornada de autoconhecimento que possibilitou descobrir quem eu
quero Ser e como quero me Sentir.
E como essa jornada te levará a encontrar o seu empreendimento de sucesso?
Empreender vai além de ter um negócio. Vai além de ganhar dinheiro.
Empreender é também a construção de algo maior. Mesmo que esse “algo” seja nós
mesmas.
Meu primeiro investimento enquanto empreendedora foi em mim mesma, na
minha descoberta do ser­, sentir e ­querer.
A partir dessa descoberta, o negócio nasce. E é o ser, ­sentir­e querer que me
move diariamente a persistir no negócio e me permite recomeçar, re­paginar, re­trilhar,
quando o caminho se mostra inadequado ou insuficiente.
Mais do que saber “o que”, a resposta que você precisa encontrar para ter seu
empreendimento de sucesso é o seu “porquê”.
Seu porquê te moverá. Te levará. Te guiará.
E aí... Ah! Aí é trilhar a jornada, com a força, luta e garra que você já tão bem
conhece em si.
Bruna Betoli
É mãe de 3 pequenos (Lila, Liam e Luc) e casada com
o Ricardo. Empreendedora multipotencial, atua como
coach em produtividade e é criadora do programa “Mãe
Produtiva”, que auxilia mulheres-mães a serem mais
produtivas para que possam se dedicar ao que
realmente importa.
www.maeprodutiva.com.br
facebook.com/maeprodutiva
Quais de mim você procura?
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Vidas Transformadas.
Ahistória do empreendedorismo na minha vida, se confunde com a
minha história materna.
Uma das minhas primeiras ações empreendedoras, aconteceram justamente
porque eu engravidei.
Era 2002 e eu tinha apenas 20 anos.
Mas já carregava em meu ventre aquele que viria para despertar em mim a
maior empreendedora que eu jamais tinha visto.
Morava em Curitiba e vivia um relacionamento nocivo com o “traste”. Estava
grávida e a situação financeira era péssima: quantas xepas de feira frequentei, quantos
restos de bandejas em praças de alimentação comi, quanto papel higiênico de banheiro
de shopping precisei desenrolar para levar para casa, entre outras privações.
Para piorar, ainda era vítima de diversos tipos de violências e abusos e estava
muito distante da minha família, no Rio de Janeiro.
Éramos eu, Deus e aquele serzinho inocente que já dava sinais de traria consigo
a mudança.
E foi exatamente por ele que eu mudei.
Estava no 7⁰ mês de gestação e não tinha sequer um alfinete de fralda para o
enxoval do meu filho.
Foi então quando uma amiga querida me mandou em uma carta, R$ 40 para
que eu comprasse um presente para meu filho, um jogo de berço.
Porém, se eu comprasse o jogo de berço para meu bebê, ele teria somente isso
e não resolveria meu problema.
Mas se eu investisse o dinheiro em algo, as chances de fazer um enxoval
seriam maiores e a dor de ter dado errado, caso desse, seria bem menor do que a do
arrependimento, de não ter tentado.
Optei por tentar e rapidamente decidi no que empregaria aquela pequena
grande fortuna que tinha em mãos: tinha assistido na televisão, uma certa vez, uma
senhora ensinando a fazer coelhinhos de eva, um material emborrachado, com
bombons na barriga, enfeitando.
Era inicio de abril e a páscoa se aproximava, uma boa oportunidade de lucrar
com a data.
Fui pro centro, a pé para não gastar nada e comprei todo o material. Na volta,
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
20
ainda achei uma cestinha de vime no lixo e com as sobras de eva, dei uma enfeitada
nela e foi ali que coloquei todos os coelhos que produzi naquela noite.
Sai cedo para vender meus coelhinhos no sinal.
Não vou dizer para vocês que foi fácil.
Mas não era impossível fazer dar certo.
Batia nos vidros dos carros, parava os pedestres, sempre com um sorriso no
rosto que acompanhava o discurso:
“Estou vendendo esse coelhinho com bombom por um real, para fazer o
enxoval do meu filho, você pode me ajudar?”
A minha barriga era muito maior que a minha vergonha, o inchaço dos meus
pés muito menores que a minha necessidade e dessa forma, passei quase um mês
vendendo coelhos até as 16h, de forma que pudesse pegar o dinheiro conquistado em
comprar mais material para vender no dia seguinte.
Eu só tinha duas roupas de gestante: usava uma durante o dia e lavava quando
chegava em casa e colocava atras da geladeira para secar, quando recolhia a outra para
usar no dia seguinte.
Ganhei uma cistite e uma infecção urinária, por ter que segurar o xixi por não
ter onde fazer nas ruas, o frio também rachou meus lábios e calcanhares, desprotegidos
diuturnamente.
No domingo de páscoa, quando eu voltei pra casa depois de uma intensificação
nas vendas feitas nas saídas da feirinha do Largo da Ordem, contabilizei mais de 3 mil
coelhos vendidos.
Eu havia juntado, em moedas e notas de 1 e 2 reais, quase 2 mil reais, o suficiente
para um enxoval modesto para meu bebê.
Porém, mais do que isso, eu sabia que de agora em diante, nada me deteria.
Tanto que no dia que meu filho completou 6 meses, dei um basta naquela
relaçao sem futuro, voltei para o Rio e não, nem tudo foram flores.
Mas foram sementes, fertilizantes, ferramentas e água, os quais usei para
cultivar o meu jardim.
Foi pelo Gabriel, que trabalhei em diversas festinhas de criança, nas empresas
dos outros, vindo posteriormente a montar minha equipe de garçons, o meu buffet
escolar, que foi pioneiro e chegou a ser premiado pelo Sebrae em 2010, a minha casa
de festas infantis, a minha empresa de consultoria e hoje, viajo todo o país, ensinando
as mulheres que tem talento e querem empreender no ramo de festas infantis que elas
podem ter sucesso, que se trabalharem direito e seguirem o que eu ensino, terão suas
vidas transformadas por esse mercado tão democrático e inesgotável, que elas podem
ser felizes e trabalharem, sendo prósperas, fazendo o que amam!
Cada pessoa que passou na minha vida, colaborou de uma forma para o que eu
sou hoje, cada colaborador, cada fornecedor, cada cliente, cada amigo, quem acreditou
e quem não acreditou, mas em especial, a minha base, minha família, por que sem ela,
nada teria sido possível.
Sim, eu formei uma nova família, afinal, de que adianta o sucesso na rua se teria
um fracasso no lar?
Sou casada há 12 anos com um Príncipe Encantado, um homem de verdade,
honesto, amoroso, trabalhador e cuja maior prova de amor que poderia me dar, além
Quais de mim você procura?
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de me apoiar em tudo incondicionalmente, é amar meu filho como se fosse dele e tem
cumprido isso de forma exemplar. É meu advogado, contador e presidente do meu fã
clube!rs
Meus pais, meus maiores exemplos de honestidade, dignidade e me passaram
o DNA do empreendedorismo e são responsáveis pelo meu caráter. Meu pai se levanta
todos os dias as 5h da manhã para abrir sua padaria, desde antes de eu nascer e minha
mãe sempre me incentivou a estudar, evoluir, sempre apoiou meus negócios e sei o
quanto torce e ora por mim.
E meu filho Gabriel, meu Deus, o que dizer de você?
Uma criança que encanta a todos que o conhecem.
Doce, meigo, educado, amoroso, carinhoso, inteligente...se deixar eu vou falar o
dia todo dele e ainda não teria sido justa em citar todos os atributos.
Nem sei se sou digna de ser sua mãe, mas eu não consigo mais imaginar a
minha vida sem você, afinal, você é a melhor parte de mim, minha grande obra prima,
sem você nada disso teria acontecido.
Confesso que nem tenho mais coragem de pedir nada a Deus, só de agradecer:
dei a volta por cima, tenho uma vida próspera graças ao empreendedorismo, uma
família maravilhosa, saúde, bens materiais...um dia, em uma das minhas idas a
Curitiba, eu disse para meu filho: “era nessa padaria que eu trocava dinheiro, moedas.
Quantas vezes vim aqui, sentia o cheiro das delicias saindo do forno e não podia
comprar, porque ia faltar para o seu enxoval. Hoje, nós podemos comprar o que a
gente quiser aqui. Talvez, se não tivesse engravidado de você, estivesse ainda infeliz,
sentindo somente o cheiro.”
As vezes, você está ai, sentindo o cheiro e uma coisa eu te digo, se eu consegui
provar, com tudo para dar errado, você também pode!
Só depende de você!
Que Deus lhe abençoe e faça prosperar o trabalho de suas mãos, te dando vida
em abundância!
Carol marcan
Quais de mim você procura?
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50 Mães empreendedoras que chegaram lá
A MÃE, A FILHA E AS VACAS
Todos os dias, às quatro horas da manhã, meu pai entrava no quarto onde
dormíamos eu mais quatro irmãs e dizia, “Dalva, levante-se e vá buscar as vacas para
o papai”. Então eu me levantava, pegava o cavalo e ia buscar as vacas que não vinham
para o curral. Foi assim dos sete aos dezoito anos. Não entendia porque meu pai só
chamava a mim, permitindo que minhas irmãs dormissem por mais uma hora.
Nasci em José Bonifácio, uma cidade do interior de São Paulo, cresci em um
sítio a 7 km da cidade. Todos os dias, depois de buscar as vacas, eu e minhas quatro
irmãs, pegávamos a charrete e íamos para escola na cidade, voltávamos para casa às
13 h debaixo de um sol escaldante. Fizemos isto do primeiro ano primário até o 3°
colegial.
Em 1975, mudei-me para cidade de São Paulo com o objetivo de fazer faculdade.
Não tinha a menor ideia de como seria a cidade grande ou mesmo qual curso escolher,
mas sabia que São Paulo era o lugar que permitiria meu desenvolvimento.
Formei-me em Processamento de Dados pela FATEC em 1981. Atuei na área
de TI até 1990, porém sentia necessidade de provar que tinha capacidade de gerar
meus próprios vencimentos e até rendas para terceiros.
Engravidei em 1987, e minha filha nasceu no dia 8 de fevereiro de 1988. Já
estava tudo planejado, os quatro meses afastada do banco eram o tempo necessário
para começar meu primeiro empreendimento.
Com apenas quinze dias do nascimento de minha filha, adquiri uma pequena
empresa de prestação de serviço no ramo de confecção. Comecei do zero, fui
aprendendo, fiz curso de corte e costura e, aos poucos, fui dominando o segmento.
Em 1989, pedi demissão do banco para me dedicar integralmente ao
empreendedorismo. Meu chefe não conseguia entender como eu podia deixar um
emprego seguro, com bom salário, para entrar num mundo cheio de incertezas.
Realmente ele tinha razão, logo no início do ano de 1990, veio o plano Collor
e o início de muitas dificuldades. Na tentativa de passar pela crise, fiz minha primeira
sociedade, o que não durou mais do que um ano. Em 1992, não resisti, fechei a empresa.
Neste mesmo ano, meu marido ficou desempregado.
Tentei voltar ao mercado de trabalho, mas o viés empreendedor foi mais forte e
não permitiu que eu me vinculasse novamente a uma grande empresa. Nesse momento,
Quais de mim você procura?
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vi um anúncio no jornal O Estado de São Paulo, no caderno Negócios e Oportunidades,
vi que uma rede de lojas procurava uma empresa de prestação de serviços em confecção.
Recortei o anúncio, e na segunda-feira fui conhecer a empresa. Com a ajuda de uma
costureiraeumapassadeira,conseguimosotrabalho.Aquiaprendioquanto éimportante
preservar e respeitar os colaboradores. Sem nenhuma estrutura, comecei a confeccionar.
Primeiro foram cento e cinquenta peças. Eram muitas para eu fazer sozinha, sem uma
equipe formada ou lugar para trabalhar. Preparava o corte, comprava os aviamentos.
Meu carro era minha empresa, eu não tinha endereço, informação que não podia chegar
aos meus clientes, sob pena de macular a confiabilidade que estava desenvolvendo. Deu
certo. A perseverança e o esforço foram recompensados e em seis meses minha empresa
já fabricava seis mil peças por mês.
Deixava minha filha na escola às sete horas da manhã, e saia para trabalhar.
Eu era administradora, gerente, costureira, motorista, compradora, financeiro e chefe.
Preparava o serviço para as costureiras, levava na casa delas no Embu das Artes,
Campo Limpo, Barueri, Carapicuíba, Cotia, Perus, Serra da Cantareira, Grajaú, só
voltava para casa quando terminava.
Incontáveis vezes perdia o horário de pegar minha pequena na escola,
momentos em que tinha que deixar meu orgulho de lado e pedir para vizinhos me
ajudarem. Minha filhota ficava extremamente magoada, pois tudo que ela queria era
ter um momento com sua mãe e ser buscada na escola como todas as suas colegas, mas
nem sempre era possível. Até que em uma comemoração do Dia das Mães realizada no
colégio eu não consegui comparecer. Foi o pior dia da minha vida. Obviamente, minha
pequena, com toda razão, não se conformou, não conseguia entender a ausência da
mãe. Ver o quanto aquilo machucou minha única filha foi sofrido demais para mim e
para ela, por isso, decidi que nunca mais deixaria de ir às datas comemorativas. Foi um
longo trabalho de reconstrução de confiança, pois daquele momento em diante ela não
acreditava que eu estaria presente nos momentos importantes.
Sabia do meu papel de mãe; era muito difícil cumprir a agenda de trabalho e de
mãe, por isso acabei delegando parte de minhas funções maternas, para a colaboradora
Josefa, que a buscava na escola, cuidava da alimentação, das roupas e brincadeiras.
Como empreendedora de uma empresa em crescimento, férias era um luxo do qual eu
não podia usufruir, missão que também deleguei.
O que eu podia fazer e mais me preocupava era garantir uma boa educação
à minha filha. Por isso, além de querer o sucesso da minha empresa, precisava dele.
Era ele o meio de prover a mensalidade de uma das melhores escolas de São Paulo
e, consequentemente muito custosa. Para demonstrar que apesar do tempo escasso
eu era uma mãe presente e preocupada com seu desempenho na escola, mantinha
o calendário de provas na porta da geladeira e, na noite anterior à prova, sempre
perguntava o que ela tinha estudado, e se estava preparada, sempre acreditando em
sua capacidade. Quando chegava novamente de um dia exaustivo de trabalho, logo
Quais de mim você procura?
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ia perguntando à minha filha como tinha sido a prova. Com isso, consegui criar um
desafio e uma expectativa positiva em que minha pequena sabia que se estudasse e
fizesse uma boa prova teria como recompensa uma mãe feliz e orgulhosa da filha.
Porém, a vida de uma empreendedora, além dos desafios diários, também está
sujeita a diversas dificuldades imprevisíveis e aparentemente intransponíveis.
Em certo momento, minha empresa passava por grandes dificuldades. Não
bastava ver o meu projeto lentamente desabando, recebi o golpe de misericórdia, um
protesto de cobrança da escola de minha filha avisando que não seria possível mantê-la
como aluna, pois as mensalidades estavam atrasadas. Não podia deixar isso acontecer,
afinal, era a única promessa que tinha feito a mim mesma: garantir uma educação
de excelência à minha filha. No mesmo dia fui à escola conversar com o financeiro.
Expliquei minha situação, e como minha filha frequentava esta escola desde o maternal
e era de extrema importância que ela não perdesse essa continuidade e estava em um
momento crítico de desenvolvimento quando cursava o primeiro ano do colegial, a
gerente financeira chamou o dono da escola.
“Minha filha só conhece esta escola, e é aqui que vai fazer o segundo e o terceiro
colegial, portanto não existe a menor chance dela não cursar todo o período. Por isso,
temos que encontrar uma forma de pagar, posso fazer qualquer trabalho para escola,
posso ir pagando conforme der, não sei como vamos fazer, mas minha filha vai concluir
o colegial aqui”. Felizmente, o dono do colégio se sensibilizou com a minha situação
e confiou na minha palavra, mandou baixar o protesto, e deu uma oportunidade de
pagamento e permitiu que minha filha concluísse seus estudos no colégio.
Não sei exatamente o que aconteceu, ou se efetivamente os fatos estão
relacionados, mas, depois desta reunião, minha empresa entrou numa rota de
crescimento e nunca mais faltou dinheiro para eu pagar meus compromissos. Acredito
que esse momento de desafio, vendo minhas principais prioridades serem ameaçadas,
já que não podia garantir minha presença em todos os momentos da vida da minha
filha, que pelo menos garantisse que ela teria chances de ser alguém na vida, foi um
basta para me dar forças e fazer com que lutasse mais ainda pelo meu empreendimento.
A vida de empresária é assim. Às vezes precisamos passar por situações humilhantes,
que funcionam como desafios para novas conquistas e aguçam nossa capacidade de
persuasão e resiliência.
Ser empreendedora e mãe não é só cuidar da empresa, gerar faturamento para
pagar contas, empreender é ser capaz de liderar, de capacitar seus colabores, fazer
com que seus colaboradores evoluam como cidadãos, principalmente no ramo de
confecções em que a maior parte da equipe é formada por mulheres que também são
mães e precisam cuidar de seus filhos, muitas vezes com menos condições financeiras
do que nós, empreendedoras.
Quando você decide empreender, precisa ter consciência de que tudo é com
você, não tem uma grande empresa de apoio, setores que dividem a responsabilidade,
Quais de mim você procura?
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um chefe te endossando; toda responsabilidade e a consequência das decisões tomadas
são suas, só suas. E ainda sendo mãe, é tudo com você, você tem que levantar lidar com
os afazeres de casa, cuidar da filha, da sua educação, da sua formação e saúde. Mãe é
só uma.
Acordo todo dia sabendo que o meu dia tem um custo e que no final ele tem
que ser coberto, e que se não conseguir faturar o suficiente, o dia seguinte começa mais
pesado e mais difícil.
Minha capacidade de persuasão é bastante grande; desde pequena nunca
desisti de minhas atribuições. Depois da maturidade, fui entender que o que eu achava
uma punição do meu pai, na verdade era um reconhecimento. Durante anos fui a filha
escolhida para ajudá-lo porque, segundo ele, era a única filha que nunca voltava para
o curral sem as vacas.
Só fui tomar consciência e entender o significado desta frase, quando estava
participando de uma licitação de fornecimento de uniformes do Ministério da
Aeronáutica que em vinte e quatro horas, ganhei, perdi e recuperei a licitação.
Realmente eu nunca volto para o curral sem minhas vacas.
No meu dia-a-dia, só volto para casa depois de ter concluído todos os afazeres;
nunca deixo nada para depois.
Mesmos com todas as exigências e todo tempo dedicado à empresa, não deixei
de cuidar de minha filha e fazer com que se tornasse uma grande mulher. Minha filha
sempre me admirou e me teve como ídolo desde pequena. Ela sempre soube o quanto
seu sucesso era importante para mim. Ela não quis trabalhar comigo na empresa,
embora tivesse todas as condições de levar esta empresa com sucesso como provou
em 2011 quando fizemos uma viagem para Europa e fiquei ausente por vinte dias.
Minha filha cursou uma das melhores universidades da América Latina e optou por
fazer carreira no poder judiciário do Estado de São Paulo. Fui acompanhar a prova,
dar força e apoio para que ela se sentisse o mais segura possível. Funcionou, ela passou
e hoje exerce um cargo de muito prestígio.
Eu continuo como empreendedora, cheia de ideias e muito sonhos a realizar antes
de me tornar avó.
Dalva Regina
Quais de mim você procura?
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reviravoltas, recomeços
e conquistas
	
Em abril de 2002, me divorciei após quase 11 anos de casada. Entre
namoro e casamento, foram 17 anos de minha vida dedicados a um relacionamento em
que eu só me anulei, dia após dia. E aos 34 anos de idade, recomecei minha vida. Tive
que recuperar minha autoestima, me redescobrir como mulher madura, independente
e competente.
	 Quase dois anos mais tarde, em 2004, por força de uma circunstância, aceitei
o desafio empreendedor de ser uma empresária da Contabilidade, área na qual sou
técnica e bacharel e na qual já acumulava 19 anos de experiência. Foi quando surgiu
a Kian Contabilidade Ltda, em São Bernardo do Campo, constituída com mais dois
sócios, atualmente Defato Contabilidade Ltda, localizada no município de Santo
André.
	Neste mesmo ano de 2004, conheci um amigo de meus sócios, o José Roberto.
Interessamo-nos um pelo outro, mas cada um permaneceu na sua. Com o passar do
tempo, conversa daqui, happy hour dali, o apoio do filho mais velho do Roberto, o
Renan, ele e eu começamos a namorar em setembro de 2005.
Tão logo, eu conheci seus outros dois filhos, Ramires e Julia Vitória, à época
com 11 e 4 anos, respectivamente. Primeiro fui apresentada ao Ramires, em um dia em
que o Roberto foi ao meu escritório acompanhado dele. Era sério e de poucas palavras,
parecia olhar para mim com cara de poucos amigos. Dois meses depois, conheci a Julia
em um final de semana em que o Roberto os trouxe para passar conosco. Encontrei
com eles na Praça Lauro Gomes, no Centro de São Bernardo do Campo. Eu estava
tensa e apreensiva, perdida em meus pensamentos: faz tanto tempo que não convivo
com crianças! Será que saberei lidar com elas? Será que irão gostar de mim? Será que
sentirão ciúmes do pai e me olharão como a “Madrasta da Branca de Neve?”.
	 Mas qual não foi a minha surpresa quando avistei aquela menina linda,
morena, de cabelos pretos, com traços que lembravam uma indiazinha, com um
bichinho de pelúcia nos braços e uma mochilinha nas costas, vindo ao meu encontro,
com um sorriso contagiante, para me dar um abraço caloroso e amoroso. Neste dia, o
Ramires estava com um ar mais amigável. Ufa!
	 Meu Deus, como eu me sentia perdida. Eu não convivia com crianças,
meu mundo era de adultos, pois, durante os dezessete anos em que vivi com meu
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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ex-marido, eu me afastei do convívio familiar; não vi primos e primas nascerem e
crescerem. Eu não conhecia os desenhos da época, as músicas infantis que estavam na
moda, nada, eu não sabia nada de crianças. Eu somente pensava: se esta é a família que
Deus preparou para mim, Ele irá me capacitar para um bom convívio, para auxiliar na
educação e criação deles.
	 Tão logo a Julia nasceu, o Roberto fez uma vasectomia irreversível e decidir
casar com ele seria abrir mão do sonho de ser mãe (biológica). No dia 24 de março
de 2007, nos casamos. Nesta época, além de administrar meu escritório, exercia a
função de Conselheira Suplente no Conselho Regional de Contabilidade do Estado
de São Paulo – CRCSP (gestões 2006-2007 e 2008-2009) e também colaborava nas
reuniões do Centro de Estudos e Debates Fisco-Contábeis – CEDFC, do Sindicato dos
Contabilistas de São Paulo – Sindcont-SP, em São Bernardo do Campo.
Ao longo desses anos, muitas vezes, senti-me mal quando precisei chegar tarde
a casa, por causa do trabalho ou por estar em alguma atividade das Entidades de
Contabilidade, como se tivesse abandonado minha família. Nunca me esqueço do dia
em que, ao sair para trabalhar, a Julia me perguntou:
– Tia, hoje você chegará tarde de novo?
Quando respondi que sim, ela me disse, com a voz triste:
– Mas Tia, você só trabalha, trabalha, trabalha!
Dei um beijo nela e fechei a porta com o coração sangrando. No entanto, passei
a rever minha rotina para poder dedicar tempo com qualidade para minha família e
para os filhos que Deus me deu. Sim, filhos! Não me sinto mãe deles pelo simples desejo
de uma mulher ser mãe, mas pelo carinho, consideração e respeito que recebo de cada
um deles; quando o Renan me chama de “Mamis”; quando o Ramires e a Julia me
chamam de “Tia”. Até hoje, nunca me faltaram com respeito. Mesmo quando tive que
dar duras broncas ou colocar disciplina, eles nunca ergueram a voz ou responderam
com grosseria. Desde janeiro de 2015, a Júlia Vitória mora comigo e meu marido. O
Ramires morou conosco por quase três anos, de 2008 a 2011.
O tempo passou, eles cresceram e nossa família aumentou. Em setembro de
2014, o Renan se casou com a Bruna. Um pouco depois, o Menino, um cachorro vira-
lata que adotamos ao visitar um projeto social de proteção e cuidados de animais,
trouxe mais alegria para a nossa casa.
Hoje, continuo enfrentado os desafios de gerir um negócio próprio, participar
das diversas atividades das Entidades Contábeis, da organização de atividades na
igreja em que congregamos - entre elas, o curso para casais -, cuidar da minha família.
Atualmente contemplo a Julia aos 14 anos, começando a se tornar uma mulher,
com todos os conflitos próprios da adolescência, mas ao mesmo tempo, com uma
visão tão madura de coisas que a maioria dos adolescentes nem dão importância. Às
vezes presto atenção em algumas coisas que ela fala e parece que estou me ouvindo
falar. Ela usa termos e expressões que uso, até gestos, às vezes, são parecidos aos meus.
E então percebo o quão generoso Deus é comigo. Percebo o quão gratificante é ter uma
família sólida, pois, se assim não fosse, as conquistas profissionais e empreendedoras
não teriam o mesmo valor.
Hoje, eu entendo quando Deus falava comigo em Sua palavra, dizendo: “Canta
alegremente, ó estéril, que não deste à luz; exulta com alegre canto e exclama, tu que
Quais de mim você procura?
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não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária do que os
filhos da casada, diz o Senhor. Alarga o espaço da tua habitação, e não o impeças;
alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas. Porque transbordarás para a direita e
para a esquerda; a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades
assoladas”, Isaias 54:1-3.
Não gerei filhos no útero, mas os gerei no coração, e eles me receberam com
amor, carinho e respeito. Cumpriu-se a Palavra de Deus!
Deise Pinheiro
Quais de mim você procura?
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Mãe com Excelência
Eu sempre quis ser mãe, mais precisamente ter dois filhos. Claro, um
casal, pois queria viver os dois lados de educar, justamente porque passei por algumas
situações durante a minha infância que não eram possíveis serem aplicáveis a uma
criança e então cresci acreditando em uma educação e nela estou até hoje. Acertei!
Tive dois meninos e algumas meninas...
Era 1990 quando comecei um curso no Senai – Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial -, vivíamos em nosso país uma crise, não tão grave como a
que estamos enfrentando atualmente (2016), porque naquele tempo havia um grande
crescimento industrial e o desemprego ocorria pela falta de mão de obra qualificada.
Após a conclusão desse curso Modelagem Industrial Automobilística aos 17
anos fui desligada, porém, com a experiência logo fui admitida em outra empresa.
Conheci meu primeiro namorado e a história começa aí... eu me apaixonei, começamos
a namorar e em poucos meses veio o pedido de “prova de amor”.
Resultado, em 8 de dezembro de 1993 com 18 anos trouxe ao mundo meu
primogênito, Pedro Henrique. Do jeito que sonhei, loiro, dos olhos clarinhos,
sagitariano, canhoto e perfeito, sim porque havia a expectativa após algumas
declarações de que teria alguma má formação devido ao meu biótipo e problemas na
gestação.
Sozinhos, eu e ele vivemos fases na vida que ainda hoje não acreditamos
que passamos juntos. Foram batalhas e mais batalhas, juízes, promotores de justiça,
assistentes sociais, psicólogo, eles não mudaram o nosso amor e nem esconderam a
verdade sobre a vida, até mesmo porque dinheiro nunca foi o que nos uniu; não vou
contar os detalhes porque esqueci toda essa fase em algum lugar por aí.
O que importa é que crescemos juntos, ele sempre soube do amor que tenho
por ele e ele por mim. Quando ele tinha sete anos, veio a nova fase formamos uma
família com um pai do coração maravilhoso e apaixonado por ele que contribuiu e
contribuí muito para a formação do homem que é hoje aos 22 anos, trabalhador e
independente.
Desde pequeno trabalhamos juntos, ele sempre ao meu lado ajudando.
Costumo dizer que meus filhos já nasceram e foram trabalhar.
O Pedro me ajudou a trabalhar como manicure, fazer colar de contas para casa
de umbanda, roupa de dança do ventre e dar aulas. Como precisava trabalhar então,
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Quais de mim você procura?
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ele ia e ficava na biblioteca da escola brincando quietinho enquanto eu ministrava as
aulas de espanhol. Não o levava para empresa, porque não podia. Sempre foi muito
maduro, aos 10 anos quando eu e o pai respondemos a pergunta: Pai, eu tenho uma
década? Ele ficou maravilhado ao descobrir que em 10 anos já tínhamos viajado para
vários lugares e feitos inúmeras festas, e que tinha feito inúmeros cursos inclusive sob
responsabilidade da madrinha, enquanto eu estudava na Argentina ela cuidava dele
ensinado a jogar pôquer. Segundo ele, as melhores férias.
O tempo passou, até que chegou um dia ele disse que era hora de ter o tão
sonhado irmão, que ele insistia em ter porque até o amiguinho Anderson tinha. Por
que ele não?
E em 2006 a família aumentou, mudamos para nossa residência oficial e nela
chegou o caçula meu bombom Luís Otávio, fruto de uma relação intensa.
A felicidade estava completa. Eu tinha um bombom branco e um pretinho sim,
porque a mãe branquinha com o pai moreno já viu que criança linda que veio. O
caçula nasceu até com a manchinha da mistura do chocolate e branco no bracinho do
lado direito. Lindo!
Era inquieto adorava uma arte e a felicidade reinava em toda a família. Adorava
o clube e ama onde moramos, aqui tem seus amigos desde a infância.
A vida dele nesses 10 anos é bem mais fácil que a do mais velho. A avó o pai e o
tio, o irmão e os primos vivem juntos e assim com entendimento convivemos em família.
Com dois filhos, uma casa e uma família completa incluindo a Lili, a caçula da
casa uma shih-tzu, cor champanhe para brindar a nossa felicidade vieram os desafios
e oportunidades.
Quando o Luís completou um ano as necessidades surgiam, era hora de
despertar para a vida profissional de novo. Após o fim da licença maternidade fiz um
acordo e fui dispensada da empresa; aproveitei o segundo semestre do ano de 2006
para continuar curtindo minha nova fase.
Na necessidade e importância de voltar a trabalhar ouço a frase de maior
impacto em minha vida, que veio de uma das pessoas que mais amo na vida, minha
sogra Vicença: “Para você trabalhar e estudar eu cuido dos seus filhos.”
Frasemágica!EassimqueoLuístevealtadeumprobleminhadesaúde,queeletem
até hoje, comecei a estudar Letras e estagiar, não deu certo, conclui o um ano e tranquei a
matrícula. Sentia em meu coração que alguma coisa sairia errado na sala de aula.
Em 2007 arrumei um novo emprego, novamente em uma indústria, mas
com um salário melhor. Na sequência, em 2008, entrei na faculdade de Tecnologia
Industrial e comprei um carro, agora era executar o plano de ação. Parecia surreal, sair
de casa às 7h com duas crianças e voltar às 23h, mas com fé, foco e força me formei, e
ainda fiz uma pós-graduação, tudo em cinco anos.
Os meninos crescendo... Pedro também em 2008 entrou no Senai, seguindo a
carreira do pai, e o Luís ficava entre os cuidados da avó e do tio maravilhoso.
Sempre quando alguém perguntava para ele no que a mãe e o pai trabalhavam
Quais de mim você procura?
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ele dizia: Viajando! Sim, com o apoio da minha orientadora sogra viajei para vários
Estados do Brasil prestando consultoria, auditoria e treinamentos em sistemas de
gestão da qualidade.
Todos nós crescemos nesses anos, eu em especial como mãe, profissional
e empresária. A SantaISO veio em 2013 quando o pai resolveu seguir carreira solo.
Meus filhos tinham 19, 7 e 2 anos respectivamente. Eu precisava de algo ainda mais
desafiador e empreender era algo inevitável.
Estamos em 2006 e, até hoje, dentro de mim tudo foi feito pensando em como
tornar a nossa vida confortável e com qualidade de vida, e ser para eles exemplo de
mãe e profissional competente. Mesmo trabalhando e passando pelas adversidades
da vida conseguimos alcançar nossos objetivos juntos. Nesses 22 anos de experiência
de mãe incluo, nessa felicidade, minhas sobrinhas Carolina, Camila e meu sobrinho
Leonardo, Bruno e o Samuel e agora a pequena Elloysa.
Diana Cândida DE Oliveira
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dedicação para crescer
	
Montadora, empresária contábil, esposa do Luiz Antônio há 35 anos
e mãe da Juliana, 32 anos, e do Felipe, 30 anos. Estes são alguns papéis que exerço.
Minha filha é formada em Ciências Farmacêuticas e Bioquímica e atualmente reside
no Canadá, onde cursou sua pós-graduação em Gerenciamento de Projetos e trabalha
como conselheira educacional. Meu filho graduou-se em Sistemas da Informação, área
em que cursou pós-graduação voltada à Consultoria Empresarial e na qual administra
sua empresa na cidade de São Paulo, onde mora.
	 Desde a adolescência, sempre gostei de números. Meu primeiro emprego
foi em uma pequena empresa como auxiliar de escritório, onde fazia de tudo, desde
faturamento, cobranças, atividades de finanças, vendas, entre outras. Ao perceber
meu interesse em aprender, o gerente desta empresa começou a me passar mais
serviço, que eu executava com muita confiança, razão pela qual alcancei o então
cargo de gerente.
Lá eu trabalhei por 12 anos e desenvolvi a ideia de ser contadora. Cursei ensino
técnico em Contabilidade, graduação em Ciências Contábeis e pós-graduação em
Controladoria, uma das áreas da Contabilidade. Em 1983, ano em que Juliana nasceu,
trabalhava como contadora em uma empresa privada. Por trabalhar até tarde e levar
serviço para casa aos finais de semana, não curti os primeiros meses de minha filha.
No ano de 1986, quando o Felipe nasceu, foi a mesma coisa. Não conseguia ver meus
filhos crescerem. Contava com a colaboração de uma irmã que cuidava dos dois e que
por eles era chamada de mãe.
Foi então que, em 1990, resolvi trabalhar em casa como autônoma, para ficar
mais perto deles. A experiência de conviver com meus filhos tornou-se inexplicável.
Podia levá-los e buscá-los na escola e eles ficavam muito felizes. A maternidade é
um momento muito marcante para nós, mulheres. É uma fase em que passamos por
muitos desafios, principalmente quando se é necessário conciliar a vida profissional
com o sonho de ser mãe.
À época, não pude abrir um escritório, pois além de não ter recursos, não tinha
clientes. Foi então que fiz uma parceria com meu irmão, proprietário de uma empresa
de legalização de documentos junto a órgãos públicos, e ele começou a me indicar
clientes. Em 2001 abri minha empresa, a Magda Assessoria Contábil. Como sou uma
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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pessoa otimista, não identifiquei os desafios pelos quais passei para obter sucesso
como empreendedora.
No entanto, encontrar o equilíbrio entre trabalho e família ainda é uma das
dificuldades enfrentadas pelas mulheres empreendedoras, pois o principal obstáculo
feminino no mercado de trabalho costuma estar dentro de casa. Muitas mulheres
enfrentam dupla jornada, pois além do trabalho, cuidam dos filhos e encaram
uma injusta divisão de tarefas no ambiente doméstico. As mulheres têm excesso de
responsabilidades e ainda hoje encontram muitas barreiras para chegar a cargos de
chefia, o que pode atrapalhar o desenvolvimento de suas carreiras.
Embora o número de mulheres a frente de negócios esteja crescendo, como
proprietárias ou ocupando altos postos de comando, os desafios a serem vivenciados
são muito grandes. O primeiro deles é a falta de autoconfiança, uma característica que,
muitas vezes, está em nossa cabeça. A mulher que trabalha fora tem grande dificuldade
em conciliar trabalho e família, e esta característica não costumar estar presente no
universo masculino. As mulheres que estão à frente de negócios precisam enfrentar
em seu dia a dia a cultura que vem por décadas sobre a expectativa do papel da mulher
de ser mãe e esposa. Esta realidade a cada ano vem se mostrando diferente, com a força
de mulheres notáveis à frente de seus negócios.
Quando abri minha empresa, minha filha estava com 17 anos e meu filho,
com 14. Como já estavam crescidos e compreendiam o esforço, o processo foi mais
fácil, embora me dissessem constantemente que minha profissão era “de louco”, muito
desgastante, quase sem tempo para eles, com muitos cursos e palestras durante a
semana para me manter atualizada. Estava tentando dar o melhor para eles.
Acredito que minha trajetória como empreendedora tenha inspirado meu filho
a empreender também. Quando ele tinha entre 12 e 13 anos, estudava em um colégio
próximo de meu escritório e, sempre que saía, passava por lá para dar um ‘oi’. Então,
pedia a ele para ir ao banco fazer pagamentos, pois nesta época não havia internet.
Sei que ele ficava muito bravo e dizia que se houvesse fila na agência, não iria ficar
esperando. E não ficava mesmo! Ele retornava ao escritório com todos os boletos,
afirmando querer muito mais para si. Aos 18 anos, ele começou a trabalhar, com um
ótimo salário, após passar por um concorrido processo de seleção.
É natural sentir um pouco de medo ao iniciar seu próprio negócio, afinal,
sempre existe certo risco no empreendedorismo. Estou nesta profissão há algum tempo
e posso afirmar que esta jornada permanece muito gratificante. Ser empreendedor
é ter vontade de fazer algo diferente. Muitas vezes, temos que lidar com todas as
tarefas e áreas do negócio. As incertezas e as emoções das pequenas conquistas e
derrotas vividas diariamente fazem com que a experiência do empreendedorismo seja
inigualável à corporativa.
	 Para mim, o trabalho representa felicidade. Todos os dias, eu agradeço a Deus
por acordar com saúde e poder trabalhar. É muito importante escolher uma profissão
Quais de mim você procura?
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que gostamos e com a qual nos identificamos; saber o que nos realiza e quais sensações
fazem nosso cotidiano valer a pena. Sim, a felicidade está em pequenos momentos,
na soma de diversas sensações, por isso insistimos. O trabalho deve ser uma fonte de
realização, um papel na vida que nos trará orgulho, superação, desafios, entre outros.
Da minha empresa, eu cuido com carinho, pois ela é o meu sustento.
Já a maternidade é algo sublime na vida de uma mulher, é o maior dom de
Deus que podemos receber. Não há tarefa mais magnífica nem mais compensadora.
Com ela aprendemos mais sobre o amor incondicional. A maternidade é um momento
único, de aprendizado, afinal é mãe aquela que carrega seu filho no ventre; que lhe dá
luz; que cria; que ensina e que aconselha. O papel da mãe é muito importante, não só
nos primeiros anos de vida de seus filhos. Mãe é eterna.
Edna Magda Ferreira Góes
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Um quadro em branco e uma vida passada
a limpo
Quando criança, não gostava de brincar com bonecas, mas me lembro que
cedia à brincadeira quando podia fazer o papel romântico com o Ken, e principalmente,
quando tinha a possibilidade de fazer o papel de mãe. Pensava num quadro branco e o
que estaria escrito nele quando fosse mais velha. Sempre apareciam as palavras “mãe”
e “ajudar pessoas”. Fazia todos os testes de revista para saber quantos filhos teria e quais
seriam seus nomes. Fiquei expert em ler as linhas da minha mão. Eu teria sucesso na
carreira, mesmo querendo ser publicitária, médica, fonoaudióloga, agente de turismo,
psicóloga, recursos humanos... tudo ao mesmo tempo e agora, me casaria antes dos
trinta anos, teria três filhos, seria bem sucedida e viveríamos felizes para sempre.
Também tinha ânsia de aprender e compartilhar conhecimento. Tornei-me
professora universitária aos vinte e um anos de idade. Encantei-me pela sala de aula
e fui conciliando minha carreira com a vida acadêmica. Fiz uma brilhante carreira
na área de Marketing, passando por grandes corporações multinacionais que me
trouxeram grandes prêmios: estabilidade financeira, realização pessoal e profissional.
Casei-me aos vinte e sete anos. Trabalhava, na época, em uma grande multinacional
americana, na área de Marketing. As previsões estavam indo tão bem...
E aí, aquele diagnóstico. Estava voltando da lua de mel e tive minha primeira
crise de endometriose no voo de volta para casa. Uma dor tão insuportável que
desmaiei no avião. Nos dias que se seguiram, crises cada vez mais intensas, novos
desmaios. Lembro-me de ter tido uma dor tão forte numa madrugada que fui me
arrastando no chão, do banheiro até meu quarto, para pedir socorro. Depois deste
dia, acordei no hospital, com indicação para cirurgia. Minha endometriose era grau 5
(máximo) e decorrente deste diagnóstico, fiz três laparoscopias e uma cirurgia invasiva
para conter a proliferação do endométrio em mais órgãos além dos já contaminados:
trompas, ovários e parte do intestino. “Como assim, estéril? Eu nasci para ser mãe!
Eu vou ser mãe! Deve existir algum procedimento, algum tratamento até fora do país
que eu possa fazer”. Iniciei um tratamento medicamentoso por seis meses. Foram
muitos os efeitos colaterais, mais o ganho de vinte quilos. A autoestima ficou lá em
baixo. O desejo e a certeza de que seria mãe me levou a procurar por especialistas
em inseminação artificial e a decisão final de partir, futuramente, para uma adoção.
Decidi parar com toda medicação e relaxar. Depois de seis meses sem cortisona, sem
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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medicamentos agressivos e mais conformada com meu diagnóstico, veio o milagre.
Fiquei grávida da Vitória! Este foi um dos dias mais felizes da minha vida! Com a
notícia, virei caso de estudo da UNICAMP.
Aos três meses de gravidez meu marido nos deixou com um bilhete na parede,
se despedindo de nós. Quase enlouqueci. Mas sobrevivemos! Minha filha nasceu, meu
ex-marido voltou a se aproximar e no dia de aniversário de um ano da Vitória, concebi
o Mateus! Um único encontro; uma única chance e tive meu segundo milagre.
Recomecei a vida com meus dois bebês: Vitória com um ano e nove meses e
Mateus, recém-nascido. Nesta época, gerenciava uma rede de idiomas com mais de
1200 franquias no Brasil. Recomecei, eu, uma babá e o apoio incondicional dos meus
pais para tudo o que precisei e que vim precisar alguns anos depois. Vitória tinha
quatro anos e Mateus tinha dois quando tentamos reconstruir a família, mas o sonho
do “felizes para sempre” durou pouco: dois anos. De forma definitiva, meu ex-marido
foi tratar um problema de saúde, em sua cidade natal e não voltou mais. Foram meses
de espera, de angústia, de dúvidas, com tantos sentimentos misturados e uma única
certeza: deixava de me ver como coautora, como espectadora da minha vida e carreira.
Decidi ser protagonista.
Foram muitos os desafios ao longo da infância e, posteriormente, na
adolescência dos meus filhos. Tenho dois seres humanos incríveis e guerreiros. Ambos
tiveram problemas graves de saúde; os dois têm síndromes raras, passaram por muitas
internações e tratamentos. Precisava de mudanças radicais; de mais tempo com meus
filhos, de mais flexibilidade de horário, de possibilidade de fazer a minha própria renda.
O universo corporativo é muito sedutor, a sensação de segurança e prosperidade nos
estimula para nos perpetuar na zona de conforto, mas já não mais me moldava a este
formato-padrão de “felicidade”. Faltava um propósito maior. Voltei a pensar no quadro
branco e o que estaria escrito nele quando fosse mais velha. Agora faltava o “ajudar
pessoas”. Assim migrei de uma gloriosa carreira na área de Marketing, com emprego
estável, para a área comportamental do desenvolvimento humano, em gestão de
pessoas; minha grande paixão. Comecei atuando como palestrante e instrutora e fui me
especializando nas áreas do desenvolvimento humano (andragogia, comportamento
humano, neurociência, coaching e mentoria). No início da carreira autônoma, depois
de migrar dos empregos com salário fixo para a iniciativa empreendedora de forma
exclusiva, perdi-me na estruturação de algumas parcerias e em questões básicas de
planejamento financeiro; quebrei duas vezes. Não tenho nenhuma história grandiosa e
instigante para contar por ter perdido milhares ou milhões em cifras, de investimento.
Mas passei meses sem um centavo no bolso; anos vivendo na casa dos meus pais. Meus
filhos ouviram muitos, mas muitos “nãos” ao longo dos anos! Aprendi na prática sobre
resiliência, gratidão, perdão e protagonismo.
E perdoando meu ex-marido, me libertei também! Aprendi que o universo me
devolve o que lhe entrego.
O caminho foi árduo! Não foi nada fácil conciliar as agendas de clientes com a
Quais de mim você procura?
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da escola dos meus filhos, as festas de aniversário dos amigos da escola com as noites
e madrugadas produzindo material e desenvolvendo conteúdo para as consultorias e
treinamentos, ministrar as aulas na universidade nos horários em que aconteciam
reuniões de pais e mestres e datas comemorativas na escola dos meus filhos, deixar de ir
a algumas viagens da família por estar trabalhando nos finais de semana em projetos in
company ou estudando. Era um misto de superação e perda, de alegria e medo, de culpa
por não estar sempre presente e sentimento de dever cumprido pelas conquistas diárias.
Vim para ser mãe; não gosto de dizer que também para ser pai porque sei da
importância do papel que cada um tem na vida de um filho e um não compensa o lugar
e a missão do outro. Tive duas gestações sozinha e criei meus filhos na luz da minha
fé, da minha garra, dedicação, persistência e, principalmente, do meu amor irrestrito,
intenso e incondicional por eles. Mas não fiz o trajeto sozinha. Ninguém o faz! Não
teria conseguido resgatar minha essência e o entendimento do meu propósito de vida
e carreira; da minha veia empreendedora se não tivesse meus pais, minha família, a
contribuição de tantos anjos ao meu redor, me dando suporte e apoio. Não teria tantas
conquistas se hoje não tivesse mais do que um namorado; um cúmplice, um amigo
ao meu lado. Sim, reconstruí minha vida. Marcus me ajudou a entender o valor de
fazermos juntos; lado a lado!
E no meio de mais uma crise que assola nosso país, especificamente em outubro
de 2015; no meio do “olho do furacão”, reconstruí mais uma vez a minha carreira. Um
ex-aluno da universidade, de dez anos atrás, me ofertou uma sociedade. Junto com
Michel Lobato, abri a Eliana Araujo - Escola de Líderes. Hoje, com um ano e muita
história de sucesso e prosperidade!
O quadro está menos branco. Nele tem a mãe, a empresária e empreendedora
que ajuda pessoas e empresas e, com meus filhos, aprendi a escrever ohana1
/.
Reinventei-me, resignifiquei-me!
Aprendi que é impossível tentar controlar tudo e que, mesmo nos momentos de
crise, estamos sempre evoluindo na direção da vida que criamos.
Aprendi que “sucesso é ser feliz” e se eu puder fazer mais pessoas felizes, o
sonho sonhado com a maternidade estará garantido.
Eliana Araújo
1			 Ohana, na cultura havaiana, significa “família”.
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Sonhe, acredite e não tenha pressa...
o que é seu, está reservado!!!
Ahhh essa vida da gente...vez ou outra é tão bom olhar para trás:
recordar o que fomos, o que fizemos, quem passou pela nossa vida...lembrarmos onde
estudamos, no quanto sonhamos e em quem nos transformamos!!!
Neste momento, parece passar um filme em minha mente.
Até os meus treze anos, não poderia imaginar outra coisa, a não ser uma
conceituada bailarina, pois tinha uma paixão muito grande pela dança.
Porém, aos quatorze anos, perdi o meu pai.
Como filha única, comecei a pensar em trabalhar, pois necessitávamos
minimizar as despesas. Aos poucos, comecei a idealizar a carreira que queria seguir;
foi então que escolhi o Jornalismo; mas jamais pensei em ser uma simples Jornalista.
Queria ser a Sandra Passarinho, correspondente internacional e destaque no
telejornalismo no final dos anos “70”.
Escolhi cursar um colegial técnico em Tradutor e Intérprete (ensino médio):
aperfeiçoar o português e aprender inglês, francês e alemão. Este último, o sonho do
meu pai para a minha formação.
E aos dezessete anos, eu estava formada: inglês fluente, francês intermediário
e alemão básico; um idioma muito difícil. Mas o alemão tornou-se uma questão
de honra, em prol de tudo o que sempre ouvi o meu pai dizer: “Nenê, você vai
estudar alemão e vai ter muito sucesso dominando este idioma!!!” (“Nenê” era como,
carinhosamente, ele me chamava)
Mas eu jamais poderia me contentar com um “alemão” básico. Após o término
do meu curso, optei por não prestar vestibular naquele ano. Fui trabalhar em horário
comercial e, à noite, três vezes por semana, aulas de alemão; havia conseguido uma
bolsa parcial.
Mas esta vida da gente, “vira e mexe” nos surpreende, não é?
Eu havia iniciado um namoro com um rapaz que conheci no clube. Mas, desde
nosso primeiro encontro, tive uma sensação esquisita como se minha vida, a partir
daquele momento, nunca mais seria a mesma.
E nada acontece por acaso...
Aos poucos, o nosso relacionamento foi tomando uma proporção maior: fazíamos
planos para o futuro e, com meses de namoro, já dizíamos que teríamos três filhos.
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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Incrível... dois meses após completar dezoito anos, estava grávida do meu
primeiro filho.
Casamos e tudo parecia um sonho... Mas um sonho que levou tantos outros...
Fui morar em outra cidade e, em função do mal estar que sentia, nos primeiros
meses de gravidez, optei por sair da empresa onde atuava, uma multinacional com
todas as chances de uma promissora carreira.
A gestação progrediu bem, mas eu optei por interromper o meu curso de
alemão, transformando-me, pela primeira vez, em uma dona de casa.
Nasceu meu filho Fábio: muito saudável. Eu estava muito feliz em finalmente
ter me tornado mãe. Mas, no período de amamentação dele, exatamente em seus sete
meses, engravidei do meu segundo filho, Bruno, sem qualquer programação. Com
dois filhos pequenos e com a opção de estar à frente da educação e formação deles,
abri mão de voltar ao mercado de trabalho.
Só dois ou três anos depois, voltei para o curso de inglês e havia decidido: iria
prestar vestibular para o Jornalismo. Já atuava em uma rádio da cidade e queria muito
conseguir uma vaga no jornal.
Mas a vida sempre nos surpreende: exatamente quando havia iniciado o meu
tão sonhado curso de Comunicação com ênfase em Jornalismo, estava grávida e fui
mãe da tão sonhada menina.
Até consegui fazer alguns semestres; mas com três filhos pequenos, sem chance
de me envolver com estágios; optei por trancar minha matrícula!!!
E foi neste momento que iniciei o empreendedorismo em minha vida.
Minha paixão por sobremesas me direcionou para alguns cursos e pude iniciar
uma produção discreta. E, nos dez anos subseqüentes ao nascimento de minha filha,
atuei na área de alimentos e até abri uma uma Cafeteria.
Mas as encomendas aumentaram muito, em pouco espaço de tempo e minha
vida era a produção de sobremesas. Até que optei pela venda do estabelecimento, para
recuperar meu casamento; a relação estava muito abalada. Voltei a ser dona de casa;
mais perto de minha família.
Mas o tempo foi passando e acabamos por concluir que havíamos nos casado
muito jovens e as diferenças foram ficando mais visíveis. Após vinte anos de casamento,
nos divorciamos.
Com filhos maiores, resolvi fazer Hotelaria, pois a atuação em eventos estava
em alta. Após formada, gerenciei um Hotel Fazenda no interior e dei várias consultorias
em pousadas. Meus meninos já eram maiores e cursavam a faculdade; o mais velho já
morava fora de casa; o do meio, com o pai e minha caçula, uma adolescente que ficava,
em minha casa, com minha mãe.
Mas, alguns anos depois, não suportava mais trabalhar aos finais de semana.
Em 2008, consegui uma vaga como Recepcionista Bilingue, na Diretoria da
Ford; mas com o início da crise mundial, não fui efetivada.
Quais de mim você procura?
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E foi no embalo destes acontecimentos que uma depressão foi constatada,
vindo a sofrer um acidente. Fraturei a coluna lombar, com primeiro diagnóstico de
paraplegia; fiquei em uma cama, em torno de seis meses e quase 24 meses, fora do
mercado de trabalho, em função das terapias complementares.
Mas minha recuperação ultrapassou em muito, os prognósticos médicos.
Quando fui liberada para voltar ao mercado de trabalho, fui contratada
pelo Grupo Suzano, para uma vaga interna, na área comercial. Lá estive durante 18
meses. Até que um dia, a minha gestora me indagou se eu aceitava ser promovida à
vendedora, pois até então, atuava como um “coringa” na empresa, tamanha facilidade
de comunicação e expressão que muitos haviam identificado em mim. Não aceitei,
pois não tenho qualquer afinidade com vendas. E pasmem: aos meus 49 anos, fui
dispensada, após o retorno do meu período de férias.
Tudo bem que a minha gestora, ao me dispensar, me disse: “Élide, você é muita areia
para o nosso caminhãozinho. Vá escrever...vá fazer o que realmente gosta...vá ser feliz!!!”
Mas claro que esta frase dela, não fazia o menor sentido. E só conseguia pensar:
o que farei agora?!?
Mas jamais deixei de sonhar e acreditar!!!
Dois meses depois da demissão, maio de 2012, estava sendo convidada para
atuar como Redatora em uma revista de Turismo. E esta foi a porta que se abriu, mais
de 25 anos depois, para eu retomar o caminho que havia aberto mão, em prol da
formação dos meus filhos.
Nestes últimos quatro anos, atuei como Redatora e como repórter também. E
mais: desenvolvi um Blog, “Éli de bem com a VIDA!”, postagens com base na Gestão
Disney, ferramentas que conheci no decorrer do meu curso de Hotelaria.
Consegui desenvolver um perfil bem conhecido nas redes sociais e, com
tamanha visibilidade, estou na segunda temporada do meu programa em web TV,
com a mesma titularidade.
E quanto aos meus filhos?
Os três se formaram em áreas diferentes: Engenharia da Computação na USP,
Administração de Empresas na Universidade Metodista e a minha menina, além de
bailarina, como sempre sonhei, é formada em Designer de Interiores pela Belas Artes.
E hoje já sou vovó da pequena Lia, do meu filho mais velho e da Pietra, da minha
filha caçula. Hoje moro sozinha, apesar de estar muito feliz em um relacionamento
onde sou respeitada e muito amada.
Profissionalmente falando, atuo como Assessora de Imprensa e Palestrante,
além de estar finalizando o meu primeiro livro: “Câncer de Mama – JAMAIS
acontecerá comigo!!!”. Minha história e de mais dez mulheres, na difícil experiência
de passar por um diagnóstico e tratamento de câncer de mama; fui diagnosticada em
janeiro de 2014... mas está tudo bem!!!”
Quais de mim você procura?
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Será uma das ferramentas para complementar as várias ações filantrópicas que
faremos através do grupo “Superação Rosa”, em prol da campanha em prevenção ao
Câncer de mama, “Outubro Rosa – 2016”.
E sabe por que “De bem com a VIDA?!?
Porque eu sigo o meu caminho, de cabeça erguida e acreditando sempre que,
dias melhores virão. Em todas as muitas adversidades que passei e passo, não abro
mão de viver o meu melhor, curtir o que realmente me faz bem, como a música e a
dança, por exemplo e jamais permitir que, quem quer que seja, modifique o que sou
em essência.
E quanto aos filhos?
Ahhhh...por aqui todos adultos e independentes; mas a certeza de que podemos
contar, uns com os outros, seja lá o que quer que esta vida possa nos “presentear”!!!
Posso dizer que, amadureci com eles; aprendi muitas coisas que não havia
tido a oportunidade de vivenciar, no formato de família que tínhamos quando eu era
pequena.
E quer saber mesmo?
Estou vivendo uma das fases mais incríveis da minha vida, sem qualquer
sombra de dúvida...amo o que faço, sou muito amada e respeitada, tenho minha saúde
recuperada e duas lindas netinhas!!!
Quais de mim você procura?!? Muito prazer, hoje sou Élide Soul, Jornalista
com muito orgulho!!!
E eu seria injusta demais, com esta inteligência superior, que a todos nós rege,
se eu esquecer em um só dia de agradecer, por todas as oportunidades que esta vida
me trouxe, em aprender, entender, praticar, acreditar e me superar....dia após dia, em
cada novo amanhecer!!!
Élide Soul
Quais de mim você procura?
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50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Por que não mãe e também empreendedora?
Sempre sonhei um dia poder servir de exemplo. Mas não por vaidade, e
sim, para ajudar outras pessoas a ter sucesso.
Sou de origem humilde, criada na periferia de São Paulo, de família complicada,
soube transformar cada limão da minha trajetória em uma refrescante limonada e,
com muito orgulho, quero compartilhar isso com mulheres batalhadoras que, como
eu, reinventam-se todos os dias. O objetivo é incentivá-las a jamais desistirem da luta
e que sim, vale a pena!
Sou proprietária da loja virtual de roupas infantis Repipiu Baby & Kids,
mãe da Beatriz, que hoje está com cinco anos de idade, especialista em Marketing
Digital e E-commerce. Na área de empreendedorismo feminino, sou embaixadora
da Escola de Você, que é um portal fundado pelas jornalistas Natalia Leite e Ana
Paula Padrão e que, gratuitamente, disponibiliza aulas online para mulheres.
Os conteúdos abordados nos cursos são: autoconhecimento, empoderamento e
empreendedorismo, ajudando mulheres a desenvolver autonomia e autoconfiança
para gerir seus negócios e suas vidas.
Fui apresentada à Escola de Você pela coach de mães empreendedoras da cidade
de Manaus, Daniela Menezes. Ela me conheceu num momento em que sentia que
o mundo todo estava contra mim. Comecei a empreender, mas percebia que muitas
pessoas de meu convívio no mundo corporativo não apoiavam minha decisão. Queria
e precisava conhecer outras mulheres que estavam no mesmo momento que eu. A
Escola de Você combinou perfeitamente com minha busca, pois é um grupo que reúne
diversas atividades voltadas para empreendedoras e onde todas do grupo possuem um
objetivo comum: unir forças e o crescimento pessoal e profissional. Amei a proposta
e acompanhei a escola durante todo o ano de 2015, fui me envolvendo e percebi que
poderia contribuir muito mais do que imaginava.
Devido a essa sinergia com a Escola de você, manifestei o interesse em me
tornar embaixadora na região Norte de São Paulo e desde então venho desenvolvendo
um trabalho com outras empreendedoras. Essa troca tem sido muito gratificante, pois
é em forma de voluntariado e tem me proporcionado a oportunidade de ajudar outras
mulheres, além de crescer e me desenvolver junto das pessoas que conheço ao longo
desse caminho. E com essa força que adquiri, também assumi como auxiliar ao grupo
Empreender Mulher, que também é um grupo de mulheres empreendedoras, fundado
Quais de mim você procura?
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por Adriana Valente, e o meu objetivo nesse grupo é criar pontes de contatos, gerar
oportunidades e novos negócios.	
Conclui a graduação em Administração de Empresas nas Faculdades Oswaldo
Cruz no ano de 2002 e foi graças a um financiamento estudantil que consegui meu
curso superior, realidade que faz parte da vida de muitos jovens do país; afinal, devido
à baixa renda de suas famílias, muitos dependem de programas de financiamentos e de
bolsas de estudos para seguirem seus estudos.
	 Então as portas foram se abrindo e percebi que a vida começou a andar no
ritmo que gostaria. Sem perder a oportunidade que o momento me proporcionou, fiz
MBA na área de Gestão Empresarial na prestigiada Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Atuei em grandes empresas na área administrativo/financeira. Conheci ótimas
pessoas (e outras nem tanto) do mundo corporativo. Casei-me em 2007e tive uma
bebê no ano de 2010.
E foi no ano de 2013 quando achei que a vida estava perfeita, foi que ela
me surpreendeu e deu uma reviravolta. Depois de quinze anos atuando nas áreas
administrativa e financeira e finalmente trabalhando na empresa dos sonhos, com
família formada e a minha filha ainda bebê (Beatriz tinha apenas dois anos de idade),
tive que deixar o mundo corporativo... demitida.
Assim, nasceu uma mãe empreendedora.
	Cheia de garra e fé na vida, diante da dificuldade para conseguir uma
recolocação no mercado, uma vez que as empresas exigiam disponibilidade total de
tempo, algo de que não poderia dispor, pois minha filha precisava muito de mim. Não
pensei duas vezes e entrei de cabeça no mundo do empreendedorismo.
Com apoio do marido, comecei a estudar tudo o que dizia respeito a Marketing
Digital, fazer cursos e consultorias no Sebrae; entre tantos, o curso Empretec. Tornei-
me Empreteca, o que me proporcionou uma mudança comportamental que não teria
sido proporcionada no mundo corporativo.
	 Há pouco mais de três anos, vivo um sonho que se tornou realidade graças a
meu esforço e persistência. Montei uma loja virtual de roupa infantil, visando atender
às necessidades das mamães que trabalham fora e não têm muito tempo em buscar
roupa infantil de qualidade e preço justo; uma realidade que vivi quando estava no
mundo corporativo.
Esse desafio que requer muita dedicação, pois minha experiência sempre foi
na área financeira, e isso também representa a consolidação da paixão e da vontade
numa rotina de trabalho que se encaixa perfeitamente à minha necessidade. Isso me
permite ser dona do próprio tempo e conciliá-lo com a educação e acompanhamento
do crescimento de minha filha e a atenção à família.
Quando saí do mundo corporativo, além das atividades de meu E-commerce e
cuidados com minha família, também consegui conciliar a atividade com elaboração e
revisão técnica de material didático para uma grande editora.
Sempre tive uma veia empreendedora, pois antes mesmo de entrar no mercado
Quais de mim você procura?
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de trabalho, já trabalhava com minha mãe, vendendo no colégio, coxinhas e esfihas
que ela fazia. Também ajudava a fabricar e vender pão caseiro e pamonha, vendendo e
entregando de porta em porta. Essa experiência foi muito importante para mim, pois
assim fui desenvolvendo habilidades de vendas e de contato com clientes. Porém, a loja
virtual foi meu primeiro empreendimento formal.
Para mim, ser empreendedora é fazer a diferença na minha vida, na vida de
minha família e na sociedade. Meu maior orgulho é ter transformado minha própria
história, de origem humilde a funcionária de multinacional e, depois de desempregada,
empreendedora, empresária e motivadora, ensinando e crescendo junto com outras
guerreiras. Sempre digo que dias melhores virão!
Erica Biondo
Quais de mim você procura?
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Nada muda se eu não mudar!
Quanta honra ser convidada a participar deste projeto maravilhoso, mas
ao mesmo tempo um frio enorme na barriga, um grande desafio em escrever, uma vez
que não me acho boa nisto.
Minha história de mãe empreendedora se inicia no Japão, onde morei por
quase 20 anos. Casei-me e no mês seguinte desembarcava no Japão com o pensamento
de que ficaríamos por lá de 2 a 3 anos e voltaríamos. Mas com o tempo vimos que não
seria assim... Passados 6 anos resolvemos que já era a hora de termos um filho, então
começaram nossos planos... eu queria ter meu filho e poder curtir este momento de ser
mãe, e como isso seria possível? A rotina louca de uma jornada de 12 horas de trabalho
diários ou até mais inviabilizava esse sonho.
Foi então que resolvi que minha renda não seria mais como empregada de uma
fábrica. Iria revender produtos trazidos do Brasil, e ter uma equipe de revendedoras.
Estava pronta para a gravidez... então que venha a gravidez!!!!
E ela veio. Em 2003 nascia meu primeiro filho, um lindo menino. Vivenciei
com intensidade essa experiência única de ser mãe. Curti todos os momentos, fases,
preocupações, alegrias, e me vi a mulher mais feliz do mundo.
Quandomeufilhocompletou1anoe6meses,asvendasjánãoeramcomoantes.
Eu queria muito voltar ao Brasil para apresentar meu filho a família e principalmente
a minha avó, que nesta época já apresentava problemas de saúde. Meu pequeno era
seu primeiro bisneto. Precisava ter reservas para isso. Então voltei a trabalhar numa
fábrica como a maioria. Coloquei meu filho numa escolinha japonesa. Trabalhava
agora 8 horas por dia, para assim ter como dar atenção ao meu pequeno. Creio que
Deus sabe tudo que faz, e nos prepara o melhor.
Passado 1 ano viemos rumo ao Brasil, ficamos 3 meses por aqui. Minha avó e
toda a família puderam conhecer nosso reizinho. Regressei ao Japão sabendo que teria
que voltar a trabalhar a uma fábrica para nos erguermos das despesas que
havíamos tido com a viagem, enfim essa é a vida.
Meu filho, com a idade de 3 pra 4 anos, seu pai me chama para uma conversa e diz:
– Chega. Não dá mais, não quero mais... nunca fui feliz ao seu lado, e quero a
separação!!!
Como assim ? nunca foi feliz ? foram quase 10 anos de casados. Sentia como se
um tsunami passasse sobre mim.
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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Mas fazer o quê? Aceitei a situação, peguei meu filho e sai de casa. Na época
meus pais moravam lá. Fiz nossas malas e fui para casa deles. Fomos recebidos de
braços abertos.
Entretanto estou só, com um filho nos braços. Por maior que tenha tido o apoio
de meus pais, e eles me apoiaram muito, como sustentar meu filho agora?
O valor que o pai disponibilizava não supria todas as necessidades de nosso filho.
Nunca tive medo de trabalhar, e contando com ajuda de meus pais, recomeçaria
novamente.
Minha mãe se tornou sua segunda mãe, buscava-o escolinha, dava banho,
alimentava-o, e muitas vezes colocava-o para dormir, pois eu trabalhava, além das 8
horas diárias, de 4 a 6 horas extras, de segunda a sexta, e aos sábados trabalhava até às
20 horas na fábrica, e ao sair, me dirigia a outro trabalho - um bico, onde trabalhava
até as 6 horas do dia seguinte .
Meu filho estranhou, chorou, queria entender o porquê, mas com o tempo foi
se adaptando. Muitas vezes meu coração se partiu por vê-lo assim, mas fiz o que achei
ser o necessário, afinal não queria que faltasse nada a ele . Fiquei nessa vida louca 1
ano e meio quando conheço um novo ``amor``. Mas avisei: “nada de filhos e nem de
casamento de papel passado”. Na verdade acho que ele adorou a ideia, pois não é uma
pessoa de assumir grandes compromissos.
Meu segundo marido me apoiava em todas as loucuras que quisesse fazer.
E nesse momento decidi que não queria continuar numa fábrica, e lá vou eu
novamente empreender trabalhando com maquiagens importadas, via China e USA.
Aproveitei minha formação de Maquiadora Profissional para me associar a uma
maquiadora renomada. Inicio ministrando cursos por todo Japão.
Para nossa surpresa surge a suspeita da segunda gravidez. Tenho que ir ao
médico, fazer exames.
No dia da consulta, chamo meu marido, e digo que vou conversar com o
médico, e saber quais os reais riscos que corro, afinal estou na casa dos 40 anos, como
também apresento hipertensão gravídica.
Preocupo-me, pois se algo me acontecer o que será do meu filho, e deste que
está a caminho? Afinal meu segundo marido não é uma pessoa que teria condições de
criar um filho pequeno sozinho.
O médico me diz que não tenho com o que me preocupar, fazendo todo meu
pré-natal estaria tudo bem e seguro. Diante disto não tive a menor sombras de dúvidas
que teria meu segundo filho. Ele seria tão amado e querido como o primeiro.
Mas com a notícia de confirmação da gravidez meu mundo desaba. Meu
casamento desestabiliza.
Mentiras, histórias mirabolantes, fantasias, raiva, ódio, separação. Infelizmente
até hoje não sei dizer o que realmente aconteceu. Qual o motivo.
Voltei do hospital com minha mãe me questionando se deveria ter esse filho, e
minha irmã colocando pilha pra que não levasse essa gravidez adiante, sem entender,
Quais de mim você procura?
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até os dias de hoje,o porque disso tudo. Foram criadas histórias, que quando calma e
tranquila, conclui que não eram bem como minha irmã insistia em dizer. Mas meus
pais já estavam com ódio do meu marido e tinham a certeza que 100% do que minha
irmã dizia a verdade. Minha mãe insiste que não deveria seguir com a gravidez. Tento
entender o lado dela, a preocupação.
Mas o maior absurdo que ouvi foi minha irmã dizer: “agora que sou evangélica
sou contra o aborto, mas vou te arrumar uma família que não pode ter filhos, eles
arcarão com todas suas despesas, e quando a criança nascer você a entrega”.
A essa altura dos acontecimentos eu não queria mais saber se eu machucaria
alguém com minhas atitudes, afinal eu estava ali sendo massacrada, ao invés de viver
o momento mais lindo e sublime para mim, a minha gravidez.
Respondi a ela, sem titubear: “você não é mãe, não tem noção o que é sentir
uma vida crescendo, se desenvolvendo. É muita emoção e amor envolvidos. Você acha
que sou capaz de entregar um filho meu? A única vez que me passou pela cabeça a
possibilidade em interromper essa gravidez foi antes de conversar com o médico e
saber se eu e o bebê correríamos risco de morte.
A situação ficou insustentável. Decidi que era hora de sair de lá. E lá fomos nós,
eu e meu filho, sozinhos, para um apartamento, longe de todos, onde ninguém saberia
onde estávamos. Meu filho continuou convivendo com meus pais, mas com minha
irmã cortei relações.
Continuei na batalha, e meu marido não sabia o que queria, dizia-se magoado
com tudo, mas ao mesmo tempo dizia querer estar perto do filho.
Nesse momento pensei com o coração: “não quero um filho sem pai”. Acabamos
voltando. Meu marido não era o melhor marido do mundo, mas era um bom pai e me
apoiava em tudo.
Minha segunda gravidez foi muito conturbada. Sofria, chorava, me via sozinha.
Culpava-me por não ter como dar, ao meu filho que chegaria, ao menos metade
do que o primeiro teve. Mas o mais triste e impactante foi o dia do nascimento do meu
segundo filho. Eu sozinha no hospital. Quanto chorei. Pedia perdão ao meu filho por
tudo que estávamos passando, por estarmos sozinhos, só nos dois... e Deus.
Mas minha mãe, que apesar de tudo, é mãe, chegou na madrugada no hospital.
Ficou comigo e viu meu filho nascer. O pai dele veio depois de trabalhar o dia todo.
Mas o mais emocionante e belo foi quando meu filho mais velho chegou no hospital
para conhecer seu irmão... Quanto amor, quanto carinho ... nesse momento eu tive a
certeza que esses eram os homens de minha vida, meu dois filhos !!!!
Voltamos para casa e fui registrar meu filho, sozinha. Pelo governos japonês
eu aceitava que fosse assim, e pelo governo brasileiro, mesmo não estando certo, fui
protelando e esperando que o pai fosse comigo registrar nosso filho, mas isso não
aconteceu.
Não sei o porque até hoje dessa postura. Ele sempre enrolou e nunca deu uma
justificativa.
Quais de mim você procura?
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Aparentemente amava nosso filho e nossa família, como pai tinha qualidades e
defeitos, aliás como todo mundo. Fui levando nossa vida com altos e baixos, até a hora
que decidi voltar ao Brasil !!!
Em 6 meses resolvi tudo, me preparei , preparei as crianças e decidi.
Vou nem que seja sozinha com as crianças, afinal já batalho tanto aqui, porque
não batalhar no meu próprio pais? Fui criticada e julgada por todos: famílias, amigos,
mas mesmo assim, a decisão era essa: Eu vou !!!
E eu vim.
Recomecei minha vida no Brasil, com dois filhos, e com o apoio do meu pai,
que também resolveu retornar ao Brasil. Meu pai me disse:
– Já estou velho , mas posso lhe ajudar cuidando dos meninos enquanto você
procura se virar.
Desde que cheguei sabia que teria que empreender. Procurar um emprego CLT
sequer passou pela minha cabeça, pois estar ausente do mercado de trabalho por quase
20 anos diminuíram muito minhas chances.
A vida se encarregou e me levou, cada vez mais, para o mundo do empreende-
dorismo feminino. Comecei a fazer parte de grupos, via Facebook, comparecendo a en-
contros, oficinas, workshops , e conhecendo pessoas, entre elas várias empreendedoras.
Paralelamente comecei a vivenciar o mundo do MMN (Marketing Multinível), e
ameiestemundo.Identifiquei-me.Epercebiquesãopoucasasmulheresque acreditam
e pensam nele como  um empreendimento. Resolvi desmistificar, me especializando.
Hoje é um dos trabalhos que desenvolvo.
Nesse universo do empreendedorismo conheci pessoas maravilhosas. Surgiram
excelentes parcerias, muito aprendizado, grandes amizades e até uma sociedade.
Esta é, resumidamente, minha vida de empreendedora e mãe.
Hoje,após1anoemeiodevoltaaoBrasil, possodizeravocêsqueestoucaminhando,
com a certeza que estou no caminho certo. Sou muito mais feliz aqui, e creio que vencerei.
Num próximo livro, quem sabe, estarei contando os meus maiores sucessos!!!!
Afirmo com toda a convicção a vocês que depois das minhas decisões e
mudanças de atitudes, encontrei meu caminho, afinal nada muda se eu não mudar!!!!
Erika sakugawa
Quais de mim você procura?
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Um “raio” cai duas vezes no mesmo lugar:
raios de bençãos!
Há 20 anos, era junho de 1996 e ouvi o médico me dizer “Vamos para
o hospital agora, você está a ponto de apagar... você e sua filha correm perigo”. Saímos
correndo, e essa foi minha última lembrança antes de entrar em coma. Mas também
guardo uma sensação, de que pedi a Deus por minha filha, e que se preciso fosse, que
levasse a mim e a deixasse viver. Eu estava grávida, e tive eclâmpsia. A hipertensão
arterial específica da gravidez recebe o nome de pré-eclâmpsia e, em geral, instala-se a
partir da 20ª semana, especialmente no 3⁰ trimestre. A pré-eclâmpsia pode evoluir para
a eclampsia, uma forma grave da doença, que põe em risco a vida da mãe e do feto.
Do tempo em que estive em coma tenho memórias, e a primeira delas é uma
música orquestrada, que inundava meus pensamentos. Minha mãe colocava uma
música para eu ouvir... Não sei se com algum propósito específico, mas aquela música
me dizia para voltar, queria me trazer de volta... E lembro-me de estar em um campo
florido, com um lindo arco-íris, e uma sensação de paz e aconchego.
Às vezes sentia que só faltava abrir os olhos, era uma sensação muito forte,
mas eu não conseguia voltar. Lembro-me de ouvir a voz da minha mãe falando:
“Seja resiliente, conversamos tanto sobre essa palavra...”. E ali, sem conseguir naquele
momento me livrar do coma eu pensava: “Precisamos estar diante da morte, para dar
valor às pequenas coisas da vida?”
Quantas vezes gastamos nossa energia com coisas que não valem a pena,
com coisas que nada acrescentam à nossa vida? E isso tudo me trouxe uma valiosa
lição: não precisamos chegar perto da morte para fazer essas descobertas. Podemos e
precisamos fazer essas reflexões agora, hoje, enquanto temos consciência e podemos
agir por nossa própria vontade. O futuro – ah, o futuro, meu querido leitor, é incerto!
Devemos sim nos preparar para o futuro, elaborar projetos, mas que estejam
alinhados às nossas ações do presente. É necessário ter esperança, mas, sobretudo,
sabedoria. Vislumbrar o futuro, mas principalmente saber aproveitar o momento
presente.
Por isso, quando consegui voltar do coma, foquei em ser a melhor mãe do
mundo para a minha Marina. Não tive nenhuma sequela da eclâmpsia, mas fui
informada de que não poderia ter mais filhos, e seguimos a nossa vida!
Estudei, fiz meu sonhado Mestrado e posteriormente meu Doutorado. Com
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
50
isso, 19 anos se passaram...minha Marina na Universidade, saudável e feliz...quando
descobri que estava grávida! Uau! O quê? Como assim? Inúmeras perguntas me fiz...
fui em vários médicos e não obtive uma explicação científica. Fiz todos os exames e
estava ótima, encarei a gravidez como uma bênção e estava muito feliz!
Há 20 anos pesquisava sobre Resiliência, nas mais diversas esferas que podem imagi-
nar... minha dissertação de mestrado e a tese de doutorado foram sobre a RESILIÊNCIA.... e
nesseínterim,passeinoprocessoseletivodaForçaAéreaBrasileira(FAB),efuia01daturma
de Oficiais lotada na EEAR...e ainda tenho muito a descobrir, pois o conhecimento é algo
inacabado e o nosso cérebro é (ainda) um mistério a ser desvendado.
Mas de ter minha tese reconhecida pelo Conselho Brasileiro de Psicanálise, é
uma grande honra... e receber os feedbacks dos meus leitores não tem preço... saber
que esta obra está ajudando as pessoas a serem protagonistas de suas vidas é o meu
maior sucesso! É onde queria chegar...
Então, no terceiro mês de gestação tive um sangramento, e constatei que a
pressão arterial estava muito alta. Então indaguei ao médico, se eu tinha feito todos
os exames, e cada gravidez é única, porquê estava com hipertensão no terceiro mês de
gestação. Respostas diversas eu tive, mas nenhuma pontual. Na verdade não se sabe
ao certo por que a eclâmpsia acontece. E tomei todos os cuidados para conseguir ir
adiante com a minha gestação.
E tinha escrito uma obra: RESILIÊNCIA – vença o stress e controle a pressão
antes que eles dominem você! Virou um bestseller; e quando esta obra está no seu
auge, e eu começo a ser requisitada para eventos importantes, inclusive internacionais
e em programas de TV....tive uma pré-eclâmpsia grave aos 8 meses de gestação, onde
meu marido ouviu do médico: “Vamos ter tempo de salvar somente a sua filha....”
Hoje, tenho uma bebê de 9 meses, linda e saudável, e eu???!!!! Ah.... usei as
técnicas resilientes e não entrei em coma de novo, não perdi meus rins e nem uma
parte do fígado (como os médicos haviam previstos)....
Sim...foi a minha RESILIÊNCIA! Todos nós podemos acionar a nossa resili-
ência, e ela é imprescindível para todos os campos da nossa vida: familiar, pessoal,
profissional, emocional, financeiro, etc.... O poder da nossa capacidade cerebral é in-
questionável... conheça as técnicas resilientes e seja FELIZ! Ahhhh...e não aprendemos
a ser resilientes; escolhemos SER!!!!
Eu escolho ser resiliente, e você? Aceite meu convite, e desenvolva as compe-
tências para ser uma pessoa resiliente e feliz!
O despertar é intrínseco e pode ser acessado somente por nós mesmos, com a
chavedoautoconhecimento,quandonospermitimosvivenciarassituaçõesaquesomos
submetidos transformando conhecimento em comportamento. Após reconhecer a
sua resiliência, você estará mais propício a entender o outro, a conviver melhor com as
diferenças, e ter sucesso em suas relações, pessoais, sociais ou familiares, gerando um
equilíbrio para os campos financeiros, emocionais, entre outros.
Minha Marianne está aí, linda e saudável! Na minha opinião esses “raios” de
Quais de mim você procura?
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bençãos serviram para me tornar uma pessoa melhor e ter a chance de rever meus
valores, ajudar mais ao próximo e viver a vida com a plenitude que merece.
Pois eu tenho medo de viver uma vida rasa, sem profundidade, de ver as
situações apenas de forma superficial. E isso eu sei que eu não fiz e não vou fazer. Vivo
cada dia com a intensidade e o respeito que merece.
Eu escolhi ser resiliente, e você?
Aceite meu convite, e desenvolva as competências para ser uma pessoa resiliente
e feliz! O despertar é intrínseco e pode ser acessado somente por nós mesmos, com
a chave do autoconhecimento, quando nos permitimos vivenciar as situações a que
somos submetidos transformando conhecimento em comportamento.
Após reconhecer a sua resiliência, você estará mais propício a entender o outro,
a conviver melhor com as diferenças, e ter sucesso em suas relações, pessoais, sociais ou
familiares, gerando um equilíbrio para os campos financeiros, emocionais, entre outros.
MINI-CURRÍCULO: Érika mora em Taubaté, São Paulo, CEO do Instituto Stancolovich, é Ofi-
cial R/2 da Força Aérea Brasileira. Doutora em Psicanálise, Mestre em Educação e Psicanálise.
Graduou-se em Letras e Pedagogia; possui três Pós Graduações; é professora universitária, também
é formada em Psicanálise Clínica, Executive Coach e Neurocoaching. É conferencista internacional
e escritora. Ela é Diretora Pedagógica do Conselho Brasileiro de Psicanálise e Psicoterapias (CON-
BRAPSI). É coautora de outras cinco obras. É consultora de carreira. É apresentadora do quadro:
“5 min que mudarão a sua vida!” (Programa de incentivo ao empreendedorismo feminino). Possui
um e-book: Como treinar o cérebro para alcançar o intangível! Vários projetos e artigos nas áreas:
Educacional, Saúde Mental e Empresarial.
Prêmios recebidos:
– Referência elogiosa em frente a tropa pelo Comandante da Escola de Especialistas de Aeronáutica;
– Diploma de honra ao mérito da Academia Taubateana de Letras;
– Professora Universitária homenageada na Faculdade Anhanguera de Taubaté e UNITAU
(Universidade de Taubaté);
– Placa recebida pela UNICID (Universidade de São Paulo);
– Certificado recebido pelo Comandante da EEAR, por ter idealizado e
coordenado o I Seminário de Educação da Força Aérea Brasileira;
– Prêmio recebido pela CONBRAPSI (Conselho Brasileiro de Psicanálise
e Psicoterapias);
– Menção honrosa recebida pela Polícia Militar do Estado de Minas Gerais;
– Menção honrosa recebida pelo Rotary Club de Ponte Nova, MG.
Érika no face: www.facebook.com/erika.veiga.7?fref=ts
Fanpage /Instagram: Palestrante Érika Stancolovich
Site: http://www.stancolovich.com.br
Whatsapp: (12) 9 8112-9242
Quais de mim você procura?
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Depois de certo tempo tudo que nos é
estranho se torna familiar.
Sem generalizações, tendo a acreditar que quando as pessoas tem um
filho, este vem a ser o foco do casal num cenário onde outros aspectos da vida já
estavam de alguma forma encaminhados. No nosso caso, saímos do Brasil em 2006
em duas pessoas e voltamos em três em 2015. Com a chegada de Samuel, além de
aprender a sermos pais, tivemos que superar uma mudança internacional não
planejada, readaptação a um país do qual havíamos ficado distantes por dez anos, um
plano B de emergência sem ter procurado uma casa para morar, finalização de uma
trajetória estabelecida e construída em outro país ao longo de uma década e início
de uma busca de recolocação profissional no novo-velho país. Tudo isso ao mesmo
tempo, sem intervalos.
Noites em claro para suprir o trabalho que não pôde ser realizado durante o dia
por conta da amamentação ou idas ao pediatra, ausência de refeições ou lanchinhos
quebra-galho em pé, fim de qualquer privacidade ou perspectiva de descanso como eu
conhecia por mais de quarenta anos. Tudo isso somado a um contexto estranho para a
maior parte das mães e empreendedoras brasileiras – China, o Império do Meio.
Grandes definições e transformações traduzem o ano de 2013. Resultado de
uma longa jornada que começou em 2003 quando da primeira ida à China com uma
bolsa do governo chinês para o estudo de mandarim na Universidade de Naquim.
Isso permitiu-me trabalhar para uma empresa chinesa em São Paulo, quando retornei
em 2004. Dois anos mais tarde, em 2006, retorno para China, agora na cidade de
Wuhan para realizar meu MBA sobre mulheres em posições de gerenciamento e
alta gestão. Pesquisei mulheres brasileiras e chinesas no mundo corporativo, suas
barreiras e avanços. Na sequência, iniciei meu doutorado em Administração com o
foco no empreendedorismo feminino destacando o caso da WEConnect International
e sua forte atuação junto às empreendedoras. Ao mesmo tempo em que atuava na
universidade, assessorava empresas brasileiras a negociar com empresas chinesas com
viagens constantes por todo o país.
Após completar toda a tese, fui viajar de férias para Indonésia. Foi um momento
de grande reflexão. Na volta à Wuhan Daniel (meu marido) e eu conversamos
muito sobre a vida e o futuro. Disse a ele que não queria mais continuar tentando
engravidar. Já estávamos nessa estrada havia dez anos (fazendo uso da medicina
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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chinesa e ocidental) e sentia-me muito pressionada só de pensar em reiniciar qualquer
tratamento. Maravilhas do universo, no dia dessa conversa nosso pequeno Samuel já
estava sendo formado dentro de mim. A confirmação veio às cinco horas da manhã
de uma segunda-feira chinesa em que nós dois participaríamos de uma conferência
internacional dentro da universidade. Presidi uma das mesas e não havia como me
concentrar! Na minha cabeça só vinham os dois tracinhos do teste de gravidez. Fui para
o hospital no dia seguinte e a gravidez foi confirmada. Foram dias de comemoração
e estado de graça. Yasmin, nossa sobrinha, estava lá e festejamos bastante. Na mesma
semana Samuca foi conosco para Xangai dando continuidade aos debates do evento e
a felicidade era total. A gravidez foi evoluindo e Samuel crescendo muito bem.
Por conta da gravidez, comecei aos poucos a reduzir as atividades que então
fazia com intensidade. Visita à fábricas, feiras comerciais, negociações, compra
de equipamentos, foram ficando menos frequentes. Depois de algum tempo fui
percebendo que a maternidade ia conduzindo também a vida profissional e tomando
outros caminhos.
Samuel nasceu em 23 de maio de 2014 e quando completou seis meses e, antes
do rigoroso inverno, retornamos ao nosso país de origem. Já de volta ao Brasil, fui
aos poucos adaptando o cotidiano às necessidade de Samuel. Também gradativamente
começava a participar mais de atividades que envolvessem relações com a China, bem
como empoderamento feminino. No início de 2016 fui nomeada vice-presidente para
projetos e eleita conselheira da BPW-SP (Business Professional Women) – Associação de
Mulheres de Negócios e Profissionais de São Paulo. Internacionalmente, virei membro
para a América Latina do comitê BPW para a CSW - Comissão do Status da Mulher,
instância da ONU - Organização das Nações Unidas. Representando essa organização
passei ainda mais a me envolver com as questões de gênero e empreendedorismo
feminino. Como representante da sociedade civil, fui escolhida em 2016 pela ONU
Mulheres para ser assessora do GASC. Participando ativamente de eventos sobre o
tema, tive a feliz coincidência de reencontrar uma antiga parceira de China, dando
início a um novo trabalho sino-brasileiro. Atualmente faço parte de um time de
consultores que presta serviços para uma multinacional chinesa que recentemente
instalou-se no Brasil.
Ainda não faço ideia de como equilibrar as aspirações e demandas da vida
moderna. Estou num momento muito particular e pontual para cuidar do Samuel
e isso faz com que o foco quase que totalmente seja nele. Não há equilíbrio nisso,
corremos atrás do desenvolvimento saudável dele, mesmo que isso signifique, por ora,
desequilibrar outros aspectos de nossas vidas. Sei que é o início da sua jornada. Estamos
pavimentando o caminho para que ele seja independente no seu tempo. Entendo que
o foco aos poucos voltará a ser dividido com outras áreas da vida. A ajuda familiar é
fundamental nesse processo. Em especial, as avós do Samuca têm sido essenciais para
seu desenvolvimento. E têm nos dado apoio para seguirmos em frente. Outro dia, em
um evento, uma painelista perguntou para a plateia: se não fosse pelo dinheiro, você
Quais de mim você procura?
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continuaria fazendo a mesma coisa que faz? Eu fiquei satisfeita ao saber que minha
resposta interna foi um grande SIM! É essencial ser fiel ao que você acredita, pois
assim a vida e o universo serão fiéis a você.
Depois de certo tempo o que é estranho se torna familiar. Se no início eu achava
estranho morar na China, país tão distante geograficamente e diferente culturamente,
passei a navegar tranquilamente nessa sociedade. Percebi então que a maternidade
mostrou-se muito mais complexa e intensa do que tudo que já havia vivenciado. A
China passou a ser a regra de se viver para mim, a maternidade a excessão. Resiliência e
perseverança passaram a nortear a rotina. Logo que Samuel nasceu fomos informados
que ele poderia ter paralisia cerebral e foi internado na UTI. Felizmente saiu logo. O
diagnóstico não foi confirmado. Na segunda internação na UTI, foi desenganado aos
dois meses de idade e teve falência múltipla de orgãos. Mal tinhamos conhecido nosso
pequeno e a possibilidade de não tê-lo mais era praticamente certa. Como um milagre,
ele superou todos os diagnósticos negativos e venceu todas as dificuldades. Dificuldades
essas de caráter biológico, mas também de preconceitos culturais. Aos cinco meses de
gravidez nos ligaram dizendo que havia algo errado e que tínhamos que ir ao hospital
conversar. Já antes de nascer, Samuel sofreu bastante resistência por parte do corpo
médico que o tentou tirar o quanto antes. Na véspera da cesária perguntaram o que
deveriam fazer com ele caso o diagnóstico se confirmasse. Afinal, segundo eles nosso
filho seria menos inteligente, menos saudável, não seria bonito. Acontece que ele é tudo
que disseram que ele não seria, e muito mais. Samuel também é Down.
Quais de mim você procura? Samuel encontrou todas.
Erika Zoeller Veras
Quais de mim você procura?
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E AGORA? MÃE OU EMPREENDEDORA...
Quando meus pais se separaram, eu tinha 6 anos, e apesar de ter uma
família muito boa, sofri muito e carreguei várias marcas e traumas dentro de mim.
Eu achava que não precisaria de ninguém para construir minha vida, que eu
realizaria tudo que quisesse sozinha, e só depois de estar com a vida “pronta e bem
sucedida” eu me casaria.
Já ouviram: “Cuspir para o alto e cair na testa?”
Nem sempre os nossos planos, são os planos de Deus.
Em Agosto de 2003, aos 19 anos, eu descobri que estava grávida. Foi um grande
susto! Mas amei meu filho desde o momento em que soube de sua existência e sabia
que dali em diante minha vida nunca mais seria a mesma. Em Dezembro de 2003 me
casei, e em Março de 2004, meu amado Guilherme nasceu.
Na época, eu e meu esposo, trabalhávamos na mesma empresa. Eu era funcio-
nária e ele prestador de serviço. Tirei licença maternidade e férias e consegui ficar com
meu filho até os 06 meses. A idéia de voltar a trabalhar e deixá-lo era enlouquecedora.
Próximo ao retorno, fui demitida, e fiquei feliz em saber que poderia ficar com meu
filho, porém frustrada, pois além de precisar do emprego, eu não cogitava ficar sem
trabalhar.
Então em Novembro de 2004, eu e meu marido, fundamos a Silvertel Telefonia.
A sala da minha casa, uma mesinha velha de bar, um computador usado e um telefone,
eram o meu “novo emprego”. Diversas vezes atendi ao telefone com meu filho no colo,
mamando, dormindo ou tentando fazê-lo ficar em silêncio. Muitas vezes, minha
cachorra latia e eu tinha que inventar desculpas para justificar aos clientes.
Mas era bom demais, conciliar maternidade e trabalho. Alguns meses se
passaram e sentimos a necessidade de ter um escritório, e com isso meu filho iria para
escolhinha. Meus sentimentos eram contraditórios, alegre pelo passo que estávamos
dando, e triste em deixá-lo sem meus cuidados, afinal, em minha cabeça, ninguém
cuidaria dele tão bem quanto eu. Mas para meu alívio, ele foi para escola, somente
por meio período, e eu ainda tinha oportunidade de cuidá-lo e estar perto dele. Dois
anos depois, a empresa cresceu e em 2007 mudamos novamente, porém dessa vez,
para um lugar maior e mais longe, e então ele foi para escola em período integral. Meu
coração doía todas as vezes que eu tinha que acordá-lo e deixá-lo na escola cedo. Mas
eu sabia que era necessário, e mesmo com a rotina tão agitada, agradecia a Deus por
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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ter meu negócio próprio e ter algumas regalias, como por exemplo, cuidar dele quando
estivesse doente.
Em 2009, a empresa estava em seu melhor momento, representávamos uma
empresa renomada, e a carga de trabalho (minha e de meu marido) era exaustiva,
quase todos os dias eu pegava o Guilherme na escola às 17 horas, e levava para o
escritório comigo e ali ficávamos até as 22 horas. Ele ficava desenhando ou jogando
algo no computador. Muitas vezes, eu lhe dava lanches para comer. Eu me sentia
culpada em fazer isso, mas não havia alternativas... E por meses nossa rotina foi essa!
Em Setembro de 2009, em um domingo, meu filho reclamou de dor na perna.
Eu olhei e não tinha nada aparente, conversei com ele, fiz uma “massagem de mãe, que
cura tudo” e pedi pra ele avisar se a dor continuasse. Ele tinha 05 anos, era saudável,
brincava e pulava. Pensei serem dores de criança apenas. No dia seguinte, levei-o para
escola cedo e por precaução alertei sobre a queixa que ele tinha feito e pedi que obser-
vassem. Fui trabalhar.
Na parte da tarde, me ligaram da escola, pedindo pra eu buscar o Guilherme,
pois um amiguinho trombou com ele e ele estava chorando muito com dores na perna.
Desse dia em diante, vivi os piores momentos da minha vida.
Após exames e inúmeras consultas médicas, com os mais variados especialistas,
foi descoberto um tumor ósseo em seu fêmur esquerdo e era necessário realizar uma
biopsia. Eu só chorava, e pedia a Deus para não permitir que meu filho tivesse câncer.
Muitas vezes, sem eu querer, eu me imaginava em um cemitério, enterrando meu
filho, eram pensamentos involuntários e horríveis. Eu achava que era culpa minha,
me sentia muito mal por não ter percebido isso. Achava que tinha abandonado meu
filho em muitos momentos. Mas, para honra e glória de Deus, o resultado foi benigno!
Porém era necessário realizar um enxerto ósseo, pois seu fêmur estava como
uma casca de ovo, muito fino. No dia 24 de Outubro de 2009, dias antes de realizar o
procedimento cirúrgico do enxerto, ele fraturou o fêmur. Ele não caiu, ele não esbar-
rou em nada, apenas deu 3 passos e o quebrou. Necessitamos chamar os bombeiros,
para levá-lo ao pronto-socorro. Meu filho gritava de dor e eu chorava desesperada-
mente. No hospital, umas das cenas mais marcantes, foi o momento de tracionar o
osso. Jamais me esquecerei disso. A partir daí, todos os planos médicos mudaram.
Foi necessária a fixação externa de uma haste e 05 pinos metálicos para estabilização
e calcificação do osso. Meu filho não poderia colocar o pé no chão e dobrar a perna
por 90 dias, além de precisar de curativos e limpezas diárias em sua perna. Passou a
ser totalmente dependente de mim e de cadeira de rodas, aos 05 anos. Em Janeiro de
2010, o procedimento de enxerto foi realizado, e em Fevereiro a haste e pinos foram
retirados, porém meu filho não sabia mais andar. Foram necessárias diversas sessões
de fisioterapia e hoje ao recordar, eu me surpreendo e me emociono com o empenho
e dedicação dele em realizar os exercícios. Mais uma vez, para honra e glória de Deus,
meu filho ficou bem e curado.
Passado todo o susto e sofrimento chegou o momento de voltar a trabalhar.
Quais de mim você procura?
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Foram 5 meses afastada de minha empresa. Ao retornar, me dei conta que a empresa
estava totalmente devastada, com muitos problemas e perdendo muito do que
tínhamos conquistado. Precisávamos recomeçar: “limpar a terra, arar, adubar e
plantar”. E a colheita logo começou a acontecer! Paralelamente, vendíamos roupas
importadas e realizávamos pequenos bazares em minha casa. Em 2012, desfrutávamos
de estabilidade novamente e tudo corria bem. Porém em 2014, em virtude do cenário
político-econômico de nosso país, começamos sofrer sérios problemas e a estabilidade
da empresa ficou abalada. Meses depois, beirou a falência!
Toda a renda de nossa família dependia exclusivamente da Silvertel. Era
necessário agir! Decidi empreender em outro ramo, paralelo ao de telefonia. Fiz
diversas tentativas, passando pelo artesanato, cestas temáticas, chinelos customizados
e revenda de produtos naturais. Nada dava certo, mas eu não iria desistir.
Em Agosto de 2015 fundamos a Gold Presentes e Cosméticos e focamos em
produtos de beleza, comercializados através de loja virtual. Sentimos na pele a difícil
missão de estabelecer uma empresa com tantos concorrentes no mercado e um público
totalmente diferente do que estávamos acostumados a lidar.
Foram meses de erros e muito aprendizado. Eu desejava muito abrir uma loja
física, mas por conta dos investimentos necessários e falta de recursos financeiros,
não seria possível no momento. Quebrava minha cabeça tentando achar uma forma
de divulgar e estabelecer minha empresa no mercado com custo acessível. Foi então
que pensei em retomar os bazares, porém agregando outros nichos. Esta idéia ficou
guardada na minha caixinha de sonhos.
O tempo foi passando, e em 2016, em uma conversa com mulheres
empreendedoras, nos desafiamos a tirar nossos sonhos da caixinha. Foi então, que eu
resolvi resgatar o meu sonho, e idealizei o Bazar de Mulheres, que tem por objetivo a
união, a promoção, o incentivo e a divulgação do trabalho de mulheres empreendedoras.
Se você me perguntar se eu sou bem sucedida, depende...
O que é ser bem sucedida?
Ter milhões em dinheiro, carros importados e riquezas materiais?
Então não sou (ainda... risos). Mas se ser bem sucedida é realizar o que se gosta,
trabalhar duro, mas feliz e poder acompanhar o crescimento do
meu filho, então sou sim!
Empreender é difícil, empreender e ser mãe é mais
difícil ainda... Ganhar dinheiro? Dificílimo! Mas o que é fácil
nessa vida? Podemos cair muitas vezes, e isso não será um
problema, se soubermos que podemos e devemos nos levantar
e nos reinventar. Não desista nunca!!!
Gabriela Silvério
Quais de mim você procura?
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Quando tudo diz que não... Continue que
não é o fim...
Eu sou Gezane Almeida, 40 anos, mãe, esposa, filha, amiga e empreen-
dedora, com muita alegria. Mas nem sempre foi assim... Tive uma adolescência tran-
quila, mas aos 19 anos, achei que deveria me casar, todas fazem isso, não é? Somos
criadas para isso. Só que o meu casamento foi desastroso.
Saí do relacionamento com dois filhos, a Fernanda, na época com 9 anos, e o
João Pedro, que tinha 1 ano. Quando meu casamento terminou, eu estava destruída
emocionalmente e com tantas dívidas que a única coisa que me restava era trabalhar,
e muito. E foi o que fiz, trabalhei.
A minha preocupação em lidar com aquela situação foi tão grande, que durante
dez anos, foi assim que vivi. Achava que estava sendo mãe por colocar comida dentro
de casa e tentar pagar as contas. Tentar mesmo, pois financeiramente sempre fui
um desastre, e meus medos só pioravam a situação. Hoje descobri que aquelas eram
crenças negativas.
Nesse meio tempo, minha filha Fernanda foi morar com o pai, e isso quase me
matou. Mas eu tinha o João Pedro, e ele precisava de uma mãe viva. Minha mente já
tinha reclamado uma vez e agora, na ida da minha filha, novamente, mas eu tinha que
ser forte, não poderia desistir... Não poderia.
Continuei sem pensar em mais nada a não ser em trabalho – todos sabem que
amo trabalhar. Quando chegava em casa eu não dormia, desmaiava! E estava bom,
confortável, meu filho estava perto, mas não percebia que ele estava crescendo. Só
quando ele estava prestes a fazer 10 anos, eu compreendi que ele precisava de um
adulto por perto para ajuda-lo nas mudanças que começariam a acontecer por conta
da chegada da pré-adolescência.
Isso começou a me incomodar de tal forma que parecia que algo dentro de mim
estava gritando. Mas eu era divorciada e minha família não poderia me ajudar.
Em 2014, após algumas mudanças, conheci meu atual esposo, Glaubio Luiz.
Durante um ano tornei a vida dele muito difícil. Começamos a namorar, mas ele tinha
o passado dele e eu tinha muitos traumas e medos. Eu não confiava em nenhum ser
humano, principalmente um homem.
Em julho de 2015 minha vida desmoronou por completo. Meu corpo e mente
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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não resistiram e entrei em um estado de depressão tão grave, que para mim era como
se tudo tivesse acabado, como se toda minha vida tivesse ficado cinza.
Sempre me culpei por todos os fracassos e nunca falei nada para minha família,
não poderia, eu tinha vergonha de mim, da minha arrogância da adolescência, de tudo.
Passei um mês tão mal que estava no limite da loucura. Eu me via só, mas não
estava. Apenas minha fé me ajudou a não desistir. O Glaubio teve que ser forte por
mim e por ele. Cuidou de mim e do meu filho com o pouco que tinha, quase nada,
mas sobrevivemos e minha família mostrou para mim que amor é amor e apenas isso.
Eles se uniram a mim e a minha causa, e Deus, na sua infinita bondade, mandou
muitos anjos que oraram e cuidaram de mim. Foi um mês desafiador para a mente e a
alma. Fiz coisas neste mês que só minha família e alguns amigos mais próximos sabem,
loucura mesmo. Mas dessa vez não tive vergonha, enfrentei. Ao final dele resolvi voltar
a viver, decidi voltar para o mundo real.
Em agosto passei em uma consulta com uma terapeuta e ela me disse que o que
eu estava sentido era resultado de muita pressão e muito desgaste, ao longo de todos
aqueles anos. Entendendo melhor o que eu estava sentindo, voltei para o trabalho, mas
aquele já não era mais meu lugar. Entrei em um acordo, agradeci e saí para viver algo
que eu ainda não sabia o que era, mas tinha certeza que não era aquilo.
Meu esposo me disse que eu deveria viver como se estivesse de férias. Foi
difícil, mas tentei. O trabalho já tinha se tornado um vício, e eu sempre amei trabalhar.
Comecei a observar mais o meu filho, ser mãe, e dona de casa.
Com um pouco mais de tempo livre, passei a fazer alguns cursos no SEBRAE.
Como já tinha tido um comércio em 2003, conhecia o lugar e sabia que lá poderia abrir
minha mente e aprender coisas novas. Iniciei um planejamento para voltar ao trabalho,
mesmo sem saber com o que trabalharia, e aos poucos fui também cuidando da alma.
Um dia, enquanto estava no Facebook, encontrei um grupo de empreendedoras.
Isso me chamou atenção e resolvi pedir para participar. Ao ser aceita, vi o que as outras
mulheres faziam, percebi que muitas delas se apresentavam quando entravam no
grupo e fiz o mesmo.
Rapidamente as pessoas me responderam, entre elas a Adriana Valente, e a
Rose Gonçalves, ambas me dando dicas. Quando vi a Rose algo em mim se alegrou.
Passei a observar o trabalho dela e me envolver nesse grupo maravilhoso. Todo dia
tinha novidades para meu esposo, e entrei de cabeça e coração. Passei a me esforçar
para colocar cada dica que eu vi no grupo em prática.
Eu fui mudando, aprendendo e vendo as necessidades das outras pessoas. Meu
filho ganhou uma nova mãe e eu comecei a trabalhar com vendas diretas. Comecei
a enxergar que eu tinha potencial para alcançar muito mais, e para cada necessidade
minha, encontrava no grupo profissionais que me ajudavam, e eu me permitia, e
permito, fazer a minha parte, colocar tudo em prática.
Conheci o mundo do coach, e através dessas profissionais, seis meses depois
sou uma outra pessoa. Estou 10 quilos mais forte, mentalmente e emocionalmente
Quais de mim você procura?
60
saudável, e sigo firme em minha fé. Sou uma pessoa alegre e compartilho tudo que
aprendi para poder ajudar outras pessoas, assim como eu fui ajudada.
Há três anos não vejo minha filha, que hoje mora na Paraíba, e meu desejo de
vê-la sempre foi imenso. Pensando nisso, tive a ideia de me unir a outras mulheres e
criar o Bazar Das mulheres de Atitude. Que já é bem conhecido nas redes sociais e
através dele fiz muitas amizades com empreendedoras que têm ou tiveram os mesmos
desafios que eu. E quanto a minha filha? Agora, em agosto, eu estarei lá.
Hoje sou determinada, e sei onde estou, mas também onde quero chegar. E
vou levando comigo quantas mulheres eu puder para a linha de chegada. Recebi uma
missão de deixar um legado para meus filhos e para as próximas gerações. Não posso
olhar para trás. Quem quiser ir comigo, irá. Quem não quiser, que me desculpe, mas
eu tenho que ir.
Minha motivação não vem de coisas materiais, mas do legado que tenho
que deixar. Durante meus 39 anos, vivi do jeito que dava, hoje eu crio minhas
oportunidades. Filhos, família, amigos e meu esposo estão comigo, e deixo bem claro
que não importa onde vou chegar, quero todos com livre acesso a mim, sabendo que
sou um ser humano sempre. E logo, logo terei muitas novidades, mas deixo para um
próximo capítulo.
Por que Quando Tudo diz Que Não... Sei que poderei sim ir muito além, com
minha fé, esforço e muito amor, pois eu decidir AMAR... Gratidão a todos que fazem
parte de minha história de vida, e não pude colocar aqui. Fé, Força e Foco.
Gezane Almeida
Quais de mim você procura?
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{Entre nós}
Sou Ivete Costa, terceira filha entre 6 irmãos. Mãe de uma linda menina
de trinta anos e estou na área terapêutica há mais de vinte anos. Mineira, amante do
pão de queijo e apaixonada por “causos”. Uma aprendiz da vida, vitoriosa em algumas
buscas e, algumas vezes, derrotada por mim mesma. Sucesso? Para mim é estar bem,
fazer o que gosto, ouvir e ajudar as pessoas a encontrarem a saída do labirinto que a
vida nos coloca, de tempos em tempos, para nos estimular ao crescimento.
Não sou boa contadora de histórias. Adoro ouvir, talvez essa seja a minha
maior virtude. Me emociono ao ver como cada Ser carrega em si a sabedoria da
própria trajetória, os caminhos e aventuras que cada uma de nós já passou, superou e
aprendeu. Olhe para trás e veja quantas vitórias já obteve! Somos incríveis. Cada uma
ao seu modo.
O que você irá ler a seguir, faz parte da minha própria busca e os caminhos que
trilhei, e ainda sigo, como mulher, mãe e empreendedora.
E você, quem é? Talvez não a conheça. Mas, tenho certeza que é também uma
buscadora. Uma mulher de glórias e de lutas. E, se chegou até aqui, sabe o valor de
aprender, compartilhar, cooperar. Parabéns! Conte comigo, com meus anos de glórias
e de lutas. Sou, essencialmente, uma buscadora. Ariana inquieta que leva no coração
o propósito de ajudar outras mulheres a encontrarem o seu melhor, sua versão mais
atualizada e vencedora!
Acredito que cada uma de nós tem seu próprio dicionário, seus próprios
significados. Sucesso para você pode ser diferente do que significa para mim. O
importante é você caminhar e seguir seus significados e ser fiel aos seus propósitos de
vida. Amiga, ser empreendora é “punk” e requer autenticidade, entusiasmo, amor e
garra, que vem da fé em si mesma e da comunhão com o Sagrado que há em ti.
O empreendedorismo, cada vez mais, vem sendo uma opção de carreira e renda
para as mulheres brasileiras. Observa-se, que o medo do fracasso impede que muitas
mulheres não transformem oportunidades, ideias, potencialidades e criatividade em
bons negócios.
O insucesso, seja num empreendimento ou numa meta não alcançada, deve
ser visto como aprendizado. Refletir sobre o insucesso contribui para minimizar a
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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concepção de fracasso como um tabu e preconceito no mundo dos negócios. O fracasso
faz parte das adversidades e dos riscos de empreender. A resiliência é a capacidade
para enfrentar e superar experiências de adversidades e sair fortalecida e transformada
para o próximo passo. “Levante-te e anda.”
Ser empreendedora é uma atitude de vida. Um comportamento que faz parte
do perfil individual e que, necessariamente, não é preciso que se tenha uma empresa
para ser empreendedora.
A atitude empreendedora tem a ver com a forma com que encaramos a
vida e nos comportamos diante dos obstáculos, adversidades e desafios. Como
você lida com as adversidades? Como uma oportunidade ou como uma terrível
ameaça? A empreendedora encara a vida com positividade, está sempre disposta a
recomeçar. Ativa, determinada, usa a criatividade para descobrir novos horizontes e
oportunidades. Com visão sistêmica, reconhece que a vida é um todo e que todas as
áreas de sua existência são igualmente importantes. Essa visão faz com que aprenda e
desenvolva habilidades para organizar seu tempo de acordo com as necessidades de
cada área ou acontecimento.
Nasceu sabendo? Sabe para sempre? Não! Mas, tem o aprendizado e o
aperfeiçoamento, pessoal e profissional, como meta. A mulher empreendedora não
pára no tempo, não se acomoda e não conhece a zona de conforto. É intensa, pulsante,
e o seu verbo preferido é: avançar!
A liderança faz parte do perfil da mulher empreendedora. Sabe reconhecer,
incentivar e estimular o crescimento dos seus parceiros de negócio e colaboradores.
Empreender é uma atividade de risco. Em muitos momentos, é necessário abrir
mão de algumas coisas, situações e eventos para dedicar-se quase que inteiramente
ao empreendimento. Nem sempre as pessoas ao nosso redor compreendem a
complexidade e a responsabilidade envolvidas no ato de empreender.
Geralmente, a empreendedora tem um ritmo interno intenso, muitos
pensamentos e atividade mental incessante – articulando, planejamendo, refazendo
rotas, criando. Nem sempre são pensamentos positivos, ordenados e de qualidade.
E essa movimentada atividade cognitiva pode afastar você do momento presente e
das pessoas. Para que consiga perceber melhor o que se passa ao seu redor, manter a
mente criativa, solucionar problemas e gerar inovação, é preciso ter paz, momentos de
tranquilidade nas ondas agitadas de pensamentos. Afinal de contas, o sucesso também
deve contemplar a saúde física, emocional, espiritual e nos relacionamentos.
Cada uma de nós pode descobrir atividades relaxantes, que nos ajudem a repor
as energias. Entre elas, destaco as que conheço, pratico ou já pratiquei: meditação, yoga,
atividade física, dança, canto, artesanato, ação voluntária. Que seja algo prazeroso,
descontraído e que tenha a ver com você.
Nós, mulheres, temos um sistema hormonal complexo, sensível aos nossos
sentimentos, emoções e pensamentos. As emoções interferem na avaliação de
oportunidades e influenciam a percepção de risco e tomada de decisões. Essa é uma
Quais de mim você procura?
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área delicada que precisamos sempre cuidar, principalmente as jovens mulheres acima
dos quarenta anos.
Como podemos cuidar das nossas emoções e pensamentos?
A inteligência emocional faz parte do nosso desenvolvimento e aprendizagem
diária.Olharparasimesma,observarospensamentos,sentimentosecomportamentos.
Ajustar a ação para que esteja alinhada aos propósitos, evitar a ansiedade, equilibrar
razão e emoção.
Observar a si mesma para conhecer-se melhor, curtir quem você é, aceitar seus
deslizes e pontos fracos. Não perder tempo, energia e autoestima comparando-se a
quem quer que seja. Reconhecer sua luz, seus pontos fortes e aprender a fazer desses
pontos fortes ações rumo ao sucesso, ao ponto aonde quer chegar.
Validar quem você é. Comemorar suas vitórias e compartilhar com todos que
te apoiaram e tornaram sua trajetória mais feliz, mais iluminada, incluindo aqueles
que, a princípio, “atrapalharam”, desmotivaram, etc. Esses também te ensinaram algo.
Como diz um velho ditado: até um pé no bumbum nos faz andar para frente. A esses,
nossa vitória! Um brinde!
Você é mãe! Mãe empreendedora. Parabéns! Lembrando que você é seu
primeiro empreendimento. Estando bem, estará bem para os seus. Casada? Vale
lembrar que o seu relacionamento merece você mais inteira, mais entregue na relação,
mais presente quando estiver junto. Segundo Bert Hellinger, criador da Constelação
Sistêmica Familiar, o bom relacionamento do casal tem suma importância para a saúde
emocional e o futuro dos filhos, independente de estarem casados ou separados. A
Constelação é um excelente caminho para ajustar o relacionamento, aparar as arestas,
potencializar a relação, harmonizar o clima familiar como um todo.
Os filhos necessitam da nossa presença. Não apenas a presença física, mas
a presença inteira, envolvida com eles, por eles, com suas questões, necessidades,
dificuldades, experiências, vivências e aventuras.
Acompanhar o crescimento e as descobertas dos nossos filhos é uma das ativi-
dades mais recompensadoras que existem. É uma benção e um empreendimento que
requer muito de nós. Uma responsabilidade compartilhada e escolhida de longo prazo
e de alcance mundial, planetário. Que seja um empreendimento de sucesso!
Como tudo na vida deve ser – um dia de cada vez, um passo após o outro e, às
vezes, passos para trás para repensar, rever e escolher novas atitudes.
Culpa? Não perca seu precioso tempo com negatividades. Caso chegue a
conclusão que precisa mudar, mude! Se está difícil ou não é possível sozinha, busque
ajuda. O Coaching é uma atividade excelente e que pode te ajudar a organizar melhor
seu tempo e desenvolver algumas habilidades que irão contribuir para sua vida pessoal
e seu empreendimento.
Nao busque a perfeição. Busque conhecer melhor seus filhos, olhar nos olhos,
ouví-los, estar presente, de fato, quando está com eles. Ofereça estímulos, aprendizados
e experiências diversas, individuais e em família. Esteja disposta e aberta ao diálogo
Quais de mim você procura?
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franco. Paciência para ensinar e curtir a vida com eles. O que é feito com amor,
dedicação e presença, vale mais e tem efeito curativo.
Problemas maiores com os filhos? Busque ajuda de um profissional.
Somos todas aprendizes de um novo tempo na vida da mulher. Nunca na
história tivemos tantos direitos e tantos e variados deveres. As últimas gerações trazem
em si a transição e toda mudança requer pessoas corajosas, determinadas e dispostas
a algum sacrifício. Estamos fazendo história, criando novas formas de Ser, pensar,
sentir e realizar em sociedade, na familia, nos relacionamentos e no amor. Não temos
modelos a seguir. Rascunhamos, escrevemos, apagamos e escrevemos novamente
cada página dessa virada na vida das mulheres e que tem gerado profundas mudanças
sociais.
Queosdeusesnosajudemadarmospassosconscientes,primeiro,internamente,
mudando por dentro de nós mesmas, na família, com os filhos e no relacionamento.
Novas atitudes criam novas realidades.
Desejo que você seja feliz nos seus empreendimentos. Que a beleza dos
seus propósitos, juntamente com a força amorosa, acolhedora e pacífica da energia
feminina, te conduzam ao sucesso.
Conte comigo! Juntas, compartilhando e trocando experiências podemos ir
mais longe e melhor.
Bem a todas nós!
Ivete Costa
Quais de mim você procura?
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Reinventar-se é acreditar no melhor,
sempre
Creio que nasci empreendedora. Desde criança eu inventava algo para
vender. Na época de escola, minha mãe vendia bijuterias e eu era quem colocava os
preços nas peças.
Muito jovem eu já apostava no empreendedorismo nato e arrisquei iniciar meu
próprio negócio, característica de pessoas que são guerreiras e não fogem à luta. E a
aposta deu certo.
Eu tinha acabado de sair de um emprego, onde trabalhava como vendedora
em uma franquia de cosméticos de renome. A rescisão contratual, há quinze anos,
foi de R$ 3.000,00. Minha mãe sugeriu então, que eu trabalhasse com esses carros de
mensagens.
Mas com o valor que tinha em mãos não era possível comprar um carro,
adesivar e equipar com o som necessário para o empreendimento. Meus pais viram ali,
uma oportunidade e apostaram no meu espírito empreendedor. Ajudaram na compra
do carro e do equipamento, além dos adesivos. Era época do dia das mães e a cidade
onde moro até hoje – Planaltina ficou em polvorosa com a novidade.
E eu, mais do que ninguém, acreditei no negócio. Passei mais de vinte quatro
horas trabalhando sem parar para alegrar as mães de quem contratou meus serviços.
Nesses praticamente dois dias, banquei o investimento de R$ 10 mil aplicados na
compra do carro e transformação do mesmo em mensageiro do amor.
Fui me aprimorando no negócio, fiz cursos, me capacitei e em dado momento,
me vi grávida. Minha filha nasceu e eu precisava criá-la, mas sem desistir do meu
negócio. Nesta época, eu já tinha uma loja de cestas de café da manhã e mantinha o
carro de mensagens. Minha menina dormia no carro, enquanto eu fazia as mensagens.
Pra piorar a situação, fomos despejados da casa em que morávamos de aluguel,
por falta de condições em arcar com essa despesa. Eu, minha filha, meus pais e minhas
duas irmãs fomos então, morar na loja. Momentos tensos e de muita dificuldade que
não foram suficientes para me fazerem esmorecer. Foram dois anos nessa situação.
Conheci uma pessoa, me apaixonei, namoramos e novamente engravidei.
Parecia uma relação estável, mas acabamos nos separando. E lá estava eu mais uma
vez, sem casa e agora, com dois filhos.
Assim segui, trabalhando duro, montando meus arranjos, cestas, comprando
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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material para a loja e fazendo mensagens. Não tive resguardo do segundo parto. E nesse
desespero, encontrava consolo em Deus, sabendo que ele não dá cruz mais pesada do que
aquela que somos capazes de carregar. Acabei voltando para o pai do meu segundo filho.
E, após seis meses dessa “reconciliação”, mais uma gravidez. Nasceu então, meu terceiro
filho. Porém, a relação com o pai dos meus meninos não era harmoniosa. Brigávamos
muito, ele não tratava bem minha filha mais velha e resolvi me separar.
Voltei a morar na minha loja, agora com as três crianças, numa luta constante
em que eu não acreditava e nem sabia o porquê de estar passando por isso tudo.
As coisas foram melhorando e consegui alugar uma casa. As dificuldades aos
poucos eram superadas e venci trabalhando duro. Mas sempre com meus três filhos a
tiracolo.
Ser mãe não é tarefa fácil. Ser mãe e manter o espírito empreendedor é um
desafio ainda maior. Mas quando acreditamos em nossos sonhos, não há dificuldade
que nos impeça de seguirmos adiante.
Mas ao longo do tempo, após três partos, engordei trinta quilos. Achava-me feia,
cheguei a ter estados depressivos. Foi quando, em 2012, me inscrevi em um concurso
de miss plus size e fiquei em segundo lugar entre as premiadas. Foi o momento em que
refleti sobre estar acima do peso e como eu poderia tirar proveito disso, ao invés de
me lamentar.
Meus filhos se orgulharam de mim. Passei a me ver como uma mulher
bonita, mesmo gordinha e que poderia ajudar outras mulheres na mesma situação
a resgatarem sua autoestima. Criei um grupo a partir de uma marca – Bsb Plus Size;
realizei concursos; fizemos calendários e até publicamos uma revista mostrando que
estar acima do peso não é motivo para se achar a última das criaturas.
No ano passado, devido a dificuldades financeiras, estava prestes a fechar
minha loja e perder meu carro que era financiado. Foi quando resolvi inscrever-me
em um quiz show no Programa do Faustão. Consegui acertar as respostas e ganhei um
prêmio de R$ 128 mil que deu uma guinada em minha vida.
O que posso dizer para as pessoas, principalmente para as mulheres, é que
nunca desistam de seus sonhos. Passei por inúmeras dificuldades, caí, levantei, caí
novamente e me reergui. E a vida é movimento. Precisamos
estar atentos ao que nossa alma busca para seguirmos
em frente, com fé em nós e na nossa capacidade de nos
refazermos. Considero-me uma verdadeira “fênix” e posso
afirmar que sou uma mulher empreendedora, mãe com
muito orgulho, mas acima de tudo, feliz.
Janaína Graciele
Quais de mim você procura?
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A vida de trás pra frente.
Quando fui convidada a contar um pouco de minha história para o
projeto Quais de mim você procura - Mães Empreendedoras, eu sentia que a emoção
ia vir forte em cada palavra. Porque ao contrário da maioria das pessoas, que namora,
estuda, faz faculdade, se casa, empreende, e quando vê sua vida estabilizada tem filhos,
a minha vida começou ao contrário. Hoje quando olho para trás, vejo como tive que
aprender a ser mulher, mãe, empreendedora ao vivo, sem ensaios, com muitos erros
e acertos. Aos dezesseis anos fui mãe e vi minha vida mudar completamente. Cursava
o segundo ano colegial e como toda adolescente minha vida era cheia de sonhos,
planejava fazer intercâmbio, ia para escola, clube, aulas de dança, festas, tinha muitos
amigos e de repente tudo mudou para fraldas, mamadeiras, casamento, vestibular, vida
nova, grandes desafios, mas muitas, muitas alegrias. Mesmo com todo contratempo e
imprevisto posso dizer que tive uma gravidez muito feliz.
E em um dia de férias, num café com minha vó, conversamos bastante sobre
o papel da mulher nos últimos tempos, ativei suas memórias e a levei ao passado.
Ouvindo minha avó, percebi que, nem em seus melhores sonhos, ela poderia imaginar
estarmos nós aonde chegamos hoje; tanto na carreira, nas escolhas, nas oportunidades,
nos relacionamentos e na vida. Realmente temos muito a comemorar. O mundo
viu como a mulher pode influenciar e ter seu lugar no mundo. No entanto, na vida
real vimos que ainda temos muito que caminhar. Mesmo ocupando quase metade
do mercado de trabalho, mais capacitadas, graduadas em maior número, nós ainda
não só ganhamos menos, como também somos apenas 7,9%, no Brasil em cargos de
liderança e conselhos administrativos. Ainda demoramos a achar nosso caminho, ser
protagonistas de nossas vidas, e comigo não foi diferente.
Mãe, jovem, inexperiente, cabeça cheia de dúvidas, fui morar em uma cidade
do interior de Minas Gerais, aos dezenove anos, onde passei no vestibular e fazia
Direito. Morava sozinha com meu filho Victor, um menino lindo, cheio de vida e
muito maduro, companheiro. Mas confesso que não foi fácil administrar meus diversos
papéis relâmpagos. Mãe, estudante, dona de casa, mulher e ter de lidar com diversos
problemas desde a cuidar de um lar, a ser uma boa aluna, cuidar de uma criança e suas
internações por pneumonia, infecções que não eram nada graves, mas para mim era
um verdadeiro tsunami, conviver com vizinho alcóolatra, que foi uma ameaça diversas
vezes, sem me tornar uma pessoa amarga, sem perder a alegria de viver, não foi tarefa
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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fácil. Aprendi a conviver com momentos de solidão, a preencher meu dia ao máximo
para não ver o tempo passar e a me encantar, chorar escondido com as vitórias de
meu filho que adorava histórias de lobo, desenhos e saiu da escola pulando de alegria
quando conquistou a estrelinha de bom comportamento. A vitória dele era a minha e
esses momentos jamais vou esquecer.
Mesmo com tantas coisas novas acontecendo, não foi fácil encontrar meu
caminho: ainda neste período, certa vez fui a São Paulo e por obra do destino, fui
convidada a trabalhar com televisão, campanhas publicitárias, participações em
novelas e um mundo novo era apresentado a mim. Pessoas novas, cores, ritmo,
pensamentos diferentes, abriu meus poros e minha mente. Minha vida mais uma vez
se transformou. E eu, uma jovem mãe me vi indo e vindo para capital paulista com
criança pequena, encarando um novo mundo, de descobertas, medos, mas também
de muito entusiasmo. Mas com o tempo, percebi que a dúvida entre carreira, família,
maternidade, nos acompanha de modo estigmatizado em vários momentos da vida.
Desde a hora de aceitar ou não uma desejada promoção, assumir estar na vitrine,
ao momento de aceitar os méritos de um elogio, de se colocar como gestora, de se
preocupar com resultados e não ser a Miss Simpatia. Todas essas questões fazem parte
da nossa rotina e coloca a todo instante nosso empreendedorismo em “xeque-mate”.
E em nome de tantas dúvidas e escolhas, tranquei faculdade, empreendi, achei que
conhecia o mercado, abri negócio, fechei negócio, fracassei, me iludi algumas vezes, e
muitas outras; pensei em desistir. Ou pior, muitas vezes não acreditava mais em mim.
E aquela velha pergunta da menina/adolescente cheia de sonhos: O que você quer ser
quando crescer? Foi se tornando vaga, remota e distante.
Mas como digo minha vida sempre foi vida real, e entre tantas dúvidas veio
outra grande certeza de amor em minha vida. Chegava ao mundo, sete anos depois, o
Arthur. Um menino alegre, falante e inteligente. Meu reino mudou, agora estava com-
pleto e eu já não era mais a mesma. Durante esse tempo, resolvi curtir a maternidade
e por alguns meses apertei o Pause para toda minha incógnita e nada promissora vida
profissional. O que viria depois, honestamente, nem eu sabia.
Mas sabia de uma coisa: meu relógio rodava em outro ritmo, outro tempo. E
quando todos os meus amigos estavam comemorando cinco, sete anos de formado,
eu estava voltando a estudar, agora Comunicação, seguindo apenas o que eu tinha: a
intuição. Formei-me e simultaneamente fui convidada a assumir um importante cargo
de direção, liderar uma grande equipe, muito heterogênea e essa foi apenas mais uma
prova de fogo. De onde iria tirar experiência e conhecimento? – fui questionada na
época. Hoje percebo que tirei forças da minha própria história. A maternidade nos
proporciona ensinamentos para o empreendedorismo e para a vida, independente do
lugar que você ocupe. Como mãe, entendemos de GENTE, somos mais colaborativas,
multitarefas, exercitamos a paciência, valorizamos as diferenças, aprendemos a
ouvir, a abrir mão, a reconhecer conquistas de nossos filhos, e o que vejo como mais
importante: a ter visão de futuro, de que as coisas podem recomeçar, de que existe
Quais de mim você procura?
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o amanhã. Estamos sempre em busca da próxima etapa de nossas vidas e de nossos
filhos: o próximo aniversário, a próxima formatura, a próxima vitória. O trabalho
de mãe nunca termina. Essa visão otimista foi um divisor de águas na minha vida.
Quando tudo parecia dar errado, eu me agarrei ao que tinha em mãos, minha vida,
minha força, perdas e ganhos e recomecei.
Voltei mais uma vez a estudar, me especializei em comunicação verbal, política,
feminina e fui a fundo entender melhor como chegar até as pessoas, que precisam de
uma virada em suas vidas. Se transformar, como eu me transformei, compartilhando
conhecimento. Em treinamentos e palestras comecei a falar para dez, trinta, cinquen-
ta, cem, quinhentas pessoas sobre empreendedorismo e comunicação.
E na busca por conhecimento vi o mundo mudar. Esse é nosso tempo,
com todas as marcas, erros e acertos. O primeiro deles é o maior acesso ao nosso
desenvolvimento, buscamos mais. E junto com essa busca, vem uma geração menos
preconceituosa, mais aberta a oportunidades e que aceita melhor a ideia de mulheres
empreendedoras que é um ato de libertação, de engavetamento do mito. De que não
existe mãe, esposa, filha e mulher perfeita e sim mulher real. Somente quando entrei
em contato com essa mulher, que é plena e não perfeita é que fui feliz.
Hoje vivemos lares compartilhados, e o fim da figura sisuda do “chefe de
família”. Homens e mulheres que cuidam dos filhos, que ajudam no jantar, que pagam
as contas e tentam se adaptar a essa nova família, com novas realidades, novos homens
e novas mulheres, porque sim, o processo de empreendedorismo feminino envolve
toda a família.
E é essa família que devo agradecer. A minha família que sempre acreditou em
mim, a família Xavier, Albanez a meus filhos, hoje dois rapazes que só me dão orgulho
e ao Márcio que mais do que pai dos meus filhos, é um grande amigo que tenho para
vida toda.
E certa vez, conversando com um grande amigo ele me disse: Juliana, sua vida
tudo aconteceu ou cedo demais ou tarde demais, nada no tempo certo. E hoje, tenho
a certeza em dizer que tudo aconteceu no tempo certo, ou melhor... No meu tempo.
Juliana Albanez
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50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Ousar ser
Década de 90. O Brasil passa por instabilidade no governo e o confisco de
poupança de Fernando Collor. Eu, com apenas 17 anos, sonho em comprar meu próprio
carro, ajudar em casa, entre outras tarefas. Minha mãe, sem manual de instrução, se
desdobrava fazendo sacrifícios levando aprendizado de uma função para outra: mãe,
dona de casa, empresária e estudante (cursando o pós-graduação em psicologia na USP).
Diante deste cenário, aceitei o desafio de trabalhar numa locadora de vídeo
perto de casa. Minha mãe foi completamente contra. Otimista e animada, corri atrás
do que queria e acreditava, principalmente pensando em pagar a minha faculdade.
Seis meses passaram, sabia que podia mais, assumir mais responsabilidades com a
minha verdade e ser o que sou verdadeiramente. Próximo das festas de final de ano,
decidi me aventurar no Shopping Continental. Subi e desci os quatro pisos deixando
em cada loja meu currículo. Uma semana se passou e nada. Liguei em algumas e nada.
Até que o dono da Levi´s, marca de jeans de renome mundial, me ligou e decidiu
dar uma chance. Foi enfático: nunca contratei ninguém sem experiência, mas gostei
do seu perfil. Se for esforçada fica, caso contrário siga seu rumo. Como era menor,
minha mãe assinou a contratação. Recebi o treinamento do dono e após um ano recebi
a promoção de gerente, aos 19 anos. Conquistei sonhos materiais, viagens e muito
aprendizado em trabalhar com o público.
Sempre me lancei com coragem nos braços da vida. Fiz um pouco de tudo:
trabalhei na Atento, na Telefônica, fui funcionária pública estadual no Banco Nossa
Caixa e nunca fui demitida, sempre sai dos empregos para ter novas experiências,
nem sempre rentáveis. Sempre dei o melhor de mim, aliás, como diz o empresário e
palestrante Geraldo Rufino, sempre trabalhei como se a empresa fosse minha, então
todas as vezes que não enxergava mais chance de aprender e crescer buscava novos
desafios. Sempre deixando as portas abertas, afinal nunca se sabe o dia de amanhã e
acredito que a vida é um ciclo, se faço o melhor ao próximo, recebo o melhor.
Formada em turismo, estava estabilizada no Banco Nossa Caixa, onde prestei
o concurso e passei entre os 20 melhores. Fui impedida de prestar qualquer concurso
interno para promoção de função por não ter cursado administração. Larguei o
emprego e fui fazer intercâmbio.
Primeira parada: Londres. Como estudante, podia trabalhar 20 horas semanais,
comecei então em jantares e banquetes em hotéis. Na busca por uma oportunidade
Quais de mim você procura?
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na área de turismo, encontrei uma vaga de trainee na rede Marriott de Hotéis em
Palm Beach Gardens, na Flórida. Parti para os Estados Unidos em Fevereiro de
2006, comecei como garçonete no restaurante, fui para governança e conquistei uma
promoção como supervisora. Meu contrato de 18 meses foi renovado por mais 24
meses. Voltei ao Brasil em Dezembro de 2009.
Definitivamente no meu país, acreditei, me lancei, busquei... pode não haver
o pote de ouro no fim do arco-íris, mas no caminho, há muito auto conhecimento. É
nisso que aposto. Nesta época, passei pela área comercial na Skill, escola de idiomas e,
finalmente consegui uma vaga de agente de viagens na Submarino Viagens e logo em
seguida na TAM Viagens.
Em meu caminho reapareceu uma pessoa da minha juventude muito especial.
Decidimos seguir nossa caminhada juntos. No ano de 2011 casei com o Marco Aurélio
Souto. Nosso voto foi de nos ajudarmos a ser o que cada um quiser ser. Isso é muito
melhor do que ser uma pessoa melhor. Isso é ser livre, e só assim nosso amor é legítimo.
Juntos, nossos dias e noites não são iguais. Optamos experimentar coisas novas,
aprender coisas novas. No ano de 2012, minha vida mudou completamente. Entramos
numa sociedade em uma agência de publicidade digital. No ano seguinte, iniciamos um
novo projeto como franqueados da Viação Cometa, para realizar transporte de cargas.
Algo de mágico aconteceu na minha vida. Casada desde 2011, não queria ter
filhos. Em 2012 apareceram diversos casos de gravidez na família. Comecei a mudar
de opinião. Passei dois anos de tentativas e frustrações. Em 2014, aos 38 anos, fiz uma
fertilização “in vitro” com dois embriões que deu muito certo. No mês de maio de
2015, nasceram os gêmeos: Bernardo e o Igor, de 38 semanas e saudáveis.
Tudo caminhava maravilhosamente bem. Nossa família feliz, com chuvas de
sorrisos e de olhares que vêm da alma. No mês de Abril de 2016 fomos surpreendidos
com a notícia da perda da franquia de entrega de jornais, que trabalhávamos há
cinco anos. Passamos dias de aflições, noites mal dormidas, preocupações. Não dava
para esperar as coisas acontecerem. O que parecia um desastre se transformou em
oportunidade. Montamos, com uma amiga pedagoga, o Instituto de Aprendizagem
Doutores do Ensino, instalado em um casarão tombado pelo patrimônio histórico. O
lindo espaço abriga nosso “bureau de negócios”, onde funciona a Max Business Broker,
uma incubadora e agência de negócios, que também realiza encontros entre mulheres
para networking. Também existe no local, a Max Eficiência Energética, voltada para a
racionalização do consumo de energia.
O Doutores do Ensino tem a missão de investir na excelência da educação para
mudar o mundo. Acreditamos que o caminho seja integrar a escola e a família de forma
personalizada, concedendo aulas de reforço escolar “home based”, ou seja, na casa do
aluno. Tentamos compreender esse mundo de contrastes que não é missão fácil. Mas o
Doutores abre janelas para a reflexão ao oferecer ferramentas e autonomia para o pensar.
Afinal, os pais gastam com os estudos dos filhos quase sem pensar. Pela falta
de tempo, investem para que os filhos tenham uma boa educação e consigam um
Quais de mim você procura?
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futuro melhor do que o deles, e claro, com os pais perdidos como estão, o Instituto
concede o amparo necessário e apoio aos filhos. Vale lembrar também que o mercado
de trabalho cada vez exige mais qualificações, independente do cargo ou salário. O
conhecimento aliado à competência são fatores primários para a pessoa iniciar a sua
ascensão profissional; educação não é um mercado de ‘modismo’ e sim de necessidade.
Empreender foi a solução que encontrei pra ter uma renda melhor para minha
família, além da liberdade para acompanhar o crescimento das crianças. Não satisfeita
com toda a agitação da minha vida, no segundo semestre de 2016, vamos inaugurar
uma franquia da Zap Accessories, uma loja de bolsas, calçados e acessórios voltada
para mulheres de todas as idades que tem estilo. Será um novo desafio. Haja coragem.
Mas como é bom quando arriscamos e mesmo com medo seguimos na direção do que
realmente desejamos. A superação é algo revigorante.
Não tenha medo de fracassar ou do que outras pessoas vão pensar, pois o
caminho para o sucesso sempre é formado por falhas, que geram aprendizados e
depois melhorias. Eu morei por muitos anos fora do País, onde aprendi que não há
absolutamente nada de errado com tropeços, contanto que os mesmos erros não se
repitam ou sejam em vão. Acho que estamos começando a acreditar nisto no Brasil, o
que é essencial para o desenvolvimento do empreendedorismo no país.
Só quero que meus filhos não busquem só o melhor currículo no mercado.
Desejo e espero que eles ajudem as pessoas a se tornarem melhores. Quero que eles
construam junto com as pessoas. Porque, para mim, empreendedorismo é isso: cons-
truir junto com as pessoas que fazem a empresa crescer. Também quero deixar pra eles
a importância de sempre participar das conquistas dos outros, mostrar o que eu e o
meu marido fazemos e porque fazemos, inclusive as dificuldades, tangibilizar para que
eles entendam, e, principalmente, ter muita qualidade no tempo que se passa com eles,
mesmo sendo pouco.
O Universo é dinâmico e está cheio de transformações. E nós estamos vivendo
esse tempo de transformações, de curas, de abertura e do novo e alguns bons desafios...
O tempo urge, porque é momento de mudar. É momento de fazer diferente, de ousar.
Se transformem, se movimentem. Façam coisas que nunca fizeram. Experimentem
coisas que nunca experimentaram antes. Não vivam pouco, vivam muito.
Juliana de Oliveira Souto
Quais de mim você procura?
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Faltou colocar o título do texto
Em 2002, comecei a trabalhar como representante de uma empresa de
cosméticos e me apaixonei ao ver os resultados e benefícios e então resolvi fazer um
curso de Estética.
Fui procurar uma escola técnica e me informaram que só abriria nova turma
em seis meses. Com a demora, resolvi fazer um curso livre de drenagem linfática e
cada dia mais me apaixonava pela área de estética e saúde.
Em 2004, abriu a primeira turma do curso técnico de Estética no Etip, em Santo
André, e me matriculei no período da manhã, para poder deixar minhas filhas na
escola e estudar no mesmo período. Esta programação me propiciava ficar a tarde com
elas.
Com a ajuda do meu marido e da minha mãe eu consegui terminar o meu
estudo no final de 2005, onde eu já estava atendendo na sala da minha casa. Comprei
uma maca e separei o cômodo do banheiro, apenas com uma cortina. Meu primeiro
aparelho foi uma maleta facial 5x1, que meu marido comprou em dez vezes. Com meu
acessório em mãos já podia fazer toda a parte facial e comecei a atender.
Sempre em busca de conhecimento, consegui um estágio na clínica Cirurgia
Plástica e Beleza, onde me propiciou muitas oportunidades. Conheci como eram feitos
todos os tipos de cirurgias faciais e corporais. Não recebia nada por estar lá, mas a
parte educacional foi ferramenta chave para atuar com médicos e dermatologistas.
Não haveria no mundo dinheiro que pagasse.
Em 2006, comecei a fazer um curso de Dermaticista para me aprofundar em
peelings, tratamentos para acne e manchas, e logo comecei a ter resultados satisfatórios
e minhas clientes começaram a me indicar para suas amigas.
No início de 2007, engravidei de meu terceiro filho, Bryan, e continuei com os
atendimentos na sala de casa, e assim que meu caçula nasceu foi convidada pela clínica
Cirurgia Plástica e Beleza, onde tinha estagiado antes, para implantar a parte estética.
Foi um desafio para mim, mas uma grande experiência também, pois entre
outras atuações, a clínica atendia à Rede Record de Televisão, ganhei o privilégio de
conhecer muitos artistas e atender a muitos deles também.
Dividida entre a carreira e a criação de meus filhos, no final de 2008,
optei por desligar-se da empresa onde trabalhava, voltando a atender em casa. “No
início do ano seguinte recebi o convite do Dr. Flávio Madruga - endocrinologista or-
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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tomolecular -, para assumir a parte estética de sua clínica em Santo André, a Flama, e
lembro que tentei de todo jeito não aceitar, mas o Dr. Flávio e sua esposa, Cinthia, me
apresentava soluções para todos os obstáculos que eu colocava. Na verdade, eu tinha
medo de não conseguir pagar o aluguel. Mas a conquista logo veio. Arquei sempre com
minha responsabilidade financeira mensal. Realmente, agradeço a confiança que eles
tiveram em mim. Com o passar do tempo, fui gerando um grande carteira de clientes,
e, a partir daí, nasce meu sonho, a Bella Opção Estétika.
Depois de muito trabalho tive a felicidade de receber dois importantes prêmios.
O primeiro deles veio em 2013, porém sobre os resultados apresentados em 2012,
quando a clínica foi agraciada com o Top Qualidade Brasil – Selo Ouro 2013, ganhando
ranking entre os cem melhores estabelecimentos de beleza e estética do Brasil, pela
Academia Brasileira de Honraria ao Mérito. Confesso que quando recebi a carta foi
uma surpresa, achei que fosse pegadinha. Mas, se tratava de uma honraria muito séria
e desejada pelos profissionais do setor. O segundo veio em 2013, quando foi entregue a
mim o Mulheres Empreendedoras de Santo André, pela Acisa (Associação Comercial
e Industrial), na categoria pequenas empresas. Em 2014, fui escolhida pela FGV para
fazer o 10.000 mulheres, o que foi uma grande alegria para mim e para minha família,
além do grande aprendizado também.
Com a crise chegando, em 2015, resolvi tomar uma decisão muito difícil. A
minha empresa estava com um corpo de funcionários e estrutura muito grandes. A
situação econômica não estava viável e optei por ir para um lugar menor e reduzir
o escopo. Foi a melhor decisão que eu tomei, mantive a maioria de minhas clientes,
consegui ter mais tempo, principalmente, para a família. Agradeço primeiro a Deus
pelas conquistas, ao meu marido, Ricardo, que sempre esteve ao meu lado me
apoiando. Devo tudo a força e ao incentivo dele, as minhas filhas Brenda e Beatriz por
me ajudarem, sem medir esforços, e ao Bryan, que me incentiva a ir mais longe.
Minha família, meu melhor projeto. ♥□
KATIA CAMARGO
Quais de mim você procura?
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50 Mães empreendedoras que chegaram lá
ME DESCOBRINDO E ENTENDENDO OS
PLANOS DE DEUS.
Minha história começa a ser formada logo nos meus primeiros meses
de vida com perda do meu pai ainda jovem, deixando minha mãe, eu e mais dois
irmãos. Foi uma perda lastimável, porém não avassaladora.
As primeiras memórias das quais me lembro quando criança, eram da minha
mãe correndo para lá e para cá, fazendo mil coisas ao mesmo tempo, tentando
administrar um orçamento apertado para cuidar de três sozinha.
Desde pequena eu entendi como tudo aquilo era difícil e que uma forma de
ajudar, era não dando trabalho. E com isso eu desenvolvi uma habilidade considerada
muito útil para aceitação na sociedade: ouvir mais do que falar.
Afinal de contas, as pessoas só querem saber de si mesmas e estão interessadas
em seus próprios problemas, ouvir e apenas concordar era uma forma de me sentir
mais aceita por todos.
E assim eu cresci, ouvindo muito e falando pouco, mas sempre prestando muita
atenção em tudo, nos gestos, nos olhares e principalmente nos sentimentos que as
pessoas transmitiam ao falar. Sentimentos esses, que normalmente expressavam alguma
necessidade, das quais eu tentava compreender, mas ainda não tinha maturidade para
ajudar.
Mas essa minha habilidade também me trouxe muitos problemas, pois de
tanto absorver pensamentos e sentimentos dos outros, eu não sabia quem eu era. Sofri
muito ao escolher uma profissão, pois gostava de tudo um pouco e muito de nada. E
este impasse me levou às mais diferentes escolhas.
Dentro de mim haviam vozes que ora diziam: faça o que você aprendeu, estude
para conseguir um emprego fixo, carteira assinada, benefícios, afinal você já irá bem
mais longe do que seus antepassados foram. Ora diziam: vá descobrir o que você de
fazer, o que te satisfaz, a vida é curta demais para fazer o que não se gosta. Enfim, vivi
esses impasses até pouco tempo atrás e posso afirmar que a liberdade da indecisão é
estarrecedora.
Hoje consigo perceber que a decisão de empreender veio aos poucos, quebrando
uma corrente de cada vez. E tudo teve início na época do vestibular, em que troquei
uma vaga em Letras em uma universidade pública por uma bolsa integral no curso de
Administração de Empresas. Mas por quê? Dizem que formamos nossa personalidade
Quais de mim você procura?
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na infância, e eu cresci ouvindo que deveria estudar para ter um bom emprego, porém
o exemplo de vida que eu tinha era ver minha mãe empreendendo, ou seja, para mim
era uma batalha intrínseca, onde o que eu via e ouvia não eram condizentes.
Contudo, foi uma decisão acertada, pois no curso de administração consegui
o embasamento necessário para iniciar como empreendedora. Que ótimo! Final
feliz para todos, não é mesmo? Nada disso, a minha decisão de empreender de fato,
demorou mais do que deveria, afinal eu tinha conseguido um emprego estável e com os
tais benefícios, então por qual motivo eu iria trocá-lo para empreender? Somente para
dedicar meu tempo a algo que eu realmente queria fazer? Ter sucesso e ser reconhecida
pelo meu esforço, sabendo que todo ele era voltado para meu desenvolvimento pessoal
e profissional? Eu não podia.
Eu não estava pronta, não enquanto eu não saísse do casulo, do berço onde eu
estava acomodada com as pessoas me mimando e me tendo como coitadinha.
Era como eu me sentia, a vítima, aquela que não consegue evoluir, para quem
o mundo não sorri, a única com problemas, para quem nada dá certo, aquela que
culpava todo mundo, menos a si mesma pelo rumo de sua vida.
Masascoisasmudam,aspessoasmudam,sóquenomeucasonãofoiespontâneo,
me deparei com uma situação que eu nunca tinha imaginado na minha vida, uma
gravidez. Apesar de já ser casada, a gravidez não era um plano se quer cogitado e foi um
acontecimento que mudou totalmente a minha maneira de enxergar a vida.
Quando Benjamin nasceu as mudanças já aconteceram de cara, eu transferi a
culpa dos meus problemas para ele, coitado, afinal alguém tinha que se responsabilizar
(alguém menos eu).
Me lembro de pensar que se as coisas já estavam ruins, ficariam péssimas!
Afinal, eu nunca gostei de crianças, não as maltratava, mas cada um no seu canto. Eu
era a tia chata, admito. Mas tia não é mãe, e agora, o que faria?
Os medos só aumentaram, mas com o passar do tempo eu percebia algo
diferente em mim, aumentou minha responsabilidade com filho, bem como meu amor.
A maternidade é um assunto bem difícil de explicar, é uma mistura de
sentimentos que nos deixam em um momento único, pois é um tipo de amor único.
E a partir daí eu comecei a me renovar, tirar forças de onde não tinha e repensar se a
maneira na qual eu estava vivendo, era a que eu queria viver.
Coragem, agir apesar do medo, foi o que o nascimento do meu filho me trouxe,
deu o fôlego ou a motivação que me faltava, se eu não faço por mim, faço por ele.
Ok, vou empreender, ter o meu próprio negócio, fazer o que eu amo! Mas
esperai, o que eu amo mesmo? Ainda me faltava identidade.
Comecei a pesquisar diversos tipos de negócios, especialmente os que podiam
ser feitos em casa, comida, roupas, blogs, administradora de condomínios, etc.
Fui a fundo em diversos assuntos, tentei iniciar com alguns deles, mas não ia
para frente e o único que foi além do esperado, só me trouxe prejuízo e frustação.
E eu perguntava: meu Deus, o que acontece comigo, quais são seus planos
Quais de mim você procura?
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para mim, pois eu não entendo. Cheguei até aqui para caminhar para trás, descer até
o fundo do poço novamente? E neste momento na televisão, inicia-se uma oração em
que me lembro que as palavras mais marcantes eram: espera e confia. Acalmou meu
coração, toda ansiedade e aflição passaram e resolvi simplesmente aguardar.
Quase como imediato, recebi um convite para participar de um grupo de
mulheres, cujo qual não dei importância no início, fui, mas sem expectativas.
Esperei e nada aconteceu. Pensei, enquanto nada acontece vou fazendo alguma
coisa, então certo final de ano resolvi entrar em uma empresa de vendas de cosméticos,
na qual eu já sabia que havia uma carreira, mas não dava muita importância pois no
momento só precisava de dinheiro.
Mas para minha surpresa, me encantei com a filosofia da empresa de enriquecer
a vida das mulheres, foi só o começo, eu tomei essa filosofia de vida para mim.
Vi que todos aqueles medos, inseguranças não eram peculiaridade minha, que
muitas daquelas mulheres tinham os mesmos problemas, todas com família, filho e
com vontade de empreender.
Comecei a frequentar grupos de mulheres empreendedoras, grupo de ajuda
para mulheres em situação de risco, mulheres que amam demais, entre outras. Elas
têm muito incomum comigo e foi em uma conversa com umas delas que minha ficha
caiu, ela aos prantos disse: obrigada por me ouvir, você não me julgou, nem questionou
minhas atitudes, você apenas me ouviu, para mim já é muito.
Nossa, foi aí que eu abri os olhos e percebi que tudo estava relacionado, ter
uma figura feminina forte, essa minha capacidade de ouvir e identificar necessidades,
até minha formação em administração conspira para ajudar mulheres a iniciar seu
negócio.
Então esses são os planos de Deus para mim? Sim, essa é minha verdade, este
capítulo já é prova disto, e estou muito agradecida com todas as bênçãos que tenho
recebido. Essa oportunidade de lidar com mulheres, esses seres incríveis, é única, mas
cada dia diferente, com cada uma diferente.
Mas esse é só começo, ainda tenho muito para aprender e para ensinar. A
jornada é longe e o caminho tem espinhos, contudo estou disposta a percorrer. E
quando você precisar conversar, já sabe a quem procurar.
“Você tem de cometer erros para descobrir aquilo que
não é.” Anne Lamott
Kátia Miranda
Quais de mim você procura?
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TEM UM CNPJ EM MINHA VIDA
Sou uma empreendedora nata, mas confesso que nunca esteve em meus
planos empreender como mãe.
	Ser, filha única, mimada e de escorpião me permitiu exercer minha
individualidade muito bem; portanto, ser mãe era completamente incompatível.
Queria conhecer o mundo e, mais que isso, queria que mundo me conhecesse!
(sorriso).
Conheci meu marido aos dezessete anos e, aos meus dezoito, já éramos sócios.
Tínhamos a mesma veia empreendedora. Pensávamos grande e éramos realizadores,
como se o ninguém nos pudesse parar.
A vida é uma caixinha de surpresas e nos prega peças; sendo assim, namorei
oito anos e quatro meses, me casei e depois de onze meses de casada, engravidei!
“E agora?”, pensamos. Bem, como não estava em meus planos ser mãe, não tinha a
menor ideia de como seria sê-lo. Daí, antes mesmo de iniciar o pré-natal, fui procurar
um curso que me pudesse me ajudar(sorriso). Sempre fui viciada em treinamentos.
Encontrei na maternidade Pro Matre um curso de gestantes e lá fomos nós. Fizemos
a inscrição e não faltamos a nenhuma aula. Posso dizer que ajudou muito na nova
tarefa que me esperava. Mal sabia eu que usaria essas informações uma segunda vez
em minha vida depois de três anos e meio!
Tive dois partos normais, dois meninos: Guto, meu preferido, hoje com vinte
e dois anos, e Nik, meu predileto, hoje com dezoito (sorriso). Inventei isso para que
eles entendessem, na hora do ciúme, que o amor é igual, mas que temos afinidades e
comportamentos que agradam mais que outros, por isso, lógico, é que existe diferença
no tratar, no cobrar, no lidar, mas nunca no amar!
Quando Guto nasceu, estávamos “muito bem, obrigado”: tínhamos o melhor
plano de saúde, morávamos bem e a empresa estava em pleno crescimento. Era uma
mãe empreendedora que trabalhava demais, o Guto comigo o tempo todo desde
muito novinho, andava de colo em colo entre uma entrega e outra. Minha sogra foi
fundamental, pois cuidava dele nos dias de maior movimento. Mas, várias vezes
amamentei em ruas e avenidas movimentadas. Não tinha dúvida: parava meu carro e,
sentada no banco de trás, aproveitava para amamentá-lo e rir com ele das enrascadas
em que nos envolvíamos, afinal, muitas e muitas vezes fui abordada pela polícia, que,
depois de entender o que estava acontecendo, ainda me escoltava! (sorriso).
Com o Nikolas foi bem diferente. Estávamos sem plano de saúde, com a
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Quais de mim você procura?
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empresa em maus lençóis, minha sogra havia falecido e minha mãe não tinha como
me ajudar, pois não tinha tempo. Então, vivi outra história como mãe empreendedora:
tive que me adaptar a ficar mais em casa, cuidar do lar e da empresa, que era cuidada
por telefone. Exerci um papel de nora mais efetivo, já que quando perdi minha sogra,
estava grávida de três meses do Nikolas. Aproveitamos o aperto e fomos morar com
meu sogro, vendemos nosso apartamento e cobrimos as dívidas. Tudo era muito novo
para mim, para o meu marido, para meu Guto, para meu sogro e tudo muito tranquilo
para o Nikolas (sorriso), pois ele chegou ao mundo para nos fazer felizes!
Ah, ser mãe e empreender é optar por ter “vida loka*”(sorriso). Muitas foram as
festinhas de dia das mães e reuniões escolares, encontros decisórios, feiras de Ciências,
de livro, quermesses, etc., que não pude curtir com eles, às quais não compareci, de
que me senti culpada, triste e em dúvida se estava levando a vida que deveria e quanto
isso iria custar aos meus filhos. Era um preço sem valor que talvez fosse caro demais.
Numa dessas crises existenciais entre meus filhos e meus CNPJs, tomei uma
decisão: meus filhos estudavam em um colégio renomado da Zona Norte de São Paulo,
onde os números importantes eram as notas e as mensalidades(sorriso). Na época,
tinham três e seis anos e meio. Fiz uma pesquisa pela região para saber que tipo de
escola os trataria como pessoas físicas, porque estavam sendo tratados como números
para alimentarem um CNPJ saudável.
Como nossas empresas sempre demandaram que trabalhássemos aos finais
de semana, encontrei uma escola ”zen”, onde a família era mais importante e, sendo
assim, eles aliviariam bastante essa difícil tarefa de conciliar minha empresa com
meus filhos, como por exemplo, entenderem que às segundas-feiras, meus filhos não
frequentariam a escola, pois era o dia da família. Passamos muitas segundas felizes
em cinemas, parques, restaurantes, estradas vazias, ou num simples almoço em casa,
depois jogo de tabuleiro, pipoca, filme, chocolate quente e muitas risadas, carinhos,
abraços apertados, consciências tranquilas e corações alegres.
Hoje me sinto realizada, amada e sem culpas. Ter perdido segundas na escola
não influenciou em nada a trajetória de sucesso de meus filhos, que hoje são fluentes
em inglês e espanhol, conhecem vários países no mundo e muitas vezes o fizeram
com o fruto de seus trabalhos. São empreendedores natos e possuem a expertise de
colecionar amigos, relações e de desenvolver laços.
Não vou ser piegas e dizer que foi tudo um conto de fadas. Não, lógico que não.
E o mais bacana está nisso mesmo: superamos juntos todos os perrengues que nos
foram apresentados.
Tudo passou. Aliás, leitora, acredite, tudo passa! Em minha trajetória empreen-
dedora de trinta e quatro anos, com doze empreendimentos, sempre com meu marido
como meu sócio, amigo e apoiador, vendemos, fechamos, doamos e vencemos. Mas
uma coisa é certa: de todas empresas que tive, de todos os apertos e alegrias que meus
CNPJs me proporcionaram, nenhum deles me fez crescer, aprender, melhorar mais
como ser humano e me realizar como empreendedora do que ser mãe.
Obrigada, meus filhos, por serem meus sócios no principal negócio em que
Quais de mim você procura?
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empreitei em minha vida, cujo CNPJ tem datas e horas de abertura marcadas e cuja
razão social é MÃE S/A.
Frase :
“A vida não oferece promessas nem garantias, apenas possibilidades e oportu-
nidades, só vive de verdade, quem tem coragem.”
Autor Desconhecido
Katia Teixeira
Quais de mim você procura?
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Desistir não é opção
30dias de vida. Incubada numa UTI. Equipe médica desacreditada. Foi
nesta situação que aprendi a primeira lição sobre o Amor: não desistir. Graças a Ele,
que envolveu meus pais e todos que nos cercavam, aquele bebê prematuro, pequeno,
frágil, lutou pela vida e hoje está aqui, escrevendo esta história.
E por falar em contar história, a idealizadora do projeto deste livro, a querida
Kátia Teixeira, um dia, virou sorrindo pra mim e disse: “Quero te fazer um convite.
Escreva um capítulo sobre sua história de mãe empreendedora, que vamos publicar
num livro com mais mulheres incríveis como você.”
Ela enviou esse recado quando fiquei grávida pela segunda vez, em meados de
janeiro deste ano. Passamos um tempo sem nos falar e então, ela apareceu novamente
em março, me lembrando desta missão. Desta vez, ao entrar em contato novamente,
eu havia acabado de receber alta da maternidade.
Óbvio que pelo curto espaço de tempo, eu não estava com um bebê nos braços.
Sofri um aborto com 13 semanas, de uma gravidez anembrionária. Tenho poucas
linhas aqui para explicar do que se trata, então peço que pesquisem, mas o que preciso
dizer é que naquele momento eu não me sentia mãe, muito menos empreendedora.
Eu estava me sentindo o fracasso em pessoa. Nada, mas nada mesmo, me abalou tanto
quanto não conseguir ter gerado aquela vida. E olha que, desde a passagem que contei
sobre a UTI, colecionei desafios.
Ainda na infância, lidei com o divórcio dos meus pais, aos 05 anos. Na
adolescência, fui morar com um namorado que se revelou viciado em drogas e vivi os
horrores da violência doméstica. Poucos anos depois, consegui sair deste tormento e
conheci outra pessoa. Achei que era o príncipe encantado, mas fui traída e prometi que
nunca mais viveria com alguém de novo.
Foquei no trabalho, comecei a empreender aos 21 anos, em paralelo
aos meus empregos. Cursei o Empretec, melhor seminário comportamental de
empreendedorismo do mundo, e criei o primeiro evento sobre e-commerce no
Brasil. Rodei todas as capitais promovendo o mesmo, o que me permitiu, somada ao
meu salário, uma renda de 05 dígitos por mês, aos 25 anos. Mal tinha terminado a
faculdade e passei a dar aulas no centro de inovação da ESPM. Participei da decolagem
de grandes startups como BuscaPé, Netshoes, Fashion.me, liderei grandes projetos no
mundo da moda como o e-commerce de uma das 10 maiores multimarcas do mundo,
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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a nkstore. Pude contribuir com o nascimento de todo este ecossistema de startups que
fervilha no país hoje. Eu estava no auge e, por esta razão, corria o sério risco de descer.
Ou melhor, desmoronar. E foi o que aconteceu logo que vi um herói ir para a prisão.
Despenquei mesmo. Não por desapontamento, porque só quem julga é Deus, mas
por medo de perder alguém que amo, naquelas condições. Ainda desorientada, mas
acostumada com a montanha-russa que era minha vida, reuni forças e me reergui.
Finalmente abri meu CNPJ e saltei na vida de empresária sem paraquedas. A
UpaLupapassouaseroficialmenteumaempresadetreinamentoseeventoslideradapor
uma pessoa só e contando com uma rede enorme de colaboradores que trabalhavam
por projetos. Por falta de tempo e de braço, resolvi fazer apenas aquilo que eu era
boa [vendas e atendimento] e como não podia ser diferente, quebrei umas 03 vezes.
Contraí uma infinidade de dívidas [inclusive no momento, estou me recuperando da
última] e passei MUITA, mas muita necessidade mesmo.
Cansada de seguir sozinha, abri a guarda e mordi a língua: conheci o Ralph no
começo de dezembro de 2011 e começamos a namorar no Natal. Passamos a morar
juntos em janeiro e em março de 2012 já estávamos grávidos da nossa Joana. Enfim,
vale um livro só para isso; me casei de papel passado e ele tornou-se meu sócio de vida,
inclusive no trabalho.
Dividimos todas as tarefas para cuidar da UpaLupa, da Joana, das filhas dele
[são 5 meninas: 3 já adultas que não moram conosco e 2 mais novas que passam finais
de semana e férias], da Oficina do Ralph [que abrimos inclusive, logo após ele passar
pelo treinamento da UpaLupa], da nossa casa [não temos diarista], de nós como casal
e como alunos de uma Escola Espiritual.
Voltando ao convite do livro, pela fragilidade do momento, quando a Kátia me
convidou, titubeei; não achava que tinha histórias de sucesso para contar, nem faturava
milhões, muito menos liderava um grupo de mulheres de sucesso no Facebook. Sequer
consegui ter levado adiante minha última gravidez. Sentia-me pior que a mosca do
cocô do carrapato do cabrito. E ainda considerei que a Kátia estivesse louca porque,
provavelmente, ela teria batido com a cabeça para me convidar para um troço deste,
só para expor minha desgraça.
Sem coragem para recusar o convite, fui levando com a barriga. A mesma que
ficou vazia. VAZIA. Essa era a palavra certa. Assim que eu me sentia. E dentro do
vazio, no silêncio da dor. A sensação era de que só me restava ajoelhar e implorar
“Leve-me daqui! Não aguento mais!” E assim aconteceu, fui levada. Mas fui para um
estado de consciência que não era comum para mim. Num diálogo interno, comecei a
me perguntar sobre o agora, o hoje:
“Lígia, se você só tivesse o dia de hoje para viver, o que faria?”
- Entregaria toda minha alma para o amor, sem medo de morrer para este
mundo. O medo não faria mais parte da minha vida.
“Se você soubesse que seu marido e sua filha morreriam hoje, ao final do dia,
mas você não, o que você faria ao lado deles para aproveitar cada minuto?”
- Ah, coisas muito simples: brincaria muito com eles. De tudo: queimada, pega-
pega, escolinha, casinha e corrida de carrinhos... e daria muita risada! O sorriso da
Quais de mim você procura?
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Joana é tão bonito quanto uma rosa abrindo e o Ralph, quando sorri, deixa faíscas de
luz escaparem pelos seus olhos azuis.
“E o que faria em homenagem a eles após acordar e não vê-los mais aqui?”
- Certamente eternizaria meu amor. Como isso? Bem, eu poderia
transformar a UpaLupa, minha empresa de treinamentos e eventos, numa escola de
empreendedorismo para crianças de 0 a 100 anos, onde a foto da Joana seria nosso
cartão postal, pois devemos lembrar que ninguém deixa de ser criança e que, para
empreender uma vida de verdade, precisamos dar voz e ação a esta criança interior.
Também ajudaria na criação de um museu para cuidar de todas as obras de arte que
meu marido e nossos amigos modelistas têm feito desde sempre.
“E se você não precisasse fazer isso só por medo da morte ou do esquecimento?
Se lhe fosse dada a chance de fazer por amor?”
- Bom, eu começaria tudo agora, sem me preocupar em impressionar ninguém
ou lutar pela sobrevivência... Iria me preparar e aprender sobre coisas que são neces-
sárias, mesmo que eu não goste tanto [tipo números] e me arriscaria cheia de fé numa
perspectiva inovadora. E por fim, iria morar na praia, para ficar bem pertinho do mar.
“Você acredita mesmo no amor, Lígia?”
- Claro!
“Então basta dar o primeiro passo.”
Foi um momento tão especial que me senti mãe do mundo, grávida do
Amor! Uma sensação de gestação eterna! Confesso que não agi imediatamente. Fui
trabalhando de forma bem tímida no começo, perdi o foco algumas vezes, entrei em
desespero em outras, entretanto, uma vez que você se rende, o Amor vai tomando
conta no seu próprio tempo. Assim como nossa ficha de que estamos grávidas, não cai
logo de primeira. Em todo caso a UpaLupa renasceu, já começou sua transformação e,
através da nova abordagem e da ajuda de uma equipe linda, em apenas 3 meses, mais
de 25 novas crianças foram despertadas dentro de adultos que toparam passar pelo
nosso programa “Brincar de empreender é coisa séria”. Desta empreitada nasceram
vários projetos interessantes como um coworking para profissionais da construção
civil, um acampamento urbano para crianças, uma escola de fabricação digital, entre
outros... E quanto ao Museu? Ah, o Museu... ele já tem uma maquete que meu sogro
fez, iniciamos os primeiros desenhos do projeto e ótimos amigos estão dispostos a
empreender conosco. Assim que as coisas se concretizarem mais sobre isso, conto tudo.
Por último, completo minha trajetória contando como conheci meu marido.
Fizemos um treinamento de experiência em selva. Parece até destino: sobrevivemos
juntos na selva para vivermos lado a lado na cidade. De lá pra cá, só agora consigo
enxergar que nosso maior empreendimento tem sido aprender a viver no plural,
começando por entregar nossa intimidade a Deus, para que Ele cure nossas almas
através do Amor e, graças a isso, mantermos uma família que se acolhe, se aceita e se
cuida diariamente. Percebemos que os bons negócios são consequências deste Amor,
porque são os canais para que toda esta luz seja espalhada pelo mundo. Os negócios
Quais de mim você procura?
84
que não são tão bons, sempre nos trazem uma lição, são como faróis alertando que
devemos reajustar a rota.
Gratidão a Deus pela Luz, aos meus pais pela acolhida, aos parentes e amigos
pela jornada, à Katia por acreditar em mim, a todas as co-autoras ma-ra-vi-lho-sas que
estão vivendo este sonho juntas, a Naira Ono por revisar este desabafo, à Joana por
sorrir sempre, as minhas 5 enteadas por tanta inspiração e ao meu amor, por ser meu
maior incentivador, pois lá na selva, como meu instrutor, o Ralph já deixava bem claro:
“Missão dada é missão cumprida e desistir não é opção.”
Ligia Dutra Zeppelini
Quais de mim você procura?
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Empreendedorismo de Mãe é diferente?
Ser Mãe é um grande desafio e também um privilégio imenso que Deus
pode conceder à mulher!
No entanto é necessário ter parâmetros para atuar neste papel, ter o cuidado de
não ser refém de um sistema e das exigências que a sociedade nos impõe.
E sim viver sua jornada de forma única e diferente.
Ser mãe e ser empreendedora é completamente diferente. Em algumas vezes,
pode ocorrer situações de destaque ou não na sua vida profissional. O tempo não é
o mover dos ponteiros do relógio, mas sim como percebemos, vivemos e sentimos
esse intervalo. Como diz o autor Carlos Hildorf “Tempo medido é diferente do tempo
vivido”.
O empreendedorismo é simples de administrar e passa por diversas etapas
porém há vários caminhos e opções. Podemos dividir em 5 atitudes que uma mãe
pode ter para realizar esse empreendedorismo:
1) Disciplina e Comprometimento
Ser mãe empreendedora é estabelecer para si mesma, essas qualidades para
alcançar seus objetivos. Não é somente a colocação de metas de como fazer, mas sim
diariamente é necessário que haja a manutenção do foco, comprometendo- se em
realizar suas tarefas conforme estabelecido por si própria.
2) Não temer desafios
As dificuldades que aparecerão durante o seu caminho em diversas áreas devem
ser enfrentadas com discernimento e sabedoria. Isso nos ajuda a agir com coerência.
3) Busca constante de novos conhecimentos
A busca do conhecimento é um grande aliado, para a compreensão das
mudanças. Estudar novas estratégias de ação ajuda no desempenho do dia a dia. Não
hesite como mãe empreendedora buscar conhecimentos mais técnicos e aprofundados
para desempenhar melhor o seu papel.
4) Ser uma sonhadora criativa
Todo sonho ou ideia vem atrás de um empreendedorismo e por esta razão ser
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
86
mãe empreendedora não foge a regra. O projeto elaborado pela mãe empreendedora
vai muito além da criatividade. É necessário que se tenha convicção e analise o projeto
com precaução, com o reconhecimento de pontos fortes e fracos, oportunidades e
ameaças.
Sonhar e ter a certeza das decisões a serem tomadas.
5) Rapidez em resolver problemas
“(...) quase todos os papeis culturais exigem varias inteligências torna-se
importante considerar os indivíduos como uma coleção de aptidões e não tendo uma
única faculdade de solucionar problemas (...)”
(GARDNER, 1995 pg 30).
Uma característica essencial nas mães empreendedoras deve ser o dinamismo
poisestevailhedarumaamplitudeeumacapacidademaiorpararesolverosproblemas.
Isso conseguimos com uma revisão constante na nossa rotina de trabalho. Adquirindo
autoconfiança e independência para administrar os problemas que surgem.
Ser Mãe é uma experiência inesquecível... mas ser Mãe Empreendedora nem se fala!
Iniciei minha carreira muito antes dos meus filhos pensarem vir ao mundo.
É isso mesmo! Já tinha em mente, como poderia galgar os degraus de uma escada, e
principalmente, como iria ultrapassar as barreiras que iriam surgir em meu caminho,
e de quantas situações iria me deparar para resolve-las adequadamente.
Também busquei capacitação, para enfrentar e desatar “os nós” de cordas, que
poderiam tentar reter o potencial, que eu estava buscando e aprimorando na minha
jornada de trabalho. Napoleon Hill, no livro, A LEI DO TRIUNFO - para o século XXI,
pg 185 relata: “Um equilibrista, que atravessava uma corda bamba todos os dias certa
vez perguntado como fazia aquilo respondeu: Antes de atravessar, eu olho pro outro
lado com determinação e foco até me ver do outro lado. Quando vejo fico tranquilo
porque daí é só ir ao encontro de mim mesmo no outro lado.”
Enfim volto a pergunta do início: Empreendedorismo de mãe é diferente? Sim
é diferente: Requer uma aplicação das atitudes já mencionadas, como trabalhar as
diferentes tarefas realizadas com os filhos. Esses filhos não devem ser terceirizados
para outros possam se responsabilizar por eles, com dedicação exagerada. Mas tem
que saber e entender que como mãe tem responsabilidades que precisa cumprir e por
esta razão, os filhos necessitam assimilar que não perdem a mãe mas sim por certos
momentos, ela estará ausente mas logo voltara.
Cada mãe tem o seu lado profissional diferente da outra e necessita encontrar
seu ponto de equilíbrio junto as diversas variáveis de cada ambiente familiar. O
importante é ter em mente que o tempo e o trabalho tem que estar ajustados.
Seguindo tal premissa pode-se alcançar o melhor resultado que deseja
como mãe e principalmente mãe empreendedora Hoje tenho isso na minha mente,
olhar para mim para desenvolver. Buscando pequenos princípios que me ajudem
Quais de mim você procura?
87
no empreendedorismo que corre em minhas veias. Estabelecendo sempre metas
e objetivos, procurando fazer escolhas certas, o que me fazem alcançar resultados
concretos.
O empreendedorismo tem sido contagiante no dia a dia da minha vida nestes
anos de trabalho.
“Comece por fazer o que é necessário, depois o que é possível e de repente estará a
fazer o impossível”. São Francisco de Assis
Lilia Martins
Quais de mim você procura?
88
Quão doce é a palavra mãe...
Escrever sobre maternidade é algo enriquecedor para mim. Não é jargão
nem sentimentalismo afirmar que meus filhos são a melhor parte de mim... Uma parte
dividida em três pedaços perfeitos.
Eles são o brilho dos meus olhos que enxergam futuro, são as canções
melodiosas que saem de meus lábios, frutos doces... O pulsar do meu coração fora do
ritmo atendendo aos tantos chamados de mamãe, mamãe, mamãe...
Meus filhos são meus maiores, melhores e mais honrosos prêmios. Os mais
dignos que já recebi... E eu tenho recebido vários justamente por meu trabalho com a
Educação da Infância.
Mas eles são os principais, pois eu os recebi como um presente de Deus.
Eles vieram embrulhados em laços de amor e ternura, para me outorgar o diploma
de “Mãe”, o título de mestre em amor, doutora em carinho com pós-doutorado em
relacionamentos. E com especialização constante!
A doçura da maternidade é algo tão nobre quanto misterioso e falar sobre
os filhos, sobre os caminhos que trilhamos por causa deles é algo extraordinário...
Faltam-me palavras e sobram-me sentimentos.
Para quem não me conhece, sou Lilian Fernandes, mãe de três pequenas
(grandes e raras) joias preciosas: Emanuelly, Isabelly Munick e Lincoln, casada há 13
anos com o Márcio, escritora e realizadora de sonhos. Tenho experiência na Educação
há mais de vinte anos, mas foi justamente a maternidade que me trouxe maturidade
e conhecimento prático do “outro lado”- a família. Sou autora da “Coleção Mabelin”,
cujo mote é “Cada família é um reino”. Neste trabalho eu falo sobre princípios e valores
para crianças, focando nos valores familiares- que são a base para toda a vida.
Os livros da coleção Mabelin foram inspirados e dedicados à minha família,
especialmente meus filhos, sendo que cada um ganhou um personagem: Um príncipe
e duas princesas do meu reino encantado, porém real...Cada um tem seu livro
especialmente dedicado, onde expresso meu amor por eles, mas também deixo um
recado e um legado: Que cada criança deve ser amada e cuidada com toda essência
do ser humano, que cada família é um reino, independentemente de qualquer
circunstância, cada casa é um castelo, não importando se de fato é um castelo ou um
casebre... A mensagem que eu levo é que todos têm direito à felicidade de fato e esta
começa na base da família. Eu trato meus filhos dessa forma, eu ensino-os assim e eles
estão não só aprendendo, como propagando meus ensinamentos por onde passam...
Minha pequena Manuzinha, a primogênita, me enche de orgulho ao escrever
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
89
seus primeiros livros com apenas nove anos e publicá-los junto comigo. Sem qualquer
interferência minha ou de outrem, ela escreveu historinhas recheadas de valores
e princípios, deixando ainda um recadinho (uma mensagem) para seus pequenos
leitores... Mais do que orgulhosa, fico grata por saber que sou usada como instrumento
de transformação do mundo, começando por minha própria casa.
Viver na prática o que se prega é a melhor parte! É a certeza de estar no caminho
certo, exercendo “o chamado”, compartilhando o dom que Deus me concedeu. Não
abro mão disso! Se é fácil? Claro que não! Mas infinitamente gratificante.
Quem me vê hoje, assim tão feliz e realizada com meus “filhotes”, falando e
escrevendo sobre maternidade, com tanta alegria e regozijo, com tanta inspiração e
principalmente sendo inspiração para outras mulheres e mães, não imagina como
inicia minha história... Mas eu vou contar!
Aos vinte e seis eu engravidei pela primeira vez e em meu ventre eu carregava
dois anjinhos lindos... Eles partiram tão rápido quanto chegaram, não tive tempo de
dizer “olá”, mas fui obrigada a dizer “adeus”...
Não me faltam lágrimas agora na lembrança desta história que é tão feliz quanto
intensa. Sim, feliz! Recuso-me a atribuir tristeza ao fato que me tornou a fortaleza que
sou hoje, a mulher firme e empreendedora que busca seus propósitos e os persegue
com resiliência, foco e sempre muita fé... A mãe realizada que trilha caminhos floridos
em busca e encontro de seus ideais, ensinando seus filhos a ensinarem tantos outros
filhos que a vida é para ser vivida com humanidade... Amor e respeito ao próximo são
as palavras de ordem desta jornada.
Malcon, Murilo e depois a Vitória Letícia foram os primeiros capítulos desta
história de sucesso... Não sei quantas mães sabem a dor de enterrar um filho (ainda
que seja um bebê recém nascido) ou de perder antes mesmo de nascer, mas sei que
muitas não aguentariam... Eu mesma quase não aguentei e devo afirmar até mesmo
como uma obrigação, que foi somente com a força em Jesus Cristo que superei... Muita
fé em acreditar e perseverar na promessa de que seria mãe.
Com o passar dos dias as lágrimas foram diminuindo (elas não cessaram até
hoje e duvido que cessem) e como que em um desenho animado a força do Senhor
me impulsionou para frente como um mantra dentro do meu ser: “Continue a andar,
continue a andar”. Então assim eu fui...
Entre noites em claro, planos e frustrações, um dia o sol brilhou mais forte.
Eu vi minha perseverança se transformar em alegria e pude ver o cuidado de Deus
comigo em cada detalhe... Eu não ousaria pedir mais nada na minha vida depois que
peguei meu bebê nos braços. Manuzinha veio como um raio de sol para iluminar
todos os meus dias e noites, até as mais escuras. Quando a peguei e a olhei, a cheirei,
a beijei, tive a certeza de que toda a dor valera a pena. Deus tem seus caminhos e para
mim Ele escolheu este.
E então, por ela e para ela, me libertei de toda dor e segui adiante... E o resto da
história vocês já sabem...
Os irmãozinhos chegaram porque ela pediu (e as histórias da Coleção Mabelin
Quais de mim você procura?
90
contam os detalhes) e todo o resto da história nós estamos escrevendo juntos, com
certeza de final feliz...
Escrever este capítulo me trouxe uma liberdade de espírito inexplicável. Muitas
mães me perguntam “como eu consigo” dar conta de tantas coisas e ainda com três
filhos... Creio que era importante eu contar essa parte da história para inspirar outras
mães a realizarem seus sonhos sem abrir mão do seu papel principal: A maternidade!
Deixo aqui o meu convite para que outras mães conheçam e reconheçam seu
valor, inspirem suas famílias e vivam felizes em seus reinos.
Um abraço
Lilian Fernandes
www.lilianfernandesescritora.com.br
(11) 9 5735-5561
Quais de mim você procura?
91
Renascimento! O poder de transformação
e o milagre da vida
Com todos os problemas de saúde que tem, não posso dar a certeza de
que algum dia tenha filhos!” Naquele dia, vi meu mundo desmoronar completamente,
aos 23 anos. Mais de 80 quilos me separavam do meu sonho de ser mãe, mas decidi
que faria algo por mim e que provaria o contrário do que meu médico me disse.
Depois de anos em depressão e de ter passado uma adolescência se escondendo
da sociedade, quase prestes a desistir da vida, eu me dei a chance de mudar, de fazer
um novo começo e me permitir me transformar de corpo e alma. Ouvir dizer sobre
todos os riscos que uma cirurgia poderia trazer, ou até mesmo que não poderia sair
daquela situação que talvez me levasse silenciosamente à morte. Para mim foi muito
difícil. Mas a luta pela vida, por um sonho que parecia distante, ainda continuava.
Após o processo cirúrgico para redução de estômago (bariátrica) eu ainda permanecia
no hospital. Prestes a ir para casa e iniciar uma nova vida, tive complicações e tive que
ser transferida para a UTI, onde permaneci por exatos 10 dias. Foi um dos piores e
dolorosos momentos em que vivi uma sensação de quase morte. Mesmo após alguns
dias em coma induzido, lutava pela vida, para que eu saísse daquele hospital e pudesse
um dia contar que venci mais uma batalha imposta pela vida.
E inacreditavelmente, comecei a melhorar e meu estado clínico se estabeleceu.
Após dias internada, tive alta e daquele dia em diante, prometi a mim mesma que
escreveria uma nova história, e que minha vida mudaria por completo. Aos poucos,
fui vencendo o passado doloroso, as angústias e medos, os dias foram se passando
com a mudança e transformação física e psicológica. Diversas vezes me bateu o
arrependimento o desespero, mas eu fui forte e a cada dia eu me transformava por
dentro e por fora. E com o tempo tudo foi ficando mais fácil e eu voltei a viver.
Era uma vida nova que nascia dentro de mim. Nascia para a vida e para tudo
de incrível e maravilhoso que ela tinha a me oferecer. Eu acabava de sair do casulo que
me prendia e estava vivendo a silenciosa metamorfose da vida. Não me era tirado só o
peso físico, mas o peso que a sociedade impunha. Sempre digo que tenho duas datas de
nascimento: a que nasci, em 12/01/1987, e a que renasci, em 07/07/2009, pós-cirurgia.
Três anos se passaram e eu tinha saído dos 162 quilos para 76 quilos. Mudei
meus hábitos alimentares e retomei minha vida. Entrei na faculdade e estava em uma
das melhores fases da minha vida. Antes de pensar em realizar meu sonho de ter filhos,
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
92
estava empregada há quase três anos em uma das melhores empresas, mundialmente
conhecida por desenvolver, fabricar e vender licenças e softwares para computadores.
Eu adorava meu trabalho e ao mesmo tempo não me encaixava naquele lugar, Não
me sentia “eu”. Trabalhava sob pressão, com metas, carga horária abusiva, num
ambiente que não me dava liberdade de expressar minha criatividade. Gostava do que
fazia. Era satisfatório, um bom cargo, um bom salário, mas não me sentia realizada
profissionalmente.
Mas em 2012, para minha total surpresa, pois não esperava um “positivo”,
principalmente pelo que ouvi do meu médico, estava grávida. E aquela notícia me
pegou de surpresa, tanto quanto a minha demissão inesperada, no mesmo momento
em que descobri que seria mãe. Foi tudo tão rápido! Os acontecimentos, um misto de
felicidade intensa, meu sonho se realizando e eu prestes a perder a minha estabilidade
financeira. Mas tive que retornar à empresa e permanecer até o final da minha gestação
trabalhando. Foi bastante difícil este retorno, pois nada era como antes, então se
passaram 9 meses até o momento mais esperado e lindo da minha vida, vivendo sob
pressão e assédio moral dentro do meu local de trabalho e eu não aceitava, não queria
mais. Esperava minha filha nascer para não ter que voltar mais a uma empresa para
trabalhar. Queria viver intensamente a maternidade tão desejada.
Trabalhei até alguns dias antes da minha filha nascer. Em 11/06/2013 nascia
meu milagre, minha Lívia Isabel, meu sonho em forma de anjo e ternura. Eu tinha em
meus braços todo amor que uma mulher poderia ter, eu me tornava a mãe e mulher
mais feliz desse mundo, e por diversas vezes fui desacreditada por médicos de que
esse sonho pudesse acontecer em minha vida. E eu descobri que a maternidade nos
transforma,eunãoimaginavamaisminhavidasemela,depoisqueelanasceuepassado
alguns meses eu tive que retornar ao trabalho, afinal minha licença-maternidade estava
chegando ao fim. Mas uma nova decisão foi tomada por mim e eu escolhi estar com
ela, viver meu sonho de forma integral.
Depois que saí do meu emprego eu passei a escrever um blog, falava sobre a
maternidade, medos e descobertas de uma mãe de primeira viagem e gravava vídeos
com minha filha, fotos do cotidiano, mas o blog ainda não era o que eu queria. No
fundo, sabia que ainda não era isso; queria mais. Foi quando comecei a planejar a
festa de aniversário de um ano da minha filha. Pesquisei tema, fiz toda decoração,
personalizados, lembrança, doces e comidas. Foi fazendo tudo isso que me descobri.
Era o que eu tanto procurava, minha vocação, o que eu queria fazer de verdade, e que
eu pudesse conciliar a maternidade com um trabalho que realmente gostava. Ralei
muito para aprender a criar um negócio que me realizasse profissionalmente e que
também me desse uma remuneração que me possibilitasse a ficar em casa cuidando
da minha filha.
Com o tempo fui modificando meu negócio que começou com uma impressora,
um notebook, papéis para confecção de personalizados e lembranças para festas
infantis. Comecei a fazer bolos, doces e salgados e vender, e cada vez me surpreendo
Quais de mim você procura?
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mais. Comecei a divulgar nas redes sociais e recebendo pedidos e encomendas maiores,
e então me veio outro sonho: um buffet em domicílio. Como não tinha condições para
ter um espaço físico, decidi levar a outras pessoas um buffet completo com tudo que
uma festa seja infantil teria direito de forma acessível.
E tudo foi acontecendo aos poucos sem muito investimento. Surgiu a primeira
festa, uma encomenda de doce, de lembrança. Hoje eu não ganho muito mais do que
ganhei na vida dentro de uma empresa, mas eu faço o que amo e, principalmente,
ajudo pessoas a realizar sonhos. Viver fazendo festa é realizar sonhos de pessoas e ser
responsável pelo momento de felicidade de cada cliente, e esse é o maior pagamento
que eu posso receber da vida.
Eu ainda tenho outros planos: desejo expandir meu negócio, ter um espaço
físico para realizar festas e continuar trabalhando com meu buffet, aumentar a família
e continuar fazendo o que realmente amo. E dedico a cada dia dessa realização e tudo
que está por vir a minha filha Lívia com todo meu amor, pois foi por ela que descobri
o verdadeiro sentido da minha vida. Em nenhum momento me arrependo de ter
mudado minha vida por ela. Quero ser para ela exemplo de superação e fé, que ela
jamais desista de acreditar em seus sonhos e que consiga alcançar o que desejar dessa
vida. Por ela sou capaz de tudo, de recomeçar, de alcançar de realizar e me transformar.
Lilian Isabel Sarturato de Sales,
29 anos, casada, mãe da Lívia Isabel
de 3 anos, formada em Gestão de Ma-
rketing, culinarista e proprietária do Lis Buffet e
Eventos. Trabalha com organização e
planejamento de eventos, blogueira do
canal Mãe de Cabelinho Dourado,
cursando Gestão de Eventos. Quero poder inspirar
outras mulheres que desejam
empreender através da maternidade, continuar proporcionando momentos felizes
e realizando sonhos e festas.
Quais de mim você procura?
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“Cada um sabe a dor e a delícia de ser
o que é...”
(Caetano Veloso)
Abril de 1997...24 anos... auge da minha carreira artística... a notícia:
grávida! E justo no fim de um relacionamento. Deste momento em diante, começou a
construção da mulher de hoje: forte, decidida e, principalmente, destemida.
Então, teve início uma das fases mais difíceis em minha vida e, ao mesmo
tempo, de muito aprendizado. Amadureci, tornei-me MULHER; passei a gravidez
praticamente sozinha, vendo meu corpo se transformar e abandonando de vez a
carreira artística que tanto amava.
Mas é impressionante a força que descobrimos ter quando nos tornamos mãe...
Mesmo grávida fiz shows com o Banana Split até meu 7º mês, e em 07/01/1998,
nasceu o meu Matheus, a razão de toda minha força. Nesta época, meu foco foi atuar,
afinal tinha me tornado atriz profissional ainda grávida. Após 4 anos cantando nos
palcos de todo o Brasil, resolvi me dedicar à publicidade, mas meus planos logo foram
interrompidos por 8 anos de casamento. Infelizmente a imaturidade não permitiu que
eu visse o quão importante é você não abrir mão dos seus sonhos, de sua vida, do seu
eu. Descoberta feita mais tarde, à “duras penas”. Durante esse relacionamento residi
em São Paulo, passei 1 ano em Porto Alegre, onde tive uma cafeteria que eu amava, e
fiz lindas amizades. Depois morei por 2 anos em Goiânia, onde foi muito difícil para
mim, pois não trabalhava, não produzia, e para quem trabalhou desde os 16 anos, foi
bem complicado. E claro, sempre meu filho comigo. E depois disso voltei à São Paulo,
onde decidi retomar minha vida profissional. A essa altura o casamento ia de mal à
pior. Foi quando em março de 2006, optei por mim. Nada mais importante que a paz
de espírito. Mas como tudo na vida, cada dor sentida, cada momento sofrido, nos
impulsiona e nos mostra um novo caminho, ainda que demoremos a entender. Essa
experiênciadifícilemocionalmentemelevouaoautoconhecimento.Comeceiapraticar
Yoga, me descobri internamente, e a necessidade da construção do meu EU emocional
começou a desenvolver, crescer e até hoje novas experiências e conhecimentos me são
apresentados.
Depois da separação, minha dedicação total ao trabalho como atriz de
publicidade, modelo comercial e apresentadora me levou a outras descobertas como
líder de equipe e vendas na área de beleza. Tudo muito novo e desafiador, ao mesmo
tempo, glamuroso e encantador. Aprendi mais sobre pessoas, com as pessoas, descobri
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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diferentes habilidades e fui muito corajosa e atrevida. Trabalhei arduamente porque
acreditava num objetivo final, num retorno, num ideal. Descobri que se você não corre
atrás, nada bate à sua porta pronto para entrega, então me restava encarar de frente;
peito e coração aberto. E foi isso que me deu foco na vida, que me levou a ter uma
meta, pois movimento gera movimento.
Ao final do ano passado, no auge da crise política/financeira do nosso país,
infelizmente meu negócio de vendas em equipe entrou em declínio, e mais uma vez
precisei me reinventar.
No meio televisivo, costumam dizer que quando você é mordido pelo
“bichinho da TV” você não consegue fazer outra coisa. FATO! Senti uma vontade
enorme de voltar para às telinhas de alguma forma. Eis que o destino já tinha me
apresentado a pessoa com a qual eu começaria tudo novo, de novo: Kátia Teixeira. Nos
conhecemos em um curso ano passado: Master Mind. E, em fevereiro deste ano, veio o
convite de um novo desafio, o trabalho numa área comercial em conjunto com minhas
apresentações. Impressionante nosso desenvolvimento fora da zona de conforto, não
é? Tem sido assim para mim diariamente: o contato com o novo. Realmente sou uma
pessoa abençoada, pois a vida sempre me trouxe e traz pessoas do bem, excelentes
amigos e uma família unida.
Meu filho está com 18 anos, é estudante de publicidade. Um garoto lindo,
por dentro e por fora, talentoso, dono de uma linda voz...canta e encanta à todos por
onde passa. Me encho de orgulho e fico muito feliz em ver que meu árduo trabalho de
“pãe” deu um maravilhoso resultado. Mas não foi e nem é fácil criar um filho sozinha.
Mesmo com um pai presente e responsável, o “trabalho” maior é o meu, no dia a dia
exaustivo da educação, de valores, da construção do caráter. Muita responsabilidade
ter e criar um filho, é preciso dedicação, equilíbrio emocional e amor para vê-los
crescer confiantes e seguros, como pessoas do bem.
Entre altos e baixos da vida, graças à Deus, nunca desisti de nada nem de
ninguém de grande importância em meu caminho. Encaro tudo corajosamente com
intuito de superação das novas etapas que se apresentam. Falo para o meu “baby”, que
somos um time de dois, mas um GRANDE TIME!!
E assim estou vivendo um dia de cada vez, na certeza de estar cumprindo meus
diversos papéis que me foram confiados.
“Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros
sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas...”
(autor desconhecido)
E é vida que segue...
Liz Vargas
Quais de mim você procura?
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Jamais substime o quão poderosa uma
mulher pode ser
Eu sou Luci do Carmo de Santana, mãe, empresária e, psicopedagoga
com especialização em portadores de necessidades especiais – visão.
Nasci em São Paulo capital em uma década onde mulheres só eram vistas como
futuras donas de casa. Ousei em fazer curso técnico de decoração, no Liceu de artes e
ofícios de São Paulo, onde cursei apenas dois anos, dos quatro exigidos. Como mulher
lutadora, que sempre fui, terminei o colégio normal, na época, em 1977.
Casei-me no ano de 1978, com meu colega de colégio, Luciano Mariano de Santana
Em 1981, entrei na Faculdade de Pedagogia, em São Paulo, período onde
poucas mulheres de classe social denominadas classe média, assalariada, frequentava
os bancos universitários, principalmente, negras.
Foi nessa época, que após 4 anos de casada, recebi a notícia que havia um
problema uterino. Apesar de vários exames feitos na época, recebi a notícia que meu
útero era bicorno. Pouco era a chance de gravidez, diagnóstico revelado por um
médico ginecologista do Hospital São Camilo.
Decidimos então, pela adoção, e dois anos mais tarde, quando estagiava em uma
instituição filiada a antiga FEBEM, conheci uma menina, ao qual ficamos tocados com
sua história, e decidimos adotá-la. Nesta época, era muito difícil adoção de criança
com idade acima de um ano, menina e negra. A garota encontrava-se com dois anos
e dez meses, mesmo assim nos interessamos por ela. Foi um início difícil para ambas,
mas o amor venceu. Pois houve aceitação total dos amigos, familiares e vizinhos, os
quais trouxeram presentes com se houvesse nascido um bebê, lindo momento!!!!
Anos se passaram, Sabrina crescia bem e com saúde, sempre acompanhada de
psicólogos e assistentes sociais da instituição, por aproximadamente quatro anos, aos quais
observavam a adaptação e o desenvolvimento da criança. Findando a adoção definitiva.
Por volta de setembro, de 1985, engravidei. Como o diagnóstico médico, era de
útero bicorno, a gestação era de risco, porém tudo correu bem. Com o aparecimento
da gestação, foi nesse momento que a Sabrina fez a pergunta fatal: “Mãe, de que barriga
eu vim?” A resposta foi simples, e sem rodeios: “ Você, filha, veio do coração!!!” Ela
ficou feliz, com a resposta, explicamos à ela, sobre a adoção, e a levamos para conhecer,
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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outras crianças, que também como ela, poderiam ser adotadas, e, também crianças
adotadas por outros casais. Principalmente, porque eu tenho uma irmã, muito querida,
adotada por meus amados pais, Maria Helena, que muito me ensinou.
No ano seguinte, 1986, em julho, nascia Lucila Rafaela, para alegria de todos,
inclusive a Sabrina. Porém, Lucila era portadora de necessidades especiais físicas o
lado esquerdo do corpo como: visão, e membros superiores e inferiores um pouco
menores. Porém a alegria pouco durou, com dois meses de vida, Lucila recebeu uma
medicação para resfriado, e sofreu um choque anafilático e veio a falecer em agosto
do mesmo ano, também, no Hospital São Camilo. Ano difícil para nós. A Sabrina foi
muito importante nesse momento, sua presença e seu carinho nos fortaleceu. Ficamos
mais unidos. A vida segue. Passamos a passear em cinemas shoppings, restaurantes,
casa de amigos e familiares e viagens.
No ano de 1992, por motivo de trabalho, fomos morar em Arcaju - SE, próximo
aos parentes paternos, onde permanecemos por dois anos e meio. Nesse período, um
sobrinho do meu marido, Gilson, Veio morar conosco em Aracaju, pois seus pais
moravam no interior do estado de Sergipe, cidade de Tobias Barreto. Na época na
cidade onde ele vivia, a escolaridade era precária.
Em 1994, Luciano, meu marido, foi convidado a ocupar um cargo em Brasília,
por isso nos mudamos para lá: Eu, Luciano, Sabrina e Gilson. Por isso os pais de Gilson,
nos deram sua guarda, pois era menor, para continuar seus estudos em Brasília, época
de dedicação total à eles: mãe motorista, lavadeira, passadeira, cozinheira, todas as
“eras” da vida. Afinal era um período delicado, adolescência: escola, inglês, teatro,
jogos, igreja, amigos, festas, clubes, ufa... esta era minha rotina.
Porém, entre uma e outra atividade, nunca deixei de estudar. Fiz cursos
voltado a educação de pessoas portadoras de necessidades especiais, curso de braille,
alfabetização para deficientes visuais e locomoção. Minha vida escolar sempre esteve
presente em meu cotidiano, onde quer que eu estivesse morando. Minha paixão por
estudar trouxe um legado de três sobrinhas pedagogas: Edilene, Edvânia e Gabriela.
Uma psicóloga: Deise e uma Doutora em Letras: Elisângela. Sempre ouvi de minhas
sobrinhas: “Quero ser como a tia Luci.”
Em 2000, novamente por motivos de trabalho, retornamos para São Paulo. Época
em que o Gilson ingressou na Faculdade de Direito e passou a trabalhar em uma estatal,
motivo pelo qual permaneceu em Brasília, pois já estava bem encaminhado e também
por decisão própria. Depois de formado, constituiu família, e se manteve por lá.
Ao chegar em São Paulo, Sabrina para a se dedicar a trabalho artístico e religião,
trabalhando voluntariamente como evangelista.
Neste mesmo ano passei na faculdade de Psicologia, realizando o meu sonho
de ser psicóloga. Foram anos maravilhosos, uma experiência fantástica. Realmente
é isso que desejo ser, psicóloga. Especializei-me em Psicopedagogia, com ênfase em
dificuldades de aprendizagem.
Atualmente divido meu tempo entre meu trabalho no consultório de psicologia em
Quais de mim você procura?
98
Santos – SP, na Instituição Braille de Santos – SP e no Quiosque Pasteluck, em São Vicente
– SP, onde realizo diversos eventos culturais para promovê-lo e diversificá-lo. Participar
desta coletânea, deixa-me feliz, visto que, no início deste ano (2016), abri as portas do
Pasteluck, para o lançamento do primeiro livro: Quais de mim você procura?, e agora
tive o privilégio de receber um convite para participar deste novo empreendimento:
Mães empreendedoras, ao qual recebi com muito carinho para mostrar um pouco da
minha humilde história.
Luci do Carmo Santana
Quais de mim você procura?
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50 Mães empreendedoras que chegaram lá
O deserto de cada um...
“...Filha de comerciante, cresci cercada por pessoas das mais diversas
personalidades. Através do exemplo do meu pai aprendi muito sobre a importância em
obter uma boa diversidade nas relações comerciais. Constatei ainda no balcão do seu
estabelecimento o quanto uma boa rede de contatos (networking) impulsionava seus
negócios, partindo desse pressuposto sempre acreditei no poder das conexões quando é
bem trabalhada...”
Sou apaixonada por conexões e transformo-as em grandiosos negócios. Essas
palavras marcam a minha trajetória profissional. Claro, aliada a muita disciplina
e entusiasmo. Então foi assim que abri o ‘“mar vermelho’” e tornei-me uma grande
especialista e intermediadora de negócios usando como base a maior rede social
profissional do mundo, o LinkedIn.
Emancipada aos 17 anos, aos 18 anos assumi o papel de mãe, pai e líder
majoritária da minha casa. Tudo dependia de mim, pois meu ex-marido era totalmente
irresponsável e imaturo.
Cheguei em Curitiba, uma cidade grande e desconhecida para mim, com uma
mala, um par de sapatos (os que calçava) e muitos sonhos. O começo foi muito árduo,
aprendi sozinha a me defender, era eu e Deus. Isolada e sozinha, foi com garra que
soube aproveitar cada oportunidade recebida, afinal se eu falhasse, não era somente
comigo, tinha três vidas envolvidas. Fiz das oportunidades o meu melhor negócio.
Até aos 27 anos eu acreditava no modelo perfeito do regime CLT. Confiava
de verdade que sucesso era ter uma boa posição dentro de uma organização grande.
A grande virada de jogo foi durante a adolescência complicadíssima da minha única
filha. Descobri que nunca tinha acompanhado o desenvolvimento dela, não fui em
consultas médicas, nem festas nas escolas, nunca a acompanhei para fazer documentos
quando preciso e outras coisas, sempre terceirizava essas funções, afinal no regime
CLT, sair fora do horário comercial era pedir pra ser mandado embora. Aos 30
anos, eu atravessei o deserto mais duro, a ‘“conta’” da minha ausência durante o
desenvolvimento da minha filha chegou. Foi nesse momento a minha época de maior
crescimento, minha vida como mãe e profissional foi totalmente transformada.
Do mundo desabando e do anonimato para o palco da maior rede social
Quais de mim você procura?
100
profissional do mundo. Impactei mais de 100 mil usuários da rede social LinkedIn
Brasil e mudei o meu cenário profissional, do regime escravo CLT para a tão sonhada
flexibilidade profissional.
Bem, tudo começou na época em que tomei a decisão de abandonar o regime
CLT. Tinha em mente somente uma coisa: mudar o meu cenário pessoal e profissional
- não aguentava mais o ritmo assombroso e ameaçador do sistema corporativo.
Sempre acreditei no “‘ganha-ganha” justo, em que ambas as partes devem ganhar e,
o modelo de trabalho no qual eu estava submetida era injusto, seguia o um padrão
da Era industrial, onde havia muito assédio moral, fazendo acreditar na falsa ilusão
da “segurança’ e “benefícios” do regime CLT ao chegar na época da aposentadoria.
Quase acreditei em tudo isso. Se não fosse o tsunami com a minha filha, essa conta
‘“segurança + benéficos”’ já não estava fechando pra mim, era um ‘“des-serviço”’ com
a minha missão neste mundo.
Sentia-me emburrecendo e desonesta com o meu potencial e investimento
que fiz em meus estudos. O ritmo intenso de trabalho não me assustava, o que me
fazia ficar extremamente irritada era a prisão vivida no regime CLT, regime militar,
hierárquico e pouco inteligente, que se complicou ainda mais durante a chegada da
adolescência da minha filha, ela precisava da minha presença e acompanhamento
e eu simplesmente não podia pelo fato que nesse regime eu trabalhava das 8h às
18h:30. Aliais, presença era uma palavra desconhecida em nossa rotina, o regime
fechado CLT era pontual e a grade da jornada de trabalho não permitia privilégios,
por exemplo, o uso do telefone era restrito e recomendado não usar durante o
horário de trabalho; ir ao médico só em último caso e uma vez ao ano e olha lá.
Acompanhar minha filha em ocasiões especiais na escola era pedir pra ganhar a
conta. Essa foi minha rotina durante, aproximadamente, 16 anos da minha vidinha
mediana e anônima.
Se por um lado tinha a tal “segurança” do CLT, por outro lado eu tinha uma
filha totalmente solitária, pedindo por socorro. Foram sete anos no deserto, em uma
busca para conciliar trabalho e estar mais próxima da minha pequena. Após esses
anos, eu enfim pude compreender o que de fato a vida estava querendo me ensinar
e me presentear. Hoje sou muito grata pela difícil fase e compreendo que tudo tinha
um propósito. Todos esses acontecimentos foram eu dar sentido a minha missão neste
mundo. Eu fiz a descoberta de novos cenários e principalmente, passei a compreender
o porquê da conta não fechar. Enfim, consegui me libertar do sistema e do regime CLT.
O deserto proporcionou um conhecimento verdadeiro, profundo. Permitiu
conhecer pessoas sensacionais, extraordinárias, abrir novas frentes de trabalho, além
de me mostrar que existe vida lá fora.
Commuitador,medoesolidãoeureescreviaminhavidaprofissional,abandonei
o regime CLT, coloquei minha filha em primeiro lugar, busquei compreender como
poderia manter um lar através do meu trabalho e não mais com um “emprego”.
Quanto mais caótico era o cenário dentro da minha casa, mais eu estava
Quais de mim você procura?
101
certa sobre a ideia de trabalhar home office para poder estar mais próxima da
minha pequena. Começava então minha busca incansável e em conjunto a minha
transformação.
Primeira etapa do meu crescimento, ainda durante o regime CLT, foi estudar
cases de profissionais bem-sucedidos e qual seria a trajetória ideal para eu alcançar
o resultado desejado. Mesmo a minha decisão sendo vista por muitos como ‘“surre-
al’ durante a minha busca conheci uma técnica muito inteligente e simples, chamada
SMART e fiz dela minha aliada no primeiro momento.
No início da minha trajetória, em 2008 eu conheci um grande executivo, ele foi a
minha grande inspiração - intitulei-o como o “‘Presidente”’ - e era um dos homens mais
inteligentes que eu já havia conhecido. Recém-chegado da França, ele trazia na bagagem
uma trajetória fantástica, eu simplesmente queria ouvir mais e mais... Fui buscar mais
informações sobre o Presidente no Google e então acabei conhecendo algo tão valioso
quanto ele, sim o LinkedIn. Sem entender muita coisa, na época a versão era somente em
inglês, eu pude compreender o necessário para o meu crescimento profissional. Percebi
na rede a oportunidade que almejava e a resposta da minha busca profissional!
O LinkedIn surgiu em minha vida no ano de 2008 e, atualmente, sou proprietária
de nove grupos de networking, gerencio diariamente mais de 100 mil usuários e, desde
2011, aprendi a usar a ferramenta, a trabalhar coletivamente com viés no humano e digital.
Essa foi a porta de entrada do meu futuro profissional, abandonei de vez o CLT e me tornei
uma intermediadora em negócios e conexões estratégicas dentro da rede LinkedIn.
Ousei ainda mais na rede, fundei o “Networking Conference,” o maior encontro
entre os usuários da rede social profissional LinkedIn Brasil. O NetConference nasceu
com o objetivo em ampliar o relacionamento entre os usuários na rede, proporcionar
um time-line real de discussões ricas em conteúdo e soluções inteligentes, além disso,
buscamos estreitar e ensinar os profissionais a fazerem networking.
Até o início de 2016 foram mais de três mil executivos assistidos pelo
NetConference Renomadas empresas apoiaram a iniciativa, no qual me orgulho muito.
Se a minha trajetória profissional terminasse aqui, acredito já ter construído um bom
legado. Enfim, encontrei o modelo de trabalho ideal e nesses últimos cinco anos construí
uma empresa durante a travesseia do deserto, sim, se você leitora estiver passando por
um deserto, minha recomendação é: atravesse-o e ‘não” pare, siga em frente.
Minha filha tornou-se uma adulta segura e, principalmente feliz, viu em mim
o exemplo de determinação e amor. Sinto sua admiração por mim e orgulho quando
fala da minha repercussão no universo dos negócios, ter o seu reconhecimento e vê-la
seguir meu exemplo é a minha maior vitória.
Após o temporal, consigo compreender melhor um dos livros que foi meu
conselheiro nessa trajetória – Eclesiastes 3.1 , ele dizia “Tudo tem o seu tempo
determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Isso é maravilhoso!
Gratidão a minha filha, dona do meu coração. Aos amigos próximos durante
a minha árdua caminhada, minha mãe e meus irmãos que seguraram a barra quando
Quais de mim você procura?
102
meus braços já não tinham mais forças, ao mercado CLT no qual me proporcionou
tanto aprendizado, ao meu atual marido, que chegou bem no meio do tsunami,
mantendo-se firme e forte mesmo sem compreender o vendaval a minha volta. A ele,
o meu Presidente, mesmo sem saber me ensinava tanto sobre o mercado e que me
proporcionou encontrar a rede que mudaria minha trajetória profissional. A Deus, no
qual sussurrava em meus ouvidos “Enquanto tiver o sopro, tem vida, tem mudanças,
acredite”.
Malu Neves - Estrategista e
Empreendedora visionária, divide sua
residência entre Brasil e Itália, uma profissional
influente e de forte atuação no mundo dos negócios.
Também é cofundadora do Networking Groups,
o maior grupo de networking na rede social
LinkedIn Brasil. Idealizadora da proposta em
humanizar os contatos virtuais dentro
da maior rede profissional do mundo, impactou e
movimentou mais de três mil profissionais em seus encontros de networking pelo país,
tornou-se um grande case no mercado com reconhecimento pela mídia e a própria rede
social LinkedIn por seu trabalho de Inteligência Coletiva e colaborativa. Consultora e
palestrante em Inteligência comercial desenvolve soluções com o viés humano e digital
para empresas e profissionais nos quais desejam obter resultados extraordinários.
Tecnóloga em Gestão Estratégica em Vendas (Faculdade Luterana Martinus), MBA
em Inteligência de Mercado (UFPR), e Practtioner em PNL (Instituto Anauê-Teiño).
Quais de mim você procura?
103
RENOVAR A CADA AÇÃO
Eu me chamo Marcilene Evangelista dos Santos Silva, tenho 35 anos,
sou casada há 14 anos com Ricardo Rodrigues P. da Silva. Sou empresária e mãe do
Anderson, de 8 anos.
O ano de 2002 foi de grande realização. Foi também o ano em que me casei.
Comecei a trabalhar para uma rede de lojas de moda com plano de carreira,
aprendi a trabalhar com metas, estratégia para alcançá-las, aprendi a treinar
profissionais e executar para obter os resultados. No ano seguinte já estava planejando
abrir minha loja de bijuterias. Na época, com 22 anos, foi uma frustração, pois não
tinha conhecimento suficiente para dirimir quaisquer riscos. Resultado? Fechei a loja
no mesmo ano da sua abertura, em 2005.
Em 2006 entrei para o mercado de trabalho novamente (banco). Nessa época,
meu esposo já cogitava abrir a nossa empresa. Quando entrei no banco, busquei obter
o máximo de conhecimento sobre análise de risco, perfil de clientes, pois pensava que
um dia estaria analisando meus próprios clientes. Estava casada há 4 anos, pensando
em ser mamãe.
Em 26/02/2007, grávida, passei muito mal no trabalho e isso resultou no meu
afastamento. Foi preciso parar de pensar em mim e na minha vontade de trabalhar e
pensar no meu filhote. Em 30/07/2007 nasceu meu “chicletinho”, Anderson Rodrigues
dos Santos, hoje com 8.
No mesmo ano, meu marido abre a nossa primeira empresa, Economaxx.
Quando a empresa e o filhote completaram um ano, fiz o pedido para ser dispensada
do banco, pois estava pronta para conduzir minha empresa.
Não parei de estudar, pois quando retornei da licença-maternidade ao trabalho,
comecei minha pós-graduação em Gestão de Pessoal, pensando na Economaxx. 	
A Economaxx é uma empresa voltada para área da construção civil, ênfase em
elétrica. Conseguimos conquistar nosso espaço como uma das melhores empresas do
ramo de engenharia elétrica de nossa região, e isso nos levou para outros estados e
municípios.
Em agosto de 2012 descobri que estava grávida novamente. Nessa mesma
semana, fechamos um contrato em Santa Catarina. Tínhamos que viajar para resolver
trâmites administrativos e por fim começar a obra. A viagem foi marcada para início
de setembro/12. Ir ou não ir? Estava na sétima semana de gestação. Fomos, afinal, seria
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
104
uma viagem curta. Assim fizemos: contratos assinados, acordo revistos, hora de voltar
para casa. Realizei o check-in na companhia e pegamos o voo, retornando para São
Paulo - Guarulhos.
No momento que o estamos prestes a pousar, pergunto ao meu marido:
— Amor, vamos descer, pode pegar a pasta amarela, por favor?
— Como? Do que está falando? A pasta estava com você quando foi fazer o
check-in!
Eu havia deixado os documentos no balcão do check-in. Meu marido estava
em pânico e bravo comigo. E eu, claro, como sempre, me cobrei. Fomos informados de
que o documento estaria de volta em Guarulhos somente no sábado.
Comecei a sentir cólicas. Nesse momento foi quando me lembrei de que estava
grávida. Logo fui ao banheiro e ali o medo tomou conta de mim. A minha prioridade
não estava sendo o papel e sim proteger ao máximo meu bebê, mas eu não me queixei
das cólicas com ele, dada a tensão da situação.
Chega o sábado, pego o carro e vou para Guarulhos. Vou ao setor da companhia
aérea, informo a situação e sou informada de que a aeronave já estava perto de pousar.
Pergunto novamente e fui informada de que a aeromoça já estava trazendo a pasta. Fui
ao banheiro, ainda percebendo uma leve mancha rosa, mas retornei. O tempo passava
e nada.
— Moça, ainda não me entregaram o documento, pode verificar, por favor?
— Moça, desculpe mais a aeronave decolou novamente e só deve retornar para
Guarulhos na segunda-feira. Seu documento não foi retirado em tempo da aeronave.
Na hora me deu uma cólica que só de mencionar aqui, sinto novamente:
— Ajude-me a sentar. Estou grávida.
Eu estava acabada, desesperada, pensando na discussão que teria com meu
marido, mas era algo que teria que enfrentar.
— Cadê o documento?
— Só na segunda. O avião chegou, mas voltou a voar com o documento dentro.
— Como assim? Você não falou que estava esperando? Não falou para ninguém?
— Só na segunda para ir buscar.
— Ok! Mas eu não vou!
Deitei-me na cama sentido muita dor. Fui ao banheiro e tudo que via era
sangue. Muito sangue. Coloquei um absorvente e me deitei novamente. Liguei para
minha mãe, e ela falou com Ricardo, meu marido.
Fiquei internada, mas graças ao meu Deus, não precisei fazer curetagem. Tomei
soro e no banheiro, senti algo sair e bater no fundo do vaso sanitário. Vi uma bolinha
pequena de sangue e ali entendi que não havia mais nada em mim. No dia seguinte, ao
fazer o ultrassom, saco gestacional vazio. Recebi alta e fomos embora. No mesmo dia,
meu marido passou no aeroporto para retirar o documento.
Passamos a analisar muitas coisas de outra forma. Eu e Ricardo ficamos ainda
mais próximos. Assim, fomos nos fortalecendo, nos apoiando em tudo. E esse ano está
Quais de mim você procura?
105
sendo mágico novamente, pois abrimos nossa segunda empresa, num ramo totalmente
distinto: a Esmalteria Marcy Nails Bar.
Estamos em transformação de hábitos, pois até então, o que nos dividia era
uma parede, um corredor, e hoje estamos aproximadamente a 4 km de distância um
do outro. Mas estamos superando, dividimos as obrigações com nosso filho, levamos
Anderson ao colégio juntos e nos revezamos para buscá-lo. Nosso filho é prioridade
e vamos sempre os dois às suas atividades.
Ser mãe empreendedora é viver sem limites!
A coragem, os momentos de decisões, a calma, a reflexão, o choro, o
compreender, são partes contínuas de nossas vidas.
Facebook: 	/Marcilene Evangelista
/EsmalteriaMarcyNails
/Economaxxengenharia.
Beijo, beijo... Marcy.
Quais de mim você procura?
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A Jornada Mágica: Um Chamado à Aventura
Sou uma pessoa que gosta muito dos números, vejo magia neles! Tenho
alguns de minha preferência, por inúmeras razões: o número 18 por ser o dia do meu
aniversário; o número 30 por ser o dia do aniversário da minha filha; e o número 1,
porque marca o início de tudo. Imagine como me sinto quando é o dia primeiro do
mês, imagine ter um mês inteirinho para fazer o que você quiser! É muito mágico para
mim, e gostaria que fosse para você também, principalmente neste dia de hoje em que
ainda somos agraciadas por um lindo dia de sol, que nos instiga a agir.
Que tal acordar e fazer coisas como: tirar o pó do armário, levantar da cama,
da cadeira, do sofá e cantarolar uma linda música que faça seu coração cantar? É assim
que desejo que seu primeiro dia do mês comece sempre! Experimente e verá que os
outros 29 ou 30 dias serão de muita alegria e realização.
E foi assim que comecei a escrever a minha breve história, em pleno 01 de
agosto de 2016, às 13hs da tarde.
Sempre me perguntam que horas descanso, que horas eu durmo, por que sabem
que tenho uma agenda que começa normalmente as 07hs da manhã e termina às 22hs
da noite, de domingo a domingo. Mas nem sempre foi assim como é hoje.
A minha jornada realmente mágica teve início com o nascimento da Carolina,
minha filha. A história começa mais ou menos assim: Olhando o resultado do exame
e todas essas perguntas ao mesmo tempo: Eu, grávida? Como assim?! Será mesmo?!
Como é possível?! Passado o susto, retomei a respiração e pensei: “já estou com 32
anos e sei no meu íntimo que vai ser bom! É isso mesmo, vai ser legal!” – afirmei
com convicção, enquanto o meu outro eu falava: “Legal? veja suas finanças, veja seu
trabalho! Você é recém-empreendedora, ganha muito pouco, e o pai do bebê nem
emprego tem no momento.” Foi um turbilhão de sentimentos, todos velhos conhecidos
nossos: medos, anseios, alegrias, dúvidas de montão. Como vou dar conta de um novo
ser, como vou trabalhar e cuidar de mais alguém além de mim?
Tive noites em que mal dormia, mas a vida que passei a sentir dentro de mim foi
me dando forças a cada dia. Sabia que seria alguém especial, e que tinha me escolhido
para ser sua mãe. É nisso que eu acredito: que de alguma forma ela me enxergou aqui
na terra e me escolheu.
Tenho que confessar que escrever e reviver tudo isso agora me leva a lágrimas;
escrevo e choro ao mesmo tempo, é muita emoção.
Minha vida sempre foi feita de desafios e este não seria simplesmente mais um,
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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seria “O Desafio”, aquele que duraria toda minha existência, que mudaria para sempre
meu jeito de ver o mundo, de viver e trabalhar.
Como todas as mães sabem, a rotina é intensa: acordar a cada 3 horas para
amamentar, organizar, limpar, dar banho, cuidar das roupinhas, da casa, das finanças,
do trabalho, dos clientes, e, na época, ser esposa. Como conciliei tudo isto? Nos
primeiros meses de vida levava Carolina comigo para o trabalho; atendi muitos
executivos, realizei inúmeros processos seletivos, tudo com ela no carrinho ao lado.
Alguns clientes que chegavam estranhavam o fato de ter um carrinho de bebê ao
lado da mesa. Eu torcia para que ela não chorasse ou acordasse enquanto estivesse
atendendo. Poucas vezes aconteceu, e tive que lidar com as interrupções.
Planejamento sempre foi a palavra de ordem neste processo: agendar pessoas em
horários que não tivesse que amamentar, ter um espaçamento entre um atendimento e
outro, enfim. Ter uma agenda bem estruturada e definida foi uma boa estratégia.
A partir do quarto mês de vida da minha filha comecei a trabalhar quase sem
interrupções, parece milagre; a consultoria estava dando certo, e eu já tinha dinheiro
para pagar uma babá, então conseguia deixá-la em casa. Lembro que tirava leite do
seio e congelava para que ela fosse alimentada enquanto estava trabalhando.
Mas mesmo com a babá algo que nunca abri mão era dar o banho na Carolina.
Sempre à noite, sem pressa, porque era um momento especial, dedicado a nós duas. Era
a hora que acontecia nossa grande conexão, um momento só nosso; ali era transferido
a confiança a alegria e longas conversas, aquele papo intimista de mãe e filha, assim eu
e ela ficávamos abastecidas de carinho e de amor.
Quando ela completou um ano e nove meses, ficava pela manhã com a babá e
à tarde na escolinha, para que ela pudesse conviver socialmente com crianças da sua
idade, e para que eu também pudesse conhecer outras mães e partilhar de suas expe-
riências. Me ajudou muito ver como outras mães agiam, e também fico feliz que pude
contribuir com muitas delas.
Nessa fase se intensificaram os momentos de leitura: livros pela casa toda, livros
no banho, no sofá, leituras na hora de dormir – esse sempre foi um momento especial.
Vivi muitos dias intensos de trabalho e, às vezes, ter que conciliar trabalho
com a maternidade não era fácil. Lembro de um caso específico: em 1998, quando a
Carol tinha menos de quatro anos, tive a oportunidade de desenvolver um projeto que
exigia que eu ficasse mais de três meses trabalhando em outro estado. Enquanto isso,
minha filha ficou com o pai em Curitiba, e para matar a saudade sempre falávamos
por telefone, sempre mantendo o contato. Até que no feriado da páscoa daquele ano
os dois puderam ir passar o final de semana comigo. A viagem era longa, mais de
400km, e a Carolina perguntando o tempo todo ao pai “a gente já chegou? Falta muito
pra chegar? Quando a gente vai chegar?”, de tão ansiosa que estava para me ver. Fui
descobrir uns oito anos depois que ela achava que eu tinha ido embora pra sempre; em
seu pensamento, ela nunca mais iria me ver, que eu a havia abandonado com o pai e
não iria mais voltar. As conversas antes de eu ir sobre o trabalho e o porquê da viagem,
Quais de mim você procura?
108
os inúmeros telefonemas, nada ficou registrado para ela. Até o momento da viagem
de páscoa ela acreditava que nunca mais iria ver a mãe. Para mim foi um choque
quando descobri; sempre acreditei que estava tudo certo, não tinha ideia que ela tinha
se sentido daquela forma.
Foi então que eu percebi que a melhor forma de lidar com situações como essa
era estar com a minha filha; não por períodos de tempo prolongados, e sim estar com
qualidade de tempo. Começamos a fazer coisas juntas que deram a ela a segurança
que havia perdido, a credibilidade que havia sumido. Comecei a fazer parte da vida
dela de forma muito verdadeira, e tive que aprender como me mostrar mais, mostrar
a mulher que existe por trás da mãe, a mulher que erra, que acerta, que sonha, e que
chora. Tudo isso contribuiu para que a nossa jornada juntas fosse realmente vivida de
forma clara e honesta, e sabendo que a qualquer momento alguma de nós poderia se
sentir aborrecida e até ferir uma a outra, mas que de forma alguma deixaríamos isto
nos distanciar.
A forma que desenhei para mim e Carolina tem dado muito certo. Temos
uma cumplicidade incrível, uma confiança mútua, um companheirismo inigualável.
Conseguimos construir laços fortes, e sei que a minha força e desprendimento de ter
conciliado trabalho e maternidade foi algo muito que me faz ser que eu sou, alguém de
quem a minha filha possa se sentir orgulhosa.
Hoje ela tem 22 anos, e se forma em Direito no próximo ano: é aí que
percebo como o tempo passa rápido. Continuamos a construir momentos somente
nossos, levando em conta os interesses de cada uma, os momentos com amigos, as
responsabilidades de trabalho, de estudo, e o respeito com as escolhas de cada uma.
Acreditoquesomosummundodepossibilidadesecapacidadedeenfrentamento
e de grandes realizações, somos capazes de qualquer ação desde que a desejemos.
Temos energia, luz e sabedoria infinita, e podemos mudar e cocriar a realidade sempre
que quisermos. “Tudo que você precisa para ser já está em você, basta acessar, processar
e agir”.
Maria Almeida
Quais de mim você procura?
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Como traduzir o amor
Meu nome é Mônica, como a amiga do Cebolinha mesmo. Meu nome
foi escolhido por uma tia minha que tinha cinco anos de idade quando minha mãe
ainda estava grávida e que arrastava um boneco do Jotalhão pra lá e pra cá. Isso já faz
quarenta anos.
Eu sempre tive uma pressa de viver. Uma urgência de tudo, urgência crônica
da vida, do realizar, do conseguir. A sensação de urgência, de pressa, não passa. Tento
abrandar meu coração e exercito minha necessidade de futuro a cada segundo, mas o
coração fica como que em um invólucro que parece encolher na mesma velocidade em
que o pavio de uma vela enorme se queima. Lenta demais. E o tempo passa.
Sempre achei que o tempo era meu inimigo e então isso fazia com que eu fizesse
de tudo como se existissem mil braços, mil mentes em mim. Na infância e adolescência,
gostava de estudar, tinha aulas de inglês, treinava ginástica artística, dançava, ocupava
meu tempo e minha cabeça, feliz da vida, sem me sentir sobrecarregada. O que eu
queria mesmo era conhecer, vivenciar tudo aquilo.
Foi por influência de um tio meu que morou conosco depois da separação dos
meus pais que comecei a me apaixonar por inglês. Era boa aluna de português na escola
e as línguas sempre me interessaram. Os sons, as origens, a cultura de outros países,
exerciam fascínio imediato em mim. Desde então, tudo o que aconteceu no nível
profissional na minha vida teve algo relacionado a isso, tudo de maneira natural e sem
planejamento minucioso. Comecei estudar inglês aos onze. Aos dezesseis, consegui
meu primeiro emprego como professora de inglês em uma escola de idiomas na cidade
onde nasci, Jacareí. No ano seguinte, estava envolvida com trabalho voluntário, ainda
que esporádico, com uma organização de intercâmbio. Logo me vi participando do
processo seletivo para tentar viajar também. Eu fui selecionada, mas não tínhamos o
dinheiro para nada dessa magnitude. Na época, 1993, antes do Plano Real, gastar em
dólares era muito inviável. Meus pais disseram que se eu conseguisse mais descontos
ou um patrocínio, tentariam arcar com parte da despesa.
– Achei que tinha conseguido uma bolsa, filha. Não temos esse dinheiro – foi
o veredito da minha mãe.
Ela começou a chorar. Naquele dia dormimos cedo. Dormimos pouco. Na ma-
nhã seguinte, os olhos de urso panda não escondiam os maus tratos que os pensa-
mentos derrotistas nos causaram madrugada adentro. Tinha que dar a resposta lá no
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escritório do programa. Não queria sentenciar meu sonho, mas fui até lá entregá-lo de
volta junto com meu destino. Num golpe de sorte, e com muita perseverança e fé no
futuro, acabei conseguindo um desconto ainda maior, para o qual meu pai não disse
não. Em 1994, estava indo morar na Austrália.
Em 1995, de volta, logo comecei a dar aulas de inglês de novo, iniciei a faculda-
de de Letras, com foco no meu sonho de ser tradutora. No terceiro ano de faculdade,
comecei a trabalhar para uma companhia aérea no aeroporto internacional de Guaru-
lhos. Foi quando o bichinho da aviação comercial me picou e a tradução foi perdendo
espaço na minha mente e se escondendo no subconsciente, gradualmente, sem que eu
percebesse.
Colocando minha vida na balança, não tenho do que me queixar. A perseve-
rança, a retidão, a constância e a fé me trouxeram tudo o que sempre sonhei. Casei-me
com um homem íntegro e trabalhador, tinha uma vida confortável, mas faltava algo.
Com o tempo, minha vontade de engravidar foi crescendo. Ele também queria muito
ser pai, então nos permitimos sonhar. O que não esperávamos é que isso acabaria por
ser uma tarefa impossível para mim. Depois de anos de frustração, tratamentos e ci-
rurgias, a endometriose tinha vencido uma primeira batalha. Guardei meu sonho no
subconsciente, junto com a tradução. O casamento, mais tarde e por outros motivos,
também acabou chegando ao fim.
Conheci meu segundo marido em seguida. Seis meses depois de nos
conhecermos, soube que uma moça alegava que ele era o pai de sua filha, na ocasião
já com sete anos, fato este que ele negava. Ela enfrentava então uma batalha na justiça
contra ele pela paternidade da menina. Não havia nada a fazer a não ser esperar pelo
exame para saber.
Certo dia, ele me chama para conversar e diz que havia estado na casa da mãe
dele e que uma vizinha da mãe da menina havia aparecido por lá, pedindo ajuda,
afinal, segundo ela, a garotinha estava em situação difícil. A mãe vivia em condições
precárias, em local perigoso, a garota não frequentava a escola, a mãe estava sem
trabalho e mal tinham o que comer.
– Mônica, e se ela for minha filha? Como posso viver sabendo que está vivendo
assim? Não conseguiria me perdoar!
O fato é que eu também jamais me perdoaria se não fizéssemos nada. Ele pediu
para que eu aceitasse que a garota viesse viver conosco e concordei. Beatriz já tinha
oito anos. No final do mesmo ano, o teste de paternidade foi feito e o resultado deu
negativo. Comunicar à Bia foi talvez o ato mais difícil de nossas vidas. O choque e a dor
foram muito maiores para ela do que para nós, porque as consequências devastadoras
desse resultado foram potencializadas pelo fato da mãe dela sumir depois do resultado,
sem deixar rastro algum. Estava então morando com um homem que não era seu
pai, com uma mulher que não era sua mãe, não sabia quem era seu pai biológico e
sua mãe seguiu sua vida sem ela. De imediato, teríamos que entregá-la em um abrigo
para menores. Não tínhamos a guarda, tutela, nada que pudesse garantir-lhe nada.
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Nesse momento, olhei bem nos fundos dos olhos do meu marido e disse que queria
que pudéssemos lutar pela guarda dela. Ele titubeou e, num momento em que as
decisões sobre isso tinham que ser urgentes (e pressa é comigo mesma!), agi com meu
pensamento na Beatriz e pedi a guarda dela sozinha. Saí de casa e fui morar com
minha mãe e com a Bia em Jacareí assim que a guarda provisória foi concedida.
A história da Bia é bem complexa. A guarda provisória se converteu em guarda
definitiva com a adição do meu agora ex-marido, que pediu para que ela o aceitasse
como pai. Mais tarde, conseguimos a adoção. No papel, está tudo certinho, mas na
cabeça dela, hoje com quatorze anos, há muito ainda para ser compreendido, aceito,
discutido, e isso é algo muito pessoal. Eu me tornei mãe da maneira mais inesperada.
Enfrentei a mesma dor de não conseguir engravidar no segundo casamento. Fiz mais
duas cirurgias, mas perdi outras duas batalhas para a endometriose. Sempre dizia que
queria ter uma menina, Beatriz, e ela veio prontinha, até com o mesmo nome! O amor
nem sempre vem de onde a gente espera. Para receber o amor, temos que estar abertos
a ele, e essa porta, só a chave do amor é que consegue abrir. Dar amor para receber
amor. É essa a tradução definitiva do maior sentimento. Esta é a grande sacada.
Lembram-se do sonho de trabalhar com tradução, guardadinho lá no fundo
da gaveta da mente? Pois então, voltou à realidade. Depois de treze anos no aeroporto
e mais outros cinco no escritório de outra companhia aérea, voltei a me permitir esse
resgate. Há um ano, decidi que não iria mais viver de plano B. Meu plano A tinha que
decolar, mesmo não sendo um avião. Prometi a mim mesma que iria trabalhar um
pouco por dia, todos os dias, montando minha empresa de tradução. Aos poucos o
site, logo, plano de negócio, tudo foi ganhando forma, com o objetivo de viver aquilo
que sempre me encantou.
Hoje, escrevendo esse texto, faz uma semana que me desliguei da companhia
aérea e estou trabalhando exclusivamente como tradutora, com minha própria
empresa, a Tradupoints, vivendo o plano dos meus sonhos, com minha filha por
perto, e me permitindo amar com toda minha inteireza.
Só tem uma coisinha que não mudou de jeito nenhum: sigo com pressa de viver
tudo aquilo que está nos meus sonhos.
Mônica Pires Rodrigues
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Amor Incondicional
Como toda e qualquer mulher lutadora de classe média, estudei, me
formei e comecei a trabalhar na área que escolhi: Fonoaudiologia.
Sempre foi para mim uma grande paixão, ver a evolução alcançada em
cada tratamento, o diagnóstico preciso e a cura do problema diagnosticado, eram
extremamente gratificantes e molas propulsoras para novas etapas.
Mas... a maternidade é com certeza, a coroação de todos os sonhos femininos.
Costumo usar essa frase, citada pela minha mãe, por acreditar que seja fundamental a
maternidade na vida de uma mulher. Ver nossa barriga crescer, sentir cada movimento
do nosso bebê, a emoção de cada ultrassom, ouvir os batimentos cardíacos, são
emoções que jamais conseguirei expressar com palavras.
Sonhamos a cada mês da gestação, como será este ser, que mesmo não tendo
a menor noção de sua fisionomia, já amamos incondicionalmente. Cada mês é único,
cada avanço, é emocionante e, quanto mais perto do nascimento, nossa ansiedade
aumenta e a curiosidade em olhar para o rostinho, que em menos de 9 meses será a
pessoa mais importante de nossas vidas, não tem como explicar...
Juntamente com esse enorme desejo, vieram dúvidas, planos, anseios e uma
mudança radical nos focos anteriormente estabelecidos. A carreira profissional, foi
relegada à um segundo plano. Era fundamental que eu estivesse muito presente. Os
novos habitantes do meu mundo, estavam por vir, em meados de 1999, finalmente
realizo meu grande sonho de ser mãe, nasce meu primogênito, meu pequeno príncipe,
Paulo Henrique e em 2003, chega minha tão esperada menina, minha princesa
Taynara Victória, que são para mim, luz, sonho, dádiva, amor, brilho, alegria, pureza,
realização e principalmente, minha razão principal para viver, e ambos, requeriam
atenções, cuidados e muito amor, a mudança, embora grande, trouxe a paz e a certeza
do dever cumprido.
A partir de agora, muitos conflitos e inseguranças, passam por minha cabeça.
Como deixar esses seres tão pequenos e indefesos ? Como conciliar um consultório,
como uma agenda extensa? E principalmente, como confiar meus maiores tesouros
a alguém? Diante de tantas questões me vi obrigada a optar por dinimuir minha
carga de trabalho e ao mesmo tempo, leva-los ao trabalho comigo. Percebi, que meu
sonho de ser fonoaudióloga, perto da realização pessoal de ser mãe, não andavam
lado a lado, assim, pensei em poder desenvolver algumas atividades que eu tivesse
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prazer e pudesse estar com meus filhos mais tempo, porque em minha concepção, a
formação da personalidade, construção da segurança, tanto como a autoestima dos
meus pequenos, dependia da minha participação efetiva
O tempo passa e traz batalhas e dificuldades, mas sem dúvida nenhuma, o
saldo obtido é infinitamente positivo. Nada é mais gratificante que acompanhar passo
a passo o desenvolvimento de sua “cria”.
A maternidade, nos dá uma visão do mundo jamais vista, e também a
propriedade de olhar para dentro, com muita clareza e constatar o quão preenchidos
estamos, com o amor de nossos filhos.
Porém...eles crescem, começam a criar asas e a vida assume novos rumos.
Fatalmente passamos por momentos conturbados, relacionamentos amorosos se
encerram, embora nos parecendo improvável, um dia se descobre a alma gêmea, não
qualquer alma gêmea, mas aquela que coloca flores no seu caminho.
Pois é, depois de 3 anos sozinha, conheci o Marcelo, que trouxe em sua
“bagagem” uma experiência de mais de 15 anos com flores e seu filho, Vinicius, de
14 anos. E agora? Como seria ter mais um filho? Como seria administrar a relação de
três adolescentes? Sem perceber, eu já o chamava de “filho do coração” e o tratava, da
mesma forma como trato meus filhos, mas devo confessar, que não é nada fácil. Isso
era novo para mim, até porque, sempre acreditei num amor único e que jamais teria
outro relacionamento com alguém que tivesse filhos. Que surpresa!!! Como o destino
pode nos pregar uma peça!!
Aquele que me trouxe as flores também me trouxe uma nova realidade. Assim
nasce a nossa história.
Gradativamente Marcelo e Eu, começamos a trocar experiências de vida, de
trabalho, de filhos e com essa ligação passamos a planejar uma empresa juntos. As
coisas foram fluindo e como maneira de mais uma vez me manter perto de meus
filhos, fiz de minha casa, nosso escritório. Assim passamos a conviver os cinco e nos
adaptando a essa nova realidade, pois era preciso conciliar o trabalho, lazer, horas para
dar atenção a eles, ciúmes e até brigas para que pudessem entender todas as mudanças.
Era importante para mim, explicar o motivo pelo qual nós estávamos trabalhando em
casa e deixar claro que isso faria com que pudéssemos estar sempre juntos! Felizmente,
tudo começou a caminhar de forma crescente.
A necessidade de expansão, era cada vez mais premente e não poderíamos
ignorá-la, com tudo, ainda não reuníamos as condições para tanto, mas com
perseverança, muita dedicação e principalmente o apoio de toda a minha família,
conseguimos a expansão necessária.
Nascia a Maná Flores, nome que representava, além das nossas iniciais, alimento
que todos os dias Deus provia ao seu povo. Começamos nossas importações de flores
e distribuição, abrimos uma floricultura, começamos atuar em decorações, eventos
corporativos, casamentos, batizados, congressos, enfim, flores para todas as ocasiões.
Com muito trabalho, dedicação e um amor enorme, gradativamente fomos colocando
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a Maná no mercado. A luta é diária, desnecessário seria dizer da importância que a
participação familiar tem, para o desenvolvimento de qualquer projeto de vida que
tenhamos. A família é a base sólida que precisamos, o ombro amigo que procuramos,
o incentivo que buscamos e o amor com o qual nos confortamos.
Fica desse breve relato, o seguinte silogismo: Se sem amor não podemos edificar
com solidez, logo, só o amor em todas as suas esferas pode verdadeiramente construir.
Finalizando, faço um pequeno tributo, aos amores da minha vida:
Aos meus filhos, Paulinho e Tata, meu amor, Marcelo, meu filho do coração
Vinícius, meus pais, Eldema e Waldemar, a minha “mãe-drástica” Suely, aos meus
irmãos, Marcus Vinícius, Ana Paula, Marcos Paulo, Carla Tatyanne e Caio Cesar, as
minhas cunhadas, Karina, Fabrícia e Nayra, meus cunhados, Eduardo e Fernando
Sérgio, aos sobrinhos, Anna Beatriz, Augusto, Giovana, Gabriela, Arthur, Anna Elisa,
Valentina e Leonardo e todos os meus amigos que sempre estiveram ao meu lado, em
especial, Elizabeth. Um obrigado também muito especial a minha mãe e ao meu amor
na elaboração deste capitulo. Amo vocês!!!
Nara Lygia Leme Brisola Caseiro
Maná Importação e Exportação
Rua Barão de Penedo 193
Água Rasa – CEP 031790-070
Tel: (11) 2604-7308 / 2604-7328
Nina ou Marcelo
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CHEGOU A HORA DE MUDAR O RUMO DA
SUA HISTÓRIA
Quero agradecer a Deus pela oportunidade de fazer parte deste universo.
Dedico esse momento à minha família; em especial, minha mãe que, se estivesse aqui
conosco, estaria imensamente feliz por ver sua filha sendo uma das autoras deste livro
e inspirando muitas mulheres. Ao meu marido Jonatas e filhas Geovanna e Marianna,
que me incentivam cada dia mais e mais, pois tudo isso começou como uma missão de
vida e eu. Fui mais contemplada ainda com a graça divina de ter a maravilhosa expe-
riência de escrever este capítulo.
Acredito em empreender com um propósito, com engajamento e com consci-
ência de ações. Sempre fui visionária e aprendi desde cedo em minha casa com meus
pais que empreender não era nada fácil, mas não era impossível. Infelizmente, não te-
nho como contar com tantos detalhes a minha vida, pois daria um livro inteiro; então,
quem sabe, um dia. Cresci vendo minha mãe abrindo mão de muitas coisas por causa
das filhas, desde um trabalho em um banco até coisas materiais que para ela eram
necessárias naquele momento. Sim, foram muitas lutas e batalhas para chegar até aqui.
Nunca foi fácil. Como sempre digo, gosto do impossível.
Cresci vendo uma empreendedora carismática e determinada; aprendi muito
com reuniões de produtos de beleza, tupperware; era uma artista”. Pintava panos de
pratos; os mais lindos que vi na vida. Eram todos exclusivos; café da tarde com amigas
e vizinhas para comprarem e se reunirem para empreender, compartilhar experiências
e desafios de empreender sendo donas de casas e com filhos todos pequenos. Brincá-
vamos muito naquele tempo.
Foi a partir de um momento de mudança de vida pessoal e profissional que
me perguntei, “agora chegou a hora de mudar o rumo da sua história, então, o que vai
fazer?”. Quando me fiz esta pergunta, uma mudança extraordinária aconteceu.
Como mudar a chave? Como começar do zero? Como investir sem ter um
centavo? Como transformar a vida das pessoas através de minhas ações? Sim, foram
muitas perguntas, lutas internas diárias para fazer acontecer, colocar a mão na massa
e, acima de tudo, acreditar que daria certo. Foi assim que comecei acreditado fielmente
que dependeria cem por cento de mim para que desse certo. Muitos não acreditaram,
viraram as costas... Sim, pensei muitas vezes em desistir, confesso, mas uma das coisas
em que acredito é que a vida nos ensina e se não acreditarmos em nós mesmos, quem
irá acreditar?
Sempre trabalhei com carteira assinada, atuando com treinamento e desen-
volvimento (T&D), qualidade, vendas, monitoria, relacionamento com o cliente, en-
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fim, mais de dez anos desenvolvendo pessoas em empresas nacionais e internacionais.
Foram as escolhas da minha vida e não me arrependo de nada. Quando me tornei mãe
de coração da Geovanna, me vi transformada; agora ela também faz parte da minha
vida e meu mundo começou a mudar.
Quando decidi ser mãe mais uma vez, foi uma grande vitória. Somente com
medicamentos e com a benção Deus, pude engravidar, e foi quando a Marianna
chegou em nossas vidas para completar nossa família.
O tempo foi passando, Jonatas e eu sempre trabalhando para darmos o melhor
para nossas filhas e muito amor. Ele foi um dos maiores incentivadores da MEC
Mulheres Empreendedoras Conscientes. Comecei a empreender, como muitas, por
necessidade; vi-me como muitas mulheres. Por onde começar? Como ajudar outras
assim como eu? E foi assim que decidi iniciar esta minha trajetória como mulher
empreendedora, minha missão, meu propósito. Eu me encontrei.
Assim como foi difícil iniciar no universo do empreendedorismo feminino, foi
também a construção diária: um passo de cada vez. Criar autoridade, credibilidade e
ter conteúdo que faça as pessoas pensarem e se inspirarem, terem a consciência de que
podem fazer a diferença.
Não basta ter um sonho. Empreender é muito mais do que ter uma ideia e fazê-
la acontecer. Empreender é aprender a administrar os riscos, é acreditar no impossível,
é ter o ato de fé e coragem, é o impossível que trará o sucesso, a realização e a felicidade.
Quando alguém com perfil empreendedor se dispõe a mudar de maneira
positiva, ousa ir além, ousa fazer diferente, tem habilidade para identificar
oportunidades e toma iniciativas por conta própria.
Recebo até hoje mensagens de pessoas que participaram e participam dos
eventos da MEC dizendo como aquele dia mudou a vida delas, ou que aquela palestra
foi feita para ela, que se inspirou, teve gatilhos mentais, aprendeu e conheceu muitas
pessoas, fez parcerias. Sim, por isso digo que encontrei o meu caminho, pois hoje
ajudo outras empreendedoras de várias formas, mães, assim como eu, que estavam
em um momento de dúvidas e incertezas, mas buscaram informação, conhecimento,
capacitação para fazer a diferença.
Hoje, tenho várias ações e projetos para mulheres, mães e empreendedoras, tais
como mentoria personalizada, workshops, treinamentos, palestras, eventos, grupo de
mulheres, grupo de empresarias.
Minha missão é inspirar mulheres de negócios!
Deixo aqui mais dicas para você, mulher, mãe e empreendedora.
1. Foco
2. Força
3. Determinação
4. Ação
5. Resultado
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Sim meu caminho está sendo traçado e abençoado, então vamos juntas fazer
acontecer. Acredite em si mesma, no seu trabalho e na sua vida. Muito mais que uma
satisfação financeira, realizar um sonho é privilégio de quem faz acontecer.
Então, responda, chegou sua hora de mudar o rumo da história?
“Não busque ser melhor que os outros.
Busque ser melhor do que você era antes”.
(Carlos Hilsdorf)
Patrícia Duarte - Mulher, Empreendedora, Mãe, Palestrante, Educadora Corporativa.
Formada em Pedagogia em ênfase em administração.
Leader Coaching Training pelo IBC – Instituto Brasileiro de Coaching.
CEO e Idealizadora da M.E.C Mulheres Empreendedoras Conscientes – Inspirando Mu-
lheres de Negócios.
CEO da T&D Slides de Mestres- Consultoria de Treinamentos e Desing de Apresentações
Corporativas e Mentora para Palestrantes.
Patrícia Duarte
Site : http://mec-mulheres.com.br/
E-mail: contato@mec-mulheres.com.br
Facebook:
https://www.facebook.com/MEC.MulheresEmpreendedoras/
Grupo de Mulheres:
https://www.facebook.com/groups/mec.mulheres/
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Reconstruindo a filha do empreendedor
Sou Patrícia, tenho 32 anos, sou solteira, tenho um filho de 13 anos e me
orgulho disso.
Meupaifoiomaiormotivadordaveiadeempreendedorismoenraizadaemmim.
Começou a empreender cedo com sonhos que, infelizmente, foram interrompidos.
Por ironia do destino, comecei meu legado com 29 anos; com a mesma idade e no
mesmo local. Montou uma oficina de rolamentos industriais em cima de nossa casa e
trabalhou sem parar. Eu, pequena, via os materiais pela casa e admirava como ele se
esforçava para dar conforto à nossa família. Mesmo cansado, arrumava tempo de levar
a mim eu meus irmãos em circos, parques e suava para comprar brinquedos e ainda
comemorar nossos aniversários.
E foi em uma dessas comemorações, o meu aniversário, que nossas vidas
mudariam. Em 20 de novembro de 1990 eu estava completando 7 anos ele resolveu
reunir parentes e comemorar. Partimos cedo para casa dos parentes, mas ele nos
deixou lá e voltou ao trabalho. Disse que não tinha esquecido a promessa da minha
boneca que esperei ansiosamente para ganhar na festa. Vendo sua família entretida,
mas preocupado com seu trabalho, resolveu com minha mãe que era para ficarmos lá
porque estávamos nos divertindo e que voltaria para nos buscar mais tarde. E rindo,
subiu na moto e se foi. Fiquei eufórica, contando as horas. Mas elas se passavam e ele
não chegava. Minha mãe, aflita, resolveu voltar para casa comigo e com meus irmãos,
pois sentia que havia algo errado. O vizinho nos deu então a pior notícia de nossas
vidas: meu pai havia sofrido um acidente de moto e estava na UTI. Havia terminado
seu serviço, estava indo nos buscar como combinado, mas antes resolveu ir à padaria,
pois estava com fome depois de tanto trabalho. Talvez, por conta da pressa e do
cansaço, tenha acelerado e perdido o controle. Chocou-se contra o muro e sofreu
traumatismo craniano. Ficou no hospital por 15 dias e entrou em óbito.
Perdemos nosso pai e com ele, seus sonhos. Enquanto minha mãe se recuperava
do choque, eu e dois irmãos fomos levados para a casa de uma tia e um mês depois,
outra tragédia aconteceu: meu tio faleceu na nossa frente, de outro trauma. Minha tia,
agora viúva, com uma filha de 14 e outra de 18 anos, ficava conosco todos os fim de
semana e férias escolares e foi com ela que aprendemos a vender. Começou a vender
doces na porta de casa e logo montou uma bomboniere e nós a ajudávamos. Ela nos
ensinou a honestidade e como trabalhar para ser alguém.
Ao final do dia, podíamos escolher um doce por ter cooperado e nos reuníamos
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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no quarto para fazer a contabilidade do dia. Meu primeiro aprendizado do que seria
fluxo de caixa, eram dois cadernos: um dos fiados e outro de toda venda do dia.
Apoiamo-nos no sofrimento um do outro e o trabalho na bomboniere nos ocupou.
Seu comércio de vendas de doce foi crescendo junto conosco. Sentíamo-nos
orgulhosos de ver o negócio expandindo. Mas a vida é uma caixa de surpresas.
Em janeiro de 1994, nos arrumávamos para viajar, limpamos a casa e o quintal.
Minha prima, na época já com 18 anos, havia ido à feira. Não havia nenhum outro
adulto conosco. Ela sentiu tontura, pediu sal, leite, açúcar. Achava que era pressão
baixa. Demos tudo o que pediu, mas acabou por cair no quintal, sofrendo um derrame.
Enquanto esperávamos alguém para levá-la ao médico, ela olhou para mim, sorriu
e disse que eu era forte e guerreira e que eu e meus irmãos nunca deveríamos nos
revoltar com Deus, mas sim confiar nele porque sempre iria nos proteger. Foi a última
vez que a vi com vida.
Nas férias de julho 1997, meu irmão caçula, com 10 anos, foi atropelado
brincando de pega-pega e faleceu.
Aprendi a ocupar minha mente trabalhando para não sofrer e, aos 14 anos,
consegui meu primeiro emprego formal. Aos 16 anos, trabalhei para um casal de
japoneses que me ensinou muita coisa, principalmente a economizar. Aos 18 anos,
já gerenciava a pastelaria e indicava pessoas para trabalhar no hortifruti, na maioria,
amigos de infância e primos. Muitos ainda dizem que eu fui responsável pelo primeiro
emprego deles. Eles foram fundamentais quando engravidei, aos 19 anos. Não havia
planejado minha gravidez e não a aceitava. Acreditava que não deveria gostar de
ninguém, que apegar-se e amar alguém significaria perda e agora eu, gerando um ser
amado em meu ventre! E se Deus o levasse? Quando ele nasceu, tive depressão pós-
parto. Eu me recusava a vê-lo ele por medo de me apegar e depois perdê-lo. Mas,
graças a Deus, o amor de mãe falou mais alto. Meu amor por meu filho só aumentava
e o medo de perdê-lo, diminuía.
Quando meu filho completou 4 anos, conheci outro companheiro e logo fomos
morar juntos. Um dia, voltando das compras, ladrões roubaram nosso carro, atiraram
e ele morreu. Desmoronei, me revoltei, entrei em depressão, fui afastada do emprego e
vivia à base de remédios. Meu filho, sempre do meu lado, não queria ficar com ninguém
a não ser comigo. O pai dele vinha todos os dias cuidar dele e pedia para eu reagir. Eu
tentava, mas parecia ter acumulado todas as perdas. Até que em 2011, o pai do meu filho
foi diagnosticado com um câncer encefálico e em quatro meses, entrou em óbito.
Não tinha opção. Eu teria que me levantar. Queria recomeçar pelo meu filho,
pois me dei conta de que estava sendo egoísta; afinal, ele também estava sofrendo.
Amparada por Deus, arrumei um emprego que me ajudou a recomeçar e a sair da
depressão. Conheci novas pessoas que me ajudaram a melhorar. Atitude que tive pelo
meu filho e me levou a ter minha empresa e mudar a minha vida.
A empresa onde trabalhava abriu falência e devido ao apego emocional a tudo
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que aquele emprego me havia trazido, resolvi trabalhar vendendo os mesmos produtos
na sala de casa.
Hoje não moramos mais em nossa casa, pois ela virou uma empresa. Reformei
o antigo salão da oficina do meu pai, fiz minha casa e hoje ela é o que sempre deveria
ter sido: lugar para gerar emprego, como meu pai sonhou.
Amar e ser mãe me movem a realizar tudo que sou e tenho. Atraímos aquilo
em que acreditamos, e eu acredito em prosperar e ser feliz, cuidando do meu filho.
Apeguem-se às coisas boas. Das tristes e ruins, tirem lição. E tenham fé, pois
tudo se acerta.
Patrícia Pereira
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Minha família, meu alicerce
Meu nome é Pepita, na verdade Josefa. Poucos me conhecem por este
nome. Sou filha de espanhóis, e ali, toda Pepita é Josefa, assim como o Pepe é José.
Sempre gostei de ser chamada de Pepita.
Quando meu pai chegou ao Brasil sozinho, com vinte e nove anos, tinha como
profissão marceneiro, e minha mãe, com dezessete anos, veio com os pais e irmãos. A
família da minha mãe vendia roupas na feira. Ela sempre gostou de roupas (talvez por
isso eu goste tanto de moda).
Estudei dos cinco aos dezessete anos em uma escola no Bom Retiro, em São
Paulo, onde nasci. Como gosto muito de crianças, resolvi fazer magistério para dar
aula. Com o passar dos anos, a marcenaria do meu pai foi se tornando uma indústria
de divisórias; daí, resolvi de, além do magistério, fazer a faculdade de administração de
empresas. Com 16 anos, fui trabalhar com o meu pai, estudava pela manhã e, à tarde,
trabalhava na empresa.
Em 1986, em um baile de Carnaval, conhecia a pessoa que escolhi ser o pai dos
meus filhos, e quem até hoje agradeço a Deus por estar ao meu lado.
Em 1987, minha vida deu uma reviravolta. Meu pai tinha um funcionário que
trabalhou com ele por 23 anos. Foi comprovado que era psicopata. Certo dia, foi até a
empresa e matou meu pai. Nessa época, eu e meus irmãos trabalhávamos na empresa
dele. Minha irmã tem formação de Direito e trabalhava no ramo. Ficamos com a
empresa por quatro anos após seu falecimento.
Em 1989, resolvi me casar; momento único de felicidade. Após dois anos,
parei de trabalhar porque havíamos fechado a empresa, e veio o meu desespero: como
pagar a contas? Com meu salário, pagávamos todas as despesas de casa, e com o do
meu marido, a prestação do apartamento. Aprendi que o medo é momentâneo. Se
mantivermos a calma e a fé, a vida vai se ajustando da melhor maneira.
Em 12/07/1991, dei um presente especial de Dia dos Namorados para o meu
marido: Gabriel, hoje com 25 anos. Após três anos, outro presentão, em outra data,
28/07/1994: Gustavo, hoje com 22 anos.
Em 1996, fui convidada para montar um café em um estabelecimento, fiquei
com essa empresa durante apenas sete meses; tempo necessário para saber que existem
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condutas que por nenhum dinheiro admitiria, por fugirem totalmente dos meus
valores.
Neste mesmo ano perdi minha mãe companheira, que estava comigo sempre,
em quase todos os momentos da minha vida. Momento difícil, já que meus filhos eram
muito ligados a ela.
Em 2008, meu marido, que trabalhou por 23 anos em uma multinacional foi de-
mitido. Outro desespero. E agora? Mas uma vez, digo: o desespero e o desequilíbrio não
levamanenhumlugar.DepoisdedoisanosmeumaridomontouaGPNUTRI,empresano
ramo de vitaminas na qual trabalhei para ajudá-lo no início, durante três anos.
No final de 2014, resolvi montar um brechó chamado Espaço da Pepi. Pepi é
como sou chamada de maneira carinhosa pela minha família. Como sempre gostei de
peças duradouras, decidi desapegar. No início amigos deixavam peças usadas e novas.
Depois de alguns meses, o brechó acabou virando uma loja multimarcas. E hoje
17/08/2016, lancei uma marca minha. Quero fazer roupas com tecidos e caimento
impecáveis, qualidades que sempre prezei em uma roupa.
Nunca havia lidado direto com o público. No início, embora digam que sou
extrovertida, foi difícil. Tinha muita preocupação em como abordar as pessoas e não
ser invasiva. Hoje, modéstia à parte, tiro isso de letra.
Tenho pessoas que, durante a minha vida, representaram muito a quem tenho
que dizer “muito obrigada”. Pessoas próximas e distantes, com quem ficava meses sem
falar e no momento que precisei, me estenderam a mão. Tenho certeza que ao lerem
este livro, saberão que estou escrevendo delas.
Agradeço por poder contar um pouco da minha história, e espero ser exemplo
para algumas pessoas. Não existem problemas que não possam ser solucionados. Exis-
te a maneira que encaramos esse problema.
Aos meus filhos Gabriel e Gustavo, que são os meus orgulhos, tenho plena con-
vicção que passei o verdadeiro sentido de família. Ao meu marido Gian, obrigada por
estar sempre ao meu lado.
E um agradecimento especial aos meus pais, que de onde estiverem estão vi-
brando por mim, afinal de contas, se sou quem sou, uma mulher guerreira e com
princípios, é devido à formação que tive.
Pepita Busta Pignocchi
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EU, MÃE EMPREENDEDORA - AMOR,
SUPERAÇÃO E CONQUISTAS
Sou Priscila Molino, palestrante, Consultora especializada em imagem
profissional e tenho quarenta e nove anos. Minha origem é de uma família de classe
média, da qual sou a primeira filha de três. Meus pais eram comerciantes, como eram
conhecidos naquela época, pois o termo empreendedorismo ainda não havia ganhado
tanta força e proporção Eram empreendedores, sem saber.
Estudei em escolas públicas e minha primeira formação foi o Magistério. Atuei
como professora em escolas particulares, desde então.
Casei-me em 1988, aos vinte e um anos e desse enlace nasceram meus dois
filhos: Renan, de vinte e cinco anos (já pai de dois filhos) e Rodrigo, de vinte e um.
Depois de formada como professora, lecionei por 05 anos até o nascimento do
Renan, em 1990. Então, com a chegada do nosso filho, optei por ficar em casa e cuidar dele.
Mas,comoumamulherquesempretevesuaindependênciafinanceira,fuibuscar
atividades alternativas que pudessem me completar profissional e financeiramente.
Então comecei a aprender e empreender, vendendo cosméticos, semijoias e roupas
íntimas femininas.
Também exerci a função de corretora de seguros de saúde e de automóveis, o
que na época foi bastante gratificante, pois conseguia conciliar minha atividade como
mãe e ainda ter minha própria renda.
Com o nascimento do meu segundo filho, Rodrigo, que devido a problemas
intrauterinos e neonatais, foi levado a um quadro de anóxia cerebral1
, seguido de
hipertensão pulmonar. Rodrigo foi mantido UTI do Hospital São Luiz por vinte e um
dias em estado crítico. Essa situação inusitada desestruturou minha vida.
Quando Rodrigo teve alta, precisava de bastante atenção e o meu estado
emocional estava totalmente desestabilizado pelo estresse. Passei a ter crises de pânico
e uma depressão profunda.
Para superar essa, fase busquei tratamento psiquiátrico, fazendo uso de
antidepressivos, aliado ao acompanhamento psicológico, porque tinha dois filhos que
precisavam de uma mãe forte e corajosa; , portanto eu tinha que me recuperar o mais
1 Ausência ou diminuição de oxigênio no cérebro durante o nascimento, o que pode desencadear
consequente problema neurológico			
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
124
breve possível e assim fui me reestruturando, adaptando-me à rotina da minha família
e, gradativamente, voltando às minhas atividades normais.
Durante os três primeiros anos do Rodrigo, ele não apresentara nenhuma
sequela pós-traumática decorrente dos problemas ocorridos em seu nascimento. Mas,
numa manhã, estava andando na minha frente e simplesmente apagou. Foi um susto
imenso, pois eu não tinha a menor ideia do que estava acontecendo. Aos poucos, foi
voltando à consciência e o levamos ao médico.
Após vários exames, foi detectada epilepsia. Passou a ter crises diárias de
convulsões parciais, como eram descritas. Passamos a tratá-lo com neurologistas e
com medicamentos anticonvulsivos. Mais uma vez, tive que encontrar forças além do
normal para cuidar deles; em especial, do Rodrigo.
Fui convidada a participar de um processo seletivo para Supervisora de Trade
em uma indústria multinacional de alimentos. Voltei ao meio corporativo.
E agora? Como administrar minha vida como mãe, tendo um filho com
necessidades especiais e trabalhar no mundo corporativo, no qual não teria a mesma
flexibilidade de dias e horários?
Tive que recorrer à minha mãe, minha “ajudadora”, que ficava com meus filhos
durante o período em que eu trabalhava, levando-os e buscando-os na escola e como
o Rodrigo frequentava uma sala de aula em uma escola estadual para crianças com
atraso cognitivo, precisei adequá-lo à escola. Mandei fazer um capacete na AACD,
próprio para proteger a cabeça, em caso de quedas.
Durante mais de dez anos, atuei como Supervisora de Vendas e de Trade
em empresas nacionais e multinacionais, cursei a faculdade de Marketing na
Universidade Paulista – UNIP, devido à necessidade de capacitação específica para
exercer minhas funções, na atuação operacional exercida diretamente em campo, em
experiências administrativas e de planejamento, gestão de pessoas e processos. Foi
uma escola maravilhosa, na qual me desenvolvi muito, pessoal e profissionalmente,
pois tive a oportunidade de orientar muitas pessoas que passavam por minha gestão,
incentivando-as a conquistarem cargos superiores tanto na empresa em que estavam
quanto em outras empresas no segmento.
Neste ínterim, o Rodrigo passou por uma cirurgia intracraniana, removendo
uma parte do lobo direito do cérebro, comprometido pelas convulsões e pela anóxia
cerebral. A finalidade foi de eliminar os quadros convulsivos para uma melhor
qualidade de vida. Mas infelizmente, não ocorreu conforme o esperado. Devido às
frequentes convulsões e ao atraso cognitivo, que o limitavam e limitam, decidi, então
por vez, voltar a ficar em casa e empreender em horários flexíveis, conciliando o que
amo fazer profissionalmente e o amor ao meu filho.
Hoje sou consultora especializada em imagem profissional, palestrante e
distribuidora de cosméticos, atividades que me realizam de modo pleno.
Paixão: primeiro, meus filhos; segundo, orientar mulheres sobre o poder da
imagem pessoal e profissional.
Missão: disseminar o conhecimento sobre o dress code para líderes, gestoras,
Quais de mim você procura?
125
profissionais liberais e empreendedoras que buscam consolidar sua posição ou
conquistar seus objetivos dentro do mundo corporativo ou do empreendedorismo.
Valores: ética, respeito e comprometimento com meus objetivos e princípios e
principalmente, com meu público-alvo.
Desejo que meu exemplo de superação e fé possa contribuir para que outras
mães, que convivam com situações similares às minhas, saibam que é possível sim ser
mãe e empreendedora, principalmente quando buscamos forças, primeiro em Deus e
depois em nós mesmas.2
Priscila Molino
2 Fanpage: /Priscila-Molino-Consultora-Especializada-em-Imagem-Profissional-
Quais de mim você procura?
126
UMA IDEIA PODE MUDAR TUDO
Sou Rafaela, tenho vinte e três anos e moro em Mauá, no estado de São
Paulo. Fui mãe aos vinte e dois anos e tenho uma linda filha chamada Brenda. 	
Tornei-me mãe e empreendedora nos momentos mais cruciais da minha
vida. Senti medo e desespero, mas a vontade de vencer sempre foi maior. Minha filha
dependia de mim, então eu precisava criar estratégias e táticas para vencer o medo e os
obstáculos que a vida me propôs. Quando comecei a empreender, havia perdido minha
mãe para um câncer em março de 2016 e havia me tornado mãe um ano antes. Perdi
também meu casamento, um mês depois, mas descobri que poderia sim seguir adiante
com coragem. Uma semana mais tarde, perdi meu emprego, mas sabia que uma ideia
poderia mudar o rumo da história e poderia me tornar uma empreendedora. Todas as
perdas ainda são muito recentes e tirar uma ideia da mente e do papel e transformá-la
em algo real em meio a tantos problemas foi um grande desafio, e por isso considero a
minha história uma grande superação.
Minha grande inspiradora foi minha mãe, Maria Luiza, uma grande
empreendedora que sempre batalhou. Costurava, vendia doces, artesanato cuidou
de mim e de duas irmãs, sozinha. Foi essa linda mulher que me ensinou qual era o
caminho que deveria seguir quando ela não mais estivesse. Sempre admirei a força
dela e a sua vontade de vencer, pois lutou até pela própria vida, fez o possível para
cuidar de nós até o último momento de vida.
Por trás de toda mulher empreendedora existe uma história de luta, e seu motivo
para empreender. Mesmo em meio a perdas e sofrimento, decidi ficar bem, trabalhar
em casa e ser a protagonista da minha história. Luto todos os dias para ser uma grande
empreendedora e cuidar da minha filha. Quando comecei a empreender, o primeiro
desafio que precisei vencer foi o medo, afinal, tive que acreditar em mim, pois era a
única maneira de sair de uma situação complicada e precisava fazer algo. Não tinha mais
minha mãe nem meu marido, mas tinha uma ideia e precisava caminhar, mesmo sem
saber onde poderia chegar. Prometi a mim mesma e para minha filha que iríamos vencer
e que tudo iria mudar. Fiz de tudo isso um recomeço, mesmo tendo todos os motivos
para desistir, mas escolhi ficar bem e cuidar de quem mais precisava de mim.
Eu precisava de uma ideia em que fosse possível ganhar meu dinheiro em casa e
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
127
cuidar dela, pois não tinha outra pessoa para cuidar da Brenda além de mim mesma e
ainda ter que trabalhar fora, então pedi uma ideia a Deus. Sonhei com caixas criativas
para presente e, com o tempo, percebi que aquela caixa criativa não existia em outros
lugares; mas não adiantava ter a ideia e não ter coragem para tornar aquele projeto real.
Percebi nisso a oportunidade de empreender, e foi assim que comecei a criar as caixinhas
criativas. Fui a uma papelaria e comprei uma caixinha simples. No começo, houve um
pequeno investimento de vinte reais. Montei a caixinha e não ficou legal; pensei em
desistir e até cheguei a falar que não tinha jeito para criar caixinhas personalizadas.
Pensei em alternativas para poder empreender e tentar retomar a vida. Tinha uma ideia,
mas quase deixei para trás por insegurança, então comecei a projetar estratégias em
minha mente de como poderia sair daquela situação. Precisava cuidar da Brenda e estava
muito difícil, afinal, me sentia perdida sem minha mãe e sem meu marido.
Foi quando minha irmã me trouxe caixas lindas de presente. Observei as caixas
vazias e sem vida e comecei a pensar em algo que pudesse chamar a atenção dos meus
futuros clientes e comecei a criar caixas personalizadas de acordo com a imaginação
de quem comprasse, projetadas exclusivamente para emocionar quem as recebessem.
Comecei a vender as caixinhas para parentes e logo depois, montei uma página nas
redes sociais onde, inicialmente, divulguei o meu trabalho. Daí, percebi que minha
ideia era boa e tive a certeza que era do trabalho das minhas mãos que iria conseguir
cuidar da minha filha. Nomeei a página da loja de Atelier das Sisters1
. É uma loja online
e em poucos meses, a página obteve muitas curtidas e seguidores, então fiz da página
meu empreendimento: eu mesma crio as artes, atendo clientes, passo madrugadas
acordada fazendo doces e terminando encomendas. Cuido também da minha filha e
da minha avó, faço entregas e sempre levo minha filha comigo, mesmo de ônibus. A
vontade de crescer é muito grande. O Atelier das Sisters já conseguiu emocionar muitos
clientes com suas caixinhas. Cada trabalho feito é com amor, pois foi através da minha
coragem e em meio a grandes dificuldades que percebi que somos protagonistas da
nossa própria história.
Nunca vou deixar de sonhar e de acreditar no impossível porque tudo é
possível para aquele que acredita em si mesmo. Com esse novo empreendimento,
estou recomeçado a minha vida e cuidando da Brenda; moro com a minha avó que
me ajuda muito e a cada dia que passa, tenho uma nova ideia. Crio as caixas em casa,
mas sonho com o um espaço para meu ateliê. Por isso, sempre digo: se você tem uma
ideia, tire logo da sua mente e não espere dar tudo errado para você descobrir seu dom,
pois o sucesso depende de você, e seus filhos, também.
Empreender requer coragem, atitude e muita força de vontade, pois é necessário
associar a rotina do trabalho com atenção para os filhos. Amo o que faço e me orgulho
1 Em uma tradução livre, significa “Ateliê das Irmãs”.
Quais de mim você procura?
128
por ter transformado uma ideia em algo real em meio a tantas lutas e por ser uma mãe
empreendedora e poder cuidar da minha filha com o fruto desse trabalho.
Rafaela da Silva Caetano
Quais de mim você procura?
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Nunca é tarde para se realizar….
Existe uma lei da natureza que diz que tudo começa na origem. Então,
vou começar contando um pouco da minha história que se revela através dos meus
passos no caminho da realização como filha, mulher, esposa, mãe e profissional.
Nasci em 1955, numa família de descendência italiana, moradores no bairro
da Aclimação. Meu pai, era comerciante, dono de uma pequena loja de calçados no
Alto do Ipiranga e minha mãe dona de casa. Fui o segundo filho de três que meus
pais tiveram. Assim, fui a que ficou no meio de dois irmãos. Muitas vezes, ficava
pensando por que eu não tivera uma irmã e como seria tudo diferente se ela existisse
para eu poder compartilhar coisas de meninas. Mas, tive uma mãe, que assim como eu,
também não teve uma irmã, e nos tornamos “quase” confidentes uma da outra.
Nessa época, o modelo de família era muito diferente do de hoje; a maioria das
mulheres de classe média à pobre mal concluia os estudos iniciais e uma minoria de
classe mais privilegiada, tinha acesso aos estudos de nivel superior e aspirava construir
uma carreira profissional. As mulheres em geral sonhavam em se casar, serem mães e
cuidarem dos maridos, filhos e de suas casas. As que diferenciavam disto em termos de
“trabalharem fora” (como se falava) ou eram mulheres pobres e necessitavam trabalhar
para ampliar os recursos econômicos da família, ou eram ricas e participavam dos
negócios da família. Porém, todas seguiam o caminho de conhecer um homem,
namorar, noivar, casar e ter filhos. A maior aspiração da mulher era a de casar e a de
ser mãe. Era estranho, quase uma aberração ouvir uma mulher dizer que não queria
ser mãe. A mulher tinha a obrigação de engravidar e ter filhos. E não era um só, não!
Nessa época, a maioria dos casais tinha de três a quatro filhos, não sendo incomum os
que tinham ou queriam cinco, seis, etc
As meninas eram criadas e educadas para serem esposas e mães. Se trabalhavam
profissionalmente ou não, não se cogitava o “não ter filhos”. Só, se houvesse um
problema de saúde ou algo impeditivo. Os meninos eram criados e educados para
serem os chefes da casa, portanto, os provedores do lar e da família. Acredito que isto
foi um dos conteúdos que deu início à questão da diferença salarial entre homem e
mulher, pois era parte do orgulho masculino ser o provedor do lar. Portanto, a mulher
não poderia ganhar mais que o homem. Seria um insulto a sua masculinidade.
Afinal, lugar de mulher é aonde? Na cozinha, é claro! Quantas vezes eu ouvi:
“Vai pra cozinha Dona Maria!”, quando minha mãe estava dirigindo o fusca da família!
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
130
Eu ficava pensando, qual seria a razão deles (os homens) falarem assim com minha
mãe que era tão valente e corajosa a ponto de sair dirigindo na rua!
Assim, fui crescendo vendo as mulheres da minha família cuidando de seus
filhos, maridos e casas. Eu também tinha a certeza de que iria me casar, ter meus filhos
e minha casa para cuidar. Eu sempre quis ser mãe e nunca passou pela minha cabeça
a ideia de não ser. Para mim, ser mãe era o maior mistério da natureza feminina,
pois como o corpo de uma mulher tinha o poder de gerar uma vida que cresce e se
desenvolve dentro de seu ventre e, que depois de nove luas (como as antigas falavam),
nasce como um bebê pronto para viver?
Me lembro que desde muito pequena, minha mãe Dna. Wanda e minha
avó Rosinha, contavam muitas histórias de partos que minha bisavó Thereza havia
realizado no seu tempo. Ela foi uma grande parteira cujo maior orgulho era de atender
qualquer mulher que dela precisasse para esse momento tão sagrado. Minha bisavó era
muito respeitada como parteira e dizem que o Ipiranga quase todo nasceu através de
suas mãos. Acho que ela se tornou uma força de segurança para as mulheres daquela
época, quando ainda não haviam maternidades e ainda a cultura era de parteira, parto
normal e em casa. Quero ainda dizer que minha mãe contava que ela pouco ganhava
pelo seu trabalho como parteira e que a maioria das vezes este retorno era em forma de
galinhas, ovos, etc. Acho que o mais importante para ela era a consciência de um bom
trabalho realizado e mais uma mãe feliz e um bebê em segurança.
Mas, eu também queria trabalhar fora de casa e ser independente, embora
soubesse tudo que uma mulher deveria saber antes de casar, como: saber cozinhar,
como limpar uma casa, como cuidar das roupas, lavar, passar, fazer o abastecimento da
casa, receber visitas, fazer festas, jantares, contas a pagar e planejamento do orçamento
doméstico, ou seja, economia! Eu pensava e achava que precisava fazer algo além do
que já era da obrigação de uma mulher fazer. Eu queria mais. Eu queria me realizar
profissionalmente, ter meu próprio dinheiro e ser uma mulher moderna, a frente
do meu tempo. Ouvia sempre minha mãe contar sobre sua frustração de nunca ter
podido dar sequência a seus estudos e nem continuar a trabalhar no escritório quando
se casou. Quando ela falava transmitia toda sua angústia e não aceitação em relação ao
destino que lhe impuseram.
Eu não queria de forma alguma seguir o caminho de minha mãe. Então, estudei
e desejei muito fazer uma carreira profissional. Entrei na Faculdade de Serviço Social,
pois me identifiquei muito com a proposta e a ideia de ser assistente social e fazer
algo pelas pessoas e pela sociedade. Nesse momento, consegui um emprego, pois com
dezoito anos meu pai permitiu que eu trabalhasse. Nessa época eu também namorava
e logo fiquei noiva. Quando estava no terceiro ano de faculdade, me casei. Estava,
então, com vinte anos de idade e achava que casada eu seria livre para viver a vida de
uma mulher independente.
Logo percebi que trabalhar o dia todo, estudar, fazer estágio, ser dona de casa
e cuidar de marido era muita coisa para uma jovem recém “independente” dar conta.
Quais de mim você procura?
131
Não tinha tempo para mais nada. Não conseguia nem sequer descansar nos finais de
semana. Mas, jamais poderia desistir, pois afinal tudo tinha sido minha escolha. Bem
que meu pai me falou: “Filha, termina seus estudos primeiro, arruma um emprego
na sua área e depois você se casa! Você ainda é muito nova!” Muitas vezes eu me
arrependi de não ter ouvido meu pai!
Mas, como era a minha escolha, eu segui em frente. Quando iniciei o último
ano, pedi demissão do trabalho e assumi um estágio muito importante de meio período
diário e mergulhei no TCC. No início do segundo semestre, minha vida iria mudar
por completo pois, descobri que estava grávida do meu primeiro filho.
Recebi a notícia com muita emoção e retornei a pé do laboratório para a
Faculdade me sentindo flutuar. Não conseguia acreditar que aquele mistério que
ouvira tantas histórias estava acontecendo comigo. Eu ia ser Mãe!
Assim, nasceu meu filho Alexandre e um novo ciclo se iniciou na minha vida.
Estava muito feliz como mãe e a maternidade me realizava. Mas… aquela vontade de
trabalhar profissionalmente não havia desaparecido. Conforme o tempo foi passando,
ela se tornava mais forte. Comecei a procurar concursos e possíveis vagas, mas quando
achava ou era muito longe ou o salário muito pouco ou os dois. Olhava para o rostinho
de meu filho e pensava se conseguiria deixá-lo com uma pessoa estranha, visto naquela
época não existir escolas preparadas como hoje existem. Minha mãe, finalmente estava
trabalhando com meu pai na loja e também não poderia estar a disposição. Assim,
observando todos os lados da questão, decidi que ainda não era possível trabalhar
fora de casa. Após quatro anos nasceu minha filha Natália e novamente a alegria da
maternidade me preencheu.
Tinha dois lindos filhos mas ainda não havia desistido de me realizar
profissionalmente. Novamente comecei a buscar concursos, mas as oportunidades
eram muito poucas. Me lembro de um concurso que prestei e que estudei muito. De
quatro mil candidatos para dez vagas, passei em sétimo lugar. Mas, chamaram até o
quinto. Mudança de governo, foi o que deram como explicação. Bem, mais uma vez fui
abençoada com alegria de ser mãe, só que desta vez veio do coração… Fui mãe de uma
linda menina, Gabriela, que me trouxe alegria e força para continuar e não desistir de
meu sonho em me realizar profissionalmente.
Agora, com três filhos para sustentar, resolvi me aventurar em algo que sempre
gostei de fazer e que durante todos estes anos fazia informalmente para meus filhos,
parentes e amigos. Comprei uma máquina Lanofix de fazer tricot e comecei a trabalhar
aceitando encomendas. Assim, comecei minha malharia que depois de uns cinco anos
se tornou uma empresa com dois funcionários e algumas máquinas industriais. Foi
um grande passo na época, principalmente porque minha veia empreendedora foi se
revelando, e no passo a passo do caminho fui construindo de forma sustentada sua
expansão.
Como dona da malharia tinha um trabalho intenso e o desafio de ser
empresária, mãe, esposa e dona de casa se ampliou muito. As crianças ainda exigiam
Quais de mim você procura?
132
muito de minha atenção e como eu era muito certinha com tudo e também como mãe,
queria tudo sob controle. Nessa época já sentia o peso de ter a famosa dupla, jornada
de trabalho. Minha mãe como sempre me ajudava. Meu marido, nem tanto; ele mais
cobrava. Eu pensava constantemente que deveria ter alguma coisa errada com a forma
de meu marido pensar e agir. Eu tinha que trabalhar porque ele me cobrava pela
questão de gastos domésticos com tudo; tinha que dar conta da casa, porque era minha
obrigação; ele se sentia sobrecarregado em ter que colaborar com o cuidar das crianças
para eu poder trabalhar e ainda cobrava que eu não dava atenção a ele. Sem divisão de
tarefas não era possível! Sem o verdadeiro companheirismo ficava impossivel ser mãe
e trabalhar profissionalmente.
Assim, quando o interesse do mercado em malharia deu uma baixa, eu resolvi
fechar a empresa, vender tudo e deixar o tempo passar para ver o que aconteceria.
Quatro meses depois me separei e me dei a oportunidade de mudar a minha vida,
mesmo sem saber o que eu faria com três filhos, separada e ainda desempregada! Mas,
foi exatamente assim que minha vida mudou completamente de direção!
O ano de 1993 foi muito importante para mim. Estava nesta época com trinta
e sete anos e achava que já estava velha para conseguir me casar novamente e ainda
tentar passar num concurso ou arrumar um emprego. Porém, o que tem que ser é.
E, assim, encontrei meu verdadeiro companheiro, Sergio, e começamos uma nova
vida juntos. Sem dinheiro e sem garantias fundamos o Instituto KVT e iniciamos um
lindo trabalho voltado à consciência e ao desenvolvimento do ser, fundamentado na
natureza e nas leis naturais. No começo eu trabalhava cuidando da agenda do Sergio e
também da administração do Instituto. Fui me familiarizando com esta nova área de
trabalho, bem como em ser empreendedora dentro de um novo seguimento. Estudei,
pesquisei muito a area terapêutica e assim me preparei para após dois anos começar a
atender com terapia, cursos e palestras, junto com meu companheiro. Sempre fizemos
tudo juntos, sempre fomos unidos
Em 2002, comecei um lindo trabalho com mulheres no resgate do feminino
e da natureza e também da maternidade. Hoje, após vinte e três anos de Instituto
Kvt e quatorze anos de trabalho com o resgate do feminino me sinto realizada,
principalmente por ajudar tantas mulheres a resgaterem a força feminina e, assim, se
encontrarem e se realizarem como mulheres, mães e profissionais.
Meus filhos nunca foram impecílios, nunca me privaram de conseguir me
realizar. A partir do momento em que eu encontrei realmente o que eu amo fazer, a
coisa mais sagrada para mim, que é o ser mãe, se reuniu à missão profissional. Até hoje
continuo sendo mãe, esposa, profissional, empresária e também avó da Isis.
Minha eterna gratidão a minha mãe, que sempre me ajudou com sua presença
em inúmeras situações tomando conta de meus filhos para que eu pudesse trabalhar.
Minha gratidão a meu companheiro, que sempre me apoiou em tudo e me ajudou a
cuidar de meus filhos como sendo os seus próprios. Minha gratidão a meus filhos, que
sempre me ajudaram para que eu pudesse trabalhar e que nunca me cobraram pelo
Quais de mim você procura?
133
tempo em que eles foram privados da minha presença como mãe.
Somos uma família unida em torno do amor e do amor ao trabalho como parte
da nossa missão de vida.
Por isto tudo, nunca desista de si mesma e acredite… Nunca é tarde para se
realizar!
Ramy Arany
Quais de mim você procura?
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Primeira posição… plie... nado borboleta,
nado cachorrinho… poesias sem fim…
Cada vez que eu tinha a condição de assistir os ensaios, ou participar
dos espetáculos de balé de minha filha, Taila Lis, eu me sentia realizada e feliz por
acompanhá-la em suas atividades… “Primeira posição… plie… olha a postura!”.
Durante os meus primeiros anos de exercício da profissão, mal tive a oportu-
nidade de acompanhar meus filhos em suas atividades, reuniões escolares, afins. Os
compromissos profissionais assumiam uma proporção tal em minha vida que ficava
cada vez mais difícil compatibilizar com a minha vida pessoal.
Dois anos após a primeira filha, fomos agraciados com mais um ser humano
iluminado: nosso querido filho Julius Emilio, acrescendo às nossas vidas: “Nado
borboleta… nado cachorrinho… poesias sem fim…”
Ter filhos foi a concretização de um grande desejo. Casal, então: uma felicidade!
Ainda lembro de uma série de momentos que não foram compartilhados, ou,
quando o foram, chegava atrasada, saía mais cedo, ou estava com a mente ocupada
com o trabalho a realizar, com sentimento de fazer algo errado e, assim, não aprovei-
tando momentos que eram importantes para mim e meus filhos.
Oportunamente, eu pude atuar no mundo corporativo: em empresas pequenas,
médias e de grande porte. Cada uma exigindo uma posição de envolvimento pessoal
cada vez maior para a chamada “Realização Profissional”. Minha inquietação para
inovação e novos projetos sempre me renderam descontentamentos, pois ouvia, na
maioria das vezes, “Você sempre traz mais trabalho para nós”, “Com o tempo você
perceberá como as coisas funcionam e que suas idéias não são cabíveis e se conformará”,
ou “Daqui a alguns anos você repetirá as mesmas coisas que lhe digo hoje”. Isso não me
impedia de sonhar ou desenvolver projetos, pelo contrário: me desafiava a correr ainda
mais atrás do que eu queria e acreditava. Mas, claro, fazia com que me olhassem de
maneira constrangedora, ora com pena, ora com raiva. Contudo, minha inquietação
me acompanhava e, em 2001, pela primeira vez, fui colocada à disposição do mercado
e juntamente com uma amiga que trabalhava comigo no mesmo local assumimos o
desafio de abrir uma empresa. Nascia, assim, uma Consultoria focada em Treinamento
e Desenvolvimento Humano, com minha irmã e amiga Luciane Paula. Não foi muito
fácil, nem tampouco tão complexo… Cada dia era uma nova situação para viver,
conhecimentos para adquirir e oportunidades para conquistar. Havia o sincero desejo
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
135
e desafio de colocar as ideias e projetos antes rejeitados (e muitas vezes ridicularizados)
em execução.
Várias foram as pessoas de nossa rede de contatos abordadas, mas agora
estávamos do mesmo lado que elas e, o que parecia “óbvio” de acontecer quanto a
ajuda necessária e para o nosso desenvolvimento, fomos vistas como concorrentes, e
poucos nos assessoraram ou acreditaram em nosso sonho. Isto fez com que em todos
os meus projetos fossem incorporados os valores de desenvolver e fazer emergir o
potencial criativo das pessoas, em especial as que estivessem iniciando novas jornadas
de trabalho no mundo corporativo, ou no universo do empreendedorismo.
Contudo, uma mulher em especial, e com grande conhecimento na área, Luiza
Abrantes, abriu seu coração e conhecimento, assim como “O Grande Segredo Oculto”
negado por outros profissionais, ainda nos dando a primeiras coordenadas para o
desenvolvimento de nosso trabalho e mais: criando oportunidades de visibilidade no
mercado de consultoria e treinamento. “Gratidão eterna!”
A determinação e a fé estiveram presentes a todo momento, assim como o
incentivo de nossos maiores parceiros: a nossa família, gratidão especial para o meu
eterno namorado e maior incentivador, Eduardo Alvares.
A celebração de nosso primeiro cliente, a primeira comemoração em família,
junto com a perspectiva de aliar o tempo, a responsabilidade de criar, de fazer nascer
um nome, uma marca, nos fez seguir adiante. Sempre houve muita determinação em
direção ao desejo de fazer dar certo um sonho que aos poucos estava sendo realizado.
A oportunidade de realizar projetos a partir do conhecimento adquirido na
experiência profissional anterior e do que acreditávamos como certo, nos fazia superar
quaisqueres obstáculos naturais do recomeço e da inexperiência de um novo negócio.
Além do que nada se comparava ao fato de poder acompanhar “Primeira posição…
plie… Nado borboleta... nado cachorrinho… poesias sem fim…”
Sim, minha vida, como a de muitas empreendedoras mudou com a
maternidade. Escolhas e renúncias foram e são feitas diariamente, sentimentos
de culpa, ocasionalmente, nos visitam, mas nenhum se sobressai ao sentimento de
alegria quando os olhares dos meus filhos me procuravam, e aos meus encontravam,
no reconhecimento de que ali eu estava e com eles eu vibrava.
Eles me inspiraram e foram os motivos de manter minha cabeça erguida e
aprender a negociar, a saber a dizer não. Quando precisei de apoio, meus filhos, meu
esposo, minha família em conjunto estava do meu lado, aprendendo com o que eu
aprendi.
Lembro quando o Julius, o caçula, me acompanhava na especialização do
psicodrama, pois ainda o amamentava e sentia o quanto a ligação era fortalecida. Ser
mãe não me impedia de realizar o que desejava, ou de aprender o que eu podia e
queria. Sua presença me animava e fez toda a diferença em nosso relacionamento.
Meus filhos eram as molas propulsoras que me impulsionavam a querer ser
uma pessoa melhor, um ser humano flexível, adaptável à situações e de grandes
Quais de mim você procura?
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superações, em busca de crescimento pessoal e profissional. Isso reflete até hoje em
minhas experiências profissionais. Meu aprendizado foi constante, pois sempre optei
em aprender e a agir muito mais do que esperar a oportunidade bater à minha porta
ou o momento certo para estrelar.
Na minha jornada, alguns passos têm me ajudado a me posicionar mais e
melhor no desenvolvimento dos meus negócios, e compartilho o meu aprendizado:
- Acredite em si, em seu sonho, no seu potencial e talento;
- Tenha um grande motivo para empreender, uma paixão, um propósito que
lhe mova;
- Defina até onde deseja chegar, quais ferramentas possui, ou se precisa adquirir
novas para alcançar seus resultados: busque conhecimento;
- Alinhe seus valores ao projeto que deseja empreender, pois seu negócio será
a sua marca. Portanto, como você gostaria de ser reconhecido quando pensarem em
você;
- Seja solidário, especialmente com os que estão começando e que se permitem
a liberdade de sonhar. Ajude-os a voar, livres como falcões;
- Se alie às pessoas de pensamento positivo, que tem fé na vida, nas pessoas;
- Estabeleça parcerias, essencialmente as que complementem seu negócio, que
somam ao conhecimento já adquirido;
- Reveja suas crenças e suas limitações, sobretudo, mapeie suas competências,
habilidade e talentos, elas auxiliarão em todos os momentos no desenvolvimento de
um negócio;
- Não tenha receio de errar ou das críticas, a maneira como você as enxergar
fará grande diferença no resultado de seus objetivos, e, principalmente: não perca sua
essência! Ainda que as adversidades apareçam, mantenha a firmeza de seu caráter e
daquilo que faz a diferença em sua vida.
Sim, eu sou Mulher, Esposa, Mãe empreendedora, Forte, de Raça, Resoluta e
Determinada, que busca superar adversidades, adaptar-me às novas situações, que
acolhe o novo e o inesperado de cabeça erguida. Que deseja ser e fazer pessoas felizes.
Que tropeça, mas levanta. Que a cada queda ressurge mais forte, firme, determinada a
atingir objetivos e realizar seus sonhos. Que enxerga obstáculos como oportunidades
de aprendizado e que aprende com as experiências da vida!
Hoje, minha filha Taila tem 25 anos, e meu filho Julius, 23. Tudo valeu e vale
à pena. Para além de plies e poesias, hoje acompanho os espetáculos que minha filha
cria para suas alunas de balé, e vibro com as poesias escritas pelo meu filho.
Identifico em seus comportamentos partes de mim, da minha história, e isso me
motiva, me emociona e me faz perceber o quanto a presença deles foi e é importante
para cada passo, cada realização e sucesso alcançados.
Atualmente, estamos para além de “Primeira posição… plies… Nado borboleta…
nado cachorrinho…poesias sem fim…”. Hoje estou aprendendo muito mais e colocando
todo o já aprendido em prática! Além de agora estar rodeada de super heróis, do
Quais de mim você procura?
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Capitão América… Homem de Ferro e do Incrível Hulk… temos o pequeno Kevin…
Mas essa é uma nova história, e novas histórias são para novos momentos!
Regina Alvares
Quais de mim você procura?
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Ser Mulher...inspiração e amor…
	 Minha história empreendedora começa acredito eu que na barriga da
minha mãe, sou filha de pais portugueses, feirantes e desde cedo enfrentavam as lutas
diárias em busca da estabilidade financeira e da garantia de um futuro melhor para
nossa família.
	 Aos 14 anos inicio minha jornada trabalhando em uma video locadora, onde
permaneci por 5 anos até sofrer um derrame que me deixou com uma sequela no
braço direito, mesmo assim após esse período de recuperação fui para uma empresa
de publicidade onde fiquei por mais 8 meses. Por conta dessa sequela resolvi abrir meu
próprio negócio.
	 Com muita garrra e dedicação em 1999 iniciei minha trajetória empresarial
em um mercado praticamente dominado por homens até hoje, o ramo de comunicação
visual. Inovando e me dedicando permaneço no mercado até hoje.
	 Em 2005 um acidente com um cabo da companhia de energia elétrica uma
voltagem muito acima do normal foi conduzida para dentro da minha loja causando
assim um incêndio, e como não tinha seguro, perdi tudo...pela primeira vez chorei
durante 3 dias e depois disso levantei e resolvi lutar novamente começando tudo do zero.
	 Em 2008 já estava novamente com minha loja, dessa vez muito maior e com
muito mais serviços.
	No ano de 2012 chegava praticamente na realização dos meus sonhos,
estabilizada financeiramente, a cada ano conseguia um aumento significativo nas
vendas e na criação de novos produtos que até então não existiam no mercado e a loja
dava cada vez mais retorno.
	 Em 2013 perco tudo de mais importante na minha vida em questão de meses,
primeiro, vítima de um câncer perdi minha mãe e sete meses depois perdi meu pai
da mesma forma. Era demais isso pra mim...pela primeira vez pensei seriamente em
desistir, não tinha mais forças e não conseguia mais enxergar nenhum futuro na minha
vida, tudo havia perdido a cor e o propósito, tempos difíceis.
	No ano seguinte, uma consultora do Sebrae visitou minha empresa indicada
por um amigo e a mesma me inscreveu no programa 10.000 da FVG e incrivelmente
fui escolhida no processo seletivo.
	 Sem ter ideia ainda da grandeza do projeto e da dimensão do mesmo, resolvi
aceitar e mesmo me arrastando emocionalmente fui e conclui o curso.
	 Depois disso, minha vida começou a mudar, entre amores e desamores,
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
139
dificuldades, erros e acertos conheci outras mulheres que assim como eu e por diversos
motivos lutavam também para estar lá e fui me juntando a elas e ganhando força,
as coisas começavam a renascer dentro de mim, afinal de contas eu não estava mais
sozinha.
	 Em 2015 recebi o maior presente de Deus em minha vida, chega meu filho
Gabriel.
	No começo sofri um pouco por não ter meus pais comigo e parecer que
não tinha mais graça nada sem eles, erro meu, pois minha vida tomava cor e forma
novamente, minha garra voltou e a vontade de viver tudo aquilo voltava com tanta
força que eu até desconhecia tamanha gana.
	Hoje sou mulher, esposa, mãe, empreendedora e um ser humano
extremamente feliz.
	 Vou perseguir tudo aquilo que Deus já escolheu pra mim, vou persistir e
mesmo nas marcas daquela dor do que ficou vou me lembrar, realizar o sonho mais
lindo que Deus sonhou e em meu lugar estar a espera do novo que vai chegar, vou
persistir, continuar a esperar e crer e mesmo quando a visão se turva e o coração só
chora mas na alma a certeza da vitória...
Rita Rocha
Foto enviada está
muito pequena
Quais de mim você procura?
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A chance de dar tudo errado era tudo
que eu tinha
Você pode escrever a sua historia de novo, a chance dar tudo errado
era tudo o que eu tinha, mas olha o que Ele(Deus) fez comigo. Estou aqui escrevendo
a minha própria história. Sou Rosangela Machado e este projeto meu veio como
um presente em comemoração aos meus 40 anos e da colheita de atitudes decisivas,
difíceis e assertivas que foram tomadas, não sou mulher passiva, morna sem cor, sou
mulher de sangue quente, minha vida nunca foi de tons pastéis e sim de cores quente
e vibrantes, não sei amar pela metade, portanto não vou lhes cotar mais uma história,
vou arrancar a máscara e despir as minhas vestes.
Então me veja sentada em um banqueta em palco escuro, com um único foco
de luz reluzindo o louro platinado dos meus cabelos, dedilhando alguns acordes de
violão, cantando uma história com um timbre de voz rouca, diferente da minha doce,
meiga e mansa para uma plateia gigantesca, é assim que me vejo agora.
Nasci no dia 12 de Outubro as 13:05 de 1976, briguei pela vida, briguei pra
nascer, minha mãe disse nasci preta (sorrisos), hoje entendo que nasci cianótica por
falta de oxigenação pois estava passando da hora de nascer, se o médico demorasse um
pouco mais eu morreria, mas eu insistir em vir pra este mundo e não foi pra ser mais
uma no meio da multidão. Sou a filha mais velha tenho mais suas irmãs. Minha família
era pobre, tive uma infância boa, com o melhor meus pais puderam me oferecer,
estudei em escola pública, tive uma adolescência saudável sem envolvimento com
qualquer tipo de drogas ou algo parecido, meu sonho era ser arquiteta ou engenheira,
sempre gostei de estudar, sabia que pra alguém pobre o estudo era o caminho precursor
de uma vida confortável e próspera, não me contentei sair do segundo 2º grau sem
profissão, fiz um curso técnico em magistério.
Formada em magistério aos 18 anos, exerci a função por dois meses como
professora de ensino fundamental substituta da rede pública, minha remuneração
foi de CR$ 08,00 no mês, o suficiente pra que eu pudesse tomar a minha primeira
decisão, agradeci a diretora a oportunidade e me demiti, cheguei em casa tive uma
conversa franca com meu pai, não quero isso pra minha vida quero um emprego
que me proporcione renda suficiente pra eu me sustentar e pagar a faculdade, meu
pai era rigoroso, bruto mas sabia ser amigo e ele era meu melhor amigo. Arrumei
um emprego em uma lanchonete de fest food, meu pai não se opôs, fiquei 6 meses
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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pensando no que estudar ingressei no meu segundo curso profissionalizante o de
auxiliar de enfermagem, a exemplo de minha mãe um excelente profissional da saúde
especializada com pacientes de UTI, vi ali a oportunidade de ganhar dinheiro e chegar
no meu objetivo concluir a faculdade ser alguém na vida. E foi assim que ingressei na
área da saúde.
Em um hospital que trabalhei conheci o homem que seria o meu marido pai
da minha filha, vocês acreditam em amor a primeira vista? Então, assim que o vi
falando no celular, sentado esperando atendimento eu pensei que homem lindoooo!
Eu o amei desde naquele momento, esse homem lindo foi meu paciente, nos tornamos
amigos, namorados noivos e oito meses depois me casei com ele. Meu casamento foi
lindo, esperado, preparado com muito carinho em cada detalhe. Eu já era uma mulher
e agora casada, por ser uma moça praticamente criada dentro da igreja não namorei
muito antes de casar, era inexperiente em tudo ele dez anos mais velho que eu, era
um homem que a vida ensinou a ser forte, era inteligentíssimo tinha duas faculdades,
habilidoso com negócios e dinheiro, de um gênio fortíssimo, impaciente muitas
das vezes rude, mas dono de todo meu amor. Vivemos o período de adaptação do
casamento e após 2 anos e 6 meses nasceu minha filha Vicktória, fruto de uma oração
sincera com Deus, pois a probabilidade de engravidar e realizar o sonho de ser mãe
era remota porque meus óvulos não amadureciam pra fecundação, lembro como se
fosse hoje do sorriso do meu marido quando ele a pegou no colo pela primeira vez, um
sorriso diferente o mais bonito que já vi em sua face.
No 4⁰ ano de meu casamento nos mudamos pra uma casa maior, no mesmo
bairro, as coisas já não eram mais como antes, eu experimentei a dor da rejeição, da
frieza, do mal trato, experimentei um casamento de aparência, dormíamos em quartos
separados, cada um com sua vida e uma linda filha em meio a tudo isso, ferida comecei
a ferir também e começamos a nos degladiar, no olhar eu carregava um pouco de
morte, minha festa estava vazia de sorrisos, eu não sei onde tudo se perdeu se soubesse
teria voltado pra tentar um conserto, eu o amava demais, foram três anos nessa
situação, eu ganhei uma nova feição, estava com quase 100 kg, desenvolvi asma, a
auto estima comprometida, meu marido já não me chamava pelo nome, me chamava
de “lixo”,com a minha cabeça envolvida em turbilhões de pensamentos escuros perdi a
fé, a auto estima e o amor próprio, me revoltei contra Deus. Um dia já cansada eu disse
Deus não quero mais ser prisioneira dessa situação e orei, pedi perdão, me humilhei
chorei intensamente (ah! Como eu chorei, só Deus sabe como eu chorei).
Dias depois de fazer essa oração descobri uma traição através de uma mensagem
de outra mulher no celular, e no confronto pela verdade e em uma discussão calorosa
vi o ódio em seu olhar, senti no meu olho direito o peso de um soco bem dado e
um chute no peito, tentei coloca ló pra fora do meu quarto, tomei distância, peguei
meu telefone disquei 190, ele me disse “você sabe o que você fez?” eu respondi:
“- nunca mais você via por a sua mão em mim seu filha da p...” peguei minha filha que
estava dormindo, havia acordo e assistia a tudo sentada na cama, com ela nos braços
Quais de mim você procura?
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peguei um pouco de dinheiro, minha bolsa e sai pra fora de casa, era uma noite fria de
inverno, liguei novamente pra polícia pra que eles se certificassem de que não era trote,
em pouco tempo a viatura encostou, vi o homem que eu amava sendo algemado como
um bandido, fomos sentados no banco de trás da viatura ele algemado e eu com minha
filha no colo, dos meu olhos rolaram lágrimas que pareciam um rio silêncio de dor,
me foi tirado o chão e eu caia rapidamente no mais profundo de um abismo, fomos
ouvidos separadamente ele foi detido, minha mãe teve o desgosto de me buscar na
delegacia as 03:00 hs da manhã, ele saiu sob fiança e respondeu processo, entregamos a
casa que era alugada, voltei pra casa da minha mãe com minha filha e de lacerados pela
separação emocionalmente vulneráveis ele segui o caminho dele e eu o meu.
Agora eu era mais um número que aumentava a estatística, mais uma mulher
que sofreu violência doméstica na sala de um médico fazendo exame de corpo delito,
médico este que não olhou na minha cara mas que graduou meu hematoma em grau
III, eu me senti humilhada, desamparada, sozinha mesmo com minha mãe do meu
lado, cheguei em casa olhei pra minha filha e chorei, abraçando a bem forte no meu
peito, eu tinha duas opções ou me entregava ao coitadismo ou eu virava essa história,
chorei copiosamente por duas semanas o tempo em que meu olho ficou roxo.
Optamos pela guarda compartilhada, da dor a menor parte não queria que
minha filha tivesse maiores prejuízos com nossa separação, decidi escrever uma
nova história, decidi perdoar alguém que talvez nunca me pediria perdão, tirei a
habilitação, juntei seis meses de trabalho, férias décimo terceiro, comprei um carro a
vista, um pálio 98, me demiti de um emprego que me sugava, que eu não gostava sem
perspectiva de outro, estava decida arrancar tudo que não me acrescentava na vida,
aprendi a dizer não, a ser generosa comigo, a me amar, minha auto estima foi voltando
a cada pequena vitória diária, arrumei outro emprego que me pagava menos mais que
eu era feliz, decidi que não iria voltar pra faculdade de enfermagem e sim voltar ao
meu sonho antigo queria ser engenheira, queria ver minha filha crescer, a mulher que
caia em alta velocidade em um abismo agora estava aprendendo a voar, com objetivos
bem definidos eu precisava de dinheiro de uma renda extra, pra pagar a faculdade,
o curso de engenharia depois de medicina é o mais caro, não queria abrir mão de ser
mãe, eu já estava em um outro relacionamento não queria abrir mão pois que estava
me fazendo muito bem, eu estava feliz mas precisava de uma ideia que me gerasse
dinheiro , então orei falei com Deus, queria que minha filha tivesse alguém de quem
se orgulhar, queria fazer algo por mim, de me orgulhar de mim mesma, e poder dar
pra ela mais conforto.
Então fui pra faculdade depois do plantão e como de costume passei na cafe-
teria da faculdade pedi um café expresso bem forte com pouco açúcar e fui pra aula
de química, e ainda sonolenta ouvi a professora explicar sobre a química do sabão, me
ajeitei na cadeira, engoli o restante do café e falei pra mim mesmo isso dá dinheiro,
pesquisei, estudei, fiz uma série de cursos, e no dia 19 de dezembro de 2015, nasceu a
Banho & Espuma saboaria e cosmético artesanal, o primeiro lote foi pra presentear a
Quais de mim você procura?
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família, do segundo lote em diante pra venda, uma empresa como tudo na minha vida
fruto da minha oração, começamos com uma página no facebook, onde ganhamos
visibilidade, os projetos estão a todo o vapor, as vendas estão começando a crescer,
iniciamos alguns outros projetos e fizemos algumas parcerias.
Com 113 kg resolvi fazer algo por mim mesma, fiz a cirurgia bariátrica, resolvi
dar a mim mesmo a chance viver um novo amor, de ser feliz, de desfrutar da com-
panhia de um homem maravilhoso, amigo, companheiro e ao lado dele Paulo Cesar,
minha filha Vicktória e minha mãe novamente viver em família.
... E quando eu pensei que o rio ia secar olha o Ele (Deus) fez comigo, escutou
o grito do meu fraco coração, arrancou aquela tristeza que doía, me lavou com o seu
sangue me perdoou, me ensinou a perdoar, minha festa agora é cheia de sorrisos, olha
o que Ele fez comigo...Ele é meu melhor amigo...eu não tinha nada e agora eu tenho
vida e uma história nova e linda escrita pelo dedo de Deus...
... A chance de dar tudo errado era tudo que eu tinha...
Rosangela Machado
Quais de mim você procura?
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Era uma vez uma menina, hoje mulher que
acreditou nos seus sonhos...
Nasci em um bairro da periferia de São Paulo, em uma família muito
pobre, percebi que a única forma de mudar esta realidade seria através de muito estudo
e trabalho.
Aos quatro anos de idade, criei uma escola para um aluno. O gosto por em-
preendedorismo, invenções e educação nasceu a partir daí. Quando completei quinze
anos, conseguiu meu primeiro emprego e descobri o quão prazeroso era conquistar
algo, com o suor do meu trabalho! Nesta época eu tinha pouco mais de três opções de
roupa e uma vontade imensa de ser alguém.
No ensino médio fui estudar longe de casa, contrariando meus pais. Tomei
esta decisão ao perceber que ao meu redor era pobreza, drogas e perigo! Minha única
alternativa seria distanciar de onde eu morava, em busca de pessoas que pudessem me
auxiliar e me ensinar.
Em uma imobiliária localizada no Jardins, bairro nobre em São Paulo, eu
comprava agua, limpava o escritório e ia feliz levar o malote para o banco, diariamente.
Fiz amizade com um moço muito educado, poucos meses depois ele disse que
abriria inscrições para escriturário e me perguntou se eu teria interesse em trabalhar
no banco. Disse que lá haviam pessoas para ensinar todo o processo.
E na época, eu não sabia tanta coisa! Nem mesmo que aquele local era a maior
agência em crédito imobiliário do Brasil! Eu havia escolhido trabalhar com crédito
imobiliário, porque eu queria realizar o sonho das pessoas.
Namorandoetrabalhandonobancocomoencarregada,eujáestavacomdezoitoanos.
Casei aos 22 anos e aos 25 fui mãe de um lindo bebê! Eu pressentia que seria o
Alex, conversamos muito, desde que comecei a sentir ele crescendo e se mexendo em
minha barriga.
Aos 28 eu tinha um bebê, metade de uma casa, um diploma de segundo grau e
um casamento rompido. O sonho de ser alguém parecia ter passado do tempo!
Entre assuntos da separação e as adequações da nova vida, resolvi que prestaria
vestibular, mesmo estando dez anos sem estudar. Passei em três faculdades e podia
escolher por administração ou direito.
Optei por direito.
Meu filho estava com quatro anos e sofreu muito com a separação. Ele não
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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entendia porque eu tirava ele da cama dormindo e porque tinha de ficar em um
“hotelzinho”, o dia todo. Era difícil não ver a mãe, os dias não foram fáceis nesta época.
O entusiasmo da conquista durou pouco. Um mês após ter sido aprovada, fui
demitida.
Nesta época, só conseguíamos emprego por indicação e acabei ficando quatro
meses desempregada. Ou seja, já comecei no vermelho...
Finalmente consegui um emprego, mas ganharia menos do que minhas
despesas. Resolvi que faria bicos para ganhar dinheiro extra. Trabalhei com digitação
de laudos durante cinco anos e paguei minha faculdade. Meus amigos sabiam da
minha situação e me pagavam o lanche.
Foram cinco anos de muito estudo, lágrimas e trabalho!
Às sextas-feiras eu saía uma hora mais cedo e eu conseguia passar na escola
para buscar o Alex e ver sua aula de karatê. Ia às reuniões da escola e aproveitava para
ficar um pouquinho com ele.
Aos finais de semana, meu filho sempre estava comigo e nos divertíamos com
coisas gostosas e baratas! Dava até para almoçar com meu vale refeição e tinha um
sorvete de sobremesa!
Com muito trabalho e esforço, Alex cresceu me admirando e percebendo que o
trabalho e a garra levam as pessoas onde elas desejam.
Aos dezessete anos foi para a Dinamarca, realizar um intercambio. Saiu do
Brasil como garoto e voltou como um homem!
Desde sempre, meu filho foi meu melhor amigo, meu conselheiro, meu
incentivador!
É a pessoa que mais amo em minha vida! Somos parceiros de viagem, de chopp
e de dificuldades! Dividimos todos os bons momentos que a vida nos oferece. Não
temos dúvidas, juntos superamos qualquer fase de vacas magras!
Com grande conhecimento na área de negócios, marketing e vendas migrei
para área comercial onde tive minhas maiores conquistas e obtive mais sucesso.
Viajei por trinta países. Como funcionária, minha última experiência
profissional foi na maior empresa de consultoria do mundo! Finalizei minhas
atividades, após trinta anos de longas experiências, incríveis e transformadoras!
Mas este não era o fim! Ao colecionar experiências eu também colecionei
sonhos! E então nasceu O Mundo da Mulher Protagonista.
Quem me conhece diz que venho me preparando, durante toda a minha vida,
para isso. Durante a minha jornada, desenvolvi várias metodologias de sucesso, que
geraram muito resultado para as empresas e equipes, em que tive oportunidade de
atuar.
Como mulher realizadora, batalhadora, sonhadora e capaz, resolvi apostar no
público feminino, porque acredito que toda mulher é capaz de alcançar seus objetivos
e obter sucesso em qualquer projeto, ao realizar com todo seu coração.
Quando surgiu, em poucos meses, O Mundo da Mulher Protagonista engajou
Quais de mim você procura?
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mais de sessenta mil pessoas, através de congressos, workshops e conteúdos em mídias
sociais.
Este projeto cria mecanismos para empoderar a mulher protagonista que existe
dentro de cada MULHER e auxiliá-la a dar os primeiros, ou próximos passos, de sua
carreira ou projeto de empreendedor.
Sou apoiadora do programa da ONU MULHERES HeForShe, pela equidade
de gêneros e porque sei que 52% da população do mundo é composta por mulheres e
somos mães dos outros 48%.
Eduquei meu filho para respeitar e apoiar as mulheres. Penso que posso, e devo,
auxiliar outros homens a fazê-lo!
Roseli Cunha
Quais de mim você procura?
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“Ser mãe é ir além de procriar:
amar e criar!”
Olegado de ser mãe me foi presenteado de forma triste e dolorosa, nos
meus 24 anos de idade, quando, em 16 de maio de 1984 e 29 de junho do mesmo ano,
eu e meus irmãos perdemos, respectivamente, mãe e pai.
Nossa mãe em consulta médica, devido a uma gestação, descobre um câncer
de Mama. O médico, talvez considerando a distância da capital onde os recursos
permitiriam uma análise precisa, para um diagnóstico mais breve, aguardou o
nascimento do bebê, para então certificar-se do que estava ocorrendo. Tarde demais!
Em pouco tempo o mal se espalhou, atingindo órgãos vitais. Perdemos nossa
mãe e, pelo abalo emocional, não suportando a falta da parceira, 43 dias depois, nosso
pai enfartou. Seu coração não suportou tamanha dor! Não entendo se o destino quis,
só sei que prematuramente eles partiram. Com o coração despedaçado, tivemos de
seguir nossas vidas, tentando suportar a imensa amargura. Ficamos órfãos, éramos
seis irmãos, dois deles ainda muito crianças, a menor com dois anos apenas. Mal havia
cessado nosso pranto pela perda da mãe e, mais uma grande dor, papai também foi
embora, ambos com 43 anos de idade, tudo rápido e inesperado, e nós desnorteados;
inevitavelmente começou minha missão de Mãe ou “Irmãe”.
Trabalhava como auxiliar de escritório numa grande empresa de alimentação,
mas repentinamente fui obrigada a tomar uma decisão. Sendo a mais velha da casa,
assumi a função de Pai e de Mãe, e as crianças, jovens e adolescentes, ficaram aos
meus cuidados. Ser “Irmãe” e empreender ao mesmo tempo foi um grande desafio! A
situação obrigou-me a largar o emprego e buscar algo que me permitisse administrar a
situação: casa, família e trabalho, além de suportar a dor imensurável das perdas aper-
tando a cada dia. Mas, como em horas vagas, sempre busquei qualificação no ramo da
beleza, esse foi o caminho que trilhei.
Em 20 de setembro de 1986, um sábado muito especial, eu o escolhi por ser
uma data comemorativa do nosso Estado, o Rio Grande do Sul, e por marcar o início
da primavera. Setembro também é um mês que sempre me deu muitas alegrias, então
decidi ser o mês para inaugurar meu empreendimento, realizando um sonho do
passado que o inesperado tornou presente.
Dedicação ao trabalho, conciliado com amor, carinho e atenção aos meus
pequenos irmãos, tudo com muito zelo, para que tivessem um crescimento saudável
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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e uma boa educação, era a meta para o futuro, esperando que tudo isso resultasse em
felicidade e realização.
Minha missão continuava: “Irmãe”, empreendedora e namorada, logo vem o
noivado e, como alguns caminhos se cruzam e nos permitem andarmos na mesma
direção, em fevereiro de 1990, assumi o papel também de esposa. Nova vida e mais um
sonho a se realizar: ser biologicamente Mãe!
Em 1992, no dia 27 de agosto, meu bebê veio ao mundo. Um susto, pois não
era a hora, ele não estava pronto, mas chegou. Apesar de prematuro e frágil, recebeu
muitos cuidados e pôde ficar bem, ele cresceu lindo e saudável. Naquela ocasião foi um
sufoco, pois minha agenda de trabalho ainda tinha uma semana de compromissos: a
última noiva, que eu deveria preparar e depois esperar a chegada do bebê, mas ele não
esperou e nasceu! Quando soube que eu estaria no hospital, a noivinha muito aflita
logo me visitou, sua preocupação era compreensível, pois na próxima semana iria se
casar: - Quem irá me arrumar? Como vou fazer? Faltam poucos dias.
Responsabilidade e comprometimento sempre foram condutas que adotei
e adoto na minha vida profissional. Respeito ao cliente em primeiro lugar, mesmo
me custando sacrifícios. Nesse momento parceiro foi o meu bebê. O ofício de Mãe-
empreendedora permite alegrias e, ao mesmo tempo, holocaustos, mesmo assim,
consegui dar atendimento à noiva, num dos momentos mais importante da vida dela,
seu casamento.
Em muitas ocasiões, somos obrigados a manter a postura digna de um bom
profissional, fazendo do impossível o possível, para podermos levantar os melhores
troféus do sucesso, do amor e da felicidade. Empreender, ser mãe e ter sucesso na vida
exigem muita força, garra, persistência e dedicação. Isso proporciona resultados que
nos encantam, principalmente quando percebemos que conseguimos criar um filho
nota “dez”, que os irmãos são maravilhosos, que a família está unida e que o amor é
incondicional!
O sucesso não é um acaso, mas sim, é uma mistura de trabalho, perseverança
e sabedoria. Na vida temos de fazer escolhas e essas escolhas devem trazer felicidade.
Devemos levar em conta que a vida pode ser vivida com toda intensidade, conciliando
família e amigos, atividade profissional e lazer, para podermos afirmar que cumprimos
nosso papel da melhor maneira, permitido que alegrias façam parte das nossas vidas
constantemente. Só consegue tamanha recompensa quem contempla e valoriza as
pequenas conquistas diárias.
Por ter um perfil social e, desde cedo ter participado de diversos eventos, cola-
borando com entidades públicas, religiosas, culturais e de serviços, recebi um convite
para participar da vida politica. Por entender que temos o compromisso de fazer parte
do processo, de contribuir com o lugar onde vivemos, aceitei mais um desafio: concor-
rer à vereança. Fui 1ª suplente em 1996, assumindo a vereança em 1997 pela primeira
vez. Em 2000, concorri novamente e fui eleita Vereadora. Em 2004, assumi a Presidên-
cia da Câmara de Vereadores de Serafina Corrêa. Foram anos de trabalho, aprendizado
Quais de mim você procura?
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e dedicação ao meu Município, sempre conciliando com a vida familiar. Foi no quarto
ano do mandato e, coincidentemente, para minha glória, o Prefeito e o Vice-prefeito
concorreram às eleições municipais. Ascenção inesperada, isto me oportunizou assu-
mir o cargo de Prefeita Municipal por noventa dias, permaneci no exercício durante
o período eleitoral, evidentemente alguns atos estavam impossibilitados, devido ao
momento, mas o aprendizado se deu da mesma forma. Posso dizer que valeu a pena
assumir o cargo de Prefeita e poder contribuir para o bem da minha comunidade. Foi
muito muito gratificante, mas ser mãe continua sendo a maior das realizações!
Após deixar a vida política, aceitei o convite que me havia sido feito tempos
anteriores, o de ingressar num clube de serviços, convite esse que me lisonjeou
e que aceitei. Eu e meu marido entramos para o Rotary Clube de Serafina Corrêa,
onde pudemos desenvolver serviços voluntários, contribuindo para melhorar o
nosso mundo com projetos humanitários sugeridos pela organização e outros que
desenvolvemos conforme as necessidades locais. Estivemos na Presidência do Clube
por duas gestões consecutivas.
Sempre na vida, as oportunidades vêm a nos desafiar; às vezes hesitamos, por
não termos consciência do bem que faremos a nós mesmos ao enfrentarmos tais
desafios, por isso devemos dar rumo certo aos nossos passos. Trilhar por caminhos
que nos permitam chegar ao auge dos nossos sonhos, mesmo que os fardos sejam um
pouco pesados. Deixar os medos de lado e enfrentar os obstáculos podem nos dar
vitórias inesperadas a qualquer momento.
A maternidade, a meu ver, é a maior glória que uma mulher pode alcançar.
Nada lhe dará maior prazer e gratidão a Deus que um filho, desde o seu primeiro
pulsar, ao ouvir as primeiras batidas do coração até seu crescimento, formação e
maturidade. Hoje para o bem da humanidade, as tecnologias nos permitem observar
o embrião desde a sua fecundação, acompanhando o desenvolvimento da gestação,
de forma muito visível e palpável. Os bebês parecem já nascer sabendo quem está ao
seu redor, e de olho bem aberto percebem o futuro que não para de avançar. Amor,
gratidão, satisfação, são palavras que não cansamos de pronunciar e de vivê-las.
Este é o grande legado de uma mãe!
Selma Lourdes Favero Fincatto
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FILHOS: NOSSA MELHOR PARTE
“Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas;
Geram pro seus maridos os novos filhos de Atenas;
Elas não têm gosto ou vontade, nem defeito, nem
qualidade; têm medo, apenas.
Não tem sonhos, só tem presságios. O seu homem, ma-
res, naufrágios (...)”
(Chico Buarque)
Fomos, de certa forma, criadas para sermos as mulheres de Atenas.
Quando nascemos, o primeiro brinquedo que nos dão é uma boneca, ou seja, já estão
determinando a nós, mulheres, “olhe, você vai crescer e ser mãe, cuidar dos filhos e do
marido, não vai ter profissão, não vai trabalhar fora, vai única e exclusivamente cuidar
da casa”. Foi assim com sua mãe, com a mãe de sua mãe, e por aí vai.
Ah, o tempo mudou! A evolução tecnológica, cultural e emocional da mulher
mudou. Hoje não aceitamos ser as mulheres de Atenas.
Desbravamos o mundo, estamos inseridas em situações antes pertencentes a
homens, estamos na política, ciências humanas e tecnológicas, somos pilotos de carros,
aviões, executivas, empreendedoras. Porém, mantemos o nosso instinto materno:
queremos ser mães, queremos perpetuar nosso legado.
Sempre quis ser mãe; ver aquele ser lindo, cuidar, educar, ensinar as mais belas
cores, músicas e sabores. Que lindo andar de mãozinhas dadas, os primeiros passinhos,
risadas! Pintei de rosa e enfeitei de belas flores o quadro “carreira e maternidade”,
mas a realidade foi bem outra, e de rosa, tudo virou um negro, sem cores. Na época
em que fiquei grávida de minha primeira filha, não pensei em deixar minha carreira
de profissional do Marketing. Havia determinado que conciliaria a carreira com
a maternidade e assim o fiz. Passados dois anos do nascimento de Suzana, nasceu
Carolina; mais dois anos depois, Rebecca. Nessas alturas do campeonato, precisava
defender atacar e fazer o gol. Fácil né, só que não!
Estava feliz por minhas filhas lindas e com saúde. Conciliar o trabalho com os
cuidados das três não era tarefa das mais simples; foi um desafio e tanto. Correr para
o trabalho, levar e buscar na escola, alimentação, tarefas escolares, visitas ao médico,
noites em claro cuidando de febres, ficar acordada até inicio da madrugada organizan-
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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do casa, roupas. Aos finais de semana, conciliar casa, lazer das meninas e, por vezes,
trabalho. E junto com isso tudo, veio em um momento muito importante da idade das
meninas: o divórcio. O trabalho praticamente triplicou: cuidar da casa, educação, o
prover as necessidades materiais e emocionais foram, com certeza, os maiores desafios
da minha vida. Desempenhar papel de pai e mãe foi algo que me inundou de culpa. Eu
me vigiava para não exercer a compensação pela ausência provocada pelo trabalho e
pela falta do pai. Saber se o que estava fazendo era certo ou errado... Lamentavelmente,
não tive o apoio familiar de que precisava no momento e precisei me encarar no espe-
lho e dizer, “Medo, dor e cansaço? Vai com medo, dor e cansaço mesmo!”.
Foi um desafio e tanto, mas sempre tive a certeza de que deixar a profissão
para me dedicar a cuidar e educar minhas filhas não seria o melhor a fazer, nem se
eu quisesse poderia àquela altura. A culpa pela ausência era inevitável, porém eu
sabia que não era a quantidade de tempo com elas, e sim a qualidade que importava.
Chorei muito pelas madrugadas andando pela casa, olhando-as no quarto, dormindo,
agradecendo e pedindo a Deus que me desse forças e saúde para fazer delas mulheres
equilibradas, decididas, confiantes, e me descobri motorista, professora, médica.
Desempenhei vários papeis, na infância, depois na adolescência, na escolha das
faculdades e profissões, tudo isso aliado às exigências de tempo no meu trabalho e
viagens.
Criei minhas filhas com muita liberdade; fizeram sempre suas escolhas, nunca
impus as minhas, porém ensinei-as sobre as consequências de suas escolhas e sobre
assumir responsabilidades. Não me arrependo, embora tenha sido muito criticada
pela família na época por assumir essa postura.
Optei por ser mãe e não deixar de ser profissional.
A culpa é algo do qual nós, mulheres e mães, nos apossamos frequentemente.
Quer seja pelo término de um casamento, ou na criação e educação dos filhos. Temos
sempre a sensação de que não fizemos direito, que devíamos ter feito isso ou aquilo,
mas o fato é que fizemos o que tinha que ser feito.
Passamos boa parte da vida fazendo o que nos foi ensinado por nossas mães,
avós, mas nos esquecemos que o tempo delas ficou lá atrás. Temos uma tecnologia que
não havia na época delas; hoje, as informações e formações são rápidas, e são outras.
Não nascemos sabendo viver; nos ensinam a viver; na verdade, tentam nos
ensinar a viver, esquecem-se que o que é bom pra um, pode não ser bom para o outro.
Ser mãe é a mesma coisa. Casamento e filhos não vêm com manual; aprendemos no
dia-a-dia, momento após momento, com erros e acertos. Na verdade, não erramos,
vivemos em um estado permanente de aprendizado, que são, por vezes, repetidos.
Querer ser bem sucedida profissionalmente não é errado e nem razão para ter
culpas. Por isso, temos quer ser generosas conosco mesmas, nos perdoar, nos permitir
choros, risos. Eleja uma música, sua música (a minha é “Coração Pirata”, do Roupa
Nova) e dance, dance para você, para a vida, para seus filhos.
Hoje me orgulho da profissional que sou, das minhas conquistas, das filhas que
Quais de mim você procura?
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criei, afinal, a educação se dá pelo exemplo, e sei que meu exemplo forjou as mulheres
e profissionais que as três são hoje, se vão ser mães isso é uma escolha delas; se optarem
em sê-lo, com certeza serão ótimas mães.
Criei minhas filhas para o mundo. Pulverizei. Tenho hoje uma em cada
continente, vivendo suas escolhas, felizes, seguras, realizadas, com seus erros e acertos,
assumindo suas responsabilidades.
E como o universo é generoso em suas respostas! Gerei e tenho os três elemen-
tos: a número um é AR – comissária de bordo nos Emirados Árabes Unidos; a número
dois é ÁGUA – mergulhadora no México; número três é TERRA -formada pela USP,
trabalhando com permacultura na Austrália.
Eu?
Ah, sou o FOGO que as forjou!
Sueli Campos
Quais de mim você procura?
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Um Negócio Perfeito para Mim
“Você está nesta existência terrena para possibilitar que propósitos Divinos se manifes-
tem por intermédio de você, tanto para seu próprio bem, como para o bem da humanidade”.
(Carlos Wizard Martins)
Eu acredito que tive uma educação empreendedora através dos meus
pais, quando eu tinha 12 anos eu queria trabalhar, mas a lei já era clara, eu teria
de esperar até os 16 anos. Foi aí que minha mãe me apresentou a primeira lição de
empreendedorismo e o valor do trabalho, ela se cadastrou para ser revendedora Avon,
mas que iria vender na verdade era eu.
E aos 12 anos, no período da manhã eu ia para a escola e a tarde eu saía
aos arredores da minha casa batendo de porta em porta me apresentando como
representante da Avon.
Me lembro desse período com muito carinho, pois foram momentos de
grandes aprendizados, eu tive de aprender como me apresentar para pessoas que não
conhecia, tinha que passar confiança (afinal era uma criança de 12 anos), aprendi a
fazer cálculo de porcentagem muito rápido para poder saber qual seria meu lucro,
tive que aprender a parte de logística (quando os produtos chegavam eu ia fazer as
entregas) e também, aprendi sobre cobrança, como fidelizar minhas clientes, como
encantá-las enfim, essa foi a minha primeira experiência empreendedora e eu tive um
certo sucesso, eu era muito responsável, ia a todas as reuniões, ganhei prêmios de
maior vendas em campanhas específicas e claro, tinha meu próprio dinheiro, ali eu
experimentava, guardada as devidas proporções, a independência financeira.
Com o tempo fui tentando me encaixar no sistema, aos 16 comecei a trabalhar
numa papelaria, mas trabalhava o dia todo e depois ia para a escola a noite muito
cansada, ganhava muito pouco embora fizesse muitas vendas. Nesse meu primeiro
trabalho formal, de carteira registrada eu comecei a sentir que eu era diferente, quando
eu olhava para outras vendedoras que já eram mães e donas de casa e trabalhavam na
papelaria há anos eu pensava “Esse não é o meu lugar”.
Mas eu não me referia exatamente à papelaria embora naquela época eu não
tivesse consciência disso, na verdade eu me referia àquele lugar que aquelas mulheres
se colocaram ou foram colocadas, de horas exaustivas de trabalho, pouco valorizadas,
ganhando o suficiente para sobreviver, sem ter tempo para suas famílias e sem sentido
de realização e propósito.
E 3 meses depois eu pedi demissão, apesar da dona da papelaria tentar me
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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convencer do contrário usando o argumento de que eu estaria “sujando minha carteira
de trabalho”. Peguei o dinheiro da minha rescisão e fui numa loja de brinquedos e
gastei tudo comprando coisas para meus irmãos, aliás eu tenho 5 irmãos mais novos.
Mesmo sem saber, o dinheiro já representava para mim um meio para conseguir coisas
de real valor, alegria daqueles que eu amava.
Depois disso, só voltei a trabalhar aos 18 anos quando precisei de dinheiro
para pagar a faculdade de Direito. Trabalhei numa feira de artesanato, minha segunda
experiência com empreendedorismo, eu fazia artesanato em E.V.A.
Não vendia muito e logo em seguida surgiu a oportunidade de ter uma
barraquinha de lanche, eu agarrei e passava o dia todo fazendo lanches na praça
central de Sorocaba – SP e depois ia direto para a faculdade de Direito, sim, cheirando
a bacon. Tive muito apoio dos pais nessa época.
Fazendo faculdade, logo arrumei um emprego na área bancária e contratei uma
pessoa para ir tocando a barraquinha na feira. Logo depois a feira de artesanato deixou
de existir e com ela meu empreendimento.
Depois disso muitas coisas aconteceram, eu me casei, me tornei mãe, larguei a
faculdade de Direito no 4º ano, comecei a trabalhar numa multinacional, recebia aos
22 anos um salário altíssimo, prêmios como carro e viagens, porém não me sentia feliz
e nem realizada. Eu trabalhava 16 horas por dia, vivia estressada e sem paciência, perdi
os primeiros anos de vida dos meus dois filhos para minha sogra e escola e aquilo tudo
estava me matando por dentro, porque me vi na mesma situação daquelas vendedoras
da papelaria, com a diferença que eu ganhava muito bem, mas o dinheiro não podia
comprar o que me era me era mais caro, a alegria de estar feliz com aqueles que eu amo.
Decidi, junto com meu marido que iria sair do emprego para me dedicar a
maternidade, e foi o que fiz, abri mão de tudo e passei a me dedicar integralmente aos
meus filhos.
Agora era para eu estar feliz, certo? Era o que todos me diziam, era o que eu
mesma me dizia, mas eu não estava. Sentia falta de me desenvolver, de ter contato
com pessoas diferentes, de sentir que estava contribuindo com algo, que estava usando
minhas potencialidades, e claro, sentia muita falta da independência financeira. Ter
que pedir dinheiro para meu marido para comprar até uma bala estava acabando
comigo. Não tinha vontade de me arrumar, comecei a tomar remédios para emagrecer
e quando não tinha dinheiro ficava irritada e estressada comigo, com meus filhos e
com meu marido.
Foi um dos períodos mais difíceis da minha vida Me dei conta que eu
precisava de muito mais para ser feliz, precisava de sucesso profissional e também
da maternidade, mas o que eu tinha aprendido até ali era que eu tinha que escolher
entre um e outro. Precisei quebrar paradigmas e comecei a pensar que eu podia tentar
encontrar uma forma de ter as duas coisas na minha vida.
Sabia que não haveria um “emprego” que me permitisse trabalhar com o que eu
amava (neste momento eu já tinha me encontrado na psicologia e no desenvolvimento
Quais de mim você procura?
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humano), escolher onde, como e quantas horas trabalhar.
Então eu entendi que eu tinha que criar um negócio perfeito para mim.
Mergulhei de cabeça no mundo do empreendedorismo e comecei a estudar a
fundo, foi nesse momento de busca que eu encontrei e me encantei pelo Coaching.
Pronto! eu já sabia o que eu queria fazer como negócio e já tinha uma ideia de
como adaptá-lo para a minha realidade.
Quando a gente encontra o próprio caminho, percebe que ele se encaixa
perfeitamente porque lhe proporciona, não só realização pessoal, mas também lhe
permite cumprir com a sua missão de vida, aquela que você, e só você está pré-destinada
a realizar nesta Terra. Eu falo pré-destinada, porque você ainda pode escolher não
cumprir com essa missão, seja por medo, por estar perdida ou por achar que não é capaz.
Euaceiteiaminhamissão,meentregueidecorpoealmaaajudaroutrasmulheres
a criarem o estilo de vida perfeito para si mesmas, através do meu conhecimento de
Psicologia, Coaching e da minha própria experiência de vida.
O início foi muito difícil, me lembro que precisei parcelar o curso de formação em
Coachingem muitasvezesenodiadocursofuiparaSãoPaulocomminha família, ficamos
no hotel do evento para facilitar, mas só tínhamos dinheiro para a estadia, meu marido e
filhos tomavam o café da manhã do hotel (que já estava incluso na estadia) mais tarde para
que funcionasse como almoço e jantávamos pão com mortadela no quarto do hotel.
Mas tudo valeu a pena, hoje eu trabalho com o que eu amo Coaching para
Mulheres. Trabalho na minha casa, pois os atendimentos são via Skype, determino
meus horários, tenho tempo de qualidade com meus filhos e para mim mesma, ganho
por hora muito mais do que já ganhei na vida e sou completamente realizada.
Eu posso dizer, por mim e por minhas clientes, que nós mães não precisamos
escolher entre o Sucesso Profissional e a Maternidade, podemos ter as duas coisas,
basta você CRIAR O NEGÓCIO PERFEITO PARA VOCÊ!
Para conhecer meu trabalho acesse:
www.taisbonilha.com.br ou
www.oficinamulherempreendedora.com.br
Taís Bonilha
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Nasce minha filha, nasce também
um empreendimento
Sempre tive o desejo de ter meu próprio negócio. Desde a minha adoles-
cência a ideia de ter liberdade para desenvolver meus próprios projetos e batalhar pela
realização dos meus sonhos me fascinou. Constantemente busquei me capacitar na
área de empreendedorismo e pesquisar sobre nichos de mercado e ideias de negócios,
mas o medo, a insegurança e a incerteza me impediam de avançar. Além de que, para
minha família, a expectativa era de que eu fizesse uma faculdade e conquistasse um
cargo público ou um emprego com boa remuneração. Mas no fundo eu sabia que este
caminho para mim não era suficiente para minha realização profissional e profissional.
Desde que formei em Comunicação Social em 2009, venho acompanhado o
desenvolvimento do mercado digital, as novas possibilidades dessa economia e o cres-
cimento dos negócios online. A vontade de ter meu próprio negócio continuava, mas
ainda não tinha definido o tipo de negócio em que iria atuar e ficava estagnada apenas
nas pesquisas.
Porém, durante minha gestação, no ano de 2013, eu trabalhava como funcioná-
ria pública em um município vizinho e me vi diante de um grande dilema: o que fazer
depois que a licença maternidade terminar? Voltar ao trabalho e deixar minha filha
em uma creche em tempo integral, contratar uma babá, deixar com algum parente ou
conhecido? Se ficar em casa com ela, seja o dia todo ou meio período, como vou fazer
para pagar as contas?
Dei-me conta que existia uma pessoa que dependia integralmente de mim,
fisicamente e emocionalmente, e que minha missão seria protegê-la e amá-la
incondicionalmente,dedicandoomáximodemimparaoseubemestar,principalmente
nos seus primeiros anos de vida. Além disso, não queria terceirizar os cuidados com a
minha filha e perder os principais marcos do seu desenvolvimento. Mas mesmo diante
de todos esses anseios não queria deixar minha vida profissional de lado. Então percebi
que este, definitivamente, era o momento de trilhar o caminho do empreendedorismo,
para que além de ter a oportunidade de me realizar profissionalmente, ter mais
flexibilidade de tempo para estar com a minha filha.
Em 2014, idealizei o projeto Empreender e Maternar com o objetivo de
50 Mães empreendedoras que chegaram lá
Quais de mim você procura?
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compartilhar minha trajetória como mãe empreendedora e poder também inspirar
outras mães com histórias e anseios parecidos com os meus. Mas percebi que poderia
ir mais além.
Assim, resolvi unir minha formação, experiência profissional com educação a
distânciaemeusconhecimentossobremarketingdigitalparafocartambémemprojetos
e compartilhamento de cursos online direcionados para mães empreendedoras que
estão iniciando ou pensam iniciar um negócio próprio em home office, assim como eu.
Em 2016, decidi que poderia impactar um número muito maior de mulheres
ao colocar em ação outro projeto para capacitação online e empoderamento de
mulheresde forma colaborativa: a Escola da Mulher Empreendedora. E desde então
venho conciliando meus projetos, a pós graduação em Design Instrucional e a
maternidade.
Conciliar negócio com a maternidade é um desafio. Mas diante da decisão
de empreender e maternar e da convicção da realização do seu sonho como
empreendedora, o foco e a rede de apoio também são muito importantes. Buscar
o apoio da família, de amigas, da comunidade ou de um grupo que possui os
mesmos objetivos, a mesma visão e passa por dificuldades parecidas faz a diferença
principalmente quando a vontade é de desistir diante das dificuldades. Não existe
uma fórmula mágica, devemos manter o foco, nos organizar diante da nossa realidade
diária, trabalhar muito, desenvolver a resiliência e não desistir.
É necessário também que você adapte suas necessidades e do seu negócio a
sua realidade. Ter um tempo de dedicação para o seu negócio é algo que pode fazer
diferença no seu dia-a-dia e para os resultados da sua empresa. Por isso a rede de apoio
também é muito importante nesses momentos.
Nem tudo são flores. Por mais que a vontade que temos é de conseguir dar
conta de tudo, essa cobrança muitas vezes pode nos levar a frustração e ao desânimo.
Muitas vezes me deparei com essas situações, muitas vezes tentei deixar minha filha
brincando ao meu lado enquanto tentava realizar alguma tarefa. E muitas vezes me
frustrei por perceber que não estava dando conta de tantas coisas ao mesmo tempo.
Muitas vezes frustrei minha filha também por não ter dado a atenção que ela queria
e merecia naquele momento. A solução foi respirar fundo, buscar me organizar,
explorar essa flexibilidade de horários que o meu negócio me proporciona e aceitar
que em determinados horários eu não conseguiria me dedicar ao meu projeto e sim
dar a atenção que minha filha precisava. E para conseguir desenvolver meus projetos,
o apoio da minha mãe e do meu marido sempre foi muito importante.
Hoje me sinto realizada como profissional desenvolvendo projetos com
propósito, tendo autonomia para utilizar meu conhecimento para auxiliar outras
pessoas em seu desenvolvimento pessoal e profissional e no compartilhamento de
Quais de mim você procura?
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conhecimento. Me sinto realizada como mãe também pela oportunidade de estar
perto da minha filha em tempo integral durante os anos mais importantes do seu
desenvolvimento.
A maternidade foi determinante para minha transformação como pessoa e
como profissional.
E mesmo apesar das adversidades, trabalhar todos os dias com o que eu amo
fazer e ainda ter a oportunidade de estar perto da minha filha não tem preço.
Empreenderematernaréumdesafiotodososdias,masarecompensaéaindamaior.
Tatiana Sklarow
Comunicóloga, especialista em Design Educacional (EAD) e
Empreendedora
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livro_Quais_de_mim_voce_procura_2016

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    Quais de mimvocê procura? 1 Quais de mim você procura?? 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 2
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    Quais de mimvocê procura? 3 Quais de mim você procura??
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    Quais de mimvocê procura? 4 DIREÇÃO EDITORIAL Katia Teixeira CAPA E DIAGRAMAÇÃO Ativa Comunicação & Design CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ © ORGANIZADORAS, 2016. Q22 Quais de mim você procura ? : 50 mães empreendedoras que chegaram lá. Coordenação Katia Teixeira e Liz Vargas - 1Ed - São Paulo 2016 196 p. ; 23 cm ISBN 978-85-93015-00-7 1. Mulheres de negocíos teixeira. Katia COD 650.1 CDU 65.011-4 Editora Dimensão - 2016 Rua Capitão Mor Passos, n° 64 - Salas 23/24/25 Bairro - Canindé CEP 03024-010 São Paulo - SP Telefone - (11) 2893-9966 www.agoraquesaoelas.com.br https://www.facebook.com/agoraquesaoelasoficial/?fref=ts É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou por qualquer meio sem a autorização prévia e por escrito do autor. A violação dos Direitos Autorias ( Lei n° 9610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal. REVISÃO Tradupoints/Tradução e Textos Monica Pires Rodrigues
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    Quais de mimvocê procura? 5 Transformando SONHOS em um negócio com propósito! ............. 0 Adriana Valente “Sou mulher, sou guerreira. Eu posso tudo!” ...................................... 0 Ana Bianca Ciarlini Ser Mãe, isso dá Negócio .................................................................................... 0 Andrea Gasques Como encontrar o seu empreendimento de sucesso ...................... 0 Bruna Betoli Vidas Transformadas .......................................................................................... 0 Carol marcan A MÃE, A FILHA E AS VACAS ...................................................................................... 0 Dalva Regina reviravoltas, recomeços e conquistas ................................................... 0 Deise Pinheiro Mãe com Excelência ............................................................................................. 0 Diana Cândida de Oliveira Dedicação para crescer .................................................................................... 0 Edna Magda Ferreira Góes Um quadro em branco e uma vida passada a limpo ........................... 0 Eliana Araújo Sonhe,acrediteenãotenhapressa...oqueéseu,estáreservado!!!...00 Élide Soul Por que não mãe e também empreendedora? ....................................... 00 Erica Biondo Nada muda se eu não mudar! ........................................................................ 00 Erika sakugawa Um “raio” cai duas vezes no mesmo lugar: raios de bençãos! ... 00 Érika Stancolovich DEPOISDECERTOTEMPOTUDO QUENOSÉESTRANHOSETORNAFAMILIAR ... 00 Erika Zoeller Veras E AGORA? MÃE OU EMPREENDEDORA... ................................................................ 00 Gabriela Silvério QUANDO TUDO DIZ QUE NÃO... CONTINUE QUE NÃO É O FIM... ................ 00 Gezane Almeida SUMÁRIO
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    Quais de mimvocê procura? 6 {Entre nós} ............................................................................................................... 00 Ivete Costa Reinventar-se é acreditar no melhor, sempre .................................. 00 Janaína Graciele A vida de trás pra frente ................................................................................ 00 Juliana Albanez Ousar ser ................................................................................................................... 00 Juliana de Oliveira Souto Faltou colocar o título do texto .......................................................... 00 Katia Camargo ME DESCOBRINDO E ENTENDENDO OS PLANOS DE DEUS ............................. 00 Kátia Miranda TEM UM CNPJ EM MINHA VIDA ................................................................................ 00 Katia Teixeira DESISTIR NÃO É OPÇÃO ................................................................................................ 00 Ligia Dutra Zeppelini Empreendedorismo de Mãe é diferente? ................................................ 00 Lilia Martins Quão doce é a palavra mãe... ......................................................................... 00 Lilian Fernandes Renascimento! O poder de transformação e o milagre da vida ... 00 Lilian Isabel Sarturato de Sales, “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...” ............................... 00 Liz Vargas Jamais substime o quão poderosa uma mulher pode ser ............ 00 Luci do Carmo Santana O deserto de cada um... ..................................................................................... 00 Malu Neves RENOVAR A CADA AÇÃO ............................................................................................ 000 Marcilene Evangelista A Jornada Mágica: Um Chamado à Aventura ................................... 000 Maria Almeida Como traduzir o amor ................................................................................... 000 Mônica Pires Rodrigues Amor Incondicional ........................................................................................ 000 Nara Lygia Leme Brisola Caseiro CHEGOU A HORA DE MUDAR O RUMO DA SUA HISTÓRIA ............................ 000 Patrícia Duarte Reconstruindo a filha do empreendedor ......................................... 000 Patrícia Pereira
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    Quais de mimvocê procura? 7 Minha família, meu alicerce ....................................................................... 000 Pepita Busta Pignocchi EU, MÃE EMPREENDEDORA - AMOR, SUPERAÇÃO E CONQUISTAS ............ 000 Priscila Molino UMA IDEIA PODE MUDAR TUDO ............................................................................ 000 Rafaela da Silva Caetano Nunca é tarde para se realizar... ............................................................. 000 Ramy Arany Primeira posição... plie... nado borboleta, nado cachorrinho... poesias sem fim... ................................................................................................... 000 Regina Alvares Ser Mulher... inspiração e amor... ............................................................. 000 Rita Rocha A chance de dar tudo errado era tudo que eu tinha ............... 000 Rosangela Machado Era uma vez uma menina, hoje mulher que acreditou nos seus sonhos... ................................................................................................................... 000 Roseli Cunha “Ser mãe é ir além de procriar: amar e criar!” .................................. 000 Selma Lourdes Favero Fincatto FILHOS: NOSSA MELHOR PARTE .............................................................................. 000 Sueli Campos UM NEGÓCIO PERFEITO PARA MIM ...................................................................... 000 Taís Bonilha NASCE MINHA FILHA, NASCE TAMBÉM UM EMPREENDIMENTO ............... 000 Tatiana Sklarow
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    Quais de mimvocê procura? 9 50 Mães empreendedoras que chegaram lá Transformando SONHOS em um negócio com propósito! Muitos me perguntam como me tornei empreendedora e a resposta é simples, eu sempre fui e não sabia! Desde criança eu sempre gostei de empreender e inovar, enquanto minhas amigas se preocupavam em gastar dinheiro, eu pensava em como ganhar. Filha única, de pais nordestinos, família humilde, minha maior meta era entrar na tão sonhada faculdade, graças a Deus eu consegui, com muito esforço e dedicação. Fiz Gestão em Marketing de Varejo, Graduação em Propaganda e Marketing e MBA em Gestão Empresarial. Quando meu filho nasceu o assunto maternidade me deixou “super” apaixonada. Eu só tinha olhos para ele. Quando chegou o momento de voltar da licença maternidade eu fui demitida e decidi cuidar do meu filho. Porém, esse prazo normalmente tem validade, quando ele completou 01 ano me veio a inquietude de fazer alguma coisa, mas eu não sabia o que fazer. Não queria apenas uma estabilidade financeira, queria fazer algo que estivesse alinhado com meu propósito de vida, onde eu pudesse compartilhar com o mundo aquilo que eu tinha de melhor, ser feliz e fazer aquilo que me alegrasse. Em meio a tantas dúvidas e incertezas comecei a pensar, o que eu poderia fazer e, além disso, como ter meu tempo flexível para cuidar e acompanhar o crescimento do filho. Nesse universo de incertezas eu percebi que eu não estava sozinha e tinha centenas e até milhares de mamães na mesma situação, perdidas sem saber o que fazer. Foi ai que comecei a TRANSFORMAR meus SONHOS em NEGÓCIO, e decidi partir para ação! Em fevereiro de 2015 eu criei a Comunidade Empreender Mulher, que iniciou com um grupo no Facebook e depois, uma plataforma online com conteúdos criados de maneira colaborativa, de empreendedora para empreendedora! Conectando mais de 54 mil mulheres no mundo. Ao longo do tempo surgiram muitas iniciativas e negócios, gerando assim um impacto socioeconômico em nosso país. Meu negócio dos SONHOS! Com esse projeto eu consigo compartilhar com o mundo aquilo que eu tenho de melhor, que são minhas consultorias de negócio e marketing, onde ajudo
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    Quais de mimvocê procura? 10 empreendedoras que desejam começar ou desenvolver seus projetos a se posicionarem no mercado de uma maneira estratégica. Cada consultoria que eu faço é muito mais que um trabalho, é uma conquista! Eu choro e vibro com cada projeto que nasce e tendo um prazer em tudo isso! Esse é o meu negócio, é a minha PAIXÃO!!! Amo o que faço e faço o que amo . Além disso, faço palestras pelo Brasil e no Exterior, compartilhando meus conhecimentos e minha história com o mundo! Também realizamos eventos presenciais em diversas cidades do país, com o objetivo de levar conteúdo de qualidade, incentivando o empreendedorismo feminino e principalmente motivando as participantes a irem em busca dos seus sonhos e objetivos de vida! Enfim, transformando seus SONHOS em negócios! Empreendendo seus talentos! Será que não seriam aqueles quitutes que você manda muito bem na cozinha, ou aquele artesanato que você tanto ama fazer? Quem sabe montar uma loja virtual, costurar, ajudar outras pessoas através de consultorias naquele assunto que você entende muito pode ser o seu negócio? Não importa o que seja, mostre para o mundo aquilo que você tem de melhor! Você também poderá contar sempre comigo para te ajudar nessa jornada onde a força e determinação são fundamentais. Eu acredito em você e se EXISTE UM SONHO, FAÇA ACONTECER!!! Acredite e “Cuidado com seus SONHOS, eles podem e vão se tornar realidade”. Tenha fé em Deus e muita atitude para realizar e fazer a diferença no mundo. Tenho uma SURPRESA para VOCÊ que acabou de ler a minha história!!! Me mande um e-mail agora com o assunto: EU TENHO UM SONHO e ganhe uma sessão de consultoria cortesia . Grande Beijo e espero você! Adriana Valente Mãe Empreendedora | Consultora de Marketing | Fundadora do Empreender Mulher www.adrianavalente.com.br www.empreendermulher.com contato@adrianavalente.com.br
  • 11.
    Quais de mimvocê procura? 11 “Sou mulher, sou guerreira. Eu posso tudo!” Sou a Ana Bianca Flores Ciarlini, tenho 46 anos e santista com muito orgulho! Pertenço a uma família tradicional. Meu pai, Ítalo Orlando Ciarlini, era nordestino. Minha mãe, Ianyra Flores Ciarlini, uma “carioca da gema”, assim ela confirma. Do amor de um jogador de futebol do Ceará, que não resistiu aos encantos da bela professorinha da cidade de Araruama (na região dos Lagos) em breve tempo casaram-se. Dessa união amorosa nasceram 7 filhos. Sou a caçulinha! Mamãe ao relembrar sua poesia “Fortuna” declarou: “Eu tenho duas rainhas, cinco reis... bela fortuna se diz”! A minha mãe sempre foi muito rigorosa e falante. Papai, suavemente observador e engraçado. Formavam um casal amoroso, equilibrado e gracioso. A partir dos exemplos de respeito e construções vividas no cotidiano, percebi claramente a liderança matriarcal, especialmente nas situações difíceis - mamãe tinha mesmo o comando. Outra pessoa, muito importante na minha vida, foi minha irmã Andrea di Paola (seis anos a mais do que eu). Minha “musa” inspiradora; a minha bailarina, patinadora e que tornou-se uma Educadora física. Nela, me espelhava totalmente. Sua beleza (física e espiritual) a tornava um ser de luz, movida pelo lindo sorriso, astral bom e muito caridosa. Perdê-la, com apenas 27 anos, foi um momento indescritível de muita dor na minha vida. Em segunda união, sou casada com o meu querido companheiro, parceiro, “pau pra toda obra”, Ricardo Luiz de Oliveira, com quem divido o meu amor e cumplicidade há 10 anos. Sou mãe do Felipe, meu único e amado filho, hoje com 19 anos, um belo jovem cursando a Universidade. Faz Publicidade . Assim, movida pelos valores morais e o amor maternal, fundamentais para a nossa união familiar, encarei cada dificuldade como aprendizado, o que só me fortaleceu. Foram muitas as superações e com elas redescobri-me. Novos horizontes acenaram. Desde a infância mostrava uma certa liderança, fossem nas brincadeiras infantis, no esporte ou nas aulas de dança.. Ah, a experiência mais gratificante: a dança! Vencer e aperfeiçoar-me sempre me inspiravam! A dança tocou a minha alma por 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 12 inteiro. E já na adolescência, ditava a “moda do belo” foi quando resolvi empreender e passei a vender a “moda de praia carioca”, ali aflorava “a empreendedora”. Ôpa! Sem dúvida, ingressei na comercialização de trajes esportivos para ginástica “fitness” que tornou-se a minha atividade de trabalho e rentabilidade até chegar a hora de encarar a Universidade e realizar o meu sonho: Licenciatura plena em Dança. Moro na capital mais feminina (54,13% de mulheres) e uma das mais idosas do país, por isso priorizei este segmento em minhas escolhas profissionais. Assim, há 10 anos, existe o projeto “Vibra Vida” que tornou-se um método conceituado em técnicas de dança, embasado no conceito do Envelhecimento Ativo. Tornei-me coreografa do Grupo de Competição da Terceira Idade da cidade de Santos, resultado nunca conquistado para a nossa cidade. O “tricampeonato” consecutivo nos Jogos Regionais do Idoso foi uma avalanche de alegrias. Atualmente,souprofissionaldaPrefeituradeSantosem trabalhointergeracional e construtivista, executado nas Secretarias de Educação (crianças/adolescentes) e na área de Esportes (adultos e idosos). Mais além, sou voluntária através da dança adaptada na ABASE (Associação Beneficente de Assistência Social ao Excepcional “Centro de Convivência Maria Helena”) com público alvo para jovens, adultos e idosos que possuem deficiência intelectual ou múltipla. O que me mais me encanta é o poder transformador que a dança tem. Através dela, nos tornamos melhores, mais sutis. O Projeto “Vibra Vida” cresceu e está mais completo ao abraçar também Ações Sociais. Ser uma líder movida pela determinação da atleta que um dia fui, aliada a eterna busca por projetos maiores, o destino lançou-me um novo caminhar diante da vida. Com essa proposta ingressei nos caminhos da política, resgatando o seu verdadeiro significado, segundo os gregos: “o que cuida da comunidade”. Muito centrada a lutar por uma maior representatividade feminina, busco melhorias para os idosos que tanto admiro, além de uma visão ampliada para os deficientes e crianças, todos no meu pensamento e coração. Tendo a certeza absoluta de que a educação é uma poderosa ferramenta de transformação em nossas vidas, aceitei o desafio e sou candidata a Vereadora em Santos – SP. Nessa conduta, penso que a sociedade pode ser melhorada, abarcando com mais sensibilidade as reivindicações humanas, sejam pelos relacionamentos, sentimentos, modos de ser, de estar, de agir e de se manifestar. Considero, por fim, que as “mulheres que fazem a diferença” são muitas em várias áreas de atuação no Brasil inteiro. Elas merecem destaque. Há um novo cenário que vem descortinando a importância do feminino na vida pública. Somos, na maioria dos países do mundo, um contingente crescente populacional se comparado aos homens. Na política brasileira, a mulher é uma desconhecida. Precisamos romper com
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    Quais de mimvocê procura? 13 as barreiras: desafiar e incorporar nossa atuante presença para que estes números estabeleçam condições de justiça e igualdade perante aos homens. Por isso mesmo, enfrentarei as eleições com a dignidade que sempre me inspirou. Seja qual for o resultado, considero um privilégio chegar até aqui. Ana Bianca Ciarlini
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    Quais de mimvocê procura? 14 Ser Mãe, isso dá Negócio. Aos23anosdeidade,encontrei-mecasadaemãededoislindosmeninos. Prazer. Meu nome é Andréa Gasques Pacheco Nogueira. Sou empreendedora! Minha vida não tem histórias de grande superação. Minha vida é feita de experiências. Não empreendo por necessidade, mas por oportunidades, por gostar de ser desafiada, por curiosidade e por querer fazer o bem. A maternidade me levou a empreender sim, mas não por querer estar mais tempo com meus filhos, mas por me mostrar novas ideias e novos mundos. Venho de uma família de empreendedores. Desde criança frequentava o ambiente da empresa. Aos quinze anos, assumi responsabilidades e comecei a trabalhar efetivamente na corretora de seguros da família. Segui o caminho natural e me graduei em administração de empresas e, por meu próprio gosto, especializei-me em Marketing. Eu não havia planejado ser mãe e isso nem fazia parte dos meus sonhos. Com a chegada dos meus filhos, algumas coisas mudaram muito. Uma delas é que minha sala se tornou um berçário. Com diferença de dois anos entre o Guilherme e o Gabriel, me vi entre papéis e fraldas por um bom tempo. Não imaginava a mãe que existia dentro de mim e nem como era bom ser mãe. Hoje entendo porque muitas mulheres saem de seus empregos formais para empreender. Eu pude acompanhar o crescimento deles, meu tempo quem fazia era eu e eles estavam sempre comigo. Com 3 anos de idade o Guilherme já frequentava a escola. Sim começou pequeno, pois com a chegada do Gabriel escolhi colocá-lo numa escola para que ambos, eu e ele, tivéssemos nossos momentos e pudesse ter meu tempo com o Gabriel. A escola mandava tarefas para serem feitas em família e foi através de uma dessas tarefas que nasceu meu primeiro negócio. Um dia, o Guilherme precisou fazer uma atividade para a feira cultural da escola. Tinha que fazer um instrumento musical; não fazia ideia do quê e nem como fazer. Então fui pesquisar procurar ideias e foi aí que me deparei com um material chamado E.V.A. Fizemos juntos o seu trabalho que, por sinal, ficou lindo e foi muito elogiado. Vendo isso acontecer, pensei: “Isso dá Negócio!”. Era minha veia empreendedora pulsando. Foi então que criei minha empresa de produtos artesanais para decoração. A empresa chamava-se Deart’s Sonhos Possíveis. Apaixonei-me pela possibilidade de criar peças para pessoas ficarem felizes, deixarem a vida mais colorida, de tornar alguns 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
  • 15.
    Quais de mimvocê procura? 15 sonhos possíveis. Fiz muitos cursos para aprender técnicas, conheci pessoas incríveis que se tornaram amigas e fiz parcerias com grandes empresas. Meu trabalho ia para buffets, escolas e festas. As pessoas encomendavam para dar de presente, atendia o Brasil todo. A internet nos possibilita isso, quebra barreiras. Fiz feiras de artesanato e demonstrações em lojas do ramo. Tudo era lindo, encantador e colorido. A satisfação de ver as pessoas felizes era incrível. O negócio atingiu sua maturidade, estabilizou-se, não crescia e nem diminuía. Isso acontece com a maioria das empresas. Novos clientes pararam de aparecer. Atendia aos mesmos, pois as pessoas sempre faziam aniversários, sempre tinha algum bebê chegando à família, as escolas sempre precisavam de alguma nova decoração. Então, a cada ano os mesmos clientes entravam em contato e faziam seus pedidos. Aquilo foi desanimando um pouco, pois já não trazia desafios, não havia novidades. Eu me encontrava num momento pessoal ruim; não pela empresa, mas por mim mesma. Não estava me sentindo bem, não tinha prazer no trabalho manual. Resolvi dar um tempo com meu negócio e cuidar de mim, pois sei que o problema estava em mim e que nada daria certo se não me cuidasse. Continuei a trabalhar na empresa da família, de onde nunca me desliguei totalmente. Dividia-me entre as duas empresas. Fazia meu trabalho e via meus filhos crescerem e aquela sala-berçário foi se adaptando ao crescimento deles. As coisas foram melhorando pra mim, aprendi neste tempo a importância de me valorizar, cuidei da cabeça e do corpo. Com a autoestima bem cuidada, comecei a sentir falta de ter meu negócio, de ser desafiada e de explorar ideias e usar a criatividade. Havia mantido amizades e parcerias que havia feito com minha empresa. Não abri mão do que havia conquistado, mesmo dando um tempo. Conversava muito com as amigas artesãs, acompanhava o trabalho delas e durante estas conversas, dava orientações sobre como elas podiam melhorar seus negócios, como divulgar seu trabalho, como legalizar o seu negócio, etc. Junto, também auxiliava em seu empoderamento como mulher empreendedora. “Isso dá negócio!”, pensei novamente. Sempre gostei do mundo dos negócios, do mundo das empresas. Sou fascinada comojogodoganha-ganhadesteuniversoempreendedor,criarestratégias,issosempre me fascinou. Desde criança, achava lindas aquelas mulheres de negócios, empresárias poderosas, mesmo elas sendo poucas, infelizmente. Sonhava, na época de criança, em ser executiva. Bem, não me tornei uma executiva, mas descobri o empreendedorismo. Retomando a história, havia observado que aquelas conversas com as amigas eram oportunidades de mudar o foco da minha empresa. Foi então que mudei o caminho: direcionei minha empresa de produtos artesanais para uma consultoria para artesãs, em especial na parte que mais gosto, que é o Marketing. Precisava aprimorar o conhecimento que tinha de base. Voltei a estudar; precisava reciclar meu conhecimento, pois o mundo vai mudando e novos conhecimentos vão chegando. Precisava aprender sobre novas
  • 16.
    Quais de mimvocê procura? 16 ferramentas, novos modelos de Marketing para atender bem quem precisasse deste serviço. Nesta busca de novos conhecimentos, encontrei vários grupos de mulheres empreendedoras e de empoderamento feminino. Aprendi muito, conheci histórias incríveis de superação, exemplos de grandes empreendedoras que, como eu, tinham sua família, filhos e sonhos. Isso me abriu novos horizontes. Via que o mundo era bem maior e que não cabia trabalhar somente com artesãs. Surgiram oportunidades de me desenvolver mais a cada dia, de redescobrir o que eu gostava de fazer, no que eu poderia contribuir para a sociedade, de trabalhar com isso e de ser feliz. O foco da minha nova empresa hoje não é somente artesãs, pois hoje atende a todo tipo de negócio. A maternidade nos dá certas habilidades que ajudam muito nos negócios: lidar com pessoas, acreditar que vai dar certo, saber dividir, lidar com conflitos e imprevistos. A maternidade nos deixa mais fortes de uma maneira incrível. Empreender e ser mãe não são tarefas fáceis. Em algumas situações, temos que nos dedicar mais à nossa empresa que aos nossos filhos, mas o lado bom é ver o orgulho deles estampados em seus rostos e acompanhando o dia-a-dia da mãe. Saber que estamos dando exemplos bons e deixando legados. Hoje, aos 36 anos, encontro-me casada e mãe de dois lindos rapazes. Eu e meus negócios somos resultados de todas as experiências vividas como esposa, mãe e mulher. Andrea Gasques
  • 17.
    Quais de mimvocê procura? 17 Como encontrar o seu empreendimento de sucesso Durante muito tempo, eu busquei minha missão de vida, minha razão de ser, do meu trabalho, de mim mesma. Sou de natureza questionadora, curiosa, investigativa. Respostas curtas e simples nunca me satisfizeram, só me tornaram uma incomodada! E talvez seja esse incômodo que me mova em busca das respostas a todas as perguntas. Na busca por descobrir o meu propósito, me tornei mãe. E a maternidade mudou tudo para mim. Antes, advogada com carreira promissora e em ascensão profissional. Agora, mãe, deixou de fazer sentido trabalhar loucamente por mais de 14 horas por dia para gerar lucro para a empresa, o escritório, o mercado... E sei que esse incômodo e a conclusão a que cheguei são muito particulares. Também sei, por experiência no contato com diversas mulheres-­mães, que esses são motivos que nos levam a enxergar no empreendedorismo o “caminho do meio”: uma forma de continuar a investir em uma carreira e ter tempo para também se dedicar ao que realmente importa. Para encontrar o seu caminho como empreendedora, o passo inicial é descobrir o que você busca. O que te move? O que te faz acordar todos os dias de manhã e ir à luta? Sendo mãe, como eu sou, a sua resposta primeira, aquela que o seu cérebro te condicionou a dar é “meu(s) filho(s)”. Linda resposta. Porque sim, nossos filhos são a razão de nossa batalha. O que eu quero que você pense é: o que TE move? O que vai além dos seus filhos, que te faz querer trilhar o caminho (seja ele qual for)? Fazer o que se faz pelo bem-estar dos filhos é sim uma maravilhosa razão e motivação. Mas eu quero saber o que está por trás disso. Como você espera se SENTIR e quem você quer SER sendo mãe de filhos fortes, saudáveis e felizes? Você quer se sentir realizada? Satisfeita com a vida, ativa intelectualmente, capaz? Eu poderia continuar listando exemplos infinitos aqui. O importante é que você consiga vislumbrar onde está o verdadeiro motivo: dentro de você. Esse motivo é que te fará levantar da cama todos os dias de manhã e 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 18 continuar caminhando mesmo no mais sombrio dos dias, em que parece que está tudo dando errado. Será esse motivo que te permitirá continuar trilhando o caminho que você escolheu e a busca pelo seu objetivo. E qual é o seu objetivo? O que você deseja lá no fundo da alma? Sua resposta pode ser dinheiro, por exemplo. Todas nós queremos dinheiro. Só que o dinheiro pelo dinheiro não significa nada. Ninguém vai ver o dinheiro e dizer: agora sim!! O que o dinheiro vai trazer pra você? Conforto? Segurança? Tempo? Viagens? Diversão? O que você REALMENTE deseja? Na minha jornada, no meu caminhar, passei do descobrir que a advocacia não era pra mim, a que a maternidade não era suficiente e, finalmente, a me permitir SER quem eu gostaria de ser. Para me permitir realizar o que, no fundo da alma, sinto que é minha missão de vida: auxiliar pessoas a encontrarem soluções efetivas para a vida, para sua melhoria permanente. Uma jornada de autoconhecimento que possibilitou descobrir quem eu quero Ser e como quero me Sentir. E como essa jornada te levará a encontrar o seu empreendimento de sucesso? Empreender vai além de ter um negócio. Vai além de ganhar dinheiro. Empreender é também a construção de algo maior. Mesmo que esse “algo” seja nós mesmas. Meu primeiro investimento enquanto empreendedora foi em mim mesma, na minha descoberta do ser­, sentir e ­querer. A partir dessa descoberta, o negócio nasce. E é o ser, ­sentir­e querer que me move diariamente a persistir no negócio e me permite recomeçar, re­paginar, re­trilhar, quando o caminho se mostra inadequado ou insuficiente. Mais do que saber “o que”, a resposta que você precisa encontrar para ter seu empreendimento de sucesso é o seu “porquê”. Seu porquê te moverá. Te levará. Te guiará. E aí... Ah! Aí é trilhar a jornada, com a força, luta e garra que você já tão bem conhece em si. Bruna Betoli É mãe de 3 pequenos (Lila, Liam e Luc) e casada com o Ricardo. Empreendedora multipotencial, atua como coach em produtividade e é criadora do programa “Mãe Produtiva”, que auxilia mulheres-mães a serem mais produtivas para que possam se dedicar ao que realmente importa. www.maeprodutiva.com.br facebook.com/maeprodutiva
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    Quais de mimvocê procura? 19 Vidas Transformadas. Ahistória do empreendedorismo na minha vida, se confunde com a minha história materna. Uma das minhas primeiras ações empreendedoras, aconteceram justamente porque eu engravidei. Era 2002 e eu tinha apenas 20 anos. Mas já carregava em meu ventre aquele que viria para despertar em mim a maior empreendedora que eu jamais tinha visto. Morava em Curitiba e vivia um relacionamento nocivo com o “traste”. Estava grávida e a situação financeira era péssima: quantas xepas de feira frequentei, quantos restos de bandejas em praças de alimentação comi, quanto papel higiênico de banheiro de shopping precisei desenrolar para levar para casa, entre outras privações. Para piorar, ainda era vítima de diversos tipos de violências e abusos e estava muito distante da minha família, no Rio de Janeiro. Éramos eu, Deus e aquele serzinho inocente que já dava sinais de traria consigo a mudança. E foi exatamente por ele que eu mudei. Estava no 7⁰ mês de gestação e não tinha sequer um alfinete de fralda para o enxoval do meu filho. Foi então quando uma amiga querida me mandou em uma carta, R$ 40 para que eu comprasse um presente para meu filho, um jogo de berço. Porém, se eu comprasse o jogo de berço para meu bebê, ele teria somente isso e não resolveria meu problema. Mas se eu investisse o dinheiro em algo, as chances de fazer um enxoval seriam maiores e a dor de ter dado errado, caso desse, seria bem menor do que a do arrependimento, de não ter tentado. Optei por tentar e rapidamente decidi no que empregaria aquela pequena grande fortuna que tinha em mãos: tinha assistido na televisão, uma certa vez, uma senhora ensinando a fazer coelhinhos de eva, um material emborrachado, com bombons na barriga, enfeitando. Era inicio de abril e a páscoa se aproximava, uma boa oportunidade de lucrar com a data. Fui pro centro, a pé para não gastar nada e comprei todo o material. Na volta, 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 20 ainda achei uma cestinha de vime no lixo e com as sobras de eva, dei uma enfeitada nela e foi ali que coloquei todos os coelhos que produzi naquela noite. Sai cedo para vender meus coelhinhos no sinal. Não vou dizer para vocês que foi fácil. Mas não era impossível fazer dar certo. Batia nos vidros dos carros, parava os pedestres, sempre com um sorriso no rosto que acompanhava o discurso: “Estou vendendo esse coelhinho com bombom por um real, para fazer o enxoval do meu filho, você pode me ajudar?” A minha barriga era muito maior que a minha vergonha, o inchaço dos meus pés muito menores que a minha necessidade e dessa forma, passei quase um mês vendendo coelhos até as 16h, de forma que pudesse pegar o dinheiro conquistado em comprar mais material para vender no dia seguinte. Eu só tinha duas roupas de gestante: usava uma durante o dia e lavava quando chegava em casa e colocava atras da geladeira para secar, quando recolhia a outra para usar no dia seguinte. Ganhei uma cistite e uma infecção urinária, por ter que segurar o xixi por não ter onde fazer nas ruas, o frio também rachou meus lábios e calcanhares, desprotegidos diuturnamente. No domingo de páscoa, quando eu voltei pra casa depois de uma intensificação nas vendas feitas nas saídas da feirinha do Largo da Ordem, contabilizei mais de 3 mil coelhos vendidos. Eu havia juntado, em moedas e notas de 1 e 2 reais, quase 2 mil reais, o suficiente para um enxoval modesto para meu bebê. Porém, mais do que isso, eu sabia que de agora em diante, nada me deteria. Tanto que no dia que meu filho completou 6 meses, dei um basta naquela relaçao sem futuro, voltei para o Rio e não, nem tudo foram flores. Mas foram sementes, fertilizantes, ferramentas e água, os quais usei para cultivar o meu jardim. Foi pelo Gabriel, que trabalhei em diversas festinhas de criança, nas empresas dos outros, vindo posteriormente a montar minha equipe de garçons, o meu buffet escolar, que foi pioneiro e chegou a ser premiado pelo Sebrae em 2010, a minha casa de festas infantis, a minha empresa de consultoria e hoje, viajo todo o país, ensinando as mulheres que tem talento e querem empreender no ramo de festas infantis que elas podem ter sucesso, que se trabalharem direito e seguirem o que eu ensino, terão suas vidas transformadas por esse mercado tão democrático e inesgotável, que elas podem ser felizes e trabalharem, sendo prósperas, fazendo o que amam! Cada pessoa que passou na minha vida, colaborou de uma forma para o que eu sou hoje, cada colaborador, cada fornecedor, cada cliente, cada amigo, quem acreditou e quem não acreditou, mas em especial, a minha base, minha família, por que sem ela, nada teria sido possível. Sim, eu formei uma nova família, afinal, de que adianta o sucesso na rua se teria um fracasso no lar? Sou casada há 12 anos com um Príncipe Encantado, um homem de verdade, honesto, amoroso, trabalhador e cuja maior prova de amor que poderia me dar, além
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    Quais de mimvocê procura? 21 de me apoiar em tudo incondicionalmente, é amar meu filho como se fosse dele e tem cumprido isso de forma exemplar. É meu advogado, contador e presidente do meu fã clube!rs Meus pais, meus maiores exemplos de honestidade, dignidade e me passaram o DNA do empreendedorismo e são responsáveis pelo meu caráter. Meu pai se levanta todos os dias as 5h da manhã para abrir sua padaria, desde antes de eu nascer e minha mãe sempre me incentivou a estudar, evoluir, sempre apoiou meus negócios e sei o quanto torce e ora por mim. E meu filho Gabriel, meu Deus, o que dizer de você? Uma criança que encanta a todos que o conhecem. Doce, meigo, educado, amoroso, carinhoso, inteligente...se deixar eu vou falar o dia todo dele e ainda não teria sido justa em citar todos os atributos. Nem sei se sou digna de ser sua mãe, mas eu não consigo mais imaginar a minha vida sem você, afinal, você é a melhor parte de mim, minha grande obra prima, sem você nada disso teria acontecido. Confesso que nem tenho mais coragem de pedir nada a Deus, só de agradecer: dei a volta por cima, tenho uma vida próspera graças ao empreendedorismo, uma família maravilhosa, saúde, bens materiais...um dia, em uma das minhas idas a Curitiba, eu disse para meu filho: “era nessa padaria que eu trocava dinheiro, moedas. Quantas vezes vim aqui, sentia o cheiro das delicias saindo do forno e não podia comprar, porque ia faltar para o seu enxoval. Hoje, nós podemos comprar o que a gente quiser aqui. Talvez, se não tivesse engravidado de você, estivesse ainda infeliz, sentindo somente o cheiro.” As vezes, você está ai, sentindo o cheiro e uma coisa eu te digo, se eu consegui provar, com tudo para dar errado, você também pode! Só depende de você! Que Deus lhe abençoe e faça prosperar o trabalho de suas mãos, te dando vida em abundância! Carol marcan
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    Quais de mimvocê procura? 22 50 Mães empreendedoras que chegaram lá A MÃE, A FILHA E AS VACAS Todos os dias, às quatro horas da manhã, meu pai entrava no quarto onde dormíamos eu mais quatro irmãs e dizia, “Dalva, levante-se e vá buscar as vacas para o papai”. Então eu me levantava, pegava o cavalo e ia buscar as vacas que não vinham para o curral. Foi assim dos sete aos dezoito anos. Não entendia porque meu pai só chamava a mim, permitindo que minhas irmãs dormissem por mais uma hora. Nasci em José Bonifácio, uma cidade do interior de São Paulo, cresci em um sítio a 7 km da cidade. Todos os dias, depois de buscar as vacas, eu e minhas quatro irmãs, pegávamos a charrete e íamos para escola na cidade, voltávamos para casa às 13 h debaixo de um sol escaldante. Fizemos isto do primeiro ano primário até o 3° colegial. Em 1975, mudei-me para cidade de São Paulo com o objetivo de fazer faculdade. Não tinha a menor ideia de como seria a cidade grande ou mesmo qual curso escolher, mas sabia que São Paulo era o lugar que permitiria meu desenvolvimento. Formei-me em Processamento de Dados pela FATEC em 1981. Atuei na área de TI até 1990, porém sentia necessidade de provar que tinha capacidade de gerar meus próprios vencimentos e até rendas para terceiros. Engravidei em 1987, e minha filha nasceu no dia 8 de fevereiro de 1988. Já estava tudo planejado, os quatro meses afastada do banco eram o tempo necessário para começar meu primeiro empreendimento. Com apenas quinze dias do nascimento de minha filha, adquiri uma pequena empresa de prestação de serviço no ramo de confecção. Comecei do zero, fui aprendendo, fiz curso de corte e costura e, aos poucos, fui dominando o segmento. Em 1989, pedi demissão do banco para me dedicar integralmente ao empreendedorismo. Meu chefe não conseguia entender como eu podia deixar um emprego seguro, com bom salário, para entrar num mundo cheio de incertezas. Realmente ele tinha razão, logo no início do ano de 1990, veio o plano Collor e o início de muitas dificuldades. Na tentativa de passar pela crise, fiz minha primeira sociedade, o que não durou mais do que um ano. Em 1992, não resisti, fechei a empresa. Neste mesmo ano, meu marido ficou desempregado. Tentei voltar ao mercado de trabalho, mas o viés empreendedor foi mais forte e não permitiu que eu me vinculasse novamente a uma grande empresa. Nesse momento,
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    Quais de mimvocê procura? 23 vi um anúncio no jornal O Estado de São Paulo, no caderno Negócios e Oportunidades, vi que uma rede de lojas procurava uma empresa de prestação de serviços em confecção. Recortei o anúncio, e na segunda-feira fui conhecer a empresa. Com a ajuda de uma costureiraeumapassadeira,conseguimosotrabalho.Aquiaprendioquanto éimportante preservar e respeitar os colaboradores. Sem nenhuma estrutura, comecei a confeccionar. Primeiro foram cento e cinquenta peças. Eram muitas para eu fazer sozinha, sem uma equipe formada ou lugar para trabalhar. Preparava o corte, comprava os aviamentos. Meu carro era minha empresa, eu não tinha endereço, informação que não podia chegar aos meus clientes, sob pena de macular a confiabilidade que estava desenvolvendo. Deu certo. A perseverança e o esforço foram recompensados e em seis meses minha empresa já fabricava seis mil peças por mês. Deixava minha filha na escola às sete horas da manhã, e saia para trabalhar. Eu era administradora, gerente, costureira, motorista, compradora, financeiro e chefe. Preparava o serviço para as costureiras, levava na casa delas no Embu das Artes, Campo Limpo, Barueri, Carapicuíba, Cotia, Perus, Serra da Cantareira, Grajaú, só voltava para casa quando terminava. Incontáveis vezes perdia o horário de pegar minha pequena na escola, momentos em que tinha que deixar meu orgulho de lado e pedir para vizinhos me ajudarem. Minha filhota ficava extremamente magoada, pois tudo que ela queria era ter um momento com sua mãe e ser buscada na escola como todas as suas colegas, mas nem sempre era possível. Até que em uma comemoração do Dia das Mães realizada no colégio eu não consegui comparecer. Foi o pior dia da minha vida. Obviamente, minha pequena, com toda razão, não se conformou, não conseguia entender a ausência da mãe. Ver o quanto aquilo machucou minha única filha foi sofrido demais para mim e para ela, por isso, decidi que nunca mais deixaria de ir às datas comemorativas. Foi um longo trabalho de reconstrução de confiança, pois daquele momento em diante ela não acreditava que eu estaria presente nos momentos importantes. Sabia do meu papel de mãe; era muito difícil cumprir a agenda de trabalho e de mãe, por isso acabei delegando parte de minhas funções maternas, para a colaboradora Josefa, que a buscava na escola, cuidava da alimentação, das roupas e brincadeiras. Como empreendedora de uma empresa em crescimento, férias era um luxo do qual eu não podia usufruir, missão que também deleguei. O que eu podia fazer e mais me preocupava era garantir uma boa educação à minha filha. Por isso, além de querer o sucesso da minha empresa, precisava dele. Era ele o meio de prover a mensalidade de uma das melhores escolas de São Paulo e, consequentemente muito custosa. Para demonstrar que apesar do tempo escasso eu era uma mãe presente e preocupada com seu desempenho na escola, mantinha o calendário de provas na porta da geladeira e, na noite anterior à prova, sempre perguntava o que ela tinha estudado, e se estava preparada, sempre acreditando em sua capacidade. Quando chegava novamente de um dia exaustivo de trabalho, logo
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    Quais de mimvocê procura? 24 ia perguntando à minha filha como tinha sido a prova. Com isso, consegui criar um desafio e uma expectativa positiva em que minha pequena sabia que se estudasse e fizesse uma boa prova teria como recompensa uma mãe feliz e orgulhosa da filha. Porém, a vida de uma empreendedora, além dos desafios diários, também está sujeita a diversas dificuldades imprevisíveis e aparentemente intransponíveis. Em certo momento, minha empresa passava por grandes dificuldades. Não bastava ver o meu projeto lentamente desabando, recebi o golpe de misericórdia, um protesto de cobrança da escola de minha filha avisando que não seria possível mantê-la como aluna, pois as mensalidades estavam atrasadas. Não podia deixar isso acontecer, afinal, era a única promessa que tinha feito a mim mesma: garantir uma educação de excelência à minha filha. No mesmo dia fui à escola conversar com o financeiro. Expliquei minha situação, e como minha filha frequentava esta escola desde o maternal e era de extrema importância que ela não perdesse essa continuidade e estava em um momento crítico de desenvolvimento quando cursava o primeiro ano do colegial, a gerente financeira chamou o dono da escola. “Minha filha só conhece esta escola, e é aqui que vai fazer o segundo e o terceiro colegial, portanto não existe a menor chance dela não cursar todo o período. Por isso, temos que encontrar uma forma de pagar, posso fazer qualquer trabalho para escola, posso ir pagando conforme der, não sei como vamos fazer, mas minha filha vai concluir o colegial aqui”. Felizmente, o dono do colégio se sensibilizou com a minha situação e confiou na minha palavra, mandou baixar o protesto, e deu uma oportunidade de pagamento e permitiu que minha filha concluísse seus estudos no colégio. Não sei exatamente o que aconteceu, ou se efetivamente os fatos estão relacionados, mas, depois desta reunião, minha empresa entrou numa rota de crescimento e nunca mais faltou dinheiro para eu pagar meus compromissos. Acredito que esse momento de desafio, vendo minhas principais prioridades serem ameaçadas, já que não podia garantir minha presença em todos os momentos da vida da minha filha, que pelo menos garantisse que ela teria chances de ser alguém na vida, foi um basta para me dar forças e fazer com que lutasse mais ainda pelo meu empreendimento. A vida de empresária é assim. Às vezes precisamos passar por situações humilhantes, que funcionam como desafios para novas conquistas e aguçam nossa capacidade de persuasão e resiliência. Ser empreendedora e mãe não é só cuidar da empresa, gerar faturamento para pagar contas, empreender é ser capaz de liderar, de capacitar seus colabores, fazer com que seus colaboradores evoluam como cidadãos, principalmente no ramo de confecções em que a maior parte da equipe é formada por mulheres que também são mães e precisam cuidar de seus filhos, muitas vezes com menos condições financeiras do que nós, empreendedoras. Quando você decide empreender, precisa ter consciência de que tudo é com você, não tem uma grande empresa de apoio, setores que dividem a responsabilidade,
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    Quais de mimvocê procura? 25 um chefe te endossando; toda responsabilidade e a consequência das decisões tomadas são suas, só suas. E ainda sendo mãe, é tudo com você, você tem que levantar lidar com os afazeres de casa, cuidar da filha, da sua educação, da sua formação e saúde. Mãe é só uma. Acordo todo dia sabendo que o meu dia tem um custo e que no final ele tem que ser coberto, e que se não conseguir faturar o suficiente, o dia seguinte começa mais pesado e mais difícil. Minha capacidade de persuasão é bastante grande; desde pequena nunca desisti de minhas atribuições. Depois da maturidade, fui entender que o que eu achava uma punição do meu pai, na verdade era um reconhecimento. Durante anos fui a filha escolhida para ajudá-lo porque, segundo ele, era a única filha que nunca voltava para o curral sem as vacas. Só fui tomar consciência e entender o significado desta frase, quando estava participando de uma licitação de fornecimento de uniformes do Ministério da Aeronáutica que em vinte e quatro horas, ganhei, perdi e recuperei a licitação. Realmente eu nunca volto para o curral sem minhas vacas. No meu dia-a-dia, só volto para casa depois de ter concluído todos os afazeres; nunca deixo nada para depois. Mesmos com todas as exigências e todo tempo dedicado à empresa, não deixei de cuidar de minha filha e fazer com que se tornasse uma grande mulher. Minha filha sempre me admirou e me teve como ídolo desde pequena. Ela sempre soube o quanto seu sucesso era importante para mim. Ela não quis trabalhar comigo na empresa, embora tivesse todas as condições de levar esta empresa com sucesso como provou em 2011 quando fizemos uma viagem para Europa e fiquei ausente por vinte dias. Minha filha cursou uma das melhores universidades da América Latina e optou por fazer carreira no poder judiciário do Estado de São Paulo. Fui acompanhar a prova, dar força e apoio para que ela se sentisse o mais segura possível. Funcionou, ela passou e hoje exerce um cargo de muito prestígio. Eu continuo como empreendedora, cheia de ideias e muito sonhos a realizar antes de me tornar avó. Dalva Regina
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    Quais de mimvocê procura? 26 reviravoltas, recomeços e conquistas Em abril de 2002, me divorciei após quase 11 anos de casada. Entre namoro e casamento, foram 17 anos de minha vida dedicados a um relacionamento em que eu só me anulei, dia após dia. E aos 34 anos de idade, recomecei minha vida. Tive que recuperar minha autoestima, me redescobrir como mulher madura, independente e competente. Quase dois anos mais tarde, em 2004, por força de uma circunstância, aceitei o desafio empreendedor de ser uma empresária da Contabilidade, área na qual sou técnica e bacharel e na qual já acumulava 19 anos de experiência. Foi quando surgiu a Kian Contabilidade Ltda, em São Bernardo do Campo, constituída com mais dois sócios, atualmente Defato Contabilidade Ltda, localizada no município de Santo André. Neste mesmo ano de 2004, conheci um amigo de meus sócios, o José Roberto. Interessamo-nos um pelo outro, mas cada um permaneceu na sua. Com o passar do tempo, conversa daqui, happy hour dali, o apoio do filho mais velho do Roberto, o Renan, ele e eu começamos a namorar em setembro de 2005. Tão logo, eu conheci seus outros dois filhos, Ramires e Julia Vitória, à época com 11 e 4 anos, respectivamente. Primeiro fui apresentada ao Ramires, em um dia em que o Roberto foi ao meu escritório acompanhado dele. Era sério e de poucas palavras, parecia olhar para mim com cara de poucos amigos. Dois meses depois, conheci a Julia em um final de semana em que o Roberto os trouxe para passar conosco. Encontrei com eles na Praça Lauro Gomes, no Centro de São Bernardo do Campo. Eu estava tensa e apreensiva, perdida em meus pensamentos: faz tanto tempo que não convivo com crianças! Será que saberei lidar com elas? Será que irão gostar de mim? Será que sentirão ciúmes do pai e me olharão como a “Madrasta da Branca de Neve?”. Mas qual não foi a minha surpresa quando avistei aquela menina linda, morena, de cabelos pretos, com traços que lembravam uma indiazinha, com um bichinho de pelúcia nos braços e uma mochilinha nas costas, vindo ao meu encontro, com um sorriso contagiante, para me dar um abraço caloroso e amoroso. Neste dia, o Ramires estava com um ar mais amigável. Ufa! Meu Deus, como eu me sentia perdida. Eu não convivia com crianças, meu mundo era de adultos, pois, durante os dezessete anos em que vivi com meu 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 27 ex-marido, eu me afastei do convívio familiar; não vi primos e primas nascerem e crescerem. Eu não conhecia os desenhos da época, as músicas infantis que estavam na moda, nada, eu não sabia nada de crianças. Eu somente pensava: se esta é a família que Deus preparou para mim, Ele irá me capacitar para um bom convívio, para auxiliar na educação e criação deles. Tão logo a Julia nasceu, o Roberto fez uma vasectomia irreversível e decidir casar com ele seria abrir mão do sonho de ser mãe (biológica). No dia 24 de março de 2007, nos casamos. Nesta época, além de administrar meu escritório, exercia a função de Conselheira Suplente no Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo – CRCSP (gestões 2006-2007 e 2008-2009) e também colaborava nas reuniões do Centro de Estudos e Debates Fisco-Contábeis – CEDFC, do Sindicato dos Contabilistas de São Paulo – Sindcont-SP, em São Bernardo do Campo. Ao longo desses anos, muitas vezes, senti-me mal quando precisei chegar tarde a casa, por causa do trabalho ou por estar em alguma atividade das Entidades de Contabilidade, como se tivesse abandonado minha família. Nunca me esqueço do dia em que, ao sair para trabalhar, a Julia me perguntou: – Tia, hoje você chegará tarde de novo? Quando respondi que sim, ela me disse, com a voz triste: – Mas Tia, você só trabalha, trabalha, trabalha! Dei um beijo nela e fechei a porta com o coração sangrando. No entanto, passei a rever minha rotina para poder dedicar tempo com qualidade para minha família e para os filhos que Deus me deu. Sim, filhos! Não me sinto mãe deles pelo simples desejo de uma mulher ser mãe, mas pelo carinho, consideração e respeito que recebo de cada um deles; quando o Renan me chama de “Mamis”; quando o Ramires e a Julia me chamam de “Tia”. Até hoje, nunca me faltaram com respeito. Mesmo quando tive que dar duras broncas ou colocar disciplina, eles nunca ergueram a voz ou responderam com grosseria. Desde janeiro de 2015, a Júlia Vitória mora comigo e meu marido. O Ramires morou conosco por quase três anos, de 2008 a 2011. O tempo passou, eles cresceram e nossa família aumentou. Em setembro de 2014, o Renan se casou com a Bruna. Um pouco depois, o Menino, um cachorro vira- lata que adotamos ao visitar um projeto social de proteção e cuidados de animais, trouxe mais alegria para a nossa casa. Hoje, continuo enfrentado os desafios de gerir um negócio próprio, participar das diversas atividades das Entidades Contábeis, da organização de atividades na igreja em que congregamos - entre elas, o curso para casais -, cuidar da minha família. Atualmente contemplo a Julia aos 14 anos, começando a se tornar uma mulher, com todos os conflitos próprios da adolescência, mas ao mesmo tempo, com uma visão tão madura de coisas que a maioria dos adolescentes nem dão importância. Às vezes presto atenção em algumas coisas que ela fala e parece que estou me ouvindo falar. Ela usa termos e expressões que uso, até gestos, às vezes, são parecidos aos meus. E então percebo o quão generoso Deus é comigo. Percebo o quão gratificante é ter uma família sólida, pois, se assim não fosse, as conquistas profissionais e empreendedoras não teriam o mesmo valor. Hoje, eu entendo quando Deus falava comigo em Sua palavra, dizendo: “Canta alegremente, ó estéril, que não deste à luz; exulta com alegre canto e exclama, tu que
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    Quais de mimvocê procura? 28 não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da mulher solitária do que os filhos da casada, diz o Senhor. Alarga o espaço da tua habitação, e não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas. Porque transbordarás para a direita e para a esquerda; a tua posteridade possuirá as nações e fará que se povoem as cidades assoladas”, Isaias 54:1-3. Não gerei filhos no útero, mas os gerei no coração, e eles me receberam com amor, carinho e respeito. Cumpriu-se a Palavra de Deus! Deise Pinheiro
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    Quais de mimvocê procura? 29 Mãe com Excelência Eu sempre quis ser mãe, mais precisamente ter dois filhos. Claro, um casal, pois queria viver os dois lados de educar, justamente porque passei por algumas situações durante a minha infância que não eram possíveis serem aplicáveis a uma criança e então cresci acreditando em uma educação e nela estou até hoje. Acertei! Tive dois meninos e algumas meninas... Era 1990 quando comecei um curso no Senai – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial -, vivíamos em nosso país uma crise, não tão grave como a que estamos enfrentando atualmente (2016), porque naquele tempo havia um grande crescimento industrial e o desemprego ocorria pela falta de mão de obra qualificada. Após a conclusão desse curso Modelagem Industrial Automobilística aos 17 anos fui desligada, porém, com a experiência logo fui admitida em outra empresa. Conheci meu primeiro namorado e a história começa aí... eu me apaixonei, começamos a namorar e em poucos meses veio o pedido de “prova de amor”. Resultado, em 8 de dezembro de 1993 com 18 anos trouxe ao mundo meu primogênito, Pedro Henrique. Do jeito que sonhei, loiro, dos olhos clarinhos, sagitariano, canhoto e perfeito, sim porque havia a expectativa após algumas declarações de que teria alguma má formação devido ao meu biótipo e problemas na gestação. Sozinhos, eu e ele vivemos fases na vida que ainda hoje não acreditamos que passamos juntos. Foram batalhas e mais batalhas, juízes, promotores de justiça, assistentes sociais, psicólogo, eles não mudaram o nosso amor e nem esconderam a verdade sobre a vida, até mesmo porque dinheiro nunca foi o que nos uniu; não vou contar os detalhes porque esqueci toda essa fase em algum lugar por aí. O que importa é que crescemos juntos, ele sempre soube do amor que tenho por ele e ele por mim. Quando ele tinha sete anos, veio a nova fase formamos uma família com um pai do coração maravilhoso e apaixonado por ele que contribuiu e contribuí muito para a formação do homem que é hoje aos 22 anos, trabalhador e independente. Desde pequeno trabalhamos juntos, ele sempre ao meu lado ajudando. Costumo dizer que meus filhos já nasceram e foram trabalhar. O Pedro me ajudou a trabalhar como manicure, fazer colar de contas para casa de umbanda, roupa de dança do ventre e dar aulas. Como precisava trabalhar então, 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 30 ele ia e ficava na biblioteca da escola brincando quietinho enquanto eu ministrava as aulas de espanhol. Não o levava para empresa, porque não podia. Sempre foi muito maduro, aos 10 anos quando eu e o pai respondemos a pergunta: Pai, eu tenho uma década? Ele ficou maravilhado ao descobrir que em 10 anos já tínhamos viajado para vários lugares e feitos inúmeras festas, e que tinha feito inúmeros cursos inclusive sob responsabilidade da madrinha, enquanto eu estudava na Argentina ela cuidava dele ensinado a jogar pôquer. Segundo ele, as melhores férias. O tempo passou, até que chegou um dia ele disse que era hora de ter o tão sonhado irmão, que ele insistia em ter porque até o amiguinho Anderson tinha. Por que ele não? E em 2006 a família aumentou, mudamos para nossa residência oficial e nela chegou o caçula meu bombom Luís Otávio, fruto de uma relação intensa. A felicidade estava completa. Eu tinha um bombom branco e um pretinho sim, porque a mãe branquinha com o pai moreno já viu que criança linda que veio. O caçula nasceu até com a manchinha da mistura do chocolate e branco no bracinho do lado direito. Lindo! Era inquieto adorava uma arte e a felicidade reinava em toda a família. Adorava o clube e ama onde moramos, aqui tem seus amigos desde a infância. A vida dele nesses 10 anos é bem mais fácil que a do mais velho. A avó o pai e o tio, o irmão e os primos vivem juntos e assim com entendimento convivemos em família. Com dois filhos, uma casa e uma família completa incluindo a Lili, a caçula da casa uma shih-tzu, cor champanhe para brindar a nossa felicidade vieram os desafios e oportunidades. Quando o Luís completou um ano as necessidades surgiam, era hora de despertar para a vida profissional de novo. Após o fim da licença maternidade fiz um acordo e fui dispensada da empresa; aproveitei o segundo semestre do ano de 2006 para continuar curtindo minha nova fase. Na necessidade e importância de voltar a trabalhar ouço a frase de maior impacto em minha vida, que veio de uma das pessoas que mais amo na vida, minha sogra Vicença: “Para você trabalhar e estudar eu cuido dos seus filhos.” Frasemágica!EassimqueoLuístevealtadeumprobleminhadesaúde,queeletem até hoje, comecei a estudar Letras e estagiar, não deu certo, conclui o um ano e tranquei a matrícula. Sentia em meu coração que alguma coisa sairia errado na sala de aula. Em 2007 arrumei um novo emprego, novamente em uma indústria, mas com um salário melhor. Na sequência, em 2008, entrei na faculdade de Tecnologia Industrial e comprei um carro, agora era executar o plano de ação. Parecia surreal, sair de casa às 7h com duas crianças e voltar às 23h, mas com fé, foco e força me formei, e ainda fiz uma pós-graduação, tudo em cinco anos. Os meninos crescendo... Pedro também em 2008 entrou no Senai, seguindo a carreira do pai, e o Luís ficava entre os cuidados da avó e do tio maravilhoso. Sempre quando alguém perguntava para ele no que a mãe e o pai trabalhavam
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    Quais de mimvocê procura? 31 ele dizia: Viajando! Sim, com o apoio da minha orientadora sogra viajei para vários Estados do Brasil prestando consultoria, auditoria e treinamentos em sistemas de gestão da qualidade. Todos nós crescemos nesses anos, eu em especial como mãe, profissional e empresária. A SantaISO veio em 2013 quando o pai resolveu seguir carreira solo. Meus filhos tinham 19, 7 e 2 anos respectivamente. Eu precisava de algo ainda mais desafiador e empreender era algo inevitável. Estamos em 2006 e, até hoje, dentro de mim tudo foi feito pensando em como tornar a nossa vida confortável e com qualidade de vida, e ser para eles exemplo de mãe e profissional competente. Mesmo trabalhando e passando pelas adversidades da vida conseguimos alcançar nossos objetivos juntos. Nesses 22 anos de experiência de mãe incluo, nessa felicidade, minhas sobrinhas Carolina, Camila e meu sobrinho Leonardo, Bruno e o Samuel e agora a pequena Elloysa. Diana Cândida DE Oliveira
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    Quais de mimvocê procura? 32 dedicação para crescer Montadora, empresária contábil, esposa do Luiz Antônio há 35 anos e mãe da Juliana, 32 anos, e do Felipe, 30 anos. Estes são alguns papéis que exerço. Minha filha é formada em Ciências Farmacêuticas e Bioquímica e atualmente reside no Canadá, onde cursou sua pós-graduação em Gerenciamento de Projetos e trabalha como conselheira educacional. Meu filho graduou-se em Sistemas da Informação, área em que cursou pós-graduação voltada à Consultoria Empresarial e na qual administra sua empresa na cidade de São Paulo, onde mora. Desde a adolescência, sempre gostei de números. Meu primeiro emprego foi em uma pequena empresa como auxiliar de escritório, onde fazia de tudo, desde faturamento, cobranças, atividades de finanças, vendas, entre outras. Ao perceber meu interesse em aprender, o gerente desta empresa começou a me passar mais serviço, que eu executava com muita confiança, razão pela qual alcancei o então cargo de gerente. Lá eu trabalhei por 12 anos e desenvolvi a ideia de ser contadora. Cursei ensino técnico em Contabilidade, graduação em Ciências Contábeis e pós-graduação em Controladoria, uma das áreas da Contabilidade. Em 1983, ano em que Juliana nasceu, trabalhava como contadora em uma empresa privada. Por trabalhar até tarde e levar serviço para casa aos finais de semana, não curti os primeiros meses de minha filha. No ano de 1986, quando o Felipe nasceu, foi a mesma coisa. Não conseguia ver meus filhos crescerem. Contava com a colaboração de uma irmã que cuidava dos dois e que por eles era chamada de mãe. Foi então que, em 1990, resolvi trabalhar em casa como autônoma, para ficar mais perto deles. A experiência de conviver com meus filhos tornou-se inexplicável. Podia levá-los e buscá-los na escola e eles ficavam muito felizes. A maternidade é um momento muito marcante para nós, mulheres. É uma fase em que passamos por muitos desafios, principalmente quando se é necessário conciliar a vida profissional com o sonho de ser mãe. À época, não pude abrir um escritório, pois além de não ter recursos, não tinha clientes. Foi então que fiz uma parceria com meu irmão, proprietário de uma empresa de legalização de documentos junto a órgãos públicos, e ele começou a me indicar clientes. Em 2001 abri minha empresa, a Magda Assessoria Contábil. Como sou uma 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 33 pessoa otimista, não identifiquei os desafios pelos quais passei para obter sucesso como empreendedora. No entanto, encontrar o equilíbrio entre trabalho e família ainda é uma das dificuldades enfrentadas pelas mulheres empreendedoras, pois o principal obstáculo feminino no mercado de trabalho costuma estar dentro de casa. Muitas mulheres enfrentam dupla jornada, pois além do trabalho, cuidam dos filhos e encaram uma injusta divisão de tarefas no ambiente doméstico. As mulheres têm excesso de responsabilidades e ainda hoje encontram muitas barreiras para chegar a cargos de chefia, o que pode atrapalhar o desenvolvimento de suas carreiras. Embora o número de mulheres a frente de negócios esteja crescendo, como proprietárias ou ocupando altos postos de comando, os desafios a serem vivenciados são muito grandes. O primeiro deles é a falta de autoconfiança, uma característica que, muitas vezes, está em nossa cabeça. A mulher que trabalha fora tem grande dificuldade em conciliar trabalho e família, e esta característica não costumar estar presente no universo masculino. As mulheres que estão à frente de negócios precisam enfrentar em seu dia a dia a cultura que vem por décadas sobre a expectativa do papel da mulher de ser mãe e esposa. Esta realidade a cada ano vem se mostrando diferente, com a força de mulheres notáveis à frente de seus negócios. Quando abri minha empresa, minha filha estava com 17 anos e meu filho, com 14. Como já estavam crescidos e compreendiam o esforço, o processo foi mais fácil, embora me dissessem constantemente que minha profissão era “de louco”, muito desgastante, quase sem tempo para eles, com muitos cursos e palestras durante a semana para me manter atualizada. Estava tentando dar o melhor para eles. Acredito que minha trajetória como empreendedora tenha inspirado meu filho a empreender também. Quando ele tinha entre 12 e 13 anos, estudava em um colégio próximo de meu escritório e, sempre que saía, passava por lá para dar um ‘oi’. Então, pedia a ele para ir ao banco fazer pagamentos, pois nesta época não havia internet. Sei que ele ficava muito bravo e dizia que se houvesse fila na agência, não iria ficar esperando. E não ficava mesmo! Ele retornava ao escritório com todos os boletos, afirmando querer muito mais para si. Aos 18 anos, ele começou a trabalhar, com um ótimo salário, após passar por um concorrido processo de seleção. É natural sentir um pouco de medo ao iniciar seu próprio negócio, afinal, sempre existe certo risco no empreendedorismo. Estou nesta profissão há algum tempo e posso afirmar que esta jornada permanece muito gratificante. Ser empreendedor é ter vontade de fazer algo diferente. Muitas vezes, temos que lidar com todas as tarefas e áreas do negócio. As incertezas e as emoções das pequenas conquistas e derrotas vividas diariamente fazem com que a experiência do empreendedorismo seja inigualável à corporativa. Para mim, o trabalho representa felicidade. Todos os dias, eu agradeço a Deus por acordar com saúde e poder trabalhar. É muito importante escolher uma profissão
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    Quais de mimvocê procura? 34 que gostamos e com a qual nos identificamos; saber o que nos realiza e quais sensações fazem nosso cotidiano valer a pena. Sim, a felicidade está em pequenos momentos, na soma de diversas sensações, por isso insistimos. O trabalho deve ser uma fonte de realização, um papel na vida que nos trará orgulho, superação, desafios, entre outros. Da minha empresa, eu cuido com carinho, pois ela é o meu sustento. Já a maternidade é algo sublime na vida de uma mulher, é o maior dom de Deus que podemos receber. Não há tarefa mais magnífica nem mais compensadora. Com ela aprendemos mais sobre o amor incondicional. A maternidade é um momento único, de aprendizado, afinal é mãe aquela que carrega seu filho no ventre; que lhe dá luz; que cria; que ensina e que aconselha. O papel da mãe é muito importante, não só nos primeiros anos de vida de seus filhos. Mãe é eterna. Edna Magda Ferreira Góes
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    Quais de mimvocê procura? 35 Um quadro em branco e uma vida passada a limpo Quando criança, não gostava de brincar com bonecas, mas me lembro que cedia à brincadeira quando podia fazer o papel romântico com o Ken, e principalmente, quando tinha a possibilidade de fazer o papel de mãe. Pensava num quadro branco e o que estaria escrito nele quando fosse mais velha. Sempre apareciam as palavras “mãe” e “ajudar pessoas”. Fazia todos os testes de revista para saber quantos filhos teria e quais seriam seus nomes. Fiquei expert em ler as linhas da minha mão. Eu teria sucesso na carreira, mesmo querendo ser publicitária, médica, fonoaudióloga, agente de turismo, psicóloga, recursos humanos... tudo ao mesmo tempo e agora, me casaria antes dos trinta anos, teria três filhos, seria bem sucedida e viveríamos felizes para sempre. Também tinha ânsia de aprender e compartilhar conhecimento. Tornei-me professora universitária aos vinte e um anos de idade. Encantei-me pela sala de aula e fui conciliando minha carreira com a vida acadêmica. Fiz uma brilhante carreira na área de Marketing, passando por grandes corporações multinacionais que me trouxeram grandes prêmios: estabilidade financeira, realização pessoal e profissional. Casei-me aos vinte e sete anos. Trabalhava, na época, em uma grande multinacional americana, na área de Marketing. As previsões estavam indo tão bem... E aí, aquele diagnóstico. Estava voltando da lua de mel e tive minha primeira crise de endometriose no voo de volta para casa. Uma dor tão insuportável que desmaiei no avião. Nos dias que se seguiram, crises cada vez mais intensas, novos desmaios. Lembro-me de ter tido uma dor tão forte numa madrugada que fui me arrastando no chão, do banheiro até meu quarto, para pedir socorro. Depois deste dia, acordei no hospital, com indicação para cirurgia. Minha endometriose era grau 5 (máximo) e decorrente deste diagnóstico, fiz três laparoscopias e uma cirurgia invasiva para conter a proliferação do endométrio em mais órgãos além dos já contaminados: trompas, ovários e parte do intestino. “Como assim, estéril? Eu nasci para ser mãe! Eu vou ser mãe! Deve existir algum procedimento, algum tratamento até fora do país que eu possa fazer”. Iniciei um tratamento medicamentoso por seis meses. Foram muitos os efeitos colaterais, mais o ganho de vinte quilos. A autoestima ficou lá em baixo. O desejo e a certeza de que seria mãe me levou a procurar por especialistas em inseminação artificial e a decisão final de partir, futuramente, para uma adoção. Decidi parar com toda medicação e relaxar. Depois de seis meses sem cortisona, sem 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 36 medicamentos agressivos e mais conformada com meu diagnóstico, veio o milagre. Fiquei grávida da Vitória! Este foi um dos dias mais felizes da minha vida! Com a notícia, virei caso de estudo da UNICAMP. Aos três meses de gravidez meu marido nos deixou com um bilhete na parede, se despedindo de nós. Quase enlouqueci. Mas sobrevivemos! Minha filha nasceu, meu ex-marido voltou a se aproximar e no dia de aniversário de um ano da Vitória, concebi o Mateus! Um único encontro; uma única chance e tive meu segundo milagre. Recomecei a vida com meus dois bebês: Vitória com um ano e nove meses e Mateus, recém-nascido. Nesta época, gerenciava uma rede de idiomas com mais de 1200 franquias no Brasil. Recomecei, eu, uma babá e o apoio incondicional dos meus pais para tudo o que precisei e que vim precisar alguns anos depois. Vitória tinha quatro anos e Mateus tinha dois quando tentamos reconstruir a família, mas o sonho do “felizes para sempre” durou pouco: dois anos. De forma definitiva, meu ex-marido foi tratar um problema de saúde, em sua cidade natal e não voltou mais. Foram meses de espera, de angústia, de dúvidas, com tantos sentimentos misturados e uma única certeza: deixava de me ver como coautora, como espectadora da minha vida e carreira. Decidi ser protagonista. Foram muitos os desafios ao longo da infância e, posteriormente, na adolescência dos meus filhos. Tenho dois seres humanos incríveis e guerreiros. Ambos tiveram problemas graves de saúde; os dois têm síndromes raras, passaram por muitas internações e tratamentos. Precisava de mudanças radicais; de mais tempo com meus filhos, de mais flexibilidade de horário, de possibilidade de fazer a minha própria renda. O universo corporativo é muito sedutor, a sensação de segurança e prosperidade nos estimula para nos perpetuar na zona de conforto, mas já não mais me moldava a este formato-padrão de “felicidade”. Faltava um propósito maior. Voltei a pensar no quadro branco e o que estaria escrito nele quando fosse mais velha. Agora faltava o “ajudar pessoas”. Assim migrei de uma gloriosa carreira na área de Marketing, com emprego estável, para a área comportamental do desenvolvimento humano, em gestão de pessoas; minha grande paixão. Comecei atuando como palestrante e instrutora e fui me especializando nas áreas do desenvolvimento humano (andragogia, comportamento humano, neurociência, coaching e mentoria). No início da carreira autônoma, depois de migrar dos empregos com salário fixo para a iniciativa empreendedora de forma exclusiva, perdi-me na estruturação de algumas parcerias e em questões básicas de planejamento financeiro; quebrei duas vezes. Não tenho nenhuma história grandiosa e instigante para contar por ter perdido milhares ou milhões em cifras, de investimento. Mas passei meses sem um centavo no bolso; anos vivendo na casa dos meus pais. Meus filhos ouviram muitos, mas muitos “nãos” ao longo dos anos! Aprendi na prática sobre resiliência, gratidão, perdão e protagonismo. E perdoando meu ex-marido, me libertei também! Aprendi que o universo me devolve o que lhe entrego. O caminho foi árduo! Não foi nada fácil conciliar as agendas de clientes com a
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    Quais de mimvocê procura? 37 da escola dos meus filhos, as festas de aniversário dos amigos da escola com as noites e madrugadas produzindo material e desenvolvendo conteúdo para as consultorias e treinamentos, ministrar as aulas na universidade nos horários em que aconteciam reuniões de pais e mestres e datas comemorativas na escola dos meus filhos, deixar de ir a algumas viagens da família por estar trabalhando nos finais de semana em projetos in company ou estudando. Era um misto de superação e perda, de alegria e medo, de culpa por não estar sempre presente e sentimento de dever cumprido pelas conquistas diárias. Vim para ser mãe; não gosto de dizer que também para ser pai porque sei da importância do papel que cada um tem na vida de um filho e um não compensa o lugar e a missão do outro. Tive duas gestações sozinha e criei meus filhos na luz da minha fé, da minha garra, dedicação, persistência e, principalmente, do meu amor irrestrito, intenso e incondicional por eles. Mas não fiz o trajeto sozinha. Ninguém o faz! Não teria conseguido resgatar minha essência e o entendimento do meu propósito de vida e carreira; da minha veia empreendedora se não tivesse meus pais, minha família, a contribuição de tantos anjos ao meu redor, me dando suporte e apoio. Não teria tantas conquistas se hoje não tivesse mais do que um namorado; um cúmplice, um amigo ao meu lado. Sim, reconstruí minha vida. Marcus me ajudou a entender o valor de fazermos juntos; lado a lado! E no meio de mais uma crise que assola nosso país, especificamente em outubro de 2015; no meio do “olho do furacão”, reconstruí mais uma vez a minha carreira. Um ex-aluno da universidade, de dez anos atrás, me ofertou uma sociedade. Junto com Michel Lobato, abri a Eliana Araujo - Escola de Líderes. Hoje, com um ano e muita história de sucesso e prosperidade! O quadro está menos branco. Nele tem a mãe, a empresária e empreendedora que ajuda pessoas e empresas e, com meus filhos, aprendi a escrever ohana1 /. Reinventei-me, resignifiquei-me! Aprendi que é impossível tentar controlar tudo e que, mesmo nos momentos de crise, estamos sempre evoluindo na direção da vida que criamos. Aprendi que “sucesso é ser feliz” e se eu puder fazer mais pessoas felizes, o sonho sonhado com a maternidade estará garantido. Eliana Araújo 1 Ohana, na cultura havaiana, significa “família”.
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    Quais de mimvocê procura? 38 Sonhe, acredite e não tenha pressa... o que é seu, está reservado!!! Ahhh essa vida da gente...vez ou outra é tão bom olhar para trás: recordar o que fomos, o que fizemos, quem passou pela nossa vida...lembrarmos onde estudamos, no quanto sonhamos e em quem nos transformamos!!! Neste momento, parece passar um filme em minha mente. Até os meus treze anos, não poderia imaginar outra coisa, a não ser uma conceituada bailarina, pois tinha uma paixão muito grande pela dança. Porém, aos quatorze anos, perdi o meu pai. Como filha única, comecei a pensar em trabalhar, pois necessitávamos minimizar as despesas. Aos poucos, comecei a idealizar a carreira que queria seguir; foi então que escolhi o Jornalismo; mas jamais pensei em ser uma simples Jornalista. Queria ser a Sandra Passarinho, correspondente internacional e destaque no telejornalismo no final dos anos “70”. Escolhi cursar um colegial técnico em Tradutor e Intérprete (ensino médio): aperfeiçoar o português e aprender inglês, francês e alemão. Este último, o sonho do meu pai para a minha formação. E aos dezessete anos, eu estava formada: inglês fluente, francês intermediário e alemão básico; um idioma muito difícil. Mas o alemão tornou-se uma questão de honra, em prol de tudo o que sempre ouvi o meu pai dizer: “Nenê, você vai estudar alemão e vai ter muito sucesso dominando este idioma!!!” (“Nenê” era como, carinhosamente, ele me chamava) Mas eu jamais poderia me contentar com um “alemão” básico. Após o término do meu curso, optei por não prestar vestibular naquele ano. Fui trabalhar em horário comercial e, à noite, três vezes por semana, aulas de alemão; havia conseguido uma bolsa parcial. Mas esta vida da gente, “vira e mexe” nos surpreende, não é? Eu havia iniciado um namoro com um rapaz que conheci no clube. Mas, desde nosso primeiro encontro, tive uma sensação esquisita como se minha vida, a partir daquele momento, nunca mais seria a mesma. E nada acontece por acaso... Aos poucos, o nosso relacionamento foi tomando uma proporção maior: fazíamos planos para o futuro e, com meses de namoro, já dizíamos que teríamos três filhos. 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 39 Incrível... dois meses após completar dezoito anos, estava grávida do meu primeiro filho. Casamos e tudo parecia um sonho... Mas um sonho que levou tantos outros... Fui morar em outra cidade e, em função do mal estar que sentia, nos primeiros meses de gravidez, optei por sair da empresa onde atuava, uma multinacional com todas as chances de uma promissora carreira. A gestação progrediu bem, mas eu optei por interromper o meu curso de alemão, transformando-me, pela primeira vez, em uma dona de casa. Nasceu meu filho Fábio: muito saudável. Eu estava muito feliz em finalmente ter me tornado mãe. Mas, no período de amamentação dele, exatamente em seus sete meses, engravidei do meu segundo filho, Bruno, sem qualquer programação. Com dois filhos pequenos e com a opção de estar à frente da educação e formação deles, abri mão de voltar ao mercado de trabalho. Só dois ou três anos depois, voltei para o curso de inglês e havia decidido: iria prestar vestibular para o Jornalismo. Já atuava em uma rádio da cidade e queria muito conseguir uma vaga no jornal. Mas a vida sempre nos surpreende: exatamente quando havia iniciado o meu tão sonhado curso de Comunicação com ênfase em Jornalismo, estava grávida e fui mãe da tão sonhada menina. Até consegui fazer alguns semestres; mas com três filhos pequenos, sem chance de me envolver com estágios; optei por trancar minha matrícula!!! E foi neste momento que iniciei o empreendedorismo em minha vida. Minha paixão por sobremesas me direcionou para alguns cursos e pude iniciar uma produção discreta. E, nos dez anos subseqüentes ao nascimento de minha filha, atuei na área de alimentos e até abri uma uma Cafeteria. Mas as encomendas aumentaram muito, em pouco espaço de tempo e minha vida era a produção de sobremesas. Até que optei pela venda do estabelecimento, para recuperar meu casamento; a relação estava muito abalada. Voltei a ser dona de casa; mais perto de minha família. Mas o tempo foi passando e acabamos por concluir que havíamos nos casado muito jovens e as diferenças foram ficando mais visíveis. Após vinte anos de casamento, nos divorciamos. Com filhos maiores, resolvi fazer Hotelaria, pois a atuação em eventos estava em alta. Após formada, gerenciei um Hotel Fazenda no interior e dei várias consultorias em pousadas. Meus meninos já eram maiores e cursavam a faculdade; o mais velho já morava fora de casa; o do meio, com o pai e minha caçula, uma adolescente que ficava, em minha casa, com minha mãe. Mas, alguns anos depois, não suportava mais trabalhar aos finais de semana. Em 2008, consegui uma vaga como Recepcionista Bilingue, na Diretoria da Ford; mas com o início da crise mundial, não fui efetivada.
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    Quais de mimvocê procura? 40 E foi no embalo destes acontecimentos que uma depressão foi constatada, vindo a sofrer um acidente. Fraturei a coluna lombar, com primeiro diagnóstico de paraplegia; fiquei em uma cama, em torno de seis meses e quase 24 meses, fora do mercado de trabalho, em função das terapias complementares. Mas minha recuperação ultrapassou em muito, os prognósticos médicos. Quando fui liberada para voltar ao mercado de trabalho, fui contratada pelo Grupo Suzano, para uma vaga interna, na área comercial. Lá estive durante 18 meses. Até que um dia, a minha gestora me indagou se eu aceitava ser promovida à vendedora, pois até então, atuava como um “coringa” na empresa, tamanha facilidade de comunicação e expressão que muitos haviam identificado em mim. Não aceitei, pois não tenho qualquer afinidade com vendas. E pasmem: aos meus 49 anos, fui dispensada, após o retorno do meu período de férias. Tudo bem que a minha gestora, ao me dispensar, me disse: “Élide, você é muita areia para o nosso caminhãozinho. Vá escrever...vá fazer o que realmente gosta...vá ser feliz!!!” Mas claro que esta frase dela, não fazia o menor sentido. E só conseguia pensar: o que farei agora?!? Mas jamais deixei de sonhar e acreditar!!! Dois meses depois da demissão, maio de 2012, estava sendo convidada para atuar como Redatora em uma revista de Turismo. E esta foi a porta que se abriu, mais de 25 anos depois, para eu retomar o caminho que havia aberto mão, em prol da formação dos meus filhos. Nestes últimos quatro anos, atuei como Redatora e como repórter também. E mais: desenvolvi um Blog, “Éli de bem com a VIDA!”, postagens com base na Gestão Disney, ferramentas que conheci no decorrer do meu curso de Hotelaria. Consegui desenvolver um perfil bem conhecido nas redes sociais e, com tamanha visibilidade, estou na segunda temporada do meu programa em web TV, com a mesma titularidade. E quanto aos meus filhos? Os três se formaram em áreas diferentes: Engenharia da Computação na USP, Administração de Empresas na Universidade Metodista e a minha menina, além de bailarina, como sempre sonhei, é formada em Designer de Interiores pela Belas Artes. E hoje já sou vovó da pequena Lia, do meu filho mais velho e da Pietra, da minha filha caçula. Hoje moro sozinha, apesar de estar muito feliz em um relacionamento onde sou respeitada e muito amada. Profissionalmente falando, atuo como Assessora de Imprensa e Palestrante, além de estar finalizando o meu primeiro livro: “Câncer de Mama – JAMAIS acontecerá comigo!!!”. Minha história e de mais dez mulheres, na difícil experiência de passar por um diagnóstico e tratamento de câncer de mama; fui diagnosticada em janeiro de 2014... mas está tudo bem!!!”
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    Quais de mimvocê procura? 41 Será uma das ferramentas para complementar as várias ações filantrópicas que faremos através do grupo “Superação Rosa”, em prol da campanha em prevenção ao Câncer de mama, “Outubro Rosa – 2016”. E sabe por que “De bem com a VIDA?!? Porque eu sigo o meu caminho, de cabeça erguida e acreditando sempre que, dias melhores virão. Em todas as muitas adversidades que passei e passo, não abro mão de viver o meu melhor, curtir o que realmente me faz bem, como a música e a dança, por exemplo e jamais permitir que, quem quer que seja, modifique o que sou em essência. E quanto aos filhos? Ahhhh...por aqui todos adultos e independentes; mas a certeza de que podemos contar, uns com os outros, seja lá o que quer que esta vida possa nos “presentear”!!! Posso dizer que, amadureci com eles; aprendi muitas coisas que não havia tido a oportunidade de vivenciar, no formato de família que tínhamos quando eu era pequena. E quer saber mesmo? Estou vivendo uma das fases mais incríveis da minha vida, sem qualquer sombra de dúvida...amo o que faço, sou muito amada e respeitada, tenho minha saúde recuperada e duas lindas netinhas!!! Quais de mim você procura?!? Muito prazer, hoje sou Élide Soul, Jornalista com muito orgulho!!! E eu seria injusta demais, com esta inteligência superior, que a todos nós rege, se eu esquecer em um só dia de agradecer, por todas as oportunidades que esta vida me trouxe, em aprender, entender, praticar, acreditar e me superar....dia após dia, em cada novo amanhecer!!! Élide Soul
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    Quais de mimvocê procura? 42 50 Mães empreendedoras que chegaram lá Por que não mãe e também empreendedora? Sempre sonhei um dia poder servir de exemplo. Mas não por vaidade, e sim, para ajudar outras pessoas a ter sucesso. Sou de origem humilde, criada na periferia de São Paulo, de família complicada, soube transformar cada limão da minha trajetória em uma refrescante limonada e, com muito orgulho, quero compartilhar isso com mulheres batalhadoras que, como eu, reinventam-se todos os dias. O objetivo é incentivá-las a jamais desistirem da luta e que sim, vale a pena! Sou proprietária da loja virtual de roupas infantis Repipiu Baby & Kids, mãe da Beatriz, que hoje está com cinco anos de idade, especialista em Marketing Digital e E-commerce. Na área de empreendedorismo feminino, sou embaixadora da Escola de Você, que é um portal fundado pelas jornalistas Natalia Leite e Ana Paula Padrão e que, gratuitamente, disponibiliza aulas online para mulheres. Os conteúdos abordados nos cursos são: autoconhecimento, empoderamento e empreendedorismo, ajudando mulheres a desenvolver autonomia e autoconfiança para gerir seus negócios e suas vidas. Fui apresentada à Escola de Você pela coach de mães empreendedoras da cidade de Manaus, Daniela Menezes. Ela me conheceu num momento em que sentia que o mundo todo estava contra mim. Comecei a empreender, mas percebia que muitas pessoas de meu convívio no mundo corporativo não apoiavam minha decisão. Queria e precisava conhecer outras mulheres que estavam no mesmo momento que eu. A Escola de Você combinou perfeitamente com minha busca, pois é um grupo que reúne diversas atividades voltadas para empreendedoras e onde todas do grupo possuem um objetivo comum: unir forças e o crescimento pessoal e profissional. Amei a proposta e acompanhei a escola durante todo o ano de 2015, fui me envolvendo e percebi que poderia contribuir muito mais do que imaginava. Devido a essa sinergia com a Escola de você, manifestei o interesse em me tornar embaixadora na região Norte de São Paulo e desde então venho desenvolvendo um trabalho com outras empreendedoras. Essa troca tem sido muito gratificante, pois é em forma de voluntariado e tem me proporcionado a oportunidade de ajudar outras mulheres, além de crescer e me desenvolver junto das pessoas que conheço ao longo desse caminho. E com essa força que adquiri, também assumi como auxiliar ao grupo Empreender Mulher, que também é um grupo de mulheres empreendedoras, fundado
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    Quais de mimvocê procura? 43 por Adriana Valente, e o meu objetivo nesse grupo é criar pontes de contatos, gerar oportunidades e novos negócios. Conclui a graduação em Administração de Empresas nas Faculdades Oswaldo Cruz no ano de 2002 e foi graças a um financiamento estudantil que consegui meu curso superior, realidade que faz parte da vida de muitos jovens do país; afinal, devido à baixa renda de suas famílias, muitos dependem de programas de financiamentos e de bolsas de estudos para seguirem seus estudos. Então as portas foram se abrindo e percebi que a vida começou a andar no ritmo que gostaria. Sem perder a oportunidade que o momento me proporcionou, fiz MBA na área de Gestão Empresarial na prestigiada Fundação Getúlio Vargas (FGV). Atuei em grandes empresas na área administrativo/financeira. Conheci ótimas pessoas (e outras nem tanto) do mundo corporativo. Casei-me em 2007e tive uma bebê no ano de 2010. E foi no ano de 2013 quando achei que a vida estava perfeita, foi que ela me surpreendeu e deu uma reviravolta. Depois de quinze anos atuando nas áreas administrativa e financeira e finalmente trabalhando na empresa dos sonhos, com família formada e a minha filha ainda bebê (Beatriz tinha apenas dois anos de idade), tive que deixar o mundo corporativo... demitida. Assim, nasceu uma mãe empreendedora. Cheia de garra e fé na vida, diante da dificuldade para conseguir uma recolocação no mercado, uma vez que as empresas exigiam disponibilidade total de tempo, algo de que não poderia dispor, pois minha filha precisava muito de mim. Não pensei duas vezes e entrei de cabeça no mundo do empreendedorismo. Com apoio do marido, comecei a estudar tudo o que dizia respeito a Marketing Digital, fazer cursos e consultorias no Sebrae; entre tantos, o curso Empretec. Tornei- me Empreteca, o que me proporcionou uma mudança comportamental que não teria sido proporcionada no mundo corporativo. Há pouco mais de três anos, vivo um sonho que se tornou realidade graças a meu esforço e persistência. Montei uma loja virtual de roupa infantil, visando atender às necessidades das mamães que trabalham fora e não têm muito tempo em buscar roupa infantil de qualidade e preço justo; uma realidade que vivi quando estava no mundo corporativo. Esse desafio que requer muita dedicação, pois minha experiência sempre foi na área financeira, e isso também representa a consolidação da paixão e da vontade numa rotina de trabalho que se encaixa perfeitamente à minha necessidade. Isso me permite ser dona do próprio tempo e conciliá-lo com a educação e acompanhamento do crescimento de minha filha e a atenção à família. Quando saí do mundo corporativo, além das atividades de meu E-commerce e cuidados com minha família, também consegui conciliar a atividade com elaboração e revisão técnica de material didático para uma grande editora. Sempre tive uma veia empreendedora, pois antes mesmo de entrar no mercado
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    Quais de mimvocê procura? 44 de trabalho, já trabalhava com minha mãe, vendendo no colégio, coxinhas e esfihas que ela fazia. Também ajudava a fabricar e vender pão caseiro e pamonha, vendendo e entregando de porta em porta. Essa experiência foi muito importante para mim, pois assim fui desenvolvendo habilidades de vendas e de contato com clientes. Porém, a loja virtual foi meu primeiro empreendimento formal. Para mim, ser empreendedora é fazer a diferença na minha vida, na vida de minha família e na sociedade. Meu maior orgulho é ter transformado minha própria história, de origem humilde a funcionária de multinacional e, depois de desempregada, empreendedora, empresária e motivadora, ensinando e crescendo junto com outras guerreiras. Sempre digo que dias melhores virão! Erica Biondo
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    Quais de mimvocê procura? 45 Nada muda se eu não mudar! Quanta honra ser convidada a participar deste projeto maravilhoso, mas ao mesmo tempo um frio enorme na barriga, um grande desafio em escrever, uma vez que não me acho boa nisto. Minha história de mãe empreendedora se inicia no Japão, onde morei por quase 20 anos. Casei-me e no mês seguinte desembarcava no Japão com o pensamento de que ficaríamos por lá de 2 a 3 anos e voltaríamos. Mas com o tempo vimos que não seria assim... Passados 6 anos resolvemos que já era a hora de termos um filho, então começaram nossos planos... eu queria ter meu filho e poder curtir este momento de ser mãe, e como isso seria possível? A rotina louca de uma jornada de 12 horas de trabalho diários ou até mais inviabilizava esse sonho. Foi então que resolvi que minha renda não seria mais como empregada de uma fábrica. Iria revender produtos trazidos do Brasil, e ter uma equipe de revendedoras. Estava pronta para a gravidez... então que venha a gravidez!!!! E ela veio. Em 2003 nascia meu primeiro filho, um lindo menino. Vivenciei com intensidade essa experiência única de ser mãe. Curti todos os momentos, fases, preocupações, alegrias, e me vi a mulher mais feliz do mundo. Quandomeufilhocompletou1anoe6meses,asvendasjánãoeramcomoantes. Eu queria muito voltar ao Brasil para apresentar meu filho a família e principalmente a minha avó, que nesta época já apresentava problemas de saúde. Meu pequeno era seu primeiro bisneto. Precisava ter reservas para isso. Então voltei a trabalhar numa fábrica como a maioria. Coloquei meu filho numa escolinha japonesa. Trabalhava agora 8 horas por dia, para assim ter como dar atenção ao meu pequeno. Creio que Deus sabe tudo que faz, e nos prepara o melhor. Passado 1 ano viemos rumo ao Brasil, ficamos 3 meses por aqui. Minha avó e toda a família puderam conhecer nosso reizinho. Regressei ao Japão sabendo que teria que voltar a trabalhar a uma fábrica para nos erguermos das despesas que havíamos tido com a viagem, enfim essa é a vida. Meu filho, com a idade de 3 pra 4 anos, seu pai me chama para uma conversa e diz: – Chega. Não dá mais, não quero mais... nunca fui feliz ao seu lado, e quero a separação!!! Como assim ? nunca foi feliz ? foram quase 10 anos de casados. Sentia como se um tsunami passasse sobre mim. 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 46 Mas fazer o quê? Aceitei a situação, peguei meu filho e sai de casa. Na época meus pais moravam lá. Fiz nossas malas e fui para casa deles. Fomos recebidos de braços abertos. Entretanto estou só, com um filho nos braços. Por maior que tenha tido o apoio de meus pais, e eles me apoiaram muito, como sustentar meu filho agora? O valor que o pai disponibilizava não supria todas as necessidades de nosso filho. Nunca tive medo de trabalhar, e contando com ajuda de meus pais, recomeçaria novamente. Minha mãe se tornou sua segunda mãe, buscava-o escolinha, dava banho, alimentava-o, e muitas vezes colocava-o para dormir, pois eu trabalhava, além das 8 horas diárias, de 4 a 6 horas extras, de segunda a sexta, e aos sábados trabalhava até às 20 horas na fábrica, e ao sair, me dirigia a outro trabalho - um bico, onde trabalhava até as 6 horas do dia seguinte . Meu filho estranhou, chorou, queria entender o porquê, mas com o tempo foi se adaptando. Muitas vezes meu coração se partiu por vê-lo assim, mas fiz o que achei ser o necessário, afinal não queria que faltasse nada a ele . Fiquei nessa vida louca 1 ano e meio quando conheço um novo ``amor``. Mas avisei: “nada de filhos e nem de casamento de papel passado”. Na verdade acho que ele adorou a ideia, pois não é uma pessoa de assumir grandes compromissos. Meu segundo marido me apoiava em todas as loucuras que quisesse fazer. E nesse momento decidi que não queria continuar numa fábrica, e lá vou eu novamente empreender trabalhando com maquiagens importadas, via China e USA. Aproveitei minha formação de Maquiadora Profissional para me associar a uma maquiadora renomada. Inicio ministrando cursos por todo Japão. Para nossa surpresa surge a suspeita da segunda gravidez. Tenho que ir ao médico, fazer exames. No dia da consulta, chamo meu marido, e digo que vou conversar com o médico, e saber quais os reais riscos que corro, afinal estou na casa dos 40 anos, como também apresento hipertensão gravídica. Preocupo-me, pois se algo me acontecer o que será do meu filho, e deste que está a caminho? Afinal meu segundo marido não é uma pessoa que teria condições de criar um filho pequeno sozinho. O médico me diz que não tenho com o que me preocupar, fazendo todo meu pré-natal estaria tudo bem e seguro. Diante disto não tive a menor sombras de dúvidas que teria meu segundo filho. Ele seria tão amado e querido como o primeiro. Mas com a notícia de confirmação da gravidez meu mundo desaba. Meu casamento desestabiliza. Mentiras, histórias mirabolantes, fantasias, raiva, ódio, separação. Infelizmente até hoje não sei dizer o que realmente aconteceu. Qual o motivo. Voltei do hospital com minha mãe me questionando se deveria ter esse filho, e minha irmã colocando pilha pra que não levasse essa gravidez adiante, sem entender,
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    Quais de mimvocê procura? 47 até os dias de hoje,o porque disso tudo. Foram criadas histórias, que quando calma e tranquila, conclui que não eram bem como minha irmã insistia em dizer. Mas meus pais já estavam com ódio do meu marido e tinham a certeza que 100% do que minha irmã dizia a verdade. Minha mãe insiste que não deveria seguir com a gravidez. Tento entender o lado dela, a preocupação. Mas o maior absurdo que ouvi foi minha irmã dizer: “agora que sou evangélica sou contra o aborto, mas vou te arrumar uma família que não pode ter filhos, eles arcarão com todas suas despesas, e quando a criança nascer você a entrega”. A essa altura dos acontecimentos eu não queria mais saber se eu machucaria alguém com minhas atitudes, afinal eu estava ali sendo massacrada, ao invés de viver o momento mais lindo e sublime para mim, a minha gravidez. Respondi a ela, sem titubear: “você não é mãe, não tem noção o que é sentir uma vida crescendo, se desenvolvendo. É muita emoção e amor envolvidos. Você acha que sou capaz de entregar um filho meu? A única vez que me passou pela cabeça a possibilidade em interromper essa gravidez foi antes de conversar com o médico e saber se eu e o bebê correríamos risco de morte. A situação ficou insustentável. Decidi que era hora de sair de lá. E lá fomos nós, eu e meu filho, sozinhos, para um apartamento, longe de todos, onde ninguém saberia onde estávamos. Meu filho continuou convivendo com meus pais, mas com minha irmã cortei relações. Continuei na batalha, e meu marido não sabia o que queria, dizia-se magoado com tudo, mas ao mesmo tempo dizia querer estar perto do filho. Nesse momento pensei com o coração: “não quero um filho sem pai”. Acabamos voltando. Meu marido não era o melhor marido do mundo, mas era um bom pai e me apoiava em tudo. Minha segunda gravidez foi muito conturbada. Sofria, chorava, me via sozinha. Culpava-me por não ter como dar, ao meu filho que chegaria, ao menos metade do que o primeiro teve. Mas o mais triste e impactante foi o dia do nascimento do meu segundo filho. Eu sozinha no hospital. Quanto chorei. Pedia perdão ao meu filho por tudo que estávamos passando, por estarmos sozinhos, só nos dois... e Deus. Mas minha mãe, que apesar de tudo, é mãe, chegou na madrugada no hospital. Ficou comigo e viu meu filho nascer. O pai dele veio depois de trabalhar o dia todo. Mas o mais emocionante e belo foi quando meu filho mais velho chegou no hospital para conhecer seu irmão... Quanto amor, quanto carinho ... nesse momento eu tive a certeza que esses eram os homens de minha vida, meu dois filhos !!!! Voltamos para casa e fui registrar meu filho, sozinha. Pelo governos japonês eu aceitava que fosse assim, e pelo governo brasileiro, mesmo não estando certo, fui protelando e esperando que o pai fosse comigo registrar nosso filho, mas isso não aconteceu. Não sei o porque até hoje dessa postura. Ele sempre enrolou e nunca deu uma justificativa.
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    Quais de mimvocê procura? 48 Aparentemente amava nosso filho e nossa família, como pai tinha qualidades e defeitos, aliás como todo mundo. Fui levando nossa vida com altos e baixos, até a hora que decidi voltar ao Brasil !!! Em 6 meses resolvi tudo, me preparei , preparei as crianças e decidi. Vou nem que seja sozinha com as crianças, afinal já batalho tanto aqui, porque não batalhar no meu próprio pais? Fui criticada e julgada por todos: famílias, amigos, mas mesmo assim, a decisão era essa: Eu vou !!! E eu vim. Recomecei minha vida no Brasil, com dois filhos, e com o apoio do meu pai, que também resolveu retornar ao Brasil. Meu pai me disse: – Já estou velho , mas posso lhe ajudar cuidando dos meninos enquanto você procura se virar. Desde que cheguei sabia que teria que empreender. Procurar um emprego CLT sequer passou pela minha cabeça, pois estar ausente do mercado de trabalho por quase 20 anos diminuíram muito minhas chances. A vida se encarregou e me levou, cada vez mais, para o mundo do empreende- dorismo feminino. Comecei a fazer parte de grupos, via Facebook, comparecendo a en- contros, oficinas, workshops , e conhecendo pessoas, entre elas várias empreendedoras. Paralelamente comecei a vivenciar o mundo do MMN (Marketing Multinível), e ameiestemundo.Identifiquei-me.Epercebiquesãopoucasasmulheresque acreditam e pensam nele como  um empreendimento. Resolvi desmistificar, me especializando. Hoje é um dos trabalhos que desenvolvo. Nesse universo do empreendedorismo conheci pessoas maravilhosas. Surgiram excelentes parcerias, muito aprendizado, grandes amizades e até uma sociedade. Esta é, resumidamente, minha vida de empreendedora e mãe. Hoje,após1anoemeiodevoltaaoBrasil, possodizeravocêsqueestoucaminhando, com a certeza que estou no caminho certo. Sou muito mais feliz aqui, e creio que vencerei. Num próximo livro, quem sabe, estarei contando os meus maiores sucessos!!!! Afirmo com toda a convicção a vocês que depois das minhas decisões e mudanças de atitudes, encontrei meu caminho, afinal nada muda se eu não mudar!!!! Erika sakugawa
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    Quais de mimvocê procura? 49 Um “raio” cai duas vezes no mesmo lugar: raios de bençãos! Há 20 anos, era junho de 1996 e ouvi o médico me dizer “Vamos para o hospital agora, você está a ponto de apagar... você e sua filha correm perigo”. Saímos correndo, e essa foi minha última lembrança antes de entrar em coma. Mas também guardo uma sensação, de que pedi a Deus por minha filha, e que se preciso fosse, que levasse a mim e a deixasse viver. Eu estava grávida, e tive eclâmpsia. A hipertensão arterial específica da gravidez recebe o nome de pré-eclâmpsia e, em geral, instala-se a partir da 20ª semana, especialmente no 3⁰ trimestre. A pré-eclâmpsia pode evoluir para a eclampsia, uma forma grave da doença, que põe em risco a vida da mãe e do feto. Do tempo em que estive em coma tenho memórias, e a primeira delas é uma música orquestrada, que inundava meus pensamentos. Minha mãe colocava uma música para eu ouvir... Não sei se com algum propósito específico, mas aquela música me dizia para voltar, queria me trazer de volta... E lembro-me de estar em um campo florido, com um lindo arco-íris, e uma sensação de paz e aconchego. Às vezes sentia que só faltava abrir os olhos, era uma sensação muito forte, mas eu não conseguia voltar. Lembro-me de ouvir a voz da minha mãe falando: “Seja resiliente, conversamos tanto sobre essa palavra...”. E ali, sem conseguir naquele momento me livrar do coma eu pensava: “Precisamos estar diante da morte, para dar valor às pequenas coisas da vida?” Quantas vezes gastamos nossa energia com coisas que não valem a pena, com coisas que nada acrescentam à nossa vida? E isso tudo me trouxe uma valiosa lição: não precisamos chegar perto da morte para fazer essas descobertas. Podemos e precisamos fazer essas reflexões agora, hoje, enquanto temos consciência e podemos agir por nossa própria vontade. O futuro – ah, o futuro, meu querido leitor, é incerto! Devemos sim nos preparar para o futuro, elaborar projetos, mas que estejam alinhados às nossas ações do presente. É necessário ter esperança, mas, sobretudo, sabedoria. Vislumbrar o futuro, mas principalmente saber aproveitar o momento presente. Por isso, quando consegui voltar do coma, foquei em ser a melhor mãe do mundo para a minha Marina. Não tive nenhuma sequela da eclâmpsia, mas fui informada de que não poderia ter mais filhos, e seguimos a nossa vida! Estudei, fiz meu sonhado Mestrado e posteriormente meu Doutorado. Com 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 50 isso, 19 anos se passaram...minha Marina na Universidade, saudável e feliz...quando descobri que estava grávida! Uau! O quê? Como assim? Inúmeras perguntas me fiz... fui em vários médicos e não obtive uma explicação científica. Fiz todos os exames e estava ótima, encarei a gravidez como uma bênção e estava muito feliz! Há 20 anos pesquisava sobre Resiliência, nas mais diversas esferas que podem imagi- nar... minha dissertação de mestrado e a tese de doutorado foram sobre a RESILIÊNCIA.... e nesseínterim,passeinoprocessoseletivodaForçaAéreaBrasileira(FAB),efuia01daturma de Oficiais lotada na EEAR...e ainda tenho muito a descobrir, pois o conhecimento é algo inacabado e o nosso cérebro é (ainda) um mistério a ser desvendado. Mas de ter minha tese reconhecida pelo Conselho Brasileiro de Psicanálise, é uma grande honra... e receber os feedbacks dos meus leitores não tem preço... saber que esta obra está ajudando as pessoas a serem protagonistas de suas vidas é o meu maior sucesso! É onde queria chegar... Então, no terceiro mês de gestação tive um sangramento, e constatei que a pressão arterial estava muito alta. Então indaguei ao médico, se eu tinha feito todos os exames, e cada gravidez é única, porquê estava com hipertensão no terceiro mês de gestação. Respostas diversas eu tive, mas nenhuma pontual. Na verdade não se sabe ao certo por que a eclâmpsia acontece. E tomei todos os cuidados para conseguir ir adiante com a minha gestação. E tinha escrito uma obra: RESILIÊNCIA – vença o stress e controle a pressão antes que eles dominem você! Virou um bestseller; e quando esta obra está no seu auge, e eu começo a ser requisitada para eventos importantes, inclusive internacionais e em programas de TV....tive uma pré-eclâmpsia grave aos 8 meses de gestação, onde meu marido ouviu do médico: “Vamos ter tempo de salvar somente a sua filha....” Hoje, tenho uma bebê de 9 meses, linda e saudável, e eu???!!!! Ah.... usei as técnicas resilientes e não entrei em coma de novo, não perdi meus rins e nem uma parte do fígado (como os médicos haviam previstos).... Sim...foi a minha RESILIÊNCIA! Todos nós podemos acionar a nossa resili- ência, e ela é imprescindível para todos os campos da nossa vida: familiar, pessoal, profissional, emocional, financeiro, etc.... O poder da nossa capacidade cerebral é in- questionável... conheça as técnicas resilientes e seja FELIZ! Ahhhh...e não aprendemos a ser resilientes; escolhemos SER!!!! Eu escolho ser resiliente, e você? Aceite meu convite, e desenvolva as compe- tências para ser uma pessoa resiliente e feliz! O despertar é intrínseco e pode ser acessado somente por nós mesmos, com a chavedoautoconhecimento,quandonospermitimosvivenciarassituaçõesaquesomos submetidos transformando conhecimento em comportamento. Após reconhecer a sua resiliência, você estará mais propício a entender o outro, a conviver melhor com as diferenças, e ter sucesso em suas relações, pessoais, sociais ou familiares, gerando um equilíbrio para os campos financeiros, emocionais, entre outros. Minha Marianne está aí, linda e saudável! Na minha opinião esses “raios” de
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    Quais de mimvocê procura? 51 bençãos serviram para me tornar uma pessoa melhor e ter a chance de rever meus valores, ajudar mais ao próximo e viver a vida com a plenitude que merece. Pois eu tenho medo de viver uma vida rasa, sem profundidade, de ver as situações apenas de forma superficial. E isso eu sei que eu não fiz e não vou fazer. Vivo cada dia com a intensidade e o respeito que merece. Eu escolhi ser resiliente, e você? Aceite meu convite, e desenvolva as competências para ser uma pessoa resiliente e feliz! O despertar é intrínseco e pode ser acessado somente por nós mesmos, com a chave do autoconhecimento, quando nos permitimos vivenciar as situações a que somos submetidos transformando conhecimento em comportamento. Após reconhecer a sua resiliência, você estará mais propício a entender o outro, a conviver melhor com as diferenças, e ter sucesso em suas relações, pessoais, sociais ou familiares, gerando um equilíbrio para os campos financeiros, emocionais, entre outros. MINI-CURRÍCULO: Érika mora em Taubaté, São Paulo, CEO do Instituto Stancolovich, é Ofi- cial R/2 da Força Aérea Brasileira. Doutora em Psicanálise, Mestre em Educação e Psicanálise. Graduou-se em Letras e Pedagogia; possui três Pós Graduações; é professora universitária, também é formada em Psicanálise Clínica, Executive Coach e Neurocoaching. É conferencista internacional e escritora. Ela é Diretora Pedagógica do Conselho Brasileiro de Psicanálise e Psicoterapias (CON- BRAPSI). É coautora de outras cinco obras. É consultora de carreira. É apresentadora do quadro: “5 min que mudarão a sua vida!” (Programa de incentivo ao empreendedorismo feminino). Possui um e-book: Como treinar o cérebro para alcançar o intangível! Vários projetos e artigos nas áreas: Educacional, Saúde Mental e Empresarial. Prêmios recebidos: – Referência elogiosa em frente a tropa pelo Comandante da Escola de Especialistas de Aeronáutica; – Diploma de honra ao mérito da Academia Taubateana de Letras; – Professora Universitária homenageada na Faculdade Anhanguera de Taubaté e UNITAU (Universidade de Taubaté); – Placa recebida pela UNICID (Universidade de São Paulo); – Certificado recebido pelo Comandante da EEAR, por ter idealizado e coordenado o I Seminário de Educação da Força Aérea Brasileira; – Prêmio recebido pela CONBRAPSI (Conselho Brasileiro de Psicanálise e Psicoterapias); – Menção honrosa recebida pela Polícia Militar do Estado de Minas Gerais; – Menção honrosa recebida pelo Rotary Club de Ponte Nova, MG. Érika no face: www.facebook.com/erika.veiga.7?fref=ts Fanpage /Instagram: Palestrante Érika Stancolovich Site: http://www.stancolovich.com.br Whatsapp: (12) 9 8112-9242
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    Quais de mimvocê procura? 52 Depois de certo tempo tudo que nos é estranho se torna familiar. Sem generalizações, tendo a acreditar que quando as pessoas tem um filho, este vem a ser o foco do casal num cenário onde outros aspectos da vida já estavam de alguma forma encaminhados. No nosso caso, saímos do Brasil em 2006 em duas pessoas e voltamos em três em 2015. Com a chegada de Samuel, além de aprender a sermos pais, tivemos que superar uma mudança internacional não planejada, readaptação a um país do qual havíamos ficado distantes por dez anos, um plano B de emergência sem ter procurado uma casa para morar, finalização de uma trajetória estabelecida e construída em outro país ao longo de uma década e início de uma busca de recolocação profissional no novo-velho país. Tudo isso ao mesmo tempo, sem intervalos. Noites em claro para suprir o trabalho que não pôde ser realizado durante o dia por conta da amamentação ou idas ao pediatra, ausência de refeições ou lanchinhos quebra-galho em pé, fim de qualquer privacidade ou perspectiva de descanso como eu conhecia por mais de quarenta anos. Tudo isso somado a um contexto estranho para a maior parte das mães e empreendedoras brasileiras – China, o Império do Meio. Grandes definições e transformações traduzem o ano de 2013. Resultado de uma longa jornada que começou em 2003 quando da primeira ida à China com uma bolsa do governo chinês para o estudo de mandarim na Universidade de Naquim. Isso permitiu-me trabalhar para uma empresa chinesa em São Paulo, quando retornei em 2004. Dois anos mais tarde, em 2006, retorno para China, agora na cidade de Wuhan para realizar meu MBA sobre mulheres em posições de gerenciamento e alta gestão. Pesquisei mulheres brasileiras e chinesas no mundo corporativo, suas barreiras e avanços. Na sequência, iniciei meu doutorado em Administração com o foco no empreendedorismo feminino destacando o caso da WEConnect International e sua forte atuação junto às empreendedoras. Ao mesmo tempo em que atuava na universidade, assessorava empresas brasileiras a negociar com empresas chinesas com viagens constantes por todo o país. Após completar toda a tese, fui viajar de férias para Indonésia. Foi um momento de grande reflexão. Na volta à Wuhan Daniel (meu marido) e eu conversamos muito sobre a vida e o futuro. Disse a ele que não queria mais continuar tentando engravidar. Já estávamos nessa estrada havia dez anos (fazendo uso da medicina 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 53 chinesa e ocidental) e sentia-me muito pressionada só de pensar em reiniciar qualquer tratamento. Maravilhas do universo, no dia dessa conversa nosso pequeno Samuel já estava sendo formado dentro de mim. A confirmação veio às cinco horas da manhã de uma segunda-feira chinesa em que nós dois participaríamos de uma conferência internacional dentro da universidade. Presidi uma das mesas e não havia como me concentrar! Na minha cabeça só vinham os dois tracinhos do teste de gravidez. Fui para o hospital no dia seguinte e a gravidez foi confirmada. Foram dias de comemoração e estado de graça. Yasmin, nossa sobrinha, estava lá e festejamos bastante. Na mesma semana Samuca foi conosco para Xangai dando continuidade aos debates do evento e a felicidade era total. A gravidez foi evoluindo e Samuel crescendo muito bem. Por conta da gravidez, comecei aos poucos a reduzir as atividades que então fazia com intensidade. Visita à fábricas, feiras comerciais, negociações, compra de equipamentos, foram ficando menos frequentes. Depois de algum tempo fui percebendo que a maternidade ia conduzindo também a vida profissional e tomando outros caminhos. Samuel nasceu em 23 de maio de 2014 e quando completou seis meses e, antes do rigoroso inverno, retornamos ao nosso país de origem. Já de volta ao Brasil, fui aos poucos adaptando o cotidiano às necessidade de Samuel. Também gradativamente começava a participar mais de atividades que envolvessem relações com a China, bem como empoderamento feminino. No início de 2016 fui nomeada vice-presidente para projetos e eleita conselheira da BPW-SP (Business Professional Women) – Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de São Paulo. Internacionalmente, virei membro para a América Latina do comitê BPW para a CSW - Comissão do Status da Mulher, instância da ONU - Organização das Nações Unidas. Representando essa organização passei ainda mais a me envolver com as questões de gênero e empreendedorismo feminino. Como representante da sociedade civil, fui escolhida em 2016 pela ONU Mulheres para ser assessora do GASC. Participando ativamente de eventos sobre o tema, tive a feliz coincidência de reencontrar uma antiga parceira de China, dando início a um novo trabalho sino-brasileiro. Atualmente faço parte de um time de consultores que presta serviços para uma multinacional chinesa que recentemente instalou-se no Brasil. Ainda não faço ideia de como equilibrar as aspirações e demandas da vida moderna. Estou num momento muito particular e pontual para cuidar do Samuel e isso faz com que o foco quase que totalmente seja nele. Não há equilíbrio nisso, corremos atrás do desenvolvimento saudável dele, mesmo que isso signifique, por ora, desequilibrar outros aspectos de nossas vidas. Sei que é o início da sua jornada. Estamos pavimentando o caminho para que ele seja independente no seu tempo. Entendo que o foco aos poucos voltará a ser dividido com outras áreas da vida. A ajuda familiar é fundamental nesse processo. Em especial, as avós do Samuca têm sido essenciais para seu desenvolvimento. E têm nos dado apoio para seguirmos em frente. Outro dia, em um evento, uma painelista perguntou para a plateia: se não fosse pelo dinheiro, você
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    Quais de mimvocê procura? 54 continuaria fazendo a mesma coisa que faz? Eu fiquei satisfeita ao saber que minha resposta interna foi um grande SIM! É essencial ser fiel ao que você acredita, pois assim a vida e o universo serão fiéis a você. Depois de certo tempo o que é estranho se torna familiar. Se no início eu achava estranho morar na China, país tão distante geograficamente e diferente culturamente, passei a navegar tranquilamente nessa sociedade. Percebi então que a maternidade mostrou-se muito mais complexa e intensa do que tudo que já havia vivenciado. A China passou a ser a regra de se viver para mim, a maternidade a excessão. Resiliência e perseverança passaram a nortear a rotina. Logo que Samuel nasceu fomos informados que ele poderia ter paralisia cerebral e foi internado na UTI. Felizmente saiu logo. O diagnóstico não foi confirmado. Na segunda internação na UTI, foi desenganado aos dois meses de idade e teve falência múltipla de orgãos. Mal tinhamos conhecido nosso pequeno e a possibilidade de não tê-lo mais era praticamente certa. Como um milagre, ele superou todos os diagnósticos negativos e venceu todas as dificuldades. Dificuldades essas de caráter biológico, mas também de preconceitos culturais. Aos cinco meses de gravidez nos ligaram dizendo que havia algo errado e que tínhamos que ir ao hospital conversar. Já antes de nascer, Samuel sofreu bastante resistência por parte do corpo médico que o tentou tirar o quanto antes. Na véspera da cesária perguntaram o que deveriam fazer com ele caso o diagnóstico se confirmasse. Afinal, segundo eles nosso filho seria menos inteligente, menos saudável, não seria bonito. Acontece que ele é tudo que disseram que ele não seria, e muito mais. Samuel também é Down. Quais de mim você procura? Samuel encontrou todas. Erika Zoeller Veras
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    Quais de mimvocê procura? 55 E AGORA? MÃE OU EMPREENDEDORA... Quando meus pais se separaram, eu tinha 6 anos, e apesar de ter uma família muito boa, sofri muito e carreguei várias marcas e traumas dentro de mim. Eu achava que não precisaria de ninguém para construir minha vida, que eu realizaria tudo que quisesse sozinha, e só depois de estar com a vida “pronta e bem sucedida” eu me casaria. Já ouviram: “Cuspir para o alto e cair na testa?” Nem sempre os nossos planos, são os planos de Deus. Em Agosto de 2003, aos 19 anos, eu descobri que estava grávida. Foi um grande susto! Mas amei meu filho desde o momento em que soube de sua existência e sabia que dali em diante minha vida nunca mais seria a mesma. Em Dezembro de 2003 me casei, e em Março de 2004, meu amado Guilherme nasceu. Na época, eu e meu esposo, trabalhávamos na mesma empresa. Eu era funcio- nária e ele prestador de serviço. Tirei licença maternidade e férias e consegui ficar com meu filho até os 06 meses. A idéia de voltar a trabalhar e deixá-lo era enlouquecedora. Próximo ao retorno, fui demitida, e fiquei feliz em saber que poderia ficar com meu filho, porém frustrada, pois além de precisar do emprego, eu não cogitava ficar sem trabalhar. Então em Novembro de 2004, eu e meu marido, fundamos a Silvertel Telefonia. A sala da minha casa, uma mesinha velha de bar, um computador usado e um telefone, eram o meu “novo emprego”. Diversas vezes atendi ao telefone com meu filho no colo, mamando, dormindo ou tentando fazê-lo ficar em silêncio. Muitas vezes, minha cachorra latia e eu tinha que inventar desculpas para justificar aos clientes. Mas era bom demais, conciliar maternidade e trabalho. Alguns meses se passaram e sentimos a necessidade de ter um escritório, e com isso meu filho iria para escolhinha. Meus sentimentos eram contraditórios, alegre pelo passo que estávamos dando, e triste em deixá-lo sem meus cuidados, afinal, em minha cabeça, ninguém cuidaria dele tão bem quanto eu. Mas para meu alívio, ele foi para escola, somente por meio período, e eu ainda tinha oportunidade de cuidá-lo e estar perto dele. Dois anos depois, a empresa cresceu e em 2007 mudamos novamente, porém dessa vez, para um lugar maior e mais longe, e então ele foi para escola em período integral. Meu coração doía todas as vezes que eu tinha que acordá-lo e deixá-lo na escola cedo. Mas eu sabia que era necessário, e mesmo com a rotina tão agitada, agradecia a Deus por 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 56 ter meu negócio próprio e ter algumas regalias, como por exemplo, cuidar dele quando estivesse doente. Em 2009, a empresa estava em seu melhor momento, representávamos uma empresa renomada, e a carga de trabalho (minha e de meu marido) era exaustiva, quase todos os dias eu pegava o Guilherme na escola às 17 horas, e levava para o escritório comigo e ali ficávamos até as 22 horas. Ele ficava desenhando ou jogando algo no computador. Muitas vezes, eu lhe dava lanches para comer. Eu me sentia culpada em fazer isso, mas não havia alternativas... E por meses nossa rotina foi essa! Em Setembro de 2009, em um domingo, meu filho reclamou de dor na perna. Eu olhei e não tinha nada aparente, conversei com ele, fiz uma “massagem de mãe, que cura tudo” e pedi pra ele avisar se a dor continuasse. Ele tinha 05 anos, era saudável, brincava e pulava. Pensei serem dores de criança apenas. No dia seguinte, levei-o para escola cedo e por precaução alertei sobre a queixa que ele tinha feito e pedi que obser- vassem. Fui trabalhar. Na parte da tarde, me ligaram da escola, pedindo pra eu buscar o Guilherme, pois um amiguinho trombou com ele e ele estava chorando muito com dores na perna. Desse dia em diante, vivi os piores momentos da minha vida. Após exames e inúmeras consultas médicas, com os mais variados especialistas, foi descoberto um tumor ósseo em seu fêmur esquerdo e era necessário realizar uma biopsia. Eu só chorava, e pedia a Deus para não permitir que meu filho tivesse câncer. Muitas vezes, sem eu querer, eu me imaginava em um cemitério, enterrando meu filho, eram pensamentos involuntários e horríveis. Eu achava que era culpa minha, me sentia muito mal por não ter percebido isso. Achava que tinha abandonado meu filho em muitos momentos. Mas, para honra e glória de Deus, o resultado foi benigno! Porém era necessário realizar um enxerto ósseo, pois seu fêmur estava como uma casca de ovo, muito fino. No dia 24 de Outubro de 2009, dias antes de realizar o procedimento cirúrgico do enxerto, ele fraturou o fêmur. Ele não caiu, ele não esbar- rou em nada, apenas deu 3 passos e o quebrou. Necessitamos chamar os bombeiros, para levá-lo ao pronto-socorro. Meu filho gritava de dor e eu chorava desesperada- mente. No hospital, umas das cenas mais marcantes, foi o momento de tracionar o osso. Jamais me esquecerei disso. A partir daí, todos os planos médicos mudaram. Foi necessária a fixação externa de uma haste e 05 pinos metálicos para estabilização e calcificação do osso. Meu filho não poderia colocar o pé no chão e dobrar a perna por 90 dias, além de precisar de curativos e limpezas diárias em sua perna. Passou a ser totalmente dependente de mim e de cadeira de rodas, aos 05 anos. Em Janeiro de 2010, o procedimento de enxerto foi realizado, e em Fevereiro a haste e pinos foram retirados, porém meu filho não sabia mais andar. Foram necessárias diversas sessões de fisioterapia e hoje ao recordar, eu me surpreendo e me emociono com o empenho e dedicação dele em realizar os exercícios. Mais uma vez, para honra e glória de Deus, meu filho ficou bem e curado. Passado todo o susto e sofrimento chegou o momento de voltar a trabalhar.
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    Quais de mimvocê procura? 57 Foram 5 meses afastada de minha empresa. Ao retornar, me dei conta que a empresa estava totalmente devastada, com muitos problemas e perdendo muito do que tínhamos conquistado. Precisávamos recomeçar: “limpar a terra, arar, adubar e plantar”. E a colheita logo começou a acontecer! Paralelamente, vendíamos roupas importadas e realizávamos pequenos bazares em minha casa. Em 2012, desfrutávamos de estabilidade novamente e tudo corria bem. Porém em 2014, em virtude do cenário político-econômico de nosso país, começamos sofrer sérios problemas e a estabilidade da empresa ficou abalada. Meses depois, beirou a falência! Toda a renda de nossa família dependia exclusivamente da Silvertel. Era necessário agir! Decidi empreender em outro ramo, paralelo ao de telefonia. Fiz diversas tentativas, passando pelo artesanato, cestas temáticas, chinelos customizados e revenda de produtos naturais. Nada dava certo, mas eu não iria desistir. Em Agosto de 2015 fundamos a Gold Presentes e Cosméticos e focamos em produtos de beleza, comercializados através de loja virtual. Sentimos na pele a difícil missão de estabelecer uma empresa com tantos concorrentes no mercado e um público totalmente diferente do que estávamos acostumados a lidar. Foram meses de erros e muito aprendizado. Eu desejava muito abrir uma loja física, mas por conta dos investimentos necessários e falta de recursos financeiros, não seria possível no momento. Quebrava minha cabeça tentando achar uma forma de divulgar e estabelecer minha empresa no mercado com custo acessível. Foi então que pensei em retomar os bazares, porém agregando outros nichos. Esta idéia ficou guardada na minha caixinha de sonhos. O tempo foi passando, e em 2016, em uma conversa com mulheres empreendedoras, nos desafiamos a tirar nossos sonhos da caixinha. Foi então, que eu resolvi resgatar o meu sonho, e idealizei o Bazar de Mulheres, que tem por objetivo a união, a promoção, o incentivo e a divulgação do trabalho de mulheres empreendedoras. Se você me perguntar se eu sou bem sucedida, depende... O que é ser bem sucedida? Ter milhões em dinheiro, carros importados e riquezas materiais? Então não sou (ainda... risos). Mas se ser bem sucedida é realizar o que se gosta, trabalhar duro, mas feliz e poder acompanhar o crescimento do meu filho, então sou sim! Empreender é difícil, empreender e ser mãe é mais difícil ainda... Ganhar dinheiro? Dificílimo! Mas o que é fácil nessa vida? Podemos cair muitas vezes, e isso não será um problema, se soubermos que podemos e devemos nos levantar e nos reinventar. Não desista nunca!!! Gabriela Silvério
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    Quais de mimvocê procura? 58 Quando tudo diz que não... Continue que não é o fim... Eu sou Gezane Almeida, 40 anos, mãe, esposa, filha, amiga e empreen- dedora, com muita alegria. Mas nem sempre foi assim... Tive uma adolescência tran- quila, mas aos 19 anos, achei que deveria me casar, todas fazem isso, não é? Somos criadas para isso. Só que o meu casamento foi desastroso. Saí do relacionamento com dois filhos, a Fernanda, na época com 9 anos, e o João Pedro, que tinha 1 ano. Quando meu casamento terminou, eu estava destruída emocionalmente e com tantas dívidas que a única coisa que me restava era trabalhar, e muito. E foi o que fiz, trabalhei. A minha preocupação em lidar com aquela situação foi tão grande, que durante dez anos, foi assim que vivi. Achava que estava sendo mãe por colocar comida dentro de casa e tentar pagar as contas. Tentar mesmo, pois financeiramente sempre fui um desastre, e meus medos só pioravam a situação. Hoje descobri que aquelas eram crenças negativas. Nesse meio tempo, minha filha Fernanda foi morar com o pai, e isso quase me matou. Mas eu tinha o João Pedro, e ele precisava de uma mãe viva. Minha mente já tinha reclamado uma vez e agora, na ida da minha filha, novamente, mas eu tinha que ser forte, não poderia desistir... Não poderia. Continuei sem pensar em mais nada a não ser em trabalho – todos sabem que amo trabalhar. Quando chegava em casa eu não dormia, desmaiava! E estava bom, confortável, meu filho estava perto, mas não percebia que ele estava crescendo. Só quando ele estava prestes a fazer 10 anos, eu compreendi que ele precisava de um adulto por perto para ajuda-lo nas mudanças que começariam a acontecer por conta da chegada da pré-adolescência. Isso começou a me incomodar de tal forma que parecia que algo dentro de mim estava gritando. Mas eu era divorciada e minha família não poderia me ajudar. Em 2014, após algumas mudanças, conheci meu atual esposo, Glaubio Luiz. Durante um ano tornei a vida dele muito difícil. Começamos a namorar, mas ele tinha o passado dele e eu tinha muitos traumas e medos. Eu não confiava em nenhum ser humano, principalmente um homem. Em julho de 2015 minha vida desmoronou por completo. Meu corpo e mente 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 59 não resistiram e entrei em um estado de depressão tão grave, que para mim era como se tudo tivesse acabado, como se toda minha vida tivesse ficado cinza. Sempre me culpei por todos os fracassos e nunca falei nada para minha família, não poderia, eu tinha vergonha de mim, da minha arrogância da adolescência, de tudo. Passei um mês tão mal que estava no limite da loucura. Eu me via só, mas não estava. Apenas minha fé me ajudou a não desistir. O Glaubio teve que ser forte por mim e por ele. Cuidou de mim e do meu filho com o pouco que tinha, quase nada, mas sobrevivemos e minha família mostrou para mim que amor é amor e apenas isso. Eles se uniram a mim e a minha causa, e Deus, na sua infinita bondade, mandou muitos anjos que oraram e cuidaram de mim. Foi um mês desafiador para a mente e a alma. Fiz coisas neste mês que só minha família e alguns amigos mais próximos sabem, loucura mesmo. Mas dessa vez não tive vergonha, enfrentei. Ao final dele resolvi voltar a viver, decidi voltar para o mundo real. Em agosto passei em uma consulta com uma terapeuta e ela me disse que o que eu estava sentido era resultado de muita pressão e muito desgaste, ao longo de todos aqueles anos. Entendendo melhor o que eu estava sentindo, voltei para o trabalho, mas aquele já não era mais meu lugar. Entrei em um acordo, agradeci e saí para viver algo que eu ainda não sabia o que era, mas tinha certeza que não era aquilo. Meu esposo me disse que eu deveria viver como se estivesse de férias. Foi difícil, mas tentei. O trabalho já tinha se tornado um vício, e eu sempre amei trabalhar. Comecei a observar mais o meu filho, ser mãe, e dona de casa. Com um pouco mais de tempo livre, passei a fazer alguns cursos no SEBRAE. Como já tinha tido um comércio em 2003, conhecia o lugar e sabia que lá poderia abrir minha mente e aprender coisas novas. Iniciei um planejamento para voltar ao trabalho, mesmo sem saber com o que trabalharia, e aos poucos fui também cuidando da alma. Um dia, enquanto estava no Facebook, encontrei um grupo de empreendedoras. Isso me chamou atenção e resolvi pedir para participar. Ao ser aceita, vi o que as outras mulheres faziam, percebi que muitas delas se apresentavam quando entravam no grupo e fiz o mesmo. Rapidamente as pessoas me responderam, entre elas a Adriana Valente, e a Rose Gonçalves, ambas me dando dicas. Quando vi a Rose algo em mim se alegrou. Passei a observar o trabalho dela e me envolver nesse grupo maravilhoso. Todo dia tinha novidades para meu esposo, e entrei de cabeça e coração. Passei a me esforçar para colocar cada dica que eu vi no grupo em prática. Eu fui mudando, aprendendo e vendo as necessidades das outras pessoas. Meu filho ganhou uma nova mãe e eu comecei a trabalhar com vendas diretas. Comecei a enxergar que eu tinha potencial para alcançar muito mais, e para cada necessidade minha, encontrava no grupo profissionais que me ajudavam, e eu me permitia, e permito, fazer a minha parte, colocar tudo em prática. Conheci o mundo do coach, e através dessas profissionais, seis meses depois sou uma outra pessoa. Estou 10 quilos mais forte, mentalmente e emocionalmente
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    Quais de mimvocê procura? 60 saudável, e sigo firme em minha fé. Sou uma pessoa alegre e compartilho tudo que aprendi para poder ajudar outras pessoas, assim como eu fui ajudada. Há três anos não vejo minha filha, que hoje mora na Paraíba, e meu desejo de vê-la sempre foi imenso. Pensando nisso, tive a ideia de me unir a outras mulheres e criar o Bazar Das mulheres de Atitude. Que já é bem conhecido nas redes sociais e através dele fiz muitas amizades com empreendedoras que têm ou tiveram os mesmos desafios que eu. E quanto a minha filha? Agora, em agosto, eu estarei lá. Hoje sou determinada, e sei onde estou, mas também onde quero chegar. E vou levando comigo quantas mulheres eu puder para a linha de chegada. Recebi uma missão de deixar um legado para meus filhos e para as próximas gerações. Não posso olhar para trás. Quem quiser ir comigo, irá. Quem não quiser, que me desculpe, mas eu tenho que ir. Minha motivação não vem de coisas materiais, mas do legado que tenho que deixar. Durante meus 39 anos, vivi do jeito que dava, hoje eu crio minhas oportunidades. Filhos, família, amigos e meu esposo estão comigo, e deixo bem claro que não importa onde vou chegar, quero todos com livre acesso a mim, sabendo que sou um ser humano sempre. E logo, logo terei muitas novidades, mas deixo para um próximo capítulo. Por que Quando Tudo diz Que Não... Sei que poderei sim ir muito além, com minha fé, esforço e muito amor, pois eu decidir AMAR... Gratidão a todos que fazem parte de minha história de vida, e não pude colocar aqui. Fé, Força e Foco. Gezane Almeida
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    Quais de mimvocê procura? 61 {Entre nós} Sou Ivete Costa, terceira filha entre 6 irmãos. Mãe de uma linda menina de trinta anos e estou na área terapêutica há mais de vinte anos. Mineira, amante do pão de queijo e apaixonada por “causos”. Uma aprendiz da vida, vitoriosa em algumas buscas e, algumas vezes, derrotada por mim mesma. Sucesso? Para mim é estar bem, fazer o que gosto, ouvir e ajudar as pessoas a encontrarem a saída do labirinto que a vida nos coloca, de tempos em tempos, para nos estimular ao crescimento. Não sou boa contadora de histórias. Adoro ouvir, talvez essa seja a minha maior virtude. Me emociono ao ver como cada Ser carrega em si a sabedoria da própria trajetória, os caminhos e aventuras que cada uma de nós já passou, superou e aprendeu. Olhe para trás e veja quantas vitórias já obteve! Somos incríveis. Cada uma ao seu modo. O que você irá ler a seguir, faz parte da minha própria busca e os caminhos que trilhei, e ainda sigo, como mulher, mãe e empreendedora. E você, quem é? Talvez não a conheça. Mas, tenho certeza que é também uma buscadora. Uma mulher de glórias e de lutas. E, se chegou até aqui, sabe o valor de aprender, compartilhar, cooperar. Parabéns! Conte comigo, com meus anos de glórias e de lutas. Sou, essencialmente, uma buscadora. Ariana inquieta que leva no coração o propósito de ajudar outras mulheres a encontrarem o seu melhor, sua versão mais atualizada e vencedora! Acredito que cada uma de nós tem seu próprio dicionário, seus próprios significados. Sucesso para você pode ser diferente do que significa para mim. O importante é você caminhar e seguir seus significados e ser fiel aos seus propósitos de vida. Amiga, ser empreendora é “punk” e requer autenticidade, entusiasmo, amor e garra, que vem da fé em si mesma e da comunhão com o Sagrado que há em ti. O empreendedorismo, cada vez mais, vem sendo uma opção de carreira e renda para as mulheres brasileiras. Observa-se, que o medo do fracasso impede que muitas mulheres não transformem oportunidades, ideias, potencialidades e criatividade em bons negócios. O insucesso, seja num empreendimento ou numa meta não alcançada, deve ser visto como aprendizado. Refletir sobre o insucesso contribui para minimizar a 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 62 concepção de fracasso como um tabu e preconceito no mundo dos negócios. O fracasso faz parte das adversidades e dos riscos de empreender. A resiliência é a capacidade para enfrentar e superar experiências de adversidades e sair fortalecida e transformada para o próximo passo. “Levante-te e anda.” Ser empreendedora é uma atitude de vida. Um comportamento que faz parte do perfil individual e que, necessariamente, não é preciso que se tenha uma empresa para ser empreendedora. A atitude empreendedora tem a ver com a forma com que encaramos a vida e nos comportamos diante dos obstáculos, adversidades e desafios. Como você lida com as adversidades? Como uma oportunidade ou como uma terrível ameaça? A empreendedora encara a vida com positividade, está sempre disposta a recomeçar. Ativa, determinada, usa a criatividade para descobrir novos horizontes e oportunidades. Com visão sistêmica, reconhece que a vida é um todo e que todas as áreas de sua existência são igualmente importantes. Essa visão faz com que aprenda e desenvolva habilidades para organizar seu tempo de acordo com as necessidades de cada área ou acontecimento. Nasceu sabendo? Sabe para sempre? Não! Mas, tem o aprendizado e o aperfeiçoamento, pessoal e profissional, como meta. A mulher empreendedora não pára no tempo, não se acomoda e não conhece a zona de conforto. É intensa, pulsante, e o seu verbo preferido é: avançar! A liderança faz parte do perfil da mulher empreendedora. Sabe reconhecer, incentivar e estimular o crescimento dos seus parceiros de negócio e colaboradores. Empreender é uma atividade de risco. Em muitos momentos, é necessário abrir mão de algumas coisas, situações e eventos para dedicar-se quase que inteiramente ao empreendimento. Nem sempre as pessoas ao nosso redor compreendem a complexidade e a responsabilidade envolvidas no ato de empreender. Geralmente, a empreendedora tem um ritmo interno intenso, muitos pensamentos e atividade mental incessante – articulando, planejamendo, refazendo rotas, criando. Nem sempre são pensamentos positivos, ordenados e de qualidade. E essa movimentada atividade cognitiva pode afastar você do momento presente e das pessoas. Para que consiga perceber melhor o que se passa ao seu redor, manter a mente criativa, solucionar problemas e gerar inovação, é preciso ter paz, momentos de tranquilidade nas ondas agitadas de pensamentos. Afinal de contas, o sucesso também deve contemplar a saúde física, emocional, espiritual e nos relacionamentos. Cada uma de nós pode descobrir atividades relaxantes, que nos ajudem a repor as energias. Entre elas, destaco as que conheço, pratico ou já pratiquei: meditação, yoga, atividade física, dança, canto, artesanato, ação voluntária. Que seja algo prazeroso, descontraído e que tenha a ver com você. Nós, mulheres, temos um sistema hormonal complexo, sensível aos nossos sentimentos, emoções e pensamentos. As emoções interferem na avaliação de oportunidades e influenciam a percepção de risco e tomada de decisões. Essa é uma
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    Quais de mimvocê procura? 63 área delicada que precisamos sempre cuidar, principalmente as jovens mulheres acima dos quarenta anos. Como podemos cuidar das nossas emoções e pensamentos? A inteligência emocional faz parte do nosso desenvolvimento e aprendizagem diária.Olharparasimesma,observarospensamentos,sentimentosecomportamentos. Ajustar a ação para que esteja alinhada aos propósitos, evitar a ansiedade, equilibrar razão e emoção. Observar a si mesma para conhecer-se melhor, curtir quem você é, aceitar seus deslizes e pontos fracos. Não perder tempo, energia e autoestima comparando-se a quem quer que seja. Reconhecer sua luz, seus pontos fortes e aprender a fazer desses pontos fortes ações rumo ao sucesso, ao ponto aonde quer chegar. Validar quem você é. Comemorar suas vitórias e compartilhar com todos que te apoiaram e tornaram sua trajetória mais feliz, mais iluminada, incluindo aqueles que, a princípio, “atrapalharam”, desmotivaram, etc. Esses também te ensinaram algo. Como diz um velho ditado: até um pé no bumbum nos faz andar para frente. A esses, nossa vitória! Um brinde! Você é mãe! Mãe empreendedora. Parabéns! Lembrando que você é seu primeiro empreendimento. Estando bem, estará bem para os seus. Casada? Vale lembrar que o seu relacionamento merece você mais inteira, mais entregue na relação, mais presente quando estiver junto. Segundo Bert Hellinger, criador da Constelação Sistêmica Familiar, o bom relacionamento do casal tem suma importância para a saúde emocional e o futuro dos filhos, independente de estarem casados ou separados. A Constelação é um excelente caminho para ajustar o relacionamento, aparar as arestas, potencializar a relação, harmonizar o clima familiar como um todo. Os filhos necessitam da nossa presença. Não apenas a presença física, mas a presença inteira, envolvida com eles, por eles, com suas questões, necessidades, dificuldades, experiências, vivências e aventuras. Acompanhar o crescimento e as descobertas dos nossos filhos é uma das ativi- dades mais recompensadoras que existem. É uma benção e um empreendimento que requer muito de nós. Uma responsabilidade compartilhada e escolhida de longo prazo e de alcance mundial, planetário. Que seja um empreendimento de sucesso! Como tudo na vida deve ser – um dia de cada vez, um passo após o outro e, às vezes, passos para trás para repensar, rever e escolher novas atitudes. Culpa? Não perca seu precioso tempo com negatividades. Caso chegue a conclusão que precisa mudar, mude! Se está difícil ou não é possível sozinha, busque ajuda. O Coaching é uma atividade excelente e que pode te ajudar a organizar melhor seu tempo e desenvolver algumas habilidades que irão contribuir para sua vida pessoal e seu empreendimento. Nao busque a perfeição. Busque conhecer melhor seus filhos, olhar nos olhos, ouví-los, estar presente, de fato, quando está com eles. Ofereça estímulos, aprendizados e experiências diversas, individuais e em família. Esteja disposta e aberta ao diálogo
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    Quais de mimvocê procura? 64 franco. Paciência para ensinar e curtir a vida com eles. O que é feito com amor, dedicação e presença, vale mais e tem efeito curativo. Problemas maiores com os filhos? Busque ajuda de um profissional. Somos todas aprendizes de um novo tempo na vida da mulher. Nunca na história tivemos tantos direitos e tantos e variados deveres. As últimas gerações trazem em si a transição e toda mudança requer pessoas corajosas, determinadas e dispostas a algum sacrifício. Estamos fazendo história, criando novas formas de Ser, pensar, sentir e realizar em sociedade, na familia, nos relacionamentos e no amor. Não temos modelos a seguir. Rascunhamos, escrevemos, apagamos e escrevemos novamente cada página dessa virada na vida das mulheres e que tem gerado profundas mudanças sociais. Queosdeusesnosajudemadarmospassosconscientes,primeiro,internamente, mudando por dentro de nós mesmas, na família, com os filhos e no relacionamento. Novas atitudes criam novas realidades. Desejo que você seja feliz nos seus empreendimentos. Que a beleza dos seus propósitos, juntamente com a força amorosa, acolhedora e pacífica da energia feminina, te conduzam ao sucesso. Conte comigo! Juntas, compartilhando e trocando experiências podemos ir mais longe e melhor. Bem a todas nós! Ivete Costa
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    Quais de mimvocê procura? 65 Reinventar-se é acreditar no melhor, sempre Creio que nasci empreendedora. Desde criança eu inventava algo para vender. Na época de escola, minha mãe vendia bijuterias e eu era quem colocava os preços nas peças. Muito jovem eu já apostava no empreendedorismo nato e arrisquei iniciar meu próprio negócio, característica de pessoas que são guerreiras e não fogem à luta. E a aposta deu certo. Eu tinha acabado de sair de um emprego, onde trabalhava como vendedora em uma franquia de cosméticos de renome. A rescisão contratual, há quinze anos, foi de R$ 3.000,00. Minha mãe sugeriu então, que eu trabalhasse com esses carros de mensagens. Mas com o valor que tinha em mãos não era possível comprar um carro, adesivar e equipar com o som necessário para o empreendimento. Meus pais viram ali, uma oportunidade e apostaram no meu espírito empreendedor. Ajudaram na compra do carro e do equipamento, além dos adesivos. Era época do dia das mães e a cidade onde moro até hoje – Planaltina ficou em polvorosa com a novidade. E eu, mais do que ninguém, acreditei no negócio. Passei mais de vinte quatro horas trabalhando sem parar para alegrar as mães de quem contratou meus serviços. Nesses praticamente dois dias, banquei o investimento de R$ 10 mil aplicados na compra do carro e transformação do mesmo em mensageiro do amor. Fui me aprimorando no negócio, fiz cursos, me capacitei e em dado momento, me vi grávida. Minha filha nasceu e eu precisava criá-la, mas sem desistir do meu negócio. Nesta época, eu já tinha uma loja de cestas de café da manhã e mantinha o carro de mensagens. Minha menina dormia no carro, enquanto eu fazia as mensagens. Pra piorar a situação, fomos despejados da casa em que morávamos de aluguel, por falta de condições em arcar com essa despesa. Eu, minha filha, meus pais e minhas duas irmãs fomos então, morar na loja. Momentos tensos e de muita dificuldade que não foram suficientes para me fazerem esmorecer. Foram dois anos nessa situação. Conheci uma pessoa, me apaixonei, namoramos e novamente engravidei. Parecia uma relação estável, mas acabamos nos separando. E lá estava eu mais uma vez, sem casa e agora, com dois filhos. Assim segui, trabalhando duro, montando meus arranjos, cestas, comprando 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 66 material para a loja e fazendo mensagens. Não tive resguardo do segundo parto. E nesse desespero, encontrava consolo em Deus, sabendo que ele não dá cruz mais pesada do que aquela que somos capazes de carregar. Acabei voltando para o pai do meu segundo filho. E, após seis meses dessa “reconciliação”, mais uma gravidez. Nasceu então, meu terceiro filho. Porém, a relação com o pai dos meus meninos não era harmoniosa. Brigávamos muito, ele não tratava bem minha filha mais velha e resolvi me separar. Voltei a morar na minha loja, agora com as três crianças, numa luta constante em que eu não acreditava e nem sabia o porquê de estar passando por isso tudo. As coisas foram melhorando e consegui alugar uma casa. As dificuldades aos poucos eram superadas e venci trabalhando duro. Mas sempre com meus três filhos a tiracolo. Ser mãe não é tarefa fácil. Ser mãe e manter o espírito empreendedor é um desafio ainda maior. Mas quando acreditamos em nossos sonhos, não há dificuldade que nos impeça de seguirmos adiante. Mas ao longo do tempo, após três partos, engordei trinta quilos. Achava-me feia, cheguei a ter estados depressivos. Foi quando, em 2012, me inscrevi em um concurso de miss plus size e fiquei em segundo lugar entre as premiadas. Foi o momento em que refleti sobre estar acima do peso e como eu poderia tirar proveito disso, ao invés de me lamentar. Meus filhos se orgulharam de mim. Passei a me ver como uma mulher bonita, mesmo gordinha e que poderia ajudar outras mulheres na mesma situação a resgatarem sua autoestima. Criei um grupo a partir de uma marca – Bsb Plus Size; realizei concursos; fizemos calendários e até publicamos uma revista mostrando que estar acima do peso não é motivo para se achar a última das criaturas. No ano passado, devido a dificuldades financeiras, estava prestes a fechar minha loja e perder meu carro que era financiado. Foi quando resolvi inscrever-me em um quiz show no Programa do Faustão. Consegui acertar as respostas e ganhei um prêmio de R$ 128 mil que deu uma guinada em minha vida. O que posso dizer para as pessoas, principalmente para as mulheres, é que nunca desistam de seus sonhos. Passei por inúmeras dificuldades, caí, levantei, caí novamente e me reergui. E a vida é movimento. Precisamos estar atentos ao que nossa alma busca para seguirmos em frente, com fé em nós e na nossa capacidade de nos refazermos. Considero-me uma verdadeira “fênix” e posso afirmar que sou uma mulher empreendedora, mãe com muito orgulho, mas acima de tudo, feliz. Janaína Graciele
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    Quais de mimvocê procura? 67 A vida de trás pra frente. Quando fui convidada a contar um pouco de minha história para o projeto Quais de mim você procura - Mães Empreendedoras, eu sentia que a emoção ia vir forte em cada palavra. Porque ao contrário da maioria das pessoas, que namora, estuda, faz faculdade, se casa, empreende, e quando vê sua vida estabilizada tem filhos, a minha vida começou ao contrário. Hoje quando olho para trás, vejo como tive que aprender a ser mulher, mãe, empreendedora ao vivo, sem ensaios, com muitos erros e acertos. Aos dezesseis anos fui mãe e vi minha vida mudar completamente. Cursava o segundo ano colegial e como toda adolescente minha vida era cheia de sonhos, planejava fazer intercâmbio, ia para escola, clube, aulas de dança, festas, tinha muitos amigos e de repente tudo mudou para fraldas, mamadeiras, casamento, vestibular, vida nova, grandes desafios, mas muitas, muitas alegrias. Mesmo com todo contratempo e imprevisto posso dizer que tive uma gravidez muito feliz. E em um dia de férias, num café com minha vó, conversamos bastante sobre o papel da mulher nos últimos tempos, ativei suas memórias e a levei ao passado. Ouvindo minha avó, percebi que, nem em seus melhores sonhos, ela poderia imaginar estarmos nós aonde chegamos hoje; tanto na carreira, nas escolhas, nas oportunidades, nos relacionamentos e na vida. Realmente temos muito a comemorar. O mundo viu como a mulher pode influenciar e ter seu lugar no mundo. No entanto, na vida real vimos que ainda temos muito que caminhar. Mesmo ocupando quase metade do mercado de trabalho, mais capacitadas, graduadas em maior número, nós ainda não só ganhamos menos, como também somos apenas 7,9%, no Brasil em cargos de liderança e conselhos administrativos. Ainda demoramos a achar nosso caminho, ser protagonistas de nossas vidas, e comigo não foi diferente. Mãe, jovem, inexperiente, cabeça cheia de dúvidas, fui morar em uma cidade do interior de Minas Gerais, aos dezenove anos, onde passei no vestibular e fazia Direito. Morava sozinha com meu filho Victor, um menino lindo, cheio de vida e muito maduro, companheiro. Mas confesso que não foi fácil administrar meus diversos papéis relâmpagos. Mãe, estudante, dona de casa, mulher e ter de lidar com diversos problemas desde a cuidar de um lar, a ser uma boa aluna, cuidar de uma criança e suas internações por pneumonia, infecções que não eram nada graves, mas para mim era um verdadeiro tsunami, conviver com vizinho alcóolatra, que foi uma ameaça diversas vezes, sem me tornar uma pessoa amarga, sem perder a alegria de viver, não foi tarefa 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
  • 68.
    Quais de mimvocê procura? 68 fácil. Aprendi a conviver com momentos de solidão, a preencher meu dia ao máximo para não ver o tempo passar e a me encantar, chorar escondido com as vitórias de meu filho que adorava histórias de lobo, desenhos e saiu da escola pulando de alegria quando conquistou a estrelinha de bom comportamento. A vitória dele era a minha e esses momentos jamais vou esquecer. Mesmo com tantas coisas novas acontecendo, não foi fácil encontrar meu caminho: ainda neste período, certa vez fui a São Paulo e por obra do destino, fui convidada a trabalhar com televisão, campanhas publicitárias, participações em novelas e um mundo novo era apresentado a mim. Pessoas novas, cores, ritmo, pensamentos diferentes, abriu meus poros e minha mente. Minha vida mais uma vez se transformou. E eu, uma jovem mãe me vi indo e vindo para capital paulista com criança pequena, encarando um novo mundo, de descobertas, medos, mas também de muito entusiasmo. Mas com o tempo, percebi que a dúvida entre carreira, família, maternidade, nos acompanha de modo estigmatizado em vários momentos da vida. Desde a hora de aceitar ou não uma desejada promoção, assumir estar na vitrine, ao momento de aceitar os méritos de um elogio, de se colocar como gestora, de se preocupar com resultados e não ser a Miss Simpatia. Todas essas questões fazem parte da nossa rotina e coloca a todo instante nosso empreendedorismo em “xeque-mate”. E em nome de tantas dúvidas e escolhas, tranquei faculdade, empreendi, achei que conhecia o mercado, abri negócio, fechei negócio, fracassei, me iludi algumas vezes, e muitas outras; pensei em desistir. Ou pior, muitas vezes não acreditava mais em mim. E aquela velha pergunta da menina/adolescente cheia de sonhos: O que você quer ser quando crescer? Foi se tornando vaga, remota e distante. Mas como digo minha vida sempre foi vida real, e entre tantas dúvidas veio outra grande certeza de amor em minha vida. Chegava ao mundo, sete anos depois, o Arthur. Um menino alegre, falante e inteligente. Meu reino mudou, agora estava com- pleto e eu já não era mais a mesma. Durante esse tempo, resolvi curtir a maternidade e por alguns meses apertei o Pause para toda minha incógnita e nada promissora vida profissional. O que viria depois, honestamente, nem eu sabia. Mas sabia de uma coisa: meu relógio rodava em outro ritmo, outro tempo. E quando todos os meus amigos estavam comemorando cinco, sete anos de formado, eu estava voltando a estudar, agora Comunicação, seguindo apenas o que eu tinha: a intuição. Formei-me e simultaneamente fui convidada a assumir um importante cargo de direção, liderar uma grande equipe, muito heterogênea e essa foi apenas mais uma prova de fogo. De onde iria tirar experiência e conhecimento? – fui questionada na época. Hoje percebo que tirei forças da minha própria história. A maternidade nos proporciona ensinamentos para o empreendedorismo e para a vida, independente do lugar que você ocupe. Como mãe, entendemos de GENTE, somos mais colaborativas, multitarefas, exercitamos a paciência, valorizamos as diferenças, aprendemos a ouvir, a abrir mão, a reconhecer conquistas de nossos filhos, e o que vejo como mais importante: a ter visão de futuro, de que as coisas podem recomeçar, de que existe
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    Quais de mimvocê procura? 69 o amanhã. Estamos sempre em busca da próxima etapa de nossas vidas e de nossos filhos: o próximo aniversário, a próxima formatura, a próxima vitória. O trabalho de mãe nunca termina. Essa visão otimista foi um divisor de águas na minha vida. Quando tudo parecia dar errado, eu me agarrei ao que tinha em mãos, minha vida, minha força, perdas e ganhos e recomecei. Voltei mais uma vez a estudar, me especializei em comunicação verbal, política, feminina e fui a fundo entender melhor como chegar até as pessoas, que precisam de uma virada em suas vidas. Se transformar, como eu me transformei, compartilhando conhecimento. Em treinamentos e palestras comecei a falar para dez, trinta, cinquen- ta, cem, quinhentas pessoas sobre empreendedorismo e comunicação. E na busca por conhecimento vi o mundo mudar. Esse é nosso tempo, com todas as marcas, erros e acertos. O primeiro deles é o maior acesso ao nosso desenvolvimento, buscamos mais. E junto com essa busca, vem uma geração menos preconceituosa, mais aberta a oportunidades e que aceita melhor a ideia de mulheres empreendedoras que é um ato de libertação, de engavetamento do mito. De que não existe mãe, esposa, filha e mulher perfeita e sim mulher real. Somente quando entrei em contato com essa mulher, que é plena e não perfeita é que fui feliz. Hoje vivemos lares compartilhados, e o fim da figura sisuda do “chefe de família”. Homens e mulheres que cuidam dos filhos, que ajudam no jantar, que pagam as contas e tentam se adaptar a essa nova família, com novas realidades, novos homens e novas mulheres, porque sim, o processo de empreendedorismo feminino envolve toda a família. E é essa família que devo agradecer. A minha família que sempre acreditou em mim, a família Xavier, Albanez a meus filhos, hoje dois rapazes que só me dão orgulho e ao Márcio que mais do que pai dos meus filhos, é um grande amigo que tenho para vida toda. E certa vez, conversando com um grande amigo ele me disse: Juliana, sua vida tudo aconteceu ou cedo demais ou tarde demais, nada no tempo certo. E hoje, tenho a certeza em dizer que tudo aconteceu no tempo certo, ou melhor... No meu tempo. Juliana Albanez
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    Quais de mimvocê procura? 70 50 Mães empreendedoras que chegaram lá Ousar ser Década de 90. O Brasil passa por instabilidade no governo e o confisco de poupança de Fernando Collor. Eu, com apenas 17 anos, sonho em comprar meu próprio carro, ajudar em casa, entre outras tarefas. Minha mãe, sem manual de instrução, se desdobrava fazendo sacrifícios levando aprendizado de uma função para outra: mãe, dona de casa, empresária e estudante (cursando o pós-graduação em psicologia na USP). Diante deste cenário, aceitei o desafio de trabalhar numa locadora de vídeo perto de casa. Minha mãe foi completamente contra. Otimista e animada, corri atrás do que queria e acreditava, principalmente pensando em pagar a minha faculdade. Seis meses passaram, sabia que podia mais, assumir mais responsabilidades com a minha verdade e ser o que sou verdadeiramente. Próximo das festas de final de ano, decidi me aventurar no Shopping Continental. Subi e desci os quatro pisos deixando em cada loja meu currículo. Uma semana se passou e nada. Liguei em algumas e nada. Até que o dono da Levi´s, marca de jeans de renome mundial, me ligou e decidiu dar uma chance. Foi enfático: nunca contratei ninguém sem experiência, mas gostei do seu perfil. Se for esforçada fica, caso contrário siga seu rumo. Como era menor, minha mãe assinou a contratação. Recebi o treinamento do dono e após um ano recebi a promoção de gerente, aos 19 anos. Conquistei sonhos materiais, viagens e muito aprendizado em trabalhar com o público. Sempre me lancei com coragem nos braços da vida. Fiz um pouco de tudo: trabalhei na Atento, na Telefônica, fui funcionária pública estadual no Banco Nossa Caixa e nunca fui demitida, sempre sai dos empregos para ter novas experiências, nem sempre rentáveis. Sempre dei o melhor de mim, aliás, como diz o empresário e palestrante Geraldo Rufino, sempre trabalhei como se a empresa fosse minha, então todas as vezes que não enxergava mais chance de aprender e crescer buscava novos desafios. Sempre deixando as portas abertas, afinal nunca se sabe o dia de amanhã e acredito que a vida é um ciclo, se faço o melhor ao próximo, recebo o melhor. Formada em turismo, estava estabilizada no Banco Nossa Caixa, onde prestei o concurso e passei entre os 20 melhores. Fui impedida de prestar qualquer concurso interno para promoção de função por não ter cursado administração. Larguei o emprego e fui fazer intercâmbio. Primeira parada: Londres. Como estudante, podia trabalhar 20 horas semanais, comecei então em jantares e banquetes em hotéis. Na busca por uma oportunidade
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    Quais de mimvocê procura? 71 na área de turismo, encontrei uma vaga de trainee na rede Marriott de Hotéis em Palm Beach Gardens, na Flórida. Parti para os Estados Unidos em Fevereiro de 2006, comecei como garçonete no restaurante, fui para governança e conquistei uma promoção como supervisora. Meu contrato de 18 meses foi renovado por mais 24 meses. Voltei ao Brasil em Dezembro de 2009. Definitivamente no meu país, acreditei, me lancei, busquei... pode não haver o pote de ouro no fim do arco-íris, mas no caminho, há muito auto conhecimento. É nisso que aposto. Nesta época, passei pela área comercial na Skill, escola de idiomas e, finalmente consegui uma vaga de agente de viagens na Submarino Viagens e logo em seguida na TAM Viagens. Em meu caminho reapareceu uma pessoa da minha juventude muito especial. Decidimos seguir nossa caminhada juntos. No ano de 2011 casei com o Marco Aurélio Souto. Nosso voto foi de nos ajudarmos a ser o que cada um quiser ser. Isso é muito melhor do que ser uma pessoa melhor. Isso é ser livre, e só assim nosso amor é legítimo. Juntos, nossos dias e noites não são iguais. Optamos experimentar coisas novas, aprender coisas novas. No ano de 2012, minha vida mudou completamente. Entramos numa sociedade em uma agência de publicidade digital. No ano seguinte, iniciamos um novo projeto como franqueados da Viação Cometa, para realizar transporte de cargas. Algo de mágico aconteceu na minha vida. Casada desde 2011, não queria ter filhos. Em 2012 apareceram diversos casos de gravidez na família. Comecei a mudar de opinião. Passei dois anos de tentativas e frustrações. Em 2014, aos 38 anos, fiz uma fertilização “in vitro” com dois embriões que deu muito certo. No mês de maio de 2015, nasceram os gêmeos: Bernardo e o Igor, de 38 semanas e saudáveis. Tudo caminhava maravilhosamente bem. Nossa família feliz, com chuvas de sorrisos e de olhares que vêm da alma. No mês de Abril de 2016 fomos surpreendidos com a notícia da perda da franquia de entrega de jornais, que trabalhávamos há cinco anos. Passamos dias de aflições, noites mal dormidas, preocupações. Não dava para esperar as coisas acontecerem. O que parecia um desastre se transformou em oportunidade. Montamos, com uma amiga pedagoga, o Instituto de Aprendizagem Doutores do Ensino, instalado em um casarão tombado pelo patrimônio histórico. O lindo espaço abriga nosso “bureau de negócios”, onde funciona a Max Business Broker, uma incubadora e agência de negócios, que também realiza encontros entre mulheres para networking. Também existe no local, a Max Eficiência Energética, voltada para a racionalização do consumo de energia. O Doutores do Ensino tem a missão de investir na excelência da educação para mudar o mundo. Acreditamos que o caminho seja integrar a escola e a família de forma personalizada, concedendo aulas de reforço escolar “home based”, ou seja, na casa do aluno. Tentamos compreender esse mundo de contrastes que não é missão fácil. Mas o Doutores abre janelas para a reflexão ao oferecer ferramentas e autonomia para o pensar. Afinal, os pais gastam com os estudos dos filhos quase sem pensar. Pela falta de tempo, investem para que os filhos tenham uma boa educação e consigam um
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    Quais de mimvocê procura? 72 futuro melhor do que o deles, e claro, com os pais perdidos como estão, o Instituto concede o amparo necessário e apoio aos filhos. Vale lembrar também que o mercado de trabalho cada vez exige mais qualificações, independente do cargo ou salário. O conhecimento aliado à competência são fatores primários para a pessoa iniciar a sua ascensão profissional; educação não é um mercado de ‘modismo’ e sim de necessidade. Empreender foi a solução que encontrei pra ter uma renda melhor para minha família, além da liberdade para acompanhar o crescimento das crianças. Não satisfeita com toda a agitação da minha vida, no segundo semestre de 2016, vamos inaugurar uma franquia da Zap Accessories, uma loja de bolsas, calçados e acessórios voltada para mulheres de todas as idades que tem estilo. Será um novo desafio. Haja coragem. Mas como é bom quando arriscamos e mesmo com medo seguimos na direção do que realmente desejamos. A superação é algo revigorante. Não tenha medo de fracassar ou do que outras pessoas vão pensar, pois o caminho para o sucesso sempre é formado por falhas, que geram aprendizados e depois melhorias. Eu morei por muitos anos fora do País, onde aprendi que não há absolutamente nada de errado com tropeços, contanto que os mesmos erros não se repitam ou sejam em vão. Acho que estamos começando a acreditar nisto no Brasil, o que é essencial para o desenvolvimento do empreendedorismo no país. Só quero que meus filhos não busquem só o melhor currículo no mercado. Desejo e espero que eles ajudem as pessoas a se tornarem melhores. Quero que eles construam junto com as pessoas. Porque, para mim, empreendedorismo é isso: cons- truir junto com as pessoas que fazem a empresa crescer. Também quero deixar pra eles a importância de sempre participar das conquistas dos outros, mostrar o que eu e o meu marido fazemos e porque fazemos, inclusive as dificuldades, tangibilizar para que eles entendam, e, principalmente, ter muita qualidade no tempo que se passa com eles, mesmo sendo pouco. O Universo é dinâmico e está cheio de transformações. E nós estamos vivendo esse tempo de transformações, de curas, de abertura e do novo e alguns bons desafios... O tempo urge, porque é momento de mudar. É momento de fazer diferente, de ousar. Se transformem, se movimentem. Façam coisas que nunca fizeram. Experimentem coisas que nunca experimentaram antes. Não vivam pouco, vivam muito. Juliana de Oliveira Souto
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    Quais de mimvocê procura? 73 Faltou colocar o título do texto Em 2002, comecei a trabalhar como representante de uma empresa de cosméticos e me apaixonei ao ver os resultados e benefícios e então resolvi fazer um curso de Estética. Fui procurar uma escola técnica e me informaram que só abriria nova turma em seis meses. Com a demora, resolvi fazer um curso livre de drenagem linfática e cada dia mais me apaixonava pela área de estética e saúde. Em 2004, abriu a primeira turma do curso técnico de Estética no Etip, em Santo André, e me matriculei no período da manhã, para poder deixar minhas filhas na escola e estudar no mesmo período. Esta programação me propiciava ficar a tarde com elas. Com a ajuda do meu marido e da minha mãe eu consegui terminar o meu estudo no final de 2005, onde eu já estava atendendo na sala da minha casa. Comprei uma maca e separei o cômodo do banheiro, apenas com uma cortina. Meu primeiro aparelho foi uma maleta facial 5x1, que meu marido comprou em dez vezes. Com meu acessório em mãos já podia fazer toda a parte facial e comecei a atender. Sempre em busca de conhecimento, consegui um estágio na clínica Cirurgia Plástica e Beleza, onde me propiciou muitas oportunidades. Conheci como eram feitos todos os tipos de cirurgias faciais e corporais. Não recebia nada por estar lá, mas a parte educacional foi ferramenta chave para atuar com médicos e dermatologistas. Não haveria no mundo dinheiro que pagasse. Em 2006, comecei a fazer um curso de Dermaticista para me aprofundar em peelings, tratamentos para acne e manchas, e logo comecei a ter resultados satisfatórios e minhas clientes começaram a me indicar para suas amigas. No início de 2007, engravidei de meu terceiro filho, Bryan, e continuei com os atendimentos na sala de casa, e assim que meu caçula nasceu foi convidada pela clínica Cirurgia Plástica e Beleza, onde tinha estagiado antes, para implantar a parte estética. Foi um desafio para mim, mas uma grande experiência também, pois entre outras atuações, a clínica atendia à Rede Record de Televisão, ganhei o privilégio de conhecer muitos artistas e atender a muitos deles também. Dividida entre a carreira e a criação de meus filhos, no final de 2008, optei por desligar-se da empresa onde trabalhava, voltando a atender em casa. “No início do ano seguinte recebi o convite do Dr. Flávio Madruga - endocrinologista or- 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 74 tomolecular -, para assumir a parte estética de sua clínica em Santo André, a Flama, e lembro que tentei de todo jeito não aceitar, mas o Dr. Flávio e sua esposa, Cinthia, me apresentava soluções para todos os obstáculos que eu colocava. Na verdade, eu tinha medo de não conseguir pagar o aluguel. Mas a conquista logo veio. Arquei sempre com minha responsabilidade financeira mensal. Realmente, agradeço a confiança que eles tiveram em mim. Com o passar do tempo, fui gerando um grande carteira de clientes, e, a partir daí, nasce meu sonho, a Bella Opção Estétika. Depois de muito trabalho tive a felicidade de receber dois importantes prêmios. O primeiro deles veio em 2013, porém sobre os resultados apresentados em 2012, quando a clínica foi agraciada com o Top Qualidade Brasil – Selo Ouro 2013, ganhando ranking entre os cem melhores estabelecimentos de beleza e estética do Brasil, pela Academia Brasileira de Honraria ao Mérito. Confesso que quando recebi a carta foi uma surpresa, achei que fosse pegadinha. Mas, se tratava de uma honraria muito séria e desejada pelos profissionais do setor. O segundo veio em 2013, quando foi entregue a mim o Mulheres Empreendedoras de Santo André, pela Acisa (Associação Comercial e Industrial), na categoria pequenas empresas. Em 2014, fui escolhida pela FGV para fazer o 10.000 mulheres, o que foi uma grande alegria para mim e para minha família, além do grande aprendizado também. Com a crise chegando, em 2015, resolvi tomar uma decisão muito difícil. A minha empresa estava com um corpo de funcionários e estrutura muito grandes. A situação econômica não estava viável e optei por ir para um lugar menor e reduzir o escopo. Foi a melhor decisão que eu tomei, mantive a maioria de minhas clientes, consegui ter mais tempo, principalmente, para a família. Agradeço primeiro a Deus pelas conquistas, ao meu marido, Ricardo, que sempre esteve ao meu lado me apoiando. Devo tudo a força e ao incentivo dele, as minhas filhas Brenda e Beatriz por me ajudarem, sem medir esforços, e ao Bryan, que me incentiva a ir mais longe. Minha família, meu melhor projeto. ♥□ KATIA CAMARGO
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    Quais de mimvocê procura? 75 50 Mães empreendedoras que chegaram lá ME DESCOBRINDO E ENTENDENDO OS PLANOS DE DEUS. Minha história começa a ser formada logo nos meus primeiros meses de vida com perda do meu pai ainda jovem, deixando minha mãe, eu e mais dois irmãos. Foi uma perda lastimável, porém não avassaladora. As primeiras memórias das quais me lembro quando criança, eram da minha mãe correndo para lá e para cá, fazendo mil coisas ao mesmo tempo, tentando administrar um orçamento apertado para cuidar de três sozinha. Desde pequena eu entendi como tudo aquilo era difícil e que uma forma de ajudar, era não dando trabalho. E com isso eu desenvolvi uma habilidade considerada muito útil para aceitação na sociedade: ouvir mais do que falar. Afinal de contas, as pessoas só querem saber de si mesmas e estão interessadas em seus próprios problemas, ouvir e apenas concordar era uma forma de me sentir mais aceita por todos. E assim eu cresci, ouvindo muito e falando pouco, mas sempre prestando muita atenção em tudo, nos gestos, nos olhares e principalmente nos sentimentos que as pessoas transmitiam ao falar. Sentimentos esses, que normalmente expressavam alguma necessidade, das quais eu tentava compreender, mas ainda não tinha maturidade para ajudar. Mas essa minha habilidade também me trouxe muitos problemas, pois de tanto absorver pensamentos e sentimentos dos outros, eu não sabia quem eu era. Sofri muito ao escolher uma profissão, pois gostava de tudo um pouco e muito de nada. E este impasse me levou às mais diferentes escolhas. Dentro de mim haviam vozes que ora diziam: faça o que você aprendeu, estude para conseguir um emprego fixo, carteira assinada, benefícios, afinal você já irá bem mais longe do que seus antepassados foram. Ora diziam: vá descobrir o que você de fazer, o que te satisfaz, a vida é curta demais para fazer o que não se gosta. Enfim, vivi esses impasses até pouco tempo atrás e posso afirmar que a liberdade da indecisão é estarrecedora. Hoje consigo perceber que a decisão de empreender veio aos poucos, quebrando uma corrente de cada vez. E tudo teve início na época do vestibular, em que troquei uma vaga em Letras em uma universidade pública por uma bolsa integral no curso de Administração de Empresas. Mas por quê? Dizem que formamos nossa personalidade
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    Quais de mimvocê procura? 76 na infância, e eu cresci ouvindo que deveria estudar para ter um bom emprego, porém o exemplo de vida que eu tinha era ver minha mãe empreendendo, ou seja, para mim era uma batalha intrínseca, onde o que eu via e ouvia não eram condizentes. Contudo, foi uma decisão acertada, pois no curso de administração consegui o embasamento necessário para iniciar como empreendedora. Que ótimo! Final feliz para todos, não é mesmo? Nada disso, a minha decisão de empreender de fato, demorou mais do que deveria, afinal eu tinha conseguido um emprego estável e com os tais benefícios, então por qual motivo eu iria trocá-lo para empreender? Somente para dedicar meu tempo a algo que eu realmente queria fazer? Ter sucesso e ser reconhecida pelo meu esforço, sabendo que todo ele era voltado para meu desenvolvimento pessoal e profissional? Eu não podia. Eu não estava pronta, não enquanto eu não saísse do casulo, do berço onde eu estava acomodada com as pessoas me mimando e me tendo como coitadinha. Era como eu me sentia, a vítima, aquela que não consegue evoluir, para quem o mundo não sorri, a única com problemas, para quem nada dá certo, aquela que culpava todo mundo, menos a si mesma pelo rumo de sua vida. Masascoisasmudam,aspessoasmudam,sóquenomeucasonãofoiespontâneo, me deparei com uma situação que eu nunca tinha imaginado na minha vida, uma gravidez. Apesar de já ser casada, a gravidez não era um plano se quer cogitado e foi um acontecimento que mudou totalmente a minha maneira de enxergar a vida. Quando Benjamin nasceu as mudanças já aconteceram de cara, eu transferi a culpa dos meus problemas para ele, coitado, afinal alguém tinha que se responsabilizar (alguém menos eu). Me lembro de pensar que se as coisas já estavam ruins, ficariam péssimas! Afinal, eu nunca gostei de crianças, não as maltratava, mas cada um no seu canto. Eu era a tia chata, admito. Mas tia não é mãe, e agora, o que faria? Os medos só aumentaram, mas com o passar do tempo eu percebia algo diferente em mim, aumentou minha responsabilidade com filho, bem como meu amor. A maternidade é um assunto bem difícil de explicar, é uma mistura de sentimentos que nos deixam em um momento único, pois é um tipo de amor único. E a partir daí eu comecei a me renovar, tirar forças de onde não tinha e repensar se a maneira na qual eu estava vivendo, era a que eu queria viver. Coragem, agir apesar do medo, foi o que o nascimento do meu filho me trouxe, deu o fôlego ou a motivação que me faltava, se eu não faço por mim, faço por ele. Ok, vou empreender, ter o meu próprio negócio, fazer o que eu amo! Mas esperai, o que eu amo mesmo? Ainda me faltava identidade. Comecei a pesquisar diversos tipos de negócios, especialmente os que podiam ser feitos em casa, comida, roupas, blogs, administradora de condomínios, etc. Fui a fundo em diversos assuntos, tentei iniciar com alguns deles, mas não ia para frente e o único que foi além do esperado, só me trouxe prejuízo e frustação. E eu perguntava: meu Deus, o que acontece comigo, quais são seus planos
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    Quais de mimvocê procura? 77 para mim, pois eu não entendo. Cheguei até aqui para caminhar para trás, descer até o fundo do poço novamente? E neste momento na televisão, inicia-se uma oração em que me lembro que as palavras mais marcantes eram: espera e confia. Acalmou meu coração, toda ansiedade e aflição passaram e resolvi simplesmente aguardar. Quase como imediato, recebi um convite para participar de um grupo de mulheres, cujo qual não dei importância no início, fui, mas sem expectativas. Esperei e nada aconteceu. Pensei, enquanto nada acontece vou fazendo alguma coisa, então certo final de ano resolvi entrar em uma empresa de vendas de cosméticos, na qual eu já sabia que havia uma carreira, mas não dava muita importância pois no momento só precisava de dinheiro. Mas para minha surpresa, me encantei com a filosofia da empresa de enriquecer a vida das mulheres, foi só o começo, eu tomei essa filosofia de vida para mim. Vi que todos aqueles medos, inseguranças não eram peculiaridade minha, que muitas daquelas mulheres tinham os mesmos problemas, todas com família, filho e com vontade de empreender. Comecei a frequentar grupos de mulheres empreendedoras, grupo de ajuda para mulheres em situação de risco, mulheres que amam demais, entre outras. Elas têm muito incomum comigo e foi em uma conversa com umas delas que minha ficha caiu, ela aos prantos disse: obrigada por me ouvir, você não me julgou, nem questionou minhas atitudes, você apenas me ouviu, para mim já é muito. Nossa, foi aí que eu abri os olhos e percebi que tudo estava relacionado, ter uma figura feminina forte, essa minha capacidade de ouvir e identificar necessidades, até minha formação em administração conspira para ajudar mulheres a iniciar seu negócio. Então esses são os planos de Deus para mim? Sim, essa é minha verdade, este capítulo já é prova disto, e estou muito agradecida com todas as bênçãos que tenho recebido. Essa oportunidade de lidar com mulheres, esses seres incríveis, é única, mas cada dia diferente, com cada uma diferente. Mas esse é só começo, ainda tenho muito para aprender e para ensinar. A jornada é longe e o caminho tem espinhos, contudo estou disposta a percorrer. E quando você precisar conversar, já sabe a quem procurar. “Você tem de cometer erros para descobrir aquilo que não é.” Anne Lamott Kátia Miranda
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    Quais de mimvocê procura? 78 TEM UM CNPJ EM MINHA VIDA Sou uma empreendedora nata, mas confesso que nunca esteve em meus planos empreender como mãe. Ser, filha única, mimada e de escorpião me permitiu exercer minha individualidade muito bem; portanto, ser mãe era completamente incompatível. Queria conhecer o mundo e, mais que isso, queria que mundo me conhecesse! (sorriso). Conheci meu marido aos dezessete anos e, aos meus dezoito, já éramos sócios. Tínhamos a mesma veia empreendedora. Pensávamos grande e éramos realizadores, como se o ninguém nos pudesse parar. A vida é uma caixinha de surpresas e nos prega peças; sendo assim, namorei oito anos e quatro meses, me casei e depois de onze meses de casada, engravidei! “E agora?”, pensamos. Bem, como não estava em meus planos ser mãe, não tinha a menor ideia de como seria sê-lo. Daí, antes mesmo de iniciar o pré-natal, fui procurar um curso que me pudesse me ajudar(sorriso). Sempre fui viciada em treinamentos. Encontrei na maternidade Pro Matre um curso de gestantes e lá fomos nós. Fizemos a inscrição e não faltamos a nenhuma aula. Posso dizer que ajudou muito na nova tarefa que me esperava. Mal sabia eu que usaria essas informações uma segunda vez em minha vida depois de três anos e meio! Tive dois partos normais, dois meninos: Guto, meu preferido, hoje com vinte e dois anos, e Nik, meu predileto, hoje com dezoito (sorriso). Inventei isso para que eles entendessem, na hora do ciúme, que o amor é igual, mas que temos afinidades e comportamentos que agradam mais que outros, por isso, lógico, é que existe diferença no tratar, no cobrar, no lidar, mas nunca no amar! Quando Guto nasceu, estávamos “muito bem, obrigado”: tínhamos o melhor plano de saúde, morávamos bem e a empresa estava em pleno crescimento. Era uma mãe empreendedora que trabalhava demais, o Guto comigo o tempo todo desde muito novinho, andava de colo em colo entre uma entrega e outra. Minha sogra foi fundamental, pois cuidava dele nos dias de maior movimento. Mas, várias vezes amamentei em ruas e avenidas movimentadas. Não tinha dúvida: parava meu carro e, sentada no banco de trás, aproveitava para amamentá-lo e rir com ele das enrascadas em que nos envolvíamos, afinal, muitas e muitas vezes fui abordada pela polícia, que, depois de entender o que estava acontecendo, ainda me escoltava! (sorriso). Com o Nikolas foi bem diferente. Estávamos sem plano de saúde, com a 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 79 empresa em maus lençóis, minha sogra havia falecido e minha mãe não tinha como me ajudar, pois não tinha tempo. Então, vivi outra história como mãe empreendedora: tive que me adaptar a ficar mais em casa, cuidar do lar e da empresa, que era cuidada por telefone. Exerci um papel de nora mais efetivo, já que quando perdi minha sogra, estava grávida de três meses do Nikolas. Aproveitamos o aperto e fomos morar com meu sogro, vendemos nosso apartamento e cobrimos as dívidas. Tudo era muito novo para mim, para o meu marido, para meu Guto, para meu sogro e tudo muito tranquilo para o Nikolas (sorriso), pois ele chegou ao mundo para nos fazer felizes! Ah, ser mãe e empreender é optar por ter “vida loka*”(sorriso). Muitas foram as festinhas de dia das mães e reuniões escolares, encontros decisórios, feiras de Ciências, de livro, quermesses, etc., que não pude curtir com eles, às quais não compareci, de que me senti culpada, triste e em dúvida se estava levando a vida que deveria e quanto isso iria custar aos meus filhos. Era um preço sem valor que talvez fosse caro demais. Numa dessas crises existenciais entre meus filhos e meus CNPJs, tomei uma decisão: meus filhos estudavam em um colégio renomado da Zona Norte de São Paulo, onde os números importantes eram as notas e as mensalidades(sorriso). Na época, tinham três e seis anos e meio. Fiz uma pesquisa pela região para saber que tipo de escola os trataria como pessoas físicas, porque estavam sendo tratados como números para alimentarem um CNPJ saudável. Como nossas empresas sempre demandaram que trabalhássemos aos finais de semana, encontrei uma escola ”zen”, onde a família era mais importante e, sendo assim, eles aliviariam bastante essa difícil tarefa de conciliar minha empresa com meus filhos, como por exemplo, entenderem que às segundas-feiras, meus filhos não frequentariam a escola, pois era o dia da família. Passamos muitas segundas felizes em cinemas, parques, restaurantes, estradas vazias, ou num simples almoço em casa, depois jogo de tabuleiro, pipoca, filme, chocolate quente e muitas risadas, carinhos, abraços apertados, consciências tranquilas e corações alegres. Hoje me sinto realizada, amada e sem culpas. Ter perdido segundas na escola não influenciou em nada a trajetória de sucesso de meus filhos, que hoje são fluentes em inglês e espanhol, conhecem vários países no mundo e muitas vezes o fizeram com o fruto de seus trabalhos. São empreendedores natos e possuem a expertise de colecionar amigos, relações e de desenvolver laços. Não vou ser piegas e dizer que foi tudo um conto de fadas. Não, lógico que não. E o mais bacana está nisso mesmo: superamos juntos todos os perrengues que nos foram apresentados. Tudo passou. Aliás, leitora, acredite, tudo passa! Em minha trajetória empreen- dedora de trinta e quatro anos, com doze empreendimentos, sempre com meu marido como meu sócio, amigo e apoiador, vendemos, fechamos, doamos e vencemos. Mas uma coisa é certa: de todas empresas que tive, de todos os apertos e alegrias que meus CNPJs me proporcionaram, nenhum deles me fez crescer, aprender, melhorar mais como ser humano e me realizar como empreendedora do que ser mãe. Obrigada, meus filhos, por serem meus sócios no principal negócio em que
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    Quais de mimvocê procura? 80 empreitei em minha vida, cujo CNPJ tem datas e horas de abertura marcadas e cuja razão social é MÃE S/A. Frase : “A vida não oferece promessas nem garantias, apenas possibilidades e oportu- nidades, só vive de verdade, quem tem coragem.” Autor Desconhecido Katia Teixeira
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    Quais de mimvocê procura? 81 Desistir não é opção 30dias de vida. Incubada numa UTI. Equipe médica desacreditada. Foi nesta situação que aprendi a primeira lição sobre o Amor: não desistir. Graças a Ele, que envolveu meus pais e todos que nos cercavam, aquele bebê prematuro, pequeno, frágil, lutou pela vida e hoje está aqui, escrevendo esta história. E por falar em contar história, a idealizadora do projeto deste livro, a querida Kátia Teixeira, um dia, virou sorrindo pra mim e disse: “Quero te fazer um convite. Escreva um capítulo sobre sua história de mãe empreendedora, que vamos publicar num livro com mais mulheres incríveis como você.” Ela enviou esse recado quando fiquei grávida pela segunda vez, em meados de janeiro deste ano. Passamos um tempo sem nos falar e então, ela apareceu novamente em março, me lembrando desta missão. Desta vez, ao entrar em contato novamente, eu havia acabado de receber alta da maternidade. Óbvio que pelo curto espaço de tempo, eu não estava com um bebê nos braços. Sofri um aborto com 13 semanas, de uma gravidez anembrionária. Tenho poucas linhas aqui para explicar do que se trata, então peço que pesquisem, mas o que preciso dizer é que naquele momento eu não me sentia mãe, muito menos empreendedora. Eu estava me sentindo o fracasso em pessoa. Nada, mas nada mesmo, me abalou tanto quanto não conseguir ter gerado aquela vida. E olha que, desde a passagem que contei sobre a UTI, colecionei desafios. Ainda na infância, lidei com o divórcio dos meus pais, aos 05 anos. Na adolescência, fui morar com um namorado que se revelou viciado em drogas e vivi os horrores da violência doméstica. Poucos anos depois, consegui sair deste tormento e conheci outra pessoa. Achei que era o príncipe encantado, mas fui traída e prometi que nunca mais viveria com alguém de novo. Foquei no trabalho, comecei a empreender aos 21 anos, em paralelo aos meus empregos. Cursei o Empretec, melhor seminário comportamental de empreendedorismo do mundo, e criei o primeiro evento sobre e-commerce no Brasil. Rodei todas as capitais promovendo o mesmo, o que me permitiu, somada ao meu salário, uma renda de 05 dígitos por mês, aos 25 anos. Mal tinha terminado a faculdade e passei a dar aulas no centro de inovação da ESPM. Participei da decolagem de grandes startups como BuscaPé, Netshoes, Fashion.me, liderei grandes projetos no mundo da moda como o e-commerce de uma das 10 maiores multimarcas do mundo, 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 82 a nkstore. Pude contribuir com o nascimento de todo este ecossistema de startups que fervilha no país hoje. Eu estava no auge e, por esta razão, corria o sério risco de descer. Ou melhor, desmoronar. E foi o que aconteceu logo que vi um herói ir para a prisão. Despenquei mesmo. Não por desapontamento, porque só quem julga é Deus, mas por medo de perder alguém que amo, naquelas condições. Ainda desorientada, mas acostumada com a montanha-russa que era minha vida, reuni forças e me reergui. Finalmente abri meu CNPJ e saltei na vida de empresária sem paraquedas. A UpaLupapassouaseroficialmenteumaempresadetreinamentoseeventoslideradapor uma pessoa só e contando com uma rede enorme de colaboradores que trabalhavam por projetos. Por falta de tempo e de braço, resolvi fazer apenas aquilo que eu era boa [vendas e atendimento] e como não podia ser diferente, quebrei umas 03 vezes. Contraí uma infinidade de dívidas [inclusive no momento, estou me recuperando da última] e passei MUITA, mas muita necessidade mesmo. Cansada de seguir sozinha, abri a guarda e mordi a língua: conheci o Ralph no começo de dezembro de 2011 e começamos a namorar no Natal. Passamos a morar juntos em janeiro e em março de 2012 já estávamos grávidos da nossa Joana. Enfim, vale um livro só para isso; me casei de papel passado e ele tornou-se meu sócio de vida, inclusive no trabalho. Dividimos todas as tarefas para cuidar da UpaLupa, da Joana, das filhas dele [são 5 meninas: 3 já adultas que não moram conosco e 2 mais novas que passam finais de semana e férias], da Oficina do Ralph [que abrimos inclusive, logo após ele passar pelo treinamento da UpaLupa], da nossa casa [não temos diarista], de nós como casal e como alunos de uma Escola Espiritual. Voltando ao convite do livro, pela fragilidade do momento, quando a Kátia me convidou, titubeei; não achava que tinha histórias de sucesso para contar, nem faturava milhões, muito menos liderava um grupo de mulheres de sucesso no Facebook. Sequer consegui ter levado adiante minha última gravidez. Sentia-me pior que a mosca do cocô do carrapato do cabrito. E ainda considerei que a Kátia estivesse louca porque, provavelmente, ela teria batido com a cabeça para me convidar para um troço deste, só para expor minha desgraça. Sem coragem para recusar o convite, fui levando com a barriga. A mesma que ficou vazia. VAZIA. Essa era a palavra certa. Assim que eu me sentia. E dentro do vazio, no silêncio da dor. A sensação era de que só me restava ajoelhar e implorar “Leve-me daqui! Não aguento mais!” E assim aconteceu, fui levada. Mas fui para um estado de consciência que não era comum para mim. Num diálogo interno, comecei a me perguntar sobre o agora, o hoje: “Lígia, se você só tivesse o dia de hoje para viver, o que faria?” - Entregaria toda minha alma para o amor, sem medo de morrer para este mundo. O medo não faria mais parte da minha vida. “Se você soubesse que seu marido e sua filha morreriam hoje, ao final do dia, mas você não, o que você faria ao lado deles para aproveitar cada minuto?” - Ah, coisas muito simples: brincaria muito com eles. De tudo: queimada, pega- pega, escolinha, casinha e corrida de carrinhos... e daria muita risada! O sorriso da
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    Quais de mimvocê procura? 83 Joana é tão bonito quanto uma rosa abrindo e o Ralph, quando sorri, deixa faíscas de luz escaparem pelos seus olhos azuis. “E o que faria em homenagem a eles após acordar e não vê-los mais aqui?” - Certamente eternizaria meu amor. Como isso? Bem, eu poderia transformar a UpaLupa, minha empresa de treinamentos e eventos, numa escola de empreendedorismo para crianças de 0 a 100 anos, onde a foto da Joana seria nosso cartão postal, pois devemos lembrar que ninguém deixa de ser criança e que, para empreender uma vida de verdade, precisamos dar voz e ação a esta criança interior. Também ajudaria na criação de um museu para cuidar de todas as obras de arte que meu marido e nossos amigos modelistas têm feito desde sempre. “E se você não precisasse fazer isso só por medo da morte ou do esquecimento? Se lhe fosse dada a chance de fazer por amor?” - Bom, eu começaria tudo agora, sem me preocupar em impressionar ninguém ou lutar pela sobrevivência... Iria me preparar e aprender sobre coisas que são neces- sárias, mesmo que eu não goste tanto [tipo números] e me arriscaria cheia de fé numa perspectiva inovadora. E por fim, iria morar na praia, para ficar bem pertinho do mar. “Você acredita mesmo no amor, Lígia?” - Claro! “Então basta dar o primeiro passo.” Foi um momento tão especial que me senti mãe do mundo, grávida do Amor! Uma sensação de gestação eterna! Confesso que não agi imediatamente. Fui trabalhando de forma bem tímida no começo, perdi o foco algumas vezes, entrei em desespero em outras, entretanto, uma vez que você se rende, o Amor vai tomando conta no seu próprio tempo. Assim como nossa ficha de que estamos grávidas, não cai logo de primeira. Em todo caso a UpaLupa renasceu, já começou sua transformação e, através da nova abordagem e da ajuda de uma equipe linda, em apenas 3 meses, mais de 25 novas crianças foram despertadas dentro de adultos que toparam passar pelo nosso programa “Brincar de empreender é coisa séria”. Desta empreitada nasceram vários projetos interessantes como um coworking para profissionais da construção civil, um acampamento urbano para crianças, uma escola de fabricação digital, entre outros... E quanto ao Museu? Ah, o Museu... ele já tem uma maquete que meu sogro fez, iniciamos os primeiros desenhos do projeto e ótimos amigos estão dispostos a empreender conosco. Assim que as coisas se concretizarem mais sobre isso, conto tudo. Por último, completo minha trajetória contando como conheci meu marido. Fizemos um treinamento de experiência em selva. Parece até destino: sobrevivemos juntos na selva para vivermos lado a lado na cidade. De lá pra cá, só agora consigo enxergar que nosso maior empreendimento tem sido aprender a viver no plural, começando por entregar nossa intimidade a Deus, para que Ele cure nossas almas através do Amor e, graças a isso, mantermos uma família que se acolhe, se aceita e se cuida diariamente. Percebemos que os bons negócios são consequências deste Amor, porque são os canais para que toda esta luz seja espalhada pelo mundo. Os negócios
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    Quais de mimvocê procura? 84 que não são tão bons, sempre nos trazem uma lição, são como faróis alertando que devemos reajustar a rota. Gratidão a Deus pela Luz, aos meus pais pela acolhida, aos parentes e amigos pela jornada, à Katia por acreditar em mim, a todas as co-autoras ma-ra-vi-lho-sas que estão vivendo este sonho juntas, a Naira Ono por revisar este desabafo, à Joana por sorrir sempre, as minhas 5 enteadas por tanta inspiração e ao meu amor, por ser meu maior incentivador, pois lá na selva, como meu instrutor, o Ralph já deixava bem claro: “Missão dada é missão cumprida e desistir não é opção.” Ligia Dutra Zeppelini
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    Quais de mimvocê procura? 85 Empreendedorismo de Mãe é diferente? Ser Mãe é um grande desafio e também um privilégio imenso que Deus pode conceder à mulher! No entanto é necessário ter parâmetros para atuar neste papel, ter o cuidado de não ser refém de um sistema e das exigências que a sociedade nos impõe. E sim viver sua jornada de forma única e diferente. Ser mãe e ser empreendedora é completamente diferente. Em algumas vezes, pode ocorrer situações de destaque ou não na sua vida profissional. O tempo não é o mover dos ponteiros do relógio, mas sim como percebemos, vivemos e sentimos esse intervalo. Como diz o autor Carlos Hildorf “Tempo medido é diferente do tempo vivido”. O empreendedorismo é simples de administrar e passa por diversas etapas porém há vários caminhos e opções. Podemos dividir em 5 atitudes que uma mãe pode ter para realizar esse empreendedorismo: 1) Disciplina e Comprometimento Ser mãe empreendedora é estabelecer para si mesma, essas qualidades para alcançar seus objetivos. Não é somente a colocação de metas de como fazer, mas sim diariamente é necessário que haja a manutenção do foco, comprometendo- se em realizar suas tarefas conforme estabelecido por si própria. 2) Não temer desafios As dificuldades que aparecerão durante o seu caminho em diversas áreas devem ser enfrentadas com discernimento e sabedoria. Isso nos ajuda a agir com coerência. 3) Busca constante de novos conhecimentos A busca do conhecimento é um grande aliado, para a compreensão das mudanças. Estudar novas estratégias de ação ajuda no desempenho do dia a dia. Não hesite como mãe empreendedora buscar conhecimentos mais técnicos e aprofundados para desempenhar melhor o seu papel. 4) Ser uma sonhadora criativa Todo sonho ou ideia vem atrás de um empreendedorismo e por esta razão ser 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 86 mãe empreendedora não foge a regra. O projeto elaborado pela mãe empreendedora vai muito além da criatividade. É necessário que se tenha convicção e analise o projeto com precaução, com o reconhecimento de pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças. Sonhar e ter a certeza das decisões a serem tomadas. 5) Rapidez em resolver problemas “(...) quase todos os papeis culturais exigem varias inteligências torna-se importante considerar os indivíduos como uma coleção de aptidões e não tendo uma única faculdade de solucionar problemas (...)” (GARDNER, 1995 pg 30). Uma característica essencial nas mães empreendedoras deve ser o dinamismo poisestevailhedarumaamplitudeeumacapacidademaiorpararesolverosproblemas. Isso conseguimos com uma revisão constante na nossa rotina de trabalho. Adquirindo autoconfiança e independência para administrar os problemas que surgem. Ser Mãe é uma experiência inesquecível... mas ser Mãe Empreendedora nem se fala! Iniciei minha carreira muito antes dos meus filhos pensarem vir ao mundo. É isso mesmo! Já tinha em mente, como poderia galgar os degraus de uma escada, e principalmente, como iria ultrapassar as barreiras que iriam surgir em meu caminho, e de quantas situações iria me deparar para resolve-las adequadamente. Também busquei capacitação, para enfrentar e desatar “os nós” de cordas, que poderiam tentar reter o potencial, que eu estava buscando e aprimorando na minha jornada de trabalho. Napoleon Hill, no livro, A LEI DO TRIUNFO - para o século XXI, pg 185 relata: “Um equilibrista, que atravessava uma corda bamba todos os dias certa vez perguntado como fazia aquilo respondeu: Antes de atravessar, eu olho pro outro lado com determinação e foco até me ver do outro lado. Quando vejo fico tranquilo porque daí é só ir ao encontro de mim mesmo no outro lado.” Enfim volto a pergunta do início: Empreendedorismo de mãe é diferente? Sim é diferente: Requer uma aplicação das atitudes já mencionadas, como trabalhar as diferentes tarefas realizadas com os filhos. Esses filhos não devem ser terceirizados para outros possam se responsabilizar por eles, com dedicação exagerada. Mas tem que saber e entender que como mãe tem responsabilidades que precisa cumprir e por esta razão, os filhos necessitam assimilar que não perdem a mãe mas sim por certos momentos, ela estará ausente mas logo voltara. Cada mãe tem o seu lado profissional diferente da outra e necessita encontrar seu ponto de equilíbrio junto as diversas variáveis de cada ambiente familiar. O importante é ter em mente que o tempo e o trabalho tem que estar ajustados. Seguindo tal premissa pode-se alcançar o melhor resultado que deseja como mãe e principalmente mãe empreendedora Hoje tenho isso na minha mente, olhar para mim para desenvolver. Buscando pequenos princípios que me ajudem
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    Quais de mimvocê procura? 87 no empreendedorismo que corre em minhas veias. Estabelecendo sempre metas e objetivos, procurando fazer escolhas certas, o que me fazem alcançar resultados concretos. O empreendedorismo tem sido contagiante no dia a dia da minha vida nestes anos de trabalho. “Comece por fazer o que é necessário, depois o que é possível e de repente estará a fazer o impossível”. São Francisco de Assis Lilia Martins
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    Quais de mimvocê procura? 88 Quão doce é a palavra mãe... Escrever sobre maternidade é algo enriquecedor para mim. Não é jargão nem sentimentalismo afirmar que meus filhos são a melhor parte de mim... Uma parte dividida em três pedaços perfeitos. Eles são o brilho dos meus olhos que enxergam futuro, são as canções melodiosas que saem de meus lábios, frutos doces... O pulsar do meu coração fora do ritmo atendendo aos tantos chamados de mamãe, mamãe, mamãe... Meus filhos são meus maiores, melhores e mais honrosos prêmios. Os mais dignos que já recebi... E eu tenho recebido vários justamente por meu trabalho com a Educação da Infância. Mas eles são os principais, pois eu os recebi como um presente de Deus. Eles vieram embrulhados em laços de amor e ternura, para me outorgar o diploma de “Mãe”, o título de mestre em amor, doutora em carinho com pós-doutorado em relacionamentos. E com especialização constante! A doçura da maternidade é algo tão nobre quanto misterioso e falar sobre os filhos, sobre os caminhos que trilhamos por causa deles é algo extraordinário... Faltam-me palavras e sobram-me sentimentos. Para quem não me conhece, sou Lilian Fernandes, mãe de três pequenas (grandes e raras) joias preciosas: Emanuelly, Isabelly Munick e Lincoln, casada há 13 anos com o Márcio, escritora e realizadora de sonhos. Tenho experiência na Educação há mais de vinte anos, mas foi justamente a maternidade que me trouxe maturidade e conhecimento prático do “outro lado”- a família. Sou autora da “Coleção Mabelin”, cujo mote é “Cada família é um reino”. Neste trabalho eu falo sobre princípios e valores para crianças, focando nos valores familiares- que são a base para toda a vida. Os livros da coleção Mabelin foram inspirados e dedicados à minha família, especialmente meus filhos, sendo que cada um ganhou um personagem: Um príncipe e duas princesas do meu reino encantado, porém real...Cada um tem seu livro especialmente dedicado, onde expresso meu amor por eles, mas também deixo um recado e um legado: Que cada criança deve ser amada e cuidada com toda essência do ser humano, que cada família é um reino, independentemente de qualquer circunstância, cada casa é um castelo, não importando se de fato é um castelo ou um casebre... A mensagem que eu levo é que todos têm direito à felicidade de fato e esta começa na base da família. Eu trato meus filhos dessa forma, eu ensino-os assim e eles estão não só aprendendo, como propagando meus ensinamentos por onde passam... Minha pequena Manuzinha, a primogênita, me enche de orgulho ao escrever 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 89 seus primeiros livros com apenas nove anos e publicá-los junto comigo. Sem qualquer interferência minha ou de outrem, ela escreveu historinhas recheadas de valores e princípios, deixando ainda um recadinho (uma mensagem) para seus pequenos leitores... Mais do que orgulhosa, fico grata por saber que sou usada como instrumento de transformação do mundo, começando por minha própria casa. Viver na prática o que se prega é a melhor parte! É a certeza de estar no caminho certo, exercendo “o chamado”, compartilhando o dom que Deus me concedeu. Não abro mão disso! Se é fácil? Claro que não! Mas infinitamente gratificante. Quem me vê hoje, assim tão feliz e realizada com meus “filhotes”, falando e escrevendo sobre maternidade, com tanta alegria e regozijo, com tanta inspiração e principalmente sendo inspiração para outras mulheres e mães, não imagina como inicia minha história... Mas eu vou contar! Aos vinte e seis eu engravidei pela primeira vez e em meu ventre eu carregava dois anjinhos lindos... Eles partiram tão rápido quanto chegaram, não tive tempo de dizer “olá”, mas fui obrigada a dizer “adeus”... Não me faltam lágrimas agora na lembrança desta história que é tão feliz quanto intensa. Sim, feliz! Recuso-me a atribuir tristeza ao fato que me tornou a fortaleza que sou hoje, a mulher firme e empreendedora que busca seus propósitos e os persegue com resiliência, foco e sempre muita fé... A mãe realizada que trilha caminhos floridos em busca e encontro de seus ideais, ensinando seus filhos a ensinarem tantos outros filhos que a vida é para ser vivida com humanidade... Amor e respeito ao próximo são as palavras de ordem desta jornada. Malcon, Murilo e depois a Vitória Letícia foram os primeiros capítulos desta história de sucesso... Não sei quantas mães sabem a dor de enterrar um filho (ainda que seja um bebê recém nascido) ou de perder antes mesmo de nascer, mas sei que muitas não aguentariam... Eu mesma quase não aguentei e devo afirmar até mesmo como uma obrigação, que foi somente com a força em Jesus Cristo que superei... Muita fé em acreditar e perseverar na promessa de que seria mãe. Com o passar dos dias as lágrimas foram diminuindo (elas não cessaram até hoje e duvido que cessem) e como que em um desenho animado a força do Senhor me impulsionou para frente como um mantra dentro do meu ser: “Continue a andar, continue a andar”. Então assim eu fui... Entre noites em claro, planos e frustrações, um dia o sol brilhou mais forte. Eu vi minha perseverança se transformar em alegria e pude ver o cuidado de Deus comigo em cada detalhe... Eu não ousaria pedir mais nada na minha vida depois que peguei meu bebê nos braços. Manuzinha veio como um raio de sol para iluminar todos os meus dias e noites, até as mais escuras. Quando a peguei e a olhei, a cheirei, a beijei, tive a certeza de que toda a dor valera a pena. Deus tem seus caminhos e para mim Ele escolheu este. E então, por ela e para ela, me libertei de toda dor e segui adiante... E o resto da história vocês já sabem... Os irmãozinhos chegaram porque ela pediu (e as histórias da Coleção Mabelin
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    Quais de mimvocê procura? 90 contam os detalhes) e todo o resto da história nós estamos escrevendo juntos, com certeza de final feliz... Escrever este capítulo me trouxe uma liberdade de espírito inexplicável. Muitas mães me perguntam “como eu consigo” dar conta de tantas coisas e ainda com três filhos... Creio que era importante eu contar essa parte da história para inspirar outras mães a realizarem seus sonhos sem abrir mão do seu papel principal: A maternidade! Deixo aqui o meu convite para que outras mães conheçam e reconheçam seu valor, inspirem suas famílias e vivam felizes em seus reinos. Um abraço Lilian Fernandes www.lilianfernandesescritora.com.br (11) 9 5735-5561
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    Quais de mimvocê procura? 91 Renascimento! O poder de transformação e o milagre da vida Com todos os problemas de saúde que tem, não posso dar a certeza de que algum dia tenha filhos!” Naquele dia, vi meu mundo desmoronar completamente, aos 23 anos. Mais de 80 quilos me separavam do meu sonho de ser mãe, mas decidi que faria algo por mim e que provaria o contrário do que meu médico me disse. Depois de anos em depressão e de ter passado uma adolescência se escondendo da sociedade, quase prestes a desistir da vida, eu me dei a chance de mudar, de fazer um novo começo e me permitir me transformar de corpo e alma. Ouvir dizer sobre todos os riscos que uma cirurgia poderia trazer, ou até mesmo que não poderia sair daquela situação que talvez me levasse silenciosamente à morte. Para mim foi muito difícil. Mas a luta pela vida, por um sonho que parecia distante, ainda continuava. Após o processo cirúrgico para redução de estômago (bariátrica) eu ainda permanecia no hospital. Prestes a ir para casa e iniciar uma nova vida, tive complicações e tive que ser transferida para a UTI, onde permaneci por exatos 10 dias. Foi um dos piores e dolorosos momentos em que vivi uma sensação de quase morte. Mesmo após alguns dias em coma induzido, lutava pela vida, para que eu saísse daquele hospital e pudesse um dia contar que venci mais uma batalha imposta pela vida. E inacreditavelmente, comecei a melhorar e meu estado clínico se estabeleceu. Após dias internada, tive alta e daquele dia em diante, prometi a mim mesma que escreveria uma nova história, e que minha vida mudaria por completo. Aos poucos, fui vencendo o passado doloroso, as angústias e medos, os dias foram se passando com a mudança e transformação física e psicológica. Diversas vezes me bateu o arrependimento o desespero, mas eu fui forte e a cada dia eu me transformava por dentro e por fora. E com o tempo tudo foi ficando mais fácil e eu voltei a viver. Era uma vida nova que nascia dentro de mim. Nascia para a vida e para tudo de incrível e maravilhoso que ela tinha a me oferecer. Eu acabava de sair do casulo que me prendia e estava vivendo a silenciosa metamorfose da vida. Não me era tirado só o peso físico, mas o peso que a sociedade impunha. Sempre digo que tenho duas datas de nascimento: a que nasci, em 12/01/1987, e a que renasci, em 07/07/2009, pós-cirurgia. Três anos se passaram e eu tinha saído dos 162 quilos para 76 quilos. Mudei meus hábitos alimentares e retomei minha vida. Entrei na faculdade e estava em uma das melhores fases da minha vida. Antes de pensar em realizar meu sonho de ter filhos, 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
  • 92.
    Quais de mimvocê procura? 92 estava empregada há quase três anos em uma das melhores empresas, mundialmente conhecida por desenvolver, fabricar e vender licenças e softwares para computadores. Eu adorava meu trabalho e ao mesmo tempo não me encaixava naquele lugar, Não me sentia “eu”. Trabalhava sob pressão, com metas, carga horária abusiva, num ambiente que não me dava liberdade de expressar minha criatividade. Gostava do que fazia. Era satisfatório, um bom cargo, um bom salário, mas não me sentia realizada profissionalmente. Mas em 2012, para minha total surpresa, pois não esperava um “positivo”, principalmente pelo que ouvi do meu médico, estava grávida. E aquela notícia me pegou de surpresa, tanto quanto a minha demissão inesperada, no mesmo momento em que descobri que seria mãe. Foi tudo tão rápido! Os acontecimentos, um misto de felicidade intensa, meu sonho se realizando e eu prestes a perder a minha estabilidade financeira. Mas tive que retornar à empresa e permanecer até o final da minha gestação trabalhando. Foi bastante difícil este retorno, pois nada era como antes, então se passaram 9 meses até o momento mais esperado e lindo da minha vida, vivendo sob pressão e assédio moral dentro do meu local de trabalho e eu não aceitava, não queria mais. Esperava minha filha nascer para não ter que voltar mais a uma empresa para trabalhar. Queria viver intensamente a maternidade tão desejada. Trabalhei até alguns dias antes da minha filha nascer. Em 11/06/2013 nascia meu milagre, minha Lívia Isabel, meu sonho em forma de anjo e ternura. Eu tinha em meus braços todo amor que uma mulher poderia ter, eu me tornava a mãe e mulher mais feliz desse mundo, e por diversas vezes fui desacreditada por médicos de que esse sonho pudesse acontecer em minha vida. E eu descobri que a maternidade nos transforma,eunãoimaginavamaisminhavidasemela,depoisqueelanasceuepassado alguns meses eu tive que retornar ao trabalho, afinal minha licença-maternidade estava chegando ao fim. Mas uma nova decisão foi tomada por mim e eu escolhi estar com ela, viver meu sonho de forma integral. Depois que saí do meu emprego eu passei a escrever um blog, falava sobre a maternidade, medos e descobertas de uma mãe de primeira viagem e gravava vídeos com minha filha, fotos do cotidiano, mas o blog ainda não era o que eu queria. No fundo, sabia que ainda não era isso; queria mais. Foi quando comecei a planejar a festa de aniversário de um ano da minha filha. Pesquisei tema, fiz toda decoração, personalizados, lembrança, doces e comidas. Foi fazendo tudo isso que me descobri. Era o que eu tanto procurava, minha vocação, o que eu queria fazer de verdade, e que eu pudesse conciliar a maternidade com um trabalho que realmente gostava. Ralei muito para aprender a criar um negócio que me realizasse profissionalmente e que também me desse uma remuneração que me possibilitasse a ficar em casa cuidando da minha filha. Com o tempo fui modificando meu negócio que começou com uma impressora, um notebook, papéis para confecção de personalizados e lembranças para festas infantis. Comecei a fazer bolos, doces e salgados e vender, e cada vez me surpreendo
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    Quais de mimvocê procura? 93 mais. Comecei a divulgar nas redes sociais e recebendo pedidos e encomendas maiores, e então me veio outro sonho: um buffet em domicílio. Como não tinha condições para ter um espaço físico, decidi levar a outras pessoas um buffet completo com tudo que uma festa seja infantil teria direito de forma acessível. E tudo foi acontecendo aos poucos sem muito investimento. Surgiu a primeira festa, uma encomenda de doce, de lembrança. Hoje eu não ganho muito mais do que ganhei na vida dentro de uma empresa, mas eu faço o que amo e, principalmente, ajudo pessoas a realizar sonhos. Viver fazendo festa é realizar sonhos de pessoas e ser responsável pelo momento de felicidade de cada cliente, e esse é o maior pagamento que eu posso receber da vida. Eu ainda tenho outros planos: desejo expandir meu negócio, ter um espaço físico para realizar festas e continuar trabalhando com meu buffet, aumentar a família e continuar fazendo o que realmente amo. E dedico a cada dia dessa realização e tudo que está por vir a minha filha Lívia com todo meu amor, pois foi por ela que descobri o verdadeiro sentido da minha vida. Em nenhum momento me arrependo de ter mudado minha vida por ela. Quero ser para ela exemplo de superação e fé, que ela jamais desista de acreditar em seus sonhos e que consiga alcançar o que desejar dessa vida. Por ela sou capaz de tudo, de recomeçar, de alcançar de realizar e me transformar. Lilian Isabel Sarturato de Sales, 29 anos, casada, mãe da Lívia Isabel de 3 anos, formada em Gestão de Ma- rketing, culinarista e proprietária do Lis Buffet e Eventos. Trabalha com organização e planejamento de eventos, blogueira do canal Mãe de Cabelinho Dourado, cursando Gestão de Eventos. Quero poder inspirar outras mulheres que desejam empreender através da maternidade, continuar proporcionando momentos felizes e realizando sonhos e festas.
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    Quais de mimvocê procura? 94 “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...” (Caetano Veloso) Abril de 1997...24 anos... auge da minha carreira artística... a notícia: grávida! E justo no fim de um relacionamento. Deste momento em diante, começou a construção da mulher de hoje: forte, decidida e, principalmente, destemida. Então, teve início uma das fases mais difíceis em minha vida e, ao mesmo tempo, de muito aprendizado. Amadureci, tornei-me MULHER; passei a gravidez praticamente sozinha, vendo meu corpo se transformar e abandonando de vez a carreira artística que tanto amava. Mas é impressionante a força que descobrimos ter quando nos tornamos mãe... Mesmo grávida fiz shows com o Banana Split até meu 7º mês, e em 07/01/1998, nasceu o meu Matheus, a razão de toda minha força. Nesta época, meu foco foi atuar, afinal tinha me tornado atriz profissional ainda grávida. Após 4 anos cantando nos palcos de todo o Brasil, resolvi me dedicar à publicidade, mas meus planos logo foram interrompidos por 8 anos de casamento. Infelizmente a imaturidade não permitiu que eu visse o quão importante é você não abrir mão dos seus sonhos, de sua vida, do seu eu. Descoberta feita mais tarde, à “duras penas”. Durante esse relacionamento residi em São Paulo, passei 1 ano em Porto Alegre, onde tive uma cafeteria que eu amava, e fiz lindas amizades. Depois morei por 2 anos em Goiânia, onde foi muito difícil para mim, pois não trabalhava, não produzia, e para quem trabalhou desde os 16 anos, foi bem complicado. E claro, sempre meu filho comigo. E depois disso voltei à São Paulo, onde decidi retomar minha vida profissional. A essa altura o casamento ia de mal à pior. Foi quando em março de 2006, optei por mim. Nada mais importante que a paz de espírito. Mas como tudo na vida, cada dor sentida, cada momento sofrido, nos impulsiona e nos mostra um novo caminho, ainda que demoremos a entender. Essa experiênciadifícilemocionalmentemelevouaoautoconhecimento.Comeceiapraticar Yoga, me descobri internamente, e a necessidade da construção do meu EU emocional começou a desenvolver, crescer e até hoje novas experiências e conhecimentos me são apresentados. Depois da separação, minha dedicação total ao trabalho como atriz de publicidade, modelo comercial e apresentadora me levou a outras descobertas como líder de equipe e vendas na área de beleza. Tudo muito novo e desafiador, ao mesmo tempo, glamuroso e encantador. Aprendi mais sobre pessoas, com as pessoas, descobri 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 95 diferentes habilidades e fui muito corajosa e atrevida. Trabalhei arduamente porque acreditava num objetivo final, num retorno, num ideal. Descobri que se você não corre atrás, nada bate à sua porta pronto para entrega, então me restava encarar de frente; peito e coração aberto. E foi isso que me deu foco na vida, que me levou a ter uma meta, pois movimento gera movimento. Ao final do ano passado, no auge da crise política/financeira do nosso país, infelizmente meu negócio de vendas em equipe entrou em declínio, e mais uma vez precisei me reinventar. No meio televisivo, costumam dizer que quando você é mordido pelo “bichinho da TV” você não consegue fazer outra coisa. FATO! Senti uma vontade enorme de voltar para às telinhas de alguma forma. Eis que o destino já tinha me apresentado a pessoa com a qual eu começaria tudo novo, de novo: Kátia Teixeira. Nos conhecemos em um curso ano passado: Master Mind. E, em fevereiro deste ano, veio o convite de um novo desafio, o trabalho numa área comercial em conjunto com minhas apresentações. Impressionante nosso desenvolvimento fora da zona de conforto, não é? Tem sido assim para mim diariamente: o contato com o novo. Realmente sou uma pessoa abençoada, pois a vida sempre me trouxe e traz pessoas do bem, excelentes amigos e uma família unida. Meu filho está com 18 anos, é estudante de publicidade. Um garoto lindo, por dentro e por fora, talentoso, dono de uma linda voz...canta e encanta à todos por onde passa. Me encho de orgulho e fico muito feliz em ver que meu árduo trabalho de “pãe” deu um maravilhoso resultado. Mas não foi e nem é fácil criar um filho sozinha. Mesmo com um pai presente e responsável, o “trabalho” maior é o meu, no dia a dia exaustivo da educação, de valores, da construção do caráter. Muita responsabilidade ter e criar um filho, é preciso dedicação, equilíbrio emocional e amor para vê-los crescer confiantes e seguros, como pessoas do bem. Entre altos e baixos da vida, graças à Deus, nunca desisti de nada nem de ninguém de grande importância em meu caminho. Encaro tudo corajosamente com intuito de superação das novas etapas que se apresentam. Falo para o meu “baby”, que somos um time de dois, mas um GRANDE TIME!! E assim estou vivendo um dia de cada vez, na certeza de estar cumprindo meus diversos papéis que me foram confiados. “Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas...” (autor desconhecido) E é vida que segue... Liz Vargas
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    Quais de mimvocê procura? 96 Jamais substime o quão poderosa uma mulher pode ser Eu sou Luci do Carmo de Santana, mãe, empresária e, psicopedagoga com especialização em portadores de necessidades especiais – visão. Nasci em São Paulo capital em uma década onde mulheres só eram vistas como futuras donas de casa. Ousei em fazer curso técnico de decoração, no Liceu de artes e ofícios de São Paulo, onde cursei apenas dois anos, dos quatro exigidos. Como mulher lutadora, que sempre fui, terminei o colégio normal, na época, em 1977. Casei-me no ano de 1978, com meu colega de colégio, Luciano Mariano de Santana Em 1981, entrei na Faculdade de Pedagogia, em São Paulo, período onde poucas mulheres de classe social denominadas classe média, assalariada, frequentava os bancos universitários, principalmente, negras. Foi nessa época, que após 4 anos de casada, recebi a notícia que havia um problema uterino. Apesar de vários exames feitos na época, recebi a notícia que meu útero era bicorno. Pouco era a chance de gravidez, diagnóstico revelado por um médico ginecologista do Hospital São Camilo. Decidimos então, pela adoção, e dois anos mais tarde, quando estagiava em uma instituição filiada a antiga FEBEM, conheci uma menina, ao qual ficamos tocados com sua história, e decidimos adotá-la. Nesta época, era muito difícil adoção de criança com idade acima de um ano, menina e negra. A garota encontrava-se com dois anos e dez meses, mesmo assim nos interessamos por ela. Foi um início difícil para ambas, mas o amor venceu. Pois houve aceitação total dos amigos, familiares e vizinhos, os quais trouxeram presentes com se houvesse nascido um bebê, lindo momento!!!! Anos se passaram, Sabrina crescia bem e com saúde, sempre acompanhada de psicólogos e assistentes sociais da instituição, por aproximadamente quatro anos, aos quais observavam a adaptação e o desenvolvimento da criança. Findando a adoção definitiva. Por volta de setembro, de 1985, engravidei. Como o diagnóstico médico, era de útero bicorno, a gestação era de risco, porém tudo correu bem. Com o aparecimento da gestação, foi nesse momento que a Sabrina fez a pergunta fatal: “Mãe, de que barriga eu vim?” A resposta foi simples, e sem rodeios: “ Você, filha, veio do coração!!!” Ela ficou feliz, com a resposta, explicamos à ela, sobre a adoção, e a levamos para conhecer, 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 97 outras crianças, que também como ela, poderiam ser adotadas, e, também crianças adotadas por outros casais. Principalmente, porque eu tenho uma irmã, muito querida, adotada por meus amados pais, Maria Helena, que muito me ensinou. No ano seguinte, 1986, em julho, nascia Lucila Rafaela, para alegria de todos, inclusive a Sabrina. Porém, Lucila era portadora de necessidades especiais físicas o lado esquerdo do corpo como: visão, e membros superiores e inferiores um pouco menores. Porém a alegria pouco durou, com dois meses de vida, Lucila recebeu uma medicação para resfriado, e sofreu um choque anafilático e veio a falecer em agosto do mesmo ano, também, no Hospital São Camilo. Ano difícil para nós. A Sabrina foi muito importante nesse momento, sua presença e seu carinho nos fortaleceu. Ficamos mais unidos. A vida segue. Passamos a passear em cinemas shoppings, restaurantes, casa de amigos e familiares e viagens. No ano de 1992, por motivo de trabalho, fomos morar em Arcaju - SE, próximo aos parentes paternos, onde permanecemos por dois anos e meio. Nesse período, um sobrinho do meu marido, Gilson, Veio morar conosco em Aracaju, pois seus pais moravam no interior do estado de Sergipe, cidade de Tobias Barreto. Na época na cidade onde ele vivia, a escolaridade era precária. Em 1994, Luciano, meu marido, foi convidado a ocupar um cargo em Brasília, por isso nos mudamos para lá: Eu, Luciano, Sabrina e Gilson. Por isso os pais de Gilson, nos deram sua guarda, pois era menor, para continuar seus estudos em Brasília, época de dedicação total à eles: mãe motorista, lavadeira, passadeira, cozinheira, todas as “eras” da vida. Afinal era um período delicado, adolescência: escola, inglês, teatro, jogos, igreja, amigos, festas, clubes, ufa... esta era minha rotina. Porém, entre uma e outra atividade, nunca deixei de estudar. Fiz cursos voltado a educação de pessoas portadoras de necessidades especiais, curso de braille, alfabetização para deficientes visuais e locomoção. Minha vida escolar sempre esteve presente em meu cotidiano, onde quer que eu estivesse morando. Minha paixão por estudar trouxe um legado de três sobrinhas pedagogas: Edilene, Edvânia e Gabriela. Uma psicóloga: Deise e uma Doutora em Letras: Elisângela. Sempre ouvi de minhas sobrinhas: “Quero ser como a tia Luci.” Em 2000, novamente por motivos de trabalho, retornamos para São Paulo. Época em que o Gilson ingressou na Faculdade de Direito e passou a trabalhar em uma estatal, motivo pelo qual permaneceu em Brasília, pois já estava bem encaminhado e também por decisão própria. Depois de formado, constituiu família, e se manteve por lá. Ao chegar em São Paulo, Sabrina para a se dedicar a trabalho artístico e religião, trabalhando voluntariamente como evangelista. Neste mesmo ano passei na faculdade de Psicologia, realizando o meu sonho de ser psicóloga. Foram anos maravilhosos, uma experiência fantástica. Realmente é isso que desejo ser, psicóloga. Especializei-me em Psicopedagogia, com ênfase em dificuldades de aprendizagem. Atualmente divido meu tempo entre meu trabalho no consultório de psicologia em
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    Quais de mimvocê procura? 98 Santos – SP, na Instituição Braille de Santos – SP e no Quiosque Pasteluck, em São Vicente – SP, onde realizo diversos eventos culturais para promovê-lo e diversificá-lo. Participar desta coletânea, deixa-me feliz, visto que, no início deste ano (2016), abri as portas do Pasteluck, para o lançamento do primeiro livro: Quais de mim você procura?, e agora tive o privilégio de receber um convite para participar deste novo empreendimento: Mães empreendedoras, ao qual recebi com muito carinho para mostrar um pouco da minha humilde história. Luci do Carmo Santana
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    Quais de mimvocê procura? 99 50 Mães empreendedoras que chegaram lá O deserto de cada um... “...Filha de comerciante, cresci cercada por pessoas das mais diversas personalidades. Através do exemplo do meu pai aprendi muito sobre a importância em obter uma boa diversidade nas relações comerciais. Constatei ainda no balcão do seu estabelecimento o quanto uma boa rede de contatos (networking) impulsionava seus negócios, partindo desse pressuposto sempre acreditei no poder das conexões quando é bem trabalhada...” Sou apaixonada por conexões e transformo-as em grandiosos negócios. Essas palavras marcam a minha trajetória profissional. Claro, aliada a muita disciplina e entusiasmo. Então foi assim que abri o ‘“mar vermelho’” e tornei-me uma grande especialista e intermediadora de negócios usando como base a maior rede social profissional do mundo, o LinkedIn. Emancipada aos 17 anos, aos 18 anos assumi o papel de mãe, pai e líder majoritária da minha casa. Tudo dependia de mim, pois meu ex-marido era totalmente irresponsável e imaturo. Cheguei em Curitiba, uma cidade grande e desconhecida para mim, com uma mala, um par de sapatos (os que calçava) e muitos sonhos. O começo foi muito árduo, aprendi sozinha a me defender, era eu e Deus. Isolada e sozinha, foi com garra que soube aproveitar cada oportunidade recebida, afinal se eu falhasse, não era somente comigo, tinha três vidas envolvidas. Fiz das oportunidades o meu melhor negócio. Até aos 27 anos eu acreditava no modelo perfeito do regime CLT. Confiava de verdade que sucesso era ter uma boa posição dentro de uma organização grande. A grande virada de jogo foi durante a adolescência complicadíssima da minha única filha. Descobri que nunca tinha acompanhado o desenvolvimento dela, não fui em consultas médicas, nem festas nas escolas, nunca a acompanhei para fazer documentos quando preciso e outras coisas, sempre terceirizava essas funções, afinal no regime CLT, sair fora do horário comercial era pedir pra ser mandado embora. Aos 30 anos, eu atravessei o deserto mais duro, a ‘“conta’” da minha ausência durante o desenvolvimento da minha filha chegou. Foi nesse momento a minha época de maior crescimento, minha vida como mãe e profissional foi totalmente transformada. Do mundo desabando e do anonimato para o palco da maior rede social
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    Quais de mimvocê procura? 100 profissional do mundo. Impactei mais de 100 mil usuários da rede social LinkedIn Brasil e mudei o meu cenário profissional, do regime escravo CLT para a tão sonhada flexibilidade profissional. Bem, tudo começou na época em que tomei a decisão de abandonar o regime CLT. Tinha em mente somente uma coisa: mudar o meu cenário pessoal e profissional - não aguentava mais o ritmo assombroso e ameaçador do sistema corporativo. Sempre acreditei no “‘ganha-ganha” justo, em que ambas as partes devem ganhar e, o modelo de trabalho no qual eu estava submetida era injusto, seguia o um padrão da Era industrial, onde havia muito assédio moral, fazendo acreditar na falsa ilusão da “segurança’ e “benefícios” do regime CLT ao chegar na época da aposentadoria. Quase acreditei em tudo isso. Se não fosse o tsunami com a minha filha, essa conta ‘“segurança + benéficos”’ já não estava fechando pra mim, era um ‘“des-serviço”’ com a minha missão neste mundo. Sentia-me emburrecendo e desonesta com o meu potencial e investimento que fiz em meus estudos. O ritmo intenso de trabalho não me assustava, o que me fazia ficar extremamente irritada era a prisão vivida no regime CLT, regime militar, hierárquico e pouco inteligente, que se complicou ainda mais durante a chegada da adolescência da minha filha, ela precisava da minha presença e acompanhamento e eu simplesmente não podia pelo fato que nesse regime eu trabalhava das 8h às 18h:30. Aliais, presença era uma palavra desconhecida em nossa rotina, o regime fechado CLT era pontual e a grade da jornada de trabalho não permitia privilégios, por exemplo, o uso do telefone era restrito e recomendado não usar durante o horário de trabalho; ir ao médico só em último caso e uma vez ao ano e olha lá. Acompanhar minha filha em ocasiões especiais na escola era pedir pra ganhar a conta. Essa foi minha rotina durante, aproximadamente, 16 anos da minha vidinha mediana e anônima. Se por um lado tinha a tal “segurança” do CLT, por outro lado eu tinha uma filha totalmente solitária, pedindo por socorro. Foram sete anos no deserto, em uma busca para conciliar trabalho e estar mais próxima da minha pequena. Após esses anos, eu enfim pude compreender o que de fato a vida estava querendo me ensinar e me presentear. Hoje sou muito grata pela difícil fase e compreendo que tudo tinha um propósito. Todos esses acontecimentos foram eu dar sentido a minha missão neste mundo. Eu fiz a descoberta de novos cenários e principalmente, passei a compreender o porquê da conta não fechar. Enfim, consegui me libertar do sistema e do regime CLT. O deserto proporcionou um conhecimento verdadeiro, profundo. Permitiu conhecer pessoas sensacionais, extraordinárias, abrir novas frentes de trabalho, além de me mostrar que existe vida lá fora. Commuitador,medoesolidãoeureescreviaminhavidaprofissional,abandonei o regime CLT, coloquei minha filha em primeiro lugar, busquei compreender como poderia manter um lar através do meu trabalho e não mais com um “emprego”. Quanto mais caótico era o cenário dentro da minha casa, mais eu estava
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    Quais de mimvocê procura? 101 certa sobre a ideia de trabalhar home office para poder estar mais próxima da minha pequena. Começava então minha busca incansável e em conjunto a minha transformação. Primeira etapa do meu crescimento, ainda durante o regime CLT, foi estudar cases de profissionais bem-sucedidos e qual seria a trajetória ideal para eu alcançar o resultado desejado. Mesmo a minha decisão sendo vista por muitos como ‘“surre- al’ durante a minha busca conheci uma técnica muito inteligente e simples, chamada SMART e fiz dela minha aliada no primeiro momento. No início da minha trajetória, em 2008 eu conheci um grande executivo, ele foi a minha grande inspiração - intitulei-o como o “‘Presidente”’ - e era um dos homens mais inteligentes que eu já havia conhecido. Recém-chegado da França, ele trazia na bagagem uma trajetória fantástica, eu simplesmente queria ouvir mais e mais... Fui buscar mais informações sobre o Presidente no Google e então acabei conhecendo algo tão valioso quanto ele, sim o LinkedIn. Sem entender muita coisa, na época a versão era somente em inglês, eu pude compreender o necessário para o meu crescimento profissional. Percebi na rede a oportunidade que almejava e a resposta da minha busca profissional! O LinkedIn surgiu em minha vida no ano de 2008 e, atualmente, sou proprietária de nove grupos de networking, gerencio diariamente mais de 100 mil usuários e, desde 2011, aprendi a usar a ferramenta, a trabalhar coletivamente com viés no humano e digital. Essa foi a porta de entrada do meu futuro profissional, abandonei de vez o CLT e me tornei uma intermediadora em negócios e conexões estratégicas dentro da rede LinkedIn. Ousei ainda mais na rede, fundei o “Networking Conference,” o maior encontro entre os usuários da rede social profissional LinkedIn Brasil. O NetConference nasceu com o objetivo em ampliar o relacionamento entre os usuários na rede, proporcionar um time-line real de discussões ricas em conteúdo e soluções inteligentes, além disso, buscamos estreitar e ensinar os profissionais a fazerem networking. Até o início de 2016 foram mais de três mil executivos assistidos pelo NetConference Renomadas empresas apoiaram a iniciativa, no qual me orgulho muito. Se a minha trajetória profissional terminasse aqui, acredito já ter construído um bom legado. Enfim, encontrei o modelo de trabalho ideal e nesses últimos cinco anos construí uma empresa durante a travesseia do deserto, sim, se você leitora estiver passando por um deserto, minha recomendação é: atravesse-o e ‘não” pare, siga em frente. Minha filha tornou-se uma adulta segura e, principalmente feliz, viu em mim o exemplo de determinação e amor. Sinto sua admiração por mim e orgulho quando fala da minha repercussão no universo dos negócios, ter o seu reconhecimento e vê-la seguir meu exemplo é a minha maior vitória. Após o temporal, consigo compreender melhor um dos livros que foi meu conselheiro nessa trajetória – Eclesiastes 3.1 , ele dizia “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Isso é maravilhoso! Gratidão a minha filha, dona do meu coração. Aos amigos próximos durante a minha árdua caminhada, minha mãe e meus irmãos que seguraram a barra quando
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    Quais de mimvocê procura? 102 meus braços já não tinham mais forças, ao mercado CLT no qual me proporcionou tanto aprendizado, ao meu atual marido, que chegou bem no meio do tsunami, mantendo-se firme e forte mesmo sem compreender o vendaval a minha volta. A ele, o meu Presidente, mesmo sem saber me ensinava tanto sobre o mercado e que me proporcionou encontrar a rede que mudaria minha trajetória profissional. A Deus, no qual sussurrava em meus ouvidos “Enquanto tiver o sopro, tem vida, tem mudanças, acredite”. Malu Neves - Estrategista e Empreendedora visionária, divide sua residência entre Brasil e Itália, uma profissional influente e de forte atuação no mundo dos negócios. Também é cofundadora do Networking Groups, o maior grupo de networking na rede social LinkedIn Brasil. Idealizadora da proposta em humanizar os contatos virtuais dentro da maior rede profissional do mundo, impactou e movimentou mais de três mil profissionais em seus encontros de networking pelo país, tornou-se um grande case no mercado com reconhecimento pela mídia e a própria rede social LinkedIn por seu trabalho de Inteligência Coletiva e colaborativa. Consultora e palestrante em Inteligência comercial desenvolve soluções com o viés humano e digital para empresas e profissionais nos quais desejam obter resultados extraordinários. Tecnóloga em Gestão Estratégica em Vendas (Faculdade Luterana Martinus), MBA em Inteligência de Mercado (UFPR), e Practtioner em PNL (Instituto Anauê-Teiño).
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    Quais de mimvocê procura? 103 RENOVAR A CADA AÇÃO Eu me chamo Marcilene Evangelista dos Santos Silva, tenho 35 anos, sou casada há 14 anos com Ricardo Rodrigues P. da Silva. Sou empresária e mãe do Anderson, de 8 anos. O ano de 2002 foi de grande realização. Foi também o ano em que me casei. Comecei a trabalhar para uma rede de lojas de moda com plano de carreira, aprendi a trabalhar com metas, estratégia para alcançá-las, aprendi a treinar profissionais e executar para obter os resultados. No ano seguinte já estava planejando abrir minha loja de bijuterias. Na época, com 22 anos, foi uma frustração, pois não tinha conhecimento suficiente para dirimir quaisquer riscos. Resultado? Fechei a loja no mesmo ano da sua abertura, em 2005. Em 2006 entrei para o mercado de trabalho novamente (banco). Nessa época, meu esposo já cogitava abrir a nossa empresa. Quando entrei no banco, busquei obter o máximo de conhecimento sobre análise de risco, perfil de clientes, pois pensava que um dia estaria analisando meus próprios clientes. Estava casada há 4 anos, pensando em ser mamãe. Em 26/02/2007, grávida, passei muito mal no trabalho e isso resultou no meu afastamento. Foi preciso parar de pensar em mim e na minha vontade de trabalhar e pensar no meu filhote. Em 30/07/2007 nasceu meu “chicletinho”, Anderson Rodrigues dos Santos, hoje com 8. No mesmo ano, meu marido abre a nossa primeira empresa, Economaxx. Quando a empresa e o filhote completaram um ano, fiz o pedido para ser dispensada do banco, pois estava pronta para conduzir minha empresa. Não parei de estudar, pois quando retornei da licença-maternidade ao trabalho, comecei minha pós-graduação em Gestão de Pessoal, pensando na Economaxx. A Economaxx é uma empresa voltada para área da construção civil, ênfase em elétrica. Conseguimos conquistar nosso espaço como uma das melhores empresas do ramo de engenharia elétrica de nossa região, e isso nos levou para outros estados e municípios. Em agosto de 2012 descobri que estava grávida novamente. Nessa mesma semana, fechamos um contrato em Santa Catarina. Tínhamos que viajar para resolver trâmites administrativos e por fim começar a obra. A viagem foi marcada para início de setembro/12. Ir ou não ir? Estava na sétima semana de gestação. Fomos, afinal, seria 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 104 uma viagem curta. Assim fizemos: contratos assinados, acordo revistos, hora de voltar para casa. Realizei o check-in na companhia e pegamos o voo, retornando para São Paulo - Guarulhos. No momento que o estamos prestes a pousar, pergunto ao meu marido: — Amor, vamos descer, pode pegar a pasta amarela, por favor? — Como? Do que está falando? A pasta estava com você quando foi fazer o check-in! Eu havia deixado os documentos no balcão do check-in. Meu marido estava em pânico e bravo comigo. E eu, claro, como sempre, me cobrei. Fomos informados de que o documento estaria de volta em Guarulhos somente no sábado. Comecei a sentir cólicas. Nesse momento foi quando me lembrei de que estava grávida. Logo fui ao banheiro e ali o medo tomou conta de mim. A minha prioridade não estava sendo o papel e sim proteger ao máximo meu bebê, mas eu não me queixei das cólicas com ele, dada a tensão da situação. Chega o sábado, pego o carro e vou para Guarulhos. Vou ao setor da companhia aérea, informo a situação e sou informada de que a aeronave já estava perto de pousar. Pergunto novamente e fui informada de que a aeromoça já estava trazendo a pasta. Fui ao banheiro, ainda percebendo uma leve mancha rosa, mas retornei. O tempo passava e nada. — Moça, ainda não me entregaram o documento, pode verificar, por favor? — Moça, desculpe mais a aeronave decolou novamente e só deve retornar para Guarulhos na segunda-feira. Seu documento não foi retirado em tempo da aeronave. Na hora me deu uma cólica que só de mencionar aqui, sinto novamente: — Ajude-me a sentar. Estou grávida. Eu estava acabada, desesperada, pensando na discussão que teria com meu marido, mas era algo que teria que enfrentar. — Cadê o documento? — Só na segunda. O avião chegou, mas voltou a voar com o documento dentro. — Como assim? Você não falou que estava esperando? Não falou para ninguém? — Só na segunda para ir buscar. — Ok! Mas eu não vou! Deitei-me na cama sentido muita dor. Fui ao banheiro e tudo que via era sangue. Muito sangue. Coloquei um absorvente e me deitei novamente. Liguei para minha mãe, e ela falou com Ricardo, meu marido. Fiquei internada, mas graças ao meu Deus, não precisei fazer curetagem. Tomei soro e no banheiro, senti algo sair e bater no fundo do vaso sanitário. Vi uma bolinha pequena de sangue e ali entendi que não havia mais nada em mim. No dia seguinte, ao fazer o ultrassom, saco gestacional vazio. Recebi alta e fomos embora. No mesmo dia, meu marido passou no aeroporto para retirar o documento. Passamos a analisar muitas coisas de outra forma. Eu e Ricardo ficamos ainda mais próximos. Assim, fomos nos fortalecendo, nos apoiando em tudo. E esse ano está
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    Quais de mimvocê procura? 105 sendo mágico novamente, pois abrimos nossa segunda empresa, num ramo totalmente distinto: a Esmalteria Marcy Nails Bar. Estamos em transformação de hábitos, pois até então, o que nos dividia era uma parede, um corredor, e hoje estamos aproximadamente a 4 km de distância um do outro. Mas estamos superando, dividimos as obrigações com nosso filho, levamos Anderson ao colégio juntos e nos revezamos para buscá-lo. Nosso filho é prioridade e vamos sempre os dois às suas atividades. Ser mãe empreendedora é viver sem limites! A coragem, os momentos de decisões, a calma, a reflexão, o choro, o compreender, são partes contínuas de nossas vidas. Facebook: /Marcilene Evangelista /EsmalteriaMarcyNails /Economaxxengenharia. Beijo, beijo... Marcy.
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    Quais de mimvocê procura? 106 A Jornada Mágica: Um Chamado à Aventura Sou uma pessoa que gosta muito dos números, vejo magia neles! Tenho alguns de minha preferência, por inúmeras razões: o número 18 por ser o dia do meu aniversário; o número 30 por ser o dia do aniversário da minha filha; e o número 1, porque marca o início de tudo. Imagine como me sinto quando é o dia primeiro do mês, imagine ter um mês inteirinho para fazer o que você quiser! É muito mágico para mim, e gostaria que fosse para você também, principalmente neste dia de hoje em que ainda somos agraciadas por um lindo dia de sol, que nos instiga a agir. Que tal acordar e fazer coisas como: tirar o pó do armário, levantar da cama, da cadeira, do sofá e cantarolar uma linda música que faça seu coração cantar? É assim que desejo que seu primeiro dia do mês comece sempre! Experimente e verá que os outros 29 ou 30 dias serão de muita alegria e realização. E foi assim que comecei a escrever a minha breve história, em pleno 01 de agosto de 2016, às 13hs da tarde. Sempre me perguntam que horas descanso, que horas eu durmo, por que sabem que tenho uma agenda que começa normalmente as 07hs da manhã e termina às 22hs da noite, de domingo a domingo. Mas nem sempre foi assim como é hoje. A minha jornada realmente mágica teve início com o nascimento da Carolina, minha filha. A história começa mais ou menos assim: Olhando o resultado do exame e todas essas perguntas ao mesmo tempo: Eu, grávida? Como assim?! Será mesmo?! Como é possível?! Passado o susto, retomei a respiração e pensei: “já estou com 32 anos e sei no meu íntimo que vai ser bom! É isso mesmo, vai ser legal!” – afirmei com convicção, enquanto o meu outro eu falava: “Legal? veja suas finanças, veja seu trabalho! Você é recém-empreendedora, ganha muito pouco, e o pai do bebê nem emprego tem no momento.” Foi um turbilhão de sentimentos, todos velhos conhecidos nossos: medos, anseios, alegrias, dúvidas de montão. Como vou dar conta de um novo ser, como vou trabalhar e cuidar de mais alguém além de mim? Tive noites em que mal dormia, mas a vida que passei a sentir dentro de mim foi me dando forças a cada dia. Sabia que seria alguém especial, e que tinha me escolhido para ser sua mãe. É nisso que eu acredito: que de alguma forma ela me enxergou aqui na terra e me escolheu. Tenho que confessar que escrever e reviver tudo isso agora me leva a lágrimas; escrevo e choro ao mesmo tempo, é muita emoção. Minha vida sempre foi feita de desafios e este não seria simplesmente mais um, 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 107 seria “O Desafio”, aquele que duraria toda minha existência, que mudaria para sempre meu jeito de ver o mundo, de viver e trabalhar. Como todas as mães sabem, a rotina é intensa: acordar a cada 3 horas para amamentar, organizar, limpar, dar banho, cuidar das roupinhas, da casa, das finanças, do trabalho, dos clientes, e, na época, ser esposa. Como conciliei tudo isto? Nos primeiros meses de vida levava Carolina comigo para o trabalho; atendi muitos executivos, realizei inúmeros processos seletivos, tudo com ela no carrinho ao lado. Alguns clientes que chegavam estranhavam o fato de ter um carrinho de bebê ao lado da mesa. Eu torcia para que ela não chorasse ou acordasse enquanto estivesse atendendo. Poucas vezes aconteceu, e tive que lidar com as interrupções. Planejamento sempre foi a palavra de ordem neste processo: agendar pessoas em horários que não tivesse que amamentar, ter um espaçamento entre um atendimento e outro, enfim. Ter uma agenda bem estruturada e definida foi uma boa estratégia. A partir do quarto mês de vida da minha filha comecei a trabalhar quase sem interrupções, parece milagre; a consultoria estava dando certo, e eu já tinha dinheiro para pagar uma babá, então conseguia deixá-la em casa. Lembro que tirava leite do seio e congelava para que ela fosse alimentada enquanto estava trabalhando. Mas mesmo com a babá algo que nunca abri mão era dar o banho na Carolina. Sempre à noite, sem pressa, porque era um momento especial, dedicado a nós duas. Era a hora que acontecia nossa grande conexão, um momento só nosso; ali era transferido a confiança a alegria e longas conversas, aquele papo intimista de mãe e filha, assim eu e ela ficávamos abastecidas de carinho e de amor. Quando ela completou um ano e nove meses, ficava pela manhã com a babá e à tarde na escolinha, para que ela pudesse conviver socialmente com crianças da sua idade, e para que eu também pudesse conhecer outras mães e partilhar de suas expe- riências. Me ajudou muito ver como outras mães agiam, e também fico feliz que pude contribuir com muitas delas. Nessa fase se intensificaram os momentos de leitura: livros pela casa toda, livros no banho, no sofá, leituras na hora de dormir – esse sempre foi um momento especial. Vivi muitos dias intensos de trabalho e, às vezes, ter que conciliar trabalho com a maternidade não era fácil. Lembro de um caso específico: em 1998, quando a Carol tinha menos de quatro anos, tive a oportunidade de desenvolver um projeto que exigia que eu ficasse mais de três meses trabalhando em outro estado. Enquanto isso, minha filha ficou com o pai em Curitiba, e para matar a saudade sempre falávamos por telefone, sempre mantendo o contato. Até que no feriado da páscoa daquele ano os dois puderam ir passar o final de semana comigo. A viagem era longa, mais de 400km, e a Carolina perguntando o tempo todo ao pai “a gente já chegou? Falta muito pra chegar? Quando a gente vai chegar?”, de tão ansiosa que estava para me ver. Fui descobrir uns oito anos depois que ela achava que eu tinha ido embora pra sempre; em seu pensamento, ela nunca mais iria me ver, que eu a havia abandonado com o pai e não iria mais voltar. As conversas antes de eu ir sobre o trabalho e o porquê da viagem,
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    Quais de mimvocê procura? 108 os inúmeros telefonemas, nada ficou registrado para ela. Até o momento da viagem de páscoa ela acreditava que nunca mais iria ver a mãe. Para mim foi um choque quando descobri; sempre acreditei que estava tudo certo, não tinha ideia que ela tinha se sentido daquela forma. Foi então que eu percebi que a melhor forma de lidar com situações como essa era estar com a minha filha; não por períodos de tempo prolongados, e sim estar com qualidade de tempo. Começamos a fazer coisas juntas que deram a ela a segurança que havia perdido, a credibilidade que havia sumido. Comecei a fazer parte da vida dela de forma muito verdadeira, e tive que aprender como me mostrar mais, mostrar a mulher que existe por trás da mãe, a mulher que erra, que acerta, que sonha, e que chora. Tudo isso contribuiu para que a nossa jornada juntas fosse realmente vivida de forma clara e honesta, e sabendo que a qualquer momento alguma de nós poderia se sentir aborrecida e até ferir uma a outra, mas que de forma alguma deixaríamos isto nos distanciar. A forma que desenhei para mim e Carolina tem dado muito certo. Temos uma cumplicidade incrível, uma confiança mútua, um companheirismo inigualável. Conseguimos construir laços fortes, e sei que a minha força e desprendimento de ter conciliado trabalho e maternidade foi algo muito que me faz ser que eu sou, alguém de quem a minha filha possa se sentir orgulhosa. Hoje ela tem 22 anos, e se forma em Direito no próximo ano: é aí que percebo como o tempo passa rápido. Continuamos a construir momentos somente nossos, levando em conta os interesses de cada uma, os momentos com amigos, as responsabilidades de trabalho, de estudo, e o respeito com as escolhas de cada uma. Acreditoquesomosummundodepossibilidadesecapacidadedeenfrentamento e de grandes realizações, somos capazes de qualquer ação desde que a desejemos. Temos energia, luz e sabedoria infinita, e podemos mudar e cocriar a realidade sempre que quisermos. “Tudo que você precisa para ser já está em você, basta acessar, processar e agir”. Maria Almeida
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    Quais de mimvocê procura? 109 Como traduzir o amor Meu nome é Mônica, como a amiga do Cebolinha mesmo. Meu nome foi escolhido por uma tia minha que tinha cinco anos de idade quando minha mãe ainda estava grávida e que arrastava um boneco do Jotalhão pra lá e pra cá. Isso já faz quarenta anos. Eu sempre tive uma pressa de viver. Uma urgência de tudo, urgência crônica da vida, do realizar, do conseguir. A sensação de urgência, de pressa, não passa. Tento abrandar meu coração e exercito minha necessidade de futuro a cada segundo, mas o coração fica como que em um invólucro que parece encolher na mesma velocidade em que o pavio de uma vela enorme se queima. Lenta demais. E o tempo passa. Sempre achei que o tempo era meu inimigo e então isso fazia com que eu fizesse de tudo como se existissem mil braços, mil mentes em mim. Na infância e adolescência, gostava de estudar, tinha aulas de inglês, treinava ginástica artística, dançava, ocupava meu tempo e minha cabeça, feliz da vida, sem me sentir sobrecarregada. O que eu queria mesmo era conhecer, vivenciar tudo aquilo. Foi por influência de um tio meu que morou conosco depois da separação dos meus pais que comecei a me apaixonar por inglês. Era boa aluna de português na escola e as línguas sempre me interessaram. Os sons, as origens, a cultura de outros países, exerciam fascínio imediato em mim. Desde então, tudo o que aconteceu no nível profissional na minha vida teve algo relacionado a isso, tudo de maneira natural e sem planejamento minucioso. Comecei estudar inglês aos onze. Aos dezesseis, consegui meu primeiro emprego como professora de inglês em uma escola de idiomas na cidade onde nasci, Jacareí. No ano seguinte, estava envolvida com trabalho voluntário, ainda que esporádico, com uma organização de intercâmbio. Logo me vi participando do processo seletivo para tentar viajar também. Eu fui selecionada, mas não tínhamos o dinheiro para nada dessa magnitude. Na época, 1993, antes do Plano Real, gastar em dólares era muito inviável. Meus pais disseram que se eu conseguisse mais descontos ou um patrocínio, tentariam arcar com parte da despesa. – Achei que tinha conseguido uma bolsa, filha. Não temos esse dinheiro – foi o veredito da minha mãe. Ela começou a chorar. Naquele dia dormimos cedo. Dormimos pouco. Na ma- nhã seguinte, os olhos de urso panda não escondiam os maus tratos que os pensa- mentos derrotistas nos causaram madrugada adentro. Tinha que dar a resposta lá no 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 110 escritório do programa. Não queria sentenciar meu sonho, mas fui até lá entregá-lo de volta junto com meu destino. Num golpe de sorte, e com muita perseverança e fé no futuro, acabei conseguindo um desconto ainda maior, para o qual meu pai não disse não. Em 1994, estava indo morar na Austrália. Em 1995, de volta, logo comecei a dar aulas de inglês de novo, iniciei a faculda- de de Letras, com foco no meu sonho de ser tradutora. No terceiro ano de faculdade, comecei a trabalhar para uma companhia aérea no aeroporto internacional de Guaru- lhos. Foi quando o bichinho da aviação comercial me picou e a tradução foi perdendo espaço na minha mente e se escondendo no subconsciente, gradualmente, sem que eu percebesse. Colocando minha vida na balança, não tenho do que me queixar. A perseve- rança, a retidão, a constância e a fé me trouxeram tudo o que sempre sonhei. Casei-me com um homem íntegro e trabalhador, tinha uma vida confortável, mas faltava algo. Com o tempo, minha vontade de engravidar foi crescendo. Ele também queria muito ser pai, então nos permitimos sonhar. O que não esperávamos é que isso acabaria por ser uma tarefa impossível para mim. Depois de anos de frustração, tratamentos e ci- rurgias, a endometriose tinha vencido uma primeira batalha. Guardei meu sonho no subconsciente, junto com a tradução. O casamento, mais tarde e por outros motivos, também acabou chegando ao fim. Conheci meu segundo marido em seguida. Seis meses depois de nos conhecermos, soube que uma moça alegava que ele era o pai de sua filha, na ocasião já com sete anos, fato este que ele negava. Ela enfrentava então uma batalha na justiça contra ele pela paternidade da menina. Não havia nada a fazer a não ser esperar pelo exame para saber. Certo dia, ele me chama para conversar e diz que havia estado na casa da mãe dele e que uma vizinha da mãe da menina havia aparecido por lá, pedindo ajuda, afinal, segundo ela, a garotinha estava em situação difícil. A mãe vivia em condições precárias, em local perigoso, a garota não frequentava a escola, a mãe estava sem trabalho e mal tinham o que comer. – Mônica, e se ela for minha filha? Como posso viver sabendo que está vivendo assim? Não conseguiria me perdoar! O fato é que eu também jamais me perdoaria se não fizéssemos nada. Ele pediu para que eu aceitasse que a garota viesse viver conosco e concordei. Beatriz já tinha oito anos. No final do mesmo ano, o teste de paternidade foi feito e o resultado deu negativo. Comunicar à Bia foi talvez o ato mais difícil de nossas vidas. O choque e a dor foram muito maiores para ela do que para nós, porque as consequências devastadoras desse resultado foram potencializadas pelo fato da mãe dela sumir depois do resultado, sem deixar rastro algum. Estava então morando com um homem que não era seu pai, com uma mulher que não era sua mãe, não sabia quem era seu pai biológico e sua mãe seguiu sua vida sem ela. De imediato, teríamos que entregá-la em um abrigo para menores. Não tínhamos a guarda, tutela, nada que pudesse garantir-lhe nada.
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    Quais de mimvocê procura? 111 Nesse momento, olhei bem nos fundos dos olhos do meu marido e disse que queria que pudéssemos lutar pela guarda dela. Ele titubeou e, num momento em que as decisões sobre isso tinham que ser urgentes (e pressa é comigo mesma!), agi com meu pensamento na Beatriz e pedi a guarda dela sozinha. Saí de casa e fui morar com minha mãe e com a Bia em Jacareí assim que a guarda provisória foi concedida. A história da Bia é bem complexa. A guarda provisória se converteu em guarda definitiva com a adição do meu agora ex-marido, que pediu para que ela o aceitasse como pai. Mais tarde, conseguimos a adoção. No papel, está tudo certinho, mas na cabeça dela, hoje com quatorze anos, há muito ainda para ser compreendido, aceito, discutido, e isso é algo muito pessoal. Eu me tornei mãe da maneira mais inesperada. Enfrentei a mesma dor de não conseguir engravidar no segundo casamento. Fiz mais duas cirurgias, mas perdi outras duas batalhas para a endometriose. Sempre dizia que queria ter uma menina, Beatriz, e ela veio prontinha, até com o mesmo nome! O amor nem sempre vem de onde a gente espera. Para receber o amor, temos que estar abertos a ele, e essa porta, só a chave do amor é que consegue abrir. Dar amor para receber amor. É essa a tradução definitiva do maior sentimento. Esta é a grande sacada. Lembram-se do sonho de trabalhar com tradução, guardadinho lá no fundo da gaveta da mente? Pois então, voltou à realidade. Depois de treze anos no aeroporto e mais outros cinco no escritório de outra companhia aérea, voltei a me permitir esse resgate. Há um ano, decidi que não iria mais viver de plano B. Meu plano A tinha que decolar, mesmo não sendo um avião. Prometi a mim mesma que iria trabalhar um pouco por dia, todos os dias, montando minha empresa de tradução. Aos poucos o site, logo, plano de negócio, tudo foi ganhando forma, com o objetivo de viver aquilo que sempre me encantou. Hoje, escrevendo esse texto, faz uma semana que me desliguei da companhia aérea e estou trabalhando exclusivamente como tradutora, com minha própria empresa, a Tradupoints, vivendo o plano dos meus sonhos, com minha filha por perto, e me permitindo amar com toda minha inteireza. Só tem uma coisinha que não mudou de jeito nenhum: sigo com pressa de viver tudo aquilo que está nos meus sonhos. Mônica Pires Rodrigues
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    Quais de mimvocê procura? 112 Amor Incondicional Como toda e qualquer mulher lutadora de classe média, estudei, me formei e comecei a trabalhar na área que escolhi: Fonoaudiologia. Sempre foi para mim uma grande paixão, ver a evolução alcançada em cada tratamento, o diagnóstico preciso e a cura do problema diagnosticado, eram extremamente gratificantes e molas propulsoras para novas etapas. Mas... a maternidade é com certeza, a coroação de todos os sonhos femininos. Costumo usar essa frase, citada pela minha mãe, por acreditar que seja fundamental a maternidade na vida de uma mulher. Ver nossa barriga crescer, sentir cada movimento do nosso bebê, a emoção de cada ultrassom, ouvir os batimentos cardíacos, são emoções que jamais conseguirei expressar com palavras. Sonhamos a cada mês da gestação, como será este ser, que mesmo não tendo a menor noção de sua fisionomia, já amamos incondicionalmente. Cada mês é único, cada avanço, é emocionante e, quanto mais perto do nascimento, nossa ansiedade aumenta e a curiosidade em olhar para o rostinho, que em menos de 9 meses será a pessoa mais importante de nossas vidas, não tem como explicar... Juntamente com esse enorme desejo, vieram dúvidas, planos, anseios e uma mudança radical nos focos anteriormente estabelecidos. A carreira profissional, foi relegada à um segundo plano. Era fundamental que eu estivesse muito presente. Os novos habitantes do meu mundo, estavam por vir, em meados de 1999, finalmente realizo meu grande sonho de ser mãe, nasce meu primogênito, meu pequeno príncipe, Paulo Henrique e em 2003, chega minha tão esperada menina, minha princesa Taynara Victória, que são para mim, luz, sonho, dádiva, amor, brilho, alegria, pureza, realização e principalmente, minha razão principal para viver, e ambos, requeriam atenções, cuidados e muito amor, a mudança, embora grande, trouxe a paz e a certeza do dever cumprido. A partir de agora, muitos conflitos e inseguranças, passam por minha cabeça. Como deixar esses seres tão pequenos e indefesos ? Como conciliar um consultório, como uma agenda extensa? E principalmente, como confiar meus maiores tesouros a alguém? Diante de tantas questões me vi obrigada a optar por dinimuir minha carga de trabalho e ao mesmo tempo, leva-los ao trabalho comigo. Percebi, que meu sonho de ser fonoaudióloga, perto da realização pessoal de ser mãe, não andavam lado a lado, assim, pensei em poder desenvolver algumas atividades que eu tivesse 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 113 prazer e pudesse estar com meus filhos mais tempo, porque em minha concepção, a formação da personalidade, construção da segurança, tanto como a autoestima dos meus pequenos, dependia da minha participação efetiva O tempo passa e traz batalhas e dificuldades, mas sem dúvida nenhuma, o saldo obtido é infinitamente positivo. Nada é mais gratificante que acompanhar passo a passo o desenvolvimento de sua “cria”. A maternidade, nos dá uma visão do mundo jamais vista, e também a propriedade de olhar para dentro, com muita clareza e constatar o quão preenchidos estamos, com o amor de nossos filhos. Porém...eles crescem, começam a criar asas e a vida assume novos rumos. Fatalmente passamos por momentos conturbados, relacionamentos amorosos se encerram, embora nos parecendo improvável, um dia se descobre a alma gêmea, não qualquer alma gêmea, mas aquela que coloca flores no seu caminho. Pois é, depois de 3 anos sozinha, conheci o Marcelo, que trouxe em sua “bagagem” uma experiência de mais de 15 anos com flores e seu filho, Vinicius, de 14 anos. E agora? Como seria ter mais um filho? Como seria administrar a relação de três adolescentes? Sem perceber, eu já o chamava de “filho do coração” e o tratava, da mesma forma como trato meus filhos, mas devo confessar, que não é nada fácil. Isso era novo para mim, até porque, sempre acreditei num amor único e que jamais teria outro relacionamento com alguém que tivesse filhos. Que surpresa!!! Como o destino pode nos pregar uma peça!! Aquele que me trouxe as flores também me trouxe uma nova realidade. Assim nasce a nossa história. Gradativamente Marcelo e Eu, começamos a trocar experiências de vida, de trabalho, de filhos e com essa ligação passamos a planejar uma empresa juntos. As coisas foram fluindo e como maneira de mais uma vez me manter perto de meus filhos, fiz de minha casa, nosso escritório. Assim passamos a conviver os cinco e nos adaptando a essa nova realidade, pois era preciso conciliar o trabalho, lazer, horas para dar atenção a eles, ciúmes e até brigas para que pudessem entender todas as mudanças. Era importante para mim, explicar o motivo pelo qual nós estávamos trabalhando em casa e deixar claro que isso faria com que pudéssemos estar sempre juntos! Felizmente, tudo começou a caminhar de forma crescente. A necessidade de expansão, era cada vez mais premente e não poderíamos ignorá-la, com tudo, ainda não reuníamos as condições para tanto, mas com perseverança, muita dedicação e principalmente o apoio de toda a minha família, conseguimos a expansão necessária. Nascia a Maná Flores, nome que representava, além das nossas iniciais, alimento que todos os dias Deus provia ao seu povo. Começamos nossas importações de flores e distribuição, abrimos uma floricultura, começamos atuar em decorações, eventos corporativos, casamentos, batizados, congressos, enfim, flores para todas as ocasiões. Com muito trabalho, dedicação e um amor enorme, gradativamente fomos colocando
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    Quais de mimvocê procura? 114 a Maná no mercado. A luta é diária, desnecessário seria dizer da importância que a participação familiar tem, para o desenvolvimento de qualquer projeto de vida que tenhamos. A família é a base sólida que precisamos, o ombro amigo que procuramos, o incentivo que buscamos e o amor com o qual nos confortamos. Fica desse breve relato, o seguinte silogismo: Se sem amor não podemos edificar com solidez, logo, só o amor em todas as suas esferas pode verdadeiramente construir. Finalizando, faço um pequeno tributo, aos amores da minha vida: Aos meus filhos, Paulinho e Tata, meu amor, Marcelo, meu filho do coração Vinícius, meus pais, Eldema e Waldemar, a minha “mãe-drástica” Suely, aos meus irmãos, Marcus Vinícius, Ana Paula, Marcos Paulo, Carla Tatyanne e Caio Cesar, as minhas cunhadas, Karina, Fabrícia e Nayra, meus cunhados, Eduardo e Fernando Sérgio, aos sobrinhos, Anna Beatriz, Augusto, Giovana, Gabriela, Arthur, Anna Elisa, Valentina e Leonardo e todos os meus amigos que sempre estiveram ao meu lado, em especial, Elizabeth. Um obrigado também muito especial a minha mãe e ao meu amor na elaboração deste capitulo. Amo vocês!!! Nara Lygia Leme Brisola Caseiro Maná Importação e Exportação Rua Barão de Penedo 193 Água Rasa – CEP 031790-070 Tel: (11) 2604-7308 / 2604-7328 Nina ou Marcelo
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    Quais de mimvocê procura? 115 CHEGOU A HORA DE MUDAR O RUMO DA SUA HISTÓRIA Quero agradecer a Deus pela oportunidade de fazer parte deste universo. Dedico esse momento à minha família; em especial, minha mãe que, se estivesse aqui conosco, estaria imensamente feliz por ver sua filha sendo uma das autoras deste livro e inspirando muitas mulheres. Ao meu marido Jonatas e filhas Geovanna e Marianna, que me incentivam cada dia mais e mais, pois tudo isso começou como uma missão de vida e eu. Fui mais contemplada ainda com a graça divina de ter a maravilhosa expe- riência de escrever este capítulo. Acredito em empreender com um propósito, com engajamento e com consci- ência de ações. Sempre fui visionária e aprendi desde cedo em minha casa com meus pais que empreender não era nada fácil, mas não era impossível. Infelizmente, não te- nho como contar com tantos detalhes a minha vida, pois daria um livro inteiro; então, quem sabe, um dia. Cresci vendo minha mãe abrindo mão de muitas coisas por causa das filhas, desde um trabalho em um banco até coisas materiais que para ela eram necessárias naquele momento. Sim, foram muitas lutas e batalhas para chegar até aqui. Nunca foi fácil. Como sempre digo, gosto do impossível. Cresci vendo uma empreendedora carismática e determinada; aprendi muito com reuniões de produtos de beleza, tupperware; era uma artista”. Pintava panos de pratos; os mais lindos que vi na vida. Eram todos exclusivos; café da tarde com amigas e vizinhas para comprarem e se reunirem para empreender, compartilhar experiências e desafios de empreender sendo donas de casas e com filhos todos pequenos. Brincá- vamos muito naquele tempo. Foi a partir de um momento de mudança de vida pessoal e profissional que me perguntei, “agora chegou a hora de mudar o rumo da sua história, então, o que vai fazer?”. Quando me fiz esta pergunta, uma mudança extraordinária aconteceu. Como mudar a chave? Como começar do zero? Como investir sem ter um centavo? Como transformar a vida das pessoas através de minhas ações? Sim, foram muitas perguntas, lutas internas diárias para fazer acontecer, colocar a mão na massa e, acima de tudo, acreditar que daria certo. Foi assim que comecei acreditado fielmente que dependeria cem por cento de mim para que desse certo. Muitos não acreditaram, viraram as costas... Sim, pensei muitas vezes em desistir, confesso, mas uma das coisas em que acredito é que a vida nos ensina e se não acreditarmos em nós mesmos, quem irá acreditar? Sempre trabalhei com carteira assinada, atuando com treinamento e desen- volvimento (T&D), qualidade, vendas, monitoria, relacionamento com o cliente, en- 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 116 fim, mais de dez anos desenvolvendo pessoas em empresas nacionais e internacionais. Foram as escolhas da minha vida e não me arrependo de nada. Quando me tornei mãe de coração da Geovanna, me vi transformada; agora ela também faz parte da minha vida e meu mundo começou a mudar. Quando decidi ser mãe mais uma vez, foi uma grande vitória. Somente com medicamentos e com a benção Deus, pude engravidar, e foi quando a Marianna chegou em nossas vidas para completar nossa família. O tempo foi passando, Jonatas e eu sempre trabalhando para darmos o melhor para nossas filhas e muito amor. Ele foi um dos maiores incentivadores da MEC Mulheres Empreendedoras Conscientes. Comecei a empreender, como muitas, por necessidade; vi-me como muitas mulheres. Por onde começar? Como ajudar outras assim como eu? E foi assim que decidi iniciar esta minha trajetória como mulher empreendedora, minha missão, meu propósito. Eu me encontrei. Assim como foi difícil iniciar no universo do empreendedorismo feminino, foi também a construção diária: um passo de cada vez. Criar autoridade, credibilidade e ter conteúdo que faça as pessoas pensarem e se inspirarem, terem a consciência de que podem fazer a diferença. Não basta ter um sonho. Empreender é muito mais do que ter uma ideia e fazê- la acontecer. Empreender é aprender a administrar os riscos, é acreditar no impossível, é ter o ato de fé e coragem, é o impossível que trará o sucesso, a realização e a felicidade. Quando alguém com perfil empreendedor se dispõe a mudar de maneira positiva, ousa ir além, ousa fazer diferente, tem habilidade para identificar oportunidades e toma iniciativas por conta própria. Recebo até hoje mensagens de pessoas que participaram e participam dos eventos da MEC dizendo como aquele dia mudou a vida delas, ou que aquela palestra foi feita para ela, que se inspirou, teve gatilhos mentais, aprendeu e conheceu muitas pessoas, fez parcerias. Sim, por isso digo que encontrei o meu caminho, pois hoje ajudo outras empreendedoras de várias formas, mães, assim como eu, que estavam em um momento de dúvidas e incertezas, mas buscaram informação, conhecimento, capacitação para fazer a diferença. Hoje, tenho várias ações e projetos para mulheres, mães e empreendedoras, tais como mentoria personalizada, workshops, treinamentos, palestras, eventos, grupo de mulheres, grupo de empresarias. Minha missão é inspirar mulheres de negócios! Deixo aqui mais dicas para você, mulher, mãe e empreendedora. 1. Foco 2. Força 3. Determinação 4. Ação 5. Resultado
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    Quais de mimvocê procura? 117 Sim meu caminho está sendo traçado e abençoado, então vamos juntas fazer acontecer. Acredite em si mesma, no seu trabalho e na sua vida. Muito mais que uma satisfação financeira, realizar um sonho é privilégio de quem faz acontecer. Então, responda, chegou sua hora de mudar o rumo da história? “Não busque ser melhor que os outros. Busque ser melhor do que você era antes”. (Carlos Hilsdorf) Patrícia Duarte - Mulher, Empreendedora, Mãe, Palestrante, Educadora Corporativa. Formada em Pedagogia em ênfase em administração. Leader Coaching Training pelo IBC – Instituto Brasileiro de Coaching. CEO e Idealizadora da M.E.C Mulheres Empreendedoras Conscientes – Inspirando Mu- lheres de Negócios. CEO da T&D Slides de Mestres- Consultoria de Treinamentos e Desing de Apresentações Corporativas e Mentora para Palestrantes. Patrícia Duarte Site : http://mec-mulheres.com.br/ E-mail: contato@mec-mulheres.com.br Facebook: https://www.facebook.com/MEC.MulheresEmpreendedoras/ Grupo de Mulheres: https://www.facebook.com/groups/mec.mulheres/
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    Quais de mimvocê procura? 118 Reconstruindo a filha do empreendedor Sou Patrícia, tenho 32 anos, sou solteira, tenho um filho de 13 anos e me orgulho disso. Meupaifoiomaiormotivadordaveiadeempreendedorismoenraizadaemmim. Começou a empreender cedo com sonhos que, infelizmente, foram interrompidos. Por ironia do destino, comecei meu legado com 29 anos; com a mesma idade e no mesmo local. Montou uma oficina de rolamentos industriais em cima de nossa casa e trabalhou sem parar. Eu, pequena, via os materiais pela casa e admirava como ele se esforçava para dar conforto à nossa família. Mesmo cansado, arrumava tempo de levar a mim eu meus irmãos em circos, parques e suava para comprar brinquedos e ainda comemorar nossos aniversários. E foi em uma dessas comemorações, o meu aniversário, que nossas vidas mudariam. Em 20 de novembro de 1990 eu estava completando 7 anos ele resolveu reunir parentes e comemorar. Partimos cedo para casa dos parentes, mas ele nos deixou lá e voltou ao trabalho. Disse que não tinha esquecido a promessa da minha boneca que esperei ansiosamente para ganhar na festa. Vendo sua família entretida, mas preocupado com seu trabalho, resolveu com minha mãe que era para ficarmos lá porque estávamos nos divertindo e que voltaria para nos buscar mais tarde. E rindo, subiu na moto e se foi. Fiquei eufórica, contando as horas. Mas elas se passavam e ele não chegava. Minha mãe, aflita, resolveu voltar para casa comigo e com meus irmãos, pois sentia que havia algo errado. O vizinho nos deu então a pior notícia de nossas vidas: meu pai havia sofrido um acidente de moto e estava na UTI. Havia terminado seu serviço, estava indo nos buscar como combinado, mas antes resolveu ir à padaria, pois estava com fome depois de tanto trabalho. Talvez, por conta da pressa e do cansaço, tenha acelerado e perdido o controle. Chocou-se contra o muro e sofreu traumatismo craniano. Ficou no hospital por 15 dias e entrou em óbito. Perdemos nosso pai e com ele, seus sonhos. Enquanto minha mãe se recuperava do choque, eu e dois irmãos fomos levados para a casa de uma tia e um mês depois, outra tragédia aconteceu: meu tio faleceu na nossa frente, de outro trauma. Minha tia, agora viúva, com uma filha de 14 e outra de 18 anos, ficava conosco todos os fim de semana e férias escolares e foi com ela que aprendemos a vender. Começou a vender doces na porta de casa e logo montou uma bomboniere e nós a ajudávamos. Ela nos ensinou a honestidade e como trabalhar para ser alguém. Ao final do dia, podíamos escolher um doce por ter cooperado e nos reuníamos 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 119 no quarto para fazer a contabilidade do dia. Meu primeiro aprendizado do que seria fluxo de caixa, eram dois cadernos: um dos fiados e outro de toda venda do dia. Apoiamo-nos no sofrimento um do outro e o trabalho na bomboniere nos ocupou. Seu comércio de vendas de doce foi crescendo junto conosco. Sentíamo-nos orgulhosos de ver o negócio expandindo. Mas a vida é uma caixa de surpresas. Em janeiro de 1994, nos arrumávamos para viajar, limpamos a casa e o quintal. Minha prima, na época já com 18 anos, havia ido à feira. Não havia nenhum outro adulto conosco. Ela sentiu tontura, pediu sal, leite, açúcar. Achava que era pressão baixa. Demos tudo o que pediu, mas acabou por cair no quintal, sofrendo um derrame. Enquanto esperávamos alguém para levá-la ao médico, ela olhou para mim, sorriu e disse que eu era forte e guerreira e que eu e meus irmãos nunca deveríamos nos revoltar com Deus, mas sim confiar nele porque sempre iria nos proteger. Foi a última vez que a vi com vida. Nas férias de julho 1997, meu irmão caçula, com 10 anos, foi atropelado brincando de pega-pega e faleceu. Aprendi a ocupar minha mente trabalhando para não sofrer e, aos 14 anos, consegui meu primeiro emprego formal. Aos 16 anos, trabalhei para um casal de japoneses que me ensinou muita coisa, principalmente a economizar. Aos 18 anos, já gerenciava a pastelaria e indicava pessoas para trabalhar no hortifruti, na maioria, amigos de infância e primos. Muitos ainda dizem que eu fui responsável pelo primeiro emprego deles. Eles foram fundamentais quando engravidei, aos 19 anos. Não havia planejado minha gravidez e não a aceitava. Acreditava que não deveria gostar de ninguém, que apegar-se e amar alguém significaria perda e agora eu, gerando um ser amado em meu ventre! E se Deus o levasse? Quando ele nasceu, tive depressão pós- parto. Eu me recusava a vê-lo ele por medo de me apegar e depois perdê-lo. Mas, graças a Deus, o amor de mãe falou mais alto. Meu amor por meu filho só aumentava e o medo de perdê-lo, diminuía. Quando meu filho completou 4 anos, conheci outro companheiro e logo fomos morar juntos. Um dia, voltando das compras, ladrões roubaram nosso carro, atiraram e ele morreu. Desmoronei, me revoltei, entrei em depressão, fui afastada do emprego e vivia à base de remédios. Meu filho, sempre do meu lado, não queria ficar com ninguém a não ser comigo. O pai dele vinha todos os dias cuidar dele e pedia para eu reagir. Eu tentava, mas parecia ter acumulado todas as perdas. Até que em 2011, o pai do meu filho foi diagnosticado com um câncer encefálico e em quatro meses, entrou em óbito. Não tinha opção. Eu teria que me levantar. Queria recomeçar pelo meu filho, pois me dei conta de que estava sendo egoísta; afinal, ele também estava sofrendo. Amparada por Deus, arrumei um emprego que me ajudou a recomeçar e a sair da depressão. Conheci novas pessoas que me ajudaram a melhorar. Atitude que tive pelo meu filho e me levou a ter minha empresa e mudar a minha vida. A empresa onde trabalhava abriu falência e devido ao apego emocional a tudo
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    Quais de mimvocê procura? 120 que aquele emprego me havia trazido, resolvi trabalhar vendendo os mesmos produtos na sala de casa. Hoje não moramos mais em nossa casa, pois ela virou uma empresa. Reformei o antigo salão da oficina do meu pai, fiz minha casa e hoje ela é o que sempre deveria ter sido: lugar para gerar emprego, como meu pai sonhou. Amar e ser mãe me movem a realizar tudo que sou e tenho. Atraímos aquilo em que acreditamos, e eu acredito em prosperar e ser feliz, cuidando do meu filho. Apeguem-se às coisas boas. Das tristes e ruins, tirem lição. E tenham fé, pois tudo se acerta. Patrícia Pereira
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    Quais de mimvocê procura? 121 Minha família, meu alicerce Meu nome é Pepita, na verdade Josefa. Poucos me conhecem por este nome. Sou filha de espanhóis, e ali, toda Pepita é Josefa, assim como o Pepe é José. Sempre gostei de ser chamada de Pepita. Quando meu pai chegou ao Brasil sozinho, com vinte e nove anos, tinha como profissão marceneiro, e minha mãe, com dezessete anos, veio com os pais e irmãos. A família da minha mãe vendia roupas na feira. Ela sempre gostou de roupas (talvez por isso eu goste tanto de moda). Estudei dos cinco aos dezessete anos em uma escola no Bom Retiro, em São Paulo, onde nasci. Como gosto muito de crianças, resolvi fazer magistério para dar aula. Com o passar dos anos, a marcenaria do meu pai foi se tornando uma indústria de divisórias; daí, resolvi de, além do magistério, fazer a faculdade de administração de empresas. Com 16 anos, fui trabalhar com o meu pai, estudava pela manhã e, à tarde, trabalhava na empresa. Em 1986, em um baile de Carnaval, conhecia a pessoa que escolhi ser o pai dos meus filhos, e quem até hoje agradeço a Deus por estar ao meu lado. Em 1987, minha vida deu uma reviravolta. Meu pai tinha um funcionário que trabalhou com ele por 23 anos. Foi comprovado que era psicopata. Certo dia, foi até a empresa e matou meu pai. Nessa época, eu e meus irmãos trabalhávamos na empresa dele. Minha irmã tem formação de Direito e trabalhava no ramo. Ficamos com a empresa por quatro anos após seu falecimento. Em 1989, resolvi me casar; momento único de felicidade. Após dois anos, parei de trabalhar porque havíamos fechado a empresa, e veio o meu desespero: como pagar a contas? Com meu salário, pagávamos todas as despesas de casa, e com o do meu marido, a prestação do apartamento. Aprendi que o medo é momentâneo. Se mantivermos a calma e a fé, a vida vai se ajustando da melhor maneira. Em 12/07/1991, dei um presente especial de Dia dos Namorados para o meu marido: Gabriel, hoje com 25 anos. Após três anos, outro presentão, em outra data, 28/07/1994: Gustavo, hoje com 22 anos. Em 1996, fui convidada para montar um café em um estabelecimento, fiquei com essa empresa durante apenas sete meses; tempo necessário para saber que existem 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 122 condutas que por nenhum dinheiro admitiria, por fugirem totalmente dos meus valores. Neste mesmo ano perdi minha mãe companheira, que estava comigo sempre, em quase todos os momentos da minha vida. Momento difícil, já que meus filhos eram muito ligados a ela. Em 2008, meu marido, que trabalhou por 23 anos em uma multinacional foi de- mitido. Outro desespero. E agora? Mas uma vez, digo: o desespero e o desequilíbrio não levamanenhumlugar.DepoisdedoisanosmeumaridomontouaGPNUTRI,empresano ramo de vitaminas na qual trabalhei para ajudá-lo no início, durante três anos. No final de 2014, resolvi montar um brechó chamado Espaço da Pepi. Pepi é como sou chamada de maneira carinhosa pela minha família. Como sempre gostei de peças duradouras, decidi desapegar. No início amigos deixavam peças usadas e novas. Depois de alguns meses, o brechó acabou virando uma loja multimarcas. E hoje 17/08/2016, lancei uma marca minha. Quero fazer roupas com tecidos e caimento impecáveis, qualidades que sempre prezei em uma roupa. Nunca havia lidado direto com o público. No início, embora digam que sou extrovertida, foi difícil. Tinha muita preocupação em como abordar as pessoas e não ser invasiva. Hoje, modéstia à parte, tiro isso de letra. Tenho pessoas que, durante a minha vida, representaram muito a quem tenho que dizer “muito obrigada”. Pessoas próximas e distantes, com quem ficava meses sem falar e no momento que precisei, me estenderam a mão. Tenho certeza que ao lerem este livro, saberão que estou escrevendo delas. Agradeço por poder contar um pouco da minha história, e espero ser exemplo para algumas pessoas. Não existem problemas que não possam ser solucionados. Exis- te a maneira que encaramos esse problema. Aos meus filhos Gabriel e Gustavo, que são os meus orgulhos, tenho plena con- vicção que passei o verdadeiro sentido de família. Ao meu marido Gian, obrigada por estar sempre ao meu lado. E um agradecimento especial aos meus pais, que de onde estiverem estão vi- brando por mim, afinal de contas, se sou quem sou, uma mulher guerreira e com princípios, é devido à formação que tive. Pepita Busta Pignocchi
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    Quais de mimvocê procura? 123 EU, MÃE EMPREENDEDORA - AMOR, SUPERAÇÃO E CONQUISTAS Sou Priscila Molino, palestrante, Consultora especializada em imagem profissional e tenho quarenta e nove anos. Minha origem é de uma família de classe média, da qual sou a primeira filha de três. Meus pais eram comerciantes, como eram conhecidos naquela época, pois o termo empreendedorismo ainda não havia ganhado tanta força e proporção Eram empreendedores, sem saber. Estudei em escolas públicas e minha primeira formação foi o Magistério. Atuei como professora em escolas particulares, desde então. Casei-me em 1988, aos vinte e um anos e desse enlace nasceram meus dois filhos: Renan, de vinte e cinco anos (já pai de dois filhos) e Rodrigo, de vinte e um. Depois de formada como professora, lecionei por 05 anos até o nascimento do Renan, em 1990. Então, com a chegada do nosso filho, optei por ficar em casa e cuidar dele. Mas,comoumamulherquesempretevesuaindependênciafinanceira,fuibuscar atividades alternativas que pudessem me completar profissional e financeiramente. Então comecei a aprender e empreender, vendendo cosméticos, semijoias e roupas íntimas femininas. Também exerci a função de corretora de seguros de saúde e de automóveis, o que na época foi bastante gratificante, pois conseguia conciliar minha atividade como mãe e ainda ter minha própria renda. Com o nascimento do meu segundo filho, Rodrigo, que devido a problemas intrauterinos e neonatais, foi levado a um quadro de anóxia cerebral1 , seguido de hipertensão pulmonar. Rodrigo foi mantido UTI do Hospital São Luiz por vinte e um dias em estado crítico. Essa situação inusitada desestruturou minha vida. Quando Rodrigo teve alta, precisava de bastante atenção e o meu estado emocional estava totalmente desestabilizado pelo estresse. Passei a ter crises de pânico e uma depressão profunda. Para superar essa, fase busquei tratamento psiquiátrico, fazendo uso de antidepressivos, aliado ao acompanhamento psicológico, porque tinha dois filhos que precisavam de uma mãe forte e corajosa; , portanto eu tinha que me recuperar o mais 1 Ausência ou diminuição de oxigênio no cérebro durante o nascimento, o que pode desencadear consequente problema neurológico 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 124 breve possível e assim fui me reestruturando, adaptando-me à rotina da minha família e, gradativamente, voltando às minhas atividades normais. Durante os três primeiros anos do Rodrigo, ele não apresentara nenhuma sequela pós-traumática decorrente dos problemas ocorridos em seu nascimento. Mas, numa manhã, estava andando na minha frente e simplesmente apagou. Foi um susto imenso, pois eu não tinha a menor ideia do que estava acontecendo. Aos poucos, foi voltando à consciência e o levamos ao médico. Após vários exames, foi detectada epilepsia. Passou a ter crises diárias de convulsões parciais, como eram descritas. Passamos a tratá-lo com neurologistas e com medicamentos anticonvulsivos. Mais uma vez, tive que encontrar forças além do normal para cuidar deles; em especial, do Rodrigo. Fui convidada a participar de um processo seletivo para Supervisora de Trade em uma indústria multinacional de alimentos. Voltei ao meio corporativo. E agora? Como administrar minha vida como mãe, tendo um filho com necessidades especiais e trabalhar no mundo corporativo, no qual não teria a mesma flexibilidade de dias e horários? Tive que recorrer à minha mãe, minha “ajudadora”, que ficava com meus filhos durante o período em que eu trabalhava, levando-os e buscando-os na escola e como o Rodrigo frequentava uma sala de aula em uma escola estadual para crianças com atraso cognitivo, precisei adequá-lo à escola. Mandei fazer um capacete na AACD, próprio para proteger a cabeça, em caso de quedas. Durante mais de dez anos, atuei como Supervisora de Vendas e de Trade em empresas nacionais e multinacionais, cursei a faculdade de Marketing na Universidade Paulista – UNIP, devido à necessidade de capacitação específica para exercer minhas funções, na atuação operacional exercida diretamente em campo, em experiências administrativas e de planejamento, gestão de pessoas e processos. Foi uma escola maravilhosa, na qual me desenvolvi muito, pessoal e profissionalmente, pois tive a oportunidade de orientar muitas pessoas que passavam por minha gestão, incentivando-as a conquistarem cargos superiores tanto na empresa em que estavam quanto em outras empresas no segmento. Neste ínterim, o Rodrigo passou por uma cirurgia intracraniana, removendo uma parte do lobo direito do cérebro, comprometido pelas convulsões e pela anóxia cerebral. A finalidade foi de eliminar os quadros convulsivos para uma melhor qualidade de vida. Mas infelizmente, não ocorreu conforme o esperado. Devido às frequentes convulsões e ao atraso cognitivo, que o limitavam e limitam, decidi, então por vez, voltar a ficar em casa e empreender em horários flexíveis, conciliando o que amo fazer profissionalmente e o amor ao meu filho. Hoje sou consultora especializada em imagem profissional, palestrante e distribuidora de cosméticos, atividades que me realizam de modo pleno. Paixão: primeiro, meus filhos; segundo, orientar mulheres sobre o poder da imagem pessoal e profissional. Missão: disseminar o conhecimento sobre o dress code para líderes, gestoras,
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    Quais de mimvocê procura? 125 profissionais liberais e empreendedoras que buscam consolidar sua posição ou conquistar seus objetivos dentro do mundo corporativo ou do empreendedorismo. Valores: ética, respeito e comprometimento com meus objetivos e princípios e principalmente, com meu público-alvo. Desejo que meu exemplo de superação e fé possa contribuir para que outras mães, que convivam com situações similares às minhas, saibam que é possível sim ser mãe e empreendedora, principalmente quando buscamos forças, primeiro em Deus e depois em nós mesmas.2 Priscila Molino 2 Fanpage: /Priscila-Molino-Consultora-Especializada-em-Imagem-Profissional-
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    Quais de mimvocê procura? 126 UMA IDEIA PODE MUDAR TUDO Sou Rafaela, tenho vinte e três anos e moro em Mauá, no estado de São Paulo. Fui mãe aos vinte e dois anos e tenho uma linda filha chamada Brenda. Tornei-me mãe e empreendedora nos momentos mais cruciais da minha vida. Senti medo e desespero, mas a vontade de vencer sempre foi maior. Minha filha dependia de mim, então eu precisava criar estratégias e táticas para vencer o medo e os obstáculos que a vida me propôs. Quando comecei a empreender, havia perdido minha mãe para um câncer em março de 2016 e havia me tornado mãe um ano antes. Perdi também meu casamento, um mês depois, mas descobri que poderia sim seguir adiante com coragem. Uma semana mais tarde, perdi meu emprego, mas sabia que uma ideia poderia mudar o rumo da história e poderia me tornar uma empreendedora. Todas as perdas ainda são muito recentes e tirar uma ideia da mente e do papel e transformá-la em algo real em meio a tantos problemas foi um grande desafio, e por isso considero a minha história uma grande superação. Minha grande inspiradora foi minha mãe, Maria Luiza, uma grande empreendedora que sempre batalhou. Costurava, vendia doces, artesanato cuidou de mim e de duas irmãs, sozinha. Foi essa linda mulher que me ensinou qual era o caminho que deveria seguir quando ela não mais estivesse. Sempre admirei a força dela e a sua vontade de vencer, pois lutou até pela própria vida, fez o possível para cuidar de nós até o último momento de vida. Por trás de toda mulher empreendedora existe uma história de luta, e seu motivo para empreender. Mesmo em meio a perdas e sofrimento, decidi ficar bem, trabalhar em casa e ser a protagonista da minha história. Luto todos os dias para ser uma grande empreendedora e cuidar da minha filha. Quando comecei a empreender, o primeiro desafio que precisei vencer foi o medo, afinal, tive que acreditar em mim, pois era a única maneira de sair de uma situação complicada e precisava fazer algo. Não tinha mais minha mãe nem meu marido, mas tinha uma ideia e precisava caminhar, mesmo sem saber onde poderia chegar. Prometi a mim mesma e para minha filha que iríamos vencer e que tudo iria mudar. Fiz de tudo isso um recomeço, mesmo tendo todos os motivos para desistir, mas escolhi ficar bem e cuidar de quem mais precisava de mim. Eu precisava de uma ideia em que fosse possível ganhar meu dinheiro em casa e 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 127 cuidar dela, pois não tinha outra pessoa para cuidar da Brenda além de mim mesma e ainda ter que trabalhar fora, então pedi uma ideia a Deus. Sonhei com caixas criativas para presente e, com o tempo, percebi que aquela caixa criativa não existia em outros lugares; mas não adiantava ter a ideia e não ter coragem para tornar aquele projeto real. Percebi nisso a oportunidade de empreender, e foi assim que comecei a criar as caixinhas criativas. Fui a uma papelaria e comprei uma caixinha simples. No começo, houve um pequeno investimento de vinte reais. Montei a caixinha e não ficou legal; pensei em desistir e até cheguei a falar que não tinha jeito para criar caixinhas personalizadas. Pensei em alternativas para poder empreender e tentar retomar a vida. Tinha uma ideia, mas quase deixei para trás por insegurança, então comecei a projetar estratégias em minha mente de como poderia sair daquela situação. Precisava cuidar da Brenda e estava muito difícil, afinal, me sentia perdida sem minha mãe e sem meu marido. Foi quando minha irmã me trouxe caixas lindas de presente. Observei as caixas vazias e sem vida e comecei a pensar em algo que pudesse chamar a atenção dos meus futuros clientes e comecei a criar caixas personalizadas de acordo com a imaginação de quem comprasse, projetadas exclusivamente para emocionar quem as recebessem. Comecei a vender as caixinhas para parentes e logo depois, montei uma página nas redes sociais onde, inicialmente, divulguei o meu trabalho. Daí, percebi que minha ideia era boa e tive a certeza que era do trabalho das minhas mãos que iria conseguir cuidar da minha filha. Nomeei a página da loja de Atelier das Sisters1 . É uma loja online e em poucos meses, a página obteve muitas curtidas e seguidores, então fiz da página meu empreendimento: eu mesma crio as artes, atendo clientes, passo madrugadas acordada fazendo doces e terminando encomendas. Cuido também da minha filha e da minha avó, faço entregas e sempre levo minha filha comigo, mesmo de ônibus. A vontade de crescer é muito grande. O Atelier das Sisters já conseguiu emocionar muitos clientes com suas caixinhas. Cada trabalho feito é com amor, pois foi através da minha coragem e em meio a grandes dificuldades que percebi que somos protagonistas da nossa própria história. Nunca vou deixar de sonhar e de acreditar no impossível porque tudo é possível para aquele que acredita em si mesmo. Com esse novo empreendimento, estou recomeçado a minha vida e cuidando da Brenda; moro com a minha avó que me ajuda muito e a cada dia que passa, tenho uma nova ideia. Crio as caixas em casa, mas sonho com o um espaço para meu ateliê. Por isso, sempre digo: se você tem uma ideia, tire logo da sua mente e não espere dar tudo errado para você descobrir seu dom, pois o sucesso depende de você, e seus filhos, também. Empreender requer coragem, atitude e muita força de vontade, pois é necessário associar a rotina do trabalho com atenção para os filhos. Amo o que faço e me orgulho 1 Em uma tradução livre, significa “Ateliê das Irmãs”.
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    Quais de mimvocê procura? 128 por ter transformado uma ideia em algo real em meio a tantas lutas e por ser uma mãe empreendedora e poder cuidar da minha filha com o fruto desse trabalho. Rafaela da Silva Caetano
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    Quais de mimvocê procura? 129 Nunca é tarde para se realizar…. Existe uma lei da natureza que diz que tudo começa na origem. Então, vou começar contando um pouco da minha história que se revela através dos meus passos no caminho da realização como filha, mulher, esposa, mãe e profissional. Nasci em 1955, numa família de descendência italiana, moradores no bairro da Aclimação. Meu pai, era comerciante, dono de uma pequena loja de calçados no Alto do Ipiranga e minha mãe dona de casa. Fui o segundo filho de três que meus pais tiveram. Assim, fui a que ficou no meio de dois irmãos. Muitas vezes, ficava pensando por que eu não tivera uma irmã e como seria tudo diferente se ela existisse para eu poder compartilhar coisas de meninas. Mas, tive uma mãe, que assim como eu, também não teve uma irmã, e nos tornamos “quase” confidentes uma da outra. Nessa época, o modelo de família era muito diferente do de hoje; a maioria das mulheres de classe média à pobre mal concluia os estudos iniciais e uma minoria de classe mais privilegiada, tinha acesso aos estudos de nivel superior e aspirava construir uma carreira profissional. As mulheres em geral sonhavam em se casar, serem mães e cuidarem dos maridos, filhos e de suas casas. As que diferenciavam disto em termos de “trabalharem fora” (como se falava) ou eram mulheres pobres e necessitavam trabalhar para ampliar os recursos econômicos da família, ou eram ricas e participavam dos negócios da família. Porém, todas seguiam o caminho de conhecer um homem, namorar, noivar, casar e ter filhos. A maior aspiração da mulher era a de casar e a de ser mãe. Era estranho, quase uma aberração ouvir uma mulher dizer que não queria ser mãe. A mulher tinha a obrigação de engravidar e ter filhos. E não era um só, não! Nessa época, a maioria dos casais tinha de três a quatro filhos, não sendo incomum os que tinham ou queriam cinco, seis, etc As meninas eram criadas e educadas para serem esposas e mães. Se trabalhavam profissionalmente ou não, não se cogitava o “não ter filhos”. Só, se houvesse um problema de saúde ou algo impeditivo. Os meninos eram criados e educados para serem os chefes da casa, portanto, os provedores do lar e da família. Acredito que isto foi um dos conteúdos que deu início à questão da diferença salarial entre homem e mulher, pois era parte do orgulho masculino ser o provedor do lar. Portanto, a mulher não poderia ganhar mais que o homem. Seria um insulto a sua masculinidade. Afinal, lugar de mulher é aonde? Na cozinha, é claro! Quantas vezes eu ouvi: “Vai pra cozinha Dona Maria!”, quando minha mãe estava dirigindo o fusca da família! 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
  • 130.
    Quais de mimvocê procura? 130 Eu ficava pensando, qual seria a razão deles (os homens) falarem assim com minha mãe que era tão valente e corajosa a ponto de sair dirigindo na rua! Assim, fui crescendo vendo as mulheres da minha família cuidando de seus filhos, maridos e casas. Eu também tinha a certeza de que iria me casar, ter meus filhos e minha casa para cuidar. Eu sempre quis ser mãe e nunca passou pela minha cabeça a ideia de não ser. Para mim, ser mãe era o maior mistério da natureza feminina, pois como o corpo de uma mulher tinha o poder de gerar uma vida que cresce e se desenvolve dentro de seu ventre e, que depois de nove luas (como as antigas falavam), nasce como um bebê pronto para viver? Me lembro que desde muito pequena, minha mãe Dna. Wanda e minha avó Rosinha, contavam muitas histórias de partos que minha bisavó Thereza havia realizado no seu tempo. Ela foi uma grande parteira cujo maior orgulho era de atender qualquer mulher que dela precisasse para esse momento tão sagrado. Minha bisavó era muito respeitada como parteira e dizem que o Ipiranga quase todo nasceu através de suas mãos. Acho que ela se tornou uma força de segurança para as mulheres daquela época, quando ainda não haviam maternidades e ainda a cultura era de parteira, parto normal e em casa. Quero ainda dizer que minha mãe contava que ela pouco ganhava pelo seu trabalho como parteira e que a maioria das vezes este retorno era em forma de galinhas, ovos, etc. Acho que o mais importante para ela era a consciência de um bom trabalho realizado e mais uma mãe feliz e um bebê em segurança. Mas, eu também queria trabalhar fora de casa e ser independente, embora soubesse tudo que uma mulher deveria saber antes de casar, como: saber cozinhar, como limpar uma casa, como cuidar das roupas, lavar, passar, fazer o abastecimento da casa, receber visitas, fazer festas, jantares, contas a pagar e planejamento do orçamento doméstico, ou seja, economia! Eu pensava e achava que precisava fazer algo além do que já era da obrigação de uma mulher fazer. Eu queria mais. Eu queria me realizar profissionalmente, ter meu próprio dinheiro e ser uma mulher moderna, a frente do meu tempo. Ouvia sempre minha mãe contar sobre sua frustração de nunca ter podido dar sequência a seus estudos e nem continuar a trabalhar no escritório quando se casou. Quando ela falava transmitia toda sua angústia e não aceitação em relação ao destino que lhe impuseram. Eu não queria de forma alguma seguir o caminho de minha mãe. Então, estudei e desejei muito fazer uma carreira profissional. Entrei na Faculdade de Serviço Social, pois me identifiquei muito com a proposta e a ideia de ser assistente social e fazer algo pelas pessoas e pela sociedade. Nesse momento, consegui um emprego, pois com dezoito anos meu pai permitiu que eu trabalhasse. Nessa época eu também namorava e logo fiquei noiva. Quando estava no terceiro ano de faculdade, me casei. Estava, então, com vinte anos de idade e achava que casada eu seria livre para viver a vida de uma mulher independente. Logo percebi que trabalhar o dia todo, estudar, fazer estágio, ser dona de casa e cuidar de marido era muita coisa para uma jovem recém “independente” dar conta.
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    Quais de mimvocê procura? 131 Não tinha tempo para mais nada. Não conseguia nem sequer descansar nos finais de semana. Mas, jamais poderia desistir, pois afinal tudo tinha sido minha escolha. Bem que meu pai me falou: “Filha, termina seus estudos primeiro, arruma um emprego na sua área e depois você se casa! Você ainda é muito nova!” Muitas vezes eu me arrependi de não ter ouvido meu pai! Mas, como era a minha escolha, eu segui em frente. Quando iniciei o último ano, pedi demissão do trabalho e assumi um estágio muito importante de meio período diário e mergulhei no TCC. No início do segundo semestre, minha vida iria mudar por completo pois, descobri que estava grávida do meu primeiro filho. Recebi a notícia com muita emoção e retornei a pé do laboratório para a Faculdade me sentindo flutuar. Não conseguia acreditar que aquele mistério que ouvira tantas histórias estava acontecendo comigo. Eu ia ser Mãe! Assim, nasceu meu filho Alexandre e um novo ciclo se iniciou na minha vida. Estava muito feliz como mãe e a maternidade me realizava. Mas… aquela vontade de trabalhar profissionalmente não havia desaparecido. Conforme o tempo foi passando, ela se tornava mais forte. Comecei a procurar concursos e possíveis vagas, mas quando achava ou era muito longe ou o salário muito pouco ou os dois. Olhava para o rostinho de meu filho e pensava se conseguiria deixá-lo com uma pessoa estranha, visto naquela época não existir escolas preparadas como hoje existem. Minha mãe, finalmente estava trabalhando com meu pai na loja e também não poderia estar a disposição. Assim, observando todos os lados da questão, decidi que ainda não era possível trabalhar fora de casa. Após quatro anos nasceu minha filha Natália e novamente a alegria da maternidade me preencheu. Tinha dois lindos filhos mas ainda não havia desistido de me realizar profissionalmente. Novamente comecei a buscar concursos, mas as oportunidades eram muito poucas. Me lembro de um concurso que prestei e que estudei muito. De quatro mil candidatos para dez vagas, passei em sétimo lugar. Mas, chamaram até o quinto. Mudança de governo, foi o que deram como explicação. Bem, mais uma vez fui abençoada com alegria de ser mãe, só que desta vez veio do coração… Fui mãe de uma linda menina, Gabriela, que me trouxe alegria e força para continuar e não desistir de meu sonho em me realizar profissionalmente. Agora, com três filhos para sustentar, resolvi me aventurar em algo que sempre gostei de fazer e que durante todos estes anos fazia informalmente para meus filhos, parentes e amigos. Comprei uma máquina Lanofix de fazer tricot e comecei a trabalhar aceitando encomendas. Assim, comecei minha malharia que depois de uns cinco anos se tornou uma empresa com dois funcionários e algumas máquinas industriais. Foi um grande passo na época, principalmente porque minha veia empreendedora foi se revelando, e no passo a passo do caminho fui construindo de forma sustentada sua expansão. Como dona da malharia tinha um trabalho intenso e o desafio de ser empresária, mãe, esposa e dona de casa se ampliou muito. As crianças ainda exigiam
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    Quais de mimvocê procura? 132 muito de minha atenção e como eu era muito certinha com tudo e também como mãe, queria tudo sob controle. Nessa época já sentia o peso de ter a famosa dupla, jornada de trabalho. Minha mãe como sempre me ajudava. Meu marido, nem tanto; ele mais cobrava. Eu pensava constantemente que deveria ter alguma coisa errada com a forma de meu marido pensar e agir. Eu tinha que trabalhar porque ele me cobrava pela questão de gastos domésticos com tudo; tinha que dar conta da casa, porque era minha obrigação; ele se sentia sobrecarregado em ter que colaborar com o cuidar das crianças para eu poder trabalhar e ainda cobrava que eu não dava atenção a ele. Sem divisão de tarefas não era possível! Sem o verdadeiro companheirismo ficava impossivel ser mãe e trabalhar profissionalmente. Assim, quando o interesse do mercado em malharia deu uma baixa, eu resolvi fechar a empresa, vender tudo e deixar o tempo passar para ver o que aconteceria. Quatro meses depois me separei e me dei a oportunidade de mudar a minha vida, mesmo sem saber o que eu faria com três filhos, separada e ainda desempregada! Mas, foi exatamente assim que minha vida mudou completamente de direção! O ano de 1993 foi muito importante para mim. Estava nesta época com trinta e sete anos e achava que já estava velha para conseguir me casar novamente e ainda tentar passar num concurso ou arrumar um emprego. Porém, o que tem que ser é. E, assim, encontrei meu verdadeiro companheiro, Sergio, e começamos uma nova vida juntos. Sem dinheiro e sem garantias fundamos o Instituto KVT e iniciamos um lindo trabalho voltado à consciência e ao desenvolvimento do ser, fundamentado na natureza e nas leis naturais. No começo eu trabalhava cuidando da agenda do Sergio e também da administração do Instituto. Fui me familiarizando com esta nova área de trabalho, bem como em ser empreendedora dentro de um novo seguimento. Estudei, pesquisei muito a area terapêutica e assim me preparei para após dois anos começar a atender com terapia, cursos e palestras, junto com meu companheiro. Sempre fizemos tudo juntos, sempre fomos unidos Em 2002, comecei um lindo trabalho com mulheres no resgate do feminino e da natureza e também da maternidade. Hoje, após vinte e três anos de Instituto Kvt e quatorze anos de trabalho com o resgate do feminino me sinto realizada, principalmente por ajudar tantas mulheres a resgaterem a força feminina e, assim, se encontrarem e se realizarem como mulheres, mães e profissionais. Meus filhos nunca foram impecílios, nunca me privaram de conseguir me realizar. A partir do momento em que eu encontrei realmente o que eu amo fazer, a coisa mais sagrada para mim, que é o ser mãe, se reuniu à missão profissional. Até hoje continuo sendo mãe, esposa, profissional, empresária e também avó da Isis. Minha eterna gratidão a minha mãe, que sempre me ajudou com sua presença em inúmeras situações tomando conta de meus filhos para que eu pudesse trabalhar. Minha gratidão a meu companheiro, que sempre me apoiou em tudo e me ajudou a cuidar de meus filhos como sendo os seus próprios. Minha gratidão a meus filhos, que sempre me ajudaram para que eu pudesse trabalhar e que nunca me cobraram pelo
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    Quais de mimvocê procura? 133 tempo em que eles foram privados da minha presença como mãe. Somos uma família unida em torno do amor e do amor ao trabalho como parte da nossa missão de vida. Por isto tudo, nunca desista de si mesma e acredite… Nunca é tarde para se realizar! Ramy Arany
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    Quais de mimvocê procura? 134 Primeira posição… plie... nado borboleta, nado cachorrinho… poesias sem fim… Cada vez que eu tinha a condição de assistir os ensaios, ou participar dos espetáculos de balé de minha filha, Taila Lis, eu me sentia realizada e feliz por acompanhá-la em suas atividades… “Primeira posição… plie… olha a postura!”. Durante os meus primeiros anos de exercício da profissão, mal tive a oportu- nidade de acompanhar meus filhos em suas atividades, reuniões escolares, afins. Os compromissos profissionais assumiam uma proporção tal em minha vida que ficava cada vez mais difícil compatibilizar com a minha vida pessoal. Dois anos após a primeira filha, fomos agraciados com mais um ser humano iluminado: nosso querido filho Julius Emilio, acrescendo às nossas vidas: “Nado borboleta… nado cachorrinho… poesias sem fim…” Ter filhos foi a concretização de um grande desejo. Casal, então: uma felicidade! Ainda lembro de uma série de momentos que não foram compartilhados, ou, quando o foram, chegava atrasada, saía mais cedo, ou estava com a mente ocupada com o trabalho a realizar, com sentimento de fazer algo errado e, assim, não aprovei- tando momentos que eram importantes para mim e meus filhos. Oportunamente, eu pude atuar no mundo corporativo: em empresas pequenas, médias e de grande porte. Cada uma exigindo uma posição de envolvimento pessoal cada vez maior para a chamada “Realização Profissional”. Minha inquietação para inovação e novos projetos sempre me renderam descontentamentos, pois ouvia, na maioria das vezes, “Você sempre traz mais trabalho para nós”, “Com o tempo você perceberá como as coisas funcionam e que suas idéias não são cabíveis e se conformará”, ou “Daqui a alguns anos você repetirá as mesmas coisas que lhe digo hoje”. Isso não me impedia de sonhar ou desenvolver projetos, pelo contrário: me desafiava a correr ainda mais atrás do que eu queria e acreditava. Mas, claro, fazia com que me olhassem de maneira constrangedora, ora com pena, ora com raiva. Contudo, minha inquietação me acompanhava e, em 2001, pela primeira vez, fui colocada à disposição do mercado e juntamente com uma amiga que trabalhava comigo no mesmo local assumimos o desafio de abrir uma empresa. Nascia, assim, uma Consultoria focada em Treinamento e Desenvolvimento Humano, com minha irmã e amiga Luciane Paula. Não foi muito fácil, nem tampouco tão complexo… Cada dia era uma nova situação para viver, conhecimentos para adquirir e oportunidades para conquistar. Havia o sincero desejo 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 135 e desafio de colocar as ideias e projetos antes rejeitados (e muitas vezes ridicularizados) em execução. Várias foram as pessoas de nossa rede de contatos abordadas, mas agora estávamos do mesmo lado que elas e, o que parecia “óbvio” de acontecer quanto a ajuda necessária e para o nosso desenvolvimento, fomos vistas como concorrentes, e poucos nos assessoraram ou acreditaram em nosso sonho. Isto fez com que em todos os meus projetos fossem incorporados os valores de desenvolver e fazer emergir o potencial criativo das pessoas, em especial as que estivessem iniciando novas jornadas de trabalho no mundo corporativo, ou no universo do empreendedorismo. Contudo, uma mulher em especial, e com grande conhecimento na área, Luiza Abrantes, abriu seu coração e conhecimento, assim como “O Grande Segredo Oculto” negado por outros profissionais, ainda nos dando a primeiras coordenadas para o desenvolvimento de nosso trabalho e mais: criando oportunidades de visibilidade no mercado de consultoria e treinamento. “Gratidão eterna!” A determinação e a fé estiveram presentes a todo momento, assim como o incentivo de nossos maiores parceiros: a nossa família, gratidão especial para o meu eterno namorado e maior incentivador, Eduardo Alvares. A celebração de nosso primeiro cliente, a primeira comemoração em família, junto com a perspectiva de aliar o tempo, a responsabilidade de criar, de fazer nascer um nome, uma marca, nos fez seguir adiante. Sempre houve muita determinação em direção ao desejo de fazer dar certo um sonho que aos poucos estava sendo realizado. A oportunidade de realizar projetos a partir do conhecimento adquirido na experiência profissional anterior e do que acreditávamos como certo, nos fazia superar quaisqueres obstáculos naturais do recomeço e da inexperiência de um novo negócio. Além do que nada se comparava ao fato de poder acompanhar “Primeira posição… plie… Nado borboleta... nado cachorrinho… poesias sem fim…” Sim, minha vida, como a de muitas empreendedoras mudou com a maternidade. Escolhas e renúncias foram e são feitas diariamente, sentimentos de culpa, ocasionalmente, nos visitam, mas nenhum se sobressai ao sentimento de alegria quando os olhares dos meus filhos me procuravam, e aos meus encontravam, no reconhecimento de que ali eu estava e com eles eu vibrava. Eles me inspiraram e foram os motivos de manter minha cabeça erguida e aprender a negociar, a saber a dizer não. Quando precisei de apoio, meus filhos, meu esposo, minha família em conjunto estava do meu lado, aprendendo com o que eu aprendi. Lembro quando o Julius, o caçula, me acompanhava na especialização do psicodrama, pois ainda o amamentava e sentia o quanto a ligação era fortalecida. Ser mãe não me impedia de realizar o que desejava, ou de aprender o que eu podia e queria. Sua presença me animava e fez toda a diferença em nosso relacionamento. Meus filhos eram as molas propulsoras que me impulsionavam a querer ser uma pessoa melhor, um ser humano flexível, adaptável à situações e de grandes
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    Quais de mimvocê procura? 136 superações, em busca de crescimento pessoal e profissional. Isso reflete até hoje em minhas experiências profissionais. Meu aprendizado foi constante, pois sempre optei em aprender e a agir muito mais do que esperar a oportunidade bater à minha porta ou o momento certo para estrelar. Na minha jornada, alguns passos têm me ajudado a me posicionar mais e melhor no desenvolvimento dos meus negócios, e compartilho o meu aprendizado: - Acredite em si, em seu sonho, no seu potencial e talento; - Tenha um grande motivo para empreender, uma paixão, um propósito que lhe mova; - Defina até onde deseja chegar, quais ferramentas possui, ou se precisa adquirir novas para alcançar seus resultados: busque conhecimento; - Alinhe seus valores ao projeto que deseja empreender, pois seu negócio será a sua marca. Portanto, como você gostaria de ser reconhecido quando pensarem em você; - Seja solidário, especialmente com os que estão começando e que se permitem a liberdade de sonhar. Ajude-os a voar, livres como falcões; - Se alie às pessoas de pensamento positivo, que tem fé na vida, nas pessoas; - Estabeleça parcerias, essencialmente as que complementem seu negócio, que somam ao conhecimento já adquirido; - Reveja suas crenças e suas limitações, sobretudo, mapeie suas competências, habilidade e talentos, elas auxiliarão em todos os momentos no desenvolvimento de um negócio; - Não tenha receio de errar ou das críticas, a maneira como você as enxergar fará grande diferença no resultado de seus objetivos, e, principalmente: não perca sua essência! Ainda que as adversidades apareçam, mantenha a firmeza de seu caráter e daquilo que faz a diferença em sua vida. Sim, eu sou Mulher, Esposa, Mãe empreendedora, Forte, de Raça, Resoluta e Determinada, que busca superar adversidades, adaptar-me às novas situações, que acolhe o novo e o inesperado de cabeça erguida. Que deseja ser e fazer pessoas felizes. Que tropeça, mas levanta. Que a cada queda ressurge mais forte, firme, determinada a atingir objetivos e realizar seus sonhos. Que enxerga obstáculos como oportunidades de aprendizado e que aprende com as experiências da vida! Hoje, minha filha Taila tem 25 anos, e meu filho Julius, 23. Tudo valeu e vale à pena. Para além de plies e poesias, hoje acompanho os espetáculos que minha filha cria para suas alunas de balé, e vibro com as poesias escritas pelo meu filho. Identifico em seus comportamentos partes de mim, da minha história, e isso me motiva, me emociona e me faz perceber o quanto a presença deles foi e é importante para cada passo, cada realização e sucesso alcançados. Atualmente, estamos para além de “Primeira posição… plies… Nado borboleta… nado cachorrinho…poesias sem fim…”. Hoje estou aprendendo muito mais e colocando todo o já aprendido em prática! Além de agora estar rodeada de super heróis, do
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    Quais de mimvocê procura? 137 Capitão América… Homem de Ferro e do Incrível Hulk… temos o pequeno Kevin… Mas essa é uma nova história, e novas histórias são para novos momentos! Regina Alvares
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    Quais de mimvocê procura? 138 Ser Mulher...inspiração e amor… Minha história empreendedora começa acredito eu que na barriga da minha mãe, sou filha de pais portugueses, feirantes e desde cedo enfrentavam as lutas diárias em busca da estabilidade financeira e da garantia de um futuro melhor para nossa família. Aos 14 anos inicio minha jornada trabalhando em uma video locadora, onde permaneci por 5 anos até sofrer um derrame que me deixou com uma sequela no braço direito, mesmo assim após esse período de recuperação fui para uma empresa de publicidade onde fiquei por mais 8 meses. Por conta dessa sequela resolvi abrir meu próprio negócio. Com muita garrra e dedicação em 1999 iniciei minha trajetória empresarial em um mercado praticamente dominado por homens até hoje, o ramo de comunicação visual. Inovando e me dedicando permaneço no mercado até hoje. Em 2005 um acidente com um cabo da companhia de energia elétrica uma voltagem muito acima do normal foi conduzida para dentro da minha loja causando assim um incêndio, e como não tinha seguro, perdi tudo...pela primeira vez chorei durante 3 dias e depois disso levantei e resolvi lutar novamente começando tudo do zero. Em 2008 já estava novamente com minha loja, dessa vez muito maior e com muito mais serviços. No ano de 2012 chegava praticamente na realização dos meus sonhos, estabilizada financeiramente, a cada ano conseguia um aumento significativo nas vendas e na criação de novos produtos que até então não existiam no mercado e a loja dava cada vez mais retorno. Em 2013 perco tudo de mais importante na minha vida em questão de meses, primeiro, vítima de um câncer perdi minha mãe e sete meses depois perdi meu pai da mesma forma. Era demais isso pra mim...pela primeira vez pensei seriamente em desistir, não tinha mais forças e não conseguia mais enxergar nenhum futuro na minha vida, tudo havia perdido a cor e o propósito, tempos difíceis. No ano seguinte, uma consultora do Sebrae visitou minha empresa indicada por um amigo e a mesma me inscreveu no programa 10.000 da FVG e incrivelmente fui escolhida no processo seletivo. Sem ter ideia ainda da grandeza do projeto e da dimensão do mesmo, resolvi aceitar e mesmo me arrastando emocionalmente fui e conclui o curso. Depois disso, minha vida começou a mudar, entre amores e desamores, 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 139 dificuldades, erros e acertos conheci outras mulheres que assim como eu e por diversos motivos lutavam também para estar lá e fui me juntando a elas e ganhando força, as coisas começavam a renascer dentro de mim, afinal de contas eu não estava mais sozinha. Em 2015 recebi o maior presente de Deus em minha vida, chega meu filho Gabriel. No começo sofri um pouco por não ter meus pais comigo e parecer que não tinha mais graça nada sem eles, erro meu, pois minha vida tomava cor e forma novamente, minha garra voltou e a vontade de viver tudo aquilo voltava com tanta força que eu até desconhecia tamanha gana. Hoje sou mulher, esposa, mãe, empreendedora e um ser humano extremamente feliz. Vou perseguir tudo aquilo que Deus já escolheu pra mim, vou persistir e mesmo nas marcas daquela dor do que ficou vou me lembrar, realizar o sonho mais lindo que Deus sonhou e em meu lugar estar a espera do novo que vai chegar, vou persistir, continuar a esperar e crer e mesmo quando a visão se turva e o coração só chora mas na alma a certeza da vitória... Rita Rocha Foto enviada está muito pequena
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    Quais de mimvocê procura? 140 A chance de dar tudo errado era tudo que eu tinha Você pode escrever a sua historia de novo, a chance dar tudo errado era tudo o que eu tinha, mas olha o que Ele(Deus) fez comigo. Estou aqui escrevendo a minha própria história. Sou Rosangela Machado e este projeto meu veio como um presente em comemoração aos meus 40 anos e da colheita de atitudes decisivas, difíceis e assertivas que foram tomadas, não sou mulher passiva, morna sem cor, sou mulher de sangue quente, minha vida nunca foi de tons pastéis e sim de cores quente e vibrantes, não sei amar pela metade, portanto não vou lhes cotar mais uma história, vou arrancar a máscara e despir as minhas vestes. Então me veja sentada em um banqueta em palco escuro, com um único foco de luz reluzindo o louro platinado dos meus cabelos, dedilhando alguns acordes de violão, cantando uma história com um timbre de voz rouca, diferente da minha doce, meiga e mansa para uma plateia gigantesca, é assim que me vejo agora. Nasci no dia 12 de Outubro as 13:05 de 1976, briguei pela vida, briguei pra nascer, minha mãe disse nasci preta (sorrisos), hoje entendo que nasci cianótica por falta de oxigenação pois estava passando da hora de nascer, se o médico demorasse um pouco mais eu morreria, mas eu insistir em vir pra este mundo e não foi pra ser mais uma no meio da multidão. Sou a filha mais velha tenho mais suas irmãs. Minha família era pobre, tive uma infância boa, com o melhor meus pais puderam me oferecer, estudei em escola pública, tive uma adolescência saudável sem envolvimento com qualquer tipo de drogas ou algo parecido, meu sonho era ser arquiteta ou engenheira, sempre gostei de estudar, sabia que pra alguém pobre o estudo era o caminho precursor de uma vida confortável e próspera, não me contentei sair do segundo 2º grau sem profissão, fiz um curso técnico em magistério. Formada em magistério aos 18 anos, exerci a função por dois meses como professora de ensino fundamental substituta da rede pública, minha remuneração foi de CR$ 08,00 no mês, o suficiente pra que eu pudesse tomar a minha primeira decisão, agradeci a diretora a oportunidade e me demiti, cheguei em casa tive uma conversa franca com meu pai, não quero isso pra minha vida quero um emprego que me proporcione renda suficiente pra eu me sustentar e pagar a faculdade, meu pai era rigoroso, bruto mas sabia ser amigo e ele era meu melhor amigo. Arrumei um emprego em uma lanchonete de fest food, meu pai não se opôs, fiquei 6 meses 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 141 pensando no que estudar ingressei no meu segundo curso profissionalizante o de auxiliar de enfermagem, a exemplo de minha mãe um excelente profissional da saúde especializada com pacientes de UTI, vi ali a oportunidade de ganhar dinheiro e chegar no meu objetivo concluir a faculdade ser alguém na vida. E foi assim que ingressei na área da saúde. Em um hospital que trabalhei conheci o homem que seria o meu marido pai da minha filha, vocês acreditam em amor a primeira vista? Então, assim que o vi falando no celular, sentado esperando atendimento eu pensei que homem lindoooo! Eu o amei desde naquele momento, esse homem lindo foi meu paciente, nos tornamos amigos, namorados noivos e oito meses depois me casei com ele. Meu casamento foi lindo, esperado, preparado com muito carinho em cada detalhe. Eu já era uma mulher e agora casada, por ser uma moça praticamente criada dentro da igreja não namorei muito antes de casar, era inexperiente em tudo ele dez anos mais velho que eu, era um homem que a vida ensinou a ser forte, era inteligentíssimo tinha duas faculdades, habilidoso com negócios e dinheiro, de um gênio fortíssimo, impaciente muitas das vezes rude, mas dono de todo meu amor. Vivemos o período de adaptação do casamento e após 2 anos e 6 meses nasceu minha filha Vicktória, fruto de uma oração sincera com Deus, pois a probabilidade de engravidar e realizar o sonho de ser mãe era remota porque meus óvulos não amadureciam pra fecundação, lembro como se fosse hoje do sorriso do meu marido quando ele a pegou no colo pela primeira vez, um sorriso diferente o mais bonito que já vi em sua face. No 4⁰ ano de meu casamento nos mudamos pra uma casa maior, no mesmo bairro, as coisas já não eram mais como antes, eu experimentei a dor da rejeição, da frieza, do mal trato, experimentei um casamento de aparência, dormíamos em quartos separados, cada um com sua vida e uma linda filha em meio a tudo isso, ferida comecei a ferir também e começamos a nos degladiar, no olhar eu carregava um pouco de morte, minha festa estava vazia de sorrisos, eu não sei onde tudo se perdeu se soubesse teria voltado pra tentar um conserto, eu o amava demais, foram três anos nessa situação, eu ganhei uma nova feição, estava com quase 100 kg, desenvolvi asma, a auto estima comprometida, meu marido já não me chamava pelo nome, me chamava de “lixo”,com a minha cabeça envolvida em turbilhões de pensamentos escuros perdi a fé, a auto estima e o amor próprio, me revoltei contra Deus. Um dia já cansada eu disse Deus não quero mais ser prisioneira dessa situação e orei, pedi perdão, me humilhei chorei intensamente (ah! Como eu chorei, só Deus sabe como eu chorei). Dias depois de fazer essa oração descobri uma traição através de uma mensagem de outra mulher no celular, e no confronto pela verdade e em uma discussão calorosa vi o ódio em seu olhar, senti no meu olho direito o peso de um soco bem dado e um chute no peito, tentei coloca ló pra fora do meu quarto, tomei distância, peguei meu telefone disquei 190, ele me disse “você sabe o que você fez?” eu respondi: “- nunca mais você via por a sua mão em mim seu filha da p...” peguei minha filha que estava dormindo, havia acordo e assistia a tudo sentada na cama, com ela nos braços
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    Quais de mimvocê procura? 142 peguei um pouco de dinheiro, minha bolsa e sai pra fora de casa, era uma noite fria de inverno, liguei novamente pra polícia pra que eles se certificassem de que não era trote, em pouco tempo a viatura encostou, vi o homem que eu amava sendo algemado como um bandido, fomos sentados no banco de trás da viatura ele algemado e eu com minha filha no colo, dos meu olhos rolaram lágrimas que pareciam um rio silêncio de dor, me foi tirado o chão e eu caia rapidamente no mais profundo de um abismo, fomos ouvidos separadamente ele foi detido, minha mãe teve o desgosto de me buscar na delegacia as 03:00 hs da manhã, ele saiu sob fiança e respondeu processo, entregamos a casa que era alugada, voltei pra casa da minha mãe com minha filha e de lacerados pela separação emocionalmente vulneráveis ele segui o caminho dele e eu o meu. Agora eu era mais um número que aumentava a estatística, mais uma mulher que sofreu violência doméstica na sala de um médico fazendo exame de corpo delito, médico este que não olhou na minha cara mas que graduou meu hematoma em grau III, eu me senti humilhada, desamparada, sozinha mesmo com minha mãe do meu lado, cheguei em casa olhei pra minha filha e chorei, abraçando a bem forte no meu peito, eu tinha duas opções ou me entregava ao coitadismo ou eu virava essa história, chorei copiosamente por duas semanas o tempo em que meu olho ficou roxo. Optamos pela guarda compartilhada, da dor a menor parte não queria que minha filha tivesse maiores prejuízos com nossa separação, decidi escrever uma nova história, decidi perdoar alguém que talvez nunca me pediria perdão, tirei a habilitação, juntei seis meses de trabalho, férias décimo terceiro, comprei um carro a vista, um pálio 98, me demiti de um emprego que me sugava, que eu não gostava sem perspectiva de outro, estava decida arrancar tudo que não me acrescentava na vida, aprendi a dizer não, a ser generosa comigo, a me amar, minha auto estima foi voltando a cada pequena vitória diária, arrumei outro emprego que me pagava menos mais que eu era feliz, decidi que não iria voltar pra faculdade de enfermagem e sim voltar ao meu sonho antigo queria ser engenheira, queria ver minha filha crescer, a mulher que caia em alta velocidade em um abismo agora estava aprendendo a voar, com objetivos bem definidos eu precisava de dinheiro de uma renda extra, pra pagar a faculdade, o curso de engenharia depois de medicina é o mais caro, não queria abrir mão de ser mãe, eu já estava em um outro relacionamento não queria abrir mão pois que estava me fazendo muito bem, eu estava feliz mas precisava de uma ideia que me gerasse dinheiro , então orei falei com Deus, queria que minha filha tivesse alguém de quem se orgulhar, queria fazer algo por mim, de me orgulhar de mim mesma, e poder dar pra ela mais conforto. Então fui pra faculdade depois do plantão e como de costume passei na cafe- teria da faculdade pedi um café expresso bem forte com pouco açúcar e fui pra aula de química, e ainda sonolenta ouvi a professora explicar sobre a química do sabão, me ajeitei na cadeira, engoli o restante do café e falei pra mim mesmo isso dá dinheiro, pesquisei, estudei, fiz uma série de cursos, e no dia 19 de dezembro de 2015, nasceu a Banho & Espuma saboaria e cosmético artesanal, o primeiro lote foi pra presentear a
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    Quais de mimvocê procura? 143 família, do segundo lote em diante pra venda, uma empresa como tudo na minha vida fruto da minha oração, começamos com uma página no facebook, onde ganhamos visibilidade, os projetos estão a todo o vapor, as vendas estão começando a crescer, iniciamos alguns outros projetos e fizemos algumas parcerias. Com 113 kg resolvi fazer algo por mim mesma, fiz a cirurgia bariátrica, resolvi dar a mim mesmo a chance viver um novo amor, de ser feliz, de desfrutar da com- panhia de um homem maravilhoso, amigo, companheiro e ao lado dele Paulo Cesar, minha filha Vicktória e minha mãe novamente viver em família. ... E quando eu pensei que o rio ia secar olha o Ele (Deus) fez comigo, escutou o grito do meu fraco coração, arrancou aquela tristeza que doía, me lavou com o seu sangue me perdoou, me ensinou a perdoar, minha festa agora é cheia de sorrisos, olha o que Ele fez comigo...Ele é meu melhor amigo...eu não tinha nada e agora eu tenho vida e uma história nova e linda escrita pelo dedo de Deus... ... A chance de dar tudo errado era tudo que eu tinha... Rosangela Machado
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    Quais de mimvocê procura? 144 Era uma vez uma menina, hoje mulher que acreditou nos seus sonhos... Nasci em um bairro da periferia de São Paulo, em uma família muito pobre, percebi que a única forma de mudar esta realidade seria através de muito estudo e trabalho. Aos quatro anos de idade, criei uma escola para um aluno. O gosto por em- preendedorismo, invenções e educação nasceu a partir daí. Quando completei quinze anos, conseguiu meu primeiro emprego e descobri o quão prazeroso era conquistar algo, com o suor do meu trabalho! Nesta época eu tinha pouco mais de três opções de roupa e uma vontade imensa de ser alguém. No ensino médio fui estudar longe de casa, contrariando meus pais. Tomei esta decisão ao perceber que ao meu redor era pobreza, drogas e perigo! Minha única alternativa seria distanciar de onde eu morava, em busca de pessoas que pudessem me auxiliar e me ensinar. Em uma imobiliária localizada no Jardins, bairro nobre em São Paulo, eu comprava agua, limpava o escritório e ia feliz levar o malote para o banco, diariamente. Fiz amizade com um moço muito educado, poucos meses depois ele disse que abriria inscrições para escriturário e me perguntou se eu teria interesse em trabalhar no banco. Disse que lá haviam pessoas para ensinar todo o processo. E na época, eu não sabia tanta coisa! Nem mesmo que aquele local era a maior agência em crédito imobiliário do Brasil! Eu havia escolhido trabalhar com crédito imobiliário, porque eu queria realizar o sonho das pessoas. Namorandoetrabalhandonobancocomoencarregada,eujáestavacomdezoitoanos. Casei aos 22 anos e aos 25 fui mãe de um lindo bebê! Eu pressentia que seria o Alex, conversamos muito, desde que comecei a sentir ele crescendo e se mexendo em minha barriga. Aos 28 eu tinha um bebê, metade de uma casa, um diploma de segundo grau e um casamento rompido. O sonho de ser alguém parecia ter passado do tempo! Entre assuntos da separação e as adequações da nova vida, resolvi que prestaria vestibular, mesmo estando dez anos sem estudar. Passei em três faculdades e podia escolher por administração ou direito. Optei por direito. Meu filho estava com quatro anos e sofreu muito com a separação. Ele não 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 145 entendia porque eu tirava ele da cama dormindo e porque tinha de ficar em um “hotelzinho”, o dia todo. Era difícil não ver a mãe, os dias não foram fáceis nesta época. O entusiasmo da conquista durou pouco. Um mês após ter sido aprovada, fui demitida. Nesta época, só conseguíamos emprego por indicação e acabei ficando quatro meses desempregada. Ou seja, já comecei no vermelho... Finalmente consegui um emprego, mas ganharia menos do que minhas despesas. Resolvi que faria bicos para ganhar dinheiro extra. Trabalhei com digitação de laudos durante cinco anos e paguei minha faculdade. Meus amigos sabiam da minha situação e me pagavam o lanche. Foram cinco anos de muito estudo, lágrimas e trabalho! Às sextas-feiras eu saía uma hora mais cedo e eu conseguia passar na escola para buscar o Alex e ver sua aula de karatê. Ia às reuniões da escola e aproveitava para ficar um pouquinho com ele. Aos finais de semana, meu filho sempre estava comigo e nos divertíamos com coisas gostosas e baratas! Dava até para almoçar com meu vale refeição e tinha um sorvete de sobremesa! Com muito trabalho e esforço, Alex cresceu me admirando e percebendo que o trabalho e a garra levam as pessoas onde elas desejam. Aos dezessete anos foi para a Dinamarca, realizar um intercambio. Saiu do Brasil como garoto e voltou como um homem! Desde sempre, meu filho foi meu melhor amigo, meu conselheiro, meu incentivador! É a pessoa que mais amo em minha vida! Somos parceiros de viagem, de chopp e de dificuldades! Dividimos todos os bons momentos que a vida nos oferece. Não temos dúvidas, juntos superamos qualquer fase de vacas magras! Com grande conhecimento na área de negócios, marketing e vendas migrei para área comercial onde tive minhas maiores conquistas e obtive mais sucesso. Viajei por trinta países. Como funcionária, minha última experiência profissional foi na maior empresa de consultoria do mundo! Finalizei minhas atividades, após trinta anos de longas experiências, incríveis e transformadoras! Mas este não era o fim! Ao colecionar experiências eu também colecionei sonhos! E então nasceu O Mundo da Mulher Protagonista. Quem me conhece diz que venho me preparando, durante toda a minha vida, para isso. Durante a minha jornada, desenvolvi várias metodologias de sucesso, que geraram muito resultado para as empresas e equipes, em que tive oportunidade de atuar. Como mulher realizadora, batalhadora, sonhadora e capaz, resolvi apostar no público feminino, porque acredito que toda mulher é capaz de alcançar seus objetivos e obter sucesso em qualquer projeto, ao realizar com todo seu coração. Quando surgiu, em poucos meses, O Mundo da Mulher Protagonista engajou
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    Quais de mimvocê procura? 146 mais de sessenta mil pessoas, através de congressos, workshops e conteúdos em mídias sociais. Este projeto cria mecanismos para empoderar a mulher protagonista que existe dentro de cada MULHER e auxiliá-la a dar os primeiros, ou próximos passos, de sua carreira ou projeto de empreendedor. Sou apoiadora do programa da ONU MULHERES HeForShe, pela equidade de gêneros e porque sei que 52% da população do mundo é composta por mulheres e somos mães dos outros 48%. Eduquei meu filho para respeitar e apoiar as mulheres. Penso que posso, e devo, auxiliar outros homens a fazê-lo! Roseli Cunha
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    Quais de mimvocê procura? 147 “Ser mãe é ir além de procriar: amar e criar!” Olegado de ser mãe me foi presenteado de forma triste e dolorosa, nos meus 24 anos de idade, quando, em 16 de maio de 1984 e 29 de junho do mesmo ano, eu e meus irmãos perdemos, respectivamente, mãe e pai. Nossa mãe em consulta médica, devido a uma gestação, descobre um câncer de Mama. O médico, talvez considerando a distância da capital onde os recursos permitiriam uma análise precisa, para um diagnóstico mais breve, aguardou o nascimento do bebê, para então certificar-se do que estava ocorrendo. Tarde demais! Em pouco tempo o mal se espalhou, atingindo órgãos vitais. Perdemos nossa mãe e, pelo abalo emocional, não suportando a falta da parceira, 43 dias depois, nosso pai enfartou. Seu coração não suportou tamanha dor! Não entendo se o destino quis, só sei que prematuramente eles partiram. Com o coração despedaçado, tivemos de seguir nossas vidas, tentando suportar a imensa amargura. Ficamos órfãos, éramos seis irmãos, dois deles ainda muito crianças, a menor com dois anos apenas. Mal havia cessado nosso pranto pela perda da mãe e, mais uma grande dor, papai também foi embora, ambos com 43 anos de idade, tudo rápido e inesperado, e nós desnorteados; inevitavelmente começou minha missão de Mãe ou “Irmãe”. Trabalhava como auxiliar de escritório numa grande empresa de alimentação, mas repentinamente fui obrigada a tomar uma decisão. Sendo a mais velha da casa, assumi a função de Pai e de Mãe, e as crianças, jovens e adolescentes, ficaram aos meus cuidados. Ser “Irmãe” e empreender ao mesmo tempo foi um grande desafio! A situação obrigou-me a largar o emprego e buscar algo que me permitisse administrar a situação: casa, família e trabalho, além de suportar a dor imensurável das perdas aper- tando a cada dia. Mas, como em horas vagas, sempre busquei qualificação no ramo da beleza, esse foi o caminho que trilhei. Em 20 de setembro de 1986, um sábado muito especial, eu o escolhi por ser uma data comemorativa do nosso Estado, o Rio Grande do Sul, e por marcar o início da primavera. Setembro também é um mês que sempre me deu muitas alegrias, então decidi ser o mês para inaugurar meu empreendimento, realizando um sonho do passado que o inesperado tornou presente. Dedicação ao trabalho, conciliado com amor, carinho e atenção aos meus pequenos irmãos, tudo com muito zelo, para que tivessem um crescimento saudável 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 148 e uma boa educação, era a meta para o futuro, esperando que tudo isso resultasse em felicidade e realização. Minha missão continuava: “Irmãe”, empreendedora e namorada, logo vem o noivado e, como alguns caminhos se cruzam e nos permitem andarmos na mesma direção, em fevereiro de 1990, assumi o papel também de esposa. Nova vida e mais um sonho a se realizar: ser biologicamente Mãe! Em 1992, no dia 27 de agosto, meu bebê veio ao mundo. Um susto, pois não era a hora, ele não estava pronto, mas chegou. Apesar de prematuro e frágil, recebeu muitos cuidados e pôde ficar bem, ele cresceu lindo e saudável. Naquela ocasião foi um sufoco, pois minha agenda de trabalho ainda tinha uma semana de compromissos: a última noiva, que eu deveria preparar e depois esperar a chegada do bebê, mas ele não esperou e nasceu! Quando soube que eu estaria no hospital, a noivinha muito aflita logo me visitou, sua preocupação era compreensível, pois na próxima semana iria se casar: - Quem irá me arrumar? Como vou fazer? Faltam poucos dias. Responsabilidade e comprometimento sempre foram condutas que adotei e adoto na minha vida profissional. Respeito ao cliente em primeiro lugar, mesmo me custando sacrifícios. Nesse momento parceiro foi o meu bebê. O ofício de Mãe- empreendedora permite alegrias e, ao mesmo tempo, holocaustos, mesmo assim, consegui dar atendimento à noiva, num dos momentos mais importante da vida dela, seu casamento. Em muitas ocasiões, somos obrigados a manter a postura digna de um bom profissional, fazendo do impossível o possível, para podermos levantar os melhores troféus do sucesso, do amor e da felicidade. Empreender, ser mãe e ter sucesso na vida exigem muita força, garra, persistência e dedicação. Isso proporciona resultados que nos encantam, principalmente quando percebemos que conseguimos criar um filho nota “dez”, que os irmãos são maravilhosos, que a família está unida e que o amor é incondicional! O sucesso não é um acaso, mas sim, é uma mistura de trabalho, perseverança e sabedoria. Na vida temos de fazer escolhas e essas escolhas devem trazer felicidade. Devemos levar em conta que a vida pode ser vivida com toda intensidade, conciliando família e amigos, atividade profissional e lazer, para podermos afirmar que cumprimos nosso papel da melhor maneira, permitido que alegrias façam parte das nossas vidas constantemente. Só consegue tamanha recompensa quem contempla e valoriza as pequenas conquistas diárias. Por ter um perfil social e, desde cedo ter participado de diversos eventos, cola- borando com entidades públicas, religiosas, culturais e de serviços, recebi um convite para participar da vida politica. Por entender que temos o compromisso de fazer parte do processo, de contribuir com o lugar onde vivemos, aceitei mais um desafio: concor- rer à vereança. Fui 1ª suplente em 1996, assumindo a vereança em 1997 pela primeira vez. Em 2000, concorri novamente e fui eleita Vereadora. Em 2004, assumi a Presidên- cia da Câmara de Vereadores de Serafina Corrêa. Foram anos de trabalho, aprendizado
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    Quais de mimvocê procura? 149 e dedicação ao meu Município, sempre conciliando com a vida familiar. Foi no quarto ano do mandato e, coincidentemente, para minha glória, o Prefeito e o Vice-prefeito concorreram às eleições municipais. Ascenção inesperada, isto me oportunizou assu- mir o cargo de Prefeita Municipal por noventa dias, permaneci no exercício durante o período eleitoral, evidentemente alguns atos estavam impossibilitados, devido ao momento, mas o aprendizado se deu da mesma forma. Posso dizer que valeu a pena assumir o cargo de Prefeita e poder contribuir para o bem da minha comunidade. Foi muito muito gratificante, mas ser mãe continua sendo a maior das realizações! Após deixar a vida política, aceitei o convite que me havia sido feito tempos anteriores, o de ingressar num clube de serviços, convite esse que me lisonjeou e que aceitei. Eu e meu marido entramos para o Rotary Clube de Serafina Corrêa, onde pudemos desenvolver serviços voluntários, contribuindo para melhorar o nosso mundo com projetos humanitários sugeridos pela organização e outros que desenvolvemos conforme as necessidades locais. Estivemos na Presidência do Clube por duas gestões consecutivas. Sempre na vida, as oportunidades vêm a nos desafiar; às vezes hesitamos, por não termos consciência do bem que faremos a nós mesmos ao enfrentarmos tais desafios, por isso devemos dar rumo certo aos nossos passos. Trilhar por caminhos que nos permitam chegar ao auge dos nossos sonhos, mesmo que os fardos sejam um pouco pesados. Deixar os medos de lado e enfrentar os obstáculos podem nos dar vitórias inesperadas a qualquer momento. A maternidade, a meu ver, é a maior glória que uma mulher pode alcançar. Nada lhe dará maior prazer e gratidão a Deus que um filho, desde o seu primeiro pulsar, ao ouvir as primeiras batidas do coração até seu crescimento, formação e maturidade. Hoje para o bem da humanidade, as tecnologias nos permitem observar o embrião desde a sua fecundação, acompanhando o desenvolvimento da gestação, de forma muito visível e palpável. Os bebês parecem já nascer sabendo quem está ao seu redor, e de olho bem aberto percebem o futuro que não para de avançar. Amor, gratidão, satisfação, são palavras que não cansamos de pronunciar e de vivê-las. Este é o grande legado de uma mãe! Selma Lourdes Favero Fincatto
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    Quais de mimvocê procura? 150 FILHOS: NOSSA MELHOR PARTE “Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas; Geram pro seus maridos os novos filhos de Atenas; Elas não têm gosto ou vontade, nem defeito, nem qualidade; têm medo, apenas. Não tem sonhos, só tem presságios. O seu homem, ma- res, naufrágios (...)” (Chico Buarque) Fomos, de certa forma, criadas para sermos as mulheres de Atenas. Quando nascemos, o primeiro brinquedo que nos dão é uma boneca, ou seja, já estão determinando a nós, mulheres, “olhe, você vai crescer e ser mãe, cuidar dos filhos e do marido, não vai ter profissão, não vai trabalhar fora, vai única e exclusivamente cuidar da casa”. Foi assim com sua mãe, com a mãe de sua mãe, e por aí vai. Ah, o tempo mudou! A evolução tecnológica, cultural e emocional da mulher mudou. Hoje não aceitamos ser as mulheres de Atenas. Desbravamos o mundo, estamos inseridas em situações antes pertencentes a homens, estamos na política, ciências humanas e tecnológicas, somos pilotos de carros, aviões, executivas, empreendedoras. Porém, mantemos o nosso instinto materno: queremos ser mães, queremos perpetuar nosso legado. Sempre quis ser mãe; ver aquele ser lindo, cuidar, educar, ensinar as mais belas cores, músicas e sabores. Que lindo andar de mãozinhas dadas, os primeiros passinhos, risadas! Pintei de rosa e enfeitei de belas flores o quadro “carreira e maternidade”, mas a realidade foi bem outra, e de rosa, tudo virou um negro, sem cores. Na época em que fiquei grávida de minha primeira filha, não pensei em deixar minha carreira de profissional do Marketing. Havia determinado que conciliaria a carreira com a maternidade e assim o fiz. Passados dois anos do nascimento de Suzana, nasceu Carolina; mais dois anos depois, Rebecca. Nessas alturas do campeonato, precisava defender atacar e fazer o gol. Fácil né, só que não! Estava feliz por minhas filhas lindas e com saúde. Conciliar o trabalho com os cuidados das três não era tarefa das mais simples; foi um desafio e tanto. Correr para o trabalho, levar e buscar na escola, alimentação, tarefas escolares, visitas ao médico, noites em claro cuidando de febres, ficar acordada até inicio da madrugada organizan- 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 151 do casa, roupas. Aos finais de semana, conciliar casa, lazer das meninas e, por vezes, trabalho. E junto com isso tudo, veio em um momento muito importante da idade das meninas: o divórcio. O trabalho praticamente triplicou: cuidar da casa, educação, o prover as necessidades materiais e emocionais foram, com certeza, os maiores desafios da minha vida. Desempenhar papel de pai e mãe foi algo que me inundou de culpa. Eu me vigiava para não exercer a compensação pela ausência provocada pelo trabalho e pela falta do pai. Saber se o que estava fazendo era certo ou errado... Lamentavelmente, não tive o apoio familiar de que precisava no momento e precisei me encarar no espe- lho e dizer, “Medo, dor e cansaço? Vai com medo, dor e cansaço mesmo!”. Foi um desafio e tanto, mas sempre tive a certeza de que deixar a profissão para me dedicar a cuidar e educar minhas filhas não seria o melhor a fazer, nem se eu quisesse poderia àquela altura. A culpa pela ausência era inevitável, porém eu sabia que não era a quantidade de tempo com elas, e sim a qualidade que importava. Chorei muito pelas madrugadas andando pela casa, olhando-as no quarto, dormindo, agradecendo e pedindo a Deus que me desse forças e saúde para fazer delas mulheres equilibradas, decididas, confiantes, e me descobri motorista, professora, médica. Desempenhei vários papeis, na infância, depois na adolescência, na escolha das faculdades e profissões, tudo isso aliado às exigências de tempo no meu trabalho e viagens. Criei minhas filhas com muita liberdade; fizeram sempre suas escolhas, nunca impus as minhas, porém ensinei-as sobre as consequências de suas escolhas e sobre assumir responsabilidades. Não me arrependo, embora tenha sido muito criticada pela família na época por assumir essa postura. Optei por ser mãe e não deixar de ser profissional. A culpa é algo do qual nós, mulheres e mães, nos apossamos frequentemente. Quer seja pelo término de um casamento, ou na criação e educação dos filhos. Temos sempre a sensação de que não fizemos direito, que devíamos ter feito isso ou aquilo, mas o fato é que fizemos o que tinha que ser feito. Passamos boa parte da vida fazendo o que nos foi ensinado por nossas mães, avós, mas nos esquecemos que o tempo delas ficou lá atrás. Temos uma tecnologia que não havia na época delas; hoje, as informações e formações são rápidas, e são outras. Não nascemos sabendo viver; nos ensinam a viver; na verdade, tentam nos ensinar a viver, esquecem-se que o que é bom pra um, pode não ser bom para o outro. Ser mãe é a mesma coisa. Casamento e filhos não vêm com manual; aprendemos no dia-a-dia, momento após momento, com erros e acertos. Na verdade, não erramos, vivemos em um estado permanente de aprendizado, que são, por vezes, repetidos. Querer ser bem sucedida profissionalmente não é errado e nem razão para ter culpas. Por isso, temos quer ser generosas conosco mesmas, nos perdoar, nos permitir choros, risos. Eleja uma música, sua música (a minha é “Coração Pirata”, do Roupa Nova) e dance, dance para você, para a vida, para seus filhos. Hoje me orgulho da profissional que sou, das minhas conquistas, das filhas que
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    Quais de mimvocê procura? 152 criei, afinal, a educação se dá pelo exemplo, e sei que meu exemplo forjou as mulheres e profissionais que as três são hoje, se vão ser mães isso é uma escolha delas; se optarem em sê-lo, com certeza serão ótimas mães. Criei minhas filhas para o mundo. Pulverizei. Tenho hoje uma em cada continente, vivendo suas escolhas, felizes, seguras, realizadas, com seus erros e acertos, assumindo suas responsabilidades. E como o universo é generoso em suas respostas! Gerei e tenho os três elemen- tos: a número um é AR – comissária de bordo nos Emirados Árabes Unidos; a número dois é ÁGUA – mergulhadora no México; número três é TERRA -formada pela USP, trabalhando com permacultura na Austrália. Eu? Ah, sou o FOGO que as forjou! Sueli Campos
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    Quais de mimvocê procura? 153 Um Negócio Perfeito para Mim “Você está nesta existência terrena para possibilitar que propósitos Divinos se manifes- tem por intermédio de você, tanto para seu próprio bem, como para o bem da humanidade”. (Carlos Wizard Martins) Eu acredito que tive uma educação empreendedora através dos meus pais, quando eu tinha 12 anos eu queria trabalhar, mas a lei já era clara, eu teria de esperar até os 16 anos. Foi aí que minha mãe me apresentou a primeira lição de empreendedorismo e o valor do trabalho, ela se cadastrou para ser revendedora Avon, mas que iria vender na verdade era eu. E aos 12 anos, no período da manhã eu ia para a escola e a tarde eu saía aos arredores da minha casa batendo de porta em porta me apresentando como representante da Avon. Me lembro desse período com muito carinho, pois foram momentos de grandes aprendizados, eu tive de aprender como me apresentar para pessoas que não conhecia, tinha que passar confiança (afinal era uma criança de 12 anos), aprendi a fazer cálculo de porcentagem muito rápido para poder saber qual seria meu lucro, tive que aprender a parte de logística (quando os produtos chegavam eu ia fazer as entregas) e também, aprendi sobre cobrança, como fidelizar minhas clientes, como encantá-las enfim, essa foi a minha primeira experiência empreendedora e eu tive um certo sucesso, eu era muito responsável, ia a todas as reuniões, ganhei prêmios de maior vendas em campanhas específicas e claro, tinha meu próprio dinheiro, ali eu experimentava, guardada as devidas proporções, a independência financeira. Com o tempo fui tentando me encaixar no sistema, aos 16 comecei a trabalhar numa papelaria, mas trabalhava o dia todo e depois ia para a escola a noite muito cansada, ganhava muito pouco embora fizesse muitas vendas. Nesse meu primeiro trabalho formal, de carteira registrada eu comecei a sentir que eu era diferente, quando eu olhava para outras vendedoras que já eram mães e donas de casa e trabalhavam na papelaria há anos eu pensava “Esse não é o meu lugar”. Mas eu não me referia exatamente à papelaria embora naquela época eu não tivesse consciência disso, na verdade eu me referia àquele lugar que aquelas mulheres se colocaram ou foram colocadas, de horas exaustivas de trabalho, pouco valorizadas, ganhando o suficiente para sobreviver, sem ter tempo para suas famílias e sem sentido de realização e propósito. E 3 meses depois eu pedi demissão, apesar da dona da papelaria tentar me 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 154 convencer do contrário usando o argumento de que eu estaria “sujando minha carteira de trabalho”. Peguei o dinheiro da minha rescisão e fui numa loja de brinquedos e gastei tudo comprando coisas para meus irmãos, aliás eu tenho 5 irmãos mais novos. Mesmo sem saber, o dinheiro já representava para mim um meio para conseguir coisas de real valor, alegria daqueles que eu amava. Depois disso, só voltei a trabalhar aos 18 anos quando precisei de dinheiro para pagar a faculdade de Direito. Trabalhei numa feira de artesanato, minha segunda experiência com empreendedorismo, eu fazia artesanato em E.V.A. Não vendia muito e logo em seguida surgiu a oportunidade de ter uma barraquinha de lanche, eu agarrei e passava o dia todo fazendo lanches na praça central de Sorocaba – SP e depois ia direto para a faculdade de Direito, sim, cheirando a bacon. Tive muito apoio dos pais nessa época. Fazendo faculdade, logo arrumei um emprego na área bancária e contratei uma pessoa para ir tocando a barraquinha na feira. Logo depois a feira de artesanato deixou de existir e com ela meu empreendimento. Depois disso muitas coisas aconteceram, eu me casei, me tornei mãe, larguei a faculdade de Direito no 4º ano, comecei a trabalhar numa multinacional, recebia aos 22 anos um salário altíssimo, prêmios como carro e viagens, porém não me sentia feliz e nem realizada. Eu trabalhava 16 horas por dia, vivia estressada e sem paciência, perdi os primeiros anos de vida dos meus dois filhos para minha sogra e escola e aquilo tudo estava me matando por dentro, porque me vi na mesma situação daquelas vendedoras da papelaria, com a diferença que eu ganhava muito bem, mas o dinheiro não podia comprar o que me era me era mais caro, a alegria de estar feliz com aqueles que eu amo. Decidi, junto com meu marido que iria sair do emprego para me dedicar a maternidade, e foi o que fiz, abri mão de tudo e passei a me dedicar integralmente aos meus filhos. Agora era para eu estar feliz, certo? Era o que todos me diziam, era o que eu mesma me dizia, mas eu não estava. Sentia falta de me desenvolver, de ter contato com pessoas diferentes, de sentir que estava contribuindo com algo, que estava usando minhas potencialidades, e claro, sentia muita falta da independência financeira. Ter que pedir dinheiro para meu marido para comprar até uma bala estava acabando comigo. Não tinha vontade de me arrumar, comecei a tomar remédios para emagrecer e quando não tinha dinheiro ficava irritada e estressada comigo, com meus filhos e com meu marido. Foi um dos períodos mais difíceis da minha vida Me dei conta que eu precisava de muito mais para ser feliz, precisava de sucesso profissional e também da maternidade, mas o que eu tinha aprendido até ali era que eu tinha que escolher entre um e outro. Precisei quebrar paradigmas e comecei a pensar que eu podia tentar encontrar uma forma de ter as duas coisas na minha vida. Sabia que não haveria um “emprego” que me permitisse trabalhar com o que eu amava (neste momento eu já tinha me encontrado na psicologia e no desenvolvimento
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    Quais de mimvocê procura? 155 humano), escolher onde, como e quantas horas trabalhar. Então eu entendi que eu tinha que criar um negócio perfeito para mim. Mergulhei de cabeça no mundo do empreendedorismo e comecei a estudar a fundo, foi nesse momento de busca que eu encontrei e me encantei pelo Coaching. Pronto! eu já sabia o que eu queria fazer como negócio e já tinha uma ideia de como adaptá-lo para a minha realidade. Quando a gente encontra o próprio caminho, percebe que ele se encaixa perfeitamente porque lhe proporciona, não só realização pessoal, mas também lhe permite cumprir com a sua missão de vida, aquela que você, e só você está pré-destinada a realizar nesta Terra. Eu falo pré-destinada, porque você ainda pode escolher não cumprir com essa missão, seja por medo, por estar perdida ou por achar que não é capaz. Euaceiteiaminhamissão,meentregueidecorpoealmaaajudaroutrasmulheres a criarem o estilo de vida perfeito para si mesmas, através do meu conhecimento de Psicologia, Coaching e da minha própria experiência de vida. O início foi muito difícil, me lembro que precisei parcelar o curso de formação em Coachingem muitasvezesenodiadocursofuiparaSãoPaulocomminha família, ficamos no hotel do evento para facilitar, mas só tínhamos dinheiro para a estadia, meu marido e filhos tomavam o café da manhã do hotel (que já estava incluso na estadia) mais tarde para que funcionasse como almoço e jantávamos pão com mortadela no quarto do hotel. Mas tudo valeu a pena, hoje eu trabalho com o que eu amo Coaching para Mulheres. Trabalho na minha casa, pois os atendimentos são via Skype, determino meus horários, tenho tempo de qualidade com meus filhos e para mim mesma, ganho por hora muito mais do que já ganhei na vida e sou completamente realizada. Eu posso dizer, por mim e por minhas clientes, que nós mães não precisamos escolher entre o Sucesso Profissional e a Maternidade, podemos ter as duas coisas, basta você CRIAR O NEGÓCIO PERFEITO PARA VOCÊ! Para conhecer meu trabalho acesse: www.taisbonilha.com.br ou www.oficinamulherempreendedora.com.br Taís Bonilha
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    Quais de mimvocê procura? 156 Nasce minha filha, nasce também um empreendimento Sempre tive o desejo de ter meu próprio negócio. Desde a minha adoles- cência a ideia de ter liberdade para desenvolver meus próprios projetos e batalhar pela realização dos meus sonhos me fascinou. Constantemente busquei me capacitar na área de empreendedorismo e pesquisar sobre nichos de mercado e ideias de negócios, mas o medo, a insegurança e a incerteza me impediam de avançar. Além de que, para minha família, a expectativa era de que eu fizesse uma faculdade e conquistasse um cargo público ou um emprego com boa remuneração. Mas no fundo eu sabia que este caminho para mim não era suficiente para minha realização profissional e profissional. Desde que formei em Comunicação Social em 2009, venho acompanhado o desenvolvimento do mercado digital, as novas possibilidades dessa economia e o cres- cimento dos negócios online. A vontade de ter meu próprio negócio continuava, mas ainda não tinha definido o tipo de negócio em que iria atuar e ficava estagnada apenas nas pesquisas. Porém, durante minha gestação, no ano de 2013, eu trabalhava como funcioná- ria pública em um município vizinho e me vi diante de um grande dilema: o que fazer depois que a licença maternidade terminar? Voltar ao trabalho e deixar minha filha em uma creche em tempo integral, contratar uma babá, deixar com algum parente ou conhecido? Se ficar em casa com ela, seja o dia todo ou meio período, como vou fazer para pagar as contas? Dei-me conta que existia uma pessoa que dependia integralmente de mim, fisicamente e emocionalmente, e que minha missão seria protegê-la e amá-la incondicionalmente,dedicandoomáximodemimparaoseubemestar,principalmente nos seus primeiros anos de vida. Além disso, não queria terceirizar os cuidados com a minha filha e perder os principais marcos do seu desenvolvimento. Mas mesmo diante de todos esses anseios não queria deixar minha vida profissional de lado. Então percebi que este, definitivamente, era o momento de trilhar o caminho do empreendedorismo, para que além de ter a oportunidade de me realizar profissionalmente, ter mais flexibilidade de tempo para estar com a minha filha. Em 2014, idealizei o projeto Empreender e Maternar com o objetivo de 50 Mães empreendedoras que chegaram lá
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    Quais de mimvocê procura? 157 compartilhar minha trajetória como mãe empreendedora e poder também inspirar outras mães com histórias e anseios parecidos com os meus. Mas percebi que poderia ir mais além. Assim, resolvi unir minha formação, experiência profissional com educação a distânciaemeusconhecimentossobremarketingdigitalparafocartambémemprojetos e compartilhamento de cursos online direcionados para mães empreendedoras que estão iniciando ou pensam iniciar um negócio próprio em home office, assim como eu. Em 2016, decidi que poderia impactar um número muito maior de mulheres ao colocar em ação outro projeto para capacitação online e empoderamento de mulheresde forma colaborativa: a Escola da Mulher Empreendedora. E desde então venho conciliando meus projetos, a pós graduação em Design Instrucional e a maternidade. Conciliar negócio com a maternidade é um desafio. Mas diante da decisão de empreender e maternar e da convicção da realização do seu sonho como empreendedora, o foco e a rede de apoio também são muito importantes. Buscar o apoio da família, de amigas, da comunidade ou de um grupo que possui os mesmos objetivos, a mesma visão e passa por dificuldades parecidas faz a diferença principalmente quando a vontade é de desistir diante das dificuldades. Não existe uma fórmula mágica, devemos manter o foco, nos organizar diante da nossa realidade diária, trabalhar muito, desenvolver a resiliência e não desistir. É necessário também que você adapte suas necessidades e do seu negócio a sua realidade. Ter um tempo de dedicação para o seu negócio é algo que pode fazer diferença no seu dia-a-dia e para os resultados da sua empresa. Por isso a rede de apoio também é muito importante nesses momentos. Nem tudo são flores. Por mais que a vontade que temos é de conseguir dar conta de tudo, essa cobrança muitas vezes pode nos levar a frustração e ao desânimo. Muitas vezes me deparei com essas situações, muitas vezes tentei deixar minha filha brincando ao meu lado enquanto tentava realizar alguma tarefa. E muitas vezes me frustrei por perceber que não estava dando conta de tantas coisas ao mesmo tempo. Muitas vezes frustrei minha filha também por não ter dado a atenção que ela queria e merecia naquele momento. A solução foi respirar fundo, buscar me organizar, explorar essa flexibilidade de horários que o meu negócio me proporciona e aceitar que em determinados horários eu não conseguiria me dedicar ao meu projeto e sim dar a atenção que minha filha precisava. E para conseguir desenvolver meus projetos, o apoio da minha mãe e do meu marido sempre foi muito importante. Hoje me sinto realizada como profissional desenvolvendo projetos com propósito, tendo autonomia para utilizar meu conhecimento para auxiliar outras pessoas em seu desenvolvimento pessoal e profissional e no compartilhamento de
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    Quais de mimvocê procura? 158 conhecimento. Me sinto realizada como mãe também pela oportunidade de estar perto da minha filha em tempo integral durante os anos mais importantes do seu desenvolvimento. A maternidade foi determinante para minha transformação como pessoa e como profissional. E mesmo apesar das adversidades, trabalhar todos os dias com o que eu amo fazer e ainda ter a oportunidade de estar perto da minha filha não tem preço. Empreenderematernaréumdesafiotodososdias,masarecompensaéaindamaior. Tatiana Sklarow Comunicóloga, especialista em Design Educacional (EAD) e Empreendedora
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