JAPÃO: DO NASCIMENTO DA POTÊNCIA À CRISE História e geopolítica
O Japão permaneceu isolado do mundo exterior do século XVII ao século XIX, período em que foi governado pelo clã Tokugawa. Em 1639, sob o xogunato  Iyemitsu, o país iniciou um período de reclusão chamado  sakoku,  palavra que siginifica “país fechado”. A partir de então, os estrangeiros foram proibidos de entrar no país e os japoneses, de sair. Houve apenas uma exceção: as trocas comerciais feitas com os holandeses, que mantinham um entreposto comercial na cidade de Nagasaki.
Por isso, quando os norte-americanos aportaram no Japão em 1853, pondo fim ao isolamento do país e ao domínio dos Tokugawa, encontram um país ainda feudal e defasado economicamente em relação ao mundo ocidental. Tentando realizar seu projeto geopolítico de controle dos oceanos, os norte-americanos forçaram a abertura do Japão através do Tratado de Kanagawa, assinado em 1854. Essa abertura acelerou a desintegração do sistema feudal japonês e, em 1868, encerrou o domínio do clã Tokugawa.
Japão: país insular Área: 377 mil km2, corresponde às dos estados do Rio Grande do sul e Santa Catarina somados); Formado por montanhas e estreitas planícies, portanto com pouquíssimas terras agricultáveis, a maioria na zona temperada do planeta, a qual não oferecia condições para o cultivo dos cobiçados produtos tropicais da época do mercantilismo. Geologicamente, o Japão é formado por uma combinação  de dobramentos e vulcanismo. Localiza-se numa zona de contato de três placas tectônicas, no quando Círculo de Fogo do Pacífico, o que lhe determina uma grande instabilidade sísmica, além de um subsolo extremamente pobre em minérios e combustíveis fósseis.
No final do século XIX, quando os Estados Unidos emergiram como potência e se lançaram em busca de pontos estratégicos nos oceanos Pacífico e Atlântico, o Japão subitamente se tornou um país muito importante. Nesse momento, porém a elite japonesa já tinha definido claramente seus interesses, que sem sombra de dúvida se chocavam com os interesses estrangeiros.  A partir de então, os japoneses empenharam-se de modo enérgico em viabilizar seu processo de industrialização, por meio da intervenção do Estado na Economia e do militarismo.
A expansão do Império japonês
Industrialização e imperialismo Assim, como a Alemanha e a Itália, o Japão é um país de capitalismo tardio, de imperialismo tardio, e uma aliança entre esses três países foi apenas uma questão de tempo. Isso aconteceu no contexto da 2ª Guerra Mundial, quando se formou o eixo Roma-Berlim-Tókio. Aos japoneses era muito interessante o domínio de territórios na Ásia que pudessem viabilizar sua expansão econômica . O processo de industrialização do Japão só ocorreu efetivamente após 1868, ano que marcou o fim do xogunato  e a restauração do império, com a ascensão do imperador Mitsuhito. Esse novo reinando, conhecido como  Era Meiji  , palavra que significa “governo ilustrado”, estendeu-se até 1912 e foi marcado por políticas modernizantes do Estado japonês: Maciços investimentos em educação, universalizada e voltada à qualificação de mão-de-obra; Abertura à tecnologia e aos produtos estrangeiros;
O último Samurai
A constituição de 1889 estabeleceu o imperador como chefe “sagrado e inviolável” do Estado e estabeleceu também a Dieta (Parlamento). O xintoísmo foi declarado religião oficial em 1882. Os zaibatsus (zai significa “riqueza” e batsu, “grupo), organizações originadas de antigos e poderosos clãs, como a Mitsubishi, a Mitsui, a Sumitomo e a Yassuda, passaram a dominar cada vez mais a economia do Japão.
Atuando em praticamente todos os setores industriais, além do comércio e das finanças, foram incorporando indústrias menores, incluindo as fábricas construídas pelo Estado, e se transformaram em grande conglomerados. Como resultado dessa política modernizante, o Japão viveu um vertiginosos processo de industrialização. No entanto, o país enfrentava problemas estruturais graves: escassez crônica de matérias-primas e de energia e limitação do mercado interno
Na tentativa de superar esses problemas, o império japonês aventurou-se em busca de territórios na Ásia e no Pacífico. Para atingir tal objetivo, investiu maciçamente em seu fortalecimento militar.  A expansão iniciou com a vitória na Guerra Sino-japonesa (1894-1895), que garantiu a ocupação de Taiwan. Em 1910 foi a vez da Coréia ser anexada. Com a vitória contra a Rússia (1904-1905) os japoneses tomaram as Ilhas Sacalinas, então território russo.
Em 1931, ocuparam a Manchúria, parte do território chinês, onde implantara, em 1934, Manchukuo, um Estado fantoche sob o governo do último imperador chinês  Pu Yi , que tinha perdido o trono em 1912 como resultado da proclamação  da república por Sun-Yat-sem. Em 1937, com o objetivo de conquistar novos territórios o Japão iniciou uma confrontação total com a China, que se estenderia até a Segunda Guerra Mundial. A segunda Guerra Mundial marcou a fase de maior expansão territorial, quando o país ocupou parte do Sudeste Asiático  e diversas ilhas do Pacífico.
Esta política expansionista, porém, resultaria na quase total destruição do Japão, que saiu derrotado da Guerra. O ataque-surpresa à base naval de Pearl Harbor (Havai), em 1941, deixou claro que os japoneses superestimaram seu poderio militar: Precipitaram  a entrada dos norte-americanos na guerra e acabaram derrotados por eles. Com o lançamento, pelos Estados Unidos, das bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente, o Japão não teve outra alternativa a não ser render-se.
A assinatura da rendição foi o principal símbolo da superioridade tecnológica e militar norte-americana e, ao mesmo tempo, o prenúncio do papel reservado ao Japão durante a Guerra Fria: fiel aliado e aguerrido adversário econômico dos Estados Unidos.
Reconstrução industrial após a Segunda Guerra Mundial Durante a ocupação que se estendeu até 1952, o Japão foi governado pelo Conselho Superior das Potências aliadas. Presidida pelo general norte-americano Douglas McArthur. Nesse período, profundas reformas foram impostas ao país com o objetivo de modernizá-lo do ponto de vista político, econômico e cultural, encerrando de vez o feudalismo e o militarismo.
Principais medidas 1947 – Lei de Produção dos Monopólios – o que levou as zaibatsus à dissolução, com isso os norte-americanos pretendiam enfraquecer o poder dos grandes grupos e estimular a concorrrencia na economia japonesa.  A constituição, redigida e imposta em 1947 proibia a intervenção externa do exército japonês, que foi transformado em força de auto defesa.  A defesa do território japonês ficou a cargo dos Estados Unidos.
A Constituição garantiu a liberdade de culto e estabeleceu o estado laico; O Imperador Hiroito teve de renunciar a ser considerado como uma divindade. Além das intervenções modernizadoras, os norte-americanos elegeram o Japão como o principal ponto de apoio asiático na luta contra o comunismo sino-soviético, o que ficou evidente após a Revolução Chinesa de 1949.
Assim, o Japão passou a se beneficiar-se da ajuda financeira do Tesouro norte-americano (em torno de 2,5 bilhões de dólares, de 1947 a 1950);
Outras medidas... Grande disponibilidade de mão-de-obra barata, disciplinada e relativamente qualificada; Maciços investimentos estatais em educação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico; Reconstrução da infra-estrutura e dos conglomerados em bases mais modernas
A principal vantagem apresentada pelo Japão sobre os concorrentes europeus e norte-americanos foi a mão-de-obra barata; Com o passar do tempo os salários foram aumentando como um reflexo da elevação de produtividade resultante dos avanços tecnológicos incorporados aos processo de produção.
Na década de 90, os trabalhadores japoneses alcançaram salários bastante elevados, entre os mais altos do mundo, o que sustentou um gigantesco mercado interno e lhes garantiu um dos maiores padrões de vida do planeta. A estagnação econômica verificada desde meados dos anos 1990, provocou um aumento do desemprego e queda dos salários.
O grande sucesso econômico do Japão foi uma eficiente combinação de livre mercado com planejamento estatal. A crise japonesa é, de certa forma, consequência do sucesso dos anos anos anteriores. O grande acúmulo de riquezas no país levou os agentes econômicos a uma crescente especulação  com ações, provocando uma enorme alta nas Bolsas de Valores de Tóquio;
Ao mesmo tempo, os bancos japoneses, que chegaram a ocupar oito das dez primeiras posições entre os maiores do mundo em 1990 (em 2002 não havia mais nenhum entre os dez primeiros), fizeram grandes empréstimos sem critério, principalmente para o ramo imobiliário, o que gerou grande especulação no setor.
Os preços dos imóveis no Japão, que já estavam entre os mais altos do mundo, subiram exageradamente, atingindo valores estrastoféricos.  Essa bolha especulativa – financeira e imobiliária – estourou no início dos anos 1990. Os preços das ações e dos imóveis despencaram,fazendo a crise se propagar pela economia real, ao provocar o fechamento de empresas e o aumento do desemprego.
A crise econômica
[email_address] FIM

JapãO HistóRia E Geopolitica

  • 1.
    JAPÃO: DO NASCIMENTODA POTÊNCIA À CRISE História e geopolítica
  • 2.
    O Japão permaneceuisolado do mundo exterior do século XVII ao século XIX, período em que foi governado pelo clã Tokugawa. Em 1639, sob o xogunato Iyemitsu, o país iniciou um período de reclusão chamado sakoku, palavra que siginifica “país fechado”. A partir de então, os estrangeiros foram proibidos de entrar no país e os japoneses, de sair. Houve apenas uma exceção: as trocas comerciais feitas com os holandeses, que mantinham um entreposto comercial na cidade de Nagasaki.
  • 3.
    Por isso, quandoos norte-americanos aportaram no Japão em 1853, pondo fim ao isolamento do país e ao domínio dos Tokugawa, encontram um país ainda feudal e defasado economicamente em relação ao mundo ocidental. Tentando realizar seu projeto geopolítico de controle dos oceanos, os norte-americanos forçaram a abertura do Japão através do Tratado de Kanagawa, assinado em 1854. Essa abertura acelerou a desintegração do sistema feudal japonês e, em 1868, encerrou o domínio do clã Tokugawa.
  • 4.
    Japão: país insularÁrea: 377 mil km2, corresponde às dos estados do Rio Grande do sul e Santa Catarina somados); Formado por montanhas e estreitas planícies, portanto com pouquíssimas terras agricultáveis, a maioria na zona temperada do planeta, a qual não oferecia condições para o cultivo dos cobiçados produtos tropicais da época do mercantilismo. Geologicamente, o Japão é formado por uma combinação de dobramentos e vulcanismo. Localiza-se numa zona de contato de três placas tectônicas, no quando Círculo de Fogo do Pacífico, o que lhe determina uma grande instabilidade sísmica, além de um subsolo extremamente pobre em minérios e combustíveis fósseis.
  • 6.
    No final doséculo XIX, quando os Estados Unidos emergiram como potência e se lançaram em busca de pontos estratégicos nos oceanos Pacífico e Atlântico, o Japão subitamente se tornou um país muito importante. Nesse momento, porém a elite japonesa já tinha definido claramente seus interesses, que sem sombra de dúvida se chocavam com os interesses estrangeiros. A partir de então, os japoneses empenharam-se de modo enérgico em viabilizar seu processo de industrialização, por meio da intervenção do Estado na Economia e do militarismo.
  • 7.
    A expansão doImpério japonês
  • 8.
    Industrialização e imperialismoAssim, como a Alemanha e a Itália, o Japão é um país de capitalismo tardio, de imperialismo tardio, e uma aliança entre esses três países foi apenas uma questão de tempo. Isso aconteceu no contexto da 2ª Guerra Mundial, quando se formou o eixo Roma-Berlim-Tókio. Aos japoneses era muito interessante o domínio de territórios na Ásia que pudessem viabilizar sua expansão econômica . O processo de industrialização do Japão só ocorreu efetivamente após 1868, ano que marcou o fim do xogunato e a restauração do império, com a ascensão do imperador Mitsuhito. Esse novo reinando, conhecido como Era Meiji , palavra que significa “governo ilustrado”, estendeu-se até 1912 e foi marcado por políticas modernizantes do Estado japonês: Maciços investimentos em educação, universalizada e voltada à qualificação de mão-de-obra; Abertura à tecnologia e aos produtos estrangeiros;
  • 9.
  • 10.
    A constituição de1889 estabeleceu o imperador como chefe “sagrado e inviolável” do Estado e estabeleceu também a Dieta (Parlamento). O xintoísmo foi declarado religião oficial em 1882. Os zaibatsus (zai significa “riqueza” e batsu, “grupo), organizações originadas de antigos e poderosos clãs, como a Mitsubishi, a Mitsui, a Sumitomo e a Yassuda, passaram a dominar cada vez mais a economia do Japão.
  • 11.
    Atuando em praticamentetodos os setores industriais, além do comércio e das finanças, foram incorporando indústrias menores, incluindo as fábricas construídas pelo Estado, e se transformaram em grande conglomerados. Como resultado dessa política modernizante, o Japão viveu um vertiginosos processo de industrialização. No entanto, o país enfrentava problemas estruturais graves: escassez crônica de matérias-primas e de energia e limitação do mercado interno
  • 12.
    Na tentativa desuperar esses problemas, o império japonês aventurou-se em busca de territórios na Ásia e no Pacífico. Para atingir tal objetivo, investiu maciçamente em seu fortalecimento militar. A expansão iniciou com a vitória na Guerra Sino-japonesa (1894-1895), que garantiu a ocupação de Taiwan. Em 1910 foi a vez da Coréia ser anexada. Com a vitória contra a Rússia (1904-1905) os japoneses tomaram as Ilhas Sacalinas, então território russo.
  • 13.
    Em 1931, ocuparama Manchúria, parte do território chinês, onde implantara, em 1934, Manchukuo, um Estado fantoche sob o governo do último imperador chinês Pu Yi , que tinha perdido o trono em 1912 como resultado da proclamação da república por Sun-Yat-sem. Em 1937, com o objetivo de conquistar novos territórios o Japão iniciou uma confrontação total com a China, que se estenderia até a Segunda Guerra Mundial. A segunda Guerra Mundial marcou a fase de maior expansão territorial, quando o país ocupou parte do Sudeste Asiático e diversas ilhas do Pacífico.
  • 14.
    Esta política expansionista,porém, resultaria na quase total destruição do Japão, que saiu derrotado da Guerra. O ataque-surpresa à base naval de Pearl Harbor (Havai), em 1941, deixou claro que os japoneses superestimaram seu poderio militar: Precipitaram a entrada dos norte-americanos na guerra e acabaram derrotados por eles. Com o lançamento, pelos Estados Unidos, das bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente, o Japão não teve outra alternativa a não ser render-se.
  • 16.
    A assinatura darendição foi o principal símbolo da superioridade tecnológica e militar norte-americana e, ao mesmo tempo, o prenúncio do papel reservado ao Japão durante a Guerra Fria: fiel aliado e aguerrido adversário econômico dos Estados Unidos.
  • 17.
    Reconstrução industrial apósa Segunda Guerra Mundial Durante a ocupação que se estendeu até 1952, o Japão foi governado pelo Conselho Superior das Potências aliadas. Presidida pelo general norte-americano Douglas McArthur. Nesse período, profundas reformas foram impostas ao país com o objetivo de modernizá-lo do ponto de vista político, econômico e cultural, encerrando de vez o feudalismo e o militarismo.
  • 18.
    Principais medidas 1947– Lei de Produção dos Monopólios – o que levou as zaibatsus à dissolução, com isso os norte-americanos pretendiam enfraquecer o poder dos grandes grupos e estimular a concorrrencia na economia japonesa. A constituição, redigida e imposta em 1947 proibia a intervenção externa do exército japonês, que foi transformado em força de auto defesa. A defesa do território japonês ficou a cargo dos Estados Unidos.
  • 19.
    A Constituição garantiua liberdade de culto e estabeleceu o estado laico; O Imperador Hiroito teve de renunciar a ser considerado como uma divindade. Além das intervenções modernizadoras, os norte-americanos elegeram o Japão como o principal ponto de apoio asiático na luta contra o comunismo sino-soviético, o que ficou evidente após a Revolução Chinesa de 1949.
  • 20.
    Assim, o Japãopassou a se beneficiar-se da ajuda financeira do Tesouro norte-americano (em torno de 2,5 bilhões de dólares, de 1947 a 1950);
  • 21.
    Outras medidas... Grandedisponibilidade de mão-de-obra barata, disciplinada e relativamente qualificada; Maciços investimentos estatais em educação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico; Reconstrução da infra-estrutura e dos conglomerados em bases mais modernas
  • 22.
    A principal vantagemapresentada pelo Japão sobre os concorrentes europeus e norte-americanos foi a mão-de-obra barata; Com o passar do tempo os salários foram aumentando como um reflexo da elevação de produtividade resultante dos avanços tecnológicos incorporados aos processo de produção.
  • 23.
    Na década de90, os trabalhadores japoneses alcançaram salários bastante elevados, entre os mais altos do mundo, o que sustentou um gigantesco mercado interno e lhes garantiu um dos maiores padrões de vida do planeta. A estagnação econômica verificada desde meados dos anos 1990, provocou um aumento do desemprego e queda dos salários.
  • 24.
    O grande sucessoeconômico do Japão foi uma eficiente combinação de livre mercado com planejamento estatal. A crise japonesa é, de certa forma, consequência do sucesso dos anos anos anteriores. O grande acúmulo de riquezas no país levou os agentes econômicos a uma crescente especulação com ações, provocando uma enorme alta nas Bolsas de Valores de Tóquio;
  • 25.
    Ao mesmo tempo,os bancos japoneses, que chegaram a ocupar oito das dez primeiras posições entre os maiores do mundo em 1990 (em 2002 não havia mais nenhum entre os dez primeiros), fizeram grandes empréstimos sem critério, principalmente para o ramo imobiliário, o que gerou grande especulação no setor.
  • 26.
    Os preços dosimóveis no Japão, que já estavam entre os mais altos do mundo, subiram exageradamente, atingindo valores estrastoféricos. Essa bolha especulativa – financeira e imobiliária – estourou no início dos anos 1990. Os preços das ações e dos imóveis despencaram,fazendo a crise se propagar pela economia real, ao provocar o fechamento de empresas e o aumento do desemprego.
  • 27.
  • 28.