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Introdução à Espiritualidade



 Jorge Wilson Nogueira Neves




      Igreja Batista Memorial de Alphaville
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Pág. Temas
3    Apresentação
4    Eu, a Palavra , a Trindade e a oração.
5    Orar - com ou sem pautas
7    Nossa relação com a Palavra do Pai
9    O Jejum
11   A Bíblia em nossa oração
12   A Lectio Divina no Antigo Testamento
15   Os salmos
19   Misticismo?
20   As Alianças Deus com Seu povo
21   Lectio em o Novo Testamento
24   O Novo Testamento interpreta o Antigo
25   A relação emocional de Jesus com os salmos
27   Como ler a Bíblia
31   As Parábolas
33   A quietude
36   Desenvolvendo comunidades com base na oração
38   Obstáculos à oração
40   Poder na oração?
42   Espírito Santo,o companheiro necessário
44   O Pai Nosso - a oração que Jesus ensinou e que o Pai aceita
50   Orando em submissão
51   O mistério da Trindade
58   O confissão do pecado
60   A Ceia do Senhor e eu
63   Em tempos de pós modernismo




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                                 Apresentação

A razão pela qual resolvi escrever essa Introdução à Espiritualidade
quando existem tantas obras na área foi , à partir da minha visão de leigo,
compartilhar ensinamentos que gostaria que me tivessem sido ensinados
desde o início de minha vida cristã.
Muitas vezes sucumbimos ao ativismo religioso que enfatiza ferramentas,
métodos e programas de igrejas-modelo que não nos ensinam o caminho do
afeto com a Trindade. Outras vezes somos apresentados àquele modelo de
igreja voltado para a busca da catarse emocional ou , “dos eventos
extraordinários em detrimento do de uma espiritualidade vivenciada no gesto
simples do cotidiano“, como diz o Pr Osmar Ludovico .
São alguns temas ligados à Espiritualidade Clássica e à Doutrina
Reformada. Tentei ser conciso para não cansar o leitor.


                                Agradecimentos
Agradeço aos pastores Osmar Ludovico da Silva , James Houston e
Ricardo Barbosa de Sousa pelos ensinamentos que deles adquiri em seus
cursos e livros. Agradeço ao Pastor Sidney Costa a oportunidade da
utilização desse texto na Igreja Batista Memorial de Alphaville.


                                    Dedicatória
Dedico este e-book à minha esposa Maria Amélia que fez a revisão do
texto, minhas filhas Lidia, Heloisa e Marina, meus genros Daniel e Rodrigo e
minha neta Maria Teresa , todos bênçãos e inspiração na minha vida.




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                        Eu, a Palavra, a Trindade e a oração.

As imagens do Pai e a minha narrativa pessoal

No começo da oração sacerdotal, tendo em vista a proximidade de sua morte ,
Jesus ora desta forma: "E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, que és o
único Deus verdadeiro; e conheçam também Jesus Cristo, que enviaste ao
mundo". (João 17:3 BLH)

A vida eterna não é vida após a morte , mas é uma vida que hoje já participa da
eternidade.É uma vida que começa quando conhecemos o Pai. Deus e o ser
humano se unem e o tempo e a eternidade se encontram.Esta é a vida que todos
desejamos!

Jesus fala , nessa oração, que vida eterna é igual a "conhecer". Mas, vida não é
"experiência"?

Na bíblia hebraica a palavra "conhecer" é também utilizada para a vida sexual em
que um "conhece " o outro. No grego - gignoskein - está relacionada a ver,
compreender e perceber.Quando eu conheço a Deus, tenho parte com Ele, participo
do abraço que une Pai, Filho e Espírito.Desse abraço depende a minha autoimagem.
É o reto conhecimento que tenho de meu Pai que me ajuda a ser filho.

Anselm Grum, comenta essa oração de Jesus:

       “Mas talvez a palavra de Jesus seja, apesar de tudo, uma resposta ao anseio de
       nossos tempo. Para C.G.Jung Deus é o mais forte arquétipo(*) que existe. Quando a
       imagem de Deus está doente, também o ser humano fica doente. As imagens
       arquetípicas mexem com alguma coisa no ser humano. Elas ou confundem a psique
       ou trazem ordem para dentro dela. Ou curam as feridas ou abrem-nas ainda mais. Por
       isso não é tão sem conseqüências a maneira como eu vejo Deus."”*

A imagem do Pai se desenvolve dentro de minha história de vida, de minha narrativa
pessoal. Depende também de minha experiência com meus pais. Se eles falharam
comigo...posso ter uma desconfiança fundamental em relação ao amor do Pai.
É preciso reler minha própria história para encontrá-lo em meu passado. Conhecer o
Pai tem o poder de curar minha própria história permitindo-me fazer uma
reavaliação amorosa dos fatos marcantes de minha vida e descobri-lo sempre
presente pois "todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a
Deus". Rom 8:28

Assim, cada um de nós poderá recontar a sua história , suas imagens de Deus e
suas experiências com Ele e dizer agora o que mudou.Se você já estiver pronto,
conte sua história a alguém!
Ou melhor, reconte-a diferente!

* Arquétipo - modelo, padrão. Segundo C.G.Jung são imagens psíquicas do
inconsciente coletivo que são patrimônio comum a toda humanidade

**GRÜN,A.. Se eu quiser experimentar Deus ;Petrópolis: Ed. Vozes.p. 38



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                              Orar - com ou sem pautas

Uma vez me contaram de alguém que queria orar e procurava um amigo para fazer
companhia.
- Vamos orar?
Respondeu o amigo: - Acho que não, não preciso de nada!

Nossa oração ocidental é muito ligada ao fato de queremos que nossa oração tenha
um motivo utilitário, um clamor por situação de doença, desemprego ou qualquer
que seja a necessidade. Mas, leia o que Pedro ensina:

      “5 Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já
      prestes para se revelar no último tempo, 6 Em que vós grandemente vos alegrais,
      ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados
      com várias tentações, 7 Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que
      o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na
      revelação de Jesus Cristo; 8 Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o
      vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; 9 Alcançando
      o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas. “ I Pedro 1:5-9

Pedro nos ensina que não estamos soltos no mundo, mas guardados na virtude
(em outra versão - pelo amor de Deus). Nosso Pai nunca é pego de surpresa
quando algo nos acontece. Isso vem dar um novo sentido à nossa oração. Não
precisamos de pauta ou agenda quando vamos orar mas apenas de nosso desejo
de estar na companhia dEle.

Vamos orar pelo prazer de orar - temos licença de estar juntos do Pai até em
silêncio.

Oração não é um meio de cutucarmos Deus lá no Seu trono para fazer algo a nosso
favor. Os pagãos é que faziam isso com seus deuses. Nosso Pai não é omisso mas
sempre chega antes. No salmo 46, lemos:

      “1 DEUS é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. 2 Portanto
      não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem
      para o meio dos mares. 3 Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os
      montes se abalem pela sua braveza. “Salmo 46:1-3
      No evangelho de João é Jesus que nos lembra que ele, Jesus, o Pastor, é que
      vai à
      frente das suas ovelhas:
      “4 E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem,
      porque conhecem a sua voz. 5 Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes
      fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.” João 10:4-5

Se o Pastor vai à frente é porque quer que eu O siga. Não é a ovelha que chama o
Pastor clamando pelo Seu cuidado por elas, mas ao contrário: o Bom Pastor
chama pelo nome às suas ovelhas. Então, em minha oração, devo escutá-Lo para
perceber o caminho a seguir . E a minha oração se torna mais uma atenta escuta do
que mesmo uma fala.

Como James Houston ensina:




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      "Não é tanto que Deus tenha criado as coisa de que estou falando; a questão é que Ele
      as pronunciou antes de falar comigo a respeito, e é por isso que a primeira palavra
      humana pode ser considerada como uma resposta à Sua palavra...Ao dizer que Deus
      falou primeiro, o Gênesis concebe toda linguagem humana como uma resposta a
      Deus. Em sua existência, o ser humano compreende que ele é a imagem de Deus. E é
      com suas próprias palavras que ele declara que Deus falou. Atribuir a Deus a primeira
      palavra é o mesmo que dizer que a verdade da fala humana, dependente da palavra
      divina, não pode ter outro depositário senão o próprio Deus. Até a experiência humana
      da linguagem é percebida como uma repetição: ninguém seria capaz de falar se seus
      pais não lhe tivessem falado primeiro".*




* HOUSTON,JM. Mentoria Espiritual .São Paulo: Editora Sepal, 2003. p 156-157




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                          Nossa relação com a Palavra do Pai

A Igreja recebeu como missão a de proclamar o Evangelho de Jesus através da
Palavra e construir o Reino de Deus. O apóstolo Paulo ensina: Ai de mim se não
pregar o evangelho I Co 9:16.

Para uma proclamação eficaz da Palavra, necessitamos do poder transformador da
palavra nAquele que fala e naquele que escuta. E aí, chegamos a um ponto central:
Para “servirmos” a Palavra, precisamos nos alimentar dela.

       “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer
       espada de dois gumes, e penetra até a ponto de dividir alma e espírito, juntas
       e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E
       não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas
       as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de
       prestar contas.” (Hebreus 4:12-13):

Fica a pergunta que muitos cristãos fazem: - Como eu sei que compreendi a palavra
e posso agora transmiti-la?
Santo Agostinho responde:

       “É fundamental compreender que a plenitude da Lei, como de todas as Divinas
       Escrituras, é o amor (...). Quem, portanto, julga ter compreendido as Escrituras, ou ao
       menos parte delas, e não se empenha a construir, a partir da compreensão das
       mesmas, esse duplo amor a Deus e ao próximo, mostra não tê-las ainda
       compreendido”.

Orar significa buscar a mente e o Espírito de Jesus que não pode ser um convidado
eventual em nossa vida.Precisamos declarar nossa rendição e deixá-Lo dominar
nossa vida. Jesus mesmo praticou isso quando orou em Mateus 26:39:

       “Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai,
       se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como
       tu queres.”

E impossível vivermos a vida cristã por nossos próprios esforços. Como Jesus
ensinou na parábola da videira em João 15: somente se estivermos ligados á videira
poderemos florescer e frutificar Muitas vezes existe o medo da perda da nossa
identidade com esta entrega, mas paradoxalmente nosso senso de identidade só se
desenvolve quando unimos nossa vida a Cristo. Preciso adentrar neste mistério de
entregar a Deus a minha identidade, pois aí eu terei segurança e significância como
pessoa. Jesus tem muito mais a realizar em nos do que através de nós.
Com esta dependência tão grande ao Pai ao entrarmos no mundo da oração
começamos a ficar curiosos e mais flexíveis diante dEle. A partir daí nossa oração
passa a ser um ato mais de ouvir do que falar.

O maior auxílio à nossa vida de oração e intimidade com o Pai vem da própria
Bíblia. Disse Jesus:
       “Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda
       palavra que procede da boca de Deus.” Mateus 4:4



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Paulo também ensinou que:

      “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
      correção, para a educação na justiça,a fim de que o homem de Deus seja perfeito e
      perfeitamente habilitado para toda boa obra.“ 2 Tim 3:16-17




* HOUSTON,JM. Mentoria Espiritual .São Paulo: Editora Sepal, 2003. p 156-157




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                                         O Jejum
                  " Vieram depois os discípulos de João e lhe perguntaram: Por que jejuamos
                              nós e os fariseus [muitas vezes] , e teus discípulos não jejuam?
                      Respondeu-lhes Jesus: Podem acaso estar tristes os convidados para o
                    casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que
                       lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar. " ( Mt 9: 14-15).

Jesus vem ensinar que a saudade do noivo (Jesus) seria o motivador principal para
o jejum. E continua seu ensino:
       "Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque
       desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo
       que eles já receberam a recompensa.
       Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto; com o fim de não parecer
       aos homens que jejuas, e, sim, ao teu Pai em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te
       recompensará".(Mt 6:16-18)

No texto bíblico acima, fica claro que Jesus tem a expectativa de que o cristão
jejue nos tempos de hoje, enquanto aguardamos a sua Segunda Vinda.
Mas, o que é o Jejum?
Jejum é a abstinência de alimento com finalidade espiritual, um exercício espiritual
em que nos colocamos inteiramente na dependência de Deus. Em relação aos
alimentos e líquidos, o jejum pode ser total ou parcial, dependendo da possibilidade
de cada um, mas sempre com ênfase na busca de uma maior comunhão com Deus.
Importante: O Jejum é centrado na pessoa de Deus!
Observe o que a Bíblia ensina sobre Jejum no Antigo e novo Testamento:
No Antigo Testamento o jejum é encontrado como:
A - Sinal de arrependimento: I Samuel 7:6 , Neemias 9:1-3 , Daniel 9:3 , Joel 1:14.
B - Por causa do trabalho de Deus: Neemias 1:4.
C - Pedindo proteção: II Crônicas 20: 3-17 , Esdras 8:21.

No Novo Testamento:
A - Jesus ensinou o Jejum: Mateus 6:16-18, Marcos 2:18-20 , Lucas 5:33-35.
B - Jejum como parte da adoração: Lucas 2:37, Atos 13:2.
C - Paulo orou com jejuns em cada igreja: Atos 14:23. Atos 13:2.

Em Joel 2:13, Deus manda os judeus "rasgarem o coração e não as vestes "
durante o jejum. Isto significaria que a contrição interna é a mais importante. Por ser
considerado, àquela época, o lugar das decisões morais e espirituais, o coração é
que deveria ser atingido. Algum comportamento deveria ser modificado.
Outras vezes o Jejum será considerado impróprio, por exemplo:
·Querer disfarçar seu pecado ("enrolar" a Deus) - Isaías 58:3-5. Os judeus não
ajudavam os necessitados e queriam subornar a Deus com jejum. Jejum não é
substituto para a obediência.
·Para impressionar os outros: Zacarias 7:5
·Para mudar a vontade de Deus: II Samuel 12.
·Quando se torna mera formalidade ou legalismo.

O JEJUM QUE DEUS QUER: Leia Isaías 58 : 1-14

       58.1 Clama a plenos pulmões, não te detenhas, ergue a voz como a trombeta e



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      anuncia ao meu povo a sua transgressão e à casa de Jacó, os seus pecados.
      58.2 Mesmo neste estado, ainda me procuram dia a dia, têm prazer em saber os meus
      caminhos; como povo que pratica a justiça e não deixa o direito do seu Deus,
      perguntam-me pelos direitos da justiça, têm prazer em se chegar a Deus,
      58.3 dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos a
      nossa alma, e tu não o levas em conta? Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos
      vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho.
      58.4 Eis que jejuais para contendas e rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando
      assim como hoje, não se fará ouvir a vossa voz no alto.
      58.5 Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a
      sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu
      a isto jejum e dia aceitável ao SENHOR?
      58.6 Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade,
      desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?
      58.7 Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em
      casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu
      semelhante?
      58.8 Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua
      justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda;
      58.9 então, clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá:
      Eisme
      aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso;
      58.10 se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá
      nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia.
      58.11 O SENHOR te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e
      fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado e como um manancial cujas
      águas jamais faltam.
      58.12 Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas
      gerações e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o
      país se torne habitável.
      58.13 Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses
      no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR, digno de
      honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua
      própria vontade, nem falando palavras vãs,
      58.14 então, te deleitarás no SENHOR. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te
      sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do SENHOR o disse.

O nosso jejum, enchendo-nos da comunhão com Deus, precisa "derramar", ou seja,
precisa alcançar o nosso próximo. Existe uma dimensão horizontal para o jejum,
além da vertical. Fazer jejuns mecanicamente não é tão importante quanto
demonstrar cuidado pelas pessoas - Bíblia Anotada. Combater a injustiça (v.6),
repartir o pão e cuidar do semelhante (v.7) fazem parte do jejum que agrada a
Deus. Devemos portanto ficar atentos para o que o Senhor quiser nos revelar
durante o jejum!*
* Biblia Anotada - comentário de Isaías 58




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                                A Bíblia em nossa oração

A historia da leitura afetiva da Palavra ou Lectio Divina.
Quando o homem começa a ler as Escrituras, dizia Santo Ambrósio:” Deus volta a
passear com ele no paraíso terrestre.”
A Sagrada Escritura é uma historia da revelação: de Deus e da salvação (para o ser
humano).
Desde o início da Igreja se tem chamado de Lectio Divina à leitura afetiva da
Palavra. Não é uma técnica mas uma leitura com o coração aberto e desejoso de
receber os insights divinos , mudanças em nossas percepções, ganhar um olhar
diferente para nós mesmos e para o mundo – em suma a visão do Reino de Deus
.
Repito, não é uma técnica ou algo que fazemos, mas algo que o Espírito Santo
quer fazer, quer revelar. Jesus, falando da ação do Espírito Santo na vida do
crente, diz no Evangelho de João (16:7-14):

       Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o
       Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele
       vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não
       creem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo,
       porque o príncipe deste mundo já está julgado. Tenho ainda muito que vos dizer, mas
       vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos
       guiará a toda a verdade porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que
       tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. (negrito nosso) Ele me
       glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

Além do Espírito Santo querer que oremos, Ele nos ajuda na oração com o Pai,
como Paulo nos ensina em Romanos 8:26-27:

       abemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira,
       com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do
       Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.

Ainda Paulo em Romanos 8:14-17.

       Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não
       recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas
       recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio
       Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos,
       somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele
       sofremos, também com ele seremos glorificados.

Talvez devêssemos corrigir certas expressões que usamos como “fazer oração” ,
pois oração não é algo que “fazemos” .Oração de fato é uma conversa , e nela,
oramos ao Pai, por intermédio do Filho e com a ajuda do E Santo.




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                        A Lectio Divina no Antigo Testamento

Em 1437, Gutemberg inventou o tipo móvel e, em pouco tempo, os livros passaram
a ser impressos e, dentre eles, a Bíblia. Até então, os livros eram escritos à mão e,
por isso mesmo, raros e escassos. Àquela época as pessoas não liam para elas
mesmas, mas, "ouviam" as palavras, em silêncio. Quando os livros foram
produzidos em massa, o ato de ler até então comunitário e oral, passou a ser um
exercício visual privado e silencioso.Esse fácil acesso a Bíblia pode trazer o risco de
a mesma se assemelhar a um livro qualquer com uma mera leitura visual e
intelectual.

Não podemos nos esquecer de que a linguagem existe basicamente não só para
fornecer informações, mas, sim, para estabelecer relacionamentos - colocar o
escritor em relação com os leitores. A Bíblia também é assim; se a lermos
impessoalmente (só com a mente e os olhos), querendo apenas recolher
informações, estamos lendo de forma errada.

No Antigo Testamento temos alguns exemplos de como a leitura da palavra
impactava o povo de Israel quando este se mostrava sedento de ouvir o Pai:
Neemias 8:1-12:

       “Em chegando o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o
       povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram
       a Esdras, o escriba, que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o SENHOR tinha
       prescrito a Israel. Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, tanto de
       homens como de mulheres e de todos os que eram capazes de entender o que
       ouviam. Era o primeiro dia do sétimo mês. E leu no livro, diante da praça, que está
       fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres
       e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.
       Esdras, o escriba, estava num púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim;
       estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema, Anaías, Urias, Hilquias e
       Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias
       e Mesulão. Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele;
       abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.
       Esdras bendisse ao SENHOR, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém!
       Amém! E, levantando as mãos; inclinaram-se e adoraram o SENHOR, com o rosto em
       terra. E Jesua, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita,
       Azarias, Jozabade, Hanã, Pelaías e os levitas ensinavam o povo na Lei; e o povo
       estava no seu lugar.
       Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que
       entendessem o que se lia. Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote e
       escriba, e os levitas que ensinavam todo o povo lhe disseram: Este dia é consagrado
       ao SENHOR, vosso Deus, pelo que não pranteeis, nem choreis. Porque todo o povo
       chorava, ouvindo as palavras da Lei. (negrito nosso)
       Disse-lhes mais: ide, comei carnes gordas, tomai bebidas doces e enviai porções aos
       que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor;
       portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força. Os levitas
       fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque este dia é santo; e não estejais
       contristados. Então, todo o povo se foi a comer, a beber, a enviar porções e a
       regozijar-se grandemente, porque tinham entendido as palavras que lhes foram
       explicadas. “



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Outro exemplo, agora com o rei Josias - 2 Reis 22:8 a 23:3:

      “Então, disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o Livro da Lei na
      Casa do SENHOR. Hilquias entregou o livro a Safã, e este o leu. Então, o escrivão
      Safã veio ter com o rei e lhe deu relatório, dizendo: Teus servos contaram o dinheiro
      que se achou na casa e o entregaram nas mãos dos que dirigem a obra e têm a seu
      cargo a Casa do SENHOR. Relatou mais o escrivão Safã ao rei, dizendo: O sacerdote
      Hilquias me entregou um livro. E Safã o leu diante do rei. Tendo o rei ouvido as
      palavras do Livro da Lei, rasgou as suas vestes. Ordenou o rei a Hilquias, o sacerdote,
      a Aicão, filho de Safã, a Acbor, filho de Micaías, a Safã, o escrivão, e a Asaías, servo
      do rei, dizendo:
      Ide e consultai o SENHOR por mim, pelo povo e por todo o Judá, acerca das palavras
      deste livro que se achou; porque grande é o furor do SENHOR que se acendeu contra
      nós, porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem
      segundo tudo quanto de nós está escrito. Então, o sacerdote Hilquias, Aicão, Acbor,
      Safã e Asaías foram ter com a profetisa Hulda, mulher de Salum, o guarda-roupa, filho
      de Ticva, filho de Harás, e lhe falaram. Ela habitava na cidade baixa de Jerusalém. Ela
      lhes disse: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a
      mim: Assim diz o SENHOR: Eis que trarei males sobre este lugar e sobre os seus
      moradores, a saber, todas as palavras do livro que leu o rei de Judá. Visto que me
      deixaram e queimaram incenso a outros deuses, para me provocarem à ira com todas
      as obras das suas mãos, o meu furor se acendeu contra este lugar e não se apagará.
      Porém ao rei de Judá, que vos enviou a consultar o SENHOR, assim lhe direis: Assim
      diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca das palavras que ouviste: Porquanto o teu
      coração se enterneceu, e te humilhaste perante o SENHOR, quando ouviste o que falei
      contra este lugar e contra os seus moradores, que seriam para assolação e para
      maldição, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o
      SENHOR. Pelo que, eis que eu te reunirei a teus pais, e tu serás recolhido em paz à
      tua sepultura, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este lugar.
      Então, levaram eles ao rei esta resposta. Então, deu ordem o rei, e todos os anciãos
      de Judá e de Jerusalém se ajuntaram a ele.
      O rei subiu à Casa do SENHOR, e com ele todos os homens de Judá, todos os
      moradores de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas e todo o povo, desde o menor até
      ao maior; e leu diante deles todas as palavras do Livro da Aliança que fora
      encontrado na Casa do SENHOR. O rei se pôs em pé junto à coluna e fez aliança
      ante o SENHOR, para o seguirem, guardarem os seus mandamentos, os seus
      testemunhos e os seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, cumprindo
      as palavras desta aliança, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo
      anuiu a esta aliança. “(negrito nosso)


Desde o início foi dada a ordem aos judeus para amarem a Palavra (Deuteronômio
6:4-7):
      “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR,
      teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas
      palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e
      delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao
      levantar-te. “

Quando Moisés termina de escrever a Lei em Deuteronômio 30:15-20, ele ensina
acerca de uma ligação afetiva especial no se guardar a Lei:

      “Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento



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        que hoje te ordeno, que ames o SENHOR, teu Deus, andes nos seus caminhos, e
        guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então, viverás e
        te multiplicarás, e o SENHOR, teu Deus, te abençoará na terra à qual passas para
        possuí-la. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores
        seduzido, e te inclinares a outros deuses, e os servires, então, hoje, te declaro que,
        certamente, perecerás; não permanecerás longo tempo na terra à qual vais, passando
        o Jordão, para a possuíres. Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti,
        que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que
        vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua
voz e apegando-te a ele (negrito nosso); pois disto depende a tua vida e a tua
longevidade; para que habites na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a
teus pais, Abraão, Isaque e Jacó. “

Durante muito tempo eu tive uma impressão errada da Lei até que entendi que
havia um mistério amoroso e relacional em se guardar a Lei no Antigo Testamento.
Como seria agora nos tempos do Evangelho da Graça?




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                                        Os salmos

O salmo era poesia musicada e cantada no espaço do culto a Deus e nele (no
salmo) o povo recebia o conforto de Deus.No livro dos Salmos os sentimentos todos
são colocados na comunhão do homem com seu Deus. Acho que atualmente
estamos subutilizando os salmos em nossos cultos e devocionais particulares.
Quando lemos Paulo, nos surpreendemos:

       E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do
       Espírito,falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao
       Senhor comhinos e cânticos espirituais,Efésios 5:18-19

O vinho cria uma atmosfera própria para a conversa - a inter-relação humana. Com
ele, mesmo as pessoas mais fechadas conseguem contactar outros seres humanos.
A comunhão produzida pelo vinho é ilusória e temporária, ela acaba. No entanto,
Paulo aponta uma opção para a igreja a partir do momento em que o Espírito Santo
de Deus flua nas pessoas e entre elas. Esse tipo de contato chama-se salmodiar.

Os salmos

Os salmos nos ensinam a movimentar com liberdade nossa alma e nossos
sentimentos em direção ao nosso pai. Existem, no Livro de Salmos os de lamentos
(a maior parte), louvor, sabedoria,históricos, arrependimento, gratidão e até de
imprecações (um clamor de vingança contra os inimigos).Toda a gama de
sentimentos é expressada no Livro de Salmos.

Além dos sentimentos os salmos nos alertam para termos atitudes coerentes com a
poesia que recitamos nos salmos.Foi o que Asafe concluiu no salmo 50 quando
descobriu a atitude que o Senhor deseja de seus filhos - amor e obediência. Leia
       agora este salmo e depois memorize o v.23:

       "O que me oferece sacrifício de ações de graça, esse me glorificará; e ao que prepara
       o seu caminho (comportamento), dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus" Salmo 50:23.

A linguagem

Voltando a Paulo, o texto de Efésios vem principalmente ensinar que existe uma
linguagem própria entre os cristãos . Não falamos entre nós apenas por mera
necessidade de comunicação ou adquirir informação. Existe algo mais no falar e no
ouvir dos crentes. Para isso é necessário uma maior intimidade com a Trindade.
Primeiro, a comunhão com o E. Santo e depois, procuro meu irmão ou irmã para
falar e ouvir numa atmosfera pessoal e interpessoal dirigida pelo Espírito.
Como ensina o Pr Ricardo Barbosa:

       “Falar com salmos é falar a linguagem da intimidade, é experimentar o poder do amor
       na vivência cotidiana, é falar com poesia, revelar os segredos do coração. Falar com
       salmos não significa recitar os salmos da Bíblia ou espiritualizar nossas conversas; é
       encontrar, por meio do Espírito de Deus, uma linguagem que fale à alma, que toque no
       coração."(...)



                            Igreja Batista Memorial de Alphaville
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      " Em Cantares de Salomão, livro que apresenta essa linguagem espiritual dos salmos,
      vemos a sulamita dizendo assim para seu amado: "Beija-me com os beijos de tua
      boca; porque melhor é teu amor do que o vinho". Ela encontra no amor do seu amado
      uma alegria e intimidade que o vinho não pode proporcionar. O amor é melhor do que o
      vinho. esta é uma linguagem espiritual, é a linguagem que enaltece o amor, gera
      esperança e fortalece a confiança. e eu fico pensando: "Quantas pessoas não
      gostariam de ouvir alguém dizendo: "O teu amor é melhor do que meu sucesso, minha
      profissão, ou qualquer outra coisa que me embriague?" O amor é melhor. esta é a
      linguagem dos salmos, a linguagem do Espírito."(...)
      É a linguagem do coração em busca de intimidade. Falar com salmos é procurar
      expressar, na conversa do dia-a-dia, a riqueza e o significado da aliança de Deus
      conosco.”*

Somos encorajados nos salmos a termos encontros freqüentes e profundos com
Deus - são nossa escola de oração.Podemos classificá-los como salmos de louvor,
lamento, gratidão, suplica, peregrinação, confiança, imprecatórios (que contem
maldições contra os inimigos), pessoais ou comunitários. Metade dele s são de
autoria de Davi que tanto expressa sua confiança em Deus no salmo 23 assim como
confessa seu pecado no salmo 51.

Alguns textos dos salmos nos encorajam a uma oração bem franca com Deus. Leia
o salmo 13:

      [Ao mestre de canto. Salmo de Davi] “Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim
      para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando
      dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá
      contra mim o meu inimigo? Atenta para mim, responde-me, SENHOR, Deus meu!
      Ilumina-me os olhos, para que eu não durma o sono da morte; para que não diga o
      meu inimigo: Prevaleci contra ele; e não se regozijem os meus adversários, vindo eu a
      vacilar. “

E também no salmo 27:7-9:

      “Ouve, SENHOR, a minha voz; eu clamo; compadece-te de mim e responde-me. Ao
      meu coração me ocorre: Buscai a minha presença; buscarei, pois, SENHOR, a tua
      presença. Não me escondas, SENHOR a tua face, não rejeites com ira o teu servo; tu
      és o meu auxílio, não me recuses, nem me desampares, ó Deus da minha salvação.”

Sinceridade de coração é fundamental; não adianta pronunciarmos palavras doces
quando o Senhor lê o nosso coração e sabe do nosso cenário emocional verdadeiro.
Em Jeremias 29:12-13 lemos a convocação divina para uma busca sincera e a
promessa de um encontro.

      “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Então,
      me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. “

Alguns outros salmos também tem características marcantes:
O salmo 119 celebra a dependência à Palavra de Deus.São 22 estrofes, cada uma
com oito e versículos e iniciadas por uma letra do alfabeto hebraico.
O salmo 14 é para aqueles que acham que podem viver sem Deus
O salmo 37 vem ajudar aquelas pessoas que ficam indignadas ao ver a
prosperidade dos ímpios
Os salmos 127 e 128 estimulam as famílias a terem uma vida comum de oração.


                           Igreja Batista Memorial de Alphaville
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Os salmos 103 e 104 demonstram que Deus esta sempre cuidando de nos
Nos salmos 131 e 133 há o ensino que Deus esta presente até nos nossos
relacionamentos sociais.

Salmos imprecatórios:

Existem alguns salmos difíceis, assim como nossa alma também é difícil. Afinal de
contas os salmos existem para nos ensinar a mover nossa alma em sinceridade
com Deus.Não fique espantado mas esses salmos imprecatórios serviam também
para alertar o ímpio sobre a e a justiça de Deus. Precisamos trabalhar nossos
ressentimentos e nossa raiva no espaço espiritual (além do terapêutico).Hoje no
contexto do Novo Testamento Jesus nos ensina a amarmos nossos inimigos mas
isso não deve represar a sinceridade que devemos ter como nosso Pai, leia o
Salmo 109:8-13

       “Os seus dias sejam poucos, e tome outro o seu encargo. Fiquem órfãos os seus filhos,
       e viúva, a sua esposa. Andem errantes os seus filhos e mendiguem; e sejam expulsos
       das ruínas de suas casas. De tudo o que tem, lance mão o usurário; do fruto do seu
       trabalho, esbulhem-no os estranhos. Ninguém tenha misericórdia dele, nem haja quem
       se compadeça dos seus órfãos. Desapareça a sua posteridade, e na seguinte geração
       se extinga o seu nome.”

Posteriormente, no Evangelho da Graça Jesus viria ensinar o perdão aos inimigos:

       Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos
       digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis
       filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir
       chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que
       recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes
       somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o
       mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.(Mateus 5:
       43-48)

De qualquer forma, qualquer que seja a situação do nosso espírito naquele
momento, nos salmos nos reorientamos sempre para Deus e sua graça
salmodiando e convidando todos a salmodiarem junto conosco, como faz Davi no
salmo 30:

       [Salmo de Davi. Cântico da dedicação da casa] Eu te exaltarei, ó SENHOR, porque tu
       me livraste e não permitiste que os meus inimigos se regozijassem contra mim.
       SENHOR, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste. SENHOR, da cova
       fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura.
       Salmodiai ao SENHOR, vós que sois seus santos, e dai graças ao seu santo nome.
       Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao
       anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã. Quanto a mim, dizia eu na
       minha prosperidade: jamais serei abalado. Tu, SENHOR, por teu favor fizeste
       permanecer forte a minha montanha; apenas voltaste o rosto, fiquei logo conturbado.
       Por ti, SENHOR, clamei, ao Senhor implorei. Que proveito obterás no meu sangue,
       quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? Declarará ele a tua verdade?
       Ouve, SENHOR, e tem compaixão de mim; sê tu, SENHOR, o meu auxílio.
       Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingiste de
       alegria, para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. SENHOR, Deus meu,
       graças te darei para sempre.



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*Sousa ,RB. Janelas para a vida ;Curitiba; Editora Encontro,1999. p 40-41




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                                        Misticismo?

O Dicionário Houaiss define místico como:

       1 referente aos mistérios, às cerimônias religiosas secretas
       2 relativo a crenças em coisas sobrenaturais, sem base racional
       Ex.: explicações m. da erupção de um vulcão como a ira de um deus
       3 que não se dá segundo as leis naturais ou físicas; sobrenatural, espiritual (...)
       5 que crê intensamente numa doutrina religiosa e a ela se dedica quase integralmente
       (diz-se de indivíduo); devoto, religioso
       6 relativo à vida espiritual e contemplativa
       7 próprio do ambiente religioso, devoto, espiritual *

Muitas vezes as pessoas tem medo que, em tendo experiências com Deus, serem
chamadas de “místicas” e optam por um cristianismo predominantemente no estudo
da Palavra , preferindo até esconder suas experiências espirituais.Outras, pelo
contrario, procuram um culto de sensações, “avivado”, com muitas catarses
emocionais nem sempre fruto de uma ação do Espírito Santo, mas das
emoções do momento.

Transcrevo aqui um trecho do livro Oração de James Houston que acho bastante
oportuno:

       As diferentes religiões do mundo possuem sua própria definição do que significa uma
       experiência mística.No misticismo cristão, experiências com Deus são determinadas
       por diretrizes bíblicas.Isso significa que a experiência mística cristã será diferente do
       misticismo de outra fé da mesma forma que suas doutrinas divergem. Como resultado,
       as experiências místicas cristãs através dos séculos podem ser testadas quanto a sua
       confiabilidade pela menção bíblica. O verdadeiro místico cristão sempre vive dentro da
       realidade de certas verdades bíblicas:
       1. Primeiro-Deus é o nosso Criador, sendo distinto e separado de nós. Qualquer
       conversa
       sobre união com ele jamais será uma união ao nível de substância, mas de vontade e
       amor.
       2. Segundo-Deus revela-se a nós como uma Trindade, ou seja, três pessoas em um
       Deus. O misticismo cristão não vivencia deus como um absoluto anônimo, mas como
       pai, Filho e Espírito Santo.
       3. Terceiro - Deus fez-se homem em Jesus Cristo, sofrendo na cruz como mediação
       entre nós e Deus. O místico não pode, portanto, fazer qualquer progresso espiritual
       sem envolver a vida e a morte de Jesus.
       4. Quarto - o nosso relacionamento com Deus depende totalmente da sua iniciativa
       para
       conosco.
       Finalmente, o verdadeiro místico reconhece que pertence à igreja, à comunidade do
       povo de Deus. O místico tem coisas a dizer para a igreja, mas sabe que a verdade de
       Deus é mantida tanto comunitária quanto pessoalmente.**

*http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=m%EDstico&cod=129385&fon=1&co
digos=129385%2C129386%2C129387 acessado em 18/1/2011

* *HOUSTON,J. A Oração;Brasilia:Editora Palavra,2009.



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  As Alianças Deus com Seu povo e sua implicação em nossa espiritualidade

Quando a primeira Aliança (Exodo19) foi ratificada (Êxodo 24) Moises tomou o livro
da Aliança e leu ao povo que concordou em segui-la.(Êxodo 24:1-8):

       “Disse também Deus a Moisés: Sobe ao SENHOR, tu, e Arão, e Nadabe, e Abiú, e
       setenta dos anciãos de Israel; e adorai de longe. Só Moisés se chegará ao SENHOR;
       os outros não se chegarão, nem o povo subirá com ele. Veio, pois, Moisés e referiu ao
       povo todas as palavras do SENHOR e todos os estatutos; então, todo o povo
       respondeu a uma voz e disse: Tudo o que falou o SENHOR faremos. Moisés escreveu
       todas as palavras do SENHOR e, tendo-se levantado pela manhã de madrugada, erigiu
       um altar ao pé do monte e doze colunas, segundo as doze tribos de Israel. E enviou
       alguns jovens dos filhos de Israel, os quais ofereceram ao SENHOR holocaustos e
       sacrifícios pacíficos de novilhos. Moisés tomou metade do sangue e o pôs em bacias;
       e a outra metade aspergiu sobre o altar. E tomou o livro da aliança e o leu ao povo; e
       eles disseram: Tudo o que falou o SENHOR faremos e obedeceremos. Então, tomou
       Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da
       aliança que o SENHOR fez convosco a respeito de todas estas palavras.“

Futuramente o Novo Testamento ensinaria sobre uma Nova Aliança que havia sido
prometida ao profeta Jeremias (Jeremias 31:31-34) e que no texto de Hebreus 8:6-
13, lemos:

       “Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente quanto é ele também
       Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque,
       se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo
       buscado lugar para uma segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias,
       diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não
       segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os
       conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu
       não atentei para eles, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa
       de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas
       leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles
       serão o meu povo. E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um
       ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde
       o menor deles até ao maior. Pois, para com as suas iniquidades, usarei de
       misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei. Quando ele diz Nova, torna
       antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a
       desaparecer. “

Somos chamados a comparecer a mesa de Pai como comunidade e não
individualmente. Na Nova Aliança vemos que existe a promessa de que Deus
falaria dentro de nós. Assim, somos chamados da solitude à comunidade e daí
ao ministério - o que vamos fazer de nossas vidas orientados por Deus.




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                            Lectio em o Novo Testamento

A Palavra que toca a mente e o coração

A parábola do semeador ou da semente
Marcos, Lucas e Mateus curiosamente colocam como primeira parábola de seus
livros "a do semeador e dos quatro solos", que aborda "o escutar" (Mc 4:9, Mt 13:9,
Lc 8:8). Nesta parábola palavras-sementes de Deus são faladas em nossos ouvidos
e vão cair em diferentes terrenos, mas, o mais importante é que "Deus está
falando". Aqui o mandamento da parábola é: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça"
e isto é claro nos três evangelhos!

       "Bem - aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem..." Ap. 1:3.

Vamos ao texto de Lucas - vemos que Jesus foca no modo como a palavra
(semente) é recebida, no comportamento de quem acolhe a Palavra.Quando ela é
escutada pelo coração afetivo, ela produz fruto.

       “Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse
       Jesus por parábola: Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu
       à beira do caminho; foi pisada , e as aves do céu a comeram. Outra caiu sobre a
       pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. Outra caiu no meio dos espinhos;
       e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu
       e produziu a cento por um. Dizendo isto, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
       E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? Respondeu-lhes
       Jesus: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos demais, falase
       por parábolas, para que, vendo, não vejam; e, ouvindo, não entendam. Este é o
       sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus. A que caiu à beira do caminho
       são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra,
       para não suceder que, crendo, sejam salvos. A que caiu sobre a pedra são os que,
       ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, crêem apenas por
       algum tempo e, na hora da provação, se desviam. A que caiu entre espinhos são os
       que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e
       deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer. A que caiu na boa terra
       são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com
       perseverança.” (Lucas 8: 4-15)

O termo “coração” na Bíblia é o ponto de encontro de toda a realidade do homem
como também de onde se irradiam todas as suas potencialidades para com o Pai.

Os discípulos na caminhada para Emaús
Em Lucas 24:13-32, no episódio da abordagem de Jesus a dois discípulos a
caminho de Emaús, Jesus os consola, sem se dar a perceber, citando os textos dos
profetas , leia:

       Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada
       Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. E iam conversando a respeito de
       todas as coisas sucedidas. Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o
       próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que
       impedidos de o reconhecer. Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa
       e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos. Um,
       porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo
       estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias? Ele lhes perguntou:



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      Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta,
      poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, e como os principais
      sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o
      crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas,
      depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É
      verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos
      surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e, não achando o corpo de Jesus,
      voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. De
      fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as
      mulheres; mas não o viram. Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração
      para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo
      padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos
      os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.
      Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante.
      Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E
      entrou para ficar com eles. E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o
      pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o
      reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles. E disseram um ao outro:
      Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando
      nos expunha as Escrituras?”

O coração dos discípulos ardia com a exposição das Escrituras. É necessário que
Cristo nos abra o coração e precisamos desejar que isso aconteça.

Pessoalmente acredito que a leitura da Palavra de Deus tem uma eficácia quase
sacramental.Afinal, é Deus falando e o Espírito aplicando.

O capítulo dois do livro do Atos dos Apóstolos apresenta Pedro iniciando a
proclamação do Evangelho expondo a palavra de Deus através do profeta Joel e do
salmo de Davi e assim tocando o coração daquele povo:

      Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de
      repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa
      onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de
      fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e
      passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.
      Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as
      nações debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se
      possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua.
      Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus
      todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa
      própria língua materna? Somos partos, medos, elamitas e os naturais da
      Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das
      regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus
      como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias
      línguas as grandezas de Deus? Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos
      outros: Que quer isto dizer? Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!
      Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos:
      Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai
      nas minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando,
      sendo esta a terceira hora do dia. Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do
      profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu
      Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens
      terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas



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      servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei prodígios
      em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se
      converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do
      Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
      Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por
      Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou
      por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo
      determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos
      de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte;
      porquanto não era possível fosse ele retido por ela.
      Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à
      minha direita, para que eu não seja abalado. Por isso, se alegrou o meu coração, e a
      minha língua exultou; além disto, também a minha própria carne repousará em
      esperança, porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu
      Santo veja corrupção. Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, encher-me-ás de
      alegria na tua presença. Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do
      patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até
      hoje. Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus
      descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de
      Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção.
      A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. Exaltado, pois,
      à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto
      que vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o
      Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos
      por estrado dos teus pés. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de
      que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. Ouvindo eles
      estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais
      apóstolos: Que faremos, irmãos? (negrito nosso).Respondeu-lhes Pedro:
      Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para
      remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós
      outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é,
      para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. Com muitas outras palavras deu
      testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. Então, os que
      lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase
      três mil pessoas.

Pedro lê a Bíblia expondo as verdades e o coração do povo é tocado e a multidão
se pergunta: que faremos? Essa é a pergunta que me devo fazer quando
acabo minha leitura devocional: - que farei?




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                       O Novo Testamento interpreta o Antigo

Existem 278 versículos do Antigo Testamento citados no Novo Testamento. Ora a
citação era para ressaltar o cumprimento de alguma profecia do Antigo testamento
(Mateus 4:14-16 e Isaias 9:1-2), ora para confirmar um que um acontecimento
neotestamentário está de acordo com um principio do Antigo Testamento (Atos
15;15 e Amós 9:11-12).
Pedro interpreta o Antigo Testamento à luz do Novo Testamento como Jesus havia
feito e lemos em Mateus 5 :21-44:

       Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a
       julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu
       irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito
       a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.
       (...) Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar
       para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. (...)
       Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém,
       vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais
       ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete
       adultério. Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás
       rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos.
       (...)
       Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não
       resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a
       outra; (...)
       Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos
       digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;

Jesus cita o Antigo Testamento para poder explicar melhor como seria o seu reino.
Zuck em seu livro faz menção de algumas etapas que devem ser seguidas na
interpretação das citações do Antigo Testamento no Novo Testamento:

       1. Investigue o contexto no Novo Testamento onde a citação ou alusão ao Antigo é
       feita.
       2. Investigue o contexto no Antigo Testamento da passagem citada ou aludida.
       Certifique-se
       de não aplicar aos leitores originais do Antigo Testamento o que agora se pode saber
       através da revelação neotestamentária(...)
       3. Repare nas diferenças, se houver, entre a passagem no Antigo Testamento e sua
       citação
       ou alusão no Novo.
       4. Descubra como a passagem do Novo Testamento faz uso da passagem do Antigo
       Testamento.(...)
       5 Estabeleça a relação dessas conclusões com a interpretação da passagem no NT.*



* ZUCK,BR. A Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Vida Nova; 1994. p.322




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                   A relação emocional de Jesus com os salmos

No cântico de Maria em Lucas 2 percebe-se cerca de quinze citações do AT,
demonstrando que Maria era de um lar que conhecia bem os salmos.Por exemplo:
A minha alma engrandece ao Senhor - salmo 34:2.
A sua misericórdia vai de geração em geração... - salmo 103:17.
Jesus participava sempre das Festas e nelas salmodiava junto com os judeus pois
os salmos eram usados no cultos a Deus.Leia : João capítulos 5,7,10 e 12 . Por
exemplo:

Capítulo 5:
       1 .Passadas estas coisas, havia uma festa dos judeus, e Jesus subiu para Jerusalém.
Capítulo 7:8-10:
       Subi vós outros à festa; eu, por enquanto, não subo, porque o meu tempo ainda não
       está cumprido. Disse-lhes Jesus estas coisas e continuou na Galiléia. Mas, depois que
       seus irmãos subiram para a festa, então, subiu ele também, não publicamente, mas
       em oculto.


Lucas dizia que Jesus participava aos sábados na sinagoga de Nazaré(Lucas 4:16):

       “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu
       costume, e levantou-se para ler.”

Na Ultima Ceia,ao terminar recitaram o Hallel (salmos 115-118) em Mateus 26:30:

       “E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.”

Os salmos aparecem ainda como prece de Cristo:

No sofrimento na cruz Marcos 15:34: Deus meu, Deus meu... Salmo 22:1
Ao morrer Jesus cita o salmo 31 (Lucas 23;46)
Jesus usa o salmo 110 em Mateus 22:41-46 O salmo 110 é o texto-chave das
esperanças messiânicas para explicar que o Cristo era muito, mas muito mais do
que o Messias esperado pelos judeus:

       “Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: Que pensais vós do Cristo? De quem é
       filho? Responderam-lhe eles: De Davi. Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo
       Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à
       minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés? Se Davi, pois,
       lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E ninguém lhe podia responder palavra, nem
       ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas.” (Mateus 22.41-46)


Não só na Paixão Jesus usou os salmos, mas até em atitudes fortes como expulsar
os vendilhões do templo (João 2:17 e salmo 69:9):

       “Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. E encontrou no
       templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados;
       tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e
       os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que
       vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de



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negócio. Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito:
O zelo da tua casa me consumirá (negrito nosso).”




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                                         Como ler a Bíblia?

Ao lermos a Bíblia, temos de buscar a Palavra nas palavras e isso com a ajuda do
Espírito Santo.Ler a Bíblia não é apenas um exercício literário, mas um confronto
com o mistério e a pessoa de Deus.

Paulo ensina que a Palavra nos traz esperança (Romanos 15:4):

       “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela
       paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.”

Paulo ensina que a Palavra nos traz repreensão e correção: 2 Timóteo 3:16.

       “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
       correção, para a educação na justiça,”

Há algum tempo encontrei um colega de faculdade que há muito não via. Ele me
falou detalhadamente de sua vida e seus planos de futuro. Quando comecei a falar
de mim ele se mostrou desinteressado e se despediu rápido.Naquele momento
fiquei bastante decepcionado com ele. Percebi aí que eu fazia a mesma coisa com
Deus na minha leitura bíblica devocional e na minha oração. Quero controlar a
conversa e apenas falar de mim na minha oração. Ou então, controlar o texto bíblico
não dando a mesma chance a todos os versículos do texto e escolhendo ler rápido
ou lentamente (geralmente as promessas) conforme aquilo que minhas
necessidades do momento me mostravam. Quero que o Pai coloque sorriso nos
meus lábios mas não me preocupo em causar o sorriso nEle.

Uma leitura devocional ou oração deve ser lenta, com pausas para percebermos
algo novo, percepções novas que o Espírito Santo possa nos estar trazendo. É
necessário saber que Alguém vem ao nosso encontro na leitura da Palavra e na
nossa oração.É importante que desejemos esse encontro e a percepção desse
encontro, um dom dado pelo Pai em de normalmente nossas palavras cessam e
adoramos silenciosamente é o que os místicos chamavam de contemplação.
Se na verdade “conversamos” com a Bíblia, é necessário que não controlemos o
texto mas que desejemos que o texto nos controle.

Preciso crer no Deus que me fala diretamente através de sua Palavra.

A Lectio Divina ou leitura afetiva da palavra acompanhada da oração tem como
característica enfatizar a própria Bíblia como objeto de leitura e direção para nossa
oração (por isso é chamada divina) reconhecendo que é a própria Palavra que
testifica de Jesus (João 5;39). A Lectio tem estrita relação com a oração.A palavra
latina lectio significa duas coisas: lição e leitura. Nós podemos ler mas quem dá a
lição é Deus. A Lectio Divina é uma audiência que nos transforma, que gera
obediência.

A Lectio não é uma técnica ou uma ferramenta ministerial Nem toda a leitura da
Bíblia é Lectio divina mas só aquela que é feita debaixo da ação do Espírito
Santo, ou seja, com a intenção de ouvir a mensagem que a palavra divina quer
nos comunicar.




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A Lectio divina é um diálogo e nos faz participar do mistério do Cristo que habita
em nós. Quando lemos a Palavra no culto estamos fazemos a Lectio no culto, é
Deus falando. É a celebração da Palavra!!!

A Lectio pode ser feita em comunidade ou na nossa devoção particular.Mesmo
quando parecemos sozinhos em nosso momento devocional particular nunca
estamos realmente sozinhos. Leia o que Paulo ensina em Romanos 8:15-16:

       “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez,
       atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba,
       Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.”

É preciso que realmente nos sintamos filhos de Deus!
Um pouco da historia da Lectio.
A Lectio é historicamente vinculada a Guigo, um monge cartuxo do 12º século d.C
que escreveu um tratado - Scalla claustralium (Escada dos claustros) no qual
apresentava uma sequência de passos na Lectio; lectio-
meditatio,oratiocontemplatio.

Na verdade é só uma classificação didática pois todos esses passos
ocorrem não necessariamente nessa ordem ou intensidade.Lectio é oração com
base na Bíblia - e isso é o mais importante: orar a Deus com as palavras de Deus.
De uma forma mais ampla podemos considerar na Lectio as etapas abaixo sempre
lembrando que podem acontecer não necessariamente nessa ordem:
- Lectio -leitura atenta e com o coração aberto.
- Meditatio- visa descobrir o q o texto diz para mim.
- Oratio - a minha oração sob o impacto do texto e a sua revelação pelo Espírito.
- Contemplatio - é um dom, dado pelo Pai que me faz sentir seu filho e me dá de
alguma forma a sensação de Sua presença em minha oração. É quando me sinto
realmente amado e unido à Ele e à toda a Trindade.O tempo parece que para e as
palavras cessam.São João da Cruz chama a contemplação de “quietude saborosa” -
uma tranqüilidade cheia de repouso ,de unção, uma experiência profunda,
absorvente.
- Collatio - no século XII os monges faziam a colação - era a partilha do que haviam
aprendido na Lectio daquele dia.
- Operatio - a ação que vamos desenvolver após essa experiência na oração.fazer
aquilo que Jesus nos pede e que descobrimos na oração.É inútil se ter contemplado
se não se põe em pratica o contemplado.Jesus mesmo afirma :Lucas 8.21 :

       Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a
       palavra de Deus e a praticam.

Alguns poderiam perguntar: por que não buscamos direto a presença de Deus sem
a necessidade da leitura da Palavra?

Porque precisamos reconhecer que a meditação cristã une a mente e o espírito e
ambos devem estar ativos na Lectio.Um afastamento do conhecimento da
vontade de Deus pela nossa negligencia na leitura na Bíblia nos afastará da sã
doutrina e pode nos colocar na estrada do erro.

Por outro lado, uma leitura só intelectual que não sintonize nossa alma e não


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produza em nos as mudanças que o Pai deseja (e nós também amamos o Pai e
queremos fazer toda a Sua vontade) torna-se árida.

Com freqüência podemos até, sem sentir, estarmos tentando controlar e dirigir o
que a Palavra quer dizer.Queremos controlar seu significado- decidirmos o que o
texto tem a dizer.Mas deve ser o contrario: uma vez que tenhamos lido o texto
devemos dar o espaço para que o próprio texto diga o que ele quer dizer
através da revelação do Espírito Santo.
Osmar Ludovico sempre nos advertia na Lectio: “Procure não controlar o texto;
deixe que o texto controle você”.”

Quando lemos um texto da Palavra, se algum versículo ficar marcado em nossa
mente de modo muito forte, vamos ficar com essa palavra algum tempo, “ruminá-la”
como diziam os místicos antigos e deixar que essa parte do texto nos diga tudo o
que ela quiser dizer.

Na Lectio, enquanto a mente considera as palavras do texto, deixamos nossos
afetos e imaginação livres para que o Espírito Santo possa trabalhá-los e dar a
correta compreensão daquilo que precisamos entender, guardar a palavra, como
Maria fazia.

Acreditamos numa teologia com oração como fazia Jesus que se retirava para orar
e também Paulo, que freqüentemente alternava ensino teológico com oração em
suas cartas.Não acreditamos que devemos usar “óculos” sociológicos ou marxistas
ou quaisquer outros para interpretar a Palavra mesmo que seja para justificar
movimentos políticos libertadores.

Em Lucas 24 :26-27, na caminhada para Emaus, Cristo é quem abre o
entendimento dos discípulos passando por diferentes textos. Precisamos deixar que
Ele abra o nosso entendimento para percebermos a revelação do mistério da
Palavra e como isso se aplica ao nosso caso e à Igreja.

Para a leitura da palavra é necessário contato prolongado, assiduidade,silencio,
solidão e recolhimento:
       Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que
       está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. (Mateus 6.6 )

Precisamos ter um lugar de oração e nossos familiares devem saber disso e será
uma boa disciplina espiritual preservarmos esse lugar de tudo o que nos
possa tirar a atenção daquilo que o Espírito Santo quer nos dizer. Uma vez
alguém me contou que educou sua família a que , quando estivesse determinado
lugar com a Bíblia, que não a interrompessem.

Nunca é demais repetir: a leitura da Palavra deve ser feita de modo lento e com
pausas para que o Espírito possa ter espaço para trazer insights e revelações,
olhares diferentes para a vida e para o texto. Muitas vezes ler rápido certos
versículos e passar para o seguinte pode ser uma forma disfarçada de controlarmos
o significado do texto. Devemos resistir a isso, e se notarmos que o fizemos,
devemos voltar ao texto novamente, nem que seja um ou dois dias após e dar
liberdade ao Espírito Santo deixando que Ele complete a obra em nós.



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O que ler na Bíblia? Por onde começar?

Os Evangelhos devem ter preeminência na nossa leitura, mas toda a Escritura deve
ser lida. Devemos preceder a leitura com período de silencio para sossegarmos o
barulho interior que produzimos.

A Lectio não é um fim em si mesma – uma meditação para nos fazer sentir bem,
nos causar boas e agradáveis sensações. Se fosse assim seria algo idólatra, mas
precisamos nos ater à Palavra para percebermos qual é a vontade do Pai em nossa
vida – o operatio.
E obedecer!




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                                      As Parábolas

No segundo ano de seu ministério, aparentemente, Jesus dá uma guinada no seu
tipo de preleção. Seus discípulos ficam confusos:
       “10 Os discípulos aproximaram-se dele e perguntaram: “Por que falas ao povo por
       parábolas?”
       11 Ele respondeu: “A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos
       céus, mas a eles não. 12 A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade.
       De quem não tem, até o que tem lhe será tirado. 13 Por essa razão eu lhes falo por
       parábolas: “ ‘Porque vendo, eles não vêem e, ouvindo, não ouvem nem entendem.14
       Neles se cumpre a profecia de Isaías: “ ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês
       nunca entenderão;ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão.15 Pois o
       coração deste povo se tornou insensível; de má vontade ouviram com os seus
       ouvidos,e fecharam os seus olhos. Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos,
       ouvir com os ouvidos,entender com o coração e converter-se, e eu os curaria’.16 Mas,
       felizes são os olhos de vocês, porque vêem; e os ouvidos de vocês, porque
       ouvem. 17 Pois eu lhes digo a verdade: Muitos profetas e justos desejaram ver o que
       vocês estão vendo, mas não viram, e ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não
       ouviram.” (Mateus 13) negrito nosso

Parábola vem do grego para = ao longo e de bola = atirar. São estórias baseadas
em fatos do cotidiano com o objetivo de ilustrar ou aclarar uma verdade. As
parábolas não eram uma novidade ,elas aparecem no VelhoTestamento em 2
Samuel 12:1-4 e Isaías 5:1-10.

Perguntado acerca da sua mudança de método, Jesus a atribui a um endurecimento
do coração e mentes de seus ouvintes. A tensão contra Jesus chegara a um nível
muito forte segundo Mateus cap. 12. Os mestres e fariseus “batiam forte” em Jesus
e, constantemente, atrapalhavam a pregação do evangelho por Jesus e, o pior de
tudo, nada aprendiam!

O propósito das parábolas era revelar as verdades ocultas do reino de Deus, mas
não a todos. Ao coração desejoso de aprender sobre as verdades desse Reino,
estas estórias trabalhariam em sua imaginação e trariam mais luz interior. Por outro
lado, aos de coração duro quase nada acrescentariam – seria uma estorinha de
fundo moral!

As parábolas são retóricas, fazem trabalhar a imaginação das pessoas fazendo-as
compreender as novas verdades que o Espírito quer trazer às suas vidas. O ouvinte
e leitor, percebendo a comparação entre a estória e sua própria situação individual é
estimulado a pensar e sentir coisas novas, identificando a verdade principal que a
parábola ilustra, com a ajuda do Espírito Santo. Geralmente são simples, com
personagens bem caracterizados,emoções contidas, alternando linguagem direta
com solilóquio (falar consigo mesmo), cenas do cotidiano judaico e o mais
importante fica para o final da narrativa: cada estória convida o ouvinte a emitir uma
conclusão para si mesmo.

Algumas vezes as parábolas são contadas a pessoas que divergiam de Jesus, mas
essas estórias como que constroem uma ponte sobre a divergência; nelas Jesus
se afasta da controvérsia judaica da Lei e entra em território neutro. Assim, quem a
ouve sai da posição defensiva e é atraído por Jesus. Em geral as parábolas existem
para dizer algo a respeito do reino de Deus em nossas vidas e não para


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emitirem preceitos moralistas. Elas são uma narrativa menor dentro da
narrativa maior (o advento do Evangelho da Graça).Tente responder a essas
perguntas quando você lê alguma parábola:
- A quem Jesus se dirige :à multidão ou seus adversários?
- Onde parece que Ele quer chegar?
- E o mais importante: - Como ela me atinge?
Como ensina Carlos Mesters:

      “ O objetivo último da explicação da Bíblia ao povo não deve ser simplesmente
      descobrir o sentido histórico-literal dos textos , mas deve se descobrir os sinais da
      presença de Deus com os seus apelos na vida que vivemos, através de uma reflexão
      profunda (e científica, quando necessário) sobre o textos que nos vêm do passado. Em
      última análise,o seu objetivo não se restringe a procurar interpretar um texto, mas a
      procurar interpretar a vida à luz daqueles textos, a fim de que aumentem no povo a
      fé, a esperança e o amor.”* (negrito nosso)
Ore agora , antes de ler sua parábola de hoje , pedindo que o Senhor lhe revele a
Sua vontade no texto. Experimente fazer uma imersão no texto. Leia a estória como
se fôsse sua, como se você um dos protagonistas dela.
:
* MESTERS C. Por trás das palavras. Petrópolis: Editora Vozes . Petrópolis, 2007.
p.133-134.




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                                       A quietude

O silêncio perante Deus melhora nossa oração.Estar quieto e em silencio antes de
nossa oração significa rejeitar toda e qualquer invasão que possa atrapalhar ou
interromper o nosso estar com Deus.

       Salmo 62:1 - Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha
       salvação.
       Salmo 46:10 - Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.

Nossos ruídos interiores

Em nossa sociedade "faladeira" o silêncio se tornou algo constrangedor. Se o pastor
pedir numa celebração: "Façamos silêncio por alguns momentos", as pessoas se
inquietam e perguntam a si mesmas: "Quando isso vai acabar?".

Tudo isso acaba nos distraindo daquilo que o Pai quer nos revelar. O acontecimento
real é que o Pai nos fala e nos comunica o Seu amor...Mas nós nos distraímos.
O silêncio do cristão não é igual a solidão. É estar com o Pai e receber a Sua
revelação. A leitura meditativa da Bíblia cria o espaço interior onde possamos ouvir
o Pai. No aconselhamento, é importante que o pastor e o aconselhando entrem no
amorável silêncio do Pai e ali esperem pela palavra que cura. É preciso perceber os
movimentos do Espírito, conselheiro divino, e seguir esses movimentos sem medo.
Como intercessores nossa tarefa é o contrário da distração. É ajudar as pessoas a
se concentrarem no acontecimento real, mas muitas vezes oculto, da presença de
Deus em suas vidas.

Torna-se absolutamente necessário que os ministérios cuidem em não manter seus
membros tão atarefados que não possam mais ouvir o Deus que fala no silêncio.
O propósito de todo ministério é revelar que Deus não é um Deus de medo, mas um
Deus de amor. Os ministérios ensinarão isso quando levarem seus cooperadores à
capela de oração.

Vivemos na compulsão da pressa, do corre-corre. Provavelmente é assim que você
se sente hoje: conseguiu encaixar esta leitura em uma agenda apertada e talvez
esteja preocupado acabar logo para preparar “a agenda de amanhã ou da próxima
semana...”.

Loucura? Mas é assim!

Certamente gastamos muito mais energia (e tempo) do que deveríamos porque em
nosso dia de 24 horas não conseguimos dedicar o tempo necessário à intimidade
com o Pai e receber a Sua direção em nossa vida.
Nesta questão da busca da intimidade com o Pai, somos todos amadores. Falando
nisso, fique tranqüilo - o Pai gosta de amadores – o que Ele não gosta é de gente
“religiosa” (deram muito trabalho para Jesus e sem proveito algum). O Pai nos
ensina a viver um dia de cada vez e nesta leitura vamos reconhecê-Lo junto a nós.

Se não na teoria, na prática vivemos como se tivéssemos um Deus impessoal – algo
tipo Internet, um provedor à distância (estamos em 2011), literalmente. Utilizamo-nos
dele quando precisamos e temos o poder de pedir a “desconexão” quando


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satisfeitos. Mas, a Bíblia faz referência a um Deus que sente tristeza, que é pessoal
que quer se relacionar, falar, conversar conosco. Só que um bom relacionamento
pressupõe intimidade, conversa, tempo – todos nós sabemos disso. Quando
tentamos nos comunicar, sem intimidade com o Pai, incorremos na tragédia
humana, qual seja: dizer a Deus quem Ele é e o que Ele deve fazer! Ao invés de
esperar as Suas boas respostas e sermos surpreendidos por Ele e pelo Seu amor,
queremos controlá-Lo para assim garantir a qualidade da resposta.

Só que Ele é o Criador e nós, as criaturas!

Nesse conhecimento do Pai eu sempre vou me surpreender. Nunca vou saber quem
Deus é. Em Êxodo 33:17-23 Ele se dá a conhecer a Moisés pelas costas, pois
ninguém conseguiria ver a face do Senhor e sair vivo do encontro. Todo o nosso
conhecimento é parcial e limitado - precisamos ter humildade, qualquer que tenha
sido a nossa experiência com Ele. Minha segurança nesse Pai não é pelo que eu
conheço dEle, mas é afetiva! Eu não duvido do seu amor por mim! Esta é a
chave do relacionamento. Muitas vezes achamos que sabemos tudo sobre Deus
como se fôssemos donos dEle, seus criadores. (Essa, aliás, foi a tragédia dos
fariseus: achavam que sabiam tudo sobre Deus, e quando surge um Deus “que não
se encaixa...” não admitem, não aceitam Jesus!). Este é o problema da religião!
Precisamos diariamente conhecer e desfrutar do amor do Pai, um dos seus atributos
mais marcantes. Esse conhecimento é profundo, pois toca o coração, faz vínculos e
estreita o relacionamento dEle conosco. Esse relacionamento afetivo, essa
experiência com o Seu amor é o eixo central da nossa caminhada na vida cristã. Só
assim vou pensar o que Ele pensa e desejar o que ele deseja. Posso até ter tido
experiências pentecostais, mas não ter uma experiência profunda com o amor de
Deus.
O relacionamento de hoje não acumula para amanhã, pois amanhã é outro dia – e
você terá de buscá-Lo novamente.

É importante exercitar nossa alma em dois movimentos:
1 - da ação à contemplação – como eu consigo aquietar minha alma e me apresento
como um filho que retorna ao Pai.
2 - da contemplação à ação – como posso caminhar sob a partir de direção do Pai
, a partir de um encontro com Ele.

Quando eu contemplo o Pai, eu O adoro silenciosamente em meu coração. Eu
entendo o que Paulo nos ensina em Romanos 8:16: “O Espírito testifica com o
nosso espírito que somos filhos de Deus”. Quem é filho, sabe que é.
Engraçado, porque nem sempre nós nos sentimos assim – filhos?
Para isso, precisamos contemplá-Lo!

Como fazer esse caminho?

É neste confronto com o Pai e na percepção do significado de Suas respostas que
eu sigo descobrindo dia-a-dia a minha verdadeira identidade e consigo direção para
a minha caminhada.

Durante esse período, preste atenção em tudo o que o Espírito lhe fizer perceber.
George MacDonald diz que “as minhas orações não fluem do homem que eu sou,



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pois meu coração pode me enganar, mas as respostas do Pai vêem para o homem
que eu realmente devo ser”.

 Procure “estar presente”, ou seja, desligue-se de problemas que ficaram no
escritório, em casa, etc... Feche os olhos por alguns minutos (10 a 15). No início
parecerá difícil, mas depois você vai se acostumar. Deixe as idéias irem e virem,
quaisquer que sejam. Quando sua mente e coração se acalmarem, faça a leitura do
texto escolhido, pois na meditação cristã coração e mente funcionam juntos!
Além de nos aquietarmos, ficaremos em solitude. “Solitude” vem da palavra solus,
que significa estar só. A grande verdade é que produzimos muito barulho na nossa
alma e por isso não conseguimos ouvir a voz de um Pai que fala. Também vivemos
na ilusão de controlar nosso próprio destino e criamos uma identidade enganosa
respeito de nós mesmos. A verdade é que:
• não somos quem nós nos sabemos ser, mas quem Deus sabe que somos.
• não somos o que podemos adquirir e conquistar, mas o que recebemos.
• não somos o dinheiro que ganhamos, os amigos que fazemos ou os
resultados que conseguimos.
• Somos antes quem Deus nos fez em seu infinito amor.
E é daí que vem a nossa dignidade.

A solitude envolve oração, leitura espiritual e estar a sós com o Pai. Tudo isso visa
desenvolver uma consciência da voz do Pai em nossos corações .
Você pode perguntar: - O que faço em minha solitude?
A resposta é: nada. Apenas esteja presente para Ele que deseja a sua atenção e
escute!

É nessa presença “inútil” diante de Deus que podemos morrer gradualmente para
nossas ilusões de poder e controle e dar ouvidos à voz de amor escondida no centro
de nosso ser, e deixarmo-nos ler por Ele! É quando conseguimos ver nosso próprio
eu pecador num espelho tranquilo e confessar que também somos promotores de
guerras é que poderemos estar prontos para começar a caminhar humildemente na
estrada para a paz.

O apóstolo Paulo tinha um propósito na vida:

       “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento
       de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero
       como refugo, para ganhar a Cristo 3.9 e ser achado nele, não tendo justiça própria, que
       procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus,
       baseada na fé; 3.10 para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão
       dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte;
       3.11 para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos”.(Colossensses
       3:8-11)
É nesse encontro que o Pai nos revela quem realmente somos!”




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        Desenvolvendo comunidades com base na oração e santificação

Amizades com ênfase na oração são vacina contra o individualismo excessivo. E
necessário que existam pessoas de oração e com sã doutrina para servirem de
mentores para o crescimento dessas comunidades em santificação.

Os Pais do Deserto, no século IV após a Igreja ser reconhecida como religião oficial
do Império Romano abandonaram as fantasia de status que uma religião oficial,
ligada ao poder e portanto não profética, poderia proporcionar e decidiram criar
comunidades no deserto onde poderiam viver um cristianismo que rendesse a
vontade do povo a Deus com a ajudada da solidão,oração e do jejum. Isso foi o
Movimento Monástico.

Um dos Pais do Deserto identificou e elaborou uma lista de Sete Pecados Capitais,
que são as tentações, as paixões mais básicas de um ser humano , mais passíveis
de tentar um cristão e levá-lo a pecar:

Gula
Luxuria -desejo por outros corpos
Ganância
Inveja
Ira
Preguiça -covardia espiritual
Orgulho ou autocongratulação

O conceito e a lista dos Sete Pecados Capitais não constam das Escrituras. Foram
criadas por um monge grego Evagrius do Ponto . A Bíblia fala das obras da carne
em Gálatas 5 , fala do perfil e do caráter do homem afastado e Deus em
Colossensses e Efésios.

A lista surgiu no século IV durante o Movimento Monástico e Cassiano, discípulo de
Evagrius, traz a lista para o Oriente no século V e o papa Gregório Magno no século
VI a colocou no Catecismo da Igreja.

São chamados de “capitais” porque são pecados-cabeça - são origem , fonte e
liderança - e dão origem a outros pecados:

Por exemplo a Ira dá origem a vingança e a Soberba dá origem a vaidade.

Olhar essa lista de Pecados Capitais vem nos ajudar a perceber que tipo de gente
estamos nos tornando; é como se fosse um gabarito com o qual nos comparamos .

Isto vem na contramão de nossa cultura que não considera o problema do pecado.
A oração vem guerrear contra todas essas tentações. Jesus disse em Marcos
14:35-39:

       “E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe
       fosse poupada aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este
       cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres. Voltando, achou-os



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      dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora?
      Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto,
      mas a carne é fraca. Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras.”

Também Pedro ensina em 2 Pedro 1:1-8:
      Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé
      igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, graça e paz vos
      sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor. Visto
      como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à
      vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua
      própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui
      grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina,
      livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo, por isso mesmo, vós,
      reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o
      conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a
      perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a
      fraternidade, o amor. Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando,
      fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de
      nosso Senhor Jesus Cristo.




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                             Obstáculos à vida de oração.

Nossas feridas serão obstáculos enquanto não tivermos coragem de falar sobre elas
em nosso momento particular e depois no comunitário,Temos de nos fazer humildes
como crianças que expõem o seu problema para Jesus:

       Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é,
       porventura, o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no
       meio deles. E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos
       tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele
       que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. E quem receber
       uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe. Mateus 18

Nosso ativismo
Em nosso mundo você é o que você faz (ou ganha). Isto gera nas pessoas impulsos
violentos que geralmente trabalham contra sua vida de oração.Nossa oração deve
sempre preceder e dirigir nosso empreendedorismo.

Desconfiança sobre o caráter de Deus.
Muitas vezes projetamos dificuldades que tivemos com nossos pais em Deus.Por
exemplo, se nosso pai foi um ausente ou tirano, podemos achar que Deus também
o é em nossas vidas.

Individualismo excessivo
Frequentemente as pessoas fazem de sua vida de oração um isolamento social –
um fim em si mesmo. O ato de me retirar para orar e estar com Deus (solitude) é
necessário para que eu ouça a Deus. Porém, a solitude sempre termina na
comunidade, nos relaciona com as necessidades dos outros e nos abre para novos
relacionamentos.
Desde o Antigo Testamento Deus faz aliança com um povo e não com pessoas
isoladas: Tomar-vos-ei por meu povo e serei vosso Deus (Êxodo 6:7)

Medo da poda
A falta de visão da Graça e do perdão oferecido pelo Pai.

       E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se,
       perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus:
       Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os
       mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso
       testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe. Então, ele
       respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude. E Jesus,
       fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos
       pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. Ele, porém, contrariado
       com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades. Marcos
       10:17-22

Vãs repetições
Ricardo Barbosa nos ensina:

       “O problema das vãs repetições não está na nossa necessidade de suplicar a até
       mesmo insistir por elas diante de Deus, mas no conceito falso de que é a nossa
       insistência que abre os ouvidos de Deus.. Quando agimos assim, colocamos na oração



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      um poder que não lhe pertence. Achamos que é a repetição que torna a súplica
      favorável diante de Deus e não a mediação soberana de Jesus Cristo. O povo insistiu
      para ter um rei e Deus lhes deu Saul. No entanto, essa insistência levou-os a trocar o
      governo justo de Deus por um governo humano limitado e frágil. A insistência fez que
      rompessem as relações pessoais que haviam sido construídas pela aliança que Deus

      tinha estabelecido para viverem uma relação institucional e impessoal com o
      imperador. Quando substituímos Deus, com seu imenso amor e cuidado paterno, pela
      insistência vã e repetitiva transformamos a oração em um fim e Deus apenas no meio
      para alcançarmos o que a nossa vaidade busca. Deus, e somente Deus, é o motivo de
      nossa oração. “*




SOUSA,RB. Janelas para a vida .Curitiba: Editora Encontro, 1999. p 171




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                                   Poder na oração?

Temos visto grande número de livros que na capa associam oração a poder (parece
até que se a palavra poder não estiver junto da palavra oração, o livro não vende).
Isto veio com a idéia de que a investida na oração tem de provocar algum resultado
prático senão : não valeu a pena.

Paulo realizou milagres, mas também falou que teve poder do Espírito Santo para
enfrentar tribulações com humildade, a viver contente tanto em tempos de escassez
como de fartura. Falou até de poder para suportar um “espinho na carne”.

Alguns veem a atuação do Espírito Santo como uma performance: línguas ,
profecias e curas. Ainda vivem dentro da cultura de que você é o que você faz, pois
até na Igreja isso existe. Jesus chamou a atenção dos discípulos de que muitos
viriam realizando sinais e curas se dizendo dele, Jesus, mas que o mesmo Jesus
diria para eles: nunca vos conheci! Jesus alertava que exibições de poder não
substituem um conhecimento intimo pessoal e piedoso com Deus.

Em Efésios 1:3 aprendemos que todos os benefícios espirituais estão à nossa
disposição e decorrentes de nossa amizade com o Pai :

       “1.3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem
       abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em
       Cristo,”(negrito nosso)

E Jesus ensina que a nossa alegria em Deus não se deve a unções, dons ou
manifestações mas em que nossos nomes estão escritos nos céus
(Lucas10:20).(negrito nosso)

A evidencia da presença do Espírito Santo em nós é a grande disposição de nos
submetermos ao senhorio de Jesus Cristo.

Precisamos reconhecer que oração é mistério, não sabemos orar e precisamos de
ajuda (Romanos 8:26-27). James Houston em seu livro A Oração cita C.H.Dodd que
diz que: orar: ...é o divino em nós apelando para o divino acima de nós. E é o
próprio Espírito Santo que nos ajuda de alguma forma a entrarmos nessa conversa.
Precisamos cuidar para que nossas orações não sejam autocentradas e ficarmos
alertas para a nossa autopiedade (será que eu não tenho o direito de...?). Por outro
lado a auto exibição pode nos colocar no caminho da reivindicação e aí quem estará
sendo glorificado será o orante (eu) e não Deus. Leia Mateus 26:39:

       “Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai,
       se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como
       tu queres.”

Na Trindade os três elementos atuam um em favor do outro e a função do Espírito
Santo não é glorificar a si mesmo, mas fazer do Pai e do Filho uma realidade
em nossa vida. Talvez alguns se exibam na oração na esperança de assim serem
mais amados, mas assim o fazendo continuam fora da Graça.

Se nos falta sabedoria para orar, podemos também pedir. O Espírito Santo está em


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nós mas parece que não acreditamos.

       Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá
       liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em
       nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada
       pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa;
       homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos. (Tiago1:5-8)

A amizade com o Espírito Santo movimenta nossas percepções, intuições, e às
vezes até nossos sonhos. Os nossos sentidos também podem ser utilizados na
meditação da Palavra à medida que lemos os Evangelhos; pedimos ajuda do
Espírito Santo para fazermos imersão no texto, lê-lo como se fossemos um dos
personagens da historia e deixarmos o Espírito Santo trabalhar nossa imaginação e
sentimentos. Não foi à toa que os evangelistas nos deixaram um grande numero de
vivencias e parábolas.

Tudo isso combinado com a nossa mente firmada na doutrina trarão maior alegria e
sã consciência para nossa caminhada com Deus.




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                      Espírito Santo,o companheiro necessário

Jesus avisou aos discípulos que, de agora em diante, teriam um companheiro
diferente: o Espírito Santo que os guiará em toda a verdade. Seria necessário
aprender a se comunicar com o companheiro novo. O aviso de Jesus:

       “5 E agora vou para aquele que me enviou; e nenhum de vós me pergunta: Para onde
       vais? 6 Antes, porque isto vos tenho dito, o vosso coração se encheu de tristeza. 7
       Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o
       Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. 8 E, quando ele vier,
       convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. 9 Do pecado, porque não
       crêem em mim; 10 Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; 11 E do
       juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado. 12 Ainda tenho muito que vos
       dizer, mas vós não o podeis suportar agora. 13 Mas, quando vier aquele, o Espírito de
       verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá
       tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. 14 Ele me glorificará, porque
       há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.” João 16 : 5-14

Imagine você convivendo com o Mestre e, de repente, Ele avisa que vai embora.
Você não consegue imaginar algo pior. E Ele ainda diz que é melhor assim:
convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós.
Aquele diálogo pessoal, presencial, com Jesus, daria agora lugar a uma linguagem
nova, perceptiva e interior comandada pelo Espírito de Deus. Paulo em Romanos
vem nos ajudar quando nos ensina que esse Espírito tem uma linguagem própria,
ele ora em nós e por nós:

       “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não
       sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por
       nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a
       intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.” Rom 8:26-27

E vem daí esse amor secreto, essa nossa certeza interior de nos sentirmos filhos do
Pai:
       “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor,
       mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O
       mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus“.

Davi, consciente desse Companheiro Divino, temeu ficar distante de Deus quando
repreendido por pecado de adultério, e orou:

       “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me
       lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo .“(Salmo 51:10-
       11).
O Espírito Santo é a pessoa da Trindade que torna a presença do Pai e do
Filho real para todos os que cremos.
Ensina James Houston:
       “Pois na realidade do Espírito Santo nós possuímos tanto a transcendência quanto a
       imanência de Deus. Em sua santidade ele é transcendentalmente “o Outro”, distinto de
       nós em sua divindade. Porém em sua imanência, seu Espirito é intimamente pessoal
       “mais próximo do que a respiração”. *

Nouwen acrescenta:
       “Por Jesus, Deus dá-nos o seu divino Espírito, de maneira a podermos viver uma vida



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      semelhante à de Deus. O Espírito é a respiração de Deus. É a intimidade entre Jesus e
      seu Pai. É a divina comunhão. É o amor de Deus a atuar dentro de nós.”**

* HOUSTON, J - A oração .Brasília: Editora Palavra, 2009. p. 156
** NOUWEN,HJM - Mosaicos do presente. “2ª”; São Paulo: Edições Paulinas. São
Paulo. p.125




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           Pai Nosso - a oração que Jesus ensinou e que o Pai aceita.

             Eu estou convencido de que, quando um cristão, corretamente, ora a Oração do
                Pai Nosso, a qualquer tempo...sua oração é mais que apropriada.* (Martinho
                                                                                   Lutero)

Ao ensinar essa oração Jesus quebra paradigmas judaicos ensinando-nos a falar ao
Pai pessoalmente e que a oração não precisava mais ser feita na sinagoga, mas no
quarto (Mateus 6:6).

Em Lucas 11: 1-4, lemos:

      “De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos seus
      discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus
      discípulos. Então, ele os ensinou: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu
      nome; venha o teu reino; o pão nosso cotidiano dá-nos de dia em dia; perdoa-nos os
      nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve; e não nos
      deixes cair em tentação.”

Deve ter sido uma cena bastante impressionante - Jesus orando, tanto que seus
discípulos pediram para que Jesus ensinasse para eles o que achavam
provavelmente ser uma performance.

Na versão de Mateus 6:9-13, lemos:

      “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu
      nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão
      nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós
      temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-
      nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]”

Jesus então ensina-os a orar do jeito que Ele orava e que Deus responde, o que
conhecemos como a Oração do Pai-Nosso. É a oração com estrutura teológica
correta que o Filho aprendeu com o Pai.

Colocaremos até o final desse capítulo minhas anotações de aulas do Pr Ricardo
Barbosa de Sousa no seu curso de Oração, ministrado no Seminário Servo de
Cristo , pedindo desculpas antecipadas se houver alguma incorreção.

No Pai Nosso Jesus ensina que basicamente a relação com Deus se dá em duas
agendas: primeiro a do Pai (que deve ter a primazia sempre) e depois a nossa.
I - A agenda do Pai:
Esse Pai tem nome: Pai (Pai- é o nome cristão de Deus – é importante usarmos
esse nome Pai na nossa oração)
Esse Pai tem Reino: venha o teu reino
Esse Pai tem vontade: faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;
II - A nossa agenda:
Nosso pão: o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
Nossas dívidas: perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado
aos nossos devedores;
Nossas tentações: e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal




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A oração começa com a Invocação: Abba Pai - Jesus revela o Pai; é um Pai Criador
e não um procriador. Abba é a palavra em aramaico que uma criancinha usaria para
falar com seu papai. A paternidade de Deus não deve ser confundida com a
paternidade frágil dos relacionamentos humanos. É uma paternidade diferente e
que precisa ser percebida com a ajuda do Espírito Santo (nem biológica, nem
machista, nem feminista):

       “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez,
       atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba,
       Pai.” Romanos 8:15

No Antigo Testamento Jeremias já tinha expressado a paternidade de Deus quando
falou em Seu nome ao povo rebelde:

       “Mas eu a mim me perguntava: como te porei entre os filhos e te darei a terra
       desejável, a mais formosa herança das nações? E respondi: Pai me chamarás e de
       mim não te desviarás.” Jeremias 3:19

E Jesus continua: Pai nosso que estás no céu. Nosso – é a invocação do povo de
Deus - não oramos sozinhos, mas como Povo da Aliança.
E mais:

Santificado seja o teu nome - todo o ministério de Jesus foi para tornar o
nome do Pai conhecido e glorificado. Leia João 17:

       17.4 Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para
       fazer;17.5 e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu
       tive junto de ti, antes que houvesse mundo.
       17.6 Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram
       teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra.
       17.12 Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste,
       e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que
       se cumprisse a Escritura.
       17.26 Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que
       oamor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.(negrito nosso)

Nossa oração deve glorificar o Pai.

E Jesus continua: Venha o teu reino - invocamos o governo de Deus sobre nós; o
Reino e a Justiça de Deus é que devem determinar nossos anseios. Foi a primeira
reação dos cristãos depois do Pentecostes, a visão do Reino (Atos 2:42-47):

       “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas
       orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por
       intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em
       comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à
       medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no
       templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e
       singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo.
       Enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.”

Devemos reconhecer que o Reino já começou e está entre nós.


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Jesus continua: Faça-se a tua vontade.

Normalmente pedimos para Deus abençoar o que fazemos ao invés de orarmos
primeiro apresentando nossos planos ao Pai: Faça-se a tua vontade.

Lemos em João 12:20-30:

      “Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos; estes,
      pois, se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e lhe rogaram: Senhor,
      queremos ver Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a
      Jesus. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem.
      Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica
      ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele
      que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me
      serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me
      servir, o Pai o honrará. Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai,
      salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora.
      Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o
      glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um
      trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou. Então, explicou Jesus: Não foi por
      mim que veio esta voz, e sim por vossa causa”.(negrito nosso)

Jesus sabia qual era a vontade do Pai :Mas precisamente com este propósito
vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome .Com frequência temos uma idéia
negativa acerca da vontade de Deus em nossa vida. No paganismo era assim :
havia um deus impessoal cuja vontade é um segredo e se precisa descobrir um
modo de receber sua ajuda.

Dizemos com frequência:
− Bem, essa foi a vontade Deus (mas não era bem isso o que eu queria)

Precisamos, como Jesus, desejar que a vontade de Deus prevaleça. Muitas vezes
nossos pedidos insistentes na oração vem de uma necessidade de controlarmos o
que está acontecendo, mas o foco de nossa vida é e sempre será a glória de
Deus!

Paulo em carta aos Efésios cap.1 ensina sobre o mistério da vontade de Deus
que precisamos desvendar em nossa vida:

      1.3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com
      toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo (negrito nosso)
      .(Já temos todas as bençãos que precisamos, não é certo ficarmos buscando unções
      aqui e ali).(...)
      1.5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo,
      segundo o beneplácito de sua vontade, (...)
      1.9 desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que
      propusera em Cristo, (...)
      1.13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da
      vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da
      promessa;
      1.14 o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em
      louvor da sua glória.
      1.16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,



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       1.17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda
       espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele,
       1.18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do
       seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos (negrito
       nosso).

Destacamos no texto acima, em negrito, os que falam da soberana vontade de
Deus e como temos de procurar viver em paz com o plano divino para nós, seu
povo, qual seja:

       1. tenhamos a Jesus como exemplo de espiritualidade e humanidade;
       2. como seres humanos , sejamos mordomos da criação;
       3. abençoemos todas as pessoas;
       4. façamos discípulos;
       5. sejamos maduros e busquemos a santidade;
       6. que os ensinamentos do Sermão do Monte se expressem em nossa vida;
       7. que busquemos a intimidade com a Trindade;
       8. submissão à vontade do Pai;
       9. nos tornemos atentos aos movimentos do Espírito Santo;

II - A Nossa Agenda

Agora temos a segunda parte da Oração do Pai Nosso.Jesus após nos ensinar
sobre a agenda do Pai que deve vir em primeiro lugar,vem nos ensinar a cuidar de
nossa própria agenda como humanos.

E Jesus começa falando do sustento do ser humano: O pão nosso de cada dia dá-
nos hoje. O pão carrega uma simbologia forte. Simboliza o cuidado do Pai que vem
nos atender dentro de nossas fronteiras pessoais. Deus é colocado no centro de
nossa vivência e nossos dramas . E ele sempre chega antes.

Em Mateus 6,aprendemos que:

       “v.7 E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque
       presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.
       v.8 Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de
       quetendes necessidade, antes que lho peçais.”

Numa sociedade de classe média alta faria sentido pedir pelo pão? Como orariam?
Coloco abaixo parte do Catecismo de Heidelberg sobre essa parte da Oração do Pai
Nosso. Muita atenção para a parte que colocamos em negrito:

125. Qual é a quarta petição?
R. "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje". Quer dizer: Cuida
de nós com tudo o que for necessário ao nosso corpo (1) ,
para que reconheçamos que Tu és a única fonte de todo
o bem (2) e que, sem tua bênção, nem nosso cuidado e
trabalho, nem teus dons nos são úteis (3). Faze também
com que, por isso, não mais depositemos nossa
confiança em qualquer criatura, mas somente em Ti (4).
(negrito nosso)


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(1) Sl 104:27,28; Sl 145:15,16; Mt 6:25,26. (2) At 14:17; At
17:27,28; Tg 1:17. (3) Dt 8:3; Sl 37:3-7,16,17; Sl 127:1,2;
1Co 15:58. (4) Sl 55:22; Sl 62:10; Sl 146:3; Jr 17:5,7. *

Deus é a fonte de todo bem e de toda bênção. Orar pelo pão nosso de cada dia é
colocar Deus no nosso presente sem medo do futuro. E a expressão pão nosso e
não pão meu nos coloca na comunidade, na simplicidade (simplificar para poder
ajudar) e na comunhão (no cuidado para que os outros também tenham pão).

Perdoa as nossas dívidas como nós também perdoamos os nossos devedores

Existem três palavras interessantes:
Justiça - Deus me dá o que eu mereço.
Misericórdia – Deus não me dá o que eu mereço.
Graça – Deus me dá o que eu não mereço.
Quando peço perdão: - Pai, não me dê o que eu mereço!
Quando não perdoo: - Eu quero justiça!

Como permanecer diante de Deus esperando Graça e exigindo justiça?
Pare e pense.

Leia agora mais uma parte do Catecismo de Heidelberg:
126. Qual é a quinta petição?
R. "E perdoa-nos as nossas dividas, assim como nós temos
perdoado aos nossos devedores". Quer dizer: Por causa do
sangue de Cristo, não cobres de nós, miseráveis pecadores
que somos, nossas transgressões nem o mal que ainda há
em nós (1) , assim como tua graça em nós fez com que
tenhamos o firme propósito de perdoar nosso próximo,
de todo o coração (2). (negrito nosso)
(1) Sl 51:1; Sl 143:2; Rm 8:1; 1Jo 2:1. (2) Mt 6:14,15.*

E Jesus continua: E não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos
do mal.

Deus não nos tenta. Deus nos prova , nos testa, como fez com Abraão ,
Jó e Jesus. A ação do Maligno é transformar teste em tentação. A
vinda do Reino de Deus não pode ser separada da luta permanente
contra o Tentador.

Leia o Catecismo de Heidelberg:

127. Qual é a sexta petição?
R. "E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do
mal". Quer dizer: Somos tão fracos que, por nós mesmos,
não podemos subsistir por um só momento (1) ; além disto,
nossos inimigos declarados: o diabo (2) , o mundo (3) e
nossa própria carne (4) nos tentam continuamente. Por
isso, Te pedimos: sustenta-nos e fortalece-nos, pelo poder
de teu Espírito Santo, a fim de que neste combate espiritual



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não sejamos derrotados (5) , mas possamos fortemente
resistir, até que finalmente alcancemos a vitória total (6).
(1) Sl 103:14-16; Jo 15:5. (2) Ef 6:12; 1Pe 5:8. (3) Jo 15:19.
(4) Rm 7:23; Gl 5:17. (5) Mt 26:41; Mc 13:33; 1Co 10:12,13.
(6) 1Ts 3:13; 1Ts 5:23. *

Esses são os ensinamentos de Jesus sobre a oração que o Pai aceita. Busque
primeiro agenda do Pai e então, apresente a sua.
* SOUSA,RB. Oração: curso , 27 de jul. de 2009. Notas de Aula.
* *Citado em A oração de James Houston. Ed Palavra pág 177.
* **(http://www.monergismo.com/textos/catecismos/catecismo_heidelberg.htm
acessado em 15/12/2010)




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                                 Orando em submissão

Temos aprendido a orar no nome de Jesus. Mas, o que significa isso? Se sou eu
que oro mas é Jesus que assina o que eu quero dizer com isto? Isto quer dizer que
eu desejo ser como Jesus e ter minha vida moldada por Ele – eu declaro minha
submissão na minha oração. Já pensou à respeito?

Jesus era inteiramente submisso ao Pai.
       “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: O Filho não pode fazer nada por sua própria
       conta, pois ele só faz o que vê o Pai fazer. Tudo o que o Pai faz o Filho faz também,”
       (João 5:19 BLH).

Jesus julgava em submissão ao Pai:
       “Jesus continuou a falar a eles. Ele disse: -Eu não posso fazer nada por minha própria
       conta, mas julgo de acordo com o que o Pai me diz. O meu julgamento é justo porque
       não procuro fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
       “(João 5:30 BLH)

Jesus ensinava dessa forma:
       “Existem muitas coisas a respeito de vocês das quais eu preciso falar e as quais eu
       preciso julgar. Porém quem me enviou é verdadeiro, e eu digo ao mundo somente o
       que ele me disse. Eles não entenderam que ele estava falando a respeito do Pai. Por
       isso Jesus disse: -Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que "EU
       SOU QUEM SOU". E saberão também que não faço nada por minha conta, mas falo
       somente o que o meu Pai me ensinou.” (João 8:26-28 BLH)

Jesus falava em submissão ao Pai:
       “Eu não tenho falado em meu próprio nome, mas o Pai, que me enviou, é quem me
       ordena o que devo dizer e anunciar. E eu sei que o seu mandamento dá a vida eterna.
       O que eu digo é justamente aquilo que o Pai me mandou dizer.” (João 12:49-50 BLH)

Fazer, julgar, ensinar e falar fazia parte da missão de Jesus e Ele é o nosso modelo
de espiritualidade. Se Ele precisava receber “o que fazer”, “o que julgar”, “o que
ensinar” e “o que falar”, nós também precisamos.

Observe Jesus, Ele não tem missão própria, não tem discurso próprio, não tem juízo
próprio, não tem vocação própria.

Assim aprendemos que quando oramos em nome de Jesus nossas orações não são
nossas próprias, mas agora são expressas do ponto de vista de Jesus em nós.




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                                O mistério da Trindade

O Deus em que cremos

A palavra Trindade não aparece na Bíblia. As Escrituras consideram que Jesus é
digno de adoração e Jesus não é o mesmo a quem se refere como Pai e ele mesmo
promete outro consolador”. Então o desenvolvimento da doutrina trinitária é
decorrência do que estava implícito nas Escrituras. Os cristãos logo aprenderam
que rogavam ao Pai em nome de Jesus e sob a direção do Espírito Santo.
Tertuliano (200 d.C.) foi quem pela primeira vez usou a palavra Trindade, afirmando
que Deus é uma substância em três pessoas. Houve heresias em relação a essa
compreensão da Trindade porque alguns não aceitavam que Jesus , mesmo sendo
divino, tivesse a mesma posição que Deus . Com o Espírito Santo a resistência à
sua divindade foi grande.

Ário, presbítero de Alexandria achava que Jesus não poderia ser um com o Pai pois
não seria eterno, teria sido criado após .Os lideres da Igreja Cristã se reuniram para
reagir a essas heresias elaborando documentos oficiais da Igreja que foram
afirmando cada vez mais essa doutrina da Trindade .No caso de Ário o Concílio de
Niceia em 325 d.C. respondeu com o Credo que que estabelecia que o Filho é Deus
verdadeiro, engendrado, não feito; da mesma substância (hommoousion) que o Pai”.

Depois que se decidiu e se aceitou que o Filho é Deus verdadeiro houve debates
quanto à divindade do Espírito Santo. Os Pais da Capadócia (Macedônia em
360d.C.) Basilio de Cesareia, Gregorio de Nisra e Gregorio de Nazianza vieram
ajudar a Igreja no Concílio de Niceia com a elaboração de um documento – o Credo
Niceno (381 d.C.) em que declarava que Jesus era da mesma substancia com o Pai
(homoousios) conforme o Credo anterior mas acrescentaram agora que o Espírito
Santo procede igualmente do Pai e do Filho. Alguns anos depois o Concilio de
Calcedonia (451 d.C.) ainda acrescentou e estabeleceu a doutrina das duas
naturezas de Cristo- perfeitamente humano e perfeitamente divino.

Leia o Credo Niceno, pausadamente, como uma oração:

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra,
tanto das cousas visíveis como das invisíveis.
E em um só Senhor Jesus Cristo,
Filho unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os mundos,
Deus de Deus, Luz da Luz,
verdadeiro Deus do verdadeiro Deus,
gerado, não criado, de uma só substância com o Pai,
por quem todas as cousas foram feitas;
o qual por nós homens e pela nossa salvação
desceu do céu e se encarnou pelo Espírito Santo da Virgem Maria
e foi feito homem; foi também crucificado por nós sob Pôncio Pilatos,
padeceu e foi sepultado;
e ao terceiro dia ressuscitou segundo as Escrituras,
e subiu aos céus,



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e está sentado à direita do Pai e virá novamente em glória a julgar os vivos e os
mortos,
cujo Reino não terá fim.
E no Espírito Santo,
Senhor e Doador da vida,
o qual procede do Pai e do Filho,
que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado;
que falou pelos profetas.
E numa única santa Igreja Cristã e Apostólica.
Confesso um só Batismo para remissão dos pecados,
e espero a ressurreição dos mortos
e a vida do mundo vindouro.
Amém.
Belo, não?

Mas, por que nos debruçarmos sobre o mistério da Trindade?

Em nossa oração adoramos ao Pai em nome de Jesus e no poder do Espírito. Na
Oração Sacerdotal em João 17:20-21 vemos Jesus suplicar para que os salvos
participem da mesma amizade que a Trindade:

       “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim,
       por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e
       eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me
       enviaste.”

Normalmente esse versículo é só usado para fins ecumênicos o que prejudica sua
compreensão no estudo da Trindade e seu relacionamento conosco. A Trindade
existe para a criação de uma Linguagem e a oração é a forma como entramos
para participar da comunhão trinitária.

Perichoresis foi o termo inventado para explicar como as três pessoas da Trindade
(Pai, Filho e Espírito) se relacionavam entre si. Esse termo resgata a individualidade
das pessoas assim como insiste em que cada pessoa compartilha da vida das
outras duas. Na ação de cada pessoa da Trindade as outras também estão
presentes. Trindade é comunhão e isso traz repercussão para o ser humano pois
as correntes modernas de pensamento não cristão falam da individualidade do ser
enquanto os cristãos falam de uma comunhão com a Trindade e entre si mesmos.
Deus nos criou para participar dessa amizade da Trindade como Seu povo. É nessa
amizade que descobrimos que Igreja não é uma instituição mas um jeito de ser,
de existir e coexistir.

No desenvolvimento da Igreja, Cristo institui e o Espírito constitui. Comunhão na
igreja não é só as pessoas se reunirem para eventos mas para ter um modo de
relacionamento com fundamento na Trindade em que há mútua ajuda para todos se
transformarem à imagem de Jesus. No Corpo de Cristo somos membros uns dos
outros e lá,no uso de meus dons, é onde eu percebo minha identidade.
É muito importante essa apreciação equilibrada das duas naturezas, divina e
humana, de Cristo. Para parte do catolicismo Cristo parece uma figura nebulosa
situado entre Deus e os santos e abaixo de Maria. Então seu significado humano,
adulto encarnado, fica distante e perde influência para a vida optando-se pela


                           Igreja Batista Memorial de Alphaville
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veneração ao santos e Maria. No protestantismo a ênfase da divindade de Jesus
traz um certo abandono ou despreocupação da sua humanidade encarnada e
aí, na busca de exemplos humanos, o protestante ao invés de venerar Maria e os
santos vai venerar pregadores, super pastores da mídia, por exemplo.
Basílio de Cesaréia ensina que toda a ação de Deus na criação, redenção e
santificação acontece por meio do Filho e no Espírito. Assim como toda a Trindade
estava envolvida na criação (Gen 1:1-3) toda ela está envolvida na redenção.

Colocaremos até o final desse capítulo minhas anotações de aulas do Pr Ricardo
Barbosa de Sousa no seu curso de Espiritualidade ministrado no Seminário Servo
de Cristo , pedindo desculpas antecipadas se houver alguma incorreção.

Notamos nas Escrituras os diferentes papéis desempenhados pelas pessoas
da Trindade:

Papéis do Filho

I - O Filho é quem revela o Pai

       “25 Naquela ocasião Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque
       escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim,
       Pai, pois assim foi do teu agrado.27 “Todas as coisas me foram entregues por meu
       Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o
       Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar. Mateus 11
       7 Os setenta e dois voltaram alegres e disseram: “Senhor, até os demônios se
       submetem a nós, em teu nome”.18 Ele respondeu: “Eu vi Satanás caindo do céu como
       relâmpago. 19 Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões, e sobre
       todo o poder do inimigo; nada lhes fará dano. 20 Contudo, alegrem-se, não porque os
       espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus”.21
       Naquela hora Jesus, exultando no Espírito Santo, disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos
       céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos e as revelaste aos
       pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado.22 “Todas as coisas me foram
       entregues por meu Pai. Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém
       sabe quem é o Pai, a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar”. Lucas
       10

II - O Filho depende completamente do Pai

       16 Então os judeus passaram a perseguir Jesus, porque ele estava fazendo essas
       coisas no sábado. 17 Disse-lhes Jesus: “Meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu
       também estou trabalhando”. 18 Por essa razão, os judeus mais ainda queriam matá-lo,
       pois não somente estava violando o sábado, mas também estava dizendo que Deus
       era seu próprio Pai, igualando-se a Deus.19 Jesus lhes deu esta resposta: “Eu lhes
       digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si mesmo; só pode fazer o
       que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz.20 Pois o Pai ama ao
       Filho e lhe mostra tudo o que faz. Sim, para admiração de vocês, ele lhe mostrará
       obras ainda maiores do que estas. 21 Pois, da mesma forma que o Pai ressuscita os
       mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem ele quer.22 Além disso, o Pai a
       ninguém julga, mas confiou todo julgamento ao Filho, 23 para que todos honrem o
       Filho como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho, também não honra o Pai que
       o enviou.(...)26 Pois, da mesma forma como o Pai tem vida em si mesmo, ele
       concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.27 E deu-lhe autoridade para julgar, porque é
       o Filho do homem.(...)30 Por mim mesmo, nada posso fazer; eu julgo apenas conforme



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       ouço, e o meu julgamento é justo, pois não procuro agradar a mim mesmo, mas àquele
       que me enviou. Joao 5

III - Jesus , sua missão e o Pai

       38 Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade
       daquele que me enviou. 39 E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não
       perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia.40 Porque a
       vontade de meu Pai é que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida
       eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”.(...)44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que
       me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia.(...)56 Todo aquele que come
       a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.57 Da mesma
       forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, João 6


IV -Jesus glorifica o nome do Pai e Deus aceita

       20 Entre os que tinham ido adorar a Deus na festa da Páscoa, estavam alguns
       gregos.21 Eles se aproximaram de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, com um
       pedido: “Senhor, queremos ver Jesus”. ser glorificado o Filho do homem.24 Digo-lhes
       verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele
       só. Mas se morrer, dará muito fruto.25 Aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo
       que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna. 26 26
       Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele
       que me serve, meu Pai o honrará.27 “Agora meu coração está perturbado, e o que
       direi? Pai, salva-me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora. 28
       Pai, glorifica o teu nome!” Então veio uma voz dos céus: “Eu já o glorifiquei e o
       glorificarei novamente”.29 A multidão que ali estava e a ouviu, disse que tinha
       trovejado; outros disseram que um anjo lhe tinha falado.30 Jesus disse: “Esta voz veio
       por causa de vocês, e não por minha causa. João 12

V - Jesus falava totalmente em submissão ao Pai

       49 Pois não falei por mim mesmo, mas o Pai que me enviou me ordenou o que dizer e
       o que falar. 50 Sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu digo é
       exatamente o que o Pai me mandou dizer”.Joao 12

VI - Jesus, o Caminho para o Pai

       5 Disse-lhe Tomé: “Senhor, não sabemos para onde vais; como então podemos saber
       o caminho?”6 Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem
       ao Pai, a não ser por mim. 7 Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam
       também o meu Pai. Já agora vocês o conhecem e o têm visto”.8 Disse Filipe: “Senhor,
       mostra-nos o Pai, e isso nos basta”.9 Jesus respondeu: “Você não me conhece, Filipe,
       mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o
       Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? 10 Você não crê que eu estou no Pai e
       que o Pai está em mim? As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Ao
       contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra. 11 Creiam em mim
       quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por
       causa das mesmas obras.
       12 Digo-lhes a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho
       realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.13
       E eu farei o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho.
       14 O que vocês pedirem em meu nome, eu farei. João 14



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VII - Jesus Promete o Espírito Santo

       15 “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. 16 E eu pedirei ao Pai,
       e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, 17 o Espírito da
       verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o
       conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês. 18 Não os deixarei órfãos;
       voltarei para vocês. 19 Dentro de pouco tempo o mundo não me verá mais; vocês,
       porém, me verão. Porque eu vivo, vocês também viverão.20 Naquele dia
       compreenderão que estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês. João 14

VIII - Jesus esta identificado com os atos de Deus

       1 No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. 2 Ele
       estava com Deus no princípio.3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem
       ele, nada do que existe teria sido feito .João 1

IX - O futuro da missão do Filho não é a própria glória mas a glória do Pai

Quando, porém, tudo lhe estiver sujeito, então o próprio Filho se sujeitará
àquele que todas as coisas lhe sujeitou, a fim de que Deus seja tudo em
todos. I Co 15;28

Por instituição a igreja é o Corpo de Cristo e por constituição ela é
a koinonia do Espírito Santo.

Papéis do Espírito Santo

I - Traz para nós o que é do Filho e que tinha recebido do Pai.

       “13 Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará
       de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir. 14 Ele me
       glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês.15 Tudo o
       que pertence ao Pai é meu. Por isso eu disse que o Espírito receberá do que é meu e o
       tornará conhecido a vocês.” João 16

II - O Espírito Santo como garantia do que virá

       “1 Sabemos que, se for destruída a temporária habitação terrena em que vivemos,
       temos da parte de Deus um edifício, uma casa eterna nos céus, não construída por
       mãos humanas. 2 Enquanto isso, gememos, desejando ser revestidos da nossa
       habitação celestial, 3 porque, estando vestidos, não seremos encontrados nus. 4 Pois,
       enquanto estamos nesta casa, gememos e nos angustiamos, porque não queremos
       ser despidos, mas revestidos da nossa habitação celestial, para que aquilo que é
       mortal seja absorvido pela vida. 5 Foi Deus que nos preparou para esse propósito,
       dando-nos o Espírito como garantia do que está por vir..“2 Cor 5
III - O Espírito Santo cria relacionamentos – A Comunhão dos Cristãos

       “42 Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às
       orações. 43 Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos
       pelos apóstolos. 44 Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. 45
       Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua
       necessidade. 46 Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o



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       pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de
       coração, 47 louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes
       acrescentava diariamente os que iam sendo salvos.” Atos 2

Eu demonstro minha vida com o Espírito Santo pela minha forma de interagir com
as pessoas e não pela dramaticidade dos dons..

       “Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é
       nascido de Deus e conhece a Deus”. I Joao 4:7
Estêvão, cheio do Espírito Santo mantém a mesma relação com Deus, Igreja e seus
inimigos. Atos 7

       “54 Ouvindo isso, ficaram furiosos e rangeram os dentes contra ele. 55 Mas Estêvão,
       cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus
       em pé, à direita de Deus, 56 e disse: “Vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé,
       à direita de Deus”.57 Mas eles taparam os ouvidos e, dando fortes gritos, lançaram-se
       todos juntos contra ele, 58 arrastaram-no para fora da cidade e começaram a
       apedrejá-lo. As testemunhas deixaram seus mantos aos pés de um jovem chamado
       Saulo.59 Enquanto apedrejavam Estêvão, este orava: “Senhor Jesus, recebe o meu
       espírito”. 60 Então caiu de joelhos e bradou: “Senhor, não os consideres culpados
       deste pecado”. E, tendo dito isso, adormeceu.

Nos enchemos do Espírito Santo por uma linguagem de amizade pelo povo de
Deus. O que cria a comunidade são as nossas conversas (Efésios 5).
O exemplo de vida em comunidade da Trindade nos inspira, como ensina Paulo:
       15 Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos,
       mas como sábios, 16 aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são
       maus. 17 Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a
       vontade do Senhor. 18 Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas
       deixem-se encher pelo Espírito, 19 falando entre si com salmos, hinos e cânticos
       espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor, 20 dando graças
       constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus
       Cristo.21 Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo. Efésios 5

A presença do Espírito Santo é que vai dizer à igreja quem ela é.

Papéis do Pai

I - O Pai é o fundamento da missão do Filho

       “38 Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade
       daquele que me enviou. JOAO 6
       5 Por isso, quando Cristo veio ao mundo, disse: “Sacrifício e oferta não quiseste, mas
       um corpo me preparaste; 6 de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agradaste. 7
       Então eu disse: Aqui estou, no livro está escrito a meu respeito; vim para fazer a tua
       vontade, ó Deus” HEBREUS 10
II - O Pai tudo entrega ao Filho

       “34 Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque ele dá o Espírito
       sem limitações. 35 O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos. 36 Quem crê no
       Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus
       permanece sobre ele”.João 3

III - O Pai é transparente com o Filho e lhe confia todo o julgamento


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       “20 Pois o Pai ama ao Filho e lhe mostra tudo o que faz. Sim, para admiração de
       vocês,ele lhe mostrará obras ainda maiores do que estas. 21 Pois, da mesma forma
       que oPai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem ele
       quer.22 Além disso, o Pai a ninguém julga, mas confiou todo julgamento ao Filho, 23
       para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho,
       também não honra o Pai que o enviou. João 5

       9 “Assim, visto que somos descendência de Deus, não devemos pensar que a
       Divindade é semelhante a uma escultura de ouro, prata ou pedra, feita pela arte e
       imaginação do homem. 30 No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas
       agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam. 31 Pois estabeleceu um dia
       em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem (Cristo)que designou. E
       deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos”.Atos 17

IV - O Pai declara amor ao Filho

       “21 Quando todo o povo estava sendo batizado, também Jesus o foi. E, enquanto ele
       estava orando, os céus se abriu22 e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma
       corpórea, como pomba. Então veio dos céus uma voz: “Tu és o meu Filho amado; em
       ti me agrado”. Lucas 3

V - O Pai concede sua imagem ao Filho e lhe dá primazia


SOUSA,RB. Oração: curso , 25 de jul. de 2008. Notas de Aula.




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                                 A Confissão do Pecado

I - A necessidade da confissão do pecado

Infelizmente, poucas igrejas na atualidade, tem em sua liturgia o momento de
confissão e com isso deixam seus membros entregues à tirania do silêncio.O salmo
32:3-5 traz a relação emocional entre doença emocional e a não-confissão.

       “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus
       constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim; e o
       meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha
       iniqüidade não mais ocultei. Disse: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e
       tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado”. Salmo 32: 3-5

No texto acima, enquanto Davi manteve o seu silêncio, a sua alma envelheceu,
sentiu-se cansado e gemeu com o peso de suas lembranças. Isto ocorreu não
apenas pela conseqüência de seu pecado...mas do seu silêncio.

Hoje, com a cultura das terapias, a expressão pecado virou sinônimo de doença
emocional e tenta escapar da mentoria pastoral (com tendências displicentes em
relação ao pecado) para os consultórios dos profissionais de saúde mental .

II - O problema do pecado

O conceito de pecado é teológico e tem a ver com Deus e seus propósitos. É
preciso entender que pecado não é apenas um conceito que precisa ser definido
para balizar as nossas ações. Mas, é uma realidade que envolve a nossa alma,
sentimentos, deforma o nosso caráter e compromete nossos relacionamentos com
Deus e com o próximo. Pecado tem muito mais a ver com o que eu sou do que com
o que eu faço.

Com freqüência, procuramos, como Davi, ignorar o nosso pecado ocultando de nós
mesmos o nosso “lado sombra”, o que não é difícil, pois “ o nosso coração é
desesperadamente corrupto...” Jeremias 17:9.

Como desdobramento desse processo de querer ocultar a verdade - a nossa
verdade interior - ficamos com a nossa percepção deformada, e isto afeta a nossa
compreensão do mundo, da realidade, das pessoas ... e até de Deus!

III - Entendendo a confissão

A confissão é o desnudamento da alma e do coração diante de Deus e do próximo.
Ela revela o nosso verdadeiro caráter, buscando resgatar nossa verdadeira
identidade (que nunca foi oculta do Pai) e nela encontramos o caminho de volta, o
redescobrimento do sentido de pessoa, criada à imagem de Deus e deformada pelo
pecado

IV - Libertando-se pela confissão
Em II Coríntios 3: 17-18 temos :

       “ Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade E todos



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      nós com o rosto desvendado contemplando, como por espelho, a glória do Senhor,
      somos transformados de glória em glória , na sua própria imagem, como pelo Senhor,
      o Espírito.

A liberdade de podermos tirar os véus e máscaras na certeza de que o Pai nos ama
e nos aceita promove a nossa transformação. O nosso avivamento espiritual
necessita uma profunda consciência de quem somos perante Deus e o mundo, e a
certeza de apenas duas coisas: o nosso pecado e as misericórdias divinas !

É necessário que o crente se assuma como próprio agente de sua própria vida
e de sua história sem se vitimizar ou se deixar vitimizar culpando outras
pessoas especialmente familiares.

Santo Agostinho em suas Confissões afirma que conhecer a Deus implica no
conhecimento de nós mesmos:

      “Diante de Deus está sempre a descoberto o abismo da consciência humana: que
      poderia haver de oculto em mim para Deus, por mais que eu não quisesse dizer a
      verdade? Conseguiria apenas ”ocultar Deus aos meus olhos”, mas não poderia
      ocultar-me dos seus. Com as minhas confissões, fica patente que não tenho razão
      alguma para estar satisfeito comigo, e por isso Deus me parece agora radiante, e me
      atrai, e o amo e o desejo a ponto de esquecer-me de mim, de repelir-me a mim
      mesmo para escolhê-lo só a Ele.”




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                                 A Ceia do Senhor e eu

Jesus deixou duas ordenanças para que seguíssemos : Batismo e a Ceia.

Seriam dois meios de entrarmos em contato com a Graça de Deus. No batismo eu
declaro publicamente a quem eu coloco minha fé (Deus) e na Ceia eu me aproprio
da aliança oferecida por Deus a mim.

Aquilo que os altares do Velho Testamento simbolizavam são agora substituídos
pela Mesa da Ceia.

Veremos dois exemplos de pessoas que receberam Ceia servida pessoalmente por
Jesus e com resultados completamente diferentes. Todas essas pessoas eram
pecadoras mas o que fez a diferença foi não foi seu pecado mas a atitude interior
delas.

Judas Iscariotes
Nesse texto vemos alguém que perder sua chance de participar da ceia com Jesus
em situação especial. Àquela época, receber a primeira porção da refeição
diretamente pelo anfitrião era um sinal de alta amizade e consideração.Até ali a vida
de Judas tinha jeito.Mas Judas não quis; preferiu o dinheiro da traição.Comeu da
Ceia mas ela não teve proveito para ele.

       “21 - Depois de dizer isso, Jesus ficou muito aflito e declarou abertamente aos
       discípulos: - Eu afirmo a vocês que isto é verdade: um de vocês vai me trair.22 - Então
       eles olharam uns para os outros, sem saber de quem ele estava falando.23 - Ao lado
       de Jesus estava sentado um deles, a quem Jesus amava.24 - Simão Pedro fez um
       sinal para ele e disse: - Pergunte de quem o Mestre está falando.25 - Então aquele
       discípulo chegou mais perto de Jesus e perguntou: - Senhor, quem é ele?26 - É aquele
       a quem vou dar um pedaço de pão passado no molho! - respondeu Jesus. Em seguida
       pegou um pedaço de pão, passou no molho e deu a Judas, filho de Simão
       Iscariotes.27 - E assim que Judas recebeu o pão, Satanás entrou nele. Então Jesus
       disse a Judas: - O que você vai fazer faça logo.28 - Nenhum dos que estavam à mesa
       entendeu por que Jesus disse isso.29 - Como era Judas que tomava conta da bolsa do
       dinheiro, alguns pensaram que Jesus tinha mandado que ele comprasse alguma coisa
       para a festa ou desse alguma ajuda aos pobres.30 - Judas recebeu o pão e saiu logo.
       E era noite.” (João 13: BLH)

Os discípulos de Emaús
Em Lucas 24, no texto da Caminhada de Emaús Jesus aborda dois discípulos tristes
com a sua morte (mas não se dá a conhecer) . Viajando juntos, Jesus é convidado
por eles a permanecer numa casa para não ter de enfrentar a noite e a estrada
escura. Leia:

       “28 - Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez como quem ia para
       mais longe.29 - Mas eles insistiram com ele para que ficasse, dizendo: - Fique conosco
       porque já é tarde, e a noite vem chegando. Então Jesus entrou para ficar com os
       dois.30 - Sentou-se à mesa com eles, pegou o pão e deu graças a Deus. Depois partiu
       o pão e deu a eles.31 - Aí os olhos deles foram abertos, e eles reconheceram Jesus.
       - Mas ele desapareceu.
       32 - Então eles disseram um para o outro: - Não parecia que o nosso coração
       queimava dentro do peito quando ele nos falava na estrada e nos explicava as
       Escrituras Sagradas?33 - Eles se levantaram logo e voltaram para Jerusalém, onde



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       encontraram os onze apóstolos reunidos
       com outro seguidores de Jesus.
       34 - E os apóstolos diziam: - De fato, o Senhor foi ressuscitado e foi visto por Simão!35
       - Então os dois contaram o que havia acontecido na estrada e como tinham
       reconhecido o Senhor quando ele havia partido o pão.
Cada um desses dois homens sentiu que seu coração queimava dentro do peito
quando ele (Jesus) falava na estrada e explicava as Escrituras Sagradas. Eles
sentiam saudades do Mestre morto foram desobrir que seu Mestre veio para
confortá-los e confortá-los através da Ceia. Jesus só se deu a conhecer quando
partiu o pão e deu a eles . Jesus agora não era mais uma realidade visível, uma
realidade “entre eles” mas agora habitava dentro deles, era uma realidade “neles
mesmos”.

É isso o que Jesus quer ser na Ceia , não só uma realidade em mim mas
também uma presença em mim.

O apóstolo Paulo em I Co 11, nos ensina o que significa a Ceia a partir do que o
próprio Deus teria lhe ensinado. Paulo comenta que na reunião dos crentes haveria
um momento especial chamado Ceia do Senhor - um momento especial de
renovação em que nos examinamos a nós mesmos e nos apropriamos do perdão
divino. Nesse momento também relembramos a aliança de Deus conosco através
de Jesus.

Provavelmente Paulo teve outras fontes acerca do episódio da Ceia de Jesus, mas
o que chama a atenção e que ele também recebe orientação especial de Deus
para nos ensinar.

       23 - Porque eu recebi do Senhor este ensinamento que passei para vocês: que o
       Senhor Jesus, na noite em que foi traído, pegou o pão 24 - e deu graças a Deus.
       Depois partiu o pão e disse: "Isto é o meu corpo, que é entregue em favor de vocês.
       Façam isto em memória de mim."
       25 - Assim também, depois do jantar, ele pegou o cálice e disse:Este cálice é a nova
       aliança feita por Deus com o seu povo, aliança que é garantida pelo meu sangue. Cada
       vez que vocês beberem deste cálice, façam isso em memória de mim."

Façam isto em memória de mim. Jesus disse que algumas coisas precisam ser
preservadas e lembradas de tempos em tempos. O pão lembra o corpo e o corpo
lembra a morte de Jesus. O fato de sermos irmãos uns dos outro como cristãos é
decorrente , em última análise, da morte de Jesus.

Portanto, que cada um examine a sua consciência e então coma do pão e
beba do cálice. O momento da Ceia é o momento de sermos confrontados, de
percebermos nosso “eu” pecador. È o momento de Deus dizer para nós quem
Ele é e quem nós realmente somos. Esse lembrar não deve me desmotivar
quanto à participação da Ceia. Mas é o momento de ver junto com o meu pecado,
o meu perdão que recebi em Cristo.

É o momento de me recordar que existe uma Nova Aliança que me ajuda a ter
uma disposição de mudar para melhor.

       “26 - De maneira que, cada vez que vocês comem deste pão e bebem deste cálice,
       estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.27 - Por isso aquele que



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       comer do pão do Senhor ou beber do seu cálice de modo que ofenda a honra do
       Senhor estará pecando contra o corpo e o sangue do Senhor.
       28 - Portanto, que cada um examine a sua consciência e então coma do pão e
       beba do cálice.

Ao exame de consciência deve se seguir o comer e o beber da Ceia. É uma
ordenança. Temos de fazer.

Não devemos nos recusar a tomar a Ceia – não podemos abrir mão da Graça que
ela traz.

Jesus cria a Mesa do Senhor como um novo lugar de espiritualidade. Devem
sentar à mesa aqueles que têm com aquele sentimento que só Deus pode
preencher o vazio dentro de nós. Essa é a lição que Emaús nós ensina: Foi a partir
do sentimento de saudade de Jesus que os discípulos O encontraram.
E tudo isto passa pela Ceia.

Judas Iscariotes

Mas Judas não aprendeu nada. Comeu o pão da honra e não aconteceu mais
nada! Ou pior, aconteceu sim. Tudo aquilo que está no texto abaixo.

       “29 -Pois,a pessoa que comer do pão ou beber do cálice sem reconhecer que se trata
       do corpo do Senhor,estará sendo julgada ao comer e beber para o seu próprio
       castigo.30 - É por isso que muitos de vocês estão doentes e fracos, e alguns já
       morreram.”

É isso o que Jesus quer ser na Ceia , não só uma realidade entre nós mas
também uma presença em nós.




                           Igreja Batista Memorial de Alphaville
63



                          Em tempos de pós-modernismo

Coloco abaixo texto do Dr. James Houston sobre espiritualidade em tempos
de pós-modernismo:

“O pensamento bíblico contrasta, portanto, com o pensamento desconstrutivista que
vem sendo defendido na pós-modernidade. Se somos nós que determinamos "o que
faz sentido" no texto, então só enxergaremos aquilo que queremos e nossa visão
será idólatra. (...) Como disse tão bem Stephen Moore, "hoje em dia, não são
nossos textos bíblicos que precisam de desmistificação e sem nossa maneira de
lêlos".
A Regra de Fé consiste em ‘ouvir o que Deus fala’. Isso exige uma ação
comunicativa, pois somos exortados a ‘sermos não somente ouvintes da Palavra
mas também praticantes’. O propósito da leitura da Bíblia é o de nos guiar na busca
da piedade e não apenas o de nos municiar com mais informação que venha a
reforçar nossa própria visão do mundo ou status quo idólatra. Damos a essa leitura
o nome de "teológica" ou querigmática , feita dentro da profissão de fé conforme
expresso pelos autores bíblicos. Ela nos chega como uma proclamação real que
suscita a reação de súditos leais. Muitos estudiosos bíblicos do tempo de Kierkgaard
(existencialista cristão - nota do autor) e também dos nossos dias tentaram ‘explicar’
a Bíblia ao invés de ‘escutar’ e obedecer. Kierkgaard argumentaria que tal
escolasticismo leva, na prática, ao silenciamento das ordens contidas na Palavra de
Deus.(...)”

Kierkgaard faz diversas recomendações (para quem quiser ser leitor "fiel da Bíblia):
1. Em primeiro lugar, "fique à sós com a Palavra de Deus", isto é, não permita
que comentários interfiram na leitura do texto em si.
2. Em segundo lugar, crie um ambiente de silêncio para a Palavra de Deus. Se
não o fizermos, nos esqueceremos de que se trata da palavra de Deus ou
nos veremos incapacitados de ouvi-la por causa dos "ruídos" de nossas
próprias inclinações culturais.
3. Em terceiro lugar, considere a Bíblia como o espelho em que vemos e
respondemos àquilo que vemos de nós mesmos enquanto pecadores.
4. Em quarto lugar - essa leitura deve nos levar a um profundo sentimento de
convicção e de arrependimento pessoal e a uma atitude de contrição e
humildade na leitura da mensagem de Deus para nós, permitindo sua
internalização de forma pessoal.
5. Em quinto lugar, faça uma leitura responsiva, para obedecê-la e "praticar a
verdade".
6. Em sexto lugar, reconheça que a comunicação bíblica se faz por vias
indiretas: o próprio Jesus falou em parábolas. Desse modo, a narrativa
bíblica nos atrairá para dentro da própria história, para que participemos dela
e nos apropriemos de sua mensagem. A verdade não pode ser imposta, só
pode ser internalizada de forma pessoal.
7. Por fim, leia a Palavra com esperança, crendo que "todas as coisas" são
possíveis para Deus, para que possamos estar "abertos" para a "novidade"
de Deus.*


*Houston JM - Mentoria Espiritual - Ed. Sepal, 2003, São Paulo, pág 151-153.



                           Igreja Batista Memorial de Alphaville

Introdução à espiritualidade

  • 1.
    1 Introdução à Espiritualidade Jorge Wilson Nogueira Neves Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 2.
    2 Índice Pág. Temas 3 Apresentação 4 Eu, a Palavra , a Trindade e a oração. 5 Orar - com ou sem pautas 7 Nossa relação com a Palavra do Pai 9 O Jejum 11 A Bíblia em nossa oração 12 A Lectio Divina no Antigo Testamento 15 Os salmos 19 Misticismo? 20 As Alianças Deus com Seu povo 21 Lectio em o Novo Testamento 24 O Novo Testamento interpreta o Antigo 25 A relação emocional de Jesus com os salmos 27 Como ler a Bíblia 31 As Parábolas 33 A quietude 36 Desenvolvendo comunidades com base na oração 38 Obstáculos à oração 40 Poder na oração? 42 Espírito Santo,o companheiro necessário 44 O Pai Nosso - a oração que Jesus ensinou e que o Pai aceita 50 Orando em submissão 51 O mistério da Trindade 58 O confissão do pecado 60 A Ceia do Senhor e eu 63 Em tempos de pós modernismo Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 3.
    3 Apresentação A razão pela qual resolvi escrever essa Introdução à Espiritualidade quando existem tantas obras na área foi , à partir da minha visão de leigo, compartilhar ensinamentos que gostaria que me tivessem sido ensinados desde o início de minha vida cristã. Muitas vezes sucumbimos ao ativismo religioso que enfatiza ferramentas, métodos e programas de igrejas-modelo que não nos ensinam o caminho do afeto com a Trindade. Outras vezes somos apresentados àquele modelo de igreja voltado para a busca da catarse emocional ou , “dos eventos extraordinários em detrimento do de uma espiritualidade vivenciada no gesto simples do cotidiano“, como diz o Pr Osmar Ludovico . São alguns temas ligados à Espiritualidade Clássica e à Doutrina Reformada. Tentei ser conciso para não cansar o leitor. Agradecimentos Agradeço aos pastores Osmar Ludovico da Silva , James Houston e Ricardo Barbosa de Sousa pelos ensinamentos que deles adquiri em seus cursos e livros. Agradeço ao Pastor Sidney Costa a oportunidade da utilização desse texto na Igreja Batista Memorial de Alphaville. Dedicatória Dedico este e-book à minha esposa Maria Amélia que fez a revisão do texto, minhas filhas Lidia, Heloisa e Marina, meus genros Daniel e Rodrigo e minha neta Maria Teresa , todos bênçãos e inspiração na minha vida. Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 4.
    4 Eu, a Palavra, a Trindade e a oração. As imagens do Pai e a minha narrativa pessoal No começo da oração sacerdotal, tendo em vista a proximidade de sua morte , Jesus ora desta forma: "E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, que és o único Deus verdadeiro; e conheçam também Jesus Cristo, que enviaste ao mundo". (João 17:3 BLH) A vida eterna não é vida após a morte , mas é uma vida que hoje já participa da eternidade.É uma vida que começa quando conhecemos o Pai. Deus e o ser humano se unem e o tempo e a eternidade se encontram.Esta é a vida que todos desejamos! Jesus fala , nessa oração, que vida eterna é igual a "conhecer". Mas, vida não é "experiência"? Na bíblia hebraica a palavra "conhecer" é também utilizada para a vida sexual em que um "conhece " o outro. No grego - gignoskein - está relacionada a ver, compreender e perceber.Quando eu conheço a Deus, tenho parte com Ele, participo do abraço que une Pai, Filho e Espírito.Desse abraço depende a minha autoimagem. É o reto conhecimento que tenho de meu Pai que me ajuda a ser filho. Anselm Grum, comenta essa oração de Jesus: “Mas talvez a palavra de Jesus seja, apesar de tudo, uma resposta ao anseio de nossos tempo. Para C.G.Jung Deus é o mais forte arquétipo(*) que existe. Quando a imagem de Deus está doente, também o ser humano fica doente. As imagens arquetípicas mexem com alguma coisa no ser humano. Elas ou confundem a psique ou trazem ordem para dentro dela. Ou curam as feridas ou abrem-nas ainda mais. Por isso não é tão sem conseqüências a maneira como eu vejo Deus."”* A imagem do Pai se desenvolve dentro de minha história de vida, de minha narrativa pessoal. Depende também de minha experiência com meus pais. Se eles falharam comigo...posso ter uma desconfiança fundamental em relação ao amor do Pai. É preciso reler minha própria história para encontrá-lo em meu passado. Conhecer o Pai tem o poder de curar minha própria história permitindo-me fazer uma reavaliação amorosa dos fatos marcantes de minha vida e descobri-lo sempre presente pois "todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus". Rom 8:28 Assim, cada um de nós poderá recontar a sua história , suas imagens de Deus e suas experiências com Ele e dizer agora o que mudou.Se você já estiver pronto, conte sua história a alguém! Ou melhor, reconte-a diferente! * Arquétipo - modelo, padrão. Segundo C.G.Jung são imagens psíquicas do inconsciente coletivo que são patrimônio comum a toda humanidade **GRÜN,A.. Se eu quiser experimentar Deus ;Petrópolis: Ed. Vozes.p. 38 Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 5.
    5 Orar - com ou sem pautas Uma vez me contaram de alguém que queria orar e procurava um amigo para fazer companhia. - Vamos orar? Respondeu o amigo: - Acho que não, não preciso de nada! Nossa oração ocidental é muito ligada ao fato de queremos que nossa oração tenha um motivo utilitário, um clamor por situação de doença, desemprego ou qualquer que seja a necessidade. Mas, leia o que Pedro ensina: “5 Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo, 6 Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, 7 Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; 8 Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; 9 Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas. “ I Pedro 1:5-9 Pedro nos ensina que não estamos soltos no mundo, mas guardados na virtude (em outra versão - pelo amor de Deus). Nosso Pai nunca é pego de surpresa quando algo nos acontece. Isso vem dar um novo sentido à nossa oração. Não precisamos de pauta ou agenda quando vamos orar mas apenas de nosso desejo de estar na companhia dEle. Vamos orar pelo prazer de orar - temos licença de estar juntos do Pai até em silêncio. Oração não é um meio de cutucarmos Deus lá no Seu trono para fazer algo a nosso favor. Os pagãos é que faziam isso com seus deuses. Nosso Pai não é omisso mas sempre chega antes. No salmo 46, lemos: “1 DEUS é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. 2 Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. 3 Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. “Salmo 46:1-3 No evangelho de João é Jesus que nos lembra que ele, Jesus, o Pastor, é que vai à frente das suas ovelhas: “4 E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5 Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.” João 10:4-5 Se o Pastor vai à frente é porque quer que eu O siga. Não é a ovelha que chama o Pastor clamando pelo Seu cuidado por elas, mas ao contrário: o Bom Pastor chama pelo nome às suas ovelhas. Então, em minha oração, devo escutá-Lo para perceber o caminho a seguir . E a minha oração se torna mais uma atenta escuta do que mesmo uma fala. Como James Houston ensina: Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 6.
    6 "Não é tanto que Deus tenha criado as coisa de que estou falando; a questão é que Ele as pronunciou antes de falar comigo a respeito, e é por isso que a primeira palavra humana pode ser considerada como uma resposta à Sua palavra...Ao dizer que Deus falou primeiro, o Gênesis concebe toda linguagem humana como uma resposta a Deus. Em sua existência, o ser humano compreende que ele é a imagem de Deus. E é com suas próprias palavras que ele declara que Deus falou. Atribuir a Deus a primeira palavra é o mesmo que dizer que a verdade da fala humana, dependente da palavra divina, não pode ter outro depositário senão o próprio Deus. Até a experiência humana da linguagem é percebida como uma repetição: ninguém seria capaz de falar se seus pais não lhe tivessem falado primeiro".* * HOUSTON,JM. Mentoria Espiritual .São Paulo: Editora Sepal, 2003. p 156-157 Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 7.
    7 Nossa relação com a Palavra do Pai A Igreja recebeu como missão a de proclamar o Evangelho de Jesus através da Palavra e construir o Reino de Deus. O apóstolo Paulo ensina: Ai de mim se não pregar o evangelho I Co 9:16. Para uma proclamação eficaz da Palavra, necessitamos do poder transformador da palavra nAquele que fala e naquele que escuta. E aí, chegamos a um ponto central: Para “servirmos” a Palavra, precisamos nos alimentar dela. “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.” (Hebreus 4:12-13): Fica a pergunta que muitos cristãos fazem: - Como eu sei que compreendi a palavra e posso agora transmiti-la? Santo Agostinho responde: “É fundamental compreender que a plenitude da Lei, como de todas as Divinas Escrituras, é o amor (...). Quem, portanto, julga ter compreendido as Escrituras, ou ao menos parte delas, e não se empenha a construir, a partir da compreensão das mesmas, esse duplo amor a Deus e ao próximo, mostra não tê-las ainda compreendido”. Orar significa buscar a mente e o Espírito de Jesus que não pode ser um convidado eventual em nossa vida.Precisamos declarar nossa rendição e deixá-Lo dominar nossa vida. Jesus mesmo praticou isso quando orou em Mateus 26:39: “Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.” E impossível vivermos a vida cristã por nossos próprios esforços. Como Jesus ensinou na parábola da videira em João 15: somente se estivermos ligados á videira poderemos florescer e frutificar Muitas vezes existe o medo da perda da nossa identidade com esta entrega, mas paradoxalmente nosso senso de identidade só se desenvolve quando unimos nossa vida a Cristo. Preciso adentrar neste mistério de entregar a Deus a minha identidade, pois aí eu terei segurança e significância como pessoa. Jesus tem muito mais a realizar em nos do que através de nós. Com esta dependência tão grande ao Pai ao entrarmos no mundo da oração começamos a ficar curiosos e mais flexíveis diante dEle. A partir daí nossa oração passa a ser um ato mais de ouvir do que falar. O maior auxílio à nossa vida de oração e intimidade com o Pai vem da própria Bíblia. Disse Jesus: “Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” Mateus 4:4 Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 8.
    8 Paulo também ensinouque: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.“ 2 Tim 3:16-17 * HOUSTON,JM. Mentoria Espiritual .São Paulo: Editora Sepal, 2003. p 156-157 Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 9.
    9 O Jejum " Vieram depois os discípulos de João e lhe perguntaram: Por que jejuamos nós e os fariseus [muitas vezes] , e teus discípulos não jejuam? Respondeu-lhes Jesus: Podem acaso estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar. " ( Mt 9: 14-15). Jesus vem ensinar que a saudade do noivo (Jesus) seria o motivador principal para o jejum. E continua seu ensino: "Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto; com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e, sim, ao teu Pai em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará".(Mt 6:16-18) No texto bíblico acima, fica claro que Jesus tem a expectativa de que o cristão jejue nos tempos de hoje, enquanto aguardamos a sua Segunda Vinda. Mas, o que é o Jejum? Jejum é a abstinência de alimento com finalidade espiritual, um exercício espiritual em que nos colocamos inteiramente na dependência de Deus. Em relação aos alimentos e líquidos, o jejum pode ser total ou parcial, dependendo da possibilidade de cada um, mas sempre com ênfase na busca de uma maior comunhão com Deus. Importante: O Jejum é centrado na pessoa de Deus! Observe o que a Bíblia ensina sobre Jejum no Antigo e novo Testamento: No Antigo Testamento o jejum é encontrado como: A - Sinal de arrependimento: I Samuel 7:6 , Neemias 9:1-3 , Daniel 9:3 , Joel 1:14. B - Por causa do trabalho de Deus: Neemias 1:4. C - Pedindo proteção: II Crônicas 20: 3-17 , Esdras 8:21. No Novo Testamento: A - Jesus ensinou o Jejum: Mateus 6:16-18, Marcos 2:18-20 , Lucas 5:33-35. B - Jejum como parte da adoração: Lucas 2:37, Atos 13:2. C - Paulo orou com jejuns em cada igreja: Atos 14:23. Atos 13:2. Em Joel 2:13, Deus manda os judeus "rasgarem o coração e não as vestes " durante o jejum. Isto significaria que a contrição interna é a mais importante. Por ser considerado, àquela época, o lugar das decisões morais e espirituais, o coração é que deveria ser atingido. Algum comportamento deveria ser modificado. Outras vezes o Jejum será considerado impróprio, por exemplo: ·Querer disfarçar seu pecado ("enrolar" a Deus) - Isaías 58:3-5. Os judeus não ajudavam os necessitados e queriam subornar a Deus com jejum. Jejum não é substituto para a obediência. ·Para impressionar os outros: Zacarias 7:5 ·Para mudar a vontade de Deus: II Samuel 12. ·Quando se torna mera formalidade ou legalismo. O JEJUM QUE DEUS QUER: Leia Isaías 58 : 1-14 58.1 Clama a plenos pulmões, não te detenhas, ergue a voz como a trombeta e Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 10.
    10 anuncia ao meu povo a sua transgressão e à casa de Jacó, os seus pecados. 58.2 Mesmo neste estado, ainda me procuram dia a dia, têm prazer em saber os meus caminhos; como povo que pratica a justiça e não deixa o direito do seu Deus, perguntam-me pelos direitos da justiça, têm prazer em se chegar a Deus, 58.3 dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos a nossa alma, e tu não o levas em conta? Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho. 58.4 Eis que jejuais para contendas e rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se fará ouvir a vossa voz no alto. 58.5 Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao SENHOR? 58.6 Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? 58.7 Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? 58.8 Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda; 58.9 então, clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eisme aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso; 58.10 se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. 58.11 O SENHOR te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado e como um manancial cujas águas jamais faltam. 58.12 Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o país se torne habitável. 58.13 Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, 58.14 então, te deleitarás no SENHOR. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do SENHOR o disse. O nosso jejum, enchendo-nos da comunhão com Deus, precisa "derramar", ou seja, precisa alcançar o nosso próximo. Existe uma dimensão horizontal para o jejum, além da vertical. Fazer jejuns mecanicamente não é tão importante quanto demonstrar cuidado pelas pessoas - Bíblia Anotada. Combater a injustiça (v.6), repartir o pão e cuidar do semelhante (v.7) fazem parte do jejum que agrada a Deus. Devemos portanto ficar atentos para o que o Senhor quiser nos revelar durante o jejum!* * Biblia Anotada - comentário de Isaías 58 Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 11.
    11 A Bíblia em nossa oração A historia da leitura afetiva da Palavra ou Lectio Divina. Quando o homem começa a ler as Escrituras, dizia Santo Ambrósio:” Deus volta a passear com ele no paraíso terrestre.” A Sagrada Escritura é uma historia da revelação: de Deus e da salvação (para o ser humano). Desde o início da Igreja se tem chamado de Lectio Divina à leitura afetiva da Palavra. Não é uma técnica mas uma leitura com o coração aberto e desejoso de receber os insights divinos , mudanças em nossas percepções, ganhar um olhar diferente para nós mesmos e para o mundo – em suma a visão do Reino de Deus . Repito, não é uma técnica ou algo que fazemos, mas algo que o Espírito Santo quer fazer, quer revelar. Jesus, falando da ação do Espírito Santo na vida do crente, diz no Evangelho de João (16:7-14): Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. (negrito nosso) Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Além do Espírito Santo querer que oremos, Ele nos ajuda na oração com o Pai, como Paulo nos ensina em Romanos 8:26-27: abemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos. Ainda Paulo em Romanos 8:14-17. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Talvez devêssemos corrigir certas expressões que usamos como “fazer oração” , pois oração não é algo que “fazemos” .Oração de fato é uma conversa , e nela, oramos ao Pai, por intermédio do Filho e com a ajuda do E Santo. Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 12.
    12 A Lectio Divina no Antigo Testamento Em 1437, Gutemberg inventou o tipo móvel e, em pouco tempo, os livros passaram a ser impressos e, dentre eles, a Bíblia. Até então, os livros eram escritos à mão e, por isso mesmo, raros e escassos. Àquela época as pessoas não liam para elas mesmas, mas, "ouviam" as palavras, em silêncio. Quando os livros foram produzidos em massa, o ato de ler até então comunitário e oral, passou a ser um exercício visual privado e silencioso.Esse fácil acesso a Bíblia pode trazer o risco de a mesma se assemelhar a um livro qualquer com uma mera leitura visual e intelectual. Não podemos nos esquecer de que a linguagem existe basicamente não só para fornecer informações, mas, sim, para estabelecer relacionamentos - colocar o escritor em relação com os leitores. A Bíblia também é assim; se a lermos impessoalmente (só com a mente e os olhos), querendo apenas recolher informações, estamos lendo de forma errada. No Antigo Testamento temos alguns exemplos de como a leitura da palavra impactava o povo de Israel quando este se mostrava sedento de ouvir o Pai: Neemias 8:1-12: “Em chegando o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o SENHOR tinha prescrito a Israel. Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres e de todos os que eram capazes de entender o que ouviam. Era o primeiro dia do sétimo mês. E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei. Esdras, o escriba, estava num púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim; estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema, Anaías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão. Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. Esdras bendisse ao SENHOR, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! E, levantando as mãos; inclinaram-se e adoraram o SENHOR, com o rosto em terra. E Jesua, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã, Pelaías e os levitas ensinavam o povo na Lei; e o povo estava no seu lugar. Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia. Neemias, que era o governador, e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que ensinavam todo o povo lhe disseram: Este dia é consagrado ao SENHOR, vosso Deus, pelo que não pranteeis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei. (negrito nosso) Disse-lhes mais: ide, comei carnes gordas, tomai bebidas doces e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força. Os levitas fizeram calar todo o povo, dizendo: Calai-vos, porque este dia é santo; e não estejais contristados. Então, todo o povo se foi a comer, a beber, a enviar porções e a regozijar-se grandemente, porque tinham entendido as palavras que lhes foram explicadas. “ Igreja Batista Memorial de Alphaville
  • 13.
    13 Outro exemplo, agoracom o rei Josias - 2 Reis 22:8 a 23:3: “Então, disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o Livro da Lei na Casa do SENHOR. Hilquias entregou o livro a Safã, e este o leu. Então, o escrivão Safã veio ter com o rei e lhe deu relatório, dizendo: Teus servos contaram o dinheiro que se achou na casa e o entregaram nas mãos dos que dirigem a obra e têm a seu cargo a Casa do SENHOR. Relatou mais o escrivão Safã ao rei, dizendo: O sacerdote Hilquias me entregou um livro. E Safã o leu diante do rei. Tendo o rei ouvido as palavras do Livro da Lei, rasgou as suas vestes. Ordenou o rei a Hilquias, o sacerdote, a Aicão, filho de Safã, a Acbor, filho de Micaías, a Safã, o escrivão, e a Asaías, servo do rei, dizendo: Ide e consultai o SENHOR por mim, pelo povo e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do SENHOR que se acendeu contra nós, porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem segundo tudo quanto de nós está escrito. Então, o sacerdote Hilquias, Aicão, Acbor, Safã e Asaías foram ter com a profetisa Hulda, mulher de Salum, o guarda-roupa, filho de Ticva, filho de Harás, e lhe falaram. Ela habitava na cidade baixa de Jerusalém. Ela lhes disse: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Dizei ao homem que vos enviou a mim: Assim diz o SENHOR: Eis que trarei males sobre este lugar e sobre os seus moradores, a saber, todas as palavras do livro que leu o rei de Judá. Visto que me deixaram e queimaram incenso a outros deuses, para me provocarem à ira com todas as obras das suas mãos, o meu furor se acendeu contra este lugar e não se apagará. Porém ao rei de Judá, que vos enviou a consultar o SENHOR, assim lhe direis: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca das palavras que ouviste: Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante o SENHOR, quando ouviste o que falei contra este lugar e contra os seus moradores, que seriam para assolação e para maldição, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o SENHOR. Pelo que, eis que eu te reunirei a teus pais, e tu serás recolhido em paz à tua sepultura, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este lugar. Então, levaram eles ao rei esta resposta. Então, deu ordem o rei, e todos os anciãos de Judá e de Jerusalém se ajuntaram a ele. O rei subiu à Casa do SENHOR, e com ele todos os homens de Judá, todos os moradores de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas e todo o povo, desde o menor até ao maior; e leu diante deles todas as palavras do Livro da Aliança que fora encontrado na Casa do SENHOR. O rei se pôs em pé junto à coluna e fez aliança ante o SENHOR, para o seguirem, guardarem os seus mandamentos, os seus testemunhos e os seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, cumprindo as palavras desta aliança, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo anuiu a esta aliança. “(negrito nosso) Desde o início foi dada a ordem aos judeus para amarem a Palavra (Deuteronômio 6:4-7): “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. “ Quando Moisés termina de escrever a Lei em Deuteronômio 30:15-20, ele ensina acerca de uma ligação afetiva especial no se guardar a Lei: “Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    14 que hoje te ordeno, que ames o SENHOR, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então, viverás e te multiplicarás, e o SENHOR, teu Deus, te abençoará na terra à qual passas para possuí-la. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido, e te inclinares a outros deuses, e os servires, então, hoje, te declaro que, certamente, perecerás; não permanecerás longo tempo na terra à qual vais, passando o Jordão, para a possuíres. Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele (negrito nosso); pois disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó. “ Durante muito tempo eu tive uma impressão errada da Lei até que entendi que havia um mistério amoroso e relacional em se guardar a Lei no Antigo Testamento. Como seria agora nos tempos do Evangelho da Graça? Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    15 Os salmos O salmo era poesia musicada e cantada no espaço do culto a Deus e nele (no salmo) o povo recebia o conforto de Deus.No livro dos Salmos os sentimentos todos são colocados na comunhão do homem com seu Deus. Acho que atualmente estamos subutilizando os salmos em nossos cultos e devocionais particulares. Quando lemos Paulo, nos surpreendemos: E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor comhinos e cânticos espirituais,Efésios 5:18-19 O vinho cria uma atmosfera própria para a conversa - a inter-relação humana. Com ele, mesmo as pessoas mais fechadas conseguem contactar outros seres humanos. A comunhão produzida pelo vinho é ilusória e temporária, ela acaba. No entanto, Paulo aponta uma opção para a igreja a partir do momento em que o Espírito Santo de Deus flua nas pessoas e entre elas. Esse tipo de contato chama-se salmodiar. Os salmos Os salmos nos ensinam a movimentar com liberdade nossa alma e nossos sentimentos em direção ao nosso pai. Existem, no Livro de Salmos os de lamentos (a maior parte), louvor, sabedoria,históricos, arrependimento, gratidão e até de imprecações (um clamor de vingança contra os inimigos).Toda a gama de sentimentos é expressada no Livro de Salmos. Além dos sentimentos os salmos nos alertam para termos atitudes coerentes com a poesia que recitamos nos salmos.Foi o que Asafe concluiu no salmo 50 quando descobriu a atitude que o Senhor deseja de seus filhos - amor e obediência. Leia agora este salmo e depois memorize o v.23: "O que me oferece sacrifício de ações de graça, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho (comportamento), dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus" Salmo 50:23. A linguagem Voltando a Paulo, o texto de Efésios vem principalmente ensinar que existe uma linguagem própria entre os cristãos . Não falamos entre nós apenas por mera necessidade de comunicação ou adquirir informação. Existe algo mais no falar e no ouvir dos crentes. Para isso é necessário uma maior intimidade com a Trindade. Primeiro, a comunhão com o E. Santo e depois, procuro meu irmão ou irmã para falar e ouvir numa atmosfera pessoal e interpessoal dirigida pelo Espírito. Como ensina o Pr Ricardo Barbosa: “Falar com salmos é falar a linguagem da intimidade, é experimentar o poder do amor na vivência cotidiana, é falar com poesia, revelar os segredos do coração. Falar com salmos não significa recitar os salmos da Bíblia ou espiritualizar nossas conversas; é encontrar, por meio do Espírito de Deus, uma linguagem que fale à alma, que toque no coração."(...) Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    16 " Em Cantares de Salomão, livro que apresenta essa linguagem espiritual dos salmos, vemos a sulamita dizendo assim para seu amado: "Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é teu amor do que o vinho". Ela encontra no amor do seu amado uma alegria e intimidade que o vinho não pode proporcionar. O amor é melhor do que o vinho. esta é uma linguagem espiritual, é a linguagem que enaltece o amor, gera esperança e fortalece a confiança. e eu fico pensando: "Quantas pessoas não gostariam de ouvir alguém dizendo: "O teu amor é melhor do que meu sucesso, minha profissão, ou qualquer outra coisa que me embriague?" O amor é melhor. esta é a linguagem dos salmos, a linguagem do Espírito."(...) É a linguagem do coração em busca de intimidade. Falar com salmos é procurar expressar, na conversa do dia-a-dia, a riqueza e o significado da aliança de Deus conosco.”* Somos encorajados nos salmos a termos encontros freqüentes e profundos com Deus - são nossa escola de oração.Podemos classificá-los como salmos de louvor, lamento, gratidão, suplica, peregrinação, confiança, imprecatórios (que contem maldições contra os inimigos), pessoais ou comunitários. Metade dele s são de autoria de Davi que tanto expressa sua confiança em Deus no salmo 23 assim como confessa seu pecado no salmo 51. Alguns textos dos salmos nos encorajam a uma oração bem franca com Deus. Leia o salmo 13: [Ao mestre de canto. Salmo de Davi] “Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo? Atenta para mim, responde-me, SENHOR, Deus meu! Ilumina-me os olhos, para que eu não durma o sono da morte; para que não diga o meu inimigo: Prevaleci contra ele; e não se regozijem os meus adversários, vindo eu a vacilar. “ E também no salmo 27:7-9: “Ouve, SENHOR, a minha voz; eu clamo; compadece-te de mim e responde-me. Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença; buscarei, pois, SENHOR, a tua presença. Não me escondas, SENHOR a tua face, não rejeites com ira o teu servo; tu és o meu auxílio, não me recuses, nem me desampares, ó Deus da minha salvação.” Sinceridade de coração é fundamental; não adianta pronunciarmos palavras doces quando o Senhor lê o nosso coração e sabe do nosso cenário emocional verdadeiro. Em Jeremias 29:12-13 lemos a convocação divina para uma busca sincera e a promessa de um encontro. “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. “ Alguns outros salmos também tem características marcantes: O salmo 119 celebra a dependência à Palavra de Deus.São 22 estrofes, cada uma com oito e versículos e iniciadas por uma letra do alfabeto hebraico. O salmo 14 é para aqueles que acham que podem viver sem Deus O salmo 37 vem ajudar aquelas pessoas que ficam indignadas ao ver a prosperidade dos ímpios Os salmos 127 e 128 estimulam as famílias a terem uma vida comum de oração. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    17 Os salmos 103e 104 demonstram que Deus esta sempre cuidando de nos Nos salmos 131 e 133 há o ensino que Deus esta presente até nos nossos relacionamentos sociais. Salmos imprecatórios: Existem alguns salmos difíceis, assim como nossa alma também é difícil. Afinal de contas os salmos existem para nos ensinar a mover nossa alma em sinceridade com Deus.Não fique espantado mas esses salmos imprecatórios serviam também para alertar o ímpio sobre a e a justiça de Deus. Precisamos trabalhar nossos ressentimentos e nossa raiva no espaço espiritual (além do terapêutico).Hoje no contexto do Novo Testamento Jesus nos ensina a amarmos nossos inimigos mas isso não deve represar a sinceridade que devemos ter como nosso Pai, leia o Salmo 109:8-13 “Os seus dias sejam poucos, e tome outro o seu encargo. Fiquem órfãos os seus filhos, e viúva, a sua esposa. Andem errantes os seus filhos e mendiguem; e sejam expulsos das ruínas de suas casas. De tudo o que tem, lance mão o usurário; do fruto do seu trabalho, esbulhem-no os estranhos. Ninguém tenha misericórdia dele, nem haja quem se compadeça dos seus órfãos. Desapareça a sua posteridade, e na seguinte geração se extinga o seu nome.” Posteriormente, no Evangelho da Graça Jesus viria ensinar o perdão aos inimigos: Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.(Mateus 5: 43-48) De qualquer forma, qualquer que seja a situação do nosso espírito naquele momento, nos salmos nos reorientamos sempre para Deus e sua graça salmodiando e convidando todos a salmodiarem junto conosco, como faz Davi no salmo 30: [Salmo de Davi. Cântico da dedicação da casa] Eu te exaltarei, ó SENHOR, porque tu me livraste e não permitiste que os meus inimigos se regozijassem contra mim. SENHOR, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste. SENHOR, da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura. Salmodiai ao SENHOR, vós que sois seus santos, e dai graças ao seu santo nome. Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã. Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado. Tu, SENHOR, por teu favor fizeste permanecer forte a minha montanha; apenas voltaste o rosto, fiquei logo conturbado. Por ti, SENHOR, clamei, ao Senhor implorei. Que proveito obterás no meu sangue, quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? Declarará ele a tua verdade? Ouve, SENHOR, e tem compaixão de mim; sê tu, SENHOR, o meu auxílio. Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. SENHOR, Deus meu, graças te darei para sempre. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    18 *Sousa ,RB. Janelaspara a vida ;Curitiba; Editora Encontro,1999. p 40-41 Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    19 Misticismo? O Dicionário Houaiss define místico como: 1 referente aos mistérios, às cerimônias religiosas secretas 2 relativo a crenças em coisas sobrenaturais, sem base racional Ex.: explicações m. da erupção de um vulcão como a ira de um deus 3 que não se dá segundo as leis naturais ou físicas; sobrenatural, espiritual (...) 5 que crê intensamente numa doutrina religiosa e a ela se dedica quase integralmente (diz-se de indivíduo); devoto, religioso 6 relativo à vida espiritual e contemplativa 7 próprio do ambiente religioso, devoto, espiritual * Muitas vezes as pessoas tem medo que, em tendo experiências com Deus, serem chamadas de “místicas” e optam por um cristianismo predominantemente no estudo da Palavra , preferindo até esconder suas experiências espirituais.Outras, pelo contrario, procuram um culto de sensações, “avivado”, com muitas catarses emocionais nem sempre fruto de uma ação do Espírito Santo, mas das emoções do momento. Transcrevo aqui um trecho do livro Oração de James Houston que acho bastante oportuno: As diferentes religiões do mundo possuem sua própria definição do que significa uma experiência mística.No misticismo cristão, experiências com Deus são determinadas por diretrizes bíblicas.Isso significa que a experiência mística cristã será diferente do misticismo de outra fé da mesma forma que suas doutrinas divergem. Como resultado, as experiências místicas cristãs através dos séculos podem ser testadas quanto a sua confiabilidade pela menção bíblica. O verdadeiro místico cristão sempre vive dentro da realidade de certas verdades bíblicas: 1. Primeiro-Deus é o nosso Criador, sendo distinto e separado de nós. Qualquer conversa sobre união com ele jamais será uma união ao nível de substância, mas de vontade e amor. 2. Segundo-Deus revela-se a nós como uma Trindade, ou seja, três pessoas em um Deus. O misticismo cristão não vivencia deus como um absoluto anônimo, mas como pai, Filho e Espírito Santo. 3. Terceiro - Deus fez-se homem em Jesus Cristo, sofrendo na cruz como mediação entre nós e Deus. O místico não pode, portanto, fazer qualquer progresso espiritual sem envolver a vida e a morte de Jesus. 4. Quarto - o nosso relacionamento com Deus depende totalmente da sua iniciativa para conosco. Finalmente, o verdadeiro místico reconhece que pertence à igreja, à comunidade do povo de Deus. O místico tem coisas a dizer para a igreja, mas sabe que a verdade de Deus é mantida tanto comunitária quanto pessoalmente.** *http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=m%EDstico&cod=129385&fon=1&co digos=129385%2C129386%2C129387 acessado em 18/1/2011 * *HOUSTON,J. A Oração;Brasilia:Editora Palavra,2009. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    20 AsAlianças Deus com Seu povo e sua implicação em nossa espiritualidade Quando a primeira Aliança (Exodo19) foi ratificada (Êxodo 24) Moises tomou o livro da Aliança e leu ao povo que concordou em segui-la.(Êxodo 24:1-8): “Disse também Deus a Moisés: Sobe ao SENHOR, tu, e Arão, e Nadabe, e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel; e adorai de longe. Só Moisés se chegará ao SENHOR; os outros não se chegarão, nem o povo subirá com ele. Veio, pois, Moisés e referiu ao povo todas as palavras do SENHOR e todos os estatutos; então, todo o povo respondeu a uma voz e disse: Tudo o que falou o SENHOR faremos. Moisés escreveu todas as palavras do SENHOR e, tendo-se levantado pela manhã de madrugada, erigiu um altar ao pé do monte e doze colunas, segundo as doze tribos de Israel. E enviou alguns jovens dos filhos de Israel, os quais ofereceram ao SENHOR holocaustos e sacrifícios pacíficos de novilhos. Moisés tomou metade do sangue e o pôs em bacias; e a outra metade aspergiu sobre o altar. E tomou o livro da aliança e o leu ao povo; e eles disseram: Tudo o que falou o SENHOR faremos e obedeceremos. Então, tomou Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o SENHOR fez convosco a respeito de todas estas palavras.“ Futuramente o Novo Testamento ensinaria sobre uma Nova Aliança que havia sido prometida ao profeta Jeremias (Jeremias 31:31-34) e que no texto de Hebreus 8:6- 13, lemos: “Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior. Pois, para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei. Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer. “ Somos chamados a comparecer a mesa de Pai como comunidade e não individualmente. Na Nova Aliança vemos que existe a promessa de que Deus falaria dentro de nós. Assim, somos chamados da solitude à comunidade e daí ao ministério - o que vamos fazer de nossas vidas orientados por Deus. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    21 Lectio em o Novo Testamento A Palavra que toca a mente e o coração A parábola do semeador ou da semente Marcos, Lucas e Mateus curiosamente colocam como primeira parábola de seus livros "a do semeador e dos quatro solos", que aborda "o escutar" (Mc 4:9, Mt 13:9, Lc 8:8). Nesta parábola palavras-sementes de Deus são faladas em nossos ouvidos e vão cair em diferentes terrenos, mas, o mais importante é que "Deus está falando". Aqui o mandamento da parábola é: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" e isto é claro nos três evangelhos! "Bem - aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem..." Ap. 1:3. Vamos ao texto de Lucas - vemos que Jesus foca no modo como a palavra (semente) é recebida, no comportamento de quem acolhe a Palavra.Quando ela é escutada pelo coração afetivo, ela produz fruto. “Afluindo uma grande multidão e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por parábola: Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada , e as aves do céu a comeram. Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um. Dizendo isto, clamou: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? Respondeu-lhes Jesus: A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; aos demais, falase por parábolas, para que, vendo, não vejam; e, ouvindo, não entendam. Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus. A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos. A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, crêem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam. A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer. A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes frutificam com perseverança.” (Lucas 8: 4-15) O termo “coração” na Bíblia é o ponto de encontro de toda a realidade do homem como também de onde se irradiam todas as suas potencialidades para com o Pai. Os discípulos na caminhada para Emaús Em Lucas 24:13-32, no episódio da abordagem de Jesus a dois discípulos a caminho de Emaús, Jesus os consola, sem se dar a perceber, citando os textos dos profetas , leia: Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. E iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas. Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer. Então, lhes perguntou Jesus: Que é isso que vos preocupa e de que ides tratando à medida que caminhais? E eles pararam entristecidos. Um, porém, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: És o único, porventura, que, tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências destes últimos dias? Ele lhes perguntou: Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    22 Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram. Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras. Quando se aproximavam da aldeia para onde iam, fez ele menção de passar adiante. Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles. E disseram um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” O coração dos discípulos ardia com a exposição das Escrituras. É necessário que Cristo nos abra o coração e precisamos desejar que isso aconteça. Pessoalmente acredito que a leitura da Palavra de Deus tem uma eficácia quase sacramental.Afinal, é Deus falando e o Espírito aplicando. O capítulo dois do livro do Atos dos Apóstolos apresenta Pedro iniciando a proclamação do Evangelho expondo a palavra de Deus através do profeta Joel e do salmo de Davi e assim tocando o coração daquele povo: Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus? Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados! Então, se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do dia. Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    23 servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis; sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos; ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela. Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado. Por isso, se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; além disto, também a minha própria carne repousará em esperança, porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, encher-me-ás de alegria na tua presença. Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje. Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção. A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés. Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? (negrito nosso).Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. Pedro lê a Bíblia expondo as verdades e o coração do povo é tocado e a multidão se pergunta: que faremos? Essa é a pergunta que me devo fazer quando acabo minha leitura devocional: - que farei? Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    24 O Novo Testamento interpreta o Antigo Existem 278 versículos do Antigo Testamento citados no Novo Testamento. Ora a citação era para ressaltar o cumprimento de alguma profecia do Antigo testamento (Mateus 4:14-16 e Isaias 9:1-2), ora para confirmar um que um acontecimento neotestamentário está de acordo com um principio do Antigo Testamento (Atos 15;15 e Amós 9:11-12). Pedro interpreta o Antigo Testamento à luz do Novo Testamento como Jesus havia feito e lemos em Mateus 5 :21-44: Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo. (...) Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. (...) Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério. Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos. (...) Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; (...) Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; Jesus cita o Antigo Testamento para poder explicar melhor como seria o seu reino. Zuck em seu livro faz menção de algumas etapas que devem ser seguidas na interpretação das citações do Antigo Testamento no Novo Testamento: 1. Investigue o contexto no Novo Testamento onde a citação ou alusão ao Antigo é feita. 2. Investigue o contexto no Antigo Testamento da passagem citada ou aludida. Certifique-se de não aplicar aos leitores originais do Antigo Testamento o que agora se pode saber através da revelação neotestamentária(...) 3. Repare nas diferenças, se houver, entre a passagem no Antigo Testamento e sua citação ou alusão no Novo. 4. Descubra como a passagem do Novo Testamento faz uso da passagem do Antigo Testamento.(...) 5 Estabeleça a relação dessas conclusões com a interpretação da passagem no NT.* * ZUCK,BR. A Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Vida Nova; 1994. p.322 Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    25 A relação emocional de Jesus com os salmos No cântico de Maria em Lucas 2 percebe-se cerca de quinze citações do AT, demonstrando que Maria era de um lar que conhecia bem os salmos.Por exemplo: A minha alma engrandece ao Senhor - salmo 34:2. A sua misericórdia vai de geração em geração... - salmo 103:17. Jesus participava sempre das Festas e nelas salmodiava junto com os judeus pois os salmos eram usados no cultos a Deus.Leia : João capítulos 5,7,10 e 12 . Por exemplo: Capítulo 5: 1 .Passadas estas coisas, havia uma festa dos judeus, e Jesus subiu para Jerusalém. Capítulo 7:8-10: Subi vós outros à festa; eu, por enquanto, não subo, porque o meu tempo ainda não está cumprido. Disse-lhes Jesus estas coisas e continuou na Galiléia. Mas, depois que seus irmãos subiram para a festa, então, subiu ele também, não publicamente, mas em oculto. Lucas dizia que Jesus participava aos sábados na sinagoga de Nazaré(Lucas 4:16): “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.” Na Ultima Ceia,ao terminar recitaram o Hallel (salmos 115-118) em Mateus 26:30: “E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras.” Os salmos aparecem ainda como prece de Cristo: No sofrimento na cruz Marcos 15:34: Deus meu, Deus meu... Salmo 22:1 Ao morrer Jesus cita o salmo 31 (Lucas 23;46) Jesus usa o salmo 110 em Mateus 22:41-46 O salmo 110 é o texto-chave das esperanças messiânicas para explicar que o Cristo era muito, mas muito mais do que o Messias esperado pelos judeus: “Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas.” (Mateus 22.41-46) Não só na Paixão Jesus usou os salmos, mas até em atitudes fortes como expulsar os vendilhões do templo (João 2:17 e salmo 69:9): “Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    26 negócio. Lembraram-se osseus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me consumirá (negrito nosso).” Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    27 Como ler a Bíblia? Ao lermos a Bíblia, temos de buscar a Palavra nas palavras e isso com a ajuda do Espírito Santo.Ler a Bíblia não é apenas um exercício literário, mas um confronto com o mistério e a pessoa de Deus. Paulo ensina que a Palavra nos traz esperança (Romanos 15:4): “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.” Paulo ensina que a Palavra nos traz repreensão e correção: 2 Timóteo 3:16. “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,” Há algum tempo encontrei um colega de faculdade que há muito não via. Ele me falou detalhadamente de sua vida e seus planos de futuro. Quando comecei a falar de mim ele se mostrou desinteressado e se despediu rápido.Naquele momento fiquei bastante decepcionado com ele. Percebi aí que eu fazia a mesma coisa com Deus na minha leitura bíblica devocional e na minha oração. Quero controlar a conversa e apenas falar de mim na minha oração. Ou então, controlar o texto bíblico não dando a mesma chance a todos os versículos do texto e escolhendo ler rápido ou lentamente (geralmente as promessas) conforme aquilo que minhas necessidades do momento me mostravam. Quero que o Pai coloque sorriso nos meus lábios mas não me preocupo em causar o sorriso nEle. Uma leitura devocional ou oração deve ser lenta, com pausas para percebermos algo novo, percepções novas que o Espírito Santo possa nos estar trazendo. É necessário saber que Alguém vem ao nosso encontro na leitura da Palavra e na nossa oração.É importante que desejemos esse encontro e a percepção desse encontro, um dom dado pelo Pai em de normalmente nossas palavras cessam e adoramos silenciosamente é o que os místicos chamavam de contemplação. Se na verdade “conversamos” com a Bíblia, é necessário que não controlemos o texto mas que desejemos que o texto nos controle. Preciso crer no Deus que me fala diretamente através de sua Palavra. A Lectio Divina ou leitura afetiva da palavra acompanhada da oração tem como característica enfatizar a própria Bíblia como objeto de leitura e direção para nossa oração (por isso é chamada divina) reconhecendo que é a própria Palavra que testifica de Jesus (João 5;39). A Lectio tem estrita relação com a oração.A palavra latina lectio significa duas coisas: lição e leitura. Nós podemos ler mas quem dá a lição é Deus. A Lectio Divina é uma audiência que nos transforma, que gera obediência. A Lectio não é uma técnica ou uma ferramenta ministerial Nem toda a leitura da Bíblia é Lectio divina mas só aquela que é feita debaixo da ação do Espírito Santo, ou seja, com a intenção de ouvir a mensagem que a palavra divina quer nos comunicar. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    28 A Lectio divinaé um diálogo e nos faz participar do mistério do Cristo que habita em nós. Quando lemos a Palavra no culto estamos fazemos a Lectio no culto, é Deus falando. É a celebração da Palavra!!! A Lectio pode ser feita em comunidade ou na nossa devoção particular.Mesmo quando parecemos sozinhos em nosso momento devocional particular nunca estamos realmente sozinhos. Leia o que Paulo ensina em Romanos 8:15-16: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.” É preciso que realmente nos sintamos filhos de Deus! Um pouco da historia da Lectio. A Lectio é historicamente vinculada a Guigo, um monge cartuxo do 12º século d.C que escreveu um tratado - Scalla claustralium (Escada dos claustros) no qual apresentava uma sequência de passos na Lectio; lectio- meditatio,oratiocontemplatio. Na verdade é só uma classificação didática pois todos esses passos ocorrem não necessariamente nessa ordem ou intensidade.Lectio é oração com base na Bíblia - e isso é o mais importante: orar a Deus com as palavras de Deus. De uma forma mais ampla podemos considerar na Lectio as etapas abaixo sempre lembrando que podem acontecer não necessariamente nessa ordem: - Lectio -leitura atenta e com o coração aberto. - Meditatio- visa descobrir o q o texto diz para mim. - Oratio - a minha oração sob o impacto do texto e a sua revelação pelo Espírito. - Contemplatio - é um dom, dado pelo Pai que me faz sentir seu filho e me dá de alguma forma a sensação de Sua presença em minha oração. É quando me sinto realmente amado e unido à Ele e à toda a Trindade.O tempo parece que para e as palavras cessam.São João da Cruz chama a contemplação de “quietude saborosa” - uma tranqüilidade cheia de repouso ,de unção, uma experiência profunda, absorvente. - Collatio - no século XII os monges faziam a colação - era a partilha do que haviam aprendido na Lectio daquele dia. - Operatio - a ação que vamos desenvolver após essa experiência na oração.fazer aquilo que Jesus nos pede e que descobrimos na oração.É inútil se ter contemplado se não se põe em pratica o contemplado.Jesus mesmo afirma :Lucas 8.21 : Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam. Alguns poderiam perguntar: por que não buscamos direto a presença de Deus sem a necessidade da leitura da Palavra? Porque precisamos reconhecer que a meditação cristã une a mente e o espírito e ambos devem estar ativos na Lectio.Um afastamento do conhecimento da vontade de Deus pela nossa negligencia na leitura na Bíblia nos afastará da sã doutrina e pode nos colocar na estrada do erro. Por outro lado, uma leitura só intelectual que não sintonize nossa alma e não Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    29 produza em nosas mudanças que o Pai deseja (e nós também amamos o Pai e queremos fazer toda a Sua vontade) torna-se árida. Com freqüência podemos até, sem sentir, estarmos tentando controlar e dirigir o que a Palavra quer dizer.Queremos controlar seu significado- decidirmos o que o texto tem a dizer.Mas deve ser o contrario: uma vez que tenhamos lido o texto devemos dar o espaço para que o próprio texto diga o que ele quer dizer através da revelação do Espírito Santo. Osmar Ludovico sempre nos advertia na Lectio: “Procure não controlar o texto; deixe que o texto controle você”.” Quando lemos um texto da Palavra, se algum versículo ficar marcado em nossa mente de modo muito forte, vamos ficar com essa palavra algum tempo, “ruminá-la” como diziam os místicos antigos e deixar que essa parte do texto nos diga tudo o que ela quiser dizer. Na Lectio, enquanto a mente considera as palavras do texto, deixamos nossos afetos e imaginação livres para que o Espírito Santo possa trabalhá-los e dar a correta compreensão daquilo que precisamos entender, guardar a palavra, como Maria fazia. Acreditamos numa teologia com oração como fazia Jesus que se retirava para orar e também Paulo, que freqüentemente alternava ensino teológico com oração em suas cartas.Não acreditamos que devemos usar “óculos” sociológicos ou marxistas ou quaisquer outros para interpretar a Palavra mesmo que seja para justificar movimentos políticos libertadores. Em Lucas 24 :26-27, na caminhada para Emaus, Cristo é quem abre o entendimento dos discípulos passando por diferentes textos. Precisamos deixar que Ele abra o nosso entendimento para percebermos a revelação do mistério da Palavra e como isso se aplica ao nosso caso e à Igreja. Para a leitura da palavra é necessário contato prolongado, assiduidade,silencio, solidão e recolhimento: Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. (Mateus 6.6 ) Precisamos ter um lugar de oração e nossos familiares devem saber disso e será uma boa disciplina espiritual preservarmos esse lugar de tudo o que nos possa tirar a atenção daquilo que o Espírito Santo quer nos dizer. Uma vez alguém me contou que educou sua família a que , quando estivesse determinado lugar com a Bíblia, que não a interrompessem. Nunca é demais repetir: a leitura da Palavra deve ser feita de modo lento e com pausas para que o Espírito possa ter espaço para trazer insights e revelações, olhares diferentes para a vida e para o texto. Muitas vezes ler rápido certos versículos e passar para o seguinte pode ser uma forma disfarçada de controlarmos o significado do texto. Devemos resistir a isso, e se notarmos que o fizemos, devemos voltar ao texto novamente, nem que seja um ou dois dias após e dar liberdade ao Espírito Santo deixando que Ele complete a obra em nós. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    30 O que lerna Bíblia? Por onde começar? Os Evangelhos devem ter preeminência na nossa leitura, mas toda a Escritura deve ser lida. Devemos preceder a leitura com período de silencio para sossegarmos o barulho interior que produzimos. A Lectio não é um fim em si mesma – uma meditação para nos fazer sentir bem, nos causar boas e agradáveis sensações. Se fosse assim seria algo idólatra, mas precisamos nos ater à Palavra para percebermos qual é a vontade do Pai em nossa vida – o operatio. E obedecer! Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    31 As Parábolas No segundo ano de seu ministério, aparentemente, Jesus dá uma guinada no seu tipo de preleção. Seus discípulos ficam confusos: “10 Os discípulos aproximaram-se dele e perguntaram: “Por que falas ao povo por parábolas?” 11 Ele respondeu: “A vocês foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. 12 A quem tem será dado, e este terá em grande quantidade. De quem não tem, até o que tem lhe será tirado. 13 Por essa razão eu lhes falo por parábolas: “ ‘Porque vendo, eles não vêem e, ouvindo, não ouvem nem entendem.14 Neles se cumpre a profecia de Isaías: “ ‘Ainda que estejam sempre ouvindo, vocês nunca entenderão;ainda que estejam sempre vendo, jamais perceberão.15 Pois o coração deste povo se tornou insensível; de má vontade ouviram com os seus ouvidos,e fecharam os seus olhos. Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos, ouvir com os ouvidos,entender com o coração e converter-se, e eu os curaria’.16 Mas, felizes são os olhos de vocês, porque vêem; e os ouvidos de vocês, porque ouvem. 17 Pois eu lhes digo a verdade: Muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês estão vendo, mas não viram, e ouvir o que vocês estão ouvindo, mas não ouviram.” (Mateus 13) negrito nosso Parábola vem do grego para = ao longo e de bola = atirar. São estórias baseadas em fatos do cotidiano com o objetivo de ilustrar ou aclarar uma verdade. As parábolas não eram uma novidade ,elas aparecem no VelhoTestamento em 2 Samuel 12:1-4 e Isaías 5:1-10. Perguntado acerca da sua mudança de método, Jesus a atribui a um endurecimento do coração e mentes de seus ouvintes. A tensão contra Jesus chegara a um nível muito forte segundo Mateus cap. 12. Os mestres e fariseus “batiam forte” em Jesus e, constantemente, atrapalhavam a pregação do evangelho por Jesus e, o pior de tudo, nada aprendiam! O propósito das parábolas era revelar as verdades ocultas do reino de Deus, mas não a todos. Ao coração desejoso de aprender sobre as verdades desse Reino, estas estórias trabalhariam em sua imaginação e trariam mais luz interior. Por outro lado, aos de coração duro quase nada acrescentariam – seria uma estorinha de fundo moral! As parábolas são retóricas, fazem trabalhar a imaginação das pessoas fazendo-as compreender as novas verdades que o Espírito quer trazer às suas vidas. O ouvinte e leitor, percebendo a comparação entre a estória e sua própria situação individual é estimulado a pensar e sentir coisas novas, identificando a verdade principal que a parábola ilustra, com a ajuda do Espírito Santo. Geralmente são simples, com personagens bem caracterizados,emoções contidas, alternando linguagem direta com solilóquio (falar consigo mesmo), cenas do cotidiano judaico e o mais importante fica para o final da narrativa: cada estória convida o ouvinte a emitir uma conclusão para si mesmo. Algumas vezes as parábolas são contadas a pessoas que divergiam de Jesus, mas essas estórias como que constroem uma ponte sobre a divergência; nelas Jesus se afasta da controvérsia judaica da Lei e entra em território neutro. Assim, quem a ouve sai da posição defensiva e é atraído por Jesus. Em geral as parábolas existem para dizer algo a respeito do reino de Deus em nossas vidas e não para Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    32 emitirem preceitos moralistas.Elas são uma narrativa menor dentro da narrativa maior (o advento do Evangelho da Graça).Tente responder a essas perguntas quando você lê alguma parábola: - A quem Jesus se dirige :à multidão ou seus adversários? - Onde parece que Ele quer chegar? - E o mais importante: - Como ela me atinge? Como ensina Carlos Mesters: “ O objetivo último da explicação da Bíblia ao povo não deve ser simplesmente descobrir o sentido histórico-literal dos textos , mas deve se descobrir os sinais da presença de Deus com os seus apelos na vida que vivemos, através de uma reflexão profunda (e científica, quando necessário) sobre o textos que nos vêm do passado. Em última análise,o seu objetivo não se restringe a procurar interpretar um texto, mas a procurar interpretar a vida à luz daqueles textos, a fim de que aumentem no povo a fé, a esperança e o amor.”* (negrito nosso) Ore agora , antes de ler sua parábola de hoje , pedindo que o Senhor lhe revele a Sua vontade no texto. Experimente fazer uma imersão no texto. Leia a estória como se fôsse sua, como se você um dos protagonistas dela. : * MESTERS C. Por trás das palavras. Petrópolis: Editora Vozes . Petrópolis, 2007. p.133-134. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    33 A quietude O silêncio perante Deus melhora nossa oração.Estar quieto e em silencio antes de nossa oração significa rejeitar toda e qualquer invasão que possa atrapalhar ou interromper o nosso estar com Deus. Salmo 62:1 - Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação. Salmo 46:10 - Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus. Nossos ruídos interiores Em nossa sociedade "faladeira" o silêncio se tornou algo constrangedor. Se o pastor pedir numa celebração: "Façamos silêncio por alguns momentos", as pessoas se inquietam e perguntam a si mesmas: "Quando isso vai acabar?". Tudo isso acaba nos distraindo daquilo que o Pai quer nos revelar. O acontecimento real é que o Pai nos fala e nos comunica o Seu amor...Mas nós nos distraímos. O silêncio do cristão não é igual a solidão. É estar com o Pai e receber a Sua revelação. A leitura meditativa da Bíblia cria o espaço interior onde possamos ouvir o Pai. No aconselhamento, é importante que o pastor e o aconselhando entrem no amorável silêncio do Pai e ali esperem pela palavra que cura. É preciso perceber os movimentos do Espírito, conselheiro divino, e seguir esses movimentos sem medo. Como intercessores nossa tarefa é o contrário da distração. É ajudar as pessoas a se concentrarem no acontecimento real, mas muitas vezes oculto, da presença de Deus em suas vidas. Torna-se absolutamente necessário que os ministérios cuidem em não manter seus membros tão atarefados que não possam mais ouvir o Deus que fala no silêncio. O propósito de todo ministério é revelar que Deus não é um Deus de medo, mas um Deus de amor. Os ministérios ensinarão isso quando levarem seus cooperadores à capela de oração. Vivemos na compulsão da pressa, do corre-corre. Provavelmente é assim que você se sente hoje: conseguiu encaixar esta leitura em uma agenda apertada e talvez esteja preocupado acabar logo para preparar “a agenda de amanhã ou da próxima semana...”. Loucura? Mas é assim! Certamente gastamos muito mais energia (e tempo) do que deveríamos porque em nosso dia de 24 horas não conseguimos dedicar o tempo necessário à intimidade com o Pai e receber a Sua direção em nossa vida. Nesta questão da busca da intimidade com o Pai, somos todos amadores. Falando nisso, fique tranqüilo - o Pai gosta de amadores – o que Ele não gosta é de gente “religiosa” (deram muito trabalho para Jesus e sem proveito algum). O Pai nos ensina a viver um dia de cada vez e nesta leitura vamos reconhecê-Lo junto a nós. Se não na teoria, na prática vivemos como se tivéssemos um Deus impessoal – algo tipo Internet, um provedor à distância (estamos em 2011), literalmente. Utilizamo-nos dele quando precisamos e temos o poder de pedir a “desconexão” quando Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    34 satisfeitos. Mas, aBíblia faz referência a um Deus que sente tristeza, que é pessoal que quer se relacionar, falar, conversar conosco. Só que um bom relacionamento pressupõe intimidade, conversa, tempo – todos nós sabemos disso. Quando tentamos nos comunicar, sem intimidade com o Pai, incorremos na tragédia humana, qual seja: dizer a Deus quem Ele é e o que Ele deve fazer! Ao invés de esperar as Suas boas respostas e sermos surpreendidos por Ele e pelo Seu amor, queremos controlá-Lo para assim garantir a qualidade da resposta. Só que Ele é o Criador e nós, as criaturas! Nesse conhecimento do Pai eu sempre vou me surpreender. Nunca vou saber quem Deus é. Em Êxodo 33:17-23 Ele se dá a conhecer a Moisés pelas costas, pois ninguém conseguiria ver a face do Senhor e sair vivo do encontro. Todo o nosso conhecimento é parcial e limitado - precisamos ter humildade, qualquer que tenha sido a nossa experiência com Ele. Minha segurança nesse Pai não é pelo que eu conheço dEle, mas é afetiva! Eu não duvido do seu amor por mim! Esta é a chave do relacionamento. Muitas vezes achamos que sabemos tudo sobre Deus como se fôssemos donos dEle, seus criadores. (Essa, aliás, foi a tragédia dos fariseus: achavam que sabiam tudo sobre Deus, e quando surge um Deus “que não se encaixa...” não admitem, não aceitam Jesus!). Este é o problema da religião! Precisamos diariamente conhecer e desfrutar do amor do Pai, um dos seus atributos mais marcantes. Esse conhecimento é profundo, pois toca o coração, faz vínculos e estreita o relacionamento dEle conosco. Esse relacionamento afetivo, essa experiência com o Seu amor é o eixo central da nossa caminhada na vida cristã. Só assim vou pensar o que Ele pensa e desejar o que ele deseja. Posso até ter tido experiências pentecostais, mas não ter uma experiência profunda com o amor de Deus. O relacionamento de hoje não acumula para amanhã, pois amanhã é outro dia – e você terá de buscá-Lo novamente. É importante exercitar nossa alma em dois movimentos: 1 - da ação à contemplação – como eu consigo aquietar minha alma e me apresento como um filho que retorna ao Pai. 2 - da contemplação à ação – como posso caminhar sob a partir de direção do Pai , a partir de um encontro com Ele. Quando eu contemplo o Pai, eu O adoro silenciosamente em meu coração. Eu entendo o que Paulo nos ensina em Romanos 8:16: “O Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. Quem é filho, sabe que é. Engraçado, porque nem sempre nós nos sentimos assim – filhos? Para isso, precisamos contemplá-Lo! Como fazer esse caminho? É neste confronto com o Pai e na percepção do significado de Suas respostas que eu sigo descobrindo dia-a-dia a minha verdadeira identidade e consigo direção para a minha caminhada. Durante esse período, preste atenção em tudo o que o Espírito lhe fizer perceber. George MacDonald diz que “as minhas orações não fluem do homem que eu sou, Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    35 pois meu coraçãopode me enganar, mas as respostas do Pai vêem para o homem que eu realmente devo ser”. Procure “estar presente”, ou seja, desligue-se de problemas que ficaram no escritório, em casa, etc... Feche os olhos por alguns minutos (10 a 15). No início parecerá difícil, mas depois você vai se acostumar. Deixe as idéias irem e virem, quaisquer que sejam. Quando sua mente e coração se acalmarem, faça a leitura do texto escolhido, pois na meditação cristã coração e mente funcionam juntos! Além de nos aquietarmos, ficaremos em solitude. “Solitude” vem da palavra solus, que significa estar só. A grande verdade é que produzimos muito barulho na nossa alma e por isso não conseguimos ouvir a voz de um Pai que fala. Também vivemos na ilusão de controlar nosso próprio destino e criamos uma identidade enganosa respeito de nós mesmos. A verdade é que: • não somos quem nós nos sabemos ser, mas quem Deus sabe que somos. • não somos o que podemos adquirir e conquistar, mas o que recebemos. • não somos o dinheiro que ganhamos, os amigos que fazemos ou os resultados que conseguimos. • Somos antes quem Deus nos fez em seu infinito amor. E é daí que vem a nossa dignidade. A solitude envolve oração, leitura espiritual e estar a sós com o Pai. Tudo isso visa desenvolver uma consciência da voz do Pai em nossos corações . Você pode perguntar: - O que faço em minha solitude? A resposta é: nada. Apenas esteja presente para Ele que deseja a sua atenção e escute! É nessa presença “inútil” diante de Deus que podemos morrer gradualmente para nossas ilusões de poder e controle e dar ouvidos à voz de amor escondida no centro de nosso ser, e deixarmo-nos ler por Ele! É quando conseguimos ver nosso próprio eu pecador num espelho tranquilo e confessar que também somos promotores de guerras é que poderemos estar prontos para começar a caminhar humildemente na estrada para a paz. O apóstolo Paulo tinha um propósito na vida: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo 3.9 e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; 3.10 para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; 3.11 para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos”.(Colossensses 3:8-11) É nesse encontro que o Pai nos revela quem realmente somos!” Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    36 Desenvolvendo comunidades com base na oração e santificação Amizades com ênfase na oração são vacina contra o individualismo excessivo. E necessário que existam pessoas de oração e com sã doutrina para servirem de mentores para o crescimento dessas comunidades em santificação. Os Pais do Deserto, no século IV após a Igreja ser reconhecida como religião oficial do Império Romano abandonaram as fantasia de status que uma religião oficial, ligada ao poder e portanto não profética, poderia proporcionar e decidiram criar comunidades no deserto onde poderiam viver um cristianismo que rendesse a vontade do povo a Deus com a ajudada da solidão,oração e do jejum. Isso foi o Movimento Monástico. Um dos Pais do Deserto identificou e elaborou uma lista de Sete Pecados Capitais, que são as tentações, as paixões mais básicas de um ser humano , mais passíveis de tentar um cristão e levá-lo a pecar: Gula Luxuria -desejo por outros corpos Ganância Inveja Ira Preguiça -covardia espiritual Orgulho ou autocongratulação O conceito e a lista dos Sete Pecados Capitais não constam das Escrituras. Foram criadas por um monge grego Evagrius do Ponto . A Bíblia fala das obras da carne em Gálatas 5 , fala do perfil e do caráter do homem afastado e Deus em Colossensses e Efésios. A lista surgiu no século IV durante o Movimento Monástico e Cassiano, discípulo de Evagrius, traz a lista para o Oriente no século V e o papa Gregório Magno no século VI a colocou no Catecismo da Igreja. São chamados de “capitais” porque são pecados-cabeça - são origem , fonte e liderança - e dão origem a outros pecados: Por exemplo a Ira dá origem a vingança e a Soberba dá origem a vaidade. Olhar essa lista de Pecados Capitais vem nos ajudar a perceber que tipo de gente estamos nos tornando; é como se fosse um gabarito com o qual nos comparamos . Isto vem na contramão de nossa cultura que não considera o problema do pecado. A oração vem guerrear contra todas essas tentações. Jesus disse em Marcos 14:35-39: “E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres. Voltando, achou-os Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    37 dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras.” Também Pedro ensina em 2 Pedro 1:1-8: Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor. Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo, por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    38 Obstáculos à vida de oração. Nossas feridas serão obstáculos enquanto não tivermos coragem de falar sobre elas em nosso momento particular e depois no comunitário,Temos de nos fazer humildes como crianças que expõem o seu problema para Jesus: Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe. Mateus 18 Nosso ativismo Em nosso mundo você é o que você faz (ou ganha). Isto gera nas pessoas impulsos violentos que geralmente trabalham contra sua vida de oração.Nossa oração deve sempre preceder e dirigir nosso empreendedorismo. Desconfiança sobre o caráter de Deus. Muitas vezes projetamos dificuldades que tivemos com nossos pais em Deus.Por exemplo, se nosso pai foi um ausente ou tirano, podemos achar que Deus também o é em nossas vidas. Individualismo excessivo Frequentemente as pessoas fazem de sua vida de oração um isolamento social – um fim em si mesmo. O ato de me retirar para orar e estar com Deus (solitude) é necessário para que eu ouça a Deus. Porém, a solitude sempre termina na comunidade, nos relaciona com as necessidades dos outros e nos abre para novos relacionamentos. Desde o Antigo Testamento Deus faz aliança com um povo e não com pessoas isoladas: Tomar-vos-ei por meu povo e serei vosso Deus (Êxodo 6:7) Medo da poda A falta de visão da Graça e do perdão oferecido pelo Pai. E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe. Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude. E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades. Marcos 10:17-22 Vãs repetições Ricardo Barbosa nos ensina: “O problema das vãs repetições não está na nossa necessidade de suplicar a até mesmo insistir por elas diante de Deus, mas no conceito falso de que é a nossa insistência que abre os ouvidos de Deus.. Quando agimos assim, colocamos na oração Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    39 um poder que não lhe pertence. Achamos que é a repetição que torna a súplica favorável diante de Deus e não a mediação soberana de Jesus Cristo. O povo insistiu para ter um rei e Deus lhes deu Saul. No entanto, essa insistência levou-os a trocar o governo justo de Deus por um governo humano limitado e frágil. A insistência fez que rompessem as relações pessoais que haviam sido construídas pela aliança que Deus tinha estabelecido para viverem uma relação institucional e impessoal com o imperador. Quando substituímos Deus, com seu imenso amor e cuidado paterno, pela insistência vã e repetitiva transformamos a oração em um fim e Deus apenas no meio para alcançarmos o que a nossa vaidade busca. Deus, e somente Deus, é o motivo de nossa oração. “* SOUSA,RB. Janelas para a vida .Curitiba: Editora Encontro, 1999. p 171 Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    40 Poder na oração? Temos visto grande número de livros que na capa associam oração a poder (parece até que se a palavra poder não estiver junto da palavra oração, o livro não vende). Isto veio com a idéia de que a investida na oração tem de provocar algum resultado prático senão : não valeu a pena. Paulo realizou milagres, mas também falou que teve poder do Espírito Santo para enfrentar tribulações com humildade, a viver contente tanto em tempos de escassez como de fartura. Falou até de poder para suportar um “espinho na carne”. Alguns veem a atuação do Espírito Santo como uma performance: línguas , profecias e curas. Ainda vivem dentro da cultura de que você é o que você faz, pois até na Igreja isso existe. Jesus chamou a atenção dos discípulos de que muitos viriam realizando sinais e curas se dizendo dele, Jesus, mas que o mesmo Jesus diria para eles: nunca vos conheci! Jesus alertava que exibições de poder não substituem um conhecimento intimo pessoal e piedoso com Deus. Em Efésios 1:3 aprendemos que todos os benefícios espirituais estão à nossa disposição e decorrentes de nossa amizade com o Pai : “1.3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo,”(negrito nosso) E Jesus ensina que a nossa alegria em Deus não se deve a unções, dons ou manifestações mas em que nossos nomes estão escritos nos céus (Lucas10:20).(negrito nosso) A evidencia da presença do Espírito Santo em nós é a grande disposição de nos submetermos ao senhorio de Jesus Cristo. Precisamos reconhecer que oração é mistério, não sabemos orar e precisamos de ajuda (Romanos 8:26-27). James Houston em seu livro A Oração cita C.H.Dodd que diz que: orar: ...é o divino em nós apelando para o divino acima de nós. E é o próprio Espírito Santo que nos ajuda de alguma forma a entrarmos nessa conversa. Precisamos cuidar para que nossas orações não sejam autocentradas e ficarmos alertas para a nossa autopiedade (será que eu não tenho o direito de...?). Por outro lado a auto exibição pode nos colocar no caminho da reivindicação e aí quem estará sendo glorificado será o orante (eu) e não Deus. Leia Mateus 26:39: “Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.” Na Trindade os três elementos atuam um em favor do outro e a função do Espírito Santo não é glorificar a si mesmo, mas fazer do Pai e do Filho uma realidade em nossa vida. Talvez alguns se exibam na oração na esperança de assim serem mais amados, mas assim o fazendo continuam fora da Graça. Se nos falta sabedoria para orar, podemos também pedir. O Espírito Santo está em Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    41 nós mas pareceque não acreditamos. Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos. (Tiago1:5-8) A amizade com o Espírito Santo movimenta nossas percepções, intuições, e às vezes até nossos sonhos. Os nossos sentidos também podem ser utilizados na meditação da Palavra à medida que lemos os Evangelhos; pedimos ajuda do Espírito Santo para fazermos imersão no texto, lê-lo como se fossemos um dos personagens da historia e deixarmos o Espírito Santo trabalhar nossa imaginação e sentimentos. Não foi à toa que os evangelistas nos deixaram um grande numero de vivencias e parábolas. Tudo isso combinado com a nossa mente firmada na doutrina trarão maior alegria e sã consciência para nossa caminhada com Deus. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    42 Espírito Santo,o companheiro necessário Jesus avisou aos discípulos que, de agora em diante, teriam um companheiro diferente: o Espírito Santo que os guiará em toda a verdade. Seria necessário aprender a se comunicar com o companheiro novo. O aviso de Jesus: “5 E agora vou para aquele que me enviou; e nenhum de vós me pergunta: Para onde vais? 6 Antes, porque isto vos tenho dito, o vosso coração se encheu de tristeza. 7 Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. 8 E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. 9 Do pecado, porque não crêem em mim; 10 Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; 11 E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado. 12 Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. 13 Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. 14 Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.” João 16 : 5-14 Imagine você convivendo com o Mestre e, de repente, Ele avisa que vai embora. Você não consegue imaginar algo pior. E Ele ainda diz que é melhor assim: convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós. Aquele diálogo pessoal, presencial, com Jesus, daria agora lugar a uma linguagem nova, perceptiva e interior comandada pelo Espírito de Deus. Paulo em Romanos vem nos ajudar quando nos ensina que esse Espírito tem uma linguagem própria, ele ora em nós e por nós: “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.” Rom 8:26-27 E vem daí esse amor secreto, essa nossa certeza interior de nos sentirmos filhos do Pai: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus“. Davi, consciente desse Companheiro Divino, temeu ficar distante de Deus quando repreendido por pecado de adultério, e orou: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo .“(Salmo 51:10- 11). O Espírito Santo é a pessoa da Trindade que torna a presença do Pai e do Filho real para todos os que cremos. Ensina James Houston: “Pois na realidade do Espírito Santo nós possuímos tanto a transcendência quanto a imanência de Deus. Em sua santidade ele é transcendentalmente “o Outro”, distinto de nós em sua divindade. Porém em sua imanência, seu Espirito é intimamente pessoal “mais próximo do que a respiração”. * Nouwen acrescenta: “Por Jesus, Deus dá-nos o seu divino Espírito, de maneira a podermos viver uma vida Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    43 semelhante à de Deus. O Espírito é a respiração de Deus. É a intimidade entre Jesus e seu Pai. É a divina comunhão. É o amor de Deus a atuar dentro de nós.”** * HOUSTON, J - A oração .Brasília: Editora Palavra, 2009. p. 156 ** NOUWEN,HJM - Mosaicos do presente. “2ª”; São Paulo: Edições Paulinas. São Paulo. p.125 Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    44 Pai Nosso - a oração que Jesus ensinou e que o Pai aceita. Eu estou convencido de que, quando um cristão, corretamente, ora a Oração do Pai Nosso, a qualquer tempo...sua oração é mais que apropriada.* (Martinho Lutero) Ao ensinar essa oração Jesus quebra paradigmas judaicos ensinando-nos a falar ao Pai pessoalmente e que a oração não precisava mais ser feita na sinagoga, mas no quarto (Mateus 6:6). Em Lucas 11: 1-4, lemos: “De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando terminou, um dos seus discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos. Então, ele os ensinou: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; o pão nosso cotidiano dá-nos de dia em dia; perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve; e não nos deixes cair em tentação.” Deve ter sido uma cena bastante impressionante - Jesus orando, tanto que seus discípulos pediram para que Jesus ensinasse para eles o que achavam provavelmente ser uma performance. Na versão de Mateus 6:9-13, lemos: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra- nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]” Jesus então ensina-os a orar do jeito que Ele orava e que Deus responde, o que conhecemos como a Oração do Pai-Nosso. É a oração com estrutura teológica correta que o Filho aprendeu com o Pai. Colocaremos até o final desse capítulo minhas anotações de aulas do Pr Ricardo Barbosa de Sousa no seu curso de Oração, ministrado no Seminário Servo de Cristo , pedindo desculpas antecipadas se houver alguma incorreção. No Pai Nosso Jesus ensina que basicamente a relação com Deus se dá em duas agendas: primeiro a do Pai (que deve ter a primazia sempre) e depois a nossa. I - A agenda do Pai: Esse Pai tem nome: Pai (Pai- é o nome cristão de Deus – é importante usarmos esse nome Pai na nossa oração) Esse Pai tem Reino: venha o teu reino Esse Pai tem vontade: faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; II - A nossa agenda: Nosso pão: o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; Nossas dívidas: perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; Nossas tentações: e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    45 A oração começacom a Invocação: Abba Pai - Jesus revela o Pai; é um Pai Criador e não um procriador. Abba é a palavra em aramaico que uma criancinha usaria para falar com seu papai. A paternidade de Deus não deve ser confundida com a paternidade frágil dos relacionamentos humanos. É uma paternidade diferente e que precisa ser percebida com a ajuda do Espírito Santo (nem biológica, nem machista, nem feminista): “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.” Romanos 8:15 No Antigo Testamento Jeremias já tinha expressado a paternidade de Deus quando falou em Seu nome ao povo rebelde: “Mas eu a mim me perguntava: como te porei entre os filhos e te darei a terra desejável, a mais formosa herança das nações? E respondi: Pai me chamarás e de mim não te desviarás.” Jeremias 3:19 E Jesus continua: Pai nosso que estás no céu. Nosso – é a invocação do povo de Deus - não oramos sozinhos, mas como Povo da Aliança. E mais: Santificado seja o teu nome - todo o ministério de Jesus foi para tornar o nome do Pai conhecido e glorificado. Leia João 17: 17.4 Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer;17.5 e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. 17.6 Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. 17.12 Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura. 17.26 Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a fim de que oamor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja.(negrito nosso) Nossa oração deve glorificar o Pai. E Jesus continua: Venha o teu reino - invocamos o governo de Deus sobre nós; o Reino e a Justiça de Deus é que devem determinar nossos anseios. Foi a primeira reação dos cristãos depois do Pentecostes, a visão do Reino (Atos 2:42-47): “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” Devemos reconhecer que o Reino já começou e está entre nós. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    46 Jesus continua: Faça-sea tua vontade. Normalmente pedimos para Deus abençoar o que fazemos ao invés de orarmos primeiro apresentando nossos planos ao Pai: Faça-se a tua vontade. Lemos em João 12:20-30: “Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos; estes, pois, se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou. Então, explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa”.(negrito nosso) Jesus sabia qual era a vontade do Pai :Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome .Com frequência temos uma idéia negativa acerca da vontade de Deus em nossa vida. No paganismo era assim : havia um deus impessoal cuja vontade é um segredo e se precisa descobrir um modo de receber sua ajuda. Dizemos com frequência: − Bem, essa foi a vontade Deus (mas não era bem isso o que eu queria) Precisamos, como Jesus, desejar que a vontade de Deus prevaleça. Muitas vezes nossos pedidos insistentes na oração vem de uma necessidade de controlarmos o que está acontecendo, mas o foco de nossa vida é e sempre será a glória de Deus! Paulo em carta aos Efésios cap.1 ensina sobre o mistério da vontade de Deus que precisamos desvendar em nossa vida: 1.3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo (negrito nosso) .(Já temos todas as bençãos que precisamos, não é certo ficarmos buscando unções aqui e ali).(...) 1.5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, (...) 1.9 desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, (...) 1.13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 1.14 o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória. 1.16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    47 1.17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, 1.18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos (negrito nosso). Destacamos no texto acima, em negrito, os que falam da soberana vontade de Deus e como temos de procurar viver em paz com o plano divino para nós, seu povo, qual seja: 1. tenhamos a Jesus como exemplo de espiritualidade e humanidade; 2. como seres humanos , sejamos mordomos da criação; 3. abençoemos todas as pessoas; 4. façamos discípulos; 5. sejamos maduros e busquemos a santidade; 6. que os ensinamentos do Sermão do Monte se expressem em nossa vida; 7. que busquemos a intimidade com a Trindade; 8. submissão à vontade do Pai; 9. nos tornemos atentos aos movimentos do Espírito Santo; II - A Nossa Agenda Agora temos a segunda parte da Oração do Pai Nosso.Jesus após nos ensinar sobre a agenda do Pai que deve vir em primeiro lugar,vem nos ensinar a cuidar de nossa própria agenda como humanos. E Jesus começa falando do sustento do ser humano: O pão nosso de cada dia dá- nos hoje. O pão carrega uma simbologia forte. Simboliza o cuidado do Pai que vem nos atender dentro de nossas fronteiras pessoais. Deus é colocado no centro de nossa vivência e nossos dramas . E ele sempre chega antes. Em Mateus 6,aprendemos que: “v.7 E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos. v.8 Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de quetendes necessidade, antes que lho peçais.” Numa sociedade de classe média alta faria sentido pedir pelo pão? Como orariam? Coloco abaixo parte do Catecismo de Heidelberg sobre essa parte da Oração do Pai Nosso. Muita atenção para a parte que colocamos em negrito: 125. Qual é a quarta petição? R. "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje". Quer dizer: Cuida de nós com tudo o que for necessário ao nosso corpo (1) , para que reconheçamos que Tu és a única fonte de todo o bem (2) e que, sem tua bênção, nem nosso cuidado e trabalho, nem teus dons nos são úteis (3). Faze também com que, por isso, não mais depositemos nossa confiança em qualquer criatura, mas somente em Ti (4). (negrito nosso) Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    48 (1) Sl 104:27,28;Sl 145:15,16; Mt 6:25,26. (2) At 14:17; At 17:27,28; Tg 1:17. (3) Dt 8:3; Sl 37:3-7,16,17; Sl 127:1,2; 1Co 15:58. (4) Sl 55:22; Sl 62:10; Sl 146:3; Jr 17:5,7. * Deus é a fonte de todo bem e de toda bênção. Orar pelo pão nosso de cada dia é colocar Deus no nosso presente sem medo do futuro. E a expressão pão nosso e não pão meu nos coloca na comunidade, na simplicidade (simplificar para poder ajudar) e na comunhão (no cuidado para que os outros também tenham pão). Perdoa as nossas dívidas como nós também perdoamos os nossos devedores Existem três palavras interessantes: Justiça - Deus me dá o que eu mereço. Misericórdia – Deus não me dá o que eu mereço. Graça – Deus me dá o que eu não mereço. Quando peço perdão: - Pai, não me dê o que eu mereço! Quando não perdoo: - Eu quero justiça! Como permanecer diante de Deus esperando Graça e exigindo justiça? Pare e pense. Leia agora mais uma parte do Catecismo de Heidelberg: 126. Qual é a quinta petição? R. "E perdoa-nos as nossas dividas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores". Quer dizer: Por causa do sangue de Cristo, não cobres de nós, miseráveis pecadores que somos, nossas transgressões nem o mal que ainda há em nós (1) , assim como tua graça em nós fez com que tenhamos o firme propósito de perdoar nosso próximo, de todo o coração (2). (negrito nosso) (1) Sl 51:1; Sl 143:2; Rm 8:1; 1Jo 2:1. (2) Mt 6:14,15.* E Jesus continua: E não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Deus não nos tenta. Deus nos prova , nos testa, como fez com Abraão , Jó e Jesus. A ação do Maligno é transformar teste em tentação. A vinda do Reino de Deus não pode ser separada da luta permanente contra o Tentador. Leia o Catecismo de Heidelberg: 127. Qual é a sexta petição? R. "E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal". Quer dizer: Somos tão fracos que, por nós mesmos, não podemos subsistir por um só momento (1) ; além disto, nossos inimigos declarados: o diabo (2) , o mundo (3) e nossa própria carne (4) nos tentam continuamente. Por isso, Te pedimos: sustenta-nos e fortalece-nos, pelo poder de teu Espírito Santo, a fim de que neste combate espiritual Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    49 não sejamos derrotados(5) , mas possamos fortemente resistir, até que finalmente alcancemos a vitória total (6). (1) Sl 103:14-16; Jo 15:5. (2) Ef 6:12; 1Pe 5:8. (3) Jo 15:19. (4) Rm 7:23; Gl 5:17. (5) Mt 26:41; Mc 13:33; 1Co 10:12,13. (6) 1Ts 3:13; 1Ts 5:23. * Esses são os ensinamentos de Jesus sobre a oração que o Pai aceita. Busque primeiro agenda do Pai e então, apresente a sua. * SOUSA,RB. Oração: curso , 27 de jul. de 2009. Notas de Aula. * *Citado em A oração de James Houston. Ed Palavra pág 177. * **(http://www.monergismo.com/textos/catecismos/catecismo_heidelberg.htm acessado em 15/12/2010) Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    50 Orando em submissão Temos aprendido a orar no nome de Jesus. Mas, o que significa isso? Se sou eu que oro mas é Jesus que assina o que eu quero dizer com isto? Isto quer dizer que eu desejo ser como Jesus e ter minha vida moldada por Ele – eu declaro minha submissão na minha oração. Já pensou à respeito? Jesus era inteiramente submisso ao Pai. “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: O Filho não pode fazer nada por sua própria conta, pois ele só faz o que vê o Pai fazer. Tudo o que o Pai faz o Filho faz também,” (João 5:19 BLH). Jesus julgava em submissão ao Pai: “Jesus continuou a falar a eles. Ele disse: -Eu não posso fazer nada por minha própria conta, mas julgo de acordo com o que o Pai me diz. O meu julgamento é justo porque não procuro fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou. “(João 5:30 BLH) Jesus ensinava dessa forma: “Existem muitas coisas a respeito de vocês das quais eu preciso falar e as quais eu preciso julgar. Porém quem me enviou é verdadeiro, e eu digo ao mundo somente o que ele me disse. Eles não entenderam que ele estava falando a respeito do Pai. Por isso Jesus disse: -Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que "EU SOU QUEM SOU". E saberão também que não faço nada por minha conta, mas falo somente o que o meu Pai me ensinou.” (João 8:26-28 BLH) Jesus falava em submissão ao Pai: “Eu não tenho falado em meu próprio nome, mas o Pai, que me enviou, é quem me ordena o que devo dizer e anunciar. E eu sei que o seu mandamento dá a vida eterna. O que eu digo é justamente aquilo que o Pai me mandou dizer.” (João 12:49-50 BLH) Fazer, julgar, ensinar e falar fazia parte da missão de Jesus e Ele é o nosso modelo de espiritualidade. Se Ele precisava receber “o que fazer”, “o que julgar”, “o que ensinar” e “o que falar”, nós também precisamos. Observe Jesus, Ele não tem missão própria, não tem discurso próprio, não tem juízo próprio, não tem vocação própria. Assim aprendemos que quando oramos em nome de Jesus nossas orações não são nossas próprias, mas agora são expressas do ponto de vista de Jesus em nós. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    51 O mistério da Trindade O Deus em que cremos A palavra Trindade não aparece na Bíblia. As Escrituras consideram que Jesus é digno de adoração e Jesus não é o mesmo a quem se refere como Pai e ele mesmo promete outro consolador”. Então o desenvolvimento da doutrina trinitária é decorrência do que estava implícito nas Escrituras. Os cristãos logo aprenderam que rogavam ao Pai em nome de Jesus e sob a direção do Espírito Santo. Tertuliano (200 d.C.) foi quem pela primeira vez usou a palavra Trindade, afirmando que Deus é uma substância em três pessoas. Houve heresias em relação a essa compreensão da Trindade porque alguns não aceitavam que Jesus , mesmo sendo divino, tivesse a mesma posição que Deus . Com o Espírito Santo a resistência à sua divindade foi grande. Ário, presbítero de Alexandria achava que Jesus não poderia ser um com o Pai pois não seria eterno, teria sido criado após .Os lideres da Igreja Cristã se reuniram para reagir a essas heresias elaborando documentos oficiais da Igreja que foram afirmando cada vez mais essa doutrina da Trindade .No caso de Ário o Concílio de Niceia em 325 d.C. respondeu com o Credo que que estabelecia que o Filho é Deus verdadeiro, engendrado, não feito; da mesma substância (hommoousion) que o Pai”. Depois que se decidiu e se aceitou que o Filho é Deus verdadeiro houve debates quanto à divindade do Espírito Santo. Os Pais da Capadócia (Macedônia em 360d.C.) Basilio de Cesareia, Gregorio de Nisra e Gregorio de Nazianza vieram ajudar a Igreja no Concílio de Niceia com a elaboração de um documento – o Credo Niceno (381 d.C.) em que declarava que Jesus era da mesma substancia com o Pai (homoousios) conforme o Credo anterior mas acrescentaram agora que o Espírito Santo procede igualmente do Pai e do Filho. Alguns anos depois o Concilio de Calcedonia (451 d.C.) ainda acrescentou e estabeleceu a doutrina das duas naturezas de Cristo- perfeitamente humano e perfeitamente divino. Leia o Credo Niceno, pausadamente, como uma oração: Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, tanto das cousas visíveis como das invisíveis. E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, por quem todas as cousas foram feitas; o qual por nós homens e pela nossa salvação desceu do céu e se encarnou pelo Espírito Santo da Virgem Maria e foi feito homem; foi também crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado; e ao terceiro dia ressuscitou segundo as Escrituras, e subiu aos céus, Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    52 e está sentadoà direita do Pai e virá novamente em glória a julgar os vivos e os mortos, cujo Reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor e Doador da vida, o qual procede do Pai e do Filho, que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; que falou pelos profetas. E numa única santa Igreja Cristã e Apostólica. Confesso um só Batismo para remissão dos pecados, e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo vindouro. Amém. Belo, não? Mas, por que nos debruçarmos sobre o mistério da Trindade? Em nossa oração adoramos ao Pai em nome de Jesus e no poder do Espírito. Na Oração Sacerdotal em João 17:20-21 vemos Jesus suplicar para que os salvos participem da mesma amizade que a Trindade: “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” Normalmente esse versículo é só usado para fins ecumênicos o que prejudica sua compreensão no estudo da Trindade e seu relacionamento conosco. A Trindade existe para a criação de uma Linguagem e a oração é a forma como entramos para participar da comunhão trinitária. Perichoresis foi o termo inventado para explicar como as três pessoas da Trindade (Pai, Filho e Espírito) se relacionavam entre si. Esse termo resgata a individualidade das pessoas assim como insiste em que cada pessoa compartilha da vida das outras duas. Na ação de cada pessoa da Trindade as outras também estão presentes. Trindade é comunhão e isso traz repercussão para o ser humano pois as correntes modernas de pensamento não cristão falam da individualidade do ser enquanto os cristãos falam de uma comunhão com a Trindade e entre si mesmos. Deus nos criou para participar dessa amizade da Trindade como Seu povo. É nessa amizade que descobrimos que Igreja não é uma instituição mas um jeito de ser, de existir e coexistir. No desenvolvimento da Igreja, Cristo institui e o Espírito constitui. Comunhão na igreja não é só as pessoas se reunirem para eventos mas para ter um modo de relacionamento com fundamento na Trindade em que há mútua ajuda para todos se transformarem à imagem de Jesus. No Corpo de Cristo somos membros uns dos outros e lá,no uso de meus dons, é onde eu percebo minha identidade. É muito importante essa apreciação equilibrada das duas naturezas, divina e humana, de Cristo. Para parte do catolicismo Cristo parece uma figura nebulosa situado entre Deus e os santos e abaixo de Maria. Então seu significado humano, adulto encarnado, fica distante e perde influência para a vida optando-se pela Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    53 veneração ao santose Maria. No protestantismo a ênfase da divindade de Jesus traz um certo abandono ou despreocupação da sua humanidade encarnada e aí, na busca de exemplos humanos, o protestante ao invés de venerar Maria e os santos vai venerar pregadores, super pastores da mídia, por exemplo. Basílio de Cesaréia ensina que toda a ação de Deus na criação, redenção e santificação acontece por meio do Filho e no Espírito. Assim como toda a Trindade estava envolvida na criação (Gen 1:1-3) toda ela está envolvida na redenção. Colocaremos até o final desse capítulo minhas anotações de aulas do Pr Ricardo Barbosa de Sousa no seu curso de Espiritualidade ministrado no Seminário Servo de Cristo , pedindo desculpas antecipadas se houver alguma incorreção. Notamos nas Escrituras os diferentes papéis desempenhados pelas pessoas da Trindade: Papéis do Filho I - O Filho é quem revela o Pai “25 Naquela ocasião Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado.27 “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar. Mateus 11 7 Os setenta e dois voltaram alegres e disseram: “Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome”.18 Ele respondeu: “Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago. 19 Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; nada lhes fará dano. 20 Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus”.21 Naquela hora Jesus, exultando no Espírito Santo, disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado.22 “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém sabe quem é o Pai, a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar”. Lucas 10 II - O Filho depende completamente do Pai 16 Então os judeus passaram a perseguir Jesus, porque ele estava fazendo essas coisas no sábado. 17 Disse-lhes Jesus: “Meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando”. 18 Por essa razão, os judeus mais ainda queriam matá-lo, pois não somente estava violando o sábado, mas também estava dizendo que Deus era seu próprio Pai, igualando-se a Deus.19 Jesus lhes deu esta resposta: “Eu lhes digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si mesmo; só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz.20 Pois o Pai ama ao Filho e lhe mostra tudo o que faz. Sim, para admiração de vocês, ele lhe mostrará obras ainda maiores do que estas. 21 Pois, da mesma forma que o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem ele quer.22 Além disso, o Pai a ninguém julga, mas confiou todo julgamento ao Filho, 23 para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou.(...)26 Pois, da mesma forma como o Pai tem vida em si mesmo, ele concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.27 E deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem.(...)30 Por mim mesmo, nada posso fazer; eu julgo apenas conforme Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    54 ouço, e o meu julgamento é justo, pois não procuro agradar a mim mesmo, mas àquele que me enviou. Joao 5 III - Jesus , sua missão e o Pai 38 Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. 39 E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia.40 Porque a vontade de meu Pai é que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”.(...)44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia.(...)56 Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.57 Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, João 6 IV -Jesus glorifica o nome do Pai e Deus aceita 20 Entre os que tinham ido adorar a Deus na festa da Páscoa, estavam alguns gregos.21 Eles se aproximaram de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, com um pedido: “Senhor, queremos ver Jesus”. ser glorificado o Filho do homem.24 Digo-lhes verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto.25 Aquele que ama a sua vida, a perderá; ao passo que aquele que odeia a sua vida neste mundo, a conservará para a vida eterna. 26 26 Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará. Aquele que me serve, meu Pai o honrará.27 “Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora. 28 Pai, glorifica o teu nome!” Então veio uma voz dos céus: “Eu já o glorifiquei e o glorificarei novamente”.29 A multidão que ali estava e a ouviu, disse que tinha trovejado; outros disseram que um anjo lhe tinha falado.30 Jesus disse: “Esta voz veio por causa de vocês, e não por minha causa. João 12 V - Jesus falava totalmente em submissão ao Pai 49 Pois não falei por mim mesmo, mas o Pai que me enviou me ordenou o que dizer e o que falar. 50 Sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu digo é exatamente o que o Pai me mandou dizer”.Joao 12 VI - Jesus, o Caminho para o Pai 5 Disse-lhe Tomé: “Senhor, não sabemos para onde vais; como então podemos saber o caminho?”6 Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim. 7 Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam também o meu Pai. Já agora vocês o conhecem e o têm visto”.8 Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”.9 Jesus respondeu: “Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? 10 Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra. 11 Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras. 12 Digo-lhes a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.13 E eu farei o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho. 14 O que vocês pedirem em meu nome, eu farei. João 14 Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    55 VII - JesusPromete o Espírito Santo 15 “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. 16 E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, 17 o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês. 18 Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês. 19 Dentro de pouco tempo o mundo não me verá mais; vocês, porém, me verão. Porque eu vivo, vocês também viverão.20 Naquele dia compreenderão que estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês. João 14 VIII - Jesus esta identificado com os atos de Deus 1 No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. 2 Ele estava com Deus no princípio.3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito .João 1 IX - O futuro da missão do Filho não é a própria glória mas a glória do Pai Quando, porém, tudo lhe estiver sujeito, então o próprio Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, a fim de que Deus seja tudo em todos. I Co 15;28 Por instituição a igreja é o Corpo de Cristo e por constituição ela é a koinonia do Espírito Santo. Papéis do Espírito Santo I - Traz para nós o que é do Filho e que tinha recebido do Pai. “13 Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir. 14 Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês.15 Tudo o que pertence ao Pai é meu. Por isso eu disse que o Espírito receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês.” João 16 II - O Espírito Santo como garantia do que virá “1 Sabemos que, se for destruída a temporária habitação terrena em que vivemos, temos da parte de Deus um edifício, uma casa eterna nos céus, não construída por mãos humanas. 2 Enquanto isso, gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação celestial, 3 porque, estando vestidos, não seremos encontrados nus. 4 Pois, enquanto estamos nesta casa, gememos e nos angustiamos, porque não queremos ser despidos, mas revestidos da nossa habitação celestial, para que aquilo que é mortal seja absorvido pela vida. 5 Foi Deus que nos preparou para esse propósito, dando-nos o Espírito como garantia do que está por vir..“2 Cor 5 III - O Espírito Santo cria relacionamentos – A Comunhão dos Cristãos “42 Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. 43 Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. 44 Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. 45 Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. 46 Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    56 pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, 47 louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos.” Atos 2 Eu demonstro minha vida com o Espírito Santo pela minha forma de interagir com as pessoas e não pela dramaticidade dos dons.. “Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. I Joao 4:7 Estêvão, cheio do Espírito Santo mantém a mesma relação com Deus, Igreja e seus inimigos. Atos 7 “54 Ouvindo isso, ficaram furiosos e rangeram os dentes contra ele. 55 Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus em pé, à direita de Deus, 56 e disse: “Vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé, à direita de Deus”.57 Mas eles taparam os ouvidos e, dando fortes gritos, lançaram-se todos juntos contra ele, 58 arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram seus mantos aos pés de um jovem chamado Saulo.59 Enquanto apedrejavam Estêvão, este orava: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito”. 60 Então caiu de joelhos e bradou: “Senhor, não os consideres culpados deste pecado”. E, tendo dito isso, adormeceu. Nos enchemos do Espírito Santo por uma linguagem de amizade pelo povo de Deus. O que cria a comunidade são as nossas conversas (Efésios 5). O exemplo de vida em comunidade da Trindade nos inspira, como ensina Paulo: 15 Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, 16 aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. 17 Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. 18 Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito, 19 falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor, 20 dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.21 Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo. Efésios 5 A presença do Espírito Santo é que vai dizer à igreja quem ela é. Papéis do Pai I - O Pai é o fundamento da missão do Filho “38 Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. JOAO 6 5 Por isso, quando Cristo veio ao mundo, disse: “Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste; 6 de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agradaste. 7 Então eu disse: Aqui estou, no livro está escrito a meu respeito; vim para fazer a tua vontade, ó Deus” HEBREUS 10 II - O Pai tudo entrega ao Filho “34 Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque ele dá o Espírito sem limitações. 35 O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos. 36 Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele”.João 3 III - O Pai é transparente com o Filho e lhe confia todo o julgamento Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    57 “20 Pois o Pai ama ao Filho e lhe mostra tudo o que faz. Sim, para admiração de vocês,ele lhe mostrará obras ainda maiores do que estas. 21 Pois, da mesma forma que oPai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem ele quer.22 Além disso, o Pai a ninguém julga, mas confiou todo julgamento ao Filho, 23 para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Aquele que não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou. João 5 9 “Assim, visto que somos descendência de Deus, não devemos pensar que a Divindade é semelhante a uma escultura de ouro, prata ou pedra, feita pela arte e imaginação do homem. 30 No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam. 31 Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem (Cristo)que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos”.Atos 17 IV - O Pai declara amor ao Filho “21 Quando todo o povo estava sendo batizado, também Jesus o foi. E, enquanto ele estava orando, os céus se abriu22 e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba. Então veio dos céus uma voz: “Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado”. Lucas 3 V - O Pai concede sua imagem ao Filho e lhe dá primazia SOUSA,RB. Oração: curso , 25 de jul. de 2008. Notas de Aula. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    58 A Confissão do Pecado I - A necessidade da confissão do pecado Infelizmente, poucas igrejas na atualidade, tem em sua liturgia o momento de confissão e com isso deixam seus membros entregues à tirania do silêncio.O salmo 32:3-5 traz a relação emocional entre doença emocional e a não-confissão. “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim; e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado”. Salmo 32: 3-5 No texto acima, enquanto Davi manteve o seu silêncio, a sua alma envelheceu, sentiu-se cansado e gemeu com o peso de suas lembranças. Isto ocorreu não apenas pela conseqüência de seu pecado...mas do seu silêncio. Hoje, com a cultura das terapias, a expressão pecado virou sinônimo de doença emocional e tenta escapar da mentoria pastoral (com tendências displicentes em relação ao pecado) para os consultórios dos profissionais de saúde mental . II - O problema do pecado O conceito de pecado é teológico e tem a ver com Deus e seus propósitos. É preciso entender que pecado não é apenas um conceito que precisa ser definido para balizar as nossas ações. Mas, é uma realidade que envolve a nossa alma, sentimentos, deforma o nosso caráter e compromete nossos relacionamentos com Deus e com o próximo. Pecado tem muito mais a ver com o que eu sou do que com o que eu faço. Com freqüência, procuramos, como Davi, ignorar o nosso pecado ocultando de nós mesmos o nosso “lado sombra”, o que não é difícil, pois “ o nosso coração é desesperadamente corrupto...” Jeremias 17:9. Como desdobramento desse processo de querer ocultar a verdade - a nossa verdade interior - ficamos com a nossa percepção deformada, e isto afeta a nossa compreensão do mundo, da realidade, das pessoas ... e até de Deus! III - Entendendo a confissão A confissão é o desnudamento da alma e do coração diante de Deus e do próximo. Ela revela o nosso verdadeiro caráter, buscando resgatar nossa verdadeira identidade (que nunca foi oculta do Pai) e nela encontramos o caminho de volta, o redescobrimento do sentido de pessoa, criada à imagem de Deus e deformada pelo pecado IV - Libertando-se pela confissão Em II Coríntios 3: 17-18 temos : “ Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade E todos Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    59 nós com o rosto desvendado contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória , na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. A liberdade de podermos tirar os véus e máscaras na certeza de que o Pai nos ama e nos aceita promove a nossa transformação. O nosso avivamento espiritual necessita uma profunda consciência de quem somos perante Deus e o mundo, e a certeza de apenas duas coisas: o nosso pecado e as misericórdias divinas ! É necessário que o crente se assuma como próprio agente de sua própria vida e de sua história sem se vitimizar ou se deixar vitimizar culpando outras pessoas especialmente familiares. Santo Agostinho em suas Confissões afirma que conhecer a Deus implica no conhecimento de nós mesmos: “Diante de Deus está sempre a descoberto o abismo da consciência humana: que poderia haver de oculto em mim para Deus, por mais que eu não quisesse dizer a verdade? Conseguiria apenas ”ocultar Deus aos meus olhos”, mas não poderia ocultar-me dos seus. Com as minhas confissões, fica patente que não tenho razão alguma para estar satisfeito comigo, e por isso Deus me parece agora radiante, e me atrai, e o amo e o desejo a ponto de esquecer-me de mim, de repelir-me a mim mesmo para escolhê-lo só a Ele.” Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    60 A Ceia do Senhor e eu Jesus deixou duas ordenanças para que seguíssemos : Batismo e a Ceia. Seriam dois meios de entrarmos em contato com a Graça de Deus. No batismo eu declaro publicamente a quem eu coloco minha fé (Deus) e na Ceia eu me aproprio da aliança oferecida por Deus a mim. Aquilo que os altares do Velho Testamento simbolizavam são agora substituídos pela Mesa da Ceia. Veremos dois exemplos de pessoas que receberam Ceia servida pessoalmente por Jesus e com resultados completamente diferentes. Todas essas pessoas eram pecadoras mas o que fez a diferença foi não foi seu pecado mas a atitude interior delas. Judas Iscariotes Nesse texto vemos alguém que perder sua chance de participar da ceia com Jesus em situação especial. Àquela época, receber a primeira porção da refeição diretamente pelo anfitrião era um sinal de alta amizade e consideração.Até ali a vida de Judas tinha jeito.Mas Judas não quis; preferiu o dinheiro da traição.Comeu da Ceia mas ela não teve proveito para ele. “21 - Depois de dizer isso, Jesus ficou muito aflito e declarou abertamente aos discípulos: - Eu afirmo a vocês que isto é verdade: um de vocês vai me trair.22 - Então eles olharam uns para os outros, sem saber de quem ele estava falando.23 - Ao lado de Jesus estava sentado um deles, a quem Jesus amava.24 - Simão Pedro fez um sinal para ele e disse: - Pergunte de quem o Mestre está falando.25 - Então aquele discípulo chegou mais perto de Jesus e perguntou: - Senhor, quem é ele?26 - É aquele a quem vou dar um pedaço de pão passado no molho! - respondeu Jesus. Em seguida pegou um pedaço de pão, passou no molho e deu a Judas, filho de Simão Iscariotes.27 - E assim que Judas recebeu o pão, Satanás entrou nele. Então Jesus disse a Judas: - O que você vai fazer faça logo.28 - Nenhum dos que estavam à mesa entendeu por que Jesus disse isso.29 - Como era Judas que tomava conta da bolsa do dinheiro, alguns pensaram que Jesus tinha mandado que ele comprasse alguma coisa para a festa ou desse alguma ajuda aos pobres.30 - Judas recebeu o pão e saiu logo. E era noite.” (João 13: BLH) Os discípulos de Emaús Em Lucas 24, no texto da Caminhada de Emaús Jesus aborda dois discípulos tristes com a sua morte (mas não se dá a conhecer) . Viajando juntos, Jesus é convidado por eles a permanecer numa casa para não ter de enfrentar a noite e a estrada escura. Leia: “28 - Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez como quem ia para mais longe.29 - Mas eles insistiram com ele para que ficasse, dizendo: - Fique conosco porque já é tarde, e a noite vem chegando. Então Jesus entrou para ficar com os dois.30 - Sentou-se à mesa com eles, pegou o pão e deu graças a Deus. Depois partiu o pão e deu a eles.31 - Aí os olhos deles foram abertos, e eles reconheceram Jesus. - Mas ele desapareceu. 32 - Então eles disseram um para o outro: - Não parecia que o nosso coração queimava dentro do peito quando ele nos falava na estrada e nos explicava as Escrituras Sagradas?33 - Eles se levantaram logo e voltaram para Jerusalém, onde Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    61 encontraram os onze apóstolos reunidos com outro seguidores de Jesus. 34 - E os apóstolos diziam: - De fato, o Senhor foi ressuscitado e foi visto por Simão!35 - Então os dois contaram o que havia acontecido na estrada e como tinham reconhecido o Senhor quando ele havia partido o pão. Cada um desses dois homens sentiu que seu coração queimava dentro do peito quando ele (Jesus) falava na estrada e explicava as Escrituras Sagradas. Eles sentiam saudades do Mestre morto foram desobrir que seu Mestre veio para confortá-los e confortá-los através da Ceia. Jesus só se deu a conhecer quando partiu o pão e deu a eles . Jesus agora não era mais uma realidade visível, uma realidade “entre eles” mas agora habitava dentro deles, era uma realidade “neles mesmos”. É isso o que Jesus quer ser na Ceia , não só uma realidade em mim mas também uma presença em mim. O apóstolo Paulo em I Co 11, nos ensina o que significa a Ceia a partir do que o próprio Deus teria lhe ensinado. Paulo comenta que na reunião dos crentes haveria um momento especial chamado Ceia do Senhor - um momento especial de renovação em que nos examinamos a nós mesmos e nos apropriamos do perdão divino. Nesse momento também relembramos a aliança de Deus conosco através de Jesus. Provavelmente Paulo teve outras fontes acerca do episódio da Ceia de Jesus, mas o que chama a atenção e que ele também recebe orientação especial de Deus para nos ensinar. 23 - Porque eu recebi do Senhor este ensinamento que passei para vocês: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, pegou o pão 24 - e deu graças a Deus. Depois partiu o pão e disse: "Isto é o meu corpo, que é entregue em favor de vocês. Façam isto em memória de mim." 25 - Assim também, depois do jantar, ele pegou o cálice e disse:Este cálice é a nova aliança feita por Deus com o seu povo, aliança que é garantida pelo meu sangue. Cada vez que vocês beberem deste cálice, façam isso em memória de mim." Façam isto em memória de mim. Jesus disse que algumas coisas precisam ser preservadas e lembradas de tempos em tempos. O pão lembra o corpo e o corpo lembra a morte de Jesus. O fato de sermos irmãos uns dos outro como cristãos é decorrente , em última análise, da morte de Jesus. Portanto, que cada um examine a sua consciência e então coma do pão e beba do cálice. O momento da Ceia é o momento de sermos confrontados, de percebermos nosso “eu” pecador. È o momento de Deus dizer para nós quem Ele é e quem nós realmente somos. Esse lembrar não deve me desmotivar quanto à participação da Ceia. Mas é o momento de ver junto com o meu pecado, o meu perdão que recebi em Cristo. É o momento de me recordar que existe uma Nova Aliança que me ajuda a ter uma disposição de mudar para melhor. “26 - De maneira que, cada vez que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.27 - Por isso aquele que Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    62 comer do pão do Senhor ou beber do seu cálice de modo que ofenda a honra do Senhor estará pecando contra o corpo e o sangue do Senhor. 28 - Portanto, que cada um examine a sua consciência e então coma do pão e beba do cálice. Ao exame de consciência deve se seguir o comer e o beber da Ceia. É uma ordenança. Temos de fazer. Não devemos nos recusar a tomar a Ceia – não podemos abrir mão da Graça que ela traz. Jesus cria a Mesa do Senhor como um novo lugar de espiritualidade. Devem sentar à mesa aqueles que têm com aquele sentimento que só Deus pode preencher o vazio dentro de nós. Essa é a lição que Emaús nós ensina: Foi a partir do sentimento de saudade de Jesus que os discípulos O encontraram. E tudo isto passa pela Ceia. Judas Iscariotes Mas Judas não aprendeu nada. Comeu o pão da honra e não aconteceu mais nada! Ou pior, aconteceu sim. Tudo aquilo que está no texto abaixo. “29 -Pois,a pessoa que comer do pão ou beber do cálice sem reconhecer que se trata do corpo do Senhor,estará sendo julgada ao comer e beber para o seu próprio castigo.30 - É por isso que muitos de vocês estão doentes e fracos, e alguns já morreram.” É isso o que Jesus quer ser na Ceia , não só uma realidade entre nós mas também uma presença em nós. Igreja Batista Memorial de Alphaville
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    63 Em tempos de pós-modernismo Coloco abaixo texto do Dr. James Houston sobre espiritualidade em tempos de pós-modernismo: “O pensamento bíblico contrasta, portanto, com o pensamento desconstrutivista que vem sendo defendido na pós-modernidade. Se somos nós que determinamos "o que faz sentido" no texto, então só enxergaremos aquilo que queremos e nossa visão será idólatra. (...) Como disse tão bem Stephen Moore, "hoje em dia, não são nossos textos bíblicos que precisam de desmistificação e sem nossa maneira de lêlos". A Regra de Fé consiste em ‘ouvir o que Deus fala’. Isso exige uma ação comunicativa, pois somos exortados a ‘sermos não somente ouvintes da Palavra mas também praticantes’. O propósito da leitura da Bíblia é o de nos guiar na busca da piedade e não apenas o de nos municiar com mais informação que venha a reforçar nossa própria visão do mundo ou status quo idólatra. Damos a essa leitura o nome de "teológica" ou querigmática , feita dentro da profissão de fé conforme expresso pelos autores bíblicos. Ela nos chega como uma proclamação real que suscita a reação de súditos leais. Muitos estudiosos bíblicos do tempo de Kierkgaard (existencialista cristão - nota do autor) e também dos nossos dias tentaram ‘explicar’ a Bíblia ao invés de ‘escutar’ e obedecer. Kierkgaard argumentaria que tal escolasticismo leva, na prática, ao silenciamento das ordens contidas na Palavra de Deus.(...)” Kierkgaard faz diversas recomendações (para quem quiser ser leitor "fiel da Bíblia): 1. Em primeiro lugar, "fique à sós com a Palavra de Deus", isto é, não permita que comentários interfiram na leitura do texto em si. 2. Em segundo lugar, crie um ambiente de silêncio para a Palavra de Deus. Se não o fizermos, nos esqueceremos de que se trata da palavra de Deus ou nos veremos incapacitados de ouvi-la por causa dos "ruídos" de nossas próprias inclinações culturais. 3. Em terceiro lugar, considere a Bíblia como o espelho em que vemos e respondemos àquilo que vemos de nós mesmos enquanto pecadores. 4. Em quarto lugar - essa leitura deve nos levar a um profundo sentimento de convicção e de arrependimento pessoal e a uma atitude de contrição e humildade na leitura da mensagem de Deus para nós, permitindo sua internalização de forma pessoal. 5. Em quinto lugar, faça uma leitura responsiva, para obedecê-la e "praticar a verdade". 6. Em sexto lugar, reconheça que a comunicação bíblica se faz por vias indiretas: o próprio Jesus falou em parábolas. Desse modo, a narrativa bíblica nos atrairá para dentro da própria história, para que participemos dela e nos apropriemos de sua mensagem. A verdade não pode ser imposta, só pode ser internalizada de forma pessoal. 7. Por fim, leia a Palavra com esperança, crendo que "todas as coisas" são possíveis para Deus, para que possamos estar "abertos" para a "novidade" de Deus.* *Houston JM - Mentoria Espiritual - Ed. Sepal, 2003, São Paulo, pág 151-153. Igreja Batista Memorial de Alphaville