˜
             UNIVERSIDADE DE SAO PAULO
                 ˆ            ´         ˜
  INSTITUTO DE CIENCIAS MATEMATICAS DE SAO CARLOS
DEPARTAMENTO DE MATEMATICA APLICADA E ESTAT´
                         ´                   ISTICA




       ¸˜                     ´
   EQUACOES DIFERENCIAIS ORDINARIAS
                  NOTAS DE AULAS




                         Herminio Cassago Junior
                         Luiz Augusto da Costa Ladeira




                   ˜
                  SAO CARLOS - SP
                       2011
Sum´rio
   a


1 Preliminares                                                     1

  1.1   Problemas onde surgem E.D.O. . . . . . . . . . .           2

        1.1.1   Um Problema Geometrico . . . . . . . . .
                                ´                                  2

        1.1.2                 ımico . . . . . . . . . . . .
                Um Problema Qu´                                    3

        1.1.3              ısicos . . . . . . . . . . . . . . .
                Problemas F´                                       3

  1.2   Existencia e Unicidade de Solucoes . . . . . . .
             ˆ                        ¸˜                           7


2 Equa¸˜o Diferencial Linear de Primeira Ordem
      ca                                                          15

  2.1   A Equacao Homogenea . . . . . . . . . . . . . . .
              ¸˜       ˆ                                          17

  2.2   A Equacao nao Homogenea . . . . . . . . . . . .
              ¸˜   ˜       ˆ                                      19

  2.3   Algumas Aplicacoes . . . . . . . . . . . . . . . . .
                      ¸˜                                          24

        2.3.1   Desintegracao radioativa . . . . . . . . .
                          ¸˜                                      24

        2.3.2   Circuito Eletrico . . . . . . . . . . . . . . .
                           ´                                      25

        2.3.3   Resfriamento de um corpo . . . . . . . . .        26

                                 i
2.3.4   Diluicao de Misturas . . . . . . . . . . . .
                     ¸˜                                              28

        2.3.5   Outras Aplicacoes . . . . . . . . . . . . . .
                             ¸˜                                      30


3 Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem
      co                                                             31

  3.1   Teoria Geral para Equacoes de Segunda Ordem 33
                              ¸˜

  3.2   Reducao de Ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . .
            ¸˜                                                       41

  3.3        ¸˜           ˆ
        Equacoes Homogeneas com Coeficientes Cons-
        tantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .   43

  3.4   A Equacao Nao Homogenea . . . . . . . . . . . .
              ¸˜   ˜       ˆ                                         52

        3.4.1    ´
                Metodo dos Coeficientes a Determinar                 55

        3.4.2    ´               ¸˜         ˆ
                Metodo de Variacao dos Parametros (ou
                Variaca
                     ¸ ˜ o das Constantes) . . . . . . . . .         64

  3.5   Algumas Aplicacoes . . . . . . . . . . . . . . . . .
                      ¸˜                                             67

        3.5.1   Vibracoes Mecanicas . . . . . . . . . . . . .
                     ¸˜      ˆ                                       67

        3.5.2   Circuitos Eletricos . . . . . . . . . . . . .
                            ´                                        70

        3.5.3   Outras Aplicacoes . . . . . . . . . . . . . .
                             ¸˜                                      72

  3.6   Equacoes de Ordem Superior . . . . . . . . . . .
            ¸˜                                                       73

  3.7   Metodo dos Coeficientes a Determinar . . . .
         ´                                                           79

  3.8   Metodo de Variacao dos Parametros . . . . . .
         ´             ¸˜         ˆ                                  80


4 Transformada de Laplace                                            82

  4.1   Integrais Improprias . . . . . . . . . . . . . . . . .
                      ´                                              82
4.2   A Transformada de Laplace . . . . . . . . . . . .           84

  4.3   Algumas Propriedades . . . . . . . . . . . . . . . .        85

  4.4   Transformada Inversa - Fracoes Parciais . .
                                  ¸˜                                89

  4.5   Aplicacao a Equacoes Diferenciais . . . . . . .
              ¸˜        ¸˜                                          92

  4.6   Outras Propriedades . . . . . . . . . . . . . . . . .       94

  4.7   Delta de Dirac . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .    97

        4.7.1   Transformada de Laplace de δ(t − t0 ) . .           98

  4.8   O Produto de Convolucao . . . . . . . . . . . . . 100
                            ¸˜

  4.9   Tabela de Algumas Transformadas . . . . . . . 103


5 Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                  co                                               105

  5.1   Teoria Geral para Sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . 107

  5.2   Sistemas Lineares com Coeficientes Constantes116

  5.3                      ˜           ˆ
        Sistemas Lineares nao Homogeneos com Coefi-
        cientes Constantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128

  5.4   Metodo da Variacao dos Parametros . . . . . . 131
         ´             ¸˜         ˆ

  5.5         ¸˜
        Resolucao de Sistemas pela Transformada de
        Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135


6 Equa¸˜es N˜o Lineares de Primeira Ordem
      co    a                                                      138

  6.1   Equacoes Exatas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138
            ¸˜

  6.2   Equacoes com Variaveis Separaveis . . . . . . . 144
            ¸˜           ´          ´
6.3   Fatores Integrantes . . . . . . . . . . . . . . . . . 146

  6.4   Equacoes Homogeneas . . . . . . . . . . . . . . . . 148
            ¸˜        ˆ

  6.5              ¸˜
        Homogeneizacao       . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150


Respostas dos Exerc´
                   ıcios                                         154


Referˆncias Bibliogr´ficas
     e              a                                            167
Cap´
   ıtulo 1

Preliminares

   O objetivo deste curso ´ mostrar alguns m´todos de resolu¸˜o de
                          e                  e              ca
alguns tipos de equa¸oes diferenciais que aparecem mais freq¨ente-
                     c˜                                     u
mente.

   Uma equa¸˜o diferencial ´ uma rela¸˜o que envolve uma “fun¸˜o
              ca              e          ca                  ca
inc´gnita” e suas derivadas ou diferenciais. Por exemplo:
   o

                                             dy
 (1) y(t) = f (t), em que y denota
     ˙                    ˙                     .
                                             dt
 (2) y (t) + y(t) = 0.
     ¨

 (3) y (3) (t) + (sen t) y (t) + 5 t y(t) = 0.
                         ¨

       ∂ 2 u(t, x) ∂ 2 u(t, x)
 (4)              +            = 0.
           ∂ t2        ∂ x2
 (5) M (x, y) dx + N (x, y) dy = 0.

   Uma equa¸˜o diferencial ordin´ria (E.D.O.) ´ uma equa¸ao di-
              ca                     a            e          c˜
ferencial na qual a fun¸ao inc´gnita depende apenas de uma vari´vel.
                       c˜     o                                a

                                       1
Preliminares    Cap. 1                   Onde surgem E.D.O.        2


As equa¸oes (1), (2), (3) e (5) acima s˜o exemplos de equa¸oes dife-
         c˜                            a                  c˜
renciais ordin´rias. Se a fun¸˜o inc´gnita depender de mais de uma
              a              ca     o
    a                     ca                               ´
vari´vel, temos uma equa¸˜o diferencial parcial (E.D.P.). E o caso
da equa¸ao (4). Estaremos interessados exclusivamente nas E.D.O.’s.
        c˜

   A ordem de uma equa¸˜o diferencial ´ a ordem da mais alta
                            ca               e
derivada da fun¸ao inc´gnita. Portanto, (1) ´ uma equa¸ao de primeira
               c˜     o                     e         c˜
ordem, (2) ´ de segunda ordem e (3) ´ de terceira ordem.
           e                         e

    Uma solu¸˜o de uma equa¸ao diferencial ´ uma fun¸ao definida
              ca               c˜             e          c˜
num intervalo que, juntamente com suas derivadas, satisfaz a equa¸ao
                                                                  c˜
diferencial dada. Por exemplo, a fun¸ao y(t) = sen t ´ uma solu¸ao da
                                    c˜               e         c˜
E.D.O. de segunda ordem y + y = 0, pois,
                          ¨
                d2 sen t
                         + sen t = − sen t + sen t = 0.
                  dt2
     Verifique que, para cada c ∈ R, a fun¸ao yc (t) = c ek t ´ uma
                                          c˜                   e
solu¸ao da E.D.O. de primeira ordem y = k y e que yc (t) = c t ´ uma
    c˜                              ˙                          e
solu¸ao de E.D.O. de segunda ordem y = 0.
    c˜                              ¨



1.1     Problemas onde surgem E.D.O.

1.1.1                    ´
         Um Problema Geometrico

Determine uma curva que seja definida pela condi¸˜o de ter em todos
                                                 ca
                              dy
os pontos (x, y) a inclina¸ao
                          c˜     igual ao dobro da soma das coorde-
                              dx
nadas do ponto.

   Se y = y(x) ´ a equa¸ao da curva, ent˜o, para resolver este pro-
               e        c˜               a
blema devemos resolver a equa¸˜o diferencial:
                             ca
                           dy
                              = 2 (x + y).
                           dx
Preliminares    Cap. 1                  Onde surgem E.D.O.       3


1.1.2    Um Problema Qu´
                       ımico

Suponha que 100 gramas de a¸ucar de cana, em agua, est˜o sendo
                            c´                 ´         a
transformados em dextrose numa raz˜o que ´ proporcional ` quanti-
                                   a     e              a
dade n˜o transformada. Deseja-se saber quanto a¸ucar foi transfor-
       a                                       c´
mado ap´s t minutos.
         o

   Se q ´ o n´mero de gramas convertido em t minutos e k ´ a cons-
        e    u                                            e
tante de proporcionalidade, ent˜o, a equa¸ao deste problema ´ dada
                               a          c˜                e
por:
                         dq
                             = k (100 − q),
                         dt
sabendo-se que q(0) = 0.


1.1.3    Problemas F´
                    ısicos

1. Movimento vertical

    Vamos descrever o movimento vertical de um corpo de massa m sob
a a¸ao da gravidade em um meio que oferece resistˆncia proporcional
   c˜                                             e
a velocidade do corpo. Deseja-se conhecer a posi¸ao do corpo num
`                                                 c˜
instante t.
Seja y = y(t) a posi¸ao do corpo no instante t.
                     c˜
Consideremos o sentido positivo o do movimento,      Tv = ky
                                                     k     ˙
isto ´, para baixo. As for¸as que atuam sobre o
     e                    c
                                                     m
corpo de massa m s˜o: m g devido a gravidade (no
                   a              `
                           dy                         mg
sentido do movimento) e k     devido a resistˆncia
                                     `       e       c
                           dt
do meio (no sentido contr´rio ao movimento).
                         a

   Segue da 2a lei de Newton (F = m a) que a equa¸ao do movimento
             ¯                                   c˜
´ dada por
e
                          d2 y          dy
                        m 2 = mg − k       .
                          dt            dt
Preliminares           Cap. 1                   Onde surgem E.D.O.       4


   Conhecendo y(0) = y0 e y(0) = 0, determinamos a posi¸˜o do
                            ˙                          ca
corpo em qualquer instante.

2. Movimento de um pˆndulo simples
                    e
                         x                           T
                       E
                                                     s θ
                                                     d
                                                       d             x
               θ                                        d{          E
                             ~m                           mg
       y                                                 c
           c
                                                         cy

   As for¸as que atuam no corpo de massa m s˜o a tens˜o T da corda
         c                                     a         a
(de comprimento ) e a for¸a vertical mg devido ` gravidade. Se θ ´ o
                         c                       a                  e
                                                       a lei de Newton
deslocamento angular da corda a partir da vertical, a 2¯
nos fornece as equa¸oes:
                   c˜
                                 m y = m g − T cos θ,
                                   ¨
                                   m x = −T sen θ.
                                     ¨
Eliminando-se T e lembrando que x = sen θ e y = cos θ, obtemos a
equa¸ao do pˆndulo
    c˜      e
                         ¨ g
                         θ + sen θ = 0.
Note que ´ uma equa¸˜o diferencial de 2a ordem.
         e         ca                  ¯
3. Circuitos el´tricos simples
               e

   (i) Considere o circuito da figura abaixo em que

                   E
                   I                             R= resistˆncia
                                                          e
                             R
I= corrente
            E
           
                       L            L= indutˆncia
                                                         a
                                                 E= for¸a eletromotriz
                                                       c
Preliminares    Cap. 1                   Onde surgem E.D.O.          5


    Sabe-se que a queda de potencial atrav´s da resistˆncia R ´ RI e
                                           e          e       e
                             dI
atrav´s da indutˆncia L ´ L
      e          a      e       . Segundo a lei de Kirchhoff, a queda
                             dt
total de potencial no circuito deve ser contrabalanceada pela for¸ac
eletromotriz aplicada. Com isso, a corrente num instante t qualquer ´e
dada pela equa¸˜o diferencial:
               ca
                           dI
                             L + R I = E,
                            dt
que ´ uma equa¸ao diferencial de 1a ordem.
    e         c˜                  ¯
   (ii) Dado o circuito
   E                         em que R, I, L e E s˜o como em
                                                     a
    I                        (i) e C = capacitˆncia. Sabe-se que
                                              a
           R
a queda de potencial atrav´s da ca-
                                                       e
 E

              L                           1
                             pacitˆncia C ´ Q, em que Q ´ a carga
                                  a       e              e
                                            C
           C                 no capacitor. Pela lei de Kirchhoff
                             temos:
                            dI        1
                        L      + R I + Q = E.
                            dt        C
           dQ
Como I =      , segue-se que
           dt
                     d2 Q      dQ     1
                    L     +R         + Q = E,
                      dt2       dt    C
que ´ uma equa¸ao diferencial de 2a ordem.
    e         c˜                   ¯
4. Sistema massa-mola

    Consideremos uma mola (que supomos sem massa) suspensa ver-
ticalmente tendo sua extremidade superior presa num suporte r´   ıgido.
Quando fixamos um corpo de massa m na outra extremidade da mola,
ela se distende de uma quantidade d e, pela lei de Hooke, passa a exer-
cer sobre o corpo uma for¸a de intensidade kd (em que k ´ a constante
                         c                               e
Preliminares    Cap. 1                       Onde surgem E.D.O.      6


de restaura¸˜o da mola) e sentido oposto ao deslocamento. Sobre este
           ca
corpo atuam duas for¸as: o peso m g e a for¸a restauradora da mola
                     c                      c
k d.




                   o
                        d
                        T         kd
                        c              0
                                 Tg
                                 m
                                 c
                                               k (d + y)
                                   y          T
                                       c      cg
                                              m




   Como o corpo est´ em equil´
                   a         ıbrio, temos

                                m g = k d.                        (1.1)

Imaginemos agora que este corpo seja deslocado verticalmente a partir
desta posi¸ao de equil´
           c˜         ıbrio e, em seguida, liberado. Queremos estudar
o seu movimento. Fixemos um eixo de coordenadas Oy cuja origem
coincide com o ponto de equil´  ıbrio do corpo e sentido para baixo. As
for¸as que atuam sobre o corpo s˜o: o peso m g (mesmo sentido de Oy)
   c                               a
e a for¸a restauradora da mola de sentido oposto ao do deslocamento
       c
e intensidade k (y + d). Pela 2a lei de Newton, temos:
                                 ¯

                           d2 y
                       m        = m g − k (y + d).
                           dt2

Usando (1.1), obtemos

                                d2 y
                            m        + k y = 0,
                                dt2

que ´ uma equa¸ao diferencial linear de 2a ordem.
    e         c˜                         ¯
Preliminares     Cap. 1                    Existˆncia e Unicidade
                                                e                        7


1.2           ˆ                        ¸˜
         Existencia e Unicidade de Solucoes

   Seja f : [a, b] → R uma fun¸ao cont´
                              c˜      ınua. O Teorema Fundamental
do C´lculo implica que a fun¸ao
    a                        c˜
                                 t
                  F (t) =            f (s) ds, com a ≤ t ≤ b,
                             a

´ diferenci´vel em (a, b) e F (t) = f (t) para todo t ∈ (a, b). Logo, F (t)
e          a
´ uma solu¸ao da equa¸ao diferencial ordin´ria de 1a ordem
e           c˜          c˜                     a       ¯
                       y(t) = f (t) com a ≤ t ≤ b,
                       ˙

e ainda F (a) = 0. Neste caso dizemos que F (t) ´ uma solu¸ao do
                                                e         c˜
problema de valor inicial (P.V.I.)

                                      y(t) = f (t)
                                      ˙
                                      y(a) = 0.

Este P.V.I. possui uma solu¸ao, mas surge a pergunta:
                           c˜

Ser´ que F (t) ´ a unica solu¸ao deste P.V.I.? Neste caso a resposta ´
   a            e ´           c˜                                     e
positiva, pois, se G(t) for uma outra solu¸ao, temos que
                                          c˜

                            G (t) = f (t) = F (t)

e isso implica que (F − G) (t) = 0. Ou seja, (F − G)(t) = constante.
Mas, (F − G)(a) = F (a) − G(a) = 0 − 0 = 0. Portanto, G(t) = F (t)
para todo t ∈ (a, b).

  No entanto, h´ problemas do valor inicial que possuem mais de
                a
uma solu¸ao. O problema de valor inicial
        c˜

                                      y = |y|1/2
                                       ˙
                                                                     (1.2)
                                     y(0) = 0

n˜o tem unicidade de solu¸˜o, pois y1 (t) ≡ 0 ´ uma solu¸ao e
 a                       ca                   e         c˜
Preliminares     Cap. 1             Existˆncia e Unicidade
                                         e                                         8

            t2 /4, t ≥ 0,                                T           y2 (t)
y2 (t) =
           −t2 /4, t  0


tamb´m ´ solu¸ao (verifique).
     e e      c˜                                                         E
Portanto, temos duas solu¸oes
                         c˜                                       y1 (t) ≡ 0
para o problema (1.2).



   Como um outro exemplo, vemos que o P.V.I.
                                y = 3 y 2/3
                                ˙
                                                                               (1.3)
                                y(0) = 0
tamb´m n˜o tem unicidade de solu¸ao, pois y(t) ≡ 0 ´ uma solu¸˜o e
     e   a                       c˜                  e       ca
observamos que para qualquer c ∈ R+ , a fun¸˜o yc : R → R dada por
                                           ca
                                    y T
           (t − c)3 , t ≥ c,
yc (t) =
              0,      t≤c                                                      t
                                                                               E
                                    0          c1   c2       c3     c4



tamb´m ´ solu¸ao. Logo, o P.V.I. (1.3) tem infinitas solu¸˜es.
    e e      c˜                                         co

   Logo, dado o P.V.I.
                               y = f (t, y)
                               ˙
                                                                               (1.4)
                               y(t0 ) = y0 ,
onde f ´ uma fun¸ao definida num aberto A de R2 , surgem as seguintes
       e        c˜
quest˜es:
     o

   1. Como sabemos que o P.V.I. (1.4) possui de fato uma solu¸ao
                                                             c˜
      sem exibi-la explicitamente?
   2. Como sabemos que existe somente uma solu¸ao de (1.4)? Talvez
                                                c˜
      existam duas ou trˆs ou mesmo infinitas solu¸˜es.
                        e                        co
Preliminares    Cap. 1               Existˆncia e Unicidade
                                          e                        9


  3. Qual a utilidade de determinarmos se (1.4) possui uma unica
                                                           ´
     solu¸ao se n˜o somos capazes de exibi-la?
         c˜      a

    Para esta ultima quest˜o, podemos dizer que o fato de sabermos
              ´           a
que (1.4) possui uma unica solu¸ao ´ muito importante, pois a par-
                      ´         c˜ e
tir disto poderemos usar t´cnicas computacionais para obter aprox-
                          e
ima¸oes da solu¸ao y(t).
    c˜          c˜

    Para responder a primeira quest˜o usaremos o m´todo de Pi-
                                   a                 e
card. Suponhamos que f (t, x) seja uma fun¸˜o cont´
                                           ca       ınua em (t, x) e
continuamente deriv´vel em x. Observamos que y(t) ´ solu¸ao de (1.4)
                   a                              e     c˜
se, e somente se,
                                     t
                    y(t) = y0 +              f (s, y(s)) ds.
                                    t0

Consideremos, agora, a seq¨ˆncia yn (t) dada da seguinte forma:
                          ue

                 y0 (t) = y0 ,
                                         t
                 y1 (t) = y0 +               f (s, y0 (s)) ds,
                                    t0
                                         t
                 y2 (t) = y0 +               f (s, y1 (s)) ds,
                                    t0
                    .
                    .
                    .
                                         t
                 yn (t) = y0 +               f (s, yn−1 (s)) ds.
                                    t0

As fun¸oes yn (t) s˜o chamadas iteradas de Picard. Pode-se mostrar
       c˜          a
que yn (t) → y(t), quando n → ∞, para t num intervalo conveniente.
Este processo ´ conhecido por m´todo de Picard.
               e                 e
Exemplo 1.1. Encontre uma solu¸ao para o P.V.I.
                              c˜

                                    y=y
                                    ˙
                                 y(0) = 1
Preliminares           Cap. 1                     Existˆncia e Unicidade
                                                       e                                 10


usando o m´todo de Picard.
          e

Solucao: Observamos que, neste caso, f (t, y) = y, t0 = 0 e y0 = 1.
     ¸˜
A equa¸ao integral equivalente ao P.V.I. dado ´:
      c˜                                      e
                                                          t
                                y(t) = 1 +                    y(s) ds.
                                                      0
Portanto,
y0 (t) = 1
                   t
y1 (t) = 1 +           1 ds = 1 + t ,
               0
                   t                          t
                                                                      t2
y2 (t) = 1 +           y1 (s) ds = 1 +            (1 + s) ds = 1 + t + ,
               0                          0                           2!
                   t                          t
                                                                   s2               t2 t3
y3 (t) = 1 +           y2 (s)ds = 1 +             (1 + s +            ) ds = 1 + t + + ,
               0                          0                        2!               2! 3!
   .
   .
   .
                   t                              t
                                                                     s2           sn−1
yn (t) = 1 +           yn−1 (s)ds = 1 +                   1+s+          + ··· +          ds=
               0                              0                      2!         (n − 1)!
                        2           n
                  t         t
       =1+t+         + ··· + .
                  2!        n!
                       2
                     t         tn
Como et = 1 + t + + · · · +       + · · ·, vemos que as iteradas de Pi-
                     2!        n!
card yn (t) convergem para a solu¸ao y(t) = et deste P.V.I..
                                  c˜
     ıcios 1.1. 1) Construa as iteradas de Picard para o P.V.I.
Exerc´
                                     y = 2 t (y + 1)
                                     ˙
                                  y(0) = 0
                                                                           2
e mostre que yn (t) converge para a solu¸ao y(t) = et − 1.
                                        c˜

2) Calcule as trˆs primeiras iteradas de Picard para o P.V.I.
                e
                                        y = et + y 2
                                        ˙
                                        y(0) = 0.
Preliminares      Cap. 1                 Existˆncia e Unicidade
                                              e                               11


 Observacao 1.1. As solu¸˜es de equa¸˜es diferenciais podem n˜o
           ¸˜                co          co                       a
existir para todo t real; por exemplo, a fun¸˜o y(t) = tg(t + π/4) ´
                                            ca                      e
solu¸ao do P.V.I.:
    c˜

                        y(t) = 1 + y 2 (t), y(0) = 1
                        ˙

e est´ definida somente no intervalo
     a                                                        y
(−3π/4, π/4).                                                     T
De fato, se t ∈ (−3π/4, π/4), ent˜o
                                 a
                            π                                 1
       y(t) = sec2 (t +
       ˙                       )                                          t
                             4                                            E
                                 π               − 3π                 π
               = 1 + tg2 (t + )                     4                 4
                                 4
               = 1 + y 2 (t)
             π
e y(0) = tg     = 1.
             4
     Por este fato, n˜o podemos esperar que as iteradas de Picard con-
                     a
virjam para todo t. Para sabermos onde as iteradas de Picard con-
vergem, tentamos encontrar um intervalo no qual todas as yn (t) s˜o a
uniformemente limitadas, isto ´, existe uma constante k  0 tal que
                                e
|yn (t)| ≤ k para todo t ∈ (a, b). Ou seja, procuramos um retˆngulo
                                                                a
que contenha os gr´ficos de todas as iteradas de Picard.
                     a

   O lema abaixo cuja demonstra¸ao pode ser encontrada em [4] (cf.
                                c˜
Lema I.1), nos mostra como encontrar tal retˆngulo.
                                            a
Lema 1.1. Sejam a, b ∈ R e consideremos o retˆngulo
                                             a

              R = { (t, y) | t0 ≤ t ≤ t0 + a e |y − y0 | ≤ b }.
                                                 b
Defina M = max |f (t, y)| e α = min{ a,             }. Ent˜o
                                                         a
              (t,y)∈R                            M
          |yn (t) − y0 | ≤ M |t − t0 |    para    t0 ≤ t ≤ t0 + α.
Preliminares             Cap. 1                      Existˆncia e Unicidade
                                                          e                                        12


   Obervamos que o Lema 1.1 afirma que o gr´fico de yn (t) permanece
                                               a
entre as retas y = y0 +M (t−t0 ) e y = y0 −M (t−t0 ) para t0 ≤ t ≤ t0 +α.
                                                                 b
Estas retas limitam o retˆngulo R em t = t0 + a se a ≤
                           a                                        e em
                                                                M
           b      b
t = t0 +      se      a. Em ambos os casos, o gr´fico de yn (t) est´
                                                      a                 a
          M      M
contido em R para t0 ≤ t ≤ t0 + α.


          T                                               T

 y0 + b
                                                               y = y0 + M (t − t0 )
                   y = y0 + M (t − t0 )
                                                                   d
                   d
                   ‚
                   d                 yn (t)                        ‚
                                                                   d
                                                                                      yn (t)
     y0
                     !
                     ¡                                             
                                                                    
                    ¡
                   y = y0 − M (t − t0 )                             
                                                               y = y0 − M (t − t0 )
 y0 − b
                                                 t                                             t
                                               E                                           E
              t0                          t0 + α              t0                       t0 + α
                         α=a                                           α = b/M

   O pr´ximo teorema nos apresenta as condi¸oes para a existˆncia e
        o                                        c˜                e
unicidade de solu¸˜es para o P.V.I. (1.4).
                  co
                                                                ∂f
Teorema 1.1 (Existˆncia e Unicidade Local). Suponha f e
                     e                                               sejam
                                                                ∂y
fun¸˜es cont´nuas no retˆngulo
   co       ı            a
              R = { (t, y) | t0 ≤ t ≤ t0 + a e |y − y0 | ≤ b }.
                                            b
Sejam M = max |f (t, y)| e α = min{ a, }. Ent˜o o P.V.I.
                                                     a
            (t,y)∈R                        M
                                              y = f (t, y)
                                              ˙
                                              y(t0 ) = y0
possui uma e somente uma solu¸˜o y(t) no intervalo t0 ≤ t ≤ t0 + α.
                             ca

   A demonstra¸˜o deste teorema pode ser encontrada em [4] (cf.
               ca
Teorema I.2’).
Preliminares       Cap. 1                 Existˆncia e Unicidade
                                               e                                      13


Exemplo 1.2. 1) Mostre que a solu¸ao y(t) do P.V.I. y = y 2 + cos t2
                                    c˜              ˙
                                        1
com y(0) = 0 existe no intervalo 0 ≤ t ≤ .
                                        2
Solucao: Usaremos o Teorema 1.1. Neste caso f (t, y) = y 2 + cos t2
      ¸˜
  ∂f
e                          ınuas em qualquer retˆngulo R = { (t, y) |
     (t, y) = 2 y, s˜o cont´
                    a                            a
  ∂y
0 ≤ t ≤ a, |y| ≤ b }, em que a, b ∈ R. Calculando

        M = max |f (t, y)| =            max            |y 2 + cos t2 | = b2 + 1,
              (t,y)∈R              |y|≤b e 0 ≤ t ≤ a

                                                             b
vemos que y(t) existe para 0 ≤ t ≤ α, em que α = min{ a,         }.
                                                          b2 + 1
Como a priori podemos tomar qualquer valor de a, temos que o valor
                            b
m´ximo de α ser´ quando 2
  a              a              for m´ximo. Este m´ximo ´ 1/2.
                                     a               a       e
                         b +1
Portanto o Teorema 1.1 garante que a solu¸˜o y(t) existe e ´ unica
                                         ca                e ´
para 0 ≤ t ≤ 1/2.

   2) Mostre que y(t) = −1 ´ a unica solu¸˜o do P.V.I. y = t(1 + y)
                           e ´           ca            ˙
com y(0) = −1.

Solucao: Observamos que y(t) = −1 ´ solu¸ao do P.V.I.. Como
       ¸˜                                      e    c˜
                       ∂f
f (t, y) = t (1 + y) e    (t, y) = t s˜o cont´
                                      a      ınuas em qualquer retˆngulo,
                                                                  a
                       ∂y
temos que o P.V.I. dado possui uma unica solu¸˜o e, portanto, ser´
                                           ´         ca                 a
y(t) = −1.
 Observacao 1.2. Suponha que y = f (t, y) seja uma equa¸ao dife-
           ¸˜                            ˙                                  c˜
rencial vetorial, isto ´, y = (y1 , . . . , yn ) ∈ Rn e f : A ⊂ Rn+1 → Rn .
                       e
                                                                      ∂f
O Teorema 1.1 continua sendo v´lido se entendermos
                                    a                                     como sendo
                                                                      ∂y
                                                ∂(f1 , . . . , fn )
a matriz jacobiana de f , isto ´, Jf =
                                 e                                  . Usaremos esta
                                                ∂(y1 , . . . , yn )
formula¸˜o no caso das equa¸oes de 2a ordem, das equa¸oes de ordem
        ca                    c˜             ¯                         c˜
n e de sistemas de equa¸oes diferenciais.
                          c˜
     ıcios 1.2. 1) Determine uma solu¸˜o do P.V.I. y = t
Exerc´                               ca            ˙                               1 − y2
Preliminares       Cap. 1         Existˆncia e Unicidade
                                       e                       14


com y(0) = 1 diferente de y(t) = 1. Isto contradiz o Teorema 1.1?
Explique.

   2) Mostre que a solu¸ao y(t) do P.V.I. dado existe no intervalo
                       c˜
especificado:

   a) y = t + y 2 , com y(0) = 0 para, 0 ≤ t ≤ 1/2.
      ˙
               2
   b) y = e−t + y 2 , com y(0) = 0 para, 0 ≤ t ≤ 1/2.
      ˙
               2
   c) y = e−t + y 2 , com y(1) = 0 para, 1 ≤ t ≤ 1 +
      ˙                                                 e/2.

   d) y = 1 + y + y 2 cos t, com y(0) = 0 para, 0 ≤ t ≤ 1/3.
      ˙
Cap´
   ıtulo 2

Equa¸˜o Diferencial Linear
    ca
de Primeira Ordem

   Uma equa¸ao diferencial de primeira ordem pode ser colocada na
           c˜
forma:
                           y = f (t, y),
                            ˙                                (2.1)
onde f ´ uma fun¸ao real definida em um conjunto A ⊂ R2 .
       e        c˜

    Se a fun¸˜o f depender apenas de t, ent˜o a equa¸ao fica:
            ca                             a        c˜

                             y = f (t).
                             ˙                                    (2.2)

Se f for integr´vel, ent˜o para resolver (2.2) integramos ambos os
               a        a
membros em rela¸ao a t, o que nos fornece:
                 c˜

                        y(t) =   f (t) dt + c,


em que c ´ uma constante arbitr´ria e
         e                     a          f (t) dt ´ qualquer primitiva
                                                   e
de f .

                                 15
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                                 Equa¸˜o Homogˆnea 16
                                                     ca       e


    Este procedimento ´ imposs´ na maioria dos casos e, portanto,
                       e       ıvel
n˜o conseguiremos resolver, sem o aux´ de computadores, a maio-
  a                                    ılio
ria das equa¸oes diferenciais. Partiremos, ent˜o, de equa¸oes mais
             c˜                                a           c˜
simples, as quais poderemos resolver, que s˜o as lineares.
                                            a

 Definicao 2.1. Uma equa¸˜o diferencial linear de primeira
       ¸˜                 ca
ordem ´ uma equa¸˜o da forma:
      e         ca

                            y + a(t) y = b(t),
                            ˙                                       (2.3)

em que a(t) e b(t) s˜o fun¸˜es cont´nuas num intervalo I.
                    a     co       ı

 Observacao 2.1. A equa¸ao (2.3) ´ chamada linear pois, se a es-
             ¸˜                c˜        e
crevermos na forma (2.1), teremos f (t, y) = −a(t) y + b(t) e a parte
que depende de y, isto ´, g(t, y) = −a(t) y ´ linear em y. De fato,
                             e                   e
g(t, α1 y1 + α2 y2 ) = −a(t) [α1 y1 + α2 y2 ] = −α1 a(t) y1 − α2 a(t) y2 =
α1 g(t, y1 ) + α2 g(t, y2 ).

Observacao 2.2. O P.V.I.
       ¸˜

                             y + a(t) y = b(t)
                             ˙
                             y(t0 ) = y0

possui solu¸˜o unica. Isto segue do Teorema 1.1, pois as fun¸˜es
           ca ´                                               co
                            ∂f
f (t, y) = −a(t) y + b(t) e    (t, y) = −a(t) s˜o cont´
                                               a      ınuas em t e
                            ∂y
em y.

Exemplo 2.1.    1. y = t2 y + sen t ´ uma equa¸ao diferencial linear
                   ˙                e           c˜
        a ordem, pois neste caso g(t, y) = t2 y ´ linear em y.
    de 1¯                                       e

  2. y = t y 2 + sen t n˜o ´ E.D.O. linear de 1a ordem, pois g(t, y) =
     ˙                   a e                   ¯
     t y 2 n˜o ´ linear em y.
            a e

  3. y = t cos y + t n˜o ´ E.D.O. linear de 1a ordem, pois g(t, y) =
     ˙                 a e                   ¯
     t cos y n˜o ´ linear em y.
              a e
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                                  Equa¸˜o Homogˆnea 17
                                                      ca       e


2.1           ¸˜       ˆ
        A Equacao Homogenea

Como uma solu¸˜o da equa¸˜o (2.3) n˜o ´ imediata, vamos simplific´-
                ca         ca        a e                        a
la ainda mais, colocando b(t) ≡ 0. Obtemos
                              y + a(t) y = 0
                              ˙                                      (2.4)
que ´ chamada equa¸˜o diferencial linear homogˆnea [L.H.] as-
     e              ca                          e
sociada a (2.3). A equa¸ao (2.3) ´ chamada equa¸˜o diferencial
                       c˜        e             ca
linear n˜o homogˆnea [L.N.H.].
        a         e

   A equa¸ao (2.4) pode ser resolvida facilmente. Dividindo ambos
         c˜
os membros da equa¸˜o por y, obtemos:
                   ca
                                y
                                ˙
                                  = −a(t).
                                y
                   y
                   ˙   d
Lembrando que        =    ( ln |y(t)| ) temos que a equa¸˜o (2.4) pode ser
                                                        ca
                   y   dt
escrita na forma
                      d
                        ( ln |y(t)| ) = −a(t).
                     dt
Integrando ambos os membros, obtemos

                       ln |y(t)| = −     a(t) dt + c1 ,

em que c1 ´ uma constante de integra¸˜o. Tomando exponenciais de
          e                         ca
ambos os membros, encontramos

                      |y(t)| = exp(−     a(t) dt + c1 ).

Logo,
                        y(t) = c exp(−      a(t) dt).                (2.5)

  Observamos que y(t), dada por (2.5), ´ uma solu¸ao de (2.4). Pode-
                                        e          c˜
mos dizer mais, qualquer outra solu¸˜o de (2.4) ser´ desta forma para
                                   ca              a
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                                            Equa¸˜o Homogˆnea 18
                                                                ca       e


algum c ∈ R. Neste caso dizemos que (2.5) ´ a solu¸˜o geral da
                                          e       ca
equa¸ao diferencial linear homogˆnea.
    c˜                          e

Exemplo 2.2. Determine a solu¸˜o geral da equa¸˜o: y + 2 t y = 0.
                             ca               ca ˙

Solucao: Neste caso a(t) = 2 t. Logo,
    ¸˜
                                                                       2
                y(t) = c e−   a(t) dt
                                        = c e−         2 t dt
                                                                = c e−t .

Portanto,
                                                   2
                               y(t) = c e−t
´ a solu¸ao geral.
e       c˜

Exemplo 2.3. Determine a solu¸ao do P.V.I.: y + (sen t) y = 0 com
                             c˜             ˙
y(0) = 2.

Solucao: Aqui a(t) = sen t. Logo,
    ¸˜

                      y(t) = c e−       sen t dt
                                                   = c ecos t

e, portanto, a solu¸ao geral ´
                   c˜        e

                              y(t) = cecos t .

Como y(0) = 2, temos

                          2 = y(0) = c ecos 0 ,

o que implica que c = 2e−1 . Logo, a solu¸ao do P.V.I. ser´
                                         c˜               a

                          y(t) = 2 ecos t−1 .

 Exerc´ ıcios 2.1. (1) Determine a solu¸ao do P.V.I. y + et y = 0 com
                                       c˜            ˙
y(0) = 3/2.

    (2) Determine o comportamento, quando t → ∞, de todas as
solu¸oes da equa¸ao y + a y = 0, em que a ´ constante.
     c˜         c˜ ˙                      e
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                               Eq. n˜o Homogˆnea 19
                                                    a       e


   (3) Mostre que o conjunto das solu¸˜es de (2.4) possui as seguintes
                                     co
propriedades:

   i) Se y1 e y2 s˜o solu¸˜es, ent˜o y1 + y2 tamb´m ´ solu¸ao.
                  a      co       a              e e      c˜

   ii) Se y1 ´ solu¸ao, ent˜o c y1 tamb´m ´ solu¸ao, para todo c ∈ R.
             e     c˜      a           e e      c˜

   iii) A fun¸˜o y(t) ≡ 0 ´ solu¸ao.
             ca           e     c˜
 Observacao 2.3. O exerc´ (3) nos diz que o conjunto das solu¸oes
            ¸˜             ıcio                                c˜
de (2.4) ´ um espa¸o vetorial. Como toda solu¸˜o de (2.4) ´ da
          e           c                            ca          e
forma (2.5), segue-se que este espa¸o vetorial tem dimens˜o 1 e que
                                   c                     a
y1 (t) = e− a(t) dt ´ uma base para este espa¸o.
                    e                        c



2.2           ¸˜   ˜       ˆ
        A Equacao nao Homogenea

Consideremos agora a equa¸ao n˜o homogˆnea
                         c˜ a         e
                          y + a(t) y = b(t).
                          ˙                                      (2.6)
Se consegu´
          ıssemos escrever a equa¸ao acima como
                                 c˜
                           d
                              (“algo”) = b(t),
                           dt
o nosso problema estaria resolvido, pois bastaria integrar ambos os
membros para encontrar o valor de “algo”. Por´m, a express˜o y +
                                                 e           a ˙
a(t)y n˜o aparece como derivada de alguma express˜o simples. Para
       a                                            a
resolvermos o problema procuraremos uma fun¸˜o µ(t), cont´
                                                 ca           ınua e
diferenci´vel tal que multiplicando-se ambos os membros da express˜o
         a                                                        a
(2.6) por µ(t) obteremos a equa¸ao equivalente:
                                  c˜
                     µ(t)y + µ(t)a(t)y = µ(t)b(t)
                         ˙                                       (2.7)
(onde, por equa¸˜o equivalente entendemos que toda solu¸˜o de (2.7)
               ca                                      ca
´ uma solu¸ao da (2.6) e reciprocamente) de modo que o primeiro
e          c˜
membro de (2.7)
                        µ(t) y + µ(t) a(t) y
                             ˙
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                                                  Eq. n˜o Homogˆnea 20
                                                                       a       e


seja a derivada de alguma express˜o simples.
                                 a

     Observamos que
                          d
                             (µ(t)y) = µ(t) y + µ(t) y.
                                            ˙ ˙
                          dt
Portanto,
                              d
     µ(t) y + a(t) µ(t) y =
          ˙                      (µ(t) y) ⇔ µ(t) = a(t) µ(t)
                                            ˙
                              dt
                                                                                            a(t) dt
                              ⇔ µ(t) − a(t) µ(t) = 0 ⇔ µ(t) = e
                                  ˙                                                                   .
Logo, para esta µ(t) a equa¸˜o (2.6) pode ser escrita como:
                           ca
                              d
                                 (µ(t) y) = µ(t) b(t).
                              dt
Por integra¸ao obtemos
           c˜

                           µ(t) y =          µ(t) b(t) dt + c

ou
               1
     y(t) =        [   µ(t) b(t) dt + c] = e−           a(t) dt
                                                                  [c +       e   a(t) dt
                                                                                           b(t) dt].
              µ(t)
Portanto,

                y(t) = c e−   a(t) dt
                                        + e−      a(t) dt
                                                              e    a(t) dt
                                                                             b(t) dt              (2.8)

´ a solu¸˜o geral da equa¸ao n˜o homogˆnea.
e       ca               c˜ a           e
  Observacao 2.4. Vemos que a 1a parcela da f´rmula (2.8) ´ a
           ¸˜                      ¯         o            e
solu¸ao geral da homogˆnea associada e que
    c˜                e

                       yp (t) = e−      a(t) dt
                                                    e   a(t) dt
                                                                   b(t) dt

´ uma solu¸˜o particular da equa¸˜o n˜o homogˆnea (obtida quando
e          ca                     ca a          e
c = 0). Logo, a solu¸ao geral da [L.N.H.] ´ a soma da geral da [L.H.]
                    c˜                    e
asssociada com uma particular da [L.N.H.].
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                                        Eq. n˜o Homogˆnea 21
                                                             a       e


 Observacao 2.5. A fun¸ao µ(t) = e a(t) dt ´ chamada fator inte-
         ¸˜             c˜                 e
grante para a equa¸˜o n˜o homogˆnea.
                  ca a         e
 Observacao 2.6. Um outro m´todo de resolver uma equa¸˜o [L.N.H.]
         ¸˜                e                         ca
´ o chamado m´todo da varia¸˜o das constantes, que consiste em
e            e             ca
fazer
                           y = uv
que implica
                              y = u v + u v.
                              ˙     ˙ ˙
Logo, a equa¸˜o [L.N.H.], y + a(t) y = b(t), se torna
            ca            ˙

                       u v + v u + a(t) u v = b(t),
                         ˙     ˙

ou seja,
                   u(v + a(t) v) + (v u − b(t)) = 0.
                     ˙                ˙
Se cada termo for nulo, ent˜o esta equa¸˜o ser´ satisfeita. Portanto,
                           a            ca    a
fazendo
                 v + a(t) v = 0 e v u − b(t) = 0
                  ˙                   ˙
e resolvendo a primeira delas, obteremos v em fun¸˜o de t (n˜o se
                                                    ca         a
acrescenta constante de integra¸˜o porque se deseja um simples valor
                               ca
de v). Em seguida, substituindo este valor na segunda equa¸ao e
                                                              c˜
integrando, obteremos o valor de u (agora acrescentamos a constante
de integra¸˜o pois desejamos que y = uv seja a solu¸˜o geral do pro-
          ca                                        ca
blema).
Exemplo 2.4. Determine a solu¸˜o geral da equa¸˜o: y + 2 t y = t.
                             ca               ca ˙

Solucao: Aqui a(t) = 2 t. Logo,
    ¸˜
                               a(t) dt        2 t dt       2
                    µ(t) = e             =e            = et .

Multiplicando-se ambos os membros da equa¸ao por µ(t), obtemos a
                                         c˜
equa¸ao equivalente:
    c˜
              2                2                  d       2        2
           et (y + 2 t y) = t et
               ˙                         ou          (y et ) = t et .
                                                  dt
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                                            Eq. n˜o Homogˆnea 22
                                                                 a       e


Portanto,
                         2            2                   1 t2
                     y et =      t et dt + c =              e +c
                                                          2
que implica
                                         2 1
                             y(t) = c e−t + .
                                           2
Exemplo 2.5. Determine a solu¸˜o do P.V.I.: y−3 t2 y = t2 , y(0) = 1.
                             ca             ˙

Solucao: Aqui a(t) = −3 t2 . Logo
    ¸˜
                                                −3t2 dt            3
                   µ(t) = e    a(t) dt
                                          =e                = e−t .
Multiplicando-se ambos os membros por µ(t), obtemos:
            3                     3                       d −t3            3
         e−t (y − 3t2 y) = t2 e−t
              ˙                            ou                (e y) = t2 e−t .
                                                          dt
Assim,
                     t                                t
                    d −s3                                      3
                       (e y(s)) ds =                      s2 e−s ds .
                  0 dt                            0
efetuando a integra¸ao, obtemos
                   c˜
                       3               1    3
                    e−t y(t) − y(0) = − (e−t − 1).
                                       3
Como y(0) = 1, temos que
                                      4 t3 1
                             y(t) =     e − .
                                      3    3
     ıcios 2.2. 1) Determine a solu¸ao dos P.V.I.’s:
Exerc´                             c˜
                                                           2
 a) y = (cos t) y, y(0) = 1.
    ˙                                          b) y +
                                                  ˙          y = t3 ,      y(1) = 2.
                                                           t
                                                                  1
 c) t y + y = t,
      ˙            y(10) = 20.                 d) y + y =
                                                  ˙                    ,   y(1) = 3.
                                                                1 + t2
                                   1
 e) (1 + t2 ) y + 4 t y = t, y(1) = .
              ˙
                                   4
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                                        Eq. n˜o Homogˆnea 23
                                                             a       e


   2) (Equacao de Bernoulli) A equa¸˜o
           ¸˜                      ca

                                y + p(t)y = q(t)y n ,
                                ˙

em que p(t) e q(t) s˜o fun¸oes cont´
                     a     c˜      ınuas em algum intervalo I da reta
e n ∈ R, ´ conhecida como a equa¸˜o de Bernoulli. Se n = 0 e
            e                        ca
n = 1 a equa¸ao n˜o ´ linear, mas pode ser transformada em uma
                c˜ a e
equa¸ao linear fazendo a mudan¸a de vari´vel z = y 1−n . Demonstre
      c˜                         c         a
isto, e resolva as equa¸oes:
                       c˜
                                                          3
   a) y + t2 y = t2 y 4 .
      ˙                                          b) y −
                                                    ˙       y = t4 y 1/3 .
                                                          t
            2
   c) y +
      ˙       y = −t9 y 5 ,     y(−1) = 2.
            t
   3) (Equacao de Ricatti) A equa¸˜o
           ¸˜                    ca

                            y + p(t) y + q(t) y 2 = f (t),
                            ˙                                                (R)

em que p(t), q(t) e f (t) s˜o fun¸oes cont´
                           a      c˜       ınuas em algum intervalo I da
reta e q(t) = 0 em I ´ conhecida como a equa¸˜o de Ricatti. Se y1 (t)
                     e                          ca
´ uma solu¸ao particular de (R), mostre que a mudan¸a de vari´vel
e            c˜                                            c         a
y = y1 + 1/z transforma (R) numa equa¸ao linear de 1a ordem em z
                                            c˜             ¯
da forma z = (p(t) + 2 q(t) y1 ) z + q(t). Deduza da´ que a solu¸ao geral
           ˙                                        ı           c˜
de uma equa¸ao de Ricatti pode ser encontrada, desde que se conhe¸a
              c˜                                                       c
uma solu¸ao particular.
          c˜

  4) Use o exerc´ anterior para determinar a solu¸ao geral de cada
                ıcio                             c˜
uma das seguintes equa¸˜es de Ricatti:
                      co

   a) y − t3 y + t2 y 2 = 1, y1 (t) = t.
      ˙

   b) y − t y 2 + (2t − 1) y = t − 1, y1 (t) = 1.
      ˙

   c) y + y 2 − (1 + 2 et ) y + e2 t = 0, y1 (t) = et .
      ˙

   d) y + t y 2 − 2 t2 y + t3 = t + 1, y1 (t) = t − 1.
      ˙
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                           Algumas Aplica¸˜es
                                                         co      24


2.3                   ¸˜
        Algumas Aplicacoes

2.3.1              ¸˜
         Desintegracao radioativa

Seja N (t) o n´mero de ´tomos radioativos em uma amostra num ins-
               u        a
tante t. Define-se a atividade de uma amostra radioativa como sendo
o n´mero de desintegra¸oes por unidade de tempo. Foi observado
   u                     c˜
desde o in´ do estudo da radioatividade (1896), que a atividade ´
           ıcio                                                  e
proporcional ao n´mero de atomos radioativos presentes, isto ´:
                  u         ´                                e

                           dN
                               = −λ N,
                            dt
onde λ ´ chamada constante de desintegra¸˜o ou de decaimento
       e                                ca
radioativo.

    Se N0 ´ o n´mero de ´tomos no instante t = 0, teremos o seguinte
          e    u        a
P.V.I.
                    dN
                        = −λ N,       N (0) = N0
                     dt
que ´ uma equa¸˜o diferencial ordin´ria homogˆnea de 1a ordem, cuja
     e         ca                  a          e        ¯
solu¸ao ser´:
    c˜     a
                          N (t) = N0 e−λ t .

 Observacao 2.7. Vale uma equa¸˜o semelhante para a massa de
         ¸˜                         ca
uma substˆncia radioativa, ou seja:
         a

                   dm
                      = −λ m,        m(0) = m0 ,
                   dt
onde m = massa.


    A meia-vida de uma substˆncia radioativa ´ definida como sendo
                              a              e
o tempo necess´rio para a decomposi¸ao da metade da substˆncia.
              a                    c˜                    a
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                              Algumas Aplica¸˜es
                                                            co           25


Exemplo 2.6. Uma quantidade de substˆncia radioativa possui ini-
                                        a
cialmente m0 gramas e decomp˜e-se a uma raz˜o proporcional a quan-
                             o              a               `
tidade presente. Se a meia-vida da quantidade inicial ´ 2.000 anos,
                                                      e
encontre a quantidade da substˆncia depois de 3.000 anos.
                              a
                      dm                                m0
Solucao: Temos que
    ¸˜                     = −λm, m(0) = m0 e m(2000) =    .
                       dt                               2
Sabemos que a solu¸ao geral desta equa¸ao ´:
                  c˜                  c˜ e

                           m(t) = c e−λ t .

Como m(0) = m0 , temos que c = m0 . Portanto,

                          m(t) = m0 e−λ t .

Mas, 2 m0 = m0 e−2000 λ o que implica que λ =
      1                                              ln 2
                                                    2000
                                                          .   Logo, m(t) =
    −(ln 2/2000)t
m0 e              e, portanto,
                                              m0
                  m(3000) = m0 e−(3 ln 2)/2 = √ .
                                               8
 Observacao 2.8. Pode-se usar a desintegra¸˜o radioativa para de-
           ¸˜                                   ca
scobrir a falsifica¸˜o de obras de arte (vide [4], Se¸ao 1.3).
                  ca                                c˜


2.3.2               ´
         Circuito Eletrico
Consideremos um circuito el´trico simples
                             e                        E
consistindo de uma indutˆncia L, uma re-
                          a                            I        R
sistˆncia R e uma for¸a eletromotriz E0 =
    e                c
constante. O circuito ´ ligado no instante
                      e                           E
                                                 
                  L
t = 0. Deseja-se determinar a corrente
I(t). Sabe-se que:
i) a queda de voltagem (ou tens˜o) atrav´s
                               a        e
da resistˆncia R ´ igual a RI;
         e        e
                                                                  dI
ii) a queda de voltagem atrav´s de uma indutˆncia L ´ igual a L
                             e                a       e              .
                                                                  dt
Logo, pela lei de Kirchhoff que diz que a soma alg´brica das diferen¸as
                                                 e                 c
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                                  Algumas Aplica¸˜es
                                                                co     26


de potencial ´ zero, temos:
             e
                 dI                     dI RI        E0
             L      + RI − E0 = 0 ou        +      =
                 dt                      dt    L      L
que ´ uma E.D.O. linear n˜o homogˆnea de 1a ordem. Como I(0) = 0
    e                     a        e         ¯
(pois s´ temos corrente ap´s ligarmos o circuito), temos que
       o                  o
                                 E0
                        I(t) =      (1 − e−R t / L ).
                                 R


2.3.3    Resfriamento de um corpo

     (1) Consideremos um modelo simplificado para o fenˆmeno de
                                                             o
varia¸˜o de temperatura num corpo por perda ou ganho de calor para
       ca
o meio ambiente, fazendo as seguintes hip´teses:
                                            o
i) A temperatura T ´ a mesma no corpo todo e depende apenas do
                      e
tempo.
ii) A temperatura do meio ambiente, Ta , ´ constante com o tempo.
                                           e
                                                             ˙      dT
iii) O fluxo de calor atrav´s das paredes do corpo, dado por T (t) =
                          e
                                                                    dt
´ proporcional ` diferen¸a entre as temperaturas do corpo e do meio
e               a        c
ambiente, isto ´,
                e
                             ˙
                            T = −k(T − Ta )
(chamada lei de Newton para resfriamento) em que k ´ uma constante
                                                      e
positiva que depende das propriedades f´ ısicas do corpo. Observamos
que o sinal − na equa¸ao ´ devido ao fato que o calor flui da fonte
                       c˜ e
quente para a fonte fria, e assim se T  Ta teremos que T decresce e
se T  Ta , ent˜o T cresce. Conhecendo-se a temperatura T (0) = T0 ,
               a
podemos obter a temperatura do corpo em um instante t ≥ 0 qualquer.
Para isto basta resolver a E.D.O. linear n˜o homogˆnea de 1a ordem:
                                          a         e       ¯
                      ˙
                     T + k T = k Ta ,        T (0) = T0
cuja solu¸ao ser´:
         c˜     a
                      T (t) = (T0 − Ta )e−k t + Ta .
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                              Algumas Aplica¸˜es
                                                            co         27


Observamos que:
1) T0  Ta =⇒ T (t) decresce quando t aumenta.

   2) T0  Ta =⇒ T (t) cresce quando t aumenta.

   3) T0 = Ta =⇒ T (t) ´ constante.
                       e

   4) Em todos os casos T (t) → Ta quando t → ∞, isto ´, Ta ´
                                                      e     e
chamada de temperatura de equil´ ıbrio.

   Geometricamente, temos

            T                                 T
       T0

                     T (t)
       Ta                                Ta
                                                        T (t)
                                         T0
                                t                                  t
                                E                                  E
                 T0  Ta                           T0  Ta



    (2) Suponhamos que a temperatura Ta , do meio ambiente, varia
com o tempo ao receber (ou ceder) calor ao corpo. Sejam m e ma ,
as massas do corpo e do meio ambiente, respectivamente e c e ca ,
os calores espec´
                ıficos do corpo e do meio ambiente respectivamente.
Supondo-se que n˜o haja mudan¸as de estado f´
                  a              c               ısico, a lei da con-
serva¸˜o da quantidade de calor pode ser expressa como:
      ca


                   mc(T0 − T ) = ma ca (Ta − Ta,0 ),               (2.9)


onde T = T (t) e Ta = Ta (t) s˜o as temperaturas do corpo e do meio
                              a
ambiente num instante t, respectivamente, e T0 = T (0) e Ta,0 = Ta (0).
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                                Algumas Aplica¸˜es
                                                              co      28


   Usando-se na equa¸˜o
                    ca
                              ˙
                             T = −k (T − Ta )
a express˜o de Ta dada em (2.9), temos
         a
                          mc
                    Ta =       (T0 − T ) + Ta,0 .
                         ma ca
Ent˜o obtemos
   a
               ˙          mc                   mc
              T + k(1 +        )T = k(Ta,0 +         T0 ),
                         ma ca                 ma ca
que ´ uma E.D.O. linear n˜o homogˆnea de 1a ordem. A solu¸˜o desta
    e                    a         e         ¯             ca
E.D.O. que satisfaz a condi¸˜o inicial T (0) = T0 ´
                    `      ca                     e
                         T0 − Ta,0 −k (1+A) t Ta,0 + A T0
               T (t) =            e          +            ,
                          1+A                    1+A
           mc
onde A =         . Logo
           ma ca
   1) T0  Ta,0 =⇒ T (t) decresce com o tempo.

   2) T0  Ta,0 =⇒ T (t) cresce com o tempo.

   3) T0 = Ta,0 =⇒ T (t) ´ constante e igual a Ta,0 .
                         e
                                        Ta,0 + A T0
   4) Em qualquer dos casos T (t) →                 , quando t → ∞, que
                                           1+A
ser´ a temperatura de equil´
   a                       ıbrio.
                                        Ta,0 + A T0
        ıcio: Mostre que Ta (t) →
   Exerc´                                           , quando t → ∞.
                                           1+A


2.3.4           ¸˜
           Diluicao de Misturas

                   e                ´             ´
   Um tanque cont´m 100 litros de agua salgada. E adicionado, neste
tanque, ´gua salgada a raz˜o de 5 litros por minuto, com uma concen-
        a            `    a
tra¸ao de sal de 2 g/ . Ao mesmo tempo, a mistura deixa o tanque
   c˜
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                             Algumas Aplica¸˜es
                                                           co      29


atrav´s de um buraco a mesma raz˜o. A mistura do tanque ´ conti-
     e               `          a                         e
nuamente agitada, de modo a manter a solu¸˜o homogˆnea (isto ´, a
                                         ca        e          e
concentra¸˜o ´ a mesma em todo tanque). Se inicialmente a mistura
          ca e
cont´m uma concentra¸˜o de 1 g/ , determine a concentra¸ao num
    e                ca                                  c˜
instante futuro.

Solucao: Seja y(t) a quantidade de sal no tanque depois de t minutos
       ¸˜
do instante inicial t0 = 0. Temos que o sal est´ sendo adicionado no
                                               a
                                                                  y(t)
tanque a raz˜o de 5·2 g/min = 10 g/min e est´ saindo a raz˜o de 5
        `   a                               a        `    a
                                                                  100
          y(t)
g/min =        g/min. Assim, temos que a varia¸ao da quantidade de
                                                c˜
           20
sal no tanque ´ dada por:
               e
                                       y
                              y = 10 −
                              ˙
                                       20
que ´ uma E.D.O. linear n˜o homogˆnea de 1a ordem. Como y(0) =
     e                      a        e        ¯
100 g temos que a sua solu¸ao ´
                            c˜ e
                       y(t) = 200 − 100 e−0,05 t
e, portanto, a concentra¸˜o de sal no tanque no instante t ser´
                        ca                                    a
                             y(t)
                      c(t) =      = 2 − e−0,05 t .
                             100
Note que isso mostra que a concentra¸˜o de sal no tanque tende a 2
                                      ca
g/ , quando t → ∞.

   Geometricamente, temos


                          T

                      2
                                   c(t)
                      1

                                              tE
Eq. Linear de 1a Ordem Cap. 2
               ¯                            Algumas Aplica¸˜es
                                                          co       30


2.3.5                 ¸˜
         Outras Aplicacoes

   a) Forma¸˜o de um composto qu´
           ca                   ımico ([7], p´gina 45).
                                             a

   b) Dinˆmica de crescimento de um tumor ([4], Se¸ ao 1.8).
         a                                        c

   c) Modelos de popula¸ao ([4], Se¸ao 1.5).
                       c˜          c˜

 Exerc´ ıcios 2.3. 1) Um objeto de massa m ´ solto da posi¸ao de
                                              e               c˜
repouso em um meio que oferece resistˆncia proporcional a velocidade
                                     e                  `
do objeto. Determinar a velocidade no instante t.

    2) Fazer o problema proposto no Exerc´ 1, supondo que a re-
                                           ıcio
sistˆncia do meio ´ proporcional ao quadrado da velocidade.
    e             e

    3) Uma colˆnia de bact´rias cresce a uma raz˜o proporcional ao
              o            e                     a
n´mero de bact´rias presente. Se o n´mero duplica a cada 24 ho-
 u              e                      u
ras, quantas horas ser˜o necess´rias para que o n´mero de bact´rias
                      a        a                 u            e
aumente cem vezes sua quantidade original?

    4) Um tanque de 200 litros de capacidade, cont´m inicialmente 40
                                                    e
litros de agua pura. A partir do instante t = 0, adiciona-se ao tanque
uma solu¸ao de salmoura com 250 gramas de sal por litro, ` raz˜o de
          c˜                                                a     a
12 /min. A mistura, suposta uniforme, escoa do tanque ` raz˜o de 8
                                                          a    a
  /min. Determinar

   a) o tempo necess´rio para que ocorra o transbordamento;
                    a

   b) a concentra¸ao de sal na mistura presente no tanque no instante
                 c˜
do transbordamento.
Cap´
   ıtulo 3

Equa¸˜es Lineares de
    co
Segunda Ordem
     As equa¸oes diferenciais de 2a ordem podem, geralmente, ser es-
             c˜                   ¯
critas sob a forma
                             y = f (t, y, y),
                             ¨            ˙                    (3.1)

em que f ´ uma fun¸ao definida em um subconjunto A ⊂ R3 .
         e        c˜

   Dizemos que uma fun¸ao y = y(t) ´ uma solu¸˜o de (3.1) no inter-
                           c˜          e        ca
                                  a ordem em I e y (t) = f (t, y(t), y(t))
valo I se y(t) tiver derivada de 2¯              ¨                   ˙
para todo t ∈ I.

   Por exemplo, as fun¸oes y1 (t) = e2 t e y2 (t) = e−2 t s˜o solu¸oes da
                       c˜                                  a      c˜
equa¸ao y = 4 y, pois:
    c˜ ¨

           d2 (e2t )                             d2 (e−2t )
y1 (t) =
¨               2
                     = 4e2t = 4y1 (t) e y2 (t) =
                                        ¨             2
                                                            = 4e−2t = 4y2 (t).
             dt                                     dt

Equa¸oes diferenciais surgem com freq¨ˆncia em problemas da F´
     c˜                               ue                     ısica,
especialmente em Mecˆnica, em virtude da 2a lei de Newton, e em
                       a
                                             ¯
Eletricidade, como aplica¸ao das leis de Kirchhoff. Por exemplo, o
                          c˜
movimento de um pˆndulo simples sem atrito (como figura abaixo) ´
                    e                                             e

                                      31
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯             Cap. 3                 Teoria Geral      32


descrito pela equa¸˜o
                  ca
                          ¨ g
                          θ + sen θ = 0.                                (3.2)

                                              x
                                           E

                                      θ       T
                                          s
                                                  }
                              y
                                  c
                                                  cm g

                                                                ˙
    Se levarmos em conta o atrito (que geralmente ´ dado por k θ), e
                                                  e
se o movimento estiver sujeito a uma for¸a externa F (t), a equa¸ao
                                         c                        c˜
do pˆndulo fica
     e
                     ¨     ˙ g
                     θ + k θ + sen θ = F (t).                  (3.3)

   Consideremos agora a equa¸˜o: y = 3.
                            ca ¨

   Para obtermos a solu¸ao dessa equa¸ao basta integrarmos duas
                       c˜            c˜
vezes, ou seja,
                                                             3 2
y=
˙      3 dt = 3 t + c1   =⇒   y(t) =       (3t + c1 ) dt =     t + c1 t + c2 .
                                                             2
Note que temos o surgimento de duas constantes arbitr´rias: c1 e c2
                                                         a
(lembremos que para a equa¸˜o de 1¯
                              ca        a ordem somente aparecia uma
constante arbitr´ria). Logo, para termos unicidade de solu¸ao, pre-
                  a                                          c˜
cisamos impor duas condi¸˜es: uma sobre a fun¸ao y(t) e outra sobre
                           co                    c˜
sua a derivada y(t) no instante t0 . Observamos que este fato est´ em
                 ˙                                               a
concordˆncia com os problemas de Mecˆnica pois, para se caracterizar
         a                                a
o movimento de um corpo, ´ preciso que sejam conhecidas sua posi¸ao
                            e                                      c˜
inicial e sua velocidade inicial. Isto sugere que o problema de valor
inicial associado a equa¸˜o (3.1) seja dado por
                   `    ca
                           
                            y = f (t, y, y)
                               ¨             ˙
                               y(t0 ) = y0                       (3.4)
                               y(t0 ) = z0 .
                               ˙
                           
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯            Cap. 3             Teoria Geral    33


    Em geral ´ muito dif´ resolver a equa¸ao (3.1). Por esta raz˜o,
              e           ıcil               c˜                   a
´ usual, nas aplica-¸˜es, recorrer ao estudo de equa¸oes mais simples;
e                   co                              c˜
as lineares que s˜o modelos aproximados de muitas equa¸oes diferen-
                 a                                        c˜
ciais n˜o lineares. Por exemplo, a equa¸ao (3.2), do pˆndulo, n˜o ´
       a                                  c˜            e        a e
linear, mas para o estudo de pequenas oscila¸oes, costuma-se usar a
                                               c˜
aproxima¸˜o sen θ ∼ θ e considerar a equa¸ao
          ca        =                       c˜
                               ¨ g
                               θ + θ = 0,

que ´, claramente, mais simples do que (3.2). Analogamente, no lugar
    e
de (3.3) costuma-se estudar a equa¸˜o
                                   ca
                        ¨     ˙ g
                        θ + k θ + θ = F (t).



3.1                           ¸˜
        Teoria Geral para Equacoes de Se-
        gunda Ordem

    A partir de agora, nossa aten¸ao estar´ voltada para as equa¸oes
                                 c˜       a                     c˜
lineares, cuja forma padr˜o ´
                         a e
                      y + a(t) y + b(t) y = g(t).
                      ¨        ˙                               [L.N.H.]
Esta equa¸˜o ´ chamada linear n˜o homogˆnea. Quando g(t) ≡ 0, ela
         ca e                   a        e
torna-se
                     y + a(t) y + b(t) y = 0.
                     ¨         ˙                          [L.H.]
Teorema 3.1 (Existˆncia e unicidade). Se as fun¸˜es a(t), b(t) e g(t)
                   e                            co
forem cont´nuas num intervalo I, ent˜o dados t0 ∈ I e y0 , z0 ∈ R, o
          ı                         a
P.V.I.             
                    y + a(t) y + b(t) y = g(t)
                      ¨        ˙
                     y(t0 ) = y0                                (3.5)
                     y(t0 ) = z0
                      ˙
                   

possui uma unica solu¸˜o y = y(t), a qual est´ definida para todo
           ´         ca                      a
t ∈ I.
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯              Cap. 3           Teoria Geral           34


 Observacao 3.1. Pelo Teorema 3.1, a unica solu¸˜o de [L.H.] tal
            ¸˜                               ´ ca
que y(t0 ) = y(t0 ) = 0 ´ a fun¸ao y(t) = 0.
             ˙          e      c˜
 Observacao 3.2. Este teorema ´ uma consequˆncia da forma veto-
           ¸˜                    e         e
rial do Teorema 1.4 (veja Observa¸ao 1.2).
                                 c˜
                                             ∂F
   De fato: Do Teorema 1.4, temos que se F e    s˜o fun¸oes
                                                 a     c˜
                                             ∂x
cont´
    ınuas, ent˜o o P.V.I.
              a
                                x = F (t, x)
                                ˙
                                x(t0 ) = x0
possui uma unica solu¸ao. Aqui temos a equa¸ao y = g(t) − a(t) y −
             ´         c˜                       c˜ ¨           ˙
b(t) y que pode ser escrita na forma x = F (t, x), fazendo
                                     ˙
                              y = x1
                              y = x1 = x2 .
                              ˙   ˙
Assim, temos que y = x2 = −a(t) x2 − b(t) x1 + g(t). Chamando
                 ¨ ˙
       x1                              x2                      F1 (t, x)
x=          , temos x =
                    ˙                                     =                 .
       x2                    −a(t) x2 − b(t) x1 + g(t)         F2 (t, x)
         ∂F
Aqui,         representa a matriz jacobiana de F (t, x1 , x2 ) em rela¸˜o a
                                                                      ca
         ∂x
x1 , x2 , isto ´
               e
                                    ∂F1 ∂F1
                                             

                      ∂(F1 , F2 )  ∂x1 ∂x2              0       1
   JF (t, x1 , x2 ) =            =           =                         .
                                             
                      ∂(x1 , x2 )  ∂F ∂F            −b(t) −a(t)
                                      2     2
                                    ∂x1 ∂x2
Logo, se a(t), b(t) e g(t) s˜o fun¸oes cont´
                            a      c˜       ınuas em I, ent˜o o P.V.I.
                                                           a
                      
                       y + a(t) y + b(t) y = g(t)
                         ¨         ˙
                         y(t0 ) = y0
                         y(t0 ) = z0
                          ˙
                      

possui unica solu¸ao em I.
       ´         c˜
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯             Cap. 3            Teoria Geral     35


   Antes de darmos um m´todo geral que permitir´ descrever o con-
                           e                        a
junto de todas as solu¸oes de [L.H.], vamos analisar a equa¸ao
                      c˜                                   c˜
                              y + ω2 y = 0
                              ¨                                    (3.6)
(esta ´ a equa¸˜o do pˆndulo, em que escrevemos ω = g/ ). E f´cil
      e       ca      e                                           ´ a
verificar que as fun¸oes ϕ1 (t) = cos ωt e ϕ2 (t) = sen ω t s˜o solu¸oes.
                   c˜                                       a      c˜
Observamos que, quaisquer que sejam as constantes c1 , c2 ∈ R, a
fun¸ao
   c˜
                    ϕ(t) = c1 cos ω t + c2 sen ω t                 (3.7)
tamb´m ´ solu¸ao de (3.6). De fato, calculando ϕ e ϕ temos
    e e      c˜                                ˙ ¨
           ϕ(t) = −ω c1 sen ω t + ω c2 cos ω t
           ˙
           ϕ(t) = −ω 2 c1 cos ω t − ω 2 c2 sen ω t = −ω 2 ϕ(t).
           ¨
Donde,
                          ϕ(t) + ω 2 ϕ(t) = 0.
                          ¨

   Usando a express˜o (3.7), podemos resolver qualquer P.V.I. asso-
                     a
ciado ` equa¸ao(3.6). Por exemplo, se procurarmos a solu¸˜o de
      a     c˜                                          ca
                          
                           y + ω2 y = 0
                             ¨
                             y(0) = 1
                             y(0) = 2
                             ˙
                          

sob a forma ϕ(t) = c1 cos ω t + c2 sen ω t, chegaremos a
                            1 = ϕ(0) = c1
                            2 = ϕ(0) = c2 ω.
                                ˙
                                                    2
Portanto, a solu¸ao procurada ´ ϕ(t) = cos ω t +
                c˜            e                       sen ω t.
                                                    ω
   De modo an´logo, ao procurarmos a solu¸˜o do P.V.I.
             a                           ca
                        
                         y + ω2 y = 0
                           ¨
                           y(0) = y0                               (3.8)
                           y(0) = z0
                           ˙
                        
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3              Teoria Geral       36


sob a forma (3.7), chegamos a
                                            z0
                     ϕ(t) = y0 cos ω t +       sen ω t.                 (3.9)
                                            ω

    Agora, dada qualquer solu¸˜o y(t) de (3.6), chamando y0 = y(0)
                               ca
e z0 = y(0) vemos que y(t) ´ solu¸ao do P.V.I. (3.8). Como, pelo
        ˙                     e     c˜
Teorema 3.1, este problema possui uma unica solu¸ao, segue que
                                             ´         c˜
y(t) ≡ ϕ(t), isto ´, y ´ dada por (3.9). Logo, toda solu¸ao de (3.6)
                  e    e                                  c˜
´ da forma (3.7), para uma conveniente escolha de c1 e c2 . Assim,
e
se denotarmos por S o conjunto de todas as solu¸oes de (3.6), o que
                                                   c˜
acabamos de mostrar ´ que S coincide com o conjunto de todas as
                       e
combina¸˜es lineares de cos ω t e sen ω t (o qual ´ um espa¸o vetorial
        co                                        e         c
de dimens˜o 2. Por quˆ?).
          a            e

    Consideremos agora a equa¸˜o [L.H.] com a(t) e b(t) cont´
                               ca                              ınuas no
intervalo I. Pelo Teorema 3.1, temos que toda solu¸ao y(t) de [L.H.]
                                                     c˜
est´ definida para todo t ∈ I (al´m disso, ´ claro que y(t) ´ duas vezes
   a                            e         e                e
cont´ınuamente diferenci´vel). Vamos repetir o procedimento acima e
                        a
mostrar que se duas solu¸oes y1 (t) e y2 (t), forem convenientemente
                          c˜
escolhidas, ent˜o toda solu¸ao y(t) de [L.H.] ser´ dada por
               a           c˜                    a

                        y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t),                  (3.10)

onde c1 e c2 s˜o constantes. Primeiramente, notemos que toda fun¸˜o
              a                                                 ca
da forma (3.10) ´ uma solu¸˜o de [L.H.], como mostra o pr´ximo
                  e          ca                               o
teorema, conhecido como Princıpio de Superposica
                                 ´                 ¸ ˜ o:

Teorema 3.2. Se ϕ1 (t) e ϕ2 (t) s˜o solu¸˜es de [L.H.] e se c1 , c2 s˜o
                                 a      co                           a
constantes reais, ent˜o a fun¸˜o ϕ(t) = c1 ϕ1 (t) + c2 ϕ2 (t) tamb´m ´
                     a       ca                                   e e
solu¸˜o de [L.H.].
    ca

   Demonstracao. Note que
            ¸˜

 ϕ(t) + a(t) ϕ(t) + b(t) ϕ(t) = c1 [ϕ1 (t) + a(t) ϕ1 (t) + b(t) ϕ1 (t)]
 ¨           ˙                      ¨              ˙
                              + c2 [ϕ2 (t) + a(t) ϕ2 (t) + b(t) ϕ2 (t)] = 0,
                                    ¨             ˙
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3                 Teoria Geral           37


pois, ϕ1 e ϕ2 s˜o solu¸˜es de [L.H.]. Logo, ϕ tamb´m ´ solu¸˜o de
               a      co                          e e      ca
[L.H.].

    Seja y(t) uma solu¸ao de [L.H.] e sejam y0 = y(t0 ), z0 = y(t0 ) e
                      c˜                                      ˙
t0 ∈ I fixados. Para que y(t) seja dada por (3.10) devemos ter
                        c1 y1 (t0 ) + c2 y2 (t0 ) = y0
                                                                              (3.11)
                        c1 y1 (t0 ) + c2 y2 (t0 ) = z0 .
                           ˙             ˙
Podemos considerar (3.11) como um sistema de duas equa¸oes nasc˜
inc´gnitas c1 e c2 . Para que este sistema tenha solu¸ao quaisquer que
   o                                                 c˜
sejam y0 e z0 ´ necess´rio e suficiente que
              e        a
                                y1 (t0 ) y2 (t0 )
                   D = det                            = 0.
                                y1 (t0 ) y2 (t0 )
                                ˙        ˙
                                                           y0 y2 (t0 ) − z0 y2 (t0 )
                                                              ˙
Neste caso, a solu¸ao do sistema (3.11) ´ c1 =
                  c˜                    e                                            e
                                                                       D
   z0 y1 (t0 ) − y0 y1 (t0 )
                    ˙
c2 =                         . Assim, provamos o seguinte
               D
Teorema 3.3. Sejam y1 (t) e y2 (t) solu¸˜es de [L.H.] tais que
                                           co
                               y1 (t) y2 (t)
                       det                          =0                        (3.12)
                               y1 (t) y2 (t)
                               ˙      ˙
para todo t ∈ I. Ent˜o toda solu¸˜o de [L.H.] ´ dada por (3.10).
                    a           ca            e
 Observacao 3.3. Em vista do Teorema 3.3, costuma-se dizer que
           ¸˜
(3.10) ´ a solu¸˜o geral de [L.H.], ou que y1 (t) e y2 (t) constituem
       e       ca
um conjunto fundamental de solu¸˜es, ou que y1 (t) e y2 (t) s˜o
                                     co                             a
solu¸oes linearmente independentes de [L.H.].
    c˜
 Observacao 3.4. O determinante (3.12) desempenha um papel im-
            ¸˜
portante no estudo da equa¸˜o [L.H.]. Ele ´ chamado Wronskiano
                               ca                  e
de y1 (t) e y2 (t) e denotado por W [y1 , y2 ](t), ou simplesmente W (t).
 Observacao 3.5. O Teorema 3.3 reduz o problema de obter a solu¸ao
            ¸˜                                                  c˜
geral de [L.H.] ao problema de encontrar duas solu¸oes convenientes
                                                  c˜
y1 e y2 (isto ´, tais que W [y1 , y2 ](t) = 0).
              e
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                   Cap. 3                  Teoria Geral      38


 Observacao 3.6. Se W [y1 , y2 ](t) ≡ 0 podem existir solu¸oes de
              ¸˜                                               c˜
[L.H.] que n˜o sejam dadas por (3.10). Por exemplo, tomando como
                a
solu¸oes da equa¸˜o (3.6) y1 (t) = cos ω t e y2 (t) = 5 cos ω t, temos
    c˜              ca
W [y1 , y2 ](t) ≡ 0. Notemos que a solu¸ao y(t) = sen ωt n˜o pode ser
                                       c˜                 a
escrita como c1 cos ω t + 5c2 cos ω t.

 Observacao 3.7. Dadas duas fun¸˜es quaisquer ϕ1 e ϕ2 (que n˜o
          ¸˜                      co                               a
sejam solu¸˜es de [L.H.]), podem existir valores de t para os quais o
          co
wronskiano de ϕ1 e ϕ2 seja nulo e outros valores de t para os quais
o wronskiano n˜o se anule. Por exemplo, se ϕ1 (t) = t e ϕ2 (t) = t2 ,
              a
temos
                                 t t2
                   W (t) = det             = t2 .
                                 1 2t
Portanto, W (0) = 0 e W (1) = 1.

    O pr´ximo teorema mostra que a situa¸˜o descrita na Observa¸ao
        o                                ca                    c˜
3.7 n˜o ocorre se ϕ1 e ϕ2 forem solu¸˜es de [L.H.].
     a                              co

Teorema 3.4. Sejam y1 (t), y2 (t), t ∈ I, solu¸˜es de [L.H.] e t0 ∈ I
                                              co
fixado. Seja W (t) o wronskiano de y1 e y2 . Ent˜o
                                                a
                                        t
                                   −        a(s) ds
               W (t) = W (t0 ) e       t0
                                                      , para todo t ∈ I.       (3.13)

Em particular, como a fun¸˜o exponencial nunca se anula, segue-se
                            ca
que se W (t0 ) = 0, ent˜o W (t) = 0 para todo t ∈ I.
                       a

   Demonstracao. Temos que
            ¸˜

                      W (t) = y1 (t) y2 (t) − y1 (t) y2 (t).
                                     ˙        ˙

Derivando, obtemos

˙
W (t) = y1 (t) [−a(t) y2 (t) − b(t) y2 (t)] − y2 (t) [−a(t) y1 (t) − b(t) y1 (t)]
                        ˙                                   ˙
      = −a(t) [y1 (t) y2 (t) − y1 (t) y2 (t)] = −a(t) W (t).
                      ˙        ˙
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯              Cap. 3          Teoria Geral       39

          ˙
Portanto, W (t) + a(t) W (t) = 0. Resolvendo esta equa¸ao linear de
                                                      c˜
 a ordem em W , obtemos (3.13).
1¯

    Observe que as conclus˜es de Teorema 3.4 referem-se apenas ao
                           o
intervalo I no qual as fun¸˜es a(t) e b(t) s˜o cont´
                          co                a      ınuas. Para pontos
fora deste intervalo as conclus˜es podem falhar. Veja o exemplo a
                               o
seguir:

Exemplo 3.1. As fun¸˜es y1 (t) = 1 e y2 (t) = t2 s˜o solu¸˜es da
                    co                            a      co
           1
equa¸ao y − y = 0, para t  0. Temos
    c˜ ¨     ˙
           t
                                    1 t2
                     W (t) = det             = 2 t.
                                    0 2t

Portanto, W (0) = 0 e W (t) = 0 para todo t  0. Isto n˜o contradiz
                                                       a
o Teorema 3.4, uma vez que o coeficiente −1/t n˜o ´ definido para
                                                 a e
t = 0. Notemos ainda que a solu¸ao geral desta equa¸˜o ´ c1 + c2 t2 ,
                                c˜                  ca e
visto que W (1) = 2 = 0.

    Finalmente, observamos que ´ sempre poss´ obter duas solu¸˜es
                                   e              ıvel               co
y1 e y2 de [L.H.] tais que W [ y1 , y2 ](t) = 0 para todo t ∈ I. De fato,
fixado t0 ∈ I, basta definir y1 (t) como sendo a unica solu¸˜o de [L.H.]
                                                   ´         ca
tal que y(t0 ) = 1 e y(t0 ) = 0 e, y2 (t) como sendo a unica solu¸˜o de
                      ˙                                 ´         ca
[L.H.] tal que y(t0 ) = 0 e y(t0 ) = 1. Assim W (t0 ) = 1 e segue do
                              ˙
Teorema 3.4 que W (t) = 0 para todo t ∈ I. Resumimos estes fatos no
seguinte

Teorema 3.5. Suponhamos que a(t) e b(t) sejam fun¸˜es cont´nuas
                                                        co        ı
no intervalo I. Ent˜o existem duas solu¸˜es y1 (t) e y2 (t) da equa¸˜o
                   a                   co                           ca

                         y + a(t) y + b(t) y = 0
                         ¨        ˙

tais que W [ y1 , y2 ](t) = 0, para todo t ∈ I. Al´m disso, a solu¸˜o
                                                    e                ca
geral desta equa¸˜o ´ dada por c1 y1 (t) + c2 y2 (t), em que c1 e c2 s˜o
                  ca e                                                a
constantes arbitr´rias.
                   a
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                Cap. 3         Teoria Geral      40


 Observacao 3.8. O Teorema 3.5 garante que o espa¸o das solu¸oes
          ¸˜                                             c          c˜
da equa¸ao [L.H.] ´ um espa¸o vetorial de dimens˜o 2.
       c˜         e           c                     a
                                             √
 Exerc´ıcios 3.1. 1) a) Mostre que y1 = t e y2 = 1/t s˜o solu¸oes
                                                             a      c˜
da equa¸ao diferencial 2 t2 y + 3 t y − y = 0, no intervalo 0  t  ∞.
       c˜                   ¨       ˙

b) Calcule W [ y1 , y2 ](t). Que acontece quando t tende a zero?

c) Mostre que y1 (t) e y2 (t) formam um conjunto fundamental de
solu¸oes da equa¸ao dada, no intervalo 0  t  ∞.
    c˜          c˜

d) Resolva o P.V.I. 2 t2 y + 3 t y − y = 0, y(1) = 2, y(1) = 1.
                         ¨       ˙                    ˙

2) Sejam y1 (t) e y2 (t) solu¸oes de y + a(t) y + b(t) y = 0 no intervalo
                             c˜      ¨        ˙
−∞  t  ∞ com y1 (0) = 3, y1 (0) = 1, y2 (0) = −1 e y2 (0) = 1/3.
                                  ˙                          ˙
Mostre que y1 (t) e y2 (t) s˜o linearmente independentes no intervalo
                             a
−∞  t  ∞.

3) Sejam y1 (t) = t2 e y2 (t) = t |t|.

a) Mostre que y1 e y2 s˜o linearmente dependentes no intervalo [0, 1].
                       a

b) Mostre que y1 e y2 s˜o linearmente independentes em [−1, 1].
                       a

c) Mostre que W [ y1 , y2 ] ´ identicamente nulo.
                            e

d) Mostre que y1 e y2 n˜o podem nunca ser solu¸ao de y + a(t) y +
                         a                    c˜     ¨        ˙
b(t) y = 0 no intervalo −1 ≤ t ≤ 1 se ambas as fun¸oes a(t) e b(t)
                                                  c˜
forem cont´ınuas neste intervalo.

4) Considere a equa¸˜o y +a(t) y +b(t) y = 0, com a(t) e b(t) cont´
                   ca ¨        ˙                                  ınuas
num intervalo I. Mostre que:

a) Se y1 e y2 se anulam no mesmo ponto do intervalo I, ent˜o elas n˜o
                                                          a        a
podem formar um conjunto fundamental de solu¸˜es em I.
                                               co

b) Se y1 e y2 assumem um m´ximo ou um m´
                            a            ınimo no mesmo ponto do
intervalo I, ent˜o elas n˜o podem formar um conjunto fundamental
                 a       a
de solu¸oes em I.
       c˜
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯              Cap. 3         Redu¸˜o de Ordem
                                                      ca                     41


c) Se y1 e y2 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es, ent˜o elas
                                                    co       a
n˜o podem ter um ponto de inflex˜o comum em I, a menos que a(t)
 a                                a
e b(t) se anulem simultaneamente a´ı.



3.2         ¸˜
        Reducao de Ordem

    Suponhamos conhecida uma solu¸ao y1 (t) de [L.H.]. J´ vimos que
                                     c˜                 a
para toda constante c ∈ R, c y1 (t) tamb´m ´ solu¸ao de [L.H.]. Este
                                          e e    c˜
fato sugere que tentemos encontrar uma outra solu¸˜o de [L.H.] da
                                                    ca
forma
                         y2 (t) = v(t) y1 (t),
em que v(t) ´ uma fun¸˜o n˜o constante. Este procedimento, devido
            e        ca a
a D’Alembert (1717-1783), ´ usualmente chamado m´todo da
                               e                       e
redu¸˜o de ordem. Note que y2 = v y1 implica que
    ca

            y2 = v y1 + v y˙1
            ˙    ˙               e y2 = v y1 + 2 v y˙1 + v y1 .
                                   ¨    ¨        ˙         ¨

Substituindo em [L.H.], obtemos

           v [ y1 + a y1 + b y1 ] + v [ 2y1 + a y1 ] + v y1 = 0.
               ¨      ˙             ˙ ˙                ¨

Como y1 + a y1 + b y1 = 0 (pois y1 ´ solu¸˜o de [L.H.]), temos que v ´
       ¨    ˙                      e       ca                        e
solu¸ao de:
    c˜
                                  2y˙1
                        v+ a+
                        ¨                v = 0.
                                         ˙
                                   y1
Fazendo z = v, temos a equa¸ao de 1a ordem em z
            ˙               c˜         ¯
                                  2y˙1
                        z+ a+
                         ˙               z=0
                                   y1

cuja solu¸˜o ´ dada por z(t) = c e−
         ca e                          (a(t)+2[y(t)/y(t)]) dt
                                               ˙
                                                                = c u(t), em que
c ´ constante. Logo,
   e

                    v(t) =      z(t) dt = c     u(t) dt
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                  Cap. 3         Redu¸˜o de Ordem
                                                          ca             42


e ent˜o
     a
                  y2 (t) = v(t) y1 (t) = c y1 (t)     u(t) dt.

Portanto, as duas solu¸˜es de [L.H.] s˜o y1 (t) e y2 (t) = y1 (t)
                      co              a                             u(t) dt.

Exemplo 3.2. Determine a 2a solu¸ao da equa¸˜o
                          ¯     c˜         ca
                            t2 y + 2 t y − 2 y = 0
                               ¨       ˙
sabendo-se que y1 (t) = t.

Solucao: Vamos procurar y2 (t) = v(t) y1 (t) = t v(t). Assim,
    ¸˜
                     y2 = v + t v
                     ˙          ˙       e y2 = t v + 2 v.
                                          ¨      ¨     ˙
Substituindo na equa¸˜o, obtemos
                    ca
                 t2 (t v + 2 v) + 2 t (v + t v) − 2 t v = 0
                       ¨     ˙               ˙
que implica
                                 t3 v + 4 t2 v = 0.
                                    ¨        ˙
Fazendo z = v, temos
            ˙
                          t3 z + 4 t2 z = 0
                             ˙
que ´ uma E.D.O. linear de 1a ordem em z. Escrevendo
    e                        ¯
                                 4
                             z+ z=0
                             ˙
                                 t
                      (4/t) dt
temos que µ(t) = e               = t4 . Portanto,
                                   d 4
                                      (t z) = 0.
                                   dt
Logo, t4 z = c. Equivalentemente, z = c t−4 . Logo,
                                                       1
                v(t) =       z(t) dt =       t−4 dt = − t−3 .
                                                       3
Portanto,
                             1              1
                   y2 (t) = − t−3 y1 (t) = − t−2 .
                             3              3
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                 Cap. 3       Equa¸˜o homogˆnea. 43
                                                       ca       e


 Exerc´ıcios 3.2. Determine, por redu¸ao de ordem, a 2a solu¸ao das
                                     c˜               ¯     c˜
equa¸oes abaixo:
    c˜

   1) y − 4 y − 12 y = 0, y1 (t) = e6t .
      ¨     ˙

   2) y − 2 y + y = 0, y1 (t) = et .
      ¨     ˙

   3) t2 y + 2 t y = 0, y1 (t) = 1.
         ¨       ˙
                                         √
   4) 2 t2 y + 3 t y − y = 0, y1 (t) =
           ¨       ˙                      t.



3.3           ¸˜         ˆ
         Equacoes Homogeneas com Coefi-
         cientes Constantes

   Consideremos a equa¸˜o
                      ca

                            a y + b y + c y = 0,
                              ¨     ˙                               (3.14)

em que a, b e c s˜o constantes reais com a = 0.
                 a

                                                ¨ g
Exemplo 3.3. 1) Movimento de um pˆndulo simples θ + θ = 0.
                                 e

                                b    k
   2) Sistema massa mola: y +
                            ¨     y+
                                  ˙    y = 0, em que o termo b y
                                                               ˙
                                m    m
´ devido ` resistˆncia do meio.
e        a       e

    De acordo com o Teorema 3.5, basta encontrar duas solu¸˜es y1 (t)
                                                                 co
e y2 (t) linearmente independentes (isto ´, W [ y1 , y2 ](t) = 0) de (3.14)
                                         e
e todas as demais ser˜o combina¸oes destas.
                       a         c˜

   Observemos que se y = ϕ(t) ´ uma solu¸˜o de (3.14) ent˜o a soma
                                e          ca              a
dos termos a ϕ(t), b ϕ(t) e c ϕ(t) deve ser igual a zero para todo t.
             ¨       ˙
Para que isto ocorra as trˆs fun¸oes ϕ(t), ϕ(t) e ϕ(t) devem ser do
                           e     c˜          ˙      ¨
                                                  4
“mesmo tipo”. Por exemplo a fun¸˜o y(t) = t nunca poder´ ser
                                     ca                         a
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯             Cap. 3          Equa¸˜o homogˆnea. 44
                                                      ca       e


solu¸ao de (3.14) pois os termos 12 a t2 , 4 b t3 e c t4 s˜o polinomios de
    c˜                                                    a
graus diferentes e, por isso sua soma n˜o se cancela. Por outro lado,
                                         a
a fun¸ao y(t) = eλt , em que λ ´ constante, tem a propriedade de que
     c˜                         e
tanto y(t) como y (t) s˜o m´ltiplos de y(t). Isto sugere que tentemos
       ˙         ¨      a    u
y(t) = e como solu¸˜o de (3.14). Substituindo y(t) = eλt em (3.14)
         λt
                      ca
obtemos
      a (eλt ) + b (eλt ) + c eλt = 0 =⇒ eλt (a λ2 + b λ + c) = 0
o que implica que
                           a λ2 + b λ + c = 0.                            (3.15)
Portanto, y(t) = eλt ´ uma solu¸ao de (3.14) se, e somente, se λ ´ raiz
                     e         c˜                                 e
de (3.15). A equa¸ao (3.15) ´ chamada Equa¸˜o Caracter´
                  c˜        e                 ca              ıstica de
(3.14). As ra´ de (3.15) s˜o
             ızes           a
                     √                           √
               −b + b2 − 4 a c             −b − b2 − 4 a c
          λ1 =                    e λ2 =                    .
                       2a                          2a

   Vamos analisar as trˆs possibilidades para o discriminante b2 −4 a c:
                       e

   i) b2 − 4 a c  0: Ra´
                        ızes reais distintas

   Neste caso eλ1 t e eλ2 t s˜o solu¸oes de (3.14) e seu wronskiano
                             a      c˜
                        eλ1 t eλ2 t
      W (t) = det                          = (λ2 − λ1 )e(λ1 +λ2 )t = 0,
                     λ1 eλ1 t λ2 eλ2 t
para todo t ∈ R. Logo, as solu¸oes s˜o linearmente independentes e,
                              c˜    a
portanto, formam uma base do espa¸o das solu¸oes. Ou seja, qualquer
                                  c          c˜
solu¸ao de (3.14) ´ da forma
    c˜            e
                        y(t) = c1 eλ1 t + c2 eλ2 t .

   ii) b2 − 4 a c = 0: Ra´
                         ızes reais iguais
                                 b
   Neste caso λ1 = λ2 = −          e com isto temos uma solu¸˜o y1 =
                                                              ca
                                2a
 (−b/2 a) t
e           . Vamos encontrar a outra solu¸˜o de (3.14) (n˜o m´ltipla de
                                          ca              a   u
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                Cap. 3            Equa¸˜o homogˆnea. 45
                                                           ca       e


y1 ) usando redu¸˜o de ordem, isto ´, procurando v(t) n˜o constante
                 ca                      e                   a
                       −(b/2 a) t
tal que y2 (t) = v(t) e           seja solu¸˜o de (3.14). Substituindo em
                                           ca
(3.14), obtemos

                                     b2   b2
                 e−(b/2 a) t a v +
                               ¨        −    + c v = 0.
                                     4a 2a

Como e−(b/2 a) t = 0 para todo t e b2 − 4 a c = 0, temos

               v = 0 =⇒ v(t) = α t + β, com α, β ∈ R.
               ¨

Podemos tomar α = 1 e β = 0, pois queremos encontrar uma solu¸˜o.
                                                             ca
Logo, v(t) = t. Portanto, a outra solu¸˜o de (3.14) ´
                                      ca            e

                            y2 (t) = t e−(b/2 a) t .

Exemplo 3.4. Resolva o P.V.I.

                            y + 6y + 9y = 0
                            ¨     ˙
                            y(0) = 1, y(0) = 2.
                                      ˙


Solucao: y = eλt =⇒ λ2 + 6 λ + 9 = 0 =⇒ λ1 = λ2 = −3. Portanto,
      ¸˜
a solu¸ao geral ´
      c˜        e
                    y(t) = (c1 + c2 t) e−3 t .
Como y(0) = 1, temos c1 = 1. Al´m disso, y(t) = (c2 − 3 − 3 c2 t) e−3 t
                                e          ˙
e y(0) = 2. Logo, c2 = 5. Portanto, a solu¸ao do P.V.I. ´
  ˙                                       c˜            e

                        y(t) = e−3 t + 5 t e−3 t .


   iii) b2 − 4 a c  0: Ra´
                          ızes Complexas

Logo,
                     √                               √
                b   i 4 a c − b2                b   i 4 a c − b2
        λ1 = −    +                   e λ2 = −    −              .
               2a       2a                     2a       2a
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3       Equa¸˜o homogˆnea. 46
                                                     ca       e


      ıamos de dizer que eλ1 t e eλ2 t s˜o solu¸˜es de (3.14). Entretanto
Gostar´                                 a      co
surgem dois problemas:

   a) definir eλ t para λ complexo,

    b) mesmo que consigamos definir eλ1 t e eλ2 t como solu¸˜es (que
                                                           co
certamente ter˜o valores complexos) de (3.14) queremos obter solu¸˜es
              a                                                  co
reais.

   Comecemos resolvendo o segundo problema, pois caso contr´rio
                                                           a
n˜o teria sentido resolver o primeiro.
 a
      ¸˜                                         ˙
Definicao 3.1. Se F (t) = u(t)+i v(t), definimos F (t) = u(t)+i v(t).
                                                        ˙      ˙
 Observacao 3.9. Esta defini¸˜o faz sentido, pois podemos identi-
          ¸˜                   ca
ficar F (t) = u(t) + i v(t) com f (t) = (u(t), v(t)). Logo, f (t) ´ uma
                                                                 e
parametriza¸ao de uma curva plana cujo vetor velocidade ´ (u(t), v(t)).
            c˜                                           e ˙       ˙
Fica ent˜o natural a defini¸ao acima.
        a                  c˜
 Proposicao 3.1. Se y(t) = u(t) + i v(t) ´ uma solu¸˜o a valores
         ¸˜                                  e           ca
complexos de (3.14), ent˜o u(t) e v(t) s˜o solu¸˜es reais de (3.14).
                        a               a      co

   Demonstracao. Note que
            ¸˜

                       a y (t) + b y(t) + c y(t) = 0
                         ¨         ˙

ou seja,

       [a u(t) + b u(t) + c u(t)] + i [a v (t) + b v(t) + c v(t)] = 0.
          ¨        ˙                     ¨         ˙

Para que um n´mero complexo seja zero ´ necess´rio que sua parte
                u                         e   a
real e sua parte imagin´ria sejam zero. Logo,
                       a

       a u(t) + b u(t) + c u(t) = 0 e a v (t) + b v(t) + c v(t) = 0.
         ¨        ˙                     ¨         ˙

Isto ´ u e v s˜o solu¸oes (3.14).
     e        a      c˜

   E com isto resolvemos o segundo problema. Passemos agora ao
                                                     ´
primeiro, isto ´, vamos definir eλ t para λ complexo. E natural pedir
               e
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                        Cap. 3       Equa¸˜o homogˆnea. 47
                                                              ca       e


que esta fun¸ao satisfa¸a ea+b = ea eb . Logo, se λ = α + i β, devemos
            c˜         c
ter
                       eλ t = eα t+i β t = eα t ei β t .
Portanto, basta apenas definirmos ei β t .

   Sabemos que, para todo x real, vale
                              ∞
                     x              xn       x2 x3
                   e =                 =1+x+    +    + ··· .
                              n=0
                                    n!       2!   3!

A equa¸ao acima tem sentido, formalmente, mesmo para x complexo.
       c˜
Isto sugere que coloquemos
                          (i θ)2 (i θ)3
            ei θ = 1 + i θ +    +         + ··· =
                            2!      3!
                          θ2 i θ3 θ4 i θ5
               = 1 + iθ −     −     +     +       − ···
                          2!    3!     4!     5!
                      θ2 θ4                     θ3 θ5
               = 1−      +     − ··· + i θ −       +    − ··· ,
                      2!    4!                  3!   5!
                         θ2       θ4                           θ3       θ5
Como cos θ = 1 −         2!
                              +   4!
                                       − · · · e sen θ = θ −   3!
                                                                    +   5!
                                                                             − · · · ´ razo´vel
                                                                                     e     a
definir
                                    ei θ = cos θ + i sen θ.
Portanto,
                  eλ t = e(α+i β) t = eα t (cos β t + i sen β t).

                                         deλ t
        ıcio: Mostre que
   Exerc´                                      = λ eλ t para λ complexo.
                                          dt
   Agora ´ f´cil verificar que
         e a
                                                                                  √
        λt      αt                                  −b                                4 a c − b2
y(t) = e     =e      (cos β t + i sen β t), com α =    e β=
                                                    2a                                  2a
´ uma solu¸ao a valores complexos de (3.14), se b2 − 4 a c  0. Logo,
e         c˜
pela Proposi¸˜o 3.1, temos que
            ca
                  y1 (t) = eα t cos β t e y2 (t) = eα t sen β t
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3        Equa¸˜o homogˆnea. 48
                                                      ca       e


s˜o duas solu¸oes reais de (3.14).
 a           c˜

         ıcio: Mostre que W [ y1 , y2 ](t) = βe2 α t .
    Exerc´

   Pelo exerc´ acima, temos que y1 (t) = eα t cos β t e y2 (t) = eα t sen β t
              ıcio
formam uma base do espa¸o solu¸ao e, conseq¨entemente, a solu¸ao
                          c      c˜            u                      c˜
                      2
geral de (3.14) para b − 4 a c  0 ´
                                   e
                   y(t) = eα t (c1 cos β t + c2 sen β t).
          ¸˜                                                  ¯
 Observacao 3.10. Pode-se pensar que eλ2 t , em que λ2 = λ1 dar´a
origem a outras duas solu¸oes. Todavia, isto n˜o ocorre, pois
                         c˜                   a
eλ2 t = e(α−i β) t = eα t [cos(−β t) + i sen(−βt)] = eα t [cos βt − sen β t].
Portanto,
                  y1 (t) = [eλ2 t ] = eα t cos β t = y1 (t)
                  ˜
e
              y2 (t) = [eλ2 t ] = −eα t sen β t = −y2 (t).
              ˜
Exemplo 3.5. Determine a solu¸˜o real do P.V.I.
                             ca
                            y + 2y + 5y = 0
                            ¨     ˙
                            y(0) = 1, y(0) = 3.
                                      ˙

Solucao: A equa¸ao caracter´
     ¸˜          c˜           ıstica λ2 + 2 λ + 5 = 0 possui ra´
                                                               ızes
complexas λ1 = −1 + 2 i e λ2 = −1 − 2 i. Portanto,
               eλ1 t = e(−1+2 i) t = e−t cos 2 t + i e−t sen 2 t
´ uma solu¸˜o com valores complexos de y + 2 y + 5 y = 0. Logo, pela
e         ca                           ¨     ˙
Proposi¸ao 3.1, temos que
       c˜
    y1 (t) = (eλ1 t ) = e−t cos 2 t e y2 (t) = (eλ1 t ) = e−t sen 2 t
s˜o solu¸˜es reais da equa¸˜o. Mais ainda, elas formam uma base para
 a       co               ca
o espa¸o solu¸˜o. Portanto, a solu¸ao geral ´
       c      ca                  c˜         e
                    y(t) = e−t (c1 cos 2 t + c2 sen 2 t),
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯             Cap. 3        Equa¸˜o homogˆnea. 49
                                                    ca       e


onde c1 e c2 s˜o constantes reais. Como y(0) = 1, temos c1 = 1. Logo,
               a
y(t) = e (cos 2 t + c2 sen 2 t). Isso implica que y(t) = −e−t (cos 2 t +
         −t
                                                     ˙
c2 sen 2 t) + e−t (−2 sen 2 t + 2 c2 cos 2 t). Portanto, y(0) = 3 implica
                                                         ˙
que c2 = 2. Logo, a solu¸˜o do P.V.I. ´
                          ca              e

                   y(t) = e−t (cos 2 t + 2 sen 2 t).

Exemplo 3.6. (Vibra¸˜es livres n˜o amortecidas) Consideremos
                     co           a
o sistema massa-mola enunciado no Cap´
                                     ıtulo 1, Subse¸ao 1.1.3, cuja
                                                   c˜
equa¸ao ´
     c˜ e
                         my + ky = 0
                            ¨
ou
                             y + ω 2 y = 0,
                             ¨
em que ω =     k/m (lembremos que k  0 e m  0).

    A equa¸ao caracter´
            c˜         ıstica λ2 + ω 2 = 0 possui ra´ızes complexas
λ1 = i ω e λ2 = −i ω. Logo, ϕ(t) = ei ω t = cos ω t + i sen ω t ´ uma
                                                                e
solu¸ao com valores complexos que d´ origem as seguintes solu¸˜es
    c˜                                a        `                  co
reais linearmente independentes

                  y1 (t) = cos ω t e y2 (t) = sen ω t.

Portanto, a solu¸ao geral ´ dada por
                c˜        e

                    y(t) = c1 cos ω t + c2 sen ω t.

Observacao 3.11. Para esbo¸ar o gr´fico de y(t), vamos reescrevˆ-la
       ¸˜                 c       a                           e
de modo mais apropriado: denotando A =         c2 + c2 e α = arctg(c2 /c1 ),
                                                1    2
podemos escrever

           y(t) = c1 cos ω0 t + c2 sen ω0 t = A cos(ω0 t − α),

Logo, temos que y(t) est´ sempre entre −A e +A e, portanto, o movi-
                        a
mento ´ peri´dico de per´
       e     o            ıodo 2π/ω0 , amplitude A, freq¨ˆncia ω0 e
                                                        ue
angulo de fase α. O gr´fico de y(t) ´ mostrado na figura abaixo.
ˆ                     a            e
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3       Equa¸˜o homogˆnea. 50
                                                     ca       e



               y T
                                             2π/ω0
               A


                                                                   t
                                                                   E



              −A



   Este movimento tamb´m ´ chamado de movimento harmˆnico
                      e e                           o
simples.
Exemplo 3.7. (Vibra¸oes livres amortecidas) Consideremos o sis-
                       c˜
tema massa-mola, supondo agora que o meio oferece uma for¸a de c
resistˆncia proporcional ` velocidade do corpo. Portanto, devemos
      e                   a
resolver a equa¸ao
               c˜
                               c     k
                         y+
                          ¨      y+
                                 ˙     y = 0.
                              m      m
A equa¸˜o caracter´ √ ´ m λ2 + c λ + k = √ cujas ra´
        ca          ıstica e                    0,         ızes s˜o:
                                                                 a
                 −c + c    2 − 4mk         −c − c  2 − 4mk
            λ1 =                    e λ2 =                 .
                         2m                     2m

   Consideremos as seguintes situa¸˜es:
                                  co

                            ıtico ou forte (c2 − 4 m k  0)
   (i) amortecimento supercr´
Neste caso temos que λ1 e λ2            y T
s˜o reais e negativas. De fato,
√a
   c2 − 4 m k  c. A solu¸˜o geral
                         ca
´:
e
                                                                       t
     y(t) = c1 eλ1 t + c2 eλ2 t .
                                                                       E
                                                casos (i) e (ii)
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                 Cap. 3           Equa¸˜o homogˆnea. 51
                                                           ca       e


                        ıtico (c2 − 4 m k = 0)
   (ii) amortecimento cr´
                                                   y
Como c2 − 4 m k = 0, temos que
                                                   T
λ1 = λ2 = −c/(2 m).
Neste caso, a solu¸ao geral ´:
                  c˜        e                                               t
                                                                            E
   y(t) = (c1 + c2 t) e−c t/(2 m) .

                                                         casos (i) e (ii)

                            ıtico ou oscilat´rio (c2 − 4 m k  0)
   (iii) amortecimento subcr´               o

   Como c2 − 4 m k  0, temos que λ1 e λ2 s˜o complexos conjugados.
                                           a
Portanto, a solu¸ao geral ´:
                c˜        e
   y(t) = e(−c/2 m)t (c1 cos µ t + c2 sen µ t),
              √
                4 m k − c2
em que µ =                   ou y(t) = A e(−c/2 m) t cos(µ t − α). Logo, a
                  2m
solu¸ao oscila entre duas curvas y = −A e(−c/2 m) t e y = A e(−c/2 m) t .
    c˜
Portanto, representa a curva do cosseno com amplitude decrescente.


            y T

                             y = A e−c t/2 m
                            
                            )
                            
                                               t
                                               E


                             T
                             y = −A e−c t/2 m



    Nos trˆs casos o movimento se “extingue” no futuro se existe atrito
          e
no sistema, ou seja, qualquer perturba¸˜o inicial ´ dissipada pelo atrito
                                      ca          e
existente. Esta ´ uma das raz˜es pelas quais os sistemas massa-mola
                 e             o
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                 Cap. 3          Eq. N˜o Homogˆnea 52
                                                           a       e


s˜o uteis nos sistemas mecˆnicos; eles podem ser usados para amorte-
 a ´                      a
cer qualquer perturba¸˜o indesejada.
                      ca
     ıcios 3.3. 1) Determine a solu¸ao geral de:
Exerc´                             c˜

      a) y − y − 2 y = 0.
         ¨ ˙                    b) y − 7 y = 0.
                                   ¨     ˙                c) y + 4 y = 0.
                                                             ¨
      d) y − 4 y + 13 y = 0. e) y − 4 y + 4 y = 0. f) y = 0.
         ¨     ˙                ¨     ˙               ¨


  2) a) Seja λ1 = α + i β uma raiz complexa de λ2 + (a − 1) λ + b = 0.
Mostre que

       tα+iβ = tα ti β = tα e(ln t) i β = tα [cos(β ln t) + i sen(β ln t)]

´ uma solu¸ao com valores complexos da equa¸˜o de Euler
e         c˜                               ca

                            t2 y + a t y + b y = 0.
                               ¨       ˙                                     (3.16)

b) Mostre que tα cos(β ln t) e tα sen(β ln t) s˜o solu¸˜es reais de (3.16).
                                               a      co

3) Determine a solu¸ao geral de:
                   c˜

       a) t2 y +t y+y = 0,
             ¨ ˙                t  0.        b) t2 y +2 t y+2 y = 0,
                                                    ¨      ˙                 t  0.



3.4            ¸˜   ˜       ˆ
         A Equacao Nao Homogenea

   Consideremos a equa¸˜o n˜o homogˆnea
                      ca a         e

                         y + a(t) y + b(t) y = g(t),
                         ¨        ˙                                     [L.N.H.]

em que a(t), b(t) e g(t) s˜o fun¸˜es cont´
                          a     co       ınuas em um intervalo I e
g(t) = 0.

   Nos fenˆmenos f´
           o        ısicos descritos por equa¸˜o da forma acima, o
                                             ca
termo g(t) representa, em geral, um “agente externo” atuando sobre
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3         Eq. N˜o Homogˆnea 53
                                                        a       e


o sistema. Por exemplo, o sistema massa-mola, sujeito apenas ` a¸˜o
                                                              a ca
                                             k
da gravidade, ´ descrito pela equa¸˜o: y +
               e                   ca ¨        y = 0. Agora, se im-
                                             m
pusermos ao sistema acima uma for¸a externa peri´dica de intensidade
                                   c             o
                             k      A
A cos ωt, a equa¸˜o fica y + y =
                 ca      ¨            cos ω t.
                             m      m
    Um fato que foi observado para a equa¸ao linear de 1a ordem n˜o
                                          c˜            ¯         a
homogˆnea y + α(t) y = β(t) (ver Observa¸ao 2.4) ´ que sua solu¸ao
       e     ˙                             c˜      e             c˜
geral ´ const´
      e      ıtuida de duas parcelas:

i) a solu¸˜o geral da homogˆnea y + α(t) y = 0;
         ca                e    ˙

ii) uma solu¸ao particular da equa¸˜o n˜o homogˆnea y+α(t) y = β(t).
            c˜                    ca a         e    ˙

    Mostraremos que este fato tamb´m ´ verdadeiro para as equa¸oes
                                   e e                        c˜
             a ordem (na verdade, ´ v´lida em geral).
lineares de 2¯                    e a
Teorema 3.6. Sejam y1 (t) e y2 (t) solu¸˜es linearmente independentes
                                       co
da equa¸˜o homogˆnea
       ca       e
                          y + a(t) y + b(t) y = 0,
                          ¨        ˙                              [L.H.]
e seja ϕ(t) uma solu¸˜o particular da equa¸˜o n˜o homogˆnea [L.N.H.].
                    ca                    ca a         e
Ent˜o toda solu¸˜o y(t) de [L.N.H.] ´ da forma
    a           ca                    e
                     y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) + ϕ(t),         (3.17)
para alguma escolha conveniente das constantes c1 e c2 .

                 ¸˜     ´ a
   Demonstracao. E f´cil mostrar que se ϕ1 e ϕ2 s˜o solu¸oes
                                                           a      c˜
de [L.N.H.], ent˜o a fun¸˜o ψ(t) = ϕ1 (t) − ϕ2 (t) ´ solu¸ao de [L.H.]
                a       ca                         e     c˜
(Exerc´
      ıcio).

    Seja agora y(t) uma solu¸ao qualquer de [L.N.H.]. Pela parte an-
                            c˜
terior a fun¸ao w(t) = y(t) − ϕ(t) ´ solu¸˜o de [L.H.]. Por´m, toda
            c˜                     e     ca                    e
solu¸ao de [L.H.] ´ combina¸˜o linear de y1 (t) e y2 (t). Ent˜o
    c˜            e        ca                                a
                     y(t) − ϕ(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t).
Logo, y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) + ϕ(t).
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                Cap. 3         Eq. N˜o Homogˆnea 54
                                                         a       e


 Observacao 3.12. A grande utilidade do Teorema 3.6 ´ que ele reduz
           ¸˜                                       e
o problema de encontrar todas as solu¸oes de [L.N.H.] ao problema
                                       c˜
mais simples de encontrar duas solu¸oes linearmente independentes
                                     c˜
de [L.H.] e uma solu¸ao de [L.N.H.].
                    c˜
 Observacao 3.13. A express˜o (3.17) ´ chamada solu¸˜o geral de
          ¸˜               a         e             ca
[L.N.H.].
Exemplo 3.8. Determine a solu¸˜o geral de y + y = t.
                             ca           ¨

Solucao: Vamos determinar a solu¸ao geral da homogˆnea associ-
      ¸˜                              c˜                  e
ada: y + y = 0. A equa¸ao caracter´
      ¨                   c˜           ıstica λ2 + 1 = 0 possui ra´
                                                                  ızes
                                   it
complexas λ = ±i. Logo ψ(t) = e = cos t + i sen t ´ uma solu¸ao
                                                       e          c˜
a valores complexos. Ent˜o y1 (t) = cos t e y2 (t) = sen t s˜o duas
                           a                                  a
solu¸oes reais linearmente independentes de y + y = 0. Al´m disso,
    c˜                                         ¨            e
ϕ(t) = t ´ obviamente uma solu¸ao particular de y + y = t. Logo, pelo
         e                     c˜                 ¨
Teorema 3.6, toda solu¸˜o desta equa¸ao ´ da forma
                       ca             c˜ e

                     y(t) = c1 cos t + c2 sen t + t.

Exemplo 3.9. Trˆs solu¸oes de uma equa¸ao linear n˜o homogˆnea de
                   e    c˜                c˜          a          e
 a ordem s˜o: ϕ (t) = t, ϕ (t) = t + et e ϕ (t) = 1 + t + et . Determine
2¯         a     1         2               3
a solu¸ao geral desta equa¸˜o.
      c˜                  ca

Solucao: As fun¸oes ϕ2 (t) − ϕ1 (t) = et e ϕ3 (t) − ϕ2 (t) = 1 s˜o
      ¸˜          c˜                                               a
                                                            t
solu¸oes da homogˆnea associada e, al´m disso, as fun¸˜es e e 1 s˜o
    c˜            e                  e                co           a
linearmente independentes. Logo, a solu¸˜o geral de tal equa¸ao ´:
                                       ca                    c˜ e

                          y(t) = c1 + c2 et + t.

Exerc´  ıcios: Sabendo que ϕ1 , ϕ2 e ϕ3 s˜o solu¸˜es de uma equa¸˜o
                                         a      co              ca
linear n˜o homogˆnea de 2¯
         a       e        a ordem, determinar a solu¸˜o geral desta
                                                      ca
equa¸ao, sendo:
     c˜

   a) ϕ1 (t) = t2 , ϕ2 (t) = t2 + e2 t e ϕ3 (t) = 1 + t2 + 2 e2 t .
                                             2                        2
   b) ϕ1 (t) = 1 + et , ϕ2 (t) = 1 + t + et e ϕ3 (t) = (t + 1) et + 1.
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3         Eq. N˜o Homogˆnea 55
                                                        a       e


   Para resolvermos uma equa¸ao linear n˜o homogˆnea precisamos
                              c˜          a        e
saber encontrar uma solu¸˜o particular. Veremos agora dois m´todos
                         ca                                 e
para determinar tal solu¸ao.
                        c˜


3.4.1     ´
         Metodo dos Coeficientes a Determinar

   Vamos estudar a equa¸ao
                       c˜
                          a y + b y + c y = g(t),
                            ¨     ˙                                        (3.18)
em que a, b e c s˜o constantes reais e g(t) ´ uma fun¸˜o exponencial,
                 a                          e        ca
ou um polinˆmio, ou sen t ou cos t. Para estes tipos de fun¸oes g, de-
             o                                             c˜
terminaremos facilmente uma solu¸˜o particular. O m´todo tamb´m
                                   ca                  e           e
se aplica a produtos de tais fun¸oes, ou seja
                                c˜
      g(t) = eαt (a0 + a1 t + · · · + an tn ) (b1 sen β t + b2 cos β t).

   Antes de discutir um procedimento geral, vamos considerar alguns
exemplos:
Exemplo 3.10. Encontre uma solu¸ao particular da equa¸ao
                               c˜                    c˜
y − 3 y − 4 y = 2 sen t.
¨     ˙

Solucao: Queremos uma fun¸ao yp (t) tal que a soma de sua 2a
       ¸˜                        c˜                                 ¯
derivada menos 3 vezes a sua 1a derivada menos 4 vezes a pr´pria
                                  ¯                              o
fun¸ao seja igual a 2 sen t. H´ pouca chance de sucesso se tentar-
    c˜                          a
mos fun¸˜es como ln t, et ou t2 , pois n˜o importa como combinamos
         co                             a
estas fun¸oes ´ imposs´
          c˜ e          ıvel obter 2 sen t. Parece obvio que devemos
                                                   ´
considerar para yp fun¸oes como sen t e cos t. Vamos ent˜o tentar
                         c˜                                  a
yp (t) = A cos t + B sen t, em que A e B s˜o constantes a serem deter-
                                           a
minadas. Logo,
     yp (t) = −A sen t + B cos t =⇒ yp (t) = −A cos t − B sen t
     ˙                              ¨
e, substituindo na equa¸ao, obtemos
                       c˜
           (−5 A − 3 B) cos t + (3 A − 5 B) sen t = 2 sen t.
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯              Cap. 3       Eq. N˜o Homogˆnea 56
                                                     a       e


Esta equa¸ao estar´ identicamente satisfeita se e somente se
         c˜       a

             −5 A − 3 B = 0         3                       5
                            =⇒ A =               e B=−        .
              3A − 5B = 2          17                      17
Logo, uma solu¸˜o particular da equa¸˜o ´:
              ca                    ca e
                               3           5
                    yp (t) =      cos t −    sen t.
                               17         17
Exemplo 3.11. Idem para y − 3 y − 4 y = 4 t2 .
                        ¨     ˙

      ¸˜    ´
Solucao : E natural tentar yp (t) = A t2 , em que A ´ uma constante
                                                     e
a ser determinada. Ent˜o, yp (t) = 2 A t. Logo, yp (t) = 2 A. Substi-
                       a ˙                      ¨
tuindo na equa¸˜o, obtemos
              ca

          2 A − 6 A t − 4 A t2 = 4 t2 =⇒ A = 0 e A = −1.

Portanto, ´ imposs´ achar uma solu¸ao da forma A t2 . Entretanto,
           e      ıvel                c˜
pensando no termo 4 t2 como 4 t2 +0 t+0, agora parece razo´vel tentar
                                                          a
            2
yp (t) = A t +B t+C, em que A, B e C devem ser determinadas. Ent˜o a

                  yp (t) = 2 A t + B
                  ˙                     e yp (t) = 2 A.
                                          ¨

Portanto, −4 A t2 + (−6 A − 4 B) t + (2 A − 3 B − 4C) = 4 t2 . Ou seja,
A = −1, B = 3/2 e C = −13/8. Logo,
                                        3   13
                      yp (t) = −t2 +      t− .
                                        2   8
Exemplo 3.12. Idem para y − 3 y − 4 y = e5 t .
                        ¨     ˙

Solucao: Vamos tentar yp (t) = A e5 t . Portanto, yp (t) = 5 A e5 t e
       ¸˜                                            ˙
yp (t) = 25 A e5 t . Substituindo na equa¸ao, temos que 6 A e5 t = e5 t .
¨                                        c˜
              1
Ou seja A = . Portanto,
              6
                                       1 5t
                            yp (t) =     e .
                                       6
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                 Cap. 3       Eq. N˜o Homogˆnea 57
                                                        a       e


Exemplo 3.13. Idem para y − 3 y − 4 y = e−t .
                        ¨     ˙

Solucao: Seria natural tentar yp (t) = A e−t . Portanto, yp (t) =
      ¸˜                                                    ˙
−A e e yp (t) = A e . Substituindo na equa¸ao, temos 0·A e = e−t
     −t
           ¨           −t
                                          c˜               −t

o que implica que ´ imposs´ determinar A tal que A e−t seja solu¸˜o
                    e     ıvel                                    ca
                                              −t
desta equa¸ao. A dificuldade neste caso ´ que e ´ uma solu¸˜o da
             c˜                        e         e            ca
                                             −t
equa¸ao homogˆnea associada e, portanto, A e tamb´m ´ solu¸˜o
     c˜          e                                   e e          ca
da equa¸ao homogˆnea. Abaixo veremos como resolver esta equa¸ao,
         c˜          e                                           c˜
                t e−t
cuja yp (t) = −        .
                  5

   Passemos ao estudo do caso geral em que g possui uma das formas:

   a) Pn (t) = an tn + an−1 tn−1 + · · · + a1 t + a0 ,

   b) eαt Pn (t),

   c) eαt Pn (t) sen β t ou eαt Pn (t) cos β t,

   d) combina¸oes lineares das anteriores.
             c˜

1o caso: Se g(t) = Pn (t), an = 0, ent˜o a equa¸ao (3.18) torna-se
 ¯                                    a        c˜
      a y + b y + c y = an tn + an−1 tn−1 + · · · + a1 t + a0 .
        ¨     ˙                                                    (3.19)

    Devemos procurar yp (t) de tal forma que a combina¸ao a yp +b y˙p +
                                                      c˜    ¨
c yp seja um polinˆmio de grau n. O candidato natural ´:
                  o                                    e
              yp (t) = An tn + An−1 tn−1 + · · · + A1 t + A0
com os coeficientes A0 , A1 , . . ., An a serem determinados. Substi-
tuindo na equa¸˜o (3.19), temos:
              ca
a [n (n − 1) An tn−2 + (n − 1)(n − 2) An−1 tn−3 + · · · + 6 A3 t + 2 A2 ]
                + b [n An tn−1 + (n − 1) An−1 tn−2 + · · · + 2 A2 t + A1 ]
                                                                    (3.20)
                    + c [An tn + An−1 tn−1 + · · · + A1 t + A0 ]
                    = an tn + an−1 tn−1 + · · · + a1 t + a0 .
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3        Eq. N˜o Homogˆnea 58
                                                       a       e


Igualando os coeficientes, obtemos
      
      
                                             c An = an
                                 c An−1 + n b An = an−1
      
      
      
      
        c An−2 + (n − 1) b An−1 + n (n − 1) a An = an−2             (3.21)
                                                       .
                                                        .
      
      
      
                                                       .
                             c A0 + b A1 + 2 a A2 = a0 .


   Se c = 0, determinamos, pela primeira equa¸ao de (3.21), que
                                                   c˜
     an
An = . Em seguida, substituimos An na segunda equa¸ao, obtemos
                                                      c˜
      c
        an−1 − (n b an )/c
An−1 =                     e assim sucessivamente.
                c
    Se c = 0 e b = 0, ent˜o a yp + b yp ´ um polinˆmio de grau n − 1,
                         a    ¨      ˙ e          o
enquanto que Pn (t) ´ um polinˆmio de grau n. Assim, ´ imposs´
                     e           o                       e       ıvel
resolver (3.21). Para garantir que a yp + b yp seja um polinˆmio de
                                       ¨     ˙               o
grau n, devemos escolher yp como sendo um polinˆmio de grau n + 1.
                                                  o
Portanto, assumimos

                   yp (t) = t (An tn + · · · + A1 t + A0 )

(omitimos o termo constante pois y = constante ´ uma solu¸ao da
                                                e          c˜
equa¸ao homogˆnea a y + b y = 0) e procedemos como anteriormente.
    c˜        e     ¨     ˙

   Se b = c = 0, ent˜o tomamos yp (t) = t2 (An tn + · · · + A1 t + A0 ).
                    a

2o caso: Consideremos a equa¸˜o diferencial:
 ¯                          ca

                       a y + b y + c y = eα t Pn (t).
                         ¨     ˙                                    (3.22)

Se removermos o fator eαt do segundo membro de (3.22), esta equa¸ao     c˜
torna-se igual a equa¸ao (3.19). Para conseguirmos isto pomos y =
                `       c˜
eα t v. Ent˜o y = eα t (v + α v) e y = eαt (¨ + 2 α v + α2 v). Substituindo
           a ˙          ˙          ¨        v       ˙
na equa¸ao (3.22) e cancelando o fator comum eα t , obtemos
         c˜

            a v + (2 a α + b)v + (a α2 + b α + c) v = Pn (t).
              ¨              ˙                                      (3.23)
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3         Eq. N˜o Homogˆnea 59
                                                        a       e


Conseq¨entemente, y(t) = eα t v(t) ´ solu¸ao de (3.22) se e somente se
        u                          e     c˜
v(t) ´ solu¸ao de (3.23), que ´ um problema j´ resolvido.
     e     c˜                 e               a

    Para encontrar uma solu¸˜o particular v(t) de (3.23), devemos dis-
                            ca
tinguir os seguintes casos:

   (i) a α2 + b α + c = 0,

   (ii) a α2 + b α + c = 0, mas 2 a α + b = 0,

   (iii) a α2 + b α + c = 2 a α + b = 0.

   O caso (i) significa que α n˜o ´ raiz da equa¸ao caracter´
                              a e              c˜          ıstica

                             a λ2 + b λ + c = 0,                     (3.24)

ou seja, eα t n˜o ´ solu¸ao da equa¸ao homogˆnea a y + b y + c y = 0.
               a e      c˜          c˜        e      ¨     ˙
Neste caso, temos que yp (t) = Qn (t) e , em que Qn (t) = An tn + · · · +
                                       αt

A1 t + A0 .

    A condi¸˜o (ii) significa que α ´ raiz simples da equa¸ao carac-
             ca                      e                   c˜
   ıstica (3.24), ou seja eα t ´ solu¸˜o da equa¸˜o homogˆnea, mas
ter´                           e     ca         ca       e
   αt                                     αt
t e n˜o ´. Neste caso, yp (t) = t Qn (t) e .
       a e

    Finalmente, a condi¸ao (iii) significa que tanto eα t como t eα t s˜o
                       c˜                                             a
                                                       2       αt
solu¸oes da equa¸ao homogˆnea e, portanto, yp (t) = t Qn (t) e .
    c˜          c˜         e

Exemplo 3.14. Encontre uma solu¸ao particular da equa¸ao
                                c˜                   c˜
y − 3 y + 2 y = (4 − 6 t) e−t .
¨     ˙

Solucao: A equa¸˜o caracter´
      ¸˜           ca        ıstica λ2 −3 λ+2 = 0 possui duas ra´    ızes
distintas λ1 = 1 e λ2 = 2. Portanto, y1 (t) = et e y2 (t) = e2 t formam
uma base de espa¸o solu¸ao da equa¸ao homogˆnea. Logo, e−t n˜o
                  c      c˜          c˜          e                     a
´ solu¸˜o da homogˆnea. Portanto, fazemos yp (t) = (A + B t) e−t e
e     ca             e
temos que

     yp (t) = (A + B − B t) e−t
     ˙                               e   yp (t) = (A − 2 B + B t)e−t .
                                         ¨
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                  Cap. 3      Eq. N˜o Homogˆnea 60
                                                        a       e


Substituindo na equa¸˜o e cancelando o fator e−t , obtemos
                    ca

                                        6A − 5B = 4                A = −1
6 A − 5 B + 3 B t = 4 − 6 t =⇒                       =⇒
                                        3B      = −6               B = −2.

Logo, yp (t) = −(1 + 2 t) e−t ´ uma solu¸ao.
                              e         c˜

Exemplo 3.15. Idem para y − 3 y + 2 y = (1 + t) et .
                        ¨     ˙

Solucao: Como vimos, no Exemplo 3.14, et ´ solu¸ao da equa¸ao
      ¸˜                                   e      c˜          c˜
homogˆnea associada. Assim, devemos tentar yp (t) = t (A + B t) et .
       e
Isso implica que

yp (t) = [A+(A+2 B) t+B t2 ] et e yp (t) = [2A+2 B+(A+4 B) t+B t2 ] et .
˙                                 ¨

Substituindo na equa¸˜o e cancelando o fator et , obtemos
                    ca

                                     −A + 2 B = 1                  1
−A+2 B−2 B t = 1+t =⇒                             =⇒ A = −2 e B = − .
                                        −2 B = 1                   2

Logo, yp (t) = (−2 t − t2 /2) et .

Exemplo 3.16. Encontrar uma solu¸ao particular para a equa¸ao
                                        c˜                c˜
                                2      3      5   3t
y − 6 y + 9 y = (6 + 12 t + 12 t + 40 t + 42 t ) e .
¨     ˙

Solucao: A equa¸˜o caracter´
      ¸˜           ca          ıstica λ2 − 6 λ + 9 = 0 possui ra´ızes
                                        3t             3t
iguais λ1 = λ2 = 3. Portanto, y1 (t) = e e y2 (t) = t e s˜o solu¸oes
                                                          a     c˜
da equa¸˜o homogˆnea associada. Logo, a solu¸ao particular da n˜o
         ca       e                            c˜                  a
homogˆnea ´ da forma
       e    e

        yp (t) = t2 (A0 + A1 t + A2 t2 + A3 t3 + A4 t4 + A5 t5 ) e3 t .

Como se pode notar ´ bem trabalhoso esta express˜o na equa¸ao dada
                     e                                a            c˜
                           ´ muito mais pr´tico fazer y(t) = e3 t v. Isso
para obter os coeficientes. E                 a
implica que y = (v + 3 v) e3 t e y = (¨ + 6 v + 9 v) e3 t . Substituindo na
             ˙    ˙              ¨    v     ˙
equa¸ao e cancelando o fator e3 t , obtemos
    c˜

                   v = 6 + 12 t + 12 t2 + 40 t3 + 42 t5 .
                   ¨
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                   Cap. 3       Eq. N˜o Homogˆnea 61
                                                          a       e


Integrando duas vezes, vem

                     v(t) = 3 t2 + 2 t3 + t4 + 2 t5 + t7 .

Logo, uma solu¸˜o particular ´
              ca             e

                 yp = (3 t2 + 2 t3 + t4 + 2 t5 + t7 ) e3 t .

3o caso: Consideremos agora a equa¸ao diferencial
 ¯                                c˜

        a y + b y + c y = eα t Pn (t) sen βt
          ¨     ˙                                   (ou cos β t).       (3.25)

Este problema pode ser reduzido ao anterior se notarmos que:

   (i) ei β t = cos β t + i sen β t e

   (ii) se y(t) = u(t) + i v(t) ´ uma solu¸˜o com valores complexos da
                                e           ca
equa¸ao
     c˜
                     a y + b y + c y = g1 (t) + i g2 (t),
                       ¨     ˙
em que a, b e c s˜o constantes reais, ent˜o
                 a                       a
                            a u + b u + c u = g1 (t)
                              ¨     ˙
                            a v + b v + c v = g2 (t).
                              ¨     ˙

     ıcio: Prove (ii).
Exerc´

   Seja ϕ(t) = u(t) + i v(t) uma solu¸˜o particular da equa¸˜o
                                     ca                    ca

               a y + b y + c y = eα t (a0 + · · · + an tn ) eiβ t .
                 ¨     ˙                                                (3.26)

A parte real do segundo membro de (3.26) ´ eα t (a0 +· · ·+an tn ) cos β t
                                                 e
e a parte imagin´ria ´ eα t (a0 + · · · + an tn ) sen β t; segue-se de (ii) que
                 a e

                                u(t) = [ϕ(t)]

´ uma solu¸ao de
e         c˜

              a y + b y + c y = eα t (a0 + · · · + an tn ) cos β t
                ¨     ˙
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                Cap. 3       Eq. N˜o Homogˆnea 62
                                                       a       e


e
                              v(t) = [ϕ(t)]
´ uma solu¸ao de
e         c˜

            a y + b y + c y = eα t (a0 + · · · + an tn ) sen β t.
              ¨     ˙

Exemplo 3.17. Encontre uma solu¸ao particular da equa¸ao
                               c˜                    c˜
y − 3 y + 2 y = 20 sen 2 t.
¨     ˙

Solucao: Vamos determinar yp (t) como a parte imagin´ria de uma
      ¸˜                                                 a
solu¸ao com valores complexos ϕ(t) da equa¸ao y − 3 y + 2 y = 20 e2 i t .
    c˜                                        c˜ ¨  ˙
Como e2it n˜o ´ solu¸ao da homogˆnea associada, devemos tentar
             a e      c˜               e
solu¸ao da forma ϕ(t) = Ae2 i t . Isso implica que
    c˜

                ϕ(t) = 2 i Ae2 i t
                ˙                    e ϕ(t) = −4 A e2 i t .
                                       ¨

Substituindo na equa¸ao diferencial, obtemos (−2 − 6 i) A = 20 ou
                    c˜
A = −1 + 3 i. Logo,

        ϕ(t) = (−1 + 3 i) e2 i t = (−1 + 3 i) (cos 2 t + i sen 2 t).

Logo,
                yp (t) = [ϕ(t)] = 3 cos 2 t − sen 2 t.


4o caso: Finalmente seja g(t) uma combina¸ao linear de fun¸˜es dos
  ¯                                      c˜               co
tipos descritos nos casos 1, 2 e 3.

  Este caso pode ser resolvido usando o chamado Princ´ıpio da
Superposicao de Solucoes, que diz: se ϕ1 ´ solu¸ao da equa¸˜o
          ¸˜           ¸˜                  e   c˜         ca

                         a y + b y + c y = g1 (t)
                           ¨     ˙

e ϕ2 ´ solu¸ao da equa¸˜o
     e     c˜         ca

                         a y + b y + c y = g2 (t)
                           ¨     ˙
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                 Cap. 3       Eq. N˜o Homogˆnea 63
                                                        a       e


e α1 , α2 s˜o constantes, ent˜o a fun¸ao ϕ(t) = α1 ϕ1 (t) + α2 ϕ2 (t) ´
           a                 a       c˜                               e
solu¸ao da equa¸˜o
    c˜          ca
                   a y + b y + c y = α1 g1 (t) + α2 g2 (t).
                     ¨     ˙

     ıcio: Prove esta afirma¸ao.
Exerc´                     c˜
Exemplo 3.18. Determine uma solu¸˜o particular da equa¸˜o:
                                ca                    ca
                y − 3 y + 2 y = (4 − 6 t) e−t + 20 sen 2 t.
                ¨     ˙
Solucao: Para encontrar uma solu¸ao particular desta equa¸ao de-
    ¸˜                              c˜                           c˜
vemos procurar solu¸˜es particulares yp1 (t) e yp2 (t) das equa¸˜es
                   co                                          co
       y − 3 y + 2 y = (1 + t) e3 t
       ¨     ˙                           e y − 3 y + 2 y = 20 sen 2 t,
                                           ¨     ˙
respectivamente, e ent˜o somarmos essas duas solu¸˜es. Temos, do
                         a                       co
                                         3t
Exemplo 3.14 que yp1 (t) = (−1/4 + t/2) e e do Exemplo 3.17 que
yp2 (t) = 3 cos 2 t − sen 2 t. Logo,
    yp (t) = yp1 (t) + yp2 (t) = −(1 + 2 t) e−t + 3 cos 2 t − sen 2 t .
 Exerc´ ıcios 3.4. 1) Determine uma solu¸˜o particular de cada uma
                                        ca
das seguintes equa¸˜es:
                   co

      a) y + 4 y = sen t.
         ¨     ˙                               b) y + 4 y = cos 2 t.
                                                  ¨

      c) y − y = t2 et .
         ¨                                     d) y + 2 y + y = e−t .
                                                  ¨     ˙

      e) y − 2 y + 5 y = 2 cos2 t.
         ¨     ˙                               f) y + 4 y = t sen 2 t.
                                                  ¨

      g) y + y = cos t cos 2 t.
         ¨                                     h) y − 3 y + 2 y = et + e2 t .
                                                  ¨     ˙

      i) y + y − 6 y = sen t + te2 t .
         ¨ ˙                                   j) y + 2 y = 1 + t2 + e−2 t .
                                                  ¨     ˙

2) a) Seja L(y) = y − 2 λ1 y + λ2 y. Mostre que L[eλ1 t v(t)] = eλ1 t v (t).
                  ¨        ˙    1                                     ¨

   b) Determine a solu¸ao geral da equa¸ao y − 6 y + 9 y = t3/2 e3 t .
                      c˜               c˜ ¨      ˙
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯              Cap. 3          Eq. N˜o Homogˆnea 64
                                                        a       e


3.4.2      ´              ¸˜        ˆ
          Metodo de Variacao dos Parametros (ou
               ¸˜
          Variacao das Constantes)

Este ´ o m´todo mais geral para se encontrar solu¸˜o particular de
     e     e                                        ca
equa¸ao diferencial n˜o homogˆnea, pois aplica-se tamb´m a equa¸oes
    c˜                a         e                      e `      c˜
com coeficientes vari´veis. A desvantagem deste m´todo ´ que ele con-
                     a                            e     e
duz ao c´lculo de integrais geralmente complicadas. O m´todo consiste
        a                                              e
em determinar uma solu¸ao particular da equa¸˜o n˜o homogˆnea
                          c˜                   ca a          e
                       y + a(t) y + b(t) y = g(t)
                       ¨        ˙                               [L.N.H.]
uma vez conhecidas duas solu¸˜es linearmente independentes da equa¸˜o
                            co                                    ca
homogˆnea associada
      e
                        y + a(t) y + b (t)y = 0.
                        ¨        ˙                                [L.H.]
Sejam y1 (t) e y2 (t) duas solu¸oes linearmente independentes da [L.H.].
                                c˜
Vamos procurar uma solu¸˜o particular yp (t) de [L.N.H.] da forma
                             ca
                   yp (t) = u1 (t) y1 (t) + u2 (t) y2 (t).        (3.27)

             ¸˜          `
 Observacao 3.14. A primeira vista, isto parece n˜o ter sentido,
                                                         a
pois estamos substituindo o problema de encontrar uma fun¸ao desco-
                                                             c˜
nhecida yp (t) pelo problema de encontrar duas fun¸oes desconhecidas
                                                     c˜
u1 (t) e u2 (t), que aparentemente ´ mais dif´
                                   e         ıcil. Entretanto, se traba-
lharmos corretamente encontraremos u1 (t) e u2 (t) como as solu¸oes de
                                                                 c˜
duas equa¸oes de 1a ordem muito simples.
            c˜        ¯

   Nosso objetivo, agora, ´ impor condi¸oes sobre u1 e u2 de modo
                           e              c˜
que a express˜o yp + a yp + b yp se torne t˜o simples quanto poss´
             a ¨       ˙                   a                     ıvel.
Derivando (3.27), obtemos
                  yp = u1 y1 + u2 y2 + u1 y1 + u2 y2 .
                  ˙       ˙       ˙    ˙       ˙
Para simplificar as express˜es de yp e yp , vamos impor sobre u1 e u2 a
                          o       ˙    ¨
condi¸ao:
     c˜
                          u1 y1 + u2 y2 = 0.
                          ˙        ˙
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                 Cap. 3      Eq. N˜o Homogˆnea 65
                                                       a       e


Com isto, temos

                   yp = u1 y1 + u1 y1 + u2 y2 + u2 y2 .
                   ¨    ˙ ˙        ¨    ˙ ˙        ¨

Substituindo yp , yp e yp na equa¸ao [L.N.H.] e agrupando convenien-
                  ˙    ¨         c˜
temente, obtemos

    u1 y1 + u2 y2 + u1 [¨1 + a y1 + b y1 ] + u2 [¨2 + a y2 + b y2 ] = g.
    ˙ ˙     ˙ ˙         y      ˙                 y      ˙

Como y1 e y2 s˜o solu¸˜es da homogˆnea, vem
              a      co           e

                            u1 y1 + u2 y2 = g.
                            ˙ ˙     ˙ ˙

Ent˜o, yp = u1 y1 + u2 y2 ´ uma solu¸ao da [L.N.H.] se u1 e u2 satisfi-
    a                     e         c˜
zerem as duas condi¸oes:
                    c˜
                             y1 u1 + y2 u2 = 0
                                ˙       ˙
                             y1 u1 + y2 u2 = g
                             ˙ ˙     ˙ ˙

que ´ um sistema linear em u1 e u2 cujo determinante da matriz dos
    e                         ˙     ˙
coeficientes ´ W (t) = W [ y1 , y2 ](t). Note W (t) ´ diferente de zero,
             e                                     e
pois y1 e y2 s˜o solu¸˜es linearmente independentes da [L.H.]. Logo,
              a      co
                               g y2              g y1
                      u1 = −
                      ˙                e u2 =
                                         ˙            .
                                W                 W
Finalmente, por integra¸˜o, obtemos u1 e u2 e, conseq¨entemente, yp .
                       ca                            u
Observacao 3.15. A solu¸˜o geral de [L.H.] ´
       ¸˜              ca                  e

                        y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t).

Fazendo c1 e c2 variar com o tempo, obtemos uma solu¸˜o da [L.N.H.].
                                                    ca
Da´ o nome varia¸˜o dos parˆmetros (ou constantes).
  ı,               ca           a
Exemplo 3.19. Determine uma solu¸˜o particular da equa¸˜o
                                ca                    ca
          t
y − y = 4e .
¨

Solucao: Primeiramente, devemos encontrar duas solu¸oes linear-
     ¸˜                                              c˜
mente independentes da homogˆnea associada y − y = 0. A equa¸ao
                            e              ¨                c˜
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3          Eq. N˜o Homogˆnea 66
                                                         a       e


caracter´ ıstica λ2 −1 = 0 possui duas ra´ distintas λ1 = 1 e λ2 = −1.
                                              ızes
                         t               −t
Portanto, y1 (t) = e e y2 (t) = e s˜o solu¸˜es da homogˆnea com
                                             a       co            e
W [ y1 , y2 ](t) = −2 = 0. Ent˜o yp (t) = u1 (t) y1 (t) + u2 (t) y2 (t), em
                                    a
que
                      −g(t) y2 (t)     −4 et e−t
            u1 (t) =
            ˙                      =             = 1 =⇒ u1 (t) = 2 t
                           W              −2
e
                    g(t) y1 (t)   4 et et
         u2 (t) =
          ˙                     =         = −2 e2 t =⇒ u2 (t) = −e2 t .
                       W           −2
Logo, uma solu¸˜o particular de y − y = 2et ´:
                   ca                   ¨            e

                          yp (t) = 2 t et − et .

 Exerc´ ıcios 3.5. 1) Encontre a solu¸ao geral, usando o m´todo de
                                     c˜                   e
varia¸˜o dos parˆmetros para determinar uma particular, de:
     ca         a

    a) y + y = tg t,
       ¨                no intervalo 0  t  π/2.

    b) y − 5 y + 6 y = t et .
       ¨     ˙                                     c) y + 2 y + y = 3 e−t .
                                                      ¨     ˙

    d) y − 4 y + 3 y = et /(1 + et ).
       ¨     ˙                                     e) y + y = cos2 t.
                                                      ¨

    f) t2 y + t y − y = 4.
          ¨     ˙                                  g) t2 y − 2 y + 2 y = t4 .
                                                         ¨     ˙

    h) t2 y − 2 t y + 2 y = t−2 .
          ¨       ˙                                i) t¨ − y = 2 t2 et .
                                                       y ˙

   Sugestao: Nos exerc´
            ˜             ıcios f, g, h e i determine por tentativa uma
base de solu¸˜es para as homogˆneas associadas.
            co                   e

    2) Sabendo-se que as fun¸˜es t−1/2 sen t e t−1/2 cos t s˜o solu¸oes
                              co                            a        c˜
                                           2            2
linearmente independentes da equa¸˜o t y + t y + (t − 1/4) y = 0,
                                      ca     ¨     ˙
t  0, encontre a solu¸˜o geral de t y + t y + (t − 1/4) y = 3 t3/2 sen t.
                      ca            2
                                      ¨    ˙     2


   3) Determine duas solu¸˜es LI de t2 y − 2 y = 0 da forma y(t) = tr .
                          co           ¨
Usando essas duas solu¸oes, determine a solu¸ao geral de t2 y −2 y = t2 .
                      c˜                    c˜              ¨

   4) Uma solu¸ao da equa¸˜o y + p(t) y + q(t) y = 0 ´ (1 + t)2 , e
              c˜         ca ¨         ˙              e
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                     ¯              Cap. 3                       Aplica¸˜es 67
                                                                       co


o wronskiano de duas solu¸oes quaisquer, desta equa¸ao, ´ constante.
                         c˜                           c˜ e
Determine a solu¸˜o geral de: y + p(t) y + q(t) y = 1 + t.
                ca            ¨        ˙



3.5                    ¸˜
         Algumas Aplicacoes

3.5.1          ¸˜      ˆ
          Vibracoes Mecanicas

(a) Vibracoes Amortecidas Forcadas
         ¸˜                  ¸

    Consideremos o sistema massa-mola enunciado no Cap´  ıtulo 1, Se¸ao
                                                                    c˜
1.1.3, e suponhamos que esteja imerso em um meio, tal como oleo, que
                                                             ´
ofere¸a uma for¸a de resistˆncia ao movimento (atrito) que em geral ´
     c          c          e                                          e
proporcional ` velocidade. Este problema, estudado no Exemplo 3.7,
              a
s˜o as vibra¸˜es livres amortecidas. Analisemos agora o problema em
 a           co
que a massa est´ sujeita a uma for¸a externa F (t) = F0 cos ωt. Ent˜o
                a                  c                                a
a equa¸ao diferencial que nos d´ o movimento da massa ´
        c˜                      a                        e

                      m y + c y + k y = F0 cos ω t.
                        ¨     ˙

Usando o m´todo dos coeficientes a determinar, encontramos uma
             e
solu¸ao particular
    c˜
                  F0
   yp (t) =                       [(k − m ω 2 ) cos ω t + c ω sen ω t]
          (k − m ω 2 )2 + c2 ω 2
                  F0
        =          2 )2 + c2 ω 2
                                 [(k − m ω 2 )2 + c2 ω 2 ]1/2 cos(ω t − α)
          (k − m ω
              F0 cos(ω t − α)
        =                              ,
          [(k − m ω 2 )2 + c2 ω 2 ]1/2

em que α = arctg(c ω/(k − m ω 2 )). Portanto, toda solu¸ao y(t) da
                                                       c˜
equa¸ao acima ´ da forma
    c˜        e
                                    F0 cos(ω t − α)
                y(t) = ϕ(t) +                                ,
                                [(k − m ω 2 )2 + c2 ω 2 ]1/2
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                     ¯             Cap. 3                    Aplica¸˜es 68
                                                                   co


onde ϕ(t) ´ uma solu¸ao da equa¸ao homogˆnea associada. Conforme
          e            c˜         c˜         e
vimos no Exemplo 3.7 temos que ϕ(t) → 0 quando t → ∞. Portanto,
para t grande, y(t) = yp (t) descreve muito precisamente a posi¸ao da
                                                               c˜
massa m, independentemente de sua posi¸ao e velocidade iniciais. Por
                                          c˜
esta raz˜o, yp (t) ´ chamada a parte estacion´ria da solu¸˜o e ϕ(t)
        a          e                            a          ca
´ chamada a parte transit´ria da solu¸ao.
e                            o           c˜

     (b) Vibracoes Forcadas nao Amortecidas
              ¸˜      ¸      ˜

  Consideremos o problema acima com c = 0, isto ´, sem amorteci-
                                                   e
mento. Ent˜o a equa¸˜o diferencial que nos d´ o movimento da massa
          a        ca                       a
´
e
                      m y + k y = F0 cos ω t
                        ¨
ou
                              2       F0
                         y + ω0 y =
                         ¨               cos ω t,
                                      m
        2     k
em que ω0 =     .
              m
     O caso ω = ω0 n˜o tem interesse. Toda solu¸ao ´ da forma
                    a                          c˜ e

                                                  F0
         y(t) = c1 cos ω0 t + c2 sen ω0 t +       2
                                                            cos ω t.
                                              m (ω0 − ω 2 )

Portanto, ´ soma de duas fun¸oes peri´dicas de per´
           e                 c˜       o             ıodos diferentes. O
caso interessante ´ aquele em que ω = ω0 , isto ´, quando a freq¨ˆncia
                  e                              e               ue
ω da for¸a externa ´ igual a freq¨ˆncia natural do sistema. Este caso
         c          e            ue
´ chamado de ressonˆncia e a equa¸˜o diferencial do movimento da
e                     a              ca
massa ´e
                             2     F0
                        y + ω0 y =
                        ¨              cos ω0 t.                 (3.28)
                                    m
Encontraremos uma solu¸ao particular yp (t) de (3.28) como a parte
                        c˜
real de uma solu¸ao com valores complexos da equa¸ao
                c˜                                c˜

                               2       F0 i ω0 t
                          y + ω0 y =
                          ¨              e       .                     (3.29)
                                       m
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                     ¯                 Cap. 3                    Aplica¸˜es 69
                                                                       co


Como ei ω0 t ´ solu¸˜o da equa¸ao homogˆnea y + ω0 y = 0, a equa¸ao
             e     ca         c˜       e     ¨        2
                                                                    c˜
                                             i ω0 t
(3.29) tem uma solu¸˜o da forma ϕ(t) = A t e
                      ca                            , para alguma cons-
tante A. Ent˜oa
ϕ(t) = A ei ω0 t + i ω0 A t eiω0 t
˙                                    e ϕ(t) = 2 i ω0 A ei ω0 t − ω0 A t ei ω0 t .
                                       ¨                          2


Logo,
                 F0 i ω0 t
                    e      = ϕ + ω0 ϕ = 2 i ω0 A ei ω0 t .
                             ¨    2
                 m
Isto implica que A = −i F0 /(2 m ω0 ) e, portanto,
                    i F0 t i ω0 t       i F0 t
        ϕ(t) = −            e     =−            (cos ω0 t + i sen ω0 t)
                   2 m ω0             2 m ω0
                 i F0 t               i F0 t
              =           sen ω0 t −           cos ω0 t.
                2 m ω0               2 m ω0
                         F0 t
Logo, yp (t) =    [ϕ(t)] =     sen ω0 t ´ uma solu¸ao particular de
                                        e          c˜
                        2 m ω0
(3.28). Conseq¨entemente, toda solu¸˜o y(t) de (3.28) ´ da forma:
              u                    ca                 e
                                                   F0 t
            y(t) = c1 cos ω0 t + c2 sen ω0 t +           sen ω0 t.
                                                  2 m ω0
                            T
                       yp

                                                             t
                                                                 E




    Notamos que a soma das duas primeiras parcelas ´ uma fun¸ao
                                                        e         c˜
peri´dica de t e a terceira parcela representa uma oscila¸˜o de am-
    o                                                       ca
plitude crescente. Portanto, se a for¸a externa F0 cos ωt, est´ em
                                        c                       a
ressonˆncia com a freq¨ˆncia natural do sistema, causar´ sempre os-
       a                ue                                a
cila¸oes ilimitadas. Tal fenˆmeno foi respons´vel pela queda da Ponte
    c˜                      o                a
de Tacoma ([4]) e muitas outras cat´strofes mecˆnicas.
                                    a            a
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                     ¯                Cap. 3            Aplica¸˜es 70
                                                              co


3.5.2                ´
         Circuitos Eletricos


Consideremos agora um sistema el´trico, o qual serve para mostrar que
                                   e
sistemas f´ısicos inteiramente diversos podem corresponder ` mesma
                                                              a
equa¸ao diferencial, o que ilustra o papel unificador que a Matem´tica
     c˜                                                           a
representa junto a v´rios fenˆmenos de natureza f´
                      a       o                   ısica completamente
diferentes. Vamos obter uma correspondˆncia entre sistemas el´tricos
                                           e                    e
e mecˆnicos que n˜o ´ simplesmente qualitativa, mas estritamente
       a             a e
quantitativa porque, dado um sistema mecˆnico, podemos construir
                                               a
um sistema el´trico cuja corrente forne¸a os valores exatos do deslo-
                e                        c
camento no sistema mecˆnico, quando introduzimos fatores da escala
                           a
adequados. A analogia pode ser empregada para construir um mo-
delo el´trico de um dado sistema mecˆnico. Em muitos casos, isto
         e                                a
constitui uma simplifica¸ao essencial, porque os circuitos el´tricos s˜o
                          c˜                                e        a
f´ceis de montar e as correntes e tens˜es s˜o medidas com facilidade,
 a                                     o     a
enquanto a constru¸˜o de um modelo mecˆnico pode ser complicada
                     ca                      a
e cara, e a medida dos deslocamentos, demorada e imprecisa.

   Examinemos o circuito RLC representado na figura abaixo, em
que E representa uma fonte de for¸a eletromotriz (gerador ou bateria)
                                 c
que produz uma diferen¸a de potencial que produz uma corrente I
                        c
que passa atrav´s do circuito quando a chave S ´ fechada. R denota
                e                               e
a resistˆncia ao fluxo da corrente (tal como a produzida por uma
        e
lˆmpada), L, um indutor (bobina de fio de cobre).
 a

                           E
                          I
                                        R
E
                   
                          L

                                        C
                               e rS
                               e

  Quando a corrente passa atrav´s da bobina, produz-se um campo
                                 e
magn´tico que se op˜e a qualquer mudan¸a na corrente atrav´s desta
    e              o                  c                   e
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                     ¯            Cap. 3               Aplica¸˜es 71
                                                             co


bobina. A varia¸˜o de voltagem produzida pela bobina ´ proporcional
                ca                                     e
a taxa de varia¸˜o da corrente. A constante de proporcionalidade ´
`               ca                                                  e
chamada indutˆncia L da bobina.
               a
  C = capacitor, que consiste geralmente de duas placas de metal
separadas por um material atrav´s do qual pode passar pouca corrente.
                               e
Um capacitor tem o efeito de reverter o fluxo da corrente quando uma
das placas se torna carregada.

   Seja Q(t) a carga do capacitor no instante t. Para deduzir uma
equa¸ao diferencial satisfeita por Q(t) usaremos a 2a lei de Kirchhoff:
    c˜                                              ¯
   “Num circuito fechado, a voltagem aplicada ´ igual ` soma das
                                              e       a
quedas de voltagem no resto do circuito.”

    Como a queda de voltagem atrav´s do resistor R ´ igual a RI,
                                       e                e
                                 dI
atrav´s do indutor L ´ igual a L
     e               e              e atrav´s do capacitor C ´ igual a
                                           e                 e
                                 dt
Q/C, temos que
                         dI          Q
                       L    + R I + = E(t)
                         dt          C
               dQ(t)
e, como I(t) =       , vem que
                 dt
                        d2 Q    dQ Q
                    L      2
                             +R    + = E(t).
                        dt      dt  C

    Esta equa¸ao e a equa¸ao do sistema massa-mola, apresentado na
               c˜          c˜
Subse¸ao 3.5.1, s˜o essencialmente a mesma. Isto mostra que o circuito
       c˜         a
RLC ´ o an´logo el´trico ao sistema mecˆnico da aplica¸˜o anterior, e
       e     a      e                   a              ca
podemos estabelecer a seguinte correspondˆncia entre as quantidades
                                          e
el´tricas e mecˆnicas.
  e             a
                  indutˆncia L
                        a         ←→   massa m
                  resistˆncia R
                        e         ←→   constante de amortecimento c
rec´
   ıproco da capacitˆncia 1/C
                     a            ←→   constante da mola k
       for¸a eletromotriz E(t)
          c                       ←→   for¸a aplicada F (t)
                                          c
                    carga Q(t)    ←→   deslocamento y(t).
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                     ¯            Cap. 3                Aplica¸˜es 72
                                                              co


3.5.3                  ¸˜
          Outras Aplicacoes

1) Um modelo para descoberta de diabetes ([4] - pag. 157).

2) Lei da Gravita¸ao de Newton e o movimento dos Planetas ([11] -
                 c˜
pag.647).

3) Um modelo de popula¸˜o ([9] - pag. 111).
                      ca

4) Propaga¸˜o de ondas monocrom´ticas em um meio unidimensional
            ca                 a
([1] - pag. 128).

5) Deflex˜o de vigas ([10] - pag. 108).
        a

6) Cabos suspensos ([10] - pag. 112).


 Exerc´  ıcios 3.6. 1) Um indutor de 0, 2 henrys, um resistor de 16
ohms e um capacitor de 0,02 farads s˜o ligados em s´rie com uma
                                        a               e
for¸a eletromotriz de E volts. No instante t = 0 a carga do capacitor
   c
e a corrente no circuito s˜o nulas. Encontre a carga e a corrente em
                          a
qualquer instante t  0, se: a) E = 300 volts; b) E = 100 sen 3 t volts.

   2) Determine a corrente estacion´ria em um circuito RLC, em que:
                                   a
a) R = 20 ohms; L = 10 henrys; C = 0,05 farad; E = 50 sen t volts.
b) R = 40 ohms; L = 10 henrys; C = 0,02 farad; E = 800 cos t volts.

   3) Encontrou-se experimentalmente que 9,44 N de peso esticam
uma mola em 15,24 cm. Se o peso ´ puxado para baixo adicionalmente
                                e
em 7,62 cm e solto, determine a amplitude, per´ıodo e freq¨ˆncia do
                                                          ue
movimento, desprezada a resistˆncia do ar. (A massa m de um objeto
                              e
em termos de seu peso, ω, ´ m = ω/g = ω/9, 8).
                          e

   4) Um sistema massa-mola amortecido com m = 1, k = 2 e c = 2
(em suas respectivas unidades) est´ suspenso em equil´
                                  a                  ıbrio. Uma for¸a
                                                                   c
externa F (t) = (π − t) N atua sobre o sistema entre t = 0 e t = π.
Determine a posi¸˜o da massa em qualquer instante t  π.
                 ca
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem Cap. 3
                     ¯                                    Eq. de Ordem Superior 73


3.6           ¸˜
          Equacoes de Ordem Superior

   Discutiremos, aqui, rapidamente as equa¸oes diferenciais lineares
                                             c˜
de ordem superior, pois toda teoria desenvolvida para a equa¸˜o linear
                                                            ca
    a ordem pode ser estendida para a equa¸ao de ordem n.
de 2¯                                        c˜
      y (n) + a1 (t) y (n−1) + · · · + an−1 (t) y + an (t) y = g(t),
                                                ˙                         [L.N.H.]
em que n ´ qualquer n´mero natural.
         e           u

   O pr´ximo teorema cont´m os principais resultados sobre as equa-
       o                    e
¸oes de ordem n. Sua demonstra¸ao ser´ omitida, pois ´ simples
c˜                              c˜      a                e
adapta¸ao do que j´ foi visto.
      c˜          a
Teorema 3.7. Suponhamos que a1 (t), . . ., an (t) e g(t) sejam fun¸˜es
                                                                  co
cont´nuas num intervalo I. Ent˜o:
    ı                         a

   (i) O conjunto de todas as solu¸˜es da equa¸˜o homogˆnea
                                  co          ca       e

         y (n) + a1 (t) y (n−1) + · · · + an−1 (t) y + an (t)y = 0
                                                   ˙                        [L.H.]
´ um espa¸o vetorial de dimens˜o n.
e        c                    a

    (ii) Sejam y1 (t), . . ., yn (t) solu¸˜es de [L.H.]. Estas fun¸˜es s˜o
                                         co                       co    a
linearmente independentes se, e somente, se
                                                     
                           y1 (t0 )    ···   yn (t0 )
                              .
                              .                 .
                                                .
               det                                   =0
                                                     
                              .                 .
                           (n−1)                     (n−1)
                          y1       (t0 ) · · ·    yn         (t0 )
para algum t0 ∈ I. Este determinante ´ chamado Wronskiano de
                                     e
y1 , . . . , y n .

    (iii) Se yp (t) ´ uma solu¸˜o particular de [L.N.H.] e y1 , . . . , yn s˜o
                    e         ca                                            a
solu¸˜es linearmente independentes de [L.H.], ent˜o a solu¸˜o geral
     co                                              a            ca
y(t) de [L.N.H.] ´ da forma
                    e
                                                 n
                          y(t) = yp (t) +              cj yj (t).
                                                 j=1
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem Cap. 3
                        ¯                                Eq. de Ordem Superior 74


    No caso em que a1 , . . . , an s˜o constantes, temos que y(t) = eλ t ´
                                    a                                     e
solu¸ao de [L.H.] se, e somente, se λ ´ raiz da equa¸˜o caracter´
    c˜                                   e             ca          ıstica

                   λn + a1 λn−1 + · · · + an−1 λ + an = 0.                 (3.30)


      Como antes, temos trˆs casos a considerar:
                          e

     a) A equa¸ao caracter´
                    c˜          ıstica (3.30) possui n ra´
                                                         ızes reais distintas
λ1 , . . . , λn . Ent˜o, as fun¸oes
                     a         c˜

                              eλ1 t , eλ2 t , . . . , eλn t

s˜o solu¸˜es reais linearmente independentes de [L.H].
 a      co

   b) A equa¸ao (3.30) possui n ra´
                c˜                  ızes distintas λ1 , λ2 , . . . , λn , mas
algumas s˜o complexas. Se α + iβ = 0, β = 0, ´ uma raiz de (3.30),
           a                                     e
        (α+βi)t
ent˜o e
   a            ´ uma solu¸ao complexa de [L.H] a qual d´ origem a
                e         c˜                                   a
duas solu¸oes reais linearmente independentes:
          c˜

                      u(t) = (e(α+i β) t ) = eα t cos β t

e
                      v(t) = (e(α+i β) t ) = eα t sen β t.

    c) As ra´ λ1 , λ2 , . . . , λn n˜o s˜o todas distintas. Se λ ´ uma raiz
            ızes                    a a                            e
de (3.30) com multiplicidade k, ent˜o as fun¸˜es eλ t , t eλ t , . . . , tk−1 eλ t
                                        a        co
s˜o k solu¸oes linearmentes independentes de [L.H].
 a         c˜

    Daremos agora, alguns fatos que nos ajudar˜o na determina¸ao de
                                              a              c˜
ra´ de polinˆmios.
  ızes       o

      i) Dada a equa¸ao
                    c˜

                   λn + an−1 λn−1 + · · · + a1 λ + a0 = 0,                 (3.31)

onde a0 , a1 , . . . , an−1 s˜o inteiros, suas prov´veis ra´ inteiras s˜o os
                             a                     a       ızes        a
divisores de a0 .
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem Cap. 3
                     ¯                            Eq. de Ordem Superior 75


     ii) Se λ1 ´ uma raiz de (3.31), ent˜o o algoritmo de Briot-Ruffini
               e                        a
´:
e
            1         an−1          an−2              ···       a1         a0


       λ1       1   λ1 + an−1   λ1 bn−2 + an−2        ···   λ 1 b 1 + a1   0
            bn−1      bn−2           bn−3                        b0

e, portanto,

λn +an−1 λn−1 +· · ·+a1 λ+a0 = (λ−λ1 )(λn−1 +bn−2 λn−2 +· · ·+b1 λ+b0 ).


     (iii) Raiz n-´sima de um n´mero complexo:
                  e            u

    Observamos primeiramente que todo n´mero complexo z pode ser
                                           u
                        iθ
escrito na forma z = re . De fato, se z = x + iy, na figura abaixo
vemos que x = r cos θ e y = r sen θ. Logo, z = r(cos θ + i sen θ) = rei θ

                                T               z = x + iy
                                                  T
                                     r
                                                  y = r sen θ
                                     θ
                                                  c         E
                                '           E
                                    x = r cos θ

     A raiz n-´sima de um n´mero complexo z = rei θ ´ dada por
              e            u                        e
     √     √       θ + 2kπ         θ + 2kπ
     n
       z = n r(cos         + i sen         ),           k = 0, 1, 2, . . . , n − 1.
                      n               n
Exemplo 3.20. Calcule as ra´ quartas de −1.
                           ızes

Solucao: Temos que −1 = cos π + i sen π = ei π = ei(π+2 k π) , k ∈ Z.
      ¸˜
Logo,
          √4
                 √
                 4      π + 2kπ           π + 2kπ
             −1 = 1(cos           + i sen           ).
                            4                 4
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem Cap. 3
                     ¯                         Eq. de Ordem Superior 76

                                     √
                    π        π        2
k = 0 =⇒ z1   = cos + i sen =           (1 + i),
                    4        4       2 √
                    3π         3π      − 2
k = 1 =⇒ z2   = cos    + i sen       =       (1 − i),
                     4          4        2
                                         √
                    5π         5π      − 2
k = 2 =⇒ z3   = cos    + i sen       =       (1 + i),
                     4          4      √2
                    7π         7π        2
k = 3 =⇒ z4   = cos    + i sen       =     (1 − i).
                     4          4       2

   Exerc´
        ıcios:

   1) Calcule as ra´ quartas de −16.
                   ızes

   2) Calcule as ra´ quintas de −1.
                   ızes

   3) Calcule as ra´ sextas de 3.
                   ızes

Exemplo 3.21. Determine a solu¸˜o geral real da equa¸ao diferencial
                              ca                    c˜
y (3) + y − 10 y = 0.
        ˙

Solucao: A equa¸ao caracter´
      ¸˜              c˜            ıstica ´ λ3 + λ − 10 = 0 tem por ra´
                                           e                           ızes:
λ1 = 2, λ2 = −1 + 2 i e λ3 = −1 − 2 i. Portanto, y1 (t) = e2 t , y2 (t) =
e−t cos 2 t e y3 (t) = e−t sen 2 t s˜o solu¸˜es linearmente independentes.
                                    a        co
Ent˜o a solu¸ao geral ´
    a          c˜         e

              y(t) = c1 e2 t + e−t (c2 cos 2 t + c3 sen 2 t).

Exemplo 3.22. Idem para y (3) + 3 y + 3 y + y = 0.
                                  ¨     ˙

Solucao: A equa¸ao caracter´
       ¸˜             c˜            ıstica ´ λ3 + 3 λ2 + 3 λ + 1 = 0 ou (λ +
                                           e
  3
1) = 0. Logo, λ = −1 ´ raiz com multiplicidade 3 e, portanto, y1 (t) =
                            e
e−t , y2 (t) = t e−t e y3 (t) = t2 e−t formam um sistema fundamental de
solu¸oes. Ent˜o a solu¸ao geral ´
     c˜         a          c˜         e

                     y(t) = e−t (c1 + c2 t + c3 t2 ).

Exemplo 3.23. Idem para y (4) + y = 0.
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem Cap. 3
                     ¯                             Eq. de Ordem Superior 77


Solucao: A equa¸ao caracter´ √ ´ λ4 + 1 = 0 ou λ4 = −1. Pelo
       ¸˜            c˜             ıstica e                √
                                        2                      2
Exemplo 3.20, temos que λ1 =              (1 + i), λ2 = −          (1 − i), λ3 =
   √                        √         2                       2
     2                        2
−       (1 + i) e λ4 =          (1 − i) s˜o as quatro ra´
                                           a                  ızes da equa¸aoc˜
    2                        2
  4
λ = −1. As ra´    ızes λ4 e λ3 s˜o as conjugadas complexas de λ1 e λ2 ,
                                  a
respectivamente. Assim,
                                             √             √
                                  √           2              2
                         λ1 t    t 2/2
              ϕ1 (t) = e = e           (cos      t + i sen       t)
                                             2              2
e                                            √              √
                                  √            2               2
                        λ3 t    − 2 t/2
             ϕ2 (t) = e = e             (cos      t + i sen       t)
                                              2              2
s˜o duas solu¸oes com valores complexos, o que implica que
 a             c˜
                      √                 √               √                 √
                          2 t/2  2                          2 t/2              2
         y1 (t) = e             2
                                   t,
                                  cos         y2 (t) = e            sen       2
                                                                                   t,
                      √          √                          √                 √
         y3 (t) =   e− 2 t/2 cos 22 t         y4 (t) = e−       2 t/2
                                                                        sen    2
                                                                                2
                                                                                    t

s˜o quatro solu¸oes reais linearmente independentes. Logo, a solu¸ao
 a               c˜                                              c˜
real geral ´
           e
                                    √              √
                    √                 2              2
                      2 t/2
           y(t) = e          c1 cos     t + c2 sen     t +
                                     2              2
                                        √              √
                         √                2              2
                       − 2 t/2
                  +e             c3 cos     t + c4 sen     t .
                                         2              2
 Exerc´ ıcios 3.7. 1) Determine a solu¸ao geral de cada uma das
                                      c˜
seguintes equa¸oes:
              c˜

     a) y + 3 y − 4 y = 0.
        ¨     ˙                             b) y (4) + 2 y + y = 0.
                                                         ¨

     c) y (3) − 2 y − y + 2 y = 0.
                  ¨ ˙                       d) y (4) − 5 y (3) + 6 y + 4 y − 8 y = 0.
                                                                   ¨     ˙

     e) y (3) + y − 6 y = 0.
                ¨     ˙                     f) y (3) + y + 3y − 5 y = 0.
                                                       ¨    ˙

     g) y (4) + 8 y + 16 y = 0.
                  ¨                         h) y (4) + 2 y (3) + 5 y = 0.
                                                                   ¨
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem Cap. 3
                     ¯                               Eq. de Ordem Superior 78


2) Resolva cada um dos P.V.I.

      y (5) − 2 y (4) + y (3) = 0
a)
      y(0) = y(0) = y (0) = y (3) (0) = 0, y (4) (0) = −1.
                ˙       ¨

       y (3) + y − 6y = 0
               ¨    ˙
b)
       y(0) = y(0) = 1, y (0) = 2.
                 ˙        ¨

      y (3) − y = 0
              ˙
c)
      y(0) = 0, y(0) = 1, y (0) = 2.
                  ˙       ¨

       y (6) − y = 0
               ¨
d)
       y(0) = y(0) = y (0) = y (3) (0) = y (4) (0) = y (5) (0) = 0.
                 ˙   ¨

3) Mostre que a equa¸˜o diferencial t3 y (3) − 6 t y + 12 y = 0 possui
                      ca                           ˙
trˆs solu¸˜es linearmente independentes da forma y(t) = tr .
  e      co

4) Sabendo-se que y1 (t) = et cos t ´ uma solu¸˜o de y (4) − 2 y (3) +
                                    e         ca
y + 2 y − 2 y = 0, determine sua solu¸ao geral. Sugest˜o: Use esta
¨     ˙                               c˜               a
informa¸ao para determinar as ra´ da sua equa¸˜o caracter´
        c˜                      ızes             ca          ıstica.


     Consideremos, agora, a equa¸˜o n˜o homogˆnea
                                ca a         e

      y (n) + a1 (t) y (n−1) + · · · + an−1 (t) y + an (t) y = g(t),
                                                ˙                      [L.N.H.]


     Um fato importante sobre [L.N.H.] ´
                                       e

    “Se y1 (t), y2 (t), . . . , yn (t) s˜o n solu¸oes linearmente independentes
                                        a        c˜
de [L.H.] e yp (t) ´ uma solu¸ao particular da [L.N.H.], ent˜o toda
                      e                 c˜                              a
solu¸ao de [L.N.H.] ´ da forma
    c˜                    e
                                    n
                          y(t) =         cj yj (t) + yp (t),
                                   j=1


em que c1 , c2 , . . . , cn s˜o constantes.”
                             a
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯               Cap. 3      Coef. a Determinar     79


    Logo, como no caso das equa¸˜es de segunda ordem, para deter-
                                co
minarmos a solu¸ao geral de [L.N.H.] precisamos saber encontrar uma
                c˜
solu¸ao particular de [L.N.H.].
    c˜



3.7       ´
        Metodo dos Coeficientes a Deter-
        minar

   Este m´todo para [L.N.H.] de ordem n funciona do mesmo modo
          e
que para as de segunda ordem.

Exemplo 3.24. Encontre uma solu¸ao particular da equa¸ao
                               c˜                    c˜
 (3)               t
y − 3y + 3y − y = e .
     ¨    ˙

Solucao: A equa¸˜o caracter´
       ¸˜         ca         ıstica λ3 − 3 λ2 + 3 λ − 1 = (λ − 1)3 = 0
tem λ = 1 como raiz tripla. Logo, y1 (t) = et , y2 (t) = t et e y3 (t) =
t2 et formam um sistema fundamental de solu¸˜es para a homogˆnea
                                              co                    e
                                            3 t
associada. Ent˜o devemos tentar yp (t) = A t e . Portanto,
              a

       yp (t) = A et (t3 + 3 t2 ), yp (t) = A et (t3 + 6 t2 + 6 t) e
       ˙                           ¨
         (3)         t 3        2
       yp (t) = A e (t + 9 t + 18 t + 6).

Substituindo na equa¸˜o e cancelando o fator et , obtemos que A = 1/6.
                    ca
Logo,
                                   t3 et
                          yp (t) =       .
                                     6
     ıcios 3.8. 1) Determine a solu¸ao geral de:
Exerc´                             c˜

    a) y (3) − y − y + y = 2 e−t + 3.
               ¨ ˙                     b) y (3) + y + y + y = e−t + 4 t.
                                                  ¨ ˙
        (3)                                 (3)
    c) y − y = 2 sen t.                d) y + y = tg t.
                                                  ˙
                                  −2 t
    e) y − 4 y = t + cos t + 2 e . f) y + 2 y + y = t2 sen t.
        (3)
                 ˙                         (4)
                                                    ¨
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                  Cap. 3 Varia¸ao dos Parˆmetros 80
                                                   c˜         a


    2) Resolva cada um dos P.V.I.
         (3)                                (4)
         y + 4y = t ˙                       y + 2y + y = 3t + 4
                                                       ¨
     a)    y(0) = y(0) = 0
                   ˙              b)          y(0) = y(0) = 0
                                                      ˙
           y (0) = 1.
           ¨                                  y (0) = y (3) (0) = 1.
                                              ¨
                                           
         (4)                                (3)
         y − y = 3 t + cos t                y + 3 y + 2 y = t + et
                                                       ¨       ˙
     c)   y(0) = y(0) = 1
                   ˙              d)          y(0) = 1
                     (3)
          y (0) = y (0) = 0.
           ¨                                  y(0) = −1/4 y (0) = −3/2.
                                              ˙                 ¨
                                           



3.8        ´             ¸˜         ˆ
          Metodo de Variacao dos Parametros

   Sejam y1 (t), . . . , yn (t) n solu¸oes linearmente independentes de
                                      c˜
[L.H.]. Procuraremos fun¸˜es u1 (t), . . . , un (t) de modo que
                               co

                   yp (t) = u1 (t) y1 (t) + · · · + un (t) yn (t)

seja solu¸˜o de [L.N.H.]. Como no caso n = 2, isto ocorrer´ se, e
         ca                                                          a
somente, se as fun¸oes u1 (t), . . . , un (t) satisfizerem ao sistema
                  c˜
                   
                    y1 u1 + · · · + yn un = 0
                       ˙               ˙
                    y1 u1 + · · · + yn un = 0
                    ˙ ˙
                                    ˙ ˙
                             .
                   
                             .
                             .
                    (n−2)                (n−2)
                    (n−1) u1 + · · · + yn
                    y
                    1      ˙                   un = 0
                                                ˙
                   
                                          (n−1)
                     y1     u1 + · · · + yn
                            ˙                   un = g(t).
                                                ˙
                   

Resolvendo o sistema obtemos u1 , . . . , un e, finalmente, por integra¸ao
                                    ˙     ˙                           c˜
obteremos as fun¸˜es u1 , . . . , un .
                 co

 Observacao 3.16. O sistema acima possui solu¸ao unica pois, o
           ¸˜                                             c˜ ´
determinante dos coeficientes W [y1 , . . . , yn ](t) = 0 visto que y1 , . . . , yn
s˜o solu¸˜es linearmente independentes de [L.H.].
 a      co

Exemplo 3.25. Determine uma solu¸˜o da equa¸ao y (3) + y = sec t.
                                ca         c˜          ˙
Eq. Dif. Linear de 2a Ordem
                    ¯                 Cap. 3 Varia¸ao dos Parˆmetros 81
                                                  c˜         a


Solucao: Primeiramente devemos encontrar uma base de solu¸oes da
       ¸˜                                                           c˜
                           (3)                                    3
homogˆnea associada y + y = 0. A equa¸˜o caracter´
        e                        ˙             ca          ıtica λ + λ = 0
tem por ra´  ızes: λ1 = 0, λ2 = i e λ3 = −i. Portanto, y1 (t) = 1,
y2 (t) = cos t e y3 (t) = sen t constitui tal base. Ent˜o, procuramos u1 ,
                                                       a
u2 e u3 tais que

                  yp (t) = u1 (t) + u2 (t) cos t + u3 (t) sen t

seja solu¸ao da equa¸ao n˜o homogˆnea. Resolvendo o sistema
         c˜          c˜ a            e
                
                 u1 + u2 cos t + u3 sen t = 0
                   ˙    ˙          ˙
                       −u2 sen t + u3 cos t = 0
                        ˙          ˙
                       −u2 cos t − u3 sen t = sec t,
                        ˙          ˙
                

obtemos

                  u1 = sec t =⇒ u1 (t) = ln | sec t + tg t|,
                  ˙
                  u2 = −1 =⇒ u2 (t) = −t,
                  ˙
                         sen t
                  u3 = −
                  ˙            =⇒ u3 (t) = ln | cos t|.
                         cos t
Portanto,

          yp (t) = ln | sec t + tg t| − t cos t + (sen t) ln | cos t|.

 Exerc´ıcios 3.9. 1) Encontre, usando o m´todo de varia¸˜o dos
                                             e         ca
parˆmetros, uma solu¸ao particular de cada equa¸ao:
   a                c˜                         c˜

    a) y (4) − y = 4 t.
               ¨                                 b) y (3) − 3¨ + 3 y − y = et .
                                                              y     ˙
    c) y (3) − 4 y = t + cos t + 2 e−t .
                 ˙                               d) y (3) + y + y + y = t + e−t .
                                                            ¨ ˙
    e) y + 2 y + y = t2 sen t.
         (4)
                 ¨                               f) y (3) − 6 y + 11 y − 6 y = e4 t .
                                                              ¨       ˙

   2) Sabendo-se que t, t2 e 1/t s˜o solu¸˜es da equa¸ao homogˆnea
                                  a      co          c˜       e
associada a

                 t3 y (3) + t2 y − 2 t y + 2 y = 2 t4 ,
                               ¨       ˙                  t  0,

determine uma solu¸˜o particular da equa¸˜o n˜o homogˆnea.
                  ca                    ca a         e
Cap´
   ıtulo 4

Transformada de Laplace

4.1                       ´
            Integrais Improprias

     Seja f (t) uma fun¸ao definida para todo t ≥ a tal que exista a
                       c˜
                  b
integral              f (t) dt qualquer que seja b  a. A integral impr´pria
                                                                       o
              a
de f ´ definida por
     e
                                       ∞                            b
                                           f (t) dt = lim               f (t) dt,             (4.1)
                                   a                 b→∞        a

caso o limite exista e seja finito. Neste caso, dizemos que f ´ in-
                                                             e
tegr´vel no sentido impr´prio em [a, ∞) ou que a integral impr´pria
    a                      o                                  o
     ∞
         f (t) dt ´ convergente. Caso contr´rio, dizemos que a integral
                  e                        a
 a
impr´pria ´ divergente.
    o     e
                                                                    ∞
     Por exemplo, a integral impr´pria
                                 o                                      e−t dt ´ convergente, pois
                                                                               e
                                                                0
                            b
                                                            b
              lim               e−t dt = lim − e−t          0
                                                                = lim (1 − e−b ) = 1.
             b→∞        0                   b→∞                         b→∞


                                                    82
Transformada de Laplace                          Cap. 4                  Integrais Impr´prias
                                                                                       o                       83

                                   ∞
                                      dt
A integral impr´pria
               o                         diverge, pois
                                  1    t
                                         b
                                           dt                                b
                                  lim         = lim ln t                     1
                                                                                 = ∞.
                                 b→∞ 1 t        b→∞

 Exerc´ıcios 4.1. 1) Verifique se cada uma das integrais dadas abaixo
converge ou diverge:
            ∞                                ∞                               ∞                       ∞
                    dt                                −t2                        ln t                        dt
   a)                      .      b)             te          dt.    c)                dt.   d)                     .
        2       (t − 1)3/2               0                               1        t              e       t (ln t)2
                                                     ∞
                                                         dx
   2) Mostre que a integral                                 ´ convergente se p  1 e ´ diver-
                                                            e                        e
                                                 1       xp
gente se p ≤ 1.

    Integrais impr´prias em que o integrando depende ainda de uma
                  o
outra vari´vel s˜o de grande importˆncia em matem´tica e em outras
          a     a                     a                  a
aplica¸oes. O interesse central deste cap´
      c˜                                      ıtulo ´ estudar integrais da
                                                    e
forma                         ∞
                                e−s t f (t) dt.                      (4.2)
                                             0

A integral (4.2) define uma fun¸˜o F (s), da vari´vel s. O dom´
                               ca               a             ınio
desta fun¸˜o ´ constituido por todos os valores de s tais que esta
          ca e
integral seja convergente.

   Consideremos, por exemplo
                                                             ∞
                                       F (s) =                   e−s t dt.                                  (4.3)
                                                         0

Esta integral ´ divergente se s ≤ 0. Para s  0, temos
              e
                    ∞                            b
                                                                             1 e−s b  1
                        e−s t dt = lim               e−s t dt = lim            −     = .
                0                 b→∞        0                      b→∞      s   s    s
Deste modo,
                                                         1
                                       F (s) =                 (s  0).
                                                         s
Transformada de Laplace                                Cap. 4                    Integrais Impr´prias
                                                                                               o                   84


Fa¸a o mesmo para as integrais abaixo e obtenha as igualdades:
  c
           ∞                                                              ∞
                −s t              1                                                                     1
 a)            e           t dt = 2 (s  0).                   b)             e−s t sen t dt =             (s  0).
       0                         s                                    0                            s2   +1
           ∞                                                              ∞
                                        2                                                                1
 c)            e−s t t2 dt =               (s  0). d)                        e−s t senh t dt =             (s  1).
       0                                s3                            0                             s2   −1

                                                                       [sugest˜o: senh t = (et − et )/2].
                                                                              a

    As integrais acima sugerem que o dom´ da fun¸˜o F (s) seja um
                                        ınio       ca
intervalo da forma (a, ∞). Pode-se mostrar que isto ´ verdadeiro em
                                                    e
geral.



4.2            A Transformada de Laplace

      Seja f (t) uma fun¸˜o definida para todo t ≥ 0. A fun¸˜o
                        ca                                ca
                                                               ∞
                                             F (s) =                e−s t f (t) dt                               (4.4)
                                                           0

´ chamada transformada de Laplace de f (t), e denotada por L[f (t)].
e
Exemplo 4.1. De acordo com o exemplo da se¸ao anterior temos para
                                           c˜
s0                         ∞
                                        1
                   L[1] =     e−s t dt = .
                          0             s
Exemplo 4.2. Para s  c, temos
                                             b
                                                                               e(c−s) t   b        1
           L[ec t ] = lim                        e−s t ec t dt = lim                          =       .
                                  b→∞    0                          b→∞         c−s       0       s−c
Exemplo 4.3. Integrando por partes duas vezes temos
                       b                                                                                 b
                           −s t                w e−s t sen w t − s e−s t cos w t
                           e      cos w t dt =                                                               ,
                   0                                       s2 + w 2                                      0
Transformada de Laplace                  Cap. 4             Algumas Propriedades                          85

           b                                                                                  b
               −s t         w e−s t cos wt − s e−s t sen w t
            e sen w t dt =                                      .
          0                             s2 + w 2              0
Fazendo b → ∞ em cada uma destas igualdades obtemos, para s  0,
                       s                                w
       L[cos w t] = 2     2
                               e      L[sen w t] = 2         .
                    s +w                             s + w2
Exemplo 4.4. C´lculo de L[tn ] para n inteiro positivo. Integrando
                  a
por partes, temos (para s  0)
                      b                                                               b
                                                       tn e−s t   b       n
 L[tn ] = lim             e−s t tn dt = lim −                         +                   e−s t tn−1 dt
           b→∞    0                      b→∞              s       0       s       0
                 ∞
         n                     n
       =        e−s t tn−1 dt = L[tn−1 ].
         s   0                 s
                               1          1
Assim, se n = 1, temos L[t] = L[1] = 2 .
                               s         s
                                n n−1     n(n − 1) n−2             n!
Se n ≥ 2, temos L[tn ] =          L[t ] =      2
                                                  L[t ] = · · · = n+1 .
                                s            s                   s


4.3      Algumas Propriedades

   As propriedades que enunciamos a seguir s˜o de grande utilidade
                                            a
para o c´lculo de transformadas.
        a

Propriedade 1 (Linearidade): Se L[f (t)] = F (s), L[g(t)] = G(s)
e a, b s˜o constantes, ent˜o
        a                 a
      L[a f (t) + b g(t)] = a F (s) + b G(s) = a L[f (t)] + b L[g(t)].
De fato,
                                         ∞
       L[a f (t) + b g(t)] =                 e−s t [a f (t) + b g(t)] dt =
                                     0
                                             ∞                                ∞
                                =a               e−s t f (t) dt + b               e−s t g(t) dt
                                         0                                0
                                = a L[f (t)] + b L[g(t)].
Transformada de Laplace                     Cap. 4               Algumas Propriedades              86


Exemplo 4.5. Calculemos L[senh a t], usando a Propriedade 1.
                          1           1            1
          L[senh a t] = L[ (ea t − e−a t )] =
                                        L[ea t ] − L[e−a t ]
                          2           2            2
                        1    1          1    a
                      =           −   = 2          , s  |a|.
                        2 s−a s+a        s − a2
                                         s
De modo an´logo obtemos L[cosh a t] = 2
          a                                     , para s  |a|.
                                     s − a2

    Propriedade 2: Se L[f (t)] = F (s), para s  s0 , ent˜o
                                                         a
                     L[ea t f (t)] = F (s − a), para s  s0 + a.                                (4.5)
De fato,
                         ∞                                ∞
 L[ea t f (t)] =             e−s t ea t f (t) dt =            e−(s−a) t f (t) dt = F (s − a).
                     0                                0


   Usando esta propriedade e os exemplos precedentes, podemos es-
crever
                        ω                                  s−a
L[ea t sen ω t] =                    L[ea t cos ω t] =
                  (s − a)2 + ω 2                       (s − a)2 + ω 2
                    n!
L[ea t tn ] =              .
                (s − a)n+1

    Propriedade 3: Se L[f (t)] = F (s), ent˜o
                                           a
                                    dn
                                L[tn f (t)] = (−1)n
                                       F (s).                                                   (4.6)
                                   dsn
Fa¸amos a verifica¸˜o para n = 1. Temos
  c              ca
                     ∞                           ∞                                 ∞
          d                                          ∂ −s t
F (s) =                  e−s t f (t) dt =               e f (t) dt = −                 e−s t t f (t) dt.
          ds     0                           0       ∂s                        0

Portanto,
                                      L[t f (t)] = −F (s).                                      (4.7)
Aplicando repetidas vezes a igualdade (4.7), obtemos (4.6).
Transformada de Laplace               Cap. 4           Algumas Propriedades           87


Exemplo 4.6. Segue de (4.6) com n = 2 e n = 1 que
                               d2    1         2
                  L[t2 e5 t ] =  2 s−5
                                          =             e
                               ds           (s − 5)3
                                   d     3          6s
                  L[t sen 3 t] = −      2+9
                                              = 2         .
                                   ds s          (s + 9)2

   A pr´xima propriedade faz uso do seguinte conceito:
       o

   Uma fun¸ao f (t) ´ de ordem exponencial se existirem constantes
            c˜      e
M , α  0 tais que para todo t suficientemente grande

                                   |f (t)| ≤ M eαt .

    As fun¸oes sen t, cos t, ek t e tn (n ≥ 0) s˜o de ordem exponencial
            c˜                                  a
                                     kt     kt
pois | sen t| ≤ 1, | cos t| ≤ 1 e |e | = e para todo t ≥ 0. Para a
fun¸ao tn , notemos que, para t suficientemente grande, |tn | ≤ et , pois
    c˜
     tn
 lim t = 0.
t→∞ e

                    2
   A fun¸ao et n˜o ´ de ordem exponencial, uma vez que para qual-
        c˜      a e
                           2
quer α  0 temos que lim et e−α t = ∞.
                             t→∞

   Propriedade 4: Suponha que f e f sejam integr´veis em [0, b],
                                                      a
para todo b  0. Se f for de ordem exponencial, ent˜o existe L[f (t)]
                                                    a
e
                     L[f (t)] = s L[f (t)] − f (0).            (4.8)
De fato, integrando por partes, temos
             b                                                  b
                 e−s t f (t) dt = e−s b f (b) − f (0) + s           e−s t f (t) dt.
         0                                                  0

Fazendo b → ∞, a integral do 1o membro tende a L[f (t)], a integral
                               ¯
do 2o membro tende a L[f (t)] e a parcela e−s b f (b) tende a zero, pois
    ¯
f ´ de ordem exponencial (os valores de s devem ser maiores do que
  e
a constante α da defini¸ao de ordem exponencial).
                      c˜
Transformada de Laplace               Cap. 4         Algumas Propriedades         88


 Observacao 4.1. Esta propriedade aplica-se a derivadas de ordem
          ¸˜
superior. Por exemplo, para a derivada segunda, a igualdade (4.8)
implica

                    L[f (t)] = s L[f (t)] − f (0)
                             = s {s L[f (t)] − f (0)} − f (0)
                             = s2 L[f (t)] − s f (0) − f (0).

Logo,
                   L[f (t)] = s2 L[f (t)] − s f (0) − f (0).                    (4.9)

 Observacao 4.2. As igualdades (4.8) e (4.9) s˜o de grande im-
              ¸˜                                          a
portˆncia, especialmente na resolu¸ao de equa¸oes diferenciais, como
     a                                 c˜            c˜
veremos adiante. Estas igualdades tamb´m podem ser utilizadas para
                                            e
obter transformadas de Laplace de fun¸oes. Calculemos, por exem-
                                            c˜
plo, L[ek t ] utilizando (4.8). Notemos que a fun¸˜o f (t) = ek t satisfaz
                                                      ca
             kt
f (t) = k e e f (0) = 1. Substituindo estes dados em (4.8), obteremos
que L[kek t ] = s L[ek t ] − 1, donde (s − k) L[ek t ] = 1. Logo,

                                              1
                                L[ek t ] =       .
                                             s−k

 Exerc´ ıcios 4.2. 1) Calcule a transformada de Laplace das seguintes
fun¸oes:
   c˜
a) t2 − 3 t + 2.     b) 4 cos 3 t − 5 sen 2 t. c) 2 t e3 t .
                                                                   1 se 0  t  π
d) t2 cos 5 t.       e) t e2 t sen 3 t.              f) f (t) =
                                                                   0 se t  π.

   2) Use a igualdade (4.9) para mostrar que

                               s                                       ω
          L[cos ω t] =                           L[sen ω t] =               .
                          s2   + ω2                               s2   + ω2
Transformada de Laplace                 Cap. 4             Transformada Inversa 89


4.4                                    ¸˜
             Transformada Inversa - Fracoes
             Parciais

    Dada uma fun¸˜o F (s), definida em um intervalo (a, ∞), um pro-
                 ca
blema que se coloca ´ o de achar uma fun¸ao f (t) tal que L[f (t)] =
                    e                   c˜
F (s). Uma tal f ´ chamada Transformada Inversa de F e ser´
                  e                                                a
              −1
indicada por L [F (s)].

   Os exemplos da Se¸ao 4.2 fornecem
                    c˜

     1                                         1                                   1        tn
L−1 [ ] = 1                           L−1 [       ] = ec t             L−1 [       n+1
                                                                                       ]=
     s                                        s−c                              s            n!
             s                                     ω
L−1 [             ] = cos ω t         L−1 [             ] = sen ω t.
        s2   + ω2                             s2   + ω2


    Usando esta tabela de transformada inversa e as Propriedades 1,
2 e 3, podemos calcular transformadas inversas de um grande n´mero
                                                             u
de fun¸oes.
       c˜

                                              1
Exemplo 4.7. Calcule L−1 [                           ].
                                       s2   − 4s + 5
Solucao: Notando que s2 − 4s + 5 = (s − 2)2 + 1, e usando a Pro-
      ¸˜
priedade 2, podemos escrever

                         1             1
                     2 − 4s + 5
                                =        2+1
                                             = L[e2 t sen t].
                   s              (s − 2)

Logo,
                                       1
                        L−1 [                 ] = e2 t sen t.
                                s2   − 4s + 5

                                          1
Exemplo 4.8. Calcule L−1 [                      ].
                                       (s − 5)3
Transformada de Laplace               Cap. 4        Transformada Inversa 90

                                  d2    1         2
Solucao: Notemos que
    ¸˜                               (      )=          , donde
                                  ds2 s − 5    (s − 5)3
     1       1 d2    1     1 d2             1                1
         3
           =       (
                  2 s−5
                        )=      2
                                  L[e5 t ] = L[t2 e5 t ] = L[ t2 e5 t ].
  (s − 5)    2 ds          2 ds             2                2
Logo,
                           1       1
                              L−1 [
                                ] = t2 e5 t .
                       (s − 5)3    2
                             s+2
Exemplo 4.9. Calcule L−1 [ 2           ].
                          s + 2 s + 10
Solucao: Podemos escrever s2 + 2 s + 10 = (s + 1)2 + 9, donde
    ¸˜
         s+2          s+1+1            s+1          1       3
                   =             =                +                 .
   s2   + 2 s + 10   (s + 1) 2+9   (s + 1) 2 + 32   3 (s + 1)2 + 32
Agora, notemos que
            s+1                                      3
L−1 [           2 + 32
                       ] = e−t cos 3 t e L−1 [         2 + 32
                                                              ] = e−t sen 3 t.
        (s + 1)                                (s + 1)
Portanto,
                           s+2                       1
             L−1 [                  ] = e−t cos 3 t + e−t sen 3 t.
                     s2   + 2s + 10                  3

   Observe que este procedimento aplica-se a express˜es do tipo
                                                    o
                                       As + B
                                                                        (4.10)
                                      s2
                                       + ps + q
em que o denominador n˜o possui ra´ reais.
                      a           ızes

    Isto sugere que usemos o m´todo das fra¸oes parciais para calcu-
                               e           c˜
lar L−1 [P (s)/Q(s)], em que P e Q s˜o polinˆmios e o grau de P ´
                                    a        o                     e
menor que o grau de Q. Este m´todo transforma um tal quociente em
                               e
uma soma de fra¸˜es da forma (4.10) e fra¸˜es da forma C/(s − a).
                  co                      co
Acreditamos que o leitor esteja suficientemente familiarizado com a
decomposi¸ao em fra¸˜es parciais, e vamos apenas exemplificar sua
            c˜        co
utiliza¸ao no c´lculo de L−1 .
       c˜      a
Transformada de Laplace         Cap. 4          Transformada Inversa 91

                                     3 s2 − 7 s + 12
Exemplo 4.10. Calcule L−1 [                              ].
                                 (s − 2) (s − 3) (s + 2)
                         3s2 − 7 s + 12        A   B   c
Solucao: Escrevemos
    ¸˜                                      =    +   +    .
                    (s − 2) (s − 3) (s + 2)   s−2 s−3 s+2
Eliminando denominadores, obtemos

A (s − 3) (s + 2) + B (s − 2) (s + 2) + C (s − 2) (s − 3) ≡ 3s2 − 7 s + 12.

Substituindo s = 2, obtemos −4A = 10 o que implica que A = −5/2.
Analogamente, obtemos B = 18/5 e C = 19/10. Temos ent˜oa

          3 s2 − 7 s + 12        5 1     18 1      19 1
                              =−       +         +         .
      (s − 2) (s − 3) (s + 2)    2 s−2    5 s − 3 10 s + 2

Portanto,

                 3 s2 − 7 s + 12          5       18 3 t 19 −2 t
     L−1 [                           ] = − e2 t +   e +     e .
             (s − 2) (s − 3) (s + 2)      2       5      10

                                  2 s2 + 9 s + 7
Exemplo 4.11. Calcule L−1 [                       ].
                                 (s − 4) (s2 + 9)
                       2 s2 + 9 s + 7     A   Bs+C
Solucao: Escrevemos
    ¸˜                                 =     + 2    . Elimi-
                      (s − 4) (s2 + 9)   s−4   s +9
nando denominadores, obtemos

               A (s2 + 9) + (B s + C) (s − 4) ≡ 2 s2 + 9 s + 7

ou (A + B) s2 + (C − 4 B) s + (9 A − 4C) ≡ 2 s2 + 9 s + 7. Igualando
os termos de mesma potˆncia, obtemos
                       e
                            
                                A+B =2
                              −4 B + C = 9
                              9 A − 4 C = 7.
                            
Transformada de Laplace         Cap. 4         Aplica¸˜o a Eq. Diferenciais 92
                                                     ca


A solu¸˜o deste sistema ´: A = 3, B = −1 e C = 5. Portanto
      ca                e
    2 s2 + 9 s + 7                1             s−5
L−1 [        2 + 9)
                    ] = 3 L−1 [       ] − L−1 [ 2   ]
   (s − 4)(s                    s−4            s +9
                                  1               s    5        3
                      = 3 L−1 [       ] − L−1 [ 2   ] + L−1 [ 2    ]
                                s−4            s −9    3     s +9
                                           5
                      = 3 e4 t − cos 3 t + sen 3 t.
                                           3
     ıcios 4.3. Calcular a transformada inversa das seguintes fun¸oes:
Exerc´                                                            c˜
                 1                            s                         s+5
    1)                   .       2)                   .      3)                   .
         s2   + 4 s + 13              s2   − 6 s + 10             s2   − 2 s + 10
            1                            6s                        s+1
    4)            .              5)             .            6)            .
         (s − 4)2                     (s2 + 9)2                   s2 + 2 s

                 6                    s2 + 9 s − 9                2s − 4
    7)          2 (s2 + 1)
                           .     8)                .         9)            .
         (s − 1)                        s3 − 9 s                  s3 + 4 s


4.5             ¸˜        ¸˜
          Aplicacao a Equacoes Diferenciais

   A Transformada de Laplace ´ de grande importˆncia na resolu¸ao
                                e                 a                c˜
de problemas de valor inicial para equa¸oes diferenciais lineares com
                                       c˜
coeficientes constantes.

   Veja o seguinte exemplo:
Exemplo 4.12. Consideremos o P.V.I.
                      y − y − 6 y = 10 e2 t
                      ¨ ˙
                                                                            (4.11)
                      y(0) = 3, y(0) = 2.
                                 ˙
Determine sua solu¸˜o, utilizando Transformada de Laplace.
                  ca

Solucao: Chamando L[y(t)] = Y (s), temos
    ¸˜
                 L[y(t)] = s L[y(t)] − y(0) = s Y − 3.
                   ˙
                                                                            (4.12)
                 L[¨(t)] = s L[y(t)] − y(0) = s2 Y − 3 s − 2.
                   y           ˙       ˙
Transformada de Laplace        Cap. 4     Aplica¸˜o a Eq. Diferenciais 93
                                                ca


Aplicando a transformada a ambos os membros de (4.11) e substi-
tuindo as igualdades de (4.12), obtemos
                                                   10
                  (s2 − s − 6) Y − 3 s + 1 =          ,
                                                  s−2
ou seja,
                                   3 s2 − 7 s + 12
                     Y (s) =                         .
                                (s − 2) (s2 − s − 6)
A solu¸˜o y(t) do P.V.I. ´ a transformada inversa de Y (s), que j´ foi
       ca                e                                       a
calculada no Exemplo 4.10, vale
                        5       18 3 t 19 −2 t
                y(t) = − e2 t +   e +     e .
                        2       5      10

    A transformada de Laplace tamb´m pode ser usada para obter a
                                    e
solu¸ao geral de uma equa¸ao diferencial. Para determinar a solu¸ao
    c˜                    c˜                                    c˜
geral da equa¸˜o
              ca
                       y + a y + b y = f (t),
                        ¨    ˙
basta considerar o P.V.I.
                            y + a y + b y = f (t)
                            ¨     ˙
                            y(0) = c1 , y(0) = c2 ,
                                        ˙
em que c1 e c2 designam constantes arbitr´rias.
                                         a
Exemplo 4.13. Obter a solu¸˜o geral de y − 3 y + 2 y = 10 sen t.
                          ca           ¨     ˙

Solucao: Formamos o P.V.I.
    ¸˜
                        y − 3 y + 2 y = 10 sen t
                        ¨     ˙
                        y(0) = c1 , y(0) = c2 .
                                    ˙
Fazendo L[y(t)] = Y (s), podemos escrever L[y(t)] = s Y −c1 e L[¨(t)] =
                                            ˙                   y
 2
s Y − c1 s − c2 . Aplicando a transformada a ambos os membros da
equa¸ao obtemos
    c˜
                                                          10
             (s2 − 3 s + 2) Y − c1 s − c2 + 3 c1 =            .
                                                         s2+1
Transformada de Laplace             Cap. 4          Outras Propriedades 94


Portanto,

                   c1 s + c2 − 3 c1           10
         Y     =       2 − 3s + 2
                                    + 2
                     s               (s + 1)(s2 − 3 s + 2)

                   c2 − c1 2 c1 − c2    5   2   3s + 1
               =          +          −    +    + 2     .
                    s−2      s−1       s−1 s−2  s +1
Logo,

  y(t) = (c2 − c1 ) e2 t + (2 c1 − c2 ) et − 5 et + 2 e2 t + 3 cos t + sen t,

que pode ser escrita sob a forma

                    y(t) = A e2 t + B et + 3 cos t + sen t.

     ıcios 4.4. 1) Resolva os seguintes problemas de valor inicial:
Exerc´

             y+y =0
             ¨                                      y − 6 y + 9 y = 4 et
                                                    ¨     ˙
    a)                                        b)
             y(0) = 3, y(0) = 1.
                       ˙                            y(0) = 2, y(0) = 4.
                                                               ˙

             y + 9 y = cos 3 t
             ¨                                      y − 3 y + 2 y = 3 e−t + 5
                                                    ¨     ˙
    c)                                        d)
             y(0) = 2, y(0) = −1.
                        ˙                           y(0) = 0, y(0) = 0.
                                                               ˙

   2) Ache a solu¸ao geral das seguintes equa¸oes:
                 c˜                          c˜

   a) y − 2 y + y = cos t.
      ¨     ˙                                b) y + 2 y + 5 y = 6 e−t sen t.
                                                ¨     ˙



4.6      Outras Propriedades

   A fun¸˜o degrau unit´rio ou fun¸˜o de Heaviside, ´ definida
        ca             a          ca                e
por
                0       se t  c,
   µc (t) =
                1       se t ≥ c.
Transformada de Laplace               Cap. 4              Outras Propriedades 95

Seu gr´fico ´ dado pela figura ao
      a    e                                          y T
lado. A transformada de µc (t) ´
                               e
                                                      1
L[µc (t)]                                 =
          b
                           e−c s                                                E
lim           e−s t dt =         .                                 c            t
b→∞   c                     s

A fun¸˜o µc (t) ´ util para representar fun¸oes descont´
      ca        e´                         c˜          ınuas e calcular
suas transformadas.


Exemplo 4.14. Calcule L[g(t)], sendo
                                                           y
                                                         T
        0,           se t  c,
g(t) =   A,           se c ≤ t  d,                   A
         0,           se t ≥ d.
       

                                                                            E
                                                               c       d    t

Podemos escrever g(t) = A[µc (t) − µd (t)]. Logo,

                                                      A −c s
          L[g(t)] = A{L[µc (t)] − L[µd (t)]} =          e    − e−d s .
                                                      s


   Dada uma fun¸ao f (t), definida para todo t ∈ R, e uma constante
                 c˜
c  0, consideremos a fun¸ao µc (t) f (t − c). Desde que
                         c˜


                                                 0      se t  c,
                     µc (t) f (t − c) =
                                              f (t − c) se t ≥ c,


o gr´fico de µc (t) f (t − c) ´ obtido transladando-se de c unidades para
    a                        e
a direita o gr´fico de f (t) (veja as figuras abaixo).
              a
Transformada de Laplace               Cap. 4                    Outras Propriedades 96



   y T                                            y T
               y = f (t)                                                    y = µc (t) f (t − c)




                                  E                                                            E
                                  t                         c                              t

Propriedade 5: L[µc (t) f (t − c)] = e−c s L[f (t)].

   De fato,
                            ∞                                         ∞
                                      −s t
   L[uc (t) f (t − c)] =          e           f (t − c) dt =              e−s (τ +c) f (τ ) dτ
                           c              ∞                       0
                           −s c                −s τ
                      =e                      e       f (τ ) dτ = e−s c L[f (t)].
                                      0

                                                                         0,     se t  2,
Exemplo 4.15. Calcule L[f (t)], sendo f (t) =                                3
                                                                      (t − 2) , se t ≥ 2.

Solucao: Como f (t) = µ2 (t) (t − 2)3 , temos que
    ¸˜
                                                          6 e−2 s
                   L[f (t)] = e−2 s L[t3 ] =                      .
                                                            s4

   Usando esta propriedade, podemos resolver equa¸˜es diferenciais
                                                    co
que em certo sentido s˜o “mais complicadas” do que as que foram
                       a
consideradas anteriormemte e que tem grande interesse em aplica¸oes.
                                                               c˜
                                                          y + 4 y = f (t)
                                                          ¨
Exemplo 4.16.      Resolva o P.V.I.                                       , em que
                                                         y(0) = y(0) = 0
                                                                  ˙
         0 se      0  t  π,
f (t) =   4 se      π ≤ t  3 π,
          0 se      t ≥ 3 π.
        

                                                                           4 −π s
Solucao: Do Exemplo 4.14, temos que L[f (t)] =
    ¸˜                                                                       e    − e−3 π s .
                                                                           s
Transformada de Laplace           Cap. 4                  Delta de Dirac 97


Aplicando transformada aos dois membros da equa¸˜o, obtemos
                                               ca

                                        4 e−πs 4 e−3 πs
                     (s2 + 4) Y (s) =         −         .
                                           s      s
e portanto,
                              1     s           1     s
             Y (s) = e−π s      − 2   − e−3 π s   − 2   .
                              s s +4            s s +4
Logo,

        y(t) = µπ (t) [1 − cos 2 (t − π)] − µ3π (t) [1 − cos 2 (t − 3 π)]

ou seja               
                              0           se t  π,
                y(t) =   1 − cos 2 (t − π) se π ≤ t  3 π,
                                 0         se t ≥ 3 π.
                       

O gr´fico de y(t) ´
    a            e


            y T


            2

            1

                                                          E
                          π             2π           3π     t




4.7       Delta de Dirac

   Em diversos ramos das aplica¸oes, h´ a necessidade de se considerar
                               c˜     a
fun¸oes que sejam nulas exceto em um intervalo “muito pequeno”
   c˜
e, neste intervalo, tenham um valor “muito grande”. Por exemplo,
Transformada de Laplace             Cap. 4                 Delta de Dirac 98


durante o intervalo de tempo [t0 , t0 + ε] (ε pequeno) aplica-se a um
objeto uma for¸a muito grande de modo que o impulso causado por
                c
esta for¸a seja um certo valor I0  0. A fun¸˜o
        c                                    ca

                                 1/ε      se t0 ≤ t ≤ t0 + ε,
                  fε (t) =
                                 0        nos outros pontos

cujo gr´fico ´ dado na figura ao lado
       a     e                                       y T
tem estas caracter´
                  ısticas:
                                                   1/ε
      ∞                  t0 +ε
                                 1
          fε (t) dt =              dt = 1,
     −∞                 t0       ε

e para ε  0 pequeno f tem um
                                                                        E
                                                          t0    t0 + ε t
valor muito grande (1/ε) num intervalo
muito pequeno (de comprimento ε).
    Em F´  ısica e Engenharia, costuma-se descrever tais fenˆmenos usan-
                                                              o
do-se a “fun¸˜o limite” de fε (t) quando ε → 0, a qual ´ indicada por
               ca                                           e
δ(t − t0 ), e chamada delta de Dirac

                             δ(t − t0 ) = “ lim fε (t)”.
                                            ε→0
´
E claro que δ n˜o ´ uma fun¸ao nos moldes tradicionais. Entretanto,
               a e         c˜
´ poss´ dar uma justificativa rigorosa para tais procedimentos.
e     ıvel


4.7.1     Transformada de Laplace de δ(t − t0 )

Vamos definir
                         L[δ(t − t0 )] = lim L[fε (t)].
                                         ε→0
             1
Como fε (t) = [µt0 (t) − µt0 + ε (t)], temos
             ε
                      1 e−s t0   e−s (t0 +ε)    e−s t0 1 − e−εs
           L[fε (t)] = (       −             )=                 .
                      ε s            s            s       ε
Transformada de Laplace          Cap. 4                   Delta de Dirac 99

                               1 − e−ε s
Quando ε → 0, temos que                  → s. Assim,
                                  ε
                            L[δ(t − t0 )] = e−s t0 .

Exemplo 4.17. Consideremos o seguinte sistema massa-mola.

Na figura ao lado, a part´ ıcula tem massa m = 2kg,
a constante de rigidez da mola ´ k = 8N/m. O
                                   e
sistema est´ inicialmente em repouso. No instante
            a                                                        k
t = π aplica-se ` part´
                a     ıcula uma for¸a muito grande,
                                    c
de dura¸ao muito curta, que transmite ` part´
         c˜                             a      ıcula
                                                                      m
um impulso de 4N.s. Descrever o movimento da
part´ıcula.

   A posi¸˜o y(t) da part´
         ca              ıcula no instante t, satisfaz o P.V.I.

                            2 y + 8 y = 4 δ(t − π)
                              ¨
                            y(0) = y(0) = 0.
                                    ˙
Aplicando a transformada a ambos os membros da equa¸ao obtemos
                                                   c˜
  2                −πs
(s + 4) Y (s) = 2 e , ou seja,
                                                 2
                            Y (s) = e−πs            .
                                            s2   +4
Portanto,
                                                  0      se t  π,
            y(t) = µπ (t) sen 2 (t − π) =
                                                 sen 2 t se t ≥ π.




                y T


                                                            E
                                 3π
                           π      2              2π         t

                          Gr´fico da solu¸˜o y(t)
                            a           ca
Transformada de Laplace                Cap. 4                                     Convolu¸ao 100
                                                                                         c˜


 Exerc´   ıcios 4.5.        1) Calcule a transformada de:
                                                                       
             0              se t  π,                                   1            se 0  t  1,
a) f (t) =    t−π            se π  t  2 π,                 b) f (t) =   3            se 1  t  4
              0              se t  2 π.                                  0            se t  4.
                                                                       

2) Calcule L−1 [F (s)], sendo:

              e−2 s                                                 e−s π/2 s
a) F (s) =          .                                 b) F (s) =              .
               s2                                                    s2 + 1
3) Resolva

       y + 4 y = µ2 (t) − µ4 (t),
       ¨                                                     y + y + 7 y = t [µ1 (t) − µ2 (t)]
                                                             ¨ ˙
a)                                                b)
       y(0) = 3, y(0) = −2.
                  ˙                                          y(0) = 0, y(0) = 0.
                                                                        ˙

    4) Suponha que no exemplo anterior, f (t) = 4δ(t) + 6 δ(t − 1) (isto
´, a part´
e        ıcula recebe um impulso de 4N.s em t = 0 e um impulso de
6N.s em t = 1). Descrever o movimento. Fa¸a um gr´fico de y(t).
                                            c        a



4.8                           ¸˜
          O Produto de Convolucao

   Sejam f (t) e g(t) definidas para t ≥ 0. O Produto de Con-
volu¸˜o de f por g, indicado por f ∗ g, ´ a fun¸˜o definida por
    ca                                  e      ca
                                                  t
                            (f ∗ g)(t) =              f (τ ) g(t − τ ) dτ.                   (4.13)
                                              0



     Por exemplo, se f (t) = cos t e g(t) = t, ent˜o
                                                  a
                    t                                 t                    t
(f ∗g)(t) =             cos τ (t−τ ) dτ = t               cos τ dτ −           τ cos τ dτ = 1−cos t.
                0                                 0                    0



     O produto de convolu¸ao possui algumas propriedades semelhantes
                         c˜
Transformada de Laplace                          Cap. 4                               Convolu¸ao 101
                                                                                             c˜


as do produto usual de fun¸oes, tais como:
                          c˜
  a) f ∗ g = g ∗ f,                                             b) (f ∗ g) ∗ h = f ∗ (g ∗ h),
  c) f ∗ 0 = 0,                                                 d) f ∗ (g + h) = f ∗ g + f ∗ h.
Entretanto, ele ´ diferente do produto usual. Por exemplo, ´ f´cil ver
                e                                          e a
                          t
que (f ∗ 1)(t) =              f (τ ) dτ e esta fun¸ao ´ diferente de f (exceto,
                                                  c˜ e
                      0
obviamente, para f = 0).

   A pr´xima propriedade nos mostra como a Transformada de Laplace
       o
atua em um produto de convolu¸ao.
                              c˜

   Propriedade 6: Se F (s) = L[f (t)] e G(s) = L[g(t)], ent˜o
                                                           a
                              L[(f ∗ g)(t)] = F (s) G(s),                                               (4.14)
ou, em termos de transformada inversa,
                      L−1 [F (s)G(s)] = (f ∗ g)(t).                                                     (4.15)

   A igualdade (4.14) implica, em particular (para g(t) ≡ 1), que
                                             t
                                                                    F (s)
                                  L[             f (τ ) dτ ] =            .                             (4.16)
                                         0                            s

   A igualdade (4.15) fornece um meio de calcular transformadas in-
versas de certas fun¸˜es. Por exemplo,
                    co
          1                  1            1
 L−1 [ 2       2
                 ] = L−1 [ 2    ] ∗ L−1 [ 2 ] = sen t ∗ t
      (s + 1)s            s +1           s
                                  t                                         t                    t
                   =                  sen τ (t − τ ) dτ = t                     sen τ dτ −           τ sen τ dτ
                              0                                         0                    0
                   = t − sen t.

    A Propriedade 6 aplica-se diretamente ` resolu¸ao de “equa¸oes
                                           a       c˜         c˜
integrais do tipo convolu¸˜o” as quais tem a forma
                         ca
                                                          t
                   y(t) = f (t) +                             y(τ ) g(t − τ ) dτ,                       (4.17)
                                                      0
Transformada de Laplace                       Cap. 4                           Convolu¸ao 102
                                                                                      c˜


onde f e g s˜o fun¸oes conhecidas. O nome equa¸˜o integral deve-se
            a     c˜                              ca
ao fato que a inc´gnita y aparece sob o sinal de integral. Embora n˜o
                 o                                                 a
se trate propriamente de uma equa¸˜o diferencial, julgamos oportuno
                                   ca
apresentar um exemplo.

   Consideremos a equa¸˜o
                      ca
                                                     t
                 y(t) = 3 sen t + 2                      y(τ ) sen(t − τ ) dτ.             (4.18)
                                                 0

Esta equa¸ao pode ser escrita sob a forma
         c˜

                         y(t) = 3 sen t + 2 (y ∗ sen)(t).

Aplicando transformada a ambos os membros de (4.18), obtemos
                                              3              1
                     Y (s) =                     + 2 Y (s) 2   .
                                         s2   +1          s +1
Portanto,
                                         3   3  1   1
                   Y (s) =                  = (   −    ).
                                    s2   −1  2 s−1 s+1
Logo,
                                         3 t
                         y(t) =            (e − e−t ) = 3 senh t.
                                         2
 Exerc´ ıcios 4.6. 1) Usando convolu¸ao, calcule a transformada in-
                                    c˜
versa das seguintes fun¸˜es:
                       co
               1                                                              s
    a)                  .                                       b)                     .
         (s − 4)(s − 3)                                              (s2   + 1)(s − 3)

              1                                                           1
    c)               .                                          d)              .
         s2 − 2s + 1                                                 s2 (s − 5)
   2) Resolva as seguintes equa¸˜es integrais:
                               co
                             t
   a) y(t) = 5 t +               y(τ ) sen(t − τ ) dτ .
                         0
Transformada de Laplace                  Cap. 4                            Tabela              103

                                     t
   b) y(t) = 2 sen 4 t + 3               y(τ ) sen 4 (t − τ ) dτ .
                                 0

   3) Usando Transformada de Laplace, mostre que a solu¸ao geral
                                                       c˜
                    2
da equa¸ao y (t) + ω y(t) = f (t) ´
       c˜ ¨                       e
                                                          t
                                                 1
        y(t) = c1 cos ωt + c2 sen ωt +                        f (τ ) sen ω (t − τ ) dτ.
                                                 ω    0




4.9       Tabela de Algumas Transformadas

As tabelas abaixo cont´m um resumo das propriedades e transfor-
                      e
madas de algumas fun¸oes que aparecem com mais freq¨ˆncia.
                     c˜                            ue

                 Tabela 1 - Algumas Transformadas

       f (t)           F (s)                          f (t)                      F (s)

                                                                                  1
         1                 1/s                            ec t
                                                                                 s−c

                           n!                                                     n!
        tn                                            tn ec t
                        sn+1                                                  (s − c)n+1
                           s                                                       c
      cosh c t                                       senh c t
                       s 2 − c2                                                 s2 − c2
                           s                                                         ω
      cos ω t                                        sen ω t
                      s2   + ω2                                                 s2   + ω2

                      ω 2 − s2                                                      2 ωs
    t cos ω t                                        t sen ω t
                      s2 + ω 2                                                (s2   + ω 2 )2

   δ(t − t0 )           e−s t0
Transformada de Laplace          Cap. 4                      Tabela            104


                   Tabela 2 - Algumas Propriedades
        f (t)            F (s)          f (t)                 F (s)
      ec t f (t)       F (s − c)       tn f (t)          (−1)n F (n) (s)
   µc (t)f (t − c)     e−cs F (s)     (f ∗ g)(t)           F (s)G(s)
        f (t)        sF (s) − f (0)     f (t)      s2 F (s) − sf (0) − f (0)
Cap´
   ıtulo 5

Sistemas de Equa¸oes
                c˜
Diferenciais

    Consideremos agora sistemas de equa¸˜es diferenciais simultˆneas
                                            co                      a
em v´rias vari´veis. Um exemplo de tais sistemas ´ dado pelo sistema
     a        a                                       e
massa-mola mostrado na figura abaixo. Os dois objetos de massas
m1 e m2 movem-se numa superf´ sem atrito, ligados por trˆs molas
                                 ıcie                            e
cujas constantes de elasticidade s˜o k1 , k2 e k3 , respectivamente, e sob
                                  a
a influˆncia de for¸as externas F1 (t) e F2 (t).
       e          c


                           F1 (t)              F2 (t)
                                E                  E

                 k1                 k2                  k3
                           m1                 m2

                            E                   E
                            x1                 x2




                                    105
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                         Cap. 5         Teoria Geral   106


   O movimento dos objetos ´ descrito pelo par de equa¸oes
                           e                          c˜

                 m1 x1 = −k1 x1 − k2 (x1 − x2 ) + F1 (t),
                    ¨
                 m2 x2 = −k3 x2 − k2 (x2 − x1 ) + F2 (t).
                    ¨

ou seja
                 m1 x1 = −(k1 + k2 ) x1 + k2 x2 + F1 (t),
                    ¨
                 m2 x2 = k2 x1 − (k2 + k3 ) x2 + F2 (t).
                    ¨


    Outro exemplo de sistema de equa¸˜es diferenciais ´ encontrado
                                         co                 e
com freq¨ˆncia no estudo de circuitos el´tricos. Um transformador,
         ue                                e
por exemplo, envolve dois circuitos, sendo que um deles induz uma
corrente no outro por indu¸ao magn´tica. O correspondente sistema
                            c˜        e
de equa¸oes diferenciais para as correntes I1 e I2 nos circuitos da figura
       c˜
abaixo ´:
       e
                 
                       dI1       dI2
                  L1      +M        + R1 I1 = E1 (t),
                 
                 
                       dt        dt

                  L dI2 + M dI1 + R I = E (t),
                 
                 
                  2                2 2   2
                     dt      dt
em que M ´ o coeficiente de indu¸ao m´tua.
         e                     c˜   u


                 R1                        R2
E2 (t)
      
 (t)
       E1               L1        L2                     

                      I1 (t)      I2 (t)
                   '                E

    Sistemas de equa¸˜es diferenciais tamb´m ocorrem em muitas ou-
                    co                    e
tras aplica¸oes como: mistura qu´
           c˜                    ımica de v´rios ingredientes, cresci-
                                            a
mento de duas ou mais popula¸oes interadas, vibra¸oes de estruturas,
                              c˜                  c˜
etc.
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                             Cap. 5           Teoria Geral   107


5.1      Teoria Geral para Sistemas

Os sistemas de equa¸oes diferenciais de 1a ordem podem, geralmente
                      c˜                        ¯
ser escritos sob a forma
                     
                      x1 = F1 (t, x1 , x2 , . . . , xn )
                      ˙
                      x2 = F2 (t, x1 , x2 , . . . , xn )
                     
                         ˙
                           .                                  (5.1)
                      .
                      .
                     
                      x = F (t, x , x , . . . , x ).
                         ˙ n       n       1   2         n


Uma solu¸˜o do sistema de equa¸oes diferenciais (5.1) num inter-
           ca                       c˜
valo J ´ constitu´ por n fun¸oes x1 (t), x2 (t), . . . , xn (t) que s˜o difer-
       e         ıda          c˜                                     a
enci´veis em J e que satisfazem o sistema (5.1) para todo t ∈ J.
    a

Exemplo 5.1. O par de fun¸oes x1 (t) = sen t e x2 (t) = cos t ´ solu¸ao
                         c˜                                   e     c˜
do sistema
                          x1 = x2 ,
                          ˙
                          x2 = −x1 .
                          ˙


   O P.V.I. para um sistema de equa¸oes diferenciais de 1a ordem ´
                                             c˜               ¯  e
dado por:
          
           x1 = F1 (t, x1 , x2 , . . . , xn )
           ˙
           x2 = F2 (t, x1 , x2 , . . . , xn )
           ˙
          
          
                .
                .
           .
           x = F (t, x , x , . . . , x )
           ˙n
                  n     1    2            n
           x (t ) = x0 , x (t ) = x0 , . . . , x (t ) = x0 ,
          
               1 0     1     2 0            2    n 0      n


em que x0 , x0 , . . ., x0 ∈ R.
        1    2           n

   Existe uma importante conex˜o entre sistemas de equa¸oes dife-
                                 a                       c˜
renciais e equa¸˜es de uma certa ordem: a equa¸ao de ordem n
               co                             c˜

                        y (n) = F (t, y, y, . . . , y (n−1) )
                                         ˙
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                           Cap. 5       Teoria Geral     108


pode ser transformada num sistema de n equa¸oes de   c˜       1a ordem intro-
                                                               ¯
duzindo as vari´veis x1 , x2 , . . . , xn do seguinte modo.
               a                                              Sejam

            x1 = y,    x2 = y,
                            ˙     x3 = y ,
                                       ¨      ...,    xn = y (n−1) .

Temos que             
                       x1 = x2
                       ˙
                       x2 = x3
                       ˙
                      
                      
                           .
                           .
                       .
                       x
                       ˙ n−1 = xn
                      
                      
                       x = F (t, x , x , . . . , x ).
                        ˙n         1   2           n

Exemplo 5.2. No sistema massa-mola, temos um sistema de duas
equa¸oes diferenciais de 2a ordem e podemos transform´-lo num sis-
    c˜                    ¯                           a
tema de quatro equa¸oes diferenciais de 1a ordem. Definindo
                     c˜                  ¯
                  z1 = x1 , z2 = x1 , z3 = x2 e z4 = x2 .
                                 ˙                   ˙

Temos que
              
              
                  z1
                   ˙      = z2
                m1 z2
                   ˙      = −(k1 + k2 ) z1 + k2 z3 + F1 (t)
              
              
                  z3
                   ˙      = z4
                m2 z4
                   ˙      = k2 z1 − (k2 + k3 ) z3 + F2 (t).
              

Exemplo 5.3. Escreva o P.V.I.
                      y (4) − y = 0
                      y(0) = y(0) = y (0) = y (3) (0) = 0
                               ˙    ¨

na forma de um sistema de equa¸oes diferenciais.
                              c˜

Solucao: Colocando x1 = y, x2 = y,
    ¸˜                          ˙            x3 = y e x4 = y (3) , temos
                                                  ¨
                                             
    x1 = x2
    ˙                                         x1 (0) = y(0) = 0
                                              
     x2 = x3
     ˙                                          x2 (0) = y(0) = 0
                                                         ˙
                                             
                       e
    x3 = x4
    ˙                                         x3 (0) = y (0) = 0
                                                        ¨
     x4 = x1
     ˙                                          x4 (0) = y (3) (0) = 0.
                                             
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                            Cap. 5        Teoria Geral     109


   Se cada uma das fun¸oes F1 , . . . , Fn em (5.1) for linear em x1 , . . . , xn ,
                        c˜
ent˜o dizemos que o sistema de equa¸oes ´ linear. O sistema mais
   a                                      c˜ e
geral de n equa¸oes lineares de 1a ordem possui a forma
               c˜                  ¯
             
              x1 = a1 1 (t) x1 + · · · + a1 n (t) xn + g1 (t)
              ˙
                   .
                   .                                                      (5.2)
                  .
              x = a (t) x + · · · + a (t) x + g (t).
                ˙n     n1     1             nn       n    n


Se gj (t) ≡ 0 para todo 1 ≤ j ≤ n, ent˜o dizemos que o sistema (5.2)
                                      a
´ homogˆneo. Caso contr´rio, ele ´ n˜o homogˆneo.
e          e               a       e a           e

   Evidentemente a nota¸˜o de (5.2) ´ bastante incˆmoda, ent˜o ado-
                            ca      e              o        a
tamos a seguinte nota¸˜o matricial. Defina
                        ca
                                                              
         a1 1 (t) . . . a1 n (t)          g1 (t)            x1 (t)
A(t) =  .        ..       .  , g(t) =  .  e x(t) =  .  .
        .                 . 
            .         .    .             . .             . .
         an 1 (t) . . . an n (t)          gn (t)            xn (t)

Temos que (5.2) pode ser expresso na forma compacta

                              ˙
                              x = A(t) x + g(t),                        [L.N.H.]

onde,
                              x = (x1 , . . . , x)T .
                              ˙    ˙            ˙

 Observacao 5.1. (a1 , . . . , an )T denota um vetor coluna.
        ¸˜

Teorema 5.1 (Existˆncia e Unicidade de Solu¸oes). Suponha que as
                         e                       c˜
fun¸˜es ai j (t) e gi (t), 1 ≤ i, j ≤ n, sejam cont´nuas num intervalo
   co                                              ı
                                     n
J. Ent˜o dados t0 ∈ J e x0 ∈ R , existe uma unica solu¸˜o x(t) de
       a                                          ´        ca
[L.N.H.], definida em J, tal que x(t0 ) = x0 .

 Observacao 5.2. Este teorema ´ uma conseq¨ˆncia (da forma ve-
            ¸˜                           e            ue
torial) do Teorema 1.1, pois temos que f (t, x) = A(t) x + g(t) e
       ∂(f1 , . . . , fn )
Jf =                       = A(t) s˜o cont´
                                   a      ınuas em J.
       ∂(x1 , . . . , xn )
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                             Cap. 5            Teoria Geral     110


Teorema 5.2. Se x1 (t) = (x1 (t) . . . x1 (t)) e x2 (t) = (x2 (t) . . . x2 (t))
                            1           n                   1            n
s˜o solu¸˜es do sistema homogˆneo
 a      co                    e

                                    ˙
                                    x = A(t) x                                  [L.H.]

ent˜o qualquer combina¸˜o linear c1 x1 (t) + c2 x2 (t), em que c1 e c2
   a                    ca
s˜o constantes arbitr´rias, tamb´m ´ solu¸˜o de [L.H.]. Ou seja, o
 a                   a          e e        ca
conjunto S de todas as solu¸˜es de [L.H.] ´ um espa¸o vetorial.
                            co            e           c

    A demonstra¸ao deste teorema ser´ deixada como exerc´
               c˜                   a                   ıcio.
Teorema 5.3 (Teste para Independˆncia Linear). Sejam x1 (t), . . . , xk (t)
                                     e
solu¸˜es de [L.H.] e seja t0 ∈ J. Ent˜o x1 (t), . . . , xk (t) s˜o solu¸˜es li-
    co                               a                          a      co
nearmente independentes se, e somente se, os vetores x1 (t0 ), . . . , xk (t0 )
s˜o linearmente independentes em Rn .
 a

   Demonstracao. Suponhamos que x1 (t), . . . , xk (t) sejam linear-
                ¸˜
mente dependentes. Ent˜o, existem constantes c1 , . . . , ck n˜o todas
                      a                                       a
nulas, tais que

              c1 x1 (t) + · · · + ck xk (t) = 0, para todo t ∈ J.

Logo,
                        c1 x1 (t0 ) + · · · + ck xk (t0 ) = 0
com constantes c1 , . . . , ck n˜o todas nulas. Portanto, x1 (t0 ), . . . , xk (t0 )
                                a
s˜o linearmente dependentes em Rn .
 a

   Reciprocamente, suponhamos que x1 (t0 ), . . . , xk (t0 ) sejam linear-
mente dependentes em Rn . Ent˜o, existem constantes c1 , . . . , ck n˜o
                             a                                         a
todas nulas, tais que

                        c1 x1 (t0 ) + · · · + ck xk (t0 ) = 0.

Temos que a fun¸ao
               c˜

                       ϕ(t) = c1 x1 (t) + · · · + ck xk (t),
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                           Cap. 5           Teoria Geral    111


em que c1 , . . . , ck s˜o as constantes dadas acima, satisfaz [L.H.] pois ´
                        a                                                  e
uma combina¸˜o linear de solu¸oes. Al´m disso, ϕ(t0 ) = 0. Portanto,
                 ca                 c˜      e
pelo Teorema 5.1, ϕ(t) = 0 para todo t. Logo, x1 (t), . . . , xk (t) s˜o a
solu¸oes linearmente dependentes.
    c˜

Teorema 5.4. A dimens˜o do espa¸o S de todas as solu¸˜es de [L.H.]
                     a         c                    co
´ n.
e


    Demonstracao. Vamos mostrar que [L.H.] possui n solu¸oes
                   ¸˜                                                        c˜
linearmente independentes. Para isto, consideremos os vetores do Rn :
e1 = (1 0 · · · 0 0)T , e2 = (0 1 0 · · · 0)T , . . ., en = (0 0 · · · 0 1)T e os
P.V.I.’s
                   ˙
                   x = A(t) x
                   xi (t0 ) = ei , i = 1, . . . , n e t0 ∈ J.
Pelo Teorema 5.1, temos que cada P.V.I. possui uma unica solu¸˜o
                                                           ´         ca
  i                     1           n
x (t). Como os vetores e , . . . , e s˜o linearmente independentes em
                                      a
Rn . Logo, segue do Teorema 5.3, que x1 (t), . . . , xn (t) s˜o solu¸oes
                                                             a      c˜
linearmente independentes de [L.H.].

    Resta mostrar que qualquer solu¸˜o de [L.H.] pode ser escrita como
                                       ca
                         1           n
combina¸˜o linear de x (t), . . . , x (t). Seja x(t) uma solu¸ao de [L.H.]
        ca                                                   c˜
tal que x(t0 ) = (c1 · · · cn )T . Com estas constantes c1 , . . . , cn , cons-
tru´
   ımos a fun¸ao
               c˜

                      ϕ(t) = c1 x1 (t) + · · · + cn xn (t).

Temos que ϕ(t) satisfaz [L.H.] pois, ´ combina¸ao linear de solu¸˜es e
                                     e        c˜                co
al´m disso
  e

   ϕ(t0 ) = c1 x1 (t0 ) + · · · + cn xn (t0 ) = c1 e1 + c2 e2 + · · · + cn en =
          = (c1 c2 . . . cn )T = x(t0 ).

Logo, pelo Teorema 5.1, ϕ(t) ≡ x(t). Portanto,

                     x(t) = c1 x1 (t) + · · · + cn xn (t).
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                           Cap. 5           Teoria Geral   112


 Observacao 5.3. O Teorema 5.4 diz que se conhecermos n solu¸oes
           ¸˜                                                          c˜
                           1              n
linearmente independentes x (t), . . . , x (t) de [L.H.], ent˜o toda solu¸˜o
                                                             a           ca
de [L.H.] ser´ da forma
             a

                      x(t) = c1 x1 (t) + · · · + cn xn (t).

Por esta raz˜o, esta express˜o ´ chamada solu¸˜o geral de [L.H.].
            a               a e              ca

Exemplo 5.4. Considere o sistema de equa¸oes diferenciais
                                        c˜

                  x1 = x2
                  ˙                                    0  1
                                           ˙
                                        ou x =              x,
                  x2 = −x1 − 2 x2
                  ˙                                   −1 −2

em que x = (x1 x2 )T . Note que o sistema procede da equa¸˜o de 2a
                                                         ca      ¯
ordem
                          y + 2 y + y = 0,
                          ¨     ˙
colocando x1 = y e x2 = y. Como y1 (t) = e−t e y2 (t) = t e−t s˜o duas
                         ˙                                     a
solu¸oes desta equa¸˜o, temos que
    c˜             ca

                           e−t                         te−t
             x1 (t) =                e x2 (t) =
                          −e−t                      (1 − t) e−t

s˜o duas solu¸oes deste sistema. Como x1 (0) = (1 − 1)T e x2 (0) =
 a           c˜
(0 1) s˜o vetores linearmente independentes em R2 , pelo Teorema
       T
         a
5.3, temos que x1 (t) e x2 (t) s˜o solu¸˜es linearmente independentes e
                                a      co
pelo Teorema 5.4, toda solu¸ao deste sistema pode ser escrita sob a
                               c˜
forma

         x1 (t)            e−t              te−t                  (c1 + t)e−t
x(t) =             = c1        +c2                      =                         .
         x2 (t)           −e−t           (1 − t)e−t           (c2 − c1 − c2 t)e−t


        ıcio: Resolva o P.V.I.
   Exerc´

                           0  1                             1
                  ˙
                  x=            x,             x(0) =         .
                          −1 −2                             1
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                     Cap. 5          Teoria Geral   113


 Definicao 5.1. Dizemos que uma matriz n × n X(t) ´ matriz
         ¸˜                                           e
     ca            ˙
solu¸˜o do sistema x = A(t) x, se cada coluna de X(t) ´ solu¸˜o
                                                      e     ca
do sistema.
                             et 0
Exemplo 5.5. X(t) =                                           ˙
                                      ´ uma matriz solu¸˜o de x =
                                      e                ca
                             0 e2 t
 1 0
     x pois,
 0 2

                             et                  0
                  x1 (t) =        e x2 (t) =
                             0                  e2 t

s˜o solu¸˜es de
 a      co
                                  1 0
                             ˙
                             x=       x.
                                  0 2
(Verifique).
 Definicao 5.2. Dizemos que uma matriz n × n X(t) ´ matriz fun-
        ¸˜                                              e
                                    ˙
damental (M.F.) para o sistema x = A(t) x se X(t) ´ uma matriz
                                                          e
solu¸˜o e det X(t) = 0 para todo t no intervalo de existˆncia. Ou seja,
    ca                                                  e
              a      co                                     ˙
suas colunas s˜o solu¸˜es linearmente independentes de x = A(t) x.
                         et 0                            1 0
Exemplo 5.6. X(t) =           2t  ´ uma M.F. de x =
                                  e                ˙           x pois,
                         0 e                             0 2
como vimos acima, ela ´ matriz solu¸ao e al´m disso det X(t) = e3 t = 0
                      e            c˜      e
para todo t.
 Lema 5.1. Se X(t) ´ uma M.F. de [L.H.], ent˜o a solu¸˜o geral de
                     e                            a       ca
[L.H.] ser´ dada por X(t) c, em que c = (c1 · · · cn )T .
          a

    Demonstracao. Primeiramente, mostremos que x(t) = X(t)c ´
                 ¸˜                                         e
solu¸ao de [L.H.]. De fato,
    c˜

      ˙      ˙
      x(t) = X(t) c = [A(t) X(t)] c = A(t) [X(t) c] = A(t) x(t).

Mostremos, agora, que toda solu¸˜o ´ deste tipo. Seja x(t) solu¸˜o
                                  ca e                          ca
                                                           −1
de [L.H.] tal que x(t0 ) = x0 . Como a fun¸ao z(t) = X(t)[X (t0 )x0 ]
                                          c˜
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                     Cap. 5           Teoria Geral   114


´ solu¸˜o de [L.H.] e satisfaz z(t0 ) = x0 , pela unicidade de solu¸˜es,
e     ca                                                           co
temos que z(t) = x(t). Logo,
             x(t) = X(t) c,   em que c = X −1 (t0 ) x0 .
 Observacao 5.4. Se X(t) ´ M.F. de [L.H], isto ´, suas colunas s˜o
           ¸˜               e                     e              a
solu¸oes linearmente independentes de [L.H], o lema acima afirma que
    c˜
suas colunas formam uma base para o espa¸o das solu¸˜es .
                                          c           co
Teorema 5.5 (F´rmula de Jacobi-Liouville). Se X(t) ´ uma matriz
                  o                                    e
solu¸˜o de [L.H.] em algum intervalo J e se t0 ∈ J, ent˜o
    ca                                                 a
                                             t
               det X(t) = det X(t0 ) exp(        trA(s) ds),
                                            t0

onde trA(s) = soma dos elementos da diagonal principal de A(s).

    Demonstracao. Basta notar que det X(t) satisfaz a equa¸˜o
             ¸˜                                           ca
diferencial
                     z = trA(t) z.
                     ˙
 Observacao 5.5. O Teorema 5.5 afirma que se X(t) ´ matriz solu¸˜o
           ¸˜                                        e            ca
de [L.H.] ent˜o, ou det X(t) = 0 para todo t ∈ J ou det X(t) = 0 para
             a
todo t ∈ J.

    O pr´ximo teorema nos d´ um crit´rio para decidir se uma matriz
        o                  a        e
solu¸ao de [L.H.] ´ uma M.F..
    c˜            e
Teorema 5.6. Seja X(t) uma matriz solu¸˜o de [L.H.] em J. X(t)
                                           ca
´ M.F. se, e somente se, det X(t0 ) = 0 para algum t0 ∈ J.
e

    Demonstracao. Suponhamos que X(t) seja M.F., ent˜o as co-
               ¸˜                                       a
lunas de X(t) s˜o solu¸oes linearmente independentes e, portanto,
               a      c˜
det X(t) = 0 para todo t ∈ J. Em particular, det X(t0 ) = 0 para
algum t0 ∈ J.

   Reciprocamente, se det X(t0 ) = 0 para algum t0 ∈ J, pela F´rmula
                                                              o
de Jacobi-Liouville, temos que det X(t) = 0 para todo t ∈ J. Por-
tanto, X(t) ´ M.F..
            e
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                     Cap. 5       Teoria Geral   115


Exemplo 5.7. Verifique se
                                 1 −t
                                          
                           e2 t  2
                                   e    et
                  X(t) =  e2 t    e−t   0 
                             2t  7 −t
                           e    −2 e   −et

´ uma M.F. para o sistema
e
                                
                         1 −1  0
                     ˙
                     x= 1  2  1  x.
                        −2  1 −1

Solucao: Facilmente verifica-se que as colunas de X(t) s˜o solu¸oes
      ¸˜                                                a     c˜
do sistema. Escolhendo, por simplicidade, t0 = 0, temos
                                  1
                             −1   2
                                     1
                det X(0) =    1   1  0          = −3.
                              1 − 7 −1
                                  2

Logo, pelo Teorema 5.4, X(t) ´ M.F..
                             e
                                           t2 t
     ıcios 5.1. 1) Mostre que X(t) =
Exerc´                                              ´ uma matriz fun-
                                                    e
                                           2t 1
damental para o sistema
                               0   1
                        ˙
                        x=       2    x
                             −2/t 2/t

em qualquer intervalo J n˜o incluindo a origem.
                         a

   2) Verifique se ´ poss´
                  e     ıvel determinar uma matriz A(t) cont´
                                                            ınua
para t ≥ 0, de modo que X(t) seja matriz fundamental do sistema
˙
x = A(t)x, com

               t2 t                              1 1+t
   a) X(t) =        .            b) X(t) =             .
                t t                              0  2

Em caso afirmativo construa A(t). Caso contr´rio, justifique sua res-
                                           a
posta.
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                        Cap. 5    Coef. Constantes 116


    3) Dada a equa¸˜o diferencial t3 y (3) −3 t2 y +6 t y−6 y = 0, reduza-
                   ca                            ¨      ˙
a num sistema de equa¸˜es diferenciais de 1¯
                       co                        a ordem escrevendo-a na
        ˙
forma x = A(t) x e em seguida ache uma matriz fundamental de
solu¸oes para o sistema encontrado.
    c˜
Sugest˜o: Determine por tentativa trˆs solu¸˜es linearmente indepen-
       a                                e       co
dentes da equa¸˜o dada.
               ca

      4) Considere os vetores x1 (t) = (t 1)T e x2 (t) = (t2 2 t)T .

      a) Em que intervalo x1 e x2 s˜o linearmente independentes?
                                   a

   b) Que conclus˜o se pode tirar sobre os coeficientes no sistema de
                  a
equa¸oes diferenciais homogˆneas satisfeitas por x1 e x2 ?
    c˜                     e

      c) Ache este sistema de equa¸oes e verifique as condi¸oes da parte
                                  c˜                      c˜
a).

   5) Considere os vetores x1 (t) = (t2 2t)T e x2 (t) = (et et )T , e
responda as mesmas perguntas do Problema 4.



5.2        Sistemas Lineares com Coeficientes
           Constantes

      Vamos construir a solu¸ao geral do sistema
                            c˜

                                   ˙
                                   x = Ax                              (5.3)

onde A = (ai j ), i, j = 1, 2, . . . , n ´ uma matriz constante.
                                         e

   A nossa experiˆncia com as equa¸oes de 2a ordem sugere que pro-
                 e                c˜       ¯
curemos solu¸oes da forma
            c˜

                                 x(t) = eλ t v                         (5.4)

em que o n´mero λ e o vetor constante v = (v1 · · · vn )T = (0 · · · 0)T
          u
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                            Cap. 5      Coef. Constantes 117


devem ser determinados. Substituindo (5.4) no sistema (5.3), obtemos

                                λ eλ t v = A eλt v

ou equivalentemente
                                   A v = λ v.                              (5.5)
Logo, (5.4) ´ uma solu¸ao de (5.3) se, e somente se, λ ´ um autovalor
            e         c˜                               e
de A e v ´ um autovetor associado a λ. A equa¸˜o (5.5) ´ equivalente
         e                                     ca        e
a
                          (A − λ I) v = 0,                      (5.6)
onde I ´ a matriz identidade. Para que a equa¸ao (5.6) tenha solu¸ao
       e                                      c˜                 c˜
v = 0, a matriz A − λI n˜o pode ser invert´
                         a                 ıvel. Logo, devemos ter

                               det(A − λ I) = 0.                           (5.7)

   Observamos que a express˜o det(A − λ I) ´ um polinˆmio de grau
                            a                     e        o
n em λ, chamado polinˆmio caracter´
                      o                  ıstico de A. Assim, a equa¸˜o
                                                                     ca
det(A − λ I) = 0, possui n ra´
                             ızes λ1 , . . . , λn que podem ser reais ou
complexas e algumas podem ter multiplicidade maior do que um.
 Observacao 5.6. Se v for um autovetor de A com autovalor λ, ent˜o
          ¸˜                                                    a
u = c v, em que c = 0 ´ uma constante qualquer, tamb´m ser´ um
                      e                              e       a
autovetor de A com o mesmo autovalor.
 Observacao 5.7. Se a matriz A for triangular, ent˜o os autovalores
           ¸˜                                     a
ser˜o os elementos da diagonal principal.
   a

    Temos trˆs casos a considerar:
            e

    1o caso: Todos os autovalores s˜o reais e distintos.
     ¯                             a

Sejam v1 , . . . , vn os autovetores associados aos autovalores λ1 , . . . , λn ,
                                                                    ´
respectivamente. Como λ1 , . . . , λn s˜o distintos, segue da Algebra
                                          a
                 1        n
Linear, que v , . . . , v s˜o linearmente independents. Logo, as fun¸oes
                            a                                              c˜

                    x1 (t) = eλ1 t v1 , . . . , xn (t) = eλn t vn
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
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s˜o n solu¸oes linearmente independentes de (5.3) pois, para t = 0,
 a        c˜
temos que os vetores

                       x1 (0) = v1 , . . . , xn (0) = vn

s˜o linearmente independentes. Portanto, x1 (t) = eλ1 t v1 , . . . , xn (t) =
 a
eλn t vn formam uma base para o espa¸o das solu¸oes.
                                    c            c˜

Exemplo 5.8. Determine a solu¸˜o de P.V.I
                             ca

                           1 12                              0
                    ˙
                    x=          x,               x(0) =        .
                           3 1                               1

Solucao : O polinˆmio caracter´
    ¸˜           o            ıstico da matriz dos coeficientes A ´
                                                                 e

                          1 − λ 12
p(λ) = det(A − λ I) =               = (1 − λ)2 − 36 = λ2 − 2 λ − 35.
                            3   1−λ

Portanto, os autovalores de A s˜o: λ1 = 7 e λ2 = −5.
                               a

    i) λ1 = 7: Procuramos um vetor v = 0 tal que

                −6 12          a             0            −6 a + 12 b = 0
(A−7 I) v =                            =         =⇒                       =⇒ a = 2 b.
                 3 −6          b             0              3a − 6b = 0

                                   2                         2
Logo, um autovetor ´ v1 =
                   e                       e x1 (t) = e7 t         ´ uma solu¸ao.
                                                                   e         c˜
                                   1                         1

    ii) λ2 = −5: Procuramos um vetor v = 0 tal que

                6 12       a           0              6 a + 12 b = 0
(A+5 I) v =                    =              =⇒                     =⇒ a = −2 b.
                3 6        b           0               3a + 6b = 0

                                   −2
Logo, um autovetor ´ v2 =
                   e                          e uma segunda solu¸˜o ´ x2 (t) =
                                                                ca e
                                    1
        −2
e−5 t      .
         1
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                         Cap. 5      Coef. Constantes 119


   Como λ1 = λ2 , temos que x1 (t) e x2 (t) s˜o solu¸oes linearmente
                                             a      c˜
independentes. Ent˜o a solu¸ao geral ´
                  a        c˜        e

                                            2 c1 e7t − 2 c2 e−5t
          x(t) = c1 x1 (t) + c2 x2 (t) =                         .
                                             c1 e7 t + c2 e−5 t

Como
   0               2 c1 − 2 c2            2 c1 − 2 c2 = 0            1
       = x(0) =                   ⇒                       ⇒ c1 = c2 = ,
   1                 c1 + c2                  c1 + c2 = 1            2

temos que a solu¸ao do P.V.I. ´
                c˜            e

                                    e7 t − e−t
                     x(t) =                        .
                                 (e7 t + e−5 t )/2


   2o caso: Autovalores Complexos.
    ¯
    Se λ = α+i β, com β = 0, ´ um autovalor de A e v = v1 +i v2 , com
                             e
v = 0, ´ um correspondente autovetor, ent˜o a fun¸ao z(t) = eλ t v
  2
         e                                  a       c˜
´ uma solu¸˜o com valores complexos do sistema (5.3). Esta solu¸ao
e          ca                                                      c˜
com valores complexos d´ origem a duas solu¸˜es com valores reais,
                        a                     co
como mostra o seguinte:

 Lema 5.2. Se z(t) = x(t) + i y(t) ´ uma solu¸˜o com valores com-
                                     e           ca
plexos de (5.3), ent˜o tanto x(t) como y(t) s˜o solu¸˜es reais de (5.3).
                    a                        a      co

   Demonstracao. Temos que
            ¸˜

 ˙        ˙      ˙
 x(t) + i y(t) = z(t) = A z(t) = A [x(t) + i y(t)] = A x(t) + i A y(t).

Igualando as partes real e imagin´ria, obtemos
                                 a

                  ˙
                  x(t) = A x(t)       e    ˙
                                           y(t) = A y(t).

Logo, tanto x(t) =    [z(t)] como y(t) =        [z(t)] s˜o solu¸oes reais de
                                                        a      c˜
(5.3).
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                              Cap. 5     Coef. Constantes 120


   Escrevendo a solu¸˜o z(t) = eλ t v, em que λ = α + i β e v =
                    ca
 1     2
v + i v , na forma

      z(t) = eα t (cos β t + i sen β t)(v1 + iv2 )
           = eα t [v1 cos β t − v2 sen β t + i (v1 sen β t + v2 cos β t)]

pelo Lema 5.2 temos que

                    x(t) = eα t (v1 cos β t − v2 sen β t)

e
                    y(t) = eα t (v1 sen β t + v2 cos β t)
s˜o duas solu¸oes reais de (5.3). Al´m disso, estas solu¸oes s˜o linear-
 a           c˜                     e                   c˜    a
mente independentes. (Prove isto).

Exemplo 5.9. Determine uma base de solu¸oes reais para o sistema
                                       c˜

                                           1 −1
                                  ˙
                                  x=            x.
                                           5 −3


Solucao : O polinˆmio caracter´
      ¸˜            o            ıstico da matriz dos coeficientes A
                          2
´ p(λ) = det(A − λ I) = λ + 2 λ + 2. Portanto, os autovalores de A
e
s˜o: λ1 = −1 + i e λ2 = −1 − i. Procuremos um vetor v = 0 tal que
 a
(A − λ1 I) v = 0. Ou seja

    2−i  −1             a         0             (2 − i) a − b = 0
                             =          =⇒                          =⇒ b = (2−i) a.
     5  −2 − i          b         0             5 a − (2 + i) b = 0

                                                                 1
Logo, um autovetor associado a λ1 = −1 + i ´ v =
                                           e                          e a fun¸ao
                                                                             c˜
                                                                2−i

                             1                                  1     0
     z(t) = e(−1+i) t                 = e−t (cos t + i sen t)     +i
                            2−i                                 2    −1

                     e−t cos t               e−t sen t
          =                          + i −t
               e−t [2 cos t + sen t]     e [2 sen t − cos t]
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                        Cap. 5     Coef. Constantes 121


´ uma solu¸ao com valores complexos. Conseq¨entemente
e         c˜                               u

                                            e−t cos t
                 x(t) = [z(t)] =
                                      e−t [2 cos t + sen t]

e
                                            e−t sen t
                 y(t) = [z(t)] =
                                      e−t [2 sen t − cos t]

s˜o duas solu¸oes reais linearmente independentes e, portanto, x(t) e
 a           c˜
y(t) formam uma base de solu¸˜es reais.
                               co


    3o caso: Autovalores Repetidos.
     ¯
    Se λ ´ um autovalor de multiplicidade k  1, temos duas possibi-
         e
lidades:

(i) existem k autovetores linearmente independentes associados a λ;

(ii) existem menos de k autovetores linearmente independentes asso-
ciados a λ.

   No caso (i) tudo se passa como quando os autovalores s˜o distintos.
                                                                    a
     1          k
Se v , . . . , v forem autovetores linearmente independentes associados
a λ, ent˜o eλ t v1 , . . . , eλ t vk ser˜o k solu¸oes linearmente indepedentes.
         a                              a        c˜

Exemplo 5.10. Determine uma base de solu¸oes para o sistema
                                        c˜
                                      
                                  3 2 4
                             ˙
                             x = 2 0 2 x.
                                  4 2 3


Solucao: O polinˆmio caracter´
     ¸˜             o           ıstico da matriz dos coeficientes A
´ p(λ) = det(A − λ I) = −λ + 6 λ2 + 15 λ + 8 = 0. Portanto, os
e                            3

autovalores de A s˜o: λ1 = λ2 = −1 e λ3 = 8.
                  a
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                   Cap. 5   Coef. Constantes 122


   (a) λ = −1 : Procuramos todos os vetores v = 0 que satisfazem
(A + I) v = 0. Ou seja,
                     
  4 2 4      a        0     4a + 2b + 4c = 0
2 1 2  b  = 0 =⇒        2 a + b + 2 c = 0 =⇒ b = −2 a−2 c.
  4 2 4       c       0       4a + 2b + 4c = 0
                           

Fazendo a = 1 e c = 0, obtemos v1 = (1 − 2 0)T . Fazendo a = 0 e
c = 1, obtemos v2 = (0 − 2 1)T que s˜o dois autovetores linearmente
                                     a
independentes associados a λ = −1. Portanto, o autovalor λ = −1 d´a
origem a duas solu¸oes linearmente independentes
                  c˜
                                              
                            1                     0
              1       −t      e x2 (t) = e−t −2 .
            x (t) = e      −2
                            0                     1

   (b) λ = 8: Procuramos um vetor v = 0 tal que (A − 8 I) v = 0.
Ou seja,
                         
 −5      2  4     a      0      −5 a + 2 b + 4 c = 0
 2 −8      2   b  = 0 ⇒      2 a − 8 b + 2 c = 0 ⇒ a = c = 2 b.
   4     2 −5     c      0         4a + 2b − 5c = 0
                               

Logo, um autovetor ´ v3 = (2 1 2)T e, portanto,
                   e
                                       
                                       2
                          3        8t  
                         x (t) = e     1
                                       2
´ uma terceira solu¸˜o linearmente independente.
e                  ca

    No caso (ii) n˜o ´ poss´ encontrar k autovetores linearmente in-
                  a e      ıvel
dependentes associados a λ, o que significa que existem solu¸˜es de
                                                              co
(5.3) que n˜o podem ser expressas usando-se apenas fun¸˜es exponen-
            a                                           co
ciais e vetores constantes. Por analogia ao feito para equa¸oes de 2a
                                                           c˜       ¯
ordem, ´ natural procurar solu¸ao envolvendo produtos de polinˆmios
        e                       c˜                              o
e exponenciais. Ilustraremos este procedimento atrav´s do
                                                      e
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                       Cap. 5       Coef. Constantes 123


Exemplo 5.11. Resolva o sistema
                                   1 −1
                            ˙
                            x=          x.
                                   1 3


Solucao: O polinˆmio caracter´
      ¸˜            o             ıstico ´ p(λ) = (λ − 2)2 e, portanto
                                         e
λ = 2 ´ autovalor de A com multiplicidade 2. Procuremos todos os
       e
vetores v = 0 tais que (A − 2 I) v = 0. Ou seja,

        −1 −1       a        0            −a − b = 0
                        =        =⇒                  =⇒ b = −a.
         1  1       b        0             a+b=0

Portanto, todo autovetor ´ da forma v = a(1
                         e                                − 1)T . Logo, uma
solu¸ao ´
    c˜ e
                                       1
                        x1 (t) = e2 t
                                      −1
e n˜o existe uma segunda solu¸ao de forma e2 t v que seja linearmente
   a                         c˜
                         ´
independente com x1 (t). E natural tentarmos x2 (t) = t e2 t v. Substi-
tuindo no sistema obtemos:

                     2 t e2 t v + e2 t v = A (t e2 t v)               (5.8)

ou

e2 t [2 t v+v] = t e2 t A v =⇒ 2 t v+v−t A v = 0, para todo t ⇐⇒ v = 0

o que n˜o nos interessa.
       a

    Como em (5.8) aparecem termos em t e2 t e e2 t , temos que a solu¸ao,
                                                                     c˜
                 2t                               2t
al´m do termo t e v, precisa conter um termo e w. Tentemos ent˜o
  e                                                                    a

                        x2 (t) = t e2 t v + e2 t w,

em que v e w s˜o vetores constantes. Substituindo no sistema, obte-
               a
mos
           2 t e2 t v + e2 t (v + 2 w) = A (t e2 t v + e2 t w)
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                         Cap. 5   Coef. Constantes 124


ou
                        2 t v + v + 2 w = t A v + A w.
Igualando termos em t e termos constantes, temos que v e w devem
satisfazer
                Av = 2v                     (A − 2 I) v = 0
                            =⇒
                Aw = v + 2w                 (A − 2 I) w = v.
A primeira destas equa¸˜es est´ satisfeita se v for um autovetor de A
                       co     a
associado a λ = 2, ou seja, v = (1 − 1)T . Substituindo na segunda,
obtemos
 −1 −1        w1           1             −w1 − w2 = 1
                    =           =⇒                    =⇒ w2 = −1−w1 .
  1  1        w2          −1             w1 + w2 = −1

Fazendo w1 = 0, temos que w = (0 − 1)T satisfaz a segunda equa¸ao,
                                                              c˜
e portanto,
                           1               0            t e2 t
      x2 (t) = t e2 t           + e2 t         =
                          −1              −1        −e2 t (t + 1)

´ uma segunda solu¸ao linearmente independente com x1 (t). (Prove
e                 c˜
este fato).

     Apresentemos agora um procedimento geral para resolver o caso
(ii).

    Suponhamos que A tenha k  n autovetores linearmente indepen-
dentes. Ent˜o teremos apenas k solu¸oes linearmente independentes
            a                      c˜
da forma eλt v. Para obter as n − k solu¸oes, que juntamente com
                                         c˜
estas formem uma base para o espa¸o das solu¸˜es, devemos proceder
                                 c          co
do seguinte modo:

    1) Para cada autovalor λ de A, com multiplicidade maior do que
1, procuramos solu¸˜es do tipo x(t) = t eλ t v + eλ t w, em que
                  co
                               (A − λI)v = 0
                               (A − λI)w = v.
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                    Cap. 5    Coef. Constantes 125


   2) Se ainda n˜o tivermos as n solu¸oes linearmente independentes,
                a                    c˜
                                         t2 λt
devemos procurar solu¸˜o do tipo x(t) =
                      ca                    e v + t eλ t w + eλ t u, em
                                         2!
que                     
                         (A − λ I) v = 0
                          (A − λ I) w = v
                          (A − λ I) u = w.
                        


   3) Prosseguimos deste modo at´ obter as n solu¸oes linearmente
                                e                c˜
independentes.

Exemplo 5.12. Encontrar uma      base para o espa¸o das solu¸˜es de
                                                 c          co
                                          
                         2        1     3
                  ˙
                  x=    0        2 −1  x.
                         0        0     2


Solucao: O polinˆmio caracter´
     ¸˜            o            ıstico ´ p(λ) = (2 − λ)3 e, portanto,
                                       e
λ = 2 ´ autovalor de multiplicidade 3. Procuremos todos os vetores
       e
v = 0 tais que (A − 2I)v = 0:
                         
          0 1        3     a           0
       0 0 −1   b  =  0  =⇒ b + 3 c = 0
                                                     −c = 0.
          0 0        0      c          0

Logo, b = c = 0 e a ´ arbitr´rio. Conseq¨entemente, todo autovetor ´
                    e       a           u                          e
da forma v = a(1 0 0)T e, portanto,
                                   2t 
                                   1        e
                     1       2t 
                   x (t) = e       0 = 0 
                                   0         0

´ uma solu¸ao do sistema.
e         c˜

   Como A possui apenas um autovetor linearmente independente
associado a λ = 2, devemos procurar outra solu¸ao da forma x2 (t) =
                                              c˜
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                    Cap. 5     Coef. Constantes 126


t e2 t v + e2 t w, em que v ´ autovetor associado a λ = 2 e w ´ tal que
                            e                                 e
(A − 2 I) w = v. Assim
                               
          0 1        3       w1         1
        0 0 −1   w2  =  0  =⇒ w2 + 3 w3 = 1
                                                        −w3 = 0.
          0 0        0       w3         0

Logo, w2 = 1, w3 = 0 e w1 ´ arbitr´rio.
                             e      a       Portanto,
                                             2t 
                             1              0         te
           x2 (t) = t e2 t  0  + e2 t    1  =  e2 t 
                             0              0          0

´ uma segunda solu¸˜o do sistema.
e                 ca
                                                 t2 2 t
                ´          ca     a                 e v+t e2 t w+
   A terceira e ultima solu¸˜o ser´ da forma x3 (t) =
                                                 2
e2 t u, em que v ´ autovetor associado a λ = 2, w foi determinado
                 e
acima e u ´ tal que (A − 2 I) u = w. Ou seja,
           e
                             
         0 1       3       u1        0
       0 0 −1   u2  =  1  =⇒ u2 + 3 u3 = 0
                                                   −u3 = 1.
         0 0       0       u3        0

Logo, u2 = 3, u3 = −1 e u1 ´ arbitr´rio. Portanto,
                           e       a
                                             2 2t        
          2      1             0              0     t e /2
         t 2t  
x3 (t) =    e    0 + t e2 t  1  + e2 t  3  =  (t + 3) e2 t 
         2
                 0             0            −1        −e2 t

´ a terceira solu¸˜o do sistema.
e                ca

   Mostre que estas 3 solu¸oes s˜o linearmente independentes.
                          c˜    a

 Exerc´ıcios 5.2. 1) a) Transforme a equa¸ao y (3) −3 y −6 y −2 y = 0,
                                         c˜           ¨    ˙
num sistema de equa¸˜es diferenciais de 1a ordem.
                     co                  ¯
       b) Calcule uma matriz fundamental para o sistema.
Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais
                co                  Cap. 5     Coef. Constantes 127


      c) Dˆ a solu¸˜o geral do sistema.
          e       ca

      d) Dˆ a solu¸˜o geral da equa¸˜o dada.
          e       ca               ca

    2) Determine uma base de solu¸˜es, uma matriz fundamental e a
                                   co
solu¸ao geral dos sistemas abaixo:
    c˜
              3   −2                      −3     2
    ˙
 a) x =                x.         ˙
                               b) x =                x.
              2   −2                      −1    −1
                                                  
          3       2   4                  1 1 2
    ˙
 c) x =  2       0   2  x.        ˙
                                d) x =  1 2 1  x.
          4       2   3                  2 1 1
                                              
          1       0     0                1 0   0
    ˙ = 3
 e) x             1 −2  x. f) x =  2 1 −2  x.
                                   ˙
          2       2     1                3 2   1
                                                          
                                       −2  1  0   0
          −1      −1     0              0 −2   1   0      
    ˙
 g) x =  0       −1                ˙ 
                         0  x. h) x =                     x.
                                          0  0 −2   1      
            0       0 −2
                                          0  0  0 −2

   3) Resolva os P.V.I.:

a) x = Ax, em que A ´ dada no exerc´ 2-h) e x(0) = (1 2 − 1 1)T .
   ˙                e              ıcio

b) x = Ax, em que A ´ dada no exerc´ 2-g) e x(0) = (1 1 2)T .
   ˙                e              ıcio
                                   
         3 1 1                          1
   ˙
c) x =  0 3 1  x, com x(0) =  0 .
         0 0 2                          1

          e      co      ˙
     4) Trˆs solu¸˜es de x = Ax s˜o
                                 a
          t                   t              t       
            e + et                 e + e3 t      e − e3 t
ϕ1 (t) =  e2t  , ϕ2 (t) =  e3 t  , ϕ3 (t) =  −e3 t  .
               0                     e3 t          −e3 t
Sistemas de Equa¸˜es
                co             Cap. 5      Sistema n˜o Homogˆneo 128
                                                    a       e


Determine os autovalores e os autovetores da matriz A.

                                                    ˙
   5) Determine se X(t) ´ uma matriz fundamental de x = Ax, para
                        e
alguma matriz constante A. Em caso afirmativo determine A, em que
                                t2 + 1               e2 t    2e−t     e3 t
                                                           
                   1    t+1
a) X(t) =   et    1   2(t + 1) 4 t  2  b) X(t) =  2et      2e−t    e3 t .
                   1    t+2        3                  3et      e−t   2e3 t

                                                         3 e2 t
                                                               
                −5 cos 2 t             −5 sen 2 t
c) X(t) =  −2 (cos 2 t + sen 2 t) 2 (cos 2 t − sen 2 t)   0 .
                   cos 2 t                sen 2 t         e2 t

    6) Suponha que Y (t) = X(t)C, em que X(t) e Y (t) s˜o matrizes
                                                       a
fundamentais de x˙ = Ax e C ´ uma matriz constante. Prove que
                              e
det C = 0.

                                           ˙
   7) Seja X(t) uma matriz fundamental de x = A x e C uma matriz
constante com det C = 0. Mostre que Y (t) = X(t) C tamb´m ´ uma
                                                       e e
                      ˙
matriz fundamental de x = A x.



5.3                         ˜        ˆ
         Sistemas Lineares nao Homogeneos
         com Coeficientes Constantes

   Consideremos o sistema linear n˜o homogˆneo
                                  a       e

                               ˙
                               x = A x + g(t),                       [L.N.H.]

em que A ´ uma matriz n × n constante e g(t), n × 1, ´ cont´
           e                                         e     ınua num
intervalo J.

   O nosso objetivo ´ procurar uma solu¸˜o para [L.N.H.].
                    e                  ca
Teorema 5.7. Sejam u(t) e v(t) duas solu¸˜es quaisquer de x =
                                         co                  ˙
A x + g(t). Ent˜o a sua diferen¸a ϕ(t) = u(t) − v(t)´ solu¸˜o de
               a               c                    e     ca
˙ = A x.
x
Sistemas de Equa¸˜es
                co             Cap. 5     Sistema n˜o Homogˆneo 129
                                                   a       e


   A demonstra¸ao ser´ deixada como exerc´
              c˜     a                   ıcio.
Teorema 5.8. Seja X(t) = (x1 (t), . . . , xn (t)) uma M.F. de x = Ax.
                                                              ˙
Seja xp (t) uma solu¸˜o particular de [L.N.H.]. Ent˜o
                    ca                               a

                         x(t) = X(t) c + xp (t)

´ a solu¸˜o geral de [L.N.H.], em que x = (c1 · · · cn )T .
e       ca

    Demonstracao. Primeiramente, mostraremos que x(t) = X(t) c+
                  ¸˜
xp (t) ´ solu¸ao de [L.N.H.]. De fato
       e     c˜

          ˙       ˙        ˙
          x(t) = X(t) c + xp (t) = A X(t) c + A xp (t) + g(t)
               = A [X(t) c + xp (t)] + g(t) = A x(t) + g(t).

Seja x(t) uma solu¸˜o qualquer de [L.N.H.]. Ent˜o, pelo Teorema 5.5,
                  ca                           a
temos que x(t) − xp (t) ´ solu¸ao de x = Ax. Logo,
                        e     c˜     ˙

                         x(t) − xp (t) = X(t) c

e, portanto,
                        x(t) = X(t) c + xp (t).

   Pelo Teorema 5.8, vemos que para resolver um sistema linear n˜o
                                                                a
homogˆneo precisamos saber encontrar uma solu¸˜o particular.
      e                                       ca

  O m´todo dos coeficientes a determinar aplica-se sob as mes-
       e
mas condi¸oes vistas para equa¸˜es de 2a ordem.
         c˜                   co       ¯
                                                              ˙
Exemplo 5.13. Determine uma solu¸ao particular para o sistema x =
                                c˜
       t
A x + e z, em que
                           0      1               0
                   A=                   e z=          .
                           8     −2               1

Solucao: p(λ) = λ2 + 2 λ − 8. Logo, os autovalores s˜o λ1 = 2 e
     ¸˜                                              a
λ2 = −4. Como n˜o existe solu¸ao do sistema homogˆneo sob a forma
               a             c˜                  e
Sistemas de Equa¸˜es
                co                Cap. 5        Sistema n˜o Homogˆneo 130
                                                         a       e


et u, tentaremos uma solu¸˜o da forma xp (t) = et v. Substituindo no
                         ca
sistema, obtemos

          et v = A et v + et z ⇐⇒ v = A v + z ⇐⇒ (A − I) v = −z.

Portanto,

     −1       1      a             0              −a + b = 0         1
                          =                ⇒                   ⇒a=b=− .
      8      −3      b            −1            8 a − 3 b = −1       5

Logo,
                                           et   1
                              xp (t) = −
                                           5    1
´ uma solu¸ao particular.
e         c˜

                                                          ˙
Exemplo 5.14. Determine uma solu¸˜o particular do sistema x =
                                ca
A x + e−t z, em que

                              1     1               −4
                     A=                    e z=           .
                              4     1                4


Solucao : p(λ) = λ2 − 2 λ − 3. Logo, os autovalores s˜o λ1 = −1
      ¸˜                                                 a
e λ2 = 3. Como existe uma solu¸˜o do sistema homogˆneo da forma
                                ca                   e
e−t u, vamos tentar uma solu¸˜o particular da forma xp (t) = e−t (v +
                            ca
t w), com v e w ∈ R2 . Substituindo no sistema, obtemos

               e−t (−v + w − t w) = A [ e−t (v + t w) ] + e−t z

ou
                     −v + w − t w = A v + t A w + z.
Igualando termos em t e termos constantes, vemos que v e w devem
satisfazer
               A w = −w                         (A + I) w = 0
                                =⇒
               A v + u = −v + w                 (A + I) v = w − z.
Sistemas de Equa¸oes Diferenciais Cap. 5 Var. dos Parˆmetros 131
                c˜                                   a


A primeira destas equa¸oes implica que w deve ser um (conveniente)
                       c˜
autovetor de A. Logo, w = α (1 − 2)T para algum α. Pondo
v = (a b)T , a segunda equa¸ao nos fornece
                           c˜
      2     1      a                α+4                   2a + b =       α+4
                          =                     =⇒
       4    2      b               −2 α − 4               4 a + 2 b = −2 α − 4.
Logo, α = −3 e b = 1 − 2 a. Pondo a = 0, obtemos b = 1. Portanto,
                              0            −3                −3 t e−t
           xp (t) = e−t              +t             =
                              1             6              (1 + 6 t) e−t
´ uma solu¸ao particular.
e         c˜



5.4         ´             ¸˜         ˆ
           Metodo da Variacao dos Parametros

   Outro m´todo para determinar uma solu¸ao particular do sistema
            e                                c˜
n˜o homogˆneo ´ o M´todo da Varia¸˜o dos Parˆmetros, que ´
 a         e    e      e                  ca          a             e
                                                         ˙
mais geral que o anterior, pois aplica-se tamb´m no caso x = A(t) x +
                                              e
g(t).

   Seja X(t) = (x1 (t), . . . , xn (t)) uma M.F. de x = A x. Queremos
                                                    ˙
encontrar uma solu¸ao do tipo
                  c˜

                                  xp (t) = X(t) u(t),

em que u(t) ´ uma fun¸ao vetorial, isto ´, u(t) = (u1 (t) · · · un (t))T .
            e          c˜               e
Temos
                 ˙                            ˙
                 xp (t) = A X(t) u(t) + X(t) u(t).                  (5.9)
Como xp (t) ´ solu¸ao particular do sistema n˜o homogˆneo, temos
            e     c˜                         a       e

                ˙
                xp (t) = A xp (t) + g(t) = A X(t) u(t) + g(t).              (5.10)

                                ˙
De (5.9) e (5.10), vem que X(t) u(t) = g(t), ou

                                  u(t) = X −1 (t) g(t).
                                  ˙
Sistemas de Equa¸oes Diferenciais Cap. 5 Var. dos Parˆmetros 132
                c˜                                   a


Integrando essa express˜o de t0 a t, obtemos
                       a
                                        t
                          u(t) =            X −1 (s) g(s) ds,
                                       t0

onde tomamos u(t0 ) = 0, pois procuramos uma solu¸ao particular.
                                                 c˜
Logo,
                                              t
                      xp (t) = X(t)               X −1 (s) g(s) ds.
                                             t0


      Assim temos que a solu¸ao de [L.N.H.] tal que x(t0 ) = x0 ´ dada
                            c˜                                  e
por
                                                            t
                              −1
            x(t) = X(t) X          (t0 ) x0 + X(t)              X −1 (s) g(s) ds,
                                                           t0
que ´ conhecida como F´rmula da Varia¸˜o dos Parˆmetros (ou
    e                  o             ca         a
f´rmula da varia¸ao das constantes).
 o              c˜
Exemplo 5.15. Resolver o P.V.I.
                     −1       0               e−t                          1
            ˙
            x=                        x+               ,        x(0) =          .
                      0       0                1                           1

Solucao: p(λ) = −λ (−1 − λ). Logo, os autovalores s˜o: λ1 = 0 e
     ¸˜                                            a
λ2 = −1.

    i) λ = 0: Procuremos um vetor v = 0 tal que (A − 0I) v = 0. Ou
seja,
          −1     0        a             0
                                   =              =⇒ a = 0 e b ´ arbitr´rio.
                                                               e       a
           0     0        b             0
Logo, v1 = (0 1)T ´ um autovetor e x1 (t) = e0t (0 1)T = (0 1)T ´
                  e                                             e
uma solu¸ao.
        c˜

   ii) λ = −1: Procuramos um vetor v = 0 tal que (A + 1I) v = 0.
Assim
           0     0        a            0
                                  =               =⇒ b = 0 e a ´ arbitr´rio.
                                                               e       a
           0     1        b            0
Sistemas de Equa¸oes Diferenciais Cap. 5 Var. dos Parˆmetros 133
                c˜                                   a


Logo, v2 = (1 0)T ´ um autovetor e uma segunda solu¸ao ´ x2 (t) =
                  e                                c˜ e
 −t     T     −t   T
e (1 0) = (e 0) . Portanto,
                                                                0         e−t
                  X(t) = (x1 (t) x2 (t)) =
                                                                1          0
              ˙
´ uma M.F. de x = A x. Temos que
e
                           0           1                                    0        1
            X −1 (t) =                           =⇒ X −1 (0) =                            .
                           et          0                                    1        0
Logo, a solu¸˜o do P.V.I. ´
            ca            e
                                           t
 x(t) = X(t) [X −1 (t0 ) x0 +                  X −1 (s) g(s) ds]
                                        t0
                 −t                                                 t
            0 e               0 1                  1                     0 1              e−s
      =                                                 +                                           ds
            1 0               1 0                  1            0        es 0              1
            (1 + t) e−t
      =                       .
               1+t

     ıcios 5.3. 1) Determine a solu¸ao geral dos sistemas abaixo:
Exerc´                             c˜
          2  1                1                                 2 −5                     − cos t
    ˙
 a) x =               x+               e3 t .        ˙
                                                  b) x =                        x+               .
          3 −2                1                                 1 −2                      sen t
                                                                           
                                                           1  2 −3          1
          1 −1                −t2
    ˙
 c) x =               x+                   .         ˙
                                                  d) x =  1  1  2  x +  0  et .
          1  3                    2t
                                                           1 −1  4         −1

   2) Resolva os      P.V.I.’s:
                                 2t           
             2         0 1          e              1
      ˙
   a) x =  0          2 0   x +  0  , x(0) =  1 .
             0         1 3          e2 t           1

                4         5                       4 et cos t                             0
      ˙
   b) x =                          x+                                   , x(0) =                .
               −2        −2                           0                                  0
Sistemas de Equa¸oes Diferenciais Cap. 5 Var. dos Parˆmetros 134
                c˜                                   a

                2           −5           sen t              0
      ˙
   c) x =                          x+            , x(0) =       .
                1           −2            tg t              0

    3) Em cada um dos problemas abaixo, verifique que x1 (t) e x2 (t)
s˜o solu¸oes do sistema homogˆneo correspondente, e ent˜o resolva o
 a      c˜                   e                         a
sistema n˜o homogˆneo. Suponha que t  0.
         a          e
                    2       −1           1 − t2
        ˙
   a) t x =                        x+            ,
                    3       −2             2t
                        1                   1
     x1 (t) =                t e x2 (t) =       t−1 .
                        1                   3

                    3       −2             −2 t + 2
        ˙
   b) t x =                        x+                 ,
                    2       −2              t4 + 1
                        1                        2
     x1 (t) =                t−1   e x2 (t) =       t2 .
                        2                        1

                0          1            cos π t
      ˙
   c) x =                       x+                   ,
                0        −1/t            2/t2
                        1                  ln t
      x1 (t) =               e x2 (t) =             .
                        0                  1/t

4) O circuito el´trico dado na figura abaixo ´ descrito pelo sistema de
                e                           e
                              −1/2 −1/8               1/2
    c˜                 ˙
equa¸oes diferenciais x =                      x+            I(t),
                                2     −1/2             0
em que x = (x1 x2 )T , x1 ´ a corrente no indutor, x2 ´ a queda de
                           e                              e
voltagem no capacitor e I(t) ´ a corrente fornecida pela fonte externa.
                             e

a) Determine uma matriz fundamental X(t) para o sistema homogˆneo
                                                             e
correspondente.

b) Se I(t) = e−t/2 , determine a solu¸ao que satisfaz a condi¸˜o inicial
                                     c˜                      ca
x(0) = 0.
Sistemas de Equa¸˜es
                co       Cap. 5    Uso da Transf. de Laplace     135

                            
                            I(t)
                            
                        R


                            R           L


                            C




5.5           ¸˜
        Resolucao de Sistemas pela Trans-
        formada de Laplace

   A transformada de Laplace, descrita no Cap´  ıtulo 4, tamb´m se
                                                              e
aplica a resolu¸˜o de sistemas de equa¸oes diferenciais. O m´todo
       `       ca                     c˜                      e
consiste em transformar um dado sistema de equa¸oes diferenciais em
                                                c˜
um sistema de equa¸oes alg´bricas. Vamos ilustrar este procedimento
                    c˜     e
atrav´s de alguns exemplos.
     e

Exemplo 5.16. Resolver o P.V.I.
                   
                    x = 3 y + 4 e5 t
                       ˙
                      y = x − 2y
                       ˙                                       (5.11)
                      x(0) = 1, y(0) = 0.
                   


Solucao: Sejam X(s) = L[x(t)] e Y (s) = L[y(t)]. Aplicando trans-
     ¸˜
formada de Laplace a cada uma das equa¸˜es do sistema (5.11), obte-
                                      co
mos o sistema alg´brico
                 e

                                        4
                       sX − 1 = 3Y +
                                       s−5
                       sY = X − 2Y
Sistemas de Equa¸˜es
                co           Cap. 5    Uso da Transf. de Laplace     136


cuja solu¸ao ´:
         c˜ e
                           s+2           1  7   1
            X(s) =                     =      +    ,
                       (s + 3) (s − 5)   8 s−5 s+3
                             1          1  1   1
             Y (s) =                  =      −    .
                       (s + 3)(s − 5)   8 s−5 s+3
Logo, a solu¸˜o do P.V.I. ´
            ca            e

                     x(t) = 1 (7 e5 t + e−3 t ),
                    
                    
                             8
                     y(t) = 1 (e5 t − e−3 t ).
                    
                             8
Exemplo 5.17. Resolver o P.V.I.
             
              x+y =0
               ¨
               x+y =0
                ˙ ˙                                                (5.12)
               x(0) = 0, x(0) = 1, y(0) = −1.
                           ˙
             

Solucao: Sejam X(s) = L[x(t)] e Y (s) = L[y(t)]. Aplicando trans-
      ¸˜
formada de Laplace a cada uma das equa¸oes de (5.12), obtemos o
                                       c˜
sistema alg´brico
           e
                        s2 X + Y = 1
                        s X + s Y = −1,
cuja solu¸ao ´
         c˜ e
                                1        1  1
                    X(s) =            =    − ,
                            s (s − 1)   s−1 s
                             −1
                    Y (s) =       .
                            s−1
Logo, a solu¸˜o do P.V.I. ´
            ca            e

                       x(t) = et − 1, y(t) = −et .

   Como podemos notar no Exemplo 5.17, n˜o ´ necess´rio que as
                                              a e   a
                                           a ordem.
equa¸oes diferenciais do sistema sejam de 1¯
    c˜
Sistemas de Equa¸˜es
                co       Cap. 5   Uso da Transf. de Laplace      137


 Exerc´ıcios 5.4. Usando transformada de Laplace ache a solu¸˜o de
                                                            ca
cada um dos seguintes problemas de valor inicial:
                                        
     x = x + 4y
      ˙                                   x = 2x − 2y
                                             ˙
 1)   y =x+y
      ˙                               2)     y = −3 x + y
                                             ˙
      x(0) = 3, y(0) = 2.                    x(0) = 5, y(0) = 0.
                                        

                                        
     x+y =0
      ˙ ˙                                 2 x + y − y = −1
                                                     ˙
 3)   x+x+y =0
      ¨                               4)   x − 3 x − 4 y = −1
                                           ˙
      x(0) = x(0) = 0,
             ˙           y(0) = −2.        x(0) = 2, y(0) = 1.
                                        

                                         
                                         x+x+y =0
                                          ¨       ˙
     x = x − y + sen 3 t
      ˙
                                           3x − y = 1 + 8t
                                                 ˙
                                         
 5)   y =x−y
      ˙                               6)
                                          x(0) = 0, x(0) = 2,
                                                      ˙
      x(0) = 1/3, y(0) = 0.
                                        
                                           y(0) = −1.
                                         
Cap´
   ıtulo 6

Equa¸˜es N˜o Lineares de
    co     a
Primeira Ordem

   Estudaremos agora alguns tipos de equa¸oes diferenciais n˜o li-
                                            c˜              a
neares. Freq¨entemente ´ conveniente escrever a equa¸ao
            u          e                            c˜

                               y = f (t, y)
                               ˙

na forma
                        M (t, y) + N (t, y) y = 0.
                                            ˙

                  ıvel: basta colocar M (t, y) = −f (t, y) e N (t, y) = 1.
Isto ´ sempre poss´
     e



6.1          ¸˜
         Equacoes Exatas

    Queremos resolver a equa¸ao diferencial (t2 + y 2 )dt + 2 t y dy = 0,
                              c˜
que n˜o ´ linear. Ent˜o precisamos encontrar um m´todo para resolvˆ-
     a e             a                             e                   e
la.

                                   138
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                   Cap. 6              Equa¸oes Exatas
                                                      c˜                 139


      ¸˜                  ca                  a
Definicao 6.1. Dada a equa¸˜o diferencial de 1¯ ordem
                                               dy
                         M (t, y) + N (t, y)      =0
                                               dt
ou
                        M (t, y) dt + N (t, y) dy = 0,                 (6.1)
em que M, N : Ω → R, e Ω ´ um subconjunto aberto do R2 , dizemos
                             e
que (6.1) ´ uma equa¸˜o diferencial exata se existir uma fun¸˜o
           e           ca                                    ca
V = V (t, y) : Ω → R tal que
              ∂V (t, y)              ∂V (t, y)
                        = M (t, y) e           = N (t, y)
                 ∂t                    ∂y
para todo (t, y) ∈ Ω.
Exemplo 6.1. A equa¸˜o (t2 + y 2 ) dt + 2 t y dy = 0 ´ exata pois, existe
                       ca                            e
          t3
V (t, y) = + t y 2 tal que
          3
         ∂V                         ∂V
            = t2 + y 2 = M (t, y) e    = 2 t y = N (t, y).
         ∂t                         ∂y
 Definicao 6.2. A fun¸˜o V (t, y) ´ chamada uma integral primeira
        ¸˜             ca         e
de (6.1) e as curvas definidas pela equa¸˜o V (t, y) = c s˜o chamadas
                                       ca                a
curvas integrais de (6.1).

   Observemos que as solu¸˜es da equa¸ao exata s˜o dadas implici-
                          co         c˜         a
tamente por V (t, y) = c.
                                                    t3
Exemplo 6.2. No exemplo anterior, V (t, y) =           + t y 2 ´ uma integral
                                                               e
                                                    3
                          t3
primeira da equa¸˜o dada e + t y 2 = c s˜o as curvas integrais.
                ca                      a
                          3

    No exemplo acima ´ f´cil ver que a equa¸ao ´ exata e achar sua
                      e a                  c˜ e
                                                              t3
solu¸ao reconhecendo que o primeiro membro ´ a diferencial de
    c˜                                      e                    +
                                                              3
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                 Cap. 6               Equa¸oes Exatas
                                                     c˜             140


t y 2 , mas, para equa¸oes mais complicadas, pode n˜o ser poss´ fazer
                      c˜                           a          ıvel
isto. O pr´ximo teorema nos fornece um crit´rio para determinar se a
             o                                e
equa¸ao dada ´ exata ou n˜o.
        c˜       e          a
Teorema 6.1. Suponhamos que M, My , Mt , Ny e Nt sejam cont´nuas
                                                           ı
                               2
num retˆngulo R = {(t, y) ∈ R | a  t  b e c  y  d}. Ent˜o
        a                                                    a
(6.1) ´ uma equa¸˜o diferencial exata se, e somente, se
      e         ca
                                 ∂M   ∂N
                                    =                              (6.2)
                                 ∂y   ∂t
para todo (t, y) ∈ R.

  Demonstracao. Suponhamos que (6.1) seja exata. Ent˜o existe
                ¸˜                                  a
uma fun¸ao V (t, y) tal que
       c˜
                        ∂V      ∂V
                           =M e    = N.
                        ∂t      ∂y
Assim,
                 ∂M     ∂ 2V       ∂N      ∂ 2V
                      =         e      =         .
                  ∂y    ∂y ∂t      ∂t      ∂t ∂y
Como My e Nt s˜o cont´
              a      ınuas, segue que Vt y e Vy t s˜o cont´
                                                   a      ınuas. Pelo
Teorema de Schwarz temos que
                                 ∂M   ∂N
                                    =    .
                                 ∂y   ∂t

    Reciprocamente, se M e N satisfazem (6.2), ent˜o mostraremos
                                                   a
que (6.1) ´ exata, isto ´, vamos construir uma fun¸ao V (t, y) satis-
          e             e                         c˜
fazendo
                       ∂V           ∂V
                            =M e        = N.
                        ∂t           ∂y
Observamos que a primeira das equa¸oes acima ´ equivalente a
                                    c˜        e

                    V (t, y) =     M (t, y) dt + h(y),
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                    Cap. 6                 Equa¸oes Exatas
                                                          c˜               141


onde h(y) ´ uma fun¸ao arbitr´ria de y. Derivando esta express˜o em
           e        c˜       a                                a
rela¸ao a y, obtemos
    c˜
                    ∂V (t, y)        ∂M
                              =         (t, y) dt + h (y).
                      ∂y             ∂y
                ∂V
Teremos que        (t, y) = N (t, y) se, e somente, se
                ∂y
                                     ∂M
                     N (t, y) =         (t, y) dt + h (y)                (6.3)
                                     ∂y
ou
                                  ∂M
                     h (y) = N (t, y) − (t, y) dt.
                                   ∂y
Observamos que o segundo membro de (6.3), apesar de sua aparˆncia,
                                                            e
depende apenas de y. De fato,
     ∂                    ∂M                   ∂N          ∂M
            N (t, y) −       (t, y) dt     =      (t, y) −    (t, y) = 0
     ∂t                   ∂y                   ∂t          ∂y
pois, por hip´tese, M e N satisfazem (6.2). Integrando (6.3), obtemos
             o
                                               ∂M
                 h(y) =       N (t, y) −          (t, y) dt dy
                                               ∂y
e, portanto,
                                                       ∂M
      V (t, y) =     M (t, y) dt +       N (t, y) −       (t, y) dt dy
                                                       ∂y
            ∂V      ∂V
´ tal que
e              =M e    = N.
            ∂t      ∂y
    Observamos que a demonstra¸˜o do Teorema 6.1 nos fornece um
                                   ca
m´todo para calcularmos V (t, y) e, portanto, a solu¸˜o da equa¸ao
  e                                                     ca          c˜
diferencial (6.1). Entretanto, ´ melhor repetir o processo cada vez que
                               e
for preciso do que tentarmos lembrar a express˜o de V (t, y). Note
                                                   a
tamb´m que a solu¸ao ´ obtida na forma impl´
      e             c˜ e                         ıcita, podendo ou n˜o
                                                                     a
ser poss´ encontrarmos a solu¸˜o explicitamente.
        ıvel                      ca
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                     Cap. 6                    Equa¸oes Exatas
                                                              c˜                 142


Exemplo 6.3. Resolver a equa¸˜o (t2 + y 2 ) dt + 2 t y dy = 0.
                            ca

Solucao: Aqui M (t, y) = t2 + y 2 e N (t, y) = 2 t y. Esta equa¸ao ´
     ¸˜                                                          c˜ e
exata pois, My = 2 y = Nt . Logo, existe uma fun¸ao V (t, y) tal que
                                                c˜

             (i) Vt (t, y) = t2 + y 2       e     (ii) Vy (t, y) = 2 t y.

Integrando a primeira destas equa¸oes, obtemos
                                 c˜

                                        t3
                         V (t, y) =        + t y 2 + h(y).
                                        3
Derivando esta express˜o em rela¸ao a y e usando (ii), obtemos
                      a         c˜

                          h (y) = 0 =⇒ h(y) = c1

e, portanto,
                                t3
                                   + t y 2 + c1 .
                          V (t, y) =
                                3
Assim, a solu¸ao desta equa¸ao diferencial ´ dada implicitamente por
             c˜            c˜               e

                              t3 + 3 t y 2 = c.

Exemplo 6.4. Resolver o P.V.I.
                 y cos t + 2 t ey + (sen t + t2 ey + 2) y = 0
                                                        ˙
                 y(0) = 1.

Solucao: Aqui M (t, y) = y cos t + 2 t ey e N (t, y) = sen t + t2 ey + 2.
     ¸˜
Esta equa¸˜o ´ exata, pois My = cos t + 2 t ey = Nt . Portanto, existe
          ca e
uma fun¸ao V (t, y) tal que
        c˜

  (i) Vt (t, y) = y cos t + 2 t ey      e       (ii) Vy (t, y) = sen t + t2 ey + 2.

Integrando (i), obtemos

                      V (t, y) = y sen t + t2 ey + h(y).
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                     Cap. 6                Equa¸oes Exatas
                                                          c˜                   143


Derivando esta express˜o em rela¸ao a y e usando (ii), temos
                      a         c˜

 sen t + t2 ey + h (y) = sen t + t2 ey + 2 =⇒ h (y) = 2 =⇒ h(y) = 2 y.

Observamos que n˜o h´ necessidade de colocar constante de inte-
                    a    a
gra¸ao em h(y) pois ela fica incorporada na solu¸ao quando escrevemos
    c˜                                           c˜
V (t, y) = c. Portanto, as curvas integrais s˜o dadas por
                                             a

                     V (t, y) = y sen t + t2 ey + 2 y = c.

Como t = 0, temos que y = 1 e c = 2. Logo, a solu¸ao do nosso P.V.I.
                                                 c˜
´ definida implicitamente pela equa¸˜o
e                                 ca

                         y sen t + t2 ey + 2 y = 2.

 Exerc´ ıcios 6.1. 1) Determine se cada uma das equa¸oes abaixo ´
                                                        c˜      e
exata ou n˜o. Se for exata encontre as curvas integrais
          a
 a) (2 t + 3) + (2 y − 2)y = 0.
                         ˙           b) (2 t + 4 y) + (2 t − 2 y)y = 0.
                                                                 ˙
                                             t dt           y dy
 c) (9 t2 + y − 1) − (4 y − t)y = 0. d) 2
                              ˙                      +               = 0.
                                        (t + y 2 )3/2 (t2 + y 2 )3/2
e) (et sen y − 2 y sen t) dt + (et cos y + 2 cos t) dy = 0.

f) (et sen y + 3 y) dt − (3 t − et sen y) dy = 0.
    y
g) ( + 6 t) dt + (ln t − 2) dy = 0, t  0.
    t
h) (2 t y 2 + 2 y) + (2 t3 y + 2 t) y = 0.
                                    ˙

i) (y et y cos 2 t − 2 et y sen 2 t + 2 t) dt + (t et y cos 2 t − 3) dy = 0.

2) Ache o valor de a que torne cada uma das seguintes equa¸oes exatas
                                                          c˜
e ent˜o resolva-as, usando este valor de a.
     a

a) (t y 2 +a t2 y) dt+(t+y)t2 dy = 0.        b) (y e2 t y +t) dt+a t e2 t y dy = 0.

3) Resolva cada um dos P.V.I.
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                     Cap. 6          Equa¸˜es Separ´veis
                                                    co        a        144


a) 2 t y 3 + 3 t2 y 2 y = 0, y(1) = 1.
                      ˙

b) 3 t2 + 4 t y + (2 y + 2 t2 ) y = 0, y(0) = 1.
                                ˙

c) 3 t y + y 2 + (t2 + t y) y = 0, y(2) = 1.
                            ˙



6.2           ¸˜           ´          ´
          Equacoes com Variaveis Separaveis

   Consideremos a equa¸˜o:
                      ca
                     M (t) N (y) dt + P (t) Q(y) dy = 0,              (6.4)
onde P (t) = 0 para todo t e N (y) = 0 para todo y. Multiplicando
                         1
(6.4) por µ(t, y) =             , obtemos:
                    P (t) N (y)
                           M (t)      Q(y)
                                 dt +       dy = 0
                           P (t)      N (y)
                                    ∂ M (t)      ∂ Q(y)
que ´ uma equa¸˜o exata pois,
    e         ca                      (      )=0= (       ). Ent˜o as
                                                                a
                                    ∂y P (t)     ∂t N (y)
curvas integrais s˜o dadas por:
                  a
                                M (t)             Q(y)
                 V (t, y) =           dt +              dy = c
                                P (t)             N (y)
que definem implicitamente a solu¸ao y(t) de (6.4).
                                c˜
Exemplo 6.5. Determine a solu¸˜o do P.V.I.
                             ca
                                   y = t3 e−2 y
                                   ˙
                                   y(1) = 0.
Solucao: A equa¸ao diferencial pode ser escrita na forma e2 y dy =
      ¸˜           c˜
 3
t dt. Integrando o primeiro membro em rela¸˜o a y e o segundo em
                                          ca
rela¸ao a t, temos
    c˜
                   e2 y  t4
                        = + c1           =⇒    2 e2 y − t4 = c
                    2    4
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                      Cap. 6         Equa¸˜es Separ´veis
                                                    co        a         145


que define implicitamente y = y(t). Neste caso podemos explicitar a
solu¸ao. Como
    c˜


            t4 + c                     t4 + c              t4 + c 1/2
   e2 y =            =⇒ ln e2y = ln(          ) =⇒ y = ln(       ) .
               2                          2                   2


Como t = 1, temos que y = 0 e c = +1. Logo, a solu¸˜o do P.V.I. ´
                                                  ca            e


                                       t4 + 1   1/2
                           y(t) = ln                  .
                                          2


 Exerc´ ıcios 6.2. 1) Resolva cada uma das equa¸oes abaixo e esta-
                                                   c˜
bele¸a as regi˜es do plano t y em que s˜o satisfeitas as condi¸˜es do
    c         o                        a                      co
Teorema de Existˆncia e Unicidade.
                  e
             t2
    a) y =
       ˙        .                      b) y + y 2 sen t = 0.
                                          ˙
             y
                t2
    c) y =
       ˙               .               d) t y = (1 − y 2 )1/2 .
                                            ˙
           y (1 + t3 )
              t2                                t − e−t
    e) y =
       ˙           .                   f) y =
                                          ˙             .
           1 + y2                               y + ey
2) Ache a solu¸ao, na forma expl´
              c˜                ıcita, de cada P.V.I.:
             2t                              2t
 a) y =
    ˙               , y(0) = −2.  b) y =
                                     ˙            , y(2) = 0.
         (t + t2 )y                       1 + 2y
                                                                  π   π
 c) t dt + y e−t dy = 0, y(0) = 1 d) sen 2t dt + cos 3y dy = 0, y( ) = .
                                                                  2   3
                              y − 4t
3) Mostre que a equa¸ao y =
                     c˜ ˙            n˜o ´ separ´vel, mas se fizermos
                                      a e       a
                               t−y
                           y
a mudan¸a de vari´vel v = , ent˜o a equa¸ao se torna separ´vel em
         c         a              a        c˜                a
                            t
t e v. Ache a solu¸˜o da equa¸˜o dada usando esta t´cnica.
                  ca          ca                     e
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                  Cap. 6           Fatores Integrantes   146


6.3      Fatores Integrantes

    Quando uma equa¸˜o diferencial do tipo
                   ca

                        M (t, y) + N (t, y) y = 0
                                            ˙

n˜o ´ exata, naturalmente perguntamos se poder´
 a e                                          ıamos ou n˜o torn´-la
                                                        a      a
exata, pela multiplica¸˜o de ambos os membros da equa¸˜o por uma
                      ca                              ca
fun¸ao conveniente.
   c˜
                                                                ∂M
Exemplo 6.6. A equa¸˜o y dt − t dy = 0 n˜o ´ exata, pois,
                   ca                   a e                        =1
                                                                ∂y
  ∂N
e     = −1. Mas, se multiplicarmos ambos os membros da equa¸ao
                                                           c˜
  ∂t
               1
por µ(t, y) =    , obtemos
              ty
                            1     1
                              dt − dy = 0
                            t     y

que ´ uma equa¸ao exata.
    e         c˜

    Quando uma fun¸ao µ(t, y) transforma uma equa¸˜o n˜o exata do
                  c˜                             ca a
tipo
                     M (t, y) + N (t, y) y = 0
                                         ˙                   (6.5)
em uma equa¸˜o exata
           ca

                 µ(t, y) M (t, y) + µ(t, y) N (t, y) y = 0
                                                     ˙

dizemos que µ(t, y) ´ um fator integrante de (6.5).
                    e

   Em geral, ´ dif´ determinarmos fatores integrantes pois, temos
               e   ıcil
que µ ´ fator integrante de (6.5) se, e somente, se
      e

    ∂(µ M )   ∂(µ N )                   ∂µ    ∂M    ∂µ    ∂N
            =              ou       M      +µ    =N    +µ
      ∂y        ∂t                      ∂y    ∂y    ∂t    ∂t
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                 Cap. 6                   Fatores Integrantes       147


que ´ uma equa¸ao bastante complicada.
    e         c˜

   Vamos apresentar uma classe de equa¸oes diferenciais do tipo (6.5)
                                        c˜
cujo fator integrante pode ser encontrado sem dificuldades.

    Suponhamos que seja poss´ encontrar um fator integrante para
                               ıvel
(6.5) que seja fun¸ao s´ de t. Portanto,
                  c˜ o

                  µ(t) M (t, y) + µ(t) N (t, y) y = 0
                                                ˙

´ exata. Conseq¨entemente
e              u

                 ∂                   ∂
                    (µ(t) M (t, y)) = (µ(t) N (t, y))
                 ∂y                  ∂t
ou
                         ∂M   dµ(t)          ∂N
                  µ(t)      =       N + µ(t)
                         ∂y    dt            ∂t
ou
                   dµ(t)   1      ∂M   ∂N
                         =           −                 µ(t).
                    dt     N      ∂y   ∂t
                                                          1       ∂M   ∂N
Mas esta equa¸˜o s´ tem sentido se a express˜o
             ca o                           a                        −          for
                                                          N       ∂y   ∂t
                                  1    ∂M   ∂N
uma fun¸˜o apenas de t, isto ´,
       ca                    e            −                    = f (t) e, portanto,
                                  N    ∂y   ∂t
temos
                         dµ(t)
                               = f (t) µ(t)
                          dt
que ´ uma equa¸ao linear homogˆnea de 1a ordem, cuja solu¸˜o ´
    e         c˜               e          ¯              ca e
                                      f (t) dt
                           µ(t) = e              .


                      1    ∂N     ∂M                                         g(y) dy
     Analogamente se            −          = g(y), ent˜o µ(y) = e
                                                      a
                     M     ∂t     ∂y
´ um fator integrante de (6.5).
e
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                      Cap. 6         Equa¸oes Homogˆneas
                                                    c˜        e               148


 Exerc´ ıcios 6.3. 1) Mostre que as equa¸oes abaixo n˜o s˜o exatas,
                                        c˜             a a
mas se tornam exatas quando multiplicadas pelo fator integrante dado.
Resolva ent˜o as equa¸˜es:
           a          co

a) t2 y 3 + t (1 + y 2 )y = 0, µ(t, y) = 1/t y 3 .
                        ˙
     sen y                   cos t + 2 e−t cos t
b)         − 2e−t sen t dt +                     dy = 0, µ(t, y) = yet .
       y                             y
2) Em cada um dos problemas abaixo, ache o fator integrante e resolva
a equa¸ao:
      c˜
 a) y = e2 t + y − 1.
    ˙                                b) y dt + (2 t y − e−2 y ) dy = 0.
          t
 c) dt + ( − sen y) dy = 0.          d) (3t2 y + 2ty + y 3 ) dt + (t2 + y 2 ) dy = 0.
          y
3) Mostre que se (Nt − My )/(tM − yN ) = R, em que R depende
apenas de t, y, ent˜o a equa¸ao diferencial M + N y = 0 tem um fator
                   a        c˜                    ˙
integrante da forma µ(ty). Encontre a f´rmula geral para este fator
                                          o
integrante.



6.4           ¸˜        ˆ
          Equacoes Homogeneas

 Definicao 6.3. Dizemos que f (t, y) ´ uma fun¸˜o homogˆnea de
       ¸˜                            e          ca     e
grau n se
                     f (λ t, λ y) = λn f (t, y)
para todo λ = 0 e para todo (t, y) ∈ D ⊂ R2 .

Exemplo 6.7. f (t, y) = t2 − t y − y 2 ´ homogˆnea de grau 2, pois
                                       e       e
f (λ t, λ y) = λ t − λ t y − λ y = λ (t − t y − y 2 ) = λ2 f (t, y).
                2 2   2       2 2   2 2


                                 t2 − y 2
Exemplo 6.8. f (t, y) =                   ´ homogˆnea de grau zero pois,
                                          e      e
                                 t2 + y 2
               λ2 (t2 − y 2 )
f (λt, λy) =                  = λ0 f (t, y).
               λ2 (t2 + y 2 )
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                   Cap. 6        Equa¸oes Homogˆneas
                                                c˜        e              149


Definicao 6.4. Dizemos que a equa¸˜o diferencial
      ¸˜                         ca
                                                          M (t, y)
          M (t, y) + N (t, y) y = 0
                              ˙           ou       y=−
                                                   ˙
                                                          N (t, y)
´ homogˆnea se as fun¸˜es M (t, y) e N (t, y) s˜o homogˆneas de
e       e            co                        a       e
mesmo grau.

     Para resolver a equa¸˜o homogˆnea
                         ca       e
                                                          M (t, y)
          M (t, y) + N (t, y) y = 0
                              ˙           ou       y=−
                                                   ˙
                                                          N (t, y)
precisamos fazer a mudan¸a de vari´vel
                        c         a
                    y = tv       =⇒    dy = v dt + t dv
e, portanto,
                            M (t, y)         M (t . 1, t . v)
         v dt + t dv = dy = −         dt = −                  dt =
                            N (t, y)         N (t . 1, t . v)
                       tm M (1, v)        M (1, v)
                     =− m          dt = −           dt
                       t N (1, v)          N (1, v)
ou
                             M (1, v)
                        v+            dt + t dv = 0
                             N (1, v)
ou
                        1        1
                          dt +           dv = 0
                        t       M (1, v)
                           v+
                                N (1, v)
que ´ uma equa¸ao de vari´veis separadas.
    e         c˜         a
Exemplo 6.9. Resolver a equa¸˜o t2 + y 2 + 3 t y y = 0.
                            ca                   ˙

Solucao : M (t, y) = t2 + y 2 e N (t, y) = 3 t y s˜o homogˆneas de grau
     ¸˜                                           a       e
2. Logo a equa¸˜o dada ´ homogˆnea. Fazendo y = t v, temos que
                 ca        e        e
dy = v dt + t dv e, portanto,
          t2 + y 2        t2 + (t v)2        t2 (1 + v 2 )        1 + v2
 dy = −            dt = −             dt = −               dt = −        dt.
            3ty             3 t (t v)            3 t2 v             3v
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                    Cap. 6           Homogeneiza¸˜o
                                                           ca         150


Logo,
                                          1 + v2
                          v dt + t dv = −        dt
                                            3v
ou
                          1           1
                            dt +             dv = 0.
                          t           1 + v2
                                   v+
                                        3v
Integrando,
                            dt           3v
                               +               dv = c.
                             t        4 v2 + 1
Logo,

       3                                                       4 y2
ln |t|+ ln[4 v 2 +1] = ln c =⇒ ln t8 (4 v 2 +1)3 = ln c =⇒ t8 ( 2 +1)3 = c.
       8                                                        t


6.5                     ¸˜
             Homogeneizacao

      Casos que se reduzem a casos homogˆneos
                                        e
                                              dy    ax + by + c
      Consideremos a equa¸ao diferencial
                         c˜                      =              . Se c =
                                              dx   a x+b y+c
c = 0, ent˜o temos o caso homogˆneo.
          a                    e

Se c = 0 ou c = 0, temos que a x + b y + c = 0 e a x + b y + c = 0
s˜o duas retas
 a

      (i) paralelas (distintas ou coincidentes) ou

      (ii) concorrentes

      No caso (i) temos

  a      b
                                       a  b
             = 0 =⇒ a b = a b =⇒         = = k =⇒ a = ka e b = k b.
                                       a  b
     a   b
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                     Cap. 6         Homogeneiza¸˜o
                                                          ca       151

                                dy     ax + by + c
Substituindo na equa¸˜o, vem que
                    ca             =                   . Fazendo
                                dx   k (a x + b y) + c
                     dv      dy         v+c
v = a x + b y, temos    =a+b    =a+b            e, portanto,
                     dx      dx        kv + c
                                 dv
                                  v + c = dx
                              a+b
                                  k+c
que ´ uma equa¸ao de vari´veis separadas.
    e         c˜         a
                                         dy   −2 x − 3 y + 1
Exemplo 6.10. Resolva a equa¸ao
                            c˜              =                .
                                         dx   4x + 6y − 5
                −2    −3
    ¸˜
Solucao:                     = 0 =⇒ retas paralelas. Fazendo v = −2 x −
                 4     6
3 y, vem
     dv          dy            v+1          −2 v − v
        = −2 − 3    = −2 − 3(          ) =⇒          dv = dx.
     dx          dx           −2 v − 5       v+7
Integrando, temos

                        −2 v + 9 ln |v + 7| = x + c.

Logo, as curvas integrais s˜o
                           a

           −2 (−2 x − 3 y) + 9 ln |(−2 x − 3 y) + 7| = x + c .

    No caso (ii), as retas

                             r: ax + by + c = 0

e
                             s: a x + b y + c = 0
s˜o concorrentes em um ponto (x0 , y0 ). Fa¸amos uma mudan¸a no
 a                                          c                  c
sistema de coordenadas, tal que as duas retas passem pela origem do
novo sistema
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                   Cap. 6             Homogeneiza¸˜o
                                                            ca                    152


       x = ξ + x0 =⇒ dx = dξ e                       y T
                                                             η T          r
       y = η + y0 =⇒ dy = dη.                            d
                                                         d
Como a reta r passa por (x0 , y0 ), temos           y0
                                                             d
                                                                 d
                                                                              ξ
                                                                              E
a x0 + by0 + c = 0 e portanto                                     d
                                                                      d
                                                                    d             x
 a x + b y + c = a (ξ + x0 ) + b (η + y0 ) + c                   x0  d
                                                                                  E
                                                                              d
               = a ξ + b η + a x0 + b y0 + c                                  s
                                                                              d

               = a ξ + b η.
Analogamente,
                       a x + b y + c = a ξ + b η.
Portanto, nossa equa¸ao fica
                    c˜
                              dη   aξ + bη
                                 =
                              dξ   a ξ+b η
que ´ uma equa¸ao homogˆnea.
    e         c˜       e
                                        dy   6x − y − 5
Exemplo 6.11. Resolver a equa¸˜o
                             ca            =            .
                                        dx   4x − y − 3
              6 −1
    ¸˜
Solucao:                = −2 = 0 =⇒ as retas s˜o concorrentes, e o
                                                     a
              4 −1
ponto de intersec¸ao ´ (x0 , y0 ) = (1, 1). Fazendo a mudan¸a de vari´vel
                 c˜ e                                      c         a

                          x = ξ + 1 =⇒ dx = dξ
                          y = η + 1 =⇒ dy = dη

e a nossa equa¸ao fica
              c˜
                          dη    6ξ − η
                             =
                          dξ    4ξ − η
que ´ homogˆnea. Fazendo η = ξ v temos dη = v dξ + ξ dv. Por outro
    e       e
           6−v
lado, dη =      dξ. Logo,
           4−v
                      1          4−v
                        dξ +                dv = 0.
                      ξ      −v 2 + 5 v + 6
Equa¸oes N˜o Lineares
    c˜    a                   Cap. 6               Homogeneiza¸˜o
                                                              ca              153


Integrando, temos

                                     (v − 2)2
                       ln |ξ| + ln            = ln k.
                                      |v − 3|

Logo, as curvas integrais s˜o dadas por:
                           a

                             |ξ|(v − 2)2
                                         = k.
                               |v − 3|

     ıcios 6.4. 1) Encontre a solu¸ao de cada uma das equa¸˜es:
Exerc´                            c˜                      co
         dy   t+y                             dy   t2 + t y + y 2
    a)      =     .                     b)       =                .
         dt    t                              dt         t2
         dy   4y − 3t
    c)      =         .                 d) (t2 + 3 t y + y 2 ) dt − t2 dy = 0.
         dt   2t − y

         dy   2y − t + 5                      dy   4 t + 3 y + 15
    e)      =            .              f)       =                .
         dt   2t − y − 4                      dt    2t + y + 7

         dy   t + 3y − 5                      dy   t2 + 3 y 2
    g)      =            .              h)       =            .
         dt    t−y−1                          dt      2ty
   2) Mostre que, se M (t, y) dt + N (t, y) dy = 0 ´ uma equa¸ao ho-
                                                    e          c˜
                                    1
mogˆnea, ent˜o µ(t, y) =
    e        a                                   ´ um fator integrante
                                                 e
                         t M (t, y) + y N (t, y)
para esta equa¸˜o.
               ca

   3) Use o resultado do problema 2 para resolver as equa¸oes:
                                                         c˜

   a) 2 y dt − t dy = 0.                     b) (t2 + 3 y 2 ) dt − 2 t y dy = 0.
Respostas dos Exerc´
                   ıcios

                                   ıcios 1.1
                              Exerc´
                     t4 t6       t2 n
1) yn (t) = t2 +       + + ··· +
                     2! 3!        n!
                                        1 + e2
2) y1 (t) = et − 1, y2 (t) = t − et +
                                          2
                107 t t 2 t3               (1 + t) e2 t e3 t e4 t
   y3 (t) = −       + + + + 2 (1 − t) et +             −    +
                 48  4 2  3                    2         3    16
                                   ıcios 1.2
                              Exerc´
                t2
1) y(t) = sen
                2
                                   ıcios 2.1
                              Exerc´
            3 1−et
1) y(t) =     e
            2
                                   ıcios 2.2
                              Exerc´
                                                      11 −2 t 4
1) a) y(t) = esen t                         b) y(t) =     t +
                                                       6      6
                 t 150                                        et
    c) y(t) =      +                        d) y(t) = e−t          dt + 5
                 2   t                                      1 + t2
                             t 2 t4 1
    e) y(t) = (1 + t2 )−2       + +
                              2  4  4


                                   154
Respostas dos Exerc´
                   ıcios                                 Respostas        155

                           3                                         2 5 3/2
   2) a) y(t) = (1 + c et )−1/3                b) y(t) = ±(c t2 +      t)
                                                                     9
                           31 8 −1/4
      c) y(t) = (2 t10 −      t)
                           16
                                         4
   4) a) y(t) = e−t4 /4 (c +       t2 e−t /4 dt)−1 + t

                           1                           1
      b) y(t) = 1 +              −t
                                          c) y(t) =       −t
                                                             + et
                     −t + 1 + c e                   1 + ce
                           1
    d) y(t) = t − 1 + −t2
                      c e + 1/2
                          Exerc´  ıcios 2.3
            mg                                               24 ln 100
1) v(t) =      (1 − e−αt/m )                       3) T =
            k                                                   ln 2
4) a) t = 40 min                                  b) y(40) = 49.600 g
                                  ıcios 3.1
                             Exerc´
                             √
                            3 t
   1) b) W [y1 , y2 ](t) = − 2 , W [y1 , y2 ](t) −→ ∞ quando t → 0
                     √      2t
      c) y(t) = 2 t
                                  ıcios 3.2
                             Exerc´
                                                           1
    1) y2 (t) = e−2 t          2) y2 (t) = t et 3) y2 (t) = , t = 0
                                                           t
                1                           1
    4) y2 (t) = , t = 0        5) y2 (t) = 2
                t                          t
                               Exerc´  ıcios 3.3

   1) a) y(t) = c1 e−t + c2 e2 t           b) y(t) = c1 + c2 e7 t
      c) y(t) = c1 cos 2 t + c2 sen 2 t    d) y(t) = e2 t (c1 cos 3t + c2 sen 3t)
      e) y(t) = e2 t (c1 + c2 t)           f) y(t) = c1 t + c2

   3) a) y(t) = c1 cos(ln t) + c2 sen(ln t)
Respostas dos Exerc´
                   ıcios                                Respostas              156

                               √                 √
                     1           7                7
           b) y(t) = √ [c1 cos     ln t + c2 sen    ln t]
                      t         2                2

                                   ıcios 3.4
                              Exerc´
                 4          1                                 t
1) a) yp (t) =      cos t −    sen t            b) yp (t) =     sen 2 t
                 17         17                                4

                 1 t t2                                       t2
  c) yp (t) = t ( − + ) et                      d) yp (t) =      + e−t
                 4 4 6                                        2
                 1   1                                   t
  e) yp (t) =      +   (cos 2 t − 4 sen 2 t) f) yp (t) = (sen 2 t − 2 t cos 2 t)
                 5 17                                   16
                    1          t
  g) yp (t) = −       cos 3 t + sen t           h) yp (t) = t (e2 t − et )
                   16          4
                    1                      t 1 t e2 t
   i) yp (t) = −      (cos t + 7 sen t) + ( − )
                   50                      2 5 5
                                        4 7/2 3 t
   2) b) y(t) = (c1 + c2 t) e3 t +        t e
                                       35

                                   ıcios 3.5
                              Exerc´

   1) a) y(t) = c1 cos t + c2 sen t − (cos t) ln(tg t + sec t)
                                       t t
       b) y(t) = c1 e3 t + c2 e2 t +     e     f) y(t) = c1 t −1 + c2 t − 4
                                       2

                                  t4                                         t−2
       g) y(t) = c1 t + c2 t2 +                h) y(t) = c1 t + c2 t2 +
                                  6                                          12

       i) y(t) = c1 + c2 t2 + (2 t − 2) et
                                                    3 1/2
   2) y(t) = c1 t−1/2 cos t + c2 t−1/2 sen t −        t cos t
                                                    2
Respostas dos Exerc´
                   ıcios                            Respostas          157

                               t2
  3) y(t) = c1 t2 + c2 t−1 +      ln t
                               3
                                1                 (1 + t)3
  4) y(t) = c1 (1 + t)2 + c2       + t (1 + t)2 +
                               1+t                   4

                                  ıcios 3.6
                             Exerc´

  1) a) I(t) = 50 e−4 t sen 3 t,   Q(t) = e−4 t (−6 cos 3 t−8 sen 3 t)+6
               75                          25
     b) I(t) =     (2 cos 3 t+3 sen 3 t)− e−4 t (17 sen 3 t+6 cos 3 t),
               52                          52
                25
        Q(t) =      [2 sen 3 t − 3 cos 3 t + e−4 t (3 cos 3 t + 2 sen 3 t)]
                52
  2) a) I(t) = cos t + 2 sen t           b) I(t) = 10 (cos 5 t + sen 5 t)
                       1              2π                   √
  3) Amplitude =              ıodo = √
                         , per´              , frequˆncia = 64, 4
                                                    e
                       4               64, 4

                 −t     eπ + π + 1        π
  4) y(t) = −e        [            cos t + sen t]
                            2             2
Respostas dos Exerc´
                   ıcios                               Respostas       158


                                  ıcios 3.7
                             Exerc´
                   t       −4 t
  1) a) y(t) = c1 e + c2 e
     b) y(t) = (c1 + c3 t) cos t + (c2 + c4 t) sen t
     c) y(t) = c et + c e−t + c e2 t
                 1       2         3

     d) y(t) = (c1 + c2 t + c3 t 2 ) e2 t + c4 e−t
     e) y(t) = c1 + c2 e2 t + c3 e−3 t
     f) y(t) = c1 et − e−t (c2 cos 2 t + c3 sen 2 t)
     g) y(t) = c1 cos 2 t + c2 sen 2 t + t (c3 cos 2 t + c4 sen 2 t)
     h) y(t) = c1 + c2 t + e−t (c3 cos 2 t + c4 sen 2 t)
                            2
  2) a) y(t) = −3 − 2 t − t + (3 − t) et
                            2
               7 e   2t
                           4e−3 t
     b) y(t) = +        −
               6    10       15
     c) y(t) = 2 − 2 cos t + sen t
     d) y(t) = c1 + c2 t + c3 et + c4 e−t + c5 cos t + c6 sen t

  3) y1 (t) = t2 , y2 (t) = t3 e y3 (t) = t−2

  4) y(t) = et (c1 + c2 cos t + c3 sen t) + c4 e−t

                                  ıcios 3.8
                             Exerc´
                                        t −t
  1) a) y(t) = c1 et + c2 t et + c3 e−t +  e +3
                                        2
                                              t
     b) y(t) = c1 e−t + c2 cos t + c3 sen t + e−t + 4 (t − 1)
                                              2
                                    √              √
                   t   −t/2           3              3
     c) y(t) = c1 e + e     (c2 cos     t + c3 sen     t)
                                     2              2
     d) y(t) = c1 + c2 cos t + c3 sen t + 1 − cos t − ln(cos t) −
               − (sen t) ln(sec t + tg t)
Respostas dos Exerc´
                   ıcios                            Respostas           159


                                         t −2 t            1
     e) y(t) = c1 + c2 e2 t + c3 e−2 t +   (e    − 1) − sen t
                                        4                  5
                                                         2
                                                       t     1 t
     f) y(t) = (c1 + c3 t) cos t + (c2 + c4 t) sen t +     [( − ) cos t
                                                        4 2 3
                   3 t         t2
                + ( + − ) sen t]
                   4 6 12

               3                   t2
  2) a) y(t) =    (1 − cos 2 t) +
               16                  8
                                3t
     b) y(t) = (t − 4) cos t − ( + 4) sen t + 3 t + 4
                                 2
               11      5        cos t                  t
     c) y(t) = et − e−t +             + 2 sen t − 3 t − sen t
                8      8          4                    4
                   1 2
     d) y(t) = 1 + (t + 3 t) − t et
                   4
                                ıcios 3.9
                           Exerc´
                  2                                      t3 t
  1) a) yp (t) = − t3 − 4 t                b) yp (t) =     e
                  3                                      6
                   t −2 t        sen t                           t −t
     c) yp (t) =     (e   − 1) −           d) yp (t) = t − 1 +     e
                   4               5                             2
                t2 1 t             3 t   t2
     e) yp (t) =  [ ( − ) cos t + ( + − ) sen t ]
                 4 2 3             4 6 12
                1
     f) yp (t) = e4 t
                6
                       Exerc´  ıcios 4.1

  1) a), b) e d) convergem           c) diverge

                                ıcios 4.2
                           Exerc´
Respostas dos Exerc´
                   ıcios                                     Respostas        160

             (2 s2 − 3 s + 2)            4s    10                    2
  1) a)                           b)        − 2              c)
                    s3                 s2 +9 s +4                 (s − 3)2
             2 s3 − 150 s             6, (s − 2)                  1 − e−π s
        d)                        e)                         f)
              (s2 + 25)3           [(s − 2)2 + 9]2                   s
                                 Exerc´ıcios 4.3
      e−2 t sen 3 t
   1)                          2) e3 t cos t + 3 e3 t sen t
            3
   3) et (cos 3 t + 2 sen 3 t) 4) t e4 t
                                          1 + e−2 t
   5) t sen 3 t                        6)
                                              2
                                              3 (e3 t − e−3 t)
   7) 3 t et − 3 et + 3 cos t          8) 1 +
                                                      2
   9) cos 2 t + sen 2 t − 1
                                      ıcios 4.4
                                 Exerc´

  1) a) 3 cos t + sen t                       b) et + e3 t
                                  sen 3 t          5 + e−t − 13 et + 7 e2 t
        c) 2 cos 3 t + (t − 2)                d)
                                    6                        2
  2) a) c1 et + c2 t et − sen t         b) e−t (c1 sen 2 t + c2 cos 2 t + 2 sen t)

                                      ıcios 4.5
                                 Exerc´
             e−π s − e−2 π s         1 + 2 e−s − 3 e−4 s
  1) a)                         b)
                   s2                        s
                                                       π
  2) a) (t − 2) u2 (t)         b) uπ / 2 (t) cos(t −     )
                                                       2
                                      ıcios 4.6
                                 Exerc´
                                       1 − e−5 t − 5 t e−5 t
  1) a) e4 t − e3 t c) t et d)
                                                25
                  5 t3
  2) a) 5 t +                  b) 2 sen 2 t
                   6
Respostas dos Exerc´
                   ıcios                          Respostas          161



                                ıcios 5.1
                           Exerc´

   2) a) N˜o, pois detX(t) = 0 para t = 0 e t = 1
          a

                          0     1/2
      b) Sim A(t) =
                          0      0
                                                                      
             0    1       0                    t              t2     t3
   3) x =
      ˙    0      0      1    = x ; X(t) =  0               2t   3 t2 
                3      2
           6 / t −6 / t 3 / t                  0               2     6t

   4) a) x1 e x2 s˜o
                  a      .i. em todo intervalo que n˜o cont´m t = 0 .
                                                    a      e

      b) Pelo menos um coeficiente deve ser descont´
                                                  ınuo em t = 0 .

                  0       1
      c) x =
         ˙                        x
                 −2 t−2 2 t−1

    5) a) x1 e x2 s˜o .i. em todo intervalo que n˜o cont´m t = 0
                     a                               a        e
           et=2
b) Deve haver menos um coeficiente descont´   ınuo em t = 0 e t = 2
                             
               0         1
c) x =  2 − 2 t t 2 − 2  x
   ˙
            t2 − 2 t t2 − 2 t
                                  ıcios 5.2
                             Exerc´
                        
                  0 1 0
    1)
        a) x =
           ˙     0 0 1 x          b) y(t) = c1 e−t + c2 ea t + c3 eb t
                  2 6  3                       −t                       
                           c1                      e        ea t      eb t
       c) x(t) = X(t)  c2         d) X(t) =  −e−t a ea t b eb t 
                    √      c3      √                e−t a 2 ea t b 2 eb t
 em que a = 2 + 6 e b = 2 − 6
Respostas dos Exerc´
                   ıcios                          Respostas           162


  2) a) base: x1 (t) = (1 2)T e−t , x2 (t) = (2 1)T e2 t

             e−t   2 e2 t
    M.F.:                   ; solu¸ao geral: x(t) = c1 x1 (t) + c2 x2 (t)
                                  c˜
             2 e−t e2 t
     c) base: x1 (t) = (1 − 4 1)T et ; x2 (t) = (1 0 − 1)T e−t
               x3 (t) = (2 1 2)T e8 t

     d) base: x1 (t) = (1 1 1)T e4 t ; x2 (t) = (1 − 2 1)T et
              x3 (t) = (1 0 − 1)T e−t

     e) base: x1 (t) = (2 −2 3)T et ; x2 (t) = (0 cos 2 t sen 2 t)T et ;
              x3 (t) = (0 − sen 2 t cos 2 t)T et

     f) base: x1 (t) = (2 −3 2)T et ; x2 (t) = (0 cos 2 t sen 2 t)T et ;
              x3 (t) = (0 sen 2 t − cos 2 t)T et

     g) base: x1 (t) = (0 0 1)T e−2 t ; x2 (t) = (1 0 0)T e−t
              x3 (t) = (−t 1 0)T e−t

     h) base: x1 (t) = (1 0 0 0)T e−2 t ; x2 (t) = (t 1 0 0)T e−2 t ;
                          2                             3  2
             x3 (t) = ( t2 t 1 0)T e−2 t ; x4 (t) = ( t6 t2 t 1)T e−2 t

  3) a) x(t) = (1 0 0 0)T e−2 t + (2 t 2 0 0)T e−2 t −
                     2                    3  2
               − ( t2 t 1 0)T e−2 t + ( t6 t2 t 1)T e−2 t

     b) x(t) = (0 0 2)T e−2 t + (1 0 0)T e−t + (−t 1 0)T e−t

     c) x(t) = (1 0 0)T e3 t + (t 1 0)T e3 t − (0 1 − 1)T e2 t

  4) Autovalores: λ1 = 1 , λ2 = 2 e λ3 = 3

     Autovetores: v1 = (1 0 0)T , v2 = (1 1 0)T e v3 = (1 1 1)T
Respostas dos Exerc´
                   ıcios                                    Respostas               163

                                               
                  16               −25       30
              1 
   5) c) A =       8                −6      −24 
             13
                   0                13       26
                                  Exerc´ıcios 5.3
                                      √ T √7 t                        √        √
   1) a) x(t) = c1 (1          − 2 + 7) e      + c2 (1          −2−       7)T e−   7t
                                                                                        +
                                 T 3t
                + (3           2) e
                                                                             
                    1                      t−1                 3 t2 + 1 t + 1
c) x(t) = c1                 e2 t + c2                e2 t +  4      2     8 
                   −1                       −t                 −41 t2 − t − 3
                                                                            8
                                                  2
                                                                 
                 − c1 + c2 (−t + 1) + c3 (− t2 + t + 1) e2 t
                                                                         
                                                                      2
                                             2
                            c1 + c2 t + c3 ( t2 + 1) e2 t
                                                                       
d) x(t) =                                                        +  −2  et
                                                                       
                                                                
                                               2                       −1
                              c1 + c2 t + c3 t2 e2 t
                                           
                   3 e3 t − 2 e2 t − t e2 t
                                           
2) a) x(t) = 
                            e2 t           
                                            
                       3 e3 t − 2 e2 t
                    t cos t + 3 t sen t + sen t
b) x(t) = 2 et
                              −2t sen t

                                                     1
3) a) x(t) = c1 (1 1)T t + c2 (1 3)T t −1 − (2 3)T + 2 (1 3)T t −
             − (1 1)T t ln t − 1 (4 3)T t 2
                                3
                                                          1
   b) x(t) = c1 (2 1)T t 2 + c2 (1 2)T t −1 + (3 2)T t + 10 (−2 1)T t 4 −
             − 1 (2 1)T
                2
                                   1                        
                 1 ln t                                        2
                                 c1          π sen π t + (ln t) 
   c) x(t) =                       +
                          
                      1
                                                               
                  0              c2                2 ln t
                      t                            t

Herminio ladeira

  • 1.
    ˜ UNIVERSIDADE DE SAO PAULO ˆ ´ ˜ INSTITUTO DE CIENCIAS MATEMATICAS DE SAO CARLOS DEPARTAMENTO DE MATEMATICA APLICADA E ESTAT´ ´ ISTICA ¸˜ ´ EQUACOES DIFERENCIAIS ORDINARIAS NOTAS DE AULAS Herminio Cassago Junior Luiz Augusto da Costa Ladeira ˜ SAO CARLOS - SP 2011
  • 2.
    Sum´rio a 1 Preliminares 1 1.1 Problemas onde surgem E.D.O. . . . . . . . . . . 2 1.1.1 Um Problema Geometrico . . . . . . . . . ´ 2 1.1.2 ımico . . . . . . . . . . . . Um Problema Qu´ 3 1.1.3 ısicos . . . . . . . . . . . . . . . Problemas F´ 3 1.2 Existencia e Unicidade de Solucoes . . . . . . . ˆ ¸˜ 7 2 Equa¸˜o Diferencial Linear de Primeira Ordem ca 15 2.1 A Equacao Homogenea . . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ ˆ 17 2.2 A Equacao nao Homogenea . . . . . . . . . . . . ¸˜ ˜ ˆ 19 2.3 Algumas Aplicacoes . . . . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ 24 2.3.1 Desintegracao radioativa . . . . . . . . . ¸˜ 24 2.3.2 Circuito Eletrico . . . . . . . . . . . . . . . ´ 25 2.3.3 Resfriamento de um corpo . . . . . . . . . 26 i
  • 3.
    2.3.4 Diluicao de Misturas . . . . . . . . . . . . ¸˜ 28 2.3.5 Outras Aplicacoes . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ 30 3 Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 31 3.1 Teoria Geral para Equacoes de Segunda Ordem 33 ¸˜ 3.2 Reducao de Ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ 41 3.3 ¸˜ ˆ Equacoes Homogeneas com Coeficientes Cons- tantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 3.4 A Equacao Nao Homogenea . . . . . . . . . . . . ¸˜ ˜ ˆ 52 3.4.1 ´ Metodo dos Coeficientes a Determinar 55 3.4.2 ´ ¸˜ ˆ Metodo de Variacao dos Parametros (ou Variaca ¸ ˜ o das Constantes) . . . . . . . . . 64 3.5 Algumas Aplicacoes . . . . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ 67 3.5.1 Vibracoes Mecanicas . . . . . . . . . . . . . ¸˜ ˆ 67 3.5.2 Circuitos Eletricos . . . . . . . . . . . . . ´ 70 3.5.3 Outras Aplicacoes . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ 72 3.6 Equacoes de Ordem Superior . . . . . . . . . . . ¸˜ 73 3.7 Metodo dos Coeficientes a Determinar . . . . ´ 79 3.8 Metodo de Variacao dos Parametros . . . . . . ´ ¸˜ ˆ 80 4 Transformada de Laplace 82 4.1 Integrais Improprias . . . . . . . . . . . . . . . . . ´ 82
  • 4.
    4.2 A Transformada de Laplace . . . . . . . . . . . . 84 4.3 Algumas Propriedades . . . . . . . . . . . . . . . . 85 4.4 Transformada Inversa - Fracoes Parciais . . ¸˜ 89 4.5 Aplicacao a Equacoes Diferenciais . . . . . . . ¸˜ ¸˜ 92 4.6 Outras Propriedades . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 4.7 Delta de Dirac . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 4.7.1 Transformada de Laplace de δ(t − t0 ) . . 98 4.8 O Produto de Convolucao . . . . . . . . . . . . . 100 ¸˜ 4.9 Tabela de Algumas Transformadas . . . . . . . 103 5 Sistemas de Equa¸˜es Diferenciais co 105 5.1 Teoria Geral para Sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . 107 5.2 Sistemas Lineares com Coeficientes Constantes116 5.3 ˜ ˆ Sistemas Lineares nao Homogeneos com Coefi- cientes Constantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128 5.4 Metodo da Variacao dos Parametros . . . . . . 131 ´ ¸˜ ˆ 5.5 ¸˜ Resolucao de Sistemas pela Transformada de Laplace . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 6 Equa¸˜es N˜o Lineares de Primeira Ordem co a 138 6.1 Equacoes Exatas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138 ¸˜ 6.2 Equacoes com Variaveis Separaveis . . . . . . . 144 ¸˜ ´ ´
  • 5.
    6.3 Fatores Integrantes . . . . . . . . . . . . . . . . . 146 6.4 Equacoes Homogeneas . . . . . . . . . . . . . . . . 148 ¸˜ ˆ 6.5 ¸˜ Homogeneizacao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 Respostas dos Exerc´ ıcios 154 Referˆncias Bibliogr´ficas e a 167
  • 6.
    Cap´ ıtulo 1 Preliminares O objetivo deste curso ´ mostrar alguns m´todos de resolu¸˜o de e e ca alguns tipos de equa¸oes diferenciais que aparecem mais freq¨ente- c˜ u mente. Uma equa¸˜o diferencial ´ uma rela¸˜o que envolve uma “fun¸˜o ca e ca ca inc´gnita” e suas derivadas ou diferenciais. Por exemplo: o dy (1) y(t) = f (t), em que y denota ˙ ˙ . dt (2) y (t) + y(t) = 0. ¨ (3) y (3) (t) + (sen t) y (t) + 5 t y(t) = 0. ¨ ∂ 2 u(t, x) ∂ 2 u(t, x) (4) + = 0. ∂ t2 ∂ x2 (5) M (x, y) dx + N (x, y) dy = 0. Uma equa¸˜o diferencial ordin´ria (E.D.O.) ´ uma equa¸ao di- ca a e c˜ ferencial na qual a fun¸ao inc´gnita depende apenas de uma vari´vel. c˜ o a 1
  • 7.
    Preliminares Cap. 1 Onde surgem E.D.O. 2 As equa¸oes (1), (2), (3) e (5) acima s˜o exemplos de equa¸oes dife- c˜ a c˜ renciais ordin´rias. Se a fun¸˜o inc´gnita depender de mais de uma a ca o a ca ´ vari´vel, temos uma equa¸˜o diferencial parcial (E.D.P.). E o caso da equa¸ao (4). Estaremos interessados exclusivamente nas E.D.O.’s. c˜ A ordem de uma equa¸˜o diferencial ´ a ordem da mais alta ca e derivada da fun¸ao inc´gnita. Portanto, (1) ´ uma equa¸ao de primeira c˜ o e c˜ ordem, (2) ´ de segunda ordem e (3) ´ de terceira ordem. e e Uma solu¸˜o de uma equa¸ao diferencial ´ uma fun¸ao definida ca c˜ e c˜ num intervalo que, juntamente com suas derivadas, satisfaz a equa¸ao c˜ diferencial dada. Por exemplo, a fun¸ao y(t) = sen t ´ uma solu¸ao da c˜ e c˜ E.D.O. de segunda ordem y + y = 0, pois, ¨ d2 sen t + sen t = − sen t + sen t = 0. dt2 Verifique que, para cada c ∈ R, a fun¸ao yc (t) = c ek t ´ uma c˜ e solu¸ao da E.D.O. de primeira ordem y = k y e que yc (t) = c t ´ uma c˜ ˙ e solu¸ao de E.D.O. de segunda ordem y = 0. c˜ ¨ 1.1 Problemas onde surgem E.D.O. 1.1.1 ´ Um Problema Geometrico Determine uma curva que seja definida pela condi¸˜o de ter em todos ca dy os pontos (x, y) a inclina¸ao c˜ igual ao dobro da soma das coorde- dx nadas do ponto. Se y = y(x) ´ a equa¸ao da curva, ent˜o, para resolver este pro- e c˜ a blema devemos resolver a equa¸˜o diferencial: ca dy = 2 (x + y). dx
  • 8.
    Preliminares Cap. 1 Onde surgem E.D.O. 3 1.1.2 Um Problema Qu´ ımico Suponha que 100 gramas de a¸ucar de cana, em agua, est˜o sendo c´ ´ a transformados em dextrose numa raz˜o que ´ proporcional ` quanti- a e a dade n˜o transformada. Deseja-se saber quanto a¸ucar foi transfor- a c´ mado ap´s t minutos. o Se q ´ o n´mero de gramas convertido em t minutos e k ´ a cons- e u e tante de proporcionalidade, ent˜o, a equa¸ao deste problema ´ dada a c˜ e por: dq = k (100 − q), dt sabendo-se que q(0) = 0. 1.1.3 Problemas F´ ısicos 1. Movimento vertical Vamos descrever o movimento vertical de um corpo de massa m sob a a¸ao da gravidade em um meio que oferece resistˆncia proporcional c˜ e a velocidade do corpo. Deseja-se conhecer a posi¸ao do corpo num ` c˜ instante t. Seja y = y(t) a posi¸ao do corpo no instante t. c˜ Consideremos o sentido positivo o do movimento, Tv = ky k ˙ isto ´, para baixo. As for¸as que atuam sobre o e c m corpo de massa m s˜o: m g devido a gravidade (no a ` dy mg sentido do movimento) e k devido a resistˆncia ` e c dt do meio (no sentido contr´rio ao movimento). a Segue da 2a lei de Newton (F = m a) que a equa¸ao do movimento ¯ c˜ ´ dada por e d2 y dy m 2 = mg − k . dt dt
  • 9.
    Preliminares Cap. 1 Onde surgem E.D.O. 4 Conhecendo y(0) = y0 e y(0) = 0, determinamos a posi¸˜o do ˙ ca corpo em qualquer instante. 2. Movimento de um pˆndulo simples e x T E s θ d d x θ d{ E ~m mg y c c cy As for¸as que atuam no corpo de massa m s˜o a tens˜o T da corda c a a (de comprimento ) e a for¸a vertical mg devido ` gravidade. Se θ ´ o c a e a lei de Newton deslocamento angular da corda a partir da vertical, a 2¯ nos fornece as equa¸oes: c˜ m y = m g − T cos θ, ¨ m x = −T sen θ. ¨ Eliminando-se T e lembrando que x = sen θ e y = cos θ, obtemos a equa¸ao do pˆndulo c˜ e ¨ g θ + sen θ = 0. Note que ´ uma equa¸˜o diferencial de 2a ordem. e ca ¯ 3. Circuitos el´tricos simples e (i) Considere o circuito da figura abaixo em que E I R= resistˆncia e R
  • 10.
    I= corrente E L L= indutˆncia a E= for¸a eletromotriz c
  • 11.
    Preliminares Cap. 1 Onde surgem E.D.O. 5 Sabe-se que a queda de potencial atrav´s da resistˆncia R ´ RI e e e e dI atrav´s da indutˆncia L ´ L e a e . Segundo a lei de Kirchhoff, a queda dt total de potencial no circuito deve ser contrabalanceada pela for¸ac eletromotriz aplicada. Com isso, a corrente num instante t qualquer ´e dada pela equa¸˜o diferencial: ca dI L + R I = E, dt que ´ uma equa¸ao diferencial de 1a ordem. e c˜ ¯ (ii) Dado o circuito E em que R, I, L e E s˜o como em a I (i) e C = capacitˆncia. Sabe-se que a R
  • 12.
    a queda depotencial atrav´s da ca- e E L 1 pacitˆncia C ´ Q, em que Q ´ a carga a e e C C no capacitor. Pela lei de Kirchhoff temos: dI 1 L + R I + Q = E. dt C dQ Como I = , segue-se que dt d2 Q dQ 1 L +R + Q = E, dt2 dt C que ´ uma equa¸ao diferencial de 2a ordem. e c˜ ¯ 4. Sistema massa-mola Consideremos uma mola (que supomos sem massa) suspensa ver- ticalmente tendo sua extremidade superior presa num suporte r´ ıgido. Quando fixamos um corpo de massa m na outra extremidade da mola, ela se distende de uma quantidade d e, pela lei de Hooke, passa a exer- cer sobre o corpo uma for¸a de intensidade kd (em que k ´ a constante c e
  • 13.
    Preliminares Cap. 1 Onde surgem E.D.O. 6 de restaura¸˜o da mola) e sentido oposto ao deslocamento. Sobre este ca corpo atuam duas for¸as: o peso m g e a for¸a restauradora da mola c c k d. o d T kd c 0 Tg m c k (d + y) y T c cg m Como o corpo est´ em equil´ a ıbrio, temos m g = k d. (1.1) Imaginemos agora que este corpo seja deslocado verticalmente a partir desta posi¸ao de equil´ c˜ ıbrio e, em seguida, liberado. Queremos estudar o seu movimento. Fixemos um eixo de coordenadas Oy cuja origem coincide com o ponto de equil´ ıbrio do corpo e sentido para baixo. As for¸as que atuam sobre o corpo s˜o: o peso m g (mesmo sentido de Oy) c a e a for¸a restauradora da mola de sentido oposto ao do deslocamento c e intensidade k (y + d). Pela 2a lei de Newton, temos: ¯ d2 y m = m g − k (y + d). dt2 Usando (1.1), obtemos d2 y m + k y = 0, dt2 que ´ uma equa¸ao diferencial linear de 2a ordem. e c˜ ¯
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    Preliminares Cap. 1 Existˆncia e Unicidade e 7 1.2 ˆ ¸˜ Existencia e Unicidade de Solucoes Seja f : [a, b] → R uma fun¸ao cont´ c˜ ınua. O Teorema Fundamental do C´lculo implica que a fun¸ao a c˜ t F (t) = f (s) ds, com a ≤ t ≤ b, a ´ diferenci´vel em (a, b) e F (t) = f (t) para todo t ∈ (a, b). Logo, F (t) e a ´ uma solu¸ao da equa¸ao diferencial ordin´ria de 1a ordem e c˜ c˜ a ¯ y(t) = f (t) com a ≤ t ≤ b, ˙ e ainda F (a) = 0. Neste caso dizemos que F (t) ´ uma solu¸ao do e c˜ problema de valor inicial (P.V.I.) y(t) = f (t) ˙ y(a) = 0. Este P.V.I. possui uma solu¸ao, mas surge a pergunta: c˜ Ser´ que F (t) ´ a unica solu¸ao deste P.V.I.? Neste caso a resposta ´ a e ´ c˜ e positiva, pois, se G(t) for uma outra solu¸ao, temos que c˜ G (t) = f (t) = F (t) e isso implica que (F − G) (t) = 0. Ou seja, (F − G)(t) = constante. Mas, (F − G)(a) = F (a) − G(a) = 0 − 0 = 0. Portanto, G(t) = F (t) para todo t ∈ (a, b). No entanto, h´ problemas do valor inicial que possuem mais de a uma solu¸ao. O problema de valor inicial c˜ y = |y|1/2 ˙ (1.2) y(0) = 0 n˜o tem unicidade de solu¸˜o, pois y1 (t) ≡ 0 ´ uma solu¸ao e a ca e c˜
  • 15.
    Preliminares Cap. 1 Existˆncia e Unicidade e 8 t2 /4, t ≥ 0, T y2 (t) y2 (t) = −t2 /4, t 0 tamb´m ´ solu¸ao (verifique). e e c˜ E Portanto, temos duas solu¸oes c˜ y1 (t) ≡ 0 para o problema (1.2). Como um outro exemplo, vemos que o P.V.I. y = 3 y 2/3 ˙ (1.3) y(0) = 0 tamb´m n˜o tem unicidade de solu¸ao, pois y(t) ≡ 0 ´ uma solu¸˜o e e a c˜ e ca observamos que para qualquer c ∈ R+ , a fun¸˜o yc : R → R dada por ca y T (t − c)3 , t ≥ c, yc (t) = 0, t≤c t E 0 c1 c2 c3 c4 tamb´m ´ solu¸ao. Logo, o P.V.I. (1.3) tem infinitas solu¸˜es. e e c˜ co Logo, dado o P.V.I. y = f (t, y) ˙ (1.4) y(t0 ) = y0 , onde f ´ uma fun¸ao definida num aberto A de R2 , surgem as seguintes e c˜ quest˜es: o 1. Como sabemos que o P.V.I. (1.4) possui de fato uma solu¸ao c˜ sem exibi-la explicitamente? 2. Como sabemos que existe somente uma solu¸ao de (1.4)? Talvez c˜ existam duas ou trˆs ou mesmo infinitas solu¸˜es. e co
  • 16.
    Preliminares Cap. 1 Existˆncia e Unicidade e 9 3. Qual a utilidade de determinarmos se (1.4) possui uma unica ´ solu¸ao se n˜o somos capazes de exibi-la? c˜ a Para esta ultima quest˜o, podemos dizer que o fato de sabermos ´ a que (1.4) possui uma unica solu¸ao ´ muito importante, pois a par- ´ c˜ e tir disto poderemos usar t´cnicas computacionais para obter aprox- e ima¸oes da solu¸ao y(t). c˜ c˜ Para responder a primeira quest˜o usaremos o m´todo de Pi- a e card. Suponhamos que f (t, x) seja uma fun¸˜o cont´ ca ınua em (t, x) e continuamente deriv´vel em x. Observamos que y(t) ´ solu¸ao de (1.4) a e c˜ se, e somente se, t y(t) = y0 + f (s, y(s)) ds. t0 Consideremos, agora, a seq¨ˆncia yn (t) dada da seguinte forma: ue y0 (t) = y0 , t y1 (t) = y0 + f (s, y0 (s)) ds, t0 t y2 (t) = y0 + f (s, y1 (s)) ds, t0 . . . t yn (t) = y0 + f (s, yn−1 (s)) ds. t0 As fun¸oes yn (t) s˜o chamadas iteradas de Picard. Pode-se mostrar c˜ a que yn (t) → y(t), quando n → ∞, para t num intervalo conveniente. Este processo ´ conhecido por m´todo de Picard. e e Exemplo 1.1. Encontre uma solu¸ao para o P.V.I. c˜ y=y ˙ y(0) = 1
  • 17.
    Preliminares Cap. 1 Existˆncia e Unicidade e 10 usando o m´todo de Picard. e Solucao: Observamos que, neste caso, f (t, y) = y, t0 = 0 e y0 = 1. ¸˜ A equa¸ao integral equivalente ao P.V.I. dado ´: c˜ e t y(t) = 1 + y(s) ds. 0 Portanto, y0 (t) = 1 t y1 (t) = 1 + 1 ds = 1 + t , 0 t t t2 y2 (t) = 1 + y1 (s) ds = 1 + (1 + s) ds = 1 + t + , 0 0 2! t t s2 t2 t3 y3 (t) = 1 + y2 (s)ds = 1 + (1 + s + ) ds = 1 + t + + , 0 0 2! 2! 3! . . . t t s2 sn−1 yn (t) = 1 + yn−1 (s)ds = 1 + 1+s+ + ··· + ds= 0 0 2! (n − 1)! 2 n t t =1+t+ + ··· + . 2! n! 2 t tn Como et = 1 + t + + · · · + + · · ·, vemos que as iteradas de Pi- 2! n! card yn (t) convergem para a solu¸ao y(t) = et deste P.V.I.. c˜ ıcios 1.1. 1) Construa as iteradas de Picard para o P.V.I. Exerc´ y = 2 t (y + 1) ˙ y(0) = 0 2 e mostre que yn (t) converge para a solu¸ao y(t) = et − 1. c˜ 2) Calcule as trˆs primeiras iteradas de Picard para o P.V.I. e y = et + y 2 ˙ y(0) = 0.
  • 18.
    Preliminares Cap. 1 Existˆncia e Unicidade e 11 Observacao 1.1. As solu¸˜es de equa¸˜es diferenciais podem n˜o ¸˜ co co a existir para todo t real; por exemplo, a fun¸˜o y(t) = tg(t + π/4) ´ ca e solu¸ao do P.V.I.: c˜ y(t) = 1 + y 2 (t), y(0) = 1 ˙ e est´ definida somente no intervalo a y (−3π/4, π/4). T De fato, se t ∈ (−3π/4, π/4), ent˜o a π 1 y(t) = sec2 (t + ˙ ) t 4 E π − 3π π = 1 + tg2 (t + ) 4 4 4 = 1 + y 2 (t) π e y(0) = tg = 1. 4 Por este fato, n˜o podemos esperar que as iteradas de Picard con- a virjam para todo t. Para sabermos onde as iteradas de Picard con- vergem, tentamos encontrar um intervalo no qual todas as yn (t) s˜o a uniformemente limitadas, isto ´, existe uma constante k 0 tal que e |yn (t)| ≤ k para todo t ∈ (a, b). Ou seja, procuramos um retˆngulo a que contenha os gr´ficos de todas as iteradas de Picard. a O lema abaixo cuja demonstra¸ao pode ser encontrada em [4] (cf. c˜ Lema I.1), nos mostra como encontrar tal retˆngulo. a Lema 1.1. Sejam a, b ∈ R e consideremos o retˆngulo a R = { (t, y) | t0 ≤ t ≤ t0 + a e |y − y0 | ≤ b }. b Defina M = max |f (t, y)| e α = min{ a, }. Ent˜o a (t,y)∈R M |yn (t) − y0 | ≤ M |t − t0 | para t0 ≤ t ≤ t0 + α.
  • 19.
    Preliminares Cap. 1 Existˆncia e Unicidade e 12 Obervamos que o Lema 1.1 afirma que o gr´fico de yn (t) permanece a entre as retas y = y0 +M (t−t0 ) e y = y0 −M (t−t0 ) para t0 ≤ t ≤ t0 +α. b Estas retas limitam o retˆngulo R em t = t0 + a se a ≤ a e em M b b t = t0 + se a. Em ambos os casos, o gr´fico de yn (t) est´ a a M M contido em R para t0 ≤ t ≤ t0 + α. T T y0 + b y = y0 + M (t − t0 ) y = y0 + M (t − t0 ) d d ‚ d yn (t) ‚ d yn (t) y0 ! ¡   ¡ y = y0 − M (t − t0 )   y = y0 − M (t − t0 ) y0 − b t t E E t0 t0 + α t0 t0 + α α=a α = b/M O pr´ximo teorema nos apresenta as condi¸oes para a existˆncia e o c˜ e unicidade de solu¸˜es para o P.V.I. (1.4). co ∂f Teorema 1.1 (Existˆncia e Unicidade Local). Suponha f e e sejam ∂y fun¸˜es cont´nuas no retˆngulo co ı a R = { (t, y) | t0 ≤ t ≤ t0 + a e |y − y0 | ≤ b }. b Sejam M = max |f (t, y)| e α = min{ a, }. Ent˜o o P.V.I. a (t,y)∈R M y = f (t, y) ˙ y(t0 ) = y0 possui uma e somente uma solu¸˜o y(t) no intervalo t0 ≤ t ≤ t0 + α. ca A demonstra¸˜o deste teorema pode ser encontrada em [4] (cf. ca Teorema I.2’).
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    Preliminares Cap. 1 Existˆncia e Unicidade e 13 Exemplo 1.2. 1) Mostre que a solu¸ao y(t) do P.V.I. y = y 2 + cos t2 c˜ ˙ 1 com y(0) = 0 existe no intervalo 0 ≤ t ≤ . 2 Solucao: Usaremos o Teorema 1.1. Neste caso f (t, y) = y 2 + cos t2 ¸˜ ∂f e ınuas em qualquer retˆngulo R = { (t, y) | (t, y) = 2 y, s˜o cont´ a a ∂y 0 ≤ t ≤ a, |y| ≤ b }, em que a, b ∈ R. Calculando M = max |f (t, y)| = max |y 2 + cos t2 | = b2 + 1, (t,y)∈R |y|≤b e 0 ≤ t ≤ a b vemos que y(t) existe para 0 ≤ t ≤ α, em que α = min{ a, }. b2 + 1 Como a priori podemos tomar qualquer valor de a, temos que o valor b m´ximo de α ser´ quando 2 a a for m´ximo. Este m´ximo ´ 1/2. a a e b +1 Portanto o Teorema 1.1 garante que a solu¸˜o y(t) existe e ´ unica ca e ´ para 0 ≤ t ≤ 1/2. 2) Mostre que y(t) = −1 ´ a unica solu¸˜o do P.V.I. y = t(1 + y) e ´ ca ˙ com y(0) = −1. Solucao: Observamos que y(t) = −1 ´ solu¸ao do P.V.I.. Como ¸˜ e c˜ ∂f f (t, y) = t (1 + y) e (t, y) = t s˜o cont´ a ınuas em qualquer retˆngulo, a ∂y temos que o P.V.I. dado possui uma unica solu¸˜o e, portanto, ser´ ´ ca a y(t) = −1. Observacao 1.2. Suponha que y = f (t, y) seja uma equa¸ao dife- ¸˜ ˙ c˜ rencial vetorial, isto ´, y = (y1 , . . . , yn ) ∈ Rn e f : A ⊂ Rn+1 → Rn . e ∂f O Teorema 1.1 continua sendo v´lido se entendermos a como sendo ∂y ∂(f1 , . . . , fn ) a matriz jacobiana de f , isto ´, Jf = e . Usaremos esta ∂(y1 , . . . , yn ) formula¸˜o no caso das equa¸oes de 2a ordem, das equa¸oes de ordem ca c˜ ¯ c˜ n e de sistemas de equa¸oes diferenciais. c˜ ıcios 1.2. 1) Determine uma solu¸˜o do P.V.I. y = t Exerc´ ca ˙ 1 − y2
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    Preliminares Cap. 1 Existˆncia e Unicidade e 14 com y(0) = 1 diferente de y(t) = 1. Isto contradiz o Teorema 1.1? Explique. 2) Mostre que a solu¸ao y(t) do P.V.I. dado existe no intervalo c˜ especificado: a) y = t + y 2 , com y(0) = 0 para, 0 ≤ t ≤ 1/2. ˙ 2 b) y = e−t + y 2 , com y(0) = 0 para, 0 ≤ t ≤ 1/2. ˙ 2 c) y = e−t + y 2 , com y(1) = 0 para, 1 ≤ t ≤ 1 + ˙ e/2. d) y = 1 + y + y 2 cos t, com y(0) = 0 para, 0 ≤ t ≤ 1/3. ˙
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    Cap´ ıtulo 2 Equa¸˜o Diferencial Linear ca de Primeira Ordem Uma equa¸ao diferencial de primeira ordem pode ser colocada na c˜ forma: y = f (t, y), ˙ (2.1) onde f ´ uma fun¸ao real definida em um conjunto A ⊂ R2 . e c˜ Se a fun¸˜o f depender apenas de t, ent˜o a equa¸ao fica: ca a c˜ y = f (t). ˙ (2.2) Se f for integr´vel, ent˜o para resolver (2.2) integramos ambos os a a membros em rela¸ao a t, o que nos fornece: c˜ y(t) = f (t) dt + c, em que c ´ uma constante arbitr´ria e e a f (t) dt ´ qualquer primitiva e de f . 15
  • 23.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Equa¸˜o Homogˆnea 16 ca e Este procedimento ´ imposs´ na maioria dos casos e, portanto, e ıvel n˜o conseguiremos resolver, sem o aux´ de computadores, a maio- a ılio ria das equa¸oes diferenciais. Partiremos, ent˜o, de equa¸oes mais c˜ a c˜ simples, as quais poderemos resolver, que s˜o as lineares. a Definicao 2.1. Uma equa¸˜o diferencial linear de primeira ¸˜ ca ordem ´ uma equa¸˜o da forma: e ca y + a(t) y = b(t), ˙ (2.3) em que a(t) e b(t) s˜o fun¸˜es cont´nuas num intervalo I. a co ı Observacao 2.1. A equa¸ao (2.3) ´ chamada linear pois, se a es- ¸˜ c˜ e crevermos na forma (2.1), teremos f (t, y) = −a(t) y + b(t) e a parte que depende de y, isto ´, g(t, y) = −a(t) y ´ linear em y. De fato, e e g(t, α1 y1 + α2 y2 ) = −a(t) [α1 y1 + α2 y2 ] = −α1 a(t) y1 − α2 a(t) y2 = α1 g(t, y1 ) + α2 g(t, y2 ). Observacao 2.2. O P.V.I. ¸˜ y + a(t) y = b(t) ˙ y(t0 ) = y0 possui solu¸˜o unica. Isto segue do Teorema 1.1, pois as fun¸˜es ca ´ co ∂f f (t, y) = −a(t) y + b(t) e (t, y) = −a(t) s˜o cont´ a ınuas em t e ∂y em y. Exemplo 2.1. 1. y = t2 y + sen t ´ uma equa¸ao diferencial linear ˙ e c˜ a ordem, pois neste caso g(t, y) = t2 y ´ linear em y. de 1¯ e 2. y = t y 2 + sen t n˜o ´ E.D.O. linear de 1a ordem, pois g(t, y) = ˙ a e ¯ t y 2 n˜o ´ linear em y. a e 3. y = t cos y + t n˜o ´ E.D.O. linear de 1a ordem, pois g(t, y) = ˙ a e ¯ t cos y n˜o ´ linear em y. a e
  • 24.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Equa¸˜o Homogˆnea 17 ca e 2.1 ¸˜ ˆ A Equacao Homogenea Como uma solu¸˜o da equa¸˜o (2.3) n˜o ´ imediata, vamos simplific´- ca ca a e a la ainda mais, colocando b(t) ≡ 0. Obtemos y + a(t) y = 0 ˙ (2.4) que ´ chamada equa¸˜o diferencial linear homogˆnea [L.H.] as- e ca e sociada a (2.3). A equa¸ao (2.3) ´ chamada equa¸˜o diferencial c˜ e ca linear n˜o homogˆnea [L.N.H.]. a e A equa¸ao (2.4) pode ser resolvida facilmente. Dividindo ambos c˜ os membros da equa¸˜o por y, obtemos: ca y ˙ = −a(t). y y ˙ d Lembrando que = ( ln |y(t)| ) temos que a equa¸˜o (2.4) pode ser ca y dt escrita na forma d ( ln |y(t)| ) = −a(t). dt Integrando ambos os membros, obtemos ln |y(t)| = − a(t) dt + c1 , em que c1 ´ uma constante de integra¸˜o. Tomando exponenciais de e ca ambos os membros, encontramos |y(t)| = exp(− a(t) dt + c1 ). Logo, y(t) = c exp(− a(t) dt). (2.5) Observamos que y(t), dada por (2.5), ´ uma solu¸ao de (2.4). Pode- e c˜ mos dizer mais, qualquer outra solu¸˜o de (2.4) ser´ desta forma para ca a
  • 25.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Equa¸˜o Homogˆnea 18 ca e algum c ∈ R. Neste caso dizemos que (2.5) ´ a solu¸˜o geral da e ca equa¸ao diferencial linear homogˆnea. c˜ e Exemplo 2.2. Determine a solu¸˜o geral da equa¸˜o: y + 2 t y = 0. ca ca ˙ Solucao: Neste caso a(t) = 2 t. Logo, ¸˜ 2 y(t) = c e− a(t) dt = c e− 2 t dt = c e−t . Portanto, 2 y(t) = c e−t ´ a solu¸ao geral. e c˜ Exemplo 2.3. Determine a solu¸ao do P.V.I.: y + (sen t) y = 0 com c˜ ˙ y(0) = 2. Solucao: Aqui a(t) = sen t. Logo, ¸˜ y(t) = c e− sen t dt = c ecos t e, portanto, a solu¸ao geral ´ c˜ e y(t) = cecos t . Como y(0) = 2, temos 2 = y(0) = c ecos 0 , o que implica que c = 2e−1 . Logo, a solu¸ao do P.V.I. ser´ c˜ a y(t) = 2 ecos t−1 . Exerc´ ıcios 2.1. (1) Determine a solu¸ao do P.V.I. y + et y = 0 com c˜ ˙ y(0) = 3/2. (2) Determine o comportamento, quando t → ∞, de todas as solu¸oes da equa¸ao y + a y = 0, em que a ´ constante. c˜ c˜ ˙ e
  • 26.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Eq. n˜o Homogˆnea 19 a e (3) Mostre que o conjunto das solu¸˜es de (2.4) possui as seguintes co propriedades: i) Se y1 e y2 s˜o solu¸˜es, ent˜o y1 + y2 tamb´m ´ solu¸ao. a co a e e c˜ ii) Se y1 ´ solu¸ao, ent˜o c y1 tamb´m ´ solu¸ao, para todo c ∈ R. e c˜ a e e c˜ iii) A fun¸˜o y(t) ≡ 0 ´ solu¸ao. ca e c˜ Observacao 2.3. O exerc´ (3) nos diz que o conjunto das solu¸oes ¸˜ ıcio c˜ de (2.4) ´ um espa¸o vetorial. Como toda solu¸˜o de (2.4) ´ da e c ca e forma (2.5), segue-se que este espa¸o vetorial tem dimens˜o 1 e que c a y1 (t) = e− a(t) dt ´ uma base para este espa¸o. e c 2.2 ¸˜ ˜ ˆ A Equacao nao Homogenea Consideremos agora a equa¸ao n˜o homogˆnea c˜ a e y + a(t) y = b(t). ˙ (2.6) Se consegu´ ıssemos escrever a equa¸ao acima como c˜ d (“algo”) = b(t), dt o nosso problema estaria resolvido, pois bastaria integrar ambos os membros para encontrar o valor de “algo”. Por´m, a express˜o y + e a ˙ a(t)y n˜o aparece como derivada de alguma express˜o simples. Para a a resolvermos o problema procuraremos uma fun¸˜o µ(t), cont´ ca ınua e diferenci´vel tal que multiplicando-se ambos os membros da express˜o a a (2.6) por µ(t) obteremos a equa¸ao equivalente: c˜ µ(t)y + µ(t)a(t)y = µ(t)b(t) ˙ (2.7) (onde, por equa¸˜o equivalente entendemos que toda solu¸˜o de (2.7) ca ca ´ uma solu¸ao da (2.6) e reciprocamente) de modo que o primeiro e c˜ membro de (2.7) µ(t) y + µ(t) a(t) y ˙
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    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Eq. n˜o Homogˆnea 20 a e seja a derivada de alguma express˜o simples. a Observamos que d (µ(t)y) = µ(t) y + µ(t) y. ˙ ˙ dt Portanto, d µ(t) y + a(t) µ(t) y = ˙ (µ(t) y) ⇔ µ(t) = a(t) µ(t) ˙ dt a(t) dt ⇔ µ(t) − a(t) µ(t) = 0 ⇔ µ(t) = e ˙ . Logo, para esta µ(t) a equa¸˜o (2.6) pode ser escrita como: ca d (µ(t) y) = µ(t) b(t). dt Por integra¸ao obtemos c˜ µ(t) y = µ(t) b(t) dt + c ou 1 y(t) = [ µ(t) b(t) dt + c] = e− a(t) dt [c + e a(t) dt b(t) dt]. µ(t) Portanto, y(t) = c e− a(t) dt + e− a(t) dt e a(t) dt b(t) dt (2.8) ´ a solu¸˜o geral da equa¸ao n˜o homogˆnea. e ca c˜ a e Observacao 2.4. Vemos que a 1a parcela da f´rmula (2.8) ´ a ¸˜ ¯ o e solu¸ao geral da homogˆnea associada e que c˜ e yp (t) = e− a(t) dt e a(t) dt b(t) dt ´ uma solu¸˜o particular da equa¸˜o n˜o homogˆnea (obtida quando e ca ca a e c = 0). Logo, a solu¸ao geral da [L.N.H.] ´ a soma da geral da [L.H.] c˜ e asssociada com uma particular da [L.N.H.].
  • 28.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Eq. n˜o Homogˆnea 21 a e Observacao 2.5. A fun¸ao µ(t) = e a(t) dt ´ chamada fator inte- ¸˜ c˜ e grante para a equa¸˜o n˜o homogˆnea. ca a e Observacao 2.6. Um outro m´todo de resolver uma equa¸˜o [L.N.H.] ¸˜ e ca ´ o chamado m´todo da varia¸˜o das constantes, que consiste em e e ca fazer y = uv que implica y = u v + u v. ˙ ˙ ˙ Logo, a equa¸˜o [L.N.H.], y + a(t) y = b(t), se torna ca ˙ u v + v u + a(t) u v = b(t), ˙ ˙ ou seja, u(v + a(t) v) + (v u − b(t)) = 0. ˙ ˙ Se cada termo for nulo, ent˜o esta equa¸˜o ser´ satisfeita. Portanto, a ca a fazendo v + a(t) v = 0 e v u − b(t) = 0 ˙ ˙ e resolvendo a primeira delas, obteremos v em fun¸˜o de t (n˜o se ca a acrescenta constante de integra¸˜o porque se deseja um simples valor ca de v). Em seguida, substituindo este valor na segunda equa¸ao e c˜ integrando, obteremos o valor de u (agora acrescentamos a constante de integra¸˜o pois desejamos que y = uv seja a solu¸˜o geral do pro- ca ca blema). Exemplo 2.4. Determine a solu¸˜o geral da equa¸˜o: y + 2 t y = t. ca ca ˙ Solucao: Aqui a(t) = 2 t. Logo, ¸˜ a(t) dt 2 t dt 2 µ(t) = e =e = et . Multiplicando-se ambos os membros da equa¸ao por µ(t), obtemos a c˜ equa¸ao equivalente: c˜ 2 2 d 2 2 et (y + 2 t y) = t et ˙ ou (y et ) = t et . dt
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    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Eq. n˜o Homogˆnea 22 a e Portanto, 2 2 1 t2 y et = t et dt + c = e +c 2 que implica 2 1 y(t) = c e−t + . 2 Exemplo 2.5. Determine a solu¸˜o do P.V.I.: y−3 t2 y = t2 , y(0) = 1. ca ˙ Solucao: Aqui a(t) = −3 t2 . Logo ¸˜ −3t2 dt 3 µ(t) = e a(t) dt =e = e−t . Multiplicando-se ambos os membros por µ(t), obtemos: 3 3 d −t3 3 e−t (y − 3t2 y) = t2 e−t ˙ ou (e y) = t2 e−t . dt Assim, t t d −s3 3 (e y(s)) ds = s2 e−s ds . 0 dt 0 efetuando a integra¸ao, obtemos c˜ 3 1 3 e−t y(t) − y(0) = − (e−t − 1). 3 Como y(0) = 1, temos que 4 t3 1 y(t) = e − . 3 3 ıcios 2.2. 1) Determine a solu¸ao dos P.V.I.’s: Exerc´ c˜ 2 a) y = (cos t) y, y(0) = 1. ˙ b) y + ˙ y = t3 , y(1) = 2. t 1 c) t y + y = t, ˙ y(10) = 20. d) y + y = ˙ , y(1) = 3. 1 + t2 1 e) (1 + t2 ) y + 4 t y = t, y(1) = . ˙ 4
  • 30.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Eq. n˜o Homogˆnea 23 a e 2) (Equacao de Bernoulli) A equa¸˜o ¸˜ ca y + p(t)y = q(t)y n , ˙ em que p(t) e q(t) s˜o fun¸oes cont´ a c˜ ınuas em algum intervalo I da reta e n ∈ R, ´ conhecida como a equa¸˜o de Bernoulli. Se n = 0 e e ca n = 1 a equa¸ao n˜o ´ linear, mas pode ser transformada em uma c˜ a e equa¸ao linear fazendo a mudan¸a de vari´vel z = y 1−n . Demonstre c˜ c a isto, e resolva as equa¸oes: c˜ 3 a) y + t2 y = t2 y 4 . ˙ b) y − ˙ y = t4 y 1/3 . t 2 c) y + ˙ y = −t9 y 5 , y(−1) = 2. t 3) (Equacao de Ricatti) A equa¸˜o ¸˜ ca y + p(t) y + q(t) y 2 = f (t), ˙ (R) em que p(t), q(t) e f (t) s˜o fun¸oes cont´ a c˜ ınuas em algum intervalo I da reta e q(t) = 0 em I ´ conhecida como a equa¸˜o de Ricatti. Se y1 (t) e ca ´ uma solu¸ao particular de (R), mostre que a mudan¸a de vari´vel e c˜ c a y = y1 + 1/z transforma (R) numa equa¸ao linear de 1a ordem em z c˜ ¯ da forma z = (p(t) + 2 q(t) y1 ) z + q(t). Deduza da´ que a solu¸ao geral ˙ ı c˜ de uma equa¸ao de Ricatti pode ser encontrada, desde que se conhe¸a c˜ c uma solu¸ao particular. c˜ 4) Use o exerc´ anterior para determinar a solu¸ao geral de cada ıcio c˜ uma das seguintes equa¸˜es de Ricatti: co a) y − t3 y + t2 y 2 = 1, y1 (t) = t. ˙ b) y − t y 2 + (2t − 1) y = t − 1, y1 (t) = 1. ˙ c) y + y 2 − (1 + 2 et ) y + e2 t = 0, y1 (t) = et . ˙ d) y + t y 2 − 2 t2 y + t3 = t + 1, y1 (t) = t − 1. ˙
  • 31.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Algumas Aplica¸˜es co 24 2.3 ¸˜ Algumas Aplicacoes 2.3.1 ¸˜ Desintegracao radioativa Seja N (t) o n´mero de ´tomos radioativos em uma amostra num ins- u a tante t. Define-se a atividade de uma amostra radioativa como sendo o n´mero de desintegra¸oes por unidade de tempo. Foi observado u c˜ desde o in´ do estudo da radioatividade (1896), que a atividade ´ ıcio e proporcional ao n´mero de atomos radioativos presentes, isto ´: u ´ e dN = −λ N, dt onde λ ´ chamada constante de desintegra¸˜o ou de decaimento e ca radioativo. Se N0 ´ o n´mero de ´tomos no instante t = 0, teremos o seguinte e u a P.V.I. dN = −λ N, N (0) = N0 dt que ´ uma equa¸˜o diferencial ordin´ria homogˆnea de 1a ordem, cuja e ca a e ¯ solu¸ao ser´: c˜ a N (t) = N0 e−λ t . Observacao 2.7. Vale uma equa¸˜o semelhante para a massa de ¸˜ ca uma substˆncia radioativa, ou seja: a dm = −λ m, m(0) = m0 , dt onde m = massa. A meia-vida de uma substˆncia radioativa ´ definida como sendo a e o tempo necess´rio para a decomposi¸ao da metade da substˆncia. a c˜ a
  • 32.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Algumas Aplica¸˜es co 25 Exemplo 2.6. Uma quantidade de substˆncia radioativa possui ini- a cialmente m0 gramas e decomp˜e-se a uma raz˜o proporcional a quan- o a ` tidade presente. Se a meia-vida da quantidade inicial ´ 2.000 anos, e encontre a quantidade da substˆncia depois de 3.000 anos. a dm m0 Solucao: Temos que ¸˜ = −λm, m(0) = m0 e m(2000) = . dt 2 Sabemos que a solu¸ao geral desta equa¸ao ´: c˜ c˜ e m(t) = c e−λ t . Como m(0) = m0 , temos que c = m0 . Portanto, m(t) = m0 e−λ t . Mas, 2 m0 = m0 e−2000 λ o que implica que λ = 1 ln 2 2000 . Logo, m(t) = −(ln 2/2000)t m0 e e, portanto, m0 m(3000) = m0 e−(3 ln 2)/2 = √ . 8 Observacao 2.8. Pode-se usar a desintegra¸˜o radioativa para de- ¸˜ ca scobrir a falsifica¸˜o de obras de arte (vide [4], Se¸ao 1.3). ca c˜ 2.3.2 ´ Circuito Eletrico Consideremos um circuito el´trico simples e E consistindo de uma indutˆncia L, uma re- a I R sistˆncia R e uma for¸a eletromotriz E0 = e c
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    constante. O circuito´ ligado no instante e E L t = 0. Deseja-se determinar a corrente I(t). Sabe-se que: i) a queda de voltagem (ou tens˜o) atrav´s a e da resistˆncia R ´ igual a RI; e e dI ii) a queda de voltagem atrav´s de uma indutˆncia L ´ igual a L e a e . dt Logo, pela lei de Kirchhoff que diz que a soma alg´brica das diferen¸as e c
  • 34.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Algumas Aplica¸˜es co 26 de potencial ´ zero, temos: e dI dI RI E0 L + RI − E0 = 0 ou + = dt dt L L que ´ uma E.D.O. linear n˜o homogˆnea de 1a ordem. Como I(0) = 0 e a e ¯ (pois s´ temos corrente ap´s ligarmos o circuito), temos que o o E0 I(t) = (1 − e−R t / L ). R 2.3.3 Resfriamento de um corpo (1) Consideremos um modelo simplificado para o fenˆmeno de o varia¸˜o de temperatura num corpo por perda ou ganho de calor para ca o meio ambiente, fazendo as seguintes hip´teses: o i) A temperatura T ´ a mesma no corpo todo e depende apenas do e tempo. ii) A temperatura do meio ambiente, Ta , ´ constante com o tempo. e ˙ dT iii) O fluxo de calor atrav´s das paredes do corpo, dado por T (t) = e dt ´ proporcional ` diferen¸a entre as temperaturas do corpo e do meio e a c ambiente, isto ´, e ˙ T = −k(T − Ta ) (chamada lei de Newton para resfriamento) em que k ´ uma constante e positiva que depende das propriedades f´ ısicas do corpo. Observamos que o sinal − na equa¸ao ´ devido ao fato que o calor flui da fonte c˜ e quente para a fonte fria, e assim se T Ta teremos que T decresce e se T Ta , ent˜o T cresce. Conhecendo-se a temperatura T (0) = T0 , a podemos obter a temperatura do corpo em um instante t ≥ 0 qualquer. Para isto basta resolver a E.D.O. linear n˜o homogˆnea de 1a ordem: a e ¯ ˙ T + k T = k Ta , T (0) = T0 cuja solu¸ao ser´: c˜ a T (t) = (T0 − Ta )e−k t + Ta .
  • 35.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Algumas Aplica¸˜es co 27 Observamos que: 1) T0 Ta =⇒ T (t) decresce quando t aumenta. 2) T0 Ta =⇒ T (t) cresce quando t aumenta. 3) T0 = Ta =⇒ T (t) ´ constante. e 4) Em todos os casos T (t) → Ta quando t → ∞, isto ´, Ta ´ e e chamada de temperatura de equil´ ıbrio. Geometricamente, temos T T T0 T (t) Ta Ta T (t) T0 t t E E T0 Ta T0 Ta (2) Suponhamos que a temperatura Ta , do meio ambiente, varia com o tempo ao receber (ou ceder) calor ao corpo. Sejam m e ma , as massas do corpo e do meio ambiente, respectivamente e c e ca , os calores espec´ ıficos do corpo e do meio ambiente respectivamente. Supondo-se que n˜o haja mudan¸as de estado f´ a c ısico, a lei da con- serva¸˜o da quantidade de calor pode ser expressa como: ca mc(T0 − T ) = ma ca (Ta − Ta,0 ), (2.9) onde T = T (t) e Ta = Ta (t) s˜o as temperaturas do corpo e do meio a ambiente num instante t, respectivamente, e T0 = T (0) e Ta,0 = Ta (0).
  • 36.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Algumas Aplica¸˜es co 28 Usando-se na equa¸˜o ca ˙ T = −k (T − Ta ) a express˜o de Ta dada em (2.9), temos a mc Ta = (T0 − T ) + Ta,0 . ma ca Ent˜o obtemos a ˙ mc mc T + k(1 + )T = k(Ta,0 + T0 ), ma ca ma ca que ´ uma E.D.O. linear n˜o homogˆnea de 1a ordem. A solu¸˜o desta e a e ¯ ca E.D.O. que satisfaz a condi¸˜o inicial T (0) = T0 ´ ` ca e T0 − Ta,0 −k (1+A) t Ta,0 + A T0 T (t) = e + , 1+A 1+A mc onde A = . Logo ma ca 1) T0 Ta,0 =⇒ T (t) decresce com o tempo. 2) T0 Ta,0 =⇒ T (t) cresce com o tempo. 3) T0 = Ta,0 =⇒ T (t) ´ constante e igual a Ta,0 . e Ta,0 + A T0 4) Em qualquer dos casos T (t) → , quando t → ∞, que 1+A ser´ a temperatura de equil´ a ıbrio. Ta,0 + A T0 ıcio: Mostre que Ta (t) → Exerc´ , quando t → ∞. 1+A 2.3.4 ¸˜ Diluicao de Misturas e ´ ´ Um tanque cont´m 100 litros de agua salgada. E adicionado, neste tanque, ´gua salgada a raz˜o de 5 litros por minuto, com uma concen- a ` a tra¸ao de sal de 2 g/ . Ao mesmo tempo, a mistura deixa o tanque c˜
  • 37.
    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Algumas Aplica¸˜es co 29 atrav´s de um buraco a mesma raz˜o. A mistura do tanque ´ conti- e ` a e nuamente agitada, de modo a manter a solu¸˜o homogˆnea (isto ´, a ca e e concentra¸˜o ´ a mesma em todo tanque). Se inicialmente a mistura ca e cont´m uma concentra¸˜o de 1 g/ , determine a concentra¸ao num e ca c˜ instante futuro. Solucao: Seja y(t) a quantidade de sal no tanque depois de t minutos ¸˜ do instante inicial t0 = 0. Temos que o sal est´ sendo adicionado no a y(t) tanque a raz˜o de 5·2 g/min = 10 g/min e est´ saindo a raz˜o de 5 ` a a ` a 100 y(t) g/min = g/min. Assim, temos que a varia¸ao da quantidade de c˜ 20 sal no tanque ´ dada por: e y y = 10 − ˙ 20 que ´ uma E.D.O. linear n˜o homogˆnea de 1a ordem. Como y(0) = e a e ¯ 100 g temos que a sua solu¸ao ´ c˜ e y(t) = 200 − 100 e−0,05 t e, portanto, a concentra¸˜o de sal no tanque no instante t ser´ ca a y(t) c(t) = = 2 − e−0,05 t . 100 Note que isso mostra que a concentra¸˜o de sal no tanque tende a 2 ca g/ , quando t → ∞. Geometricamente, temos T 2 c(t) 1 tE
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    Eq. Linear de1a Ordem Cap. 2 ¯ Algumas Aplica¸˜es co 30 2.3.5 ¸˜ Outras Aplicacoes a) Forma¸˜o de um composto qu´ ca ımico ([7], p´gina 45). a b) Dinˆmica de crescimento de um tumor ([4], Se¸ ao 1.8). a c c) Modelos de popula¸ao ([4], Se¸ao 1.5). c˜ c˜ Exerc´ ıcios 2.3. 1) Um objeto de massa m ´ solto da posi¸ao de e c˜ repouso em um meio que oferece resistˆncia proporcional a velocidade e ` do objeto. Determinar a velocidade no instante t. 2) Fazer o problema proposto no Exerc´ 1, supondo que a re- ıcio sistˆncia do meio ´ proporcional ao quadrado da velocidade. e e 3) Uma colˆnia de bact´rias cresce a uma raz˜o proporcional ao o e a n´mero de bact´rias presente. Se o n´mero duplica a cada 24 ho- u e u ras, quantas horas ser˜o necess´rias para que o n´mero de bact´rias a a u e aumente cem vezes sua quantidade original? 4) Um tanque de 200 litros de capacidade, cont´m inicialmente 40 e litros de agua pura. A partir do instante t = 0, adiciona-se ao tanque uma solu¸ao de salmoura com 250 gramas de sal por litro, ` raz˜o de c˜ a a 12 /min. A mistura, suposta uniforme, escoa do tanque ` raz˜o de 8 a a /min. Determinar a) o tempo necess´rio para que ocorra o transbordamento; a b) a concentra¸ao de sal na mistura presente no tanque no instante c˜ do transbordamento.
  • 39.
    Cap´ ıtulo 3 Equa¸˜es Lineares de co Segunda Ordem As equa¸oes diferenciais de 2a ordem podem, geralmente, ser es- c˜ ¯ critas sob a forma y = f (t, y, y), ¨ ˙ (3.1) em que f ´ uma fun¸ao definida em um subconjunto A ⊂ R3 . e c˜ Dizemos que uma fun¸ao y = y(t) ´ uma solu¸˜o de (3.1) no inter- c˜ e ca a ordem em I e y (t) = f (t, y(t), y(t)) valo I se y(t) tiver derivada de 2¯ ¨ ˙ para todo t ∈ I. Por exemplo, as fun¸oes y1 (t) = e2 t e y2 (t) = e−2 t s˜o solu¸oes da c˜ a c˜ equa¸ao y = 4 y, pois: c˜ ¨ d2 (e2t ) d2 (e−2t ) y1 (t) = ¨ 2 = 4e2t = 4y1 (t) e y2 (t) = ¨ 2 = 4e−2t = 4y2 (t). dt dt Equa¸oes diferenciais surgem com freq¨ˆncia em problemas da F´ c˜ ue ısica, especialmente em Mecˆnica, em virtude da 2a lei de Newton, e em a ¯ Eletricidade, como aplica¸ao das leis de Kirchhoff. Por exemplo, o c˜ movimento de um pˆndulo simples sem atrito (como figura abaixo) ´ e e 31
  • 40.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Teoria Geral 32 descrito pela equa¸˜o ca ¨ g θ + sen θ = 0. (3.2) x E θ T s } y c cm g ˙ Se levarmos em conta o atrito (que geralmente ´ dado por k θ), e e se o movimento estiver sujeito a uma for¸a externa F (t), a equa¸ao c c˜ do pˆndulo fica e ¨ ˙ g θ + k θ + sen θ = F (t). (3.3) Consideremos agora a equa¸˜o: y = 3. ca ¨ Para obtermos a solu¸ao dessa equa¸ao basta integrarmos duas c˜ c˜ vezes, ou seja, 3 2 y= ˙ 3 dt = 3 t + c1 =⇒ y(t) = (3t + c1 ) dt = t + c1 t + c2 . 2 Note que temos o surgimento de duas constantes arbitr´rias: c1 e c2 a (lembremos que para a equa¸˜o de 1¯ ca a ordem somente aparecia uma constante arbitr´ria). Logo, para termos unicidade de solu¸ao, pre- a c˜ cisamos impor duas condi¸˜es: uma sobre a fun¸ao y(t) e outra sobre co c˜ sua a derivada y(t) no instante t0 . Observamos que este fato est´ em ˙ a concordˆncia com os problemas de Mecˆnica pois, para se caracterizar a a o movimento de um corpo, ´ preciso que sejam conhecidas sua posi¸ao e c˜ inicial e sua velocidade inicial. Isto sugere que o problema de valor inicial associado a equa¸˜o (3.1) seja dado por ` ca   y = f (t, y, y) ¨ ˙ y(t0 ) = y0 (3.4) y(t0 ) = z0 . ˙ 
  • 41.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Teoria Geral 33 Em geral ´ muito dif´ resolver a equa¸ao (3.1). Por esta raz˜o, e ıcil c˜ a ´ usual, nas aplica-¸˜es, recorrer ao estudo de equa¸oes mais simples; e co c˜ as lineares que s˜o modelos aproximados de muitas equa¸oes diferen- a c˜ ciais n˜o lineares. Por exemplo, a equa¸ao (3.2), do pˆndulo, n˜o ´ a c˜ e a e linear, mas para o estudo de pequenas oscila¸oes, costuma-se usar a c˜ aproxima¸˜o sen θ ∼ θ e considerar a equa¸ao ca = c˜ ¨ g θ + θ = 0, que ´, claramente, mais simples do que (3.2). Analogamente, no lugar e de (3.3) costuma-se estudar a equa¸˜o ca ¨ ˙ g θ + k θ + θ = F (t). 3.1 ¸˜ Teoria Geral para Equacoes de Se- gunda Ordem A partir de agora, nossa aten¸ao estar´ voltada para as equa¸oes c˜ a c˜ lineares, cuja forma padr˜o ´ a e y + a(t) y + b(t) y = g(t). ¨ ˙ [L.N.H.] Esta equa¸˜o ´ chamada linear n˜o homogˆnea. Quando g(t) ≡ 0, ela ca e a e torna-se y + a(t) y + b(t) y = 0. ¨ ˙ [L.H.] Teorema 3.1 (Existˆncia e unicidade). Se as fun¸˜es a(t), b(t) e g(t) e co forem cont´nuas num intervalo I, ent˜o dados t0 ∈ I e y0 , z0 ∈ R, o ı a P.V.I.   y + a(t) y + b(t) y = g(t) ¨ ˙ y(t0 ) = y0 (3.5) y(t0 ) = z0 ˙  possui uma unica solu¸˜o y = y(t), a qual est´ definida para todo ´ ca a t ∈ I.
  • 42.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Teoria Geral 34 Observacao 3.1. Pelo Teorema 3.1, a unica solu¸˜o de [L.H.] tal ¸˜ ´ ca que y(t0 ) = y(t0 ) = 0 ´ a fun¸ao y(t) = 0. ˙ e c˜ Observacao 3.2. Este teorema ´ uma consequˆncia da forma veto- ¸˜ e e rial do Teorema 1.4 (veja Observa¸ao 1.2). c˜ ∂F De fato: Do Teorema 1.4, temos que se F e s˜o fun¸oes a c˜ ∂x cont´ ınuas, ent˜o o P.V.I. a x = F (t, x) ˙ x(t0 ) = x0 possui uma unica solu¸ao. Aqui temos a equa¸ao y = g(t) − a(t) y − ´ c˜ c˜ ¨ ˙ b(t) y que pode ser escrita na forma x = F (t, x), fazendo ˙ y = x1 y = x1 = x2 . ˙ ˙ Assim, temos que y = x2 = −a(t) x2 − b(t) x1 + g(t). Chamando ¨ ˙ x1 x2 F1 (t, x) x= , temos x = ˙ = . x2 −a(t) x2 − b(t) x1 + g(t) F2 (t, x) ∂F Aqui, representa a matriz jacobiana de F (t, x1 , x2 ) em rela¸˜o a ca ∂x x1 , x2 , isto ´ e ∂F1 ∂F1   ∂(F1 , F2 )  ∂x1 ∂x2  0 1 JF (t, x1 , x2 ) = = = .   ∂(x1 , x2 )  ∂F ∂F  −b(t) −a(t) 2 2 ∂x1 ∂x2 Logo, se a(t), b(t) e g(t) s˜o fun¸oes cont´ a c˜ ınuas em I, ent˜o o P.V.I. a   y + a(t) y + b(t) y = g(t) ¨ ˙ y(t0 ) = y0 y(t0 ) = z0 ˙  possui unica solu¸ao em I. ´ c˜
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Teoria Geral 35 Antes de darmos um m´todo geral que permitir´ descrever o con- e a junto de todas as solu¸oes de [L.H.], vamos analisar a equa¸ao c˜ c˜ y + ω2 y = 0 ¨ (3.6) (esta ´ a equa¸˜o do pˆndulo, em que escrevemos ω = g/ ). E f´cil e ca e ´ a verificar que as fun¸oes ϕ1 (t) = cos ωt e ϕ2 (t) = sen ω t s˜o solu¸oes. c˜ a c˜ Observamos que, quaisquer que sejam as constantes c1 , c2 ∈ R, a fun¸ao c˜ ϕ(t) = c1 cos ω t + c2 sen ω t (3.7) tamb´m ´ solu¸ao de (3.6). De fato, calculando ϕ e ϕ temos e e c˜ ˙ ¨ ϕ(t) = −ω c1 sen ω t + ω c2 cos ω t ˙ ϕ(t) = −ω 2 c1 cos ω t − ω 2 c2 sen ω t = −ω 2 ϕ(t). ¨ Donde, ϕ(t) + ω 2 ϕ(t) = 0. ¨ Usando a express˜o (3.7), podemos resolver qualquer P.V.I. asso- a ciado ` equa¸ao(3.6). Por exemplo, se procurarmos a solu¸˜o de a c˜ ca   y + ω2 y = 0 ¨ y(0) = 1 y(0) = 2 ˙  sob a forma ϕ(t) = c1 cos ω t + c2 sen ω t, chegaremos a 1 = ϕ(0) = c1 2 = ϕ(0) = c2 ω. ˙ 2 Portanto, a solu¸ao procurada ´ ϕ(t) = cos ω t + c˜ e sen ω t. ω De modo an´logo, ao procurarmos a solu¸˜o do P.V.I. a ca   y + ω2 y = 0 ¨ y(0) = y0 (3.8) y(0) = z0 ˙ 
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Teoria Geral 36 sob a forma (3.7), chegamos a z0 ϕ(t) = y0 cos ω t + sen ω t. (3.9) ω Agora, dada qualquer solu¸˜o y(t) de (3.6), chamando y0 = y(0) ca e z0 = y(0) vemos que y(t) ´ solu¸ao do P.V.I. (3.8). Como, pelo ˙ e c˜ Teorema 3.1, este problema possui uma unica solu¸ao, segue que ´ c˜ y(t) ≡ ϕ(t), isto ´, y ´ dada por (3.9). Logo, toda solu¸ao de (3.6) e e c˜ ´ da forma (3.7), para uma conveniente escolha de c1 e c2 . Assim, e se denotarmos por S o conjunto de todas as solu¸oes de (3.6), o que c˜ acabamos de mostrar ´ que S coincide com o conjunto de todas as e combina¸˜es lineares de cos ω t e sen ω t (o qual ´ um espa¸o vetorial co e c de dimens˜o 2. Por quˆ?). a e Consideremos agora a equa¸˜o [L.H.] com a(t) e b(t) cont´ ca ınuas no intervalo I. Pelo Teorema 3.1, temos que toda solu¸ao y(t) de [L.H.] c˜ est´ definida para todo t ∈ I (al´m disso, ´ claro que y(t) ´ duas vezes a e e e cont´ınuamente diferenci´vel). Vamos repetir o procedimento acima e a mostrar que se duas solu¸oes y1 (t) e y2 (t), forem convenientemente c˜ escolhidas, ent˜o toda solu¸ao y(t) de [L.H.] ser´ dada por a c˜ a y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t), (3.10) onde c1 e c2 s˜o constantes. Primeiramente, notemos que toda fun¸˜o a ca da forma (3.10) ´ uma solu¸˜o de [L.H.], como mostra o pr´ximo e ca o teorema, conhecido como Princıpio de Superposica ´ ¸ ˜ o: Teorema 3.2. Se ϕ1 (t) e ϕ2 (t) s˜o solu¸˜es de [L.H.] e se c1 , c2 s˜o a co a constantes reais, ent˜o a fun¸˜o ϕ(t) = c1 ϕ1 (t) + c2 ϕ2 (t) tamb´m ´ a ca e e solu¸˜o de [L.H.]. ca Demonstracao. Note que ¸˜ ϕ(t) + a(t) ϕ(t) + b(t) ϕ(t) = c1 [ϕ1 (t) + a(t) ϕ1 (t) + b(t) ϕ1 (t)] ¨ ˙ ¨ ˙ + c2 [ϕ2 (t) + a(t) ϕ2 (t) + b(t) ϕ2 (t)] = 0, ¨ ˙
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Teoria Geral 37 pois, ϕ1 e ϕ2 s˜o solu¸˜es de [L.H.]. Logo, ϕ tamb´m ´ solu¸˜o de a co e e ca [L.H.]. Seja y(t) uma solu¸ao de [L.H.] e sejam y0 = y(t0 ), z0 = y(t0 ) e c˜ ˙ t0 ∈ I fixados. Para que y(t) seja dada por (3.10) devemos ter c1 y1 (t0 ) + c2 y2 (t0 ) = y0 (3.11) c1 y1 (t0 ) + c2 y2 (t0 ) = z0 . ˙ ˙ Podemos considerar (3.11) como um sistema de duas equa¸oes nasc˜ inc´gnitas c1 e c2 . Para que este sistema tenha solu¸ao quaisquer que o c˜ sejam y0 e z0 ´ necess´rio e suficiente que e a y1 (t0 ) y2 (t0 ) D = det = 0. y1 (t0 ) y2 (t0 ) ˙ ˙ y0 y2 (t0 ) − z0 y2 (t0 ) ˙ Neste caso, a solu¸ao do sistema (3.11) ´ c1 = c˜ e e D z0 y1 (t0 ) − y0 y1 (t0 ) ˙ c2 = . Assim, provamos o seguinte D Teorema 3.3. Sejam y1 (t) e y2 (t) solu¸˜es de [L.H.] tais que co y1 (t) y2 (t) det =0 (3.12) y1 (t) y2 (t) ˙ ˙ para todo t ∈ I. Ent˜o toda solu¸˜o de [L.H.] ´ dada por (3.10). a ca e Observacao 3.3. Em vista do Teorema 3.3, costuma-se dizer que ¸˜ (3.10) ´ a solu¸˜o geral de [L.H.], ou que y1 (t) e y2 (t) constituem e ca um conjunto fundamental de solu¸˜es, ou que y1 (t) e y2 (t) s˜o co a solu¸oes linearmente independentes de [L.H.]. c˜ Observacao 3.4. O determinante (3.12) desempenha um papel im- ¸˜ portante no estudo da equa¸˜o [L.H.]. Ele ´ chamado Wronskiano ca e de y1 (t) e y2 (t) e denotado por W [y1 , y2 ](t), ou simplesmente W (t). Observacao 3.5. O Teorema 3.3 reduz o problema de obter a solu¸ao ¸˜ c˜ geral de [L.H.] ao problema de encontrar duas solu¸oes convenientes c˜ y1 e y2 (isto ´, tais que W [y1 , y2 ](t) = 0). e
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Teoria Geral 38 Observacao 3.6. Se W [y1 , y2 ](t) ≡ 0 podem existir solu¸oes de ¸˜ c˜ [L.H.] que n˜o sejam dadas por (3.10). Por exemplo, tomando como a solu¸oes da equa¸˜o (3.6) y1 (t) = cos ω t e y2 (t) = 5 cos ω t, temos c˜ ca W [y1 , y2 ](t) ≡ 0. Notemos que a solu¸ao y(t) = sen ωt n˜o pode ser c˜ a escrita como c1 cos ω t + 5c2 cos ω t. Observacao 3.7. Dadas duas fun¸˜es quaisquer ϕ1 e ϕ2 (que n˜o ¸˜ co a sejam solu¸˜es de [L.H.]), podem existir valores de t para os quais o co wronskiano de ϕ1 e ϕ2 seja nulo e outros valores de t para os quais o wronskiano n˜o se anule. Por exemplo, se ϕ1 (t) = t e ϕ2 (t) = t2 , a temos t t2 W (t) = det = t2 . 1 2t Portanto, W (0) = 0 e W (1) = 1. O pr´ximo teorema mostra que a situa¸˜o descrita na Observa¸ao o ca c˜ 3.7 n˜o ocorre se ϕ1 e ϕ2 forem solu¸˜es de [L.H.]. a co Teorema 3.4. Sejam y1 (t), y2 (t), t ∈ I, solu¸˜es de [L.H.] e t0 ∈ I co fixado. Seja W (t) o wronskiano de y1 e y2 . Ent˜o a t − a(s) ds W (t) = W (t0 ) e t0 , para todo t ∈ I. (3.13) Em particular, como a fun¸˜o exponencial nunca se anula, segue-se ca que se W (t0 ) = 0, ent˜o W (t) = 0 para todo t ∈ I. a Demonstracao. Temos que ¸˜ W (t) = y1 (t) y2 (t) − y1 (t) y2 (t). ˙ ˙ Derivando, obtemos ˙ W (t) = y1 (t) [−a(t) y2 (t) − b(t) y2 (t)] − y2 (t) [−a(t) y1 (t) − b(t) y1 (t)] ˙ ˙ = −a(t) [y1 (t) y2 (t) − y1 (t) y2 (t)] = −a(t) W (t). ˙ ˙
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Teoria Geral 39 ˙ Portanto, W (t) + a(t) W (t) = 0. Resolvendo esta equa¸ao linear de c˜ a ordem em W , obtemos (3.13). 1¯ Observe que as conclus˜es de Teorema 3.4 referem-se apenas ao o intervalo I no qual as fun¸˜es a(t) e b(t) s˜o cont´ co a ınuas. Para pontos fora deste intervalo as conclus˜es podem falhar. Veja o exemplo a o seguir: Exemplo 3.1. As fun¸˜es y1 (t) = 1 e y2 (t) = t2 s˜o solu¸˜es da co a co 1 equa¸ao y − y = 0, para t 0. Temos c˜ ¨ ˙ t 1 t2 W (t) = det = 2 t. 0 2t Portanto, W (0) = 0 e W (t) = 0 para todo t 0. Isto n˜o contradiz a o Teorema 3.4, uma vez que o coeficiente −1/t n˜o ´ definido para a e t = 0. Notemos ainda que a solu¸ao geral desta equa¸˜o ´ c1 + c2 t2 , c˜ ca e visto que W (1) = 2 = 0. Finalmente, observamos que ´ sempre poss´ obter duas solu¸˜es e ıvel co y1 e y2 de [L.H.] tais que W [ y1 , y2 ](t) = 0 para todo t ∈ I. De fato, fixado t0 ∈ I, basta definir y1 (t) como sendo a unica solu¸˜o de [L.H.] ´ ca tal que y(t0 ) = 1 e y(t0 ) = 0 e, y2 (t) como sendo a unica solu¸˜o de ˙ ´ ca [L.H.] tal que y(t0 ) = 0 e y(t0 ) = 1. Assim W (t0 ) = 1 e segue do ˙ Teorema 3.4 que W (t) = 0 para todo t ∈ I. Resumimos estes fatos no seguinte Teorema 3.5. Suponhamos que a(t) e b(t) sejam fun¸˜es cont´nuas co ı no intervalo I. Ent˜o existem duas solu¸˜es y1 (t) e y2 (t) da equa¸˜o a co ca y + a(t) y + b(t) y = 0 ¨ ˙ tais que W [ y1 , y2 ](t) = 0, para todo t ∈ I. Al´m disso, a solu¸˜o e ca geral desta equa¸˜o ´ dada por c1 y1 (t) + c2 y2 (t), em que c1 e c2 s˜o ca e a constantes arbitr´rias. a
  • 48.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Teoria Geral 40 Observacao 3.8. O Teorema 3.5 garante que o espa¸o das solu¸oes ¸˜ c c˜ da equa¸ao [L.H.] ´ um espa¸o vetorial de dimens˜o 2. c˜ e c a √ Exerc´ıcios 3.1. 1) a) Mostre que y1 = t e y2 = 1/t s˜o solu¸oes a c˜ da equa¸ao diferencial 2 t2 y + 3 t y − y = 0, no intervalo 0 t ∞. c˜ ¨ ˙ b) Calcule W [ y1 , y2 ](t). Que acontece quando t tende a zero? c) Mostre que y1 (t) e y2 (t) formam um conjunto fundamental de solu¸oes da equa¸ao dada, no intervalo 0 t ∞. c˜ c˜ d) Resolva o P.V.I. 2 t2 y + 3 t y − y = 0, y(1) = 2, y(1) = 1. ¨ ˙ ˙ 2) Sejam y1 (t) e y2 (t) solu¸oes de y + a(t) y + b(t) y = 0 no intervalo c˜ ¨ ˙ −∞ t ∞ com y1 (0) = 3, y1 (0) = 1, y2 (0) = −1 e y2 (0) = 1/3. ˙ ˙ Mostre que y1 (t) e y2 (t) s˜o linearmente independentes no intervalo a −∞ t ∞. 3) Sejam y1 (t) = t2 e y2 (t) = t |t|. a) Mostre que y1 e y2 s˜o linearmente dependentes no intervalo [0, 1]. a b) Mostre que y1 e y2 s˜o linearmente independentes em [−1, 1]. a c) Mostre que W [ y1 , y2 ] ´ identicamente nulo. e d) Mostre que y1 e y2 n˜o podem nunca ser solu¸ao de y + a(t) y + a c˜ ¨ ˙ b(t) y = 0 no intervalo −1 ≤ t ≤ 1 se ambas as fun¸oes a(t) e b(t) c˜ forem cont´ınuas neste intervalo. 4) Considere a equa¸˜o y +a(t) y +b(t) y = 0, com a(t) e b(t) cont´ ca ¨ ˙ ınuas num intervalo I. Mostre que: a) Se y1 e y2 se anulam no mesmo ponto do intervalo I, ent˜o elas n˜o a a podem formar um conjunto fundamental de solu¸˜es em I. co b) Se y1 e y2 assumem um m´ximo ou um m´ a ınimo no mesmo ponto do intervalo I, ent˜o elas n˜o podem formar um conjunto fundamental a a de solu¸oes em I. c˜
  • 49.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Redu¸˜o de Ordem ca 41 c) Se y1 e y2 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es, ent˜o elas co a n˜o podem ter um ponto de inflex˜o comum em I, a menos que a(t) a a e b(t) se anulem simultaneamente a´ı. 3.2 ¸˜ Reducao de Ordem Suponhamos conhecida uma solu¸ao y1 (t) de [L.H.]. J´ vimos que c˜ a para toda constante c ∈ R, c y1 (t) tamb´m ´ solu¸ao de [L.H.]. Este e e c˜ fato sugere que tentemos encontrar uma outra solu¸˜o de [L.H.] da ca forma y2 (t) = v(t) y1 (t), em que v(t) ´ uma fun¸˜o n˜o constante. Este procedimento, devido e ca a a D’Alembert (1717-1783), ´ usualmente chamado m´todo da e e redu¸˜o de ordem. Note que y2 = v y1 implica que ca y2 = v y1 + v y˙1 ˙ ˙ e y2 = v y1 + 2 v y˙1 + v y1 . ¨ ¨ ˙ ¨ Substituindo em [L.H.], obtemos v [ y1 + a y1 + b y1 ] + v [ 2y1 + a y1 ] + v y1 = 0. ¨ ˙ ˙ ˙ ¨ Como y1 + a y1 + b y1 = 0 (pois y1 ´ solu¸˜o de [L.H.]), temos que v ´ ¨ ˙ e ca e solu¸ao de: c˜ 2y˙1 v+ a+ ¨ v = 0. ˙ y1 Fazendo z = v, temos a equa¸ao de 1a ordem em z ˙ c˜ ¯ 2y˙1 z+ a+ ˙ z=0 y1 cuja solu¸˜o ´ dada por z(t) = c e− ca e (a(t)+2[y(t)/y(t)]) dt ˙ = c u(t), em que c ´ constante. Logo, e v(t) = z(t) dt = c u(t) dt
  • 50.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Redu¸˜o de Ordem ca 42 e ent˜o a y2 (t) = v(t) y1 (t) = c y1 (t) u(t) dt. Portanto, as duas solu¸˜es de [L.H.] s˜o y1 (t) e y2 (t) = y1 (t) co a u(t) dt. Exemplo 3.2. Determine a 2a solu¸ao da equa¸˜o ¯ c˜ ca t2 y + 2 t y − 2 y = 0 ¨ ˙ sabendo-se que y1 (t) = t. Solucao: Vamos procurar y2 (t) = v(t) y1 (t) = t v(t). Assim, ¸˜ y2 = v + t v ˙ ˙ e y2 = t v + 2 v. ¨ ¨ ˙ Substituindo na equa¸˜o, obtemos ca t2 (t v + 2 v) + 2 t (v + t v) − 2 t v = 0 ¨ ˙ ˙ que implica t3 v + 4 t2 v = 0. ¨ ˙ Fazendo z = v, temos ˙ t3 z + 4 t2 z = 0 ˙ que ´ uma E.D.O. linear de 1a ordem em z. Escrevendo e ¯ 4 z+ z=0 ˙ t (4/t) dt temos que µ(t) = e = t4 . Portanto, d 4 (t z) = 0. dt Logo, t4 z = c. Equivalentemente, z = c t−4 . Logo, 1 v(t) = z(t) dt = t−4 dt = − t−3 . 3 Portanto, 1 1 y2 (t) = − t−3 y1 (t) = − t−2 . 3 3
  • 51.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Equa¸˜o homogˆnea. 43 ca e Exerc´ıcios 3.2. Determine, por redu¸ao de ordem, a 2a solu¸ao das c˜ ¯ c˜ equa¸oes abaixo: c˜ 1) y − 4 y − 12 y = 0, y1 (t) = e6t . ¨ ˙ 2) y − 2 y + y = 0, y1 (t) = et . ¨ ˙ 3) t2 y + 2 t y = 0, y1 (t) = 1. ¨ ˙ √ 4) 2 t2 y + 3 t y − y = 0, y1 (t) = ¨ ˙ t. 3.3 ¸˜ ˆ Equacoes Homogeneas com Coefi- cientes Constantes Consideremos a equa¸˜o ca a y + b y + c y = 0, ¨ ˙ (3.14) em que a, b e c s˜o constantes reais com a = 0. a ¨ g Exemplo 3.3. 1) Movimento de um pˆndulo simples θ + θ = 0. e b k 2) Sistema massa mola: y + ¨ y+ ˙ y = 0, em que o termo b y ˙ m m ´ devido ` resistˆncia do meio. e a e De acordo com o Teorema 3.5, basta encontrar duas solu¸˜es y1 (t) co e y2 (t) linearmente independentes (isto ´, W [ y1 , y2 ](t) = 0) de (3.14) e e todas as demais ser˜o combina¸oes destas. a c˜ Observemos que se y = ϕ(t) ´ uma solu¸˜o de (3.14) ent˜o a soma e ca a dos termos a ϕ(t), b ϕ(t) e c ϕ(t) deve ser igual a zero para todo t. ¨ ˙ Para que isto ocorra as trˆs fun¸oes ϕ(t), ϕ(t) e ϕ(t) devem ser do e c˜ ˙ ¨ 4 “mesmo tipo”. Por exemplo a fun¸˜o y(t) = t nunca poder´ ser ca a
  • 52.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Equa¸˜o homogˆnea. 44 ca e solu¸ao de (3.14) pois os termos 12 a t2 , 4 b t3 e c t4 s˜o polinomios de c˜ a graus diferentes e, por isso sua soma n˜o se cancela. Por outro lado, a a fun¸ao y(t) = eλt , em que λ ´ constante, tem a propriedade de que c˜ e tanto y(t) como y (t) s˜o m´ltiplos de y(t). Isto sugere que tentemos ˙ ¨ a u y(t) = e como solu¸˜o de (3.14). Substituindo y(t) = eλt em (3.14) λt ca obtemos a (eλt ) + b (eλt ) + c eλt = 0 =⇒ eλt (a λ2 + b λ + c) = 0 o que implica que a λ2 + b λ + c = 0. (3.15) Portanto, y(t) = eλt ´ uma solu¸ao de (3.14) se, e somente, se λ ´ raiz e c˜ e de (3.15). A equa¸ao (3.15) ´ chamada Equa¸˜o Caracter´ c˜ e ca ıstica de (3.14). As ra´ de (3.15) s˜o ızes a √ √ −b + b2 − 4 a c −b − b2 − 4 a c λ1 = e λ2 = . 2a 2a Vamos analisar as trˆs possibilidades para o discriminante b2 −4 a c: e i) b2 − 4 a c 0: Ra´ ızes reais distintas Neste caso eλ1 t e eλ2 t s˜o solu¸oes de (3.14) e seu wronskiano a c˜ eλ1 t eλ2 t W (t) = det = (λ2 − λ1 )e(λ1 +λ2 )t = 0, λ1 eλ1 t λ2 eλ2 t para todo t ∈ R. Logo, as solu¸oes s˜o linearmente independentes e, c˜ a portanto, formam uma base do espa¸o das solu¸oes. Ou seja, qualquer c c˜ solu¸ao de (3.14) ´ da forma c˜ e y(t) = c1 eλ1 t + c2 eλ2 t . ii) b2 − 4 a c = 0: Ra´ ızes reais iguais b Neste caso λ1 = λ2 = − e com isto temos uma solu¸˜o y1 = ca 2a (−b/2 a) t e . Vamos encontrar a outra solu¸˜o de (3.14) (n˜o m´ltipla de ca a u
  • 53.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Equa¸˜o homogˆnea. 45 ca e y1 ) usando redu¸˜o de ordem, isto ´, procurando v(t) n˜o constante ca e a −(b/2 a) t tal que y2 (t) = v(t) e seja solu¸˜o de (3.14). Substituindo em ca (3.14), obtemos b2 b2 e−(b/2 a) t a v + ¨ − + c v = 0. 4a 2a Como e−(b/2 a) t = 0 para todo t e b2 − 4 a c = 0, temos v = 0 =⇒ v(t) = α t + β, com α, β ∈ R. ¨ Podemos tomar α = 1 e β = 0, pois queremos encontrar uma solu¸˜o. ca Logo, v(t) = t. Portanto, a outra solu¸˜o de (3.14) ´ ca e y2 (t) = t e−(b/2 a) t . Exemplo 3.4. Resolva o P.V.I. y + 6y + 9y = 0 ¨ ˙ y(0) = 1, y(0) = 2. ˙ Solucao: y = eλt =⇒ λ2 + 6 λ + 9 = 0 =⇒ λ1 = λ2 = −3. Portanto, ¸˜ a solu¸ao geral ´ c˜ e y(t) = (c1 + c2 t) e−3 t . Como y(0) = 1, temos c1 = 1. Al´m disso, y(t) = (c2 − 3 − 3 c2 t) e−3 t e ˙ e y(0) = 2. Logo, c2 = 5. Portanto, a solu¸ao do P.V.I. ´ ˙ c˜ e y(t) = e−3 t + 5 t e−3 t . iii) b2 − 4 a c 0: Ra´ ızes Complexas Logo, √ √ b i 4 a c − b2 b i 4 a c − b2 λ1 = − + e λ2 = − − . 2a 2a 2a 2a
  • 54.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Equa¸˜o homogˆnea. 46 ca e ıamos de dizer que eλ1 t e eλ2 t s˜o solu¸˜es de (3.14). Entretanto Gostar´ a co surgem dois problemas: a) definir eλ t para λ complexo, b) mesmo que consigamos definir eλ1 t e eλ2 t como solu¸˜es (que co certamente ter˜o valores complexos) de (3.14) queremos obter solu¸˜es a co reais. Comecemos resolvendo o segundo problema, pois caso contr´rio a n˜o teria sentido resolver o primeiro. a ¸˜ ˙ Definicao 3.1. Se F (t) = u(t)+i v(t), definimos F (t) = u(t)+i v(t). ˙ ˙ Observacao 3.9. Esta defini¸˜o faz sentido, pois podemos identi- ¸˜ ca ficar F (t) = u(t) + i v(t) com f (t) = (u(t), v(t)). Logo, f (t) ´ uma e parametriza¸ao de uma curva plana cujo vetor velocidade ´ (u(t), v(t)). c˜ e ˙ ˙ Fica ent˜o natural a defini¸ao acima. a c˜ Proposicao 3.1. Se y(t) = u(t) + i v(t) ´ uma solu¸˜o a valores ¸˜ e ca complexos de (3.14), ent˜o u(t) e v(t) s˜o solu¸˜es reais de (3.14). a a co Demonstracao. Note que ¸˜ a y (t) + b y(t) + c y(t) = 0 ¨ ˙ ou seja, [a u(t) + b u(t) + c u(t)] + i [a v (t) + b v(t) + c v(t)] = 0. ¨ ˙ ¨ ˙ Para que um n´mero complexo seja zero ´ necess´rio que sua parte u e a real e sua parte imagin´ria sejam zero. Logo, a a u(t) + b u(t) + c u(t) = 0 e a v (t) + b v(t) + c v(t) = 0. ¨ ˙ ¨ ˙ Isto ´ u e v s˜o solu¸oes (3.14). e a c˜ E com isto resolvemos o segundo problema. Passemos agora ao ´ primeiro, isto ´, vamos definir eλ t para λ complexo. E natural pedir e
  • 55.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Equa¸˜o homogˆnea. 47 ca e que esta fun¸ao satisfa¸a ea+b = ea eb . Logo, se λ = α + i β, devemos c˜ c ter eλ t = eα t+i β t = eα t ei β t . Portanto, basta apenas definirmos ei β t . Sabemos que, para todo x real, vale ∞ x xn x2 x3 e = =1+x+ + + ··· . n=0 n! 2! 3! A equa¸ao acima tem sentido, formalmente, mesmo para x complexo. c˜ Isto sugere que coloquemos (i θ)2 (i θ)3 ei θ = 1 + i θ + + + ··· = 2! 3! θ2 i θ3 θ4 i θ5 = 1 + iθ − − + + − ··· 2! 3! 4! 5! θ2 θ4 θ3 θ5 = 1− + − ··· + i θ − + − ··· , 2! 4! 3! 5! θ2 θ4 θ3 θ5 Como cos θ = 1 − 2! + 4! − · · · e sen θ = θ − 3! + 5! − · · · ´ razo´vel e a definir ei θ = cos θ + i sen θ. Portanto, eλ t = e(α+i β) t = eα t (cos β t + i sen β t). deλ t ıcio: Mostre que Exerc´ = λ eλ t para λ complexo. dt Agora ´ f´cil verificar que e a √ λt αt −b 4 a c − b2 y(t) = e =e (cos β t + i sen β t), com α = e β= 2a 2a ´ uma solu¸ao a valores complexos de (3.14), se b2 − 4 a c 0. Logo, e c˜ pela Proposi¸˜o 3.1, temos que ca y1 (t) = eα t cos β t e y2 (t) = eα t sen β t
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Equa¸˜o homogˆnea. 48 ca e s˜o duas solu¸oes reais de (3.14). a c˜ ıcio: Mostre que W [ y1 , y2 ](t) = βe2 α t . Exerc´ Pelo exerc´ acima, temos que y1 (t) = eα t cos β t e y2 (t) = eα t sen β t ıcio formam uma base do espa¸o solu¸ao e, conseq¨entemente, a solu¸ao c c˜ u c˜ 2 geral de (3.14) para b − 4 a c 0 ´ e y(t) = eα t (c1 cos β t + c2 sen β t). ¸˜ ¯ Observacao 3.10. Pode-se pensar que eλ2 t , em que λ2 = λ1 dar´a origem a outras duas solu¸oes. Todavia, isto n˜o ocorre, pois c˜ a eλ2 t = e(α−i β) t = eα t [cos(−β t) + i sen(−βt)] = eα t [cos βt − sen β t]. Portanto, y1 (t) = [eλ2 t ] = eα t cos β t = y1 (t) ˜ e y2 (t) = [eλ2 t ] = −eα t sen β t = −y2 (t). ˜ Exemplo 3.5. Determine a solu¸˜o real do P.V.I. ca y + 2y + 5y = 0 ¨ ˙ y(0) = 1, y(0) = 3. ˙ Solucao: A equa¸ao caracter´ ¸˜ c˜ ıstica λ2 + 2 λ + 5 = 0 possui ra´ ızes complexas λ1 = −1 + 2 i e λ2 = −1 − 2 i. Portanto, eλ1 t = e(−1+2 i) t = e−t cos 2 t + i e−t sen 2 t ´ uma solu¸˜o com valores complexos de y + 2 y + 5 y = 0. Logo, pela e ca ¨ ˙ Proposi¸ao 3.1, temos que c˜ y1 (t) = (eλ1 t ) = e−t cos 2 t e y2 (t) = (eλ1 t ) = e−t sen 2 t s˜o solu¸˜es reais da equa¸˜o. Mais ainda, elas formam uma base para a co ca o espa¸o solu¸˜o. Portanto, a solu¸ao geral ´ c ca c˜ e y(t) = e−t (c1 cos 2 t + c2 sen 2 t),
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Equa¸˜o homogˆnea. 49 ca e onde c1 e c2 s˜o constantes reais. Como y(0) = 1, temos c1 = 1. Logo, a y(t) = e (cos 2 t + c2 sen 2 t). Isso implica que y(t) = −e−t (cos 2 t + −t ˙ c2 sen 2 t) + e−t (−2 sen 2 t + 2 c2 cos 2 t). Portanto, y(0) = 3 implica ˙ que c2 = 2. Logo, a solu¸˜o do P.V.I. ´ ca e y(t) = e−t (cos 2 t + 2 sen 2 t). Exemplo 3.6. (Vibra¸˜es livres n˜o amortecidas) Consideremos co a o sistema massa-mola enunciado no Cap´ ıtulo 1, Subse¸ao 1.1.3, cuja c˜ equa¸ao ´ c˜ e my + ky = 0 ¨ ou y + ω 2 y = 0, ¨ em que ω = k/m (lembremos que k 0 e m 0). A equa¸ao caracter´ c˜ ıstica λ2 + ω 2 = 0 possui ra´ızes complexas λ1 = i ω e λ2 = −i ω. Logo, ϕ(t) = ei ω t = cos ω t + i sen ω t ´ uma e solu¸ao com valores complexos que d´ origem as seguintes solu¸˜es c˜ a ` co reais linearmente independentes y1 (t) = cos ω t e y2 (t) = sen ω t. Portanto, a solu¸ao geral ´ dada por c˜ e y(t) = c1 cos ω t + c2 sen ω t. Observacao 3.11. Para esbo¸ar o gr´fico de y(t), vamos reescrevˆ-la ¸˜ c a e de modo mais apropriado: denotando A = c2 + c2 e α = arctg(c2 /c1 ), 1 2 podemos escrever y(t) = c1 cos ω0 t + c2 sen ω0 t = A cos(ω0 t − α), Logo, temos que y(t) est´ sempre entre −A e +A e, portanto, o movi- a mento ´ peri´dico de per´ e o ıodo 2π/ω0 , amplitude A, freq¨ˆncia ω0 e ue angulo de fase α. O gr´fico de y(t) ´ mostrado na figura abaixo. ˆ a e
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Equa¸˜o homogˆnea. 50 ca e y T 2π/ω0 A t E −A Este movimento tamb´m ´ chamado de movimento harmˆnico e e o simples. Exemplo 3.7. (Vibra¸oes livres amortecidas) Consideremos o sis- c˜ tema massa-mola, supondo agora que o meio oferece uma for¸a de c resistˆncia proporcional ` velocidade do corpo. Portanto, devemos e a resolver a equa¸ao c˜ c k y+ ¨ y+ ˙ y = 0. m m A equa¸˜o caracter´ √ ´ m λ2 + c λ + k = √ cujas ra´ ca ıstica e 0, ızes s˜o: a −c + c 2 − 4mk −c − c 2 − 4mk λ1 = e λ2 = . 2m 2m Consideremos as seguintes situa¸˜es: co ıtico ou forte (c2 − 4 m k 0) (i) amortecimento supercr´ Neste caso temos que λ1 e λ2 y T s˜o reais e negativas. De fato, √a c2 − 4 m k c. A solu¸˜o geral ca ´: e t y(t) = c1 eλ1 t + c2 eλ2 t . E casos (i) e (ii)
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Equa¸˜o homogˆnea. 51 ca e ıtico (c2 − 4 m k = 0) (ii) amortecimento cr´ y Como c2 − 4 m k = 0, temos que T λ1 = λ2 = −c/(2 m). Neste caso, a solu¸ao geral ´: c˜ e t E y(t) = (c1 + c2 t) e−c t/(2 m) . casos (i) e (ii) ıtico ou oscilat´rio (c2 − 4 m k 0) (iii) amortecimento subcr´ o Como c2 − 4 m k 0, temos que λ1 e λ2 s˜o complexos conjugados. a Portanto, a solu¸ao geral ´: c˜ e y(t) = e(−c/2 m)t (c1 cos µ t + c2 sen µ t), √ 4 m k − c2 em que µ = ou y(t) = A e(−c/2 m) t cos(µ t − α). Logo, a 2m solu¸ao oscila entre duas curvas y = −A e(−c/2 m) t e y = A e(−c/2 m) t . c˜ Portanto, representa a curva do cosseno com amplitude decrescente. y T y = A e−c t/2 m ) t E T y = −A e−c t/2 m Nos trˆs casos o movimento se “extingue” no futuro se existe atrito e no sistema, ou seja, qualquer perturba¸˜o inicial ´ dissipada pelo atrito ca e existente. Esta ´ uma das raz˜es pelas quais os sistemas massa-mola e o
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 52 a e s˜o uteis nos sistemas mecˆnicos; eles podem ser usados para amorte- a ´ a cer qualquer perturba¸˜o indesejada. ca ıcios 3.3. 1) Determine a solu¸ao geral de: Exerc´ c˜ a) y − y − 2 y = 0. ¨ ˙ b) y − 7 y = 0. ¨ ˙ c) y + 4 y = 0. ¨ d) y − 4 y + 13 y = 0. e) y − 4 y + 4 y = 0. f) y = 0. ¨ ˙ ¨ ˙ ¨ 2) a) Seja λ1 = α + i β uma raiz complexa de λ2 + (a − 1) λ + b = 0. Mostre que tα+iβ = tα ti β = tα e(ln t) i β = tα [cos(β ln t) + i sen(β ln t)] ´ uma solu¸ao com valores complexos da equa¸˜o de Euler e c˜ ca t2 y + a t y + b y = 0. ¨ ˙ (3.16) b) Mostre que tα cos(β ln t) e tα sen(β ln t) s˜o solu¸˜es reais de (3.16). a co 3) Determine a solu¸ao geral de: c˜ a) t2 y +t y+y = 0, ¨ ˙ t 0. b) t2 y +2 t y+2 y = 0, ¨ ˙ t 0. 3.4 ¸˜ ˜ ˆ A Equacao Nao Homogenea Consideremos a equa¸˜o n˜o homogˆnea ca a e y + a(t) y + b(t) y = g(t), ¨ ˙ [L.N.H.] em que a(t), b(t) e g(t) s˜o fun¸˜es cont´ a co ınuas em um intervalo I e g(t) = 0. Nos fenˆmenos f´ o ısicos descritos por equa¸˜o da forma acima, o ca termo g(t) representa, em geral, um “agente externo” atuando sobre
  • 61.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 53 a e o sistema. Por exemplo, o sistema massa-mola, sujeito apenas ` a¸˜o a ca k da gravidade, ´ descrito pela equa¸˜o: y + e ca ¨ y = 0. Agora, se im- m pusermos ao sistema acima uma for¸a externa peri´dica de intensidade c o k A A cos ωt, a equa¸˜o fica y + y = ca ¨ cos ω t. m m Um fato que foi observado para a equa¸ao linear de 1a ordem n˜o c˜ ¯ a homogˆnea y + α(t) y = β(t) (ver Observa¸ao 2.4) ´ que sua solu¸ao e ˙ c˜ e c˜ geral ´ const´ e ıtuida de duas parcelas: i) a solu¸˜o geral da homogˆnea y + α(t) y = 0; ca e ˙ ii) uma solu¸ao particular da equa¸˜o n˜o homogˆnea y+α(t) y = β(t). c˜ ca a e ˙ Mostraremos que este fato tamb´m ´ verdadeiro para as equa¸oes e e c˜ a ordem (na verdade, ´ v´lida em geral). lineares de 2¯ e a Teorema 3.6. Sejam y1 (t) e y2 (t) solu¸˜es linearmente independentes co da equa¸˜o homogˆnea ca e y + a(t) y + b(t) y = 0, ¨ ˙ [L.H.] e seja ϕ(t) uma solu¸˜o particular da equa¸˜o n˜o homogˆnea [L.N.H.]. ca ca a e Ent˜o toda solu¸˜o y(t) de [L.N.H.] ´ da forma a ca e y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) + ϕ(t), (3.17) para alguma escolha conveniente das constantes c1 e c2 . ¸˜ ´ a Demonstracao. E f´cil mostrar que se ϕ1 e ϕ2 s˜o solu¸oes a c˜ de [L.N.H.], ent˜o a fun¸˜o ψ(t) = ϕ1 (t) − ϕ2 (t) ´ solu¸ao de [L.H.] a ca e c˜ (Exerc´ ıcio). Seja agora y(t) uma solu¸ao qualquer de [L.N.H.]. Pela parte an- c˜ terior a fun¸ao w(t) = y(t) − ϕ(t) ´ solu¸˜o de [L.H.]. Por´m, toda c˜ e ca e solu¸ao de [L.H.] ´ combina¸˜o linear de y1 (t) e y2 (t). Ent˜o c˜ e ca a y(t) − ϕ(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t). Logo, y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) + ϕ(t).
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 54 a e Observacao 3.12. A grande utilidade do Teorema 3.6 ´ que ele reduz ¸˜ e o problema de encontrar todas as solu¸oes de [L.N.H.] ao problema c˜ mais simples de encontrar duas solu¸oes linearmente independentes c˜ de [L.H.] e uma solu¸ao de [L.N.H.]. c˜ Observacao 3.13. A express˜o (3.17) ´ chamada solu¸˜o geral de ¸˜ a e ca [L.N.H.]. Exemplo 3.8. Determine a solu¸˜o geral de y + y = t. ca ¨ Solucao: Vamos determinar a solu¸ao geral da homogˆnea associ- ¸˜ c˜ e ada: y + y = 0. A equa¸ao caracter´ ¨ c˜ ıstica λ2 + 1 = 0 possui ra´ ızes it complexas λ = ±i. Logo ψ(t) = e = cos t + i sen t ´ uma solu¸ao e c˜ a valores complexos. Ent˜o y1 (t) = cos t e y2 (t) = sen t s˜o duas a a solu¸oes reais linearmente independentes de y + y = 0. Al´m disso, c˜ ¨ e ϕ(t) = t ´ obviamente uma solu¸ao particular de y + y = t. Logo, pelo e c˜ ¨ Teorema 3.6, toda solu¸˜o desta equa¸ao ´ da forma ca c˜ e y(t) = c1 cos t + c2 sen t + t. Exemplo 3.9. Trˆs solu¸oes de uma equa¸ao linear n˜o homogˆnea de e c˜ c˜ a e a ordem s˜o: ϕ (t) = t, ϕ (t) = t + et e ϕ (t) = 1 + t + et . Determine 2¯ a 1 2 3 a solu¸ao geral desta equa¸˜o. c˜ ca Solucao: As fun¸oes ϕ2 (t) − ϕ1 (t) = et e ϕ3 (t) − ϕ2 (t) = 1 s˜o ¸˜ c˜ a t solu¸oes da homogˆnea associada e, al´m disso, as fun¸˜es e e 1 s˜o c˜ e e co a linearmente independentes. Logo, a solu¸˜o geral de tal equa¸ao ´: ca c˜ e y(t) = c1 + c2 et + t. Exerc´ ıcios: Sabendo que ϕ1 , ϕ2 e ϕ3 s˜o solu¸˜es de uma equa¸˜o a co ca linear n˜o homogˆnea de 2¯ a e a ordem, determinar a solu¸˜o geral desta ca equa¸ao, sendo: c˜ a) ϕ1 (t) = t2 , ϕ2 (t) = t2 + e2 t e ϕ3 (t) = 1 + t2 + 2 e2 t . 2 2 b) ϕ1 (t) = 1 + et , ϕ2 (t) = 1 + t + et e ϕ3 (t) = (t + 1) et + 1.
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 55 a e Para resolvermos uma equa¸ao linear n˜o homogˆnea precisamos c˜ a e saber encontrar uma solu¸˜o particular. Veremos agora dois m´todos ca e para determinar tal solu¸ao. c˜ 3.4.1 ´ Metodo dos Coeficientes a Determinar Vamos estudar a equa¸ao c˜ a y + b y + c y = g(t), ¨ ˙ (3.18) em que a, b e c s˜o constantes reais e g(t) ´ uma fun¸˜o exponencial, a e ca ou um polinˆmio, ou sen t ou cos t. Para estes tipos de fun¸oes g, de- o c˜ terminaremos facilmente uma solu¸˜o particular. O m´todo tamb´m ca e e se aplica a produtos de tais fun¸oes, ou seja c˜ g(t) = eαt (a0 + a1 t + · · · + an tn ) (b1 sen β t + b2 cos β t). Antes de discutir um procedimento geral, vamos considerar alguns exemplos: Exemplo 3.10. Encontre uma solu¸ao particular da equa¸ao c˜ c˜ y − 3 y − 4 y = 2 sen t. ¨ ˙ Solucao: Queremos uma fun¸ao yp (t) tal que a soma de sua 2a ¸˜ c˜ ¯ derivada menos 3 vezes a sua 1a derivada menos 4 vezes a pr´pria ¯ o fun¸ao seja igual a 2 sen t. H´ pouca chance de sucesso se tentar- c˜ a mos fun¸˜es como ln t, et ou t2 , pois n˜o importa como combinamos co a estas fun¸oes ´ imposs´ c˜ e ıvel obter 2 sen t. Parece obvio que devemos ´ considerar para yp fun¸oes como sen t e cos t. Vamos ent˜o tentar c˜ a yp (t) = A cos t + B sen t, em que A e B s˜o constantes a serem deter- a minadas. Logo, yp (t) = −A sen t + B cos t =⇒ yp (t) = −A cos t − B sen t ˙ ¨ e, substituindo na equa¸ao, obtemos c˜ (−5 A − 3 B) cos t + (3 A − 5 B) sen t = 2 sen t.
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 56 a e Esta equa¸ao estar´ identicamente satisfeita se e somente se c˜ a −5 A − 3 B = 0 3 5 =⇒ A = e B=− . 3A − 5B = 2 17 17 Logo, uma solu¸˜o particular da equa¸˜o ´: ca ca e 3 5 yp (t) = cos t − sen t. 17 17 Exemplo 3.11. Idem para y − 3 y − 4 y = 4 t2 . ¨ ˙ ¸˜ ´ Solucao : E natural tentar yp (t) = A t2 , em que A ´ uma constante e a ser determinada. Ent˜o, yp (t) = 2 A t. Logo, yp (t) = 2 A. Substi- a ˙ ¨ tuindo na equa¸˜o, obtemos ca 2 A − 6 A t − 4 A t2 = 4 t2 =⇒ A = 0 e A = −1. Portanto, ´ imposs´ achar uma solu¸ao da forma A t2 . Entretanto, e ıvel c˜ pensando no termo 4 t2 como 4 t2 +0 t+0, agora parece razo´vel tentar a 2 yp (t) = A t +B t+C, em que A, B e C devem ser determinadas. Ent˜o a yp (t) = 2 A t + B ˙ e yp (t) = 2 A. ¨ Portanto, −4 A t2 + (−6 A − 4 B) t + (2 A − 3 B − 4C) = 4 t2 . Ou seja, A = −1, B = 3/2 e C = −13/8. Logo, 3 13 yp (t) = −t2 + t− . 2 8 Exemplo 3.12. Idem para y − 3 y − 4 y = e5 t . ¨ ˙ Solucao: Vamos tentar yp (t) = A e5 t . Portanto, yp (t) = 5 A e5 t e ¸˜ ˙ yp (t) = 25 A e5 t . Substituindo na equa¸ao, temos que 6 A e5 t = e5 t . ¨ c˜ 1 Ou seja A = . Portanto, 6 1 5t yp (t) = e . 6
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 57 a e Exemplo 3.13. Idem para y − 3 y − 4 y = e−t . ¨ ˙ Solucao: Seria natural tentar yp (t) = A e−t . Portanto, yp (t) = ¸˜ ˙ −A e e yp (t) = A e . Substituindo na equa¸ao, temos 0·A e = e−t −t ¨ −t c˜ −t o que implica que ´ imposs´ determinar A tal que A e−t seja solu¸˜o e ıvel ca −t desta equa¸ao. A dificuldade neste caso ´ que e ´ uma solu¸˜o da c˜ e e ca −t equa¸ao homogˆnea associada e, portanto, A e tamb´m ´ solu¸˜o c˜ e e e ca da equa¸ao homogˆnea. Abaixo veremos como resolver esta equa¸ao, c˜ e c˜ t e−t cuja yp (t) = − . 5 Passemos ao estudo do caso geral em que g possui uma das formas: a) Pn (t) = an tn + an−1 tn−1 + · · · + a1 t + a0 , b) eαt Pn (t), c) eαt Pn (t) sen β t ou eαt Pn (t) cos β t, d) combina¸oes lineares das anteriores. c˜ 1o caso: Se g(t) = Pn (t), an = 0, ent˜o a equa¸ao (3.18) torna-se ¯ a c˜ a y + b y + c y = an tn + an−1 tn−1 + · · · + a1 t + a0 . ¨ ˙ (3.19) Devemos procurar yp (t) de tal forma que a combina¸ao a yp +b y˙p + c˜ ¨ c yp seja um polinˆmio de grau n. O candidato natural ´: o e yp (t) = An tn + An−1 tn−1 + · · · + A1 t + A0 com os coeficientes A0 , A1 , . . ., An a serem determinados. Substi- tuindo na equa¸˜o (3.19), temos: ca a [n (n − 1) An tn−2 + (n − 1)(n − 2) An−1 tn−3 + · · · + 6 A3 t + 2 A2 ] + b [n An tn−1 + (n − 1) An−1 tn−2 + · · · + 2 A2 t + A1 ] (3.20) + c [An tn + An−1 tn−1 + · · · + A1 t + A0 ] = an tn + an−1 tn−1 + · · · + a1 t + a0 .
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 58 a e Igualando os coeficientes, obtemos    c An = an c An−1 + n b An = an−1     c An−2 + (n − 1) b An−1 + n (n − 1) a An = an−2 (3.21)  . .     .  c A0 + b A1 + 2 a A2 = a0 . Se c = 0, determinamos, pela primeira equa¸ao de (3.21), que c˜ an An = . Em seguida, substituimos An na segunda equa¸ao, obtemos c˜ c an−1 − (n b an )/c An−1 = e assim sucessivamente. c Se c = 0 e b = 0, ent˜o a yp + b yp ´ um polinˆmio de grau n − 1, a ¨ ˙ e o enquanto que Pn (t) ´ um polinˆmio de grau n. Assim, ´ imposs´ e o e ıvel resolver (3.21). Para garantir que a yp + b yp seja um polinˆmio de ¨ ˙ o grau n, devemos escolher yp como sendo um polinˆmio de grau n + 1. o Portanto, assumimos yp (t) = t (An tn + · · · + A1 t + A0 ) (omitimos o termo constante pois y = constante ´ uma solu¸ao da e c˜ equa¸ao homogˆnea a y + b y = 0) e procedemos como anteriormente. c˜ e ¨ ˙ Se b = c = 0, ent˜o tomamos yp (t) = t2 (An tn + · · · + A1 t + A0 ). a 2o caso: Consideremos a equa¸˜o diferencial: ¯ ca a y + b y + c y = eα t Pn (t). ¨ ˙ (3.22) Se removermos o fator eαt do segundo membro de (3.22), esta equa¸ao c˜ torna-se igual a equa¸ao (3.19). Para conseguirmos isto pomos y = ` c˜ eα t v. Ent˜o y = eα t (v + α v) e y = eαt (¨ + 2 α v + α2 v). Substituindo a ˙ ˙ ¨ v ˙ na equa¸ao (3.22) e cancelando o fator comum eα t , obtemos c˜ a v + (2 a α + b)v + (a α2 + b α + c) v = Pn (t). ¨ ˙ (3.23)
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 59 a e Conseq¨entemente, y(t) = eα t v(t) ´ solu¸ao de (3.22) se e somente se u e c˜ v(t) ´ solu¸ao de (3.23), que ´ um problema j´ resolvido. e c˜ e a Para encontrar uma solu¸˜o particular v(t) de (3.23), devemos dis- ca tinguir os seguintes casos: (i) a α2 + b α + c = 0, (ii) a α2 + b α + c = 0, mas 2 a α + b = 0, (iii) a α2 + b α + c = 2 a α + b = 0. O caso (i) significa que α n˜o ´ raiz da equa¸ao caracter´ a e c˜ ıstica a λ2 + b λ + c = 0, (3.24) ou seja, eα t n˜o ´ solu¸ao da equa¸ao homogˆnea a y + b y + c y = 0. a e c˜ c˜ e ¨ ˙ Neste caso, temos que yp (t) = Qn (t) e , em que Qn (t) = An tn + · · · + αt A1 t + A0 . A condi¸˜o (ii) significa que α ´ raiz simples da equa¸ao carac- ca e c˜ ıstica (3.24), ou seja eα t ´ solu¸˜o da equa¸˜o homogˆnea, mas ter´ e ca ca e αt αt t e n˜o ´. Neste caso, yp (t) = t Qn (t) e . a e Finalmente, a condi¸ao (iii) significa que tanto eα t como t eα t s˜o c˜ a 2 αt solu¸oes da equa¸ao homogˆnea e, portanto, yp (t) = t Qn (t) e . c˜ c˜ e Exemplo 3.14. Encontre uma solu¸ao particular da equa¸ao c˜ c˜ y − 3 y + 2 y = (4 − 6 t) e−t . ¨ ˙ Solucao: A equa¸˜o caracter´ ¸˜ ca ıstica λ2 −3 λ+2 = 0 possui duas ra´ ızes distintas λ1 = 1 e λ2 = 2. Portanto, y1 (t) = et e y2 (t) = e2 t formam uma base de espa¸o solu¸ao da equa¸ao homogˆnea. Logo, e−t n˜o c c˜ c˜ e a ´ solu¸˜o da homogˆnea. Portanto, fazemos yp (t) = (A + B t) e−t e e ca e temos que yp (t) = (A + B − B t) e−t ˙ e yp (t) = (A − 2 B + B t)e−t . ¨
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 60 a e Substituindo na equa¸˜o e cancelando o fator e−t , obtemos ca 6A − 5B = 4 A = −1 6 A − 5 B + 3 B t = 4 − 6 t =⇒ =⇒ 3B = −6 B = −2. Logo, yp (t) = −(1 + 2 t) e−t ´ uma solu¸ao. e c˜ Exemplo 3.15. Idem para y − 3 y + 2 y = (1 + t) et . ¨ ˙ Solucao: Como vimos, no Exemplo 3.14, et ´ solu¸ao da equa¸ao ¸˜ e c˜ c˜ homogˆnea associada. Assim, devemos tentar yp (t) = t (A + B t) et . e Isso implica que yp (t) = [A+(A+2 B) t+B t2 ] et e yp (t) = [2A+2 B+(A+4 B) t+B t2 ] et . ˙ ¨ Substituindo na equa¸˜o e cancelando o fator et , obtemos ca −A + 2 B = 1 1 −A+2 B−2 B t = 1+t =⇒ =⇒ A = −2 e B = − . −2 B = 1 2 Logo, yp (t) = (−2 t − t2 /2) et . Exemplo 3.16. Encontrar uma solu¸ao particular para a equa¸ao c˜ c˜ 2 3 5 3t y − 6 y + 9 y = (6 + 12 t + 12 t + 40 t + 42 t ) e . ¨ ˙ Solucao: A equa¸˜o caracter´ ¸˜ ca ıstica λ2 − 6 λ + 9 = 0 possui ra´ızes 3t 3t iguais λ1 = λ2 = 3. Portanto, y1 (t) = e e y2 (t) = t e s˜o solu¸oes a c˜ da equa¸˜o homogˆnea associada. Logo, a solu¸ao particular da n˜o ca e c˜ a homogˆnea ´ da forma e e yp (t) = t2 (A0 + A1 t + A2 t2 + A3 t3 + A4 t4 + A5 t5 ) e3 t . Como se pode notar ´ bem trabalhoso esta express˜o na equa¸ao dada e a c˜ ´ muito mais pr´tico fazer y(t) = e3 t v. Isso para obter os coeficientes. E a implica que y = (v + 3 v) e3 t e y = (¨ + 6 v + 9 v) e3 t . Substituindo na ˙ ˙ ¨ v ˙ equa¸ao e cancelando o fator e3 t , obtemos c˜ v = 6 + 12 t + 12 t2 + 40 t3 + 42 t5 . ¨
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 61 a e Integrando duas vezes, vem v(t) = 3 t2 + 2 t3 + t4 + 2 t5 + t7 . Logo, uma solu¸˜o particular ´ ca e yp = (3 t2 + 2 t3 + t4 + 2 t5 + t7 ) e3 t . 3o caso: Consideremos agora a equa¸ao diferencial ¯ c˜ a y + b y + c y = eα t Pn (t) sen βt ¨ ˙ (ou cos β t). (3.25) Este problema pode ser reduzido ao anterior se notarmos que: (i) ei β t = cos β t + i sen β t e (ii) se y(t) = u(t) + i v(t) ´ uma solu¸˜o com valores complexos da e ca equa¸ao c˜ a y + b y + c y = g1 (t) + i g2 (t), ¨ ˙ em que a, b e c s˜o constantes reais, ent˜o a a a u + b u + c u = g1 (t) ¨ ˙ a v + b v + c v = g2 (t). ¨ ˙ ıcio: Prove (ii). Exerc´ Seja ϕ(t) = u(t) + i v(t) uma solu¸˜o particular da equa¸˜o ca ca a y + b y + c y = eα t (a0 + · · · + an tn ) eiβ t . ¨ ˙ (3.26) A parte real do segundo membro de (3.26) ´ eα t (a0 +· · ·+an tn ) cos β t e e a parte imagin´ria ´ eα t (a0 + · · · + an tn ) sen β t; segue-se de (ii) que a e u(t) = [ϕ(t)] ´ uma solu¸ao de e c˜ a y + b y + c y = eα t (a0 + · · · + an tn ) cos β t ¨ ˙
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 62 a e e v(t) = [ϕ(t)] ´ uma solu¸ao de e c˜ a y + b y + c y = eα t (a0 + · · · + an tn ) sen β t. ¨ ˙ Exemplo 3.17. Encontre uma solu¸ao particular da equa¸ao c˜ c˜ y − 3 y + 2 y = 20 sen 2 t. ¨ ˙ Solucao: Vamos determinar yp (t) como a parte imagin´ria de uma ¸˜ a solu¸ao com valores complexos ϕ(t) da equa¸ao y − 3 y + 2 y = 20 e2 i t . c˜ c˜ ¨ ˙ Como e2it n˜o ´ solu¸ao da homogˆnea associada, devemos tentar a e c˜ e solu¸ao da forma ϕ(t) = Ae2 i t . Isso implica que c˜ ϕ(t) = 2 i Ae2 i t ˙ e ϕ(t) = −4 A e2 i t . ¨ Substituindo na equa¸ao diferencial, obtemos (−2 − 6 i) A = 20 ou c˜ A = −1 + 3 i. Logo, ϕ(t) = (−1 + 3 i) e2 i t = (−1 + 3 i) (cos 2 t + i sen 2 t). Logo, yp (t) = [ϕ(t)] = 3 cos 2 t − sen 2 t. 4o caso: Finalmente seja g(t) uma combina¸ao linear de fun¸˜es dos ¯ c˜ co tipos descritos nos casos 1, 2 e 3. Este caso pode ser resolvido usando o chamado Princ´ıpio da Superposicao de Solucoes, que diz: se ϕ1 ´ solu¸ao da equa¸˜o ¸˜ ¸˜ e c˜ ca a y + b y + c y = g1 (t) ¨ ˙ e ϕ2 ´ solu¸ao da equa¸˜o e c˜ ca a y + b y + c y = g2 (t) ¨ ˙
  • 71.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 63 a e e α1 , α2 s˜o constantes, ent˜o a fun¸ao ϕ(t) = α1 ϕ1 (t) + α2 ϕ2 (t) ´ a a c˜ e solu¸ao da equa¸˜o c˜ ca a y + b y + c y = α1 g1 (t) + α2 g2 (t). ¨ ˙ ıcio: Prove esta afirma¸ao. Exerc´ c˜ Exemplo 3.18. Determine uma solu¸˜o particular da equa¸˜o: ca ca y − 3 y + 2 y = (4 − 6 t) e−t + 20 sen 2 t. ¨ ˙ Solucao: Para encontrar uma solu¸ao particular desta equa¸ao de- ¸˜ c˜ c˜ vemos procurar solu¸˜es particulares yp1 (t) e yp2 (t) das equa¸˜es co co y − 3 y + 2 y = (1 + t) e3 t ¨ ˙ e y − 3 y + 2 y = 20 sen 2 t, ¨ ˙ respectivamente, e ent˜o somarmos essas duas solu¸˜es. Temos, do a co 3t Exemplo 3.14 que yp1 (t) = (−1/4 + t/2) e e do Exemplo 3.17 que yp2 (t) = 3 cos 2 t − sen 2 t. Logo, yp (t) = yp1 (t) + yp2 (t) = −(1 + 2 t) e−t + 3 cos 2 t − sen 2 t . Exerc´ ıcios 3.4. 1) Determine uma solu¸˜o particular de cada uma ca das seguintes equa¸˜es: co a) y + 4 y = sen t. ¨ ˙ b) y + 4 y = cos 2 t. ¨ c) y − y = t2 et . ¨ d) y + 2 y + y = e−t . ¨ ˙ e) y − 2 y + 5 y = 2 cos2 t. ¨ ˙ f) y + 4 y = t sen 2 t. ¨ g) y + y = cos t cos 2 t. ¨ h) y − 3 y + 2 y = et + e2 t . ¨ ˙ i) y + y − 6 y = sen t + te2 t . ¨ ˙ j) y + 2 y = 1 + t2 + e−2 t . ¨ ˙ 2) a) Seja L(y) = y − 2 λ1 y + λ2 y. Mostre que L[eλ1 t v(t)] = eλ1 t v (t). ¨ ˙ 1 ¨ b) Determine a solu¸ao geral da equa¸ao y − 6 y + 9 y = t3/2 e3 t . c˜ c˜ ¨ ˙
  • 72.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 64 a e 3.4.2 ´ ¸˜ ˆ Metodo de Variacao dos Parametros (ou ¸˜ Variacao das Constantes) Este ´ o m´todo mais geral para se encontrar solu¸˜o particular de e e ca equa¸ao diferencial n˜o homogˆnea, pois aplica-se tamb´m a equa¸oes c˜ a e e ` c˜ com coeficientes vari´veis. A desvantagem deste m´todo ´ que ele con- a e e duz ao c´lculo de integrais geralmente complicadas. O m´todo consiste a e em determinar uma solu¸ao particular da equa¸˜o n˜o homogˆnea c˜ ca a e y + a(t) y + b(t) y = g(t) ¨ ˙ [L.N.H.] uma vez conhecidas duas solu¸˜es linearmente independentes da equa¸˜o co ca homogˆnea associada e y + a(t) y + b (t)y = 0. ¨ ˙ [L.H.] Sejam y1 (t) e y2 (t) duas solu¸oes linearmente independentes da [L.H.]. c˜ Vamos procurar uma solu¸˜o particular yp (t) de [L.N.H.] da forma ca yp (t) = u1 (t) y1 (t) + u2 (t) y2 (t). (3.27) ¸˜ ` Observacao 3.14. A primeira vista, isto parece n˜o ter sentido, a pois estamos substituindo o problema de encontrar uma fun¸ao desco- c˜ nhecida yp (t) pelo problema de encontrar duas fun¸oes desconhecidas c˜ u1 (t) e u2 (t), que aparentemente ´ mais dif´ e ıcil. Entretanto, se traba- lharmos corretamente encontraremos u1 (t) e u2 (t) como as solu¸oes de c˜ duas equa¸oes de 1a ordem muito simples. c˜ ¯ Nosso objetivo, agora, ´ impor condi¸oes sobre u1 e u2 de modo e c˜ que a express˜o yp + a yp + b yp se torne t˜o simples quanto poss´ a ¨ ˙ a ıvel. Derivando (3.27), obtemos yp = u1 y1 + u2 y2 + u1 y1 + u2 y2 . ˙ ˙ ˙ ˙ ˙ Para simplificar as express˜es de yp e yp , vamos impor sobre u1 e u2 a o ˙ ¨ condi¸ao: c˜ u1 y1 + u2 y2 = 0. ˙ ˙
  • 73.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 65 a e Com isto, temos yp = u1 y1 + u1 y1 + u2 y2 + u2 y2 . ¨ ˙ ˙ ¨ ˙ ˙ ¨ Substituindo yp , yp e yp na equa¸ao [L.N.H.] e agrupando convenien- ˙ ¨ c˜ temente, obtemos u1 y1 + u2 y2 + u1 [¨1 + a y1 + b y1 ] + u2 [¨2 + a y2 + b y2 ] = g. ˙ ˙ ˙ ˙ y ˙ y ˙ Como y1 e y2 s˜o solu¸˜es da homogˆnea, vem a co e u1 y1 + u2 y2 = g. ˙ ˙ ˙ ˙ Ent˜o, yp = u1 y1 + u2 y2 ´ uma solu¸ao da [L.N.H.] se u1 e u2 satisfi- a e c˜ zerem as duas condi¸oes: c˜ y1 u1 + y2 u2 = 0 ˙ ˙ y1 u1 + y2 u2 = g ˙ ˙ ˙ ˙ que ´ um sistema linear em u1 e u2 cujo determinante da matriz dos e ˙ ˙ coeficientes ´ W (t) = W [ y1 , y2 ](t). Note W (t) ´ diferente de zero, e e pois y1 e y2 s˜o solu¸˜es linearmente independentes da [L.H.]. Logo, a co g y2 g y1 u1 = − ˙ e u2 = ˙ . W W Finalmente, por integra¸˜o, obtemos u1 e u2 e, conseq¨entemente, yp . ca u Observacao 3.15. A solu¸˜o geral de [L.H.] ´ ¸˜ ca e y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t). Fazendo c1 e c2 variar com o tempo, obtemos uma solu¸˜o da [L.N.H.]. ca Da´ o nome varia¸˜o dos parˆmetros (ou constantes). ı, ca a Exemplo 3.19. Determine uma solu¸˜o particular da equa¸˜o ca ca t y − y = 4e . ¨ Solucao: Primeiramente, devemos encontrar duas solu¸oes linear- ¸˜ c˜ mente independentes da homogˆnea associada y − y = 0. A equa¸ao e ¨ c˜
  • 74.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Eq. N˜o Homogˆnea 66 a e caracter´ ıstica λ2 −1 = 0 possui duas ra´ distintas λ1 = 1 e λ2 = −1. ızes t −t Portanto, y1 (t) = e e y2 (t) = e s˜o solu¸˜es da homogˆnea com a co e W [ y1 , y2 ](t) = −2 = 0. Ent˜o yp (t) = u1 (t) y1 (t) + u2 (t) y2 (t), em a que −g(t) y2 (t) −4 et e−t u1 (t) = ˙ = = 1 =⇒ u1 (t) = 2 t W −2 e g(t) y1 (t) 4 et et u2 (t) = ˙ = = −2 e2 t =⇒ u2 (t) = −e2 t . W −2 Logo, uma solu¸˜o particular de y − y = 2et ´: ca ¨ e yp (t) = 2 t et − et . Exerc´ ıcios 3.5. 1) Encontre a solu¸ao geral, usando o m´todo de c˜ e varia¸˜o dos parˆmetros para determinar uma particular, de: ca a a) y + y = tg t, ¨ no intervalo 0 t π/2. b) y − 5 y + 6 y = t et . ¨ ˙ c) y + 2 y + y = 3 e−t . ¨ ˙ d) y − 4 y + 3 y = et /(1 + et ). ¨ ˙ e) y + y = cos2 t. ¨ f) t2 y + t y − y = 4. ¨ ˙ g) t2 y − 2 y + 2 y = t4 . ¨ ˙ h) t2 y − 2 t y + 2 y = t−2 . ¨ ˙ i) t¨ − y = 2 t2 et . y ˙ Sugestao: Nos exerc´ ˜ ıcios f, g, h e i determine por tentativa uma base de solu¸˜es para as homogˆneas associadas. co e 2) Sabendo-se que as fun¸˜es t−1/2 sen t e t−1/2 cos t s˜o solu¸oes co a c˜ 2 2 linearmente independentes da equa¸˜o t y + t y + (t − 1/4) y = 0, ca ¨ ˙ t 0, encontre a solu¸˜o geral de t y + t y + (t − 1/4) y = 3 t3/2 sen t. ca 2 ¨ ˙ 2 3) Determine duas solu¸˜es LI de t2 y − 2 y = 0 da forma y(t) = tr . co ¨ Usando essas duas solu¸oes, determine a solu¸ao geral de t2 y −2 y = t2 . c˜ c˜ ¨ 4) Uma solu¸ao da equa¸˜o y + p(t) y + q(t) y = 0 ´ (1 + t)2 , e c˜ ca ¨ ˙ e
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Aplica¸˜es 67 co o wronskiano de duas solu¸oes quaisquer, desta equa¸ao, ´ constante. c˜ c˜ e Determine a solu¸˜o geral de: y + p(t) y + q(t) y = 1 + t. ca ¨ ˙ 3.5 ¸˜ Algumas Aplicacoes 3.5.1 ¸˜ ˆ Vibracoes Mecanicas (a) Vibracoes Amortecidas Forcadas ¸˜ ¸ Consideremos o sistema massa-mola enunciado no Cap´ ıtulo 1, Se¸ao c˜ 1.1.3, e suponhamos que esteja imerso em um meio, tal como oleo, que ´ ofere¸a uma for¸a de resistˆncia ao movimento (atrito) que em geral ´ c c e e proporcional ` velocidade. Este problema, estudado no Exemplo 3.7, a s˜o as vibra¸˜es livres amortecidas. Analisemos agora o problema em a co que a massa est´ sujeita a uma for¸a externa F (t) = F0 cos ωt. Ent˜o a c a a equa¸ao diferencial que nos d´ o movimento da massa ´ c˜ a e m y + c y + k y = F0 cos ω t. ¨ ˙ Usando o m´todo dos coeficientes a determinar, encontramos uma e solu¸ao particular c˜ F0 yp (t) = [(k − m ω 2 ) cos ω t + c ω sen ω t] (k − m ω 2 )2 + c2 ω 2 F0 = 2 )2 + c2 ω 2 [(k − m ω 2 )2 + c2 ω 2 ]1/2 cos(ω t − α) (k − m ω F0 cos(ω t − α) = , [(k − m ω 2 )2 + c2 ω 2 ]1/2 em que α = arctg(c ω/(k − m ω 2 )). Portanto, toda solu¸ao y(t) da c˜ equa¸ao acima ´ da forma c˜ e F0 cos(ω t − α) y(t) = ϕ(t) + , [(k − m ω 2 )2 + c2 ω 2 ]1/2
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Aplica¸˜es 68 co onde ϕ(t) ´ uma solu¸ao da equa¸ao homogˆnea associada. Conforme e c˜ c˜ e vimos no Exemplo 3.7 temos que ϕ(t) → 0 quando t → ∞. Portanto, para t grande, y(t) = yp (t) descreve muito precisamente a posi¸ao da c˜ massa m, independentemente de sua posi¸ao e velocidade iniciais. Por c˜ esta raz˜o, yp (t) ´ chamada a parte estacion´ria da solu¸˜o e ϕ(t) a e a ca ´ chamada a parte transit´ria da solu¸ao. e o c˜ (b) Vibracoes Forcadas nao Amortecidas ¸˜ ¸ ˜ Consideremos o problema acima com c = 0, isto ´, sem amorteci- e mento. Ent˜o a equa¸˜o diferencial que nos d´ o movimento da massa a ca a ´ e m y + k y = F0 cos ω t ¨ ou 2 F0 y + ω0 y = ¨ cos ω t, m 2 k em que ω0 = . m O caso ω = ω0 n˜o tem interesse. Toda solu¸ao ´ da forma a c˜ e F0 y(t) = c1 cos ω0 t + c2 sen ω0 t + 2 cos ω t. m (ω0 − ω 2 ) Portanto, ´ soma de duas fun¸oes peri´dicas de per´ e c˜ o ıodos diferentes. O caso interessante ´ aquele em que ω = ω0 , isto ´, quando a freq¨ˆncia e e ue ω da for¸a externa ´ igual a freq¨ˆncia natural do sistema. Este caso c e ue ´ chamado de ressonˆncia e a equa¸˜o diferencial do movimento da e a ca massa ´e 2 F0 y + ω0 y = ¨ cos ω0 t. (3.28) m Encontraremos uma solu¸ao particular yp (t) de (3.28) como a parte c˜ real de uma solu¸ao com valores complexos da equa¸ao c˜ c˜ 2 F0 i ω0 t y + ω0 y = ¨ e . (3.29) m
  • 77.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Aplica¸˜es 69 co Como ei ω0 t ´ solu¸˜o da equa¸ao homogˆnea y + ω0 y = 0, a equa¸ao e ca c˜ e ¨ 2 c˜ i ω0 t (3.29) tem uma solu¸˜o da forma ϕ(t) = A t e ca , para alguma cons- tante A. Ent˜oa ϕ(t) = A ei ω0 t + i ω0 A t eiω0 t ˙ e ϕ(t) = 2 i ω0 A ei ω0 t − ω0 A t ei ω0 t . ¨ 2 Logo, F0 i ω0 t e = ϕ + ω0 ϕ = 2 i ω0 A ei ω0 t . ¨ 2 m Isto implica que A = −i F0 /(2 m ω0 ) e, portanto, i F0 t i ω0 t i F0 t ϕ(t) = − e =− (cos ω0 t + i sen ω0 t) 2 m ω0 2 m ω0 i F0 t i F0 t = sen ω0 t − cos ω0 t. 2 m ω0 2 m ω0 F0 t Logo, yp (t) = [ϕ(t)] = sen ω0 t ´ uma solu¸ao particular de e c˜ 2 m ω0 (3.28). Conseq¨entemente, toda solu¸˜o y(t) de (3.28) ´ da forma: u ca e F0 t y(t) = c1 cos ω0 t + c2 sen ω0 t + sen ω0 t. 2 m ω0 T yp t E Notamos que a soma das duas primeiras parcelas ´ uma fun¸ao e c˜ peri´dica de t e a terceira parcela representa uma oscila¸˜o de am- o ca plitude crescente. Portanto, se a for¸a externa F0 cos ωt, est´ em c a ressonˆncia com a freq¨ˆncia natural do sistema, causar´ sempre os- a ue a cila¸oes ilimitadas. Tal fenˆmeno foi respons´vel pela queda da Ponte c˜ o a de Tacoma ([4]) e muitas outras cat´strofes mecˆnicas. a a
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Aplica¸˜es 70 co 3.5.2 ´ Circuitos Eletricos Consideremos agora um sistema el´trico, o qual serve para mostrar que e sistemas f´ısicos inteiramente diversos podem corresponder ` mesma a equa¸ao diferencial, o que ilustra o papel unificador que a Matem´tica c˜ a representa junto a v´rios fenˆmenos de natureza f´ a o ısica completamente diferentes. Vamos obter uma correspondˆncia entre sistemas el´tricos e e e mecˆnicos que n˜o ´ simplesmente qualitativa, mas estritamente a a e quantitativa porque, dado um sistema mecˆnico, podemos construir a um sistema el´trico cuja corrente forne¸a os valores exatos do deslo- e c camento no sistema mecˆnico, quando introduzimos fatores da escala a adequados. A analogia pode ser empregada para construir um mo- delo el´trico de um dado sistema mecˆnico. Em muitos casos, isto e a constitui uma simplifica¸ao essencial, porque os circuitos el´tricos s˜o c˜ e a f´ceis de montar e as correntes e tens˜es s˜o medidas com facilidade, a o a enquanto a constru¸˜o de um modelo mecˆnico pode ser complicada ca a e cara, e a medida dos deslocamentos, demorada e imprecisa. Examinemos o circuito RLC representado na figura abaixo, em que E representa uma fonte de for¸a eletromotriz (gerador ou bateria) c que produz uma diferen¸a de potencial que produz uma corrente I c que passa atrav´s do circuito quando a chave S ´ fechada. R denota e e a resistˆncia ao fluxo da corrente (tal como a produzida por uma e lˆmpada), L, um indutor (bobina de fio de cobre). a E I R
  • 79.
    E L C e rS e Quando a corrente passa atrav´s da bobina, produz-se um campo e magn´tico que se op˜e a qualquer mudan¸a na corrente atrav´s desta e o c e
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Aplica¸˜es 71 co bobina. A varia¸˜o de voltagem produzida pela bobina ´ proporcional ca e a taxa de varia¸˜o da corrente. A constante de proporcionalidade ´ ` ca e chamada indutˆncia L da bobina. a C = capacitor, que consiste geralmente de duas placas de metal separadas por um material atrav´s do qual pode passar pouca corrente. e Um capacitor tem o efeito de reverter o fluxo da corrente quando uma das placas se torna carregada. Seja Q(t) a carga do capacitor no instante t. Para deduzir uma equa¸ao diferencial satisfeita por Q(t) usaremos a 2a lei de Kirchhoff: c˜ ¯ “Num circuito fechado, a voltagem aplicada ´ igual ` soma das e a quedas de voltagem no resto do circuito.” Como a queda de voltagem atrav´s do resistor R ´ igual a RI, e e dI atrav´s do indutor L ´ igual a L e e e atrav´s do capacitor C ´ igual a e e dt Q/C, temos que dI Q L + R I + = E(t) dt C dQ(t) e, como I(t) = , vem que dt d2 Q dQ Q L 2 +R + = E(t). dt dt C Esta equa¸ao e a equa¸ao do sistema massa-mola, apresentado na c˜ c˜ Subse¸ao 3.5.1, s˜o essencialmente a mesma. Isto mostra que o circuito c˜ a RLC ´ o an´logo el´trico ao sistema mecˆnico da aplica¸˜o anterior, e e a e a ca podemos estabelecer a seguinte correspondˆncia entre as quantidades e el´tricas e mecˆnicas. e a indutˆncia L a ←→ massa m resistˆncia R e ←→ constante de amortecimento c rec´ ıproco da capacitˆncia 1/C a ←→ constante da mola k for¸a eletromotriz E(t) c ←→ for¸a aplicada F (t) c carga Q(t) ←→ deslocamento y(t).
  • 81.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Aplica¸˜es 72 co 3.5.3 ¸˜ Outras Aplicacoes 1) Um modelo para descoberta de diabetes ([4] - pag. 157). 2) Lei da Gravita¸ao de Newton e o movimento dos Planetas ([11] - c˜ pag.647). 3) Um modelo de popula¸˜o ([9] - pag. 111). ca 4) Propaga¸˜o de ondas monocrom´ticas em um meio unidimensional ca a ([1] - pag. 128). 5) Deflex˜o de vigas ([10] - pag. 108). a 6) Cabos suspensos ([10] - pag. 112). Exerc´ ıcios 3.6. 1) Um indutor de 0, 2 henrys, um resistor de 16 ohms e um capacitor de 0,02 farads s˜o ligados em s´rie com uma a e for¸a eletromotriz de E volts. No instante t = 0 a carga do capacitor c e a corrente no circuito s˜o nulas. Encontre a carga e a corrente em a qualquer instante t 0, se: a) E = 300 volts; b) E = 100 sen 3 t volts. 2) Determine a corrente estacion´ria em um circuito RLC, em que: a a) R = 20 ohms; L = 10 henrys; C = 0,05 farad; E = 50 sen t volts. b) R = 40 ohms; L = 10 henrys; C = 0,02 farad; E = 800 cos t volts. 3) Encontrou-se experimentalmente que 9,44 N de peso esticam uma mola em 15,24 cm. Se o peso ´ puxado para baixo adicionalmente e em 7,62 cm e solto, determine a amplitude, per´ıodo e freq¨ˆncia do ue movimento, desprezada a resistˆncia do ar. (A massa m de um objeto e em termos de seu peso, ω, ´ m = ω/g = ω/9, 8). e 4) Um sistema massa-mola amortecido com m = 1, k = 2 e c = 2 (em suas respectivas unidades) est´ suspenso em equil´ a ıbrio. Uma for¸a c externa F (t) = (π − t) N atua sobre o sistema entre t = 0 e t = π. Determine a posi¸˜o da massa em qualquer instante t π. ca
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem Cap. 3 ¯ Eq. de Ordem Superior 73 3.6 ¸˜ Equacoes de Ordem Superior Discutiremos, aqui, rapidamente as equa¸oes diferenciais lineares c˜ de ordem superior, pois toda teoria desenvolvida para a equa¸˜o linear ca a ordem pode ser estendida para a equa¸ao de ordem n. de 2¯ c˜ y (n) + a1 (t) y (n−1) + · · · + an−1 (t) y + an (t) y = g(t), ˙ [L.N.H.] em que n ´ qualquer n´mero natural. e u O pr´ximo teorema cont´m os principais resultados sobre as equa- o e ¸oes de ordem n. Sua demonstra¸ao ser´ omitida, pois ´ simples c˜ c˜ a e adapta¸ao do que j´ foi visto. c˜ a Teorema 3.7. Suponhamos que a1 (t), . . ., an (t) e g(t) sejam fun¸˜es co cont´nuas num intervalo I. Ent˜o: ı a (i) O conjunto de todas as solu¸˜es da equa¸˜o homogˆnea co ca e y (n) + a1 (t) y (n−1) + · · · + an−1 (t) y + an (t)y = 0 ˙ [L.H.] ´ um espa¸o vetorial de dimens˜o n. e c a (ii) Sejam y1 (t), . . ., yn (t) solu¸˜es de [L.H.]. Estas fun¸˜es s˜o co co a linearmente independentes se, e somente, se   y1 (t0 ) ··· yn (t0 ) . . . . det  =0   . . (n−1) (n−1) y1 (t0 ) · · · yn (t0 ) para algum t0 ∈ I. Este determinante ´ chamado Wronskiano de e y1 , . . . , y n . (iii) Se yp (t) ´ uma solu¸˜o particular de [L.N.H.] e y1 , . . . , yn s˜o e ca a solu¸˜es linearmente independentes de [L.H.], ent˜o a solu¸˜o geral co a ca y(t) de [L.N.H.] ´ da forma e n y(t) = yp (t) + cj yj (t). j=1
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem Cap. 3 ¯ Eq. de Ordem Superior 74 No caso em que a1 , . . . , an s˜o constantes, temos que y(t) = eλ t ´ a e solu¸ao de [L.H.] se, e somente, se λ ´ raiz da equa¸˜o caracter´ c˜ e ca ıstica λn + a1 λn−1 + · · · + an−1 λ + an = 0. (3.30) Como antes, temos trˆs casos a considerar: e a) A equa¸ao caracter´ c˜ ıstica (3.30) possui n ra´ ızes reais distintas λ1 , . . . , λn . Ent˜o, as fun¸oes a c˜ eλ1 t , eλ2 t , . . . , eλn t s˜o solu¸˜es reais linearmente independentes de [L.H]. a co b) A equa¸ao (3.30) possui n ra´ c˜ ızes distintas λ1 , λ2 , . . . , λn , mas algumas s˜o complexas. Se α + iβ = 0, β = 0, ´ uma raiz de (3.30), a e (α+βi)t ent˜o e a ´ uma solu¸ao complexa de [L.H] a qual d´ origem a e c˜ a duas solu¸oes reais linearmente independentes: c˜ u(t) = (e(α+i β) t ) = eα t cos β t e v(t) = (e(α+i β) t ) = eα t sen β t. c) As ra´ λ1 , λ2 , . . . , λn n˜o s˜o todas distintas. Se λ ´ uma raiz ızes a a e de (3.30) com multiplicidade k, ent˜o as fun¸˜es eλ t , t eλ t , . . . , tk−1 eλ t a co s˜o k solu¸oes linearmentes independentes de [L.H]. a c˜ Daremos agora, alguns fatos que nos ajudar˜o na determina¸ao de a c˜ ra´ de polinˆmios. ızes o i) Dada a equa¸ao c˜ λn + an−1 λn−1 + · · · + a1 λ + a0 = 0, (3.31) onde a0 , a1 , . . . , an−1 s˜o inteiros, suas prov´veis ra´ inteiras s˜o os a a ızes a divisores de a0 .
  • 84.
    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem Cap. 3 ¯ Eq. de Ordem Superior 75 ii) Se λ1 ´ uma raiz de (3.31), ent˜o o algoritmo de Briot-Ruffini e a ´: e 1 an−1 an−2 ··· a1 a0 λ1 1 λ1 + an−1 λ1 bn−2 + an−2 ··· λ 1 b 1 + a1 0 bn−1 bn−2 bn−3 b0 e, portanto, λn +an−1 λn−1 +· · ·+a1 λ+a0 = (λ−λ1 )(λn−1 +bn−2 λn−2 +· · ·+b1 λ+b0 ). (iii) Raiz n-´sima de um n´mero complexo: e u Observamos primeiramente que todo n´mero complexo z pode ser u iθ escrito na forma z = re . De fato, se z = x + iy, na figura abaixo vemos que x = r cos θ e y = r sen θ. Logo, z = r(cos θ + i sen θ) = rei θ T z = x + iy T r y = r sen θ θ c E ' E x = r cos θ A raiz n-´sima de um n´mero complexo z = rei θ ´ dada por e u e √ √ θ + 2kπ θ + 2kπ n z = n r(cos + i sen ), k = 0, 1, 2, . . . , n − 1. n n Exemplo 3.20. Calcule as ra´ quartas de −1. ızes Solucao: Temos que −1 = cos π + i sen π = ei π = ei(π+2 k π) , k ∈ Z. ¸˜ Logo, √4 √ 4 π + 2kπ π + 2kπ −1 = 1(cos + i sen ). 4 4
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem Cap. 3 ¯ Eq. de Ordem Superior 76 √ π π 2 k = 0 =⇒ z1 = cos + i sen = (1 + i), 4 4 2 √ 3π 3π − 2 k = 1 =⇒ z2 = cos + i sen = (1 − i), 4 4 2 √ 5π 5π − 2 k = 2 =⇒ z3 = cos + i sen = (1 + i), 4 4 √2 7π 7π 2 k = 3 =⇒ z4 = cos + i sen = (1 − i). 4 4 2 Exerc´ ıcios: 1) Calcule as ra´ quartas de −16. ızes 2) Calcule as ra´ quintas de −1. ızes 3) Calcule as ra´ sextas de 3. ızes Exemplo 3.21. Determine a solu¸˜o geral real da equa¸ao diferencial ca c˜ y (3) + y − 10 y = 0. ˙ Solucao: A equa¸ao caracter´ ¸˜ c˜ ıstica ´ λ3 + λ − 10 = 0 tem por ra´ e ızes: λ1 = 2, λ2 = −1 + 2 i e λ3 = −1 − 2 i. Portanto, y1 (t) = e2 t , y2 (t) = e−t cos 2 t e y3 (t) = e−t sen 2 t s˜o solu¸˜es linearmente independentes. a co Ent˜o a solu¸ao geral ´ a c˜ e y(t) = c1 e2 t + e−t (c2 cos 2 t + c3 sen 2 t). Exemplo 3.22. Idem para y (3) + 3 y + 3 y + y = 0. ¨ ˙ Solucao: A equa¸ao caracter´ ¸˜ c˜ ıstica ´ λ3 + 3 λ2 + 3 λ + 1 = 0 ou (λ + e 3 1) = 0. Logo, λ = −1 ´ raiz com multiplicidade 3 e, portanto, y1 (t) = e e−t , y2 (t) = t e−t e y3 (t) = t2 e−t formam um sistema fundamental de solu¸oes. Ent˜o a solu¸ao geral ´ c˜ a c˜ e y(t) = e−t (c1 + c2 t + c3 t2 ). Exemplo 3.23. Idem para y (4) + y = 0.
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem Cap. 3 ¯ Eq. de Ordem Superior 77 Solucao: A equa¸ao caracter´ √ ´ λ4 + 1 = 0 ou λ4 = −1. Pelo ¸˜ c˜ ıstica e √ 2 2 Exemplo 3.20, temos que λ1 = (1 + i), λ2 = − (1 − i), λ3 = √ √ 2 2 2 2 − (1 + i) e λ4 = (1 − i) s˜o as quatro ra´ a ızes da equa¸aoc˜ 2 2 4 λ = −1. As ra´ ızes λ4 e λ3 s˜o as conjugadas complexas de λ1 e λ2 , a respectivamente. Assim, √ √ √ 2 2 λ1 t t 2/2 ϕ1 (t) = e = e (cos t + i sen t) 2 2 e √ √ √ 2 2 λ3 t − 2 t/2 ϕ2 (t) = e = e (cos t + i sen t) 2 2 s˜o duas solu¸oes com valores complexos, o que implica que a c˜ √ √ √ √ 2 t/2 2 2 t/2 2 y1 (t) = e 2 t, cos y2 (t) = e sen 2 t, √ √ √ √ y3 (t) = e− 2 t/2 cos 22 t y4 (t) = e− 2 t/2 sen 2 2 t s˜o quatro solu¸oes reais linearmente independentes. Logo, a solu¸ao a c˜ c˜ real geral ´ e √ √ √ 2 2 2 t/2 y(t) = e c1 cos t + c2 sen t + 2 2 √ √ √ 2 2 − 2 t/2 +e c3 cos t + c4 sen t . 2 2 Exerc´ ıcios 3.7. 1) Determine a solu¸ao geral de cada uma das c˜ seguintes equa¸oes: c˜ a) y + 3 y − 4 y = 0. ¨ ˙ b) y (4) + 2 y + y = 0. ¨ c) y (3) − 2 y − y + 2 y = 0. ¨ ˙ d) y (4) − 5 y (3) + 6 y + 4 y − 8 y = 0. ¨ ˙ e) y (3) + y − 6 y = 0. ¨ ˙ f) y (3) + y + 3y − 5 y = 0. ¨ ˙ g) y (4) + 8 y + 16 y = 0. ¨ h) y (4) + 2 y (3) + 5 y = 0. ¨
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem Cap. 3 ¯ Eq. de Ordem Superior 78 2) Resolva cada um dos P.V.I. y (5) − 2 y (4) + y (3) = 0 a) y(0) = y(0) = y (0) = y (3) (0) = 0, y (4) (0) = −1. ˙ ¨ y (3) + y − 6y = 0 ¨ ˙ b) y(0) = y(0) = 1, y (0) = 2. ˙ ¨ y (3) − y = 0 ˙ c) y(0) = 0, y(0) = 1, y (0) = 2. ˙ ¨ y (6) − y = 0 ¨ d) y(0) = y(0) = y (0) = y (3) (0) = y (4) (0) = y (5) (0) = 0. ˙ ¨ 3) Mostre que a equa¸˜o diferencial t3 y (3) − 6 t y + 12 y = 0 possui ca ˙ trˆs solu¸˜es linearmente independentes da forma y(t) = tr . e co 4) Sabendo-se que y1 (t) = et cos t ´ uma solu¸˜o de y (4) − 2 y (3) + e ca y + 2 y − 2 y = 0, determine sua solu¸ao geral. Sugest˜o: Use esta ¨ ˙ c˜ a informa¸ao para determinar as ra´ da sua equa¸˜o caracter´ c˜ ızes ca ıstica. Consideremos, agora, a equa¸˜o n˜o homogˆnea ca a e y (n) + a1 (t) y (n−1) + · · · + an−1 (t) y + an (t) y = g(t), ˙ [L.N.H.] Um fato importante sobre [L.N.H.] ´ e “Se y1 (t), y2 (t), . . . , yn (t) s˜o n solu¸oes linearmente independentes a c˜ de [L.H.] e yp (t) ´ uma solu¸ao particular da [L.N.H.], ent˜o toda e c˜ a solu¸ao de [L.N.H.] ´ da forma c˜ e n y(t) = cj yj (t) + yp (t), j=1 em que c1 , c2 , . . . , cn s˜o constantes.” a
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Coef. a Determinar 79 Logo, como no caso das equa¸˜es de segunda ordem, para deter- co minarmos a solu¸ao geral de [L.N.H.] precisamos saber encontrar uma c˜ solu¸ao particular de [L.N.H.]. c˜ 3.7 ´ Metodo dos Coeficientes a Deter- minar Este m´todo para [L.N.H.] de ordem n funciona do mesmo modo e que para as de segunda ordem. Exemplo 3.24. Encontre uma solu¸ao particular da equa¸ao c˜ c˜ (3) t y − 3y + 3y − y = e . ¨ ˙ Solucao: A equa¸˜o caracter´ ¸˜ ca ıstica λ3 − 3 λ2 + 3 λ − 1 = (λ − 1)3 = 0 tem λ = 1 como raiz tripla. Logo, y1 (t) = et , y2 (t) = t et e y3 (t) = t2 et formam um sistema fundamental de solu¸˜es para a homogˆnea co e 3 t associada. Ent˜o devemos tentar yp (t) = A t e . Portanto, a yp (t) = A et (t3 + 3 t2 ), yp (t) = A et (t3 + 6 t2 + 6 t) e ˙ ¨ (3) t 3 2 yp (t) = A e (t + 9 t + 18 t + 6). Substituindo na equa¸˜o e cancelando o fator et , obtemos que A = 1/6. ca Logo, t3 et yp (t) = . 6 ıcios 3.8. 1) Determine a solu¸ao geral de: Exerc´ c˜ a) y (3) − y − y + y = 2 e−t + 3. ¨ ˙ b) y (3) + y + y + y = e−t + 4 t. ¨ ˙ (3) (3) c) y − y = 2 sen t. d) y + y = tg t. ˙ −2 t e) y − 4 y = t + cos t + 2 e . f) y + 2 y + y = t2 sen t. (3) ˙ (4) ¨
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Varia¸ao dos Parˆmetros 80 c˜ a 2) Resolva cada um dos P.V.I.  (3)  (4)  y + 4y = t ˙  y + 2y + y = 3t + 4 ¨ a) y(0) = y(0) = 0 ˙ b) y(0) = y(0) = 0 ˙ y (0) = 1. ¨ y (0) = y (3) (0) = 1. ¨    (4)  (3)  y − y = 3 t + cos t  y + 3 y + 2 y = t + et ¨ ˙ c) y(0) = y(0) = 1 ˙ d) y(0) = 1 (3) y (0) = y (0) = 0. ¨ y(0) = −1/4 y (0) = −3/2. ˙ ¨   3.8 ´ ¸˜ ˆ Metodo de Variacao dos Parametros Sejam y1 (t), . . . , yn (t) n solu¸oes linearmente independentes de c˜ [L.H.]. Procuraremos fun¸˜es u1 (t), . . . , un (t) de modo que co yp (t) = u1 (t) y1 (t) + · · · + un (t) yn (t) seja solu¸˜o de [L.N.H.]. Como no caso n = 2, isto ocorrer´ se, e ca a somente, se as fun¸oes u1 (t), . . . , un (t) satisfizerem ao sistema c˜   y1 u1 + · · · + yn un = 0  ˙ ˙  y1 u1 + · · · + yn un = 0  ˙ ˙  ˙ ˙ .  . .  (n−2) (n−2)  (n−1) u1 + · · · + yn  y  1 ˙ un = 0 ˙  (n−1) y1 u1 + · · · + yn ˙ un = g(t). ˙  Resolvendo o sistema obtemos u1 , . . . , un e, finalmente, por integra¸ao ˙ ˙ c˜ obteremos as fun¸˜es u1 , . . . , un . co Observacao 3.16. O sistema acima possui solu¸ao unica pois, o ¸˜ c˜ ´ determinante dos coeficientes W [y1 , . . . , yn ](t) = 0 visto que y1 , . . . , yn s˜o solu¸˜es linearmente independentes de [L.H.]. a co Exemplo 3.25. Determine uma solu¸˜o da equa¸ao y (3) + y = sec t. ca c˜ ˙
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    Eq. Dif. Linearde 2a Ordem ¯ Cap. 3 Varia¸ao dos Parˆmetros 81 c˜ a Solucao: Primeiramente devemos encontrar uma base de solu¸oes da ¸˜ c˜ (3) 3 homogˆnea associada y + y = 0. A equa¸˜o caracter´ e ˙ ca ıtica λ + λ = 0 tem por ra´ ızes: λ1 = 0, λ2 = i e λ3 = −i. Portanto, y1 (t) = 1, y2 (t) = cos t e y3 (t) = sen t constitui tal base. Ent˜o, procuramos u1 , a u2 e u3 tais que yp (t) = u1 (t) + u2 (t) cos t + u3 (t) sen t seja solu¸ao da equa¸ao n˜o homogˆnea. Resolvendo o sistema c˜ c˜ a e   u1 + u2 cos t + u3 sen t = 0 ˙ ˙ ˙ −u2 sen t + u3 cos t = 0 ˙ ˙ −u2 cos t − u3 sen t = sec t, ˙ ˙  obtemos u1 = sec t =⇒ u1 (t) = ln | sec t + tg t|, ˙ u2 = −1 =⇒ u2 (t) = −t, ˙ sen t u3 = − ˙ =⇒ u3 (t) = ln | cos t|. cos t Portanto, yp (t) = ln | sec t + tg t| − t cos t + (sen t) ln | cos t|. Exerc´ıcios 3.9. 1) Encontre, usando o m´todo de varia¸˜o dos e ca parˆmetros, uma solu¸ao particular de cada equa¸ao: a c˜ c˜ a) y (4) − y = 4 t. ¨ b) y (3) − 3¨ + 3 y − y = et . y ˙ c) y (3) − 4 y = t + cos t + 2 e−t . ˙ d) y (3) + y + y + y = t + e−t . ¨ ˙ e) y + 2 y + y = t2 sen t. (4) ¨ f) y (3) − 6 y + 11 y − 6 y = e4 t . ¨ ˙ 2) Sabendo-se que t, t2 e 1/t s˜o solu¸˜es da equa¸ao homogˆnea a co c˜ e associada a t3 y (3) + t2 y − 2 t y + 2 y = 2 t4 , ¨ ˙ t 0, determine uma solu¸˜o particular da equa¸˜o n˜o homogˆnea. ca ca a e
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    Cap´ ıtulo 4 Transformada de Laplace 4.1 ´ Integrais Improprias Seja f (t) uma fun¸ao definida para todo t ≥ a tal que exista a c˜ b integral f (t) dt qualquer que seja b a. A integral impr´pria o a de f ´ definida por e ∞ b f (t) dt = lim f (t) dt, (4.1) a b→∞ a caso o limite exista e seja finito. Neste caso, dizemos que f ´ in- e tegr´vel no sentido impr´prio em [a, ∞) ou que a integral impr´pria a o o ∞ f (t) dt ´ convergente. Caso contr´rio, dizemos que a integral e a a impr´pria ´ divergente. o e ∞ Por exemplo, a integral impr´pria o e−t dt ´ convergente, pois e 0 b b lim e−t dt = lim − e−t 0 = lim (1 − e−b ) = 1. b→∞ 0 b→∞ b→∞ 82
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Integrais Impr´prias o 83 ∞ dt A integral impr´pria o diverge, pois 1 t b dt b lim = lim ln t 1 = ∞. b→∞ 1 t b→∞ Exerc´ıcios 4.1. 1) Verifique se cada uma das integrais dadas abaixo converge ou diverge: ∞ ∞ ∞ ∞ dt −t2 ln t dt a) . b) te dt. c) dt. d) . 2 (t − 1)3/2 0 1 t e t (ln t)2 ∞ dx 2) Mostre que a integral ´ convergente se p 1 e ´ diver- e e 1 xp gente se p ≤ 1. Integrais impr´prias em que o integrando depende ainda de uma o outra vari´vel s˜o de grande importˆncia em matem´tica e em outras a a a a aplica¸oes. O interesse central deste cap´ c˜ ıtulo ´ estudar integrais da e forma ∞ e−s t f (t) dt. (4.2) 0 A integral (4.2) define uma fun¸˜o F (s), da vari´vel s. O dom´ ca a ınio desta fun¸˜o ´ constituido por todos os valores de s tais que esta ca e integral seja convergente. Consideremos, por exemplo ∞ F (s) = e−s t dt. (4.3) 0 Esta integral ´ divergente se s ≤ 0. Para s 0, temos e ∞ b 1 e−s b 1 e−s t dt = lim e−s t dt = lim − = . 0 b→∞ 0 b→∞ s s s Deste modo, 1 F (s) = (s 0). s
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Integrais Impr´prias o 84 Fa¸a o mesmo para as integrais abaixo e obtenha as igualdades: c ∞ ∞ −s t 1 1 a) e t dt = 2 (s 0). b) e−s t sen t dt = (s 0). 0 s 0 s2 +1 ∞ ∞ 2 1 c) e−s t t2 dt = (s 0). d) e−s t senh t dt = (s 1). 0 s3 0 s2 −1 [sugest˜o: senh t = (et − et )/2]. a As integrais acima sugerem que o dom´ da fun¸˜o F (s) seja um ınio ca intervalo da forma (a, ∞). Pode-se mostrar que isto ´ verdadeiro em e geral. 4.2 A Transformada de Laplace Seja f (t) uma fun¸˜o definida para todo t ≥ 0. A fun¸˜o ca ca ∞ F (s) = e−s t f (t) dt (4.4) 0 ´ chamada transformada de Laplace de f (t), e denotada por L[f (t)]. e Exemplo 4.1. De acordo com o exemplo da se¸ao anterior temos para c˜ s0 ∞ 1 L[1] = e−s t dt = . 0 s Exemplo 4.2. Para s c, temos b e(c−s) t b 1 L[ec t ] = lim e−s t ec t dt = lim = . b→∞ 0 b→∞ c−s 0 s−c Exemplo 4.3. Integrando por partes duas vezes temos b b −s t w e−s t sen w t − s e−s t cos w t e cos w t dt = , 0 s2 + w 2 0
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Algumas Propriedades 85 b b −s t w e−s t cos wt − s e−s t sen w t e sen w t dt = . 0 s2 + w 2 0 Fazendo b → ∞ em cada uma destas igualdades obtemos, para s 0, s w L[cos w t] = 2 2 e L[sen w t] = 2 . s +w s + w2 Exemplo 4.4. C´lculo de L[tn ] para n inteiro positivo. Integrando a por partes, temos (para s 0) b b tn e−s t b n L[tn ] = lim e−s t tn dt = lim − + e−s t tn−1 dt b→∞ 0 b→∞ s 0 s 0 ∞ n n = e−s t tn−1 dt = L[tn−1 ]. s 0 s 1 1 Assim, se n = 1, temos L[t] = L[1] = 2 . s s n n−1 n(n − 1) n−2 n! Se n ≥ 2, temos L[tn ] = L[t ] = 2 L[t ] = · · · = n+1 . s s s 4.3 Algumas Propriedades As propriedades que enunciamos a seguir s˜o de grande utilidade a para o c´lculo de transformadas. a Propriedade 1 (Linearidade): Se L[f (t)] = F (s), L[g(t)] = G(s) e a, b s˜o constantes, ent˜o a a L[a f (t) + b g(t)] = a F (s) + b G(s) = a L[f (t)] + b L[g(t)]. De fato, ∞ L[a f (t) + b g(t)] = e−s t [a f (t) + b g(t)] dt = 0 ∞ ∞ =a e−s t f (t) dt + b e−s t g(t) dt 0 0 = a L[f (t)] + b L[g(t)].
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Algumas Propriedades 86 Exemplo 4.5. Calculemos L[senh a t], usando a Propriedade 1. 1 1 1 L[senh a t] = L[ (ea t − e−a t )] = L[ea t ] − L[e−a t ] 2 2 2 1 1 1 a = − = 2 , s |a|. 2 s−a s+a s − a2 s De modo an´logo obtemos L[cosh a t] = 2 a , para s |a|. s − a2 Propriedade 2: Se L[f (t)] = F (s), para s s0 , ent˜o a L[ea t f (t)] = F (s − a), para s s0 + a. (4.5) De fato, ∞ ∞ L[ea t f (t)] = e−s t ea t f (t) dt = e−(s−a) t f (t) dt = F (s − a). 0 0 Usando esta propriedade e os exemplos precedentes, podemos es- crever ω s−a L[ea t sen ω t] = L[ea t cos ω t] = (s − a)2 + ω 2 (s − a)2 + ω 2 n! L[ea t tn ] = . (s − a)n+1 Propriedade 3: Se L[f (t)] = F (s), ent˜o a dn L[tn f (t)] = (−1)n F (s). (4.6) dsn Fa¸amos a verifica¸˜o para n = 1. Temos c ca ∞ ∞ ∞ d ∂ −s t F (s) = e−s t f (t) dt = e f (t) dt = − e−s t t f (t) dt. ds 0 0 ∂s 0 Portanto, L[t f (t)] = −F (s). (4.7) Aplicando repetidas vezes a igualdade (4.7), obtemos (4.6).
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Algumas Propriedades 87 Exemplo 4.6. Segue de (4.6) com n = 2 e n = 1 que d2 1 2 L[t2 e5 t ] = 2 s−5 = e ds (s − 5)3 d 3 6s L[t sen 3 t] = − 2+9 = 2 . ds s (s + 9)2 A pr´xima propriedade faz uso do seguinte conceito: o Uma fun¸ao f (t) ´ de ordem exponencial se existirem constantes c˜ e M , α 0 tais que para todo t suficientemente grande |f (t)| ≤ M eαt . As fun¸oes sen t, cos t, ek t e tn (n ≥ 0) s˜o de ordem exponencial c˜ a kt kt pois | sen t| ≤ 1, | cos t| ≤ 1 e |e | = e para todo t ≥ 0. Para a fun¸ao tn , notemos que, para t suficientemente grande, |tn | ≤ et , pois c˜ tn lim t = 0. t→∞ e 2 A fun¸ao et n˜o ´ de ordem exponencial, uma vez que para qual- c˜ a e 2 quer α 0 temos que lim et e−α t = ∞. t→∞ Propriedade 4: Suponha que f e f sejam integr´veis em [0, b], a para todo b 0. Se f for de ordem exponencial, ent˜o existe L[f (t)] a e L[f (t)] = s L[f (t)] − f (0). (4.8) De fato, integrando por partes, temos b b e−s t f (t) dt = e−s b f (b) − f (0) + s e−s t f (t) dt. 0 0 Fazendo b → ∞, a integral do 1o membro tende a L[f (t)], a integral ¯ do 2o membro tende a L[f (t)] e a parcela e−s b f (b) tende a zero, pois ¯ f ´ de ordem exponencial (os valores de s devem ser maiores do que e a constante α da defini¸ao de ordem exponencial). c˜
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Algumas Propriedades 88 Observacao 4.1. Esta propriedade aplica-se a derivadas de ordem ¸˜ superior. Por exemplo, para a derivada segunda, a igualdade (4.8) implica L[f (t)] = s L[f (t)] − f (0) = s {s L[f (t)] − f (0)} − f (0) = s2 L[f (t)] − s f (0) − f (0). Logo, L[f (t)] = s2 L[f (t)] − s f (0) − f (0). (4.9) Observacao 4.2. As igualdades (4.8) e (4.9) s˜o de grande im- ¸˜ a portˆncia, especialmente na resolu¸ao de equa¸oes diferenciais, como a c˜ c˜ veremos adiante. Estas igualdades tamb´m podem ser utilizadas para e obter transformadas de Laplace de fun¸oes. Calculemos, por exem- c˜ plo, L[ek t ] utilizando (4.8). Notemos que a fun¸˜o f (t) = ek t satisfaz ca kt f (t) = k e e f (0) = 1. Substituindo estes dados em (4.8), obteremos que L[kek t ] = s L[ek t ] − 1, donde (s − k) L[ek t ] = 1. Logo, 1 L[ek t ] = . s−k Exerc´ ıcios 4.2. 1) Calcule a transformada de Laplace das seguintes fun¸oes: c˜ a) t2 − 3 t + 2. b) 4 cos 3 t − 5 sen 2 t. c) 2 t e3 t . 1 se 0 t π d) t2 cos 5 t. e) t e2 t sen 3 t. f) f (t) = 0 se t π. 2) Use a igualdade (4.9) para mostrar que s ω L[cos ω t] = L[sen ω t] = . s2 + ω2 s2 + ω2
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Transformada Inversa 89 4.4 ¸˜ Transformada Inversa - Fracoes Parciais Dada uma fun¸˜o F (s), definida em um intervalo (a, ∞), um pro- ca blema que se coloca ´ o de achar uma fun¸ao f (t) tal que L[f (t)] = e c˜ F (s). Uma tal f ´ chamada Transformada Inversa de F e ser´ e a −1 indicada por L [F (s)]. Os exemplos da Se¸ao 4.2 fornecem c˜ 1 1 1 tn L−1 [ ] = 1 L−1 [ ] = ec t L−1 [ n+1 ]= s s−c s n! s ω L−1 [ ] = cos ω t L−1 [ ] = sen ω t. s2 + ω2 s2 + ω2 Usando esta tabela de transformada inversa e as Propriedades 1, 2 e 3, podemos calcular transformadas inversas de um grande n´mero u de fun¸oes. c˜ 1 Exemplo 4.7. Calcule L−1 [ ]. s2 − 4s + 5 Solucao: Notando que s2 − 4s + 5 = (s − 2)2 + 1, e usando a Pro- ¸˜ priedade 2, podemos escrever 1 1 2 − 4s + 5 = 2+1 = L[e2 t sen t]. s (s − 2) Logo, 1 L−1 [ ] = e2 t sen t. s2 − 4s + 5 1 Exemplo 4.8. Calcule L−1 [ ]. (s − 5)3
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Transformada Inversa 90 d2 1 2 Solucao: Notemos que ¸˜ ( )= , donde ds2 s − 5 (s − 5)3 1 1 d2 1 1 d2 1 1 3 = ( 2 s−5 )= 2 L[e5 t ] = L[t2 e5 t ] = L[ t2 e5 t ]. (s − 5) 2 ds 2 ds 2 2 Logo, 1 1 L−1 [ ] = t2 e5 t . (s − 5)3 2 s+2 Exemplo 4.9. Calcule L−1 [ 2 ]. s + 2 s + 10 Solucao: Podemos escrever s2 + 2 s + 10 = (s + 1)2 + 9, donde ¸˜ s+2 s+1+1 s+1 1 3 = = + . s2 + 2 s + 10 (s + 1) 2+9 (s + 1) 2 + 32 3 (s + 1)2 + 32 Agora, notemos que s+1 3 L−1 [ 2 + 32 ] = e−t cos 3 t e L−1 [ 2 + 32 ] = e−t sen 3 t. (s + 1) (s + 1) Portanto, s+2 1 L−1 [ ] = e−t cos 3 t + e−t sen 3 t. s2 + 2s + 10 3 Observe que este procedimento aplica-se a express˜es do tipo o As + B (4.10) s2 + ps + q em que o denominador n˜o possui ra´ reais. a ızes Isto sugere que usemos o m´todo das fra¸oes parciais para calcu- e c˜ lar L−1 [P (s)/Q(s)], em que P e Q s˜o polinˆmios e o grau de P ´ a o e menor que o grau de Q. Este m´todo transforma um tal quociente em e uma soma de fra¸˜es da forma (4.10) e fra¸˜es da forma C/(s − a). co co Acreditamos que o leitor esteja suficientemente familiarizado com a decomposi¸ao em fra¸˜es parciais, e vamos apenas exemplificar sua c˜ co utiliza¸ao no c´lculo de L−1 . c˜ a
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Transformada Inversa 91 3 s2 − 7 s + 12 Exemplo 4.10. Calcule L−1 [ ]. (s − 2) (s − 3) (s + 2) 3s2 − 7 s + 12 A B c Solucao: Escrevemos ¸˜ = + + . (s − 2) (s − 3) (s + 2) s−2 s−3 s+2 Eliminando denominadores, obtemos A (s − 3) (s + 2) + B (s − 2) (s + 2) + C (s − 2) (s − 3) ≡ 3s2 − 7 s + 12. Substituindo s = 2, obtemos −4A = 10 o que implica que A = −5/2. Analogamente, obtemos B = 18/5 e C = 19/10. Temos ent˜oa 3 s2 − 7 s + 12 5 1 18 1 19 1 =− + + . (s − 2) (s − 3) (s + 2) 2 s−2 5 s − 3 10 s + 2 Portanto, 3 s2 − 7 s + 12 5 18 3 t 19 −2 t L−1 [ ] = − e2 t + e + e . (s − 2) (s − 3) (s + 2) 2 5 10 2 s2 + 9 s + 7 Exemplo 4.11. Calcule L−1 [ ]. (s − 4) (s2 + 9) 2 s2 + 9 s + 7 A Bs+C Solucao: Escrevemos ¸˜ = + 2 . Elimi- (s − 4) (s2 + 9) s−4 s +9 nando denominadores, obtemos A (s2 + 9) + (B s + C) (s − 4) ≡ 2 s2 + 9 s + 7 ou (A + B) s2 + (C − 4 B) s + (9 A − 4C) ≡ 2 s2 + 9 s + 7. Igualando os termos de mesma potˆncia, obtemos e   A+B =2 −4 B + C = 9 9 A − 4 C = 7. 
  • 101.
    Transformada de Laplace Cap. 4 Aplica¸˜o a Eq. Diferenciais 92 ca A solu¸˜o deste sistema ´: A = 3, B = −1 e C = 5. Portanto ca e 2 s2 + 9 s + 7 1 s−5 L−1 [ 2 + 9) ] = 3 L−1 [ ] − L−1 [ 2 ] (s − 4)(s s−4 s +9 1 s 5 3 = 3 L−1 [ ] − L−1 [ 2 ] + L−1 [ 2 ] s−4 s −9 3 s +9 5 = 3 e4 t − cos 3 t + sen 3 t. 3 ıcios 4.3. Calcular a transformada inversa das seguintes fun¸oes: Exerc´ c˜ 1 s s+5 1) . 2) . 3) . s2 + 4 s + 13 s2 − 6 s + 10 s2 − 2 s + 10 1 6s s+1 4) . 5) . 6) . (s − 4)2 (s2 + 9)2 s2 + 2 s 6 s2 + 9 s − 9 2s − 4 7) 2 (s2 + 1) . 8) . 9) . (s − 1) s3 − 9 s s3 + 4 s 4.5 ¸˜ ¸˜ Aplicacao a Equacoes Diferenciais A Transformada de Laplace ´ de grande importˆncia na resolu¸ao e a c˜ de problemas de valor inicial para equa¸oes diferenciais lineares com c˜ coeficientes constantes. Veja o seguinte exemplo: Exemplo 4.12. Consideremos o P.V.I. y − y − 6 y = 10 e2 t ¨ ˙ (4.11) y(0) = 3, y(0) = 2. ˙ Determine sua solu¸˜o, utilizando Transformada de Laplace. ca Solucao: Chamando L[y(t)] = Y (s), temos ¸˜ L[y(t)] = s L[y(t)] − y(0) = s Y − 3. ˙ (4.12) L[¨(t)] = s L[y(t)] − y(0) = s2 Y − 3 s − 2. y ˙ ˙
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Aplica¸˜o a Eq. Diferenciais 93 ca Aplicando a transformada a ambos os membros de (4.11) e substi- tuindo as igualdades de (4.12), obtemos 10 (s2 − s − 6) Y − 3 s + 1 = , s−2 ou seja, 3 s2 − 7 s + 12 Y (s) = . (s − 2) (s2 − s − 6) A solu¸˜o y(t) do P.V.I. ´ a transformada inversa de Y (s), que j´ foi ca e a calculada no Exemplo 4.10, vale 5 18 3 t 19 −2 t y(t) = − e2 t + e + e . 2 5 10 A transformada de Laplace tamb´m pode ser usada para obter a e solu¸ao geral de uma equa¸ao diferencial. Para determinar a solu¸ao c˜ c˜ c˜ geral da equa¸˜o ca y + a y + b y = f (t), ¨ ˙ basta considerar o P.V.I. y + a y + b y = f (t) ¨ ˙ y(0) = c1 , y(0) = c2 , ˙ em que c1 e c2 designam constantes arbitr´rias. a Exemplo 4.13. Obter a solu¸˜o geral de y − 3 y + 2 y = 10 sen t. ca ¨ ˙ Solucao: Formamos o P.V.I. ¸˜ y − 3 y + 2 y = 10 sen t ¨ ˙ y(0) = c1 , y(0) = c2 . ˙ Fazendo L[y(t)] = Y (s), podemos escrever L[y(t)] = s Y −c1 e L[¨(t)] = ˙ y 2 s Y − c1 s − c2 . Aplicando a transformada a ambos os membros da equa¸ao obtemos c˜ 10 (s2 − 3 s + 2) Y − c1 s − c2 + 3 c1 = . s2+1
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Outras Propriedades 94 Portanto, c1 s + c2 − 3 c1 10 Y = 2 − 3s + 2 + 2 s (s + 1)(s2 − 3 s + 2) c2 − c1 2 c1 − c2 5 2 3s + 1 = + − + + 2 . s−2 s−1 s−1 s−2 s +1 Logo, y(t) = (c2 − c1 ) e2 t + (2 c1 − c2 ) et − 5 et + 2 e2 t + 3 cos t + sen t, que pode ser escrita sob a forma y(t) = A e2 t + B et + 3 cos t + sen t. ıcios 4.4. 1) Resolva os seguintes problemas de valor inicial: Exerc´ y+y =0 ¨ y − 6 y + 9 y = 4 et ¨ ˙ a) b) y(0) = 3, y(0) = 1. ˙ y(0) = 2, y(0) = 4. ˙ y + 9 y = cos 3 t ¨ y − 3 y + 2 y = 3 e−t + 5 ¨ ˙ c) d) y(0) = 2, y(0) = −1. ˙ y(0) = 0, y(0) = 0. ˙ 2) Ache a solu¸ao geral das seguintes equa¸oes: c˜ c˜ a) y − 2 y + y = cos t. ¨ ˙ b) y + 2 y + 5 y = 6 e−t sen t. ¨ ˙ 4.6 Outras Propriedades A fun¸˜o degrau unit´rio ou fun¸˜o de Heaviside, ´ definida ca a ca e por 0 se t c, µc (t) = 1 se t ≥ c.
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Outras Propriedades 95 Seu gr´fico ´ dado pela figura ao a e y T lado. A transformada de µc (t) ´ e 1 L[µc (t)] = b e−c s E lim e−s t dt = . c t b→∞ c s A fun¸˜o µc (t) ´ util para representar fun¸oes descont´ ca e´ c˜ ınuas e calcular suas transformadas. Exemplo 4.14. Calcule L[g(t)], sendo y  T  0, se t c, g(t) = A, se c ≤ t d, A 0, se t ≥ d.  E c d t Podemos escrever g(t) = A[µc (t) − µd (t)]. Logo, A −c s L[g(t)] = A{L[µc (t)] − L[µd (t)]} = e − e−d s . s Dada uma fun¸ao f (t), definida para todo t ∈ R, e uma constante c˜ c 0, consideremos a fun¸ao µc (t) f (t − c). Desde que c˜ 0 se t c, µc (t) f (t − c) = f (t − c) se t ≥ c, o gr´fico de µc (t) f (t − c) ´ obtido transladando-se de c unidades para a e a direita o gr´fico de f (t) (veja as figuras abaixo). a
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Outras Propriedades 96 y T y T y = f (t) y = µc (t) f (t − c) E E t c t Propriedade 5: L[µc (t) f (t − c)] = e−c s L[f (t)]. De fato, ∞ ∞ −s t L[uc (t) f (t − c)] = e f (t − c) dt = e−s (τ +c) f (τ ) dτ c ∞ 0 −s c −s τ =e e f (τ ) dτ = e−s c L[f (t)]. 0 0, se t 2, Exemplo 4.15. Calcule L[f (t)], sendo f (t) = 3 (t − 2) , se t ≥ 2. Solucao: Como f (t) = µ2 (t) (t − 2)3 , temos que ¸˜ 6 e−2 s L[f (t)] = e−2 s L[t3 ] = . s4 Usando esta propriedade, podemos resolver equa¸˜es diferenciais co que em certo sentido s˜o “mais complicadas” do que as que foram a consideradas anteriormemte e que tem grande interesse em aplica¸oes. c˜ y + 4 y = f (t) ¨ Exemplo 4.16. Resolva o P.V.I. , em que  y(0) = y(0) = 0 ˙  0 se 0 t π, f (t) = 4 se π ≤ t 3 π, 0 se t ≥ 3 π.  4 −π s Solucao: Do Exemplo 4.14, temos que L[f (t)] = ¸˜ e − e−3 π s . s
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Delta de Dirac 97 Aplicando transformada aos dois membros da equa¸˜o, obtemos ca 4 e−πs 4 e−3 πs (s2 + 4) Y (s) = − . s s e portanto, 1 s 1 s Y (s) = e−π s − 2 − e−3 π s − 2 . s s +4 s s +4 Logo, y(t) = µπ (t) [1 − cos 2 (t − π)] − µ3π (t) [1 − cos 2 (t − 3 π)] ou seja   0 se t π, y(t) = 1 − cos 2 (t − π) se π ≤ t 3 π, 0 se t ≥ 3 π.  O gr´fico de y(t) ´ a e y T 2 1 E π 2π 3π t 4.7 Delta de Dirac Em diversos ramos das aplica¸oes, h´ a necessidade de se considerar c˜ a fun¸oes que sejam nulas exceto em um intervalo “muito pequeno” c˜ e, neste intervalo, tenham um valor “muito grande”. Por exemplo,
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Delta de Dirac 98 durante o intervalo de tempo [t0 , t0 + ε] (ε pequeno) aplica-se a um objeto uma for¸a muito grande de modo que o impulso causado por c esta for¸a seja um certo valor I0 0. A fun¸˜o c ca 1/ε se t0 ≤ t ≤ t0 + ε, fε (t) = 0 nos outros pontos cujo gr´fico ´ dado na figura ao lado a e y T tem estas caracter´ ısticas: 1/ε ∞ t0 +ε 1 fε (t) dt = dt = 1, −∞ t0 ε e para ε 0 pequeno f tem um E t0 t0 + ε t valor muito grande (1/ε) num intervalo muito pequeno (de comprimento ε). Em F´ ısica e Engenharia, costuma-se descrever tais fenˆmenos usan- o do-se a “fun¸˜o limite” de fε (t) quando ε → 0, a qual ´ indicada por ca e δ(t − t0 ), e chamada delta de Dirac δ(t − t0 ) = “ lim fε (t)”. ε→0 ´ E claro que δ n˜o ´ uma fun¸ao nos moldes tradicionais. Entretanto, a e c˜ ´ poss´ dar uma justificativa rigorosa para tais procedimentos. e ıvel 4.7.1 Transformada de Laplace de δ(t − t0 ) Vamos definir L[δ(t − t0 )] = lim L[fε (t)]. ε→0 1 Como fε (t) = [µt0 (t) − µt0 + ε (t)], temos ε 1 e−s t0 e−s (t0 +ε) e−s t0 1 − e−εs L[fε (t)] = ( − )= . ε s s s ε
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Delta de Dirac 99 1 − e−ε s Quando ε → 0, temos que → s. Assim, ε L[δ(t − t0 )] = e−s t0 . Exemplo 4.17. Consideremos o seguinte sistema massa-mola. Na figura ao lado, a part´ ıcula tem massa m = 2kg, a constante de rigidez da mola ´ k = 8N/m. O e sistema est´ inicialmente em repouso. No instante a k t = π aplica-se ` part´ a ıcula uma for¸a muito grande, c de dura¸ao muito curta, que transmite ` part´ c˜ a ıcula m um impulso de 4N.s. Descrever o movimento da part´ıcula. A posi¸˜o y(t) da part´ ca ıcula no instante t, satisfaz o P.V.I. 2 y + 8 y = 4 δ(t − π) ¨ y(0) = y(0) = 0. ˙ Aplicando a transformada a ambos os membros da equa¸ao obtemos c˜ 2 −πs (s + 4) Y (s) = 2 e , ou seja, 2 Y (s) = e−πs . s2 +4 Portanto, 0 se t π, y(t) = µπ (t) sen 2 (t − π) = sen 2 t se t ≥ π. y T E 3π π 2 2π t Gr´fico da solu¸˜o y(t) a ca
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Convolu¸ao 100 c˜ Exerc´ ıcios 4.5. 1) Calcule a transformada de:    0 se t π,  1 se 0 t 1, a) f (t) = t−π se π t 2 π, b) f (t) = 3 se 1 t 4 0 se t 2 π. 0 se t 4.   2) Calcule L−1 [F (s)], sendo: e−2 s e−s π/2 s a) F (s) = . b) F (s) = . s2 s2 + 1 3) Resolva y + 4 y = µ2 (t) − µ4 (t), ¨ y + y + 7 y = t [µ1 (t) − µ2 (t)] ¨ ˙ a) b) y(0) = 3, y(0) = −2. ˙ y(0) = 0, y(0) = 0. ˙ 4) Suponha que no exemplo anterior, f (t) = 4δ(t) + 6 δ(t − 1) (isto ´, a part´ e ıcula recebe um impulso de 4N.s em t = 0 e um impulso de 6N.s em t = 1). Descrever o movimento. Fa¸a um gr´fico de y(t). c a 4.8 ¸˜ O Produto de Convolucao Sejam f (t) e g(t) definidas para t ≥ 0. O Produto de Con- volu¸˜o de f por g, indicado por f ∗ g, ´ a fun¸˜o definida por ca e ca t (f ∗ g)(t) = f (τ ) g(t − τ ) dτ. (4.13) 0 Por exemplo, se f (t) = cos t e g(t) = t, ent˜o a t t t (f ∗g)(t) = cos τ (t−τ ) dτ = t cos τ dτ − τ cos τ dτ = 1−cos t. 0 0 0 O produto de convolu¸ao possui algumas propriedades semelhantes c˜
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Convolu¸ao 101 c˜ as do produto usual de fun¸oes, tais como: c˜ a) f ∗ g = g ∗ f, b) (f ∗ g) ∗ h = f ∗ (g ∗ h), c) f ∗ 0 = 0, d) f ∗ (g + h) = f ∗ g + f ∗ h. Entretanto, ele ´ diferente do produto usual. Por exemplo, ´ f´cil ver e e a t que (f ∗ 1)(t) = f (τ ) dτ e esta fun¸ao ´ diferente de f (exceto, c˜ e 0 obviamente, para f = 0). A pr´xima propriedade nos mostra como a Transformada de Laplace o atua em um produto de convolu¸ao. c˜ Propriedade 6: Se F (s) = L[f (t)] e G(s) = L[g(t)], ent˜o a L[(f ∗ g)(t)] = F (s) G(s), (4.14) ou, em termos de transformada inversa, L−1 [F (s)G(s)] = (f ∗ g)(t). (4.15) A igualdade (4.14) implica, em particular (para g(t) ≡ 1), que t F (s) L[ f (τ ) dτ ] = . (4.16) 0 s A igualdade (4.15) fornece um meio de calcular transformadas in- versas de certas fun¸˜es. Por exemplo, co 1 1 1 L−1 [ 2 2 ] = L−1 [ 2 ] ∗ L−1 [ 2 ] = sen t ∗ t (s + 1)s s +1 s t t t = sen τ (t − τ ) dτ = t sen τ dτ − τ sen τ dτ 0 0 0 = t − sen t. A Propriedade 6 aplica-se diretamente ` resolu¸ao de “equa¸oes a c˜ c˜ integrais do tipo convolu¸˜o” as quais tem a forma ca t y(t) = f (t) + y(τ ) g(t − τ ) dτ, (4.17) 0
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Convolu¸ao 102 c˜ onde f e g s˜o fun¸oes conhecidas. O nome equa¸˜o integral deve-se a c˜ ca ao fato que a inc´gnita y aparece sob o sinal de integral. Embora n˜o o a se trate propriamente de uma equa¸˜o diferencial, julgamos oportuno ca apresentar um exemplo. Consideremos a equa¸˜o ca t y(t) = 3 sen t + 2 y(τ ) sen(t − τ ) dτ. (4.18) 0 Esta equa¸ao pode ser escrita sob a forma c˜ y(t) = 3 sen t + 2 (y ∗ sen)(t). Aplicando transformada a ambos os membros de (4.18), obtemos 3 1 Y (s) = + 2 Y (s) 2 . s2 +1 s +1 Portanto, 3 3 1 1 Y (s) = = ( − ). s2 −1 2 s−1 s+1 Logo, 3 t y(t) = (e − e−t ) = 3 senh t. 2 Exerc´ ıcios 4.6. 1) Usando convolu¸ao, calcule a transformada in- c˜ versa das seguintes fun¸˜es: co 1 s a) . b) . (s − 4)(s − 3) (s2 + 1)(s − 3) 1 1 c) . d) . s2 − 2s + 1 s2 (s − 5) 2) Resolva as seguintes equa¸˜es integrais: co t a) y(t) = 5 t + y(τ ) sen(t − τ ) dτ . 0
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Tabela 103 t b) y(t) = 2 sen 4 t + 3 y(τ ) sen 4 (t − τ ) dτ . 0 3) Usando Transformada de Laplace, mostre que a solu¸ao geral c˜ 2 da equa¸ao y (t) + ω y(t) = f (t) ´ c˜ ¨ e t 1 y(t) = c1 cos ωt + c2 sen ωt + f (τ ) sen ω (t − τ ) dτ. ω 0 4.9 Tabela de Algumas Transformadas As tabelas abaixo cont´m um resumo das propriedades e transfor- e madas de algumas fun¸oes que aparecem com mais freq¨ˆncia. c˜ ue Tabela 1 - Algumas Transformadas f (t) F (s) f (t) F (s) 1 1 1/s ec t s−c n! n! tn tn ec t sn+1 (s − c)n+1 s c cosh c t senh c t s 2 − c2 s2 − c2 s ω cos ω t sen ω t s2 + ω2 s2 + ω2 ω 2 − s2 2 ωs t cos ω t t sen ω t s2 + ω 2 (s2 + ω 2 )2 δ(t − t0 ) e−s t0
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    Transformada de Laplace Cap. 4 Tabela 104 Tabela 2 - Algumas Propriedades f (t) F (s) f (t) F (s) ec t f (t) F (s − c) tn f (t) (−1)n F (n) (s) µc (t)f (t − c) e−cs F (s) (f ∗ g)(t) F (s)G(s) f (t) sF (s) − f (0) f (t) s2 F (s) − sf (0) − f (0)
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    Cap´ ıtulo 5 Sistemas de Equa¸oes c˜ Diferenciais Consideremos agora sistemas de equa¸˜es diferenciais simultˆneas co a em v´rias vari´veis. Um exemplo de tais sistemas ´ dado pelo sistema a a e massa-mola mostrado na figura abaixo. Os dois objetos de massas m1 e m2 movem-se numa superf´ sem atrito, ligados por trˆs molas ıcie e cujas constantes de elasticidade s˜o k1 , k2 e k3 , respectivamente, e sob a a influˆncia de for¸as externas F1 (t) e F2 (t). e c F1 (t) F2 (t) E E k1 k2 k3 m1 m2 E E x1 x2 105
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Teoria Geral 106 O movimento dos objetos ´ descrito pelo par de equa¸oes e c˜ m1 x1 = −k1 x1 − k2 (x1 − x2 ) + F1 (t), ¨ m2 x2 = −k3 x2 − k2 (x2 − x1 ) + F2 (t). ¨ ou seja m1 x1 = −(k1 + k2 ) x1 + k2 x2 + F1 (t), ¨ m2 x2 = k2 x1 − (k2 + k3 ) x2 + F2 (t). ¨ Outro exemplo de sistema de equa¸˜es diferenciais ´ encontrado co e com freq¨ˆncia no estudo de circuitos el´tricos. Um transformador, ue e por exemplo, envolve dois circuitos, sendo que um deles induz uma corrente no outro por indu¸ao magn´tica. O correspondente sistema c˜ e de equa¸oes diferenciais para as correntes I1 e I2 nos circuitos da figura c˜ abaixo ´: e  dI1 dI2  L1 +M + R1 I1 = E1 (t),    dt dt  L dI2 + M dI1 + R I = E (t),    2 2 2 2 dt dt em que M ´ o coeficiente de indu¸ao m´tua. e c˜ u R1 R2
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    E2 (t) (t) E1 L1 L2 I1 (t) I2 (t) ' E Sistemas de equa¸˜es diferenciais tamb´m ocorrem em muitas ou- co e tras aplica¸oes como: mistura qu´ c˜ ımica de v´rios ingredientes, cresci- a mento de duas ou mais popula¸oes interadas, vibra¸oes de estruturas, c˜ c˜ etc.
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Teoria Geral 107 5.1 Teoria Geral para Sistemas Os sistemas de equa¸oes diferenciais de 1a ordem podem, geralmente c˜ ¯ ser escritos sob a forma   x1 = F1 (t, x1 , x2 , . . . , xn )  ˙  x2 = F2 (t, x1 , x2 , . . . , xn )  ˙ . (5.1)  .  .   x = F (t, x , x , . . . , x ). ˙ n n 1 2 n Uma solu¸˜o do sistema de equa¸oes diferenciais (5.1) num inter- ca c˜ valo J ´ constitu´ por n fun¸oes x1 (t), x2 (t), . . . , xn (t) que s˜o difer- e ıda c˜ a enci´veis em J e que satisfazem o sistema (5.1) para todo t ∈ J. a Exemplo 5.1. O par de fun¸oes x1 (t) = sen t e x2 (t) = cos t ´ solu¸ao c˜ e c˜ do sistema x1 = x2 , ˙ x2 = −x1 . ˙ O P.V.I. para um sistema de equa¸oes diferenciais de 1a ordem ´ c˜ ¯ e dado por:   x1 = F1 (t, x1 , x2 , . . . , xn )  ˙  x2 = F2 (t, x1 , x2 , . . . , xn )  ˙   . .  .  x = F (t, x , x , . . . , x )  ˙n  n 1 2 n  x (t ) = x0 , x (t ) = x0 , . . . , x (t ) = x0 ,  1 0 1 2 0 2 n 0 n em que x0 , x0 , . . ., x0 ∈ R. 1 2 n Existe uma importante conex˜o entre sistemas de equa¸oes dife- a c˜ renciais e equa¸˜es de uma certa ordem: a equa¸ao de ordem n co c˜ y (n) = F (t, y, y, . . . , y (n−1) ) ˙
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Teoria Geral 108 pode ser transformada num sistema de n equa¸oes de c˜ 1a ordem intro- ¯ duzindo as vari´veis x1 , x2 , . . . , xn do seguinte modo. a Sejam x1 = y, x2 = y, ˙ x3 = y , ¨ ..., xn = y (n−1) . Temos que   x1 = x2  ˙  x2 = x3  ˙   . .  .  x  ˙ n−1 = xn    x = F (t, x , x , . . . , x ). ˙n 1 2 n Exemplo 5.2. No sistema massa-mola, temos um sistema de duas equa¸oes diferenciais de 2a ordem e podemos transform´-lo num sis- c˜ ¯ a tema de quatro equa¸oes diferenciais de 1a ordem. Definindo c˜ ¯ z1 = x1 , z2 = x1 , z3 = x2 e z4 = x2 . ˙ ˙ Temos que    z1 ˙ = z2 m1 z2 ˙ = −(k1 + k2 ) z1 + k2 z3 + F1 (t)    z3 ˙ = z4 m2 z4 ˙ = k2 z1 − (k2 + k3 ) z3 + F2 (t).  Exemplo 5.3. Escreva o P.V.I. y (4) − y = 0 y(0) = y(0) = y (0) = y (3) (0) = 0 ˙ ¨ na forma de um sistema de equa¸oes diferenciais. c˜ Solucao: Colocando x1 = y, x2 = y, ¸˜ ˙ x3 = y e x4 = y (3) , temos ¨    x1 = x2  ˙  x1 (0) = y(0) = 0  x2 = x3 ˙ x2 (0) = y(0) = 0 ˙   e  x3 = x4  ˙  x3 (0) = y (0) = 0  ¨ x4 = x1 ˙ x4 (0) = y (3) (0) = 0.  
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Teoria Geral 109 Se cada uma das fun¸oes F1 , . . . , Fn em (5.1) for linear em x1 , . . . , xn , c˜ ent˜o dizemos que o sistema de equa¸oes ´ linear. O sistema mais a c˜ e geral de n equa¸oes lineares de 1a ordem possui a forma c˜ ¯   x1 = a1 1 (t) x1 + · · · + a1 n (t) xn + g1 (t)  ˙ . . (5.2)  .  x = a (t) x + · · · + a (t) x + g (t). ˙n n1 1 nn n n Se gj (t) ≡ 0 para todo 1 ≤ j ≤ n, ent˜o dizemos que o sistema (5.2) a ´ homogˆneo. Caso contr´rio, ele ´ n˜o homogˆneo. e e a e a e Evidentemente a nota¸˜o de (5.2) ´ bastante incˆmoda, ent˜o ado- ca e o a tamos a seguinte nota¸˜o matricial. Defina ca       a1 1 (t) . . . a1 n (t) g1 (t) x1 (t) A(t) =  . .. .  , g(t) =  .  e x(t) =  .  .  . .  . . .  . .  . . an 1 (t) . . . an n (t) gn (t) xn (t) Temos que (5.2) pode ser expresso na forma compacta ˙ x = A(t) x + g(t), [L.N.H.] onde, x = (x1 , . . . , x)T . ˙ ˙ ˙ Observacao 5.1. (a1 , . . . , an )T denota um vetor coluna. ¸˜ Teorema 5.1 (Existˆncia e Unicidade de Solu¸oes). Suponha que as e c˜ fun¸˜es ai j (t) e gi (t), 1 ≤ i, j ≤ n, sejam cont´nuas num intervalo co ı n J. Ent˜o dados t0 ∈ J e x0 ∈ R , existe uma unica solu¸˜o x(t) de a ´ ca [L.N.H.], definida em J, tal que x(t0 ) = x0 . Observacao 5.2. Este teorema ´ uma conseq¨ˆncia (da forma ve- ¸˜ e ue torial) do Teorema 1.1, pois temos que f (t, x) = A(t) x + g(t) e ∂(f1 , . . . , fn ) Jf = = A(t) s˜o cont´ a ınuas em J. ∂(x1 , . . . , xn )
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Teoria Geral 110 Teorema 5.2. Se x1 (t) = (x1 (t) . . . x1 (t)) e x2 (t) = (x2 (t) . . . x2 (t)) 1 n 1 n s˜o solu¸˜es do sistema homogˆneo a co e ˙ x = A(t) x [L.H.] ent˜o qualquer combina¸˜o linear c1 x1 (t) + c2 x2 (t), em que c1 e c2 a ca s˜o constantes arbitr´rias, tamb´m ´ solu¸˜o de [L.H.]. Ou seja, o a a e e ca conjunto S de todas as solu¸˜es de [L.H.] ´ um espa¸o vetorial. co e c A demonstra¸ao deste teorema ser´ deixada como exerc´ c˜ a ıcio. Teorema 5.3 (Teste para Independˆncia Linear). Sejam x1 (t), . . . , xk (t) e solu¸˜es de [L.H.] e seja t0 ∈ J. Ent˜o x1 (t), . . . , xk (t) s˜o solu¸˜es li- co a a co nearmente independentes se, e somente se, os vetores x1 (t0 ), . . . , xk (t0 ) s˜o linearmente independentes em Rn . a Demonstracao. Suponhamos que x1 (t), . . . , xk (t) sejam linear- ¸˜ mente dependentes. Ent˜o, existem constantes c1 , . . . , ck n˜o todas a a nulas, tais que c1 x1 (t) + · · · + ck xk (t) = 0, para todo t ∈ J. Logo, c1 x1 (t0 ) + · · · + ck xk (t0 ) = 0 com constantes c1 , . . . , ck n˜o todas nulas. Portanto, x1 (t0 ), . . . , xk (t0 ) a s˜o linearmente dependentes em Rn . a Reciprocamente, suponhamos que x1 (t0 ), . . . , xk (t0 ) sejam linear- mente dependentes em Rn . Ent˜o, existem constantes c1 , . . . , ck n˜o a a todas nulas, tais que c1 x1 (t0 ) + · · · + ck xk (t0 ) = 0. Temos que a fun¸ao c˜ ϕ(t) = c1 x1 (t) + · · · + ck xk (t),
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Teoria Geral 111 em que c1 , . . . , ck s˜o as constantes dadas acima, satisfaz [L.H.] pois ´ a e uma combina¸˜o linear de solu¸oes. Al´m disso, ϕ(t0 ) = 0. Portanto, ca c˜ e pelo Teorema 5.1, ϕ(t) = 0 para todo t. Logo, x1 (t), . . . , xk (t) s˜o a solu¸oes linearmente dependentes. c˜ Teorema 5.4. A dimens˜o do espa¸o S de todas as solu¸˜es de [L.H.] a c co ´ n. e Demonstracao. Vamos mostrar que [L.H.] possui n solu¸oes ¸˜ c˜ linearmente independentes. Para isto, consideremos os vetores do Rn : e1 = (1 0 · · · 0 0)T , e2 = (0 1 0 · · · 0)T , . . ., en = (0 0 · · · 0 1)T e os P.V.I.’s ˙ x = A(t) x xi (t0 ) = ei , i = 1, . . . , n e t0 ∈ J. Pelo Teorema 5.1, temos que cada P.V.I. possui uma unica solu¸˜o ´ ca i 1 n x (t). Como os vetores e , . . . , e s˜o linearmente independentes em a Rn . Logo, segue do Teorema 5.3, que x1 (t), . . . , xn (t) s˜o solu¸oes a c˜ linearmente independentes de [L.H.]. Resta mostrar que qualquer solu¸˜o de [L.H.] pode ser escrita como ca 1 n combina¸˜o linear de x (t), . . . , x (t). Seja x(t) uma solu¸ao de [L.H.] ca c˜ tal que x(t0 ) = (c1 · · · cn )T . Com estas constantes c1 , . . . , cn , cons- tru´ ımos a fun¸ao c˜ ϕ(t) = c1 x1 (t) + · · · + cn xn (t). Temos que ϕ(t) satisfaz [L.H.] pois, ´ combina¸ao linear de solu¸˜es e e c˜ co al´m disso e ϕ(t0 ) = c1 x1 (t0 ) + · · · + cn xn (t0 ) = c1 e1 + c2 e2 + · · · + cn en = = (c1 c2 . . . cn )T = x(t0 ). Logo, pelo Teorema 5.1, ϕ(t) ≡ x(t). Portanto, x(t) = c1 x1 (t) + · · · + cn xn (t).
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Teoria Geral 112 Observacao 5.3. O Teorema 5.4 diz que se conhecermos n solu¸oes ¸˜ c˜ 1 n linearmente independentes x (t), . . . , x (t) de [L.H.], ent˜o toda solu¸˜o a ca de [L.H.] ser´ da forma a x(t) = c1 x1 (t) + · · · + cn xn (t). Por esta raz˜o, esta express˜o ´ chamada solu¸˜o geral de [L.H.]. a a e ca Exemplo 5.4. Considere o sistema de equa¸oes diferenciais c˜ x1 = x2 ˙ 0 1 ˙ ou x = x, x2 = −x1 − 2 x2 ˙ −1 −2 em que x = (x1 x2 )T . Note que o sistema procede da equa¸˜o de 2a ca ¯ ordem y + 2 y + y = 0, ¨ ˙ colocando x1 = y e x2 = y. Como y1 (t) = e−t e y2 (t) = t e−t s˜o duas ˙ a solu¸oes desta equa¸˜o, temos que c˜ ca e−t te−t x1 (t) = e x2 (t) = −e−t (1 − t) e−t s˜o duas solu¸oes deste sistema. Como x1 (0) = (1 − 1)T e x2 (0) = a c˜ (0 1) s˜o vetores linearmente independentes em R2 , pelo Teorema T a 5.3, temos que x1 (t) e x2 (t) s˜o solu¸˜es linearmente independentes e a co pelo Teorema 5.4, toda solu¸ao deste sistema pode ser escrita sob a c˜ forma x1 (t) e−t te−t (c1 + t)e−t x(t) = = c1 +c2 = . x2 (t) −e−t (1 − t)e−t (c2 − c1 − c2 t)e−t ıcio: Resolva o P.V.I. Exerc´ 0 1 1 ˙ x= x, x(0) = . −1 −2 1
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Teoria Geral 113 Definicao 5.1. Dizemos que uma matriz n × n X(t) ´ matriz ¸˜ e ca ˙ solu¸˜o do sistema x = A(t) x, se cada coluna de X(t) ´ solu¸˜o e ca do sistema. et 0 Exemplo 5.5. X(t) = ˙ ´ uma matriz solu¸˜o de x = e ca 0 e2 t 1 0 x pois, 0 2 et 0 x1 (t) = e x2 (t) = 0 e2 t s˜o solu¸˜es de a co 1 0 ˙ x= x. 0 2 (Verifique). Definicao 5.2. Dizemos que uma matriz n × n X(t) ´ matriz fun- ¸˜ e ˙ damental (M.F.) para o sistema x = A(t) x se X(t) ´ uma matriz e solu¸˜o e det X(t) = 0 para todo t no intervalo de existˆncia. Ou seja, ca e a co ˙ suas colunas s˜o solu¸˜es linearmente independentes de x = A(t) x. et 0 1 0 Exemplo 5.6. X(t) = 2t ´ uma M.F. de x = e ˙ x pois, 0 e 0 2 como vimos acima, ela ´ matriz solu¸ao e al´m disso det X(t) = e3 t = 0 e c˜ e para todo t. Lema 5.1. Se X(t) ´ uma M.F. de [L.H.], ent˜o a solu¸˜o geral de e a ca [L.H.] ser´ dada por X(t) c, em que c = (c1 · · · cn )T . a Demonstracao. Primeiramente, mostremos que x(t) = X(t)c ´ ¸˜ e solu¸ao de [L.H.]. De fato, c˜ ˙ ˙ x(t) = X(t) c = [A(t) X(t)] c = A(t) [X(t) c] = A(t) x(t). Mostremos, agora, que toda solu¸˜o ´ deste tipo. Seja x(t) solu¸˜o ca e ca −1 de [L.H.] tal que x(t0 ) = x0 . Como a fun¸ao z(t) = X(t)[X (t0 )x0 ] c˜
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Teoria Geral 114 ´ solu¸˜o de [L.H.] e satisfaz z(t0 ) = x0 , pela unicidade de solu¸˜es, e ca co temos que z(t) = x(t). Logo, x(t) = X(t) c, em que c = X −1 (t0 ) x0 . Observacao 5.4. Se X(t) ´ M.F. de [L.H], isto ´, suas colunas s˜o ¸˜ e e a solu¸oes linearmente independentes de [L.H], o lema acima afirma que c˜ suas colunas formam uma base para o espa¸o das solu¸˜es . c co Teorema 5.5 (F´rmula de Jacobi-Liouville). Se X(t) ´ uma matriz o e solu¸˜o de [L.H.] em algum intervalo J e se t0 ∈ J, ent˜o ca a t det X(t) = det X(t0 ) exp( trA(s) ds), t0 onde trA(s) = soma dos elementos da diagonal principal de A(s). Demonstracao. Basta notar que det X(t) satisfaz a equa¸˜o ¸˜ ca diferencial z = trA(t) z. ˙ Observacao 5.5. O Teorema 5.5 afirma que se X(t) ´ matriz solu¸˜o ¸˜ e ca de [L.H.] ent˜o, ou det X(t) = 0 para todo t ∈ J ou det X(t) = 0 para a todo t ∈ J. O pr´ximo teorema nos d´ um crit´rio para decidir se uma matriz o a e solu¸ao de [L.H.] ´ uma M.F.. c˜ e Teorema 5.6. Seja X(t) uma matriz solu¸˜o de [L.H.] em J. X(t) ca ´ M.F. se, e somente se, det X(t0 ) = 0 para algum t0 ∈ J. e Demonstracao. Suponhamos que X(t) seja M.F., ent˜o as co- ¸˜ a lunas de X(t) s˜o solu¸oes linearmente independentes e, portanto, a c˜ det X(t) = 0 para todo t ∈ J. Em particular, det X(t0 ) = 0 para algum t0 ∈ J. Reciprocamente, se det X(t0 ) = 0 para algum t0 ∈ J, pela F´rmula o de Jacobi-Liouville, temos que det X(t) = 0 para todo t ∈ J. Por- tanto, X(t) ´ M.F.. e
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Teoria Geral 115 Exemplo 5.7. Verifique se 1 −t   e2 t 2 e et X(t) =  e2 t e−t 0  2t 7 −t e −2 e −et ´ uma M.F. para o sistema e   1 −1 0 ˙ x= 1 2 1  x. −2 1 −1 Solucao: Facilmente verifica-se que as colunas de X(t) s˜o solu¸oes ¸˜ a c˜ do sistema. Escolhendo, por simplicidade, t0 = 0, temos 1 −1 2 1 det X(0) = 1 1 0 = −3. 1 − 7 −1 2 Logo, pelo Teorema 5.4, X(t) ´ M.F.. e t2 t ıcios 5.1. 1) Mostre que X(t) = Exerc´ ´ uma matriz fun- e 2t 1 damental para o sistema 0 1 ˙ x= 2 x −2/t 2/t em qualquer intervalo J n˜o incluindo a origem. a 2) Verifique se ´ poss´ e ıvel determinar uma matriz A(t) cont´ ınua para t ≥ 0, de modo que X(t) seja matriz fundamental do sistema ˙ x = A(t)x, com t2 t 1 1+t a) X(t) = . b) X(t) = . t t 0 2 Em caso afirmativo construa A(t). Caso contr´rio, justifique sua res- a posta.
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 116 3) Dada a equa¸˜o diferencial t3 y (3) −3 t2 y +6 t y−6 y = 0, reduza- ca ¨ ˙ a num sistema de equa¸˜es diferenciais de 1¯ co a ordem escrevendo-a na ˙ forma x = A(t) x e em seguida ache uma matriz fundamental de solu¸oes para o sistema encontrado. c˜ Sugest˜o: Determine por tentativa trˆs solu¸˜es linearmente indepen- a e co dentes da equa¸˜o dada. ca 4) Considere os vetores x1 (t) = (t 1)T e x2 (t) = (t2 2 t)T . a) Em que intervalo x1 e x2 s˜o linearmente independentes? a b) Que conclus˜o se pode tirar sobre os coeficientes no sistema de a equa¸oes diferenciais homogˆneas satisfeitas por x1 e x2 ? c˜ e c) Ache este sistema de equa¸oes e verifique as condi¸oes da parte c˜ c˜ a). 5) Considere os vetores x1 (t) = (t2 2t)T e x2 (t) = (et et )T , e responda as mesmas perguntas do Problema 4. 5.2 Sistemas Lineares com Coeficientes Constantes Vamos construir a solu¸ao geral do sistema c˜ ˙ x = Ax (5.3) onde A = (ai j ), i, j = 1, 2, . . . , n ´ uma matriz constante. e A nossa experiˆncia com as equa¸oes de 2a ordem sugere que pro- e c˜ ¯ curemos solu¸oes da forma c˜ x(t) = eλ t v (5.4) em que o n´mero λ e o vetor constante v = (v1 · · · vn )T = (0 · · · 0)T u
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 117 devem ser determinados. Substituindo (5.4) no sistema (5.3), obtemos λ eλ t v = A eλt v ou equivalentemente A v = λ v. (5.5) Logo, (5.4) ´ uma solu¸ao de (5.3) se, e somente se, λ ´ um autovalor e c˜ e de A e v ´ um autovetor associado a λ. A equa¸˜o (5.5) ´ equivalente e ca e a (A − λ I) v = 0, (5.6) onde I ´ a matriz identidade. Para que a equa¸ao (5.6) tenha solu¸ao e c˜ c˜ v = 0, a matriz A − λI n˜o pode ser invert´ a ıvel. Logo, devemos ter det(A − λ I) = 0. (5.7) Observamos que a express˜o det(A − λ I) ´ um polinˆmio de grau a e o n em λ, chamado polinˆmio caracter´ o ıstico de A. Assim, a equa¸˜o ca det(A − λ I) = 0, possui n ra´ ızes λ1 , . . . , λn que podem ser reais ou complexas e algumas podem ter multiplicidade maior do que um. Observacao 5.6. Se v for um autovetor de A com autovalor λ, ent˜o ¸˜ a u = c v, em que c = 0 ´ uma constante qualquer, tamb´m ser´ um e e a autovetor de A com o mesmo autovalor. Observacao 5.7. Se a matriz A for triangular, ent˜o os autovalores ¸˜ a ser˜o os elementos da diagonal principal. a Temos trˆs casos a considerar: e 1o caso: Todos os autovalores s˜o reais e distintos. ¯ a Sejam v1 , . . . , vn os autovetores associados aos autovalores λ1 , . . . , λn , ´ respectivamente. Como λ1 , . . . , λn s˜o distintos, segue da Algebra a 1 n Linear, que v , . . . , v s˜o linearmente independents. Logo, as fun¸oes a c˜ x1 (t) = eλ1 t v1 , . . . , xn (t) = eλn t vn
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 118 s˜o n solu¸oes linearmente independentes de (5.3) pois, para t = 0, a c˜ temos que os vetores x1 (0) = v1 , . . . , xn (0) = vn s˜o linearmente independentes. Portanto, x1 (t) = eλ1 t v1 , . . . , xn (t) = a eλn t vn formam uma base para o espa¸o das solu¸oes. c c˜ Exemplo 5.8. Determine a solu¸˜o de P.V.I ca 1 12 0 ˙ x= x, x(0) = . 3 1 1 Solucao : O polinˆmio caracter´ ¸˜ o ıstico da matriz dos coeficientes A ´ e 1 − λ 12 p(λ) = det(A − λ I) = = (1 − λ)2 − 36 = λ2 − 2 λ − 35. 3 1−λ Portanto, os autovalores de A s˜o: λ1 = 7 e λ2 = −5. a i) λ1 = 7: Procuramos um vetor v = 0 tal que −6 12 a 0 −6 a + 12 b = 0 (A−7 I) v = = =⇒ =⇒ a = 2 b. 3 −6 b 0 3a − 6b = 0 2 2 Logo, um autovetor ´ v1 = e e x1 (t) = e7 t ´ uma solu¸ao. e c˜ 1 1 ii) λ2 = −5: Procuramos um vetor v = 0 tal que 6 12 a 0 6 a + 12 b = 0 (A+5 I) v = = =⇒ =⇒ a = −2 b. 3 6 b 0 3a + 6b = 0 −2 Logo, um autovetor ´ v2 = e e uma segunda solu¸˜o ´ x2 (t) = ca e 1 −2 e−5 t . 1
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 119 Como λ1 = λ2 , temos que x1 (t) e x2 (t) s˜o solu¸oes linearmente a c˜ independentes. Ent˜o a solu¸ao geral ´ a c˜ e 2 c1 e7t − 2 c2 e−5t x(t) = c1 x1 (t) + c2 x2 (t) = . c1 e7 t + c2 e−5 t Como 0 2 c1 − 2 c2 2 c1 − 2 c2 = 0 1 = x(0) = ⇒ ⇒ c1 = c2 = , 1 c1 + c2 c1 + c2 = 1 2 temos que a solu¸ao do P.V.I. ´ c˜ e e7 t − e−t x(t) = . (e7 t + e−5 t )/2 2o caso: Autovalores Complexos. ¯ Se λ = α+i β, com β = 0, ´ um autovalor de A e v = v1 +i v2 , com e v = 0, ´ um correspondente autovetor, ent˜o a fun¸ao z(t) = eλ t v 2 e a c˜ ´ uma solu¸˜o com valores complexos do sistema (5.3). Esta solu¸ao e ca c˜ com valores complexos d´ origem a duas solu¸˜es com valores reais, a co como mostra o seguinte: Lema 5.2. Se z(t) = x(t) + i y(t) ´ uma solu¸˜o com valores com- e ca plexos de (5.3), ent˜o tanto x(t) como y(t) s˜o solu¸˜es reais de (5.3). a a co Demonstracao. Temos que ¸˜ ˙ ˙ ˙ x(t) + i y(t) = z(t) = A z(t) = A [x(t) + i y(t)] = A x(t) + i A y(t). Igualando as partes real e imagin´ria, obtemos a ˙ x(t) = A x(t) e ˙ y(t) = A y(t). Logo, tanto x(t) = [z(t)] como y(t) = [z(t)] s˜o solu¸oes reais de a c˜ (5.3).
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    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 120 Escrevendo a solu¸˜o z(t) = eλ t v, em que λ = α + i β e v = ca 1 2 v + i v , na forma z(t) = eα t (cos β t + i sen β t)(v1 + iv2 ) = eα t [v1 cos β t − v2 sen β t + i (v1 sen β t + v2 cos β t)] pelo Lema 5.2 temos que x(t) = eα t (v1 cos β t − v2 sen β t) e y(t) = eα t (v1 sen β t + v2 cos β t) s˜o duas solu¸oes reais de (5.3). Al´m disso, estas solu¸oes s˜o linear- a c˜ e c˜ a mente independentes. (Prove isto). Exemplo 5.9. Determine uma base de solu¸oes reais para o sistema c˜ 1 −1 ˙ x= x. 5 −3 Solucao : O polinˆmio caracter´ ¸˜ o ıstico da matriz dos coeficientes A 2 ´ p(λ) = det(A − λ I) = λ + 2 λ + 2. Portanto, os autovalores de A e s˜o: λ1 = −1 + i e λ2 = −1 − i. Procuremos um vetor v = 0 tal que a (A − λ1 I) v = 0. Ou seja 2−i −1 a 0 (2 − i) a − b = 0 = =⇒ =⇒ b = (2−i) a. 5 −2 − i b 0 5 a − (2 + i) b = 0 1 Logo, um autovetor associado a λ1 = −1 + i ´ v = e e a fun¸ao c˜ 2−i 1 1 0 z(t) = e(−1+i) t = e−t (cos t + i sen t) +i 2−i 2 −1 e−t cos t e−t sen t = + i −t e−t [2 cos t + sen t] e [2 sen t − cos t]
  • 131.
    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 121 ´ uma solu¸ao com valores complexos. Conseq¨entemente e c˜ u e−t cos t x(t) = [z(t)] = e−t [2 cos t + sen t] e e−t sen t y(t) = [z(t)] = e−t [2 sen t − cos t] s˜o duas solu¸oes reais linearmente independentes e, portanto, x(t) e a c˜ y(t) formam uma base de solu¸˜es reais. co 3o caso: Autovalores Repetidos. ¯ Se λ ´ um autovalor de multiplicidade k 1, temos duas possibi- e lidades: (i) existem k autovetores linearmente independentes associados a λ; (ii) existem menos de k autovetores linearmente independentes asso- ciados a λ. No caso (i) tudo se passa como quando os autovalores s˜o distintos. a 1 k Se v , . . . , v forem autovetores linearmente independentes associados a λ, ent˜o eλ t v1 , . . . , eλ t vk ser˜o k solu¸oes linearmente indepedentes. a a c˜ Exemplo 5.10. Determine uma base de solu¸oes para o sistema c˜   3 2 4 ˙ x = 2 0 2 x. 4 2 3 Solucao: O polinˆmio caracter´ ¸˜ o ıstico da matriz dos coeficientes A ´ p(λ) = det(A − λ I) = −λ + 6 λ2 + 15 λ + 8 = 0. Portanto, os e 3 autovalores de A s˜o: λ1 = λ2 = −1 e λ3 = 8. a
  • 132.
    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 122 (a) λ = −1 : Procuramos todos os vetores v = 0 que satisfazem (A + I) v = 0. Ou seja,       4 2 4 a 0  4a + 2b + 4c = 0 2 1 2  b  = 0 =⇒ 2 a + b + 2 c = 0 =⇒ b = −2 a−2 c. 4 2 4 c 0 4a + 2b + 4c = 0  Fazendo a = 1 e c = 0, obtemos v1 = (1 − 2 0)T . Fazendo a = 0 e c = 1, obtemos v2 = (0 − 2 1)T que s˜o dois autovetores linearmente a independentes associados a λ = −1. Portanto, o autovalor λ = −1 d´a origem a duas solu¸oes linearmente independentes c˜     1 0 1 −t   e x2 (t) = e−t −2 . x (t) = e −2 0 1 (b) λ = 8: Procuramos um vetor v = 0 tal que (A − 8 I) v = 0. Ou seja,       −5 2 4 a 0  −5 a + 2 b + 4 c = 0  2 −8 2   b  = 0 ⇒ 2 a − 8 b + 2 c = 0 ⇒ a = c = 2 b. 4 2 −5 c 0 4a + 2b − 5c = 0  Logo, um autovetor ´ v3 = (2 1 2)T e, portanto, e   2 3 8t   x (t) = e 1 2 ´ uma terceira solu¸˜o linearmente independente. e ca No caso (ii) n˜o ´ poss´ encontrar k autovetores linearmente in- a e ıvel dependentes associados a λ, o que significa que existem solu¸˜es de co (5.3) que n˜o podem ser expressas usando-se apenas fun¸˜es exponen- a co ciais e vetores constantes. Por analogia ao feito para equa¸oes de 2a c˜ ¯ ordem, ´ natural procurar solu¸ao envolvendo produtos de polinˆmios e c˜ o e exponenciais. Ilustraremos este procedimento atrav´s do e
  • 133.
    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 123 Exemplo 5.11. Resolva o sistema 1 −1 ˙ x= x. 1 3 Solucao: O polinˆmio caracter´ ¸˜ o ıstico ´ p(λ) = (λ − 2)2 e, portanto e λ = 2 ´ autovalor de A com multiplicidade 2. Procuremos todos os e vetores v = 0 tais que (A − 2 I) v = 0. Ou seja, −1 −1 a 0 −a − b = 0 = =⇒ =⇒ b = −a. 1 1 b 0 a+b=0 Portanto, todo autovetor ´ da forma v = a(1 e − 1)T . Logo, uma solu¸ao ´ c˜ e 1 x1 (t) = e2 t −1 e n˜o existe uma segunda solu¸ao de forma e2 t v que seja linearmente a c˜ ´ independente com x1 (t). E natural tentarmos x2 (t) = t e2 t v. Substi- tuindo no sistema obtemos: 2 t e2 t v + e2 t v = A (t e2 t v) (5.8) ou e2 t [2 t v+v] = t e2 t A v =⇒ 2 t v+v−t A v = 0, para todo t ⇐⇒ v = 0 o que n˜o nos interessa. a Como em (5.8) aparecem termos em t e2 t e e2 t , temos que a solu¸ao, c˜ 2t 2t al´m do termo t e v, precisa conter um termo e w. Tentemos ent˜o e a x2 (t) = t e2 t v + e2 t w, em que v e w s˜o vetores constantes. Substituindo no sistema, obte- a mos 2 t e2 t v + e2 t (v + 2 w) = A (t e2 t v + e2 t w)
  • 134.
    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 124 ou 2 t v + v + 2 w = t A v + A w. Igualando termos em t e termos constantes, temos que v e w devem satisfazer Av = 2v (A − 2 I) v = 0 =⇒ Aw = v + 2w (A − 2 I) w = v. A primeira destas equa¸˜es est´ satisfeita se v for um autovetor de A co a associado a λ = 2, ou seja, v = (1 − 1)T . Substituindo na segunda, obtemos −1 −1 w1 1 −w1 − w2 = 1 = =⇒ =⇒ w2 = −1−w1 . 1 1 w2 −1 w1 + w2 = −1 Fazendo w1 = 0, temos que w = (0 − 1)T satisfaz a segunda equa¸ao, c˜ e portanto, 1 0 t e2 t x2 (t) = t e2 t + e2 t = −1 −1 −e2 t (t + 1) ´ uma segunda solu¸ao linearmente independente com x1 (t). (Prove e c˜ este fato). Apresentemos agora um procedimento geral para resolver o caso (ii). Suponhamos que A tenha k n autovetores linearmente indepen- dentes. Ent˜o teremos apenas k solu¸oes linearmente independentes a c˜ da forma eλt v. Para obter as n − k solu¸oes, que juntamente com c˜ estas formem uma base para o espa¸o das solu¸˜es, devemos proceder c co do seguinte modo: 1) Para cada autovalor λ de A, com multiplicidade maior do que 1, procuramos solu¸˜es do tipo x(t) = t eλ t v + eλ t w, em que co (A − λI)v = 0 (A − λI)w = v.
  • 135.
    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 125 2) Se ainda n˜o tivermos as n solu¸oes linearmente independentes, a c˜ t2 λt devemos procurar solu¸˜o do tipo x(t) = ca e v + t eλ t w + eλ t u, em 2! que   (A − λ I) v = 0 (A − λ I) w = v (A − λ I) u = w.  3) Prosseguimos deste modo at´ obter as n solu¸oes linearmente e c˜ independentes. Exemplo 5.12. Encontrar uma base para o espa¸o das solu¸˜es de c co   2 1 3 ˙ x=  0 2 −1  x. 0 0 2 Solucao: O polinˆmio caracter´ ¸˜ o ıstico ´ p(λ) = (2 − λ)3 e, portanto, e λ = 2 ´ autovalor de multiplicidade 3. Procuremos todos os vetores e v = 0 tais que (A − 2I)v = 0:      0 1 3 a 0  0 0 −1   b  =  0  =⇒ b + 3 c = 0 −c = 0. 0 0 0 c 0 Logo, b = c = 0 e a ´ arbitr´rio. Conseq¨entemente, todo autovetor ´ e a u e da forma v = a(1 0 0)T e, portanto,    2t  1 e 1 2t  x (t) = e 0 = 0  0 0 ´ uma solu¸ao do sistema. e c˜ Como A possui apenas um autovetor linearmente independente associado a λ = 2, devemos procurar outra solu¸ao da forma x2 (t) = c˜
  • 136.
    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 126 t e2 t v + e2 t w, em que v ´ autovetor associado a λ = 2 e w ´ tal que e e (A − 2 I) w = v. Assim      0 1 3 w1 1  0 0 −1   w2  =  0  =⇒ w2 + 3 w3 = 1 −w3 = 0. 0 0 0 w3 0 Logo, w2 = 1, w3 = 0 e w1 ´ arbitr´rio. e a Portanto,      2t  1 0 te x2 (t) = t e2 t  0  + e2 t  1  =  e2 t  0 0 0 ´ uma segunda solu¸˜o do sistema. e ca t2 2 t ´ ca a e v+t e2 t w+ A terceira e ultima solu¸˜o ser´ da forma x3 (t) = 2 e2 t u, em que v ´ autovetor associado a λ = 2, w foi determinado e acima e u ´ tal que (A − 2 I) u = w. Ou seja, e      0 1 3 u1 0  0 0 −1   u2  =  1  =⇒ u2 + 3 u3 = 0 −u3 = 1. 0 0 0 u3 0 Logo, u2 = 3, u3 = −1 e u1 ´ arbitr´rio. Portanto, e a        2 2t  2 1 0 0 t e /2 t 2t   x3 (t) = e 0 + t e2 t  1  + e2 t  3  =  (t + 3) e2 t  2 0 0 −1 −e2 t ´ a terceira solu¸˜o do sistema. e ca Mostre que estas 3 solu¸oes s˜o linearmente independentes. c˜ a Exerc´ıcios 5.2. 1) a) Transforme a equa¸ao y (3) −3 y −6 y −2 y = 0, c˜ ¨ ˙ num sistema de equa¸˜es diferenciais de 1a ordem. co ¯ b) Calcule uma matriz fundamental para o sistema.
  • 137.
    Sistemas de Equa¸˜esDiferenciais co Cap. 5 Coef. Constantes 127 c) Dˆ a solu¸˜o geral do sistema. e ca d) Dˆ a solu¸˜o geral da equa¸˜o dada. e ca ca 2) Determine uma base de solu¸˜es, uma matriz fundamental e a co solu¸ao geral dos sistemas abaixo: c˜ 3 −2 −3 2 ˙ a) x = x. ˙ b) x = x. 2 −2 −1 −1     3 2 4 1 1 2 ˙ c) x =  2 0 2  x. ˙ d) x =  1 2 1  x. 4 2 3 2 1 1     1 0 0 1 0 0 ˙ = 3 e) x 1 −2  x. f) x =  2 1 −2  x. ˙ 2 2 1 3 2 1     −2 1 0 0 −1 −1 0  0 −2 1 0  ˙ g) x =  0 −1 ˙  0  x. h) x =   x. 0 0 −2 1  0 0 −2 0 0 0 −2 3) Resolva os P.V.I.: a) x = Ax, em que A ´ dada no exerc´ 2-h) e x(0) = (1 2 − 1 1)T . ˙ e ıcio b) x = Ax, em que A ´ dada no exerc´ 2-g) e x(0) = (1 1 2)T . ˙ e ıcio     3 1 1 1 ˙ c) x =  0 3 1  x, com x(0) =  0 . 0 0 2 1 e co ˙ 4) Trˆs solu¸˜es de x = Ax s˜o a  t   t   t  e + et e + e3 t e − e3 t ϕ1 (t) =  e2t  , ϕ2 (t) =  e3 t  , ϕ3 (t) =  −e3 t  . 0 e3 t −e3 t
  • 138.
    Sistemas de Equa¸˜es co Cap. 5 Sistema n˜o Homogˆneo 128 a e Determine os autovalores e os autovetores da matriz A. ˙ 5) Determine se X(t) ´ uma matriz fundamental de x = Ax, para e alguma matriz constante A. Em caso afirmativo determine A, em que t2 + 1 e2 t 2e−t e3 t     1 t+1 a) X(t) = et  1 2(t + 1) 4 t 2  b) X(t) =  2et 2e−t e3 t . 1 t+2 3 3et e−t 2e3 t 3 e2 t   −5 cos 2 t −5 sen 2 t c) X(t) =  −2 (cos 2 t + sen 2 t) 2 (cos 2 t − sen 2 t) 0 . cos 2 t sen 2 t e2 t 6) Suponha que Y (t) = X(t)C, em que X(t) e Y (t) s˜o matrizes a fundamentais de x˙ = Ax e C ´ uma matriz constante. Prove que e det C = 0. ˙ 7) Seja X(t) uma matriz fundamental de x = A x e C uma matriz constante com det C = 0. Mostre que Y (t) = X(t) C tamb´m ´ uma e e ˙ matriz fundamental de x = A x. 5.3 ˜ ˆ Sistemas Lineares nao Homogeneos com Coeficientes Constantes Consideremos o sistema linear n˜o homogˆneo a e ˙ x = A x + g(t), [L.N.H.] em que A ´ uma matriz n × n constante e g(t), n × 1, ´ cont´ e e ınua num intervalo J. O nosso objetivo ´ procurar uma solu¸˜o para [L.N.H.]. e ca Teorema 5.7. Sejam u(t) e v(t) duas solu¸˜es quaisquer de x = co ˙ A x + g(t). Ent˜o a sua diferen¸a ϕ(t) = u(t) − v(t)´ solu¸˜o de a c e ca ˙ = A x. x
  • 139.
    Sistemas de Equa¸˜es co Cap. 5 Sistema n˜o Homogˆneo 129 a e A demonstra¸ao ser´ deixada como exerc´ c˜ a ıcio. Teorema 5.8. Seja X(t) = (x1 (t), . . . , xn (t)) uma M.F. de x = Ax. ˙ Seja xp (t) uma solu¸˜o particular de [L.N.H.]. Ent˜o ca a x(t) = X(t) c + xp (t) ´ a solu¸˜o geral de [L.N.H.], em que x = (c1 · · · cn )T . e ca Demonstracao. Primeiramente, mostraremos que x(t) = X(t) c+ ¸˜ xp (t) ´ solu¸ao de [L.N.H.]. De fato e c˜ ˙ ˙ ˙ x(t) = X(t) c + xp (t) = A X(t) c + A xp (t) + g(t) = A [X(t) c + xp (t)] + g(t) = A x(t) + g(t). Seja x(t) uma solu¸˜o qualquer de [L.N.H.]. Ent˜o, pelo Teorema 5.5, ca a temos que x(t) − xp (t) ´ solu¸ao de x = Ax. Logo, e c˜ ˙ x(t) − xp (t) = X(t) c e, portanto, x(t) = X(t) c + xp (t). Pelo Teorema 5.8, vemos que para resolver um sistema linear n˜o a homogˆneo precisamos saber encontrar uma solu¸˜o particular. e ca O m´todo dos coeficientes a determinar aplica-se sob as mes- e mas condi¸oes vistas para equa¸˜es de 2a ordem. c˜ co ¯ ˙ Exemplo 5.13. Determine uma solu¸ao particular para o sistema x = c˜ t A x + e z, em que 0 1 0 A= e z= . 8 −2 1 Solucao: p(λ) = λ2 + 2 λ − 8. Logo, os autovalores s˜o λ1 = 2 e ¸˜ a λ2 = −4. Como n˜o existe solu¸ao do sistema homogˆneo sob a forma a c˜ e
  • 140.
    Sistemas de Equa¸˜es co Cap. 5 Sistema n˜o Homogˆneo 130 a e et u, tentaremos uma solu¸˜o da forma xp (t) = et v. Substituindo no ca sistema, obtemos et v = A et v + et z ⇐⇒ v = A v + z ⇐⇒ (A − I) v = −z. Portanto, −1 1 a 0 −a + b = 0 1 = ⇒ ⇒a=b=− . 8 −3 b −1 8 a − 3 b = −1 5 Logo, et 1 xp (t) = − 5 1 ´ uma solu¸ao particular. e c˜ ˙ Exemplo 5.14. Determine uma solu¸˜o particular do sistema x = ca A x + e−t z, em que 1 1 −4 A= e z= . 4 1 4 Solucao : p(λ) = λ2 − 2 λ − 3. Logo, os autovalores s˜o λ1 = −1 ¸˜ a e λ2 = 3. Como existe uma solu¸˜o do sistema homogˆneo da forma ca e e−t u, vamos tentar uma solu¸˜o particular da forma xp (t) = e−t (v + ca t w), com v e w ∈ R2 . Substituindo no sistema, obtemos e−t (−v + w − t w) = A [ e−t (v + t w) ] + e−t z ou −v + w − t w = A v + t A w + z. Igualando termos em t e termos constantes, vemos que v e w devem satisfazer A w = −w (A + I) w = 0 =⇒ A v + u = −v + w (A + I) v = w − z.
  • 141.
    Sistemas de Equa¸oesDiferenciais Cap. 5 Var. dos Parˆmetros 131 c˜ a A primeira destas equa¸oes implica que w deve ser um (conveniente) c˜ autovetor de A. Logo, w = α (1 − 2)T para algum α. Pondo v = (a b)T , a segunda equa¸ao nos fornece c˜ 2 1 a α+4 2a + b = α+4 = =⇒ 4 2 b −2 α − 4 4 a + 2 b = −2 α − 4. Logo, α = −3 e b = 1 − 2 a. Pondo a = 0, obtemos b = 1. Portanto, 0 −3 −3 t e−t xp (t) = e−t +t = 1 6 (1 + 6 t) e−t ´ uma solu¸ao particular. e c˜ 5.4 ´ ¸˜ ˆ Metodo da Variacao dos Parametros Outro m´todo para determinar uma solu¸ao particular do sistema e c˜ n˜o homogˆneo ´ o M´todo da Varia¸˜o dos Parˆmetros, que ´ a e e e ca a e ˙ mais geral que o anterior, pois aplica-se tamb´m no caso x = A(t) x + e g(t). Seja X(t) = (x1 (t), . . . , xn (t)) uma M.F. de x = A x. Queremos ˙ encontrar uma solu¸ao do tipo c˜ xp (t) = X(t) u(t), em que u(t) ´ uma fun¸ao vetorial, isto ´, u(t) = (u1 (t) · · · un (t))T . e c˜ e Temos ˙ ˙ xp (t) = A X(t) u(t) + X(t) u(t). (5.9) Como xp (t) ´ solu¸ao particular do sistema n˜o homogˆneo, temos e c˜ a e ˙ xp (t) = A xp (t) + g(t) = A X(t) u(t) + g(t). (5.10) ˙ De (5.9) e (5.10), vem que X(t) u(t) = g(t), ou u(t) = X −1 (t) g(t). ˙
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    Sistemas de Equa¸oesDiferenciais Cap. 5 Var. dos Parˆmetros 132 c˜ a Integrando essa express˜o de t0 a t, obtemos a t u(t) = X −1 (s) g(s) ds, t0 onde tomamos u(t0 ) = 0, pois procuramos uma solu¸ao particular. c˜ Logo, t xp (t) = X(t) X −1 (s) g(s) ds. t0 Assim temos que a solu¸ao de [L.N.H.] tal que x(t0 ) = x0 ´ dada c˜ e por t −1 x(t) = X(t) X (t0 ) x0 + X(t) X −1 (s) g(s) ds, t0 que ´ conhecida como F´rmula da Varia¸˜o dos Parˆmetros (ou e o ca a f´rmula da varia¸ao das constantes). o c˜ Exemplo 5.15. Resolver o P.V.I. −1 0 e−t 1 ˙ x= x+ , x(0) = . 0 0 1 1 Solucao: p(λ) = −λ (−1 − λ). Logo, os autovalores s˜o: λ1 = 0 e ¸˜ a λ2 = −1. i) λ = 0: Procuremos um vetor v = 0 tal que (A − 0I) v = 0. Ou seja, −1 0 a 0 = =⇒ a = 0 e b ´ arbitr´rio. e a 0 0 b 0 Logo, v1 = (0 1)T ´ um autovetor e x1 (t) = e0t (0 1)T = (0 1)T ´ e e uma solu¸ao. c˜ ii) λ = −1: Procuramos um vetor v = 0 tal que (A + 1I) v = 0. Assim 0 0 a 0 = =⇒ b = 0 e a ´ arbitr´rio. e a 0 1 b 0
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    Sistemas de Equa¸oesDiferenciais Cap. 5 Var. dos Parˆmetros 133 c˜ a Logo, v2 = (1 0)T ´ um autovetor e uma segunda solu¸ao ´ x2 (t) = e c˜ e −t T −t T e (1 0) = (e 0) . Portanto, 0 e−t X(t) = (x1 (t) x2 (t)) = 1 0 ˙ ´ uma M.F. de x = A x. Temos que e 0 1 0 1 X −1 (t) = =⇒ X −1 (0) = . et 0 1 0 Logo, a solu¸˜o do P.V.I. ´ ca e t x(t) = X(t) [X −1 (t0 ) x0 + X −1 (s) g(s) ds] t0 −t t 0 e 0 1 1 0 1 e−s = + ds 1 0 1 0 1 0 es 0 1 (1 + t) e−t = . 1+t ıcios 5.3. 1) Determine a solu¸ao geral dos sistemas abaixo: Exerc´ c˜ 2 1 1 2 −5 − cos t ˙ a) x = x+ e3 t . ˙ b) x = x+ . 3 −2 1 1 −2 sen t     1 2 −3 1 1 −1 −t2 ˙ c) x = x+ . ˙ d) x =  1 1 2  x +  0  et . 1 3 2t 1 −1 4 −1 2) Resolva os P.V.I.’s:    2t    2 0 1 e 1 ˙ a) x =  0 2 0  x +  0  , x(0) =  1 . 0 1 3 e2 t 1 4 5 4 et cos t 0 ˙ b) x = x+ , x(0) = . −2 −2 0 0
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    Sistemas de Equa¸oesDiferenciais Cap. 5 Var. dos Parˆmetros 134 c˜ a 2 −5 sen t 0 ˙ c) x = x+ , x(0) = . 1 −2 tg t 0 3) Em cada um dos problemas abaixo, verifique que x1 (t) e x2 (t) s˜o solu¸oes do sistema homogˆneo correspondente, e ent˜o resolva o a c˜ e a sistema n˜o homogˆneo. Suponha que t 0. a e 2 −1 1 − t2 ˙ a) t x = x+ , 3 −2 2t 1 1 x1 (t) = t e x2 (t) = t−1 . 1 3 3 −2 −2 t + 2 ˙ b) t x = x+ , 2 −2 t4 + 1 1 2 x1 (t) = t−1 e x2 (t) = t2 . 2 1 0 1 cos π t ˙ c) x = x+ , 0 −1/t 2/t2 1 ln t x1 (t) = e x2 (t) = . 0 1/t 4) O circuito el´trico dado na figura abaixo ´ descrito pelo sistema de e e −1/2 −1/8 1/2 c˜ ˙ equa¸oes diferenciais x = x+ I(t), 2 −1/2 0 em que x = (x1 x2 )T , x1 ´ a corrente no indutor, x2 ´ a queda de e e voltagem no capacitor e I(t) ´ a corrente fornecida pela fonte externa. e a) Determine uma matriz fundamental X(t) para o sistema homogˆneo e correspondente. b) Se I(t) = e−t/2 , determine a solu¸ao que satisfaz a condi¸˜o inicial c˜ ca x(0) = 0.
  • 145.
    Sistemas de Equa¸˜es co Cap. 5 Uso da Transf. de Laplace 135 I(t) R R L C 5.5 ¸˜ Resolucao de Sistemas pela Trans- formada de Laplace A transformada de Laplace, descrita no Cap´ ıtulo 4, tamb´m se e aplica a resolu¸˜o de sistemas de equa¸oes diferenciais. O m´todo ` ca c˜ e consiste em transformar um dado sistema de equa¸oes diferenciais em c˜ um sistema de equa¸oes alg´bricas. Vamos ilustrar este procedimento c˜ e atrav´s de alguns exemplos. e Exemplo 5.16. Resolver o P.V.I.   x = 3 y + 4 e5 t ˙ y = x − 2y ˙ (5.11) x(0) = 1, y(0) = 0.  Solucao: Sejam X(s) = L[x(t)] e Y (s) = L[y(t)]. Aplicando trans- ¸˜ formada de Laplace a cada uma das equa¸˜es do sistema (5.11), obte- co mos o sistema alg´brico e 4 sX − 1 = 3Y + s−5 sY = X − 2Y
  • 146.
    Sistemas de Equa¸˜es co Cap. 5 Uso da Transf. de Laplace 136 cuja solu¸ao ´: c˜ e s+2 1 7 1 X(s) = = + , (s + 3) (s − 5) 8 s−5 s+3 1 1 1 1 Y (s) = = − . (s + 3)(s − 5) 8 s−5 s+3 Logo, a solu¸˜o do P.V.I. ´ ca e  x(t) = 1 (7 e5 t + e−3 t ),   8  y(t) = 1 (e5 t − e−3 t ).  8 Exemplo 5.17. Resolver o P.V.I.   x+y =0 ¨ x+y =0 ˙ ˙ (5.12) x(0) = 0, x(0) = 1, y(0) = −1. ˙  Solucao: Sejam X(s) = L[x(t)] e Y (s) = L[y(t)]. Aplicando trans- ¸˜ formada de Laplace a cada uma das equa¸oes de (5.12), obtemos o c˜ sistema alg´brico e s2 X + Y = 1 s X + s Y = −1, cuja solu¸ao ´ c˜ e 1 1 1 X(s) = = − , s (s − 1) s−1 s −1 Y (s) = . s−1 Logo, a solu¸˜o do P.V.I. ´ ca e x(t) = et − 1, y(t) = −et . Como podemos notar no Exemplo 5.17, n˜o ´ necess´rio que as a e a a ordem. equa¸oes diferenciais do sistema sejam de 1¯ c˜
  • 147.
    Sistemas de Equa¸˜es co Cap. 5 Uso da Transf. de Laplace 137 Exerc´ıcios 5.4. Usando transformada de Laplace ache a solu¸˜o de ca cada um dos seguintes problemas de valor inicial:    x = x + 4y ˙  x = 2x − 2y ˙ 1) y =x+y ˙ 2) y = −3 x + y ˙ x(0) = 3, y(0) = 2. x(0) = 5, y(0) = 0.      x+y =0 ˙ ˙  2 x + y − y = −1 ˙ 3) x+x+y =0 ¨ 4) x − 3 x − 4 y = −1 ˙ x(0) = x(0) = 0, ˙ y(0) = −2. x(0) = 2, y(0) = 1.      x+x+y =0  ¨ ˙  x = x − y + sen 3 t ˙ 3x − y = 1 + 8t ˙  5) y =x−y ˙ 6)  x(0) = 0, x(0) = 2, ˙ x(0) = 1/3, y(0) = 0.   y(0) = −1. 
  • 148.
    Cap´ ıtulo 6 Equa¸˜es N˜o Lineares de co a Primeira Ordem Estudaremos agora alguns tipos de equa¸oes diferenciais n˜o li- c˜ a neares. Freq¨entemente ´ conveniente escrever a equa¸ao u e c˜ y = f (t, y) ˙ na forma M (t, y) + N (t, y) y = 0. ˙ ıvel: basta colocar M (t, y) = −f (t, y) e N (t, y) = 1. Isto ´ sempre poss´ e 6.1 ¸˜ Equacoes Exatas Queremos resolver a equa¸ao diferencial (t2 + y 2 )dt + 2 t y dy = 0, c˜ que n˜o ´ linear. Ent˜o precisamos encontrar um m´todo para resolvˆ- a e a e e la. 138
  • 149.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Equa¸oes Exatas c˜ 139 ¸˜ ca a Definicao 6.1. Dada a equa¸˜o diferencial de 1¯ ordem dy M (t, y) + N (t, y) =0 dt ou M (t, y) dt + N (t, y) dy = 0, (6.1) em que M, N : Ω → R, e Ω ´ um subconjunto aberto do R2 , dizemos e que (6.1) ´ uma equa¸˜o diferencial exata se existir uma fun¸˜o e ca ca V = V (t, y) : Ω → R tal que ∂V (t, y) ∂V (t, y) = M (t, y) e = N (t, y) ∂t ∂y para todo (t, y) ∈ Ω. Exemplo 6.1. A equa¸˜o (t2 + y 2 ) dt + 2 t y dy = 0 ´ exata pois, existe ca e t3 V (t, y) = + t y 2 tal que 3 ∂V ∂V = t2 + y 2 = M (t, y) e = 2 t y = N (t, y). ∂t ∂y Definicao 6.2. A fun¸˜o V (t, y) ´ chamada uma integral primeira ¸˜ ca e de (6.1) e as curvas definidas pela equa¸˜o V (t, y) = c s˜o chamadas ca a curvas integrais de (6.1). Observemos que as solu¸˜es da equa¸ao exata s˜o dadas implici- co c˜ a tamente por V (t, y) = c. t3 Exemplo 6.2. No exemplo anterior, V (t, y) = + t y 2 ´ uma integral e 3 t3 primeira da equa¸˜o dada e + t y 2 = c s˜o as curvas integrais. ca a 3 No exemplo acima ´ f´cil ver que a equa¸ao ´ exata e achar sua e a c˜ e t3 solu¸ao reconhecendo que o primeiro membro ´ a diferencial de c˜ e + 3
  • 150.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Equa¸oes Exatas c˜ 140 t y 2 , mas, para equa¸oes mais complicadas, pode n˜o ser poss´ fazer c˜ a ıvel isto. O pr´ximo teorema nos fornece um crit´rio para determinar se a o e equa¸ao dada ´ exata ou n˜o. c˜ e a Teorema 6.1. Suponhamos que M, My , Mt , Ny e Nt sejam cont´nuas ı 2 num retˆngulo R = {(t, y) ∈ R | a t b e c y d}. Ent˜o a a (6.1) ´ uma equa¸˜o diferencial exata se, e somente, se e ca ∂M ∂N = (6.2) ∂y ∂t para todo (t, y) ∈ R. Demonstracao. Suponhamos que (6.1) seja exata. Ent˜o existe ¸˜ a uma fun¸ao V (t, y) tal que c˜ ∂V ∂V =M e = N. ∂t ∂y Assim, ∂M ∂ 2V ∂N ∂ 2V = e = . ∂y ∂y ∂t ∂t ∂t ∂y Como My e Nt s˜o cont´ a ınuas, segue que Vt y e Vy t s˜o cont´ a ınuas. Pelo Teorema de Schwarz temos que ∂M ∂N = . ∂y ∂t Reciprocamente, se M e N satisfazem (6.2), ent˜o mostraremos a que (6.1) ´ exata, isto ´, vamos construir uma fun¸ao V (t, y) satis- e e c˜ fazendo ∂V ∂V =M e = N. ∂t ∂y Observamos que a primeira das equa¸oes acima ´ equivalente a c˜ e V (t, y) = M (t, y) dt + h(y),
  • 151.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Equa¸oes Exatas c˜ 141 onde h(y) ´ uma fun¸ao arbitr´ria de y. Derivando esta express˜o em e c˜ a a rela¸ao a y, obtemos c˜ ∂V (t, y) ∂M = (t, y) dt + h (y). ∂y ∂y ∂V Teremos que (t, y) = N (t, y) se, e somente, se ∂y ∂M N (t, y) = (t, y) dt + h (y) (6.3) ∂y ou ∂M h (y) = N (t, y) − (t, y) dt. ∂y Observamos que o segundo membro de (6.3), apesar de sua aparˆncia, e depende apenas de y. De fato, ∂ ∂M ∂N ∂M N (t, y) − (t, y) dt = (t, y) − (t, y) = 0 ∂t ∂y ∂t ∂y pois, por hip´tese, M e N satisfazem (6.2). Integrando (6.3), obtemos o ∂M h(y) = N (t, y) − (t, y) dt dy ∂y e, portanto, ∂M V (t, y) = M (t, y) dt + N (t, y) − (t, y) dt dy ∂y ∂V ∂V ´ tal que e =M e = N. ∂t ∂y Observamos que a demonstra¸˜o do Teorema 6.1 nos fornece um ca m´todo para calcularmos V (t, y) e, portanto, a solu¸˜o da equa¸ao e ca c˜ diferencial (6.1). Entretanto, ´ melhor repetir o processo cada vez que e for preciso do que tentarmos lembrar a express˜o de V (t, y). Note a tamb´m que a solu¸ao ´ obtida na forma impl´ e c˜ e ıcita, podendo ou n˜o a ser poss´ encontrarmos a solu¸˜o explicitamente. ıvel ca
  • 152.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Equa¸oes Exatas c˜ 142 Exemplo 6.3. Resolver a equa¸˜o (t2 + y 2 ) dt + 2 t y dy = 0. ca Solucao: Aqui M (t, y) = t2 + y 2 e N (t, y) = 2 t y. Esta equa¸ao ´ ¸˜ c˜ e exata pois, My = 2 y = Nt . Logo, existe uma fun¸ao V (t, y) tal que c˜ (i) Vt (t, y) = t2 + y 2 e (ii) Vy (t, y) = 2 t y. Integrando a primeira destas equa¸oes, obtemos c˜ t3 V (t, y) = + t y 2 + h(y). 3 Derivando esta express˜o em rela¸ao a y e usando (ii), obtemos a c˜ h (y) = 0 =⇒ h(y) = c1 e, portanto, t3 + t y 2 + c1 . V (t, y) = 3 Assim, a solu¸ao desta equa¸ao diferencial ´ dada implicitamente por c˜ c˜ e t3 + 3 t y 2 = c. Exemplo 6.4. Resolver o P.V.I. y cos t + 2 t ey + (sen t + t2 ey + 2) y = 0 ˙ y(0) = 1. Solucao: Aqui M (t, y) = y cos t + 2 t ey e N (t, y) = sen t + t2 ey + 2. ¸˜ Esta equa¸˜o ´ exata, pois My = cos t + 2 t ey = Nt . Portanto, existe ca e uma fun¸ao V (t, y) tal que c˜ (i) Vt (t, y) = y cos t + 2 t ey e (ii) Vy (t, y) = sen t + t2 ey + 2. Integrando (i), obtemos V (t, y) = y sen t + t2 ey + h(y).
  • 153.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Equa¸oes Exatas c˜ 143 Derivando esta express˜o em rela¸ao a y e usando (ii), temos a c˜ sen t + t2 ey + h (y) = sen t + t2 ey + 2 =⇒ h (y) = 2 =⇒ h(y) = 2 y. Observamos que n˜o h´ necessidade de colocar constante de inte- a a gra¸ao em h(y) pois ela fica incorporada na solu¸ao quando escrevemos c˜ c˜ V (t, y) = c. Portanto, as curvas integrais s˜o dadas por a V (t, y) = y sen t + t2 ey + 2 y = c. Como t = 0, temos que y = 1 e c = 2. Logo, a solu¸ao do nosso P.V.I. c˜ ´ definida implicitamente pela equa¸˜o e ca y sen t + t2 ey + 2 y = 2. Exerc´ ıcios 6.1. 1) Determine se cada uma das equa¸oes abaixo ´ c˜ e exata ou n˜o. Se for exata encontre as curvas integrais a a) (2 t + 3) + (2 y − 2)y = 0. ˙ b) (2 t + 4 y) + (2 t − 2 y)y = 0. ˙ t dt y dy c) (9 t2 + y − 1) − (4 y − t)y = 0. d) 2 ˙ + = 0. (t + y 2 )3/2 (t2 + y 2 )3/2 e) (et sen y − 2 y sen t) dt + (et cos y + 2 cos t) dy = 0. f) (et sen y + 3 y) dt − (3 t − et sen y) dy = 0. y g) ( + 6 t) dt + (ln t − 2) dy = 0, t 0. t h) (2 t y 2 + 2 y) + (2 t3 y + 2 t) y = 0. ˙ i) (y et y cos 2 t − 2 et y sen 2 t + 2 t) dt + (t et y cos 2 t − 3) dy = 0. 2) Ache o valor de a que torne cada uma das seguintes equa¸oes exatas c˜ e ent˜o resolva-as, usando este valor de a. a a) (t y 2 +a t2 y) dt+(t+y)t2 dy = 0. b) (y e2 t y +t) dt+a t e2 t y dy = 0. 3) Resolva cada um dos P.V.I.
  • 154.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Equa¸˜es Separ´veis co a 144 a) 2 t y 3 + 3 t2 y 2 y = 0, y(1) = 1. ˙ b) 3 t2 + 4 t y + (2 y + 2 t2 ) y = 0, y(0) = 1. ˙ c) 3 t y + y 2 + (t2 + t y) y = 0, y(2) = 1. ˙ 6.2 ¸˜ ´ ´ Equacoes com Variaveis Separaveis Consideremos a equa¸˜o: ca M (t) N (y) dt + P (t) Q(y) dy = 0, (6.4) onde P (t) = 0 para todo t e N (y) = 0 para todo y. Multiplicando 1 (6.4) por µ(t, y) = , obtemos: P (t) N (y) M (t) Q(y) dt + dy = 0 P (t) N (y) ∂ M (t) ∂ Q(y) que ´ uma equa¸˜o exata pois, e ca ( )=0= ( ). Ent˜o as a ∂y P (t) ∂t N (y) curvas integrais s˜o dadas por: a M (t) Q(y) V (t, y) = dt + dy = c P (t) N (y) que definem implicitamente a solu¸ao y(t) de (6.4). c˜ Exemplo 6.5. Determine a solu¸˜o do P.V.I. ca y = t3 e−2 y ˙ y(1) = 0. Solucao: A equa¸ao diferencial pode ser escrita na forma e2 y dy = ¸˜ c˜ 3 t dt. Integrando o primeiro membro em rela¸˜o a y e o segundo em ca rela¸ao a t, temos c˜ e2 y t4 = + c1 =⇒ 2 e2 y − t4 = c 2 4
  • 155.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Equa¸˜es Separ´veis co a 145 que define implicitamente y = y(t). Neste caso podemos explicitar a solu¸ao. Como c˜ t4 + c t4 + c t4 + c 1/2 e2 y = =⇒ ln e2y = ln( ) =⇒ y = ln( ) . 2 2 2 Como t = 1, temos que y = 0 e c = +1. Logo, a solu¸˜o do P.V.I. ´ ca e t4 + 1 1/2 y(t) = ln . 2 Exerc´ ıcios 6.2. 1) Resolva cada uma das equa¸oes abaixo e esta- c˜ bele¸a as regi˜es do plano t y em que s˜o satisfeitas as condi¸˜es do c o a co Teorema de Existˆncia e Unicidade. e t2 a) y = ˙ . b) y + y 2 sen t = 0. ˙ y t2 c) y = ˙ . d) t y = (1 − y 2 )1/2 . ˙ y (1 + t3 ) t2 t − e−t e) y = ˙ . f) y = ˙ . 1 + y2 y + ey 2) Ache a solu¸ao, na forma expl´ c˜ ıcita, de cada P.V.I.: 2t 2t a) y = ˙ , y(0) = −2. b) y = ˙ , y(2) = 0. (t + t2 )y 1 + 2y π π c) t dt + y e−t dy = 0, y(0) = 1 d) sen 2t dt + cos 3y dy = 0, y( ) = . 2 3 y − 4t 3) Mostre que a equa¸ao y = c˜ ˙ n˜o ´ separ´vel, mas se fizermos a e a t−y y a mudan¸a de vari´vel v = , ent˜o a equa¸ao se torna separ´vel em c a a c˜ a t t e v. Ache a solu¸˜o da equa¸˜o dada usando esta t´cnica. ca ca e
  • 156.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Fatores Integrantes 146 6.3 Fatores Integrantes Quando uma equa¸˜o diferencial do tipo ca M (t, y) + N (t, y) y = 0 ˙ n˜o ´ exata, naturalmente perguntamos se poder´ a e ıamos ou n˜o torn´-la a a exata, pela multiplica¸˜o de ambos os membros da equa¸˜o por uma ca ca fun¸ao conveniente. c˜ ∂M Exemplo 6.6. A equa¸˜o y dt − t dy = 0 n˜o ´ exata, pois, ca a e =1 ∂y ∂N e = −1. Mas, se multiplicarmos ambos os membros da equa¸ao c˜ ∂t 1 por µ(t, y) = , obtemos ty 1 1 dt − dy = 0 t y que ´ uma equa¸ao exata. e c˜ Quando uma fun¸ao µ(t, y) transforma uma equa¸˜o n˜o exata do c˜ ca a tipo M (t, y) + N (t, y) y = 0 ˙ (6.5) em uma equa¸˜o exata ca µ(t, y) M (t, y) + µ(t, y) N (t, y) y = 0 ˙ dizemos que µ(t, y) ´ um fator integrante de (6.5). e Em geral, ´ dif´ determinarmos fatores integrantes pois, temos e ıcil que µ ´ fator integrante de (6.5) se, e somente, se e ∂(µ M ) ∂(µ N ) ∂µ ∂M ∂µ ∂N = ou M +µ =N +µ ∂y ∂t ∂y ∂y ∂t ∂t
  • 157.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Fatores Integrantes 147 que ´ uma equa¸ao bastante complicada. e c˜ Vamos apresentar uma classe de equa¸oes diferenciais do tipo (6.5) c˜ cujo fator integrante pode ser encontrado sem dificuldades. Suponhamos que seja poss´ encontrar um fator integrante para ıvel (6.5) que seja fun¸ao s´ de t. Portanto, c˜ o µ(t) M (t, y) + µ(t) N (t, y) y = 0 ˙ ´ exata. Conseq¨entemente e u ∂ ∂ (µ(t) M (t, y)) = (µ(t) N (t, y)) ∂y ∂t ou ∂M dµ(t) ∂N µ(t) = N + µ(t) ∂y dt ∂t ou dµ(t) 1 ∂M ∂N = − µ(t). dt N ∂y ∂t 1 ∂M ∂N Mas esta equa¸˜o s´ tem sentido se a express˜o ca o a − for N ∂y ∂t 1 ∂M ∂N uma fun¸˜o apenas de t, isto ´, ca e − = f (t) e, portanto, N ∂y ∂t temos dµ(t) = f (t) µ(t) dt que ´ uma equa¸ao linear homogˆnea de 1a ordem, cuja solu¸˜o ´ e c˜ e ¯ ca e f (t) dt µ(t) = e . 1 ∂N ∂M g(y) dy Analogamente se − = g(y), ent˜o µ(y) = e a M ∂t ∂y ´ um fator integrante de (6.5). e
  • 158.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Equa¸oes Homogˆneas c˜ e 148 Exerc´ ıcios 6.3. 1) Mostre que as equa¸oes abaixo n˜o s˜o exatas, c˜ a a mas se tornam exatas quando multiplicadas pelo fator integrante dado. Resolva ent˜o as equa¸˜es: a co a) t2 y 3 + t (1 + y 2 )y = 0, µ(t, y) = 1/t y 3 . ˙ sen y cos t + 2 e−t cos t b) − 2e−t sen t dt + dy = 0, µ(t, y) = yet . y y 2) Em cada um dos problemas abaixo, ache o fator integrante e resolva a equa¸ao: c˜ a) y = e2 t + y − 1. ˙ b) y dt + (2 t y − e−2 y ) dy = 0. t c) dt + ( − sen y) dy = 0. d) (3t2 y + 2ty + y 3 ) dt + (t2 + y 2 ) dy = 0. y 3) Mostre que se (Nt − My )/(tM − yN ) = R, em que R depende apenas de t, y, ent˜o a equa¸ao diferencial M + N y = 0 tem um fator a c˜ ˙ integrante da forma µ(ty). Encontre a f´rmula geral para este fator o integrante. 6.4 ¸˜ ˆ Equacoes Homogeneas Definicao 6.3. Dizemos que f (t, y) ´ uma fun¸˜o homogˆnea de ¸˜ e ca e grau n se f (λ t, λ y) = λn f (t, y) para todo λ = 0 e para todo (t, y) ∈ D ⊂ R2 . Exemplo 6.7. f (t, y) = t2 − t y − y 2 ´ homogˆnea de grau 2, pois e e f (λ t, λ y) = λ t − λ t y − λ y = λ (t − t y − y 2 ) = λ2 f (t, y). 2 2 2 2 2 2 2 t2 − y 2 Exemplo 6.8. f (t, y) = ´ homogˆnea de grau zero pois, e e t2 + y 2 λ2 (t2 − y 2 ) f (λt, λy) = = λ0 f (t, y). λ2 (t2 + y 2 )
  • 159.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Equa¸oes Homogˆneas c˜ e 149 Definicao 6.4. Dizemos que a equa¸˜o diferencial ¸˜ ca M (t, y) M (t, y) + N (t, y) y = 0 ˙ ou y=− ˙ N (t, y) ´ homogˆnea se as fun¸˜es M (t, y) e N (t, y) s˜o homogˆneas de e e co a e mesmo grau. Para resolver a equa¸˜o homogˆnea ca e M (t, y) M (t, y) + N (t, y) y = 0 ˙ ou y=− ˙ N (t, y) precisamos fazer a mudan¸a de vari´vel c a y = tv =⇒ dy = v dt + t dv e, portanto, M (t, y) M (t . 1, t . v) v dt + t dv = dy = − dt = − dt = N (t, y) N (t . 1, t . v) tm M (1, v) M (1, v) =− m dt = − dt t N (1, v) N (1, v) ou M (1, v) v+ dt + t dv = 0 N (1, v) ou 1 1 dt + dv = 0 t M (1, v) v+ N (1, v) que ´ uma equa¸ao de vari´veis separadas. e c˜ a Exemplo 6.9. Resolver a equa¸˜o t2 + y 2 + 3 t y y = 0. ca ˙ Solucao : M (t, y) = t2 + y 2 e N (t, y) = 3 t y s˜o homogˆneas de grau ¸˜ a e 2. Logo a equa¸˜o dada ´ homogˆnea. Fazendo y = t v, temos que ca e e dy = v dt + t dv e, portanto, t2 + y 2 t2 + (t v)2 t2 (1 + v 2 ) 1 + v2 dy = − dt = − dt = − dt = − dt. 3ty 3 t (t v) 3 t2 v 3v
  • 160.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Homogeneiza¸˜o ca 150 Logo, 1 + v2 v dt + t dv = − dt 3v ou 1 1 dt + dv = 0. t 1 + v2 v+ 3v Integrando, dt 3v + dv = c. t 4 v2 + 1 Logo, 3 4 y2 ln |t|+ ln[4 v 2 +1] = ln c =⇒ ln t8 (4 v 2 +1)3 = ln c =⇒ t8 ( 2 +1)3 = c. 8 t 6.5 ¸˜ Homogeneizacao Casos que se reduzem a casos homogˆneos e dy ax + by + c Consideremos a equa¸ao diferencial c˜ = . Se c = dx a x+b y+c c = 0, ent˜o temos o caso homogˆneo. a e Se c = 0 ou c = 0, temos que a x + b y + c = 0 e a x + b y + c = 0 s˜o duas retas a (i) paralelas (distintas ou coincidentes) ou (ii) concorrentes No caso (i) temos a b a b = 0 =⇒ a b = a b =⇒ = = k =⇒ a = ka e b = k b. a b a b
  • 161.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Homogeneiza¸˜o ca 151 dy ax + by + c Substituindo na equa¸˜o, vem que ca = . Fazendo dx k (a x + b y) + c dv dy v+c v = a x + b y, temos =a+b =a+b e, portanto, dx dx kv + c dv v + c = dx a+b k+c que ´ uma equa¸ao de vari´veis separadas. e c˜ a dy −2 x − 3 y + 1 Exemplo 6.10. Resolva a equa¸ao c˜ = . dx 4x + 6y − 5 −2 −3 ¸˜ Solucao: = 0 =⇒ retas paralelas. Fazendo v = −2 x − 4 6 3 y, vem dv dy v+1 −2 v − v = −2 − 3 = −2 − 3( ) =⇒ dv = dx. dx dx −2 v − 5 v+7 Integrando, temos −2 v + 9 ln |v + 7| = x + c. Logo, as curvas integrais s˜o a −2 (−2 x − 3 y) + 9 ln |(−2 x − 3 y) + 7| = x + c . No caso (ii), as retas r: ax + by + c = 0 e s: a x + b y + c = 0 s˜o concorrentes em um ponto (x0 , y0 ). Fa¸amos uma mudan¸a no a c c sistema de coordenadas, tal que as duas retas passem pela origem do novo sistema
  • 162.
    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Homogeneiza¸˜o ca 152 x = ξ + x0 =⇒ dx = dξ e y T η T r y = η + y0 =⇒ dy = dη. d d Como a reta r passa por (x0 , y0 ), temos y0 d d ξ E a x0 + by0 + c = 0 e portanto d d d x a x + b y + c = a (ξ + x0 ) + b (η + y0 ) + c x0 d E d = a ξ + b η + a x0 + b y0 + c s d = a ξ + b η. Analogamente, a x + b y + c = a ξ + b η. Portanto, nossa equa¸ao fica c˜ dη aξ + bη = dξ a ξ+b η que ´ uma equa¸ao homogˆnea. e c˜ e dy 6x − y − 5 Exemplo 6.11. Resolver a equa¸˜o ca = . dx 4x − y − 3 6 −1 ¸˜ Solucao: = −2 = 0 =⇒ as retas s˜o concorrentes, e o a 4 −1 ponto de intersec¸ao ´ (x0 , y0 ) = (1, 1). Fazendo a mudan¸a de vari´vel c˜ e c a x = ξ + 1 =⇒ dx = dξ y = η + 1 =⇒ dy = dη e a nossa equa¸ao fica c˜ dη 6ξ − η = dξ 4ξ − η que ´ homogˆnea. Fazendo η = ξ v temos dη = v dξ + ξ dv. Por outro e e 6−v lado, dη = dξ. Logo, 4−v 1 4−v dξ + dv = 0. ξ −v 2 + 5 v + 6
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    Equa¸oes N˜o Lineares c˜ a Cap. 6 Homogeneiza¸˜o ca 153 Integrando, temos (v − 2)2 ln |ξ| + ln = ln k. |v − 3| Logo, as curvas integrais s˜o dadas por: a |ξ|(v − 2)2 = k. |v − 3| ıcios 6.4. 1) Encontre a solu¸ao de cada uma das equa¸˜es: Exerc´ c˜ co dy t+y dy t2 + t y + y 2 a) = . b) = . dt t dt t2 dy 4y − 3t c) = . d) (t2 + 3 t y + y 2 ) dt − t2 dy = 0. dt 2t − y dy 2y − t + 5 dy 4 t + 3 y + 15 e) = . f) = . dt 2t − y − 4 dt 2t + y + 7 dy t + 3y − 5 dy t2 + 3 y 2 g) = . h) = . dt t−y−1 dt 2ty 2) Mostre que, se M (t, y) dt + N (t, y) dy = 0 ´ uma equa¸ao ho- e c˜ 1 mogˆnea, ent˜o µ(t, y) = e a ´ um fator integrante e t M (t, y) + y N (t, y) para esta equa¸˜o. ca 3) Use o resultado do problema 2 para resolver as equa¸oes: c˜ a) 2 y dt − t dy = 0. b) (t2 + 3 y 2 ) dt − 2 t y dy = 0.
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    Respostas dos Exerc´ ıcios ıcios 1.1 Exerc´ t4 t6 t2 n 1) yn (t) = t2 + + + ··· + 2! 3! n! 1 + e2 2) y1 (t) = et − 1, y2 (t) = t − et + 2 107 t t 2 t3 (1 + t) e2 t e3 t e4 t y3 (t) = − + + + + 2 (1 − t) et + − + 48 4 2 3 2 3 16 ıcios 1.2 Exerc´ t2 1) y(t) = sen 2 ıcios 2.1 Exerc´ 3 1−et 1) y(t) = e 2 ıcios 2.2 Exerc´ 11 −2 t 4 1) a) y(t) = esen t b) y(t) = t + 6 6 t 150 et c) y(t) = + d) y(t) = e−t dt + 5 2 t 1 + t2 t 2 t4 1 e) y(t) = (1 + t2 )−2 + + 2 4 4 154
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    Respostas dos Exerc´ ıcios Respostas 155 3 2 5 3/2 2) a) y(t) = (1 + c et )−1/3 b) y(t) = ±(c t2 + t) 9 31 8 −1/4 c) y(t) = (2 t10 − t) 16 4 4) a) y(t) = e−t4 /4 (c + t2 e−t /4 dt)−1 + t 1 1 b) y(t) = 1 + −t c) y(t) = −t + et −t + 1 + c e 1 + ce 1 d) y(t) = t − 1 + −t2 c e + 1/2 Exerc´ ıcios 2.3 mg 24 ln 100 1) v(t) = (1 − e−αt/m ) 3) T = k ln 2 4) a) t = 40 min b) y(40) = 49.600 g ıcios 3.1 Exerc´ √ 3 t 1) b) W [y1 , y2 ](t) = − 2 , W [y1 , y2 ](t) −→ ∞ quando t → 0 √ 2t c) y(t) = 2 t ıcios 3.2 Exerc´ 1 1) y2 (t) = e−2 t 2) y2 (t) = t et 3) y2 (t) = , t = 0 t 1 1 4) y2 (t) = , t = 0 5) y2 (t) = 2 t t Exerc´ ıcios 3.3 1) a) y(t) = c1 e−t + c2 e2 t b) y(t) = c1 + c2 e7 t c) y(t) = c1 cos 2 t + c2 sen 2 t d) y(t) = e2 t (c1 cos 3t + c2 sen 3t) e) y(t) = e2 t (c1 + c2 t) f) y(t) = c1 t + c2 3) a) y(t) = c1 cos(ln t) + c2 sen(ln t)
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    Respostas dos Exerc´ ıcios Respostas 156 √ √ 1 7 7 b) y(t) = √ [c1 cos ln t + c2 sen ln t] t 2 2 ıcios 3.4 Exerc´ 4 1 t 1) a) yp (t) = cos t − sen t b) yp (t) = sen 2 t 17 17 4 1 t t2 t2 c) yp (t) = t ( − + ) et d) yp (t) = + e−t 4 4 6 2 1 1 t e) yp (t) = + (cos 2 t − 4 sen 2 t) f) yp (t) = (sen 2 t − 2 t cos 2 t) 5 17 16 1 t g) yp (t) = − cos 3 t + sen t h) yp (t) = t (e2 t − et ) 16 4 1 t 1 t e2 t i) yp (t) = − (cos t + 7 sen t) + ( − ) 50 2 5 5 4 7/2 3 t 2) b) y(t) = (c1 + c2 t) e3 t + t e 35 ıcios 3.5 Exerc´ 1) a) y(t) = c1 cos t + c2 sen t − (cos t) ln(tg t + sec t) t t b) y(t) = c1 e3 t + c2 e2 t + e f) y(t) = c1 t −1 + c2 t − 4 2 t4 t−2 g) y(t) = c1 t + c2 t2 + h) y(t) = c1 t + c2 t2 + 6 12 i) y(t) = c1 + c2 t2 + (2 t − 2) et 3 1/2 2) y(t) = c1 t−1/2 cos t + c2 t−1/2 sen t − t cos t 2
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    Respostas dos Exerc´ ıcios Respostas 157 t2 3) y(t) = c1 t2 + c2 t−1 + ln t 3 1 (1 + t)3 4) y(t) = c1 (1 + t)2 + c2 + t (1 + t)2 + 1+t 4 ıcios 3.6 Exerc´ 1) a) I(t) = 50 e−4 t sen 3 t, Q(t) = e−4 t (−6 cos 3 t−8 sen 3 t)+6 75 25 b) I(t) = (2 cos 3 t+3 sen 3 t)− e−4 t (17 sen 3 t+6 cos 3 t), 52 52 25 Q(t) = [2 sen 3 t − 3 cos 3 t + e−4 t (3 cos 3 t + 2 sen 3 t)] 52 2) a) I(t) = cos t + 2 sen t b) I(t) = 10 (cos 5 t + sen 5 t) 1 2π √ 3) Amplitude = ıodo = √ , per´ , frequˆncia = 64, 4 e 4 64, 4 −t eπ + π + 1 π 4) y(t) = −e [ cos t + sen t] 2 2
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    Respostas dos Exerc´ ıcios Respostas 158 ıcios 3.7 Exerc´ t −4 t 1) a) y(t) = c1 e + c2 e b) y(t) = (c1 + c3 t) cos t + (c2 + c4 t) sen t c) y(t) = c et + c e−t + c e2 t 1 2 3 d) y(t) = (c1 + c2 t + c3 t 2 ) e2 t + c4 e−t e) y(t) = c1 + c2 e2 t + c3 e−3 t f) y(t) = c1 et − e−t (c2 cos 2 t + c3 sen 2 t) g) y(t) = c1 cos 2 t + c2 sen 2 t + t (c3 cos 2 t + c4 sen 2 t) h) y(t) = c1 + c2 t + e−t (c3 cos 2 t + c4 sen 2 t) 2 2) a) y(t) = −3 − 2 t − t + (3 − t) et 2 7 e 2t 4e−3 t b) y(t) = + − 6 10 15 c) y(t) = 2 − 2 cos t + sen t d) y(t) = c1 + c2 t + c3 et + c4 e−t + c5 cos t + c6 sen t 3) y1 (t) = t2 , y2 (t) = t3 e y3 (t) = t−2 4) y(t) = et (c1 + c2 cos t + c3 sen t) + c4 e−t ıcios 3.8 Exerc´ t −t 1) a) y(t) = c1 et + c2 t et + c3 e−t + e +3 2 t b) y(t) = c1 e−t + c2 cos t + c3 sen t + e−t + 4 (t − 1) 2 √ √ t −t/2 3 3 c) y(t) = c1 e + e (c2 cos t + c3 sen t) 2 2 d) y(t) = c1 + c2 cos t + c3 sen t + 1 − cos t − ln(cos t) − − (sen t) ln(sec t + tg t)
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    Respostas dos Exerc´ ıcios Respostas 159 t −2 t 1 e) y(t) = c1 + c2 e2 t + c3 e−2 t + (e − 1) − sen t 4 5 2 t 1 t f) y(t) = (c1 + c3 t) cos t + (c2 + c4 t) sen t + [( − ) cos t 4 2 3 3 t t2 + ( + − ) sen t] 4 6 12 3 t2 2) a) y(t) = (1 − cos 2 t) + 16 8 3t b) y(t) = (t − 4) cos t − ( + 4) sen t + 3 t + 4 2 11 5 cos t t c) y(t) = et − e−t + + 2 sen t − 3 t − sen t 8 8 4 4 1 2 d) y(t) = 1 + (t + 3 t) − t et 4 ıcios 3.9 Exerc´ 2 t3 t 1) a) yp (t) = − t3 − 4 t b) yp (t) = e 3 6 t −2 t sen t t −t c) yp (t) = (e − 1) − d) yp (t) = t − 1 + e 4 5 2 t2 1 t 3 t t2 e) yp (t) = [ ( − ) cos t + ( + − ) sen t ] 4 2 3 4 6 12 1 f) yp (t) = e4 t 6 Exerc´ ıcios 4.1 1) a), b) e d) convergem c) diverge ıcios 4.2 Exerc´
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    Respostas dos Exerc´ ıcios Respostas 160 (2 s2 − 3 s + 2) 4s 10 2 1) a) b) − 2 c) s3 s2 +9 s +4 (s − 3)2 2 s3 − 150 s 6, (s − 2) 1 − e−π s d) e) f) (s2 + 25)3 [(s − 2)2 + 9]2 s Exerc´ıcios 4.3 e−2 t sen 3 t 1) 2) e3 t cos t + 3 e3 t sen t 3 3) et (cos 3 t + 2 sen 3 t) 4) t e4 t 1 + e−2 t 5) t sen 3 t 6) 2 3 (e3 t − e−3 t) 7) 3 t et − 3 et + 3 cos t 8) 1 + 2 9) cos 2 t + sen 2 t − 1 ıcios 4.4 Exerc´ 1) a) 3 cos t + sen t b) et + e3 t sen 3 t 5 + e−t − 13 et + 7 e2 t c) 2 cos 3 t + (t − 2) d) 6 2 2) a) c1 et + c2 t et − sen t b) e−t (c1 sen 2 t + c2 cos 2 t + 2 sen t) ıcios 4.5 Exerc´ e−π s − e−2 π s 1 + 2 e−s − 3 e−4 s 1) a) b) s2 s π 2) a) (t − 2) u2 (t) b) uπ / 2 (t) cos(t − ) 2 ıcios 4.6 Exerc´ 1 − e−5 t − 5 t e−5 t 1) a) e4 t − e3 t c) t et d) 25 5 t3 2) a) 5 t + b) 2 sen 2 t 6
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    Respostas dos Exerc´ ıcios Respostas 161 ıcios 5.1 Exerc´ 2) a) N˜o, pois detX(t) = 0 para t = 0 e t = 1 a 0 1/2 b) Sim A(t) = 0 0     0 1 0 t t2 t3 3) x = ˙  0 0 1  = x ; X(t) =  0 2t 3 t2  3 2 6 / t −6 / t 3 / t 0 2 6t 4) a) x1 e x2 s˜o a .i. em todo intervalo que n˜o cont´m t = 0 . a e b) Pelo menos um coeficiente deve ser descont´ ınuo em t = 0 . 0 1 c) x = ˙ x −2 t−2 2 t−1 5) a) x1 e x2 s˜o .i. em todo intervalo que n˜o cont´m t = 0 a a e et=2 b) Deve haver menos um coeficiente descont´ ınuo em t = 0 e t = 2   0 1 c) x =  2 − 2 t t 2 − 2  x ˙ t2 − 2 t t2 − 2 t ıcios 5.2 Exerc´   0 1 0 1) a) x = ˙ 0 0 1 x b) y(t) = c1 e−t + c2 ea t + c3 eb t 2 6  3   −t  c1 e ea t eb t c) x(t) = X(t)  c2  d) X(t) =  −e−t a ea t b eb t  √ c3 √ e−t a 2 ea t b 2 eb t em que a = 2 + 6 e b = 2 − 6
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    Respostas dos Exerc´ ıcios Respostas 162 2) a) base: x1 (t) = (1 2)T e−t , x2 (t) = (2 1)T e2 t e−t 2 e2 t M.F.: ; solu¸ao geral: x(t) = c1 x1 (t) + c2 x2 (t) c˜ 2 e−t e2 t c) base: x1 (t) = (1 − 4 1)T et ; x2 (t) = (1 0 − 1)T e−t x3 (t) = (2 1 2)T e8 t d) base: x1 (t) = (1 1 1)T e4 t ; x2 (t) = (1 − 2 1)T et x3 (t) = (1 0 − 1)T e−t e) base: x1 (t) = (2 −2 3)T et ; x2 (t) = (0 cos 2 t sen 2 t)T et ; x3 (t) = (0 − sen 2 t cos 2 t)T et f) base: x1 (t) = (2 −3 2)T et ; x2 (t) = (0 cos 2 t sen 2 t)T et ; x3 (t) = (0 sen 2 t − cos 2 t)T et g) base: x1 (t) = (0 0 1)T e−2 t ; x2 (t) = (1 0 0)T e−t x3 (t) = (−t 1 0)T e−t h) base: x1 (t) = (1 0 0 0)T e−2 t ; x2 (t) = (t 1 0 0)T e−2 t ; 2 3 2 x3 (t) = ( t2 t 1 0)T e−2 t ; x4 (t) = ( t6 t2 t 1)T e−2 t 3) a) x(t) = (1 0 0 0)T e−2 t + (2 t 2 0 0)T e−2 t − 2 3 2 − ( t2 t 1 0)T e−2 t + ( t6 t2 t 1)T e−2 t b) x(t) = (0 0 2)T e−2 t + (1 0 0)T e−t + (−t 1 0)T e−t c) x(t) = (1 0 0)T e3 t + (t 1 0)T e3 t − (0 1 − 1)T e2 t 4) Autovalores: λ1 = 1 , λ2 = 2 e λ3 = 3 Autovetores: v1 = (1 0 0)T , v2 = (1 1 0)T e v3 = (1 1 1)T
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    Respostas dos Exerc´ ıcios Respostas 163   16 −25 30 1  5) c) A = 8 −6 −24  13 0 13 26 Exerc´ıcios 5.3 √ T √7 t √ √ 1) a) x(t) = c1 (1 − 2 + 7) e + c2 (1 −2− 7)T e− 7t + T 3t + (3 2) e   1 t−1 3 t2 + 1 t + 1 c) x(t) = c1 e2 t + c2 e2 t +  4 2 8  −1 −t −41 t2 − t − 3 8 2   − c1 + c2 (−t + 1) + c3 (− t2 + t + 1) e2 t     2 2 c1 + c2 t + c3 ( t2 + 1) e2 t     d) x(t) =   +  −2  et       2 −1 c1 + c2 t + c3 t2 e2 t   3 e3 t − 2 e2 t − t e2 t   2) a) x(t) =   e2 t   3 e3 t − 2 e2 t t cos t + 3 t sen t + sen t b) x(t) = 2 et −2t sen t 1 3) a) x(t) = c1 (1 1)T t + c2 (1 3)T t −1 − (2 3)T + 2 (1 3)T t − − (1 1)T t ln t − 1 (4 3)T t 2 3 1 b) x(t) = c1 (2 1)T t 2 + c2 (1 2)T t −1 + (3 2)T t + 10 (−2 1)T t 4 − − 1 (2 1)T 2      1  1 ln t 2 c1 π sen π t + (ln t)  c) x(t) =  +    1    0 c2 2 ln t t t