¸˜
Equacoes diferenciais para engenheiros:
                  ¸˜
    teoria, modelacao e exerc´cios
                             ı


        Teresa Paula C. Azevedo Perdico´ lis
                                       u
           Sandra Isabel Ventura Ricardo


           UTAD, 18 de Agosto de 2010
2
´
Prefacio

Este texto foi escrito como material de apoio a unidade curricular An´ lise Ma-
                                              `                      a
tem´ tica III, das licenciaturas em Engenharia Civil e Engenharia Mecˆ nica, lec-
   a                                                                 a
cionada pelas docentes nos anos lectivos de 2008/09 e 2009/10.

Pretendemos com este texto apresentar uma abordagem simples a teoria das equacoes
                                                            `                ¸˜
diferenciais ordin´ rias, a qual pode ser facilmente compreendida por alunos que te-
                  a
nham conhecimentos de C´ lculo em Rn , nomeadamente conhecimentos de c´ lculo
                       a                                              a
                                                                ´
diferencial e de c´ lculo integral, assim como conhecimentos de Algebra Linear, do-
                  a
minando c´ lculo matricial, resolucao de sistemas de equacoes lineares, c´ lculo de
         a                        ¸˜                     ¸˜              a
determinantes e determinacao de valores e de vectores pr´ prios.
                         ¸˜                             o

Estas notas pretendem ser uma mistura entre teoria e aplicacoes das equacoes Di-
                                                           ¸˜           ¸˜
ferencias, focando-se muitas vezes em problemas concretos da “vida real” como
motivacao para o estudo da teoria, mas tamb´ m para mostrar a enorme aplica-
      ¸˜                                   e
bilidade que este ramo da matem´ tica tem em diversas areas do conhecimento:
                               a                      ´
Engenharia, Biologia, Medicina, Ciˆ ncias Sociais, etc. Sendo este um texto diri-
                                  e
gido a alunos de Engenharia, um relevo especial e dado a problemas desta area,
                                                ´                        ´
procedendo-se a sua modelacao e resolucao mediante os conhecimentos expostos.
              `           ¸˜          ¸˜
Introduzem-se e desenvolvem-se conceitos e t´ cnicas anal´ticas para a resolucao de
                                            e            ı                   ¸˜
equacoes diferenciais ordin´ rias.
    ¸˜                     a

Na verdade, sendo as leis da F´sica geralmente escritas como equacoes diferenciais,
                              ı                                  ¸˜
elas destacam-se como instrumento de linguagem no que toca a Ciˆ ncia e Engenha-
                                                               e

                                         i
ii

ria em particular. Assim, compreender e saber manipular equacoes diferenciais e
                                                            ¸˜                ´
sem d´ vida essencial para qualquer aluno de Engenharia.
     u

Relativamente a organizacao deste texto, cada cap´tulo e composto por uma s´ntese
              `         ¸˜                       ı     ´                   ı
de resultados te´ ricos, alguns dos quais apresentados sem demonstracao. O nosso
                o                                                   ¸˜
objectivo foi fornecer aos nossos alunos de Engenharia ferramentas para resolver
problemas, sendo os alunos convidados a recorrer as referˆ ncias bibliogr´ ficas sem-
                                                 `       e               a
pre que desejarem ir mais al´ m na compreens˜ o dos conte´ dos apresentados. A
                            e               a            u
enfase e dada assim aos resultados e a aplicacao dos mesmos, sendo apresentados
ˆ      ´                             `       ¸˜
ao longo do texto numerosos exemplos, que visam facilitar a compreens˜ o do que
                                                                     a
e exposto. Estes exemplos podem ser exemplos de aplicacao directa de resultados
´                                                     ¸˜
te´ ricos ou exemplos de modelacao de problemas concretos. Finalmente, os alunos
  o                            ¸˜
s˜ o convidados a exercitar a aplicacao dos conhecimentos adquiridos, mediante a
 a                                  ¸˜
resolucao duma listagem de exerc´cios com que terminamos cada cap´tulo.
      ¸˜                        ı                                ı


                                                Teresa Paula Azevedo Perdico´ lis
                                                                            u
                                                Sandra Isabel Ventura Ricardo
´
Indice Geral

    Lista de figuras                                                                 v

1   ED de ordem–1                                                                   1
    1.1   Alguns exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .     2
    1.2   Separacao de vari´ veis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
                ¸˜         a                                                        9
    1.3   Classificacao de ED . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
                   ¸˜
    1.4   Solucoes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
              ¸˜
    1.5   Campo de direccoes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
                        ¸˜
    1.6   ED lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
    1.7   ED n˜ o lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
              a
    1.8   Equacao de Bernoulli . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
              ¸˜
    1.9   Equacao de Riccati . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
              ¸˜
    1.10 Equacoes omog´ neas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
             ¸˜       e
    1.11 Equacoes diferenciais exactas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
             ¸˜
          1.11.1 ED exactas: obtencao de factor integrante . . . . . . . . . . 55
                                  ¸˜
    1.12 AplicacoesCircuitos el´ ctricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
               ¸˜              e
    1.13 Consideracoes finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
                  ¸˜
    1.14 Exerc´cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
              ı

2   ED de ordem–2 ou superior                                                       79
    2.1   Solucao de ED Homog´ neas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
              ¸˜             e
    2.2   Solucao de ED n˜ o homog´ neas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
              ¸˜         a        e

                                          iii
iv                                                                  ´
                                                                    INDICE GERAL

     2.3   M´ todo da reducao de ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90
            e             ¸˜
     2.4   ED homog´ neas com coeficientes constantes . . . . . . . . . . . . . 93
                   e
           2.4.1   Ra´zes reais e distintas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94
                     ı
           2.4.2   Ra´zes reais e iguais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
                     ı
           2.4.3   Ra´zes complexas conjugadas . . . . . . . . . . . . . . . . 97
                     ı
     2.5   ED n˜ o homog´ neas: M. coeficientes indeterminados . . . . . . . . 99
               a        e
     2.6   ED n˜ o homog´ neas: M. variacao de parˆ metros . . . . . . . . . . 108
               a        e               ¸˜        a
     2.7   Equacao de Euler . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112
               ¸˜
     2.8   Aplicacoes: sistemas mecˆ nicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
                 ¸˜                a
           2.8.1   Movimento harm´ nico simples (ou n˜ o amortecido) . . . . 118
                                 o                   a
           2.8.2   Movimento harm´ nico amortecido . . . . . . . . . . . . . . 121
                                 o
           2.8.3   Movimento harm´ nico forcado . . . . . . . . . . . . . . . . 122
                                 o         ¸
           2.8.4   Aplicacoes: Circuitos el´ ctricos . . . . . . . . . . . . . . . 123
                         ¸˜                e
     2.9   Equacoes diferenciais de ordem superior . . . . . . . . . . . . . . . 127
               ¸˜
     2.10 Exerc´cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
               ı


3    Sistemas de ED lineares de ordem–1                                            143
     3.1   Conceitos b´ sicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144
                      a
           3.1.1   Equacoes diferenciais lineares de ordem n e sistemas dife-
                       ¸˜
                   renciais lineares de ordem 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . 145
           3.1.2   Forma matricial de um sistema linear . . . . . . . . . . . . 147
           3.1.3   Problemas de valor inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149
           3.1.4   Dependˆ ncia e independˆ ncia linear . . . . . . . . . . . . . 150
                         e                e
           3.1.5   Sistemas n˜ o homog´ neos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152
                             a        e
     3.2   Sistemas Lineares homog´ neos com coeficientes constantes . . . . . 153
                                  e
           3.2.1   A matriz A tem valores pr´ prios reais distintos . . . . . . . 154
                                            o
           3.2.2   A matriz A tem valores pr´ prios reais repetidos . . . . . . . 156
                                            o
           3.2.3   A matriz A tem valores pr´ prios reais complexos . . . . . . 165
                                            o
     3.3   Variacao de parˆ metros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171
                ¸˜        a
´
INDICE GERAL                                                                        v

          3.3.1   Matriz fundamental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171
          3.3.2   Variacao de parˆ metros ou variacao das constantes arbitr´ rias 172
                       ¸˜        a                ¸˜                       a
          3.3.3   Problema de valor inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177
    3.4   Consideracoes finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178
                   ¸˜
    3.5   Exerc´cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178
               ı

4   Transformada de Laplace                                                       185
    4.1   Definicao e existˆ ncia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186
               ¸˜         e
    4.2   A tabela de transformadas e alguns exemplos . . . . . . . . . . . . 187
    4.3   A TL de outras funcoes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188
                            ¸˜
    4.4   Propriedades da TL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189
    4.5   A transformada de Laplace Inversa . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193
    4.6   Aplicacoes: circuitos e sistemas mecˆ nicos . . . . . . . . . . . . . 195
                ¸˜                            a
    4.7   Exerc´cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201
               ı

    Bibliografia                                                                   203
    Referˆ ncias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204
         e
vi   ´
     INDICE GERAL
Lista de Figuras

 1.1   Crescimento exponencial e decrescimento exponencial. . . . . . . .     5
 1.2   Representacao gr´ fica de algumas solucoes de (1.26). . . . . . . . . 21
                 ¸˜    a                    ¸˜
 1.3   Exemplo de uma solucao particular definida por ramos. . . . . . . . 23
                          ¸˜
 1.4   Interpretacao geom´ trica do Teorema de Picard. . . . . . . . . . . . 27
                 ¸˜      e
 1.5   Campo de direccoes para a equacao diferencial (1.32). . . . . . . . 33
                     ¸˜              ¸˜
 1.6   Uma solucao de (1.32). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
               ¸˜
 1.7   Campo de direccoes para a equacao log´stica, com β = 3.5 e δ = 1.8. 35
                     ¸˜              ¸˜     ı
 1.8   Solucoes para a equacao log´stica, com β = 3.5 e δ = 1.8. . . . . . 35
           ¸˜              ¸˜     ı
 1.9   Exemplo de um circuito el´ ctrico simples. . . . . . . . . . . . . . . 58
                                e

 2.1   Sistema mola–massa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
 2.2   Exemplo de um circuito com trˆ s componentes. . . . . . . . . . . . 124
                                    e




                                     vii
viii   LISTA DE FIGURAS
Cap´tulo 1
   ı


    ¸˜
Equacoes diferenciais de
primeira ordem

Muitas s˜ o as leis b´ sicas, e mais recentemente tamb´ m muitos fen´ menos biol´ gicos
        a            a                                e             o           o
e sociais, que s˜ o expressos por equacoes matem´ ticas. Sempre que estas equacoes
                a                     ¸˜        a                             ¸˜
                                  ¸˜
envolvem derivadas, chamam-se equacoes diferenciais (ED). Pretende-se mostrar
no in´cio deste primeiro cap´tulo como surgem algumas destas equacoes e ilustrar
     ı                      ı                                    ¸˜
como pode ser a sua solucao obtida.
                        ¸˜

Ao modelar um dado problema atrav´ s de uma equacao diferencial, a maior difi-
                                 e              ¸˜
culdade surge em descrever uma situacao real quantitativamente. De forma a ob-
                                    ¸˜
ter um modelo, e usualmente necess´ rio recorrer a assercoes simplificativas que
               ´                  a                     ¸˜
tornem essa mesma situacao pass´vel de ser representada em termos matem´ ticos.
                       ¸˜      ı                                       a
Assercoes usuais s˜ o, por exemplo: (i) assumir que o movimento de uma dada
     ¸˜           a
massa no espaco e um ponto e (ii) n˜ o existe friccao na resistˆ ncia do ar. Tais
             ¸ ´                   a              ¸˜           e
assercoes, n˜ o sendo de modo algum realistas, permitem ao cientista (investigador)
     ¸˜     a
obter informacao valiosa sobre o problema real ainda que servindo-se de modelos
             ¸˜
extremamente ideais. Uma vez entendida uma parte do problema, o modelo pode
ser tornado mais complexo de forma a ter em conta outros factores observados. No

                                          1
2                                                  ´
                                                CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

entanto e sempre importante manter os modelos manuse´ veis, isto e, modelos para
        ´                                           a            ´
os quais seja poss´vel calcular uma solucao, exacta ou anal´tica.
                  ı                     ¸˜                 ı



1.1 Alguns exemplos

Exemplo 1.1 (Queda livre) Segundo a lei da gravidade de Newton, a gran-
deza da forca gravitacional da terra num dado corpo e directamente proporcional
           ¸                                        ´
a sua massa m e inversamente proporcional ao quadrado da distˆ ncia dessa mesma
`                                                            a
massa ao centro da Terra r. Temos ent˜ o que:
                                     a
                                           km
                                      F=
                                           r2
sendo k a constante de proporcionalidade. Pela segunda lei de Newton, temos
ainda:
                                    d2r      k
                                       2
                                           = 2.                              (1.1)
                                    dt       r
                                    dr
Observacao 1 A velocidade v =
           ¸˜                           e negativa, pois a medida que um objecto
                                         ´               `
                                    dt
cai a sua distˆ ncia ao centro da Terra diminui. Mais ainda, a sua aceleracao
               a                                                              ¸˜
     dv d 2 r
a=      = 2 e tamb´ m negativa, pois a medida que o objecto cai, a velocidade
                ´     e                    `
     dt     dt
diminui (´ cada vez mais negativa). Temos ent˜ o que k e uma constante negativa.
         e                                     a       ´

Seja R o raio m´ dio da Terra (i.e. r = R). Denotamos a aceleracao da gravidade
               e                                               ¸˜
na superf´cie da Terra por a(R) = −g. Ent˜ o considerando (1.1):
         ı                               a
                                                k
                                 −g = a(R) =       ,
                                                R2
temos k = −gR2 . Voltando a (1.1), obtemos:
                                   d 2 r −gR2
                                        = 2                                  (1.2)
                                   dt 2   r
sendo g ≃ 9.81m/seg2. Seja r = R + h, onde h e a altura do corpo a partir da
                                                 ´
                            dr dh
superf´cie da Terra, ent˜ o
      ı                 a      =    e a equacao (1.2) vem
                                            ¸˜
                            dt   dt
                                  d 2h    −gR2
                                       =          .
                                  dt 2   (R + h)2
1.1. ALGUNS EXEMPLOS                                                                 3

                                    R2
Se h e muito pequeno temos que
     ´                                    ≃ 1, obtendo ent˜ o:
                                                          a
                                 (R + h)2

                                     d2h
                                          = −g.                                 (1.3)
                                     dt 2

Integrando ambos os membros da equacao relativamente a t, temos:
                                   ¸˜

                                 h′ (t) = −gt +C1 .

A constante C1 pode ser determinada considerando, por exemplo, t = 0. Obtemos
C1 = h′ (0), ou seja, C1 e o valor da velocidade inicial. Temos ent˜ o que a veloci-
                         ´                                         a
dade do corpo, em qualquer instante, e dada por:
                                     ´

                                h′ (t) = −gt + h′ (0)                           (1.4)

Voltando a integrar:
                                         t2
                             h(t) = −g      + h′ (0)t +C2
                                         2
Determinamos C2 considerando, por exemplo, t = 0. Obtemos C2 = h(0), ou seja,
C2 e a altura inicial. Ent˜ o a altura do corpo, em qualquer instante, e dada por:
   ´                      a                                            ´

                                    t2
                           h(t) = −g + h′ (0)t + h(0).                          (1.5)
                                    2

Por exemplo, suponhamos que uma bola cai do alto de um edif´cio com altura
                                                           ı
h(0) = 44.145 m e velocidade inicial h′ (0) = 0. Quanto tempo demora a bola a
chegar ao ch˜ o?
            a

Temos:
                                           t2
                             h(t) = −981      + 4414.5.
                                           2
Donde resulta 490.5t 2 = 4414.5 ou seja t 2 = 9. Como t = −3 n˜ o tem qualquer
                                                              a
significado f´sico, vem que t = 3 segundos.
            ı

A solucao da equacao diferencial do Exemplo 1.1 foi obtida directamente por integra-
      ¸˜         ¸˜
cao. Se tal fosse sempre poss´vel, ent˜ o as equacoes diferenciais seriam uma aplicacao
¸˜                           ı        a          ¸˜                                 ¸˜
directa do c´ lculo integral e seria desnecess´ ria toda uma teoria sobre as equacoes
            a                                 a                                  ¸˜
4                                                          ´
                                                        CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

diferenciais. No entanto, a determinacao da solucao da maioria das equacoes dife-
                                     ¸˜         ¸˜                     ¸˜
renciais implica o uso de t´ cnicas mais avancadas e espec´ficas.
                           e                 ¸            ı

Vamos iniciar com um tipo cl´ ssico de equacao diferencial para a qual e poss´vel
                            a              ¸˜                          ´     ı
determinar a solucao:
                 ¸˜

Exemplo 1.2 Sendo α uma constante, resolva a seguinte equacao diferencial:
                                                          ¸˜
                                   dy
                                      = α y,       y(0) = 10.                       (1.6)
                                   dx
      ¸˜
Resolucao:         Reescrevemos a equacao (1.6)
                                      ¸˜
                                            dy
                                               = α dx
                                             y
e depois integramos
                                            dy
                                               =    α dx
                                             y
ou
                 ln |y| = α x +C        (Se ln a = b          ent˜o a = eb ).
                                                                 a

Temos:
                                     |y| = eα x+C = eα x eC

ou ainda:
                              y = keα x ,       com k = ±eC                         (1.7)




Verifiquemos o resultado obtido.
                            dy
Seja y(x) = keα x ent˜ o
                     a          = k (α eα x ) = α (keα x ) = α y, donde se conclui que y =
                            dx
keα x   satisfaz (1.6). Isto e, a equacao (1.6) tem uma infinidade de solucoes, uma
                             ´          ¸˜                                      ¸˜
para cada concretizacao de k. Determinamos a solucao do problema (1.6) mediante
                    ¸˜                           ¸˜
o uso da condicao inicial y(0) = 10. De facto,
              ¸˜

                           y(0) = 10 ⇒ keα 0 = 10 ⇒ k = 10,

ou seja y = 10eα x e uma solucao unica para o problema de valor inicial (1.6).
                   ´         ¸˜ ´
1.1. ALGUNS EXEMPLOS                                                                          5

    e                                         e               ¸˜
Ao m´ todo utilizado no Exemplo 1.2 chamamos m´ todo de separacao de vari´ veis,
                                                                         a
uma vez que a t´ cnica utilizada consiste na separacao das vari´ veis independente e
               e                                   ¸˜          a
dependente, colocando-as em membros diferentes da equacao.
                                                      ¸˜

Se α > 0, temos que eα x cresce exponencialmente. Se α < 0, temos que eα x decai
exponencialmente (ver Fig. 1.1). Se α = 0, ent˜ o n˜ o existe crescimento, ou seja
                                              a a
y = e0 = 1 mant´ m-se constante.
               e
                                                                y
                      y
                                   y = eα x , α > 0


                                                                    y = eα x , α < 0




                                                                0
                    0              x                                                   x




        Figura 1.1: Crescimento exponencial e decrescimento exponencial.


Como observ´ mos no Exemplo 1.2, a resolucao da equacao diferencial conduziu-
           a                             ¸˜         ¸˜
nos a uma infinidade de solucoes (y = keα x , com k uma constante arbitr´ ria). Con-
                           ¸˜                                          a
tudo, do ponto de vista f´sico, n˜ o interessa ter uma infinidade de solucoes. Esta
                         ı       a                                      ¸˜
dificuldade e facilmente suplantado particularizando o valor de y para um valor par-
           ´
ticular de x, i.e. y(x0 ) = y0 . Chama-se a este valor particular uma condicao inicial
                                                                           ¸˜
e viabiliza uma solucao unica para o problema. Este conceito ser´ ilustrado nos
                    ¸˜ ´                                        a
exemplos seguintes.

Exemplo 1.3 (Lei do arrefecimento de Newton) A lei do arrefecimento
de Newton diz que a taxa da variacao da diferenca de temperatura entre um ob-
                                 ¸˜            ¸
jecto e o seu meio involvente e proporcional a diferenca de temperaturas. Seja ∆T
                              ´              `        ¸
a diferenca de temperatura no instante t. Dado que matematicamente a taxa de
         ¸
variacao e expressa por uma derivada, podemos ent˜ o escrever a lei do arrefeci-
     ¸˜ ´                                        a
mento de Newton como:
                                    d∆T
                                        = α ∆T,                                            (1.8)
                                     dt
6                                                     ´
                                                   CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

com α negativo, dado que a temperatura est´ a diminuir. A partir do Exemplo 1.2,
                                          a
facilmente se conclui que
                                 ∆T (t) = ∆T (0)eα t .                        (1.9)

                     ¸˜
Chama-se a (1.9) solucao geral da equacao diferencial (1.8), dado qualquer solucao
                                      ¸˜                                       ¸˜
de (1.8) ser desta forma. ∆T (0) e uma constante arbitr´ ria que denota a diferenca
                                 ´                     a                         ¸
de temperatura em t = 0.

Como ilustracao pr´ tica, consideremos uma panela de agua a ferver (100◦ C) que
            ¸˜    a                                  ´
e retirada do lume e deixada a arrefecer a temperatura da cozinha, que sabemos
´                                        `
ser de 20◦ C. Dois minutos depois a temperatura da panela e 80◦ C. Qual ser´ a
                                                          ´                a
temperatura da panela 5 minutos depois de ter sido retirada do lume?

Uma vez que a diferenca inicial da temperatura e dada por:
                     ¸                         ´

                            ∆T (0) = 100◦ − 20◦ = 80◦ ,

a igualdade (1.9) toma a forma

                                   ∆T (t) = 80eα t .                        (1.10)

Quando t = 2 minutos, temos:

                            ∆T (2) = 80◦ − 20◦ = 60◦ ,

Se susbstituirmos t = 2 em (1.10) temos:

                                       60 = 80eα 2 ,

e ainda
                                      3 60
                                       =   = eα 2 ,
                                      4 80
Aplicando o logaritmo natural, vem:

                                  3                    1    3
                      2α = ln              ⇔     α=      ln   .
                                  4                    2    4
1.1. ALGUNS EXEMPLOS                                                                          7

Repare que α e negativo (≃ −0.1438), o que faz sentido dado que a temperatura
             ´
est´ a diminuir.
   a

Substituimos de seguida α na equacao (1.9) e relembrando que eln x = x e a ln b =
                                 ¸˜
ln ba temos:
                                                                               
                                                                          t/2
                                     3                              3
                                ln           t/2             ln                
                                     4                              4
                     ∆T = 80e                       = 80e
                                                                    t/2
                                                         3
                                                    = 80                  .              (1.11)
                                                         4

A equacao (1.11) e uma solucao particular de (1.7), pois e unicamente determinada
      ¸˜         ´         ¸˜                            ´
pelas condicoes especificadas para esta situacao particular.
           ¸˜                               ¸˜

Finalmente, de forma a determinar a temperatura da agua ao fim de 5 minutos,
                                                   ´
comecamos por determinar a diferenca de temperatura:
    ¸                             ¸
                                                    5/2
                                               3
                          ∆T (5) = 80                     ≃ 38.97,
                                               4

que somamos de seguida a temperatura da cozinha. Temos ent˜ o que 5 minutos
                       `                                  a
ap´ s a panela ser retirada do lume, a agua se encontra a temperatura de 58.97◦ C.
  o                                    ´                `

Exemplo 1.4 (Envelhecimento do carbono) O envelhecimento do car-
bono e uma t´ cnica usada por arqueologistas e ge´ logos, entre outros, que preten-
     ´      e                                    o
dam estimar a idade de certos utens´lios ou vest´gios arqueol´ gicos. A t´ cnica e
                                   ı            ı            o           e       ´
baseada em certas propriedades do atomo de carbono. No seu estado natural, o
                                  ´
atomo de carbono 12C tem 6 prot˜ es e 6 neutr˜ es. Outro isotopo do carbono e 14C
´                              o             o                              ´
que tem dois neutr˜ es e dois n´ cleos adicionais.
                  o            u                            14C    e radioactivo, i.e., emite um
                                                                   ´
electr˜ o e atinge o estado est´ vel 14 N. Assumimos que existe uma raz˜ o constante
      a                        a                                       a
na atmosfera entre 14C e 12C. Esta suposicao e apoiada experimentalmente, dado
                                         ¸˜ ´
que se verificou que embora    14C    esteja permanentemente a desaparecer devido a
                                                                                 `
degradacao radioactiva, tamb´ m novo 14C est´ permanentemente a ser produzido
       ¸˜                   e               a
devido ao bombardeamento c´ smico do nitrog´ nio na atmosfera superior. Plantas
                          o                e
e animais n˜ o distinguem entre
           a                      12C    e   14C,   de modo que no momento da morte a
8                                                    ´
                                                  CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

raz˜ o entre 12C e 14C no organismo e a mesma que a raz˜ o presente na atmosfera.
   a                                ´                  a
No entanto, esta raz˜ o muda ap´ s a morte, dado que 14C e transformado em 14 N,
                    a          o                         ´
sem que seja produzido mais 14C.

Atrav´ s de observacoes, os cientistas chegaram a conclus˜ o que o 14C se degrada
     e             ¸˜                           `        a
a uma taxa proporcional a sua massa, sendo a sua meia-vida de aproximadamente
                         `
                                                                    1
5730 anos. Isto significa que tendo inicialmente 1g de 14C, resta-nos g ao fim de
                                                                    2
5730 anos, tendo sido a outra metade convertida em  14 N.


Como exemplo, consideremos agora o seguinte problema: Os vest´gios de um or-
                                                             ı
ganismo s˜ o desenterrados e determina-se que a quantidade de 14C presente e de
         a                                                                 ´
40% da de um organismo vivo semelhante. Qual e a idade aproximada dos vest´gios
                                             ´                            ı
encontrados?

      ¸˜
Resolucao:      Seja M(t) a massa de              14C   dos vest´gios encontrados.
                                                                ı
Sabendo que      14C   se degrada a uma taxa proporcional ` sua
                                                          a
massa, temos:
                       dM
                           = −α M,
                        dt
sendo α a constante de proporcionalidade.                              Ent˜o M(t) = ce−α t,
                                                                          a
com c = M0 a quantidade inicial de 14C. Com t = 0, M(0) = M0 ;
                    1
t = 5730, M(5730) = M0 . Usamos este facto para determinar α :
                    2
                 1                                1
                   M0 = M0 e−α ·5730 ⇔ e−α ·5730 = .
                 2                                2
Ent˜o
   a
                                         1/5730                                t/5730
      −α 5730     1         −α       1                          −α t       1
     e          =      ⇔   e     =                      e       e      =                ,
                  2                  2                                     2
donde
                              1 t/5730
                    M(t) = M0          .
                              2
Sabemos que t anos ap´s a morte do organismo M(t) = 0.4M0 e
                     o
queremos determinar t. Fazemos ent˜o:
                                  a
                                                  t/5730
                                            1
                            0.4M0 = M0                      ,
                                            2
¸˜         ´
1.2. SEPARACAO DE VARIAVEIS                                                      9

aplicando logaritmos naturais:

                                t     1                   5730 ln (0.4)
                   ln 0.4 =        ln        ⇔       t=
                              5730    2                          1
                                                            ln
                                                                 2

ou seja aproximadamente 7575 anos.


Esta t´ cnica de envelhecimento do carbono tem sido usada com sucesso em in´ meras
      e                                                                    u
ocasi˜ es. Foi esta mesma t´ cnica que permitiu datar os Manuscritos do mar morto
     o                     e
com cerca de dois mil anos.

Nos Exemplos 1.1–1.4 determin´ mos a solucao de equacoes diferenciais muito sim-
                             a           ¸˜         ¸˜
ples, usando o m´ todo de separacao de vari´ veis. Este m´ todo tamb´ m pode ser
                e               ¸˜         a             e          e
usado para resolver equacoes diferenciais mais elaboradas, como iremos mostrar na
                        ¸˜
pr´ xima seccao.
  o         ¸˜

Os exemplos considerados ilustram tamb´ m que da resolucao de equacoes diferen-
                                      e                ¸˜         ¸˜
ciais muito simples se pode encontrar solucao para aplicacoes f´sicas mais diversi-
                                          ¸˜             ¸˜    ı
ficadas.




          ¸˜         ´
1.2 Separacao de variaveis

Vamos aprender agora a resolver algumas equacoes um bocadinho mais complica-
                                            ¸˜
das do que as que resolvemos at´ aqui.
                               e

Considere-se a equacao diferencial
                   ¸˜

                                     dy
                                        = f (x, y)                          (1.12)
                                     dx

e suponhamos que f (x, y) e factoriz´ vel no produto:
                          ´         a


                                  f (x, y) = g(x)h(y),                      (1.13)
10                                                           ´
                                                          CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

onde g(x) e h(y) s˜ o funcoes de uma s´ vari´ vel. Sempre que isto ocorre, a equacao
                  a      ¸˜           o     a                                    ¸˜
             ı             ¸˜        e               ¸˜
(1.12) e pass´vel de resolucao pelo m´ todo da separacao de vari´ veis. Para resol-
       ´                                                        a
ver a equacao, substituimos (1.13) em (1.12):
          ¸˜
                                         dy
                                            = g(x)h(y),
                                         dx
ou
                                         1 dy
                                                = g(x),                        (1.14)
                                        h(y) dx
Integrando ambos os membros da equacao (1.13) em relacao a x, obtemos:
                                   ¸˜                ¸˜
                                  1 dy
                                         dx =         g(x)dx +C,
                                 h(y) dx
e
                                    1
                                        dy =         g(x)dx +C.                (1.15)
                                   h(y)
Se ambos os integrais de (1.15) forem calcul´ veis, ent˜ o a solucao da equacao dife-
                                            a          a         ¸˜         ¸˜
rencial (1.12) e feita atrav´ s do c´ lculo dos integrais.
               ´            e       a
                                              dx    √
Exemplo 1.5 Resolva a equacao
                          ¸˜                     = t 1 − x2 .
                                              dt
      ¸˜
Resolucao:                           ¸˜
                  Reescrevemos a equacao como
                       dx                                dx
                   √            = tdt     ⇒          √            =   tdt +C
                       1 − x2                            1 − x2
Calculando os integrais, obtemos:
                                                     t2
                                        arcsin x =      +C
                                                     2
ou seja
                                                 t2
                                    x = sin         +C .
                                                 2
Existe um n´mero infinito de soluc˜es, uma para cada valor
            u                    ¸o
              π           π
de C com C ≤ . (Porquˆ C ≤ ?)Para determinadas condic˜es
                       e                            ¸o
              2           2
iniciais, vai existir uma soluc˜o ´nica. Suponhamos por
                              ¸a u
                1
exemplo x(0) = . Ent˜o
                    a
                2
                 1       02                                            1 π
                   = sin    +C = sinC                 e C = arcsin      =
                 2       2                                             2 6.
¸˜         ´
1.2. SEPARACAO DE VARIAVEIS                                                    11

Ent˜o a solucao ´nica ´
   a        ¸˜ u      e
                                            t2 π
                               x(t) = sin     +      .
                                            2 6
Repare que se x(0) = 2 n˜o existe solucao, pois a func˜o seno
                        a             ¸˜             ¸a
s´ toma valores no intervalo [−1, 1] .
 o


Exemplo 1.6 (Velocidade de escape) No Exemplo 1.1 estud´ mos o mo-
                                                       a
vimento de um corpo em queda livre, i.e. sujeito a forca de gravidade da Terra.
                                                 `    ¸
Nesse exemplo assumimos ser pequena a altura a que se encontra o corpo, h, re-
lativamente ao raio da Terra R. No entanto, se pretendermos estudar a equacao
                                                                          ¸˜
do movimento de um sat´ lite de comunicacoes ou de um ve´culo interplanet´ rio,
                      e                 ¸˜              ı                a
a distˆ ncia r do objecto ao centro da Terra poder´ ser considerada grande em
      a                                           a
relacao a R. Assim a assercao que fizemos para obter a equacao (1.3) deixa de ser
    ¸˜                    ¸˜                              ¸˜
v´ lida. Retomemos a equacao (1.2):
 a                       ¸˜
                                   d2r      R2
                                        = −g 2
                                   dt 2     r
                     dr
e considerando v =      , temos pela regra da cadeia:
                     dt
                             d 2 r dv dv dr      dv
                                2
                                  =    =       =v .                         (1.16)
                             dt     dt   dr dt   dr
Assim, a equacao (1.2) pode ser reescrita como:
             ¸˜
                                       dv     R2
                                   v      = −g 2 ,                          (1.17)
                                       dr     r
onde g e R s˜ o constantes. Separando as vari´ veis e integrando obtemos
            a                                a
                                                dr
                               vdv = −gR2          +C,
                                                r2
ou seja
                                  1 2 gR2
                                    v =   +C.
                                  2     r
Supondo que no instante inicial o objecto se encontra a superf´cie da Terra, temos
                                                      `       ı
ent˜ o que:
   a
                                1         gR2
                                  v(0)2 =     +C.
                                2          R
12                                                 ´
                                                CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

ou
                                 1
                                   v(0)2 − gR = C.
                                 2
Ent˜ o
   a
                                      R2
                            v2 = 2g      + v(0)2 − 2gR.                      (1.18)
                                      r
Para que o objecto escape a forca gravitacional da Terra, e necess´ rio que v > 0 em
                          `    ¸                          ´       a
                                        √
cada instante t. Se escolhermos v(0) = 2gR, os dois ultimos termos da equacao
                                                        ´                        ¸˜
(1.18) cancelam-se mutuamente, e temos que v2 > 0 para todo o r. Observemos
                                    √
que uma escolha para v(0) inferior a 2gR vai permitir que o segundo membro da
equacao (1.18) possa ser zero, bastando para tal que o valor de r seja suficiente-
    ¸˜
mente grande. Assim sendo, para que o objecto escape a atraccao gravitacional
                                                          `     ¸˜
                                                                        √
da Terra e necess´ rio que ele tenha velocidade inicial m´nima de v(0) = 2gR ≃
         ´       a                                       ı
11.2km/seg. A esta velocidade m´nima chama-se velocidade de escape.
                               ı

A substituicao (1.16) pode sempre ser usada para reduzir uma equacao que contenha
           ¸˜                                                    ¸˜
a segunda derivada numa que contenha somente a primeira derivada, sendo para tal
necess´ rio que a vari´ vel independente n˜ o apareca explicitamente na equacao.
      a               a                   a        ¸                        ¸˜

Exemplo 1.7 (Crescimento log´stico) Seja P(t) a populacao de uma esp´ -
                            ı                         ¸˜            e
cie no instante t. A taxa de crescimento individual de uma populacao e definido
                                                                 ¸˜ ´
como o crescimento de uma populacao dividido pelo tamanho da populacao. Por
                                ¸˜                                 ¸˜
exemplo, se considerarmos a taxa de natalidade igual a 3.2 em cada 100 e a taxa de
mortalidade igual a 1.8 em cada 100, ent˜ o a taxa de crescimento e 3.2 − 1.8 = 1.4
                                        a                         ´
                    1.4                      dP
em cada 100, i.e. =     . Escrevemos ent˜ o
                                        a        = 0.014P.
                    100                      dt
Consideremos uma dada populacao cuja taxa de natalidade m´ dia e dada pela
                            ¸˜                           e     ´
constante positiva β . E razo´ vel considerar a taxa m´ dia de mortalidade pro-
                       ´     a                        e
porcional ao n´ mero de indiv´duos da populacao. Populacoes com maior n´ mero
              u              ı              ¸˜         ¸˜              u
de indiv´duos correspondem a uma maior densidade de indiv´duos, donde a uma
        ı                                                ı
maior competicao por comida e territ´ rio entre os seus membros. Seja δ a cons-
               ¸˜                    o
                                                    dP
tante que representa esta proporcionalidade. Sendo      a taxa de crescimento da
                                                     dt
¸˜         ´
1.2. SEPARACAO DE VARIAVEIS                                                    13

                   1 dP
populacao, ent˜ o
      ¸˜      a         ser´ a taxa de crescimento por indiv´duo nessa populacao.
                            a                                ı                ¸˜
                  P dt
Ser´ l´cito considerar ent˜ o a seguinte equacao diferencial que governa o cresci-
   a ı                    a                  ¸˜
mento da populacao:
               ¸˜
                                 1 dP
                                      = β − δ P.
                                 P dt
Multiplicando ambos os membros desta equacao por P, temos:
                                         ¸˜

                                dP
                                   = P (β − δ P) .                          (1.19)
                                dt

     ´       ¸˜
Esta e a equacao log´stica. O crescimento expresso por esta equacao chama-se
                    ı                                           ¸˜
crescimento log´stico. Separemos as vari´ veis:
               ı                        a

                                  dP
                                          =    dt +C.                       (1.20)
                              P (β − δ P)

Decompondo a fraccao nos seus elementos simples, temos:
                 ¸˜

                              1       1       δ
                                    =   +            .
                         P (β − δ P) β P β (β − δ P)

Substituimos estes elementos simples em (1.20) e temos:

                          1         1
                            ln |P| − ln |β − δ P| = t +C
                          β         β

ou ainda
                              1      P
                                ln       = t +C.                            (1.21)
                              β    β −δP
Aplicando a funcao exponencial a ambos os membros, vem:
               ¸˜

                       P                        P
                           = eβ t+β C   ⇒           = C1 eβ t .             (1.22)
                     β −δP                    β −δP

Para t = 0 obtemos
                                  P(0)
                                           = C1 .
                                β − δ P(0)
Substituindo o valor obtido para C1 em (1.22), vem:

                             P(t)       P(0)
                                     =           eβ t .
                           β − δ P(t) β − δ P(0)
14                                                    ´
                                                   CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

Facamos o produto cruzado para depois resolver em ordem a P(t) :
  ¸




                         P(t) [β − δ P(0)] = P(0) [β − δ P(t)]eβ t

                       β P(t) − δ P(t)P(0) = β P(0)eβ t − δ P(0)P(t)eβ t

           P(t) β − δ P(0) + δ P(0)eβ t    = β P(0)eβ t ,




dividindo ambos os membros por P(0)eβ t :




                             β P(0)eβ t                     β
              P(t) =                           =                       .       (1.23)
                       β − δ P(0) + δ P(0)eβ t         β
                                                   δ+      − δ e−β t
                                                      P(0)




Uma vez que β > 0, e−β t tende para zero com t. Temos ent˜ o que a populacao tem
                                                         a               ¸˜
                         β                                           β
um limite de crescimento . Facilmente se verifica ainda que com P = em (1.19)
                         δ                                           δ
     dP
vem     = 0, i.e. a populacao e constante.
                          ¸˜ ´
     dt



Aprendemos como resolver uma equacao diferencial de primeira ordem quando se-
                                 ¸˜
par´ vel. No entanto nem sempre e muito claro ver se a equacao e ou n˜ o separ´ vel.
   a                            ´                          ¸˜ ´      a        a
Por exemplo, e obvio que se f (x, y) = ex cos y e separ´ vel. Mas j´ n˜ o e t˜ o obvio
             ´ ´                                ´      a           a a ´ a ´
que f (x, y) = 2x2 + y − x2 y + xy − 2x − 2 e separ´ vel. Damos, de seguida condicoes
                                            ´      a                             ¸˜
que permitem decidir sobre a separabilidade das vari´ veis numa equacao diferen-
                                                    a               ¸˜
cial.
¸˜         ´
1.2. SEPARACAO DE VARIAVEIS                                                                      15

          ´             ¸˜              ´
   Quando e que uma equacao diferencial e separ´ vel?
                                               a
Teorema 1 Suponhamos que f (x, y) = g(x)h(y), onde g e h s˜ o diferenci´ veis.
                                                          a            a
Ent˜ o
   a
                             f (x, y) fxy (x, y) = fx (x, y) fy (x, y).                     (1.24)

Dem. Facamos
       ¸

                  fx (x, y) = g′ (x)h(y)

                  fy (x, y) = g(x)h′ (y)

                 fxy (x, y) = g′ (x)h′ (y)

          f (x, y) fxy (x, y) = g(x)h(y)g′ (x)h′ (y) = g′ (x)h(y) g(x)h′ (y)

                             = fx (x, y) fy (x, y)




Teorema 2 Seja D = (x, y) : (x − a)2 + (y − b)2 < r2 , com a, b ∈ R e r ∈ R+ ,
uma bola do plano-xy. Suponhamos que f , fx , fy e fxy existem e s˜ o cont´nuas em
                                                                  a       ı
D, f (x, y) = 0 e a equacao (1.24) se verifica. Ent˜ o existem funcoes continuamente
                        ¸˜                        a              ¸˜
diferenci´ veis g(x) e h(y) tais que, para cada (x, y) ∈ D,
         a                                                                f (x, y) = g(x)h(y).


                          dy
Exemplo 1.8 Seja             = f (x, y) com f (x, y) = 2x2 + y − x2 y + xy − 2x − 2.
                          dx
Ent˜ o:
   a


                  fx (x, y) = 4x − 2xy + y − 2

                  fy (x, y) = 1 − x2 + x

                 fxy (x, y) = −2x + 1

          f (x, y) fxy (x, y) =    2x2 + y − x2 y + xy − 2x − 2 (−2x + 1)

                            = −4x3 − xy + 2x3 y − 3x2 y + 6x2 + 2x + y − 2

          fx (x, y) fy (x, y) = (4x − 2xy + y − 2) 1 − x2 + x

                            = 2x − xy + y − 2 − 4x3 + 2x3 y − 3x2 y + 6x2
16                                                       ´
                                                      CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

Donde se conclui a partir do Teorema 2 que f (x, y) e separ´ vel.
                                                    ´      a

      ¸˜
Resolucao:

                          dy
                             = 2x2 + y − x2 y + xy − 2x − 2
                          dx
                             = (y − 2)(−x2 + x + 1)

                                  = ···




                          dy
Exemplo 1.9 Seja             = f (x, y) com f (x, y) = 1 + xy. Ent˜ o:
                                                                  a
                          dx

                                          fx (x, y) = y

                                          fy (x, y) = x

                                        fxy (x, y) = −1

                                  f (x, y) fxy (x, y) = 1 + xy

                                               e

                                  fx (x, y) fy (x, y) = xy


Como as duas ultimas express˜ es n˜ o s˜ o iguais, conclui-se a partir do Teorema 2
             ´              o     a a
que f (x, y) n˜ o e separ´ vel.
              a ´        a
                                  dy
Uma equacao diferencial da forma
        ¸˜                            = f (ax + by + c) , n = 0 pode sempre reduzir-
                                  dx
se a uma equacao diferencial de vari´ veis separ´ veis, atrav´ s da substituicao
             ¸˜                     a           a            e               ¸˜

                                                   du      dy
                           u = ax + by + c ⇒          = a+b .
                                                   dx      dx

                                                             dy     1
Exemplo 1.10 Resolva a equacao diferencial
                           ¸˜                                   =         .
                                                             dx x + y + 1
                               1
Resolucao: Consideramos f (u) = e em conformidade u = x+y+
      ¸˜
                               u
   du      dy
1⇒    = 1+ .
   dx      dx
¸˜         ´
1.2. SEPARACAO DE VARIAVEIS                                  17

                     ¸         a           ¸˜
Efectuamos esta mudanca de vari´vel na equacao diferencial
e obtemos:

                                 du         1
                                     −1 =      ⇔
                                  dx        u
                                 du 1 + u
                         ⇔            =        ⇔
                                  dx      u
                                u
                         ⇔           du = dx ⇒
                               1+u
                                u
                         ⇔          du = dx +C
                               1+u
                      u
Como calcular            du?
                     1+u
Temos que saber calcular primitivas de func˜es racionais.
                                          ¸o
                         ¸˜
Posto isto, e sendo a funcao integranda uma fracc˜o racional
                                                ¸a
    o                    ¸                           ¸˜
impr´pria, temos que comecar por reduzi-la a uma fraccao
racional pr´pria, i.e.:
           o

                                u        1
                                   = 1−     .
                               1+u      1+u

Prossigamos agora com o c´lculo das primitivas:
                         a

                                   1
                             1−          du = dx +C ⇔
                                1+u
                     ⇔       u − ln |1 + u| = x +C  ⇔

Voltando ` vari´vel original, escrevemos:
         a     a

                 ⇔ x + y + 1 − ln |1 + x + y + 1| = x +C ⇔

                 ⇔           y + c = ln |2 + x + y|     ⇔

                 ⇔             ey+c = 2 + x + y         ⇔

                 ⇔             2 + x + y = Cey .

Temos assim a solucao impl´cita da equac˜o diferencial.
                  ¸˜      ı            ¸a


Consideremos ent˜ o outros exemplos:
                a
18                                                   ´
                                                  CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

                                           dy
     1. Consideremos a equacao diferencial
                           ¸˜                  = (x+y+1)2 . Reduzimos esta equacao   ¸˜
                                           dx
       diferencial a uma equacao diferencial de vari´ veis separ´ veis efectuando a se-
                             ¸˜                     a           a
       guinte mudanca de vari´ vel f (u) = u2 .
                   ¸         a
                                            dx 1 − t − x
     2. Consideremos a equacao diferencial
                           ¸˜                  =          . Reduzimos esta equacao
                                                                                ¸˜
                                            dt     t +x
       diferencial a uma equacao diferencial de vari´ veis separ´ veis efectuando a
                             ¸˜                      a          a
                                             1−u
       seguinte mudanca de vari´ vel f (u) =
                       ¸       a                 .
                                               u
                                            dy         √
     3. Consideremos a equacao diferencial
                           ¸˜                   = 2 + y − 2t + 3. Reduzimos esta
                                            dx
       equacao diferencial a uma equacao diferencial de vari´ veis separ´ veis efectu-
           ¸˜                        ¸˜                     a           a
                                                        √
       ando a seguinte mudanca de vari´ vel f (u) = 2 + u.
                              ¸       a
                                           dy
     4. Consideremos a equacao diferencial
                           ¸˜                  = 1+ey−t+5 . Reduzimos esta equacao  ¸˜
                                           dx
       diferencial a uma equacao diferencial de vari´ veis separ´ veis efectuando a se-
                             ¸˜                     a           a
       guinte mudanca de vari´ vel f (u) = 1 + eu .
                   ¸         a

Exerc´cio 1 Calcule a solucao de cada uma das equacoes diferenciais acima
     ı                    ¸˜                      ¸˜
enumeradas.




             ¸˜         ¸˜
1.3 Classificacao de equacoes diferenciais

Ficou claro, no estudo efectuado nas ultimas seccoes, que grande e a variedade de
                                     ´          ¸˜               ´
equacoes diferenciais resultantes de fen´ menos que nos s˜ o familiares. Torna-se
    ¸˜                                  o                a
ent˜ o necess´ rio estudar classes mais restritas destas equacoes.
   a         a                                               ¸˜

Comecemos por classificar as equacoes diferenciais. A classificacao mais obvia ser´
                                ¸˜                            ¸˜       ´        a
uma baseada na natureza das derivadas da equacao. Uma equacao diferencial diz-se
                                             ¸˜           ¸˜
    ¸˜
equacao diferencial ordin´ ria (ODE) se involve somente derivadas ordin´ rias, i.e.
                         a                                             a
em ordem a uma s´ vari´ vel independente e de uma ou v´ rias vari´ veis dependentes.
                o     a                               a          a

Exemplo 1.11 Considerem-se os seguintes exemplos:
¸˜
1.4. SOLUCOES                                                                   19

        dy
   1.      − 5y = 1
        dx
   2. (t + y) dt − 4ydy = 0
        du dv
   3.     −   = t,     u(t) e v(t)
        dt dt
        d2y    dy
   4.     2
            − 2 + 6x = 0
        dx     dx
Uma equacao que involva derivadas parciais, de uma ou mais vari´ veis dependentes
        ¸˜                                                     a
                                                                    ¸˜
e, obviamente, de duas ou mais vari´ veis independentes, diz-se equacao diferencial
                                   a
`
as derivadas parciais.

Exemplo 1.12 Considerem-se os seguintes exemplos:
      ∂x      ∂y
   1.      =−         x(t, ?), y(t, ?)
       ∂t     ∂t
       ∂x    ∂x
   2. t + k      = x,       x(t, z)
        ∂t   ∂z
     ¸˜
Definicao 1 A ordem da derivada mais elevada envolvida na equacao diferen-
                                                             ¸˜
cial, determina a ordem da equacao diferencial.
                               ¸˜

Exemplo 1.13 Considerem-se os seguintes exemplos:
        dy
   1.      + 2yx = 1      primeira ordem
        dx
        d 2 y dy
   2.        + +x = 0          segunda ordem
        dx2 dx
        d 3 y y2
   3.        =         terceira ordem
        dx3 x2
Quanto a estrutura, as equacoes diferenciais classificam-se em equacoes diferenciais
       `                   ¸˜                                     ¸˜
lineares e n˜ o lineares. Definimos equacao diferencial linear na Seccao 1.6.
            a                          ¸˜                           ¸˜



        ¸˜
1.4 Solucoes

     ¸˜
Definicao 2 Uma funcao y, definida no intervalo I, que possui derivadas at´ a
                  ¸˜                                                    e`
ordem n, e tal que uma vez substitu´da na equacao diferencial de ordem–n a reduz
                                   ı          ¸˜
20                                                          ´
                                                         CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

a uma identidade, diz-se solucao dessa equacao diferencial. Simbolicamente, isto
                             ¸˜            ¸˜
significa que a solucao da equacao diferencial
                   ¸˜         ¸˜

                                F x, y, y′ , . . ., y(n) = 0                        (1.25)

e uma funcao y(x), cujas derivadas y′ (x), y′′ (x), . . ., y(n) existem e satisfazem a equacao
´        ¸˜                                                                                ¸˜
(1.31) para todos os valores da vari´ vel independente x em todo o intervalo em que
                                    a
(1.31) est´ definida.
          a

`
A solucao tamb´ m se chama curva integral ou simplesmente integral da ED.
      ¸˜      e

Observacao 2 O intervalo I pode ser da forma (a, b), [a, b], [a, b), (a, b] com a, b
       ¸˜
valores finitos ou infinitos.

As aplicacoes f´sicas que descrevemos nesta seccao (e.g. Exemplos 1.1, 1.3 e 1.4)
         ¸˜    ı                               ¸˜
correspondem a problemas para os quais sabemos existir solucao. No entanto, e
                                                           ¸˜               ´
importante distinguir a realidade f´sica do modelo matem´ tico dado pela equacao
                                   ı                    a                    ¸˜
diferencial que representa o problema. Pois o nosso racioc´cio poder´ estar comple-
                                                          ı         a
tamente errado e as equacoes apresentadas n˜ o apresentarem qualquer ligacao com
                        ¸˜                 a                             ¸˜
a realidade.

Existem equacoes diferenciais para as quais n˜ o existe solucao. Por exemplo:
            ¸˜                               a              ¸˜
                                             2
                                       dy
                                                 +3 = 0
                                       dx
                                                 2
                                        dy
n˜ o tem obviamente solucao, pois
 a                      ¸˜                           + 3 ≥ 3 !!!
                                        dx
Por outro lado, a equacao
                      ¸˜
                                             2
                                      dy
                                                 + y2 = 0
                                      dx
tem y = 0 como unica solucao.
               ´         ¸˜

A equacao
      ¸˜
                                       dy
                                          +y = 0
                                       dx
tem um n´ mero infinito de solucoes y = ce−x para toda a constante c.
        u                     ¸˜
¸˜
1.4. SOLUCOES                                                                           21

Uma equacao diferencial tem usualmente uma infinidade de solucoes.
        ¸˜                                                  ¸˜

Ao determinar a solucao de uma equacao diferencial de ordem–n,
                    ¸˜             ¸˜

                          F x, y, y′ , . . . , y(n) = 0,    ∀t ∈ I

esperamos obter uma fam´lia de solucoes de n parˆ metros G(x, y, c1 , . . . , cn ) = 0.
                       ı           ¸˜           a

               ¸˜         a                        ¸˜
Cada concretizacao dos parˆ metros fornece uma solucao particular, ou seja uma
solucao livre de parˆ metros.
    ¸˜              a

             ¸˜
Chamamos solucao singular a uma solucao da equacao diferencial que n˜ o per-
                                    ¸˜         ¸˜                   a
tence a fam´lia de parˆ metros.
      `    ı          a

Se a fam´lia de parˆ metros cont´ m todas as solucoes da equacao diferencial, ent˜ o
        ı          a            e                ¸˜          ¸˜                  a
             ¸˜
chama-se solucao geral.

Exemplo 1.14 Consideremos a equacao diferencial
                                ¸˜

                                           dy
                                              = 2xy                                  (1.26)
                                           dx
                                 2
cuja solucao geral e y = cex . Cada concretizacao da constante c fornece uma
         ¸˜        ´                          ¸˜
solucao particular. A Figura 1.3 mostra algumas concretizacoes de c, isto e algu-
    ¸˜                                                    ¸˜              ´
mas solucoes de (1.26).
        ¸˜


                  200

                                                              c>0
                  100


                    0
                                                                               c=0


                 −100
                                                             c<0

                 −200


                    −2    −1.5       −1   −0.5   0    0.5     1      1.5   2



         Figura 1.2: Representacao gr´ fica de algumas solucoes de (1.26).
                               ¸˜    a                    ¸˜

A y ≡ 0, representada a vermelho na figura, chamamos solucao trivial.
                                                        ¸˜
22                                                      ´
                                                     CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

Se y ≡ 0 (i.e., y e identicamente igual a zero) e solucao da equacao diferencial num
                  ´                             ´     ¸˜         ¸˜
intervalo I, ent˜ o chama-se a y ≡ 0 solucao trivial dessa equacao diferencial em I.
                a                        ¸˜                    ¸˜

Exemplo 1.15 A equacao diferencial do Exemplo 1.2 pode ser reescrita na
                   ¸˜
forma y′ − α y = 0. E f´ cil verificar que y(x) = keα x ,
                    ´ a                                       k ∈ R, e solucao para todo
                                                                     ´     ¸˜
o real x :

              y′ (x) − α y(x) = (keα x )′ − α (keα x ) = α keα x − α keα x = 0.

Exerc´cio 2
     ı               1. Prove que y1 = c1 cos(4x) e y2 = c2 sin(4x) s˜ o solucoes de
                                                                     a       ¸˜
        d2y
            + 16y = 0.
        dx2
     2. Prove que

                                      y = ex

                                      y = e−x

                                      y = c1 ex

                                      y = c2 e−x

                                      y = c1 ex + c2 e−x



                                         d 2y
        com c1 , c2 ∈ R, s˜ o solucoes de 2 − y = 0.
                          a       ¸˜
                                         dx
Exemplo 1.16 Consideremos os seguintes exemplos:

     1. y = cx4 e solucao da equacao diferencial xy′ − 4y = 0.
                ´     ¸˜          ¸˜
            
             −x4 , x < 0
     2. y =                  e solucao da mesma equacao, i.e.
                             ´     ¸˜                  ¸˜
             x4 , x ≥ 0
            
             −1, x < 0
        c=                  A constante c n˜ o e unica em todo o intervalo.
                                           a ´´
             1, x ≥ 0

A solucao particular 2. e solucao, mas n˜ o pode ser obtida a partir da fam´lia de
      ¸˜                ´     ¸˜        a                                  ı
parˆ metros por uma escolha unica de c.
   a                        ´
¸˜
1.4. SOLUCOES                                                                    23

                  15

                  10
                                                          c=1
                   5

                   0

                 −5
                              c = −1
                 −10

                 −15
                    −2     −1.5   −1    −0.5    0   0.5   1     1.5   2



        Figura 1.3: Exemplo de uma solucao particular definida por ramos.
                                       ¸˜

A solucao da equacao diferencial pode estar na forma impl´cita ou expl´cita. Se
      ¸˜         ¸˜                                      ı            ı
apresentamos a solucao na forma y = f (x), ent˜ o a solucao est´ na forma expl´cita.
                   ¸˜                         a         ¸˜     a              ı
Se a apresentamos na forma f (x, y) = c, onde c e uma constante, ent˜ o a solucao
                                                ´                   a         ¸˜
est´ na forma impl´cita.
   a              ı

Exemplo 1.17             1. A solucao y = 2e3x e uma solucao expl´cita da equacao
                                  ¸˜           ´         ¸˜      ı            ¸˜
      diferencial do Exemplo 1.15.

   2. Considere a equacao diferencial
                      ¸˜

                                               dy x
                                                 = .
                                               dx y

      Ap´ s separacao de vari´ veis obt´ m-se
        o         ¸˜         a         e

                                          ydy = xdx
                                           y2    x2
                                               =    +c
                                            2     2
                                       y2 − x2 = 2c = C



      Temos a solucao na sua forma impl´cita.
                  ¸˜                   ı

      Nota 1 De facto, n˜ o e l´cito apresentar a solucao deste problema na sua
                           a ´ ı                      ¸˜
                                 √
      forma expl´cita, pois y = ± x2 +C n˜ o e funcao.
                ı                          a ´     ¸˜
24                                                     ´
                                                    CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

Como vimos nas Seccoes 1.1 e 1.2, muitas s˜ o as situacoes em que estamos interes-
                  ¸˜                      a           ¸˜
sados em resolver uma equacao diferencial de primeira ordem:
                          ¸˜

                                    dy
                                       = f (x, y)
                                    dx

sujeita a condicao adicional
        `      ¸˜
                                    y(x0 ) = y0 .

Este e um exemplo de um problema de valor inicial. Chamamos a esta condicao
     ´                                                                  ¸˜
               ¸˜
adicional condicao inicial e a x0 o valor inicial. Formalizemos:

     ¸˜
Definicao 3 Um problema de valor inicial (PVI) consiste numa equacao di-
                                                                ¸˜
ferencial de qualquer ordem e num conjunto de condicoes iniciais (o n´ mero de
                                                   ¸˜                u
condicoes iniciais e igual a ordem da equacao diferencial) que dever˜ o ser satisfei-
     ¸˜            ´       `              ¸˜                        a
tas pela solucao da equacao diferencial e das suas sucessivas derivadas no valor
             ¸˜         ¸˜
inicial.

Exemplo 1.18 Considerem-se os seguintes exemplos de PVIs:

     1.

                                     dy
                                         = 2y − 3x,
                                     dx
                                    y(0) = 2


     2.

                            x′′ (t) + 5x′(t) + (sint)x(t) = 0,

                                                     x(1) = 0

                                                    x′ (1) = 7

     ¸˜
Definicao 4 Definimos solucao de um PVI de ordem–n como uma funcao com
                        ¸˜                                   ¸˜
derivadas at´ a ordem–n, que satisfaca a equacao diferencial e a(s) condicao(˜ es)
            e`                      ¸        ¸˜                          ¸˜ o
inicial(is).
¸˜
1.4. SOLUCOES                                                                   25

Exemplo 1.19 A funcao y(x) = 2e3x e solucao do PVI
                  ¸˜              ´     ¸˜

                                          dy
                                              = 3y,
                                          dx
                                         y(0) = 2

                                    dy    d 3x
pois y(0) = 2e3·0 = 2e0 = 2 e          =2    e = 3 2e3x = 3y.
                                    dx    dx
Atencao, y ≡ 0 e solucao da equacao diferencial do Exemplo ??, mas n˜ o solucao
    ¸˜         ´     ¸˜         ¸˜                                  a       ¸˜
do PVI, pois n˜ o verifica a condicao inicial.
              a                  ¸˜

Observacao 3 As condicoes impostas a y(x) e as suas (n − 1) primeiras deriva-
       ¸˜            ¸˜                     `
das s˜ o dadas num unico ponto, i.e., y(x0 ), y′ (x0 ), . . . , y(n−1) (x0 ).
     a             ´

    1.

                                            dy
                                                 = f (x, y)
                                            dx
                                          y(x0 ) = y0

         PVI de ordem–1

    2.

                                          d2y
                                                = f (x, y, y′ )
                                          dx2
                                         y(x0 ) = y0

                                        y′ (x0 ) = y′
                                                    0


         PVI de ordem–2

Ao analisar um PVI, duas quest˜ es fundamentais surgem:
                              o

    1. Existe solucao?
                  ¸˜

    2. A solucao (se existir) e unica?
             ¸˜               ´´

Geometricamente, a segunda quest˜ o traduz-se em questionar se de entre todas as
                                a
solucoes do PVI, definido em I, existe uma unica cujo gr´ fico passa pelo ponto
    ¸˜                                    ´            a
(x0 , y0 ).
26                                                   ´
                                                  CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1
                                        
                                         dy − xy1/2 = 0
Exemplo 1.20 Consideremos o seguinte PVI dx              , para o qual
                                        
                                          y(0) = 0
queremos determinar a solucao.
                          ¸˜

      ¸˜
Resolucao:       Vamos determinar a soluc˜o utilizando separacao
                                        ¸a                   ¸˜
de vari´veis:
       a

                                  dy
                                     = xy1/2      ⇔
                                  dx
                                   dy
                          ⇒            = tdt      ⇔
                                  y1/2
                                  y=0?!
                                          x2
                          ⇔     y1/2 =       +c   ⇔
                                          4
                                    x4
                          ⇔ y=         +C      ∧ y(0) = 0
                                    16
                                                          x4
                                   ⇒C = 0         ⇒y=
                                                          16

No entanto, a solucao trivial y ≡ 0 ´ tamb´m soluc˜o.
                  ¸˜                e     e      ¸a                                 Mais
ainda, a solucao trivial ´ soluc˜o singular (pois n˜o pode
             ¸˜          e     ¸a                  a
ser obtida a partir da fam´lia de parˆmetros).
                          ı          a



Como vemos a soluc˜o deste PVI n˜o ´ ´nica.
                 ¸a             a e u



Antes de tentarmos determinar a solucao de um PVI, e desej´ vel investigar primeiro
                                    ¸˜             ´      a
a existˆ ncia/unicidade dessa mesma solucao.
       e                                ¸˜

O resultado seguinte, originalmente devido a Cauchy, mas generalizado por Picard,
e uma das condicoes mais populares devido a facilidade da sua aplicacao.
´              ¸˜                         `                         ¸˜

Teorema 3 (Teorema de Picard) Seja R uma regi˜ o rectangular defi-
                                             a
nida no plano xOy e tal que a ≤ x ≤ b e c ≤ y ≤ d. O ponto (x0 , y0 ) pertence ao
interior de R. Se f e ∂ f /∂ y s˜ o funcoes cont´nuas no rectˆ ngulo R, ent˜ o existe um
                                a      ¸˜       ı            a             a
¸˜
1.4. SOLUCOES                                                                       27

intervalo I, centrado em x0 , e uma unica funcao y(x), x ∈ I, que satisfaz o PVI
                                    ´        ¸˜

                            dy
                               = f (x, y),     y(x0 ) = y0 .
                            dx




             Figura 1.4: Interpretacao geom´ trica do Teorema de Picard.
                                   ¸˜      e

       ¸˜
Observacao 4 Em geral n˜ o e poss´vel determinar um intervalo I em que essa
                       a ´       ı
solucao esteja definida sem antes determinar essa mesma solucao.
    ¸˜                                                     ¸˜

            ´          ¸˜
O Teorema 3 e uma condicao suficiente de existˆ ncia e unicidade de solucao, dado
                                             e                         ¸˜
fornecer crit´ rios capazes de garantir a existˆ ncia de uma unica solucao. Nome-
             e                                 e             ´         ¸˜
adamente, requer a a verificacao da continuidade das funcoes. Se f e ∂ f /∂ y no
                            ¸˜                         ¸˜
rectˆ ngulo R que cont´ m o ponto inicial (x0 , y0 ). Dado a garantia deste teorema ser
    a                 e
s´ para uma pequena regi˜ o em torno do ponto inicial, dizemos ser este resultado
 o                      a
um teorema de existˆ ncia e unicidade local. Ilustramos de seguida a aplicacao do
                   e                                                       ¸˜
Teorema 3:

Exemplo 1.21 O PVI
                                   dy
                                       = x2 + y3
                                   dx
                                  y(0) = 1

tem solucao unica?
        ¸˜ ´
28                                                ´
                                               CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

      ¸˜
Resolucao:        Sejam f (x, y) = x2 +y3 e ∂ f /∂ y = 3y2 funcoes cont´nuas
                                                              ¸˜       ı
em todo o R×R, ent˜o obviamente tamb´m o ser˜o na regi˜o
                  a                 e       a         a
R. Est´ assim demonstrada a existˆncia de solucao ´nica.
      a                          e            ¸˜ u




                                                                            x 1
Exemplo 1.22 Retomemos o Exemplo 1.20. Temos ent˜ o que ∂ f /∂ y =
                                                a                                  ,
                                                                            2 y1/2
n˜ o estando esta funcao definida no ponto (0, 0). Dado ser o Teorema 3 uma condicao
 a                   ¸˜                                                          ¸˜
suficiente, nada se pode concluir sobre a existˆ ncia de solucao unica, mas de facto
                                              e             ¸˜ ´
n˜ o se pode garantir a sua existˆ ncia.
 a                               e


Caso n˜ o estejamos interessados na unicidade de solucao, mas somente na sua
      a                                              ¸˜
existˆ ncia existe um resultado tamb´ m muito conhecido:
     e                              e


Teorema 4 Nas condicoes do Teorema de Picard, a continuidade da funcao
                   ¸˜                                              ¸˜
f (x, y) em R e condicao suficiente para garantir a existˆ ncia de pelo menos uma
              ´      ¸˜                                 e
solucao do PVI.
    ¸˜


O Teorema de Picard um de entre os v´ rios resultados de existˆ ncia/unicidade de
                                    a                         e
solucao. Em diferentes situacoes, as condicoes podem ser relaxadas permitindo
    ¸˜                      ¸˜            ¸˜
ainda tirar as mesmas conclus˜ es. Ao longo do nosso estudo abordaremos alguns
                             o
destes resultados.


     ¸˜
Definicao 5 Um problema de valores de fronteira (PVF) e constitu´do por
                                                     ´         ı
uma equacao diferencial se um conjunto de condicoes adicionais que a solucao
        ¸˜                                     ¸˜                        ¸˜
da equacao diferencial, bem com as sucessivas derivadas, deve satisfazer. As
       ¸˜
condicoes adicionais devem ser dadas para pelo menos dois valores distintos da
     ¸˜
vari´ vel independente.
    a


Exemplo 1.23 Considerem-se os seguintes exemplos de PVF
¸˜
1.4. SOLUCOES                                                                 29

   1.

                                       d2y
                                           + 5xy = cos x
                                       dx2
                                            y(0) = 0

                                             y′ (1) = 2


   2.

                                         dy
                                            + 5xy = 0
                                         dx
                                             y(0) = 2

                                              y(1) = 2


Para n = 2, definimos:

                          d 2y            dy
                     a2 (x, y)
                             2
                               + a1 (x, y) + a0 (x, y)y = g(x)             (1.27)
                          dx              dx
                                 
                     y(a) = y0 
                                       Condicoes de fronteira
                                             ¸˜                            (1.28)
                     y(b) = y1 

com a, b ∈ I.

Para n = 2, outras escolhas poss´veis de condicoes de fronteira s˜ o:
                                ı             ¸˜                 a
                                                     
     y′ (a) = y              y(a) = y                 y′ (a) = y
                    0                       0                         0
                       ,                         ou                        (1.29)
     y(b) = y                y′ (b) = y               y′ (b) = y
                    1                       1                         1

onde y0 , y1 s˜ o constantes arbitr´ rias.
              a                    a

Seja:                            
                                  α y(a) + β y′ (a) = γ
                                    1        1           1
                                                                           (1.30)
                                  α y(b) + β y′ (b) = γ
                                    2        2           2

Atencao, ter˜ o de ser sempre duas condicoes, dado ser dois a ordem do problema.
    ¸˜      a                           ¸˜

Nota 2 O Teoremema de Picard s´ se aplica a PVIs.
                              o

Vejamos:
30                                                ´
                                               CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

Exemplo 1.24 Consideremos a equacao diferencial y′′ + 16y = 0, que tem
                                ¸˜
como solucao geral y = c1 cos 4x + c2 sin 4x. De seguida consideramos diferentes
         ¸˜
condicoes de fronteira que nos permitir˜ o calcular os parˆ metros.
      ¸˜                               a                  a
      
       y(0)     = 0
   1.       π
       y        = 0
            2
              ¸˜
      Resolucao:
      
       0 = c
                 1
       0 = c sin 2π
                 2

       temos ent˜o a solucao (0, c2 )
                a        ¸˜

                                             ¸˜
       ∴ o PVF tem um n´mero infinito de solucoes:
                       u                                               y = c2 sin 4t.


        
         y(0)    = 0
     2.      π
         y       = 0
             8
               ¸˜
        Resolucao:
        
         0 = c
                  1
         0 = c
                 2

       temos ent˜o a soluc˜o y = (0, 0)
                a        ¸a

                       ¸˜ u
       ∴ o PVF tem solucao ´nica.



        
         y(0)    = 0
         y π
     3.
                  = 1
             2
               ¸˜
        Resolucao:
        
         0 = c1
        1 = c2 sin π
                    2
       Imposs´vel!
             ı
¸˜
1.5. CAMPO DE DIRECCOES                                                          31

                          ¸˜
      ∴ o PVF n˜o tem solucao.
               a




Ainda que ao longo de todo este curso nos debrucemos sobre o estudo/aprendizagem
de m´ todos que nos permitem determinar a solucao de diferentes ED, o facto e que
    e                                         ¸˜                            ´
muitas s˜ o as equacoes diferenciais provenientes de aplicacoes para as quais n˜ o e
        a          ¸˜                                      ¸˜                  a ´
poss´vel obter uma solucao anal´tica. Dito de outro modo, muitas s˜ o as equacoes
    ı                  ¸˜      ı                                  a          ¸˜
diferenciais para as quais e imposs´vel obter uma solucao exprimıvel em termos de
                           ´       ı                  ¸˜
funcoes elementares.
   ¸˜

Existem diferentes formas para abordar esta dificuldade, nomeadamente:

   1. Optar por uma solucao num´ rica
                        ¸˜     e

   2. Proceder a um estudo qualitativo da ED, i.e., perceber como se comportam as
      solucoes da ED. Quest˜ es pertinentes deste t´ pico s˜ o por exemplo:
          ¸˜               o                       o       a

         • As solucoes da equacao diferencil crescem ilimitadamente com x?
                  ¸˜          ¸˜

         • As solucoes da equacao diferencial tendem para zero?
                  ¸˜          ¸˜

         • As solucoes oscilam entre determinados valores?
                  ¸˜



                  ¸˜
1.5 Campo de direccoes

Considere-se a equacao diferencial de ordem–1 na sua forma normal
                   ¸˜

                                   y′ = f (x, y).                             (1.31)

Considerando determinadas condicoes, e uma condicao inicial, o PVI associado
                               ¸˜               ¸˜
a equacao (1.31) tem uma solucao unica. Ou seja, existe uma unica funcao que
`     ¸˜                     ¸˜ ´                           ´        ¸˜
satisfaz o PVI:
                                y′ (x)   = f (x, y)
                                y(x0 ) = y0
32                                                   ´
                                                  CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

com (x0 , y0 ) arbitr´ rio. A funcao y(x) e uma curva do plano–xy, da qual conhecemos
                     a           ¸˜       ´
a tangente em cada ponto.


       A tangente a curva y(x) em cada ponto (x, y) e dada por f (x, y).
                  `                                 ´



Conhecemos ent˜ o a direccao da curva y(x) em cada ponto (x, y) do xy-plano em
              a          ¸˜
que a funcao f (x, y) est´ definida. Chama-se campo de direccoes da equacao di-
         ¸˜              a                                 ¸˜          ¸˜
ferencial, y′ = f (x, y), ao conjunto de todas estas direccoes no plano. O que e
                                                          ¸˜                   ´
interessante e o facto de podermos usar a nocao de campo de direccoes para tracar
             ´                              ¸˜                   ¸˜           ¸
um esboco da solucao duma equacao diferencial no plano-xy sem chegar a calcular
       ¸         ¸˜           ¸˜
essa mesma solucao. Se achar muito dif´cil resolva este mesmo problema para a
               ¸˜                     ı
equacao diferencial do exerc´cio seguinte.
    ¸˜                      ı

Exemplo 1.25 Retomemos o PVI do Exemplo 1.2

                                      y′ = 2xy                                (1.32)

                                   y(0) = 1.


Temos que


                y′ (x) > 0   se   xy > 0     (i.e. quadrantes I e III)

                y′ (x) < 0   se   xy < 0     (i.e. quadrantes II e IV).


Para tracar o campo de direccoes, comecamos por determinar onde o coeficiente
        ¸                   ¸˜        ¸
angular e constante:
        ´

                                  y′ = c,    c ∈ R.                           (1.33)


Obtemos desta forma a fam´lia de curvas 2xy = c, onde c e uma constante, a que
                         ı                              ´
chamamos isoclinas.
¸˜
1.5. CAMPO DE DIRECCOES                                                       33

Para o Exemplo ch1-1.5-ex25, calculamos de seguida as isoclinas:

                            c = 0 ⇔ x = 0∨y = 0
                                                  1
                            c = 1 ⇔ 2xy = 1 ⇔ y =
                                                  2x
                                                  1
                            c = 2 ⇔ 2xy = 2 ⇔ y =
                                                  x
                                                   1
                          c = −1 ⇔ 2xy = 1 ⇔ y = −
                                                   2x
                                                   1
                          c = −2 ⇔ 2xy = 2 ⇔ y = −
                                                   x

A Figura 1.5 mostra o campo de direccoes para esta equacao diferencial.
                                    ¸˜                 ¸˜


                                               2




                                       y(x)
                                               1




                                               0
                             -2   -1               0   1   2
                                                       x

                                              -1




                                              -2




        Figura 1.5: Campo de direccoes para a equacao diferencial (1.32).
                                  ¸˜              ¸˜


Para a solucao particular em causa, escolhemos a curva que passa no ponto (0, 1).
           ¸˜
Temos ent˜ o:
         a

       ¸˜
Observacao 5 e aconselh´ vel esbocar sempre um n´ mero razo´ vel de curvas, de
             ´         a         ¸              u          a
forma a podemos ilustrar convenientemente o comportamento de todas as solucoes
                                                                          ¸˜
da equacao diferencial.
       ¸˜

Exemplo 1.26 Debrucemo-nos agora sobre o campo de direccoes da equacao
                                                       ¸˜          ¸˜
                       dP
log´stica do Exemplo 1.7,
   ı                      = P (β − δ P) , onde β e δ s˜ o constantes positivas.
                                                      a
                       dt
      ¸˜
Resolucao:      No Exemplo 1.7 determinamos a soluc˜o desta equac˜o
                                                               ¸a               ¸a
34                                                 ´
                                                CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1


                                    2




                                  y 1




                                    0
                    -2       -1         0       1    2
                                                x


                                   -1




                                   -2




                  Figura 1.6: Uma solucao de (1.32).
                                      ¸˜

diferencial:
                                            β
                    P(t) =                           .               (1.34)
                                  β
                              δ+      − δ e−β t
                                 P(0)
` semelhanca do que aconteceu no exemplo anterior, ´ poss´vel
A         ¸                                        e     ı
determinar o campo de direccoes desta equac˜o diferencial
                           ¸˜             ¸a
sem a resolver.

Dado que as constantes β e δ s˜o positivas, tornam-se eviden-
                              a
tes os seguintes factos:

                   P′ < 0 se P < 0 ∨ P > β /δ ;

                   P′ > 0 se 0 < P < β /δ ;

                   P′ = 0 se P = 0 ∨ P = β /δ ;


A Figura 1.7 mostra o campo de direcc˜es para esta equacao
                                    ¸o                 ¸˜
diferencial.

Repare que toda a solucao tal que P(0) > 0 tende para o valor
                      ¸˜
β /δ , ou seja a capacidade de suporte.                  J´ tinha- mos chegado
                                                          a
                                                         ¸˜
a esta conclus˜o antes, quando calculamos o valor da solucao
              a
quando t → ∞. Na Figura 1.8 mostram-se algumas solucoes:
                                                   ¸˜
¸˜
1.5. CAMPO DE DIRECCOES                                                                                                    35


                                                                4




                                                        y(t)
                                                                2




                                                                0
                                      -4       -2                   0        2            4
                                                                                 t

                                                               -2




                                                               -4




Figura 1.7: Campo de direccoes para a equacao log´stica, com β = 3.5 e δ = 1.8.
                          ¸˜              ¸˜     ı



                      2                                                                        4



                                                                                               3

                    y 1                                                                   y

                                                                                               2



                      0                                                                        1
       -2      -1         0   1   2        3        4
                                       t
                                                                                               0
                                                                        -2           -1            0   1   2       3   4
                     -1
                                                                                                               t
                                                                                              -1



                     -2                                                                       -2




      Figura 1.8: Solucoes para a equacao log´stica, com β = 3.5 e δ = 1.8.
                      ¸˜              ¸˜     ı




Observe que o campo de direccoes de uma equacao diferencial pode ser uma ferra-
                            ¸˜              ¸˜
menta preciosa sempre que n˜ o for poss´vel determinar a solucao de uma equacao
                           a           ı                     ¸˜             ¸˜
diferencial.
36                                                     ´
                                                    CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

        ¸˜
1.6 Equacoes diferenciais lineares

     ¸˜
Definicao 6 Uma equacao diferencial de ordem–n diz-se linear se pode ser
                   ¸˜
reescrita na seguinte forma:

                   d ny           d n−1 y              dy
                      n
                        + an−1 (x) n−1 + · · · + a1 (x) + a0 (x)y = g(x).         (1.35)
                   dx             dx                   dx


Posto isto, verifica-se que as equacoes diferenciais lineares s˜ o caracterizadas por
                                  ¸˜                          a
duas propriedades:

     1. a vari´ vel dependente e todas as suas sucessivas derivadas dever˜ o ser de
              a                                                          a
          grau 1; ou seja, n˜ o podem involver funcoes n˜ o lineares (funcoes quadradas,
                            a                     ¸˜    a                ¸˜
          exponenciais, trigonom´ tricas, etc.) ou produtos da vari´ vel dependente pelas
                                e                                  a
          suas derivadas.

     2. cada coeficiente depende unicamente da vari´ vel independente.
                                                  a

     ¸˜
Definicao 7 Toda a equacao diferencial que n˜ o possa ser escrita na forma
                      ¸˜                   a
(1.35) diz-se n˜ o linear.
               a

Exerc´cio 3 Classifique cada uma das seguintes equacoes em linear ou n˜ o
     ı                                            ¸˜                 a
linear.

     1. (x − t)dt + 4tdx = 0

     2. y′′ − 2y′ + y
              d 3x     dx
     3. t 3      3
                   − 4t + 6x = et
              dt       dt
     4. (1 + y)y′ + 2y = et
          d2x
     5.        + sin x = 0
          dt 2


          d2y
     6.        + y2 = 0
          dt 2
1.6. ED LINEARES                                                                    37

     ¸˜         ¸˜       ´
Definicao 8 (Equacao homogenea) Uma equacao diferencial diz-se
                                       ¸˜
homog´ nea se em (1.35) g(x) = 0.
     e

Caso contr´ rio diz-se equacao n˜ o homog´ nea.
          a                ¸˜ a          e

Consideremos ent˜ o a equacao diferencial de ordem-1:
                a         ¸˜
                                 dy
                                    + a(x)y = g(x).                              (1.36)
                                 dx
Esta forma da equacao diferencial diz-se forma standard da equacao diferencial
                  ¸˜                                           ¸˜
linear.

Comecemos por considerar o caso homog´ neo:
                                     e
                       dy                              dy
                          + a(x)y = 0       ⇔             = −a(x)y.              (1.37)
                       dx                              dx
Por separacao de vari´ veis, temos:
          ¸˜         a
                 dy
                    =−       a(x)dx + c      ⇒         ln |y| = −    a(x)y + c
                  y
ou seja, a solucao geral e
               ¸˜        ´

                              y = ce−     a(x)dx
                                                   ,   c ∈ R.                    (1.38)

Exerc´cio 4 Prove, concretizando a(x) e usando a nocao de campo de direccoes
     ı                                             ¸˜                   ¸˜
de uma equacao diferencial que esta e de facto a solucao geral da equacao diferen-
           ¸˜                       ´                ¸˜               ¸˜
cial
                                     dy
                                        + a(x)y = 0.
                                     dx
Exemplo 1.27            1. Determine a solucao da equacao diferencial
                                           ¸˜         ¸˜

                                          y′ + 3y = 0

             ¸˜
       Resolucao:      y = ce−3x ,    c∈R


   2. Determine a solucao da equacao diferencial
                      ¸˜         ¸˜

                               y′ − 2xy = 0,             y(1) = 1.
38                                                         ´
                                                        CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

            ¸˜
      Resolucao:

                                   dy
                                        = −2 xdx +C
                                     y
                                 ln |y| = −x2 +C
                                                        2
                                        y = ce−x .

                             ¸˜
      Calculemos agora a solucao particular:

                              1 = y(1) = ce−1            ⇒         c = e,

                                                    2
      donde se conclui que y = e1−x .


A solucao (1.38) pode ser escrita na forma:
      ¸˜

                                         a(x)dx
                                    ye            = c.                                             (1.39)

Se diferenciarmos a equacao (1.39), obtemos:
                        ¸˜

                              y′ + a(x)y e        a(x)dx
                                                            = 0.                                   (1.40)

Repare que o que n´ s fizemos foi multiplicar a equacao (1.36) por o factor e
                  o                                ¸˜                                              a(x)dx ,

a que chamamos factor integrante da equacao (1.37).
                                        ¸˜

Vamos agora tentar aplicar esta mesma t´ cnica ao caso n˜ o homog´ neo (1.36). Mul-
                                       e                a        e
tiplicamos ambos os membros da equacao diferencial pelo factor integrante:
                                   ¸˜

                        y′ + a(x)y e     a(x)dx
                                                  = g(x)e      a(x)dx
                                                                           .                       (1.41)

Como o lado esquerdo da equacao (1.41) e a derivada de ye
                            ¸˜         ´                                       a(x)dx ,   temos:

                          d         a(x)dx                   a(x)dx
                             ye              = g(x)e                  .                            (1.42)
                          dx

Integrando a equacao (1.42), vem:
                 ¸˜

                      d        a(x)dx                         a(x)dx
                         ye              dx =      g(x)e                  dx + c                   (1.43)
                      dx
1.6. ED LINEARES                                                                                   39

ou ainda
                                 a(x)dx                      a(x)dx
                            ye            =        g(x)e              dx + c                    (1.44)

e temos ent˜ o a solucao:
           a         ¸˜

                      y=           g(x)e      a(x)dx
                                                        dx +C e−         a(x)dx
                                                                                  .             (1.45)

Nota 3 A express˜ o (1.45) fornece a solucao geral para uma equacao diferencial
                a                        ¸˜                     ¸˜
linear de ordem–1. No entanto, e usualmente prefer´vel deduzir todo o processo em
                               ´                  ı
vez do que aplicar directamente esta express˜ o.
                                            a

Exemplo 1.28 Determine a solucao do seguinte problema de valor inicial:
                             ¸˜

                                 y′ = y + x2 ,               y(0) = 1                           (1.46)

      ¸˜
Resolucao:

                             y′ = y + x2 ⇔ y′ − y = x2 .

Sabendo que a(x) = −1, calculemos o factor integrante:

                                      e−      dx
                                                   = e−x .




Observacao 6 De facto o factor integrante e e−
       ¸˜                                 ´                           dx+c   = e−x+c = e−x ec = ce−x .
No que se segue, verificamos que ao multiplicar toda a equacao pelo factor inte-
                                                          ¸˜
grante, a constante se auto cancela. Logo, a constante de integracao do c´ lculo do
                                                                 ¸˜      a
factor integrante pode ser esquecida.

                          ¸˜
Multiplicamos agora a equacao pelo factor integrante:

                                   y′ − y e−x = x2 e−x
                                                    ′
                                          ye−x          = x2 e−x .
40                                                    ´
                                                   CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

                                   ¸˜
Integrando ambos os membros da equacao, temos:

                            ye−x =        x2 e−x dx + c

                            ye−x = c − x2 + 2x + 2 e−x

                                y = cex − x2 + 2x + 2 .

Finalmente, considerando x = 0, tem-se:

                             1 = y(0) = c − 2 ⇒ c = 3,

donde
                                y = 3ex − x2 + 2x + 2 .




Exerc´cio 5 Determine a solucao do PVI:
     ı                      ¸˜

                                    y′ − 2xy = 1

                                         y(0) = 1.

                                     2
Observacao 7 O integral de e−x n˜ o e exprim´vel como uma funcao elementar.
       ¸˜                       a ´         ı                ¸˜
A solucao ter´ ent˜ o de ser deixada na sua forma integral.
      ¸˜     a a
                              2    x    2
No entanto, a funcao f (x) = √
                 ¸˜                  e−z dz tem sido muito estudada e por tal raz˜ o
                                                                                 a
                               π 0
pode ser entendida como uma funcao bem conhecida, o que faz com que do ponto
                                 ¸˜
de vista computacional uma solucao deste tipo seja perfeitamente aceit´ vel.
                               ¸˜                                     a

       ¸˜
Observacao 8 Relembremos que

                         dy                    dy a2 (x)    g(x)
                a1 (x)      + a2 (x)x = g(x) ⇔   +       y=        .
                         dx                    dx a1 (x)    a1 (x)

Especial atencao deve ser dedicada a esta divis˜ o sempre que a1 (x) = constante.
             ¸˜                                a
Pois pode acontecer que ∃x : a1 (x) = 0 e estes pontos traduzir-se-˜ o em pontos de
                                                                   a
poss´veis descontinuidades ... o que se traduz em problemas!
    ı
1.6. ED LINEARES                                                                 41

                                                 dx
Exemplo 1.29 Calcule a solucao de t
                           ¸˜                       + x = 2t.
                                                 dt
      ¸˜
Resolucao:                          ¸˜
                Para resolver a equacao, comecamos por pˆ-la na
                                             ¸          o
sua forma standard:
                                    dx   1
                                       +   x=2
                                    dt   t
                                           t=0
Com t = 0, consideramos por exemplo o dom´nio de continuidade
                                         ı
(0, +∞).
                                                         dx
Calculemos o factor integrante:                        e t = eln |t| = |t|.


       ¸˜
Observacao 9 Podemos considerar o factor integrante como t e negligenciar o
valor absoluto, pois, a semelhanca do que acontece com as constantes, o sinal
                      `         ¸
menos cancela ao multiplicar ambos os membros da equacao pelo factor integrante.
                                                     ¸˜

                     ¸˜
Multipliquemos a equacao diferencial pelo factor integrante:
                                   dx    1
                               t      +t   x = 2t ⇔
                                   dt    t
                                          t=0
                          ⇔        tx = 2tdt + c        ⇔

                          ⇔         tx = t 2 dt + c     ⇔
                                                 c
                          ⇔         x(t) = t + ,        c∈R
                                                 t



Nota 4 Consideremos o PVI:
                                      dy     1
                                         =                                    (1.47)
                                      dx   x + y2
                                   y(−2) = 0

Esta equacao e n˜ o linear!!
         ¸˜ ´ a

Tentemos o seu rec´proco:
                  ı
                                      dx
                                         − x = y2                             (1.48)
                                      dy
42                                                 ´
                                                CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

e linear! Podemos ent˜ o agora resolver esta equacao.
´                    a                           ¸˜

Exerc´cio 6 Prove que a solucao do PVI (1.48) e x(y) = y2 − 2y − 2 + ce−y ,
     ı                      ¸˜                ´
c ∈ R.

Exemplo 1.30 Consideremos o seguinte PVI
                                  dy
                                     + y = g(x)                      (1.49)
                                  dx
                                    y(0) = 0
           
            1, 0 ≤ x ≤ 1
com g(x) =                .
            0, x > 1

      ¸˜
Resolucao:      Neste caso resolvemos o problema para cada um
dos ramos da func˜o:
                ¸a

                             dy                   dy
                                +y = 1     ou        +y = 0
                             dx                   dx
                 ex y(x) =     ex dx + c          ex y(x) = 0 + c

                      ex y(x) = ex + c            y(x) = ce−x

                      y(x) = 1 + ce−x

                     y(0) = 0 = 1 + c

                                c = −1

                       y(x) = 1 − e−x

                  ¸˜
Repare que a condicao inicial s´ diz respeito a um dos ramos
                               o
da funcao g(x)!
      ¸˜

Temos ent˜o:
         a

                                
                                 1 − e−x , 0 ≤ x ≤ 1
                         y(x) =
                                 ce−x ,    x > 1.

           a                ¸˜
Seria desej´vel ter uma solucao cont´nua.
                                    ı
1.6. ED LINEARES                                                                  43

Facamos ent˜o um esforco nesse sentido:
  ¸        a          ¸




                                            e−1          e−1
     lim ce−x = 1 − e−x   x=1
                              = 1 − e−1 =       ⇒ ce−1 =     ⇔ c = e − 1.
    x→1+                                     e            e


Temos ent˜o:
         a


                                
                                 1 − e−x ,    0≤x≤1
                         y(x) =
                                 (e − 1)e−x , x > 1.



    ¸˜               ¸˜ ´
Atencao que esta solucao e cont´nua, mas n˜o diferenci´vel!
                               ı          a           a
Temos que ter uma solucao y(x) cont´nua e diferenci´vel.
                      ¸˜           ı               a

∴   y(x) n˜o ´ soluc˜o em R, mas s´ em R+ .
          a e      ¸a             o



Nota 5 Se a equacao diferencial e linear, ent˜ o a sua fam´lia de parˆ metros coin-
                ¸˜              ´            a            ı          a
cide com a sua solucao geral.
                   ¸˜

Nota 6 No caso particular das equacoes diferenciais lineares de ordem–1 o Teo-
                                  ¸˜
rema da existˆ ncia e unicidade de solucao enuncia-se da seguinte forma:
             e                         ¸˜

Teorema 5 Consideremos o PVI

                                dy
                                   + a(x)y = g(x)
                                dx
                                     y(x0 ) = y0 .


Se a(x) e g(x) s˜ o funcoes cont´nuas na regi˜ o R ent˜ o existe solucao unica para o
                a      ¸˜       ı            a        a              ¸˜ ´
PVI na vizinhanca do ponto (x0 , y0 ).
               ¸
44                                                  ´
                                                 CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

        ¸˜    ˜
1.7 Equacoes nao lineares

Consideremos o PVI

                                   dy
                                        = f (x, y)
                                   dx
                                 y(x0 ) = y0 .

Se f (x, y) e n˜ o linear as coisas complicam-se, pois n˜ o existe um m´ todo geral de
            ´ a                                         a              e
resolucao para estas equacoes. A determinacao de uma solucao para as equacoes
      ¸˜                 ¸˜               ¸˜             ¸˜              ¸˜
diferenciais n˜ o lineares e muito dif´cil, se n˜ o mesmo imposs´vel.
              a            ´          ı         a               ı

Neste contexto, tomam especial relevˆ ncia os m´ todos num´ ricos para o c´ lculo de
                                    a          e          e               a
uma solucao aproximada (ou num´ rica) ou o estudo qualitativo da solucao de uma
        ¸˜                    e                                      ¸˜
equacao diferencial.
    ¸˜

No entanto, existem algumas classes de equacoes diferenciais para as quais e poss´vel
                                           ¸˜                              ´     ı
obter representacoes impl´citas da solucao, e utilizando ferramentas elementares de
                ¸˜       ı             ¸˜
c´ lculo. Algumas destas classes de equacoes diferenciais de ordem–1, bem como
 a                                      ¸˜
os respectivos m´ todos de resolucao, s˜ o apresentadas at´ ao final deste cap´tulo.
                e                ¸˜ a                     e                  ı

Nota 7 Para o caso das equacoes diferenciais lineares, a fam´lia de solucoes con-
                           ¸˜                               ı           ¸˜
t´ m todas as solucoes poss´veis da equacao diferencial, i.e. a fam´lia de solucoes
 e                ¸˜       ı            ¸˜                         ı           ¸˜
coincide com a solucao geral. Para as equacoes n˜ o lineares, podem existir ainda
                   ¸˜                     ¸˜    a
solucoes para al´ m das representadas na fam´lia de solucoes, ou seja podem existir
    ¸˜          e                           ı           ¸˜
solucoes singulares. Temos ent˜ o de ter muito cuidado ao usar o termo “solucao
    ¸˜                        a                                             ¸˜
geral” no contexto das equacoes n˜ o lineares.
                           ¸˜    a




        ¸˜
1.8 Equacao de Bernoulli

Algumas equacoes n˜ o lineares de ordem–1 s˜ o reduz´veis a uma equacao linear
            ¸˜    a                        a        ı               ¸˜
atrav´ s de uma mudanca de vari´ vel conveniente. Um exemplo de tais equacoes e a
     e               ¸         a                                         ¸˜ ´
¸˜
1.8. EQUACAO DE BERNOULLI                                                       45

    ¸˜
equacao de Bernoulli:
                                  dy
                                     + a(x)y = g(x)yn .                     (1.50)
                                  dx
com n = 0, 1. Pois com n = 0, 1 esta equacao e a uma equacao linear.
                                         ¸˜ ´            ¸˜

Efectuando a mudanca de vari´ vel z = y1−n , temos z′ = (1 − n)y−n y′ . Posto isto,
                  ¸         a
multiplicamos (1.50) por (1 − n)y−n:
                                dy
                  (1 − n)y−n       + (1 − n)a(x)y1−n = (1 − n)g(x),         (1.51)
                                dx
ou na nova vari´ vel
               a
                         dz
                            + (1 − n)a(x)z = (1 − n)g(x).                   (1.52)
                         dx
A equacao (1.52) e linear e pode ser resolvida com o m´ todo apresentado anterior-
      ¸˜         ´                                    e
mente.

Exemplo 1.31 Resolva a equacao diferencial
                           ¸˜
                                   dy y   5
                                     − = − x2 y3 .
                                   dx x   2
      ¸˜
Resolucao:      Consideramos a mudanca de vari´vel z = y−2 e ent˜o
                                    ¸         a                 a
z′ = −2y−3 y′ . Multiplicamos a equacao diferencial por z′ e obtemos:
                                    ¸˜
                                            2
                                −2y−3 y′ + y−2 = 5x2
                                            x
                                              2
                                         z′ + z = 5x2 .
                                              x
         a          ¸˜
Temos ent˜o uma equacao linear.                         Calculemos o factor integrante:
                                 dx
                            2                           2
                            e    x = e2 ln |x| = eln |x| = x2 .

                          ¸˜
Multiplicamos agora a equacao diferencial linear pelo factor
integrante:

                                    x2 z′ + 2xz = 5x4             ⇔

                        ⇔             (x2 z)′ = 5x4               ⇒

                        ⇒ x2 z = 5 x4 dx + c = x5 + c ⇔

                        ⇔            z = x3 + cx−2
46                                                ´
                                               CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

Voltando ` vari´vel original:
         a     a

                                 y−2 = x3 + cx−2            ⇔
                                              −1/2
                        ⇔ y = ± x3 + cx−2            (!)
                                                             1                      1
ou seja, podemos escolher entre y = √                                  e y = −√
                                                           x3 + cx−2              x3 + cx−2
com c ∈ R.


Nota 8 Um procedimento similar pode ser usado para resolver
                             dy
                                + a(x)y = g(x)y ln y.                             (1.53)
                             dx
                                                                         y′
efectuemos neste caso a mudanca de vari´ vel z = ln y, e ent˜ o z′ =
                             ¸         a                    a               . Dividimos
                                                                         y
(1.54) por y e temos:
                              dz
                                 + a(x) = g(x)z.                                  (1.54)
                              dx
que e uma equacao de Bernoulli.
    ´         ¸˜



        ¸˜
1.9 Equacao de Riccati

Consideremos uma equacao diferencial do tipo:
                     ¸˜
                            dy
                               = c(x) + b(x)y + a(x)y2                            (1.55)
                            dx
                   ¸˜
a que chamamos equacao diferencial de Riccati. Se y p e solucao particular da
                                                      ´     ¸˜
equacao diferencial de Riccati supostamente conhecida, ent˜ o a fam´lia de solucoes
    ¸˜                                                    a        ı           ¸˜
desta equacao diferencial e dada por
          ¸˜              ´

                                  y = y p + u(x),

onde u e solucao da seguinte equacao diferencial e Bernoulli:
       ´     ¸˜                  ¸˜
                     du
                        − (b(x) + 2y p a(x)) u(x) = a(x)u(x)2
                     dx
                     du
                  u−2 − (b(x) + 2y p a(x)) u−1 = a(x)
                     dx
                                              w
¸ ˜      ´
1.10. EQUACOES OMOGENEAS                                                                  47

                                                    dw       du
Efectuemos a mudanca de vari´ vel w = u−1 ⇒
                  ¸         a                          = −u−2 , ou seja:
                                                    dx       dx
                          dw
                             (b(x) + 2y p a(x)) w = −a(x).
                          dx



Nota 9 Por vezes a solucao da equacao diferencial de Riccati n˜ o pode ser ex-
                       ¸˜         ¸˜                          a
pressa em termos de funcoes elementares, como pode ser visto no exerc´cio seguinte.
                       ¸˜                                            ı
                                                                      dy
Exerc´cio 7 Determine a solucao da equacao diferencial
     ı                      ¸˜         ¸˜                                = 2 + −2xy + y2 ,
                                                                      dx
com y p = 2x.




         ¸˜       ´
1.10 Equacoes omogeneas

Definicao 9 Uma funcao diz-se funcao homog´ nea de grau n se f (α x, α y) =
     ¸˜           ¸˜            ¸˜       e
α n f (x, y),   α ∈ R.

Exemplo 1.32 Consideremos os seguintes exemplos:
                    √
   1. f (x, y) = x − xy + 5y.
                                                                  √
             ¸˜
       Resolucao:        f (α x, α y) = α x−   α 2 xy+5α y = α x − xy + 5y = α f (x, y)
       ∴ f ´ func˜o homog´nea de grau 1.
           e    ¸a       e


   2. f (x, y) =    x3 + y3 .

             ¸˜
       Resolucao:        f (α x, α y) =   α 3 (x3 + y3 ) = α 3/2    x3 + y3 = α 3/2 f (x, y).
       ∴ f ´ funcao homog´nea de grau 3/2.
           e    ¸˜       e


   3. f (x, y) = x2 + y2 + 1.

             ¸˜
       Resolucao:        f (α x, α y) = (α x)2 +(α y)2 +1 = α 3/2     x3 + y3 = α 3/2 f (x, y).
       ∴ f n˜o ´ func˜o homog´nea.
            a e     ¸a       e
48                                                       ´
                                                      CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

                      x
     4. f (x, y) =      + 4.
                     2y
                            αx            x
              ¸˜
        Resolucao:           f (α x, α y) =
                                 +4 = α 0    + 4 . ∴ f ´ func˜o ho-
                                                       e    ¸a
                            2α y          2y
        mog´nea de grau zero.
           e


Nota 10 A menos que a funcao seja homog´ nea de grau zero, soma de uma cons-
                         ¸˜            e
tante destr´ i a homogeneidade.
           o

Por vezes analisa-se a homogeneidade de uma funcao atrav´ s da an´ lise do grau
                                               ¸˜       e        a
dos seus termos. I.e., se todos os termos da funcao tˆ m igual grau, ent˜ o a funcao e
                                                ¸˜ e                    a        ¸˜ ´
homog´ nea. Vejamos:
     e

     1. f (x, y) = 6xy3 − x2 y2 .

        Dado que ambos os termos tˆ m grau 4, ent˜ o a funcao e homog´ nea de grau
                                  e              a        ¸˜ ´       e
        4.

     2. f (x, y) = x2 − y.

        Dado que o primeiro termo tem grau 2 e o segundo grau 1, ent˜ o a funcao n˜ o
                                                                    a        ¸˜ a
        e homog´ nea.
        ´      e

     3. f (x, y) = x2 + 3xy + y2 .

        Dado que todos os termos tˆ m grau 2 , ent˜ o a funcao e homog´ nea de grau
                                  e               a        ¸˜ ´       e
        2.

Nota 11 Se f (x, y) e uma funcao homog´ nea de grau n, podemos escrever:
                    ´        ¸˜       e

                                           y                         x
                        f (x, y) = xn f (1, )   e   f (x, y) = yn f ( , 1).
                                           x                         y

     ¸˜          ¸˜                   ´
Definicao 10 (Equacao diferencial homogenea) Consideremos a
seguinte equacao diferencial
             ¸˜


                                    M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0,                 (1.56)
¸ ˜      ´
1.10. EQUACOES OMOGENEAS                                                           49

se

                             M(α x, α y) = α n M(x, y)

                             N(α x, α y) = α n N(x, y),

i.e., a equacao tem coeficientes homog´ neos do mesmo grau, ent˜ o e homog´ nea.
            ¸˜                       e                        a ´        e

Uma equacao diferencial homog´ nea pode sempre ser reduzida a uma equacao di-
        ¸˜                   e                                        ¸˜
ferencial de vari´ veis separ´ veis, utilizando uma das seguintes substituicoes:
                 a           a                                             ¸˜

                                y = ux   ou    x = vy

                      dy = udx + xdu           dx = vdy + ydv.

Por exemplo, se M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 ent˜ o significa que M(x, y) e N(x, y) s˜ o
                                             a                                   a
funcoes homog´ neas de igual grau n, podendo ent˜ o escrever-se como:
   ¸˜        e                                  a
                                                    
                                              y 
                           M(x, y) = xn M 1,
                                          
                                                
                                              x
                                                     u
                                                        
                                               y 
                            N(x, y) = xn N 1,
                                           
                                                 
                                               x
                                                    u

Ent˜ o temos:
   a

                             M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0            ⇔

                ⇔         xn M(1, u)dx + xn N(1, u)dy = 0         ⇔

                ⇔            M(1, u)dx + N(1, u)dy = 0            ⇔

                ⇔       M(1, u)dx + N(1, u)(udx + xdu) = 0        ⇔

                ⇔ (M(1, u) + uN(1, u))dx + xN(1, u)du = 0 ⇔
                         dx          N(1, u)du
                ⇔           =−
                         x      M(1, u) + uN(1, u)
Acab´ mos de separar as vari´ veis.
    a                       a

Exerc´cio 8 Mostre a separacao de vari´ veis, usando a outra mudanca de
     ı                     ¸˜         a                           ¸
vari´ vel.
    a
50                                                    ´
                                                   CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

Sempre que M(x, y) e mais simples do que N(x, y), usamos a substituicao x = vy.
                   ´                                                ¸˜


Pode tamb´ m acontecer que uma substituicao conduza a integrais mais dif´ceis de
         e                              ¸˜                              ı
resolver. Neste caso, tentamos a outra substituicao que pode eventualmente condu-
                                                ¸˜
zir a c´ lculos mais simples.
       a


Exemplo 1.33 Determine a solucao da equacao diferencial
                             ¸˜         ¸˜



                            y2 + x2 dx + x2 − xy dy = 0.
                                M(x,y)        N(x,y)




      ¸˜
Resolucao:       Como vemos M(x, y) e N(x, y) tˆm igual grau, logo
                                               e
s˜o func˜es homog´neas de igual grau.
 a     ¸o        e                                             Estamos ent˜o em face
                                                                          a
         ¸˜
duma equacao diferencial homog´nea.
                              e                              Neste exemplo tanto
                                       ¸˜
faz optarmos por uma ou outra substituicao.


Facamos ent˜o y = ux ⇒ dy = udx + xdu.
  ¸        a


                     ¸         a           ¸˜
Efectuemos esta mudanca de vari´vel na equacao diferencial
e obtemos:



                      (1 + u2 ) + (1 − u)u dx + (1 − u)xdu = 0 ⇔

                ⇔               (1 + u)dx + (u − 1)xdu = 0        ⇔
                                      dx (u − 1)
                ⇔                        =         du
                                      x    (1 + u)



         a          ¸˜
Temos ent˜o uma equacao diferencial de vari´veis sepa- r´veis.
                                           a            a
¸ ˜
1.11. EQUACOES DIFERENCIAIS EXACTAS                                          51

Vamos ent˜o resolvˆ-la:
         a        e

                              dx        (u − 1)
                                 =              du + c     ⇔
                              x         (1 + u)
                                        (u − 1)
                      ⇔     ln |x| =            du + c     ⇔
                                        (1 + u)
                                                 du
                      ⇔   ln |x| = du − 2            +c    ⇔
                                               1+u
                      ⇔    ln |x| = u − 2 ln |u + 1| + c   ⇔
                                    |x|
                      ⇔     ln              = ln c + u     ⇔
                               |(u + 1)−2|
                      ⇔      ln |x|(u + 1)2 = ln c + u     ⇔

                      ⇔        |x|(u + 1)2 = ec+u          ⇒

                      ⇒         x(u + 1)2 = ceu            ⇔
                                 y      2
                      ⇔       x + 1 = cey/x                ⇔
                                 x
                      ⇔        (y + 1)2 = cxey/x




         ¸˜
1.11 Equacoes diferenciais exactas

Comecemos por relembrar o seguinte resultado:

Se g(x, y) e uma funcao de duas vari´ veis, com derivadas parciais de primeira
           ´        ¸˜              a
ordem cont´nuas em R, regi˜ o rectangular do plano xOy, ent˜ o o diferencial
          ı               a                                a
total dg desta funcao define-se da seguinte forma:
                  ¸˜

                                    ∂g     ∂g
                             dg =      dx + dy.
                                    ∂x     ∂y
                   ∂g     ∂g
Se g(x, y) = c ⇒      dx + dy = 0.
                   ∂x     ∂y
52                                                  ´
                                                 CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

Dito de outra forma, dada uma fam´lia de curvas g(x, y) = c, podemos obter uma
                                 ı
equacao diferencial calculando o seu diferencial.
    ¸˜

Exemplo 1.34 Sendo g(x, y) = x2 y3 + e4x sin y, calcule o seu diferencial total
dg.

      ¸˜
Resolucao:

               ∂g
                  = 2xy3 + 4e4x sin y
               ∂x
               ∂g
                  = 3x2 y2 + e4x cos y
               ∂y
               dg = 2xy3 + 4e4x sin y dx + 3x2 y2 + e4x cos y dy.




O problema inverso e, no entanto, mais interessante:
                   ´

Dada uma equacao diferencial exacta, determinar g(x, y) = c, cujo diferencial total
             ¸˜
coincide com a equacao diferencial.
                   ¸˜

Por exemplo, d x2 y3 + e4x sin y = 0 ⇒ x2 y3 + e4x sin y = c.

Mas como saber se uma equacao diferencial e exacta?
                          ¸˜              ´

     ¸˜
Definicao 11 A express˜ o M(x, y)dx + N(x, y)dy diz-se exacta na regi˜ o R se
                     a                                              a
corresponder ao diferencial de alguma funcao g(x, y).
                                         ¸˜

Uma equacao diferencial de ordem–1
        ¸˜


                               M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0


diz-se exacta se a express˜ o do membro esquerdo for o diferencial total de alguma
                          a
funcao.
   ¸˜

Seria agrad´ vel dispˆ r de um crit´ rio ...
           a         o             e
¸ ˜
1.11. EQUACOES DIFERENCIAIS EXACTAS                                              53

               ´           ¸˜
Teorema 6 (Criterio da equacao diferencial exacta) Nas condicoes
                                                            ¸˜
de definicao do diferencial total, uma condicao necess´ ria e suficiente para que
        ¸˜                                 ¸˜        a
                                        ∂M ∂N
M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 seja exacta e
                                      ´    =
                                        ∂y    ∂x
Dem.
 Consideremos a regi˜ o
                    a       R: a<x<b            ∂M ∂M ∂N ∂N
                                            e     ,  ,  e   cont´nuas em R.
                                                                ı
                                c<y<d           ∂x ∂y ∂x ∂y

Queremos provar:

                                                       ∂M ∂N
                   M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0     ⇔        =
                                                       ∂y   ∂x

                                                                       ∂M ∂N
Condicao necess´ ria: M(x, y)dx + N(x, y)dy e diferencial exacta ⇒
     ¸˜        a                            ´                             =
                                                                       ∂y   ∂x
Se M(x, y)dx + N(x, y)dy e diferencial exacta ent˜ o existe g(x, y) tal que
                         ´                       a

                                                 ∂g     ∂g
                      M(x, y)dx + N(x, y)dy =       dx + dy,
                                                 ∂x     ∂y

 M(x, y) = ∂ g


            ∂x              ∂M   ∂ ∂g   ∂ ∂g ∂N
                        ⇒      =      =      =    ,
 N(x, y) = ∂ g
                           ∂y   ∂y ∂x ∂x ∂y   ∂x
            ∂y
dado que as derivadas parciais de primeira ordem s˜ o cont´nuas.
                                                  a       ı
                      ∂M ∂N
Condicao suficiente:
       ¸˜                  =    ⇒ M(x, y)dx + N(x, y)dy e diferencial exacta, ou
                                                        ´
                       ∂y    ∂x
            M(x, y) = ∂ g
           
           
seja ∃ g :             ∂x          Temos que construir g !!!
            N(x, y) = ∂ g
           
                       ∂y
A construcao de g fornece um m´ todo de resolucao da equacao diferencial.
         ¸˜                   e               ¸˜         ¸˜


 ´              ¸˜
Metodo de Resolucao:          Seja M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0.

Se

     ∂M ∂N                     ∂g
        =    ⇒ ∃ g : M(x, y) =    ⇒ g(x, y) =           M(x, y)dx + h(y),     (1.57)
     ∂y   ∂x                   ∂x
54                                                     ´
                                                    CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

onde h(y) e a constante de integracao. Mais ainda:
          ´                       ¸˜
                     ∂g   ∂
                        =           M(x, y)dx + h(y) = N(x, y)
                     ∂y ∂y
ou seja
                                               ∂
                         h′ (y) = N(x, y) −         M(x, y)dx.                 (1.58)
                                               ∂y
Temos que integrar h′ (y) em ordem a y e substituir em (1.57).

Acab´ mos de construir g, e como tal existe.
    a


Nota 12 A express˜ o (1.58) e independente de x. Vejamos:
                 a          ´
                ∂            ∂                         ∂N ∂M
                   N(x, y) −          M(x, y)dx =         −    = 0,
                ∂x           ∂y                        ∂x   ∂y
pois por hip´ tese e diferencial exacta. Assim se vˆ ser esta uma express˜ o constante
            o      ´                               e                     a
em x.

Nota 13 O m´ todo tamb´ m funciona se fizermos:
           e          e
                                  ∂g
                ∃ g : N(x, y) =      ⇒ g(x, y) =     N(x, y)dy + h(x),
                                  ∂y

onde h(x) e a constante de integracao. Mais ainda:
          ´                       ¸˜
                     ∂g   ∂
                        =           N(x, y)dy + h(x) = M(x, y)
                     ∂x ∂x
ou seja
                                          ∂
                     h′ (x) = M(x, y) −         N(x, y)dy        ···
                                          ∂x
Nota 14 A solucao da equacao diferencial exacta escreve-se sempre na forma
              ¸˜         ¸˜
g(x, y) = c.

Exemplo 1.35 Resolva a seguinte equacao:
                                    ¸˜

                     (1 − sin x tan y) dx + cos x sec2 y dy = 0.               (1.59)

      ¸˜
Resolucao:       Seja M(x, y) = 1 − sin x tan y e N(x, y) = cos x sec2 y, temos:
                             ∂M                    ∂N
                                = − sin x sec2 y =    ,
                             ∂y                    ∂n
¸ ˜
1.11. EQUACOES DIFERENCIAIS EXACTAS                                                     55

ou seja, a equacao diferencial ´ exacta.
               ¸˜              e                                  Temos ent˜o
                                                                           a
que determinar g(x, y) que satisfaca este diferencial to-
                                     ¸
           ∂g             ∂g                   ∂g
tal, i.e.     = M(x, y) e    = N(x, y). Mas se    = M(x, y) ent˜o
                                                               a
           ∂x             ∂y                   ∂x

  g(x, y) =   Mdx + h(y) =      (1 − sin x tan y) dx + h(y) = x + cos x tan y + h(y).

Facamos agora:
  ¸

   ∂g   ∂
      =   (x + cos x tan y + h(y)) = cos x sec2 y + h′ (y) = N(x, y) = cos x sec2 y
   ∂y ∂y

donde h′ (y) = 0 ⇒ h(y) = c, c ´ uma constante.
                               e                                 Temos ent˜o:
                                                                          a

                                 x + cos x tan y = c.




1.11.1          ¸˜             ¸˜                          ´
           Obtencao de uma equacao diferencial exacta atraves
                        ¸˜
           da multiplicacao de um factor integrante

As equacoes diferenciais s˜ o raras. Mas atrav´ s de uma transformacao simples,
       ¸˜                 a                   e                    ¸˜
nomeadamente a multiplicacao por um factor integrante, e poss´vel transformar uma
                         ¸˜                            ´     ı
equacao diferencial numa equacao diferencial exacta.
    ¸˜                       ¸˜

Exemplo 1.36 Consideremos por exemplo

                               (3x + 2y)dx + xdy = 0

que e n˜ o exacta. Mas se a multiplicarmos por x, obtemos:
    ´ a

                             (3x2 + 2xy)dx + x2 dy = 0

que e uma equacao exacta.
    ´         ¸˜
56                                                   ´
                                                  CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

P˜ e-se ent˜ o a seguinte quest˜ o:
 o         a                   a

Se a equacao
         ¸˜
                                M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0                      (1.60)

e n˜ o exacta, em que condicoes existe um factor integrante µ (x, y) tal que
´ a                        ¸˜

                            µ M(x, y)dx + µ N(x, y)dy = 0

e exacta?
´

Surpreendentemente, a resposta e sempre que a equacao (1.60) tem uma solucao do
                               ´                  ¸˜                     ¸˜
tipo g(x, y) = c. De forma a melhor vermos que isto e verdade, resolvemos (1.60)
                                                    ´
              dy
em ordem a . Pela regra da cadeia, temos:
              dx
                       ∂g     ∂g
                dg =      dx + dy = µ M(x, y)dx + µ N(x, y)dy = 0
                       ∂x     ∂y
donde
                                 dy   M   ∂ g/∂ x
                                    =− =−         ,
                                 dx   N   ∂ g/∂ y
e temos:
                                ∂ g/∂ x ∂ g/∂ y
                                       =        = µ (x, y)
                                   M       N
e ent˜ o
     a
                          ∂g                     ∂g
                             µ (x, y)M     ou       µ (x, y)N,                 (1.61)
                          ∂x                     ∂y
e a equacao diferencial (1.60) tem pelo menos um factor integrante µ .
        ¸˜

A determinacao de factores integrantes n˜ o e em geral uma tarefa muito dif´cil.
           ¸˜                           a ´                                ı
Apresentamos de seguida um procedimento que muitas vezes e bem sucedido. Ve-
                                                         ´
jamos:

A equacao (1.61) indica que µ M(x, y)dx + µ N(x, y)dy = 0 e exacta ent˜ o
      ¸˜                                                  ´           a
                      ∂M    ∂ µ ∂ µM ∂ µN    ∂N    ∂µ
                  µ      +M    =    =     =µ    +N
                      ∂y    ∂y   ∂y   ∂x     ∂x    ∂x
ou seja
                                ∂M    ∂µ    ∂N    ∂µ
                            µ      +M    =µ    +N
                                ∂y    ∂y    ∂x    ∂x
¸ ˜
1.11. EQUACOES DIFERENCIAIS EXACTAS                                                 57

e ent˜ o
     a
                               ∂M    ∂N    ∂µ    ∂µ
                           µ      −µ    =N    −M
                               ∂y    ∂x    ∂x    ∂y
o que e equivalente a
      ´

                          ∂M ∂N     1              ∂µ    ∂µ
                             −    =            N      −M                         (1.62)
                          ∂y   ∂x   µ              ∂x    ∂y

Se o factor integrante depender somente de uma vari´ vel, por exemplo do x, a
                                                   a
equacao (1.62) fica:
    ¸˜

                        ∂ M/∂ y − ∂ N/∂ x   1 ∂µ
                                          =      = k(x, y).
                                N           µ ∂x

Como o lado esquerdo da equacao consiste de funcoes em x, k(x, y) deve ser tamb´ m
                            ¸˜                 ¸˜                              e
uma funcao s´ em x. Se este for o caso, ent˜ o (1.62) e uma equacao diferenci´ vel
       ¸˜ o                                a          ´         ¸˜           a
separ´ vel e determina-se ent˜ o o factor integrante:
     a                       a

                                   µ (x) = e   k(x)dx
                                                        .

O mesmo acontece se µ for somente funcao de y.
                                     ¸˜

Exemplo 1.37 Resolva a equacao 3x2 − y2 dy − 2xydx = 0.
                           ¸˜

      ¸˜
Resolucao:       Seja M = −2xy e N = 3x2 − y2 , ent˜o
                                                   a

                           ∂M                          ∂N
                              = −2x        e              = 6x.
                           ∂y                          ∂x

Ent˜o
   a
                                                                 −4
              ∂ M/∂ y − ∂ N/∂ x −4                                  dy
           k=                  =   ,               e        µ =e y     = y−4 .
                    −M           y

                     ¸˜
Multipliquemos a equacao diferencial pelo factor integrante:

                        3x2 − y2 y−4 dy − 2xy−3 dx = 0            ···


Ser´ que esta equacao ´ exacta?
   a              ¸˜ e                                                          ¸˜
                                                        Pode calcular a sua solucao?
58                                                      ´
                                                     CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

           ¸˜              ´
1.12 AplicacoesCircuitos electricos

Vamos considerar circuitos el´ ctricos em s´ rie com uma resistˆ ncia, um condensa-
                             e             e                   e
dor, uma inductˆ ncia e um gerador. Este tipo de circuitos e mostrado na Figura 1.9.
               a                                           ´
                                                 R


                                  E(t)               C
                                             i



                 Figura 1.9: Exemplo de um circuito el´ ctrico simples.
                                                      e

Num circuito el´ ctrico, (C-RL), constitu´do por um gerador G que, em cada instante
               e                         ı
t produz uma voltagem de E(t) volts (V) e uma corrente I(t) amp´ res (A), por uma
                                                               e
resistˆ ncia R ohms (Ω) e uma bobina que gera uma indutˆ ncia L henrys (H), tem-se
      e                                                a
que a diferenca de potencial nas extremidades da bobina e dada por:
             ¸                                          ´
                                                 dI
                                    VL (t) = L      (t)                      (1.63)
                                                 dt
e a diferenca de potencial nas extremidades da resistˆ ncia e dada por:
           ¸                                         e      ´

                                    VR (t) = R I(t).                         (1.64)

Ent˜ o, de acordo com uma das leis de Kirchhoff,
   a
     Lei da voltagem de Kirchhoff
          A soma alg´ brica das voltagens num circuito fechado e zero.
                    e                                          ´


quando for fechado o interruptor, obt´ m-se:
                                     e

                                 VL (t) +VR(t) = E(t),                       (1.65)

ou seja
                                         dI
                                     L      +R I = E                         (1.66)
                                         dt
Se o circuito el´ trico, (C-RC), for constitu´do por um gerador G que, em cada
                e                            ı
instante t produz uma voltagem de E(t) volts (V) e uma corrente I(t) amp´ res (A),
                                                                        e
¸˜              ´
1.12. APLICACOESCIRCUITOS ELECTRICOS                                               59

por uma resistˆ ncia R ohms (Ω) e um condensador (C) com capacitˆ ncia de C farads
              e                                                 a
(F) e que gera uma carga de Q(t) coulombs, tem-se que a diferenca de potencial nas
                                                               ¸
extremidades do condensador e dada por:
                            ´

                                                 Q
                                      VC (t) =     .                           (1.67)
                                                 C


                         dQ
Tendo em conta que I =       , de acordo com a lei da voltagem de Kirchhoff, quando
                          dt
for fechado o interruptor, obt´ m-se:
                               e


                               VC (t) +VR(t) = E(t),                           (1.68)


ou seja:
                                     dQ Q
                                 R      + = E(t).                              (1.69)
                                     dt  C

Exerc´cio 9
     ı               1. Suponha que num circuito el´ trico (C-RC) a resistˆ ncia e
                                                   e                      e      ´
      de 5 Ω, a capacitˆ ncia de 0.05 F e o gerador fornece uma voltagem constante
                       a
      de 60 V.

       (a) Escreva uma equacao diferencial que descreva a variacao da carga no
                           ¸˜                                  ¸˜
           circuito ao longo do tempo e resolva-a.

       (b) Se a carga inicial for Q(0) = 0 C, determine o seu valor passados 2 s.

   2. Suponha que num circuito el´ trico (C-RL) a resistˆ ncia e de 5 Ω, a indutˆ ncia
                                 e                      e      ´                a
      de 4 H e o gerador fornece uma voltagem constante de 60 V.

       (a) Escreva uma equacao diferencial que descreva a variacao da corrente
                           ¸˜                                  ¸˜
           no circuito ao longo do tempo e resolva-a.

       (b) Se a intensidade inicial for I(0) = 0 A, determine o seu valor passados
           10 s.
60                                                           ´
                                                          CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

              ¸˜
1.13 Consideracoes finais

Antes de iniciarmos propriamente o nosso estudo sobre a determinacao da solucao
                                                                 ¸˜         ¸˜
de uma ED, algumas consideracoes se imp˜ em:
                            ¸˜         o

     1. Dada uma ED, dever´ sempre comecar-se por investigar se essa ED tem ou
                          a            ¸
        n˜ o solucao. Para quˆ desperdicar tempo a determinar uma coisa que nem
         a       ¸˜          e         ¸
        sequer existe? A esta quest˜ o chama-se quest˜ o da existˆ ncia de solucao.
                                   a                 a           e             ¸˜

     2. Depois de termos a certeza que a ED tem de facto solucao a pr´ xima quest˜ o
                                                             ¸˜      o           a
        que se p˜ e e a quest˜ o da unicidade, i.e., quantas solucoes existem? Podemos
                o ´          a                                   ¸˜
        ainda perguntar quais/quantas s˜ o as condicoes adicionais que devemos impor
                                       a           ¸˜
        a ED de forma a garantir a existˆ ncia de uma solucao unica.
        `                               e                 ¸˜ ´

     3. Finalmente, tentamos determinar uma solucao da ED. Nem sempre e poss´vel
                                                ¸˜                    ´     ı
        obter uma resposta para esta quest˜ o, i.e., uma solucao anal´tica para a ED, e
                                          a                  ¸˜      ı
        muitos s˜ o os casos em que temos de recorrer ao estudo qualitativo da solucao
                a                                                                  ¸˜
        ou em que temos que contentarmos com uma solucao aproximada para o pro-
                                                     ¸˜
        blema, obtida atrav´ s de t´ cnicas num´ ricas.
                           e       e           e




1.14 Exerc´cios
          ı

     1. Classifique cada uma das seguintes equacoes diferenciais, relativamente a sua
                                              ¸˜                               `
        ordem, tipo e se e linear ou n˜ o linear.
                         ´            a
                                                                           4
                                                            d3x     dx
         (a)   (1 − x) y′′ − 4xy′ + 5y = cosx;      (b) t        −2            + x = 0;
                                                            dt 3    dt
         (c)   xx′ + 2x = 1 + t 2;                  (d) t 2 dx + (x − tx − tet ) dt = 0;
                                                        d2x
         (e)   x3 y(4) − x2 y′′ + 4xy′ − 3y = 0;    (f)        + 9x = sin x;
                                                         dt 2
                                      2
               dx              d 2x                     d2r         k
         (g)      =     1+                ;         (h)        = − 2;
               dt              dt 2                      dt  2     r
         (i)   (sint) x′′′ − (cost) x′ = 2;         (j)     1 − y2 dx + xdy = 0.
´
1.14. EXERCICIOS                                                                       61

  2. Para cada um dos seguintes problemas, verifique que a funcao indicada e
                                                             ¸˜           ´
    solucao da respectiva equacao diferencial.
        ¸˜                    ¸˜
                                      x
      (a)   2y′ + y = 0,    y = e− 2 ;
      (b)   x′ + 4x = 32, x = 8;
            dx
      (c)       − 2x = e3t , x = e3t + 10e2t ;
            dt
      (d)   y′ = 25 + y2 , y = 5 tan 5x;
            dx       x         √         2
      (e)       =      , x=     t + c1 ,t > 0, c1 > 0;
            dt       t
      (f)   2xydx + x2 + 2y dy = 0,               x2 y + y2 = c1 ;
      (g)   y = 2xy′ + y (y′ )2 ,                 1
                                      y2 = c1 x + 4 c1 ;
      (h)   x′ = 2   |x|,   x = t|t|;
                                          2   t τ2          −t 2 ;
      (i)   x′ + 2tx = 1,       x = e−t       0 e d τ + c1 e

      (j)   y′′ − 6y′ + 13y = 0, y = e3x cos 2x;
            d2x       dx
      (k)       2
                  − 4 + 4x = 0, x = e2t + te2t ;
            dt        dt
      (l)   x′′ = x, x = cosht + sinht;

      (m) x′′ + x = tant,        x = − cost ln(sect + tant);
      (n)   x′′ + (x′ )2 = 0,     x = ln |x + c1 | + c2 , x = c1 ;
      (o)   x2 y′′ − xy′ + 2y = 0, y = x cos(ln x), x > 0;
                 3          2
      (p)   t 3 d x + 2t 2 d x − t dx + x = 12t 2 , x = c t + c t lnt + 4t 2 ,t > 0.
                                                         1     2
                dt 3       dt 2    dt


  3. Verifique se a funcao por ramos indicada, e solucao da respectiva equacao
                      ¸˜                      ´     ¸˜                    ¸˜
    diferencial.            
                             −t 2 , t < 0
      (a) tx′ − 2x = 0; x =                ;
                             t 2,    t≥0
                            
                             0, t < 0
      (b) (x′ )2 = 9tx; x =              .
                             t 3, t ≥ 0



              1 + ce2x
  4. Seja y =          a fam´lia de solucoes, de um parˆ metro, da equacao diferen-
                             ı          ¸˜             a               ¸˜
              1 − ce2x
    cial y′ = y2 − 1. Por inspeccao, determine a solucao singular desta equacao.
                                 ¸˜                   ¸˜                      ¸˜
62                                                    ´
                                                   CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1
                     √                  √
     5. Sejam y1 =       4 − x2 e y2 = − 4 − x2 solucoes da equacao diferencial
                                                    ¸˜          ¸˜

                                           dy   x
                                              =− ,
                                           dx   y

        no intervalo (−2, 2). Justifique porque
                                    √
                                    4 − x2 ,   −2 < x < 0
                                y=    √
                                    − 4 − x2 , 0 ≤ x < 2


        n˜ o e solucao.
         a ´       ¸˜

     6. Determine valores de m para os quais x = emt e solucao da equacao diferencial
                                                     ´     ¸˜         ¸˜
         (a)    x′′ − 5x′ + 6x = 0; (b)   x′′ + 10x′ + 25x = 0.

     7. Determine valores de m para os quais x = t m e solucao da equacao diferencial
                                                     ´     ¸˜         ¸˜
         (a) t 2 x′′ − x = 0; (b) t 2x′′ + 6tx′ + 4x = 0.

                                                                        dy
     8. Suponha uma regi˜ o do plano–xy onde a equacao diferencial
                        a                          ¸˜                      = y(a − by),
                                                                        dx
        com a, b s˜ o constantes positivas, esteja definida.
                  a

         (a) Por inspeccao determine duas solucoes constantes da equacao.
                       ¸˜                     ¸˜                     ¸˜

         (b) Usando simplesmente a equacao diferencial, determine intervalos no
                                       ¸˜
               eixo–y para os quais a solucao y = φ (x), n˜ o constante, cresce; bem
                                          ¸˜              a
               como decresce.
                                                                                    a
         (c) Usando somente a equacao diferencial, explique porque e y =
                                  ¸˜                               ´                   um
                                                                                    2b
               ponto de inflex˜ o do gr´ fico da solucao n˜ o constante y = φ (x).
                             a        a            ¸˜ a

     9. Determine uma regi˜ o do plano–xy na qual a equacao diferencial tenha uma
                          a                             ¸˜
        solucao unica, que passe por (x0 , y0 ), nessa mesma regi˜ o.
             ¸˜ ´                                                a
               dy     2             dy √                       dy
         (a)      = y3 ;      (b)       = xy;            (c) x = y;
               dx                   dx                         dx
               dy                                             dy             y
         (d)      − y = x;    (e)    4 − y2 y′ = x2 ; (f)        = (t − 1)e t−1 ;
               dx                                             dt
               dx    3 cos x.
         (g)      =t
               dt
´
1.14. EXERCICIOS                                                                    63

 10. Determine, por inspeccao, pelo menos 2 solucoes do PVI
                         ¸˜                   ¸˜
            x′ = 3x 32              dx
                                 t = 2x
      (a)               ; (b)        dt       .
            x(0) = 0            x(0) = 0

 11. Verifique se o Teorema da existˆ ncia e unicidade garante a existˆ ncia de uma
                                    e                                e
                                              dy
     solucao unica para a equacao diferencial
         ¸˜ ´                 ¸˜                 = y2 − 9 em cada ponto dado;
                                              dx
      (a) (1,4); (b) (5,3); (c) (2,-3); (d) (-1,1).

 12. Considere-se a equacao diferencial y′ = 1 + y2 .
                        ¸˜

       (a) Determine a regi˜ o R do plano–xOy para a qual a equacao diferencial
                           a                                    ¸˜
           tenha uma solucao unica.
                         ¸˜ ´

       (b) Mostre que y = tan x satisfaz a equacao diferencial e a condicao y(0) =
                                               ¸˜                       ¸˜
           0.

       (c) Determine o maior intervalo I para o qual y = tan x e solucao do PVI.
                                                               ´     ¸˜

 13.   (a) Verifique que a equacao diferencial y′ = y2 possui uma unica solucao
                              ¸˜                                 ´         ¸˜
           que passa no ponto (x0 , y0 ).

       (b) Use um software para resolucao de equacoes diferenciais (por exemplo o
                                      ¸˜         ¸˜
           Scilab) para obter a representacao gr´ fica da solucao que passa por cada
                                          ¸˜    a            ¸˜
           um dos pontos: (0, 0), (0, 2), (1, 3), (−2, 4), (−2, −4), (0, −1.5), (1, −1).

       (c) Use os gr´ ficos obtidos em (b) de forma a conjecturar sobre o maior
                    a
           intervalo I de validade da solucao para cada um dos problemas de valor
                                          ¸˜
           inicial.

 14.   (a) Considere a equacao diferencial y′ = x/y. Determine a regi˜ o R do plano–
                           ¸˜                                        a
           xOy para a qual a equacao possui uma solucao unica que passe por
                                 ¸˜                 ¸˜ ´
           (x0 , y0 ) ∈ R.

       (b) Use um software para resolucao de equacoes (por exemplo o Scilab)
                                      ¸˜         ¸˜
           para obter a representacao gr´ fica de diferentes PVI para (x0 , y0 ) ∈ R.
                                  ¸˜    a
64                                                          ´
                                                         CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

         (c) Usando os resultados obtidos em (b), conjecture sobre a fam´lia de solucoes,
                                                                        ı           ¸˜
               de um s´ parˆ metro, da equacao diferencial.
                      o    a               ¸˜

                            ˜ ˜
 15. Esboce o campo de direcA§Aes de cada uma das seguintes EDs:
           dy                    dy
      (a)     = xy;          (b)     = 1 − xy;
           dx                    dx
            dy                   dy
      (c) x = x;             (d)     = y + x;
            dx                   dx
            dy                   dy 1
      (e) y = −x;            (f)     = ;
            dx                   dt    y
           dx                    dy
      (g)     = 0.2t 2 + x;  (h)     = xey ;
           dt                    dt
           dx            π       dy          y
      (i)     = x − cos t; (j)       = 1− ;
           dt            2       dt          x
            dy
      (l) y = x.
            dx


    ¸˜
Equacoes Diferenciais Ordin´ rias de ordem–1
                           a

    ¸˜
Equacoes diferenciais de vari´ veis separ´ veis
                             a           a

     1. Mostre que cada uma das equacoes diferenciais seguintes e de vari´ veis se-
                                    ¸˜                          ´        a
        par´ veis e resolva-as.
           a


         (a)    xe−y sin x − yy′ = 0;              (b)    y′ = y2 x3 ;
                                                                 1 + 2y2
         (c)    sec2 x dy + csc y dx = 0;          (d)    x′ =            ;
                                                                  y sin x
                dy                                        dy
         (e)       = sin x cos 2y − cos2 y ;       (f)       = xy1/2 ;
                dx                                        dx
                dy
         (g)       = y2 − 9;                       (h)    dy = 2t y2 + 4 dt;
                dx
                                                          dx   t
         (i)    (1 + x)dy − ydx = 0;               (j)       =− ;
                                                          dt   x
         (k)    xy4 dx + (y2 + 2)e−3x dy = 0;      (l)    (1 + y2 )dx + (1 + x2 )dy = 0.

     2. Determine a solucao de cada um dos seguintes problemas de valores iniciais:
                        ¸˜
               dx                       π
         (a)      = 4 x2 + 1 ,     x    4   = 1;
               dy
´
1.14. EXERCICIOS                                                              65

      (b) 1 + t 4 dy + t 1 + 4y2 dt = 0,         y (1) = 0;

      (c) (e−y + 1) sin x dx = (1 + cos x) dy,     y (0) = 0.

  3. Para cada um dos seguintes casos, determine a funcao y cujo gr´ fico contenha
                                                      ¸˜           a
     o ponto indicado:
           dy                                                     1
      (a)     − y2 = −9, P = (0, 0), Q = (0, 1), R = 3 , 1 ;
           dx
            dy
      (b) x = y2 − y, P = (1, 2), Q = (1, −1), R = 1 , 2 .          2
                                                                      1
            dx
                         dx
  4. Uma ED da forma        = f (at + bx + c), b = 0 pode sempre reduzir-se a uma
                         dt
     equacao de vari´ veis separ´ veis, atrav´ s da substituicao u = at + bx + c.
          ¸˜        a           a            e               ¸˜
            dx      1
      (a)      =        ;
            dt   t +x+1
          dy
      (b)    = (x + y + 1)2 ;
          dx
          dx 1 − t − x
      (c)    =          ;
          dt     t +x
          dx       √
      (d)    = 2 + x − 2t + 3;
          dt
          dx
      (e)    = 1 + ex−t+5 .
          dt
    ¸˜
Equacoes diferencias homog´ neas
                          e

  1. Verifique a homogeneidade das seguintes funcoes:
                                               ¸˜
                       √
      (a) f (t, x) =    t 3 + x3 ;   (b) f (t, x) = x2 + y2 + 1;
                        t
      (c) f (t, x) =      + 4;       (d) f (t, x) = 6t 3 − t 2 x2 ;
                       2x
      (e) f (t, x) = t 2 − y;        (f) f (t, x) = t 2 + 3tx + x2 ;

  2. Usando uma substituicao adequada, resolva as seguintes ED homog´ neas:
                         ¸˜                                         e

      (a) (t − x)dt + tdx = 0;

      (b) tdt + (x − 2t)dx = 0;
66                                                             ´
                                                            CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

         (c) (x2 + xt)dt − t 2dx = 0;
             dx t + 3x
         (d)    =        ;
             dt   3t + x
                         √
         (e) −xdt + (t + tx)dx = 0;
                 dx      √
         (f) t      − x = t 2 + x2 .
                 dt
     3. Resolva cada uma das seguinte ED homog´ nea, sujeitas a condicao inicial
                                              e               `      ¸˜
        indicada.
                   dx
         (a) tx2      = x3 − t 3 ,       x(1) = 2;
                   dt
                       x             x
         (b)     t + xe t dt − te t dx = 0,          x(1) = 0;

         (c) xdt + t(lnt − ln x − 1)dx = 0,             x(1) = e;
                            dt
         (d) (t 2 + 2x2 )      = tx,       x(−1) = 1.
                            dy

    ¸˜
Equacoes diferenciais lineares

     1. Determine a solucao das equacoes diferenciais seguintes:
                        ¸˜          ¸˜
               dy
         (a)      + y cot x = 2 cos x;
               dx
         (b) y′ + 3x2 y = x2 ;

         (c) xy′ + (1 + x) y = e−x sin (2x);

         (d) cos2 x sin x dy + y cos3 x − 1 dx = 0;
               dy     1 − e−2x
         (e)      +y = x       ;
               dx     e + e−x
               dr 4
         (f)     + r = θ 4;
               dθ θ
         (g) y′ = (10 − y) cosh x;
               dx
         (h)      + 2tx = x + 4t − 2.
               dt
     2. Resolva cada um dos seguintes problemas de condicoes iniciais:
                                                        ¸˜
´
1.14. EXERCICIOS                                                                     67

      (a) y′ = 2y + x e3x − e2x ,        y (0) = 2;
                    dy
      (b) (x + 1)      + y = ln x,     y (1) = 10;
                    dx
      (c) y′ + (tan x) y = cos2 x,      y (0) = −1;
                                                     
                     dy                               x, 0 ≤ x < 1
      (d) 1 + x2        + 2xy = f (x),       f (x) =                ,   y (0) = 0;
                     dx                               −x, x ≥ 1

            dT
      (e)      = k (T − 50),       T (0) = 200 (k e uma constante real).
                                                  ´
            dt

    ¸˜
Equacoes diferenciais de Bernoulli

  1. Considere a equacao diferencial de Bernoulli
                     ¸˜

                                     y′ + a (x) y = b (x) yk ,                  (1.70)

      (a) Mostre que existe uma substituicao da forma z = yl que transforma a
                                         ¸˜
            equacao (1.70), com k = 0, 1, numa equacao diferencial linear;
                ¸˜                                 ¸˜
                                              y
      (b) Resolva a equacao diferencial y′ + 3x = − 3 y4 .
                        ¸˜                          x


  2. Mostre que cada uma das equacoes diferenciais seguintes e de Bernoulli e
                                 ¸˜                          ´
     resolva-as.
                       1
      (a) 3y′ + y =       ;
                       y2
      (b) y′ + xy = xy2 ;
              3         1
      (c) y′ − y = x4 y 3 ;
              x
                              2
      (d) y′ + 2xy = 2y2 ex ;

      (e) 2y′ sint + y cost = y3 sin2 t;
                       x cos y
      (f) 2x′ ln y +     =     ;
                       y   x
      (g) ty′ + y = y2 lnt.

  3. Determine a solucao de cada um dos seguintes problemas de valores iniciais:
                     ¸˜
68                                                        ´
                                                       CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

         (a) 3y′ = (3 − 6t)y4 − y,     y (0) = 1;

         (b) xy′ + y = x2 y2 ,   y (1) = 1.


    ¸˜
Equacoes diferenciais de Riccati

     1. Considere a equacao diferencial de Riccati
                        ¸˜

                                  y′ = a (x) y2 + b (x) y + c (x)            (1.71)

        e suponha conhecida uma solucao particular y1 .
                                    ¸˜

         (a) Mostre que a substituicao y = y1 + u transforma a equacao (1.71) numa
                                   ¸˜                              ¸˜
               equacao diferencial linear;
                   ¸˜

         (b) Resolva a equacao diferencial y′ = y2 + (1 − 2x) y + x2 − x + 1 , sa-
                           ¸˜
               bendo que y = x e solucao.
                               ´     ¸˜

     2. Determine a solucao de cada uma das seguintes equacoes diferenciais de Ric-
                        ¸˜                                ¸˜
        cati, sendo dada uma das suas solucoes particulares:
                                          ¸˜

         (a) y′ − y2 + 2ex y = e2x + ex ,      y1 = ex ;

         (b) y′ + y2 − 2y sin x + sin2 x = cos x,      y1 = sin x;

         (c) e−x y′ + y2 − 2ex y = 1 − e2x ,      y1 = ex ;

         (d) xy′ − y2 + (2x + 1) y = x2 + 2x,        y1 = x.


    ¸˜
Equacoes exactas

     1. Determine se cada uma das seguintes equacoes e exacta. Resolva-a em caso
                                                ¸˜ ´
        afirmativo.

         (a) (2t − 1) dt + (3x + 7) dx = 0;

         (b) (sin x − x sint) dt + (cost + t cos x − x) dx = 0;
                    1             dx x
         (c)    2x − + cos 3t       + − 4t 3 + 3x sin 3t = 0;
                    t             dt t 2
´
1.14. EXERCICIOS                                                                     69

      (d) (t + x) (t − x) dt + t (t − 2x) dx = 0;

      (e) 3t 2 x + ex dt + t 3 + tex − 2x dx = 0;
               3            3
      (f)   1 − + x dt + 1 − + t dx = 0;
               t            x
                                       2                            2
      (g)   2x sint cost − x + 2x2 etx     dt = t − sin2 t − 4txetx     dx = 0.

  2. Determine a solucao de cada uma das seguintes equacoes diferenciais sujeitas
                     ¸˜                                ¸˜
     a respectiva condicao inicial.
     `                 ¸˜

      (a) (t + x)2 dt + 2tx + t 2 − 1 dx = 0,        x(1) = 1;

      (b) (et + x) dt + (2 + t + xex ) dx = 0,      x(0) = 1;

      (c) (4x + 2t − 5) dt + (6x + 4t − 1) dx = 0,       x(−1) = 2;
            3x2 − t 2   dx   t
      (d)                  + 4 = 0,         x(1) = 1;
               x5       dt 2x
      (e) x2 cost − 3t 2 x − 2t dt + 2x sint − t 3 + ln x dx = 0,        x(0) = e;
              1                       dx
      (f)          + cost − 2xt          = x (x + sint) ,   x(0) = 1.
            1 + x2                    dt
  3. Para cada uma das seguintes equacoes diferenciais, determine k de tal forma
                                     ¸˜
     que a ED seja exacta.

      (a) x3 + ktx4 − 2t dt + 3tx2 + 20t 2 x3 dx = 0;

      (b) 2t − x sintx + kx4 dt − 20tx3 + t sintx dx = 0;

      (c) 2tx2 + xet dt + 2t 2 x + ket − 1 dx = 0;

      (d) 6tx3 + cos x dt + kt 2x2 − t sin x dx = 0.

  4. Determine uma funcao M(t, x), de tal forma que a ED
                      ¸˜

                                                         1
                          M(t, x)dt + tetx + 2tx +         dx = 0
                                                         t

     seja exacta.
70                                                         ´
                                                        CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

     5. Determine a funcao N(t, x), de tal forma que a a ED
                       ¸˜

                               1   1        t
                              x 2 t−2 +              dt + N(t, x)dx = 0
                                          t2 + x

        seja exacta.

     6. Por vezes e poss´vel transformar uma ED n˜ o exacta numa ED exacta, atrav´ s
                  ´     ı                        a                               e
        da multiplicacao dessa equacao por um factor integrante µ (t, x). Para os se-
                     ¸˜            ¸˜
        guintes problemas, resolva a ED indicada utilizando o factor integrante suge-
        rido.

         (a) 6txdt + (4x + 9t 2 )dx = 0,        µ (t, x) = x2 ;
                                                           1
         (b) −x2 dt + (t 2 + tx)dx = 0,     µ (t, x) =           ;
                                                          t 2x
         (c) (−tx sint + 2x cost)dt + 2t costdx = 0,                 µ (t, x) = tx;

         (d) x(t + x + 1)dt + (t + 2x)dx = 0,          µ (t, x) = ex .
´
1.14. EXERCICIOS                                                             71

      ¸˜           ¸˜
Aplicacoes das equacoes diferencias de ordem—1

    Crescimento demogr´ fico
                      a

    O modelo de Malthus
    O modelo matem´ tico mais simples para descrever o crescimento populaci-
                  a
    onal de algumas esp´ cies e conhecido por modelo de crescimento populaci-
                       e      ´
    onal ou de Malthus. Este modelo assume que uma populacao cresce a uma
                                                         ¸˜
    taxa proporcional ao tamanho da populacao presente. Se P(t) representa o
                                          ¸˜
    n´ mero de indiv´duos de uma determinada esp´ cie no instante t, ent˜ o um
     u              ı                           e                       a
    esta situacao pode ser descrita pela equacao diferencial:
              ¸˜                             ¸˜
                                   dP
                                      (t) = KP(t)                         (1.72)
                                   dt
    onde K e a constante de proporcionalidade.
           ´

      1. O n´ mero inicial de bact´ rias numa cultura e 600 e aumenta para 1 800
            u                     e                   ´
         em duas horas. A taxa de variacao do n´ mero de bact´ rias e directa-
                                       ¸˜      u             e      ´
         mente proporcional ao n´ mero de bact´ rias presente.
                                u             e

          (a) Determine o n´ mero de bact´ rias ao fim de 4 horas.
                           u             e

         (b) Quanto tempo demorar´ a populacao a atingir 48 600?
                                 a         ¸˜

      2. No seu anivers´ rio, o Jo˜ o recebeu um formigueiro onde o n´ mero de
                       a          a                                  u
         formigas cresce a uma taxa proporcional ao n´ mero de formigas exis-
                                                     u
         tentes em cada instante. Passadas 10 horas, o n´ mero de formigas tinha
                                                        u
         duplicado. Quanto tempo demorar´ at´ ue o n´ mero de formigas tenha
                                        a e         u
         quadriplicado?

    Modelo Log´stico ou de Verhulst
              ı
    A equacao diferencial (1.72) e apropriada a modelacao do crescimento de
          ¸˜                     ´            `       ¸˜
    uma populacao, mas s´ em condicoes ideais.
              ¸˜        o         ¸˜
    Um modelo mais realista deve ter em conta que, num determinado ambiente,
    os recursos s˜ o limitados e portanto s´ h´ capacidade para um certo n´ mero
                 a                         o a                            u
72                                                ´
                                               CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

     de indiv´duos, L, que se designa por capacidade de suporte. Segundo este
             ı
     modelo, inicialmente a populacao cresce exponencialmente, mas o n´ mero
                                  ¸˜                                  u
     de indiv´duos tende a estabilizar quando se aproxima a sua capacidade de
             ı
     suporte L. Considera-se ent˜ o a seguinte equacao diferencial
                                a                  ¸˜

                                 dP              P
                                    (t) = KP 1 −   ,                        (1.73)
                                 dt              L

     onde K e a constante de proporcionalidade, e P(t) designa o n´ mero de in-
            ´                                                     u
     div´duos da populacao em cada instante.
        ı              ¸˜

       1. (a) Mostre que se P satisfaz a equacao log´stica (1.73), ent˜ o
                                             ¸˜     ı                 a

                                 d2P             P            2P
                                    2
                                      = K 2P 1 −        1−       .          (1.74)
                                 dt              L             L

          (b) Deduza que a populacao cresce mais rapidamente quando atinge
                                 ¸˜
               um n´ mero de indiv´duos igual a metade da capacidade de suporte
                   u              ı
               L.

       2. Uma equipa de bi´ logos colocou num lago 400 peixes de uma esp´ cie
                          o                                             e
          com capacidade de suporte de 10 000. Ao fim do primeiro ano o n´ mero
                                                                        u
          de peixes triplicou.

           (a) Admitindo que o n´ mero de peixes cresce de acordo com o modelo
                                u
               log´stico, determine o tamanho da populacao passados t anos.
                  ı                                    ¸˜

          (b) Quanto tempo ser´ necess´ rio para que a populacao aumente para
                              a       a                      ¸˜
               5 000?

            ¸˜
     Propagacao de doenca
                       ¸
     Na propagacao de uma doenca contagiosa, por exemplo o v´rus da gripe, e
               ¸˜             ¸                             ı              ´
     razo´ vel admitir a taxa de propagacao proporcional ao produto de atingidos
         a                              ¸˜
     pela doenca x(t) pelo n´ mero dos n˜ o atingidos y(t):
              ¸             u           a

                                       dx
                                          = Kxy                             (1.75)
                                       dt
´
1.14. EXERCICIOS                                                               73

      1. A propagacao de um boato pode ser modelada da seguinte forma: a taxa
                  ¸˜
         de propagacao e proporcional ao produto da parte da populacao que j´
                   ¸˜ ´                                            ¸˜       a
         ouviu o boato pela parte que ainda n˜ o ouviu.
                                             a

         (a) Escreva uma equacao diferencial que modele esta situacao, e deter-
                             ¸˜                                   ¸˜
             mine a sua solucao.
                            ¸˜

                                              ´
         (b) Uma aldeia tem 1 000 habitantes. As 8 horas, 80 pessoas tinham
             ouvido o boato, e ao meio-dia metade da aldeia. A que horas 80%
             da populacao ter´ ouvido o boato?
                      ¸˜     a

      2. Um estudante, portador do v´rus da gripe, regressa ao col´ gio com mais
                                    ı                             e
         1 000 alunos. Suponha que o col´ gio est´ completamente isolado e
                                        e        a
         que o v´rus se propaga a uma taxa proporcional, n˜ o apenas ao n´ mero
                ı                                         a              u
         infectados, I, mas tamb´ m ao n´ mero de alunos n˜ o infectados.
                                e       u                 a

         (a) Determine o n´ mero de infectados ap´ s 6 dias, sabendo que passa-
                          u                      o
             dos 4 dias eles j´ s˜ o 50.
                              a a

         (b) Calcule o valor limite de I(t).

    Problemas de aquecimento e arrefecimento

    Lei do arrefecimento de Newton
    A velocidade de arrefecimento de um corpo, num ambiente de temperatura
    constante, Tm , e proporcional a diferenca entre a sua temperatura em cada
                    ´              `        ¸
    instante, T, e a temperatura do meio ambiente:

                                   ˙
                                   T = K (T − Tm ) .                        (1.76)


      1. Um objecto met´ lico a temperatura de 100o C e mergulhado em agua.
                       a      `                       ´               ´
         Ao fim de cinco minutos a temperatura do objecto desceu para 60o C.
         Determine o instante em que a temperatura do objecto e de 31o C, sa-
                                                              ´
         bendo que a agua e mantida a 30o C.
                     ´    ´
74                                                ´
                                               CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

       2. Ao meio-dia o Dr. Poiares chega a cena do crime e depara-se com um
                                          `
          detective a tapar o corpo assassinado. ”Doutor, precisamos de saber a
          que horas foi cometido o crime.“—diz imediatamente o detective. O Dr.
          Poiares repara que o ar condicionado estava ligado a temperatura de 20o
                                                             `
          C, e mede a temperatura do corppo: 34o C. ”N˜ o mexam nem no corp
                                                      a
          nem no ar condicionado, que eu j´ volto”—grita o Dr. Poiares, para que
                                          a
          todos possam ouvi-lo. Passada 1 hora, ele verifica que a temperatura do
          corpo tinha descido para 33.7o C. A que horas foi o crime cometido?
          (Nota: Assume-se a temperatura do corpo, em vida, como sendo 37o C.)

               ¸˜
     Desintegracao radioactiva
     As substˆ ncias radioactivas desintegram-se por emiss˜ o expontˆ nea de radiacao.
             a                                            a         a             ¸˜
     Factos experimentais mostram que a taxa de desintegracao e proporcional a
                                                          ¸˜ ´               `
     quantidade de substˆ ncia presente.
                        a
     Se Q = Q(t) e a quantidade de uma substˆ ncia radioactiva existente no ins-
                 ´                          a
     tante t, ent˜ o o processo de desintegracao pode ser descrito pela seguinte
                 a                           ¸˜
     equacao diferencial
         ¸˜
                                    dQ
                                       (t) = KQ(t),                          (1.77)
                                    dt

     onde K e a constante de proporcionalidade, que sabemos ser bem definida sob
            ´
     o ponto de vista f´sico.
                       ı
     A meia-vida de uma substˆ ncia radioactiva e o tempo necess´ rio para uma
                             a                  ´               a
     quantidade inicial dessa substˆ ncia , Q0 = Q(0), por desintegracao, se reduzir
                                   a                                 ¸˜
     a metade.

       1. A meia-vida do r´ dio e de 1590 anos. Determine a percentagem de
                          a     ´
          massa de r´ dio que se desintegra ao fim de 100 anos.
                    a

                                                 1
       2. Descobriu-se um osso fossilizado com       da quantidade inicial de
                                               1 000
          carbono 14. Sabendo que a meia-vida do carbono 14 e de 5 600 anos,
                                                            ´
          determine a idade do f´ ssil.
                                o
´
1.14. EXERCICIOS                                                                   75

      3. Ap´ s 3 dias, uma amostra de rad˜ o–222 reduziu-se, por desintegracao,
           o                             a                                 ¸˜
         para 58% da quantidade original.

          (a) Determine a meia-vida do rad˜ o–222.
                                          a

         (b) Determine o tempo necess´ rio para que a amostra se reduza a 10%
                                     a
                da quantidade original.

    Problemas geom´ tricos Determine uma EDO satisfeita por uma fam´lia de
                  e                                                ı
    curvas que tem a propriedade de a recta tangente a curva no ponto (x, y) ser
                                                     `
    perpendicular a recta que pasa por esse ponto e pela origem das coordenadas.
                  `



    Trajectorias ortogonais
    Uma curva que intersecta ortogonalmente cada elemento de uma fam´lia de
                                                                    ı
    curvas, diz-se uma traject´ ria ortogonal a dita fam´lia.
                              o               `         ı

      1. Suponhamos que a fam´lia de curvas e definida pela relacao:
                             ı              ´                  ¸˜

                                     y = f (x) + c,     c ∈ ℜ,                  (1.78)

         onde f e funcao real de vari´ vel real, diferenci´ vel. Determine uma
                ´    ¸˜              a                    a
         EDO a que est˜ o sujeitas as traject´ rias ortogonais desta fam´lia.
                      a                      o                          ı

      2. Determine as traject´ rias ortogonais das seguintes fam´lias de curvas:
                             o                                  ı
          (a)    y = Kx2       (b)    y = (x + k)−1
          (c)    x2 − y2 = k   (d)    y = ke−x .

    Circuitos el´ ctricos Num circuito el´ ctrico, (C-RL), constitu´do por um ge-
                e                        e                         ı
    rador G que, em cada instante t produz uma voltagem de E(t) volts (V) e uma
    corrente I(t) amp´ res (A), por uma resistˆ ncia R ohms (Ω) e uma bobina que
                     e                        e
    gera uma indutˆ ncia L henrys (H), tem-se que a diferenca de potencial nas
                  a                                        ¸
    extremidades da bobina e dada por:
                           ´

                                                   dI
                                     VL (t) = L       (t)                       (1.79)
                                                   dt
76                                                       ´
                                                      CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1

     e a diferenca de potencial nas extremidades da resistˆ ncia e dada por:
                ¸                                         e      ´

                                       VR (t) = R I(t).                        (1.80)

     Ent˜ o, de acordo com uma das leis de Kirchhoff, quando for fechado o inter-
        a
     ruptor, obt´ m-se:
                e
                                 VL (t) +VR(t) = E(t),                         (1.81)

     ou seja
                                           dI
                                       L      +R I = E                         (1.82)
                                           dt
     Se o circuito el´ trico, (C-RC), for constitu´do por um gerador G que, em
                     e                            ı
     cada instante t produz uma voltagem de E(t) volts (V) e uma corrente I(t)
     amp´ res (A), por uma resistˆ ncia R ohms (Ω) e um condensador (C) com
        e                        e
     capacitˆ ncia de C farads (F) e que gera uma carga de Q(t) coulombs, tem-se
            a
     que a diferenca de potencial nas extremidades do condensador e dada por:
                  ¸                                               ´
                                                      Q
                                           VC (t) =     .                      (1.83)
                                                      C
                                dQ
     Tendo em conta que I =        , de acordo com uma das leis de Kirchhoff,
                                dt
     quando for fechado o interruptor, obt´ m-se:
                                          e

                                 VC (t) +VR(t) = E(t),                         (1.84)

     ou seja:
                                       dQ Q
                                   R      + = E(t).                            (1.85)
                                       dt  C
       1. Suponha que num circuito el´ trico (C-RC) a resistˆ ncia e de 5 Ω, a
                                     e                      e      ´
          capacitˆ ncia de 0.05 F e o gerador fornece uma voltagem constante de
                 a
          60 V.

           (a) Escreva uma equacao diferencial que descreva a variacao da carga
                               ¸˜                                  ¸˜
                no circuito ao longo do tempo e resolva-a.

           (b) Se a carga inicial for Q(0) = 0 C, determine o seu valor passados 2
                s.
´
1.14. EXERCICIOS                                                             77

      2. Suponha que num circuito el´ trico (C-RL) a resistˆ ncia e de 5 Ω, a
                                    e                      e      ´
        indutˆ ncia de 4 H e o gerador fornece uma voltagem constante de 60 V.
             a

         (a) Escreva uma equacao diferencial que descreva a variacao da cor-
                             ¸˜                                  ¸˜
             rente no ciruito ao longo do tempo e resolva-a.

         (b) Se a intensidade inicial for I(0) = 0 A, determine o seu valor pas-
             sados 10 s.
78      ´
     CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1
Cap´tulo 2
   ı

    ¸˜
Equacoes diferenciais de
segunda ordem e de ordem
superior

Como j´ nos apercebemos, n˜ o existe um procedimento geral para resolver equacoes
      a                   a                                                  ¸˜
diferenciais, mesmo de primeira ordem. Mas existem m´ todos sistem´ ticos que nos
                                                    e             a
permitem obter a solucao de determinadas classes de equacoes diferenciais, como
                     ¸˜                                 ¸˜
por exemplo a classe das equacoes diferenciais lineares. Neste cap´tulo, vamos estu-
                             ¸˜                                   ı
dar a teoria da equacoes diferenciais lineares. Comecemos por relembrar a definicao
                    ¸˜                                                         ¸˜
de equacao linear dada na Seccao 1.6.
       ¸˜                    ¸˜

Aquando da discuss˜ o da equacao diferencial de primeira ordem
                  a          ¸˜

                              y′ (x) + a(x)y(x) = g(x),

vimos que esta equacao tem um n´ mero infinito de solucoes, dado a sua solucao
                   ¸˜          u                     ¸˜                   ¸˜
geral envolver uma constante arbitr´ ria. Esta constante arbitr´ ria pode ser determi-
                                   a                           a
nada atrav´ s de uma condicao adicional y(x0 ) = y0 , como vimos nos v´ rios exem-
          e               ¸˜                                          a
plos dessa mesma seccao. Atrav´ s do Teorema 5, sabemos que sempre que a(x) e
                    ¸˜        e

                                         79
80                                ´
                               CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

g(x) s˜ o funcoes cont´nuas, a solucao do PVI e unica. Podemos resumir estas ideias
      a      ¸˜       ı            ¸˜         ´´
da seguinte forma:

              Se a(x) e g(x) s˜ o funcoes cont´nuas, ent˜ o a equacao
                              a      ¸˜       ı         a         ¸˜

                              y′ (x) + a(x)y(x) = g(x)

      tem uma e uma s´ solucao que satisfaz a condicao inicial y(x0 ) = y0 .
                     o     ¸˜                      ¸˜


Este e um resultado muito util dado que facilmente nos permite concluir que, uma
     ´                    ´
vez obedecendo a condicoes de continuidade, toda a equacao diferencial de primeira
                      ¸˜                               ¸˜
ordem associada a uma condicao inicial tem solucao unica. Falta agora determinar
                           ¸˜                  ¸˜ ´
essa mesma solucao. M˜ os ao trabalho, ent˜ o!
               ¸˜    a                    a

Acontece que esta agrad´ vel propriedade continua a ser v´ lida para equacoes di-
                       a                                 a               ¸˜
ferenciais lineares de segunda ordem ou superior, residindo a unica diferenca no
                                                              ´            ¸
n´ mero de condicoes a especificar. Por exemplo para uma equacao de ordem dois,
 u              ¸˜                                          ¸˜
temos de especificar duas condicoes:
                              ¸˜

           Se a(x), b(x) e g(x) s˜ o funcoes cont´nuas, ent˜ o a equacao
                                 a      ¸˜       ı         a         ¸˜

                        y′′ (x) + a(x)y′ (x) + b(x)y(x) = g(x)                 (2.1)

            tem uma e uma s´ solucao que satisfaz a condicao inicial
                           o     ¸˜                      ¸˜

                             y(x0 ) = y0 ,   y′ (x0 ) = y1 ,

                     para quaisquer n´ meros reais x0 , y0 e y1 .
                                     u


Vejamos de seguida a generalizacao do Teorema 5 para equacoes diferenciais de
                               ¸˜                        ¸˜
ordem –2 ou superior.

                ˆ                      ¸˜
Teorema 7 (Existencia/Unicidade de solucao para PVI) Sejam
a0 (x), a1 (x), . . ., an−1 (x) e g(x) funcoes cont´nuas num intervalo I, centrado em
                                          ¸˜       ı
81

x0 ∈ I e c1 , c2 , . . . , cn constantes dadas. Ent˜ o existe uma unica solucao y(x), x ∈ I,
                                                   a              ´         ¸˜
que satisfaz a equacao diferencial
                   ¸˜
                d ny           d n−1 y              dy
                   n
                     + an−1 (x) n−1 + · · · + a1 (x) + a0 (x)y = g(x),
                dx             dx                   dx
no intervalo I, bem como as n condicoes iniciais
                                   ¸˜

               y(x0 ) = c0 , y′ (x0 ) = c1 , y′′ (x0 ) = c2 , . . . , y(n−1) (x0 ) = cn .


A demonstracao deste teorema pode ser encontrada em v´ rios textos cl´ ssicos. Ver
           ¸˜                                        a               a
por exemplo (Grossman & Derrick, 1988).

Exemplo 2.1

                                  3y′′′ + 5y′′ − y′ + 7y = 0

                                                      y(1) = 0

                                                     y′ (1) = 0

                                                    y′′ (1) = 0

Claramente y = 0 e solucao trivial do PVI. Atendendo ao Teorema 7, esta solucao
                 ´     ¸˜                                                   ¸˜
e a unica solucao do PVI em qualquer intervalo contendo x0 = 1.
´ ´           ¸˜

Exemplo 2.2 Seja y = 3e2x + e−2x − 3x uma solucao do seguinte PVI:
                                              ¸˜

 y′′ − 4y = 12x



  y(0) = 4


 ′
 y (0) = 1

Uma vez que a1 (x) = 0, a0 (x) = −4 e g(x) = 12x s˜ o cont´nuas, podemos afirmar
                                                  a       ı
que esta solucao e unica.
             ¸˜ ´ ´

Exemplo 2.3 Consideremos o seguinte PVI:
                                   
                                    x2 y′′ − 2xy′ + 2y = 6
                                   
                                   
                                   
                                     y(0) = 3
                                   
                                   
                                    ′
                                    y (0) = 1
82                               ´
                              CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Podemos verificar que a funcao y = cx2 + x + 3 e uma solucao deste PVI em no
                          ¸˜                  ´         ¸˜
intervalo (−∞, ∞) , qualquer que seja o valor do parˆ metro real c. (Verifique!)
                                                    a

Sendo assim, conclu´mos que este PVI admite uma infinidade de solucoes, o que nos
                   ı                                             ¸˜
conduz a quest˜ o: “Porque motivo n˜ o podemos usar o Teorema 7 neste caso?”
       `      a                    a

Observemos que a2 (x) = x2 toma o valor zero quando x = 0 e 0 ∈ (−∞, ∞) e precisa-
                                                                        ´
mente o valor x0 das condicoes iniciais. Deste modo, n˜ o s˜ o reunidas as condicoes
                          ¸˜                          a a                       ¸˜
do Teorema 7.

Atencao que o Teorema 7 e uma condicao suficiente que se aplica somente a PVI
    ¸˜                  ´          ¸˜
e nunca a problemas de valor de fronteira (PVF). Ou seja, quando se trata de um
PVF nada se pode concluir ainda que as condicoes do Teorema 7 sejam verificadas.
                                            ¸˜
Vejamos os seguintes exemplos:

Exemplo 2.4 Consideremos a equacao diferencial y′′ + 16y = 0.
                               ¸˜
                                      
                                       y(0)     =   0
                                       y π
     1. Com as condicoes de fronteira
                     ¸˜                                  ,
                                                 =   0
                                            2
        o PVF tem um n´ mero infinito de solucoes.
                        u                   ¸˜
                                      
                                       y(0)     =   0
     2. Com as condicoes de fronteira
                     ¸˜                     π            ,
                                       y        =   0
                                            8
        o PVF tem solucao unica.
                       ¸˜ ´
                                      
                                       y(0)     =   0
                                       y π
     3. Com as condicoes de fronteira
                     ¸˜                                  ,
                                                 =   1
                                            2
        o PVF n˜ o tem solucao.
               a           ¸˜

De forma a simplificar a nossa exposicao, passaremos de seguida a discutir somente
                                    ¸˜
equacoes de ordem-2, sendo a generalizacao a equacoes diferenciais de ordem su-
    ¸˜                                 ¸˜        ¸˜
perior a segunda feita no final deste cap´tulo. Chamamos a atencao para o facto de
       `                                ı                     ¸˜
todos os resultados apresentados neste cap´tulo poderem ser estendidos a qualquer
                                          ı
equacao diferencial linear de ordem superior.
    ¸˜
83

No que se segue, a n˜ o ser que algo seja dito em contr´ rio, assumimos que todas as
                    a                                  a
funcoes s˜ o cont´nuas em R.
   ¸˜    a       ı

     ¸˜
Definicao 12 Se as funcoes a(x) e b(x) em (2.1) s˜ o constantes, i.e. a(x) = a
                     ¸˜                         a
e b(x) = b, ent˜ o a equacao diz-se de coeficientes constantes. Caso a(x) ou b(x)
               a         ¸˜
n˜ o sejam constantes, ent˜ o a equacao diz-se de coeficientes vari´ veis.
 a                        a         ¸˜                            a

Obviamente que as equacoes de coeficientes constantes s˜ o as mais f´ ceis de resol-
                      ¸˜                              a            a
ver.

Exemplo 2.5            1. A equacao y′′ + 3y′ − 10y = 0 tem coeficientes constantes.
                                ¸˜

   2. A equacao y′′ + 3xy′ − 10x2 y = 0 tem coeficientes vari´ veis.
            ¸˜                                              a

Antes de prosseguirmos, e melhor percebermos bem o que procuramos. Comece-
                        ´
mos por analisar a equacao de primeira ordem
                       ¸˜


                                     y′ + 2y = 0,


cuja solucao sabemos ser y = ce−2x , c ∈ R. Observando esta solucao geral, con-
         ¸˜                                                     ¸˜
clu´mos que uma vez encontrada uma solucao n˜ o nula, cada uma das outras solucoes
   ı                                   ¸˜ a                                   ¸˜
e um m´ ltiplo dessa solucao. Para as equacoes de segunda ordem, temos uma
´     u                  ¸˜               ¸˜
situacao muito semelhante, somente com a diferenca de que necessitarmos de en-
     ¸˜                                         ¸
contrar duas solucoes n˜ o nulas e tal que uma n˜ o seja m´ ltipla da outra. Dito isto
                 ¸˜    a                        a         u
de uma maneira mais formal, precisamos de encontrar duas solucoes n˜ o nulas li-
                                                             ¸˜    a
nearmente independentes entre si. Consideremos duas funcoes y1 e y2 . A y(x) =
                                                       ¸˜
c1 y1 (x) + c2 y2 (x), com c1 , c2 constantes arbitr´ rias em R, chamamos combinacao
                                                    a                            ¸˜
linear de y1 e y2 .

Temos que:

   1. As funcoes y1 e y2 dizem-se linearmente independentes no intervalo I se
            ¸˜
       nesse intervalo a relacao y(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x) = 0 implicar c1 = c2 = 0
                             ¸˜
       para todo o x ∈ R.
84                                    ´
                                   CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

     2. Caso contr´ rio, i.e., se ∃c1 , c2 = 0 : c1 y1 (x) + c2 y2 (x) = 0 as funcoes y1 e y2
                  a                                                              ¸˜
        dizem-se linearmente dependentes no intervalo I.

Existe no entanto uma forma mais expedita de verificar se duas funcoes s˜ o ou n˜ o
                                                                 ¸˜    a       a
linearmente independentes entre si. Consideremos:

             c1 y1 (x) + c2 y2 (x) = 0, com c1 , c2 n˜ o simultaneamente nulos.
                                                     a

Suponhamos, sem perda de generalidade, que c1 = 0. Podemos escrever:
                               c2
                        y1 (x) +  y2 (x) = 0,
                               c1
                               c2                          c2
                     y1 (x) = − y2 (x) = cy2 (x), com c = − .
                               c1                          c1
Portanto:

     Duas funcoes dizem-se linearmente dependentes num intervalo I se uma e
             ¸˜                                                           ´
                                    m´ ltipla da outra.
                                     u


Atencao que esta regra s´ funciona com duas funcoes!!! Quando queremos de-
    ¸˜                  o                      ¸˜
monstrar a dependˆ ncia linear de mais do que duas funcoes, temos mesmo que usar
                 e                                    ¸˜
a definicao.
       ¸˜



        ¸˜             ´
2.1 Solucao de ED homogeneas

As nocoes de combinacao linear e independˆ ncia linear s˜ o fulcrais a teoria das
     ¸˜             ¸˜                   e              a            `
equacoes diferenciais lineares homog´ neas, como veremos de seguida. Considere-
    ¸˜                              e
mos ent˜ o a a equacao homog´ nea
       a           ¸˜       e

                             y′′ (x) + a(x)y′ (x) + b(x)y(x) = 0                       (2.2)

com a(x) e b(x) funcoes cont´nuas.
                   ¸˜       ı

          ´
Teorema 8 E sempre poss´vel determinar duas solucoes linearmente indepen-
                       ı                        ¸˜
dentes da equacao diferencial (2.2).
              ¸˜
¸˜             ´
2.1. SOLUCAO DE ED HOMOGENEAS                                                       85

Dem. Ver a demonstracao em (?, ?).
                    ¸˜


Exemplo 2.6 Verifique que y1 = e−5x e y2 = e2x s˜ o solucoes linearmente in-
                                               a       ¸˜
dependentes da equacao:
                   ¸˜
                                       y′′ + 3y′ − 10y = 0.

      ¸˜
Resolucao:         Comecamos por mostrar que y1 e y2 s˜o de facto
                       ¸                              a
    ¸˜
solucoes:
              ′′               ′
       e−5x        + 3 e−5x        − 10 e−5x       = 25e−5x − 15e−5x − 10e−5x = 0
                     ′′            ′
              e2x         + 3 e2x − 10 e2x         = 4e2x + 6e2x − 10e2x = 0

Como e−5x = e−7x · e2x e e2x n˜o ´ uma constante, ent˜o y1 e y2
                              a e                    a
s˜o linearmente independentes.
 a


Toda a equacao diferencial linear de segunda ordem tem duas solucoes linearmente
           ¸˜                                                   ¸˜
independentes. Ora esta e toda a informacao de que necessitamos para escrever
                        ´               ¸˜
qualquer solucao da equacao.
             ¸˜         ¸˜

Teorema 9 Sejam y1 e y2 duas solucoes da equacao (2.2) ent˜ o qualquer combina-
                                 ¸˜          ¸˜           a
cao linear destas duas solucoes e solucao da equacao (2.2).
¸˜                         ¸˜ ´       ¸˜         ¸˜

Dem. Exerc´cio.
          ı


Teorema 10 Sejam y1 e y2 duas solucoes linearmente independentes da equacao
                                  ¸˜                                    ¸˜
(2.2) e y3 uma outra solucao de (2.2). Ent˜ o existem constantes c1 e c2 , univoca-
                         ¸˜               a
mente determinadas, tais que:

                                   y3 (x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x).


Dem. Exerc´cio.
          ı


Por outras palavras, qualquer combinacao linear destas duas solucoes e solucao da
                                     ¸˜                         ¸˜ ´       ¸˜
equacao (2.2).
    ¸˜
86                                 ´
                                CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

     ¸˜          ¸˜
Definicao 13 (Solucao Geral da ED de segunda ordem) A solucao
                                                         ¸˜
geral de (2.1) e dada pela combinacao linear
               ´                  ¸˜

                               y(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x),

com c1 e c2 constantes arbitr´ rias e y1 e y2 duas solucoes linearmente independen-
                             a                         ¸˜
tes.

Exemplo 2.7 A solucao geral da equacao y′′ + 3y′ − 10y = 0 e
                  ¸˜               ¸˜                      ´

                                y(x) = c1 e−5x + c2 e2x ,

com c1 , c2 constantes arbitr´ rias.
                             a

     ¸˜                                  ¸˜
Definicao 14 (Conjunto fundamental de solucoes ) Qualquer con-
junto de n solucoes linearmente independentes de uma equacao diferencial linear
               ¸˜                                        ¸˜
                                                                    ¸˜
de ordem–n, num intervalo I, designa-se conjunto fundamental de solucoes da
equacao no intervalo.
    ¸˜

Exemplo 2.8 e−5x , e2x e conjunto fundamental para a equacao do Exem-
                       ´                                 ¸˜
plo 2.7.

     ¸˜
Definicao 15 (Wronskiano) Sejam y1 e y2 duas solucoes da equacao (2.2).
                                                ¸˜          ¸˜
O wronskiano de y1 (x) e y2 (x), W (y1 , y2 ) (x), e definido por
                                                   ´

                      W (y1 , y2 ) (x) = y1 (x)y′ (x) − y′ (x)y2 (x).
                                                2        1                    (2.3)


O Wronskiano pode tamb´ m ser escrito utilizando determinantes:
                      e

                                                y1 (x) y2 (x)
                           W (y1 , y2 ) (x) =                                 (2.4)
                                                y′ (x) y′ (x)
                                                 1      2

Relembrando que
                                    a b
                                            = ad − bc,
                                    c d
¸˜             ´
2.1. SOLUCAO DE ED HOMOGENEAS                                                     87

temos ent˜ o que
         a

                         y1 (x) y2 (x)
                                             = y1 (x)y2 (x) − y2 (x)y′ (x).
                                                      ′
                                                                     1
                         y′ (x)
                          1       y′ (x)
                                   2


Diferenciado a equacao (2.3), temos que
                   ¸˜

                       (W (y1 , y2 ))′ = y1 y′′ + y1 y′ − y′ y′ − y′′ y2
                                             2
                                                   ′
                                                      2    1 2     1

                                        = y1 y2 − y′′ y2 .
                                              ′′
                                                   1


Dado que y1 e y2 s˜ o solucao da equacao (2.2), temos que
                  a       ¸˜         ¸˜

                       y′′ + ay′ + by1 = 0
                        1      1                 e    y′′ + ay′ + by2 = 0
                                                       2      2


Multiplicando a primeira destas equacoes por y2 e a segunda por y1 e subtraindo-as
                                    ¸˜
entre si, temos que:


                                2        1          2
                                                            ′
                            y1 y′′ − y2 y′′ + a y1 y′ − y2 y1 = 0,

ou seja
                                           W ′ + aW = 0.

Utilizando a teoria da equacoes diferenciais de primeira ordem, facilmente chega-
                           ¸˜
mos a conclus˜ o que
    `        a
                                  W (y1 , y2 ) (x) = ce−   a(x)dx
                                                                                (2.5)

onde c e uma constante real arbitr´ ria. A f´ rmula (2.5) e conhecida por f´ rmula de
       ´                          a         o             ´                o
Abel. Dado que a exponencial nunca se anula, conclu´mos que o wronskiano ou e
                                                   ı                        ´
sempre zero (quando c = 0) ou nunca se anula (quando c = 0). A importˆ ncia deste
                                                                     a
facto est´ patente no seguinte teorema:
         a

Teorema 11 As solucoes y1 e y2 da equacao (2.2) s˜ o linearmente indepen-
                  ¸˜                  ¸˜         a
dentes num intervalo I se e s´ se W (y1 , y2 ) (x) = 0, ∀x ∈ I.
                             o

Este ultimo teorema revela a sua utilidade de trˆ s modos distintos:
     ´                                          e
88                                   ´
                                  CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

     • Fornece um modo de determinar a independˆ ncia linear entre duas solucoes
                                               e                            ¸˜

     • Simplifica muito a demonstracao do Teorema 10
                                  ¸˜

     • O wronskiano e facilmente extens´vel a equacoes de terceira e quarta ordem,
                    ´                  ı          ¸˜
       obtendo-se desta forma resultados semelhantes para equacoes de ordem mais
                                                              ¸˜
       elevada.

Exemplo 2.9 As funcoes y1 = e−5x e y2 = e2x s˜ o solucoes da equacao
                  ¸˜                         a       ¸˜          ¸˜

                                    y′′ + 3y′ − 10y = 0

e tem-se

                                    e−5x     e2x
           W (y1 , y2 ) (x) =
                                   −5e−5x 2e2x

                          = e−5x 2e2x − −5e−5x                e2x = 7e−3x = 0

Como o wronskiano e n˜ o nulo para todo o x, conclui-se que as solucoes y1 = e−5x
                  ´ a                                              ¸˜
e y2 = e2x s˜ o linearmente independentes.
            a




        ¸˜         ˜       ´
2.2 Solucao de ED nao homogeneas

Retomemos a equacao diferencial de segunda ordem n˜ o homog´ nea:
                ¸˜                                a        e

                                y′′ + a(x)y′ + b(x)y = g(x)                     (2.6)

Seja y p uma solucao particular de (2.6). Se soubermos a solucao geral da equacao
                 ¸˜                                          ¸˜               ¸˜
homog´ nea que lhe est´ associada, podemos representar a solucao geral da equacao
     e                a                                      ¸˜               ¸˜
n˜ o homog´ nea da seguinte forma:
 a        e

Teorema 12 Seja y p (x) uma solucao particular de (2.6) e y∗ (x) uma outra
                                ¸˜
qualquer solucao. Ent˜ o y∗ (x) − y p (x) e solucao da equacao homog´ nea que lhe
             ¸˜      a                    ´     ¸˜         ¸˜       e
¸˜         ˜       ´
2.2. SOLUCAO DE ED NAO HOMOGENEAS                                                  89

est´ associada, i.e.
   a


                       y∗ (x) − y p (x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x)

                               y∗ (x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x) + y p (x)


onde c1 e c2 s˜ o constantes arbitr´ rias e y1 e y2 s˜ o solucoes linearmente indepen-
              a                    a                 a       ¸˜
dentes da equacao homog´ nea associada (2.2).
              ¸˜       e

Temos ent˜ o que a solucao geral de uma equacao n˜ o homog´ nea se obt´ m so-
         a             ¸˜                   ¸˜ a          e           e
mando:

   • uma solucao particular da equacao n˜ o homog´ nea
             ¸˜                    ¸˜ a          e

      com

   • a solucao geral da equacao homog´ nea associada.
           ¸˜               ¸˜       e

Ou seja:

     ¸˜
Definicao 16 Seja y p uma solucao particular de (2.6) e y1 e y2 solucoes line-
                             ¸˜                                    ¸˜
armente independentes da equacao homog´ nea associada (2.2). Ent˜ o a solucao
                             ¸˜       e                         a         ¸˜
geral da equacao n˜ o homog´ nea (2.6) e dada por
             ¸˜ a          e           ´


                             y(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x) + y p (x)              (2.7)


onde c1 e c2 s˜ o constantes reais arbitr´ rias.
              a                          a

     ¸˜         ¸˜
Definicao 17 (Funcao complementar) Sendo a solucao de uma ED
                                              ¸˜
 a        e                                                            ¸˜
n˜ o homog´ nea do tipo (2.6) constituida por duas partes, chama-se funcao com-
plementar, e representa-se por yc , a parte que e tamb´ m solucao da ED homog´ nea
                                    `           ´     e       ¸˜             e
associada, i.e.,

                                  yc = c1 y1 (x) + c2 y2 (x).
                                   1
Exemplo 2.10 Sabemos que xex e solucao da equacao y′′ − y = ex . Duas
                             ´     ¸˜         ¸˜
                                   2
solucoes da equacao y′′ − y = 0 s˜ o y1 = ex e y2 = e−x .
    ¸˜          ¸˜               a
90                                   ´
                                  CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

W (y1 , y2 ) (x) = 2ex (−e−x ) = −2 = 0, logo as solucoes s˜ o linearmente indepen-
                                                     ¸˜    a
dentes.
                                       1
Temos ent˜ o que y(x) = c1 ex +c2 e−x + xex e solucao geral da equacao y′′ −y = ex .
         a                                  ´     ¸˜               ¸˜
                                       2



     ´            ¸˜
2.3 Metodo da reducao de ordem

De acordo com o Teorema 10, se conhecermos um conjunto fundamental de solucoes
                                                                          ¸˜
da equacao diferencial homog´ nea associada a (2.6), i.e., da equacao (2.2) a sua
       ¸˜                   e                                     ¸˜
solucao geral e a combinacao linear dos elementos do conjunto fundamental de
    ¸˜        ´          ¸˜
solucoes: y = c1 y1 + c2 y2 , onde c1 , c2 s˜ o constantes arbitr´ rias.
    ¸˜                                      a                    a

O m´ todo de reducao de ordem consiste em determinar a solucao y2 conhecendo
   e             ¸˜                                        ¸˜
y1 , ou vice-versa, atrav´ s do abaixamento da ordem da equacao diferencial.
                         e                                  ¸˜

Assumindo que y1 e uma solucao n˜ o nula da ED homog´ nea, vamos procurar uma
                 ´         ¸˜ a                     e
segunda solucao y2 tal que y1 e y2 sejam linearmente independentes. Assim, caso
               ¸˜
                           y2
y2 exista, teremos que ter    = v(x), ou seja
                           y1

                                       y2 = v(x)y1 .                           (2.8)

Assumindo (2.8), determinemos as derivadas sucessivas de y2 com vista a substituir
na equacao (2.2):
       ¸˜

                             (vy1 )′ = v′ y1 + vy′ ,
                                                 1

                             (vy1 )′′ = vy′′ + 2v′ y1 + v′′ y1 .
                                          1
                                                    ′



Substituindo ent˜ o em (2.2):
                a

               vy′′ + 2v′ y′ + v′′ y1 + a(x) v′ y1 + vy′ + b(x)vy1 = 0
                 1         1                           1

                        y1 v′′ + (2y′ + ay1 )v′ + (y′′ + ay′ + by1 )v = 0
                                    1               1      1
´            ¸˜
2.3. METODO DA REDUCAO DE ORDEM                                                                       91

Lembrando que y1 e solucao de (2.2), temos y′′ + ay′ + by1 = 0, donde
                 ´     ¸˜                   1      1

                               y1 v′′ + (2y1 + ay1 )v′ = 0
                                           ′


Fazendo a mudanca de vari´ vel z = v′ transformamos esta ultima equacao, que e de
               ¸         a                               ´          ¸˜       ´
ordem–2, numa equacao de ordem–1:
                  ¸˜

                               y1 z′ + (2y1 + ay1 )z = 0
                                          ′
                                                                                                    (2.9)

Dividindo por y1 z, obtemos:
                                      z′    2y′
                                         = − 1 − a.
                                      z      y1
Integrando em ordem a x, obtemos:

                             ln z = −2 ln y1 −                a(x)dx.

Ent˜ o
   a
                                                                             1 −
           z = eln z = e−2 ln y1 −   a(x)dx
                                              = e−2 ln y1 e−    a(x)dx
                                                                         =      e   a(x)dx
                                                                                             .
                                                                             y2
                                                                              1
Como z = v′ , temos:
                                  1 − a(x)dx
                                     ev′ =    .
                                  y2
                                   1
Dado que a funcao exponencial nunca e nula, conclu´mos que v e n˜ o constante.
              ¸˜                     ´            ı          ´ a
Temos ent˜ o de integrar uma outra vez para obter v :
         a

                                              1 −    a(x)dx
                                 v=              e            dx.                                (2.10)
                                              y2
                                               1




Temos ent˜ o que
         a
                                                     1 −      a(x)dx
                            y2 = vy1 = y1               e              dx.
                                                     y2
                                                      1

Exemplo 2.11 Consideremos y1 = x uma solucao particular da equacao
                                         ¸˜                    ¸˜

                               x2 y′′ − xy′ + y = 0,          x > 0.

Determine uma outra solucao linearmente independente.
                        ¸˜

      ¸˜
Resolucao:       Podemos resolver este problema de dois modos diferentes:
92                                ´
                               CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Metodo 1 Seja y2 = vy1 = vx.
 ´
                               y1 =x

Derivando temos:            y′ = v′ x + v e y2 = v′′ x + 2v′ .
                             2
                                             ′′


Substitu´mos na equac˜o diferencial em quest˜o e obtemos:
        ı           ¸a                      a

     x2 y′′ − xy′ + y2 = 0 = x2 v′′ x + 2v′ − x v′ x + v + vx = x3 v′′ + x2 v′ = 0
         2      2


Dividindo ambos os membros por x2 temos:

                                       xv′′ + v′ = 0

Efectuando agora a mudanca de vari´vel u = v′ , obtemos a seguinte
                        ¸         a
    ¸˜
equacao de ordem primeira, que facilmente podemos resolver:

                                              1
                                        u′ = − u.
                                              x

Ora a solucao desta equac˜o de primeira ordem ´
          ¸˜            ¸a                    e

                                                       1
                            u(x) = e− ln x = eln(1/x) = .
                                                       x

Como u = v′ , temos que integrar outra vez:

                                                    1
                         v(x) =        u(x)dx =       dx = ln x.
                                                    x

Conclu´mos assim que y2 = vy1 = x ln x.
      ı

Verifique agora que y2 ´ de facto soluc˜o da equac˜o diferencial.
                       e              ¸a         ¸a


 ´
Metodo 2 Aplicamos directamente a f´rmula (2.10) para calcular
                                   o
v. Para tal, dividimos a equac˜o que queremos resolver por
                             ¸a
x2 , e obtemos:
                                       1     1
                                  y′′ − y′ + 2 y = 0
                                       x    x
                  1
Temos que a(x) = − , o que implica que − a(x)dx = ln x e e−                          a(x)dx =
                  x
eln x = x.
´
2.4. ED HOMOGENEAS COM COEFICIENTES CONSTANTES                                   93

Aplicando a f´rmula, temos:
             o
                                            x
                                   y2 = x      = x ln x
                                            x2

Posto isto a solucao geral da equac˜o ´
                 ¸˜               ¸a e

                     y = c1 y1 + c2 y2 = c1 x + c2 x ln x,     x>0

e c1 , c2 s˜o constantes arbitr´rias.
           a                   a


Nota 15 Ainda que possa aplicar a f´ rmula (2.10) directamente, e sempre pre-
                                   o                            ´
fer´vel deduzir todo o processo.
   ı



        ¸˜                     ´
2.4 Equacoes diferenciais homogeneas com co-
        eficientes constantes

Apresentamos nesta seccao um procedimento de c´ lculo da solucao de uma equacao
                      ¸˜                      a              ¸˜             ¸˜
diferencial homog´ nea com coeficientes constantes:
                 e

                                    y′′ + ay′ + by = 0                        (2.11)

Recordando que a equacao diferencial linear homog´ nea de ordem–1 y′ + ay = 0
                     ¸˜                          e
tem como solucao y = ce−ax , e plaus´vel investigar se uma solucao de (2.11) ter´
             ¸˜              ´      ı                          ¸˜               a
a forma y = eλ x , onde λ e um n´ mero real ou complexo. Assumimos ent˜ o que a
                          ´     u                                     a
solucao e desta forma e substitu´mos esta hipot´ tica solucao em (2.11) :
    ¸˜ ´                        ı              e          ¸˜

                             λ 2 eλ x + aλ eλ x + beλ x = 0.

Dado que eλ x = 0, vem que


                                   λ 2 + aλ + b = 0                         (2.12)

com a e b n´ meros reais.
           u
94                                  ´
                                 CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Chama-se equacao caracter´stica a equacao (2.12). Fica assim claro que se λ
             ¸˜          ı      `     ¸˜
satisfizer a equacao caracter´stica, ent˜ o eλ x e solucao de (2.11).
                ¸˜          ı          a        ´     ¸˜

Dado que a equacao caracter´stica e quadr´ tica, logo tem duas ra´zes:
               ¸˜          ı      ´      a                       ı
                         √                                √
                    −a + a2 − 4b                    −a + a2 − 4b
              λ1 =                     and λ2 =                                      (2.13)
                           2                               2

De acordo com as ra´zes da equacao caracter´stica, distinguimos trˆ s diferentes ca-
                   ı           ¸˜          ı                      e
sos:

Caso 1 Se a2 − 4b > 0 ent˜ o as ra´zes λ1 e λ2 s˜ o reais e distintas.
                         a        ı             a

Caso 2 Se a2 − 4b = 0 ent˜ o as ra´zes λ1 e λ2 s˜ o reais e iguais.
                         a        ı             a

Caso 3 Se a2 − 4b < 0 ent˜ o as ra´zes λ1 e λ2 s˜ o complexas conjugadas.
                         a        ı             a

Analisemos agora em pormenor cada um destes casos:



2.4.1     Ra´zes reais e distintas
            ı

Temos neste caso que as solucoes da equacao (2.11) s˜ o y1 = eλ1 x e y2 = eλ2 x .
                              ¸˜          ¸˜           a
                                                    y1
Estas solucoes s˜ o linearmente independentes, pois
           ¸˜    a                                      = e(λ1 −λ2 )x e claramente
                                                                      ´
                                                    y2
n˜ o constante sempre que λ1 = λ2 .
 a

Acab´ mos de provar o seguinte teorema:
    a

Teorema 13 Se a2 − 4b > 0, ent˜ o as ra´zes da equacao caracter´stica, λ1 e
                              a        ı           ¸˜          ı
λ2 , s˜ o reais e distintas. Neste caso, a solucao geral da equacao (2.11) e dada por
      a                                        ¸˜               ¸˜         ´

                                 y(x) = c1 eλ1 x + c2 eλ2 x ,                        (2.14)

onde c1 , c2 s˜ o constantes reais arbitr´ rias e y1 , y2 s˜ o as ra´zes de (2.12)
              a                          a                 a        ı

Exemplo 2.12 Consideremos a equacao
                                ¸˜

                                   y′′ + 3y′ − 10y = 0,
´
2.4. ED HOMOGENEAS COM COEFICIENTES CONSTANTES                                  95

cuja equacao caracter´stica e λ 2 + 3λ − 10 = (λ − 2)(λ + 5) = 0, cujas ra´zes s˜ o
         ¸˜          ı      ´                                             ı     a
λ = 2 e λ = −5. Ent˜ o a solucao geral e
                   a         ¸˜        ´

                                y(x) = c1 e2x + c2 e−5x .

Se especificarmos as condicoes iniciais y(0) = 1 e y′ (0) = 3, podemos calcular as
                         ¸˜
constantes c1 e c2 :            
                                       c1 + c2 = 1
                                 2c − 5c = 3,
                                    1    2

                              8         1
que tem como solucao c1 =
                 ¸˜             e c2 = − . Ent˜ o a solucao unica deste problema de
                                              a         ¸˜ ´
                              7         7
valor inicial e
              ´
                                        1
                               y(x) =     8e2x − e−5x .
                                        7


2.4.2     Ra´zes reais e iguais
            ı

Neste caso a equacao (2.12) tem a ra´z dupla λ1 = λ2 = −a/2, o que faz com que
                 ¸˜                 ı
y(x) = e−ax/2 seja solucao da equacao (2.11).
                       ¸˜         ¸˜

Usamos agora o procedimento da seccao anterior para calcular uma segunda ra´z
                                  ¸˜                                       ı
que seja linearmente independente desta. Facamos
                                           ¸

                       y2 = vy1 = ve−ax/2                                    (2.15)
                                       a
                       y′ = v′ e−ax/2 − ve−ax/2
                        2                                                    (2.16)
                                       2
                                                         a2 −ax/2
                       y′′ = v′′ e−ax/2 − av′ e−ax/2 +
                        2                                  ve                (2.17)
                                                         4

Substitu´mos y2 na equacao (2.11):
        ı              ¸˜

                             a2 −ax/2                   a
  v′′ e−ax/2 − av′ e−ax/2 +     ve     + a v′ e−ax/2 − ve−ax/2 + bve−ax/2 = 0
                              4                         2
                                   a 2                  a
                       v′′ − av′ + v e−ax/2 + a v′ − v e−ax/2 + bve−ax/2 = 0
                                   4                    2
                                                    a 2         a
                                         v′′ − av′ + v + a v′ − v + bv = 0
                                                     4          2
96                                  ´
                                 CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Relembremos que a2 = 4b e substitu´mos nesta ultima equacao, donde obtemos que
                                  ı          ´          ¸˜
v′′ = 0, ou seja v′ e uma constante, que pode ser por exemplo 1. Temos ent˜ o que
                    ´                                                     a
v = x. Ent˜ o y2 = xe−ax/2 .
          a

Verifiquemos:

                                          a
                           y′ = e−ax/2 1 − x
                            2
                                          2
                                             a2
                           y′ = e−ax/2 −a + x
                            2
                                             4
                                             a2    a2
              y′′ + ay′ + by2 = e−ax/2 −a + x + a − x + bx
               2      2
                                             4     2
                                          a2
                              = xe−ax/2 − + b = 0
                                          4

       y2    e−ax/2
Como      = x −ax/2 = x = constante, temos que y1 e y2 s˜ o linearmente indepen-
                                                        a
       y1    e
dentes. Temos ent˜ o o seguinte resultado:
                 a

Teorema 14 Se a2 − 4b = 0, ent˜ o as ra´zes da equacao caracter´stica s˜ o
                              a        ı           ¸˜          ı       a
iguais e a solucao geral da equacao (2.11) e dada por
               ¸˜               ¸˜         ´


                   y(x) = c1 e−ax/2 + c2 xe−ax/2 = (c1 + c2 x) e−ax/2       (2.18)


onde c1 , c2 s˜ o constantes reais arbitr´ rias.
              a                          a

Exemplo 2.13 Consideremos a equacao
                                ¸˜


                                    y′′ − 6y′ + 9 = 0,


cuja equacao caracter´stica e λ 2 − 6λ + 9 = (λ − 3)2 = 0, produzindo a ra´z dupla
         ¸˜          ı      ´                                             ı
λ1 = −a/2 = 3, e a solucao geral e
                       ¸˜        ´


                           y(x) = c1 e3x + c2 xe3x , c1 , c2 ∈ R.
´
2.4. ED HOMOGENEAS COM COEFICIENTES CONSTANTES                                               97

2.4.3     Ra´zes complexas conjugadas
            ı

Estudamos agora o caso em que as ra´zes da equacao caracter´stica (2.12) s˜ o um
                                   ı           ¸˜          ı              a
par de ra´zes conjugadas:
         ı

                           λ1 = α + iβ          e   λ2 = α − iβ                           (2.19)
                              √                                 √
                         a      4b − a2                    a     4b − a2
                   λ1 = − + i                   e   λ2 = − − i                            (2.20)
                         2        2                        2       2
De facto, temos duas solucoes linearmente independentes: y1 = eλ1 x e y2 = eλ2 x !
                         ¸˜
Mas seria agrad´ vel, dado que isso por vezes facilita imenso os c´ lculos, ter duas
               a                                                  a
solucoes linearmente independentes e reais. Tal e poss´vel, e simples, se nos recor-
    ¸˜                                          ´     ı
darmos da f´ rmula de Euler:
           o

                                     eiθ = cos θ + i sin θ

e tamb´ m
      e
                                    e−iθ = cos θ − i sin θ .

Usando estas duas f´ rmulas, temos ent˜ o:
                   o                  a

              y1 = eλ1 x = eα x+iβ x = eα x eiβ x = eα x (cos β + i sin β )

              y2 = eλ2 x = eα x−iβ x = eα x e−iβ x = eα x (cos β − i sin β )

Finalmente, temos:
                   eλ1 x + eλ2 x                           eλ2 x − eλ2 x
            y∗ =
             1                   = eα x cos β   e   y∗ =
                                                     2                   = eα x sin β ,
                         2                                       2
        y∗    eα x cos β
Como     1
           = αx          = cot β , β = 0, que n˜ o e constante, conclu´mos que y∗ , y∗
                                               a ´                    ı
        y∗
         2    e sin β                                                           1 2

s˜ o solucoes linearmente independentes. Temos ent˜ o:
 a       ¸˜                                           a

Teorema 15 Se a2 − 4b < 0, ent˜ o a equacao caracter´stica tem duas solucoes
                              a         ¸˜          ı                   ¸˜
complexas conjugadas e a solucao geral da equacao (2.11) e dada por
                             ¸˜               ¸˜         ´

                              y(x) = eα x (c1 cos β x + c2 sin β x)                       (2.21)
                                                                        √
                                                       a                    4b − a2
onde c1 , c2 s˜ o constantes reais arbitr´ rias e α = − e β =
              a                          a                                          .
                                                       2                      2
98                                  ´
                                 CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Exemplo 2.14 Seja y′′ + y = 0. A equacao caracter´stica e λ 2 + 1 = 0, cujas
                                     ¸˜          ı      ´
ra´zes s˜ o ±i. Uma vez que α = 0 e β = 1, a solucao geral e
  ı     a                                        ¸˜        ´


                                y(x) = c1 cos x + c2 sin x.


Esta e a equacao do movimento harm´ nico.
     ´       ¸˜                   o

Exemplo 2.15 Consideremos o PVI

                                   y′′ + y′ + y = 0

                                            y(0) = 1

                                           y′ (0) = 3.


A equacao caracter´stica da equacao diferencial e λ 2 + λ + 1 = 0, cujas ra´zes
      ¸˜ √        ı          √ ¸˜                  ´        √                  ı
     −1 + i 3          −1 − i 3                  1            3
λ1 =          e λ2 =            . Ent˜ o α = − e β =
                                     a                          e a solucao geral e
                                                                        ¸˜        ´
          2                2                     2           2
dada por:
                                        √              √
                           −x/2           3              3
                  y(x) = e       c1 cos     x + c2 sin     x ,
                                         2              2

com c1 , c2 constantes arbitr´ rias. A solucao do PVI tem que verificar as condicoes
                             a             ¸˜                                  ¸˜
iniciais y(0) = 1 e y′ (0) = 3, isto e:
                                     ´


                                               c1 = 1
                                  √
                                    3     1
                                      c2 − c1 = 3,
                                   2      2

                     √
donde c1 = 1, c2 = 7/ 3 e a solucao do PVI e:
                                ¸˜         ´

                                             √             √
                                               3      7      3
                      y(x) = e−x/2        cos    x + √ sin     x .
                                              2        3    2
˜       ´
2.5. ED NAO HOMOGENEAS: M. COEFICIENTES INDETERMINADOS                           99

        ¸˜                 ˜       ´
2.5 Equacoes diferenciais nao homogeneas:
           ´
          Metodo dos coeficientes indeterminados

                                                                   ¸˜
Vamos agora apresentar um m´ todo que nos permite calcular uma solucao particu-
                           e
                 ¸˜ a
lar para uma equacao n˜ o homog´ nea com coeficientes constantes
                               e

                                   y′′ + ay′ + by = g(x).                    (2.22)

Com vista a tal prop´ sito, comecamos por apresentar um resultado muito importante
                    o           ¸
a que chamamos princ´pio da sobreposicao:
                    ı                ¸˜

Teorema 16 Suponhamos que a funcao g(x) em (2.22) e a soma de duas funcoes
                               ¸˜                 ´                   ¸˜
g1 (x) e g2 (x) :
                                 g(x) = g1 (x) + g2 (x).

Se y1 (x) e solucao da equacao
          ´     ¸˜         ¸˜

                                   y′′ + ay′ + by = g1 (x)                   (2.23)

e y2 (x) e solucao da equacao
         ´     ¸˜         ¸˜

                                y′′ + ay′ + by = g2 (x),                     (2.24)

ent˜ o y = y1 + y2 e solucao da equacao (2.22). Isto e, a solucao de (2.22) e obtida
   a               ´     ¸˜         ¸˜               ´        ¸˜            ´
atrav´ s da sobreposicao de (2.23) e (2.24).
     e               ¸˜

Dem. Consideremos y = y1 + y2 , e substituamos esta solucao em (2.22):
                                                        ¸˜

                y′′ + ay′ + by =      y′′ + y2 + a y1 + y′ + b (y1 + y2 )
                                       1
                                             ′′     ′
                                                         2                   (2.25)

                              =       y′′ + ay′ + by1 + y′′ + ay′ + by2
                                       1      1          2      2            (2.26)

                              = g1 + g2 = g,                                 (2.27)

pois g1 (x) e g2 (x) s˜ o solucao de (2.23) e (2.24), respectivamente.
                      a       ¸˜
100                                      ´
                                      CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Em palavras simples, o princ´pio da sobreposicao diz-nos que se a funcao g(x) e
                            ı                ¸˜                      ¸˜       ´
decomposta em soma de funcoes simples gk (x), ent˜ o teremos que calcular uma
                         ¸˜                      a
solucao particular, y pk , para equacoes do tipo :
    ¸˜                              ¸˜

                            y′′ + ay′ + by = gk (x),   k = 1, 2, . . ., m,   (2.28)

sendo a solucao particular da equacao (2.22) igual a soma de todas estas solucoes:
            ¸˜                    ¸˜               `                         ¸˜
y p = y1k + · · · + ymk .

O m´ todo que vamos apresentar nesta seccao requere que a funcao g(x) tenha uma
   e                                    ¸˜                   ¸˜
das seguintes trˆ s formas:
                e

   (i) Pn (x)

  (ii) Pn (x)eα x

 (iii) eα x (Pn (x) cos β x + Qn (x) sin β x) ,

onde Pn (x), Qn (x) s˜ o polin´ mios em x de grau n (n ≥ 0). O dito m´ todo pode
                     a        o                                      e
ser usado se g(x) for a soma de funcoes gk (x) desta forma, obtendo-se a solucao
                                   ¸˜                                        ¸˜
particular da equacao em quest˜ o usando o princ´pio da sobreposicao.
                  ¸˜          a                 ı                ¸˜

Se nem todos os termos de g(x) forem de uma destas formas, o m´ todo dos
                                                              e
coeficientes indeterminados n˜ o pode ser aplicado.
                            a

Observe que da conjugacao destas trˆ s formas entre si, resulta uma grande diversi-
                      ¸˜           e
dade de situacoes, como por exemplo:
             ¸˜

    • 2e3x

    • e4x cos x

    • x cos x + x sin x

Porquˆ s´ funcoes deste tipo? Porque a derivada de somas e produtos deste tipo de
     e o     ¸˜
funcoes s˜ o ainda funcoes deste tipo.
   ¸˜    a            ¸˜

Por exemplo, este m´ todo n˜ o e aplic´ vel as funcoes:
                   e       a ´        a     `     ¸˜
˜       ´
2.5. ED NAO HOMOGENEAS: M. COEFICIENTES INDETERMINADOS 101

   • g(x) = ln x
              1
   • g(x) =
              x
                1
   • g(x) =
              tan x
   • g(x) = tan x

   • g(x) = sin−1 x

Veremos na Seccao 2.6 como tratar estes casos.
              ¸˜

O m´ todo dos coeficientes indeterminados assume que a solucao que procuramos
   e                                                      ¸˜
tem exactamente a mesma forma que g(x). Vejamos o seguinte exemplo:

Exemplo 2.16 Pretende-se calcular a solucao geral da seguinte equacao di-
                                        ¸˜                        ¸˜
ferencial:
                                   y′′ − y = x2 .                     (2.29)

Resolucao: Dado que g(x) = x2 , ent˜o a soluc˜o que procuramos
      ¸˜                           a        ¸a
ter´ que ser um polin´mio de grau 2:
   a                 o

                              y p (x) = a + bx + cx2

(usar sempre polin´mios completos).
                  o
Temos agora que calcular as constantes a, b, c :

                               y′p (x) = b + 2xc                      (2.30)

                               y′′ (x) = 2c
                                p                                     (2.31)

Substituindo y′p e y′′ na equacao (2.29), obtemos:
                    p         ¸˜

                            2c − (a + bx + cx2 ) = x2 .

Equacionando os coeficientes                temos:
                      
                       2c − a
                                           = 0
                      
                      
                        −b                  = 0
                      
                      
                      
                       −c                  = 1
102                                ´
                                CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

donde facilmente se chega ` conclus˜o que a = −2, b = 0 e c =
                          a        a
−1. Assim uma soluc˜o particular ´ y p (x) = −2 − x2 .
                  ¸a             e

Devemos agora substituir esta solucao na equac˜o e verificar
                                  ¸˜         ¸a
que de facto a verifica.

A solucao geral da equac˜o (2.29) ´ dada por:
      ¸˜               ¸a         e

                               y = c1 y1 + c2 y2 − 2 − x2 .

Como exerc´cio, calcule a funcao complementar ou soluc˜o
          ı                  ¸˜                      ¸a
             ¸˜
geral da equacao homog´nea.
                      e


Exemplo 2.17 Resolva a seguinte equacao diferencial
                                    ¸˜

                                y′′ − 3y′ + 2y = ex sin x.                         (2.32)

      ¸˜
Resolucao: A solucao particular ter´ de ser da forma
                 ¸˜                a

                             y p (x) = ex (a sin x + b cos x) .

Da mesma forma que usamos sempre polin´mios completos, tamb´m
                                      o                    e
usamos a sin x+b cos x, dado que a derivada do seno ´ o cosseno
                                                    e
e vice-versa.           Temos ent˜o:
                                 a

                     y′p (x) = (a − b) ex sin x + (a + b) ex cos x                 (2.33)

                     y′′ (x) = 2aex cos x − 2bex sin x
                      p                                                            (2.34)

Substituindo estas express˜es em (2.32), temos:
                          o

ex (2a cos x − 2b sin x)−3ex ((a − b) sin x + (a + b) cos x)+2ex (a sin x + b cos x) = ex sin x.

Assim:

                               2a − 3(a + b) + 2b = 0

                             −2b − 3(a − b) + 2a = 1,
˜       ´
2.5. ED NAO HOMOGENEAS: M. COEFICIENTES INDETERMINADOS 103

         1      1
e a=−      e b=   e a soluc˜o particular ´:
                              ¸a                  e
         2      2
                               ex
                      y p (x) = (cos x − sin x) .
                                2

A equacao (2.32) tem como soluc˜o geral:
      ¸˜                      ¸a
                                             ex
                   y(x) = c1 e2x + c2 ex +      (cos x − sin x) .
                                             2



Exemplo 2.18 Resolva a equacao
                           ¸˜

                                y′′ + y = xe2x .                    (2.35)

      ¸˜
Resolucao: A soluc˜o particular ´ da forma:
                 ¸a             e

                            y p (x) = e2x (a + bx) .

Ent˜o:
   a

                       y′p (x) = e2x (2a + b + 2bx)                 (2.36)

                       y′′ (x) = e2x (4a + 4b + 4bx) .
                        p                                           (2.37)

                           ¸˜
Depois de feita a substituicao obtemos:

                  e2x (4a + 4b + 4bx) + e2x (a + bx) = xe2x .

Do que resulta:

                        5a + 4b = 0        e     5b = 1.            (2.38)
               4      1
Ent˜o a = −
   a             e b = , donde resulta a soluc˜o particular
                                             ¸a
              25      5
                                        e2x
                            y p (x) =       (5x − 4) .
                                        25
Ou seja, a solucao geral de (2.35) ´:
               ¸˜                  e
                                             e2x
                       y = c1 y1 + c2 y2 +       (5x − 4) .
                                             25
104                              ´
                              CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Este m´ todo fica um pouco mais complicado sempre que a potencial solucao parti-
      e                                                              ¸˜
cular e j´ solucao da equacao homog´ nea (2.11).
      ´ a      ¸˜         ¸˜       e

Vejamos por exemplo a equacao
                          ¸˜

                            y′′ + y = 1 + x + x2 sin x,                    (2.39)

A funcao g(x) tem trˆ s termos, um dos quais e solucao da equacao homog´ nea
     ¸˜             e                        ´     ¸˜         ¸˜       e
y′′ + y = 0.

De acordo com g(x), a solucao particular teria a forma:
                          ¸˜

               y p = a0 + a1 x + a2 x2 sin x + b0 + b1 x + b2 x2 cos x     (2.40)

A equacao homog´ nea associada tem como solucao geral a0 sin x + b0 cos x. Sempre
      ¸˜       e                            ¸˜
que temos uma situacao destas, o m´ todo dos coeficientes indeterminados tem que
                   ¸˜             e
ser modificado.

Exemplo 2.19 Determine a solucao de
                             ¸˜

                                   y′′ − y = 2ex .


      ¸˜
Resolucao:
A solucao geral de y′′ − y = 0 ´ y(x) = c1 ex + c2 e−x . Ent˜o
      ¸˜                       e                            a
g(x) = 2ex ´ soluc˜o da equac˜o homog´nea associada.
           e     ¸a         ¸a       e                                        Se
                                 ¸˜
experimentarmos calcular uma solucao particular para a
    ¸˜
equacao n˜o homog´nea utilizando o procedimento que
         a       e
acab´mos de expor, i.e.
    a                                 yp      =      Aex , n˜o iremos a lado
                                                            a
nenhum....
Experimente e chegue ` conclus˜o que de facto assim ´.
                     a        a                     e
O que fazer ent˜o?
               a                                   ¸˜
                              Toda a potencial solucao particular
ter´ que ser multiplicada por x :
   a

                                    y p = Axex .
˜       ´
2.5. ED NAO HOMOGENEAS: M. COEFICIENTES INDETERMINADOS 105

Ent˜o
   a

                                y′p = Aex (x + 1)                         (2.41)

                                y′′ = Aex (x + 2),
                                 p                                        (2.42)

e substituindo vem:

                           y′′ − y p = Aex (x + 2) − Axex .
                            p


Depois das contas feitas, obtemos A = 1 e a solucao geral
                                                ¸˜
da equac˜o ´:
       ¸a e
                             y(x) = c1 y1 + c2 y2 + xex .




Este exemplo, sugere a seguinte regra:

          ¸˜
   Modificacao do m´ todo
                  e
Se algum dos termos da potencial solucao particular y p da equacao (2.22) e
                                     ¸˜                        ¸˜         ´
solucao da equac˜ o homog´ nea associada, ent˜ o a solucao y p e repetidamente
    ¸˜          a        e                   a         ¸˜      ´
multiplicada por x at´ que nenhum dos termos de y p xk seja solucao da equacao
                     e                                          ¸˜         ¸˜
homog´ nea associada a (2.22). O produto y p xk e ent˜ o usado para resolver a
     e                                          ´    a
equacao (2.22).
    ¸˜


Exemplo 2.20 Determine a solucao de
                             ¸˜

                                   y′′ + y = cos x

que satisfaz as condicoes iniciais: y(0) = 2 e y′ (0) = −3.
                     ¸˜

      ¸˜
Resolucao:
A solucao geral da equac˜o homog´nea associada e
      ¸˜               ¸a       e              ´
y(x) = c1 cos x + c2 sin x, donde fica claro que g(x) ´ soluc˜o
                                                      e     ¸a
       ¸˜
da equacao homog´nea.
                e
106                             ´
                             CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Temos ent˜o que usar o m´todo modificado.
         a              e                                        Consideremos
ent˜o y p
   a          =     Ax cos x + Bx sin x. Agora nenhum termo de y p ´
                                                                   e
solucao da equac˜o homog´nea associada.
    ¸˜         ¸a       e                                      Facamos ent˜o
                                                                 ¸        a
os c´lculos:
    a


                   y′p = (A + Bx) cos x + (B − Ax) sin x

                   y′′ = (2B − Ax) cos x + (−2A − Bx) sin x
                    p


                      ¸˜
e substituindo na equacao:

y′′ +y p = (2B − Ax) cos x+(−2A − Bx) sin x+(Ax sin x + Bx cos x) = −2A sin x+2B cos x.
 p


Depois das contas feitas, vem que:

                                                      1
                           −2A = 0, 2B = 1, B =
                                                      2

e a solucao particular ´:
        ¸˜             e

                                       1
                                  y p = x sin x.
                                       2

A soluc˜o geral da equacao n˜o homog´nea ´ ent˜o:
      ¸a               ¸˜   a       e    e    a

                                                   1
                       y(x) = c1 cos x + c2 sin x + x sin x.
                                                   2

Falta calcular o valor das constantes arbitr´rias por forma
                                            a
                                ¸˜
a que sejam satisfeitas as condicoes iniciais:

                               y(0) = c1 = 2

                              y′ (0) = c2 = −3.

Temos assim a soluc˜o do PVI:
                  ¸a

                                                 1
                         y(x) = 2 cos x − sin x + x sin x.
                                                 2
˜       ´
2.5. ED NAO HOMOGENEAS: M. COEFICIENTES INDETERMINADOS 107

Exemplo 2.21 Determine a solucao geral de
                             ¸˜

                                  y′′ + y = x sin x.

      ¸˜
Resolucao:            ¸˜
                A solucao particular teria a forma

                        y p = (Ax + B) cos x + (Cx + D) sin x,

mas dado que a solucao geral da equac˜o y′′ + y = 0 ´
                   ¸˜               ¸a              e

                                  B cos x + D sin x,

temos que o m´todo tem que ser modificado e y p passa a ter
             e
a forma:
                     y p = Ax2 + Bx cos x + Cx2 + Dx sin x.

Calculando as derivadas:

y′p =    Cx2 + (2A + D) x + B cos x + −Ax2 + (2C − B) x + D sin x

y′′ =
 p       −Ax2 + (4C − B) x + 2A + 2D cos x + −Cx2 − (4A + D) x + 2C − 2B sin x

e substituindo na equac˜o:
                      ¸a

        y′′ + y p = (4Cx + 2A + 2D) cos x + (−4Ax + 2C − 2B) sin x = x sin x,
         p

             1                   1
obtemos A = − , B = 0,C = 0 e D = , e donde a solucao particular
                                                  ¸˜
             4                   4
da equac˜o n˜o homog´nea ´:
       ¸a    a          e     e

                                   1          1
                            y p = − x2 cos x + x2 sin x.
                                   4          4

Consequentemente, temos como solucao geral da equac˜o n˜o
                                 ¸˜               ¸a   a
homog´nea:
     e

                              1               1
                   y(x) = c1 − x2 cos x + c2 + x2 sin x.
                              4               4
108                              ´
                              CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Vamos agora sumariar estes resultados.

Consideremos a equacao n˜ o homog´ nea de coeficientes constantes:
                   ¸˜ a          e

                               y′′ + ay′ + by = g(x)                          (2.43)

e a equacao homog´ nea que lhe est´ associada:
        ¸˜       e                a

                                 y′′ + ay′ + by = 0                           (2.44)


Caso 1
Nenhum termo de y p e solucao de (2.44), ent˜ o a solucao y p e constru´da de
                    ´     ¸˜                a         ¸˜      ´        ı
forma ordin´ ria.
           a


Caso 2
Se algum termo de y p e solucao de (2.44), ent˜ o a potencial solucao y p e multi-
                      ´     ¸˜                a                   ¸˜      ´
plicada por xk , onde k e o menor inteiro de forma a que nenhum dos seus termos
                        ´
seja solucao de (2.44).
         ¸˜




        ¸˜                 ˜       ´
2.6 Equacoes diferenciais nao homogeneas:
          ´             ¸˜        ˆ
         Metodo da variacao de parametros

Nesta seccao vamos descrever um procedimento que permite calcular uma solucao
         ¸˜                                                               ¸˜
particular de uma equacao diferencial homog´ nea do tipo:
                      ¸˜                   e

                           y′′ + a(x)y′ + b(x)y = g(x),                       (2.45)

onde as funcoes a(x), b(x) e g(x) s˜ o necessariamente cont´nuas. De forma a fazer
           ¸˜                      a                       ı
bom uso deste m´ todo, e necess´ rio o conhecimento da solucao geral
               e       ´       a                           ¸˜

                             y(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x)
˜       ´              ¸˜        ˆ
2.6. ED NAO HOMOGENEAS: M. VARIACAO DE PARAMETROS                                       109

da equacao homog´ nea associada:
       ¸˜       e

                                y′′ + a(x)y′ + b(x)y = 0.                            (2.46)

Caso a(x) e b(x) sejam funcoes constantes, ent˜ o a solucao geral de (2.45) e facil-
                          ¸˜                  a         ¸˜                  ´
mente calculada utilizando os m´ todos descritos na Seccao 2.4. Se estes coefici-
                               e                       ¸˜
entes n˜ o forem ambos constantes, podemos usar o m´ todo da reducao de ordem
       a                                           e             ¸˜
descrito na Seccao 2.3 caso conhecamos uma das solucoes. Caso contr´ rio, calcular
               ¸˜                ¸                 ¸˜              a
a solucao geral da equacao homog´ nea associada poder´ ser bastante complicado ...
      ¸˜               ¸˜       e                    a

Qualquer solucao particular y p de (2.45) dever´ ser tal que y p /y1 e y p /y2 dever˜ o
             ¸˜                                a                                    a
ser n˜ o constantes, sugerindo desta forma que procuremos uma solucao particular
     a                                                            ¸˜
de (2.45) com a seguinte forma:

                            y(x) = c1 (x)y1 (x) + c2 (x)y2 (x).                      (2.47)

O m´ todo deve o seu nome a substituicao das vari´ veis c1 e c2 pelas funcoes c1 (x)
   e                      `          ¸˜          a                       ¸˜
e c2 (x).

Diferenciando (2.47), obtemos:

             y′ (x) = c1 (x)y′ (x) + c2 (x)y′ (x) + c′ (x)y1 (x) + c′ (x)y2 (x).
                             1              2        1              2                (2.48)

De forma a simplificar esta ultima express˜ o, fazemos:
                           ´             a

                              c′ (x)y1 (x) + c′ (x)y2 (x) = 0,
                               1              2                                      (2.49)

donde
                            y′ (x) = c1 (x)y′ (x) + c2 (x)y′ (x).
                                            1              2                         (2.50)

Diferenciando mais uma vez, obtemos:

            y′′ (x) = c1 (x)y′′ (x) + c2 (x)y′′ (x) + c′ (x)y′ (x) + c′ (x)y′ (x).
                             1               2         1     1        2     2        (2.51)

Substituindo y′ (x) e y′′ (x) em (2.45), obtemos:

    y′′ + a(x)y′ + b(x)y = c1 (x) y′′ + ay′ + by1
                                   1      1

                                +c2 (x) y′′ + ay′ + by2 + c′ (x)y′ (x) + c′ (x)y′ (x)
                                         2      2          1     1        2     2

                           = g(x)
110                                ´
                                CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Como y1 , y2 s˜ o solucao da equacao homog´ nea, esta ultima equacao reduz-se a
              a       ¸˜         ¸˜       e           ´          ¸˜

                           c′ (x)y1 (x) + c′ (x)y′ (x) = g(x)
                            1
                                  ′
                                           2     2                          (2.52)

Considerando conjuntamente as equacoes (2.49) e(2.52), temos:
                                  ¸˜

                          c1 (x)y1 (x) + c′ (x)y2 (x) = 0
                           ′
                                          2                                 (2.53)

                          c′ (x)y1 (x) + c′ (x)y′ (x) = g(x)
                           1
                                 ′
                                          2     2                           (2.54)

Podemos escrever (2.53) e (2.54) na seguinte forma:
                                                  
                          y1 y2        c′           0
                                  1  =                                (2.55)
                           ′ y′
                          y1 2          ′
                                       c2         g(x)

Ora o determinante da matriz deste sistema e o wronskiano, W (y1 , y2 )(x). Como
                                           ´
W (y1 , y2 )(x) = 0, c′ (x) e c′ (x) s˜ o univocamente determinados.
                      1        2      a

Voltemos as equacoes (2.53) e (2.54). Com a equacao (2.53) multiplicada por y′ e
         `      ¸˜                              ¸˜                           2

a equacao (2.54) por y2 , obtemos:
      ¸˜

                 c′ (x)y1 (x)y2 (x) + c′ (x)y2 (x)y′ (x) = 0
                  1
                              ′
                                       2           2                        (2.56)

                 c′ (x)y′ (x)y2 (x) + c′ (x)y2 (x)y′ (x) = y2 (x)g(x).
                  1     1              2           2                        (2.57)

Subtraindo (2.57) de (2.56), temos:

                      y1 (x)y′ (x) − y′ (x)y2 (x) c′ = −y2 (x)g(x)
                             2        1            1


ou ainda:
                                   ′      −y2 g(x)
                                  c1 =                   .
                                         W (y1 , y2 )(x)
Uma express˜ o an´ loga e obtida para c′
           a     a      ´              2:

                                            y1 g(x)
                                  c′ =
                                   2                     .
                                         W (y1 , y2 )(x)

Posto isto, se conseguirmos integrar c′ e c′ , ent˜ o podemos substituir c1 e c2 em
                                      1    2      a
(2.47) e obter a solucao particular pretendida.
                     ¸˜

Vejamos o seguinte exemplo:
˜       ´              ¸˜        ˆ
2.6. ED NAO HOMOGENEAS: M. VARIACAO DE PARAMETROS                                         111

Exemplo 2.22 Resolva a equacao diferencial y′′ − y = e2x pelo m´ todo da
                           ¸˜                                  e
variacao de parˆ metros.
     ¸˜        a

      ¸˜
Resolucao:      As solucoes da equac˜o homog´nea s˜o y1 = e−x e
                       ¸˜          ¸a       e     a
y1 = ex . Temos ent˜o que W (y1 , y2 ) = 2, e
                   a
                              −e2x ex −e3x                      e2x e−x ex
                    c′ =
                     1               =     ,             c′ =
                                                          2            = .
                                2      2                           2    2
Integrando, vem:
                              −e3x       e3x                        ex     ex
                   c1 =            dx = − ,                c2 =        dx = .
                               2          6                         2      2
A solucao particular ´:
      ¸˜             e
                                                            e2x e2x e2x
                    c1 (x)y1 (x) + c2 (x)y2 (x) = −            +   =
                                                             6   2   3

e a soluc˜o geral ´:
        ¸a        e
                                     e2x
       y(x) = c1 ex + c2 e−x +           ,     c1 , c2 constantes arbitr´rias
                                                                        a
                                      3




Exemplo 2.23 Resolva a seguinte equacao:
                                    ¸˜

                                             y′′ + y = tan x.

      ¸˜
Resolucao:      As solucoes da equacao homog´nea s˜o y1 = cos x e
                       ¸˜          ¸˜       e     a
y2 = sin x, e como tal W (y1 , y2 )(x) = 1.

Temos a seguir que:

                          0     y2
                      g(x) y′
                            2                −y2 g(x)
          c′
           1   =                       =                  = − tan sin x = cos x − sec x
                     W (y1 , y2 )            W (y1 , y2 )

                      y1        0
                      y′ g(x)
                       1                      y1 g(x)
          c′
           2   =                       =                  = tan x cos x = sin x.
                     W (y1 , y2 )            W (y1 , y2 )
112                                ´
                                CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Donde

               c1 =       cos xdx −      sec xdx = sin x − ln |sec x tan x|

               c2 =       sin xdx = −cosx,

e a soluc˜o particular ´ dada por:
        ¸a             e

               y p (x) = c1 cos x + c2 sin x

                       = sin x cos x − cos x ln |sec x tan x| − sin x cos x

                           − cos x ln |sec x tan x| .

                   ¸˜
Segue-se que a solucao geral toma a forma:

                   y(x) = c1 cos x + c2 sin x − cos x ln |sec x tan x| ,

com c1 , c2 constantes arbitr´rias.
                             a




        ¸˜
2.7 Equacao de Euler

Para a maioria das equacoes diferenciais com coeficientes vari´ veis torna-se im-
                       ¸˜                                    a
poss´vel obter uma representacao da solucao geral em termos de funcoes elementa-
    ı                        ¸˜         ¸˜                        ¸˜
res, sendo na maioria dos casos necess´ rio usar t´ cnicas mais sofisticadas, como por
                                      a           e
exemplo s´ ries de potˆ ncias, para obter a solucao. Existe, no entanto, uma classe
         e            e                         ¸˜
de equacoes bastante frequente nas aplicacoes e cuja representacao da solucao pode
       ¸˜                                ¸˜                    ¸˜         ¸˜
                e       e                                ¸˜
ser obtida atrav´ s de m´ todos simples. Trata-se da equacao de Euler, que tem a
forma:
                          x2 y′′ + axy′ + by = g(x),     x = 0.               (2.58)

Reescrevemos a equacao (2.58) como:
                   ¸˜

                                    a     b    g(x)
                               y′′ + y′ + 2 y = 2 ,                           (2.59)
                                    x    x      x
¸˜
2.7. EQUACAO DE EULER                                                             113

que n˜ o est´ definida para x = 0. Como ponto de partida, devemos resolver a
     a      a
equacao de Euler homog´ nea
    ¸˜                e


                          x2 y′′ + axy′ + by = 0,    x = 0.                   (2.60)

Se conseguirmos determinar duas solucoes linearmente independentes de (2.60),
                                    ¸˜
ent˜ o podemos posteriormente determinar uma solucao particular de (2.58) atrav´ s
   a                                             ¸˜                            e
do m´ todo da variacao de parˆ metros.
    e              ¸˜        a

Com o intuito de resolver a equacao (2.60), assumiremos que esta equacao admite
                                ¸˜                                   ¸˜
uma solucao da forma xλ . Substituindo na equacao (2.60), obtemos:
        ¸˜                                    ¸˜


            λ (λ − 1) xλ + aλ xλ + bxλ = xλ (λ (λ − 1) + aλ + b) = 0.

Se x = 0, podemos dividir por xλ e obtemos ent˜ o a equacao caracter´stica para esta
                                              a         ¸˜          ı
classe de equacoes:
              ¸˜
                              λ (λ − 1) + aλ + b = 0                          (2.61)

ou ainda
                              λ 2 + (a − 1) λ + b = 0.

`
A semelhanca das equacoes lineares homog´ neas com coeficientes constantes, exis-
          ¸          ¸˜                 e
tem trˆ s casos distintos que devem ser considerados separadamente:
      e



Caso 1:        A equacao caracter´stica (2.61) tem duas ra´zes reais distintas.
                     ¸˜          ı                        ı

Exemplo 2.24 Determine a solucao da equacao
                             ¸˜         ¸˜

                          x2 y′′ + 2xy′ − 12y = 0,   x = 0.


      ¸˜
Resolucao:      A equac˜o caracter´stica ´
                      ¸a          ı      e


                   λ (λ − 1) + 12λ − 12 = (λ + 4) (λ − 3) = 0,
114                                ´
                                CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

cujas ra´zes s˜o λ = −4 e λ = 3. Temos ent˜o duas solucoes
        ı     a                           a           ¸˜
y1 = x−4 e y2 = x3 que s˜o linearmente independentes.
                        a                                                       Segue-se
que a solucao geral da equac˜o ´ dada por:
          ¸˜               ¸a e
                                     c1
                            y(x) =      + c2 x3 ,     c1 , c2 ∈ R.
                                     x4




Em geral, temos o seguinte resultado:

Teorema 17 Se a equacao caracter´stica da equacao (2.60) tem duas ra´zes
                    ¸˜          ı             ¸˜                    ı
reais e distintas λ1 e λ2 , ent˜ o a solucao geral de (2.60) e
                               a         ¸˜                  ´

                          y(x) = c1 xλ1 + c2 xλ2 ,     c1 , c2 ∈ R.             (2.62)


Caso 2:         A equacao caracter´stica (2.61) tem duas ra´zes reais iguais.
                      ¸˜          ı                        ı

Exemplo 2.25 Determine a solucao da equacao x2 y′′ − 3xy′ + 4y = 0, x > 0.
                             ¸˜         ¸˜

      ¸˜
Resolucao:       A equac˜o caracter´stica ´
                       ¸a          ı      e

                             λ 2 − 4λ + 4 = (λ − 2)2 = 0

cuja ra´z ´ λ = 2 (ra´z com multiplicidade 2).
       ı e           ı

Temos ent˜o uma solucao y1 (x) = x2 .
         a          ¸˜
              ¸˜ e
A segunda solucao ´ determinada usando o M´todo da
                                          e
    ¸˜
Reducao de ordem (ver Secc˜o 2.3), obtendo-se
                         ¸a

                                      y2 (x) = x2 ln x

(Prove-o como exerc´cio).
                   ı
Temos ent˜o que a soluc˜o geral ´
         a            ¸a        e

                         y(x) = c1 x2 + c2 x2 ln x,      c1 , c2 ∈ R.
¸˜
2.7. EQUACAO DE EULER                                                             115

Em geral, temos:

Teorema 18 Se a equacao caracter´stica da equacao (2.60) tem uma ra´z dupla
                    ¸˜          ı             ¸˜                   ı
λ , ent˜ o a solucao geral de (2.60) e
       a         ¸˜                  ´

                       y(x) = c1 xλ + c2 xλ ln |x|,     c1 , c2 ∈ R.           (2.63)


Caso 3:         A equacao caracter´stica (2.61) tem duas ra´zes complexas conjuga-
                      ¸˜          ı                        ı
das
                          λ1 = α + iβ       e    λ2 = α − iβ .

Exemplo 2.26 Determine a solucao da equacao
                             ¸˜         ¸˜

                           x2 y′′ + 5xy′ + 13y = 0,      x > 0.

Resolucao: A equacao caracter´stica e
      ¸˜         ¸˜          ı      ´

                                   λ 2 + 4λ + 13 = 0

cujas ra´zes s˜ o λ = −2 ± 3i.
        ı     a

Temos ent˜ o as solucoes y1 (x) = x−2+3i e y2 (x) = x−2−3i .
         a          ¸˜
                                                                            a
´
E poss´vel eliminar os expoentes complexos, se nos lembrarmos que xa = eln x =
      ı
ea ln x .

Temos ent˜ o y1 (x) = x−2+3i = x−2 x3i = x−2 e3i ln x e aplicando a f´ rmula de Euler,
         a                                                           o
vem
                       y1 (x) = x−2 (cos (3 ln x) + i sin (3 ln x)) .

De igual modo temos:

                       y2 (x) = x−2 (cos (3 ln x) − i sin (3 ln x)) .

Constru´mos agora duas outras solucoes a partir de y1 e y2 :
       ı                          ¸˜
                            1
                   y3 (x) =   (y1 (x) + y2 (x)) = x−2 cos (3 ln x)             (2.64)
                            2
                            1
                   y4 (x) =   (y1 (x) − y2 (x)) = x−2 sin (3 ln x)             (2.65)
                            2
116                                  ´
                                  CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

e a solucao geral e:
        ¸˜        ´

               y(x) = x−2 (c1 cos (3 ln x) + c2 sin (3 ln x)) ,   c1 , c2 ∈ R.


Em geral, temos: Estudamos de seguida duas aplicacoes da equacoes diferenciais
                                                 ¸˜          ¸˜
de ordem–2 com coeficientes constantes. O leitor interessado poder´ consultar a
                                                                 a
bibliografia para outras aplicacoes, nomeadamente em (?, ?; Zill, 1997).
                              ¸˜




          ¸˜                ˆ
2.8 Aplicacoes: sistemas mecanicos

Suponha-se que uma mola flex´vel est´ pendurada verticalmente num suporte r´gido,
                           ı       a                                      ı
e que na extremidade livre da mola se pendura uma massa m. Esta massa vai pro-
vocar um movimento vibrat´ rio da mola at´ ser atingida uma posicao de equil´brio.
                         o               e                      ¸˜          ı
Designe-se por L o alongamento da mola na posicao de equil´brio, i.e., L e o com-
                                              ¸˜          ı              ´
primento da mola na posicao de equil´brio menos o comprimento original da mola
                        ¸˜          ı
(de acordo com a Figura 2.1). Para construir um referencial relativamente ao qual




                                                                         x(t) < 0    F (t)
                                             O                            x(t) = 0
           L                                     X                       x(t) > 0    P (t)
                         m




                             Figura 2.1: Sistema mola–massa.


est´ descrito o movimento da massa, supomos que a massa est´ concentrada num
   a                                                       a
ponto material e consideramos um eixo vertical, OX , em que O coincide com o
¸˜                ˆ
2.8. APLICACOES: SISTEMAS MECANICOS                                            117

                      ¸˜          ı                   ˙
ponto material na posicao de equil´brio e o semi-eixo OX aponta para baixo. Assim,
consideramos como deslocamentos positivos os efectuados para baixo da posicao
                                                                          ¸˜
de equil´brio e negativos os feitos para cima da posicao de equil´brio. Seja x(t) a
        ı                                            ¸˜          ı
posicao do ponto material no instante t, referenciada no eixo OX (de acordo com a
    ¸˜
Figure 2.1).


O alongamento da mola no instante t e o comprimento da mola no instante t menos
                                    ´
o comprimento original da mola. Facilmente se verifica que o alongamento da mola
no instante t e x(t) + L, tanto se x(t) ≥ 0 como se x(t) < 0. Este alongamento e
              ´                                                                ´
positivo ou negativo consoante a mola est´ esticada ou encolhida. De acordo com
                                         a
a lei de Hooke, no instante t, a mola exerce na massa uma forca, F(t), que tem
                                                             ¸
a direccao vertical (direccao coincidente com a direccao do alongamento), sentido
       ¸˜                 ¸˜                         ¸˜
contr´ rio ao do alongamento e cuja norma e, em cada instante, proporcional ao
     a                                    ´
alongamento sofrido pela mola nesse instante. Isto e, F(t) = −k(x(t) + L)ˆ, onde
                                                   ´                     ı
a constante de proporcionalidade, k > 0, e designada por constante da mola e ˆ
                                         ´                                   ı
                                                                        ˙
representa o vector de norma um com a direccao e o sentido do semi-eixo OX .
                                           ¸˜


A posicao de equil´brio e atingida quando a forca exercida pela mola e o peso P =
      ¸˜          ı     ´                      ¸
mgˆ, (onde g = 9, 8ms−2 e a aceleracao da gravidade) se anulam, isto e, quando
  ı                     ´          ¸˜                                ´
F(t) = −P.


Uma vez que na posicao de equil´brio se tem x(t) = 0, a condicao de equil´brio e
                   ¸˜          ı                             ¸˜          ı     ´
mg = kL. Assim, conhecendo o alongamento da mola na posicao de equil´brio, L, e
                                                        ¸˜          ı
a massa, m, pode obter-se a constante da mola k.


Suponha-se agora que a massa e deslocada para a posicao de equil´brio e depois
                             ´                      ¸˜          ı
libertada com velocidade v0 . Seja x0 = x(0) a posicao ocupada pela massa (ponto
                                                   ¸˜
material) no instante inicial (instante em que e libertada). Assim x0 > 0 ou x0 <
                                               ´
0 consoante a massa e libertada de uma posicao abaixo ou acima da posicao de
                    ´                      ¸˜                         ¸˜
equil´brio L.
     ı
118                                ´
                                CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

2.8.1                    ´                  ˜
           Movimento harmonico simples (ou nao amortecido)

Pela Lei de Newton, a forca total a actuar na massa no instante t e mx′′ (t)ˆ. Supondo
                         ¸                                        ´         ı
que se trata de um movimento livre, por exemplo no v´ cuo, as forcas que actuam na
                                                    a            ¸
massa no instante t s˜ o a forca exercida pela mola, F(t) = −k(x(t) + L)ˆ, e o peso,
                     a        ¸                                         ı
P = mgˆ.
      ı

Dever´ assim ter-se que mx′′ (t) = −k (x(t) + L) + mg. Da condicao de equil´brio,
     a                                                         ¸˜          ı
kL = mg, resulta que mx′′ (t) + kx(t) = 0. Obt´ m-se assim a ED de ordem–2 e coe-
                                              e
ficientes constantes:
                                        k
                            x′′ (t) +     x(t) = 0,   t > 0.                   (2.66)
                                        m
Ent˜ o o PVI :
   a                        
                             x′′ (t) + k x(t) = 0, t > 0
                            
                            
                                       m
                                                                               (2.67)
                             x(0) = x0
                            
                             ′
                             x (0) = v
                                            0

descreve completamente o movimento vibrat´ rio da massa.
                                         o

Considerando ω =       k/m, a ED (2.66) assume ent˜ o a forma:
                                                  a

                            x′′ (t) + ω 2 x(t) = 0,   t > 0.                   (2.68)

A ω chamamos velocidade angular, cuja unidade e rad/seg.
                                              ´

Vamos de seguida dar resposta as seguintes quest˜ es.
                              `                 o

   1. Prove que o integral geral desta ED e
                                          ´

                       x(t) = c1 cos(ω t) + c2 sin(ω t),       c1 , c2 ∈ R.    (2.69)


   2. Determine a solucao do PVI.
                      ¸˜
                                                           2π
   3. Prove que esta funcao e peri´ dica de per´odo T =
                        ¸˜ ´      o            ı              . A T chama-se o
                                                            ω
      per´odo do movimento e a ω a frequˆ ncia circular do movimento.
         ı                              e
¸˜                ˆ
2.8. APLICACOES: SISTEMAS MECANICOS                                              119

   4. Supondo v0 = 0, reescreva a solucao na forma:
                                      ¸˜

                                      x(t) = A sin (ω t + φ )

      Atencao: tem de determinar A e φ .
          ¸˜

   5. Determine a amplitude do movimento.

De forma a determinar a solucao geral de (2.67), determinamos as ra´zes da equacao
                            ¸˜                                     ı           ¸˜
caracter´stica, que s˜ o ±iω , levando a equacao geral:
        ı            a                 `     ¸˜

                               x(t) = c1 cos ω t + c2 sin ω t.

                                                                              v0
Atrav´ s das condicoes iniciais, determinamos as constantes c1 = x0 e c2 =
     e            ¸˜                                                             ,ea
                                                                              ω
solucao do problema de valor inicial e:
    ¸˜                               ´

                                                     v0
                               x(t) = x0 cos ω t +      sin ω t.              (2.70)
                                                     ω

Seria agrad´ vel ter uma solucao do tipo:
           a                 ¸˜

                                  x(t) = A sin (ω t + φ ) ,                   (2.71)

pois tal permitiria tracar com maior facilidade o gr´ fico da sobreposicao das funcoes
                       ¸                            a                 ¸˜         ¸˜
sinus´ ides. De forma a conseguir tal, usamos a f´ rmula trigonom´ trica do seno da
     o                                           o               e
soma sin(x + y) = sin x cos y + cosx sin y :

                          x(t) = A sin (ω t + φ )

                               = A sin ω t cos φ + A cos ω t sin φ
                                               v0
                               = x0 cos ω t + sin ω t.
                                               ω

Ent˜ o, equacionando os coeficientes temos:
   a

                                                               v0
                             A sin φ = x0    e   A cos φ =
                                                               ω

               v0   2
        x2 +            = A2 sin2 φ + A2 cos2 φ = A2 sin2 φ + cos2 φ = A2
         0
               ω
120                               ´
                               CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

e ent˜ o
     a
                                                     v0     2
                                   A=      x2 +                 .
                                            0        ω
Temos ainda que:

                                       1 v0                         x0
                           cos φ =              e      sin φ =
                                       Aω                           A

e ent˜ o
     a
                                     sin φ    x0 /A    x0 ω
                          tan φ =          =         =      .
                                     cos φ   v0 /ω A    v0
Conclu´mos assim que a solucao (2.69) pode ser escrita na forma (2.71) com
      ı                    ¸˜

                                                       v0   2
                                    A=        x2 +
                                               0       ω

e
                                                     x0 ω
                                    φ = tan−1
                                                      v0
ou
                                                x0 ω
                               φ = tan−1                    + π.
                                                 v0

Devido a representacao (2.71), o movimento da massa diz-se movimento harm´ nico,
       `           ¸˜                                                    o
dado ser sinusoidal. Da an´ lise desta equacao, conclui-se que a massa oscila entre
                          a                ¸˜
as posicoes extremas ±A; A diz-se a amplitude do movimento. Como o seno tem
       ¸˜
         2π
per´odo
   ı        , este e ent˜ o o tempo requerido para completar uma oscilacao com-
                   ´    a                                              ¸˜
          ω
pleta. A frequˆ ncia natural f do movimento e o n´ mero de oscilacoes completas
               e                              ´    u             ¸˜
por unidade de tempo:
                                                 ω
                                         f=
                                                2π .
Observemos que ainda que a amplitude depende das condicoes iniciais, o mesmo
                                                      ¸˜
n˜ o acontece com a frequˆ ncia.
 a                       e

Exemplo 2.27 Suponhamos que x0 = 0.5m, k = 0.4N/m, m = 10kg, e v0 =
                         k         2 √
0.25m/s. Ent˜ o ω =
            a              =         = 0.04 = 0.2 e da equacao (2.70)
                                                           ¸˜
                         m         3
                                   0.25
           x(t) = 0.5 cos 0.2t +        sin 0.2t = 0.5 cos 0.2t + 1.25 sin 0.2t.
                                    0.2
¸˜                ˆ
2.8. APLICACOES: SISTEMAS MECANICOS                                               121

Calculemos ainda:
                                               √
                       A=     0.52 + 1.252 =       1.8125 ≈ 1.3463

e
                       (0.5)(0.2)
           φ = tan−1                = tan−1 (0.4) ≈ 0.3805 radianos(≈ 21.8◦ )
                          0.25
e ent˜ o
     a
                          x(t) ≈ 1.3463 sin (0.2t + 0.3805) m.

Exerc´cio 10 Uma forca de 5 N provoca um alongamento de 5 cm numa mola.
     ı              ¸
Suponha-se que a massa e deslocada 5cm na direccao positiva e libertada com uma
                       ´                       ¸˜
velocidade inicial, para cima, de 0, 3 m/s. Determinemos a posicao da massa em
                                                               ¸˜
cada instante, o per´odo e a amplitude do movimento.
                    ı



2.8.2                     ´
            Movimento harmonico amortecido

Como a suposicao de n˜ o existirem outras forcas a actuar na mola n˜ o e muito
             ¸˜      a                       ¸                     a ´
realista, vamos agora considerar a existˆ ncia de forcas amortecedoras, como por
                                        e            ¸
exemplo a resistˆ ncia do meio em que se desloca a massa. Supondo ser razo´ vel
                e                                                         a
considerar a forca amortecedora total proporcional a velocidade intantˆ nea da massa
                ¸                                  `                  a
(por exemplo, quanto mais lento e o movimento mais pequena e a resistˆ ncia do ar),
                                ´                          ´         e
obt´ m-se a equacao:
   e            ¸˜

                         mx′′ (t) = −β x′ (t) − kx(t),    t > 0.                (2.72)

onde β > 0 e a constante de amortecimento. Temos ent˜ o o problema de valor
           ´                                        a
inicial:

                            mx′′ (t) + β x′(t) + kx(t) = 0                      (2.73)

                                                 x(0) = x0                      (2.74)

                                                x′ (0) = v0                     (2.75)
122                                    ´
                                    CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Comecamos ent˜ o por calcular as ra´zes da equacao caracter´stica:
    ¸        a                     ı           ¸˜          ı
                                         −β ±     β 2 − 4mk
                               x(t) =                       .
                                                 2m
A natureza da solucao geral depende do discriminante
                  ¸˜                                             β 2 − 4mk. Se β 2 > 4mk,
ent˜ o as ra´zes s˜ o ambas negativas, pois
   a        ı     a                               β 2 − 4mk < β . Neste caso
                             −β +      β 2 − 4mk          −β − β 2 − 4mk
                                                 t                       t
               x(t) = c1 e            2m           + c2 e      2m                  (2.76)

Esta solucao tende para zero quando t → ∞, para quaisquer condicoes iniciais.
         ¸˜                                                    ¸˜

De igual modo, se o discriminante for nulo ent˜ o
                                              a

                               x(t) = e(−β /2m)t (c1 + c2t, )

e o comportamento assimpt´ tico da solucao e semelhante.
                         o             ¸˜ ´

Se β 2 < 4mk, ent˜ o a solucao geral e
                 a         ¸˜        ´

                                        4mk − β 2               4mk − β 2
        x(t) = e(−β /2m)t    c1 cos               t + c2 sin              t ,      (2.77)
                                         2m                      2m
que tem oscilacoes de frequˆ ncia
              ¸˜           e
                                             4mk − β 2
                                      f=               .
                                              4π m
Exerc´cio 11 Uma forca de 2 N provoca um alongamento de 0, 2 m numa mola.
     ı              ¸
Suponha-se que a massa e deslocada a partir da posicao de equil´brio com uma ve-
                       ´                           ¸˜          ı
locidade inicial, no sentido negativo, de 0, 5 m/s. Supondo que actua na massa uma
forca de amortecimento numericamente igual a dez vezes a velocidade instantˆ nea
   ¸                                                                       a
da massa, determinar o afastamento da massa em relacao a posicao de equil´brio,
                                                   ¸˜ `      ¸˜          ı
em cada instante.



2.8.3                   ´
          Movimento harmonico forcado
                                 ¸

Neste caso, al´ m de existir, eventualmente, amortecimento, existe tamb´ m uma
              e                                                        e
forca externa vertical a actuar no sistema ”mola-massa“.
   ¸
¸˜                ˆ
2.8. APLICACOES: SISTEMAS MECANICOS                                               123

Suponha-se que o valor num´ rico dessa forca e, em cada instante, g(t) (g(t) > 0 ou
                          e               ¸ ´
g(t) < 0 consoante a forca externa aponta para baixo ou para cima).
                        ¸

Assim, o PVI cuja solucao descreve o movimento vibrat´ rio da massa e do tipo
                      ¸˜                                 o          ´
                   
                    mx′′ (t) − β x′ (t) + kx(t) = g(t), t > 0
                   
                   
                   
                      x(0) = x0                                            (2.78)
                   
                   
                    ′
                    x (0) = v
                               0

onde β = 0 se n˜ o houver amortecimento e β > 0 se houver amortecimento.
               a

Suponhamos que g(t) = F0 sin ω0t, temos ent˜ o:
                                           a

                                   β ′      k      F0
                       x′′ (t) −     x (t) + x(t) = sin ω0t.
                                   m        m      m

Pelo m´ todo dos coeficientes indeterminados, temos que a solucao particular e da
      e                                                      ¸˜             ´
seguinte forma:
                           x p (t) = b1 cos ω0t + b2 sin ω0t.

Substituindo x p na equacao obt´ m-se:
                        ¸˜     e

                                            −F0 β ω0
                         b1 =
                                     m2 ω 2 − ω0 + (β ω0 )2
                                               2

                                        −F0 m ω 2 − ω0
                                                     2
                         b2 =                                   .
                                     m2 ω 2 − ω0 + (β ω0 )2
                                               2




2.8.4           ¸˜                ´
          Aplicacoes: Circuitos electricos

Considere-se um circuito el´ ctrico em s´ rie (C-BRC) constitu´do por um gerador
                           e            e                     ı
G que, em cada instante, produz uma voltagem de E(t) volts (V ), por uma bobina
B que gera uma indutˆ ncia de L henrys (h), por uma resistˆ ncia R de R ohms (Ω) e
                    a                                     e
por um condensador C com capacitˆ ncia de C farads ( f ). Geralmente a resistˆ ncia,
                                a                                            e
a indutˆ ncia e a capacitˆ ncia s˜ o constantes e em cada instante t representa-se por
       a                 a       a
q(t)C (coulomb) a carga no condensador e por i(t) A (amp´ re) a intensidade da cor-
                                                        e
rente no circuito. Depois de fechado o circuito, de acordo com a 2a Lei Kirchhoff,
124                                    ´
                                    CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

a soma das diferencas de potencial em cada n´ e igual a voltagem produzida pelo
                  ¸                         o´        `
gerador, isto e, VB +VR +VC = E(t), ou seja
              ´
                                        di       1
                                    L      + Ri + q = E(t)                        (2.79)
                                        dt       C
Tendo em conta que a intensidade da corrente i(t) est´ relacionada com a carga q(t)
                                                     a
                          dq
no condensador por i(t) = , obt´ m-se
                                 e
                          dt
                                    d2q     dq 1
                                L      2
                                         + R + q = E(t).                          (2.80)
                                    dt      dt C
Se E(t) e constante, podemos diferenciar a equacao (2.79) de forma a obtermos
        ´                                      ¸˜
                                            R        L


                         E(t)                                     C
                                                           i



           Figura 2.2: Exemplo de um circuito com trˆ s componentes.
                                                    e

uma equacao de ordem–2 homog´ nea:
        ¸˜                  e
                                        d2i     di i
                                    L      2
                                             + R + = 0.                           (2.81)
                                        dt      dt C
De forma a resolver esta equacao, escrevemos a equacao caracter´stica
                             ¸˜                    ¸˜          ı
                                            R     1
                                        λ2 + λ +    =0
                                            L    CL
que tem as seguintes ra´zes:
                       ı

                  −R +    R2 − 4L/C                        −R −       R2 − 4L/C
           λ1 =                     ,               λ2 =                          (2.82)
                          2L                                          2L
Exemplo 2.28 Seja L = 1 henry (H), R = 100 ohm (Ω), C = 10−4 farad (f) e
E = 1000 volt (V) no circuito da Figura 2.2. Suponha que no instante t = 0 n˜ o se
                                                                            a
                ¸                       a                                        ´
regista a presenca de qualquer carga e n˜ o corre qualquer corrente no circuito. E
ent˜ o aplicada a voltagem E ao circuito. Particularizando a equacao (2.81) para
   a                                                             ¸˜
os valores deste exemplo, obt´ m-se as seguintes ra´zes da equacao caracter´stica:
                             e                     ı           ¸˜          ı
                                 √                            √
                    λ1 = −50 + 50 3i             λ2 = −50 − 50 3i,                (2.83)
¸˜                ˆ
2.8. APLICACOES: SISTEMAS MECANICOS                                               125

e temos ent˜ o que
           a

                                           √              √
                     i(t) = e−50t c1 cos 50 3t + c2 sin 50 3t .


Aplicando agora a condicao inicial, i(0) = 0, obtemos c1 = 0. Ent˜ o:
                       ¸˜                                        a

                                                      √
                                i(t) = c2 e−50t sin 50 3t.

Falta agora calcular c2 . Vamos fazˆ -lo atrav´ s da equacao (2.79), que e equivalente
                                   e          e          ¸˜              ´
a:
                                                   di
                               q(t) = C E − L         − Ri
                                                   dt
Temos que calcular i′ (t) :

                                         √           √           √
                   i′ (t) = 50c2 e−50t       3 cos 50 3t − sin 50 3t .

Substituindo i(t) e i′ (t) em q(t), obtemos :

                              √          √           √             √
 q(t) = 10−4 1000 − 50c2e−50t    3 cos 50 3t − sin 50 3t + 2 sin 50 3t
         1   c2 −50t        √     √        √
      =    −    e     sin 50 3t + 3 cos 50 3t
        10 200

e segue que:                           √
                                1    c2 3             20
                         q(0) =    −      = 0 ou c2 = √ ,
                                10    200              3
e agora substitu´mos c2 :
                ı

                      1     1            √    √        √
               q(t) =    − √ e−50t sin 50 3t + 3 cos 50 3t                     (2.84)
                      10 10 3
                      20            √
               i(t) = √ e−50t sin 50 3t.                                       (2.85)
                        3

Da an´ lise destas equacoes, conclu´mos que a corrente rapidamente se desvane-
      a                ¸˜          ı
                                                                          1
cer´ fazendo com que a carga rapidamente atinja o seu estado est´ vel de
   a                                                            a           cou-
                                                                         10
lomb. Neste caso, chamamos a i(t) corrente transiente devido a brevidade do seu
                                                             `
efeito.
126                                 ´
                                 CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Exemplo 2.29 Consideremos os mesmos valores do Exemplo 2.28 para a in-
ductˆ ncia, a resistˆ ncia e a capacitˆ ncia, mas E(t) = 962 sin 60t. Da equacao
    a               e                 a                                      ¸˜
(2.79) vem:
                            di
                               + 100i + 104q = 962 sin 60t                       (2.86)
                            dt
e convertendo toda a equacao em q como em (2.80)
                         ¸˜
                        d 2q      dq
                           2
                             + 100 + 104 q = 962 sin 60t.                        (2.87)
                        dt        dt
´
E evidente a existˆ ncia de uma solucao particular da forma:
                  e                 ¸˜

                            q p (t) = A1 sin 60t + A2 cos 60t                    (2.88)

(n˜ o h´ qualquer problema, pois j´ calcul´ mos no exerc´cio anterior a solucao da
  a a                             a       a             ı                   ¸˜
equacao homog´ nea associada e n˜ o existe qualquer sobreposicao entre a solucao
    ¸˜       e                  a                            ¸˜              ¸˜
particular e as solucoes do conjunto fundamental da equacao homog´ nea.)
                    ¸˜                                  ¸˜       e

De forma a determinar os valores de A1 e A2 temos que substituir q p na equacao,
                                                                            ¸˜
obtendo-se desta forma o seguinte sistema de equacoes:
                                                 ¸˜
                        
                         6400A − 6000A = 962
                                  1         2
                         6000A − 6400A = 0
                                      1           2

        2            3
e A1 =     e A2 = − . Tendo em atencao que a solucao geral da equacao ho-
                                     ¸˜           ¸˜                ¸˜
       25            40
mog´ nea associada e a mesma da equacao do Exemplo 2.28, a solucao geral de
   e               ´                ¸˜                         ¸˜
(2.87) e:
       ´
                             √              √    2          3
       q(t) = e−50t c1 cos 50 3t + c2 sin 50 3t + sin 60t − cos 60t.
                                                 25        40
Diferenciado esta ultima equacao, obt´ m-se:
                  ´          ¸˜      e
                  √                  √         √          √    24        9
i(t) = 50e−50t        3c2 − c1 cos 50 3t − c2 + 3c1 sin 50 3t + cos 60t + sin 60t.
                                                                5        2
Com t = 0 e fazendo uso da condicao inicial, obt´ m-se:
                                ¸˜              e
                            3                         √                24
              q(0) = c1 −      = 0,       i(0) = 50       3c2 − c1 +      = 0,   (2.89)
                            40                                          5
¸˜
2.9. EQUACOES DIFERENCIAIS DE ORDEM SUPERIOR                                              127

              3             21
ent˜ o c1 =
   a             e c2 = −     √ .
              40          1000 3
Temos ent˜ o:
         a
          e−50t            √      √        √      80 sin 60t − 75 cos 60t
  q(t) =          75 cos 50 3t − 7 3 sin 50 3t +
          1000                                             1000
            e−50t            √       √        √      45 sin 60t + 48 cos 60t
   i(t) = −         24 cos 50 3t + 17 3 sin 50 3t +                          .
              5                                                 10



        ¸˜
2.9 Equacoes diferenciais de ordem superior

Nesta seccao generalizamos os resultados deste cap´tulo a equacoes diferenciais de
         ¸˜                                       ı           ¸˜
ordem superior a dois.

Definimos a equacao diferencial linear homog´ nea de ordem–n:
               ¸˜                          e

      y(n) (x) + an−1 (x)y(n−1) (x) + · · · + a1 (x)y′ (x) + a0 (x)y(x) = g(x),         (2.90)

cuja equacao homog´ nea associada e
         ¸˜       e               ´

        y(n) (x) + an−1 (x)y(n−1) (x) + · · · + a1 (x)y′ (x) + a0 (x)y(x) = 0.          (2.91)

Generalizando o Teorema 1, sabemos que o problema de valor inicial

        y(n) (x) + an−1 (x)y(n−1) (x) + · · · + a1 (x)y′ (x) + a0 (x)y(x) = g(x),

                                                                   y(0) = y0

                                                                  y′ (0) = y0
                                                                            ′

                                                                       .
                                                                       .
                                                                       .
                                                                                  (n)
                                                                y(n) (0) = y0



tem solucao unica sempre que a0 (x), . . . , a(n−1) , g(x) s˜ o funcoes cont´nuas.
        ¸˜ ´                                                a      ¸˜       ı

De forma a calcular a solucao procedemos de modo an´ logo ao adoptado para calcu-
                          ¸˜                       a
lar a solucao de equacoes difererenciais lineares de ordem–2. Generalizemos ent˜ o
          ¸˜         ¸˜                                                        a
128                                     ´
                                     CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

os procedimentos descritos para a resolucao de equacoes diferenciais de segunda
                                        ¸˜         ¸˜
ordem.

As solucoes y1 , y2 , . . ., yn s˜ o linearmente independentes num intervalo I se nesse
       ¸˜                        a
intervalo c1 y1 +c2 y2 +· · ·+cn yn = 0 implica c1 = c2 = · · · = cn = 0. Caso contr´ rio,
                                                                                    a
as solucoes dizem-se linearmente dependentes.
       ¸˜

A express˜ o c1 y1 +c2 y2 +· · ·+cn yn diz-se combinacao linear das funcoes y1 , y2 , . . . , yn .
         a                                           ¸˜                ¸˜
O Wronskiano de y1 , y2 , . . . , yn e definido como:
                                     ´

                                                    y1          y2      ···    yn
                                                    y′1         y′
                                                                 2      ···    y′
                                                                                n
                  W (y1 , y2 , . . . , yn ) =        .                                (2.92)
                                                     .
                                                     .
                                                   (n−1)        (n−1)         (n−1)
                                                  y1         y2         · · · yn

Teorema 19 Sejam a0 , a1 , . . . , an−1 funcoes cont´nuas num intervalo I e y1 , y2 , . . . , yn
                                           ¸˜       ı
n solucoes da equacao diferencial (2.91). Ent˜ o
      ¸˜          ¸˜                         a

   1. O W (y1 , y2 , . . ., yn ) (x) ou e sempre identicamente zero para todo o x ∈ I ou
                                        ´
      nunca se anula.

   2. y1 , y2 , . . . , yn s˜ o linearmente independentes se e s´ se
                            a                                   o

                                          W (y1 , y2 , . . . , yn ) = 0.

Exemplo 2.30 Sabendo que as funcoes 1, x, x2 s˜ o solucoes da equacao
                               ¸˜             a       ¸˜          ¸˜

                                                y′′′ (x) = 0,

determine se s˜ o linearmente independentes entre si.
              a

      ¸˜
Resolucao:
                                                       1 x x2
                           W (y1 , y2 , y3 ) = 0 1 2x = 2 = 0
                                                       0 0      2
¸˜
2.9. EQUACOES DIFERENCIAIS DE ORDEM SUPERIOR                                         129

as func˜es s˜o linearmente independentes e como tal podemos
      ¸o    a
escrever a soluc˜o geral:
               ¸a

                       y(x) = c1 + c2 x + c3 x2 ,     c1 , c2 , c3 ∈ R.




    ¸˜
Solucao geral        O procedimento para determinacao da solucao geral de uma
                                                  ¸˜         ¸˜
equacao do tipo (2.90) e o seguinte:
    ¸˜                 ´

passo 1 Determine n solucoes linearmente independentes y1 , y2 , . . . , yn da equacao
                        ¸˜                                                         ¸˜
      homog´ nea associada (2.91).
           e

passo 2 Determine uma solucao particular, y p , da equacao n˜ o homog´ nea (2.90).
                          ¸˜                           ¸˜ a          e

Posto isto:



       ¸˜
 A solucao geral da equacao (2.90) escreve-se da seguinte forma:
                        ¸˜

                    y(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x) + · · · + cn yn (x) +y p
                                               yc

 onde yc e a solucao geral de (2.91).
         ´       ¸˜


Como j´ vimos antes, na generalidade s´ e poss´vel determinar a solucao de equacoes
      a                               o´      ı                     ¸˜         ¸˜
diferenciais do tipo (2.90) com coeficientes constantes.

Se substituirmos y = eλ x na equacao homog´ nea (2.90), obtemos a equacao carac-
                                 ¸˜       e                           ¸˜
teristica:

                           λ n + an−1 λ n−1 + · · · + a1 λ + a0 .               (2.93)


A equacao caracter´stica tem n ra´zes λ1 , λ2 , . . ., λn . Algumas destas ra´zes poder˜ o
      ¸˜          ı              ı                                           ı         a
ser reais e distintas, reais e iguais, ra´zes complexas conjugadas distintas e pares
                                         ı
iguais de ra´zes conjugadas.
            ı
130                                    ´
                                    CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

Se uma ra´z λk , real ou complexa, ocorre m vezes, dizemos que a ra´z tem multipli-
         ı                                                         ı
cidade m.

Sintetizamos no seguinte quadro, as diferentes formas de construir as ra´zes da
                                                                        ı
equacao geral a partir das ra´zes da equacao caracter´stica:
    ¸˜                       ı           ¸˜          ı

                             ¸˜
       Como determinar a solucao de uma ED homog´ nea?
                                                e
                                   ¸˜                   ¸˜
Procedimento para determinar a solucao geral de uma equacao linear ho-
mog´ nea com coeficientes constantes
   e
      1. Determine a equacao caracter´stica de (2.90).
                         ¸˜          ı
      2. Determine as ra´zes de (2.93)
                        ı
      3. Cada ra´z real simples λ origina uma ra´z y =λ x de (2.90)
                ı                               ı
      4. Cada ra´z real λk de multiplicidade m > 1, origina m ra´zes de (2.90)
                ı                                               ı

                             y1 = eλk x ,   y2 = xeλk x , . . . , ym = xm−1 eλk x

      5. Cada par de ra´zes conjugada simples y1 = α + iβ e y2 = α − iβ originam
                       ı
         duas solucoes de (2.90):
                  ¸˜

                                y1 = eα x cos β x     e    y2 = eα x sin β x.

      6. Cada par de ra´zes conjugadas de multiplicidade m > 1, origina 2m ra´zes de
                       ı                                                     ı
         (2.90):

                   y1 = eα x cos β x,   y2 = xeα x cos β x, . . . ,    ym = xm−1 eα x cos β x

           ym+1 = eα x sin β x,     ym+2 = xeα x sin β x, . . . ,     y2m = xm−1 eα x sin β x.

      7. Se y1 , y2 , . . . , yn s˜ o n solucoes de (2.90) obtidas nos passos 3—6, ent˜ o estas
                                  a         ¸˜                                        a
         solucoes s˜ o linearmente independentes e a solucao geral e:
             ¸˜    a                                     ¸˜        ´

                                    y(x) = c1 y1 + c2 y2 + · · · + cn yn .



Exemplo 2.31 Resolva a equacao y′′′ − 3y′′ − 10y′ + 24y = 0.
                           ¸˜
¸˜
2.9. EQUACOES DIFERENCIAIS DE ORDEM SUPERIOR                                     131

Resolucao: A equac˜o caracter´stica λ 3 −3λ 2 −10λ +24 = 0 tem
      ¸˜         ¸a          ı
ra´zes λ1 = 2, λ2 = −3, λ3 = 4.
  ı

Dado que estas ra´zes s˜o reais e distintas, ent˜o as resultantes
                 ı     a                        a
solucoes da equac˜o s˜o linearmente independentes, e escrevemos
    ¸˜          ¸a   a
            ¸˜
ent˜o a solucao geral:
   a

                 y(x) = c1 e2x + c2 e−3x + c3 e4x ,   c1 , c2 , c3 ∈ R.




Exemplo 2.32 Determine a solucao geral de y(4) − 4y′′′ + 6y′′ − 4y′ + y = 0.
                             ¸˜

      ¸˜
Resolucao:     A equac˜o caracter´stica
                     ¸a          ı

                   λ 4 − 4λ 3 + 6λ 2 − 4λ + 1 = (λ − 1)4 = 0

tem uma ´nica ra´z de multiplicidade 4.
        u       ı                                                                   ¸˜
                                                                  Temos ent˜o a solucao
                                                                           a
geral:
                       y(x) = ex c1 + c2 x + c3 x2 + c4 x3 .




Exemplo 2.33 Determine a solucao de y(5) − 2y(4) + 8y′′ − 12y′ + 8y = 0.
                             ¸˜

      ¸˜
Resolucao:     A equacao caracter´stica ´
                     ¸˜          ı      e
                                                                      2
           λ 5 − 2λ 4 + 8λ 2 − 12λ + 8 = (λ + 2) λ 2 − 2λ + 2             = 0,

que tem como solucoes a ra´z real simples λ1 = −2 e um par
                 ¸˜       ı
de ra´zes conjugadas de multiplicidade 2
     ı

                             λ2 = 1 + i e λ3 = 1 − i.


Posto isto, a solucao geral ´:
                  ¸˜        e

              y(x) = c1 ex + (c2 + c3 x) ex cos x + (c4 + c5 x) ex sin x.
132                               ´
                               CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR




Nota 16 A determinacao das ra´zes de um polin´ mio de grau superior a trˆ s nem
                   ¸˜        ı               o                          e
sempre e tarefa f´ cil.
       ´         a

A quest˜ o que a seguir se coloca e a de como determinar a solucao particular
       a                          ´                            ¸˜
de (2.90). Para servir este prop´ sito, e a semelhanca do que acontece com as
                                o         `         ¸
equacoes lineares de ordem–2, existem dois m´ todos (i) o m´ todo dos coeficientes
    ¸˜                                      e              e
indeterminados e (ii) o m´ todo da variacao de parˆ metros.
                         e              ¸˜        a

Finalmente, s´ algumas equacoes com coeficientes vari´ veis s˜ o pass´veis de resolucao,
             o             ¸˜                       a       a       ı              ¸˜
como por exemplo a equacao de Euler.
                       ¸˜



2.10 Exerc´cios
          ı

   1. Considere x = c1 et + c2 e−t como a fam´lia de dois parˆ metros de solucoes
                                             ı               a               ¸˜
      da ED x′′ − x = 0 no intervalo (−∞, ∞). Determine um membro desta fam´lia
                                                                           ı
      que satisfaca as condicoes x(0) = 0 e x′ (0) = 1.
                 ¸          ¸˜

   2. Para o mesmo problema, determine a solucao particular que satisfaca as condicoes
                                             ¸˜                        ¸          ¸˜
      de fronteira x(0) = 0 e x′ (1) = 1.

   3. Considere a equacao diferencial
                      ¸˜

                                   xy′′ − y′ = 0     (⋆)

      cuja solucao geral, em R, e a fam´lia de funcoes caracterizada por y = α1 +
               ¸˜               ´      ı          ¸˜
      α2 x2 , α1 , α2 ∈ R.

        (a) Mostre que o problema de condicoes iniciais
                                          ¸˜

                                   (⋆) ∧ y (0) = 0 ∧ y′ (0) = 1

            n˜ o tem solucao. Analise a causa de tal facto;
             a           ¸˜
´
2.10. EXERCICIOS                                                                133

      (b) Determine duas solucoes do seguinte problema
                             ¸˜

                                     (⋆) ∧ y (0) = 0 ∧ y′ (0) = 0;


      (c) Resolva o seguinte problema de condicoes de fronteira;
                                              ¸˜

                                     (⋆) ∧ y (0) = 1 ∧ y′ (1) = 6.


  4. Estude quanto a independˆ ncia linear os seguintes conjuntos de funcoes:
                   `         e                                          ¸˜

      (a) f1 (t) = t,        f2 (t) = t + 1 em R;

      (b) f1 (t) = t,        f2 (t) = |t| em R;

      (c) f1 (t) = t,        f2 (t) = |t| em R+ ;

      (d) f1 (t) = 0,        f2 (t) = t,        f3 (t) = 1 em R;

      (e) f1 (t) = sin2 t,       f2 (t) = cost,         f3 (t) = 1 em R;

      (f) f1 (t) = cos 2t,        f2 (t) = 1,        f3 (t) = cos2 t em R;

      (g) f1 (t) = et ,       f2 (t) = e−t ,        f3 (t) = e4t em R.

  5. Considerando f1 (t) = 2 e f2 (t) = et , repare que f1 (0) − 2 f2 (0) = 0. Pode
     garantir que f1 e f2 s˜ o linearmente dependentes em qualquer intervalo con-
                           a
     tendo t = 0?

  6. Averig´ e se as funcoes et e e2t constituem um sistema fundamental de solucoes
           u            ¸˜                                                     ¸˜
     para as seguintes ED:

      (a) x′′ − 3x′ + 2x = 0;

      (b) x′′′ − 4x′′ + 5x′ − 2x = 0.

  7. Para cada um dos casos seguintes, mostre que as funcoes y′ s apresentadas for-
                                                        ¸˜    i

     mam um conjunto fundamental de solucoes da equacao diferencial e escreva
                                        ¸˜          ¸˜
     a solucao geral desta.
           ¸˜
134                                          ´
                                          CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

       (a) y′′ − y′ − 12y = 0,                y1 = e−3x , y2 = e4x , em R;

       (b) y′′ − 4y = 0,         y1 = cosh (2x) , y2 = sinh (2x) , em R;

       (c) y′′ − 2y′ + 5y = 0,                y1 = ex cos (2x) , y2 = ex sin (2x), em R;

       (d) x2 y′′ − 6xy′ + 12y = 0,                     y1 = x3 , y2 = x4 , em R+ ;

       (e) y(4) + y′′ = 0,           y1 = 1, y2 = x, y3 = cos x, y4 = sin x, em R.

  8. Averig´ e se as seguintes funcoes constituem um sistema fundamental de solucoes
           u                      ¸˜                                            ¸˜
      para a ED x′′′ = 0, e em caso afirmativo escreva a solucao geral:
                                                            ¸˜

       (a)   1,t + 1,t 2 ;
                                          2
       (b)   t 2 ,t 2 + 1, t 2 + 1                ;
                                 2
       (c)   t + 1, t 2 + 1           ;
                                      2
       (d)   1,t − 1, t 2 + 2                 ;

       (e) {t, 2t};

       (f)   t, 2t,t + 1,t 2 ;

  9. Em algumas das seguintes al´neas, as funcoes apresentadas constituem sis-
                                ı            ¸˜
      temas fundamentais de solucoes para determinadas equacoes diferenciais ho-
                                ¸˜                         ¸˜
      mog´ neas normais em certos intervalos. Em cada caso, determine essas equacoes
         e                                                                      ¸˜
      diferenciais e os correspondentes intervalos.


       (a)    2,t − 4,t 2 ;                       (b)      t 3 ,t 4 ;
       (c)    et , e3t , e5t ;                    (d)    {t − 1, sint, cost} ;
       (e)   {1,t, sint, cost};                   (f)    {2,t + 2,t − 4} ;
                                                                 1
       (g)   {et , sinht, cosht} ; (h)                    t 2,t − , (t − 1)2 .
                                                                 2
 10. Determine o integral geral de cada uma das seguintes equacoes diferenciais
                                                              ¸˜
      homog´ neas:
           e
´
2.10. EXERCICIOS                                                                           135

      (a) 2y′′ − 5y′ = 0;

      (b) 2y′′ − 3y′ + 4y = 0;

      (c) y′′ − y′ − 6y = 0;
             d 2y     dy
      (d)       2
                  − 10 + 25y = 0;
             dx       dx
      (e) y′′′ − 4y′′ − 5y′ = 0;
             d 4y d 3y d 2y
       (f)       +    +     = 0;
             dt 4 dt 3 dt 2
      (g) y′′′ + 3y′′ + 3y′ + y = 0;
             d 5x     dx
      (h)       5
                  − 16 = 0.
             dt       dt
 11. Resolva os seguintes problemas de condicoes iniciais:
                                            ¸˜

      (a) y′′ − 8y′ + 17y = 0,          y (0) = 4, y′ (0) = −1;

      (b) x′′ − 2x′ + x = 0,         x (0) = 5, x′ (0) = 10;

                                π               π
      (c) y′′ + y = 0,     y    3    = 0, y′    3   = 2;

      (d) y′′′ + 2y′′ − 5y′ − 6y = 0,          y (0) = y′ (0) = 0, y′′ (0) = 1;
             d 4y
      (e)         = 0,   y (0) = 0, y′ (0) = 3, y′′ (0) = 4, y′′′ (0) = 5;
             dx4
           d 4y   d3y  d 2 y dy
       (f)      −3 3 +3 2 −     = 0,                 y (0) = y′ (0) = 0, y′′ (0) = y′′′ (0) = 1;
           dt 4   dt   dt    dt
      (g) x(iv) − x = 0,       x (0) = x′ (0) = x′′ (0) = 0, x′′′ (0) = 1.

 12. Resolva os problemas de condicoes de fronteira:
                                  ¸˜

      (a) y′′ − 10y′ + 25y = 0,          y (0) = 1, y (1) = 0;

                                                π
      (b) y′′ + y = 0,     y′ (0) = 0, y′       2   = 2.

 13. Sabendo que x p1 = 3e2t e x p2 = t 2 + 3t s˜ o solucoes particulares de
                                                a       ¸˜

                                    x′′ − 6x′ + 5x = −9e2t
                                    x′′ − 6x′ + 5x = 5t 2 + 3t − 16,
136                                    ´
                                    CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

      respectivamente, determine as solucoes particulares de
                                        ¸˜

                            x′′ − 6x′ + 5x = 5t 2 + 3t − 16 − 9e2t
                            x′′ − 6x′ + 5x = −10t 2 − 6t + 32 + e2t .


 14. Determine a solucao geral de cada uma das equacoes diferenciais seguintes:
                     ¸˜                            ¸˜

       (a) y′′ − 9y = 54;

       (b) y′′′ + 2y′′ + y′ = 10;

       (c) y′′ + 4y′ + 4y = 2x + 6;

       (d) y′′′ + y′′ = 8x2

       (e) y′′ − y′ − 12y = e4x ;

       (f) y′′ − 2y′ − 3y = 4ex − 9;

       (g) y′′ + 25y = 6 sin x;

       (h) y′′ − y = x2 ex + 5;

       (i) y′′ − 2y′ + 5y = ex sin x;

       (j) y′′ + y = 4 cos x − sin x.

 15. Resolva os problemas de condicoes iniciais seguintes:
                                  ¸˜

                                                     π              π
       (a) y′′ + y = 8 cos (2x) − 4 sin x,      y    2   = −1, y′   2   = 0;

       (b) y′′′ − 2y′′ + y′ = xex + 5,      y (0) = 2, y′ (0) = 2, y′′ (0) = −1;

       (c) y(4) − y′′′ = x + ex ,    y (0) = 0, y′ (0) = 0, y′′ (0) = 0, y′′′ (0) = 0.

 16. Usando reducao de ordem, determine uma segunda solucao de cada uma das
                ¸˜                                      ¸˜
                    ¸˜                 ˜
      seguintes equacoes e indique tambA c m a solucao geral da equacao.
                                                   ¸˜               ¸˜

       (a) x′′ + 5x′ = 0,         x1 = 1;

       (b) x′′ − 4x′ + 4x = 0,          x1 = e2t ;
´
2.10. EXERCICIOS                                                            137

      (c) x′′ + 2x′ + x = 0,          x1 = te−t ;

      (d) x′′ + 16x = 0,           x1 = cos 4t;

      (e) x′′ − x = 0,           x1 = cosht;
                                                    2x
      (f) 9y′′ − 12y′ + 4y = 0,            y1 = e 3 .

 17. Use o m´ todo da reducao de ordem para determinar a solucao de cada uma das
            e             ¸˜                                 ¸˜
     seguintes equacoes n˜ o homog´ neas: A solucao indicada e uma das solucoes
                   ¸˜    a        e             ¸˜           ´             ¸˜
     da ED homog´ nea associada. Determine a segunda solucao da ED homog´ nea
                e                                        ¸˜             e
     e ainda uma solucao particular da ED n˜ o homog´ nea. No final, apresente a
                     ¸˜                    a        e
     solucao geral.
         ¸˜

      (a) x′′ − 4x = 2,           x1 = e−2t ;

      (b) x′′ + x′ = 1,          x1 = 1;

      (c) x′′ − 3x′ + 2x = 5e3t ,          x1 = et ;

      (d) x′′ − 4x′ + 3x = t,          x1 = et .

 18. Determine a solucao de cada uma das seguintes ED, utilizando o m´ todo da
                     ¸˜                                              e
     variacao de parˆ metros
          ¸˜        a

      (a) x′′ + x = sect;

      (b) x′′ − x = cosht;

                       e2t
      (c) x′′ − 4x =    t ;

      (d) x′′ + x = tant;

      (e) x′′ + x = sect tant;

      (f) x′′ + 4x = cos2 t;

      (g) x′′′ + 4x′ = sec 2t;

      (h) 2x′′′ − 6x′′ = t 2 .
138                                    ´
                                    CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

 19. Considerando as seguintes condicoes iniciais x(0) = 1 e x′ (0) = 0, resolva os
                                    ¸˜
      seguintes PVI, usando o m´ todo da variacao de parˆ metros.
                               e              ¸˜        a

       (a) 4x′′ − x = tet/2 ;

       (b) 2x′′ + x′ − x = t + 1;

       (c) x′′ + 2x′ − 8x = 2e−2t − e−t ;

                    ˜ ˜
 20. Dadas duas soluA§Aes x1 = cos(ln x) e x2 = sin(ln x) linearmente indepen-
      dentes de
                                         t 2 x′′ + tx + x = 0,

      em (0, ∞) , determine uma soluA§A£o particular de
                                    ˜ ˜

                                     t 2 x′′ + tx + x = sec(lnt).


 21. Resolva as seguintes ED lineares:

       (a) t 2x′ − 2x = 0;

       (b) 4t 2x′ + x = 0;

       (c) tx′′ + x′ = 0;

       (d) 3t 2x′′ + 6tx′ + x = 0;

       (e) t 3x′′′ + tx′ − x = 0;
                 d3x        d 2x   dx
       (f) t 3      3
                      − 2t 2 2 + 4t − 4x = 0.
                 dt         dt     dt
 22. Resolva os seguinte PVI:

       (a) t 2x′′ + 3tx′ = 0,      x(1) = 0, x′ (1) = 4;

       (b) t 2x′′ − 5tx′ + 8x = 0,      x(2) = 32, x′ (2) = 0;

       (c) t 2x′′ + tx′ + x = 0,     x(1) = 1, x′ (1) = 2;

                                                ˜                ˜ ˜
 23. Resolva as seguinte ED lineares, usando o mA c todo da variaA§A£o de
         ˜
      parAmetros:
´
2.10. EXERCICIOS                                                               139

       (a) tx′′ + x′ = t;

       (b) 2t 2x′′ + 5tx′ + x = t 2 − t;

       (c) t 2x′′ − tx′ + x = 2t.

 24.   (a) Uma massa de 2 Kg provoca um alongamento de 10 cm numa mola.
           Suponha-se que a massa e puxada para baixo mais 5 cm e depois li-
                                  ´
           bertada, com velocidade inicial nula. Supondo que n˜ o h´ resistˆ ncia
                                                              a a          e
           do ar, determine a posicao da massa em cada instante t, o per´odo e a
                                  ¸˜                                    ı
           amplitude do movimento.

       (b) Uma massa de 100 g provoca um alongamento de 5 cm numa mola. A
           massa e posta em movimento a partir da sua posicao em equil´brio com
                 ´                                        ¸˜          ı
           uma velocidade inicial, no sentido positivo, de 10 cm/s. Desprezando a
           resistˆ ncia do ar, determine a posicao da massa em cada instante t. Em
                 e                             ¸˜
           que instantes passa a massa pela sua posicao de equil´brio?
                                                    ¸˜          ı

       (c) Uma massa pesando 3 N provoca um alongamento de 6 cm numa mola.
           Suponha-se que a massa e empurrada para cima numa distˆ ncia de 1cm e
                                  ´                              a
           e ent˜ o colocada em movimento com uma velocidade inicial, no sentido
           ´    a
           positivo, de 1 m/s. Desprezando a resitˆ ncia do ar, determine o per´odo
                                                  e                            ı
           e a amplitude do movimento.

       (d) O movimento de um certo sistema mola-massa e governado pela equacao
                                                      ´                    ¸˜
                                                5
                               x′′ (t) + x′(t) + x(t) = 0,   t > 0,         (2.94)
                                                2
           onde t est´ medido em segundos e x em metros. Supondo que x(0) = 0
                     a
                     √
           e x′ (0) = 3/2, determine a posicao da massa em qualquer instante t.
                                           ¸˜
           Determine ainda qual o instante em que a massa, ap´ s ser colocada em
                                                             o
           movimento, volta a passar pela sua posicao de equil´brio pela primeira
                                                  ¸˜          ı
           vez?

       (e) Uma massa de 4 Kg est´ presa a uma mola cuja constante vale 2 N/m.
                                a
140                             ´
                             CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

           O meio onde o sistema est´ colocado oferece uma resistˆ ncia ao movi-
                                    a                            e
           mento da massa que e numericamente igual a quatro vezes a velocidade
                              ´
           instantˆ nea da massa. Suponha que a massa e libertada do seu ponto de
                  a                                   ´
           equil´brio com uma velocidade inicial, no sentido positivo, de 2 m/s.
                ı

             i. Determine a posicao da massa em cada instante.
                                ¸˜

            ii. Em que instante atinge a massa a posicao mais afastada da sua
                                                     ¸˜
               posicao de equil´brio, e qual e essa mesma posicao?
                   ¸˜          ı             ´                ¸˜

           iii. Supondo desprez´ veis vibracoes de amplitude inferior a 0, 1 mm,
                               a           ¸˜
               quanto tempo demora a massa a imobilizar-se?

       (f) Uma forca de 2 N provoca um alongamento de 4 cm numa mola. Suponha-
                  ¸
           se que a massa e deslocada 5 cm no sentido positivo e libertada sem ve-
                          ´
           locidade inicial. Suponha-se ainda que o sistema se move num meio que
           oferece uma resistˆ ncia ao movimento da massa que e numericamente
                             e                                ´
           igual a 3 vezes a velocidade instantˆ nea da massa e que uma forca ex-
                                               a                           ¸
           terna, vertical e apontando para baixo, de 2 sint N actua na massa. For-
           mule o problema de valor inicial cuja solucao descreve o movimento da
                                                     ¸˜
           massa.

 25.   (a) Considere um circuito el´ ctrico em s´ rie (C-BRC). Suponha que E(t) =
                                   e            e
           3V, L = 0, 2 h,C = 10−3 f , R = 30 Ω e que no instante inicial q(0) =
           3 × 10−2 C e q′ (0) = 10−2 A. Calcule a carga no condensador em cada
           instante t > 0.

       (b) Considere um circuito el´ ctrico em s´ rie (C-BRC), onde L = 0.05 h,C =
                                   e            e
           0.01 f , R = 2 Ω e E(t) = 0V. Supondo que no instante inicial q(0) = 5C
           e i(0) = 0 A,

             i. Determine a carga no condensador no instante t = 0.01 s.

            ii. Determine o primeiro instante em que a carga no condensador se
´
2.10. EXERCICIOS                                                            141

               torna nula.

 26. Verifique que o par de funcoes dado e solucao do sistema de equacoes
                              ¸˜        ´     ¸˜                    ¸˜

                                   
            dx                      x = e−2t + 3e6t
                  = x + 3y
      (a)      dt               e                         ;
            dy = 5x + 3y
                                    y = −e−2t + 5e6t
               dt
            2                      
            d x            t        x = cos 2t + sin 2t + 1 et
           
                  2
                    = 4y + e        
      (b)      dt               e                           5      .
            d 2y           t        y = − cos 2t − sin 2t − 1 et
                   = 4x − e        
                                                               5
               dt 2
 27. Verifique se X e vector-solucao de cada um dos seguintes sistemas de ED.
                    ´           ¸˜

            
             dx = 3x − 4y
                                              
                                             1
      (a)     dt           ;             X =   e−5t ;
             dy                              2
                = 4x − 7y
              dt
            
             dx =
                                                            
                         −2x + 5y                 5 cost
      (b)      dt                  ; X =                et ;
             dy                          3 cost − sint
                  =      −2x + 4y
               dt
                                                
                   2      1               1           4
      (c)   X′ =          X;       X =   et +   tet ;
                  −1      0               3          −4

                                                                
                   1 0 1                   sint
                                                   
              ′=                  1          1     
      (d)   X     1 1 0  X ; X = − 2 sint − 2 cost  ;
                                                   
                  −2 0 −1            − sint + cost
 28. Determine a solucao geral das seguintes ED, depois de as reduzir a um SH de
                     ¸˜
     EDL da forma X ′ = AX .


      (a)   x′′′ − 2x′′ + x′ = 0;        (b) 2x′′ + 2x′ − x = 0;
      (c)   x′′′ − 2x′′ − x′ + 2x = 0;   (d) x′ − 3x′ + 2x = 0.
 29. Transforme cada um dos seguintes sistemas diferenciais numa ED de 2a or-
142                                 ´
                                 CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR

       dem.
       Em seguida determine a solucao que satisfaz as condicoes iniciais indicadas.
                                  ¸˜                       ¸˜

                                         
                x′ = 3x − 2x
                1                         x (0) = 3
                                           1
                        1    2
        (a)                                                   ;
                ′
                x = 2x1 − 2x2            
                                           x2 (0) =      1
                  2                                       2

                                         
                x′ = x − 2x
                1                         x (0) = −1
                                           1
                       1    2
        (b)                                                       .
                ′
                x = 3x1 − 4x2            
                                           x2 (0) = 2
                  2
                                                                                
                                                                             x(t)
 30.    (a) Seja x(t) uma solucao da ED x′′ +x′ +x = 0. Mostre que X (t) = 
                              ¸˜                                                   
                                                                            x ′ (t)

            e solucao do sistema diferencial
            ´     ¸˜
                                                    
                                              0    1
                                     X′ =           X.
                                             −1 −1

                                
                           x(t)
        (b) Seja X (t) =         solucao do sistema diferencial
                                       ¸˜
                          x ′ (t)

                                                     
                                               0 1
                                        X′ =      X.
                                              −3 4

              Mostre que y(t) = x1 (t) e solucao da ED y′′ − 4y′ + 3y = 0.
                                       ´     ¸˜
Cap´tulo 3
   ı


Sistemas de ED lineares de
ordem–1

Sistemas de equacoes diferenciais aparecem em problemas que envolvam mais do
                ¸˜
que uma inc´ gnita, sendo cada uma das inc´ gnitas funcao de uma vari´ vel inde-
           o                              o           ¸˜             a
pendente, que frequentemente representa o tempo. Representamos esta vari´ vel
                                                                        a
independente por t e as vari´ veis dependentes por x(t) e y(t), no caso de termos
                            a
apenas duas inc´ gnitas, ou por x1 (t), x2(t), . . ., xn (t), caso se trate de um sistema
               o
com mais do que duas inc´ gnitas.
                        o

O nosso objecto de estudo ser˜ o os sistemas de equacoes lineares de primeira or-
                             a                      ¸˜
dem, para os quais apresentaremos uma abordagem em muito similar a apresentada
                                                                 `
no cap´tulo anterior para equacoes lineares de ordem n. Comecaremos, na Sess˜ o
      ı                       ¸˜                            ¸               a
3.1, por introduzir definicoes b´ sicas e a notacao que usaremos ao longo do cap´tulo,
                         ¸˜    a               ¸˜                              ı
e mostraremos a estreita relacao que existe entre uma equacao linear de ordem n e
                             ¸˜                           ¸˜
um sistema de n equacoes lineares de primeira ordem. A quest˜ o da existˆ ncia e
                    ¸˜                                      a           e
unicidade de solucao de um sistema de equacoes lineares ser´ tamb´ m abordada
                 ¸˜                       ¸˜               a     e
nesta seccao introdut´ ria. A sess˜ o 3.2 conduz-nos ao estudo de sistemas linea-
         ¸˜          o            a
res homog´ neos com coeficientes constantes, o qual assenta no estudo dos valores
         e

                                          143
144                   ´
                   CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

pr´ prios da matriz dos coeficientes do sistema. Na seccao 3.3 consideraremos siste-
  o                                                   ¸˜
mas n˜ o homog´ neos de coeficientes constantes e utilizaremos uma vers˜ o matricial
     a        e                                                       a
do m´ todo da variacao de parˆ metros, que nos permitir´ obter uma solucao particu-
    e              ¸˜        a                         a               ¸˜
lar do sistema n˜ o homog´ neo. A resolucao de alguns exerc´cios modelo permitir˜ o
                a        e              ¸˜                 ı                    a
consolidar a apresentacao te´ rica dos conte´ dos.
                      ¸˜    o               u



               ´
3.1 Conceitos basicos

     ¸˜
Definicao 18 Um sistema de equacoes diferenciais e um sistema constitu´do
                              ¸˜                ´                    ı
por duas, ou mais, equacoes diferenciais, envolvendo derivadas de duas, ou mais,
                       ¸˜
vari´ veis dependentes relativamente a uma unica vari´ vel independente.
    a                                      ´         a

Um sistema de equacoes diferenciais de 1a ordem pode ser escrito na forma normal
                         ¸˜
                                 
                                  dx1 = g (t, x , . . ., x )
                                 
                                 
                                  dt           1    1         n
                                 
                                      .
                                      .
                                      .
                                 
                                  dx
                                 
                                       n
                                         = gn (t, x1, . . ., xn ),
                                     dt
onde gi , i = 1, . . ., n, s˜ o funcoes de n + 1 vari´ veis definidas num intervalo I ⊂ R.
                            a      ¸˜                a

Em particular, quando cada uma das funcoes g1 , g2 , . . . , gn e linear nas vari´ veis
                                      ¸˜                        ´                a
dependentes x1 , . . . , xn , obtemos a forma normal de um sistema linear de equacoes
                                                                                 ¸˜
de 1a ordem:

            
             dx1
             dt = a11 (t)x1 + a12 (t)x2 + . . . + a1n (t)xn + f1 (t)
            
            
            
                  .
                  .
                  .                                                         (3.1)
            
             dx
            
                   n
                     = an1 (t)x1 + an2 (t)x2 + . . . + ann (t)xn + fn (t).
                 dt
Ao sistema (3.2) chamamos sistema de n equacoes diferenciais lineares de 1a ordem
                                               ¸˜
ou, abreviadamente, sistema linear.

No que se segue iremos supor que os coeficientes ai j e as funcoes fi s˜ o cont´nuas
                                                             ¸˜       a       ı
num intervalo I ⊂ R.
´
3.1. CONCEITOS BASICOS                                                                        145

Quando fi (t) = 0, i = 1, . . ., n, o sistema linear diz-se homog´ neo. Caso contr´ rio,
                                                                 e                a
diz-se n˜ o homog´ neo.
        a        e

     ¸˜
Definicao 19 Uma solucao de um sistema de n equacoes diferenciais ordin´ rias
                    ¸˜                         ¸˜                     a
e um conjunto de funcoes, suficientemente diferenci´ veis
´                   ¸˜                            a

                       x1 = φ1 (t),        x2 = φ2 (t),      ...,      xn = φn (t)

que satisfazem todas as equacoes diferenci´ veis do sistema, nalgum intervalo co-
                            ¸˜            a
mum.

                 ˆ                        ¸˜
Teorema 20 (Existencia e Unicidade de Solucao) Se os coefici-
entes ai j (t) e as funcoes fi (t) forem cont´nuas num intervalo I,t0 ∈ I, e se k1 , k2 , . . . , kn
                       ¸˜                    ı
forem n constantes, ent˜ o existe uma e uma s´ solucao
                       a                     o     ¸˜

                                 x1 (t),     x2 (t),      ...,      xn (t)

do sistema (3.2), tal que

                     x1 (t0 ) = k1 ,   x2 (t0) = k2 ,        ...,      xn (t0) = kn .



3.1.1          ¸˜
           Equacoes diferenciais lineares de ordem n e siste-
           mas diferenciais lineares de ordem 1

Existe uma estreita relacao entre as equacoes diferenciais lineares de ordem n e os
                        ¸˜               ¸˜
sistemas diferenciais lineares de ordem 1. Como ilustracao consideremos os se-
                                                       ¸˜
guintes exemplos.



Exemplo 3.1 Consideremos a equacao diferencial linear de ordem n
                               ¸˜

             y(n) + an−1 (t)y(n−1) + . . . + a2 (t)y′′ + a1 (t)y′ + a0 (t)y = f (t).

Esta equacao pode ser transformada num sistema linear de n equacoes diferenciais
         ¸˜                                                    ¸˜
de 1a ordem. Mostraremos a seguir esta transformacao.
                                                 ¸˜
146                 ´
                 CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

Para o efeito, consideremos y1 = y e introduzimos novas funcoes inc´ gnitas para
                                                           ¸˜      o
cada uma das derivadas, isto e,
                             ´

                             y1 =        y
                             y2 =       y′      = y′
                                                   1

                             y3 =       y′′     = y′
                                                   2
                              .
                              .
                              .
                             yn = y(n−1) = y′ .
                                            n−1

Procedendo desta forma, obtemos o sistema

           ′
          y1    = y2
          y2′   = y3
           .
           .
           .
          ′
         yn−1 = yn
          y′
           n    = −an−1 (t)yn − . . . − a2 (t)y3 − a1 (t)y2 − a0 (t)y1 + f (t)

Exemplo 3.2 Neste exemplo vamos ver como transformar um sistema linear
de duas equacoes numa ED linear de 2a ordem.
            ¸˜
Dado o sistema linear        
                              dx1 =
                                             3x1 + 8x2
                             
                              dt
                             
                         
                          dx
                         
                               2
                                  = −x1 − 3x2 .
                              dt
pretendemos obter uma ED linear de 2a ordem que lhe seja equivalente. Comece-
mos por considerar a 2a equacao do sistema:
                            ¸˜

                                  x′ = −x1 − 3x2
                                   2




                                  x1 = −3x2 − x′
                                               2                                 (3.2)

Derivando a equacao (3.2), obtemos
                ¸˜

                                  x′ = −3x′ − x′′ .
                                   1      2    2                                 (3.3)
´
3.1. CONCEITOS BASICOS                                                               147

Substituindo (3.2) e (3.3) na primeira equacao do sistema segue-se
                                           ¸˜

                       −3x′ − x′′ = 3(−3x2 − x′ ) + 8x2 ,
                          2    2              2


donde

                                  x′′ − x2 = 0.
                                   2


A solucao desta ED linear homog´ nea e
      ¸˜                       e     ´

                        x2 = c1 et + c2 e−t ,     c1 , c2 ∈ R.

Substituindo em (3.2) obtemos

                             x1 = −4c1 et − 2c2 e−t .

Desta forma, obtivemos a solucao do sistema.
                             ¸˜

       ¸˜
Observacao 10 Existem casos em que n˜ o e poss´vel reduzir um sistema de n
                                    a ´       ı
equacoes a uma s´ ED de ordem n.
    ¸˜          o



3.1.2    Forma matricial de um sistema linear

Denotemos
                                                                                
      x (t)                 a11 (t) a12 (t) · · · a1n (t)                   f1 (t)
     1                                                                          
                                                                                
     x2 (t)          a21 (t) a22 (t) · · · a2n (t)                   f2 (t)     
X = .
     .
               ,   A= .
                       .          .    ..       .
                                                            ,   F(t) =  .          .
     .
               
                      .          .
                                   .        .    .
                                                 .
                                                            
                                                            
                                                                         .
                                                                         .
                                                                                     
                                                                                     
                                                                                
      xn (t)            an1 (t) an2 (t) · · · ann (t)                     fn (t)


O sistema de ED lineares de 1a ordem (3.2) pode ser re-escrito como
                                                                       
       x (t)        a (t) a12 (t) · · · a1n (t)       x (t)         f (t)
     1         11                               1         1            
                                                                       
 d  x2 (t)   a21 (t) a22 (t) · · · a2n (t)   x2 (t)   f2 (t)
              =
                                                                              
                                             .  . + .
                                                                         ,
 dt  .   .
     .   .   .      .
                               .
                               .
                               .
                                    ..
                                        .    .  .   .
                                             .           .             .
                                                                              
                                                                              
                                                                       
       xn (t)       an1 (t) an2 (t) · · · ann (t)     xn (t)        fn (t)
148                  ´
                  CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

ou, abreviadamente,

                                 ˙
                                 X = AX + F.


Se o sistema for homog´ neo, a sua forma matricial ser´
                      e                               a

                                    ˙
                                    X = AX .


Exerc´cio 12 Escrever em notacao matricial os seguintes sistemas:
     ı                       ¸˜
         
          x′ = 6x + x + x + t                         
          1
                  1    2    3                          dx
                                                          = 3x + 4y
      (a) x′ = 8x1 + x2 − x3 + 10t ,               (b)   dt           .
          2
                                                       dy = 5x − 7y
                                                       
          ′
          x = 2x + 9x − x3 + 6t
            3    1     2                                 dt



     ¸˜                                  ˙
Definicao 20 Um vector solucao do sistema X = AX + F num intervalo I e um
                          ¸˜                                        ´
vector
                                                     
                            x (t)          φ (t)
                           1            1            
                                         φ2 (t)
                                                     
                           x2 (t)                      
                       X = .
                           .
                                       =
                                         .
                                                        ,
                                         .
                                                        
                           .                .          
                                                     
                            xn (t)         φn (t)

cujos elementos s˜ o funcoes diferenci´ veis que satisfazem o sistema no intervalo.
                 a      ¸˜            a

                            ¸˜     ˙
Observacao 11 Um vector solucao de X = AX + F e equivalente a n solucoes
       ¸˜                                     ´                     ¸˜


                            x1 = φ1 (t), . . . , xn = φn (t)


e pode ser interpretado geometricamente como um conjunto de equacoes param´ tricas
                                                                ¸˜        e
de uma curva no espaco. No caso particular em que n = 2 temos
                    ¸


                              x1 = φ1 (t), x2 = φ2 (t)


que representa uma curva no plano xOy, a que chamamos traject´ ria.
                                                             o
´
3.1. CONCEITOS BASICOS                                                         149

Exerc´cio 13 Verifique que no intervalo (−∞, +∞) ,
     ı
                                                          
                             1                           3
                   X1 =           e−2t   e   X2 =          e6t
                             −1                          5

s˜ o solucoes do sistema diferencial
 a       ¸˜
                                                
                                           1 3
                                  ˙
                                  X =           X.
                                           5 3




Grande parte da teoria dos sistemas lineares de n ED lineares de 1a ordem e similar
                                                                          ´
a das ED lineares de ordem n.
`



3.1.3     Problemas de valor inicial

Denotemos por t0 um ponto de um intervalo real I. O problema descrito no Teorema
20 toma a forma:

Resolver o problema de valor inicial
                                                             
                                                         k1
                                                             
                                                             
                                                        k2   
                   ˙
                   X = AX + F,         X (t0) = X0 =         .              (3.4)
                                                         .
                                                          .   
                                                         .   
                                                             
                                                         kn

O Teorema 20 pode ent˜ o ser re-escrito como
                     a

Teorema 21 Se os elementos das matrizes A e F s˜ o funcoes cont´nuas num
                                               a      ¸˜       ı
intervalo I que contenha o ponto t0 , ent˜ o existe uma unica solucao do problema
                                         a              ´         ¸˜
de valor inicial (3.4) no intervalo.

No que se segue consideraremos somente sistemas homog´ neos e suporemos que
                                                     e
ai j e fi s˜ o funcoes cont´nuas de t no mesmo intervalo I.
           a      ¸˜       ı
150                   ´
                   CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

                                  ¸˜
Teorema 22 (Princ´pio da sobreposicao) Sejam X1, X2 , . . . , Xk um con-
                 ı
                      ¸˜                  e     ˙
junto de vectores solucao do sistema homog´ neo X = AX num certo intervalo real
I. Ent˜ o a combinacao linear
      a            ¸˜

                             X = c1 X1 + c2 X2 + . . . + ck Xk

onde c1 , c2 , . . . , ck s˜ o constantes arbitr´ rias, e tamb´ m um vector solucao do sis-
                           a                    a       ´     e                 ¸˜
tema no intervalo I.

Exerc´cio 14 Verifique que
     ı
                                                                       
                                cost                                  0
                                                                  
                      1          1                              t 
                X1 =  − 2 cost + 2 sint               e   X2 =  e 
                                                                  
                        − cos t − sint                             0
s˜ o solucoes do sistema
 a       ¸˜
                                                       
                                       1    0       1
                                                       
                             ˙ 
                             X = 1 1 0
                                                        
                                                        X.
                                                       
                                  −2 0 −1
Conclua que
                            X = c1 X1 + c2 X2 ,         c1 , c2 ∈ R

e ainda uma solucao do sistema.
´               ¸˜



3.1.4           ˆ               ˆ
          Dependencia e independencia linear

     ¸˜
Definicao 21 Sejam X1 , X2 , . . . , Xk um conjunto de vectores solucao do sistema
                                                                   ¸˜
     e     ˙
homog´ neo X = AX num certo intervalo real I. Dizemos que o conjunto e line-
                                                                     ´
armente dependente no intervalo se existirem constantes c1 , c2 , . . . , ck n˜ o todas
                                                                              a
nulas, de tal forma que

                        c1 X1 + c2 X2 + . . . + ck Xk = 0,      ∀t ∈ I.

Se o conjunto n˜ o for linearmente dependente em I, ent˜ o ser´ designado linear-
               a                                       a      a
mente independente.
´
3.1. CONCEITOS BASICOS                                                                        151

Observacao 12 Notemos que no caso em que k = 2 a definicao anterior corres-
       ¸˜                                             ¸˜
ponde a dizer que dois vectores solucao s˜ o linearmente dependentes se um for
                                    ¸˜ a
m´ ltiplo constante do outro. Se k > 2 tem-se que um conjunto de vectores solucao
 u                                                                            ¸˜
e linearmente dependente se pudermos expressar pelo menos um vector solucao
´                                                                       ¸˜
como uma combinacao linear dos restantes.
                ¸˜

                ´
Teorema 23 (Criterio do Wronskiano) Sejam
                                                                                    
                  x11 (t)                     x12 (t)                          x1n (t)
                                                                                    
                                                                                    
              x21 (t)                x22 (t)                          x2n (t)       
        X1 =  .
              .
                            ,
                                X2 =  .
                                       .
                                                        ,
                                                            ...,   Xn =  .
                                                                          .
                                                                                         ,
                                                                                         
              .                      .                                .             
                                                                                    
               xn1 (t)                  xn2 (t)                            xnn (t)

               ¸˜             ˙
n vectores solucao do sistema X = AX no intervalo I. Ent˜ o o conjunto de vectores
                                                        a
solucao e linearmente independente em I se e s´ se
    ¸˜ ´                                      o

                                          x11 x12 · · · x1n
                                          x21 x22 · · · x2n
              W (X1, X2 , . . . , Xn) =    .   . ..      .          = 0,   ∀t ∈ I.
                                           .
                                           .   .
                                               .      . ..
                                          xn1 xn2 · · · xnn

Exerc´cio 15 Considere os vectores solucao X1 e X2 do exerc´cio 13 e mostre
     ı                                 ¸˜                  ı
que se tratam de vectores solucao linearmente independentes para todos os valores
                              ¸˜
reais de t.

     ¸˜                                  ¸˜
Definicao 22 (Conjunto Fundamental de Solucoes) Todo o con-
junto X1 , X2 , . . ., Xn de n vectores solucao linearmente independentes do sistema ho-
                                            ¸˜
   e     ˙
mog´ neo X = AX no intervalo I e chamado conjunto fundamental de solucoes no
                               ´                                     ¸˜
intervalo.

                          ˙
Teorema 24 Dado o sistema X = AX , existe um conjunto fundamental de solucoes
                                                                         ¸˜
para este sistema num intervalo I.

                ¸˜                        ´
Teorema 25 (Solucao geral - sistemas homogeneos) Sejam
                                                   ¸˜                   e     ˙
X1 , X2 , . . ., Xn um conjunto fundamental de solucoes do sistema homog´ neo X = AX
152                     ´
                     CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

num intervalo I. Ent˜ o, a solucao geral do sistema no intervalo I e
                    a          ¸˜                                  ´

                                X = c1 X1 + c2 X2 + . . . + cn Xn ,

onde c1 , c2 , . . . , cn s˜ o constantes arbitr´ rias.
                           a                    a

Exerc´cio 16 Indique a solucao geral do sistema considerado no exerc´cio13.
     ı                     ¸˜                                       ı



3.1.5                ˜       ´
           Sistemas nao homogeneos

               a        e      ˙
Para sistemas n˜ o homog´ neos X = AX + F, uma solucao particular X p num inter-
                                                   ¸˜
valo I e qualquer vector livre de constantes arbitr´ rias, cujos elementos s˜ o funcoes
       ´                                           a                        a      ¸˜
                         ˙
que satisfazem o sistema X = AX + F.

                ¸˜                    ˜       ´
Teorema 26 (Solucao geral - sistemas nao homogeneos) Sejam
                                        ˙
• X p uma solucao particular do sistema X = AX + F no intervalo I;
              ¸˜
                                                                ˙
• XH = c1 X1 + c2 X2 + . . . + cn Xn a solucao geral do sistema X = AX no mesmo
                                           ¸˜
intervalo I.
Ent˜ o a solucao geral do sistema n˜ o homog´ neo em I e
   a         ¸˜                    a        e          ´

                                       X = XH + X p .


A solucao geral do sistema homog´ neo, XH = c1 X1 + c2 X2 + . . . + cn Xn , designa-se
      ¸˜                        e
por funcao complementar do sistema n˜ o homog´ neo.
       ¸˜                           a        e



Exerc´cio 17 Considere o sistema
     ı
                                                                   
                                      1 3                 12t − 11
                            ˙
                            X =            X +                     .
                                      5 3                   −3

(a) Mostre que                                            
                                                 3t − 4
                                      Xp =                ,
                                                −5t + 6
´
3.2. SISTEMAS LINEARES HOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES153

e solucao do sistema anterior.
´     ¸˜
(b) Escreva a solucao geral do sistema anterior (recorde que determinou a solucao
                  ¸˜                                                          ¸˜
do sistema homog´ neo associado no exerc´cio anterior.)
                e                       ı



                           ´
3.2 Sistemas Lineares homogeneos com coefi-
        cientes constantes

Atendendo aos exemplos da seccao anterior somos levados a perguntar se podemos
                             ¸˜
obter uma solucao da forma
              ¸˜
                                            
                                        k1
                                            
                                            
                                       k2    λt
                             X =             e = K eλ t                      (3.5)
                                        .
                                         .   
                                        .   
                                            
                                        kn

                    e                       ˙
para o sistema homog´ neo de primeira ordem X = AX , onde A e uma matriz n × n
                                                            ´
cujas entradas s˜ o constantes.
                a

Notemos que, para o vector X dado por (3.5), temos que X = K λ eλ t . Assim, se X e
                                                       ˙                          ´
                     ˙
um vector solucao de X = AX , segue-se:
              ¸˜

                                    K λ eλ t = AK eλ t

                                        K λ = AK

                                  AK − λ K = 0.

Uma vez que K = IK, onde I denota a matriz identidade de ordem n, obtemos

                                  (A − λ I) K = 0.                             (3.6)

´
E evidente que K = 0 satisfaz a equacao matricial (3.6). Para garantirmos que existe
                                    ¸˜
outra solucao para al´ m de K = 0 devemos ter
          ¸˜         e

                                  det(A − λ I) = 0.
154                     ´
                     CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

Esta ultima equacao e polinomial em λ e e chamada equacao caracter´stica da
     ´          ¸˜ ´                    ´             ¸˜          ı
matriz A, e as suas solucoes s˜ o os valores pr´ prios de A.
                        ¸˜    a                o

Uma solucao K = 0 da equacao matricial (3.6) correspondente ao valor pr´ prio λ e
        ¸˜               ¸˜                                            o        ´
chamada um vector pr´ prio de A.
                    o

                            e     ˙
Uma solucao do sistema homog´ neo X = AX e ent˜ o
        ¸˜                               ´    a

                                        X = K eλ t .


Consideraremos os trˆ s casos seguintes:
                    e
• A matriz A tem valores pr´ prios reais distintos;
                           o
• A matriz A tem valores pr´ prios reais repetidos;
                           o
• A matriz A tem valores pr´ prios complexos.
                           o



3.2.1                               ´
           A matriz A tem valores proprios reais distintos

Se A e uma matriz n × n com n valores pr´ prios reais distintos
     ´                                  o

                                       λ1 , λ2 , . . ., λn

podemos sempre determinar um conjunto de vectores K1 , K2 , . . ., Kn linearmente
independentes e

               X1 = K1 eλ1t ,     X2 = K2 eλ2t ,        ...   ,   Xn = Kn eλnt

´                                ¸˜      ˙
e um conjunto fundamental de solucoes de X = AX , no intervalo I = R.

 Teorema 27 Sejam λ1 , λ2, . . . , λn n valores pr´ prios distintos da matriz de co-
                                                  o
                               ˙
 eficientes A ∈ Rn×n do sistema X = AX e sejam K1 , K2 , . . ., Kn os vectores pr´ prios
                                                                                o
                     a          ¸˜                   ˙
 correspondentes. Ent˜ o, a solucao geral do sistema X = AX em R ser´ dada por
                                                                    a

                      X = c1 K1 eλ1t + c2 K2 eλ2t + . . . + cn Kn eλnt ,

 com c1 , c2 , . . . , cn constantes arbitr´ rias.
                                           a
´
3.2. SISTEMAS LINEARES HOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES155

Exemplo 3.3 Determinemos a solucao geral do sistema linear homog´ neo com
                               ¸˜                               e
coeficientes constantes
                                   
                                       dx
                                   
                                       dt    = 2x + 3y
                                       dy
                                   
                                       dt    =              2x + y

Comecemos por observar que
                                                                            
                               x                                         2 3
                    X =                   e                A=               .
                               y                                         2 1

• Determinemos os valores pr´ prios de A :
                            o


                               2−λ              3
        |A − λ I| = 0 ⇔                                      =0
                                   2        1−λ
                         ⇔ (2 − λ )(1 − λ ) − 6 = 0

                         ⇔ λ = −1 ∨ λ = 4 (valores pr´ prios distintos).
                                                     o


• Determinemos os vectores pr´ prios de A correspondentes:
                             o
Se λ = −1 obtemos


              (A − λ I) K = 0 ⇔ (A + I) K = 0
                                                                                   
                                   3 3                               k1             0
                              ⇔                                        =           
                                   2 2                               k2             0
                                
                                 3k + 3k                            = 0
                                     1     2
                              ⇔
                                 2k + 2k                            = 0
                                                        1        2
                                   ⇔ k1 = −k2 .


Tomando, por exemplo, k2 = −1, obtemos o vector pr´ prio
                                                  o
                                                           
                                                    1
                                   K1 =                    .
                                                −1
156                  ´
                  CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

Se λ = 4 obtemos

             (A − λ I) K = 0 ⇔ (A − 4I) K = 0
                                                 
                                  −2 3         k     0
                             ⇔             1  =  
                                   2 −3        k2    0
                               
                                −2k + 3k = 0
                                      1     2
                             ⇔
                                2k − 3k      = 0
                                          1    2
                                      3
                                ⇔ k1 = k2 .
                                      2

Tomando, por exemplo, k2 = 2, obtemos o vector pr´ prio
                                                 o
                                    
                                      3
                              K2 =   .
                                      2

• Os vectores K1 e K2 s˜ o linearmente independentes e
                       a
                                                 
                          1                           3
               X1 =           e−t     e    X2 =   e4t
                        −1                            2

s˜ o solucoes linearmente independentes do sistema. Segue-se que
 a       ¸˜
                                            
                                1               3
      X = c1 X1 + c2 X2 = c1      e−t + c2   e4t ,        c1 , c2 ∈ R,
                               −1               2

e a solucao geral do sistema.
´       ¸˜



3.2.2                             ´
         A matriz A tem valores proprios reais repetidos

Dada a matrix A de coeficientes e evidente que nem todos os seus valores pr´ prios
                               ´                                          o
precisam de ser distintos.

Exemplo 3.4 Dado o sistema
                                              
                                      3 −18
                             ˙
                             X =              X
                                      2   −9
´
3.2. SISTEMAS LINEARES HOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES157

obtemos a equacao caracter´stica
              ¸˜          ı




                     3−λ      −18
|A − λ I| = 0 ⇔                       = 0 ⇔ (3 − λ )(−9 − λ ) + 36 = 0 ⇔ (λ + 3)2 = 0.
                       2    −9 − λ




Assim, λ1 = λ2 = −3 e uma raiz de multiplicidade dois.
                    ´



Para este valor pr´ prio obtemos o unico vector pr´ prio K tal que
                  o                ´              o



                                                                               
                                                     6 −18         k1           0
    (A − λ I) K = 0 ⇔ (A + 3I) K = 0 ⇔                               =         
                                                     2   −6        k2           0
                       
                        6k − 18k = 0
                           1     2
                     ⇔                ⇔ k1 = 3k2 .
                        2k − 6k = 0
                            1   2




Tomando, por exemplo, k2 = 1, obtemos o vector pr´ prio
                                                 o



                                               
                                            3
                                K1 =           .
                                            1




Segue-se que X1 = K e−3t e uma solucao do sistema. Por´ m, como estaremos inte-
                         ´         ¸˜                 e
ressados em obter a solucao geral do sistema, precisaremos de obter uma segunda
                        ¸˜
solucao, o que ser´ feito no exemplo 3.6.
    ¸˜            a
158                 ´
                 CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1


Em geral, se λ e um valor pr´ prio de multiplicidade alg´ brica m, duas situacoes
               ´            o                           e                    ¸˜
podem ocorrer:
   (i) Para algumas matrizes A, n × n, e poss´vel obter m vectores pr´ prios linear-
                                       ´     ı                       o
      mente independentes K1 , K2 , . . ., Km correspondentes a um valor pr´ prio λ1
                                                                           o
      de multiplicidade m ≤ n. Nesse caso, a solucao geral do sistema cont´ m a
                                                 ¸˜                       e
      combinacao linear
             ¸˜

                        c1 K1 eλ1t + c2 K2 eλ1t + . . . + cm Km eλ1t .

  (ii) Dado o valor pr´ prio λ1 de multiplicidade m, existir um unico vector pr´ prio
                      o                                         ´              o
      associado a λ1 . Neste caso, as m solucoes linearmente independentes podem
                                            ¸˜
      ser obtidas como sendo da forma:

              X1 = K11 eλ1t

             X2 = K21t eλ1t + K22 eλ1t
                .
                .
                .
                       t (m−1) λ1t       t (m−2) λ1t
             Xm = Km1           e + Km2          e + . . . + Kmm eλ1t
                      (m − 1)!          (m − 2)!

      onde cada Ki j e um vector coluna.
                     ´


O pr´ ximo exemplo cont´ m uma ilustracao para o item (i) acima.
    o                  e              ¸˜

                              ˙
Exemplo 3.5 Resolva o sistema X = AX com
                                                    
                                 1 −2 2
                                       
                                       
                          A =  −2 1 −2  .
                                       
                                 2 −2 1

• Determinemos os valores pr´ prios de A :
                            o

                                        1−λ        −2        2
                 |A − λ I| = 0 ⇔         −2      1−λ        −2       = 0.
                                           2       −2      1−λ
´
3.2. SISTEMAS LINEARES HOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES159

Da resolucao desta equacao obtemos os valores pr´ prios λ1 = λ2 = −1 e λ3 = 5.
         ¸˜            ¸˜                       o
• Determinemos os vectores pr´ prios de A:
                             o
Se λ = −1 obtemos

            (A − λ I) K = 0 ⇔ (A + I) K = 0
                                                                    
                                  2 −2 2               k1            0
                                                        
                                                        
                            ⇔  −2 2 −2             k2  =  0  .
                                                        
                                  2 −2 2              k3       0
Passando para a matriz ampliada do sistema
                                                                        
      2 −2 2 0                  2 −2 2 0       1 −1 1 0
                                                                        
                                                                        
   −2 2 −2 0  −→  0 0 0 0  −→  0 0 0 0                                  
                                                                        
      2 −2 2 0                  0 0 0 0        0 0 0 0
do que se segue k1 − k2 + k3 = 0, ou seja, k1 = k2 − k3 . Escolhendo k2 = 1, k3 = 0
e k2 = 1, k3 = 1 obtemos, respectivamente, k1 = 1 e k1 = 0. Assim
                                                 
                             1                       0
                                                 
                                                 
                    K1 =  1         e     K2 =  1 
                                                 
                             0                       1
s˜ o dois vectores pr´ prios independentes, e
 a                   o
                                                  
                           1                         0
                                                  
                          −t                       −t
                 X1 =  1  e          e      X2 =  1  e
                                                  
                           0                         1
s˜ o duas solucoes linearmente independentes correspondentes ao mesmo valor
 a            ¸˜
pr´ prio.
  o

Para λ3 = 5 obtemos

            (A − λ3 I) K = 0 ⇔ (A − 5I) K = 0
                                                                    
                                  −4 −2 2               k1           0
                                                        
                                                        
                             ⇔  −2 −4 −2           k2  =  0  .
                                                        
                                   2 −2 −4            k3       0
160                    ´
                    CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

Passando para a matriz ampliada do sistema
                                                                                
        −4 −2 2 0                 2        −2 −4 0         2         −2 −4 0
                                                                        
                                                                        
       −2 −4 −2 0         −→  −2        −4 −2 0  −→  0          −6 −6 0 
                                                                        
         2 −2 −4 0               −4        −2 2 0          0         −6 −6 0
                                               
           1 −1 −2        0         1      0 −1 0
         
         
                            
                            
                                 
                                 
                                                  
                                                      k1 =           k3
      −→  0 1  1         0  −→  0       1 1 0 ⇒
                                                   k2 =          −k3
           0 0  0         0         0      0 0 0

Tomando k3 = 1 obtemos
                                              
                                           1
                                          
                                          
                                 K3 =  −1 
                                          
                                         1

o terceiro vector pr´ prio. Conclu´mos que a solucao geral do sistema e
                    o             ı              ¸˜                   ´
                                                  
             1            0             1
                                     
             −t         −t
    X = c1  1  e + c2  1  e + c3  −1  e5t ,
                                         
                                                               c1 , c2 , c3 ∈ R.
                                     
             0            1             1



Observacao 13 A matriz A do exemplo anterior e sim´ trica, isto e, A = AT , onde
       ¸˜                                    ´    e             ´
T   denota transposta. Quando a matriz A e sim´ trica e poss´vel provar que temos
                                         ´    e       ´     ı
sempre a situacao descrita no item (i).
              ¸˜

Passamos agora a considerar o caso referido no item (ii) do quadro anterior. Co-
mecemos por considerar que λ1 e um valor pr´ prio de multiplicidade 2 e que existe
                              ´            o
apenas um vector pr´ prio associado a λ1 . De acordo com o referido em (ii), uma
                   o
segunda solucao pode ser obtida da forma
            ¸˜


                               X2 = Kteλ1t + Peλ1t ,                               (3.7)
´
3.2. SISTEMAS LINEARES HOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES161

onde
                                                            
                             k1                           p1
                                                            
                                                            
                            k2                         p2   
                   K=        .
                                        e     P=         .
                                                               .
                     
                             .
                              .
                                  
                                  
                                                 
                                                          .
                                                           .
                                                               
                                                               
                                                            
                             kn                           pn

           ´         ¸˜             ˙
Ora, se X2 e uma solucao do sistema X = AX , obtemos uma identidade ao substituir
(3.7) no sistema. Como

                       X2 = Keλ1t + Kt λ1eλ1t + Pλ1 eλ1t
                       ˙

obtemos

          X2 = AX2 ⇒ Keλ1t + Kt λ1eλ1t + Pλ1 eλ1t = AKteλ1t + APeλ1t
          ˙

                     ⇒ (AK − λ1 K)teλ1t + (AP − λ1 P − K)eλ1t = 0.

Como esta equacao deve ser v´ lida para todos os valores de t, devemos ter
              ¸˜            a

                                  (AK − λ1 I)K = 0                           (3.8)

                                  (AP − λ1 I)P = K.                          (3.9)

A equacao (3.8) estabelece simplesmente que K deve ser um vector pr´ prio de A as-
      ¸˜                                                           o
sociado a λ . Resolvendo (3.8), determinamos uma solucao X1 = Keλ1t . Para obter
                                                     ¸˜
uma segunda solucao X2 , precisamos somente de resolver (3.9) por forma a obter-
                ¸˜
mos o vector P.

                     ¸˜
Exemplo 3.6 (continuacao do exemplo 3.4) No exemplo 3.4 encontr´ mos
                                                               a
o valor pr´ prio de multiplicidade dois: λ = −3. Vimos que
          o
                                        
                                          3
                                 K1 =  
                                          1

e o unico vector pr´ prio associado aquele valor pr´ prio. Assim X1 = K1 e−3t e
´ ´                o                `              o                          ´
uma solucao. Pretendemos agora determinar uma segunda solucao. Para o efeito,
        ¸˜                                                ¸˜
162                  ´
                  CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

resolvamos a equacao (A − λ I)P = K, isto e,
                 ¸˜                       ´
                                                  
                                   6 −18        p1      3
            (A + 3I)P = K ⇔                      =  .
                                   2 −6         p2      1

Desta equacao matricial obtemos 2p1 −6p2 = 1. Temos uma infinidade de solucoes.
          ¸˜                                                             ¸˜
                                1
Escolhendo, por exemplo, p1 =   2    obtemos p2 = 0 e
                                         
                                              1
                                              2
                                 P=              .
                                              0

Uma segunda solucao e dada por X2 = Kte−3t + Pe−3t , donde
                ¸˜ ´
                                               
                                            1
           3                 3
  X = c1   e−3t + c2   te−3t +  2  e−3t  ,                    c1 , c2 ∈ R,
           1                 1              0

e a solucao geral do sistema do exemplo 3.4.
´       ¸˜



Suponhamos agora que associados ao valor pr´ prio λ , de multiplicidade trˆ s, n˜ o
                                           o                              e a
existem trˆ s vectores pr´ prios linearmente independentes. Neste caso, obtemos uma
          e              o
primeira solucao fazendo
             ¸˜

                                 X1 = K eλ1t ,

uma segunda solucao fazendo
                ¸˜

                             X2 = Kt eλ1t + P eλ1t ,

e a terceira solucao e obtida como
                 ¸˜ ´
                                     t 2 λ1t
                           X3 = K       e + Pt eλ1t + Q eλ1t ,                       (3.10)
                                      2
onde
                                                                 
                  k1                     p1                      q1
                                                                 
                                                                 
                 k2                   p2                    q2   
         K=       .
                       ,     P=         .
                                                      e   Q=    .
                                                                      .
           
                  .
                   .
                       
                       
                                
                                         .
                                          .
                                              
                                              
                                                             
                                                                 .
                                                                  .
                                                                      
                                                                      
                                                                 
                  kn                     pn                      qn
´
3.2. SISTEMAS LINEARES HOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES163

                               ˙
Substituindo (3.10) no sistema X = AX , obtemos

    ˙
    X3 = AX3 ⇒
                 t2                                     t 2 λ1t
    ⇒ Kte + K λ1 e + Pe + Pλ1te + Qλ1 e = AK e + APteλ1t + AQeλ1t
          λ1t           λ1 t λ1t    λ1t        λ1 t
                 2                                       2
                  t 2 λ1t
    ⇒ (A − λ1 I)K e + (AP − λ1 P − K)teλ1t + (AQ − P − λ1 Q)eλ1t = 0.
                   2
Como esta equacao e v´ lida para todos os valores de t, devemos ter
              ¸˜ ´ a

                               (A − λ1 I)K = 0                          (3.11)

                               (A − λ1 I)P = K                          (3.12)

                              (A − λ1 I)Q = P.                          (3.13)

Exemplo 3.7 Resolva o sistema
                                            
                                  2 1 6
                                       
                            ˙ =  0 2 5 X.
                            X
                                
                                        
                                       
                                  0 0 2
      ¸˜
Resolucao:

                 ¸˜
Resolvendo a equacao caracter´stica
                             ı

                2−λ     1      6
                 0    2−λ      5       = 0 ⇔ (2 − λ )3 = 0 ⇔ λ = 2
                 0      0    2−λ
obtemos λ = 2 valor pr´prio de multiplicidade 3.
                      o

Resolvendo      a equac˜o matricial (3.11) para
                       ¸a                                    λ = 2 obtemos
                                                           
     0 1 6          k        0      k + 6k =
                                    2                       0     k ∈R
                                                                   1
                1            
                                           3                     
                                                                  
                      
   0 0 5         k2  =  0  ⇒        5k3 =              0 ⇒     k =0
                             
                                                                  2
                                                                  
                                                                 
     0 0 0          k3       0             0 =              0     k =0
                                                                      3

Tomando, por exemplo, k1 = 1, obtemos o vector pr´prio (´nico)
                                                 o      u
                           
                              1
                           
                           
                      K =  0 .
                           
                              0
164               ´
               CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

Tomando agora a equac˜o
                     ¸a        matricial (3.12)
                                                
   0 1 6    p                 1        p + 6p = 1
                                                       p ∈R
                                                        1
         1                       2
                                               3      
                                                       
                           
 0 0 5   p2  = K =       0  ⇒          5p3 = 0 ⇒   p =1
                                
                                                       2
                                                       
                                                      
   0 0 0    p3                0                0 = 0   p =0
                                                          3

Tomando, por exemplo, p1 = 0, obtemos o vector
                           
                             0
                           
                           
                      P =  1 .
                           
                             0

Finalmente,    a equacao matricial (3.13) produz
                      ¸˜
                                            
  0 1 6        q1           0      q + 6q = 0
                                   2               q ∈R
                                                    1
                                          3       
                                            
                                                      6
 0 0 5      q2  = P =  1  ⇒        5q3 = 1 ⇒   q = −5
                            
                                                   2
                                                   
                                                  
                                                    q =1
  0 0 0        q3           0             0 = 0       3  5

Tomando, por exemplo, q1 = 0, obtemos o vector
                               
                             0
                               
                          6 
                     Q =  −5 .
                               
                                   1
                                   5


Conclu´mos, portanto, que
      ı
                
                  1
                
 X1 = K eλ1t =  0  e ,
                 2t
                
                  0
                                     
                           1            0
                                     
 X2 = Kt eλ1t + P eλ1t =  0  te2t +  1  e2t ,
                                     
                                     
                           0            0
                                                          
                                  1           0             0
        t2                        t2                      
 X3 = K eλ1t + Pteλ1t + Qeλ1t =  0  e2t +  1  te2t +  − 5  e2t ,
                                                      6 
        2                        2                        
                                                            1
                                  0           0             5
´
3.2. SISTEMAS LINEARES HOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES165

s˜o soluc˜es linearmente independentes do sistema e, por
 a      ¸o
conseguinte, a soluc˜o geral do sistema ´ dada por
                   ¸a                   e


                 X = c1 X1 + c2 X2 + c3 X3 ,        c1 , c2 , c3 ∈ R.




3.2.3                              ´
          A matriz A tem valores proprios reais complexos

Se λ1 = a + bi e λ2 = a − bi s˜ o valores pr´ prios complexos da matriz A, podemos
                              a             o
esperar que os vectores pr´ prios associados sejam tamb´ m complexos.
                          o                            e

Por exemplo, dado o sistema
                                  
                                   dx
                                      = 6x − y
                                    dt
                                   dy = 5x + 4y
                                  
                                    dt

obtemos                                                       
                              x                           2 3
                     X =               e         A=           ,
                              y                           2 1

donde

                                             6−λ       −1
                    |A − λ I| = 0 ⇔                            =0
                                               5     4−λ
                                      ⇔ (6 − λ )(4 − λ ) + 5 = 0

                                      ⇔ λ = 5 ± 2i,


isto e, os valores pr´ prios da matriz dos coeficientes A s˜ o os n´ meros complexos
     ´               o                                    a       u
conjugados λ1 = 5 + 2i e λ2 = 5 − 2i.

Determinemos os correspondentes vectores pr´ prios:
                                           o
166                    ´
                    CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

Para λ1 = 5 + 2i obtemos
                                                                                         
                                  6 − 5 − 2i          −1                 k1               0
       (A − λ I) K = 0 ⇔                                                   =             
                                        5        4 − 5 − 2i              k2               0
                                                                                 
                                  1 − 2i        −1              k1                0
                        ⇔                                         =              
                                    5       −1 − 2i             k2                0
                          
                           (1 − 2i)k − k                  = 0
                                     1   2
                        ⇔
                           5k − (1 + 2i)k                 = 0
                                    1                 2


                        ⇔ k2 = (1 − 2i)k1 .

Da escolha k1 = 1, resulta o seguinte vector pr´ prio
                                               o
                                              
                                          1
                               K1 =           
                                        1 − 2i

e o seguinte vector solucao
                        ¸˜
                                                         
                                                  1
                     X1 = K1 e(5+2i)t =                   e(5+2i)t .
                                                1 − 2i

Procedendo de modo semelhante, obtemos para λ2 = 5 − 2i, o vector pr´ prio
                                                                    o
                                         
                                     1
                          K2 =           
                                   1 + 2i

e o vector solucao
               ¸˜
                                                         
                                                  1
                     X2 = K2 e(5−2i)t =                   e(5−2i)t .
                                                1 + 2i

Recorrendo ao Wronskiano podemos mostrar que estas solucoes s˜ o linearmente
                                                       ¸˜    a
independentes, do que se conclui que a solucao geral do sistema e
                                           ¸˜                   ´
                                                           
                                 1                        1
     X = c1 X1 + c2 X2 = c1          e(5+2i)t + c2          e(5−2i)t ,                        (3.14)
                              1 − 2i                   1 + 2i

onde c1 , c2 ∈ R.
´
3.2. SISTEMAS LINEARES HOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES167

Teorema 28 (Solucoes correspondentes a valores pr´ prios complexos)
                ¸˜                               o
                                                                          ˙
Seja A a matriz dos coeficientes com elementos reais do sistema homog´ neo X = AX
                                                                    e
e seja K1 um vector pr´ prio correspondente ao valor pr´ prio λ1 = α +iβ , α , β ∈ R.
                      o                                o
Ent˜ o
   a


                             X1 = K1 eλ1t   e       X2 = K1 eλ1t


s˜ o solucoes do sistema homog´ neo.
 a       ¸˜                   e

Relativamente ao exemplo anterior, a solucao geral (3.14) pode ser reescrita em
                                         ¸˜
termos de funcoes reais. Para isso, notemos que
             ¸˜


                     e(5+2i)t = e5t e2ti = e5t (cos(2t) + i sin(2t)),

                     e(5−2i)t = e5t e−2ti = e5t (cos(2t) − i sin(2t)),


atendendo a formula de Euler eiθ = cos(θ ) + i sin(θ ), θ ∈ R. Assim, (3.14) toma a
          `
forma
                                                                        
                 1                                                  1
X = c1                  e5t (cos(2t) + i sin(2t)) + c2                   e5t (cos(2t) − i sin(2t))
               1 − 2i                                             1 + 2i

                                                         
                         1                      0
   = (c1 + c2 )             cos(2t) +            sin(2t) e5t +
                         1                      2
                                                               
                             1                      1
         +(c1 − c2 )i           sin(2t) +             cos(2t) e5t
                             1                      −2

   = (c1 + c2 )X1 + (c1 − c2 )iX2 = C1 X1 +C2 X2 ,


onde C1 = c1 + c2 e C2 = (c1 − c2 )i.

Este processo pode ser generalizado. Seja K1 um vector pr´ prio da matriz de coe-
                                                         o
ficientes A ∈ Rn×n correspondente ao valor pr´ prio complexo λ1 = α + iβ . Ent˜ o,
                                            o                                a
168                   ´
                   CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

os dois vectores solucao do Teorema 28 podem ser escritos como
                     ¸˜


    X1 = K1 eλ1t = K1 e(α +iβ )t = K1 eα t eiβ t = K1 eα t [cos(β t) + i sin(β t)],

    X2 = K1 eλ1t = K1 e(α −iβ )t = K1 eα t e−iβ t = K1 eα t [cos(β t) − i sin(β t)].




Pelo princ´pio da sobreposicao os seguintes vectores s˜ o tamb´ m solucoes
          ı                ¸˜                         a       e       ¸˜


                   1
            X1 =     K1 eλ1t + K1 eλ1t
                   2
                   1                        i
                 =   K1 + K1 eα t cos(β t) − −K1 + K1 eα t sin(β t)
                   2                        2


e


                   i
            X2 =     −K1 eλ1t + K1 eλ1t
                   2
                   i                         1
                 =   −K1 + K1 eα t cos(β t) + K1 + K1 eα t sin(β t).
                   2                         2


Atendendo a que qualquer n´ mero complexo z = a + ib satisfaz
                          u


                                   1
                                     (z + z) = a ∈ R,
                                   2
                                 i
                                   (−z + z) = b ∈ R,
                                 2


segue-se que as coordenadas nos vectores coluna


                       1                        i
                         K1 + K1         e        −K1 + K1
                       2                        2


s˜ o n´ meros reais.
 a u
´
3.2. SISTEMAS LINEARES HOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES169


Teorema 29 Seja λ1 = α +iβ , α , β ∈ R, um valor pr´ prio complexo da matriz
                                                   o
                                        ˙
dos coeficientes A do sistema homog´ neo X = AX e sejam
                                  e

              1                                         i
       B1 =     K1 + K1 = Re(K1 )             e B2 =      −K1 + K1 = Im(K1 )
              2                                         2

vectores coluna (Re(K1 ) e Im(K1 ) denotam, respectivamente, parte real e coefici-
ente da parte imagin´ ria de K1 ). Ent˜ o
                    a                 a

   X1 = [B1 cos(β t) − B2 sin(β t)]eα t       e    X2 = [B2 cos(β t) + B1 sin(β t)]eα t

s˜ o solucoes linearmente independentes do sistema homog´ neo em R.
 a       ¸˜                                             e


Exemplo 3.8 Resolva o problema de valor inicial
                                                                    
                          2     8                                 2
                ˙
                X =                X,            X (0) =            .
                         −1 −2                                    −1

      ¸˜
Resolucao:      • Determinar os valores pr´prios:
                                          o

                                               2−λ         8
                   |A − λ I| = 0 ⇔                                    =0
                                                  −1   −2 − λ

                                    ⇔ (2 − λ )(−2 − λ ) + 8 = 0

                                    ⇔ λ = ±2i,

• Para λ1 = 2i (α = 0, β = 2), obtemos
                                               
                              2 − 2i 8       k      0
       (A − λ I) K = 0 ⇔                  1  =  
                               −1 −2 − 2i    k2     0
                                
                                 (2 − 2i)k + 8k               = 0
                                           1    2
                              ⇔
                                 −k − (2 + 2i)k               = 0
                                          1               2

                                
                                 0           = 0
                              ⇔
                                 k
                                     1        = −(2 + 2i)k2
170                   ´
                   CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

Escolhendo k2 = −1, obtemos
                                   
               k1       2 + 2i      2     2
        K1 =     =          =    +i .
               k2        −1        −1     0

Segue-se que
                                                                          
                                     2                                   2
          B1 = Re(K1 ) =                   e B2 = Im(K1 ) =               .
                                 −1                                      0

Como α = 0 e β = 2 obtemos
                                    
                       2              2
             X1 =        cos(2t) −   sin(2t) e
                      −1              0

                                                          
                                 2                      2
                   X2 =              cos(2t) +             sin(2t)
                                 0                      −1

    ¸˜
solucoes linearmente independentes do sistema.                                    Assim, a
solucao geral do sistema ´ dada por
    ¸˜                   e

X = c1 X1 + c2 X2
                                                                 
             2                2                  2               2
  = c1          cos(2t) −   sin(2t) + c2   cos(2t) +      sin(2t)
            −1                0                  0              −1

                                                                          
               2 cos(2t) − 2 sin(2t)                2 cos(2t) + 2 sin(2t)
      = c1                               + c2                             .
                    − cos(2t)                               − sin(2t)

A condic˜o inicial pode ser re-escrita como x(0) = 2 e y(0) =
       ¸a
−1. Destas igualdades obtemos c1 = 1 e c2 = 0, do que se conclui
          ¸˜
que a solucao do problema de valor inicial ´  e
                                          
                     2 cos(2t) − 2 sin(2t)
                X =                       .
                          − cos(2t)
¸˜        ˆ
3.3. VARIACAO DE PARAMETROS                                                    171

         ¸˜        ˆ
3.3 Variacao de parametros

O m´ todo de variacao de parˆ metros desenvolvido para obter uma solucao particular
   e              ¸˜        a                                        ¸˜
de uma equacao diferencial linear n˜ o homog´ nea pode ser estendido aos sistemas
           ¸˜                      a        e
lineares de equacoes diferenciais. Nesta seccao, vamos desenvolver uma vers˜ o
                ¸˜                          ¸˜                             a
                            a                                a        e     ˙
matricial da variacao de parˆ metros para um sistema linear n˜ o homog´ neo X =
                  ¸˜
AX + F. Antes por´ m, precisaremos de estudar uma matriz especial formada pelos
                 e
             ¸˜                  e                    ˙
vectores solucao do sistema homog´ neo correspondente X = AX .




3.3.1    Matriz fundamental


Suponhamos que X1 , X2 , . . ., Xn formam um conjunto fundamental de solucoes do
                                                                         ¸˜
             e     ˙
sistema homog´ neo X = AX num intervalo I. Ent˜ o, de acordo com o Teorema 25,
                                              a
a solucao geral do sistema homog´ neo no intervalo ser´
      ¸˜                        e                     a




              X = c1 X1 + c2 X2 + . . . + cn Xn
                                                                    
                            x11             x12                    x1n
                                                                    
                                                                    
                           x21           x22                  x2n   
                  = c1      . 
                                 + c2 
                                             . 
                                                 + . . . + cn 
                                                                    .
                                                                         
                       
                            . 
                             .
                                       
                                            . 
                                             .
                                                               
                                                                   .
                                                                    .
                                                                         
                                                                         
                                                                    
                            xn1             xn2                    xnn


                                                            
                          c x + c2 x12 + · · · + cn x1n
                         1 11                               
                                                            
                         c1 x21 + c2 x22 + · · · + cn x2n   
                      =                 .
                                                             
                        
                                        .
                                         .
                                                             
                                                             
                                                            
                          c1 xn1 + c2 xn2 + · · · + cn xnn
                                                             n×1
172                 ´
                 CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1
                                                           
                          x11 x12 · · · x1n              c1
                                                           
                                                           
                         x21 x22    · · · x2n         c2   
                                                           
                          .
                           .   .
                               .     ..     . 
                                            .           .
                                                          .   
                =         .   .         . .             .    = Φ(t)C
                                                           
                          xn1 xn2    · · · xnn           cn

                                 Φ(t)                    C

A matriz Φ(t) e chamada matriz fundamental do sistema X = AX no intervalo.
              ´                                       ˙

       ¸˜
Proposicao 1 (Propriedades da matriz fundamental) A matriz
Φ(t) satisfaz as propriedades:

  (i) Φ(t) e n˜ o singular;
           ´ a

 (ii) Φ(t) satisfaz a equacao matricial Φ(t) = AΦ(t).
                          ¸˜            ˙

Dem.

  (i) Uma vez que X1 , X2 , . . . , Xn formam um conjunto fundamental de solucoes do
                                                                             ¸˜
      sistema homog´ neo, tem-se
                   e

                      det Φ(t) = W (X1, X2 , . . . , Xn) = 0, ∀t ∈ I.

      Segue-se imediatamente que existe (Φ(t))−1, ∀t ∈ I.

 (ii) E uma consequˆ ncia de cada coluna de Φ ser um vector solucao de X = AX .
      ´            e                                            ¸˜     ˙




3.3.2         ¸˜        ˆ               ¸˜
         Variacao de parametros ou variacao das constantes
               ´
         arbitrarias

Vamos proceder de modo semelhante ao usado na variacao de parˆ metros para
                                                   ¸˜        a
equacoes diferenciais lineares. Consideremos o sistema n˜ o homog´ neo:
    ¸˜                                                  a        e

                                     ˙
                                     X = AX + F.
¸˜        ˆ
3.3. VARIACAO DE PARAMETROS                                                  173

  1. Determinamos X = Φ(t)C, a solucao geral do sistema homog´ neo X = AX ;
                                   ¸˜                        e     ˙

  2. Assumimos que X p = Φ(t)U (t) e uma solucao particular do sistema n˜ o ho-
                                   ´         ¸˜                         a
             ˙
    mog´ neo X = AX + F, onde
       e
                                                     
                                             u1 (t)
                                                     
                                                     
                                         u2 (t)      
                                U (t) =  .
                                         .
                                                      ;
                                                      
                                         .           
                                                     
                                          un (t)

  3. Derivando, obtemos

                             X p = Φ(t)U (t) + Φ(t)U(t)
                             ˙     ˙               ˙

    De notar que a ordem dos produtos na equacao anterior e muito importante.
                                             ¸˜           ´
    Como U (t) e uma matriz coluna, os produtos U(t)Φ(t) e U (t)Φ(t) n˜ o est˜ o
               ´                                ˙               ˙     a      a
    definidos.

                                       ˙
  4. Substituindo na equacao matricial X = AX + F, obtemos
                         ¸˜

                     Φ(t)U (t) + Φ(t)U(t) = AΦ(t)U (t) + F(t).
                     ˙               ˙

    Como Φ(t) = AΦ(t) segue-se
         ˙

                   AΦ(t)U (t) + Φ(t)U(t) = AΦ(t)U (t) + F(t)
                                    ˙

                                Φ(t)U(t) = F(t)
                                    ˙

                                    U(t) = Φ−1 (t)F(t)
                                    ˙

                                    U (t) =           Φ−1 (t)F(t)dt,

    onde na ultima igualdade o integral
            ´                                  Φ−1 (t)F(t)dt obt´ m-se integrando
                                                                e
    cada entrada da matriz coluna Φ−1 (t)F(t).

    Uma vez que X p = Φ(t)U (t) obtemos

                            X p = Φ(t)    Φ−1 (t)F(t)dt.
174                 ´
                 CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

           ¸˜                   ˙
  5. A solucao geral do sistema X = AX + F e dada por
                                           ´



                         X = Φ(t)C + Φ(t)         Φ−1 (t)F(t)dt.




Exemplo 3.9 Resolva o sistema
                                                         
                               −3     1               3t
                        ˙
                        X =              X +             
                               2     −4               e−t

no intervalo (−∞, ∞).



      ¸˜
Resolucao:

                                   ¸˜
 1. Comecemos por determinar a solucao geral do sistema homog´neo,
                                                             e
      a qual ser´ da forma X = Φ(t)C, com Φ(t) a matriz fundamental,
                a
      isto ´, a matriz cujas colunas s˜o os vectores soluc˜o
           e                          a                  ¸a
      do sistema homog´neo.
                      e

      Para resolver o sistema homog´neo precisamos de determinar
                                   e
      os valores pr´prios e os vectores pr´prios da matriz
                   o                      o
      de coeficientes e encontrar os correspondentes vectores
          ¸˜
      solucao.

      • Determinar os valores pr´prios:
                                o

                                          −3 − λ            1
                    |A − λ I| = 0 ⇔                             =0
                                              2       −4 − λ

                                    ⇔ (−3 − λ )(−4 − λ ) − 2 = 0

                                    ⇔ λ = −2 ∨ λ = −5.
¸˜        ˆ
3.3. VARIACAO DE PARAMETROS                                                   175

    • Determinar os vectores pr´prios:
                               o
    Para λ1 = −2 obtemos
                                                                     
                                  −1       1         k1               0
            (A − λ I) K = 0 ⇔                          =             
                                   2       −2        k2               0
                            
                             −k + k = 0
                                  1  2
                          ⇔               ⇔ k1 = k2 .
                             2k − 2k = 0
                                1    2

    Escolhendo k1 = 1, obtemos
                                          
                                       1
                           K1 =           .
                                       1


    Para λ2 = −5 obtemos
                                                                 
                                    2 1             k1            0
             (A − λ I) K = 0 ⇔                        =          
                                    2 1             k2            0

                           ⇔ 2k1 + k2 = 0 ⇔ k2 = −2k1 .

    Escolhendo k1 = 1, obtemos
                                          
                                       1
                          K2 =            .
                                    −2

    • Os vectores K1 e K2 s˜o linearmente independentes e
                             a
                                                       
          1           e−2t                1             e−5t
    X1 =   e−2t =          e  X2 =      e−5t =         
          1           e−2t               −2            −2e−5t


                        ¸˜
    s˜o os vectores solucao correspondentes.
     a                                                                            ¸˜
                                                                      Assim a solucao
    geral do sistema homog´neo ´ obtida como
                                e    e
                                      
                    e−2t           e−5t
          XH = c1        + c2         , c1 , c2 ∈ R.
                    e−2t          −2e−5t
176                      ´
                      CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

                       ¸˜
 2. Determinar uma solucao particular do sistema n˜o homog´neo:
                                                  a       e

      • Assumimos que X p = Φ(t)U (t) ´ uma soluc˜o particular do
                                      e         ¸a
      sistema n˜o homog´neo, com
               a       e
                                                                                    
                                                            e−2t           e−5t
                              Φ(t) = (X1 , X2) =                                    
                                                            e−2t         −2e−5t


      e U (t) definida pela igualdade U (t) =                                        Φ−1 (t)F(t)dt.

      Com o intuito de calcular U (t) comecemos por determinar
      Φ−1 (t) :
                                                                                                     
              e−2t      e−5t      1 0                               e−2t         e−5t        1      0
                                                 −→                                                         −→
              e−2t     −2e−5t     0 1          L2 ←L2 −L1            0       −3e−5t       −1 1                   1
                                                                                                            L1 ← 3 L2 +L1

                                                                                                      
              e−2t       0         2
                                   3
                                           1
                                           3                        1            0       2 2t
                                                                                         3e
                                                                                                 1 2t
                                                                                                 3e
                                               −→                                                              −→
                  0    −3e−5t −1 1                 L1 ←e2t L1       0 −3e−5t             −1         1                1
                                                                                                               L2 ←− 3 e5t L2

                                        
                       2 2t     1 2t
              1 0      3e       3e
                                        .
                       1 5t
              0 1      3e      − 1 e5t
                                 3




      Assim, tem-se sucessivamente
                                                               
                                           2 2t       1 2t
                                           3e         3e
                      Φ−1 (t) =                                
                                           1 5t
                                           3e        − 1 e5t
                                                       3
                                                                                                          
                                           2 2t       1 2t                                           1
                                           3e         3e                   3t                2te2t + 3 et
              Φ−1 (t)F(t) =                                                   =                           
                                           1 5t
                                           3e        − 1 e5t
                                                       3                   e−t               te5t   −   1 4t
                                                                                                        3e
                                                               
                                                    2t   t
                                           e2t t − e2 + e
           Φ−1 (t)F(t) dt =                            3       
                                           e5t t  e5t  e4t
                                            5 − 25 − 12
¸˜        ˆ
3.3. VARIACAO DE PARAMETROS                                                                        177

      e, finalmente,

        X p = Φ(t)          Φ−1 (t)F(t)dt =
                                                                                              
                                                       2t   t
                     e−2t      e−5t           e2t t − e2 + e
                                                           3
                                                                           6
                                                                           5t −
                                                                                   27
                                                                                   50   +   1 −t
                                                                                            4e
            =                                                 =                               .
                                              e5t t  e5t  e4t
                     e−2t    −2e−5t            5 − 25 − 12
                                                                           3
                                                                           5t −
                                                                                   21
                                                                                   50   +   1 −t
                                                                                            2e


  3. A solucao geral do sistema n˜o homog´neo ´ dada por
            ¸˜                             a      e        e
                                                             
                         e−2t           e−5t      6     27   1 −t
                                                    t − 50 + 4 e
     X = XH + X p = c1        + c2         + 5               ,
                          −2t          −2e−5t     3     21   1 −t
                         e                        5 t − 50 + 2 e

      com c1 , c2 ∈ R.




3.3.3     Problema de valor inicial

                            ¸˜              a        e     ˙
Como acab´ mos de ver a solucao do sistema n˜ o homog´ neo X = AX + F pode ser
         a
escrita na forma
                            X = Φ(t)C + Φ(t)          Φ−1 (t)F(t)dt,

ou, alternativamente, na forma
                                                  t
                         X = Φ(t)C + Φ(t)             Φ−1 (s)F(s)ds,                           (3.15)
                                                 t0

onde t0 e t s˜ o pontos do intervalo I.
             a

A forma (3.15) e util na resolucao de sistemas n˜ o homog´ neos sujeitos a uma
               ´ ´             ¸˜               a        e
condicao inicial X (t0) = X0. Com efeito, mediante esta condicao inicial obtemos
     ¸˜                                                      ¸˜
                                                          t0
                   X (t0) = Φ(t0)C + Φ(t0)                     Φ−1 (t)F(t)dt
                                                         t0
                                                                               .
                                                                 =0
178                   ´
                   CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

Donde X0 = Φ(t0)C e, por conseguinte, C = Φ−1 (t0 )X0. A solucao do problema de
                                                             ¸˜
valor inicial e ent˜ o
              ´    a
                                                 t
                    X = Φ(t)Φ−1(t0 )X0 + Φ(t)        Φ−1 (s)F(s)ds.
                                                t0




             ¸˜
3.4 Consideracoes finais

Consider´ mos neste cap´tulo uma abordagem para resolver sistemas de equacoes
        a              ı                                                 ¸˜
diferenciais lineares de primeira ordem, similar a usada no cap´tulo anterior para a
                                                 `             ı
resolucao de equacoes diferenciais lineares de ordem n. Em particular, vimos como
      ¸˜         ¸˜
resolver um sistema linear de primeira ordem com coeficientes constantes. De refe-
rir, que muito mais haveria a fazer caso nos tiv´ ssemos proposto ao objectivo am-
                                                e
bicioso de considerar sistemas gerais de equacoes diferenciais. Tal n˜ o foi o nosso
                                             ¸˜                      a
prop´ sito por limitacoes de tempo e por n˜ o fazer parte dos objectivos inicialmente
    o                ¸˜                   a
propostos.



3.5 Exerc´cios
         ı

   1. Reescreva cada um dos seguintes sistemas na forma matricial.

                                                          
               dx = 3x − 5y
                                                           dx = −3x + 4y + e−t sin 2t
                                                           
        (a)     dt                                   (b)     dt
               dy                                          dy
                  = 4x + 8y                                   = 5x + 9y + 4e−t cos 2t
                dt                                           dt
                                                          
               dx = x − y + z + t − 1
                                                           dx = x − y
                                                           
               dt
                                                           dt
                                                           
              
                                                          
                                                           
                dy                                           dy
        (c)        = 2x + y − z − 3t 2               (d)        = x + 2z
               dt
                                                           dt
                                                           
              
               dz                                         
                                                            dz
                                                          
                  = x + y + z + t2 − t + 2                    = −x + z
                dt                                           dt
´
3.5. EXERCICIOS                                                            179

  2. Reescreva cada um dos seguintes sistemas na forma n˜ o matricial.
                                                        a

                           
                   4 2        1
      (a)   X′ =      X +   et ;
                  −1 3       −1
                                        
                x      1 −1 2   x     1         3
                 
            d                           
               y =  3 −4 1 y + 2 e−t − −1 t;
                                           
      (b)
            dt                          
                z     −2 5 6    z     2         1

                                       
            d x 3 −7 x 4          t −4
                                                 e4t .
      (c)        =          +    sint + 
            dt y   1 1    y   8          2t + 1



  3. Verifique que o par de funcoes dado e solucao do sistema de equacoes
                              ¸˜        ´     ¸˜                    ¸˜

                                   
             dx                     x = e−2t + 3e6t
                 = x + 3y
      (a)     dt                e
             dy = 5x + 3y
                                    y = −e−2t + 5e6t
              dt
             2                     
             d x                    x = cos 2t + sin 2t + 1 et
                  = 4y + et        
      (b)     dt 2              e                           5
             d 2y                   y = − cos 2t − sin 2t − 1 et
                  = 4x − et        
                                                               5
              dt 2


  4. Verifique se X e vector-solucao de cada um dos seguintes sistemas de ED.
                   ´            ¸˜


            
             dx = 3x − 4y
                                          
                                         1
      (a)     dt           ;         X =   e−5t .
             dy                          2
                = 4x − 7y
              dt
            
             dx = −2x + 5y
                                               
                                     5 cost
      (b)     dt            ; X =               et .
             dy                  3 cost − sint
                = −2x + 4y
              dt
180                   ´
                   CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1
                                                          
                        2      1                      1 t     4
       (c)   X′ =                 X;           X =   e +   tet .
                        −1 0                          3       −4

                                                                  
                        1      0       1                     sint
                                                      
             X′
                                     1         1      
       (d)        =  1 1 0  X ; X = − 2 sint − 2 cost  .
                                                      
                      −2 0 −1           − sint + cost

  5. Verifique se cada um dos seguintes grupos de vectores-solucao forma um con-
                                                              ¸˜
      junto fundamental de solucoes (CFS) do sistema homog´ neo (SH) X ′ = AX
                               ¸˜                         e
      em I, sabendo que cada um dos   indicados e solucao do SH.
                                  vectores      ´     ¸˜
                   1                              1
       (a)   X1 =   e−2t ,               X2 =   e−6t ;
                   1                             −1

                                                      
                        1                        2         8
       (b)   X1 =            et ,        X2 =   et +   tet ;
                        −1                       6        −8

                                                                         
                     1             1                                        2
                                                                       
                        t        −4t                                    3t
       (c)   X1 =  6  e , X2 = −2 e ,                            X3 =  3  e .
                                                                       
                    −13           −1                                       −2

  6. Verifique que X p e solucao particular para cada um dos seguintes sistemas.
                      ´     ¸˜
           
            dx = x + 4y + 2t − 7
                                                            
                                                            2         5
      (a)     dt                           ;        Xp =   t +  
            dy                                            −1          1
                  = 3x + 2y − 4t − 18
              dt
                                                               
                    2 1       −5                                   1
       (b)   X′ =       X + ;                            Xp =  
                    1 −1       2                                   3

                                                        
                        1        −1
                               2 3                    sin 3t
                                                        
             X ′ = −4 2 0 X +  4  sin 3t; X p =  0 
                                                        
       (c)
                                                        
                     −6 1 0       3                   cos 3t
´
3.5. EXERCICIOS                                                              181

  7. Prove que
                                                
                              6          −3         2
                                                
                             −t         −2t      3t
                   X = c1 −1 e + c2  1  e + c3 1 e
                                                
                             −6           1         1
                                     
                                0 6 0
                                     
     e solucao geral de X ′ = 1 0 1 X em I.
                                     
     ´     ¸˜
                                     
                                1 1 0


  8. Determine a solucao geral de cada um dos seguintes sistemas homog´ neos.
                     ¸˜                                               e

                                        
             dx = x + 2y
                                         dx = −4x + 2y
                                         
      (a)     dt                   (b)     dt
             dy                          dy
                = 4x + 3y                   = − 5 x + 2y
                                                  2
              dt                           dt
                                                              
            
             dx = −4y
                                              
                                                 1
                                                       
                                                         2 3
      (c)     dt                   (d)   X ′ = −4 2 0 X
                                                      
             dy                                      
                = 4x
              dt                                −6 1 0

                                                      
                                              −1 0 0
                  −6 2                                
            X′ =                        X ′ =  1 5 −1 X
                                                      
      (e)              X          (f)
                  −3 1                                
                                                 1 6 2


  9. Utilizando o Scilab, determine a solucao geral de cada um dos seguintes sis-
                                          ¸˜
     temas homog´ neos.
                e                                                              
                                                   1    0   2  −1.8 0
                                                                   
                                                                     
                 0.9 2.1 3.2                      0   5.1  0  −1 3
                                                                   
      (a)   X ′=                             ′=                    
                0.7 6.5 4.2 X          (b) X    1    2  −3   0   0 X
                                                                   
                                                                     
                 1.1 1.7 3.4                      0    1 −3.1  4   0
                                                                     
                                                  −2.8 0    0  1.5 1
182                  ´
                  CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1

 10. Determine a ¸ ao geral de cada dos seguintes sistemas n˜ o homog´ neos.
                soluc ˜           um                       a
                                                                     e 
                  3 −5            1                     0 −1          sect
      (a) X ′ =         X +   et/2 (b) X ′ =             X +        
                  3
                  4 −1           −1                     1 0            0

                                                                                
                      0    1             1                             1 −2       tant
       (c)   X′ =      X +                             (d)   X′ =      X +      
                   −1 0       cott                                     1 −1         1

                              
                    1 1 0        0
                              
             X ′ = 1 1 0 X +  t 
                              
       (e)
                              
                    0 0 3       2et
                                                       t
 11. Utilizando X = Φ(t)Φ−1(t0 )X0 +Φ(t)                   Φ−1 (s)F(s)ds, resolva cada um dos
                                                      t0
      seguintes PVIs:
                                                 
                      3    −1              4e2t      1
       (a)   X′ =           X +       , X (0) =  
                      −1   3       4e4t              1

                                                                  
                                        1
                      1 −1                                           2
       (b)   X′ =             X   +  t ,               X (1) =  
                                        1
                      1 −1              t                           −1
 12. Considere o seguinte sistema de EDL
                                                  
                                 −(R1 +R2 )  R2             E
                       i1
                   d    L2                L 2   i1   L 2 
                             =                           +        .
                   dt i2            R2
                                            − R22
                                                     i2     0
                                    L1        L

      Considerando R1 = 8 Ω, R2 = 3 Ω, L1 = 1 h, L2 = 1 h, E(t) = 100 sint V, i1 (0) =
      0A e i2 (0) = 0A.

 13. Com a ajuda do Scilab, determine a solucao geral do seguinte sistema
                                            ¸˜
                                                     
                               2 −2 2 1                 tet
                                                     
                                                     −t 
                        ′
                            −1 3 0 3                e 
                      X =                    X + 
                                                      2t 
                            0      0 4 −2           e 
                                                     
                               0    0 2 −1               1
      Sugest˜ o: Siga os seguintes passos:
            a
´
3.5. EXERCICIOS                                                                    183

        (a) Determine os valores pr´ rios e vectores pr´ prios da matriz.
                                   p                   o


        (b) Construa a matriz fundamental Φ(t) e calcule Φ(t)−1.


        (c) Execute a seguinte sequˆ ncia de operacoes:
                                   e              ¸˜
              Φ(t)−1(t)F(t), Φ(t)−1(t)F(t)dt, Φ(t)Φ(t) Φ(t)−1(t)F(t)dt, Φ(t)C, Φ(t)C +
              Φ(t)Φ(t) Φ(t)−1(t)F(t)dt


 14. Determine a solucao geral das seguintes ED, depois de as reduzir a um SH de
                     ¸˜
       EDL da forma X ′ = AX .
        (a) x′′′ − 2x′′ + x′ = 0           (b)   2x′′ + 2x′ − x = 0
        (c)    x′′′ − 2x′′ − x′ + 2x = 0   (d)   x′ − 3x′ + 2x = 0

 15. Transforme cada um dos seguintes sistemas diferenciais numa ED de 2a or-
       dem.
       Em seguida determine a solucao que satisfaz as condicoes iniciais indicadas.
                                  ¸˜                       ¸˜


                                            
                x′ = 3x − 2x
                1                            x (0) = 3
                                              1
                        1    2
        (a)
                ′
                x = 2x1 − 2x2               
                                              x2 (0) =      1
                  2                                          2

                                            
                x′ = x − 2x
                1                            x (0) = −1
                                              1
                       1    2
        (b)
                ′
                x = 3x1 − 4x2               
                                              x2 (0) = 2
                  2

                                                                                      
                                                                                x(t)
 16.    (a) Seja x(t) uma solucao da ED x′′ +x′ +x = 0. Mostre que X (t) = 
                              ¸˜                                                       
                                                                                x′ (t)
              e solucao do sistema diferencial
              ´     ¸˜

                                                            
                                                     0   1
                                           X′ =       X.
                                                 −1 −1
184                  ´
                  CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1
                                  
                            x(t)
      (b) Seja X (t) =        solucao do sistema diferencial
                                    ¸˜
                        x′ (t)

                                                           
                                                0       1
                                       X′ =      X.
                                             −3 4

            Mostre que y(t) = x1 (t) e solucao da ED y′′ − 4y′ + 3y = 0.
                                     ´     ¸˜

 17. Determine a solucao dos seguintes PVI:
                     ¸˜

                                                         
                      1 0    0                          1
                                               
             X ′ = 3 1 −2 X ,
                                               
      (a)                               X (0) =  0 
                                               
                     2 2 1                       −1

                                       
                     1 1  1              −1
                                       
             X ′ = 2 1 −1 X , X (0) =  0 
                                       
      (b)
                                       
                     0 −1 1               3

                                        
                     1 1 1                1
                                        
             X ′ =  2 1 −1 X , X (1) = 0
                                        
      (c)
                                        
                     −3 2 4               0

                                               
                      −1 1 2                     1
                                               
             X ′ = −1 1 1 X ,
                                               
      (d)                               X (0) = 0 .
                                               
                     −2 1 3                      1
Cap´tulo 4
   ı


Transformada de Laplace


A Transformada de Laplace (TL) e uma poderosa ferramenta de resolucao de equacoes
                               ´                                  ¸˜         ¸˜
diferenciais lineares. Funcoes sinusoidais ou sinusoidais amortecidas, bem como
                          ¸˜
funcoes exponenciais podem ser convertidas em funcoes alg´ bricas de uma vari´ vel
   ¸˜                                            ¸˜      e                   a
complexa s atrav´ s deste operador.
                e


Operacoes tais como a diferenciacao ou a integracao podem ser substitu´das por
     ¸˜                         ¸˜              ¸˜                    ı
operacoes alg´ bricas no plano complexo.
     ¸˜      e


Posto isto, uma ED pode ser transformada numa equacao alg´ brica na vari´ vel com-
                                                  ¸˜     e              a
plexa s. A solucao da ED pode depois ser obtida atrav´ s da TL inversa da solucao
               ¸˜                                    e                        ¸˜
da equacao alg´ brica.
       ¸˜     e


Uma vantagem da transformacao efectuada pela TL e permitir a utilizacao de t´ cnicas
                          ¸˜                    ´                   ¸˜      e
gr´ ficas que permitem prever o desempenho do sistema sem determinar a sua solucao.
  a                                                                           ¸˜


Outra vantagem adicional e a possibilidade de determinacao simultˆ nea da compo-
                         ´                             ¸˜        a
nente transit´ ria e “steady-state” na resolucao de ED.
             o                               ¸˜

                                        185
186                                 ´
                                 CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE

         ¸˜         ˆ
4.1 Definicao e existencia

Consideremos a funcao f (t), funcao do tempo t, tal que f (t) = 0 quando t < 0,
                  ¸˜            ¸˜
donde adv´ m que t ≥ 0. A vari´ vel s e complexa e L e o operador laplaciano.
         e                    a       ´              ´
Designemos por F(s) a TL de f (t), i.e. L { f (t)} = F(s).

De igual maneira, definimos L −1 {F(s)} = f (t), a qual chamamos transformada
de Laplace inversa.

Consideremos a definicao de transformada de Laplace:
                    ¸˜

     ¸˜
Definicao 23 Seja f uma funcao definida para t ≥ 0. Ent˜ o o integral
                          ¸˜                         a

                                                     ∞
                           L { f (t)} = F(s) =           f (t)e−st dt
                                                 0

diz-se a Transformada de Laplace de f , conquanto que o integral conviria.

Exerc´cio 18 Calcule:
     ı

     1. L {1};

     2. L {e−t }.

Se

     (i) f (t) e seccionalmente cont´nua no intervalo [0, ∞) e
               ´                    ı

 (ii) f (t) e de ordem exponencial c com t > T,
            ´

ent˜ o L { f (t)} existe para s > c,ou seja, as condicoes (i) e (ii) acima s˜ o condicoes
   a                                                 ¸˜                     a        ¸˜
suficientes para a existˆ ncia da TL.
                       e

Considere-se ent˜ o a seguinte definicao:
                a                   ¸˜

     ¸˜
Definicao 24 Dizemos que a funcao f e de ordem exponencial c se
                             ¸˜    ´


                       ∃ c, M > 0 tal que | f (t)| ≤ Mect , ∀t > T.
4.2. A TABELA DE TRANSFORMADAS E ALGUNS EXEMPLOS                               187

A TL e uma funcao linear, ou seja, tem-se que:
     ´        ¸˜


         L {α f (t) + β g(t)} = α L { f (t)} + β L {g(t)} = α F(S) + β G(S).


Exerc´cio 19 Calcule, usando f´ rmulas trigonom´ tricas:
     ı                        o                e


  1. L {3t − 5 sin 2t};


  2. L {sin2 t}.




4.2 A tabela de transformadas e alguns exem-
          plos


Aplicando a definicao da TL, facilmente calculamos a TL de algumas funcoes ele-
                 ¸˜                                                  ¸˜
mentares, como e o caso dos exemplos listados na tabela:
               ´

               1                                            s
  L {1} =                                   L {coskt} =
               s                                         s2 + k2
                   n!                                        k
  L {t n } =            , n = 1, 2, . . .   L {sinh kt} = 2
               sn+1                                       s − k2
              1                                               s
  L {eat } =                                L {cosh kt} = 2
             s−a                                          s − k2
                 k
  L {sin kt} = 2
              s + k2



Exerc´cio 20 Calcule:
     ı

  1. L {t};


  2. L {e−3t };


  3. L {sin 2t}.
188                                 ´
                                 CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE

                      ¸˜
4.3 A TL de outras funcoes

   ¸˜
funcao Heaviside                         
                                          0       , 0≤t <a
                             U (t − a) =
                                          1       , t≥a


                                 e−as
Temos que: L {U (t − a)} =            .
                                  s

   ¸˜
Funcao pulso                         
                                      A
                                               , 0 ≤ t < t0
                             f (t) =   t0
                                     
                                      0        , t ≤ 0 e t0 < t

com A,t0 constantes,


                   A         A
ou ainda f (t) =      U (t) − U (t − t0 ).
                   t0        t0

                                   A
Temos ent˜ o que: L { f (t)} =
         a                             (1 − e−t0 s )
                                  t0 s

   ¸˜
Funcao impulso                     
                                    lim A
                                   
                                                  , 0 ≤ t < t0
                           f (t) =   t0 →0 t0
                                   
                                    0            , t ≤ 0 e t0 < t
com A,t0 constantes.


                                  As
Temos ainda que: L { f (t)} =        =A
                                  s

Se A = 1, temos o impulso de Dirac ou funcao de Dirac:
                                         ¸˜

   ¸˜
Funcao de Dirac                              
                                              0 , t =t
                                                       0
                               δ (t − t0 ) =
                                              ∞ , t=0

com A,t0 constantes.



Temos ainda que: L {δ (t − t0)} = 1
4.4. PROPRIEDADES DA TL                                                       189

4.4 Propriedades da TL

Segue-se o enunciado e a aplicacao de alguns teoremas importantes no c´ lculo da
                               ¸˜                                     a
TL, bem como na relacao entre o dom´nio do tempo e o dom´nio da frequˆ ncia.
                    ¸˜             ı                    ı            e

Se usarmos o seguinte resultado

                L {t f (t)} = −F ′ (s)     com     L { f (t)} = F(s),

facilmente calculamos L {te−2t } e L {t 2 e−2t }

Se
                                         n
                                L {t n} = L {t n−1 }
                                         s
facilmente calculamos L {t 2} e L {t 3}.

Seguem-se outras propriedades que vamos definir de um modo mais formal. Comecamos
                                                                           ¸
com

                                       ¸˜
Teorema 30 (Primeiro teorema da translacao) Seja

                           L { f (t)} = F(s) e     a ∈ R.

Ent˜ o
   a
                              L {eat f (t)} = F(s − a).

Segundo este resultado, ao multiplicarmos f (t) por eat temos que substituir s por
s − a.

Exerc´cio 21 Utilizando o teorema anterior, calcule L {e5t t 3 } e L {e−2t cos 4t}.
     ı

Temos ainda outro teorema translacional:

                                      ¸˜
Teorema 31 (Segundo teorema da translacao) Seja

                           L { f (t)} = F(s) e     a ∈ R.

Ent˜ o:
   a
190                                 ´
                                 CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE

   • Primeira forma (ou do atraso)

                        L { f (t − a)U (t − a)} = e−as F(s),         a>0


   • Segunda forma

                     L {g(t)U (t − a)} = e−as L {g(t + a)},            a>0

Exerc´cio 22 Com a ajuda do segundo teorema da translacao, calcule:
     ı                                                ¸˜

   1. L {(t − 2)3 U (t − 2)};

   2. L {sintU (t − 2π )}.

e muito f´ cil calcular a TL de uma funcao f (t) multiplicada por uma potˆ ncia de t.
´        a                             ¸˜                                e
De facto, o seguinte teorema expressa uma relacao com a derivada de ordem–n da
                                              ¸˜
TL F(s).

                                   dn
           L {t n f (t)} = (−1)n       F(s)
                                   dsn

Exerc´cio 23 Calcule L {t 2 sin 2t} e L {e−t t 2 cost}
     ı

e muito f´ cil calcular a TL da derivada de uma qualquer ordem de uma funcao:
´        a                                                               ¸˜

Teorema 32 (Teorema da Derivada) Consideremos:

   • f (t), f ′(t), . . ., f (n−1) (t) funcoes cont´nuas em [0, ∞) e de ordem exponencial;
                                          ¸˜       ı

   • f n (t) uma funcao seccionalmente cont´nua. Ent˜ o:
                    ¸˜                     ı        a

              L { f n (t)} = sn F(s) − sn−1 f (0) − sn−2 f ′ (0) − · · · − f (n−1)(0).

Exemplo 4.1
                                      d
        L {kt cos kt + sin kt} = L {     (t sin kt)} = sL {t sin kt}
                                      dt
                                       d                         d     k
                                 = s − L {sin kt} = s −              2 + s2
                                       ds                       ds k
4.4. PROPRIEDADES DA TL                                                                          191

Vejamos que kt cos kt + sin kt = (t sin kt)′ . Depois aplicamos o resultado na caixa
acima com n = 1.

                 2ks2                                  d
                2 + k 2 )2
                           = L {2t cos 2t + sint} = L { (t sin 2t)}
             (s                                        dt


Ao alterar a escala de tempo, o que acontecer´ a TL?
                                             a`

                               t
             L     f                  = α F (α s)
                               α

Exerc´cio 24 Calcule f (t/5) = e−0.2t com f (t) = e−t .
     ı

Vamos agora definir convolucao e TL da convolucao de duas funcoes. Comecemos
                          ¸˜                 ¸˜             ¸˜
por definir convolucao de duas funcoes:
                  ¸˜             ¸˜

     ¸˜
Definicao 25 Consideremos f (t) e g(t) funcoes seccionalmente cont´nuas em
                                         ¸˜                      ı
[0, ∞). Definimos convolucao das funcoes f e g como
                        ¸˜         ¸˜

                                         t                              t
                   f ∗g =                    f (τ )g(t − τ )d τ =           f (t − τ )g(τ )d τ
                                     0                              0


Exerc´cio 25 Calcule et ∗ sint.
     ı

E agora a TL da convolucao:
                       ¸˜

Consideremos f (t) e g(t) funcoes seccionalmente cont´nuas em [0, ∞). Ent˜ o
                             ¸˜                      ı                   a

                   L { f ∗ g} = L { f (t)}L {g(t)} = F(s)G(s).

                                                   t τ
Exerc´cio 26 Calcule L
     ı                                             0 e sin(t − τ )d τ       .

Estamos agora em condicoes de definir a transformada de Laplace do integral:
                      ¸˜

                           t                       F(s)
             L                 f (τ )d τ       =
                       0                            s


E, finalmente, a TL de uma funcao peri´ dica:
                             ¸˜      o
192                                  ´
                                  CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE

 Seja f (t) uma funcao seccionalmente cont´nua em [0, ∞), de ordem exponencial,
                   ¸˜                     ı
 e peri´ dica de periodo T, ent˜ o
       o                       a

                                            1           T
                         L { f (t)} =                       e−st f (t)dt.
                                         1 − e−sT   0



Os resultados que se seguem permitem tirar conclus˜ es sobre f (t), conhecendo
                                                  o
somente F(s) e vice-versa.

O primeiro destes resultados, s´ e v´ lido se todos os p´ los de sF(s) est˜ o no semi-
                               o´ a                     o                 a
plano esquerdo.

Chama-se p´ los aos zeros do denominador de F(s).
          o

Teorema 33 (Teorema do valor final) Se existirem as transformadas
                           d f (t)
de Laplace de f (t) e de           tal que F(s) = L { f (t)} e se existir o limite limt→∞ f (t),
                             dt
ent˜ o:
   a

                                   lim f (t) = lim sF(s).
                                   t→∞         s→0


Exerc´cio 27 Este teorema n˜ o e aplic´ vel a f (t) = sin wt. Porquˆ ? (Sug:
     ı                     a ´        a                            e
Calcule os plos da transformada da sinusoidal.)

Exerc´cio 28 Seja f (t) = 1 − e−t , t ≥ 0. O que acontece quando aplicamos
     ı
o teorema valor final.

Teorema 34 (Teorema do valor inicial) Se existir transformada de La-
                   d f (t)
place de f (t) e           tal que F(s) = L { f (t)} e se existir o limite limss→∞ sF(s),
                     dt
ent˜ o:
   a

                                    f (0+ ) = lim sF(s).
                                              s→∞


Exerc´cio 29 Seja f (t) = 1 − e−t , t ≥ 0. O que acontece quando aplicamos
     ı
o teorema valor inicial.
4.5. A TRANSFORMADA DE LAPLACE INVERSA                                       193

4.5 A transformada de Laplace Inversa

Dizemos que f (t) e a TL inversa de F(s) e escreve-se:
                  ´

                                       f (t) = L −1 {F(s)} .

e desta forma que voltamos ao dom´nio do tempo.
´                                ı

Abaixo est˜ o tabeladas as TL inversas de algumas funcoes elementares.
          a                                          ¸˜
              1                                          s
  1 = L −1 { }                        cos kt = L −1 { 2      }
              s                                       s + k2
                n!                                        k
  t n = L −1 { n+1 }, n = 1, 2, . . . sinh kt = L −1 { 2      }
              s                                        s + k2
                 1                                         s
  eat = L −1 {       }                cosh kt = L −1 { 2       }
                s−a                                    s + k2
                     k
  sin kt = L −1 { 2       }
                   s + k2

A TL inversa e tamb´ m linear, isto e,
             ´     e                ´

               L −1 {α F(s) + β G(s)} = α L −1 {F(s)} + β L −1 {G(s)}.

Exerc´cio 30
     ı                  1. Calcule:
                  1
       (a) L −1 {   },
                 s5
                     1
       (b) L −1 { 2     },
                 s + 64
                              1
       (c) L −1 {                         },
                    (s − 1)(s + 2)(s + 4)
                      s+1
       (d) L −1 {                 }.
                    s2 (s + 2)3
   2. Como sabemos se uma funcao de s corresponde a TL de uma data funcao
                             ¸˜                   `                   ¸˜
      f (t)?


Sendo f (t) uma funcao cont´nua em [0, ∞) e de ordem exponencial t > T , ent˜ o
                   ¸˜      ı                                                a

                            lim L { f (t)} = lim F(s) = 0.
                            s→∞                   s→∞
194                                   ´
                                   CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE

Seguem-se as formas inversas dos teoremas da Secao 4.7.
                                               ¸˜

                                                        ¸˜
Teorema 35 (Forma inversa do primeiro teorema da translacao)
Tem-se:

                      L −1 {F(s − a)} = L −1 {F(s)|s→s−a} = eat f (t)
                                              s
Exerc´cio 31 Calcule L −1
     ı                                                  .
                                         s2 + 6s + 11

                                                        ¸˜
Teorema 36 (Forma inversa do primeiro teorema da translacao)
Tem-se:

                           L −1 e−as F(s) = f (t − a)U (t − a).

                                         e−π s/2
Exerc´cio 32 Calcule L −1
     ı                                             .
                                         s2 + 9

Segue-se a transformada inversa da convolucao:
                                          ¸˜


             f ∗ g = L −1 {F(s)G(s)}

                                               1
Exerc´cio 33 Calcule L −1
     ı                                                  .
                                         (s − 1)(s + 4)
Tamb´ m a transformada inversa do integral:
    e

                t                      F(s)
                    f (τ )d τ = L −1
            0                           s


Exerc´cio 34 Calcule:
     ı
                 1
  1. L −1              ;
             s(s2 + 1)


                      1
  2. L −1                      ;
             s2 (s2 + 1)


                      1
  3. L −1                      .
             s3 (s2 + 1)
¸˜                            ˆ
4.6. APLICACOES: CIRCUITOS E SISTEMAS MECANICOS                                        195

          ¸˜                            ˆ
4.6 Aplicacoes: circuitos e sistemas mecanicos

A Transformada de Laplace e especialmente adequada a resolucao de PVI lineares
                          ´                        `       ¸˜
com coeficientes constantes. Este tipo de problema e prontamente reduzido a uma
                                                  ´
equacao alg´ brica em Y (s). Vejamos:
    ¸˜     e

                     d ny       d n−1 y            dy
               an       n
                          + an−1 (n−1) + · · · + a1 + a0 y = g(t)                     (4.1)
                     dt         dt                  dt
                                  ′
                    y(0) = y0 , y (0) = y1 , . . . y(n−1) (0) = yn−1                  (4.2)

Relembrando a linearidade da TL, vem:

               −1     dny                   −1      d n−1 y
        an L                    + an−1 L                      +···+                   (4.3)
                      dt n                          dt (n−1)
                                                 dy
                                + a1 L −1               + a0 L −1 {y} = L −1 {g(t)}   (4.4)
                                                 dt

Utilizando o teorema da derivada, vem:

                             an snY (s) − sn−1 y(0) − · · · − y(n−1) (0) +

      +an−1 sn−1Y (s) − sn−2 y(0) − · · · − y(n−1) (0) + · · · a0Y (s) = G(s)

onde Y (s) = L {y(t)} e G(s) = L {g(t)}. Resolvemos esta equacao alg´ brica em
                                                             ¸˜     e
ordem a Y (s). Depois de obtermos Y (s), fazemos:

                                     y(t) = L −1 {Y (s)} .


Repare que este m´ todo incorpora automaticamente as condicoes iniciais. Vejamos
                 e                                        ¸˜
um exemplo.

Exemplo 4.2 Determine a solucao do seguinte PVI:
                            ¸˜

                                dy
                                   − 3y = e2t ,         y(0) = 1                      (4.5)
                                dt

      ¸˜
Resolucao:          Comecamos por aplicar o operador ` equac˜o:
                        ¸                            a     ¸a

                                    dy
                              L        − 3L {y} = L e2t .                             (4.6)
                                    dt
196                              ´
                              CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE

ou seja

                                                       1
                                   sY (s) − 1 − 3Y (s) =                       (4.7)
                                                     s−2
                                  s−1          −1      2
                      Y (s) =                =     +                           (4.8)
                              (s − 2)(s − 3) s − 2 s − 3
                                     1               1
                  y(t) = −L −1             + 2L −1                             (4.9)
                                   s−2             s−3

e temos que y(t) = −e2t + 2e3t .


No exemplo que se segue, vamos usar o primeiro teorema da translacao.
                                                                 ¸˜

Exemplo 4.3 Determine a solucao de
                            ¸˜


                  y′′ + 4y′ + 6y = 1 + e−t , y(0) = 0 y′ (0) = 0.             (4.10)


      ¸˜
Resolucao:


                       L y′′ + 4L y′ + 6L {y} = L {1} + L e−t
                                                          1     1
   s2Y (s) − sy(0) − y′(0) + 4 (sY (s) − y(0)) + 6Y (s) =   +
                                                          s s+1
                                                           2s + 1
                                      s2 + 4s + 6 Y (s) =
                                                          s(s + 1)
                                                                  2s + 1
                                                  Y (s) =                       .
                                                          s(s + 1)(s2 + 4s + 6)

                                ¸˜
Temos agora que decompor em fraccoes parciais:

                                 1/6 1/3 −s/2 − 5/3
                       Y (s) =      +      +            .
                                  s   s + 1 s2 + 4s + 6

                           ¸˜
Vamos preparar agora as funcoes para determinar a TL
inversa:

                      1/6 1/3 (−1/2)(s + 2) − 2/3
             Y (s) =     +      +                                             (4.11)
                       s   s+1        (s + 2)2 + 2
                      1/6 1/3 1        s+2         2       1
                    =    +      −          2+2
                                                +                             (4.12)
                       s   s + 1 2 (s + 2)         3 (s + 2)2 + 2
¸˜                            ˆ
4.6. APLICACOES: CIRCUITOS E SISTEMAS MECANICOS                    197

Aplicando agora o operador e atendendo ` sua linearidade,
                                       a
segue-se que
             1 −1 1       1         1      1        s+2
      y(t) =   L        + L −1           − L −1
             6      s     3        s+1     2    (s + 2)2 + 2
               2            1
             + L −1
               3      (s + 2)2 + 2
                                      √
             1 1 −t 1 −2t        √      2 −2t √
      y(t) =   + e − e cos 2t −          e sin 2t.
             6 3       2               3




Consideremos um outro exemplo:

Exemplo 4.4 Resolva

                  x′′ + 16x = cos 4t, x(0) = 0, x′ (0) = 1.

      ¸˜
Resolucao:
Observe que este PVI pode descrever, por exemplo,
o movimento forcado e n˜o amortecido de uma massa
               ¸       a
pendurada na extremidade de uma mola, anteriormente
descrito.      A massa tem velocidade inicial de 1 m/s no
sentido positivo.        Aplicando a TL, obtemos a seguinte
    ¸˜
equacao alg´brica:
           e

                                         s
                  (s2 + 16)X (x) = 1 +                           (4.13)
                                      s2 + 16
                                     1        s
                                 = 2      + 2       .            (4.14)
                                   s + 16 (s + 16)2
Relembrando o resultado L −1 {−F ′ (s)} = t f (t), temos:
                    1 −1          4     1               8s
             x(t) =   L         2 + 16
                                       + L −1                    (4.15)
                    4         s         8           (s2 + 16)2
                    1          1
                  =   sin 4t + sin 4t.                           (4.16)
                    4          8
198                              ´
                              CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE

Nos modelos matem´ ticos que representam os sistemas f´sicos, tais como os circui-
                 a                                    ı
tos el´ ctricos e os sistemas mecˆ nicos, como por exemplo:
      e                          a


                                                         1
             mx′′ + β x′ + kx = f (t) e      Lq′′ + Rq′ + q = E(t)          (4.17)
                                                         C


o lado direito da equacao diferencial representa uma forca motriz que pode ser uma
                      ¸˜                                ¸
forca externa ou uma voltagem que e imprimida ao sistema.
   ¸                              ´


No cap´tulos anteriores, estas funcoes foram consideradas cont´nuas, por´ m v´ rios
      ı                           ¸˜                          ı         e    a
s˜ o os casos em funcoes seccionalmente cont´nuas s˜ o aplicadas ao sistema. E(t)
 a                  ¸˜                      ı      a
poder´ ser por exemplo a funcao pulso ou a funcao rampa. Nestes casos, a resolucao
     a                      ¸˜                ¸˜                               ¸˜
destas equacoes e muito complicada. A Transformada de Laplace e assim um ins-
           ¸˜ ´                                               ´
trumento valioso neste tipo de problemas.


Exemplo 4.5 Resolva


                     x′′ + 16x = f (t), x(0) = 0, x′ (0) = 1,               (4.18)

            
             cos 4t, 0 ≤ t < π
com f (t) =
             0       t ≥π

      ¸˜
Resolucao:

A funcao f (t) pode ser interpretada como uma forca
     ¸˜                                          ¸
externa que actua no sistema mecˆnico s´ por um
                                a      o
curto per´odo de tempo, sendo logo depois removida.
         ı
Comecamos por reeescrever a funcao f (t) utilizando a
    ¸                          ¸˜
   ¸˜
funcao de Heaviside:



                          f (t) = cos 4t − cos 4tU (t − π ).
¸˜                            ˆ
4.6. APLICACOES: CIRCUITOS E SISTEMAS MECANICOS                                  199

Temos ent˜o:
         a

             L x′′ + 16L x′          = L { f (t)}
                                           s         s
  s2 X (s) − sx(0) − x′(0) + 16X (s) = 2        − 2      e−π s
                                       s + 16 s + 16
                                               s        s
                        2
                      (s + 16)X (s) = 1 + 2        − 2       e−π s
                                            s + 16 s + 16
                                            1           s            s
                               X (s) =    2 + 16)
                                                  + 2        2
                                                               − 2        2
                                                                            e−π s
                                       (s           (s + 16)     (s + 16)
Calculamos agora a transformada inversa de X (s) e lembramos
o segundo teorema da translac˜o:
                            ¸a
       1 −1          4        1               8s         1              8s
x(t) =   L         2 + 16)
                            + L −1          2 + 16)2
                                                       − L −1                  e−π s
       4        (s            8          (s              8        (s2 + 16)2
       1        1          1
     =   sin 4 + t sin 4t − (t − π ) sin 4(t − π )U (t − π ),
       4        8          8
ou seja,                     
                              1 sin 4t + 1 t sin 4t, 0 ≤ t π
                             
                             
                               4           8
                      x(t) =
                              2+π
                             
                                     sin 4t,         t ≥ π.
                                 8



Aplicando a lei da voltagem de Kirchhoff a um circuit (RLC)–serie obtemos a se-
guinte equacao integro-diferencial:
           ¸˜
                             di        1   t
                         L      + Ri +         i(τ )d τ = E(t).
                             dt        C   0

Exemplo 4.6 Determine a corrente i(t) dum circuito (RLC)–serie com L =
0.1h, R = 20Ω, C = 10−3 f , i(0) = 0 e a voltagem e dada pela funcao:
                                                  ´              ¸˜
                                 
                                  120t, 0 ≤ t < 1
                        E(t) =
                                  0,t ≥ 1

`
A semelhanca do que fizemos anteriormente, comecamos por reescrever a funcao
          ¸                                   ¸                         ¸˜
E(t) em termos da funcao de Heaviside:
                     ¸˜

                             E(t) = 120t − 120tU (t − 1).
200                                ´
                                CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE

Aplicando a lei de Kirchhoff, obtemois a seguinte equacao:
                                                      ¸˜

                     di                   t
               0.1      + 20i + 103           i(τ )d τ = 120t − 120tU (t − 1).
                     dt               0



Apliquando a TL:

                                      I(s)       1   1      1
           0.1I(s) + 20I(s) + 103          = 120 2 − 2 e−s − e−s .
                                       s         s  s       s


Recorde a segunda forma do Teorema do atraso: L {g(t)U (t − a)} = e−as L {g(t + a)} .

Depois de todos os c´ lculos efectuados, obt´ m-se
                    a                       e

                     3                    3 −100t
         i(t) =         (1 − U (t − 1)) −    e      − e−100(t−1) U (t − 1)
                     25                   25
                     −12e−100t − 1188(t − 1)e−100(t−1) U (t − 1).


Agora falta s´ resolvermos um sistema.
             o

Exemplo 4.7 Considere o seguinte sistema de equacoes diferenciais lineares:
                                                ¸˜


                                      2x′ + y′ = t                               (4.19)

                                       x′ + y′ = t 2                             (4.20)


sujeito as condicoes iniciais x(0) = 1 e y(0) = 0.
        `       ¸˜
      ¸˜
Resolucao:        Sejam X (s) = L {x(t)} e Y (s) = L {y(t)} . Temos ent˜o
                                                                       a

                                                          1
                        2 (sX (s) − x(0)) + sY (s) − y(0) =
                                                          s2
                                                          2
                           sX (s) − x(0) + sY(s) − y(0) = 3
                                                          s

ou seja

                                                       1
                           2sX (s) + (s − 1)Y(s) = 2 +
                                                      s2
                                                       2
                                sX (s) + −sY (s) = 1 + 3
                                                      s
´
4.7. EXERCICIOS                                                           201

Multiplicando a segunda linha por 2 e depois subtraindo `
                                                        a
primeira, obtemos:

                                   1     4
                     (s − 1)Y (s) =  2
                                       − 3
                                   s     s
                                       4−s
                           Y (s) = 3
                                   s (s + 1)
                                   5 5       4  5
                           Y (s) =    − 2+ 3−      .
                                   s s       s s+1

Aplicando agora o operador inverso, temos


                          y(t) = 5 − 5t + 2t 2 − 5e−t .


Passemos agora ` segunda equac˜o:
               a             ¸a

                                           1 2
                           X (s) = −Y (s) + + 2 ,
                                           s s

e depois aplicando o operador inverso obtemos

                                             1
                      x(t) = −4 + 5t − 2t 2 + t 3 + 5e−t .
                                             3




4.7 Exerc´cios
         ı

  1. Use o operador Transformada de Laplace (TL) para determinar a solucao dos
                                                                       ¸˜
    seguintes PVI.
202                                   ´
                                   CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE
                                         
                                          x(0) = 0
       (a)   x′′ + 4x′ + 4x = e−x ,                   .
                                          x′ (0) = 1

                                         
                                          x(0) = 0
       (b)   x′′ + 4x′ + 3x = 0,                      .
                                          x′ (0) = 1

                                         
                                          x(0) = 1
       (c)   x′′ + 6x − 7 = 0,                        .
                                          x′ (0) = 0

                                         
                                          x(0) = 0
       (d)   x′′ − x′ − 2x = t,                       .
                                          x′ (0) = 0

                                         
                                          x(0)
                                         
                                                    = 1
                                         
                                         
                                          ′
                                          x (0)     = 0
       (e)   x(iv) − 16x = 0,                              .
                                          x′′ (0)
                                                    = 0
                                         
                                         
                                         
                                          ′′′
                                          x (0)   = 0
                                        
                                         x(0) = 0
       (f)   x′′ − 2x′ + 5x = 0,                     .
                                         x′ (0) = 1

                                        
                                         x(0) = 1
       (g)   x′′ − 9x′ = 5e−2t ,                     .
                                         x′ (0) = 2

  2. Num circuito em s´ rie (C-BRC) a carga q(t) no condensador e dada pela
                      e                                         ´
      seguinte equacao diferencial
                   ¸˜
                            d2q      dq
                               2
                                 + 20 + 100q = 120 sin(10t).
                            dt       dt
      Determine a carga e a intensidade da corrente, tendo em conta que q(0) = 0 e
      i(0) = 0.

  3. Utilizando o operador TL, determine a solucao geral de cada uma das seguin-
                                               ¸˜
      tes equacoes:
              ¸˜
´
4.7. EXERCICIOS                                                                       203

      (a)   x′ + 2x = et ; (b)       x′′ + 4x′ + 3x = 0.


  4. Use o operador TL para determinar as solucoes de cada um dos seguintes sis-
                                              ¸˜
     temas de ED que satisfazem as condicoes iniciais.
                                `       ¸˜


                                                  
             x′ + x = 0
             1                                     x (0) = 1
                                                    1
                    2
      (a)                        ,                                    .
             ′
             x + x1 = 0                           
                                                    x2 (0) = 0
               2

                              
             d 2x    dy        x(0) = 0 = x′ (0)
             2 − 6 − 7x = 0
                              
      (b)     dt      dt     ,                     .
             d 2y
                               y(0) = 0 = y′ (0)
                               
                  +x    = 3
              dt 2
                                                  
             x′ + 4x + 3y = 0
                                                   x(0) = 0
                                                   
      (c)                                  ,                      .
             ′
             y + 3x + 4y = 2et                    
                                                    y(0) = 0
                                                  
             y′ + 2y + z = sin x
                                                   y(0) = 0
                                                   
      (d)                                      ,                .
             ′
             z − 4y − 2z = cos x                  
                                                    z(0) = 1

                                                  
             5y′ + z′′ + 4z = sint
                                                   y(0) = 0 = y′ (0)
                                                   
      (e)                                      ,                            .
             ′′
             y + 2z′ + y                           z(0) = 0 = z′ (0)
                                                   
                                 = 0


  5. Numa rede el´ trica, contendo uma resistˆ ncia, um indutor e um condensador,
                 e                           e
     as correntes i1 (t) e i2 (t) s˜ o descritas pelo seguinte sistema diferencial:
                                   a


                             
                              di1 + 50i
                                                  = 60
                                         2
                                dt                      .
                              0.005 di2 + i2 − i1 = 0
                             
                                     dt


     Calcule i1 e i2 em cada instante.
204                               ´
                               CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE

     ˆ
Referencias

Arnold, V. I. (1985). Equacoes diferenciais ordin´ rias. Editora Mir Moscovo.
                          ¸˜                     a
Grossman, S. I., & Derrick, W. R. (1988). Advanced engineering mathematics.
      New York, Harper Collins Publishers.
Rainville, E. D., & Bedient, P. E. (1981). Elementary differential equations, sixth
      edition. New York, Collier Macmillian Publishers.
Ross, S. L. (1966). Introduction to ordinary differential equations, third edition.
      John Wiley & Sons, New York.
Sallet, G. (2004.) Ordinary differential equations with scilab, wats lectures, provi-
      sional notes. Universit´ De Metz, INRIA Lorraine.
                             e
Urroz, G. E. (n.d.). Ordinary differential equations with scilab, wats lectures,
      provisional notes. infoClearinghouse.com.
Zill, D. G. (1997). A first course in differential equations with modelling applicati-
      ons, sixth edition. Brooks/Cole Publishing Company, London.

Apont ed

  • 1.
    ¸˜ Equacoes diferenciais paraengenheiros: ¸˜ teoria, modelacao e exerc´cios ı Teresa Paula C. Azevedo Perdico´ lis u Sandra Isabel Ventura Ricardo UTAD, 18 de Agosto de 2010
  • 2.
  • 3.
    ´ Prefacio Este texto foiescrito como material de apoio a unidade curricular An´ lise Ma- ` a tem´ tica III, das licenciaturas em Engenharia Civil e Engenharia Mecˆ nica, lec- a a cionada pelas docentes nos anos lectivos de 2008/09 e 2009/10. Pretendemos com este texto apresentar uma abordagem simples a teoria das equacoes ` ¸˜ diferenciais ordin´ rias, a qual pode ser facilmente compreendida por alunos que te- a nham conhecimentos de C´ lculo em Rn , nomeadamente conhecimentos de c´ lculo a a ´ diferencial e de c´ lculo integral, assim como conhecimentos de Algebra Linear, do- a minando c´ lculo matricial, resolucao de sistemas de equacoes lineares, c´ lculo de a ¸˜ ¸˜ a determinantes e determinacao de valores e de vectores pr´ prios. ¸˜ o Estas notas pretendem ser uma mistura entre teoria e aplicacoes das equacoes Di- ¸˜ ¸˜ ferencias, focando-se muitas vezes em problemas concretos da “vida real” como motivacao para o estudo da teoria, mas tamb´ m para mostrar a enorme aplica- ¸˜ e bilidade que este ramo da matem´ tica tem em diversas areas do conhecimento: a ´ Engenharia, Biologia, Medicina, Ciˆ ncias Sociais, etc. Sendo este um texto diri- e gido a alunos de Engenharia, um relevo especial e dado a problemas desta area, ´ ´ procedendo-se a sua modelacao e resolucao mediante os conhecimentos expostos. ` ¸˜ ¸˜ Introduzem-se e desenvolvem-se conceitos e t´ cnicas anal´ticas para a resolucao de e ı ¸˜ equacoes diferenciais ordin´ rias. ¸˜ a Na verdade, sendo as leis da F´sica geralmente escritas como equacoes diferenciais, ı ¸˜ elas destacam-se como instrumento de linguagem no que toca a Ciˆ ncia e Engenha- e i
  • 4.
    ii ria em particular.Assim, compreender e saber manipular equacoes diferenciais e ¸˜ ´ sem d´ vida essencial para qualquer aluno de Engenharia. u Relativamente a organizacao deste texto, cada cap´tulo e composto por uma s´ntese ` ¸˜ ı ´ ı de resultados te´ ricos, alguns dos quais apresentados sem demonstracao. O nosso o ¸˜ objectivo foi fornecer aos nossos alunos de Engenharia ferramentas para resolver problemas, sendo os alunos convidados a recorrer as referˆ ncias bibliogr´ ficas sem- ` e a pre que desejarem ir mais al´ m na compreens˜ o dos conte´ dos apresentados. A e a u enfase e dada assim aos resultados e a aplicacao dos mesmos, sendo apresentados ˆ ´ ` ¸˜ ao longo do texto numerosos exemplos, que visam facilitar a compreens˜ o do que a e exposto. Estes exemplos podem ser exemplos de aplicacao directa de resultados ´ ¸˜ te´ ricos ou exemplos de modelacao de problemas concretos. Finalmente, os alunos o ¸˜ s˜ o convidados a exercitar a aplicacao dos conhecimentos adquiridos, mediante a a ¸˜ resolucao duma listagem de exerc´cios com que terminamos cada cap´tulo. ¸˜ ı ı Teresa Paula Azevedo Perdico´ lis u Sandra Isabel Ventura Ricardo
  • 5.
    ´ Indice Geral Lista de figuras v 1 ED de ordem–1 1 1.1 Alguns exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 1.2 Separacao de vari´ veis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ¸˜ a 9 1.3 Classificacao de ED . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 ¸˜ 1.4 Solucoes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 ¸˜ 1.5 Campo de direccoes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 ¸˜ 1.6 ED lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 1.7 ED n˜ o lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 a 1.8 Equacao de Bernoulli . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 ¸˜ 1.9 Equacao de Riccati . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 ¸˜ 1.10 Equacoes omog´ neas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 ¸˜ e 1.11 Equacoes diferenciais exactas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 ¸˜ 1.11.1 ED exactas: obtencao de factor integrante . . . . . . . . . . 55 ¸˜ 1.12 AplicacoesCircuitos el´ ctricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 ¸˜ e 1.13 Consideracoes finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 ¸˜ 1.14 Exerc´cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 ı 2 ED de ordem–2 ou superior 79 2.1 Solucao de ED Homog´ neas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 ¸˜ e 2.2 Solucao de ED n˜ o homog´ neas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 ¸˜ a e iii
  • 6.
    iv ´ INDICE GERAL 2.3 M´ todo da reducao de ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 e ¸˜ 2.4 ED homog´ neas com coeficientes constantes . . . . . . . . . . . . . 93 e 2.4.1 Ra´zes reais e distintas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 ı 2.4.2 Ra´zes reais e iguais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 ı 2.4.3 Ra´zes complexas conjugadas . . . . . . . . . . . . . . . . 97 ı 2.5 ED n˜ o homog´ neas: M. coeficientes indeterminados . . . . . . . . 99 a e 2.6 ED n˜ o homog´ neas: M. variacao de parˆ metros . . . . . . . . . . 108 a e ¸˜ a 2.7 Equacao de Euler . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 ¸˜ 2.8 Aplicacoes: sistemas mecˆ nicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116 ¸˜ a 2.8.1 Movimento harm´ nico simples (ou n˜ o amortecido) . . . . 118 o a 2.8.2 Movimento harm´ nico amortecido . . . . . . . . . . . . . . 121 o 2.8.3 Movimento harm´ nico forcado . . . . . . . . . . . . . . . . 122 o ¸ 2.8.4 Aplicacoes: Circuitos el´ ctricos . . . . . . . . . . . . . . . 123 ¸˜ e 2.9 Equacoes diferenciais de ordem superior . . . . . . . . . . . . . . . 127 ¸˜ 2.10 Exerc´cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 ı 3 Sistemas de ED lineares de ordem–1 143 3.1 Conceitos b´ sicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144 a 3.1.1 Equacoes diferenciais lineares de ordem n e sistemas dife- ¸˜ renciais lineares de ordem 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 3.1.2 Forma matricial de um sistema linear . . . . . . . . . . . . 147 3.1.3 Problemas de valor inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 3.1.4 Dependˆ ncia e independˆ ncia linear . . . . . . . . . . . . . 150 e e 3.1.5 Sistemas n˜ o homog´ neos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 a e 3.2 Sistemas Lineares homog´ neos com coeficientes constantes . . . . . 153 e 3.2.1 A matriz A tem valores pr´ prios reais distintos . . . . . . . 154 o 3.2.2 A matriz A tem valores pr´ prios reais repetidos . . . . . . . 156 o 3.2.3 A matriz A tem valores pr´ prios reais complexos . . . . . . 165 o 3.3 Variacao de parˆ metros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171 ¸˜ a
  • 7.
    ´ INDICE GERAL v 3.3.1 Matriz fundamental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171 3.3.2 Variacao de parˆ metros ou variacao das constantes arbitr´ rias 172 ¸˜ a ¸˜ a 3.3.3 Problema de valor inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 3.4 Consideracoes finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 ¸˜ 3.5 Exerc´cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 ı 4 Transformada de Laplace 185 4.1 Definicao e existˆ ncia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186 ¸˜ e 4.2 A tabela de transformadas e alguns exemplos . . . . . . . . . . . . 187 4.3 A TL de outras funcoes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188 ¸˜ 4.4 Propriedades da TL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189 4.5 A transformada de Laplace Inversa . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193 4.6 Aplicacoes: circuitos e sistemas mecˆ nicos . . . . . . . . . . . . . 195 ¸˜ a 4.7 Exerc´cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 201 ı Bibliografia 203 Referˆ ncias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 204 e
  • 8.
    vi ´ INDICE GERAL
  • 9.
    Lista de Figuras 1.1 Crescimento exponencial e decrescimento exponencial. . . . . . . . 5 1.2 Representacao gr´ fica de algumas solucoes de (1.26). . . . . . . . . 21 ¸˜ a ¸˜ 1.3 Exemplo de uma solucao particular definida por ramos. . . . . . . . 23 ¸˜ 1.4 Interpretacao geom´ trica do Teorema de Picard. . . . . . . . . . . . 27 ¸˜ e 1.5 Campo de direccoes para a equacao diferencial (1.32). . . . . . . . 33 ¸˜ ¸˜ 1.6 Uma solucao de (1.32). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 ¸˜ 1.7 Campo de direccoes para a equacao log´stica, com β = 3.5 e δ = 1.8. 35 ¸˜ ¸˜ ı 1.8 Solucoes para a equacao log´stica, com β = 3.5 e δ = 1.8. . . . . . 35 ¸˜ ¸˜ ı 1.9 Exemplo de um circuito el´ ctrico simples. . . . . . . . . . . . . . . 58 e 2.1 Sistema mola–massa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116 2.2 Exemplo de um circuito com trˆ s componentes. . . . . . . . . . . . 124 e vii
  • 10.
    viii LISTA DE FIGURAS
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    Cap´tulo 1 ı ¸˜ Equacoes diferenciais de primeira ordem Muitas s˜ o as leis b´ sicas, e mais recentemente tamb´ m muitos fen´ menos biol´ gicos a a e o o e sociais, que s˜ o expressos por equacoes matem´ ticas. Sempre que estas equacoes a ¸˜ a ¸˜ ¸˜ envolvem derivadas, chamam-se equacoes diferenciais (ED). Pretende-se mostrar no in´cio deste primeiro cap´tulo como surgem algumas destas equacoes e ilustrar ı ı ¸˜ como pode ser a sua solucao obtida. ¸˜ Ao modelar um dado problema atrav´ s de uma equacao diferencial, a maior difi- e ¸˜ culdade surge em descrever uma situacao real quantitativamente. De forma a ob- ¸˜ ter um modelo, e usualmente necess´ rio recorrer a assercoes simplificativas que ´ a ¸˜ tornem essa mesma situacao pass´vel de ser representada em termos matem´ ticos. ¸˜ ı a Assercoes usuais s˜ o, por exemplo: (i) assumir que o movimento de uma dada ¸˜ a massa no espaco e um ponto e (ii) n˜ o existe friccao na resistˆ ncia do ar. Tais ¸ ´ a ¸˜ e assercoes, n˜ o sendo de modo algum realistas, permitem ao cientista (investigador) ¸˜ a obter informacao valiosa sobre o problema real ainda que servindo-se de modelos ¸˜ extremamente ideais. Uma vez entendida uma parte do problema, o modelo pode ser tornado mais complexo de forma a ter em conta outros factores observados. No 1
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    2 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 entanto e sempre importante manter os modelos manuse´ veis, isto e, modelos para ´ a ´ os quais seja poss´vel calcular uma solucao, exacta ou anal´tica. ı ¸˜ ı 1.1 Alguns exemplos Exemplo 1.1 (Queda livre) Segundo a lei da gravidade de Newton, a gran- deza da forca gravitacional da terra num dado corpo e directamente proporcional ¸ ´ a sua massa m e inversamente proporcional ao quadrado da distˆ ncia dessa mesma ` a massa ao centro da Terra r. Temos ent˜ o que: a km F= r2 sendo k a constante de proporcionalidade. Pela segunda lei de Newton, temos ainda: d2r k 2 = 2. (1.1) dt r dr Observacao 1 A velocidade v = ¸˜ e negativa, pois a medida que um objecto ´ ` dt cai a sua distˆ ncia ao centro da Terra diminui. Mais ainda, a sua aceleracao a ¸˜ dv d 2 r a= = 2 e tamb´ m negativa, pois a medida que o objecto cai, a velocidade ´ e ` dt dt diminui (´ cada vez mais negativa). Temos ent˜ o que k e uma constante negativa. e a ´ Seja R o raio m´ dio da Terra (i.e. r = R). Denotamos a aceleracao da gravidade e ¸˜ na superf´cie da Terra por a(R) = −g. Ent˜ o considerando (1.1): ı a k −g = a(R) = , R2 temos k = −gR2 . Voltando a (1.1), obtemos: d 2 r −gR2 = 2 (1.2) dt 2 r sendo g ≃ 9.81m/seg2. Seja r = R + h, onde h e a altura do corpo a partir da ´ dr dh superf´cie da Terra, ent˜ o ı a = e a equacao (1.2) vem ¸˜ dt dt d 2h −gR2 = . dt 2 (R + h)2
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    1.1. ALGUNS EXEMPLOS 3 R2 Se h e muito pequeno temos que ´ ≃ 1, obtendo ent˜ o: a (R + h)2 d2h = −g. (1.3) dt 2 Integrando ambos os membros da equacao relativamente a t, temos: ¸˜ h′ (t) = −gt +C1 . A constante C1 pode ser determinada considerando, por exemplo, t = 0. Obtemos C1 = h′ (0), ou seja, C1 e o valor da velocidade inicial. Temos ent˜ o que a veloci- ´ a dade do corpo, em qualquer instante, e dada por: ´ h′ (t) = −gt + h′ (0) (1.4) Voltando a integrar: t2 h(t) = −g + h′ (0)t +C2 2 Determinamos C2 considerando, por exemplo, t = 0. Obtemos C2 = h(0), ou seja, C2 e a altura inicial. Ent˜ o a altura do corpo, em qualquer instante, e dada por: ´ a ´ t2 h(t) = −g + h′ (0)t + h(0). (1.5) 2 Por exemplo, suponhamos que uma bola cai do alto de um edif´cio com altura ı h(0) = 44.145 m e velocidade inicial h′ (0) = 0. Quanto tempo demora a bola a chegar ao ch˜ o? a Temos: t2 h(t) = −981 + 4414.5. 2 Donde resulta 490.5t 2 = 4414.5 ou seja t 2 = 9. Como t = −3 n˜ o tem qualquer a significado f´sico, vem que t = 3 segundos. ı A solucao da equacao diferencial do Exemplo 1.1 foi obtida directamente por integra- ¸˜ ¸˜ cao. Se tal fosse sempre poss´vel, ent˜ o as equacoes diferenciais seriam uma aplicacao ¸˜ ı a ¸˜ ¸˜ directa do c´ lculo integral e seria desnecess´ ria toda uma teoria sobre as equacoes a a ¸˜
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    4 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 diferenciais. No entanto, a determinacao da solucao da maioria das equacoes dife- ¸˜ ¸˜ ¸˜ renciais implica o uso de t´ cnicas mais avancadas e espec´ficas. e ¸ ı Vamos iniciar com um tipo cl´ ssico de equacao diferencial para a qual e poss´vel a ¸˜ ´ ı determinar a solucao: ¸˜ Exemplo 1.2 Sendo α uma constante, resolva a seguinte equacao diferencial: ¸˜ dy = α y, y(0) = 10. (1.6) dx ¸˜ Resolucao: Reescrevemos a equacao (1.6) ¸˜ dy = α dx y e depois integramos dy = α dx y ou ln |y| = α x +C (Se ln a = b ent˜o a = eb ). a Temos: |y| = eα x+C = eα x eC ou ainda: y = keα x , com k = ±eC (1.7) Verifiquemos o resultado obtido. dy Seja y(x) = keα x ent˜ o a = k (α eα x ) = α (keα x ) = α y, donde se conclui que y = dx keα x satisfaz (1.6). Isto e, a equacao (1.6) tem uma infinidade de solucoes, uma ´ ¸˜ ¸˜ para cada concretizacao de k. Determinamos a solucao do problema (1.6) mediante ¸˜ ¸˜ o uso da condicao inicial y(0) = 10. De facto, ¸˜ y(0) = 10 ⇒ keα 0 = 10 ⇒ k = 10, ou seja y = 10eα x e uma solucao unica para o problema de valor inicial (1.6). ´ ¸˜ ´
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    1.1. ALGUNS EXEMPLOS 5 e e ¸˜ Ao m´ todo utilizado no Exemplo 1.2 chamamos m´ todo de separacao de vari´ veis, a uma vez que a t´ cnica utilizada consiste na separacao das vari´ veis independente e e ¸˜ a dependente, colocando-as em membros diferentes da equacao. ¸˜ Se α > 0, temos que eα x cresce exponencialmente. Se α < 0, temos que eα x decai exponencialmente (ver Fig. 1.1). Se α = 0, ent˜ o n˜ o existe crescimento, ou seja a a y = e0 = 1 mant´ m-se constante. e y y y = eα x , α > 0 y = eα x , α < 0 0 0 x x Figura 1.1: Crescimento exponencial e decrescimento exponencial. Como observ´ mos no Exemplo 1.2, a resolucao da equacao diferencial conduziu- a ¸˜ ¸˜ nos a uma infinidade de solucoes (y = keα x , com k uma constante arbitr´ ria). Con- ¸˜ a tudo, do ponto de vista f´sico, n˜ o interessa ter uma infinidade de solucoes. Esta ı a ¸˜ dificuldade e facilmente suplantado particularizando o valor de y para um valor par- ´ ticular de x, i.e. y(x0 ) = y0 . Chama-se a este valor particular uma condicao inicial ¸˜ e viabiliza uma solucao unica para o problema. Este conceito ser´ ilustrado nos ¸˜ ´ a exemplos seguintes. Exemplo 1.3 (Lei do arrefecimento de Newton) A lei do arrefecimento de Newton diz que a taxa da variacao da diferenca de temperatura entre um ob- ¸˜ ¸ jecto e o seu meio involvente e proporcional a diferenca de temperaturas. Seja ∆T ´ ` ¸ a diferenca de temperatura no instante t. Dado que matematicamente a taxa de ¸ variacao e expressa por uma derivada, podemos ent˜ o escrever a lei do arrefeci- ¸˜ ´ a mento de Newton como: d∆T = α ∆T, (1.8) dt
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    6 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 com α negativo, dado que a temperatura est´ a diminuir. A partir do Exemplo 1.2, a facilmente se conclui que ∆T (t) = ∆T (0)eα t . (1.9) ¸˜ Chama-se a (1.9) solucao geral da equacao diferencial (1.8), dado qualquer solucao ¸˜ ¸˜ de (1.8) ser desta forma. ∆T (0) e uma constante arbitr´ ria que denota a diferenca ´ a ¸ de temperatura em t = 0. Como ilustracao pr´ tica, consideremos uma panela de agua a ferver (100◦ C) que ¸˜ a ´ e retirada do lume e deixada a arrefecer a temperatura da cozinha, que sabemos ´ ` ser de 20◦ C. Dois minutos depois a temperatura da panela e 80◦ C. Qual ser´ a ´ a temperatura da panela 5 minutos depois de ter sido retirada do lume? Uma vez que a diferenca inicial da temperatura e dada por: ¸ ´ ∆T (0) = 100◦ − 20◦ = 80◦ , a igualdade (1.9) toma a forma ∆T (t) = 80eα t . (1.10) Quando t = 2 minutos, temos: ∆T (2) = 80◦ − 20◦ = 60◦ , Se susbstituirmos t = 2 em (1.10) temos: 60 = 80eα 2 , e ainda 3 60 = = eα 2 , 4 80 Aplicando o logaritmo natural, vem: 3 1 3 2α = ln ⇔ α= ln . 4 2 4
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    1.1. ALGUNS EXEMPLOS 7 Repare que α e negativo (≃ −0.1438), o que faz sentido dado que a temperatura ´ est´ a diminuir. a Substituimos de seguida α na equacao (1.9) e relembrando que eln x = x e a ln b = ¸˜ ln ba temos:   t/2 3 3 ln t/2 ln  4 4 ∆T = 80e = 80e t/2 3 = 80 . (1.11) 4 A equacao (1.11) e uma solucao particular de (1.7), pois e unicamente determinada ¸˜ ´ ¸˜ ´ pelas condicoes especificadas para esta situacao particular. ¸˜ ¸˜ Finalmente, de forma a determinar a temperatura da agua ao fim de 5 minutos, ´ comecamos por determinar a diferenca de temperatura: ¸ ¸ 5/2 3 ∆T (5) = 80 ≃ 38.97, 4 que somamos de seguida a temperatura da cozinha. Temos ent˜ o que 5 minutos ` a ap´ s a panela ser retirada do lume, a agua se encontra a temperatura de 58.97◦ C. o ´ ` Exemplo 1.4 (Envelhecimento do carbono) O envelhecimento do car- bono e uma t´ cnica usada por arqueologistas e ge´ logos, entre outros, que preten- ´ e o dam estimar a idade de certos utens´lios ou vest´gios arqueol´ gicos. A t´ cnica e ı ı o e ´ baseada em certas propriedades do atomo de carbono. No seu estado natural, o ´ atomo de carbono 12C tem 6 prot˜ es e 6 neutr˜ es. Outro isotopo do carbono e 14C ´ o o ´ que tem dois neutr˜ es e dois n´ cleos adicionais. o u 14C e radioactivo, i.e., emite um ´ electr˜ o e atinge o estado est´ vel 14 N. Assumimos que existe uma raz˜ o constante a a a na atmosfera entre 14C e 12C. Esta suposicao e apoiada experimentalmente, dado ¸˜ ´ que se verificou que embora 14C esteja permanentemente a desaparecer devido a ` degradacao radioactiva, tamb´ m novo 14C est´ permanentemente a ser produzido ¸˜ e a devido ao bombardeamento c´ smico do nitrog´ nio na atmosfera superior. Plantas o e e animais n˜ o distinguem entre a 12C e 14C, de modo que no momento da morte a
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    8 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 raz˜ o entre 12C e 14C no organismo e a mesma que a raz˜ o presente na atmosfera. a ´ a No entanto, esta raz˜ o muda ap´ s a morte, dado que 14C e transformado em 14 N, a o ´ sem que seja produzido mais 14C. Atrav´ s de observacoes, os cientistas chegaram a conclus˜ o que o 14C se degrada e ¸˜ ` a a uma taxa proporcional a sua massa, sendo a sua meia-vida de aproximadamente ` 1 5730 anos. Isto significa que tendo inicialmente 1g de 14C, resta-nos g ao fim de 2 5730 anos, tendo sido a outra metade convertida em 14 N. Como exemplo, consideremos agora o seguinte problema: Os vest´gios de um or- ı ganismo s˜ o desenterrados e determina-se que a quantidade de 14C presente e de a ´ 40% da de um organismo vivo semelhante. Qual e a idade aproximada dos vest´gios ´ ı encontrados? ¸˜ Resolucao: Seja M(t) a massa de 14C dos vest´gios encontrados. ı Sabendo que 14C se degrada a uma taxa proporcional ` sua a massa, temos: dM = −α M, dt sendo α a constante de proporcionalidade. Ent˜o M(t) = ce−α t, a com c = M0 a quantidade inicial de 14C. Com t = 0, M(0) = M0 ; 1 t = 5730, M(5730) = M0 . Usamos este facto para determinar α : 2 1 1 M0 = M0 e−α ·5730 ⇔ e−α ·5730 = . 2 2 Ent˜o a 1/5730 t/5730 −α 5730 1 −α 1 −α t 1 e = ⇔ e = e e = , 2 2 2 donde 1 t/5730 M(t) = M0 . 2 Sabemos que t anos ap´s a morte do organismo M(t) = 0.4M0 e o queremos determinar t. Fazemos ent˜o: a t/5730 1 0.4M0 = M0 , 2
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    ¸˜ ´ 1.2. SEPARACAO DE VARIAVEIS 9 aplicando logaritmos naturais: t 1 5730 ln (0.4) ln 0.4 = ln ⇔ t= 5730 2 1 ln 2 ou seja aproximadamente 7575 anos. Esta t´ cnica de envelhecimento do carbono tem sido usada com sucesso em in´ meras e u ocasi˜ es. Foi esta mesma t´ cnica que permitiu datar os Manuscritos do mar morto o e com cerca de dois mil anos. Nos Exemplos 1.1–1.4 determin´ mos a solucao de equacoes diferenciais muito sim- a ¸˜ ¸˜ ples, usando o m´ todo de separacao de vari´ veis. Este m´ todo tamb´ m pode ser e ¸˜ a e e usado para resolver equacoes diferenciais mais elaboradas, como iremos mostrar na ¸˜ pr´ xima seccao. o ¸˜ Os exemplos considerados ilustram tamb´ m que da resolucao de equacoes diferen- e ¸˜ ¸˜ ciais muito simples se pode encontrar solucao para aplicacoes f´sicas mais diversi- ¸˜ ¸˜ ı ficadas. ¸˜ ´ 1.2 Separacao de variaveis Vamos aprender agora a resolver algumas equacoes um bocadinho mais complica- ¸˜ das do que as que resolvemos at´ aqui. e Considere-se a equacao diferencial ¸˜ dy = f (x, y) (1.12) dx e suponhamos que f (x, y) e factoriz´ vel no produto: ´ a f (x, y) = g(x)h(y), (1.13)
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    10 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 onde g(x) e h(y) s˜ o funcoes de uma s´ vari´ vel. Sempre que isto ocorre, a equacao a ¸˜ o a ¸˜ ı ¸˜ e ¸˜ (1.12) e pass´vel de resolucao pelo m´ todo da separacao de vari´ veis. Para resol- ´ a ver a equacao, substituimos (1.13) em (1.12): ¸˜ dy = g(x)h(y), dx ou 1 dy = g(x), (1.14) h(y) dx Integrando ambos os membros da equacao (1.13) em relacao a x, obtemos: ¸˜ ¸˜ 1 dy dx = g(x)dx +C, h(y) dx e 1 dy = g(x)dx +C. (1.15) h(y) Se ambos os integrais de (1.15) forem calcul´ veis, ent˜ o a solucao da equacao dife- a a ¸˜ ¸˜ rencial (1.12) e feita atrav´ s do c´ lculo dos integrais. ´ e a dx √ Exemplo 1.5 Resolva a equacao ¸˜ = t 1 − x2 . dt ¸˜ Resolucao: ¸˜ Reescrevemos a equacao como dx dx √ = tdt ⇒ √ = tdt +C 1 − x2 1 − x2 Calculando os integrais, obtemos: t2 arcsin x = +C 2 ou seja t2 x = sin +C . 2 Existe um n´mero infinito de soluc˜es, uma para cada valor u ¸o π π de C com C ≤ . (Porquˆ C ≤ ?)Para determinadas condic˜es e ¸o 2 2 iniciais, vai existir uma soluc˜o ´nica. Suponhamos por ¸a u 1 exemplo x(0) = . Ent˜o a 2 1 02 1 π = sin +C = sinC e C = arcsin = 2 2 2 6.
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    ¸˜ ´ 1.2. SEPARACAO DE VARIAVEIS 11 Ent˜o a solucao ´nica ´ a ¸˜ u e t2 π x(t) = sin + . 2 6 Repare que se x(0) = 2 n˜o existe solucao, pois a func˜o seno a ¸˜ ¸a s´ toma valores no intervalo [−1, 1] . o Exemplo 1.6 (Velocidade de escape) No Exemplo 1.1 estud´ mos o mo- a vimento de um corpo em queda livre, i.e. sujeito a forca de gravidade da Terra. ` ¸ Nesse exemplo assumimos ser pequena a altura a que se encontra o corpo, h, re- lativamente ao raio da Terra R. No entanto, se pretendermos estudar a equacao ¸˜ do movimento de um sat´ lite de comunicacoes ou de um ve´culo interplanet´ rio, e ¸˜ ı a a distˆ ncia r do objecto ao centro da Terra poder´ ser considerada grande em a a relacao a R. Assim a assercao que fizemos para obter a equacao (1.3) deixa de ser ¸˜ ¸˜ ¸˜ v´ lida. Retomemos a equacao (1.2): a ¸˜ d2r R2 = −g 2 dt 2 r dr e considerando v = , temos pela regra da cadeia: dt d 2 r dv dv dr dv 2 = = =v . (1.16) dt dt dr dt dr Assim, a equacao (1.2) pode ser reescrita como: ¸˜ dv R2 v = −g 2 , (1.17) dr r onde g e R s˜ o constantes. Separando as vari´ veis e integrando obtemos a a dr vdv = −gR2 +C, r2 ou seja 1 2 gR2 v = +C. 2 r Supondo que no instante inicial o objecto se encontra a superf´cie da Terra, temos ` ı ent˜ o que: a 1 gR2 v(0)2 = +C. 2 R
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    12 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 ou 1 v(0)2 − gR = C. 2 Ent˜ o a R2 v2 = 2g + v(0)2 − 2gR. (1.18) r Para que o objecto escape a forca gravitacional da Terra, e necess´ rio que v > 0 em ` ¸ ´ a √ cada instante t. Se escolhermos v(0) = 2gR, os dois ultimos termos da equacao ´ ¸˜ (1.18) cancelam-se mutuamente, e temos que v2 > 0 para todo o r. Observemos √ que uma escolha para v(0) inferior a 2gR vai permitir que o segundo membro da equacao (1.18) possa ser zero, bastando para tal que o valor de r seja suficiente- ¸˜ mente grande. Assim sendo, para que o objecto escape a atraccao gravitacional ` ¸˜ √ da Terra e necess´ rio que ele tenha velocidade inicial m´nima de v(0) = 2gR ≃ ´ a ı 11.2km/seg. A esta velocidade m´nima chama-se velocidade de escape. ı A substituicao (1.16) pode sempre ser usada para reduzir uma equacao que contenha ¸˜ ¸˜ a segunda derivada numa que contenha somente a primeira derivada, sendo para tal necess´ rio que a vari´ vel independente n˜ o apareca explicitamente na equacao. a a a ¸ ¸˜ Exemplo 1.7 (Crescimento log´stico) Seja P(t) a populacao de uma esp´ - ı ¸˜ e cie no instante t. A taxa de crescimento individual de uma populacao e definido ¸˜ ´ como o crescimento de uma populacao dividido pelo tamanho da populacao. Por ¸˜ ¸˜ exemplo, se considerarmos a taxa de natalidade igual a 3.2 em cada 100 e a taxa de mortalidade igual a 1.8 em cada 100, ent˜ o a taxa de crescimento e 3.2 − 1.8 = 1.4 a ´ 1.4 dP em cada 100, i.e. = . Escrevemos ent˜ o a = 0.014P. 100 dt Consideremos uma dada populacao cuja taxa de natalidade m´ dia e dada pela ¸˜ e ´ constante positiva β . E razo´ vel considerar a taxa m´ dia de mortalidade pro- ´ a e porcional ao n´ mero de indiv´duos da populacao. Populacoes com maior n´ mero u ı ¸˜ ¸˜ u de indiv´duos correspondem a uma maior densidade de indiv´duos, donde a uma ı ı maior competicao por comida e territ´ rio entre os seus membros. Seja δ a cons- ¸˜ o dP tante que representa esta proporcionalidade. Sendo a taxa de crescimento da dt
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    ¸˜ ´ 1.2. SEPARACAO DE VARIAVEIS 13 1 dP populacao, ent˜ o ¸˜ a ser´ a taxa de crescimento por indiv´duo nessa populacao. a ı ¸˜ P dt Ser´ l´cito considerar ent˜ o a seguinte equacao diferencial que governa o cresci- a ı a ¸˜ mento da populacao: ¸˜ 1 dP = β − δ P. P dt Multiplicando ambos os membros desta equacao por P, temos: ¸˜ dP = P (β − δ P) . (1.19) dt ´ ¸˜ Esta e a equacao log´stica. O crescimento expresso por esta equacao chama-se ı ¸˜ crescimento log´stico. Separemos as vari´ veis: ı a dP = dt +C. (1.20) P (β − δ P) Decompondo a fraccao nos seus elementos simples, temos: ¸˜ 1 1 δ = + . P (β − δ P) β P β (β − δ P) Substituimos estes elementos simples em (1.20) e temos: 1 1 ln |P| − ln |β − δ P| = t +C β β ou ainda 1 P ln = t +C. (1.21) β β −δP Aplicando a funcao exponencial a ambos os membros, vem: ¸˜ P P = eβ t+β C ⇒ = C1 eβ t . (1.22) β −δP β −δP Para t = 0 obtemos P(0) = C1 . β − δ P(0) Substituindo o valor obtido para C1 em (1.22), vem: P(t) P(0) = eβ t . β − δ P(t) β − δ P(0)
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    14 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 Facamos o produto cruzado para depois resolver em ordem a P(t) : ¸ P(t) [β − δ P(0)] = P(0) [β − δ P(t)]eβ t β P(t) − δ P(t)P(0) = β P(0)eβ t − δ P(0)P(t)eβ t P(t) β − δ P(0) + δ P(0)eβ t = β P(0)eβ t , dividindo ambos os membros por P(0)eβ t : β P(0)eβ t β P(t) = = . (1.23) β − δ P(0) + δ P(0)eβ t β δ+ − δ e−β t P(0) Uma vez que β > 0, e−β t tende para zero com t. Temos ent˜ o que a populacao tem a ¸˜ β β um limite de crescimento . Facilmente se verifica ainda que com P = em (1.19) δ δ dP vem = 0, i.e. a populacao e constante. ¸˜ ´ dt Aprendemos como resolver uma equacao diferencial de primeira ordem quando se- ¸˜ par´ vel. No entanto nem sempre e muito claro ver se a equacao e ou n˜ o separ´ vel. a ´ ¸˜ ´ a a Por exemplo, e obvio que se f (x, y) = ex cos y e separ´ vel. Mas j´ n˜ o e t˜ o obvio ´ ´ ´ a a a ´ a ´ que f (x, y) = 2x2 + y − x2 y + xy − 2x − 2 e separ´ vel. Damos, de seguida condicoes ´ a ¸˜ que permitem decidir sobre a separabilidade das vari´ veis numa equacao diferen- a ¸˜ cial.
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    ¸˜ ´ 1.2. SEPARACAO DE VARIAVEIS 15 ´ ¸˜ ´ Quando e que uma equacao diferencial e separ´ vel? a Teorema 1 Suponhamos que f (x, y) = g(x)h(y), onde g e h s˜ o diferenci´ veis. a a Ent˜ o a f (x, y) fxy (x, y) = fx (x, y) fy (x, y). (1.24) Dem. Facamos ¸ fx (x, y) = g′ (x)h(y) fy (x, y) = g(x)h′ (y) fxy (x, y) = g′ (x)h′ (y) f (x, y) fxy (x, y) = g(x)h(y)g′ (x)h′ (y) = g′ (x)h(y) g(x)h′ (y) = fx (x, y) fy (x, y) Teorema 2 Seja D = (x, y) : (x − a)2 + (y − b)2 < r2 , com a, b ∈ R e r ∈ R+ , uma bola do plano-xy. Suponhamos que f , fx , fy e fxy existem e s˜ o cont´nuas em a ı D, f (x, y) = 0 e a equacao (1.24) se verifica. Ent˜ o existem funcoes continuamente ¸˜ a ¸˜ diferenci´ veis g(x) e h(y) tais que, para cada (x, y) ∈ D, a f (x, y) = g(x)h(y). dy Exemplo 1.8 Seja = f (x, y) com f (x, y) = 2x2 + y − x2 y + xy − 2x − 2. dx Ent˜ o: a fx (x, y) = 4x − 2xy + y − 2 fy (x, y) = 1 − x2 + x fxy (x, y) = −2x + 1 f (x, y) fxy (x, y) = 2x2 + y − x2 y + xy − 2x − 2 (−2x + 1) = −4x3 − xy + 2x3 y − 3x2 y + 6x2 + 2x + y − 2 fx (x, y) fy (x, y) = (4x − 2xy + y − 2) 1 − x2 + x = 2x − xy + y − 2 − 4x3 + 2x3 y − 3x2 y + 6x2
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    16 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 Donde se conclui a partir do Teorema 2 que f (x, y) e separ´ vel. ´ a ¸˜ Resolucao: dy = 2x2 + y − x2 y + xy − 2x − 2 dx = (y − 2)(−x2 + x + 1) = ··· dy Exemplo 1.9 Seja = f (x, y) com f (x, y) = 1 + xy. Ent˜ o: a dx fx (x, y) = y fy (x, y) = x fxy (x, y) = −1 f (x, y) fxy (x, y) = 1 + xy e fx (x, y) fy (x, y) = xy Como as duas ultimas express˜ es n˜ o s˜ o iguais, conclui-se a partir do Teorema 2 ´ o a a que f (x, y) n˜ o e separ´ vel. a ´ a dy Uma equacao diferencial da forma ¸˜ = f (ax + by + c) , n = 0 pode sempre reduzir- dx se a uma equacao diferencial de vari´ veis separ´ veis, atrav´ s da substituicao ¸˜ a a e ¸˜ du dy u = ax + by + c ⇒ = a+b . dx dx dy 1 Exemplo 1.10 Resolva a equacao diferencial ¸˜ = . dx x + y + 1 1 Resolucao: Consideramos f (u) = e em conformidade u = x+y+ ¸˜ u du dy 1⇒ = 1+ . dx dx
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    ¸˜ ´ 1.2. SEPARACAO DE VARIAVEIS 17 ¸ a ¸˜ Efectuamos esta mudanca de vari´vel na equacao diferencial e obtemos: du 1 −1 = ⇔ dx u du 1 + u ⇔ = ⇔ dx u u ⇔ du = dx ⇒ 1+u u ⇔ du = dx +C 1+u u Como calcular du? 1+u Temos que saber calcular primitivas de func˜es racionais. ¸o ¸˜ Posto isto, e sendo a funcao integranda uma fracc˜o racional ¸a o ¸ ¸˜ impr´pria, temos que comecar por reduzi-la a uma fraccao racional pr´pria, i.e.: o u 1 = 1− . 1+u 1+u Prossigamos agora com o c´lculo das primitivas: a 1 1− du = dx +C ⇔ 1+u ⇔ u − ln |1 + u| = x +C ⇔ Voltando ` vari´vel original, escrevemos: a a ⇔ x + y + 1 − ln |1 + x + y + 1| = x +C ⇔ ⇔ y + c = ln |2 + x + y| ⇔ ⇔ ey+c = 2 + x + y ⇔ ⇔ 2 + x + y = Cey . Temos assim a solucao impl´cita da equac˜o diferencial. ¸˜ ı ¸a Consideremos ent˜ o outros exemplos: a
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    18 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 dy 1. Consideremos a equacao diferencial ¸˜ = (x+y+1)2 . Reduzimos esta equacao ¸˜ dx diferencial a uma equacao diferencial de vari´ veis separ´ veis efectuando a se- ¸˜ a a guinte mudanca de vari´ vel f (u) = u2 . ¸ a dx 1 − t − x 2. Consideremos a equacao diferencial ¸˜ = . Reduzimos esta equacao ¸˜ dt t +x diferencial a uma equacao diferencial de vari´ veis separ´ veis efectuando a ¸˜ a a 1−u seguinte mudanca de vari´ vel f (u) = ¸ a . u dy √ 3. Consideremos a equacao diferencial ¸˜ = 2 + y − 2t + 3. Reduzimos esta dx equacao diferencial a uma equacao diferencial de vari´ veis separ´ veis efectu- ¸˜ ¸˜ a a √ ando a seguinte mudanca de vari´ vel f (u) = 2 + u. ¸ a dy 4. Consideremos a equacao diferencial ¸˜ = 1+ey−t+5 . Reduzimos esta equacao ¸˜ dx diferencial a uma equacao diferencial de vari´ veis separ´ veis efectuando a se- ¸˜ a a guinte mudanca de vari´ vel f (u) = 1 + eu . ¸ a Exerc´cio 1 Calcule a solucao de cada uma das equacoes diferenciais acima ı ¸˜ ¸˜ enumeradas. ¸˜ ¸˜ 1.3 Classificacao de equacoes diferenciais Ficou claro, no estudo efectuado nas ultimas seccoes, que grande e a variedade de ´ ¸˜ ´ equacoes diferenciais resultantes de fen´ menos que nos s˜ o familiares. Torna-se ¸˜ o a ent˜ o necess´ rio estudar classes mais restritas destas equacoes. a a ¸˜ Comecemos por classificar as equacoes diferenciais. A classificacao mais obvia ser´ ¸˜ ¸˜ ´ a uma baseada na natureza das derivadas da equacao. Uma equacao diferencial diz-se ¸˜ ¸˜ ¸˜ equacao diferencial ordin´ ria (ODE) se involve somente derivadas ordin´ rias, i.e. a a em ordem a uma s´ vari´ vel independente e de uma ou v´ rias vari´ veis dependentes. o a a a Exemplo 1.11 Considerem-se os seguintes exemplos:
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    ¸˜ 1.4. SOLUCOES 19 dy 1. − 5y = 1 dx 2. (t + y) dt − 4ydy = 0 du dv 3. − = t, u(t) e v(t) dt dt d2y dy 4. 2 − 2 + 6x = 0 dx dx Uma equacao que involva derivadas parciais, de uma ou mais vari´ veis dependentes ¸˜ a ¸˜ e, obviamente, de duas ou mais vari´ veis independentes, diz-se equacao diferencial a ` as derivadas parciais. Exemplo 1.12 Considerem-se os seguintes exemplos: ∂x ∂y 1. =− x(t, ?), y(t, ?) ∂t ∂t ∂x ∂x 2. t + k = x, x(t, z) ∂t ∂z ¸˜ Definicao 1 A ordem da derivada mais elevada envolvida na equacao diferen- ¸˜ cial, determina a ordem da equacao diferencial. ¸˜ Exemplo 1.13 Considerem-se os seguintes exemplos: dy 1. + 2yx = 1 primeira ordem dx d 2 y dy 2. + +x = 0 segunda ordem dx2 dx d 3 y y2 3. = terceira ordem dx3 x2 Quanto a estrutura, as equacoes diferenciais classificam-se em equacoes diferenciais ` ¸˜ ¸˜ lineares e n˜ o lineares. Definimos equacao diferencial linear na Seccao 1.6. a ¸˜ ¸˜ ¸˜ 1.4 Solucoes ¸˜ Definicao 2 Uma funcao y, definida no intervalo I, que possui derivadas at´ a ¸˜ e` ordem n, e tal que uma vez substitu´da na equacao diferencial de ordem–n a reduz ı ¸˜
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    20 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 a uma identidade, diz-se solucao dessa equacao diferencial. Simbolicamente, isto ¸˜ ¸˜ significa que a solucao da equacao diferencial ¸˜ ¸˜ F x, y, y′ , . . ., y(n) = 0 (1.25) e uma funcao y(x), cujas derivadas y′ (x), y′′ (x), . . ., y(n) existem e satisfazem a equacao ´ ¸˜ ¸˜ (1.31) para todos os valores da vari´ vel independente x em todo o intervalo em que a (1.31) est´ definida. a ` A solucao tamb´ m se chama curva integral ou simplesmente integral da ED. ¸˜ e Observacao 2 O intervalo I pode ser da forma (a, b), [a, b], [a, b), (a, b] com a, b ¸˜ valores finitos ou infinitos. As aplicacoes f´sicas que descrevemos nesta seccao (e.g. Exemplos 1.1, 1.3 e 1.4) ¸˜ ı ¸˜ correspondem a problemas para os quais sabemos existir solucao. No entanto, e ¸˜ ´ importante distinguir a realidade f´sica do modelo matem´ tico dado pela equacao ı a ¸˜ diferencial que representa o problema. Pois o nosso racioc´cio poder´ estar comple- ı a tamente errado e as equacoes apresentadas n˜ o apresentarem qualquer ligacao com ¸˜ a ¸˜ a realidade. Existem equacoes diferenciais para as quais n˜ o existe solucao. Por exemplo: ¸˜ a ¸˜ 2 dy +3 = 0 dx 2 dy n˜ o tem obviamente solucao, pois a ¸˜ + 3 ≥ 3 !!! dx Por outro lado, a equacao ¸˜ 2 dy + y2 = 0 dx tem y = 0 como unica solucao. ´ ¸˜ A equacao ¸˜ dy +y = 0 dx tem um n´ mero infinito de solucoes y = ce−x para toda a constante c. u ¸˜
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    ¸˜ 1.4. SOLUCOES 21 Uma equacao diferencial tem usualmente uma infinidade de solucoes. ¸˜ ¸˜ Ao determinar a solucao de uma equacao diferencial de ordem–n, ¸˜ ¸˜ F x, y, y′ , . . . , y(n) = 0, ∀t ∈ I esperamos obter uma fam´lia de solucoes de n parˆ metros G(x, y, c1 , . . . , cn ) = 0. ı ¸˜ a ¸˜ a ¸˜ Cada concretizacao dos parˆ metros fornece uma solucao particular, ou seja uma solucao livre de parˆ metros. ¸˜ a ¸˜ Chamamos solucao singular a uma solucao da equacao diferencial que n˜ o per- ¸˜ ¸˜ a tence a fam´lia de parˆ metros. ` ı a Se a fam´lia de parˆ metros cont´ m todas as solucoes da equacao diferencial, ent˜ o ı a e ¸˜ ¸˜ a ¸˜ chama-se solucao geral. Exemplo 1.14 Consideremos a equacao diferencial ¸˜ dy = 2xy (1.26) dx 2 cuja solucao geral e y = cex . Cada concretizacao da constante c fornece uma ¸˜ ´ ¸˜ solucao particular. A Figura 1.3 mostra algumas concretizacoes de c, isto e algu- ¸˜ ¸˜ ´ mas solucoes de (1.26). ¸˜ 200 c>0 100 0 c=0 −100 c<0 −200 −2 −1.5 −1 −0.5 0 0.5 1 1.5 2 Figura 1.2: Representacao gr´ fica de algumas solucoes de (1.26). ¸˜ a ¸˜ A y ≡ 0, representada a vermelho na figura, chamamos solucao trivial. ¸˜
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    22 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 Se y ≡ 0 (i.e., y e identicamente igual a zero) e solucao da equacao diferencial num ´ ´ ¸˜ ¸˜ intervalo I, ent˜ o chama-se a y ≡ 0 solucao trivial dessa equacao diferencial em I. a ¸˜ ¸˜ Exemplo 1.15 A equacao diferencial do Exemplo 1.2 pode ser reescrita na ¸˜ forma y′ − α y = 0. E f´ cil verificar que y(x) = keα x , ´ a k ∈ R, e solucao para todo ´ ¸˜ o real x : y′ (x) − α y(x) = (keα x )′ − α (keα x ) = α keα x − α keα x = 0. Exerc´cio 2 ı 1. Prove que y1 = c1 cos(4x) e y2 = c2 sin(4x) s˜ o solucoes de a ¸˜ d2y + 16y = 0. dx2 2. Prove que y = ex y = e−x y = c1 ex y = c2 e−x y = c1 ex + c2 e−x d 2y com c1 , c2 ∈ R, s˜ o solucoes de 2 − y = 0. a ¸˜ dx Exemplo 1.16 Consideremos os seguintes exemplos: 1. y = cx4 e solucao da equacao diferencial xy′ − 4y = 0. ´ ¸˜ ¸˜   −x4 , x < 0 2. y = e solucao da mesma equacao, i.e. ´ ¸˜ ¸˜  x4 , x ≥ 0   −1, x < 0 c= A constante c n˜ o e unica em todo o intervalo. a ´´  1, x ≥ 0 A solucao particular 2. e solucao, mas n˜ o pode ser obtida a partir da fam´lia de ¸˜ ´ ¸˜ a ı parˆ metros por uma escolha unica de c. a ´
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    ¸˜ 1.4. SOLUCOES 23 15 10 c=1 5 0 −5 c = −1 −10 −15 −2 −1.5 −1 −0.5 0 0.5 1 1.5 2 Figura 1.3: Exemplo de uma solucao particular definida por ramos. ¸˜ A solucao da equacao diferencial pode estar na forma impl´cita ou expl´cita. Se ¸˜ ¸˜ ı ı apresentamos a solucao na forma y = f (x), ent˜ o a solucao est´ na forma expl´cita. ¸˜ a ¸˜ a ı Se a apresentamos na forma f (x, y) = c, onde c e uma constante, ent˜ o a solucao ´ a ¸˜ est´ na forma impl´cita. a ı Exemplo 1.17 1. A solucao y = 2e3x e uma solucao expl´cita da equacao ¸˜ ´ ¸˜ ı ¸˜ diferencial do Exemplo 1.15. 2. Considere a equacao diferencial ¸˜ dy x = . dx y Ap´ s separacao de vari´ veis obt´ m-se o ¸˜ a e ydy = xdx y2 x2 = +c 2 2 y2 − x2 = 2c = C Temos a solucao na sua forma impl´cita. ¸˜ ı Nota 1 De facto, n˜ o e l´cito apresentar a solucao deste problema na sua a ´ ı ¸˜ √ forma expl´cita, pois y = ± x2 +C n˜ o e funcao. ı a ´ ¸˜
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    24 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 Como vimos nas Seccoes 1.1 e 1.2, muitas s˜ o as situacoes em que estamos interes- ¸˜ a ¸˜ sados em resolver uma equacao diferencial de primeira ordem: ¸˜ dy = f (x, y) dx sujeita a condicao adicional ` ¸˜ y(x0 ) = y0 . Este e um exemplo de um problema de valor inicial. Chamamos a esta condicao ´ ¸˜ ¸˜ adicional condicao inicial e a x0 o valor inicial. Formalizemos: ¸˜ Definicao 3 Um problema de valor inicial (PVI) consiste numa equacao di- ¸˜ ferencial de qualquer ordem e num conjunto de condicoes iniciais (o n´ mero de ¸˜ u condicoes iniciais e igual a ordem da equacao diferencial) que dever˜ o ser satisfei- ¸˜ ´ ` ¸˜ a tas pela solucao da equacao diferencial e das suas sucessivas derivadas no valor ¸˜ ¸˜ inicial. Exemplo 1.18 Considerem-se os seguintes exemplos de PVIs: 1. dy = 2y − 3x, dx y(0) = 2 2. x′′ (t) + 5x′(t) + (sint)x(t) = 0, x(1) = 0 x′ (1) = 7 ¸˜ Definicao 4 Definimos solucao de um PVI de ordem–n como uma funcao com ¸˜ ¸˜ derivadas at´ a ordem–n, que satisfaca a equacao diferencial e a(s) condicao(˜ es) e` ¸ ¸˜ ¸˜ o inicial(is).
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    ¸˜ 1.4. SOLUCOES 25 Exemplo 1.19 A funcao y(x) = 2e3x e solucao do PVI ¸˜ ´ ¸˜ dy = 3y, dx y(0) = 2 dy d 3x pois y(0) = 2e3·0 = 2e0 = 2 e =2 e = 3 2e3x = 3y. dx dx Atencao, y ≡ 0 e solucao da equacao diferencial do Exemplo ??, mas n˜ o solucao ¸˜ ´ ¸˜ ¸˜ a ¸˜ do PVI, pois n˜ o verifica a condicao inicial. a ¸˜ Observacao 3 As condicoes impostas a y(x) e as suas (n − 1) primeiras deriva- ¸˜ ¸˜ ` das s˜ o dadas num unico ponto, i.e., y(x0 ), y′ (x0 ), . . . , y(n−1) (x0 ). a ´ 1. dy = f (x, y) dx y(x0 ) = y0 PVI de ordem–1 2. d2y = f (x, y, y′ ) dx2 y(x0 ) = y0 y′ (x0 ) = y′ 0 PVI de ordem–2 Ao analisar um PVI, duas quest˜ es fundamentais surgem: o 1. Existe solucao? ¸˜ 2. A solucao (se existir) e unica? ¸˜ ´´ Geometricamente, a segunda quest˜ o traduz-se em questionar se de entre todas as a solucoes do PVI, definido em I, existe uma unica cujo gr´ fico passa pelo ponto ¸˜ ´ a (x0 , y0 ).
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    26 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1   dy − xy1/2 = 0 Exemplo 1.20 Consideremos o seguinte PVI dx , para o qual  y(0) = 0 queremos determinar a solucao. ¸˜ ¸˜ Resolucao: Vamos determinar a soluc˜o utilizando separacao ¸a ¸˜ de vari´veis: a dy = xy1/2 ⇔ dx dy ⇒ = tdt ⇔ y1/2 y=0?! x2 ⇔ y1/2 = +c ⇔ 4 x4 ⇔ y= +C ∧ y(0) = 0 16 x4 ⇒C = 0 ⇒y= 16 No entanto, a solucao trivial y ≡ 0 ´ tamb´m soluc˜o. ¸˜ e e ¸a Mais ainda, a solucao trivial ´ soluc˜o singular (pois n˜o pode ¸˜ e ¸a a ser obtida a partir da fam´lia de parˆmetros). ı a Como vemos a soluc˜o deste PVI n˜o ´ ´nica. ¸a a e u Antes de tentarmos determinar a solucao de um PVI, e desej´ vel investigar primeiro ¸˜ ´ a a existˆ ncia/unicidade dessa mesma solucao. e ¸˜ O resultado seguinte, originalmente devido a Cauchy, mas generalizado por Picard, e uma das condicoes mais populares devido a facilidade da sua aplicacao. ´ ¸˜ ` ¸˜ Teorema 3 (Teorema de Picard) Seja R uma regi˜ o rectangular defi- a nida no plano xOy e tal que a ≤ x ≤ b e c ≤ y ≤ d. O ponto (x0 , y0 ) pertence ao interior de R. Se f e ∂ f /∂ y s˜ o funcoes cont´nuas no rectˆ ngulo R, ent˜ o existe um a ¸˜ ı a a
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    ¸˜ 1.4. SOLUCOES 27 intervalo I, centrado em x0 , e uma unica funcao y(x), x ∈ I, que satisfaz o PVI ´ ¸˜ dy = f (x, y), y(x0 ) = y0 . dx Figura 1.4: Interpretacao geom´ trica do Teorema de Picard. ¸˜ e ¸˜ Observacao 4 Em geral n˜ o e poss´vel determinar um intervalo I em que essa a ´ ı solucao esteja definida sem antes determinar essa mesma solucao. ¸˜ ¸˜ ´ ¸˜ O Teorema 3 e uma condicao suficiente de existˆ ncia e unicidade de solucao, dado e ¸˜ fornecer crit´ rios capazes de garantir a existˆ ncia de uma unica solucao. Nome- e e ´ ¸˜ adamente, requer a a verificacao da continuidade das funcoes. Se f e ∂ f /∂ y no ¸˜ ¸˜ rectˆ ngulo R que cont´ m o ponto inicial (x0 , y0 ). Dado a garantia deste teorema ser a e s´ para uma pequena regi˜ o em torno do ponto inicial, dizemos ser este resultado o a um teorema de existˆ ncia e unicidade local. Ilustramos de seguida a aplicacao do e ¸˜ Teorema 3: Exemplo 1.21 O PVI dy = x2 + y3 dx y(0) = 1 tem solucao unica? ¸˜ ´
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    28 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 ¸˜ Resolucao: Sejam f (x, y) = x2 +y3 e ∂ f /∂ y = 3y2 funcoes cont´nuas ¸˜ ı em todo o R×R, ent˜o obviamente tamb´m o ser˜o na regi˜o a e a a R. Est´ assim demonstrada a existˆncia de solucao ´nica. a e ¸˜ u x 1 Exemplo 1.22 Retomemos o Exemplo 1.20. Temos ent˜ o que ∂ f /∂ y = a , 2 y1/2 n˜ o estando esta funcao definida no ponto (0, 0). Dado ser o Teorema 3 uma condicao a ¸˜ ¸˜ suficiente, nada se pode concluir sobre a existˆ ncia de solucao unica, mas de facto e ¸˜ ´ n˜ o se pode garantir a sua existˆ ncia. a e Caso n˜ o estejamos interessados na unicidade de solucao, mas somente na sua a ¸˜ existˆ ncia existe um resultado tamb´ m muito conhecido: e e Teorema 4 Nas condicoes do Teorema de Picard, a continuidade da funcao ¸˜ ¸˜ f (x, y) em R e condicao suficiente para garantir a existˆ ncia de pelo menos uma ´ ¸˜ e solucao do PVI. ¸˜ O Teorema de Picard um de entre os v´ rios resultados de existˆ ncia/unicidade de a e solucao. Em diferentes situacoes, as condicoes podem ser relaxadas permitindo ¸˜ ¸˜ ¸˜ ainda tirar as mesmas conclus˜ es. Ao longo do nosso estudo abordaremos alguns o destes resultados. ¸˜ Definicao 5 Um problema de valores de fronteira (PVF) e constitu´do por ´ ı uma equacao diferencial se um conjunto de condicoes adicionais que a solucao ¸˜ ¸˜ ¸˜ da equacao diferencial, bem com as sucessivas derivadas, deve satisfazer. As ¸˜ condicoes adicionais devem ser dadas para pelo menos dois valores distintos da ¸˜ vari´ vel independente. a Exemplo 1.23 Considerem-se os seguintes exemplos de PVF
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    ¸˜ 1.4. SOLUCOES 29 1. d2y + 5xy = cos x dx2 y(0) = 0 y′ (1) = 2 2. dy + 5xy = 0 dx y(0) = 2 y(1) = 2 Para n = 2, definimos: d 2y dy a2 (x, y) 2 + a1 (x, y) + a0 (x, y)y = g(x) (1.27) dx dx  y(a) = y0  Condicoes de fronteira ¸˜ (1.28) y(b) = y1  com a, b ∈ I. Para n = 2, outras escolhas poss´veis de condicoes de fronteira s˜ o: ı ¸˜ a     y′ (a) = y  y(a) = y  y′ (a) = y 0 0 0 , ou (1.29)  y(b) = y  y′ (b) = y  y′ (b) = y 1 1 1 onde y0 , y1 s˜ o constantes arbitr´ rias. a a Seja:   α y(a) + β y′ (a) = γ 1 1 1 (1.30)  α y(b) + β y′ (b) = γ 2 2 2 Atencao, ter˜ o de ser sempre duas condicoes, dado ser dois a ordem do problema. ¸˜ a ¸˜ Nota 2 O Teoremema de Picard s´ se aplica a PVIs. o Vejamos:
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    30 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 Exemplo 1.24 Consideremos a equacao diferencial y′′ + 16y = 0, que tem ¸˜ como solucao geral y = c1 cos 4x + c2 sin 4x. De seguida consideramos diferentes ¸˜ condicoes de fronteira que nos permitir˜ o calcular os parˆ metros. ¸˜ a a   y(0) = 0 1. π  y = 0 2 ¸˜ Resolucao:   0 = c 1  0 = c sin 2π 2 temos ent˜o a solucao (0, c2 ) a ¸˜ ¸˜ ∴ o PVF tem um n´mero infinito de solucoes: u y = c2 sin 4t.   y(0) = 0 2. π  y = 0 8 ¸˜ Resolucao:   0 = c 1  0 = c 2 temos ent˜o a soluc˜o y = (0, 0) a ¸a ¸˜ u ∴ o PVF tem solucao ´nica.   y(0) = 0  y π 3. = 1 2 ¸˜ Resolucao:   0 = c1  1 = c2 sin π 2 Imposs´vel! ı
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    ¸˜ 1.5. CAMPO DEDIRECCOES 31 ¸˜ ∴ o PVF n˜o tem solucao. a Ainda que ao longo de todo este curso nos debrucemos sobre o estudo/aprendizagem de m´ todos que nos permitem determinar a solucao de diferentes ED, o facto e que e ¸˜ ´ muitas s˜ o as equacoes diferenciais provenientes de aplicacoes para as quais n˜ o e a ¸˜ ¸˜ a ´ poss´vel obter uma solucao anal´tica. Dito de outro modo, muitas s˜ o as equacoes ı ¸˜ ı a ¸˜ diferenciais para as quais e imposs´vel obter uma solucao exprimıvel em termos de ´ ı ¸˜ funcoes elementares. ¸˜ Existem diferentes formas para abordar esta dificuldade, nomeadamente: 1. Optar por uma solucao num´ rica ¸˜ e 2. Proceder a um estudo qualitativo da ED, i.e., perceber como se comportam as solucoes da ED. Quest˜ es pertinentes deste t´ pico s˜ o por exemplo: ¸˜ o o a • As solucoes da equacao diferencil crescem ilimitadamente com x? ¸˜ ¸˜ • As solucoes da equacao diferencial tendem para zero? ¸˜ ¸˜ • As solucoes oscilam entre determinados valores? ¸˜ ¸˜ 1.5 Campo de direccoes Considere-se a equacao diferencial de ordem–1 na sua forma normal ¸˜ y′ = f (x, y). (1.31) Considerando determinadas condicoes, e uma condicao inicial, o PVI associado ¸˜ ¸˜ a equacao (1.31) tem uma solucao unica. Ou seja, existe uma unica funcao que ` ¸˜ ¸˜ ´ ´ ¸˜ satisfaz o PVI: y′ (x) = f (x, y) y(x0 ) = y0
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    32 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 com (x0 , y0 ) arbitr´ rio. A funcao y(x) e uma curva do plano–xy, da qual conhecemos a ¸˜ ´ a tangente em cada ponto. A tangente a curva y(x) em cada ponto (x, y) e dada por f (x, y). ` ´ Conhecemos ent˜ o a direccao da curva y(x) em cada ponto (x, y) do xy-plano em a ¸˜ que a funcao f (x, y) est´ definida. Chama-se campo de direccoes da equacao di- ¸˜ a ¸˜ ¸˜ ferencial, y′ = f (x, y), ao conjunto de todas estas direccoes no plano. O que e ¸˜ ´ interessante e o facto de podermos usar a nocao de campo de direccoes para tracar ´ ¸˜ ¸˜ ¸ um esboco da solucao duma equacao diferencial no plano-xy sem chegar a calcular ¸ ¸˜ ¸˜ essa mesma solucao. Se achar muito dif´cil resolva este mesmo problema para a ¸˜ ı equacao diferencial do exerc´cio seguinte. ¸˜ ı Exemplo 1.25 Retomemos o PVI do Exemplo 1.2 y′ = 2xy (1.32) y(0) = 1. Temos que y′ (x) > 0 se xy > 0 (i.e. quadrantes I e III) y′ (x) < 0 se xy < 0 (i.e. quadrantes II e IV). Para tracar o campo de direccoes, comecamos por determinar onde o coeficiente ¸ ¸˜ ¸ angular e constante: ´ y′ = c, c ∈ R. (1.33) Obtemos desta forma a fam´lia de curvas 2xy = c, onde c e uma constante, a que ı ´ chamamos isoclinas.
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    ¸˜ 1.5. CAMPO DEDIRECCOES 33 Para o Exemplo ch1-1.5-ex25, calculamos de seguida as isoclinas: c = 0 ⇔ x = 0∨y = 0 1 c = 1 ⇔ 2xy = 1 ⇔ y = 2x 1 c = 2 ⇔ 2xy = 2 ⇔ y = x 1 c = −1 ⇔ 2xy = 1 ⇔ y = − 2x 1 c = −2 ⇔ 2xy = 2 ⇔ y = − x A Figura 1.5 mostra o campo de direccoes para esta equacao diferencial. ¸˜ ¸˜ 2 y(x) 1 0 -2 -1 0 1 2 x -1 -2 Figura 1.5: Campo de direccoes para a equacao diferencial (1.32). ¸˜ ¸˜ Para a solucao particular em causa, escolhemos a curva que passa no ponto (0, 1). ¸˜ Temos ent˜ o: a ¸˜ Observacao 5 e aconselh´ vel esbocar sempre um n´ mero razo´ vel de curvas, de ´ a ¸ u a forma a podemos ilustrar convenientemente o comportamento de todas as solucoes ¸˜ da equacao diferencial. ¸˜ Exemplo 1.26 Debrucemo-nos agora sobre o campo de direccoes da equacao ¸˜ ¸˜ dP log´stica do Exemplo 1.7, ı = P (β − δ P) , onde β e δ s˜ o constantes positivas. a dt ¸˜ Resolucao: No Exemplo 1.7 determinamos a soluc˜o desta equac˜o ¸a ¸a
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    34 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 2 y 1 0 -2 -1 0 1 2 x -1 -2 Figura 1.6: Uma solucao de (1.32). ¸˜ diferencial: β P(t) = . (1.34) β δ+ − δ e−β t P(0) ` semelhanca do que aconteceu no exemplo anterior, ´ poss´vel A ¸ e ı determinar o campo de direccoes desta equac˜o diferencial ¸˜ ¸a sem a resolver. Dado que as constantes β e δ s˜o positivas, tornam-se eviden- a tes os seguintes factos: P′ < 0 se P < 0 ∨ P > β /δ ; P′ > 0 se 0 < P < β /δ ; P′ = 0 se P = 0 ∨ P = β /δ ; A Figura 1.7 mostra o campo de direcc˜es para esta equacao ¸o ¸˜ diferencial. Repare que toda a solucao tal que P(0) > 0 tende para o valor ¸˜ β /δ , ou seja a capacidade de suporte. J´ tinha- mos chegado a ¸˜ a esta conclus˜o antes, quando calculamos o valor da solucao a quando t → ∞. Na Figura 1.8 mostram-se algumas solucoes: ¸˜
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    ¸˜ 1.5. CAMPO DEDIRECCOES 35 4 y(t) 2 0 -4 -2 0 2 4 t -2 -4 Figura 1.7: Campo de direccoes para a equacao log´stica, com β = 3.5 e δ = 1.8. ¸˜ ¸˜ ı 2 4 3 y 1 y 2 0 1 -2 -1 0 1 2 3 4 t 0 -2 -1 0 1 2 3 4 -1 t -1 -2 -2 Figura 1.8: Solucoes para a equacao log´stica, com β = 3.5 e δ = 1.8. ¸˜ ¸˜ ı Observe que o campo de direccoes de uma equacao diferencial pode ser uma ferra- ¸˜ ¸˜ menta preciosa sempre que n˜ o for poss´vel determinar a solucao de uma equacao a ı ¸˜ ¸˜ diferencial.
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    36 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 ¸˜ 1.6 Equacoes diferenciais lineares ¸˜ Definicao 6 Uma equacao diferencial de ordem–n diz-se linear se pode ser ¸˜ reescrita na seguinte forma: d ny d n−1 y dy n + an−1 (x) n−1 + · · · + a1 (x) + a0 (x)y = g(x). (1.35) dx dx dx Posto isto, verifica-se que as equacoes diferenciais lineares s˜ o caracterizadas por ¸˜ a duas propriedades: 1. a vari´ vel dependente e todas as suas sucessivas derivadas dever˜ o ser de a a grau 1; ou seja, n˜ o podem involver funcoes n˜ o lineares (funcoes quadradas, a ¸˜ a ¸˜ exponenciais, trigonom´ tricas, etc.) ou produtos da vari´ vel dependente pelas e a suas derivadas. 2. cada coeficiente depende unicamente da vari´ vel independente. a ¸˜ Definicao 7 Toda a equacao diferencial que n˜ o possa ser escrita na forma ¸˜ a (1.35) diz-se n˜ o linear. a Exerc´cio 3 Classifique cada uma das seguintes equacoes em linear ou n˜ o ı ¸˜ a linear. 1. (x − t)dt + 4tdx = 0 2. y′′ − 2y′ + y d 3x dx 3. t 3 3 − 4t + 6x = et dt dt 4. (1 + y)y′ + 2y = et d2x 5. + sin x = 0 dt 2 d2y 6. + y2 = 0 dt 2
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    1.6. ED LINEARES 37 ¸˜ ¸˜ ´ Definicao 8 (Equacao homogenea) Uma equacao diferencial diz-se ¸˜ homog´ nea se em (1.35) g(x) = 0. e Caso contr´ rio diz-se equacao n˜ o homog´ nea. a ¸˜ a e Consideremos ent˜ o a equacao diferencial de ordem-1: a ¸˜ dy + a(x)y = g(x). (1.36) dx Esta forma da equacao diferencial diz-se forma standard da equacao diferencial ¸˜ ¸˜ linear. Comecemos por considerar o caso homog´ neo: e dy dy + a(x)y = 0 ⇔ = −a(x)y. (1.37) dx dx Por separacao de vari´ veis, temos: ¸˜ a dy =− a(x)dx + c ⇒ ln |y| = − a(x)y + c y ou seja, a solucao geral e ¸˜ ´ y = ce− a(x)dx , c ∈ R. (1.38) Exerc´cio 4 Prove, concretizando a(x) e usando a nocao de campo de direccoes ı ¸˜ ¸˜ de uma equacao diferencial que esta e de facto a solucao geral da equacao diferen- ¸˜ ´ ¸˜ ¸˜ cial dy + a(x)y = 0. dx Exemplo 1.27 1. Determine a solucao da equacao diferencial ¸˜ ¸˜ y′ + 3y = 0 ¸˜ Resolucao: y = ce−3x , c∈R 2. Determine a solucao da equacao diferencial ¸˜ ¸˜ y′ − 2xy = 0, y(1) = 1.
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    38 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 ¸˜ Resolucao: dy = −2 xdx +C y ln |y| = −x2 +C 2 y = ce−x . ¸˜ Calculemos agora a solucao particular: 1 = y(1) = ce−1 ⇒ c = e, 2 donde se conclui que y = e1−x . A solucao (1.38) pode ser escrita na forma: ¸˜ a(x)dx ye = c. (1.39) Se diferenciarmos a equacao (1.39), obtemos: ¸˜ y′ + a(x)y e a(x)dx = 0. (1.40) Repare que o que n´ s fizemos foi multiplicar a equacao (1.36) por o factor e o ¸˜ a(x)dx , a que chamamos factor integrante da equacao (1.37). ¸˜ Vamos agora tentar aplicar esta mesma t´ cnica ao caso n˜ o homog´ neo (1.36). Mul- e a e tiplicamos ambos os membros da equacao diferencial pelo factor integrante: ¸˜ y′ + a(x)y e a(x)dx = g(x)e a(x)dx . (1.41) Como o lado esquerdo da equacao (1.41) e a derivada de ye ¸˜ ´ a(x)dx , temos: d a(x)dx a(x)dx ye = g(x)e . (1.42) dx Integrando a equacao (1.42), vem: ¸˜ d a(x)dx a(x)dx ye dx = g(x)e dx + c (1.43) dx
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    1.6. ED LINEARES 39 ou ainda a(x)dx a(x)dx ye = g(x)e dx + c (1.44) e temos ent˜ o a solucao: a ¸˜ y= g(x)e a(x)dx dx +C e− a(x)dx . (1.45) Nota 3 A express˜ o (1.45) fornece a solucao geral para uma equacao diferencial a ¸˜ ¸˜ linear de ordem–1. No entanto, e usualmente prefer´vel deduzir todo o processo em ´ ı vez do que aplicar directamente esta express˜ o. a Exemplo 1.28 Determine a solucao do seguinte problema de valor inicial: ¸˜ y′ = y + x2 , y(0) = 1 (1.46) ¸˜ Resolucao: y′ = y + x2 ⇔ y′ − y = x2 . Sabendo que a(x) = −1, calculemos o factor integrante: e− dx = e−x . Observacao 6 De facto o factor integrante e e− ¸˜ ´ dx+c = e−x+c = e−x ec = ce−x . No que se segue, verificamos que ao multiplicar toda a equacao pelo factor inte- ¸˜ grante, a constante se auto cancela. Logo, a constante de integracao do c´ lculo do ¸˜ a factor integrante pode ser esquecida. ¸˜ Multiplicamos agora a equacao pelo factor integrante: y′ − y e−x = x2 e−x ′ ye−x = x2 e−x .
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    40 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 ¸˜ Integrando ambos os membros da equacao, temos: ye−x = x2 e−x dx + c ye−x = c − x2 + 2x + 2 e−x y = cex − x2 + 2x + 2 . Finalmente, considerando x = 0, tem-se: 1 = y(0) = c − 2 ⇒ c = 3, donde y = 3ex − x2 + 2x + 2 . Exerc´cio 5 Determine a solucao do PVI: ı ¸˜ y′ − 2xy = 1 y(0) = 1. 2 Observacao 7 O integral de e−x n˜ o e exprim´vel como uma funcao elementar. ¸˜ a ´ ı ¸˜ A solucao ter´ ent˜ o de ser deixada na sua forma integral. ¸˜ a a 2 x 2 No entanto, a funcao f (x) = √ ¸˜ e−z dz tem sido muito estudada e por tal raz˜ o a π 0 pode ser entendida como uma funcao bem conhecida, o que faz com que do ponto ¸˜ de vista computacional uma solucao deste tipo seja perfeitamente aceit´ vel. ¸˜ a ¸˜ Observacao 8 Relembremos que dy dy a2 (x) g(x) a1 (x) + a2 (x)x = g(x) ⇔ + y= . dx dx a1 (x) a1 (x) Especial atencao deve ser dedicada a esta divis˜ o sempre que a1 (x) = constante. ¸˜ a Pois pode acontecer que ∃x : a1 (x) = 0 e estes pontos traduzir-se-˜ o em pontos de a poss´veis descontinuidades ... o que se traduz em problemas! ı
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    1.6. ED LINEARES 41 dx Exemplo 1.29 Calcule a solucao de t ¸˜ + x = 2t. dt ¸˜ Resolucao: ¸˜ Para resolver a equacao, comecamos por pˆ-la na ¸ o sua forma standard: dx 1 + x=2 dt t t=0 Com t = 0, consideramos por exemplo o dom´nio de continuidade ı (0, +∞). dx Calculemos o factor integrante: e t = eln |t| = |t|. ¸˜ Observacao 9 Podemos considerar o factor integrante como t e negligenciar o valor absoluto, pois, a semelhanca do que acontece com as constantes, o sinal ` ¸ menos cancela ao multiplicar ambos os membros da equacao pelo factor integrante. ¸˜ ¸˜ Multipliquemos a equacao diferencial pelo factor integrante: dx 1 t +t x = 2t ⇔ dt t t=0 ⇔ tx = 2tdt + c ⇔ ⇔ tx = t 2 dt + c ⇔ c ⇔ x(t) = t + , c∈R t Nota 4 Consideremos o PVI: dy 1 = (1.47) dx x + y2 y(−2) = 0 Esta equacao e n˜ o linear!! ¸˜ ´ a Tentemos o seu rec´proco: ı dx − x = y2 (1.48) dy
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    42 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 e linear! Podemos ent˜ o agora resolver esta equacao. ´ a ¸˜ Exerc´cio 6 Prove que a solucao do PVI (1.48) e x(y) = y2 − 2y − 2 + ce−y , ı ¸˜ ´ c ∈ R. Exemplo 1.30 Consideremos o seguinte PVI dy + y = g(x) (1.49) dx y(0) = 0   1, 0 ≤ x ≤ 1 com g(x) = .  0, x > 1 ¸˜ Resolucao: Neste caso resolvemos o problema para cada um dos ramos da func˜o: ¸a dy dy +y = 1 ou +y = 0 dx dx ex y(x) = ex dx + c ex y(x) = 0 + c ex y(x) = ex + c y(x) = ce−x y(x) = 1 + ce−x y(0) = 0 = 1 + c c = −1 y(x) = 1 − e−x ¸˜ Repare que a condicao inicial s´ diz respeito a um dos ramos o da funcao g(x)! ¸˜ Temos ent˜o: a   1 − e−x , 0 ≤ x ≤ 1 y(x) =  ce−x , x > 1. a ¸˜ Seria desej´vel ter uma solucao cont´nua. ı
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    1.6. ED LINEARES 43 Facamos ent˜o um esforco nesse sentido: ¸ a ¸ e−1 e−1 lim ce−x = 1 − e−x x=1 = 1 − e−1 = ⇒ ce−1 = ⇔ c = e − 1. x→1+ e e Temos ent˜o: a   1 − e−x , 0≤x≤1 y(x) =  (e − 1)e−x , x > 1. ¸˜ ¸˜ ´ Atencao que esta solucao e cont´nua, mas n˜o diferenci´vel! ı a a Temos que ter uma solucao y(x) cont´nua e diferenci´vel. ¸˜ ı a ∴ y(x) n˜o ´ soluc˜o em R, mas s´ em R+ . a e ¸a o Nota 5 Se a equacao diferencial e linear, ent˜ o a sua fam´lia de parˆ metros coin- ¸˜ ´ a ı a cide com a sua solucao geral. ¸˜ Nota 6 No caso particular das equacoes diferenciais lineares de ordem–1 o Teo- ¸˜ rema da existˆ ncia e unicidade de solucao enuncia-se da seguinte forma: e ¸˜ Teorema 5 Consideremos o PVI dy + a(x)y = g(x) dx y(x0 ) = y0 . Se a(x) e g(x) s˜ o funcoes cont´nuas na regi˜ o R ent˜ o existe solucao unica para o a ¸˜ ı a a ¸˜ ´ PVI na vizinhanca do ponto (x0 , y0 ). ¸
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    44 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 ¸˜ ˜ 1.7 Equacoes nao lineares Consideremos o PVI dy = f (x, y) dx y(x0 ) = y0 . Se f (x, y) e n˜ o linear as coisas complicam-se, pois n˜ o existe um m´ todo geral de ´ a a e resolucao para estas equacoes. A determinacao de uma solucao para as equacoes ¸˜ ¸˜ ¸˜ ¸˜ ¸˜ diferenciais n˜ o lineares e muito dif´cil, se n˜ o mesmo imposs´vel. a ´ ı a ı Neste contexto, tomam especial relevˆ ncia os m´ todos num´ ricos para o c´ lculo de a e e a uma solucao aproximada (ou num´ rica) ou o estudo qualitativo da solucao de uma ¸˜ e ¸˜ equacao diferencial. ¸˜ No entanto, existem algumas classes de equacoes diferenciais para as quais e poss´vel ¸˜ ´ ı obter representacoes impl´citas da solucao, e utilizando ferramentas elementares de ¸˜ ı ¸˜ c´ lculo. Algumas destas classes de equacoes diferenciais de ordem–1, bem como a ¸˜ os respectivos m´ todos de resolucao, s˜ o apresentadas at´ ao final deste cap´tulo. e ¸˜ a e ı Nota 7 Para o caso das equacoes diferenciais lineares, a fam´lia de solucoes con- ¸˜ ı ¸˜ t´ m todas as solucoes poss´veis da equacao diferencial, i.e. a fam´lia de solucoes e ¸˜ ı ¸˜ ı ¸˜ coincide com a solucao geral. Para as equacoes n˜ o lineares, podem existir ainda ¸˜ ¸˜ a solucoes para al´ m das representadas na fam´lia de solucoes, ou seja podem existir ¸˜ e ı ¸˜ solucoes singulares. Temos ent˜ o de ter muito cuidado ao usar o termo “solucao ¸˜ a ¸˜ geral” no contexto das equacoes n˜ o lineares. ¸˜ a ¸˜ 1.8 Equacao de Bernoulli Algumas equacoes n˜ o lineares de ordem–1 s˜ o reduz´veis a uma equacao linear ¸˜ a a ı ¸˜ atrav´ s de uma mudanca de vari´ vel conveniente. Um exemplo de tais equacoes e a e ¸ a ¸˜ ´
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    ¸˜ 1.8. EQUACAO DEBERNOULLI 45 ¸˜ equacao de Bernoulli: dy + a(x)y = g(x)yn . (1.50) dx com n = 0, 1. Pois com n = 0, 1 esta equacao e a uma equacao linear. ¸˜ ´ ¸˜ Efectuando a mudanca de vari´ vel z = y1−n , temos z′ = (1 − n)y−n y′ . Posto isto, ¸ a multiplicamos (1.50) por (1 − n)y−n: dy (1 − n)y−n + (1 − n)a(x)y1−n = (1 − n)g(x), (1.51) dx ou na nova vari´ vel a dz + (1 − n)a(x)z = (1 − n)g(x). (1.52) dx A equacao (1.52) e linear e pode ser resolvida com o m´ todo apresentado anterior- ¸˜ ´ e mente. Exemplo 1.31 Resolva a equacao diferencial ¸˜ dy y 5 − = − x2 y3 . dx x 2 ¸˜ Resolucao: Consideramos a mudanca de vari´vel z = y−2 e ent˜o ¸ a a z′ = −2y−3 y′ . Multiplicamos a equacao diferencial por z′ e obtemos: ¸˜ 2 −2y−3 y′ + y−2 = 5x2 x 2 z′ + z = 5x2 . x a ¸˜ Temos ent˜o uma equacao linear. Calculemos o factor integrante: dx 2 2 e x = e2 ln |x| = eln |x| = x2 . ¸˜ Multiplicamos agora a equacao diferencial linear pelo factor integrante: x2 z′ + 2xz = 5x4 ⇔ ⇔ (x2 z)′ = 5x4 ⇒ ⇒ x2 z = 5 x4 dx + c = x5 + c ⇔ ⇔ z = x3 + cx−2
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    46 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 Voltando ` vari´vel original: a a y−2 = x3 + cx−2 ⇔ −1/2 ⇔ y = ± x3 + cx−2 (!) 1 1 ou seja, podemos escolher entre y = √ e y = −√ x3 + cx−2 x3 + cx−2 com c ∈ R. Nota 8 Um procedimento similar pode ser usado para resolver dy + a(x)y = g(x)y ln y. (1.53) dx y′ efectuemos neste caso a mudanca de vari´ vel z = ln y, e ent˜ o z′ = ¸ a a . Dividimos y (1.54) por y e temos: dz + a(x) = g(x)z. (1.54) dx que e uma equacao de Bernoulli. ´ ¸˜ ¸˜ 1.9 Equacao de Riccati Consideremos uma equacao diferencial do tipo: ¸˜ dy = c(x) + b(x)y + a(x)y2 (1.55) dx ¸˜ a que chamamos equacao diferencial de Riccati. Se y p e solucao particular da ´ ¸˜ equacao diferencial de Riccati supostamente conhecida, ent˜ o a fam´lia de solucoes ¸˜ a ı ¸˜ desta equacao diferencial e dada por ¸˜ ´ y = y p + u(x), onde u e solucao da seguinte equacao diferencial e Bernoulli: ´ ¸˜ ¸˜ du − (b(x) + 2y p a(x)) u(x) = a(x)u(x)2 dx du u−2 − (b(x) + 2y p a(x)) u−1 = a(x) dx w
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    ¸ ˜ ´ 1.10. EQUACOES OMOGENEAS 47 dw du Efectuemos a mudanca de vari´ vel w = u−1 ⇒ ¸ a = −u−2 , ou seja: dx dx dw (b(x) + 2y p a(x)) w = −a(x). dx Nota 9 Por vezes a solucao da equacao diferencial de Riccati n˜ o pode ser ex- ¸˜ ¸˜ a pressa em termos de funcoes elementares, como pode ser visto no exerc´cio seguinte. ¸˜ ı dy Exerc´cio 7 Determine a solucao da equacao diferencial ı ¸˜ ¸˜ = 2 + −2xy + y2 , dx com y p = 2x. ¸˜ ´ 1.10 Equacoes omogeneas Definicao 9 Uma funcao diz-se funcao homog´ nea de grau n se f (α x, α y) = ¸˜ ¸˜ ¸˜ e α n f (x, y), α ∈ R. Exemplo 1.32 Consideremos os seguintes exemplos: √ 1. f (x, y) = x − xy + 5y. √ ¸˜ Resolucao: f (α x, α y) = α x− α 2 xy+5α y = α x − xy + 5y = α f (x, y) ∴ f ´ func˜o homog´nea de grau 1. e ¸a e 2. f (x, y) = x3 + y3 . ¸˜ Resolucao: f (α x, α y) = α 3 (x3 + y3 ) = α 3/2 x3 + y3 = α 3/2 f (x, y). ∴ f ´ funcao homog´nea de grau 3/2. e ¸˜ e 3. f (x, y) = x2 + y2 + 1. ¸˜ Resolucao: f (α x, α y) = (α x)2 +(α y)2 +1 = α 3/2 x3 + y3 = α 3/2 f (x, y). ∴ f n˜o ´ func˜o homog´nea. a e ¸a e
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    48 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 x 4. f (x, y) = + 4. 2y αx x ¸˜ Resolucao: f (α x, α y) = +4 = α 0 + 4 . ∴ f ´ func˜o ho- e ¸a 2α y 2y mog´nea de grau zero. e Nota 10 A menos que a funcao seja homog´ nea de grau zero, soma de uma cons- ¸˜ e tante destr´ i a homogeneidade. o Por vezes analisa-se a homogeneidade de uma funcao atrav´ s da an´ lise do grau ¸˜ e a dos seus termos. I.e., se todos os termos da funcao tˆ m igual grau, ent˜ o a funcao e ¸˜ e a ¸˜ ´ homog´ nea. Vejamos: e 1. f (x, y) = 6xy3 − x2 y2 . Dado que ambos os termos tˆ m grau 4, ent˜ o a funcao e homog´ nea de grau e a ¸˜ ´ e 4. 2. f (x, y) = x2 − y. Dado que o primeiro termo tem grau 2 e o segundo grau 1, ent˜ o a funcao n˜ o a ¸˜ a e homog´ nea. ´ e 3. f (x, y) = x2 + 3xy + y2 . Dado que todos os termos tˆ m grau 2 , ent˜ o a funcao e homog´ nea de grau e a ¸˜ ´ e 2. Nota 11 Se f (x, y) e uma funcao homog´ nea de grau n, podemos escrever: ´ ¸˜ e y x f (x, y) = xn f (1, ) e f (x, y) = yn f ( , 1). x y ¸˜ ¸˜ ´ Definicao 10 (Equacao diferencial homogenea) Consideremos a seguinte equacao diferencial ¸˜ M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0, (1.56)
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    ¸ ˜ ´ 1.10. EQUACOES OMOGENEAS 49 se M(α x, α y) = α n M(x, y) N(α x, α y) = α n N(x, y), i.e., a equacao tem coeficientes homog´ neos do mesmo grau, ent˜ o e homog´ nea. ¸˜ e a ´ e Uma equacao diferencial homog´ nea pode sempre ser reduzida a uma equacao di- ¸˜ e ¸˜ ferencial de vari´ veis separ´ veis, utilizando uma das seguintes substituicoes: a a ¸˜ y = ux ou x = vy dy = udx + xdu dx = vdy + ydv. Por exemplo, se M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 ent˜ o significa que M(x, y) e N(x, y) s˜ o a a funcoes homog´ neas de igual grau n, podendo ent˜ o escrever-se como: ¸˜ e a   y  M(x, y) = xn M 1,   x u   y  N(x, y) = xn N 1,   x u Ent˜ o temos: a M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 ⇔ ⇔ xn M(1, u)dx + xn N(1, u)dy = 0 ⇔ ⇔ M(1, u)dx + N(1, u)dy = 0 ⇔ ⇔ M(1, u)dx + N(1, u)(udx + xdu) = 0 ⇔ ⇔ (M(1, u) + uN(1, u))dx + xN(1, u)du = 0 ⇔ dx N(1, u)du ⇔ =− x M(1, u) + uN(1, u) Acab´ mos de separar as vari´ veis. a a Exerc´cio 8 Mostre a separacao de vari´ veis, usando a outra mudanca de ı ¸˜ a ¸ vari´ vel. a
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    50 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 Sempre que M(x, y) e mais simples do que N(x, y), usamos a substituicao x = vy. ´ ¸˜ Pode tamb´ m acontecer que uma substituicao conduza a integrais mais dif´ceis de e ¸˜ ı resolver. Neste caso, tentamos a outra substituicao que pode eventualmente condu- ¸˜ zir a c´ lculos mais simples. a Exemplo 1.33 Determine a solucao da equacao diferencial ¸˜ ¸˜ y2 + x2 dx + x2 − xy dy = 0. M(x,y) N(x,y) ¸˜ Resolucao: Como vemos M(x, y) e N(x, y) tˆm igual grau, logo e s˜o func˜es homog´neas de igual grau. a ¸o e Estamos ent˜o em face a ¸˜ duma equacao diferencial homog´nea. e Neste exemplo tanto ¸˜ faz optarmos por uma ou outra substituicao. Facamos ent˜o y = ux ⇒ dy = udx + xdu. ¸ a ¸ a ¸˜ Efectuemos esta mudanca de vari´vel na equacao diferencial e obtemos: (1 + u2 ) + (1 − u)u dx + (1 − u)xdu = 0 ⇔ ⇔ (1 + u)dx + (u − 1)xdu = 0 ⇔ dx (u − 1) ⇔ = du x (1 + u) a ¸˜ Temos ent˜o uma equacao diferencial de vari´veis sepa- r´veis. a a
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    ¸ ˜ 1.11. EQUACOESDIFERENCIAIS EXACTAS 51 Vamos ent˜o resolvˆ-la: a e dx (u − 1) = du + c ⇔ x (1 + u) (u − 1) ⇔ ln |x| = du + c ⇔ (1 + u) du ⇔ ln |x| = du − 2 +c ⇔ 1+u ⇔ ln |x| = u − 2 ln |u + 1| + c ⇔ |x| ⇔ ln = ln c + u ⇔ |(u + 1)−2| ⇔ ln |x|(u + 1)2 = ln c + u ⇔ ⇔ |x|(u + 1)2 = ec+u ⇒ ⇒ x(u + 1)2 = ceu ⇔ y 2 ⇔ x + 1 = cey/x ⇔ x ⇔ (y + 1)2 = cxey/x ¸˜ 1.11 Equacoes diferenciais exactas Comecemos por relembrar o seguinte resultado: Se g(x, y) e uma funcao de duas vari´ veis, com derivadas parciais de primeira ´ ¸˜ a ordem cont´nuas em R, regi˜ o rectangular do plano xOy, ent˜ o o diferencial ı a a total dg desta funcao define-se da seguinte forma: ¸˜ ∂g ∂g dg = dx + dy. ∂x ∂y ∂g ∂g Se g(x, y) = c ⇒ dx + dy = 0. ∂x ∂y
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    52 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 Dito de outra forma, dada uma fam´lia de curvas g(x, y) = c, podemos obter uma ı equacao diferencial calculando o seu diferencial. ¸˜ Exemplo 1.34 Sendo g(x, y) = x2 y3 + e4x sin y, calcule o seu diferencial total dg. ¸˜ Resolucao: ∂g = 2xy3 + 4e4x sin y ∂x ∂g = 3x2 y2 + e4x cos y ∂y dg = 2xy3 + 4e4x sin y dx + 3x2 y2 + e4x cos y dy. O problema inverso e, no entanto, mais interessante: ´ Dada uma equacao diferencial exacta, determinar g(x, y) = c, cujo diferencial total ¸˜ coincide com a equacao diferencial. ¸˜ Por exemplo, d x2 y3 + e4x sin y = 0 ⇒ x2 y3 + e4x sin y = c. Mas como saber se uma equacao diferencial e exacta? ¸˜ ´ ¸˜ Definicao 11 A express˜ o M(x, y)dx + N(x, y)dy diz-se exacta na regi˜ o R se a a corresponder ao diferencial de alguma funcao g(x, y). ¸˜ Uma equacao diferencial de ordem–1 ¸˜ M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 diz-se exacta se a express˜ o do membro esquerdo for o diferencial total de alguma a funcao. ¸˜ Seria agrad´ vel dispˆ r de um crit´ rio ... a o e
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    ¸ ˜ 1.11. EQUACOESDIFERENCIAIS EXACTAS 53 ´ ¸˜ Teorema 6 (Criterio da equacao diferencial exacta) Nas condicoes ¸˜ de definicao do diferencial total, uma condicao necess´ ria e suficiente para que ¸˜ ¸˜ a ∂M ∂N M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 seja exacta e ´ = ∂y ∂x Dem. Consideremos a regi˜ o a R: a<x<b ∂M ∂M ∂N ∂N e , , e cont´nuas em R. ı c<y<d ∂x ∂y ∂x ∂y Queremos provar: ∂M ∂N M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 ⇔ = ∂y ∂x ∂M ∂N Condicao necess´ ria: M(x, y)dx + N(x, y)dy e diferencial exacta ⇒ ¸˜ a ´ = ∂y ∂x Se M(x, y)dx + N(x, y)dy e diferencial exacta ent˜ o existe g(x, y) tal que ´ a ∂g ∂g M(x, y)dx + N(x, y)dy = dx + dy, ∂x ∂y  M(x, y) = ∂ g   ∂x ∂M ∂ ∂g ∂ ∂g ∂N ⇒ = = = ,  N(x, y) = ∂ g  ∂y ∂y ∂x ∂x ∂y ∂x ∂y dado que as derivadas parciais de primeira ordem s˜ o cont´nuas. a ı ∂M ∂N Condicao suficiente: ¸˜ = ⇒ M(x, y)dx + N(x, y)dy e diferencial exacta, ou ´ ∂y ∂x  M(x, y) = ∂ g   seja ∃ g : ∂x Temos que construir g !!!  N(x, y) = ∂ g  ∂y A construcao de g fornece um m´ todo de resolucao da equacao diferencial. ¸˜ e ¸˜ ¸˜ ´ ¸˜ Metodo de Resolucao: Seja M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0. Se ∂M ∂N ∂g = ⇒ ∃ g : M(x, y) = ⇒ g(x, y) = M(x, y)dx + h(y), (1.57) ∂y ∂x ∂x
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    54 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 onde h(y) e a constante de integracao. Mais ainda: ´ ¸˜ ∂g ∂ = M(x, y)dx + h(y) = N(x, y) ∂y ∂y ou seja ∂ h′ (y) = N(x, y) − M(x, y)dx. (1.58) ∂y Temos que integrar h′ (y) em ordem a y e substituir em (1.57). Acab´ mos de construir g, e como tal existe. a Nota 12 A express˜ o (1.58) e independente de x. Vejamos: a ´ ∂ ∂ ∂N ∂M N(x, y) − M(x, y)dx = − = 0, ∂x ∂y ∂x ∂y pois por hip´ tese e diferencial exacta. Assim se vˆ ser esta uma express˜ o constante o ´ e a em x. Nota 13 O m´ todo tamb´ m funciona se fizermos: e e ∂g ∃ g : N(x, y) = ⇒ g(x, y) = N(x, y)dy + h(x), ∂y onde h(x) e a constante de integracao. Mais ainda: ´ ¸˜ ∂g ∂ = N(x, y)dy + h(x) = M(x, y) ∂x ∂x ou seja ∂ h′ (x) = M(x, y) − N(x, y)dy ··· ∂x Nota 14 A solucao da equacao diferencial exacta escreve-se sempre na forma ¸˜ ¸˜ g(x, y) = c. Exemplo 1.35 Resolva a seguinte equacao: ¸˜ (1 − sin x tan y) dx + cos x sec2 y dy = 0. (1.59) ¸˜ Resolucao: Seja M(x, y) = 1 − sin x tan y e N(x, y) = cos x sec2 y, temos: ∂M ∂N = − sin x sec2 y = , ∂y ∂n
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    ¸ ˜ 1.11. EQUACOESDIFERENCIAIS EXACTAS 55 ou seja, a equacao diferencial ´ exacta. ¸˜ e Temos ent˜o a que determinar g(x, y) que satisfaca este diferencial to- ¸ ∂g ∂g ∂g tal, i.e. = M(x, y) e = N(x, y). Mas se = M(x, y) ent˜o a ∂x ∂y ∂x g(x, y) = Mdx + h(y) = (1 − sin x tan y) dx + h(y) = x + cos x tan y + h(y). Facamos agora: ¸ ∂g ∂ = (x + cos x tan y + h(y)) = cos x sec2 y + h′ (y) = N(x, y) = cos x sec2 y ∂y ∂y donde h′ (y) = 0 ⇒ h(y) = c, c ´ uma constante. e Temos ent˜o: a x + cos x tan y = c. 1.11.1 ¸˜ ¸˜ ´ Obtencao de uma equacao diferencial exacta atraves ¸˜ da multiplicacao de um factor integrante As equacoes diferenciais s˜ o raras. Mas atrav´ s de uma transformacao simples, ¸˜ a e ¸˜ nomeadamente a multiplicacao por um factor integrante, e poss´vel transformar uma ¸˜ ´ ı equacao diferencial numa equacao diferencial exacta. ¸˜ ¸˜ Exemplo 1.36 Consideremos por exemplo (3x + 2y)dx + xdy = 0 que e n˜ o exacta. Mas se a multiplicarmos por x, obtemos: ´ a (3x2 + 2xy)dx + x2 dy = 0 que e uma equacao exacta. ´ ¸˜
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    56 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 P˜ e-se ent˜ o a seguinte quest˜ o: o a a Se a equacao ¸˜ M(x, y)dx + N(x, y)dy = 0 (1.60) e n˜ o exacta, em que condicoes existe um factor integrante µ (x, y) tal que ´ a ¸˜ µ M(x, y)dx + µ N(x, y)dy = 0 e exacta? ´ Surpreendentemente, a resposta e sempre que a equacao (1.60) tem uma solucao do ´ ¸˜ ¸˜ tipo g(x, y) = c. De forma a melhor vermos que isto e verdade, resolvemos (1.60) ´ dy em ordem a . Pela regra da cadeia, temos: dx ∂g ∂g dg = dx + dy = µ M(x, y)dx + µ N(x, y)dy = 0 ∂x ∂y donde dy M ∂ g/∂ x =− =− , dx N ∂ g/∂ y e temos: ∂ g/∂ x ∂ g/∂ y = = µ (x, y) M N e ent˜ o a ∂g ∂g µ (x, y)M ou µ (x, y)N, (1.61) ∂x ∂y e a equacao diferencial (1.60) tem pelo menos um factor integrante µ . ¸˜ A determinacao de factores integrantes n˜ o e em geral uma tarefa muito dif´cil. ¸˜ a ´ ı Apresentamos de seguida um procedimento que muitas vezes e bem sucedido. Ve- ´ jamos: A equacao (1.61) indica que µ M(x, y)dx + µ N(x, y)dy = 0 e exacta ent˜ o ¸˜ ´ a ∂M ∂ µ ∂ µM ∂ µN ∂N ∂µ µ +M = = =µ +N ∂y ∂y ∂y ∂x ∂x ∂x ou seja ∂M ∂µ ∂N ∂µ µ +M =µ +N ∂y ∂y ∂x ∂x
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    ¸ ˜ 1.11. EQUACOESDIFERENCIAIS EXACTAS 57 e ent˜ o a ∂M ∂N ∂µ ∂µ µ −µ =N −M ∂y ∂x ∂x ∂y o que e equivalente a ´ ∂M ∂N 1 ∂µ ∂µ − = N −M (1.62) ∂y ∂x µ ∂x ∂y Se o factor integrante depender somente de uma vari´ vel, por exemplo do x, a a equacao (1.62) fica: ¸˜ ∂ M/∂ y − ∂ N/∂ x 1 ∂µ = = k(x, y). N µ ∂x Como o lado esquerdo da equacao consiste de funcoes em x, k(x, y) deve ser tamb´ m ¸˜ ¸˜ e uma funcao s´ em x. Se este for o caso, ent˜ o (1.62) e uma equacao diferenci´ vel ¸˜ o a ´ ¸˜ a separ´ vel e determina-se ent˜ o o factor integrante: a a µ (x) = e k(x)dx . O mesmo acontece se µ for somente funcao de y. ¸˜ Exemplo 1.37 Resolva a equacao 3x2 − y2 dy − 2xydx = 0. ¸˜ ¸˜ Resolucao: Seja M = −2xy e N = 3x2 − y2 , ent˜o a ∂M ∂N = −2x e = 6x. ∂y ∂x Ent˜o a −4 ∂ M/∂ y − ∂ N/∂ x −4 dy k= = , e µ =e y = y−4 . −M y ¸˜ Multipliquemos a equacao diferencial pelo factor integrante: 3x2 − y2 y−4 dy − 2xy−3 dx = 0 ··· Ser´ que esta equacao ´ exacta? a ¸˜ e ¸˜ Pode calcular a sua solucao?
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    58 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 ¸˜ ´ 1.12 AplicacoesCircuitos electricos Vamos considerar circuitos el´ ctricos em s´ rie com uma resistˆ ncia, um condensa- e e e dor, uma inductˆ ncia e um gerador. Este tipo de circuitos e mostrado na Figura 1.9. a ´ R E(t) C i Figura 1.9: Exemplo de um circuito el´ ctrico simples. e Num circuito el´ ctrico, (C-RL), constitu´do por um gerador G que, em cada instante e ı t produz uma voltagem de E(t) volts (V) e uma corrente I(t) amp´ res (A), por uma e resistˆ ncia R ohms (Ω) e uma bobina que gera uma indutˆ ncia L henrys (H), tem-se e a que a diferenca de potencial nas extremidades da bobina e dada por: ¸ ´ dI VL (t) = L (t) (1.63) dt e a diferenca de potencial nas extremidades da resistˆ ncia e dada por: ¸ e ´ VR (t) = R I(t). (1.64) Ent˜ o, de acordo com uma das leis de Kirchhoff, a Lei da voltagem de Kirchhoff A soma alg´ brica das voltagens num circuito fechado e zero. e ´ quando for fechado o interruptor, obt´ m-se: e VL (t) +VR(t) = E(t), (1.65) ou seja dI L +R I = E (1.66) dt Se o circuito el´ trico, (C-RC), for constitu´do por um gerador G que, em cada e ı instante t produz uma voltagem de E(t) volts (V) e uma corrente I(t) amp´ res (A), e
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    ¸˜ ´ 1.12. APLICACOESCIRCUITOS ELECTRICOS 59 por uma resistˆ ncia R ohms (Ω) e um condensador (C) com capacitˆ ncia de C farads e a (F) e que gera uma carga de Q(t) coulombs, tem-se que a diferenca de potencial nas ¸ extremidades do condensador e dada por: ´ Q VC (t) = . (1.67) C dQ Tendo em conta que I = , de acordo com a lei da voltagem de Kirchhoff, quando dt for fechado o interruptor, obt´ m-se: e VC (t) +VR(t) = E(t), (1.68) ou seja: dQ Q R + = E(t). (1.69) dt C Exerc´cio 9 ı 1. Suponha que num circuito el´ trico (C-RC) a resistˆ ncia e e e ´ de 5 Ω, a capacitˆ ncia de 0.05 F e o gerador fornece uma voltagem constante a de 60 V. (a) Escreva uma equacao diferencial que descreva a variacao da carga no ¸˜ ¸˜ circuito ao longo do tempo e resolva-a. (b) Se a carga inicial for Q(0) = 0 C, determine o seu valor passados 2 s. 2. Suponha que num circuito el´ trico (C-RL) a resistˆ ncia e de 5 Ω, a indutˆ ncia e e ´ a de 4 H e o gerador fornece uma voltagem constante de 60 V. (a) Escreva uma equacao diferencial que descreva a variacao da corrente ¸˜ ¸˜ no circuito ao longo do tempo e resolva-a. (b) Se a intensidade inicial for I(0) = 0 A, determine o seu valor passados 10 s.
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    60 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 ¸˜ 1.13 Consideracoes finais Antes de iniciarmos propriamente o nosso estudo sobre a determinacao da solucao ¸˜ ¸˜ de uma ED, algumas consideracoes se imp˜ em: ¸˜ o 1. Dada uma ED, dever´ sempre comecar-se por investigar se essa ED tem ou a ¸ n˜ o solucao. Para quˆ desperdicar tempo a determinar uma coisa que nem a ¸˜ e ¸ sequer existe? A esta quest˜ o chama-se quest˜ o da existˆ ncia de solucao. a a e ¸˜ 2. Depois de termos a certeza que a ED tem de facto solucao a pr´ xima quest˜ o ¸˜ o a que se p˜ e e a quest˜ o da unicidade, i.e., quantas solucoes existem? Podemos o ´ a ¸˜ ainda perguntar quais/quantas s˜ o as condicoes adicionais que devemos impor a ¸˜ a ED de forma a garantir a existˆ ncia de uma solucao unica. ` e ¸˜ ´ 3. Finalmente, tentamos determinar uma solucao da ED. Nem sempre e poss´vel ¸˜ ´ ı obter uma resposta para esta quest˜ o, i.e., uma solucao anal´tica para a ED, e a ¸˜ ı muitos s˜ o os casos em que temos de recorrer ao estudo qualitativo da solucao a ¸˜ ou em que temos que contentarmos com uma solucao aproximada para o pro- ¸˜ blema, obtida atrav´ s de t´ cnicas num´ ricas. e e e 1.14 Exerc´cios ı 1. Classifique cada uma das seguintes equacoes diferenciais, relativamente a sua ¸˜ ` ordem, tipo e se e linear ou n˜ o linear. ´ a 4 d3x dx (a) (1 − x) y′′ − 4xy′ + 5y = cosx; (b) t −2 + x = 0; dt 3 dt (c) xx′ + 2x = 1 + t 2; (d) t 2 dx + (x − tx − tet ) dt = 0; d2x (e) x3 y(4) − x2 y′′ + 4xy′ − 3y = 0; (f) + 9x = sin x; dt 2 2 dx d 2x d2r k (g) = 1+ ; (h) = − 2; dt dt 2 dt 2 r (i) (sint) x′′′ − (cost) x′ = 2; (j) 1 − y2 dx + xdy = 0.
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    ´ 1.14. EXERCICIOS 61 2. Para cada um dos seguintes problemas, verifique que a funcao indicada e ¸˜ ´ solucao da respectiva equacao diferencial. ¸˜ ¸˜ x (a) 2y′ + y = 0, y = e− 2 ; (b) x′ + 4x = 32, x = 8; dx (c) − 2x = e3t , x = e3t + 10e2t ; dt (d) y′ = 25 + y2 , y = 5 tan 5x; dx x √ 2 (e) = , x= t + c1 ,t > 0, c1 > 0; dt t (f) 2xydx + x2 + 2y dy = 0, x2 y + y2 = c1 ; (g) y = 2xy′ + y (y′ )2 , 1 y2 = c1 x + 4 c1 ; (h) x′ = 2 |x|, x = t|t|; 2 t τ2 −t 2 ; (i) x′ + 2tx = 1, x = e−t 0 e d τ + c1 e (j) y′′ − 6y′ + 13y = 0, y = e3x cos 2x; d2x dx (k) 2 − 4 + 4x = 0, x = e2t + te2t ; dt dt (l) x′′ = x, x = cosht + sinht; (m) x′′ + x = tant, x = − cost ln(sect + tant); (n) x′′ + (x′ )2 = 0, x = ln |x + c1 | + c2 , x = c1 ; (o) x2 y′′ − xy′ + 2y = 0, y = x cos(ln x), x > 0; 3 2 (p) t 3 d x + 2t 2 d x − t dx + x = 12t 2 , x = c t + c t lnt + 4t 2 ,t > 0. 1 2 dt 3 dt 2 dt 3. Verifique se a funcao por ramos indicada, e solucao da respectiva equacao ¸˜ ´ ¸˜ ¸˜ diferencial.   −t 2 , t < 0 (a) tx′ − 2x = 0; x = ;  t 2, t≥0   0, t < 0 (b) (x′ )2 = 9tx; x = .  t 3, t ≥ 0 1 + ce2x 4. Seja y = a fam´lia de solucoes, de um parˆ metro, da equacao diferen- ı ¸˜ a ¸˜ 1 − ce2x cial y′ = y2 − 1. Por inspeccao, determine a solucao singular desta equacao. ¸˜ ¸˜ ¸˜
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    62 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 √ √ 5. Sejam y1 = 4 − x2 e y2 = − 4 − x2 solucoes da equacao diferencial ¸˜ ¸˜ dy x =− , dx y no intervalo (−2, 2). Justifique porque  √  4 − x2 , −2 < x < 0 y= √  − 4 − x2 , 0 ≤ x < 2 n˜ o e solucao. a ´ ¸˜ 6. Determine valores de m para os quais x = emt e solucao da equacao diferencial ´ ¸˜ ¸˜ (a) x′′ − 5x′ + 6x = 0; (b) x′′ + 10x′ + 25x = 0. 7. Determine valores de m para os quais x = t m e solucao da equacao diferencial ´ ¸˜ ¸˜ (a) t 2 x′′ − x = 0; (b) t 2x′′ + 6tx′ + 4x = 0. dy 8. Suponha uma regi˜ o do plano–xy onde a equacao diferencial a ¸˜ = y(a − by), dx com a, b s˜ o constantes positivas, esteja definida. a (a) Por inspeccao determine duas solucoes constantes da equacao. ¸˜ ¸˜ ¸˜ (b) Usando simplesmente a equacao diferencial, determine intervalos no ¸˜ eixo–y para os quais a solucao y = φ (x), n˜ o constante, cresce; bem ¸˜ a como decresce. a (c) Usando somente a equacao diferencial, explique porque e y = ¸˜ ´ um 2b ponto de inflex˜ o do gr´ fico da solucao n˜ o constante y = φ (x). a a ¸˜ a 9. Determine uma regi˜ o do plano–xy na qual a equacao diferencial tenha uma a ¸˜ solucao unica, que passe por (x0 , y0 ), nessa mesma regi˜ o. ¸˜ ´ a dy 2 dy √ dy (a) = y3 ; (b) = xy; (c) x = y; dx dx dx dy dy y (d) − y = x; (e) 4 − y2 y′ = x2 ; (f) = (t − 1)e t−1 ; dx dt dx 3 cos x. (g) =t dt
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    ´ 1.14. EXERCICIOS 63 10. Determine, por inspeccao, pelo menos 2 solucoes do PVI  ¸˜  ¸˜  x′ = 3x 32 dx  t = 2x (a) ; (b) dt .  x(0) = 0  x(0) = 0 11. Verifique se o Teorema da existˆ ncia e unicidade garante a existˆ ncia de uma e e dy solucao unica para a equacao diferencial ¸˜ ´ ¸˜ = y2 − 9 em cada ponto dado; dx (a) (1,4); (b) (5,3); (c) (2,-3); (d) (-1,1). 12. Considere-se a equacao diferencial y′ = 1 + y2 . ¸˜ (a) Determine a regi˜ o R do plano–xOy para a qual a equacao diferencial a ¸˜ tenha uma solucao unica. ¸˜ ´ (b) Mostre que y = tan x satisfaz a equacao diferencial e a condicao y(0) = ¸˜ ¸˜ 0. (c) Determine o maior intervalo I para o qual y = tan x e solucao do PVI. ´ ¸˜ 13. (a) Verifique que a equacao diferencial y′ = y2 possui uma unica solucao ¸˜ ´ ¸˜ que passa no ponto (x0 , y0 ). (b) Use um software para resolucao de equacoes diferenciais (por exemplo o ¸˜ ¸˜ Scilab) para obter a representacao gr´ fica da solucao que passa por cada ¸˜ a ¸˜ um dos pontos: (0, 0), (0, 2), (1, 3), (−2, 4), (−2, −4), (0, −1.5), (1, −1). (c) Use os gr´ ficos obtidos em (b) de forma a conjecturar sobre o maior a intervalo I de validade da solucao para cada um dos problemas de valor ¸˜ inicial. 14. (a) Considere a equacao diferencial y′ = x/y. Determine a regi˜ o R do plano– ¸˜ a xOy para a qual a equacao possui uma solucao unica que passe por ¸˜ ¸˜ ´ (x0 , y0 ) ∈ R. (b) Use um software para resolucao de equacoes (por exemplo o Scilab) ¸˜ ¸˜ para obter a representacao gr´ fica de diferentes PVI para (x0 , y0 ) ∈ R. ¸˜ a
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    64 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 (c) Usando os resultados obtidos em (b), conjecture sobre a fam´lia de solucoes, ı ¸˜ de um s´ parˆ metro, da equacao diferencial. o a ¸˜ ˜ ˜ 15. Esboce o campo de direcA§Aes de cada uma das seguintes EDs: dy dy (a) = xy; (b) = 1 − xy; dx dx dy dy (c) x = x; (d) = y + x; dx dx dy dy 1 (e) y = −x; (f) = ; dx dt y dx dy (g) = 0.2t 2 + x; (h) = xey ; dt dt dx π dy y (i) = x − cos t; (j) = 1− ; dt 2 dt x dy (l) y = x. dx ¸˜ Equacoes Diferenciais Ordin´ rias de ordem–1 a ¸˜ Equacoes diferenciais de vari´ veis separ´ veis a a 1. Mostre que cada uma das equacoes diferenciais seguintes e de vari´ veis se- ¸˜ ´ a par´ veis e resolva-as. a (a) xe−y sin x − yy′ = 0; (b) y′ = y2 x3 ; 1 + 2y2 (c) sec2 x dy + csc y dx = 0; (d) x′ = ; y sin x dy dy (e) = sin x cos 2y − cos2 y ; (f) = xy1/2 ; dx dx dy (g) = y2 − 9; (h) dy = 2t y2 + 4 dt; dx dx t (i) (1 + x)dy − ydx = 0; (j) =− ; dt x (k) xy4 dx + (y2 + 2)e−3x dy = 0; (l) (1 + y2 )dx + (1 + x2 )dy = 0. 2. Determine a solucao de cada um dos seguintes problemas de valores iniciais: ¸˜ dx π (a) = 4 x2 + 1 , x 4 = 1; dy
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    ´ 1.14. EXERCICIOS 65 (b) 1 + t 4 dy + t 1 + 4y2 dt = 0, y (1) = 0; (c) (e−y + 1) sin x dx = (1 + cos x) dy, y (0) = 0. 3. Para cada um dos seguintes casos, determine a funcao y cujo gr´ fico contenha ¸˜ a o ponto indicado: dy 1 (a) − y2 = −9, P = (0, 0), Q = (0, 1), R = 3 , 1 ; dx dy (b) x = y2 − y, P = (1, 2), Q = (1, −1), R = 1 , 2 . 2 1 dx dx 4. Uma ED da forma = f (at + bx + c), b = 0 pode sempre reduzir-se a uma dt equacao de vari´ veis separ´ veis, atrav´ s da substituicao u = at + bx + c. ¸˜ a a e ¸˜ dx 1 (a) = ; dt t +x+1 dy (b) = (x + y + 1)2 ; dx dx 1 − t − x (c) = ; dt t +x dx √ (d) = 2 + x − 2t + 3; dt dx (e) = 1 + ex−t+5 . dt ¸˜ Equacoes diferencias homog´ neas e 1. Verifique a homogeneidade das seguintes funcoes: ¸˜ √ (a) f (t, x) = t 3 + x3 ; (b) f (t, x) = x2 + y2 + 1; t (c) f (t, x) = + 4; (d) f (t, x) = 6t 3 − t 2 x2 ; 2x (e) f (t, x) = t 2 − y; (f) f (t, x) = t 2 + 3tx + x2 ; 2. Usando uma substituicao adequada, resolva as seguintes ED homog´ neas: ¸˜ e (a) (t − x)dt + tdx = 0; (b) tdt + (x − 2t)dx = 0;
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    66 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 (c) (x2 + xt)dt − t 2dx = 0; dx t + 3x (d) = ; dt 3t + x √ (e) −xdt + (t + tx)dx = 0; dx √ (f) t − x = t 2 + x2 . dt 3. Resolva cada uma das seguinte ED homog´ nea, sujeitas a condicao inicial e ` ¸˜ indicada. dx (a) tx2 = x3 − t 3 , x(1) = 2; dt x x (b) t + xe t dt − te t dx = 0, x(1) = 0; (c) xdt + t(lnt − ln x − 1)dx = 0, x(1) = e; dt (d) (t 2 + 2x2 ) = tx, x(−1) = 1. dy ¸˜ Equacoes diferenciais lineares 1. Determine a solucao das equacoes diferenciais seguintes: ¸˜ ¸˜ dy (a) + y cot x = 2 cos x; dx (b) y′ + 3x2 y = x2 ; (c) xy′ + (1 + x) y = e−x sin (2x); (d) cos2 x sin x dy + y cos3 x − 1 dx = 0; dy 1 − e−2x (e) +y = x ; dx e + e−x dr 4 (f) + r = θ 4; dθ θ (g) y′ = (10 − y) cosh x; dx (h) + 2tx = x + 4t − 2. dt 2. Resolva cada um dos seguintes problemas de condicoes iniciais: ¸˜
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    ´ 1.14. EXERCICIOS 67 (a) y′ = 2y + x e3x − e2x , y (0) = 2; dy (b) (x + 1) + y = ln x, y (1) = 10; dx (c) y′ + (tan x) y = cos2 x, y (0) = −1;  dy  x, 0 ≤ x < 1 (d) 1 + x2 + 2xy = f (x), f (x) = , y (0) = 0; dx  −x, x ≥ 1 dT (e) = k (T − 50), T (0) = 200 (k e uma constante real). ´ dt ¸˜ Equacoes diferenciais de Bernoulli 1. Considere a equacao diferencial de Bernoulli ¸˜ y′ + a (x) y = b (x) yk , (1.70) (a) Mostre que existe uma substituicao da forma z = yl que transforma a ¸˜ equacao (1.70), com k = 0, 1, numa equacao diferencial linear; ¸˜ ¸˜ y (b) Resolva a equacao diferencial y′ + 3x = − 3 y4 . ¸˜ x 2. Mostre que cada uma das equacoes diferenciais seguintes e de Bernoulli e ¸˜ ´ resolva-as. 1 (a) 3y′ + y = ; y2 (b) y′ + xy = xy2 ; 3 1 (c) y′ − y = x4 y 3 ; x 2 (d) y′ + 2xy = 2y2 ex ; (e) 2y′ sint + y cost = y3 sin2 t; x cos y (f) 2x′ ln y + = ; y x (g) ty′ + y = y2 lnt. 3. Determine a solucao de cada um dos seguintes problemas de valores iniciais: ¸˜
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    68 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 (a) 3y′ = (3 − 6t)y4 − y, y (0) = 1; (b) xy′ + y = x2 y2 , y (1) = 1. ¸˜ Equacoes diferenciais de Riccati 1. Considere a equacao diferencial de Riccati ¸˜ y′ = a (x) y2 + b (x) y + c (x) (1.71) e suponha conhecida uma solucao particular y1 . ¸˜ (a) Mostre que a substituicao y = y1 + u transforma a equacao (1.71) numa ¸˜ ¸˜ equacao diferencial linear; ¸˜ (b) Resolva a equacao diferencial y′ = y2 + (1 − 2x) y + x2 − x + 1 , sa- ¸˜ bendo que y = x e solucao. ´ ¸˜ 2. Determine a solucao de cada uma das seguintes equacoes diferenciais de Ric- ¸˜ ¸˜ cati, sendo dada uma das suas solucoes particulares: ¸˜ (a) y′ − y2 + 2ex y = e2x + ex , y1 = ex ; (b) y′ + y2 − 2y sin x + sin2 x = cos x, y1 = sin x; (c) e−x y′ + y2 − 2ex y = 1 − e2x , y1 = ex ; (d) xy′ − y2 + (2x + 1) y = x2 + 2x, y1 = x. ¸˜ Equacoes exactas 1. Determine se cada uma das seguintes equacoes e exacta. Resolva-a em caso ¸˜ ´ afirmativo. (a) (2t − 1) dt + (3x + 7) dx = 0; (b) (sin x − x sint) dt + (cost + t cos x − x) dx = 0; 1 dx x (c) 2x − + cos 3t + − 4t 3 + 3x sin 3t = 0; t dt t 2
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    ´ 1.14. EXERCICIOS 69 (d) (t + x) (t − x) dt + t (t − 2x) dx = 0; (e) 3t 2 x + ex dt + t 3 + tex − 2x dx = 0; 3 3 (f) 1 − + x dt + 1 − + t dx = 0; t x 2 2 (g) 2x sint cost − x + 2x2 etx dt = t − sin2 t − 4txetx dx = 0. 2. Determine a solucao de cada uma das seguintes equacoes diferenciais sujeitas ¸˜ ¸˜ a respectiva condicao inicial. ` ¸˜ (a) (t + x)2 dt + 2tx + t 2 − 1 dx = 0, x(1) = 1; (b) (et + x) dt + (2 + t + xex ) dx = 0, x(0) = 1; (c) (4x + 2t − 5) dt + (6x + 4t − 1) dx = 0, x(−1) = 2; 3x2 − t 2 dx t (d) + 4 = 0, x(1) = 1; x5 dt 2x (e) x2 cost − 3t 2 x − 2t dt + 2x sint − t 3 + ln x dx = 0, x(0) = e; 1 dx (f) + cost − 2xt = x (x + sint) , x(0) = 1. 1 + x2 dt 3. Para cada uma das seguintes equacoes diferenciais, determine k de tal forma ¸˜ que a ED seja exacta. (a) x3 + ktx4 − 2t dt + 3tx2 + 20t 2 x3 dx = 0; (b) 2t − x sintx + kx4 dt − 20tx3 + t sintx dx = 0; (c) 2tx2 + xet dt + 2t 2 x + ket − 1 dx = 0; (d) 6tx3 + cos x dt + kt 2x2 − t sin x dx = 0. 4. Determine uma funcao M(t, x), de tal forma que a ED ¸˜ 1 M(t, x)dt + tetx + 2tx + dx = 0 t seja exacta.
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    70 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 5. Determine a funcao N(t, x), de tal forma que a a ED ¸˜ 1 1 t x 2 t−2 + dt + N(t, x)dx = 0 t2 + x seja exacta. 6. Por vezes e poss´vel transformar uma ED n˜ o exacta numa ED exacta, atrav´ s ´ ı a e da multiplicacao dessa equacao por um factor integrante µ (t, x). Para os se- ¸˜ ¸˜ guintes problemas, resolva a ED indicada utilizando o factor integrante suge- rido. (a) 6txdt + (4x + 9t 2 )dx = 0, µ (t, x) = x2 ; 1 (b) −x2 dt + (t 2 + tx)dx = 0, µ (t, x) = ; t 2x (c) (−tx sint + 2x cost)dt + 2t costdx = 0, µ (t, x) = tx; (d) x(t + x + 1)dt + (t + 2x)dx = 0, µ (t, x) = ex .
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    ´ 1.14. EXERCICIOS 71 ¸˜ ¸˜ Aplicacoes das equacoes diferencias de ordem—1 Crescimento demogr´ fico a O modelo de Malthus O modelo matem´ tico mais simples para descrever o crescimento populaci- a onal de algumas esp´ cies e conhecido por modelo de crescimento populaci- e ´ onal ou de Malthus. Este modelo assume que uma populacao cresce a uma ¸˜ taxa proporcional ao tamanho da populacao presente. Se P(t) representa o ¸˜ n´ mero de indiv´duos de uma determinada esp´ cie no instante t, ent˜ o um u ı e a esta situacao pode ser descrita pela equacao diferencial: ¸˜ ¸˜ dP (t) = KP(t) (1.72) dt onde K e a constante de proporcionalidade. ´ 1. O n´ mero inicial de bact´ rias numa cultura e 600 e aumenta para 1 800 u e ´ em duas horas. A taxa de variacao do n´ mero de bact´ rias e directa- ¸˜ u e ´ mente proporcional ao n´ mero de bact´ rias presente. u e (a) Determine o n´ mero de bact´ rias ao fim de 4 horas. u e (b) Quanto tempo demorar´ a populacao a atingir 48 600? a ¸˜ 2. No seu anivers´ rio, o Jo˜ o recebeu um formigueiro onde o n´ mero de a a u formigas cresce a uma taxa proporcional ao n´ mero de formigas exis- u tentes em cada instante. Passadas 10 horas, o n´ mero de formigas tinha u duplicado. Quanto tempo demorar´ at´ ue o n´ mero de formigas tenha a e u quadriplicado? Modelo Log´stico ou de Verhulst ı A equacao diferencial (1.72) e apropriada a modelacao do crescimento de ¸˜ ´ ` ¸˜ uma populacao, mas s´ em condicoes ideais. ¸˜ o ¸˜ Um modelo mais realista deve ter em conta que, num determinado ambiente, os recursos s˜ o limitados e portanto s´ h´ capacidade para um certo n´ mero a o a u
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    72 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 de indiv´duos, L, que se designa por capacidade de suporte. Segundo este ı modelo, inicialmente a populacao cresce exponencialmente, mas o n´ mero ¸˜ u de indiv´duos tende a estabilizar quando se aproxima a sua capacidade de ı suporte L. Considera-se ent˜ o a seguinte equacao diferencial a ¸˜ dP P (t) = KP 1 − , (1.73) dt L onde K e a constante de proporcionalidade, e P(t) designa o n´ mero de in- ´ u div´duos da populacao em cada instante. ı ¸˜ 1. (a) Mostre que se P satisfaz a equacao log´stica (1.73), ent˜ o ¸˜ ı a d2P P 2P 2 = K 2P 1 − 1− . (1.74) dt L L (b) Deduza que a populacao cresce mais rapidamente quando atinge ¸˜ um n´ mero de indiv´duos igual a metade da capacidade de suporte u ı L. 2. Uma equipa de bi´ logos colocou num lago 400 peixes de uma esp´ cie o e com capacidade de suporte de 10 000. Ao fim do primeiro ano o n´ mero u de peixes triplicou. (a) Admitindo que o n´ mero de peixes cresce de acordo com o modelo u log´stico, determine o tamanho da populacao passados t anos. ı ¸˜ (b) Quanto tempo ser´ necess´ rio para que a populacao aumente para a a ¸˜ 5 000? ¸˜ Propagacao de doenca ¸ Na propagacao de uma doenca contagiosa, por exemplo o v´rus da gripe, e ¸˜ ¸ ı ´ razo´ vel admitir a taxa de propagacao proporcional ao produto de atingidos a ¸˜ pela doenca x(t) pelo n´ mero dos n˜ o atingidos y(t): ¸ u a dx = Kxy (1.75) dt
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    ´ 1.14. EXERCICIOS 73 1. A propagacao de um boato pode ser modelada da seguinte forma: a taxa ¸˜ de propagacao e proporcional ao produto da parte da populacao que j´ ¸˜ ´ ¸˜ a ouviu o boato pela parte que ainda n˜ o ouviu. a (a) Escreva uma equacao diferencial que modele esta situacao, e deter- ¸˜ ¸˜ mine a sua solucao. ¸˜ ´ (b) Uma aldeia tem 1 000 habitantes. As 8 horas, 80 pessoas tinham ouvido o boato, e ao meio-dia metade da aldeia. A que horas 80% da populacao ter´ ouvido o boato? ¸˜ a 2. Um estudante, portador do v´rus da gripe, regressa ao col´ gio com mais ı e 1 000 alunos. Suponha que o col´ gio est´ completamente isolado e e a que o v´rus se propaga a uma taxa proporcional, n˜ o apenas ao n´ mero ı a u infectados, I, mas tamb´ m ao n´ mero de alunos n˜ o infectados. e u a (a) Determine o n´ mero de infectados ap´ s 6 dias, sabendo que passa- u o dos 4 dias eles j´ s˜ o 50. a a (b) Calcule o valor limite de I(t). Problemas de aquecimento e arrefecimento Lei do arrefecimento de Newton A velocidade de arrefecimento de um corpo, num ambiente de temperatura constante, Tm , e proporcional a diferenca entre a sua temperatura em cada ´ ` ¸ instante, T, e a temperatura do meio ambiente: ˙ T = K (T − Tm ) . (1.76) 1. Um objecto met´ lico a temperatura de 100o C e mergulhado em agua. a ` ´ ´ Ao fim de cinco minutos a temperatura do objecto desceu para 60o C. Determine o instante em que a temperatura do objecto e de 31o C, sa- ´ bendo que a agua e mantida a 30o C. ´ ´
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    74 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 2. Ao meio-dia o Dr. Poiares chega a cena do crime e depara-se com um ` detective a tapar o corpo assassinado. ”Doutor, precisamos de saber a que horas foi cometido o crime.“—diz imediatamente o detective. O Dr. Poiares repara que o ar condicionado estava ligado a temperatura de 20o ` C, e mede a temperatura do corppo: 34o C. ”N˜ o mexam nem no corp a nem no ar condicionado, que eu j´ volto”—grita o Dr. Poiares, para que a todos possam ouvi-lo. Passada 1 hora, ele verifica que a temperatura do corpo tinha descido para 33.7o C. A que horas foi o crime cometido? (Nota: Assume-se a temperatura do corpo, em vida, como sendo 37o C.) ¸˜ Desintegracao radioactiva As substˆ ncias radioactivas desintegram-se por emiss˜ o expontˆ nea de radiacao. a a a ¸˜ Factos experimentais mostram que a taxa de desintegracao e proporcional a ¸˜ ´ ` quantidade de substˆ ncia presente. a Se Q = Q(t) e a quantidade de uma substˆ ncia radioactiva existente no ins- ´ a tante t, ent˜ o o processo de desintegracao pode ser descrito pela seguinte a ¸˜ equacao diferencial ¸˜ dQ (t) = KQ(t), (1.77) dt onde K e a constante de proporcionalidade, que sabemos ser bem definida sob ´ o ponto de vista f´sico. ı A meia-vida de uma substˆ ncia radioactiva e o tempo necess´ rio para uma a ´ a quantidade inicial dessa substˆ ncia , Q0 = Q(0), por desintegracao, se reduzir a ¸˜ a metade. 1. A meia-vida do r´ dio e de 1590 anos. Determine a percentagem de a ´ massa de r´ dio que se desintegra ao fim de 100 anos. a 1 2. Descobriu-se um osso fossilizado com da quantidade inicial de 1 000 carbono 14. Sabendo que a meia-vida do carbono 14 e de 5 600 anos, ´ determine a idade do f´ ssil. o
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    ´ 1.14. EXERCICIOS 75 3. Ap´ s 3 dias, uma amostra de rad˜ o–222 reduziu-se, por desintegracao, o a ¸˜ para 58% da quantidade original. (a) Determine a meia-vida do rad˜ o–222. a (b) Determine o tempo necess´ rio para que a amostra se reduza a 10% a da quantidade original. Problemas geom´ tricos Determine uma EDO satisfeita por uma fam´lia de e ı curvas que tem a propriedade de a recta tangente a curva no ponto (x, y) ser ` perpendicular a recta que pasa por esse ponto e pela origem das coordenadas. ` Trajectorias ortogonais Uma curva que intersecta ortogonalmente cada elemento de uma fam´lia de ı curvas, diz-se uma traject´ ria ortogonal a dita fam´lia. o ` ı 1. Suponhamos que a fam´lia de curvas e definida pela relacao: ı ´ ¸˜ y = f (x) + c, c ∈ ℜ, (1.78) onde f e funcao real de vari´ vel real, diferenci´ vel. Determine uma ´ ¸˜ a a EDO a que est˜ o sujeitas as traject´ rias ortogonais desta fam´lia. a o ı 2. Determine as traject´ rias ortogonais das seguintes fam´lias de curvas: o ı (a) y = Kx2 (b) y = (x + k)−1 (c) x2 − y2 = k (d) y = ke−x . Circuitos el´ ctricos Num circuito el´ ctrico, (C-RL), constitu´do por um ge- e e ı rador G que, em cada instante t produz uma voltagem de E(t) volts (V) e uma corrente I(t) amp´ res (A), por uma resistˆ ncia R ohms (Ω) e uma bobina que e e gera uma indutˆ ncia L henrys (H), tem-se que a diferenca de potencial nas a ¸ extremidades da bobina e dada por: ´ dI VL (t) = L (t) (1.79) dt
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    76 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1 e a diferenca de potencial nas extremidades da resistˆ ncia e dada por: ¸ e ´ VR (t) = R I(t). (1.80) Ent˜ o, de acordo com uma das leis de Kirchhoff, quando for fechado o inter- a ruptor, obt´ m-se: e VL (t) +VR(t) = E(t), (1.81) ou seja dI L +R I = E (1.82) dt Se o circuito el´ trico, (C-RC), for constitu´do por um gerador G que, em e ı cada instante t produz uma voltagem de E(t) volts (V) e uma corrente I(t) amp´ res (A), por uma resistˆ ncia R ohms (Ω) e um condensador (C) com e e capacitˆ ncia de C farads (F) e que gera uma carga de Q(t) coulombs, tem-se a que a diferenca de potencial nas extremidades do condensador e dada por: ¸ ´ Q VC (t) = . (1.83) C dQ Tendo em conta que I = , de acordo com uma das leis de Kirchhoff, dt quando for fechado o interruptor, obt´ m-se: e VC (t) +VR(t) = E(t), (1.84) ou seja: dQ Q R + = E(t). (1.85) dt C 1. Suponha que num circuito el´ trico (C-RC) a resistˆ ncia e de 5 Ω, a e e ´ capacitˆ ncia de 0.05 F e o gerador fornece uma voltagem constante de a 60 V. (a) Escreva uma equacao diferencial que descreva a variacao da carga ¸˜ ¸˜ no circuito ao longo do tempo e resolva-a. (b) Se a carga inicial for Q(0) = 0 C, determine o seu valor passados 2 s.
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    ´ 1.14. EXERCICIOS 77 2. Suponha que num circuito el´ trico (C-RL) a resistˆ ncia e de 5 Ω, a e e ´ indutˆ ncia de 4 H e o gerador fornece uma voltagem constante de 60 V. a (a) Escreva uma equacao diferencial que descreva a variacao da cor- ¸˜ ¸˜ rente no ciruito ao longo do tempo e resolva-a. (b) Se a intensidade inicial for I(0) = 0 A, determine o seu valor pas- sados 10 s.
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    78 ´ CAPITULO 1. ED DE ORDEM–1
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    Cap´tulo 2 ı ¸˜ Equacoes diferenciais de segunda ordem e de ordem superior Como j´ nos apercebemos, n˜ o existe um procedimento geral para resolver equacoes a a ¸˜ diferenciais, mesmo de primeira ordem. Mas existem m´ todos sistem´ ticos que nos e a permitem obter a solucao de determinadas classes de equacoes diferenciais, como ¸˜ ¸˜ por exemplo a classe das equacoes diferenciais lineares. Neste cap´tulo, vamos estu- ¸˜ ı dar a teoria da equacoes diferenciais lineares. Comecemos por relembrar a definicao ¸˜ ¸˜ de equacao linear dada na Seccao 1.6. ¸˜ ¸˜ Aquando da discuss˜ o da equacao diferencial de primeira ordem a ¸˜ y′ (x) + a(x)y(x) = g(x), vimos que esta equacao tem um n´ mero infinito de solucoes, dado a sua solucao ¸˜ u ¸˜ ¸˜ geral envolver uma constante arbitr´ ria. Esta constante arbitr´ ria pode ser determi- a a nada atrav´ s de uma condicao adicional y(x0 ) = y0 , como vimos nos v´ rios exem- e ¸˜ a plos dessa mesma seccao. Atrav´ s do Teorema 5, sabemos que sempre que a(x) e ¸˜ e 79
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    80 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR g(x) s˜ o funcoes cont´nuas, a solucao do PVI e unica. Podemos resumir estas ideias a ¸˜ ı ¸˜ ´´ da seguinte forma: Se a(x) e g(x) s˜ o funcoes cont´nuas, ent˜ o a equacao a ¸˜ ı a ¸˜ y′ (x) + a(x)y(x) = g(x) tem uma e uma s´ solucao que satisfaz a condicao inicial y(x0 ) = y0 . o ¸˜ ¸˜ Este e um resultado muito util dado que facilmente nos permite concluir que, uma ´ ´ vez obedecendo a condicoes de continuidade, toda a equacao diferencial de primeira ¸˜ ¸˜ ordem associada a uma condicao inicial tem solucao unica. Falta agora determinar ¸˜ ¸˜ ´ essa mesma solucao. M˜ os ao trabalho, ent˜ o! ¸˜ a a Acontece que esta agrad´ vel propriedade continua a ser v´ lida para equacoes di- a a ¸˜ ferenciais lineares de segunda ordem ou superior, residindo a unica diferenca no ´ ¸ n´ mero de condicoes a especificar. Por exemplo para uma equacao de ordem dois, u ¸˜ ¸˜ temos de especificar duas condicoes: ¸˜ Se a(x), b(x) e g(x) s˜ o funcoes cont´nuas, ent˜ o a equacao a ¸˜ ı a ¸˜ y′′ (x) + a(x)y′ (x) + b(x)y(x) = g(x) (2.1) tem uma e uma s´ solucao que satisfaz a condicao inicial o ¸˜ ¸˜ y(x0 ) = y0 , y′ (x0 ) = y1 , para quaisquer n´ meros reais x0 , y0 e y1 . u Vejamos de seguida a generalizacao do Teorema 5 para equacoes diferenciais de ¸˜ ¸˜ ordem –2 ou superior. ˆ ¸˜ Teorema 7 (Existencia/Unicidade de solucao para PVI) Sejam a0 (x), a1 (x), . . ., an−1 (x) e g(x) funcoes cont´nuas num intervalo I, centrado em ¸˜ ı
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    81 x0 ∈ Ie c1 , c2 , . . . , cn constantes dadas. Ent˜ o existe uma unica solucao y(x), x ∈ I, a ´ ¸˜ que satisfaz a equacao diferencial ¸˜ d ny d n−1 y dy n + an−1 (x) n−1 + · · · + a1 (x) + a0 (x)y = g(x), dx dx dx no intervalo I, bem como as n condicoes iniciais ¸˜ y(x0 ) = c0 , y′ (x0 ) = c1 , y′′ (x0 ) = c2 , . . . , y(n−1) (x0 ) = cn . A demonstracao deste teorema pode ser encontrada em v´ rios textos cl´ ssicos. Ver ¸˜ a a por exemplo (Grossman & Derrick, 1988). Exemplo 2.1 3y′′′ + 5y′′ − y′ + 7y = 0 y(1) = 0 y′ (1) = 0 y′′ (1) = 0 Claramente y = 0 e solucao trivial do PVI. Atendendo ao Teorema 7, esta solucao ´ ¸˜ ¸˜ e a unica solucao do PVI em qualquer intervalo contendo x0 = 1. ´ ´ ¸˜ Exemplo 2.2 Seja y = 3e2x + e−2x − 3x uma solucao do seguinte PVI: ¸˜   y′′ − 4y = 12x    y(0) = 4    ′  y (0) = 1 Uma vez que a1 (x) = 0, a0 (x) = −4 e g(x) = 12x s˜ o cont´nuas, podemos afirmar a ı que esta solucao e unica. ¸˜ ´ ´ Exemplo 2.3 Consideremos o seguinte PVI:   x2 y′′ − 2xy′ + 2y = 6    y(0) = 3    ′  y (0) = 1
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    82 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Podemos verificar que a funcao y = cx2 + x + 3 e uma solucao deste PVI em no ¸˜ ´ ¸˜ intervalo (−∞, ∞) , qualquer que seja o valor do parˆ metro real c. (Verifique!) a Sendo assim, conclu´mos que este PVI admite uma infinidade de solucoes, o que nos ı ¸˜ conduz a quest˜ o: “Porque motivo n˜ o podemos usar o Teorema 7 neste caso?” ` a a Observemos que a2 (x) = x2 toma o valor zero quando x = 0 e 0 ∈ (−∞, ∞) e precisa- ´ mente o valor x0 das condicoes iniciais. Deste modo, n˜ o s˜ o reunidas as condicoes ¸˜ a a ¸˜ do Teorema 7. Atencao que o Teorema 7 e uma condicao suficiente que se aplica somente a PVI ¸˜ ´ ¸˜ e nunca a problemas de valor de fronteira (PVF). Ou seja, quando se trata de um PVF nada se pode concluir ainda que as condicoes do Teorema 7 sejam verificadas. ¸˜ Vejamos os seguintes exemplos: Exemplo 2.4 Consideremos a equacao diferencial y′′ + 16y = 0. ¸˜   y(0) = 0  y π 1. Com as condicoes de fronteira ¸˜ , = 0 2 o PVF tem um n´ mero infinito de solucoes. u ¸˜   y(0) = 0 2. Com as condicoes de fronteira ¸˜ π ,  y = 0 8 o PVF tem solucao unica. ¸˜ ´   y(0) = 0  y π 3. Com as condicoes de fronteira ¸˜ , = 1 2 o PVF n˜ o tem solucao. a ¸˜ De forma a simplificar a nossa exposicao, passaremos de seguida a discutir somente ¸˜ equacoes de ordem-2, sendo a generalizacao a equacoes diferenciais de ordem su- ¸˜ ¸˜ ¸˜ perior a segunda feita no final deste cap´tulo. Chamamos a atencao para o facto de ` ı ¸˜ todos os resultados apresentados neste cap´tulo poderem ser estendidos a qualquer ı equacao diferencial linear de ordem superior. ¸˜
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    83 No que sesegue, a n˜ o ser que algo seja dito em contr´ rio, assumimos que todas as a a funcoes s˜ o cont´nuas em R. ¸˜ a ı ¸˜ Definicao 12 Se as funcoes a(x) e b(x) em (2.1) s˜ o constantes, i.e. a(x) = a ¸˜ a e b(x) = b, ent˜ o a equacao diz-se de coeficientes constantes. Caso a(x) ou b(x) a ¸˜ n˜ o sejam constantes, ent˜ o a equacao diz-se de coeficientes vari´ veis. a a ¸˜ a Obviamente que as equacoes de coeficientes constantes s˜ o as mais f´ ceis de resol- ¸˜ a a ver. Exemplo 2.5 1. A equacao y′′ + 3y′ − 10y = 0 tem coeficientes constantes. ¸˜ 2. A equacao y′′ + 3xy′ − 10x2 y = 0 tem coeficientes vari´ veis. ¸˜ a Antes de prosseguirmos, e melhor percebermos bem o que procuramos. Comece- ´ mos por analisar a equacao de primeira ordem ¸˜ y′ + 2y = 0, cuja solucao sabemos ser y = ce−2x , c ∈ R. Observando esta solucao geral, con- ¸˜ ¸˜ clu´mos que uma vez encontrada uma solucao n˜ o nula, cada uma das outras solucoes ı ¸˜ a ¸˜ e um m´ ltiplo dessa solucao. Para as equacoes de segunda ordem, temos uma ´ u ¸˜ ¸˜ situacao muito semelhante, somente com a diferenca de que necessitarmos de en- ¸˜ ¸ contrar duas solucoes n˜ o nulas e tal que uma n˜ o seja m´ ltipla da outra. Dito isto ¸˜ a a u de uma maneira mais formal, precisamos de encontrar duas solucoes n˜ o nulas li- ¸˜ a nearmente independentes entre si. Consideremos duas funcoes y1 e y2 . A y(x) = ¸˜ c1 y1 (x) + c2 y2 (x), com c1 , c2 constantes arbitr´ rias em R, chamamos combinacao a ¸˜ linear de y1 e y2 . Temos que: 1. As funcoes y1 e y2 dizem-se linearmente independentes no intervalo I se ¸˜ nesse intervalo a relacao y(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x) = 0 implicar c1 = c2 = 0 ¸˜ para todo o x ∈ R.
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    84 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR 2. Caso contr´ rio, i.e., se ∃c1 , c2 = 0 : c1 y1 (x) + c2 y2 (x) = 0 as funcoes y1 e y2 a ¸˜ dizem-se linearmente dependentes no intervalo I. Existe no entanto uma forma mais expedita de verificar se duas funcoes s˜ o ou n˜ o ¸˜ a a linearmente independentes entre si. Consideremos: c1 y1 (x) + c2 y2 (x) = 0, com c1 , c2 n˜ o simultaneamente nulos. a Suponhamos, sem perda de generalidade, que c1 = 0. Podemos escrever: c2 y1 (x) + y2 (x) = 0, c1 c2 c2 y1 (x) = − y2 (x) = cy2 (x), com c = − . c1 c1 Portanto: Duas funcoes dizem-se linearmente dependentes num intervalo I se uma e ¸˜ ´ m´ ltipla da outra. u Atencao que esta regra s´ funciona com duas funcoes!!! Quando queremos de- ¸˜ o ¸˜ monstrar a dependˆ ncia linear de mais do que duas funcoes, temos mesmo que usar e ¸˜ a definicao. ¸˜ ¸˜ ´ 2.1 Solucao de ED homogeneas As nocoes de combinacao linear e independˆ ncia linear s˜ o fulcrais a teoria das ¸˜ ¸˜ e a ` equacoes diferenciais lineares homog´ neas, como veremos de seguida. Considere- ¸˜ e mos ent˜ o a a equacao homog´ nea a ¸˜ e y′′ (x) + a(x)y′ (x) + b(x)y(x) = 0 (2.2) com a(x) e b(x) funcoes cont´nuas. ¸˜ ı ´ Teorema 8 E sempre poss´vel determinar duas solucoes linearmente indepen- ı ¸˜ dentes da equacao diferencial (2.2). ¸˜
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    ¸˜ ´ 2.1. SOLUCAO DE ED HOMOGENEAS 85 Dem. Ver a demonstracao em (?, ?). ¸˜ Exemplo 2.6 Verifique que y1 = e−5x e y2 = e2x s˜ o solucoes linearmente in- a ¸˜ dependentes da equacao: ¸˜ y′′ + 3y′ − 10y = 0. ¸˜ Resolucao: Comecamos por mostrar que y1 e y2 s˜o de facto ¸ a ¸˜ solucoes: ′′ ′ e−5x + 3 e−5x − 10 e−5x = 25e−5x − 15e−5x − 10e−5x = 0 ′′ ′ e2x + 3 e2x − 10 e2x = 4e2x + 6e2x − 10e2x = 0 Como e−5x = e−7x · e2x e e2x n˜o ´ uma constante, ent˜o y1 e y2 a e a s˜o linearmente independentes. a Toda a equacao diferencial linear de segunda ordem tem duas solucoes linearmente ¸˜ ¸˜ independentes. Ora esta e toda a informacao de que necessitamos para escrever ´ ¸˜ qualquer solucao da equacao. ¸˜ ¸˜ Teorema 9 Sejam y1 e y2 duas solucoes da equacao (2.2) ent˜ o qualquer combina- ¸˜ ¸˜ a cao linear destas duas solucoes e solucao da equacao (2.2). ¸˜ ¸˜ ´ ¸˜ ¸˜ Dem. Exerc´cio. ı Teorema 10 Sejam y1 e y2 duas solucoes linearmente independentes da equacao ¸˜ ¸˜ (2.2) e y3 uma outra solucao de (2.2). Ent˜ o existem constantes c1 e c2 , univoca- ¸˜ a mente determinadas, tais que: y3 (x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x). Dem. Exerc´cio. ı Por outras palavras, qualquer combinacao linear destas duas solucoes e solucao da ¸˜ ¸˜ ´ ¸˜ equacao (2.2). ¸˜
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    86 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR ¸˜ ¸˜ Definicao 13 (Solucao Geral da ED de segunda ordem) A solucao ¸˜ geral de (2.1) e dada pela combinacao linear ´ ¸˜ y(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x), com c1 e c2 constantes arbitr´ rias e y1 e y2 duas solucoes linearmente independen- a ¸˜ tes. Exemplo 2.7 A solucao geral da equacao y′′ + 3y′ − 10y = 0 e ¸˜ ¸˜ ´ y(x) = c1 e−5x + c2 e2x , com c1 , c2 constantes arbitr´ rias. a ¸˜ ¸˜ Definicao 14 (Conjunto fundamental de solucoes ) Qualquer con- junto de n solucoes linearmente independentes de uma equacao diferencial linear ¸˜ ¸˜ ¸˜ de ordem–n, num intervalo I, designa-se conjunto fundamental de solucoes da equacao no intervalo. ¸˜ Exemplo 2.8 e−5x , e2x e conjunto fundamental para a equacao do Exem- ´ ¸˜ plo 2.7. ¸˜ Definicao 15 (Wronskiano) Sejam y1 e y2 duas solucoes da equacao (2.2). ¸˜ ¸˜ O wronskiano de y1 (x) e y2 (x), W (y1 , y2 ) (x), e definido por ´ W (y1 , y2 ) (x) = y1 (x)y′ (x) − y′ (x)y2 (x). 2 1 (2.3) O Wronskiano pode tamb´ m ser escrito utilizando determinantes: e y1 (x) y2 (x) W (y1 , y2 ) (x) = (2.4) y′ (x) y′ (x) 1 2 Relembrando que a b = ad − bc, c d
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    ¸˜ ´ 2.1. SOLUCAO DE ED HOMOGENEAS 87 temos ent˜ o que a y1 (x) y2 (x) = y1 (x)y2 (x) − y2 (x)y′ (x). ′ 1 y′ (x) 1 y′ (x) 2 Diferenciado a equacao (2.3), temos que ¸˜ (W (y1 , y2 ))′ = y1 y′′ + y1 y′ − y′ y′ − y′′ y2 2 ′ 2 1 2 1 = y1 y2 − y′′ y2 . ′′ 1 Dado que y1 e y2 s˜ o solucao da equacao (2.2), temos que a ¸˜ ¸˜ y′′ + ay′ + by1 = 0 1 1 e y′′ + ay′ + by2 = 0 2 2 Multiplicando a primeira destas equacoes por y2 e a segunda por y1 e subtraindo-as ¸˜ entre si, temos que: 2 1 2 ′ y1 y′′ − y2 y′′ + a y1 y′ − y2 y1 = 0, ou seja W ′ + aW = 0. Utilizando a teoria da equacoes diferenciais de primeira ordem, facilmente chega- ¸˜ mos a conclus˜ o que ` a W (y1 , y2 ) (x) = ce− a(x)dx (2.5) onde c e uma constante real arbitr´ ria. A f´ rmula (2.5) e conhecida por f´ rmula de ´ a o ´ o Abel. Dado que a exponencial nunca se anula, conclu´mos que o wronskiano ou e ı ´ sempre zero (quando c = 0) ou nunca se anula (quando c = 0). A importˆ ncia deste a facto est´ patente no seguinte teorema: a Teorema 11 As solucoes y1 e y2 da equacao (2.2) s˜ o linearmente indepen- ¸˜ ¸˜ a dentes num intervalo I se e s´ se W (y1 , y2 ) (x) = 0, ∀x ∈ I. o Este ultimo teorema revela a sua utilidade de trˆ s modos distintos: ´ e
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    88 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR • Fornece um modo de determinar a independˆ ncia linear entre duas solucoes e ¸˜ • Simplifica muito a demonstracao do Teorema 10 ¸˜ • O wronskiano e facilmente extens´vel a equacoes de terceira e quarta ordem, ´ ı ¸˜ obtendo-se desta forma resultados semelhantes para equacoes de ordem mais ¸˜ elevada. Exemplo 2.9 As funcoes y1 = e−5x e y2 = e2x s˜ o solucoes da equacao ¸˜ a ¸˜ ¸˜ y′′ + 3y′ − 10y = 0 e tem-se e−5x e2x W (y1 , y2 ) (x) = −5e−5x 2e2x = e−5x 2e2x − −5e−5x e2x = 7e−3x = 0 Como o wronskiano e n˜ o nulo para todo o x, conclui-se que as solucoes y1 = e−5x ´ a ¸˜ e y2 = e2x s˜ o linearmente independentes. a ¸˜ ˜ ´ 2.2 Solucao de ED nao homogeneas Retomemos a equacao diferencial de segunda ordem n˜ o homog´ nea: ¸˜ a e y′′ + a(x)y′ + b(x)y = g(x) (2.6) Seja y p uma solucao particular de (2.6). Se soubermos a solucao geral da equacao ¸˜ ¸˜ ¸˜ homog´ nea que lhe est´ associada, podemos representar a solucao geral da equacao e a ¸˜ ¸˜ n˜ o homog´ nea da seguinte forma: a e Teorema 12 Seja y p (x) uma solucao particular de (2.6) e y∗ (x) uma outra ¸˜ qualquer solucao. Ent˜ o y∗ (x) − y p (x) e solucao da equacao homog´ nea que lhe ¸˜ a ´ ¸˜ ¸˜ e
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    ¸˜ ˜ ´ 2.2. SOLUCAO DE ED NAO HOMOGENEAS 89 est´ associada, i.e. a y∗ (x) − y p (x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x) y∗ (x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x) + y p (x) onde c1 e c2 s˜ o constantes arbitr´ rias e y1 e y2 s˜ o solucoes linearmente indepen- a a a ¸˜ dentes da equacao homog´ nea associada (2.2). ¸˜ e Temos ent˜ o que a solucao geral de uma equacao n˜ o homog´ nea se obt´ m so- a ¸˜ ¸˜ a e e mando: • uma solucao particular da equacao n˜ o homog´ nea ¸˜ ¸˜ a e com • a solucao geral da equacao homog´ nea associada. ¸˜ ¸˜ e Ou seja: ¸˜ Definicao 16 Seja y p uma solucao particular de (2.6) e y1 e y2 solucoes line- ¸˜ ¸˜ armente independentes da equacao homog´ nea associada (2.2). Ent˜ o a solucao ¸˜ e a ¸˜ geral da equacao n˜ o homog´ nea (2.6) e dada por ¸˜ a e ´ y(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x) + y p (x) (2.7) onde c1 e c2 s˜ o constantes reais arbitr´ rias. a a ¸˜ ¸˜ Definicao 17 (Funcao complementar) Sendo a solucao de uma ED ¸˜ a e ¸˜ n˜ o homog´ nea do tipo (2.6) constituida por duas partes, chama-se funcao com- plementar, e representa-se por yc , a parte que e tamb´ m solucao da ED homog´ nea ` ´ e ¸˜ e associada, i.e., yc = c1 y1 (x) + c2 y2 (x). 1 Exemplo 2.10 Sabemos que xex e solucao da equacao y′′ − y = ex . Duas ´ ¸˜ ¸˜ 2 solucoes da equacao y′′ − y = 0 s˜ o y1 = ex e y2 = e−x . ¸˜ ¸˜ a
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    90 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR W (y1 , y2 ) (x) = 2ex (−e−x ) = −2 = 0, logo as solucoes s˜ o linearmente indepen- ¸˜ a dentes. 1 Temos ent˜ o que y(x) = c1 ex +c2 e−x + xex e solucao geral da equacao y′′ −y = ex . a ´ ¸˜ ¸˜ 2 ´ ¸˜ 2.3 Metodo da reducao de ordem De acordo com o Teorema 10, se conhecermos um conjunto fundamental de solucoes ¸˜ da equacao diferencial homog´ nea associada a (2.6), i.e., da equacao (2.2) a sua ¸˜ e ¸˜ solucao geral e a combinacao linear dos elementos do conjunto fundamental de ¸˜ ´ ¸˜ solucoes: y = c1 y1 + c2 y2 , onde c1 , c2 s˜ o constantes arbitr´ rias. ¸˜ a a O m´ todo de reducao de ordem consiste em determinar a solucao y2 conhecendo e ¸˜ ¸˜ y1 , ou vice-versa, atrav´ s do abaixamento da ordem da equacao diferencial. e ¸˜ Assumindo que y1 e uma solucao n˜ o nula da ED homog´ nea, vamos procurar uma ´ ¸˜ a e segunda solucao y2 tal que y1 e y2 sejam linearmente independentes. Assim, caso ¸˜ y2 y2 exista, teremos que ter = v(x), ou seja y1 y2 = v(x)y1 . (2.8) Assumindo (2.8), determinemos as derivadas sucessivas de y2 com vista a substituir na equacao (2.2): ¸˜ (vy1 )′ = v′ y1 + vy′ , 1 (vy1 )′′ = vy′′ + 2v′ y1 + v′′ y1 . 1 ′ Substituindo ent˜ o em (2.2): a vy′′ + 2v′ y′ + v′′ y1 + a(x) v′ y1 + vy′ + b(x)vy1 = 0 1 1 1 y1 v′′ + (2y′ + ay1 )v′ + (y′′ + ay′ + by1 )v = 0 1 1 1
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    ´ ¸˜ 2.3. METODO DA REDUCAO DE ORDEM 91 Lembrando que y1 e solucao de (2.2), temos y′′ + ay′ + by1 = 0, donde ´ ¸˜ 1 1 y1 v′′ + (2y1 + ay1 )v′ = 0 ′ Fazendo a mudanca de vari´ vel z = v′ transformamos esta ultima equacao, que e de ¸ a ´ ¸˜ ´ ordem–2, numa equacao de ordem–1: ¸˜ y1 z′ + (2y1 + ay1 )z = 0 ′ (2.9) Dividindo por y1 z, obtemos: z′ 2y′ = − 1 − a. z y1 Integrando em ordem a x, obtemos: ln z = −2 ln y1 − a(x)dx. Ent˜ o a 1 − z = eln z = e−2 ln y1 − a(x)dx = e−2 ln y1 e− a(x)dx = e a(x)dx . y2 1 Como z = v′ , temos: 1 − a(x)dx ev′ = . y2 1 Dado que a funcao exponencial nunca e nula, conclu´mos que v e n˜ o constante. ¸˜ ´ ı ´ a Temos ent˜ o de integrar uma outra vez para obter v : a 1 − a(x)dx v= e dx. (2.10) y2 1 Temos ent˜ o que a 1 − a(x)dx y2 = vy1 = y1 e dx. y2 1 Exemplo 2.11 Consideremos y1 = x uma solucao particular da equacao ¸˜ ¸˜ x2 y′′ − xy′ + y = 0, x > 0. Determine uma outra solucao linearmente independente. ¸˜ ¸˜ Resolucao: Podemos resolver este problema de dois modos diferentes:
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    92 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Metodo 1 Seja y2 = vy1 = vx. ´ y1 =x Derivando temos: y′ = v′ x + v e y2 = v′′ x + 2v′ . 2 ′′ Substitu´mos na equac˜o diferencial em quest˜o e obtemos: ı ¸a a x2 y′′ − xy′ + y2 = 0 = x2 v′′ x + 2v′ − x v′ x + v + vx = x3 v′′ + x2 v′ = 0 2 2 Dividindo ambos os membros por x2 temos: xv′′ + v′ = 0 Efectuando agora a mudanca de vari´vel u = v′ , obtemos a seguinte ¸ a ¸˜ equacao de ordem primeira, que facilmente podemos resolver: 1 u′ = − u. x Ora a solucao desta equac˜o de primeira ordem ´ ¸˜ ¸a e 1 u(x) = e− ln x = eln(1/x) = . x Como u = v′ , temos que integrar outra vez: 1 v(x) = u(x)dx = dx = ln x. x Conclu´mos assim que y2 = vy1 = x ln x. ı Verifique agora que y2 ´ de facto soluc˜o da equac˜o diferencial. e ¸a ¸a ´ Metodo 2 Aplicamos directamente a f´rmula (2.10) para calcular o v. Para tal, dividimos a equac˜o que queremos resolver por ¸a x2 , e obtemos: 1 1 y′′ − y′ + 2 y = 0 x x 1 Temos que a(x) = − , o que implica que − a(x)dx = ln x e e− a(x)dx = x eln x = x.
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    ´ 2.4. ED HOMOGENEASCOM COEFICIENTES CONSTANTES 93 Aplicando a f´rmula, temos: o x y2 = x = x ln x x2 Posto isto a solucao geral da equac˜o ´ ¸˜ ¸a e y = c1 y1 + c2 y2 = c1 x + c2 x ln x, x>0 e c1 , c2 s˜o constantes arbitr´rias. a a Nota 15 Ainda que possa aplicar a f´ rmula (2.10) directamente, e sempre pre- o ´ fer´vel deduzir todo o processo. ı ¸˜ ´ 2.4 Equacoes diferenciais homogeneas com co- eficientes constantes Apresentamos nesta seccao um procedimento de c´ lculo da solucao de uma equacao ¸˜ a ¸˜ ¸˜ diferencial homog´ nea com coeficientes constantes: e y′′ + ay′ + by = 0 (2.11) Recordando que a equacao diferencial linear homog´ nea de ordem–1 y′ + ay = 0 ¸˜ e tem como solucao y = ce−ax , e plaus´vel investigar se uma solucao de (2.11) ter´ ¸˜ ´ ı ¸˜ a a forma y = eλ x , onde λ e um n´ mero real ou complexo. Assumimos ent˜ o que a ´ u a solucao e desta forma e substitu´mos esta hipot´ tica solucao em (2.11) : ¸˜ ´ ı e ¸˜ λ 2 eλ x + aλ eλ x + beλ x = 0. Dado que eλ x = 0, vem que λ 2 + aλ + b = 0 (2.12) com a e b n´ meros reais. u
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    94 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Chama-se equacao caracter´stica a equacao (2.12). Fica assim claro que se λ ¸˜ ı ` ¸˜ satisfizer a equacao caracter´stica, ent˜ o eλ x e solucao de (2.11). ¸˜ ı a ´ ¸˜ Dado que a equacao caracter´stica e quadr´ tica, logo tem duas ra´zes: ¸˜ ı ´ a ı √ √ −a + a2 − 4b −a + a2 − 4b λ1 = and λ2 = (2.13) 2 2 De acordo com as ra´zes da equacao caracter´stica, distinguimos trˆ s diferentes ca- ı ¸˜ ı e sos: Caso 1 Se a2 − 4b > 0 ent˜ o as ra´zes λ1 e λ2 s˜ o reais e distintas. a ı a Caso 2 Se a2 − 4b = 0 ent˜ o as ra´zes λ1 e λ2 s˜ o reais e iguais. a ı a Caso 3 Se a2 − 4b < 0 ent˜ o as ra´zes λ1 e λ2 s˜ o complexas conjugadas. a ı a Analisemos agora em pormenor cada um destes casos: 2.4.1 Ra´zes reais e distintas ı Temos neste caso que as solucoes da equacao (2.11) s˜ o y1 = eλ1 x e y2 = eλ2 x . ¸˜ ¸˜ a y1 Estas solucoes s˜ o linearmente independentes, pois ¸˜ a = e(λ1 −λ2 )x e claramente ´ y2 n˜ o constante sempre que λ1 = λ2 . a Acab´ mos de provar o seguinte teorema: a Teorema 13 Se a2 − 4b > 0, ent˜ o as ra´zes da equacao caracter´stica, λ1 e a ı ¸˜ ı λ2 , s˜ o reais e distintas. Neste caso, a solucao geral da equacao (2.11) e dada por a ¸˜ ¸˜ ´ y(x) = c1 eλ1 x + c2 eλ2 x , (2.14) onde c1 , c2 s˜ o constantes reais arbitr´ rias e y1 , y2 s˜ o as ra´zes de (2.12) a a a ı Exemplo 2.12 Consideremos a equacao ¸˜ y′′ + 3y′ − 10y = 0,
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    ´ 2.4. ED HOMOGENEASCOM COEFICIENTES CONSTANTES 95 cuja equacao caracter´stica e λ 2 + 3λ − 10 = (λ − 2)(λ + 5) = 0, cujas ra´zes s˜ o ¸˜ ı ´ ı a λ = 2 e λ = −5. Ent˜ o a solucao geral e a ¸˜ ´ y(x) = c1 e2x + c2 e−5x . Se especificarmos as condicoes iniciais y(0) = 1 e y′ (0) = 3, podemos calcular as ¸˜ constantes c1 e c2 :   c1 + c2 = 1  2c − 5c = 3, 1 2 8 1 que tem como solucao c1 = ¸˜ e c2 = − . Ent˜ o a solucao unica deste problema de a ¸˜ ´ 7 7 valor inicial e ´ 1 y(x) = 8e2x − e−5x . 7 2.4.2 Ra´zes reais e iguais ı Neste caso a equacao (2.12) tem a ra´z dupla λ1 = λ2 = −a/2, o que faz com que ¸˜ ı y(x) = e−ax/2 seja solucao da equacao (2.11). ¸˜ ¸˜ Usamos agora o procedimento da seccao anterior para calcular uma segunda ra´z ¸˜ ı que seja linearmente independente desta. Facamos ¸ y2 = vy1 = ve−ax/2 (2.15) a y′ = v′ e−ax/2 − ve−ax/2 2 (2.16) 2 a2 −ax/2 y′′ = v′′ e−ax/2 − av′ e−ax/2 + 2 ve (2.17) 4 Substitu´mos y2 na equacao (2.11): ı ¸˜ a2 −ax/2 a v′′ e−ax/2 − av′ e−ax/2 + ve + a v′ e−ax/2 − ve−ax/2 + bve−ax/2 = 0 4 2 a 2 a v′′ − av′ + v e−ax/2 + a v′ − v e−ax/2 + bve−ax/2 = 0 4 2 a 2 a v′′ − av′ + v + a v′ − v + bv = 0 4 2
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    96 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Relembremos que a2 = 4b e substitu´mos nesta ultima equacao, donde obtemos que ı ´ ¸˜ v′′ = 0, ou seja v′ e uma constante, que pode ser por exemplo 1. Temos ent˜ o que ´ a v = x. Ent˜ o y2 = xe−ax/2 . a Verifiquemos: a y′ = e−ax/2 1 − x 2 2 a2 y′ = e−ax/2 −a + x 2 4 a2 a2 y′′ + ay′ + by2 = e−ax/2 −a + x + a − x + bx 2 2 4 2 a2 = xe−ax/2 − + b = 0 4 y2 e−ax/2 Como = x −ax/2 = x = constante, temos que y1 e y2 s˜ o linearmente indepen- a y1 e dentes. Temos ent˜ o o seguinte resultado: a Teorema 14 Se a2 − 4b = 0, ent˜ o as ra´zes da equacao caracter´stica s˜ o a ı ¸˜ ı a iguais e a solucao geral da equacao (2.11) e dada por ¸˜ ¸˜ ´ y(x) = c1 e−ax/2 + c2 xe−ax/2 = (c1 + c2 x) e−ax/2 (2.18) onde c1 , c2 s˜ o constantes reais arbitr´ rias. a a Exemplo 2.13 Consideremos a equacao ¸˜ y′′ − 6y′ + 9 = 0, cuja equacao caracter´stica e λ 2 − 6λ + 9 = (λ − 3)2 = 0, produzindo a ra´z dupla ¸˜ ı ´ ı λ1 = −a/2 = 3, e a solucao geral e ¸˜ ´ y(x) = c1 e3x + c2 xe3x , c1 , c2 ∈ R.
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    ´ 2.4. ED HOMOGENEASCOM COEFICIENTES CONSTANTES 97 2.4.3 Ra´zes complexas conjugadas ı Estudamos agora o caso em que as ra´zes da equacao caracter´stica (2.12) s˜ o um ı ¸˜ ı a par de ra´zes conjugadas: ı λ1 = α + iβ e λ2 = α − iβ (2.19) √ √ a 4b − a2 a 4b − a2 λ1 = − + i e λ2 = − − i (2.20) 2 2 2 2 De facto, temos duas solucoes linearmente independentes: y1 = eλ1 x e y2 = eλ2 x ! ¸˜ Mas seria agrad´ vel, dado que isso por vezes facilita imenso os c´ lculos, ter duas a a solucoes linearmente independentes e reais. Tal e poss´vel, e simples, se nos recor- ¸˜ ´ ı darmos da f´ rmula de Euler: o eiθ = cos θ + i sin θ e tamb´ m e e−iθ = cos θ − i sin θ . Usando estas duas f´ rmulas, temos ent˜ o: o a y1 = eλ1 x = eα x+iβ x = eα x eiβ x = eα x (cos β + i sin β ) y2 = eλ2 x = eα x−iβ x = eα x e−iβ x = eα x (cos β − i sin β ) Finalmente, temos: eλ1 x + eλ2 x eλ2 x − eλ2 x y∗ = 1 = eα x cos β e y∗ = 2 = eα x sin β , 2 2 y∗ eα x cos β Como 1 = αx = cot β , β = 0, que n˜ o e constante, conclu´mos que y∗ , y∗ a ´ ı y∗ 2 e sin β 1 2 s˜ o solucoes linearmente independentes. Temos ent˜ o: a ¸˜ a Teorema 15 Se a2 − 4b < 0, ent˜ o a equacao caracter´stica tem duas solucoes a ¸˜ ı ¸˜ complexas conjugadas e a solucao geral da equacao (2.11) e dada por ¸˜ ¸˜ ´ y(x) = eα x (c1 cos β x + c2 sin β x) (2.21) √ a 4b − a2 onde c1 , c2 s˜ o constantes reais arbitr´ rias e α = − e β = a a . 2 2
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    98 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Exemplo 2.14 Seja y′′ + y = 0. A equacao caracter´stica e λ 2 + 1 = 0, cujas ¸˜ ı ´ ra´zes s˜ o ±i. Uma vez que α = 0 e β = 1, a solucao geral e ı a ¸˜ ´ y(x) = c1 cos x + c2 sin x. Esta e a equacao do movimento harm´ nico. ´ ¸˜ o Exemplo 2.15 Consideremos o PVI y′′ + y′ + y = 0 y(0) = 1 y′ (0) = 3. A equacao caracter´stica da equacao diferencial e λ 2 + λ + 1 = 0, cujas ra´zes ¸˜ √ ı √ ¸˜ ´ √ ı −1 + i 3 −1 − i 3 1 3 λ1 = e λ2 = . Ent˜ o α = − e β = a e a solucao geral e ¸˜ ´ 2 2 2 2 dada por: √ √ −x/2 3 3 y(x) = e c1 cos x + c2 sin x , 2 2 com c1 , c2 constantes arbitr´ rias. A solucao do PVI tem que verificar as condicoes a ¸˜ ¸˜ iniciais y(0) = 1 e y′ (0) = 3, isto e: ´ c1 = 1 √ 3 1 c2 − c1 = 3, 2 2 √ donde c1 = 1, c2 = 7/ 3 e a solucao do PVI e: ¸˜ ´ √ √ 3 7 3 y(x) = e−x/2 cos x + √ sin x . 2 3 2
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    ˜ ´ 2.5. ED NAO HOMOGENEAS: M. COEFICIENTES INDETERMINADOS 99 ¸˜ ˜ ´ 2.5 Equacoes diferenciais nao homogeneas: ´ Metodo dos coeficientes indeterminados ¸˜ Vamos agora apresentar um m´ todo que nos permite calcular uma solucao particu- e ¸˜ a lar para uma equacao n˜ o homog´ nea com coeficientes constantes e y′′ + ay′ + by = g(x). (2.22) Com vista a tal prop´ sito, comecamos por apresentar um resultado muito importante o ¸ a que chamamos princ´pio da sobreposicao: ı ¸˜ Teorema 16 Suponhamos que a funcao g(x) em (2.22) e a soma de duas funcoes ¸˜ ´ ¸˜ g1 (x) e g2 (x) : g(x) = g1 (x) + g2 (x). Se y1 (x) e solucao da equacao ´ ¸˜ ¸˜ y′′ + ay′ + by = g1 (x) (2.23) e y2 (x) e solucao da equacao ´ ¸˜ ¸˜ y′′ + ay′ + by = g2 (x), (2.24) ent˜ o y = y1 + y2 e solucao da equacao (2.22). Isto e, a solucao de (2.22) e obtida a ´ ¸˜ ¸˜ ´ ¸˜ ´ atrav´ s da sobreposicao de (2.23) e (2.24). e ¸˜ Dem. Consideremos y = y1 + y2 , e substituamos esta solucao em (2.22): ¸˜ y′′ + ay′ + by = y′′ + y2 + a y1 + y′ + b (y1 + y2 ) 1 ′′ ′ 2 (2.25) = y′′ + ay′ + by1 + y′′ + ay′ + by2 1 1 2 2 (2.26) = g1 + g2 = g, (2.27) pois g1 (x) e g2 (x) s˜ o solucao de (2.23) e (2.24), respectivamente. a ¸˜
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    100 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Em palavras simples, o princ´pio da sobreposicao diz-nos que se a funcao g(x) e ı ¸˜ ¸˜ ´ decomposta em soma de funcoes simples gk (x), ent˜ o teremos que calcular uma ¸˜ a solucao particular, y pk , para equacoes do tipo : ¸˜ ¸˜ y′′ + ay′ + by = gk (x), k = 1, 2, . . ., m, (2.28) sendo a solucao particular da equacao (2.22) igual a soma de todas estas solucoes: ¸˜ ¸˜ ` ¸˜ y p = y1k + · · · + ymk . O m´ todo que vamos apresentar nesta seccao requere que a funcao g(x) tenha uma e ¸˜ ¸˜ das seguintes trˆ s formas: e (i) Pn (x) (ii) Pn (x)eα x (iii) eα x (Pn (x) cos β x + Qn (x) sin β x) , onde Pn (x), Qn (x) s˜ o polin´ mios em x de grau n (n ≥ 0). O dito m´ todo pode a o e ser usado se g(x) for a soma de funcoes gk (x) desta forma, obtendo-se a solucao ¸˜ ¸˜ particular da equacao em quest˜ o usando o princ´pio da sobreposicao. ¸˜ a ı ¸˜ Se nem todos os termos de g(x) forem de uma destas formas, o m´ todo dos e coeficientes indeterminados n˜ o pode ser aplicado. a Observe que da conjugacao destas trˆ s formas entre si, resulta uma grande diversi- ¸˜ e dade de situacoes, como por exemplo: ¸˜ • 2e3x • e4x cos x • x cos x + x sin x Porquˆ s´ funcoes deste tipo? Porque a derivada de somas e produtos deste tipo de e o ¸˜ funcoes s˜ o ainda funcoes deste tipo. ¸˜ a ¸˜ Por exemplo, este m´ todo n˜ o e aplic´ vel as funcoes: e a ´ a ` ¸˜
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    ˜ ´ 2.5. ED NAO HOMOGENEAS: M. COEFICIENTES INDETERMINADOS 101 • g(x) = ln x 1 • g(x) = x 1 • g(x) = tan x • g(x) = tan x • g(x) = sin−1 x Veremos na Seccao 2.6 como tratar estes casos. ¸˜ O m´ todo dos coeficientes indeterminados assume que a solucao que procuramos e ¸˜ tem exactamente a mesma forma que g(x). Vejamos o seguinte exemplo: Exemplo 2.16 Pretende-se calcular a solucao geral da seguinte equacao di- ¸˜ ¸˜ ferencial: y′′ − y = x2 . (2.29) Resolucao: Dado que g(x) = x2 , ent˜o a soluc˜o que procuramos ¸˜ a ¸a ter´ que ser um polin´mio de grau 2: a o y p (x) = a + bx + cx2 (usar sempre polin´mios completos). o Temos agora que calcular as constantes a, b, c : y′p (x) = b + 2xc (2.30) y′′ (x) = 2c p (2.31) Substituindo y′p e y′′ na equacao (2.29), obtemos: p ¸˜ 2c − (a + bx + cx2 ) = x2 . Equacionando os coeficientes temos:   2c − a  = 0   −b = 0     −c = 1
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    102 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR donde facilmente se chega ` conclus˜o que a = −2, b = 0 e c = a a −1. Assim uma soluc˜o particular ´ y p (x) = −2 − x2 . ¸a e Devemos agora substituir esta solucao na equac˜o e verificar ¸˜ ¸a que de facto a verifica. A solucao geral da equac˜o (2.29) ´ dada por: ¸˜ ¸a e y = c1 y1 + c2 y2 − 2 − x2 . Como exerc´cio, calcule a funcao complementar ou soluc˜o ı ¸˜ ¸a ¸˜ geral da equacao homog´nea. e Exemplo 2.17 Resolva a seguinte equacao diferencial ¸˜ y′′ − 3y′ + 2y = ex sin x. (2.32) ¸˜ Resolucao: A solucao particular ter´ de ser da forma ¸˜ a y p (x) = ex (a sin x + b cos x) . Da mesma forma que usamos sempre polin´mios completos, tamb´m o e usamos a sin x+b cos x, dado que a derivada do seno ´ o cosseno e e vice-versa. Temos ent˜o: a y′p (x) = (a − b) ex sin x + (a + b) ex cos x (2.33) y′′ (x) = 2aex cos x − 2bex sin x p (2.34) Substituindo estas express˜es em (2.32), temos: o ex (2a cos x − 2b sin x)−3ex ((a − b) sin x + (a + b) cos x)+2ex (a sin x + b cos x) = ex sin x. Assim: 2a − 3(a + b) + 2b = 0 −2b − 3(a − b) + 2a = 1,
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    ˜ ´ 2.5. ED NAO HOMOGENEAS: M. COEFICIENTES INDETERMINADOS 103 1 1 e a=− e b= e a soluc˜o particular ´: ¸a e 2 2 ex y p (x) = (cos x − sin x) . 2 A equacao (2.32) tem como soluc˜o geral: ¸˜ ¸a ex y(x) = c1 e2x + c2 ex + (cos x − sin x) . 2 Exemplo 2.18 Resolva a equacao ¸˜ y′′ + y = xe2x . (2.35) ¸˜ Resolucao: A soluc˜o particular ´ da forma: ¸a e y p (x) = e2x (a + bx) . Ent˜o: a y′p (x) = e2x (2a + b + 2bx) (2.36) y′′ (x) = e2x (4a + 4b + 4bx) . p (2.37) ¸˜ Depois de feita a substituicao obtemos: e2x (4a + 4b + 4bx) + e2x (a + bx) = xe2x . Do que resulta: 5a + 4b = 0 e 5b = 1. (2.38) 4 1 Ent˜o a = − a e b = , donde resulta a soluc˜o particular ¸a 25 5 e2x y p (x) = (5x − 4) . 25 Ou seja, a solucao geral de (2.35) ´: ¸˜ e e2x y = c1 y1 + c2 y2 + (5x − 4) . 25
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    104 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Este m´ todo fica um pouco mais complicado sempre que a potencial solucao parti- e ¸˜ cular e j´ solucao da equacao homog´ nea (2.11). ´ a ¸˜ ¸˜ e Vejamos por exemplo a equacao ¸˜ y′′ + y = 1 + x + x2 sin x, (2.39) A funcao g(x) tem trˆ s termos, um dos quais e solucao da equacao homog´ nea ¸˜ e ´ ¸˜ ¸˜ e y′′ + y = 0. De acordo com g(x), a solucao particular teria a forma: ¸˜ y p = a0 + a1 x + a2 x2 sin x + b0 + b1 x + b2 x2 cos x (2.40) A equacao homog´ nea associada tem como solucao geral a0 sin x + b0 cos x. Sempre ¸˜ e ¸˜ que temos uma situacao destas, o m´ todo dos coeficientes indeterminados tem que ¸˜ e ser modificado. Exemplo 2.19 Determine a solucao de ¸˜ y′′ − y = 2ex . ¸˜ Resolucao: A solucao geral de y′′ − y = 0 ´ y(x) = c1 ex + c2 e−x . Ent˜o ¸˜ e a g(x) = 2ex ´ soluc˜o da equac˜o homog´nea associada. e ¸a ¸a e Se ¸˜ experimentarmos calcular uma solucao particular para a ¸˜ equacao n˜o homog´nea utilizando o procedimento que a e acab´mos de expor, i.e. a yp = Aex , n˜o iremos a lado a nenhum.... Experimente e chegue ` conclus˜o que de facto assim ´. a a e O que fazer ent˜o? a ¸˜ Toda a potencial solucao particular ter´ que ser multiplicada por x : a y p = Axex .
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    ˜ ´ 2.5. ED NAO HOMOGENEAS: M. COEFICIENTES INDETERMINADOS 105 Ent˜o a y′p = Aex (x + 1) (2.41) y′′ = Aex (x + 2), p (2.42) e substituindo vem: y′′ − y p = Aex (x + 2) − Axex . p Depois das contas feitas, obtemos A = 1 e a solucao geral ¸˜ da equac˜o ´: ¸a e y(x) = c1 y1 + c2 y2 + xex . Este exemplo, sugere a seguinte regra: ¸˜ Modificacao do m´ todo e Se algum dos termos da potencial solucao particular y p da equacao (2.22) e ¸˜ ¸˜ ´ solucao da equac˜ o homog´ nea associada, ent˜ o a solucao y p e repetidamente ¸˜ a e a ¸˜ ´ multiplicada por x at´ que nenhum dos termos de y p xk seja solucao da equacao e ¸˜ ¸˜ homog´ nea associada a (2.22). O produto y p xk e ent˜ o usado para resolver a e ´ a equacao (2.22). ¸˜ Exemplo 2.20 Determine a solucao de ¸˜ y′′ + y = cos x que satisfaz as condicoes iniciais: y(0) = 2 e y′ (0) = −3. ¸˜ ¸˜ Resolucao: A solucao geral da equac˜o homog´nea associada e ¸˜ ¸a e ´ y(x) = c1 cos x + c2 sin x, donde fica claro que g(x) ´ soluc˜o e ¸a ¸˜ da equacao homog´nea. e
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    106 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Temos ent˜o que usar o m´todo modificado. a e Consideremos ent˜o y p a = Ax cos x + Bx sin x. Agora nenhum termo de y p ´ e solucao da equac˜o homog´nea associada. ¸˜ ¸a e Facamos ent˜o ¸ a os c´lculos: a y′p = (A + Bx) cos x + (B − Ax) sin x y′′ = (2B − Ax) cos x + (−2A − Bx) sin x p ¸˜ e substituindo na equacao: y′′ +y p = (2B − Ax) cos x+(−2A − Bx) sin x+(Ax sin x + Bx cos x) = −2A sin x+2B cos x. p Depois das contas feitas, vem que: 1 −2A = 0, 2B = 1, B = 2 e a solucao particular ´: ¸˜ e 1 y p = x sin x. 2 A soluc˜o geral da equacao n˜o homog´nea ´ ent˜o: ¸a ¸˜ a e e a 1 y(x) = c1 cos x + c2 sin x + x sin x. 2 Falta calcular o valor das constantes arbitr´rias por forma a ¸˜ a que sejam satisfeitas as condicoes iniciais: y(0) = c1 = 2 y′ (0) = c2 = −3. Temos assim a soluc˜o do PVI: ¸a 1 y(x) = 2 cos x − sin x + x sin x. 2
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    ˜ ´ 2.5. ED NAO HOMOGENEAS: M. COEFICIENTES INDETERMINADOS 107 Exemplo 2.21 Determine a solucao geral de ¸˜ y′′ + y = x sin x. ¸˜ Resolucao: ¸˜ A solucao particular teria a forma y p = (Ax + B) cos x + (Cx + D) sin x, mas dado que a solucao geral da equac˜o y′′ + y = 0 ´ ¸˜ ¸a e B cos x + D sin x, temos que o m´todo tem que ser modificado e y p passa a ter e a forma: y p = Ax2 + Bx cos x + Cx2 + Dx sin x. Calculando as derivadas: y′p = Cx2 + (2A + D) x + B cos x + −Ax2 + (2C − B) x + D sin x y′′ = p −Ax2 + (4C − B) x + 2A + 2D cos x + −Cx2 − (4A + D) x + 2C − 2B sin x e substituindo na equac˜o: ¸a y′′ + y p = (4Cx + 2A + 2D) cos x + (−4Ax + 2C − 2B) sin x = x sin x, p 1 1 obtemos A = − , B = 0,C = 0 e D = , e donde a solucao particular ¸˜ 4 4 da equac˜o n˜o homog´nea ´: ¸a a e e 1 1 y p = − x2 cos x + x2 sin x. 4 4 Consequentemente, temos como solucao geral da equac˜o n˜o ¸˜ ¸a a homog´nea: e 1 1 y(x) = c1 − x2 cos x + c2 + x2 sin x. 4 4
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    108 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Vamos agora sumariar estes resultados. Consideremos a equacao n˜ o homog´ nea de coeficientes constantes: ¸˜ a e y′′ + ay′ + by = g(x) (2.43) e a equacao homog´ nea que lhe est´ associada: ¸˜ e a y′′ + ay′ + by = 0 (2.44) Caso 1 Nenhum termo de y p e solucao de (2.44), ent˜ o a solucao y p e constru´da de ´ ¸˜ a ¸˜ ´ ı forma ordin´ ria. a Caso 2 Se algum termo de y p e solucao de (2.44), ent˜ o a potencial solucao y p e multi- ´ ¸˜ a ¸˜ ´ plicada por xk , onde k e o menor inteiro de forma a que nenhum dos seus termos ´ seja solucao de (2.44). ¸˜ ¸˜ ˜ ´ 2.6 Equacoes diferenciais nao homogeneas: ´ ¸˜ ˆ Metodo da variacao de parametros Nesta seccao vamos descrever um procedimento que permite calcular uma solucao ¸˜ ¸˜ particular de uma equacao diferencial homog´ nea do tipo: ¸˜ e y′′ + a(x)y′ + b(x)y = g(x), (2.45) onde as funcoes a(x), b(x) e g(x) s˜ o necessariamente cont´nuas. De forma a fazer ¸˜ a ı bom uso deste m´ todo, e necess´ rio o conhecimento da solucao geral e ´ a ¸˜ y(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x)
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    ˜ ´ ¸˜ ˆ 2.6. ED NAO HOMOGENEAS: M. VARIACAO DE PARAMETROS 109 da equacao homog´ nea associada: ¸˜ e y′′ + a(x)y′ + b(x)y = 0. (2.46) Caso a(x) e b(x) sejam funcoes constantes, ent˜ o a solucao geral de (2.45) e facil- ¸˜ a ¸˜ ´ mente calculada utilizando os m´ todos descritos na Seccao 2.4. Se estes coefici- e ¸˜ entes n˜ o forem ambos constantes, podemos usar o m´ todo da reducao de ordem a e ¸˜ descrito na Seccao 2.3 caso conhecamos uma das solucoes. Caso contr´ rio, calcular ¸˜ ¸ ¸˜ a a solucao geral da equacao homog´ nea associada poder´ ser bastante complicado ... ¸˜ ¸˜ e a Qualquer solucao particular y p de (2.45) dever´ ser tal que y p /y1 e y p /y2 dever˜ o ¸˜ a a ser n˜ o constantes, sugerindo desta forma que procuremos uma solucao particular a ¸˜ de (2.45) com a seguinte forma: y(x) = c1 (x)y1 (x) + c2 (x)y2 (x). (2.47) O m´ todo deve o seu nome a substituicao das vari´ veis c1 e c2 pelas funcoes c1 (x) e ` ¸˜ a ¸˜ e c2 (x). Diferenciando (2.47), obtemos: y′ (x) = c1 (x)y′ (x) + c2 (x)y′ (x) + c′ (x)y1 (x) + c′ (x)y2 (x). 1 2 1 2 (2.48) De forma a simplificar esta ultima express˜ o, fazemos: ´ a c′ (x)y1 (x) + c′ (x)y2 (x) = 0, 1 2 (2.49) donde y′ (x) = c1 (x)y′ (x) + c2 (x)y′ (x). 1 2 (2.50) Diferenciando mais uma vez, obtemos: y′′ (x) = c1 (x)y′′ (x) + c2 (x)y′′ (x) + c′ (x)y′ (x) + c′ (x)y′ (x). 1 2 1 1 2 2 (2.51) Substituindo y′ (x) e y′′ (x) em (2.45), obtemos: y′′ + a(x)y′ + b(x)y = c1 (x) y′′ + ay′ + by1 1 1 +c2 (x) y′′ + ay′ + by2 + c′ (x)y′ (x) + c′ (x)y′ (x) 2 2 1 1 2 2 = g(x)
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    110 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Como y1 , y2 s˜ o solucao da equacao homog´ nea, esta ultima equacao reduz-se a a ¸˜ ¸˜ e ´ ¸˜ c′ (x)y1 (x) + c′ (x)y′ (x) = g(x) 1 ′ 2 2 (2.52) Considerando conjuntamente as equacoes (2.49) e(2.52), temos: ¸˜ c1 (x)y1 (x) + c′ (x)y2 (x) = 0 ′ 2 (2.53) c′ (x)y1 (x) + c′ (x)y′ (x) = g(x) 1 ′ 2 2 (2.54) Podemos escrever (2.53) e (2.54) na seguinte forma:      y1 y2 c′ 0   1  =   (2.55) ′ y′ y1 2 ′ c2 g(x) Ora o determinante da matriz deste sistema e o wronskiano, W (y1 , y2 )(x). Como ´ W (y1 , y2 )(x) = 0, c′ (x) e c′ (x) s˜ o univocamente determinados. 1 2 a Voltemos as equacoes (2.53) e (2.54). Com a equacao (2.53) multiplicada por y′ e ` ¸˜ ¸˜ 2 a equacao (2.54) por y2 , obtemos: ¸˜ c′ (x)y1 (x)y2 (x) + c′ (x)y2 (x)y′ (x) = 0 1 ′ 2 2 (2.56) c′ (x)y′ (x)y2 (x) + c′ (x)y2 (x)y′ (x) = y2 (x)g(x). 1 1 2 2 (2.57) Subtraindo (2.57) de (2.56), temos: y1 (x)y′ (x) − y′ (x)y2 (x) c′ = −y2 (x)g(x) 2 1 1 ou ainda: ′ −y2 g(x) c1 = . W (y1 , y2 )(x) Uma express˜ o an´ loga e obtida para c′ a a ´ 2: y1 g(x) c′ = 2 . W (y1 , y2 )(x) Posto isto, se conseguirmos integrar c′ e c′ , ent˜ o podemos substituir c1 e c2 em 1 2 a (2.47) e obter a solucao particular pretendida. ¸˜ Vejamos o seguinte exemplo:
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    ˜ ´ ¸˜ ˆ 2.6. ED NAO HOMOGENEAS: M. VARIACAO DE PARAMETROS 111 Exemplo 2.22 Resolva a equacao diferencial y′′ − y = e2x pelo m´ todo da ¸˜ e variacao de parˆ metros. ¸˜ a ¸˜ Resolucao: As solucoes da equac˜o homog´nea s˜o y1 = e−x e ¸˜ ¸a e a y1 = ex . Temos ent˜o que W (y1 , y2 ) = 2, e a −e2x ex −e3x e2x e−x ex c′ = 1 = , c′ = 2 = . 2 2 2 2 Integrando, vem: −e3x e3x ex ex c1 = dx = − , c2 = dx = . 2 6 2 2 A solucao particular ´: ¸˜ e e2x e2x e2x c1 (x)y1 (x) + c2 (x)y2 (x) = − + = 6 2 3 e a soluc˜o geral ´: ¸a e e2x y(x) = c1 ex + c2 e−x + , c1 , c2 constantes arbitr´rias a 3 Exemplo 2.23 Resolva a seguinte equacao: ¸˜ y′′ + y = tan x. ¸˜ Resolucao: As solucoes da equacao homog´nea s˜o y1 = cos x e ¸˜ ¸˜ e a y2 = sin x, e como tal W (y1 , y2 )(x) = 1. Temos a seguir que: 0 y2 g(x) y′ 2 −y2 g(x) c′ 1 = = = − tan sin x = cos x − sec x W (y1 , y2 ) W (y1 , y2 ) y1 0 y′ g(x) 1 y1 g(x) c′ 2 = = = tan x cos x = sin x. W (y1 , y2 ) W (y1 , y2 )
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    112 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Donde c1 = cos xdx − sec xdx = sin x − ln |sec x tan x| c2 = sin xdx = −cosx, e a soluc˜o particular ´ dada por: ¸a e y p (x) = c1 cos x + c2 sin x = sin x cos x − cos x ln |sec x tan x| − sin x cos x − cos x ln |sec x tan x| . ¸˜ Segue-se que a solucao geral toma a forma: y(x) = c1 cos x + c2 sin x − cos x ln |sec x tan x| , com c1 , c2 constantes arbitr´rias. a ¸˜ 2.7 Equacao de Euler Para a maioria das equacoes diferenciais com coeficientes vari´ veis torna-se im- ¸˜ a poss´vel obter uma representacao da solucao geral em termos de funcoes elementa- ı ¸˜ ¸˜ ¸˜ res, sendo na maioria dos casos necess´ rio usar t´ cnicas mais sofisticadas, como por a e exemplo s´ ries de potˆ ncias, para obter a solucao. Existe, no entanto, uma classe e e ¸˜ de equacoes bastante frequente nas aplicacoes e cuja representacao da solucao pode ¸˜ ¸˜ ¸˜ ¸˜ e e ¸˜ ser obtida atrav´ s de m´ todos simples. Trata-se da equacao de Euler, que tem a forma: x2 y′′ + axy′ + by = g(x), x = 0. (2.58) Reescrevemos a equacao (2.58) como: ¸˜ a b g(x) y′′ + y′ + 2 y = 2 , (2.59) x x x
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    ¸˜ 2.7. EQUACAO DEEULER 113 que n˜ o est´ definida para x = 0. Como ponto de partida, devemos resolver a a a equacao de Euler homog´ nea ¸˜ e x2 y′′ + axy′ + by = 0, x = 0. (2.60) Se conseguirmos determinar duas solucoes linearmente independentes de (2.60), ¸˜ ent˜ o podemos posteriormente determinar uma solucao particular de (2.58) atrav´ s a ¸˜ e do m´ todo da variacao de parˆ metros. e ¸˜ a Com o intuito de resolver a equacao (2.60), assumiremos que esta equacao admite ¸˜ ¸˜ uma solucao da forma xλ . Substituindo na equacao (2.60), obtemos: ¸˜ ¸˜ λ (λ − 1) xλ + aλ xλ + bxλ = xλ (λ (λ − 1) + aλ + b) = 0. Se x = 0, podemos dividir por xλ e obtemos ent˜ o a equacao caracter´stica para esta a ¸˜ ı classe de equacoes: ¸˜ λ (λ − 1) + aλ + b = 0 (2.61) ou ainda λ 2 + (a − 1) λ + b = 0. ` A semelhanca das equacoes lineares homog´ neas com coeficientes constantes, exis- ¸ ¸˜ e tem trˆ s casos distintos que devem ser considerados separadamente: e Caso 1: A equacao caracter´stica (2.61) tem duas ra´zes reais distintas. ¸˜ ı ı Exemplo 2.24 Determine a solucao da equacao ¸˜ ¸˜ x2 y′′ + 2xy′ − 12y = 0, x = 0. ¸˜ Resolucao: A equac˜o caracter´stica ´ ¸a ı e λ (λ − 1) + 12λ − 12 = (λ + 4) (λ − 3) = 0,
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    114 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR cujas ra´zes s˜o λ = −4 e λ = 3. Temos ent˜o duas solucoes ı a a ¸˜ y1 = x−4 e y2 = x3 que s˜o linearmente independentes. a Segue-se que a solucao geral da equac˜o ´ dada por: ¸˜ ¸a e c1 y(x) = + c2 x3 , c1 , c2 ∈ R. x4 Em geral, temos o seguinte resultado: Teorema 17 Se a equacao caracter´stica da equacao (2.60) tem duas ra´zes ¸˜ ı ¸˜ ı reais e distintas λ1 e λ2 , ent˜ o a solucao geral de (2.60) e a ¸˜ ´ y(x) = c1 xλ1 + c2 xλ2 , c1 , c2 ∈ R. (2.62) Caso 2: A equacao caracter´stica (2.61) tem duas ra´zes reais iguais. ¸˜ ı ı Exemplo 2.25 Determine a solucao da equacao x2 y′′ − 3xy′ + 4y = 0, x > 0. ¸˜ ¸˜ ¸˜ Resolucao: A equac˜o caracter´stica ´ ¸a ı e λ 2 − 4λ + 4 = (λ − 2)2 = 0 cuja ra´z ´ λ = 2 (ra´z com multiplicidade 2). ı e ı Temos ent˜o uma solucao y1 (x) = x2 . a ¸˜ ¸˜ e A segunda solucao ´ determinada usando o M´todo da e ¸˜ Reducao de ordem (ver Secc˜o 2.3), obtendo-se ¸a y2 (x) = x2 ln x (Prove-o como exerc´cio). ı Temos ent˜o que a soluc˜o geral ´ a ¸a e y(x) = c1 x2 + c2 x2 ln x, c1 , c2 ∈ R.
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    ¸˜ 2.7. EQUACAO DEEULER 115 Em geral, temos: Teorema 18 Se a equacao caracter´stica da equacao (2.60) tem uma ra´z dupla ¸˜ ı ¸˜ ı λ , ent˜ o a solucao geral de (2.60) e a ¸˜ ´ y(x) = c1 xλ + c2 xλ ln |x|, c1 , c2 ∈ R. (2.63) Caso 3: A equacao caracter´stica (2.61) tem duas ra´zes complexas conjuga- ¸˜ ı ı das λ1 = α + iβ e λ2 = α − iβ . Exemplo 2.26 Determine a solucao da equacao ¸˜ ¸˜ x2 y′′ + 5xy′ + 13y = 0, x > 0. Resolucao: A equacao caracter´stica e ¸˜ ¸˜ ı ´ λ 2 + 4λ + 13 = 0 cujas ra´zes s˜ o λ = −2 ± 3i. ı a Temos ent˜ o as solucoes y1 (x) = x−2+3i e y2 (x) = x−2−3i . a ¸˜ a ´ E poss´vel eliminar os expoentes complexos, se nos lembrarmos que xa = eln x = ı ea ln x . Temos ent˜ o y1 (x) = x−2+3i = x−2 x3i = x−2 e3i ln x e aplicando a f´ rmula de Euler, a o vem y1 (x) = x−2 (cos (3 ln x) + i sin (3 ln x)) . De igual modo temos: y2 (x) = x−2 (cos (3 ln x) − i sin (3 ln x)) . Constru´mos agora duas outras solucoes a partir de y1 e y2 : ı ¸˜ 1 y3 (x) = (y1 (x) + y2 (x)) = x−2 cos (3 ln x) (2.64) 2 1 y4 (x) = (y1 (x) − y2 (x)) = x−2 sin (3 ln x) (2.65) 2
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    116 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR e a solucao geral e: ¸˜ ´ y(x) = x−2 (c1 cos (3 ln x) + c2 sin (3 ln x)) , c1 , c2 ∈ R. Em geral, temos: Estudamos de seguida duas aplicacoes da equacoes diferenciais ¸˜ ¸˜ de ordem–2 com coeficientes constantes. O leitor interessado poder´ consultar a a bibliografia para outras aplicacoes, nomeadamente em (?, ?; Zill, 1997). ¸˜ ¸˜ ˆ 2.8 Aplicacoes: sistemas mecanicos Suponha-se que uma mola flex´vel est´ pendurada verticalmente num suporte r´gido, ı a ı e que na extremidade livre da mola se pendura uma massa m. Esta massa vai pro- vocar um movimento vibrat´ rio da mola at´ ser atingida uma posicao de equil´brio. o e ¸˜ ı Designe-se por L o alongamento da mola na posicao de equil´brio, i.e., L e o com- ¸˜ ı ´ primento da mola na posicao de equil´brio menos o comprimento original da mola ¸˜ ı (de acordo com a Figura 2.1). Para construir um referencial relativamente ao qual x(t) < 0 F (t) O x(t) = 0 L X x(t) > 0 P (t) m Figura 2.1: Sistema mola–massa. est´ descrito o movimento da massa, supomos que a massa est´ concentrada num a a ponto material e consideramos um eixo vertical, OX , em que O coincide com o
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    ¸˜ ˆ 2.8. APLICACOES: SISTEMAS MECANICOS 117 ¸˜ ı ˙ ponto material na posicao de equil´brio e o semi-eixo OX aponta para baixo. Assim, consideramos como deslocamentos positivos os efectuados para baixo da posicao ¸˜ de equil´brio e negativos os feitos para cima da posicao de equil´brio. Seja x(t) a ı ¸˜ ı posicao do ponto material no instante t, referenciada no eixo OX (de acordo com a ¸˜ Figure 2.1). O alongamento da mola no instante t e o comprimento da mola no instante t menos ´ o comprimento original da mola. Facilmente se verifica que o alongamento da mola no instante t e x(t) + L, tanto se x(t) ≥ 0 como se x(t) < 0. Este alongamento e ´ ´ positivo ou negativo consoante a mola est´ esticada ou encolhida. De acordo com a a lei de Hooke, no instante t, a mola exerce na massa uma forca, F(t), que tem ¸ a direccao vertical (direccao coincidente com a direccao do alongamento), sentido ¸˜ ¸˜ ¸˜ contr´ rio ao do alongamento e cuja norma e, em cada instante, proporcional ao a ´ alongamento sofrido pela mola nesse instante. Isto e, F(t) = −k(x(t) + L)ˆ, onde ´ ı a constante de proporcionalidade, k > 0, e designada por constante da mola e ˆ ´ ı ˙ representa o vector de norma um com a direccao e o sentido do semi-eixo OX . ¸˜ A posicao de equil´brio e atingida quando a forca exercida pela mola e o peso P = ¸˜ ı ´ ¸ mgˆ, (onde g = 9, 8ms−2 e a aceleracao da gravidade) se anulam, isto e, quando ı ´ ¸˜ ´ F(t) = −P. Uma vez que na posicao de equil´brio se tem x(t) = 0, a condicao de equil´brio e ¸˜ ı ¸˜ ı ´ mg = kL. Assim, conhecendo o alongamento da mola na posicao de equil´brio, L, e ¸˜ ı a massa, m, pode obter-se a constante da mola k. Suponha-se agora que a massa e deslocada para a posicao de equil´brio e depois ´ ¸˜ ı libertada com velocidade v0 . Seja x0 = x(0) a posicao ocupada pela massa (ponto ¸˜ material) no instante inicial (instante em que e libertada). Assim x0 > 0 ou x0 < ´ 0 consoante a massa e libertada de uma posicao abaixo ou acima da posicao de ´ ¸˜ ¸˜ equil´brio L. ı
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    118 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR 2.8.1 ´ ˜ Movimento harmonico simples (ou nao amortecido) Pela Lei de Newton, a forca total a actuar na massa no instante t e mx′′ (t)ˆ. Supondo ¸ ´ ı que se trata de um movimento livre, por exemplo no v´ cuo, as forcas que actuam na a ¸ massa no instante t s˜ o a forca exercida pela mola, F(t) = −k(x(t) + L)ˆ, e o peso, a ¸ ı P = mgˆ. ı Dever´ assim ter-se que mx′′ (t) = −k (x(t) + L) + mg. Da condicao de equil´brio, a ¸˜ ı kL = mg, resulta que mx′′ (t) + kx(t) = 0. Obt´ m-se assim a ED de ordem–2 e coe- e ficientes constantes: k x′′ (t) + x(t) = 0, t > 0. (2.66) m Ent˜ o o PVI : a   x′′ (t) + k x(t) = 0, t > 0    m (2.67)  x(0) = x0   ′  x (0) = v 0 descreve completamente o movimento vibrat´ rio da massa. o Considerando ω = k/m, a ED (2.66) assume ent˜ o a forma: a x′′ (t) + ω 2 x(t) = 0, t > 0. (2.68) A ω chamamos velocidade angular, cuja unidade e rad/seg. ´ Vamos de seguida dar resposta as seguintes quest˜ es. ` o 1. Prove que o integral geral desta ED e ´ x(t) = c1 cos(ω t) + c2 sin(ω t), c1 , c2 ∈ R. (2.69) 2. Determine a solucao do PVI. ¸˜ 2π 3. Prove que esta funcao e peri´ dica de per´odo T = ¸˜ ´ o ı . A T chama-se o ω per´odo do movimento e a ω a frequˆ ncia circular do movimento. ı e
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    ¸˜ ˆ 2.8. APLICACOES: SISTEMAS MECANICOS 119 4. Supondo v0 = 0, reescreva a solucao na forma: ¸˜ x(t) = A sin (ω t + φ ) Atencao: tem de determinar A e φ . ¸˜ 5. Determine a amplitude do movimento. De forma a determinar a solucao geral de (2.67), determinamos as ra´zes da equacao ¸˜ ı ¸˜ caracter´stica, que s˜ o ±iω , levando a equacao geral: ı a ` ¸˜ x(t) = c1 cos ω t + c2 sin ω t. v0 Atrav´ s das condicoes iniciais, determinamos as constantes c1 = x0 e c2 = e ¸˜ ,ea ω solucao do problema de valor inicial e: ¸˜ ´ v0 x(t) = x0 cos ω t + sin ω t. (2.70) ω Seria agrad´ vel ter uma solucao do tipo: a ¸˜ x(t) = A sin (ω t + φ ) , (2.71) pois tal permitiria tracar com maior facilidade o gr´ fico da sobreposicao das funcoes ¸ a ¸˜ ¸˜ sinus´ ides. De forma a conseguir tal, usamos a f´ rmula trigonom´ trica do seno da o o e soma sin(x + y) = sin x cos y + cosx sin y : x(t) = A sin (ω t + φ ) = A sin ω t cos φ + A cos ω t sin φ v0 = x0 cos ω t + sin ω t. ω Ent˜ o, equacionando os coeficientes temos: a v0 A sin φ = x0 e A cos φ = ω v0 2 x2 + = A2 sin2 φ + A2 cos2 φ = A2 sin2 φ + cos2 φ = A2 0 ω
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    120 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR e ent˜ o a v0 2 A= x2 + . 0 ω Temos ainda que: 1 v0 x0 cos φ = e sin φ = Aω A e ent˜ o a sin φ x0 /A x0 ω tan φ = = = . cos φ v0 /ω A v0 Conclu´mos assim que a solucao (2.69) pode ser escrita na forma (2.71) com ı ¸˜ v0 2 A= x2 + 0 ω e x0 ω φ = tan−1 v0 ou x0 ω φ = tan−1 + π. v0 Devido a representacao (2.71), o movimento da massa diz-se movimento harm´ nico, ` ¸˜ o dado ser sinusoidal. Da an´ lise desta equacao, conclui-se que a massa oscila entre a ¸˜ as posicoes extremas ±A; A diz-se a amplitude do movimento. Como o seno tem ¸˜ 2π per´odo ı , este e ent˜ o o tempo requerido para completar uma oscilacao com- ´ a ¸˜ ω pleta. A frequˆ ncia natural f do movimento e o n´ mero de oscilacoes completas e ´ u ¸˜ por unidade de tempo: ω f= 2π . Observemos que ainda que a amplitude depende das condicoes iniciais, o mesmo ¸˜ n˜ o acontece com a frequˆ ncia. a e Exemplo 2.27 Suponhamos que x0 = 0.5m, k = 0.4N/m, m = 10kg, e v0 = k 2 √ 0.25m/s. Ent˜ o ω = a = = 0.04 = 0.2 e da equacao (2.70) ¸˜ m 3 0.25 x(t) = 0.5 cos 0.2t + sin 0.2t = 0.5 cos 0.2t + 1.25 sin 0.2t. 0.2
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    ¸˜ ˆ 2.8. APLICACOES: SISTEMAS MECANICOS 121 Calculemos ainda: √ A= 0.52 + 1.252 = 1.8125 ≈ 1.3463 e (0.5)(0.2) φ = tan−1 = tan−1 (0.4) ≈ 0.3805 radianos(≈ 21.8◦ ) 0.25 e ent˜ o a x(t) ≈ 1.3463 sin (0.2t + 0.3805) m. Exerc´cio 10 Uma forca de 5 N provoca um alongamento de 5 cm numa mola. ı ¸ Suponha-se que a massa e deslocada 5cm na direccao positiva e libertada com uma ´ ¸˜ velocidade inicial, para cima, de 0, 3 m/s. Determinemos a posicao da massa em ¸˜ cada instante, o per´odo e a amplitude do movimento. ı 2.8.2 ´ Movimento harmonico amortecido Como a suposicao de n˜ o existirem outras forcas a actuar na mola n˜ o e muito ¸˜ a ¸ a ´ realista, vamos agora considerar a existˆ ncia de forcas amortecedoras, como por e ¸ exemplo a resistˆ ncia do meio em que se desloca a massa. Supondo ser razo´ vel e a considerar a forca amortecedora total proporcional a velocidade intantˆ nea da massa ¸ ` a (por exemplo, quanto mais lento e o movimento mais pequena e a resistˆ ncia do ar), ´ ´ e obt´ m-se a equacao: e ¸˜ mx′′ (t) = −β x′ (t) − kx(t), t > 0. (2.72) onde β > 0 e a constante de amortecimento. Temos ent˜ o o problema de valor ´ a inicial: mx′′ (t) + β x′(t) + kx(t) = 0 (2.73) x(0) = x0 (2.74) x′ (0) = v0 (2.75)
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    122 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Comecamos ent˜ o por calcular as ra´zes da equacao caracter´stica: ¸ a ı ¸˜ ı −β ± β 2 − 4mk x(t) = . 2m A natureza da solucao geral depende do discriminante ¸˜ β 2 − 4mk. Se β 2 > 4mk, ent˜ o as ra´zes s˜ o ambas negativas, pois a ı a β 2 − 4mk < β . Neste caso −β + β 2 − 4mk −β − β 2 − 4mk t t x(t) = c1 e 2m + c2 e 2m (2.76) Esta solucao tende para zero quando t → ∞, para quaisquer condicoes iniciais. ¸˜ ¸˜ De igual modo, se o discriminante for nulo ent˜ o a x(t) = e(−β /2m)t (c1 + c2t, ) e o comportamento assimpt´ tico da solucao e semelhante. o ¸˜ ´ Se β 2 < 4mk, ent˜ o a solucao geral e a ¸˜ ´ 4mk − β 2 4mk − β 2 x(t) = e(−β /2m)t c1 cos t + c2 sin t , (2.77) 2m 2m que tem oscilacoes de frequˆ ncia ¸˜ e 4mk − β 2 f= . 4π m Exerc´cio 11 Uma forca de 2 N provoca um alongamento de 0, 2 m numa mola. ı ¸ Suponha-se que a massa e deslocada a partir da posicao de equil´brio com uma ve- ´ ¸˜ ı locidade inicial, no sentido negativo, de 0, 5 m/s. Supondo que actua na massa uma forca de amortecimento numericamente igual a dez vezes a velocidade instantˆ nea ¸ a da massa, determinar o afastamento da massa em relacao a posicao de equil´brio, ¸˜ ` ¸˜ ı em cada instante. 2.8.3 ´ Movimento harmonico forcado ¸ Neste caso, al´ m de existir, eventualmente, amortecimento, existe tamb´ m uma e e forca externa vertical a actuar no sistema ”mola-massa“. ¸
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    ¸˜ ˆ 2.8. APLICACOES: SISTEMAS MECANICOS 123 Suponha-se que o valor num´ rico dessa forca e, em cada instante, g(t) (g(t) > 0 ou e ¸ ´ g(t) < 0 consoante a forca externa aponta para baixo ou para cima). ¸ Assim, o PVI cuja solucao descreve o movimento vibrat´ rio da massa e do tipo ¸˜ o ´   mx′′ (t) − β x′ (t) + kx(t) = g(t), t > 0    x(0) = x0 (2.78)    ′  x (0) = v 0 onde β = 0 se n˜ o houver amortecimento e β > 0 se houver amortecimento. a Suponhamos que g(t) = F0 sin ω0t, temos ent˜ o: a β ′ k F0 x′′ (t) − x (t) + x(t) = sin ω0t. m m m Pelo m´ todo dos coeficientes indeterminados, temos que a solucao particular e da e ¸˜ ´ seguinte forma: x p (t) = b1 cos ω0t + b2 sin ω0t. Substituindo x p na equacao obt´ m-se: ¸˜ e −F0 β ω0 b1 = m2 ω 2 − ω0 + (β ω0 )2 2 −F0 m ω 2 − ω0 2 b2 = . m2 ω 2 − ω0 + (β ω0 )2 2 2.8.4 ¸˜ ´ Aplicacoes: Circuitos electricos Considere-se um circuito el´ ctrico em s´ rie (C-BRC) constitu´do por um gerador e e ı G que, em cada instante, produz uma voltagem de E(t) volts (V ), por uma bobina B que gera uma indutˆ ncia de L henrys (h), por uma resistˆ ncia R de R ohms (Ω) e a e por um condensador C com capacitˆ ncia de C farads ( f ). Geralmente a resistˆ ncia, a e a indutˆ ncia e a capacitˆ ncia s˜ o constantes e em cada instante t representa-se por a a a q(t)C (coulomb) a carga no condensador e por i(t) A (amp´ re) a intensidade da cor- e rente no circuito. Depois de fechado o circuito, de acordo com a 2a Lei Kirchhoff,
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    124 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR a soma das diferencas de potencial em cada n´ e igual a voltagem produzida pelo ¸ o´ ` gerador, isto e, VB +VR +VC = E(t), ou seja ´ di 1 L + Ri + q = E(t) (2.79) dt C Tendo em conta que a intensidade da corrente i(t) est´ relacionada com a carga q(t) a dq no condensador por i(t) = , obt´ m-se e dt d2q dq 1 L 2 + R + q = E(t). (2.80) dt dt C Se E(t) e constante, podemos diferenciar a equacao (2.79) de forma a obtermos ´ ¸˜ R L E(t) C i Figura 2.2: Exemplo de um circuito com trˆ s componentes. e uma equacao de ordem–2 homog´ nea: ¸˜ e d2i di i L 2 + R + = 0. (2.81) dt dt C De forma a resolver esta equacao, escrevemos a equacao caracter´stica ¸˜ ¸˜ ı R 1 λ2 + λ + =0 L CL que tem as seguintes ra´zes: ı −R + R2 − 4L/C −R − R2 − 4L/C λ1 = , λ2 = (2.82) 2L 2L Exemplo 2.28 Seja L = 1 henry (H), R = 100 ohm (Ω), C = 10−4 farad (f) e E = 1000 volt (V) no circuito da Figura 2.2. Suponha que no instante t = 0 n˜ o se a ¸ a ´ regista a presenca de qualquer carga e n˜ o corre qualquer corrente no circuito. E ent˜ o aplicada a voltagem E ao circuito. Particularizando a equacao (2.81) para a ¸˜ os valores deste exemplo, obt´ m-se as seguintes ra´zes da equacao caracter´stica: e ı ¸˜ ı √ √ λ1 = −50 + 50 3i λ2 = −50 − 50 3i, (2.83)
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    ¸˜ ˆ 2.8. APLICACOES: SISTEMAS MECANICOS 125 e temos ent˜ o que a √ √ i(t) = e−50t c1 cos 50 3t + c2 sin 50 3t . Aplicando agora a condicao inicial, i(0) = 0, obtemos c1 = 0. Ent˜ o: ¸˜ a √ i(t) = c2 e−50t sin 50 3t. Falta agora calcular c2 . Vamos fazˆ -lo atrav´ s da equacao (2.79), que e equivalente e e ¸˜ ´ a: di q(t) = C E − L − Ri dt Temos que calcular i′ (t) : √ √ √ i′ (t) = 50c2 e−50t 3 cos 50 3t − sin 50 3t . Substituindo i(t) e i′ (t) em q(t), obtemos : √ √ √ √ q(t) = 10−4 1000 − 50c2e−50t 3 cos 50 3t − sin 50 3t + 2 sin 50 3t 1 c2 −50t √ √ √ = − e sin 50 3t + 3 cos 50 3t 10 200 e segue que: √ 1 c2 3 20 q(0) = − = 0 ou c2 = √ , 10 200 3 e agora substitu´mos c2 : ı 1 1 √ √ √ q(t) = − √ e−50t sin 50 3t + 3 cos 50 3t (2.84) 10 10 3 20 √ i(t) = √ e−50t sin 50 3t. (2.85) 3 Da an´ lise destas equacoes, conclu´mos que a corrente rapidamente se desvane- a ¸˜ ı 1 cer´ fazendo com que a carga rapidamente atinja o seu estado est´ vel de a a cou- 10 lomb. Neste caso, chamamos a i(t) corrente transiente devido a brevidade do seu ` efeito.
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    126 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Exemplo 2.29 Consideremos os mesmos valores do Exemplo 2.28 para a in- ductˆ ncia, a resistˆ ncia e a capacitˆ ncia, mas E(t) = 962 sin 60t. Da equacao a e a ¸˜ (2.79) vem: di + 100i + 104q = 962 sin 60t (2.86) dt e convertendo toda a equacao em q como em (2.80) ¸˜ d 2q dq 2 + 100 + 104 q = 962 sin 60t. (2.87) dt dt ´ E evidente a existˆ ncia de uma solucao particular da forma: e ¸˜ q p (t) = A1 sin 60t + A2 cos 60t (2.88) (n˜ o h´ qualquer problema, pois j´ calcul´ mos no exerc´cio anterior a solucao da a a a a ı ¸˜ equacao homog´ nea associada e n˜ o existe qualquer sobreposicao entre a solucao ¸˜ e a ¸˜ ¸˜ particular e as solucoes do conjunto fundamental da equacao homog´ nea.) ¸˜ ¸˜ e De forma a determinar os valores de A1 e A2 temos que substituir q p na equacao, ¸˜ obtendo-se desta forma o seguinte sistema de equacoes: ¸˜   6400A − 6000A = 962 1 2  6000A − 6400A = 0 1 2 2 3 e A1 = e A2 = − . Tendo em atencao que a solucao geral da equacao ho- ¸˜ ¸˜ ¸˜ 25 40 mog´ nea associada e a mesma da equacao do Exemplo 2.28, a solucao geral de e ´ ¸˜ ¸˜ (2.87) e: ´ √ √ 2 3 q(t) = e−50t c1 cos 50 3t + c2 sin 50 3t + sin 60t − cos 60t. 25 40 Diferenciado esta ultima equacao, obt´ m-se: ´ ¸˜ e √ √ √ √ 24 9 i(t) = 50e−50t 3c2 − c1 cos 50 3t − c2 + 3c1 sin 50 3t + cos 60t + sin 60t. 5 2 Com t = 0 e fazendo uso da condicao inicial, obt´ m-se: ¸˜ e 3 √ 24 q(0) = c1 − = 0, i(0) = 50 3c2 − c1 + = 0, (2.89) 40 5
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    ¸˜ 2.9. EQUACOES DIFERENCIAISDE ORDEM SUPERIOR 127 3 21 ent˜ o c1 = a e c2 = − √ . 40 1000 3 Temos ent˜ o: a e−50t √ √ √ 80 sin 60t − 75 cos 60t q(t) = 75 cos 50 3t − 7 3 sin 50 3t + 1000 1000 e−50t √ √ √ 45 sin 60t + 48 cos 60t i(t) = − 24 cos 50 3t + 17 3 sin 50 3t + . 5 10 ¸˜ 2.9 Equacoes diferenciais de ordem superior Nesta seccao generalizamos os resultados deste cap´tulo a equacoes diferenciais de ¸˜ ı ¸˜ ordem superior a dois. Definimos a equacao diferencial linear homog´ nea de ordem–n: ¸˜ e y(n) (x) + an−1 (x)y(n−1) (x) + · · · + a1 (x)y′ (x) + a0 (x)y(x) = g(x), (2.90) cuja equacao homog´ nea associada e ¸˜ e ´ y(n) (x) + an−1 (x)y(n−1) (x) + · · · + a1 (x)y′ (x) + a0 (x)y(x) = 0. (2.91) Generalizando o Teorema 1, sabemos que o problema de valor inicial y(n) (x) + an−1 (x)y(n−1) (x) + · · · + a1 (x)y′ (x) + a0 (x)y(x) = g(x), y(0) = y0 y′ (0) = y0 ′ . . . (n) y(n) (0) = y0 tem solucao unica sempre que a0 (x), . . . , a(n−1) , g(x) s˜ o funcoes cont´nuas. ¸˜ ´ a ¸˜ ı De forma a calcular a solucao procedemos de modo an´ logo ao adoptado para calcu- ¸˜ a lar a solucao de equacoes difererenciais lineares de ordem–2. Generalizemos ent˜ o ¸˜ ¸˜ a
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    128 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR os procedimentos descritos para a resolucao de equacoes diferenciais de segunda ¸˜ ¸˜ ordem. As solucoes y1 , y2 , . . ., yn s˜ o linearmente independentes num intervalo I se nesse ¸˜ a intervalo c1 y1 +c2 y2 +· · ·+cn yn = 0 implica c1 = c2 = · · · = cn = 0. Caso contr´ rio, a as solucoes dizem-se linearmente dependentes. ¸˜ A express˜ o c1 y1 +c2 y2 +· · ·+cn yn diz-se combinacao linear das funcoes y1 , y2 , . . . , yn . a ¸˜ ¸˜ O Wronskiano de y1 , y2 , . . . , yn e definido como: ´ y1 y2 ··· yn y′1 y′ 2 ··· y′ n W (y1 , y2 , . . . , yn ) = . (2.92) . . (n−1) (n−1) (n−1) y1 y2 · · · yn Teorema 19 Sejam a0 , a1 , . . . , an−1 funcoes cont´nuas num intervalo I e y1 , y2 , . . . , yn ¸˜ ı n solucoes da equacao diferencial (2.91). Ent˜ o ¸˜ ¸˜ a 1. O W (y1 , y2 , . . ., yn ) (x) ou e sempre identicamente zero para todo o x ∈ I ou ´ nunca se anula. 2. y1 , y2 , . . . , yn s˜ o linearmente independentes se e s´ se a o W (y1 , y2 , . . . , yn ) = 0. Exemplo 2.30 Sabendo que as funcoes 1, x, x2 s˜ o solucoes da equacao ¸˜ a ¸˜ ¸˜ y′′′ (x) = 0, determine se s˜ o linearmente independentes entre si. a ¸˜ Resolucao: 1 x x2 W (y1 , y2 , y3 ) = 0 1 2x = 2 = 0 0 0 2
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    ¸˜ 2.9. EQUACOES DIFERENCIAISDE ORDEM SUPERIOR 129 as func˜es s˜o linearmente independentes e como tal podemos ¸o a escrever a soluc˜o geral: ¸a y(x) = c1 + c2 x + c3 x2 , c1 , c2 , c3 ∈ R. ¸˜ Solucao geral O procedimento para determinacao da solucao geral de uma ¸˜ ¸˜ equacao do tipo (2.90) e o seguinte: ¸˜ ´ passo 1 Determine n solucoes linearmente independentes y1 , y2 , . . . , yn da equacao ¸˜ ¸˜ homog´ nea associada (2.91). e passo 2 Determine uma solucao particular, y p , da equacao n˜ o homog´ nea (2.90). ¸˜ ¸˜ a e Posto isto: ¸˜ A solucao geral da equacao (2.90) escreve-se da seguinte forma: ¸˜ y(x) = c1 y1 (x) + c2 y2 (x) + · · · + cn yn (x) +y p yc onde yc e a solucao geral de (2.91). ´ ¸˜ Como j´ vimos antes, na generalidade s´ e poss´vel determinar a solucao de equacoes a o´ ı ¸˜ ¸˜ diferenciais do tipo (2.90) com coeficientes constantes. Se substituirmos y = eλ x na equacao homog´ nea (2.90), obtemos a equacao carac- ¸˜ e ¸˜ teristica: λ n + an−1 λ n−1 + · · · + a1 λ + a0 . (2.93) A equacao caracter´stica tem n ra´zes λ1 , λ2 , . . ., λn . Algumas destas ra´zes poder˜ o ¸˜ ı ı ı a ser reais e distintas, reais e iguais, ra´zes complexas conjugadas distintas e pares ı iguais de ra´zes conjugadas. ı
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    130 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Se uma ra´z λk , real ou complexa, ocorre m vezes, dizemos que a ra´z tem multipli- ı ı cidade m. Sintetizamos no seguinte quadro, as diferentes formas de construir as ra´zes da ı equacao geral a partir das ra´zes da equacao caracter´stica: ¸˜ ı ¸˜ ı ¸˜ Como determinar a solucao de uma ED homog´ nea? e ¸˜ ¸˜ Procedimento para determinar a solucao geral de uma equacao linear ho- mog´ nea com coeficientes constantes e 1. Determine a equacao caracter´stica de (2.90). ¸˜ ı 2. Determine as ra´zes de (2.93) ı 3. Cada ra´z real simples λ origina uma ra´z y =λ x de (2.90) ı ı 4. Cada ra´z real λk de multiplicidade m > 1, origina m ra´zes de (2.90) ı ı y1 = eλk x , y2 = xeλk x , . . . , ym = xm−1 eλk x 5. Cada par de ra´zes conjugada simples y1 = α + iβ e y2 = α − iβ originam ı duas solucoes de (2.90): ¸˜ y1 = eα x cos β x e y2 = eα x sin β x. 6. Cada par de ra´zes conjugadas de multiplicidade m > 1, origina 2m ra´zes de ı ı (2.90): y1 = eα x cos β x, y2 = xeα x cos β x, . . . , ym = xm−1 eα x cos β x ym+1 = eα x sin β x, ym+2 = xeα x sin β x, . . . , y2m = xm−1 eα x sin β x. 7. Se y1 , y2 , . . . , yn s˜ o n solucoes de (2.90) obtidas nos passos 3—6, ent˜ o estas a ¸˜ a solucoes s˜ o linearmente independentes e a solucao geral e: ¸˜ a ¸˜ ´ y(x) = c1 y1 + c2 y2 + · · · + cn yn . Exemplo 2.31 Resolva a equacao y′′′ − 3y′′ − 10y′ + 24y = 0. ¸˜
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    ¸˜ 2.9. EQUACOES DIFERENCIAISDE ORDEM SUPERIOR 131 Resolucao: A equac˜o caracter´stica λ 3 −3λ 2 −10λ +24 = 0 tem ¸˜ ¸a ı ra´zes λ1 = 2, λ2 = −3, λ3 = 4. ı Dado que estas ra´zes s˜o reais e distintas, ent˜o as resultantes ı a a solucoes da equac˜o s˜o linearmente independentes, e escrevemos ¸˜ ¸a a ¸˜ ent˜o a solucao geral: a y(x) = c1 e2x + c2 e−3x + c3 e4x , c1 , c2 , c3 ∈ R. Exemplo 2.32 Determine a solucao geral de y(4) − 4y′′′ + 6y′′ − 4y′ + y = 0. ¸˜ ¸˜ Resolucao: A equac˜o caracter´stica ¸a ı λ 4 − 4λ 3 + 6λ 2 − 4λ + 1 = (λ − 1)4 = 0 tem uma ´nica ra´z de multiplicidade 4. u ı ¸˜ Temos ent˜o a solucao a geral: y(x) = ex c1 + c2 x + c3 x2 + c4 x3 . Exemplo 2.33 Determine a solucao de y(5) − 2y(4) + 8y′′ − 12y′ + 8y = 0. ¸˜ ¸˜ Resolucao: A equacao caracter´stica ´ ¸˜ ı e 2 λ 5 − 2λ 4 + 8λ 2 − 12λ + 8 = (λ + 2) λ 2 − 2λ + 2 = 0, que tem como solucoes a ra´z real simples λ1 = −2 e um par ¸˜ ı de ra´zes conjugadas de multiplicidade 2 ı λ2 = 1 + i e λ3 = 1 − i. Posto isto, a solucao geral ´: ¸˜ e y(x) = c1 ex + (c2 + c3 x) ex cos x + (c4 + c5 x) ex sin x.
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    132 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR Nota 16 A determinacao das ra´zes de um polin´ mio de grau superior a trˆ s nem ¸˜ ı o e sempre e tarefa f´ cil. ´ a A quest˜ o que a seguir se coloca e a de como determinar a solucao particular a ´ ¸˜ de (2.90). Para servir este prop´ sito, e a semelhanca do que acontece com as o ` ¸ equacoes lineares de ordem–2, existem dois m´ todos (i) o m´ todo dos coeficientes ¸˜ e e indeterminados e (ii) o m´ todo da variacao de parˆ metros. e ¸˜ a Finalmente, s´ algumas equacoes com coeficientes vari´ veis s˜ o pass´veis de resolucao, o ¸˜ a a ı ¸˜ como por exemplo a equacao de Euler. ¸˜ 2.10 Exerc´cios ı 1. Considere x = c1 et + c2 e−t como a fam´lia de dois parˆ metros de solucoes ı a ¸˜ da ED x′′ − x = 0 no intervalo (−∞, ∞). Determine um membro desta fam´lia ı que satisfaca as condicoes x(0) = 0 e x′ (0) = 1. ¸ ¸˜ 2. Para o mesmo problema, determine a solucao particular que satisfaca as condicoes ¸˜ ¸ ¸˜ de fronteira x(0) = 0 e x′ (1) = 1. 3. Considere a equacao diferencial ¸˜ xy′′ − y′ = 0 (⋆) cuja solucao geral, em R, e a fam´lia de funcoes caracterizada por y = α1 + ¸˜ ´ ı ¸˜ α2 x2 , α1 , α2 ∈ R. (a) Mostre que o problema de condicoes iniciais ¸˜ (⋆) ∧ y (0) = 0 ∧ y′ (0) = 1 n˜ o tem solucao. Analise a causa de tal facto; a ¸˜
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    ´ 2.10. EXERCICIOS 133 (b) Determine duas solucoes do seguinte problema ¸˜ (⋆) ∧ y (0) = 0 ∧ y′ (0) = 0; (c) Resolva o seguinte problema de condicoes de fronteira; ¸˜ (⋆) ∧ y (0) = 1 ∧ y′ (1) = 6. 4. Estude quanto a independˆ ncia linear os seguintes conjuntos de funcoes: ` e ¸˜ (a) f1 (t) = t, f2 (t) = t + 1 em R; (b) f1 (t) = t, f2 (t) = |t| em R; (c) f1 (t) = t, f2 (t) = |t| em R+ ; (d) f1 (t) = 0, f2 (t) = t, f3 (t) = 1 em R; (e) f1 (t) = sin2 t, f2 (t) = cost, f3 (t) = 1 em R; (f) f1 (t) = cos 2t, f2 (t) = 1, f3 (t) = cos2 t em R; (g) f1 (t) = et , f2 (t) = e−t , f3 (t) = e4t em R. 5. Considerando f1 (t) = 2 e f2 (t) = et , repare que f1 (0) − 2 f2 (0) = 0. Pode garantir que f1 e f2 s˜ o linearmente dependentes em qualquer intervalo con- a tendo t = 0? 6. Averig´ e se as funcoes et e e2t constituem um sistema fundamental de solucoes u ¸˜ ¸˜ para as seguintes ED: (a) x′′ − 3x′ + 2x = 0; (b) x′′′ − 4x′′ + 5x′ − 2x = 0. 7. Para cada um dos casos seguintes, mostre que as funcoes y′ s apresentadas for- ¸˜ i mam um conjunto fundamental de solucoes da equacao diferencial e escreva ¸˜ ¸˜ a solucao geral desta. ¸˜
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    134 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR (a) y′′ − y′ − 12y = 0, y1 = e−3x , y2 = e4x , em R; (b) y′′ − 4y = 0, y1 = cosh (2x) , y2 = sinh (2x) , em R; (c) y′′ − 2y′ + 5y = 0, y1 = ex cos (2x) , y2 = ex sin (2x), em R; (d) x2 y′′ − 6xy′ + 12y = 0, y1 = x3 , y2 = x4 , em R+ ; (e) y(4) + y′′ = 0, y1 = 1, y2 = x, y3 = cos x, y4 = sin x, em R. 8. Averig´ e se as seguintes funcoes constituem um sistema fundamental de solucoes u ¸˜ ¸˜ para a ED x′′′ = 0, e em caso afirmativo escreva a solucao geral: ¸˜ (a) 1,t + 1,t 2 ; 2 (b) t 2 ,t 2 + 1, t 2 + 1 ; 2 (c) t + 1, t 2 + 1 ; 2 (d) 1,t − 1, t 2 + 2 ; (e) {t, 2t}; (f) t, 2t,t + 1,t 2 ; 9. Em algumas das seguintes al´neas, as funcoes apresentadas constituem sis- ı ¸˜ temas fundamentais de solucoes para determinadas equacoes diferenciais ho- ¸˜ ¸˜ mog´ neas normais em certos intervalos. Em cada caso, determine essas equacoes e ¸˜ diferenciais e os correspondentes intervalos. (a) 2,t − 4,t 2 ; (b) t 3 ,t 4 ; (c) et , e3t , e5t ; (d) {t − 1, sint, cost} ; (e) {1,t, sint, cost}; (f) {2,t + 2,t − 4} ; 1 (g) {et , sinht, cosht} ; (h) t 2,t − , (t − 1)2 . 2 10. Determine o integral geral de cada uma das seguintes equacoes diferenciais ¸˜ homog´ neas: e
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    ´ 2.10. EXERCICIOS 135 (a) 2y′′ − 5y′ = 0; (b) 2y′′ − 3y′ + 4y = 0; (c) y′′ − y′ − 6y = 0; d 2y dy (d) 2 − 10 + 25y = 0; dx dx (e) y′′′ − 4y′′ − 5y′ = 0; d 4y d 3y d 2y (f) + + = 0; dt 4 dt 3 dt 2 (g) y′′′ + 3y′′ + 3y′ + y = 0; d 5x dx (h) 5 − 16 = 0. dt dt 11. Resolva os seguintes problemas de condicoes iniciais: ¸˜ (a) y′′ − 8y′ + 17y = 0, y (0) = 4, y′ (0) = −1; (b) x′′ − 2x′ + x = 0, x (0) = 5, x′ (0) = 10; π π (c) y′′ + y = 0, y 3 = 0, y′ 3 = 2; (d) y′′′ + 2y′′ − 5y′ − 6y = 0, y (0) = y′ (0) = 0, y′′ (0) = 1; d 4y (e) = 0, y (0) = 0, y′ (0) = 3, y′′ (0) = 4, y′′′ (0) = 5; dx4 d 4y d3y d 2 y dy (f) −3 3 +3 2 − = 0, y (0) = y′ (0) = 0, y′′ (0) = y′′′ (0) = 1; dt 4 dt dt dt (g) x(iv) − x = 0, x (0) = x′ (0) = x′′ (0) = 0, x′′′ (0) = 1. 12. Resolva os problemas de condicoes de fronteira: ¸˜ (a) y′′ − 10y′ + 25y = 0, y (0) = 1, y (1) = 0; π (b) y′′ + y = 0, y′ (0) = 0, y′ 2 = 2. 13. Sabendo que x p1 = 3e2t e x p2 = t 2 + 3t s˜ o solucoes particulares de a ¸˜ x′′ − 6x′ + 5x = −9e2t x′′ − 6x′ + 5x = 5t 2 + 3t − 16,
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    136 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR respectivamente, determine as solucoes particulares de ¸˜ x′′ − 6x′ + 5x = 5t 2 + 3t − 16 − 9e2t x′′ − 6x′ + 5x = −10t 2 − 6t + 32 + e2t . 14. Determine a solucao geral de cada uma das equacoes diferenciais seguintes: ¸˜ ¸˜ (a) y′′ − 9y = 54; (b) y′′′ + 2y′′ + y′ = 10; (c) y′′ + 4y′ + 4y = 2x + 6; (d) y′′′ + y′′ = 8x2 (e) y′′ − y′ − 12y = e4x ; (f) y′′ − 2y′ − 3y = 4ex − 9; (g) y′′ + 25y = 6 sin x; (h) y′′ − y = x2 ex + 5; (i) y′′ − 2y′ + 5y = ex sin x; (j) y′′ + y = 4 cos x − sin x. 15. Resolva os problemas de condicoes iniciais seguintes: ¸˜ π π (a) y′′ + y = 8 cos (2x) − 4 sin x, y 2 = −1, y′ 2 = 0; (b) y′′′ − 2y′′ + y′ = xex + 5, y (0) = 2, y′ (0) = 2, y′′ (0) = −1; (c) y(4) − y′′′ = x + ex , y (0) = 0, y′ (0) = 0, y′′ (0) = 0, y′′′ (0) = 0. 16. Usando reducao de ordem, determine uma segunda solucao de cada uma das ¸˜ ¸˜ ¸˜ ˜ seguintes equacoes e indique tambA c m a solucao geral da equacao. ¸˜ ¸˜ (a) x′′ + 5x′ = 0, x1 = 1; (b) x′′ − 4x′ + 4x = 0, x1 = e2t ;
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    ´ 2.10. EXERCICIOS 137 (c) x′′ + 2x′ + x = 0, x1 = te−t ; (d) x′′ + 16x = 0, x1 = cos 4t; (e) x′′ − x = 0, x1 = cosht; 2x (f) 9y′′ − 12y′ + 4y = 0, y1 = e 3 . 17. Use o m´ todo da reducao de ordem para determinar a solucao de cada uma das e ¸˜ ¸˜ seguintes equacoes n˜ o homog´ neas: A solucao indicada e uma das solucoes ¸˜ a e ¸˜ ´ ¸˜ da ED homog´ nea associada. Determine a segunda solucao da ED homog´ nea e ¸˜ e e ainda uma solucao particular da ED n˜ o homog´ nea. No final, apresente a ¸˜ a e solucao geral. ¸˜ (a) x′′ − 4x = 2, x1 = e−2t ; (b) x′′ + x′ = 1, x1 = 1; (c) x′′ − 3x′ + 2x = 5e3t , x1 = et ; (d) x′′ − 4x′ + 3x = t, x1 = et . 18. Determine a solucao de cada uma das seguintes ED, utilizando o m´ todo da ¸˜ e variacao de parˆ metros ¸˜ a (a) x′′ + x = sect; (b) x′′ − x = cosht; e2t (c) x′′ − 4x = t ; (d) x′′ + x = tant; (e) x′′ + x = sect tant; (f) x′′ + 4x = cos2 t; (g) x′′′ + 4x′ = sec 2t; (h) 2x′′′ − 6x′′ = t 2 .
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    138 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR 19. Considerando as seguintes condicoes iniciais x(0) = 1 e x′ (0) = 0, resolva os ¸˜ seguintes PVI, usando o m´ todo da variacao de parˆ metros. e ¸˜ a (a) 4x′′ − x = tet/2 ; (b) 2x′′ + x′ − x = t + 1; (c) x′′ + 2x′ − 8x = 2e−2t − e−t ; ˜ ˜ 20. Dadas duas soluA§Aes x1 = cos(ln x) e x2 = sin(ln x) linearmente indepen- dentes de t 2 x′′ + tx + x = 0, em (0, ∞) , determine uma soluA§A£o particular de ˜ ˜ t 2 x′′ + tx + x = sec(lnt). 21. Resolva as seguintes ED lineares: (a) t 2x′ − 2x = 0; (b) 4t 2x′ + x = 0; (c) tx′′ + x′ = 0; (d) 3t 2x′′ + 6tx′ + x = 0; (e) t 3x′′′ + tx′ − x = 0; d3x d 2x dx (f) t 3 3 − 2t 2 2 + 4t − 4x = 0. dt dt dt 22. Resolva os seguinte PVI: (a) t 2x′′ + 3tx′ = 0, x(1) = 0, x′ (1) = 4; (b) t 2x′′ − 5tx′ + 8x = 0, x(2) = 32, x′ (2) = 0; (c) t 2x′′ + tx′ + x = 0, x(1) = 1, x′ (1) = 2; ˜ ˜ ˜ 23. Resolva as seguinte ED lineares, usando o mA c todo da variaA§A£o de ˜ parAmetros:
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    ´ 2.10. EXERCICIOS 139 (a) tx′′ + x′ = t; (b) 2t 2x′′ + 5tx′ + x = t 2 − t; (c) t 2x′′ − tx′ + x = 2t. 24. (a) Uma massa de 2 Kg provoca um alongamento de 10 cm numa mola. Suponha-se que a massa e puxada para baixo mais 5 cm e depois li- ´ bertada, com velocidade inicial nula. Supondo que n˜ o h´ resistˆ ncia a a e do ar, determine a posicao da massa em cada instante t, o per´odo e a ¸˜ ı amplitude do movimento. (b) Uma massa de 100 g provoca um alongamento de 5 cm numa mola. A massa e posta em movimento a partir da sua posicao em equil´brio com ´ ¸˜ ı uma velocidade inicial, no sentido positivo, de 10 cm/s. Desprezando a resistˆ ncia do ar, determine a posicao da massa em cada instante t. Em e ¸˜ que instantes passa a massa pela sua posicao de equil´brio? ¸˜ ı (c) Uma massa pesando 3 N provoca um alongamento de 6 cm numa mola. Suponha-se que a massa e empurrada para cima numa distˆ ncia de 1cm e ´ a e ent˜ o colocada em movimento com uma velocidade inicial, no sentido ´ a positivo, de 1 m/s. Desprezando a resitˆ ncia do ar, determine o per´odo e ı e a amplitude do movimento. (d) O movimento de um certo sistema mola-massa e governado pela equacao ´ ¸˜ 5 x′′ (t) + x′(t) + x(t) = 0, t > 0, (2.94) 2 onde t est´ medido em segundos e x em metros. Supondo que x(0) = 0 a √ e x′ (0) = 3/2, determine a posicao da massa em qualquer instante t. ¸˜ Determine ainda qual o instante em que a massa, ap´ s ser colocada em o movimento, volta a passar pela sua posicao de equil´brio pela primeira ¸˜ ı vez? (e) Uma massa de 4 Kg est´ presa a uma mola cuja constante vale 2 N/m. a
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    140 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR O meio onde o sistema est´ colocado oferece uma resistˆ ncia ao movi- a e mento da massa que e numericamente igual a quatro vezes a velocidade ´ instantˆ nea da massa. Suponha que a massa e libertada do seu ponto de a ´ equil´brio com uma velocidade inicial, no sentido positivo, de 2 m/s. ı i. Determine a posicao da massa em cada instante. ¸˜ ii. Em que instante atinge a massa a posicao mais afastada da sua ¸˜ posicao de equil´brio, e qual e essa mesma posicao? ¸˜ ı ´ ¸˜ iii. Supondo desprez´ veis vibracoes de amplitude inferior a 0, 1 mm, a ¸˜ quanto tempo demora a massa a imobilizar-se? (f) Uma forca de 2 N provoca um alongamento de 4 cm numa mola. Suponha- ¸ se que a massa e deslocada 5 cm no sentido positivo e libertada sem ve- ´ locidade inicial. Suponha-se ainda que o sistema se move num meio que oferece uma resistˆ ncia ao movimento da massa que e numericamente e ´ igual a 3 vezes a velocidade instantˆ nea da massa e que uma forca ex- a ¸ terna, vertical e apontando para baixo, de 2 sint N actua na massa. For- mule o problema de valor inicial cuja solucao descreve o movimento da ¸˜ massa. 25. (a) Considere um circuito el´ ctrico em s´ rie (C-BRC). Suponha que E(t) = e e 3V, L = 0, 2 h,C = 10−3 f , R = 30 Ω e que no instante inicial q(0) = 3 × 10−2 C e q′ (0) = 10−2 A. Calcule a carga no condensador em cada instante t > 0. (b) Considere um circuito el´ ctrico em s´ rie (C-BRC), onde L = 0.05 h,C = e e 0.01 f , R = 2 Ω e E(t) = 0V. Supondo que no instante inicial q(0) = 5C e i(0) = 0 A, i. Determine a carga no condensador no instante t = 0.01 s. ii. Determine o primeiro instante em que a carga no condensador se
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    ´ 2.10. EXERCICIOS 141 torna nula. 26. Verifique que o par de funcoes dado e solucao do sistema de equacoes ¸˜ ´ ¸˜ ¸˜    dx  x = e−2t + 3e6t  = x + 3y (a) dt e ;  dy = 5x + 3y   y = −e−2t + 5e6t dt  2   d x t  x = cos 2t + sin 2t + 1 et  2 = 4y + e  (b) dt e 5 .  d 2y t  y = − cos 2t − sin 2t − 1 et  = 4x − e  5 dt 2 27. Verifique se X e vector-solucao de cada um dos seguintes sistemas de ED. ´ ¸˜   dx = 3x − 4y    1 (a) dt ; X =   e−5t ;  dy 2  = 4x − 7y dt   dx =    −2x + 5y 5 cost (b) dt ; X =  et ;  dy 3 cost − sint  = −2x + 4y dt       2 1 1 4 (c) X′ =  X; X =   et +   tet ; −1 0 3 −4     1 0 1 sint     ′=    1 1  (d) X  1 1 0  X ; X = − 2 sint − 2 cost  ;     −2 0 −1 − sint + cost 28. Determine a solucao geral das seguintes ED, depois de as reduzir a um SH de ¸˜ EDL da forma X ′ = AX . (a) x′′′ − 2x′′ + x′ = 0; (b) 2x′′ + 2x′ − x = 0; (c) x′′′ − 2x′′ − x′ + 2x = 0; (d) x′ − 3x′ + 2x = 0. 29. Transforme cada um dos seguintes sistemas diferenciais numa ED de 2a or-
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    142 ´ CAPITULO 2. ED DE ORDEM–2 OU SUPERIOR dem. Em seguida determine a solucao que satisfaz as condicoes iniciais indicadas. ¸˜ ¸˜    x′ = 3x − 2x  1  x (0) = 3  1 1 2 (a) ;  ′  x = 2x1 − 2x2   x2 (0) = 1 2 2    x′ = x − 2x  1  x (0) = −1  1 1 2 (b) .  ′  x = 3x1 − 4x2   x2 (0) = 2 2   x(t) 30. (a) Seja x(t) uma solucao da ED x′′ +x′ +x = 0. Mostre que X (t) =  ¸˜  x ′ (t) e solucao do sistema diferencial ´ ¸˜   0 1 X′ =  X. −1 −1   x(t) (b) Seja X (t) =   solucao do sistema diferencial ¸˜ x ′ (t)   0 1 X′ =  X. −3 4 Mostre que y(t) = x1 (t) e solucao da ED y′′ − 4y′ + 3y = 0. ´ ¸˜
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    Cap´tulo 3 ı Sistemas de ED lineares de ordem–1 Sistemas de equacoes diferenciais aparecem em problemas que envolvam mais do ¸˜ que uma inc´ gnita, sendo cada uma das inc´ gnitas funcao de uma vari´ vel inde- o o ¸˜ a pendente, que frequentemente representa o tempo. Representamos esta vari´ vel a independente por t e as vari´ veis dependentes por x(t) e y(t), no caso de termos a apenas duas inc´ gnitas, ou por x1 (t), x2(t), . . ., xn (t), caso se trate de um sistema o com mais do que duas inc´ gnitas. o O nosso objecto de estudo ser˜ o os sistemas de equacoes lineares de primeira or- a ¸˜ dem, para os quais apresentaremos uma abordagem em muito similar a apresentada ` no cap´tulo anterior para equacoes lineares de ordem n. Comecaremos, na Sess˜ o ı ¸˜ ¸ a 3.1, por introduzir definicoes b´ sicas e a notacao que usaremos ao longo do cap´tulo, ¸˜ a ¸˜ ı e mostraremos a estreita relacao que existe entre uma equacao linear de ordem n e ¸˜ ¸˜ um sistema de n equacoes lineares de primeira ordem. A quest˜ o da existˆ ncia e ¸˜ a e unicidade de solucao de um sistema de equacoes lineares ser´ tamb´ m abordada ¸˜ ¸˜ a e nesta seccao introdut´ ria. A sess˜ o 3.2 conduz-nos ao estudo de sistemas linea- ¸˜ o a res homog´ neos com coeficientes constantes, o qual assenta no estudo dos valores e 143
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    144 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 pr´ prios da matriz dos coeficientes do sistema. Na seccao 3.3 consideraremos siste- o ¸˜ mas n˜ o homog´ neos de coeficientes constantes e utilizaremos uma vers˜ o matricial a e a do m´ todo da variacao de parˆ metros, que nos permitir´ obter uma solucao particu- e ¸˜ a a ¸˜ lar do sistema n˜ o homog´ neo. A resolucao de alguns exerc´cios modelo permitir˜ o a e ¸˜ ı a consolidar a apresentacao te´ rica dos conte´ dos. ¸˜ o u ´ 3.1 Conceitos basicos ¸˜ Definicao 18 Um sistema de equacoes diferenciais e um sistema constitu´do ¸˜ ´ ı por duas, ou mais, equacoes diferenciais, envolvendo derivadas de duas, ou mais, ¸˜ vari´ veis dependentes relativamente a uma unica vari´ vel independente. a ´ a Um sistema de equacoes diferenciais de 1a ordem pode ser escrito na forma normal ¸˜   dx1 = g (t, x , . . ., x )    dt 1 1 n  . . .   dx   n  = gn (t, x1, . . ., xn ), dt onde gi , i = 1, . . ., n, s˜ o funcoes de n + 1 vari´ veis definidas num intervalo I ⊂ R. a ¸˜ a Em particular, quando cada uma das funcoes g1 , g2 , . . . , gn e linear nas vari´ veis ¸˜ ´ a dependentes x1 , . . . , xn , obtemos a forma normal de um sistema linear de equacoes ¸˜ de 1a ordem:   dx1  dt = a11 (t)x1 + a12 (t)x2 + . . . + a1n (t)xn + f1 (t)    . . . (3.1)   dx   n  = an1 (t)x1 + an2 (t)x2 + . . . + ann (t)xn + fn (t). dt Ao sistema (3.2) chamamos sistema de n equacoes diferenciais lineares de 1a ordem ¸˜ ou, abreviadamente, sistema linear. No que se segue iremos supor que os coeficientes ai j e as funcoes fi s˜ o cont´nuas ¸˜ a ı num intervalo I ⊂ R.
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    ´ 3.1. CONCEITOS BASICOS 145 Quando fi (t) = 0, i = 1, . . ., n, o sistema linear diz-se homog´ neo. Caso contr´ rio, e a diz-se n˜ o homog´ neo. a e ¸˜ Definicao 19 Uma solucao de um sistema de n equacoes diferenciais ordin´ rias ¸˜ ¸˜ a e um conjunto de funcoes, suficientemente diferenci´ veis ´ ¸˜ a x1 = φ1 (t), x2 = φ2 (t), ..., xn = φn (t) que satisfazem todas as equacoes diferenci´ veis do sistema, nalgum intervalo co- ¸˜ a mum. ˆ ¸˜ Teorema 20 (Existencia e Unicidade de Solucao) Se os coefici- entes ai j (t) e as funcoes fi (t) forem cont´nuas num intervalo I,t0 ∈ I, e se k1 , k2 , . . . , kn ¸˜ ı forem n constantes, ent˜ o existe uma e uma s´ solucao a o ¸˜ x1 (t), x2 (t), ..., xn (t) do sistema (3.2), tal que x1 (t0 ) = k1 , x2 (t0) = k2 , ..., xn (t0) = kn . 3.1.1 ¸˜ Equacoes diferenciais lineares de ordem n e siste- mas diferenciais lineares de ordem 1 Existe uma estreita relacao entre as equacoes diferenciais lineares de ordem n e os ¸˜ ¸˜ sistemas diferenciais lineares de ordem 1. Como ilustracao consideremos os se- ¸˜ guintes exemplos. Exemplo 3.1 Consideremos a equacao diferencial linear de ordem n ¸˜ y(n) + an−1 (t)y(n−1) + . . . + a2 (t)y′′ + a1 (t)y′ + a0 (t)y = f (t). Esta equacao pode ser transformada num sistema linear de n equacoes diferenciais ¸˜ ¸˜ de 1a ordem. Mostraremos a seguir esta transformacao. ¸˜
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    146 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 Para o efeito, consideremos y1 = y e introduzimos novas funcoes inc´ gnitas para ¸˜ o cada uma das derivadas, isto e, ´ y1 = y y2 = y′ = y′ 1 y3 = y′′ = y′ 2 . . . yn = y(n−1) = y′ . n−1 Procedendo desta forma, obtemos o sistema ′ y1 = y2 y2′ = y3 . . . ′ yn−1 = yn y′ n = −an−1 (t)yn − . . . − a2 (t)y3 − a1 (t)y2 − a0 (t)y1 + f (t) Exemplo 3.2 Neste exemplo vamos ver como transformar um sistema linear de duas equacoes numa ED linear de 2a ordem. ¸˜ Dado o sistema linear   dx1 =  3x1 + 8x2   dt    dx   2  = −x1 − 3x2 . dt pretendemos obter uma ED linear de 2a ordem que lhe seja equivalente. Comece- mos por considerar a 2a equacao do sistema: ¸˜ x′ = −x1 − 3x2 2 x1 = −3x2 − x′ 2 (3.2) Derivando a equacao (3.2), obtemos ¸˜ x′ = −3x′ − x′′ . 1 2 2 (3.3)
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    ´ 3.1. CONCEITOS BASICOS 147 Substituindo (3.2) e (3.3) na primeira equacao do sistema segue-se ¸˜ −3x′ − x′′ = 3(−3x2 − x′ ) + 8x2 , 2 2 2 donde x′′ − x2 = 0. 2 A solucao desta ED linear homog´ nea e ¸˜ e ´ x2 = c1 et + c2 e−t , c1 , c2 ∈ R. Substituindo em (3.2) obtemos x1 = −4c1 et − 2c2 e−t . Desta forma, obtivemos a solucao do sistema. ¸˜ ¸˜ Observacao 10 Existem casos em que n˜ o e poss´vel reduzir um sistema de n a ´ ı equacoes a uma s´ ED de ordem n. ¸˜ o 3.1.2 Forma matricial de um sistema linear Denotemos       x (t) a11 (t) a12 (t) · · · a1n (t) f1 (t)  1             x2 (t)   a21 (t) a22 (t) · · · a2n (t)   f2 (t)  X = .  . , A= .  . . .. . , F(t) =  . .  .    . . . . . .    .  .         xn (t) an1 (t) an2 (t) · · · ann (t) fn (t) O sistema de ED lineares de 1a ordem (3.2) pode ser re-escrito como        x (t) a (t) a12 (t) · · · a1n (t) x (t) f (t)  1   11  1   1         d  x2 (t)   a21 (t) a22 (t) · · · a2n (t)   x2 (t)   f2 (t) =  .  . + .     , dt  .   .  . .   . . . . . .. . .  .   . . . .          xn (t) an1 (t) an2 (t) · · · ann (t) xn (t) fn (t)
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    148 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 ou, abreviadamente, ˙ X = AX + F. Se o sistema for homog´ neo, a sua forma matricial ser´ e a ˙ X = AX . Exerc´cio 12 Escrever em notacao matricial os seguintes sistemas: ı ¸˜   x′ = 6x + x + x + t   1  1 2 3  dx   = 3x + 4y (a) x′ = 8x1 + x2 − x3 + 10t , (b) dt .  2   dy = 5x − 7y   ′  x = 2x + 9x − x3 + 6t 3 1 2 dt ¸˜ ˙ Definicao 20 Um vector solucao do sistema X = AX + F num intervalo I e um ¸˜ ´ vector     x (t) φ (t)  1   1    φ2 (t)      x2 (t)  X = .  . =   . ,   .   . .      xn (t) φn (t) cujos elementos s˜ o funcoes diferenci´ veis que satisfazem o sistema no intervalo. a ¸˜ a ¸˜ ˙ Observacao 11 Um vector solucao de X = AX + F e equivalente a n solucoes ¸˜ ´ ¸˜ x1 = φ1 (t), . . . , xn = φn (t) e pode ser interpretado geometricamente como um conjunto de equacoes param´ tricas ¸˜ e de uma curva no espaco. No caso particular em que n = 2 temos ¸ x1 = φ1 (t), x2 = φ2 (t) que representa uma curva no plano xOy, a que chamamos traject´ ria. o
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    ´ 3.1. CONCEITOS BASICOS 149 Exerc´cio 13 Verifique que no intervalo (−∞, +∞) , ı     1 3 X1 =   e−2t e X2 =   e6t −1 5 s˜ o solucoes do sistema diferencial a ¸˜   1 3 ˙ X = X. 5 3 Grande parte da teoria dos sistemas lineares de n ED lineares de 1a ordem e similar ´ a das ED lineares de ordem n. ` 3.1.3 Problemas de valor inicial Denotemos por t0 um ponto de um intervalo real I. O problema descrito no Teorema 20 toma a forma: Resolver o problema de valor inicial   k1      k2  ˙ X = AX + F, X (t0) = X0 =  . (3.4)  . .   .    kn O Teorema 20 pode ent˜ o ser re-escrito como a Teorema 21 Se os elementos das matrizes A e F s˜ o funcoes cont´nuas num a ¸˜ ı intervalo I que contenha o ponto t0 , ent˜ o existe uma unica solucao do problema a ´ ¸˜ de valor inicial (3.4) no intervalo. No que se segue consideraremos somente sistemas homog´ neos e suporemos que e ai j e fi s˜ o funcoes cont´nuas de t no mesmo intervalo I. a ¸˜ ı
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    150 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 ¸˜ Teorema 22 (Princ´pio da sobreposicao) Sejam X1, X2 , . . . , Xk um con- ı ¸˜ e ˙ junto de vectores solucao do sistema homog´ neo X = AX num certo intervalo real I. Ent˜ o a combinacao linear a ¸˜ X = c1 X1 + c2 X2 + . . . + ck Xk onde c1 , c2 , . . . , ck s˜ o constantes arbitr´ rias, e tamb´ m um vector solucao do sis- a a ´ e ¸˜ tema no intervalo I. Exerc´cio 14 Verifique que ı     cost 0      1 1   t  X1 =  − 2 cost + 2 sint  e X2 =  e      − cos t − sint 0 s˜ o solucoes do sistema a ¸˜   1 0 1   ˙  X = 1 1 0  X.   −2 0 −1 Conclua que X = c1 X1 + c2 X2 , c1 , c2 ∈ R e ainda uma solucao do sistema. ´ ¸˜ 3.1.4 ˆ ˆ Dependencia e independencia linear ¸˜ Definicao 21 Sejam X1 , X2 , . . . , Xk um conjunto de vectores solucao do sistema ¸˜ e ˙ homog´ neo X = AX num certo intervalo real I. Dizemos que o conjunto e line- ´ armente dependente no intervalo se existirem constantes c1 , c2 , . . . , ck n˜ o todas a nulas, de tal forma que c1 X1 + c2 X2 + . . . + ck Xk = 0, ∀t ∈ I. Se o conjunto n˜ o for linearmente dependente em I, ent˜ o ser´ designado linear- a a a mente independente.
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    ´ 3.1. CONCEITOS BASICOS 151 Observacao 12 Notemos que no caso em que k = 2 a definicao anterior corres- ¸˜ ¸˜ ponde a dizer que dois vectores solucao s˜ o linearmente dependentes se um for ¸˜ a m´ ltiplo constante do outro. Se k > 2 tem-se que um conjunto de vectores solucao u ¸˜ e linearmente dependente se pudermos expressar pelo menos um vector solucao ´ ¸˜ como uma combinacao linear dos restantes. ¸˜ ´ Teorema 23 (Criterio do Wronskiano) Sejam       x11 (t) x12 (t) x1n (t)              x21 (t)   x22 (t)   x2n (t)  X1 =  .  . ,  X2 =  .  . ,  ..., Xn =  .  . ,   .   .   .        xn1 (t) xn2 (t) xnn (t) ¸˜ ˙ n vectores solucao do sistema X = AX no intervalo I. Ent˜ o o conjunto de vectores a solucao e linearmente independente em I se e s´ se ¸˜ ´ o x11 x12 · · · x1n x21 x22 · · · x2n W (X1, X2 , . . . , Xn) = . . .. . = 0, ∀t ∈ I. . . . . . .. xn1 xn2 · · · xnn Exerc´cio 15 Considere os vectores solucao X1 e X2 do exerc´cio 13 e mostre ı ¸˜ ı que se tratam de vectores solucao linearmente independentes para todos os valores ¸˜ reais de t. ¸˜ ¸˜ Definicao 22 (Conjunto Fundamental de Solucoes) Todo o con- junto X1 , X2 , . . ., Xn de n vectores solucao linearmente independentes do sistema ho- ¸˜ e ˙ mog´ neo X = AX no intervalo I e chamado conjunto fundamental de solucoes no ´ ¸˜ intervalo. ˙ Teorema 24 Dado o sistema X = AX , existe um conjunto fundamental de solucoes ¸˜ para este sistema num intervalo I. ¸˜ ´ Teorema 25 (Solucao geral - sistemas homogeneos) Sejam ¸˜ e ˙ X1 , X2 , . . ., Xn um conjunto fundamental de solucoes do sistema homog´ neo X = AX
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    152 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 num intervalo I. Ent˜ o, a solucao geral do sistema no intervalo I e a ¸˜ ´ X = c1 X1 + c2 X2 + . . . + cn Xn , onde c1 , c2 , . . . , cn s˜ o constantes arbitr´ rias. a a Exerc´cio 16 Indique a solucao geral do sistema considerado no exerc´cio13. ı ¸˜ ı 3.1.5 ˜ ´ Sistemas nao homogeneos a e ˙ Para sistemas n˜ o homog´ neos X = AX + F, uma solucao particular X p num inter- ¸˜ valo I e qualquer vector livre de constantes arbitr´ rias, cujos elementos s˜ o funcoes ´ a a ¸˜ ˙ que satisfazem o sistema X = AX + F. ¸˜ ˜ ´ Teorema 26 (Solucao geral - sistemas nao homogeneos) Sejam ˙ • X p uma solucao particular do sistema X = AX + F no intervalo I; ¸˜ ˙ • XH = c1 X1 + c2 X2 + . . . + cn Xn a solucao geral do sistema X = AX no mesmo ¸˜ intervalo I. Ent˜ o a solucao geral do sistema n˜ o homog´ neo em I e a ¸˜ a e ´ X = XH + X p . A solucao geral do sistema homog´ neo, XH = c1 X1 + c2 X2 + . . . + cn Xn , designa-se ¸˜ e por funcao complementar do sistema n˜ o homog´ neo. ¸˜ a e Exerc´cio 17 Considere o sistema ı     1 3 12t − 11 ˙ X = X + . 5 3 −3 (a) Mostre que   3t − 4 Xp =  , −5t + 6
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    ´ 3.2. SISTEMAS LINEARESHOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES153 e solucao do sistema anterior. ´ ¸˜ (b) Escreva a solucao geral do sistema anterior (recorde que determinou a solucao ¸˜ ¸˜ do sistema homog´ neo associado no exerc´cio anterior.) e ı ´ 3.2 Sistemas Lineares homogeneos com coefi- cientes constantes Atendendo aos exemplos da seccao anterior somos levados a perguntar se podemos ¸˜ obter uma solucao da forma ¸˜   k1      k2  λt X =  e = K eλ t (3.5)  . .   .    kn e ˙ para o sistema homog´ neo de primeira ordem X = AX , onde A e uma matriz n × n ´ cujas entradas s˜ o constantes. a Notemos que, para o vector X dado por (3.5), temos que X = K λ eλ t . Assim, se X e ˙ ´ ˙ um vector solucao de X = AX , segue-se: ¸˜ K λ eλ t = AK eλ t K λ = AK AK − λ K = 0. Uma vez que K = IK, onde I denota a matriz identidade de ordem n, obtemos (A − λ I) K = 0. (3.6) ´ E evidente que K = 0 satisfaz a equacao matricial (3.6). Para garantirmos que existe ¸˜ outra solucao para al´ m de K = 0 devemos ter ¸˜ e det(A − λ I) = 0.
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    154 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 Esta ultima equacao e polinomial em λ e e chamada equacao caracter´stica da ´ ¸˜ ´ ´ ¸˜ ı matriz A, e as suas solucoes s˜ o os valores pr´ prios de A. ¸˜ a o Uma solucao K = 0 da equacao matricial (3.6) correspondente ao valor pr´ prio λ e ¸˜ ¸˜ o ´ chamada um vector pr´ prio de A. o e ˙ Uma solucao do sistema homog´ neo X = AX e ent˜ o ¸˜ ´ a X = K eλ t . Consideraremos os trˆ s casos seguintes: e • A matriz A tem valores pr´ prios reais distintos; o • A matriz A tem valores pr´ prios reais repetidos; o • A matriz A tem valores pr´ prios complexos. o 3.2.1 ´ A matriz A tem valores proprios reais distintos Se A e uma matriz n × n com n valores pr´ prios reais distintos ´ o λ1 , λ2 , . . ., λn podemos sempre determinar um conjunto de vectores K1 , K2 , . . ., Kn linearmente independentes e X1 = K1 eλ1t , X2 = K2 eλ2t , ... , Xn = Kn eλnt ´ ¸˜ ˙ e um conjunto fundamental de solucoes de X = AX , no intervalo I = R. Teorema 27 Sejam λ1 , λ2, . . . , λn n valores pr´ prios distintos da matriz de co- o ˙ eficientes A ∈ Rn×n do sistema X = AX e sejam K1 , K2 , . . ., Kn os vectores pr´ prios o a ¸˜ ˙ correspondentes. Ent˜ o, a solucao geral do sistema X = AX em R ser´ dada por a X = c1 K1 eλ1t + c2 K2 eλ2t + . . . + cn Kn eλnt , com c1 , c2 , . . . , cn constantes arbitr´ rias. a
  • 165.
    ´ 3.2. SISTEMAS LINEARESHOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES155 Exemplo 3.3 Determinemos a solucao geral do sistema linear homog´ neo com ¸˜ e coeficientes constantes  dx  dt = 2x + 3y dy  dt = 2x + y Comecemos por observar que     x 2 3 X =  e A= . y 2 1 • Determinemos os valores pr´ prios de A : o 2−λ 3 |A − λ I| = 0 ⇔ =0 2 1−λ ⇔ (2 − λ )(1 − λ ) − 6 = 0 ⇔ λ = −1 ∨ λ = 4 (valores pr´ prios distintos). o • Determinemos os vectores pr´ prios de A correspondentes: o Se λ = −1 obtemos (A − λ I) K = 0 ⇔ (A + I) K = 0      3 3 k1 0 ⇔   =  2 2 k2 0   3k + 3k = 0 1 2 ⇔  2k + 2k = 0 1 2 ⇔ k1 = −k2 . Tomando, por exemplo, k2 = −1, obtemos o vector pr´ prio o   1 K1 =  . −1
  • 166.
    156 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 Se λ = 4 obtemos (A − λ I) K = 0 ⇔ (A − 4I) K = 0      −2 3 k 0 ⇔   1  =   2 −3 k2 0   −2k + 3k = 0 1 2 ⇔  2k − 3k = 0 1 2 3 ⇔ k1 = k2 . 2 Tomando, por exemplo, k2 = 2, obtemos o vector pr´ prio o   3 K2 =   . 2 • Os vectores K1 e K2 s˜ o linearmente independentes e a     1 3 X1 =   e−t e X2 =   e4t −1 2 s˜ o solucoes linearmente independentes do sistema. Segue-se que a ¸˜     1 3 X = c1 X1 + c2 X2 = c1   e−t + c2   e4t , c1 , c2 ∈ R, −1 2 e a solucao geral do sistema. ´ ¸˜ 3.2.2 ´ A matriz A tem valores proprios reais repetidos Dada a matrix A de coeficientes e evidente que nem todos os seus valores pr´ prios ´ o precisam de ser distintos. Exemplo 3.4 Dado o sistema   3 −18 ˙ X = X 2 −9
  • 167.
    ´ 3.2. SISTEMAS LINEARESHOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES157 obtemos a equacao caracter´stica ¸˜ ı 3−λ −18 |A − λ I| = 0 ⇔ = 0 ⇔ (3 − λ )(−9 − λ ) + 36 = 0 ⇔ (λ + 3)2 = 0. 2 −9 − λ Assim, λ1 = λ2 = −3 e uma raiz de multiplicidade dois. ´ Para este valor pr´ prio obtemos o unico vector pr´ prio K tal que o ´ o      6 −18 k1 0 (A − λ I) K = 0 ⇔ (A + 3I) K = 0 ⇔   =  2 −6 k2 0   6k − 18k = 0 1 2 ⇔ ⇔ k1 = 3k2 .  2k − 6k = 0 1 2 Tomando, por exemplo, k2 = 1, obtemos o vector pr´ prio o   3 K1 =  . 1 Segue-se que X1 = K e−3t e uma solucao do sistema. Por´ m, como estaremos inte- ´ ¸˜ e ressados em obter a solucao geral do sistema, precisaremos de obter uma segunda ¸˜ solucao, o que ser´ feito no exemplo 3.6. ¸˜ a
  • 168.
    158 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 Em geral, se λ e um valor pr´ prio de multiplicidade alg´ brica m, duas situacoes ´ o e ¸˜ podem ocorrer: (i) Para algumas matrizes A, n × n, e poss´vel obter m vectores pr´ prios linear- ´ ı o mente independentes K1 , K2 , . . ., Km correspondentes a um valor pr´ prio λ1 o de multiplicidade m ≤ n. Nesse caso, a solucao geral do sistema cont´ m a ¸˜ e combinacao linear ¸˜ c1 K1 eλ1t + c2 K2 eλ1t + . . . + cm Km eλ1t . (ii) Dado o valor pr´ prio λ1 de multiplicidade m, existir um unico vector pr´ prio o ´ o associado a λ1 . Neste caso, as m solucoes linearmente independentes podem ¸˜ ser obtidas como sendo da forma: X1 = K11 eλ1t X2 = K21t eλ1t + K22 eλ1t . . . t (m−1) λ1t t (m−2) λ1t Xm = Km1 e + Km2 e + . . . + Kmm eλ1t (m − 1)! (m − 2)! onde cada Ki j e um vector coluna. ´ O pr´ ximo exemplo cont´ m uma ilustracao para o item (i) acima. o e ¸˜ ˙ Exemplo 3.5 Resolva o sistema X = AX com   1 −2 2     A =  −2 1 −2  .   2 −2 1 • Determinemos os valores pr´ prios de A : o 1−λ −2 2 |A − λ I| = 0 ⇔ −2 1−λ −2 = 0. 2 −2 1−λ
  • 169.
    ´ 3.2. SISTEMAS LINEARESHOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES159 Da resolucao desta equacao obtemos os valores pr´ prios λ1 = λ2 = −1 e λ3 = 5. ¸˜ ¸˜ o • Determinemos os vectores pr´ prios de A: o Se λ = −1 obtemos (A − λ I) K = 0 ⇔ (A + I) K = 0      2 −2 2 k1 0           ⇔  −2 2 −2   k2  =  0  .      2 −2 2 k3 0 Passando para a matriz ampliada do sistema       2 −2 2 0 2 −2 2 0 1 −1 1 0              −2 2 −2 0  −→  0 0 0 0  −→  0 0 0 0        2 −2 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 do que se segue k1 − k2 + k3 = 0, ou seja, k1 = k2 − k3 . Escolhendo k2 = 1, k3 = 0 e k2 = 1, k3 = 1 obtemos, respectivamente, k1 = 1 e k1 = 0. Assim     1 0         K1 =  1  e K2 =  1      0 1 s˜ o dois vectores pr´ prios independentes, e a o     1 0       −t   −t X1 =  1  e e X2 =  1  e     0 1 s˜ o duas solucoes linearmente independentes correspondentes ao mesmo valor a ¸˜ pr´ prio. o Para λ3 = 5 obtemos (A − λ3 I) K = 0 ⇔ (A − 5I) K = 0      −4 −2 2 k1 0           ⇔  −2 −4 −2   k2  =  0  .      2 −2 −4 k3 0
  • 170.
    160 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 Passando para a matriz ampliada do sistema       −4 −2 2 0 2 −2 −4 0 2 −2 −4 0              −2 −4 −2 0  −→  −2 −4 −2 0  −→  0 −6 −6 0        2 −2 −4 0 −4 −2 2 0 0 −6 −6 0     1 −1 −2 0 1 0 −1 0         k1 = k3 −→  0 1 1 0  −→  0 1 1 0 ⇒     k2 = −k3 0 0 0 0 0 0 0 0 Tomando k3 = 1 obtemos   1     K3 =  −1    1 o terceiro vector pr´ prio. Conclu´mos que a solucao geral do sistema e o ı ¸˜ ´       1 0 1         −t   −t X = c1  1  e + c2  1  e + c3  −1  e5t ,   c1 , c2 , c3 ∈ R.       0 1 1 Observacao 13 A matriz A do exemplo anterior e sim´ trica, isto e, A = AT , onde ¸˜ ´ e ´ T denota transposta. Quando a matriz A e sim´ trica e poss´vel provar que temos ´ e ´ ı sempre a situacao descrita no item (i). ¸˜ Passamos agora a considerar o caso referido no item (ii) do quadro anterior. Co- mecemos por considerar que λ1 e um valor pr´ prio de multiplicidade 2 e que existe ´ o apenas um vector pr´ prio associado a λ1 . De acordo com o referido em (ii), uma o segunda solucao pode ser obtida da forma ¸˜ X2 = Kteλ1t + Peλ1t , (3.7)
  • 171.
    ´ 3.2. SISTEMAS LINEARESHOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES161 onde     k1 p1          k2   p2  K= .  e P= . .   . .     . .       kn pn ´ ¸˜ ˙ Ora, se X2 e uma solucao do sistema X = AX , obtemos uma identidade ao substituir (3.7) no sistema. Como X2 = Keλ1t + Kt λ1eλ1t + Pλ1 eλ1t ˙ obtemos X2 = AX2 ⇒ Keλ1t + Kt λ1eλ1t + Pλ1 eλ1t = AKteλ1t + APeλ1t ˙ ⇒ (AK − λ1 K)teλ1t + (AP − λ1 P − K)eλ1t = 0. Como esta equacao deve ser v´ lida para todos os valores de t, devemos ter ¸˜ a (AK − λ1 I)K = 0 (3.8) (AP − λ1 I)P = K. (3.9) A equacao (3.8) estabelece simplesmente que K deve ser um vector pr´ prio de A as- ¸˜ o sociado a λ . Resolvendo (3.8), determinamos uma solucao X1 = Keλ1t . Para obter ¸˜ uma segunda solucao X2 , precisamos somente de resolver (3.9) por forma a obter- ¸˜ mos o vector P. ¸˜ Exemplo 3.6 (continuacao do exemplo 3.4) No exemplo 3.4 encontr´ mos a o valor pr´ prio de multiplicidade dois: λ = −3. Vimos que o   3 K1 =   1 e o unico vector pr´ prio associado aquele valor pr´ prio. Assim X1 = K1 e−3t e ´ ´ o ` o ´ uma solucao. Pretendemos agora determinar uma segunda solucao. Para o efeito, ¸˜ ¸˜
  • 172.
    162 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 resolvamos a equacao (A − λ I)P = K, isto e, ¸˜ ´      6 −18 p1 3 (A + 3I)P = K ⇔    =  . 2 −6 p2 1 Desta equacao matricial obtemos 2p1 −6p2 = 1. Temos uma infinidade de solucoes. ¸˜ ¸˜ 1 Escolhendo, por exemplo, p1 = 2 obtemos p2 = 0 e   1 2 P= . 0 Uma segunda solucao e dada por X2 = Kte−3t + Pe−3t , donde ¸˜ ´        1 3 3 X = c1   e−3t + c2   te−3t +  2  e−3t  , c1 , c2 ∈ R, 1 1 0 e a solucao geral do sistema do exemplo 3.4. ´ ¸˜ Suponhamos agora que associados ao valor pr´ prio λ , de multiplicidade trˆ s, n˜ o o e a existem trˆ s vectores pr´ prios linearmente independentes. Neste caso, obtemos uma e o primeira solucao fazendo ¸˜ X1 = K eλ1t , uma segunda solucao fazendo ¸˜ X2 = Kt eλ1t + P eλ1t , e a terceira solucao e obtida como ¸˜ ´ t 2 λ1t X3 = K e + Pt eλ1t + Q eλ1t , (3.10) 2 onde       k1 p1 q1              k2   p2   q2  K= . , P= .  e Q= . .   . .     . .     . .         kn pn qn
  • 173.
    ´ 3.2. SISTEMAS LINEARESHOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES163 ˙ Substituindo (3.10) no sistema X = AX , obtemos ˙ X3 = AX3 ⇒ t2 t 2 λ1t ⇒ Kte + K λ1 e + Pe + Pλ1te + Qλ1 e = AK e + APteλ1t + AQeλ1t λ1t λ1 t λ1t λ1t λ1 t 2 2 t 2 λ1t ⇒ (A − λ1 I)K e + (AP − λ1 P − K)teλ1t + (AQ − P − λ1 Q)eλ1t = 0. 2 Como esta equacao e v´ lida para todos os valores de t, devemos ter ¸˜ ´ a (A − λ1 I)K = 0 (3.11) (A − λ1 I)P = K (3.12) (A − λ1 I)Q = P. (3.13) Exemplo 3.7 Resolva o sistema   2 1 6   ˙ =  0 2 5 X. X     0 0 2 ¸˜ Resolucao: ¸˜ Resolvendo a equacao caracter´stica ı 2−λ 1 6 0 2−λ 5 = 0 ⇔ (2 − λ )3 = 0 ⇔ λ = 2 0 0 2−λ obtemos λ = 2 valor pr´prio de multiplicidade 3. o Resolvendo a equac˜o matricial (3.11) para ¸a λ = 2 obtemos        0 1 6 k 0  k + 6k =  2 0  k ∈R  1   1      3         0 0 5   k2  =  0  ⇒ 5k3 = 0 ⇒ k =0         2    0 0 0 k3 0  0 = 0  k =0 3 Tomando, por exemplo, k1 = 1, obtemos o vector pr´prio (´nico) o u   1     K =  0 .   0
  • 174.
    164 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 Tomando agora a equac˜o ¸a matricial (3.12)        0 1 6 p 1  p + 6p = 1   p ∈R  1   1     2  3         0 0 5   p2  = K =  0  ⇒ 5p3 = 0 ⇒ p =1         2    0 0 0 p3 0  0 = 0  p =0 3 Tomando, por exemplo, p1 = 0, obtemos o vector   0     P =  1 .   0 Finalmente, a equacao matricial (3.13) produz ¸˜        0 1 6 q1 0  q + 6q = 0  2  q ∈R  1  3              6  0 0 5  q2  = P =  1  ⇒ 5q3 = 1 ⇒ q = −5         2     q =1 0 0 0 q3 0  0 = 0 3 5 Tomando, por exemplo, q1 = 0, obtemos o vector   0    6  Q =  −5 .   1 5 Conclu´mos, portanto, que ı   1   X1 = K eλ1t =  0  e ,   2t   0     1 0     X2 = Kt eλ1t + P eλ1t =  0  te2t +  1  e2t ,         0 0       1 0 0 t2   t2     X3 = K eλ1t + Pteλ1t + Qeλ1t =  0  e2t +  1  te2t +  − 5  e2t ,      6  2  2     1 0 0 5
  • 175.
    ´ 3.2. SISTEMAS LINEARESHOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES165 s˜o soluc˜es linearmente independentes do sistema e, por a ¸o conseguinte, a soluc˜o geral do sistema ´ dada por ¸a e X = c1 X1 + c2 X2 + c3 X3 , c1 , c2 , c3 ∈ R. 3.2.3 ´ A matriz A tem valores proprios reais complexos Se λ1 = a + bi e λ2 = a − bi s˜ o valores pr´ prios complexos da matriz A, podemos a o esperar que os vectores pr´ prios associados sejam tamb´ m complexos. o e Por exemplo, dado o sistema   dx  = 6x − y dt  dy = 5x + 4y  dt obtemos     x 2 3 X =  e A= , y 2 1 donde 6−λ −1 |A − λ I| = 0 ⇔ =0 5 4−λ ⇔ (6 − λ )(4 − λ ) + 5 = 0 ⇔ λ = 5 ± 2i, isto e, os valores pr´ prios da matriz dos coeficientes A s˜ o os n´ meros complexos ´ o a u conjugados λ1 = 5 + 2i e λ2 = 5 − 2i. Determinemos os correspondentes vectores pr´ prios: o
  • 176.
    166 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 Para λ1 = 5 + 2i obtemos      6 − 5 − 2i −1 k1 0 (A − λ I) K = 0 ⇔   =  5 4 − 5 − 2i k2 0      1 − 2i −1 k1 0 ⇔   =  5 −1 − 2i k2 0   (1 − 2i)k − k = 0 1 2 ⇔  5k − (1 + 2i)k = 0 1 2 ⇔ k2 = (1 − 2i)k1 . Da escolha k1 = 1, resulta o seguinte vector pr´ prio o   1 K1 =   1 − 2i e o seguinte vector solucao ¸˜   1 X1 = K1 e(5+2i)t =   e(5+2i)t . 1 − 2i Procedendo de modo semelhante, obtemos para λ2 = 5 − 2i, o vector pr´ prio o   1 K2 =   1 + 2i e o vector solucao ¸˜   1 X2 = K2 e(5−2i)t =   e(5−2i)t . 1 + 2i Recorrendo ao Wronskiano podemos mostrar que estas solucoes s˜ o linearmente ¸˜ a independentes, do que se conclui que a solucao geral do sistema e ¸˜ ´     1 1 X = c1 X1 + c2 X2 = c1   e(5+2i)t + c2   e(5−2i)t , (3.14) 1 − 2i 1 + 2i onde c1 , c2 ∈ R.
  • 177.
    ´ 3.2. SISTEMAS LINEARESHOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES167 Teorema 28 (Solucoes correspondentes a valores pr´ prios complexos) ¸˜ o ˙ Seja A a matriz dos coeficientes com elementos reais do sistema homog´ neo X = AX e e seja K1 um vector pr´ prio correspondente ao valor pr´ prio λ1 = α +iβ , α , β ∈ R. o o Ent˜ o a X1 = K1 eλ1t e X2 = K1 eλ1t s˜ o solucoes do sistema homog´ neo. a ¸˜ e Relativamente ao exemplo anterior, a solucao geral (3.14) pode ser reescrita em ¸˜ termos de funcoes reais. Para isso, notemos que ¸˜ e(5+2i)t = e5t e2ti = e5t (cos(2t) + i sin(2t)), e(5−2i)t = e5t e−2ti = e5t (cos(2t) − i sin(2t)), atendendo a formula de Euler eiθ = cos(θ ) + i sin(θ ), θ ∈ R. Assim, (3.14) toma a ` forma     1 1 X = c1   e5t (cos(2t) + i sin(2t)) + c2   e5t (cos(2t) − i sin(2t)) 1 − 2i 1 + 2i      1 0 = (c1 + c2 )   cos(2t) +   sin(2t) e5t + 1 2      1 1 +(c1 − c2 )i   sin(2t) +   cos(2t) e5t 1 −2 = (c1 + c2 )X1 + (c1 − c2 )iX2 = C1 X1 +C2 X2 , onde C1 = c1 + c2 e C2 = (c1 − c2 )i. Este processo pode ser generalizado. Seja K1 um vector pr´ prio da matriz de coe- o ficientes A ∈ Rn×n correspondente ao valor pr´ prio complexo λ1 = α + iβ . Ent˜ o, o a
  • 178.
    168 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 os dois vectores solucao do Teorema 28 podem ser escritos como ¸˜ X1 = K1 eλ1t = K1 e(α +iβ )t = K1 eα t eiβ t = K1 eα t [cos(β t) + i sin(β t)], X2 = K1 eλ1t = K1 e(α −iβ )t = K1 eα t e−iβ t = K1 eα t [cos(β t) − i sin(β t)]. Pelo princ´pio da sobreposicao os seguintes vectores s˜ o tamb´ m solucoes ı ¸˜ a e ¸˜ 1 X1 = K1 eλ1t + K1 eλ1t 2 1 i = K1 + K1 eα t cos(β t) − −K1 + K1 eα t sin(β t) 2 2 e i X2 = −K1 eλ1t + K1 eλ1t 2 i 1 = −K1 + K1 eα t cos(β t) + K1 + K1 eα t sin(β t). 2 2 Atendendo a que qualquer n´ mero complexo z = a + ib satisfaz u 1 (z + z) = a ∈ R, 2 i (−z + z) = b ∈ R, 2 segue-se que as coordenadas nos vectores coluna 1 i K1 + K1 e −K1 + K1 2 2 s˜ o n´ meros reais. a u
  • 179.
    ´ 3.2. SISTEMAS LINEARESHOMOGENEOS COM COEFICIENTES CONSTANTES169 Teorema 29 Seja λ1 = α +iβ , α , β ∈ R, um valor pr´ prio complexo da matriz o ˙ dos coeficientes A do sistema homog´ neo X = AX e sejam e 1 i B1 = K1 + K1 = Re(K1 ) e B2 = −K1 + K1 = Im(K1 ) 2 2 vectores coluna (Re(K1 ) e Im(K1 ) denotam, respectivamente, parte real e coefici- ente da parte imagin´ ria de K1 ). Ent˜ o a a X1 = [B1 cos(β t) − B2 sin(β t)]eα t e X2 = [B2 cos(β t) + B1 sin(β t)]eα t s˜ o solucoes linearmente independentes do sistema homog´ neo em R. a ¸˜ e Exemplo 3.8 Resolva o problema de valor inicial     2 8 2 ˙ X = X, X (0) =  . −1 −2 −1 ¸˜ Resolucao: • Determinar os valores pr´prios: o 2−λ 8 |A − λ I| = 0 ⇔ =0 −1 −2 − λ ⇔ (2 − λ )(−2 − λ ) + 8 = 0 ⇔ λ = ±2i, • Para λ1 = 2i (α = 0, β = 2), obtemos      2 − 2i 8 k 0 (A − λ I) K = 0 ⇔   1  =   −1 −2 − 2i k2 0   (2 − 2i)k + 8k = 0 1 2 ⇔  −k − (2 + 2i)k = 0 1 2   0 = 0 ⇔  k 1 = −(2 + 2i)k2
  • 180.
    170 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 Escolhendo k2 = −1, obtemos         k1 2 + 2i 2 2 K1 =  = = +i . k2 −1 −1 0 Segue-se que     2 2 B1 = Re(K1 ) =   e B2 = Im(K1 ) =  . −1 0 Como α = 0 e β = 2 obtemos     2 2 X1 =   cos(2t) −   sin(2t) e −1 0     2 2 X2 =   cos(2t) +   sin(2t) 0 −1 ¸˜ solucoes linearmente independentes do sistema. Assim, a solucao geral do sistema ´ dada por ¸˜ e X = c1 X1 + c2 X2           2 2 2 2 = c1   cos(2t) −   sin(2t) + c2   cos(2t) +   sin(2t) −1 0 0 −1     2 cos(2t) − 2 sin(2t) 2 cos(2t) + 2 sin(2t) = c1   + c2  . − cos(2t) − sin(2t) A condic˜o inicial pode ser re-escrita como x(0) = 2 e y(0) = ¸a −1. Destas igualdades obtemos c1 = 1 e c2 = 0, do que se conclui ¸˜ que a solucao do problema de valor inicial ´ e   2 cos(2t) − 2 sin(2t) X = . − cos(2t)
  • 181.
    ¸˜ ˆ 3.3. VARIACAO DE PARAMETROS 171 ¸˜ ˆ 3.3 Variacao de parametros O m´ todo de variacao de parˆ metros desenvolvido para obter uma solucao particular e ¸˜ a ¸˜ de uma equacao diferencial linear n˜ o homog´ nea pode ser estendido aos sistemas ¸˜ a e lineares de equacoes diferenciais. Nesta seccao, vamos desenvolver uma vers˜ o ¸˜ ¸˜ a a a e ˙ matricial da variacao de parˆ metros para um sistema linear n˜ o homog´ neo X = ¸˜ AX + F. Antes por´ m, precisaremos de estudar uma matriz especial formada pelos e ¸˜ e ˙ vectores solucao do sistema homog´ neo correspondente X = AX . 3.3.1 Matriz fundamental Suponhamos que X1 , X2 , . . ., Xn formam um conjunto fundamental de solucoes do ¸˜ e ˙ sistema homog´ neo X = AX num intervalo I. Ent˜ o, de acordo com o Teorema 25, a a solucao geral do sistema homog´ neo no intervalo ser´ ¸˜ e a X = c1 X1 + c2 X2 + . . . + cn Xn       x11 x12 x1n              x21   x22   x2n  = c1  .   + c2  .   + . . . + cn  .    .  .   .  .   . .         xn1 xn2 xnn   c x + c2 x12 + · · · + cn x1n  1 11     c1 x21 + c2 x22 + · · · + cn x2n  =  .    . .     c1 xn1 + c2 xn2 + · · · + cn xnn n×1
  • 182.
    172 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1     x11 x12 · · · x1n c1          x21 x22 · · · x2n   c2       . . . . .. .  .   . .  =  . . . .  .  = Φ(t)C     xn1 xn2 · · · xnn cn Φ(t) C A matriz Φ(t) e chamada matriz fundamental do sistema X = AX no intervalo. ´ ˙ ¸˜ Proposicao 1 (Propriedades da matriz fundamental) A matriz Φ(t) satisfaz as propriedades: (i) Φ(t) e n˜ o singular; ´ a (ii) Φ(t) satisfaz a equacao matricial Φ(t) = AΦ(t). ¸˜ ˙ Dem. (i) Uma vez que X1 , X2 , . . . , Xn formam um conjunto fundamental de solucoes do ¸˜ sistema homog´ neo, tem-se e det Φ(t) = W (X1, X2 , . . . , Xn) = 0, ∀t ∈ I. Segue-se imediatamente que existe (Φ(t))−1, ∀t ∈ I. (ii) E uma consequˆ ncia de cada coluna de Φ ser um vector solucao de X = AX . ´ e ¸˜ ˙ 3.3.2 ¸˜ ˆ ¸˜ Variacao de parametros ou variacao das constantes ´ arbitrarias Vamos proceder de modo semelhante ao usado na variacao de parˆ metros para ¸˜ a equacoes diferenciais lineares. Consideremos o sistema n˜ o homog´ neo: ¸˜ a e ˙ X = AX + F.
  • 183.
    ¸˜ ˆ 3.3. VARIACAO DE PARAMETROS 173 1. Determinamos X = Φ(t)C, a solucao geral do sistema homog´ neo X = AX ; ¸˜ e ˙ 2. Assumimos que X p = Φ(t)U (t) e uma solucao particular do sistema n˜ o ho- ´ ¸˜ a ˙ mog´ neo X = AX + F, onde e   u1 (t)      u2 (t)  U (t) =  .  . ;   .    un (t) 3. Derivando, obtemos X p = Φ(t)U (t) + Φ(t)U(t) ˙ ˙ ˙ De notar que a ordem dos produtos na equacao anterior e muito importante. ¸˜ ´ Como U (t) e uma matriz coluna, os produtos U(t)Φ(t) e U (t)Φ(t) n˜ o est˜ o ´ ˙ ˙ a a definidos. ˙ 4. Substituindo na equacao matricial X = AX + F, obtemos ¸˜ Φ(t)U (t) + Φ(t)U(t) = AΦ(t)U (t) + F(t). ˙ ˙ Como Φ(t) = AΦ(t) segue-se ˙ AΦ(t)U (t) + Φ(t)U(t) = AΦ(t)U (t) + F(t) ˙ Φ(t)U(t) = F(t) ˙ U(t) = Φ−1 (t)F(t) ˙ U (t) = Φ−1 (t)F(t)dt, onde na ultima igualdade o integral ´ Φ−1 (t)F(t)dt obt´ m-se integrando e cada entrada da matriz coluna Φ−1 (t)F(t). Uma vez que X p = Φ(t)U (t) obtemos X p = Φ(t) Φ−1 (t)F(t)dt.
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    174 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 ¸˜ ˙ 5. A solucao geral do sistema X = AX + F e dada por ´ X = Φ(t)C + Φ(t) Φ−1 (t)F(t)dt. Exemplo 3.9 Resolva o sistema     −3 1 3t ˙ X = X +  2 −4 e−t no intervalo (−∞, ∞). ¸˜ Resolucao: ¸˜ 1. Comecemos por determinar a solucao geral do sistema homog´neo, e a qual ser´ da forma X = Φ(t)C, com Φ(t) a matriz fundamental, a isto ´, a matriz cujas colunas s˜o os vectores soluc˜o e a ¸a do sistema homog´neo. e Para resolver o sistema homog´neo precisamos de determinar e os valores pr´prios e os vectores pr´prios da matriz o o de coeficientes e encontrar os correspondentes vectores ¸˜ solucao. • Determinar os valores pr´prios: o −3 − λ 1 |A − λ I| = 0 ⇔ =0 2 −4 − λ ⇔ (−3 − λ )(−4 − λ ) − 2 = 0 ⇔ λ = −2 ∨ λ = −5.
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    ¸˜ ˆ 3.3. VARIACAO DE PARAMETROS 175 • Determinar os vectores pr´prios: o Para λ1 = −2 obtemos      −1 1 k1 0 (A − λ I) K = 0 ⇔   =  2 −2 k2 0   −k + k = 0 1 2 ⇔ ⇔ k1 = k2 .  2k − 2k = 0 1 2 Escolhendo k1 = 1, obtemos   1 K1 =  . 1 Para λ2 = −5 obtemos      2 1 k1 0 (A − λ I) K = 0 ⇔   =  2 1 k2 0 ⇔ 2k1 + k2 = 0 ⇔ k2 = −2k1 . Escolhendo k1 = 1, obtemos   1 K2 =  . −2 • Os vectores K1 e K2 s˜o linearmente independentes e a         1 e−2t 1 e−5t X1 =   e−2t =   e X2 =   e−5t =   1 e−2t −2 −2e−5t ¸˜ s˜o os vectores solucao correspondentes. a ¸˜ Assim a solucao geral do sistema homog´neo ´ obtida como e e     e−2t e−5t XH = c1   + c2  , c1 , c2 ∈ R. e−2t −2e−5t
  • 186.
    176 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 ¸˜ 2. Determinar uma solucao particular do sistema n˜o homog´neo: a e • Assumimos que X p = Φ(t)U (t) ´ uma soluc˜o particular do e ¸a sistema n˜o homog´neo, com a e   e−2t e−5t Φ(t) = (X1 , X2) =   e−2t −2e−5t e U (t) definida pela igualdade U (t) = Φ−1 (t)F(t)dt. Com o intuito de calcular U (t) comecemos por determinar Φ−1 (t) :     e−2t e−5t 1 0 e−2t e−5t 1 0   −→   −→ e−2t −2e−5t 0 1 L2 ←L2 −L1 0 −3e−5t −1 1 1 L1 ← 3 L2 +L1     e−2t 0 2 3 1 3 1 0 2 2t 3e 1 2t 3e   −→   −→ 0 −3e−5t −1 1 L1 ←e2t L1 0 −3e−5t −1 1 1 L2 ←− 3 e5t L2   2 2t 1 2t 1 0 3e 3e  . 1 5t 0 1 3e − 1 e5t 3 Assim, tem-se sucessivamente   2 2t 1 2t 3e 3e Φ−1 (t) =   1 5t 3e − 1 e5t 3      2 2t 1 2t 1 3e 3e 3t 2te2t + 3 et Φ−1 (t)F(t) =   =  1 5t 3e − 1 e5t 3 e−t te5t − 1 4t 3e   2t t e2t t − e2 + e Φ−1 (t)F(t) dt =  3  e5t t e5t e4t 5 − 25 − 12
  • 187.
    ¸˜ ˆ 3.3. VARIACAO DE PARAMETROS 177 e, finalmente, X p = Φ(t) Φ−1 (t)F(t)dt =      2t t e−2t e−5t e2t t − e2 + e 3 6 5t − 27 50 + 1 −t 4e =   = . e5t t e5t e4t e−2t −2e−5t 5 − 25 − 12 3 5t − 21 50 + 1 −t 2e 3. A solucao geral do sistema n˜o homog´neo ´ dada por ¸˜ a e e       e−2t e−5t 6 27 1 −t t − 50 + 4 e X = XH + X p = c1   + c2  + 5 , −2t −2e−5t 3 21 1 −t e 5 t − 50 + 2 e com c1 , c2 ∈ R. 3.3.3 Problema de valor inicial ¸˜ a e ˙ Como acab´ mos de ver a solucao do sistema n˜ o homog´ neo X = AX + F pode ser a escrita na forma X = Φ(t)C + Φ(t) Φ−1 (t)F(t)dt, ou, alternativamente, na forma t X = Φ(t)C + Φ(t) Φ−1 (s)F(s)ds, (3.15) t0 onde t0 e t s˜ o pontos do intervalo I. a A forma (3.15) e util na resolucao de sistemas n˜ o homog´ neos sujeitos a uma ´ ´ ¸˜ a e condicao inicial X (t0) = X0. Com efeito, mediante esta condicao inicial obtemos ¸˜ ¸˜ t0 X (t0) = Φ(t0)C + Φ(t0) Φ−1 (t)F(t)dt t0 . =0
  • 188.
    178 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 Donde X0 = Φ(t0)C e, por conseguinte, C = Φ−1 (t0 )X0. A solucao do problema de ¸˜ valor inicial e ent˜ o ´ a t X = Φ(t)Φ−1(t0 )X0 + Φ(t) Φ−1 (s)F(s)ds. t0 ¸˜ 3.4 Consideracoes finais Consider´ mos neste cap´tulo uma abordagem para resolver sistemas de equacoes a ı ¸˜ diferenciais lineares de primeira ordem, similar a usada no cap´tulo anterior para a ` ı resolucao de equacoes diferenciais lineares de ordem n. Em particular, vimos como ¸˜ ¸˜ resolver um sistema linear de primeira ordem com coeficientes constantes. De refe- rir, que muito mais haveria a fazer caso nos tiv´ ssemos proposto ao objectivo am- e bicioso de considerar sistemas gerais de equacoes diferenciais. Tal n˜ o foi o nosso ¸˜ a prop´ sito por limitacoes de tempo e por n˜ o fazer parte dos objectivos inicialmente o ¸˜ a propostos. 3.5 Exerc´cios ı 1. Reescreva cada um dos seguintes sistemas na forma matricial.    dx = 3x − 5y   dx = −3x + 4y + e−t sin 2t  (a) dt (b) dt  dy  dy  = 4x + 8y  = 5x + 9y + 4e−t cos 2t dt dt    dx = x − y + z + t − 1   dx = x − y   dt   dt      dy dy (c) = 2x + y − z − 3t 2 (d) = x + 2z  dt   dt    dz   dz    = x + y + z + t2 − t + 2  = −x + z dt dt
  • 189.
    ´ 3.5. EXERCICIOS 179 2. Reescreva cada um dos seguintes sistemas na forma n˜ o matricial. a     4 2 1 (a) X′ =   X +   et ; −1 3 −1          x 1 −1 2 x 1 3    d          y =  3 −4 1 y + 2 e−t − −1 t;       (b) dt          z −2 5 6 z 2 1          d x 3 −7 x 4 t −4  e4t . (c) = + sint +  dt y 1 1 y 8 2t + 1 3. Verifique que o par de funcoes dado e solucao do sistema de equacoes ¸˜ ´ ¸˜ ¸˜    dx  x = e−2t + 3e6t  = x + 3y (a) dt e  dy = 5x + 3y   y = −e−2t + 5e6t dt  2   d x  x = cos 2t + sin 2t + 1 et  = 4y + et  (b) dt 2 e 5  d 2y  y = − cos 2t − sin 2t − 1 et  = 4x − et  5 dt 2 4. Verifique se X e vector-solucao de cada um dos seguintes sistemas de ED. ´ ¸˜   dx = 3x − 4y    1 (a) dt ; X =   e−5t .  dy 2  = 4x − 7y dt   dx = −2x + 5y    5 cost (b) dt ; X =  et .  dy 3 cost − sint  = −2x + 4y dt
  • 190.
    180 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1       2 1 1 t 4 (c) X′ =  X; X =   e +   tet . −1 0 3 −4     1 0 1 sint     X′    1 1  (d) =  1 1 0  X ; X = − 2 sint − 2 cost  .     −2 0 −1 − sint + cost 5. Verifique se cada um dos seguintes grupos de vectores-solucao forma um con- ¸˜ junto fundamental de solucoes (CFS) do sistema homog´ neo (SH) X ′ = AX ¸˜ e em I, sabendo que cada um dos   indicados e solucao do SH.   vectores ´ ¸˜ 1 1 (a) X1 =   e−2t , X2 =   e−6t ; 1 −1       1 2 8 (b) X1 =   et , X2 =   et +   tet ; −1 6 −8       1 1 2         t   −4t   3t (c) X1 =  6  e , X2 = −2 e , X3 =  3  e .       −13 −1 −2 6. Verifique que X p e solucao particular para cada um dos seguintes sistemas. ´ ¸˜   dx = x + 4y + 2t − 7      2 5 (a) dt ; Xp =   t +    dy −1 1  = 3x + 2y − 4t − 18 dt       2 1 −5 1 (b) X′ =  X + ; Xp =   1 −1 2 3       1 −1 2 3 sin 3t       X ′ = −4 2 0 X +  4  sin 3t; X p =  0        (c)       −6 1 0 3 cos 3t
  • 191.
    ´ 3.5. EXERCICIOS 181 7. Prove que       6 −3 2         −t   −2t   3t X = c1 −1 e + c2  1  e + c3 1 e       −6 1 1   0 6 0   e solucao geral de X ′ = 1 0 1 X em I.   ´ ¸˜   1 1 0 8. Determine a solucao geral de cada um dos seguintes sistemas homog´ neos. ¸˜ e    dx = x + 2y   dx = −4x + 2y  (a) dt (b) dt  dy  dy  = 4x + 3y  = − 5 x + 2y 2 dt dt     dx = −4y   1  2 3 (c) dt (d) X ′ = −4 2 0 X    dy    = 4x dt −6 1 0     −1 0 0 −6 2   X′ =  X ′ =  1 5 −1 X   (e) X (f) −3 1   1 6 2 9. Utilizando o Scilab, determine a solucao geral de cada um dos seguintes sis- ¸˜ temas homog´ neos. e   1 0 2 −1.8 0       0.9 2.1 3.2  0 5.1 0 −1 3     (a) X ′=  ′=  0.7 6.5 4.2 X (b) X  1 2 −3 0 0 X       1.1 1.7 3.4  0 1 −3.1 4 0   −2.8 0 0 1.5 1
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    182 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1 10. Determine a ¸ ao geral de cada dos seguintes sistemas n˜ o homog´ neos. soluc ˜   um  a   e  3 −5 1 0 −1 sect (a) X ′ =   X +   et/2 (b) X ′ =  X +  3 4 −1 −1 1 0 0         0 1 1 1 −2 tant (c) X′ =  X +  (d) X′ =  X +  −1 0 cott 1 −1 1     1 1 0 0     X ′ = 1 1 0 X +  t      (e)     0 0 3 2et t 11. Utilizando X = Φ(t)Φ−1(t0 )X0 +Φ(t) Φ−1 (s)F(s)ds, resolva cada um dos t0 seguintes PVIs:       3 −1 4e2t 1 (a) X′ =  X +  , X (0) =   −1 3 4e4t 1       1 1 −1 2 (b) X′ =  X +  t , X (1) =   1 1 −1 t −1 12. Considere o seguinte sistema de EDL        −(R1 +R2 ) R2 E i1 d    L2 L 2   i1   L 2  = + . dt i2 R2 − R22 i2 0 L1 L Considerando R1 = 8 Ω, R2 = 3 Ω, L1 = 1 h, L2 = 1 h, E(t) = 100 sint V, i1 (0) = 0A e i2 (0) = 0A. 13. Com a ajuda do Scilab, determine a solucao geral do seguinte sistema ¸˜     2 −2 2 1 tet        −t  ′ −1 3 0 3  e  X =  X +    2t  0 0 4 −2 e      0 0 2 −1 1 Sugest˜ o: Siga os seguintes passos: a
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    ´ 3.5. EXERCICIOS 183 (a) Determine os valores pr´ rios e vectores pr´ prios da matriz. p o (b) Construa a matriz fundamental Φ(t) e calcule Φ(t)−1. (c) Execute a seguinte sequˆ ncia de operacoes: e ¸˜ Φ(t)−1(t)F(t), Φ(t)−1(t)F(t)dt, Φ(t)Φ(t) Φ(t)−1(t)F(t)dt, Φ(t)C, Φ(t)C + Φ(t)Φ(t) Φ(t)−1(t)F(t)dt 14. Determine a solucao geral das seguintes ED, depois de as reduzir a um SH de ¸˜ EDL da forma X ′ = AX . (a) x′′′ − 2x′′ + x′ = 0 (b) 2x′′ + 2x′ − x = 0 (c) x′′′ − 2x′′ − x′ + 2x = 0 (d) x′ − 3x′ + 2x = 0 15. Transforme cada um dos seguintes sistemas diferenciais numa ED de 2a or- dem. Em seguida determine a solucao que satisfaz as condicoes iniciais indicadas. ¸˜ ¸˜    x′ = 3x − 2x  1  x (0) = 3  1 1 2 (a)  ′  x = 2x1 − 2x2   x2 (0) = 1 2 2    x′ = x − 2x  1  x (0) = −1  1 1 2 (b)  ′  x = 3x1 − 4x2   x2 (0) = 2 2   x(t) 16. (a) Seja x(t) uma solucao da ED x′′ +x′ +x = 0. Mostre que X (t) =  ¸˜  x′ (t) e solucao do sistema diferencial ´ ¸˜   0 1 X′ =  X. −1 −1
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    184 ´ CAPITULO 3. SISTEMAS DE ED LINEARES DE ORDEM–1   x(t) (b) Seja X (t) =   solucao do sistema diferencial ¸˜ x′ (t)   0 1 X′ =  X. −3 4 Mostre que y(t) = x1 (t) e solucao da ED y′′ − 4y′ + 3y = 0. ´ ¸˜ 17. Determine a solucao dos seguintes PVI: ¸˜     1 0 0 1     X ′ = 3 1 −2 X ,     (a) X (0) =  0      2 2 1 −1     1 1 1 −1     X ′ = 2 1 −1 X , X (0) =  0      (b)     0 −1 1 3     1 1 1 1     X ′ =  2 1 −1 X , X (1) = 0     (c)     −3 2 4 0     −1 1 2 1     X ′ = −1 1 1 X ,     (d) X (0) = 0 .     −2 1 3 1
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    Cap´tulo 4 ı Transformada de Laplace A Transformada de Laplace (TL) e uma poderosa ferramenta de resolucao de equacoes ´ ¸˜ ¸˜ diferenciais lineares. Funcoes sinusoidais ou sinusoidais amortecidas, bem como ¸˜ funcoes exponenciais podem ser convertidas em funcoes alg´ bricas de uma vari´ vel ¸˜ ¸˜ e a complexa s atrav´ s deste operador. e Operacoes tais como a diferenciacao ou a integracao podem ser substitu´das por ¸˜ ¸˜ ¸˜ ı operacoes alg´ bricas no plano complexo. ¸˜ e Posto isto, uma ED pode ser transformada numa equacao alg´ brica na vari´ vel com- ¸˜ e a plexa s. A solucao da ED pode depois ser obtida atrav´ s da TL inversa da solucao ¸˜ e ¸˜ da equacao alg´ brica. ¸˜ e Uma vantagem da transformacao efectuada pela TL e permitir a utilizacao de t´ cnicas ¸˜ ´ ¸˜ e gr´ ficas que permitem prever o desempenho do sistema sem determinar a sua solucao. a ¸˜ Outra vantagem adicional e a possibilidade de determinacao simultˆ nea da compo- ´ ¸˜ a nente transit´ ria e “steady-state” na resolucao de ED. o ¸˜ 185
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    186 ´ CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE ¸˜ ˆ 4.1 Definicao e existencia Consideremos a funcao f (t), funcao do tempo t, tal que f (t) = 0 quando t < 0, ¸˜ ¸˜ donde adv´ m que t ≥ 0. A vari´ vel s e complexa e L e o operador laplaciano. e a ´ ´ Designemos por F(s) a TL de f (t), i.e. L { f (t)} = F(s). De igual maneira, definimos L −1 {F(s)} = f (t), a qual chamamos transformada de Laplace inversa. Consideremos a definicao de transformada de Laplace: ¸˜ ¸˜ Definicao 23 Seja f uma funcao definida para t ≥ 0. Ent˜ o o integral ¸˜ a ∞ L { f (t)} = F(s) = f (t)e−st dt 0 diz-se a Transformada de Laplace de f , conquanto que o integral conviria. Exerc´cio 18 Calcule: ı 1. L {1}; 2. L {e−t }. Se (i) f (t) e seccionalmente cont´nua no intervalo [0, ∞) e ´ ı (ii) f (t) e de ordem exponencial c com t > T, ´ ent˜ o L { f (t)} existe para s > c,ou seja, as condicoes (i) e (ii) acima s˜ o condicoes a ¸˜ a ¸˜ suficientes para a existˆ ncia da TL. e Considere-se ent˜ o a seguinte definicao: a ¸˜ ¸˜ Definicao 24 Dizemos que a funcao f e de ordem exponencial c se ¸˜ ´ ∃ c, M > 0 tal que | f (t)| ≤ Mect , ∀t > T.
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    4.2. A TABELADE TRANSFORMADAS E ALGUNS EXEMPLOS 187 A TL e uma funcao linear, ou seja, tem-se que: ´ ¸˜ L {α f (t) + β g(t)} = α L { f (t)} + β L {g(t)} = α F(S) + β G(S). Exerc´cio 19 Calcule, usando f´ rmulas trigonom´ tricas: ı o e 1. L {3t − 5 sin 2t}; 2. L {sin2 t}. 4.2 A tabela de transformadas e alguns exem- plos Aplicando a definicao da TL, facilmente calculamos a TL de algumas funcoes ele- ¸˜ ¸˜ mentares, como e o caso dos exemplos listados na tabela: ´ 1 s L {1} = L {coskt} = s s2 + k2 n! k L {t n } = , n = 1, 2, . . . L {sinh kt} = 2 sn+1 s − k2 1 s L {eat } = L {cosh kt} = 2 s−a s − k2 k L {sin kt} = 2 s + k2 Exerc´cio 20 Calcule: ı 1. L {t}; 2. L {e−3t }; 3. L {sin 2t}.
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    188 ´ CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE ¸˜ 4.3 A TL de outras funcoes ¸˜ funcao Heaviside   0 , 0≤t <a U (t − a) =  1 , t≥a e−as Temos que: L {U (t − a)} = . s ¸˜ Funcao pulso   A  , 0 ≤ t < t0 f (t) = t0   0 , t ≤ 0 e t0 < t com A,t0 constantes, A A ou ainda f (t) = U (t) − U (t − t0 ). t0 t0 A Temos ent˜ o que: L { f (t)} = a (1 − e−t0 s ) t0 s ¸˜ Funcao impulso   lim A  , 0 ≤ t < t0 f (t) = t0 →0 t0   0 , t ≤ 0 e t0 < t com A,t0 constantes. As Temos ainda que: L { f (t)} = =A s Se A = 1, temos o impulso de Dirac ou funcao de Dirac: ¸˜ ¸˜ Funcao de Dirac   0 , t =t 0 δ (t − t0 ) =  ∞ , t=0 com A,t0 constantes. Temos ainda que: L {δ (t − t0)} = 1
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    4.4. PROPRIEDADES DATL 189 4.4 Propriedades da TL Segue-se o enunciado e a aplicacao de alguns teoremas importantes no c´ lculo da ¸˜ a TL, bem como na relacao entre o dom´nio do tempo e o dom´nio da frequˆ ncia. ¸˜ ı ı e Se usarmos o seguinte resultado L {t f (t)} = −F ′ (s) com L { f (t)} = F(s), facilmente calculamos L {te−2t } e L {t 2 e−2t } Se n L {t n} = L {t n−1 } s facilmente calculamos L {t 2} e L {t 3}. Seguem-se outras propriedades que vamos definir de um modo mais formal. Comecamos ¸ com ¸˜ Teorema 30 (Primeiro teorema da translacao) Seja L { f (t)} = F(s) e a ∈ R. Ent˜ o a L {eat f (t)} = F(s − a). Segundo este resultado, ao multiplicarmos f (t) por eat temos que substituir s por s − a. Exerc´cio 21 Utilizando o teorema anterior, calcule L {e5t t 3 } e L {e−2t cos 4t}. ı Temos ainda outro teorema translacional: ¸˜ Teorema 31 (Segundo teorema da translacao) Seja L { f (t)} = F(s) e a ∈ R. Ent˜ o: a
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    190 ´ CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE • Primeira forma (ou do atraso) L { f (t − a)U (t − a)} = e−as F(s), a>0 • Segunda forma L {g(t)U (t − a)} = e−as L {g(t + a)}, a>0 Exerc´cio 22 Com a ajuda do segundo teorema da translacao, calcule: ı ¸˜ 1. L {(t − 2)3 U (t − 2)}; 2. L {sintU (t − 2π )}. e muito f´ cil calcular a TL de uma funcao f (t) multiplicada por uma potˆ ncia de t. ´ a ¸˜ e De facto, o seguinte teorema expressa uma relacao com a derivada de ordem–n da ¸˜ TL F(s). dn L {t n f (t)} = (−1)n F(s) dsn Exerc´cio 23 Calcule L {t 2 sin 2t} e L {e−t t 2 cost} ı e muito f´ cil calcular a TL da derivada de uma qualquer ordem de uma funcao: ´ a ¸˜ Teorema 32 (Teorema da Derivada) Consideremos: • f (t), f ′(t), . . ., f (n−1) (t) funcoes cont´nuas em [0, ∞) e de ordem exponencial; ¸˜ ı • f n (t) uma funcao seccionalmente cont´nua. Ent˜ o: ¸˜ ı a L { f n (t)} = sn F(s) − sn−1 f (0) − sn−2 f ′ (0) − · · · − f (n−1)(0). Exemplo 4.1 d L {kt cos kt + sin kt} = L { (t sin kt)} = sL {t sin kt} dt d d k = s − L {sin kt} = s − 2 + s2 ds ds k
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    4.4. PROPRIEDADES DATL 191 Vejamos que kt cos kt + sin kt = (t sin kt)′ . Depois aplicamos o resultado na caixa acima com n = 1. 2ks2 d 2 + k 2 )2 = L {2t cos 2t + sint} = L { (t sin 2t)} (s dt Ao alterar a escala de tempo, o que acontecer´ a TL? a` t L f = α F (α s) α Exerc´cio 24 Calcule f (t/5) = e−0.2t com f (t) = e−t . ı Vamos agora definir convolucao e TL da convolucao de duas funcoes. Comecemos ¸˜ ¸˜ ¸˜ por definir convolucao de duas funcoes: ¸˜ ¸˜ ¸˜ Definicao 25 Consideremos f (t) e g(t) funcoes seccionalmente cont´nuas em ¸˜ ı [0, ∞). Definimos convolucao das funcoes f e g como ¸˜ ¸˜ t t f ∗g = f (τ )g(t − τ )d τ = f (t − τ )g(τ )d τ 0 0 Exerc´cio 25 Calcule et ∗ sint. ı E agora a TL da convolucao: ¸˜ Consideremos f (t) e g(t) funcoes seccionalmente cont´nuas em [0, ∞). Ent˜ o ¸˜ ı a L { f ∗ g} = L { f (t)}L {g(t)} = F(s)G(s). t τ Exerc´cio 26 Calcule L ı 0 e sin(t − τ )d τ . Estamos agora em condicoes de definir a transformada de Laplace do integral: ¸˜ t F(s) L f (τ )d τ = 0 s E, finalmente, a TL de uma funcao peri´ dica: ¸˜ o
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    192 ´ CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE Seja f (t) uma funcao seccionalmente cont´nua em [0, ∞), de ordem exponencial, ¸˜ ı e peri´ dica de periodo T, ent˜ o o a 1 T L { f (t)} = e−st f (t)dt. 1 − e−sT 0 Os resultados que se seguem permitem tirar conclus˜ es sobre f (t), conhecendo o somente F(s) e vice-versa. O primeiro destes resultados, s´ e v´ lido se todos os p´ los de sF(s) est˜ o no semi- o´ a o a plano esquerdo. Chama-se p´ los aos zeros do denominador de F(s). o Teorema 33 (Teorema do valor final) Se existirem as transformadas d f (t) de Laplace de f (t) e de tal que F(s) = L { f (t)} e se existir o limite limt→∞ f (t), dt ent˜ o: a lim f (t) = lim sF(s). t→∞ s→0 Exerc´cio 27 Este teorema n˜ o e aplic´ vel a f (t) = sin wt. Porquˆ ? (Sug: ı a ´ a e Calcule os plos da transformada da sinusoidal.) Exerc´cio 28 Seja f (t) = 1 − e−t , t ≥ 0. O que acontece quando aplicamos ı o teorema valor final. Teorema 34 (Teorema do valor inicial) Se existir transformada de La- d f (t) place de f (t) e tal que F(s) = L { f (t)} e se existir o limite limss→∞ sF(s), dt ent˜ o: a f (0+ ) = lim sF(s). s→∞ Exerc´cio 29 Seja f (t) = 1 − e−t , t ≥ 0. O que acontece quando aplicamos ı o teorema valor inicial.
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    4.5. A TRANSFORMADADE LAPLACE INVERSA 193 4.5 A transformada de Laplace Inversa Dizemos que f (t) e a TL inversa de F(s) e escreve-se: ´ f (t) = L −1 {F(s)} . e desta forma que voltamos ao dom´nio do tempo. ´ ı Abaixo est˜ o tabeladas as TL inversas de algumas funcoes elementares. a ¸˜ 1 s 1 = L −1 { } cos kt = L −1 { 2 } s s + k2 n! k t n = L −1 { n+1 }, n = 1, 2, . . . sinh kt = L −1 { 2 } s s + k2 1 s eat = L −1 { } cosh kt = L −1 { 2 } s−a s + k2 k sin kt = L −1 { 2 } s + k2 A TL inversa e tamb´ m linear, isto e, ´ e ´ L −1 {α F(s) + β G(s)} = α L −1 {F(s)} + β L −1 {G(s)}. Exerc´cio 30 ı 1. Calcule: 1 (a) L −1 { }, s5 1 (b) L −1 { 2 }, s + 64 1 (c) L −1 { }, (s − 1)(s + 2)(s + 4) s+1 (d) L −1 { }. s2 (s + 2)3 2. Como sabemos se uma funcao de s corresponde a TL de uma data funcao ¸˜ ` ¸˜ f (t)? Sendo f (t) uma funcao cont´nua em [0, ∞) e de ordem exponencial t > T , ent˜ o ¸˜ ı a lim L { f (t)} = lim F(s) = 0. s→∞ s→∞
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    194 ´ CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE Seguem-se as formas inversas dos teoremas da Secao 4.7. ¸˜ ¸˜ Teorema 35 (Forma inversa do primeiro teorema da translacao) Tem-se: L −1 {F(s − a)} = L −1 {F(s)|s→s−a} = eat f (t) s Exerc´cio 31 Calcule L −1 ı . s2 + 6s + 11 ¸˜ Teorema 36 (Forma inversa do primeiro teorema da translacao) Tem-se: L −1 e−as F(s) = f (t − a)U (t − a). e−π s/2 Exerc´cio 32 Calcule L −1 ı . s2 + 9 Segue-se a transformada inversa da convolucao: ¸˜ f ∗ g = L −1 {F(s)G(s)} 1 Exerc´cio 33 Calcule L −1 ı . (s − 1)(s + 4) Tamb´ m a transformada inversa do integral: e t F(s) f (τ )d τ = L −1 0 s Exerc´cio 34 Calcule: ı 1 1. L −1 ; s(s2 + 1) 1 2. L −1 ; s2 (s2 + 1) 1 3. L −1 . s3 (s2 + 1)
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    ¸˜ ˆ 4.6. APLICACOES: CIRCUITOS E SISTEMAS MECANICOS 195 ¸˜ ˆ 4.6 Aplicacoes: circuitos e sistemas mecanicos A Transformada de Laplace e especialmente adequada a resolucao de PVI lineares ´ ` ¸˜ com coeficientes constantes. Este tipo de problema e prontamente reduzido a uma ´ equacao alg´ brica em Y (s). Vejamos: ¸˜ e d ny d n−1 y dy an n + an−1 (n−1) + · · · + a1 + a0 y = g(t) (4.1) dt dt dt ′ y(0) = y0 , y (0) = y1 , . . . y(n−1) (0) = yn−1 (4.2) Relembrando a linearidade da TL, vem: −1 dny −1 d n−1 y an L + an−1 L +···+ (4.3) dt n dt (n−1) dy + a1 L −1 + a0 L −1 {y} = L −1 {g(t)} (4.4) dt Utilizando o teorema da derivada, vem: an snY (s) − sn−1 y(0) − · · · − y(n−1) (0) + +an−1 sn−1Y (s) − sn−2 y(0) − · · · − y(n−1) (0) + · · · a0Y (s) = G(s) onde Y (s) = L {y(t)} e G(s) = L {g(t)}. Resolvemos esta equacao alg´ brica em ¸˜ e ordem a Y (s). Depois de obtermos Y (s), fazemos: y(t) = L −1 {Y (s)} . Repare que este m´ todo incorpora automaticamente as condicoes iniciais. Vejamos e ¸˜ um exemplo. Exemplo 4.2 Determine a solucao do seguinte PVI: ¸˜ dy − 3y = e2t , y(0) = 1 (4.5) dt ¸˜ Resolucao: Comecamos por aplicar o operador ` equac˜o: ¸ a ¸a dy L − 3L {y} = L e2t . (4.6) dt
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    196 ´ CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE ou seja 1 sY (s) − 1 − 3Y (s) = (4.7) s−2 s−1 −1 2 Y (s) = = + (4.8) (s − 2)(s − 3) s − 2 s − 3 1 1 y(t) = −L −1 + 2L −1 (4.9) s−2 s−3 e temos que y(t) = −e2t + 2e3t . No exemplo que se segue, vamos usar o primeiro teorema da translacao. ¸˜ Exemplo 4.3 Determine a solucao de ¸˜ y′′ + 4y′ + 6y = 1 + e−t , y(0) = 0 y′ (0) = 0. (4.10) ¸˜ Resolucao: L y′′ + 4L y′ + 6L {y} = L {1} + L e−t 1 1 s2Y (s) − sy(0) − y′(0) + 4 (sY (s) − y(0)) + 6Y (s) = + s s+1 2s + 1 s2 + 4s + 6 Y (s) = s(s + 1) 2s + 1 Y (s) = . s(s + 1)(s2 + 4s + 6) ¸˜ Temos agora que decompor em fraccoes parciais: 1/6 1/3 −s/2 − 5/3 Y (s) = + + . s s + 1 s2 + 4s + 6 ¸˜ Vamos preparar agora as funcoes para determinar a TL inversa: 1/6 1/3 (−1/2)(s + 2) − 2/3 Y (s) = + + (4.11) s s+1 (s + 2)2 + 2 1/6 1/3 1 s+2 2 1 = + − 2+2 + (4.12) s s + 1 2 (s + 2) 3 (s + 2)2 + 2
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    ¸˜ ˆ 4.6. APLICACOES: CIRCUITOS E SISTEMAS MECANICOS 197 Aplicando agora o operador e atendendo ` sua linearidade, a segue-se que 1 −1 1 1 1 1 s+2 y(t) = L + L −1 − L −1 6 s 3 s+1 2 (s + 2)2 + 2 2 1 + L −1 3 (s + 2)2 + 2 √ 1 1 −t 1 −2t √ 2 −2t √ y(t) = + e − e cos 2t − e sin 2t. 6 3 2 3 Consideremos um outro exemplo: Exemplo 4.4 Resolva x′′ + 16x = cos 4t, x(0) = 0, x′ (0) = 1. ¸˜ Resolucao: Observe que este PVI pode descrever, por exemplo, o movimento forcado e n˜o amortecido de uma massa ¸ a pendurada na extremidade de uma mola, anteriormente descrito. A massa tem velocidade inicial de 1 m/s no sentido positivo. Aplicando a TL, obtemos a seguinte ¸˜ equacao alg´brica: e s (s2 + 16)X (x) = 1 + (4.13) s2 + 16 1 s = 2 + 2 . (4.14) s + 16 (s + 16)2 Relembrando o resultado L −1 {−F ′ (s)} = t f (t), temos: 1 −1 4 1 8s x(t) = L 2 + 16 + L −1 (4.15) 4 s 8 (s2 + 16)2 1 1 = sin 4t + sin 4t. (4.16) 4 8
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    198 ´ CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE Nos modelos matem´ ticos que representam os sistemas f´sicos, tais como os circui- a ı tos el´ ctricos e os sistemas mecˆ nicos, como por exemplo: e a 1 mx′′ + β x′ + kx = f (t) e Lq′′ + Rq′ + q = E(t) (4.17) C o lado direito da equacao diferencial representa uma forca motriz que pode ser uma ¸˜ ¸ forca externa ou uma voltagem que e imprimida ao sistema. ¸ ´ No cap´tulos anteriores, estas funcoes foram consideradas cont´nuas, por´ m v´ rios ı ¸˜ ı e a s˜ o os casos em funcoes seccionalmente cont´nuas s˜ o aplicadas ao sistema. E(t) a ¸˜ ı a poder´ ser por exemplo a funcao pulso ou a funcao rampa. Nestes casos, a resolucao a ¸˜ ¸˜ ¸˜ destas equacoes e muito complicada. A Transformada de Laplace e assim um ins- ¸˜ ´ ´ trumento valioso neste tipo de problemas. Exemplo 4.5 Resolva x′′ + 16x = f (t), x(0) = 0, x′ (0) = 1, (4.18)   cos 4t, 0 ≤ t < π com f (t) =  0 t ≥π ¸˜ Resolucao: A funcao f (t) pode ser interpretada como uma forca ¸˜ ¸ externa que actua no sistema mecˆnico s´ por um a o curto per´odo de tempo, sendo logo depois removida. ı Comecamos por reeescrever a funcao f (t) utilizando a ¸ ¸˜ ¸˜ funcao de Heaviside: f (t) = cos 4t − cos 4tU (t − π ).
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    ¸˜ ˆ 4.6. APLICACOES: CIRCUITOS E SISTEMAS MECANICOS 199 Temos ent˜o: a L x′′ + 16L x′ = L { f (t)} s s s2 X (s) − sx(0) − x′(0) + 16X (s) = 2 − 2 e−π s s + 16 s + 16 s s 2 (s + 16)X (s) = 1 + 2 − 2 e−π s s + 16 s + 16 1 s s X (s) = 2 + 16) + 2 2 − 2 2 e−π s (s (s + 16) (s + 16) Calculamos agora a transformada inversa de X (s) e lembramos o segundo teorema da translac˜o: ¸a 1 −1 4 1 8s 1 8s x(t) = L 2 + 16) + L −1 2 + 16)2 − L −1 e−π s 4 (s 8 (s 8 (s2 + 16)2 1 1 1 = sin 4 + t sin 4t − (t − π ) sin 4(t − π )U (t − π ), 4 8 8 ou seja,   1 sin 4t + 1 t sin 4t, 0 ≤ t π   4 8 x(t) =  2+π   sin 4t, t ≥ π. 8 Aplicando a lei da voltagem de Kirchhoff a um circuit (RLC)–serie obtemos a se- guinte equacao integro-diferencial: ¸˜ di 1 t L + Ri + i(τ )d τ = E(t). dt C 0 Exemplo 4.6 Determine a corrente i(t) dum circuito (RLC)–serie com L = 0.1h, R = 20Ω, C = 10−3 f , i(0) = 0 e a voltagem e dada pela funcao: ´ ¸˜   120t, 0 ≤ t < 1 E(t) =  0,t ≥ 1 ` A semelhanca do que fizemos anteriormente, comecamos por reescrever a funcao ¸ ¸ ¸˜ E(t) em termos da funcao de Heaviside: ¸˜ E(t) = 120t − 120tU (t − 1).
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    200 ´ CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE Aplicando a lei de Kirchhoff, obtemois a seguinte equacao: ¸˜ di t 0.1 + 20i + 103 i(τ )d τ = 120t − 120tU (t − 1). dt 0 Apliquando a TL: I(s) 1 1 1 0.1I(s) + 20I(s) + 103 = 120 2 − 2 e−s − e−s . s s s s Recorde a segunda forma do Teorema do atraso: L {g(t)U (t − a)} = e−as L {g(t + a)} . Depois de todos os c´ lculos efectuados, obt´ m-se a e 3 3 −100t i(t) = (1 − U (t − 1)) − e − e−100(t−1) U (t − 1) 25 25 −12e−100t − 1188(t − 1)e−100(t−1) U (t − 1). Agora falta s´ resolvermos um sistema. o Exemplo 4.7 Considere o seguinte sistema de equacoes diferenciais lineares: ¸˜ 2x′ + y′ = t (4.19) x′ + y′ = t 2 (4.20) sujeito as condicoes iniciais x(0) = 1 e y(0) = 0. ` ¸˜ ¸˜ Resolucao: Sejam X (s) = L {x(t)} e Y (s) = L {y(t)} . Temos ent˜o a 1 2 (sX (s) − x(0)) + sY (s) − y(0) = s2 2 sX (s) − x(0) + sY(s) − y(0) = 3 s ou seja 1 2sX (s) + (s − 1)Y(s) = 2 + s2 2 sX (s) + −sY (s) = 1 + 3 s
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    ´ 4.7. EXERCICIOS 201 Multiplicando a segunda linha por 2 e depois subtraindo ` a primeira, obtemos: 1 4 (s − 1)Y (s) = 2 − 3 s s 4−s Y (s) = 3 s (s + 1) 5 5 4 5 Y (s) = − 2+ 3− . s s s s+1 Aplicando agora o operador inverso, temos y(t) = 5 − 5t + 2t 2 − 5e−t . Passemos agora ` segunda equac˜o: a ¸a 1 2 X (s) = −Y (s) + + 2 , s s e depois aplicando o operador inverso obtemos 1 x(t) = −4 + 5t − 2t 2 + t 3 + 5e−t . 3 4.7 Exerc´cios ı 1. Use o operador Transformada de Laplace (TL) para determinar a solucao dos ¸˜ seguintes PVI.
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    202 ´ CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE   x(0) = 0 (a) x′′ + 4x′ + 4x = e−x , .  x′ (0) = 1   x(0) = 0 (b) x′′ + 4x′ + 3x = 0, .  x′ (0) = 1   x(0) = 1 (c) x′′ + 6x − 7 = 0, .  x′ (0) = 0   x(0) = 0 (d) x′′ − x′ − 2x = t, .  x′ (0) = 0   x(0)   = 1    ′  x (0) = 0 (e) x(iv) − 16x = 0, .  x′′ (0)  = 0     ′′′  x (0) = 0   x(0) = 0 (f) x′′ − 2x′ + 5x = 0, .  x′ (0) = 1   x(0) = 1 (g) x′′ − 9x′ = 5e−2t , .  x′ (0) = 2 2. Num circuito em s´ rie (C-BRC) a carga q(t) no condensador e dada pela e ´ seguinte equacao diferencial ¸˜ d2q dq 2 + 20 + 100q = 120 sin(10t). dt dt Determine a carga e a intensidade da corrente, tendo em conta que q(0) = 0 e i(0) = 0. 3. Utilizando o operador TL, determine a solucao geral de cada uma das seguin- ¸˜ tes equacoes: ¸˜
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    ´ 4.7. EXERCICIOS 203 (a) x′ + 2x = et ; (b) x′′ + 4x′ + 3x = 0. 4. Use o operador TL para determinar as solucoes de cada um dos seguintes sis- ¸˜ temas de ED que satisfazem as condicoes iniciais. ` ¸˜    x′ + x = 0  1  x (0) = 1  1 2 (a) , .  ′  x + x1 = 0   x2 (0) = 0 2    d 2x dy  x(0) = 0 = x′ (0)  2 − 6 − 7x = 0   (b) dt dt , .  d 2y   y(0) = 0 = y′ (0)   +x = 3 dt 2    x′ + 4x + 3y = 0   x(0) = 0  (c) , .  ′  y + 3x + 4y = 2et   y(0) = 0    y′ + 2y + z = sin x   y(0) = 0  (d) , .  ′  z − 4y − 2z = cos x   z(0) = 1    5y′ + z′′ + 4z = sint   y(0) = 0 = y′ (0)  (e) , .  ′′  y + 2z′ + y  z(0) = 0 = z′ (0)  = 0 5. Numa rede el´ trica, contendo uma resistˆ ncia, um indutor e um condensador, e e as correntes i1 (t) e i2 (t) s˜ o descritas pelo seguinte sistema diferencial: a   di1 + 50i  = 60 2 dt .  0.005 di2 + i2 − i1 = 0  dt Calcule i1 e i2 em cada instante.
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    204 ´ CAPITULO 4. TRANSFORMADA DE LAPLACE ˆ Referencias Arnold, V. I. (1985). Equacoes diferenciais ordin´ rias. Editora Mir Moscovo. ¸˜ a Grossman, S. I., & Derrick, W. R. (1988). Advanced engineering mathematics. New York, Harper Collins Publishers. Rainville, E. D., & Bedient, P. E. (1981). Elementary differential equations, sixth edition. New York, Collier Macmillian Publishers. Ross, S. L. (1966). Introduction to ordinary differential equations, third edition. John Wiley & Sons, New York. Sallet, G. (2004.) Ordinary differential equations with scilab, wats lectures, provi- sional notes. Universit´ De Metz, INRIA Lorraine. e Urroz, G. E. (n.d.). Ordinary differential equations with scilab, wats lectures, provisional notes. infoClearinghouse.com. Zill, D. G. (1997). A first course in differential equations with modelling applicati- ons, sixth edition. Brooks/Cole Publishing Company, London.