Reflexões sobre o livro
acadêmico no contexto
da comunicação
científica
Flávia Rosa
Susane Barros
Os gregos
Grécia Antiga – 700 a.C.
Revolução da palavra escrita
Discussões e reuniões na periferia de
Atenas
Cultura letrada do pensamento
moderno
A comunicação
situa-se no
próprio coração
da ciência.
É para ela tão
vital quanto a
própria pesquisa.
A. J. Meadows,
1999
Compartilhamento de
ideias entre pares
Sistema de
comunicação científica
Aristóteles
Da oralidade para o
registro
Surgimento de universidades – Idade
Média
Transmissão do conhecimento com base
nos ensinamentos da Igreja
Exposição da posição de autoridades
Aristóteles
Hipócrates
Tomás de Aquino
Surgimento das universidades
Consolidação de uma comunidade leitora
Desenvolvimento de um comércio de
cópias manuscritas
Tipos móveis de Gutenberg
Fonte: Dreamstime.
Universidade
Produtora
Detentora
Transmissora Ampliação do número
de leitores
Rápida multiplicação de
informação
Primeiros
periódicos
científicos
Até metade do
século XVII...
Cientistas
atuando
isoladamente
Sem apoio
institucional
De forma
amadora
Troca de
correspondências
Ilustração de Bernardo França para a Revista Galileu
Segunda metade do século XVII
Primeiras iniciativas de trabalho coletivo
Reuniões patrocinadas pela Royal Society
de Londres
Criação de academias e sociedades –
Ciência organizada
Surgimento do periódico científico
O periódico científico
Compilação de cartas trocadas
Journal de Sçavans (Paris) – Dennis de Sallo
Philosophical Transactions of The Royal Society of
London – Henry Oldenburg
Registro de propriedade
Preservação do conhecimento
Agilidade na comunicação dos resultados
Comunicação científica
 "[...] a totalidade das publicações, recursos,
oportunidades, sistemas institucionais e costumes que
afetam a transmissão direta ou indireta de mensagens
científicas entre os cientistas.” (MENZEL, 1958, grifo nosso)
 “[...] o espectro total de atividades associadas com a
produção, a disseminação e o uso da informação, a
partir do momento em que o cientista tem a ideia para
sua pesquisa, até que a informação sobre os resultados
desta pesquisa seja aceita como constituinte do
conhecimento científico.” (GARVEY, 1979, p. ix, tradução
nossa)
Fluxo da comunicação científica
Canais informais Canais formais
Fontes
terciárias
Fontes
secundárias
Fontes
primárias
Início da pesquisa Fim da pesquisa
Preprints
Palestras
Artigos
Bases de dados
Livros
Diretórios
11
INDEXAÇÃO - 1960
Eugene Garfield
Institute for Scientifc
Information
Comunicação científica no ambiente
eletrônico
Primeiras pesquisas sobre
comunicação científica
– Década de 1980
•James Hills (1983)
•Charles W. Steinfield (1986)
•A. J. Meadows (1999)
•P. Buckle (1992)
1
Transformações culturais
e sociais impulsionadas
pelas TIC
Canais informais
2
Internet – ampliação do
alcance e circulação da
informação
3
Configuração atual do ciclo
Targino (2007).
Produção
Elaboração,
apresentação e
submissão
Publicação e
disseminação
Acesso e uso
Ciência aberta
“A condução da ciência de um
modo que outros possam
colaborar e contribuir, em que os
dados de pesquisa, as notas de
laboratório e outros processos
científicos estejam livremente
disponíveis, com termos que
permitam reuso, redistribuição e
reprodução da pesquisa.”
(COMISSÃO EUROPEIA, [2015]
apud DELFANTI; PITRELLI, 2016, p.
60)
Configuração emergente
Targino (2007).
Produção
Repositórios de dados
Científicos
Compartilhamento
Elaboração,
apresentação e
Submissão
Repositórios de preprints
Compartilhamento
Publicação e
Disseminação
Compartilhamento
Acesso e uso
Compartilhamento
Configuração atual - Avaliação por pares
Configuração emergente - Preprints
Periódico Editor Comunidade científicaPareceristas
Comunidade
Comunidade
científica
PareceristasEditor
Servidor
Periódico
Original
Original
Continuum
Modelo atual Modelo emergente
Pesquisa feita de forma privada,
depois submetida a periódicos;
Dados são privados até a
publicação; Resumo do artigo é
disponível após a publicação.
Compartilhamento de dados em
todos os estágios da pesquisa,
cientistas colaboram, achados
são disseminados on-line via
blogs, redes sociais, wikis,
internet.
Literatura científica sob barreiras
de pagamento com editores
cobrando pelo acesso.
Descobertas científicas on-line e
sem custos com editores usando
novos modelos de negócio.
Papers têm os direitos autorais
protegidos de forma genérica.
Diferentes licenças são possíveis:
copyright, Creative Commons,
domínio público etc.
Machado (2015).
Como refletir sobre o
livro nesse contexto?
Pesquisa da ABEU
De acordo com a pesquisa (70% dos
respondentes) aumentou o número de editoras
que adotam uma política para o livro digital
2015
39,3%
2018
52,9%
Pesquisa da ABEU
Houve também um aumento percentual no que
se refere ao investimento em acesso aberto pelas
editoras universitárias.
2015
35,7%
2018
61,2%
“Parece ser verdade que, independentemente
da disciplina, a disponibilidade de documentos
em linha estimula maior utilização de seus
equivalentes impressos. O que equivale dizer que
o acesso eletrônico e o acesso impresso em geral
se complementam, ao invés de um substituir o
outro.” (WILLIS et al., 1994 apud MEADOWS, 1999,
p. 238)
Pontos para reflexão
Se as editoras universitárias publicam pesquisas
financiadas com recursos públicos qual a
dificuldade em:
1) publicar em suporte eletrônico?
2) publicar em acesso aberto?
Publicações definitivas de resultados
de pesquisa
Periódico Livro
 Lido?
 Citado?
 Tem prestígio?
 Público-alvo é atingido?
 Tempo de publicação?
 É indexado?
 Lido?
 Citado?
 Tem prestígio?
 Público-alvo é atingido?
 Tempo de publicação?
 É indexado?
Quais os desafios para a adoção de
padrões internacionais na disponibilização
online de livros? Que padrões são esses?
De que forma as editoras universitárias
poderão estar alinhadas à ciência aberta?
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDITORAS UNIVERSITÁRIAS. Pesquisa ABEU 2018. 2018. Disponível em:
<http://www.abeu.org.br/farol/abeu/blog/abeu/abeu-divulga-mais-completa-pesquisa-realizada-com-
editoras-universitarias/12999>.
DELFANTI, A. PITRELLI, N. Ciência aberta: revolução ou continuidade? In: ALBAGLI, S.; MACIEL, M. L.;
ABDO, A. H. Ciência aberta, questões abertas. Brasília: IBICT; Rio de Janeiro: Unirio, 2015. p. 59-70.
Disponível em: <
http://livroaberto.ibict.br/bitstream/1/1060/1/Ciencia%20aberta_questoes%20abertas_PORTUGUES_DIGIT
AL%20%285%29.pdf>. Acesso em: 11 jul. 2018.
GARVEY, William D. Communication: the essence of science. Oxford: Pergamon, 1979.
MACHADO, J. Dados abertos e ciência aberta. In: ALBAGLI, S.; MACIEL, M. L.; ABDO, A. H. (Org.). Ciência
aberta, questões abertas. Brasília, DF: Ibict; Rio de Janeiro: Unirio, 2015. p. 201-227. Disponível em: <
http://livroaberto.ibict.br/bitstream/1/1060/1/Ciencia%20aberta_questoes%20abertas_PORTUGUES_DIGIT
AL%20%285%29.pdf>. Acesso em: 11 jul. 2018.
MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1999.
MENZEL, H. The flow of information among scientists - problems, opportunities and research questions.
New York: Columbia University, Bureau of Applied Social Research, 1958.
TARGINO, M. das G. O óbvio da informação científica: acesso e uso. Transinformação, Campinas, v.
19, n. 2, p. 97-105, ago. 2007. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-37862007000200001&lng=en&nrm=iso>.
Acesso em: 11 jul. 2018.
Obrigada!
coordeditorial@ufba.br

Flávia Rosa, Susane Barros - Reflexões sobre o livro acadêmico no contexto da comunicação científica

  • 1.
    Reflexões sobre olivro acadêmico no contexto da comunicação científica Flávia Rosa Susane Barros
  • 2.
    Os gregos Grécia Antiga– 700 a.C. Revolução da palavra escrita Discussões e reuniões na periferia de Atenas Cultura letrada do pensamento moderno
  • 3.
    A comunicação situa-se no própriocoração da ciência. É para ela tão vital quanto a própria pesquisa. A. J. Meadows, 1999 Compartilhamento de ideias entre pares Sistema de comunicação científica Aristóteles Da oralidade para o registro
  • 4.
    Surgimento de universidades– Idade Média Transmissão do conhecimento com base nos ensinamentos da Igreja Exposição da posição de autoridades Aristóteles Hipócrates Tomás de Aquino
  • 5.
    Surgimento das universidades Consolidaçãode uma comunidade leitora Desenvolvimento de um comércio de cópias manuscritas Tipos móveis de Gutenberg Fonte: Dreamstime.
  • 6.
    Universidade Produtora Detentora Transmissora Ampliação donúmero de leitores Rápida multiplicação de informação Primeiros periódicos científicos
  • 7.
    Até metade do séculoXVII... Cientistas atuando isoladamente Sem apoio institucional De forma amadora Troca de correspondências Ilustração de Bernardo França para a Revista Galileu
  • 8.
    Segunda metade doséculo XVII Primeiras iniciativas de trabalho coletivo Reuniões patrocinadas pela Royal Society de Londres Criação de academias e sociedades – Ciência organizada Surgimento do periódico científico
  • 9.
    O periódico científico Compilaçãode cartas trocadas Journal de Sçavans (Paris) – Dennis de Sallo Philosophical Transactions of The Royal Society of London – Henry Oldenburg Registro de propriedade Preservação do conhecimento Agilidade na comunicação dos resultados
  • 10.
    Comunicação científica  "[...]a totalidade das publicações, recursos, oportunidades, sistemas institucionais e costumes que afetam a transmissão direta ou indireta de mensagens científicas entre os cientistas.” (MENZEL, 1958, grifo nosso)  “[...] o espectro total de atividades associadas com a produção, a disseminação e o uso da informação, a partir do momento em que o cientista tem a ideia para sua pesquisa, até que a informação sobre os resultados desta pesquisa seja aceita como constituinte do conhecimento científico.” (GARVEY, 1979, p. ix, tradução nossa)
  • 11.
    Fluxo da comunicaçãocientífica Canais informais Canais formais Fontes terciárias Fontes secundárias Fontes primárias Início da pesquisa Fim da pesquisa Preprints Palestras Artigos Bases de dados Livros Diretórios 11 INDEXAÇÃO - 1960 Eugene Garfield Institute for Scientifc Information
  • 12.
    Comunicação científica noambiente eletrônico Primeiras pesquisas sobre comunicação científica – Década de 1980 •James Hills (1983) •Charles W. Steinfield (1986) •A. J. Meadows (1999) •P. Buckle (1992) 1 Transformações culturais e sociais impulsionadas pelas TIC Canais informais 2 Internet – ampliação do alcance e circulação da informação 3
  • 13.
    Configuração atual dociclo Targino (2007). Produção Elaboração, apresentação e submissão Publicação e disseminação Acesso e uso
  • 14.
    Ciência aberta “A conduçãoda ciência de um modo que outros possam colaborar e contribuir, em que os dados de pesquisa, as notas de laboratório e outros processos científicos estejam livremente disponíveis, com termos que permitam reuso, redistribuição e reprodução da pesquisa.” (COMISSÃO EUROPEIA, [2015] apud DELFANTI; PITRELLI, 2016, p. 60)
  • 15.
    Configuração emergente Targino (2007). Produção Repositóriosde dados Científicos Compartilhamento Elaboração, apresentação e Submissão Repositórios de preprints Compartilhamento Publicação e Disseminação Compartilhamento Acesso e uso Compartilhamento
  • 16.
    Configuração atual -Avaliação por pares Configuração emergente - Preprints Periódico Editor Comunidade científicaPareceristas Comunidade Comunidade científica PareceristasEditor Servidor Periódico Original Original Continuum
  • 17.
    Modelo atual Modeloemergente Pesquisa feita de forma privada, depois submetida a periódicos; Dados são privados até a publicação; Resumo do artigo é disponível após a publicação. Compartilhamento de dados em todos os estágios da pesquisa, cientistas colaboram, achados são disseminados on-line via blogs, redes sociais, wikis, internet. Literatura científica sob barreiras de pagamento com editores cobrando pelo acesso. Descobertas científicas on-line e sem custos com editores usando novos modelos de negócio. Papers têm os direitos autorais protegidos de forma genérica. Diferentes licenças são possíveis: copyright, Creative Commons, domínio público etc. Machado (2015).
  • 18.
    Como refletir sobreo livro nesse contexto?
  • 19.
    Pesquisa da ABEU Deacordo com a pesquisa (70% dos respondentes) aumentou o número de editoras que adotam uma política para o livro digital 2015 39,3% 2018 52,9%
  • 20.
    Pesquisa da ABEU Houvetambém um aumento percentual no que se refere ao investimento em acesso aberto pelas editoras universitárias. 2015 35,7% 2018 61,2%
  • 21.
    “Parece ser verdadeque, independentemente da disciplina, a disponibilidade de documentos em linha estimula maior utilização de seus equivalentes impressos. O que equivale dizer que o acesso eletrônico e o acesso impresso em geral se complementam, ao invés de um substituir o outro.” (WILLIS et al., 1994 apud MEADOWS, 1999, p. 238)
  • 22.
    Pontos para reflexão Seas editoras universitárias publicam pesquisas financiadas com recursos públicos qual a dificuldade em: 1) publicar em suporte eletrônico? 2) publicar em acesso aberto?
  • 23.
    Publicações definitivas deresultados de pesquisa Periódico Livro  Lido?  Citado?  Tem prestígio?  Público-alvo é atingido?  Tempo de publicação?  É indexado?  Lido?  Citado?  Tem prestígio?  Público-alvo é atingido?  Tempo de publicação?  É indexado?
  • 24.
    Quais os desafiospara a adoção de padrões internacionais na disponibilização online de livros? Que padrões são esses? De que forma as editoras universitárias poderão estar alinhadas à ciência aberta?
  • 25.
    Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DEEDITORAS UNIVERSITÁRIAS. Pesquisa ABEU 2018. 2018. Disponível em: <http://www.abeu.org.br/farol/abeu/blog/abeu/abeu-divulga-mais-completa-pesquisa-realizada-com- editoras-universitarias/12999>. DELFANTI, A. PITRELLI, N. Ciência aberta: revolução ou continuidade? In: ALBAGLI, S.; MACIEL, M. L.; ABDO, A. H. Ciência aberta, questões abertas. Brasília: IBICT; Rio de Janeiro: Unirio, 2015. p. 59-70. Disponível em: < http://livroaberto.ibict.br/bitstream/1/1060/1/Ciencia%20aberta_questoes%20abertas_PORTUGUES_DIGIT AL%20%285%29.pdf>. Acesso em: 11 jul. 2018. GARVEY, William D. Communication: the essence of science. Oxford: Pergamon, 1979. MACHADO, J. Dados abertos e ciência aberta. In: ALBAGLI, S.; MACIEL, M. L.; ABDO, A. H. (Org.). Ciência aberta, questões abertas. Brasília, DF: Ibict; Rio de Janeiro: Unirio, 2015. p. 201-227. Disponível em: < http://livroaberto.ibict.br/bitstream/1/1060/1/Ciencia%20aberta_questoes%20abertas_PORTUGUES_DIGIT AL%20%285%29.pdf>. Acesso em: 11 jul. 2018. MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos/Livros, 1999. MENZEL, H. The flow of information among scientists - problems, opportunities and research questions. New York: Columbia University, Bureau of Applied Social Research, 1958. TARGINO, M. das G. O óbvio da informação científica: acesso e uso. Transinformação, Campinas, v. 19, n. 2, p. 97-105, ago. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-37862007000200001&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 11 jul. 2018.
  • 26.