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FundamentosdeAnatomia
paraoEstudante
deOdontologia
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CESAR COSTA
Professor Responsável pela Disciplina de Anatomia Humana
no Curso de Odontologia da Universidade Gama Filho — UGF-RJ.
Professor Adjunto IV (Aposentado) na Disciplina de Anatomia Humana
da Universidade Federal Fluminense — UFF-RJ.
Livre-docente em Odontologia (Cirurgia Oral) pela Universidade Gama Filho — UGF-RJ.
Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial
pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro — UERJ-RJ.
Especialista em Radiologia pela Associação Brasileira de Odontologia.
São Paulo • Rio de Janeiro • Belo Horizonte
Fundamentos de Anatomia
para o Estudante
de Odontologia
ALEXANDRE CESAR BOMFIM COSTA
Professor Auxiliar da Disciplina de Anatomia Humana da Universidade
Gama Filho — UGF-RJ.
Professor-assistente de Fundamentos Biomédicos da Universidade
Católica de Petrópolis — UCP-RJ.
Mestre em Psicologia Social da Universidade Gama Filho — UGF-RJ.
Especialista em Docência Universitária pela Universidade Gama Filho — UGF-RJ.
CLAUDIA MARIA SOARES SAVEDRA
Professora Auxiliar da Disciplina de Anatomia Humana
da Universidade Gama Filho — UGF-RJ.
Professora Auxiliar da Disciplina de Bases Morfológicas do IBMR.
Professora da Disciplina de Anatomia (Domínio Conexo) dos Cursos de Pós-Graduação
em Odontologia da Universidade Gama Filho — UGF-RJ
Ex-Residente do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial
do Hospital Pedro Ernesto — UERJ-RJ.
Mestranda em Morfologia (Instituto de Biologia) da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro — UERJ-RJ.
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1. Anatomia humana para odontologia 611.00246176
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Costa, Cesar
Fundamentos de anatomia para o estudante de odontologia/
Cesar Costa, Alexandre Cesar. Bomfim Costa, Claudia Maria
Soares Savedra. -- São Paulo: Editora Atheneu, 2000.
Bibliografia
1. Anatomia humana 2. Odontologia I. Costa, Alexandre Cesar
Bomfim. II. Savedra, Claudia Maria Soares. III. Título.
CDD-611.00246176
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Prefácio
A minha convivência com o Professor Cesar Costa data-se desde o começo de
suas atividades acadêmicas na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal
Fluminense.
Daí então, acompanhei de perto, até a presente data, a sua trajetória brilhante
tanto como Professor de Anatomia Humana, quanto no exercício da sua especialidade
de Cirurgião Bucomaxilofacial.
Porquanto, sinto-me honrado em poder prefaciar esse trabalho que promete ser
básico para o estudo, a atualização e aplicação da Anatomia Humana.
O Professor Cesar Costa, reúne neste seu trabalho as suas qualidades como
Professor e Cirurgião, expondo de forma concisa e atualizada todos os pontos da
Anatomia Humana de interesse imediato, para os alunos e profissionais da área
Odontológica.
A dinâmica do texto, com ilustrações a bico de pena, do próprio autor, auxilia em
muito a compreensão das descrições das estruturas anatômicas.
A finalidade do trabalho é transmitir os principios básicos e fundamentais de
Anatomia Humana aplicados ao aprendizado e a prática odontológica, reunidos em
um só volume, fato este que facilita de forma significativa o estudo do aluno.
Torna-se necessário enfatizar que, neste ensaio do Professor Cesar Costa, algumas
imperfeições serão encontradas, fato este que é humanamente compreensível, porém
com o auxilio precioso dos leitores, através de suas críticas contrutivas, procurar-se-
á aperfeiçoar o texto e as ilustrações nas edições futuras.
A longa convivência com o Professor Cesar Costa, me permitiu conhecê-lo sob
todos os aspectos, e, não é excesso de otimismo mas, sim profissão de fé, que esse
trabalho é o germe sadio de um tratado de Anatomia Humana, no sentido exato da
palavra e, que num futuro não muito distante, estará a disposição do alunado e dos
profissionais da área de Odontologia.
Não poderia deixar de destacar aqui, a eficiente colaboração dos professores
Alexandre Cesar Bomfim Costa e Claudia Maria Soares Savedra.
Rio de Janeiro, primavera de 2000
Professor Benedito Aparecido de Toledo
Professor Titular de Anatomia Humana da Universidade Gama Filho
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Sumário
1 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA, 1
Conceito, 1
Nomenclatura, 1
Posição anatômica, 2
Planos de delimitação e de secção do corpo humano, 3
2 SISTEMA ESQUELÉTICO, 7
Conceito, 7
Funções, 7
Divisão, 7
Número de ossos, 8
Classificação dos ossos, 9
Substância óssea compacta e esponjosa, 12
Elementos descritivos, 13
Periósteo, 13
Cartilagem, 13
Osso do crânio, da face e do pescoço, 14
Vista superior do crânio, 15
Vista posterior do crânio, 16
Vista anterior do crânio, 17
Vista lateral do crânio, 19
Vista inferior do crânio, 21
Osso frontal, 21
Osso parietal, 24
Osso occipital, 26
Osso esfenóide, 31
Osso etmóide, 35
Osso temporal, 38
Maxila, 42
Osso zigomático, 47
Osso nasal, 48
Osso lacrimal, 49
Concha nasal inferior, 51
Osso palatino, 52
Osso vômer, 55
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Mandíbula, 56
Osso hióide, 61
Cavidades do crânio e da face, 62
Cefalometria e craniometria, 72
Análise funcional do crânio e da face, 75
3 ARTICULAÇÕES, 79
Conceito, 79
Classificação, 79
Articulação temporomandibular (ATM), 82
4 SISTEMA MUSCULAR, 87
Conceito, 87
Divisão, 87
Componentes anatômicos dos músculos estriados esqueléticos, 88
Origem muscular, 88
Inserção muscular, 88
Classificação, 89
Músculos da mímica, 91
Músculos da língua, 97
Músculos do palato mole ou véu palatino, 100
Músculos da faringe, 102
Músculos do olho, 103
Músculos do pescoço, 105
Músculos da mastigação, 108
Movimentos mandibulares, 111
5 SISTEMA CIRCULATÓRIO, 115
Conceito, 115
Divisão, 115
Coração, 116
Tipos de circulação, 121
Tipos de vasos sangüíneos, 121
Sistema linfático, 123
Artérias, 124
Veias, 139
Linfáticos, 146
6 SISTEMA DIGESTÓRIO, 151
Conceito, 151
Divisão, 151
Boca, 151
Faringe, 157
Esôfago, 157
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Estômago, 157
Intestino, 158
Anexos do canal alimentar, 159
7 SISTEMA RESPIRATÓRIO, 163
Conceito, 163
Divisão, 163
Cavidade nasal, 163
Faringe, 164
Laringe, 165
Traquéia e brônquios, 165
Pleura e pulmão, 165
8 SISTEMA NERVOSO, 167
Conceito, 167
Divisão, 167
Origem embriólogica do sistema nervoso central (SNC), 168
Sistema nervoso periférico (SNP), 173
Sistema nervoso visceral, 177
Anatomia do SNC, 182
Nervos cranianos relacionados à odontologia, 187
Nervo trigêmeo — V par craniano, 187
Nervo facial — VII par craniano, 195
Nervo glossofaríngeo — IX par craniano, 200
Nervo hipoglosso — XII para craniano, 204
9 ANATOMIA DENTAL, 207
Conceito, 207
Dentes, 207
Incisivos, 212
Caninos, 226
Pré-molares, 232
Molares, 250
Dentes temporários, 271
Evolução e involução da dentição humana, 290
Relações interdentárias, 291
10 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA RADIOGRAFIA DENTAL, 295
Tomada radiográfica no nível de incisivos superiores, 295
Tomada radiográfica no nível de canino superior, 296
Tomada radiográfica no nível de pré-molares superiores, 296
Tomada radiográfica no nível de molares superiores, 296
Tomada radiográfica no nível de incisivos inferiores, 297
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Tomada radiográfica no nível de canino inferior, 297
Tomada radiográfica no nível de pré-molares inferiores, 297
Tomada radiográfica no nível de molares inferiores, 297
11 ANATOMIA REGIONAL, 299
Região nasal, 299
Região labial, 301
Região mental, 302
Região parotídea, 303
Região massetérica, 304
Região geniana, 305
Região infratemporal, 307
Região pterigopalatina, 307
Região palatina, 308
Região gengivodental, 309
Região lingual, 311
Região sublingual, 311
Região supra-hióidea, 311
12 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA ANESTESIA LOCAL, 315
Anestesia de ramos do nervo maxilar, 315
Anestesia extrabucal do nervo maxilar, 317
Anestesia de ramos do nervo mandibular, 317
Anestesia extrabucal do nervo mandibular, 318
13 RELAÇÃO DOS DENTES COM ESTRUTURAS VIZINHAS, 319
Processo alveolar da maxila, 319
Processo alveolar da mandíbula, 324
14 PROPAGAÇÃO DAS INFECÇÕES ODONTOGÊNICAS, 329
Propagação das infecções através das veias, 329
Propagação das infecções através do tecido conjuntivo frouxo, 330
15 ANATOMIA APLICADA ÀS LIGADURAS ARTERIAIS, 335
Artéria palatina maior, 335
Artéria lingual, 336
Artéria facial, 336
Artéria temporal superficial, 336
Artéria carótida externa, 337
16 ANATOMIA APLICADA À TRAQUEOTOMIA E LARINGOTOMIA, 339
Traqueotomia, 339
Laringotomia, 340
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17 ANATOMIA APLICADA AO EXAME FÍSICO DO ESQUELETO FACIAL, 343
18 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA RADIOGRAFIA CRANIOFACIAL, 345
Tomada radiográfica de perfil, 345
Tomada radiográfica póstero-anterior, frontonasofilme, 346
Tomada radiográfica ântero-posterior, occipitofilme, 346
Tomada radiográfica póstero-anterior mentonasofilme, 347
Tomada radiográfica lateral desdobrada de mandíbula, 348
Tomada radiográfica lateral da ATM, 348
Tomada radiográfica de perfil pouco penetrado, 348
Tomada radiográfica submentovertex pouco penetrada, 348
Tomada radiográfica panorâmica, 348
19 ANATOMIA APLICADA À CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCOMAXILOFACIAL, 351
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, 355
CAPÍTULO 1 1
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CAPÍTULO
1
Introdução ao Estudo da
Anatomia Humana
CONCEITO
Anatomia é a ciência que estuda a estrutura do corpo. Mas estrutura e função
devem sempre ser consideradas simultaneamente. Além disso, por meio da ana-
tomia de superfície e radiológica deve-se dar ênfase à anatomia do vivente.
Em relação ao tamanho das partes estudadas, a anatomia é habitualmente
dividida em anatomia macroscópica e anatomia microscópica ou histologia. Os
aspectos macro e microscópico devem ser estudados em íntima conexão.
O corpo humano deve ser considerado não somente na sua forma definitiva
mas, também, no seu desenvolvimento. Embriologia é o estudo do embrião e do
feto, isto é, o estudo do desenvolvimento pré-natal. Anatomia pediátrica é o estu-
do da estrutura da criança. Teratologia é o estudo das más-formações congênitas.
Em geral, as obras que tratam de anatomia humana são dispostas sistematica-
mente, baseadas nos vários sistemas do corpo (esquelético, muscular, digestório
etc.) ou regionalmente, de acordo com as subdivisões principais naturais do cor-
po (cabeça e pescoço, membros superiores, tórax etc.), que é também, chamada
anatomia topográfica.
NOMENCLATURA
Foi estimado que, no final do século XIX, existiam aproximadamente 20.000
nomes anatômicos para 5.000 formações do corpo humano. Em 1895, uma lista
2 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA
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de cerca de 4.500 termos foi preparada e aceita em Basiléia. É conhecida pelo
nome latino Basle Nomina Anatomica (BNA). Foram empreendidas revisões prin-
cipalmente na Inglaterra (Birmingham Revision ou BR 1933) e na Alemanha
(Jena Nomina Anatomica ou INA, 1935). Em Paris, em 1955, um acordo interna-
cional foi alcançado para um sistema latino de nomenclatura baseado ampla-
mente na BNA. Foi chamado de Paris Nomina Anatomica (PNA). Entre os princí-
pios adotados no preparo da nova nomenclatura, os seguintes são dignos de nota:
1 — que, com um limitado número de exceções, cada estrutura seja designada
por um único termo; 2 — que os termos na lista oficial sejam escritos em latim,
mas cada país tem liberdade de traduzir os termos latinos oficiais para o próprio
vernáculo para fins de ensino; 3 — que os termos sejam, em primeiro lugar,
fáceis de memorizar, mas de preferência que tenham algum valor informativo ou
descritivo; 4 — que os epônimos não sejam empregados.
Revisões subseqüentes foram feitas, visto que a nomenclatura anatômica tem
caráter dinâmico, podendo ser modificado, desde que haja razões e que sejam
comprovadas em congressos internacionais de anatomia.
POSIÇÃO ANATÔMICA
Toda descrição anatômica é expressa em relação à posição anatômica, uma
convenção pela qual descreve-se o corpo humano da seguinte maneira:
Fig. 1.1 — Posição anatômica.
CAPÍTULO 1 3
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Posição anatômica
Corpo humano ereto, com os pés juntos, com os olhos e os dedos dos pés
dirigidos para a frente, com os membros superiores pendentes aos lados do cor-
po, com as palmas das mãos voltadas para a frente (Fig. 1.1).
PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO
Na posição anatômica, o corpo humano pode ser delimitado por planos tan-
gentes à sua superfície, delimitando a formação de um paralelepípedo (Fig. 1.2).
PLANOS DE DELIMITAÇÃO
Dois planos verticais, um tangente ao ventre, plano ventral ou anterior; e
outro tangente ao dorso, plano dorsal ou posterior (Fig. 1.2).
Dois planos verticais tangentes aos lados do corpo, planos laterais direito
e esquerdo (Fig. 1.2).
Fig. 1.2 — A — plano anterior; P — plano posterior; LD — plano lateral direito; LE — plano lateral esquerdo;
S — plano superior; I — plano inferior.
4 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA
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Dois planos horizontais, um tangente à cabeça, plano cranial, cefálico ou
superior; e outro, tangente à planta dos pés, plano podálico ou inferior (Fig. 1.2).
No tronco isolado, o plano horizontal que tangencia o vértice do cóccix, é
denominado caudal.
PLANOS DE SECÇÃO
Plano sagital mediano
Plano vertical de secção que passa longitudinalmente através do corpo e o
divide em metades direita e esquerda. O plano sagital mediano intercepta a
superfície ventral e dorsal do corpo, nas linhas medianas anterior e posterior
(Fig. 1.3).
Fig.1.3 — A — plano sagital mediano; B — plano frontal; C — plano horizontal.
CAPÍTULO 1 5
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Todo plano vertical do corpo, paralelo ao plano sagital mediano, é chamado
plano sagital. Os planos sagitais são assim chamados devido à sutura sagital do
crânio à qual são paralelos.
Plano frontal
Plano que intercepta o plano sagital mediano em ângulo reto e divide o corpo
em metades anterior e posterior (Fig. 1.3).
Plano horizontal
Plano perpendicular a ambos os planos sagital mediano e frontal; ele divide
o corpo em partes superior e inferior (Fig. 1.3).
O termo medial significa mais próximo do plano mediano e lateral mais afas-
tado dele. Assim, na posição anatômica, o polegar é lateral ao dedo mínimo,
enquanto o hálux é medial ao mínimo. Intermédio significa situação entre duas
formações das quais uma é lateral e outra medial (Fig.1.4).
Anterior ou ventral
Significa mais próximo do ventre.
Posterior ou dorsal
Significa mais próximo do dorso.
Fig.1.4 — A — anterior; P — posterior; M — medial; L — lateral; I — intermédio; M1 — médio; M2 — mediana.
6 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA
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Superior
Significa mais próximo do ápice ou extremidade superior do corpo.
Inferior
O mais próximo da extremidade inferior. No tronco, cranial ou cefálico, é, às
vezes, usado em lugar de superior e caudal para inferior; rostral significa mais
próximo da extremidade da frente. Nos membros, proximal e distal são usados
para indicar mais próximo e mais afastado da raiz ou extremidade de conexão do
membro, respectivamente (Fig. 1.5).
Interno e externo
Significam respectivamente mais próximo ou mais afastado do centro de um
órgão ou de uma cavidade. Superficial e profundo indicam mais próximo ou
mais afastado da superfície do corpo, respectivamente.
O termo médio é usado para uma formação situada entre duas outras que são
anterior e posterior, ou superior e inferior ou externa e interna (Fig. 1.4).
Além dos termos técnicos de posição e direção, certas expressões comuns
são, também, usadas em descrições anatômicas: frente, dorso, na frente de, atrás,
para frente, para trás, superior, inferior, acima, abaixo, para cima, para baixo,
ascendente, descendente etc.
Fig. 1.5 — S — superior; I — inferior; M — médio; P — proximal; D — distal.
CAPÍTULO 2 7
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CAPÍTULO
2
Sistema Esquelético
CONCEITO
É o conjunto de ossos e cartilagens que se interligam para formar o arcabouço
do corpo.
FUNÇÕES
Proteção (para órgãos como o coração, pulmões e sistema nervoso central);
sustentação e conformação do corpo; local de armazenamento de íons de cálcio e
fósforo; sistema de alavancas que movimentadas pelos músculos permitem os
deslocamentos do corpo, no todo ou em parte, e, finalmente, local para produção
de certas células do sangue.
DIVISÃO
Podemos dividi-lo em duas grandes porções: uma mediana, formando o eixo
do corpo, e composta pelos ossos da cabeça, pescoço e tronco (tórax e abdome), é
o esqueleto axial; outra, apensa a esta, forma os membros e constitui o esqueleto
apendicular. A união dessas duas partes se faz por meio de cinturas: escapular
(ou torácica, constituída pela escápula e clavícula) e pélvica, constituída pelos
ossos do quadril.
8 Sistema Esquelético
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NÚMERO DE OSSOS
No indivíduo adulto, é de aproximadamente 206.
OSSOS DO CRÂNIO
Frontal, occipital, esfenóide e etmóide (ímpares); parietais e temporais
(pares). Total: oito ossos. Pode-se considerar os ossículos do ouvido médio,
estribos, bigornas e martelos que são pares, neste caso, considera-se mais seis
ossos no crânio.
OSSOS DA FACE
Vômer e mandíbula (ímpares); nasais, maxilas, lacrimais, zigomáticos, con-
chas nasais inferiores e palatinos (pares). Total: 14 ossos.
OSSOS DO PESCOÇO
Hióide e sete vértebras cervicais. Total: oito ossos.
OSSOS DO TÓRAX
Esterno, 12 vértebras, 12 costelas de cada lado. Total: 37 ossos.
OSSOS DA COLUNA LOMBAR, SACRAL E COCCÍGEA
Cinco vértebras lombares, cinco sacrais (sacro) e quatro coccígeas (cóccix).
Total: 14 ossos.
OSSOS DA CINTURA ESCAPULAR E MEMBRO SUPERIOR
Escápula, clavícula, úmero, rádio, ulna, hamato, capitato, escafóide,
semilunar, piramidal, pisciforme, trapezóide, trapézio, cinco metacárpios, duas
falanges no polegar e três falanges no indicador, no médio, no anular e no míni-
mo. Total: 32 ossos em cada membro.
OSSOS DA CINTURA PÉLVICA E MEMBRO INFERIOR
Ossso do quadril, fêmur, tíbia, fíbula, patela, tálus, calcâneo, navicular,
cubóide e três cuneiformes (medial, intermédio e lateral), cinco metatárcicos,
duas falanges no hálux e três falanges nos II, III, IV e V dedos. Total: 31 ossos em
cada membro.
CAPÍTULO 2 9
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CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS
A mais difundida é aquela que leva em consideração as suas dimensões.
OSSO LONGO
É aquele cujo comprimento é maior que a largura e a espessura. Exem-
plos: úmero, rádio, ulna, falanges, clavícula, fêmur, tíbia e fíbula. O osso lon-
go apresenta um corpo, a diáfise, em cujo interior existe uma cavidade, o
canal medular, que aloja a medula óssea (Figs. 2.1, 2.6, e 2.7). Duas extremi-
dades, as epífises e as porções mais alargadas do corpo, próximas das epífises,
são as metáfises (Fig. 2.1). Nos ossos longos em que a ossificação ainda não se
completou, é possível visualizar entre a epífise e a diáfise um disco de carti-
lagem hialina (disco epifisial) relacionado com o crescimento do osso em com-
primento (Figs. 2.1 e 2.6).
OSSO PLANO OU LAMINAR
É aquele cuja espessura é menor que a largura e o comprimento. Exemplos: o
frontal, os parietais, o occipital e as escápulas (Fig. 2.2).
Fig. 2.1 — Osso longo: D — diáfise; E, E1 — epífises; M, M1 — metáfises; D1, D2 — cartilagens epifisárias.
10 Sistema Esquelético
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OSSO CURTO
É aquele em que as três dimensões se eqüivalem. Exemplos: ossos do carpo e
do tarso (Fig. 2.3).
Fig. 2.2 — Osso laminar: SC — substância compacta; SE — substância esponjosa.
Fig. 2.3 — Osso curto esquemático.
OSSO IRREGULAR
É aquele que não pode ser enquadrado nas definições anteriores. Apresenta
morfologia complexa. Exemplos: as vértebras e os temporais. Dentro desta cate-
goria, encontram-se ossos que apresentam uma ou mais cavidades (seio e célu-
las, respectivamente). Estes ossos são chamados de pneumáticos. Exemplos:
maxilas, esfenóide e etmóide. Existem ossos que são classificados em mais de um
grupo, como por exemplo o frontal, que é um osso laminar mas também pneumá-
tico; a maxila é um osso irregular e pneumático (Figs. 2.4 e 2.5).
CAPÍTULO 2 11
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OSSOS SESAMÓIDES
Desenvolvem-se na substância de certos tendões ou da cápsula fibrosa que
envolve certas articulações. Os primeiros são intratendíneos e os segundos peri-
articulares. A patela é um exemplo típico de osso sesamóide.
Fig. 2.4 — Osso irregular.
Fig. 2.5 — Osso irregular pneumático: SM — seio maxilar.
SM
12 Sistema Esquelético
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SUBSTÂNCIA ÓSSEA COMPACTA E ESPONJOSA
Na substância óssea compacta, as lamínulas ósseas encontram-se fortemente
unidas umas às outras pelas suas faces, sem que haja espaço livre interposto. Por
esta razão este tipo é mais denso e rígido. Na substância óssea esponjosa as
lamínulas ósseas se arranjam de forma a deixar entre si espaços ou lacunas que
se comunicam umas com as outras (Figs. 2.2, 2.6 e 2.7).
Fig. 2.6 — Corte frontal de um osso longo: SC — substância compacta; SE — substância esponjosa; DE — disco de
cartilagem epifisária; CM — canal medular.
Fig. 2.7 — Corte horizontal na diáfise de um osso longo: SC — substância compacta; SE — substância esponjosa;
CM — canal medular.
CAPÍTULO 2 13
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ELEMENTOS DESCRITIVOS
Os ossos apresentam na sua superfície depressões, saliências e aberturas
que constituem elementos descritivos para seu estudo. Entre as saliências en-
contramos: cabeça, côndilos, cristas, eminências, tubérculos, tuberosidades,
processos, linhas, espinhas, trócleas etc. As depressões são: fossas, fossetas,
impressões, sulcos, recessos etc. As aberturas são: forames, canais, meatos,
óstios, poros etc.
PERIÓSTEO
É uma membrana conjuntiva que reveste a superfície dos ossos com exceção
das superfícies articulares. Apresenta dois folhetos: um superficial e um profun-
do. A camada profunda é chamada de osteogênica pelo fato de suas células se
transformarem em células ósseas, que são incorporadas à superfície do osso.
CARTILAGEM
É um tecido conectivo resistente e elástico, que se compõe de células e fibras
implantadas numa matriz intercelular firme e gelatinóide. As células da cartila-
gem, os condrócitos, estão situados em lacunas, algumas vezes isoladamente,
porém, amiúde, em grupos. Na cartilagem adulta não há nervos, e usualmente
faltam também vasos sangüíneos. As substâncias nutritivas devem, portanto, di-
fundir-se pela matriz para alcançar as células. As fibras encontradas na matriz
são colágenas ou elásticas. A natureza e disposição destas fibras são, parcialmen-
te, a base da classificação da cartilagem em três tipos: hialina, fibrosa e elástica.
A cartilagem acha-se rodeada por uma membrana de tecido conectivo, o
pericôndrio, cuja estrutura é similar à do periósteo. A cartilagem cresce por
aposição, isto é, por deposição de cartilagem nova sobre a superfície da cartila-
gem velha. A nova cartilagem é formada por condroblastos derivados das células
mais profundas do pericôndrio. A cartilagem também cresce intersticialmente,
ou seja, por aumento no tamanho e número das células existentes e por aumento
na quantidade de matriz intercelular.
CARTILAGEM HIALINA
Possui aparência cristalina, translúcida, devido ao caráter de sua matriz. A
matriz e as fibras colágenas têm aproximadamente o mesmo índice de refração.
As fibras não são visíveis em preparações microscópicas comuns. Os discos
epifisiais e a maioria das cartilagens articulares são formados de cartilagem hialina.
A cartilagem hialina tem tendência para calcificar e ser substituída por osso.
Fibrocartilagem
Feixes de fibras colágenas, são os constituintes principais da fibrocartilagem.
Os feixes são visíveis em preparações microscópicas comuns, ao contrário do
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que ocorre na cartilagem hialina. A quantidade de matriz é menor do que na
cartilagem hialina, e os condrócitos se acham dispersos. A fibrocartilagem está
presente em certas junturas cartilagíneas e forma cartilagem articular em uma
juntura sinovial de grande interesse odontológico, que é a articulação temporo-
mandibular cujas superfícies articulares são forradas de fibrocartilagem com
ilhotas de cartilagem hialina.
CARTILAGEM ELÁSTICA
É parecida com a cartilagem hialina exceto pelo fato de que suas fibras são
elásticas. Raramente se calcifica com o avançar da idade. A cartilagem elástica
está presente na orelha externa e na tuba auditiva e forma algumas das cartila-
gens da laringe.
OSSOS DO CRÂNIO, DA FACE E DO PESCOÇO
A cabeça óssea forma uma caixa para o encéfalo, cavidades para os órgãos da
sensibilidade específica, visão, audição, equilíbrio, olfação e gustação; aberturas
para passagem do ar e do alimento; dentes, maxilas e mandíbula para mastigação.
A cabeça óssea é constituída por uma série de ossos que, na maior parte,
estão unidos por articulações. Um dos ossos, a mandíbula, é muito móvel, estan-
do em conexão com o crânio por uma articulação sinovial, articulação
temporomandibular (ATM). Alguns ossos da calvária são constituídos por lâmi-
nas externa e interna, de substância compacta, e por uma camada média espon-
josa chamada díploe. A lâmina interna é mais fina e mais frágil do que a externa.
O crânio é revestido por periósteo, sendo a camada externa denominada pericrânio
e a camada interna endocrânio. A palavra calvária refere-se, usualmente, à parte
superior do crânio.
Os ossos do crânio delimitam a cavidade craniana, na qual estão situados
o encéfalo e as membranas que o cobrem (as meninges). Estes ossos são o frontal, o
etmóide, o esfenóide, o occipital, os temporais e os parietais.
O esqueleto da face é composto de vários ossos pares (nasais, lacrimais,
zigomáticos, maxilas, conchas nasais inferiores e palatinos) e dois ossos ímpares
(mandíbula e vômer).
As articulações imóveis entre a maioria dos ossos do crânio são chamadas
suturas. Estas têm aspecto de linhas irregulares nos crânios de jovens adultos.
Com a idade, muitas suturas são obliteradas pela fusão óssea (sinostose).
Para facilitar a descrição, o crânio é orientado de tal maneira que as margens
inferiores das órbitas e as margens superiores dos meatos acústicos externos es-
tejam no mesmo plano horizontal, denominado plano orbitomeático.
O plano horizontal (orbitomeático) foi aceito como padrão num congresso de
antropologia em Frankfurt, em 1884. Ele passa, precisamente, pelas margens su-
periores dos meatos acústicos externos e pela margem inferior da órbita esquer-
da. O plano orbitomeático corresponde muito bem ao plano horizontal natural
CAPÍTULO 2 15
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do crânio, isto é, com o indivíduo na posição anatômica, com o olhar dirigido
para um espelho vertical, no qual ele fixa suas pupilas (Fig. 2.11).
Fig. 2.8 — Vista superior do crânio: A — ossos nasais; B — osso frontal; C — sutura coronal; D — ponto bregma;
E — osso parietal; F — sutura sagital; G — forame parietal; H — ponto lambda; I — osso occipital.
VISTA SUPERIOR DO CRÂNIO
O crânio é, geralmente, ovóide, quando visto de cima, sendo mais largo atrás
do que na frente. Podem ser identificados quatro ossos: o frontal na frente, o
occipital atrás e os parietais lateralmente. A sutura entre os dois parietais é cha-
mada de interparietal ou sagital. Entre os parietais e o frontal é frontoparietal ou
coronal. Entre os parietais e o occipital é occipitoparietal ou lambdóide. A inter-
seção das suturas coronal e sagital; e sagital e lambdóide são chamadas respecti-
vamente de bregma e lambda. Estes dois pontos no feto, nos primeiros meses de
vida, são membranáceos, sendo chamados de fontículos bregmático e lambdóide,
respectivamente. A eminência parietal é a porção mais convexa de cada osso
parietal. Poucos centímetros à frente do lambda pode ser encontrado, às vezes,
16 Sistema Esquelético
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um pequeno orifício vascular, o forame parietal, de um ou ambos os lados da
sutura sagital. Ele dá passagem a uma veia emissária que une as veias
extracranianas ao seio sagital superior (Fig. 2.8).
Fig. 2.9 — Vista posterior do crânio: A — sutura sagital; B — ponto lambda; C — sutura lambdóide; D — protuberância
occipital externa; E — processo mastóideo; F — processo estilóide; G — osso parietal; H — osso occipital.
VISTA POSTERIOR DO CRÂNIO
A parte posterior do crânio é composta de porções dos ossos parietais, do
osso occipital e as partes mastóideas dos ossos temporais. As suturas sagital e
lambdóide encontram-se no lambda, que pode, às vezes, no vivente, ser sentido
como uma depressão. As extremidades inferiores da sutura lambdóide encon-
tram-se com as suturas parietomastóidea e occipitomastóidea, de cada lado, num
ponto conhecido como astério. Uma abertura vascular, o forame mastóideo, é
freqüentemente encontrado na mastóide, próximo à sutura occipitomastóidea, e
dá passagem a uma veia emissária do seio sigmóide.
A protuberância occipital externa é uma projeção mediana mais ou menos
entre o lambda e o forame occipital. É palpável no vivente e está, geralmente,
localizada um pouco abaixo da parte mais proeminente da região posterior da
cabeça; por isso, ela não pode ser observada quando o crânio é visto de cima. Seu
CAPÍTULO 2 17
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centro é chamado ínio. Em cada lado da protuberância arqueia-se lateralmente
uma crista curva, a linha nucal superior. Ela marca o limite superior do pescoço.
As linhas supremas da nuca, quando presentes, estão situadas um centímetro
acima das linhas nucais superiores e são mais arqueadas (Figs. 2.9 e 2.17).
Fig. 2.10 — Vista anterior do crânio: A — ponto glabela; B — margem supra-orbital; C — ponto frontotemporal;
D — fissura orbital superior; E — fissura orbital inferior; F — forame infra-orbital; G — pilar zigomático; H — pilar
canino; I — ponto gônio; J — forame mental; K — ponto gnátio; L — ponto zígio; M — incisura supra-orbital.
VISTA ANTERIOR DO CRÂNIO
A vista anterior do crânio apresenta a fronte, as órbitas, as proeminências da
face, o nariz ósseo externo, as maxilas e a mandíbula.
FRONTE
O osso frontal forma o esqueleto da fronte. Embaixo, de cada lado do plano
mediano, ele se articula com os ossos nasais. A interseção do osso frontal com os
ossos nasais é chamada násio. A região acima do násio, entre os arcos supra-
orbitais é chamada glabela. O arco supra-orbital é uma elevação que se estende
lateralmente de cada lado da glabela. As duas metades do osso são separadas até
os seis anos de idade, aproximadamente, pela sutura frontal. Em alguns casos, a
linha de separação persiste no adulto e é conhecida como sutura metópica.
18 Sistema Esquelético
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ÓRBITAS
São duas cavidades ósseas nas quais estão situados os olhos e seus anexos.
Cada órbita apresenta margens superior, inferior, medial e lateral. A margem
superior ou supra-orbital é constituída pelo osso frontal. Sua porção intermédia
é caracterizada pela incisura ou forame supra-orbital, por onde passam vasos
e nervo supra-orbitais. Medialmente à incisura, a margem é cruzada pelos vasos e
nervo supratrocleares. Lateralmente, a margem supra-orbital termina no proces-
so zigomático do frontal que pode ser, facilmente, palpado no vivente.
Observa-se que, em cada margem supra-orbital, o osso frontal dirige-se em
ângulo agudo para trás, dando origem à parte orbital que forma a maior parte do
teto da órbita correspondente.
A margem lateral é constituída pelos ossos zigomático e frontal. A margem
inferior é constituída pela maxila e pelo zigomático. A margem medial, que não
é tão nítida como as outras, é constituída pela maxila, lacrimal e frontal.
Abaixo da margem inferior da órbita, a maxila apresenta uma abertura, o
forame infra-orbital, que dá passagem ao nervo e vasos infra-orbitais.
PROEMINÊNCIAS DA FACE
São formadas pelos ossos zigomáticos. O osso zigomático está situado na
parte inferior e lateral da órbita.
NARIZ ÓSSEO EXTERNO
É formado pelos ossos nasais e pelas maxilas e termina na frente, como aber-
tura piriforme ou abertura anterior do nariz. Através da abertura, a cavidade
nasal pode ser vista, dividida pelo septo nasal em porções direita e esquerda,
cada uma delas é denominada, freqüentemente, cavidade nasal. No plano medi-
ano, a margem inferior da abertura piriforme apresenta a espinha nasal anterior,
um esporão ósseo aguçado formado pela junção das maxilas.
MAXILAS E MANDÍBULA
O crescimento das maxilas e da mandíbula é responsável pelo alongamento
vertical da face entre os seis e doze anos de idade.
Maxila — Consiste de corpo, que contém o seio maxilar, processo zigomático,
processo frontal, processo palatino, que se estende horizontalmente para encon-
trar seu homônimo do lado oposto, formando a maior parte do esqueleto do pala-
to duro e o processo alveolar, que contém os dentes superiores.
O corpo da maxila é piramidal e apresenta uma face nasal ou base, que con-
tribui para a demarcação da parede lateral da cavidade nasal; uma face orbital,
que forma a maior parte do soalho da órbita; uma face infratemporal ou posterior,
uma face anterior, que é coberta pelos músculos faciais e uma extremidade late-
ral ou ápice da pirâmide, que se articula com o osso zigomático.
CAPÍTULO 2 19
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Os dentes superiores estão situados nos processos alveolares das maxilas.
Cristas verticais, correspondentes às raízes dos dentes podem ser vistas,
freqüentemente, na parte anterior do osso. As duas maxilas acham-se unidas no
plano mediano pela sutura intermaxilar.
Mandíbula — Os dentes inferiores estão situados na parte alveolar da mandíbu-
la. Aproximadamente abaixo do segundo pré-molar acha-se o forame mental, que
dá passagem ao nervo e vasos mentais (Fig. 2.10).
Fig. 2.11 — Vista lateral do crânio: A — ponto bregma; B — linha curva temporal superior; C — linha curva
temporal inferior; D — ponto ptério; E — ponto frontotemporal; F — ponto glabela; G — ponto násio; H — plano
orbitomeático (horizontal de Frankfurt); I — ponto orbital; J — pilar canino; K — ponto nasoespinhal; L — ponto
interdental superior; M — ponto interdental inferior; N — ponto gnátio; O — forame mental; P — ponto gônio;
Q — ponto zigomaxilar; R — pilar zigomático; S — pilar pterigóideo; T — ponto condílio lateral; U — ponto ínio;
V — ponto pório; W — ponto astério; X — ponto lambda.
VISTA LATERAL DO CRÂNIO
A face lateral do crânio apresenta certas porções do osso temporal e as fossas
temporal e infratemporal.
FOSSA TEMPORAL
A linha curva temporal superior, na qual se insere a fáscia temporal, inicia-
se no processo zigomático do frontal. Ela se arqueia para trás através dos ossos
frontal e parietal, a uma distância variável da sutura sagital. A parte posterior da
linha temporal superior, que é indistinta, une-se a uma crista do osso temporal
20 Sistema Esquelético
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denominada crista supramastóidea. A porção média da linha temporal é usual-
mente dupla, sendo que a linha inferior indica o limite do músculo temporal. A
fossa temporal, na qual está localizado o músculo temporal, é delimitada pela
linha temporal superior, em cima, e pelo arco zigomático embaixo. Sua parede
medial, que dá origem ao músculo temporal, é constituída de porções do parietal,
do frontal, da asa maior do esfenóide e da parte escamosa do osso temporal. A
área em que estes quatro ossos se aproximam é conhecida como ptério.
FOSSA INFRATEMPORAL
É um espaço de configuração irregular, situado atrás da maxila. Medialmente
à sua comunicação com a fossa temporal, o teto da fossa infratemporal é consti-
tuído pela superfície infratemporal da grande asa do esfenóide e uma pequena
parte do temporal. Medialmente, a fossa infratemporal é delimitada pela lâmina
lateral do processo pterigóide do esfenóide; lateralmente pelo ramo da mandíbu-
la e face medial do arco zigomático e anteriormente pela tuberosidade maxilar.
A fossa infratemporal comunica-se com a fossa pterigopalatina medialmente
por meio da fissura pterigopalatina, que dá passagem à artéria maxilar.
FOSSA PTERIGOPALATINA
É assim denominada porque está situada entre as lâminas do processo
pterigóide do esfenóide e o osso palatino. Ela está localizada sob o ápice da órbi-
ta. Abaixo da fissura pterigopalatina, a lâmina lateral do processo pterigóide pa-
rece encontrar-se com a tuberosidade maxilar, mas na realidade está separada
pelo processo piramidal do palatino (Fig. 2.11).
Fig. 2.12 — Vista inferior do crânio: A — ponto bucal; B — forame incisivo; C — sutura intermaxilar; D — ponto
zigomaxilar; E — forame palatino maior; F — ponto zígio; G — ponto estafílio; H — ponto básio; I — côndilo
occipital; J — ponto opístio; K — ponto ínio.
CAPÍTULO 2 21
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VISTA INFERIOR DO CRÂNIO
A face inferior do crânio apresenta certas porções do osso occipital, esfenóide,
temporais, zigomáticos, palatinos e maxilas (Fig. 2.12).
OSSO FRONTAL (ÍMPAR)
Posição — Escama para cima, com a face convexa para a frente e a porção aplana-
da que possui uma grande incisura para baixo e para trás.
Situação — Está situado na porção anterior do crânio, em cima do maciço facial.
Distinguimos neste osso duas porções, uma superior e outra inferior. A porção
superior, vertical, forma parte da calvária; a outra inferior, horizontal, forma um
ângulo agudo com a margem inferior da porção vertical e se dirige para trás.
O osso frontal apresenta três faces: uma externa ou anterior, uma interna,
cerebral ou posterior e uma face orbital ou inferior e três margens: uma supra-
orbital, uma parietal e uma esfenoidal.
Fig. 2.13 — Osso frontal (face externa): A — margem coronal; B — túber frontal; C — face temporal; D — processo
zigomático; E — incisura supra-orbital; F — espinha nasal; G — forame supra-orbital; H — crista lateral do frontal.
Face externa ou anterior
É convexa, com exceção de uma pequena porção lateral que entra na formação
da fossa temporal. Esta face apresenta no plano mediano, logo acima da incisura
nasal, os vestígios da sutura metópica; nesta mesma porção encontramos uma emi-
nência chamada glabela; uma elevação romba, o arco supra-orbital, que prolonga
para fora e um pouco para cima a extremidade lateral correspondente da glabela;
em cima do arco supra-orbital, uma eminência redonda e lisa, o túber frontal;
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freqüentemente um sulco vascular produzido por um ramo da artéria supra-orbital
corre na vertente inferior e lateral do túber frontal; uma crista curva de concavidade
posterior chamada crista lateral do frontal, que continua para cima e para trás o
processo zigomático do frontal, formando a porção anterior da linha temporal su-
perior; uma pequena face atrás da crista lateral pertencente à fossa temporal, na
qual se originam os feixes anteriores do músculo temporal (Fig. 2.13).
Fig. 2.14 — Osso frontal (face interna): A — margem coronal; B — fossa frontal; C — processo zigomático; D —
espinha nasal; E — forame cego; F — crista frontal; G — sulco seio sagital superior.
Face interna, cerebral ou posterior
Esta face é côncava. No plano mediano se observa imediatamente por cima
da incisura etmoidal o forame cego que conduz a um canal fechado em fundo de
saco. Em cima do forame cego se vê uma aresta aguda chamada crista frontal. A
crista frontal, mais acima, se bifurca e limita então o sulco do seio sagital superior.
A cada lado deste sulco se vê freqüentemente umas depressões de forma e di-
mensões variáveis chamadas fovéolos granulares para as granulações aracnóides.
Aos lados da incisura etmoidal se vêem duas superfícies convexas, são os túberes
orbitais. O túber orbital está coberto de depressões irregulares, as impressões dos
giros cerebrais, e de elevações alongadas que as separam, chamadas relevo das
incisuras cerebrais. Em cima dos túberes orbitais se encontram as fossas frontais,
que estão em relação com os lobos frontais do cérebro e correspondem aos túberes
frontais da face externa (Fig. 2.14).
Face orbital
Esta face apresenta no plano mediano a incisura etmoidal, ampla, retangular
e circunscrita por uma superfície em forma de ferradura, a superfície etmoidal.
CAPÍTULO 2 23
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Da parte média desta superfície se desprende imediatamente por trás
da incisura nasal um processo longo, a espinha nasal do frontal. Tem a forma de
uma pirâmide triangular de base superior e vértice inferior. Das três faces
da espinha, a anterior rugosa se articula com a face posterior dos ossos nasais. As
duas póstero-laterais são lisas, côncavas e contribuem para a formação da parede
superior das fossas nasais; estão separadas uma da outra por uma aresta média
posterior que se articula com a lâmina vertical do etmóide.
A incisura etmoidal está limitada lateralmente por duas superfícies alongadas
de diante para trás, cheias de cavidades separadas por delgadas lamínulas ósse-
as. Estas cavidades são semicélulas frontais que completam com as semicélulas
etmoidais, as células frontoetmoidais.
Observa-se também nestas superfícies dois sulcos ligeiramente oblíquos para
dentro e para a frente, que se transformam em canais chamados canais etmoidais
(anterior e posterior), pelos sulcos correspondentes que apresenta a face superior
do labirinto etmoidal (Fig. 2.10).
Aos lados da zona etmoidal encontram-se duas superfícies côncavas, lisas,
triangulares, chamadas fossas orbitais. A concavidade destas fossas não é regu-
lar. Está mais acentuada: 1 — lateralmente, onde se observa uma depressão cha-
mada fossa lacrimal, onde se aloja a glândula lacrimal; 2 — medialmente, onde
existe uma pequena escavação, a fóvea troclear, na qual se insere a polia de refle-
xão do músculo oblíquo superior. Existe às vezes na fóvea, uma espinha chama-
da espinha troclear.
Margem parietal
É um segmento semicircular, é denteada e se articula com os ossos parietais
(Fig. 2.8).
Margem esfenoidal
Lateralmente está cortada em bisel pela tábua externa e se articula com a asa
maior do esfenóide e inferiormente a com a asa menor do esfenóide (Fig. 2.11).
Margem supra-orbital
Distingue-se no plano mediano uma incisura denteada que se articula
com os ossos nasais medialmente e com os processos frontais das maxilas
lateralmente.
Lateralmente à incisura nasal encontram-se os arcos supra-orbitais, que for-
mam a cada lado a margem superior da órbita. Os arcos supra-orbitais apresen-
tam na sua porção intermédia uma incisura ou um forame chamado supra-orbital
por onde passam nervo e vasos supra-orbitais. O arco supra-orbital termina por
fora em uma eminência prismática triangular, o processo zigomático do frontal
que se articula com o processo frontal do zigomático (Fig. 2.10).
24 Sistema Esquelético
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Conexões
Posteriores — Parietais e esfenóide (Figs. 2.8 e 2.42).
Inferiores — Nasais, maxilas, lacrimais, etmóide e zigomáticos (Figs. 2.10 e 2.46).
Origens musculares
Orbiculares dos olhos, corrugadores dos supercílios, elevadores do lábio
superior e das asas do nariz, oblíquos superiores (origens funcionais) e tempo-
rais (Figs. 4.2, 4.9 e 4.13).
OSSO PARIETAL (PAR)
Posição — A face côncava para o plano mediano e o ângulo mais agudo do qual
irradiam sulcos vasculares, para baixo e para adiante.
Situação — Situado aos lados do plano mediano, na parte súpero-lateral do crâ-
nio, atrás do frontal, à frente do occipital e acima do temporal.
Tem duas faces, uma externa ou lateral, e outra interna, medial ou cerebral,
quatro margens e quatro ângulos.
Fig. 2.15 — Osso parietal esquerdo (face externa): A — margem sagital; B — ângulo occipital; C — margem occipital;
D — ângulo mastóideo; E — margem temporal; F — ângulo esfenoidal; G — margem frontal; H — ângulo frontal.
Face externa
É convexa e inferiormente apresenta duas linhas curvas concêntricas, as li-
nhas temporais superior e inferior. A primeira dá origem à fáscia temporal; a
CAPÍTULO 2 25
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segunda ao músculo temporal. Por cima da linha curva temporal superior a su-
perfície do parietal é lisa, convexa, e sua parte média, mais saliente, chama-se
túber parietal. Próximo à margem sagital do parietal, um pouco à frente de sua
margem occipital, se vê o forame parietal, que se abre na cavidade craniana e dá
passagem à veia emissária parietal (Figs. 2.8 e 2.15).
Fig. 2.16 — Osso parietal esquerdo (face interna): A — margem sagital; B — ângulo occipital; C — margem
occipital; D — ângulo mastóideo; E — margem temporal; F — ângulo esfenoidal; G — margem frontal; H — ângulo
frontal; I — sulco da artéria meníngea média.
Face interna
Esta face é côncava, apresenta sulcos vasculares ramificados, dirigidos do
ângulo ântero-inferior para a margem sagital. Por estes sulcos seguem os ramos
da artéria meníngea média. A face cerebral está deprimida na porção média, esta
depressão chama-se fossa parietal e está em relação com o lobo parietal do cére-
bro. Ao longo da margem superior se encontra um semi-sulco que se une ao
parietal oposto, formando assim o sulco do seio sagital superior. Aos lados deste
sulco, o parietal apresenta pequenas depressões, que são os fovéolos granulares
para as granulações aracnóides (Fig. 2.16).
Margem sagital
É denteada e se articula com a margem correspondente do parietal oposto,
formando a sutura sagital (Fig. 2.8).
Margem temporal
É côncava, cortada em bisel por sua tábua externa e se articula com a escama
do temporal (Fig. 2.11).
26 Sistema Esquelético
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Margem frontal
Articula-se com o frontal, formando a sutura coronal (Fig. 2.8).
Margem occipital
Articula-se com a escama do occipital, formando a sutura lambdóide (Fig. 2.9).
Ângulo frontal
Corresponde à união das suturas coronal e sagital. Este ponto de união cha-
ma-se bregma (Fig. 2.8).
Ângulo occipital
Está na união das suturas sagital e lambdóide. Este ponto chama-se lambda
(Fig. 2.9).
Ângulo esfenoidal
Está na união frontal, parietal, asa maior do esfenóide e temporal. Este ponto
chama-se ptério (Fig. 2.11).
Ângulo mastóideo
Está na união das porções escamosa e mastóidea do temporal, parietal e
occipital. Este ponto chama-se astério (Fig. 2.11).
Conexões
Anterior — Frontal (Fig. 2.8).
Posterior — Occipital (Fig. 2.9).
Inferiores — Temporal e esfenóide (Fig. 2.11).
Súpero-medial — Parietal oposto (Fig. 2.8)
Origem muscular — Músculo temporal (Fig. 4.14).
OSSO OCCIPITAL (ÍMPAR)
Posição — Para a frente a face côncava da escama e para baixo o forame magno
ou occipital, colocando-se quase horizontalmente.
Situação — Está situado na parte média, posterior e inferior do crânio. Tem a
forma de um segmento de esfera. O occipital está atravessado na sua parte inferior
por um orifício ovalado chamado forame magno ou occipital. Este forame põe em
CAPÍTULO 2 27
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comunicação a cavidade craniana com o canal raquídeo e dá passagem ao bulbo,
artérias vertebrais e aos nervos acessórios.
No occipital encontramos quatro porções: 1 — uma anterior e inferior cha-
mada parte basilar; 2 — duas laterais que são as partes laterais, limitam lateral-
mente o forame magno; 3 — por fim, uma porção posterior e superior à escama
do occipital.
Parte basilar
A parte basilar é quadrilátera e apresenta duas faces e quatro margens.
Face inferior ou exocraniana
Apresenta, no plano mediano, na união do terço posterior com os dois ter-
ços anteriores, o tubérculo faríngeo, no qual se insere a aponeurose faríngea. A
cada lado do plano mediano existem duas cristas curvas de concavidade ante-
rior, uma posterior e outra anterior. A crista posterior ou muscular parte do
tubérculo faríngeo e dá origem ao músculo reto anterior menor. A anterior in-
constante chama-se crista sinostósica e está situada um pouco à frente da crista
posterior. Diante da crista sinostósica encontra-se uma depressão para origem
do músculo reto anterior maior (Fig. 2.17).
Face superior ou endocraniana
Está inclinada para baixo e para trás e apresenta um longo sulco chamado
clivus ou canal basilar. Corresponde ao bulbo e à ponte (Figs. 2.18 e 2.42).
Margens laterais
Estão unidas ao rochedo do temporal por fibrocartilagem. Do seu lábio supe-
rior corre um sulco em relação com o seio petroso inferior (Fig. 2.42).
Margem anterior
Está soldada ao corpo do esfenóide, no adulto (Fig. 2.42).
Margem posterior
Forma o limite anterior do forame magno (Fig. 2.42).
PARTES LATERAIS
Estão situadas aos lados do forame occipital. Cada uma delas apresenta duas
faces, duas margens e duas extremidades.
28 Sistema Esquelético
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Face externa
Encontra-se uma eminência articular convexa elíptica, que é o côndilo
occipital, que se articula com o atlas (primeira vértebra cervical). À frente e por
fora do côndilo se vê a fossa condilar anterior, no fundo da qual se abre o canal
do hipoglosso, por onde passa o nervo hipoglosso (XII par craniano). Atrás do
côndilo se vê a fossa condilar posterior, onde nasce o canal condilar (inconstan-
te) para uma veia emissária. Enfim, por fora do côndilo se estende uma superfície
rugosa para origem do músculo reto lateral (Fig. 2.17).
Face interna
Nesta face encontram-se: 1 — à frente uma eminência, o tubérculo occipital,
escavado por um sulco que seguem os nervos glossofaríngeo, vago e acessório
para se dirigir ao forame jugular; 2 — atrás e abaixo, o forame interno do canal do
hipoglosso, que dá passagem ao nervo hipoglosso; 3 — por trás e por fora do
tubérculo, junto ao processo jugular do occipital, a curta porção terminal do
sulco do seio sigmóide (Fig. 2.42).
Margem medial
Limita lateralmente o forame occipital (Fig. 2.42).
Margem lateral
Está dividida em duas partes pelo processo jugular; este se articula com a
superfície jugular do temporal. Atrás dele, a margem é rugosa e se une à porção
mastóidea do temporal. Diante dele, a margem lateral forma o limite medial do
forame jugular (Fig. 2.18).
Este forame, compreendido entre o rochedo do temporal e o occipital, está
subdividido em duas partes, uma anterior e outra posterior, por duas elevações
agudas, as espinhas jugulares. Estas espinhas nascem uma do rochedo e outra do
occipital e estão unidas por um feixe fibroso. A parte posterior do forame jugular
corresponde à origem da veia jugular interna. A porção anterior está subdividida
por um tabique fibroso em dois segmentos, um posterior, por onde passam os
nervos vago e acessório; outro anterior, atravessado pelo nervo glossofaríngeo, e,
diante deste nervo, pelo seio petroso inferior. Ainda passam por este forame: a
artéria meníngea posterior, ramo da faríngea ascendente, e um ramo meníngeo
da artéria occipital.
PARTE ESCAMOSA
Possui duas faces e duas margens.
CAPÍTULO 2 29
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Face externa
Na parte média desta face nota-se uma eminência rugosa, a protuberância
occipital externa. Da protuberância parte a crista occipital externa, que se
estende de cima para baixo até a margem posterior do forame occipital. Da
protuberância occipital externa e da parte média da crista occipital se des-
prendem a cada lado duas cristas transversais rugosas côncavas, para a fren-
te, as linhas superior e inferior da nuca (Fig. 2.17).
Face interna
No plano mediano há uma elevação, a protuberância occipital interna, situa-
da no mesmo nível da protuberância occipital externa.
Da protuberância occipital interna partem: 1 — dois sulcos horizontais, um de
cada lado, que são os sulcos dos seios transversos; 2 — um sulco vertical e ascenden-
te para o seio sagital superior; 3 — uma crista vertical, descendente à crista occipital
interna, que se bifurca na proximidade do forame magno, cujos dois ramos se per-
dem nas margens deste forame, limitando uma depressão chamada fóvea vermiana.
Os sulcos dos seios e a crista occipital interna dividem a face interna da
escama em quatro fossas occipitais: duas superiores ou cerebrais em contato com
os lobos occipitais do cérebro e duas inferiores ou cerebelares em contato com o
cerebelo (Fig. 2.18).
Fig. 2.17 — Osso occipital (face externa): A — linha nucal suprema; B — linha nucal superior; C — linha nucal inferior;
D — forame magno; E — côndilo occipital; F — parte basilar; G — crista occipital externa; H — protuberância occipital
externa.
30 Sistema Esquelético
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Margem lambdóidea
Articula-se com os parietais (Fig. 2.9).
Margem mastóidea
Articula-se com as mastóides dos temporais (Fig. 2.9).
Conexões
Anterior — Esfenóide (Fig. 2.12).
Ântero-superiores — Parietais (Fig. 2.9).
Anterolaterais — Temporais (Fig. 2.42).
Inferior — Atlas (primeira vértebra cervical ) (Fig. 2.12).
Origens musculares
Na escama: esternocleidomastóideo, occipital, trapézio, esplênio da cabeça,
complexo maior, reto posterior menor, reto posterior maior, oblíquo superior ou
Fig. 2.18 — Osso occipital (face interna): A — margem lambdóide; B — sulco do seio sagital superior; C — fossa
cerebral; D — sulco do seio transverso; E — crista occipital interna; F — processo jugular; G — parte basilar; H —
fossa cerebelar; I — protuberância occipital interna.
CAPÍTULO 2 31
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menor; no processo jugular: reto lateral; na parte basilar: reto anterior menor,
reto anterior maior e constritor superior da faringe.
OSSO ESFENÓIDE (ÍMPAR)
Posição — Para cima, horizontalmente, a parte lisa das asas menores, e para a
frente sua margem cortante e denteada.
Situação — Está situado na parte média da base do crânio, entre o etmóide e o
frontal, que estão diante dele e o occipital e os temporais que estão por trás.
Observa-se no esfenóide: o corpo, de onde partem a cada lado três processos.
Destes três processos, os dois laterais são as asas menores e as asas maiores. Os
terceiros, verticalmente descendentes, chamam-se processos pterigóides.
Fig. 2.19 — Osso esfenóide (vista posterior): A — sulco pré-quiasmático; B — processo clinóide posterior; C — asa
menor; D — asa maior; E — forame redondo; F — espinha do esfenóide; G — lâmina lateral do processo pterigóide;
H — hâmulo pterigóideo; I — lâmina medial do processo pterigóide; J — lâmina quadrilátera; K — forame oval; L —
fissura orbital superior; M — processo clinóide anterior; N — canal óptico.
Corpo do esfenóide
É irregularmente cúbico e apresenta seis faces.
Face superior
Observa-se na sua porção mais anterior uma superfície lisa chamada emi-
nência esfenoidal. A eminência esfenoidal está ligeiramente deprimida aos lados
do plano mediano em forma de sulco que se continua com o sulco olfatório do
etmóide. O prolongamento anterior da eminência esfenoidal articula-se com o etmóide
e se chama processo etmoidal do esfenóide. Na porção mais posterior da eminên-
cia esfenoidal se encontra um sulco transversal chamado sulco pré-quiasmático,
32 Sistema Esquelético
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que se continua lateralmente com o canal óptico, escavado na base das asas me-
nores. O sulco pré-quiasmático está limitado por trás por uma crista transversal,
o tubérculo da sela. Este tubérculo limita pela frente a fossa hipofisária, chamada
também sela turca. Ela contém a glândula hipófise ou pituitária. A vertente pos-
terior está formada pela lâmina quadrilátera. A face posterior desta lâmina é
rugosa, plana, inclinada para baixo e para trás em continuidade com o clivus do
occipital. A sua margem superior se prolonga para os lados por duas elevações
chamadas processos clinóides posteriores (Fig. 2.19).
Fig. 2.20 — Osso esfenóide (vista anterior): A — crista esfenoidal anterior; B — face temporal; C — forame redondo;
D — lâmina lateral do processo pterigóide; E — hâmulo pterigóideo; F — lâmina medial do processo pterigóide;
G — crista esfenoidal inferior; H — canal pterigóideo; I — forame espinhoso; J — crista zigomática; K — fissura
orbital superior; L — seio esfenoidal.
Face anterior
Apresenta: 1 — uma crista vertical, a crista esfenoidal anterior ou crista etmoidal
do esfenóide, que se une à margem posterior da lâmina perpendicular do etmóide;
2 — a cada lado da crista, o forame de entrada do seio esfenoidal; 3 — uma superfície
lateral com semicélulas esfenoidais que se articulam com a face posterior do labirin-
to etmoidal e com a superfície esfenoidal do processo orbital do palatino (Fig. 2.20).
Face inferior
Constitui a porção mais posterior do teto das fossas nasais. Apresenta no
plano mediano a crista esfenoidal inferior; sua extremidade anterior, muito sali-
ente, chama-se rostro esfenoidal e se encontra com a crista esfenoidal anterior. A
crista esfenoidal inferior corresponde ao sulco compreendido entre as asas do
vômer. Porém, a adaptação não é perfeita e os ossos deixam entre si o canal esfeno-
vomeriano.
CAPÍTULO 2 33
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Face posterior
É uma superfície quadrilátera desigual, pela qual o esfenóide se une ao
occipital. Estes ossos se soldam muito cedo (entre 16 e 18 anos) e no adulto,
geralmente, desaparece o vestígio da soldadura (Fig. 2.19).
Faces laterais
Das faces laterais do corpo do esfenóide nascem: acima e à frente as asas
menores; abaixo e atrás as asas maiores. O espaço compreendido entre a raiz
inferior da asa menor e a raiz superior da asa maior corresponde à extremidade
medial da fissura orbital superior. Pela frente da fissura, a face lateral é lisa e
constitui a parte mais posterior da parede medial da órbita. Por cima e por trás da
raiz da asa maior se observa um sulco contornado em S, é o sulco do seio caver-
noso ou sulco carótico (Fig. 2.19).
ASAS MENORES
São duas lâminas horizontais, triangulares, de vértice lateral, situadas aos
lados da parte anterior e superior do corpo do esfenóide (Fig. 2.19).
Face superior
Plana e lisa, continua-se pela frente com a face superior das lâminas orbitais
do frontal (Fig. 2.42).
Face inferior
Forma a parte mais profunda do teto da órbita e limita por cima a fissura
orbital superior. A margem anterior, cortada em bisel por sua porção inferior,
articula-se com as lâminas orbitais do frontal. A margem posterior é livre e se
prolonga medialmente em uma eminência chamada processo clinóide anterior
(Fig. 2.19).
ASAS MAIORES
Têm origem na porção póstero-inferior das faces laterais do corpo.
Face cerebral
Esta face é côncava e apresenta na porção mais próxima do corpo três forames
que são: o mais anterior forame redondo, por onde passa o nervo maxilar; o mé-
dio forame oval, por onde passam o nervo mandibular e a artéria meníngea me-
nor; o mais posterior é o forame espinhoso situado na espinha do esfenóide, que
dá passagem à artéria meníngea média e um ramo meníngeo do nervo mandibu-
34 Sistema Esquelético
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lar. No resto de sua extensão, a face cerebral está coberta pelas impressões dos
giros e relevos das incisuras cerebrais (Fig. 2.19).
Face externa
Esta face está dividida pela crista zigomática em duas porções: orbital e tem-
poral. A crista zigomática, vertical, articula-se com a margem póstero-medial do
processo esfenoidal ou orbital do osso zigomático e, inferiormente, ainda apre-
senta a face infratemporal (Fig. 2.20).
Face orbital
Está voltada para a frente e medialmente e toma parte na constituição da
parede lateral da órbita. É plana e triangular (Fig. 2.20).
Face temporal
Forma parte da fossa temporal e dá origem ao músculo temporal (Fig. 2.20).
Face infratemporal
Constitui a parede superior da fossa infratemporal e dá origem à cabeça su-
perior do músculo pterigóideo lateral (Fig. 2.12).
Margem frontal
Articula-se com o frontal (Fig. 2.11).
Margens parietais
Articulam-se com os parietais (Fig. 2.11).
Margens temporais
Articulam-se com os temporais (Fig. 2.11).
Margens zigomáticas
Articulam-se com os zigomáticos (Fig. 2.10).
Processos pterigóides
Os processos pterigóides implantam-se na face inferior do esfenóide por duas
lâminas a cada lado, uma medial e outra lateral. A lâmina medial nasce da face
CAPÍTULO 2 35
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inferior do corpo do esfenóide. A lâmina lateral, mais volumosa, se desprende da
asa maior (Figs. 2.19 e 2.20).
As duas lâminas, separadas primeiro uma da outra, se reúnem um pouco
mais abaixo de sua origem e circunscrevem um canal anteroposterior, o canal
pterigóideo.
Por baixo do canal pterigóideo cada raiz se continua para baixo como uma
lâmina óssea. As duas lâminas se unem por suas margens anteriores na metade
superior de sua altura e formam um ângulo diedro aberto para trás que contribui
para formar a fossa pterigóidea, onde se origina o músculo pterigóideo medial
(Figs. 2.19 e 4.15).
Na metade inferior, as duas lâminas se separam uma da outra, ao mesmo
tempo que se estreitam gradualmente para baixo. Limitam assim uma incisura
triangular, a incisura pterigóidea, ocupada pelo processo piramidal do osso
palatino.
A face anterior do processo pterigóide forma a parede posterior da fossa
pterigopalatina. Em sua extremidade superior vê-se o forame anterior do canal
pterigóideo.
A face posterior constitui a fossa pterigóidea. Na parte súpero-medial da fos-
sa pterigóidea se observa uma pequena depressão, a fossa escafóide, na qual se
origina o músculo tensor do véu palatino.
Conexões
Anteriores — Etmóide, frontal e palatinos (Figs. 2.42 e 2.44).
Posterior — Occipital (Figs. 2.12 e 2.42).
Superiores — Parietais (Fig. 2.11).
Ântero-inferior — Vômer (Fig. 2.43).
Anterolaterais — Zigomáticos (Fig. 2.10).
Póstero-laterais — Temporais (Fig. 2.11).
Origens musculares
Nas asas maiores, os músculos temporais e pterigóideos laterais. Nas asas
menores, os músculos elevadores das pálpebras superiores, oblíquos superiores,
retos superiores, retos inferiores, retos laterais e retos mediais. E, nos processos
pterigóides, os músculos pterigóideos mediais, pterigóideos laterais, constritor
superior da faringe e tensores do véu palatino.
OSSO ETMÓIDE (ÍMPAR) (FIG. 2.21)
Posição — A face crivada de pequenos forames, para cima horizontalmente, e a
eminência triangular desta face (crista galli) para frente e para cima.
36 Sistema Esquelético
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Situação — Está situado debaixo da porção horizontal do frontal, na parte ante-
rior e média da base do crânio. Ocupa a incisura etmoidal do frontal.
O etmóide está constituído por quatro porções: 1 — uma lâmina óssea verti-
cal, anteroposterior; 2 — uma lâmina horizontal que corta a vertical próximo à
sua extremidade superior; 3 — dois labirintos ou massas laterais colocados nas
extremidades laterais da lâmina horizontal.
Fig. 2.21 — Osso etmóide (corte frontal esquemático): A — lâmina crivosa; B — crista galli; C — concha nasal
suprema; D — concha nasal superior; E — células etmoidais; F — concha nasal média: G — lâmina perpendicular.
LÂMINA VERTICAL OU PERPENDICULAR
Está dividida pela lâmina horizontal em duas porções: uma superior, crista
galli, que sobressai na cavidade craniana; a outra inferior é a lâmina vertical
propriamente dita, que forma parte do septo nasal. É delgada e freqüentemente
desviada para um dos lados; é pentagonal. Suas faces estão escavadas por sulcos
vasculonervosos numerosos, principalmente próximo à sua margem superior. A
margem anterior se articula por cima com a aresta posterior da espinha nasal do
frontal e por baixo, com os ossos nasais. A margem ântero-inferior se une à carti-
lagem do septo nasal. A margem posterior se articula com a crista esfenoidal
anterior ou etmoidal do esfenóide. A margem póstero-inferior se une à margem
ântero-superior do vômer. A margem superior se confunde com a lâmina hori-
zontal do etmóide (Fig. 2.43).
Crista galli
É um processo triangular, suas faces laterais são convexas. A base se une à
lâmina horizontal. A margem posterior termina no limite posterior do etmóide,
atenuando-se progressivamente. A margem anterior possui duas cristas laterais
CAPÍTULO 2 37
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chamadas processos alares, que se articulam com o frontal. Estes processos limi-
tam o forame cego. O vértice da crista galli dá inserção à foice do cérebro (forma-
ção dural que separa os hemisférios cerebrais) (Figs. 2.42 e 2.43).
LÂMINA CRIVOSA
É quadrilátera e se estende de uma margem à outra da incisura etmoidal do
frontal. Sua face superior, endocranial, está dividida pela crista galli em duas
porções laterais sulcadas de diante para trás, são os sulcos olfatórios. Na parte
anterior destes sulcos há uma depressão em relação com o bulbo olfatório. Cada
um destes sulcos está crivado de pequenos orifícios que dão passagem aos filetes
do nervo olfatório (Fig. 2.42).
Ao lado da crista galli existe uma fenda etmoidal que dá passagem a um
prolongamento da dura-máter. Por fora desta fenda, encontra-se o forame
etmoidal anterior, que dá passagem ao nervo etmoidal anterior e à artéria etmoi-
dal anterior.
A face inferior da lâmina crivosa forma parte do teto das fossas nasais.
Labirintos etmoidais ou massas laterais
Estão pendentes das margens laterais da lâmina crivosa. Cada labirinto pode
ser comparado a um cubo irregular, logo pode-se considerar nele seis faces.
FACE SUPERIOR
Prolonga lateralmente a face superior da lâmina crivosa e se articula com a
superfície etmoidal do frontal. Está ocupada por semicélulas etmoidais que,
completadas pelas semicélulas frontais, formam as células frontoetmoidais.
Apresenta dois sulcos, um anterior e outro posterior; estes sulcos formam os
canais etmoidais anterior e posterior, unindo-se aos sulcos correspondentes do
frontal. Os canais etmoidais se abrem lateralmente, na cavidade orbital, no
nível da sutura que une o etmóide ao frontal; pelo canal etmoidal anterior pas-
sam os vasos e o nervo etmoidais anteriores; pelo posterior passam os vasos e o
nervo etmoidais posteriores.
FACE ANTERIOR
Articula-se com a parte superior da face medial do osso lacrimal e também
por sua parte superior, com a face medial do processo frontal da maxila.
FACE INFERIOR
Articula-se com a parte mais superior da face medial da maxila e com a face
etmoidal do processo orbital do palatino.
38 Sistema Esquelético
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FACE POSTERIOR
Articula-se com a face anterior do corpo do esfenóide.
FACE LATERAL
É quadrilátera, lisa e quase vertical, apresenta uma lâmina plana, muito del-
gada, chamada lâmina orbital, porque forma parte da parede medial da órbita
(Fig. 2.46).
FACE MEDIAL
É muito irregular e dá origem a umas lâminas ósseas encurvadas chamadas
conchas nasais média, superior e suprema (inconstante). As conchas limitam
com a porção correspondente da face medial do labirinto, uns espaços chamados
meatos (Fig. 2.21).
Da extremidade anterior do meato médio se desprende uma lâmina óssea
delgada, o processo uncinado, que lembra o aspecto de uma adaga. Por trás do
processo uncinado, a parede externa do meato médio está elevada por uma célu-
la etmoidal, formando uma eminência chamada bulha ou bolha etmoidal.
Conexões
Superior — Frontal (Fig. 2.46).
Inferiores — Palatinos, conchas nasais inferiores e vômer (Figs. 2.43 e 2.44).
Anteriores — Frontal e nasais (Figs. 2.42 e 2.43).
Posterior — Esfenóide (Figs. 2.42 e 2.43).
Laterais — Maxilas e lacrimais (Fig. 2.46).
OSSO TEMPORAL (PAR)
Posição — Para cima a parte do osso em forma de escama, com a face convexa
para fora, na qual se destaca um processo encurvado; e para a frente a extremida-
de livre deste processo.
Situação — Localiza-se na parte inferior e lateral do crânio, atrás do esfenóide,
diante e por fora do occipital e abaixo do parietal.
O temporal compreende as seguintes partes: escamosa, timpânica, estilóide,
mastóidea e petrosa.
Parte escamosa
É uma delgada lâmina óssea situada vertical e lateralmente no crânio.
Ela apresenta uma superfície cerebral medial e, lateralmente, uma superfí-
cie temporal.
CAPÍTULO 2 39
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O processo zigomático estende-se para a frente da parte escamosa a fim de se
articular com o processo temporal do osso zigomático e, assim, contribuir para
formar o arco zigomático. O arco, acompanhado para trás, mostra ser dividido
em duas raízes. A anterior continua-se com a eminência articular, uma elevação
lisa situada na frente de uma profunda concavidade conhecida como fossa man-
dibular. Tanto a fossa quanto a eminência são amplas porções da parte escamosa
do temporal. Suas margens dão inserção à cápsula da articulação temporo-
mandibular (ATM). O côndilo da mandíbula ocupa a fossa mandibular quando a
boca está fechada e descansa sob a eminência articular quando está aberta. A raiz
posterior do arco zigomático continua-se com a crista supramastóidea. A porção
da raiz posterior, situada imediatamente adiante do meato acústico externo, é
denominada eminência retroarticular (Fig. 2.22).
Parte timpânica
Está constituída por uma lâmina timpânica curva que está fundida posterior-
mente, com as partes mastóidea e petrosa, e constitui uma bainha para o proces-
so estilóide. Sua parte superior forma o soalho e a parte anterior do meato acús-
tico externo. Na fossa mandibular, a lâmina timpânica está separada da escama
pela fissura timpanoescamosa. A parte medial desta fissura é, em geral, ocupada
por uma porção do tegmen tympani (uma porção do temporal petroso), que cons-
titui a parede anterolateral da parte óssea da tuba auditiva. A fissura é, assim,
dividida em uma fissura petroescamosa, anteriormente, e uma fissura petro-
Fig. 2.22 — Osso temporal (vista lateral): A — face lateral da escama; B — processo zigomático; C — tubérculo
articular; D — fossa mandibular; E — fissura petroescamosa; F — fissura petrotimpânica; G — processo estilóide;
H — incisura mastóidea; I — forame mastóideo; J — meato acústico externo; K — sulco da artéria temporal
profunda posterior.
40 Sistema Esquelético
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timpânica, posteriormente. Esta última permite a saída do nervo corda do tímpa-
no (Fig. 2.22).
Parte estilóide
É constituída pelo processo estilóide, que é uma fina projeção de compri-
mento variável em forma de estilete. Estende-se para baixo e para a frente, inici-
ando-se sob a placa timpânica. Dá origem a três músculos (estiloglosso,
estilofaríngeo e estilo-hióideo) e nele se prendem dois ligamentos (estilomandi-
bular e estilo-hióideo) (Fig. 2.22).
Parte mastóidea
A porção posterior do osso temporal é chamada de mastóide; geralmente,
contém certo número de espaços aéreos, as células mastóideas, que se comuni-
cam com a orelha média por meio do antro mastóideo. A parte mastóidea é carac-
terizada pelo processo mastóideo que se projeta para baixo, facilmente palpável
no vivente. Medialmente a este processo encontramos a incisura mastóidea ou
digástrica, na qual se origina o ventre posterior do músculo digástrico. A incisura
mastóidea leva, anteriormente, ao forame estilomastóideo, pelo qual emerge do
crânio o nervo facial. Medialmente à incisura existe, em geral, um sulco para a
artéria occipital (Fig. 2.22).
Fig. 2.23 — Osso temporal (vista medial): A — face medial da escama; B — eminência arqueada; C — margem
superior do rochedo; D — forame mastóideo; E — incisura jugular; F — canal carótico; G — meato acústico interno;
H — impressão trigeminal; I — sulco da artéria meníngea média.
CAPÍTULO 2 41
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Parte petrosa ou rochedo
Tem a configuração de uma pirâmide triangular. Ela contém a orelha interna
e contribui para delimitar a orelha média. Sua base, dirigida lateralmente, fun-
de-se com as outras partes do osso temporal. Seu ápice está orientado medial e
anteriormente, entre o esfenóide lateralmente, e o occipital medialmente. As três
superfícies são: ântero-superior, póstero-superior, ambas dirigidas para a cavida-
de craniana, e a inferior, que é voltada para fora da cavidade craniana.
Face ântero-superior
Apresenta: 1 — na união dos dois terços anteriores com o terço posterior,
uma eminência chamada arqueada; 2 — na frente dela, o forame do canal facial,
que se continua com um sulco para adiante, por onde passa o nervo petroso
superficial maior, lateralmente a este, um forame menor que se continua com um
sulco também para adiante por onde passa o nervo petroso superficial menor;
3 — na frente destes forames, uma depressão chamada impressão trigeminal,
porque aloja o gânglio trigeminal ou semilunar do nervo trigêmeo; 4 — tegmen
tympani situado na frente e por fora da eminência arqueada, formando a parede
superior da cavidade timpânica (Fig. 2.18).
Face póstero-superior
Apresenta: 1 — na união do terço anterior com o terço médio, o meato acús-
tico interno que se continua com o conduto auditivo interno por onde passam os
nervos intermediofacial e vestibulococlear; 2 — um pouco atrás do meato acústi-
co interno encontramos uma depressão chamada fóvea ungueal, na qual se abre
o forame posterior do aqueduto do vestíbulo (Fig. 2.23).
Face inferior
Apresenta: 1 — a fossa jugular, uma depressão situada medialmente ao pro-
cesso estilóide, constitui um dos limites do forame jugular. Uma pequena abertu-
ra, o canalículo mastóideo, está localizado na parede lateral da fossa jugular e dá
passagem ao ramo auricular do nervo vago; 2 — o canal carótico é um túnel
temporal petroso e dá passagem à artéria carótida interna em sua entrada para a
cavidade craniana. A parte inferior do canal encontra-se imediatamente à frente
da fossa jugular e, assim, a artéria carótida interna penetra na base do crânio,
anteriormente à saída da veia jugular interna que nasce no forame jugular; 3 —
no limite entre a fossa jugular e o canal carótico, encontramos uma pequena
depressão, a fóssula petrosa no fundo da qual encontra-se a abertura do canalículo
timpânico, que dá passagem ao nervo timpânico, ramo do nervo glossofaríngeo;
4 — a área quadrada do temporal petroso, situa-se entre o canal carótico e o
forame lácero. Nela se origina o músculo levantador do véu palatino. O forame
lácero é uma abertura denteada, situada entre o temporal petroso, o corpo e a asa
maior do esfenóide, e a parte basilar do occipital. Ele está fechado por cartilagem
no vivo e se relaciona, inferiormente, com a parte cartilagínea da tuba auditiva;
42 Sistema Esquelético
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5 — o sulco existente entre a área quadrada, medialmente, e a asa maior do
esfenóide, lateralmente, é ocupado no vivo, pela parte cartilagínea da tuba audi-
tiva. A extremidade póstero-lateral do sulco continua-se com dois canais para
dentro do osso temporal. Eles terminam na orelha média (cavidade timpânica). O
inferior é a parte óssea da tuba auditiva e o superior e menor é ocupado pelo
músculo tensor do tímpano.
Conexões
Súpero-medial — Parietal (Fig. 2.11).
Inferior — Mandíbula (Fig. 2.11).
Póstero-medial — Occipital (Fig. 2.11).
Anteriores — Esfenóide e zigomático (Fig. 2.11).
Origens musculares
Escama — Músculo temporal (Fig. 4.14).
Mastóide — Músculos occipital, auricular posterior, esplênio da cabeça, com-
plexo menor, digástrico e esternocleidomastóideo.
Processo Zigomático — Músculos masseter e auricular anterior (Fig. 4.14).
Processo Estilóide — Músculos estiloglosso, estilo-hióideo e estilofaríngeo (Fig. 4.6).
Porção Petrosa ou Rochedo — Músculo levantador do véu palatino (Fig. 4.7).
MAXILA (PAR)
Posição — Para baixo, o processo alveolar; para o plano mediano, a parte cônca-
va deste processo e, para trás, sua extremidade mais grossa.
Situação — Está situado em cima da cavidade bucal, embaixo da cavidade orbital
e por fora das fossas nasais. Toma parte na formação das paredes destas três
cavidades. É um osso volumoso; entretanto, é leve, devido à existência de uma
cavidade, o seio maxilar. O corpo da maxila tem a forma de uma pirâmide trian-
gular cuja base está voltada para medial e o ápice para lateral apresenta três
faces, anterior, superior e posterior. Do corpo partem os processos frontal, para
adiante e para cima; zigomático, para fora; alveolar, para baixo; e palatino para o
plano mediano.
Face anterior
Está em relação com as partes moles da bochecha. Apresenta o forame infra-
orbital, logo abaixo da margem inferior da órbita numa vertical baixada do forame
supra-orbital, uma eminência alveolar mais destacada, deixada pela raiz do cani-
no superior (eminência canina), abaixo do forame infra-orbital, apresenta uma
depressão chamada fossa canina (Fig. 2.24).
CAPÍTULO 2 43
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Face orbital ou superior
É triangular, lisa e constitui a maior parte do soalho da órbita. Da parte
média da margem posterior desta face parte um sulco chamado sulco infra-
orbital, que se dirige para a frente e se continua com o canal infra-orbital.
Este canal dá passagem ao nervo e vasos infra-orbitais. Antes de atingir o
forame infra-orbital, o canal dá um divertículo para baixo, chamado canal
alveolar ântero-superior para o nervo e vasos alveolares ântero-superiores
(Figs. 2.24 e 2.45).
Face infratemporal ou posterior
Forma a parede anterior da fossa infratemporal. É convexa e se chama túber
ou tuberosidade maxilar. Em sua parte média observam-se os forames dos canais
alveolares póstero-superiores, por onde passam os nervos e vasos alveolares
póstero-superiores (Fig. 2.24).
Base da pirâmide, face nasal ou medial
Encontramos uma ampla abertura que dá acesso ao seio maxilar; é o hiato do
seio.
Fig. 2.24 — Maxila (vista lateral): A — processo frontal; B — forame infra-orbital; C — espinha nasal anterior;
D — eminência canina; E — curva zigomático-alveolar; F — tuberosidade da maxila; G — processo zigomático;
H — canal infra-orbital; I — face orbital.
44 Sistema Esquelético
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Em cima do hiato do seio, esta face está escavada por uma ou duas semicélulas
que completam as do etmóide, formando as células maxilo-etmoidais. Na frente
do hiato do seio desce o sulco lacrimal. Da extremidade inferior do lábio anterior
deste sulco, parte uma crista oblíqua para adiante e para baixo, a crista da con-
cha que se articula com a concha nasal inferior. O lábio posterior do sulco lacri-
mal está constituído pela parte mais elevada da margem anterior do hiato do seio
maxilar. Neste nível, a margem anterior do seio se encurva para dentro e para
frente em uma lâmina óssea delgada chamada crista lacrimal, que forma a ver-
tente posterior do sulco lacrimal.
Os dois lábios do sulco lacrimal se articulam com as margens de outro sulco
escavado na face lateral do osso lacrimal, formando o canal lacrimonasal.
Atrás do hiato do seio encontramos um sulco oblíquo para baixo e para a
frente. O osso palatino, articulando-se aí, forma um canal chamado palatino maior,
que interliga a cavidade bucal inferiormente, e com a fossa pterigopalatina, su-
periormente. Este canal dá passagem ao nervo e vasos palatinos maiores.
Estas faces são separadas por margens que são as seguintes: margem ântero-
superior ou infra-orbital, separa a face anterior da face superior; margem póstero-
superior, separa a face superior da face posterior e constitui a margem inferior da
fissura orbital inferior; margem infrazigomática, separa a face anterior da face
posterior e constitui a curva zigomático-alveolar; e a margem anterior limita com
a maxila oposta a abertura anterior das fossas nasais (Fig. 2.25).
Fig. 2.25 — Maxila (vista medial): A — sulco lacrimal; B — hiato maxilar; C — tuberosidade da maxila; D —
processo palatino; E — crista da concha; F — crista etmoidal; G — processo frontal.
CAPÍTULO 2 45
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PROCESSO FRONTAL
É uma lâmina óssea quadrilátera que apresenta duas faces. A face lateral está
dividida por uma crista vertical chamada crista lacrimal anterior, em duas par-
tes, uma anterior e outra posterior. A parte anterior é quase lisa; a posterior está
ocupada por um sulco que contribui para formar o canal lacrimonasal.
A face medial forma parte da parede lateral das fossas nasais. Apresenta em
sua parte média uma crista oblíqua para a frente e para baixo, chamada crista
etmoidal, que se articula a concha nasal média, uma porção do etmóide. Das
quatro margens do processo frontal, a anterior se articula com o osso nasal; a
posterior com o lacrimal; a superior com o frontal e a inferior está soldada à
própria maxila (Fig. 2.25).
PROCESSO ZIGOMÁTICO
Por cima do primeiro molar superior, do corpo da maxila projeta-se para fora
o processo zigomático que acompanha a forma do corpo, ou seja, a forma de uma
pirâmide triangular cujo vértice se articula com o osso zigomático (Fig. 2.24).
Fig. 2.26 — Maxilas e palatinos (vista inferior): A — processo palatino; B — sutura intermaxilar; C — sutura
maxilopalatina; D — forame palatino maior; E — forames palatinos menores; F — lâmina horizontal do osso palatino;
G — espinha nasal posterior; H — alvéolos dentais; I — forame incisivo.
46 Sistema Esquelético
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PROCESSO ALVEOLAR
É côncavo para dentro e para trás, forma com o lado oposto um arco de
concavidade posterior. Está ocupado por cavidades chamadas alvéolos divididos
por septos inter-alveolares. Nestes alvéolos articulam-se os dentes superiores. Os
alvéolos que contêm dentes multirradiculares estão divididos por septos
interradiculares (Fig. 2.26).
PROCESSO PALATINO
É um processo ósseo horizontal que se dirige medialmente e se articula com
o seu homônimo para formar a maior parte do teto da cavidade bucal e o soalho
das fossas nasais. Sua face superior é lisa e côncava no sentido lateromedial. A
face inferior é rugosa e próximo à sua margem lateral é escavada por um sulco
oblíquo para a frente e medialmente, por onde passam o nervo e os vasos palatinos
maiores. Ainda nesta face, a articulação dos dois processos palatinos se traduz
por uma sutura mediana, a sutura intermaxilar. Na extremidade anterior desta
sutura se encontra o forame incisivo que dá acesso ao canal incisivo que se bifur-
ca em dois canais secundários que desembocam nas fossas nasais, por onde pas-
sam o nervo e os vasos incisivos.
A margem lateral do processo palatino, curvilínea, está unida à maxila; a
margem posterior articula-se com a margem anterior da lâmina horizontal do
palatino; a margem medial, está estriada verticalmente por rugosidades que en-
grenam com as do lado oposto. Sobressai para cima a aresta nasal que corre ao
longo desta margem. Quando os dois processos estão articulados, as duas arestas
se unem formando a crista nasal, que sobressai no plano mediano do soalho das
fossas nasais, se articula com o osso vômer e se eleva bruscamente no terço ante-
rior se projetando para frente formando a espinha nasal anterior (Fig. 2.26).
SEIO MAXILAR
É uma cavidade no interior da maxila. Tem a forma de uma pirâmide
quadrangular, limitada por paredes superior ou orbital, inferior ou alveolar, pos-
terior ou infratemporal e anterior ou bucal; uma base (parede nasal ou medial) e
um vértice voltado para o processo zigomático.
Conexões
Superiores — Frontal, etmóide e vômer (Fig. 2.10).
Inferiores — Dentes superiores (Figs. 2.24 e 2.25).
Anteromedial — Nasal (Figs. 2.10 e 2.11).
Mediais — Maxila oposta e concha nasal inferior (Figs. 2.10 e 2.44).
Pósterolateral — Zigomático (Figs. 2.10 e 2.11).
Posteriores — Lacrimal e palatino (Figs. 2.10, 2.26 e 2.44).
CAPÍTULO 2 47
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Origens musculares
Oblíquo inferior na face orbital; orbicular do olho, levantador do lábio
superior e da asa do nariz na face lateral do processo frontal; levantador do
lábio superior, levantador do ângulo da boca, nasal e dilatador da asa do nariz
na face anterior; pequena porção ântero-superior do masseter, na curva zigo-
maticoalveolar; e bucinador, na face lateral do processo alveolar no nível de
molares.
OSSO ZIGOMÁTICO (PAR)
Posição — Face côncava para o plano mediano, com a sua porção rugosa para
adiante e medialmente, e o processo que emerge da margem superior desta face
para o plano mediano quase horizontalmente.
Situação — Está situado na parte inferior e lateral da órbita e repousa sobre a
maxila. Ele apresenta uma superfície orbital que contribui para a formação do
soalho e parede lateral da órbita e uma superfície temporal, localizada na fossa
temporal. Na face lateral, o osso zigomático é perfurado pelo pequeno forame
zigomaticofacial para o nervo do mesmo nome, na face orbital o forame zigoma-
ticorbital e na face temporal o forame zigomático temporal (Figs. 2.27 e 2.28).
Fig. 2.27 — Osso zigomático (vista lateral): A — processo frontal; B — face orbital; C1 — forame zigomaticofacial;
D — processo maxilar; E — processo temporal.
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48 Sistema Esquelético
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Conexões
Superior — O processo frontal do zigomático articula-se com o processo
zigomático do frontal (Fig. 2.11).
Anteromedial — O processo maxilar do zigomático articula-se com o processo
zigomático da maxila (Fig. 2.10).
Posterior — O processo temporal do zigomático articula-se com o processo
zigomático do temporal (Fig. 2.10).
Póstero-medial — o processo esfenoidal do zigomático articula-se com a crista
zigomática do esfenóide (Fig. 2.10).
ORIGENS MUSCULARES
Na face lateral, os músculos zigomáticos maior e menor; na face temporal, o
músculo temporal; e, na margem póstero-inferior, o músculo masseter.
OSSO NASAL (PAR)
Posição — A face lisa e convexa para frente e para fora; a margem que apresenta
uma incisura, para baixo, e a margem vertical, mais grossa, para a frente e para
medial.
Situação — O osso nasal está situado junto ao plano mediano, à frente, e medial
ao processo frontal da maxila e abaixo do frontal.
Fig. 2.28 — Osso zigomático (vista medial): A — processo frontal; B — face orbital; C2 — forame zigomaticorbital;
C3 — forame zigomaticotemporal; D — processo maxilar; E — processo temporal.
CAPÍTULO 2 49
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É uma lâmina óssea quadrilátera que apresenta uma face anterolateral e ou-
tra póstero-medial; e quatro margens, uma superior, uma inferior, uma antero-
medial e uma póstero-lateral (Fig. 2.29).
Conexões
Superior — Frontal (Fig. 2.10).
Posterior — Etmóide (Fig. 2.43).
Póstero-lateral — Maxila (Fig. 2.10).
Anteromedial — Nasal oposto (Fig. 2.10).
Origens musculares na face anterolateral
Músculos prócero, nasal, levantador do lábio superior e da asa do nariz (às
vezes).
OSSO LACRIMAL (PAR)
Posição — A face que apresenta uma crista vertical para fora, o hâmulo terminal
desta crista, para baixo e para adiante.
Situação — Está situado na parede medial da órbita, por trás do processo frontal
da maxila, à frente da lâmina orbital do etmóide e abaixo do frontal.
Fig. 2.29 — Osso nasal direito (vistas anterior e posterior): A — margem superior ou frontal; B — margem inferior;
C — margem lateral ou maxilar; D — margem medial ou nasal.
50 Sistema Esquelético
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O osso lacrimal é uma lâmina óssea quadrilátera que apresenta duas faces e
quatro margens.
Face lateral
Está dividida em duas partes pela crista lacrimal posterior; uma posterior
lisa e uma anterior escavada por um sulco vertical que entra na formação do
canal lacrimonasal.
No ponto em que a crista lacrimal posterior encontra a margem superior da
maxila, apresenta um pequeno processo em forma de gancho, chamado hâmulo
lacrimal (Fig. 2.20).
Face medial
É lisa anteriormente, onde corresponde à mucosa das fossas nasais; é desi-
gual na sua parte póstero-superior, que se articula com a face anterior do labirin-
to etmoidal.
Conexões
A margem superior do lacrimal se articula com o processo lacrimal do
frontal; a margem inferior, com o processo lacrimal da concha nasal inferior;
a margem posterior, com a lâmina orbital do etmóide; e a margem anterior
com a margem posterior do processo frontal da maxila (Fig. 2.46).
Origens musculares
Na crista lacrimal posterior, o músculo orbicular do olho e, por trás da crista,
o músculo do saco lacrimal.
Fig. 2.30 — Osso lacrimal direito (vista lateral): A — crista lacrimal posterior; B — sulco lacrimal; C — hâmulo
lacrimal; D — face orbital.
CAPÍTULO 2 51
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CONCHA NASAL INFERIOR (PAR)
Posição — Medialmente, a face convexa; para cima a margem que apresenta dois
processos e, para trás, a extremidade mais afilada.
Situação — Localiza-se na fossa nasal, sendo uma lâmina óssea encurvada, fixa
à parede lateral da fossa nasal por sua margem superior e livre no resto de sua
extensão.
Fig. 2.31 — Concha nasal inferior direita (vistas medial e lateral): A — processo lacrimal; B — processo etmoidal;
C — extremidade posterior; D — margem inferior; E — extremidade anterior; F — processo maxilar.
A concha nasal inferior apresenta duas faces, uma medial e outra lateral; e
duas margens, uma superior e outra inferior.
Face medial
Convexa, voltada para o septo nasal. Está dividida por uma crista antero-
posterior numa parte superior lisa e uma inferior rugosa.
Face lateral
É côncava e limita o meato inferior.
Margem inferior
É livre, convexa, grossa e rugosa.
52 Sistema Esquelético
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Margem superior ou articular
Nesta margem encontramos de diante para trás: 1 — uma parte anterior rugo-
sa, que se articula com a crista conchal da maxila; 2 — o processo lacrimal que se
articula com a margem inferior do osso lacrimal; 3 — o processo maxilar que
se articula com o lábio inferior do hiato do seio maxilar; 4 — o processo etmoidal
que se articula com o processo uncinado do etmóide; 5 — uma porção rugosa que
se articula com a crista conchal do palatino (Fig. 2.31).
Conexões
Ântero-superior — Lacrimal (Fig. 2.44).
Póstero-Superior — Etmóide (Fig. 2.44).
Anterolateral — Maxila (Fig. 2.44).
Póstero-lateral — Palatino (Fig. 2.44).
OSSO PALATINO (PAR)
Posição — Para baixo a lâmina horizontal; para trás a margem côncava desta
lâmina e medialmente sua margem mais grossa.
Situação — Localiza-se atrás da maxila e à frente do esfenóide. Compõe-se de
uma lâmina óssea horizontal e de uma vertical, que se unem em ângulo reto.
Fig. 2.32 — Osso palatino direito (vista medial): A — processo orbital; B — incisura esfenopalatina; C — processo
esfenoidal; D — processo piramidal; E — superfície articular da lâmina medial; F — processo maxilar; G — crista da
concha; H — lâmina vertical; I — crista etmoidal.
CAPÍTULO 2 53
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Lâmina horizontal
Sua face superior é lisa e côncava lateromedialmente; completa posterior-
mente o soalho da fossa nasal. Sua face inferior pertence ao teto da cavidade
bucal. É rugosa e está escavada por um sulco que continua o sulco palatino
maior. A margem lateral corresponde à linha de união das lâminas horizontal e
vertical. A margem medial se articula com o lado oposto formando a parte poste-
rior do soalho das fossas nasais e teto da cavidade bucal. A margem anterior
articula-se com o processo palatino da maxila. A margem posterior é livre, côn-
cava para trás (Fig. 2.34).
Lâmina vertical
Sua face medial forma parte da parede lateral da fossa nasal. Na união do seu
terço médio com seu terço inferior observa-se uma crista horizontal, a crista
conchal, que se articula com a concha nasal inferior. Em sua parte superior se vê
outra crista chamada crista etmoidal, que se une à concha nasal média do etmóide
(Fig. 2.32).
Na face lateral temos que considerar quatro segmentos principais: 1 — o
segmento sinusal, que corresponde à cavidade do seio maxilar; 2 — um segmen-
to maxilar rugoso, articulado com a parte posterior da face medial da maxila; 3 —
somente na metade superior do osso, um segmento interpterigomaxilar, liso, si-
tuado entre o segmento maxilar e o segmento pterigóide, formando a parede medial
da fossa pterigopalatina; 4 — um segmento posterior, o pterigóideo, rugoso, por-
que se articula com a face medial da lâmina medial do processo pterigóide.
A margem inferior se confunde com a margem lateral da lâmina horizontal.
Fig. 2.33 — Osso palatino direito (vista lateral): A — processo orbital; B — processo maxilar; C — sulco pterigopalatino;
D — processo piramidal; E — processo esfenoidal.
54 Sistema Esquelético
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A margem superior é irregular e apresenta dois processos, um anterior ou
orbital e outro posterior ou esfenoidal, separados pela incisura esfenopalatina
(Fig. 2.32).
Processo orbital
Apresenta três faces articulares: 1 — palatina, que corresponde ao trígono
palatino da maxila; 2 — etmoidal, se articula com o labirinto etmoidal; 3 –
esfenoidal, na qual se apóia o corpo do esfenóide.
Por fora e por baixo da face esfenoidal, o processo orbital apresenta uma
pequena superfície lisa com duas vertentes; uma superior, orbital, forma a parte
mais posterior do soalho da órbita; e uma posterior, pterigopalatina, constitui a
parte mais elevada da parede anterior da fossa pterigopalatina.
Processo esfenoidal
Apresenta uma face ínfero-medial côncava e uma súpero-lateral conve-
xa. A face ínfero-medial forma parte da parede superior da fossa nasal. A
face súpero-lateral se aplica contra a face medial da lâmina medial do pro-
cesso pterigóide.
A margem anterior da lâmina vertical do palatino cruza por cima a parte
posterior do hiato do seio. Abaixo deste hiato, a margem anterior emite um longo
processo delgado, triangular, o processo maxilar do palatino.
A margem posterior apóia-se sobre a face medial da lâmina medial do pro-
cesso pterigóide.
Fig. 2.34 — Osso palatino direito (vista posterior): A — processo orbital; B — incisura esfenopalatina; C — processo
esfenoidal; D — lâmina horizontal; E — processo piramidal.
CAPÍTULO 2 55
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Processo piramidal
É um prolongamento do palatino que nasce da face lateral da lâmina ver-
tical, atrás do segmento maxilar do palatino. O processo piramidal preenche
o espaço compreendido entre as extremidades inferiores das lâminas do pro-
cesso pterigóide.
A face posterior do processo piramidal articula-se com a margem anterior
das lâminas do processo pterigóide (Fig. 2.34).
A face anterior se articula com o túber da maxila.
A face inferior apresenta os forames palatinos menores por onde passam ner-
vos e vasos do mesmo nome (Fig. 2.26).
Conexões
Anterior — Maxila (Fig. 2.26).
Posterior — Esfenóide (Fig. 2.44).
Mediais — Palatino oposto e concha nasal inferior (Figs. 2.26 e 2.44).
Superior — Etmóide (Fig. 2.44).
Origens musculares
Músculos da úvula, palatofaríngeo, tensor do véu palatino, constritor superior
da faringe, pterigóideo lateral e pterigóideo medial.
OSSO VÔMER (ÍMPAR)
Posição — Para cima, a margem que apresenta dois prolongamentos laterais e,
para trás, a parte mais ampla desta margem.
Situação — Localiza-se na parte posterior e inferior do septo nasal. É uma lâmi-
na óssea delgada que apresenta dois prolongamentos laterais na sua margem
superior.
As faces do vômer são geralmente planas. Entretanto, podem apresentar des-
vios, tanto que uma face pode ser côncava e outra convexa.
A margem superior está dividida por duas lâminas, as asas do vômer, separa-
das por um sulco. Este sulco corresponde à crista média da face inferior do corpo
do esfenóide, formando assim, o canal esfenovomeriano. As margens das asas do
vômer formam com o processo vaginal do esfenóide um canal chamado vomero-
vaginal (Fig. 2.35).
A margem ântero-superior articula-se com a lâmina vertical do etmóide. A
margem posterior é livre e separa as aberturas posteriores das fossas nasais ou
coanas. A margem inferior articula-se com a crista nasal das maxilas e dos
palatinos.
56 Sistema Esquelético
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Conexões
Póstero-superior — Esfenóide (Fig. 2.43).
Ântero-superior — Etmóide (Fig. 2.43).
Inferiores — Maxilas e palatinos (Fig. 2.43).
MANDÍBULA (ÍMPAR)
Posição — A face convexa, para adiante, e a margem alveolar, para cima, hori-
zontalmente.
Situação — Está localizada no terço inferior da face.
A mandíbula é o maior e mais forte osso da face. Apresenta um corpo e um par
de ramos. A região da junção entre corpo e ramo, atrás e abaixo do terceiro molar
inferior, está demarcada pelo ângulo da mandíbula, que é facilmente palpável no
vivo. Sua parte mais proeminente, dirigida lateralmente, é denominada gônio.
Corpo da mandíbula
Tem a forma de U e cada metade apresenta faces anterolateral e póstero-
medial, uma margem superior ou margem alveolar e uma inferior ou base.
Face anterolateral
É, geralmente, caracterizada por uma crista mediana, pouco desenvolvida;
marca a fusão das metades da mandíbula na sínfise mental. Ela se expande,
Fig. 2.35 — Osso vômer (face direita): A — asas do vômer; B — margem ântero-superior; C — margem inferior;
D — margem posterior.
CAPÍTULO 2 57
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inferiormente, numa elevação triangular, denominada protuberância mental,
cuja base é limitada, em cada lado, pelos tubérculos mentais. Mais lateralmen-
te, com freqüência, sob o segundo pré-molar ou entre os pré-molares, pode ser
visto o forame mental. O nervo e os vasos mentais emergem do forame para
cima, para trás e lateralmente. A linha oblíqua é uma crista pouco saliente que
se dirige póstero-superiormente a partir do tubérculo mental em direção ao
ramo (Fig. 2.36).
Fig. 2.36 — Mandíbula (face ântero-lateral): A — processo condilar; B — incisura mandibular; C — processo
coronóide; D — trajetória temporal; E — forame mental; F — trajetória mental; G — trajetória basilar; H — trajetória
massetérica; I — trajetória alveolar.
Face póstero-medial
É caracterizada por uma elevação mediana irregular, a espinha mental, atrás
da sínfise. Ela pode consistir de duas ou quatro partes, denominadas tubérculos
geni, que dão origem ou inserção aos músculos gênio-hióideos inferiormente e
genioglossos superiormente. Lateralmente à espinha mental, inicia-se a linha
milo-hióidea que se dirige obliquamente para trás e para cima, terminando atrás
do terceiro molar. Ela dá origem ou inserção ao músculo milo-hióideo. A fossa
submandibular está situada sob a linha milo-hióidea e aloja uma parte da glân-
dula submandibular. A fossa sublingual situa-se mais para frente, acima da linha
milo-hióidea, e aloja a glândula sublingual (Fig. 2.37).
Margem superior
É denominada processo alveolar e contém os dentes inferiores articulados
em seus alvéolos (Figs. 2.36, 2.37 e 2.39).
58 Sistema Esquelético
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Fig. 2.38 — Osso mandibular (face póstero-medial): A — processos geni superiores; B — processos geni inferiores;
C — fossa digástrica esquerda; D — sulco milo-hióideo esquerdo; E — processo condilar esquerdo; F — processo
coronóide esquerdo.
Fig. 2.37 — Osso mandibular (face póstero-medial): A — processo coronóide; B — crista temporal; C — processo
condilar; D — crista do colo do côndilo; E — língula da mandíbula; F — forame da mandíbula; G — trajetória
pterigóidea; H — sulco milo-hióideo; I — linha milo-hióidea; J — processos geni ou espinhas mentais; K — fóvea
sublingual; L — fóvea submandibular; M — trígono retromolar.
CAPÍTULO 2 59
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Margem inferior ou base
A fossa digástrica é uma depressão irregular situada na base (ligeiramente pos-
terior) ao lado da sínfise. Em direção posterior, próximo ao ângulo da mandíbula, a
base pode apresentar um suave sulco destinado à artéria facial (Figs. 2.36 e 2.39).
RAMO DA MANDÍBULA
O ramo da mandíbula é mais ou menos quadrilátero, apresenta faces lateral e
medial e margens anterior, posterior, superior e inferior.
Face lateral
É plana e dá inserção ao músculo masseter (Fig. 2.36).
Face medial
É caracterizada pela presença do forame mandibular, que dá continuidade
ao canal mandibular; este se dirige para baixo e para a frente e dá passagem ao
nervo e vasos alveolares inferiores. O forame mandibular é limitado, medialmente,
por uma projeção chamada língula, na qual se insere o ligamento esfenoman-
dibular. O canal mandibular dá origem, no nível dos pré-molares, a um canal que
se dirige para cima, para trás e para fora, abrindo-se no forame mental, o qual
Fig. 2.39 — Osso mandibular (vista superior): A — crista temporal; B — trígono retromolar; C — alvéolos dentais;
D — processo coronóide; E — processo condilar.
60 Sistema Esquelético
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chama-se de canal mental, e outro que se dirige ao plano mediano, chamado
canal incisivo. O sulco milo-hióideo inicia-se por trás da língula e se dirige para
baixo e para frente até a fossa submandibular. Ele contém o nervo e os vasos
milo-hióideos. Abaixo e atrás do sulco milo-hióideo, a superfície é áspera e dá
inserção ao músculo pterigóideo medial (Fig. 2.37).
Margem superior
É côncava e forma a incisura mandibular. A incisura é delimitada, na frente,
pelo processo coronóide, no qual se insere o músculo temporal. O processo
condilar delimita a incisura por trás e é constituído pela cabeça e pelo colo da
mandíbula. A cabeça (ou côndilo), coberta por fibrocartilagem, articula-se com o
osso temporal para formar a articulação temporomandibular. A extremidade late-
ral do côndilo pode ser palpada no vivo. O colo dá inserção ao ligamento lateral,
lateralmente, e ao músculo pterigóideo lateral anteriormente (Fig. 2.36).
Margem anterior
Esta margem é aguda e pode ser palpada por dentro da boca. Ela é contínua
com a linha oblíqua (Fig. 2.36).
Margem posterior
É arredondada, está intimamente relacionada com a glândula parótida (Fig. 2.36).
Conexões
A mandíbula articula-se superiormente com os ossos temporais, formando a
articulação temporomandibular (ATM) bilateralmente, e com os dentes inferio-
res, através do processo alveolar (Fig. 2.11).
Origens e inserções musculares
Face anterolateral do corpo — Músculos; depressor do ângulo da boca, depressor
do lábio inferior e mental (Figs. 4.1 e 4.2).
Face póstero-medial do corpo — Músculos; genioglosso, genio-hióideo, milo-
hióideo e constritor superior da faringe (Fig. 4.4).
Margem inferior (base) do corpo — Músculos; platisma e digástrico (Figs. 4.1 e 4.3).
Face lateral do ramo — Músculo masseter (Figs. 4.13 e 4.14).
Face medial do ramo — Músculo pterigóideo medial (Fig. 4.15).
Fóvea pterigóide no colo do côndilo — Músculo pterigóideo lateral (Fig. 3.3).
Processo coronóide — Músculo temporal (Fig. 4.13).
CAPÍTULO 2 61
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OSSO HIÓIDE (ÍMPAR)
Posição — Para frente e para cima a convexidade do corpo, para cima e para trás
os cornos maiores.
Situação — Está situado na porção ântero-superior do pescoço entre a mandíbu-
la e a laringe, no nível da terceira vértebra cervical.
Fig. 2.40 — Osso hióide (vista anterior): A — corpo; B — corno menor; C — corno maior.
O osso hióide não se articula com nenhum osso, mas está suspenso por mús-
culos e ligamentos. Possui um corpo, um par de cornos menores e um par de
cornos maiores.
A face anterior do corpo está voltada para a frente e para cima. A face poste-
rior, para baixo e para trás.
Cada corno maior projeta-se para trás e para cima, a partir do lado do corpo
do osso, ao qual ele está unido por uma articulação cartilagínea ou, mais tarde,
por fusão óssea. Quando o pescoço está relaxado, os dois cornos maiores podem
ser palpados no vivo entre o indicador e o polegar, e o hióide pode ser, então,
movimentado de um lado para outro. As extremidades dos cornos maiores são
cobertas pelos músculos esternocleidomastóideos.
Cada corno menor é uma pequena projeção para cima, fixada à junção do
corpo com o corno maior do mesmo lado. O ligamento estilo-hióideo está preso à
extremidade do corno menor e, algumas vezes, está ossificado.
INSERÇÕES MUSCULARES E LIGAMENTOSAS
Margem superior — músculo gênio-hióideo e ligamento hioepiglótico (Fig. 4.11).
Face anterior — músculos; gênio-hióideo, hioglosso e milo-hióideo (Figs. 4.6 e 4.12).
62 Sistema Esquelético
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Margem inferior — músculos; esterno-hióideo e omo-hióideo (Fig. 4.10).
Junção do corno maior com o corpo — Músculos; hioglosso, estilo-hióideo, alça
fibrosa do digástrico e tireo-hióideo (Figs. 4.6 e 4.10).
Corno menor — músculos; constritor médio da faringe, condroglosso e ligamen-
to estilo-hióideo (Fig. 4.6).
Fig. 2.41 — Osso hióide (vista lateral esquerda): A — corpo; B — corno menor; C — corno maior.
CAVIDADES DO CRÂNIO E DA FACE
CAVIDADE CRANIANA
Abóbada
A superfície endocraniana da abóbada é côncava. No plano mediano, de frente
para trás se observa: a crista frontal e o sulco do seio sagital superior e, aos lados
deste sulco na região média, encontra-se os fovéolos granulares. Encontra-se,
ainda, as fossas frontais, a sutura frontoparietal, as fossas parietais, os sulcos
vasculares da artéria meníngea média, a sutura parietoccipital e as fossas cere-
brais do occipital.
Base
Distinguem-se na base do crânio três cavidades ou andares, que são: anterior,
médio e posterior.
Andar anterior ou frontoetmoidoesfenoidal
Está limitado anteriormente pela porção vertical do frontal; por trás, pelo
tubérculo da sela e a margem posterior das asas menores do esfenóide. Apresenta
CAPÍTULO 2 63
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na sua parte média: a crista galli e o forame cego, situado na frente da crista. Aos
lados, os canais olfatórios, atravessados pelos forames da lâmina crivosa e mais
lateralmente as superfícies orbitais do frontal (Fig. 2.42).
Fig. 2.42 — Base do crânio (vista superior): A — forame cego; B — crista galli; C — lâmina crivosa; D — teto da
órbita; E — asa menor do esfenóide; F — asa maior do esfenóide; G — forame redondo; H — forame oval; I —
forame espinhoso; J — forame lácero; K — margem superior do rochedo; L — forame magno; M — canal óptico;
N — processo clinóide anterior; O — processo clinóide posterior; P — sulco do seio sigmóide; Q — porção basilar do
occipital; R — sulco do seio transverso.
Andar médio ou esfenotemporal
Está compreendido entre o limite posterior do andar anterior e a lâmina qua-
drilátera do esfenóide e as margens superiores dos rochedos dos temporais. En-
contramos neste andar: em sua parte média a fossa hipofisária, aos lados os sul-
cos cavernosos e as fossas esfenotemporais.
As comunicações mais importantes deste andar com as cavidades e espaços
vizinhos são: o canal óptico que se dirige para adiante em direção à órbita, per-
mitindo a passagem do nervo óptico e da artéria oftálmica; abaixo da margem
livre da pequena asa do esfenóide encontra-se a fissura orbital superior que in-
64 Sistema Esquelético
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terliga o andar médio (fossa craniana média) com a órbita, permitindo a passa-
gem dos nervos oculomotor, troclear, abducente e oftálmico, e das veias oftálmi-
cas; atrás da parte média da fissura orbital superior encontra-se o forame redondo,
que dá passagem ao nervo maxilar que se dirige à fossa pterigopalatina; atrás do
forame redondo encontra-se o forame oval, que dá passagem ao nervo mandibu-
lar que se dirige à fossa infratemporal; logo atrás e lateralmente encontra-se o
forame espinhoso, através do qual passa a artéria meníngea média. Entre o ápice
do rochedo e o esfenóide existe no crânio seco o forame lácero, que é fechado no
vivo por uma lâmina fibrocartilagínea (Fig. 2.42).
Andar posterior ou occipitotemporal
Está circunscrito pela lâmina quadrilátera do esfenóide, a margem superior
dos rochedos e os sulcos dos seios laterais. Este andar comunica-se com o canal
vertebral através do forame magno ou occipital, situado no plano mediano. A
medula espinhal continua-se com o bulbo, que atravessa este forame, acompa-
nhado das artérias vertebrais e dos nervos acessórios. O canal do hipoglosso
perfura a parede lateral do forame occipital logo acima do côndilo occipital e dá
passagem ao nervo hipoglosso.
Na fenda existente entre os ossos occipital e a porção petrosa do temporal, há
duas incisuras que formam o forame jugular. Ele é parcial ou totalmente dividido
em partes anteromedial e póstero-lateral pelo pequeno processo jugular. A pri-
meira é pequena e dá passagem aos nervos glossofaríngeo, vago e acessório; a
segunda é larga e é onde se origina a veia jugular interna.
Na face póstero-superior do rochedo, abre-se o conduto auditivo interno por
onde penetram os nervos intermediofacial e vestibulococlear.
Aos lados do forame magno encontramos as fossas cerebelares (Fig. 2.42).
Fossa temporal
É uma depressão rasa situada na face lateral do crânio e limitada pela linha
curva temporal superior. Sua parte ântero-inferior é mais profunda e tem mar-
gem cortante, formada pela face temporal côncava do processo frontal do osso
zigomático. A parede medial da fossa temporal é formada pelo osso parietal, pela
escama do temporal, pela face temporal da grande asa do esfenóide e pela face
temporal do osso frontal. A fossa atinge, inferiormente, o nível do arco zigomático,
situado lateralmente, e a crista infratemporal da grande asa do esfenóide,
medialmente (Fig. 2.11).
A fossa temporal continua-se para baixo com a fossa infratemporal.
CAVIDADES DA FACE
O maciço facial está escavado por um grande número de cavidades. As prin-
cipais são nove. Destas, só uma é ímpar, sendo formada somente por ossos da
face, a cavidade bucal. As outras são laterais, pares, limitadas por ossos da face e
CAPÍTULO 2 65
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do crânio. São elas: fossas nasais, cavidades orbitais, fossas infratemporais e
pterigopalatinas.
Cavidade bucal
Não tem parede óssea inferior e posterior. Está limitada à frente e aos lados
pelos processos alveolares das maxilas e da mandíbula; e arcadas dentárias quando
estas estão presentes. Superiormente, está limitada pelas maxilas e palatinos,
formando o teto, no qual se observa: na extremidade anterior da sutura
intermaxilar, o forame incisivo; no terço posterior e a cada lado, o canal palatino
maior e atrás deste os palatinos menores. A união da sutura intermaxilar e
interpalatina com a sutura entre palatinos e maxilas é chamada de cruciforme
devido à sua forma (Fig. 2.26).
Cavidade nasal
Estende-se da abertura piriforme anteriormente; às coanas, posterior-
mente. Está relacionada, superiormente, com o seio frontal, com a fossa
craniana anterior, com o seio esfenoidal e com a fossa craniana média. Infe-
riormente, está separada da cavidade bucal pelo palato duro. Posteriormen-
te, comunica-se com a parte nasal da faringe. Lateralmente está relacionada
com a órbita, com o seio maxilar, com as células etmoidais e com as fossas
pterigopalatinas.
A abertura piriforme ou óssea anterior do nariz é limitada, superiormente,
pelos ossos nasais e lateral e inferiormente pelas maxilas (Fig. 2.10).
As coanas ou aberturas posteriores são, medialmente, limitadas pelo
vômer, inferiormente pelas lâminas horizontais dos ossos palatinos, lateral-
mente pela lâmina medial do processo pterigóide e, superiormente, pelo
corpo do esfenóide (coberto pelas asas do vômer) e pela lâmina medial do
processo pterigóide.
A expressão cavidade nasal refere-se seja à cavidade inteira, seja a uma de
suas metades, dependendo do sentido. Cada metade tem um teto, um soalho,
parede medial e parede lateral.
Teto
É formado pelos seguintes ossos: nasal, frontal, lâmina crivosa do etmóide e
o corpo do esfenóide coberto por partes do vômer e palatino.
Soalho
É liso e formado pelos processos palatinos das maxilas, anteriormente, e pe-
las lâminas horizontais dos ossos palatinos posteriormente.
66 Sistema Esquelético
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Parede medial ou septo nasal
É a divisão entre as metades da cavidade nasal. É formada pela lâmina per-
pendicular do etmóide, pelo vômer e pela crista etmoidal do esfenóide (Fig. 2.43).
Fig. 2.43 — Corte sagital no crânio: A — sela turca; B — seio esfenoidal; C — processo pterigóide D — vômer; E —
lâmina perpendicular do etmóide; F — osso nasal; G — seio frontal; H — crista esfenoidal anterior; I — crista galli.
Fig. 2.44 — Parede lateral da fossa nasal: A — seio frontal; B — crista galli; C — lâmina crivosa; D — osso nasal
direito; E — seio esfenoidal; F — maxila direita; G — concha nasal superior; H — concha nasal média; I — lâmina
vertical do osso palatino direito; J — processo pterigóide; K — concha nasal inferior direita; L — lâmina horizontal
do osso palatino direito.
CAPÍTULO 2 67
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Parede lateral
É formada por partes da maxila, do lacrimal, do etmóide, da concha nasal
inferior, do palatino (lâmina vertical) e do esfenóide (lâmina medial do processo
pterigóide) (Fig. 2.44).
Cavidades orbitais
São duas cavidades ósseas, que contêm os olhos e seus anexos. Cada órbita
está relacionada: superiormente, com a fossa craniana anterior e, geralmente,
com o seio frontal, lateralmente, com a fossa temporal, na frente, e com a fossa
craniana média, atrás; inferiormente, com o seio maxilar e, medialmente, com as
células etmoidais e com o seio esfenoidal. A órbita comunica-se com a cavidade
craniana por diversas aberturas.
Margens
São formadas por quatro ossos: frontal, lacrimal, maxila e zigomático. Estas
margens podem ser divididas em supra-orbital, medial, infra-orbital e lateral
(Fig. 2.10).
Paredes
A órbita possui quatro paredes que são as seguintes: superior ou teto, inferior
ou soalho, medial e lateral.
PAREDE SUPERIOR OU TETO
É formada pela lâmina orbital do osso frontal em quase toda sua extensão e
pela asa menor do esfenóide na sua porção mais posterior (Fig. 2.10).
PAREDE INFERIOR OU SOALHO
É formada pelos ossos zigomático (anterolateralmente), maxila (antero-
medialmente) e palatino (posteriormente) (Fig. 2.45).
PAREDE MEDIAL
É formada por uma pequena porção do frontal, pelo osso lacrimal, pela lâmina
orbital do etmóide e por uma pequena porção do corpo do esfenóide (Fig. 2.46).
PAREDE LATERAL
É formada por uma pequena porção do frontal (anterosuperiormente), por
parte do zigomático (anteriormente) e pela asa maior do esfenóide (posterior-
mente) (Fig. 2.47).
68 Sistema Esquelético
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Fig. 2.45 — Soalho da órbita esquerda (vista superior): A — processo orbital do osso palatino esquerdo; B —
esfenóide; C — fissura orbital inferior; D — face orbital da maxila esquerda; E — canal infra-orbital; F — face orbital
do osso zigomático esquerdo; G — forame infra-orbital; H — osso lacrimal esquerdo; I — células etmoidais.
Fig. 2.46 — Parede medial da orbita esquerda (vista lateral): A — osso frontal; B — osso nasal esquerdo; C — osso
lacrimal esquerdo; D — processo frontal da maxila esquerda; E — seio maxilar esquerdo; F — processo piramidal do
osso palatino esquerdo; G — processo pterigóide do esfenóide; H — forame esfenopalatino; I — lâmina orbital do
etmóide; J — forame etmoidal posterior; K — forame etmoidal anterior.
CAPÍTULO 2 69
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Fossa infratemporal
Está localizada abaixo da base do crânio e atrás da maxila, tem limites ósseos
incompletos.
PAREDE ANTERIOR
Está formada pela porção lateral do túber da maxila.
PAREDE SUPERIOR
Está constituída pela porção inferior, horizontal, da asa maior do esfenóide
(medialmente) e uma pequena porção do temporal (lateralmente).
PAREDE MEDIAL
Está formada pela face lateral da lâmina lateral do processo pterigóide e, na
porção mais inferior, pelo processo piramidal do palatino.
PAREDE LATERAL
É formada pela face medial do arco zigomático e face medial do ramo da
mandíbula.
Fig. 2.47 — Parede lateral da órbita direita (vista medial): A — osso frontal; B — osso zigomático direito; C — canal
infra-orbital; D — seio maxilar; E — processo piramidal do osso palatino direito; F — processo pterigóide do esfenóide;
G — asa maior do esfenóide.
70 Sistema Esquelético
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Não existe limite posterior da fossa infratemporal, imagina-se um plano fron-
tal, tangente à margem posterior do ramo da mandíbula. E também não existe
limite inferior, imagina-se um plano horizontal, tangente à margem inferior do
ramo mandibular (Figs. 2.11 e 2.12).
Fossa pterigopalatina
Está localizada medialmente à fossa infratemporal e apresenta as seguintes
paredes:
PAREDE ANTERIOR
Está formada pela porção medial do túber da maxila.
PAREDE POSTERIOR
É constituída pela face anterior do processo pterigóide.
PAREDE MEDIAL
Está fechada pela lâmina vertical do osso palatino.
PAREDE SUPERIOR
Corresponde à raiz da asa maior do esfenóide.
Extremidade inferior
Compreende as articulações entre os ossos: maxila, palatino e esfenóide.
Lateralmente, não existe limite ósseo, a fossa pterigopalatina comunica-se
com a fossa infratemporal (Fig. 2.46).
Seios paranasais
São cavidades pneumáticas que podem ser definidas como espaços aéreos,
forradas por membrana mucosa, que se comunicam direta ou indiretamente com
o sistema respiratório.
Os seios esfenoidais, os seios frontais, as células etmoidais e os seios maxila-
res formam as cavidades paranasais.
Seio esfenoidal
Tem a forma cúbica irregular que corresponde ao corpo do esfenóide. Os
seios esfenoidais direito e esquerdo estão separados por um septo que raramente
se encontra no plano mediano, e este desvio ocasiona um desenvolvimento desi-
gual ou assimétrico dos dois seios (Figs. 2.20 e 2.44).
CAPÍTULO 2 71
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Seio frontal
No adulto, os seios frontais são divertículos pares situados por cima da raiz
do nariz e do ângulo súpero-medial da órbita separados entre si por um septo
mediano.
O tamanho dos seios frontais é muito variável e geralmente são assimétricos.
Pode haver ausência (agenesia) de um ou ambos os seios, mas, nesta eventualida-
de, existe uma célula escavada no ângulo súpero-medial da órbita, provida de
um canal nasofrontal (Fig. 2.44).
Células etmoidais
São variáveis em número, forma e tamanho. As células médias comunicam-
se diretamente nos meatos médios, as células posteriores abrem-se nos meatos
superiores. As paredes de algumas células etmoidais são completadas pelos os-
sos vizinhos. As células superiores prolongam-se para o osso frontal; as células
posteriores podem se estender até os ossos esfenóide e palatinos; as células infe-
riores dirigem-se às maxilas; as células anteriores são completadas pelos ossos
lacrimais (Figs. 2.21 e 2.45).
Seio maxilar
É a cavidade paranasal mais ampla. Ela ocupa todo o corpo da maxila. O seio
maxilar pode ser comparado a uma pirâmide quadrangular cuja base corresponde
à parede lateral da fossa nasal e o ápice está voltado para o processo zigomático
da maxila (Fig. 2.25).
PAREDE ANTERIOR
É convexa e corresponde à fossa canina; aloja em sua espessura o feixe vasculo-
nervoso alveolar ântero-superior. Estende-se da margem infra-orbital ao proces-
so alveolar.
PAREDE POSTERIOR
É formada pelo túber da maxila. Nela se observam os canais para os nervos e
vasos alveolares póstero-superiores.
PAREDE SUPERIOR
Forma parte do soalho da órbita, apresenta o relevo de um canal anteropos-
terior (canal infra-orbital) que aloja o nervo e os vasos infra-orbitais.
PAREDE INFERIOR
Por suas íntimas relações com os ápices das raízes dos molares e pré-mola-
res, é denominada parede alveolar ou soalho do seio.
72 Sistema Esquelético
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PAREDE NASAL OU BASE
Está relacionada com a fossa nasal. A articulação da concha nasal inferior
divide a base em duas porções: ântero-inferior e póstero-superior. A zona ântero-
inferior ou infraconchal é mais ampla, pertencendo ao meato inferior. A zona
póstero-superior corresponde ao meato médio, onde se abre o óstio do seio maxi-
lar e onde também desembocam o seio frontal e as células etmoidais.
VÉRTICE
Está voltado para o processo zigomático da maxila. Em alguns casos, prolon-
ga-se até o osso zigomático (Figs. 2.46 e 2.47).
CEFALOMETRIA E CRANIOMETRIA
Cefalometria
São medidas realizadas na cabeça do vivo, diretamente ou por meio de
radiografias.
Craniometria
São medidas realizadas no crânio seco.
Estas medidas são usadas para estudar o crescimento do crânio sob condi-
ções normais e anormais e para analisar as desarmonias no formato do crânio,
manifestadas, por exemplo, nos diferentes tipos de maloclusão.
Para tirar medidas ou fotografias comparativas, a cabeça ou o crânio têm que
estar orientados numa posição fixa. Para conseguir esta posição, o crânio será
orientado pelo plano óbito meático ou plano horizontal de Frankfurt, que passa
através do ponto orbital esquerdo e pelos dois pórios. O orbital é o ponto mais
baixo do arco infra-orbital, o pório, que é definido como o ponto mais externo no
teto do meato acústico externo. Usamos somente o orbital esquerdo, devido às
assimetrias de quase todos os crânios; logo, os quatro pontos raramente estão no
mesmo plano, por isso, usa-se dois pórios e o orbital esquerdo.
No vivo, o orbital pode ser determinado com bastante exatidão. Em lugar do
pório, no entanto, usamos o trágio. Este é o ponto mais anterior na incisura que
fica sobre o trágus. O trágus é aquela parte triangular da orelha externa que se
projeta para trás e ligeiramente para fora, na circunferência anterior da entrada
do meato acústico externo. Outro ponto que pode ser usado no vivo, em lugar do
pório ósseo, é o pório cartilagíneo, que é o ponto médio na margem superior da
entrada do meato acústico externo.
PONTOS MEDIANOS DO CRÂNIO E DA FACE
Glabela
É o ponto mais anterior no plano sagital mediano entre os arcos supra-orbitais.
No vivo, é encontrado acima da raiz do nariz e entre as extremidades mediais dos
supercílios (Fig. 2.10).
CAPÍTULO 2 73
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Bregma
É o ponto de encontro das suturas interparietal (sagital) e frontoparietais
(coronal) ( Fig. 2.8 ).
Lambda
É o ponto de encontro das suturas interparietal (sagital) e occiptoparietais
(lambdóide) (Fig. 2.8).
Opistocrânio
É o ponto que, no plano mediano, se projeta mais posteriormente, medido a
partir da glabela. Pode ser determinado no vivo.
Ínio
É o ponto de confluência das linhas nucais superiores no plano sagital media-
no; corresponde na maioria dos casos à protuberância occipital externa (Fig. 2.9).
Opístio
É o ponto médio na margem posterior do forame occipital (Fig. 2.12).
Básio
É o ponto médio na margem anterior do forame occipital (Fig. 2.12). Como
este ponto não é claramente definido em radiografias de perfil de crânio, usa-se
um outro ponto para a extremidade posterior da base craniana, ou seja, o ponto
Bolton.
Bolton
Marca a altura da curvatura atrás do côndilo occipital entre o côndilo e a
superfície inferior do forame occipital.
Estafílio
É o ponto mediano de uma linha ligando os pontos mais anteriores da mar-
gem posterior do palato duro. Este ponto está situado na base da espinha nasal
posterior (Fig. 2.12).
Bucal
É o ponto mediano de uma linha ligando as margens posteriores dos alvéolos
dos incisivos centrais superiores (Fig. 2.12).
74 Sistema Esquelético
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Interdentário superior
É o ponto mediano na ponta do processo alveolar, entre os incisivos centrais
superiores. No vivo, é usada a ponta da papila interdentária entre estes dois
dentes, embora este ponto esteja cerca de dois milímetros distante da ponta do
osso (Figs. 2.10 e 2.11).
Próstio
É o ponto do processo alveolar superior que se projeta mais anteriormente na
linha mediana anterior. Este ponto não deve ser usado para medidas da altura
facial. Serve de referência para medir o comprimento facial; isto é, a extensão
anteroposterior (Figs. 2.10 e 2.11).
Nasoespinhal
É o ponto médio encontrado sobre uma linha que liga os pontos mais baixos
de cada lado da margem inferior da abertura piriforme. Está situado na base da
espinha nasal anterior. No vivo, para substituí-lo, pode-se usar o subnasio, em-
bora o nasoespinhal apareça razoavelmente definido em radiografias (Figs. 2.10
e 2.11).
Subnásio
É o ponto onde a margem inferior do septo nasal encontra a raiz do lábio
superior.
Násio
É o ponto de encontro das suturas internasal e nasofrontal (Figs. 2.10 e 2.11).
Interdentário inferior
É o ponto mediano na ponta do processo alveolar inferior, entre os incisivos
centrais inferiores. Para tomar medidas no vivo, usa-se a ponta da papila inter-
dentária entre os incisivos centrais inferiores (Figs. 2.10 e 2.11).
Gnácio
É o ponto mais inferior da mandíbula na linha média anterior (Figs. 2.10 e 2.11).
PONTOS LATERAIS DO CRÂNIO E DA FACE
Frontotemporal
É o ponto mais anterior da linha temporal, situado aproximadamente na raiz
do processo zigomático do osso frontal (Fig. 2.11).
CAPÍTULO 2 75
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Pório
É o ponto mais externo no teto do meato acústico externo, numa vertical que
passa no meio do meato. Como este ponto não pode ser determinado no vivo,
usa-se o trágio ou o pório cartilagíneo (Fig. 2.11).
Trágio
É o ponto mais anterior na incisura que fica sobre o trágus.
Pório cartilagíneo
É o ponto médio na margem superior da entrada para o meato acústico externo.
Condílios lateral e medial
São os pólos lateral e medial do côndilo mandibular (Fig. 2.11).
Zígio
É o ponto mais lateral do arco zigomático (Fig. 2.11).
Orbitário
É o ponto mais baixo da margem inferior da órbita (Fig. 2.11).
Zigomaxilar
É o ponto mais inferior da sutura zigomaticomaxilar (Fig. 2.11).
Gônio
É o ponto de curvatura máxima do ângulo da mandíbula. Localiza-se este
ponto através da bissetriz do ângulo formado pelas tangentes das margens inferior
e posterior da mandíbula (Fig. 2.11).
ANÁLISE FUNCIONAL DO CRÂNIO E DA FACE
A mandíbula, móvel de encontro ao crânio, tem que ser forte por si própria.
Possui uma espessa camada cortical de osso compacto que é ainda reforçada ao
longo da margem inferior do osso. O terço médio da face está ligado à base do
crânio e é reforçado em certas áreas por fortes pilares, consistindo, em parte, de
osso compacto espessado e em parte de trajetórias de osso esponjoso. Entre estes
pilares, o osso permanece fino e forma as paredes das várias cavidades.
76 Sistema Esquelético
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A mandíbula, devido à forte camada compacta, resiste às forças tendentes a
dobrá-la. Entre as camadas compactas, encontra-se o osso esponjoso formando e
circundando os alvéolos dentários. A pressão mastigatória exercida sobre os den-
tes é transmitida sob a forma de tração, ao osso alveolar (lâmina dura) através das
principais fibras do pericemento. O osso alveolar tende a afundar-se no resto do
osso se o dente está sob pressão: esta tendência é contrabalançada pelo osso
esponjoso em volta do osso alveolar. Estas trabéculas nascem na superfície exter-
na da lâmina dura. Algumas são horizontais e ligam os alvéolos dos dois dentes
adjacentes; outras, são dispostas numa área de forma aproximadamente cônica e
terminam, em parte, nas lâminas compactas alveolares dos dentes adjacentes.
Devido à sua função específica, as trabéculas do osso esponjoso e as lâminas
alveolares compactas são designadas com o nome de osso de suporte dos proces-
sos alveolares.
Trajetória alveolar
Algumas das trabéculas esponjosas que cercam a região apical dos alvéolos
unem-se como uma trajetória que corre para trás, abaixo dos alvéolos e, em se-
guida, diagonalmente para cima e para trás através do ramo para terminar no
côndilo. Desta forma, a pressão mastigatória é transmitida finalmente à base do
crânio, pela articulação temporomandibular (ATM). Esta importantíssima traje-
tória da mandíbula, a trajetória alveolar, faz saliência na superfície medial do
ramo sob a forma de uma crista romba, a crista do colo mandibular contínua à
linha milo-hióidea (Fig. 2.36).
Trajetória basilar
É uma espessa camada de osso compacto, na base da mandíbula formada
pela união das compactas externa e interna (Figs. 2.36 e 2.37).
Trajetórias musculares
São formadas em resposta às forças exercidas pelos músculos da mastigação.
Ocorrem na região do ângulo mandibular (trajetórias massetérica e pterigóidea);
outra começa na ponta do processo coronóide, terminando em forma de leque
inferiormente (trajetória temporal). Entre estas trajetórias, existe uma região da
mandíbula, acima e à frente do ângulo, onde o osso esponjoso não sofre ten-
sões. Nesta região, as trabéculas do osso esponjoso são finas e os espaços
medulares são grandes, fato que também pode ser comprovado nas radiografias
(Figs. 2.36 e 2.37).
Trajetória mental
Quando forças de flexão atuam sobre a mandíbula, a região do mento fica
particularmente ameaçada. Uma projeção forçada da mandíbula, para a frente,
ocasiona uma deformação mensurável, ou seja, uma contração da mandíbula
CAPÍTULO 2 77
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pelo repuxamento para dentro devido aos músculos pterigóideos laterais. Em
resposta a estas forças, a região do mento é reforçada não só pelo osso compacto
da protuberância mental como, também, pelas trajetórias do osso esponjoso. Os
cursos das trabéculas cruzam-se em ângulos retos, correndo da margem inferior
direita do mento, para cima e para a esquerda em direção ao processo alveolar e
vice-versa (Fig. 2.36).
Pilares de resistência
O maciço facial forma mecanicamente uma unidade ancorada à base do crâ-
nio. Distingue-se, de cada lado, três pilares verticais. Todos têm origem no pro-
cesso alveolar, e todos vão à base do crânio. Os três pilares não são retos porque
têm que acompanhar as curvas da cavidade nasal e da órbita. Estas curvas dos
pilares necessitam da presença de ligações horizontais que atuam como susten-
táculos contra o colapso dos pilares.
Pilar canino
Origina-se na região do alvéolo do canino superior e segue, inicialmente, a
margem lateral da abertura piriforme, continuando pelo processo frontal da maxi-
la e, então, liga-se à extremidade medial do arco supra-orbital. Sua parte inferior
interpõe-se entre a cavidade nasal e o seio maxilar e, em corte horizontal, apresen-
ta-se triangular. Nesta região, este pilar consiste normalmente em uma camada
compacta externa e uma densa camada esponjosa no centro (Figs. 2.10 e 2.11).
Pilar zigomático
Começa na região do primeiro molar superior, na curva zigomaticoalveolar
que se continua no osso zigomático. A parte inferior do pilar zigomático, em
forma de V, em corte horizontal, consiste na parede lateral compacta externa,
reforçada, do seio maxilar, mas que muitas vezes contém algum osso esponjoso.
No corpo do osso zigomático dividem-se as linhas de tensão. Um dos cursos é
formado pelo processo frontal do zigomático que se continua com o processo
zigomático do frontal. A segunda divisão é o arco zigomático que está ancorado
na base do crânio, na eminência articular do osso temporal e na crista
supramastóidea (Figs. 2.10 e 2.11).
Pilar pterigóideo
É o processo pterigóide do esfenóide. Sua porção inferior está articulada ao
palatino e este à maxila. Sua extremidade superior está ancorada diretamente na
base do crânio (Fig. 2.11).
Os suportes horizontais de conexão entre os pilares são de grande importân-
cia. Os pilares canino e zigomático são ligados abaixo e acima da entrada da
órbita por duas barras ósseas horizontais, os arcos infra e supra-orbitais. O su-
porte superior parece ser de especial importância, resistindo às forças transmiti-
78 Sistema Esquelético
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das a ele pelos dois pilares. Parece haver justificativa para a opinião de que o
grande desenvolvimento da região supra-orbital, em raças humanas extintas e
primitivas, nada mais é do que uma adaptação a uma pressão mastigatória extre-
mamente forte (Figs. 2.10 e 2.11).
A ligação entre a extremidade posterior do pilar zigomático horizontal e a
extremidade superior do pilar pterigóideo é um simples reforço do osso em fren-
te ao forame oval, ligando o tubérculo articular com a base do processo pterigóide.
O sistema de pilares de um lado é ligado com o sistema do outro lado pelo palato
duro, formando um suporte arqueado entre as bases dos processos alveolares
direito e esquerdo.
Entre os pilares a substância óssea é desnecessária, pois não poderia contri-
buir de forma importante para maior reforço do esqueleto. Onde quer que seja
que o osso perca sua função mecânica, ele é eliminado pela absorção e, neste
caso, a parte esponjosa central do corpo da maxila em crescimento é removida. O
seio maxilar, divertículo da cavidade nasal forrado por uma membrana mucosa e
cheio de ar, estende-se para dentro do corpo do maxilar. Sob o ponto de vista
mecânico, o desenvolvimento do seio maxilar e das outras cavidades pneumáti-
cas do crânio e da face é análogo ao desenvolvimento dos grandes espaços medu-
lares dos ossos longos. Ambos devem sua existência ao fato de que a manutenção
da substância óssea é, em grande parte, dependente de sua função mecânica
(Figs. 2.10 e 2.11).
CAPÍTULO 3 79
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CAPÍTULO
3
Articulações
CONCEITO
São as conexões existentes entre quaisquer partes rígidas componentes do
esqueleto.
CLASSIFICAÇÃO
Fibrosas, cartilagíneas e sinoviais.
ARTICULAÇÕES FIBROSAS
Os ossos de uma articulação fibrosa (algumas vezes chamada de sinartrose)
estão unidos por tecido fibroso. Há três tipos de articulações fibrosas: sutura,
sindesmose e gonfose.
Sutura
Existem três tipos de sutura: plana, serrátil e escamosa.
Sutura plana
Entre os ossos nasais (Fig. 2.10).
80 Articulações
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Sutura serrátil
Interparietal, frontoparietal e occipitoparietal (Fig. 2.8).
Sutura escamosa
Temporoparietal (Fig. 2.11).
Sindesmose
Nesta articulação, o tecido conectivo interposto é consideravelmente maior
do que numa sutura. O exemplo mais típico é a sindesmose tibiofibular.
Gonfose
É a articulação entre um dente e seu alvéolo correspondente.
ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS
Os ossos de uma articulação cartilagínea estão unidos por cartilagem hialina
ou por cartilagem fibrosa.
Articulação de cartilagem hialina
Este tipo de articulação é denominado sincondrose e representa uma união
temporária. A cartilagem funciona como uma zona de crescimento para um ou
para ambos os ossos que ela une. A maioria destas articulações se oblitera, isto é,
é substituída por osso quando cessa o crescimento. Podem-se citar como exem-
plos as lâminas epifisiais dos ossos longos e a sincondrose esfenooccipital.
Articulações fibrocartilagíneas
Este tipo de articulação é denominado sínfise (anfiartrose) e não se oblitera
após cessado o crescimento. Os exemplos mais típicos são: a sínfise púbica e as
articulações entre os corpos das vértebras.
ARTICULAÇÕES SINOVIAIS
O termo sinóvia é usado para o líquido existente nas articulações sinoviais.
Estas são algumas vezes chamadas de diartroses, possuem uma cavidade e são
especializadas para permitir maior ou menor liberdade de movimento. Suas ca-
racterísticas principais são:
As superfícies articulares dos ossos estão cobertas com cartilagem, a qual é
geralmente do tipo hialino. Os ossos estão unidos por uma cápsula articular e
CAPÍTULO 3 81
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por ligamentos. A cápsula articular consiste em sua maior parte de uma camada
fibrosa (o termo cápsula articular é freqüentemente usado com referência espe-
cialmente à camada fibrosa), cuja superfície interna está forrada por um tecido
conectivo vascularizado, a membrana sinovial, que produz o líquido sinovial
(sinóvia), o qual ocupa a cavidade articular e lubrifica a articulação. A cavidade
articular está, algumas vezes, subdividida parcial ou completamente por discos
ou meniscos fibrosos ou fibrocartilagíneos.
Classificação
As articulações sinoviais são classificadas de acordo com o número de su-
perfícies articulares em:
Simples
Quando somente um par de superfícies articulares se faz presente, como
nas articulações das falanges.
Composta
Quando mais de um par de superfícies articulares se fazem presentes. Na
articulação do cotovelo, por exemplo, a cápsula articular abrange três superfícies
articulares, ou seja, do úmero, do rádio e da ulna.
Complexa
Tem sido usado para aquela em que a cavidade articular está parcial ou
completamente subdividida por discos ou meniscos.
De acordo com os eixos de movimentos, esta classificação presume a exis-
tência de três eixos perpendiculares entre si.
UNIAXIAL
Tem apenas um eixo de movimento. Como exemplo, pode-se citar a articu-
lação entre as falanges.
BIAXIAL
Tem dois eixos de movimento. Exemplo: a articulação do punho.
TRIAXIAL
Tem três eixos de movimento. Exemplo: a articulação do ombro.
De acordo com a forma das superfícies articulares, estas formas determinam
o tipo de movimento e são parcialmente responsáveis pela determinação do grau
de movimento.
82 Articulações
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Articulação sinovial plana
As superfícies articulares são, em geral, ligeiramente abauladas. Elas permi-
tem resvalos ou deslizamentos em qualquer direção ou torção de um osso sobre
o outro. Exemplo: as articulações entre os processos articulares das vértebras.
São uniaxiais.
Articulação em dobradiça ou gínglimo
Refere-se mais ao tipo de movimento do que à forma das superfícies articula-
res. É uniaxial e só permite movimento em um único plano. Uma articulação
interfalângica é um bom exemplo.
Articulação em pivô ou trocóide
Este tipo, do qual a articulação radioulnar proximal é um exemplo, é uniaxial
e é responsável pelos movimentos de pronação e supinação do antebraço.
Articulação selar
Uma peça esquelética apresenta concavidade num sentido e convexidade
em outro, e se encaixa numa segunda peça onde convexidade e concavidade
apresentam-se no sentido inverso da primeira. Um exemplo é a articulação
carpometacárpica do polegar. É biaxial, permite flexão, extensão, adução e abdução
e a combinação destes movimentos, que é a circundução. Não permite rotação
isoladamente.
Articulação condilar ou elipsóide
As superfícies articulares têm forma elíptica. É biaxial, só não permite rota-
ção, e um bom exemplo é a articulação temporomandibular (ATM).
Articulação esferóide
As superfícies articulares são: de um lado, um segmento de esfera e do outro
um receptáculo oco. Este tipo de articulação permite movimentos em torno de
três eixos, sendo portanto, triaxial e a articulação do ombro é um exemplo. Exe-
cuta, flexão e extensão, adução e abdução, rotação e circundução.
ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR (ATM)
A articulação temporomandibular é do tipo sinovial condilar. Apresenta duas
superfícies articulares; uma superior, representada pela eminência articular e
fossa mandibular do osso temporal, e outra inferior, representada pelo côndilo
da mandíbula.
CAPÍTULO 3 83
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Superfícies articulares do osso temporal
A eminência articular é transversal, porém ligeiramente oblíqua no sentido
medial e posterior. É convexa da frente para trás e ligeiramente côncava de late-
ral para medial. Continua, anteriormente, com a superfície plana infratemporal
e, posteriormente, com a fossa mandibular. A fossa mandibular está situada pos-
teriormente à eminência articular, anteriormente ao meato acústico externo,
medialmente à raiz longitudinal do arco zigomático e lateralmente à espinha do
esfenóide. Tem a forma elíptica e está dividida pela fissura timpanoescamosa em
duas partes: uma anterior, articular, em continuação com a vertente posterior da
eminência articular; outra posterior, retroarticular, que se confunde com a pare-
de anterior do meato acústico externo (Fig. 2.12).
Superfícies articulares da mandíbula
Os côndilos da mandíbula são duas eminências elípticas, alongadas da por-
ção lateral para medial. Estão inclinados medialmente e sobressaem muito na
face medial do ramo mandibular.
Tem a forma de sela, apresentando uma vertente anterior e outra posterior,
separadas por uma crista paralela ao seu eixo maior. A vertente anterior é conve-
xa; a posterior é aplanada e desce quase verticalmente, estreitando-se em conti-
nuidade com a margem posterior do ramo mandibular (Fig. 2.39).
As superfícies articulares da ATM estão cobertas por fibrocartilagem com
pequenas áreas de cartilagem hialina.
Fig. 3.1 — ATM direita (vista lateral): A — meato acústico externo; B — ligamento estilomandibular; C — processo
coronóide; D — lâmina lateral do processo pterigóide; E — ligamento temporomandibular lateral; F — cápsula articular.
84 Articulações
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Fig. 3.2 — ATM direita (vista medial): A — arco zigomático B — ligamento pterigomandibular; C — sulco milo-
hióideo; D — ligamento estilomandibular; E — ligamento esfenomandibular; F — cápsula articular; G — seio esfenoidal.
Fig. 3.3 — Corte sagital na ATM direita: A — meato acústico externo; B — cápsula articular; C — disco articular;
D — espaço infradiscal; E — músculo pterigóideo lateral; F — espaço supradiscal.
CAPÍTULO 3 85
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Disco articular
É uma lâmina oval de tecido fibrocartilagíneo, cuja circunferência está liga-
da à cápsula articular. Posteriormente, perde-se em fibras elásticas (freio discal
posterior). Anteriormente, por intermédio da cápsula, o disco é ancorado ao ten-
dão do músculo pterigóideo lateral. O disco está firmemente inserido ao redor do
côndilo mandibular, de modo que segue o côndilo nos movimentos de desli-
zamento. A articulação temporomandibular está dividida em dois compartimen-
tos: um superior, entre o osso temporal e o disco (supradiscal), e um inferior,
entre o disco e a mandíbula (infradiscal). A superfície superior do disco é cônca-
vo-convexa; a inferior é côncava. O disco é de espessura variável, podendo en-
contrar-se, muito raramente, uma perfuração, que interligaria os dois comparti-
mentos articulares (Fig. 3.3).
Cápsula articular
Insere-se superiormente no contorno da superfície articular do temporal, ou
seja, adiante, na margem anterior da eminência articular, posteriormente, na fissura
timpanoescamosa, medialmente, na base da espinha do esfenóide e lateralmen-
te, na margem inferior do processo zigomático. Inferiormente, a cápsula insere-
se no contorno do colo do côndilo (Fig. 3.1).
A cápsula articular compõe-se de duas classes de fibras: fibras longas super-
ficiais, que se estendem diretamente do temporal à mandíbula, e fibras curtas,
que vão de cada um destes ossos à periferia do disco.
As fibras curtas formam, na parte posterior da cápsula, um feixe de fibras
elásticas, curto e grosso, entre a fissura timpanoescamosa e a margem posterior
do disco denominado freio discotemporal posterior.
A parte lateral da cápsula é reforçada pelo ligamento lateral que, superior-
mente, se insere na margem lateral da fossa mandibular. Daí, as fibras se dirigem
para baixo e para trás, terminando na face lateral e posterior do colo do côndilo.
A parte medial da cápsula é reforçada pelo ligamento medial; porém, este é
mais delgado e menos resistente que o lateral. Insere-se superiormente na extre-
midade medial da fissura timpanoescamosa, na espinha do esfenóide e, inferior-
mente, na face medial do colo do côndilo.
O ligamento posterior compõe-se de feixes elásticos situados na parte poste-
rior da articulação, que se juntam aos feixes da cápsula. Nascem, superiormente,
na fissura timpanoescamosa e, inferiormente, inserem-se na parte posterior do
disco e na parte posterior do côndilo. Estes feixes, retroarticulares, contribuem
para limitar o trajeto do disco e do côndilo nos movimentos de deslizamento.
Descreve-se ainda a ATM com três ligamentos considerados acessórios, por-
que, na realidade, não desempenham papel no mecanismo articular. São eles:
esfenomandibular, estilomandibular e pterigomandibular.
Ligamento esfenomandibular
É uma cinta fibrosa, de forma retangular, que se estende da base do crânio à
parte média do ramo da mandíbula. Insere-se superiormente na espinha do
86 Articulações
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esfenóide e na porção mais medial da fissura timpanoescamosa, daí, dirige-se
para baixo, indo inserir-se na língula da mandíbula. Representa a porção posterior,
engrossada da aponeurose interpterigóidea (Fig. 3.2).
Ligamento estilomandibular
É uma faixa especializada da lâmina profunda da fáscia cervical superficial,
que se estende desde o processo estilóide até a margem posterior do ramo mandi-
bular (Fig. 3.2).
Ligamento pterigomandibular
Também chamado de tendão bucinatofaríngeo é uma lâmina fibrosa, que se
estende desde o hâmulo pterigóideo à extremidade posterior da margem alveolar
da mandíbula. Esta lâmina deve ser considerada como uma interseção tendínea
entre os músculos bucinador e o constritor superior da faringe (Fig. 3.2).
Sinoviais
Existem na ATM duas sinoviais distintas, correspondentes aos dois compar-
timentos da cavidade articular. Uma superior, supradiscal, e outra inferior,
infradiscal.
Nos casos em que o disco é perfurado, condição extremamente rara, as duas
sinoviais comunicam-se entre si.
Anatomia de relação
Lateralmente, a ATM está em relação com a glândula parótida, os ramos tempo-
rofaciais do nervo facial, a artéria temporal superficial e seu ramo transversa da
face, a veia temporal superficial, atrás da artéria, e o nervo auriculotemporal,
entre o côndilo e o trágus. Mais lateralmente, a tela subcutânea e a pele.
Medialmente, está em relação com o nervo alveolar inferior, nervo lingual,
nervo corda do tímpano, nervo auriculotemporal, com a artéria maxilar e a arté-
ria meníngea média.
Anteriormente, com o músculo pterigóideo lateral e o músculo masseter.
Posteriormente, com o meato acústico externo ósseo e cartilagíneo e glându-
la parótida.
Superiormente, com a parede craniana da fossa mandibular.
Vascularização da ATM
É feita através de ramos da artéria temporal superficial e da artéria maxilar.
Inervação da ATM
Provém do nervo massetérico e auriculotemporal, ramos do nervo mandibular.
CAPÍTULO 4 87
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CAPÍTULO
4
Sistema Muscular
CONCEITO
Músculos são estruturas que têm a capacidade de contração, diminuindo a
distância entre as suas extremidades fixadas, movendo segmentos do corpo.
Além do movimento, os músculos mantêm unidas as peças ósseas determi-
nando a posição e postura do esqueleto. Mesmo quando em repouso, os múscu-
los possuem certo grau de contração reflexa (tono muscular).
DIVISÃO
Os músculos podem ser voluntários e involuntários.
VOLUNTÁRIOS
Histologicamente, apresentam estrias transversais. Por esta razão se denomi-
nam estriados e como, geralmente, originam-se no esqueleto, são chamados de
estriados esqueléticos; e ainda funcionam na dependência da nossa vontade.
INVOLUNTÁRIOS
Histologicamente, suas fibras são lisas (músculo liso) e estão localizadas nas
vísceras; seu controle independe da nossa vontade. O músculo cardíaco asseme-
lha-se aos estriados esqueléticos, mas atua como involuntário.
88 Sistema Muscular
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CONPONENTES ANATÔMICOS DOS MÚSCULOS
ESTRIADOS ESQUELÉTICOS
VENTRE MUSCULAR
Vulgarmente conhecido como carne, é vermelho no vivo e nele predominam
as fibras musculares, sendo, portanto, a parte ativa do músculo, ou seja, a parte
que se contrai, aproximando as suas extremidades.
EXTREMIDADES
Tendões — São cilíndricos ou em forma de fita.
Aponeuroses — São laminares.
Tanto os tendões quanto as aponeuroses são esbranquiçados, brilhantes, muito
resistentes e praticamente inextensíveis, constituídos de tecido conjuntivo den-
so, rico em fibras colágenas; e servem para prender o músculo ao esqueleto, às
cápsulas articulares, a outros músculos, à derme etc.
FÁSCIA MUSCULAR
Para que os músculos possam exercer um trabalho de tração ao se contra-
írem, é necessário que estejam dentro de uma bainha elástica de contenção
(como se fosse um pedaço de carne dentro de um saco plástico), papel execu-
tado pela fáscia muscular, que é uma lâmina de tecido conjuntivo que envol-
ve cada músculo.
ORIGEM MUSCULAR
É o ponto fixo, ou seja, a peça óssea onde o músculo está fixado, não se
desloca no momento de contração muscular.
INSERÇÃO MUSCULAR
É o ponto móvel, ou seja, é a extremidade que se desloca no momento da
contração muscular.
Dependendo de determinadas ações, os músculos podem alterar seus pon-
tos de origem e inserção. Como exemplo, podemos citar os músculos supra-
hióideos (com exceção do estilo-hióideo), que se fixam na mandíbula e no hióide
(ambos são móveis). Quando a mandíbula está fixada pelos músculos da
mastigação, os supra-hióideos, ao se contraírem, vão elevar o osso hióide; logo,
as suas origens são mandibulares e as inserções hióideas. Se, ao contrário, o
hióide está fixado pelos músculos infra-hióideos, os supra-hióideos, ao se con-
traírem, abaixarão a mandíbula; sendo assim, suas origens são hióideas e suas
inserções, mandibulares.
CAPÍTULO 4 89
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CLASSIFICAÇÃO
QUANTO À FORMA
Músculos longos
Nestes predomina o comprimento, como exemplo, podemos citar o músculo
esternocleidomastóideo.
Músculos largos
Nestes o comprimento e a largura se equivalem, exemplo: glúteo máximo.
Músculos fusiformes
A parte média do ventre muscular tem maior diâmetro que as extremidades,
exemplo: bíceps do braço.
Músculos em forma de leque
As fibras convergem para um tendão em uma das suas extremidades, exem-
plo: músculo temporal.
Músculos peniformes
Suas fibras são oblíquas em relação aos tendões, lembram uma pena de ave.
Existem dois tipos: unipenado e bipenado.
Músculo unipenado
Os feixes se prendem numa só margem do tendão, exemplo: músculo extensor
longo dos dedos.
Músculo bipenado
Os feixes se prendem nas duas margens do tendão, exemplo: músculo milo-
hióideo.
QUANTO À ORIGEM
São classificados em bíceps, tríceps e quadríceps, na dependência do nú-
mero de tendões onde eles se originam, duas, três ou quatro cabeças de ori-
gem, respectivamente. Exemplos: músculo esternocleidomastóideo, apresen-
ta duas cabeças de origem, é um músculo bíceps. Tríceps do braço e quadríceps
da coxa.
90 Sistema Muscular
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QUANTO À INSERÇÃO
Os músculos podem inserir-se por mais de um tendão e, nestes casos, podem
ser:
Bicaudado
Quando apresentam dois tendões de inserção, exemplo: músculo estilo-
hióideo, que geralmente cavalga o tendão intermediário do músculo digástrico
para inserir-se no osso hióide por dois tendões.
Policaudado
Quando apresenta três ou mais tendões de inserção, exemplo: flexor longo
dos dedos.
QUANTO AO VENTRE MUSCULAR
Digástrico
Quando apresentam dois ventres musculares com tendão intermediário, exem-
plo: músculo omo-hióideo.
Poligástrico
Quando apresenta mais de dois ventres, exemplo: músculo reto do abdome.
QUANTO À FUNÇÃO
Agonista
É o músculo que executa a ação principal num determinado movimento.
Antagonista
É aquele que se opõe ao agonista.
Sinergista
É o músculo que atua anulando um movimento indesejado que poderia ser
produzido pelo agonista, ou seja, é um coadjuvante do agonista.
Como exemplo destas funções, pode-se citar o seguinte: quando os músculos
supra-hióideos atuam para abaixar a mandíbula, eles são agonistas; mas, para
que isto ocorra, é necessário que os infra-hióideos fixem o hióide, logo, neste
movimento estes são sinergistas, e os da mastigação, que elevam a mandíbula,
são antagonistas dos supra-hióideos.
CAPÍTULO 4 91
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MÚSCULOS DA MÍMICA
Os músculos da mímica apresentam em comum as seguintes característi-
cas: 1 — uma localização muito superficial e uma fixação na cútis sobre a qual
atuam; 2 — grande variedade no grau do seu desenvolvimento, em sua forma e
potência; 3 — todos são inervados pelo nervo facial (VII par craniano).
Para facilitar o estudo, agrupam-se os músculos da mímica em: 1 — múscu-
los do couro cabeludo e pavilhão da orelha; 2 — músculos da órbita; 3 — múscu-
los do nariz; 4 — músculos da boca; 5 — músculo platisma (Figs. 4.1 e 4.2).
Fig. 4.1 — Músculos da mímica (vista lateral): A — ventre frontal do músculo occipitofrontal; B — parte orbital do
orbicular do olho; C — parte palpebral do orbicular do olho; D — prócero; E — levantador do lábio superior e da asa
do nariz; F — parte transversa do músculo nasal (compressor do nariz); G — levantador do lábio superior; H — parte
alar do músculo nasal (dilatador da asa do nariz); I — zigomático menor; J — orbicular da boca; K — zigomático maior;
L — depressor do lábio inferior; M — mental; N — depressor do ângulo da boca; O — platisma; P — risório; Q —
auricular posterior; R — auricular superior; S — ventre occipital do músculo occipitofrontal; T — auricular anterior.
MÚSCULOS DO COURO CABELUDO E PAVILHÃO DA ORELHA
MÚSCULO EPICRÂNIO OU OCCIPITOFRONTAL
Consiste de dois ventres occipitais (occipital) e dois ventres frontais (fron-
tal), unidos pela aponeurose epicrânica ou gálea aponeurótica. O occipital origi-
92 Sistema Muscular
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na-se nos dois terços laterais quer da linha nucal superior, quer da suprema do
osso occipital e da porção mastóidea do osso temporal. Insere-se na gálea
aponeurótica. O frontal origina-se na gálea aponeurótica e se insere na cútis, no
nível da raiz do nariz e ao longo do supercílio.
O occipital, tracionando a aponeurose epicrânica, fornece um ponto de apoio
para o frontal. Os dois músculos frontais elevam os supercílios, exprimindo sur-
presa, e produzem as rugas horizontais na testa, na expressão do medo. Eles são
antagonistas dos músculos orbiculares dos olhos. A ação alternada do occipital e
do frontal move o couro cabeludo para trás e para a frente (Fig. 4.1).
MÚSCULO AURICULAR ANTERIOR
Origina-se na gálea aponeurótica e insere-se na cútis da porção anterior do
pavilhão da orelha (Fig. 4.1).
MÚSCULO AURICULAR SUPERIOR
Origina-se na gálea aponeurótica e se insere na porção superior da cútis do
pavilhão da orelha (Fig. 4.1).
MÚSCULO AURICULAR POSTERIOR
Origina-se na porção mastóidea do osso temporal e se insere na cútis da
porção posterior do pavilhão da orelha. Os músculos auriculares geralmente es-
tão involuídos no homem, porém em algumas pessoas eles estão bem desenvol-
vidos e, neste caso, estas pessoas podem voluntariamente movimentar o pavi-
lhão auricular (abanar as orelhas) (Fig. 4.1).
MÚSCULOS DA ÓRBITA
MÚSCULO ORBICULAR DO OLHO
Consiste de três partes: orbital, palpebral e lacrimal.
Parte orbital
Origina-se na margem medial da órbita (osso frontal e maxila), através do
ligamento palpebral medial. Suas fibras podem formar elipses completas, quiçá
sem interrupção lateral, o que é discutido. As fibras que terminam no supercílio
são, às vezes, denominadas músculo depressor do supercílio.
Parte palpebral
Está contida nas pálpebras. Suas fibras se originam do ligamento palpebral
medial e se dirigem lateralmente em posição ventral à placa tarsal de cada pálpe-
CAPÍTULO 4 93
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bra. Estas fibras formam um tendão comum (ligamento palpebral lateral) que
está fixado no processo frontal do osso zigomático. Um pequeno feixe, junto à
margem de cada pálpebra, é denominado feixe ciliar (Figs. 4.1 e 4.2).
Parte lacrimal
Origina-se da crista lacrimal posterior, passa através do tarso de cada pálpe-
bra e se insere na maioria das vezes na rafe palpebral lateral.
Ações do músculo orbicular do olho
Protege o olho da luz intensa e de lesões. A parte palpebral une as pálpebras,
levemente, como no pestanejar e no sono. O fechamento forçado das pálpebras é
efetuado pela cooperação da parte orbital por meio da qual a cútis da fronte, da
têmpora e da bochecha é tracionada para o ângulo medial das pálpebras. Esta
ação resulta no aparecimento de rugas cutâneas que se irradiam do ângulo lateral
das pálpebras; estas se tornam permanentes em pessoas idosas (pés-de-galinha).
A parte lacrimal comprime os canais lacrimais e o saco lacrimal, facilitando a
saída de lágrima.
Os músculos levantadores da pálpebra superior e o frontal são antagonistas
do orbicular do olho. A paralisia do orbicular do olho resulta na ptose da pálpe-
bra inferior (ectrópio) e derramamento de lágrimas (epífora), como ocorre na
paralisia facial.
MÚSCULO CORRUGADOR DO SUPERCÍLIO
Origina-se na extremidade medial do arco supra-orbital e se insere na cútis su-
perior e lateralmente, perfurando as fibras do orbicular e do frontal. Ele traciona o
supercílio para baixo e medialmente, produzindo rugas verticais entre os supercílios,
como as que aparecem no aborrecimento e na expressão de atenção (Fig. 4.2).
MÚSCULOS DO NARIZ
MÚSCULO PRÓCERO
Origina-se do osso nasal e se insere na cútis entre os supercílios. É antagonis-
ta do frontal, tracionando a cútis entre os supercílios para baixo provocando
dobras horizontais na raiz do nariz e ajudando o corrugador do supercílio na
expressão de sofrimento ou de aborrecimento (Figs. 4.1 e 4.2).
MÚSCULO NASAL
Está subdividido em duas partes: a parte transversa (compressor do nariz) se
origina nas maxilas (eminências caninas) e se expande numa aponeurose, a qual
se continua com a do lado oposto, sobre o nariz e a parte alar (dilatador da asa do
nariz), originando-se da maxila a cada lado e se inserindo na cútis da asa do
nariz (Figs. 4.1 e 4.2).
94 Sistema Muscular
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Fig. 4.2 — Músculos da mímica (vista anterior): A — ventre frontal do músculo occipitofrontal; B — corrugador
do supercílio; C — prócero; D — parte palpebral do orbicular do olho; E — compressor do nariz; F — origem do
levantador do lábio superior; G — ducto parotídeo; H — masseter; I — bucinador; J — levantador do ângulo
da boca; K — orbicular da boca; L — mental; M — depressor do lábio inferior; N — depressor do ângulo da boca;
O — margem inferior da mandíbula; P — risório; Q — zigomático menor; R — zigomático maior; S — dilatador da
asa do nariz; T — levantador do lábio superior e da asa do nariz; U — levantador do lábio superior; V — parte orbital
do orbicular do olho.
DEPRESSOR DO SEPTO
Origina-se na maxila (fossa incisiva) e se insere no septo nasal, cooperando
para alterar a forma das narinas e deprimindo o septo.
MÚSCULOS DA BOCA
LEVANTADOR DO LÁBIO SUPERIOR E DA ASA DO NARIZ
Origina-se no processo frontal da maxila e insere-se na cútis do lábio superior
e da asa do nariz. Eleva o lábio superior e ajuda a dilatar a narina (Figs. 4.1 e 4.2).
LEVANTADOR DO LÁBIO SUPERIOR
Origina-se ligeiramente abaixo da margem inferior da órbita e insere-se na cútis
do lábio superior. Eleva o lábio superior na expressão de desdém (Figs. 4.1 e 4.2).
CAPÍTULO 4 95
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ZIGOMÁTICO MENOR
Origina-se na face lateral do osso zigomático e se insere na cútis do lábio
superior. Auxilia na elevação do lábio superior como na expressão de desdém,
acentua o sulco nasolabial e auxilia o zigomático maior na expressão do sorriso
franco (Figs. 4.1 e 4.2)
ZIGOMÁTICO MAIOR
Origina-se na face lateral do osso zigomático e se insere na cútis do ângulo
da boca. Traciona o ângulo da boca para cima e lateralmente na expressão de
alegria (sorriso franco) (Figs. 4.1 e 4.2).
RISÓRIO
Origina-se na fáscia parotídea e se insere na cútis do ângulo da boca. Retrai
o ângulo da boca lateralmente como no sorriso forçado (sorriso amarelo)
(Figs. 4.1 e 4.2).
LEVANTADOR DO ÂNGULO DA BOCA
Origina-se na fossa canina e se insere na cútis do ângulo da boca. Eleva o
ângulo da boca na expressão de agressividade (Fig. 4.2).
DEPRESSOR DO ÂNGULO DA BOCA
Origina-se na linha oblíqua e se insere na cútis do ângulo da boca. Traciona
o ângulo da boca para baixo e lateralmente, como acontece na expressão de tris-
teza (Figs. 4.1 e 4.2).
DEPRESSOR DO LÁBIO INFERIOR
Origina-se na linha oblíqua, profundamente ao depressor do ângulo da boca,
e se insere na cútis do lábio inferior. Deprime o lábio inferior, auxiliando o
depressor do ângulo na expressão de tristeza (Figs. 4.1 e 4.2).
MÚSCULO DO MENTO
Origina-se na fossa incisiva da mandíbula e se insere na cútis do mento.
Eleva a cútis do mento e protrai o lábio inferior como no choro (beicinho)
(Figs. 4.1 e 4.2).
BUCINADOR
Apresenta três origens: posterior, superior e inferior.
96 Sistema Muscular
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Origem posterior
Ligamento pterigomandibular ou tendão bucinatofaríngeo, que o separa do
músculo constritor superior da faringe.
Origem superior
Face lateral do processo alveolar da maxila no nível de molares.
Origem inferior
Face lateral do processo alveolar da mandíbula no nível de molares.
Inserção
Na cútis do ângulo da boca, do lábio superior e do lábio inferior, entrelaçan-
do suas fibras com as dos músculos aí inseridos (Fig. 4.3).
Fig. 4.3 — Músculos: A — ducto parotídeo; B — bucinador; C — orbicular da boca; D — depressor do lábio inferior;
E — depressor do ângulo da boca; F — ventre anterior do digástrico; G — milo-hióideo; H — estilo-hióideo; I —
hioglosso; J — tendão intermédio do digástrico; K — estiloglosso; L — ligamento estilo-hióideo; M — constritor
superior da faringe; N — ventre posterior do digástrico; O — levantador do véu palatino; P — tensor do véu palatino;
Q — ligamento pterigomandibular ou tendão bucinatofaríngeo.
CAPÍTULO 4 97
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Ações do bucinador
A principal é conservar as bochechas tensas durante a mastigação de modo a
evitar que se dobrem, protegendo-as de serem lesadas pelos dentes. Agem tam-
bém expelindo o ar da boca como no assobio ou sopro de uma corneta.
ORBICULAR DA BOCA
É antagonista de todos os músculos que dilatam a rima bucal, ou seja, ele
fecha a rima bucal. É um esfíncter complicado que contém fibras de outros mús-
culos faciais, bem como fibras próprias dos lábios. As fibras próprias dos lábios
passam obliquamente da cútis para a mucosa e concentricamente ao redor dos
lábios (Fig. 4.2).
Ações do orbicular da boca
Cerra os lábios. Além disso, é capaz de estreitar os lábios, comprimi-los contra
os dentes, protraí-los e enrugá-los (como no beijinho). As várias funções do mús-
culo, em parte, são possíveis pela independência de suas diversas porções, em
parte pela combinação de sua ação com aquela de outros músculos dos lábios.
INCISIVOS SUPERIORES E INFERIORES
O músculo incisivo inferior origina-se na fossa incisiva da mandíbula, e o
músculo incisivo superior na fossa incisiva da maxila. Estes pequenos feixes
passam lateralmente e se entrelaçam com os músculos no ângulo da boca. Os
músculos incisivos tornam plano o vestíbulo bucal e, como o músculo do mento,
podem dificultar as manipulações dentárias na face labial dos dentes anteriores.
MÚSCULO PLATISMA
Origina-se na tela subcutânea e na pele sobre a parte superior dos músculos
deltóide e peitoral maior. Insere-se principalmente sobre a margem inferior da
mandíbula, mas também na pele e músculos em torno da boca. Além disso, suas
fibras mais anteriores podem cruzar o plano mediano entrelaçando-se com as do
lado oposto. Ele eleva e traciona em direção anterior a pele do pescoço e
do ombro, diminuindo a concavidade entre a mandíbula e a parte lateral do
pescoço. Desta maneira, alivia a pressão sobre as veias subjacentes. Além disso,
tem alguma influência na expressão facial porque repuxa o ângulo da boca para
baixo e para o lado (Fig. 4.1).
MÚSCULOS DA LÍNGUA
Os músculos da língua compreendem fibras peculiares a ela, os músculos
intrínsecos, e, também, fibras que se originam em ossos vizinhos, os múscu-
los extrínsecos. Todos os músculos da língua são bilaterais, sendo os de um
lado separados dos do lado oposto por um septo mediano. São inervados pelo
nervo hipoglosso (XII par craniano).
98 Sistema Muscular
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Fig. 4.5 — Língua (corte frontal): A — músculo vertical; B — músculo longitudinal superior; C — ducto submandibular;
D — músculo longitudinal inferior; E — músculo genioglosso; F — glândula sublingual; G — músculo transverso.
Fig. 4.4 — Língua (corte sagital): A — músculo longitudinal superior; B — epiglote; C — osso hióide; D — músculo
gênio-hióideo; E — músculo genioglosso.
MÚSCULOS INTRÍNSECOS
Dividem-se em: lingual ou longitudinal superior, lingual ou longitudinal in-
ferior, transverso ou horizontal e vertical (Figs. 4.4, 4.5 e 4.6).
CAPÍTULO 4 99
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Músculos longitudinais
São fibras anteroposteriores situadas próximas às margens superior e inferior
do músculo estiloglosso. Diminuem o comprimento da língua, aproximando a
ponta da base (Figs. 4.4, 4.5 e 4.6).
Músculos transversos
Originam-se do septo lingual, que é uma lâmina de conjuntivo denso em
forma de foice mergulhada sagitalmente no meio da substância da língua. Diri-
gem-se lateralmente, entrecruzando-se de maneira complexa com as fibras dos
demais músculos da língua. Aproximam as margens laterais da língua, tornando-
a aproximadamente cilíndrica (Fig. 4.5).
Músculos verticais
Suas fibras estão dispostas verticalmente da face superior à inferior. Aproxi-
mam estas faces achatando a língua (Fig. 4.5).
Fig. 4.6 — Língua, faringe e laringe (vista lateral): A — meato acústico externo; B — processo estilóide; C — músculo
estilo-hióideo; D — músculo estilofaríngeo; E — músculo estiloglosso; F — músculo constritor superior da faringe;
G — músculo hioglosso; H — músculo condroglosso; I — músculo constritor médio da faringe; J — músculo constritor
inferior da faringe; K — esôfago; L — músculo palatoglosso; M — músculo longitudinal superior; N — músculo
longitudinal inferior; O — músculo genioglosso; P — músculo gênio-hióideo; Q — músculo tíreo-hióideo; R — liga-
mento cricotireóideo; S — lobo direito da glândula tireóide.
100 Sistema Muscular
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MÚSCULOS EXTRÍNSECOS
A cada lado, são os seguintes: genioglosso, estiloglosso, hioglosso, condro-
glosso e palatoglosso.
Músculo genioglosso
É um músculo em forma de leque, situado verticalmente e em contato,
medialmente, com o seu homônimo. Originam-se nos processos geni superiores
e inserem-se divergindo as suas fibras da ponta à base da língua. Quando agem
em conjunto, protraem a língua e, por intermédio de suas fibras anteriores, abai-
xam a ponta da língua. A origem dos genioglossos na mandíbula evita que a
língua caia para trás e obstrua a respiração. Na ação isolada, ou seja, quando age
o genioglosso direito, a ponta da língua desvia-se para a esquerda e vice-versa
(Figs. 4.4, 4.5 e 4.6).
Músculo estiloglosso
Origina-se no processo estilóide do osso temporal e insere-se na parte lateral
da língua. A ação conjunta dos estiloglossos traciona a língua para trás e para
cima, sendo eles antagonistas dos genioglossos. Na lesão de um estiloglosso, como
por exemplo o da esquerda, a base da língua seria tracionada para trás e para
cima apenas do lado direito (Figs. 4.3 e 4.6).
Músculo hioglosso
É um músculo plano, de forma quadrilátera, parcialmente encoberto pelo
músculo milo-hióideo. Tem sua origem no corno maior do osso hióide, dirige-se
para cima e para adiante para se inserir ao lado e na face inferior da língua. A
ação conjunta dos hioglossos puxam a língua para baixo (Figs. 4.3 e 4.6).
Músculo condrosso
É uma fita variável que se estende do corno menor e do corpo do osso hióide
ao dorso da língua. É tido como uma porção do hioglosso, tendo também a fun-
ção de abaixar a língua (Fig. 4.6).
Músculo palatoglosso
Ocupa a prega palatoglossa (pilar anterior). Origina-se na superfície inferior
da aponeurose palatina e se insere a cada lado da língua. Eleva a base da língua
ou abaixa o palato mole, na dependência do movimento (Fig. 4.6).
MÚSCULOS DO PALATO MOLE OU VÉU PALATINO
Os músculos do palato mole são: palatoglosso, palatofaríngeo, da úvula,
levantador do véu palatino e tensor do véu palatino. São inervados pelo plexo
CAPÍTULO 4 101
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faríngeo (formado pelos nervos glossofaríngeo, vago e acessório), e o tensor rece-
be também inervação do nervo mandibular.
Fig. 4.7 — Músculos do palato mole: A — tensor do véu palatino; B — levantador do véu palatino; C — palatofaríngeo;
D — da úvula; E — papilas valadas; F — forame cego.
MÚSCULO PALATOGLOSSO
Já descrito com os músculos da língua.
MÚSCULO PALATOFARÍNGEO
Ocupa a prega palatofaríngea (pilar posterior). Ele se origina na margem pos-
terior do palato ósseo e na aponeurose palatina, inserindo-se na parede lateral da
faringe a cada lado. Eleva a faringe (Fig. 4.7).
MÚSCULO DA ÚVULA
Origina-se na espinha nasal posterior e na aponeurose palatina e se insere na
mucosa da úvula. Eleva a úvula (Fig. 4.7).
LEVANTADOR DO VÉU PALATINO
Origina-se na face inferior do ápice do rochedo do temporal e se insere na
superfície superior da aponeurose palatina a cada lado. Eleva o véu palatino
(Fig. 4.7).
102 Sistema Muscular
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TENSOR DO VÉU PALATINO
Origina-se na fossa escafóide na raiz da lâmina medial do processo pterigóide.
Desce junto à margem posterior desta lâmina, forma um tendão que contorna o
hâmulo pterigóideo (origem funcional) e se insere na aponeurose palatina. Esta
aponeurose é uma expansão do tendão do tensor e está presa à margem posterior
do palato duro; logo, quando os tensores entram em contração, tornam tensa a
aponeurose palatina (Fig. 4.7).
MÚSCULOS DA FARINGE
A faringe apresenta duas camadas musculares: a externa circular, composta
de três músculos constritores, inferior, médio e superior, e a camada interna, que
consiste dos dois levantadores: o palatofaríngeo (já descrito com os músculos do
palato mole) e o estilofaríngeo. São inervados pelo plexo faríngeo e o estilofaríngeo
é enervado pelo nervo glossofaríngeo.
CONSTRITOR INFERIOR
Origina-se nas porções posteriores das cartilagens cricóide e tiróide. As fi-
bras cricofaríngeas têm direção horizontal e se continuam com as fibras circula-
res do esôfago. Elas atuam como um esfíncter, evitando que o ar penetre no esôfago.
Este esfíncter relaxa durante a deglutição. As fibras tireofaríngeas ascendem obli-
quamente, decusam posteriormente na rafe mediana e sobrepassam o constritor
médio. Elas atuam na propulsão do alimento para baixo (Fig. 4.6).
CONSTRITOR MÉDIO
Origina-se do ângulo entre os cornos maior e menor do osso hióide e do
ligamento estilo-hióideo. Suas fibras divergem em direção posterior e terminam
na rafe mediana. As mais inferiores descem cobertas pelo constritor inferior e as
mais superiores ascendem e sobrepassam o constritor superior. Agem na propul-
são do alimento em direção inferior (Fig. 4.6).
CONSTRITOR SUPERIOR
Origina-se da parte lateral da língua, da linha milo-hióidea, do tendão
pterigomandibular e do hâmulo pterigóideo. As fibras curvam-se em direção
posterior para terminar na rafe mediana e numa aponeurose que se prende ao
tubérculo faríngeo na porção basilar do occipital. Existe uma fenda entre a mar-
gem superior do músculo e a base do crânio e inferiormente está coberto pelo
constritor médio. Agem na propulsão do alimento em direção inferior (Fig. 4.6).
ESTILOFARÍNGEO
Origina-se da face medial do processo estilóide, desce entre os constritores
superior e médio e se expande na parede lateral da faringe. Sua ação eleva a
faringe (Fig. 4.6).
CAPÍTULO 4 103
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MÚSCULOS DO OLHO
São quatro retos (superior, inferior, lateral e medial) e dois oblíquos (superior
e inferior). Estes seis músculos esqueléticos estão inseridos na esclera, que con-
siste de uma rede de fibras colágenas que envolve o olho (o branco dos olhos).
Com exceção do oblíquo inferior, que se origina na porção medial do soalho da
órbita, todos os outros se originam na parte posterior da órbita. São enervados: o
oblíquo superior pelo nervo troclear (IV par craniano), o reto lateral pelo nervo
abducente (VI par) e os restantes pelo nervo oculomotor (III par).
MÚSCULOS RETOS
Os quatro retos originam-se a partir de um anel tendíneo comum, que cir-
cunda o canal óptico e uma parte da fissura orbital superior; daí, seguem para a
frente, próximos às paredes correspondentes da órbita, e se inserem na porção
anterior da esclera.
Os retos lateral e medial localizam-se no mesmo plano horizontal, enquanto
os retos superior e inferior localizam-se no mesmo plano vertical.
MÚSCULOS OBLÍQUOS
O oblíquo superior origina-se no osso esfenóide acima do canal óptico ou
medial a ele. Segue em direção anterior, sobre o reto medial e na porção medial
do teto da órbita; seu tendão passa através da tróclea, que é uma polia localizada
na fóvea troclear e, então, volta-se de modo abrupto lateralmente, em direção
posterior e inferior, e se insere na face póstero-lateral da esclera, coberto pelo
reto superior. A tróclea indica a origem funcional do músculo, e, daí, a sua inser-
ção; o oblíquo superior localiza-se no mesmo plano vertical que o oblíquo inferior.
O oblíquo inferior tem origem na parte anteromedial da órbita, lateralmente ao
canal lacrimonasal. Passa lateralmente e em direção posterior abaixo do reto in-
ferior e se volta em direção superior, coberto pelo reto lateral, indo inserir-se
na face póstero-lateral da esclera (Figs. 4.8 e 4.9).
AÇÕES DOS MÚSCULOS DO OLHO
Partindo da posição primária, que é aquela em que o olhar está voltado em
direção anterior, o reto lateral, ao se contrair, produz a abdução do olho, ou seja,
a pupila se desloca no sentido lateral. Nesta posição, os dois eixos dos retos
superior e inferior coincidem com o eixo anteroposterior do olho. Assim, se hou-
ver contração do reto superior, a pupila se deslocará para cima; e, se houver
contração do reto inferior, ela se deslocará para baixo. Voltando à posição primá-
ria, ao se contrair o reto medial, há a adução do olho, ou seja, a pupila se desloca
para o plano mediano. Ao realizar este movimento, os eixos dos oblíquos coinci-
dem com o eixo anteroposterior do olho. Assim, se se contrair o oblíquo superior,
a pupila se deslocará para baixo, e, se se contrair o oblíquo inferior, a pupila se
deslocará para cima.
104 Sistema Muscular
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Fig. 4.9 — Músculos do olho (vista superior): A — oblíquo superior; B — nervo óptico; C — reto medial; D — reto
superior; E — levantador da pálpebra superior; F — reto lateral.
Fig. 4.8 — Músculos do olho (vista lateral): A — levantador da pálpebra superior; B — reto superior; C — reto
lateral; D — reto inferior; E — oblíquo inferior.
CAPÍTULO 4 105
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Além dos músculos do olho, deve-se descrever na órbita o músculo levantador
da pálpebra superior. Ele se origina na asa menor do esfenóide, acima do canal
óptico, passa em direção anterior, acima do reto superior, e termina numa
aponeurose que se expande em direção inferior, inserindo-se na pele da pálpebra
superior. Ele eleva a pálpebra superior. É enervado pelo nervo oculomotor (III
par craniano) (Fig. 4.8).
MÚSCULOS DO PESCOÇO
MÚSCULO ESTERNOCLEIDOMASTÓIDEO
Estende-se obliquamente no pescoço, desde a articulação esternoclavicular
até o processo mastóideo. Origina-se por duas cabeças: uma no manúbrio esternal
e outra na porção medial da clavícula; daí, suas fibras seguem para cima e para
trás indo inserir-se na porção lateral do processo mastóideo (Fig. 4.10). Quando
os músculos agem em conjunto, inclinam a cabeça para a frente e para baixo
contra uma resistência. Quando um dos músculos se contrai, a cabeça inclina-se
lateralmente em direção a este lado e a face gira para o lado oposto. É enervado
pelo nervo acessório (XI par craniano).
MÚSCULOS INFRA-HIÓIDEOS
São quatro músculos em forma de fita, a cada lado, que prendem o osso
hióide ao esterno, à clavícula e à escápula (omoplata). Estão dispostos em um
plano superficial, compreendendo o esterno-hióideo e o omo-hióideo, e em
um plano profundo, que é representado pelo esternotireóideo e tireo-hióideo.
São inervados pela alça cervical, com exceção do tireo-hióideo, que recebe
um ramo do plexo cervical através do nervo hipoglosso.
Músculo esterno-hióideo
Origina-se no manúbrio esternal e na extremidade medial da clavícula. Daí,
suas fibras sobem verticalmente e se inserem na margem inferior do corpo do
osso hióide (Fig. 4.10). Ação: abaixar o osso hióide.
Músculo omo-hióideo
Consiste de dois ventres unidos por um tendão intermediário. O ventre
inferior se origina na margem superior da escápula; a seguir, passa para a
frente e para cima, coberto pelo esternocleidomastóideo, para terminar no
tendão intermediário. Daí, o ventre superior segue para cima para se inserir
na margem inferior do corpo do osso hióide. O tendão intermediário prende-
se ao manúbrio, a primeira cartilagem costal, e a clavícula por uma fita fascial
da fáscia cervical, formando a sua origem funcional (Fig. 4.10). Ação: abaixa
o osso hióide e provavelmente alivia a pressão nos ápices pulmonares e na
veia jugular interna.
106 Sistema Muscular
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Músculo esternotireóideo
Fica coberto pelo esterno-hióideo. Origina-se no manúbrio, segue para cima
e se insere na cartilagem tireóidea (Fig. 4.10). Ação: abaixa a laringe.
Músculo tireo-hióideo
Pode ser considerado uma continuação superior do esternotireóideo. Origi-
na-se na cartilagem tireóidea e se insere na margem inferior do corno maior do
osso hióide (Fig. 4.10). Ações: eleva a laringe, quando o osso hióide está fixo
pelos músculos supra-hióideos, e abaixa o osso hióide quando a laringe é
tracionada pelo esternotireóideo.
MÚSCULOS SUPRA-HIÓIDEOS
É um grupo de quatro músculos de cada lado, dispostos em três planos. O
plano profundo está constituído pelo gênio-hióideo, enervado por um ramo do
Fig. 4.10 — Músculos do pescoço: A — ventre anterior do digástrico; B — tendão intermédio do digástrico; C —
ventre posterior do digástrico; D — origem funcional do digástrico; E — ventre superior do omo-hióideo; F — tíreo-
hióideo; G — ventre inferior do omo-hióideo; H — origem funcional do omo-hióideo; I — esternotireóideo; J —
glândula tireóide; K — esterno-hióideo; L — esternocleidomastóideo; M — Milo-hióideo.
CAPÍTULO 4 107
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plexo cervical através do nervo hipoglosso; o plano médio, pelo milo-hióideo,
enervado pelo nervo milo-hióideo ramo do nervo mandibular; o plano superfi-
cial, pelo digástrico que recebe inervação do facial para o seu ventre posterior
e do milo-hióideo para o seu ventre anterior e estilo-hióideo, que é enervado
pelo facial.
Fig. 4.12 — A — músculo milo-hióideo.
Fig. 4.11 — Músculos genioglosso, genio-hióideo e milo-hióideo (vista superior): A — genioglossos; B — gênio-
hióideos; C — milo-hióideo.
108 Sistema Muscular
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Músculo gênio-hiódeo
Está situado acima do músculo milo-hióideo. Origina-se nos processos geni
inferiores e se insere na face anterior do osso hióide. Está em contato com o
músculo oposto (Fig. 4.11). Ação: adianta e eleva o osso hióide quando a mandí-
bula está fixada pelos músculos da mastigação ou abaixa a mandíbula quando o
osso hióide está fixado pelos músculos infra-hióideos.
Músculo milo-hióideo
Está localizado acima do ventre anterior do digástrico e abaixo do gênio-
hióideo. Origina-se na linha milo-hióidea. As fibras são dirigidas para o plano
mediano, onde terminam numa rafe tendínea. As fibras posteriores, entretanto,
são inseridas no corpo do hióide (Fig. 4.12). Ação: quando a mandíbula está
fixada pelos músculos da mastigação, ele eleva o osso hióide, tornando mais raso
o soalho da boca, o que eleva a língua forçando-a para trás, como acontece na
deglutição. Quando o osso hióide está fixado pelos músculos infra-hióideos, ele
ajuda a abaixar a mandíbula.
Músculo digástrico
Consiste de dois ventres unidos por um tendão intermediário. O ventre poste-
rior origina-se na incisura mastóidea (digástrica) no osso temporal e se dirige para
a frente e para baixo em direção ao osso hióide. O ventre anterior insere-se na fossa
digástrica na margem inferior da mandíbula, junto à sínfise. Ele é dirigido para trás
e para baixo. O tendão intermediário é ancorado ao osso hióide por fibras da lâmi-
na profunda da fáscia cervical superficial, onde freqüentemente existe uma bolsa
sinovial (origem funcional) (Fig. 4.10). Ação: quando o osso hióide está fixado
pelos músculos infra-hióideos, eles abaixam a mandíbula. Quando a mandíbula
está fixada pelos músculos da mastigação, eles elevam o osso hióide.
Músculo estilo-hióideo
É um músculo delgado, localizado ao longo da margem superior do ventre
posterior do digástrico. Origina-se no processo estilóide e se insere na junção
entre o corpo e o corno maior por dois tendões que cavalgam o tendão intermediá-
rio do digástrico (Fig. 4.3). Ação: traciona o osso hióide para cima e para trás.
MÚSCULOS DA MASTIGAÇÃO
São quatro músculos a cada lado: temporal, masseter, pterigóideo medial e
pterigóideo lateral. Desenvolvem-se do mesoderma do arco mandibular e são
todos enervados pelo nervo mandibular.
MÚSCULO TEMPORAL
É um músculo aplanado em forma de leque, localizado na fossa temporal.
Origina-se na linha curva temporal inferior e em toda a fossa temporal. Suas
CAPÍTULO 4 109
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fibras convergem inferiormente, formando um tendão que se insere no processo
coronóide (Fig. 4.13). Ação: eleva e retrai a mandíbula.
Fig. 4.13 — A — músculo temporal; B — terço inferior do músculo masseter.
MÚSCULO MASSETER
É um músculo quadrilátero, localizado na porção lateral da face, que apre-
senta dois feixes, um superficial e outro profundo.
FEIXE SUPERFICIAL
Origina-se superiormente na margem inferior do arco e do osso zigomático e
se insere inferiormente na área goníaca.
FEIXE PROFUNDO
Origina-se superiormente na face medial do arco e do osso zigomático e se
insere inferiormente na face lateral do ramo da mandíbula. Ação: eleva a mandí-
bula (Fig. 4.14).
110 Sistema Muscular
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Fig. 4.14 — A — músculo temporal; B — feixe superficial do músculo masseter; C — feixe profundo do músculo
masseter; D — cápsula da ATM.
Fig. 4.15 — A — músculo pterigóideo lateral; B — músculo pterigóideo medial; C — tendão do músculo temporal;
D — músculo milo-hióideo (secionado); E — ventre anterior do músculo digástrico (secionado); F — músculo gênio-
hióideo (secionado); G — músculo genioglosso (secionado); H — músculo masseter.
CAPÍTULO 4 111
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MÚSCULO PTERIGÓIDEO MEDIAL
Está situado medialmente ao ramo da mandíbula na fossa infratemporal. Ori-
gina-se súpero-medialmente na fossa pterigóide do osso esfenóide e se insere
ínfero-lateralmente na face medial do ramo mandibular, entrelaçando-se inferi-
ormente com as fibras do masseter (Fig. 4.15). Ações: quando age em conjunto
com seu homônimo, eleva a mandíbula. Quando age isoladamente, além de ele-
var, ajuda no movimento de lateralidade.
MÚSCULO PTERIGÓIDEO LATERAL
É o único que não é elevador da mandíbula. Tem a forma de um cone de
extremidade posterior e ocupa a fossa infratemporal. Origina-se por duas cabe-
ças: a superior, que se prende na face infratemporal da grande asa do esfenóide,
e a inferior, na face lateral da lâmina lateral do processo pterigóide. Suas fibras
convergem para trás e formam um tendão que se insere na fóvea pterigóidea no
colo do côndilo, na cápsula e disco da ATM (Figs. 3.3 e 4.15). Ações: quando age
em conjunto com o seu homônimo, a mandíbula é deslocada para adiante. Quan-
do age o pterigóideo lateral esquerdo, a mandíbula desloca-se para a direita; quando
age o direito, a mandíbula desloca-se para a esquerda.
MOVIMENTOS MANDIBULARES
A mandíbula realiza 11 movimentos agrupados em cinco pares, e um que é
resultante da combinação de todos.
PRIMEIRO PAR DE MOVIMENTOS, DE TRAJETÓRIA INICIAL VERTICAL E DESCENDENTE. SÃO OS
MOVIMENTOS DE ABAIXAMENTO E ELEVAÇÃO
Abaixamento (movimento de ida)
Os dentes acham-se em oclusão cêntrica e os côndilos da mandíbula em
relação cêntrica; o osso hióide é o ponto fixo de origem para os músculos supra-
hióideos, graças à contração dos infra-hióideos; os músculos elevadores da man-
díbula estão inativos. Em tais condições começam a atuar os depressores; a pri-
meira ação é dos gênio-hióideos, aos quais se somam de imediato o milo-hióideo
e os ventres anteriores dos digástricos. Os pontos de inserção mandibular destes
músculos (processos geni, linha milo-hióidea e fossas digástricas) ocupam posi-
ções anteriores e superiores em relação ao osso hióide; é por isso que, quando os
supra-hióideos se contraem, a sínfise mental baixa e retrocede. Paralelamente,
os côndilos estão rodando de acordo com um eixo que parece passar por seus
pólos laterais; funcionam neste momento as articulações infradiscais. Até aqui
tivemos o primeiro tempo do movimento, também chamado de pequena abertura.
O disco se insere nos pólos do côndilo e, quando este roda, produz-se em
suas inserções um efeito de torção que, ao não poder prolongar-se, faz com que
ao estender-se o movimento, côndilo e disco se solidarizem. O segundo tempo do
movimento ou de grande abertura é determinado pela contração simultânea e
112 Sistema Muscular
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com igual intensidade de ambos os pterigóideos laterais. Os pterigóideos late-
rais, ao propulsionarem os côndilos que já estão solidarizados com os discos,
fazem com que estes deslizem sobre as vertentes posteriores das eminências arti-
culares dos temporais, fazendo funcionar as articulações supradiscais.
A sínfise mental segue transladando-se para baixo e para trás. Os côndilos
ficam colocados sob as eminências articulares dos ossos temporais. O movimen-
to termina quando se limitam em sua capacidade os músculos ativos e se soma a
aposição dos elementos ligamentosos da articulação (cápsula, ligamentos lateral
e medial e freio discal posterior), que esgotam sua capacidade de distensão.
A abertura máxima é considerada normal quando a distância entre os incisi-
vos superiores e inferiores chega a aproximadamente 4cm.
Elevação (movimento de volta)
Desaparecida a ação dos músculos depressores, deve a mandíbula efetuar o
movimento inverso ao cumprido durante o abaixamento. Existem também dois
tempos; no primeiro, funcionam as articulações supradiscais. Côndilos e dis-
cos solidários são arrastados para trás pelas fibras horizontais e oblíquas dos
músculos temporais, com a participação de algumas fibras dos masseteres e
pterigóideos mediais, para devolver aos discos as suas posições no fundo das
fossas mandibulares.
No segundo tempo, com um definido trabalho dos masseteres, pterigóideos
mediais e fibras verticais dos temporais, os côndilos rodam sob as faces inferio-
res dos discos para chegar ao restabelecimento da oclusão cêntrica.
SEGUNDO PAR DE MOVIMENTOS, DE TRAJETÓRIA INICIAL HORIZONTAL E ANTERIOR. SÃO OS
MOVIMENTOS DE PROPULSÃO E RETROPULSÃO
Propulsão (movimento de ida)
A mandíbula deve se projetar para adiante, porém a existência dos planos
inclinados incisivo, molar e condiliano a obriga a realizar um prévio movimento
de abaixamento, suficiente para que nenhuma margem incisal ou cúspide supe-
rior possa interferir em seu deslizamento. Para isso devem funcionar os
depressores, especialmente os gênio-hióideos; esta atividade depressora não deve
ser muito intensa e há de ser regulada pelo tono dos músculos elevadores, para
evitar que a mandíbula desça demasiadamente.
Neste primeiro tempo do movimento, há uma leve rotação dos côndilos; para
tanto, os pterigóideos laterais estão atuando sincronicamente e levam os côndilos
para baixo e para adiante; esta fase da excursão é em realidade um abaixamento
propulsado.
O prolongamento do trabalho dos pterigóideos laterais fazem com que os
côndilos arrastem seus respectivos discos. Neste segundo tempo colaboram
os elevadores, mantendo elevada a mandíbula, pois sem eles o movimento seria
de abaixamento e não de propulsão.
CAPÍTULO 4 113
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Retropulsão (movimento de volta)
A mandíbula deve voltar para trás e logo para cima. Os primeiros músculos a
entrarem em ação são os depressores; colaboram com eles os ventres posteriores
dos digástricos, sendo todos regulados pelo tono dos elevadores com o fim de
efetuar só um pequeno movimento de abaixamento. Possibilita-se, de tal forma, a
atividade das fibras horizontais dos temporais, que são retropulsoras, auxiliadas
por fibras oblíquas do mesmo músculo e pelos feixes profundos dos masseteres.
Este trabalho conjunto faz retornar os côndilos e os discos às fossas mandibula-
res. Logo, funcionam os elevadores com mais intensidade, provocando a rotação
dos côndilos, devolvendo a mandíbula à posição de relação cêntrica.
TERCEIRO PAR DE MOVIMENTOS, DE TRAJETÓRIA INICIAL HORIZONTAL E LATERAL. SÃO OS
MOVIMENTOS DE LATERALIDADE CENTRÍFUGA E LATERALIDADE CENTRÍPETA
Lateralidade centrífuga (movimento de ida)
A mandíbula deve transladar de tal maneira que a sínfise mental se desloque
para um dos lados, abandonando o plano sagital. Para que isto ocorra, será preci-
so que a mesma baixe para poder fugir do engrenamento dentário; um dos côndilos,
o do lado oposto ao do sentido do movimento, é tracionado pelo pterigóideo
lateral, dirigindo-se, com o disco, para baixo, adiante e medialmente; o côndilo
do outro lado se move com muito menor excursão para trás e para lateral,
tracionado pelas fibras horizontais do temporal. Atuam também os masseteres e
pterigóideos mediais, mantendo o contato dentário.
Lateralidade centrípeta (movimento de volta)
Desaparecidas as causas que deslocaram lateralmente a mandíbula, o côndilo
propulsado volta à sua localização primitiva pela contração do temporal do mes-
mo lado, sobretudo por suas fibras horizontais, e pela tração que no lado oposto do
corpo mandibular exercem as fibras do milo-hióideo. O côndilo retraído regressa
ajudado pela resiliência dos tecidos retroarticulares. Os elevadores, que durante
todo o movimento mantiveram o contato dentário, restabelecem a oclusão cêntrica.
QUARTO PAR DE MOVIMENTOS, DE TRAJETÓRIA INICIAL VERTICAL E ASCENDENTE. SÃO OS
MOVIMENTOS DE INTRUSÃO E EXTRUSÃO
Intrusão (movimento de ida)
A posição de oclusão cêntrica implica a existência de uma contração dos ele-
vadores. Quando essa contração aumenta, os dentes entram em oclusão forçada e,
no nível da ATM, os côndilos fazem pressão, de baixo para cima, nos discos.
Extrusão (movimento de volta)
A mandíbula faz um leve abaixamento pelo relaxamento dos elevadores, sem
contudo perder o tono, mantendo a mandíbula em oclusão cêntrica e fazendo
desaparecer a compressão que sofriam os discos.
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QUINTO PAR DE MOVIMENTOS, DE TRAJETÓRIA INICIAL HORIZONTAL E POSTERIOR. SÃO OS
MOVIMENTOS DE RETRUSÃO E PROTRUSÃO
Retrusão (movimento de ida)
Conservado o contato dentário pelo tono dos elevadores, a mandíbula é
tracionada pelas fibras horizontais dos temporais, os côndilos se dirigem para
trás, provocando a compressão dos tecidos retroarticulares.
Protrusão (movimento de volta)
É causado pelo relaxamento das fibras horizontais dos temporais e pela
resiliência dos tecidos retroarticulares. Deve se manter a contração dos elevado-
res para conservar o contato dentário.
MOVIMENTO RESULTANTE DA COMBINAÇÃO DE TODOS
Circundução (movimento de ida e volta)
Os cinco pares de movimentos, quando combinados, com maior ou menor
freqüência, com maior ou menor intensidade ou amplitude, têm como resultante
o movimento de circundução, que é o movimento apto para a mastigação do
onívoro.
CAPÍTULO 5 115
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CAPÍTULO
5
Sistema Circulatório
CONCEITO
É um sistema fechado, sem comunicação com o exterior, constituído por tu-
bos no interior dos quais circulam humores.
Os tubos são os vasos e os humores são o sangue e a linfa. Para que estes
humores possam circular através dos vasos há um órgão central, o coração, que
funciona como uma bomba contrátil-propulsora. Sendo um sistema tubular her-
meticamente fechado, as trocas entre o sangue e os tecidos vão ocorrer em exten-
sas redes de vasos de calibre reduzido e de paredes finas, os capilares. Por meio
de permeabilidade seletiva, que se processa através de fenômenos físico-quími-
cos complexos, material nutritivo e oxigênio passam dos capilares para os teci-
dos, e produtos do resíduo metabólico, inclusive CO2, passam dos tecidos para o
interior dos capilares. Certos componentes do sangue e da linfa são células pro-
duzidas pelo organismo nos chamados órgãos hemopoiéticos, os quais são inclu-
ídos no estudo do sistema circulatório.
DIVISÃO
O sistema circulatório está dividido em: sistema sangüíneo, sistema linfático
e órgãos hemopoiéticos.
SISTEMA SANGÜÍNEO
Está representado pelos vasos condutores de sangue (artérias, veias e capila-
res) e o coração, que pode ser considerado um vaso modificado.
116 Sistema Circulatório
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SISTEMA LINFÁTICO
É formado pelos vasos condutores da linfa (capilares linfáticos, vasos linfáti-
cos e troncos linfáticos) e por órgãos linfóides (linfonodos e tonsilas).
ÓRGÃOS HEMOPOIÉTICOS
Representados pela medula óssea e pelos órgãos linfóides (baço e timo).
CORAÇÃO
É um órgão muscular, oco, que funciona como uma bomba contrátil-propul-
sora. O tecido muscular que forma o coração é do tipo especial (tecido muscular
estriado cardíaco) e constitui a sua camada média ou miocárdio. Forrando inter-
namente o miocárdio existe o endotélio, que é contínuo com a camada íntima
dos vasos que chegam ou saem do coração. Esta camada interna recebe o nome
de endocárdio. Externamente ao miocárdio há uma serosa revestindo-o, denomi-
nada epicárdio. A cavidade do coração está subdividida em quatro câmaras (dois
átrios e dois ventrículos), e entre átrios e ventrículos existem orifícios com dis-
positivos orientadores da corrente sangüínea, que são as valvas.
Forma
O coração tem a forma aproximada de um cone truncado, apresentando uma
base, um ápice e faces (esternocostal, diafragmática e pulmonar). A base do cora-
ção não tem uma delimitação nítida, isto porque corresponde a área ocupada
pelas raízes dos grandes vasos da base do coração, isto é, vasos através dos quais
o sangue chega ou sai do coração.
Situação
O coração fica na cavidade torácica, atrás do esterno, acima do músculo dia-
fragma, no espaço compreendido entre os dois sacos pleurais (mediastino). Sua
maior porção encontra-se à esquerda do plano mediano. O coração fica disposto
obliquamente, de tal forma que a base é medial e o ápice é lateral. O maior eixo
do coração, o eixo longitudinal (da base ao ápice), é, pois, oblíquo.
Morfologia interna
Quando as paredes do coração são abertas, verifica-se que a cavidade cardí-
aca apresenta septos subdividindo-a em quatro câmaras. O septo horizontal
(atrioventricular) divide o coração em duas porções, superior e inferior. A porção
superior apresenta um septo vertical (interatrial) que a divide em duas câmaras:
átrio direito e átrio esquerdo. Cada átrio possui um apêndice, que, visto na super-
fície externa do coração, se assemelha a orelha de animal e recebe portanto, o
nome de aurícula.
CAPÍTULO 5 117
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A porção inferior apresenta também um septo vertical (interventricular), que
a divide em duas câmaras: ventrículos direito e esquerdo. O septo atrioventricular
possui dois orifícios, um à direita e outro à esquerda (óstios atrioventriculares
direito e esquerdo), possibilitando assim a comunicação do átrio direito com o
ventrículo direito e do átrio esquerdo com o ventrículo esquerdo.
Os óstios atrioventriculares são providos de dispositivos que permitem a
passagem do sangue somente do átrio para o ventrículo. São as valvas
atrioventriculares. A valva é formada por uma lâmina de tecido conjuntivo den-
so, recoberta em ambas as faces pelo endocárdio. Esta lâmina é descontínua,
apresentando subdivisões incompletas que recebem o nome de válvulas ou
cúspides. A valva atrioventricular direita possui três válvulas e recebe o nome de
valva tricúspide; a valva atrioventricular esquerda apresenta duas válvulas e se
chama valva bicúspide ou mitral. Quando ocorre a sístole, contração ventricular,
a tensão nesta câmara aumenta consideravelmente, o que poderia provocar a
eversão da valva para o átrio e conseqüente refluxo de sangue para esta câmara.
Tal fato não ocorre porque cordas tendíneas prendem a valva a músculos papilares,
os quais são projeções do miocárdio nas paredes internas do ventrículo.
Fig. 5.1 — Aspecto interno dos ventrículos do coração: VE — ventrículo esquerdo; VD — ventrículo direito; A —
artéria aorta; B e B1 — tronco arterial pulmonar; C — válvulas semilunares da valva da aorta; D — óstio da veia cava
inferior; E — cúspide anterior da valva mitral; F — músculos papilares; G — septo interventricular; H — miocárdio
ventricular; I — cordas tendíneas; J — cúspide posterior da valva tricúspide; K — válvulas semilunares da valva do
tronco pulmonar; L — óstio arterial coronário.
118 Sistema Circulatório
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Vasos da base
Vasos através dos quais o sangue chega ou sai do coração, têm suas raízes
situadas na base deste órgão, razão pela qual esta área (base) não tem delimitação
nítida. No átrio direito desembocam a veia cava superior e a veia cava inferior. No
átrio esquerdo desembocam as veias pulmonares, em número de quatro (duas para
cada pulmão). Do ventrículo direito sai o tronco arterial pulmonar (TAP), que, após
um curto trajeto, bifurca-se em artérias pulmonares direita e esquerda para os res-
pectivos pulmões. Do ventrículo esquerdo sai a artéria aorta, que se dirige inicial-
mente para cima e depois para trás e para a esquerda, formando assim o arco aórtico.
No nível dos orifícios de saída do tronco pulmonar e da aorta, respectiva-
mente no ventrículo direito e esquerdo, existe um dispositivo valvar para impe-
dir o retorno do sangue por ocasião do enchimento dos ventrículos (diástole
ventricular): são a valva do tronco pulmonar e a valva aórtica. Cada uma destas
valvas está constituída por três válvulas semilunares, que são lâminas de tecido
conjuntivo forradas de endotélio, em forma de bolso, com fundo voltado para o
ventrículo e a porção aberta voltada para a luz do vaso (Fig. 5.2).
Fig. 5.2 — Vasos da base do coração: A — artéria carótida primitiva esquerda; B — artéria subclávia esquerda; C —
artéria aorta; D — tronco arterial pulmonar; E — artéria pulmonar esquerda; F — veias pulmonares esquerdas; G —
átrio esquerdo; H — valva mitral; I — ventrículo esquerdo; J — septo interventricular; K — ventrículo direito; L — veia
cava inferior; M — valva tricúspide; N — átrio direito; O — veias pulmonares direitas; P — artéria pulmonar direita;
Q — tronco arterial braquicefálico; R — artéria subclávia direita; S — artéria carótida primitiva direita; T — veia cava
superior; setas — sentido da circulação do sangue.
CAPÍTULO 5 119
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Esqueleto cardíaco
Consiste em uma massa contínua de tecido conjuntivo fibroso que circunda
os óstios atrioventriculares e os óstios do tronco pulmonar e da aorta. Nele se
inserem as valvas dos orifícios atrioventriculares e dos orifícios arteriais, além
de camadas musculares (Fig. 5.3).
Pericárdio
É um saco fibrosseroso que envolve o coração, separando-o dos outros órgãos
do mediastino e limitando sua expansão durante a diástole ventricular. Consiste
de uma camada externa fibrosa, o pericárdio fibroso, e de uma camada interna
serosa, o pericárdio seroso. Este último possui uma lâmina parietal, aderente ao
pericárdio fibroso, e uma lâmina visceral, aderente ao miocárdio e também cha-
mada epicárdio. Entre as duas lâminas do pericárdio seroso existe uma cavidade
virtual, a cavidade do pericárdio, ocupada por uma camada líquida de espessura
capilar, que permite o deslizamento de uma lâmina contra a outra durante as
mudanças de volume do coração.
Circulação do sangue
A circulação é a passagem do sangue através do coração e dos vasos. A circu-
lação se faz por meio de duas correntes sangüíneas que partem ao mesmo tempo
do coração. A primeira corrente sai do ventrículo direito através do tronco pul-
Fig. 5.3 — Esqueleto cardíaco: A — tronco pulmonar; B — aorta; C — valva tricúspide; D — valva mitral.
120 Sistema Circulatório
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monar e se dirige aos capilares pulmonares, onde se processa a hematose, ou
seja, a troca de CO2 por O2. O sangue oxigenado resultante é levado pelas veias
pulmonares e lançado no átrio esquerdo, de onde passará para o ventrículo es-
querdo. A outra corrente sangüínea sai do ventrículo esquerdo, pela artéria aorta,
a qual vai se ramificando sucessivamente e chega a todos os tecidos do organis-
mo, onde existem extensas redes de vasos capilares nos quais se processam as
trocas entre o sangue e os tecidos. Após as trocas, o sangue carregado de resíduos
e CO2 retorna ao coração através de numerosas veias, as quais, em última instân-
cia, são tributárias (ou afluentes) de dois grandes troncos venosos, que são as
veias cavas superior e inferior, as quais desembocam no átrio direito, de onde o
sangue passará para o ventrículo direito.
Fig. 5.4 — Sistema de condução do coração: A — nó sinoatrial; B — nó atrioventricular; C — feixe atrioventricular;
D — ramo esquerdo; E — ramo direito.
Sistema de condução
O controle da atividade cardíaca é feito através do vago, que é um
parassimpático craniano (atua inibindo) e do simpático (atua estimulando). Estes
nervos agem sobre uma formação situada na parede do átrio direito, o nó sinoatrial,
considerado como o “marca-passo” do coração. Daí o impulso espalha-se ao
miocárdio, resultando contração. Este impulso chega ao nó atrioventricular, lo-
calizado na porção inferior do septo interatrial, e se propaga aos ventrículos atra-
vés do feixe atrioventricular. Este, no nível da porção superior do septo
CAPÍTULO 5 121
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interventricular, emite os ramos direito e esquerdo e, assim, o estímulo alcança o
miocárdio dos ventrículos. Ao conjunto destas estruturas de tecido especial é
dada a denominação sistema de condução (Fig. 5.4).
TIPOS DE CIRCULAÇÃO
CIRCULAÇÃO PULMONAR OU PEQUENA CIRCULAÇÃO
Tem início no ventrículo direito, de onde o sangue carregado de CO2 é bom-
beado para o tronco arterial pulmonar, a seguir para as artérias pulmonares, che-
gando finalmente à rede capilar dos pulmões. Depois de sofrer a hematose, o
sangue oxigenado retorna ao átrio esquerdo através das veias pulmonares. Em
síntese, é uma circulação coração-pulmões-coração.
CIRCULAÇÃO SISTÊMICA OU GRANDE CIRCULAÇÃO
Tem início no ventrículo esquerdo, de onde o sangue oxigenado é bombea-
do, através da artéria aorta e suas ramificações, para a rede capilar dos tecidos
de todo o organismo. Após as trocas, o sangue com CO2 retorna pelas veias
cavas superior e inferior ao átrio direito. Em resumo, é uma circulação coração-
tecidos-coração.
CIRCULAÇÃO COLATERAL
Normalmente, existem anastomoses (comunicações) entre ramos de artérias
ou de veias entre si. Estas anastomoses são em maior ou menor número, depen-
dendo da região do corpo. Em condições normais, não há muita passagem de
sangue através destas comunicações, mas no caso de haver uma obstrução (par-
cial ou total) de um vaso mais calibroso que participe da rede anastomótica, o
sangue passa a circular ativamente por estas variantes, estabelecendo-se uma
efetiva circulação colateral. É provável que a circulação colateral possa estabele-
cer-se a partir de capilares, pela adição de tecidos às suas paredes, convertendo-
se em artéria ou veia. Pelo exposto, conclui-se que a circulação colateral é um
mecanismo de defesa do organismo, para irrigar ou drenar determinado territó-
rio quando há obstrução de artérias ou veias de relativo calibre.
CIRCULAÇÃO PORTAL
Neste tipo de circulação, uma veia interpõe-se entre duas redes de capilares
sem passar por um órgão intermediário. Como exemplo, podemos citar a circula-
ção portal-hepática, que tem uma rede capilar no intestino, onde há a absorção
dos alimentos, e outra rede de capilares sinusóides no fígado, onde ocorrem com-
plexos processos metabólicos, e entre elas fica a veia porta.
TIPOS DE VASOS SANGÜÍNEOS
Os vasos condutores do sangue são as artérias, as veias e os capilares
sangüíneos.
122 Sistema Circulatório
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ARTÉRIAS
São tubos cilindróides, elásticos, nos quais o sangue circula centrifugamente
em relação ao coração.
Tendo em vista o seu calibre, as artérias podem de um modo simplificado ser
classificadas em artérias de grande, médio, pequeno calibre e arteríolas.
As artérias possuem elasticidade a fim de manter o fluxo sangüíneo constante.
As artérias emitem ramos colaterais e ramos terminais. Os ramos colaterais
saem das artérias em ângulos diversos. O mais freqüente é a artéria originar a
colateral, formando um ângulo agudo de vértice voltado para o coração. Esta
angulação é funcional, pois permite ao sangue circular com facilidade e no mes-
mo sentido da corrente da artéria de origem. O ramo colateral pode formar um
ângulo reto com a artéria tronco e, neste caso, ocorre diminuição na velocidade
de circulação do sangue. Quando o ramo colateral forma com a artéria tronco um
ângulo obtuso, recebe o nome de recorrente, e, neste caso, o sangue circula em
direção oposta àquela da artéria de origem.
As artérias podem ser superficiais e profundas. As superficiais, em geral, são
oriundas de artérias musculares e se destinam à pele, sendo por isso de calibre
pequeno. A maioria das artérias são profundas e isto é funcional, pois nesta situ-
ação as artérias encontram-se protegidas. As artérias profundas são acompanha-
das por uma ou duas veias, tendo esta(s) o mesmo trajeto e em geral o mesmo
nome da artéria que acompanham, sendo chamadas de veias satélites. Quando
seguem juntos artéria, veia e nervo, o conjunto recebe o nome de feixe vasculo-
nervoso.
VEIAS
São tubos nos quais o sangue circula centripetamente em relação ao coração.
A forma das veias é variável de acordo com a quantidade de sangue em seu
interior. Quando cheias, as veias são mais ou menos cilíndricas; quando pouco
cheias ou mesmo vazias, são achatadas. Fortemente distendidas, apresentam-se
nodosas devido à presença de válvulas.
Em relação ao calibre, as veias podem ser de grande, médio, pequeno calibre
e vênulas, estas últimas seguindo-se aos capilares. As veias em geral têm maior
calibre que as artérias correspondentes.
As veias recebem numerosas tributárias ou afluentes, e seu calibre aumenta
à medida que se aproximam do coração.
O número de veias é maior do que o de artérias, não só porque é muito fre-
qüente a existência de duas veias satélites acompanhando uma artéria, como
também pela existência de um sistema de veias superficiais às quais não
correspondem as artérias.
Tendo-se em conta que a velocidade do sangue é menor nas veias que nas
artérias e que as veias devem transportar o mesmo volume de sangue num determi-
nado tempo, compreende-se por que o número de veias é maior que o de artérias.
CAPÍTULO 5 123
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De acordo com sua localização, as veias são classificadas em superficiais e
profundas.
As superficiais são subcutâneas, com freqüência visíveis por transparência
na pele, mais calibrosas nos membros e no pescoço. Estas veias não acompa-
nham as artérias.
As veias profundas podem ser solitárias ou satélites das artérias. Numerosas
veias comunicam veias superficiais com veias profundas e são denominadas veias
comunicantes.
A presença de válvulas é uma das características das veias, embora haja ex-
ceções, pois estão ausentes nas veias do cérebro e em algumas veias do tronco e
do pescoço. As válvulas são pregas membranosas da camada interna da veia em
forma de bolso.
Possuem uma margem aderente à parede da veia e uma margem livre, volta-
da sempre para a direção do coração.
O espaço delimitado pela margem aderente e situado entre a válvula e a
parede da veia chama-se seio da válvula.
Quando o sangue contido na veia é impulsionado, ele empurra a válvula de
encontro à parede da veia, circulando assim livremente em direção ao coração.
Como a progressão da corrente sangüínea venosa não é contínua, cessada a força
que o impulsiona tende o sangue a retornar pela ação da gravidade. Tal fato,
entretanto, não ocorre porque o sangue se insinua no seio da válvula, ocupando-
o integralmente e fazendo com que a margem livre se encoste na parede da veia.
Desta forma, a luz da veia é temporariamente obliterada, até que novo impulso
faça o sangue progredir em direção ao coração. Um dos mais importantes fatores
do retorno do sangue ao coração é a contração muscular, que comprime as veias
e impulsiona o sangue nelas contido.
CAPILARES SANGÜÍNEOS
São vasos microscópios, interpostos entre artérias e veias. Neles se proces-
sam as trocas entre o sangue e os tecidos.
SISTEMA LINFÁTICO
É um sistema formado por vasos e órgãos linfóides e nele circula a linfa,
sendo basicamente um sistema auxiliar da drenagem venosa. Nem todas as mo-
léculas do líquido tecidual passam para os capilares sangüíneos. É o caso de molé-
culas de grande tamanho, que são recolhidas em capilares especiais, os capilares
linfáticos, de onde a linfa segue para os vasos linfáticos, e destes para os tron-
cos linfáticos, os mais volumosos, que, por sua vez, lançam a linfa em veias de
médio ou grande calibre. Os capilares linfáticos são mais calibrosos e mais irregula-
res que os sangüíneos, e terminam em fundo de saco, sendo geralmente encontrados
na maioria das áreas onde estão situados os capilares sangüíneos. Os vasos linfá-
ticos possuem válvulas em forma de bolso, como as das veias, e elas asseguram o
124 Sistema Circulatório
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fluxo da linfa numa só direção, ou seja, para o coração. Como o calibre do vaso é
menor no nível da localização das válvulas, ele se apresenta irregular e lembra as
contas de um rosário. O maior tronco linfático recebe o nome de ducto torácico,
e geralmente desemboca na junção da veia jugular interna com a veia subclávia
do lado esquerdo.
LINFONODOS
São estruturas que estão interpostas no trajeto dos vasos linfáticos e agem como
uma barreira ou filtro contra a penetração na corrente circulatória de microrganis-
mos, toxinas ou substâncias estranhas ao organismo. Os linfonodos são, portanto,
elementos de defesa para o organismo, e, para tanto, produzem glóbulos brancos,
principalmente linfócitos. Freqüentemente estão localizados ao longo do trajeto de
vasos sangüíneos, como ocorre no pescoço e nas cavidades torácica, abdominal e
pélvica. Na axila e na região inguinal são abundantes, sendo em geral palpáveis
nesta última. Como reação a uma inflamação, o linfonodo pode aumentar de volu-
me e tornar-se doloroso, fenômeno conhecido com o nome vulgar de íngua.
BAÇO
É um órgão linfóide, situado no lado esquerdo da cavidade abdominal, junto
ao diafragma, no nível das 9a
, 10a
e 11a
costelas. Apresenta duas faces distintas,
uma relacionada com o diafragma (face diafragmática) e outra voltada para as
vísceras abdominais (face visceral).
TIMO
É um órgão linfóide, formado por massa irregular, situado em parte no tórax
e em parte na porção inferior do pescoço. A porção torácica fica atrás do esterno e
a porção cervical anteriormente e aos lados da traquéia. O timo cresce após o
nascimento até atingir seu maior tamanho na puberdade. A seguir, começa a
regredir, sendo grande parte de sua substância substituída por tecido adiposo e
fibroso, não desaparecendo, entretanto, todo o tecido tímico.
ARTÉRIAS
ARTÉRIA AORTA
Origina-se no ventrículo esquerdo e daí se dirige para cima, curvando-se
para trás e para a esquerda, curvando-se novamente para baixo em direção verti-
cal; atravessa o forame aórtico do diafragma e aborda a cavidade abdominal.
Estas duas curvaturas da aorta formam o que chamamos de cajado da aorta,
de onde saem cinco ramos colaterais. As duas primeiras nascem na porção as-
cendente e são as artérias coronárias anterior e posterior, destinadas a irrigar o
coração. Outros três ramos de maior volume desprendem-se da face superior da
porção horizontal e são o tronco arterial braquicefálico, a artéria carótida primi-
tiva (ou comum) esquerda e a artéria subclávia esquerda (Fig. 5.5).
CAPÍTULO 5 125
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Fig. 5.5 — Artérias: A — temporal superficial; B — artéria maxilar; C — faríngea ascendente; D — auricular
posterior; E — occipital; F — facial; G — lingual; H — tireóidea superior; I — subclávia esquerda; J — aorta; K —
tronco braquicefálico; L — carótidas primitivas; M — vertebrais; N — carótidas externas; O — basilar; P — cerebrais
posteriores; Q — comunicantes posteriores; R — carótidas internas; S — cerebrais médias; T — comunicante anterior;
U — cerebrais anteriores.
TRONCO ARTERIAL BRAQUICEFÁLICO
Dirige-se obliquamente para cima, à direita e ligeiramente para trás, termi-
nando no nível da face posterior da articulação esternoclavicular direita, onde se
bifurca em dois ramos terminais, a artéria subclávia e a artéria carótida primitiva
direitas (Fig. 5.5).
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ARTÉRIAS CARÓTIDAS PRIMITIVAS
Em número de duas, originam-se, à direita, do tronco arterial braquiocefálico,
e, à esquerda, do cajado da aorta, terminando ambas no nível da margem superior
da cartilagem tireóide em dois ramos terminais cada uma, as artérias carótidas
interna e externa direitas e esquerdas (Fig. 5.5).
Cada carótida primitiva apresenta, no nível de sua bifurcação, uma dilata-
ção, o seio carótico, onde estão localizados receptores especializados que, atra-
vés de fibras aferentes do nervo glossofaríngeo, levam informações ao sistema
nervoso central sobre a tensão arterial. Medialmente ao seio carótico, existe um
pequeno corpúsculo, o glomo carótico, recoberto por uma membrana própria e
conectado à artéria por um ligamento fibroso. Apresenta quimiorreceptores para
regulação reflexa do teor de O2 no sangue através de fibras do nervo glossofaríngeo.
ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA
Origina-se na bifurcação da carótida primitiva, estende-se desde a sua ori-
gem até o processo clinóide anterior, onde se divide destinando-se ao encéfalo,
globo ocular e seus anexos.
TRAJETO
Desde sua origem sobe quase verticalmente ao longo da faringe, passa
medialmente ao ventre posterior do músculo digástrico, invade o compartimento
mandibulofaríngeo, passa medialmente e posteriormente à glândula parótida e
penetra no canal carótico, na face inferior do rochedo do temporal. No rochedo,
a artéria dobra-se para a frente, segue até o ápice, desemboca na fossa craniana
média e alcança o sulco carótico no corpo do esfenóide. Neste ponto, está envolta
por um revestimento endotelial do seio cavernoso que aí se localiza. No seio, a
artéria carótida interna passa em direção anterior, lateralmente à sela turca. Ela,
então, sobe e perfura o teto dural do seio entre os processos clinóides anterior e
médio. A parte cerebral da artéria carótida interna volta-se, então, em direção
posterior, no espaço subaracnóideo abaixo do nervo óptico. A inclinação em for-
ma de U, convexa para a frente, é denominada sifão carótico.
RAMOS COLATERAIS DA ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA
I — ARTÉRIA OFTÁLMICA
É o principal vaso da órbita. Origina-se do sifão carótico e passa em direção
anterior através do canal óptico, abaixo do nervo óptico. Na órbita, ela se encon-
tra entre o músculo reto lateral e o nervo óptico. Volta-se, então, medialmente,
com freqüência entre o músculo reto superior e o nervo óptico. Na parede medial
da órbita, ela então se volta em direção anterior entre os músculos oblíquo supe-
rior e o reto medial. Próximo à parte anterior da órbita, divide-se em artéria
supratroclear e dorsal do nariz, seus ramos terminais.
CAPÍTULO 5 127
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Ramos colaterais da artéria oftálmica
Artéria central da retina
Perfura a face ínfero-medial do nervo óptico, segue no seu interior e deste
modo alcança a retina.
Artérias ciliares posteriores longas e curtas
Perfuram a esclera e irrigam o corpo ciliar, a íris e a coróide.
Artéria lacrimal
Segue ao longo da margem superior do músculo reto lateral e irriga a glându-
la lacrimal, a parte lateral da conjuntiva e da pálpebra superior.
Artéria supra-orbital
Passa através do forame ou incisura supra-orbital e irriga a parte intermédia,
da pálpebra superior e a fronte.
Artéria etmoidal posterior
Passa através do canal etmoidal posterior e irriga as células etmoidais poste-
riores.
Artéria etmoidal anterior
Segue pelo canal etmoidal anterior, passa à fossa anterior do crânio, cavida-
de nasal e nariz externo.
Ramos terminais da artéria oftálmica
Artéria supratroclear
Cruza a margem supra-orbital medialmente e irriga a fronte e a parte medial
da pálpebra superior.
Artéria dorsal do nariz
Deixa a órbita acima do ligamento palpebral medial. Irriga a raiz do nariz e o
saco lacrimal e anastomosa-se com a artéria angular (ramo terminal da artéria facial).
II — ARTÉRIA COMUNICANTE POSTERIOR
Origina-se no sifão carótico, sendo um vaso delgado que conecta a carótida
interna com a artéria cerebral posterior ramo da basilar e, desta maneira toma
parte na formação do círculo cerebral arterial (Fig. 5.5).
128 Sistema Circulatório
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III — ARTÉRIA CORIÓIDEA ANTERIOR
Origina-se no sifão carótico e irriga o plexo coróide do ventrículo lateral.
IV — ARTÉRIA CEREBRAL ANTERIOR
Origina-se no sifão carótico, passa medialmente acima do quiasma óptico e
penetra na fissura longitudinal do cérebro. Neste ponto, ela se conecta com a
artéria do lado oposto através da artéria comunicante anterior e, deste modo,
toma parte na formação do círculo cerebral arterial (Fig. 5.5).
Ramo terminal da artéria carótida interna
ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA
É considerada a continuação da carótida interna. Passa lateralmente no sulco
lateral, entre os lobos frontal e temporal do cérebro, e dá origem a numerosos
ramos sobre a superfície da ínsula irrigando a parte média do cérebro (Fig. 5.5).
CÍRCULO CEREBRAL ARTERIAL
É uma anastomose entre as quatro artérias que irrigam o encéfalo: as duas
vertebrais e as duas carótidas internas. Está formado pelas artérias cerebrais pos-
teriores, comunicantes posteriores, carótidas internas, cerebrais anteriores e
comunicante anterior. O círculo forma um meio importante de circulação colateral
na eventualidade de uma obstrução (Fig. 5.55).
ARTÉRIAS VERTEBRAIS
Originam-se das artérias subclávias, apresentam um trajeto cervical, verte-
bral (através das vértebras cervicais) e intracraniano, onde se reúnem para for-
mar a artéria basilar aproximadamente na margem inferior da ponte e termina na
margem superior, dividindo-se em duas artérias cerebrais posteriores que vão
contribuir para formar o círculo cerebral arterial (Fig. 5.5).
ARTÉRIA CARÓTIDA EXTERNA
Origina-se na bifurcação da carótida comum (ou primitiva) e termina no ní-
vel do colo do côndilo mandibular, onde emite seus ramos terminais.
TRAJETO
Segue uma direção oblíqua para cima e para fora, anterior e lateral em rela-
ção à carótida interna. Penetra na glândula parótida e se divide no nível do colo
do côndilo da mandíbula em seus ramos terminais, artéria temporal superficial e
artéria maxilar (Fig. 5.6).
CAPÍTULO 5 129
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Ramos colaterais da artéria carótida externa
I — ARTÉRIA TIREÓIDEA SUPERIOR
Origina-se na face anterior da artéria carótida externa, dirige-se para adiante
e irriga a laringe e a glândula tireóide.
II — ARTÉRIA LINGUAL
Origina-se na face anterior da carótida externa, no nível do corno maior do
osso hióide. Dirige-se para cima, para a frente e medialmente indo até a língua,
onde termina. Na porção retro-hióidea, a artéria lingual se apóia sobre o músculo
constritor médio da faringe, estando coberta pelos músculos digástrico e estilo-
hióideo. Na porção hióidea coloca-se medialmente ao músculo hioglosso, abor-
dando imediatamente a porção lingual, onde se insinua entre os músculos
genioglosso e lingual inferior.
Fig. 5.6 — Artéria carótida externa e seus ramos: A — temporal superficial; B- angular; C — nasal lateral; D — maxilar;
E — labial superior; F — profunda da língua; G — labial inferior; H — facial; I — sublingual; J — submental; K — supra-
hióidea; L — lingual; M — tireóidea superior; N — carótida externa; O — subclávia direita; P — vertebral direita; Q —
carótida primitiva direita; R — carótida interna; S — faríngea ascendente; T — occipital; U — auricular posterior.
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Ramos colaterais da artéria língual
Artéria supra-hióidea
Segue para adiante sobre o osso hióide, irriga os músculos vizinhos e se
anastomosa com a do lado oposto no plano mediano.
Artérias dorsais da língua
Geralmenteduas,nascemnoníveldocornomaiordohióideesobemmedialmente
ao músculo hioglosso e irrigam a base da língua, epiglote e pilar anterior do véu
palatino, fazendo anastomose com as do lado oposto no plano mediano.
Artéria sublingual
Origina-se no nível da margem anterior do músculo hioglosso. Aplica-se
à face profunda do músculo milo-hióideo e dá ramos à glândula sublingual, à
mucosa do soalho da boca e ao músculo milo-hióideo, o qual perfura e se
anastomosa com ramos da artéria submental que é ramo da facial.
Ramo terminal da artéria lingual
Artéria profunda da língua
Apresenta um trajeto sinuoso no interior da musculatura da língua, indo até
a ponta e fazendo anastomose com a do lado oposto no plano mediano (Fig. 5.7).
Fig. 5.7 — Artéria lingual: A — artérias dorsais da língua; B — artéria profunda da língua; C — artéria sublingual;
D — artéria supra-hióidea; E — artéria lingual; F — artéria tireóidea superior; G — artéria carótida primitiva; H —
artéria carótida externa; I — artéria carótida interna; J — artéria facial; K — artéria faríngea ascendente.
CAPÍTULO 5 131
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III — ARTÉRIA FACIAL
Origina-se da parte anterior da carótida externa, algumas vezes junto com a
lingual, outras logo acima dela. A facial sobe profundamente ao digástrico e ao
estilo-hióideo, dobra-se para adiante, para alcançar a parte posterior da glândula
submandibular. Ela se localiza inicialmente na face lateral dos músculos constritor
médio e superior da faringe e, então, na margem posterior da glândula sub-
mandibular, passa para adiante junto à superfície medial, lateral ou no interior
da glândula. Depois ela se volta em torno da margem inferior da mandíbula no
nível do ângulo ântero-inferior do músculo masseter, seguindo em direção supe-
rior e anterior na face, terminando no ângulo medial da órbita através do seu
ramo terminal (artéria angular), que faz anastomose com a artéria dorsal do na-
riz, ramo da oftálmica. Para facilitar o estudo, considera-se a artéria facial com
dois trajetos, um cervical e outro facial (Fig. 5.8).
Fig. 5.8 — Artéria facial: A — artéria angular; B — artéria nasal lateral; C — ramo tonsilar da artéria palatina
ascendente; D — artéria labial superior; E — artéria labial inferior; F — artéria submental; G — artéria submandibular;
H — artéria lingual; I — artéria tireóidea superior; J — tronco braquicefálico arterial; K — artéria subclávia direita;
L — artéria vertebral direita; M — artéria carótida primitiva direita; N — artéria carótida interna; O — artéria
carótida externa; P — artéria tonsilar; Q — artéria palatina ascendente.
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Ramos colaterais cervicais da artéria facial
Artéria palatina ascendente
Origina-se da primeira curvatura da facial, sobe verticalmente na face lateral
do músculo constritor superior da faringe, dobra-se sobre a margem superior
deste músculo, segue para a frente irrigando a faringe e o palato mole. Antes de
atingir a margem superior do músculo constritor superior da faringe, esta artéria
costuma emitir um ramo tonsilar que perfura o músculo e irriga a tonsila palatina
(ou amígdala palatina) (Fig. 5.8).
Artéria tonsilar
Origina-se da facial logo à frente da palatina ascendente, sobe à frente desta,
perfura o constritor superior da faringe e irriga a tonsila palatina (Fig. 5.8).
Artérias submandibulares
Nascem da facial, quando esta passa pela glândula submandibular. Geral-
mente são duas que se distribuem na glândula irrigando-a.
Artéria submental
Origina-se na facial, antes que esta se recurve para cima em direção à face.
Corre por baixo do músculo milo-hióideo, onde recebe uma anastomose da
sublingual, e termina no mento, onde faz anastomoses com as artérias mental,
labial inferior e com a sua homônima do lado oposto. Nas proximidades do ponto
de origem da artéria submental, a facial costuma enviar ramos musculares, aos
músculos pterigóideo medial e ao masseter (Fig. 5.8).
Ramos colaterais faciais da artéria facial
Artéria labial inferior
Origina-se no nível do ângulo da boca ou ligeiramente abaixo do mesmo,
perfura a musculatura do lábio inferior, seguindo entre o orbicular e o plano
glandular próxima à superfície mucosa, irriga o lábio inferior e faz anastomose
com a sua homônima no plano mediano (Fig. 5.8).
Artéria labial superior
Menos calibrosa que a inferior, nasce da facial no ponto onde esta está cober-
ta pelo músculo zigomático maior, perfura a musculatura do lábio superior, se-
gue entre o orbicular e o plano glandular irrigando o lábio superior e faz
anastomose com a do lado oposto no plano mediano (Fig. 5.8).
Artéria nasal lateral
Nasce da facial no nível da asa do nariz e irriga a porção lateral do nariz.
Neste ponto, a artéria facial costuma emitir alguns ramos anastomóticos para a
artéria infra-orbital, ramo da maxilar (Fig. 5.8).
CAPÍTULO 5 133
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Ramo terminal da artéria facial
Artéria angular
É a continuação da facial logo após ela ter dado a nasal lateral. Segue para
cima em direção ao ângulo medial da órbita onde se anastomosa com a dorsal do
nariz, ramo da oftálmica (Fig. 5.8).
IV — ARTÉRIA OCCIPITAL
Origina-se na porção posterior da carótida externa logo acima da facial, se-
gue para trás e para cima, cruza a veia jugular interna, a artéria carótida interna
e o nervo hipoglosso. Profunda ao ventre posterior do digástrico, chega à face
medial do processo mastóideo, sobe e se distribui no couro cabeludo da região
occipital fazendo anastomose com as artérias auricular posterior, temporal su-
perficial e com a occipital do lado oposto (Fig. 5.6).
V — ARTÉRIA AURICULAR POSTERIOR
Nasce da porção posterior da carótida externa, logo acima da occipital, diri-
ge-se para cima e para trás, alcança a margem anterior do processo mastóideo,
onde se dá sua divisão terminal distribuindo-se no pavilhão da orelha e couro
cabeludo adjacente, anastomosando-se com as artérias temporal superficial e
occipital (Fig. 5.6).
VI — ARTÉRIA FARÍNGEA ASCENDENTE
Emerge na face medial da carótida externa no nível da lingual, sobe entre a
faringe e a carótida interna, termina na base do crânio originando a artéria
meníngea posterior. Em seu trajeto, emite colaterais para irrigar a faringe.
Ramos terminais da artéria carótida externa
I — ARTÉRIA TEMPORAL SUPERFICIAL
Origina-se na carótida externa, no nível do colo do côndilo mandibular no
interior da glândula parótida. Sobe verticalmente entre o meato acústico exter-
no e ATM, depois abandona a glândula parótida e cruza o arco zigomático,
onde se faz subcutânea chegando à região temporal, onde se divide em ramos
terminais (Fig. 5.9).
Ramos colaterais da artéria temporal superficial
Artéria transversa da face
Nasce da temporal superficial no nível do colo do côndilo e, depois de um
curto trajeto lateral a ele, avança sobre o masseter, entre o arco zigomático e o
ducto parotídeo, envia ramos ao músculo masseter, à glândula parótida, aos
músculos zigomáticos e termina abaixo do ângulo lateral da órbita, onde se
anastomosa com artérias palpebrais (Fig. 5.9).
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Artérias auriculares
Geralmente duas, nascem na porção posterior da temporal superficial e se
distribuem no pavilhão da orelha (Fig. 5.9).
Artéria articular
Emerge da temporal superficial e se distribui na articulação temporoman-
dibular (Fig. 5.9).
Artéria zigomático-orbital
Nasce da temporal superficial no nível do arco zigomático, segue para adian-
te sobre o arco entre as lâminas da fáscia temporal chegando à margem lateral da
órbita, envia ramos para o músculo orbicular do olho e se anastomosa com ramos
da artéria lacrimal (Fig. 5.9).
Fig. 5.9 — Artéria temporal superficial: A — artéria frontal; B — artéria temporal profunda posterior; C — artéria
zigomaticorbital; D — ramos articulares da temporal superficial para a ATM; E — artéria transversa da face; F —
artéria maxilar; G — artéria facial; H — artéria lingual; I — artéria tireóidea superior; J — artéria carótida primitiva;
K — artéria carótida interna; L — artéria faríngea ascendente; M — artéria occipital; N — artéria auricular posterior;
O — ramos auriculares da temporal superficial; P — artéria parietal.
CAPÍTULO 5 135
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Artéria temporal profunda posterior
Origina-se na temporal superficial, logo acima do arco zigomático, perfura a
fáscia temporal e o músculo temporal, distribuindo-se no terço posterior do múscu-
lo, anastomosando-se com a temporal profunda média, ramo da maxilar (Fig. 5.9).
Ramos terminais da temporal superficial
Acima da origem da temporal profunda posterior, a artéria temporal superfi-
cial emite seus dois ramos terminais, a artéria parietal e a artéria frontal. A arté-
ria parietal continua verticalmente para cima, irrigando o couro cabeludo da
fossa temporal e fazendo anastomose com a sua homônima no plano mediano,
com a auricular posterior e com a occipital. A artéria frontal é bastante tortuosa
e é perfeitamente visível através da pele no seu trajeto para cima e para adiante
chegando à testa, onde faz anastomose com a artéria supra-orbital e ramos do
lado oposto (Fig. 5.9).
Fig. 5.10 — Artéria carótida externa e artéria maxilar: A — faríngea; B — esfenopalatina; C — infra-orbital; D —
temporal profunda anterior; E — alveolar póstero-superior; F — bucal; G — pterigóidea medial; H — pterigóidea
lateral; I — alveolar inferior; J — facial; K — lingual; L — tireóidea superior; M — carótida primitiva; N — carótida
interna; O — faríngea ascendente; P — occipital; Q — auricular posterior; R — timpânica; S — auricular profunda;
T — temporal superficial; U — meníngea média; V — meníngea menor; W — massetérica; X — temporal profunda
média; Y — palatina descendente; Z — do canal pterigóideo.
136 Sistema Circulatório
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II — ARTÉRIA MAXILAR
Nasce da carótida externa na região parotídea, contorna por trás o colo do
côndilo da mandíbula e penetra na fossa infratemporal em íntima relação com a
face medial do colo do côndilo. Alcança o músculo pterigóideo lateral, passando
medial ou lateralmente a ele, e segue até a fossa pterigopalatina onde dá o seu
ramo terminal. Quando ela passa medialmente ao pterigóideo lateral, emerge en-
tre as suas cabeças de origem, para então seguir em direção à região pterigopalatina.
Antes de penetrar na fossa pterigopalatina, a artéria maxilar descreve pro-
nunciada curva de convexidade anterior em contato íntimo com o túber da maxi-
la (Fig. 5.10).
Ramos colaterais ascendentes na fossa infratemporal
ARTÉRIA TIMPÂNICA
Destina-se à mucosa da caixa do tímpano e a alcança através da fissura
petrotimpânica (Fig. 5.10).
ARTÉRIA AURICULAR PROFUNDA
Destina-se à membrana do tímpano (Fig. 5.10).
ARTÉRIA MENÍNGEA MÉDIA
Logo acima da sua origem, atravessa uma abertura entre as fibras do nervo
auriculotemporal e penetra no crânio pelo forame espinhoso, dividindo-se em
dois ramos, anterior e posterior, irrigando a dura-máter. O ramo anterior se dirige
ao ângulo ântero-inferior do parietal, onde ocupa um sulco com múltiplas rami-
ficações, marcadas em sua tábua interna. O ramo posterior se divide na escama
do temporal e parte póstero-inferior do parietal (Fig. 5.10).
ARTÉRIA MENÍNGEA MENOR
Penetra no crânio pelo forame oval, irrigando o gânglio trigeminal e a dura-
máter (Fig. 5.10).
ARTÉRIAS TEMPORAIS PROFUNDAS ANTERIOR E MÉDIA
Irrigam o músculo temporal, abordando-o pela sua face profunda, anasto-
mosando-se entre si e com a artéria temporal profunda posterior, ramo da tempo-
ral superficial (Fig. 5.10).
Ramos colaterais descendentes na fossa infratemporal
ARTÉRIA ALVEOLAR INFERIOR
Nasce nas proximidades do colo do côndilo e segue para baixo e para fora,
alcançando o forame mandibular e penetrando no canal mandibular. Antes da
CAPÍTULO 5 137
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sua entrada no canal mandibular, ela emite ramos pterigóideos e a artéria milo-
hióidea, que segue o sulco milo-hióideo irrigando o músculo milo-hióideo.
No interior do canal mandibular, a artéria alveolar inferior emite os seguin-
tes ramos colaterais: ramos pulpares, um para cada canal radicular dos molares e
pré-molares; ramos ósseos para os alvéolos e periodonto. Alguns destes ramos
perfuram as tábuas ósseas e chegam à mucosa gengival vestibular.
No nível dos pré-molares, a artéria alveolar inferior se bifurca em artéria
mental e incisiva, que são seus ramos terminais.
A artéria mental segue no canal do mesmo nome e desemboca na face, atra-
vés do forame mental, irrigando os tecidos moles (pele e mucosa) das regiões
geniana (terço inferior), mental e labial (lábio inferior).
A artéria incisiva segue no canal incisivo e emite ramos pulpares, ósseos e
gengivais destinados aos grupos dos incisivos e caninos, seus alvéolos e mucosa
gengival vestibular. Termina no plano mediano e faz anastomose com a do lado
oposto (Fig. 5.11).
Fig. 5.11 — Artéria maxilar: A — temporal profunda anterior; B — pterigóidea; C — temporal profunda média; D —
massetérica; E — meníngea menor; F — meníngea média; G — auricular profunda; H — timpânica; I — temporal
superficial; J — maxilar; K — alveolar inferior; L — auricular posterior; M — occipital; N — faríngea ascendente;
O — facial; P — lingual; Q — carótida externa; R — tireóidea superior; S — milo-hióidea; T — alveolar inferior;
U — bucal; V — submental; W — mental; X — alveolar póstero-superior; Y — alveolar médio-superior; Z — alveolar
ântero-superior; 1 — angular; 2 — infra-orbital; 3 — supra-orbital.
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ARTÉRIA MASSETÉRICA
Atravessa a incisura mandibular e irriga o músculo masseter.
ARTÉRIA PTERIGÓIDEA
Irriga o músculo pterigóideo lateral e emite um ramo para o músculo
pterigóideo medial.
ARTÉRIA BUCAL
Dirige-se para baixo e para fora, alcança a face lateral do bucinador, passan-
do pela margem anterior do ramo mandibular e terminando na mucosa vestibu-
lar da mandíbula. Faz anastomose com ramos da facial.
Ramos colaterais anteriores na fossa infratemporal
ARTÉRIA ALVEOLAR PÓSTERO-SUPERIOR
Atravessa o túber da maxila e irriga as polpas dentárias dos molares, ramos
ósseos para os alvéolos, periodonto, ramos gengivais e ramos para a mucosa do
seio maxilar (Fig. 5.11).
ARTÉRIA INFRA-ORBITAL
Segue através do canal infra-orbital e sai pelo forame infra-orbital, irrigando
a pálpebra inferior, asa do nariz e lábio superior. No canal infra-orbital, dá os
seguintes ramos colaterais: alveolar médio-superior, que irriga as polpas dos pré-
molares e às vezes a raiz mesiovestibular do primeiro molar, alvéolos, periodonto
e gengiva vestibular. Alveolar ântero-superior, para os caninos e incisivos, suas
polpas dentárias, alvéolos, periodonto e gengiva vestibular. Emite ainda ramos
para a mucosa do seio maxilar (Fig. 5.11).
Ramos colaterais na fossa pterigopalatina
ARTÉRIA PALATINA DESCENDENTE
Desce pelo sulco pterigopalatino, divide-se em palatina maior e palatinas
menores. As palatinas menores seguem pelos canais palatinos menores, alcan-
çam o palato mole e tonsila; a palatina maior aparece no palato duro pelo forame
palatino maior, segue para a frente terminando próximo ao forame incisivo, onde
dá seu ramo terminal, a artéria incisiva, que penetra no canal incisivo e faz
anastomose com as septais ou nasopalatinas.
ARTÉRIA DO CANAL PTERIGÓIDEO
Segue para trás, intromete-se no canal pterigóideo e irriga a faringe e a tuba
auditiva.
CAPÍTULO 5 139
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ARTÉRIA FARÍNGEA
Pode sair da maxilar ou da artéria do canal pterigóideo, irriga o teto da faringe.
Ramo terminal da artéria maxilar
ARTÉRIA ESFENOPALATINA
Atravessa o forame esfenopalatino, penetra na fossa nasal e se divide em
ramos lateral e medial. O ramo lateral se distribui nas conchas nasais, nos meatos,
seio frontal, células etmoidais e seio maxilar. O ramo medial é a artéria do septo
nasal ou nasopalatina, depois de se ramificar pelo septo e soalho nasal, alcança
o orifício superior do canal incisivo, no interior do qual faz anastomose com o
ramo terminal da artéria palatina maior, artéria incisiva (Fig. 5.10).
VEIAS
O sangue de retorno, rico em CO2, da cabeça e pescoço, é drenado quase
inteiramente pela veia jugular interna que, atrás da articulação esternoclavicular,
une-se com a veia subclávia para formar o tronco braquicefálico. Os dois troncos
braquicefálicos, direito e esquerdo, unem-se para formar a veia cava superior. No
pescoço, mais duas veias superficiais juntam-se à veia jugular interna, que é
profunda. Estas veias superficiais são chamadas de jugulares externa e anterior.
Na raiz do pescoço, elas drenam na jugular interna.
As veias superficiais e profundas estão interligadas por meio de anastomoses,
assim como as veias superficiais entre si.
As veias intracranianas, que drenam o cérebro, e as veias extracranianas es-
tão ligadas por múltiplas anastomoses que permitem o fluir do sangue em ambas
as direções. As anastomoses intra e extracranianas são vias derivativas de segu-
rança. A sua existência evita um aumento da pressão intracraniana que ocorreria
se a veia jugular interna fosse comprimida. Neste caso, o sangue de retorno do
cérebro pode escapar em várias direções através das anastomoses. Porém, estas
comunicações têm um perigo potencial, porque uma infecção que envolva, pri-
meiramente, a veia extracraniana pode propagar-se para a intracraniana e atingir
as meninges e o cérebro. Os seios da dura-máter (membrana mais externa que
envolve o encéfalo) são canais que ficam entre as camadas desta meninge. Estes
canais são forrados por um endotélio comum a todos os vasos sangüíneos. A
rigidez das paredes dos seios previne qualquer modificação na sua luz, tornan-
do-os vias abertas para a propagação de infecções.
SEIOS DA DURA-MÁTER
Seio sagital superior
Começa na região da crista galli, encurva-se súpero-posteriormente, no pla-
no mediano, sob o frontal, parietais e occipital. Recebe as veias cerebrais supe-
riores (Fig. 5.13).
140 Sistema Circulatório
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Seio sagital inferior
Está localizado na margem inferior da foice do cérebro. São suas afluentes
algumas veias do corpo caloso e da foice (Fig. 5.13).
Seio reto
Localiza-se na junção da foice do cérebro com a tenda do cerebelo. Ele rece-
be a veia magna do cérebro e algumas veias cerebelares (Fig. 5.13).
Seios occipitais
Iniciam-se aos lados do forame occipital e, de maneira ascendente, dirigem-
se para o plano mediano, terminando na confluência dos seios no nível da
protuberância occipital interna (Fig. 5.12).
Fig. 5.12 — Seios da dura-máter: A — esfenoparietal; B — plexo basilar; C — bulbo superior da veia jugular interna;
D — sigmóide; E — transverso; F — sagital superior; G — reto; H — occipital; I — petroso superior; J — petroso
inferior; K — cavernoso; L — intercavernoso posterior; M — intercavernoso anterior.
CAPÍTULO 5 141
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Confluência dos seios
É a região onde terminam os seios sagital superior, seio reto e seios occipitais;
daí, o sangue é drenado para os seios transversos direito e esquerdo (Fig. 5.12).
Seios transversos
Dirigem-se quase horizontalmente para cada lado no osso occipital, até o
ângulo póstero-inferior do osso parietal e sobre o temporal, onde começa o seio
sigmóide. Os seios transversos são assimétricos, geralmente há um maior fluxo
sangüíneo no lado direito (Fig. 5.12).
Seios sigmóides
Começam nos seios transversos, têm a forma de S. A convexidade da curva
superior está voltada para adiante, enquanto a inferior está voltada para trás,
terminando este seio no forame jugular e continuando-se com a veia jugular in-
terna, que geralmente é mais calibrosa do lado direito (Figs. 5.12 e 5.13).
Seios cavernosos
Têm este nome porque seu espaço não é uniforme e amplamente aberto, mas
sim subdividido por delicados feixes de trabéculas de tecido conjuntivo em peque-
nos espaços intercomunicantes, semelhantes aos corpos cavernosos do pênis e do
clitóris. Os seios cavernosos estão situados lateralmente ao corpo do esfenóide, aos
lados da sela turca, e através deles passam as artérias carótidas internas (Fig. 5.12).
Seios intercavernosos
Situados adiante e atrás da glândula hipófise, comunicam os seios caverno-
sos direito e esquerdo entre si (Fig. 5.12).
Seios esfenoparietais
Localizados ao longo da margem posterior das pequenas asas do esfenóide.
Dirige-se a cada lado para o ângulo anterolateral do seio cavernoso. No início
deste seio, existe uma comunicação com uma tributária da meníngea média
(Fig. 5.12).
A tributária mais importante do seio cavernoso é a veia oftálmica. Ela se
origina da união de uma veia oftálmica superior, maior, com outra inferior, me-
nor, que drenam o sangue do olho e seus anexos. A veia oftálmica chega ao seio
cavernoso através da fissura orbital superior. Às vezes, as veias oftálmicas supe-
rior e inferior desembocam separadamente no seio cavernoso.
Seios petrosos superior e inferior
O seio petroso superior se origina do ângulo póstero-superior do seio caver-
noso, dirige-se posterior e lateralmente ao longo da margem superior do rochedo
142 Sistema Circulatório
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do temporal e chega ao seio transverso, onde este último se curva para continuar
o seio sigmóide. O petroso inferior é menor, porém mais amplo do que o superior.
Origina-se do ângulo póstero-inferior do seio cavernoso e segue pela fissura petro-
occipital para trás, em direção ao forame jugular, onde desemboca na dilatação
superior da veia jugular interna que aí se inicia (Fig. 5.12).
Fig. 5.13 — Veias: A — temporal superficial; B — seio cavernoso; C — oftálmica superior; D — angular; E — nasal
lateral; F — oftálmica inferior; G — plexo pterigóideo; H — facial profunda; I — labial superior; J — labial inferior;
K — submental; L — alveolar inferior; M — facial; N — maxilar; O — jugular interna; P — jugular externa;
Q — retromandibular; R — auricular posterior; S — occipital; T — seio sigmóide; U — seio petroso inferior; V — seio
petroso superior; W — seio reto; X — seio sagital inferior; Y — seio sagital superior; Z — facial comum.
COMUNICAÇÕES ENTRE VEIAS INTRA E EXTRACRANIANAS
As comunicações entre os seios e as veias extracranianas são importantes
vias derivativas para o sangue do encéfalo, mas são passagens em potencial para
as infecções intracranianas. Estas veias são chamadas emissárias.
Os nervos cranianos e a artéria carótida interna são envolvidos por plexos
venosos nos pontos em que entram ou saem do crânio. Estas veias formam uma
comunicação secundária entre as veias intra e extracranianas.
CAPÍTULO 5 143
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A terceira comunicação é através das veias dos ossos da calvária que se loca-
lizam no díploe, por isso são chamadas diplóicas.
A quarta comunicação, muito importante, é feita pelas veias oftálmicas que
drenam para os seios cavernosos e fazem anastomoses com veias da face, poden-
do ser porta de entrada de infecções oriundas das regiões bucomaxilofaciais.
Veias emissárias
Caracterizam-se por apresentar paredes delgadas firmemente fixadas ao osso
circundante; portanto, não são passíveis de colapso. Encontramos várias veias
emissárias no crânio. Senão, vejamos:
Veia emissária parietal
Ela atravessa o forame parietal e comunica o seio sagital superior com uma
tributária da veia temporal superficial (Fig. 5.13).
Veia emissária mastóidea
Atravessa o forame mastóideo e comunica o seio sigmóide com uma tributá-
ria da veia occipital.
Veia emissária condilar
Quando ela existe, a fossa condilar do occipital se transforma em canal por
onde ela passa e, então, comunica a parte terminal do seio sigmóide com uma
tributária da veia occipital.
Veia emissária occipital
É ímpar e inconstante; perfura o osso occipital junto à protuberância occipital
interna e comunica a confluência dos seios com uma tributária da veia occipital.
Veia emissária esfenoidal
Também inconstante, perfura a grande asa do esfenóide adiante e medialmente
ao forame oval, comunicando o seio cavernoso com o plexo pterigóideo.
Veia jugular interna
Inicia-se no forame jugular e é a principal via de escoamento do sangue do
encéfalo. Neste nível apresenta-se alargada, formando o bulbo superior, situan-
do-se póstero-medialmente à artéria carótida interna. Desce junto com essa arté-
ria e, mais abaixo, com a artéria carótida comum e o nervo vago. Termina atrás do
144 Sistema Circulatório
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terço medial da clavícula, unindo-se com a veia subclávia para formar o tronco
braquicefálico, que se une ao do lado oposto formando a veia cava superior; esta
chega ao átrio direito (Fig. 5.13).
Várias são as tributárias da veia jugular interna. No bulbo superior, abre-se o
seio petroso inferior. Veias da faringe, da língua e da área sublingual drenam
para a parte superior da veia jugular interna. A veia facial comum drena o sangue
das partes superficial e profunda da face. Na parte inferior do pescoço, drenam
as veias da laringe e da glândula tireóide. Na parte terminal da veia jugular inter-
na, lançam-se as veias jugulares externa e anterior. Neste nível, a veia jugular
interna apresenta outra dilatação, o bulbo inferior e sua única válvula.
Tronco tirolingofaringofacial
É constituído pela união das veias tireóidea superior, lingual, faríngea e
facial comum; drenando todas na jugular interna, através do tronco ou inde-
pendentemente.
Veia facial comum
Origina-se abaixo do ângulo da mandíbula, da junção das veias facial e
retromandibular, dirige-se para baixo e para trás lateralmente à glândula
submandibular e atinge a jugular interna no nível do osso hióide. É comum exis-
tir uma anastomose entre a veia facial comum e a veia jugular externa (Fig. 5.13).
Veia facial
Origina-se na junção das veias da fronte com as do nariz. Inicia-se com o
nome de veia angular e recebe a veia frontal, a supra-orbital, as palpebrais e
dorsais do nariz. Neste local, ou seja, no ângulo medial da órbita, a veia angular
está em comunicação com a veia oftálmica superior que se abre no seio caverno-
so, formando uma comunicação entre a veia facial e os seios da dura-máter.
Do ângulo medial da órbita, a veia angular que se continua com a facial
descem, em linha quase reta, em direção à margem inferior da mandíbula no
nível do ângulo ântero-inferior do músculo masseter. A veia facial fica atrás da
artéria facial. A veia facial recebe as veias nasais laterais, as labiais superior e
inferior, e faz anastomoses com as veias infra-orbital e mental.
Uma veia comunicante chamada de facial profunda liga a veia facial ao plexo
pterigóideo. Logo abaixo da mandíbula, a veia facial recebe a veia submental e
veias palatinas, que também drenam o sangue da tonsila (Fig. 5.13).
Veia lingual
Drena o sangue da língua e da região sublingual. A veia sublingual desce
desde a ponta à raiz da língua, em íntima relação com a mucosa ventral através
da qual nota-se sua localização por transparência. Mais abaixo, ela segue o traje-
CAPÍTULO 5 145
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to do nervo hipoglosso passando pela face lateral do músculo hioglosso. Na mar-
gem posterior deste músculo, pode receber um tronco formado pela união da
veia ou veias profundas e dorsais da língua que, unindo-se a ela, formam a veia
lingual que desemboca na jugular interna ou no tronco tirolingofaringofacial.
Veia retromandibular
É formada pela união das veias temporal superficial e maxilar no interior da
glândula parótida, atrás do colo do côndilo mandibular, e desce tangenciando à
margem posterior do ramo mandibular, lateralmente à artéria carótida externa,
passando medialmente ao nervo facial, emergindo no pólo inferior da glândula
parótida, unindo logo adiante com a veia facial formando a veia facial comum
(Fig. 5.13).
Veia temporal superficial
Está localizada atrás da artéria de mesmo nome e recebe como tributárias as
veias satélites dos ramos da artéria temporal superficial (Fig. 5.13).
Veia maxilar
Drena o plexo pterigóideo que envolve a artéria maxilar na fossa infratemporal,
onde as veias profundas da face se lançam (Fig. 5.13).
Veia jugular externa
Origina-se abaixo do lóbulo da orelha pela união das veias auricular posterior
e occipital, que correspondem às artérias do mesmo nome. A veia jugular externa
dirige-se para baixo cruzando, diagonalmente, o músculo esternocleidomastóideo
em direção à sua margem posterior, acima da sua origem clavicular; a veia con-
torna esta margem e se dirige para a profundidade, perfura a lâmina profunda da
fáscia cervical superficial e desemboca na extremidade inferior da veia jugular
interna. Durante o seu trajeto sobre o músculo esternocleidomastóideo, a veia
jugular externa é recoberta somente pelo músculo platisma, tela subcutânea e
pele, sendo, que em muitas pessoas, ela é visível através da pele como uma linha
azul. Próximo à sua drenagem na veia jugular interna, a veia jugular externa
possui um par de válvulas. É comum existir um ramo anastomótico entre a veia
jugular externa e a facial comum.
Veia jugular anterior
Está localizada verticalmente próximo à linha média anterior do pescoço.
Algumas vezes as duas veias, direita e esquerda, fusionam-se e formam a veia
jugular mediana anterior do pescoço. Um pouco acima da articulação esterno-
clavicular, a veia jugular anterior contorna a margem anterior do músculo
146 Sistema Circulatório
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esternocleidomastóideo, perfura a lâmina profunda da fáscia cervical superfici-
al, volta-se lateralmente e se abre na veia jugular interna, ou às vezes na jugular
externa. A veia jugular anterior drena o sangue da pele e da fáscia superficial de
uma estreita parte anterior do pescoço, próximo da linha média anterior.
No espaço supra-esternal, as duas veias jugulares anteriores são unidas, fre-
qüentemente, com uma anastomose horizontal chamada arco jugular. Se as veias
jugulares anteriores forem substituídas pela veia mediana, ela se divide inferior-
mente em dois ramos, que se dirigem lateralmente para atingir as veias jugulares
internas ou externas.
LINFÁTICOS
A linfa de todo o corpo humano é transportada por dois coletores linfáticos
principais: o ducto torácico e o ducto linfático direito, que finalmente terminam
nos ângulos jugulosubclávios do lado correspondente.
Ducto torácico
É um extenso coletor linfático de 25 a 30cm de comprimento, que começa no
nível da segunda ou terceira vértebra lombar por uma dilatação chamada de
cisterna do quilo, que é formada pela junção dos troncos linfáticos intestinal,
lombar e intercostal descendente. Daí o ducto torácico sobe em direção ao tórax,
atravessando o diafragma pelo forame aórtico, percorre o mediastino posterior e
termina formando um arco que desemboca no ângulo jugulosubclávio esquerdo.
Neste ponto, o ducto torácico apresenta uma ou duas válvulas. O ducto está dis-
posto atrás da artéria carótida comum esquerda, do nervo vago e da veia jugular
interna esquerda; ele recolhe a linfa da porção infradiafragmática e metade es-
querda supradiafragmática.
No tórax, o ducto torácico recebe: o tronco subclávio esquerdo, que drena a
linfa do membro superior esquerdo; o tronco jugular esquerdo, que drena a linfa
da metade esquerda da cabeça e pescoço, e o tronco broncomediastinal esquer-
do, que recolhe a circulação linfática do pulmão esquerdo e do coração.
Ducto linfático direito
É um pequeno ducto de 1cm a 2cm de comprimento, formado pela união de
três coletores: tronco subclávio direito, que transporta a linfa proveniente do
membro superior direito; tronco jugular direito, que recolhe a linfa da metade
direita da cabeça e pescoço e tronco broncomediastinal direito que conduz a
linfa procedente do pulmão direito e da metade direita das paredes torácicas.
Quando o ducto linfático direito não existe, esses troncos drenam indepen-
dentes na junção jugulosubclávia direita.
Drenagem linfática da cabeça e do pescoço
Todos os vasos linfáticos da cabeça e pescoço drenam para os linfonodos
cervicais profundos direta ou indiretamente após passarem por um grupo de
linfonodos na junção da cabeça com o pescoço, chamados de círculo ou colar
CAPÍTULO 5 147
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pericervical. Os grupos de linfonodos que formam este círculo são os seguintes:
occipital, retroauricular ou mastóideo, parotídeo, submandibular, bucal ou facial
e submental. Os tecidos superficiais da cabeça e do pescoço drenam para estes
grupos e também para os linfonodos cervicais superficiais. Assim, o couro cabe-
ludo drena para vários linfonodos do colar pericervical; a orelha, para os
linfonodos retroauriculares e parotídeos; as pálpebras e a bochecha, para
os parotídeos e submandibulares; o nariz externo, para os submandibulares; os
lábios, para os submandibulares, exceto a porção média do lábio inferior que
drena aos linfonodos submentais.
Fig. 5.14 — Linfonodos: A — parotídeos; B — bucais ou faciais; C — submentais; D — submandibulares; E —
cervicais superficiais anteriores; F — veia jugular anterior; G — veia jugular interna; H — veia jugular externa; I —
cervicais superficiais laterais; J — jugulodigástrico; K — occipitais; L — auriculares posteriores ou mastóideos; M —
júgulo-omo-hióideo.
Linfonodos cervicais superficiais
Encontram-se no trígono posterior do pescoço, ao longo do trajeto da
veia jugular externa, e no trígono anterior, ao longo da veia jugular anterior
(Fig. 5.14).
148 Sistema Circulatório
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Linfonodos cervicais profundos
O principal grupo forma uma cadeia ao longo da veia jugular interna. Neste
grupo encontramos o linfonodo jugulodigástrico, que está localizado sobre a veia
jugular interna no nível do corno maior do osso hióide, imediatamente abaixo do
ventre posterior do digástrico. Ele recebe numerosos afluentes do terço posterior
da língua e da tonsila palatina. Esse linfonodo apresenta importância muito grande
devido ao fato de se apresentar aumentado de volume nos casos de carcinoma
(câncer) desses órgãos. O linfonodo júgulo-omo-hióideo localiza-se sobre a veia
jugular interna, imediatamente sobre o tendão intermédio do músculo omo-
hióideo. Ele recebe aferentes diretamente da língua e também indiretamente atra-
vés dos linfonodos submentais, submandibulares e cervicais profundos superio-
res (jugulodigástricos) (Fig. 5.14).
Outros grupos de linfonodos que estão localizados profundamente no pesco-
ço incluem os linfonodos pré-laríngeos, pré-traqueais, paratraqueais e retro-
faríngeos. Estes drenam algumas estruturas mais profundas da cabeça e pescoço.
Assim, a orelha média drena para os linfonodos cervicais profundos superiores e
retrofaríngeos; a cavidade nasal e os seios paranasais, para os submandibulares,
retrofaríngeos e cervicais profundos superiores; o palato e tonsila, para os cervicais
profundos superiores; a língua (terço anterior), para os submentais (terço mé-
dio), para os submandibulares (terço posterior), para o jugulodigástrico; a larin-
ge, para os cervicais profundos superiores e inferiores e para os retrofaríngeos; e
a glândula tireóide para o cervical profundo inferior, pré-laríngeos, pré-traqueal
e paratraqueal.
Os vasos eferentes a partir dos linfonodos cervicais profundos formam o tronco
jugular. O tronco do lado esquerdo drena no ducto torácico; o do lado direito
termina na junção das veias jugular interna com a subclávia direitas ou no ducto
linfático direito, quando este vaso está presente.
Círculo ou colar pericervical
Linfonodos occipitais
Localizam-se na região correspondente ao osso occipital e se dispõem em
grupos superficiais, subaponeuróticos e submusculares. Os aferentes que che-
gam a esses linfonodos drenam regiões cutâneas e profundas da porção superior
da nuca e zona posterior do couro cabeludo. Os eferentes terminam nos linfonodos
laterais profundos do pescoço, com predileção para a cadeia do nervo acessório
(Fig. 5.14).
Linfonodos retroauriculares ou mastóideos
Situados atrás do pavilhão da orelha, sobre a mastóide. Seus aferentes pro-
vêm da cútis posterior da orelha e zona parietal do couro cabeludo. Os eferentes
drenam nos parotídeos inferiores, nos cervicais superficiais e nos cervicais pro-
fundos superiores (Fig. 5.14).
CAPÍTULO 5 149
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Linfonodos parotídeos
Localizam-se na região parotídea, classificam-se em superficiais, subaponeu-
róticos e profundos intraglandulares. Os aferentes recolhem a linfa das seguin-
tes regiões: frontal, raiz do nariz, pálpebra superior, metade lateral da pálpebra
inferior, porção anterior do pavilhão da orelha, meato acústico externo e parte
posterior da bochecha. Os eferentes terminam nos cervicais profundos superio-
res (Fig. 5.14).
Linfonodos submandibulares
Estão localizados na região submandibular, agrupam-se ao redor da glândula
submandibular e veia facial em relação com a margem inferior da mandíbula.
Seus aferentes recebem a linfa das regiões: parte lateral do mento, lábio superior,
porção lateral do lábio inferior, bochecha, parte ântero-inferior do nariz, terço
médio da língua, glândula submandibular, parte da sublingual, todos os dentes e
gengiva correspondente, exceto os incisivos inferiores. Os eferentes drenam aos
linfonodos cervicais profundos da cadeia da veia jugular interna (Fig. 5.14).
Linfonodos bucais ou faciais
Estão localizados ao longo da veia facial na face. Seus aferentes drenam as
pálpebras (porção medial), a conjuntiva, parte do nariz e da bochecha. Seus
eferentes vão aos linfonodos submandibulares (Fig. 5.14).
Linfonodos submentais
Estão localizados no trígono submental entre os ventres anteriores dos mús-
culos digástricos, sob o músculo milo-hióideo. Seus aferentes procedem da pon-
ta da língua, da gengiva e dentes incisivos inferiores, da parte média do lábio
inferior, do mento e da porção anterior do soalho da boca. Os eferentes dirigem-
se para os linfonodos submandibulares e também para os cervicais profundos da
cadeia jugular interna (Fig. 5.14).
Sabe-se cientificamente que o sistema linfático possui mecanismos de defesa
e proteção contra invasão de bactérias, toxinas e células cancerosas. O conheci-
mento da disposição regional desse sistema é da máxima importância no diag-
nóstico das infecções e dos tumores malignos. Por isso, o cirurgião-dentista deve
ter um conhecimento profundo da drenagem linfática da boca e regiões vizinhas
para poder interpretar clinicamente os casos de linfoadenopatias.
CAPÍTULO 6 151
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CAPÍTULO
6
Sistema Digestório
CONCEITO
É um sistema constituído de órgãos e anexos responsáveis pela preensão,
mastigação, deglutição, digestão e absorção dos alimentos e a expulsão dos resí-
duos eliminados sob a forma de fezes.
DIVISÃO
Canal alimentar e órgãos anexos.
O canal alimentar inicia-se na cavidade da boca, continuando-se na faringe,
esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, para terminar no reto, que
se abre no meio externo através do ânus. Entre os anexos incluem-se as glândulas
salivares, o fígado e o pâncreas (Fig. 6.1).
BOCA
A boca é a primeira porção do canal alimentar, comunicando-se anteriormente
com o exterior através de uma fenda limitada pelos lábios, a rima da boca, e, poste-
riormente, com a parte bucal da faringe, através de uma região estreitada, o istmo da
fauce (garganta). A cavidade da boca está limitada, lateralmente, pelas bochechas,
superiormente pelo palato e, inferiormente, por músculos que constituem o soalho
da boca. Nesta cavidade fazem saliência a gengiva, os dentes e a língua (Fig. 6.2).
152 Sistema Digestório
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Fig. 6.1 — Sistema digestório: A — faringe; B — cárdia; C — estômago; D — pâncreas; E — colo descendente;
F — intestino delgado; G — colo sigmóide; H — reto; I — apêndice vermiforme; J — ceco; K — colo ascendente;
L — colo transverso; M — duodeno; N — piloro; O — fígado; P — esôtago.
Divisão
Vestíbulo da boca e cavidade própria da boca.
A primeira porção é um espaço limitado por um lado pelos lábios e boche-
chas e por outro pela gengiva e dentes.
CAPÍTULO 6 153
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A segunda porção apresenta:
Palato
É o teto da cavidade da boca e nele reconhecemos o palato duro, anterior,
ósseo, e o palato mole, posterior, muscular. Do palato mole, no plano mediano,
projeta-se uma saliência cônica, a úvula e, lateralmente, duas pregas denomina-
das arco palatoglosso (o mais anterior) e arco palatofaríngeo (o mais posterior),
produzidas por músculos que recebem os mesmos nomes dos arcos. Entre os
arcos há um espaço, a fossa tonsilar, ocupado pela tonsila palatina (amígdala).
Podemos agora definir os limites do istmo da fauce: superiormente, está limitado
pela úvula; lateralmente, pelos arcos palatoglossos e, inferiormente, pelo dorso
da língua (Fig. 6.2).
Língua
É um órgão muscular revestido por mucosa que exerce importantes funções
na mastigação, na deglutição, na gustação e na fala. Sua face superior é denomi-
nada dorso da língua. Neste, na junção dos dois terços anteriores com o terço
posterior, nota-se o sulco terminal que divide a língua em duas porções: corpo,
anterior, e raiz, posterior a ele. A observação da mucosa que reveste o dorso da
Fig. 6.2 — Cavidade da boca: A — frênulo do lábio superior; B — vestíbulo da boca; C — arco palatofaríngeo; D —
arco palatoglosso; E — tonsila palatina; F — palato mole; G — palato duro.
154 Sistema Digestório
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língua permite identificar uma série de projeções, as papilas linguais, que são de
vários tipos; as maiores, facilmente identificáveis, dispõem-se em forma de V,
logo adiante do sulco terminal, e são denominadas papilas valadas. Nestas, como
em outras de tipo diferente (filiformes, cônicas, fungiformes, lentiformes e
folhadas), localizam-se receptores gustativos (Fig. 6.3).
Fig. 6.3 — Língua: A — ápice da língua; B — sulco mediano da língua; C — papilas valadas; D — forame cego da
língua; E — epiglote; F — tubérculo cuneiforme; G — tubérculo corniculado; H — ádito da laringe; I — prega
glossoepiglótica lateral; J — prega glossoepiglótica mediana; K — tonsila palatina; L — papilas foliadas.
Dentes
Os dentes humanos são órgãos complexos, formados, em sua maior parte, de
tecidos duros, mineralizados. Eles possuem como parte central a polpa dentária,
que é um tecido conectivo rico em nervos e vasos sangüíneos. Uma parte do
dente fica exposta na cavidade da boca (coroa), e outra fica contida num compar-
timento do osso alveolar das maxilas e mandíbula, o alvéolo, cuja forma
corresponde à raiz. O dente é articulado ao alvéolo por ligamentos.
CAPÍTULO 6 155
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A parte principal do dente é formada pela dentina, que na coroa é recoberta
pelo esmalte e na raiz é recoberta pelo cemento. Os ligamentos fixam-se no
cemento e no osso alveolar.
No homem há duas dentições (difiodonte): a dentição temporária, com 20
dentes, que começam a irrupcionar a partir dos seis meses de idade. São em cada
hemiarco: incisivo central, incisivo lateral, canino, 1° molar e 2° molar, e termi-
nam a sua irrupção por volta dos dois anos e meio de idade. A dentição perma-
nente, com 32 dentes, começa a irrupcionar aos seis anos de idade. São em cada
hemiarco; incisivo central, incisivo lateral, canino, 1° pré-molar, 2° pré-molar, 1°
molar, 2° molar e 3° molar e terminam a sua irrupção por volta dos 21 anos de
idade (ver estudo detalhado no Capítulo 9).
GLÂNDULAS SALIVARES
São três pares de glândulas principais: parótidas, submandibulares e
sublinguais; e as glandulas salivares acessórias: palatinas, labiais, bucais, lin-
guais e incisivas.
Fig. 6.4 — Glândulas parótida e submandibular: A — ducto parotídeo; B — músculo bucinador; C — músculo
depressor do angulo da boca; D — glândula submandibular; E — ventre posterior do músculo digástrico; F —
músculo masseter; G — glândula parótida.
156 Sistema Digestório
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Glândula parótida
Está localizada na porção lateral da face, à frente da orelha, envolvendo a
margem posterior do ramo mandibular. Seu canal excretor, emerge na sua mar-
gem anterior, segue na superfície lateral do músculo masseter, contorna a mar-
gem anterior deste músculo no sentido medial, atravessa o músculo bucinador e
se abre na mucosa do vestíbulo da boca no nível do 2° molar superior. Marcando
esta abertura, existe uma projeção mucosa chamada papila parotídea (Fig. 6.4).
Fig. 6.5 — Glândulas submandibular e sublingual, vistas pela cavidade bucal: A — ducto submandibular; B —
músculo genioglosso seccionado; C — músculo gênio-hióideo seccionado; D — músculo milo-hióideo; E — glândula
sublingual; F — glândula submandibular.
Glândula submandibular
Localizada na porção posterior e medial do corpo da mandíbula, envolve a
margem posterior do músculo milo-hióideo, emitindo um prolongamento sobre
este músculo. Seu ducto excretor (submandibular) emerge neste prolongamento,
segue para adiante, na região sublingual e se abre no soalho da boca, ao lado do
frênulo da língua (Figs. 6.4 e 6.5).
Glândula sublingual
Localiza-se na face medial e anterior do corpo da mandíbula, acima da linha
milo-hióidea, sobre o músculo milo-hióideo, sob a mucosa do soalho da boca.
Seu conteúdo é drenado através de vários ductos sublinguais menores que se
abrem na mucosa do soalho da boca. Na maioria das vezes, existe um ducto
principal (ducto sublingual maior) que se abre ou no ducto submandibular ou
independente ao lado do frênulo lingual (Fig. 6.5).
CAPÍTULO 6 157
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Glândulas labiais
Estão localizadas na submucosa dos lábios, sendo em maior número, no lá-
bio inferior.
Glândulas bucais
Localizam-se na submucosa da bochecha, sendo as mais posteriores conhe-
cidas como glândulas molares.
Glândulas palatinas
Estãolocalizadasnasubmucosadetodaregiãopalatina(palatoduroepalatomole).
Glândulas linguais
Dois grupos: linguais anteriores, abrem-se na face inferior da língua; linguais
posteriores, abrem-se no dorso da base da língua.
Glândulas incisivas
Estão localizadas no soalho da boca próximas do frênulo lingual, atrás dos
incisivos inferiores. Abrem-se na mucosa do soalho da boca.
FARINGE
É um tubo muscular, subdividido em três porções: nasofaringe, bucofaringe
e laringofaringe. É comum aos sistemas respiratório e digestório (Fig. 6.1).
A boca comunica-se com a faringe através do istmo da fauce (garganta).
A parte laríngea da faringe continua-se inferiormente com o esôfago.
ESÔFAGO
É um tubo muscular, situado atrás da traquéia, que se continua inferiormen-
te com o estômago. Podemos distinguir três porções no esôfago: cervical, torácica
e abdominal. No tórax, o esôfago situa-se ventralmente à coluna vertebral e
dorsalmente à traquéia, estando próximo da aorta. Ele atravessa o músculo dia-
fragma e, quase imediatamente desemboca no estômgago. A luz do esôfago au-
menta durante a passagem do bolo alimentar, o qual é impulsionado por contra-
ções da musculatura de sua parede. Estes movimentos, que são próprios de todo
o restante do canal alimentar, são denominados peristálticos e à capacidade de
realizá-los dá-se o nome de peristaltismo (Fig. 6.1).
ESTÔMAGO
É uma dilatação do canal alimentar que se segue ao esôfago e se continua no
intestino. Está situado logo abaixo do diafragma, com sua maior porção à esquer-
158 Sistema Digestório
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da do plano mediano. Apresenta dois orifícios: um superior, de comunicação
com o esôfago, o óstio cárdico, e outro inferior, o óstio pilórico, que se comunica com
o duodeno. Neste nível ocorre uma condensação de fibras musculares longitudi-
nais e circulares que constituem um mecanismo de abertura e fechamento do
óstio para regular o trânsito do bolo alimentar. Este dispositivo é denominado
piloro. Dispositivo semelhante é também encontrado no nível do óstio cárdico,
sendo responsável pela abertura e fechamento ativos da comunicação esofago-
gástrica.
Divisão do estômago
Parte cárdica, corresponde à junção com o esôfago; fundo gástrico, situado
superiormente a um plano horizontal que tangencia a junção esofagogástrica;
corpo gástrico, corresponde a maior parte do órgão; parte pilórica, porção termi-
nal, em comunicação com o duodeno.
As duas margens do estômago são denominadas curvatura gástrica maior,
localizada à esquerda, e curvatura gástrica menor, localizada à direita (Fig. 6.1).
INTESTINO
O estômago é continuado pelo intestino delgado e este pelo intestino grosso.
INTESTINO DELGADO
Subdivide-se em três segmentos: duodeno, jejuno e íleo. O duodeno
inicia-se no óstio pilórico e termina no nível de brusca angulação, a flexura
duodenojejunal. É um órgão bastante fixo, acoplado à parede posterior do
abdome, e apresenta a forma de um arco aberto para esquerda e superiormen-
te que envolve a cabeça do pâncreas. No duodeno drenam os ductos colédoco,
que traz a bile, e pancreático que traz a secreção pancreática. O jejuno e o íleo
não têm um limite nítido entre eles, por isso, são estudados em conjunto. O
jejuno-íleo constitui a porção móvel do intestino delgado, iniciando-se na
flexura duodenojejunal e terminando no início do intestino grosso, onde se
abre pelo óstio ileocecal no nível da junção ileocecocólica. O jejuno-íleo apre-
senta numerosas alças intestinais e está preso à parede posterior por uma
prega peritoneal ampla, o mesentério.
INTESTINO GROSSO
Constitui a porção terminal do canal alimentar, sendo mais calibroso e mais
curto que o intestino delgado. Apresenta dilatações limitadas por sulcos trans-
versais denominadas haustos; três formações em fita, as tênias, que correspondem
à condensação da musculatura longitudinal; e acúmulos de gordura salientes na
serosa da víscera, os apêndices epiplóicos. O intestino grosso é subdividido nos
seguintes segmentos:
CAPÍTULO 6 159
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Ceco
É o segmento inicial, em fundo cego, que se continua no colo ascendente. O
limite entre eles é dado por um plano horizontal que passa no nível do meio da
papila ileocecocólica, onde se abre o óstio ileocecal. Um prolongamento
cilindróide, o apêndice vermiforme, destaca-se do ceco, no ponto de convergên-
cia das tênias.
Colo ascendente
Segue-se ao ceco e tem direção superior, estando fixado à parede posterior do
abdome. Alcança o fígado e, sob este, flete-se para a esquerda e se continua no
colo transverso. Esta flexão é denominada flexura direita do colo ou flexura he-
pática.
Colo transverso
É bastante móvel, estendendo-se da flexura direita do colo à flexura esquerda
do colo ou esplênica, onde se flete para continuar no colo descendente.
Colo descendente
Está fixado à parede posterior do abdome, inicia-se na flexura esquerda do
colo e termina, após um curto trajeto vertical, no nível de um plano horizontal
que passa pela crista ilíaca. Inicia-se aí o colo sigmóide.
Colo sigmóide
É a continuação do colo descendente e tem um trajeto sinuoso, dirigindo-se
para o plano mediano da pelve, onde é continuado pelo reto.
Reto
Continua o colo sigmóide e sua parte final, estreitada, denominada canal
anal, atravessa o períneo e se abre no exterior através do ânus (Fig. 6.1).
ANEXOS DO CANAL ALIMENTAR
As glândulas salivares (já descritas), o fígado e o pâncreas.
Fígado
É o mais volumoso órgão do organismo, localizando-se imediatamente
abaixo do diafragma e à direita, embora uma pequena parte invada o lado
160 Sistema Digestório
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esquerdo. Desempenha importante papel nas atividades vitais, seja interfe-
rindo no metabolismo, seja secretando a bile e participando do mecanismo
de defesa.
A bile produzida no fígado é drenada por pequenos dúctulos bilíferos, os
quais, após confluências sucessivas, terminam por formar os ductos hepáticos
direito e esquerdo, que se unem e formam o ducto hepático comum. O ducto
hepático comum une-se ao ducto cístico, que drena a vesícula biliar, formando-se,
assim, o ducto colédoco, que se abre no duodeno, quase sempre junto com o
ducto pancreático numa estrutura denominada ampola hepatopancreática. A
bile não flui diretamente do fígado para o duodeno. Isto é possível porque na
saída do colédoco há um dispositivo muscular que controla a abertura e o fe-
chamento deste ducto. Quando fechado, a bile reflui para a vesícula biliar,
onde é armazenada e concentrada. A contração da vesícula, eliminando o seu
conteúdo no colédoco através do ducto cístico, coincide com a abertura do
colédoco no duodeno (Fig. 6.6).
Fig. 6.6 — Fígado, vias biliares, duodeno e pâncreas: A — ducto hepático direito; B — ducto hepático esquerdo;
C — ducto hepático comum; D — pâncreas; E — ducto pancreático; F — ampola hepatopancreática; G — vista
interna do duodeno; H — ducto colédoco; I — ducto cístico; J — vesícula biliar; K — fígado.
CAPÍTULO 6 161
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Pâncreas
Situa-se posteriormente ao estômago, estando fixado à parede posterior do
abdome. Divide-se em cabeça, encaixada no duodeno, corpo disposto horizon-
talmente e cauda, extremidade esquerda, afilada, situada próxima ao baço. O
pâncreas é uma glândula exócrina e endócrina. A secreção endócrina é a insuli-
na, e a exócrina é o suco pancreático. Este suco é recolhido por pequenos ductos
que confluem, quase sempre em dois: o ducto pancreático principal e o acessó-
rio. O ducto principal quase sempre junta-se ao colédoco e desemboca no duodeno
por um óstio comum, a ampola hepatopancreática. O acessório geralmente de-
semboca separadamente no duodeno (Fig. 6.6).
CAPÍTULO 7 163
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CAPÍTULO
7
Sistema Respiratório
CONCEITO
É um sistema que absorve oxigênio e elimina gás carbônico resultante de
oxidações celulares.
DIVISÃO
PORÇÃO DE CONDUÇÃO E PORÇÃO DE RESPIRAÇÃO
À primeira porção pertencem órgãos tubulares cuja função é levar o ar inspi-
rado até a porção respiratória, representada pelos pulmões, e destes conduzir o
ar expirado, eliminando o CO2. Assim, dos pulmões o ar expirado é conduzido
pelos brônquios e traquéia, órgãos que realmente funcionam apenas como tubos
condutores de ar (aeríferos). Acima destes, entretanto, situam-se a laringe, a faringe
e o nariz, que não são apenas condutores de ar. Assim, a laringe é também o
órgão responsável pela fonação; a faringe está relacionada com o sistema digestório,
parte dela servindo de tubo condutor de alimentos; e o nariz apresenta porções
que cumprem função olfatória (Fig. 7.1).
CAVIDADE NASAL
Comunica-se com o meio externo através das narinas, situadas anteriormen-
te, e com a porção nasal da faringe posteriormente, através das coanas (Fig. 7.1).
164 Sistema Respiratório
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Fig. 7.1 — Sistema respiratório: A — toro tubário; B — parte nasal da faringe; C — palato mole; D — tonsila
palatina; E — parte bucal da faringe; F — epiglote; G — parte laríngea da faringe; H — esôfago; I — traquéia; J —
brônquio principal; K — brônquio segmentar; L — lobo superior do pulmão esquerdo; M — brônquio lobar; N —
fissura oblíqua; O — lobo inferior do pulmão esquerdo; P — lobo inferior do pulmão direito; Q — lobo médio; R —
fissura oblíqua do pulmão direito; S — fissura horizontal; T — lobo superior do pulmão direito; U — prega vocal; V —
prega vestibular; W — laringe; X — palato duro; Y — vestíbulo nasal; Z — conchas nasais (inferior, média e superior);
1 — seio frontal.
FARINGE
É um tubo muscular associado a dois sistemas: respiratório e digestório, situ-
ando-se posteriormente à cavidade nasal, bucal e a laringe. A parte nasal da
faringe comunica-se com as fossas nasais através das coanas (abertura posterior
das fossas nasais). Na sua parede lateral encontramos o óstio faríngeo da tuba
auditiva, que é marcado por uma elevação de forma semilunar chamada toro
tubário (Fig. 7.1). A tuba auditiva comunica a parte nasal da faringe com a cavi-
1
CAPÍTULO 7 165
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dade timpânica da orelha média, igualando, deste modo, as pressões do ar exter-
no e o contido na cavidade timpânica. Por este trajeto, as infecções da faringe
podem atingir a orelha média.
LARINGE
É um órgão tubular, situado no plano mediano e anterior do pescoço que,
além de conduzir o ar, é responsável pela fonação, ou seja, pela produção do
som. Coloca-se anteriormente à faringe e é continuada diretamente pela traquéia
(Fig. 7.1). Apresenta um esqueleto cartilagíneo constituído pelas cartilagens:
tireóidea, cricóidea, epiglote (ímpares); aritenóideas, corniculadas e cuneiformes
(pares).
TRAQUÉIA E BRÔNQUIOS
À laringe segue-se a traquéia, estrutura cilíndrica constituída por uma série
de anéis cartilagíneos incompletos em forma de C, sobrepostos e ligados entre si
pelos ligamentos anulares (Fig. 7.1). A parede posterior, desprovida de cartila-
gem, constitui a parede membranácea da traquéia, que apresenta musculatura
lisa, o músculo traqueal. Tal ocorre com outros órgãos do sistema respiratório. As
cartilagens da traquéia proporcionam-lhe rigidez suficiente para impedi-la de
entrar em colapso e, ao mesmo tempo, unidas por tecido elástico, ficam assegu-
radas a mobilidade e flexibilidade da estrutura que se desloca durante a respira-
ção e com os movimentos da laringe. Embora seja um tubo mediano, a traquéia
sofre um ligeiro desvio para a direita próximo à sua extremidade inferior, antes
de dividir-se nos brônquios principais, direito e esquerdo, que se dirigem para os
pulmões. Estes apresentam estrutura muito semelhante à da traquéia e são tam-
bém denominados brônquios de primeira ordem. Cada brônquio principal dá
origem aos brônquios lobares, ou de segunda ordem, que ventilam os lobos pul-
monares. Estes, por sua vez, dividem-se em brônquios segmentares ou de tercei-
ra ordem, que vão ter com os segmentos broncopulmonares. Os brônquios seg-
mentares sofrem ainda sucessivas divisões antes de terminarem nos alvéolos
pulmonares. Vê-se, assim, que cada brônquio principal dá origem no pulmão a
uma série de ramificações conhecidas, em conjunto, como árvore brônquica.
PLEURA E PULMÃO
Os pulmões, direito e esquerdo, órgãos principais da respiração, estão conti-
dos na cavidade torácica e entre eles há uma região mediana denominada
mediastino, ocupada pelo coração, os grandes vasos, e alguns dos seus ramos
principais, o esôfago, parte da traquéia e brônquios principais, além de nervos e
linfáticos. Cada pulmão está envolto por um saco seroso completamente fecha-
do, a pleura, que apresenta dois folhetos: a pleura pulmonar, que reveste a super-
fície do pulmão e mantém continuidade com a pleura parietal, que recobre a face
interna da parede do tórax. Entre as pleuras pulmonar e parietal há um espaço
virtual, a cavidade da pleura, contendo uma película de líquido de espessura
capilar que permite o livre deslizamento de um folheto contra o outro nas cons-
166 Sistema Respiratório
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tantes variações de volume do pulmão, ocorridas nos movimentos respiratórios.
Dentro da cavidade pleural a pressão é subatmosférica, um fator importante na
mecânica respiratória.
Os pulmões são órgãos de forma cônica, apresentando um ápice superior,
uma base inferior e duas faces: costal e medial. A base descansa sobre o diafrag-
ma, músculo que separa, internamente, o tórax do abdome, e, por esta razão, ela
é conhecida também como face diafragmática. Os pulmões subdividem-se em
lobos cujo número é de três para o direito e dois para o esquerdo. Os lobos do
pulmão direito, superior, médio e inferior, são separados entre si por fendas pro-
fundas, as fissuras oblíqua e horizontal. Já o pulmão esquerdo, com seus dois
lobos superior e inferior, apresenta apenas a fissura oblíqua (Fig. 7.1). Os lobos
pulmonares são subdivididos em segmentos broncopulmonares, considerados
como as maiores porções de um lobo, ventiladas por um brônquio específico que
se origina, diretamente, de um brônquio lobar. Assim, um mesmo lobo apresenta
vários segmentos broncopulmonares, cada um deles suprido por brônquio seg-
mentar específico, de terceira ordem, que tem origem no brônquio lobar de se-
gunda ordem. Na sua face medial, cada um dos pulmões apresenta uma fenda em
forma de raquete, o hilo do pulmão, pelo qual entram ou saem brônquios, vasos
e nervos pulmonares, constituindo a raiz do pulmão.
CAPÍTULO 8 167
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CAPÍTULO
8
Sistema Nervoso
CONCEITO
É o sistema que controla e coordena as funções de todos os sistemas do orga-
nismo e, ainda, recebe estímulos na superfície do corpo, é capaz de interpretá-
los e desencadear respostas. Além disso, no homem, o sistema nervoso responde
também por fenômenos psíquicos. Muitas funções do sistema nervoso depen-
dem da nossa vontade (mastigar, por exemplo, é um ato voluntário); outras, po-
rém, independem da nossa vontade, como, por exemplo, a secreção salivar.
DIVISÃO
SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC)
Está contido na coluna vertebral e no crânio e é constituído da medula espi-
nhal e do encéfalo, respectivamente. É responsável pela recepção de estímulos,
pelo comando e por desencadear respostas.
SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO (SNP)
Compreende os nervos cranianos e espinhais, os gânglios e as terminações
nervosas. Portanto, são vias que conduzem os estímulos ao sistema nervoso central
ou que levam até os órgãos efetuadores as ordens emanadas da porção central.
168 Sistema Nervoso
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Meninges
O encéfalo e a medula espinhal são envolvidos e protegidos por três mem-
branas de tecido conjuntivo, que são chamadas de fora para dentro de dura-
máter, aracnóide e pia-máter. A dura-máter é a mais espessa, e a pia-máter, a
mais fina. Da aracnóide partem fibras delicadas que vão ter à pia-máter, consti-
tuindo uma rede semelhante a uma teia de aranha, daí o seu nome. A aracnóide
é separada da dura-máter por um espaço capilar denominado espaço subdural
e da pia-máter pelo espaço subaracnóide, onde circula o líquido cerebrospinal
ou líquor.
Liquor
Circula no espaço subaracnóide e nos ventrículos, é pobre em proteínas e
uma das suas mais importantes funções é proteger o sistema nervoso central,
agindo como amortecedor de choques. O liquor pode ser retirado e o estudo de
sua composição pode ser valioso para o diagnóstico de muitas doenças. É produ-
zido em formações especiais, os plexos coróides, situados no soalho dos
ventrículos laterais e no teto do terceiro e quarto ventrículos.
ORIGEM EMBRIOLÓGICA DO SNC
Vesículas primordiais
O sistema nervoso central origina-se do tubo neural que, na sua extremidade
cranial, apresenta três dilatações denominadas vesículas primordiais: o
prosencéfalo, o mesencéfalo e o rombencéfalo. O restante do tubo é a medula
primitiva.
A cavidade ou luz do tubo neural permanece nas vesículas primordiais.
PROSENCÉFALO
Com o decorrer do desenvolvimento, as porções laterais do prosencéfalo au-
mentam desproporcionalmente e acabam por encobrir a porção central, origi-
nando o telencéfalo e o diencéfalo. A luz expande-se também lateralmente, acom-
panhando o grande desenvolvimento do telencéfalo.
MESENCÉFALO
Desenvolve-se sem subdividir-se e sua luz permanece como um canal estrei-
tado.
ROMBENCÉFALO
Subdivide-se em metencéfalo e mielencéfalo. Neste último, a luz se dilata.
CAPÍTULO 8 169
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Fig. 8.1 — Vesículas primordiais do sistema nervoso central: A — telencéfalo; B — diencéfalo; C — mesencéfalo;
D — metencéfalo; E — mielencéfalo; F — rombencéfalo; G — mesencéfalo; H — prosencéfalo.
Fig. 8.2 — Corte sagital mediano no sistema nervoso central: A — cerebelo; B — medula espinhal; C — bulbo; D —
ponte; E — mesencéfalo; F — diencéfalo; G — telencéfalo.
170 Sistema Nervoso
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Destas transformações das vesículas primordiais originam-se as partes mais
importantes do sistema nervoso central. O telencéfalo e o diencéfalo originam o
cérebro, sendo que os hemisférios cerebrais são de origem telencefálica. O
mesencéfalo permanece, com a mesma denominação, como uma parte do sistema
nervoso central. O metencéfalo origina o cerebelo e a ponte. O mielencéfalo origi-
na o bulbo ou medula oblonga. O restante do tubo neural primitivo origina a
medula primitiva e esta, a medula espinhal.
O mesencéfalo, a ponte e o bulbo, em conjunto, constituem o tronco
encefálico.
Fig. 8.3 — Telencéfalo (vista lateral): A — sulco central; B — giro pré-central; C — giro pós-central; D — lobo
parietal; E — lobo occipital; F — lobo temporal; G — sulco lateral; H — lobo frontal.
VENTRÍCULOS ENCEFÁLICOS E SUAS COMUNICAÇÕES
Nas transformações sofridas pelas vesículas primordiais, a luz do tubo neural
primitivo permanece e se apresenta dilatada em algumas das subdivisões da-
quelas vesículas, constituindo os ventrículos que se comunicam entre si. A luz do
telencéfalo corresponde aos ventrículos laterais (direito e esquerdo). A luz
do diencéfalo corresponde ao terceiro ventrículo. Os ventrículos laterais co-
municam-se com o terceiro ventrículo através do forame interventricular. A
luz do mesencéfalo é um canal estreitado, o aqueduto cerebral, que comunica o
terceiro com o quarto ventrículo. A luz do rombencéfalo corresponde ao quarto
ventrículo, que se continua pelo canal central da medula e se comunica com o
espaço subaracnóide.
CAPÍTULO 8 171
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Hemisférios cerebrais
Apresentam na sua superfície sulcos que delimitam os giros. Podem ser divi-
didos em lobos que correspondem aos ossos com os quais guardam relação. Se-
não, vejamos: lobo frontal, parietal, temporal e occipital.
Tronco encefálico
Dele originam-se a maioria dos 12 pares de nervos cranianos que saem pela
base do crânio.
Medula espinhal
Dela originam-se 31 pares de nervos espinhais que abandonam a coluna ver-
tebral através de forames intervertebrais.
SUBSTÂNCIA BRANCA E CINZENTA NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
Um corte no encéfalo ou na medula, permite reconhecer áreas claras e áreas
escuras. As claras estão constituídas de fibras nervosas mielínicas e as escuras,
de corpos de neurônios.
Fig. 8.4 — Medula espinhal (corte horizontal): A — sulco mediano posterior; B — coluna posterior; C — substância
intermédia lateral; D — coluna lateral; E — coluna anterior; F — substância intermédia central; G — fissura mediana
anterior; H — “H” medular.
172 Sistema Nervoso
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Na medula, a substância cinzenta forma um eixo central contínuo envolvi-
do por substância branca. Em corte horizontal, observa-se que a substância
cinzenta apresenta a forma de um H irregular, onde se reconhecem as colunas
anterior e posterior, substância intermediária central e lateral e, no segmento
medular compreendido entre a primeira vértebra torácica e a segunda lombar,
a coluna lateral.
No tronco encefálico, encontramos massas isoladas de substância cinzenta
que constituem os núcleos dos nervos cranianos e outros núcleos próprios do
tronco encefálico. Estes núcleos são acúmulos de corpos de neurônios. Ao redor
destas massas cinzentas, encontramos a substância branca.
No cérebro e no cerebelo, reconhecemos uma massa de substância branca,
revestida externamente por uma fina camada de substância cinzenta, o córtex
cerebral e o córtex cerebelar, respectivamente, e tendo no centro as massas de
substância cinzenta constituindo os núcleos da base (no cérebro) e os núcleos
centrais (no cerebelo).
A substância branca, em qualquer nível do sistema nervoso central, está cons-
tituída predominantemente de fibras nervosas mielínicas. Estas representam as
vias pelas quais os impulsos percorrem as diversas áreas do sistema nervoso
central e se organizam formando tractos ou fascículos.
Fig. 8.5 — Telencéfalo e diencéfalo (corte frontal): A — córtex cerebral; B — substância branca; C — terceiro
ventrículo; D — núcleos da base; E — ventrículo lateral.
CAPÍTULO 8 173
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SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO (SNP)
As fibras de um nervo são classificadas de acordo com a sua função. Por isso,
diz-se que um nervo possui componentes funcionais. Assim, uma fibra que esti-
mula a musculatura é motora ou eferente (sai do sistema nervoso central), e a que
conduz estímulos para o sistema nervoso central é sensitiva ou aferente (que
chega ao sistema nervoso central).
TERMINAÇÕES NERVOSAS
Na fibra motora ou eferente, é a placa motora. Nas sensitivas, as terminações
nervosas são estruturas especializadas para receber estímulos físicos ou quími-
cos na superfície ou no interior do corpo. Assim, os cones e bastonetes da retina
são estimulados apenas por raios luminosos; os receptores do ouvido, apenas por
ondas sonoras; os gustativos, por substâncias químicas capazes de determinar as
sensações de doce, azedo, amargo etc. Na pele e nas mucosas existem receptores
especializados para os agentes causadores do calor, frio, pressão e tato, enquanto
as sensações dolorosas são captadas por terminações nervosas livres, isto é, não
há uma estrutura receptora especializada para este tipo de estímulo. Quando os
receptores sensitivos são estimulados, originam impulsos nervosos que seguem
pelas fibras aferentes em direção ao sistema nervoso central.
Gânglios
Vimos que acúmulos de corpos de neurônios dentro do neuroeixo são núcle-
os. Quando estes acúmulos estão fora do neuroeixo constituem os gânglios, que
geralmente se apresentam como uma dilatação.
Fig. 8.6 — Cerebelo (corte horizontal): A — córtex cerebelar; B — substância branca; C — núcleos centrais.
174 Sistema Nervoso
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Nervos
São cordões esbranquiçados, formados por axônios, unidos por tecido con-
juntivo, que têm como função levar impulsos ao neuroeixo ou trazer impulsos do
neuroeixo.
Nervos espinais
Reconhece-se 31 pares de nervos espinais que abandonam a coluna vertebral
através dos forames intervertebrais. Estão divididos em: oito cervicais, 12 torácicos,
cinco lombares, cinco sacrais e um coccígeo.
Fig. 8.7 — Nervo espinhal: A — coluna lateral; B — coluna anterior; C — fissura mediana anterior; D — raiz ventral;
E — ramo ventral; F — ramo dorsal; G — nervo espinhal; H — gânglio sensitivo; I — raiz dorsal; J — coluna posterior.
Formação do nervo espinhal
É formado pela fusão de duas raízes: uma ventral e outra dorsal. A raiz ven-
tral possui apenas fibras motoras (eferentes), cujos corpos celulares estão situa-
dos na coluna anterior da substância cinzenta da medula. A raiz dorsal possui
fibras sensitivas (aferentes) cujos corpos celulares estão situados no gânglio sen-
sitivo da raiz dorsal, que se apresenta como uma porção dilatada da própria raiz.
A fusão das raízes sensitiva e motora resulta no nervo espinhal. Isto significa que
o nervo espinhal é misto, isto é, está constituído de fibras aferentes e eferentes.
CAPÍTULO 8 175
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NERVOS CRANIANOS
São 12 pares que fazem conexão com o encéfalo. A maioria deles origina-se
no tronco encefálico. Além dos nomes, eles são designados por números em se-
qüência craniocaudal.
I Par — Nervo olfatório
É puramente sensitivo, iniciando-se em terminações nervosas situadas na
mucosa nasal. É responsável pela sensibilidade olfativa.
Fig. 8.8 — Origem aparente dos nervos cranianos: A — corpo pineal; B — pedúnculo cerebral; C — troclear (IV par);
D e D1 — raiz motora do trigêmeo (V par); E e R — raiz sensitiva do trigêmeo (V par); F — ponte; G — intermédio-
facial (VII par); H — vestibulococlear (VIII par); I — glossofaríngeo (IX par); J — vago (X par); K — acessório (XI par);
L — hipoglosso (XII par); M — fissura mediana anterior; N — pirâmide; O — oliva; P — cerebelo; Q — sulco basilar;
S — gânglio trigeminal; T — abducente (VI par); U — oculomotor (III par); V — olfatório (I par); W — óptico (II par).
D
176 Sistema Nervoso
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II Par — Nervo óptico
Sensitivo, origina-se nos cones e bastonetes da retina, relacionado à percep-
ção visual.
III Par — Nervo oculomotor
É misto, contém fibras parassimpáticas, inerva os músculos do olho, com
exceção do reto lateral e oblíquo superior. É também responsável pela inervação
dos músculos intrínsecos do olho, como o músculo esfíncter da íris (que fecha a
pupila) e o músculo ciliar (que controla a forma da lente).
IV Par — Nervo troclear
Motor, inerva o músculo oblíquo superior.
V Par — Nervo trigêmeo
Misto, é responsável pela sensibilidade de quase toda a cabeça. Seu compo-
nente motor inerva a musculatura da mastigação.
VI Par — Nervo abducente
Motor, inerva o músculo reto lateral.
VII Par — Nervo facial
Misto, é responsável pela sensibilidade gustativa (aferente), inerva os mús-
culos da mímica e glândulas salivares (eferente).
VIII Par — Nervo vestibulococlear
Sensitivo, constituído de duas porções: coclear, relacionada à audição, e ves-
tibular, relacionada ao equilíbrio.
IX Par — Nervo glossofaríngeo
Misto, é responsável pela sensibilidade gustativa, por informar ao SNC sobre
a pressão arterial e o teor de oxigênio no sangue (aferente), inerva os músculos
constritores da faringe, o músculo estilofaríngeo e glândulas salivares (eferente).
X Par — Nervo vago
Misto, inerva todas as vísceras torácicas e a maioria das abdominais.
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XI Par — Nervo acessório
Misto, inerva músculos esqueléticos como o esternocleidomastóideo, porém
parte de suas fibras acopla-se ao vago e com ele é distribuído.
XII Par — Nervo hipoglosso
Motor, inerva a musculatura da língua.
O funcionamento do sistema nervoso está baseado no binômio estímulo-rea-
ção, podendo intercalar-se um terceiro elemento: estímulo-interpretação-reação.
As vias aferentes ou sensitivas conduzem impulsos originados em receptores
(corpúsculos especializados e terminações nervosas livres) até os centros nervo-
sos; destes, outros impulsos são conduzidos, em sentido inverso, pelas vias
eferentes ou motoras, para os órgãos efetuadores (tecido muscular ou glandular).
Este complexo “exitação-resposta” constitui o arco reflexo, que é o substrato
morfofuncional do sistema nervoso. Como exemplo, pode-se citar o reflexo plan-
tar: a pele da planta dos pés, riscada por um palito, provoca, como resposta,
flexão plantar dos dedos, como se eles quisessem agarrar o palito. Isto ocorre
independentemente da nossa vontade.
No caso de estímulo-interpretação-reação, pode-se citar como exemplo o se-
guinte: a temperatura em um determinado ambiente pode causar a sensação de
calor e esta sensação pode levar o indivíduo a tirar o paletó, usando inúmeros
músculos para fazê-lo.
SISTEMA NERVOSO VISCERAL
O sistema nervoso visceral ou da vida vegetativa relaciona-se com a inervação
de estruturas viscerais mantendo a constância do meio interno (homeostase).
Assim como no somático, distingue-se no sistema nervoso visceral uma parte
aferente e outra eferente. O componente aferente conduz os impulsos nervosos
originados em receptores das vísceras (viscerorreceptores) a áreas específicas do
sistema nervoso central. O componente eferente traz impulsos de centros nervo-
sos até as estruturas viscerais, terminando, pois, em glândulas, músculo liso ou
músculo cardíaco. Por definição, denomina-se sistema nervoso autônomo ape-
nas o componente eferente do sistema nervoso visceral. O sistema nervoso autô-
nomo divide-se em simpático e parassimpático.
SISTEMA NERVOSO VISCERAL AFERENTE
Ao contrário das fibras que se originam em receptores somáticos, grande
parte das fibras viscerais conduz impulsos que não se tornam conscientes. Os
viscerorreceptores situados no seio carótico são sensíveis às variações da tensão
arterial, e os do glomo carótico, às variações da taxa de oxigênio no sangue.
Impulsos neles originados são levados ao SNC pelo nervo glossofaríngeo sem
que possamos percebê-los. Contudo, muitos impulsos viscerais tornam-se cons-
cientes manifestando-se sob a forma de sensações de sede, fome, plenitude gás-
178 Sistema Nervoso
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trica ou em condições patológicas, dor. A sensibilidade visceral difere da somática
principalmente por ser mais difusa, não permitindo uma localização precisa.
Assim, pode-se dizer que dói a ponta do hálux, mas não se pode dizer que dói a
primeira alça intestinal. Por outro lado, os estímulos que determinam a dor
somática são diferentes dos estímulos que determinam a dor visceral. A secção
da pele é dolorosa, mas a de uma víscera não o é. A distensão de uma víscera,
como uma alça intestinal, é muito dolorosa, o que não acontece com a pele.
Diferenças entre o SN somático eferente e o SN visceral eferente
Os impulsos nervosos que seguem pelo SN somático eferente terminam em
músculo estriado esquelético, enquanto os que seguem pelo sistema nervoso
autônomo terminam em músculo estriado cardíaco, músculo liso ou glândula.
Assim, o SN eferente somático é voluntário, enquanto o SN autônomo é
involuntário. Do ponto de vista anatômico, existe uma diferença importante no
que diz respeito ao número de neurônios que ligam o SNC ao órgão efetuador.
Este número no somático é de apenas um neurônio, o neurônio motor somático,
cujo corpo, na medula, localiza-se na coluna anterior, saindo o axônio pela raiz
ventral e terminando em placas motoras nos músculos estriados esqueléticos. Já
no SN autônomo, temos dois neurônios unindo o SNC ao órgão efetuador. Um
deles tem o corpo dentro do SNC (medula ou tronco encefálico), o outro tem seu
corpo localizado no SN periférico, ou seja, em gânglios, e são denominados
neurônios pós-ganglionares, e aqueles que têm seus corpos dentro do SNC são
denominados neurônios pré-ganglionares. Lembramos ainda que no SN somático
eferente, as fibras terminam em estruturas denominadas placas motoras que não
existem na terminação das fibras do SN autônomo.
ORGANIZAÇÃO GERAL DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO
Neurônios pré e pós-ganglionares são os elementos fundamentais da organi-
zação da parte periférica do SN autônomo. Os corpos dos neurônios pré-
ganglionares localizam-se na medula e no encéfalo. No encéfalo, eles se agrupam
formando os núcleos de origem de alguns nervos cranianos como o oculomotor,
o facial, o glossofaríngeo e o vago. Na medula, eles ocorrem de T1 a L2 e nos
segmentos S2, S3, e S4 da medula sacral.
Na porção toracolombar (T1 a L2), os neurônios pré-ganglionares agrupam-
se formando uma coluna muito evidente, denominada coluna lateral, situada
entre as colunas anterior e posterior da substância cinzenta. O axônio do neurônio
pré-ganglionar, envolvido pela bainha de mielina e pela bainha de neurilema,
constitui a chamada fibra pré-ganglionar, assim denominada por estar situada
antes de um gânglio, onde termina fazendo sinapse com o neurônio pós-ganglionar.
Os corpos de neurônios pós-ganglionares estão situados nos gânglios do SN
autônomo. São neurônios multipolares no que se diferenciam dos neurônios sen-
sitivos, também localizados em gânglios, pois estes são unipolares. O axônio do
neurônio pós-ganglionar, envolto apenas pela bainha de neurilema, constitui a
fibra pós-ganglionar. Portanto, a fibra pós-ganglionar diferencia-se histologica-
CAPÍTULO 8 179
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mente da pré-ganglionar por ser amielínica com neurilema. As fibras pós-
ganglionares terminam nas vísceras, nas glândulas, músculo liso e cardíaco.
Existem áreas no telencéfalo e no diencéfalo que regulam as funções viscerais,
sendo as mais importantes o hipotálamo e o chamado sistema límbico. Estas áreas
estão relacionadas também com certos tipos de comportamento, especialmente
com o comportamento emocional. Impulsos nervosos nelas originados são levados
por fibras especiais que terminam fazendo sinapse com neurônios pré-ganglionares
do tronco encefálico e da medula. Por este mecanismo, o SNC influencia o funcio-
namento das vísceras. A existência destas conexões entre as áreas cerebrais relaci-
onadas com o comportamento emocional e os neurônios pré-ganglionares do SN
autônomo ajuda a entender as alterações do funcionamento visceral que freqüen-
temente acompanham os graves distúrbios emocionais.
O SN autônomo está dividido, segundo critérios anatômicos, farmacológicos
e fisiológicos, em simpático e parassimpático.
Fig. 8.9 — Sistema simpático e parassimpático: A — fibra pré-ganglionar parassimpática; B — fibra pós-ganglionar
parassimpática; C — fibra pós-ganglionar simpática; D — fibra pré-ganglionar simpática; E e E1 — parassimpático
(craniosacral); F — simpático (toracolombar).
180 Sistema Nervoso
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DIFERENÇAS ANATÔMICAS
O simpático é toracolombar e o parassimpático é craniossacral, ou seja, os
neurônios pré-ganglionares do simpático estão localizados entre T1 e L2, en-
quanto os neurônios pré-ganglionares do parassimpático localizam-se no encéfalo
e na medula sacral (S2, S3 e S4). No simpático, os neurônios pós-ganglionares
localizam-se longe das vísceras e próximo à coluna vertebral. No parassimpático,
os neurônios pós-ganglionares localizam-se próximo das vísceras. No simpático,
a fibra pré-ganglionar é curta e a pós-ganglionar é longa. No parassimpático, a
fibra pré-ganglionar é longa e a pós-ganglionar é curta.
DIFERENÇAS FARMACOLÓGICAS
A adrenalina e a noradrenalina, quando injetadas no corpo, imitam a ação
simpática, por isso são denominadas simpaticomiméticas. Quando injetamos
acetilcolina, esta imita a ação parassimpática, sendo, por isso, denominada
parassimpaticomimética.
Sabemos que a ação da fibra nervosa sobre o efetuador se faz por liberação de
um mediador químico, dos quais os mais importantes são a acetilcolina e a
noradrenalina. As fibras que liberam acetilcolina são chamadas de colinérgicas,
e as que liberam noradrenalina, adrenérgicas. Estas últimas deveriam ser chama-
das de noradrenérgicas, mas inicialmente pensou-se que o principal mediador
seria a adrenalina e o termo “adrenérgico” ficou clássico. Hoje, sabemos que, nos
mamíferos, é a noradrenalina e não a adrenalina o principal mediador químico
nas fibras adrenérgicas.
As fibras pré-ganglionares, tanto simpáticas como parassimpáticas, e as fi-
bras pós-ganglionares parassimpáticas são colinérgicas. Contudo, a maioria das
fibras pós-ganglionares simpáticas são adrenérgicas. Fazem exceção as fibras que
inervam as glândulas sudoríparas que, apesar de serem simpáticas, são
colinérgicas.
DIFERENÇAS FISIOLÓGICAS
De um modo geral, o sistema simpático tem ação antagônica à do
parassimpático em um determinado órgão. Entretanto, isto não é válido para to-
dos os órgãos. Por exemplo, nas glândulas salivares os dois sistemas aumentam a
secreção. Uma das diferenças fisiológicas entre o simpático e o parassimpático é
que este tem ações quase sempre localizadas a um órgão ou setor do organismo,
enquanto as ações do simpático, embora possam ser também localizadas, ten-
dem a ser difusas, atingindo vários órgãos. Em determinadas circunstâncias,
todo o sistema simpático é ativado, produzindo uma descarga em massa, na
qual a medula da supra-renal é também ativada, lançando no sangue a adrenalina
que age em todo o organismo. Temos, assim, uma reação de alarme que ocorre
em certas manifestações emocionais e situações de emergência (síndrome de
emergência de Cannon) em que o indivíduo deve estar preparado para lutar ou
fugir.
CAPÍTULO 8 181
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FUNÇÕES DO SIMPÁTICO E DO PARASSIMPÁTICO
Íris
O simpático dilata a pupila (midríase); o parassimpático faz a constricção da
pupila (miose).
Glândula lacrimal
O simpático faz vasoconstricção e tem muito pouco efeito sobre a secreção; o
parassimpático produz secreção abundante e vasodilatação.
Glândulas salivares
O simpático faz vasoconstricção e produz secreção viscosa e pouco abun-
dante; o parassimpático faz vasodilatação e produz secreção fluida e abundante.
Glândulas sudoríparas
O simpático produz secreção copiosa (fibras colinérgicas); não há inervação
parassimpática.
Músculos eretores dos pêlos
O simpático os ativa fazendo a ereção dos pêlos; não há inervação parassim-
pática.
Coração
O simpático acelera o ritmo cardíaco (taquicardia) e provoca dilatação
das coronárias; o parassimpático diminui o ritmo cardíaco (bradicardia) e di-
lata as coronárias.
Brônquios
O simpático dilata; o parassimpático faz constricção.
Tubo digestivo
O simpático diminui o peristaltismo e fecha os esfíncteres; o parassimpático
aumenta o peristaltismo e abre os esfíncteres.
Genitais masculinos
O simpático faz vasoconstricção e ejaculação; o parassimpático faz
vasodilatação e ereção.
182 Sistema Nervoso
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ANATOMIA DO SNC
MEDULA ESPINHAL
É a porção caudal do neuroeixo; de forma aproximadamente cilíndrica, apre-
senta duas intumescências, uma cervical e outra lombar; conseqüentemente, há
maior quantidade de células, e, portanto, de fibras nervosas emitidas e recebidas
dos nervos espinhais destinados, respectivamente, aos membros superiores e
inferiores. Estende-se do nível do forame occipital para o nível de L1 ou L2,
onde, reduzida de volume, apresenta terminação cônica, o cone medular, de cujo
ápice um delgado filamento meníngeo, o filum terminale, estende-se até a face
posterior do cóccix e constitui o ligamento inferior da medula espinhal.
A porção inferior, além do filamento terminal, compreende as raízes nervo-
sas dos últimos nervos espinhais, lombares, sacrais e coccígeos que, dispostos
em torno do cone e filamento terminal, constituem, em conjunto, a denominada
cauda eqüina.
A superfície da medula espinhal apresenta seis sulcos longitudinais que a
percorrem em toda a sua extensão. Na face ventral, ao longo do plano mediano,
há a profunda fissura mediana anterior; na face dorsal, encontra-se o sulco medi-
ano posterior, pouco marcado; e, de cada lado, correspondendo à linha de origem
das raízes ventrais e dorsais dos nervos espinhais, existem os sulcos lateral ante-
rior e lateral posterior. Além destes, na face dorsal dos segmentos cervicais e
torácicos superiores há, de cada lado, entre o sulco mediano posterior e o sulco
lateral posterior, o sulco intermédio posterior.
BULBO OU MEDULA OBLONGA
É a porção mais caudal do tronco encefálico. Sua face ventral repousa sobre
a porção basilar do osso occipital e a dorsal é coberta, em grande parte, pelo
cerebelo. Sendo continuação cranial da medula espinhal, não apresenta linha de
demarcação, daí considerar-se como limite inferior um plano horizontal que co-
incide com o forame occipital e, superiormente, por um sulco horizontal (sulco
bulbopontino) que corresponde à margem inferior da ponte.
Os sulcos descritos na medula espinhal prolongam-se pelo bulbo, dividindo-
o em áreas anterior (ventral), lateral e posterior (dorsal).
A fissura mediana anterior prolonga-se até a margem inferior da ponte, onde
termina abruptamente numa depressão denominada forame cego. No entanto, na
extremidade inferior do bulbo, ela é bloqueada por feixes de fibras que cruzam
obliquamente o plano mediano. Esse cruzamento constitui a decussação das pi-
râmides, visto que se denominam pirâmides as eminências longitudinais que
ladeiam a fissura mediana anterior, formadas por fibras descendentes da grande
via motora, principalmente o tracto corticoespinhal ou piramidal.
O sulco mediano posterior representa o prolongamento do homônimo da
medula espinhal e termina a meia altura do bulbo, em virtude do afastamento
de seus lábios, que vêm a constituir os limites laterais inferiores do quarto
ventrículo. Distingue-se, portanto, na face posterior do bulbo, uma porção
CAPÍTULO 8 183
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fechada, inferior, com canal central, continuação daquele da medula espi-
nhal, e outra aberta, superior, que corresponde à parte caudal do quarto
ventrículo.
Os sulcos lateral anterior e lateral posterior estendem-se por todo o compri-
mento do bulbo e representam os prolongamentos dos homônimos da medula
espinhal. Do primeiro, limite lateral da pirâmide, emergem as radículas do nervo
hipoglosso, XII par craniano, e do último, os filamentos radiculares dos nervos
glossofaríngeo, vago e acessório, respectivamente, IX, X, e XI pares cranianos.
Lateralmente à pirâmide e dela separada pelo sulco lateral anterior e radículas
do nervo hipoglosso, há uma eminência elipsóide, a oliva, determinada por uma
massa irregular de substância cinzenta, o núcleo olivar, situado próximo à super-
fície. A oliva está separada posteriormente do sulco lateral posterior e radículas
dos nervos glossofaríngeo e vago por estreita área retroolivar, constituída por
feixes superficiais de fibras ascendentes provenientes da medula espinhal que se
destinam ao cerebelo (tractos espinocerebelares).
A área compreendida entre o sulco lateral posterior e o sulco mediano poste-
rior é subdividida, como aquela da medula espinhal cervical e torácica superior,
pelo sulco intermédio posterior. Distingue-se assim, na face dorsal do bulbo,
com situação medial, o funículo grácil e o tubérculo do núcleo grácil (clava), e,
mais lateralmente, o funículo cuneiforme e o tubérculo do núcleo cuneiforme.
São feixes de fibras ascendentes cujos respectivos núcleos (fascículo e núcleo
grácil, fascículo e núcleo cuneiforme) são responsáveis essencialmente pela con-
dução de parte da sensibilidade táctil e da sensibilidade proprioceptiva consci-
ente, isto é, proveniente de músculos, tendões e articulações e destinados à área
cortical cerebral sensitiva.
Lateralmente ao funículo e tubérculo cuneiformes, entre estes e a emergên-
cia das raízes dos nervos glossofaríngeo, vago e acessório, há uma terceira emi-
nência, discreta, o tubérculo cinéreo, formado por um tracto de fibras descen-
dentes, derivado da raiz sensitiva do nervo trigêmeo e respectivo núcleo (tracto
espinhal e núcleo do tracto espinhal do nervo trigêmeo).
Os tubérculos, cinéreos, do núcleo cuneiforme e do núcleo grácil, em suas
porções mais superiores, deslocam-se lateralmente; forma-se, assim, o ângulo
inferior do IV ventrículo. Dão lugar, pouco acima da metade do bulbo, ao
pedúnculo cerebelar inferior.
Ponte
É a porção do tronco encefálico situada entre o bulbo e o mesencéfalo, ven-
tralmente ao cerebelo. Sua face ventral repousa sobre a porção basilar do osso
occipital e sobre o dorso da sela turca; apresenta-se sob a forma de larga fita
horizontal de fibras nervosas que, de cada lado, se condensam em volumoso
feixe, o pedúnculo cerebelar médio, que mergulha no hemisfério cerebelar cor-
respondente. Considera-se como nível de transição entre ponte e pedúnculo
cerebelar médio, a origem aparente do nervo trigêmeo, isto é, o ponto de emer-
gência do V par craniano.
184 Sistema Nervoso
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A superfície ventral da ponte é percorrida por um sulco longitudinal media-
no, o sulco basilar, que aloja a artéria basilar. Este sulco é devido à presença de
dois relevos longitudinais, um direito, outro esquerdo, resultantes da passagem
dos tractos corticoespinhais formadores das pirâmides no bulbo e que, na ponte,
são recobertas por camadas de fibras transversais.
Na porção caudal da face ventral da ponte, no sulco que a separa do bulbo,
sulco bulbopontino, emergem de cada lado, a partir do plano mediano, os ner-
vos: abducente (VI par), facial (VII par) e vestibulococlear (VIII par craniano). O
primeiro entre a ponte e a pirâmide do bulbo; os dois últimos, em linha com o
pedúnculo cerebelar inferior.
A face dorsal da ponte representa a continuação direta do bulbo e a ele se
assemelha; constitui a porção superior do IV ventrículo.
Fig. 8.10 — Tronco encefálico e parte do diencéfalo (vista posterior): A — terceiro ventrículo; B — pedúnculo
cerebelar superior; C — pedúnculo cerebelar médio; D — pedúnculo cerebelar inferior; E — trígono do hipoglosso;
F — trígono do vago; G — sulco mediano posterior; H — sulco intermédio posterior; I — sulco lateral posterior; J —
estrias medulares do IV ventrículo; K — colículo facial; L — colículo inferior; M — colículo superior; N — corpo pineal.
CAPÍTULO 8 185
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Quarto ventrículo
É uma cavidade rombencefálica de forma losangular que constitui a continu-
ação superior do canal central da medula espinal e da medula oblonga. Comuni-
ca-se com o terceiro ventrículo, cavidade diencefálica, através do aqueduto cere-
bral, que é um canal mesencefálico. Contém líquor e, através de três forames, um
mediano e dois laterais, põe em comunicação o sistema ventricular encefálico
com a cavidade subaracnóide.
O soalho do IV ventrículo, denominado fossa rombóide, é constituído pelas
superfícies dorsais da porção aberta do bulbo e da ponte.
A fossa rombóide apresenta em toda a sua altura um sulco longitudinal, o
sulco mediano, que se perde inferiormente na abertura do canal central e superi-
ormente no aqueduto cerebral; de cada lado deste sulco há um relevo longitudi-
nal, a eminência medial, que é delimitada lateralmente pelo sulco limitante.
A porção inferior da fossa rombóide é constituída pelo bulbo, e a eminência
medial desta porção compreende, de cada lado, duas pequenas áreas triangula-
res: o trígono do nervo hipoglosso, medial, e o trígono do nervo vago, lateral, que
correspondem, respectivamente, ao núcleo do nervo hipoglosso e ao núcleo mo-
tor dorsal do nervo vago.
A porção superior da fossa rombóide é constituída pela ponte; aqui, as emi-
nências mediais mostram-se aumentadas e constituem, de cada lado, uma eleva-
ção, o colículo facial, determinado por fibras do nervo facial ao contornarem o
núcleo do nervo abducente, VI par craniano.
Mesencéfalo
Porção mais cranial do tronco encefálico, liga o metencéfalo ao diencéfalo.
Apresenta uma parte ventral, os pedúnculos cerebrais, e outra dorsal, o tecto
mesencefálico. É atravessado por um canal de calibre relativamente pequeno, o
aqueduto cerebral, que comunica o III e o IV ventrículos.
Os pedúnculos cerebrais, vistos pela face ventral, são dois volumosos feixes
de fibras, um esquerdo e outro direito, que aparecem na margem superior da
ponte, muito próximos um do outro, e divergem superiormente, penetrando no
diencéfalo. Delimitam uma depressão triangular, a fossa interpeduncular. Do ter-
ço inferior da face medial de cada pedúnculo cerebral, emergem as raízes do
nervo oculomotor, III par craniano.
O tecto mesencefálico, visto pela face dorsal, apresenta quatro eminências
arredondadas, os colículos inferiores e superiores (corpos quadrigêmeos).
Cerebelo
É uma volumosa formação rombencefálica, localiza-se dorsalmente à ponte e
ao bulbo; ocupa as fossas inferiores direita e esquerda do osso occipital e é recoberto
pela tenda do cerebelo, formação meníngea, dural, que o separa dos lobos occipitais
dos hemisférios cerebrais. É constituido por numerosas lâminas de tecido nervoso,
as folhas cerebelares, separadas por sulcos mais ou menos paralelos, as fissuras
cerebelares. As folhas cerebelares equivalem aos giros cerebrais.
186 Sistema Nervoso
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Macroscopicamente, pode-se considerar o cerebelo como constituído por três
partes: uma mediana, o verme cerebelar, e duas grandes massas laterais, os he-
misférios cerebelares.
Em corte, o cerebelo apresenta as substâncias branca e cinzenta dispostas de
modo inverso àquela da medula espinhal, isto é, a substância branca é central e
a cinzenta é periférica, constitui o córtex cerebelar.
O cerebelo é a porção do sistema nervoso responsável pela coordenação da
atividade motora; controla, por conseguinte, o sinergismo e a harmonia da mus-
culatura esquelética.
Diencéfalo
Proveniente da porção mais inferior da primitiva vesícula prosencefálica. É
quase totalmente envolvido, em virtude do grande desenvolvimento dos hemis-
Fig. 8.11 — Núcleos nervos cranianos: III — oculomotor; IV — troclear; V-a — mesencefálico; V-b — motor; V-c — sensitivo
principal; V-d — do tracto espinhal (gelatinoso e esponjoso); VI — abducente; VII-a — motor; VII-b — salivatório superior;
VIII — vestíbulococlear; IX-a — ambíguo; IX-b — salivatório inferior; X — ambíguo; XI-a — ambíguo; XI-b — acessório;
XII — hipoglosso; TS — tracto solitário.
CAPÍTULO 8 187
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férios cerebrais no cérebro humano. Compreende o epitálamo, os tálamos, o
metatálamo e o hipotálamo, que delimitam, com formações telencefálicas, a ca-
vidade do III ventrículo.
Telencéfalo
É o segmento mais anterior e mais desenvolvido do encéfalo; ocupa a maior
parte da cavidade craniana. Compreende os dois hemisférios cerebrais, ligados
entre si pelas comissuras inter-hemisféricas, e delimita os ventrículos laterais. É
subdividido por sulcos em lobos frontal, parietal, temporal e occipital. A estes
deve-se acrescentar a ínsula, lobo situado no fundo do sulco lateral. O sulco
lateral divide os lobos frontal e parietal do lobo temporal. O sulco central, situa-
do na face dorsolateral do hemisfério, interpõe-se aos lobos frontal e parietal. É
ladeado por dois giros paralelos, um anterior, que pertence ao lobo frontal, giro
pré-central, onde se localiza o centro cortical da motricidade voluntária, e outro
posterior, que pertence ao lobo parietal, giro pós-central, que constitui a área
cortical somestésica ou sensitiva principal.
NERVOS CRANIANOS RELACIONADOS À ODONTOLOGIA
NERVO TRIGÊMEO — V PAR CRANIANO
Origem aparente
Na porção lateroventral da ponte, por duas raízes, uma sensitiva bastante
grossa e uma motora fina. Daí, suas fibras seguem em direção anterolateral até a
impressão trigeminal no terço anterior da face ântero-superior do rochedo do
osso temporal, onde apresenta uma dilatação, o gânglio trigeminal, que contém
os corpos dos neurônios aferentes do nervo trigêmeo. A partir do gânglio
trigeminal, o nervo trigêmeo emite três ramos: nervo oftálmico, nervo maxilar e
nervo mandibular.
NERVO OFTÁLMICO (SENSITIVO)
É aferente, abandona o gânglio trigeminal ou semilunar, segue para adi-
ante e penetra na órbita através da fissura orbital superior, onde se divide em
três ramos. O primeiro é o nervo lacrimal, o mais lateral e mais fino que segue
sobre o músculo reto lateral em direção à glândula lacrimal, atravessando-a e
chegando à cútis da porção lateral da pálpebra superior. Antes de chegar à
glândula, emite um ramo que faz uma anastomose em arco, na parede lateral
da órbita com um ramo do nervo zigomático, do maxilar. O segundo é o nervo
frontal, que tem um trajeto póstero-anterior na porção intermédia da órbita e
está localizado entre o teto da órbita e o músculo levantador da pálpebra
superior. Num ponto extremamente variável do seu trajeto, o nervo frontal
divide-se em nervos supra-orbital e supratroclear. O supra-orbital é a continu-
ação direta do frontal. Ele deixa a órbita através da incisura ou forame supra-
orbital e se distribui para a testa e a porção intermédia da pálpebra superior.
188 Sistema Nervoso
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O supratroclear, bem mais fino, deixa a órbita na porção medial da margem
supra-orbital e enerva a testa e a porção medial da pálpebra superior. O ter-
ceiro ramo, o nervo nasociliar, penetra na órbita no interior do cone formado
pelos músculos retos do olho. Sendo assim, ele está num plano mais baixo
que os nervos lacrimal e frontal. Localiza-se abaixo do reto superior e cruza o
nervo óptico com a artéria oftálmica. Na parede medial da órbita, ele se loca-
liza entre os músculos oblíquo superior e o reto medial, onde emite um ramo
etmoidal posterior para as células etmoidais posteriores, um ramo infratroclear
para a porção medial das pálpebras, pele do nariz e saco lacrimal e o nervo
etmoidal anterior, que é seu ramo terminal, passa através do forame etmoidal
anterior, entra na fossa craniana anterior, dobra-se para adiante e depois para
baixo, chegando à fossa nasal, onde se divide em ramos nasais internos que
enervam a mucosa nasal, sendo que um destes ramos chega à pele do nariz
como ramo nasal externo contornando a margem inferior do osso nasal ou
pelo forame que existe neste osso.
Fig. 8.12 — Nervo oftálmico e seus ramos (vista superior): A — nervo supra-orbital (ramo lateral); B — ramo que se une
ao nervo zigomático do maxilar; C — nervo lacrimal; D — nervo frontal; E — nervo oftálmico; F — nervo maxilar;
G — nervo mandibular; H — gânglio trigeminal; I — nervo trigêmeo; J — fissura orbital superior; K — nervo nasociliar;
L — nervo etmoidal posterior; M — nervo etmoidal anterior; N — nervo infratroclear; O — nervo supratroclear; P —
nervo supra-orbital (ramo medial).
CAPÍTULO 8 189
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NERVO MAXILAR (SENSITIVO)
A partir do gânglio trigeminal, dirige-se para adiante, coberto pela dura-máter,
atravessa o forame redondo e chega à fossa pterigopalatina, onde dá a maioria
dos seus ramos, pois antes de sair do crânio abandona um ramo meníngeo que
segue a artéria meníngea média e se distribui na dura-máter da fossa craniana
média. Em seu trajeto, o nervo maxilar atravessa, portanto, sucessivamente, a
fossa craniana média e a fossa pterigopalatina, e, a seguir, como nervo infra-
orbital, seu ramo terminal, segue o soalho da órbita e emerge na face pelo forame
infra-orbital.
RAMOS DO NERVO MAXILAR NA FOSSA PTERIGOPALATINA
Nervo zigomático
É um fino ramo que sai do maxilar e entra na órbita; lateral em relação ao
infra-orbital e na face lateral da órbita, divide-se em ramos zigomaticofacial que
Fig. 8.13 — Nervo maxilar e seus ramos (vista lateral): A — nervo zigomático; B — ramo para união com o nervo
lacrimal do oftálmico; C — ramo palpebral do nervo infra-orbital; D — ramo nasal do nervo infra-orbital; E — ramo
labial do nervo infra-orbital; F — nervo alveolar ântero-superior; G — nervo alveolar médio-superior; H — nervo
infra-orbital; I — nervo palatino maior; J — nervo palatino menor; K — nervo alveolar póstero-superior; L — gânglio
pterigopalatino; M — nervo do canal pterigóideo; N — nervo maxilar; O — nervo trigêmeo; P — gânglio trigeminal;
Q — nervo oftálmico.
190 Sistema Nervoso
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chega à face lateral do osso zigomático e se distribui na cútis que cobre este osso;
e o zigomaticotemporal, que chega à porção anterior da fossa temporal, atravessa
o músculo temporal e se distribui na cútis da região. Do zigomático sai um ramo
anastomótico para o nervo lacrimal, que leva fibras secretoras para a glândula
lacrimal, fibras que são pós-ganglionares do gânglio pterigopalatino e pertencem
ao nervo petroso superficial maior, ramo do facial.
Nervo pterigopalatino
Em número de um ou dois, saem da margem inferior do nervo maxilar e
descem pelo sulco pterigopalatino. Um pouco por baixo do nervo maxilar encon-
tra-se o gânglio pterigopalatino, com o que parecem confundir-se os nervos
pterigopalatinos, porém, na realidade, apenas atravessam o gânglio e a sua conti-
nuação são os nervos palatinos maior e menores. O palatino maior chega ao pala-
to duro pelo canal palatino maior e se distribui por numerosos ramos na mucosa
que recobre o palato duro, originando um ramo terminal que penetra no canal
incisivo, o nervo incisivo, que faz anastomose no interior do canal com o nervo
nasopalatino do septo nasal. Os nervos palatinos menores descem por canais do
mesmo nome e se dirigem ao palato mole. O posterior vai à face nasal do véu
palatino e se distribui na mucosa, dando ramos ao músculo levantador do véu
palatino e à úvula. Estas fibras musculares são emprestadas ao maxilar, porém,
sua origem é do facial e do vago. O anterior se distribui à mucosa da face bucal
do véu palatino. Quando atravessa o gânglio pterigopalatino, o nervo
pterigopalatino dá alguns ramos colaterais que parecem proceder do gânglio; são
ramos mucosos para a mucosa nasal, teto da faringe, seio esfenoidal e células
etmoidais posteriores. Um dos ramos é para o septo nasal, que recebe o nome de
nasopalatino, penetra no canal incisivo e faz anastomose com o nervo incisivo,
ramo terminal do palatino maior. A mucosa da parte posterior da concha nasal
inferior recebe ramos nasais inferiores procedentes do nervo palatino maior que
atravessam a lâmina vertical do osso palatino.
Nervo alveolar póstero-superior
Abandona o maxilar, penetra no forame alveolar póstero-superior, na
tuberosidade da maxila e se distribui para os molares superiores, com exceção da
raiz mésio-vestibular do primeiro molar superior, alvéolos correspondentes e
gengiva vestibular correspondente.
Nervo infra-orbital
É o ramo mais volumoso do maxilar, parece ser a sua continuação. Entra no
soalho orbital, seguindo o sulco, o canal, e, finalmente, emerge na face pelo forame
infra-orbital, onde se divide em numerosos ramos para a pele da parte lateral do
nariz (ramos nasais), para o lábio superior (ramos labiais) e para a pálpebra infe-
rior (ramos palpebrais). Em sua saída do forame infra-orbital, o nervo infra-orbital
se encontra no tecido conjuntivo entre os músculos levantador do ângulo da
boca e levantador do lábio superior, o qual atravessa para chegar à pele. No seu
CAPÍTULO 8 191
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trajeto pelo canal infra-orbital, o nervo infra-orbital origina, à altura dos pré-
molares, o nervo alveolar médio-superior, que se distribui aos pré-molares e à
raiz mesiovestibular do primeiro molar, alvéolos e gengiva vestibular correspon-
dentes. Ao chegar próximo ao forame infra-orbital, o nervo infra-orbital emite o
nervo alveolar ântero-superior, que desce pela parede anterior do seio maxilar e
se distribui pelos incisivos e canino, alvéolos e gengiva vestibular corresponden-
tes. Na linha média anterior, estes ramos podem fazer anastomose com o lado
oposto. Os nervos alveolares póstero-superior, médio-superior e ântero-superior
se anastomosam entre si, formando o plexo alveolar superior, de onde saem os
ramos dentais.
Fig. 8.14 — Nervo mandibular e seus ramos (vista lateral): A — gânglio trigeminal; B — nervo oftálmico; C — nervo
maxilar; D — nervos temporais profundos; E — nervo massetérico; F — nervo pterigóideo lateral; G — nervo bucal;
H — nervo pterigóideo medial; I — nervo lingual; J — nervo incisivo; K — nervo mental; L — nervo alveolar inferior;
M — nervo milo-hióideo; N — nervo auriculotemporal; O — nervo trigêmeo.
Nervo mandibular (misto)
Origina-se do gânglio trigeminal e, junto com a raiz motora do nervo trigêmeo,
abandona o crânio pelo forame oval penetrando na fossa infratemporal, onde
emite seus ramos.
O
192 Sistema Nervoso
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Nervo meníngeo ou nervo espinhoso (sensitivo)
Retorna ao crânio acompanhando a artéria meníngea média, através do forame
espinhoso, e se distribui na dura-máter.
Nervo pterigóideo medial (motor)
Enerva o músculo pterigóideo medial.
Nervo bucal (sensitivo)
Passa entre as duas cabeças do músculo pterigóideo lateral e se distribui na
superfície lateral do bucinador. Ele fornece fibras à cútis e à mucosa da boche-
cha, às gengivas dos molares inferiores, e fazem anastomose com ramos bucais
(motores) do nervo facial.
Nervo massetérico (motor)
Passa por cima do pterigóideo lateral, atravessa a incisura mandibular e enerva
o músculo masseter.
Nervos temporais profundos anterior, médio e posterior (motores)
Sobem e se distribuem no músculo temporal.
Nervo pterigóideo lateral (motor)
Enerva o músculo pterigóideo lateral.
Nervo auriculotemporal (sensitivo)
Geralmente se origina por duas raízes que envolvem a artéria meníngea mé-
dia. O nervo dirige-se para trás, profundamente ao pterigóideo lateral e entre o
ligamento esfenomandibular e o colo do côndilo mandibular. Está intimamente
relacionado à glândula parótida e passa para cima, por trás da ATM; cruza o arco
zigomático e se situa por trás da veia temporal superficial. Seus ramos terminais
distribuem-se no couro cabeludo. O nervo auriculotemporal fornece os seguin-
tes ramos: comunicação com o gânglio ótico que conduz fibras secretoras à glân-
dula parótida oriundas do nervo petroso superficial menor, ramo do nervo
timpânico. Fornece também um ramo para o meato acústico externo e um ramo
para a membrana do tímpano. Fornece, ainda, ramos parotídeos para a glândula
parótida, ramos para a articulação temporomandibular, ramos auriculares para o
pavilhão da orelha e ramos temporais para a cútis do couro cabeludo.
Nervo lingual (sensitivo)
Desce medialmente ao pterigóideo lateral e aí é alcançado pelo corda do
tímpano, um ramo do nervo facial que contém fibras associadas ao gosto e fibras
secretomotoras para as glândulas submandibular e sublingual. O nervo lingual
CAPÍTULO 8 193
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segue para baixo entre o pterigóideo medial e o ramo da mandíbula. Acha-se, a
seguir, sob a mucosa da boca, sendo palpável contra a mandíbula, cerca de 1cm
abaixo e atrás do terceiro molar inferior. A seguir, dirige-se para adiante e passa
lateral, inferior e medialmente ao ducto submandibular. Continua para adiante e
se distribui nos dois terços anteriores da língua. Seus ramos terminais comuni-
cam-se com os ramos terminais do nervo hipoglosso. No seu trajeto, emite ramos
para a mucosa sublingual e gengiva lingual de todos os dentes inferiores.
Nervo alveolar inferior (misto)
Desce na frente da artéria homônima, passa entre o ligamento esfenoman-
dibular e o ramo da mandíbula e, a seguir, penetra no forame e canal mandibular.
O nervo alveolar inferior fornece os seguintes ramos:
Nervo milo-hióideo (motor)
Origina-se antes que o nervo alveolar inferior penetre no forame mandibular.
Perfura o ligamento esfenomandibular, segue ao longo do sulco milo-hióideo e
supre o músculo milo-hióideo e o ventre anterior do músculo digástrico.
Ramos alveolodentários inferiores (sensitivos)
Originam-se no canal mandibular, formam o plexo alveolodentário inferior,
enervam os molares inferiores e os alvéolos correspondentes; alguns ramos che-
gam à gengiva vestibular dos molares.
Nervo mental (sensitivo)
Emerge da mandíbula pelo canal e forame mental e supre a cútis do mento e
do lábio inferior e a mucosa do lábio inferior. Antes de sair do forame mental, ou
seja, no interior do canal mental, emite ramos para os pré-molares e seus alvéo-
los. Estes ramos poderão se originar do nervo alveolar inferior um pouco antes de
ele dar o mental, que é um dos seus ramos terminais.
Nervo incisivo (sensitivo)
É o outro ramo terminal do alveolar inferior que forma um plexo para suprir
o canino e os incisivos, fazendo com relativa freqüência anastomose com o lado
oposto no plano mediano.
NÚCLEOS DE ORIGEM E TERMINAÇÃO DO NERVO TRIGÊMEO
Núcleo motor
Enerva todos os músculos derivados do arco mandibular, sendo os mais vo-
lumosos, os da mastigação; por esta razão, é chamado de núcleo da mastigação. É
194 Sistema Nervoso
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um núcleo ovalado, grande, situado na parte dorsal da ponte. Os seus axônios
dirigem-se ventrolateralmente e emergem na sua porção lateroventral. Formam a
porção motora ou menor do trigêmeo que se encontra na parte medial da porção
maior ou sensitiva. Suas fibras são homolaterais e seguem o nervo mandibular.
A este núcleo chegam fibras do córtex cerebral, por meio do tracto cortico-
nuclear, para realização dos movimentos voluntários da mastigação; dos núcleos
sensitivos do trigêmeo, para os movimentos reflexos; e de núcleos sensitivos de
outros nervos cranianos.
Núcleo de terminação (sensitivo)
É um núcleo grande que se estende do mesencéfalo até a medula espinhal.
Nele, podemos distinguir três porções diferentes, tanto por sua situação como
por sua estrutura e significação, que são os seguintes: núcleo do tracto espinhal,
núcleo sensitivo principal e núcleo mesencefálico.
A maior parte das fibras que chegam a estes núcleos têm seus corpos no
gânglio semilunar (trigeminal) e são unipolares, porém se dicotomizam dando
um prolongamento central e um periférico. Os prolongamentos periféricos pro-
cedem dos nervos oftálmicos, maxilar e mandibular, enquanto os centrais en-
tram na ponte, formando a porção maior ou sensitiva. Atravessam a ponte, em
direção dorsal, e se curvam em direção inferior; porém, muitas se bifurcam, dan-
do um ramo descendente longo e um ascendente curto. Os ramos descendentes
formam um feixe bastante volumoso que chega até a medula cervical. É a raiz
descendente ou espinhal do trigêmeo (tracto espinhal do nervo trigêmeo).
Na ponte, lateralmente ao núcleo motor, encontra-se o núcleo sensitivo prin-
cipal do nervo trigêmeo, que se estende mais que o motor, tanto em direção
superior como inferior. Nele terminam as fibras curtas ascendentes da raiz sen-
sitiva.
Medial com relação às fibras descendentes se encontra uma coluna longa,
que se estende até a medula cervical e forma o núcleo espinhal (núcleo do tracto
espinhal do nervo trigêmeo).
Na realidade, este núcleo está formado por duas porções distintas; o núcleo
gelatinoso, nome que leva por seu aspecto, forma a parte mais superficial, em
relação direta com as fibras descendentes, que baixam por fora e em contato com
ele. Tem continuidade na porção correspondente das colunas dorsais da medula
espinhal. Forma uma meia-lua ao redor do núcleo esponjoso e aumenta em dire-
ção inferior.
O núcleo esponjoso tem continuidade no núcleo das colunas dorsais da me-
dula e aumenta sua importância à medida que subimos no bulbo, ou seja, com-
porta-se contrariamente ao gelatinoso.
As fibras do tracto espinhal do nervo trigêmeo vão terminando a distintas
alturas nos núcleos gelatinoso e esponjoso, porque seu número é cada vez mais
escasso à medida que descemos. É evidente que as que terminam no núcleo es-
ponjoso têm de atravessar antes o gelatinoso.
CAPÍTULO 8 195
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Significação e conexões dos núcleos sensitivos
Aceita-se que o gelatinoso é o núcleo receptor da sensibilidade térmica e
dolorosa. As fibras de segunda ordem que nascem nestas células chegam ao tálamo,
onde nascem as fibras de terceira ordem que vão à área somestésica do córtex
cerebral.
O núcleo esponjoso e o sensitivo principal estão em relação com a sensibili-
dade táctil. Aceita-se que o sensitivo principal seja para a sensibilidade táctil
discriminativa ou epcrítica e o esponjoso, para as sensações de contato ligeiras.
Destes núcleos partem as fibras de segunda ordem que chegam ao tálamo e, a
seguir, as de terceira ordem, que chegam à área pós-central do córtex cerebral.
Núcleo mesencefálico
Está situado na parte dorsolateral do mesencéfalo, próximo à luz do aquedu-
to, e alcança inferiormente a parte superior da ponte. Suas células são unipolares,
seu único axônio se divide num ramo curto e um ramo longo. Os longos provêm
do trigêmeo e entram na ponte depois de atravessar o gânglio trigeminal, porém,
sem originar-se em células do mesmo. Atravessam a ponte junto com as outras
fibras do trigêmeo, passam entre o núcleo sensitivo principal e o motor e se
fazem ascendentes, formando a raiz mesencefálica do trigêmeo. Os curtos termi-
nam ao redor das células motoras do núcleo motor.
Considera-se o núcleo mesencefálico como o centro da sensibilidade pro-
prioceptiva dos músculos da mastigação e periodonto. Na realidade, a maioria
das fibras da raiz mesencefálica procedem do nervo mandibular, e sua conexão
com o núcleo motor indica-nos a existência de um arco reflexo importante que
regula a mastigação em relação com as sensações procedentes dos músculos,
tendões e periodonto.
NERVO FACIAL — VII PAR CRANIANO
O nervo facial consiste de uma grande parte, que enerva os músculos da
mímica, e de uma pequena parte, denominada nervo intermédio, que contém
fibras gustatórias para os dois terços anteriores da língua, fibras secretomotoras
para as glândulas lacrimal e salivares palatinas, submandibular, sublingual, lin-
guais e algumas fibras da sensibilidade à dor. As duas porções do nervo facial
deixam o tronco encefálico no sulco bulbopontino (origem aparente) juntamente
com o nervo vestibulococlear e penetram no conduto auditivo interno. O nervo
facial prossegue lateralmente no conduto e, então, entra no canal facial do osso
temporal. Acima do promontório, na parede medial da orelha média, o nervo se
dilata para formar o gânglio geniculado, que contém as células de origem das
suas fibras gustatórias. O nervo facial, então, se volta agudamente para trás, des-
crevendo uma curva chamada genículo (joelho). O nervo, então, dobra-se inferi-
ormente atrás da orelha média e sai do crânio através do forame estilomastóideo.
O trajeto do nervo facial, desde a sua entrada no conduto auditivo interno até a
sua saída no forame estilomastóideo, é denominado trajeto intrapetroso. A se-
196 Sistema Nervoso
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guir, ele se dobra para adiante, penetra na glândula parótida, forma o plexo
intraparotídeo e dá origem aos ramos para os músculos da mímica. É o seu trajeto
extrapetroso.
Fig. 8.15 — Nervo facial e seus ramos: A — nervo facial: B — gânglio geniculado; C — nervo petroso superficial
maior; D — nervo estapédio; E — nervo corda do tímpano; F — nervo lingual; G — fibras aferentes viscerais
especiais do corda do tímpano; H — fibras eferentes viscerais gerais do corda do tímpano para a glândula
sublingual; I — gânglio submandibular; J — fibras eferentes viscerais gerais do corda do tímpano para a glândula
submandibular; K — fibras aferentes da orelha externa; L — fibras eferentes para os músculos auriculares; M e N
— fibras eferentes viscerais especiais para os músculos faciais (plexo intraparotídeo); O — ramo para o músculo
estilo-hióideo; P- ramo para o ventre posterior do músculo digástrico.
RAMOS INTRAPETROSOS DO NERVO FACIAL
Nervo estapédio (motor)
É um ramo finíssimo que sai do facial na sua porção descendente e se intro-
mete-se num canalículo ósseo, terminando no músculo do estribo (estapédio).
Nervo petroso superficial maior (parassimpático)
Sai do nervo facial, no nível do seu genículo, onde suas fibras, que vêm com
o intermédio, atravessam o gânglio geniculado; seguem em direção anterior e
CAPÍTULO 8 197
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chegam à face ântero-superior do rochedo seguindo no sulco petroso superficial
maior em direção ao ápice do rochedo. Neste trajeto encontra-se coberto pela
dura-máter e pelo gânglio semilunar (trigeminal). Chegando ao ápice do roche-
do, o nervo petroso superficial maior se reúne com o nervo petroso profundo
maior (ramo do plexo pericarótico interno simpático). Ambos formam o nervo do
canal pterigóideo que segue em direção anterior no canal pterigóideo, chegando
à fossa pterigopalatina, onde termina num engrossamento, o gânglio pterigo-
palatino, situado um pouco por baixo do tronco do nervo maxilar. Neste gânglio,
as fibras pré-ganglionares fazem sinapse e saem as fibras pós-ganglionares. Estas
fibras são secretomotoras para as glândulas lacrimal e salivares acessórias da
região palatina. As fibras que vão às glândulas palatinas unem-se aos nervos
palatinos do maxilar, enquanto as destinadas à glândula lacrimal unem-se ao
nervo pterigopalatino, maxilar, zigomático e, na órbita, passam ao nervo lacrimal
pelo ramo anastomótico citado no estudo do nervo trigêmeo. Por estes trajetos,
estas fibras parassimpáticas do nervo petroso superficial maior chegam às glân-
dulas palatinas e à glândula lacrimal. As fibras simpáticas do nervo petroso
profundo maior percorrem o mesmo trajeto; porém, não fazem sinapse no gân-
glio pterigopalatino, apenas o atravessam, pois são fibras pós-ganglionares do
gânglio cervical superior da cadeia simpática.
Fig. 8.16 — Gânglio pterigopalatino: A — nervo trigêmeo; B — gânglio trigeminal; C — nervo oftálmico; D — nervo
maxilar; E — nervo zigomático; F — nervo lacrimal; G — glândula lacrimal; H — gânglio pterigopalatino; I — ramos
nasais póstero-superiores; J — ramo nasal póstero-inferior; K — nervo nasopalatino ou incisivo; L — nervo palatino
maior; M — nervos palatinos menores; N — ramo faríngeo; O — gânglio cervical superior; P — plexo pericarótico
interno; Q — nervo facial; R — gânglio geniculado; S — fibra simpática; T — fibra aferente; U — fibra parassimpática.
198 Sistema Nervoso
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Nervo corda do tímpano (parassimpático)
Abandona o nervo facial pouco antes de ele sair pelo forame estilomastóideo.
Dirige-se para cima e para adiante, entra na caixa do tímpano pelo canalículo
corda do tímpano e sai da mesma pela fissura petrotimpânica. Fora da caixa do
tímpano, desce entre os músculos pterigóideos e termina fusionando-se com o
nervo lingual na fossa infratemporal. Ao passar (junto com o lingual) nas vizi-
nhanças das glândulas submandibular e sublingual, saem ramos que terminam
ao redor de células dos gânglios submandibular e sublingual (apensos ao nervo
lingual). Aí fazem sinapse e as fibras pós-ganglionares (parassimpáticas) che-
gam às glândulas submandibular, sublingual e linguais, fazendo sua excitos-
secreção. As fibras simpáticas, que nas glândulas salivares também são
excitossecretoras, provêm do plexo simpático da artéria facial, atravessam os
gânglios submandibular e sublingual e chegam às glândulas em questão sem
fazer sinapse nestes gânglios, pois são fibras pós-ganglionares do gânglio cervical
superior da cadeia simpática.
Além de fibras secretoras, o nervo corda do tímpano contém fibras aferentes
(gustativas) que procedem dos dois terços anteriores da língua, tendo estas fibras
suas células no gânglio geniculado.
Fig. 8.17 — Gânglio submandibular: A — nervo mandibular; B — nervo lingual; C — glândula sublingual; D —
glândula submandibular; E — plexo simpático envolvendo a artéria facial; F — gânglio cervical superior; G —
gânglio submandibular; H — nervo corda do tímpano.
CAPÍTULO 8 199
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RAMOS EXTRAPETROSOS DO NERVO FACIAL
Imediatamente após sua saída do crânio, antes de penetrar na parótida, saem
do facial os seguintes ramos: auricular posterior, digástrico e estilo-hióideo.
Nervo auricular posterior (motor)
Dirige-se para cima por trás do conduto auditivo externo, apoiado sobre a
porção mastóidea, e inerva o músculo auricular posterior e o músculo occipital.
Nervo digástrico (motor)
Sai por baixo do auricular posterior e se intromete na margem anterior do
ventre posterior do músculo digástrico.
Nervo estilo-hióideo (motor)
Abandona o facial junto ao digástrico e inerva o músculo estilo-hióideo atra-
vés de sua margem posterior.
Na glândula parótida o nervo facial forma o plexo intraparotídeo, cujos ra-
mos se anastomosam entre si de uma maneira variável. Os ramos terminais, emer-
gem na margem anterior da parótida e irradiam-se em direção anterior na face,
comunicando-se com alguns ramos terminais do nervo trigêmeo.
Ramos terminais
Temporais, frontais, palpebrais, zigomáticos, bucais, marginal da mandíbula
e cervical. Se distribuem em toda musculatura da mímica.
NÚCLEO DE ORIGEM E TERMINAÇÃO DO NERVO FACIAL
Núcleo motor principal
É o núcleo de origem para a musculatura, está situado na parte inferior da
ponte, inferior em relação ao núcleo motor do trigêmeo e superior em relação ao
núcleo ambíguo. Suas fibras, ao sair do núcleo, se dirigem em direção dorsal,
para o soalho do IV ventrículo; chegando aqui, se fazem ascendentes, logo trans-
versais e por último, descendentes, rodeando medial, superior e lateral o núcleo
de origem do nervo abducente e só agora, se dirigem ventrolateralmente para sair
do tronco encefálico pelo sulco bulbopontino. A curva das fibras do facial ao
redor do núcleo do abducente forma um relevo descrito no soalho do IV ventrículo
com o nome de colículo facial.
As fibras do facial são em sua grande maioria homolaterais, ou seja, saem
pelo mesmo lado em que se encontram seus núcleos de origem.
Núcleo motor parassimpático
Está representado pela parte superior de uma coluna situada entre o bulbo e
a ponte. Como dele saem principalmente as fibras secretoras para as glândulas
200 Sistema Nervoso
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salivares, é chamado de núcleo salivatório superior. Está situado dorsolateralmente
em relação ao núcleo motor principal. Suas fibras radiculares saem do tronco
encefálico junto ao facial, porém, sem seguir a alça que o facial faz ao redor do
abducente.
Conexões dos núcleos motores do facial
Do córtex cerebral, para realização dos movimentos voluntários (tracto
córticonuclear), de núcleos sensitivos de outros nervos cranianos, principalmente
do trigêmeo. São muito importantes para certos reflexos, como, por exemplo, o
fechamento da abertura palpebral ao contato com a córnea.
Núcleos sensitivos do nervo facial
Formam a parte mais superior de uma coluna celular, situada na parte
dorsolateral da metade superior do bulbo e inferior da ponte. É o núcleo solitário.
Núcleo solitário
Nele terminam as fibras sensitivas do facial (intermédio) em sua parte supe-
rior e do glossofaríngeo e vago na sua parte inferior.
Em uma pequena parte superior do núcleo solitário, terminam as escassas
fibras sensitivas que chegam pelo intermédio e procedem principalmente de uma
parte da mucosa do ouvido médio e de uma parte da tuba auditiva.
Núcleo gustativo
A maior parte das fibras sensitivas do intermédio facial são especializadas
(gustativas) e vêm dos dois terços anteriores da língua pelo corda do tímpano e
depois pelo intermédio facial. Entram no tronco encefálico e terminam no nú-
cleo gustativo que são células de limites pouco claros, paralela e medialmente ao
núcleo solitário.
NERVO GLOSSOFARÍNGEO — IX PAR CRANIANO
É o nervo aferente da língua e da faringe, e eferente para os músculos
constritores da faringe, estilofaríngeo e glândula parótida.
Emerge no bulbo, atrás da oliva (origem aparente), atravessa a parte anterior do
forame jugular, onde apresenta dois gânglios, um superior ou jugular e um inferior
ou petroso, que está localizado na fóssula petrosa entre o forame jugular e o canal
carótico. Estes gânglios contêm os corpos celulares das fibras aferentes. O nervo
glossofaríngeo passa, a seguir, entre a veia jugular interna e a artéria carótida inter-
na. Desce na frente da carótida interna, profundamente ao processo estilóide e aos
músculos estíleos. Faz uma curva para adiante em volta do músculo estilofaríngeo,
corre profundamente à margem posterior do músculo hioglosso e passa entre os
constritores superior e médio da faringe, distribuindo-se na base da língua.
CAPÍTULO 8 201
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O NERVO GLOSSOFARÍNGEO ORIGINA OS SEGUINTES RAMOS
Nervo timpânico (parassimpático)
Contém fibras secretoras para a glândula parótida. Ele nasce no gânglio
petroso, atravessa o canalículo timpânico no fundo da fóssula petrosa (entre o
forame jugular e o canal carótico) e alcança a cavidade timpânica. Aí ele se divi-
de em ramos que formam o plexo timpânico sobre o promontório na parte medial
da cavidade timpânica. O plexo fornece ramos para a mucosa da cavidade
timpânica, para as células mastóideas e para a tuba auditiva. Algumas fibras do
plexo se reúnem para formar o nervo petroso superficial menor (parassimpático),
que é reforçado com fibras simpáticas procedentes do plexo pericarótico interno.
Atravessando o canalículo caroticotimpânico, formam o nervo petroso profundo
menor (simpático), que segue junto com o petroso superficial menor. Saem pela
parte alta da caixa do tímpano e chegam à face ântero-superior do rochedo. Aqui,
seguem o sulco menor, cobertos pela dura-máter, chegam ao ápice do rochedo,
Fig. 8.18 — Nervo glossofaríngeo: A — forame jugular (emerge o nervo glossofaríngeo); B — canalículo timpânico
(penetra o nervo timpânico); C — ramo para orelha média; D — plexo timpânico; E — nervo petroso superficial
menor; F — gânglio ótico; G — glândula parótida; H — ramo para os músculos estilofaríngeo e constritor superior da
faringe; I — ramos tonsilares e para o palato mole; J — ramos linguais; K — fibras gustatórias; L — ramo faríngeo
para o plexo faríngeo; M — ramo para o seio e glomo carótico; N — gânglio petroso.
202 Sistema Nervoso
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atravessam o forame oval ou o forame inominado na grande asa do esfenóide e
chegam ao gânglio ótico, que está localizado medialmente ao nervo mandibular.
Neste gânglio, as fibras parassimpáticas provenientes do nervo petroso superficial
menor fazem sinapse e fazem surgir as fibras pós-ganglionares, que vão à parótida
seguindo junto com o nervo auriculotemporal; porém, algumas fibras passam ao
nervo bucal ramo do mandibular e terminam em pequenas glândulas salivares
na mucosa bucal que cobre o músculo bucinador. As fibras simpáticas, proveni-
entes do nervo petroso profundo menor do plexo pericarótico interno e da artéria
meníngea média, seguem o mesmo trajeto das fibras parassimpáticas, mas não
fazem sinapse no gânglio ótico, pois são fibras pós-ganglionares do gânglio cervical
superior da cadeia simpática.
Fig. 8.19 — Gânglio ótico: A — fibras motoras do nervo trigêmeo; B — nervo mandibular; C — gânglio ótico; D —
nervo para o músculo tensor do véu palatino; E — nervo para o músculo pterigóideo medial; F — nervo lingual; G —
nervo alveolar inferior; H — artéria meníngea média com seu plexo simpático; I — gânglio cervical superior; J — fibra
simpática pré-ganglionar; K — fibra simpática pós-ganglionar; L — nervo auriculotemporal; M — glândula parótida; N
— nervo timpânico; O — plexo timpânico; P — nervo petroso superficial menor; Q — nervo para o tensor do tímpano.
Nervo auricular (sensitivo)
Une-se ao nervo auricular do vago e a um ramo do facial e se distribui na
pele da parte posterior do conduto auditivo externo.
CAPÍTULO 8 203
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Nervo do seio carótico (aferente visceral)
Sai do glossofaríngeo quando este se dobra para adiante; é um ramo descen-
dente que chega ao seio carótico e ao glomo carótico. São fibras aferentes muito
importantes, pois representam a via aferente de reflexos para regular a pressão
arterial e o teor de oxigênio no sangue.
Nervo faríngeo
Une-se sobre o constritor médio da faringe com o ramo faríngeo do vago e com
ramos simpáticos do tronco simpático, formando o plexo faríngeo de onde saem
fibras sensitivas à mucosa da faringe e fibras motoras aos músculos constritores da
faringe e músculos do véu palatino, principalmente o tensor do véu.
Nervo estilofaríngeo (motor)
Nasce do glossofaríngeo quando este cruza o músculo estilofaríngeo e nele se
distribui.
Nervos tonsilares (sensitivos)
Fornecem fibras à mucosa sobre a tonsila e parte do palato mole.
Ramos terminais linguais (sensitivos)
Distribuem-se no terço posterior da língua com fibras sensitivas gerais e fi-
bras associadas à percepção do gosto, inclusive das papilas valadas.
NÚCLEOS DE ORIGEM E TERMINAÇÃO DO NERVO GLOSSOFARÍNGEO
Núcleo ambíguo
É um núcleo motor especializado que forma uma coluna situada na parte
superior do bulbo, chegando ao pólo superior da oliva.
Os axônios destas células formam uma curva antes de sair do tronco encefálico.
Primeiro dirigem-se em direção dorsomedial, curvam-se ao redor do núcleo espi-
nhal do nervo trigêmeo e vão emergir no sulco dorsolateral do bulbo, atrás da
oliva (origem aparente). As fibras procedentes da porção superior do núcleo
ambíguo seguem com o nervo glossofaríngeo e vão inervar os músculos constritores
da faringe, o estilofaríngeo e em parte o músculo tensor do véu palatino. As
fibras do glossofaríngeo e do vago são hetero e homolaterais, ou seja, há algumas
que, procedendo do núcleo ambíguo de um lado, saem pelo sulco dorsolateral do
bulbo do lado oposto e outras pelo mesmo lado.
Núcleo salivatório inferior
É parassimpático e está situado junto e abaixo do salivatório superior do
facial. Suas fibras saem com o glossofaríngeo sem fazer a curva ao redor do nú-
204 Sistema Nervoso
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cleo espinhal do trigêmeo e vão fazer a excitossecreção da glândula parótida e
glândulas bucais, como descreveu-se anteriormente ao analisar-se o nervo
timpânico e o petroso superficial menor.
Núcleo solitário
A ele chegam as fibras sensitivas da mucosa da faringe, da base da língua, da
caixa do tímpano e tuba auditiva, através dos gânglios petroso e jugular do nervo
glossofaríngeo.
Núcleo gustatório
A este núcleo chegam as fibras gustativas procedentes do terço posterior da
língua.
As fibras sensitivas do glossofaríngeo e do vago, muito escassas, que vêm da
pele da parte posterior do conduto auditivo externo pelos ramos auriculares,
terminam na parte mais inferior do núcleo do tracto espinhal do nervo trigêmeo.
NERVO HIPOGLOSSO — XII PAR CRANIANO
É o nervo motor da língua. Suas raízes emergem do bulbo entre a pirâmide e
a oliva (origem aparente). As raízes reúnem-se para formar dois feixes que perfu-
ram a dura-máter e passam através do canal do hipoglosso no osso occipital. Os
feixes se unem ao atravessar o canal. O nervo hipoglosso desce por trás da artéria
carótida interna e dos nervos glossofaríngeo e vago. Ele desce, a seguir, entre a
artéria carótida interna e a veia jugular interna e profundamente ao ventre poste-
rior do digástrico. O hipoglosso descreve uma alça para a frente em torno da
artéria occipital e seu ramo esternocleidomastóideo inferior. Segue sobre o mús-
culo hioglosso e passa profundamente ao músculo milo-hióideo e se distribui na
musculatura da língua.
RAMOS DO NERVO HIPOGLOSSO
As fibras de alguns ramos do nervo hipoglosso são peculiares ao próprio
nervo, ao passo que outras fibras são meramente transportadas por ele. Estas
fibras provêm do plexo cervical.
RAMOS MENÍNGEOS (SENSITIVOS)
Vêm do plexo cervical, juntam-se ao hipoglosso, dirigem-se para cima, atra-
vés do canal do hipoglosso, e inervam a dura-máter da fossa craniana posterior.
RAIZ DESCENDENTE OU SUPERIOR DA ALÇA CERVICAL (MOTOR)
Vem do primeiro e segundo ramos cervicais, une-se ao hipoglosso e desce
superficialmente à bainha carótica. A raiz inferior vem do segundo e terceiro
ramos cervicais, desce e se une à raiz superior formando a alça cervical, de onde
saem ramos para os músculos omo-hióideo, esterno-hióideo e esternotireóideo.
CAPÍTULO 8 205
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RAMO TIREO-HIÓIDEO (MOTOR)
Vem do plexo cervical, segue com o hipoglosso e se dirige ao músculo tiro-
hióideo e logo adiante sai do hipoglosso, um ramo para o músculo gênio-hióideo,
que também provém do plexo cervical.
RAMOS LINGUAIS (MOTORES)
Estes são ramos do hipoglosso e se distribuem na musculatura da língua.
NÚCLEO DE ORIGEM DO NERVO HIPOGLOSSO
É uma delgada coluna, situada a cada lado do plano mediano na parte dorsal
do bulbo, correspondendo no soalho do IV ventrículo ao trígono do hipoglosso.
Suas fibras são homolaterais; dirigem-se ventral e lateralmente cruzando toda
espessura do bulbo e saem pelo sulco pré-olivar. Suas células são motoras para a
musculatura da língua.
Fig. 8.20 — Nervo hipoglosso e alça cervical: A — ramos meníngeos; B — nervo hipoglosso; C — ramos linguais
para os músculos da língua; D — ramo do plexo cervical para o músculo genio-hióideo; E — ramo do plexo cervical
para o músculo tireo-hióideo; F — ramo superior ou descendente do plexo cervical; G — alça cervical; H — ramo
para o músculo esterno-hióideo; I — ramo para o músculo esternotireóideo; J — ramo para o músculo omo-hióideo;
K — ramo inferior do plexo cervical; L — terceiro nervo cervical; M — segundo nervo cervical; N — primeiro nervo cervical.
206 Sistema Nervoso
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PLEXO CERVICAL
Os ramos ventrais dos quatro nervos cervicais superiores unem-se para for-
mar o plexo cervical. O plexo está disposto numa série irregular de alças das
quais surgem ramos. Os ramos cutâneos surgem todos no meio da margem poste-
rior do músculo esternocleidomastóideo. Estes ramos são os seguintes: occipital
menor, auricular magno (que atravessa a parótida e se distribui no pavilhão
auricular), transverso do pescoço (que inerva a cútis do pescoço e pode emitir
um ramo que perfura a mandíbula chegando aos molares inferiores) e, finalmen-
te, os supraclaviculares.
CAPÍTULO 9 207
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CAPÍTULO
9
Anatomia Dental
CONCEITO
É a parte da anatomia que estuda a morfologia dos dentes.
DENTES
São estruturas mineralizadas, situadas na boca, tendo como origem o epitélio
da mucosa bucal. Distribuídos nas maxilas e mandíbula, articulados em seus
alvéolos através de junturas fibrosas do tipo gonfose.
FUNÇÕES DOS DENTES
Mastigação, deglutição, estética, crescimento craniofacial, fonação, susten-
tação e proteção dos tecidos moles.
O dente é um órgão cuja estrutura base é a dentina. Distinguimos duas por-
ções anatômica e funcionalmente distintas. Uma que aparece fora do alvéolo,
recoberta pelo esmalte, denominada coroa anatômica; a outra denominada
raiz, recoberta pelo cemento, que sustenta o dente no alvéolo através de ligamen-
tos fibroelásticos (gonfose). Entre a coroa anatômica e a raiz, distinguimos uma
linha sinuosa denominada colo anatômico. No vivo, em condições normais, a
mucosa gengival recobre o colo anatômico e em parte a coroa anatômica, defi-
nindo, assim, um colo clínico e uma coroa clínica, ligeiramente reduzida em
relação à coroa anatômica.
208 Anatomia Dental
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A coroa dos dentes humanos apresenta-se com a forma aproximada de um
cubo. Portanto, apresenta seis faces (Fig. 9.1).
Face vestibular
É aquela que está em relação ao vestíbulo bucal.
Face lingual
Diametralmente oposta à vestibular e em relação com a língua. Nos dentes supe-
riores, esta face poderá ser chamada de face palatina por sua relação com o palato.
Face mesial
É a que está mais próxima do plano mediano.
Face distal
É a que está mais afastada do plano mediano. (Obs. — as faces mesial e distal,
em conjunto, são chamadas de faces proximais.)
Face oclusal
É aquela que entra em oclusão com o dente do arco antagônico. (Obs. — os
incisivos e caninos não apresentam faces oclusais, e, sim, margens oclusais.)
Fig. 9.1 — Faces da coroa de um dente humano: V — vestibular; L — lingual; D — distal; M — mesial; O — oclusal.
CAPÍTULO 9 209
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Face cervical
Esta face é virtual, ou seja, só pode ser observada quando se corta o dente no
nível do colo anatômico.
CLASSIFICAÇÃO DOS DENTES
No homem, ocorrem duas dentições (difiodonte): uma dita temporária, tam-
bém chamada de leite (pela sua coloração esbranquiçada), decídua (que quer
dizer passageira), caduca (que vai cair). Nesta dentição encontra-se, em cada
hemiarco, um incisivo central, um incisivo lateral, um canino, um primeiro molar
e um segundo molar, totalizando 20 dentes; a outra, permanente ou segunda
dentição, onde se encontra em cada hemi-arco um incisivo central, um incisivo
lateral, um canino, um primeiro pré-molar, um segundo pré-molar, um primeiro
molar, um segundo molar e um terceiro molar, totalizando 32 dentes. No cotidi-
ano, representa-se os dentes permanentes e temporários através dos quadrantes
de uma cruz e de algarismos escritos nestes quadrantes. Os dentes de cada hemi-
arco são numerados em algarismos arábicos para os permanentes de 1 a 8 e em
algarismos romanos para os temporários de I a V, partindo do incisivo central,
que é o dente mais próximo do plano mediano.
Os algarismos situados acima e abaixo da linha horizontal representam, res-
pectivamente, os dentes superiores e inferiores. Os algarismos colocados à es-
querda da linha vertical em relação ao observador correspondem aos dentes do
lado direito de quem é observado e vice-versa.
Quando representa-se um ou mais dentes de um mesmo hemiarco não se usa
a cruz, e sim um ângulo reto.
Exemplos: canino superior direito 3 , segundo molar inferior esquerdo 7,
canino superior esquerdo temporário III, primeiro molar inferior direito
temporário IV .
Pode-se também representar os dentes sem a cruz, usando apenas algarismos
arábicos, tanto para dentes permanentes como para temporários, da seguinte
V IV III II I I II III IV V
V IV III II I I II III IV V
8 7 6 5 4 3 2 1 1 2 3 4 5 6 7 8
8 7 6 5 4 3 2 1 1 2 3 4 5 6 7 8
D
S
I
ED
S
I
E
210 Anatomia Dental
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maneira: nos permanentes usa-se o número 11 para o 1 , o número 12 para o 2 , o
número 13 para o 3 , o número 14 para o 4 , o número 15 para o 5 , o número 16
para o 6 , o número 17 para o 7 , o número 18 para o 8 , o número 21 para o 1, o
número 22 para o 2, o número 23 para o 3, o número 24 para o 4, o número 25
para o 5, o número 26 para o 6, o número 27 para o 7, o número 28 para o 8, o
número 31 para o 1, o número 32 para o 2, o número 33 para o 3, o número 34
para o 4, o número 35 para o 5, o número 36 para o 6, o número 37 para o 7, o
número 38 para o 8, o número 41 para o 1 , o número 42 para o 2 , o número 43
para o 3 , o número 44 para o 4 , o número 45 para o 5 , o número 46 para o 6 , o
número 47 para o 7 , o número 48 para o 8 .
Nos temporários, usa-se o número 51 para o I , o número 52 para o II , o
número 53 para o III , o número 54 para o IV , o número 55 para o V , o número 61
para o I, o número 62 para o II, o número 63 para o III, o número 64 para o IV,
o número 65 para o V, o número 71 para o I, o número 72 para o II,
o número 73 para o III, o número 74 para o IV, o número 75 para o V, o número
81 para o I , o número 82 para o II , o número 83 para o III , o número 84 para o
IV e o número 85 para o V .
Cavidade pulpar
É o espaço endodôntico que aloja a polpa dentária, que é ricamente vascula-
rizada e enervada, fazendo com que se comporte como importante defensora da
integridade do dente, reagindo dolorosamente diante de estímulos exagerados.
Câmara coronária ou pulpar
É a porção da cavidade pulpar correspondente à coroa do dente. Apresenta
seis paredes: uma vestibular, uma lingual, uma mesial, uma distal, uma oclusal
que é conhecida como teto da câmara coronária não importando se fala-se de den-
tes superiores ou inferiores; no teto da câmara coronária encontram-se projeções
relacionadas com as cúspides dos dentes, ou aos lobos de desenvolvimento, como
é o caso dos incisivos, que recebem o nome de divertículos ou cornos pulpares; e
uma cervical, que é conhecida como soalho, tanto para dentes superiores quanto
para inferiores. Em se tratando de dentes unirradiculares, o soalho é virtual, e, nos
dentes bi ou multirradiculares, o soalho é real. Assim, nos primeiros a câmara
coronária continua-se com o canal radicular, que é a porção da cavidade pulpar
relacionada com a raiz. Nos segundos, a câmara coronária continua-se com mais
de um canal radicular; logo existe um soalho que é real. No ápice de cada raiz
existe o forame apical, que é o orifício natural de acesso à cavidade pulpar por
onde penetram vasos e nervos; e, ao lado deste, as foraminas, orifícios acessórios
dispostos ao redor do ápice radicular que se continuam em canalículos que alcan-
çam o canal principal; em conjunto, são chamados de delta apical.
Como foi dito no início do estudo, os dentes alojam-se nos alvéolos das ma-
xilas e da mandíbula através de uma juntura fibrosa (gonfose). Dela participam
duas superfícies articulares. De um lado o osso, representado pela cortical alveolar
CAPÍTULO 9 211
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(lâmina dura); do outro, o dente, através do cemento. Entre ambos se dispõe o
ligamento periodontal. Esses três elementos, responsáveis pela fixação do dente,
formam o periodonto de inserção.
Recobrindo os processos alveolares e aderindo fortemente aos dentes, en-
contra-se a gengiva, que cumpre a função de dar proteção ao periodonto de inser-
ção e é chamado periodonto de proteção.
Esses elementos e os que formam o dente, esmalte, dentina e polpa se reú-
nem para constituir uma entidade chamada odonton.
Esmalte
Dentina
Polpa dentária
Odonton
Periodonto
Periodonto de inserção
Cemento
Lâmina dura
Ligamento alvéolo dentário
Periodonto de proteção: gengiva
Órgão dentário
DIMENSÕES DOS DENTES HUMANOS
No grupo dos incisivos, encontra-se uma ordem decrescente nos superiores e
crescente nos inferiores, ou seja: na mesma boca, o incisivo central superior é
maior que o incisivo lateral superior, enquanto o incisivo central inferior é me-
nor que o incisivo lateral inferior. Analisando as duas séries nota-se um predo-
mínio volumétrico dos incisivos superiores, característica similar no grupo dos
caninos. As séries dos pré-molares superiores e as dos molares superiores e infe-
riores comportam uma ordem volumétrica decrescente. Como exceção observa-
se nos pré-molares inferiores, onde o segundo é maior do que o primeiro. Em
relação aos arcos superior e inferior os pré-molares superiores têm maior volume
que os inferiores, enquanto os molares inferiores são maiores que os superiores.
O mais volumoso dente de um hemiarco é o primeiro molar inferior, e o de me-
nor volume e comprimento total é o incisivo central inferior. O de maior compri-
mento total é o canino superior.
Para facilitar o estudo individual dos dentes, divide-se a coroa em três terços
no sentido cérvico-oclusal (cervical, médio e oclusal); em três terços no sentido
mesiodistal (mesial, médio e distal) e em três terços no sentido vestibulolingual
(vestibular, médio e lingual). A raiz divide-se também em três terços no sentido
cérvico-apical (cervical, médio e apical) (Figs. 9.2 e 9.3).
212 Anatomia Dental
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INCISIVOS
INCISIVOS CENTRAIS SUPERIORES PERMANENTES 11 E 21 1 1
Os incisivos centrais superiores estão localizados de ambos os lados do arco
superior, com suas faces mesiais em contato. Quando este contato não existe, o espa-
ço entre os incisivos centrais e também entre outros dentes é chamado diastema.
Fig. 9.3 — Canino superior, visto por uma das faces proximais: A — terço vestibular; B — terço médio; C — terço
lingual (terços coronários no sentido vestibulolingual); D — terço oclusal; E — terço médio; F — terço cervical (terços
coronários no sentido ocluso-cervical).
Fig. 9.2 — Canino superior, visto pela face vestibular: A — terço apical; B — terço médio; C — terço cervical (terços
radiculares); D — terço cervical; E — terço médio; F — terço oclusal (terços coronários no sentido cervicooclusal);
G — terço mesial; H — terço médio; I — terço distal (terços coronários no sentido mesiodistal).
CAPÍTULO 9 213
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Desenvolvimento
Quando a coroa está totalmente formada no interior da maxila, começa a
formação da raiz e, neste momento, o dente começa a se movimentar no sentido
inferior (processo de irrupção), emergindo na boca aos sete anos de idade.
Funções
Atuam no corte dos alimentos, podendo além disso cumprir a função de roer.
Atuam também na articulação da fala.
Oclusão
Estabelece oclusão com o incisivo central e metade mesial do incisivo lateral
inferiores.
Morfologia
Face vestibular
É estreita no terço cervical, alargando-se no sentido oclusal. O ângulo forma-
do pelas margens mesial e oclusal desta face é ligeiramente arredondado, ten-
dendo ao ângulo reto. Já o ângulo formado pelas margens distal e oclusal é bem
mais arredondado. A distância cervicooclusal é ligeiramente maior que a distân-
cia mesiodistal. No dente recém-irrupcionado observam-se na margem oclusal
três lobos que alguns autores chamam de “flor do lírio”, que geralmente se des-
gastam após o contato funcional. No sentido mesiodistal, o maior é o distal. No
sentido longitudinal, o mais longo é o central, pela disposição da margem cervical
(convexa para a raiz); o distal é ligeiramente menor que o mesial. Esta face é
convexa no terço cervical, diminuindo a convexidade no sentido oclusal e se
tornando quase plana no terço oclusal (Fig. 9.4).
Fig. 9.4 — Incisivo central superior esquerdo (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
214 Anatomia Dental
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Face lingual
Os lados mesial e distal convergem no sentido lingual, tornando a face
lingual mais estreita que a vestibular. É côncava nos dois terços oclusais e bas-
tante convexa no terço cervical, onde apresenta uma saliência, o tubérculo
dentário (cíngulo), que pode apresentar-se único, bipartido ou tripartido. O
cíngulo está geralmente deslocado no sentido distal. Dele partem duas cristas
marginais em direção oclusal, uma mesial e uma distal, sendo que a mesial é
mais longa que a distal (Fig. 9.5).
Fig. 9.5 — Incisivo central superior esquerdo (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem
mesial; O — margem oclusal.
Faces proximais
São triangulares, devido à convergência das faces lingual e vestibular em
direção à margem oclusal e também ligeiramente convexas, sendo a maior
convexidade próxima à margem oclusal para contato com o dente vizinho. Das
duas faces proximais, a distal é mais convexa e menor que a mesial. A linha do
colo nestas faces tem concavidade voltada para a raiz (Fig. 9.6).
Margem oclusal
Após o contato funcional com os antagonistas durante um bom tempo, esta
margem pode se transformar numa verdadeira face pela atrição com o desgaste
para o lado lingual. Esta margem sobe de mesial para distal, descrevendo uma
ampla curva; na distal diminui o raio de curvatura, contribuindo para que o
ângulo distoclusal se apresente arredondado.
CAPÍTULO 9 215
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Raiz
Tem forma cônica e seu comprimento é maior que o da coroa. Apresenta
faces vestibular, mesiolingual e distolingual, mas não são bem delimitadas. A
face distolingual às vezes é sulcada no sentido longitudinal.
Canal radicular
Tem início no forame apical e percorre todo o comprimento da raiz. É irregu-
larmente circular em secção transversal. Na coroa, o canal continua-se com a
câmara pulpar, que se apresenta estreita no sentido vestibulolingual e larga no
sentido mesiodistal. Na parte próxima à margem oclusal (teto da câmara) conti-
nua-se com três prolongamentos, os cornos pulpares, que correspondem aos três
pequeninos lobos do dente, já descritos (Figs. 9.7 e 9.8).
INCISIVOS LATERAIS SUPERIORES PERMANENTES 12 E 22 2 2
Os incisivos laterais estão localizados em posição distal aos incisivos centrais,
suas faces mesiais ficam em contato com as faces distais dos incisivos centrais. As
faces distais dos incisivos laterais fazem contato com as faces mesiais dos caninos.
Irrupção
Aparece na boca aos oito anos de idade, com processo de irrupção nas mes-
mas condições do incisivo central, já descrito.
Fig. 9.6 — Incisivo central superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual;
O — margem oclusal; V — margem vestibular.
216 Anatomia Dental
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Funções
Exercem as mesmas funções do incisivo central, já descritas.
Oclusão
Estabelece oclusão com a metade distal do incisivo lateral e a metade mesial
do canino inferiores.
Fig. 9.7 — Corte frontal no incisivo central superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
Fig. 9.8 — Corte sagital no incisivo central superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
CAPÍTULO 9 217
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Morfologia
Face vestibular
Suas características são semelhantes às do incisivo central, porém com a
diferença exagerada entre os diâmetros. O cérvico-oclusal é bem maior do que o
mesiodistal. Esta face é menor que a do incisivo central. A inclinação mesiodistal
da margem oclusal é mais acentuada do que no incisivo central, tornando o ân-
gulo disto-oclusal bem mais arredondado. Margens proximais mais convergentes
em direção ao colo. Em todos os sentidos, esta face é mais convexa do que no
incisivo central (Fig. 9.9).
Fig. 9.9 — Incisivo lateral superior esquerdo (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
Face lingual
É mais profundamente escavada do que o central e apresenta com freqüência
uma depressão acentuada abaixo do cíngulo conhecida como forame cego (Fig. 9.10).
Faces proximais
São mais inclinadas e convexas do que as do central, sendo a distal menor e
mais convexa que a mesial (Fig. 9.11).
Raiz
É delgada e às vezes achatada no sentido mesiodistal e freqüentemente sulcada
no sentido longitudinal, predominando o sulco distal. O ângulo entre a coroa e a
raiz do lado distal é mais pronunciado do que no incisivo central. O ápice radicular
é desviado distalmente e às vezes distolingualmente.
218 Anatomia Dental
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Fig. 9.10 — Incisivo lateral superior esquerdo (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal; FC — forame cego.
Fig. 9.11 — Incisivo lateral superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual;
O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Canal radicular e câmara pulpar
Assemelham-se com o central, porém tem dimensões mais reduzidas
(Figs. 9.12 e 9.13).
FC
CAPÍTULO 9 219
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INCISIVOS CENTRAIS INFERIORES PERMANENTES 41 E 31 1 1
Estão localizados de ambos os lados do arco inferior, com suas faces mesiais
em contato no plano mediano. Suas faces distais entram em contato com as faces
mesiais dos incisivos laterais inferiores.
Fig. 9.12 — Corte frontal no incisivo lateral superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
Fig. 9.13 — Corte sagital no incisivo lateral superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
220 Anatomia Dental
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Irrupção
Aos sete anos de idade.
Funções
Agem como os superiores no corte dos alimentos, na emissão correta da fala
e na manutenção de uma boa aparência pelo suporte que oferecem ao lábio infe-
rior. Pela adaptação de suas margens oclusais contra as faces linguais dos supe-
riores, também auxiliam na direção da mandíbula no sentido posterior durante a
fase final de fechamento da boca.
Oclusão
Oclui com a metade mesial do incisivo central superior.
Morfologia
Face vestibular
É convexa no sentido mesiodistal no terço cervical e quase plana no terço
oclusal. Apresenta o diâmetro cérvico-oclusal maior que o mesiodistal. Suas mar-
gens proximais unem-se à margem oclusal formando ângulos quase retos. Quan-
do há desgaste, este se dá mais do lado mesial e, neste caso, a margem mesial se
torna menor que a distal. Antes de o dente entrar em oclusão, a margem oclusal
apresenta três pequeninos lobos que desaparecem com o desgaste. O ângulo for-
mado, à altura do colo entre as margens proximais e a raiz, do lado distal, é mais
acentuado (Fig. 9.14).
Fig. 9.14 — Incisivo central inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 221
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Face lingual
É convexa no terço cervical e côncava discretamente nos dois terços oclusais.
No terço cervical, a convexidade forma um cíngulo que está ligeiramente desvi-
ado para distal, que se continua com cristas marginais pouco marcadas (Fig. 9.15).
Fig. 9.15 — Incisivo central inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem
mesial; O — margem oclusal.
Faces proximais
Têm forma triangular e lembram uma cunha. O ângulo oclusal está mais para
o lado lingual em relação à linha axial da raiz devido à inclinação lingual dos
dentes inferiores em relação aos superiores (oclusão). A margem vestibular é
ligeiramente convexa, quase plana. A margem lingual é convexa à altura do cíngulo
e côncava no terço médio e oclusal. A margem cervical apresenta concavidade
voltada para a raiz. A face distal é ligeiramente mais convexa e maior que a
mesial, que é quase plana no dente com desgaste (Fig. 9.16).
Raiz
É acentuadamente achatada no sentido mesiodistal. Nas faces proximais exis-
tem sulcos longitudinais, sendo que o distal é mais acentuado.
Canal radicular e câmara pulpar
Correspondendo à forma da raiz, o canal radicular é um estreito espaço no sentido
mesiodistal e bastante extenso no sentido vestibulolingual. As relações são invertidas
222 Anatomia Dental
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na coroa, pois a câmara pulpar é mais ampla no sentido mesiodistal do que no
vestibulolingual. Seu teto apresenta três pequenos cornos. Na porção mais alargada da
raiz, às vezes o canal radicular divide-se em ramo vestibular e ramo lingual, pela fusão
das paredes mesial e distal, unindo-se novamente no terço apical (Figs. 9.17 e 9.18).
Fig. 9.16 — Incisivo central inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual;
O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Fig. 9.17 — Corte frontal no incisivo central inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
CAPÍTULO 9 223
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INCISIVOS LATERAIS INFERIORES PERMANENTES 42 E 32 2 2
Estão localizados em posição distal aos incisivos centrais inferiores, com
suas faces mesiais em contato com as faces distais dos incisivos centrais vizinhos
e suas faces distais em contato com os caninos inferiores.
Irrupção
Aos oito anos de idade.
Funções
As mesmas dos centrais.
Oclusão
Ocluem com o terço distal do incisivo central e metade mesial do lateral
superiores pelas suas faces linguais.
Morfologia
Têm forma semelhante à do incisivo central, sendo, entretanto, um pouco
mais largo no sentido mesiodistal. A diferença mais importante entre eles é a
divergência acentuada das faces proximais no sentido cérvico-oclusal. A face
mesial é próxima da vertical; a face distal desvia-se distalmente em direção à
margem oclusal. Assim, o ângulo disto-oclusal é alongado e mais agudo do que
o ângulo mésio-oclusal. Quando há desgaste oclusal, este acontece do lado distal,
ocorrendo o inverso do que acontece no incisivo central, cujo desgaste é mesial
(Figs. 9.19, 9.20 e 9.21).
Fig. 9.18 — Corte sagital no incisivo central inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
224 Anatomia Dental
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Fig. 9.19 — Incisivo lateral inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem
mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.20 — Incisivo lateral inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem
mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 225
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Raiz
Semelhante à do incisivo central, sendo ligeiramente mais longa.
Canal radicular e câmara pulpar
Semelhantes aos do incisivo central inferior (Figs. 9.22 e 9.23).
Fig. 9.21 — Incisivo lateral inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual;
O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Fig. 9.22 — Corte frontal no incisivo lateral inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
226 Anatomia Dental
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Fig. 9.23 — Corte sagital no incisivo lateral inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
CANINOS
CANINOS SUPERIORES PERMANENTES 13 E 23 3 3
Os caninos superiores ocupam posição distal em relação aos incisivos late-
rais superiores; são os terceiros dentes a partir da linha mediana anterior na
maxila. As faces mesiais dos caninos superiores estão em contato com as faces
distais dos incisivos laterais superiores, e as faces distais estão em contato com
as faces mesiais dos primeiros pré-molares superiores.
Irrupção
Aos 11 anos de idade.
Funções
Funcionam junto com os incisivos no suporte do lábio e para cortar e dilace-
rar os alimentos.
Oclusão
Oclui com a metade distal do canino inferior e metade mesial do primeiro
pré-molar inferior.
Morfologia
Face vestibular
É convexa em todos os sentidos, sendo que a maior convexidade está no
terço cervical; tem forma pentagonal. As dimensões cérvico-oclusal e mesiodistal
CAPÍTULO 9 227
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se equivalem. É formada, como nos incisivos, por três lobos. O maior em todos os
sentidos é o médio; o distal é o menor no sentido cérvico-oclusal, embora tenha
diâmetro mesiodistal semelhante ao lobo mesial. A margem oclusal mostra duas
vertentes assimétricas. A mesial é ligeiramente mais curta que a distal e tende ao
plano horizontal. A distal maior é mais inclinada que a mesial. As margens
proximais também são assimétricas: a mesial é maior e menos convexa do que a
distal. A margem cervical é convexa em relação à raiz (Fig. 9.24).
Fig. 9.24 — Canino superior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem
mesial; O — margem oclusal.
Face lingual
Tem a forma pentagonal, porém mais estreita que a vestibular. O cíngulo é
bem desenvolvido, formando uma grande convexidade no terço cervical. Partem
do cíngulo duas cristas marginais que são divergentes em direção oclusal. A mesial
é maior que a distal em comprimento e a distal é ligeiramente mais larga que a
mesial. Uma crista lingual, menos proeminente que as cristas marginais, parte do
cíngulo em direção oclusal até a ponta da cúspide oclusal, dividindo esta face
em duas pequenas fossas: uma mesial, menor, e uma distal, maior. Olhando-se o
dente por esta face, assim como pela vestibular, a margem distal é menor e mais
convexa que a mesial e o ângulo formado pela raiz com esta margem (distal) é
bem mais acentuado que o mesial à altura do colo (Fig. 9.25).
Faces proximais
Têm forma triangular. A margem cervical é côncava em relação à raiz; a mar-
gem vestibular é convexa, sendo que a maior convexidade está no terço cervical;
228 Anatomia Dental
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Fig. 9.25 — Canino superior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial;
O — margem oclusal.
Fig. 9.26 — Canino superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O —
margem oclusal; V — margem vestibular.
a margem lingual é convexa no terço cervical e ligeiramente côncava nos terços
médio e oclusal. Das duas faces proximais, a distal é mais convexa e menor que
a mesial (Fig. 9.26).
CAPÍTULO 9 229
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Raiz
A raiz do canino superior é a mais longa e robusta dos dentes humanos; sua
secção horizontal mostra que ela é irregularmente oval, com sua margem vesti-
bular sendo mais larga e arredondada do que a margem lingual. As faces mesial
e distal apresentam sulcos longitudinais, sendo que o distal é mais marcado.
Geralmente, o ápice curva-se no sentido distal.
Canal radicular e câmara pulpar
O canal radicular inicia-se no forame apical e acompanha o formato da raiz,
é fusiforme e ligeiramente achatado no sentido mesiodistal. Sua porção mais
alargada corresponde à região cervical. A câmara pulpar tem suas paredes acom-
panhando as paredes do dente, apresenta no teto um único corno, estreitando-se
em direção à cúspide da margem oclusal (Figs. 9.27 e 9.28).
CANINOS INFERIORES PERMANENTES 43 E 33 3 3
Os caninos inferiores estão localizados na mandíbula em posição distal aos
incisivos laterais inferiores. Suas faces mesiais fazem contato com as faces distais
dos incisivos laterais inferiores, e suas faces distais com as faces mesiais dos
primeiros pré-molares inferiores.
Irrupção
Aos 11 anos de idade.
Fig. 9.27 — Corte frontal no canino superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
230 Anatomia Dental
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Funções
As mesmas dos superiores.
Oclusão
Oclui com a metade distal do incisivo lateral e a metade mesial dos caninos
superiores.
Morfologia
Comparando com o canino superior, o canino inferior é menor e mais esbelto,
ou seja, a distância cérvico-oclusal é bem maior que a mesiodistal. Embora copie
grosseiramente a forma do canino superior, o canino inferior pode ser reconhecido
pelo pequeno desenvolvimento das cristas longitudinais, quer na face vestibular,
quer na lingual. Por ser mais esbelto, suas faces proximais são menos divergentes
em relação ao canino superior. Outra característica diferencial entre os caninos
superior e inferior é que o esmalte da face vestibular do canino inferior prolonga-
se mais no sentido apical do que na face lingual. Finalmente, a face vestibular da
coroa é mais inclinada para o lado lingual do que a correspondente do canino
superior, que se encontra em posição quase vertical (Figs. 9.29, 9.30 e 9.31).
A raiz não só é menor, como também mais delgada do que a do canino supe-
rior, correspondendo à esbeltez da coroa, e também é mais achatada no sentido
mesiodistal. Os sulcos longitudinais são bem desenvolvidos, principalmente o
distal. Freqüentemente, a raiz do canino inferior apresenta-se bífida no terço
apical, o que não acontece no superior.
Fig. 9.28 — Corte sagital no canino superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
CAPÍTULO 9 231
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Fig. 9.29 — Canino inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M- margem mesial;
O — margem oclusal.
Fig. 9.30 — Canino inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial;
O — margem oclusal.
232 Anatomia Dental
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Fig. 9.31 — Canino inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O —
margem oclusal; V — margem vestibular.
A cavidade pulpar é única, fusiforme e freqüentemente achatada no sentido
mesiodistal. O achatamento é mais evidente na raiz, que, sendo mais sulcada,
pode fazer com que o canal tenha a forma de um haltere em secção horizontal. A
fusão das paredes mesial e distal da raiz do canino inferior pode levar a uma
subdivisão do canal, levando à formação de dois canais, um vestibular e um
lingual (Figs. 9.32 e 9.33).
PRÉ-MOLARES
PRIMEIRO PRÉ-MOLAR SUPERIOR 14 E 24 4 4
Está localizado na maxila, sendo o quarto dente a partir da linha mediana
anterior, distalmente ao canino superior. Sua face mesial está em contato com a
face distal do canino superior, e sua face distal está em contato com a face mesial
do segundo pré-molar superior.
Irrupção
Aos nove anos de idade.
Função
Triturar os alimentos.
Oclusão
Oclui com a metade distal do primeiro pré-molar e metade mesial do segun-
do pré-molar inferiores.
CAPÍTULO 9 233
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Morfologia
Face vestibular
É semelhante à do canino, mas é mais simétrica. É percorrida por uma crista
vertical de altura variável que termina na cúspide vestibular. As margens oclusais
da face vestibular encontram-se na ponta da cúspide quase em ângulo reto. A
margem distal desta face é mais convexa que a mesial. A margem cervical é con-
vexa para a raiz (Fig. 9.34).
Fig. 9.32 — Corte frontal no canino inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
Fig. 9.33 — Corte sagital no canino inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
234 Anatomia Dental
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Face lingual
É um pouco menor no sentido vertical e muito mais estreita mesiodistalmente
do que a vestibular. É convexa em todos os sentidos (Fig. 9.35).
Fig. 9.34 — Primeiro pré-molar superior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.35 — Primeiro pré-molar superior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 235
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Faces proximais
São irregularmente retangulares e apresentam convexidade suave, sendo a
convexidade da face distal mais acentuada próximo à margem oclusal onde estão
localizados os pontos de contato. Próximo à linha do colo estas faces são planas
ou ligeiramente côncavas. A margem cervical apresenta-se ligeiramente convexa
para a coroa (Fig. 9.36).
Fig. 9.36 — Primeiro pré-molar superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem
lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Face oclusal
Apresenta forma pentagonal, com as margens proximais convergindo para
lingual. A margem distal apresenta-se bastante recurvada para o lado mesial.
Assim, a cúspide lingual fica deslocada para o lado mesial quando comparada
com a vestibular.
As duas cúspides têm forma piramidal de base quadrangular, onde se desta-
cam quatro planos inclinados. A cúspide vestibular apresenta-se maior que a
lingual.
As duas cúspides estão separadas por um sulco mesiodistal retilíneo e
paracentral, ou seja, está localizado mais para o lado lingual. Estão unidas mesial
e distalmente por duas cristas marginais. O sulco mesiodistal, do lado mesial,
ultrapassa a crista marginal mesial e invade a face mesial no seu terço oclusal. As
extremidades mesial e distal do sulco mesiodistal são profundas, e dessas fossetas
prolongam-se discretos sulcos no sentido vestibular e lingual. O sulco disto-
vestibular é geralmente mais profundo e mais longo e pode mesmo dividir a
vertente distal da cúspide vestibular (Fig. 9.37).
236 Anatomia Dental
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Raiz
Na maioria dos casos, o primeiro pré-molar superior apresenta duas raízes:
uma vestibular e uma lingual. A raiz vestibular é quase sempre mais espessa
que a lingual. Quando a raiz é única, ela é bastante achatada no sentido
mesiodistal e muito sulcada longitudinalmente, sendo o sulco distal mais acen-
tuado que o mesial.
Canais radiculares e câmara pulpar
A câmara pulpar reproduz a forma da coroa, sendo estreita no sentido
mesiodistal e larga no sentido vestibulolingual. Em direção às duas cúspides,
o teto da câmara pulpar prolonga-se em dois cornos pulpares, sendo o corno
vestibular mais longo que o lingual. O soalho da câmara pulpar apresenta-se
convexo em todos os sentidos, com dois orifícios que levam aos canais
radiculares: um canal vestibular e um canal lingual, mesmo que a raiz seja
única externamente (Figs. 9.38 e 9.39).
SEGUNDO PRÉ-MOLAR SUPERIOR 15 E 25 5 5
Localizado na maxila, é o quinto dente a partir da linha mediana anterior e
distalmente ao primeiro pré-molar superior. Sua face mesial está em contato com
a face distal do primeiro pré-molar superior e sua face distal com a face mesial do
primeiro molar superior.
Fig. 9.37 — Primeiro pré-molar superior, visto pela face oclusal: CV — cúspide vestibular; CL — cúspide lingual; SPC
— sulco paracentral mesiodistal; M — margem mesial; D — margem distal.
CAPÍTULO 9 237
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Irrupção
Aos 10 anos de idade.
Funções
Triturar os alimentos.
Fig. 9.39 — Corte frontal no primeiro pré-molar superior: CR — canais radiculares; CP — câmara pulpar.
Fig. 9.38 — Corte sagital vestibular no primeiro pré-molar superior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
238 Anatomia Dental
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Oclusão
Oclui com a metade distal do segundo pré-molar e com o terço mesial do
primeiro molar inferiores.
Morfologia
É menor que o primeiro e não oferece diferenças substanciais. Porém, exis-
tem detalhes que facilitam a sua identificação.
Face vestibular
É semelhante à do primeiro (Fig. 9.40).
Fig. 9.40 — Segundo pré-molar superior (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem
mesial; O — margem oclusal.
Face lingual
É semelhante à do primeiro, embora seja um pouco maior, principalmente
no sentido cérvico-oclusal, devido ao aumento da cúspide lingual (Fig. 9.41).
Faces proximais
Diferem das do primeiro apenas pelo aumento da cúspide lingual, ficando o
plano oclusal coincidente com o horizontal. As duas vertentes da margem oclusal
alcançam idênticas dimensões e inclinações, o que não acontece no primeiro
devido à diferença entre as cúspides (Fig. 9.42).
CAPÍTULO 9 239
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Fig. 9.41 — Segundo pré-molar superior (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem
mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.42 — Segundo pré-molar superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem
lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Face oclusal
Também apresenta forma pentagonal, mas a margem distal não é recurvada
para mesial como no primeiro. Assim, a cúspide lingual não se desloca para a
240 Anatomia Dental
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mesial. As cúspides vestibular e lingual estão alinhadas no sentido vestibulo-
lingual e apresentam o mesmo tamanho. O sulco mesiodistal é retilíneo e cen-
tral e não invade a face mesial, como acontece no primeiro pré-molar. Ainda
podemos observar que este sulco é menor em relação ao primeiro pré-molar, e,
em conseqüência, as cristas marginais são mais espessas (Fig. 9.43).
Fig. 9.43 — Segundo pré-molar superior, visto pela face oclusal: CV — cúspide vestibular; CL — cúspide lingual;
SC — sulco central mesiodistal; M — margem mesial; D- margem distal.
Raiz
É quase sempre única, mas profundamente sulcada nas faces proximais, com
maior profundidade para o sulco distal. A divisão desta raiz é rara.
Canal radicular e câmara pulpar
Apesar de a câmara pulpar do segundo imitar a do primeiro, com a diferença
de que o corno pulpar lingual é mais pronunciado, o canal radicular do segundo
é habitualmente um espaço único, alargado no sentido vestibulolingual e estrei-
tado no sentido mesiodistal. Suas paredes proximais geralmente fazem saliência
na luz do canal, e às vezes essas paredes se fundem levando a uma divisão pro-
gressiva do único canal em dois, um vestibular e um lingual. Esses dois canais
podem se fundir a uma distância variável do ápice radicular e podem se abrir
num único forame apical (Figs. 9.44 e 9.45).
PRIMEIRO PRÉ-MOLAR INFERIOR 44 E 34 4 4
Está localizado na mandíbula, distalmente ao canino inferior. Sua face mesial
faz contato com a face distal do canino inferior e sua face distal, com a face
mesial do segundo pré-molar inferior.
CAPÍTULO 9 241
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Fig. 9.45 — Corte frontal no segundo pré-molar superior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
Fig. 9.44 — Corte sagital no segundo pré-molar superior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
Irrupção
Aos nove anos de idade.
Função
Triturar os alimentos.
242 Anatomia Dental
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Oclusão
Oclui com a metade distal do canino e a metade mesial do primeiro pré-
molar superior.
Morfologia
A coroa sofre, em relação ao superior, uma diminuição de tamanho, sobretu-
do porque decresce a distância vestibulolingual, que fica proporcional à mesio-
distal, ou seja, apresenta-se com forma arredondada.
Face vestibular
É bastante inclinada para o lado lingual, de modo que a ponta da cúspide
vestibular ocupa o centro da secção cervical. É convexa em todos os sentidos. As
duas vertentes da margem oclusal formam um ângulo obtuso. As margens
proximais são convexas e convergem para a cervical, sendo a distal mais convexa
que a mesial; por isso, a margem distal, com a raiz, forma um ângulo na linha do
colo mais acentuado em relação à mesial, que fica numa linha quase vertical com
a raiz. A margem cervical é convexa para a raiz (Fig. 9.46).
Face lingual
Muito menor que a vestibular, menos convexa que a vestibular no sentido
cérvico-oclusal, porém mais convexa no sentido mesiodistal. Apresenta a mar-
gem oclusal bem mais baixa que a vestibular (Fig. 9.47).
Fig. 9.46 — Primeiro pré-molar inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 243
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Faces proximais
São convexas, sendo a distal mais convexa, e ambas são mais altas na mar-
gem vestibular do que na lingual. A maior convexidade da face mesial está mais
próxima do lado vestibular no terço oclusal do que na face distal, diferença esta
que é necessária devido ao contato da face mesial do primeiro pré-molar com o
canino. Suas margens cervicais são côncavas para a raiz (Fig. 9.48).
Fig. 9.47 — Primeiro pré-molar inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — face oclusal.
Fig. 9.48 — Primeiro pré-molar inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem
lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
244 Anatomia Dental
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Face oclusal
É arredondada, quase circular. Apresenta duas cúspides. A vestibular, alta
e grande, é separada da pequena cúspide lingual por um sulco mesiodistal
curvilíneo e para central, ou seja, deslocado para lingual que termina próxi-
mo das margens proximais, nas cristas marginais, formando duas fossetas: a
mesial, menor, e uma distal, maior. Na maioria dos casos, as cúspides vesti-
bular e lingual estão unidas por uma ponte de esmalte que muitas vezes apa-
ga na parte central o sulco mesiodistal, ficando apenas com nitidez as fossetas
mesial e distal (Fig. 9.49).
Fig. 9.49 — Primeiro pré-molar inferior, visto pela face oclusal: CV — cúspide vestibular; CL — cúspide lingual; SPC
— sulco paracentral mesiodistal; D — margem distal; M — margem mesial.
Raiz
Em secção horizontal ela é oval, a distância mesiodistal é menor que a dis-
tância vestibulolingual. Os sulcos verticais, mesial e distal, são pouco profun-
dos, sendo que o distal é quase sempre mais nítido. Quando há desvio apical,
geralmente é para o lado distal.
Canal radicular e câmara pulpar
Canal único e retilíneo, alarga-se gradativamente em direção à câmara pulpar,
que apresenta a distância vestibulolingual maior que a mesiodistal. Seu teto apre-
senta um corno pulpar grande para vestibular e um pequeno divertículo do lado
lingual (Figs. 9.50 e 9.51).
CAPÍTULO 9 245
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SEGUNDO PRÉ-MOLAR INFERIOR 45 E 35 5 5
Localiza-se na mandíbula, sendo o quinto dente a partir da linha mediana
anterior, distalmente ao primeiro pré-molar inferior. Sua face mesial faz contato
com o primeiro pré-molar inferior e sua face distal faz contato com a face mesial
do primeiro molar inferior.
Fig. 9.51 — Corte frontal no primeiro pré-molar inferior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
Fig. 9.50 — Corte sagital no primeiro pré-molar inferior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
246 Anatomia Dental
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Irrupção
Aos 10 anos de idade.
Função
Triturar os alimentos.
Oclusão
Oclui com a metade distal do primeiro pré-molar e a metade mesial do se-
gundo pré-molar superior.
Morfologia
É maior que o primeiro e se caracteriza principalmente pelo grande desen-
volvimento da cúspide lingual, que chega quase à altura da vestibular.
Face vestibular
É parecida com o primeiro pré-molar inferior, porém suas margens proximais
são menos convergentes em direção cervical do que as do primeiro; sua inclina-
ção para o lado lingual não é tão acentuada como no primeiro pré-molar. As
vertentes da margem oclusal são menos íngremes do que no primeiro, unindo-se
num ângulo mais obtuso. A curvatura da margem cervical é menos pronunciada
que a do primeiro, ou seja, é mais achatada (Fig. 9.52).
Fig. 9.52 — Segundo pré-molar inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 247
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Face lingual
É convexa e um pouco mais estreita e mais baixa do que a face vestibular, e
assimétrica devido ao desvio da cúspide lingual para a mesial (Fig. 9.53).
Fig. 9.53 — Segundo pré-molar inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — face oclusal.
Faces proximais
Diferenciam-se do primeiro pré-molar pelo aumento da altura da cúspide
lingual, que quase iguala a altura da vestibular (Fig. 9.54).
Fig. 9.54 — Segundo pré-molar inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem
lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
248 Anatomia Dental
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Face oclusal
As duas cúspides, a vestibular maior e a lingual menor, estão separadas por
um sulco mesiodistal curvilíneo de concavidade vestibular. Das extremidades
profundas do sulco mesiodistal, as fossetas mesial e distal, das quais a distal é
maior, partem sulcos no sentido vestibular e lingual. Freqüentemente, os sulcos
oclusovestibulares separam a cúspide vestibular principal de duas pequenas
cúspides acessórias mesial e distal. Os sulcos oclusolinguais raramente têm a
mesma profundidade, sendo o mesial mais raro ou mesmo ausente. O sulco distal,
porém, está quase sempre presente e bem marcado. Assim, forma-se uma peque-
na cúspide distolingual acessória que, quando bem desenvolvida, pode dar ao
dente a forma tricuspidada. Neste caso, ele teria uma cúspide vestibular grande e
duas linguais menores, sendo uma mesiolingual maior e uma distolingual menor
(Figs. 9.55 e 9.56).
Raiz
É mais robusta do que a do primeiro pré-molar, e, em secção horizontal, é
mais circular. Os sulcos verticais proximais são pouco marcados, sendo o distal
mais evidente. Quando apresenta desvio apical, é quase sempre para a distal.
Canal radicular e câmara pulpar
O canal é único e a câmara pulpar acompanha a forma da coroa; apresenta no
seu teto dois ou três cornos pulpares, de acordo com a forma bi ou tricuspidada
(Figs. 9.57 e 9.58).
Fig. 9.55 — Segundo pré-molar inferior bicuspidado, visto pela face oclusal: CV — cúspide vestibular; CL —
cúspide lingual; M — margem mesial; D — margem distal.
CAPÍTULO 9 249
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Fig. 9.56 — Segundo pré-molar inferior tricuspidado, visto pela face oclusal: CV — cúspide vestibular; CML —
cúspide mesiolingual; CDL — cúspide distolingual; M — margem mesial; D — margem distal.
Fig. 9.57 — Corte sagital no segundo pré-molar inferior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
250 Anatomia Dental
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MOLARES
PRIMEIRO MOLAR SUPERIOR PERMANENTE 16 E 26 6 6
Está localizado na maxila, é o sexto dente a partir da linha mediana anterior
e distalmente ao segundo pré-molar superior. Sua face mesial está em contato
com a face distal do segundo pré-molar superior e sua face distal, com a face
mesial do segundo molar superior.
Irrupção
Aos seis anos de idade. Surge na boca, distalmente ao segundo molar tempo-
rário, antes que este seja esfoliado ou perdido. Quatro a cinco anos mais tarde,
quando os molares temporários são substituídos pelos pré-molares, o segundo
pré-molar superior fica em contato distalmente com a face mesial do primeiro
molar superior.
Funções
Triturar os alimentos e manter a dimensão vertical.
Oclusão
Oclui com os dois terços distais do primeiro e com o terço mesial dos segun-
dos molares inferiores
Morfologia
Face vestibular
É convexa, de forma trapezoidal, com base voltada para oclusal, ou seja, é
mais larga nos dois terços oclusais e mais estreita no terço cervical. Apresenta
Fig. 9.58 — Corte frontal no segundo pré-molar inferior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
CAPÍTULO 9 251
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um sulco vestibular que separa a cúspide mesiovestibular (maior) da disto-
vestibular (menor), que vem da face oclusal e se estende no sentido cervical da
face vestibular até o terço médio da coroa, onde às vezes apresenta uma pequena
depressão. Na margem oclusal desta face, observa-se o aspecto da letra W de
ramos muito abertos e desiguais, sendo a porção mesial mais ampla e de maior
altura. A margem cervical é menor que a oclusal, apresenta-se com duas linhas
curvas de concavidade para as raízes vestibulares, unidas por um prolongamen-
to de esmalte que corresponde à bifurcação das raízes mésio e distovestibulares.
As margens proximais convergem para o colo. A mesial apresenta uma ligeira
concavidade na cervical. A distal é convexa em toda a extensão. Podemos, ainda,
observar que a mesial é maior que a distal (Fig. 9.59).
Fig. 9.59 — Primeiro molar superior esquerdo (vista vestibular); C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
Face lingual
É mais larga no sentido mesiodistal do que a vestibular, exceto no terço
cervical, onde a coroa se une a uma única raiz. É convexa e diminui de altura
distalmente, em correspondência com o pequeno tamanho da cúspide disto-
lingual. O sulco que atinge a face lingual e que fica entre as duas cúspides
linguais segue no sentido cervical, atravessa, às vezes, toda a altura da face
lingual e pode continuar-se com o sulco lingual da raiz lingual ou palatina.
Na metade mesial desta face, pode-se observar um tubérculo que é conhecido
por tubérculo anômalo. O tubérculo anômalo é algumas vezes tão grande que
chega próximo do plano oclusal, porém quase nunca o atinge. Em contra-
partida, há casos em que o tubérculo desaparece, ficando como remanescente
um tubérculo muito pequeno ou até mesmo uma pequena depressão na base
252 Anatomia Dental
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da cúspide mesiolingual. As margens proximais são muito oblíquas, conver-
gindo para a cervical. A mesial é maior em altura que a distal. A margem cervical
é ligeiramente curva, apresentando convexidade oclusal. A margem oclusal
apresenta-se com o mesmo aspecto da vestibular, porém maior no sentido
mesiodistal (Fig. 9.60).
Fig. 9.60 — Primeiro molar superior esquerdo (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
Faces proximais
São convexas, sendo mais convexa a face distal. A face mesial é plana ou
ligeiramente côncava no seu terço cervical. O ponto mais saliente da convexidade
dessas faces encontra-se no terço oclusal, ligeiramente deslocado em sentido
vestibular (Fig. 9.61).
Face oclusal
Apresenta-se com quatro cúspides cuja ordem decrescente é a seguinte:
mesiolingual, mesiovestibular, distovestibular e distolingual. Esta face é quadri-
látera, e a diagonal maior estende-se do ângulo mesiovestibular ao ângulo
distolingual, e a menor, do ângulo distovestibular ao mesiolingual. O diâmetro
vestibulolingual é ligeiramente maior que o mesiodistal.
As quatro cúspides estão separadas por uma combinação de sulcos que deli-
mitam um H irregular. O sulco intercuspidiano oclusovestibular separa as cúspides
mesiovestibular e distovestibular. Este sulco parte da fosseta central e se dirige à
face vestibular, terminando em pequena fosseta no terço médio desta face. O
CAPÍTULO 9 253
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Fig. 9.61 — Primeiro molar superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual;
O — margem oclusal; V — margem vestibular.
sulco intercuspidiano distolingual separa as cúspides mesiolingual e distolingual.
Este sulco se inicia na fosseta distal e se dirige obliquamente à face lingual,
muitas vezes atravessando toda esta face em direção cervical. O sulco
intercuspidiano mesiocentral separa as cúspides mesiovestibular e mesiolingual.
Inicia-se na fosseta central e se dirige para a fosseta mesial.
Esses três sulcos podem estar ligados entre si pela presença de um outro
sulco inconstante que, partindo da fosseta central, encontra-se com o sulco
distolingual próximo à fosseta distal. Este sulco, quando presente, forma a barra
horizontal do H irregular. Na maioria das vezes, este sulco está interrompido
pela presença de uma ponte de esmalte que cruza obliquamente a face oclusal,
ligando as cúspides mesiolingual e distovestibular. Limitando as fossetas mesial
e distal, existem as cristas marginais (Fig. 9.62).
Raízes
Possui três raízes: mesiovestibular, distovestibular e lingual ou palatina. A
raiz lingual é a mais volumosa, é cônica e inclinada para o lado palatino. Sua
secção é irregularmente circular, diferindo bastante das vestibulares. Das raízes
vestibulares, a mesial é um pouco mais volumosa e seu grau de achatamento
mesiodistal é maior que na distovestibular.
Canais radiculares e câmara pulpar
O teto da câmara pulpar apresenta quatro cornos relacionados às cúspides. O
soalho tem superfície lisa e é convexo em todos os sentidos, tendo forma retangular
e apresentando três orifícios correspondentes aos canais radiculares, sendo um
mesiovestibular, um distovestibular e um lingual. Os canais vestibulares acham-se
achatados no sentido mesiodistal, sendo o mesiovestibular mais achatado. O disto-
254 Anatomia Dental
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vestibular tem forma oval. Em muitos casos, a raiz mesiovestibular pode apresentar
dois canais, um vestibular e um lingual, desde sua origem até o ápice, ou começar
em dois canais e se unir em determinado ponto do seu trajeto, terminando único no
forame apical. O canal palatino é achatado no sentido vestibulolingual, ovalado com
tendência à circular, e é o mais amplo dos três (Figs. 9.63 e 9.64).
Fig. 9.62 — Primeiro molar superior, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV — cúspide
mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual; TA — tubérculo anômalo.
Fig. 9.63 — Corte sagital no primeiro molar superior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CDV —
canal distovestibular; CL — canal lingual.
CAPÍTULO 9 255
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SEGUNDO MOLAR SUPERIOR PERMANENTE 17 E 27 7 7
Está localizado na maxila, é o sétimo dente a partir da linha mediana anterior
e distalmente ao primeiro molar superior. Sua face mesial está em contato com a
face distal do primeiro molar superior e sua face distal, com a face mesial do
terceiro molar superior. É menor que o primeiro.
Irrupção
Aos 12 anos de idade.
Funções
Triturar os alimentos e manter a dimensão vertical.
Oclusão
Oclui com os dois terços distais do segundo molar e o terço mesial do tercei-
ro molar inferior.
Morfologia
Face vestibular
Sua morfologia é semelhante à do primeiro, diferindo dela porque o seu diâ-
metro mesiodistal é maior do que o da face lingual, fato que não acontece no
primeiro molar superior (Fig. 9.65).
Fig. 9.64 — Corte frontal no primeiro molar superior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CDV —
canal distovestibular; CL — canal lingual.
256 Anatomia Dental
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Face lingual
Menor que a face vestibular, mostra-se semelhante à do primeiro quando o
dente é tetracuspidado. Porém, o sulco distolingual aproxima-se mais da face
distal, diminuindo a cúspide distolingual que, muitas vezes, desaparece ou trans-
forma-se num pequeno tubérculo tornando o dente tricuspidado. Esta face rara-
mente possui o tubérculo anômalo (Fig. 9.66).
Fig. 9.65 — Segundo molar superior esquerdo (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.66 — Segundo molar superior esquerdo (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 257
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Faces proximais
Apresentam-se semelhantes às do primeiro molar superior (Fig. 9.67).
Fig. 9.67 — Segundo molar superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual;
O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Face oclusal
Sua morfologia depende do número de cúspides. Este dente pode ser tri ou
tetracuspidado e, às vezes, apresenta a forma de “compressão”.
A forma tricuspidada é a mais freqüente. Com o desaparecimento da cúspide
distolingual, esse dente apresenta uma cúspide lingual que é a maior, em seguida
uma mesiovestibular e uma distovestibular. Apresenta um sulco profundo
mesiodistal, que se inicia na fosseta mesial, termina na fosseta distal e possui em
sua parte intermediária a fosseta central, onde parte o sulco oclusovestibular que
separa as cúspides vestibulares.
A face oclusal do segundo molar superior na forma tetracuspidada é cópia do
primeiro molar superior. Porém, a ponte de esmalte não é tão nítida porque o
sulco que vai da fosseta central ao sulco distolingual é bem marcado. Além disso,
a cúspide distolingual é menor em relação ao primeiro molar superior. Esta for-
ma é menos freqüente que a tricuspidada. Na forma de “compressão” parece que
o dente foi prensado no sentido das cúspides distovestibular para a mesiolingual,
aproximando-as. Sua coroa adota um aspecto elipsóide, quando observada pela
face oclusal. Seus elementos tornam-se confusos devido à má delimitação das
cúspides e dos sulcos. Esta forma é bem menos freqüente.
Em todas essas formas, existem na face oclusal, limitando as fossetas mesial
e distal, duas cristas marginais bem nítidas (Figs. 9.68, 9.69 e 9.70).
258 Anatomia Dental
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Fig. 9.68 — Segundo molar superior, tetracuspidado, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV —
cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual.
Fig. 9.69 — Segundo molar superior, tricuspidado, visto pela face oclusal: CL — cúspide lingual; CMV — cúspide
mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular.
CAPÍTULO 9 259
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Raízes
São idênticas às do primeiro molar, porém não tão divergentes, e tendem a
fundir-se com maior freqüência em relação ao primeiro. Esta fusão, quando ocor-
re, é entre as vestibulares ou entre a mesiovestibular e palatina.
Canais radiculares e câmara pulpar
O teto da câmara pulpar apresenta três ou quatro cornos pulpares na depen-
dência da forma tri ou tetracuspidada. O soalho é convexo, de forma triangular na
maioria dos casos, apresentando três orifícios em relação aos três canais radiculares:
um mesiovestibular, um distovestibular e um lingual (Figs. 9.71 e 9.72).
TERCEIRO MOLAR SUPERIOR 18 E 28 8 8
Está localizado na maxila, sendo o oitavo dente a partir da linha mediana
anterior e distalmente ao segundo molar superior. Sua face mesial faz contato
com a face distal do segundo molar superior e sua face distal é livre. É um dente
que apresenta muitas variações do ponto de vista eruptivo, morfológico,
volumétrico e topográfico. Pode se apresentar com a forma do primeiro molar
superior, com as formas do segundo e até com a forma de um dente cônico.
Irrupção
Aos 18 anos de idade.
Fig. 9.70 — Segundo molar superior, forma de compressão, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual;
CMV — cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual.
260 Anatomia Dental
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Funções
Triturar os alimentos e manter a dimensão vertical.
Oclusão
Oclui com os dois terços distais do terceiro molar inferior.
Fig. 9.71 — Corte sagital no segundo molar superior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CDV —
canal distovestibular; CL — canal lingual.
Fig. 9.72 — Corte frontal no segundo molar superior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CL —
canal lingual.
CAPÍTULO 9 261
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Morfologia
Face vestibular
É idêntica à do primeiro ou à do segundo, mas é menor.
Face lingual
É muito convexa e bem menor que a face lingual dos molares precedentes e,
geralmente, não apresenta sulco lingual.
Faces proximais
Nas formas semelhantes aos precedentes, a face distal é bem menor e mais
convexa que a mesial.
Face oclusal
Pode copiar a face oclusal do primeiro ou do segundo molar, inclusive a
forma de “compressão”; porém, na maioria dos casos, apresenta uma quantidade
exagerada de sulcos secundários.
Raízes
Tem, em geral, três raízes, mas estas raramente se apresentam individualiza-
das. A fusão total das raízes é comum no dente do siso. E, quando estão separa-
das, o volume das raízes e da coroa se equivalem.
Canais radiculares e câmara pulpar
Poderá copiar o primeiro ou o segundo, porém, é freqüentemente atingido
por variações dirigidas não só à câmara pulpar, mas também aos canais radiculares,
que, pela fusão das raízes, também podem se fundir, ficando reduzidos a um
único canal radicular, ou apresenta mais de três canais radiculares.
PRIMEIRO MOLAR INFERIOR PERMANENTE 46 e 36 6 6
Está localizado na mandíbula, é o sexto dente a partir da linha mediana ante-
rior. Sua face mesial está em contato com a face distal do segundo pré-molar
inferior e sua face distal, com a face mesial do segundo molar inferior.
Irrupção
Aos seis anos de idade. Surge na boca, na distal do segundo molar temporá-
rio, antes que este seja esfoliado ou perdido. Quatro ou cinco anos mais tarde,
quando os molares temporários são substituídos pelos pré-molares, o segundo
pré-molar inferior fica em contato distalmente com a face mesial do primeiro
molar inferior.
Funções
Triturar os alimentos e manter a dimensão vertical.
262 Anatomia Dental
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Oclusão
Oclui com a metade distal do segundo pré-molar e com os dois terços mesiais
do primeiro molar superior. Como todos os molares inferiores, o maior diâmetro
coronário é o mesiodistal. A diferença entre os diâmetros mesiodistais dos den-
tes anteriores de maxilas e mandíbula faz com que, até os pré-molares, o arco
superior seja mais longo que o inferior. Esta diferença acha-se compensada pelos
molares (superiores menores que os inferiores) para que ambos os arcos termi-
nem na mesma altura.
Morfologia
Face vestibular
Tem a forma de um trapézio irregular de base oclusal, é mais longa do que
alta, apresenta-se convexa nos sentidos mesiodistal e cérvico-oclusal. Possui uma
inclinação bastante acentuada para o lado lingual. Está limitada por quatro mar-
gens: na margem cervical notamos um alongamento do esmalte de forma pontia-
guda, dirigida para a bifurcação das raízes. A margem distal é totalmente conve-
xa, a mesial é plana ou ligeiramente côncava no terço cervical e convexa nos dois
terços oclusais. Ambas convergem para o colo, sendo que a distal é menor que a
mesial. A margem oclusal é formada por três segmentos que correspondem às
cúspides vestibulares, sendo o mesial o maior e o distal o menor. Esta face mostra
dois sulcos: um, mesiovestibular, é o mais nítido e termina numa pequena fosseta
no terço cervical; o outro, distovestibular, é mais discreto e termina suavemente
no terço médio sem depressão alguma. Em conseqüência desses sulcos, a face
vestibular apresenta-se dividida em três lobos: mesial, mediano e distal, dos quais
o mesial é o maior e o distal o menor (Fig. 9.73).
Fig. 9.73 — Primeiro molar inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem
mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 263
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Nos primeiros molares tetracuspidados, mais raros, falta o sulco distoves-
tibular, e, neste caso, a face vestibular mostra dois lobos: um mesial, maior, e um
distal, menor.
Face lingual
É trapezoidal, menor que a vestibular, pela diminuição do diâmetro
mesiodistal. É convexa e também se acha limitada por quatro margens: a cervical,
que geralmente apresenta uma ponta de esmalte que se insinua em direção à
bifurcação das raízes, de modo que esta margem fica dividida em dois segmentos
quase planos, ou seja, ligeiramente côncavos em relação às raízes. As margens
proximais são convexas, sendo a distal menor e mais convexa que a mesial. A
margem oclusal apresenta dois segmentos separados por um sulco lingual, ligei-
ramente deslocado para a distal, que corresponde às cúspides linguais, das quais
a mesiolingual é a maior (Fig. 9.74).
Fig. 9.74 — Primeiro molar inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem
mesial; O — margem oclusal.
Faces proximais
Apresentam-se convexas, sendo a distal menor e mais convexa que a mesial.
Também apresentam quatro margens, das quais a cervical é ligeiramente con-
vexa para a oclusal. Das margens vestibular e lingual, a vestibular é bastante
inclinada para o lado lingual. A margem oclusal corresponde às vertentes
triturantes das cúspides vestibulares e linguais, unidas pelas cristas margi-
nais. Pode-se observar que as cúspides linguais são mais altas que as vestibu-
lares (Fig. 9.75).
264 Anatomia Dental
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Fig. 9.75 — Primeiro molar inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual;
O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Face oclusal
Forma trapezoidal de grande base vestibular, sendo a distância mesiodistal
maior que a vestibulolingual. Esta face pode apresentar quatro cúspides, porém,
na maioria dos casos, apresenta cinco cúspides, sendo três vestibulares e duas
linguais. Das vestibulares, uma é mesiovestibular maior, uma é mediovestibular
e uma é distovestibular menor. Das linguais, uma é mesiolingual maior e uma é
distolingual menor. A cúspide mais volumosa do dente é a mesiolingual, segui-
da em ordem decrescente das cúspides mesiovestibular, distolingual,
mediovestibular e distovestibular. Separando essas cúspides, encontramos os
seguintes sulcos: o sulco mesiodistal, que se inicia na fosseta mesial, segue em
direção distal com trajeto sinuoso separando as duas cúspides mesiais. Che-
gando à fosseta central, continua distalmente até chegar junto à crista margi-
nal distal. O sulco oclusovestibular inicia-se na fosseta central, é perpendi-
cular ao mesiodistal e segue em direção vestibular, separando as duas maio-
res cúspides da face vestibular, a mesiovestibular e a mediovestibular. O sul-
co distovestibular parte do sulco mesiodistal, distalmente à fosseta central, e
segue em direção vestibulodistal, separando as cúspides mediovestibular da
distovestibular. O sulco oclusolingual parte da fosseta central, em direção lin-
gual, ligeiramente deslocado para distal, separando as cúspides mesiolingual
da distolingual (Fig. 9.76).
Ocasionalmente pode faltar a cúspide distovestibular; neste caso, o dente
torna-se tetracuspidado, mantendo as características dos sulcos. A ordem de-
crescente das cúspides seria a seguinte: mesiolingual, mesiovestibular, disto-
vestibular e distolingual.
CAPÍTULO 9 265
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Raízes
Apresenta duas raízes, uma mesial, maior e mais larga no sentido vestíbulo-
lingual do que a distal. São amplamente separadas. A metade apical das raízes
geralmente se inclina para o lado distal. Ambas têm aproximadamente o dobro
do comprimento da coroa.
Canais radiculares e câmara pulpar
O teto da câmara pulpar apresenta cinco cornos pulpares relacionados às
cúspides na maioria dos primeiros molares inferiores que são pentacuspidados.
O soalho tem contorno retangular, é convexo, principalmente no sentido
mesiodistal e nele observamos três orifícios para os canais radiculares. Um para
o canal distal na raiz distal e dois para os canais mesiais na raiz mesial, sendo um
mesiovestibular e um mesiolingual. Os canais mesiais apresentam-se com a luz
muito reduzida em relação ao distal que é mais amplo (Figs. 9.77 e 9.78).
SEGUNDO MOLAR INFERIOR PERMANENTE 47 e 37 7 7
Está localizado na mandíbula, é o sétimo dente a partir da linha mediana
anterior. Sua face mesial está em contato com a face distal do primeiro molar
inferior e sua face distal, com a face mesial do terceiro molar inferior.
Irrupção
Aos 12 anos de idade.
Fig. 9.76 — Primeiro molar inferior, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV1 — cúspide
mesiovestibular; CDL — cuspide distolingual; CMV2 — cúspide mediovestibular; CDV — cúspide distovestibular.
266 Anatomia Dental
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Fig. 9.77 — Corte sagital no primeiro molar inferior: CP — câmara pulpar; CD — canal distal; CM — canal mesial.
Fig. 9.78 — Corte frontal no primeiro molar inferior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CML —
canal mesiolingual.
Funções
Triturar os alimentos e manter a dimensão vertical.
CAPÍTULO 9 267
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Fig. 9.79 — Segundo molar inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
Oclusão
Oclui com o terço distal do primeiro molar e os dois terços mesiais do segun-
do molar superior.
Morfologia
Face vestibular
É menor que a do primeiro molar, pois possui apenas dois segmentos vesti-
bulares. Tem forma trapezoidal e apresenta um sulco vestibular vertical próximo
à parte média desta face, ligeiramente deslocado para a distal, dividindo os dois
segmentos vestibulares, sendo o mesial maior que o distal. A margem cervical é
ligeiramente côncava para as raízes, apresentando um prolongamento de esmal-
te em direção à bifurcação delas. As margens proximais são convexas, sendo a
distal mais curta e mais convexa. A margem oclusal é separada em dois segmen-
tos pelo sulco oclusovestibular, que termina nesta face numa depressão chamada
forame cego, muito comum neste dente (Fig. 9.79).
Face lingual
Esta face é menor que a do primeiro molar, porém, mais convexa nos senti-
dos cérvico-oclusal e mesiodistal (Fig. 9.80).
Faces proximais
São semelhantes às do primeiro molar inferior. A distal é menor e mais con-
vexa que a mesial (Fig. 9.81).
268 Anatomia Dental
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Fig. 9.81 — Segundo molar inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual;
O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Fig. 9.80 — Segundo molar inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem
mesial; O — margem oclusal.
Face oclusal
Apresenta, na maioria dos casos, quatro cúspides, duas vestibulares e duas lin-
guais, cuja ordem decrescente de volume é a seguinte: mesiolingual, mesiovestibular,
CAPÍTULO 9 269
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distovestibular e distolingual. Há casos em que a cúspide mesiovestibular é maior
que a mesiolingual, porém as mesiais são quase sempre maiores que as distais em
volume. As linguais são mais altas que as vestibulares. Esta face apresenta dois sul-
cos separando as quatro cúspides: um, mesiodistal, tem início na fosseta mesial,
próximo à crista marginal mesial, e termina na fosseta distal, próximo à crista margi-
nal distal. Este sulco separa as cúspides vestibulares das linguais. O outro sulco é o
vestibulolingual, que é interrompido na fosseta central, interceptando o mesiodistal
e oferecendo um aspecto cruciforme a esses sulcos que é uma importante caracterís-
tica desse dente. Das três fossetas desta face, as proximais têm aspecto triangular e a
central tem aspecto de um losângulo (Fig. 9.82).
Fig. 9.82 — Segundo molar inferior, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV — cúspide
mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual.
Raízes
Semelhantes às do primeiro, porém menores e com tendência à fusão.
Canais radiculares e câmara pulpar
Câmara pulpar apresenta, no seu teto, quatro cornos pulpares em relação
às quatro cúspides do dente. O soalho é convexo, liso e se assemelha ao do
primeiro, ou seja, com três orifícios para os canais radiculares: um mesio-
vestibular, um mesiolingual (bem estreitos) e um distal mais amplo. Há casos
em que os segundos molares apresentam dois canais, ou seja, um mesial, em
forma de haltere, com o eixo maior vestibulolingual, e um distal. E há casos,
ainda, em que apresentam dois mesiais que se reúnem no terço apical da raiz
mesial (Figs. 9.83 e 9.84).
270 Anatomia Dental
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Fig. 9.83 — Corte sagital no segundo molar inferior: CP — câmara pulpar; CM — canal mesial; CD — canal distal.
Fig. 9.84 — Corte frontal no segundo molar inferior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CML —
canal mesiolingual.
TERCEIRO MOLAR INFERIOR 48 e 38 8 8
Está localizado na mandíbula; é o oitavo dente a partir da linha mediana
anterior. Sua face mesial está em contato com a face distal do segundo molar
inferior e sua face distal é livre. Este dente pode se apresentar com as caracte-
CAPÍTULO 9 271
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rísticas do primeiro molar inferior ou do segundo molar inferior. Porém, em am-
bos os casos, apresenta na face oclusal uma quantidade maior de sulcos secundá-
rios e suas raízes têm uma tendência muito grande à fusão ou dilacerações mui-
tas vezes apresentando mais de duas raízes, o que facilita o diagnóstico do dente
do siso, como ele também é chamado.
DENTES TEMPORÁRIOS
Também chamados dentes decíduos, dentes de leite, dentes caducos, dentes
provisórios e dentes da primeira dentição ou da infância. Iniciam sua irrupção aos
seis meses de idade e terminam aproximadamente aos dois anos e meio. Nesta
dentição não encontramos pré-molares e nem os terceiros molares, portanto, quan-
do completa, encontramos 20 dentes, distribuídos em: incisivos centrais, laterais,
caninos, primeiros molares e segundos molares, superiores e inferiores.
INCISIVO CENTRAL SUPERIOR TEMPORÁRIO 51 e 61 I I
Está localizado na maxila, é o primeiro dente a partir da linha mediana ante-
rior. Sua morfologia assemelha-se à do permanente; porém, tem aparência mais
bojuda e o seu diâmetro mesiodistal é ligeiramente maior que o cérvico-oclusal
quando observado pela face vestibular. A convexidade desta face acentua-se muito
no terço cervical, formação que é característica dos dentes temporários. A mar-
gem distal é bem menor que a mesial, pois o ângulo disto-oclusal é bem arredon-
dado, enquanto o ângulo mésio-oclusal é quase reto; sendo assim, a margem
oclusal é bastante inclinada no sentido distocervical. A face lingual apresenta
menor variação do que no permanente. O tubérculo lingual (cíngulo) é quase
sempre bem desenvolvido. O restante desta face é apenas côncava. Das faces
proximais, a distal é menor e mais convexa que a mesial; porém, próximo ao
colo, a mesial apresenta convexidade maior que a distal (Figs. 9.85, 9.86 e 9.87).
Fig. 9.85 — Incisivo central superior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
272 Anatomia Dental
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Raiz
A raiz do incisivo central superior temporário é ligeiramente achatada no sen-
tido vestibulolingual. Além disso, costuma acotovelar-se no terço apical, no senti-
do vestibular. Este desvio está relacionado com a pressão exercida pelo germe do
incisivo central permanente, que se localiza do lado lingual do temporário.
Fig. 9.87 — Incisivo central superior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L —
margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Fig. 9.86 — Incisivo central superior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M
— margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 273
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Canal radicular e câmara pulpar
Têm forma similar à do permanente, porém são de proporções maiores.
INCISIVO LATERAL SUPERIOR TEMPORÁRIO 52 E 62 II II
Está localizado na maxila, é o segundo dente a partir da linha mediana
anterior. Assemelha-se ao permanente. É menor que o incisivo central tempo-
rário, apresenta a distância mesiodistal menor que a cérvico-oclusal. Sua face
vestibular é bem mais convexa que a do incisivo central. Sua face lingual é bem
mais escavada em virtude do grande desenvolvimento das cristas marginais.
Apresenta uma grande inclinação da margem oclusal no sentido distocervical,
tornando o ângulo disto-oclusal muito arredondado. O ângulo mesiooclusal é
mais arredondado que o do incisivo central. Das faces proximais, a distal é
bastante reduzida em relação à mesial (Figs. 9.88, 9.89 e 9.90).
Raiz
Proporcionalmente mais longa do que a raiz do incisivo central, porém com
as mesmas características.
Canal radicular e câmara pulpar
Têm forma similar à do permanente, porém proporções maiores.
Fig. 9.88 — Incisivo lateral superior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
274 Anatomia Dental
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INCISIVO CENTRAL INFERIOR TEMPORÁRIO 81 e 71 I I
Está localizado na mandíbula, é o primeiro dente a partir da linha mediana
anterior. Assemelha-se ao permanente, mas é muito menor. Sua face vestibular é
Fig. 9.90 — Incisivo lateral superior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L —
margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Fig. 9.89 — Incisivo lateral superior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 275
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praticamente lisa, ou seja, sem sulcos e os lobos de desenvolvimento. Sua raiz não
apresenta o achatamento mesiodistal do permanente, ou seja, em secção transver-
sal aproxima-se da forma circular. Seu canal radicular e câmara pulpar são seme-
lhantes às do permanente, porém, de proporções maiores (Figs. 9.91, 9.92 e 9.93).
Fig. 9.92 — Incisivo central inferior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M
— margem mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.91 — Incisivo central inferior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
276 Anatomia Dental
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INCISIVO LATERAL INFERIOR TEMPORÁRIO 82 e 72 II II
Está localizado na mandíbula, sendo o segundo dente a partir da linha medi-
ana anterior. É maior que o central temporário. Apresenta o ângulo disto-oclusal
bem arredondado. Sua raiz apresenta-se quase circular, em corte transversal. Seu
canal radicular e câmara pulpar são semelhantes às do permanente; porém, de
proporções maiores (Figs. 9.94, 9.95 e 9.96).
Fig. 9.93 — Incisivo central inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual;
O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Fig. 9.94 — Incisivo lateral inferior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 277
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CANINO SUPERIOR TEMPORÁRIO 53 e 63 III III
Está localizado na maxila; é o terceiro dente a partir da linha mediana ante-
rior. A coroa deste dente mostra-se lanceolada com dimensões mesiodistal e
cérvico-oclusal equivalentes. Comparada com a coroa do permanente, sua cúspide é
Fig. 9.95 — Incisivo lateral inferior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.96 — Incisivo lateral inferior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L —
margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
278 Anatomia Dental
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mais longa e aguçada. A vertente mesial da margem oclusal é mais inclinada, ou
seja, não tende ao plano horizontal como no permanente. Sua raiz é cônica e triangu-
lar, apresenta sulcos proximais, está freqüentemente desviada para a distal, porém
seu terço apical desvia-se para o lado vestibular em conseqüência do germe do per-
manente, que fica do lado lingual. O canal radicular e a câmara pulpar são seme-
lhantes aos do permanente, porém de proporções maiores (Figs. 9.97, 9.98 e 9.99).
Fig. 9.98 — Canino superior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.97 — Canino superior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 279
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CANINO INFERIOR TEMPORÁRIO 83 e 73 III III
Está localizado na mandíbula, sendo o terceiro dente a partir da linha me-
diana anterior. É menos volumoso que o superior. Sua coroa também tem forma
lanceolada. Entretanto, seu diâmetro cérvico-oclusal é maior que o mesiodistal
e sua coroa não é tão bojuda quanto a do superior. A concavidade da face
lingual raramente é interrompida por uma crista longitudinal. A margem
oclusal apresenta duas vertentes que se unem na ponta da cúspide não muito
aguçada. O vértice desta cúspide encontra-se mais próximo da face mesial.
Sua raiz é mais curta que a do superior e mais achatada no sentido mesiodistal.
Os sulcos proximais são mais evidentes. Seu canal radicular e sua câmara
pulpar se assemelham aos do permanente, mas apresentam proporções maiores
(Figs. 9.100, 9.101 e 9.102).
Primeiro molar superior temporário 54 e 64 IV IV
Está localizado na maxila, é o quinto dente a partir da linha mediana
anterior. É o menos volumoso dos molares temporários e cederá lugar ao
primeiro pré-molar superior. A face vestibular é convexa no terço cervical e
se aplana nos dois terços oclusais. Das quatro margens que limitam esta
face, a cervical é ondulada e oblíqua para cima, no sentido mesial. A maior
convexidade desta face observa-se ao nível do ângulo triedro
vestibulocervicomesial, onde se encontra um aumento de volume, o tubér-
culo molar. A face lingual é menor e mais convexa que a vestibular. Das
faces proximais, a distal é menor e mais convexa que a mesial. Sua face
oclusal é irregularmente quadrilátera. A margem distal dirige-se em linha
Fig. 9.99 — Canino superior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem
lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
280 Anatomia Dental
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Fig. 9.100 — Canino inferior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.101 — Canino inferior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M —
margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 281
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reta em direção vestibulolingual, unindo-se às margens vestibular e lingual
em ângulos retos. A margem mesial, porém, é oblíqua em direção
mesiovestibular para distolingual; isso se dá porque a margem lingual é
menor que a vestibular. A face oclusal desse dente é dividida numa parte
vestibular e uma lingual por um sulco mesiodistal, que não atinge as faces
proximais, detendo-se nas cristas marginais. A parte vestibular apresenta
duas cúspides: uma mesiovestibular, maior, e uma distovestibular, menor.
A parte lingual apresenta uma cúspide lingual que é a maior do dente. Mui-
tas vezes, da fosseta distal parte um sulco oclusolingual que, invadindo a
face lingual, divide a cúspide lingual em duas, ou seja, uma cúspide
mesiolingual grande e uma distolingual pequena. Neste caso, o dente seria
tetracuspidado, apresentando, em ordem decrescente de volume, uma
cúspide mesiolingual, uma mesiovestibular, uma distovestibular e uma
distolingual (Figs. 9.103, 9.104, 9.105 e 9.106).
Raízes
São três, assim como nos molares superiores permanentes, mas são muito
divergentes no sentido apical. Seus ápices radiculares costumam se curvar, como
se olhassem um para os outros. Este fato acontece porque entre as raízes do pri-
meiro molar temporário está o germe do primeiro pré-molar. Seus canais
radiculares e sua câmara pulpar são semelhantes aos do molar permanente, po-
rém de proporções maiores.
Fig. 9.102 — Canino inferior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem
lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
282 Anatomia Dental
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Fig. 9.103 — Primeiro molar superior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.104 — Primeiro molar superior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 283
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Fig. 9.105 — Primeiro molar superior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L —
margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Fig. 9.106 — Primeiro molar superior temporário, visto pela face oclusal: D — margem distal; L — margem lingual;
M — margem mesial; V — margem vestibular.
284 Anatomia Dental
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SEGUNDO MOLAR SUPERIOR TEMPORÁRIO 55 E 65 V V
Está localizado na maxila, é o quinto dente a partir da linha mediana anterior.
É mais volumoso que o primeiro e é substituído pelo segundo pré-molar. A coroa
deste dente é quase uma cópia da coroa do primeiro molar superior permanente.
Chamamos atenção para uma saliência um pouco mais evidente no terço cervical
da face vestibular e na face lingual, apresentada com maior freqüência que no
primeiro permanente, o tubérculo anômalo. As raízes são em número de três,
duas vestibulares e uma lingual, bem divergentes em direção apical. Seus ápices
são recurvados, suas faces inter-radiculares são escavadas e alojam o germe do
segundo pré-molar, que o substituirá na arcada permanente. Seus canais
radiculares e sua câmara pulpar são semelhantes aos do primeiro molar perma-
nente, porém de proporções maiores (Figs. 9.107, 9.108, 9.109 e 9.110).
PRIMEIRO MOLAR INFERIOR TEMPORÁRIO 84 e 74 IV IV
Está localizado na mandíbula, é o quarto dente a partir da linha mediana ante-
rior. É menos volumoso que o segundo e será substituído pelo primeiro pré-molar
inferior. A face vestibular é bastante convexa no terço cervical e se aplana no sentido
oclusal, apresentando uma inclinação muito grande no sentido lingual. A maior
convexidade desta face está no ângulo triedro vestibulocervicomesial, onde o au-
mento de volume de esmalte forma o tubérculo molar. Esta face apresenta uma ligei-
ra depressão em sua porção média que a divide num segmento mesial maior e um
distal menor. A margem distal desta face é menor e mais convexa que a mesial. A
margem oclusal apresenta um sulco que separa as duas cúspides vestibulares,
Fig. 9.107 — Segundo molar superior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem
distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
CAPÍTULO 9 285
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Fig. 9.109 — Segundo molar superior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L —
margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Fig. 9.108 — Segundo molar superior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
286 Anatomia Dental
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Fig. 9.110 — Segundo molar superior temporário, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV —
cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual; TA — tubérculo anômalo.
mesiovestibular maior e distovestibular menor. A margem cervical se inclina para
cima e para distal. A face lingual é menor e mais convexa que a vestibular. Apresenta
um sulco deslocado mais para a distal que a divide em dois segmentos, um mesial
maior e um distal menor. Das duas faces proximais, a distal é menor e mais convexa
que a mesial. A face oclusal tem o diâmetro mesiodistal maior que o vestibulolingual.
Apresenta quatro cúspides: duas vestibulares e duas linguais, sendo que as mesiais
são as mais volumosas. A ordem decrescente das cúspides é a seguinte: mesiolingual,
mesiovestibular, distovestibular e distolingual. Existe um sulco mesiodistal curvilíneo
de concavidade lingual que muitas vezes é interrompido por uma ponte de esmalte,
entre as cúspides mesiovestibular e mesiolingual, separando duas fossetas, uma distal,
maior, e uma mesial, menor. Das cristas marginais, a mesial é mais nítida e mais
volumosa que a distal (Figs. 9.111, 9.112, 9.113 e 9.114).
Raízes
São duas, uma mesial e uma distal, longas, alargadas no sentido vestibulo-
lingual e achatadas no sentido mesiodistal. São divergentes, com tendência a
convergirem próximo aos ápices. Suas faces inter-radiculares são escavadas para
alojarem o germe do primeiro pré-molar inferior. A raiz mesial é quase sempre
mais desenvolvida que a distal e possui dois canais, a distal apenas um. A câma-
ra pulpar é bastante ampla, seu teto apresenta quatro cornos pulpares e seu soa-
lho, três orifícios para os canais radiculares: um mesiovestibular, um mesiolingual
e um distal.
CAPÍTULO 9 287
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Fig. 9.111 — Primeiro molar inferior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.112 — Primeiro molar inferior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
288 Anatomia Dental
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Fig. 9.113 — Primeiro molar inferior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L —
margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Fig. 9.114 — Primeiro molar inferior temporário, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV —
cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual.
SEGUNDO MOLAR INFERIOR TEMPORÁRIO 85 e 75 V V
Está localizado na mandíbula, é o quinto dente a partir da linha mediana
anterior. É mais volumoso que o primeiro e será substituído pelo segundo pré-
molar inferior. Este dente é uma réplica reduzida do primeiro molar inferior perma-
CAPÍTULO 9 289
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nente. As únicas diferenças significantes são: aumento de esmalte na face vesti-
bular no terço cervical e acentuada convexidade nas faces proximais, produzin-
do uma constrição nítida da porção cervical.
As raízes são muito divergentes na sua metade cervical, porém seus ápices qua-
se sempre convergem entre si para alojar o germe do segundo pré-molar inferior. Os
canais radiculares e câmara pulpar se assemelham aos do primeiro molar inferior
permanente, sendo, porém, de proporções maiores (Figs. 9.115, 9.116, 9.117 e 9.118).
Fig. 9.116 — Segundo molar inferior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M
— margem mesial; O — margem oclusal.
Fig. 9.115 — Segundo molar inferior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal;
M — margem mesial; O — margem oclusal.
290 Anatomia Dental
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Fig. 9.117 — Segundo molar inferior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L —
margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
Fig. 9.118 — Segundo molar inferior temporário, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV1 —
cúspide mesiovestibular; CDL — cúspide distolingual; CMV2 — cúspide mediovestibular; CDV — cúspide distovestibular.
EVOLUÇÃO E INVOLUÇÃO DA DENTIÇÃO HUMANA
Do nascimento aos seis meses os processos alveolares das maxilas e da
mandíbula estão recobertos pela mucosa bucal. Aos seis meses começa a irrupção
dos dentes temporários, que deverá estar completa em torno de dois anos e
CAPÍTULO 9 291
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meio. Dos três aos seis anos, a dentição temporária não sofre alterações visí-
veis, com exceção do afastamento entre os incisivos e caninos. A criança apre-
senta diastemas devido ao crescimento das maxilas e da mandíbula. Neste
período, formam-se as coroas dos dentes permanentes e tem início a reabsorção
das raízes dos dentes temporários. Surge aos seis anos o primeiro molar per-
manente, sem diminuir o número de dentes temporários, porque a sua irrupção
se dá tangentemente à distal do segundo molar temporário. Dos seis aos 12
anos a dentição apresenta-se mista, caracterizada pela presença de dentes tem-
porários e irrupção dos permanentes. Dos 13 aos 21 anos, a dentição perma-
nente deverá estar completa. Dos 22 aos 45 anos tem-se o período funcional
do aparelho mastigador. Dos 45 anos em diante há um declínio fisiológico da
dentição permanente, que poderá ser acelerado ou retardado em função de
uma série de fatores. A perda total dos dentes faz com que as maxilas e a
mandíbula sejam novamente recobertas somente pela mucosa bucal, ou seja,
é o estágio final da dentição humana.
RELAÇÕES INTERDENTÁRIAS
Ponto de contato
É a relação de contato entre dois dentes contíguos de um mesmo arco, atra-
vés de suas faces proximais, ou seja, a face mesial de um toca a face distal do outro,
com exceção dos incisivos centrais, que se tocam na linha mediana anterior atra-
vés de suas faces mesiais e dos terceiros molares que têm as faces distais livres. À
medida que os dentes entram em função e por causa de sua pequena mobilidade,
os pontos de contato transformam-se em verdadeiras áreas de contato.
Localização dos pontos de contato nos diversos grupos dentários
INCISIVOS E CANINOS SUPERIORES
É o ponto de encontro entre a coordenada que limita os terços oclusal e mé-
dio com a coordenada que limita os terços vestibular e médio da coroa nas suas
faces proximais.
INCISIVOS E CANINOS INFERIORES
O contato é feito através dos seus ângulos mésio e disto-oclusais.
PRÉ-MOLARES E MOLARES SUPERIORES
Através de suas faces proximais, num ponto situado no terço oclusal, ligeira-
mente deslocado no sentido vestibular. Com o desgaste, este ponto se transforma
numa área elíptica, de eixo maior vestibulolingual.
PRÉ-MOLARES E MOLARES INFERIORES
Através de suas faces proximais, num ponto situado na parte média do terço
oclusal. Este ponto também se transforma, com o desgaste, numa área de contato
de eixo maior vestibulolingual.
292 Anatomia Dental
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Durante a mastigação, os pontos de contato evitam que frações de alimen-
tos sofram retenção entre os dentes contíguos. A falta do ponto de contato seria
fatalmente o início de uma série de transtornos de ordem funcional e patológi-
ca. O ponto de contato é, portanto, muito importante na manutenção da saúde
dos elementos que compõem o periodonto. À ausência do ponto de contato, ou
seja, o afastamento entre dois dentes contíguos num mesmo arco, chama-se
diastema.
Na dentição temporária, a inexistência do ponto de contato é funcionalmen-
te normal. Há uma correlação direta entre o crescimento das maxilas e da mandí-
bula com a falta dos pontos de contato.
Espaço interdentário
É o espaço virtual, entre dois dentes contíguos de um mesmo arco, que tem a
forma de uma pirâmide quadrangular, cuja base repousa sobre a crista óssea
alveolar e o vértice coincide com o ponto de contato. Das quatro faces, duas são
reais, a distal de um dente e a mesial do outro, e duas são virtuais, correspondendo
às tangentes vestibular e lingual dos dois dentes contíguos no mesmo arco.
Conteúdo do espaço interdentário
Este espaço é virtual porque é preenchido pela papila gengival ou
interdentária e pelas fibras interdentárias ou transeptais, que partem do cemento
de um dente para o do outro sobre a crista alveolar. Deste modo, as faces
proximais dos dentes contíguos ficam unidas entre si por uma rede fibrosa
supra-alveolar. A papila gengival age no espaço interdentário como comple-
mento do ponto de contato, evitando a penetração e retenção de fragmentos
alimentares entre os dentes contíguos.
AMEIA OU NICHO
É o espaço compreendido entre dois dentes contíguos de um mesmo arco, em
forma de pirâmide quadrangular, de base oclusal (virtual) e vértice coincidindo
com o ponto de contato. Das quatro faces, duas são reais, a distal de um dente e
a mesial do outro, e duas são virtuais, correspondendo às tangentes vestibular
e lingual. As faces mesial e distal da pirâmide, dado o seu grau de convexidade,
funcionam em conjunto com o ponto de contato, desviando as frações alimenta-
res durante a mastigação no sentido vestibular e lingual. Portanto, a ameia é a
primeira barreira de proteção das estruturas interdentárias.
PERIODONTO
É o conjunto de estruturas que constituem a articulação alvéolo-dental. Do
ponto de vista anatômico e clínico, temos dois tipos de periodonto, o periodonto
de proteção ou gengiva e o periodonto de fixação ou de inserção, representado
pelo cemento, osso alveolar e ligamentos alvéolo-dentários.
CAPÍTULO 9 293
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GENGIVA
Éumamembranamucosaqueenvolveosprocessosalveolareseoscolosdentários.
A partir do fundo do vestíbulo e do sulco gengivolingual, a mucosa possui duas
zonas de aspectos diferentes, uma avermelhada (mucosa alveolar) e outra mais
esbranquiçada, mais aderente e mais espessa (mucosa gengival ou gengiva).
Num exame mais atento, verifica-se que a gengiva possui duas regiões distintas:
uma aparentemente aderida ao colo dentário (gengiva livre) e outra aderente ao pro-
cesso alveolar, mais espessa (gengiva inserida). Entre as duas existe um pequeno
espaço, o sulco marginal. Se introduzirmos um estilete entre o colo do dente e a
gengiva livre, ele ficará envolto pela mucosa aproximadamente entre 0,5 e 2,5mm, e
a ponta do estilete tocará num ponto onde a mucosa gengival adere ao colo dentário.
A gengiva inserida caracteriza-se pelo aspecto granulado devido às papilas
subjacentes; esse aspecto é importante, pois nos processos inflamatórios há edema
e a granulação desaparece, e a gengiva torna-se lisa e avermelhada. Nos espaços
interdentários a gengiva se eleva e preenche esses espaços, são as papilas
interdentárias, onde a gengiva vestibular se continua com a lingual.
Cemento
Localizado sobre a dentina radicular, faz parte do periodonto de inserção,
recebe as fibras dos ligamentos alvéolo-dentários.
Alvéolo
É uma cavidade aberta nos processos alveolares das maxilas e mandíbula
que recebe a raiz dentária.
Ligamentos alvéolo-dentários (desmodonto)
Este complexo conjunto fibroso tem por finalidade principal unir o cemento
radicular ao alvéolo, porém, várias fibras dirigem-se também para a gengiva e
algumas vão ter ao cemento de dentes vizinhos acima da crista alveolar.
As fibras alvéolo-dentárias podem ser divididas em: fibras da crista alveolar,
fibras horizontais, fibras oblíquas e fibras apicais. As fibras da crista alveolar
estão situadas logo abaixo das fibras interdentárias ou transeptais, isto é, na parte
alta dos septos inter-alveolares. As fibras horizontais fixam-se em ângulos retos
em relação ao eixo radicular e horizontalmente dirigem-se para as paredes do
alvéolo à altura do terço cervical da raiz. As fibras oblíquas dirigem-se obliqua-
mente do cemento para o alvéolo e constituem a maioria das fibras alvéolo-
dentárias. Estão nos dois terços apicais da raiz. As fibras apicais dirigem-se do
ápice ao fundo do alvéolo.
Disposição dos dentes nas arcadas
Na dentição normal, os dentes estão dispostos numa seqüência rigorosa, ou
seja, cada dente está em íntimo contato com o seu vizinho. A relação entre os
dentes superiores e inferiores ao se tocarem chama-se oclusão.
294 Anatomia Dental
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As relações normais das duas arcadas em oclusão caracterizam-se pela
sobremordida maxilar, que é causada pelo maior diâmetro da arcada superior. Os
incisivos e caninos superiores estão em mordida vestibular em relação aos infe-
riores. Os pré-molares e molares superiores estão deslocados vestibularmente,
de tal modo que as cúspides vestibulares dos dentes inferiores ocluem com os
sulcos principais mesiodistais dos superiores, e as cúspides linguais dos superi-
ores estão em oclusão com os sulcos semelhantes dos inferiores.
As diferenças das distâncias mesiodistais dos incisivos superiores e inferio-
res também ocasionam uma posição distal dos dentes superiores em relação aos
inferiores. O incisivo central superior oclui com o central inferior e a metade
mesial do lateral inferior. O incisivo lateral superior oclui com a metade distal do
lateral inferior e a metade mesial do canino inferior. O canino superior oclui com
a metade distal do canino inferior e a metade mesial do primeiro pré-molar infe-
rior. O primeiro pré-molar superior oclui com a metade distal do primeiro pré-
molar inferior e a metade mesial do segundo pré-molar inferior. O segundo
pré-molar superior oclui com a metade distal do segundo pré-molar inferior e o
terço mesial do primeiro molar inferior. O primeiro molar superior oclui da se-
guinte maneira: a sua cúspide mesiovestibular oclui projetando-se vestibularmente
sobre o sulco entre as cúspides mésio e mediovestibular do primeiro molar infe-
rior; a cúspide distovestibular do primeiro molar superior oclui sobre a cúspide
distovestibular do primeiro inferior e a mesiovestibular do segundo molar inferior.
O segundo molar superior oclui com os dois terços distais do segundo molar
inferior e com o terço mesial do terceiro molar inferior. O terceiro molar superior
oclui com os dois terços distais do terceiro molar inferior.
Numa dentição normal, as faces distais dos terceiros molares superiores e
inferiores estão praticamente no mesmo plano, isso porque os diâmetros mesiodis-
tais dos superiores são menores que nos inferiores, compensando, assim, o maior
diâmetro mesiodistal dos incisivos e caninos superiores em relação aos inferiores.
Na dentição temporária, é importante observar que as diferenças das distân-
cias mesiodistais dos molares superiores e inferiores fazem com que as faces
distais dos segundos molares superiores e inferiores fiquem no mesmo plano,
compensando, assim, a maior distância mesiodistal dos incisivos e caninos su-
periores em relação aos inferiores, como acontece na dentição permanente.
CAPÍTULO 10 295
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CAPÍTULO
10
Fundamentos Anatômicos para
Radiografia Dental
Quando se impressiona uma película radiográfica através dos raios X, ob-
têm-se imagens radiopacas e radiotransparentes ou radiolúcidas. As radiopacas
aparecem esbranquiçadas, claras. As radiolúcidas aparecem escuras.
Em todas as tomadas radiográficas dos dentes, observa-se uma imagem muito
clara representando o esmalte que recobre as coroas, uma menos clara que repre-
senta a dentina e uma escura que representa a cavidade pulpar (câmara pulpar e
canais radiculares). Ao redor das raízes, observa-se uma linha branca que repre-
senta a compacta óssea alveolar conhecida como lâmina dura. Entre esta e a raiz,
uma linha escura que representa o espaço periodontal, e, ao redor das raízes, o
processo alveolar com aspecto trabeculado devido ao osso esponjoso.
TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DE INCISIVOS SUPERIORES
IMAGENS RADIOPACAS
Logo acima e entre os ápices dos incisivos centrais, observa-se uma imagem
clara representando a espinha nasal anterior. Do plano mediano para a lateral,
uma linha curva, côncava para cima, que representa o soalho da fossa nasal.
IMAGENS RADIOLÚCIDAS
Logo acima do soalho nasal observa-se uma zona escura que representa a
fossa nasal. No plano mediano, partindo da espinha nasal anterior até a margem
296 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA INTERPRETAÇÃO DE RADIOGRAFIAS DENTÁRIAS
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alveolar, uma linha escura que representa a sutura intermaxilar. Entre os terços
apicais dos incisivos centrais, uma imagem escura, ovalada, que representa o
forame incisivo.
TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DE CANINO SUPERIOR
IMAGEM RADIOPACA
Pilar canino que aparece sob a forma de uma faixa esbranquiçada que segue
para cima, na direção do eixo do próprio dente.
IMAGENS RADIOLÚCIDAS
Excepcionalmente, pode aparecer uma imagem escura medialmente à raiz
do canino, representando a parte lateral da fossa nasal e distalmente represen-
tando a porção anterior do seio maxilar, quando este é muito amplo.
TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DE PRÉ-MOLARES SUPERIORES
IMAGEM RADIOPACA
Uma linha branca horizontal acima dos ápices radiculares que representa o
soalho do seio maxilar.
IMAGEM RADIOLÚCIDA
Uma zona escura acima desta linha representa o seio maxilar.
TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DE MOLARES SUPERIORES
Os molares mantêm uma relação muito íntima com o soalho do seio maxilar.
Em geral, a tríplice cúpula alveolar destes dentes está separada do soalho do seio
maxilar apenas pela justaposição da parede alveolar à lâmina compacta do soa-
lho sinusal. Há porém, variantes: algumas vezes a cúpula dista alguns milíme-
tros do soalho, e, outras vezes ainda, os ápices das raízes estão em contato com a
mucosa do seio.
IMAGENS RADIOPACAS
Logo acima do primeiro molar, observa-se uma imagem clara de forma trian-
gular que representa o pilar zigomático. Logo acima ou junto aos ápices radiculares
ou ainda se invaginando entre eles, observa-se uma linha clara, sinuosa, que
representa o soalho do seio maxilar. Atrás do terceiro molar, pode-se observar
uma imagem clara, ligeiramente curva, que aponta para baixo, que representa o
hâmulo pterigóideo. Observa-se ainda, na porção póstero-inferior da radiografia,
CAPÍTULO 10 297
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uma imagem clara, de forma triangular, que aponta para cima e para adiante e
que representa o processo coronóide da mandíbula.
IMAGEM RADIOLÚCIDA
Acima da linha radiopaca que representa o soalho do seio, observa-se uma
zona escura que representa o seio maxilar.
TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DOS INCISIVOS INFERIORES
IMAGEM RADIOPACA
No plano mediano, abaixo dos ápices dos incisivos centrais observa-se
uma imagem clara, pequena, em forma de anel irregular, que representa os
processos “geni”.
IMAGEM RADIOLÚCIDA
No centro deste anel radiopaco aparece um ponto escuro, que representa o
forame lingual.
TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DO CANINO INFERIOR
Além dos dentes, lâmina dura, espaço periodontal e processo alveolar, não
se encontra elemento anatômico digno de nota.
TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DOS PRÉ-MOLARES INFERIORES
O elemento anatômico importante nesta tomada é o forame mental, que apa-
rece como uma imagem radiolúcida arredondada ou ovalada à altura do ápice do
segundo pré-molar ou entre os ápices do primeiro e do segundo pré-molares.
TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DE MOLARES INFERIORES
IMAGENS RADIOPACAS
Observa-se duas linhas claras à altura do terceiro e segundo molares que
seguem do corpo para o ramo e são paralelas. A superior representa a linha oblí-
qua e a inferior a linha milo-hióidea.
IMAGENS RADIOLÚCIDAS
Seguindo do ramo para o corpo, abaixo dos ápices dos molares ou em ínti-
ma relação com os seus ápices, principalmente do terceiro molar, observa-se
uma faixa escura que representa o canal mandibular. Em alguns casos, pode-se
observar abaixo dos ápices dos molares uma zona elíptica escura que represen-
ta a fossa submandibular, provavelmente de pessoas que têm esta fossa muito
escavada.
CAPÍTULO 11 299
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CAPÍTULO
11
Anatomia Regional
REGIÃO NASAL
É uma região ímpar, localizada no terço médio da face que corresponde à
pirâmide nasal conhecida como nariz.
LIMITES
Superior — uma linha horizontal que vai de uma sobrancelha à outra.
Inferior — uma linha horizontal, paralela à precedente que passa tangente às
margens inferiores das asas do nariz.
Laterais — a cada lado, uma linha oblíqua que parte do ângulo medial da órbita,
segue para baixo e para fora e termina tangente à margem externa da asa do nariz,
coincidindo com o sulco nasogeniano.
PLANOS
Pele
É fina e movível no terço superior e grossa e aderente às cartilagens nos dois
terços inferiores.
Tela subcutânea
É pouco desenvolvida, não forma um plano nítido em toda a região, apenas
na porção em que a pele é movível.
300 Anatomia Regional: Regiões Superficiais da Face
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Fig. 11.1 — Regiões superficiais da face (vista anterior): RN — região nasal; RL — região labial; RMe — região
mental; RP — região parotídea; RMa — região massetérica: RG — região geniana.
Fig. 11.2 — Regiões superficiais da face (vista lateral): RN — região nasal; RL — região labial; RMe — região
mental; RP — região parotídea; RMa — região massetérica; RG — região geniana.
CAPÍTULO 11 301
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Muscular
Prócero, levantador do lábio superior e da asa do nariz, nasal, dilatador da
asa do nariz e depressor do septo (Figs. 4.1 e 4.2).
Esquelético
Este plano está formado por ossos e cartilagens forrados por periósteo e
pericôndrio, respectivamente. Os ossos são os nasais e as maxilas e as cartilagens
são as nasais laterais, alares e do septo. Estes ossos e cartilagens estão unidos por
uma membrana fibrosa (Figs. 2.10 e 2.11).
Vasos e nervos
Artérias dorsais do nariz, ramos das artérias oftálmicas e nasais laterais, ra-
mos das artérias faciais e suas veias satélites. Os vasos linfáticos drenam aos
linfonodos parotídeos e aos submandibulares. Os nervos eferentes destinam-se
aos músculos, são ramos dos nervos faciais; os aferentes são os nasais externos,
os supra e infratrocleares e os infra-orbitais.
REGIÃO LABIAL
É uma região ímpar que corresponde às partes que constituem os lábios,
envolvendo lábio superior e inferior.
LIMITES
Superior — é o limite inferior da região nasal, ou seja, uma linha horizontal que
passa tangente às margens inferiores das asas do nariz.
Inferior — uma linha horizontal, paralela à precedente, que passa pelo sulco
mentolabial.
Laterais — sulcos labiogenianos.
PLANOS
Pele
É grossa e muito aderente ao plano muscular. É rica em folículos pilosos e
possui numerosas glândulas sebáceas. Na mulher e na criança, apresenta pêlos
finos; no homem adulto, pêlos grossos (bigode no lábio superior e barba no
lábio inferior).
Tela subcutânea
Existe apenas nas porções laterais, faltando quase completamente na porção
medial onde a pele adere-se intimamente ao plano muscular.
302 Anatomia Regional: Regiões Superficiais da Face
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Muscular
Depressor do septo, levantador do lábio superior e da asa do nariz, levantador
do lábio superior, levantador do ângulo da boca, zigomáticos menor e maior,
risório, bucinador, depressor do ângulo da boca, depressor do lábio inferior e
orbicular da boca (Figs. 4.1 e 4.2).
Glandular
Está constituído pelas glândulas salivares labiais, que fazem relevo na mucosa
labial, principalmente no lábio inferior.
Mucoso
É o plano mais posterior da região labial, tem uma coloração avermelhada.
Nos ângulos bucais, continua-se com o plano mucoso da região geniana.
O limite da mucosa labial e gengival é dado pelo sulco gengivolabial. Nota-se
no plano mediano, tanto no lábio superior quanto no inferior, uma prega triangu-
lar, disposta no sentido sagital; é o frênulo labial superior e inferior.
Finalmente, no nível da margem livre dos lábios, a mucosa labial é mais fina
e aderente e se continua com a pele.
Vasos e nervos
Artérias labiais superiores e inferiores, ramos das artérias faciais. Além des-
tas, a região labial recebe ramos das artérias infra-orbitais, bucais e mentais. As
veias são satélites das artérias. Os linfáticos de todo o lábio superior e das por-
ções laterais do lábio inferior drenam aos linfonodos submandibulares, e, da
parte média do lábio inferior, aos linfonodos submentais. Os nervos eferentes
destinam-se aos músculos e são ramos dos nervos faciais. Os aferentes para o
lábio superior são ramos dos nervos infra-orbitais, e, para o lábio inferior, são
ramos dos nervos mentais.
REGIÃO MENTAL
É ímpar e mediana, corresponde à porção anterior do corpo da mandíbula
recoberta pelas partes moles.
LIMITES
Superior — é o limite inferior da região labial, ou seja, uma linha horizontal que
passa pelo sulco mentolabial.
Inferior — margem inferior da porção anterior do corpo da mandíbula.
Laterais — duas verticais baixadas dos sulcos labiogenianos até encontrar a mar-
gem inferior da mandíbula.
CAPÍTULO 11 303
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PLANOS
Pele
É bastante espessa e rica em folículos pilosos. Na mulher e na criança, apre-
senta pêlos finos; no homem adulto, pêlos grossos (barba).
Tela subcutânea
Apresenta uma considerável capa de gordura que se intromete entre as fibras
musculares.
Muscular
Depressor do ângulo da boca, depressor do lábio inferior e mental (Figs. 4.1 e 4.2).
Esquelético
É representado pela face anterior da porção média do corpo da mandíbula,
recoberta pelo periósteo.
Vasos e nervos
Artérias mentais que chegam à região pelos forames mentais, ramos das arté-
rias labiais inferiores e ramos das artérias submentais. As veias são satélites das
artérias. Os linfáticos das porções laterais drenam aos linfonodos submandibulares
e da parte média aos submentais. Os nervos eferentes que se destinam aos mús-
culos são ramos dos nervos faciais, e os aferentes são ramos dos nervos mentais.
Podem-se encontrar ainda alguns ramos do nervo transverso do pescoço (aferente)
que se origina no plexo cervical.
REGIÃO PAROTÍDEA
É uma região par, que se localiza na porção súpero-lateral do pescoço e late-
ral da face junto à margem posterior do ramo da mandíbula (Fig. 6.4).
LIMITES
Superior — margem inferior da porção mais posterior do arco zigomático.
Inferior — uma linha horizontal que prolonga a margem inferior da mandíbula
até a margem anterior do músculo esternocleidomastóideo.
Anterior — margem posterior do ramo da mandíbula.
Posterior — processo mastóideo e margem anterior do músculo esternocleido-
mastóideo.
Medial — processo estilóide e parede lateral da faringe.
304 Anatomia Regional: Regiões Superficiais da Face
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PLANOS
Pele
É delgada, bastante movível, apresenta pêlos finos na mulher e na criança e
grossos no homem adulto (barba).
Tela subcutânea
É aderente à pele, continuando-se com a tela das regiões vizinhas sem limite
nítido de demarcação.
Muscular
Encontram-se alguns feixes dos músculos platisma, risório e auricular anterior.
Loja parotídea
Suas paredes são formadas pela fáscia parotídea, que envolve a glândula
parótida.
Conteúdo
Encontra-se na loja parotídea a glândula parótida, vasos, nervos e linfonodos.
A artéria mais importante que penetra na parótida é a carótida externa, que no
interior da glândula emite a artéria auricular posterior, a temporal superficial e a
maxilar. A temporal superficial emite no interior da glândula a transversa da face
e as auriculares. As veias são: a temporal superficial, a maxilar, que se unem e
formam a veia retromandibular no interior da glândula (esta veia encontra-se
lateralmente à artéria carótida externa), veia jugular externa, que é formada no
interior da glândula pela união das veias auricular posterior e occipital. Ainda se
encontram as veias transversas da face e auriculares, que são tributárias da tem-
poral superficial. Os linfonodos estão divididos em superficiais e profundos: os
superficiais estão situados imediatamente abaixo da lâmina superficial da fáscia
parotídea e os profundos no interior da glândula parótida. O nervo mais impor-
tante que atravessa a glândula parótida de trás para adiante é o nervo facial
(eferente), que forma no interior da glândula o plexo intraparotídeo. Outro nervo
encontrado na porção superior da região é o auriculotemporal (aferente), mas
contém fibras secretomotoras para parótida oriundas do nervo petroso superficial
menor, portanto (eferentes); e, finalmente, o nervo auricular magno (aferente),
que segue na superfície lateral do músculo esternocleidomastóideo, vindo do
plexo cervical, e atravessa a parótida em direção ao pavilhão auricular.
REGIÃO MASSETÉRICA
É uma região par, está situada na porção póstero-lateral da face. Compreende
a face lateral do ramo da mandíbula e as partes moles que o recobrem.
CAPÍTULO 11 305
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LIMITES
Superior — margem inferior do arco zigomático.
Inferior — margem inferior da mandíbula.
Anterior — margem anterior do músculo masseter.
Posterior — margem posterior do ramo da mandíbula.
PLANOS
Pele
É bastante movível, rica em folículos pilosos, apresenta-se com pêlos finos
na mulher e na criança e pêlos grossos no homem (barba).
Tela subcutânea
É mais ou menos rica em gordura e imediatamente abaixo encontram-se as
seguintes formações: os vasos transversos da face (artéria e veia); o prolongamen-
to anterior da glândula parótida; o ducto parotídeo, que vem da região parotídea,
atravessa toda a região massetérica, dobra-se medialmente, perfura o bucinador
na região geniana e se abre na mucosa da bochecha no nível de primeiro ou
segundo molares superiores; os ramos do nervo facial que abandonam a margem
anterior da parótida e seguem para a frente e se destinam à musculatura da mími-
ca; alguns feixes dos músculos risório e platisma; e, por último, no ângulo ântero-
inferior da região, os vasos faciais (artéria e veia). A drenagem linfática é para os
linfonodos submandibulares.
Muscular
Está representado pelo masseter e sua fáscia.
Esquelético
Face lateral de todo ramo da mandíbula coberto pelo periósteo.
REGIÃO GENIANA
É uma região par, está situada na porção anterolateral da face e se estende da
margem infra-orbital à margem inferior da mandíbula.
LIMITES
Superior — margem infra-orbital.
Inferior — margem inferior da mandíbula.
306 Anatomia Regional: Regiões Superficiais da Face
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Anterior — são os limites laterais das regiões nasal, labial e mental, ou seja, de
cima para baixo, o sulco nasogeniano, o labiogeniano e uma vertical baixada
deste até a margem inferior da mandíbula.
Posterior — é o limite anterior da região massetérica, ou seja, a margem anterior
do músculo masseter.
PLANOS
Pele
É bastante movível, rica em glândulas sudoríparas e sebáceas, apresenta pê-
los finos na mulher e na criança e grossos no homem adulto que se continuam
com os da região massetérica.
Tela subcutânea
Apresenta uma quantidade mais ou menos considerável de gordura segundo
os indivíduos. Na parte posterior da região, observa-se o corpo adiposo da boca
que ocupa o espaço entre o masseter e o bucinador
Muscular
De cima para baixo, observam-se os seguintes músculos: a porção inferior do
orbicular do olho, a porção lateral do levantador do lábio superior e da asa
do nariz, o levantador do lábio superior, o levantador do ângulo da boca, os
zigomáticos menor e maior, o risório, alguns feixes do platisma, feixes mais late-
rais do depressor do ângulo da boca e, finalmente, o bucinador na parte média da
região, que é perfurado pelo ducto parotídeo (Figs. 4.1 e 4.2).
Mucoso
Este plano só é encontrado no terço médio da região, ou seja, é a mucosa que
reveste medialmente o músculo bucinador ao qual se adere intimamente. No
nível do primeiro ou segundo molares superiores, esta mucosa apresenta uma
projeção, a papila parotídea, que marca o orifício de drenagem do ducto parotídeo.
Ao redor deste ponto, entre a mucosa e o bucinador, encontramos um grupo de
glândulas salivares acessórias chamadas de glândulas molares.
Esquelético
Este plano está representado, no terço superior, pela maxila e pelo zigomático,
e, no terço inferior, pela mandíbula, todos recobertos pelo periósteo.
Vasos e nervos
A principal artéria da região é a facial, que penetra na face pela região
massetérica e a seguir segue toda região geniana até dar seu ramo terminal, a
CAPÍTULO 11 307
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artéria angular. A veia facial, lateralmente à artéria, faz o trajeto inverso, drenan-
do a região geniana e regiões vizinhas. Outras artérias chegam à região geniana e
o retorno é feito por suas veias satélites. São as seguintes: ramos da artéria lacri-
mal, na porção súpero-lateral; ramos da artéria infra-orbital, que se dirigem à
parte anterior da bochecha; ramos da artéria bucal, que se distribuem à mucosa
que forra o bucinador; ramos da artéria transversa da face, que se distribuem na
face lateral do bucinador; e, na porção inferior da região, os ramos da artéria
mental. A região geniana apresenta o grupo de linfonodos bucais que se encon-
tram no trajeto da veia facial e vão drenar aos linfonodos submandibulares. Os
nervos que se destinam aos músculos da mímica são ramos do nervo facial
(eferente). Os aferentes são provenientes de várias origens, a saber: ramo
zigomaticofacial, para a cútis sobre o osso zigomático; ramos do nervo bucal, que
é ramo do mandibular, se distribuem na bochecha; ramos do nervo infra-orbital,
se distribuem na porção ântero-superior da região; e, finalmente, ramos do nervo
mental para a porção inferior da região.
REGIÃO INFRATEMPORAL
É uma região par, está localizada abaixo da região temporal, medialmente à
região massetérica. Seus limites são os mesmos da fossa infratemporal, já estuda-
dos no Capítulo 2.
Conteúdo
Músculos pterigóideos (medial e lateral); artéria maxilar, com a maioria dos
seus ramos, com exceção do seu trajeto na fossa pterigopalatina e seus ramos
nesta fossa. As veias são satélites das artérias, porém na região infratemporal
formam o plexo pterigóideo. Os linfáticos desta região drenam aos linfonodos
cervicais profundos. O principal nervo desta região é o nervo mandibular com
todos os seus ramos; encontra-se ainda, na face medial do nervo mandibular, o
gânglio ótico, onde fazem sinapse as fibras parassimpáticas do nervo petroso
superficial menor e também passam as fibras do petroso profundo menor do
plexo simpático pericarótico interno. A região infratemporal está ocupada ainda
por um tecido gorduroso que rodeia os vasos e nervos e o espaço entre os múscu-
los. Esta massa gordurosa continua-se com o corpo adiposo da boca.
REGIÃO PTERIGOPALATINA
É uma região par, está localizada medialmente à região infratemporal. Seus
limites são os mesmos da fossa pterigopalatina, já estudados no Capítulo 2.
Conteúdo
Porção terminal da artéria maxilar, com seus três ramos colaterais e um ter-
minal; as veias são satélites das artérias; os linfáticos drenam aos linfonodos
308 Anatomia Regional: Regiões Superficiais da Face
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cervicais profundos; o nervo maxilar com todos os seus ramos e o gânglio
pterigopalatino, onde as fibras parassimpáticas do nervo petroso superficial maior
fazem sinapse e as simpáticas do petroso profundo maior apenas o atravessam;
finalmente, encontra-se tecido gorduroso que envolve os vasos e nervos e se con-
tinua com o tecido gorduroso da região infratemporal.
REGIÃO PALATINA
É uma região ímpar, constituída, nos seus dois terços anteriores, pelo palato
duro e no seu terço posterior pelo véu palatino (Fig. 6.2).
Situação e limites
Está situada por baixo das fossas nasais e à frente da faringe. Continua-se
para adiante e para os lados com a região gengivodental e póstero-lateralmente
com a região tonsilar. Posteriormente termina na margem livre do véu palatino,
limitando assim, com a base da língua, o istmo da fauce (garganta).
PLANOS DOS DOIS TERÇOS ANTERIORES
Mucoso
Apresenta uma coloração rosada. É caracterizado por sua espessura, maior
nas partes laterais do que na porção medial, por sua resistência e por sua aderên-
cia ao periósteo.
Glandular
Está formado pelas glândulas salivares palatinas, que se encontram a cada
lado do plano mediano.
Esquelético
Está constituído pelos processos palatinos das maxilas anteriormente e pelas
lâminas horizontais dos ossos palatinos posteriormente (Fig. 2.26).
PLANOS DO TERÇO POSTERIOR
Mucoso
A mucosa é delgada e pouco aderente ao plano subjacente.
Glandular
Está formado pelas glândulas salivares palatinas, que se continuam com as
dos dois terços anteriores.
CAPÍTULO 11 309
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Muscular
Está representado pelos músculos do véu palatino, que são os seguintes:
músculo da úvula, levantador do véu palatino, tensor do véu palatino,
palatofaríngeo e palatoglosso (Fig. 4.7).
Vasos e nervos
No palato duro, as artérias palatinas maiores e a incisiva; no palato mole, as
palatinas menores e as palatinas ascendentes. As veias que drenam a região
palatina são satélites das artérias e terminam no plexo pterigóideo. Os linfáticos
drenam aos linfonodos cervicais profundos. A sensibilidade do palato duro é
carregada pelos nervos palatinos maiores e incisivo; do palato mole, pelos palatinos
menores e ramos do glossofaríngeo. Os ramos eferentes para as glândulas palatinas
vêm do nervo petroso superficial maior. Os ramos eferentes para a musculatura
têm origem no plexo faríngeo. O músculo tensor do véu palatino recebe também
um ramo do nervo mandibular.
REGIÃO GENGIVODENTAL
Compreende o processo alveolar das maxilas e da mandíbula, os dentes e o
periodonto, já estudados no Capítulo 9 — Fig. 9.2.
LIMITES
Externamente, na porção anterior, o sulco gengivolabial, e, nas porções late-
rais o sulco gengivobucal. Estes sulcos são conhecidos como fundo do vestíbulo
bucal. Internamente, na parte superior, o limite entre a região gengivodental e a
região palatina está a aproximadamente 1cm da margem alveolar lingual. E na
parte inferior é o sulco gengivolingual, ou seja, o limite entre a região gengivodental
e a mucosa do soalho da boca.
VASOS E NERVOS
Na parte superior do lado lingual, a cada lado: artéria palatina maior e artéria
incisiva; veias satélites; nervo palatino maior e incisivo. Na parte vestibular, a
cada lado: artérias alveolares póstero-superior, médio-superior e ântero-superior;
veias satélites; nervos alveolares póstero-superior, médio-superior e ântero-su-
perior; os linfáticos de toda a região, na sua parte superior, drenam aos linfonodos
submandibulares. Na parte inferior do lado lingual, a cada lado: artéria sublingual;
veia sublingual; e nervo lingual. Do lado vestibular, no nível de molares, a arté-
ria bucal, a veia facial profunda e o nervo bucal, ramo do nervo mandibular. Para
os dentes molares e alvéolos, o nervo alveolar inferior. No nível de pré-molares,
os vasos mentais e o nervo mental. No nível de canino e incisivos, os vasos inci-
sivos e o nervo incisivo. Os linfáticos da parte inferior da região gengivodental
drenam aos linfonodos submandibulares, com exceção dos incisivos inferiores,
que drenam aos linfonodos submentais.
Os dentes e o periodonto já foram estudados no Capítulo 9.
310 Anatomia Regional: Regiões Superficiais da Face
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REGIÃO LINGUAL
É formada de duas porções: uma porção bucal e uma porção faríngea ou base
da língua. O limite é dado pelo V lingual. O V lingual é formado por mais ou
menos 11 papilas valadas. Estas papilas são as mais volumosas, estão dispostas
em duas fileiras, uma direita e uma esquerda, que se dirigem obliquamente de
trás para adiante e do meio para fora; reunidas, formam um V cujo vértice está
voltado para trás. A papila que ocupa o vértice do V é mais volumosa e imediata-
mente atrás dela observa-se o forame cego da língua. A língua é um órgão forma-
do de massa muscular, revestido de mucosa. Os músculos da língua já foram
estudados no Capítulo 4 (Fig. 6.3).
Sua face superior ou dorsal está em relação com a abóbada palatina. Sua
mucosa é espessa. Apresenta um sulco mediano e, partindo deste, como se fos-
sem as barbas de uma pena, fileiras de papilas gustativas diferenciadas em
fungiformes e filiformes. A face inferior da língua está sobre as regiões sublinguais,
sua mucosa é fina. Apresenta, no plano mediano, uma prega mucosa, o frênulo
da língua, e, aos lados do frênulo, por transparência podem-se observar as veias
sublinguais. As margens da língua são arredondadas e correspondem aos arcos
dentários. Nas porções mais posteriores destas margens encontram-se as papilas
folhadas.
ARTÉRIAS
Dorsais da língua e profundas da língua (Fig. 5.7).
VEIAS
Dorsais da língua e sublinguais que vão drenar nas veias linguais.
LINFÁTICOS
Os da base da língua drenam aos linfonodos jugulodigástricos; os do terço
médio da língua aos submandibulares; e os da ponta da língua aos submentais
(Fig. 5.14).
Nervos aferentes
Nervos linguais carregam a sensibilidade geral dos dois terços anteriores da
língua. Nervos cordas do tímpano carregam a sensibilidade gustativa dos dois
terços anteriores da língua. Nervos glossofaríngeos carregam a sensibilidade ge-
ral e gustativa do terço posterior da língua.
Nervo eferente
Nervos hipoglossos são responsáveis pela motricidade da língua.
CAPÍTULO 11 311
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REGIÃO SUBLINGUAL
É uma região par e está situada por baixo da parte livre da língua. Compreen-
de a loja sublingual (Fig. 6.5).
LIMITES
Superior — mucosa do soalho da boca.
Inferior — músculo milo-hióideo.
Medial — por diante, o músculo genioglosso; mais atrás, o músculo hioglosso; e,
ainda um pouco mais atrás, o músculo gênio-hióideo.
Anterolateral — fóvea sublingual, acima da linha milo-hióidea.
Conteúdo
Glândula sublingual, é a menor das glândulas salivares principais. Tem for-
ma oval e está dirigida paralelamente à face póstero-medial do corpo da mandí-
bula. Sua face superior levanta o soalho da boca, determinando a cada lado do
frênulo lingual duas proeminências conhecidas como carúnculas sublinguais.
Sua extremidade posterior está em contato com o prolongamento anterior da
glândula submandibular que invade a loja sublingual. O ducto submandibular
invade a loja sublingual, percorre-a em toda a sua extensão em contato com a
face medial da glândula sublingual, próximo à sua margem superior, e se abre ao
lado do frênulo lingual. O nervo lingual e o corda do tímpano, juntos, contornam
o ducto submandibular, primeiro lateralmente, depois inferiormente e a seguir
medialmente, para então dirigir-se para a língua. O nervo hipoglosso passa na
região sublingual um pouco abaixo do nervo lingual. Os vasos sublinguais estão
por baixo do ducto submandibular e medialmente à glândula sublingual. Os lin-
fáticos drenam aos linfonodos submandibulares e submentais. Todos esses ele-
mentos estão rodeados por tecido adiposo. As regiões sublinguais direita e es-
querda comunicam-se no plano mediano através das fibras dos músculos que
lhes servem de limite.
REGIÃO SUPRA-HIÓIDEA
É uma região ímpar e média, situada abaixo da mandíbula, acima do hióide,
e ocupa a porção ântero-superior do pescoço.
Limites
Superior — margem inferior da mandíbula e uma linha horizontal que, partindo
do ângulo da mandíbula, prolonga esta margem, de cada lado, até encontrar a
margem anterior do músculo esternocleidomastóideo.
312 Anatomia Regional: Regiões Superficiais da Face
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Inferior — uma linha horizontal que passa pelo corpo do osso hióide e se esten-
de de um esternocleidomastóideo a outro.
Laterais — margens anteriores dos músculos esternocleidomastóideos.
PLANOS SUPERFICIAIS
Pele
É grossa, flexível e bastante movível. Apresenta pêlos finos na mulher e na
criança e grossos no homem adulto (barba).
Tela subcutânea
Continua-se com as regiões vizinhas e apresenta uma quantidade variável de
gordura.
Muscular
Músculo platisma, envolto pela fáscia cervical superficial. Seus feixes diri-
gem-se obliquamente para cima e para adiante e se entrecruzam no plano medi-
ano, um pouco abaixo do mento.
Rebatido o platisma e a fáscia superficial, encontra-se o músculo digástrico,
que é constituído de dois ventres, um anterior e outro posterior, unidos por um
tendão intermediário. O ventre posterior entra na região um pouco abaixo do
ângulo da mandíbula. Dirigindo-se obliquamente para adiante e para baixo, atra-
vessa o estilo-hióideo e chega ao osso hióide, junto ao qual está mantido por uma
expansão fibrosa. O ventre anterior dirige-se para adiante e para cima, fixando-se
na fossa digástrica. O músculo digástrico descreve uma curva de concavidade
superior sob a glândula submandibular. O ventre anterior, junto com o ventre
anterior do lado oposto, limitam uma espaço ímpar e médio, que tem a forma de
um triângulo cuja base está formada pelo osso hióide. Esta área é conhecida
como região submental. O teto deste triângulo é formado pelo músculo milo-
hióideo. Neste espaço, encontram-se apenas os linfonodos submentais (Fig. 4.10).
O músculo estilo-hióideo penetra também na região no nível do ângulo da
mandíbula e está situado adiante do ventre posterior do digástrico. O músculo
milo-hióideo forma o teto da região e, através de sua margem posterior, comuni-
ca a região supra-hióidea com as regiões sublinguais. Posteriormente ao milo-
hióideo, observam-se os feixes posteriores do músculo hioglosso.
Loja submandibular
Está situada lateralmente, a cada lado da região supra-hióidea (Figs. 6.4 e 6.5).
LIMITES
Súpero-lateral — face medial da mandíbula, ou seja, fóvea submandibular, abai-
xo da linha milo-hióidea.
CAPÍTULO 11 313
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Ínfero-lateral — músculo platisma com sua fáscia e, por fora deles, a tela subcu-
tânea e a pele.
Súpero-medial — músculos milo-hióideo e hioglosso.
CONTEÚDO
Glândula submandibular, que é encontrada medialmente ao músculo platisma
e sua fáscia. É maior que a sublingual e menor que a parótida. Ocupa a loja
submandibular, envolve a margem posterior do músculo milo-hióideo e emite
um prolongamento para a região sublingual, junto com o seu ducto excretor.
Linfonodos submandibulares, encontram-se lateralmente à glândula. A artéria
facial cruza a face profunda dos músculos digástrico e estilo-hióideo e penetra
na loja submandibular, passando lateral, ou medial, ou, ainda, no interior da
glândula. Durante o seu trajeto na região supra-hióidea, a artéria facial emite os
seguintes ramos: artéria palatina ascendente, artéria tonsilar, artéria subman-
dibular e artéria submental. As veias são satélites das artérias, mas, além destas,
encontra-se uma veia lingual, lateral ao músculo hioglosso, que é satélite do
nervo hipoglosso. Os nervos que atravessam a loja submandibular são: o lingual
e, junto com ele, o corda do tímpano; apenso ao nervo lingual, encontra-se, nesta
loja, o gânglio submandibular, onde as fibras parassimpáticas do corda do tímpa-
no fazem sinapse e as fibras simpáticas do plexo da artéria facial o atravessam.
Abaixo do nervo lingual observa-se o nervo hipoglosso, que é o nervo motor da
língua, junto à face lateral do músculo hioglosso.
CAPÍTULO 12 315
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CAPÍTULO
12
Fundamentos Anatômicos
para Anestesia Local
Os ramos do nervo trigêmeo podem ser anestesiados por meio de acessos
intra e extrabucais. Para dominar estas técnicas, é necessário que o profissional
tenha conhecimento prévio de todas as ramificações do nervo trigêmeo, princi-
palmente o trajeto e a área de inervação, além do conhecimento de pontos de
referência anatômica que serão usados como guias na execução das técnicas.
ANESTESIA DE RAMOS DO NERVO MAXILAR
Na maxila, pode-se aplicar anestesias terminais do incisivo central até o se-
gundo pré-molar, pois a tábua óssea vestibular desta área é extremamente fina e
porosa, permitindo anestesia isolada de cada elemento dentário. O líquido anes-
tésico deverá ser depositado sobre o periósteo, pois que a injeção subperióstica é
contra-indicada porque o descolamento do periósteo provoca ruptura de vasos
produzindo hematoma e dor pela compressão de filetes nervosos.
Sabe-se que ramos do nervo alveolar ântero-superior carregam a sensibilida-
de dos incisivos e canino, mucosa vestibular e alvéolos destes elementos dentários;
logo, ao injetar anestésico no nível do ápice do incisivo central, consegue-se
anestesia somente deste dente e, assim, com o lateral e com o canino. Porém, se
o desejo é intervir nos três, deposita-se anestésico acima do ápice do canino e
assim obtém-se anestesia do nervo alveolar ântero-superior. Mas existe a possibi-
lidade de o incisivo central apresentar dor ao ser manipulado, pois pode existir
uma anastomose no plano mediano entre ramos alveolares ântero-superiores direi-
to e esquerdo. Neste caso, deve-se fazer uma infiltração local no nível do ápice
316 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA ANESTESIA LOCAL DOS RAMOS DO NERVO TRIGÊMEO
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do incisivo central que se pretende manipular. Se se deseja intervir na mucosa
palatina na área destes dentes, como na exodontia, por exemplo, far-se-á, além da
injeção vestibular, uma injeção no nível da papila incisiva; assim, anestesia-se o
nervo incisivo que carrega a sensibilidade do terço anterior da mucosa palatina.
Se a mucosa palatina no nível do canino apresentar dor, far-se-á uma infiltração
neste nível, a sensibilidade desta área pode ser levada pelo nervo palatino maior.
Os ramos do nervo alveolar médio superior carregam a sensibilidade dos
pré-molares. Logo, para intervir isoladamente em qualquer destes dentes, basta
injetar anestésico no nível de seus ápices; porém, se o desejo for intervir nos
dois, injeta-se anestésico acima do ápice do segundo pré-molar, assim, consegue-
se anestesia do nervo alveolar médio superior. Se, além do dente, é necessário
intervir na mucosa palatina, devem ser feitas anestesias no nível de cada dente
do lado palatino. Se a intervenção for nos dois, será feita anestesia na mucosa
palatina, distal ao segundo pré-molar; assim, serão anestesiados ramos do nervo
palatino maior que carrega a sensibilidade desta área.
Os nervos alveolar ântero-superior e médio superior são ramos do nervo infra-
orbital; logo, se o desejo é intervir em áreas inervadas por estes ramos, pode-se blo-
quear o nervo infra-orbital no nível do forame infra-orbital. Assim, pode-se inter-
vir: na pálpebra inferior, na asa do nariz, no lábio superior, nos dentes, mucosa
vestibular e alvéolos do incisivo central ao segundo pré-molar superior, não es-
quecendo que no plano mediano poderá existir anastomose com o lado oposto;
neste caso, deve-se complementar com uma anestesia terminal. E, se for necessá-
rio executar exodontias múltiplas destes dentes, além de bloquear o nervo infra-
orbital é preciso bloquear os nervos: o incisivo na papila incisiva e o nervo palatino
maior no nível do forame palatino maior.
A sensibilidade do primeiro molar superior é carregada pelos nervos alveolar
médio-superior (raiz mesiovestibular) e pelo nervo alveolar póstero-superior
(raízes distovestibular e lingual). Não há possibilidade de anestesia terminal à
altura dos ápices radiculares, pois a curva zigomaticoalveolar é muito espessa e
não permite a difusão do anestésico. Logo, para intervenção no primeiro molar, é
preciso anestesiar o nervo alveolar médio superior, como já foi descrito, e o ner-
vo alveolar póstero-superior. Para anestesia do nervo alveolar póstero-superior,
toma-se como referência a curva zigomaticoalveolar e punciona-se a agulha
distalmente a ela, introduzindo-a sobre o periósteo em direção à parte média da
tuberosidade da maxila em busca do forame alveolar póstero-superior. Após es-
tas duas injeções, estarão anestesiados não só o primeiro molar, como também, o
segundo e o terceiro. Para anestesiar somente o segundo e o terceiro, anestesia-se
o nervo alveolar póstero-superior. Para exodontias do segundo e terceiro, além
do alveolar póstero-superior, anestesia-se o nervo palatino maior, no nível do
forame palatino maior. Para exodontia do primeiro molar, anestesia-se os nervos:
alveolar médio superior, alveolar póstero-superior e palatino maior.
No caso de intervenções mais amplas, envolvendo toda a maxila, deverá
ser feito o bloqueio do tronco do nervo maxilar, na fossa pterigopalatina. Com
agulha longa (4,5cm), punciona-se distalmente à curva zigomaticoalveolar, se-
gue-se em direção à tuberosidade e avança-se até a fossa pterigopalatina; assim,
consegue-se anestesia de todos os ramos do nervo maxilar. Também pode-se
atingir a fossa pterigopalatina através do canal palatino maior, pois ele comuni-
ca a cavidade bucal inferiormente com a fossa pterigopalatina superiormente.
CAPÍTULO 12 317
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Localiza-se o forame palatino maior, na extremidade posterior do palato duro,
medialmente ao terceiro molar, a aproximadamente 1cm da margem alveolar
lingual. Punciona-se e avança-se com a agulha longa (4,5cm) para cima e ligei-
ramente para trás, chegando até a fossa pterigopalatina (introduzindo apenas
3cm), onde se deposita o anestésico, anestesiando, assim, todos os ramos do
nervo maxilar.
ANESTESIA EXTRABUCAL DO NERVO MAXILAR
Palpa-se o arco zigomático e marca-se na pele com lápis dermográfico a mar-
gem inferior do arco. Palpa-se o côndilo mandibular e marca-se com o lápis a
incisura mandibular. Punciona-se a agulha (4,5cm), tangente à margem inferior
do arco zigomático no meio da incisura mandibular, perpendicular ao plano sagital
mediano até que a ponta da agulha toque delicadamente a face lateral da lâmina
lateral do processo pterigóide. A agulha é retirada, deixando-se apenas a ponta
nos tecidos e redirecionada para dentro, para a frente e para cima até sua intro-
dução total, quando sua ponta deverá estar na fossa pterigopalatina para blo-
queio do nervo maxilar.
ANESTESIA DE RAMOS DO NERVO MANDIBULAR
Na mandíbula é possível aplicar anestesias terminais de incisivos e canino.
Como na maxila, a área anterior da mandíbula, principalmente na fossa incisi-
va, a tábua óssea externa é cheia de orifícios. Por esta razão pode-se anestesiar
o incisivo central, o lateral e o canino, injetando anestésico no nível do ápice
de cada um. No caso de exodontia, além de anestesiar ramos do nervo incisivo
do lado vestibular, é preciso anestesiar ramos do nervo lingual, puncionando a
mucosa lingual no nível do dente a ser extraído e aí injetar anestésico. Se se
injetar anestésico no nível do forame mental, anestesiam-se as seguintes áreas:
lábio inferior, dentes, mucosa vestibular e alvéolos dos pré-molares, canino e
incisivos; não esquecendo que o incisivo central pode apresentar dor por causa
da possível anastomose com o lado oposto no plano mediano. Faz-se necessária
uma anestesia terminal à altura do ápice do incisivo central. Se a intervenção
for exodontia, além do nervo mental, é preciso anestesiar ramos do nervo lin-
gual, puncionando a agulha na mucosa lingual, à altura do segundo pré-molar.
Para anestesia de molares, torna-se necessário anestesiar o nervo alveolar infe-
rior no nível do forame mandibular, na face medial do ramo mandibular. Estan-
do o paciente com a boca totalmente aberta, palpa-se a margem anterior do
ramo mandibular, e medialmente a esta margem observa-se o ligamento
pterigomandibular. Atrás do último molar, estas duas linhas se encontram, for-
mando um ângulo cujos ramos se abrem para cima. Traça-se mentalmente a
bissetriz deste ângulo, transformando-o em dois, um medial e um lateral. Com
a seringa encostada no ângulo bucal do lado oposto, punciona-se a mucosa no
ângulo medial aproximadamente a 1cm acima da face oclusal dos molares infe-
riores, introduzindo em direção ao forame mandibular, onde se anestesia o
nervo alveolar inferior. Com este bloqueio, estarão anestesiados todos os den-
318 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA ANESTESIA LOCAL DOS RAMOS DO NERVO TRIGÊMEO
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tes inferiores, o lábio inferior e mucosa vestibular, do plano mediano até pré-
molares. Para exodontias de molares, além do nervo alveolar inferior é preciso
anestesiar o nervo lingual e o nervo bucal. O ponto em que o nervo lingual
torna-se mais superficial é no sulco gengivolingual, no nível do terceiro molar,
e, neste ponto, ele pode ser bloqueado, ou mais acima, na mesma punção que
foi usada para o alveolar inferior, só que a seringa será encostada no ângulo
bucal do mesmo lado a ser anestesiado, introduzindo a agulha em direção pos-
terior aproximadamente 1,5cm, pois, em relação ao alveolar inferior, o nervo
lingual é mais medial e anterior. Para anestesiar o nervo bucal, punciona-se a
mucosa que recobre a margem anterior do ramo mandibular na sua porção média
entre o processo coronóide e a margem alveolar, pois neste ponto o nervo bucal
passa, vindo da fossa infratemporal, e se dirige à mucosa vestibular dos mola-
res e à mucosa da bochecha.
ANESTESIA EXTRABUCAL DO NERVO MANDIBULAR
Deve ser feito o mesmo procedimento utilizado para o nervo maxilar, com
uma diferença: na hora de redirecionar, o caminho é para dentro, para trás e para
cima, pois, assim, após introduzir 4,5cm, a agulha estará no teto da fossa
infratemporal, no nível do forame oval por onde sai o nervo mandibular.
CAPÍTULO 13 319
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CAPÍTULO
13
Relação dos Dentes com
Estruturas Vizinhas
O conhecimento dessa relação é indispensável para a compreensão da
propagação das infecções de origem dentária, das exodontias, de qualquer
cirurgia dentoalveolar e das anestesias locais.
PROCESSO ALVEOLAR DA MAXILA
O processo alveolar da maxila está em relação com o soalho da fossa
nasal e com o soalho do seio maxilar. O pilar canino, que se origina no
alvéolo do canino superior, prolonga-se para cima, ao longo da margem late-
ral da abertura piriforme, em direção ao processo frontal da maxila. Portan-
to, os incisivos estão abaixo do soalho da fossa nasal, os pré-molares e os
molares abaixo do soalho do seio maxilar e o canino entre estas duas cavi-
dades.
As relações dos ápices dos incisivos com o soalho nasal dependem de
dois fatores: altura do processo alveolar e comprimento das raízes. Assim,
deve-se examinar cada caso individualmente, fazendo um exame radiográfico
atento. Geralmente o ápice radicular do incisivo lateral não apresenta ínti-
ma relação com o soalho nasal, como acontece com o ápice da raiz do cen-
tral, pois a raiz do lateral inclina-se no sentido distolingual e o soalho nasal
eleva-se ligeiramente no sentido lateral, fazendo com que a distância para o
ápice do lateral fique acentuada.
320 RELAÇÃO DOS DENTES COM OS PROCESSOS ALVEOLARES E REGIÕES VIZINHAS
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Os alvéolos dos incisivos estão colocados excentricamente no processo
alveolar, sendo que os eixos da raiz e do alvéolo aproximam-se mais da ver-
tical do que o eixo do processo alveolar. Assim, a lâmina dura alveolar da
face vestibular funde-se com a lâmina externa do processo alveolar, enquanto,
do lado lingual, existe uma área de tecido ósseo esponjoso entre a lâmina
dura alveolar e a lâmina palatina do processo alveolar.
Fig. 13.1 — Corte sagital na maxila, no nível do incisivo central: LN — lâmina nasal; LP — lâmina palatina; LV —
lâmina vestibular; IC — incisivo central.
Fig. 13.2 — Corte sagital na maxila no nível do incisivo lateral: LN — lâmina nasal; LP — lâmina palatina; LV —
lâmina vestibular; IL — incisivo lateral.
CAPÍTULO 13 321
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Devido à posição do canino no pilar canino, nem a fossa nasal nem o seio
maxilar têm relações íntimas com o alvéolo deste dente. Porém, em alguns casos,
o seio maxilar pode se expandir anteriormente, aproximando-se do alvéolo do
canino. O mesmo pode acontecer com a fossa nasal, que, expandindo-se lateral-
mente, pode ter íntima relação com o alvéolo do canino. A relação do canino
com as lâminas do processo alveolar é, em princípio, a mesma que dos incisivos;
porém, a parede vestibular do alvéolo do canino é extremamente fina, tanto que
a sua raiz, por ser robusta, produz uma grande saliência vestibular no processo
alveolar que é conhecida como eminência canina.
Fig. 13.3 — Corte sagital na maxila no nível do canino: SM — seio maxilar; LP — lâmina palatina; LV — lâmina
vestibular; C — canino.
Os pré-molares e molares estão situados abaixo do soalho do seio maxilar. A
maior ou menor relação entre o dente e o seio maxilar depende do desenvolvi-
mento do prolongamento alveolar do seio maxilar. Mas, mesmo nos casos em que
a base do processo alveolar é escavada pelo seio maxilar, o primeiro pré-molar
fica quase sempre mais afastado do soalho do seio do que o segundo pré-molar e
os molares, porque, na área pré-molar, o soalho do seio eleva-se para continuar
com sua parede anterior. Este fato está relacionado ao alargamento do pilar cani-
no na sua base. Assim, com exceção da extrema expansão do seio maxilar, o
fundo do alvéolo do primeiro pré-molar está separado do soalho sinusial por
uma camada de osso esponjoso. Como na região dos incisivos e caninos, a lâmina
alveolar externa é a fusão entre a lâmina dura alveolar e a lâmina alveolar do
processo alveolar, sendo geralmente delgada. Quando o primeiro pré-molar pos-
sui duas raízes, a vestibular está aplicada contra a lâmina dura vestibular, en-
quanto o alvéolo da raiz lingual está disposto quase no centro da esponjosa retro-
alveolar. Se apresenta raiz única, o alvéolo está em relação com a lâmina alveolar
externa e separado da lâmina lingual por osso esponjoso.
322 RELAÇÃO DOS DENTES COM OS PROCESSOS ALVEOLARES E REGIÕES VIZINHAS
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As relações do segundo pré-molar com o seio maxilar são mais íntimas do
que as do primeiro. Somente se o prolongamento do seio maxilar for pouco de-
senvolvido é que uma camada de osso esponjoso se interpõe entre o alvéolo do
segundo pré-molar e o soalho do seio. A relação vestibulolingual é praticamente
a mesma do primeiro pré-molar.
Fig. 13.4 — Corte frontal na maxila no nível do primeiro pré-molar: SM — seio maxilar; FN — fossa nasal; LP —
lâmina palatina; LV — lâmina vestibular; Fio — forame infra-orbital; 1º
PM — primeiro pré-molar.
Fig. 13.5 — Corte frontal na maxila no nível do segundo pré-molar: SM — seio maxilar; FN — fossa nasal; LP —
lâmina palatina; LV — lâmina vestibular; 2º
PM — segundo pré-molar.
CAPÍTULO 13 323
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Na região de molares, a relação com o soalho do seio maxilar é íntima. Uma
camada substancial de osso entre o fundo do alvéolo e o soalho do seio é rara. Os
alvéolos dos molares quase sempre atingem o soalho sinusial e, freqüentemente,
os fundos dos alvéolos de algumas ou de todas as raízes dos molares salientam-se
no interior do seio sob a forma de pequenas saliências arredondadas. Não são
raras falhas ósseas nestas saliências. A divergência das raízes dos molares, prin-
cipalmente do primeiro molar, permite uma invaginação do seio entre as raízes.
A maior divergência entre as raízes do primeiro molar é causa das diferenças
Fig. 13.6 — Corte frontal na maxila no nível do primeiro molar: SM — seio maxilar; FN — fossa nasal; LP — lâmina
palatina; LV — lâmina vestibular; 1º
M — primeiro molar.
Fig. 13.7 — Corte frontal na maxila no nível do segundo molar: SM — seio maxilar; FN — fossa nasal; LP — lâmina
palatina; LV — lâmina vestibular; 2º
M — segundo molar.
324 RELAÇÃO DOS DENTES COM OS PROCESSOS ALVEOLARES E REGIÕES VIZINHAS
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entre o primeiro e o segundo molares com o seio maxilar, ou seja, o segundo, por
não ter raízes tão divergentes, seus ápices estão em relação mais íntima com o
seio maxilar. Enquanto, pela divergência, a raiz lingual do primeiro molar fre-
qüentemente se prolonga além da base de separação óssea entre fossa nasal e o
seio maxilar e pode, em casos extremos, prolongar-se até a área lateral do soalho
nasal. No caso do terceiro molar, além da relação com o soalho do seio existe
uma íntima relação com a parede posterior, que pode ser muito frágil.
PROCESSO ALVEOLAR DA MANDÍBULA
O processo alveolar da mandíbula é mais uniforme e mais robusto do que o
da maxila. Somente na região de incisivos e caninos ele é frágil, porém, distalmente
aos caninos, ele aumenta em espessura.
Tem importância clínica a variação nas relações do processo alveolar com as
lâminas dura e esponjosa dos alvéolos. Na parte anterior da mandíbula, na região
dos incisivos e canino, o processo alveolar é estreitado no sentido vestibulolin-
gual e as lâminas duras fundem-se em toda a altura da raiz, ou, pelo menos, na
maior parte do seu comprimento, com as lâminas interna e externa do processo
alveolar.
A posição dos alvéolos dos pré-molares e molares no osso esponjoso da mandí-
bula varia. É pouco freqüente encontrar-se alvéolo simétrico entre as lâminas exter-
na e interna do osso alveolar. Na maioria dos casos, a posição do alvéolo é assimétrica,
isto é, os eixos radicular e do alvéolo inclinam-se contra o eixo do processo alveolar.
O processo alveolar fusiona-se, numa extensão variável, com uma das lâminas
alveolares. Os pré-molares e o primeiro molar estão, em grande parte, em relação
íntima com a lâmina alveolar externa. O segundo e o terceiro molares apresentam
Fig. 13.8 — Corte frontal na maxila no nível do terceiro molar: SM — seio maxilar; FN — fossa nasal; LP — lâmina
palatina; GP — gancho ou hâmulo pterigóideo; LV — lâmina vestibular; 3º
M — terceiro molar.
CAPÍTULO 13 325
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uma relação inversa, sendo quase uma regra geral para o terceiro molar. Isto não é
conseqüência de uma inclinação diferente do terceiro molar, mas de um desvio mesial
do próprio processo alveolar em relação ao volume do corpo da mandíbula. A linha
oblíqua projeta-se consideravelmente sobre a face externa da mandíbula, na região
do segundo e terceiro molares, e uma camada espessa de osso esponjoso interpõe-se
entre o alvéolo e a camada compacta do osso. O alvéolo do dente de siso projeta-se
Fig. 13.10 — Corte sagital na mandíbula no nível do canino: LV — lâmina vestibular; LL — lâmina lingual; PM —
protuberância mental; C — canino.
Fig. 13.9 – Corte sagital na mandíbula no nível de incisivos: LV — lâmina vestibular; LL — lâmina lingual; PM —
protuberância mental; IC — incisivo central.
326 RELAÇÃO DOS DENTES COM OS PROCESSOS ALVEOLARES E REGIÕES VIZINHAS
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sobre a face lingual da mandíbula e, em alguns casos, desvia-se tanto medialmente,
que fica totalmente do lado medial do corpo da mandíbula. Quanto mais o alvéolo
projeta-se medialmente, tanto mais delgada é sua parede lingual. Lateral ou
vestibularmente ao alvéolo do terceiro molar, o osso compacto forma uma saliência
horizontal de largura variável ou um sulco de profundidade e largura variáveis. A
margem lateral desta área é a linha oblíqua.
Fig. 13.11 — Corte frontal na mandíbula no nível do segundo pré-molar: L — lâmina lingual; V — lâmina vestibular;
CMe — canal mental; CMa — canal mandibular; 2º
PM — segundo pré-molar.
Fig. 13.12 — Corte frontal na mandíbula no nível do primeiro molar: L — lâmina lingual; V — lâmina vestibular;
CMa — canal mandibular; LM — linha milo-hióidea; 1º
M — primeiro molar.
CAPÍTULO 13 327
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Fig. 13.13 — Corte frontal na mandíbula no nível do segundo molar: L — lâmina lingual; V — lâmina vestibular; LO
— linha oblíqua; CMa — canal mandibular; LM — linha milo-hióidea; 2º
M — segundo molar.
Fig. 13.14 — Corte frontal na mandíbula no nível do terceiro molar: L — lâmina lingual; V — lâmina vestibular; LO
— linha oblíqua; CMa — canal mandibular; 3º
M — terceiro molar.
De especial importância são as relações dos dentes inferiores com o canal
mandibular e seu conteúdo, ou seja, o feixe vasculonervoso alveolar inferior. O
segundo pré-molar e os molares podem estar próximos ao canal, enquanto o pri-
meiro pré-molar relaciona-se mais com o canal mental. O canino e os incisivos
relacionam-se com o canal incisivo. A distância entre o fundo do alvéolo e o
canal mandibular diminui do segundo pré-molar em direção ao terceiro molar.
328 RELAÇÃO DOS DENTES COM OS PROCESSOS ALVEOLARES E REGIÕES VIZINHAS
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Quando as raízes do terceiro molar estão em contato com o canal mandibular, a
delgada lâmina óssea que limita o canal pode apresentar numerosas falhas e o
tecido conjuntivo periapical do terceiro molar fica em contato direto com o con-
teúdo do canal mandibular. O terceiro molar, freqüentemente incluso e impactado,
pode propiciar uma relação ainda mais próxima e complexa de suas raízes com o
canal mandibular e seu conteúdo.
As relações do primeiro pré-molar com o canal mental merecem atenção
especial. Geralmente, o canal mental origina-se do canal mandibular no nível do
primeiro pré-molar ou ligeiramente distal neste nível. Desta origem, o pequeno
canal mental dirige-se para fora, para cima e para trás, abrindo-se no forame
mental, situado entre os dois pré-molares ou à altura do segundo pré-molar.
CAPÍTULO 14 329
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CAPÍTULO
14
Propagação das Infecções
Odontogênicas
A invasão de bactérias nos vasos linfáticos pode levar uma infecção a
linfonodos regionais ou mais afastados. Deve-se recordar o estudo feito sobre
linfáticos.
PROPAGAÇÃO DAS INFECÇÕES ATRAVÉS DAS VEIAS
O quadro mais grave de uma propagação de infecção de origem dentária é
a tromboflebite do seio cavernoso. Para compreender o quadro clínico, é pre-
ciso ter em mente que há dois tipos de propagação para o seio cavernoso. Um
trajeto vai da veia angular para a veia oftálmica superior e mais raramente
para a oftálmica inferior e daí para o seio cavernoso, passando pela fissura
orbital superior.
O segundo trajeto vai do plexo pterigóideo para a veia oftálmica inferior e daí
ao seio cavernoso, pela fissura orbital superior.
Daí, pode-se concluir que todas as tributárias da veia facial e do plexo veno-
so pterigóideo, se infectadas, podem, através dos trajetos citados, chegar ao seio
cavernoso.
No que concerne à propagação da infecção nas maxilas e na mandíbula, e às
possibilidades de comprometimento de cavidades e estruturas vizinhas, basta
recordar o capítulo relativo à relação dos dentes com os processos alveolares e
estruturas vizinhas.
330 PROPAGAÇÃO DAS INFECÇÕES DE ORIGEM DENTÁRIA
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PROPAGAÇÃO DAS INFECÇÕES ATRAVÉS
DO TECIDO CONJUNTIVO FROUXO
O tecido conjuntivo frouxo, contendo gordura nos lábios e nas bochechas, é
contínuo. Porém, é parcialmente dividido pelos músculos da mímica, que se
originam em ossos da face e atravessam a tela subcutânea para se inserir na pele.
Os abscessos de origem dentária, após perfurarem a compacta óssea, poderão
ser submucosos ou subcutâneos na dependência dos músculos da mímica.
INCISIVOS CENTRAIS SUPERIORES
Quase sempre os abscessos serão submucosos em fundo de vestíbulo, onde o
tecido conjuntivo é mais frouxo, do que o subcutâneo na raiz do lábio superior
junto ao músculo orbicular da boca.
INCISIVOS LATERAIS SUPERIORES
Devido à sua angulação radicular distolingual, os abscessos serão quase sem-
pre submucosos do lado palatino.
CANINOS SUPERIORES
Na maioria dos casos, o abscesso periapical do canino rompe-se vestibular-
mente abaixo da origem do músculo levantador do ângulo da boca, e difunde-se
no tecido conjuntivo submucoso do fundo de vestíbulo. Entretanto, se a raiz do
canino for longa ou se, em pacientes jovens, o canino não se deslocou suficiente-
mente para baixo, seu ápice pode estar acima da origem deste músculo. Neste
caso, o abscesso pode progredir em direção ao espaço entre os músculos levantador
do lábio superior e levantador do lábio superior e da asa do nariz que são mais
superficiais, aparecendo sob a pele do ângulo medial da órbita. Os abscessos do
saco lacrimal (dacriocistite) também aparecem nesta região, por esta razão é im-
portante que se faça o diagnóstico diferencial.
PRÉ-MOLARES SUPERIORES
Quase sempre darão origem a abscessos submucosos no fundo de vestíbulo,
pois os músculos levantador do ângulo da boca e levantador do lábio superior
formarão uma barreira em direção à tela subcutânea.
MOLARES SUPERIORES
A origem superior do músculo bucinador na face lateral do processo alveolar
da maxila no nível de molares desempenha papel decisivo para o trajeto de um
abscesso de origem dentária, após perfurar a camada compacta vestibular do
processo alveolar. A linha de origem do músculo bucinador fica além dos ápices
CAPÍTULO 14 331
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radiculares dos molares, de modo que um abscesso da região molar atinge o
tecido conjuntivo submucoso, exteriorizando-se no fundo do vestíbulo. Em pes-
soas com raízes longas, ou em jovens cuja altura das maxilas ainda não atingiu
todo o seu desenvolvimento e onde os dentes não irromperam suficientemente,
os ápices dos molares podem estar além da linha de origem do músculo bucinador.
O abscesso que perfurar a lâmina vestibular do processo alveolar estará difun-
dindo-se no tecido conjuntivo subcutâneo.
INCISIVOS INFERIORES
Os músculos mentais originam-se na base do processo alveolar na porção
anterior da mandíbula, na parte superior das fossas incisivas e se inserem na
pele do mento. Os abscessos dos incisivos geralmente perfuram a tábua com-
pacta vestibular, estabelecendo comunicação com o tecido conjuntivo situado
abaixo da origem dos músculos mentais, isto é, no tecido conjuntivo subcutâ-
neo do mento.
CANINOS INFERIORES
O que aconteceu com os incisivos pode se dar com os caninos se os músculos
mentais forem bastante desenvolvidos e se suas origens alargarem-se para a re-
gião dos alvéolos dos caninos. Se não, os abscessos dos caninos seguirão para o
tecido conjuntivo submucoso, que é o que acontece na maioria dos casos.
PRÉ-MOLARES INFERIORES
Os músculos depressor do ângulo da boca e depressor do lábio inferior origi-
nam-se próximo à margem inferior da mandíbula; o tecido conjuntivo situado
entre a mandíbula e estes músculos, que é invadido primariamente após perfura-
ção vestibular de um abscesso periapical, é contínuo com o tecido conjuntivo
submucoso e um abscesso neste tecido torna-se visível e acessível no fundo de
vestíbulo desta região.
MOLARES INFERIORES
A origem inferior do músculo bucinador na face lateral do processo alveolar
da mandíbula, no nível de molares, desempenha papel decisivo para o trajeto de
um abscesso de origem dentária após perfurar a camada compacta vestibular do
processo alveolar. A linha de origem do músculo bucinador fica abaixo dos ápi-
ces radiculares dos molares, de modo que um abscesso da região molar atinge o
tecido conjuntivo submucoso, exteriorizando-se no fundo do vestíbulo. Em pes-
soas com raízes longas, ou em jovens cuja altura da mandíbula ainda não atingiu
todo o seu desenvolvimento e onde os dentes não irromperam suficientemente,
os ápices dos molares podem estar abaixo da linha de origem do músculo
bucinador. O abscesso que perfurar a lâmina vestibular do processo alveolar es-
tará difundindo-se no tecido conjuntivo subcutâneo.
332 PROPAGAÇÃO DAS INFECÇÕES DE ORIGEM DENTÁRIA
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PROPAGAÇÃO DAS INFECÇÕES PARA O SOALHO DA BOCA
O soalho muscular da boca é formado pelo músculo milo-hióideo. O tecido con-
juntivo acima deste músculo está nas regiões sublinguais, enquanto o tecido
conjuntivo situado abaixo do músculo está nas regiões submentais e
submandibulares. Entretanto, o músculo milo-hióideo é mais curto do que a ca-
vidade bucal, de modo que o soalho muscular falta na parte posterior. A linha de
origem ou inserção do músculo milo-hióideo inicia-se no plano mediano, perto
da margem inferior da mandíbula, e sobe diagonalmente para trás e para cima
pela linha milo-hióidea até o alvéolo do terceiro molar. Por esta razão, os ápices
radiculares dos incisivos, canino, pré-molares e primeiro molar estão acima da
linha milo-hióidea. Os ápices radiculares do terceiro molar ficam abaixo desta
linha; o segundo molar apresenta a mesma relação do terceiro com certa freqüên-
cia. O primeiro molar comporta-se geralmente como os pré-molares; porém, rara-
mente como o terceiro molar. Quando um abscesso periapical origina-se de um
dos cinco dentes anteriores e perfura a tábua óssea lingual, ele envolverá o tecido
conjuntivo da região sublingual. Entretanto, se ele se originar do primeiro ou do
segundo molar, poderá atingir, em boa porcentagem dos casos, o tecido conjunti-
vo situado abaixo do músculo milo-hióideo, isto é, o tecido conjuntivo
submandibular. Este último comportamento é a regra no abscesso de origem do
terceiro molar. Da região submandibular, se não tratada, a infecção pode se di-
fundir para baixo em direção ao pescoço e deste para o mediastino, que nestes
casos pode levar o paciente ao êxito letal. O tecido conjuntivo intermuscular, na
região sublingual, caracteriza-se pela continuidade com o outro lado, através do
plano mediano. O conjuntivo situado entre os músculos milo-hióideo e gênio-
hióideo, bem como o que separa os músculos gênio-hióideo e genioglosso, não é
interrompido no plano mediano. Os músculos direitos e esquerdos são separados
no plano mediano por uma delgada camada de tecido conjuntivo frouxo. O abs-
cesso sublingual pode, portanto, difundir-se através do plano mediano e atingir
dois níveis distintos de tecido conjuntivo: o mais inferior, abaixo, e o mais supe-
rior, acima dos músculos gênio-hióideos. No próprio plano mediano, o abscesso
sublingual pode atingir o tecido entre músculos gênio-hióideos direito e esquer-
do e genioglossos direito e esquerdo, ocasionando uma tumefação da língua. O
abscesso sublingual pode se difundir posteriormente e também ultrapassar a
margem posterior do músculo milo-hióideo, difundindo-se na região subman-
dibular. Quando todas as regiões do soalho da boca estão tomadas pela infecção,
estamos diante de um fleimão do soalho da boca ou angina de Ludwig. Para
drenagem deste fleimão, o local ideal para abrir os espaços infectados é drenar
no plano mediano, desde o mento até o osso hióide. A incisão da pele deve ser
feita horizontalmente, para esconder a cicatriz numa ruga do pescoço. Depois de
rebater a pele, a tela subcutânea, o platisma, divulsiona-se o músculo milo-hióideo
ao longo do plano mediano, ficando assim acessível todo acúmulo de tecido con-
juntivo intermuscular; podemos então drenar as regiões sublinguais acima e as
submandibulares abaixo do músculo milo-hióideo.
Entre os músculos da mastigação e o bucinador, ou seja, entre o temporal e os
pterigóideos e entre o masseter e o bucinador existem espaços que são preenchi-
dos por um coxim adiposo. Na margem anterior do masseter, este coxim adiposo
salienta-se sob a forma de um corpo arredondado. Este coxim é conhecido com o
nome de corpo adiposo da boca.
CAPÍTULO 14 333
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As infecções podem atingir um ou todos estes espaços. Eles podem ser dre-
nados por um ponto chave. Se for feita uma incisão na parte posterior do ves-
tíbulo bucal, entre as extremidades posteriores dos processos alveolares superior
e inferior, lateral e paralelamente à prega pterigomandibular, e se a mucosa e o
músculo bucinador forem divulsionados, a parte posterior do espaço geniano é
aberta expondo o tendão do músculo temporal. Uma pinça hemostática pode
ser introduzida em várias direções através da incisão. Anterior e lateralmente,
ela penetra no espaço geniano; posterior e medialmente, ela passa para o espa-
ço infratemporal. Se a pinça é dirigida para cima, ao longo do tendão do tempo-
ral, pode-se explorar o espaço zigomaticotemporal. O espaço laterofaríngeo é,
finalmente, acessível pela mesma incisão, se a pinça for introduzida pela face
medial do músculo pterigóideo medial, cuja margem anterior é facilmente re-
conhecível, e serve como estrutura de reparo. Não se pode esquecer de introdu-
zir a pinça hemostática fechada no interior do espaço, abri-la para dilatar o
abscesso e removê-la aberta. Jamais fecha-se uma pinça no interior do espaço,
pois, assim, corre-se o risco de pinçar um elemento nobre, que será dilacerado
ao remover a pinça.
CAPÍTULO 15 335
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CAPÍTULO
15
Anatomia Aplicada
às Ligaduras Arteriais
Durante os procedimentos odontológicos, com o uso de instrumentos cortan-
tes e rotativos, podem ocorrer acidentes, com lesões arteriais, provocando he-
morragias muitas vezes difíceis de coibir. O profissional precisa ter um conheci-
mento seguro do trajeto e das relações destas artérias para, se necessário, execu-
tar uma ligadura arterial.
ARTÉRIA PALATINA MAIOR
Sabe-se que seu trajeto é póstero-anterior na região palatina a aproximada-
mente 1cm da margem alveolar lingual. Numa lesão em qualquer ponto do seu
trajeto, a primeira providência é a pressão digital, posterior à lesão. A seguir,
passa-se uma agulha curva com fio de sutura, entre a artéria e o periósteo, no
sentido lateromedial, posteriormente à lesão, e faz-se a ligadura; se não ceder
totalmente a hemorragia, faz-se o mesmo procedimento anteriormente à lesão,
ligando o coto anterior.
As lesões na língua, das artérias dorsais e profunda da língua, geralmente
consegue-se pinçá-las e ligá-las na própria ferida. Porém, nas lesões muito exten-
sas, provocadas por projetil de arma de fogo, com lesões graves do soalho da
boca, principalmente da artéria sublingual, muitas vezes é preciso ligar a artéria
mãe, que neste caso é a artéria lingual.
336 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA LIGADURAS ARTERIAIS DE INTERESSE ODONTOLÓGICO
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ARTÉRIA LINGUAL
Incisa-se a pele da região submandibular, no nível da margem inferior da
glândula submandibular. A extremidade posterior da incisão deve estar em dire-
ção ao processo mastóideo e a extremidade anterior, em direção ao mento. Disse-
ca-se e afasta-se a pele. Incisa-se, disseca-se e afasta-se a tela subcutânea. Incisa-
se, disseca-se e afasta-se o músculo platisma, expondo a glândula submandibular.
Disseca-se a margem inferior da glândula e a afasta para cima, expondo o tendão
intermédio do músculo digástrico. Seguindo o tendão para adiante, identifica-se
a margem posterior do músculo milo-hióideo. Seguindo esta margem para cima e
para trás, encontra-se o nervo hipoglosso e sua veia satélite. Assim, fica delimita-
do o trígono lingual anterior entre o tendão intermédio do digástrico, a margem
posterior do milo-hióideo e o nervo hipoglosso. Traciona-se o tendão para baixo,
aumentando a área do triângulo, cujo soalho é formado pelo músculo hioglosso.
Dissecando e separando as fibras do hioglosso no trígono lingual anterior, encon-
tra-se a artéria lingual, quando então realiza-se a ligadura. Com a ligadura neste
ponto, preserva-se a irrigação das dorsais da língua, que abandonam a artéria
lingual um pouco mais atrás. Se a hemorragia é produto de lesão das dorsais,
deve-se ligar a artéria lingual atrás do trígono lingual anterior da seguinte manei-
ra: seguindo o tendão para trás e para cima, até encontrar o nervo hipoglosso e
sua veia satélite. Abaixo destes elementos, encontra-se o corno maior do osso
hióide que, com o ventre posterior do digástrico e o nervo hipoglosso, formam o
trígono lingual posterior, cujo soalho é também formado pelo músculo hioglosso.
Dissecando as fibras do hioglosso atrás e abaixo do ventre posterior do digástrico,
descobre-se a artéria lingual logo adiante da sua origem na carótida externa, onde
se pode também realizar a sua ligadura. A seguir, a ferida deverá ser suturada
plano a plano até a pele.
ARTÉRIA FACIAL
Os tempos cirúrgicos até a exposição da glândula submandibular são os mes-
mos que foram feitos para a artéria lingual. A partir daí, localizam-se sobre a
porção superior da glândula submandibular os linfonodos submandibulares que
estão sobre a veia facial. Logo à frente da veia, na margem superior da glândula
submandibular, localiza-se a artéria facial, que neste ponto pode ser ligada. Não
se pode esquecer que, sobre os vasos faciais, seguindo de trás para adiante para-
lelo e junto à margem inferior da mandíbula, está o nervo marginal da mandíbu-
la, ramo do facial, que não pode ser lesado, pois a lesão deste nervo, provocaria
deficiência motora no lábio inferior. Após a ligadura da facial, sutura-se a ferida
plano a plano até a pele.
ARTÉRIA TEMPORAL SUPERFICIAL
Incisa-se a pele da região parotídea verticalmente, logo à frente do pavilhão
auricular (incisão pré-auricular). Disseca-se e afasta-se a pele. Incisa-se a tela
subcutânea. Disseca-se e afasta-se a tela subcutânea, descobrindo o terço superior
da glândula parótida, a artéria temporal superficial, que se coloca geralmente à
CAPÍTULO 15 337
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frente da veia temporal superficial. Neste ponto, a artéria pode ser ligada. Não
esquecendo que junto e atrás da veia está o nervo auriculotemporal, que não
pode ser lesado, pois acarretaria parestesia da região temporal. Após ligadura da
temporal superficial, sutura-se a ferida plano por plano até a pele.
No caso de hemorragias de ramos ou da própria artéria maxilar, devido ao
seu trajeto profundo, nas regiões infratemporal e pterigopalatina, torna-se difícil
a sua ligadura. Nestes casos, recorre-se à ligadura da artéria carótida externa.
Além da maxilar, outros ramos da carótida externa podem ser rompidos nos trau-
matismos da parte superior do pescoço e das estruturas superficiais e profundas
da face. Se não for possível coibir a hemorragia no local da ferida, pode se tornar
necessário a ligadura da artéria carótida externa. Duas maneiras existem para
expor e ligar a carótida externa. Uma delas expõe a artéria na sua origem, na
artéria carótida comum, sendo que a ligadura se realiza acima da origem da arté-
ria tireóidea superior. Todos os ramos da artéria carótida externa são eliminados
por este método. O outro método, a ligadura, é mais alta, atrás do ângulo da
mandíbula quando se está diante de hemorragia de um dos ramos ou da própria
artéria maxilar.
ARTÉRIA CARÓTIDA EXTERNA
EXPOSIÇÃO CIRÚRGICA DA ARTÉRIA CARÓTIDA EXTERNA, NO TRÍGONO CARÓTICO
Incisa-se a pele, partindo de um ponto logo abaixo e atrás do ângulo da man-
díbula, e segue-se para baixo junto à margem anterior do músculo esternocleido-
mastóideo até à altura da cartilagem cricóide. Disseca-se e afasta-se a pele. Incisa-
se a tela subcutânea, disseca-se e afasta-se. Incisa-se o platisma, disseca-se e
afasta-se. Identifica-se a margem anterior do músculo esternocleidomastóideo,
incisa-se sua bainha e afasta-se para trás. Neste momento, torna-se visível a veia
jugular interna. Identifica-se o tronco venoso tirolingofaringofacial e, mais aci-
ma, o nervo hipoglosso com o ramo descendente do plexo cervical. Medialmente
a estas estruturas, identifica-se e liga-se a artéria carótida externa, alguns milí-
metros acima da origem da artéria tireóidea superior. Suturamos a ferida plano
por plano até a pele.
EXPOSIÇÃO CIRÚRGICA DA ARTÉRIA CARÓTIDA EXTERNA ATRÁS DO ÂNGULO DA MANDÍBULA
Incisa-se a pele 2cm atrás e abaixo do ângulo mandibular, partindo da ponta
do processo mastóideo, e, circundando o ângulo, continua-se para adiante, abai-
xo da mandíbula, 2cm eqüidistantes do gônio para trás e para a frente. Disseca-se
e afasta-se a pele. Incisa-se, disseca-se e afasta-se a tela subcutânea. Incisa-se,
disseca-se e afasta-se o platisma. Localiza-se e liga-se a veia retromandibular, ou
a jugular externa ou as duas. Incisa-se a cápsula parotídea na margem anterior do
músculo esternocleidomastóideo. Afasta-se o terço inferior da glândula parótida
para cima e para adiante. Neste momento, torna-se visível o ventre posterior do
músculo digástrico e um pouco acima o músculo estilo-hióideo. Medialmente e
ligeiramente acima destes músculos, pode-se isolar e ligar a artéria carótida ex-
terna. Feita a ligadura, sutura-se a ferida plano por plano até a pele.
CAPÍTULO 16 339
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CAPÍTULO
16
Anatomia Aplicada
à Traqueotomia e Laringotomia
A obstrução das vias aéreas é tão séria que requer a abertura cirúrgica de
emergência da traquéia ou da laringe, abaixo do local da obstrução. Em odonto-
logia, o obstáculo quase sempre é localizado no nível da glote, entre as cordas
vocais ou acima delas. As causas da obstrução da laringe são: corpo estranho na
laringe; espasmo da laringe e edema de glote.
Quando a sufocação ameaça a vida do paciente, somente uma rápida ação
cirúrgica poderá salva-lo. Sempre que possível (isto é, quando existem instru-
mentos e auxiliares), a operação de escolha é a traqueotomia. Entretanto, quando
não se tem condições, deve-se realizar a laringotomia, que pode ser considerada
uma operação de emergência para salvar a vida do paciente.
TRAQUEOTOMIA
Nesta operação, a traquéia é exposta entre a glândula tireóide e o esterno. As
camadas através das quais deve-se atravessar para expor a traquéia são as seguin-
tes: pele, tela subcutânea, fáscia de revestimento do pescoço, tecido conjuntivo
contido no espaço supra-esternal, fáscia infra-hióidea e fáscia traqueal.
Em primeiro lugar, o paciente deve ficar em decúbito dorsal, com o pescoço
hiperestendido. A seguir faz-se uma incisão horizontal a meio caminho entre a
cartilagem tireóide e o esterno, seguindo a direção das pregas do pescoço. Depois
de dissecar e afastar a pele e a tela subcutânea, incisa-se a fáscia de revestimento
340 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA A TRAQUEOTOMIA E LARINGOTOMIA
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do pescoço no plano mediano, penetrando no espaço supra-esternal. Esse espaço
é preenchido com tecido conjuntivo frouxo contendo gordura. Envolta por este
tecido e tendo um trajeto horizontal, encontra-se o arco jugular, que deve ser
pinçado, ligado e secionado. Em algumas pessoas, não existe o arco jugular, e,
sim, uma veia jugular anterior que se bifurca inferiormente no espaço supra-
esternal que deve ser dissecada e afastada do campo, ou ligada, se for preciso.
Na parede posterior do espaço supra-esternal verifica-se, através da fáscia
infra-hióidea, os músculos esternocleido-hióideos. Os músculos quase nunca
estão em contato no plano mediano, de modo que existe uma estreita área de
fáscia isolada na parede posterior do espaço. Esta área esbranquiçada entre os
músculos avermelhados é citada como “linha alba” do pescoço. Depois de incisar
a fáscia infra-hióidea na linha média, fica visível o istmo da glândula tireóide
no canto superior do campo cirúrgico. Do istmo e partes adjacentes da glândula
tireóide descem as veias tireóideas inferiores, entre as fáscias infra-hióidea e
traqueal, para desembocarem no tronco braquicefálico. Deverão ser dissecadas
e afastadas. Alguns ramos anastomóticos cruzam de um lado para outro e, às
vezes, há necessidade de ligá-los. O tronco braquicefálico arterial e a artéria
carótida comum esquerda estão contidas na mesma bainha das veias tireóideas
inferiores. Embora nos adultos essas artérias não sejam freqüentemente expos-
tas ou lesadas durante uma traqueotomia, isso não é verdade na criança, por-
que o coração e seus grandes vasos estão situados num nível mais alto. A regra,
portanto, é transpor o espaço pré-traqueal por meio de dissecação romba. Antes
de abrir a traquéia, deve-se deslocar superiormente o istmo tireóideo ou até
ligá-lo e cortá-lo no plano mediano, se necessário for. Incisa-se a fáscia traqueal
visceral no plano mediano e desloca-se da traquéia por uma certa distância. A
traquéia então pode ser mantida de maneira firme e incisada, introduzindo-se,
na sua luz, uma cânula.
LARINGOTOMIA
A laringotomia é realizada abrindo-se a laringe através do ligamento
cricotireóideo, entre as cartilagens cricóide e tireóide.
As indicações para realização da laringotomia são restritas. Ela só deve ser
realizada em caso de emergência e se as condições para a traqueotomia não fo-
rem favoráveis.
A finalidade da operação é abrir a parede anterior da laringe entre as carti-
lagens cricóide e tireóide, que é formada por um ligamento elástico de fibras
verticais. A mucosa da laringe está firmemente aderida à face posterior desse
ligamento. O ligamento está situado no espaço mais inferior da laringe, isto é,
abaixo dos ligamentos vocais que estão fixados na superfície interna da cartila-
gem tireóide.
A parte média do ligamento cricotireóideo é exposta entre os dois músculos
cricotireóideos, sendo recoberta pela fáscia cervical média (pré-traqueal), pela
tela subcutânea e pela pele. O ligamento cricotireóideo é facilmente localizado
pela palpação, no plano mediano, entre a cartilagem tireóide e a parte anterior da
cartilagem cricóide. O dedo que apalpa encontrará neste ponto uma depressão.
CAPÍTULO 16 341
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A abertura do ligamento deve ser horizontal para permitir a retração das
fibras verticais. A abertura que resulta, de forma oval, permanece aberta, de modo
que não é necessária a introdução de uma cânula.
A laringotomia pode ser feita pela incisão da pele, tela subcutânea, fáscia,
ligamento e mucosa da laringe com um só golpe. A lâmina do bisturi é tomada
entre o polegar e o indicador, de modo que somente 1cm da lâmina fique livre.
Com o bisturi colocado horizontalmente, introduz-se para o interior da laringe,
através da pele. A incisão através do ligamento não deve ultrapassar 0,5cm para
não atingir a parede posterior da laringe.
A medida de precaução que se deve tomar até que o paciente possa ser leva-
do ao hospital é evitar que a pele deslize sobre a incisão, bloqueando, assim, a
abertura da laringe.
Pode-se ainda substituir a intervenção a bisturi, perfurando o ligamento com
uma agulha calibrosa, tendo também o cuidado de não introduzir mais de 0,5cm
através do ligamento para não atingir a parede posterior da laringe.
CAPÍTULO 17 343
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CAPÍTULO
17
Anatomia Aplicada ao
Exame Físico do Esqueleto Facial
Através da pele da fronte, a escama da frontal pode ser palpada em toda a sua
extensão, embora a superfície temporal da escama frontal seja recoberta pelo
músculo temporal e sua fáscia. As áreas mais periféricas da fossa temporal po-
dem ser palpadas logo abaixo das linhas curvas temporais devido à pouca espes-
sura do músculo temporal nesta região.
Na parte inferior da fronte, pode-se palpar os arcos supra-orbitais e, entre os
supercílios, a glabela. Sobre a margem superior da órbita, percebe-se a discreta
incisura frontal, próxima à raiz do nariz, e, lateralmente a esta incisura, palpa-se
a incisura supra-orbital. Quando esta incisura é transformada em forame, não se
percebe este entalhe, e a margem supra-orbital prolonga-se ininterruptamente
até o processo zigomático do frontal.
A margem lateral da órbita, formada pelo processo zigomático do frontal e
pelo processo frontal do zigomático, é facilmente palpável, e a sutura entre estes
dois ossos pode ser percebida pela palpação. Na margem medial, pode-se palpar
o processo frontal da maxila, a crista lacrimal e o sulco lacrimal. Na margem
inferior, a sutura zigomaticomaxilar pode ser marcada por uma ligeira saliência
na porção intermédia desta margem; no restante, é lisa. Este ponto é importante,
pois logo abaixo fica localizado o forame infra-orbital.
A face ântero-lateral e as partes próximas ao processo alveolar das maxilas
são palpáveis através da pele, assim como a curva zigomaticoalveolar.
344 ANATOMIA APLICADA: EXAME FÍSICO DO ESQUELETO FACIAL
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O osso zigomático e todo o arco zigomático são acessíveis pelo exame físico
até o tubérculo articular. A localização do tubérculo articular torna-se mais evi-
dente com o deslocamento do côndilo mandibular para adiante, solicitando-se
ao paciente que abra a boca; sendo assim, o côndilo também pode ser palpado
através da pele.
A palpação da margem posterior do ramo mandibular pode ser feita desde o
côndilo até o ângulo mandibular (área goníaca). Todo o corpo da mandíbula em
suas faces laterais e anterior, bem como sua margem inferior, o processo alveolar
e as saliências alveolares, com exceção da região do terceiro molar, podem ser
examinados através da pele. A face medial do corpo da mandíbula pode ser palpada
flexionando-se a cabeça em direção ao tronco para o lado a ser examinado, para
afrouxar a pele e a fáscia abaixo da mandíbula. O exame digital da boca revela
toda lâmina externa dos processos alveolares. Na mandíbula, a linha oblíqua é
palpável na região do segundo molar; seguindo esta linha para trás e para cima,
o dedo vai à margem anterior do ramo mandibular até a raiz do processo coronóide.
A face interna do processo alveolar na mandíbula é acessível em toda a sua ex-
tensão. Na região do terceiro molar inferior, o dedo desliza abaixo da extremida-
de posterior da linha milo-hióidea, aproximando-se do ângulo mandibular.
Na maxila, além do processo alveolar, pode-se palpar a curva zigomaticoal-
veolar, a porção lateral da tuberosidade, o palato duro, e, atrás da extremidade
posterior do processo alveolar, medialmente, o hâmulo pterigóideo pode ser sen-
tido pela polpa digital.
CAPÍTULO 18 345
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CAPÍTULO
18
Fundamentos Anatômicos
para Radiografia Craniofacial
Nas tomadas radiográficas craniofaciais, todos os acidentes anatômicos dos
ossos do crânio e da face são projetados numa película radiográfica, ou seja, num
único plano. Sendo assim, muitas estruturas apresentam-se sobrepostas, mas,
com atenção, pode-se identifica-las. O objetivo é reconhecer, na radiografia, os
acidentes ósseos que foram estudados no Capítulo 2.
TOMADA RADIOGRÁFICA DE PERFIL
Nesta tomada, observa-se: partindo da porção anterior, duas linhas radiopacas
que seguem para trás contornam toda a calota craniana e terminam na base do
crânio; representam as compactas externa e interna dos ossos frontal, parietais e
occipital. Na porção ântero-inferior do frontal, uma mancha radiolúcida repre-
senta o seio frontal. Logo atrás, parte uma linha radiopaca que segue para trás e
para baixo, apresentando depressões e elevações que constituem o teto da órbita.
Na extremidade posterior, esta linha apresenta uma elevação um pouco mais
acentuada, que é o processo clinóide anterior e, logo atrás, uma depressão, a
fossa hipofisária, limitada posteriormente por outra elevação, o processo clinóide
posterior. Abaixo e à frente da fossa hipofisária, uma mancha escura, o seio
esfenoidal. À frente deste seio, pequenas manchas escuras, limitadas por lâmi-
nas claras, trabeculadas, que representam as células etmoidais e logo à frente
uma mancha escura e ovalada, que é a órbita. Abaixo da órbita, uma zona escura
grande, o seio maxilar, atrás do qual observa-se uma imagem escura de forma
346 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA INTERPRETAÇÃO DE RADIOGRAFIAS CRANIOFACIAIS
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triangular, afilada para baixo, que é a fossa pterigopalatina. Limitando a imagem
do seio inferiormente, observa-se uma linha clara horizontal que representa o
palato duro, que se projeta para adiante num esporão radiopaco, a espinha nasal
anterior. Partindo da porção posterior da maxila, observamos uma imagem
radiolúcida que segue para trás e para baixo, mancha os ramos mandibulares e
desce à frente da coluna cervical. Esta imagem representa o espaço faríngeo.
Limitando este espaço ântero-superiormente, uma imagem clara, curva, de
convexidade posterior, que representa o palato mole. Nesta tomada observa-se
que os lados direito e esquerdo da mandíbula não coincidem, quase sempre as
corticais basilares estão em níveis diferentes, ou seja, uma mais alta que a outra.
Abaixo dos ramos mandibulares, no pescoço, observa-se uma imagem radiopaca
curva que representa o osso hióide.
TOMADA RADIOGRÁFICA PÓSTERO-ANTERIOR, FRONTONASOFILME
Em forma de arco, observa-se duas linhas radiopacas que contornam a calota
craniana e representam as compactas externa e interna dos ossos da calota. No
plano mediano, do topo da calota para baixo, uma linha denteada, radiolúcida,
que representa a sutura interparietal. Abaixo da calota, duas linhas denteadas,
radiolúcidas, em forma de arco, que representam: a superior, a sutura frontoparietal
e a inferior, a sutura occipitoparietal. Na porção inferior do frontal, observamos
imagens radiotransparentes irregulares, próximas ao plano mediano, que repre-
sentam o seio frontal. No plano mediano, no soalho do seio frontal, uma imagem
triangular radiopaca, a crista galli. Partindo desta para a lateral, duas linhas cur-
vas, radiopacas, de convexidade superior, os tetos orbitais. Abaixo destas linhas,
ou seja, nas cavidades orbitárias, imagens radiopacas que são projeções dos ro-
chedos dos temporais. Partindo da crista galli para baixo, no plano mediano, uma
linha radiopaca que representa o septo nasal e termina alargando-se de forma
triangular no soalho nasal e representa a espinha nasal anterior. Lateralmente ao
septo, na parte superior, imagens radiolúcidas que são as células etmoidais, e, na
parte inferior, as fossas nasais. Nas paredes laterais das fossas nasais, imagens
radiopacas curvas que representam as conchas nasais. Lateralmente às fossas
nasais, a cada lado, uma imagem radiolúcida triangular, o seio maxilar, que é
limitado lateroinferiormente por uma linha radiopaca curva de concavidade in-
ferior que representa a curva zigomaticoalveolar. Projetando-se sobre os maxila-
res, observamos, partindo do plano mediano para o lateral, uma imagem
radiolúcida horizontal que representa o espaço entre o atlas e o áxis. Na mandí-
bula, a altura do ramo, observa-se uma imagem triangular radiopaca, de ápice
voltado para cima, que representa o processo coronóide. Na porção anterior do
corpo da mandíbula, a imagem costuma apresentar-se borrada pela superposição
da coluna cervical.
TOMADA RADIOGRÁFICA ANTEROPOSTERIOR (OCCIPITOFILME)
Em forma de arco, observam-se duas linhas radiopacas que contornam a ca-
lota craniana e representam as compactas externa e interna dos ossos da calota.
Abaixo da calota, observa-se com nitidez uma linha radiolúcida denteada que
CAPÍTULO 18 347
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representa a sutura occipitoparietal. Nesta tomada, observa-se toda a escama do
occipital. Na porção inferior do occipital, no plano mediano, observa-se uma
imagem radiolúcida, ovalada, grande, que representa o forame magno ou occipital,
e, projetando-se no seu interior com imagens radiopacas, os processos clinóides
posteriores. Partindo do forame occipital para lateral e para cima, uma imagem
radiopaca de forma triangular irregular que representa o rochedo do temporal.
Lateralmente ao rochedo, uma imagem que lembra uma esponja, ou seja, ima-
gens radiolúcidas, limitadas por lâminas radiopacas que são as células mastóideas.
Esta tomada mostra, com nitidez, logo abaixo das células mastóideas, a cada
lado as imagens radiopacas, elípticas dos côndilos mandibulares, que se conti-
nuam para baixo por duas linhas radiopacas que são as projeções dos ramos
mandibulares. Lateralmente aos ramos, a cada lado, uma imagem radiopaca cur-
va de convexidade lateral que representa o arco zigomático.
TOMADA RADIOGRÁFICA PÓSTERO-ANTERIOR. MENTONASOFILME
Contornando todo o crânio, observam-se duas linhas radiopacas que repre-
sentam as compactas externa e interna dos ossos da calota.
Na porção superior da radiografia e inferior do osso frontal observam-se aos
lados do plano mediano imagens radiolúcidas irregulares que representam o seio
frontal. Abaixo do seio frontal, três linhas radiopacas, duas laterais e uma media-
na, que representam a pirâmide nasal e o septo, respectivamente, e, entre elas,
duas imagens radiotransparentes que são as fossas nasais, em cujo interior obser-
vam-se imagens curvas radiopacas que são as conchas nasais. Aos lados das fossas
nasais, imagens radiolúcidas amplas que representam os seios maxilares, limita-
dos por linhas radiopacas: a medial é a parede lateral da fossa nasal, a lateral é a
curva zigomaticoalveolar, a inferior, o soalho que se confunde com o processo
alveolar e a superior é o soalho da órbita que, na sua porção intermédia, apresenta
uma imagem radiolúcida arredondada, pequena, que representa o forame infra-orbital.
Lateralmente aos seios maxilares, observa-se com nitidez uma imagem
radiopaca triangular, que se prolonga lateralmente em curva, de convexidade
lateral que representam o osso e o arco zigomáticos, respectivamente.
Entre o arco zigomático e a curva zigomaticoalveolar, observa-se uma ima-
gem radiolúcida grande, ovalada, que é a fossa infratemporal, no interior da qual
se projeta uma imagem radiopaca, triangular, afilada para cima, que representa o
processo coronóide da mandíbula. Do processo coronóide para baixo e lateral-
mente, observa-se todo o ramo mandibular. Seguindo-se daí para o plano media-
no, observa-se todo corpo mandibular com uma imagem radiopaca mais intensa
na sua porção basilar.
Lateralmente ao ramo mandibular, observa-se uma imagem que lembra es-
ponja, isto é, imagens radiolúcidas, limitadas por trabéculas radiopacas, é a ima-
gem das células mastóideas.
Abaixo da mandíbula, no plano mediano, observa-se uma imagem radiolúcida
grande, arredondada, que representa o forame occipital, no interior do qual se
projeta uma imagem radiopaca que lembra um dente, que é o processo odontóide
do áxis.
348 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA INTERPRETAÇÃO DE RADIOGRAFIAS CRANIOFACIAIS
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TOMADA RADIOGRÁFICA LATERAL DESDOBRADA DE MANDÍBULA
Nesta tomada observa-se todo o ramo mandibular, que apresenta projeta-
do sobre ele uma imagem radiopaca curva de convexidade anterior que repre-
senta o osso hióide, e uma imagem radiolúcida vertical sobre o ramo que
representa o espaço faríngeo.
Partindo do ramo para o corpo, uma imagem radiolúcida de concavidade
superior que representa o canal mandibular e, no nível de pré-molares ou no
nível do ápice do segundo pré-molar, uma imagem radiolúcida arredondada,
pequena, que é o forame mental. Em alguns casos pode-se observar uma imagem
radiolúcida abaixo dos molares, de forma ovalada, que representa a fossa
submandibular.
TOMADA RADIOGRÁFICA LATERAL DA ATM
Nesta tomada observa-se uma sobreposição muito grande de imagens, mas
alguns elementos anatômicos são observados com nitidez. De trás para adiante
encontram-se as células mastóideas, com seu aspecto esponjoso característico. À
frente das células mastóideas, observa-se uma imagem muito radiolúcida, arre-
dondada, pequena, que representa o conduto auditivo externo, ao redor do qual
uma imagem bem radiopaca, em forma de anel espesso, que representa a proje-
ção lateromedial do rochedo do temporal. À frente desta imagem, observa-se
uma linha radiopaca sinuosa, primeiro de convexidade voltada para cima, a se-
guir para baixo, representando os limites da fossa mandibular e da eminência
articular respectivamente.
Se a tomada for feita com a boca fechada, logo abaixo da primeira porção
desta linha, encontra-se uma imagem radiopaca que representa o côndilo mandi-
bular e entre este e a linha radiopaca, uma imagem radiolúcida curva, que repre-
senta o espaço articular. Se a tomada for feita com a boca aberta, o côndilo estará
sob a eminência articular, estando a fossa mandibular vazia, ou seja, aparecerá
uma imagem radiolúcida atrás do côndilo e à frente do conduto auditivo externo.
TOMADA RADIOGRÁFICA DE PERFIL POUCO PENETRADO
Nesta tomada, observa-se duas imagens radiopacas com nitidez: os ossos nasais
e a espinha nasal anterior.
TOMADA RADIOGRÁFICA SUBMENTO-VÉRTEX POUCO PENETRADA
Nesta tomada, observam-se nas porções laterais da radiografia, com nitidez,
os arcos zigomáticos.
TOMADA RADIOGRÁFICA PANORÂMICA
Nesta tomada, observa-se toda maxila e toda mandíbula.
CAPÍTULO 18 349
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IMAGENS RADIOPACAS NA MAXILA
Espinha nasal anterior, septo nasal, soalho das fossas nasais, soalho dos seios
maxilares, conchas nasais e processo alveolar.
IMAGENS RADIOLÚCIDAS NA MAXILA
Fossas nasais, seios maxilares e sutura intermaxilar.
IMAGENS RADIOPACAS NA MANDÍBULA
Côndilos, processos coronóides, ramo e corpo, processos geni, linha oblíqua,
linha milo-hióidea e basilar da mandíbula.
IMAGENS RADIOLÚCIDAS NA MANDÍBULA
Canal mandibular, forame mental, fossa submandibular e forame lingual.
Além destas imagens, ainda pode-se observar lateralmente ao ramo mandi-
bular, uma imagem radiopaca, em forma de estilete, que representa o processo
estilóide. Abaixo e lateralmente à mandíbula, uma imagem radiopaca que repre-
senta o osso hióide.
CAPÍTULO 19 351
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CAPÍTULO
19
Anatomia Aplicada à Cirurgia
e Traumatologia Bucomaxilofacial
O maciço facial, ou esqueleto fixo da face, ou ainda terço médio da face, é
um bloco ósseo constituído pelas maxilas, palatinos, zigomáticos, nasais, lacri-
mais, vômer e conchas nasais inferiores, aos quais alguns autores acrescentam
o etmóide e os processos pterigóideos do esfenóide. Quem melhor classificou
as fraturas do terço médio da face foi Renné Lefort, no início do século XX, da
seguinte maneira:
Fratura de Lefort I
Inferior ou horizontal, estende-se da base da abertura nasal anterior, segue
para trás horizontalmente e termina nos processos pterigóideos, inclusive.
Fratura de Lefort II
Média ou piramidal, parte dos ossos nasais, contorna a parte inferior dos
zigomáticos e termina nos processos pterigóideos, inclusive.
Fratura de Lefort III
Superior ou disjunção craniofacial, ocorre geralmente pela disjunção
nasofrontal, maxilofrontal, e segue pelos soalhos orbitais, pelo etmóide, pelo
esfenóide, com completa separação craniofacial.
352 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS EM CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCOMAXILOFACIAL
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A mandíbula, apesar de ser um osso muito resistente, está exposta aos
mais variados traumatismos, e, como vimos no estudo das trajetórias, apre-
senta zonas de resistência e zonas débeis. Além disso, os músculos que se
inserem na mandíbula, na dependência dos traços de fratura, vão deslocar os
fragmentos fraturados.
Fraturas do Corpo da Mandíbula
Um traço de fratura que se inicia entre os incisivos centrais, geralmente des-
via-se lateralmente à protuberância mental e o fragmento inferior pode ser deslo-
cado para baixo pela ação dos músculos digástrico, milo-hióideo e gênio-hióideo.
Numa fratura parassinfisária bilateral, o fragmento mediano geralmente é deslo-
cado para baixo e para trás, pela ação dos músculos digástricos, milo-hióideo e
gênio-hióideos. Neste tipo de fratura, o paciente pode apresentar ptose da língua
(deslocamento posterior), provocando asfixia, pois os músculos genioglossos es-
tão fixados no fragmento que se desloca. Nas fraturas laterais do corpo, geral-
mente o fragmento anterior é deslocado para baixo pelos músculos milo-hióideo,
gênio-hióideo e digástrico. O fragmento posterior desloca-se para cima, para medial,
pela ação combinada dos músculos masseter, temporal e pterigóideo medial. O
mesmo tipo de deslocamento também ocorre nas fraturas do ângulo mandibular,
cujo traço geralmente é oblíquo para baixo e para trás, dirigido do ângulo bucal
ao ângulo cutâneo.
Fraturas do Ramo Mandibular
Nas verticais, geralmente os desvios são pequenos ou não existem. Nas hori-
zontais, em bisel, geralmente há um cavalgamento de fragmentos, pois o frag-
mento inferior é tracionado para cima e para medial pelos músculos masseter e
pterigóideo medial, e o fragmento superior é tracionado pelo temporal (tracionando
a coronóide) para cima e para trás, provocando uma pequena rotação do frag-
mento. Estes deslocamentos provocam um encurtamento do ramo e o mento é
desviado para o lado da fratura.
Fraturas do Processo Coronóide
São raras, mas, quando ocorrem, o traço de fratura sendo na base da coronóide,
o fragmento superior será tracionado para cima e para trás pela ação do músculo
temporal.
Fraturas do Colo do Côndilo
A linha de fratura nasce na incisura mandibular e se dirige obliquamente
para baixo e para trás, terminando na margem posterior do ramo. O fragmento
superior é tracionado para a frente, para baixo e para medial pela ação do múscu-
lo pterigóideo lateral, e o fragmento inferior é tracionado para cima pelo masseter,
temporal e pterigóideo medial.
CAPÍTULO 19 353
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ACESSOS CIRÚRGICOS EM CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCOMAXILOFACIAL
Cirurgias na região lingual
Nas lesões traumáticas, faz-se a hemostasia e a sutura dos planos mus-
cular e mucoso. Nas lesões tumorais ou císticas, realizam-se glossectomias
parciais, geralmente remove-se uma cunha de forma triangular envolvendo
a lesão, procede-se à hemostasia e à sutura dos planos. Nos casos de
macroglossia, remove-se uma cunha da parte central e anterior da língua
para diminuir o seu tamanho; a seguir, faz-se a hemostasia e, finalmente, a
sutura por planos.
Cirurgias na região sublingual
As mais comuns são as remoções de cálculos salivares no ducto submandi-
bular. Depois de localizado o cálculo através de radiografias, passa-se um ponto
de sutura, posterior ao cálculo, e outro anterior ao cálculo, tendo o cuidado de
passar a agulha curva por baixo do ducto submandibular. Localizado o cálculo
entre os pontos de reparo, o auxiliar pressiona o soalho da boca para cima atra-
vés da pele. Entre os pontos pratica-se uma incisão no longo eixo do ducto atra-
vés da mucosa bucal, expondo o cálculo, que é removido facilmente. Sutura-se a
mucosa deixando um pequeno dreno, que se retira após cicatrização da mucosa,
para assegurar a drenagem do canal.
Nos casos de rânula, que é um cisto salivar nesta região, o melhor procedi-
mento é a marsupialização, feita da seguinte maneira: faz-se uma pequena inci-
são através da mucosa e da cápsula cística no centro mais saliente da lesão.
Aspira-se o seu conteúdo e enche-se a cavidade com gaze até que suas paredes
fiquem distendidas. No meio da incisão faz-se uma sutura para manter a gaze. A
seguir, com uma tesoura curva de ponta fina, corta-se a mucosa com a cápsula
cística ao redor do seu perímetro. Finalmente, sutura-se a parede cística na mucosa
bucal. Este procedimento permite, em pouco tempo, uma perfeita epitelização
da cavidade cística.
Cirurgia para remoção da glândula submandibular
Da incisão cutânea até a exposição da glândula submandibular, a seqüência
é a mesma que foi feita para a ligadura da artéria lingual (Cápitulo 15). Após a
exposição da glândula, localizam-se em sua margem superior os vasos faciais,
que devem ser ligados e seccionados. Seguem os vasos faciais até a margem pos-
terior da glândula, onde eles deverão novamente ser ligados e seccionados. Con-
tinua-se com a dissecação romba na margem posterior e superior, onde devem
ser seccionados os ramos do nervo corda do tímpano que vêm através do gânglio
submandibular; disseca-se a face medial da glândula tendo cuidado com o nervo
hipoglosso e sua veia satélite e, finalmente, a glândula só está presa pelo seu
ducto, que se perde na margem posterior do músculo milo-hióideo, onde deve
ser ligado e, finalmente, secionado para a remoção total da glândula. Sutura-se a
ferida por planos.
354 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS EM CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCOMAXILOFACIAL
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Acesso cirúrgico ao seio maxilar
A técnica mais empregada é a de Caldwell-Luc, que consiste em trepanar o
seio pela fossa canina. Pratica-se uma incisão horizontal no fundo do vestíbulo
entre distal de canino e mesial de primeiro molar. Esta incisão, em profundida-
de, deve chegar até o osso. Descola-se a mucosa e o periósteo, expondo a fossa
canina. Faz-se uma trepanação abrindo-se uma janela na fossa canina para que se
possa explorar o seio maxilar. Após terminada a cirurgia no seio se estabelece
uma comunicação do seio com a fossa nasal, que é feita no nível da parte anterior
e inferior do meato inferior. Enche-se o seio maxilar com gaze vaselinada e a
ponta deve sair pela fossa nasal, estabelecendo uma drenagem do seio para
a fossa nasal. Sutura-se o periósteo e a mucosa bucal sobre base óssea e remove-
se a gaze por via nasal, três a cinco dias após a cirurgia.
Acesso cirúrgico ao soalho da órbita
Pratica-se uma incisão na pele da pálpebra inferior aproveitando uma ruga
próxima e paralela à margem palpebral e, ao chegar ao ângulo lateral, a incisão
inclina-se para baixo. Disseca-se a pele separando-a do músculo orbicular do
olho, com bisturi, até ligeiramente abaixo da margem inferior da órbita; usando
ganchos de pele para facilitar a dissecação, afasta-se a pele. Incisa-se o músculo
orbicular, acompanhando suas fibras, logo abaixo da margem infra-orbital, aci-
ma do forame infra-orbital. Esta incisão deve chegar ao osso, ou seja, incisa-se
também a periórbita, expondo, assim, a margem inferior da órbita. Descola-se a
periórbita em direção ao soalho tendo o cuidado com a origem do músculo oblí-
quo inferior na sua porção medial. Terminada a cirurgia, sutura-se a periórbita, o
músculo orbicular e a pele.
Acesso cirúrgico ao corpo da mandíbula
A seqüência é a mesma que foi feita para ligadura da artéria facial. Depois de
isolar os vasos faciais e o nervo marginal da mandíbula, incisa-se o músculo
masseter e o periósteo na base do corpo da mandíbula, descola-se o periósteo,
expondo o corpo mandibular.
Acesso cirúrgico ao ramo mandibular
Utiliza-se a mesma seqüência para a ligadura da artéria carótida externa atrás
do ângulo mandibular, até deslocar o terço inferior da parótida para cima e para
adiante. A partir daí incisa-se o masseter com o periósteo na margem inferior e
posterior da mandíbula. Descola-se o periósteo, desinsere-se o masseter, expon-
do o ramo mandibular.
Acesso cirúrgico à ATM
Incisão pré-auricular, disseca-se e afasta-se a pele. Incisa-se a tela subcutâ-
nea e logo abaixo disseca-se os vasos temporais superficiais e o nervo
auriculotemporal. A seguir, afasta-se os vasos temporais superficiais para adian-
te e o nervo auriculotemporal para trás, disseca-se o terço superior da glândula
parótida, afastando-a para a frente e para baixo, expondo a cápsula da ATM, que
pode ser incisada expondo seus elementos intrínsecos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 355
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© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.
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ÍNDICE REMISSIVO 359
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Índice Remissivo
A
Abdome, 158
músculo reto do, 90
Abdução
do olho, 103
movimentos de, 82
Abóbada craniana, 62
Aborrecimento, expressão de, 93
Abscesso(s)
da região molar, 331
de origem dentária, 330
do saco lacrimal, 330
dos caninos, 331
dos incisivos, 331
periapical, 331
sublingual, 332
Absorção dos alimentos, 121
Acesso cirúrgico
à articulação temporomandibular, 354
ao corpo da mandíbula, 354
ao ramo mandibular, 354
ao seio maxilar, 354
ao soalho da órbita, 354
Acetilcolina, 180
Adrenalina, 180
Agentes causadores
do calor, 173
do frio, 173
Agressividade, expressão de, 95
Alça
cervical, 105
intestinal, 178
Alegria, expressão de, 95
Alimentos
absorção dos, 121
tubo condutor de, 163
Altura facial, medidas da, 74
Alvéolos
dentais, 45, 59, 76
dos molares, 323
região apical dos, 76
Amargo, sensação de, 173
Amígdala, 153
Ampola hepatopancreática, 160
Anatomia dental, 207-294
caninos, 226
inferiores permanentes, 229
superiores permanentes, 226
conceito, 207
dentes, 207
classificação dos, 209
dimensões dos, humanos, 211
funções dos, 207
temporários, 271
canino inferior, 279
canino superior, 277
incisivo central inferior, 274
incisivo central superior, 271
incisivo lateral inferior, 276
primeiro molar inferior, 284
segundo molar inferior, 288
segundo molar superior, 284
evolução e involução da dentição humana, 290
incisivos, 212
centrais
inferiores permanentes, 219
superiores permanentes, 212
laterais
inferiores permanentes, 223
superiores permanentes, 215
molares, 250
primeiro molar
inferior permanente, 261
superior permanente, 250
segundo molar
inferior permanente, 265
superior permanente, 255
terceiro molar
inferior, 270
superior, 259
pré-molares, 232
primeiro pré-molar
inferior, 240
superior, 232
segundo pré-molar
inferior, 245
superior, 236
360 ÍNDICE REMISSIVO
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relações interdentárias, 291
ameia ou nicho, 292
gengivas, 293
incisivos e caninos
inferiores, 291
superiores, 291
periodonto, 292
Anatomia
humana, estudo da, 1-6
conceito, 1
nomenclatura, 1
planos de delimitação do corpo humano, 3
planos de secção do corpo humano, 4
anterior ou ventral, 5
frontal, 5
horizontal, 5
inferior, 6
interno e externo, 6
posterior ou dorsal, 5
sagital mediano, 4
superior, 6
posição anatômica, 2
regional, 299-313
gengivodental, 309
geniana, 305
infratemporal, 307
labial, 301
lingual, 310
massetérica, 304
mental, 302
nasal, 299
palatina, 308
parotídea, 303
pterigopalatina, 307
sublingual, 311
supra-hióidea, 311
Anel(is)
cartilagíneos, 165
tendíneo, 103
Anestesia
do nervo alveolar
ântero-superior, 315
médio superior, 316
local, fundamentos anatômicos para, 315
de ramos do nervo
mandibular, 317
maxilar, 315
extrabucal do nervo
mandibular, 318
maxilar, 317
na mucosa palatina, 316
Anfiartrose, 80
Angina de Ludwig, 332
Angulação radicular distolingual, 330
Ângulo(s)
da boca
cútis do, 95
músculo levantador do, 302
distolingual, 252
disto-oclusal, 271
distovestibular, 252
jugulosubclávios, 146
mandibular, 344
mesiolingual, 252
mésio-oclusal, 271
mesiovestibular, 252
súpero-medial da órbita, 71
triedro vestibulocervicomesial, 279, 284
Antagonistas dos músculos
genioglossos, 100
orbiculares dos olhos, 92
Antebraço, movimentos
de pronação do, 82
de supinação do, 82
Ânus, 159
Aorta, cajado da, 124
Apêndice(s)
epiplóicos, 158
vermiforme, 159
Ápice(s)
pulmonares, 105
radicular do incisivo lateral, 319
Aponeurose, 93
epicrânica, 91
faríngea, 27
Aqueduto cerebral, 185
Arcadas dentárias, 65
Arco(s)
dentários, 310
jugular, 340
mandibular, mesoderma do, 108
palatofaríngeo, 153
palatoglosso, 153
supra-orbitais, 17, 21, 343
zigomático, 305, 317, 347
Área cortical cerebral sensitiva, 183
Articulação fibrosa, ossos de uma, 79
Artéria(s), 122, 125
alveolar(es)
inferior, 136
póstero-superior, 138, 309
angular, 307
aorta, 124
articular, 134
posterior, 133, 304
profunda, 136
auriculares, 134
basilar, 184
bucal, 138
ramos da, 307
carótida
primitiva, 125
bifurcação da, 128
carótida externa, 128, 135, 337
ÍNDICE REMISSIVO 361
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e seus ramos, 129
ligadura da, 354
ramos
colaterais da, 129
terminais da, 133
carótida interna, 41, 126
ramo(s)
colaterais da, 126
terminal da, 128
central da retina, 127
cerebral média, 128
ciliares posteriores
curtas, 127
longas, 127
da língua, 129
ramo terminal da, 130
de grande calibre, 122
de médio calibre, 122
de pequeno calibre, 122
do canal pterigóideo, 138
dorsais
da língua, 130, 310
do nariz, 127, 301
lesões das, 335
esfenopalatina, 139
etmoidal
anterior, 37, 127
posterior, 127
facial(is), 59, 131, 198, 313, 336, 354
ramo(s), 302
colaterais cervicais da, 132
colaterais faciais da, 132
terminal da, 133
faríngea, 139
ascendente, 133
incisiva, 309
infra-orbital, 138, 302
ramos da, 307
labial
inferior, 132, 302
superior, 132, 302
lacrimal, 127
ramos da, 307
lingual, 130, 335
ligadura da, 353
massetérica, 138
maxilar, 20, 137, 307, 337
ramo terminal da, 139
meníngea, 33
média, 64, 136, 202
ramos da, 25
sulcos vasculares da, 62
menor, 136
posterior, 28
mental, ramos da, 307
nasal lateral, 132
occipital, 133
ramo meníngeo da, 28
oftálmica, 63, 126, 301
ramos
colaterais da, 127
terminais da, 127
palatina
ascendente, 132, 313
descendente, 138
maior, 309, 335
profundas da língua, 130, 310
pterigóidea, 138
sublingual, 130, 309, 335
submandibulares, 132, 313
submental, 132, 313
supra-orbital, 127
ramo da, 22
supratroclear, 127
temporal
profunda anterior, 136
profunda média, 136
profunda posteriore, 135
sulco da, 39
superficial, 86, 133, 304, 336
ramos colaterais da, 133
ramos terminais da, 135
timpânica, 136
tireóidea superior, 129, 337
tonsilar, 132, 313
transversa da face, 133
ramos da, 307
vertebrais, 27, 64, 128
zigomático-orbital, 134
Articulação(ões), 79-86
alvéolo-dental, 292
biaxial, 81, 82
carpometacárpica do polegar, 82
cartilagínea, 61, 80
ossos de uma, 80
conceito, 79
condilar ou elipsóide, 82
das falanges, 81
das vértebras, 82
de cartilagem hialina, 80
do cotovelo, 81
do ombro, 81
do punho, 81
em dobradiça ou gínglimo, 82
em pivô ou trocóide, 82
esferóide, 82
esternoclavicular, 125, 145
fibrocartilagíneas, 80
fibrosas, 79
imóveis, 14
infradiscais, 111
interfalângica, 82
radioulnar proximal, 82
selar, 82
sincondrose, 80
sinovial(is), 80
plana, 82
supradiscais, 112
temporomandibular, 14, 39, 60, 76, 82
acesso cirúrgico a, 354
cápsula da, 110
direita
corte sagital na, 84
vista lateral, 83
vista medial, 84
inervação da, 86
tomada radiográfica lateral da, 348
vascularização da, 86
triaxial, 81, 82
uniaxial, 81, 82
Árvore brônquica, 165
Asa do nariz
na face anterior, músculo dilatador da, 47
músculo, 47
dilatador da, 93, 301
levantador do lábio superior e da, 301
Asfixia, 352
Astério, 16
Atenção, expressão de, 93
Atividade motora, coordenação da, 186
Átrio
direito, 116
esquerdo, 116
Audição, 14
Aurícula, 116
Axônio do neurônio
pós-ganglionar, 178
pré-ganglionar, 178
Azedo, sensação de, 173
B
Baço, 124
Bainha
de mielina, 178
de neurilema, 178
Base do crânio, vista superior, 63
Básio, 73
Basle Nomina Anatomica, 2
Bile, 158
Boca, 152
cavidade da, 151, 153
cútis do ângulo da, 95
dentes, 154
língua, 153
mucosa da, 193
músculo(s), 94
depressor
do ângulo da, 60, 95, 155, 302, 331
do lábio inferior e orbicular da, 302
levantador do ângulo da, 47, 95, 330
orbicular da, 330
palato, 153
rima da, 151
soalho da, 151
fleimão do, 332
vestíbulo da, 153
Bochecha
mucosa da, 318
partes moles da, 42
submucosa da, 157
Bolha etmoidal, 38
Bolo alimentar, 157
trânsito do, 158
Bolsa sinovial, 108
Bolton, 73
Braço
músculo bíceps do, 89
músculo tríceps do, 89
Bradicardia, 181
Bregma, 73
Brônquios, 165, 181
de primeira ordem, 165
lobares, 165
Bucofaringe, 157
Bulbo, 169, 182
olfatório, 37
Bulha, 38
C
Cabeça
e pescoço, drenagem linfática da, 146
músculo esplênio da, 42
Calcâneo, 8
Cálcio, íons de, 7
Cálculos salivares no ducto submandibular, 353
Caldwell-Luc, técnica de, 354
Calor, agentes causadores do, 173
Calota craniana, 346
Câmara pulpar, 222, 295
soalho da, 236
Canal(is)
alimentar, 157
anexos do, 159
dilatação do, 157
alveolar(es)
ântero-superior, 43
póstero-superiores, 43
anal, 159
basilar, 27
carótico, 41, 126
condilar, 28
distal, 265
esfenovomeriano, 32, 55
etmoidais, 23, 37
ÍNDICE REMISSIVO 363
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facial, forame do, 41
incisivo, 46, 60, 190
infra-orbital, 43, 71, 191
lacrimais, 93
lacrimonasal, 44, 50, 103
lingual, 236
mandibular, 59, 297, 328
mental, 60, 326
mesencefálico, 185
mesiais, 265
nasofrontal, 71
olfatórios, 63
óptico, 31, 103
palatino(s), 254
maior, 44, 65, 316
menores, 65
pterigóideo, 32, 35
artéria do, 138
radiculares, 295
raquídeo, 27
vestibulares, 253
vômero-vaginal, 55
Canalículo
caroticotimpânico, 201
mastóideo, 41
ósseo, 196
timpânico, 41
Canino(s), 226, 321
abscessos dos, 331
inferior(es), 279
corte frontal, 233
corte sagital, 233
direito
vista lingual, 231
vista vestibular, 231
permanentes, 229
funções, 230
irrupção, 229
morfologia, 230
oclusão, 230
temporário direito
vista lingual, 280
vista vestibular, 280
raiz do, 330
superior(es), 277
corte
frontal, 229
sagital, 230
direito
vista lingual, 228
vista vestibular, 227
permanentes, 226
canal radicular e câmara pulpar, 229
face lingual, 227
face vestibular, 226
faces proximais, 227
funções, 226
irrupção, 226
morfologia, 226
oclusão, 226
raiz, 229
temporário direito
vista lingual, 278
vista vestibular, 278
Cannon, síndrome de emergência de, 180
Capilares
linfáticos, 116
sangüíneos, 121, 123
Capitato, 8
Cápsulas articulares, 85, 88
Carpo, ossos do, 10
Cartilagem(ns), 13
alares, 301
aritenóideas, 165
articulares, 13
corniculadas, 165
cricóide, 102, 165, 337, 340
cuneiformes, 165
da laringe, 14
do septo, 301
elástica, 13
epifisárias, 9
epiglote, 165
hialina, 9, 13
articulações de, 80
nasais laterais, 301
tireóide, 102, 165, 340
Carúnculas sublinguais, 311
Cauda eqüina, 182
Cavidade(s)
bucal, 42, 65
bucal, teto da, 53
craniana, 14, 25, 36
da boca, 151, 153
da face, 62
diencefálica, 185
do crânio, 62
do pericárdio, 119
nasal, 18, 65, 163
divertículo da, 78
orbital, 37, 42
paranasais, 70
pneumáticas, 70
do crânio, 78
pulpar, 210, 295
rombencefálica, 185
timpânica, 41
torácica, 165
Ceco, 159
Cefalometria, 72
Célula(s)
do sangue, 7
etmoidais, 36, 71, 188, 345
frontoetmoidais, 23, 37
364 ÍNDICE REMISSIVO
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mastóideas, 40, 201, 347
matriz para alcançar as, 13
maxilo-etmoidais, 44
motoras do núcleo motor, 195
ósseas, 13
unipolares, 195
Cemento, 211, 292
Cerebelo, 29, 169, 173, 185
corte horizontal, 173
substância
branca do, 186
cinzenta do, 186
tenda do, 185
Cérebro
lobo(s)
occipitais do, 29
parietal do, 25
Choro, 95
Cicatrização da mucosa, 353
Cintura
escapular, ossos da, 8
pélvica, ossos da, 8
Circulação
colateral, 121
coração-pulmão-coração, 121
coração-tecidos-coração, 121
do sangue, 119
portal, 121
portal-hepática, 121
pulmonar ou pequena circulação, 121
sistêmica ou grande circulação, 121
Círculo
cerebral arterial, 128
pericervical, 148
Cirurgia
dentoalveolar, 319
na região
lingual, 353
sublingual, 353
para remoção da glândula submandibular, 353
Clavícula, 8
extremidade medial da, 105
Clivus do occipital, 32
Coanas, 65, 163
Cóccix, 8, 182
Colar pericervical, 147
Colículo facial, 185, 199
Colo(s)
dentários, 293
flexura
direita do, 159
esquerda do, 159
sigmóide, 159
Coluna
cervical, 346
coccígea, ossos da, 8
lombar, ossos da, 8
sacral, ossos da, 8
vertebral, 167
Comissuras inter-hemisféricas, 187
Compartimentos
articulares, 85
infradiscal, 85
supradiscal, 85
Comunicação esofagogástrica, 158
Concavidade lingual, 286
Concha(s) nasal(is), 349
inferior, 14, 44, 51, 351
conexões, 52
direita, 51
face
lateral, 51
medial, 51
margem
inferior, 51
superior ou articular, 52
posição, 51
situação, 51
média, 36
superior, 36
suprema, 36
Côndilo
da mandíbula, 39, 83
fratura do colo do, 352
lateral, 75
mandibular, 317, 348
medial, 75
occipital, 20, 29, 64
Condroblastos, 13
Condrócitos, 13
Conduto auditivo, 64
interno, 41
Cone medular, 182
Constritor superior da faringe, músculos do, 55
Contração
da mandíbula, 76
muscular, 88
ventricular, 117
Convexidade oclusal, 252
Coordenação da atividade motora, 186
Coração, 116, 181
aspecto interno dos ventrículos do, 116
circulação do sangue, 119
esqueleto cardíaco, 119
forma, 116
morfologia interna, 116
pericárdio, 119
sistema de condução do, 120
situação, 116
vasos da base, 118
volume do, 119
Cornos pulpares, 210, 236
Coroa
anatômica, 207
ÍNDICE REMISSIVO 365
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dentária, 155
Coronárias, dilatação das, 181
Coronóide, 352
Corpo
da maxila, 18, 42
gástrico, 158
Corrente sangüínea, 116
Córtex cerebelar, 173, 186
Cotovelo, articulação do, 81
Couro cabeludo, 192
músculo do, 91
Coxa, músculo quadríceps da, 89
Crânio
abóbada, 62
análise funcional do, 75
base do, 62
cavidades do, 62
pneumáticas do, 78
corte sagital no, 66
crescimento do, 72
desarmonias no formato do, 72
ossos do, 8, 14
pontos medianos do, 72
radiografias de perfil de, 73
vista
anterior do, 17
inferior do, 20, 21
lateral do, 19
posterior do, 16
superior do, 15
base do, 63
Craniometria, 72
Crescimento do crânio, 72
Crista
alveolar, 293
fibras da, 293
conchal
da maxila, 52
do palatino, 52
esfenoidal
anterior, 32
inferior, 32
etmoidal, 45
frontal, 22
galli, 36, 63, 346
ilíaca, 159
lacrimal, 44, 343
anterior, 45
posterior, 93
lingual, 227
marginal mesial, 235
occipital externa, 29
romba, 76
sinostósica, 27
supramastóidea, 20, 39, 77
zigomática, 32
Curva zigomaticoalveolar, 77, 316, 343, 347
Cúspide(s)
distolingual, 248, 252
distovestibular, 252
lingual, 238
mesiais, 264
mesiolingual, 252
mesiovestibular, 251
vestibular, 233
das linguais, 269
Cútis, 92
do ângulo da boca, 95
do lábio
inferior, 95
superior, 95
do mento, 95
do pavilhão da orelha, 92
D
Dacriocistite, 330
Dedos
músculo extensor longo dos, 89
músculo flexor longo dos, 90
Dente(s), 153
adjacentes, lâminas compactas alveolares dos, 76
caducos, 271
câmara coronária ou pulpar, 210
caninos
inferiores permanentes, 229
superiores permanentes, 226
cavidade pulpar, 210
classificação dos, 209
contíguos, 292
de leite, 271
de primeira dentição, 271
de sino, 325
decíduos, 271
dimensões dos, humanos, 211
em oclusão cêntrica, 111
evolução e involução, 290
face(s)
cervical, 209
da coroa de um, 208
distal, 208
lingual, 208
mesial, 208
oclusal, 208
vestibular, 208
funções dos, 207
incisivos, 212
centrais
inferiores permanentes, 219
superiores permanentes, 212
laterais
inferiores permanentes, 223
superiores permanentes, 215
366 ÍNDICE REMISSIVO
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inferiores, 19
articulados, 57
molares
primeiro molar
inferior permanente, 261
superior permanente, 250, 255
segundo molar inferior permanente, 265
terceiro molar
inferior, 270
superior, 259
pré-molares
primeiro pré-molar
inferior, 240
superior, 232
segundo pré-molar
inferior, 245
superior, 236
pressão mastigatória exercida sobre os, 76
provisórios, 271
raízes dos, 19
relação dos, com estruturas vizinhas, 319-328
processo alveolar da mandíbula, 324
processo alveolar da maxila, 319
superiores, 18, 19, 46
temporários, 271
canino
inferior, 279
superior, 277
incisivo
central inferior, 274
central superior, 271
lateral inferior, 276
primeiro molar inferior, 284
segundo molar
inferior, 288
superior, 284
tetracuspidado, 256
unirradiculares, 210
Dentição, dentes de primeira, 271
Dentina, 155, 207
Derme, 88
Desgaste oclusal, 223
Deslizamento, movimentos de, 85
Desmodonto, 293
Desvio apical, 244
Diáfise, 9
Diafragma, 157
Diastema, 212
Diástole ventricular, 119
Diencéfalo, 186
corte frontal, 172
Difiodonte, 155, 209
Dilatação
da narina, 94
das coronárias, 181
do canal alimentar, 157
Díploe, 14
Disco(s)
articular, 85
epifisiais, 13
Disjunção
craniofacial, 351
nasofrontal, 351
Distúrbios emocionais, 179
Divertículo(s)
da cavidade nasal, 78
pares, 71
Doce, sensação de, 173
Dor
fibras da sensibilidade à, 195
visceral, 178
Drenagem linfática, 305
da cabeça e do pescoço, 146
Ducto(s)
cístico, 160
colédoco, 158, 160
hepático, 160
comum, 160
direito, 160
esquerdo, 160
linfático direito, 146
pancreático, 160
parotídeo, 155, 305, 306
sublingual maior, 156
submandibular, 156, 193, 311, 353
cálculos salivares no, 353
torácico, 146
Duodeno, 160
vista interna do, 160
Dura-máter, 37, 168, 189
seios da, 139
E
Ectrópio, 93
Edema de glote, 339
Ejaculação, 181
Eminência(s)
articular(es), 82
convexa elíptica, 28
dos ossos temporais, 112
caninas, 42, 93
elipsóide, 183
esfenoidal, 31
retroarticular, 39
Encéfalo, 14
Endocrânio, 14
Epicárdio, 119
Epífises, 9
Epífora, 93
Epiglote, 154
Epitélio da mucosa bucal, 207
Ereção dos pêlos, 181
ÍNDICE REMISSIVO 367
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Escafóide, 8
Escápula, 8
Esfenóide, 351
processo(s)
etmoidal do, 31
pterigóideos do, 351
raiz da asa maior do, 70
Esmalte dentário, 207
Esôfago, 157
fibras circulares do, 102
Espaço(s)
articular, 348
faríngeo, 348
infradiscal, 84
infratemporal, 333
interdentário, 292
medulares, 76
periodontal, 295
pré-traqueal, 340
subaracnóide, 168
subdural, 168
supradiscal, 84
supra-esternal, 339, 340
Espinha(s)
jugulares, 28
mental, 57
nasal, 18, 346
anterior, 46
posterior, 73
troclear, 23
Esporão ósseo aguçado, 18
Esqueleto
cardíaco, 119
cartilagíneo, 165
da face, 14
anatomia aplicada ao exame físico do, 343
Estafílio, 73
Estapédio, 196
Esterno, 8, 339
Estilofaríngeo, 40
Estiloglosso, 40
Estilo-hióideo, 40
Estilomandibular, 40
Estímulos
físicos, 173
químicos, 173
Estômago, 157
divisão do, 158
Estribo, músculo do, 196
Etmóide, 36, 351
lâmina
crivosa do, 65
orbital do, 49
perpendicular do, 66
vertical do, 55
processo uncinado do, 52
sulco olfatório do, 31
Exodontia, 316
Expressão
de aborrecimento, 93
de agressividade, 95
de alegria, 95
de atenção, 93
de desdém, 94
de sofrimento, 93
de tristeza, 95
do medo, 92
do sorriso
forçado, 95
franco, 95
facial, 97
Extremidades mediais dos supercílios, 72
F
Face
análise funcional da, 75
anterior
do processo pterigóide, 70
músculo dilatador da asa do nariz na, 47
artéria transversa de, 133
cavidades da, 62, 64
esqueleto da, 14
infratemporal, 18
lateral, músculos bucinador na, 330
medial da maxila, 53
ossos da, 8, 14, 56, 64
pontos medianos da, 72
proeminências da, 18
ramos da artéria transversa da, 307
veias, 144
profundas da, 145
vista
anterior, regiões superficiais da, 300
lateral, regiões superficiais da, 300
Falanges, articulações das, 81
Faringe, 157, 164
infecções da, 165
mucosa da, 203
músculo(s), 102
constritor, 176, 203
médio da, 62
superior da, 55, 60, 96
porção nasal da, 65, 163
veia da, 144
Fáscia
cervical, 105
superficial, 86
de revestimento do pescoço, 339
infra-hióidea, 339, 340
parotídea, 95, 304
temporal, 19
traqueal, 339
368 ÍNDICE REMISSIVO
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Fauce, istmo da, 151
Feixe(s)
ciliar, 93
de fibras colágenas, 13
vasculo-nervoso alveolar
ântero-superior, 71
inferior, 327
Fêmur, 8
Fenômenos físico-químico complexos, 115
Fibra(s), 13
adrenérgicas, 180
aferentes, 174
alvéolo-dentárias, 293
apicais, 293
circulares do esôfago, 102
colágenas, 88
feixes de, 13
colinérgicas, 180
cricofaríngeas, 102
curtas, 85
da crista alveolar, 293
da sensibilidade à dor, 195
de segunda ordem, 195
do músculo masseter, 111
do nervo facial, 185
do pericemento, 76
eferentes, 174
gustativas, 195
interdentárias, 292
longas superficiais, 85
motoras, 174
musculares, 88, 303
circulares, 158
longitudinais, 158
nervosas mielínicas, 171
parassimpáticas, 313
do nervo petroso, 307
superficial maior, 308
pós-ganglionar, 178
parassimpática, 179
simpática, 179
pré-ganglionar, 178
parassimpática, 179
simpática, 179
próprias dos lábios, 97
secretomotoras, 195
sensitivas, 174
tireofaríngeas, 102
transeptais, 292
viscerais, 177
Fibrocartilagem, 13, 60
Fíbula, 8
Fígado, 159
Filamento meníngea, 182
Filum terminale, 182
Fissura(s)
cerebelares, 185
mediana, 182
oblíqua, 166
orbital, 63, 103
inferior, 17
superior, 17, 31
petrotimpânica, 39, 136
pterigopalatina, 20
timpanoescamosa, 39, 83, 85
Fita fascial, 105
Fleimão do soalho da boca, 332
Flexão, movimentos de, 82
Flexura
direita do colo, 159
duodenojejunal, 158
esquerda do colo, 159
hepática, 159
Folhas cerebelares, 185
Fontículo
bregmático, 15
lambdóide, 15
Forame
apical, 210, 229
cego, 22, 63, 217, 267
do canal facial, 41
espinhoso, 32, 64
estilomastóideo, 195
infra-orbital, 17, 42, 316, 347, 354
jugular, 28, 41
lacero, 41
lingual, 297
magno, 26
mandibular, 59
mastóideo, 16
mental, 17, 59, 348
anestésico no nível do, 317
occipital, 26, 347
superfície inferior do, 73
oval, 31
palatino
maior, 20, 45, 316
menor, 45
parietal, 15
redondo, 31
supra-orbital, 18, 42
zigomático temporal, 47
zigomaticofacial, 47
zogomaticorbital, 47
Fósforo, 7
Fossa(s)
canina, 42
cerebelares, 64
cerebrais do occipital, 62
condilar
anterior, 28
posterior, 28
craniana
anterior, 67
ÍNDICE REMISSIVO 369
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média, 65
digástrica, 59, 111, 312
escafóide, 35
esfenotemporais, 63
frontais, 22, 62
hipofisária, 32, 63, 345
incisiva da maxila, 97
infratemporal, 19, 43, 307
ramos colaterais
anteriores na, 138
ascendentes na, 136
descendentes na, 136
interpeduncular, 185
jugular, 41
lacrimal, 23
mandibular, 39
do osso temporal, 82
nasal, 23, 32, 72
mucosa das, 50
parede lateral da, 53, 66
soalho da, 46, 53, 295, 319
occipitais, 29
orbitais, 23
parietais, 62
pterigóidea, 35
pterigopalatina, 20, 54, 189, 316, 346
ramos
colaterais na, 138
do nervo maxilar na, 189
rambóide, 185
sublingual, 57
submandibular, 57, 297, 348
temporal, 19, 20
tonsilar, 153
Fosseta
distal, 248, 257
mesial, 248, 257
Fóssula petrosa, 41
Fóvea
pterigóidea, 111
sublingual, 58, 311
submandibular, 58, 312
troclear, 23, 103
ungueal, 41
vermiana, 29
Fovéolos granulares, 22, 62
Frankfurt, plano horizontal de, 72
Fratura(s)
de Lefort
I, 351
II, 351
III, 351
do colo do côndilo, 352
do corpo da mandíbula, 352
do processo coronóide, 352
do ramo mandibular, 352
parassinfisária bilateral, 352
Freio
discal posterior, 85
discotemporal posterior, 85
Frênulo
labial, 302
lingual, 311
Frio, agentes causadores do, 173
Fundo gástrico, 158
Funículo
cuneiforme, 183
grácil, 183
Fusão óssea, 14, 61
G
Gálea aponeurótica, 91
Gânglio(s), 173
ótico, 192, 202, 307
pterigopalatino, 308
semilunar, 194
do nervo trigêmeo, 41
submandibular, 353
trigeminal, 41, 189
Garganta, 151, 308
Gelatinóide, matriz intercelular firme e, 13
Gengiva, 293
vestibular, 293
Genitais masculinos, 181
Giros cerebrais, 22, 185
Glabela, 17, 21, 72, 343
Glândula(s)
bucais, 157
endócrina, 161
exócrina, 161
hipófise, 32, 141
incisivas, 157
labiais, 157
lacrimal, 23, 181
linguais, 157
molares, 157, 306
palatinas, 157
parótida, 60, 86, 156, 304, 313
pituitária, 32
salivares, 155, 181, 306
labiais, 302
palatinas, 308
sebáceas, 301, 306
sublingual, 156, 311
submandibular, 57, 131, 312, 336, 353
cirurgia para remoção da, 353
sudoríparas, 180, 306
tireóide, 148, 339, 340
Glóbulos brancos, 124
Glomo carótico, 126
Glossectomias parciais, 353
Glossofaríngeo, ramos do, 309
370 ÍNDICE REMISSIVO
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Glote, 339
edema de, 339
Gonfose, 80, 207
Gônio, 56, 75
Granulações aracnóides, 22
Gustação, 14
H
Hamato, 8
Hámulo
lacrimal, 50
pterigóideo, 31, 102, 296, 344
Haustos, 158
Hemisférios cerebrais, 37, 171
Hemorragias de ramos, 337
Hemostasia, 353
Hiato maxilar, 44, 52
Hióide, 8
Hipotálamo, 179
I
Íleo, 158
Ilhotas de cartilagem hialina, 14
Impressão trigeminal, 41
Impulsos
nervosos, 173
viscerais, 177
Incisivo(s)
abscessos dos, 331
central(is) inferior(es), 74, 274
corte
frontal, 222
sagital, 223
direito
vista lingual, 221
vista vestibular, 220
permanentes, 219
canal radicular e câmara pulpar, 221
face lingual, 221
face vestibular, 220
faces proximais, 221
funções, 220
irrupção, 220
morfologia, 220
oclusão, 220
raiz, 221
temporário direito
vista lingual, 275
vista vestibular, 275
centrais superiores, 74, 271
corte
frontal no, 216
sagital no, 216
permanentes, 74, 212
canal radicular, 215
desenvolvimento, 213
face lingual, 214
face vestibular, 213
faces proximais, 214
funções, 213
margem oclusal, 214
morfologia, 213
oclusão, 213
raiz, 215
temporário direito
vista lingual, 272
vista vestibular, 271
lateral(is) inferior(es), 276
corte
frontal, 225
sagital, 226
direito
vista ingual, 224
vista vestibular, 224
permanentes, 223
canal radicular e câmara pulpar, 225
funções, 223
irrupção, 223
morfologia, 223
oclusão, 223
raiz, 225
temporário direito
vista lingual, 277
vista vestibular, 276
lateral(is) superior(es)
corte
frontal, 219
sagital, 219
esquerdo
vista lingual, 218
vista vestibular, 217
permanentes, 215
canal radicular e câmara pulpar, 218
face lingual, 217
face vestibular, 217
faces proximais, 217
funções, 216
irrupção, 215
morfologia, 217
oclusão, 216
raiz, 217
temporário direito
vista lingual, 274
vista vestibular, 273
Incisura(s)
cerebrais, 22, 34
esfenopalatina, 54
etmoidal, 22, 36
mandibular, 60, 192, 317, 352
nasal, 21
ÍNDICE REMISSIVO 371
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pterigóidea, 35
supra-orbital, 17
Inervação
do nervo mandibular, 101
parassimpática, 181
Infecções
da faringe, 165
de origem dentária, 319
odontológicas, propagação das, 329-333
através das veias, 329
através do tecido conjuntivo frouxo, 330
Ínio, 73
Injeção subperióstica, 315
Insulina, 161
Intestino, 158
delgado, 158
porção móvel do, 158
grosso, 158
Íons de cálcio, 7
Íris, 181
músculo esfíncter da, 176
Istmo da fauce, 151, 308
J
Jejuno, 158
Jena Nomina Anatomica, 2
Joelho, 195
Junção
das maxilas, 18
esofagogástrica, 158
ileocecocólica, 158
Juntura fibrosa, 210
L
Lábio(s)
fibras próprias dos, 97
inferior
cútis do, 95
e mental, músculo depressor do, 60
e orbicular da boca, músculo depressor do, 302
músculo depressor do, 95, 331
músculos dos, 97
submucosa dos, 157
superior
cútis do, 95
e da asa do nariz, músculo levantador do, 301
frênulo do, 153
músculo levantador do, 47, 94, 302, 330
raiz do, 74
Labirinto etmoidal, 23, 32, 54
Lágrimas, derramamento de, 93
Lambda, 73
Lambdóide, ossos occipitoparietal ou, 15
Lâmina(s)
alveolar do processo alveolar, 321
compactas alveolares dos dentes adjacentes, 76
crivosa do etmóide, 65
de tecido conjuntivo, 88
grosso, 99
dura
alveolar, 320
vestibular, 321
epifisiais dos ossos longos, 80
externa do processo alveolar, 320
fibrocartilagínea, 64
horizontal do osso palatino direito, 66
lingual, 321
nasal, 320
orbital
do etmóide, 49
do osso frontal, 67
óssea, 38
delgada, 55
encurvada, 51
palatina, 320
do processo alveolar, 320
perpendicular do etmóide, 66
radiopacas, 347
vertical
do etmóide, 55
do osso palatino, 70
direito, 66
vestibular, 320
Lamínulas ósseas, 12, 23
Laringe, 165
ádito da, 154
cartilagens da, 14
movimentos da, 165
mucosa da, 340
Laringotomia, anatomia aplicada a, 340
Lefort
I, fratura de, 351
II, fratura de, 351
III, fratura de, 351
Lesão(ões)
das artérias dorsais, 335
de um músculo estiloglosso, 100
na língua, 335
tumorais, 353
Ligadura(s) arterial(is), 335
anatomia aplicada às, 335
artéria
carótida externa, 337
facial, 336
lingual, 336
palatina maior, 335
temporal superficial, 336
carótida externa, 354
lingual, 353
Ligamento(s), 40
372 ÍNDICE REMISSIVO
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alvéolo-dentários, 211, 292
anulares, 165
cricotireóideo, 340
esfenomandibular, 59, 84, 85, 192
estilo-hióideo, 62
estilomandibular, 84, 86
fibroelásticos, 207
hioepiglótico, 61
palpebral
lateral, 93
medial, 92
periodontal, 211
pterigomandibular, 84, 86, 96, 317
Linfa, vasos condutores da, 116
Linfáticos, 146
Linfócitos, 124
Linfonodo(s), 124, 147
bucais, 149
cervicais
profundos, 148, 309
superficiais, 147
faciais, 149
jugulodigástrico, 148
júgulo-omo-hióideo, 148
mastóideos, 148
occipitais, 148
paratraqueais, 148
parotídeos, 149, 301
pré-laríngeos, 148
pré-traqueais, 148
retroauriculares, 148
retrofaríngeos, 148
submandibulares, 149, 303, 311, 336
submentais, 147, 309, 311
Língua, 153
ápice da, 154
artéria(s)
dorsais da, 130, 310
profunda da, 130, 310
corte
frontal, 98
sagital, 98
forame seco da, 154
frênulo da, 156, 310
lesões na, 335
motricidade da, 310
musculatura da, 177
músculos da, 97, 310
nervo motor da, 204
parte lateral da, 102
ptose da, 352
sulco mediano da, 154
tumefação da, 332
veias, 144
dorsais da, 145, 310
profundas da, 145
Língula, 59
Linha milo-hióidea, 57, 326
da mandíbula, 349
Líquido
sinovial, 81
tecidual, 123
Liquor, 168
Lobo(s)
distal, 262
frontal, 170
mediano, 262
mesial, 262
occipital, 170
do cérebro, 29
parietal, 170
do cérebro, 25
pulmonares, 165
temporal, 170
Ludwig, angina de, 332
M
Macroglossia, 353
Mandíbula, 8, 18, 56-60
acesso cirúrgico ao corpo da, 354
côndilos da, 39, 83
conexões, 60
corpo da, 56
curvatura máxima do ângulo da, 75
face
anterolateral, 57
lateral, 59
medial, 59
do corpo da, 344
póstero-medial, 57
fratura do corpo da, 352
linha milo-hióidea da, 349
margem
anterior, 60
inferior
e posterior da, 75
ou base, 59
posterior, 60
superior, 57, 60
músculos elevadores da, inativos, 111
nervo marginal da, 354
origens e inserções musculares, 60
ponto mais inferior da, 74
posição, 56
processo alveolar da, 324
região da, 76
situação, 56
superfícies articulares da, 83
tomada radiográfica lateral desdobrada de, 348
Manipulações dentárias, 97
Manúbrio, 105
Marca-passo, 120
ÍNDICE REMISSIVO 373
© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.
Margem
inferior da órbita, 75
medial da órbita, 92
supra-orbital, 17
Marsupialização, 353
Mastigação, 14
musculatura da, 176
músculos da, 88, 108, 332
Matriz
intercelular firme e gelatinóide, 13
para alcançar as células, 13
Maxila, 14, 18, 42-47
base da pirâmide, 43
conexões, 46
corpo da, 18, 42
crista conchal da, 52
face
anterior, 42
infratemporal ou posterior, 43
medial da, 53
nasal e medial, 43
orbital ou superior, 43
fossa incisiva da, 97
junção das, 18
origens musculares, 47
porção medial do túber da, 70
posição, 42
processo
alveolar da, 319
zigomático da, 71
situação, 42
túber da, 55
vista
inferior, 45
lateral, 43
medial, 44
Meato acústico
externo, 14, 39, 72, 83
teto do, 75
interno, 41
Mecânica respiratória, 166
Mediastino, 116, 165, 332
Medidas da altura facial, 74
Medo, expressão do, 92
Medula
da supra-renal, 180
espinhal, 167, 171, 182
corte horizontal, 171
óssea, 9
sacral, 178
Membrana
de tecido
conectivo, 13
conjuntivo, 168
sinovial, 81
Membro
distal, 6
inferior, ossos do, 8
proximal, 6
superior, ossos do, 8
Meninges, 14, 168
Meniscos fibrosos, 81
Mento
cútis do, 95
músculo do, 95, 97
Mesencéfalo, 168, 185
Mesoderma do arco mandibular, 108
Metacárpios, 8
Metáfises, 9
Metatárcicos, 8
Metencéfalo, 169
Midríase, 181
Mielencéfalo, 169
Mielina, bainha de, 178
Mímica
músculo da, 91, 330
vista anterior, músculos da, 94
Miocárdio, 116
Miose, 181
Molar(es), 250, 319, 348
alvéolos dos, 323
mucosa vestibular dos, 318
polpas dentárias dos, 138
primeiro molar
inferior permanente, 261
canais radiculares e câmara pulpar, 265
face lingual, 263
face oclusal, 264
face vestibular, 262
faces proximais, 263
funções, 261
irrupção, 261
morfologia, 262
oclusão, 262
raízes, 265
superior permanente, 250
canais radiculares e câmara pulpar, 253
face lingual, 251
face oclusal, 252
faces proximais, 252
funções, 250
irrupção, 250
morfologia, 250
oclusão, 250
raízes, 253
raízes dos, 71
segundo molar
inferior permanente, 265
canais radiculares e câmara pulpar, 269
face lingual, 267
face oclusal, 268
face vestibular, 267
faces proximais, 267
funções, 266
374 ÍNDICE REMISSIVO
© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.
irrupção, 265
morfologia, 267
oclusão, 267
raízes, 269
superior permanente, 255
canais radiculares e câmara pulpar, 259
face lingual, 256
face oclusal, 257
faces proximais, 257
funções, 255
irrupção, 255
morfologia, 255
raízes, 259
terceiro molar
inferior, 270
superior, 259
canais radiculares e câmara pulpar, 261
face lingual, 261
face oclusal, 261
face vestibular, 261
funções, 260
irrupção, 259
morfologia, 261
oclusão, 260
raízes, 261
Motricidade da língua, 310
Movimento(s)
da laringe, 165
de abdução, 82
de adução, 82
de deslizamento, 85
de extensão, 82
de flexão, 82
de pronação do antebraço, 82
de supinação do antebraço, 82
mandibulares, 111
peristálticos, 157
reflexos, 194
Mucosa
alveolar, 293
bucal, 290, 353
epitélio da, 207
cicatrização da, 353
da boca, 193
da bochecha, 318
da faringe, 203
da laringe, 340
da úvula, 101
das fossas nasais, 50
do ouvido médio, 200
gengival, 207, 293
vestibular, 137
labial, 302
nasal, 175
palatina, 316
anestesia na, 316
vestibular dos molares, 318
Musculatura
da língua, 177
da mastigação, 176
Músculo(s), 40, 96
agonista, 90
antagonista, 90
auricular
anterior, 92, 304
posterior, 42, 92
superior, 92
bicaudado, 90
bíceps do braço, 89
bipenado, 89
bucinador, 47, 95, 155, 302, 332
ações do, 97
na face lateral, 330
cardíaco, 87
ciliar, 176
complexo menor, 42
compressor do nariz, 93
condroglosso, 62
condrosso, 100
constritor(es)
da faringe, 176, 203
inferior, 102
médio, 102
da faringe, 62
superior, 102
da faringe, 60, 96
corrugador do supercílio, 93
cricotireóideos, 340
da asa do nariz, 47
da boca, 94
da faringe, 102
da língua, 97, 310
da mastigação, 88, 108, 332
da mímica, 91, 330
vista anterior, 94
da órbita, 92
da palatofaríngeo, 55
da úvula, 55, 101, 309
deltóide e peitoral maior, 97
depressor(es), 112
do ângulo da boca, 60, 155, 302, 331
do lábio inferior, 331
e mental, 60
e orbicular da boca, 302
do septo, 302
do supercílio, 92
diafragma, 157
digástrico, 42, 90, 312, 336, 352
ventre
anterior do, 110
posterior do, 155
dilatador da asa do nariz, 93, 301
na face anterior, 47
do estribo, 196
ÍNDICE REMISSIVO 375
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do mento, 95, 97
do nariz, 93
do olho, 103
ações do, 103
vista
lateral, 104
superior, 104
do palato mole, 100, 101
do pescoço, 105, 106
do pterigóideo
lateral, 55
medial, 55
do saco lacrimal, 50
do tensor do véu palatino, 55
do véu palatino, 203, 309
dos lábios, 97
elevadores
da mandíbula, inativos, 111
das pálpebras, 35
em forma de leque, 89
epicrânio, 91
eretores dos pêlos, 181
esfíncter da íris, 176
esplênio da cabeça, 42
esqueléticos, 103, 177
esternocleido-hióideos, 340
esternocleidomastóideo, 42, 89, 303, 311, 337
esterno-hióideo, 62
estilofaríngeo, 42, 176, 200
estiloglosso, 42
lesão de um, 100
estilo-hióideo, 42, 62, 312, 337
estriado cardíaco, 178
extensor longo dos dedos, 89
faciais, 18
flexor longo dos dedos, 90
frontais, 92
fusiformes, 89
genioglosso, 60, 100, 311, 332, 352
antagonistas dos, 100
seccionado, 156
superiormente, 57
gênio-hióideo, 60, 311, 332, 352
inferiormente, 57
seccionado, 156
glúteo máximo, 89
hioglosso, 100, 312, 336
incisivo inferior, 97
infra-hióideos, 88
largos, 89
levantador
da pálpebra superior, 93, 105
do ângulo da boca, 47, 302, 330
do lábio superior, 47, 302, 330
e da asa do nariz, 301
do véu palatino, 41
liso, 87
longos, 89
masseter, 42, 59, 306, 352, 354
feixe
profundo do, 110
superficial do, 110
fibras do, 111
terço inferior do, 109
mentais, 331
milo-hióideo, 57, 89, 311, 332, 352
nasal, 47, 301
oblíquo inferior, 354
occipital, 42
occipitofrontal, 91
omo-hióideo, 62, 90, 204
orbicular, 354
da boca, 330
do olho, 47, 50, 92, 354
ações do, 93
antagonistas do, 92
palatofaríngeo, 101, 309
palatoglosso, 100, 101, 309
papilares, 117
peniformes, 89
platisma, 97, 304, 313, 336
policaudado, 90
prócero, 49, 93, 301
pterigóideo, 34, 307
lateral, 35, 192, 352
anteriormente, 60
medial, 35, 60, 192, 333, 352
quadríceps, 89
da coxa, 89
quadrilátero, 109
reto, 27, 176
do abdome, 90
risório, 302, 304
sinergista, 90
supra-hióideos, 88
temporal, 20, 34, 42, 89, 354
tensor
do tímpano, 42
do véu palatino, 35, 309
tireo-hióideo, 62
traqueal, 165
tríceps, 89
do braço, 89
unipenado, 89
zigomáticos menor e maior, 302
N
Narina, dilatação da, 94
Nariz, 299
artéria dorsal do, 127, 301
músculo, 93
376 ÍNDICE REMISSIVO
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compressor do, 93
da asa do, 47
dilatador da asa do, 93, 301
levantador do lábio superior e da asa do, 301
na face anterior, músculo dilatador da asa do, 47
ósseo externo, 18
pele do, 188
raiz do, 71
Nasofaringe, 157
Navicular, 8
Nervo(s)
abducente, 64, 176, 184
núcleo do, 185
acessórios, 27, 64, 177
alveolar(es)
ântero-superior, 315
anestesia do, 315
médio-superior, 191, 316
anestesia do, 316
póstero-superior, 190, 309
auricular, 202
posterior, 199
auriculotemporal, 86, 191, 304, 337, 354
bucal, 309, 318
ramos do, 307
corda do tímpano, 40, 86, 198, 311, 353
cranianos, 175
origem aparente dos, 175
digástrico, 199
do seio carótico, 203
espinais, 174
espinhal, formação do, 174
estapédio, 196
estilofaríngeo, 203
estilo-hióideo, 199
etmoidal(is), 188
anterior, 37
posteriores, 37
facial(is), 91, 176, 184, 301, 303
e seus ramos, 196
fibras do, 185
ramos temporofaciais do, 86
faríngeo, 203
frontal, 187
glossofaríngeo, 28, 64, 176
ramo do, 41
hipoglosso, 28, 64, 177, 310, 336, 353
trígono do, 185
incisivo, 190
infra-orbital, 190, 301, 316
ramos do, 307
infratrocleares, 301
intermediofacial, 41, 64
lacrimal, 187
lingual, 191, 311, 318
ramos do, 317
mandibular, 33, 191, 307
anestesia
de ramos do, 317
extrabucal do, 318
e seus ramos, 191
inervação do, 101
ramo do, 309
marginal da mandíbula, 354
massetérico, 191
maxilar, 33, 189, 316
anestesia
de ramos do, 315
extrabucal do, 317
e seus ramos, 189
ramos do, na fossa pterigopalatina, 189
mentais, 191, 302
ramos do, 307
motor da língua, 204
nasais externos, 301
nasociliar, 188
nasopalatino, 190
oculomotor, 64, 103, 176
raízes do, 185
oftálmico, 64, 187
e seus ramos, 188
olfatório, 37, 175
óptico, 63, 176
orbitais, 71
palatino
maior, 190, 316
menor, 190
petroso
fibras parassimpáticas do, 307
profundo menor, 201
superficial maior, 41, 196
fibras parassimpáticas do, 308
superficial menor, 41, 201
póstero-superiores, 71
pterigopalatino, 190
pulmonares, 166
supra-orbital, 18, 187
supratroclear, 187
temporais profundos, 191
timpânico, 41, 201
tonsilares, 203
trigêmeo, 176
gânglio semilunar do, 41
neurônios aferentes do, 187
núcleo sensitivo principal do, 194
raiz sensitiva do, 183
ramos do, 315
tracto espinhal do, 183, 194
núcleo do, 194
troclear, 64, 103, 176
vago, 28, 64, 176
núcleo motor dorsal do, 185
ramo auricular do, 41
trígono do, 185
ÍNDICE REMISSIVO 377
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vestibulococlear, 41, 64, 176, 184
zigomático, 189
Neurilema, bainha de, 178
Neurônio(s), 172
aferentes do nervo trigêmeo, 187
multipolares, 178
pós-ganglionar, axônio do, 178
pré-ganglionar, axônio do, 178
sensitivos, 178
unipolares, 178
Nó
atrioventricular, 120
sinoatrial, 120
Noradrenalina, 180
Núcleo(s)
ambíguo do nervo glossofaríngeo, 203
cuneiforme, tubérculo do, 183
de terminação, 194
do nervo abducente, 185
do tracto espinhal do nervo trigêmeo, 194
esponjoso, 194
gelatinoso, 194
grácil, tubérculo do, 183
gustativo, 200
mesencefálico, 195
motor(es), 193
célula motoras do, 195
dorsal do nervo vago, 185
facial principal, 199
parassimpático, 199
salivatório
inferior, 203
superior, 200
sensitivo(s)
do nervo facial, 200
principal do nervo trigêmeo, 194
significação e conexões dos, 195
O
Obstrução das vias aéreas, 339
Occipital
clivus do, 32
fossas cerebrais do, 62
Olfação, 14
Olho(s)
abdução do, 103
antagonistas dos músculos orbiculares dos, 92
eixo anteroposterior do, 103
músculo(s), 103
ações do, 103
orbicular do, 47, 50, 92, 354
ações do, 93
vista
lateral, 104
superior, 104
paralisia do orbicular do, 93
Ombro, articulação do, 81
Omoplata, 105
Opistocrânio, 73
Orbicular
da boca, músculo depressor do lábio inferior e, 302
do olho, paralisia do, 93
Órbita(s), 14, 18, 67
ângulo súpero-medial da, 71
direita, vista medial, parede lateral da, 69
esquerda
vista lateral, parede medial da, 68
vista superior, soalho da, 68
margem
inferior da, 75
medial da, 92
músculo da, 92
parte anteromedial da, 103
soalho da, 18, 43, 54, 103, 189
teto da, 103
vaso da, 126
Orbitomeático, 14
Orelha
cútis do pavilhão da, 92
externa, 14
parte triangular da, 72
média, 41
músculo do pavilhão da, 91
pavilhão da, 192
Órgão(s)
da respiração, 165
do sistema respiratório, 165
hemopoiéticos, 115
tubular, 165
Orifícios
arteriais, 119
atrioventriculares, 119
Ossículos do ouvido médio, 8
Osso(s)
alveolar, 76
compacto espessado, 75
curto, 10
da calvária, 14
da cintura
escapular, 8
pélvica, 8
da coluna
coccígea, 8
lombar, 8
sacral, 8
da face, 8, 14, 56, 64
de suporte dos processos alveolares, 76
de uma articulação
cartilagínea, 80
fibrosa, 79
do carpo, 10
do crânio, 8, 14
378 ÍNDICE REMISSIVO
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do membro
inferior, 8
superior, 8
do pescoço, 8, 14
do quadril, 8
do tarso, 10
do tórax, 8
esfenóide, 31-35, 71
asas
maiores, 33
menores, 33
conexões, 35
face(s)
anterior, 32
inferior, 32
laterais, 33
posterior, 33
superior, 31
origens musculares, 35
posição, 31
situação, 31
vista
anterior, 32
posterior, 31
esponjoso, 75, 295
etmóide, 35-38
conexões, 38
corte frontal esquemático, 36
face
anterior, 37
inferior, 37
lateral, 38
medial, 38
posterior, 38
superior, 37
lâmina
crivosa, 37
vertical ou perpendicular, 36
posição, 35
situação, 36
frontal, 17, 21-24
conexões, 24
face externa, 21
ou anterior, 21
face interna, 22
cerebral e posterior, 22
face orbital, 22
lâmina orbital do, 67
margem
esfenoidal, 23
parietal, 23
supra-orbital, 23
origens musculares, 24
posição, 21
processo zigomático do, 74
situação, 21
frontoparietal, 15
hióide, 61, 88, 312, 336, 348
face anterior, 61
inserções musculares e ligamentosas, 61
margem
inferior, 61
superior, 61
vista anterior, 61
interparietal ou sagital, 15
irregular, 10
pneumático, 11
lacrimal, 14, 37, 49, 71
conexões, 50
direito, 50
face
lateral, 50
medial, 50
origens musculares, 50
posição, 49
situação, 49
longo(s), 9
corte
frontal de um, 12
horizontal na diáfise de um, 12
lâminas epifisiais dos, 80
mandibular
face póstero-medial, 58
vista superior, 59
nasal, 14, 17, 48, 79
conexões, 49
direito, 49
origens musculares, 49
posição, 48
situação, 48
occipital, 26-31
conexões, 30
face
externa, 29
inferior ou exocraniana, 27
interna, 30
superior ou endocraniana, 27
margem(ns)
anterior, 27
laterais, 27
posterior, 27
parte(s)
basilar, 27
escamosa, 28
laterais, 27
porção basilar do, 183
posição, 26
situação, 26
occipitoparietal ou lambdóide, 15
palatino, 20, 35, 44, 52-55, 71
conexões, 55
direito, 52
lâmina horizontal do, 66
lâmina vertical do, 66
ÍNDICE REMISSIVO 379
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vista posterior, 54
origens musculares, 55
posição, 52
processo
esfenoidal, 54
orbital, 54
piramidal, 55
situação, 52
parietal, 24-26
ângulo
esfenoidal, 26
frontal, 26
mastóideo, 26
occipital, 26
conexões, 26
esquerdo
face externa, 24
face interna, 25
margem
frontal, 26
occipital, 26
sagital, 25
temporal, 25
plano ou laminar, 9
pneumáticos, 10
sesamóides, 11
temporal, 38, 40
conexões, 42
eminências articulares dos, 112
fossa mandibular do, 82
origens musculares, 42
parte
escamosa, 38
estilóide, 40
mastóidea, 16, 40, 92
petrosa ou rochedo, 41
timpânica, 39
posição, 38
situação, 38
superfícies articulares do, 83
vista lateral, 39
vômer, 55
conexões, 56
face direita, 56
posição, 55
situação, 55
zigomático, 18, 45, 48, 307, 344
conexões, 48
origens musculares, 48
posição, 47
processo temporal do, 39
situação, 47
vista lateral, 47
Óstio(s)
atrioventriculares, 117
cárdico, 158
faríngeo, 164
ileocecal, 159
pilórico, 158
Ouvido
médio
mucosa do, 200
ossículos do, 8
receptores do, 173
P
Palatino(s), 14
crista conchal do, 52
processo
maxilar do, 54
orbital do, 32
segmento maxilar do, 55
vista inferior, 45
Palato, 153
duro, 65, 153, 308, 317, 344
mole, 153, 309, 346
músculos do, 101
Palatofaríngeo, músculos da, 55
Pálpebra(s), 92
fechamento forçado das, 93
inferior, ptose da, 93
músculos elevadores das, 35
porção medial das, 188
superior, músculos levantadores da, 93, 105
Pâncreas, 160
Papila(s)
folhadas, 310
foliadas, 154
gengival, 292
gustativas, 310
ileocecocólica, 159
incisiva, 316
interdentária, 74
linguais, 154
voladas, 154
Paralisia
do orbicular do olho, 93
facial, 93
Parede
alveolar, 71
lateral
da fossa nasal, 53
da órbita direita, vista medial, 69
lingual, 326
medial da órbita esquerda, vista lateral, 68
membranácea da traquéia, 165
nasal, 46, 72
Paris Nomina Anatomica, 2
Parte(s)
mastóideas do ossos temporais, 16
nasal da faringe, 65
triangular da orelha externa, 72
380 ÍNDICE REMISSIVO
© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.
Patela, 8
Pavilhão da orelha, cútis do, 92
Pedúnculo cerebelar
inferior, 183
médio, 183
Peitoral maior, músculos deltóide e, 97
Pele
do nariz, 188
receptores da, 173
Pêlos
ereção dos, 181
músculos eretores dos, 181
Pelve, plano mediano da, 159
Percepção
do gosto, 203
visual, 176
Perfil de crânio, radiografias de, 73
Pericárdio, 119
cavidade do, 119
fibroso, 119
seroso, 119
Pericemento, fibras do, 76
Pericôndrio, 13, 301
Pericrânio, 14
Periósteo, 13, 301, 315
Peristaltismo, 157
Pescoço
fáscia de revestimento do, 339
músculos do, 105
ossos do, 8, 14
Pés-de-galinha, 93
Pia-máter, 168
Pilar
canino, 17, 77, 19, 319
pterigóideo, 77
zigomático, 17, 77, 296
Pirâmide nasal, 299, 347
Placa(s)
motoras, 178
tarsal, 92
timpânica, 40
Plano
horizontal de Frankfurt, 72
óbito meático, 14, 72
Pleura, 165
parietal, 165
pulmonar, 165
Plexo
alveolodentário inferior, 193
cervical, 205, 303, 337
ramo do, 105
faríngeo, 309
intraparotídeo, 196, 304
pericarótico interno simpático, ramo do, 197
pterigóideo, 307, 329
simpático pericarótico interno, 307
timpânico, 202
venoso pterigóideo, 329
Polegar, articulação carpometacárpica do, 82
Polpa dentária, 210, 211
dos molares, 138
Ponte, 169, 183
Ponto
astério, 19, 26
Bolton, 73
bregma, 19, 26
bucal, 20
condílio lateral, 19
estafílio, 20
frontotemporal, 17, 19
glabela, 17, 19
gnátio, 17, 19
gônio, 17, 19
ínio, 19, 20
interdental
inferior, 19
superior, 19
lambda, 15, 19, 26
násio, 19
nasoespinhal, 19
opístio, 20
orbital, 19
pório, 19
ptério, 19, 26
zígio, 17, 20
zigomaxilar, 19
Porção
mastóidea, 28
do osso temporal, 92
medial do túber da maxila, 70
toracolombar, 178
Pório, 72, 75
cartilagíneo, 72
ósseo, 72
Prega
glossoepiglótica
lateral, 154
mediana, 154
palatofaríngea, 101
palatoglossa, 100
peritoneal ampla, 158
Pré-molar(es), 57, 232, 319
primeiro pré-molar
inferior, 240
canal radicular e câmara pulpar, 244
face lingual, 242
face oclusal, 244
faces proximais, 243
função, 241
irrupção, 241
morfologia, 242
oclusão, 242
raiz, 244
superior, 232
ÍNDICE REMISSIVO 381
© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.
canais radiculares e câmara pulpar, 236
face lingual, 234
face oclusal, 235
face vestibular, 233
faces proximais, 235
função, 232
irrupção, 232
morfologia, 233
oclusão, 232
raiz, 236
segundo pré-molar
inferior, 245
canal radicular e câmara pulpar, 248
face lingual, 247
face oclusal, 248
face vestibular, 246
faces proximais, 247
função, 246
irrupção, 246
morfologia, 246
oclusão, 246
raiz, 248
superior, 236
canal radicular e câmara pulpar, 240
face lingual, 238
face oclusal, 239
face vestibular, 238
faces proximais, 238
funções, 237
irrupção, 237
morfologia, 238
oclusão, 238
raiz, 240
segundo, 322, 327
Pressão
arterial, 176
mastigatória
exercida sobre os dentes, 76
extremamente forte, 78
Primeiro molar
inferior, 284
corte
frontal, 266
sagital, 266
direito
vista lingual, 263
vista vestibular, 262
permanente, 261
canais radiculares e câmara pulpar, 265
face lingual, 263
face oclusal, 264
face vestibular, 262
faces proximais, 263
funções, 261
irrupção, 261
morfologia, 262
oclusão, 262
raízes, 265
temporário direito
vista lingual, 287
vista vestibular, 287
superior
corte
frontal no, 255
sagital, 254
esquerdo
vista lingual, 252
vista vestibular, 251
permanente, 250
canais radiculares e câmara pulpar, 253
face lingual, 251
face oclusal, 252
faces proximais, 252
funções, 250
irrupção, 250
morfologia, 250
oclusão, 250
raízes, 253
temporário direito
vista lingual, 282
vista vestibular, 282
Primeiro pré-molar
inferior, 240
canal radicular e câmara pulpar, 244
corte
frontal, 245
sagital, 245
direito
vista lingual, 243
vista vestibular, 242
face
lingual, 242
oclusal, 244
proximal, 243
vestibular, 242
função, 241
irrupção, 241
morfologia, 242
oclusão, 242
raiz, 244
superior, 232
canais radiculares e câmara pulpar, 236
corte
frontal no, 237
sagital vestibular no, 237
direito
vista lingual, 234
vista vestibular, 234
face
lingual, 234
oclusal, 235
proximais, 235
função, 232
irrupção, 232
382 ÍNDICE REMISSIVO
© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.
morfologia, 233
oclusão, 232
raiz, 236
Processo(s)
alveolar(es), 18, 57
lâmina
alveolar do, 321
externa do, 320
palatina do, 320
osso de suporte dos, 76
condilar, 59
coronóide, 59
estilóide, 16
etmoidal do esfenóide, 31
frontal, 18
mastóideo, 16
maxilar do palatino, 54
orbital do palatino, 32
palatino, 18
pterigóide, 20
do esfenóide, 351
face anterior do, 70
uncinado do etmóide, 52
zigomático, 18
da maxila, 71
do frontal, 343
do osso frontal, 74
Pronação, movimentos de, do antebraço, 82
Prosencéfalo, 168
Próstio, 74
Protuberância
mental, 57, 77
occipital
externa, 16, 29, 73
interna, 29
Pterigóideo
lateral, músculos do, 55
medial, músculos do, 55
Ptério, 20
Ptose
da língua, 352
da pálpebra inferior, 93
Pulmão(ões), 165
raiz do, 166
rede capilar dos, 121
Punho, articulação do, 81
Pupila, 103
constricção da, 181
dilatada, 181
Q
Quadril, osso do, 8
Quarto ventrículo, 185
Quiasma óptico, 128
R
Rádio, 8, 81
Radiografia craniofacial, fundamentos anatômicos
para, 345-349
tomada radiográfica
anteroposterior, 346
de perfil, 345
pouco penetrado, 348
lateral
da articulação temporomandibular, 348
desdobrada de mandíbula, 348
panorâmica, 348
póstero-anterior
frontonasofilme, 346
mentonasofilme, 347
submento-vértex pouco penetrada, 348
Radiografia dental, fundamentos anatômicos
para, 295-297
tomada radiográfica no nível
de canino
inferior, 297
superior, 296
de incisivos
inferiores, 297
superiores, 295
de molares
inferiores, 297
superiores, 296
de pré-molares
inferiores, 297
superiores, 296
Rafe palpebral lateral, 93
Raiz(es)
da asa maior do esfenóide, 70
dentária, 293
descendente da alça cervical, 204
distal, 265
distovestibular, 253, 316
do canino, 330
do lábio superior, 74
do nariz, 71
do nervo oculomotor, 185
do pulmão, 166
dorsal, 174
dos dentes, 19
dos molares, 71
lingual, 251, 316
médio-vestibular, 190
mesial, 265
mesiovestibular, 253, 316
pré-molares, 71
sensitiva do nervo trigêmeo, 183
ventral, 174
Ramo(s)
alveolodentários inferiores, 193
auricular do nervo vago, 41
ÍNDICE REMISSIVO 383
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colaterais
ascendentes na fossa infratemporal, 136
cervicais da artéria facial, 132
da artéria carótida
externa, 129
interna, 126
da artéria oftálmica, 127
da artéria temporal superficial, 133
descendentes na fossa infratemporal, 136
faciais da artéria facial, 132
na fossa pterigopalatina, 138
da artéria
bucal, 307
infra-orbital, 307
lacrimal, 307
meníngea média, 25
mental, 307
supra-orbital, 22
transversa da face, 307
da faríngea ascendente, 28
do glossofaríngeo, 309
do nervo
bucal, 307
glossofaríngeo, 41
hipoglosso, 204
infra-orbital, 307
lingual, 317
mandibular, 309
anestesia de, 317
maxilar, 307
anestesia de, 315
mental, 307
trigêmeo, 315
do plexo
cervical, 105
pericarótico interno simpático, 197
etmoidal posterior, 188
extrapetrosos do nervo facial, 199
hemorragias de, 337
infratroclear, 188
intrapetrosos do nervo facial, 196
labiais, 190
laterais anteriores na fossa infratemporal, 138
linguais, 205
mandibular, 70, 348
acesso cirúrgico ao, 354
fraturas do, 352
meníngeo, 189, 204
da artéria occipital, 28
nasal(is), 190
externo, 188
internos, 188
palpebrais, 190
pulpares, 137
temporofaciais do nervo facial, 86
terminal(is), 199
da artéria
carótida externa, 133
carótida interna, 128
facial, 133
lingual, 130
maxilar, 139
oftálmica, 127
temporal superficial, 135
tireo-hióideo, 205
zigomaticofacial, 189, 307
zigomaticotemporal, 190
Rânula, 353
Receptores
da pele, 173
das vísceras, 177
do ouvido, 173
gustativos, 154, 173
sensitivos, 173
Rede
capilar dos pulmões, 121
fibrosa supra-alveolar, 292
Região(ões)
apical dos alvéolos, 76
da mandíbula, 76
gengivodental, 308
infratemporal, 337
lingual, cirurgia na, 353
molar, abcessos da, 331
palatina, 309
pterigopalatina, 136, 337
sublingual, cirurgia na, 353
submandibular, 336
submental, 312
superficiais da face
vista anterior, 300
vista lateral, 300
supra-hióidea, 312
tonsilar, 308
Relação(ões)
interdentárias, 291
ameia ou nicho, 292
gengiva, 293
incisivos e caninos
inferiores, 291
superiores, 291
periodonto, 292
vestibulolingual, 322
Resíduo metabólico, 115
Respiração
órgãos da, 165
porção de, 163
Retina
artéria central da, 127
bastonetes da, 173
Reto, 159
Rima bucal, 97
Ritmo cardíaco, 181
Rombencéfalo, 168
384 ÍNDICE REMISSIVO
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Rugas
horizontais na testa, 92
verticais, 93
S
Saco(s)
lacrimal, 93, 188
abcessos do, 330
músculo do, 50
pleurais, 116
Sacro, 8
Sangue
células do, 7
circulação do, 119
vasos condutores de, 115
Secreção
copiosa, 181
pancreática, 158
salivar, 167
viscosa, 181
Segmento(s)
broncopulmonares, 165
maxilar do palatino, 55
Segundo molar
inferior, 288
corte
frontal, 270
sagital, 270
direito
vista lingual, 268
vista vestibular, 267
permanente, 265
canais radiculares e câmara pulpar, 269
face lingual, 267
face oclusal, 268
face vestibular, 267
faces proximais, 267
funções, 266
irrupção, 265
morfologia, 267
oclusão, 267
raízes, 269
temporário direito
vista lingual, 289
vista vestibular, 289
superior, 284
corte
frontal, 260
sagital, 260
esquerdo, vista lingual, 256
permanente, 255
canais radiculares e câmara pulpar, 259
face lingual, 256
face oclusal, 257
faces proximais, 257
funções, 255
irrupção, 255
morfologia, 255
raízes, 259
temporário direito
vista lingual, 285
vista vestibular, 284
Segundo pré-molar
inferior, 245
canal radicular e câmara pulpar, 248
corte
frontal, 250
sagital, 249
direito
vista lingual, 247
vista vestibular, 246
face
lingual, 247
oclusal, 248
proximal, 247
vestibular, 246
função, 246
irrupção, 246
morfologia, 246
oclusão, 246
raiz, 248
superior, 236
canal radicular e câmara pulpar, 240
corte
frontal, 241
sagital, 241
face
lingual, 238
oclusal, 239
proximal, 238
vestibular, 238
funções, 237
irrupção, 237
morfologia, 238
oclusão, 238
raiz, 240
vista
lingual, 239
vestibular, 238
Seio(s)
carótico, nervo do, 203
cavernoso(s), 141
sulco do, 33
tromboflebite do, 329
da dura-máter, 139
esfenoidal, 32, 65, 70, 84
esfenoparietais, 141
frontal, 71
intercavernosos, 141
maxilar, 11, 42, 46, 71, 345
acesso cirúrgico ao, 354
soalho do, 296, 319
ÍNDICE REMISSIVO 385
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occipitais, 140, 141
paranasais, 70
petroso, 27
inferior, 28, 141
superior, 141
reto, 140
sagital superior, 16
sigmóides, 16, 141
Sela turca, 32, 66
dorso da, 183
Semicélulas
esfenoidais, 32
etmoidais, 23, 37
frontais, 23, 37
Sensação
de amargo, 173
de azedo, 173
de doce, 173
Sensibilidade
gustativa, 176
olfativa, 175
proprioceptiva consciente, 183
táctil, 195
térmica, 195
visceral, 178
Separação craniofacial, 351
Septo(s)
cartilagem do, 301
interalveolares, 46, 293
interatrial, 116
inter-radiculares, 46
interventricular, 117
lingual, 99
mediano, 71
músculo depressor do, 302
nasal, 18, 36, 51, 346
Sifão carótico, 128
Sinartrose, 79
Sincondrose esfenooccipital, 80
Sindesmose tibiofibular, 80
Síndrome de emergência de Cannon, 180
Sinergismo, 186
Sínfise, 80
mental, 111
púbica, 80
Sino, dente de, 325
Sinostose, 14
Sinóvia, 80
Sistema(s)
circulatório, 115-149
artérias, 124-139
conceito, 115
coração, 116
circulação do sangue, 119
esqueleto cardíaco, 119
forma, 116
morfologia interna, 116
pericárdio, 119
sistema de condução, 121
situação, 116
vasos da base, 118
divisão, 115
órgãos hemopoiéticos, 116
sistema linfático, 116
sistema sangüíneo, 115
linfáticos, 123, 146-149
tipos
de circulação, 121
de vasos sangüíneos, 121
veias, 139-146
de condução do coração, 120
digestório, 151-161
anexos do canal alimentar, 159
boca, 151
dentes, 154
língua, 153
palato, 153
conceito, 151
divisão, 151
esôfago, 157
estômago, 157
faringe, 157
intestino, 158
esquelético, 7-78
cartilagem, 13
cavidades
da face, 62
do crânio, 62
cefalometria, 72
classificação dos ossos, 9
conceito, 7
concha nasal inferior, 51
craniometria, 72
divisão, 7
elementos descritivos, 13
funções, 7
mandíbula, 56
maxila, 42
número de ossos, 8
osso(s)
da face, 14
do crânio, 14
do pescoço, 14
esfenóide, 31
etmóide, 35
frontal, 21
hióide, 61
lacrimal, 49
nasal, 48
occipital, 26
palatino, 52
parietal, 24
temporal, 38
vômer, 55
386 ÍNDICE REMISSIVO
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zigomático, 47
periósteo, 13
substância óssea compacta e esponjosa, 12
vista
anterior do crânio, 17
inferior do crânio, 21
lateral do crânio, 19
posterior do crânio, 16
superior do crânio, 15
límbico, 179
muscular, 87-114
classificação, 89
quanto à forma, 89
quanto à função, 90
quanto à inserção, 90
quanto à origem, 89
quanto ao ventre muscular, 90
componentes anatômicos dos músculos
estriados esqueléticos, 88
conceito, 87
divisão, 87
inserção muscular, 88
movimentos mandibulares, 111
músculo(s)
da faringe, 102
da mastigação, 108
da mímica, 91
do olho, 103
do palato mole ou véu palatino, 100
do pescoço, 105
origem muscular, 88
respiratório, 70, 163-166
brônquios, 165
cavidade nasal, 163
conceito, 163
divisão, 163
faringe, 164
laringe, 165
órgãos do, 165
pleura, 165
pulmão, 165
traquéia, 165
ventricular encefálico, 185
Sistema nervoso, 167-206
central, 167
anatomia do, 182
bulbo ou medula oblonga, 182
medula espinhal, 182
corte sagital mediano no, 169
origem embriológica do, 168
mesencéfalo, 168
prosencéfalo, 168
rombencéfalo, 168
substância branca, 171
substância cinzenta, 171
ventrículos encefálicos e suas combinações, 170
vesículas primordiais, 168
conceito, 167
divisão, 167
nervo facial, 195
núcleo de origem e terminações do, 199
ramos intrapetrosos do, 196
nervo glossofaríngeo, 200
núcleo de origem e terminações do, 203
ramos, 201
nervo hipoglosso, 204
núcleo de origem do, 205
plexo cervical, 206
raiz descendente ou superior da alça cervical, 204
ramo(s), 204
tireo-hióide, 205
linguais, 205
meníngeos, 204
nervos cranianos relacionados à odontologia, 187
nervo trigêmeo, 187
maxilar, 189
núcleos de origem e terminação, 193
oftálmico, 187
ramos do nervo maxilar na fossa
pterigopalatina, 189
periférico, 167, 173
nervos cranianos, 175
terminações nervosas, 173
substrato morfofuncional do, 177
visceral, 177
aferente, 177
diferenças
anatômicas, 180
farmacológicas, 180
fisiológicas, 180
funções
do parassimpático, 181
do simpático, 181
organização geral, 178
Sístole, 117
Soalho(s)
da boca, 151
fleimão do, 332
da câmara pulpar, 236
da fossa nasal, 53, 295, 319
da órbita, 18, 43, 54, 103, 189
acesso cirúrgica ao, 354
esquerda, vista superior, 68
das fossas nasais, 46
do seio maxilar, 296, 319
dos ventrículos, 168
muscular, 332
nasal, 346
orbitais, 351
sinusal, 296
Sofrimento, expressão de, 93
Sorriso
forçado, expressão do, 95
franco, expressão do, 95
ÍNDICE REMISSIVO 387
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Substância(s)
branca
do cerebelo, 186
do sistema nervoso central, 171
cinzenta, 178
do cerebelo, 186
do sistema nervoso central, 171
nutritivas, 13
óssea, 78
compacta e esponjosa, 12
Substrato morfofuncional do sistema nervoso, 177
Sulco(s)
bulbopontino, 195
carótico, 33
cavernosos, 63
clivus, 27
da artéria
meníngea média, 25
temporal profunda posterior, 39
distal, 217
do seio cavernoso, 33
gengivobucal, 309
gengivolabial, 309
gengivolingual, 293, 309, 318
infra-orbital, 43
intercuspidiano
distolingual, 253
oclusovestibular, 252
labiogenianos, 301
lacrimal, 44, 343
lingual, 251
mediano posterior, 182
mentolabial, 302
mesiodistal, 235, 264
curvilíneo, 248, 286
milo-hióideo, 58
nasogeniano, 299, 306
nasolabial, 95
oclusolingual, 248, 281
oclusovestibular, 248, 257, 264
olfatório, 37
do etmóide, 31
palatino maior, 53
pré-quiasmático, 31
pterigopalatino, 190
seio sagital superior, 22
vascular(es), 22
da artéria meníngea média, 62
ramificados, 25
Supercílio(s), 92
extremidades mediais dos, 72
músculo
corrugador do, 93
depressor do, 92
Superfície inferior do forame occipital, 73
Supinação, movimentos de, do antebraço, 82
Suporte dos processos alveolares, osso de, 76
Supra-renal, medula da, 180
Sutura(s)
bregma, 15
coronal, 15, 26
escamosa, 80
frontal, 17
frontoparietal, 62, 73
intermaxilar, 19, 45, 65, 296, 349
internasal, 74
interpalatina, 65
interparietal, 15, 73
lambda, 15
lambdóide, 16, 26
maxilopalatina, 45
metópica, 17, 21
nasofrontal, 74
occipitomastóidea, 16
occipitoparietal, 73, 347
parietoccipital, 62
parietomastóidea, 16
plana, 79
sagital, 15
serrátil, 80
zigomaticomaxilar, 75
T
Tábua óssea, 137
vestibular, 315
Tálamo, 195
Tálus, 8
Taquicardia, 181
Tarso, ossos do, 10
Tecido(s)
adiposo, 124
conectivo
elástico, 13
membrana de, 13
resistente, 13
vascularizado, 81
conjuntivo
denso, 88, 117
fibroso, 119
frouxo, propagação das infecções
odontológicas através do, 330
grosso, lâmina de, 99
intermuscular, 332
lâmina de, 88
membrana de, 168
periapical do terceiro molar, 328
subcutâneo, 331
submucoso, 331
fibrocartilagíneo, 85
fibrosos, 124
glandular, 177
muscular, 177
388 ÍNDICE REMISSIVO
© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.
tímico, 124
Técnica de Caldwell-Luc, 354
Tegmen tympani, 39
Tela subcutânea, 97, 339
Telencéfalo, 169, 172, 187
corte frontal, 172
vista lateral, 170
Tendão, 89
bucinatofaríngeo, 86, 96
pterigomandibular, 102
Tênias, 158
Tensor do véu palatino, músculos do, 55
Terceira vértebra cervical, 61
Terceiro molar, 57
inferior, 56, 270
superior, 259
canais radiculares e câmara pulpar, 261
face
lingual, 261
oclusal, 261
vestibular, 261
funções, 260
irrupção, 259
morfologia, 261
oclusão, 260
raízes, 261
tecido conjuntivo periapical do, 328
Terceiro ventrículo, 170, 185
Terminações nervosas, 167
livres, 173
Testa, rugas horizontais na, 92
Teto da cavidade bucal, 53
Tíbia, 8
Timo, 124
Tímpano
músculo tensor do, 42
nervo corda do, 40, 86, 198, 311, 353
Tono muscular, 87
Tonsila palatina, 154
Tórax, ossos do, 8
Toro tubário, 164
Trabéculas esponjosas, 76
Tracto(s)
corticoespinhal, 182, 184
corticonuclear, 200
espinhal do nervo trigêmeo, 183, 194
núcleo do, 194
espinocerebelares, 183
piramidal, 182
Trágio, 72, 75
Trajetórias musculares
massetérica, 76
pterigóidea, 76
temporal, 76
Trapézio, 8
Traquéia, 165, 339
parede membranácea da, 165
Traqueotomia, anatomia aplicada a, 339
Traumatologia bucomaxilofacial, anatomia aplicada
à cirurgia, 351-354
Trígono retromolar, 59
Tristeza, expressão de, 95
Tromboflebite do seio cavernoso, 329
Tronco(s)
arterial
braquicefálico, 125
pulmonar, 118
braquicefálico, 139, 340
broncomediastinal, 146
encefálico, 171
linfático intestinal, 146
tirolingofaringofacial, 144
venoso tirolingofaringofacial, 337
Tuba auditiva, 14, 164, 200
parte cartilagínea da, 41
parte óssea da, 42
Túber, 43
da maxila, 55
porção medial do, 70
frontal, 21
parietal, 25
Tubérculo(s)
anômalo, 251, 284
articular, 344
corniculado, 154
cuneiforme, 154
dentário, 214
do núcleo
cuneiforme, 183
grácil, 183
faríngeo, 27
geni, 57
lingual, 271
mentais, 57
occipital, 28
Tuberosidade maxilar, 20, 43
Tubo
condutor de alimentos, 163
digestivo, 181
muscular, 164
neural, 168
Tumefação da língua, 332
U
Ulna, 8, 81
Úmero, 8, 81
Úvula, 153
mucosa da, 101
músculo da, 55, 101, 309
ÍNDICE REMISSIVO 389
© Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA.
V
Valva(s)
atrioventriculares, 117
bicúspide, 117
mitral, 117
Válvulas semilunares, 118
Vaso(s)
alveolares, 71
ântero-superiores, 43
inferiores, 59
póstero-superiores, 43
condutores
da linfa, 116
de sangue, 115
da base do coração, 118
da órbita, 126
faciais, 354
incisivos, 46
infra-orbitais, 18, 43, 71
linfáticos, 116, 301
mentais, 57
microscópios, 123
palatinos maiores, 44, 46
pulmonares, 166
sangüíneos, 13
tipos de, 121
supra-orbitais, 23
Vasoconstricção, 181
Vasodilatação, 181
Veia(s), 122, 139, 142
cava superior, 118
cerebelares, 140
comunicantes, 123
da faringe, 144
da língua, 144
dorsais da língua, 145, 310
emissária
condilar, 143
esfenoidal, 143
mastóidea, 143
occipital, 143
parietal, 25, 143
emissárias, 16, 143
extracranianas, 16, 142
facial, 144, 336
comum, 144
frontal, 144
intracranianas, 142
comunicações entre, e veias extracranianas, 142
intra-orbital, 144
jugular
anterior, 145
externa, 145, 304
interna, 28, 41, 143, 337
labiais, 144
lingual, 144
maxilar, 145
mental, 144
nasais, 144
occipital, 304
oftálmica, 64, 144
inferior, 329
superior, 329
profundas, 123
da face, 145
da língua, 144
propagação das infecções odontológicas através
das, 329
pulmonares, 121
retromandibular, 145
satélites, 122
subclávia, 144
sublinguais, 310
temporal superficial, 86, 145
tireóideas, 144
inferiores, 340
Ventres
frontais, 91
musculares, 90
occipitais, 91
Ventrículos
encefálicos e suas comunicações, 170
soalho dos, 168
Verme cerebelar, 186
Vértebras
articulação das, 82
cervicais, 8
lombares, 8
Vesícula(s)
biliar, 160
contração da, 160
primordiais, 168
Vestíbulo bucal, 208
Véu palatino, 308
músculos do, 100, 203, 309
levantador do, 41
tensor do, 35, 55, 309
Vias
aéreas, obstrução das, 339
biliares, 160
Visão, 14
Vísceras
abdominais, 176
receptores das, 177
torácicas, 176
Viscerorreceptores, 177
Vista medial, 40
Vômer, 8, 36, 55, 66
Z
Zígio, 75
Zigomáticos, 14

Fundamentos de anatomia para estudantes de odontologia

  • 1.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA. FundamentosdeAnatomia paraoEstudante deOdontologia
  • 2.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA.
  • 3.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA. CESAR COSTA Professor Responsável pela Disciplina de Anatomia Humana no Curso de Odontologia da Universidade Gama Filho — UGF-RJ. Professor Adjunto IV (Aposentado) na Disciplina de Anatomia Humana da Universidade Federal Fluminense — UFF-RJ. Livre-docente em Odontologia (Cirurgia Oral) pela Universidade Gama Filho — UGF-RJ. Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro — UERJ-RJ. Especialista em Radiologia pela Associação Brasileira de Odontologia. São Paulo • Rio de Janeiro • Belo Horizonte Fundamentos de Anatomia para o Estudante de Odontologia ALEXANDRE CESAR BOMFIM COSTA Professor Auxiliar da Disciplina de Anatomia Humana da Universidade Gama Filho — UGF-RJ. Professor-assistente de Fundamentos Biomédicos da Universidade Católica de Petrópolis — UCP-RJ. Mestre em Psicologia Social da Universidade Gama Filho — UGF-RJ. Especialista em Docência Universitária pela Universidade Gama Filho — UGF-RJ. CLAUDIA MARIA SOARES SAVEDRA Professora Auxiliar da Disciplina de Anatomia Humana da Universidade Gama Filho — UGF-RJ. Professora Auxiliar da Disciplina de Bases Morfológicas do IBMR. Professora da Disciplina de Anatomia (Domínio Conexo) dos Cursos de Pós-Graduação em Odontologia da Universidade Gama Filho — UGF-RJ Ex-Residente do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital Pedro Ernesto — UERJ-RJ. Mestranda em Morfologia (Instituto de Biologia) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro — UERJ-RJ.
  • 4.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA. EDITORA ATHENEU São Paulo — Rua Jesuíno Pascoal, 30 Tels.: (11) 220-9186 • 222-4199 Fax: (11) 223-5513 E-mail: atheneu@atheneu.com.br Rio de Janeiro — Rua Bambina, 74 Tel.: (21) 539-1295 Fax: (21) 538-1284 E-mail: atheneu@atheneu.com.br Belo Horizonte — Rua Domingos Vieira, 319 — Conj. 1.104 PLANEJAMENTO GRÁFICO/CAPA: Equipe Atheneu Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Índice para catálogo sistemático 1. Anatomia humana para odontologia 611.00246176 COSTA, C.; COSTA, A.C.B.; SAVEDRA, C.M.S. Fundamentos de Anatomia para o Estudante de Odontologia ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, 2000. Costa, Cesar Fundamentos de anatomia para o estudante de odontologia/ Cesar Costa, Alexandre Cesar. Bomfim Costa, Claudia Maria Soares Savedra. -- São Paulo: Editora Atheneu, 2000. Bibliografia 1. Anatomia humana 2. Odontologia I. Costa, Alexandre Cesar Bomfim. II. Savedra, Claudia Maria Soares. III. Título. CDD-611.00246176 00-3262 NLM-OS 18
  • 5.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA. Prefácio A minha convivência com o Professor Cesar Costa data-se desde o começo de suas atividades acadêmicas na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal Fluminense. Daí então, acompanhei de perto, até a presente data, a sua trajetória brilhante tanto como Professor de Anatomia Humana, quanto no exercício da sua especialidade de Cirurgião Bucomaxilofacial. Porquanto, sinto-me honrado em poder prefaciar esse trabalho que promete ser básico para o estudo, a atualização e aplicação da Anatomia Humana. O Professor Cesar Costa, reúne neste seu trabalho as suas qualidades como Professor e Cirurgião, expondo de forma concisa e atualizada todos os pontos da Anatomia Humana de interesse imediato, para os alunos e profissionais da área Odontológica. A dinâmica do texto, com ilustrações a bico de pena, do próprio autor, auxilia em muito a compreensão das descrições das estruturas anatômicas. A finalidade do trabalho é transmitir os principios básicos e fundamentais de Anatomia Humana aplicados ao aprendizado e a prática odontológica, reunidos em um só volume, fato este que facilita de forma significativa o estudo do aluno. Torna-se necessário enfatizar que, neste ensaio do Professor Cesar Costa, algumas imperfeições serão encontradas, fato este que é humanamente compreensível, porém com o auxilio precioso dos leitores, através de suas críticas contrutivas, procurar-se- á aperfeiçoar o texto e as ilustrações nas edições futuras. A longa convivência com o Professor Cesar Costa, me permitiu conhecê-lo sob todos os aspectos, e, não é excesso de otimismo mas, sim profissão de fé, que esse trabalho é o germe sadio de um tratado de Anatomia Humana, no sentido exato da palavra e, que num futuro não muito distante, estará a disposição do alunado e dos profissionais da área de Odontologia. Não poderia deixar de destacar aqui, a eficiente colaboração dos professores Alexandre Cesar Bomfim Costa e Claudia Maria Soares Savedra. Rio de Janeiro, primavera de 2000 Professor Benedito Aparecido de Toledo Professor Titular de Anatomia Humana da Universidade Gama Filho
  • 6.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA.
  • 7.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA. Sumário 1 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA HUMANA, 1 Conceito, 1 Nomenclatura, 1 Posição anatômica, 2 Planos de delimitação e de secção do corpo humano, 3 2 SISTEMA ESQUELÉTICO, 7 Conceito, 7 Funções, 7 Divisão, 7 Número de ossos, 8 Classificação dos ossos, 9 Substância óssea compacta e esponjosa, 12 Elementos descritivos, 13 Periósteo, 13 Cartilagem, 13 Osso do crânio, da face e do pescoço, 14 Vista superior do crânio, 15 Vista posterior do crânio, 16 Vista anterior do crânio, 17 Vista lateral do crânio, 19 Vista inferior do crânio, 21 Osso frontal, 21 Osso parietal, 24 Osso occipital, 26 Osso esfenóide, 31 Osso etmóide, 35 Osso temporal, 38 Maxila, 42 Osso zigomático, 47 Osso nasal, 48 Osso lacrimal, 49 Concha nasal inferior, 51 Osso palatino, 52 Osso vômer, 55
  • 8.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA. Mandíbula, 56 Osso hióide, 61 Cavidades do crânio e da face, 62 Cefalometria e craniometria, 72 Análise funcional do crânio e da face, 75 3 ARTICULAÇÕES, 79 Conceito, 79 Classificação, 79 Articulação temporomandibular (ATM), 82 4 SISTEMA MUSCULAR, 87 Conceito, 87 Divisão, 87 Componentes anatômicos dos músculos estriados esqueléticos, 88 Origem muscular, 88 Inserção muscular, 88 Classificação, 89 Músculos da mímica, 91 Músculos da língua, 97 Músculos do palato mole ou véu palatino, 100 Músculos da faringe, 102 Músculos do olho, 103 Músculos do pescoço, 105 Músculos da mastigação, 108 Movimentos mandibulares, 111 5 SISTEMA CIRCULATÓRIO, 115 Conceito, 115 Divisão, 115 Coração, 116 Tipos de circulação, 121 Tipos de vasos sangüíneos, 121 Sistema linfático, 123 Artérias, 124 Veias, 139 Linfáticos, 146 6 SISTEMA DIGESTÓRIO, 151 Conceito, 151 Divisão, 151 Boca, 151 Faringe, 157 Esôfago, 157
  • 9.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA. Estômago, 157 Intestino, 158 Anexos do canal alimentar, 159 7 SISTEMA RESPIRATÓRIO, 163 Conceito, 163 Divisão, 163 Cavidade nasal, 163 Faringe, 164 Laringe, 165 Traquéia e brônquios, 165 Pleura e pulmão, 165 8 SISTEMA NERVOSO, 167 Conceito, 167 Divisão, 167 Origem embriólogica do sistema nervoso central (SNC), 168 Sistema nervoso periférico (SNP), 173 Sistema nervoso visceral, 177 Anatomia do SNC, 182 Nervos cranianos relacionados à odontologia, 187 Nervo trigêmeo — V par craniano, 187 Nervo facial — VII par craniano, 195 Nervo glossofaríngeo — IX par craniano, 200 Nervo hipoglosso — XII para craniano, 204 9 ANATOMIA DENTAL, 207 Conceito, 207 Dentes, 207 Incisivos, 212 Caninos, 226 Pré-molares, 232 Molares, 250 Dentes temporários, 271 Evolução e involução da dentição humana, 290 Relações interdentárias, 291 10 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA RADIOGRAFIA DENTAL, 295 Tomada radiográfica no nível de incisivos superiores, 295 Tomada radiográfica no nível de canino superior, 296 Tomada radiográfica no nível de pré-molares superiores, 296 Tomada radiográfica no nível de molares superiores, 296 Tomada radiográfica no nível de incisivos inferiores, 297
  • 10.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA. Tomada radiográfica no nível de canino inferior, 297 Tomada radiográfica no nível de pré-molares inferiores, 297 Tomada radiográfica no nível de molares inferiores, 297 11 ANATOMIA REGIONAL, 299 Região nasal, 299 Região labial, 301 Região mental, 302 Região parotídea, 303 Região massetérica, 304 Região geniana, 305 Região infratemporal, 307 Região pterigopalatina, 307 Região palatina, 308 Região gengivodental, 309 Região lingual, 311 Região sublingual, 311 Região supra-hióidea, 311 12 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA ANESTESIA LOCAL, 315 Anestesia de ramos do nervo maxilar, 315 Anestesia extrabucal do nervo maxilar, 317 Anestesia de ramos do nervo mandibular, 317 Anestesia extrabucal do nervo mandibular, 318 13 RELAÇÃO DOS DENTES COM ESTRUTURAS VIZINHAS, 319 Processo alveolar da maxila, 319 Processo alveolar da mandíbula, 324 14 PROPAGAÇÃO DAS INFECÇÕES ODONTOGÊNICAS, 329 Propagação das infecções através das veias, 329 Propagação das infecções através do tecido conjuntivo frouxo, 330 15 ANATOMIA APLICADA ÀS LIGADURAS ARTERIAIS, 335 Artéria palatina maior, 335 Artéria lingual, 336 Artéria facial, 336 Artéria temporal superficial, 336 Artéria carótida externa, 337 16 ANATOMIA APLICADA À TRAQUEOTOMIA E LARINGOTOMIA, 339 Traqueotomia, 339 Laringotomia, 340
  • 11.
    © Direitos reservadosà EDITORA ATHENEU LTDA. 17 ANATOMIA APLICADA AO EXAME FÍSICO DO ESQUELETO FACIAL, 343 18 FUNDAMENTOS ANATÔMICOS PARA RADIOGRAFIA CRANIOFACIAL, 345 Tomada radiográfica de perfil, 345 Tomada radiográfica póstero-anterior, frontonasofilme, 346 Tomada radiográfica ântero-posterior, occipitofilme, 346 Tomada radiográfica póstero-anterior mentonasofilme, 347 Tomada radiográfica lateral desdobrada de mandíbula, 348 Tomada radiográfica lateral da ATM, 348 Tomada radiográfica de perfil pouco penetrado, 348 Tomada radiográfica submentovertex pouco penetrada, 348 Tomada radiográfica panorâmica, 348 19 ANATOMIA APLICADA À CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCOMAXILOFACIAL, 351 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, 355
  • 12.
    CAPÍTULO 1 1 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 1 Introdução ao Estudo da Anatomia Humana CONCEITO Anatomia é a ciência que estuda a estrutura do corpo. Mas estrutura e função devem sempre ser consideradas simultaneamente. Além disso, por meio da ana- tomia de superfície e radiológica deve-se dar ênfase à anatomia do vivente. Em relação ao tamanho das partes estudadas, a anatomia é habitualmente dividida em anatomia macroscópica e anatomia microscópica ou histologia. Os aspectos macro e microscópico devem ser estudados em íntima conexão. O corpo humano deve ser considerado não somente na sua forma definitiva mas, também, no seu desenvolvimento. Embriologia é o estudo do embrião e do feto, isto é, o estudo do desenvolvimento pré-natal. Anatomia pediátrica é o estu- do da estrutura da criança. Teratologia é o estudo das más-formações congênitas. Em geral, as obras que tratam de anatomia humana são dispostas sistematica- mente, baseadas nos vários sistemas do corpo (esquelético, muscular, digestório etc.) ou regionalmente, de acordo com as subdivisões principais naturais do cor- po (cabeça e pescoço, membros superiores, tórax etc.), que é também, chamada anatomia topográfica. NOMENCLATURA Foi estimado que, no final do século XIX, existiam aproximadamente 20.000 nomes anatômicos para 5.000 formações do corpo humano. Em 1895, uma lista
  • 13.
    2 INTRODUÇÃO AOESTUDO DA ANATOMIA HUMANA © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. de cerca de 4.500 termos foi preparada e aceita em Basiléia. É conhecida pelo nome latino Basle Nomina Anatomica (BNA). Foram empreendidas revisões prin- cipalmente na Inglaterra (Birmingham Revision ou BR 1933) e na Alemanha (Jena Nomina Anatomica ou INA, 1935). Em Paris, em 1955, um acordo interna- cional foi alcançado para um sistema latino de nomenclatura baseado ampla- mente na BNA. Foi chamado de Paris Nomina Anatomica (PNA). Entre os princí- pios adotados no preparo da nova nomenclatura, os seguintes são dignos de nota: 1 — que, com um limitado número de exceções, cada estrutura seja designada por um único termo; 2 — que os termos na lista oficial sejam escritos em latim, mas cada país tem liberdade de traduzir os termos latinos oficiais para o próprio vernáculo para fins de ensino; 3 — que os termos sejam, em primeiro lugar, fáceis de memorizar, mas de preferência que tenham algum valor informativo ou descritivo; 4 — que os epônimos não sejam empregados. Revisões subseqüentes foram feitas, visto que a nomenclatura anatômica tem caráter dinâmico, podendo ser modificado, desde que haja razões e que sejam comprovadas em congressos internacionais de anatomia. POSIÇÃO ANATÔMICA Toda descrição anatômica é expressa em relação à posição anatômica, uma convenção pela qual descreve-se o corpo humano da seguinte maneira: Fig. 1.1 — Posição anatômica.
  • 14.
    CAPÍTULO 1 3 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Posição anatômica Corpo humano ereto, com os pés juntos, com os olhos e os dedos dos pés dirigidos para a frente, com os membros superiores pendentes aos lados do cor- po, com as palmas das mãos voltadas para a frente (Fig. 1.1). PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO Na posição anatômica, o corpo humano pode ser delimitado por planos tan- gentes à sua superfície, delimitando a formação de um paralelepípedo (Fig. 1.2). PLANOS DE DELIMITAÇÃO Dois planos verticais, um tangente ao ventre, plano ventral ou anterior; e outro tangente ao dorso, plano dorsal ou posterior (Fig. 1.2). Dois planos verticais tangentes aos lados do corpo, planos laterais direito e esquerdo (Fig. 1.2). Fig. 1.2 — A — plano anterior; P — plano posterior; LD — plano lateral direito; LE — plano lateral esquerdo; S — plano superior; I — plano inferior.
  • 15.
    4 INTRODUÇÃO AOESTUDO DA ANATOMIA HUMANA © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Dois planos horizontais, um tangente à cabeça, plano cranial, cefálico ou superior; e outro, tangente à planta dos pés, plano podálico ou inferior (Fig. 1.2). No tronco isolado, o plano horizontal que tangencia o vértice do cóccix, é denominado caudal. PLANOS DE SECÇÃO Plano sagital mediano Plano vertical de secção que passa longitudinalmente através do corpo e o divide em metades direita e esquerda. O plano sagital mediano intercepta a superfície ventral e dorsal do corpo, nas linhas medianas anterior e posterior (Fig. 1.3). Fig.1.3 — A — plano sagital mediano; B — plano frontal; C — plano horizontal.
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    CAPÍTULO 1 5 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Todo plano vertical do corpo, paralelo ao plano sagital mediano, é chamado plano sagital. Os planos sagitais são assim chamados devido à sutura sagital do crânio à qual são paralelos. Plano frontal Plano que intercepta o plano sagital mediano em ângulo reto e divide o corpo em metades anterior e posterior (Fig. 1.3). Plano horizontal Plano perpendicular a ambos os planos sagital mediano e frontal; ele divide o corpo em partes superior e inferior (Fig. 1.3). O termo medial significa mais próximo do plano mediano e lateral mais afas- tado dele. Assim, na posição anatômica, o polegar é lateral ao dedo mínimo, enquanto o hálux é medial ao mínimo. Intermédio significa situação entre duas formações das quais uma é lateral e outra medial (Fig.1.4). Anterior ou ventral Significa mais próximo do ventre. Posterior ou dorsal Significa mais próximo do dorso. Fig.1.4 — A — anterior; P — posterior; M — medial; L — lateral; I — intermédio; M1 — médio; M2 — mediana.
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    6 INTRODUÇÃO AOESTUDO DA ANATOMIA HUMANA © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Superior Significa mais próximo do ápice ou extremidade superior do corpo. Inferior O mais próximo da extremidade inferior. No tronco, cranial ou cefálico, é, às vezes, usado em lugar de superior e caudal para inferior; rostral significa mais próximo da extremidade da frente. Nos membros, proximal e distal são usados para indicar mais próximo e mais afastado da raiz ou extremidade de conexão do membro, respectivamente (Fig. 1.5). Interno e externo Significam respectivamente mais próximo ou mais afastado do centro de um órgão ou de uma cavidade. Superficial e profundo indicam mais próximo ou mais afastado da superfície do corpo, respectivamente. O termo médio é usado para uma formação situada entre duas outras que são anterior e posterior, ou superior e inferior ou externa e interna (Fig. 1.4). Além dos termos técnicos de posição e direção, certas expressões comuns são, também, usadas em descrições anatômicas: frente, dorso, na frente de, atrás, para frente, para trás, superior, inferior, acima, abaixo, para cima, para baixo, ascendente, descendente etc. Fig. 1.5 — S — superior; I — inferior; M — médio; P — proximal; D — distal.
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    CAPÍTULO 2 7 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 2 Sistema Esquelético CONCEITO É o conjunto de ossos e cartilagens que se interligam para formar o arcabouço do corpo. FUNÇÕES Proteção (para órgãos como o coração, pulmões e sistema nervoso central); sustentação e conformação do corpo; local de armazenamento de íons de cálcio e fósforo; sistema de alavancas que movimentadas pelos músculos permitem os deslocamentos do corpo, no todo ou em parte, e, finalmente, local para produção de certas células do sangue. DIVISÃO Podemos dividi-lo em duas grandes porções: uma mediana, formando o eixo do corpo, e composta pelos ossos da cabeça, pescoço e tronco (tórax e abdome), é o esqueleto axial; outra, apensa a esta, forma os membros e constitui o esqueleto apendicular. A união dessas duas partes se faz por meio de cinturas: escapular (ou torácica, constituída pela escápula e clavícula) e pélvica, constituída pelos ossos do quadril.
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    8 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. NÚMERO DE OSSOS No indivíduo adulto, é de aproximadamente 206. OSSOS DO CRÂNIO Frontal, occipital, esfenóide e etmóide (ímpares); parietais e temporais (pares). Total: oito ossos. Pode-se considerar os ossículos do ouvido médio, estribos, bigornas e martelos que são pares, neste caso, considera-se mais seis ossos no crânio. OSSOS DA FACE Vômer e mandíbula (ímpares); nasais, maxilas, lacrimais, zigomáticos, con- chas nasais inferiores e palatinos (pares). Total: 14 ossos. OSSOS DO PESCOÇO Hióide e sete vértebras cervicais. Total: oito ossos. OSSOS DO TÓRAX Esterno, 12 vértebras, 12 costelas de cada lado. Total: 37 ossos. OSSOS DA COLUNA LOMBAR, SACRAL E COCCÍGEA Cinco vértebras lombares, cinco sacrais (sacro) e quatro coccígeas (cóccix). Total: 14 ossos. OSSOS DA CINTURA ESCAPULAR E MEMBRO SUPERIOR Escápula, clavícula, úmero, rádio, ulna, hamato, capitato, escafóide, semilunar, piramidal, pisciforme, trapezóide, trapézio, cinco metacárpios, duas falanges no polegar e três falanges no indicador, no médio, no anular e no míni- mo. Total: 32 ossos em cada membro. OSSOS DA CINTURA PÉLVICA E MEMBRO INFERIOR Ossso do quadril, fêmur, tíbia, fíbula, patela, tálus, calcâneo, navicular, cubóide e três cuneiformes (medial, intermédio e lateral), cinco metatárcicos, duas falanges no hálux e três falanges nos II, III, IV e V dedos. Total: 31 ossos em cada membro.
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    CAPÍTULO 2 9 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS A mais difundida é aquela que leva em consideração as suas dimensões. OSSO LONGO É aquele cujo comprimento é maior que a largura e a espessura. Exem- plos: úmero, rádio, ulna, falanges, clavícula, fêmur, tíbia e fíbula. O osso lon- go apresenta um corpo, a diáfise, em cujo interior existe uma cavidade, o canal medular, que aloja a medula óssea (Figs. 2.1, 2.6, e 2.7). Duas extremi- dades, as epífises e as porções mais alargadas do corpo, próximas das epífises, são as metáfises (Fig. 2.1). Nos ossos longos em que a ossificação ainda não se completou, é possível visualizar entre a epífise e a diáfise um disco de carti- lagem hialina (disco epifisial) relacionado com o crescimento do osso em com- primento (Figs. 2.1 e 2.6). OSSO PLANO OU LAMINAR É aquele cuja espessura é menor que a largura e o comprimento. Exemplos: o frontal, os parietais, o occipital e as escápulas (Fig. 2.2). Fig. 2.1 — Osso longo: D — diáfise; E, E1 — epífises; M, M1 — metáfises; D1, D2 — cartilagens epifisárias.
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    10 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. OSSO CURTO É aquele em que as três dimensões se eqüivalem. Exemplos: ossos do carpo e do tarso (Fig. 2.3). Fig. 2.2 — Osso laminar: SC — substância compacta; SE — substância esponjosa. Fig. 2.3 — Osso curto esquemático. OSSO IRREGULAR É aquele que não pode ser enquadrado nas definições anteriores. Apresenta morfologia complexa. Exemplos: as vértebras e os temporais. Dentro desta cate- goria, encontram-se ossos que apresentam uma ou mais cavidades (seio e célu- las, respectivamente). Estes ossos são chamados de pneumáticos. Exemplos: maxilas, esfenóide e etmóide. Existem ossos que são classificados em mais de um grupo, como por exemplo o frontal, que é um osso laminar mas também pneumá- tico; a maxila é um osso irregular e pneumático (Figs. 2.4 e 2.5).
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    CAPÍTULO 2 11 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. OSSOS SESAMÓIDES Desenvolvem-se na substância de certos tendões ou da cápsula fibrosa que envolve certas articulações. Os primeiros são intratendíneos e os segundos peri- articulares. A patela é um exemplo típico de osso sesamóide. Fig. 2.4 — Osso irregular. Fig. 2.5 — Osso irregular pneumático: SM — seio maxilar. SM
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    12 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. SUBSTÂNCIA ÓSSEA COMPACTA E ESPONJOSA Na substância óssea compacta, as lamínulas ósseas encontram-se fortemente unidas umas às outras pelas suas faces, sem que haja espaço livre interposto. Por esta razão este tipo é mais denso e rígido. Na substância óssea esponjosa as lamínulas ósseas se arranjam de forma a deixar entre si espaços ou lacunas que se comunicam umas com as outras (Figs. 2.2, 2.6 e 2.7). Fig. 2.6 — Corte frontal de um osso longo: SC — substância compacta; SE — substância esponjosa; DE — disco de cartilagem epifisária; CM — canal medular. Fig. 2.7 — Corte horizontal na diáfise de um osso longo: SC — substância compacta; SE — substância esponjosa; CM — canal medular.
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    CAPÍTULO 2 13 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. ELEMENTOS DESCRITIVOS Os ossos apresentam na sua superfície depressões, saliências e aberturas que constituem elementos descritivos para seu estudo. Entre as saliências en- contramos: cabeça, côndilos, cristas, eminências, tubérculos, tuberosidades, processos, linhas, espinhas, trócleas etc. As depressões são: fossas, fossetas, impressões, sulcos, recessos etc. As aberturas são: forames, canais, meatos, óstios, poros etc. PERIÓSTEO É uma membrana conjuntiva que reveste a superfície dos ossos com exceção das superfícies articulares. Apresenta dois folhetos: um superficial e um profun- do. A camada profunda é chamada de osteogênica pelo fato de suas células se transformarem em células ósseas, que são incorporadas à superfície do osso. CARTILAGEM É um tecido conectivo resistente e elástico, que se compõe de células e fibras implantadas numa matriz intercelular firme e gelatinóide. As células da cartila- gem, os condrócitos, estão situados em lacunas, algumas vezes isoladamente, porém, amiúde, em grupos. Na cartilagem adulta não há nervos, e usualmente faltam também vasos sangüíneos. As substâncias nutritivas devem, portanto, di- fundir-se pela matriz para alcançar as células. As fibras encontradas na matriz são colágenas ou elásticas. A natureza e disposição destas fibras são, parcialmen- te, a base da classificação da cartilagem em três tipos: hialina, fibrosa e elástica. A cartilagem acha-se rodeada por uma membrana de tecido conectivo, o pericôndrio, cuja estrutura é similar à do periósteo. A cartilagem cresce por aposição, isto é, por deposição de cartilagem nova sobre a superfície da cartila- gem velha. A nova cartilagem é formada por condroblastos derivados das células mais profundas do pericôndrio. A cartilagem também cresce intersticialmente, ou seja, por aumento no tamanho e número das células existentes e por aumento na quantidade de matriz intercelular. CARTILAGEM HIALINA Possui aparência cristalina, translúcida, devido ao caráter de sua matriz. A matriz e as fibras colágenas têm aproximadamente o mesmo índice de refração. As fibras não são visíveis em preparações microscópicas comuns. Os discos epifisiais e a maioria das cartilagens articulares são formados de cartilagem hialina. A cartilagem hialina tem tendência para calcificar e ser substituída por osso. Fibrocartilagem Feixes de fibras colágenas, são os constituintes principais da fibrocartilagem. Os feixes são visíveis em preparações microscópicas comuns, ao contrário do
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    14 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. que ocorre na cartilagem hialina. A quantidade de matriz é menor do que na cartilagem hialina, e os condrócitos se acham dispersos. A fibrocartilagem está presente em certas junturas cartilagíneas e forma cartilagem articular em uma juntura sinovial de grande interesse odontológico, que é a articulação temporo- mandibular cujas superfícies articulares são forradas de fibrocartilagem com ilhotas de cartilagem hialina. CARTILAGEM ELÁSTICA É parecida com a cartilagem hialina exceto pelo fato de que suas fibras são elásticas. Raramente se calcifica com o avançar da idade. A cartilagem elástica está presente na orelha externa e na tuba auditiva e forma algumas das cartila- gens da laringe. OSSOS DO CRÂNIO, DA FACE E DO PESCOÇO A cabeça óssea forma uma caixa para o encéfalo, cavidades para os órgãos da sensibilidade específica, visão, audição, equilíbrio, olfação e gustação; aberturas para passagem do ar e do alimento; dentes, maxilas e mandíbula para mastigação. A cabeça óssea é constituída por uma série de ossos que, na maior parte, estão unidos por articulações. Um dos ossos, a mandíbula, é muito móvel, estan- do em conexão com o crânio por uma articulação sinovial, articulação temporomandibular (ATM). Alguns ossos da calvária são constituídos por lâmi- nas externa e interna, de substância compacta, e por uma camada média espon- josa chamada díploe. A lâmina interna é mais fina e mais frágil do que a externa. O crânio é revestido por periósteo, sendo a camada externa denominada pericrânio e a camada interna endocrânio. A palavra calvária refere-se, usualmente, à parte superior do crânio. Os ossos do crânio delimitam a cavidade craniana, na qual estão situados o encéfalo e as membranas que o cobrem (as meninges). Estes ossos são o frontal, o etmóide, o esfenóide, o occipital, os temporais e os parietais. O esqueleto da face é composto de vários ossos pares (nasais, lacrimais, zigomáticos, maxilas, conchas nasais inferiores e palatinos) e dois ossos ímpares (mandíbula e vômer). As articulações imóveis entre a maioria dos ossos do crânio são chamadas suturas. Estas têm aspecto de linhas irregulares nos crânios de jovens adultos. Com a idade, muitas suturas são obliteradas pela fusão óssea (sinostose). Para facilitar a descrição, o crânio é orientado de tal maneira que as margens inferiores das órbitas e as margens superiores dos meatos acústicos externos es- tejam no mesmo plano horizontal, denominado plano orbitomeático. O plano horizontal (orbitomeático) foi aceito como padrão num congresso de antropologia em Frankfurt, em 1884. Ele passa, precisamente, pelas margens su- periores dos meatos acústicos externos e pela margem inferior da órbita esquer- da. O plano orbitomeático corresponde muito bem ao plano horizontal natural
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    CAPÍTULO 2 15 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. do crânio, isto é, com o indivíduo na posição anatômica, com o olhar dirigido para um espelho vertical, no qual ele fixa suas pupilas (Fig. 2.11). Fig. 2.8 — Vista superior do crânio: A — ossos nasais; B — osso frontal; C — sutura coronal; D — ponto bregma; E — osso parietal; F — sutura sagital; G — forame parietal; H — ponto lambda; I — osso occipital. VISTA SUPERIOR DO CRÂNIO O crânio é, geralmente, ovóide, quando visto de cima, sendo mais largo atrás do que na frente. Podem ser identificados quatro ossos: o frontal na frente, o occipital atrás e os parietais lateralmente. A sutura entre os dois parietais é cha- mada de interparietal ou sagital. Entre os parietais e o frontal é frontoparietal ou coronal. Entre os parietais e o occipital é occipitoparietal ou lambdóide. A inter- seção das suturas coronal e sagital; e sagital e lambdóide são chamadas respecti- vamente de bregma e lambda. Estes dois pontos no feto, nos primeiros meses de vida, são membranáceos, sendo chamados de fontículos bregmático e lambdóide, respectivamente. A eminência parietal é a porção mais convexa de cada osso parietal. Poucos centímetros à frente do lambda pode ser encontrado, às vezes,
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    16 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. um pequeno orifício vascular, o forame parietal, de um ou ambos os lados da sutura sagital. Ele dá passagem a uma veia emissária que une as veias extracranianas ao seio sagital superior (Fig. 2.8). Fig. 2.9 — Vista posterior do crânio: A — sutura sagital; B — ponto lambda; C — sutura lambdóide; D — protuberância occipital externa; E — processo mastóideo; F — processo estilóide; G — osso parietal; H — osso occipital. VISTA POSTERIOR DO CRÂNIO A parte posterior do crânio é composta de porções dos ossos parietais, do osso occipital e as partes mastóideas dos ossos temporais. As suturas sagital e lambdóide encontram-se no lambda, que pode, às vezes, no vivente, ser sentido como uma depressão. As extremidades inferiores da sutura lambdóide encon- tram-se com as suturas parietomastóidea e occipitomastóidea, de cada lado, num ponto conhecido como astério. Uma abertura vascular, o forame mastóideo, é freqüentemente encontrado na mastóide, próximo à sutura occipitomastóidea, e dá passagem a uma veia emissária do seio sigmóide. A protuberância occipital externa é uma projeção mediana mais ou menos entre o lambda e o forame occipital. É palpável no vivente e está, geralmente, localizada um pouco abaixo da parte mais proeminente da região posterior da cabeça; por isso, ela não pode ser observada quando o crânio é visto de cima. Seu
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    CAPÍTULO 2 17 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. centro é chamado ínio. Em cada lado da protuberância arqueia-se lateralmente uma crista curva, a linha nucal superior. Ela marca o limite superior do pescoço. As linhas supremas da nuca, quando presentes, estão situadas um centímetro acima das linhas nucais superiores e são mais arqueadas (Figs. 2.9 e 2.17). Fig. 2.10 — Vista anterior do crânio: A — ponto glabela; B — margem supra-orbital; C — ponto frontotemporal; D — fissura orbital superior; E — fissura orbital inferior; F — forame infra-orbital; G — pilar zigomático; H — pilar canino; I — ponto gônio; J — forame mental; K — ponto gnátio; L — ponto zígio; M — incisura supra-orbital. VISTA ANTERIOR DO CRÂNIO A vista anterior do crânio apresenta a fronte, as órbitas, as proeminências da face, o nariz ósseo externo, as maxilas e a mandíbula. FRONTE O osso frontal forma o esqueleto da fronte. Embaixo, de cada lado do plano mediano, ele se articula com os ossos nasais. A interseção do osso frontal com os ossos nasais é chamada násio. A região acima do násio, entre os arcos supra- orbitais é chamada glabela. O arco supra-orbital é uma elevação que se estende lateralmente de cada lado da glabela. As duas metades do osso são separadas até os seis anos de idade, aproximadamente, pela sutura frontal. Em alguns casos, a linha de separação persiste no adulto e é conhecida como sutura metópica.
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    18 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. ÓRBITAS São duas cavidades ósseas nas quais estão situados os olhos e seus anexos. Cada órbita apresenta margens superior, inferior, medial e lateral. A margem superior ou supra-orbital é constituída pelo osso frontal. Sua porção intermédia é caracterizada pela incisura ou forame supra-orbital, por onde passam vasos e nervo supra-orbitais. Medialmente à incisura, a margem é cruzada pelos vasos e nervo supratrocleares. Lateralmente, a margem supra-orbital termina no proces- so zigomático do frontal que pode ser, facilmente, palpado no vivente. Observa-se que, em cada margem supra-orbital, o osso frontal dirige-se em ângulo agudo para trás, dando origem à parte orbital que forma a maior parte do teto da órbita correspondente. A margem lateral é constituída pelos ossos zigomático e frontal. A margem inferior é constituída pela maxila e pelo zigomático. A margem medial, que não é tão nítida como as outras, é constituída pela maxila, lacrimal e frontal. Abaixo da margem inferior da órbita, a maxila apresenta uma abertura, o forame infra-orbital, que dá passagem ao nervo e vasos infra-orbitais. PROEMINÊNCIAS DA FACE São formadas pelos ossos zigomáticos. O osso zigomático está situado na parte inferior e lateral da órbita. NARIZ ÓSSEO EXTERNO É formado pelos ossos nasais e pelas maxilas e termina na frente, como aber- tura piriforme ou abertura anterior do nariz. Através da abertura, a cavidade nasal pode ser vista, dividida pelo septo nasal em porções direita e esquerda, cada uma delas é denominada, freqüentemente, cavidade nasal. No plano medi- ano, a margem inferior da abertura piriforme apresenta a espinha nasal anterior, um esporão ósseo aguçado formado pela junção das maxilas. MAXILAS E MANDÍBULA O crescimento das maxilas e da mandíbula é responsável pelo alongamento vertical da face entre os seis e doze anos de idade. Maxila — Consiste de corpo, que contém o seio maxilar, processo zigomático, processo frontal, processo palatino, que se estende horizontalmente para encon- trar seu homônimo do lado oposto, formando a maior parte do esqueleto do pala- to duro e o processo alveolar, que contém os dentes superiores. O corpo da maxila é piramidal e apresenta uma face nasal ou base, que con- tribui para a demarcação da parede lateral da cavidade nasal; uma face orbital, que forma a maior parte do soalho da órbita; uma face infratemporal ou posterior, uma face anterior, que é coberta pelos músculos faciais e uma extremidade late- ral ou ápice da pirâmide, que se articula com o osso zigomático.
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    CAPÍTULO 2 19 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Os dentes superiores estão situados nos processos alveolares das maxilas. Cristas verticais, correspondentes às raízes dos dentes podem ser vistas, freqüentemente, na parte anterior do osso. As duas maxilas acham-se unidas no plano mediano pela sutura intermaxilar. Mandíbula — Os dentes inferiores estão situados na parte alveolar da mandíbu- la. Aproximadamente abaixo do segundo pré-molar acha-se o forame mental, que dá passagem ao nervo e vasos mentais (Fig. 2.10). Fig. 2.11 — Vista lateral do crânio: A — ponto bregma; B — linha curva temporal superior; C — linha curva temporal inferior; D — ponto ptério; E — ponto frontotemporal; F — ponto glabela; G — ponto násio; H — plano orbitomeático (horizontal de Frankfurt); I — ponto orbital; J — pilar canino; K — ponto nasoespinhal; L — ponto interdental superior; M — ponto interdental inferior; N — ponto gnátio; O — forame mental; P — ponto gônio; Q — ponto zigomaxilar; R — pilar zigomático; S — pilar pterigóideo; T — ponto condílio lateral; U — ponto ínio; V — ponto pório; W — ponto astério; X — ponto lambda. VISTA LATERAL DO CRÂNIO A face lateral do crânio apresenta certas porções do osso temporal e as fossas temporal e infratemporal. FOSSA TEMPORAL A linha curva temporal superior, na qual se insere a fáscia temporal, inicia- se no processo zigomático do frontal. Ela se arqueia para trás através dos ossos frontal e parietal, a uma distância variável da sutura sagital. A parte posterior da linha temporal superior, que é indistinta, une-se a uma crista do osso temporal
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    20 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. denominada crista supramastóidea. A porção média da linha temporal é usual- mente dupla, sendo que a linha inferior indica o limite do músculo temporal. A fossa temporal, na qual está localizado o músculo temporal, é delimitada pela linha temporal superior, em cima, e pelo arco zigomático embaixo. Sua parede medial, que dá origem ao músculo temporal, é constituída de porções do parietal, do frontal, da asa maior do esfenóide e da parte escamosa do osso temporal. A área em que estes quatro ossos se aproximam é conhecida como ptério. FOSSA INFRATEMPORAL É um espaço de configuração irregular, situado atrás da maxila. Medialmente à sua comunicação com a fossa temporal, o teto da fossa infratemporal é consti- tuído pela superfície infratemporal da grande asa do esfenóide e uma pequena parte do temporal. Medialmente, a fossa infratemporal é delimitada pela lâmina lateral do processo pterigóide do esfenóide; lateralmente pelo ramo da mandíbu- la e face medial do arco zigomático e anteriormente pela tuberosidade maxilar. A fossa infratemporal comunica-se com a fossa pterigopalatina medialmente por meio da fissura pterigopalatina, que dá passagem à artéria maxilar. FOSSA PTERIGOPALATINA É assim denominada porque está situada entre as lâminas do processo pterigóide do esfenóide e o osso palatino. Ela está localizada sob o ápice da órbi- ta. Abaixo da fissura pterigopalatina, a lâmina lateral do processo pterigóide pa- rece encontrar-se com a tuberosidade maxilar, mas na realidade está separada pelo processo piramidal do palatino (Fig. 2.11). Fig. 2.12 — Vista inferior do crânio: A — ponto bucal; B — forame incisivo; C — sutura intermaxilar; D — ponto zigomaxilar; E — forame palatino maior; F — ponto zígio; G — ponto estafílio; H — ponto básio; I — côndilo occipital; J — ponto opístio; K — ponto ínio.
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    CAPÍTULO 2 21 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. VISTA INFERIOR DO CRÂNIO A face inferior do crânio apresenta certas porções do osso occipital, esfenóide, temporais, zigomáticos, palatinos e maxilas (Fig. 2.12). OSSO FRONTAL (ÍMPAR) Posição — Escama para cima, com a face convexa para a frente e a porção aplana- da que possui uma grande incisura para baixo e para trás. Situação — Está situado na porção anterior do crânio, em cima do maciço facial. Distinguimos neste osso duas porções, uma superior e outra inferior. A porção superior, vertical, forma parte da calvária; a outra inferior, horizontal, forma um ângulo agudo com a margem inferior da porção vertical e se dirige para trás. O osso frontal apresenta três faces: uma externa ou anterior, uma interna, cerebral ou posterior e uma face orbital ou inferior e três margens: uma supra- orbital, uma parietal e uma esfenoidal. Fig. 2.13 — Osso frontal (face externa): A — margem coronal; B — túber frontal; C — face temporal; D — processo zigomático; E — incisura supra-orbital; F — espinha nasal; G — forame supra-orbital; H — crista lateral do frontal. Face externa ou anterior É convexa, com exceção de uma pequena porção lateral que entra na formação da fossa temporal. Esta face apresenta no plano mediano, logo acima da incisura nasal, os vestígios da sutura metópica; nesta mesma porção encontramos uma emi- nência chamada glabela; uma elevação romba, o arco supra-orbital, que prolonga para fora e um pouco para cima a extremidade lateral correspondente da glabela; em cima do arco supra-orbital, uma eminência redonda e lisa, o túber frontal;
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    22 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. freqüentemente um sulco vascular produzido por um ramo da artéria supra-orbital corre na vertente inferior e lateral do túber frontal; uma crista curva de concavidade posterior chamada crista lateral do frontal, que continua para cima e para trás o processo zigomático do frontal, formando a porção anterior da linha temporal su- perior; uma pequena face atrás da crista lateral pertencente à fossa temporal, na qual se originam os feixes anteriores do músculo temporal (Fig. 2.13). Fig. 2.14 — Osso frontal (face interna): A — margem coronal; B — fossa frontal; C — processo zigomático; D — espinha nasal; E — forame cego; F — crista frontal; G — sulco seio sagital superior. Face interna, cerebral ou posterior Esta face é côncava. No plano mediano se observa imediatamente por cima da incisura etmoidal o forame cego que conduz a um canal fechado em fundo de saco. Em cima do forame cego se vê uma aresta aguda chamada crista frontal. A crista frontal, mais acima, se bifurca e limita então o sulco do seio sagital superior. A cada lado deste sulco se vê freqüentemente umas depressões de forma e di- mensões variáveis chamadas fovéolos granulares para as granulações aracnóides. Aos lados da incisura etmoidal se vêem duas superfícies convexas, são os túberes orbitais. O túber orbital está coberto de depressões irregulares, as impressões dos giros cerebrais, e de elevações alongadas que as separam, chamadas relevo das incisuras cerebrais. Em cima dos túberes orbitais se encontram as fossas frontais, que estão em relação com os lobos frontais do cérebro e correspondem aos túberes frontais da face externa (Fig. 2.14). Face orbital Esta face apresenta no plano mediano a incisura etmoidal, ampla, retangular e circunscrita por uma superfície em forma de ferradura, a superfície etmoidal.
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    CAPÍTULO 2 23 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Da parte média desta superfície se desprende imediatamente por trás da incisura nasal um processo longo, a espinha nasal do frontal. Tem a forma de uma pirâmide triangular de base superior e vértice inferior. Das três faces da espinha, a anterior rugosa se articula com a face posterior dos ossos nasais. As duas póstero-laterais são lisas, côncavas e contribuem para a formação da parede superior das fossas nasais; estão separadas uma da outra por uma aresta média posterior que se articula com a lâmina vertical do etmóide. A incisura etmoidal está limitada lateralmente por duas superfícies alongadas de diante para trás, cheias de cavidades separadas por delgadas lamínulas ósse- as. Estas cavidades são semicélulas frontais que completam com as semicélulas etmoidais, as células frontoetmoidais. Observa-se também nestas superfícies dois sulcos ligeiramente oblíquos para dentro e para a frente, que se transformam em canais chamados canais etmoidais (anterior e posterior), pelos sulcos correspondentes que apresenta a face superior do labirinto etmoidal (Fig. 2.10). Aos lados da zona etmoidal encontram-se duas superfícies côncavas, lisas, triangulares, chamadas fossas orbitais. A concavidade destas fossas não é regu- lar. Está mais acentuada: 1 — lateralmente, onde se observa uma depressão cha- mada fossa lacrimal, onde se aloja a glândula lacrimal; 2 — medialmente, onde existe uma pequena escavação, a fóvea troclear, na qual se insere a polia de refle- xão do músculo oblíquo superior. Existe às vezes na fóvea, uma espinha chama- da espinha troclear. Margem parietal É um segmento semicircular, é denteada e se articula com os ossos parietais (Fig. 2.8). Margem esfenoidal Lateralmente está cortada em bisel pela tábua externa e se articula com a asa maior do esfenóide e inferiormente a com a asa menor do esfenóide (Fig. 2.11). Margem supra-orbital Distingue-se no plano mediano uma incisura denteada que se articula com os ossos nasais medialmente e com os processos frontais das maxilas lateralmente. Lateralmente à incisura nasal encontram-se os arcos supra-orbitais, que for- mam a cada lado a margem superior da órbita. Os arcos supra-orbitais apresen- tam na sua porção intermédia uma incisura ou um forame chamado supra-orbital por onde passam nervo e vasos supra-orbitais. O arco supra-orbital termina por fora em uma eminência prismática triangular, o processo zigomático do frontal que se articula com o processo frontal do zigomático (Fig. 2.10).
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    24 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Conexões Posteriores — Parietais e esfenóide (Figs. 2.8 e 2.42). Inferiores — Nasais, maxilas, lacrimais, etmóide e zigomáticos (Figs. 2.10 e 2.46). Origens musculares Orbiculares dos olhos, corrugadores dos supercílios, elevadores do lábio superior e das asas do nariz, oblíquos superiores (origens funcionais) e tempo- rais (Figs. 4.2, 4.9 e 4.13). OSSO PARIETAL (PAR) Posição — A face côncava para o plano mediano e o ângulo mais agudo do qual irradiam sulcos vasculares, para baixo e para adiante. Situação — Situado aos lados do plano mediano, na parte súpero-lateral do crâ- nio, atrás do frontal, à frente do occipital e acima do temporal. Tem duas faces, uma externa ou lateral, e outra interna, medial ou cerebral, quatro margens e quatro ângulos. Fig. 2.15 — Osso parietal esquerdo (face externa): A — margem sagital; B — ângulo occipital; C — margem occipital; D — ângulo mastóideo; E — margem temporal; F — ângulo esfenoidal; G — margem frontal; H — ângulo frontal. Face externa É convexa e inferiormente apresenta duas linhas curvas concêntricas, as li- nhas temporais superior e inferior. A primeira dá origem à fáscia temporal; a
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    CAPÍTULO 2 25 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. segunda ao músculo temporal. Por cima da linha curva temporal superior a su- perfície do parietal é lisa, convexa, e sua parte média, mais saliente, chama-se túber parietal. Próximo à margem sagital do parietal, um pouco à frente de sua margem occipital, se vê o forame parietal, que se abre na cavidade craniana e dá passagem à veia emissária parietal (Figs. 2.8 e 2.15). Fig. 2.16 — Osso parietal esquerdo (face interna): A — margem sagital; B — ângulo occipital; C — margem occipital; D — ângulo mastóideo; E — margem temporal; F — ângulo esfenoidal; G — margem frontal; H — ângulo frontal; I — sulco da artéria meníngea média. Face interna Esta face é côncava, apresenta sulcos vasculares ramificados, dirigidos do ângulo ântero-inferior para a margem sagital. Por estes sulcos seguem os ramos da artéria meníngea média. A face cerebral está deprimida na porção média, esta depressão chama-se fossa parietal e está em relação com o lobo parietal do cére- bro. Ao longo da margem superior se encontra um semi-sulco que se une ao parietal oposto, formando assim o sulco do seio sagital superior. Aos lados deste sulco, o parietal apresenta pequenas depressões, que são os fovéolos granulares para as granulações aracnóides (Fig. 2.16). Margem sagital É denteada e se articula com a margem correspondente do parietal oposto, formando a sutura sagital (Fig. 2.8). Margem temporal É côncava, cortada em bisel por sua tábua externa e se articula com a escama do temporal (Fig. 2.11).
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    26 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Margem frontal Articula-se com o frontal, formando a sutura coronal (Fig. 2.8). Margem occipital Articula-se com a escama do occipital, formando a sutura lambdóide (Fig. 2.9). Ângulo frontal Corresponde à união das suturas coronal e sagital. Este ponto de união cha- ma-se bregma (Fig. 2.8). Ângulo occipital Está na união das suturas sagital e lambdóide. Este ponto chama-se lambda (Fig. 2.9). Ângulo esfenoidal Está na união frontal, parietal, asa maior do esfenóide e temporal. Este ponto chama-se ptério (Fig. 2.11). Ângulo mastóideo Está na união das porções escamosa e mastóidea do temporal, parietal e occipital. Este ponto chama-se astério (Fig. 2.11). Conexões Anterior — Frontal (Fig. 2.8). Posterior — Occipital (Fig. 2.9). Inferiores — Temporal e esfenóide (Fig. 2.11). Súpero-medial — Parietal oposto (Fig. 2.8) Origem muscular — Músculo temporal (Fig. 4.14). OSSO OCCIPITAL (ÍMPAR) Posição — Para a frente a face côncava da escama e para baixo o forame magno ou occipital, colocando-se quase horizontalmente. Situação — Está situado na parte média, posterior e inferior do crânio. Tem a forma de um segmento de esfera. O occipital está atravessado na sua parte inferior por um orifício ovalado chamado forame magno ou occipital. Este forame põe em
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    CAPÍTULO 2 27 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. comunicação a cavidade craniana com o canal raquídeo e dá passagem ao bulbo, artérias vertebrais e aos nervos acessórios. No occipital encontramos quatro porções: 1 — uma anterior e inferior cha- mada parte basilar; 2 — duas laterais que são as partes laterais, limitam lateral- mente o forame magno; 3 — por fim, uma porção posterior e superior à escama do occipital. Parte basilar A parte basilar é quadrilátera e apresenta duas faces e quatro margens. Face inferior ou exocraniana Apresenta, no plano mediano, na união do terço posterior com os dois ter- ços anteriores, o tubérculo faríngeo, no qual se insere a aponeurose faríngea. A cada lado do plano mediano existem duas cristas curvas de concavidade ante- rior, uma posterior e outra anterior. A crista posterior ou muscular parte do tubérculo faríngeo e dá origem ao músculo reto anterior menor. A anterior in- constante chama-se crista sinostósica e está situada um pouco à frente da crista posterior. Diante da crista sinostósica encontra-se uma depressão para origem do músculo reto anterior maior (Fig. 2.17). Face superior ou endocraniana Está inclinada para baixo e para trás e apresenta um longo sulco chamado clivus ou canal basilar. Corresponde ao bulbo e à ponte (Figs. 2.18 e 2.42). Margens laterais Estão unidas ao rochedo do temporal por fibrocartilagem. Do seu lábio supe- rior corre um sulco em relação com o seio petroso inferior (Fig. 2.42). Margem anterior Está soldada ao corpo do esfenóide, no adulto (Fig. 2.42). Margem posterior Forma o limite anterior do forame magno (Fig. 2.42). PARTES LATERAIS Estão situadas aos lados do forame occipital. Cada uma delas apresenta duas faces, duas margens e duas extremidades.
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    28 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face externa Encontra-se uma eminência articular convexa elíptica, que é o côndilo occipital, que se articula com o atlas (primeira vértebra cervical). À frente e por fora do côndilo se vê a fossa condilar anterior, no fundo da qual se abre o canal do hipoglosso, por onde passa o nervo hipoglosso (XII par craniano). Atrás do côndilo se vê a fossa condilar posterior, onde nasce o canal condilar (inconstan- te) para uma veia emissária. Enfim, por fora do côndilo se estende uma superfície rugosa para origem do músculo reto lateral (Fig. 2.17). Face interna Nesta face encontram-se: 1 — à frente uma eminência, o tubérculo occipital, escavado por um sulco que seguem os nervos glossofaríngeo, vago e acessório para se dirigir ao forame jugular; 2 — atrás e abaixo, o forame interno do canal do hipoglosso, que dá passagem ao nervo hipoglosso; 3 — por trás e por fora do tubérculo, junto ao processo jugular do occipital, a curta porção terminal do sulco do seio sigmóide (Fig. 2.42). Margem medial Limita lateralmente o forame occipital (Fig. 2.42). Margem lateral Está dividida em duas partes pelo processo jugular; este se articula com a superfície jugular do temporal. Atrás dele, a margem é rugosa e se une à porção mastóidea do temporal. Diante dele, a margem lateral forma o limite medial do forame jugular (Fig. 2.18). Este forame, compreendido entre o rochedo do temporal e o occipital, está subdividido em duas partes, uma anterior e outra posterior, por duas elevações agudas, as espinhas jugulares. Estas espinhas nascem uma do rochedo e outra do occipital e estão unidas por um feixe fibroso. A parte posterior do forame jugular corresponde à origem da veia jugular interna. A porção anterior está subdividida por um tabique fibroso em dois segmentos, um posterior, por onde passam os nervos vago e acessório; outro anterior, atravessado pelo nervo glossofaríngeo, e, diante deste nervo, pelo seio petroso inferior. Ainda passam por este forame: a artéria meníngea posterior, ramo da faríngea ascendente, e um ramo meníngeo da artéria occipital. PARTE ESCAMOSA Possui duas faces e duas margens.
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    CAPÍTULO 2 29 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face externa Na parte média desta face nota-se uma eminência rugosa, a protuberância occipital externa. Da protuberância parte a crista occipital externa, que se estende de cima para baixo até a margem posterior do forame occipital. Da protuberância occipital externa e da parte média da crista occipital se des- prendem a cada lado duas cristas transversais rugosas côncavas, para a fren- te, as linhas superior e inferior da nuca (Fig. 2.17). Face interna No plano mediano há uma elevação, a protuberância occipital interna, situa- da no mesmo nível da protuberância occipital externa. Da protuberância occipital interna partem: 1 — dois sulcos horizontais, um de cada lado, que são os sulcos dos seios transversos; 2 — um sulco vertical e ascenden- te para o seio sagital superior; 3 — uma crista vertical, descendente à crista occipital interna, que se bifurca na proximidade do forame magno, cujos dois ramos se per- dem nas margens deste forame, limitando uma depressão chamada fóvea vermiana. Os sulcos dos seios e a crista occipital interna dividem a face interna da escama em quatro fossas occipitais: duas superiores ou cerebrais em contato com os lobos occipitais do cérebro e duas inferiores ou cerebelares em contato com o cerebelo (Fig. 2.18). Fig. 2.17 — Osso occipital (face externa): A — linha nucal suprema; B — linha nucal superior; C — linha nucal inferior; D — forame magno; E — côndilo occipital; F — parte basilar; G — crista occipital externa; H — protuberância occipital externa.
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    30 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Margem lambdóidea Articula-se com os parietais (Fig. 2.9). Margem mastóidea Articula-se com as mastóides dos temporais (Fig. 2.9). Conexões Anterior — Esfenóide (Fig. 2.12). Ântero-superiores — Parietais (Fig. 2.9). Anterolaterais — Temporais (Fig. 2.42). Inferior — Atlas (primeira vértebra cervical ) (Fig. 2.12). Origens musculares Na escama: esternocleidomastóideo, occipital, trapézio, esplênio da cabeça, complexo maior, reto posterior menor, reto posterior maior, oblíquo superior ou Fig. 2.18 — Osso occipital (face interna): A — margem lambdóide; B — sulco do seio sagital superior; C — fossa cerebral; D — sulco do seio transverso; E — crista occipital interna; F — processo jugular; G — parte basilar; H — fossa cerebelar; I — protuberância occipital interna.
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    CAPÍTULO 2 31 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. menor; no processo jugular: reto lateral; na parte basilar: reto anterior menor, reto anterior maior e constritor superior da faringe. OSSO ESFENÓIDE (ÍMPAR) Posição — Para cima, horizontalmente, a parte lisa das asas menores, e para a frente sua margem cortante e denteada. Situação — Está situado na parte média da base do crânio, entre o etmóide e o frontal, que estão diante dele e o occipital e os temporais que estão por trás. Observa-se no esfenóide: o corpo, de onde partem a cada lado três processos. Destes três processos, os dois laterais são as asas menores e as asas maiores. Os terceiros, verticalmente descendentes, chamam-se processos pterigóides. Fig. 2.19 — Osso esfenóide (vista posterior): A — sulco pré-quiasmático; B — processo clinóide posterior; C — asa menor; D — asa maior; E — forame redondo; F — espinha do esfenóide; G — lâmina lateral do processo pterigóide; H — hâmulo pterigóideo; I — lâmina medial do processo pterigóide; J — lâmina quadrilátera; K — forame oval; L — fissura orbital superior; M — processo clinóide anterior; N — canal óptico. Corpo do esfenóide É irregularmente cúbico e apresenta seis faces. Face superior Observa-se na sua porção mais anterior uma superfície lisa chamada emi- nência esfenoidal. A eminência esfenoidal está ligeiramente deprimida aos lados do plano mediano em forma de sulco que se continua com o sulco olfatório do etmóide. O prolongamento anterior da eminência esfenoidal articula-se com o etmóide e se chama processo etmoidal do esfenóide. Na porção mais posterior da eminên- cia esfenoidal se encontra um sulco transversal chamado sulco pré-quiasmático,
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    32 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. que se continua lateralmente com o canal óptico, escavado na base das asas me- nores. O sulco pré-quiasmático está limitado por trás por uma crista transversal, o tubérculo da sela. Este tubérculo limita pela frente a fossa hipofisária, chamada também sela turca. Ela contém a glândula hipófise ou pituitária. A vertente pos- terior está formada pela lâmina quadrilátera. A face posterior desta lâmina é rugosa, plana, inclinada para baixo e para trás em continuidade com o clivus do occipital. A sua margem superior se prolonga para os lados por duas elevações chamadas processos clinóides posteriores (Fig. 2.19). Fig. 2.20 — Osso esfenóide (vista anterior): A — crista esfenoidal anterior; B — face temporal; C — forame redondo; D — lâmina lateral do processo pterigóide; E — hâmulo pterigóideo; F — lâmina medial do processo pterigóide; G — crista esfenoidal inferior; H — canal pterigóideo; I — forame espinhoso; J — crista zigomática; K — fissura orbital superior; L — seio esfenoidal. Face anterior Apresenta: 1 — uma crista vertical, a crista esfenoidal anterior ou crista etmoidal do esfenóide, que se une à margem posterior da lâmina perpendicular do etmóide; 2 — a cada lado da crista, o forame de entrada do seio esfenoidal; 3 — uma superfície lateral com semicélulas esfenoidais que se articulam com a face posterior do labirin- to etmoidal e com a superfície esfenoidal do processo orbital do palatino (Fig. 2.20). Face inferior Constitui a porção mais posterior do teto das fossas nasais. Apresenta no plano mediano a crista esfenoidal inferior; sua extremidade anterior, muito sali- ente, chama-se rostro esfenoidal e se encontra com a crista esfenoidal anterior. A crista esfenoidal inferior corresponde ao sulco compreendido entre as asas do vômer. Porém, a adaptação não é perfeita e os ossos deixam entre si o canal esfeno- vomeriano.
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    CAPÍTULO 2 33 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face posterior É uma superfície quadrilátera desigual, pela qual o esfenóide se une ao occipital. Estes ossos se soldam muito cedo (entre 16 e 18 anos) e no adulto, geralmente, desaparece o vestígio da soldadura (Fig. 2.19). Faces laterais Das faces laterais do corpo do esfenóide nascem: acima e à frente as asas menores; abaixo e atrás as asas maiores. O espaço compreendido entre a raiz inferior da asa menor e a raiz superior da asa maior corresponde à extremidade medial da fissura orbital superior. Pela frente da fissura, a face lateral é lisa e constitui a parte mais posterior da parede medial da órbita. Por cima e por trás da raiz da asa maior se observa um sulco contornado em S, é o sulco do seio caver- noso ou sulco carótico (Fig. 2.19). ASAS MENORES São duas lâminas horizontais, triangulares, de vértice lateral, situadas aos lados da parte anterior e superior do corpo do esfenóide (Fig. 2.19). Face superior Plana e lisa, continua-se pela frente com a face superior das lâminas orbitais do frontal (Fig. 2.42). Face inferior Forma a parte mais profunda do teto da órbita e limita por cima a fissura orbital superior. A margem anterior, cortada em bisel por sua porção inferior, articula-se com as lâminas orbitais do frontal. A margem posterior é livre e se prolonga medialmente em uma eminência chamada processo clinóide anterior (Fig. 2.19). ASAS MAIORES Têm origem na porção póstero-inferior das faces laterais do corpo. Face cerebral Esta face é côncava e apresenta na porção mais próxima do corpo três forames que são: o mais anterior forame redondo, por onde passa o nervo maxilar; o mé- dio forame oval, por onde passam o nervo mandibular e a artéria meníngea me- nor; o mais posterior é o forame espinhoso situado na espinha do esfenóide, que dá passagem à artéria meníngea média e um ramo meníngeo do nervo mandibu-
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    34 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. lar. No resto de sua extensão, a face cerebral está coberta pelas impressões dos giros e relevos das incisuras cerebrais (Fig. 2.19). Face externa Esta face está dividida pela crista zigomática em duas porções: orbital e tem- poral. A crista zigomática, vertical, articula-se com a margem póstero-medial do processo esfenoidal ou orbital do osso zigomático e, inferiormente, ainda apre- senta a face infratemporal (Fig. 2.20). Face orbital Está voltada para a frente e medialmente e toma parte na constituição da parede lateral da órbita. É plana e triangular (Fig. 2.20). Face temporal Forma parte da fossa temporal e dá origem ao músculo temporal (Fig. 2.20). Face infratemporal Constitui a parede superior da fossa infratemporal e dá origem à cabeça su- perior do músculo pterigóideo lateral (Fig. 2.12). Margem frontal Articula-se com o frontal (Fig. 2.11). Margens parietais Articulam-se com os parietais (Fig. 2.11). Margens temporais Articulam-se com os temporais (Fig. 2.11). Margens zigomáticas Articulam-se com os zigomáticos (Fig. 2.10). Processos pterigóides Os processos pterigóides implantam-se na face inferior do esfenóide por duas lâminas a cada lado, uma medial e outra lateral. A lâmina medial nasce da face
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    CAPÍTULO 2 35 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. inferior do corpo do esfenóide. A lâmina lateral, mais volumosa, se desprende da asa maior (Figs. 2.19 e 2.20). As duas lâminas, separadas primeiro uma da outra, se reúnem um pouco mais abaixo de sua origem e circunscrevem um canal anteroposterior, o canal pterigóideo. Por baixo do canal pterigóideo cada raiz se continua para baixo como uma lâmina óssea. As duas lâminas se unem por suas margens anteriores na metade superior de sua altura e formam um ângulo diedro aberto para trás que contribui para formar a fossa pterigóidea, onde se origina o músculo pterigóideo medial (Figs. 2.19 e 4.15). Na metade inferior, as duas lâminas se separam uma da outra, ao mesmo tempo que se estreitam gradualmente para baixo. Limitam assim uma incisura triangular, a incisura pterigóidea, ocupada pelo processo piramidal do osso palatino. A face anterior do processo pterigóide forma a parede posterior da fossa pterigopalatina. Em sua extremidade superior vê-se o forame anterior do canal pterigóideo. A face posterior constitui a fossa pterigóidea. Na parte súpero-medial da fos- sa pterigóidea se observa uma pequena depressão, a fossa escafóide, na qual se origina o músculo tensor do véu palatino. Conexões Anteriores — Etmóide, frontal e palatinos (Figs. 2.42 e 2.44). Posterior — Occipital (Figs. 2.12 e 2.42). Superiores — Parietais (Fig. 2.11). Ântero-inferior — Vômer (Fig. 2.43). Anterolaterais — Zigomáticos (Fig. 2.10). Póstero-laterais — Temporais (Fig. 2.11). Origens musculares Nas asas maiores, os músculos temporais e pterigóideos laterais. Nas asas menores, os músculos elevadores das pálpebras superiores, oblíquos superiores, retos superiores, retos inferiores, retos laterais e retos mediais. E, nos processos pterigóides, os músculos pterigóideos mediais, pterigóideos laterais, constritor superior da faringe e tensores do véu palatino. OSSO ETMÓIDE (ÍMPAR) (FIG. 2.21) Posição — A face crivada de pequenos forames, para cima horizontalmente, e a eminência triangular desta face (crista galli) para frente e para cima.
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    36 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Situação — Está situado debaixo da porção horizontal do frontal, na parte ante- rior e média da base do crânio. Ocupa a incisura etmoidal do frontal. O etmóide está constituído por quatro porções: 1 — uma lâmina óssea verti- cal, anteroposterior; 2 — uma lâmina horizontal que corta a vertical próximo à sua extremidade superior; 3 — dois labirintos ou massas laterais colocados nas extremidades laterais da lâmina horizontal. Fig. 2.21 — Osso etmóide (corte frontal esquemático): A — lâmina crivosa; B — crista galli; C — concha nasal suprema; D — concha nasal superior; E — células etmoidais; F — concha nasal média: G — lâmina perpendicular. LÂMINA VERTICAL OU PERPENDICULAR Está dividida pela lâmina horizontal em duas porções: uma superior, crista galli, que sobressai na cavidade craniana; a outra inferior é a lâmina vertical propriamente dita, que forma parte do septo nasal. É delgada e freqüentemente desviada para um dos lados; é pentagonal. Suas faces estão escavadas por sulcos vasculonervosos numerosos, principalmente próximo à sua margem superior. A margem anterior se articula por cima com a aresta posterior da espinha nasal do frontal e por baixo, com os ossos nasais. A margem ântero-inferior se une à carti- lagem do septo nasal. A margem posterior se articula com a crista esfenoidal anterior ou etmoidal do esfenóide. A margem póstero-inferior se une à margem ântero-superior do vômer. A margem superior se confunde com a lâmina hori- zontal do etmóide (Fig. 2.43). Crista galli É um processo triangular, suas faces laterais são convexas. A base se une à lâmina horizontal. A margem posterior termina no limite posterior do etmóide, atenuando-se progressivamente. A margem anterior possui duas cristas laterais
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    CAPÍTULO 2 37 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. chamadas processos alares, que se articulam com o frontal. Estes processos limi- tam o forame cego. O vértice da crista galli dá inserção à foice do cérebro (forma- ção dural que separa os hemisférios cerebrais) (Figs. 2.42 e 2.43). LÂMINA CRIVOSA É quadrilátera e se estende de uma margem à outra da incisura etmoidal do frontal. Sua face superior, endocranial, está dividida pela crista galli em duas porções laterais sulcadas de diante para trás, são os sulcos olfatórios. Na parte anterior destes sulcos há uma depressão em relação com o bulbo olfatório. Cada um destes sulcos está crivado de pequenos orifícios que dão passagem aos filetes do nervo olfatório (Fig. 2.42). Ao lado da crista galli existe uma fenda etmoidal que dá passagem a um prolongamento da dura-máter. Por fora desta fenda, encontra-se o forame etmoidal anterior, que dá passagem ao nervo etmoidal anterior e à artéria etmoi- dal anterior. A face inferior da lâmina crivosa forma parte do teto das fossas nasais. Labirintos etmoidais ou massas laterais Estão pendentes das margens laterais da lâmina crivosa. Cada labirinto pode ser comparado a um cubo irregular, logo pode-se considerar nele seis faces. FACE SUPERIOR Prolonga lateralmente a face superior da lâmina crivosa e se articula com a superfície etmoidal do frontal. Está ocupada por semicélulas etmoidais que, completadas pelas semicélulas frontais, formam as células frontoetmoidais. Apresenta dois sulcos, um anterior e outro posterior; estes sulcos formam os canais etmoidais anterior e posterior, unindo-se aos sulcos correspondentes do frontal. Os canais etmoidais se abrem lateralmente, na cavidade orbital, no nível da sutura que une o etmóide ao frontal; pelo canal etmoidal anterior pas- sam os vasos e o nervo etmoidais anteriores; pelo posterior passam os vasos e o nervo etmoidais posteriores. FACE ANTERIOR Articula-se com a parte superior da face medial do osso lacrimal e também por sua parte superior, com a face medial do processo frontal da maxila. FACE INFERIOR Articula-se com a parte mais superior da face medial da maxila e com a face etmoidal do processo orbital do palatino.
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    38 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. FACE POSTERIOR Articula-se com a face anterior do corpo do esfenóide. FACE LATERAL É quadrilátera, lisa e quase vertical, apresenta uma lâmina plana, muito del- gada, chamada lâmina orbital, porque forma parte da parede medial da órbita (Fig. 2.46). FACE MEDIAL É muito irregular e dá origem a umas lâminas ósseas encurvadas chamadas conchas nasais média, superior e suprema (inconstante). As conchas limitam com a porção correspondente da face medial do labirinto, uns espaços chamados meatos (Fig. 2.21). Da extremidade anterior do meato médio se desprende uma lâmina óssea delgada, o processo uncinado, que lembra o aspecto de uma adaga. Por trás do processo uncinado, a parede externa do meato médio está elevada por uma célu- la etmoidal, formando uma eminência chamada bulha ou bolha etmoidal. Conexões Superior — Frontal (Fig. 2.46). Inferiores — Palatinos, conchas nasais inferiores e vômer (Figs. 2.43 e 2.44). Anteriores — Frontal e nasais (Figs. 2.42 e 2.43). Posterior — Esfenóide (Figs. 2.42 e 2.43). Laterais — Maxilas e lacrimais (Fig. 2.46). OSSO TEMPORAL (PAR) Posição — Para cima a parte do osso em forma de escama, com a face convexa para fora, na qual se destaca um processo encurvado; e para a frente a extremida- de livre deste processo. Situação — Localiza-se na parte inferior e lateral do crânio, atrás do esfenóide, diante e por fora do occipital e abaixo do parietal. O temporal compreende as seguintes partes: escamosa, timpânica, estilóide, mastóidea e petrosa. Parte escamosa É uma delgada lâmina óssea situada vertical e lateralmente no crânio. Ela apresenta uma superfície cerebral medial e, lateralmente, uma superfí- cie temporal.
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    CAPÍTULO 2 39 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. O processo zigomático estende-se para a frente da parte escamosa a fim de se articular com o processo temporal do osso zigomático e, assim, contribuir para formar o arco zigomático. O arco, acompanhado para trás, mostra ser dividido em duas raízes. A anterior continua-se com a eminência articular, uma elevação lisa situada na frente de uma profunda concavidade conhecida como fossa man- dibular. Tanto a fossa quanto a eminência são amplas porções da parte escamosa do temporal. Suas margens dão inserção à cápsula da articulação temporo- mandibular (ATM). O côndilo da mandíbula ocupa a fossa mandibular quando a boca está fechada e descansa sob a eminência articular quando está aberta. A raiz posterior do arco zigomático continua-se com a crista supramastóidea. A porção da raiz posterior, situada imediatamente adiante do meato acústico externo, é denominada eminência retroarticular (Fig. 2.22). Parte timpânica Está constituída por uma lâmina timpânica curva que está fundida posterior- mente, com as partes mastóidea e petrosa, e constitui uma bainha para o proces- so estilóide. Sua parte superior forma o soalho e a parte anterior do meato acús- tico externo. Na fossa mandibular, a lâmina timpânica está separada da escama pela fissura timpanoescamosa. A parte medial desta fissura é, em geral, ocupada por uma porção do tegmen tympani (uma porção do temporal petroso), que cons- titui a parede anterolateral da parte óssea da tuba auditiva. A fissura é, assim, dividida em uma fissura petroescamosa, anteriormente, e uma fissura petro- Fig. 2.22 — Osso temporal (vista lateral): A — face lateral da escama; B — processo zigomático; C — tubérculo articular; D — fossa mandibular; E — fissura petroescamosa; F — fissura petrotimpânica; G — processo estilóide; H — incisura mastóidea; I — forame mastóideo; J — meato acústico externo; K — sulco da artéria temporal profunda posterior.
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    40 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. timpânica, posteriormente. Esta última permite a saída do nervo corda do tímpa- no (Fig. 2.22). Parte estilóide É constituída pelo processo estilóide, que é uma fina projeção de compri- mento variável em forma de estilete. Estende-se para baixo e para a frente, inici- ando-se sob a placa timpânica. Dá origem a três músculos (estiloglosso, estilofaríngeo e estilo-hióideo) e nele se prendem dois ligamentos (estilomandi- bular e estilo-hióideo) (Fig. 2.22). Parte mastóidea A porção posterior do osso temporal é chamada de mastóide; geralmente, contém certo número de espaços aéreos, as células mastóideas, que se comuni- cam com a orelha média por meio do antro mastóideo. A parte mastóidea é carac- terizada pelo processo mastóideo que se projeta para baixo, facilmente palpável no vivente. Medialmente a este processo encontramos a incisura mastóidea ou digástrica, na qual se origina o ventre posterior do músculo digástrico. A incisura mastóidea leva, anteriormente, ao forame estilomastóideo, pelo qual emerge do crânio o nervo facial. Medialmente à incisura existe, em geral, um sulco para a artéria occipital (Fig. 2.22). Fig. 2.23 — Osso temporal (vista medial): A — face medial da escama; B — eminência arqueada; C — margem superior do rochedo; D — forame mastóideo; E — incisura jugular; F — canal carótico; G — meato acústico interno; H — impressão trigeminal; I — sulco da artéria meníngea média.
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    CAPÍTULO 2 41 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Parte petrosa ou rochedo Tem a configuração de uma pirâmide triangular. Ela contém a orelha interna e contribui para delimitar a orelha média. Sua base, dirigida lateralmente, fun- de-se com as outras partes do osso temporal. Seu ápice está orientado medial e anteriormente, entre o esfenóide lateralmente, e o occipital medialmente. As três superfícies são: ântero-superior, póstero-superior, ambas dirigidas para a cavida- de craniana, e a inferior, que é voltada para fora da cavidade craniana. Face ântero-superior Apresenta: 1 — na união dos dois terços anteriores com o terço posterior, uma eminência chamada arqueada; 2 — na frente dela, o forame do canal facial, que se continua com um sulco para adiante, por onde passa o nervo petroso superficial maior, lateralmente a este, um forame menor que se continua com um sulco também para adiante por onde passa o nervo petroso superficial menor; 3 — na frente destes forames, uma depressão chamada impressão trigeminal, porque aloja o gânglio trigeminal ou semilunar do nervo trigêmeo; 4 — tegmen tympani situado na frente e por fora da eminência arqueada, formando a parede superior da cavidade timpânica (Fig. 2.18). Face póstero-superior Apresenta: 1 — na união do terço anterior com o terço médio, o meato acús- tico interno que se continua com o conduto auditivo interno por onde passam os nervos intermediofacial e vestibulococlear; 2 — um pouco atrás do meato acústi- co interno encontramos uma depressão chamada fóvea ungueal, na qual se abre o forame posterior do aqueduto do vestíbulo (Fig. 2.23). Face inferior Apresenta: 1 — a fossa jugular, uma depressão situada medialmente ao pro- cesso estilóide, constitui um dos limites do forame jugular. Uma pequena abertu- ra, o canalículo mastóideo, está localizado na parede lateral da fossa jugular e dá passagem ao ramo auricular do nervo vago; 2 — o canal carótico é um túnel temporal petroso e dá passagem à artéria carótida interna em sua entrada para a cavidade craniana. A parte inferior do canal encontra-se imediatamente à frente da fossa jugular e, assim, a artéria carótida interna penetra na base do crânio, anteriormente à saída da veia jugular interna que nasce no forame jugular; 3 — no limite entre a fossa jugular e o canal carótico, encontramos uma pequena depressão, a fóssula petrosa no fundo da qual encontra-se a abertura do canalículo timpânico, que dá passagem ao nervo timpânico, ramo do nervo glossofaríngeo; 4 — a área quadrada do temporal petroso, situa-se entre o canal carótico e o forame lácero. Nela se origina o músculo levantador do véu palatino. O forame lácero é uma abertura denteada, situada entre o temporal petroso, o corpo e a asa maior do esfenóide, e a parte basilar do occipital. Ele está fechado por cartilagem no vivo e se relaciona, inferiormente, com a parte cartilagínea da tuba auditiva;
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    42 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. 5 — o sulco existente entre a área quadrada, medialmente, e a asa maior do esfenóide, lateralmente, é ocupado no vivo, pela parte cartilagínea da tuba audi- tiva. A extremidade póstero-lateral do sulco continua-se com dois canais para dentro do osso temporal. Eles terminam na orelha média (cavidade timpânica). O inferior é a parte óssea da tuba auditiva e o superior e menor é ocupado pelo músculo tensor do tímpano. Conexões Súpero-medial — Parietal (Fig. 2.11). Inferior — Mandíbula (Fig. 2.11). Póstero-medial — Occipital (Fig. 2.11). Anteriores — Esfenóide e zigomático (Fig. 2.11). Origens musculares Escama — Músculo temporal (Fig. 4.14). Mastóide — Músculos occipital, auricular posterior, esplênio da cabeça, com- plexo menor, digástrico e esternocleidomastóideo. Processo Zigomático — Músculos masseter e auricular anterior (Fig. 4.14). Processo Estilóide — Músculos estiloglosso, estilo-hióideo e estilofaríngeo (Fig. 4.6). Porção Petrosa ou Rochedo — Músculo levantador do véu palatino (Fig. 4.7). MAXILA (PAR) Posição — Para baixo, o processo alveolar; para o plano mediano, a parte cônca- va deste processo e, para trás, sua extremidade mais grossa. Situação — Está situado em cima da cavidade bucal, embaixo da cavidade orbital e por fora das fossas nasais. Toma parte na formação das paredes destas três cavidades. É um osso volumoso; entretanto, é leve, devido à existência de uma cavidade, o seio maxilar. O corpo da maxila tem a forma de uma pirâmide trian- gular cuja base está voltada para medial e o ápice para lateral apresenta três faces, anterior, superior e posterior. Do corpo partem os processos frontal, para adiante e para cima; zigomático, para fora; alveolar, para baixo; e palatino para o plano mediano. Face anterior Está em relação com as partes moles da bochecha. Apresenta o forame infra- orbital, logo abaixo da margem inferior da órbita numa vertical baixada do forame supra-orbital, uma eminência alveolar mais destacada, deixada pela raiz do cani- no superior (eminência canina), abaixo do forame infra-orbital, apresenta uma depressão chamada fossa canina (Fig. 2.24).
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    CAPÍTULO 2 43 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face orbital ou superior É triangular, lisa e constitui a maior parte do soalho da órbita. Da parte média da margem posterior desta face parte um sulco chamado sulco infra- orbital, que se dirige para a frente e se continua com o canal infra-orbital. Este canal dá passagem ao nervo e vasos infra-orbitais. Antes de atingir o forame infra-orbital, o canal dá um divertículo para baixo, chamado canal alveolar ântero-superior para o nervo e vasos alveolares ântero-superiores (Figs. 2.24 e 2.45). Face infratemporal ou posterior Forma a parede anterior da fossa infratemporal. É convexa e se chama túber ou tuberosidade maxilar. Em sua parte média observam-se os forames dos canais alveolares póstero-superiores, por onde passam os nervos e vasos alveolares póstero-superiores (Fig. 2.24). Base da pirâmide, face nasal ou medial Encontramos uma ampla abertura que dá acesso ao seio maxilar; é o hiato do seio. Fig. 2.24 — Maxila (vista lateral): A — processo frontal; B — forame infra-orbital; C — espinha nasal anterior; D — eminência canina; E — curva zigomático-alveolar; F — tuberosidade da maxila; G — processo zigomático; H — canal infra-orbital; I — face orbital.
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    44 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Em cima do hiato do seio, esta face está escavada por uma ou duas semicélulas que completam as do etmóide, formando as células maxilo-etmoidais. Na frente do hiato do seio desce o sulco lacrimal. Da extremidade inferior do lábio anterior deste sulco, parte uma crista oblíqua para adiante e para baixo, a crista da con- cha que se articula com a concha nasal inferior. O lábio posterior do sulco lacri- mal está constituído pela parte mais elevada da margem anterior do hiato do seio maxilar. Neste nível, a margem anterior do seio se encurva para dentro e para frente em uma lâmina óssea delgada chamada crista lacrimal, que forma a ver- tente posterior do sulco lacrimal. Os dois lábios do sulco lacrimal se articulam com as margens de outro sulco escavado na face lateral do osso lacrimal, formando o canal lacrimonasal. Atrás do hiato do seio encontramos um sulco oblíquo para baixo e para a frente. O osso palatino, articulando-se aí, forma um canal chamado palatino maior, que interliga a cavidade bucal inferiormente, e com a fossa pterigopalatina, su- periormente. Este canal dá passagem ao nervo e vasos palatinos maiores. Estas faces são separadas por margens que são as seguintes: margem ântero- superior ou infra-orbital, separa a face anterior da face superior; margem póstero- superior, separa a face superior da face posterior e constitui a margem inferior da fissura orbital inferior; margem infrazigomática, separa a face anterior da face posterior e constitui a curva zigomático-alveolar; e a margem anterior limita com a maxila oposta a abertura anterior das fossas nasais (Fig. 2.25). Fig. 2.25 — Maxila (vista medial): A — sulco lacrimal; B — hiato maxilar; C — tuberosidade da maxila; D — processo palatino; E — crista da concha; F — crista etmoidal; G — processo frontal.
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    CAPÍTULO 2 45 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. PROCESSO FRONTAL É uma lâmina óssea quadrilátera que apresenta duas faces. A face lateral está dividida por uma crista vertical chamada crista lacrimal anterior, em duas par- tes, uma anterior e outra posterior. A parte anterior é quase lisa; a posterior está ocupada por um sulco que contribui para formar o canal lacrimonasal. A face medial forma parte da parede lateral das fossas nasais. Apresenta em sua parte média uma crista oblíqua para a frente e para baixo, chamada crista etmoidal, que se articula a concha nasal média, uma porção do etmóide. Das quatro margens do processo frontal, a anterior se articula com o osso nasal; a posterior com o lacrimal; a superior com o frontal e a inferior está soldada à própria maxila (Fig. 2.25). PROCESSO ZIGOMÁTICO Por cima do primeiro molar superior, do corpo da maxila projeta-se para fora o processo zigomático que acompanha a forma do corpo, ou seja, a forma de uma pirâmide triangular cujo vértice se articula com o osso zigomático (Fig. 2.24). Fig. 2.26 — Maxilas e palatinos (vista inferior): A — processo palatino; B — sutura intermaxilar; C — sutura maxilopalatina; D — forame palatino maior; E — forames palatinos menores; F — lâmina horizontal do osso palatino; G — espinha nasal posterior; H — alvéolos dentais; I — forame incisivo.
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    46 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. PROCESSO ALVEOLAR É côncavo para dentro e para trás, forma com o lado oposto um arco de concavidade posterior. Está ocupado por cavidades chamadas alvéolos divididos por septos inter-alveolares. Nestes alvéolos articulam-se os dentes superiores. Os alvéolos que contêm dentes multirradiculares estão divididos por septos interradiculares (Fig. 2.26). PROCESSO PALATINO É um processo ósseo horizontal que se dirige medialmente e se articula com o seu homônimo para formar a maior parte do teto da cavidade bucal e o soalho das fossas nasais. Sua face superior é lisa e côncava no sentido lateromedial. A face inferior é rugosa e próximo à sua margem lateral é escavada por um sulco oblíquo para a frente e medialmente, por onde passam o nervo e os vasos palatinos maiores. Ainda nesta face, a articulação dos dois processos palatinos se traduz por uma sutura mediana, a sutura intermaxilar. Na extremidade anterior desta sutura se encontra o forame incisivo que dá acesso ao canal incisivo que se bifur- ca em dois canais secundários que desembocam nas fossas nasais, por onde pas- sam o nervo e os vasos incisivos. A margem lateral do processo palatino, curvilínea, está unida à maxila; a margem posterior articula-se com a margem anterior da lâmina horizontal do palatino; a margem medial, está estriada verticalmente por rugosidades que en- grenam com as do lado oposto. Sobressai para cima a aresta nasal que corre ao longo desta margem. Quando os dois processos estão articulados, as duas arestas se unem formando a crista nasal, que sobressai no plano mediano do soalho das fossas nasais, se articula com o osso vômer e se eleva bruscamente no terço ante- rior se projetando para frente formando a espinha nasal anterior (Fig. 2.26). SEIO MAXILAR É uma cavidade no interior da maxila. Tem a forma de uma pirâmide quadrangular, limitada por paredes superior ou orbital, inferior ou alveolar, pos- terior ou infratemporal e anterior ou bucal; uma base (parede nasal ou medial) e um vértice voltado para o processo zigomático. Conexões Superiores — Frontal, etmóide e vômer (Fig. 2.10). Inferiores — Dentes superiores (Figs. 2.24 e 2.25). Anteromedial — Nasal (Figs. 2.10 e 2.11). Mediais — Maxila oposta e concha nasal inferior (Figs. 2.10 e 2.44). Pósterolateral — Zigomático (Figs. 2.10 e 2.11). Posteriores — Lacrimal e palatino (Figs. 2.10, 2.26 e 2.44).
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    CAPÍTULO 2 47 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Origens musculares Oblíquo inferior na face orbital; orbicular do olho, levantador do lábio superior e da asa do nariz na face lateral do processo frontal; levantador do lábio superior, levantador do ângulo da boca, nasal e dilatador da asa do nariz na face anterior; pequena porção ântero-superior do masseter, na curva zigo- maticoalveolar; e bucinador, na face lateral do processo alveolar no nível de molares. OSSO ZIGOMÁTICO (PAR) Posição — Face côncava para o plano mediano, com a sua porção rugosa para adiante e medialmente, e o processo que emerge da margem superior desta face para o plano mediano quase horizontalmente. Situação — Está situado na parte inferior e lateral da órbita e repousa sobre a maxila. Ele apresenta uma superfície orbital que contribui para a formação do soalho e parede lateral da órbita e uma superfície temporal, localizada na fossa temporal. Na face lateral, o osso zigomático é perfurado pelo pequeno forame zigomaticofacial para o nervo do mesmo nome, na face orbital o forame zigoma- ticorbital e na face temporal o forame zigomático temporal (Figs. 2.27 e 2.28). Fig. 2.27 — Osso zigomático (vista lateral): A — processo frontal; B — face orbital; C1 — forame zigomaticofacial; D — processo maxilar; E — processo temporal. 1
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    48 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Conexões Superior — O processo frontal do zigomático articula-se com o processo zigomático do frontal (Fig. 2.11). Anteromedial — O processo maxilar do zigomático articula-se com o processo zigomático da maxila (Fig. 2.10). Posterior — O processo temporal do zigomático articula-se com o processo zigomático do temporal (Fig. 2.10). Póstero-medial — o processo esfenoidal do zigomático articula-se com a crista zigomática do esfenóide (Fig. 2.10). ORIGENS MUSCULARES Na face lateral, os músculos zigomáticos maior e menor; na face temporal, o músculo temporal; e, na margem póstero-inferior, o músculo masseter. OSSO NASAL (PAR) Posição — A face lisa e convexa para frente e para fora; a margem que apresenta uma incisura, para baixo, e a margem vertical, mais grossa, para a frente e para medial. Situação — O osso nasal está situado junto ao plano mediano, à frente, e medial ao processo frontal da maxila e abaixo do frontal. Fig. 2.28 — Osso zigomático (vista medial): A — processo frontal; B — face orbital; C2 — forame zigomaticorbital; C3 — forame zigomaticotemporal; D — processo maxilar; E — processo temporal.
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    CAPÍTULO 2 49 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. É uma lâmina óssea quadrilátera que apresenta uma face anterolateral e ou- tra póstero-medial; e quatro margens, uma superior, uma inferior, uma antero- medial e uma póstero-lateral (Fig. 2.29). Conexões Superior — Frontal (Fig. 2.10). Posterior — Etmóide (Fig. 2.43). Póstero-lateral — Maxila (Fig. 2.10). Anteromedial — Nasal oposto (Fig. 2.10). Origens musculares na face anterolateral Músculos prócero, nasal, levantador do lábio superior e da asa do nariz (às vezes). OSSO LACRIMAL (PAR) Posição — A face que apresenta uma crista vertical para fora, o hâmulo terminal desta crista, para baixo e para adiante. Situação — Está situado na parede medial da órbita, por trás do processo frontal da maxila, à frente da lâmina orbital do etmóide e abaixo do frontal. Fig. 2.29 — Osso nasal direito (vistas anterior e posterior): A — margem superior ou frontal; B — margem inferior; C — margem lateral ou maxilar; D — margem medial ou nasal.
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    50 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. O osso lacrimal é uma lâmina óssea quadrilátera que apresenta duas faces e quatro margens. Face lateral Está dividida em duas partes pela crista lacrimal posterior; uma posterior lisa e uma anterior escavada por um sulco vertical que entra na formação do canal lacrimonasal. No ponto em que a crista lacrimal posterior encontra a margem superior da maxila, apresenta um pequeno processo em forma de gancho, chamado hâmulo lacrimal (Fig. 2.20). Face medial É lisa anteriormente, onde corresponde à mucosa das fossas nasais; é desi- gual na sua parte póstero-superior, que se articula com a face anterior do labirin- to etmoidal. Conexões A margem superior do lacrimal se articula com o processo lacrimal do frontal; a margem inferior, com o processo lacrimal da concha nasal inferior; a margem posterior, com a lâmina orbital do etmóide; e a margem anterior com a margem posterior do processo frontal da maxila (Fig. 2.46). Origens musculares Na crista lacrimal posterior, o músculo orbicular do olho e, por trás da crista, o músculo do saco lacrimal. Fig. 2.30 — Osso lacrimal direito (vista lateral): A — crista lacrimal posterior; B — sulco lacrimal; C — hâmulo lacrimal; D — face orbital.
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    CAPÍTULO 2 51 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CONCHA NASAL INFERIOR (PAR) Posição — Medialmente, a face convexa; para cima a margem que apresenta dois processos e, para trás, a extremidade mais afilada. Situação — Localiza-se na fossa nasal, sendo uma lâmina óssea encurvada, fixa à parede lateral da fossa nasal por sua margem superior e livre no resto de sua extensão. Fig. 2.31 — Concha nasal inferior direita (vistas medial e lateral): A — processo lacrimal; B — processo etmoidal; C — extremidade posterior; D — margem inferior; E — extremidade anterior; F — processo maxilar. A concha nasal inferior apresenta duas faces, uma medial e outra lateral; e duas margens, uma superior e outra inferior. Face medial Convexa, voltada para o septo nasal. Está dividida por uma crista antero- posterior numa parte superior lisa e uma inferior rugosa. Face lateral É côncava e limita o meato inferior. Margem inferior É livre, convexa, grossa e rugosa.
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    52 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Margem superior ou articular Nesta margem encontramos de diante para trás: 1 — uma parte anterior rugo- sa, que se articula com a crista conchal da maxila; 2 — o processo lacrimal que se articula com a margem inferior do osso lacrimal; 3 — o processo maxilar que se articula com o lábio inferior do hiato do seio maxilar; 4 — o processo etmoidal que se articula com o processo uncinado do etmóide; 5 — uma porção rugosa que se articula com a crista conchal do palatino (Fig. 2.31). Conexões Ântero-superior — Lacrimal (Fig. 2.44). Póstero-Superior — Etmóide (Fig. 2.44). Anterolateral — Maxila (Fig. 2.44). Póstero-lateral — Palatino (Fig. 2.44). OSSO PALATINO (PAR) Posição — Para baixo a lâmina horizontal; para trás a margem côncava desta lâmina e medialmente sua margem mais grossa. Situação — Localiza-se atrás da maxila e à frente do esfenóide. Compõe-se de uma lâmina óssea horizontal e de uma vertical, que se unem em ângulo reto. Fig. 2.32 — Osso palatino direito (vista medial): A — processo orbital; B — incisura esfenopalatina; C — processo esfenoidal; D — processo piramidal; E — superfície articular da lâmina medial; F — processo maxilar; G — crista da concha; H — lâmina vertical; I — crista etmoidal.
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    CAPÍTULO 2 53 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Lâmina horizontal Sua face superior é lisa e côncava lateromedialmente; completa posterior- mente o soalho da fossa nasal. Sua face inferior pertence ao teto da cavidade bucal. É rugosa e está escavada por um sulco que continua o sulco palatino maior. A margem lateral corresponde à linha de união das lâminas horizontal e vertical. A margem medial se articula com o lado oposto formando a parte poste- rior do soalho das fossas nasais e teto da cavidade bucal. A margem anterior articula-se com o processo palatino da maxila. A margem posterior é livre, côn- cava para trás (Fig. 2.34). Lâmina vertical Sua face medial forma parte da parede lateral da fossa nasal. Na união do seu terço médio com seu terço inferior observa-se uma crista horizontal, a crista conchal, que se articula com a concha nasal inferior. Em sua parte superior se vê outra crista chamada crista etmoidal, que se une à concha nasal média do etmóide (Fig. 2.32). Na face lateral temos que considerar quatro segmentos principais: 1 — o segmento sinusal, que corresponde à cavidade do seio maxilar; 2 — um segmen- to maxilar rugoso, articulado com a parte posterior da face medial da maxila; 3 — somente na metade superior do osso, um segmento interpterigomaxilar, liso, si- tuado entre o segmento maxilar e o segmento pterigóide, formando a parede medial da fossa pterigopalatina; 4 — um segmento posterior, o pterigóideo, rugoso, por- que se articula com a face medial da lâmina medial do processo pterigóide. A margem inferior se confunde com a margem lateral da lâmina horizontal. Fig. 2.33 — Osso palatino direito (vista lateral): A — processo orbital; B — processo maxilar; C — sulco pterigopalatino; D — processo piramidal; E — processo esfenoidal.
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    54 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. A margem superior é irregular e apresenta dois processos, um anterior ou orbital e outro posterior ou esfenoidal, separados pela incisura esfenopalatina (Fig. 2.32). Processo orbital Apresenta três faces articulares: 1 — palatina, que corresponde ao trígono palatino da maxila; 2 — etmoidal, se articula com o labirinto etmoidal; 3 – esfenoidal, na qual se apóia o corpo do esfenóide. Por fora e por baixo da face esfenoidal, o processo orbital apresenta uma pequena superfície lisa com duas vertentes; uma superior, orbital, forma a parte mais posterior do soalho da órbita; e uma posterior, pterigopalatina, constitui a parte mais elevada da parede anterior da fossa pterigopalatina. Processo esfenoidal Apresenta uma face ínfero-medial côncava e uma súpero-lateral conve- xa. A face ínfero-medial forma parte da parede superior da fossa nasal. A face súpero-lateral se aplica contra a face medial da lâmina medial do pro- cesso pterigóide. A margem anterior da lâmina vertical do palatino cruza por cima a parte posterior do hiato do seio. Abaixo deste hiato, a margem anterior emite um longo processo delgado, triangular, o processo maxilar do palatino. A margem posterior apóia-se sobre a face medial da lâmina medial do pro- cesso pterigóide. Fig. 2.34 — Osso palatino direito (vista posterior): A — processo orbital; B — incisura esfenopalatina; C — processo esfenoidal; D — lâmina horizontal; E — processo piramidal.
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    CAPÍTULO 2 55 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Processo piramidal É um prolongamento do palatino que nasce da face lateral da lâmina ver- tical, atrás do segmento maxilar do palatino. O processo piramidal preenche o espaço compreendido entre as extremidades inferiores das lâminas do pro- cesso pterigóide. A face posterior do processo piramidal articula-se com a margem anterior das lâminas do processo pterigóide (Fig. 2.34). A face anterior se articula com o túber da maxila. A face inferior apresenta os forames palatinos menores por onde passam ner- vos e vasos do mesmo nome (Fig. 2.26). Conexões Anterior — Maxila (Fig. 2.26). Posterior — Esfenóide (Fig. 2.44). Mediais — Palatino oposto e concha nasal inferior (Figs. 2.26 e 2.44). Superior — Etmóide (Fig. 2.44). Origens musculares Músculos da úvula, palatofaríngeo, tensor do véu palatino, constritor superior da faringe, pterigóideo lateral e pterigóideo medial. OSSO VÔMER (ÍMPAR) Posição — Para cima, a margem que apresenta dois prolongamentos laterais e, para trás, a parte mais ampla desta margem. Situação — Localiza-se na parte posterior e inferior do septo nasal. É uma lâmi- na óssea delgada que apresenta dois prolongamentos laterais na sua margem superior. As faces do vômer são geralmente planas. Entretanto, podem apresentar des- vios, tanto que uma face pode ser côncava e outra convexa. A margem superior está dividida por duas lâminas, as asas do vômer, separa- das por um sulco. Este sulco corresponde à crista média da face inferior do corpo do esfenóide, formando assim, o canal esfenovomeriano. As margens das asas do vômer formam com o processo vaginal do esfenóide um canal chamado vomero- vaginal (Fig. 2.35). A margem ântero-superior articula-se com a lâmina vertical do etmóide. A margem posterior é livre e separa as aberturas posteriores das fossas nasais ou coanas. A margem inferior articula-se com a crista nasal das maxilas e dos palatinos.
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    56 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Conexões Póstero-superior — Esfenóide (Fig. 2.43). Ântero-superior — Etmóide (Fig. 2.43). Inferiores — Maxilas e palatinos (Fig. 2.43). MANDÍBULA (ÍMPAR) Posição — A face convexa, para adiante, e a margem alveolar, para cima, hori- zontalmente. Situação — Está localizada no terço inferior da face. A mandíbula é o maior e mais forte osso da face. Apresenta um corpo e um par de ramos. A região da junção entre corpo e ramo, atrás e abaixo do terceiro molar inferior, está demarcada pelo ângulo da mandíbula, que é facilmente palpável no vivo. Sua parte mais proeminente, dirigida lateralmente, é denominada gônio. Corpo da mandíbula Tem a forma de U e cada metade apresenta faces anterolateral e póstero- medial, uma margem superior ou margem alveolar e uma inferior ou base. Face anterolateral É, geralmente, caracterizada por uma crista mediana, pouco desenvolvida; marca a fusão das metades da mandíbula na sínfise mental. Ela se expande, Fig. 2.35 — Osso vômer (face direita): A — asas do vômer; B — margem ântero-superior; C — margem inferior; D — margem posterior.
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    CAPÍTULO 2 57 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. inferiormente, numa elevação triangular, denominada protuberância mental, cuja base é limitada, em cada lado, pelos tubérculos mentais. Mais lateralmen- te, com freqüência, sob o segundo pré-molar ou entre os pré-molares, pode ser visto o forame mental. O nervo e os vasos mentais emergem do forame para cima, para trás e lateralmente. A linha oblíqua é uma crista pouco saliente que se dirige póstero-superiormente a partir do tubérculo mental em direção ao ramo (Fig. 2.36). Fig. 2.36 — Mandíbula (face ântero-lateral): A — processo condilar; B — incisura mandibular; C — processo coronóide; D — trajetória temporal; E — forame mental; F — trajetória mental; G — trajetória basilar; H — trajetória massetérica; I — trajetória alveolar. Face póstero-medial É caracterizada por uma elevação mediana irregular, a espinha mental, atrás da sínfise. Ela pode consistir de duas ou quatro partes, denominadas tubérculos geni, que dão origem ou inserção aos músculos gênio-hióideos inferiormente e genioglossos superiormente. Lateralmente à espinha mental, inicia-se a linha milo-hióidea que se dirige obliquamente para trás e para cima, terminando atrás do terceiro molar. Ela dá origem ou inserção ao músculo milo-hióideo. A fossa submandibular está situada sob a linha milo-hióidea e aloja uma parte da glân- dula submandibular. A fossa sublingual situa-se mais para frente, acima da linha milo-hióidea, e aloja a glândula sublingual (Fig. 2.37). Margem superior É denominada processo alveolar e contém os dentes inferiores articulados em seus alvéolos (Figs. 2.36, 2.37 e 2.39).
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    58 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 2.38 — Osso mandibular (face póstero-medial): A — processos geni superiores; B — processos geni inferiores; C — fossa digástrica esquerda; D — sulco milo-hióideo esquerdo; E — processo condilar esquerdo; F — processo coronóide esquerdo. Fig. 2.37 — Osso mandibular (face póstero-medial): A — processo coronóide; B — crista temporal; C — processo condilar; D — crista do colo do côndilo; E — língula da mandíbula; F — forame da mandíbula; G — trajetória pterigóidea; H — sulco milo-hióideo; I — linha milo-hióidea; J — processos geni ou espinhas mentais; K — fóvea sublingual; L — fóvea submandibular; M — trígono retromolar.
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    CAPÍTULO 2 59 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Margem inferior ou base A fossa digástrica é uma depressão irregular situada na base (ligeiramente pos- terior) ao lado da sínfise. Em direção posterior, próximo ao ângulo da mandíbula, a base pode apresentar um suave sulco destinado à artéria facial (Figs. 2.36 e 2.39). RAMO DA MANDÍBULA O ramo da mandíbula é mais ou menos quadrilátero, apresenta faces lateral e medial e margens anterior, posterior, superior e inferior. Face lateral É plana e dá inserção ao músculo masseter (Fig. 2.36). Face medial É caracterizada pela presença do forame mandibular, que dá continuidade ao canal mandibular; este se dirige para baixo e para a frente e dá passagem ao nervo e vasos alveolares inferiores. O forame mandibular é limitado, medialmente, por uma projeção chamada língula, na qual se insere o ligamento esfenoman- dibular. O canal mandibular dá origem, no nível dos pré-molares, a um canal que se dirige para cima, para trás e para fora, abrindo-se no forame mental, o qual Fig. 2.39 — Osso mandibular (vista superior): A — crista temporal; B — trígono retromolar; C — alvéolos dentais; D — processo coronóide; E — processo condilar.
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    60 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. chama-se de canal mental, e outro que se dirige ao plano mediano, chamado canal incisivo. O sulco milo-hióideo inicia-se por trás da língula e se dirige para baixo e para frente até a fossa submandibular. Ele contém o nervo e os vasos milo-hióideos. Abaixo e atrás do sulco milo-hióideo, a superfície é áspera e dá inserção ao músculo pterigóideo medial (Fig. 2.37). Margem superior É côncava e forma a incisura mandibular. A incisura é delimitada, na frente, pelo processo coronóide, no qual se insere o músculo temporal. O processo condilar delimita a incisura por trás e é constituído pela cabeça e pelo colo da mandíbula. A cabeça (ou côndilo), coberta por fibrocartilagem, articula-se com o osso temporal para formar a articulação temporomandibular. A extremidade late- ral do côndilo pode ser palpada no vivo. O colo dá inserção ao ligamento lateral, lateralmente, e ao músculo pterigóideo lateral anteriormente (Fig. 2.36). Margem anterior Esta margem é aguda e pode ser palpada por dentro da boca. Ela é contínua com a linha oblíqua (Fig. 2.36). Margem posterior É arredondada, está intimamente relacionada com a glândula parótida (Fig. 2.36). Conexões A mandíbula articula-se superiormente com os ossos temporais, formando a articulação temporomandibular (ATM) bilateralmente, e com os dentes inferio- res, através do processo alveolar (Fig. 2.11). Origens e inserções musculares Face anterolateral do corpo — Músculos; depressor do ângulo da boca, depressor do lábio inferior e mental (Figs. 4.1 e 4.2). Face póstero-medial do corpo — Músculos; genioglosso, genio-hióideo, milo- hióideo e constritor superior da faringe (Fig. 4.4). Margem inferior (base) do corpo — Músculos; platisma e digástrico (Figs. 4.1 e 4.3). Face lateral do ramo — Músculo masseter (Figs. 4.13 e 4.14). Face medial do ramo — Músculo pterigóideo medial (Fig. 4.15). Fóvea pterigóide no colo do côndilo — Músculo pterigóideo lateral (Fig. 3.3). Processo coronóide — Músculo temporal (Fig. 4.13).
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    CAPÍTULO 2 61 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. OSSO HIÓIDE (ÍMPAR) Posição — Para frente e para cima a convexidade do corpo, para cima e para trás os cornos maiores. Situação — Está situado na porção ântero-superior do pescoço entre a mandíbu- la e a laringe, no nível da terceira vértebra cervical. Fig. 2.40 — Osso hióide (vista anterior): A — corpo; B — corno menor; C — corno maior. O osso hióide não se articula com nenhum osso, mas está suspenso por mús- culos e ligamentos. Possui um corpo, um par de cornos menores e um par de cornos maiores. A face anterior do corpo está voltada para a frente e para cima. A face poste- rior, para baixo e para trás. Cada corno maior projeta-se para trás e para cima, a partir do lado do corpo do osso, ao qual ele está unido por uma articulação cartilagínea ou, mais tarde, por fusão óssea. Quando o pescoço está relaxado, os dois cornos maiores podem ser palpados no vivo entre o indicador e o polegar, e o hióide pode ser, então, movimentado de um lado para outro. As extremidades dos cornos maiores são cobertas pelos músculos esternocleidomastóideos. Cada corno menor é uma pequena projeção para cima, fixada à junção do corpo com o corno maior do mesmo lado. O ligamento estilo-hióideo está preso à extremidade do corno menor e, algumas vezes, está ossificado. INSERÇÕES MUSCULARES E LIGAMENTOSAS Margem superior — músculo gênio-hióideo e ligamento hioepiglótico (Fig. 4.11). Face anterior — músculos; gênio-hióideo, hioglosso e milo-hióideo (Figs. 4.6 e 4.12).
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    62 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Margem inferior — músculos; esterno-hióideo e omo-hióideo (Fig. 4.10). Junção do corno maior com o corpo — Músculos; hioglosso, estilo-hióideo, alça fibrosa do digástrico e tireo-hióideo (Figs. 4.6 e 4.10). Corno menor — músculos; constritor médio da faringe, condroglosso e ligamen- to estilo-hióideo (Fig. 4.6). Fig. 2.41 — Osso hióide (vista lateral esquerda): A — corpo; B — corno menor; C — corno maior. CAVIDADES DO CRÂNIO E DA FACE CAVIDADE CRANIANA Abóbada A superfície endocraniana da abóbada é côncava. No plano mediano, de frente para trás se observa: a crista frontal e o sulco do seio sagital superior e, aos lados deste sulco na região média, encontra-se os fovéolos granulares. Encontra-se, ainda, as fossas frontais, a sutura frontoparietal, as fossas parietais, os sulcos vasculares da artéria meníngea média, a sutura parietoccipital e as fossas cere- brais do occipital. Base Distinguem-se na base do crânio três cavidades ou andares, que são: anterior, médio e posterior. Andar anterior ou frontoetmoidoesfenoidal Está limitado anteriormente pela porção vertical do frontal; por trás, pelo tubérculo da sela e a margem posterior das asas menores do esfenóide. Apresenta
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    CAPÍTULO 2 63 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. na sua parte média: a crista galli e o forame cego, situado na frente da crista. Aos lados, os canais olfatórios, atravessados pelos forames da lâmina crivosa e mais lateralmente as superfícies orbitais do frontal (Fig. 2.42). Fig. 2.42 — Base do crânio (vista superior): A — forame cego; B — crista galli; C — lâmina crivosa; D — teto da órbita; E — asa menor do esfenóide; F — asa maior do esfenóide; G — forame redondo; H — forame oval; I — forame espinhoso; J — forame lácero; K — margem superior do rochedo; L — forame magno; M — canal óptico; N — processo clinóide anterior; O — processo clinóide posterior; P — sulco do seio sigmóide; Q — porção basilar do occipital; R — sulco do seio transverso. Andar médio ou esfenotemporal Está compreendido entre o limite posterior do andar anterior e a lâmina qua- drilátera do esfenóide e as margens superiores dos rochedos dos temporais. En- contramos neste andar: em sua parte média a fossa hipofisária, aos lados os sul- cos cavernosos e as fossas esfenotemporais. As comunicações mais importantes deste andar com as cavidades e espaços vizinhos são: o canal óptico que se dirige para adiante em direção à órbita, per- mitindo a passagem do nervo óptico e da artéria oftálmica; abaixo da margem livre da pequena asa do esfenóide encontra-se a fissura orbital superior que in-
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    64 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. terliga o andar médio (fossa craniana média) com a órbita, permitindo a passa- gem dos nervos oculomotor, troclear, abducente e oftálmico, e das veias oftálmi- cas; atrás da parte média da fissura orbital superior encontra-se o forame redondo, que dá passagem ao nervo maxilar que se dirige à fossa pterigopalatina; atrás do forame redondo encontra-se o forame oval, que dá passagem ao nervo mandibu- lar que se dirige à fossa infratemporal; logo atrás e lateralmente encontra-se o forame espinhoso, através do qual passa a artéria meníngea média. Entre o ápice do rochedo e o esfenóide existe no crânio seco o forame lácero, que é fechado no vivo por uma lâmina fibrocartilagínea (Fig. 2.42). Andar posterior ou occipitotemporal Está circunscrito pela lâmina quadrilátera do esfenóide, a margem superior dos rochedos e os sulcos dos seios laterais. Este andar comunica-se com o canal vertebral através do forame magno ou occipital, situado no plano mediano. A medula espinhal continua-se com o bulbo, que atravessa este forame, acompa- nhado das artérias vertebrais e dos nervos acessórios. O canal do hipoglosso perfura a parede lateral do forame occipital logo acima do côndilo occipital e dá passagem ao nervo hipoglosso. Na fenda existente entre os ossos occipital e a porção petrosa do temporal, há duas incisuras que formam o forame jugular. Ele é parcial ou totalmente dividido em partes anteromedial e póstero-lateral pelo pequeno processo jugular. A pri- meira é pequena e dá passagem aos nervos glossofaríngeo, vago e acessório; a segunda é larga e é onde se origina a veia jugular interna. Na face póstero-superior do rochedo, abre-se o conduto auditivo interno por onde penetram os nervos intermediofacial e vestibulococlear. Aos lados do forame magno encontramos as fossas cerebelares (Fig. 2.42). Fossa temporal É uma depressão rasa situada na face lateral do crânio e limitada pela linha curva temporal superior. Sua parte ântero-inferior é mais profunda e tem mar- gem cortante, formada pela face temporal côncava do processo frontal do osso zigomático. A parede medial da fossa temporal é formada pelo osso parietal, pela escama do temporal, pela face temporal da grande asa do esfenóide e pela face temporal do osso frontal. A fossa atinge, inferiormente, o nível do arco zigomático, situado lateralmente, e a crista infratemporal da grande asa do esfenóide, medialmente (Fig. 2.11). A fossa temporal continua-se para baixo com a fossa infratemporal. CAVIDADES DA FACE O maciço facial está escavado por um grande número de cavidades. As prin- cipais são nove. Destas, só uma é ímpar, sendo formada somente por ossos da face, a cavidade bucal. As outras são laterais, pares, limitadas por ossos da face e
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    CAPÍTULO 2 65 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. do crânio. São elas: fossas nasais, cavidades orbitais, fossas infratemporais e pterigopalatinas. Cavidade bucal Não tem parede óssea inferior e posterior. Está limitada à frente e aos lados pelos processos alveolares das maxilas e da mandíbula; e arcadas dentárias quando estas estão presentes. Superiormente, está limitada pelas maxilas e palatinos, formando o teto, no qual se observa: na extremidade anterior da sutura intermaxilar, o forame incisivo; no terço posterior e a cada lado, o canal palatino maior e atrás deste os palatinos menores. A união da sutura intermaxilar e interpalatina com a sutura entre palatinos e maxilas é chamada de cruciforme devido à sua forma (Fig. 2.26). Cavidade nasal Estende-se da abertura piriforme anteriormente; às coanas, posterior- mente. Está relacionada, superiormente, com o seio frontal, com a fossa craniana anterior, com o seio esfenoidal e com a fossa craniana média. Infe- riormente, está separada da cavidade bucal pelo palato duro. Posteriormen- te, comunica-se com a parte nasal da faringe. Lateralmente está relacionada com a órbita, com o seio maxilar, com as células etmoidais e com as fossas pterigopalatinas. A abertura piriforme ou óssea anterior do nariz é limitada, superiormente, pelos ossos nasais e lateral e inferiormente pelas maxilas (Fig. 2.10). As coanas ou aberturas posteriores são, medialmente, limitadas pelo vômer, inferiormente pelas lâminas horizontais dos ossos palatinos, lateral- mente pela lâmina medial do processo pterigóide e, superiormente, pelo corpo do esfenóide (coberto pelas asas do vômer) e pela lâmina medial do processo pterigóide. A expressão cavidade nasal refere-se seja à cavidade inteira, seja a uma de suas metades, dependendo do sentido. Cada metade tem um teto, um soalho, parede medial e parede lateral. Teto É formado pelos seguintes ossos: nasal, frontal, lâmina crivosa do etmóide e o corpo do esfenóide coberto por partes do vômer e palatino. Soalho É liso e formado pelos processos palatinos das maxilas, anteriormente, e pe- las lâminas horizontais dos ossos palatinos posteriormente.
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    66 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Parede medial ou septo nasal É a divisão entre as metades da cavidade nasal. É formada pela lâmina per- pendicular do etmóide, pelo vômer e pela crista etmoidal do esfenóide (Fig. 2.43). Fig. 2.43 — Corte sagital no crânio: A — sela turca; B — seio esfenoidal; C — processo pterigóide D — vômer; E — lâmina perpendicular do etmóide; F — osso nasal; G — seio frontal; H — crista esfenoidal anterior; I — crista galli. Fig. 2.44 — Parede lateral da fossa nasal: A — seio frontal; B — crista galli; C — lâmina crivosa; D — osso nasal direito; E — seio esfenoidal; F — maxila direita; G — concha nasal superior; H — concha nasal média; I — lâmina vertical do osso palatino direito; J — processo pterigóide; K — concha nasal inferior direita; L — lâmina horizontal do osso palatino direito.
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    CAPÍTULO 2 67 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Parede lateral É formada por partes da maxila, do lacrimal, do etmóide, da concha nasal inferior, do palatino (lâmina vertical) e do esfenóide (lâmina medial do processo pterigóide) (Fig. 2.44). Cavidades orbitais São duas cavidades ósseas, que contêm os olhos e seus anexos. Cada órbita está relacionada: superiormente, com a fossa craniana anterior e, geralmente, com o seio frontal, lateralmente, com a fossa temporal, na frente, e com a fossa craniana média, atrás; inferiormente, com o seio maxilar e, medialmente, com as células etmoidais e com o seio esfenoidal. A órbita comunica-se com a cavidade craniana por diversas aberturas. Margens São formadas por quatro ossos: frontal, lacrimal, maxila e zigomático. Estas margens podem ser divididas em supra-orbital, medial, infra-orbital e lateral (Fig. 2.10). Paredes A órbita possui quatro paredes que são as seguintes: superior ou teto, inferior ou soalho, medial e lateral. PAREDE SUPERIOR OU TETO É formada pela lâmina orbital do osso frontal em quase toda sua extensão e pela asa menor do esfenóide na sua porção mais posterior (Fig. 2.10). PAREDE INFERIOR OU SOALHO É formada pelos ossos zigomático (anterolateralmente), maxila (antero- medialmente) e palatino (posteriormente) (Fig. 2.45). PAREDE MEDIAL É formada por uma pequena porção do frontal, pelo osso lacrimal, pela lâmina orbital do etmóide e por uma pequena porção do corpo do esfenóide (Fig. 2.46). PAREDE LATERAL É formada por uma pequena porção do frontal (anterosuperiormente), por parte do zigomático (anteriormente) e pela asa maior do esfenóide (posterior- mente) (Fig. 2.47).
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    68 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 2.45 — Soalho da órbita esquerda (vista superior): A — processo orbital do osso palatino esquerdo; B — esfenóide; C — fissura orbital inferior; D — face orbital da maxila esquerda; E — canal infra-orbital; F — face orbital do osso zigomático esquerdo; G — forame infra-orbital; H — osso lacrimal esquerdo; I — células etmoidais. Fig. 2.46 — Parede medial da orbita esquerda (vista lateral): A — osso frontal; B — osso nasal esquerdo; C — osso lacrimal esquerdo; D — processo frontal da maxila esquerda; E — seio maxilar esquerdo; F — processo piramidal do osso palatino esquerdo; G — processo pterigóide do esfenóide; H — forame esfenopalatino; I — lâmina orbital do etmóide; J — forame etmoidal posterior; K — forame etmoidal anterior.
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    CAPÍTULO 2 69 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fossa infratemporal Está localizada abaixo da base do crânio e atrás da maxila, tem limites ósseos incompletos. PAREDE ANTERIOR Está formada pela porção lateral do túber da maxila. PAREDE SUPERIOR Está constituída pela porção inferior, horizontal, da asa maior do esfenóide (medialmente) e uma pequena porção do temporal (lateralmente). PAREDE MEDIAL Está formada pela face lateral da lâmina lateral do processo pterigóide e, na porção mais inferior, pelo processo piramidal do palatino. PAREDE LATERAL É formada pela face medial do arco zigomático e face medial do ramo da mandíbula. Fig. 2.47 — Parede lateral da órbita direita (vista medial): A — osso frontal; B — osso zigomático direito; C — canal infra-orbital; D — seio maxilar; E — processo piramidal do osso palatino direito; F — processo pterigóide do esfenóide; G — asa maior do esfenóide.
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    70 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Não existe limite posterior da fossa infratemporal, imagina-se um plano fron- tal, tangente à margem posterior do ramo da mandíbula. E também não existe limite inferior, imagina-se um plano horizontal, tangente à margem inferior do ramo mandibular (Figs. 2.11 e 2.12). Fossa pterigopalatina Está localizada medialmente à fossa infratemporal e apresenta as seguintes paredes: PAREDE ANTERIOR Está formada pela porção medial do túber da maxila. PAREDE POSTERIOR É constituída pela face anterior do processo pterigóide. PAREDE MEDIAL Está fechada pela lâmina vertical do osso palatino. PAREDE SUPERIOR Corresponde à raiz da asa maior do esfenóide. Extremidade inferior Compreende as articulações entre os ossos: maxila, palatino e esfenóide. Lateralmente, não existe limite ósseo, a fossa pterigopalatina comunica-se com a fossa infratemporal (Fig. 2.46). Seios paranasais São cavidades pneumáticas que podem ser definidas como espaços aéreos, forradas por membrana mucosa, que se comunicam direta ou indiretamente com o sistema respiratório. Os seios esfenoidais, os seios frontais, as células etmoidais e os seios maxila- res formam as cavidades paranasais. Seio esfenoidal Tem a forma cúbica irregular que corresponde ao corpo do esfenóide. Os seios esfenoidais direito e esquerdo estão separados por um septo que raramente se encontra no plano mediano, e este desvio ocasiona um desenvolvimento desi- gual ou assimétrico dos dois seios (Figs. 2.20 e 2.44).
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    CAPÍTULO 2 71 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Seio frontal No adulto, os seios frontais são divertículos pares situados por cima da raiz do nariz e do ângulo súpero-medial da órbita separados entre si por um septo mediano. O tamanho dos seios frontais é muito variável e geralmente são assimétricos. Pode haver ausência (agenesia) de um ou ambos os seios, mas, nesta eventualida- de, existe uma célula escavada no ângulo súpero-medial da órbita, provida de um canal nasofrontal (Fig. 2.44). Células etmoidais São variáveis em número, forma e tamanho. As células médias comunicam- se diretamente nos meatos médios, as células posteriores abrem-se nos meatos superiores. As paredes de algumas células etmoidais são completadas pelos os- sos vizinhos. As células superiores prolongam-se para o osso frontal; as células posteriores podem se estender até os ossos esfenóide e palatinos; as células infe- riores dirigem-se às maxilas; as células anteriores são completadas pelos ossos lacrimais (Figs. 2.21 e 2.45). Seio maxilar É a cavidade paranasal mais ampla. Ela ocupa todo o corpo da maxila. O seio maxilar pode ser comparado a uma pirâmide quadrangular cuja base corresponde à parede lateral da fossa nasal e o ápice está voltado para o processo zigomático da maxila (Fig. 2.25). PAREDE ANTERIOR É convexa e corresponde à fossa canina; aloja em sua espessura o feixe vasculo- nervoso alveolar ântero-superior. Estende-se da margem infra-orbital ao proces- so alveolar. PAREDE POSTERIOR É formada pelo túber da maxila. Nela se observam os canais para os nervos e vasos alveolares póstero-superiores. PAREDE SUPERIOR Forma parte do soalho da órbita, apresenta o relevo de um canal anteropos- terior (canal infra-orbital) que aloja o nervo e os vasos infra-orbitais. PAREDE INFERIOR Por suas íntimas relações com os ápices das raízes dos molares e pré-mola- res, é denominada parede alveolar ou soalho do seio.
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    72 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. PAREDE NASAL OU BASE Está relacionada com a fossa nasal. A articulação da concha nasal inferior divide a base em duas porções: ântero-inferior e póstero-superior. A zona ântero- inferior ou infraconchal é mais ampla, pertencendo ao meato inferior. A zona póstero-superior corresponde ao meato médio, onde se abre o óstio do seio maxi- lar e onde também desembocam o seio frontal e as células etmoidais. VÉRTICE Está voltado para o processo zigomático da maxila. Em alguns casos, prolon- ga-se até o osso zigomático (Figs. 2.46 e 2.47). CEFALOMETRIA E CRANIOMETRIA Cefalometria São medidas realizadas na cabeça do vivo, diretamente ou por meio de radiografias. Craniometria São medidas realizadas no crânio seco. Estas medidas são usadas para estudar o crescimento do crânio sob condi- ções normais e anormais e para analisar as desarmonias no formato do crânio, manifestadas, por exemplo, nos diferentes tipos de maloclusão. Para tirar medidas ou fotografias comparativas, a cabeça ou o crânio têm que estar orientados numa posição fixa. Para conseguir esta posição, o crânio será orientado pelo plano óbito meático ou plano horizontal de Frankfurt, que passa através do ponto orbital esquerdo e pelos dois pórios. O orbital é o ponto mais baixo do arco infra-orbital, o pório, que é definido como o ponto mais externo no teto do meato acústico externo. Usamos somente o orbital esquerdo, devido às assimetrias de quase todos os crânios; logo, os quatro pontos raramente estão no mesmo plano, por isso, usa-se dois pórios e o orbital esquerdo. No vivo, o orbital pode ser determinado com bastante exatidão. Em lugar do pório, no entanto, usamos o trágio. Este é o ponto mais anterior na incisura que fica sobre o trágus. O trágus é aquela parte triangular da orelha externa que se projeta para trás e ligeiramente para fora, na circunferência anterior da entrada do meato acústico externo. Outro ponto que pode ser usado no vivo, em lugar do pório ósseo, é o pório cartilagíneo, que é o ponto médio na margem superior da entrada do meato acústico externo. PONTOS MEDIANOS DO CRÂNIO E DA FACE Glabela É o ponto mais anterior no plano sagital mediano entre os arcos supra-orbitais. No vivo, é encontrado acima da raiz do nariz e entre as extremidades mediais dos supercílios (Fig. 2.10).
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    CAPÍTULO 2 73 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Bregma É o ponto de encontro das suturas interparietal (sagital) e frontoparietais (coronal) ( Fig. 2.8 ). Lambda É o ponto de encontro das suturas interparietal (sagital) e occiptoparietais (lambdóide) (Fig. 2.8). Opistocrânio É o ponto que, no plano mediano, se projeta mais posteriormente, medido a partir da glabela. Pode ser determinado no vivo. Ínio É o ponto de confluência das linhas nucais superiores no plano sagital media- no; corresponde na maioria dos casos à protuberância occipital externa (Fig. 2.9). Opístio É o ponto médio na margem posterior do forame occipital (Fig. 2.12). Básio É o ponto médio na margem anterior do forame occipital (Fig. 2.12). Como este ponto não é claramente definido em radiografias de perfil de crânio, usa-se um outro ponto para a extremidade posterior da base craniana, ou seja, o ponto Bolton. Bolton Marca a altura da curvatura atrás do côndilo occipital entre o côndilo e a superfície inferior do forame occipital. Estafílio É o ponto mediano de uma linha ligando os pontos mais anteriores da mar- gem posterior do palato duro. Este ponto está situado na base da espinha nasal posterior (Fig. 2.12). Bucal É o ponto mediano de uma linha ligando as margens posteriores dos alvéolos dos incisivos centrais superiores (Fig. 2.12).
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    74 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Interdentário superior É o ponto mediano na ponta do processo alveolar, entre os incisivos centrais superiores. No vivo, é usada a ponta da papila interdentária entre estes dois dentes, embora este ponto esteja cerca de dois milímetros distante da ponta do osso (Figs. 2.10 e 2.11). Próstio É o ponto do processo alveolar superior que se projeta mais anteriormente na linha mediana anterior. Este ponto não deve ser usado para medidas da altura facial. Serve de referência para medir o comprimento facial; isto é, a extensão anteroposterior (Figs. 2.10 e 2.11). Nasoespinhal É o ponto médio encontrado sobre uma linha que liga os pontos mais baixos de cada lado da margem inferior da abertura piriforme. Está situado na base da espinha nasal anterior. No vivo, para substituí-lo, pode-se usar o subnasio, em- bora o nasoespinhal apareça razoavelmente definido em radiografias (Figs. 2.10 e 2.11). Subnásio É o ponto onde a margem inferior do septo nasal encontra a raiz do lábio superior. Násio É o ponto de encontro das suturas internasal e nasofrontal (Figs. 2.10 e 2.11). Interdentário inferior É o ponto mediano na ponta do processo alveolar inferior, entre os incisivos centrais inferiores. Para tomar medidas no vivo, usa-se a ponta da papila inter- dentária entre os incisivos centrais inferiores (Figs. 2.10 e 2.11). Gnácio É o ponto mais inferior da mandíbula na linha média anterior (Figs. 2.10 e 2.11). PONTOS LATERAIS DO CRÂNIO E DA FACE Frontotemporal É o ponto mais anterior da linha temporal, situado aproximadamente na raiz do processo zigomático do osso frontal (Fig. 2.11).
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    CAPÍTULO 2 75 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Pório É o ponto mais externo no teto do meato acústico externo, numa vertical que passa no meio do meato. Como este ponto não pode ser determinado no vivo, usa-se o trágio ou o pório cartilagíneo (Fig. 2.11). Trágio É o ponto mais anterior na incisura que fica sobre o trágus. Pório cartilagíneo É o ponto médio na margem superior da entrada para o meato acústico externo. Condílios lateral e medial São os pólos lateral e medial do côndilo mandibular (Fig. 2.11). Zígio É o ponto mais lateral do arco zigomático (Fig. 2.11). Orbitário É o ponto mais baixo da margem inferior da órbita (Fig. 2.11). Zigomaxilar É o ponto mais inferior da sutura zigomaticomaxilar (Fig. 2.11). Gônio É o ponto de curvatura máxima do ângulo da mandíbula. Localiza-se este ponto através da bissetriz do ângulo formado pelas tangentes das margens inferior e posterior da mandíbula (Fig. 2.11). ANÁLISE FUNCIONAL DO CRÂNIO E DA FACE A mandíbula, móvel de encontro ao crânio, tem que ser forte por si própria. Possui uma espessa camada cortical de osso compacto que é ainda reforçada ao longo da margem inferior do osso. O terço médio da face está ligado à base do crânio e é reforçado em certas áreas por fortes pilares, consistindo, em parte, de osso compacto espessado e em parte de trajetórias de osso esponjoso. Entre estes pilares, o osso permanece fino e forma as paredes das várias cavidades.
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    76 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. A mandíbula, devido à forte camada compacta, resiste às forças tendentes a dobrá-la. Entre as camadas compactas, encontra-se o osso esponjoso formando e circundando os alvéolos dentários. A pressão mastigatória exercida sobre os den- tes é transmitida sob a forma de tração, ao osso alveolar (lâmina dura) através das principais fibras do pericemento. O osso alveolar tende a afundar-se no resto do osso se o dente está sob pressão: esta tendência é contrabalançada pelo osso esponjoso em volta do osso alveolar. Estas trabéculas nascem na superfície exter- na da lâmina dura. Algumas são horizontais e ligam os alvéolos dos dois dentes adjacentes; outras, são dispostas numa área de forma aproximadamente cônica e terminam, em parte, nas lâminas compactas alveolares dos dentes adjacentes. Devido à sua função específica, as trabéculas do osso esponjoso e as lâminas alveolares compactas são designadas com o nome de osso de suporte dos proces- sos alveolares. Trajetória alveolar Algumas das trabéculas esponjosas que cercam a região apical dos alvéolos unem-se como uma trajetória que corre para trás, abaixo dos alvéolos e, em se- guida, diagonalmente para cima e para trás através do ramo para terminar no côndilo. Desta forma, a pressão mastigatória é transmitida finalmente à base do crânio, pela articulação temporomandibular (ATM). Esta importantíssima traje- tória da mandíbula, a trajetória alveolar, faz saliência na superfície medial do ramo sob a forma de uma crista romba, a crista do colo mandibular contínua à linha milo-hióidea (Fig. 2.36). Trajetória basilar É uma espessa camada de osso compacto, na base da mandíbula formada pela união das compactas externa e interna (Figs. 2.36 e 2.37). Trajetórias musculares São formadas em resposta às forças exercidas pelos músculos da mastigação. Ocorrem na região do ângulo mandibular (trajetórias massetérica e pterigóidea); outra começa na ponta do processo coronóide, terminando em forma de leque inferiormente (trajetória temporal). Entre estas trajetórias, existe uma região da mandíbula, acima e à frente do ângulo, onde o osso esponjoso não sofre ten- sões. Nesta região, as trabéculas do osso esponjoso são finas e os espaços medulares são grandes, fato que também pode ser comprovado nas radiografias (Figs. 2.36 e 2.37). Trajetória mental Quando forças de flexão atuam sobre a mandíbula, a região do mento fica particularmente ameaçada. Uma projeção forçada da mandíbula, para a frente, ocasiona uma deformação mensurável, ou seja, uma contração da mandíbula
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    CAPÍTULO 2 77 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. pelo repuxamento para dentro devido aos músculos pterigóideos laterais. Em resposta a estas forças, a região do mento é reforçada não só pelo osso compacto da protuberância mental como, também, pelas trajetórias do osso esponjoso. Os cursos das trabéculas cruzam-se em ângulos retos, correndo da margem inferior direita do mento, para cima e para a esquerda em direção ao processo alveolar e vice-versa (Fig. 2.36). Pilares de resistência O maciço facial forma mecanicamente uma unidade ancorada à base do crâ- nio. Distingue-se, de cada lado, três pilares verticais. Todos têm origem no pro- cesso alveolar, e todos vão à base do crânio. Os três pilares não são retos porque têm que acompanhar as curvas da cavidade nasal e da órbita. Estas curvas dos pilares necessitam da presença de ligações horizontais que atuam como susten- táculos contra o colapso dos pilares. Pilar canino Origina-se na região do alvéolo do canino superior e segue, inicialmente, a margem lateral da abertura piriforme, continuando pelo processo frontal da maxi- la e, então, liga-se à extremidade medial do arco supra-orbital. Sua parte inferior interpõe-se entre a cavidade nasal e o seio maxilar e, em corte horizontal, apresen- ta-se triangular. Nesta região, este pilar consiste normalmente em uma camada compacta externa e uma densa camada esponjosa no centro (Figs. 2.10 e 2.11). Pilar zigomático Começa na região do primeiro molar superior, na curva zigomaticoalveolar que se continua no osso zigomático. A parte inferior do pilar zigomático, em forma de V, em corte horizontal, consiste na parede lateral compacta externa, reforçada, do seio maxilar, mas que muitas vezes contém algum osso esponjoso. No corpo do osso zigomático dividem-se as linhas de tensão. Um dos cursos é formado pelo processo frontal do zigomático que se continua com o processo zigomático do frontal. A segunda divisão é o arco zigomático que está ancorado na base do crânio, na eminência articular do osso temporal e na crista supramastóidea (Figs. 2.10 e 2.11). Pilar pterigóideo É o processo pterigóide do esfenóide. Sua porção inferior está articulada ao palatino e este à maxila. Sua extremidade superior está ancorada diretamente na base do crânio (Fig. 2.11). Os suportes horizontais de conexão entre os pilares são de grande importân- cia. Os pilares canino e zigomático são ligados abaixo e acima da entrada da órbita por duas barras ósseas horizontais, os arcos infra e supra-orbitais. O su- porte superior parece ser de especial importância, resistindo às forças transmiti-
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    78 Sistema Esquelético ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. das a ele pelos dois pilares. Parece haver justificativa para a opinião de que o grande desenvolvimento da região supra-orbital, em raças humanas extintas e primitivas, nada mais é do que uma adaptação a uma pressão mastigatória extre- mamente forte (Figs. 2.10 e 2.11). A ligação entre a extremidade posterior do pilar zigomático horizontal e a extremidade superior do pilar pterigóideo é um simples reforço do osso em fren- te ao forame oval, ligando o tubérculo articular com a base do processo pterigóide. O sistema de pilares de um lado é ligado com o sistema do outro lado pelo palato duro, formando um suporte arqueado entre as bases dos processos alveolares direito e esquerdo. Entre os pilares a substância óssea é desnecessária, pois não poderia contri- buir de forma importante para maior reforço do esqueleto. Onde quer que seja que o osso perca sua função mecânica, ele é eliminado pela absorção e, neste caso, a parte esponjosa central do corpo da maxila em crescimento é removida. O seio maxilar, divertículo da cavidade nasal forrado por uma membrana mucosa e cheio de ar, estende-se para dentro do corpo do maxilar. Sob o ponto de vista mecânico, o desenvolvimento do seio maxilar e das outras cavidades pneumáti- cas do crânio e da face é análogo ao desenvolvimento dos grandes espaços medu- lares dos ossos longos. Ambos devem sua existência ao fato de que a manutenção da substância óssea é, em grande parte, dependente de sua função mecânica (Figs. 2.10 e 2.11).
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    CAPÍTULO 3 79 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 3 Articulações CONCEITO São as conexões existentes entre quaisquer partes rígidas componentes do esqueleto. CLASSIFICAÇÃO Fibrosas, cartilagíneas e sinoviais. ARTICULAÇÕES FIBROSAS Os ossos de uma articulação fibrosa (algumas vezes chamada de sinartrose) estão unidos por tecido fibroso. Há três tipos de articulações fibrosas: sutura, sindesmose e gonfose. Sutura Existem três tipos de sutura: plana, serrátil e escamosa. Sutura plana Entre os ossos nasais (Fig. 2.10).
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    80 Articulações © Direitosreservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Sutura serrátil Interparietal, frontoparietal e occipitoparietal (Fig. 2.8). Sutura escamosa Temporoparietal (Fig. 2.11). Sindesmose Nesta articulação, o tecido conectivo interposto é consideravelmente maior do que numa sutura. O exemplo mais típico é a sindesmose tibiofibular. Gonfose É a articulação entre um dente e seu alvéolo correspondente. ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS Os ossos de uma articulação cartilagínea estão unidos por cartilagem hialina ou por cartilagem fibrosa. Articulação de cartilagem hialina Este tipo de articulação é denominado sincondrose e representa uma união temporária. A cartilagem funciona como uma zona de crescimento para um ou para ambos os ossos que ela une. A maioria destas articulações se oblitera, isto é, é substituída por osso quando cessa o crescimento. Podem-se citar como exem- plos as lâminas epifisiais dos ossos longos e a sincondrose esfenooccipital. Articulações fibrocartilagíneas Este tipo de articulação é denominado sínfise (anfiartrose) e não se oblitera após cessado o crescimento. Os exemplos mais típicos são: a sínfise púbica e as articulações entre os corpos das vértebras. ARTICULAÇÕES SINOVIAIS O termo sinóvia é usado para o líquido existente nas articulações sinoviais. Estas são algumas vezes chamadas de diartroses, possuem uma cavidade e são especializadas para permitir maior ou menor liberdade de movimento. Suas ca- racterísticas principais são: As superfícies articulares dos ossos estão cobertas com cartilagem, a qual é geralmente do tipo hialino. Os ossos estão unidos por uma cápsula articular e
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    CAPÍTULO 3 81 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. por ligamentos. A cápsula articular consiste em sua maior parte de uma camada fibrosa (o termo cápsula articular é freqüentemente usado com referência espe- cialmente à camada fibrosa), cuja superfície interna está forrada por um tecido conectivo vascularizado, a membrana sinovial, que produz o líquido sinovial (sinóvia), o qual ocupa a cavidade articular e lubrifica a articulação. A cavidade articular está, algumas vezes, subdividida parcial ou completamente por discos ou meniscos fibrosos ou fibrocartilagíneos. Classificação As articulações sinoviais são classificadas de acordo com o número de su- perfícies articulares em: Simples Quando somente um par de superfícies articulares se faz presente, como nas articulações das falanges. Composta Quando mais de um par de superfícies articulares se fazem presentes. Na articulação do cotovelo, por exemplo, a cápsula articular abrange três superfícies articulares, ou seja, do úmero, do rádio e da ulna. Complexa Tem sido usado para aquela em que a cavidade articular está parcial ou completamente subdividida por discos ou meniscos. De acordo com os eixos de movimentos, esta classificação presume a exis- tência de três eixos perpendiculares entre si. UNIAXIAL Tem apenas um eixo de movimento. Como exemplo, pode-se citar a articu- lação entre as falanges. BIAXIAL Tem dois eixos de movimento. Exemplo: a articulação do punho. TRIAXIAL Tem três eixos de movimento. Exemplo: a articulação do ombro. De acordo com a forma das superfícies articulares, estas formas determinam o tipo de movimento e são parcialmente responsáveis pela determinação do grau de movimento.
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    82 Articulações © Direitosreservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Articulação sinovial plana As superfícies articulares são, em geral, ligeiramente abauladas. Elas permi- tem resvalos ou deslizamentos em qualquer direção ou torção de um osso sobre o outro. Exemplo: as articulações entre os processos articulares das vértebras. São uniaxiais. Articulação em dobradiça ou gínglimo Refere-se mais ao tipo de movimento do que à forma das superfícies articula- res. É uniaxial e só permite movimento em um único plano. Uma articulação interfalângica é um bom exemplo. Articulação em pivô ou trocóide Este tipo, do qual a articulação radioulnar proximal é um exemplo, é uniaxial e é responsável pelos movimentos de pronação e supinação do antebraço. Articulação selar Uma peça esquelética apresenta concavidade num sentido e convexidade em outro, e se encaixa numa segunda peça onde convexidade e concavidade apresentam-se no sentido inverso da primeira. Um exemplo é a articulação carpometacárpica do polegar. É biaxial, permite flexão, extensão, adução e abdução e a combinação destes movimentos, que é a circundução. Não permite rotação isoladamente. Articulação condilar ou elipsóide As superfícies articulares têm forma elíptica. É biaxial, só não permite rota- ção, e um bom exemplo é a articulação temporomandibular (ATM). Articulação esferóide As superfícies articulares são: de um lado, um segmento de esfera e do outro um receptáculo oco. Este tipo de articulação permite movimentos em torno de três eixos, sendo portanto, triaxial e a articulação do ombro é um exemplo. Exe- cuta, flexão e extensão, adução e abdução, rotação e circundução. ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR (ATM) A articulação temporomandibular é do tipo sinovial condilar. Apresenta duas superfícies articulares; uma superior, representada pela eminência articular e fossa mandibular do osso temporal, e outra inferior, representada pelo côndilo da mandíbula.
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    CAPÍTULO 3 83 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Superfícies articulares do osso temporal A eminência articular é transversal, porém ligeiramente oblíqua no sentido medial e posterior. É convexa da frente para trás e ligeiramente côncava de late- ral para medial. Continua, anteriormente, com a superfície plana infratemporal e, posteriormente, com a fossa mandibular. A fossa mandibular está situada pos- teriormente à eminência articular, anteriormente ao meato acústico externo, medialmente à raiz longitudinal do arco zigomático e lateralmente à espinha do esfenóide. Tem a forma elíptica e está dividida pela fissura timpanoescamosa em duas partes: uma anterior, articular, em continuação com a vertente posterior da eminência articular; outra posterior, retroarticular, que se confunde com a pare- de anterior do meato acústico externo (Fig. 2.12). Superfícies articulares da mandíbula Os côndilos da mandíbula são duas eminências elípticas, alongadas da por- ção lateral para medial. Estão inclinados medialmente e sobressaem muito na face medial do ramo mandibular. Tem a forma de sela, apresentando uma vertente anterior e outra posterior, separadas por uma crista paralela ao seu eixo maior. A vertente anterior é conve- xa; a posterior é aplanada e desce quase verticalmente, estreitando-se em conti- nuidade com a margem posterior do ramo mandibular (Fig. 2.39). As superfícies articulares da ATM estão cobertas por fibrocartilagem com pequenas áreas de cartilagem hialina. Fig. 3.1 — ATM direita (vista lateral): A — meato acústico externo; B — ligamento estilomandibular; C — processo coronóide; D — lâmina lateral do processo pterigóide; E — ligamento temporomandibular lateral; F — cápsula articular.
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    84 Articulações © Direitosreservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 3.2 — ATM direita (vista medial): A — arco zigomático B — ligamento pterigomandibular; C — sulco milo- hióideo; D — ligamento estilomandibular; E — ligamento esfenomandibular; F — cápsula articular; G — seio esfenoidal. Fig. 3.3 — Corte sagital na ATM direita: A — meato acústico externo; B — cápsula articular; C — disco articular; D — espaço infradiscal; E — músculo pterigóideo lateral; F — espaço supradiscal.
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    CAPÍTULO 3 85 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Disco articular É uma lâmina oval de tecido fibrocartilagíneo, cuja circunferência está liga- da à cápsula articular. Posteriormente, perde-se em fibras elásticas (freio discal posterior). Anteriormente, por intermédio da cápsula, o disco é ancorado ao ten- dão do músculo pterigóideo lateral. O disco está firmemente inserido ao redor do côndilo mandibular, de modo que segue o côndilo nos movimentos de desli- zamento. A articulação temporomandibular está dividida em dois compartimen- tos: um superior, entre o osso temporal e o disco (supradiscal), e um inferior, entre o disco e a mandíbula (infradiscal). A superfície superior do disco é cônca- vo-convexa; a inferior é côncava. O disco é de espessura variável, podendo en- contrar-se, muito raramente, uma perfuração, que interligaria os dois comparti- mentos articulares (Fig. 3.3). Cápsula articular Insere-se superiormente no contorno da superfície articular do temporal, ou seja, adiante, na margem anterior da eminência articular, posteriormente, na fissura timpanoescamosa, medialmente, na base da espinha do esfenóide e lateralmen- te, na margem inferior do processo zigomático. Inferiormente, a cápsula insere- se no contorno do colo do côndilo (Fig. 3.1). A cápsula articular compõe-se de duas classes de fibras: fibras longas super- ficiais, que se estendem diretamente do temporal à mandíbula, e fibras curtas, que vão de cada um destes ossos à periferia do disco. As fibras curtas formam, na parte posterior da cápsula, um feixe de fibras elásticas, curto e grosso, entre a fissura timpanoescamosa e a margem posterior do disco denominado freio discotemporal posterior. A parte lateral da cápsula é reforçada pelo ligamento lateral que, superior- mente, se insere na margem lateral da fossa mandibular. Daí, as fibras se dirigem para baixo e para trás, terminando na face lateral e posterior do colo do côndilo. A parte medial da cápsula é reforçada pelo ligamento medial; porém, este é mais delgado e menos resistente que o lateral. Insere-se superiormente na extre- midade medial da fissura timpanoescamosa, na espinha do esfenóide e, inferior- mente, na face medial do colo do côndilo. O ligamento posterior compõe-se de feixes elásticos situados na parte poste- rior da articulação, que se juntam aos feixes da cápsula. Nascem, superiormente, na fissura timpanoescamosa e, inferiormente, inserem-se na parte posterior do disco e na parte posterior do côndilo. Estes feixes, retroarticulares, contribuem para limitar o trajeto do disco e do côndilo nos movimentos de deslizamento. Descreve-se ainda a ATM com três ligamentos considerados acessórios, por- que, na realidade, não desempenham papel no mecanismo articular. São eles: esfenomandibular, estilomandibular e pterigomandibular. Ligamento esfenomandibular É uma cinta fibrosa, de forma retangular, que se estende da base do crânio à parte média do ramo da mandíbula. Insere-se superiormente na espinha do
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    86 Articulações © Direitosreservados à EDITORA ATHENEU LTDA. esfenóide e na porção mais medial da fissura timpanoescamosa, daí, dirige-se para baixo, indo inserir-se na língula da mandíbula. Representa a porção posterior, engrossada da aponeurose interpterigóidea (Fig. 3.2). Ligamento estilomandibular É uma faixa especializada da lâmina profunda da fáscia cervical superficial, que se estende desde o processo estilóide até a margem posterior do ramo mandi- bular (Fig. 3.2). Ligamento pterigomandibular Também chamado de tendão bucinatofaríngeo é uma lâmina fibrosa, que se estende desde o hâmulo pterigóideo à extremidade posterior da margem alveolar da mandíbula. Esta lâmina deve ser considerada como uma interseção tendínea entre os músculos bucinador e o constritor superior da faringe (Fig. 3.2). Sinoviais Existem na ATM duas sinoviais distintas, correspondentes aos dois compar- timentos da cavidade articular. Uma superior, supradiscal, e outra inferior, infradiscal. Nos casos em que o disco é perfurado, condição extremamente rara, as duas sinoviais comunicam-se entre si. Anatomia de relação Lateralmente, a ATM está em relação com a glândula parótida, os ramos tempo- rofaciais do nervo facial, a artéria temporal superficial e seu ramo transversa da face, a veia temporal superficial, atrás da artéria, e o nervo auriculotemporal, entre o côndilo e o trágus. Mais lateralmente, a tela subcutânea e a pele. Medialmente, está em relação com o nervo alveolar inferior, nervo lingual, nervo corda do tímpano, nervo auriculotemporal, com a artéria maxilar e a arté- ria meníngea média. Anteriormente, com o músculo pterigóideo lateral e o músculo masseter. Posteriormente, com o meato acústico externo ósseo e cartilagíneo e glându- la parótida. Superiormente, com a parede craniana da fossa mandibular. Vascularização da ATM É feita através de ramos da artéria temporal superficial e da artéria maxilar. Inervação da ATM Provém do nervo massetérico e auriculotemporal, ramos do nervo mandibular.
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    CAPÍTULO 4 87 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 4 Sistema Muscular CONCEITO Músculos são estruturas que têm a capacidade de contração, diminuindo a distância entre as suas extremidades fixadas, movendo segmentos do corpo. Além do movimento, os músculos mantêm unidas as peças ósseas determi- nando a posição e postura do esqueleto. Mesmo quando em repouso, os múscu- los possuem certo grau de contração reflexa (tono muscular). DIVISÃO Os músculos podem ser voluntários e involuntários. VOLUNTÁRIOS Histologicamente, apresentam estrias transversais. Por esta razão se denomi- nam estriados e como, geralmente, originam-se no esqueleto, são chamados de estriados esqueléticos; e ainda funcionam na dependência da nossa vontade. INVOLUNTÁRIOS Histologicamente, suas fibras são lisas (músculo liso) e estão localizadas nas vísceras; seu controle independe da nossa vontade. O músculo cardíaco asseme- lha-se aos estriados esqueléticos, mas atua como involuntário.
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    88 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CONPONENTES ANATÔMICOS DOS MÚSCULOS ESTRIADOS ESQUELÉTICOS VENTRE MUSCULAR Vulgarmente conhecido como carne, é vermelho no vivo e nele predominam as fibras musculares, sendo, portanto, a parte ativa do músculo, ou seja, a parte que se contrai, aproximando as suas extremidades. EXTREMIDADES Tendões — São cilíndricos ou em forma de fita. Aponeuroses — São laminares. Tanto os tendões quanto as aponeuroses são esbranquiçados, brilhantes, muito resistentes e praticamente inextensíveis, constituídos de tecido conjuntivo den- so, rico em fibras colágenas; e servem para prender o músculo ao esqueleto, às cápsulas articulares, a outros músculos, à derme etc. FÁSCIA MUSCULAR Para que os músculos possam exercer um trabalho de tração ao se contra- írem, é necessário que estejam dentro de uma bainha elástica de contenção (como se fosse um pedaço de carne dentro de um saco plástico), papel execu- tado pela fáscia muscular, que é uma lâmina de tecido conjuntivo que envol- ve cada músculo. ORIGEM MUSCULAR É o ponto fixo, ou seja, a peça óssea onde o músculo está fixado, não se desloca no momento de contração muscular. INSERÇÃO MUSCULAR É o ponto móvel, ou seja, é a extremidade que se desloca no momento da contração muscular. Dependendo de determinadas ações, os músculos podem alterar seus pon- tos de origem e inserção. Como exemplo, podemos citar os músculos supra- hióideos (com exceção do estilo-hióideo), que se fixam na mandíbula e no hióide (ambos são móveis). Quando a mandíbula está fixada pelos músculos da mastigação, os supra-hióideos, ao se contraírem, vão elevar o osso hióide; logo, as suas origens são mandibulares e as inserções hióideas. Se, ao contrário, o hióide está fixado pelos músculos infra-hióideos, os supra-hióideos, ao se con- traírem, abaixarão a mandíbula; sendo assim, suas origens são hióideas e suas inserções, mandibulares.
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    CAPÍTULO 4 89 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CLASSIFICAÇÃO QUANTO À FORMA Músculos longos Nestes predomina o comprimento, como exemplo, podemos citar o músculo esternocleidomastóideo. Músculos largos Nestes o comprimento e a largura se equivalem, exemplo: glúteo máximo. Músculos fusiformes A parte média do ventre muscular tem maior diâmetro que as extremidades, exemplo: bíceps do braço. Músculos em forma de leque As fibras convergem para um tendão em uma das suas extremidades, exem- plo: músculo temporal. Músculos peniformes Suas fibras são oblíquas em relação aos tendões, lembram uma pena de ave. Existem dois tipos: unipenado e bipenado. Músculo unipenado Os feixes se prendem numa só margem do tendão, exemplo: músculo extensor longo dos dedos. Músculo bipenado Os feixes se prendem nas duas margens do tendão, exemplo: músculo milo- hióideo. QUANTO À ORIGEM São classificados em bíceps, tríceps e quadríceps, na dependência do nú- mero de tendões onde eles se originam, duas, três ou quatro cabeças de ori- gem, respectivamente. Exemplos: músculo esternocleidomastóideo, apresen- ta duas cabeças de origem, é um músculo bíceps. Tríceps do braço e quadríceps da coxa.
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    90 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. QUANTO À INSERÇÃO Os músculos podem inserir-se por mais de um tendão e, nestes casos, podem ser: Bicaudado Quando apresentam dois tendões de inserção, exemplo: músculo estilo- hióideo, que geralmente cavalga o tendão intermediário do músculo digástrico para inserir-se no osso hióide por dois tendões. Policaudado Quando apresenta três ou mais tendões de inserção, exemplo: flexor longo dos dedos. QUANTO AO VENTRE MUSCULAR Digástrico Quando apresentam dois ventres musculares com tendão intermediário, exem- plo: músculo omo-hióideo. Poligástrico Quando apresenta mais de dois ventres, exemplo: músculo reto do abdome. QUANTO À FUNÇÃO Agonista É o músculo que executa a ação principal num determinado movimento. Antagonista É aquele que se opõe ao agonista. Sinergista É o músculo que atua anulando um movimento indesejado que poderia ser produzido pelo agonista, ou seja, é um coadjuvante do agonista. Como exemplo destas funções, pode-se citar o seguinte: quando os músculos supra-hióideos atuam para abaixar a mandíbula, eles são agonistas; mas, para que isto ocorra, é necessário que os infra-hióideos fixem o hióide, logo, neste movimento estes são sinergistas, e os da mastigação, que elevam a mandíbula, são antagonistas dos supra-hióideos.
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    CAPÍTULO 4 91 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. MÚSCULOS DA MÍMICA Os músculos da mímica apresentam em comum as seguintes característi- cas: 1 — uma localização muito superficial e uma fixação na cútis sobre a qual atuam; 2 — grande variedade no grau do seu desenvolvimento, em sua forma e potência; 3 — todos são inervados pelo nervo facial (VII par craniano). Para facilitar o estudo, agrupam-se os músculos da mímica em: 1 — múscu- los do couro cabeludo e pavilhão da orelha; 2 — músculos da órbita; 3 — múscu- los do nariz; 4 — músculos da boca; 5 — músculo platisma (Figs. 4.1 e 4.2). Fig. 4.1 — Músculos da mímica (vista lateral): A — ventre frontal do músculo occipitofrontal; B — parte orbital do orbicular do olho; C — parte palpebral do orbicular do olho; D — prócero; E — levantador do lábio superior e da asa do nariz; F — parte transversa do músculo nasal (compressor do nariz); G — levantador do lábio superior; H — parte alar do músculo nasal (dilatador da asa do nariz); I — zigomático menor; J — orbicular da boca; K — zigomático maior; L — depressor do lábio inferior; M — mental; N — depressor do ângulo da boca; O — platisma; P — risório; Q — auricular posterior; R — auricular superior; S — ventre occipital do músculo occipitofrontal; T — auricular anterior. MÚSCULOS DO COURO CABELUDO E PAVILHÃO DA ORELHA MÚSCULO EPICRÂNIO OU OCCIPITOFRONTAL Consiste de dois ventres occipitais (occipital) e dois ventres frontais (fron- tal), unidos pela aponeurose epicrânica ou gálea aponeurótica. O occipital origi-
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    92 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. na-se nos dois terços laterais quer da linha nucal superior, quer da suprema do osso occipital e da porção mastóidea do osso temporal. Insere-se na gálea aponeurótica. O frontal origina-se na gálea aponeurótica e se insere na cútis, no nível da raiz do nariz e ao longo do supercílio. O occipital, tracionando a aponeurose epicrânica, fornece um ponto de apoio para o frontal. Os dois músculos frontais elevam os supercílios, exprimindo sur- presa, e produzem as rugas horizontais na testa, na expressão do medo. Eles são antagonistas dos músculos orbiculares dos olhos. A ação alternada do occipital e do frontal move o couro cabeludo para trás e para a frente (Fig. 4.1). MÚSCULO AURICULAR ANTERIOR Origina-se na gálea aponeurótica e insere-se na cútis da porção anterior do pavilhão da orelha (Fig. 4.1). MÚSCULO AURICULAR SUPERIOR Origina-se na gálea aponeurótica e se insere na porção superior da cútis do pavilhão da orelha (Fig. 4.1). MÚSCULO AURICULAR POSTERIOR Origina-se na porção mastóidea do osso temporal e se insere na cútis da porção posterior do pavilhão da orelha. Os músculos auriculares geralmente es- tão involuídos no homem, porém em algumas pessoas eles estão bem desenvol- vidos e, neste caso, estas pessoas podem voluntariamente movimentar o pavi- lhão auricular (abanar as orelhas) (Fig. 4.1). MÚSCULOS DA ÓRBITA MÚSCULO ORBICULAR DO OLHO Consiste de três partes: orbital, palpebral e lacrimal. Parte orbital Origina-se na margem medial da órbita (osso frontal e maxila), através do ligamento palpebral medial. Suas fibras podem formar elipses completas, quiçá sem interrupção lateral, o que é discutido. As fibras que terminam no supercílio são, às vezes, denominadas músculo depressor do supercílio. Parte palpebral Está contida nas pálpebras. Suas fibras se originam do ligamento palpebral medial e se dirigem lateralmente em posição ventral à placa tarsal de cada pálpe-
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    CAPÍTULO 4 93 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. bra. Estas fibras formam um tendão comum (ligamento palpebral lateral) que está fixado no processo frontal do osso zigomático. Um pequeno feixe, junto à margem de cada pálpebra, é denominado feixe ciliar (Figs. 4.1 e 4.2). Parte lacrimal Origina-se da crista lacrimal posterior, passa através do tarso de cada pálpe- bra e se insere na maioria das vezes na rafe palpebral lateral. Ações do músculo orbicular do olho Protege o olho da luz intensa e de lesões. A parte palpebral une as pálpebras, levemente, como no pestanejar e no sono. O fechamento forçado das pálpebras é efetuado pela cooperação da parte orbital por meio da qual a cútis da fronte, da têmpora e da bochecha é tracionada para o ângulo medial das pálpebras. Esta ação resulta no aparecimento de rugas cutâneas que se irradiam do ângulo lateral das pálpebras; estas se tornam permanentes em pessoas idosas (pés-de-galinha). A parte lacrimal comprime os canais lacrimais e o saco lacrimal, facilitando a saída de lágrima. Os músculos levantadores da pálpebra superior e o frontal são antagonistas do orbicular do olho. A paralisia do orbicular do olho resulta na ptose da pálpe- bra inferior (ectrópio) e derramamento de lágrimas (epífora), como ocorre na paralisia facial. MÚSCULO CORRUGADOR DO SUPERCÍLIO Origina-se na extremidade medial do arco supra-orbital e se insere na cútis su- perior e lateralmente, perfurando as fibras do orbicular e do frontal. Ele traciona o supercílio para baixo e medialmente, produzindo rugas verticais entre os supercílios, como as que aparecem no aborrecimento e na expressão de atenção (Fig. 4.2). MÚSCULOS DO NARIZ MÚSCULO PRÓCERO Origina-se do osso nasal e se insere na cútis entre os supercílios. É antagonis- ta do frontal, tracionando a cútis entre os supercílios para baixo provocando dobras horizontais na raiz do nariz e ajudando o corrugador do supercílio na expressão de sofrimento ou de aborrecimento (Figs. 4.1 e 4.2). MÚSCULO NASAL Está subdividido em duas partes: a parte transversa (compressor do nariz) se origina nas maxilas (eminências caninas) e se expande numa aponeurose, a qual se continua com a do lado oposto, sobre o nariz e a parte alar (dilatador da asa do nariz), originando-se da maxila a cada lado e se inserindo na cútis da asa do nariz (Figs. 4.1 e 4.2).
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    94 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 4.2 — Músculos da mímica (vista anterior): A — ventre frontal do músculo occipitofrontal; B — corrugador do supercílio; C — prócero; D — parte palpebral do orbicular do olho; E — compressor do nariz; F — origem do levantador do lábio superior; G — ducto parotídeo; H — masseter; I — bucinador; J — levantador do ângulo da boca; K — orbicular da boca; L — mental; M — depressor do lábio inferior; N — depressor do ângulo da boca; O — margem inferior da mandíbula; P — risório; Q — zigomático menor; R — zigomático maior; S — dilatador da asa do nariz; T — levantador do lábio superior e da asa do nariz; U — levantador do lábio superior; V — parte orbital do orbicular do olho. DEPRESSOR DO SEPTO Origina-se na maxila (fossa incisiva) e se insere no septo nasal, cooperando para alterar a forma das narinas e deprimindo o septo. MÚSCULOS DA BOCA LEVANTADOR DO LÁBIO SUPERIOR E DA ASA DO NARIZ Origina-se no processo frontal da maxila e insere-se na cútis do lábio superior e da asa do nariz. Eleva o lábio superior e ajuda a dilatar a narina (Figs. 4.1 e 4.2). LEVANTADOR DO LÁBIO SUPERIOR Origina-se ligeiramente abaixo da margem inferior da órbita e insere-se na cútis do lábio superior. Eleva o lábio superior na expressão de desdém (Figs. 4.1 e 4.2).
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    CAPÍTULO 4 95 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. ZIGOMÁTICO MENOR Origina-se na face lateral do osso zigomático e se insere na cútis do lábio superior. Auxilia na elevação do lábio superior como na expressão de desdém, acentua o sulco nasolabial e auxilia o zigomático maior na expressão do sorriso franco (Figs. 4.1 e 4.2) ZIGOMÁTICO MAIOR Origina-se na face lateral do osso zigomático e se insere na cútis do ângulo da boca. Traciona o ângulo da boca para cima e lateralmente na expressão de alegria (sorriso franco) (Figs. 4.1 e 4.2). RISÓRIO Origina-se na fáscia parotídea e se insere na cútis do ângulo da boca. Retrai o ângulo da boca lateralmente como no sorriso forçado (sorriso amarelo) (Figs. 4.1 e 4.2). LEVANTADOR DO ÂNGULO DA BOCA Origina-se na fossa canina e se insere na cútis do ângulo da boca. Eleva o ângulo da boca na expressão de agressividade (Fig. 4.2). DEPRESSOR DO ÂNGULO DA BOCA Origina-se na linha oblíqua e se insere na cútis do ângulo da boca. Traciona o ângulo da boca para baixo e lateralmente, como acontece na expressão de tris- teza (Figs. 4.1 e 4.2). DEPRESSOR DO LÁBIO INFERIOR Origina-se na linha oblíqua, profundamente ao depressor do ângulo da boca, e se insere na cútis do lábio inferior. Deprime o lábio inferior, auxiliando o depressor do ângulo na expressão de tristeza (Figs. 4.1 e 4.2). MÚSCULO DO MENTO Origina-se na fossa incisiva da mandíbula e se insere na cútis do mento. Eleva a cútis do mento e protrai o lábio inferior como no choro (beicinho) (Figs. 4.1 e 4.2). BUCINADOR Apresenta três origens: posterior, superior e inferior.
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    96 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Origem posterior Ligamento pterigomandibular ou tendão bucinatofaríngeo, que o separa do músculo constritor superior da faringe. Origem superior Face lateral do processo alveolar da maxila no nível de molares. Origem inferior Face lateral do processo alveolar da mandíbula no nível de molares. Inserção Na cútis do ângulo da boca, do lábio superior e do lábio inferior, entrelaçan- do suas fibras com as dos músculos aí inseridos (Fig. 4.3). Fig. 4.3 — Músculos: A — ducto parotídeo; B — bucinador; C — orbicular da boca; D — depressor do lábio inferior; E — depressor do ângulo da boca; F — ventre anterior do digástrico; G — milo-hióideo; H — estilo-hióideo; I — hioglosso; J — tendão intermédio do digástrico; K — estiloglosso; L — ligamento estilo-hióideo; M — constritor superior da faringe; N — ventre posterior do digástrico; O — levantador do véu palatino; P — tensor do véu palatino; Q — ligamento pterigomandibular ou tendão bucinatofaríngeo.
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    CAPÍTULO 4 97 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Ações do bucinador A principal é conservar as bochechas tensas durante a mastigação de modo a evitar que se dobrem, protegendo-as de serem lesadas pelos dentes. Agem tam- bém expelindo o ar da boca como no assobio ou sopro de uma corneta. ORBICULAR DA BOCA É antagonista de todos os músculos que dilatam a rima bucal, ou seja, ele fecha a rima bucal. É um esfíncter complicado que contém fibras de outros mús- culos faciais, bem como fibras próprias dos lábios. As fibras próprias dos lábios passam obliquamente da cútis para a mucosa e concentricamente ao redor dos lábios (Fig. 4.2). Ações do orbicular da boca Cerra os lábios. Além disso, é capaz de estreitar os lábios, comprimi-los contra os dentes, protraí-los e enrugá-los (como no beijinho). As várias funções do mús- culo, em parte, são possíveis pela independência de suas diversas porções, em parte pela combinação de sua ação com aquela de outros músculos dos lábios. INCISIVOS SUPERIORES E INFERIORES O músculo incisivo inferior origina-se na fossa incisiva da mandíbula, e o músculo incisivo superior na fossa incisiva da maxila. Estes pequenos feixes passam lateralmente e se entrelaçam com os músculos no ângulo da boca. Os músculos incisivos tornam plano o vestíbulo bucal e, como o músculo do mento, podem dificultar as manipulações dentárias na face labial dos dentes anteriores. MÚSCULO PLATISMA Origina-se na tela subcutânea e na pele sobre a parte superior dos músculos deltóide e peitoral maior. Insere-se principalmente sobre a margem inferior da mandíbula, mas também na pele e músculos em torno da boca. Além disso, suas fibras mais anteriores podem cruzar o plano mediano entrelaçando-se com as do lado oposto. Ele eleva e traciona em direção anterior a pele do pescoço e do ombro, diminuindo a concavidade entre a mandíbula e a parte lateral do pescoço. Desta maneira, alivia a pressão sobre as veias subjacentes. Além disso, tem alguma influência na expressão facial porque repuxa o ângulo da boca para baixo e para o lado (Fig. 4.1). MÚSCULOS DA LÍNGUA Os músculos da língua compreendem fibras peculiares a ela, os músculos intrínsecos, e, também, fibras que se originam em ossos vizinhos, os múscu- los extrínsecos. Todos os músculos da língua são bilaterais, sendo os de um lado separados dos do lado oposto por um septo mediano. São inervados pelo nervo hipoglosso (XII par craniano).
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    98 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 4.5 — Língua (corte frontal): A — músculo vertical; B — músculo longitudinal superior; C — ducto submandibular; D — músculo longitudinal inferior; E — músculo genioglosso; F — glândula sublingual; G — músculo transverso. Fig. 4.4 — Língua (corte sagital): A — músculo longitudinal superior; B — epiglote; C — osso hióide; D — músculo gênio-hióideo; E — músculo genioglosso. MÚSCULOS INTRÍNSECOS Dividem-se em: lingual ou longitudinal superior, lingual ou longitudinal in- ferior, transverso ou horizontal e vertical (Figs. 4.4, 4.5 e 4.6).
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    CAPÍTULO 4 99 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Músculos longitudinais São fibras anteroposteriores situadas próximas às margens superior e inferior do músculo estiloglosso. Diminuem o comprimento da língua, aproximando a ponta da base (Figs. 4.4, 4.5 e 4.6). Músculos transversos Originam-se do septo lingual, que é uma lâmina de conjuntivo denso em forma de foice mergulhada sagitalmente no meio da substância da língua. Diri- gem-se lateralmente, entrecruzando-se de maneira complexa com as fibras dos demais músculos da língua. Aproximam as margens laterais da língua, tornando- a aproximadamente cilíndrica (Fig. 4.5). Músculos verticais Suas fibras estão dispostas verticalmente da face superior à inferior. Aproxi- mam estas faces achatando a língua (Fig. 4.5). Fig. 4.6 — Língua, faringe e laringe (vista lateral): A — meato acústico externo; B — processo estilóide; C — músculo estilo-hióideo; D — músculo estilofaríngeo; E — músculo estiloglosso; F — músculo constritor superior da faringe; G — músculo hioglosso; H — músculo condroglosso; I — músculo constritor médio da faringe; J — músculo constritor inferior da faringe; K — esôfago; L — músculo palatoglosso; M — músculo longitudinal superior; N — músculo longitudinal inferior; O — músculo genioglosso; P — músculo gênio-hióideo; Q — músculo tíreo-hióideo; R — liga- mento cricotireóideo; S — lobo direito da glândula tireóide.
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    100 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. MÚSCULOS EXTRÍNSECOS A cada lado, são os seguintes: genioglosso, estiloglosso, hioglosso, condro- glosso e palatoglosso. Músculo genioglosso É um músculo em forma de leque, situado verticalmente e em contato, medialmente, com o seu homônimo. Originam-se nos processos geni superiores e inserem-se divergindo as suas fibras da ponta à base da língua. Quando agem em conjunto, protraem a língua e, por intermédio de suas fibras anteriores, abai- xam a ponta da língua. A origem dos genioglossos na mandíbula evita que a língua caia para trás e obstrua a respiração. Na ação isolada, ou seja, quando age o genioglosso direito, a ponta da língua desvia-se para a esquerda e vice-versa (Figs. 4.4, 4.5 e 4.6). Músculo estiloglosso Origina-se no processo estilóide do osso temporal e insere-se na parte lateral da língua. A ação conjunta dos estiloglossos traciona a língua para trás e para cima, sendo eles antagonistas dos genioglossos. Na lesão de um estiloglosso, como por exemplo o da esquerda, a base da língua seria tracionada para trás e para cima apenas do lado direito (Figs. 4.3 e 4.6). Músculo hioglosso É um músculo plano, de forma quadrilátera, parcialmente encoberto pelo músculo milo-hióideo. Tem sua origem no corno maior do osso hióide, dirige-se para cima e para adiante para se inserir ao lado e na face inferior da língua. A ação conjunta dos hioglossos puxam a língua para baixo (Figs. 4.3 e 4.6). Músculo condrosso É uma fita variável que se estende do corno menor e do corpo do osso hióide ao dorso da língua. É tido como uma porção do hioglosso, tendo também a fun- ção de abaixar a língua (Fig. 4.6). Músculo palatoglosso Ocupa a prega palatoglossa (pilar anterior). Origina-se na superfície inferior da aponeurose palatina e se insere a cada lado da língua. Eleva a base da língua ou abaixa o palato mole, na dependência do movimento (Fig. 4.6). MÚSCULOS DO PALATO MOLE OU VÉU PALATINO Os músculos do palato mole são: palatoglosso, palatofaríngeo, da úvula, levantador do véu palatino e tensor do véu palatino. São inervados pelo plexo
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    CAPÍTULO 4 101 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. faríngeo (formado pelos nervos glossofaríngeo, vago e acessório), e o tensor rece- be também inervação do nervo mandibular. Fig. 4.7 — Músculos do palato mole: A — tensor do véu palatino; B — levantador do véu palatino; C — palatofaríngeo; D — da úvula; E — papilas valadas; F — forame cego. MÚSCULO PALATOGLOSSO Já descrito com os músculos da língua. MÚSCULO PALATOFARÍNGEO Ocupa a prega palatofaríngea (pilar posterior). Ele se origina na margem pos- terior do palato ósseo e na aponeurose palatina, inserindo-se na parede lateral da faringe a cada lado. Eleva a faringe (Fig. 4.7). MÚSCULO DA ÚVULA Origina-se na espinha nasal posterior e na aponeurose palatina e se insere na mucosa da úvula. Eleva a úvula (Fig. 4.7). LEVANTADOR DO VÉU PALATINO Origina-se na face inferior do ápice do rochedo do temporal e se insere na superfície superior da aponeurose palatina a cada lado. Eleva o véu palatino (Fig. 4.7).
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    102 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. TENSOR DO VÉU PALATINO Origina-se na fossa escafóide na raiz da lâmina medial do processo pterigóide. Desce junto à margem posterior desta lâmina, forma um tendão que contorna o hâmulo pterigóideo (origem funcional) e se insere na aponeurose palatina. Esta aponeurose é uma expansão do tendão do tensor e está presa à margem posterior do palato duro; logo, quando os tensores entram em contração, tornam tensa a aponeurose palatina (Fig. 4.7). MÚSCULOS DA FARINGE A faringe apresenta duas camadas musculares: a externa circular, composta de três músculos constritores, inferior, médio e superior, e a camada interna, que consiste dos dois levantadores: o palatofaríngeo (já descrito com os músculos do palato mole) e o estilofaríngeo. São inervados pelo plexo faríngeo e o estilofaríngeo é enervado pelo nervo glossofaríngeo. CONSTRITOR INFERIOR Origina-se nas porções posteriores das cartilagens cricóide e tiróide. As fi- bras cricofaríngeas têm direção horizontal e se continuam com as fibras circula- res do esôfago. Elas atuam como um esfíncter, evitando que o ar penetre no esôfago. Este esfíncter relaxa durante a deglutição. As fibras tireofaríngeas ascendem obli- quamente, decusam posteriormente na rafe mediana e sobrepassam o constritor médio. Elas atuam na propulsão do alimento para baixo (Fig. 4.6). CONSTRITOR MÉDIO Origina-se do ângulo entre os cornos maior e menor do osso hióide e do ligamento estilo-hióideo. Suas fibras divergem em direção posterior e terminam na rafe mediana. As mais inferiores descem cobertas pelo constritor inferior e as mais superiores ascendem e sobrepassam o constritor superior. Agem na propul- são do alimento em direção inferior (Fig. 4.6). CONSTRITOR SUPERIOR Origina-se da parte lateral da língua, da linha milo-hióidea, do tendão pterigomandibular e do hâmulo pterigóideo. As fibras curvam-se em direção posterior para terminar na rafe mediana e numa aponeurose que se prende ao tubérculo faríngeo na porção basilar do occipital. Existe uma fenda entre a mar- gem superior do músculo e a base do crânio e inferiormente está coberto pelo constritor médio. Agem na propulsão do alimento em direção inferior (Fig. 4.6). ESTILOFARÍNGEO Origina-se da face medial do processo estilóide, desce entre os constritores superior e médio e se expande na parede lateral da faringe. Sua ação eleva a faringe (Fig. 4.6).
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    CAPÍTULO 4 103 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. MÚSCULOS DO OLHO São quatro retos (superior, inferior, lateral e medial) e dois oblíquos (superior e inferior). Estes seis músculos esqueléticos estão inseridos na esclera, que con- siste de uma rede de fibras colágenas que envolve o olho (o branco dos olhos). Com exceção do oblíquo inferior, que se origina na porção medial do soalho da órbita, todos os outros se originam na parte posterior da órbita. São enervados: o oblíquo superior pelo nervo troclear (IV par craniano), o reto lateral pelo nervo abducente (VI par) e os restantes pelo nervo oculomotor (III par). MÚSCULOS RETOS Os quatro retos originam-se a partir de um anel tendíneo comum, que cir- cunda o canal óptico e uma parte da fissura orbital superior; daí, seguem para a frente, próximos às paredes correspondentes da órbita, e se inserem na porção anterior da esclera. Os retos lateral e medial localizam-se no mesmo plano horizontal, enquanto os retos superior e inferior localizam-se no mesmo plano vertical. MÚSCULOS OBLÍQUOS O oblíquo superior origina-se no osso esfenóide acima do canal óptico ou medial a ele. Segue em direção anterior, sobre o reto medial e na porção medial do teto da órbita; seu tendão passa através da tróclea, que é uma polia localizada na fóvea troclear e, então, volta-se de modo abrupto lateralmente, em direção posterior e inferior, e se insere na face póstero-lateral da esclera, coberto pelo reto superior. A tróclea indica a origem funcional do músculo, e, daí, a sua inser- ção; o oblíquo superior localiza-se no mesmo plano vertical que o oblíquo inferior. O oblíquo inferior tem origem na parte anteromedial da órbita, lateralmente ao canal lacrimonasal. Passa lateralmente e em direção posterior abaixo do reto in- ferior e se volta em direção superior, coberto pelo reto lateral, indo inserir-se na face póstero-lateral da esclera (Figs. 4.8 e 4.9). AÇÕES DOS MÚSCULOS DO OLHO Partindo da posição primária, que é aquela em que o olhar está voltado em direção anterior, o reto lateral, ao se contrair, produz a abdução do olho, ou seja, a pupila se desloca no sentido lateral. Nesta posição, os dois eixos dos retos superior e inferior coincidem com o eixo anteroposterior do olho. Assim, se hou- ver contração do reto superior, a pupila se deslocará para cima; e, se houver contração do reto inferior, ela se deslocará para baixo. Voltando à posição primá- ria, ao se contrair o reto medial, há a adução do olho, ou seja, a pupila se desloca para o plano mediano. Ao realizar este movimento, os eixos dos oblíquos coinci- dem com o eixo anteroposterior do olho. Assim, se se contrair o oblíquo superior, a pupila se deslocará para baixo, e, se se contrair o oblíquo inferior, a pupila se deslocará para cima.
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    104 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 4.9 — Músculos do olho (vista superior): A — oblíquo superior; B — nervo óptico; C — reto medial; D — reto superior; E — levantador da pálpebra superior; F — reto lateral. Fig. 4.8 — Músculos do olho (vista lateral): A — levantador da pálpebra superior; B — reto superior; C — reto lateral; D — reto inferior; E — oblíquo inferior.
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    CAPÍTULO 4 105 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Além dos músculos do olho, deve-se descrever na órbita o músculo levantador da pálpebra superior. Ele se origina na asa menor do esfenóide, acima do canal óptico, passa em direção anterior, acima do reto superior, e termina numa aponeurose que se expande em direção inferior, inserindo-se na pele da pálpebra superior. Ele eleva a pálpebra superior. É enervado pelo nervo oculomotor (III par craniano) (Fig. 4.8). MÚSCULOS DO PESCOÇO MÚSCULO ESTERNOCLEIDOMASTÓIDEO Estende-se obliquamente no pescoço, desde a articulação esternoclavicular até o processo mastóideo. Origina-se por duas cabeças: uma no manúbrio esternal e outra na porção medial da clavícula; daí, suas fibras seguem para cima e para trás indo inserir-se na porção lateral do processo mastóideo (Fig. 4.10). Quando os músculos agem em conjunto, inclinam a cabeça para a frente e para baixo contra uma resistência. Quando um dos músculos se contrai, a cabeça inclina-se lateralmente em direção a este lado e a face gira para o lado oposto. É enervado pelo nervo acessório (XI par craniano). MÚSCULOS INFRA-HIÓIDEOS São quatro músculos em forma de fita, a cada lado, que prendem o osso hióide ao esterno, à clavícula e à escápula (omoplata). Estão dispostos em um plano superficial, compreendendo o esterno-hióideo e o omo-hióideo, e em um plano profundo, que é representado pelo esternotireóideo e tireo-hióideo. São inervados pela alça cervical, com exceção do tireo-hióideo, que recebe um ramo do plexo cervical através do nervo hipoglosso. Músculo esterno-hióideo Origina-se no manúbrio esternal e na extremidade medial da clavícula. Daí, suas fibras sobem verticalmente e se inserem na margem inferior do corpo do osso hióide (Fig. 4.10). Ação: abaixar o osso hióide. Músculo omo-hióideo Consiste de dois ventres unidos por um tendão intermediário. O ventre inferior se origina na margem superior da escápula; a seguir, passa para a frente e para cima, coberto pelo esternocleidomastóideo, para terminar no tendão intermediário. Daí, o ventre superior segue para cima para se inserir na margem inferior do corpo do osso hióide. O tendão intermediário prende- se ao manúbrio, a primeira cartilagem costal, e a clavícula por uma fita fascial da fáscia cervical, formando a sua origem funcional (Fig. 4.10). Ação: abaixa o osso hióide e provavelmente alivia a pressão nos ápices pulmonares e na veia jugular interna.
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    106 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Músculo esternotireóideo Fica coberto pelo esterno-hióideo. Origina-se no manúbrio, segue para cima e se insere na cartilagem tireóidea (Fig. 4.10). Ação: abaixa a laringe. Músculo tireo-hióideo Pode ser considerado uma continuação superior do esternotireóideo. Origi- na-se na cartilagem tireóidea e se insere na margem inferior do corno maior do osso hióide (Fig. 4.10). Ações: eleva a laringe, quando o osso hióide está fixo pelos músculos supra-hióideos, e abaixa o osso hióide quando a laringe é tracionada pelo esternotireóideo. MÚSCULOS SUPRA-HIÓIDEOS É um grupo de quatro músculos de cada lado, dispostos em três planos. O plano profundo está constituído pelo gênio-hióideo, enervado por um ramo do Fig. 4.10 — Músculos do pescoço: A — ventre anterior do digástrico; B — tendão intermédio do digástrico; C — ventre posterior do digástrico; D — origem funcional do digástrico; E — ventre superior do omo-hióideo; F — tíreo- hióideo; G — ventre inferior do omo-hióideo; H — origem funcional do omo-hióideo; I — esternotireóideo; J — glândula tireóide; K — esterno-hióideo; L — esternocleidomastóideo; M — Milo-hióideo.
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    CAPÍTULO 4 107 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. plexo cervical através do nervo hipoglosso; o plano médio, pelo milo-hióideo, enervado pelo nervo milo-hióideo ramo do nervo mandibular; o plano superfi- cial, pelo digástrico que recebe inervação do facial para o seu ventre posterior e do milo-hióideo para o seu ventre anterior e estilo-hióideo, que é enervado pelo facial. Fig. 4.12 — A — músculo milo-hióideo. Fig. 4.11 — Músculos genioglosso, genio-hióideo e milo-hióideo (vista superior): A — genioglossos; B — gênio- hióideos; C — milo-hióideo.
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    108 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Músculo gênio-hiódeo Está situado acima do músculo milo-hióideo. Origina-se nos processos geni inferiores e se insere na face anterior do osso hióide. Está em contato com o músculo oposto (Fig. 4.11). Ação: adianta e eleva o osso hióide quando a mandí- bula está fixada pelos músculos da mastigação ou abaixa a mandíbula quando o osso hióide está fixado pelos músculos infra-hióideos. Músculo milo-hióideo Está localizado acima do ventre anterior do digástrico e abaixo do gênio- hióideo. Origina-se na linha milo-hióidea. As fibras são dirigidas para o plano mediano, onde terminam numa rafe tendínea. As fibras posteriores, entretanto, são inseridas no corpo do hióide (Fig. 4.12). Ação: quando a mandíbula está fixada pelos músculos da mastigação, ele eleva o osso hióide, tornando mais raso o soalho da boca, o que eleva a língua forçando-a para trás, como acontece na deglutição. Quando o osso hióide está fixado pelos músculos infra-hióideos, ele ajuda a abaixar a mandíbula. Músculo digástrico Consiste de dois ventres unidos por um tendão intermediário. O ventre poste- rior origina-se na incisura mastóidea (digástrica) no osso temporal e se dirige para a frente e para baixo em direção ao osso hióide. O ventre anterior insere-se na fossa digástrica na margem inferior da mandíbula, junto à sínfise. Ele é dirigido para trás e para baixo. O tendão intermediário é ancorado ao osso hióide por fibras da lâmi- na profunda da fáscia cervical superficial, onde freqüentemente existe uma bolsa sinovial (origem funcional) (Fig. 4.10). Ação: quando o osso hióide está fixado pelos músculos infra-hióideos, eles abaixam a mandíbula. Quando a mandíbula está fixada pelos músculos da mastigação, eles elevam o osso hióide. Músculo estilo-hióideo É um músculo delgado, localizado ao longo da margem superior do ventre posterior do digástrico. Origina-se no processo estilóide e se insere na junção entre o corpo e o corno maior por dois tendões que cavalgam o tendão intermediá- rio do digástrico (Fig. 4.3). Ação: traciona o osso hióide para cima e para trás. MÚSCULOS DA MASTIGAÇÃO São quatro músculos a cada lado: temporal, masseter, pterigóideo medial e pterigóideo lateral. Desenvolvem-se do mesoderma do arco mandibular e são todos enervados pelo nervo mandibular. MÚSCULO TEMPORAL É um músculo aplanado em forma de leque, localizado na fossa temporal. Origina-se na linha curva temporal inferior e em toda a fossa temporal. Suas
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    CAPÍTULO 4 109 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. fibras convergem inferiormente, formando um tendão que se insere no processo coronóide (Fig. 4.13). Ação: eleva e retrai a mandíbula. Fig. 4.13 — A — músculo temporal; B — terço inferior do músculo masseter. MÚSCULO MASSETER É um músculo quadrilátero, localizado na porção lateral da face, que apre- senta dois feixes, um superficial e outro profundo. FEIXE SUPERFICIAL Origina-se superiormente na margem inferior do arco e do osso zigomático e se insere inferiormente na área goníaca. FEIXE PROFUNDO Origina-se superiormente na face medial do arco e do osso zigomático e se insere inferiormente na face lateral do ramo da mandíbula. Ação: eleva a mandí- bula (Fig. 4.14).
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    110 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 4.14 — A — músculo temporal; B — feixe superficial do músculo masseter; C — feixe profundo do músculo masseter; D — cápsula da ATM. Fig. 4.15 — A — músculo pterigóideo lateral; B — músculo pterigóideo medial; C — tendão do músculo temporal; D — músculo milo-hióideo (secionado); E — ventre anterior do músculo digástrico (secionado); F — músculo gênio- hióideo (secionado); G — músculo genioglosso (secionado); H — músculo masseter.
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    CAPÍTULO 4 111 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. MÚSCULO PTERIGÓIDEO MEDIAL Está situado medialmente ao ramo da mandíbula na fossa infratemporal. Ori- gina-se súpero-medialmente na fossa pterigóide do osso esfenóide e se insere ínfero-lateralmente na face medial do ramo mandibular, entrelaçando-se inferi- ormente com as fibras do masseter (Fig. 4.15). Ações: quando age em conjunto com seu homônimo, eleva a mandíbula. Quando age isoladamente, além de ele- var, ajuda no movimento de lateralidade. MÚSCULO PTERIGÓIDEO LATERAL É o único que não é elevador da mandíbula. Tem a forma de um cone de extremidade posterior e ocupa a fossa infratemporal. Origina-se por duas cabe- ças: a superior, que se prende na face infratemporal da grande asa do esfenóide, e a inferior, na face lateral da lâmina lateral do processo pterigóide. Suas fibras convergem para trás e formam um tendão que se insere na fóvea pterigóidea no colo do côndilo, na cápsula e disco da ATM (Figs. 3.3 e 4.15). Ações: quando age em conjunto com o seu homônimo, a mandíbula é deslocada para adiante. Quan- do age o pterigóideo lateral esquerdo, a mandíbula desloca-se para a direita; quando age o direito, a mandíbula desloca-se para a esquerda. MOVIMENTOS MANDIBULARES A mandíbula realiza 11 movimentos agrupados em cinco pares, e um que é resultante da combinação de todos. PRIMEIRO PAR DE MOVIMENTOS, DE TRAJETÓRIA INICIAL VERTICAL E DESCENDENTE. SÃO OS MOVIMENTOS DE ABAIXAMENTO E ELEVAÇÃO Abaixamento (movimento de ida) Os dentes acham-se em oclusão cêntrica e os côndilos da mandíbula em relação cêntrica; o osso hióide é o ponto fixo de origem para os músculos supra- hióideos, graças à contração dos infra-hióideos; os músculos elevadores da man- díbula estão inativos. Em tais condições começam a atuar os depressores; a pri- meira ação é dos gênio-hióideos, aos quais se somam de imediato o milo-hióideo e os ventres anteriores dos digástricos. Os pontos de inserção mandibular destes músculos (processos geni, linha milo-hióidea e fossas digástricas) ocupam posi- ções anteriores e superiores em relação ao osso hióide; é por isso que, quando os supra-hióideos se contraem, a sínfise mental baixa e retrocede. Paralelamente, os côndilos estão rodando de acordo com um eixo que parece passar por seus pólos laterais; funcionam neste momento as articulações infradiscais. Até aqui tivemos o primeiro tempo do movimento, também chamado de pequena abertura. O disco se insere nos pólos do côndilo e, quando este roda, produz-se em suas inserções um efeito de torção que, ao não poder prolongar-se, faz com que ao estender-se o movimento, côndilo e disco se solidarizem. O segundo tempo do movimento ou de grande abertura é determinado pela contração simultânea e
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    112 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. com igual intensidade de ambos os pterigóideos laterais. Os pterigóideos late- rais, ao propulsionarem os côndilos que já estão solidarizados com os discos, fazem com que estes deslizem sobre as vertentes posteriores das eminências arti- culares dos temporais, fazendo funcionar as articulações supradiscais. A sínfise mental segue transladando-se para baixo e para trás. Os côndilos ficam colocados sob as eminências articulares dos ossos temporais. O movimen- to termina quando se limitam em sua capacidade os músculos ativos e se soma a aposição dos elementos ligamentosos da articulação (cápsula, ligamentos lateral e medial e freio discal posterior), que esgotam sua capacidade de distensão. A abertura máxima é considerada normal quando a distância entre os incisi- vos superiores e inferiores chega a aproximadamente 4cm. Elevação (movimento de volta) Desaparecida a ação dos músculos depressores, deve a mandíbula efetuar o movimento inverso ao cumprido durante o abaixamento. Existem também dois tempos; no primeiro, funcionam as articulações supradiscais. Côndilos e dis- cos solidários são arrastados para trás pelas fibras horizontais e oblíquas dos músculos temporais, com a participação de algumas fibras dos masseteres e pterigóideos mediais, para devolver aos discos as suas posições no fundo das fossas mandibulares. No segundo tempo, com um definido trabalho dos masseteres, pterigóideos mediais e fibras verticais dos temporais, os côndilos rodam sob as faces inferio- res dos discos para chegar ao restabelecimento da oclusão cêntrica. SEGUNDO PAR DE MOVIMENTOS, DE TRAJETÓRIA INICIAL HORIZONTAL E ANTERIOR. SÃO OS MOVIMENTOS DE PROPULSÃO E RETROPULSÃO Propulsão (movimento de ida) A mandíbula deve se projetar para adiante, porém a existência dos planos inclinados incisivo, molar e condiliano a obriga a realizar um prévio movimento de abaixamento, suficiente para que nenhuma margem incisal ou cúspide supe- rior possa interferir em seu deslizamento. Para isso devem funcionar os depressores, especialmente os gênio-hióideos; esta atividade depressora não deve ser muito intensa e há de ser regulada pelo tono dos músculos elevadores, para evitar que a mandíbula desça demasiadamente. Neste primeiro tempo do movimento, há uma leve rotação dos côndilos; para tanto, os pterigóideos laterais estão atuando sincronicamente e levam os côndilos para baixo e para adiante; esta fase da excursão é em realidade um abaixamento propulsado. O prolongamento do trabalho dos pterigóideos laterais fazem com que os côndilos arrastem seus respectivos discos. Neste segundo tempo colaboram os elevadores, mantendo elevada a mandíbula, pois sem eles o movimento seria de abaixamento e não de propulsão.
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    CAPÍTULO 4 113 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Retropulsão (movimento de volta) A mandíbula deve voltar para trás e logo para cima. Os primeiros músculos a entrarem em ação são os depressores; colaboram com eles os ventres posteriores dos digástricos, sendo todos regulados pelo tono dos elevadores com o fim de efetuar só um pequeno movimento de abaixamento. Possibilita-se, de tal forma, a atividade das fibras horizontais dos temporais, que são retropulsoras, auxiliadas por fibras oblíquas do mesmo músculo e pelos feixes profundos dos masseteres. Este trabalho conjunto faz retornar os côndilos e os discos às fossas mandibula- res. Logo, funcionam os elevadores com mais intensidade, provocando a rotação dos côndilos, devolvendo a mandíbula à posição de relação cêntrica. TERCEIRO PAR DE MOVIMENTOS, DE TRAJETÓRIA INICIAL HORIZONTAL E LATERAL. SÃO OS MOVIMENTOS DE LATERALIDADE CENTRÍFUGA E LATERALIDADE CENTRÍPETA Lateralidade centrífuga (movimento de ida) A mandíbula deve transladar de tal maneira que a sínfise mental se desloque para um dos lados, abandonando o plano sagital. Para que isto ocorra, será preci- so que a mesma baixe para poder fugir do engrenamento dentário; um dos côndilos, o do lado oposto ao do sentido do movimento, é tracionado pelo pterigóideo lateral, dirigindo-se, com o disco, para baixo, adiante e medialmente; o côndilo do outro lado se move com muito menor excursão para trás e para lateral, tracionado pelas fibras horizontais do temporal. Atuam também os masseteres e pterigóideos mediais, mantendo o contato dentário. Lateralidade centrípeta (movimento de volta) Desaparecidas as causas que deslocaram lateralmente a mandíbula, o côndilo propulsado volta à sua localização primitiva pela contração do temporal do mes- mo lado, sobretudo por suas fibras horizontais, e pela tração que no lado oposto do corpo mandibular exercem as fibras do milo-hióideo. O côndilo retraído regressa ajudado pela resiliência dos tecidos retroarticulares. Os elevadores, que durante todo o movimento mantiveram o contato dentário, restabelecem a oclusão cêntrica. QUARTO PAR DE MOVIMENTOS, DE TRAJETÓRIA INICIAL VERTICAL E ASCENDENTE. SÃO OS MOVIMENTOS DE INTRUSÃO E EXTRUSÃO Intrusão (movimento de ida) A posição de oclusão cêntrica implica a existência de uma contração dos ele- vadores. Quando essa contração aumenta, os dentes entram em oclusão forçada e, no nível da ATM, os côndilos fazem pressão, de baixo para cima, nos discos. Extrusão (movimento de volta) A mandíbula faz um leve abaixamento pelo relaxamento dos elevadores, sem contudo perder o tono, mantendo a mandíbula em oclusão cêntrica e fazendo desaparecer a compressão que sofriam os discos.
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    114 Sistema Muscular ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. QUINTO PAR DE MOVIMENTOS, DE TRAJETÓRIA INICIAL HORIZONTAL E POSTERIOR. SÃO OS MOVIMENTOS DE RETRUSÃO E PROTRUSÃO Retrusão (movimento de ida) Conservado o contato dentário pelo tono dos elevadores, a mandíbula é tracionada pelas fibras horizontais dos temporais, os côndilos se dirigem para trás, provocando a compressão dos tecidos retroarticulares. Protrusão (movimento de volta) É causado pelo relaxamento das fibras horizontais dos temporais e pela resiliência dos tecidos retroarticulares. Deve se manter a contração dos elevado- res para conservar o contato dentário. MOVIMENTO RESULTANTE DA COMBINAÇÃO DE TODOS Circundução (movimento de ida e volta) Os cinco pares de movimentos, quando combinados, com maior ou menor freqüência, com maior ou menor intensidade ou amplitude, têm como resultante o movimento de circundução, que é o movimento apto para a mastigação do onívoro.
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    CAPÍTULO 5 115 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 5 Sistema Circulatório CONCEITO É um sistema fechado, sem comunicação com o exterior, constituído por tu- bos no interior dos quais circulam humores. Os tubos são os vasos e os humores são o sangue e a linfa. Para que estes humores possam circular através dos vasos há um órgão central, o coração, que funciona como uma bomba contrátil-propulsora. Sendo um sistema tubular her- meticamente fechado, as trocas entre o sangue e os tecidos vão ocorrer em exten- sas redes de vasos de calibre reduzido e de paredes finas, os capilares. Por meio de permeabilidade seletiva, que se processa através de fenômenos físico-quími- cos complexos, material nutritivo e oxigênio passam dos capilares para os teci- dos, e produtos do resíduo metabólico, inclusive CO2, passam dos tecidos para o interior dos capilares. Certos componentes do sangue e da linfa são células pro- duzidas pelo organismo nos chamados órgãos hemopoiéticos, os quais são inclu- ídos no estudo do sistema circulatório. DIVISÃO O sistema circulatório está dividido em: sistema sangüíneo, sistema linfático e órgãos hemopoiéticos. SISTEMA SANGÜÍNEO Está representado pelos vasos condutores de sangue (artérias, veias e capila- res) e o coração, que pode ser considerado um vaso modificado.
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    116 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. SISTEMA LINFÁTICO É formado pelos vasos condutores da linfa (capilares linfáticos, vasos linfáti- cos e troncos linfáticos) e por órgãos linfóides (linfonodos e tonsilas). ÓRGÃOS HEMOPOIÉTICOS Representados pela medula óssea e pelos órgãos linfóides (baço e timo). CORAÇÃO É um órgão muscular, oco, que funciona como uma bomba contrátil-propul- sora. O tecido muscular que forma o coração é do tipo especial (tecido muscular estriado cardíaco) e constitui a sua camada média ou miocárdio. Forrando inter- namente o miocárdio existe o endotélio, que é contínuo com a camada íntima dos vasos que chegam ou saem do coração. Esta camada interna recebe o nome de endocárdio. Externamente ao miocárdio há uma serosa revestindo-o, denomi- nada epicárdio. A cavidade do coração está subdividida em quatro câmaras (dois átrios e dois ventrículos), e entre átrios e ventrículos existem orifícios com dis- positivos orientadores da corrente sangüínea, que são as valvas. Forma O coração tem a forma aproximada de um cone truncado, apresentando uma base, um ápice e faces (esternocostal, diafragmática e pulmonar). A base do cora- ção não tem uma delimitação nítida, isto porque corresponde a área ocupada pelas raízes dos grandes vasos da base do coração, isto é, vasos através dos quais o sangue chega ou sai do coração. Situação O coração fica na cavidade torácica, atrás do esterno, acima do músculo dia- fragma, no espaço compreendido entre os dois sacos pleurais (mediastino). Sua maior porção encontra-se à esquerda do plano mediano. O coração fica disposto obliquamente, de tal forma que a base é medial e o ápice é lateral. O maior eixo do coração, o eixo longitudinal (da base ao ápice), é, pois, oblíquo. Morfologia interna Quando as paredes do coração são abertas, verifica-se que a cavidade cardí- aca apresenta septos subdividindo-a em quatro câmaras. O septo horizontal (atrioventricular) divide o coração em duas porções, superior e inferior. A porção superior apresenta um septo vertical (interatrial) que a divide em duas câmaras: átrio direito e átrio esquerdo. Cada átrio possui um apêndice, que, visto na super- fície externa do coração, se assemelha a orelha de animal e recebe portanto, o nome de aurícula.
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    CAPÍTULO 5 117 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. A porção inferior apresenta também um septo vertical (interventricular), que a divide em duas câmaras: ventrículos direito e esquerdo. O septo atrioventricular possui dois orifícios, um à direita e outro à esquerda (óstios atrioventriculares direito e esquerdo), possibilitando assim a comunicação do átrio direito com o ventrículo direito e do átrio esquerdo com o ventrículo esquerdo. Os óstios atrioventriculares são providos de dispositivos que permitem a passagem do sangue somente do átrio para o ventrículo. São as valvas atrioventriculares. A valva é formada por uma lâmina de tecido conjuntivo den- so, recoberta em ambas as faces pelo endocárdio. Esta lâmina é descontínua, apresentando subdivisões incompletas que recebem o nome de válvulas ou cúspides. A valva atrioventricular direita possui três válvulas e recebe o nome de valva tricúspide; a valva atrioventricular esquerda apresenta duas válvulas e se chama valva bicúspide ou mitral. Quando ocorre a sístole, contração ventricular, a tensão nesta câmara aumenta consideravelmente, o que poderia provocar a eversão da valva para o átrio e conseqüente refluxo de sangue para esta câmara. Tal fato não ocorre porque cordas tendíneas prendem a valva a músculos papilares, os quais são projeções do miocárdio nas paredes internas do ventrículo. Fig. 5.1 — Aspecto interno dos ventrículos do coração: VE — ventrículo esquerdo; VD — ventrículo direito; A — artéria aorta; B e B1 — tronco arterial pulmonar; C — válvulas semilunares da valva da aorta; D — óstio da veia cava inferior; E — cúspide anterior da valva mitral; F — músculos papilares; G — septo interventricular; H — miocárdio ventricular; I — cordas tendíneas; J — cúspide posterior da valva tricúspide; K — válvulas semilunares da valva do tronco pulmonar; L — óstio arterial coronário.
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    118 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Vasos da base Vasos através dos quais o sangue chega ou sai do coração, têm suas raízes situadas na base deste órgão, razão pela qual esta área (base) não tem delimitação nítida. No átrio direito desembocam a veia cava superior e a veia cava inferior. No átrio esquerdo desembocam as veias pulmonares, em número de quatro (duas para cada pulmão). Do ventrículo direito sai o tronco arterial pulmonar (TAP), que, após um curto trajeto, bifurca-se em artérias pulmonares direita e esquerda para os res- pectivos pulmões. Do ventrículo esquerdo sai a artéria aorta, que se dirige inicial- mente para cima e depois para trás e para a esquerda, formando assim o arco aórtico. No nível dos orifícios de saída do tronco pulmonar e da aorta, respectiva- mente no ventrículo direito e esquerdo, existe um dispositivo valvar para impe- dir o retorno do sangue por ocasião do enchimento dos ventrículos (diástole ventricular): são a valva do tronco pulmonar e a valva aórtica. Cada uma destas valvas está constituída por três válvulas semilunares, que são lâminas de tecido conjuntivo forradas de endotélio, em forma de bolso, com fundo voltado para o ventrículo e a porção aberta voltada para a luz do vaso (Fig. 5.2). Fig. 5.2 — Vasos da base do coração: A — artéria carótida primitiva esquerda; B — artéria subclávia esquerda; C — artéria aorta; D — tronco arterial pulmonar; E — artéria pulmonar esquerda; F — veias pulmonares esquerdas; G — átrio esquerdo; H — valva mitral; I — ventrículo esquerdo; J — septo interventricular; K — ventrículo direito; L — veia cava inferior; M — valva tricúspide; N — átrio direito; O — veias pulmonares direitas; P — artéria pulmonar direita; Q — tronco arterial braquicefálico; R — artéria subclávia direita; S — artéria carótida primitiva direita; T — veia cava superior; setas — sentido da circulação do sangue.
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    CAPÍTULO 5 119 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Esqueleto cardíaco Consiste em uma massa contínua de tecido conjuntivo fibroso que circunda os óstios atrioventriculares e os óstios do tronco pulmonar e da aorta. Nele se inserem as valvas dos orifícios atrioventriculares e dos orifícios arteriais, além de camadas musculares (Fig. 5.3). Pericárdio É um saco fibrosseroso que envolve o coração, separando-o dos outros órgãos do mediastino e limitando sua expansão durante a diástole ventricular. Consiste de uma camada externa fibrosa, o pericárdio fibroso, e de uma camada interna serosa, o pericárdio seroso. Este último possui uma lâmina parietal, aderente ao pericárdio fibroso, e uma lâmina visceral, aderente ao miocárdio e também cha- mada epicárdio. Entre as duas lâminas do pericárdio seroso existe uma cavidade virtual, a cavidade do pericárdio, ocupada por uma camada líquida de espessura capilar, que permite o deslizamento de uma lâmina contra a outra durante as mudanças de volume do coração. Circulação do sangue A circulação é a passagem do sangue através do coração e dos vasos. A circu- lação se faz por meio de duas correntes sangüíneas que partem ao mesmo tempo do coração. A primeira corrente sai do ventrículo direito através do tronco pul- Fig. 5.3 — Esqueleto cardíaco: A — tronco pulmonar; B — aorta; C — valva tricúspide; D — valva mitral.
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    120 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. monar e se dirige aos capilares pulmonares, onde se processa a hematose, ou seja, a troca de CO2 por O2. O sangue oxigenado resultante é levado pelas veias pulmonares e lançado no átrio esquerdo, de onde passará para o ventrículo es- querdo. A outra corrente sangüínea sai do ventrículo esquerdo, pela artéria aorta, a qual vai se ramificando sucessivamente e chega a todos os tecidos do organis- mo, onde existem extensas redes de vasos capilares nos quais se processam as trocas entre o sangue e os tecidos. Após as trocas, o sangue carregado de resíduos e CO2 retorna ao coração através de numerosas veias, as quais, em última instân- cia, são tributárias (ou afluentes) de dois grandes troncos venosos, que são as veias cavas superior e inferior, as quais desembocam no átrio direito, de onde o sangue passará para o ventrículo direito. Fig. 5.4 — Sistema de condução do coração: A — nó sinoatrial; B — nó atrioventricular; C — feixe atrioventricular; D — ramo esquerdo; E — ramo direito. Sistema de condução O controle da atividade cardíaca é feito através do vago, que é um parassimpático craniano (atua inibindo) e do simpático (atua estimulando). Estes nervos agem sobre uma formação situada na parede do átrio direito, o nó sinoatrial, considerado como o “marca-passo” do coração. Daí o impulso espalha-se ao miocárdio, resultando contração. Este impulso chega ao nó atrioventricular, lo- calizado na porção inferior do septo interatrial, e se propaga aos ventrículos atra- vés do feixe atrioventricular. Este, no nível da porção superior do septo
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    CAPÍTULO 5 121 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. interventricular, emite os ramos direito e esquerdo e, assim, o estímulo alcança o miocárdio dos ventrículos. Ao conjunto destas estruturas de tecido especial é dada a denominação sistema de condução (Fig. 5.4). TIPOS DE CIRCULAÇÃO CIRCULAÇÃO PULMONAR OU PEQUENA CIRCULAÇÃO Tem início no ventrículo direito, de onde o sangue carregado de CO2 é bom- beado para o tronco arterial pulmonar, a seguir para as artérias pulmonares, che- gando finalmente à rede capilar dos pulmões. Depois de sofrer a hematose, o sangue oxigenado retorna ao átrio esquerdo através das veias pulmonares. Em síntese, é uma circulação coração-pulmões-coração. CIRCULAÇÃO SISTÊMICA OU GRANDE CIRCULAÇÃO Tem início no ventrículo esquerdo, de onde o sangue oxigenado é bombea- do, através da artéria aorta e suas ramificações, para a rede capilar dos tecidos de todo o organismo. Após as trocas, o sangue com CO2 retorna pelas veias cavas superior e inferior ao átrio direito. Em resumo, é uma circulação coração- tecidos-coração. CIRCULAÇÃO COLATERAL Normalmente, existem anastomoses (comunicações) entre ramos de artérias ou de veias entre si. Estas anastomoses são em maior ou menor número, depen- dendo da região do corpo. Em condições normais, não há muita passagem de sangue através destas comunicações, mas no caso de haver uma obstrução (par- cial ou total) de um vaso mais calibroso que participe da rede anastomótica, o sangue passa a circular ativamente por estas variantes, estabelecendo-se uma efetiva circulação colateral. É provável que a circulação colateral possa estabele- cer-se a partir de capilares, pela adição de tecidos às suas paredes, convertendo- se em artéria ou veia. Pelo exposto, conclui-se que a circulação colateral é um mecanismo de defesa do organismo, para irrigar ou drenar determinado territó- rio quando há obstrução de artérias ou veias de relativo calibre. CIRCULAÇÃO PORTAL Neste tipo de circulação, uma veia interpõe-se entre duas redes de capilares sem passar por um órgão intermediário. Como exemplo, podemos citar a circula- ção portal-hepática, que tem uma rede capilar no intestino, onde há a absorção dos alimentos, e outra rede de capilares sinusóides no fígado, onde ocorrem com- plexos processos metabólicos, e entre elas fica a veia porta. TIPOS DE VASOS SANGÜÍNEOS Os vasos condutores do sangue são as artérias, as veias e os capilares sangüíneos.
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    122 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. ARTÉRIAS São tubos cilindróides, elásticos, nos quais o sangue circula centrifugamente em relação ao coração. Tendo em vista o seu calibre, as artérias podem de um modo simplificado ser classificadas em artérias de grande, médio, pequeno calibre e arteríolas. As artérias possuem elasticidade a fim de manter o fluxo sangüíneo constante. As artérias emitem ramos colaterais e ramos terminais. Os ramos colaterais saem das artérias em ângulos diversos. O mais freqüente é a artéria originar a colateral, formando um ângulo agudo de vértice voltado para o coração. Esta angulação é funcional, pois permite ao sangue circular com facilidade e no mes- mo sentido da corrente da artéria de origem. O ramo colateral pode formar um ângulo reto com a artéria tronco e, neste caso, ocorre diminuição na velocidade de circulação do sangue. Quando o ramo colateral forma com a artéria tronco um ângulo obtuso, recebe o nome de recorrente, e, neste caso, o sangue circula em direção oposta àquela da artéria de origem. As artérias podem ser superficiais e profundas. As superficiais, em geral, são oriundas de artérias musculares e se destinam à pele, sendo por isso de calibre pequeno. A maioria das artérias são profundas e isto é funcional, pois nesta situ- ação as artérias encontram-se protegidas. As artérias profundas são acompanha- das por uma ou duas veias, tendo esta(s) o mesmo trajeto e em geral o mesmo nome da artéria que acompanham, sendo chamadas de veias satélites. Quando seguem juntos artéria, veia e nervo, o conjunto recebe o nome de feixe vasculo- nervoso. VEIAS São tubos nos quais o sangue circula centripetamente em relação ao coração. A forma das veias é variável de acordo com a quantidade de sangue em seu interior. Quando cheias, as veias são mais ou menos cilíndricas; quando pouco cheias ou mesmo vazias, são achatadas. Fortemente distendidas, apresentam-se nodosas devido à presença de válvulas. Em relação ao calibre, as veias podem ser de grande, médio, pequeno calibre e vênulas, estas últimas seguindo-se aos capilares. As veias em geral têm maior calibre que as artérias correspondentes. As veias recebem numerosas tributárias ou afluentes, e seu calibre aumenta à medida que se aproximam do coração. O número de veias é maior do que o de artérias, não só porque é muito fre- qüente a existência de duas veias satélites acompanhando uma artéria, como também pela existência de um sistema de veias superficiais às quais não correspondem as artérias. Tendo-se em conta que a velocidade do sangue é menor nas veias que nas artérias e que as veias devem transportar o mesmo volume de sangue num determi- nado tempo, compreende-se por que o número de veias é maior que o de artérias.
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    CAPÍTULO 5 123 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. De acordo com sua localização, as veias são classificadas em superficiais e profundas. As superficiais são subcutâneas, com freqüência visíveis por transparência na pele, mais calibrosas nos membros e no pescoço. Estas veias não acompa- nham as artérias. As veias profundas podem ser solitárias ou satélites das artérias. Numerosas veias comunicam veias superficiais com veias profundas e são denominadas veias comunicantes. A presença de válvulas é uma das características das veias, embora haja ex- ceções, pois estão ausentes nas veias do cérebro e em algumas veias do tronco e do pescoço. As válvulas são pregas membranosas da camada interna da veia em forma de bolso. Possuem uma margem aderente à parede da veia e uma margem livre, volta- da sempre para a direção do coração. O espaço delimitado pela margem aderente e situado entre a válvula e a parede da veia chama-se seio da válvula. Quando o sangue contido na veia é impulsionado, ele empurra a válvula de encontro à parede da veia, circulando assim livremente em direção ao coração. Como a progressão da corrente sangüínea venosa não é contínua, cessada a força que o impulsiona tende o sangue a retornar pela ação da gravidade. Tal fato, entretanto, não ocorre porque o sangue se insinua no seio da válvula, ocupando- o integralmente e fazendo com que a margem livre se encoste na parede da veia. Desta forma, a luz da veia é temporariamente obliterada, até que novo impulso faça o sangue progredir em direção ao coração. Um dos mais importantes fatores do retorno do sangue ao coração é a contração muscular, que comprime as veias e impulsiona o sangue nelas contido. CAPILARES SANGÜÍNEOS São vasos microscópios, interpostos entre artérias e veias. Neles se proces- sam as trocas entre o sangue e os tecidos. SISTEMA LINFÁTICO É um sistema formado por vasos e órgãos linfóides e nele circula a linfa, sendo basicamente um sistema auxiliar da drenagem venosa. Nem todas as mo- léculas do líquido tecidual passam para os capilares sangüíneos. É o caso de molé- culas de grande tamanho, que são recolhidas em capilares especiais, os capilares linfáticos, de onde a linfa segue para os vasos linfáticos, e destes para os tron- cos linfáticos, os mais volumosos, que, por sua vez, lançam a linfa em veias de médio ou grande calibre. Os capilares linfáticos são mais calibrosos e mais irregula- res que os sangüíneos, e terminam em fundo de saco, sendo geralmente encontrados na maioria das áreas onde estão situados os capilares sangüíneos. Os vasos linfá- ticos possuem válvulas em forma de bolso, como as das veias, e elas asseguram o
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    124 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. fluxo da linfa numa só direção, ou seja, para o coração. Como o calibre do vaso é menor no nível da localização das válvulas, ele se apresenta irregular e lembra as contas de um rosário. O maior tronco linfático recebe o nome de ducto torácico, e geralmente desemboca na junção da veia jugular interna com a veia subclávia do lado esquerdo. LINFONODOS São estruturas que estão interpostas no trajeto dos vasos linfáticos e agem como uma barreira ou filtro contra a penetração na corrente circulatória de microrganis- mos, toxinas ou substâncias estranhas ao organismo. Os linfonodos são, portanto, elementos de defesa para o organismo, e, para tanto, produzem glóbulos brancos, principalmente linfócitos. Freqüentemente estão localizados ao longo do trajeto de vasos sangüíneos, como ocorre no pescoço e nas cavidades torácica, abdominal e pélvica. Na axila e na região inguinal são abundantes, sendo em geral palpáveis nesta última. Como reação a uma inflamação, o linfonodo pode aumentar de volu- me e tornar-se doloroso, fenômeno conhecido com o nome vulgar de íngua. BAÇO É um órgão linfóide, situado no lado esquerdo da cavidade abdominal, junto ao diafragma, no nível das 9a , 10a e 11a costelas. Apresenta duas faces distintas, uma relacionada com o diafragma (face diafragmática) e outra voltada para as vísceras abdominais (face visceral). TIMO É um órgão linfóide, formado por massa irregular, situado em parte no tórax e em parte na porção inferior do pescoço. A porção torácica fica atrás do esterno e a porção cervical anteriormente e aos lados da traquéia. O timo cresce após o nascimento até atingir seu maior tamanho na puberdade. A seguir, começa a regredir, sendo grande parte de sua substância substituída por tecido adiposo e fibroso, não desaparecendo, entretanto, todo o tecido tímico. ARTÉRIAS ARTÉRIA AORTA Origina-se no ventrículo esquerdo e daí se dirige para cima, curvando-se para trás e para a esquerda, curvando-se novamente para baixo em direção verti- cal; atravessa o forame aórtico do diafragma e aborda a cavidade abdominal. Estas duas curvaturas da aorta formam o que chamamos de cajado da aorta, de onde saem cinco ramos colaterais. As duas primeiras nascem na porção as- cendente e são as artérias coronárias anterior e posterior, destinadas a irrigar o coração. Outros três ramos de maior volume desprendem-se da face superior da porção horizontal e são o tronco arterial braquicefálico, a artéria carótida primi- tiva (ou comum) esquerda e a artéria subclávia esquerda (Fig. 5.5).
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    CAPÍTULO 5 125 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 5.5 — Artérias: A — temporal superficial; B — artéria maxilar; C — faríngea ascendente; D — auricular posterior; E — occipital; F — facial; G — lingual; H — tireóidea superior; I — subclávia esquerda; J — aorta; K — tronco braquicefálico; L — carótidas primitivas; M — vertebrais; N — carótidas externas; O — basilar; P — cerebrais posteriores; Q — comunicantes posteriores; R — carótidas internas; S — cerebrais médias; T — comunicante anterior; U — cerebrais anteriores. TRONCO ARTERIAL BRAQUICEFÁLICO Dirige-se obliquamente para cima, à direita e ligeiramente para trás, termi- nando no nível da face posterior da articulação esternoclavicular direita, onde se bifurca em dois ramos terminais, a artéria subclávia e a artéria carótida primitiva direitas (Fig. 5.5).
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    126 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. ARTÉRIAS CARÓTIDAS PRIMITIVAS Em número de duas, originam-se, à direita, do tronco arterial braquiocefálico, e, à esquerda, do cajado da aorta, terminando ambas no nível da margem superior da cartilagem tireóide em dois ramos terminais cada uma, as artérias carótidas interna e externa direitas e esquerdas (Fig. 5.5). Cada carótida primitiva apresenta, no nível de sua bifurcação, uma dilata- ção, o seio carótico, onde estão localizados receptores especializados que, atra- vés de fibras aferentes do nervo glossofaríngeo, levam informações ao sistema nervoso central sobre a tensão arterial. Medialmente ao seio carótico, existe um pequeno corpúsculo, o glomo carótico, recoberto por uma membrana própria e conectado à artéria por um ligamento fibroso. Apresenta quimiorreceptores para regulação reflexa do teor de O2 no sangue através de fibras do nervo glossofaríngeo. ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA Origina-se na bifurcação da carótida primitiva, estende-se desde a sua ori- gem até o processo clinóide anterior, onde se divide destinando-se ao encéfalo, globo ocular e seus anexos. TRAJETO Desde sua origem sobe quase verticalmente ao longo da faringe, passa medialmente ao ventre posterior do músculo digástrico, invade o compartimento mandibulofaríngeo, passa medialmente e posteriormente à glândula parótida e penetra no canal carótico, na face inferior do rochedo do temporal. No rochedo, a artéria dobra-se para a frente, segue até o ápice, desemboca na fossa craniana média e alcança o sulco carótico no corpo do esfenóide. Neste ponto, está envolta por um revestimento endotelial do seio cavernoso que aí se localiza. No seio, a artéria carótida interna passa em direção anterior, lateralmente à sela turca. Ela, então, sobe e perfura o teto dural do seio entre os processos clinóides anterior e médio. A parte cerebral da artéria carótida interna volta-se, então, em direção posterior, no espaço subaracnóideo abaixo do nervo óptico. A inclinação em for- ma de U, convexa para a frente, é denominada sifão carótico. RAMOS COLATERAIS DA ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA I — ARTÉRIA OFTÁLMICA É o principal vaso da órbita. Origina-se do sifão carótico e passa em direção anterior através do canal óptico, abaixo do nervo óptico. Na órbita, ela se encon- tra entre o músculo reto lateral e o nervo óptico. Volta-se, então, medialmente, com freqüência entre o músculo reto superior e o nervo óptico. Na parede medial da órbita, ela então se volta em direção anterior entre os músculos oblíquo supe- rior e o reto medial. Próximo à parte anterior da órbita, divide-se em artéria supratroclear e dorsal do nariz, seus ramos terminais.
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    CAPÍTULO 5 127 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Ramos colaterais da artéria oftálmica Artéria central da retina Perfura a face ínfero-medial do nervo óptico, segue no seu interior e deste modo alcança a retina. Artérias ciliares posteriores longas e curtas Perfuram a esclera e irrigam o corpo ciliar, a íris e a coróide. Artéria lacrimal Segue ao longo da margem superior do músculo reto lateral e irriga a glându- la lacrimal, a parte lateral da conjuntiva e da pálpebra superior. Artéria supra-orbital Passa através do forame ou incisura supra-orbital e irriga a parte intermédia, da pálpebra superior e a fronte. Artéria etmoidal posterior Passa através do canal etmoidal posterior e irriga as células etmoidais poste- riores. Artéria etmoidal anterior Segue pelo canal etmoidal anterior, passa à fossa anterior do crânio, cavida- de nasal e nariz externo. Ramos terminais da artéria oftálmica Artéria supratroclear Cruza a margem supra-orbital medialmente e irriga a fronte e a parte medial da pálpebra superior. Artéria dorsal do nariz Deixa a órbita acima do ligamento palpebral medial. Irriga a raiz do nariz e o saco lacrimal e anastomosa-se com a artéria angular (ramo terminal da artéria facial). II — ARTÉRIA COMUNICANTE POSTERIOR Origina-se no sifão carótico, sendo um vaso delgado que conecta a carótida interna com a artéria cerebral posterior ramo da basilar e, desta maneira toma parte na formação do círculo cerebral arterial (Fig. 5.5).
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    128 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. III — ARTÉRIA CORIÓIDEA ANTERIOR Origina-se no sifão carótico e irriga o plexo coróide do ventrículo lateral. IV — ARTÉRIA CEREBRAL ANTERIOR Origina-se no sifão carótico, passa medialmente acima do quiasma óptico e penetra na fissura longitudinal do cérebro. Neste ponto, ela se conecta com a artéria do lado oposto através da artéria comunicante anterior e, deste modo, toma parte na formação do círculo cerebral arterial (Fig. 5.5). Ramo terminal da artéria carótida interna ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA É considerada a continuação da carótida interna. Passa lateralmente no sulco lateral, entre os lobos frontal e temporal do cérebro, e dá origem a numerosos ramos sobre a superfície da ínsula irrigando a parte média do cérebro (Fig. 5.5). CÍRCULO CEREBRAL ARTERIAL É uma anastomose entre as quatro artérias que irrigam o encéfalo: as duas vertebrais e as duas carótidas internas. Está formado pelas artérias cerebrais pos- teriores, comunicantes posteriores, carótidas internas, cerebrais anteriores e comunicante anterior. O círculo forma um meio importante de circulação colateral na eventualidade de uma obstrução (Fig. 5.55). ARTÉRIAS VERTEBRAIS Originam-se das artérias subclávias, apresentam um trajeto cervical, verte- bral (através das vértebras cervicais) e intracraniano, onde se reúnem para for- mar a artéria basilar aproximadamente na margem inferior da ponte e termina na margem superior, dividindo-se em duas artérias cerebrais posteriores que vão contribuir para formar o círculo cerebral arterial (Fig. 5.5). ARTÉRIA CARÓTIDA EXTERNA Origina-se na bifurcação da carótida comum (ou primitiva) e termina no ní- vel do colo do côndilo mandibular, onde emite seus ramos terminais. TRAJETO Segue uma direção oblíqua para cima e para fora, anterior e lateral em rela- ção à carótida interna. Penetra na glândula parótida e se divide no nível do colo do côndilo da mandíbula em seus ramos terminais, artéria temporal superficial e artéria maxilar (Fig. 5.6).
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    CAPÍTULO 5 129 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Ramos colaterais da artéria carótida externa I — ARTÉRIA TIREÓIDEA SUPERIOR Origina-se na face anterior da artéria carótida externa, dirige-se para adiante e irriga a laringe e a glândula tireóide. II — ARTÉRIA LINGUAL Origina-se na face anterior da carótida externa, no nível do corno maior do osso hióide. Dirige-se para cima, para a frente e medialmente indo até a língua, onde termina. Na porção retro-hióidea, a artéria lingual se apóia sobre o músculo constritor médio da faringe, estando coberta pelos músculos digástrico e estilo- hióideo. Na porção hióidea coloca-se medialmente ao músculo hioglosso, abor- dando imediatamente a porção lingual, onde se insinua entre os músculos genioglosso e lingual inferior. Fig. 5.6 — Artéria carótida externa e seus ramos: A — temporal superficial; B- angular; C — nasal lateral; D — maxilar; E — labial superior; F — profunda da língua; G — labial inferior; H — facial; I — sublingual; J — submental; K — supra- hióidea; L — lingual; M — tireóidea superior; N — carótida externa; O — subclávia direita; P — vertebral direita; Q — carótida primitiva direita; R — carótida interna; S — faríngea ascendente; T — occipital; U — auricular posterior.
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    130 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Ramos colaterais da artéria língual Artéria supra-hióidea Segue para adiante sobre o osso hióide, irriga os músculos vizinhos e se anastomosa com a do lado oposto no plano mediano. Artérias dorsais da língua Geralmenteduas,nascemnoníveldocornomaiordohióideesobemmedialmente ao músculo hioglosso e irrigam a base da língua, epiglote e pilar anterior do véu palatino, fazendo anastomose com as do lado oposto no plano mediano. Artéria sublingual Origina-se no nível da margem anterior do músculo hioglosso. Aplica-se à face profunda do músculo milo-hióideo e dá ramos à glândula sublingual, à mucosa do soalho da boca e ao músculo milo-hióideo, o qual perfura e se anastomosa com ramos da artéria submental que é ramo da facial. Ramo terminal da artéria lingual Artéria profunda da língua Apresenta um trajeto sinuoso no interior da musculatura da língua, indo até a ponta e fazendo anastomose com a do lado oposto no plano mediano (Fig. 5.7). Fig. 5.7 — Artéria lingual: A — artérias dorsais da língua; B — artéria profunda da língua; C — artéria sublingual; D — artéria supra-hióidea; E — artéria lingual; F — artéria tireóidea superior; G — artéria carótida primitiva; H — artéria carótida externa; I — artéria carótida interna; J — artéria facial; K — artéria faríngea ascendente.
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    CAPÍTULO 5 131 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. III — ARTÉRIA FACIAL Origina-se da parte anterior da carótida externa, algumas vezes junto com a lingual, outras logo acima dela. A facial sobe profundamente ao digástrico e ao estilo-hióideo, dobra-se para adiante, para alcançar a parte posterior da glândula submandibular. Ela se localiza inicialmente na face lateral dos músculos constritor médio e superior da faringe e, então, na margem posterior da glândula sub- mandibular, passa para adiante junto à superfície medial, lateral ou no interior da glândula. Depois ela se volta em torno da margem inferior da mandíbula no nível do ângulo ântero-inferior do músculo masseter, seguindo em direção supe- rior e anterior na face, terminando no ângulo medial da órbita através do seu ramo terminal (artéria angular), que faz anastomose com a artéria dorsal do na- riz, ramo da oftálmica. Para facilitar o estudo, considera-se a artéria facial com dois trajetos, um cervical e outro facial (Fig. 5.8). Fig. 5.8 — Artéria facial: A — artéria angular; B — artéria nasal lateral; C — ramo tonsilar da artéria palatina ascendente; D — artéria labial superior; E — artéria labial inferior; F — artéria submental; G — artéria submandibular; H — artéria lingual; I — artéria tireóidea superior; J — tronco braquicefálico arterial; K — artéria subclávia direita; L — artéria vertebral direita; M — artéria carótida primitiva direita; N — artéria carótida interna; O — artéria carótida externa; P — artéria tonsilar; Q — artéria palatina ascendente.
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    132 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Ramos colaterais cervicais da artéria facial Artéria palatina ascendente Origina-se da primeira curvatura da facial, sobe verticalmente na face lateral do músculo constritor superior da faringe, dobra-se sobre a margem superior deste músculo, segue para a frente irrigando a faringe e o palato mole. Antes de atingir a margem superior do músculo constritor superior da faringe, esta artéria costuma emitir um ramo tonsilar que perfura o músculo e irriga a tonsila palatina (ou amígdala palatina) (Fig. 5.8). Artéria tonsilar Origina-se da facial logo à frente da palatina ascendente, sobe à frente desta, perfura o constritor superior da faringe e irriga a tonsila palatina (Fig. 5.8). Artérias submandibulares Nascem da facial, quando esta passa pela glândula submandibular. Geral- mente são duas que se distribuem na glândula irrigando-a. Artéria submental Origina-se na facial, antes que esta se recurve para cima em direção à face. Corre por baixo do músculo milo-hióideo, onde recebe uma anastomose da sublingual, e termina no mento, onde faz anastomoses com as artérias mental, labial inferior e com a sua homônima do lado oposto. Nas proximidades do ponto de origem da artéria submental, a facial costuma enviar ramos musculares, aos músculos pterigóideo medial e ao masseter (Fig. 5.8). Ramos colaterais faciais da artéria facial Artéria labial inferior Origina-se no nível do ângulo da boca ou ligeiramente abaixo do mesmo, perfura a musculatura do lábio inferior, seguindo entre o orbicular e o plano glandular próxima à superfície mucosa, irriga o lábio inferior e faz anastomose com a sua homônima no plano mediano (Fig. 5.8). Artéria labial superior Menos calibrosa que a inferior, nasce da facial no ponto onde esta está cober- ta pelo músculo zigomático maior, perfura a musculatura do lábio superior, se- gue entre o orbicular e o plano glandular irrigando o lábio superior e faz anastomose com a do lado oposto no plano mediano (Fig. 5.8). Artéria nasal lateral Nasce da facial no nível da asa do nariz e irriga a porção lateral do nariz. Neste ponto, a artéria facial costuma emitir alguns ramos anastomóticos para a artéria infra-orbital, ramo da maxilar (Fig. 5.8).
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    CAPÍTULO 5 133 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Ramo terminal da artéria facial Artéria angular É a continuação da facial logo após ela ter dado a nasal lateral. Segue para cima em direção ao ângulo medial da órbita onde se anastomosa com a dorsal do nariz, ramo da oftálmica (Fig. 5.8). IV — ARTÉRIA OCCIPITAL Origina-se na porção posterior da carótida externa logo acima da facial, se- gue para trás e para cima, cruza a veia jugular interna, a artéria carótida interna e o nervo hipoglosso. Profunda ao ventre posterior do digástrico, chega à face medial do processo mastóideo, sobe e se distribui no couro cabeludo da região occipital fazendo anastomose com as artérias auricular posterior, temporal su- perficial e com a occipital do lado oposto (Fig. 5.6). V — ARTÉRIA AURICULAR POSTERIOR Nasce da porção posterior da carótida externa, logo acima da occipital, diri- ge-se para cima e para trás, alcança a margem anterior do processo mastóideo, onde se dá sua divisão terminal distribuindo-se no pavilhão da orelha e couro cabeludo adjacente, anastomosando-se com as artérias temporal superficial e occipital (Fig. 5.6). VI — ARTÉRIA FARÍNGEA ASCENDENTE Emerge na face medial da carótida externa no nível da lingual, sobe entre a faringe e a carótida interna, termina na base do crânio originando a artéria meníngea posterior. Em seu trajeto, emite colaterais para irrigar a faringe. Ramos terminais da artéria carótida externa I — ARTÉRIA TEMPORAL SUPERFICIAL Origina-se na carótida externa, no nível do colo do côndilo mandibular no interior da glândula parótida. Sobe verticalmente entre o meato acústico exter- no e ATM, depois abandona a glândula parótida e cruza o arco zigomático, onde se faz subcutânea chegando à região temporal, onde se divide em ramos terminais (Fig. 5.9). Ramos colaterais da artéria temporal superficial Artéria transversa da face Nasce da temporal superficial no nível do colo do côndilo e, depois de um curto trajeto lateral a ele, avança sobre o masseter, entre o arco zigomático e o ducto parotídeo, envia ramos ao músculo masseter, à glândula parótida, aos músculos zigomáticos e termina abaixo do ângulo lateral da órbita, onde se anastomosa com artérias palpebrais (Fig. 5.9).
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    134 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Artérias auriculares Geralmente duas, nascem na porção posterior da temporal superficial e se distribuem no pavilhão da orelha (Fig. 5.9). Artéria articular Emerge da temporal superficial e se distribui na articulação temporoman- dibular (Fig. 5.9). Artéria zigomático-orbital Nasce da temporal superficial no nível do arco zigomático, segue para adian- te sobre o arco entre as lâminas da fáscia temporal chegando à margem lateral da órbita, envia ramos para o músculo orbicular do olho e se anastomosa com ramos da artéria lacrimal (Fig. 5.9). Fig. 5.9 — Artéria temporal superficial: A — artéria frontal; B — artéria temporal profunda posterior; C — artéria zigomaticorbital; D — ramos articulares da temporal superficial para a ATM; E — artéria transversa da face; F — artéria maxilar; G — artéria facial; H — artéria lingual; I — artéria tireóidea superior; J — artéria carótida primitiva; K — artéria carótida interna; L — artéria faríngea ascendente; M — artéria occipital; N — artéria auricular posterior; O — ramos auriculares da temporal superficial; P — artéria parietal.
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    CAPÍTULO 5 135 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Artéria temporal profunda posterior Origina-se na temporal superficial, logo acima do arco zigomático, perfura a fáscia temporal e o músculo temporal, distribuindo-se no terço posterior do múscu- lo, anastomosando-se com a temporal profunda média, ramo da maxilar (Fig. 5.9). Ramos terminais da temporal superficial Acima da origem da temporal profunda posterior, a artéria temporal superfi- cial emite seus dois ramos terminais, a artéria parietal e a artéria frontal. A arté- ria parietal continua verticalmente para cima, irrigando o couro cabeludo da fossa temporal e fazendo anastomose com a sua homônima no plano mediano, com a auricular posterior e com a occipital. A artéria frontal é bastante tortuosa e é perfeitamente visível através da pele no seu trajeto para cima e para adiante chegando à testa, onde faz anastomose com a artéria supra-orbital e ramos do lado oposto (Fig. 5.9). Fig. 5.10 — Artéria carótida externa e artéria maxilar: A — faríngea; B — esfenopalatina; C — infra-orbital; D — temporal profunda anterior; E — alveolar póstero-superior; F — bucal; G — pterigóidea medial; H — pterigóidea lateral; I — alveolar inferior; J — facial; K — lingual; L — tireóidea superior; M — carótida primitiva; N — carótida interna; O — faríngea ascendente; P — occipital; Q — auricular posterior; R — timpânica; S — auricular profunda; T — temporal superficial; U — meníngea média; V — meníngea menor; W — massetérica; X — temporal profunda média; Y — palatina descendente; Z — do canal pterigóideo.
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    136 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. II — ARTÉRIA MAXILAR Nasce da carótida externa na região parotídea, contorna por trás o colo do côndilo da mandíbula e penetra na fossa infratemporal em íntima relação com a face medial do colo do côndilo. Alcança o músculo pterigóideo lateral, passando medial ou lateralmente a ele, e segue até a fossa pterigopalatina onde dá o seu ramo terminal. Quando ela passa medialmente ao pterigóideo lateral, emerge en- tre as suas cabeças de origem, para então seguir em direção à região pterigopalatina. Antes de penetrar na fossa pterigopalatina, a artéria maxilar descreve pro- nunciada curva de convexidade anterior em contato íntimo com o túber da maxi- la (Fig. 5.10). Ramos colaterais ascendentes na fossa infratemporal ARTÉRIA TIMPÂNICA Destina-se à mucosa da caixa do tímpano e a alcança através da fissura petrotimpânica (Fig. 5.10). ARTÉRIA AURICULAR PROFUNDA Destina-se à membrana do tímpano (Fig. 5.10). ARTÉRIA MENÍNGEA MÉDIA Logo acima da sua origem, atravessa uma abertura entre as fibras do nervo auriculotemporal e penetra no crânio pelo forame espinhoso, dividindo-se em dois ramos, anterior e posterior, irrigando a dura-máter. O ramo anterior se dirige ao ângulo ântero-inferior do parietal, onde ocupa um sulco com múltiplas rami- ficações, marcadas em sua tábua interna. O ramo posterior se divide na escama do temporal e parte póstero-inferior do parietal (Fig. 5.10). ARTÉRIA MENÍNGEA MENOR Penetra no crânio pelo forame oval, irrigando o gânglio trigeminal e a dura- máter (Fig. 5.10). ARTÉRIAS TEMPORAIS PROFUNDAS ANTERIOR E MÉDIA Irrigam o músculo temporal, abordando-o pela sua face profunda, anasto- mosando-se entre si e com a artéria temporal profunda posterior, ramo da tempo- ral superficial (Fig. 5.10). Ramos colaterais descendentes na fossa infratemporal ARTÉRIA ALVEOLAR INFERIOR Nasce nas proximidades do colo do côndilo e segue para baixo e para fora, alcançando o forame mandibular e penetrando no canal mandibular. Antes da
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    CAPÍTULO 5 137 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. sua entrada no canal mandibular, ela emite ramos pterigóideos e a artéria milo- hióidea, que segue o sulco milo-hióideo irrigando o músculo milo-hióideo. No interior do canal mandibular, a artéria alveolar inferior emite os seguin- tes ramos colaterais: ramos pulpares, um para cada canal radicular dos molares e pré-molares; ramos ósseos para os alvéolos e periodonto. Alguns destes ramos perfuram as tábuas ósseas e chegam à mucosa gengival vestibular. No nível dos pré-molares, a artéria alveolar inferior se bifurca em artéria mental e incisiva, que são seus ramos terminais. A artéria mental segue no canal do mesmo nome e desemboca na face, atra- vés do forame mental, irrigando os tecidos moles (pele e mucosa) das regiões geniana (terço inferior), mental e labial (lábio inferior). A artéria incisiva segue no canal incisivo e emite ramos pulpares, ósseos e gengivais destinados aos grupos dos incisivos e caninos, seus alvéolos e mucosa gengival vestibular. Termina no plano mediano e faz anastomose com a do lado oposto (Fig. 5.11). Fig. 5.11 — Artéria maxilar: A — temporal profunda anterior; B — pterigóidea; C — temporal profunda média; D — massetérica; E — meníngea menor; F — meníngea média; G — auricular profunda; H — timpânica; I — temporal superficial; J — maxilar; K — alveolar inferior; L — auricular posterior; M — occipital; N — faríngea ascendente; O — facial; P — lingual; Q — carótida externa; R — tireóidea superior; S — milo-hióidea; T — alveolar inferior; U — bucal; V — submental; W — mental; X — alveolar póstero-superior; Y — alveolar médio-superior; Z — alveolar ântero-superior; 1 — angular; 2 — infra-orbital; 3 — supra-orbital.
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    138 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. ARTÉRIA MASSETÉRICA Atravessa a incisura mandibular e irriga o músculo masseter. ARTÉRIA PTERIGÓIDEA Irriga o músculo pterigóideo lateral e emite um ramo para o músculo pterigóideo medial. ARTÉRIA BUCAL Dirige-se para baixo e para fora, alcança a face lateral do bucinador, passan- do pela margem anterior do ramo mandibular e terminando na mucosa vestibu- lar da mandíbula. Faz anastomose com ramos da facial. Ramos colaterais anteriores na fossa infratemporal ARTÉRIA ALVEOLAR PÓSTERO-SUPERIOR Atravessa o túber da maxila e irriga as polpas dentárias dos molares, ramos ósseos para os alvéolos, periodonto, ramos gengivais e ramos para a mucosa do seio maxilar (Fig. 5.11). ARTÉRIA INFRA-ORBITAL Segue através do canal infra-orbital e sai pelo forame infra-orbital, irrigando a pálpebra inferior, asa do nariz e lábio superior. No canal infra-orbital, dá os seguintes ramos colaterais: alveolar médio-superior, que irriga as polpas dos pré- molares e às vezes a raiz mesiovestibular do primeiro molar, alvéolos, periodonto e gengiva vestibular. Alveolar ântero-superior, para os caninos e incisivos, suas polpas dentárias, alvéolos, periodonto e gengiva vestibular. Emite ainda ramos para a mucosa do seio maxilar (Fig. 5.11). Ramos colaterais na fossa pterigopalatina ARTÉRIA PALATINA DESCENDENTE Desce pelo sulco pterigopalatino, divide-se em palatina maior e palatinas menores. As palatinas menores seguem pelos canais palatinos menores, alcan- çam o palato mole e tonsila; a palatina maior aparece no palato duro pelo forame palatino maior, segue para a frente terminando próximo ao forame incisivo, onde dá seu ramo terminal, a artéria incisiva, que penetra no canal incisivo e faz anastomose com as septais ou nasopalatinas. ARTÉRIA DO CANAL PTERIGÓIDEO Segue para trás, intromete-se no canal pterigóideo e irriga a faringe e a tuba auditiva.
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    CAPÍTULO 5 139 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. ARTÉRIA FARÍNGEA Pode sair da maxilar ou da artéria do canal pterigóideo, irriga o teto da faringe. Ramo terminal da artéria maxilar ARTÉRIA ESFENOPALATINA Atravessa o forame esfenopalatino, penetra na fossa nasal e se divide em ramos lateral e medial. O ramo lateral se distribui nas conchas nasais, nos meatos, seio frontal, células etmoidais e seio maxilar. O ramo medial é a artéria do septo nasal ou nasopalatina, depois de se ramificar pelo septo e soalho nasal, alcança o orifício superior do canal incisivo, no interior do qual faz anastomose com o ramo terminal da artéria palatina maior, artéria incisiva (Fig. 5.10). VEIAS O sangue de retorno, rico em CO2, da cabeça e pescoço, é drenado quase inteiramente pela veia jugular interna que, atrás da articulação esternoclavicular, une-se com a veia subclávia para formar o tronco braquicefálico. Os dois troncos braquicefálicos, direito e esquerdo, unem-se para formar a veia cava superior. No pescoço, mais duas veias superficiais juntam-se à veia jugular interna, que é profunda. Estas veias superficiais são chamadas de jugulares externa e anterior. Na raiz do pescoço, elas drenam na jugular interna. As veias superficiais e profundas estão interligadas por meio de anastomoses, assim como as veias superficiais entre si. As veias intracranianas, que drenam o cérebro, e as veias extracranianas es- tão ligadas por múltiplas anastomoses que permitem o fluir do sangue em ambas as direções. As anastomoses intra e extracranianas são vias derivativas de segu- rança. A sua existência evita um aumento da pressão intracraniana que ocorreria se a veia jugular interna fosse comprimida. Neste caso, o sangue de retorno do cérebro pode escapar em várias direções através das anastomoses. Porém, estas comunicações têm um perigo potencial, porque uma infecção que envolva, pri- meiramente, a veia extracraniana pode propagar-se para a intracraniana e atingir as meninges e o cérebro. Os seios da dura-máter (membrana mais externa que envolve o encéfalo) são canais que ficam entre as camadas desta meninge. Estes canais são forrados por um endotélio comum a todos os vasos sangüíneos. A rigidez das paredes dos seios previne qualquer modificação na sua luz, tornan- do-os vias abertas para a propagação de infecções. SEIOS DA DURA-MÁTER Seio sagital superior Começa na região da crista galli, encurva-se súpero-posteriormente, no pla- no mediano, sob o frontal, parietais e occipital. Recebe as veias cerebrais supe- riores (Fig. 5.13).
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    140 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Seio sagital inferior Está localizado na margem inferior da foice do cérebro. São suas afluentes algumas veias do corpo caloso e da foice (Fig. 5.13). Seio reto Localiza-se na junção da foice do cérebro com a tenda do cerebelo. Ele rece- be a veia magna do cérebro e algumas veias cerebelares (Fig. 5.13). Seios occipitais Iniciam-se aos lados do forame occipital e, de maneira ascendente, dirigem- se para o plano mediano, terminando na confluência dos seios no nível da protuberância occipital interna (Fig. 5.12). Fig. 5.12 — Seios da dura-máter: A — esfenoparietal; B — plexo basilar; C — bulbo superior da veia jugular interna; D — sigmóide; E — transverso; F — sagital superior; G — reto; H — occipital; I — petroso superior; J — petroso inferior; K — cavernoso; L — intercavernoso posterior; M — intercavernoso anterior.
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    CAPÍTULO 5 141 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Confluência dos seios É a região onde terminam os seios sagital superior, seio reto e seios occipitais; daí, o sangue é drenado para os seios transversos direito e esquerdo (Fig. 5.12). Seios transversos Dirigem-se quase horizontalmente para cada lado no osso occipital, até o ângulo póstero-inferior do osso parietal e sobre o temporal, onde começa o seio sigmóide. Os seios transversos são assimétricos, geralmente há um maior fluxo sangüíneo no lado direito (Fig. 5.12). Seios sigmóides Começam nos seios transversos, têm a forma de S. A convexidade da curva superior está voltada para adiante, enquanto a inferior está voltada para trás, terminando este seio no forame jugular e continuando-se com a veia jugular in- terna, que geralmente é mais calibrosa do lado direito (Figs. 5.12 e 5.13). Seios cavernosos Têm este nome porque seu espaço não é uniforme e amplamente aberto, mas sim subdividido por delicados feixes de trabéculas de tecido conjuntivo em peque- nos espaços intercomunicantes, semelhantes aos corpos cavernosos do pênis e do clitóris. Os seios cavernosos estão situados lateralmente ao corpo do esfenóide, aos lados da sela turca, e através deles passam as artérias carótidas internas (Fig. 5.12). Seios intercavernosos Situados adiante e atrás da glândula hipófise, comunicam os seios caverno- sos direito e esquerdo entre si (Fig. 5.12). Seios esfenoparietais Localizados ao longo da margem posterior das pequenas asas do esfenóide. Dirige-se a cada lado para o ângulo anterolateral do seio cavernoso. No início deste seio, existe uma comunicação com uma tributária da meníngea média (Fig. 5.12). A tributária mais importante do seio cavernoso é a veia oftálmica. Ela se origina da união de uma veia oftálmica superior, maior, com outra inferior, me- nor, que drenam o sangue do olho e seus anexos. A veia oftálmica chega ao seio cavernoso através da fissura orbital superior. Às vezes, as veias oftálmicas supe- rior e inferior desembocam separadamente no seio cavernoso. Seios petrosos superior e inferior O seio petroso superior se origina do ângulo póstero-superior do seio caver- noso, dirige-se posterior e lateralmente ao longo da margem superior do rochedo
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    142 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. do temporal e chega ao seio transverso, onde este último se curva para continuar o seio sigmóide. O petroso inferior é menor, porém mais amplo do que o superior. Origina-se do ângulo póstero-inferior do seio cavernoso e segue pela fissura petro- occipital para trás, em direção ao forame jugular, onde desemboca na dilatação superior da veia jugular interna que aí se inicia (Fig. 5.12). Fig. 5.13 — Veias: A — temporal superficial; B — seio cavernoso; C — oftálmica superior; D — angular; E — nasal lateral; F — oftálmica inferior; G — plexo pterigóideo; H — facial profunda; I — labial superior; J — labial inferior; K — submental; L — alveolar inferior; M — facial; N — maxilar; O — jugular interna; P — jugular externa; Q — retromandibular; R — auricular posterior; S — occipital; T — seio sigmóide; U — seio petroso inferior; V — seio petroso superior; W — seio reto; X — seio sagital inferior; Y — seio sagital superior; Z — facial comum. COMUNICAÇÕES ENTRE VEIAS INTRA E EXTRACRANIANAS As comunicações entre os seios e as veias extracranianas são importantes vias derivativas para o sangue do encéfalo, mas são passagens em potencial para as infecções intracranianas. Estas veias são chamadas emissárias. Os nervos cranianos e a artéria carótida interna são envolvidos por plexos venosos nos pontos em que entram ou saem do crânio. Estas veias formam uma comunicação secundária entre as veias intra e extracranianas.
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    CAPÍTULO 5 143 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. A terceira comunicação é através das veias dos ossos da calvária que se loca- lizam no díploe, por isso são chamadas diplóicas. A quarta comunicação, muito importante, é feita pelas veias oftálmicas que drenam para os seios cavernosos e fazem anastomoses com veias da face, poden- do ser porta de entrada de infecções oriundas das regiões bucomaxilofaciais. Veias emissárias Caracterizam-se por apresentar paredes delgadas firmemente fixadas ao osso circundante; portanto, não são passíveis de colapso. Encontramos várias veias emissárias no crânio. Senão, vejamos: Veia emissária parietal Ela atravessa o forame parietal e comunica o seio sagital superior com uma tributária da veia temporal superficial (Fig. 5.13). Veia emissária mastóidea Atravessa o forame mastóideo e comunica o seio sigmóide com uma tributá- ria da veia occipital. Veia emissária condilar Quando ela existe, a fossa condilar do occipital se transforma em canal por onde ela passa e, então, comunica a parte terminal do seio sigmóide com uma tributária da veia occipital. Veia emissária occipital É ímpar e inconstante; perfura o osso occipital junto à protuberância occipital interna e comunica a confluência dos seios com uma tributária da veia occipital. Veia emissária esfenoidal Também inconstante, perfura a grande asa do esfenóide adiante e medialmente ao forame oval, comunicando o seio cavernoso com o plexo pterigóideo. Veia jugular interna Inicia-se no forame jugular e é a principal via de escoamento do sangue do encéfalo. Neste nível apresenta-se alargada, formando o bulbo superior, situan- do-se póstero-medialmente à artéria carótida interna. Desce junto com essa arté- ria e, mais abaixo, com a artéria carótida comum e o nervo vago. Termina atrás do
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    144 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. terço medial da clavícula, unindo-se com a veia subclávia para formar o tronco braquicefálico, que se une ao do lado oposto formando a veia cava superior; esta chega ao átrio direito (Fig. 5.13). Várias são as tributárias da veia jugular interna. No bulbo superior, abre-se o seio petroso inferior. Veias da faringe, da língua e da área sublingual drenam para a parte superior da veia jugular interna. A veia facial comum drena o sangue das partes superficial e profunda da face. Na parte inferior do pescoço, drenam as veias da laringe e da glândula tireóide. Na parte terminal da veia jugular inter- na, lançam-se as veias jugulares externa e anterior. Neste nível, a veia jugular interna apresenta outra dilatação, o bulbo inferior e sua única válvula. Tronco tirolingofaringofacial É constituído pela união das veias tireóidea superior, lingual, faríngea e facial comum; drenando todas na jugular interna, através do tronco ou inde- pendentemente. Veia facial comum Origina-se abaixo do ângulo da mandíbula, da junção das veias facial e retromandibular, dirige-se para baixo e para trás lateralmente à glândula submandibular e atinge a jugular interna no nível do osso hióide. É comum exis- tir uma anastomose entre a veia facial comum e a veia jugular externa (Fig. 5.13). Veia facial Origina-se na junção das veias da fronte com as do nariz. Inicia-se com o nome de veia angular e recebe a veia frontal, a supra-orbital, as palpebrais e dorsais do nariz. Neste local, ou seja, no ângulo medial da órbita, a veia angular está em comunicação com a veia oftálmica superior que se abre no seio caverno- so, formando uma comunicação entre a veia facial e os seios da dura-máter. Do ângulo medial da órbita, a veia angular que se continua com a facial descem, em linha quase reta, em direção à margem inferior da mandíbula no nível do ângulo ântero-inferior do músculo masseter. A veia facial fica atrás da artéria facial. A veia facial recebe as veias nasais laterais, as labiais superior e inferior, e faz anastomoses com as veias infra-orbital e mental. Uma veia comunicante chamada de facial profunda liga a veia facial ao plexo pterigóideo. Logo abaixo da mandíbula, a veia facial recebe a veia submental e veias palatinas, que também drenam o sangue da tonsila (Fig. 5.13). Veia lingual Drena o sangue da língua e da região sublingual. A veia sublingual desce desde a ponta à raiz da língua, em íntima relação com a mucosa ventral através da qual nota-se sua localização por transparência. Mais abaixo, ela segue o traje-
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    CAPÍTULO 5 145 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. to do nervo hipoglosso passando pela face lateral do músculo hioglosso. Na mar- gem posterior deste músculo, pode receber um tronco formado pela união da veia ou veias profundas e dorsais da língua que, unindo-se a ela, formam a veia lingual que desemboca na jugular interna ou no tronco tirolingofaringofacial. Veia retromandibular É formada pela união das veias temporal superficial e maxilar no interior da glândula parótida, atrás do colo do côndilo mandibular, e desce tangenciando à margem posterior do ramo mandibular, lateralmente à artéria carótida externa, passando medialmente ao nervo facial, emergindo no pólo inferior da glândula parótida, unindo logo adiante com a veia facial formando a veia facial comum (Fig. 5.13). Veia temporal superficial Está localizada atrás da artéria de mesmo nome e recebe como tributárias as veias satélites dos ramos da artéria temporal superficial (Fig. 5.13). Veia maxilar Drena o plexo pterigóideo que envolve a artéria maxilar na fossa infratemporal, onde as veias profundas da face se lançam (Fig. 5.13). Veia jugular externa Origina-se abaixo do lóbulo da orelha pela união das veias auricular posterior e occipital, que correspondem às artérias do mesmo nome. A veia jugular externa dirige-se para baixo cruzando, diagonalmente, o músculo esternocleidomastóideo em direção à sua margem posterior, acima da sua origem clavicular; a veia con- torna esta margem e se dirige para a profundidade, perfura a lâmina profunda da fáscia cervical superficial e desemboca na extremidade inferior da veia jugular interna. Durante o seu trajeto sobre o músculo esternocleidomastóideo, a veia jugular externa é recoberta somente pelo músculo platisma, tela subcutânea e pele, sendo, que em muitas pessoas, ela é visível através da pele como uma linha azul. Próximo à sua drenagem na veia jugular interna, a veia jugular externa possui um par de válvulas. É comum existir um ramo anastomótico entre a veia jugular externa e a facial comum. Veia jugular anterior Está localizada verticalmente próximo à linha média anterior do pescoço. Algumas vezes as duas veias, direita e esquerda, fusionam-se e formam a veia jugular mediana anterior do pescoço. Um pouco acima da articulação esterno- clavicular, a veia jugular anterior contorna a margem anterior do músculo
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    146 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. esternocleidomastóideo, perfura a lâmina profunda da fáscia cervical superfici- al, volta-se lateralmente e se abre na veia jugular interna, ou às vezes na jugular externa. A veia jugular anterior drena o sangue da pele e da fáscia superficial de uma estreita parte anterior do pescoço, próximo da linha média anterior. No espaço supra-esternal, as duas veias jugulares anteriores são unidas, fre- qüentemente, com uma anastomose horizontal chamada arco jugular. Se as veias jugulares anteriores forem substituídas pela veia mediana, ela se divide inferior- mente em dois ramos, que se dirigem lateralmente para atingir as veias jugulares internas ou externas. LINFÁTICOS A linfa de todo o corpo humano é transportada por dois coletores linfáticos principais: o ducto torácico e o ducto linfático direito, que finalmente terminam nos ângulos jugulosubclávios do lado correspondente. Ducto torácico É um extenso coletor linfático de 25 a 30cm de comprimento, que começa no nível da segunda ou terceira vértebra lombar por uma dilatação chamada de cisterna do quilo, que é formada pela junção dos troncos linfáticos intestinal, lombar e intercostal descendente. Daí o ducto torácico sobe em direção ao tórax, atravessando o diafragma pelo forame aórtico, percorre o mediastino posterior e termina formando um arco que desemboca no ângulo jugulosubclávio esquerdo. Neste ponto, o ducto torácico apresenta uma ou duas válvulas. O ducto está dis- posto atrás da artéria carótida comum esquerda, do nervo vago e da veia jugular interna esquerda; ele recolhe a linfa da porção infradiafragmática e metade es- querda supradiafragmática. No tórax, o ducto torácico recebe: o tronco subclávio esquerdo, que drena a linfa do membro superior esquerdo; o tronco jugular esquerdo, que drena a linfa da metade esquerda da cabeça e pescoço, e o tronco broncomediastinal esquer- do, que recolhe a circulação linfática do pulmão esquerdo e do coração. Ducto linfático direito É um pequeno ducto de 1cm a 2cm de comprimento, formado pela união de três coletores: tronco subclávio direito, que transporta a linfa proveniente do membro superior direito; tronco jugular direito, que recolhe a linfa da metade direita da cabeça e pescoço e tronco broncomediastinal direito que conduz a linfa procedente do pulmão direito e da metade direita das paredes torácicas. Quando o ducto linfático direito não existe, esses troncos drenam indepen- dentes na junção jugulosubclávia direita. Drenagem linfática da cabeça e do pescoço Todos os vasos linfáticos da cabeça e pescoço drenam para os linfonodos cervicais profundos direta ou indiretamente após passarem por um grupo de linfonodos na junção da cabeça com o pescoço, chamados de círculo ou colar
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    CAPÍTULO 5 147 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. pericervical. Os grupos de linfonodos que formam este círculo são os seguintes: occipital, retroauricular ou mastóideo, parotídeo, submandibular, bucal ou facial e submental. Os tecidos superficiais da cabeça e do pescoço drenam para estes grupos e também para os linfonodos cervicais superficiais. Assim, o couro cabe- ludo drena para vários linfonodos do colar pericervical; a orelha, para os linfonodos retroauriculares e parotídeos; as pálpebras e a bochecha, para os parotídeos e submandibulares; o nariz externo, para os submandibulares; os lábios, para os submandibulares, exceto a porção média do lábio inferior que drena aos linfonodos submentais. Fig. 5.14 — Linfonodos: A — parotídeos; B — bucais ou faciais; C — submentais; D — submandibulares; E — cervicais superficiais anteriores; F — veia jugular anterior; G — veia jugular interna; H — veia jugular externa; I — cervicais superficiais laterais; J — jugulodigástrico; K — occipitais; L — auriculares posteriores ou mastóideos; M — júgulo-omo-hióideo. Linfonodos cervicais superficiais Encontram-se no trígono posterior do pescoço, ao longo do trajeto da veia jugular externa, e no trígono anterior, ao longo da veia jugular anterior (Fig. 5.14).
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    148 Sistema Circulatório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Linfonodos cervicais profundos O principal grupo forma uma cadeia ao longo da veia jugular interna. Neste grupo encontramos o linfonodo jugulodigástrico, que está localizado sobre a veia jugular interna no nível do corno maior do osso hióide, imediatamente abaixo do ventre posterior do digástrico. Ele recebe numerosos afluentes do terço posterior da língua e da tonsila palatina. Esse linfonodo apresenta importância muito grande devido ao fato de se apresentar aumentado de volume nos casos de carcinoma (câncer) desses órgãos. O linfonodo júgulo-omo-hióideo localiza-se sobre a veia jugular interna, imediatamente sobre o tendão intermédio do músculo omo- hióideo. Ele recebe aferentes diretamente da língua e também indiretamente atra- vés dos linfonodos submentais, submandibulares e cervicais profundos superio- res (jugulodigástricos) (Fig. 5.14). Outros grupos de linfonodos que estão localizados profundamente no pesco- ço incluem os linfonodos pré-laríngeos, pré-traqueais, paratraqueais e retro- faríngeos. Estes drenam algumas estruturas mais profundas da cabeça e pescoço. Assim, a orelha média drena para os linfonodos cervicais profundos superiores e retrofaríngeos; a cavidade nasal e os seios paranasais, para os submandibulares, retrofaríngeos e cervicais profundos superiores; o palato e tonsila, para os cervicais profundos superiores; a língua (terço anterior), para os submentais (terço mé- dio), para os submandibulares (terço posterior), para o jugulodigástrico; a larin- ge, para os cervicais profundos superiores e inferiores e para os retrofaríngeos; e a glândula tireóide para o cervical profundo inferior, pré-laríngeos, pré-traqueal e paratraqueal. Os vasos eferentes a partir dos linfonodos cervicais profundos formam o tronco jugular. O tronco do lado esquerdo drena no ducto torácico; o do lado direito termina na junção das veias jugular interna com a subclávia direitas ou no ducto linfático direito, quando este vaso está presente. Círculo ou colar pericervical Linfonodos occipitais Localizam-se na região correspondente ao osso occipital e se dispõem em grupos superficiais, subaponeuróticos e submusculares. Os aferentes que che- gam a esses linfonodos drenam regiões cutâneas e profundas da porção superior da nuca e zona posterior do couro cabeludo. Os eferentes terminam nos linfonodos laterais profundos do pescoço, com predileção para a cadeia do nervo acessório (Fig. 5.14). Linfonodos retroauriculares ou mastóideos Situados atrás do pavilhão da orelha, sobre a mastóide. Seus aferentes pro- vêm da cútis posterior da orelha e zona parietal do couro cabeludo. Os eferentes drenam nos parotídeos inferiores, nos cervicais superficiais e nos cervicais pro- fundos superiores (Fig. 5.14).
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    CAPÍTULO 5 149 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Linfonodos parotídeos Localizam-se na região parotídea, classificam-se em superficiais, subaponeu- róticos e profundos intraglandulares. Os aferentes recolhem a linfa das seguin- tes regiões: frontal, raiz do nariz, pálpebra superior, metade lateral da pálpebra inferior, porção anterior do pavilhão da orelha, meato acústico externo e parte posterior da bochecha. Os eferentes terminam nos cervicais profundos superio- res (Fig. 5.14). Linfonodos submandibulares Estão localizados na região submandibular, agrupam-se ao redor da glândula submandibular e veia facial em relação com a margem inferior da mandíbula. Seus aferentes recebem a linfa das regiões: parte lateral do mento, lábio superior, porção lateral do lábio inferior, bochecha, parte ântero-inferior do nariz, terço médio da língua, glândula submandibular, parte da sublingual, todos os dentes e gengiva correspondente, exceto os incisivos inferiores. Os eferentes drenam aos linfonodos cervicais profundos da cadeia da veia jugular interna (Fig. 5.14). Linfonodos bucais ou faciais Estão localizados ao longo da veia facial na face. Seus aferentes drenam as pálpebras (porção medial), a conjuntiva, parte do nariz e da bochecha. Seus eferentes vão aos linfonodos submandibulares (Fig. 5.14). Linfonodos submentais Estão localizados no trígono submental entre os ventres anteriores dos mús- culos digástricos, sob o músculo milo-hióideo. Seus aferentes procedem da pon- ta da língua, da gengiva e dentes incisivos inferiores, da parte média do lábio inferior, do mento e da porção anterior do soalho da boca. Os eferentes dirigem- se para os linfonodos submandibulares e também para os cervicais profundos da cadeia jugular interna (Fig. 5.14). Sabe-se cientificamente que o sistema linfático possui mecanismos de defesa e proteção contra invasão de bactérias, toxinas e células cancerosas. O conheci- mento da disposição regional desse sistema é da máxima importância no diag- nóstico das infecções e dos tumores malignos. Por isso, o cirurgião-dentista deve ter um conhecimento profundo da drenagem linfática da boca e regiões vizinhas para poder interpretar clinicamente os casos de linfoadenopatias.
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    CAPÍTULO 6 151 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 6 Sistema Digestório CONCEITO É um sistema constituído de órgãos e anexos responsáveis pela preensão, mastigação, deglutição, digestão e absorção dos alimentos e a expulsão dos resí- duos eliminados sob a forma de fezes. DIVISÃO Canal alimentar e órgãos anexos. O canal alimentar inicia-se na cavidade da boca, continuando-se na faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, para terminar no reto, que se abre no meio externo através do ânus. Entre os anexos incluem-se as glândulas salivares, o fígado e o pâncreas (Fig. 6.1). BOCA A boca é a primeira porção do canal alimentar, comunicando-se anteriormente com o exterior através de uma fenda limitada pelos lábios, a rima da boca, e, poste- riormente, com a parte bucal da faringe, através de uma região estreitada, o istmo da fauce (garganta). A cavidade da boca está limitada, lateralmente, pelas bochechas, superiormente pelo palato e, inferiormente, por músculos que constituem o soalho da boca. Nesta cavidade fazem saliência a gengiva, os dentes e a língua (Fig. 6.2).
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    152 Sistema Digestório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 6.1 — Sistema digestório: A — faringe; B — cárdia; C — estômago; D — pâncreas; E — colo descendente; F — intestino delgado; G — colo sigmóide; H — reto; I — apêndice vermiforme; J — ceco; K — colo ascendente; L — colo transverso; M — duodeno; N — piloro; O — fígado; P — esôtago. Divisão Vestíbulo da boca e cavidade própria da boca. A primeira porção é um espaço limitado por um lado pelos lábios e boche- chas e por outro pela gengiva e dentes.
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    CAPÍTULO 6 153 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. A segunda porção apresenta: Palato É o teto da cavidade da boca e nele reconhecemos o palato duro, anterior, ósseo, e o palato mole, posterior, muscular. Do palato mole, no plano mediano, projeta-se uma saliência cônica, a úvula e, lateralmente, duas pregas denomina- das arco palatoglosso (o mais anterior) e arco palatofaríngeo (o mais posterior), produzidas por músculos que recebem os mesmos nomes dos arcos. Entre os arcos há um espaço, a fossa tonsilar, ocupado pela tonsila palatina (amígdala). Podemos agora definir os limites do istmo da fauce: superiormente, está limitado pela úvula; lateralmente, pelos arcos palatoglossos e, inferiormente, pelo dorso da língua (Fig. 6.2). Língua É um órgão muscular revestido por mucosa que exerce importantes funções na mastigação, na deglutição, na gustação e na fala. Sua face superior é denomi- nada dorso da língua. Neste, na junção dos dois terços anteriores com o terço posterior, nota-se o sulco terminal que divide a língua em duas porções: corpo, anterior, e raiz, posterior a ele. A observação da mucosa que reveste o dorso da Fig. 6.2 — Cavidade da boca: A — frênulo do lábio superior; B — vestíbulo da boca; C — arco palatofaríngeo; D — arco palatoglosso; E — tonsila palatina; F — palato mole; G — palato duro.
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    154 Sistema Digestório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. língua permite identificar uma série de projeções, as papilas linguais, que são de vários tipos; as maiores, facilmente identificáveis, dispõem-se em forma de V, logo adiante do sulco terminal, e são denominadas papilas valadas. Nestas, como em outras de tipo diferente (filiformes, cônicas, fungiformes, lentiformes e folhadas), localizam-se receptores gustativos (Fig. 6.3). Fig. 6.3 — Língua: A — ápice da língua; B — sulco mediano da língua; C — papilas valadas; D — forame cego da língua; E — epiglote; F — tubérculo cuneiforme; G — tubérculo corniculado; H — ádito da laringe; I — prega glossoepiglótica lateral; J — prega glossoepiglótica mediana; K — tonsila palatina; L — papilas foliadas. Dentes Os dentes humanos são órgãos complexos, formados, em sua maior parte, de tecidos duros, mineralizados. Eles possuem como parte central a polpa dentária, que é um tecido conectivo rico em nervos e vasos sangüíneos. Uma parte do dente fica exposta na cavidade da boca (coroa), e outra fica contida num compar- timento do osso alveolar das maxilas e mandíbula, o alvéolo, cuja forma corresponde à raiz. O dente é articulado ao alvéolo por ligamentos.
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    CAPÍTULO 6 155 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. A parte principal do dente é formada pela dentina, que na coroa é recoberta pelo esmalte e na raiz é recoberta pelo cemento. Os ligamentos fixam-se no cemento e no osso alveolar. No homem há duas dentições (difiodonte): a dentição temporária, com 20 dentes, que começam a irrupcionar a partir dos seis meses de idade. São em cada hemiarco: incisivo central, incisivo lateral, canino, 1° molar e 2° molar, e termi- nam a sua irrupção por volta dos dois anos e meio de idade. A dentição perma- nente, com 32 dentes, começa a irrupcionar aos seis anos de idade. São em cada hemiarco; incisivo central, incisivo lateral, canino, 1° pré-molar, 2° pré-molar, 1° molar, 2° molar e 3° molar e terminam a sua irrupção por volta dos 21 anos de idade (ver estudo detalhado no Capítulo 9). GLÂNDULAS SALIVARES São três pares de glândulas principais: parótidas, submandibulares e sublinguais; e as glandulas salivares acessórias: palatinas, labiais, bucais, lin- guais e incisivas. Fig. 6.4 — Glândulas parótida e submandibular: A — ducto parotídeo; B — músculo bucinador; C — músculo depressor do angulo da boca; D — glândula submandibular; E — ventre posterior do músculo digástrico; F — músculo masseter; G — glândula parótida.
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    156 Sistema Digestório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Glândula parótida Está localizada na porção lateral da face, à frente da orelha, envolvendo a margem posterior do ramo mandibular. Seu canal excretor, emerge na sua mar- gem anterior, segue na superfície lateral do músculo masseter, contorna a mar- gem anterior deste músculo no sentido medial, atravessa o músculo bucinador e se abre na mucosa do vestíbulo da boca no nível do 2° molar superior. Marcando esta abertura, existe uma projeção mucosa chamada papila parotídea (Fig. 6.4). Fig. 6.5 — Glândulas submandibular e sublingual, vistas pela cavidade bucal: A — ducto submandibular; B — músculo genioglosso seccionado; C — músculo gênio-hióideo seccionado; D — músculo milo-hióideo; E — glândula sublingual; F — glândula submandibular. Glândula submandibular Localizada na porção posterior e medial do corpo da mandíbula, envolve a margem posterior do músculo milo-hióideo, emitindo um prolongamento sobre este músculo. Seu ducto excretor (submandibular) emerge neste prolongamento, segue para adiante, na região sublingual e se abre no soalho da boca, ao lado do frênulo da língua (Figs. 6.4 e 6.5). Glândula sublingual Localiza-se na face medial e anterior do corpo da mandíbula, acima da linha milo-hióidea, sobre o músculo milo-hióideo, sob a mucosa do soalho da boca. Seu conteúdo é drenado através de vários ductos sublinguais menores que se abrem na mucosa do soalho da boca. Na maioria das vezes, existe um ducto principal (ducto sublingual maior) que se abre ou no ducto submandibular ou independente ao lado do frênulo lingual (Fig. 6.5).
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    CAPÍTULO 6 157 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Glândulas labiais Estão localizadas na submucosa dos lábios, sendo em maior número, no lá- bio inferior. Glândulas bucais Localizam-se na submucosa da bochecha, sendo as mais posteriores conhe- cidas como glândulas molares. Glândulas palatinas Estãolocalizadasnasubmucosadetodaregiãopalatina(palatoduroepalatomole). Glândulas linguais Dois grupos: linguais anteriores, abrem-se na face inferior da língua; linguais posteriores, abrem-se no dorso da base da língua. Glândulas incisivas Estão localizadas no soalho da boca próximas do frênulo lingual, atrás dos incisivos inferiores. Abrem-se na mucosa do soalho da boca. FARINGE É um tubo muscular, subdividido em três porções: nasofaringe, bucofaringe e laringofaringe. É comum aos sistemas respiratório e digestório (Fig. 6.1). A boca comunica-se com a faringe através do istmo da fauce (garganta). A parte laríngea da faringe continua-se inferiormente com o esôfago. ESÔFAGO É um tubo muscular, situado atrás da traquéia, que se continua inferiormen- te com o estômago. Podemos distinguir três porções no esôfago: cervical, torácica e abdominal. No tórax, o esôfago situa-se ventralmente à coluna vertebral e dorsalmente à traquéia, estando próximo da aorta. Ele atravessa o músculo dia- fragma e, quase imediatamente desemboca no estômgago. A luz do esôfago au- menta durante a passagem do bolo alimentar, o qual é impulsionado por contra- ções da musculatura de sua parede. Estes movimentos, que são próprios de todo o restante do canal alimentar, são denominados peristálticos e à capacidade de realizá-los dá-se o nome de peristaltismo (Fig. 6.1). ESTÔMAGO É uma dilatação do canal alimentar que se segue ao esôfago e se continua no intestino. Está situado logo abaixo do diafragma, com sua maior porção à esquer-
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    158 Sistema Digestório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. da do plano mediano. Apresenta dois orifícios: um superior, de comunicação com o esôfago, o óstio cárdico, e outro inferior, o óstio pilórico, que se comunica com o duodeno. Neste nível ocorre uma condensação de fibras musculares longitudi- nais e circulares que constituem um mecanismo de abertura e fechamento do óstio para regular o trânsito do bolo alimentar. Este dispositivo é denominado piloro. Dispositivo semelhante é também encontrado no nível do óstio cárdico, sendo responsável pela abertura e fechamento ativos da comunicação esofago- gástrica. Divisão do estômago Parte cárdica, corresponde à junção com o esôfago; fundo gástrico, situado superiormente a um plano horizontal que tangencia a junção esofagogástrica; corpo gástrico, corresponde a maior parte do órgão; parte pilórica, porção termi- nal, em comunicação com o duodeno. As duas margens do estômago são denominadas curvatura gástrica maior, localizada à esquerda, e curvatura gástrica menor, localizada à direita (Fig. 6.1). INTESTINO O estômago é continuado pelo intestino delgado e este pelo intestino grosso. INTESTINO DELGADO Subdivide-se em três segmentos: duodeno, jejuno e íleo. O duodeno inicia-se no óstio pilórico e termina no nível de brusca angulação, a flexura duodenojejunal. É um órgão bastante fixo, acoplado à parede posterior do abdome, e apresenta a forma de um arco aberto para esquerda e superiormen- te que envolve a cabeça do pâncreas. No duodeno drenam os ductos colédoco, que traz a bile, e pancreático que traz a secreção pancreática. O jejuno e o íleo não têm um limite nítido entre eles, por isso, são estudados em conjunto. O jejuno-íleo constitui a porção móvel do intestino delgado, iniciando-se na flexura duodenojejunal e terminando no início do intestino grosso, onde se abre pelo óstio ileocecal no nível da junção ileocecocólica. O jejuno-íleo apre- senta numerosas alças intestinais e está preso à parede posterior por uma prega peritoneal ampla, o mesentério. INTESTINO GROSSO Constitui a porção terminal do canal alimentar, sendo mais calibroso e mais curto que o intestino delgado. Apresenta dilatações limitadas por sulcos trans- versais denominadas haustos; três formações em fita, as tênias, que correspondem à condensação da musculatura longitudinal; e acúmulos de gordura salientes na serosa da víscera, os apêndices epiplóicos. O intestino grosso é subdividido nos seguintes segmentos:
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    CAPÍTULO 6 159 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Ceco É o segmento inicial, em fundo cego, que se continua no colo ascendente. O limite entre eles é dado por um plano horizontal que passa no nível do meio da papila ileocecocólica, onde se abre o óstio ileocecal. Um prolongamento cilindróide, o apêndice vermiforme, destaca-se do ceco, no ponto de convergên- cia das tênias. Colo ascendente Segue-se ao ceco e tem direção superior, estando fixado à parede posterior do abdome. Alcança o fígado e, sob este, flete-se para a esquerda e se continua no colo transverso. Esta flexão é denominada flexura direita do colo ou flexura he- pática. Colo transverso É bastante móvel, estendendo-se da flexura direita do colo à flexura esquerda do colo ou esplênica, onde se flete para continuar no colo descendente. Colo descendente Está fixado à parede posterior do abdome, inicia-se na flexura esquerda do colo e termina, após um curto trajeto vertical, no nível de um plano horizontal que passa pela crista ilíaca. Inicia-se aí o colo sigmóide. Colo sigmóide É a continuação do colo descendente e tem um trajeto sinuoso, dirigindo-se para o plano mediano da pelve, onde é continuado pelo reto. Reto Continua o colo sigmóide e sua parte final, estreitada, denominada canal anal, atravessa o períneo e se abre no exterior através do ânus (Fig. 6.1). ANEXOS DO CANAL ALIMENTAR As glândulas salivares (já descritas), o fígado e o pâncreas. Fígado É o mais volumoso órgão do organismo, localizando-se imediatamente abaixo do diafragma e à direita, embora uma pequena parte invada o lado
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    160 Sistema Digestório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. esquerdo. Desempenha importante papel nas atividades vitais, seja interfe- rindo no metabolismo, seja secretando a bile e participando do mecanismo de defesa. A bile produzida no fígado é drenada por pequenos dúctulos bilíferos, os quais, após confluências sucessivas, terminam por formar os ductos hepáticos direito e esquerdo, que se unem e formam o ducto hepático comum. O ducto hepático comum une-se ao ducto cístico, que drena a vesícula biliar, formando-se, assim, o ducto colédoco, que se abre no duodeno, quase sempre junto com o ducto pancreático numa estrutura denominada ampola hepatopancreática. A bile não flui diretamente do fígado para o duodeno. Isto é possível porque na saída do colédoco há um dispositivo muscular que controla a abertura e o fe- chamento deste ducto. Quando fechado, a bile reflui para a vesícula biliar, onde é armazenada e concentrada. A contração da vesícula, eliminando o seu conteúdo no colédoco através do ducto cístico, coincide com a abertura do colédoco no duodeno (Fig. 6.6). Fig. 6.6 — Fígado, vias biliares, duodeno e pâncreas: A — ducto hepático direito; B — ducto hepático esquerdo; C — ducto hepático comum; D — pâncreas; E — ducto pancreático; F — ampola hepatopancreática; G — vista interna do duodeno; H — ducto colédoco; I — ducto cístico; J — vesícula biliar; K — fígado.
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    CAPÍTULO 6 161 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Pâncreas Situa-se posteriormente ao estômago, estando fixado à parede posterior do abdome. Divide-se em cabeça, encaixada no duodeno, corpo disposto horizon- talmente e cauda, extremidade esquerda, afilada, situada próxima ao baço. O pâncreas é uma glândula exócrina e endócrina. A secreção endócrina é a insuli- na, e a exócrina é o suco pancreático. Este suco é recolhido por pequenos ductos que confluem, quase sempre em dois: o ducto pancreático principal e o acessó- rio. O ducto principal quase sempre junta-se ao colédoco e desemboca no duodeno por um óstio comum, a ampola hepatopancreática. O acessório geralmente de- semboca separadamente no duodeno (Fig. 6.6).
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    CAPÍTULO 7 163 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 7 Sistema Respiratório CONCEITO É um sistema que absorve oxigênio e elimina gás carbônico resultante de oxidações celulares. DIVISÃO PORÇÃO DE CONDUÇÃO E PORÇÃO DE RESPIRAÇÃO À primeira porção pertencem órgãos tubulares cuja função é levar o ar inspi- rado até a porção respiratória, representada pelos pulmões, e destes conduzir o ar expirado, eliminando o CO2. Assim, dos pulmões o ar expirado é conduzido pelos brônquios e traquéia, órgãos que realmente funcionam apenas como tubos condutores de ar (aeríferos). Acima destes, entretanto, situam-se a laringe, a faringe e o nariz, que não são apenas condutores de ar. Assim, a laringe é também o órgão responsável pela fonação; a faringe está relacionada com o sistema digestório, parte dela servindo de tubo condutor de alimentos; e o nariz apresenta porções que cumprem função olfatória (Fig. 7.1). CAVIDADE NASAL Comunica-se com o meio externo através das narinas, situadas anteriormen- te, e com a porção nasal da faringe posteriormente, através das coanas (Fig. 7.1).
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    164 Sistema Respiratório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 7.1 — Sistema respiratório: A — toro tubário; B — parte nasal da faringe; C — palato mole; D — tonsila palatina; E — parte bucal da faringe; F — epiglote; G — parte laríngea da faringe; H — esôfago; I — traquéia; J — brônquio principal; K — brônquio segmentar; L — lobo superior do pulmão esquerdo; M — brônquio lobar; N — fissura oblíqua; O — lobo inferior do pulmão esquerdo; P — lobo inferior do pulmão direito; Q — lobo médio; R — fissura oblíqua do pulmão direito; S — fissura horizontal; T — lobo superior do pulmão direito; U — prega vocal; V — prega vestibular; W — laringe; X — palato duro; Y — vestíbulo nasal; Z — conchas nasais (inferior, média e superior); 1 — seio frontal. FARINGE É um tubo muscular associado a dois sistemas: respiratório e digestório, situ- ando-se posteriormente à cavidade nasal, bucal e a laringe. A parte nasal da faringe comunica-se com as fossas nasais através das coanas (abertura posterior das fossas nasais). Na sua parede lateral encontramos o óstio faríngeo da tuba auditiva, que é marcado por uma elevação de forma semilunar chamada toro tubário (Fig. 7.1). A tuba auditiva comunica a parte nasal da faringe com a cavi- 1
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    CAPÍTULO 7 165 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. dade timpânica da orelha média, igualando, deste modo, as pressões do ar exter- no e o contido na cavidade timpânica. Por este trajeto, as infecções da faringe podem atingir a orelha média. LARINGE É um órgão tubular, situado no plano mediano e anterior do pescoço que, além de conduzir o ar, é responsável pela fonação, ou seja, pela produção do som. Coloca-se anteriormente à faringe e é continuada diretamente pela traquéia (Fig. 7.1). Apresenta um esqueleto cartilagíneo constituído pelas cartilagens: tireóidea, cricóidea, epiglote (ímpares); aritenóideas, corniculadas e cuneiformes (pares). TRAQUÉIA E BRÔNQUIOS À laringe segue-se a traquéia, estrutura cilíndrica constituída por uma série de anéis cartilagíneos incompletos em forma de C, sobrepostos e ligados entre si pelos ligamentos anulares (Fig. 7.1). A parede posterior, desprovida de cartila- gem, constitui a parede membranácea da traquéia, que apresenta musculatura lisa, o músculo traqueal. Tal ocorre com outros órgãos do sistema respiratório. As cartilagens da traquéia proporcionam-lhe rigidez suficiente para impedi-la de entrar em colapso e, ao mesmo tempo, unidas por tecido elástico, ficam assegu- radas a mobilidade e flexibilidade da estrutura que se desloca durante a respira- ção e com os movimentos da laringe. Embora seja um tubo mediano, a traquéia sofre um ligeiro desvio para a direita próximo à sua extremidade inferior, antes de dividir-se nos brônquios principais, direito e esquerdo, que se dirigem para os pulmões. Estes apresentam estrutura muito semelhante à da traquéia e são tam- bém denominados brônquios de primeira ordem. Cada brônquio principal dá origem aos brônquios lobares, ou de segunda ordem, que ventilam os lobos pul- monares. Estes, por sua vez, dividem-se em brônquios segmentares ou de tercei- ra ordem, que vão ter com os segmentos broncopulmonares. Os brônquios seg- mentares sofrem ainda sucessivas divisões antes de terminarem nos alvéolos pulmonares. Vê-se, assim, que cada brônquio principal dá origem no pulmão a uma série de ramificações conhecidas, em conjunto, como árvore brônquica. PLEURA E PULMÃO Os pulmões, direito e esquerdo, órgãos principais da respiração, estão conti- dos na cavidade torácica e entre eles há uma região mediana denominada mediastino, ocupada pelo coração, os grandes vasos, e alguns dos seus ramos principais, o esôfago, parte da traquéia e brônquios principais, além de nervos e linfáticos. Cada pulmão está envolto por um saco seroso completamente fecha- do, a pleura, que apresenta dois folhetos: a pleura pulmonar, que reveste a super- fície do pulmão e mantém continuidade com a pleura parietal, que recobre a face interna da parede do tórax. Entre as pleuras pulmonar e parietal há um espaço virtual, a cavidade da pleura, contendo uma película de líquido de espessura capilar que permite o livre deslizamento de um folheto contra o outro nas cons-
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    166 Sistema Respiratório ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. tantes variações de volume do pulmão, ocorridas nos movimentos respiratórios. Dentro da cavidade pleural a pressão é subatmosférica, um fator importante na mecânica respiratória. Os pulmões são órgãos de forma cônica, apresentando um ápice superior, uma base inferior e duas faces: costal e medial. A base descansa sobre o diafrag- ma, músculo que separa, internamente, o tórax do abdome, e, por esta razão, ela é conhecida também como face diafragmática. Os pulmões subdividem-se em lobos cujo número é de três para o direito e dois para o esquerdo. Os lobos do pulmão direito, superior, médio e inferior, são separados entre si por fendas pro- fundas, as fissuras oblíqua e horizontal. Já o pulmão esquerdo, com seus dois lobos superior e inferior, apresenta apenas a fissura oblíqua (Fig. 7.1). Os lobos pulmonares são subdivididos em segmentos broncopulmonares, considerados como as maiores porções de um lobo, ventiladas por um brônquio específico que se origina, diretamente, de um brônquio lobar. Assim, um mesmo lobo apresenta vários segmentos broncopulmonares, cada um deles suprido por brônquio seg- mentar específico, de terceira ordem, que tem origem no brônquio lobar de se- gunda ordem. Na sua face medial, cada um dos pulmões apresenta uma fenda em forma de raquete, o hilo do pulmão, pelo qual entram ou saem brônquios, vasos e nervos pulmonares, constituindo a raiz do pulmão.
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    CAPÍTULO 8 167 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 8 Sistema Nervoso CONCEITO É o sistema que controla e coordena as funções de todos os sistemas do orga- nismo e, ainda, recebe estímulos na superfície do corpo, é capaz de interpretá- los e desencadear respostas. Além disso, no homem, o sistema nervoso responde também por fenômenos psíquicos. Muitas funções do sistema nervoso depen- dem da nossa vontade (mastigar, por exemplo, é um ato voluntário); outras, po- rém, independem da nossa vontade, como, por exemplo, a secreção salivar. DIVISÃO SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC) Está contido na coluna vertebral e no crânio e é constituído da medula espi- nhal e do encéfalo, respectivamente. É responsável pela recepção de estímulos, pelo comando e por desencadear respostas. SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO (SNP) Compreende os nervos cranianos e espinhais, os gânglios e as terminações nervosas. Portanto, são vias que conduzem os estímulos ao sistema nervoso central ou que levam até os órgãos efetuadores as ordens emanadas da porção central.
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    168 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Meninges O encéfalo e a medula espinhal são envolvidos e protegidos por três mem- branas de tecido conjuntivo, que são chamadas de fora para dentro de dura- máter, aracnóide e pia-máter. A dura-máter é a mais espessa, e a pia-máter, a mais fina. Da aracnóide partem fibras delicadas que vão ter à pia-máter, consti- tuindo uma rede semelhante a uma teia de aranha, daí o seu nome. A aracnóide é separada da dura-máter por um espaço capilar denominado espaço subdural e da pia-máter pelo espaço subaracnóide, onde circula o líquido cerebrospinal ou líquor. Liquor Circula no espaço subaracnóide e nos ventrículos, é pobre em proteínas e uma das suas mais importantes funções é proteger o sistema nervoso central, agindo como amortecedor de choques. O liquor pode ser retirado e o estudo de sua composição pode ser valioso para o diagnóstico de muitas doenças. É produ- zido em formações especiais, os plexos coróides, situados no soalho dos ventrículos laterais e no teto do terceiro e quarto ventrículos. ORIGEM EMBRIOLÓGICA DO SNC Vesículas primordiais O sistema nervoso central origina-se do tubo neural que, na sua extremidade cranial, apresenta três dilatações denominadas vesículas primordiais: o prosencéfalo, o mesencéfalo e o rombencéfalo. O restante do tubo é a medula primitiva. A cavidade ou luz do tubo neural permanece nas vesículas primordiais. PROSENCÉFALO Com o decorrer do desenvolvimento, as porções laterais do prosencéfalo au- mentam desproporcionalmente e acabam por encobrir a porção central, origi- nando o telencéfalo e o diencéfalo. A luz expande-se também lateralmente, acom- panhando o grande desenvolvimento do telencéfalo. MESENCÉFALO Desenvolve-se sem subdividir-se e sua luz permanece como um canal estrei- tado. ROMBENCÉFALO Subdivide-se em metencéfalo e mielencéfalo. Neste último, a luz se dilata.
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    CAPÍTULO 8 169 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 8.1 — Vesículas primordiais do sistema nervoso central: A — telencéfalo; B — diencéfalo; C — mesencéfalo; D — metencéfalo; E — mielencéfalo; F — rombencéfalo; G — mesencéfalo; H — prosencéfalo. Fig. 8.2 — Corte sagital mediano no sistema nervoso central: A — cerebelo; B — medula espinhal; C — bulbo; D — ponte; E — mesencéfalo; F — diencéfalo; G — telencéfalo.
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    170 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Destas transformações das vesículas primordiais originam-se as partes mais importantes do sistema nervoso central. O telencéfalo e o diencéfalo originam o cérebro, sendo que os hemisférios cerebrais são de origem telencefálica. O mesencéfalo permanece, com a mesma denominação, como uma parte do sistema nervoso central. O metencéfalo origina o cerebelo e a ponte. O mielencéfalo origi- na o bulbo ou medula oblonga. O restante do tubo neural primitivo origina a medula primitiva e esta, a medula espinhal. O mesencéfalo, a ponte e o bulbo, em conjunto, constituem o tronco encefálico. Fig. 8.3 — Telencéfalo (vista lateral): A — sulco central; B — giro pré-central; C — giro pós-central; D — lobo parietal; E — lobo occipital; F — lobo temporal; G — sulco lateral; H — lobo frontal. VENTRÍCULOS ENCEFÁLICOS E SUAS COMUNICAÇÕES Nas transformações sofridas pelas vesículas primordiais, a luz do tubo neural primitivo permanece e se apresenta dilatada em algumas das subdivisões da- quelas vesículas, constituindo os ventrículos que se comunicam entre si. A luz do telencéfalo corresponde aos ventrículos laterais (direito e esquerdo). A luz do diencéfalo corresponde ao terceiro ventrículo. Os ventrículos laterais co- municam-se com o terceiro ventrículo através do forame interventricular. A luz do mesencéfalo é um canal estreitado, o aqueduto cerebral, que comunica o terceiro com o quarto ventrículo. A luz do rombencéfalo corresponde ao quarto ventrículo, que se continua pelo canal central da medula e se comunica com o espaço subaracnóide.
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    CAPÍTULO 8 171 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Hemisférios cerebrais Apresentam na sua superfície sulcos que delimitam os giros. Podem ser divi- didos em lobos que correspondem aos ossos com os quais guardam relação. Se- não, vejamos: lobo frontal, parietal, temporal e occipital. Tronco encefálico Dele originam-se a maioria dos 12 pares de nervos cranianos que saem pela base do crânio. Medula espinhal Dela originam-se 31 pares de nervos espinhais que abandonam a coluna ver- tebral através de forames intervertebrais. SUBSTÂNCIA BRANCA E CINZENTA NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL Um corte no encéfalo ou na medula, permite reconhecer áreas claras e áreas escuras. As claras estão constituídas de fibras nervosas mielínicas e as escuras, de corpos de neurônios. Fig. 8.4 — Medula espinhal (corte horizontal): A — sulco mediano posterior; B — coluna posterior; C — substância intermédia lateral; D — coluna lateral; E — coluna anterior; F — substância intermédia central; G — fissura mediana anterior; H — “H” medular.
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    172 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Na medula, a substância cinzenta forma um eixo central contínuo envolvi- do por substância branca. Em corte horizontal, observa-se que a substância cinzenta apresenta a forma de um H irregular, onde se reconhecem as colunas anterior e posterior, substância intermediária central e lateral e, no segmento medular compreendido entre a primeira vértebra torácica e a segunda lombar, a coluna lateral. No tronco encefálico, encontramos massas isoladas de substância cinzenta que constituem os núcleos dos nervos cranianos e outros núcleos próprios do tronco encefálico. Estes núcleos são acúmulos de corpos de neurônios. Ao redor destas massas cinzentas, encontramos a substância branca. No cérebro e no cerebelo, reconhecemos uma massa de substância branca, revestida externamente por uma fina camada de substância cinzenta, o córtex cerebral e o córtex cerebelar, respectivamente, e tendo no centro as massas de substância cinzenta constituindo os núcleos da base (no cérebro) e os núcleos centrais (no cerebelo). A substância branca, em qualquer nível do sistema nervoso central, está cons- tituída predominantemente de fibras nervosas mielínicas. Estas representam as vias pelas quais os impulsos percorrem as diversas áreas do sistema nervoso central e se organizam formando tractos ou fascículos. Fig. 8.5 — Telencéfalo e diencéfalo (corte frontal): A — córtex cerebral; B — substância branca; C — terceiro ventrículo; D — núcleos da base; E — ventrículo lateral.
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    CAPÍTULO 8 173 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO (SNP) As fibras de um nervo são classificadas de acordo com a sua função. Por isso, diz-se que um nervo possui componentes funcionais. Assim, uma fibra que esti- mula a musculatura é motora ou eferente (sai do sistema nervoso central), e a que conduz estímulos para o sistema nervoso central é sensitiva ou aferente (que chega ao sistema nervoso central). TERMINAÇÕES NERVOSAS Na fibra motora ou eferente, é a placa motora. Nas sensitivas, as terminações nervosas são estruturas especializadas para receber estímulos físicos ou quími- cos na superfície ou no interior do corpo. Assim, os cones e bastonetes da retina são estimulados apenas por raios luminosos; os receptores do ouvido, apenas por ondas sonoras; os gustativos, por substâncias químicas capazes de determinar as sensações de doce, azedo, amargo etc. Na pele e nas mucosas existem receptores especializados para os agentes causadores do calor, frio, pressão e tato, enquanto as sensações dolorosas são captadas por terminações nervosas livres, isto é, não há uma estrutura receptora especializada para este tipo de estímulo. Quando os receptores sensitivos são estimulados, originam impulsos nervosos que seguem pelas fibras aferentes em direção ao sistema nervoso central. Gânglios Vimos que acúmulos de corpos de neurônios dentro do neuroeixo são núcle- os. Quando estes acúmulos estão fora do neuroeixo constituem os gânglios, que geralmente se apresentam como uma dilatação. Fig. 8.6 — Cerebelo (corte horizontal): A — córtex cerebelar; B — substância branca; C — núcleos centrais.
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    174 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Nervos São cordões esbranquiçados, formados por axônios, unidos por tecido con- juntivo, que têm como função levar impulsos ao neuroeixo ou trazer impulsos do neuroeixo. Nervos espinais Reconhece-se 31 pares de nervos espinais que abandonam a coluna vertebral através dos forames intervertebrais. Estão divididos em: oito cervicais, 12 torácicos, cinco lombares, cinco sacrais e um coccígeo. Fig. 8.7 — Nervo espinhal: A — coluna lateral; B — coluna anterior; C — fissura mediana anterior; D — raiz ventral; E — ramo ventral; F — ramo dorsal; G — nervo espinhal; H — gânglio sensitivo; I — raiz dorsal; J — coluna posterior. Formação do nervo espinhal É formado pela fusão de duas raízes: uma ventral e outra dorsal. A raiz ven- tral possui apenas fibras motoras (eferentes), cujos corpos celulares estão situa- dos na coluna anterior da substância cinzenta da medula. A raiz dorsal possui fibras sensitivas (aferentes) cujos corpos celulares estão situados no gânglio sen- sitivo da raiz dorsal, que se apresenta como uma porção dilatada da própria raiz. A fusão das raízes sensitiva e motora resulta no nervo espinhal. Isto significa que o nervo espinhal é misto, isto é, está constituído de fibras aferentes e eferentes.
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    CAPÍTULO 8 175 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. NERVOS CRANIANOS São 12 pares que fazem conexão com o encéfalo. A maioria deles origina-se no tronco encefálico. Além dos nomes, eles são designados por números em se- qüência craniocaudal. I Par — Nervo olfatório É puramente sensitivo, iniciando-se em terminações nervosas situadas na mucosa nasal. É responsável pela sensibilidade olfativa. Fig. 8.8 — Origem aparente dos nervos cranianos: A — corpo pineal; B — pedúnculo cerebral; C — troclear (IV par); D e D1 — raiz motora do trigêmeo (V par); E e R — raiz sensitiva do trigêmeo (V par); F — ponte; G — intermédio- facial (VII par); H — vestibulococlear (VIII par); I — glossofaríngeo (IX par); J — vago (X par); K — acessório (XI par); L — hipoglosso (XII par); M — fissura mediana anterior; N — pirâmide; O — oliva; P — cerebelo; Q — sulco basilar; S — gânglio trigeminal; T — abducente (VI par); U — oculomotor (III par); V — olfatório (I par); W — óptico (II par). D
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    176 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. II Par — Nervo óptico Sensitivo, origina-se nos cones e bastonetes da retina, relacionado à percep- ção visual. III Par — Nervo oculomotor É misto, contém fibras parassimpáticas, inerva os músculos do olho, com exceção do reto lateral e oblíquo superior. É também responsável pela inervação dos músculos intrínsecos do olho, como o músculo esfíncter da íris (que fecha a pupila) e o músculo ciliar (que controla a forma da lente). IV Par — Nervo troclear Motor, inerva o músculo oblíquo superior. V Par — Nervo trigêmeo Misto, é responsável pela sensibilidade de quase toda a cabeça. Seu compo- nente motor inerva a musculatura da mastigação. VI Par — Nervo abducente Motor, inerva o músculo reto lateral. VII Par — Nervo facial Misto, é responsável pela sensibilidade gustativa (aferente), inerva os mús- culos da mímica e glândulas salivares (eferente). VIII Par — Nervo vestibulococlear Sensitivo, constituído de duas porções: coclear, relacionada à audição, e ves- tibular, relacionada ao equilíbrio. IX Par — Nervo glossofaríngeo Misto, é responsável pela sensibilidade gustativa, por informar ao SNC sobre a pressão arterial e o teor de oxigênio no sangue (aferente), inerva os músculos constritores da faringe, o músculo estilofaríngeo e glândulas salivares (eferente). X Par — Nervo vago Misto, inerva todas as vísceras torácicas e a maioria das abdominais.
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    CAPÍTULO 8 177 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. XI Par — Nervo acessório Misto, inerva músculos esqueléticos como o esternocleidomastóideo, porém parte de suas fibras acopla-se ao vago e com ele é distribuído. XII Par — Nervo hipoglosso Motor, inerva a musculatura da língua. O funcionamento do sistema nervoso está baseado no binômio estímulo-rea- ção, podendo intercalar-se um terceiro elemento: estímulo-interpretação-reação. As vias aferentes ou sensitivas conduzem impulsos originados em receptores (corpúsculos especializados e terminações nervosas livres) até os centros nervo- sos; destes, outros impulsos são conduzidos, em sentido inverso, pelas vias eferentes ou motoras, para os órgãos efetuadores (tecido muscular ou glandular). Este complexo “exitação-resposta” constitui o arco reflexo, que é o substrato morfofuncional do sistema nervoso. Como exemplo, pode-se citar o reflexo plan- tar: a pele da planta dos pés, riscada por um palito, provoca, como resposta, flexão plantar dos dedos, como se eles quisessem agarrar o palito. Isto ocorre independentemente da nossa vontade. No caso de estímulo-interpretação-reação, pode-se citar como exemplo o se- guinte: a temperatura em um determinado ambiente pode causar a sensação de calor e esta sensação pode levar o indivíduo a tirar o paletó, usando inúmeros músculos para fazê-lo. SISTEMA NERVOSO VISCERAL O sistema nervoso visceral ou da vida vegetativa relaciona-se com a inervação de estruturas viscerais mantendo a constância do meio interno (homeostase). Assim como no somático, distingue-se no sistema nervoso visceral uma parte aferente e outra eferente. O componente aferente conduz os impulsos nervosos originados em receptores das vísceras (viscerorreceptores) a áreas específicas do sistema nervoso central. O componente eferente traz impulsos de centros nervo- sos até as estruturas viscerais, terminando, pois, em glândulas, músculo liso ou músculo cardíaco. Por definição, denomina-se sistema nervoso autônomo ape- nas o componente eferente do sistema nervoso visceral. O sistema nervoso autô- nomo divide-se em simpático e parassimpático. SISTEMA NERVOSO VISCERAL AFERENTE Ao contrário das fibras que se originam em receptores somáticos, grande parte das fibras viscerais conduz impulsos que não se tornam conscientes. Os viscerorreceptores situados no seio carótico são sensíveis às variações da tensão arterial, e os do glomo carótico, às variações da taxa de oxigênio no sangue. Impulsos neles originados são levados ao SNC pelo nervo glossofaríngeo sem que possamos percebê-los. Contudo, muitos impulsos viscerais tornam-se cons- cientes manifestando-se sob a forma de sensações de sede, fome, plenitude gás-
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    178 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. trica ou em condições patológicas, dor. A sensibilidade visceral difere da somática principalmente por ser mais difusa, não permitindo uma localização precisa. Assim, pode-se dizer que dói a ponta do hálux, mas não se pode dizer que dói a primeira alça intestinal. Por outro lado, os estímulos que determinam a dor somática são diferentes dos estímulos que determinam a dor visceral. A secção da pele é dolorosa, mas a de uma víscera não o é. A distensão de uma víscera, como uma alça intestinal, é muito dolorosa, o que não acontece com a pele. Diferenças entre o SN somático eferente e o SN visceral eferente Os impulsos nervosos que seguem pelo SN somático eferente terminam em músculo estriado esquelético, enquanto os que seguem pelo sistema nervoso autônomo terminam em músculo estriado cardíaco, músculo liso ou glândula. Assim, o SN eferente somático é voluntário, enquanto o SN autônomo é involuntário. Do ponto de vista anatômico, existe uma diferença importante no que diz respeito ao número de neurônios que ligam o SNC ao órgão efetuador. Este número no somático é de apenas um neurônio, o neurônio motor somático, cujo corpo, na medula, localiza-se na coluna anterior, saindo o axônio pela raiz ventral e terminando em placas motoras nos músculos estriados esqueléticos. Já no SN autônomo, temos dois neurônios unindo o SNC ao órgão efetuador. Um deles tem o corpo dentro do SNC (medula ou tronco encefálico), o outro tem seu corpo localizado no SN periférico, ou seja, em gânglios, e são denominados neurônios pós-ganglionares, e aqueles que têm seus corpos dentro do SNC são denominados neurônios pré-ganglionares. Lembramos ainda que no SN somático eferente, as fibras terminam em estruturas denominadas placas motoras que não existem na terminação das fibras do SN autônomo. ORGANIZAÇÃO GERAL DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO Neurônios pré e pós-ganglionares são os elementos fundamentais da organi- zação da parte periférica do SN autônomo. Os corpos dos neurônios pré- ganglionares localizam-se na medula e no encéfalo. No encéfalo, eles se agrupam formando os núcleos de origem de alguns nervos cranianos como o oculomotor, o facial, o glossofaríngeo e o vago. Na medula, eles ocorrem de T1 a L2 e nos segmentos S2, S3, e S4 da medula sacral. Na porção toracolombar (T1 a L2), os neurônios pré-ganglionares agrupam- se formando uma coluna muito evidente, denominada coluna lateral, situada entre as colunas anterior e posterior da substância cinzenta. O axônio do neurônio pré-ganglionar, envolvido pela bainha de mielina e pela bainha de neurilema, constitui a chamada fibra pré-ganglionar, assim denominada por estar situada antes de um gânglio, onde termina fazendo sinapse com o neurônio pós-ganglionar. Os corpos de neurônios pós-ganglionares estão situados nos gânglios do SN autônomo. São neurônios multipolares no que se diferenciam dos neurônios sen- sitivos, também localizados em gânglios, pois estes são unipolares. O axônio do neurônio pós-ganglionar, envolto apenas pela bainha de neurilema, constitui a fibra pós-ganglionar. Portanto, a fibra pós-ganglionar diferencia-se histologica-
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    CAPÍTULO 8 179 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. mente da pré-ganglionar por ser amielínica com neurilema. As fibras pós- ganglionares terminam nas vísceras, nas glândulas, músculo liso e cardíaco. Existem áreas no telencéfalo e no diencéfalo que regulam as funções viscerais, sendo as mais importantes o hipotálamo e o chamado sistema límbico. Estas áreas estão relacionadas também com certos tipos de comportamento, especialmente com o comportamento emocional. Impulsos nervosos nelas originados são levados por fibras especiais que terminam fazendo sinapse com neurônios pré-ganglionares do tronco encefálico e da medula. Por este mecanismo, o SNC influencia o funcio- namento das vísceras. A existência destas conexões entre as áreas cerebrais relaci- onadas com o comportamento emocional e os neurônios pré-ganglionares do SN autônomo ajuda a entender as alterações do funcionamento visceral que freqüen- temente acompanham os graves distúrbios emocionais. O SN autônomo está dividido, segundo critérios anatômicos, farmacológicos e fisiológicos, em simpático e parassimpático. Fig. 8.9 — Sistema simpático e parassimpático: A — fibra pré-ganglionar parassimpática; B — fibra pós-ganglionar parassimpática; C — fibra pós-ganglionar simpática; D — fibra pré-ganglionar simpática; E e E1 — parassimpático (craniosacral); F — simpático (toracolombar).
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    180 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. DIFERENÇAS ANATÔMICAS O simpático é toracolombar e o parassimpático é craniossacral, ou seja, os neurônios pré-ganglionares do simpático estão localizados entre T1 e L2, en- quanto os neurônios pré-ganglionares do parassimpático localizam-se no encéfalo e na medula sacral (S2, S3 e S4). No simpático, os neurônios pós-ganglionares localizam-se longe das vísceras e próximo à coluna vertebral. No parassimpático, os neurônios pós-ganglionares localizam-se próximo das vísceras. No simpático, a fibra pré-ganglionar é curta e a pós-ganglionar é longa. No parassimpático, a fibra pré-ganglionar é longa e a pós-ganglionar é curta. DIFERENÇAS FARMACOLÓGICAS A adrenalina e a noradrenalina, quando injetadas no corpo, imitam a ação simpática, por isso são denominadas simpaticomiméticas. Quando injetamos acetilcolina, esta imita a ação parassimpática, sendo, por isso, denominada parassimpaticomimética. Sabemos que a ação da fibra nervosa sobre o efetuador se faz por liberação de um mediador químico, dos quais os mais importantes são a acetilcolina e a noradrenalina. As fibras que liberam acetilcolina são chamadas de colinérgicas, e as que liberam noradrenalina, adrenérgicas. Estas últimas deveriam ser chama- das de noradrenérgicas, mas inicialmente pensou-se que o principal mediador seria a adrenalina e o termo “adrenérgico” ficou clássico. Hoje, sabemos que, nos mamíferos, é a noradrenalina e não a adrenalina o principal mediador químico nas fibras adrenérgicas. As fibras pré-ganglionares, tanto simpáticas como parassimpáticas, e as fi- bras pós-ganglionares parassimpáticas são colinérgicas. Contudo, a maioria das fibras pós-ganglionares simpáticas são adrenérgicas. Fazem exceção as fibras que inervam as glândulas sudoríparas que, apesar de serem simpáticas, são colinérgicas. DIFERENÇAS FISIOLÓGICAS De um modo geral, o sistema simpático tem ação antagônica à do parassimpático em um determinado órgão. Entretanto, isto não é válido para to- dos os órgãos. Por exemplo, nas glândulas salivares os dois sistemas aumentam a secreção. Uma das diferenças fisiológicas entre o simpático e o parassimpático é que este tem ações quase sempre localizadas a um órgão ou setor do organismo, enquanto as ações do simpático, embora possam ser também localizadas, ten- dem a ser difusas, atingindo vários órgãos. Em determinadas circunstâncias, todo o sistema simpático é ativado, produzindo uma descarga em massa, na qual a medula da supra-renal é também ativada, lançando no sangue a adrenalina que age em todo o organismo. Temos, assim, uma reação de alarme que ocorre em certas manifestações emocionais e situações de emergência (síndrome de emergência de Cannon) em que o indivíduo deve estar preparado para lutar ou fugir.
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    CAPÍTULO 8 181 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. FUNÇÕES DO SIMPÁTICO E DO PARASSIMPÁTICO Íris O simpático dilata a pupila (midríase); o parassimpático faz a constricção da pupila (miose). Glândula lacrimal O simpático faz vasoconstricção e tem muito pouco efeito sobre a secreção; o parassimpático produz secreção abundante e vasodilatação. Glândulas salivares O simpático faz vasoconstricção e produz secreção viscosa e pouco abun- dante; o parassimpático faz vasodilatação e produz secreção fluida e abundante. Glândulas sudoríparas O simpático produz secreção copiosa (fibras colinérgicas); não há inervação parassimpática. Músculos eretores dos pêlos O simpático os ativa fazendo a ereção dos pêlos; não há inervação parassim- pática. Coração O simpático acelera o ritmo cardíaco (taquicardia) e provoca dilatação das coronárias; o parassimpático diminui o ritmo cardíaco (bradicardia) e di- lata as coronárias. Brônquios O simpático dilata; o parassimpático faz constricção. Tubo digestivo O simpático diminui o peristaltismo e fecha os esfíncteres; o parassimpático aumenta o peristaltismo e abre os esfíncteres. Genitais masculinos O simpático faz vasoconstricção e ejaculação; o parassimpático faz vasodilatação e ereção.
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    182 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. ANATOMIA DO SNC MEDULA ESPINHAL É a porção caudal do neuroeixo; de forma aproximadamente cilíndrica, apre- senta duas intumescências, uma cervical e outra lombar; conseqüentemente, há maior quantidade de células, e, portanto, de fibras nervosas emitidas e recebidas dos nervos espinhais destinados, respectivamente, aos membros superiores e inferiores. Estende-se do nível do forame occipital para o nível de L1 ou L2, onde, reduzida de volume, apresenta terminação cônica, o cone medular, de cujo ápice um delgado filamento meníngeo, o filum terminale, estende-se até a face posterior do cóccix e constitui o ligamento inferior da medula espinhal. A porção inferior, além do filamento terminal, compreende as raízes nervo- sas dos últimos nervos espinhais, lombares, sacrais e coccígeos que, dispostos em torno do cone e filamento terminal, constituem, em conjunto, a denominada cauda eqüina. A superfície da medula espinhal apresenta seis sulcos longitudinais que a percorrem em toda a sua extensão. Na face ventral, ao longo do plano mediano, há a profunda fissura mediana anterior; na face dorsal, encontra-se o sulco medi- ano posterior, pouco marcado; e, de cada lado, correspondendo à linha de origem das raízes ventrais e dorsais dos nervos espinhais, existem os sulcos lateral ante- rior e lateral posterior. Além destes, na face dorsal dos segmentos cervicais e torácicos superiores há, de cada lado, entre o sulco mediano posterior e o sulco lateral posterior, o sulco intermédio posterior. BULBO OU MEDULA OBLONGA É a porção mais caudal do tronco encefálico. Sua face ventral repousa sobre a porção basilar do osso occipital e a dorsal é coberta, em grande parte, pelo cerebelo. Sendo continuação cranial da medula espinhal, não apresenta linha de demarcação, daí considerar-se como limite inferior um plano horizontal que co- incide com o forame occipital e, superiormente, por um sulco horizontal (sulco bulbopontino) que corresponde à margem inferior da ponte. Os sulcos descritos na medula espinhal prolongam-se pelo bulbo, dividindo- o em áreas anterior (ventral), lateral e posterior (dorsal). A fissura mediana anterior prolonga-se até a margem inferior da ponte, onde termina abruptamente numa depressão denominada forame cego. No entanto, na extremidade inferior do bulbo, ela é bloqueada por feixes de fibras que cruzam obliquamente o plano mediano. Esse cruzamento constitui a decussação das pi- râmides, visto que se denominam pirâmides as eminências longitudinais que ladeiam a fissura mediana anterior, formadas por fibras descendentes da grande via motora, principalmente o tracto corticoespinhal ou piramidal. O sulco mediano posterior representa o prolongamento do homônimo da medula espinhal e termina a meia altura do bulbo, em virtude do afastamento de seus lábios, que vêm a constituir os limites laterais inferiores do quarto ventrículo. Distingue-se, portanto, na face posterior do bulbo, uma porção
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    CAPÍTULO 8 183 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. fechada, inferior, com canal central, continuação daquele da medula espi- nhal, e outra aberta, superior, que corresponde à parte caudal do quarto ventrículo. Os sulcos lateral anterior e lateral posterior estendem-se por todo o compri- mento do bulbo e representam os prolongamentos dos homônimos da medula espinhal. Do primeiro, limite lateral da pirâmide, emergem as radículas do nervo hipoglosso, XII par craniano, e do último, os filamentos radiculares dos nervos glossofaríngeo, vago e acessório, respectivamente, IX, X, e XI pares cranianos. Lateralmente à pirâmide e dela separada pelo sulco lateral anterior e radículas do nervo hipoglosso, há uma eminência elipsóide, a oliva, determinada por uma massa irregular de substância cinzenta, o núcleo olivar, situado próximo à super- fície. A oliva está separada posteriormente do sulco lateral posterior e radículas dos nervos glossofaríngeo e vago por estreita área retroolivar, constituída por feixes superficiais de fibras ascendentes provenientes da medula espinhal que se destinam ao cerebelo (tractos espinocerebelares). A área compreendida entre o sulco lateral posterior e o sulco mediano poste- rior é subdividida, como aquela da medula espinhal cervical e torácica superior, pelo sulco intermédio posterior. Distingue-se assim, na face dorsal do bulbo, com situação medial, o funículo grácil e o tubérculo do núcleo grácil (clava), e, mais lateralmente, o funículo cuneiforme e o tubérculo do núcleo cuneiforme. São feixes de fibras ascendentes cujos respectivos núcleos (fascículo e núcleo grácil, fascículo e núcleo cuneiforme) são responsáveis essencialmente pela con- dução de parte da sensibilidade táctil e da sensibilidade proprioceptiva consci- ente, isto é, proveniente de músculos, tendões e articulações e destinados à área cortical cerebral sensitiva. Lateralmente ao funículo e tubérculo cuneiformes, entre estes e a emergên- cia das raízes dos nervos glossofaríngeo, vago e acessório, há uma terceira emi- nência, discreta, o tubérculo cinéreo, formado por um tracto de fibras descen- dentes, derivado da raiz sensitiva do nervo trigêmeo e respectivo núcleo (tracto espinhal e núcleo do tracto espinhal do nervo trigêmeo). Os tubérculos, cinéreos, do núcleo cuneiforme e do núcleo grácil, em suas porções mais superiores, deslocam-se lateralmente; forma-se, assim, o ângulo inferior do IV ventrículo. Dão lugar, pouco acima da metade do bulbo, ao pedúnculo cerebelar inferior. Ponte É a porção do tronco encefálico situada entre o bulbo e o mesencéfalo, ven- tralmente ao cerebelo. Sua face ventral repousa sobre a porção basilar do osso occipital e sobre o dorso da sela turca; apresenta-se sob a forma de larga fita horizontal de fibras nervosas que, de cada lado, se condensam em volumoso feixe, o pedúnculo cerebelar médio, que mergulha no hemisfério cerebelar cor- respondente. Considera-se como nível de transição entre ponte e pedúnculo cerebelar médio, a origem aparente do nervo trigêmeo, isto é, o ponto de emer- gência do V par craniano.
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    184 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. A superfície ventral da ponte é percorrida por um sulco longitudinal media- no, o sulco basilar, que aloja a artéria basilar. Este sulco é devido à presença de dois relevos longitudinais, um direito, outro esquerdo, resultantes da passagem dos tractos corticoespinhais formadores das pirâmides no bulbo e que, na ponte, são recobertas por camadas de fibras transversais. Na porção caudal da face ventral da ponte, no sulco que a separa do bulbo, sulco bulbopontino, emergem de cada lado, a partir do plano mediano, os ner- vos: abducente (VI par), facial (VII par) e vestibulococlear (VIII par craniano). O primeiro entre a ponte e a pirâmide do bulbo; os dois últimos, em linha com o pedúnculo cerebelar inferior. A face dorsal da ponte representa a continuação direta do bulbo e a ele se assemelha; constitui a porção superior do IV ventrículo. Fig. 8.10 — Tronco encefálico e parte do diencéfalo (vista posterior): A — terceiro ventrículo; B — pedúnculo cerebelar superior; C — pedúnculo cerebelar médio; D — pedúnculo cerebelar inferior; E — trígono do hipoglosso; F — trígono do vago; G — sulco mediano posterior; H — sulco intermédio posterior; I — sulco lateral posterior; J — estrias medulares do IV ventrículo; K — colículo facial; L — colículo inferior; M — colículo superior; N — corpo pineal.
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    CAPÍTULO 8 185 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Quarto ventrículo É uma cavidade rombencefálica de forma losangular que constitui a continu- ação superior do canal central da medula espinal e da medula oblonga. Comuni- ca-se com o terceiro ventrículo, cavidade diencefálica, através do aqueduto cere- bral, que é um canal mesencefálico. Contém líquor e, através de três forames, um mediano e dois laterais, põe em comunicação o sistema ventricular encefálico com a cavidade subaracnóide. O soalho do IV ventrículo, denominado fossa rombóide, é constituído pelas superfícies dorsais da porção aberta do bulbo e da ponte. A fossa rombóide apresenta em toda a sua altura um sulco longitudinal, o sulco mediano, que se perde inferiormente na abertura do canal central e superi- ormente no aqueduto cerebral; de cada lado deste sulco há um relevo longitudi- nal, a eminência medial, que é delimitada lateralmente pelo sulco limitante. A porção inferior da fossa rombóide é constituída pelo bulbo, e a eminência medial desta porção compreende, de cada lado, duas pequenas áreas triangula- res: o trígono do nervo hipoglosso, medial, e o trígono do nervo vago, lateral, que correspondem, respectivamente, ao núcleo do nervo hipoglosso e ao núcleo mo- tor dorsal do nervo vago. A porção superior da fossa rombóide é constituída pela ponte; aqui, as emi- nências mediais mostram-se aumentadas e constituem, de cada lado, uma eleva- ção, o colículo facial, determinado por fibras do nervo facial ao contornarem o núcleo do nervo abducente, VI par craniano. Mesencéfalo Porção mais cranial do tronco encefálico, liga o metencéfalo ao diencéfalo. Apresenta uma parte ventral, os pedúnculos cerebrais, e outra dorsal, o tecto mesencefálico. É atravessado por um canal de calibre relativamente pequeno, o aqueduto cerebral, que comunica o III e o IV ventrículos. Os pedúnculos cerebrais, vistos pela face ventral, são dois volumosos feixes de fibras, um esquerdo e outro direito, que aparecem na margem superior da ponte, muito próximos um do outro, e divergem superiormente, penetrando no diencéfalo. Delimitam uma depressão triangular, a fossa interpeduncular. Do ter- ço inferior da face medial de cada pedúnculo cerebral, emergem as raízes do nervo oculomotor, III par craniano. O tecto mesencefálico, visto pela face dorsal, apresenta quatro eminências arredondadas, os colículos inferiores e superiores (corpos quadrigêmeos). Cerebelo É uma volumosa formação rombencefálica, localiza-se dorsalmente à ponte e ao bulbo; ocupa as fossas inferiores direita e esquerda do osso occipital e é recoberto pela tenda do cerebelo, formação meníngea, dural, que o separa dos lobos occipitais dos hemisférios cerebrais. É constituido por numerosas lâminas de tecido nervoso, as folhas cerebelares, separadas por sulcos mais ou menos paralelos, as fissuras cerebelares. As folhas cerebelares equivalem aos giros cerebrais.
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    186 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Macroscopicamente, pode-se considerar o cerebelo como constituído por três partes: uma mediana, o verme cerebelar, e duas grandes massas laterais, os he- misférios cerebelares. Em corte, o cerebelo apresenta as substâncias branca e cinzenta dispostas de modo inverso àquela da medula espinhal, isto é, a substância branca é central e a cinzenta é periférica, constitui o córtex cerebelar. O cerebelo é a porção do sistema nervoso responsável pela coordenação da atividade motora; controla, por conseguinte, o sinergismo e a harmonia da mus- culatura esquelética. Diencéfalo Proveniente da porção mais inferior da primitiva vesícula prosencefálica. É quase totalmente envolvido, em virtude do grande desenvolvimento dos hemis- Fig. 8.11 — Núcleos nervos cranianos: III — oculomotor; IV — troclear; V-a — mesencefálico; V-b — motor; V-c — sensitivo principal; V-d — do tracto espinhal (gelatinoso e esponjoso); VI — abducente; VII-a — motor; VII-b — salivatório superior; VIII — vestíbulococlear; IX-a — ambíguo; IX-b — salivatório inferior; X — ambíguo; XI-a — ambíguo; XI-b — acessório; XII — hipoglosso; TS — tracto solitário.
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    CAPÍTULO 8 187 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. férios cerebrais no cérebro humano. Compreende o epitálamo, os tálamos, o metatálamo e o hipotálamo, que delimitam, com formações telencefálicas, a ca- vidade do III ventrículo. Telencéfalo É o segmento mais anterior e mais desenvolvido do encéfalo; ocupa a maior parte da cavidade craniana. Compreende os dois hemisférios cerebrais, ligados entre si pelas comissuras inter-hemisféricas, e delimita os ventrículos laterais. É subdividido por sulcos em lobos frontal, parietal, temporal e occipital. A estes deve-se acrescentar a ínsula, lobo situado no fundo do sulco lateral. O sulco lateral divide os lobos frontal e parietal do lobo temporal. O sulco central, situa- do na face dorsolateral do hemisfério, interpõe-se aos lobos frontal e parietal. É ladeado por dois giros paralelos, um anterior, que pertence ao lobo frontal, giro pré-central, onde se localiza o centro cortical da motricidade voluntária, e outro posterior, que pertence ao lobo parietal, giro pós-central, que constitui a área cortical somestésica ou sensitiva principal. NERVOS CRANIANOS RELACIONADOS À ODONTOLOGIA NERVO TRIGÊMEO — V PAR CRANIANO Origem aparente Na porção lateroventral da ponte, por duas raízes, uma sensitiva bastante grossa e uma motora fina. Daí, suas fibras seguem em direção anterolateral até a impressão trigeminal no terço anterior da face ântero-superior do rochedo do osso temporal, onde apresenta uma dilatação, o gânglio trigeminal, que contém os corpos dos neurônios aferentes do nervo trigêmeo. A partir do gânglio trigeminal, o nervo trigêmeo emite três ramos: nervo oftálmico, nervo maxilar e nervo mandibular. NERVO OFTÁLMICO (SENSITIVO) É aferente, abandona o gânglio trigeminal ou semilunar, segue para adi- ante e penetra na órbita através da fissura orbital superior, onde se divide em três ramos. O primeiro é o nervo lacrimal, o mais lateral e mais fino que segue sobre o músculo reto lateral em direção à glândula lacrimal, atravessando-a e chegando à cútis da porção lateral da pálpebra superior. Antes de chegar à glândula, emite um ramo que faz uma anastomose em arco, na parede lateral da órbita com um ramo do nervo zigomático, do maxilar. O segundo é o nervo frontal, que tem um trajeto póstero-anterior na porção intermédia da órbita e está localizado entre o teto da órbita e o músculo levantador da pálpebra superior. Num ponto extremamente variável do seu trajeto, o nervo frontal divide-se em nervos supra-orbital e supratroclear. O supra-orbital é a continu- ação direta do frontal. Ele deixa a órbita através da incisura ou forame supra- orbital e se distribui para a testa e a porção intermédia da pálpebra superior.
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    188 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. O supratroclear, bem mais fino, deixa a órbita na porção medial da margem supra-orbital e enerva a testa e a porção medial da pálpebra superior. O ter- ceiro ramo, o nervo nasociliar, penetra na órbita no interior do cone formado pelos músculos retos do olho. Sendo assim, ele está num plano mais baixo que os nervos lacrimal e frontal. Localiza-se abaixo do reto superior e cruza o nervo óptico com a artéria oftálmica. Na parede medial da órbita, ele se loca- liza entre os músculos oblíquo superior e o reto medial, onde emite um ramo etmoidal posterior para as células etmoidais posteriores, um ramo infratroclear para a porção medial das pálpebras, pele do nariz e saco lacrimal e o nervo etmoidal anterior, que é seu ramo terminal, passa através do forame etmoidal anterior, entra na fossa craniana anterior, dobra-se para adiante e depois para baixo, chegando à fossa nasal, onde se divide em ramos nasais internos que enervam a mucosa nasal, sendo que um destes ramos chega à pele do nariz como ramo nasal externo contornando a margem inferior do osso nasal ou pelo forame que existe neste osso. Fig. 8.12 — Nervo oftálmico e seus ramos (vista superior): A — nervo supra-orbital (ramo lateral); B — ramo que se une ao nervo zigomático do maxilar; C — nervo lacrimal; D — nervo frontal; E — nervo oftálmico; F — nervo maxilar; G — nervo mandibular; H — gânglio trigeminal; I — nervo trigêmeo; J — fissura orbital superior; K — nervo nasociliar; L — nervo etmoidal posterior; M — nervo etmoidal anterior; N — nervo infratroclear; O — nervo supratroclear; P — nervo supra-orbital (ramo medial).
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    CAPÍTULO 8 189 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. NERVO MAXILAR (SENSITIVO) A partir do gânglio trigeminal, dirige-se para adiante, coberto pela dura-máter, atravessa o forame redondo e chega à fossa pterigopalatina, onde dá a maioria dos seus ramos, pois antes de sair do crânio abandona um ramo meníngeo que segue a artéria meníngea média e se distribui na dura-máter da fossa craniana média. Em seu trajeto, o nervo maxilar atravessa, portanto, sucessivamente, a fossa craniana média e a fossa pterigopalatina, e, a seguir, como nervo infra- orbital, seu ramo terminal, segue o soalho da órbita e emerge na face pelo forame infra-orbital. RAMOS DO NERVO MAXILAR NA FOSSA PTERIGOPALATINA Nervo zigomático É um fino ramo que sai do maxilar e entra na órbita; lateral em relação ao infra-orbital e na face lateral da órbita, divide-se em ramos zigomaticofacial que Fig. 8.13 — Nervo maxilar e seus ramos (vista lateral): A — nervo zigomático; B — ramo para união com o nervo lacrimal do oftálmico; C — ramo palpebral do nervo infra-orbital; D — ramo nasal do nervo infra-orbital; E — ramo labial do nervo infra-orbital; F — nervo alveolar ântero-superior; G — nervo alveolar médio-superior; H — nervo infra-orbital; I — nervo palatino maior; J — nervo palatino menor; K — nervo alveolar póstero-superior; L — gânglio pterigopalatino; M — nervo do canal pterigóideo; N — nervo maxilar; O — nervo trigêmeo; P — gânglio trigeminal; Q — nervo oftálmico.
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    190 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. chega à face lateral do osso zigomático e se distribui na cútis que cobre este osso; e o zigomaticotemporal, que chega à porção anterior da fossa temporal, atravessa o músculo temporal e se distribui na cútis da região. Do zigomático sai um ramo anastomótico para o nervo lacrimal, que leva fibras secretoras para a glândula lacrimal, fibras que são pós-ganglionares do gânglio pterigopalatino e pertencem ao nervo petroso superficial maior, ramo do facial. Nervo pterigopalatino Em número de um ou dois, saem da margem inferior do nervo maxilar e descem pelo sulco pterigopalatino. Um pouco por baixo do nervo maxilar encon- tra-se o gânglio pterigopalatino, com o que parecem confundir-se os nervos pterigopalatinos, porém, na realidade, apenas atravessam o gânglio e a sua conti- nuação são os nervos palatinos maior e menores. O palatino maior chega ao pala- to duro pelo canal palatino maior e se distribui por numerosos ramos na mucosa que recobre o palato duro, originando um ramo terminal que penetra no canal incisivo, o nervo incisivo, que faz anastomose no interior do canal com o nervo nasopalatino do septo nasal. Os nervos palatinos menores descem por canais do mesmo nome e se dirigem ao palato mole. O posterior vai à face nasal do véu palatino e se distribui na mucosa, dando ramos ao músculo levantador do véu palatino e à úvula. Estas fibras musculares são emprestadas ao maxilar, porém, sua origem é do facial e do vago. O anterior se distribui à mucosa da face bucal do véu palatino. Quando atravessa o gânglio pterigopalatino, o nervo pterigopalatino dá alguns ramos colaterais que parecem proceder do gânglio; são ramos mucosos para a mucosa nasal, teto da faringe, seio esfenoidal e células etmoidais posteriores. Um dos ramos é para o septo nasal, que recebe o nome de nasopalatino, penetra no canal incisivo e faz anastomose com o nervo incisivo, ramo terminal do palatino maior. A mucosa da parte posterior da concha nasal inferior recebe ramos nasais inferiores procedentes do nervo palatino maior que atravessam a lâmina vertical do osso palatino. Nervo alveolar póstero-superior Abandona o maxilar, penetra no forame alveolar póstero-superior, na tuberosidade da maxila e se distribui para os molares superiores, com exceção da raiz mésio-vestibular do primeiro molar superior, alvéolos correspondentes e gengiva vestibular correspondente. Nervo infra-orbital É o ramo mais volumoso do maxilar, parece ser a sua continuação. Entra no soalho orbital, seguindo o sulco, o canal, e, finalmente, emerge na face pelo forame infra-orbital, onde se divide em numerosos ramos para a pele da parte lateral do nariz (ramos nasais), para o lábio superior (ramos labiais) e para a pálpebra infe- rior (ramos palpebrais). Em sua saída do forame infra-orbital, o nervo infra-orbital se encontra no tecido conjuntivo entre os músculos levantador do ângulo da boca e levantador do lábio superior, o qual atravessa para chegar à pele. No seu
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    CAPÍTULO 8 191 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. trajeto pelo canal infra-orbital, o nervo infra-orbital origina, à altura dos pré- molares, o nervo alveolar médio-superior, que se distribui aos pré-molares e à raiz mesiovestibular do primeiro molar, alvéolos e gengiva vestibular correspon- dentes. Ao chegar próximo ao forame infra-orbital, o nervo infra-orbital emite o nervo alveolar ântero-superior, que desce pela parede anterior do seio maxilar e se distribui pelos incisivos e canino, alvéolos e gengiva vestibular corresponden- tes. Na linha média anterior, estes ramos podem fazer anastomose com o lado oposto. Os nervos alveolares póstero-superior, médio-superior e ântero-superior se anastomosam entre si, formando o plexo alveolar superior, de onde saem os ramos dentais. Fig. 8.14 — Nervo mandibular e seus ramos (vista lateral): A — gânglio trigeminal; B — nervo oftálmico; C — nervo maxilar; D — nervos temporais profundos; E — nervo massetérico; F — nervo pterigóideo lateral; G — nervo bucal; H — nervo pterigóideo medial; I — nervo lingual; J — nervo incisivo; K — nervo mental; L — nervo alveolar inferior; M — nervo milo-hióideo; N — nervo auriculotemporal; O — nervo trigêmeo. Nervo mandibular (misto) Origina-se do gânglio trigeminal e, junto com a raiz motora do nervo trigêmeo, abandona o crânio pelo forame oval penetrando na fossa infratemporal, onde emite seus ramos. O
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    192 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Nervo meníngeo ou nervo espinhoso (sensitivo) Retorna ao crânio acompanhando a artéria meníngea média, através do forame espinhoso, e se distribui na dura-máter. Nervo pterigóideo medial (motor) Enerva o músculo pterigóideo medial. Nervo bucal (sensitivo) Passa entre as duas cabeças do músculo pterigóideo lateral e se distribui na superfície lateral do bucinador. Ele fornece fibras à cútis e à mucosa da boche- cha, às gengivas dos molares inferiores, e fazem anastomose com ramos bucais (motores) do nervo facial. Nervo massetérico (motor) Passa por cima do pterigóideo lateral, atravessa a incisura mandibular e enerva o músculo masseter. Nervos temporais profundos anterior, médio e posterior (motores) Sobem e se distribuem no músculo temporal. Nervo pterigóideo lateral (motor) Enerva o músculo pterigóideo lateral. Nervo auriculotemporal (sensitivo) Geralmente se origina por duas raízes que envolvem a artéria meníngea mé- dia. O nervo dirige-se para trás, profundamente ao pterigóideo lateral e entre o ligamento esfenomandibular e o colo do côndilo mandibular. Está intimamente relacionado à glândula parótida e passa para cima, por trás da ATM; cruza o arco zigomático e se situa por trás da veia temporal superficial. Seus ramos terminais distribuem-se no couro cabeludo. O nervo auriculotemporal fornece os seguin- tes ramos: comunicação com o gânglio ótico que conduz fibras secretoras à glân- dula parótida oriundas do nervo petroso superficial menor, ramo do nervo timpânico. Fornece também um ramo para o meato acústico externo e um ramo para a membrana do tímpano. Fornece, ainda, ramos parotídeos para a glândula parótida, ramos para a articulação temporomandibular, ramos auriculares para o pavilhão da orelha e ramos temporais para a cútis do couro cabeludo. Nervo lingual (sensitivo) Desce medialmente ao pterigóideo lateral e aí é alcançado pelo corda do tímpano, um ramo do nervo facial que contém fibras associadas ao gosto e fibras secretomotoras para as glândulas submandibular e sublingual. O nervo lingual
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    CAPÍTULO 8 193 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. segue para baixo entre o pterigóideo medial e o ramo da mandíbula. Acha-se, a seguir, sob a mucosa da boca, sendo palpável contra a mandíbula, cerca de 1cm abaixo e atrás do terceiro molar inferior. A seguir, dirige-se para adiante e passa lateral, inferior e medialmente ao ducto submandibular. Continua para adiante e se distribui nos dois terços anteriores da língua. Seus ramos terminais comuni- cam-se com os ramos terminais do nervo hipoglosso. No seu trajeto, emite ramos para a mucosa sublingual e gengiva lingual de todos os dentes inferiores. Nervo alveolar inferior (misto) Desce na frente da artéria homônima, passa entre o ligamento esfenoman- dibular e o ramo da mandíbula e, a seguir, penetra no forame e canal mandibular. O nervo alveolar inferior fornece os seguintes ramos: Nervo milo-hióideo (motor) Origina-se antes que o nervo alveolar inferior penetre no forame mandibular. Perfura o ligamento esfenomandibular, segue ao longo do sulco milo-hióideo e supre o músculo milo-hióideo e o ventre anterior do músculo digástrico. Ramos alveolodentários inferiores (sensitivos) Originam-se no canal mandibular, formam o plexo alveolodentário inferior, enervam os molares inferiores e os alvéolos correspondentes; alguns ramos che- gam à gengiva vestibular dos molares. Nervo mental (sensitivo) Emerge da mandíbula pelo canal e forame mental e supre a cútis do mento e do lábio inferior e a mucosa do lábio inferior. Antes de sair do forame mental, ou seja, no interior do canal mental, emite ramos para os pré-molares e seus alvéo- los. Estes ramos poderão se originar do nervo alveolar inferior um pouco antes de ele dar o mental, que é um dos seus ramos terminais. Nervo incisivo (sensitivo) É o outro ramo terminal do alveolar inferior que forma um plexo para suprir o canino e os incisivos, fazendo com relativa freqüência anastomose com o lado oposto no plano mediano. NÚCLEOS DE ORIGEM E TERMINAÇÃO DO NERVO TRIGÊMEO Núcleo motor Enerva todos os músculos derivados do arco mandibular, sendo os mais vo- lumosos, os da mastigação; por esta razão, é chamado de núcleo da mastigação. É
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    194 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. um núcleo ovalado, grande, situado na parte dorsal da ponte. Os seus axônios dirigem-se ventrolateralmente e emergem na sua porção lateroventral. Formam a porção motora ou menor do trigêmeo que se encontra na parte medial da porção maior ou sensitiva. Suas fibras são homolaterais e seguem o nervo mandibular. A este núcleo chegam fibras do córtex cerebral, por meio do tracto cortico- nuclear, para realização dos movimentos voluntários da mastigação; dos núcleos sensitivos do trigêmeo, para os movimentos reflexos; e de núcleos sensitivos de outros nervos cranianos. Núcleo de terminação (sensitivo) É um núcleo grande que se estende do mesencéfalo até a medula espinhal. Nele, podemos distinguir três porções diferentes, tanto por sua situação como por sua estrutura e significação, que são os seguintes: núcleo do tracto espinhal, núcleo sensitivo principal e núcleo mesencefálico. A maior parte das fibras que chegam a estes núcleos têm seus corpos no gânglio semilunar (trigeminal) e são unipolares, porém se dicotomizam dando um prolongamento central e um periférico. Os prolongamentos periféricos pro- cedem dos nervos oftálmicos, maxilar e mandibular, enquanto os centrais en- tram na ponte, formando a porção maior ou sensitiva. Atravessam a ponte, em direção dorsal, e se curvam em direção inferior; porém, muitas se bifurcam, dan- do um ramo descendente longo e um ascendente curto. Os ramos descendentes formam um feixe bastante volumoso que chega até a medula cervical. É a raiz descendente ou espinhal do trigêmeo (tracto espinhal do nervo trigêmeo). Na ponte, lateralmente ao núcleo motor, encontra-se o núcleo sensitivo prin- cipal do nervo trigêmeo, que se estende mais que o motor, tanto em direção superior como inferior. Nele terminam as fibras curtas ascendentes da raiz sen- sitiva. Medial com relação às fibras descendentes se encontra uma coluna longa, que se estende até a medula cervical e forma o núcleo espinhal (núcleo do tracto espinhal do nervo trigêmeo). Na realidade, este núcleo está formado por duas porções distintas; o núcleo gelatinoso, nome que leva por seu aspecto, forma a parte mais superficial, em relação direta com as fibras descendentes, que baixam por fora e em contato com ele. Tem continuidade na porção correspondente das colunas dorsais da medula espinhal. Forma uma meia-lua ao redor do núcleo esponjoso e aumenta em dire- ção inferior. O núcleo esponjoso tem continuidade no núcleo das colunas dorsais da me- dula e aumenta sua importância à medida que subimos no bulbo, ou seja, com- porta-se contrariamente ao gelatinoso. As fibras do tracto espinhal do nervo trigêmeo vão terminando a distintas alturas nos núcleos gelatinoso e esponjoso, porque seu número é cada vez mais escasso à medida que descemos. É evidente que as que terminam no núcleo es- ponjoso têm de atravessar antes o gelatinoso.
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    CAPÍTULO 8 195 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Significação e conexões dos núcleos sensitivos Aceita-se que o gelatinoso é o núcleo receptor da sensibilidade térmica e dolorosa. As fibras de segunda ordem que nascem nestas células chegam ao tálamo, onde nascem as fibras de terceira ordem que vão à área somestésica do córtex cerebral. O núcleo esponjoso e o sensitivo principal estão em relação com a sensibili- dade táctil. Aceita-se que o sensitivo principal seja para a sensibilidade táctil discriminativa ou epcrítica e o esponjoso, para as sensações de contato ligeiras. Destes núcleos partem as fibras de segunda ordem que chegam ao tálamo e, a seguir, as de terceira ordem, que chegam à área pós-central do córtex cerebral. Núcleo mesencefálico Está situado na parte dorsolateral do mesencéfalo, próximo à luz do aquedu- to, e alcança inferiormente a parte superior da ponte. Suas células são unipolares, seu único axônio se divide num ramo curto e um ramo longo. Os longos provêm do trigêmeo e entram na ponte depois de atravessar o gânglio trigeminal, porém, sem originar-se em células do mesmo. Atravessam a ponte junto com as outras fibras do trigêmeo, passam entre o núcleo sensitivo principal e o motor e se fazem ascendentes, formando a raiz mesencefálica do trigêmeo. Os curtos termi- nam ao redor das células motoras do núcleo motor. Considera-se o núcleo mesencefálico como o centro da sensibilidade pro- prioceptiva dos músculos da mastigação e periodonto. Na realidade, a maioria das fibras da raiz mesencefálica procedem do nervo mandibular, e sua conexão com o núcleo motor indica-nos a existência de um arco reflexo importante que regula a mastigação em relação com as sensações procedentes dos músculos, tendões e periodonto. NERVO FACIAL — VII PAR CRANIANO O nervo facial consiste de uma grande parte, que enerva os músculos da mímica, e de uma pequena parte, denominada nervo intermédio, que contém fibras gustatórias para os dois terços anteriores da língua, fibras secretomotoras para as glândulas lacrimal e salivares palatinas, submandibular, sublingual, lin- guais e algumas fibras da sensibilidade à dor. As duas porções do nervo facial deixam o tronco encefálico no sulco bulbopontino (origem aparente) juntamente com o nervo vestibulococlear e penetram no conduto auditivo interno. O nervo facial prossegue lateralmente no conduto e, então, entra no canal facial do osso temporal. Acima do promontório, na parede medial da orelha média, o nervo se dilata para formar o gânglio geniculado, que contém as células de origem das suas fibras gustatórias. O nervo facial, então, se volta agudamente para trás, des- crevendo uma curva chamada genículo (joelho). O nervo, então, dobra-se inferi- ormente atrás da orelha média e sai do crânio através do forame estilomastóideo. O trajeto do nervo facial, desde a sua entrada no conduto auditivo interno até a sua saída no forame estilomastóideo, é denominado trajeto intrapetroso. A se-
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    196 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. guir, ele se dobra para adiante, penetra na glândula parótida, forma o plexo intraparotídeo e dá origem aos ramos para os músculos da mímica. É o seu trajeto extrapetroso. Fig. 8.15 — Nervo facial e seus ramos: A — nervo facial: B — gânglio geniculado; C — nervo petroso superficial maior; D — nervo estapédio; E — nervo corda do tímpano; F — nervo lingual; G — fibras aferentes viscerais especiais do corda do tímpano; H — fibras eferentes viscerais gerais do corda do tímpano para a glândula sublingual; I — gânglio submandibular; J — fibras eferentes viscerais gerais do corda do tímpano para a glândula submandibular; K — fibras aferentes da orelha externa; L — fibras eferentes para os músculos auriculares; M e N — fibras eferentes viscerais especiais para os músculos faciais (plexo intraparotídeo); O — ramo para o músculo estilo-hióideo; P- ramo para o ventre posterior do músculo digástrico. RAMOS INTRAPETROSOS DO NERVO FACIAL Nervo estapédio (motor) É um ramo finíssimo que sai do facial na sua porção descendente e se intro- mete-se num canalículo ósseo, terminando no músculo do estribo (estapédio). Nervo petroso superficial maior (parassimpático) Sai do nervo facial, no nível do seu genículo, onde suas fibras, que vêm com o intermédio, atravessam o gânglio geniculado; seguem em direção anterior e
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    CAPÍTULO 8 197 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. chegam à face ântero-superior do rochedo seguindo no sulco petroso superficial maior em direção ao ápice do rochedo. Neste trajeto encontra-se coberto pela dura-máter e pelo gânglio semilunar (trigeminal). Chegando ao ápice do roche- do, o nervo petroso superficial maior se reúne com o nervo petroso profundo maior (ramo do plexo pericarótico interno simpático). Ambos formam o nervo do canal pterigóideo que segue em direção anterior no canal pterigóideo, chegando à fossa pterigopalatina, onde termina num engrossamento, o gânglio pterigo- palatino, situado um pouco por baixo do tronco do nervo maxilar. Neste gânglio, as fibras pré-ganglionares fazem sinapse e saem as fibras pós-ganglionares. Estas fibras são secretomotoras para as glândulas lacrimal e salivares acessórias da região palatina. As fibras que vão às glândulas palatinas unem-se aos nervos palatinos do maxilar, enquanto as destinadas à glândula lacrimal unem-se ao nervo pterigopalatino, maxilar, zigomático e, na órbita, passam ao nervo lacrimal pelo ramo anastomótico citado no estudo do nervo trigêmeo. Por estes trajetos, estas fibras parassimpáticas do nervo petroso superficial maior chegam às glân- dulas palatinas e à glândula lacrimal. As fibras simpáticas do nervo petroso profundo maior percorrem o mesmo trajeto; porém, não fazem sinapse no gân- glio pterigopalatino, apenas o atravessam, pois são fibras pós-ganglionares do gânglio cervical superior da cadeia simpática. Fig. 8.16 — Gânglio pterigopalatino: A — nervo trigêmeo; B — gânglio trigeminal; C — nervo oftálmico; D — nervo maxilar; E — nervo zigomático; F — nervo lacrimal; G — glândula lacrimal; H — gânglio pterigopalatino; I — ramos nasais póstero-superiores; J — ramo nasal póstero-inferior; K — nervo nasopalatino ou incisivo; L — nervo palatino maior; M — nervos palatinos menores; N — ramo faríngeo; O — gânglio cervical superior; P — plexo pericarótico interno; Q — nervo facial; R — gânglio geniculado; S — fibra simpática; T — fibra aferente; U — fibra parassimpática.
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    198 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Nervo corda do tímpano (parassimpático) Abandona o nervo facial pouco antes de ele sair pelo forame estilomastóideo. Dirige-se para cima e para adiante, entra na caixa do tímpano pelo canalículo corda do tímpano e sai da mesma pela fissura petrotimpânica. Fora da caixa do tímpano, desce entre os músculos pterigóideos e termina fusionando-se com o nervo lingual na fossa infratemporal. Ao passar (junto com o lingual) nas vizi- nhanças das glândulas submandibular e sublingual, saem ramos que terminam ao redor de células dos gânglios submandibular e sublingual (apensos ao nervo lingual). Aí fazem sinapse e as fibras pós-ganglionares (parassimpáticas) che- gam às glândulas submandibular, sublingual e linguais, fazendo sua excitos- secreção. As fibras simpáticas, que nas glândulas salivares também são excitossecretoras, provêm do plexo simpático da artéria facial, atravessam os gânglios submandibular e sublingual e chegam às glândulas em questão sem fazer sinapse nestes gânglios, pois são fibras pós-ganglionares do gânglio cervical superior da cadeia simpática. Além de fibras secretoras, o nervo corda do tímpano contém fibras aferentes (gustativas) que procedem dos dois terços anteriores da língua, tendo estas fibras suas células no gânglio geniculado. Fig. 8.17 — Gânglio submandibular: A — nervo mandibular; B — nervo lingual; C — glândula sublingual; D — glândula submandibular; E — plexo simpático envolvendo a artéria facial; F — gânglio cervical superior; G — gânglio submandibular; H — nervo corda do tímpano.
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    CAPÍTULO 8 199 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. RAMOS EXTRAPETROSOS DO NERVO FACIAL Imediatamente após sua saída do crânio, antes de penetrar na parótida, saem do facial os seguintes ramos: auricular posterior, digástrico e estilo-hióideo. Nervo auricular posterior (motor) Dirige-se para cima por trás do conduto auditivo externo, apoiado sobre a porção mastóidea, e inerva o músculo auricular posterior e o músculo occipital. Nervo digástrico (motor) Sai por baixo do auricular posterior e se intromete na margem anterior do ventre posterior do músculo digástrico. Nervo estilo-hióideo (motor) Abandona o facial junto ao digástrico e inerva o músculo estilo-hióideo atra- vés de sua margem posterior. Na glândula parótida o nervo facial forma o plexo intraparotídeo, cujos ra- mos se anastomosam entre si de uma maneira variável. Os ramos terminais, emer- gem na margem anterior da parótida e irradiam-se em direção anterior na face, comunicando-se com alguns ramos terminais do nervo trigêmeo. Ramos terminais Temporais, frontais, palpebrais, zigomáticos, bucais, marginal da mandíbula e cervical. Se distribuem em toda musculatura da mímica. NÚCLEO DE ORIGEM E TERMINAÇÃO DO NERVO FACIAL Núcleo motor principal É o núcleo de origem para a musculatura, está situado na parte inferior da ponte, inferior em relação ao núcleo motor do trigêmeo e superior em relação ao núcleo ambíguo. Suas fibras, ao sair do núcleo, se dirigem em direção dorsal, para o soalho do IV ventrículo; chegando aqui, se fazem ascendentes, logo trans- versais e por último, descendentes, rodeando medial, superior e lateral o núcleo de origem do nervo abducente e só agora, se dirigem ventrolateralmente para sair do tronco encefálico pelo sulco bulbopontino. A curva das fibras do facial ao redor do núcleo do abducente forma um relevo descrito no soalho do IV ventrículo com o nome de colículo facial. As fibras do facial são em sua grande maioria homolaterais, ou seja, saem pelo mesmo lado em que se encontram seus núcleos de origem. Núcleo motor parassimpático Está representado pela parte superior de uma coluna situada entre o bulbo e a ponte. Como dele saem principalmente as fibras secretoras para as glândulas
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    200 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. salivares, é chamado de núcleo salivatório superior. Está situado dorsolateralmente em relação ao núcleo motor principal. Suas fibras radiculares saem do tronco encefálico junto ao facial, porém, sem seguir a alça que o facial faz ao redor do abducente. Conexões dos núcleos motores do facial Do córtex cerebral, para realização dos movimentos voluntários (tracto córticonuclear), de núcleos sensitivos de outros nervos cranianos, principalmente do trigêmeo. São muito importantes para certos reflexos, como, por exemplo, o fechamento da abertura palpebral ao contato com a córnea. Núcleos sensitivos do nervo facial Formam a parte mais superior de uma coluna celular, situada na parte dorsolateral da metade superior do bulbo e inferior da ponte. É o núcleo solitário. Núcleo solitário Nele terminam as fibras sensitivas do facial (intermédio) em sua parte supe- rior e do glossofaríngeo e vago na sua parte inferior. Em uma pequena parte superior do núcleo solitário, terminam as escassas fibras sensitivas que chegam pelo intermédio e procedem principalmente de uma parte da mucosa do ouvido médio e de uma parte da tuba auditiva. Núcleo gustativo A maior parte das fibras sensitivas do intermédio facial são especializadas (gustativas) e vêm dos dois terços anteriores da língua pelo corda do tímpano e depois pelo intermédio facial. Entram no tronco encefálico e terminam no nú- cleo gustativo que são células de limites pouco claros, paralela e medialmente ao núcleo solitário. NERVO GLOSSOFARÍNGEO — IX PAR CRANIANO É o nervo aferente da língua e da faringe, e eferente para os músculos constritores da faringe, estilofaríngeo e glândula parótida. Emerge no bulbo, atrás da oliva (origem aparente), atravessa a parte anterior do forame jugular, onde apresenta dois gânglios, um superior ou jugular e um inferior ou petroso, que está localizado na fóssula petrosa entre o forame jugular e o canal carótico. Estes gânglios contêm os corpos celulares das fibras aferentes. O nervo glossofaríngeo passa, a seguir, entre a veia jugular interna e a artéria carótida inter- na. Desce na frente da carótida interna, profundamente ao processo estilóide e aos músculos estíleos. Faz uma curva para adiante em volta do músculo estilofaríngeo, corre profundamente à margem posterior do músculo hioglosso e passa entre os constritores superior e médio da faringe, distribuindo-se na base da língua.
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    CAPÍTULO 8 201 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. O NERVO GLOSSOFARÍNGEO ORIGINA OS SEGUINTES RAMOS Nervo timpânico (parassimpático) Contém fibras secretoras para a glândula parótida. Ele nasce no gânglio petroso, atravessa o canalículo timpânico no fundo da fóssula petrosa (entre o forame jugular e o canal carótico) e alcança a cavidade timpânica. Aí ele se divi- de em ramos que formam o plexo timpânico sobre o promontório na parte medial da cavidade timpânica. O plexo fornece ramos para a mucosa da cavidade timpânica, para as células mastóideas e para a tuba auditiva. Algumas fibras do plexo se reúnem para formar o nervo petroso superficial menor (parassimpático), que é reforçado com fibras simpáticas procedentes do plexo pericarótico interno. Atravessando o canalículo caroticotimpânico, formam o nervo petroso profundo menor (simpático), que segue junto com o petroso superficial menor. Saem pela parte alta da caixa do tímpano e chegam à face ântero-superior do rochedo. Aqui, seguem o sulco menor, cobertos pela dura-máter, chegam ao ápice do rochedo, Fig. 8.18 — Nervo glossofaríngeo: A — forame jugular (emerge o nervo glossofaríngeo); B — canalículo timpânico (penetra o nervo timpânico); C — ramo para orelha média; D — plexo timpânico; E — nervo petroso superficial menor; F — gânglio ótico; G — glândula parótida; H — ramo para os músculos estilofaríngeo e constritor superior da faringe; I — ramos tonsilares e para o palato mole; J — ramos linguais; K — fibras gustatórias; L — ramo faríngeo para o plexo faríngeo; M — ramo para o seio e glomo carótico; N — gânglio petroso.
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    202 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. atravessam o forame oval ou o forame inominado na grande asa do esfenóide e chegam ao gânglio ótico, que está localizado medialmente ao nervo mandibular. Neste gânglio, as fibras parassimpáticas provenientes do nervo petroso superficial menor fazem sinapse e fazem surgir as fibras pós-ganglionares, que vão à parótida seguindo junto com o nervo auriculotemporal; porém, algumas fibras passam ao nervo bucal ramo do mandibular e terminam em pequenas glândulas salivares na mucosa bucal que cobre o músculo bucinador. As fibras simpáticas, proveni- entes do nervo petroso profundo menor do plexo pericarótico interno e da artéria meníngea média, seguem o mesmo trajeto das fibras parassimpáticas, mas não fazem sinapse no gânglio ótico, pois são fibras pós-ganglionares do gânglio cervical superior da cadeia simpática. Fig. 8.19 — Gânglio ótico: A — fibras motoras do nervo trigêmeo; B — nervo mandibular; C — gânglio ótico; D — nervo para o músculo tensor do véu palatino; E — nervo para o músculo pterigóideo medial; F — nervo lingual; G — nervo alveolar inferior; H — artéria meníngea média com seu plexo simpático; I — gânglio cervical superior; J — fibra simpática pré-ganglionar; K — fibra simpática pós-ganglionar; L — nervo auriculotemporal; M — glândula parótida; N — nervo timpânico; O — plexo timpânico; P — nervo petroso superficial menor; Q — nervo para o tensor do tímpano. Nervo auricular (sensitivo) Une-se ao nervo auricular do vago e a um ramo do facial e se distribui na pele da parte posterior do conduto auditivo externo.
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    CAPÍTULO 8 203 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Nervo do seio carótico (aferente visceral) Sai do glossofaríngeo quando este se dobra para adiante; é um ramo descen- dente que chega ao seio carótico e ao glomo carótico. São fibras aferentes muito importantes, pois representam a via aferente de reflexos para regular a pressão arterial e o teor de oxigênio no sangue. Nervo faríngeo Une-se sobre o constritor médio da faringe com o ramo faríngeo do vago e com ramos simpáticos do tronco simpático, formando o plexo faríngeo de onde saem fibras sensitivas à mucosa da faringe e fibras motoras aos músculos constritores da faringe e músculos do véu palatino, principalmente o tensor do véu. Nervo estilofaríngeo (motor) Nasce do glossofaríngeo quando este cruza o músculo estilofaríngeo e nele se distribui. Nervos tonsilares (sensitivos) Fornecem fibras à mucosa sobre a tonsila e parte do palato mole. Ramos terminais linguais (sensitivos) Distribuem-se no terço posterior da língua com fibras sensitivas gerais e fi- bras associadas à percepção do gosto, inclusive das papilas valadas. NÚCLEOS DE ORIGEM E TERMINAÇÃO DO NERVO GLOSSOFARÍNGEO Núcleo ambíguo É um núcleo motor especializado que forma uma coluna situada na parte superior do bulbo, chegando ao pólo superior da oliva. Os axônios destas células formam uma curva antes de sair do tronco encefálico. Primeiro dirigem-se em direção dorsomedial, curvam-se ao redor do núcleo espi- nhal do nervo trigêmeo e vão emergir no sulco dorsolateral do bulbo, atrás da oliva (origem aparente). As fibras procedentes da porção superior do núcleo ambíguo seguem com o nervo glossofaríngeo e vão inervar os músculos constritores da faringe, o estilofaríngeo e em parte o músculo tensor do véu palatino. As fibras do glossofaríngeo e do vago são hetero e homolaterais, ou seja, há algumas que, procedendo do núcleo ambíguo de um lado, saem pelo sulco dorsolateral do bulbo do lado oposto e outras pelo mesmo lado. Núcleo salivatório inferior É parassimpático e está situado junto e abaixo do salivatório superior do facial. Suas fibras saem com o glossofaríngeo sem fazer a curva ao redor do nú-
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    204 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. cleo espinhal do trigêmeo e vão fazer a excitossecreção da glândula parótida e glândulas bucais, como descreveu-se anteriormente ao analisar-se o nervo timpânico e o petroso superficial menor. Núcleo solitário A ele chegam as fibras sensitivas da mucosa da faringe, da base da língua, da caixa do tímpano e tuba auditiva, através dos gânglios petroso e jugular do nervo glossofaríngeo. Núcleo gustatório A este núcleo chegam as fibras gustativas procedentes do terço posterior da língua. As fibras sensitivas do glossofaríngeo e do vago, muito escassas, que vêm da pele da parte posterior do conduto auditivo externo pelos ramos auriculares, terminam na parte mais inferior do núcleo do tracto espinhal do nervo trigêmeo. NERVO HIPOGLOSSO — XII PAR CRANIANO É o nervo motor da língua. Suas raízes emergem do bulbo entre a pirâmide e a oliva (origem aparente). As raízes reúnem-se para formar dois feixes que perfu- ram a dura-máter e passam através do canal do hipoglosso no osso occipital. Os feixes se unem ao atravessar o canal. O nervo hipoglosso desce por trás da artéria carótida interna e dos nervos glossofaríngeo e vago. Ele desce, a seguir, entre a artéria carótida interna e a veia jugular interna e profundamente ao ventre poste- rior do digástrico. O hipoglosso descreve uma alça para a frente em torno da artéria occipital e seu ramo esternocleidomastóideo inferior. Segue sobre o mús- culo hioglosso e passa profundamente ao músculo milo-hióideo e se distribui na musculatura da língua. RAMOS DO NERVO HIPOGLOSSO As fibras de alguns ramos do nervo hipoglosso são peculiares ao próprio nervo, ao passo que outras fibras são meramente transportadas por ele. Estas fibras provêm do plexo cervical. RAMOS MENÍNGEOS (SENSITIVOS) Vêm do plexo cervical, juntam-se ao hipoglosso, dirigem-se para cima, atra- vés do canal do hipoglosso, e inervam a dura-máter da fossa craniana posterior. RAIZ DESCENDENTE OU SUPERIOR DA ALÇA CERVICAL (MOTOR) Vem do primeiro e segundo ramos cervicais, une-se ao hipoglosso e desce superficialmente à bainha carótica. A raiz inferior vem do segundo e terceiro ramos cervicais, desce e se une à raiz superior formando a alça cervical, de onde saem ramos para os músculos omo-hióideo, esterno-hióideo e esternotireóideo.
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    CAPÍTULO 8 205 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. RAMO TIREO-HIÓIDEO (MOTOR) Vem do plexo cervical, segue com o hipoglosso e se dirige ao músculo tiro- hióideo e logo adiante sai do hipoglosso, um ramo para o músculo gênio-hióideo, que também provém do plexo cervical. RAMOS LINGUAIS (MOTORES) Estes são ramos do hipoglosso e se distribuem na musculatura da língua. NÚCLEO DE ORIGEM DO NERVO HIPOGLOSSO É uma delgada coluna, situada a cada lado do plano mediano na parte dorsal do bulbo, correspondendo no soalho do IV ventrículo ao trígono do hipoglosso. Suas fibras são homolaterais; dirigem-se ventral e lateralmente cruzando toda espessura do bulbo e saem pelo sulco pré-olivar. Suas células são motoras para a musculatura da língua. Fig. 8.20 — Nervo hipoglosso e alça cervical: A — ramos meníngeos; B — nervo hipoglosso; C — ramos linguais para os músculos da língua; D — ramo do plexo cervical para o músculo genio-hióideo; E — ramo do plexo cervical para o músculo tireo-hióideo; F — ramo superior ou descendente do plexo cervical; G — alça cervical; H — ramo para o músculo esterno-hióideo; I — ramo para o músculo esternotireóideo; J — ramo para o músculo omo-hióideo; K — ramo inferior do plexo cervical; L — terceiro nervo cervical; M — segundo nervo cervical; N — primeiro nervo cervical.
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    206 Sistema Nervoso ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. PLEXO CERVICAL Os ramos ventrais dos quatro nervos cervicais superiores unem-se para for- mar o plexo cervical. O plexo está disposto numa série irregular de alças das quais surgem ramos. Os ramos cutâneos surgem todos no meio da margem poste- rior do músculo esternocleidomastóideo. Estes ramos são os seguintes: occipital menor, auricular magno (que atravessa a parótida e se distribui no pavilhão auricular), transverso do pescoço (que inerva a cútis do pescoço e pode emitir um ramo que perfura a mandíbula chegando aos molares inferiores) e, finalmen- te, os supraclaviculares.
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    CAPÍTULO 9 207 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 9 Anatomia Dental CONCEITO É a parte da anatomia que estuda a morfologia dos dentes. DENTES São estruturas mineralizadas, situadas na boca, tendo como origem o epitélio da mucosa bucal. Distribuídos nas maxilas e mandíbula, articulados em seus alvéolos através de junturas fibrosas do tipo gonfose. FUNÇÕES DOS DENTES Mastigação, deglutição, estética, crescimento craniofacial, fonação, susten- tação e proteção dos tecidos moles. O dente é um órgão cuja estrutura base é a dentina. Distinguimos duas por- ções anatômica e funcionalmente distintas. Uma que aparece fora do alvéolo, recoberta pelo esmalte, denominada coroa anatômica; a outra denominada raiz, recoberta pelo cemento, que sustenta o dente no alvéolo através de ligamen- tos fibroelásticos (gonfose). Entre a coroa anatômica e a raiz, distinguimos uma linha sinuosa denominada colo anatômico. No vivo, em condições normais, a mucosa gengival recobre o colo anatômico e em parte a coroa anatômica, defi- nindo, assim, um colo clínico e uma coroa clínica, ligeiramente reduzida em relação à coroa anatômica.
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    208 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. A coroa dos dentes humanos apresenta-se com a forma aproximada de um cubo. Portanto, apresenta seis faces (Fig. 9.1). Face vestibular É aquela que está em relação ao vestíbulo bucal. Face lingual Diametralmente oposta à vestibular e em relação com a língua. Nos dentes supe- riores, esta face poderá ser chamada de face palatina por sua relação com o palato. Face mesial É a que está mais próxima do plano mediano. Face distal É a que está mais afastada do plano mediano. (Obs. — as faces mesial e distal, em conjunto, são chamadas de faces proximais.) Face oclusal É aquela que entra em oclusão com o dente do arco antagônico. (Obs. — os incisivos e caninos não apresentam faces oclusais, e, sim, margens oclusais.) Fig. 9.1 — Faces da coroa de um dente humano: V — vestibular; L — lingual; D — distal; M — mesial; O — oclusal.
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    CAPÍTULO 9 209 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face cervical Esta face é virtual, ou seja, só pode ser observada quando se corta o dente no nível do colo anatômico. CLASSIFICAÇÃO DOS DENTES No homem, ocorrem duas dentições (difiodonte): uma dita temporária, tam- bém chamada de leite (pela sua coloração esbranquiçada), decídua (que quer dizer passageira), caduca (que vai cair). Nesta dentição encontra-se, em cada hemiarco, um incisivo central, um incisivo lateral, um canino, um primeiro molar e um segundo molar, totalizando 20 dentes; a outra, permanente ou segunda dentição, onde se encontra em cada hemi-arco um incisivo central, um incisivo lateral, um canino, um primeiro pré-molar, um segundo pré-molar, um primeiro molar, um segundo molar e um terceiro molar, totalizando 32 dentes. No cotidi- ano, representa-se os dentes permanentes e temporários através dos quadrantes de uma cruz e de algarismos escritos nestes quadrantes. Os dentes de cada hemi- arco são numerados em algarismos arábicos para os permanentes de 1 a 8 e em algarismos romanos para os temporários de I a V, partindo do incisivo central, que é o dente mais próximo do plano mediano. Os algarismos situados acima e abaixo da linha horizontal representam, res- pectivamente, os dentes superiores e inferiores. Os algarismos colocados à es- querda da linha vertical em relação ao observador correspondem aos dentes do lado direito de quem é observado e vice-versa. Quando representa-se um ou mais dentes de um mesmo hemiarco não se usa a cruz, e sim um ângulo reto. Exemplos: canino superior direito 3 , segundo molar inferior esquerdo 7, canino superior esquerdo temporário III, primeiro molar inferior direito temporário IV . Pode-se também representar os dentes sem a cruz, usando apenas algarismos arábicos, tanto para dentes permanentes como para temporários, da seguinte V IV III II I I II III IV V V IV III II I I II III IV V 8 7 6 5 4 3 2 1 1 2 3 4 5 6 7 8 8 7 6 5 4 3 2 1 1 2 3 4 5 6 7 8 D S I ED S I E
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    210 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. maneira: nos permanentes usa-se o número 11 para o 1 , o número 12 para o 2 , o número 13 para o 3 , o número 14 para o 4 , o número 15 para o 5 , o número 16 para o 6 , o número 17 para o 7 , o número 18 para o 8 , o número 21 para o 1, o número 22 para o 2, o número 23 para o 3, o número 24 para o 4, o número 25 para o 5, o número 26 para o 6, o número 27 para o 7, o número 28 para o 8, o número 31 para o 1, o número 32 para o 2, o número 33 para o 3, o número 34 para o 4, o número 35 para o 5, o número 36 para o 6, o número 37 para o 7, o número 38 para o 8, o número 41 para o 1 , o número 42 para o 2 , o número 43 para o 3 , o número 44 para o 4 , o número 45 para o 5 , o número 46 para o 6 , o número 47 para o 7 , o número 48 para o 8 . Nos temporários, usa-se o número 51 para o I , o número 52 para o II , o número 53 para o III , o número 54 para o IV , o número 55 para o V , o número 61 para o I, o número 62 para o II, o número 63 para o III, o número 64 para o IV, o número 65 para o V, o número 71 para o I, o número 72 para o II, o número 73 para o III, o número 74 para o IV, o número 75 para o V, o número 81 para o I , o número 82 para o II , o número 83 para o III , o número 84 para o IV e o número 85 para o V . Cavidade pulpar É o espaço endodôntico que aloja a polpa dentária, que é ricamente vascula- rizada e enervada, fazendo com que se comporte como importante defensora da integridade do dente, reagindo dolorosamente diante de estímulos exagerados. Câmara coronária ou pulpar É a porção da cavidade pulpar correspondente à coroa do dente. Apresenta seis paredes: uma vestibular, uma lingual, uma mesial, uma distal, uma oclusal que é conhecida como teto da câmara coronária não importando se fala-se de den- tes superiores ou inferiores; no teto da câmara coronária encontram-se projeções relacionadas com as cúspides dos dentes, ou aos lobos de desenvolvimento, como é o caso dos incisivos, que recebem o nome de divertículos ou cornos pulpares; e uma cervical, que é conhecida como soalho, tanto para dentes superiores quanto para inferiores. Em se tratando de dentes unirradiculares, o soalho é virtual, e, nos dentes bi ou multirradiculares, o soalho é real. Assim, nos primeiros a câmara coronária continua-se com o canal radicular, que é a porção da cavidade pulpar relacionada com a raiz. Nos segundos, a câmara coronária continua-se com mais de um canal radicular; logo existe um soalho que é real. No ápice de cada raiz existe o forame apical, que é o orifício natural de acesso à cavidade pulpar por onde penetram vasos e nervos; e, ao lado deste, as foraminas, orifícios acessórios dispostos ao redor do ápice radicular que se continuam em canalículos que alcan- çam o canal principal; em conjunto, são chamados de delta apical. Como foi dito no início do estudo, os dentes alojam-se nos alvéolos das ma- xilas e da mandíbula através de uma juntura fibrosa (gonfose). Dela participam duas superfícies articulares. De um lado o osso, representado pela cortical alveolar
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    CAPÍTULO 9 211 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. (lâmina dura); do outro, o dente, através do cemento. Entre ambos se dispõe o ligamento periodontal. Esses três elementos, responsáveis pela fixação do dente, formam o periodonto de inserção. Recobrindo os processos alveolares e aderindo fortemente aos dentes, en- contra-se a gengiva, que cumpre a função de dar proteção ao periodonto de inser- ção e é chamado periodonto de proteção. Esses elementos e os que formam o dente, esmalte, dentina e polpa se reú- nem para constituir uma entidade chamada odonton. Esmalte Dentina Polpa dentária Odonton Periodonto Periodonto de inserção Cemento Lâmina dura Ligamento alvéolo dentário Periodonto de proteção: gengiva Órgão dentário DIMENSÕES DOS DENTES HUMANOS No grupo dos incisivos, encontra-se uma ordem decrescente nos superiores e crescente nos inferiores, ou seja: na mesma boca, o incisivo central superior é maior que o incisivo lateral superior, enquanto o incisivo central inferior é me- nor que o incisivo lateral inferior. Analisando as duas séries nota-se um predo- mínio volumétrico dos incisivos superiores, característica similar no grupo dos caninos. As séries dos pré-molares superiores e as dos molares superiores e infe- riores comportam uma ordem volumétrica decrescente. Como exceção observa- se nos pré-molares inferiores, onde o segundo é maior do que o primeiro. Em relação aos arcos superior e inferior os pré-molares superiores têm maior volume que os inferiores, enquanto os molares inferiores são maiores que os superiores. O mais volumoso dente de um hemiarco é o primeiro molar inferior, e o de me- nor volume e comprimento total é o incisivo central inferior. O de maior compri- mento total é o canino superior. Para facilitar o estudo individual dos dentes, divide-se a coroa em três terços no sentido cérvico-oclusal (cervical, médio e oclusal); em três terços no sentido mesiodistal (mesial, médio e distal) e em três terços no sentido vestibulolingual (vestibular, médio e lingual). A raiz divide-se também em três terços no sentido cérvico-apical (cervical, médio e apical) (Figs. 9.2 e 9.3).
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    212 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. INCISIVOS INCISIVOS CENTRAIS SUPERIORES PERMANENTES 11 E 21 1 1 Os incisivos centrais superiores estão localizados de ambos os lados do arco superior, com suas faces mesiais em contato. Quando este contato não existe, o espa- ço entre os incisivos centrais e também entre outros dentes é chamado diastema. Fig. 9.3 — Canino superior, visto por uma das faces proximais: A — terço vestibular; B — terço médio; C — terço lingual (terços coronários no sentido vestibulolingual); D — terço oclusal; E — terço médio; F — terço cervical (terços coronários no sentido ocluso-cervical). Fig. 9.2 — Canino superior, visto pela face vestibular: A — terço apical; B — terço médio; C — terço cervical (terços radiculares); D — terço cervical; E — terço médio; F — terço oclusal (terços coronários no sentido cervicooclusal); G — terço mesial; H — terço médio; I — terço distal (terços coronários no sentido mesiodistal).
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    CAPÍTULO 9 213 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Desenvolvimento Quando a coroa está totalmente formada no interior da maxila, começa a formação da raiz e, neste momento, o dente começa a se movimentar no sentido inferior (processo de irrupção), emergindo na boca aos sete anos de idade. Funções Atuam no corte dos alimentos, podendo além disso cumprir a função de roer. Atuam também na articulação da fala. Oclusão Estabelece oclusão com o incisivo central e metade mesial do incisivo lateral inferiores. Morfologia Face vestibular É estreita no terço cervical, alargando-se no sentido oclusal. O ângulo forma- do pelas margens mesial e oclusal desta face é ligeiramente arredondado, ten- dendo ao ângulo reto. Já o ângulo formado pelas margens distal e oclusal é bem mais arredondado. A distância cervicooclusal é ligeiramente maior que a distân- cia mesiodistal. No dente recém-irrupcionado observam-se na margem oclusal três lobos que alguns autores chamam de “flor do lírio”, que geralmente se des- gastam após o contato funcional. No sentido mesiodistal, o maior é o distal. No sentido longitudinal, o mais longo é o central, pela disposição da margem cervical (convexa para a raiz); o distal é ligeiramente menor que o mesial. Esta face é convexa no terço cervical, diminuindo a convexidade no sentido oclusal e se tornando quase plana no terço oclusal (Fig. 9.4). Fig. 9.4 — Incisivo central superior esquerdo (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    214 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face lingual Os lados mesial e distal convergem no sentido lingual, tornando a face lingual mais estreita que a vestibular. É côncava nos dois terços oclusais e bas- tante convexa no terço cervical, onde apresenta uma saliência, o tubérculo dentário (cíngulo), que pode apresentar-se único, bipartido ou tripartido. O cíngulo está geralmente deslocado no sentido distal. Dele partem duas cristas marginais em direção oclusal, uma mesial e uma distal, sendo que a mesial é mais longa que a distal (Fig. 9.5). Fig. 9.5 — Incisivo central superior esquerdo (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Faces proximais São triangulares, devido à convergência das faces lingual e vestibular em direção à margem oclusal e também ligeiramente convexas, sendo a maior convexidade próxima à margem oclusal para contato com o dente vizinho. Das duas faces proximais, a distal é mais convexa e menor que a mesial. A linha do colo nestas faces tem concavidade voltada para a raiz (Fig. 9.6). Margem oclusal Após o contato funcional com os antagonistas durante um bom tempo, esta margem pode se transformar numa verdadeira face pela atrição com o desgaste para o lado lingual. Esta margem sobe de mesial para distal, descrevendo uma ampla curva; na distal diminui o raio de curvatura, contribuindo para que o ângulo distoclusal se apresente arredondado.
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    CAPÍTULO 9 215 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Raiz Tem forma cônica e seu comprimento é maior que o da coroa. Apresenta faces vestibular, mesiolingual e distolingual, mas não são bem delimitadas. A face distolingual às vezes é sulcada no sentido longitudinal. Canal radicular Tem início no forame apical e percorre todo o comprimento da raiz. É irregu- larmente circular em secção transversal. Na coroa, o canal continua-se com a câmara pulpar, que se apresenta estreita no sentido vestibulolingual e larga no sentido mesiodistal. Na parte próxima à margem oclusal (teto da câmara) conti- nua-se com três prolongamentos, os cornos pulpares, que correspondem aos três pequeninos lobos do dente, já descritos (Figs. 9.7 e 9.8). INCISIVOS LATERAIS SUPERIORES PERMANENTES 12 E 22 2 2 Os incisivos laterais estão localizados em posição distal aos incisivos centrais, suas faces mesiais ficam em contato com as faces distais dos incisivos centrais. As faces distais dos incisivos laterais fazem contato com as faces mesiais dos caninos. Irrupção Aparece na boca aos oito anos de idade, com processo de irrupção nas mes- mas condições do incisivo central, já descrito. Fig. 9.6 — Incisivo central superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
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    216 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Funções Exercem as mesmas funções do incisivo central, já descritas. Oclusão Estabelece oclusão com a metade distal do incisivo lateral e a metade mesial do canino inferiores. Fig. 9.7 — Corte frontal no incisivo central superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar. Fig. 9.8 — Corte sagital no incisivo central superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    CAPÍTULO 9 217 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Morfologia Face vestibular Suas características são semelhantes às do incisivo central, porém com a diferença exagerada entre os diâmetros. O cérvico-oclusal é bem maior do que o mesiodistal. Esta face é menor que a do incisivo central. A inclinação mesiodistal da margem oclusal é mais acentuada do que no incisivo central, tornando o ân- gulo disto-oclusal bem mais arredondado. Margens proximais mais convergentes em direção ao colo. Em todos os sentidos, esta face é mais convexa do que no incisivo central (Fig. 9.9). Fig. 9.9 — Incisivo lateral superior esquerdo (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Face lingual É mais profundamente escavada do que o central e apresenta com freqüência uma depressão acentuada abaixo do cíngulo conhecida como forame cego (Fig. 9.10). Faces proximais São mais inclinadas e convexas do que as do central, sendo a distal menor e mais convexa que a mesial (Fig. 9.11). Raiz É delgada e às vezes achatada no sentido mesiodistal e freqüentemente sulcada no sentido longitudinal, predominando o sulco distal. O ângulo entre a coroa e a raiz do lado distal é mais pronunciado do que no incisivo central. O ápice radicular é desviado distalmente e às vezes distolingualmente.
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    218 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.10 — Incisivo lateral superior esquerdo (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal; FC — forame cego. Fig. 9.11 — Incisivo lateral superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Canal radicular e câmara pulpar Assemelham-se com o central, porém tem dimensões mais reduzidas (Figs. 9.12 e 9.13). FC
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    CAPÍTULO 9 219 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. INCISIVOS CENTRAIS INFERIORES PERMANENTES 41 E 31 1 1 Estão localizados de ambos os lados do arco inferior, com suas faces mesiais em contato no plano mediano. Suas faces distais entram em contato com as faces mesiais dos incisivos laterais inferiores. Fig. 9.12 — Corte frontal no incisivo lateral superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar. Fig. 9.13 — Corte sagital no incisivo lateral superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    220 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Irrupção Aos sete anos de idade. Funções Agem como os superiores no corte dos alimentos, na emissão correta da fala e na manutenção de uma boa aparência pelo suporte que oferecem ao lábio infe- rior. Pela adaptação de suas margens oclusais contra as faces linguais dos supe- riores, também auxiliam na direção da mandíbula no sentido posterior durante a fase final de fechamento da boca. Oclusão Oclui com a metade mesial do incisivo central superior. Morfologia Face vestibular É convexa no sentido mesiodistal no terço cervical e quase plana no terço oclusal. Apresenta o diâmetro cérvico-oclusal maior que o mesiodistal. Suas mar- gens proximais unem-se à margem oclusal formando ângulos quase retos. Quan- do há desgaste, este se dá mais do lado mesial e, neste caso, a margem mesial se torna menor que a distal. Antes de o dente entrar em oclusão, a margem oclusal apresenta três pequeninos lobos que desaparecem com o desgaste. O ângulo for- mado, à altura do colo entre as margens proximais e a raiz, do lado distal, é mais acentuado (Fig. 9.14). Fig. 9.14 — Incisivo central inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 221 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face lingual É convexa no terço cervical e côncava discretamente nos dois terços oclusais. No terço cervical, a convexidade forma um cíngulo que está ligeiramente desvi- ado para distal, que se continua com cristas marginais pouco marcadas (Fig. 9.15). Fig. 9.15 — Incisivo central inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Faces proximais Têm forma triangular e lembram uma cunha. O ângulo oclusal está mais para o lado lingual em relação à linha axial da raiz devido à inclinação lingual dos dentes inferiores em relação aos superiores (oclusão). A margem vestibular é ligeiramente convexa, quase plana. A margem lingual é convexa à altura do cíngulo e côncava no terço médio e oclusal. A margem cervical apresenta concavidade voltada para a raiz. A face distal é ligeiramente mais convexa e maior que a mesial, que é quase plana no dente com desgaste (Fig. 9.16). Raiz É acentuadamente achatada no sentido mesiodistal. Nas faces proximais exis- tem sulcos longitudinais, sendo que o distal é mais acentuado. Canal radicular e câmara pulpar Correspondendo à forma da raiz, o canal radicular é um estreito espaço no sentido mesiodistal e bastante extenso no sentido vestibulolingual. As relações são invertidas
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    222 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. na coroa, pois a câmara pulpar é mais ampla no sentido mesiodistal do que no vestibulolingual. Seu teto apresenta três pequenos cornos. Na porção mais alargada da raiz, às vezes o canal radicular divide-se em ramo vestibular e ramo lingual, pela fusão das paredes mesial e distal, unindo-se novamente no terço apical (Figs. 9.17 e 9.18). Fig. 9.16 — Incisivo central inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Fig. 9.17 — Corte frontal no incisivo central inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    CAPÍTULO 9 223 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. INCISIVOS LATERAIS INFERIORES PERMANENTES 42 E 32 2 2 Estão localizados em posição distal aos incisivos centrais inferiores, com suas faces mesiais em contato com as faces distais dos incisivos centrais vizinhos e suas faces distais em contato com os caninos inferiores. Irrupção Aos oito anos de idade. Funções As mesmas dos centrais. Oclusão Ocluem com o terço distal do incisivo central e metade mesial do lateral superiores pelas suas faces linguais. Morfologia Têm forma semelhante à do incisivo central, sendo, entretanto, um pouco mais largo no sentido mesiodistal. A diferença mais importante entre eles é a divergência acentuada das faces proximais no sentido cérvico-oclusal. A face mesial é próxima da vertical; a face distal desvia-se distalmente em direção à margem oclusal. Assim, o ângulo disto-oclusal é alongado e mais agudo do que o ângulo mésio-oclusal. Quando há desgaste oclusal, este acontece do lado distal, ocorrendo o inverso do que acontece no incisivo central, cujo desgaste é mesial (Figs. 9.19, 9.20 e 9.21). Fig. 9.18 — Corte sagital no incisivo central inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    224 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.19 — Incisivo lateral inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.20 — Incisivo lateral inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 225 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Raiz Semelhante à do incisivo central, sendo ligeiramente mais longa. Canal radicular e câmara pulpar Semelhantes aos do incisivo central inferior (Figs. 9.22 e 9.23). Fig. 9.21 — Incisivo lateral inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Fig. 9.22 — Corte frontal no incisivo lateral inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    226 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.23 — Corte sagital no incisivo lateral inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar. CANINOS CANINOS SUPERIORES PERMANENTES 13 E 23 3 3 Os caninos superiores ocupam posição distal em relação aos incisivos late- rais superiores; são os terceiros dentes a partir da linha mediana anterior na maxila. As faces mesiais dos caninos superiores estão em contato com as faces distais dos incisivos laterais superiores, e as faces distais estão em contato com as faces mesiais dos primeiros pré-molares superiores. Irrupção Aos 11 anos de idade. Funções Funcionam junto com os incisivos no suporte do lábio e para cortar e dilace- rar os alimentos. Oclusão Oclui com a metade distal do canino inferior e metade mesial do primeiro pré-molar inferior. Morfologia Face vestibular É convexa em todos os sentidos, sendo que a maior convexidade está no terço cervical; tem forma pentagonal. As dimensões cérvico-oclusal e mesiodistal
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    CAPÍTULO 9 227 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. se equivalem. É formada, como nos incisivos, por três lobos. O maior em todos os sentidos é o médio; o distal é o menor no sentido cérvico-oclusal, embora tenha diâmetro mesiodistal semelhante ao lobo mesial. A margem oclusal mostra duas vertentes assimétricas. A mesial é ligeiramente mais curta que a distal e tende ao plano horizontal. A distal maior é mais inclinada que a mesial. As margens proximais também são assimétricas: a mesial é maior e menos convexa do que a distal. A margem cervical é convexa em relação à raiz (Fig. 9.24). Fig. 9.24 — Canino superior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Face lingual Tem a forma pentagonal, porém mais estreita que a vestibular. O cíngulo é bem desenvolvido, formando uma grande convexidade no terço cervical. Partem do cíngulo duas cristas marginais que são divergentes em direção oclusal. A mesial é maior que a distal em comprimento e a distal é ligeiramente mais larga que a mesial. Uma crista lingual, menos proeminente que as cristas marginais, parte do cíngulo em direção oclusal até a ponta da cúspide oclusal, dividindo esta face em duas pequenas fossas: uma mesial, menor, e uma distal, maior. Olhando-se o dente por esta face, assim como pela vestibular, a margem distal é menor e mais convexa que a mesial e o ângulo formado pela raiz com esta margem (distal) é bem mais acentuado que o mesial à altura do colo (Fig. 9.25). Faces proximais Têm forma triangular. A margem cervical é côncava em relação à raiz; a mar- gem vestibular é convexa, sendo que a maior convexidade está no terço cervical;
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    228 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.25 — Canino superior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.26 — Canino superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. a margem lingual é convexa no terço cervical e ligeiramente côncava nos terços médio e oclusal. Das duas faces proximais, a distal é mais convexa e menor que a mesial (Fig. 9.26).
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    CAPÍTULO 9 229 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Raiz A raiz do canino superior é a mais longa e robusta dos dentes humanos; sua secção horizontal mostra que ela é irregularmente oval, com sua margem vesti- bular sendo mais larga e arredondada do que a margem lingual. As faces mesial e distal apresentam sulcos longitudinais, sendo que o distal é mais marcado. Geralmente, o ápice curva-se no sentido distal. Canal radicular e câmara pulpar O canal radicular inicia-se no forame apical e acompanha o formato da raiz, é fusiforme e ligeiramente achatado no sentido mesiodistal. Sua porção mais alargada corresponde à região cervical. A câmara pulpar tem suas paredes acom- panhando as paredes do dente, apresenta no teto um único corno, estreitando-se em direção à cúspide da margem oclusal (Figs. 9.27 e 9.28). CANINOS INFERIORES PERMANENTES 43 E 33 3 3 Os caninos inferiores estão localizados na mandíbula em posição distal aos incisivos laterais inferiores. Suas faces mesiais fazem contato com as faces distais dos incisivos laterais inferiores, e suas faces distais com as faces mesiais dos primeiros pré-molares inferiores. Irrupção Aos 11 anos de idade. Fig. 9.27 — Corte frontal no canino superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    230 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Funções As mesmas dos superiores. Oclusão Oclui com a metade distal do incisivo lateral e a metade mesial dos caninos superiores. Morfologia Comparando com o canino superior, o canino inferior é menor e mais esbelto, ou seja, a distância cérvico-oclusal é bem maior que a mesiodistal. Embora copie grosseiramente a forma do canino superior, o canino inferior pode ser reconhecido pelo pequeno desenvolvimento das cristas longitudinais, quer na face vestibular, quer na lingual. Por ser mais esbelto, suas faces proximais são menos divergentes em relação ao canino superior. Outra característica diferencial entre os caninos superior e inferior é que o esmalte da face vestibular do canino inferior prolonga- se mais no sentido apical do que na face lingual. Finalmente, a face vestibular da coroa é mais inclinada para o lado lingual do que a correspondente do canino superior, que se encontra em posição quase vertical (Figs. 9.29, 9.30 e 9.31). A raiz não só é menor, como também mais delgada do que a do canino supe- rior, correspondendo à esbeltez da coroa, e também é mais achatada no sentido mesiodistal. Os sulcos longitudinais são bem desenvolvidos, principalmente o distal. Freqüentemente, a raiz do canino inferior apresenta-se bífida no terço apical, o que não acontece no superior. Fig. 9.28 — Corte sagital no canino superior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    CAPÍTULO 9 231 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.29 — Canino inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M- margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.30 — Canino inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    232 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.31 — Canino inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. A cavidade pulpar é única, fusiforme e freqüentemente achatada no sentido mesiodistal. O achatamento é mais evidente na raiz, que, sendo mais sulcada, pode fazer com que o canal tenha a forma de um haltere em secção horizontal. A fusão das paredes mesial e distal da raiz do canino inferior pode levar a uma subdivisão do canal, levando à formação de dois canais, um vestibular e um lingual (Figs. 9.32 e 9.33). PRÉ-MOLARES PRIMEIRO PRÉ-MOLAR SUPERIOR 14 E 24 4 4 Está localizado na maxila, sendo o quarto dente a partir da linha mediana anterior, distalmente ao canino superior. Sua face mesial está em contato com a face distal do canino superior, e sua face distal está em contato com a face mesial do segundo pré-molar superior. Irrupção Aos nove anos de idade. Função Triturar os alimentos. Oclusão Oclui com a metade distal do primeiro pré-molar e metade mesial do segun- do pré-molar inferiores.
  • 244.
    CAPÍTULO 9 233 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Morfologia Face vestibular É semelhante à do canino, mas é mais simétrica. É percorrida por uma crista vertical de altura variável que termina na cúspide vestibular. As margens oclusais da face vestibular encontram-se na ponta da cúspide quase em ângulo reto. A margem distal desta face é mais convexa que a mesial. A margem cervical é con- vexa para a raiz (Fig. 9.34). Fig. 9.32 — Corte frontal no canino inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar. Fig. 9.33 — Corte sagital no canino inferior: FA — forame apical; CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
  • 245.
    234 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face lingual É um pouco menor no sentido vertical e muito mais estreita mesiodistalmente do que a vestibular. É convexa em todos os sentidos (Fig. 9.35). Fig. 9.34 — Primeiro pré-molar superior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.35 — Primeiro pré-molar superior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
  • 246.
    CAPÍTULO 9 235 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Faces proximais São irregularmente retangulares e apresentam convexidade suave, sendo a convexidade da face distal mais acentuada próximo à margem oclusal onde estão localizados os pontos de contato. Próximo à linha do colo estas faces são planas ou ligeiramente côncavas. A margem cervical apresenta-se ligeiramente convexa para a coroa (Fig. 9.36). Fig. 9.36 — Primeiro pré-molar superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Face oclusal Apresenta forma pentagonal, com as margens proximais convergindo para lingual. A margem distal apresenta-se bastante recurvada para o lado mesial. Assim, a cúspide lingual fica deslocada para o lado mesial quando comparada com a vestibular. As duas cúspides têm forma piramidal de base quadrangular, onde se desta- cam quatro planos inclinados. A cúspide vestibular apresenta-se maior que a lingual. As duas cúspides estão separadas por um sulco mesiodistal retilíneo e paracentral, ou seja, está localizado mais para o lado lingual. Estão unidas mesial e distalmente por duas cristas marginais. O sulco mesiodistal, do lado mesial, ultrapassa a crista marginal mesial e invade a face mesial no seu terço oclusal. As extremidades mesial e distal do sulco mesiodistal são profundas, e dessas fossetas prolongam-se discretos sulcos no sentido vestibular e lingual. O sulco disto- vestibular é geralmente mais profundo e mais longo e pode mesmo dividir a vertente distal da cúspide vestibular (Fig. 9.37).
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    236 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Raiz Na maioria dos casos, o primeiro pré-molar superior apresenta duas raízes: uma vestibular e uma lingual. A raiz vestibular é quase sempre mais espessa que a lingual. Quando a raiz é única, ela é bastante achatada no sentido mesiodistal e muito sulcada longitudinalmente, sendo o sulco distal mais acen- tuado que o mesial. Canais radiculares e câmara pulpar A câmara pulpar reproduz a forma da coroa, sendo estreita no sentido mesiodistal e larga no sentido vestibulolingual. Em direção às duas cúspides, o teto da câmara pulpar prolonga-se em dois cornos pulpares, sendo o corno vestibular mais longo que o lingual. O soalho da câmara pulpar apresenta-se convexo em todos os sentidos, com dois orifícios que levam aos canais radiculares: um canal vestibular e um canal lingual, mesmo que a raiz seja única externamente (Figs. 9.38 e 9.39). SEGUNDO PRÉ-MOLAR SUPERIOR 15 E 25 5 5 Localizado na maxila, é o quinto dente a partir da linha mediana anterior e distalmente ao primeiro pré-molar superior. Sua face mesial está em contato com a face distal do primeiro pré-molar superior e sua face distal com a face mesial do primeiro molar superior. Fig. 9.37 — Primeiro pré-molar superior, visto pela face oclusal: CV — cúspide vestibular; CL — cúspide lingual; SPC — sulco paracentral mesiodistal; M — margem mesial; D — margem distal.
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    CAPÍTULO 9 237 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Irrupção Aos 10 anos de idade. Funções Triturar os alimentos. Fig. 9.39 — Corte frontal no primeiro pré-molar superior: CR — canais radiculares; CP — câmara pulpar. Fig. 9.38 — Corte sagital vestibular no primeiro pré-molar superior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    238 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Oclusão Oclui com a metade distal do segundo pré-molar e com o terço mesial do primeiro molar inferiores. Morfologia É menor que o primeiro e não oferece diferenças substanciais. Porém, exis- tem detalhes que facilitam a sua identificação. Face vestibular É semelhante à do primeiro (Fig. 9.40). Fig. 9.40 — Segundo pré-molar superior (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Face lingual É semelhante à do primeiro, embora seja um pouco maior, principalmente no sentido cérvico-oclusal, devido ao aumento da cúspide lingual (Fig. 9.41). Faces proximais Diferem das do primeiro apenas pelo aumento da cúspide lingual, ficando o plano oclusal coincidente com o horizontal. As duas vertentes da margem oclusal alcançam idênticas dimensões e inclinações, o que não acontece no primeiro devido à diferença entre as cúspides (Fig. 9.42).
  • 250.
    CAPÍTULO 9 239 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.41 — Segundo pré-molar superior (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.42 — Segundo pré-molar superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Face oclusal Também apresenta forma pentagonal, mas a margem distal não é recurvada para mesial como no primeiro. Assim, a cúspide lingual não se desloca para a
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    240 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. mesial. As cúspides vestibular e lingual estão alinhadas no sentido vestibulo- lingual e apresentam o mesmo tamanho. O sulco mesiodistal é retilíneo e cen- tral e não invade a face mesial, como acontece no primeiro pré-molar. Ainda podemos observar que este sulco é menor em relação ao primeiro pré-molar, e, em conseqüência, as cristas marginais são mais espessas (Fig. 9.43). Fig. 9.43 — Segundo pré-molar superior, visto pela face oclusal: CV — cúspide vestibular; CL — cúspide lingual; SC — sulco central mesiodistal; M — margem mesial; D- margem distal. Raiz É quase sempre única, mas profundamente sulcada nas faces proximais, com maior profundidade para o sulco distal. A divisão desta raiz é rara. Canal radicular e câmara pulpar Apesar de a câmara pulpar do segundo imitar a do primeiro, com a diferença de que o corno pulpar lingual é mais pronunciado, o canal radicular do segundo é habitualmente um espaço único, alargado no sentido vestibulolingual e estrei- tado no sentido mesiodistal. Suas paredes proximais geralmente fazem saliência na luz do canal, e às vezes essas paredes se fundem levando a uma divisão pro- gressiva do único canal em dois, um vestibular e um lingual. Esses dois canais podem se fundir a uma distância variável do ápice radicular e podem se abrir num único forame apical (Figs. 9.44 e 9.45). PRIMEIRO PRÉ-MOLAR INFERIOR 44 E 34 4 4 Está localizado na mandíbula, distalmente ao canino inferior. Sua face mesial faz contato com a face distal do canino inferior e sua face distal, com a face mesial do segundo pré-molar inferior.
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    CAPÍTULO 9 241 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.45 — Corte frontal no segundo pré-molar superior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar. Fig. 9.44 — Corte sagital no segundo pré-molar superior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar. Irrupção Aos nove anos de idade. Função Triturar os alimentos.
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    242 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Oclusão Oclui com a metade distal do canino e a metade mesial do primeiro pré- molar superior. Morfologia A coroa sofre, em relação ao superior, uma diminuição de tamanho, sobretu- do porque decresce a distância vestibulolingual, que fica proporcional à mesio- distal, ou seja, apresenta-se com forma arredondada. Face vestibular É bastante inclinada para o lado lingual, de modo que a ponta da cúspide vestibular ocupa o centro da secção cervical. É convexa em todos os sentidos. As duas vertentes da margem oclusal formam um ângulo obtuso. As margens proximais são convexas e convergem para a cervical, sendo a distal mais convexa que a mesial; por isso, a margem distal, com a raiz, forma um ângulo na linha do colo mais acentuado em relação à mesial, que fica numa linha quase vertical com a raiz. A margem cervical é convexa para a raiz (Fig. 9.46). Face lingual Muito menor que a vestibular, menos convexa que a vestibular no sentido cérvico-oclusal, porém mais convexa no sentido mesiodistal. Apresenta a mar- gem oclusal bem mais baixa que a vestibular (Fig. 9.47). Fig. 9.46 — Primeiro pré-molar inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 243 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Faces proximais São convexas, sendo a distal mais convexa, e ambas são mais altas na mar- gem vestibular do que na lingual. A maior convexidade da face mesial está mais próxima do lado vestibular no terço oclusal do que na face distal, diferença esta que é necessária devido ao contato da face mesial do primeiro pré-molar com o canino. Suas margens cervicais são côncavas para a raiz (Fig. 9.48). Fig. 9.47 — Primeiro pré-molar inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — face oclusal. Fig. 9.48 — Primeiro pré-molar inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
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    244 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face oclusal É arredondada, quase circular. Apresenta duas cúspides. A vestibular, alta e grande, é separada da pequena cúspide lingual por um sulco mesiodistal curvilíneo e para central, ou seja, deslocado para lingual que termina próxi- mo das margens proximais, nas cristas marginais, formando duas fossetas: a mesial, menor, e uma distal, maior. Na maioria dos casos, as cúspides vesti- bular e lingual estão unidas por uma ponte de esmalte que muitas vezes apa- ga na parte central o sulco mesiodistal, ficando apenas com nitidez as fossetas mesial e distal (Fig. 9.49). Fig. 9.49 — Primeiro pré-molar inferior, visto pela face oclusal: CV — cúspide vestibular; CL — cúspide lingual; SPC — sulco paracentral mesiodistal; D — margem distal; M — margem mesial. Raiz Em secção horizontal ela é oval, a distância mesiodistal é menor que a dis- tância vestibulolingual. Os sulcos verticais, mesial e distal, são pouco profun- dos, sendo que o distal é quase sempre mais nítido. Quando há desvio apical, geralmente é para o lado distal. Canal radicular e câmara pulpar Canal único e retilíneo, alarga-se gradativamente em direção à câmara pulpar, que apresenta a distância vestibulolingual maior que a mesiodistal. Seu teto apre- senta um corno pulpar grande para vestibular e um pequeno divertículo do lado lingual (Figs. 9.50 e 9.51).
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    CAPÍTULO 9 245 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. SEGUNDO PRÉ-MOLAR INFERIOR 45 E 35 5 5 Localiza-se na mandíbula, sendo o quinto dente a partir da linha mediana anterior, distalmente ao primeiro pré-molar inferior. Sua face mesial faz contato com o primeiro pré-molar inferior e sua face distal faz contato com a face mesial do primeiro molar inferior. Fig. 9.51 — Corte frontal no primeiro pré-molar inferior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar. Fig. 9.50 — Corte sagital no primeiro pré-molar inferior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    246 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Irrupção Aos 10 anos de idade. Função Triturar os alimentos. Oclusão Oclui com a metade distal do primeiro pré-molar e a metade mesial do se- gundo pré-molar superior. Morfologia É maior que o primeiro e se caracteriza principalmente pelo grande desen- volvimento da cúspide lingual, que chega quase à altura da vestibular. Face vestibular É parecida com o primeiro pré-molar inferior, porém suas margens proximais são menos convergentes em direção cervical do que as do primeiro; sua inclina- ção para o lado lingual não é tão acentuada como no primeiro pré-molar. As vertentes da margem oclusal são menos íngremes do que no primeiro, unindo-se num ângulo mais obtuso. A curvatura da margem cervical é menos pronunciada que a do primeiro, ou seja, é mais achatada (Fig. 9.52). Fig. 9.52 — Segundo pré-molar inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 247 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face lingual É convexa e um pouco mais estreita e mais baixa do que a face vestibular, e assimétrica devido ao desvio da cúspide lingual para a mesial (Fig. 9.53). Fig. 9.53 — Segundo pré-molar inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — face oclusal. Faces proximais Diferenciam-se do primeiro pré-molar pelo aumento da altura da cúspide lingual, que quase iguala a altura da vestibular (Fig. 9.54). Fig. 9.54 — Segundo pré-molar inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
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    248 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face oclusal As duas cúspides, a vestibular maior e a lingual menor, estão separadas por um sulco mesiodistal curvilíneo de concavidade vestibular. Das extremidades profundas do sulco mesiodistal, as fossetas mesial e distal, das quais a distal é maior, partem sulcos no sentido vestibular e lingual. Freqüentemente, os sulcos oclusovestibulares separam a cúspide vestibular principal de duas pequenas cúspides acessórias mesial e distal. Os sulcos oclusolinguais raramente têm a mesma profundidade, sendo o mesial mais raro ou mesmo ausente. O sulco distal, porém, está quase sempre presente e bem marcado. Assim, forma-se uma peque- na cúspide distolingual acessória que, quando bem desenvolvida, pode dar ao dente a forma tricuspidada. Neste caso, ele teria uma cúspide vestibular grande e duas linguais menores, sendo uma mesiolingual maior e uma distolingual menor (Figs. 9.55 e 9.56). Raiz É mais robusta do que a do primeiro pré-molar, e, em secção horizontal, é mais circular. Os sulcos verticais proximais são pouco marcados, sendo o distal mais evidente. Quando apresenta desvio apical, é quase sempre para a distal. Canal radicular e câmara pulpar O canal é único e a câmara pulpar acompanha a forma da coroa; apresenta no seu teto dois ou três cornos pulpares, de acordo com a forma bi ou tricuspidada (Figs. 9.57 e 9.58). Fig. 9.55 — Segundo pré-molar inferior bicuspidado, visto pela face oclusal: CV — cúspide vestibular; CL — cúspide lingual; M — margem mesial; D — margem distal.
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    CAPÍTULO 9 249 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.56 — Segundo pré-molar inferior tricuspidado, visto pela face oclusal: CV — cúspide vestibular; CML — cúspide mesiolingual; CDL — cúspide distolingual; M — margem mesial; D — margem distal. Fig. 9.57 — Corte sagital no segundo pré-molar inferior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    250 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. MOLARES PRIMEIRO MOLAR SUPERIOR PERMANENTE 16 E 26 6 6 Está localizado na maxila, é o sexto dente a partir da linha mediana anterior e distalmente ao segundo pré-molar superior. Sua face mesial está em contato com a face distal do segundo pré-molar superior e sua face distal, com a face mesial do segundo molar superior. Irrupção Aos seis anos de idade. Surge na boca, distalmente ao segundo molar tempo- rário, antes que este seja esfoliado ou perdido. Quatro a cinco anos mais tarde, quando os molares temporários são substituídos pelos pré-molares, o segundo pré-molar superior fica em contato distalmente com a face mesial do primeiro molar superior. Funções Triturar os alimentos e manter a dimensão vertical. Oclusão Oclui com os dois terços distais do primeiro e com o terço mesial dos segun- dos molares inferiores Morfologia Face vestibular É convexa, de forma trapezoidal, com base voltada para oclusal, ou seja, é mais larga nos dois terços oclusais e mais estreita no terço cervical. Apresenta Fig. 9.58 — Corte frontal no segundo pré-molar inferior: CR — canal radicular; CP — câmara pulpar.
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    CAPÍTULO 9 251 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. um sulco vestibular que separa a cúspide mesiovestibular (maior) da disto- vestibular (menor), que vem da face oclusal e se estende no sentido cervical da face vestibular até o terço médio da coroa, onde às vezes apresenta uma pequena depressão. Na margem oclusal desta face, observa-se o aspecto da letra W de ramos muito abertos e desiguais, sendo a porção mesial mais ampla e de maior altura. A margem cervical é menor que a oclusal, apresenta-se com duas linhas curvas de concavidade para as raízes vestibulares, unidas por um prolongamen- to de esmalte que corresponde à bifurcação das raízes mésio e distovestibulares. As margens proximais convergem para o colo. A mesial apresenta uma ligeira concavidade na cervical. A distal é convexa em toda a extensão. Podemos, ainda, observar que a mesial é maior que a distal (Fig. 9.59). Fig. 9.59 — Primeiro molar superior esquerdo (vista vestibular); C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Face lingual É mais larga no sentido mesiodistal do que a vestibular, exceto no terço cervical, onde a coroa se une a uma única raiz. É convexa e diminui de altura distalmente, em correspondência com o pequeno tamanho da cúspide disto- lingual. O sulco que atinge a face lingual e que fica entre as duas cúspides linguais segue no sentido cervical, atravessa, às vezes, toda a altura da face lingual e pode continuar-se com o sulco lingual da raiz lingual ou palatina. Na metade mesial desta face, pode-se observar um tubérculo que é conhecido por tubérculo anômalo. O tubérculo anômalo é algumas vezes tão grande que chega próximo do plano oclusal, porém quase nunca o atinge. Em contra- partida, há casos em que o tubérculo desaparece, ficando como remanescente um tubérculo muito pequeno ou até mesmo uma pequena depressão na base
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    252 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. da cúspide mesiolingual. As margens proximais são muito oblíquas, conver- gindo para a cervical. A mesial é maior em altura que a distal. A margem cervical é ligeiramente curva, apresentando convexidade oclusal. A margem oclusal apresenta-se com o mesmo aspecto da vestibular, porém maior no sentido mesiodistal (Fig. 9.60). Fig. 9.60 — Primeiro molar superior esquerdo (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Faces proximais São convexas, sendo mais convexa a face distal. A face mesial é plana ou ligeiramente côncava no seu terço cervical. O ponto mais saliente da convexidade dessas faces encontra-se no terço oclusal, ligeiramente deslocado em sentido vestibular (Fig. 9.61). Face oclusal Apresenta-se com quatro cúspides cuja ordem decrescente é a seguinte: mesiolingual, mesiovestibular, distovestibular e distolingual. Esta face é quadri- látera, e a diagonal maior estende-se do ângulo mesiovestibular ao ângulo distolingual, e a menor, do ângulo distovestibular ao mesiolingual. O diâmetro vestibulolingual é ligeiramente maior que o mesiodistal. As quatro cúspides estão separadas por uma combinação de sulcos que deli- mitam um H irregular. O sulco intercuspidiano oclusovestibular separa as cúspides mesiovestibular e distovestibular. Este sulco parte da fosseta central e se dirige à face vestibular, terminando em pequena fosseta no terço médio desta face. O
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    CAPÍTULO 9 253 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.61 — Primeiro molar superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. sulco intercuspidiano distolingual separa as cúspides mesiolingual e distolingual. Este sulco se inicia na fosseta distal e se dirige obliquamente à face lingual, muitas vezes atravessando toda esta face em direção cervical. O sulco intercuspidiano mesiocentral separa as cúspides mesiovestibular e mesiolingual. Inicia-se na fosseta central e se dirige para a fosseta mesial. Esses três sulcos podem estar ligados entre si pela presença de um outro sulco inconstante que, partindo da fosseta central, encontra-se com o sulco distolingual próximo à fosseta distal. Este sulco, quando presente, forma a barra horizontal do H irregular. Na maioria das vezes, este sulco está interrompido pela presença de uma ponte de esmalte que cruza obliquamente a face oclusal, ligando as cúspides mesiolingual e distovestibular. Limitando as fossetas mesial e distal, existem as cristas marginais (Fig. 9.62). Raízes Possui três raízes: mesiovestibular, distovestibular e lingual ou palatina. A raiz lingual é a mais volumosa, é cônica e inclinada para o lado palatino. Sua secção é irregularmente circular, diferindo bastante das vestibulares. Das raízes vestibulares, a mesial é um pouco mais volumosa e seu grau de achatamento mesiodistal é maior que na distovestibular. Canais radiculares e câmara pulpar O teto da câmara pulpar apresenta quatro cornos relacionados às cúspides. O soalho tem superfície lisa e é convexo em todos os sentidos, tendo forma retangular e apresentando três orifícios correspondentes aos canais radiculares, sendo um mesiovestibular, um distovestibular e um lingual. Os canais vestibulares acham-se achatados no sentido mesiodistal, sendo o mesiovestibular mais achatado. O disto-
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    254 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. vestibular tem forma oval. Em muitos casos, a raiz mesiovestibular pode apresentar dois canais, um vestibular e um lingual, desde sua origem até o ápice, ou começar em dois canais e se unir em determinado ponto do seu trajeto, terminando único no forame apical. O canal palatino é achatado no sentido vestibulolingual, ovalado com tendência à circular, e é o mais amplo dos três (Figs. 9.63 e 9.64). Fig. 9.62 — Primeiro molar superior, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV — cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual; TA — tubérculo anômalo. Fig. 9.63 — Corte sagital no primeiro molar superior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CDV — canal distovestibular; CL — canal lingual.
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    CAPÍTULO 9 255 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. SEGUNDO MOLAR SUPERIOR PERMANENTE 17 E 27 7 7 Está localizado na maxila, é o sétimo dente a partir da linha mediana anterior e distalmente ao primeiro molar superior. Sua face mesial está em contato com a face distal do primeiro molar superior e sua face distal, com a face mesial do terceiro molar superior. É menor que o primeiro. Irrupção Aos 12 anos de idade. Funções Triturar os alimentos e manter a dimensão vertical. Oclusão Oclui com os dois terços distais do segundo molar e o terço mesial do tercei- ro molar inferior. Morfologia Face vestibular Sua morfologia é semelhante à do primeiro, diferindo dela porque o seu diâ- metro mesiodistal é maior do que o da face lingual, fato que não acontece no primeiro molar superior (Fig. 9.65). Fig. 9.64 — Corte frontal no primeiro molar superior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CDV — canal distovestibular; CL — canal lingual.
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    256 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Face lingual Menor que a face vestibular, mostra-se semelhante à do primeiro quando o dente é tetracuspidado. Porém, o sulco distolingual aproxima-se mais da face distal, diminuindo a cúspide distolingual que, muitas vezes, desaparece ou trans- forma-se num pequeno tubérculo tornando o dente tricuspidado. Esta face rara- mente possui o tubérculo anômalo (Fig. 9.66). Fig. 9.65 — Segundo molar superior esquerdo (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.66 — Segundo molar superior esquerdo (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 257 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Faces proximais Apresentam-se semelhantes às do primeiro molar superior (Fig. 9.67). Fig. 9.67 — Segundo molar superior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Face oclusal Sua morfologia depende do número de cúspides. Este dente pode ser tri ou tetracuspidado e, às vezes, apresenta a forma de “compressão”. A forma tricuspidada é a mais freqüente. Com o desaparecimento da cúspide distolingual, esse dente apresenta uma cúspide lingual que é a maior, em seguida uma mesiovestibular e uma distovestibular. Apresenta um sulco profundo mesiodistal, que se inicia na fosseta mesial, termina na fosseta distal e possui em sua parte intermediária a fosseta central, onde parte o sulco oclusovestibular que separa as cúspides vestibulares. A face oclusal do segundo molar superior na forma tetracuspidada é cópia do primeiro molar superior. Porém, a ponte de esmalte não é tão nítida porque o sulco que vai da fosseta central ao sulco distolingual é bem marcado. Além disso, a cúspide distolingual é menor em relação ao primeiro molar superior. Esta for- ma é menos freqüente que a tricuspidada. Na forma de “compressão” parece que o dente foi prensado no sentido das cúspides distovestibular para a mesiolingual, aproximando-as. Sua coroa adota um aspecto elipsóide, quando observada pela face oclusal. Seus elementos tornam-se confusos devido à má delimitação das cúspides e dos sulcos. Esta forma é bem menos freqüente. Em todas essas formas, existem na face oclusal, limitando as fossetas mesial e distal, duas cristas marginais bem nítidas (Figs. 9.68, 9.69 e 9.70).
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    258 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.68 — Segundo molar superior, tetracuspidado, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV — cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual. Fig. 9.69 — Segundo molar superior, tricuspidado, visto pela face oclusal: CL — cúspide lingual; CMV — cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular.
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    CAPÍTULO 9 259 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Raízes São idênticas às do primeiro molar, porém não tão divergentes, e tendem a fundir-se com maior freqüência em relação ao primeiro. Esta fusão, quando ocor- re, é entre as vestibulares ou entre a mesiovestibular e palatina. Canais radiculares e câmara pulpar O teto da câmara pulpar apresenta três ou quatro cornos pulpares na depen- dência da forma tri ou tetracuspidada. O soalho é convexo, de forma triangular na maioria dos casos, apresentando três orifícios em relação aos três canais radiculares: um mesiovestibular, um distovestibular e um lingual (Figs. 9.71 e 9.72). TERCEIRO MOLAR SUPERIOR 18 E 28 8 8 Está localizado na maxila, sendo o oitavo dente a partir da linha mediana anterior e distalmente ao segundo molar superior. Sua face mesial faz contato com a face distal do segundo molar superior e sua face distal é livre. É um dente que apresenta muitas variações do ponto de vista eruptivo, morfológico, volumétrico e topográfico. Pode se apresentar com a forma do primeiro molar superior, com as formas do segundo e até com a forma de um dente cônico. Irrupção Aos 18 anos de idade. Fig. 9.70 — Segundo molar superior, forma de compressão, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV — cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual.
  • 271.
    260 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Funções Triturar os alimentos e manter a dimensão vertical. Oclusão Oclui com os dois terços distais do terceiro molar inferior. Fig. 9.71 — Corte sagital no segundo molar superior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CDV — canal distovestibular; CL — canal lingual. Fig. 9.72 — Corte frontal no segundo molar superior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CL — canal lingual.
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    CAPÍTULO 9 261 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Morfologia Face vestibular É idêntica à do primeiro ou à do segundo, mas é menor. Face lingual É muito convexa e bem menor que a face lingual dos molares precedentes e, geralmente, não apresenta sulco lingual. Faces proximais Nas formas semelhantes aos precedentes, a face distal é bem menor e mais convexa que a mesial. Face oclusal Pode copiar a face oclusal do primeiro ou do segundo molar, inclusive a forma de “compressão”; porém, na maioria dos casos, apresenta uma quantidade exagerada de sulcos secundários. Raízes Tem, em geral, três raízes, mas estas raramente se apresentam individualiza- das. A fusão total das raízes é comum no dente do siso. E, quando estão separa- das, o volume das raízes e da coroa se equivalem. Canais radiculares e câmara pulpar Poderá copiar o primeiro ou o segundo, porém, é freqüentemente atingido por variações dirigidas não só à câmara pulpar, mas também aos canais radiculares, que, pela fusão das raízes, também podem se fundir, ficando reduzidos a um único canal radicular, ou apresenta mais de três canais radiculares. PRIMEIRO MOLAR INFERIOR PERMANENTE 46 e 36 6 6 Está localizado na mandíbula, é o sexto dente a partir da linha mediana ante- rior. Sua face mesial está em contato com a face distal do segundo pré-molar inferior e sua face distal, com a face mesial do segundo molar inferior. Irrupção Aos seis anos de idade. Surge na boca, na distal do segundo molar temporá- rio, antes que este seja esfoliado ou perdido. Quatro ou cinco anos mais tarde, quando os molares temporários são substituídos pelos pré-molares, o segundo pré-molar inferior fica em contato distalmente com a face mesial do primeiro molar inferior. Funções Triturar os alimentos e manter a dimensão vertical.
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    262 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Oclusão Oclui com a metade distal do segundo pré-molar e com os dois terços mesiais do primeiro molar superior. Como todos os molares inferiores, o maior diâmetro coronário é o mesiodistal. A diferença entre os diâmetros mesiodistais dos den- tes anteriores de maxilas e mandíbula faz com que, até os pré-molares, o arco superior seja mais longo que o inferior. Esta diferença acha-se compensada pelos molares (superiores menores que os inferiores) para que ambos os arcos termi- nem na mesma altura. Morfologia Face vestibular Tem a forma de um trapézio irregular de base oclusal, é mais longa do que alta, apresenta-se convexa nos sentidos mesiodistal e cérvico-oclusal. Possui uma inclinação bastante acentuada para o lado lingual. Está limitada por quatro mar- gens: na margem cervical notamos um alongamento do esmalte de forma pontia- guda, dirigida para a bifurcação das raízes. A margem distal é totalmente conve- xa, a mesial é plana ou ligeiramente côncava no terço cervical e convexa nos dois terços oclusais. Ambas convergem para o colo, sendo que a distal é menor que a mesial. A margem oclusal é formada por três segmentos que correspondem às cúspides vestibulares, sendo o mesial o maior e o distal o menor. Esta face mostra dois sulcos: um, mesiovestibular, é o mais nítido e termina numa pequena fosseta no terço cervical; o outro, distovestibular, é mais discreto e termina suavemente no terço médio sem depressão alguma. Em conseqüência desses sulcos, a face vestibular apresenta-se dividida em três lobos: mesial, mediano e distal, dos quais o mesial é o maior e o distal o menor (Fig. 9.73). Fig. 9.73 — Primeiro molar inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 263 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Nos primeiros molares tetracuspidados, mais raros, falta o sulco distoves- tibular, e, neste caso, a face vestibular mostra dois lobos: um mesial, maior, e um distal, menor. Face lingual É trapezoidal, menor que a vestibular, pela diminuição do diâmetro mesiodistal. É convexa e também se acha limitada por quatro margens: a cervical, que geralmente apresenta uma ponta de esmalte que se insinua em direção à bifurcação das raízes, de modo que esta margem fica dividida em dois segmentos quase planos, ou seja, ligeiramente côncavos em relação às raízes. As margens proximais são convexas, sendo a distal menor e mais convexa que a mesial. A margem oclusal apresenta dois segmentos separados por um sulco lingual, ligei- ramente deslocado para a distal, que corresponde às cúspides linguais, das quais a mesiolingual é a maior (Fig. 9.74). Fig. 9.74 — Primeiro molar inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Faces proximais Apresentam-se convexas, sendo a distal menor e mais convexa que a mesial. Também apresentam quatro margens, das quais a cervical é ligeiramente con- vexa para a oclusal. Das margens vestibular e lingual, a vestibular é bastante inclinada para o lado lingual. A margem oclusal corresponde às vertentes triturantes das cúspides vestibulares e linguais, unidas pelas cristas margi- nais. Pode-se observar que as cúspides linguais são mais altas que as vestibu- lares (Fig. 9.75).
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    264 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.75 — Primeiro molar inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Face oclusal Forma trapezoidal de grande base vestibular, sendo a distância mesiodistal maior que a vestibulolingual. Esta face pode apresentar quatro cúspides, porém, na maioria dos casos, apresenta cinco cúspides, sendo três vestibulares e duas linguais. Das vestibulares, uma é mesiovestibular maior, uma é mediovestibular e uma é distovestibular menor. Das linguais, uma é mesiolingual maior e uma é distolingual menor. A cúspide mais volumosa do dente é a mesiolingual, segui- da em ordem decrescente das cúspides mesiovestibular, distolingual, mediovestibular e distovestibular. Separando essas cúspides, encontramos os seguintes sulcos: o sulco mesiodistal, que se inicia na fosseta mesial, segue em direção distal com trajeto sinuoso separando as duas cúspides mesiais. Che- gando à fosseta central, continua distalmente até chegar junto à crista margi- nal distal. O sulco oclusovestibular inicia-se na fosseta central, é perpendi- cular ao mesiodistal e segue em direção vestibular, separando as duas maio- res cúspides da face vestibular, a mesiovestibular e a mediovestibular. O sul- co distovestibular parte do sulco mesiodistal, distalmente à fosseta central, e segue em direção vestibulodistal, separando as cúspides mediovestibular da distovestibular. O sulco oclusolingual parte da fosseta central, em direção lin- gual, ligeiramente deslocado para distal, separando as cúspides mesiolingual da distolingual (Fig. 9.76). Ocasionalmente pode faltar a cúspide distovestibular; neste caso, o dente torna-se tetracuspidado, mantendo as características dos sulcos. A ordem de- crescente das cúspides seria a seguinte: mesiolingual, mesiovestibular, disto- vestibular e distolingual.
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    CAPÍTULO 9 265 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Raízes Apresenta duas raízes, uma mesial, maior e mais larga no sentido vestíbulo- lingual do que a distal. São amplamente separadas. A metade apical das raízes geralmente se inclina para o lado distal. Ambas têm aproximadamente o dobro do comprimento da coroa. Canais radiculares e câmara pulpar O teto da câmara pulpar apresenta cinco cornos pulpares relacionados às cúspides na maioria dos primeiros molares inferiores que são pentacuspidados. O soalho tem contorno retangular, é convexo, principalmente no sentido mesiodistal e nele observamos três orifícios para os canais radiculares. Um para o canal distal na raiz distal e dois para os canais mesiais na raiz mesial, sendo um mesiovestibular e um mesiolingual. Os canais mesiais apresentam-se com a luz muito reduzida em relação ao distal que é mais amplo (Figs. 9.77 e 9.78). SEGUNDO MOLAR INFERIOR PERMANENTE 47 e 37 7 7 Está localizado na mandíbula, é o sétimo dente a partir da linha mediana anterior. Sua face mesial está em contato com a face distal do primeiro molar inferior e sua face distal, com a face mesial do terceiro molar inferior. Irrupção Aos 12 anos de idade. Fig. 9.76 — Primeiro molar inferior, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV1 — cúspide mesiovestibular; CDL — cuspide distolingual; CMV2 — cúspide mediovestibular; CDV — cúspide distovestibular.
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    266 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.77 — Corte sagital no primeiro molar inferior: CP — câmara pulpar; CD — canal distal; CM — canal mesial. Fig. 9.78 — Corte frontal no primeiro molar inferior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CML — canal mesiolingual. Funções Triturar os alimentos e manter a dimensão vertical.
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    CAPÍTULO 9 267 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.79 — Segundo molar inferior direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Oclusão Oclui com o terço distal do primeiro molar e os dois terços mesiais do segun- do molar superior. Morfologia Face vestibular É menor que a do primeiro molar, pois possui apenas dois segmentos vesti- bulares. Tem forma trapezoidal e apresenta um sulco vestibular vertical próximo à parte média desta face, ligeiramente deslocado para a distal, dividindo os dois segmentos vestibulares, sendo o mesial maior que o distal. A margem cervical é ligeiramente côncava para as raízes, apresentando um prolongamento de esmal- te em direção à bifurcação delas. As margens proximais são convexas, sendo a distal mais curta e mais convexa. A margem oclusal é separada em dois segmen- tos pelo sulco oclusovestibular, que termina nesta face numa depressão chamada forame cego, muito comum neste dente (Fig. 9.79). Face lingual Esta face é menor que a do primeiro molar, porém, mais convexa nos senti- dos cérvico-oclusal e mesiodistal (Fig. 9.80). Faces proximais São semelhantes às do primeiro molar inferior. A distal é menor e mais con- vexa que a mesial (Fig. 9.81).
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    268 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.81 — Segundo molar inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Fig. 9.80 — Segundo molar inferior direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Face oclusal Apresenta, na maioria dos casos, quatro cúspides, duas vestibulares e duas lin- guais, cuja ordem decrescente de volume é a seguinte: mesiolingual, mesiovestibular,
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    CAPÍTULO 9 269 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. distovestibular e distolingual. Há casos em que a cúspide mesiovestibular é maior que a mesiolingual, porém as mesiais são quase sempre maiores que as distais em volume. As linguais são mais altas que as vestibulares. Esta face apresenta dois sul- cos separando as quatro cúspides: um, mesiodistal, tem início na fosseta mesial, próximo à crista marginal mesial, e termina na fosseta distal, próximo à crista margi- nal distal. Este sulco separa as cúspides vestibulares das linguais. O outro sulco é o vestibulolingual, que é interrompido na fosseta central, interceptando o mesiodistal e oferecendo um aspecto cruciforme a esses sulcos que é uma importante caracterís- tica desse dente. Das três fossetas desta face, as proximais têm aspecto triangular e a central tem aspecto de um losângulo (Fig. 9.82). Fig. 9.82 — Segundo molar inferior, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV — cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual. Raízes Semelhantes às do primeiro, porém menores e com tendência à fusão. Canais radiculares e câmara pulpar Câmara pulpar apresenta, no seu teto, quatro cornos pulpares em relação às quatro cúspides do dente. O soalho é convexo, liso e se assemelha ao do primeiro, ou seja, com três orifícios para os canais radiculares: um mesio- vestibular, um mesiolingual (bem estreitos) e um distal mais amplo. Há casos em que os segundos molares apresentam dois canais, ou seja, um mesial, em forma de haltere, com o eixo maior vestibulolingual, e um distal. E há casos, ainda, em que apresentam dois mesiais que se reúnem no terço apical da raiz mesial (Figs. 9.83 e 9.84).
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    270 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.83 — Corte sagital no segundo molar inferior: CP — câmara pulpar; CM — canal mesial; CD — canal distal. Fig. 9.84 — Corte frontal no segundo molar inferior: CP — câmara pulpar; CMV — canal mesiovestibular; CML — canal mesiolingual. TERCEIRO MOLAR INFERIOR 48 e 38 8 8 Está localizado na mandíbula; é o oitavo dente a partir da linha mediana anterior. Sua face mesial está em contato com a face distal do segundo molar inferior e sua face distal é livre. Este dente pode se apresentar com as caracte-
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    CAPÍTULO 9 271 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. rísticas do primeiro molar inferior ou do segundo molar inferior. Porém, em am- bos os casos, apresenta na face oclusal uma quantidade maior de sulcos secundá- rios e suas raízes têm uma tendência muito grande à fusão ou dilacerações mui- tas vezes apresentando mais de duas raízes, o que facilita o diagnóstico do dente do siso, como ele também é chamado. DENTES TEMPORÁRIOS Também chamados dentes decíduos, dentes de leite, dentes caducos, dentes provisórios e dentes da primeira dentição ou da infância. Iniciam sua irrupção aos seis meses de idade e terminam aproximadamente aos dois anos e meio. Nesta dentição não encontramos pré-molares e nem os terceiros molares, portanto, quan- do completa, encontramos 20 dentes, distribuídos em: incisivos centrais, laterais, caninos, primeiros molares e segundos molares, superiores e inferiores. INCISIVO CENTRAL SUPERIOR TEMPORÁRIO 51 e 61 I I Está localizado na maxila, é o primeiro dente a partir da linha mediana ante- rior. Sua morfologia assemelha-se à do permanente; porém, tem aparência mais bojuda e o seu diâmetro mesiodistal é ligeiramente maior que o cérvico-oclusal quando observado pela face vestibular. A convexidade desta face acentua-se muito no terço cervical, formação que é característica dos dentes temporários. A mar- gem distal é bem menor que a mesial, pois o ângulo disto-oclusal é bem arredon- dado, enquanto o ângulo mésio-oclusal é quase reto; sendo assim, a margem oclusal é bastante inclinada no sentido distocervical. A face lingual apresenta menor variação do que no permanente. O tubérculo lingual (cíngulo) é quase sempre bem desenvolvido. O restante desta face é apenas côncava. Das faces proximais, a distal é menor e mais convexa que a mesial; porém, próximo ao colo, a mesial apresenta convexidade maior que a distal (Figs. 9.85, 9.86 e 9.87). Fig. 9.85 — Incisivo central superior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    272 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Raiz A raiz do incisivo central superior temporário é ligeiramente achatada no sen- tido vestibulolingual. Além disso, costuma acotovelar-se no terço apical, no senti- do vestibular. Este desvio está relacionado com a pressão exercida pelo germe do incisivo central permanente, que se localiza do lado lingual do temporário. Fig. 9.87 — Incisivo central superior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Fig. 9.86 — Incisivo central superior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 273 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Canal radicular e câmara pulpar Têm forma similar à do permanente, porém são de proporções maiores. INCISIVO LATERAL SUPERIOR TEMPORÁRIO 52 E 62 II II Está localizado na maxila, é o segundo dente a partir da linha mediana anterior. Assemelha-se ao permanente. É menor que o incisivo central tempo- rário, apresenta a distância mesiodistal menor que a cérvico-oclusal. Sua face vestibular é bem mais convexa que a do incisivo central. Sua face lingual é bem mais escavada em virtude do grande desenvolvimento das cristas marginais. Apresenta uma grande inclinação da margem oclusal no sentido distocervical, tornando o ângulo disto-oclusal muito arredondado. O ângulo mesiooclusal é mais arredondado que o do incisivo central. Das faces proximais, a distal é bastante reduzida em relação à mesial (Figs. 9.88, 9.89 e 9.90). Raiz Proporcionalmente mais longa do que a raiz do incisivo central, porém com as mesmas características. Canal radicular e câmara pulpar Têm forma similar à do permanente, porém proporções maiores. Fig. 9.88 — Incisivo lateral superior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    274 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. INCISIVO CENTRAL INFERIOR TEMPORÁRIO 81 e 71 I I Está localizado na mandíbula, é o primeiro dente a partir da linha mediana anterior. Assemelha-se ao permanente, mas é muito menor. Sua face vestibular é Fig. 9.90 — Incisivo lateral superior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Fig. 9.89 — Incisivo lateral superior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 275 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. praticamente lisa, ou seja, sem sulcos e os lobos de desenvolvimento. Sua raiz não apresenta o achatamento mesiodistal do permanente, ou seja, em secção transver- sal aproxima-se da forma circular. Seu canal radicular e câmara pulpar são seme- lhantes às do permanente, porém, de proporções maiores (Figs. 9.91, 9.92 e 9.93). Fig. 9.92 — Incisivo central inferior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.91 — Incisivo central inferior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    276 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. INCISIVO LATERAL INFERIOR TEMPORÁRIO 82 e 72 II II Está localizado na mandíbula, sendo o segundo dente a partir da linha medi- ana anterior. É maior que o central temporário. Apresenta o ângulo disto-oclusal bem arredondado. Sua raiz apresenta-se quase circular, em corte transversal. Seu canal radicular e câmara pulpar são semelhantes às do permanente; porém, de proporções maiores (Figs. 9.94, 9.95 e 9.96). Fig. 9.93 — Incisivo central inferior, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Fig. 9.94 — Incisivo lateral inferior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 277 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CANINO SUPERIOR TEMPORÁRIO 53 e 63 III III Está localizado na maxila; é o terceiro dente a partir da linha mediana ante- rior. A coroa deste dente mostra-se lanceolada com dimensões mesiodistal e cérvico-oclusal equivalentes. Comparada com a coroa do permanente, sua cúspide é Fig. 9.95 — Incisivo lateral inferior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.96 — Incisivo lateral inferior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
  • 289.
    278 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. mais longa e aguçada. A vertente mesial da margem oclusal é mais inclinada, ou seja, não tende ao plano horizontal como no permanente. Sua raiz é cônica e triangu- lar, apresenta sulcos proximais, está freqüentemente desviada para a distal, porém seu terço apical desvia-se para o lado vestibular em conseqüência do germe do per- manente, que fica do lado lingual. O canal radicular e a câmara pulpar são seme- lhantes aos do permanente, porém de proporções maiores (Figs. 9.97, 9.98 e 9.99). Fig. 9.98 — Canino superior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.97 — Canino superior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 279 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CANINO INFERIOR TEMPORÁRIO 83 e 73 III III Está localizado na mandíbula, sendo o terceiro dente a partir da linha me- diana anterior. É menos volumoso que o superior. Sua coroa também tem forma lanceolada. Entretanto, seu diâmetro cérvico-oclusal é maior que o mesiodistal e sua coroa não é tão bojuda quanto a do superior. A concavidade da face lingual raramente é interrompida por uma crista longitudinal. A margem oclusal apresenta duas vertentes que se unem na ponta da cúspide não muito aguçada. O vértice desta cúspide encontra-se mais próximo da face mesial. Sua raiz é mais curta que a do superior e mais achatada no sentido mesiodistal. Os sulcos proximais são mais evidentes. Seu canal radicular e sua câmara pulpar se assemelham aos do permanente, mas apresentam proporções maiores (Figs. 9.100, 9.101 e 9.102). Primeiro molar superior temporário 54 e 64 IV IV Está localizado na maxila, é o quinto dente a partir da linha mediana anterior. É o menos volumoso dos molares temporários e cederá lugar ao primeiro pré-molar superior. A face vestibular é convexa no terço cervical e se aplana nos dois terços oclusais. Das quatro margens que limitam esta face, a cervical é ondulada e oblíqua para cima, no sentido mesial. A maior convexidade desta face observa-se ao nível do ângulo triedro vestibulocervicomesial, onde se encontra um aumento de volume, o tubér- culo molar. A face lingual é menor e mais convexa que a vestibular. Das faces proximais, a distal é menor e mais convexa que a mesial. Sua face oclusal é irregularmente quadrilátera. A margem distal dirige-se em linha Fig. 9.99 — Canino superior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
  • 291.
    280 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.100 — Canino inferior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.101 — Canino inferior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
  • 292.
    CAPÍTULO 9 281 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. reta em direção vestibulolingual, unindo-se às margens vestibular e lingual em ângulos retos. A margem mesial, porém, é oblíqua em direção mesiovestibular para distolingual; isso se dá porque a margem lingual é menor que a vestibular. A face oclusal desse dente é dividida numa parte vestibular e uma lingual por um sulco mesiodistal, que não atinge as faces proximais, detendo-se nas cristas marginais. A parte vestibular apresenta duas cúspides: uma mesiovestibular, maior, e uma distovestibular, menor. A parte lingual apresenta uma cúspide lingual que é a maior do dente. Mui- tas vezes, da fosseta distal parte um sulco oclusolingual que, invadindo a face lingual, divide a cúspide lingual em duas, ou seja, uma cúspide mesiolingual grande e uma distolingual pequena. Neste caso, o dente seria tetracuspidado, apresentando, em ordem decrescente de volume, uma cúspide mesiolingual, uma mesiovestibular, uma distovestibular e uma distolingual (Figs. 9.103, 9.104, 9.105 e 9.106). Raízes São três, assim como nos molares superiores permanentes, mas são muito divergentes no sentido apical. Seus ápices radiculares costumam se curvar, como se olhassem um para os outros. Este fato acontece porque entre as raízes do pri- meiro molar temporário está o germe do primeiro pré-molar. Seus canais radiculares e sua câmara pulpar são semelhantes aos do molar permanente, po- rém de proporções maiores. Fig. 9.102 — Canino inferior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular.
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    282 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.103 — Primeiro molar superior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.104 — Primeiro molar superior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
  • 294.
    CAPÍTULO 9 283 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.105 — Primeiro molar superior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Fig. 9.106 — Primeiro molar superior temporário, visto pela face oclusal: D — margem distal; L — margem lingual; M — margem mesial; V — margem vestibular.
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    284 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. SEGUNDO MOLAR SUPERIOR TEMPORÁRIO 55 E 65 V V Está localizado na maxila, é o quinto dente a partir da linha mediana anterior. É mais volumoso que o primeiro e é substituído pelo segundo pré-molar. A coroa deste dente é quase uma cópia da coroa do primeiro molar superior permanente. Chamamos atenção para uma saliência um pouco mais evidente no terço cervical da face vestibular e na face lingual, apresentada com maior freqüência que no primeiro permanente, o tubérculo anômalo. As raízes são em número de três, duas vestibulares e uma lingual, bem divergentes em direção apical. Seus ápices são recurvados, suas faces inter-radiculares são escavadas e alojam o germe do segundo pré-molar, que o substituirá na arcada permanente. Seus canais radiculares e sua câmara pulpar são semelhantes aos do primeiro molar perma- nente, porém de proporções maiores (Figs. 9.107, 9.108, 9.109 e 9.110). PRIMEIRO MOLAR INFERIOR TEMPORÁRIO 84 e 74 IV IV Está localizado na mandíbula, é o quarto dente a partir da linha mediana ante- rior. É menos volumoso que o segundo e será substituído pelo primeiro pré-molar inferior. A face vestibular é bastante convexa no terço cervical e se aplana no sentido oclusal, apresentando uma inclinação muito grande no sentido lingual. A maior convexidade desta face está no ângulo triedro vestibulocervicomesial, onde o au- mento de volume de esmalte forma o tubérculo molar. Esta face apresenta uma ligei- ra depressão em sua porção média que a divide num segmento mesial maior e um distal menor. A margem distal desta face é menor e mais convexa que a mesial. A margem oclusal apresenta um sulco que separa as duas cúspides vestibulares, Fig. 9.107 — Segundo molar superior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    CAPÍTULO 9 285 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.109 — Segundo molar superior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Fig. 9.108 — Segundo molar superior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    286 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.110 — Segundo molar superior temporário, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV — cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual; TA — tubérculo anômalo. mesiovestibular maior e distovestibular menor. A margem cervical se inclina para cima e para distal. A face lingual é menor e mais convexa que a vestibular. Apresenta um sulco deslocado mais para a distal que a divide em dois segmentos, um mesial maior e um distal menor. Das duas faces proximais, a distal é menor e mais convexa que a mesial. A face oclusal tem o diâmetro mesiodistal maior que o vestibulolingual. Apresenta quatro cúspides: duas vestibulares e duas linguais, sendo que as mesiais são as mais volumosas. A ordem decrescente das cúspides é a seguinte: mesiolingual, mesiovestibular, distovestibular e distolingual. Existe um sulco mesiodistal curvilíneo de concavidade lingual que muitas vezes é interrompido por uma ponte de esmalte, entre as cúspides mesiovestibular e mesiolingual, separando duas fossetas, uma distal, maior, e uma mesial, menor. Das cristas marginais, a mesial é mais nítida e mais volumosa que a distal (Figs. 9.111, 9.112, 9.113 e 9.114). Raízes São duas, uma mesial e uma distal, longas, alargadas no sentido vestibulo- lingual e achatadas no sentido mesiodistal. São divergentes, com tendência a convergirem próximo aos ápices. Suas faces inter-radiculares são escavadas para alojarem o germe do primeiro pré-molar inferior. A raiz mesial é quase sempre mais desenvolvida que a distal e possui dois canais, a distal apenas um. A câma- ra pulpar é bastante ampla, seu teto apresenta quatro cornos pulpares e seu soa- lho, três orifícios para os canais radiculares: um mesiovestibular, um mesiolingual e um distal.
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    CAPÍTULO 9 287 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.111 — Primeiro molar inferior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.112 — Primeiro molar inferior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    288 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.113 — Primeiro molar inferior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Fig. 9.114 — Primeiro molar inferior temporário, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV — cúspide mesiovestibular; CDV — cúspide distovestibular; CDL — cúspide distolingual. SEGUNDO MOLAR INFERIOR TEMPORÁRIO 85 e 75 V V Está localizado na mandíbula, é o quinto dente a partir da linha mediana anterior. É mais volumoso que o primeiro e será substituído pelo segundo pré- molar inferior. Este dente é uma réplica reduzida do primeiro molar inferior perma-
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    CAPÍTULO 9 289 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. nente. As únicas diferenças significantes são: aumento de esmalte na face vesti- bular no terço cervical e acentuada convexidade nas faces proximais, produzin- do uma constrição nítida da porção cervical. As raízes são muito divergentes na sua metade cervical, porém seus ápices qua- se sempre convergem entre si para alojar o germe do segundo pré-molar inferior. Os canais radiculares e câmara pulpar se assemelham aos do primeiro molar inferior permanente, sendo, porém, de proporções maiores (Figs. 9.115, 9.116, 9.117 e 9.118). Fig. 9.116 — Segundo molar inferior temporário direito (vista lingual): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal. Fig. 9.115 — Segundo molar inferior temporário direito (vista vestibular): C — margem cervical; D — margem distal; M — margem mesial; O — margem oclusal.
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    290 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 9.117 — Segundo molar inferior temporário, visto por uma das faces proximais: C — margem cervical; L — margem lingual; O — margem oclusal; V — margem vestibular. Fig. 9.118 — Segundo molar inferior temporário, visto pela face oclusal: CML — cúspide mesiolingual; CMV1 — cúspide mesiovestibular; CDL — cúspide distolingual; CMV2 — cúspide mediovestibular; CDV — cúspide distovestibular. EVOLUÇÃO E INVOLUÇÃO DA DENTIÇÃO HUMANA Do nascimento aos seis meses os processos alveolares das maxilas e da mandíbula estão recobertos pela mucosa bucal. Aos seis meses começa a irrupção dos dentes temporários, que deverá estar completa em torno de dois anos e
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    CAPÍTULO 9 291 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. meio. Dos três aos seis anos, a dentição temporária não sofre alterações visí- veis, com exceção do afastamento entre os incisivos e caninos. A criança apre- senta diastemas devido ao crescimento das maxilas e da mandíbula. Neste período, formam-se as coroas dos dentes permanentes e tem início a reabsorção das raízes dos dentes temporários. Surge aos seis anos o primeiro molar per- manente, sem diminuir o número de dentes temporários, porque a sua irrupção se dá tangentemente à distal do segundo molar temporário. Dos seis aos 12 anos a dentição apresenta-se mista, caracterizada pela presença de dentes tem- porários e irrupção dos permanentes. Dos 13 aos 21 anos, a dentição perma- nente deverá estar completa. Dos 22 aos 45 anos tem-se o período funcional do aparelho mastigador. Dos 45 anos em diante há um declínio fisiológico da dentição permanente, que poderá ser acelerado ou retardado em função de uma série de fatores. A perda total dos dentes faz com que as maxilas e a mandíbula sejam novamente recobertas somente pela mucosa bucal, ou seja, é o estágio final da dentição humana. RELAÇÕES INTERDENTÁRIAS Ponto de contato É a relação de contato entre dois dentes contíguos de um mesmo arco, atra- vés de suas faces proximais, ou seja, a face mesial de um toca a face distal do outro, com exceção dos incisivos centrais, que se tocam na linha mediana anterior atra- vés de suas faces mesiais e dos terceiros molares que têm as faces distais livres. À medida que os dentes entram em função e por causa de sua pequena mobilidade, os pontos de contato transformam-se em verdadeiras áreas de contato. Localização dos pontos de contato nos diversos grupos dentários INCISIVOS E CANINOS SUPERIORES É o ponto de encontro entre a coordenada que limita os terços oclusal e mé- dio com a coordenada que limita os terços vestibular e médio da coroa nas suas faces proximais. INCISIVOS E CANINOS INFERIORES O contato é feito através dos seus ângulos mésio e disto-oclusais. PRÉ-MOLARES E MOLARES SUPERIORES Através de suas faces proximais, num ponto situado no terço oclusal, ligeira- mente deslocado no sentido vestibular. Com o desgaste, este ponto se transforma numa área elíptica, de eixo maior vestibulolingual. PRÉ-MOLARES E MOLARES INFERIORES Através de suas faces proximais, num ponto situado na parte média do terço oclusal. Este ponto também se transforma, com o desgaste, numa área de contato de eixo maior vestibulolingual.
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    292 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Durante a mastigação, os pontos de contato evitam que frações de alimen- tos sofram retenção entre os dentes contíguos. A falta do ponto de contato seria fatalmente o início de uma série de transtornos de ordem funcional e patológi- ca. O ponto de contato é, portanto, muito importante na manutenção da saúde dos elementos que compõem o periodonto. À ausência do ponto de contato, ou seja, o afastamento entre dois dentes contíguos num mesmo arco, chama-se diastema. Na dentição temporária, a inexistência do ponto de contato é funcionalmen- te normal. Há uma correlação direta entre o crescimento das maxilas e da mandí- bula com a falta dos pontos de contato. Espaço interdentário É o espaço virtual, entre dois dentes contíguos de um mesmo arco, que tem a forma de uma pirâmide quadrangular, cuja base repousa sobre a crista óssea alveolar e o vértice coincide com o ponto de contato. Das quatro faces, duas são reais, a distal de um dente e a mesial do outro, e duas são virtuais, correspondendo às tangentes vestibular e lingual dos dois dentes contíguos no mesmo arco. Conteúdo do espaço interdentário Este espaço é virtual porque é preenchido pela papila gengival ou interdentária e pelas fibras interdentárias ou transeptais, que partem do cemento de um dente para o do outro sobre a crista alveolar. Deste modo, as faces proximais dos dentes contíguos ficam unidas entre si por uma rede fibrosa supra-alveolar. A papila gengival age no espaço interdentário como comple- mento do ponto de contato, evitando a penetração e retenção de fragmentos alimentares entre os dentes contíguos. AMEIA OU NICHO É o espaço compreendido entre dois dentes contíguos de um mesmo arco, em forma de pirâmide quadrangular, de base oclusal (virtual) e vértice coincidindo com o ponto de contato. Das quatro faces, duas são reais, a distal de um dente e a mesial do outro, e duas são virtuais, correspondendo às tangentes vestibular e lingual. As faces mesial e distal da pirâmide, dado o seu grau de convexidade, funcionam em conjunto com o ponto de contato, desviando as frações alimenta- res durante a mastigação no sentido vestibular e lingual. Portanto, a ameia é a primeira barreira de proteção das estruturas interdentárias. PERIODONTO É o conjunto de estruturas que constituem a articulação alvéolo-dental. Do ponto de vista anatômico e clínico, temos dois tipos de periodonto, o periodonto de proteção ou gengiva e o periodonto de fixação ou de inserção, representado pelo cemento, osso alveolar e ligamentos alvéolo-dentários.
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    CAPÍTULO 9 293 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. GENGIVA Éumamembranamucosaqueenvolveosprocessosalveolareseoscolosdentários. A partir do fundo do vestíbulo e do sulco gengivolingual, a mucosa possui duas zonas de aspectos diferentes, uma avermelhada (mucosa alveolar) e outra mais esbranquiçada, mais aderente e mais espessa (mucosa gengival ou gengiva). Num exame mais atento, verifica-se que a gengiva possui duas regiões distintas: uma aparentemente aderida ao colo dentário (gengiva livre) e outra aderente ao pro- cesso alveolar, mais espessa (gengiva inserida). Entre as duas existe um pequeno espaço, o sulco marginal. Se introduzirmos um estilete entre o colo do dente e a gengiva livre, ele ficará envolto pela mucosa aproximadamente entre 0,5 e 2,5mm, e a ponta do estilete tocará num ponto onde a mucosa gengival adere ao colo dentário. A gengiva inserida caracteriza-se pelo aspecto granulado devido às papilas subjacentes; esse aspecto é importante, pois nos processos inflamatórios há edema e a granulação desaparece, e a gengiva torna-se lisa e avermelhada. Nos espaços interdentários a gengiva se eleva e preenche esses espaços, são as papilas interdentárias, onde a gengiva vestibular se continua com a lingual. Cemento Localizado sobre a dentina radicular, faz parte do periodonto de inserção, recebe as fibras dos ligamentos alvéolo-dentários. Alvéolo É uma cavidade aberta nos processos alveolares das maxilas e mandíbula que recebe a raiz dentária. Ligamentos alvéolo-dentários (desmodonto) Este complexo conjunto fibroso tem por finalidade principal unir o cemento radicular ao alvéolo, porém, várias fibras dirigem-se também para a gengiva e algumas vão ter ao cemento de dentes vizinhos acima da crista alveolar. As fibras alvéolo-dentárias podem ser divididas em: fibras da crista alveolar, fibras horizontais, fibras oblíquas e fibras apicais. As fibras da crista alveolar estão situadas logo abaixo das fibras interdentárias ou transeptais, isto é, na parte alta dos septos inter-alveolares. As fibras horizontais fixam-se em ângulos retos em relação ao eixo radicular e horizontalmente dirigem-se para as paredes do alvéolo à altura do terço cervical da raiz. As fibras oblíquas dirigem-se obliqua- mente do cemento para o alvéolo e constituem a maioria das fibras alvéolo- dentárias. Estão nos dois terços apicais da raiz. As fibras apicais dirigem-se do ápice ao fundo do alvéolo. Disposição dos dentes nas arcadas Na dentição normal, os dentes estão dispostos numa seqüência rigorosa, ou seja, cada dente está em íntimo contato com o seu vizinho. A relação entre os dentes superiores e inferiores ao se tocarem chama-se oclusão.
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    294 Anatomia Dental ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. As relações normais das duas arcadas em oclusão caracterizam-se pela sobremordida maxilar, que é causada pelo maior diâmetro da arcada superior. Os incisivos e caninos superiores estão em mordida vestibular em relação aos infe- riores. Os pré-molares e molares superiores estão deslocados vestibularmente, de tal modo que as cúspides vestibulares dos dentes inferiores ocluem com os sulcos principais mesiodistais dos superiores, e as cúspides linguais dos superi- ores estão em oclusão com os sulcos semelhantes dos inferiores. As diferenças das distâncias mesiodistais dos incisivos superiores e inferio- res também ocasionam uma posição distal dos dentes superiores em relação aos inferiores. O incisivo central superior oclui com o central inferior e a metade mesial do lateral inferior. O incisivo lateral superior oclui com a metade distal do lateral inferior e a metade mesial do canino inferior. O canino superior oclui com a metade distal do canino inferior e a metade mesial do primeiro pré-molar infe- rior. O primeiro pré-molar superior oclui com a metade distal do primeiro pré- molar inferior e a metade mesial do segundo pré-molar inferior. O segundo pré-molar superior oclui com a metade distal do segundo pré-molar inferior e o terço mesial do primeiro molar inferior. O primeiro molar superior oclui da se- guinte maneira: a sua cúspide mesiovestibular oclui projetando-se vestibularmente sobre o sulco entre as cúspides mésio e mediovestibular do primeiro molar infe- rior; a cúspide distovestibular do primeiro molar superior oclui sobre a cúspide distovestibular do primeiro inferior e a mesiovestibular do segundo molar inferior. O segundo molar superior oclui com os dois terços distais do segundo molar inferior e com o terço mesial do terceiro molar inferior. O terceiro molar superior oclui com os dois terços distais do terceiro molar inferior. Numa dentição normal, as faces distais dos terceiros molares superiores e inferiores estão praticamente no mesmo plano, isso porque os diâmetros mesiodis- tais dos superiores são menores que nos inferiores, compensando, assim, o maior diâmetro mesiodistal dos incisivos e caninos superiores em relação aos inferiores. Na dentição temporária, é importante observar que as diferenças das distân- cias mesiodistais dos molares superiores e inferiores fazem com que as faces distais dos segundos molares superiores e inferiores fiquem no mesmo plano, compensando, assim, a maior distância mesiodistal dos incisivos e caninos su- periores em relação aos inferiores, como acontece na dentição permanente.
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    CAPÍTULO 10 295 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 10 Fundamentos Anatômicos para Radiografia Dental Quando se impressiona uma película radiográfica através dos raios X, ob- têm-se imagens radiopacas e radiotransparentes ou radiolúcidas. As radiopacas aparecem esbranquiçadas, claras. As radiolúcidas aparecem escuras. Em todas as tomadas radiográficas dos dentes, observa-se uma imagem muito clara representando o esmalte que recobre as coroas, uma menos clara que repre- senta a dentina e uma escura que representa a cavidade pulpar (câmara pulpar e canais radiculares). Ao redor das raízes, observa-se uma linha branca que repre- senta a compacta óssea alveolar conhecida como lâmina dura. Entre esta e a raiz, uma linha escura que representa o espaço periodontal, e, ao redor das raízes, o processo alveolar com aspecto trabeculado devido ao osso esponjoso. TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DE INCISIVOS SUPERIORES IMAGENS RADIOPACAS Logo acima e entre os ápices dos incisivos centrais, observa-se uma imagem clara representando a espinha nasal anterior. Do plano mediano para a lateral, uma linha curva, côncava para cima, que representa o soalho da fossa nasal. IMAGENS RADIOLÚCIDAS Logo acima do soalho nasal observa-se uma zona escura que representa a fossa nasal. No plano mediano, partindo da espinha nasal anterior até a margem
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    296 FUNDAMENTOS ANATÔMICOSPARA INTERPRETAÇÃO DE RADIOGRAFIAS DENTÁRIAS © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. alveolar, uma linha escura que representa a sutura intermaxilar. Entre os terços apicais dos incisivos centrais, uma imagem escura, ovalada, que representa o forame incisivo. TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DE CANINO SUPERIOR IMAGEM RADIOPACA Pilar canino que aparece sob a forma de uma faixa esbranquiçada que segue para cima, na direção do eixo do próprio dente. IMAGENS RADIOLÚCIDAS Excepcionalmente, pode aparecer uma imagem escura medialmente à raiz do canino, representando a parte lateral da fossa nasal e distalmente represen- tando a porção anterior do seio maxilar, quando este é muito amplo. TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DE PRÉ-MOLARES SUPERIORES IMAGEM RADIOPACA Uma linha branca horizontal acima dos ápices radiculares que representa o soalho do seio maxilar. IMAGEM RADIOLÚCIDA Uma zona escura acima desta linha representa o seio maxilar. TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DE MOLARES SUPERIORES Os molares mantêm uma relação muito íntima com o soalho do seio maxilar. Em geral, a tríplice cúpula alveolar destes dentes está separada do soalho do seio maxilar apenas pela justaposição da parede alveolar à lâmina compacta do soa- lho sinusal. Há porém, variantes: algumas vezes a cúpula dista alguns milíme- tros do soalho, e, outras vezes ainda, os ápices das raízes estão em contato com a mucosa do seio. IMAGENS RADIOPACAS Logo acima do primeiro molar, observa-se uma imagem clara de forma trian- gular que representa o pilar zigomático. Logo acima ou junto aos ápices radiculares ou ainda se invaginando entre eles, observa-se uma linha clara, sinuosa, que representa o soalho do seio maxilar. Atrás do terceiro molar, pode-se observar uma imagem clara, ligeiramente curva, que aponta para baixo, que representa o hâmulo pterigóideo. Observa-se ainda, na porção póstero-inferior da radiografia,
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    CAPÍTULO 10 297 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. uma imagem clara, de forma triangular, que aponta para cima e para adiante e que representa o processo coronóide da mandíbula. IMAGEM RADIOLÚCIDA Acima da linha radiopaca que representa o soalho do seio, observa-se uma zona escura que representa o seio maxilar. TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DOS INCISIVOS INFERIORES IMAGEM RADIOPACA No plano mediano, abaixo dos ápices dos incisivos centrais observa-se uma imagem clara, pequena, em forma de anel irregular, que representa os processos “geni”. IMAGEM RADIOLÚCIDA No centro deste anel radiopaco aparece um ponto escuro, que representa o forame lingual. TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DO CANINO INFERIOR Além dos dentes, lâmina dura, espaço periodontal e processo alveolar, não se encontra elemento anatômico digno de nota. TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DOS PRÉ-MOLARES INFERIORES O elemento anatômico importante nesta tomada é o forame mental, que apa- rece como uma imagem radiolúcida arredondada ou ovalada à altura do ápice do segundo pré-molar ou entre os ápices do primeiro e do segundo pré-molares. TOMADA RADIOGRÁFICA NO NÍVEL DE MOLARES INFERIORES IMAGENS RADIOPACAS Observa-se duas linhas claras à altura do terceiro e segundo molares que seguem do corpo para o ramo e são paralelas. A superior representa a linha oblí- qua e a inferior a linha milo-hióidea. IMAGENS RADIOLÚCIDAS Seguindo do ramo para o corpo, abaixo dos ápices dos molares ou em ínti- ma relação com os seus ápices, principalmente do terceiro molar, observa-se uma faixa escura que representa o canal mandibular. Em alguns casos, pode-se observar abaixo dos ápices dos molares uma zona elíptica escura que represen- ta a fossa submandibular, provavelmente de pessoas que têm esta fossa muito escavada.
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    CAPÍTULO 11 299 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 11 Anatomia Regional REGIÃO NASAL É uma região ímpar, localizada no terço médio da face que corresponde à pirâmide nasal conhecida como nariz. LIMITES Superior — uma linha horizontal que vai de uma sobrancelha à outra. Inferior — uma linha horizontal, paralela à precedente que passa tangente às margens inferiores das asas do nariz. Laterais — a cada lado, uma linha oblíqua que parte do ângulo medial da órbita, segue para baixo e para fora e termina tangente à margem externa da asa do nariz, coincidindo com o sulco nasogeniano. PLANOS Pele É fina e movível no terço superior e grossa e aderente às cartilagens nos dois terços inferiores. Tela subcutânea É pouco desenvolvida, não forma um plano nítido em toda a região, apenas na porção em que a pele é movível.
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    300 Anatomia Regional:Regiões Superficiais da Face © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 11.1 — Regiões superficiais da face (vista anterior): RN — região nasal; RL — região labial; RMe — região mental; RP — região parotídea; RMa — região massetérica: RG — região geniana. Fig. 11.2 — Regiões superficiais da face (vista lateral): RN — região nasal; RL — região labial; RMe — região mental; RP — região parotídea; RMa — região massetérica; RG — região geniana.
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    CAPÍTULO 11 301 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Muscular Prócero, levantador do lábio superior e da asa do nariz, nasal, dilatador da asa do nariz e depressor do septo (Figs. 4.1 e 4.2). Esquelético Este plano está formado por ossos e cartilagens forrados por periósteo e pericôndrio, respectivamente. Os ossos são os nasais e as maxilas e as cartilagens são as nasais laterais, alares e do septo. Estes ossos e cartilagens estão unidos por uma membrana fibrosa (Figs. 2.10 e 2.11). Vasos e nervos Artérias dorsais do nariz, ramos das artérias oftálmicas e nasais laterais, ra- mos das artérias faciais e suas veias satélites. Os vasos linfáticos drenam aos linfonodos parotídeos e aos submandibulares. Os nervos eferentes destinam-se aos músculos, são ramos dos nervos faciais; os aferentes são os nasais externos, os supra e infratrocleares e os infra-orbitais. REGIÃO LABIAL É uma região ímpar que corresponde às partes que constituem os lábios, envolvendo lábio superior e inferior. LIMITES Superior — é o limite inferior da região nasal, ou seja, uma linha horizontal que passa tangente às margens inferiores das asas do nariz. Inferior — uma linha horizontal, paralela à precedente, que passa pelo sulco mentolabial. Laterais — sulcos labiogenianos. PLANOS Pele É grossa e muito aderente ao plano muscular. É rica em folículos pilosos e possui numerosas glândulas sebáceas. Na mulher e na criança, apresenta pêlos finos; no homem adulto, pêlos grossos (bigode no lábio superior e barba no lábio inferior). Tela subcutânea Existe apenas nas porções laterais, faltando quase completamente na porção medial onde a pele adere-se intimamente ao plano muscular.
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    302 Anatomia Regional:Regiões Superficiais da Face © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Muscular Depressor do septo, levantador do lábio superior e da asa do nariz, levantador do lábio superior, levantador do ângulo da boca, zigomáticos menor e maior, risório, bucinador, depressor do ângulo da boca, depressor do lábio inferior e orbicular da boca (Figs. 4.1 e 4.2). Glandular Está constituído pelas glândulas salivares labiais, que fazem relevo na mucosa labial, principalmente no lábio inferior. Mucoso É o plano mais posterior da região labial, tem uma coloração avermelhada. Nos ângulos bucais, continua-se com o plano mucoso da região geniana. O limite da mucosa labial e gengival é dado pelo sulco gengivolabial. Nota-se no plano mediano, tanto no lábio superior quanto no inferior, uma prega triangu- lar, disposta no sentido sagital; é o frênulo labial superior e inferior. Finalmente, no nível da margem livre dos lábios, a mucosa labial é mais fina e aderente e se continua com a pele. Vasos e nervos Artérias labiais superiores e inferiores, ramos das artérias faciais. Além des- tas, a região labial recebe ramos das artérias infra-orbitais, bucais e mentais. As veias são satélites das artérias. Os linfáticos de todo o lábio superior e das por- ções laterais do lábio inferior drenam aos linfonodos submandibulares, e, da parte média do lábio inferior, aos linfonodos submentais. Os nervos eferentes destinam-se aos músculos e são ramos dos nervos faciais. Os aferentes para o lábio superior são ramos dos nervos infra-orbitais, e, para o lábio inferior, são ramos dos nervos mentais. REGIÃO MENTAL É ímpar e mediana, corresponde à porção anterior do corpo da mandíbula recoberta pelas partes moles. LIMITES Superior — é o limite inferior da região labial, ou seja, uma linha horizontal que passa pelo sulco mentolabial. Inferior — margem inferior da porção anterior do corpo da mandíbula. Laterais — duas verticais baixadas dos sulcos labiogenianos até encontrar a mar- gem inferior da mandíbula.
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    CAPÍTULO 11 303 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. PLANOS Pele É bastante espessa e rica em folículos pilosos. Na mulher e na criança, apre- senta pêlos finos; no homem adulto, pêlos grossos (barba). Tela subcutânea Apresenta uma considerável capa de gordura que se intromete entre as fibras musculares. Muscular Depressor do ângulo da boca, depressor do lábio inferior e mental (Figs. 4.1 e 4.2). Esquelético É representado pela face anterior da porção média do corpo da mandíbula, recoberta pelo periósteo. Vasos e nervos Artérias mentais que chegam à região pelos forames mentais, ramos das arté- rias labiais inferiores e ramos das artérias submentais. As veias são satélites das artérias. Os linfáticos das porções laterais drenam aos linfonodos submandibulares e da parte média aos submentais. Os nervos eferentes que se destinam aos mús- culos são ramos dos nervos faciais, e os aferentes são ramos dos nervos mentais. Podem-se encontrar ainda alguns ramos do nervo transverso do pescoço (aferente) que se origina no plexo cervical. REGIÃO PAROTÍDEA É uma região par, que se localiza na porção súpero-lateral do pescoço e late- ral da face junto à margem posterior do ramo da mandíbula (Fig. 6.4). LIMITES Superior — margem inferior da porção mais posterior do arco zigomático. Inferior — uma linha horizontal que prolonga a margem inferior da mandíbula até a margem anterior do músculo esternocleidomastóideo. Anterior — margem posterior do ramo da mandíbula. Posterior — processo mastóideo e margem anterior do músculo esternocleido- mastóideo. Medial — processo estilóide e parede lateral da faringe.
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    304 Anatomia Regional:Regiões Superficiais da Face © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. PLANOS Pele É delgada, bastante movível, apresenta pêlos finos na mulher e na criança e grossos no homem adulto (barba). Tela subcutânea É aderente à pele, continuando-se com a tela das regiões vizinhas sem limite nítido de demarcação. Muscular Encontram-se alguns feixes dos músculos platisma, risório e auricular anterior. Loja parotídea Suas paredes são formadas pela fáscia parotídea, que envolve a glândula parótida. Conteúdo Encontra-se na loja parotídea a glândula parótida, vasos, nervos e linfonodos. A artéria mais importante que penetra na parótida é a carótida externa, que no interior da glândula emite a artéria auricular posterior, a temporal superficial e a maxilar. A temporal superficial emite no interior da glândula a transversa da face e as auriculares. As veias são: a temporal superficial, a maxilar, que se unem e formam a veia retromandibular no interior da glândula (esta veia encontra-se lateralmente à artéria carótida externa), veia jugular externa, que é formada no interior da glândula pela união das veias auricular posterior e occipital. Ainda se encontram as veias transversas da face e auriculares, que são tributárias da tem- poral superficial. Os linfonodos estão divididos em superficiais e profundos: os superficiais estão situados imediatamente abaixo da lâmina superficial da fáscia parotídea e os profundos no interior da glândula parótida. O nervo mais impor- tante que atravessa a glândula parótida de trás para adiante é o nervo facial (eferente), que forma no interior da glândula o plexo intraparotídeo. Outro nervo encontrado na porção superior da região é o auriculotemporal (aferente), mas contém fibras secretomotoras para parótida oriundas do nervo petroso superficial menor, portanto (eferentes); e, finalmente, o nervo auricular magno (aferente), que segue na superfície lateral do músculo esternocleidomastóideo, vindo do plexo cervical, e atravessa a parótida em direção ao pavilhão auricular. REGIÃO MASSETÉRICA É uma região par, está situada na porção póstero-lateral da face. Compreende a face lateral do ramo da mandíbula e as partes moles que o recobrem.
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    CAPÍTULO 11 305 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. LIMITES Superior — margem inferior do arco zigomático. Inferior — margem inferior da mandíbula. Anterior — margem anterior do músculo masseter. Posterior — margem posterior do ramo da mandíbula. PLANOS Pele É bastante movível, rica em folículos pilosos, apresenta-se com pêlos finos na mulher e na criança e pêlos grossos no homem (barba). Tela subcutânea É mais ou menos rica em gordura e imediatamente abaixo encontram-se as seguintes formações: os vasos transversos da face (artéria e veia); o prolongamen- to anterior da glândula parótida; o ducto parotídeo, que vem da região parotídea, atravessa toda a região massetérica, dobra-se medialmente, perfura o bucinador na região geniana e se abre na mucosa da bochecha no nível de primeiro ou segundo molares superiores; os ramos do nervo facial que abandonam a margem anterior da parótida e seguem para a frente e se destinam à musculatura da mími- ca; alguns feixes dos músculos risório e platisma; e, por último, no ângulo ântero- inferior da região, os vasos faciais (artéria e veia). A drenagem linfática é para os linfonodos submandibulares. Muscular Está representado pelo masseter e sua fáscia. Esquelético Face lateral de todo ramo da mandíbula coberto pelo periósteo. REGIÃO GENIANA É uma região par, está situada na porção anterolateral da face e se estende da margem infra-orbital à margem inferior da mandíbula. LIMITES Superior — margem infra-orbital. Inferior — margem inferior da mandíbula.
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    306 Anatomia Regional:Regiões Superficiais da Face © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Anterior — são os limites laterais das regiões nasal, labial e mental, ou seja, de cima para baixo, o sulco nasogeniano, o labiogeniano e uma vertical baixada deste até a margem inferior da mandíbula. Posterior — é o limite anterior da região massetérica, ou seja, a margem anterior do músculo masseter. PLANOS Pele É bastante movível, rica em glândulas sudoríparas e sebáceas, apresenta pê- los finos na mulher e na criança e grossos no homem adulto que se continuam com os da região massetérica. Tela subcutânea Apresenta uma quantidade mais ou menos considerável de gordura segundo os indivíduos. Na parte posterior da região, observa-se o corpo adiposo da boca que ocupa o espaço entre o masseter e o bucinador Muscular De cima para baixo, observam-se os seguintes músculos: a porção inferior do orbicular do olho, a porção lateral do levantador do lábio superior e da asa do nariz, o levantador do lábio superior, o levantador do ângulo da boca, os zigomáticos menor e maior, o risório, alguns feixes do platisma, feixes mais late- rais do depressor do ângulo da boca e, finalmente, o bucinador na parte média da região, que é perfurado pelo ducto parotídeo (Figs. 4.1 e 4.2). Mucoso Este plano só é encontrado no terço médio da região, ou seja, é a mucosa que reveste medialmente o músculo bucinador ao qual se adere intimamente. No nível do primeiro ou segundo molares superiores, esta mucosa apresenta uma projeção, a papila parotídea, que marca o orifício de drenagem do ducto parotídeo. Ao redor deste ponto, entre a mucosa e o bucinador, encontramos um grupo de glândulas salivares acessórias chamadas de glândulas molares. Esquelético Este plano está representado, no terço superior, pela maxila e pelo zigomático, e, no terço inferior, pela mandíbula, todos recobertos pelo periósteo. Vasos e nervos A principal artéria da região é a facial, que penetra na face pela região massetérica e a seguir segue toda região geniana até dar seu ramo terminal, a
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    CAPÍTULO 11 307 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. artéria angular. A veia facial, lateralmente à artéria, faz o trajeto inverso, drenan- do a região geniana e regiões vizinhas. Outras artérias chegam à região geniana e o retorno é feito por suas veias satélites. São as seguintes: ramos da artéria lacri- mal, na porção súpero-lateral; ramos da artéria infra-orbital, que se dirigem à parte anterior da bochecha; ramos da artéria bucal, que se distribuem à mucosa que forra o bucinador; ramos da artéria transversa da face, que se distribuem na face lateral do bucinador; e, na porção inferior da região, os ramos da artéria mental. A região geniana apresenta o grupo de linfonodos bucais que se encon- tram no trajeto da veia facial e vão drenar aos linfonodos submandibulares. Os nervos que se destinam aos músculos da mímica são ramos do nervo facial (eferente). Os aferentes são provenientes de várias origens, a saber: ramo zigomaticofacial, para a cútis sobre o osso zigomático; ramos do nervo bucal, que é ramo do mandibular, se distribuem na bochecha; ramos do nervo infra-orbital, se distribuem na porção ântero-superior da região; e, finalmente, ramos do nervo mental para a porção inferior da região. REGIÃO INFRATEMPORAL É uma região par, está localizada abaixo da região temporal, medialmente à região massetérica. Seus limites são os mesmos da fossa infratemporal, já estuda- dos no Capítulo 2. Conteúdo Músculos pterigóideos (medial e lateral); artéria maxilar, com a maioria dos seus ramos, com exceção do seu trajeto na fossa pterigopalatina e seus ramos nesta fossa. As veias são satélites das artérias, porém na região infratemporal formam o plexo pterigóideo. Os linfáticos desta região drenam aos linfonodos cervicais profundos. O principal nervo desta região é o nervo mandibular com todos os seus ramos; encontra-se ainda, na face medial do nervo mandibular, o gânglio ótico, onde fazem sinapse as fibras parassimpáticas do nervo petroso superficial menor e também passam as fibras do petroso profundo menor do plexo simpático pericarótico interno. A região infratemporal está ocupada ainda por um tecido gorduroso que rodeia os vasos e nervos e o espaço entre os múscu- los. Esta massa gordurosa continua-se com o corpo adiposo da boca. REGIÃO PTERIGOPALATINA É uma região par, está localizada medialmente à região infratemporal. Seus limites são os mesmos da fossa pterigopalatina, já estudados no Capítulo 2. Conteúdo Porção terminal da artéria maxilar, com seus três ramos colaterais e um ter- minal; as veias são satélites das artérias; os linfáticos drenam aos linfonodos
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    308 Anatomia Regional:Regiões Superficiais da Face © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. cervicais profundos; o nervo maxilar com todos os seus ramos e o gânglio pterigopalatino, onde as fibras parassimpáticas do nervo petroso superficial maior fazem sinapse e as simpáticas do petroso profundo maior apenas o atravessam; finalmente, encontra-se tecido gorduroso que envolve os vasos e nervos e se con- tinua com o tecido gorduroso da região infratemporal. REGIÃO PALATINA É uma região ímpar, constituída, nos seus dois terços anteriores, pelo palato duro e no seu terço posterior pelo véu palatino (Fig. 6.2). Situação e limites Está situada por baixo das fossas nasais e à frente da faringe. Continua-se para adiante e para os lados com a região gengivodental e póstero-lateralmente com a região tonsilar. Posteriormente termina na margem livre do véu palatino, limitando assim, com a base da língua, o istmo da fauce (garganta). PLANOS DOS DOIS TERÇOS ANTERIORES Mucoso Apresenta uma coloração rosada. É caracterizado por sua espessura, maior nas partes laterais do que na porção medial, por sua resistência e por sua aderên- cia ao periósteo. Glandular Está formado pelas glândulas salivares palatinas, que se encontram a cada lado do plano mediano. Esquelético Está constituído pelos processos palatinos das maxilas anteriormente e pelas lâminas horizontais dos ossos palatinos posteriormente (Fig. 2.26). PLANOS DO TERÇO POSTERIOR Mucoso A mucosa é delgada e pouco aderente ao plano subjacente. Glandular Está formado pelas glândulas salivares palatinas, que se continuam com as dos dois terços anteriores.
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    CAPÍTULO 11 309 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Muscular Está representado pelos músculos do véu palatino, que são os seguintes: músculo da úvula, levantador do véu palatino, tensor do véu palatino, palatofaríngeo e palatoglosso (Fig. 4.7). Vasos e nervos No palato duro, as artérias palatinas maiores e a incisiva; no palato mole, as palatinas menores e as palatinas ascendentes. As veias que drenam a região palatina são satélites das artérias e terminam no plexo pterigóideo. Os linfáticos drenam aos linfonodos cervicais profundos. A sensibilidade do palato duro é carregada pelos nervos palatinos maiores e incisivo; do palato mole, pelos palatinos menores e ramos do glossofaríngeo. Os ramos eferentes para as glândulas palatinas vêm do nervo petroso superficial maior. Os ramos eferentes para a musculatura têm origem no plexo faríngeo. O músculo tensor do véu palatino recebe também um ramo do nervo mandibular. REGIÃO GENGIVODENTAL Compreende o processo alveolar das maxilas e da mandíbula, os dentes e o periodonto, já estudados no Capítulo 9 — Fig. 9.2. LIMITES Externamente, na porção anterior, o sulco gengivolabial, e, nas porções late- rais o sulco gengivobucal. Estes sulcos são conhecidos como fundo do vestíbulo bucal. Internamente, na parte superior, o limite entre a região gengivodental e a região palatina está a aproximadamente 1cm da margem alveolar lingual. E na parte inferior é o sulco gengivolingual, ou seja, o limite entre a região gengivodental e a mucosa do soalho da boca. VASOS E NERVOS Na parte superior do lado lingual, a cada lado: artéria palatina maior e artéria incisiva; veias satélites; nervo palatino maior e incisivo. Na parte vestibular, a cada lado: artérias alveolares póstero-superior, médio-superior e ântero-superior; veias satélites; nervos alveolares póstero-superior, médio-superior e ântero-su- perior; os linfáticos de toda a região, na sua parte superior, drenam aos linfonodos submandibulares. Na parte inferior do lado lingual, a cada lado: artéria sublingual; veia sublingual; e nervo lingual. Do lado vestibular, no nível de molares, a arté- ria bucal, a veia facial profunda e o nervo bucal, ramo do nervo mandibular. Para os dentes molares e alvéolos, o nervo alveolar inferior. No nível de pré-molares, os vasos mentais e o nervo mental. No nível de canino e incisivos, os vasos inci- sivos e o nervo incisivo. Os linfáticos da parte inferior da região gengivodental drenam aos linfonodos submandibulares, com exceção dos incisivos inferiores, que drenam aos linfonodos submentais. Os dentes e o periodonto já foram estudados no Capítulo 9.
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    310 Anatomia Regional:Regiões Superficiais da Face © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. REGIÃO LINGUAL É formada de duas porções: uma porção bucal e uma porção faríngea ou base da língua. O limite é dado pelo V lingual. O V lingual é formado por mais ou menos 11 papilas valadas. Estas papilas são as mais volumosas, estão dispostas em duas fileiras, uma direita e uma esquerda, que se dirigem obliquamente de trás para adiante e do meio para fora; reunidas, formam um V cujo vértice está voltado para trás. A papila que ocupa o vértice do V é mais volumosa e imediata- mente atrás dela observa-se o forame cego da língua. A língua é um órgão forma- do de massa muscular, revestido de mucosa. Os músculos da língua já foram estudados no Capítulo 4 (Fig. 6.3). Sua face superior ou dorsal está em relação com a abóbada palatina. Sua mucosa é espessa. Apresenta um sulco mediano e, partindo deste, como se fos- sem as barbas de uma pena, fileiras de papilas gustativas diferenciadas em fungiformes e filiformes. A face inferior da língua está sobre as regiões sublinguais, sua mucosa é fina. Apresenta, no plano mediano, uma prega mucosa, o frênulo da língua, e, aos lados do frênulo, por transparência podem-se observar as veias sublinguais. As margens da língua são arredondadas e correspondem aos arcos dentários. Nas porções mais posteriores destas margens encontram-se as papilas folhadas. ARTÉRIAS Dorsais da língua e profundas da língua (Fig. 5.7). VEIAS Dorsais da língua e sublinguais que vão drenar nas veias linguais. LINFÁTICOS Os da base da língua drenam aos linfonodos jugulodigástricos; os do terço médio da língua aos submandibulares; e os da ponta da língua aos submentais (Fig. 5.14). Nervos aferentes Nervos linguais carregam a sensibilidade geral dos dois terços anteriores da língua. Nervos cordas do tímpano carregam a sensibilidade gustativa dos dois terços anteriores da língua. Nervos glossofaríngeos carregam a sensibilidade ge- ral e gustativa do terço posterior da língua. Nervo eferente Nervos hipoglossos são responsáveis pela motricidade da língua.
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    CAPÍTULO 11 311 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. REGIÃO SUBLINGUAL É uma região par e está situada por baixo da parte livre da língua. Compreen- de a loja sublingual (Fig. 6.5). LIMITES Superior — mucosa do soalho da boca. Inferior — músculo milo-hióideo. Medial — por diante, o músculo genioglosso; mais atrás, o músculo hioglosso; e, ainda um pouco mais atrás, o músculo gênio-hióideo. Anterolateral — fóvea sublingual, acima da linha milo-hióidea. Conteúdo Glândula sublingual, é a menor das glândulas salivares principais. Tem for- ma oval e está dirigida paralelamente à face póstero-medial do corpo da mandí- bula. Sua face superior levanta o soalho da boca, determinando a cada lado do frênulo lingual duas proeminências conhecidas como carúnculas sublinguais. Sua extremidade posterior está em contato com o prolongamento anterior da glândula submandibular que invade a loja sublingual. O ducto submandibular invade a loja sublingual, percorre-a em toda a sua extensão em contato com a face medial da glândula sublingual, próximo à sua margem superior, e se abre ao lado do frênulo lingual. O nervo lingual e o corda do tímpano, juntos, contornam o ducto submandibular, primeiro lateralmente, depois inferiormente e a seguir medialmente, para então dirigir-se para a língua. O nervo hipoglosso passa na região sublingual um pouco abaixo do nervo lingual. Os vasos sublinguais estão por baixo do ducto submandibular e medialmente à glândula sublingual. Os lin- fáticos drenam aos linfonodos submandibulares e submentais. Todos esses ele- mentos estão rodeados por tecido adiposo. As regiões sublinguais direita e es- querda comunicam-se no plano mediano através das fibras dos músculos que lhes servem de limite. REGIÃO SUPRA-HIÓIDEA É uma região ímpar e média, situada abaixo da mandíbula, acima do hióide, e ocupa a porção ântero-superior do pescoço. Limites Superior — margem inferior da mandíbula e uma linha horizontal que, partindo do ângulo da mandíbula, prolonga esta margem, de cada lado, até encontrar a margem anterior do músculo esternocleidomastóideo.
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    312 Anatomia Regional:Regiões Superficiais da Face © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Inferior — uma linha horizontal que passa pelo corpo do osso hióide e se esten- de de um esternocleidomastóideo a outro. Laterais — margens anteriores dos músculos esternocleidomastóideos. PLANOS SUPERFICIAIS Pele É grossa, flexível e bastante movível. Apresenta pêlos finos na mulher e na criança e grossos no homem adulto (barba). Tela subcutânea Continua-se com as regiões vizinhas e apresenta uma quantidade variável de gordura. Muscular Músculo platisma, envolto pela fáscia cervical superficial. Seus feixes diri- gem-se obliquamente para cima e para adiante e se entrecruzam no plano medi- ano, um pouco abaixo do mento. Rebatido o platisma e a fáscia superficial, encontra-se o músculo digástrico, que é constituído de dois ventres, um anterior e outro posterior, unidos por um tendão intermediário. O ventre posterior entra na região um pouco abaixo do ângulo da mandíbula. Dirigindo-se obliquamente para adiante e para baixo, atra- vessa o estilo-hióideo e chega ao osso hióide, junto ao qual está mantido por uma expansão fibrosa. O ventre anterior dirige-se para adiante e para cima, fixando-se na fossa digástrica. O músculo digástrico descreve uma curva de concavidade superior sob a glândula submandibular. O ventre anterior, junto com o ventre anterior do lado oposto, limitam uma espaço ímpar e médio, que tem a forma de um triângulo cuja base está formada pelo osso hióide. Esta área é conhecida como região submental. O teto deste triângulo é formado pelo músculo milo- hióideo. Neste espaço, encontram-se apenas os linfonodos submentais (Fig. 4.10). O músculo estilo-hióideo penetra também na região no nível do ângulo da mandíbula e está situado adiante do ventre posterior do digástrico. O músculo milo-hióideo forma o teto da região e, através de sua margem posterior, comuni- ca a região supra-hióidea com as regiões sublinguais. Posteriormente ao milo- hióideo, observam-se os feixes posteriores do músculo hioglosso. Loja submandibular Está situada lateralmente, a cada lado da região supra-hióidea (Figs. 6.4 e 6.5). LIMITES Súpero-lateral — face medial da mandíbula, ou seja, fóvea submandibular, abai- xo da linha milo-hióidea.
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    CAPÍTULO 11 313 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Ínfero-lateral — músculo platisma com sua fáscia e, por fora deles, a tela subcu- tânea e a pele. Súpero-medial — músculos milo-hióideo e hioglosso. CONTEÚDO Glândula submandibular, que é encontrada medialmente ao músculo platisma e sua fáscia. É maior que a sublingual e menor que a parótida. Ocupa a loja submandibular, envolve a margem posterior do músculo milo-hióideo e emite um prolongamento para a região sublingual, junto com o seu ducto excretor. Linfonodos submandibulares, encontram-se lateralmente à glândula. A artéria facial cruza a face profunda dos músculos digástrico e estilo-hióideo e penetra na loja submandibular, passando lateral, ou medial, ou, ainda, no interior da glândula. Durante o seu trajeto na região supra-hióidea, a artéria facial emite os seguintes ramos: artéria palatina ascendente, artéria tonsilar, artéria subman- dibular e artéria submental. As veias são satélites das artérias, mas, além destas, encontra-se uma veia lingual, lateral ao músculo hioglosso, que é satélite do nervo hipoglosso. Os nervos que atravessam a loja submandibular são: o lingual e, junto com ele, o corda do tímpano; apenso ao nervo lingual, encontra-se, nesta loja, o gânglio submandibular, onde as fibras parassimpáticas do corda do tímpa- no fazem sinapse e as fibras simpáticas do plexo da artéria facial o atravessam. Abaixo do nervo lingual observa-se o nervo hipoglosso, que é o nervo motor da língua, junto à face lateral do músculo hioglosso.
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    CAPÍTULO 12 315 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 12 Fundamentos Anatômicos para Anestesia Local Os ramos do nervo trigêmeo podem ser anestesiados por meio de acessos intra e extrabucais. Para dominar estas técnicas, é necessário que o profissional tenha conhecimento prévio de todas as ramificações do nervo trigêmeo, princi- palmente o trajeto e a área de inervação, além do conhecimento de pontos de referência anatômica que serão usados como guias na execução das técnicas. ANESTESIA DE RAMOS DO NERVO MAXILAR Na maxila, pode-se aplicar anestesias terminais do incisivo central até o se- gundo pré-molar, pois a tábua óssea vestibular desta área é extremamente fina e porosa, permitindo anestesia isolada de cada elemento dentário. O líquido anes- tésico deverá ser depositado sobre o periósteo, pois que a injeção subperióstica é contra-indicada porque o descolamento do periósteo provoca ruptura de vasos produzindo hematoma e dor pela compressão de filetes nervosos. Sabe-se que ramos do nervo alveolar ântero-superior carregam a sensibilida- de dos incisivos e canino, mucosa vestibular e alvéolos destes elementos dentários; logo, ao injetar anestésico no nível do ápice do incisivo central, consegue-se anestesia somente deste dente e, assim, com o lateral e com o canino. Porém, se o desejo é intervir nos três, deposita-se anestésico acima do ápice do canino e assim obtém-se anestesia do nervo alveolar ântero-superior. Mas existe a possibi- lidade de o incisivo central apresentar dor ao ser manipulado, pois pode existir uma anastomose no plano mediano entre ramos alveolares ântero-superiores direi- to e esquerdo. Neste caso, deve-se fazer uma infiltração local no nível do ápice
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    316 FUNDAMENTOS ANATÔMICOSPARA ANESTESIA LOCAL DOS RAMOS DO NERVO TRIGÊMEO © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. do incisivo central que se pretende manipular. Se se deseja intervir na mucosa palatina na área destes dentes, como na exodontia, por exemplo, far-se-á, além da injeção vestibular, uma injeção no nível da papila incisiva; assim, anestesia-se o nervo incisivo que carrega a sensibilidade do terço anterior da mucosa palatina. Se a mucosa palatina no nível do canino apresentar dor, far-se-á uma infiltração neste nível, a sensibilidade desta área pode ser levada pelo nervo palatino maior. Os ramos do nervo alveolar médio superior carregam a sensibilidade dos pré-molares. Logo, para intervir isoladamente em qualquer destes dentes, basta injetar anestésico no nível de seus ápices; porém, se o desejo for intervir nos dois, injeta-se anestésico acima do ápice do segundo pré-molar, assim, consegue- se anestesia do nervo alveolar médio superior. Se, além do dente, é necessário intervir na mucosa palatina, devem ser feitas anestesias no nível de cada dente do lado palatino. Se a intervenção for nos dois, será feita anestesia na mucosa palatina, distal ao segundo pré-molar; assim, serão anestesiados ramos do nervo palatino maior que carrega a sensibilidade desta área. Os nervos alveolar ântero-superior e médio superior são ramos do nervo infra- orbital; logo, se o desejo é intervir em áreas inervadas por estes ramos, pode-se blo- quear o nervo infra-orbital no nível do forame infra-orbital. Assim, pode-se inter- vir: na pálpebra inferior, na asa do nariz, no lábio superior, nos dentes, mucosa vestibular e alvéolos do incisivo central ao segundo pré-molar superior, não es- quecendo que no plano mediano poderá existir anastomose com o lado oposto; neste caso, deve-se complementar com uma anestesia terminal. E, se for necessá- rio executar exodontias múltiplas destes dentes, além de bloquear o nervo infra- orbital é preciso bloquear os nervos: o incisivo na papila incisiva e o nervo palatino maior no nível do forame palatino maior. A sensibilidade do primeiro molar superior é carregada pelos nervos alveolar médio-superior (raiz mesiovestibular) e pelo nervo alveolar póstero-superior (raízes distovestibular e lingual). Não há possibilidade de anestesia terminal à altura dos ápices radiculares, pois a curva zigomaticoalveolar é muito espessa e não permite a difusão do anestésico. Logo, para intervenção no primeiro molar, é preciso anestesiar o nervo alveolar médio superior, como já foi descrito, e o ner- vo alveolar póstero-superior. Para anestesia do nervo alveolar póstero-superior, toma-se como referência a curva zigomaticoalveolar e punciona-se a agulha distalmente a ela, introduzindo-a sobre o periósteo em direção à parte média da tuberosidade da maxila em busca do forame alveolar póstero-superior. Após es- tas duas injeções, estarão anestesiados não só o primeiro molar, como também, o segundo e o terceiro. Para anestesiar somente o segundo e o terceiro, anestesia-se o nervo alveolar póstero-superior. Para exodontias do segundo e terceiro, além do alveolar póstero-superior, anestesia-se o nervo palatino maior, no nível do forame palatino maior. Para exodontia do primeiro molar, anestesia-se os nervos: alveolar médio superior, alveolar póstero-superior e palatino maior. No caso de intervenções mais amplas, envolvendo toda a maxila, deverá ser feito o bloqueio do tronco do nervo maxilar, na fossa pterigopalatina. Com agulha longa (4,5cm), punciona-se distalmente à curva zigomaticoalveolar, se- gue-se em direção à tuberosidade e avança-se até a fossa pterigopalatina; assim, consegue-se anestesia de todos os ramos do nervo maxilar. Também pode-se atingir a fossa pterigopalatina através do canal palatino maior, pois ele comuni- ca a cavidade bucal inferiormente com a fossa pterigopalatina superiormente.
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    CAPÍTULO 12 317 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Localiza-se o forame palatino maior, na extremidade posterior do palato duro, medialmente ao terceiro molar, a aproximadamente 1cm da margem alveolar lingual. Punciona-se e avança-se com a agulha longa (4,5cm) para cima e ligei- ramente para trás, chegando até a fossa pterigopalatina (introduzindo apenas 3cm), onde se deposita o anestésico, anestesiando, assim, todos os ramos do nervo maxilar. ANESTESIA EXTRABUCAL DO NERVO MAXILAR Palpa-se o arco zigomático e marca-se na pele com lápis dermográfico a mar- gem inferior do arco. Palpa-se o côndilo mandibular e marca-se com o lápis a incisura mandibular. Punciona-se a agulha (4,5cm), tangente à margem inferior do arco zigomático no meio da incisura mandibular, perpendicular ao plano sagital mediano até que a ponta da agulha toque delicadamente a face lateral da lâmina lateral do processo pterigóide. A agulha é retirada, deixando-se apenas a ponta nos tecidos e redirecionada para dentro, para a frente e para cima até sua intro- dução total, quando sua ponta deverá estar na fossa pterigopalatina para blo- queio do nervo maxilar. ANESTESIA DE RAMOS DO NERVO MANDIBULAR Na mandíbula é possível aplicar anestesias terminais de incisivos e canino. Como na maxila, a área anterior da mandíbula, principalmente na fossa incisi- va, a tábua óssea externa é cheia de orifícios. Por esta razão pode-se anestesiar o incisivo central, o lateral e o canino, injetando anestésico no nível do ápice de cada um. No caso de exodontia, além de anestesiar ramos do nervo incisivo do lado vestibular, é preciso anestesiar ramos do nervo lingual, puncionando a mucosa lingual no nível do dente a ser extraído e aí injetar anestésico. Se se injetar anestésico no nível do forame mental, anestesiam-se as seguintes áreas: lábio inferior, dentes, mucosa vestibular e alvéolos dos pré-molares, canino e incisivos; não esquecendo que o incisivo central pode apresentar dor por causa da possível anastomose com o lado oposto no plano mediano. Faz-se necessária uma anestesia terminal à altura do ápice do incisivo central. Se a intervenção for exodontia, além do nervo mental, é preciso anestesiar ramos do nervo lin- gual, puncionando a agulha na mucosa lingual, à altura do segundo pré-molar. Para anestesia de molares, torna-se necessário anestesiar o nervo alveolar infe- rior no nível do forame mandibular, na face medial do ramo mandibular. Estan- do o paciente com a boca totalmente aberta, palpa-se a margem anterior do ramo mandibular, e medialmente a esta margem observa-se o ligamento pterigomandibular. Atrás do último molar, estas duas linhas se encontram, for- mando um ângulo cujos ramos se abrem para cima. Traça-se mentalmente a bissetriz deste ângulo, transformando-o em dois, um medial e um lateral. Com a seringa encostada no ângulo bucal do lado oposto, punciona-se a mucosa no ângulo medial aproximadamente a 1cm acima da face oclusal dos molares infe- riores, introduzindo em direção ao forame mandibular, onde se anestesia o nervo alveolar inferior. Com este bloqueio, estarão anestesiados todos os den-
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    318 FUNDAMENTOS ANATÔMICOSPARA ANESTESIA LOCAL DOS RAMOS DO NERVO TRIGÊMEO © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. tes inferiores, o lábio inferior e mucosa vestibular, do plano mediano até pré- molares. Para exodontias de molares, além do nervo alveolar inferior é preciso anestesiar o nervo lingual e o nervo bucal. O ponto em que o nervo lingual torna-se mais superficial é no sulco gengivolingual, no nível do terceiro molar, e, neste ponto, ele pode ser bloqueado, ou mais acima, na mesma punção que foi usada para o alveolar inferior, só que a seringa será encostada no ângulo bucal do mesmo lado a ser anestesiado, introduzindo a agulha em direção pos- terior aproximadamente 1,5cm, pois, em relação ao alveolar inferior, o nervo lingual é mais medial e anterior. Para anestesiar o nervo bucal, punciona-se a mucosa que recobre a margem anterior do ramo mandibular na sua porção média entre o processo coronóide e a margem alveolar, pois neste ponto o nervo bucal passa, vindo da fossa infratemporal, e se dirige à mucosa vestibular dos mola- res e à mucosa da bochecha. ANESTESIA EXTRABUCAL DO NERVO MANDIBULAR Deve ser feito o mesmo procedimento utilizado para o nervo maxilar, com uma diferença: na hora de redirecionar, o caminho é para dentro, para trás e para cima, pois, assim, após introduzir 4,5cm, a agulha estará no teto da fossa infratemporal, no nível do forame oval por onde sai o nervo mandibular.
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    CAPÍTULO 13 319 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 13 Relação dos Dentes com Estruturas Vizinhas O conhecimento dessa relação é indispensável para a compreensão da propagação das infecções de origem dentária, das exodontias, de qualquer cirurgia dentoalveolar e das anestesias locais. PROCESSO ALVEOLAR DA MAXILA O processo alveolar da maxila está em relação com o soalho da fossa nasal e com o soalho do seio maxilar. O pilar canino, que se origina no alvéolo do canino superior, prolonga-se para cima, ao longo da margem late- ral da abertura piriforme, em direção ao processo frontal da maxila. Portan- to, os incisivos estão abaixo do soalho da fossa nasal, os pré-molares e os molares abaixo do soalho do seio maxilar e o canino entre estas duas cavi- dades. As relações dos ápices dos incisivos com o soalho nasal dependem de dois fatores: altura do processo alveolar e comprimento das raízes. Assim, deve-se examinar cada caso individualmente, fazendo um exame radiográfico atento. Geralmente o ápice radicular do incisivo lateral não apresenta ínti- ma relação com o soalho nasal, como acontece com o ápice da raiz do cen- tral, pois a raiz do lateral inclina-se no sentido distolingual e o soalho nasal eleva-se ligeiramente no sentido lateral, fazendo com que a distância para o ápice do lateral fique acentuada.
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    320 RELAÇÃO DOSDENTES COM OS PROCESSOS ALVEOLARES E REGIÕES VIZINHAS © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Os alvéolos dos incisivos estão colocados excentricamente no processo alveolar, sendo que os eixos da raiz e do alvéolo aproximam-se mais da ver- tical do que o eixo do processo alveolar. Assim, a lâmina dura alveolar da face vestibular funde-se com a lâmina externa do processo alveolar, enquanto, do lado lingual, existe uma área de tecido ósseo esponjoso entre a lâmina dura alveolar e a lâmina palatina do processo alveolar. Fig. 13.1 — Corte sagital na maxila, no nível do incisivo central: LN — lâmina nasal; LP — lâmina palatina; LV — lâmina vestibular; IC — incisivo central. Fig. 13.2 — Corte sagital na maxila no nível do incisivo lateral: LN — lâmina nasal; LP — lâmina palatina; LV — lâmina vestibular; IL — incisivo lateral.
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    CAPÍTULO 13 321 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Devido à posição do canino no pilar canino, nem a fossa nasal nem o seio maxilar têm relações íntimas com o alvéolo deste dente. Porém, em alguns casos, o seio maxilar pode se expandir anteriormente, aproximando-se do alvéolo do canino. O mesmo pode acontecer com a fossa nasal, que, expandindo-se lateral- mente, pode ter íntima relação com o alvéolo do canino. A relação do canino com as lâminas do processo alveolar é, em princípio, a mesma que dos incisivos; porém, a parede vestibular do alvéolo do canino é extremamente fina, tanto que a sua raiz, por ser robusta, produz uma grande saliência vestibular no processo alveolar que é conhecida como eminência canina. Fig. 13.3 — Corte sagital na maxila no nível do canino: SM — seio maxilar; LP — lâmina palatina; LV — lâmina vestibular; C — canino. Os pré-molares e molares estão situados abaixo do soalho do seio maxilar. A maior ou menor relação entre o dente e o seio maxilar depende do desenvolvi- mento do prolongamento alveolar do seio maxilar. Mas, mesmo nos casos em que a base do processo alveolar é escavada pelo seio maxilar, o primeiro pré-molar fica quase sempre mais afastado do soalho do seio do que o segundo pré-molar e os molares, porque, na área pré-molar, o soalho do seio eleva-se para continuar com sua parede anterior. Este fato está relacionado ao alargamento do pilar cani- no na sua base. Assim, com exceção da extrema expansão do seio maxilar, o fundo do alvéolo do primeiro pré-molar está separado do soalho sinusial por uma camada de osso esponjoso. Como na região dos incisivos e caninos, a lâmina alveolar externa é a fusão entre a lâmina dura alveolar e a lâmina alveolar do processo alveolar, sendo geralmente delgada. Quando o primeiro pré-molar pos- sui duas raízes, a vestibular está aplicada contra a lâmina dura vestibular, en- quanto o alvéolo da raiz lingual está disposto quase no centro da esponjosa retro- alveolar. Se apresenta raiz única, o alvéolo está em relação com a lâmina alveolar externa e separado da lâmina lingual por osso esponjoso.
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    322 RELAÇÃO DOSDENTES COM OS PROCESSOS ALVEOLARES E REGIÕES VIZINHAS © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. As relações do segundo pré-molar com o seio maxilar são mais íntimas do que as do primeiro. Somente se o prolongamento do seio maxilar for pouco de- senvolvido é que uma camada de osso esponjoso se interpõe entre o alvéolo do segundo pré-molar e o soalho do seio. A relação vestibulolingual é praticamente a mesma do primeiro pré-molar. Fig. 13.4 — Corte frontal na maxila no nível do primeiro pré-molar: SM — seio maxilar; FN — fossa nasal; LP — lâmina palatina; LV — lâmina vestibular; Fio — forame infra-orbital; 1º PM — primeiro pré-molar. Fig. 13.5 — Corte frontal na maxila no nível do segundo pré-molar: SM — seio maxilar; FN — fossa nasal; LP — lâmina palatina; LV — lâmina vestibular; 2º PM — segundo pré-molar.
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    CAPÍTULO 13 323 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Na região de molares, a relação com o soalho do seio maxilar é íntima. Uma camada substancial de osso entre o fundo do alvéolo e o soalho do seio é rara. Os alvéolos dos molares quase sempre atingem o soalho sinusial e, freqüentemente, os fundos dos alvéolos de algumas ou de todas as raízes dos molares salientam-se no interior do seio sob a forma de pequenas saliências arredondadas. Não são raras falhas ósseas nestas saliências. A divergência das raízes dos molares, prin- cipalmente do primeiro molar, permite uma invaginação do seio entre as raízes. A maior divergência entre as raízes do primeiro molar é causa das diferenças Fig. 13.6 — Corte frontal na maxila no nível do primeiro molar: SM — seio maxilar; FN — fossa nasal; LP — lâmina palatina; LV — lâmina vestibular; 1º M — primeiro molar. Fig. 13.7 — Corte frontal na maxila no nível do segundo molar: SM — seio maxilar; FN — fossa nasal; LP — lâmina palatina; LV — lâmina vestibular; 2º M — segundo molar.
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    324 RELAÇÃO DOSDENTES COM OS PROCESSOS ALVEOLARES E REGIÕES VIZINHAS © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. entre o primeiro e o segundo molares com o seio maxilar, ou seja, o segundo, por não ter raízes tão divergentes, seus ápices estão em relação mais íntima com o seio maxilar. Enquanto, pela divergência, a raiz lingual do primeiro molar fre- qüentemente se prolonga além da base de separação óssea entre fossa nasal e o seio maxilar e pode, em casos extremos, prolongar-se até a área lateral do soalho nasal. No caso do terceiro molar, além da relação com o soalho do seio existe uma íntima relação com a parede posterior, que pode ser muito frágil. PROCESSO ALVEOLAR DA MANDÍBULA O processo alveolar da mandíbula é mais uniforme e mais robusto do que o da maxila. Somente na região de incisivos e caninos ele é frágil, porém, distalmente aos caninos, ele aumenta em espessura. Tem importância clínica a variação nas relações do processo alveolar com as lâminas dura e esponjosa dos alvéolos. Na parte anterior da mandíbula, na região dos incisivos e canino, o processo alveolar é estreitado no sentido vestibulolin- gual e as lâminas duras fundem-se em toda a altura da raiz, ou, pelo menos, na maior parte do seu comprimento, com as lâminas interna e externa do processo alveolar. A posição dos alvéolos dos pré-molares e molares no osso esponjoso da mandí- bula varia. É pouco freqüente encontrar-se alvéolo simétrico entre as lâminas exter- na e interna do osso alveolar. Na maioria dos casos, a posição do alvéolo é assimétrica, isto é, os eixos radicular e do alvéolo inclinam-se contra o eixo do processo alveolar. O processo alveolar fusiona-se, numa extensão variável, com uma das lâminas alveolares. Os pré-molares e o primeiro molar estão, em grande parte, em relação íntima com a lâmina alveolar externa. O segundo e o terceiro molares apresentam Fig. 13.8 — Corte frontal na maxila no nível do terceiro molar: SM — seio maxilar; FN — fossa nasal; LP — lâmina palatina; GP — gancho ou hâmulo pterigóideo; LV — lâmina vestibular; 3º M — terceiro molar.
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    CAPÍTULO 13 325 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. uma relação inversa, sendo quase uma regra geral para o terceiro molar. Isto não é conseqüência de uma inclinação diferente do terceiro molar, mas de um desvio mesial do próprio processo alveolar em relação ao volume do corpo da mandíbula. A linha oblíqua projeta-se consideravelmente sobre a face externa da mandíbula, na região do segundo e terceiro molares, e uma camada espessa de osso esponjoso interpõe-se entre o alvéolo e a camada compacta do osso. O alvéolo do dente de siso projeta-se Fig. 13.10 — Corte sagital na mandíbula no nível do canino: LV — lâmina vestibular; LL — lâmina lingual; PM — protuberância mental; C — canino. Fig. 13.9 – Corte sagital na mandíbula no nível de incisivos: LV — lâmina vestibular; LL — lâmina lingual; PM — protuberância mental; IC — incisivo central.
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    326 RELAÇÃO DOSDENTES COM OS PROCESSOS ALVEOLARES E REGIÕES VIZINHAS © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. sobre a face lingual da mandíbula e, em alguns casos, desvia-se tanto medialmente, que fica totalmente do lado medial do corpo da mandíbula. Quanto mais o alvéolo projeta-se medialmente, tanto mais delgada é sua parede lingual. Lateral ou vestibularmente ao alvéolo do terceiro molar, o osso compacto forma uma saliência horizontal de largura variável ou um sulco de profundidade e largura variáveis. A margem lateral desta área é a linha oblíqua. Fig. 13.11 — Corte frontal na mandíbula no nível do segundo pré-molar: L — lâmina lingual; V — lâmina vestibular; CMe — canal mental; CMa — canal mandibular; 2º PM — segundo pré-molar. Fig. 13.12 — Corte frontal na mandíbula no nível do primeiro molar: L — lâmina lingual; V — lâmina vestibular; CMa — canal mandibular; LM — linha milo-hióidea; 1º M — primeiro molar.
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    CAPÍTULO 13 327 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fig. 13.13 — Corte frontal na mandíbula no nível do segundo molar: L — lâmina lingual; V — lâmina vestibular; LO — linha oblíqua; CMa — canal mandibular; LM — linha milo-hióidea; 2º M — segundo molar. Fig. 13.14 — Corte frontal na mandíbula no nível do terceiro molar: L — lâmina lingual; V — lâmina vestibular; LO — linha oblíqua; CMa — canal mandibular; 3º M — terceiro molar. De especial importância são as relações dos dentes inferiores com o canal mandibular e seu conteúdo, ou seja, o feixe vasculonervoso alveolar inferior. O segundo pré-molar e os molares podem estar próximos ao canal, enquanto o pri- meiro pré-molar relaciona-se mais com o canal mental. O canino e os incisivos relacionam-se com o canal incisivo. A distância entre o fundo do alvéolo e o canal mandibular diminui do segundo pré-molar em direção ao terceiro molar.
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    328 RELAÇÃO DOSDENTES COM OS PROCESSOS ALVEOLARES E REGIÕES VIZINHAS © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Quando as raízes do terceiro molar estão em contato com o canal mandibular, a delgada lâmina óssea que limita o canal pode apresentar numerosas falhas e o tecido conjuntivo periapical do terceiro molar fica em contato direto com o con- teúdo do canal mandibular. O terceiro molar, freqüentemente incluso e impactado, pode propiciar uma relação ainda mais próxima e complexa de suas raízes com o canal mandibular e seu conteúdo. As relações do primeiro pré-molar com o canal mental merecem atenção especial. Geralmente, o canal mental origina-se do canal mandibular no nível do primeiro pré-molar ou ligeiramente distal neste nível. Desta origem, o pequeno canal mental dirige-se para fora, para cima e para trás, abrindo-se no forame mental, situado entre os dois pré-molares ou à altura do segundo pré-molar.
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    CAPÍTULO 14 329 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 14 Propagação das Infecções Odontogênicas A invasão de bactérias nos vasos linfáticos pode levar uma infecção a linfonodos regionais ou mais afastados. Deve-se recordar o estudo feito sobre linfáticos. PROPAGAÇÃO DAS INFECÇÕES ATRAVÉS DAS VEIAS O quadro mais grave de uma propagação de infecção de origem dentária é a tromboflebite do seio cavernoso. Para compreender o quadro clínico, é pre- ciso ter em mente que há dois tipos de propagação para o seio cavernoso. Um trajeto vai da veia angular para a veia oftálmica superior e mais raramente para a oftálmica inferior e daí para o seio cavernoso, passando pela fissura orbital superior. O segundo trajeto vai do plexo pterigóideo para a veia oftálmica inferior e daí ao seio cavernoso, pela fissura orbital superior. Daí, pode-se concluir que todas as tributárias da veia facial e do plexo veno- so pterigóideo, se infectadas, podem, através dos trajetos citados, chegar ao seio cavernoso. No que concerne à propagação da infecção nas maxilas e na mandíbula, e às possibilidades de comprometimento de cavidades e estruturas vizinhas, basta recordar o capítulo relativo à relação dos dentes com os processos alveolares e estruturas vizinhas.
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    330 PROPAGAÇÃO DASINFECÇÕES DE ORIGEM DENTÁRIA © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. PROPAGAÇÃO DAS INFECÇÕES ATRAVÉS DO TECIDO CONJUNTIVO FROUXO O tecido conjuntivo frouxo, contendo gordura nos lábios e nas bochechas, é contínuo. Porém, é parcialmente dividido pelos músculos da mímica, que se originam em ossos da face e atravessam a tela subcutânea para se inserir na pele. Os abscessos de origem dentária, após perfurarem a compacta óssea, poderão ser submucosos ou subcutâneos na dependência dos músculos da mímica. INCISIVOS CENTRAIS SUPERIORES Quase sempre os abscessos serão submucosos em fundo de vestíbulo, onde o tecido conjuntivo é mais frouxo, do que o subcutâneo na raiz do lábio superior junto ao músculo orbicular da boca. INCISIVOS LATERAIS SUPERIORES Devido à sua angulação radicular distolingual, os abscessos serão quase sem- pre submucosos do lado palatino. CANINOS SUPERIORES Na maioria dos casos, o abscesso periapical do canino rompe-se vestibular- mente abaixo da origem do músculo levantador do ângulo da boca, e difunde-se no tecido conjuntivo submucoso do fundo de vestíbulo. Entretanto, se a raiz do canino for longa ou se, em pacientes jovens, o canino não se deslocou suficiente- mente para baixo, seu ápice pode estar acima da origem deste músculo. Neste caso, o abscesso pode progredir em direção ao espaço entre os músculos levantador do lábio superior e levantador do lábio superior e da asa do nariz que são mais superficiais, aparecendo sob a pele do ângulo medial da órbita. Os abscessos do saco lacrimal (dacriocistite) também aparecem nesta região, por esta razão é im- portante que se faça o diagnóstico diferencial. PRÉ-MOLARES SUPERIORES Quase sempre darão origem a abscessos submucosos no fundo de vestíbulo, pois os músculos levantador do ângulo da boca e levantador do lábio superior formarão uma barreira em direção à tela subcutânea. MOLARES SUPERIORES A origem superior do músculo bucinador na face lateral do processo alveolar da maxila no nível de molares desempenha papel decisivo para o trajeto de um abscesso de origem dentária, após perfurar a camada compacta vestibular do processo alveolar. A linha de origem do músculo bucinador fica além dos ápices
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    CAPÍTULO 14 331 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. radiculares dos molares, de modo que um abscesso da região molar atinge o tecido conjuntivo submucoso, exteriorizando-se no fundo do vestíbulo. Em pes- soas com raízes longas, ou em jovens cuja altura das maxilas ainda não atingiu todo o seu desenvolvimento e onde os dentes não irromperam suficientemente, os ápices dos molares podem estar além da linha de origem do músculo bucinador. O abscesso que perfurar a lâmina vestibular do processo alveolar estará difun- dindo-se no tecido conjuntivo subcutâneo. INCISIVOS INFERIORES Os músculos mentais originam-se na base do processo alveolar na porção anterior da mandíbula, na parte superior das fossas incisivas e se inserem na pele do mento. Os abscessos dos incisivos geralmente perfuram a tábua com- pacta vestibular, estabelecendo comunicação com o tecido conjuntivo situado abaixo da origem dos músculos mentais, isto é, no tecido conjuntivo subcutâ- neo do mento. CANINOS INFERIORES O que aconteceu com os incisivos pode se dar com os caninos se os músculos mentais forem bastante desenvolvidos e se suas origens alargarem-se para a re- gião dos alvéolos dos caninos. Se não, os abscessos dos caninos seguirão para o tecido conjuntivo submucoso, que é o que acontece na maioria dos casos. PRÉ-MOLARES INFERIORES Os músculos depressor do ângulo da boca e depressor do lábio inferior origi- nam-se próximo à margem inferior da mandíbula; o tecido conjuntivo situado entre a mandíbula e estes músculos, que é invadido primariamente após perfura- ção vestibular de um abscesso periapical, é contínuo com o tecido conjuntivo submucoso e um abscesso neste tecido torna-se visível e acessível no fundo de vestíbulo desta região. MOLARES INFERIORES A origem inferior do músculo bucinador na face lateral do processo alveolar da mandíbula, no nível de molares, desempenha papel decisivo para o trajeto de um abscesso de origem dentária após perfurar a camada compacta vestibular do processo alveolar. A linha de origem do músculo bucinador fica abaixo dos ápi- ces radiculares dos molares, de modo que um abscesso da região molar atinge o tecido conjuntivo submucoso, exteriorizando-se no fundo do vestíbulo. Em pes- soas com raízes longas, ou em jovens cuja altura da mandíbula ainda não atingiu todo o seu desenvolvimento e onde os dentes não irromperam suficientemente, os ápices dos molares podem estar abaixo da linha de origem do músculo bucinador. O abscesso que perfurar a lâmina vestibular do processo alveolar es- tará difundindo-se no tecido conjuntivo subcutâneo.
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    332 PROPAGAÇÃO DASINFECÇÕES DE ORIGEM DENTÁRIA © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. PROPAGAÇÃO DAS INFECÇÕES PARA O SOALHO DA BOCA O soalho muscular da boca é formado pelo músculo milo-hióideo. O tecido con- juntivo acima deste músculo está nas regiões sublinguais, enquanto o tecido conjuntivo situado abaixo do músculo está nas regiões submentais e submandibulares. Entretanto, o músculo milo-hióideo é mais curto do que a ca- vidade bucal, de modo que o soalho muscular falta na parte posterior. A linha de origem ou inserção do músculo milo-hióideo inicia-se no plano mediano, perto da margem inferior da mandíbula, e sobe diagonalmente para trás e para cima pela linha milo-hióidea até o alvéolo do terceiro molar. Por esta razão, os ápices radiculares dos incisivos, canino, pré-molares e primeiro molar estão acima da linha milo-hióidea. Os ápices radiculares do terceiro molar ficam abaixo desta linha; o segundo molar apresenta a mesma relação do terceiro com certa freqüên- cia. O primeiro molar comporta-se geralmente como os pré-molares; porém, rara- mente como o terceiro molar. Quando um abscesso periapical origina-se de um dos cinco dentes anteriores e perfura a tábua óssea lingual, ele envolverá o tecido conjuntivo da região sublingual. Entretanto, se ele se originar do primeiro ou do segundo molar, poderá atingir, em boa porcentagem dos casos, o tecido conjunti- vo situado abaixo do músculo milo-hióideo, isto é, o tecido conjuntivo submandibular. Este último comportamento é a regra no abscesso de origem do terceiro molar. Da região submandibular, se não tratada, a infecção pode se di- fundir para baixo em direção ao pescoço e deste para o mediastino, que nestes casos pode levar o paciente ao êxito letal. O tecido conjuntivo intermuscular, na região sublingual, caracteriza-se pela continuidade com o outro lado, através do plano mediano. O conjuntivo situado entre os músculos milo-hióideo e gênio- hióideo, bem como o que separa os músculos gênio-hióideo e genioglosso, não é interrompido no plano mediano. Os músculos direitos e esquerdos são separados no plano mediano por uma delgada camada de tecido conjuntivo frouxo. O abs- cesso sublingual pode, portanto, difundir-se através do plano mediano e atingir dois níveis distintos de tecido conjuntivo: o mais inferior, abaixo, e o mais supe- rior, acima dos músculos gênio-hióideos. No próprio plano mediano, o abscesso sublingual pode atingir o tecido entre músculos gênio-hióideos direito e esquer- do e genioglossos direito e esquerdo, ocasionando uma tumefação da língua. O abscesso sublingual pode se difundir posteriormente e também ultrapassar a margem posterior do músculo milo-hióideo, difundindo-se na região subman- dibular. Quando todas as regiões do soalho da boca estão tomadas pela infecção, estamos diante de um fleimão do soalho da boca ou angina de Ludwig. Para drenagem deste fleimão, o local ideal para abrir os espaços infectados é drenar no plano mediano, desde o mento até o osso hióide. A incisão da pele deve ser feita horizontalmente, para esconder a cicatriz numa ruga do pescoço. Depois de rebater a pele, a tela subcutânea, o platisma, divulsiona-se o músculo milo-hióideo ao longo do plano mediano, ficando assim acessível todo acúmulo de tecido con- juntivo intermuscular; podemos então drenar as regiões sublinguais acima e as submandibulares abaixo do músculo milo-hióideo. Entre os músculos da mastigação e o bucinador, ou seja, entre o temporal e os pterigóideos e entre o masseter e o bucinador existem espaços que são preenchi- dos por um coxim adiposo. Na margem anterior do masseter, este coxim adiposo salienta-se sob a forma de um corpo arredondado. Este coxim é conhecido com o nome de corpo adiposo da boca.
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    CAPÍTULO 14 333 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. As infecções podem atingir um ou todos estes espaços. Eles podem ser dre- nados por um ponto chave. Se for feita uma incisão na parte posterior do ves- tíbulo bucal, entre as extremidades posteriores dos processos alveolares superior e inferior, lateral e paralelamente à prega pterigomandibular, e se a mucosa e o músculo bucinador forem divulsionados, a parte posterior do espaço geniano é aberta expondo o tendão do músculo temporal. Uma pinça hemostática pode ser introduzida em várias direções através da incisão. Anterior e lateralmente, ela penetra no espaço geniano; posterior e medialmente, ela passa para o espa- ço infratemporal. Se a pinça é dirigida para cima, ao longo do tendão do tempo- ral, pode-se explorar o espaço zigomaticotemporal. O espaço laterofaríngeo é, finalmente, acessível pela mesma incisão, se a pinça for introduzida pela face medial do músculo pterigóideo medial, cuja margem anterior é facilmente re- conhecível, e serve como estrutura de reparo. Não se pode esquecer de introdu- zir a pinça hemostática fechada no interior do espaço, abri-la para dilatar o abscesso e removê-la aberta. Jamais fecha-se uma pinça no interior do espaço, pois, assim, corre-se o risco de pinçar um elemento nobre, que será dilacerado ao remover a pinça.
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    CAPÍTULO 15 335 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 15 Anatomia Aplicada às Ligaduras Arteriais Durante os procedimentos odontológicos, com o uso de instrumentos cortan- tes e rotativos, podem ocorrer acidentes, com lesões arteriais, provocando he- morragias muitas vezes difíceis de coibir. O profissional precisa ter um conheci- mento seguro do trajeto e das relações destas artérias para, se necessário, execu- tar uma ligadura arterial. ARTÉRIA PALATINA MAIOR Sabe-se que seu trajeto é póstero-anterior na região palatina a aproximada- mente 1cm da margem alveolar lingual. Numa lesão em qualquer ponto do seu trajeto, a primeira providência é a pressão digital, posterior à lesão. A seguir, passa-se uma agulha curva com fio de sutura, entre a artéria e o periósteo, no sentido lateromedial, posteriormente à lesão, e faz-se a ligadura; se não ceder totalmente a hemorragia, faz-se o mesmo procedimento anteriormente à lesão, ligando o coto anterior. As lesões na língua, das artérias dorsais e profunda da língua, geralmente consegue-se pinçá-las e ligá-las na própria ferida. Porém, nas lesões muito exten- sas, provocadas por projetil de arma de fogo, com lesões graves do soalho da boca, principalmente da artéria sublingual, muitas vezes é preciso ligar a artéria mãe, que neste caso é a artéria lingual.
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    336 FUNDAMENTOS ANATÔMICOSPARA LIGADURAS ARTERIAIS DE INTERESSE ODONTOLÓGICO © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. ARTÉRIA LINGUAL Incisa-se a pele da região submandibular, no nível da margem inferior da glândula submandibular. A extremidade posterior da incisão deve estar em dire- ção ao processo mastóideo e a extremidade anterior, em direção ao mento. Disse- ca-se e afasta-se a pele. Incisa-se, disseca-se e afasta-se a tela subcutânea. Incisa- se, disseca-se e afasta-se o músculo platisma, expondo a glândula submandibular. Disseca-se a margem inferior da glândula e a afasta para cima, expondo o tendão intermédio do músculo digástrico. Seguindo o tendão para adiante, identifica-se a margem posterior do músculo milo-hióideo. Seguindo esta margem para cima e para trás, encontra-se o nervo hipoglosso e sua veia satélite. Assim, fica delimita- do o trígono lingual anterior entre o tendão intermédio do digástrico, a margem posterior do milo-hióideo e o nervo hipoglosso. Traciona-se o tendão para baixo, aumentando a área do triângulo, cujo soalho é formado pelo músculo hioglosso. Dissecando e separando as fibras do hioglosso no trígono lingual anterior, encon- tra-se a artéria lingual, quando então realiza-se a ligadura. Com a ligadura neste ponto, preserva-se a irrigação das dorsais da língua, que abandonam a artéria lingual um pouco mais atrás. Se a hemorragia é produto de lesão das dorsais, deve-se ligar a artéria lingual atrás do trígono lingual anterior da seguinte manei- ra: seguindo o tendão para trás e para cima, até encontrar o nervo hipoglosso e sua veia satélite. Abaixo destes elementos, encontra-se o corno maior do osso hióide que, com o ventre posterior do digástrico e o nervo hipoglosso, formam o trígono lingual posterior, cujo soalho é também formado pelo músculo hioglosso. Dissecando as fibras do hioglosso atrás e abaixo do ventre posterior do digástrico, descobre-se a artéria lingual logo adiante da sua origem na carótida externa, onde se pode também realizar a sua ligadura. A seguir, a ferida deverá ser suturada plano a plano até a pele. ARTÉRIA FACIAL Os tempos cirúrgicos até a exposição da glândula submandibular são os mes- mos que foram feitos para a artéria lingual. A partir daí, localizam-se sobre a porção superior da glândula submandibular os linfonodos submandibulares que estão sobre a veia facial. Logo à frente da veia, na margem superior da glândula submandibular, localiza-se a artéria facial, que neste ponto pode ser ligada. Não se pode esquecer que, sobre os vasos faciais, seguindo de trás para adiante para- lelo e junto à margem inferior da mandíbula, está o nervo marginal da mandíbu- la, ramo do facial, que não pode ser lesado, pois a lesão deste nervo, provocaria deficiência motora no lábio inferior. Após a ligadura da facial, sutura-se a ferida plano a plano até a pele. ARTÉRIA TEMPORAL SUPERFICIAL Incisa-se a pele da região parotídea verticalmente, logo à frente do pavilhão auricular (incisão pré-auricular). Disseca-se e afasta-se a pele. Incisa-se a tela subcutânea. Disseca-se e afasta-se a tela subcutânea, descobrindo o terço superior da glândula parótida, a artéria temporal superficial, que se coloca geralmente à
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    CAPÍTULO 15 337 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. frente da veia temporal superficial. Neste ponto, a artéria pode ser ligada. Não esquecendo que junto e atrás da veia está o nervo auriculotemporal, que não pode ser lesado, pois acarretaria parestesia da região temporal. Após ligadura da temporal superficial, sutura-se a ferida plano por plano até a pele. No caso de hemorragias de ramos ou da própria artéria maxilar, devido ao seu trajeto profundo, nas regiões infratemporal e pterigopalatina, torna-se difícil a sua ligadura. Nestes casos, recorre-se à ligadura da artéria carótida externa. Além da maxilar, outros ramos da carótida externa podem ser rompidos nos trau- matismos da parte superior do pescoço e das estruturas superficiais e profundas da face. Se não for possível coibir a hemorragia no local da ferida, pode se tornar necessário a ligadura da artéria carótida externa. Duas maneiras existem para expor e ligar a carótida externa. Uma delas expõe a artéria na sua origem, na artéria carótida comum, sendo que a ligadura se realiza acima da origem da arté- ria tireóidea superior. Todos os ramos da artéria carótida externa são eliminados por este método. O outro método, a ligadura, é mais alta, atrás do ângulo da mandíbula quando se está diante de hemorragia de um dos ramos ou da própria artéria maxilar. ARTÉRIA CARÓTIDA EXTERNA EXPOSIÇÃO CIRÚRGICA DA ARTÉRIA CARÓTIDA EXTERNA, NO TRÍGONO CARÓTICO Incisa-se a pele, partindo de um ponto logo abaixo e atrás do ângulo da man- díbula, e segue-se para baixo junto à margem anterior do músculo esternocleido- mastóideo até à altura da cartilagem cricóide. Disseca-se e afasta-se a pele. Incisa- se a tela subcutânea, disseca-se e afasta-se. Incisa-se o platisma, disseca-se e afasta-se. Identifica-se a margem anterior do músculo esternocleidomastóideo, incisa-se sua bainha e afasta-se para trás. Neste momento, torna-se visível a veia jugular interna. Identifica-se o tronco venoso tirolingofaringofacial e, mais aci- ma, o nervo hipoglosso com o ramo descendente do plexo cervical. Medialmente a estas estruturas, identifica-se e liga-se a artéria carótida externa, alguns milí- metros acima da origem da artéria tireóidea superior. Suturamos a ferida plano por plano até a pele. EXPOSIÇÃO CIRÚRGICA DA ARTÉRIA CARÓTIDA EXTERNA ATRÁS DO ÂNGULO DA MANDÍBULA Incisa-se a pele 2cm atrás e abaixo do ângulo mandibular, partindo da ponta do processo mastóideo, e, circundando o ângulo, continua-se para adiante, abai- xo da mandíbula, 2cm eqüidistantes do gônio para trás e para a frente. Disseca-se e afasta-se a pele. Incisa-se, disseca-se e afasta-se a tela subcutânea. Incisa-se, disseca-se e afasta-se o platisma. Localiza-se e liga-se a veia retromandibular, ou a jugular externa ou as duas. Incisa-se a cápsula parotídea na margem anterior do músculo esternocleidomastóideo. Afasta-se o terço inferior da glândula parótida para cima e para adiante. Neste momento, torna-se visível o ventre posterior do músculo digástrico e um pouco acima o músculo estilo-hióideo. Medialmente e ligeiramente acima destes músculos, pode-se isolar e ligar a artéria carótida ex- terna. Feita a ligadura, sutura-se a ferida plano por plano até a pele.
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    CAPÍTULO 16 339 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 16 Anatomia Aplicada à Traqueotomia e Laringotomia A obstrução das vias aéreas é tão séria que requer a abertura cirúrgica de emergência da traquéia ou da laringe, abaixo do local da obstrução. Em odonto- logia, o obstáculo quase sempre é localizado no nível da glote, entre as cordas vocais ou acima delas. As causas da obstrução da laringe são: corpo estranho na laringe; espasmo da laringe e edema de glote. Quando a sufocação ameaça a vida do paciente, somente uma rápida ação cirúrgica poderá salva-lo. Sempre que possível (isto é, quando existem instru- mentos e auxiliares), a operação de escolha é a traqueotomia. Entretanto, quando não se tem condições, deve-se realizar a laringotomia, que pode ser considerada uma operação de emergência para salvar a vida do paciente. TRAQUEOTOMIA Nesta operação, a traquéia é exposta entre a glândula tireóide e o esterno. As camadas através das quais deve-se atravessar para expor a traquéia são as seguin- tes: pele, tela subcutânea, fáscia de revestimento do pescoço, tecido conjuntivo contido no espaço supra-esternal, fáscia infra-hióidea e fáscia traqueal. Em primeiro lugar, o paciente deve ficar em decúbito dorsal, com o pescoço hiperestendido. A seguir faz-se uma incisão horizontal a meio caminho entre a cartilagem tireóide e o esterno, seguindo a direção das pregas do pescoço. Depois de dissecar e afastar a pele e a tela subcutânea, incisa-se a fáscia de revestimento
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    340 FUNDAMENTOS ANATÔMICOSPARA A TRAQUEOTOMIA E LARINGOTOMIA © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. do pescoço no plano mediano, penetrando no espaço supra-esternal. Esse espaço é preenchido com tecido conjuntivo frouxo contendo gordura. Envolta por este tecido e tendo um trajeto horizontal, encontra-se o arco jugular, que deve ser pinçado, ligado e secionado. Em algumas pessoas, não existe o arco jugular, e, sim, uma veia jugular anterior que se bifurca inferiormente no espaço supra- esternal que deve ser dissecada e afastada do campo, ou ligada, se for preciso. Na parede posterior do espaço supra-esternal verifica-se, através da fáscia infra-hióidea, os músculos esternocleido-hióideos. Os músculos quase nunca estão em contato no plano mediano, de modo que existe uma estreita área de fáscia isolada na parede posterior do espaço. Esta área esbranquiçada entre os músculos avermelhados é citada como “linha alba” do pescoço. Depois de incisar a fáscia infra-hióidea na linha média, fica visível o istmo da glândula tireóide no canto superior do campo cirúrgico. Do istmo e partes adjacentes da glândula tireóide descem as veias tireóideas inferiores, entre as fáscias infra-hióidea e traqueal, para desembocarem no tronco braquicefálico. Deverão ser dissecadas e afastadas. Alguns ramos anastomóticos cruzam de um lado para outro e, às vezes, há necessidade de ligá-los. O tronco braquicefálico arterial e a artéria carótida comum esquerda estão contidas na mesma bainha das veias tireóideas inferiores. Embora nos adultos essas artérias não sejam freqüentemente expos- tas ou lesadas durante uma traqueotomia, isso não é verdade na criança, por- que o coração e seus grandes vasos estão situados num nível mais alto. A regra, portanto, é transpor o espaço pré-traqueal por meio de dissecação romba. Antes de abrir a traquéia, deve-se deslocar superiormente o istmo tireóideo ou até ligá-lo e cortá-lo no plano mediano, se necessário for. Incisa-se a fáscia traqueal visceral no plano mediano e desloca-se da traquéia por uma certa distância. A traquéia então pode ser mantida de maneira firme e incisada, introduzindo-se, na sua luz, uma cânula. LARINGOTOMIA A laringotomia é realizada abrindo-se a laringe através do ligamento cricotireóideo, entre as cartilagens cricóide e tireóide. As indicações para realização da laringotomia são restritas. Ela só deve ser realizada em caso de emergência e se as condições para a traqueotomia não fo- rem favoráveis. A finalidade da operação é abrir a parede anterior da laringe entre as carti- lagens cricóide e tireóide, que é formada por um ligamento elástico de fibras verticais. A mucosa da laringe está firmemente aderida à face posterior desse ligamento. O ligamento está situado no espaço mais inferior da laringe, isto é, abaixo dos ligamentos vocais que estão fixados na superfície interna da cartila- gem tireóide. A parte média do ligamento cricotireóideo é exposta entre os dois músculos cricotireóideos, sendo recoberta pela fáscia cervical média (pré-traqueal), pela tela subcutânea e pela pele. O ligamento cricotireóideo é facilmente localizado pela palpação, no plano mediano, entre a cartilagem tireóide e a parte anterior da cartilagem cricóide. O dedo que apalpa encontrará neste ponto uma depressão.
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    CAPÍTULO 16 341 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. A abertura do ligamento deve ser horizontal para permitir a retração das fibras verticais. A abertura que resulta, de forma oval, permanece aberta, de modo que não é necessária a introdução de uma cânula. A laringotomia pode ser feita pela incisão da pele, tela subcutânea, fáscia, ligamento e mucosa da laringe com um só golpe. A lâmina do bisturi é tomada entre o polegar e o indicador, de modo que somente 1cm da lâmina fique livre. Com o bisturi colocado horizontalmente, introduz-se para o interior da laringe, através da pele. A incisão através do ligamento não deve ultrapassar 0,5cm para não atingir a parede posterior da laringe. A medida de precaução que se deve tomar até que o paciente possa ser leva- do ao hospital é evitar que a pele deslize sobre a incisão, bloqueando, assim, a abertura da laringe. Pode-se ainda substituir a intervenção a bisturi, perfurando o ligamento com uma agulha calibrosa, tendo também o cuidado de não introduzir mais de 0,5cm através do ligamento para não atingir a parede posterior da laringe.
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    CAPÍTULO 17 343 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 17 Anatomia Aplicada ao Exame Físico do Esqueleto Facial Através da pele da fronte, a escama da frontal pode ser palpada em toda a sua extensão, embora a superfície temporal da escama frontal seja recoberta pelo músculo temporal e sua fáscia. As áreas mais periféricas da fossa temporal po- dem ser palpadas logo abaixo das linhas curvas temporais devido à pouca espes- sura do músculo temporal nesta região. Na parte inferior da fronte, pode-se palpar os arcos supra-orbitais e, entre os supercílios, a glabela. Sobre a margem superior da órbita, percebe-se a discreta incisura frontal, próxima à raiz do nariz, e, lateralmente a esta incisura, palpa-se a incisura supra-orbital. Quando esta incisura é transformada em forame, não se percebe este entalhe, e a margem supra-orbital prolonga-se ininterruptamente até o processo zigomático do frontal. A margem lateral da órbita, formada pelo processo zigomático do frontal e pelo processo frontal do zigomático, é facilmente palpável, e a sutura entre estes dois ossos pode ser percebida pela palpação. Na margem medial, pode-se palpar o processo frontal da maxila, a crista lacrimal e o sulco lacrimal. Na margem inferior, a sutura zigomaticomaxilar pode ser marcada por uma ligeira saliência na porção intermédia desta margem; no restante, é lisa. Este ponto é importante, pois logo abaixo fica localizado o forame infra-orbital. A face ântero-lateral e as partes próximas ao processo alveolar das maxilas são palpáveis através da pele, assim como a curva zigomaticoalveolar.
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    344 ANATOMIA APLICADA:EXAME FÍSICO DO ESQUELETO FACIAL © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. O osso zigomático e todo o arco zigomático são acessíveis pelo exame físico até o tubérculo articular. A localização do tubérculo articular torna-se mais evi- dente com o deslocamento do côndilo mandibular para adiante, solicitando-se ao paciente que abra a boca; sendo assim, o côndilo também pode ser palpado através da pele. A palpação da margem posterior do ramo mandibular pode ser feita desde o côndilo até o ângulo mandibular (área goníaca). Todo o corpo da mandíbula em suas faces laterais e anterior, bem como sua margem inferior, o processo alveolar e as saliências alveolares, com exceção da região do terceiro molar, podem ser examinados através da pele. A face medial do corpo da mandíbula pode ser palpada flexionando-se a cabeça em direção ao tronco para o lado a ser examinado, para afrouxar a pele e a fáscia abaixo da mandíbula. O exame digital da boca revela toda lâmina externa dos processos alveolares. Na mandíbula, a linha oblíqua é palpável na região do segundo molar; seguindo esta linha para trás e para cima, o dedo vai à margem anterior do ramo mandibular até a raiz do processo coronóide. A face interna do processo alveolar na mandíbula é acessível em toda a sua ex- tensão. Na região do terceiro molar inferior, o dedo desliza abaixo da extremida- de posterior da linha milo-hióidea, aproximando-se do ângulo mandibular. Na maxila, além do processo alveolar, pode-se palpar a curva zigomaticoal- veolar, a porção lateral da tuberosidade, o palato duro, e, atrás da extremidade posterior do processo alveolar, medialmente, o hâmulo pterigóideo pode ser sen- tido pela polpa digital.
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    CAPÍTULO 18 345 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 18 Fundamentos Anatômicos para Radiografia Craniofacial Nas tomadas radiográficas craniofaciais, todos os acidentes anatômicos dos ossos do crânio e da face são projetados numa película radiográfica, ou seja, num único plano. Sendo assim, muitas estruturas apresentam-se sobrepostas, mas, com atenção, pode-se identifica-las. O objetivo é reconhecer, na radiografia, os acidentes ósseos que foram estudados no Capítulo 2. TOMADA RADIOGRÁFICA DE PERFIL Nesta tomada, observa-se: partindo da porção anterior, duas linhas radiopacas que seguem para trás contornam toda a calota craniana e terminam na base do crânio; representam as compactas externa e interna dos ossos frontal, parietais e occipital. Na porção ântero-inferior do frontal, uma mancha radiolúcida repre- senta o seio frontal. Logo atrás, parte uma linha radiopaca que segue para trás e para baixo, apresentando depressões e elevações que constituem o teto da órbita. Na extremidade posterior, esta linha apresenta uma elevação um pouco mais acentuada, que é o processo clinóide anterior e, logo atrás, uma depressão, a fossa hipofisária, limitada posteriormente por outra elevação, o processo clinóide posterior. Abaixo e à frente da fossa hipofisária, uma mancha escura, o seio esfenoidal. À frente deste seio, pequenas manchas escuras, limitadas por lâmi- nas claras, trabeculadas, que representam as células etmoidais e logo à frente uma mancha escura e ovalada, que é a órbita. Abaixo da órbita, uma zona escura grande, o seio maxilar, atrás do qual observa-se uma imagem escura de forma
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    346 FUNDAMENTOS ANATÔMICOSPARA INTERPRETAÇÃO DE RADIOGRAFIAS CRANIOFACIAIS © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. triangular, afilada para baixo, que é a fossa pterigopalatina. Limitando a imagem do seio inferiormente, observa-se uma linha clara horizontal que representa o palato duro, que se projeta para adiante num esporão radiopaco, a espinha nasal anterior. Partindo da porção posterior da maxila, observamos uma imagem radiolúcida que segue para trás e para baixo, mancha os ramos mandibulares e desce à frente da coluna cervical. Esta imagem representa o espaço faríngeo. Limitando este espaço ântero-superiormente, uma imagem clara, curva, de convexidade posterior, que representa o palato mole. Nesta tomada observa-se que os lados direito e esquerdo da mandíbula não coincidem, quase sempre as corticais basilares estão em níveis diferentes, ou seja, uma mais alta que a outra. Abaixo dos ramos mandibulares, no pescoço, observa-se uma imagem radiopaca curva que representa o osso hióide. TOMADA RADIOGRÁFICA PÓSTERO-ANTERIOR, FRONTONASOFILME Em forma de arco, observa-se duas linhas radiopacas que contornam a calota craniana e representam as compactas externa e interna dos ossos da calota. No plano mediano, do topo da calota para baixo, uma linha denteada, radiolúcida, que representa a sutura interparietal. Abaixo da calota, duas linhas denteadas, radiolúcidas, em forma de arco, que representam: a superior, a sutura frontoparietal e a inferior, a sutura occipitoparietal. Na porção inferior do frontal, observamos imagens radiotransparentes irregulares, próximas ao plano mediano, que repre- sentam o seio frontal. No plano mediano, no soalho do seio frontal, uma imagem triangular radiopaca, a crista galli. Partindo desta para a lateral, duas linhas cur- vas, radiopacas, de convexidade superior, os tetos orbitais. Abaixo destas linhas, ou seja, nas cavidades orbitárias, imagens radiopacas que são projeções dos ro- chedos dos temporais. Partindo da crista galli para baixo, no plano mediano, uma linha radiopaca que representa o septo nasal e termina alargando-se de forma triangular no soalho nasal e representa a espinha nasal anterior. Lateralmente ao septo, na parte superior, imagens radiolúcidas que são as células etmoidais, e, na parte inferior, as fossas nasais. Nas paredes laterais das fossas nasais, imagens radiopacas curvas que representam as conchas nasais. Lateralmente às fossas nasais, a cada lado, uma imagem radiolúcida triangular, o seio maxilar, que é limitado lateroinferiormente por uma linha radiopaca curva de concavidade in- ferior que representa a curva zigomaticoalveolar. Projetando-se sobre os maxila- res, observamos, partindo do plano mediano para o lateral, uma imagem radiolúcida horizontal que representa o espaço entre o atlas e o áxis. Na mandí- bula, a altura do ramo, observa-se uma imagem triangular radiopaca, de ápice voltado para cima, que representa o processo coronóide. Na porção anterior do corpo da mandíbula, a imagem costuma apresentar-se borrada pela superposição da coluna cervical. TOMADA RADIOGRÁFICA ANTEROPOSTERIOR (OCCIPITOFILME) Em forma de arco, observam-se duas linhas radiopacas que contornam a ca- lota craniana e representam as compactas externa e interna dos ossos da calota. Abaixo da calota, observa-se com nitidez uma linha radiolúcida denteada que
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    CAPÍTULO 18 347 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. representa a sutura occipitoparietal. Nesta tomada, observa-se toda a escama do occipital. Na porção inferior do occipital, no plano mediano, observa-se uma imagem radiolúcida, ovalada, grande, que representa o forame magno ou occipital, e, projetando-se no seu interior com imagens radiopacas, os processos clinóides posteriores. Partindo do forame occipital para lateral e para cima, uma imagem radiopaca de forma triangular irregular que representa o rochedo do temporal. Lateralmente ao rochedo, uma imagem que lembra uma esponja, ou seja, ima- gens radiolúcidas, limitadas por lâminas radiopacas que são as células mastóideas. Esta tomada mostra, com nitidez, logo abaixo das células mastóideas, a cada lado as imagens radiopacas, elípticas dos côndilos mandibulares, que se conti- nuam para baixo por duas linhas radiopacas que são as projeções dos ramos mandibulares. Lateralmente aos ramos, a cada lado, uma imagem radiopaca cur- va de convexidade lateral que representa o arco zigomático. TOMADA RADIOGRÁFICA PÓSTERO-ANTERIOR. MENTONASOFILME Contornando todo o crânio, observam-se duas linhas radiopacas que repre- sentam as compactas externa e interna dos ossos da calota. Na porção superior da radiografia e inferior do osso frontal observam-se aos lados do plano mediano imagens radiolúcidas irregulares que representam o seio frontal. Abaixo do seio frontal, três linhas radiopacas, duas laterais e uma media- na, que representam a pirâmide nasal e o septo, respectivamente, e, entre elas, duas imagens radiotransparentes que são as fossas nasais, em cujo interior obser- vam-se imagens curvas radiopacas que são as conchas nasais. Aos lados das fossas nasais, imagens radiolúcidas amplas que representam os seios maxilares, limita- dos por linhas radiopacas: a medial é a parede lateral da fossa nasal, a lateral é a curva zigomaticoalveolar, a inferior, o soalho que se confunde com o processo alveolar e a superior é o soalho da órbita que, na sua porção intermédia, apresenta uma imagem radiolúcida arredondada, pequena, que representa o forame infra-orbital. Lateralmente aos seios maxilares, observa-se com nitidez uma imagem radiopaca triangular, que se prolonga lateralmente em curva, de convexidade lateral que representam o osso e o arco zigomáticos, respectivamente. Entre o arco zigomático e a curva zigomaticoalveolar, observa-se uma ima- gem radiolúcida grande, ovalada, que é a fossa infratemporal, no interior da qual se projeta uma imagem radiopaca, triangular, afilada para cima, que representa o processo coronóide da mandíbula. Do processo coronóide para baixo e lateral- mente, observa-se todo o ramo mandibular. Seguindo-se daí para o plano media- no, observa-se todo corpo mandibular com uma imagem radiopaca mais intensa na sua porção basilar. Lateralmente ao ramo mandibular, observa-se uma imagem que lembra es- ponja, isto é, imagens radiolúcidas, limitadas por trabéculas radiopacas, é a ima- gem das células mastóideas. Abaixo da mandíbula, no plano mediano, observa-se uma imagem radiolúcida grande, arredondada, que representa o forame occipital, no interior do qual se projeta uma imagem radiopaca que lembra um dente, que é o processo odontóide do áxis.
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    348 FUNDAMENTOS ANATÔMICOSPARA INTERPRETAÇÃO DE RADIOGRAFIAS CRANIOFACIAIS © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. TOMADA RADIOGRÁFICA LATERAL DESDOBRADA DE MANDÍBULA Nesta tomada observa-se todo o ramo mandibular, que apresenta projeta- do sobre ele uma imagem radiopaca curva de convexidade anterior que repre- senta o osso hióide, e uma imagem radiolúcida vertical sobre o ramo que representa o espaço faríngeo. Partindo do ramo para o corpo, uma imagem radiolúcida de concavidade superior que representa o canal mandibular e, no nível de pré-molares ou no nível do ápice do segundo pré-molar, uma imagem radiolúcida arredondada, pequena, que é o forame mental. Em alguns casos pode-se observar uma imagem radiolúcida abaixo dos molares, de forma ovalada, que representa a fossa submandibular. TOMADA RADIOGRÁFICA LATERAL DA ATM Nesta tomada observa-se uma sobreposição muito grande de imagens, mas alguns elementos anatômicos são observados com nitidez. De trás para adiante encontram-se as células mastóideas, com seu aspecto esponjoso característico. À frente das células mastóideas, observa-se uma imagem muito radiolúcida, arre- dondada, pequena, que representa o conduto auditivo externo, ao redor do qual uma imagem bem radiopaca, em forma de anel espesso, que representa a proje- ção lateromedial do rochedo do temporal. À frente desta imagem, observa-se uma linha radiopaca sinuosa, primeiro de convexidade voltada para cima, a se- guir para baixo, representando os limites da fossa mandibular e da eminência articular respectivamente. Se a tomada for feita com a boca fechada, logo abaixo da primeira porção desta linha, encontra-se uma imagem radiopaca que representa o côndilo mandi- bular e entre este e a linha radiopaca, uma imagem radiolúcida curva, que repre- senta o espaço articular. Se a tomada for feita com a boca aberta, o côndilo estará sob a eminência articular, estando a fossa mandibular vazia, ou seja, aparecerá uma imagem radiolúcida atrás do côndilo e à frente do conduto auditivo externo. TOMADA RADIOGRÁFICA DE PERFIL POUCO PENETRADO Nesta tomada, observa-se duas imagens radiopacas com nitidez: os ossos nasais e a espinha nasal anterior. TOMADA RADIOGRÁFICA SUBMENTO-VÉRTEX POUCO PENETRADA Nesta tomada, observam-se nas porções laterais da radiografia, com nitidez, os arcos zigomáticos. TOMADA RADIOGRÁFICA PANORÂMICA Nesta tomada, observa-se toda maxila e toda mandíbula.
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    CAPÍTULO 18 349 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. IMAGENS RADIOPACAS NA MAXILA Espinha nasal anterior, septo nasal, soalho das fossas nasais, soalho dos seios maxilares, conchas nasais e processo alveolar. IMAGENS RADIOLÚCIDAS NA MAXILA Fossas nasais, seios maxilares e sutura intermaxilar. IMAGENS RADIOPACAS NA MANDÍBULA Côndilos, processos coronóides, ramo e corpo, processos geni, linha oblíqua, linha milo-hióidea e basilar da mandíbula. IMAGENS RADIOLÚCIDAS NA MANDÍBULA Canal mandibular, forame mental, fossa submandibular e forame lingual. Além destas imagens, ainda pode-se observar lateralmente ao ramo mandi- bular, uma imagem radiopaca, em forma de estilete, que representa o processo estilóide. Abaixo e lateralmente à mandíbula, uma imagem radiopaca que repre- senta o osso hióide.
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    CAPÍTULO 19 351 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. CAPÍTULO 19 Anatomia Aplicada à Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial O maciço facial, ou esqueleto fixo da face, ou ainda terço médio da face, é um bloco ósseo constituído pelas maxilas, palatinos, zigomáticos, nasais, lacri- mais, vômer e conchas nasais inferiores, aos quais alguns autores acrescentam o etmóide e os processos pterigóideos do esfenóide. Quem melhor classificou as fraturas do terço médio da face foi Renné Lefort, no início do século XX, da seguinte maneira: Fratura de Lefort I Inferior ou horizontal, estende-se da base da abertura nasal anterior, segue para trás horizontalmente e termina nos processos pterigóideos, inclusive. Fratura de Lefort II Média ou piramidal, parte dos ossos nasais, contorna a parte inferior dos zigomáticos e termina nos processos pterigóideos, inclusive. Fratura de Lefort III Superior ou disjunção craniofacial, ocorre geralmente pela disjunção nasofrontal, maxilofrontal, e segue pelos soalhos orbitais, pelo etmóide, pelo esfenóide, com completa separação craniofacial.
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    352 FUNDAMENTOS ANATÔMICOSEM CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCOMAXILOFACIAL © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. A mandíbula, apesar de ser um osso muito resistente, está exposta aos mais variados traumatismos, e, como vimos no estudo das trajetórias, apre- senta zonas de resistência e zonas débeis. Além disso, os músculos que se inserem na mandíbula, na dependência dos traços de fratura, vão deslocar os fragmentos fraturados. Fraturas do Corpo da Mandíbula Um traço de fratura que se inicia entre os incisivos centrais, geralmente des- via-se lateralmente à protuberância mental e o fragmento inferior pode ser deslo- cado para baixo pela ação dos músculos digástrico, milo-hióideo e gênio-hióideo. Numa fratura parassinfisária bilateral, o fragmento mediano geralmente é deslo- cado para baixo e para trás, pela ação dos músculos digástricos, milo-hióideo e gênio-hióideos. Neste tipo de fratura, o paciente pode apresentar ptose da língua (deslocamento posterior), provocando asfixia, pois os músculos genioglossos es- tão fixados no fragmento que se desloca. Nas fraturas laterais do corpo, geral- mente o fragmento anterior é deslocado para baixo pelos músculos milo-hióideo, gênio-hióideo e digástrico. O fragmento posterior desloca-se para cima, para medial, pela ação combinada dos músculos masseter, temporal e pterigóideo medial. O mesmo tipo de deslocamento também ocorre nas fraturas do ângulo mandibular, cujo traço geralmente é oblíquo para baixo e para trás, dirigido do ângulo bucal ao ângulo cutâneo. Fraturas do Ramo Mandibular Nas verticais, geralmente os desvios são pequenos ou não existem. Nas hori- zontais, em bisel, geralmente há um cavalgamento de fragmentos, pois o frag- mento inferior é tracionado para cima e para medial pelos músculos masseter e pterigóideo medial, e o fragmento superior é tracionado pelo temporal (tracionando a coronóide) para cima e para trás, provocando uma pequena rotação do frag- mento. Estes deslocamentos provocam um encurtamento do ramo e o mento é desviado para o lado da fratura. Fraturas do Processo Coronóide São raras, mas, quando ocorrem, o traço de fratura sendo na base da coronóide, o fragmento superior será tracionado para cima e para trás pela ação do músculo temporal. Fraturas do Colo do Côndilo A linha de fratura nasce na incisura mandibular e se dirige obliquamente para baixo e para trás, terminando na margem posterior do ramo. O fragmento superior é tracionado para a frente, para baixo e para medial pela ação do múscu- lo pterigóideo lateral, e o fragmento inferior é tracionado para cima pelo masseter, temporal e pterigóideo medial.
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    CAPÍTULO 19 353 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. ACESSOS CIRÚRGICOS EM CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCOMAXILOFACIAL Cirurgias na região lingual Nas lesões traumáticas, faz-se a hemostasia e a sutura dos planos mus- cular e mucoso. Nas lesões tumorais ou císticas, realizam-se glossectomias parciais, geralmente remove-se uma cunha de forma triangular envolvendo a lesão, procede-se à hemostasia e à sutura dos planos. Nos casos de macroglossia, remove-se uma cunha da parte central e anterior da língua para diminuir o seu tamanho; a seguir, faz-se a hemostasia e, finalmente, a sutura por planos. Cirurgias na região sublingual As mais comuns são as remoções de cálculos salivares no ducto submandi- bular. Depois de localizado o cálculo através de radiografias, passa-se um ponto de sutura, posterior ao cálculo, e outro anterior ao cálculo, tendo o cuidado de passar a agulha curva por baixo do ducto submandibular. Localizado o cálculo entre os pontos de reparo, o auxiliar pressiona o soalho da boca para cima atra- vés da pele. Entre os pontos pratica-se uma incisão no longo eixo do ducto atra- vés da mucosa bucal, expondo o cálculo, que é removido facilmente. Sutura-se a mucosa deixando um pequeno dreno, que se retira após cicatrização da mucosa, para assegurar a drenagem do canal. Nos casos de rânula, que é um cisto salivar nesta região, o melhor procedi- mento é a marsupialização, feita da seguinte maneira: faz-se uma pequena inci- são através da mucosa e da cápsula cística no centro mais saliente da lesão. Aspira-se o seu conteúdo e enche-se a cavidade com gaze até que suas paredes fiquem distendidas. No meio da incisão faz-se uma sutura para manter a gaze. A seguir, com uma tesoura curva de ponta fina, corta-se a mucosa com a cápsula cística ao redor do seu perímetro. Finalmente, sutura-se a parede cística na mucosa bucal. Este procedimento permite, em pouco tempo, uma perfeita epitelização da cavidade cística. Cirurgia para remoção da glândula submandibular Da incisão cutânea até a exposição da glândula submandibular, a seqüência é a mesma que foi feita para a ligadura da artéria lingual (Cápitulo 15). Após a exposição da glândula, localizam-se em sua margem superior os vasos faciais, que devem ser ligados e seccionados. Seguem os vasos faciais até a margem pos- terior da glândula, onde eles deverão novamente ser ligados e seccionados. Con- tinua-se com a dissecação romba na margem posterior e superior, onde devem ser seccionados os ramos do nervo corda do tímpano que vêm através do gânglio submandibular; disseca-se a face medial da glândula tendo cuidado com o nervo hipoglosso e sua veia satélite e, finalmente, a glândula só está presa pelo seu ducto, que se perde na margem posterior do músculo milo-hióideo, onde deve ser ligado e, finalmente, secionado para a remoção total da glândula. Sutura-se a ferida por planos.
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    354 FUNDAMENTOS ANATÔMICOSEM CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA BUCOMAXILOFACIAL © Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Acesso cirúrgico ao seio maxilar A técnica mais empregada é a de Caldwell-Luc, que consiste em trepanar o seio pela fossa canina. Pratica-se uma incisão horizontal no fundo do vestíbulo entre distal de canino e mesial de primeiro molar. Esta incisão, em profundida- de, deve chegar até o osso. Descola-se a mucosa e o periósteo, expondo a fossa canina. Faz-se uma trepanação abrindo-se uma janela na fossa canina para que se possa explorar o seio maxilar. Após terminada a cirurgia no seio se estabelece uma comunicação do seio com a fossa nasal, que é feita no nível da parte anterior e inferior do meato inferior. Enche-se o seio maxilar com gaze vaselinada e a ponta deve sair pela fossa nasal, estabelecendo uma drenagem do seio para a fossa nasal. Sutura-se o periósteo e a mucosa bucal sobre base óssea e remove- se a gaze por via nasal, três a cinco dias após a cirurgia. Acesso cirúrgico ao soalho da órbita Pratica-se uma incisão na pele da pálpebra inferior aproveitando uma ruga próxima e paralela à margem palpebral e, ao chegar ao ângulo lateral, a incisão inclina-se para baixo. Disseca-se a pele separando-a do músculo orbicular do olho, com bisturi, até ligeiramente abaixo da margem inferior da órbita; usando ganchos de pele para facilitar a dissecação, afasta-se a pele. Incisa-se o músculo orbicular, acompanhando suas fibras, logo abaixo da margem infra-orbital, aci- ma do forame infra-orbital. Esta incisão deve chegar ao osso, ou seja, incisa-se também a periórbita, expondo, assim, a margem inferior da órbita. Descola-se a periórbita em direção ao soalho tendo o cuidado com a origem do músculo oblí- quo inferior na sua porção medial. Terminada a cirurgia, sutura-se a periórbita, o músculo orbicular e a pele. Acesso cirúrgico ao corpo da mandíbula A seqüência é a mesma que foi feita para ligadura da artéria facial. Depois de isolar os vasos faciais e o nervo marginal da mandíbula, incisa-se o músculo masseter e o periósteo na base do corpo da mandíbula, descola-se o periósteo, expondo o corpo mandibular. Acesso cirúrgico ao ramo mandibular Utiliza-se a mesma seqüência para a ligadura da artéria carótida externa atrás do ângulo mandibular, até deslocar o terço inferior da parótida para cima e para adiante. A partir daí incisa-se o masseter com o periósteo na margem inferior e posterior da mandíbula. Descola-se o periósteo, desinsere-se o masseter, expon- do o ramo mandibular. Acesso cirúrgico à ATM Incisão pré-auricular, disseca-se e afasta-se a pele. Incisa-se a tela subcutâ- nea e logo abaixo disseca-se os vasos temporais superficiais e o nervo auriculotemporal. A seguir, afasta-se os vasos temporais superficiais para adian- te e o nervo auriculotemporal para trás, disseca-se o terço superior da glândula parótida, afastando-a para a frente e para baixo, expondo a cápsula da ATM, que pode ser incisada expondo seus elementos intrínsecos.
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    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 355 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Referências Bibliográficas 1. Basmajian JV. Anatomia de Grant. Tradução e revisão científica a cargo de Costacurta, L. 10 ed. São Paulo: Editora Manole Ltda., 1993. 2. Brodal A. Anatomia neurológica com correlações clínicas. Revisão a cargo de Costa MSMO. 3 ed. São Paulo: Livraria Roca Ltda., 1984. 3. Burt AM. Neuroanatomia. Revisão técnica de Esbérard CA. Tradução de Esbérard CA & Mundim DF. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1995. 4. Cantisano W, Palhares WR & Santos HJ. Anatomia dental e escultura. 3 ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1978. 5. Chusid JG. Neuroanatomia correlativa & neurologia funcional. Traduzido sob a supervisão de Engelhardt E. 14 ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1972. 6. Comissão de Nomenclatura da Sociedade Brasileira de Anatomia. Nomina anatômica. 5 ed. Rio de Janeiro: Editora Médica e Científica Ltda., 1984. 7. Crossman AR & Neary D. Neuroanatomia. Tradução de Esbérard CA. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S. A., 1997. 8. Dangelo JG & Fattini CA. Anatomia básica dos sistemas orgânicos. Rio de Janeiro: Livraria Atheneu, 1987. 9. Debierre CH. Traité élémentaire d’anatomie de l’homme. Paris: Félix Alian Éditeur, 1890. 10. Didio LJA. Sinopse de anatomia. Traduzido sob a supervisão de Prates, J. C. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1974. 11. Didio LJA. Tratado de anatomia aplicada. São Paulo: Póluss Comunicação Integrada Ltda., 1999. 12. Erhart EA. Elementos de anatomia humana. 3 ed. São Paulo: Atheneu Editora. São Paulo, 1969. 13. Erhart EA. Neuranatomia. 4 ed. São Paulo: Atheneu Editora. São Paulo, 1972. 14. Figún ME & Garino RR. Anatomia odontológica funcional e aplicada. Supervisão da tradução por Landucci, C. São Paulo: Medicina Panamericana Editora do Brasil Ltda., 1989. 15. Gardner E, Gray DJ & O’Rahilly R. Anatomia estudo regional do corpo humano. Coordenação e revisão da tradução a cargo de Didio LJA . Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S/A, 1978. 16. Gardner WD & Osburn WA. Anatomia humana. Tradução de Teran A. México: Nueva Editorial Interamericana S.A., 1975. 17. Gray. Anatomia. Editoria de Warwick RB & Willians PL. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1979. 18. Hamilton WJ. Tratado de anatomia humana. Supervisão de tradução de Picosse, M. 1 ed. Port. Rio de janeiro: Editora Interamericana Ltda, 1982. 19. Heidegger GW. Atlas de anatomia humana. Traduzido sob a supervisão de Sousa OM. 3 ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1978. 20. Henry Gray FRS & Goss CMGAB. Anatomia. Supervisão de tradução de Souza OM. 29 ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1977.
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    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 357 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. 46. Woelfel JB. Anatomia dental. Traduzido por Teles JCB, com a colaboração de Rodriguez SR da Cruz, 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1984. 47. Woodburne RT. Anatomia humana. Traduzido por Sousa OM & Costacurta L. 6 ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1984. 48. Young PA & Young PH. Bases da neuroanatomia clínica. Revisão técnica de Esbérard CA. Tra- dução de Filho CRF & Esbérard CA. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 1998.
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    ÍNDICE REMISSIVO 359 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Índice Remissivo A Abdome, 158 músculo reto do, 90 Abdução do olho, 103 movimentos de, 82 Abóbada craniana, 62 Aborrecimento, expressão de, 93 Abscesso(s) da região molar, 331 de origem dentária, 330 do saco lacrimal, 330 dos caninos, 331 dos incisivos, 331 periapical, 331 sublingual, 332 Absorção dos alimentos, 121 Acesso cirúrgico à articulação temporomandibular, 354 ao corpo da mandíbula, 354 ao ramo mandibular, 354 ao seio maxilar, 354 ao soalho da órbita, 354 Acetilcolina, 180 Adrenalina, 180 Agentes causadores do calor, 173 do frio, 173 Agressividade, expressão de, 95 Alça cervical, 105 intestinal, 178 Alegria, expressão de, 95 Alimentos absorção dos, 121 tubo condutor de, 163 Altura facial, medidas da, 74 Alvéolos dentais, 45, 59, 76 dos molares, 323 região apical dos, 76 Amargo, sensação de, 173 Amígdala, 153 Ampola hepatopancreática, 160 Anatomia dental, 207-294 caninos, 226 inferiores permanentes, 229 superiores permanentes, 226 conceito, 207 dentes, 207 classificação dos, 209 dimensões dos, humanos, 211 funções dos, 207 temporários, 271 canino inferior, 279 canino superior, 277 incisivo central inferior, 274 incisivo central superior, 271 incisivo lateral inferior, 276 primeiro molar inferior, 284 segundo molar inferior, 288 segundo molar superior, 284 evolução e involução da dentição humana, 290 incisivos, 212 centrais inferiores permanentes, 219 superiores permanentes, 212 laterais inferiores permanentes, 223 superiores permanentes, 215 molares, 250 primeiro molar inferior permanente, 261 superior permanente, 250 segundo molar inferior permanente, 265 superior permanente, 255 terceiro molar inferior, 270 superior, 259 pré-molares, 232 primeiro pré-molar inferior, 240 superior, 232 segundo pré-molar inferior, 245 superior, 236
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    360 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. relações interdentárias, 291 ameia ou nicho, 292 gengivas, 293 incisivos e caninos inferiores, 291 superiores, 291 periodonto, 292 Anatomia humana, estudo da, 1-6 conceito, 1 nomenclatura, 1 planos de delimitação do corpo humano, 3 planos de secção do corpo humano, 4 anterior ou ventral, 5 frontal, 5 horizontal, 5 inferior, 6 interno e externo, 6 posterior ou dorsal, 5 sagital mediano, 4 superior, 6 posição anatômica, 2 regional, 299-313 gengivodental, 309 geniana, 305 infratemporal, 307 labial, 301 lingual, 310 massetérica, 304 mental, 302 nasal, 299 palatina, 308 parotídea, 303 pterigopalatina, 307 sublingual, 311 supra-hióidea, 311 Anel(is) cartilagíneos, 165 tendíneo, 103 Anestesia do nervo alveolar ântero-superior, 315 médio superior, 316 local, fundamentos anatômicos para, 315 de ramos do nervo mandibular, 317 maxilar, 315 extrabucal do nervo mandibular, 318 maxilar, 317 na mucosa palatina, 316 Anfiartrose, 80 Angina de Ludwig, 332 Angulação radicular distolingual, 330 Ângulo(s) da boca cútis do, 95 músculo levantador do, 302 distolingual, 252 disto-oclusal, 271 distovestibular, 252 jugulosubclávios, 146 mandibular, 344 mesiolingual, 252 mésio-oclusal, 271 mesiovestibular, 252 súpero-medial da órbita, 71 triedro vestibulocervicomesial, 279, 284 Antagonistas dos músculos genioglossos, 100 orbiculares dos olhos, 92 Antebraço, movimentos de pronação do, 82 de supinação do, 82 Ânus, 159 Aorta, cajado da, 124 Apêndice(s) epiplóicos, 158 vermiforme, 159 Ápice(s) pulmonares, 105 radicular do incisivo lateral, 319 Aponeurose, 93 epicrânica, 91 faríngea, 27 Aqueduto cerebral, 185 Arcadas dentárias, 65 Arco(s) dentários, 310 jugular, 340 mandibular, mesoderma do, 108 palatofaríngeo, 153 palatoglosso, 153 supra-orbitais, 17, 21, 343 zigomático, 305, 317, 347 Área cortical cerebral sensitiva, 183 Articulação fibrosa, ossos de uma, 79 Artéria(s), 122, 125 alveolar(es) inferior, 136 póstero-superior, 138, 309 angular, 307 aorta, 124 articular, 134 posterior, 133, 304 profunda, 136 auriculares, 134 basilar, 184 bucal, 138 ramos da, 307 carótida primitiva, 125 bifurcação da, 128 carótida externa, 128, 135, 337
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    ÍNDICE REMISSIVO 361 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. e seus ramos, 129 ligadura da, 354 ramos colaterais da, 129 terminais da, 133 carótida interna, 41, 126 ramo(s) colaterais da, 126 terminal da, 128 central da retina, 127 cerebral média, 128 ciliares posteriores curtas, 127 longas, 127 da língua, 129 ramo terminal da, 130 de grande calibre, 122 de médio calibre, 122 de pequeno calibre, 122 do canal pterigóideo, 138 dorsais da língua, 130, 310 do nariz, 127, 301 lesões das, 335 esfenopalatina, 139 etmoidal anterior, 37, 127 posterior, 127 facial(is), 59, 131, 198, 313, 336, 354 ramo(s), 302 colaterais cervicais da, 132 colaterais faciais da, 132 terminal da, 133 faríngea, 139 ascendente, 133 incisiva, 309 infra-orbital, 138, 302 ramos da, 307 labial inferior, 132, 302 superior, 132, 302 lacrimal, 127 ramos da, 307 lingual, 130, 335 ligadura da, 353 massetérica, 138 maxilar, 20, 137, 307, 337 ramo terminal da, 139 meníngea, 33 média, 64, 136, 202 ramos da, 25 sulcos vasculares da, 62 menor, 136 posterior, 28 mental, ramos da, 307 nasal lateral, 132 occipital, 133 ramo meníngeo da, 28 oftálmica, 63, 126, 301 ramos colaterais da, 127 terminais da, 127 palatina ascendente, 132, 313 descendente, 138 maior, 309, 335 profundas da língua, 130, 310 pterigóidea, 138 sublingual, 130, 309, 335 submandibulares, 132, 313 submental, 132, 313 supra-orbital, 127 ramo da, 22 supratroclear, 127 temporal profunda anterior, 136 profunda média, 136 profunda posteriore, 135 sulco da, 39 superficial, 86, 133, 304, 336 ramos colaterais da, 133 ramos terminais da, 135 timpânica, 136 tireóidea superior, 129, 337 tonsilar, 132, 313 transversa da face, 133 ramos da, 307 vertebrais, 27, 64, 128 zigomático-orbital, 134 Articulação(ões), 79-86 alvéolo-dental, 292 biaxial, 81, 82 carpometacárpica do polegar, 82 cartilagínea, 61, 80 ossos de uma, 80 conceito, 79 condilar ou elipsóide, 82 das falanges, 81 das vértebras, 82 de cartilagem hialina, 80 do cotovelo, 81 do ombro, 81 do punho, 81 em dobradiça ou gínglimo, 82 em pivô ou trocóide, 82 esferóide, 82 esternoclavicular, 125, 145 fibrocartilagíneas, 80 fibrosas, 79 imóveis, 14 infradiscais, 111 interfalângica, 82 radioulnar proximal, 82 selar, 82
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    sincondrose, 80 sinovial(is), 80 plana,82 supradiscais, 112 temporomandibular, 14, 39, 60, 76, 82 acesso cirúrgico a, 354 cápsula da, 110 direita corte sagital na, 84 vista lateral, 83 vista medial, 84 inervação da, 86 tomada radiográfica lateral da, 348 vascularização da, 86 triaxial, 81, 82 uniaxial, 81, 82 Árvore brônquica, 165 Asa do nariz na face anterior, músculo dilatador da, 47 músculo, 47 dilatador da, 93, 301 levantador do lábio superior e da, 301 Asfixia, 352 Astério, 16 Atenção, expressão de, 93 Atividade motora, coordenação da, 186 Átrio direito, 116 esquerdo, 116 Audição, 14 Aurícula, 116 Axônio do neurônio pós-ganglionar, 178 pré-ganglionar, 178 Azedo, sensação de, 173 B Baço, 124 Bainha de mielina, 178 de neurilema, 178 Base do crânio, vista superior, 63 Básio, 73 Basle Nomina Anatomica, 2 Bile, 158 Boca, 152 cavidade da, 151, 153 cútis do ângulo da, 95 dentes, 154 língua, 153 mucosa da, 193 músculo(s), 94 depressor do ângulo da, 60, 95, 155, 302, 331 do lábio inferior e orbicular da, 302 levantador do ângulo da, 47, 95, 330 orbicular da, 330 palato, 153 rima da, 151 soalho da, 151 fleimão do, 332 vestíbulo da, 153 Bochecha mucosa da, 318 partes moles da, 42 submucosa da, 157 Bolha etmoidal, 38 Bolo alimentar, 157 trânsito do, 158 Bolsa sinovial, 108 Bolton, 73 Braço músculo bíceps do, 89 músculo tríceps do, 89 Bradicardia, 181 Bregma, 73 Brônquios, 165, 181 de primeira ordem, 165 lobares, 165 Bucofaringe, 157 Bulbo, 169, 182 olfatório, 37 Bulha, 38 C Cabeça e pescoço, drenagem linfática da, 146 músculo esplênio da, 42 Calcâneo, 8 Cálcio, íons de, 7 Cálculos salivares no ducto submandibular, 353 Caldwell-Luc, técnica de, 354 Calor, agentes causadores do, 173 Calota craniana, 346 Câmara pulpar, 222, 295 soalho da, 236 Canal(is) alimentar, 157 anexos do, 159 dilatação do, 157 alveolar(es) ântero-superior, 43 póstero-superiores, 43 anal, 159 basilar, 27 carótico, 41, 126 condilar, 28 distal, 265 esfenovomeriano, 32, 55 etmoidais, 23, 37
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    ÍNDICE REMISSIVO 363 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. facial, forame do, 41 incisivo, 46, 60, 190 infra-orbital, 43, 71, 191 lacrimais, 93 lacrimonasal, 44, 50, 103 lingual, 236 mandibular, 59, 297, 328 mental, 60, 326 mesencefálico, 185 mesiais, 265 nasofrontal, 71 olfatórios, 63 óptico, 31, 103 palatino(s), 254 maior, 44, 65, 316 menores, 65 pterigóideo, 32, 35 artéria do, 138 radiculares, 295 raquídeo, 27 vestibulares, 253 vômero-vaginal, 55 Canalículo caroticotimpânico, 201 mastóideo, 41 ósseo, 196 timpânico, 41 Canino(s), 226, 321 abscessos dos, 331 inferior(es), 279 corte frontal, 233 corte sagital, 233 direito vista lingual, 231 vista vestibular, 231 permanentes, 229 funções, 230 irrupção, 229 morfologia, 230 oclusão, 230 temporário direito vista lingual, 280 vista vestibular, 280 raiz do, 330 superior(es), 277 corte frontal, 229 sagital, 230 direito vista lingual, 228 vista vestibular, 227 permanentes, 226 canal radicular e câmara pulpar, 229 face lingual, 227 face vestibular, 226 faces proximais, 227 funções, 226 irrupção, 226 morfologia, 226 oclusão, 226 raiz, 229 temporário direito vista lingual, 278 vista vestibular, 278 Cannon, síndrome de emergência de, 180 Capilares linfáticos, 116 sangüíneos, 121, 123 Capitato, 8 Cápsulas articulares, 85, 88 Carpo, ossos do, 10 Cartilagem(ns), 13 alares, 301 aritenóideas, 165 articulares, 13 corniculadas, 165 cricóide, 102, 165, 337, 340 cuneiformes, 165 da laringe, 14 do septo, 301 elástica, 13 epifisárias, 9 epiglote, 165 hialina, 9, 13 articulações de, 80 nasais laterais, 301 tireóide, 102, 165, 340 Carúnculas sublinguais, 311 Cauda eqüina, 182 Cavidade(s) bucal, 42, 65 bucal, teto da, 53 craniana, 14, 25, 36 da boca, 151, 153 da face, 62 diencefálica, 185 do crânio, 62 do pericárdio, 119 nasal, 18, 65, 163 divertículo da, 78 orbital, 37, 42 paranasais, 70 pneumáticas, 70 do crânio, 78 pulpar, 210, 295 rombencefálica, 185 timpânica, 41 torácica, 165 Ceco, 159 Cefalometria, 72 Célula(s) do sangue, 7 etmoidais, 36, 71, 188, 345 frontoetmoidais, 23, 37
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    364 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. mastóideas, 40, 201, 347 matriz para alcançar as, 13 maxilo-etmoidais, 44 motoras do núcleo motor, 195 ósseas, 13 unipolares, 195 Cemento, 211, 292 Cerebelo, 29, 169, 173, 185 corte horizontal, 173 substância branca do, 186 cinzenta do, 186 tenda do, 185 Cérebro lobo(s) occipitais do, 29 parietal do, 25 Choro, 95 Cicatrização da mucosa, 353 Cintura escapular, ossos da, 8 pélvica, ossos da, 8 Circulação colateral, 121 coração-pulmão-coração, 121 coração-tecidos-coração, 121 do sangue, 119 portal, 121 portal-hepática, 121 pulmonar ou pequena circulação, 121 sistêmica ou grande circulação, 121 Círculo cerebral arterial, 128 pericervical, 148 Cirurgia dentoalveolar, 319 na região lingual, 353 sublingual, 353 para remoção da glândula submandibular, 353 Clavícula, 8 extremidade medial da, 105 Clivus do occipital, 32 Coanas, 65, 163 Cóccix, 8, 182 Colar pericervical, 147 Colículo facial, 185, 199 Colo(s) dentários, 293 flexura direita do, 159 esquerda do, 159 sigmóide, 159 Coluna cervical, 346 coccígea, ossos da, 8 lombar, ossos da, 8 sacral, ossos da, 8 vertebral, 167 Comissuras inter-hemisféricas, 187 Compartimentos articulares, 85 infradiscal, 85 supradiscal, 85 Comunicação esofagogástrica, 158 Concavidade lingual, 286 Concha(s) nasal(is), 349 inferior, 14, 44, 51, 351 conexões, 52 direita, 51 face lateral, 51 medial, 51 margem inferior, 51 superior ou articular, 52 posição, 51 situação, 51 média, 36 superior, 36 suprema, 36 Côndilo da mandíbula, 39, 83 fratura do colo do, 352 lateral, 75 mandibular, 317, 348 medial, 75 occipital, 20, 29, 64 Condroblastos, 13 Condrócitos, 13 Conduto auditivo, 64 interno, 41 Cone medular, 182 Constritor superior da faringe, músculos do, 55 Contração da mandíbula, 76 muscular, 88 ventricular, 117 Convexidade oclusal, 252 Coordenação da atividade motora, 186 Coração, 116, 181 aspecto interno dos ventrículos do, 116 circulação do sangue, 119 esqueleto cardíaco, 119 forma, 116 morfologia interna, 116 pericárdio, 119 sistema de condução do, 120 situação, 116 vasos da base, 118 volume do, 119 Cornos pulpares, 210, 236 Coroa anatômica, 207
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    ÍNDICE REMISSIVO 365 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. dentária, 155 Coronárias, dilatação das, 181 Coronóide, 352 Corpo da maxila, 18, 42 gástrico, 158 Corrente sangüínea, 116 Córtex cerebelar, 173, 186 Cotovelo, articulação do, 81 Couro cabeludo, 192 músculo do, 91 Coxa, músculo quadríceps da, 89 Crânio abóbada, 62 análise funcional do, 75 base do, 62 cavidades do, 62 pneumáticas do, 78 corte sagital no, 66 crescimento do, 72 desarmonias no formato do, 72 ossos do, 8, 14 pontos medianos do, 72 radiografias de perfil de, 73 vista anterior do, 17 inferior do, 20, 21 lateral do, 19 posterior do, 16 superior do, 15 base do, 63 Craniometria, 72 Crescimento do crânio, 72 Crista alveolar, 293 fibras da, 293 conchal da maxila, 52 do palatino, 52 esfenoidal anterior, 32 inferior, 32 etmoidal, 45 frontal, 22 galli, 36, 63, 346 ilíaca, 159 lacrimal, 44, 343 anterior, 45 posterior, 93 lingual, 227 marginal mesial, 235 occipital externa, 29 romba, 76 sinostósica, 27 supramastóidea, 20, 39, 77 zigomática, 32 Curva zigomaticoalveolar, 77, 316, 343, 347 Cúspide(s) distolingual, 248, 252 distovestibular, 252 lingual, 238 mesiais, 264 mesiolingual, 252 mesiovestibular, 251 vestibular, 233 das linguais, 269 Cútis, 92 do ângulo da boca, 95 do lábio inferior, 95 superior, 95 do mento, 95 do pavilhão da orelha, 92 D Dacriocistite, 330 Dedos músculo extensor longo dos, 89 músculo flexor longo dos, 90 Dente(s), 153 adjacentes, lâminas compactas alveolares dos, 76 caducos, 271 câmara coronária ou pulpar, 210 caninos inferiores permanentes, 229 superiores permanentes, 226 cavidade pulpar, 210 classificação dos, 209 contíguos, 292 de leite, 271 de primeira dentição, 271 de sino, 325 decíduos, 271 dimensões dos, humanos, 211 em oclusão cêntrica, 111 evolução e involução, 290 face(s) cervical, 209 da coroa de um, 208 distal, 208 lingual, 208 mesial, 208 oclusal, 208 vestibular, 208 funções dos, 207 incisivos, 212 centrais inferiores permanentes, 219 superiores permanentes, 212 laterais inferiores permanentes, 223 superiores permanentes, 215
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    366 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. inferiores, 19 articulados, 57 molares primeiro molar inferior permanente, 261 superior permanente, 250, 255 segundo molar inferior permanente, 265 terceiro molar inferior, 270 superior, 259 pré-molares primeiro pré-molar inferior, 240 superior, 232 segundo pré-molar inferior, 245 superior, 236 pressão mastigatória exercida sobre os, 76 provisórios, 271 raízes dos, 19 relação dos, com estruturas vizinhas, 319-328 processo alveolar da mandíbula, 324 processo alveolar da maxila, 319 superiores, 18, 19, 46 temporários, 271 canino inferior, 279 superior, 277 incisivo central inferior, 274 central superior, 271 lateral inferior, 276 primeiro molar inferior, 284 segundo molar inferior, 288 superior, 284 tetracuspidado, 256 unirradiculares, 210 Dentição, dentes de primeira, 271 Dentina, 155, 207 Derme, 88 Desgaste oclusal, 223 Deslizamento, movimentos de, 85 Desmodonto, 293 Desvio apical, 244 Diáfise, 9 Diafragma, 157 Diastema, 212 Diástole ventricular, 119 Diencéfalo, 186 corte frontal, 172 Difiodonte, 155, 209 Dilatação da narina, 94 das coronárias, 181 do canal alimentar, 157 Díploe, 14 Disco(s) articular, 85 epifisiais, 13 Disjunção craniofacial, 351 nasofrontal, 351 Distúrbios emocionais, 179 Divertículo(s) da cavidade nasal, 78 pares, 71 Doce, sensação de, 173 Dor fibras da sensibilidade à, 195 visceral, 178 Drenagem linfática, 305 da cabeça e do pescoço, 146 Ducto(s) cístico, 160 colédoco, 158, 160 hepático, 160 comum, 160 direito, 160 esquerdo, 160 linfático direito, 146 pancreático, 160 parotídeo, 155, 305, 306 sublingual maior, 156 submandibular, 156, 193, 311, 353 cálculos salivares no, 353 torácico, 146 Duodeno, 160 vista interna do, 160 Dura-máter, 37, 168, 189 seios da, 139 E Ectrópio, 93 Edema de glote, 339 Ejaculação, 181 Eminência(s) articular(es), 82 convexa elíptica, 28 dos ossos temporais, 112 caninas, 42, 93 elipsóide, 183 esfenoidal, 31 retroarticular, 39 Encéfalo, 14 Endocrânio, 14 Epicárdio, 119 Epífises, 9 Epífora, 93 Epiglote, 154 Epitélio da mucosa bucal, 207 Ereção dos pêlos, 181
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    ÍNDICE REMISSIVO 367 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Escafóide, 8 Escápula, 8 Esfenóide, 351 processo(s) etmoidal do, 31 pterigóideos do, 351 raiz da asa maior do, 70 Esmalte dentário, 207 Esôfago, 157 fibras circulares do, 102 Espaço(s) articular, 348 faríngeo, 348 infradiscal, 84 infratemporal, 333 interdentário, 292 medulares, 76 periodontal, 295 pré-traqueal, 340 subaracnóide, 168 subdural, 168 supradiscal, 84 supra-esternal, 339, 340 Espinha(s) jugulares, 28 mental, 57 nasal, 18, 346 anterior, 46 posterior, 73 troclear, 23 Esporão ósseo aguçado, 18 Esqueleto cardíaco, 119 cartilagíneo, 165 da face, 14 anatomia aplicada ao exame físico do, 343 Estafílio, 73 Estapédio, 196 Esterno, 8, 339 Estilofaríngeo, 40 Estiloglosso, 40 Estilo-hióideo, 40 Estilomandibular, 40 Estímulos físicos, 173 químicos, 173 Estômago, 157 divisão do, 158 Estribo, músculo do, 196 Etmóide, 36, 351 lâmina crivosa do, 65 orbital do, 49 perpendicular do, 66 vertical do, 55 processo uncinado do, 52 sulco olfatório do, 31 Exodontia, 316 Expressão de aborrecimento, 93 de agressividade, 95 de alegria, 95 de atenção, 93 de desdém, 94 de sofrimento, 93 de tristeza, 95 do medo, 92 do sorriso forçado, 95 franco, 95 facial, 97 Extremidades mediais dos supercílios, 72 F Face análise funcional da, 75 anterior do processo pterigóide, 70 músculo dilatador da asa do nariz na, 47 artéria transversa de, 133 cavidades da, 62, 64 esqueleto da, 14 infratemporal, 18 lateral, músculos bucinador na, 330 medial da maxila, 53 ossos da, 8, 14, 56, 64 pontos medianos da, 72 proeminências da, 18 ramos da artéria transversa da, 307 veias, 144 profundas da, 145 vista anterior, regiões superficiais da, 300 lateral, regiões superficiais da, 300 Falanges, articulações das, 81 Faringe, 157, 164 infecções da, 165 mucosa da, 203 músculo(s), 102 constritor, 176, 203 médio da, 62 superior da, 55, 60, 96 porção nasal da, 65, 163 veia da, 144 Fáscia cervical, 105 superficial, 86 de revestimento do pescoço, 339 infra-hióidea, 339, 340 parotídea, 95, 304 temporal, 19 traqueal, 339
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    368 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Fauce, istmo da, 151 Feixe(s) ciliar, 93 de fibras colágenas, 13 vasculo-nervoso alveolar ântero-superior, 71 inferior, 327 Fêmur, 8 Fenômenos físico-químico complexos, 115 Fibra(s), 13 adrenérgicas, 180 aferentes, 174 alvéolo-dentárias, 293 apicais, 293 circulares do esôfago, 102 colágenas, 88 feixes de, 13 colinérgicas, 180 cricofaríngeas, 102 curtas, 85 da crista alveolar, 293 da sensibilidade à dor, 195 de segunda ordem, 195 do músculo masseter, 111 do nervo facial, 185 do pericemento, 76 eferentes, 174 gustativas, 195 interdentárias, 292 longas superficiais, 85 motoras, 174 musculares, 88, 303 circulares, 158 longitudinais, 158 nervosas mielínicas, 171 parassimpáticas, 313 do nervo petroso, 307 superficial maior, 308 pós-ganglionar, 178 parassimpática, 179 simpática, 179 pré-ganglionar, 178 parassimpática, 179 simpática, 179 próprias dos lábios, 97 secretomotoras, 195 sensitivas, 174 tireofaríngeas, 102 transeptais, 292 viscerais, 177 Fibrocartilagem, 13, 60 Fíbula, 8 Fígado, 159 Filamento meníngea, 182 Filum terminale, 182 Fissura(s) cerebelares, 185 mediana, 182 oblíqua, 166 orbital, 63, 103 inferior, 17 superior, 17, 31 petrotimpânica, 39, 136 pterigopalatina, 20 timpanoescamosa, 39, 83, 85 Fita fascial, 105 Fleimão do soalho da boca, 332 Flexão, movimentos de, 82 Flexura direita do colo, 159 duodenojejunal, 158 esquerda do colo, 159 hepática, 159 Folhas cerebelares, 185 Fontículo bregmático, 15 lambdóide, 15 Forame apical, 210, 229 cego, 22, 63, 217, 267 do canal facial, 41 espinhoso, 32, 64 estilomastóideo, 195 infra-orbital, 17, 42, 316, 347, 354 jugular, 28, 41 lacero, 41 lingual, 297 magno, 26 mandibular, 59 mastóideo, 16 mental, 17, 59, 348 anestésico no nível do, 317 occipital, 26, 347 superfície inferior do, 73 oval, 31 palatino maior, 20, 45, 316 menor, 45 parietal, 15 redondo, 31 supra-orbital, 18, 42 zigomático temporal, 47 zigomaticofacial, 47 zogomaticorbital, 47 Fósforo, 7 Fossa(s) canina, 42 cerebelares, 64 cerebrais do occipital, 62 condilar anterior, 28 posterior, 28 craniana anterior, 67
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    ÍNDICE REMISSIVO 369 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. média, 65 digástrica, 59, 111, 312 escafóide, 35 esfenotemporais, 63 frontais, 22, 62 hipofisária, 32, 63, 345 incisiva da maxila, 97 infratemporal, 19, 43, 307 ramos colaterais anteriores na, 138 ascendentes na, 136 descendentes na, 136 interpeduncular, 185 jugular, 41 lacrimal, 23 mandibular, 39 do osso temporal, 82 nasal, 23, 32, 72 mucosa das, 50 parede lateral da, 53, 66 soalho da, 46, 53, 295, 319 occipitais, 29 orbitais, 23 parietais, 62 pterigóidea, 35 pterigopalatina, 20, 54, 189, 316, 346 ramos colaterais na, 138 do nervo maxilar na, 189 rambóide, 185 sublingual, 57 submandibular, 57, 297, 348 temporal, 19, 20 tonsilar, 153 Fosseta distal, 248, 257 mesial, 248, 257 Fóssula petrosa, 41 Fóvea pterigóidea, 111 sublingual, 58, 311 submandibular, 58, 312 troclear, 23, 103 ungueal, 41 vermiana, 29 Fovéolos granulares, 22, 62 Frankfurt, plano horizontal de, 72 Fratura(s) de Lefort I, 351 II, 351 III, 351 do colo do côndilo, 352 do corpo da mandíbula, 352 do processo coronóide, 352 do ramo mandibular, 352 parassinfisária bilateral, 352 Freio discal posterior, 85 discotemporal posterior, 85 Frênulo labial, 302 lingual, 311 Frio, agentes causadores do, 173 Fundo gástrico, 158 Funículo cuneiforme, 183 grácil, 183 Fusão óssea, 14, 61 G Gálea aponeurótica, 91 Gânglio(s), 173 ótico, 192, 202, 307 pterigopalatino, 308 semilunar, 194 do nervo trigêmeo, 41 submandibular, 353 trigeminal, 41, 189 Garganta, 151, 308 Gelatinóide, matriz intercelular firme e, 13 Gengiva, 293 vestibular, 293 Genitais masculinos, 181 Giros cerebrais, 22, 185 Glabela, 17, 21, 72, 343 Glândula(s) bucais, 157 endócrina, 161 exócrina, 161 hipófise, 32, 141 incisivas, 157 labiais, 157 lacrimal, 23, 181 linguais, 157 molares, 157, 306 palatinas, 157 parótida, 60, 86, 156, 304, 313 pituitária, 32 salivares, 155, 181, 306 labiais, 302 palatinas, 308 sebáceas, 301, 306 sublingual, 156, 311 submandibular, 57, 131, 312, 336, 353 cirurgia para remoção da, 353 sudoríparas, 180, 306 tireóide, 148, 339, 340 Glóbulos brancos, 124 Glomo carótico, 126 Glossectomias parciais, 353 Glossofaríngeo, ramos do, 309
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    370 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Glote, 339 edema de, 339 Gonfose, 80, 207 Gônio, 56, 75 Granulações aracnóides, 22 Gustação, 14 H Hamato, 8 Hámulo lacrimal, 50 pterigóideo, 31, 102, 296, 344 Haustos, 158 Hemisférios cerebrais, 37, 171 Hemorragias de ramos, 337 Hemostasia, 353 Hiato maxilar, 44, 52 Hióide, 8 Hipotálamo, 179 I Íleo, 158 Ilhotas de cartilagem hialina, 14 Impressão trigeminal, 41 Impulsos nervosos, 173 viscerais, 177 Incisivo(s) abscessos dos, 331 central(is) inferior(es), 74, 274 corte frontal, 222 sagital, 223 direito vista lingual, 221 vista vestibular, 220 permanentes, 219 canal radicular e câmara pulpar, 221 face lingual, 221 face vestibular, 220 faces proximais, 221 funções, 220 irrupção, 220 morfologia, 220 oclusão, 220 raiz, 221 temporário direito vista lingual, 275 vista vestibular, 275 centrais superiores, 74, 271 corte frontal no, 216 sagital no, 216 permanentes, 74, 212 canal radicular, 215 desenvolvimento, 213 face lingual, 214 face vestibular, 213 faces proximais, 214 funções, 213 margem oclusal, 214 morfologia, 213 oclusão, 213 raiz, 215 temporário direito vista lingual, 272 vista vestibular, 271 lateral(is) inferior(es), 276 corte frontal, 225 sagital, 226 direito vista ingual, 224 vista vestibular, 224 permanentes, 223 canal radicular e câmara pulpar, 225 funções, 223 irrupção, 223 morfologia, 223 oclusão, 223 raiz, 225 temporário direito vista lingual, 277 vista vestibular, 276 lateral(is) superior(es) corte frontal, 219 sagital, 219 esquerdo vista lingual, 218 vista vestibular, 217 permanentes, 215 canal radicular e câmara pulpar, 218 face lingual, 217 face vestibular, 217 faces proximais, 217 funções, 216 irrupção, 215 morfologia, 217 oclusão, 216 raiz, 217 temporário direito vista lingual, 274 vista vestibular, 273 Incisura(s) cerebrais, 22, 34 esfenopalatina, 54 etmoidal, 22, 36 mandibular, 60, 192, 317, 352 nasal, 21
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    ÍNDICE REMISSIVO 371 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. pterigóidea, 35 supra-orbital, 17 Inervação do nervo mandibular, 101 parassimpática, 181 Infecções da faringe, 165 de origem dentária, 319 odontológicas, propagação das, 329-333 através das veias, 329 através do tecido conjuntivo frouxo, 330 Ínio, 73 Injeção subperióstica, 315 Insulina, 161 Intestino, 158 delgado, 158 porção móvel do, 158 grosso, 158 Íons de cálcio, 7 Íris, 181 músculo esfíncter da, 176 Istmo da fauce, 151, 308 J Jejuno, 158 Jena Nomina Anatomica, 2 Joelho, 195 Junção das maxilas, 18 esofagogástrica, 158 ileocecocólica, 158 Juntura fibrosa, 210 L Lábio(s) fibras próprias dos, 97 inferior cútis do, 95 e mental, músculo depressor do, 60 e orbicular da boca, músculo depressor do, 302 músculo depressor do, 95, 331 músculos dos, 97 submucosa dos, 157 superior cútis do, 95 e da asa do nariz, músculo levantador do, 301 frênulo do, 153 músculo levantador do, 47, 94, 302, 330 raiz do, 74 Labirinto etmoidal, 23, 32, 54 Lágrimas, derramamento de, 93 Lambda, 73 Lambdóide, ossos occipitoparietal ou, 15 Lâmina(s) alveolar do processo alveolar, 321 compactas alveolares dos dentes adjacentes, 76 crivosa do etmóide, 65 de tecido conjuntivo, 88 grosso, 99 dura alveolar, 320 vestibular, 321 epifisiais dos ossos longos, 80 externa do processo alveolar, 320 fibrocartilagínea, 64 horizontal do osso palatino direito, 66 lingual, 321 nasal, 320 orbital do etmóide, 49 do osso frontal, 67 óssea, 38 delgada, 55 encurvada, 51 palatina, 320 do processo alveolar, 320 perpendicular do etmóide, 66 radiopacas, 347 vertical do etmóide, 55 do osso palatino, 70 direito, 66 vestibular, 320 Lamínulas ósseas, 12, 23 Laringe, 165 ádito da, 154 cartilagens da, 14 movimentos da, 165 mucosa da, 340 Laringotomia, anatomia aplicada a, 340 Lefort I, fratura de, 351 II, fratura de, 351 III, fratura de, 351 Lesão(ões) das artérias dorsais, 335 de um músculo estiloglosso, 100 na língua, 335 tumorais, 353 Ligadura(s) arterial(is), 335 anatomia aplicada às, 335 artéria carótida externa, 337 facial, 336 lingual, 336 palatina maior, 335 temporal superficial, 336 carótida externa, 354 lingual, 353 Ligamento(s), 40
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    372 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. alvéolo-dentários, 211, 292 anulares, 165 cricotireóideo, 340 esfenomandibular, 59, 84, 85, 192 estilo-hióideo, 62 estilomandibular, 84, 86 fibroelásticos, 207 hioepiglótico, 61 palpebral lateral, 93 medial, 92 periodontal, 211 pterigomandibular, 84, 86, 96, 317 Linfa, vasos condutores da, 116 Linfáticos, 146 Linfócitos, 124 Linfonodo(s), 124, 147 bucais, 149 cervicais profundos, 148, 309 superficiais, 147 faciais, 149 jugulodigástrico, 148 júgulo-omo-hióideo, 148 mastóideos, 148 occipitais, 148 paratraqueais, 148 parotídeos, 149, 301 pré-laríngeos, 148 pré-traqueais, 148 retroauriculares, 148 retrofaríngeos, 148 submandibulares, 149, 303, 311, 336 submentais, 147, 309, 311 Língua, 153 ápice da, 154 artéria(s) dorsais da, 130, 310 profunda da, 130, 310 corte frontal, 98 sagital, 98 forame seco da, 154 frênulo da, 156, 310 lesões na, 335 motricidade da, 310 musculatura da, 177 músculos da, 97, 310 nervo motor da, 204 parte lateral da, 102 ptose da, 352 sulco mediano da, 154 tumefação da, 332 veias, 144 dorsais da, 145, 310 profundas da, 145 Língula, 59 Linha milo-hióidea, 57, 326 da mandíbula, 349 Líquido sinovial, 81 tecidual, 123 Liquor, 168 Lobo(s) distal, 262 frontal, 170 mediano, 262 mesial, 262 occipital, 170 do cérebro, 29 parietal, 170 do cérebro, 25 pulmonares, 165 temporal, 170 Ludwig, angina de, 332 M Macroglossia, 353 Mandíbula, 8, 18, 56-60 acesso cirúrgico ao corpo da, 354 côndilos da, 39, 83 conexões, 60 corpo da, 56 curvatura máxima do ângulo da, 75 face anterolateral, 57 lateral, 59 medial, 59 do corpo da, 344 póstero-medial, 57 fratura do corpo da, 352 linha milo-hióidea da, 349 margem anterior, 60 inferior e posterior da, 75 ou base, 59 posterior, 60 superior, 57, 60 músculos elevadores da, inativos, 111 nervo marginal da, 354 origens e inserções musculares, 60 ponto mais inferior da, 74 posição, 56 processo alveolar da, 324 região da, 76 situação, 56 superfícies articulares da, 83 tomada radiográfica lateral desdobrada de, 348 Manipulações dentárias, 97 Manúbrio, 105 Marca-passo, 120
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    ÍNDICE REMISSIVO 373 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Margem inferior da órbita, 75 medial da órbita, 92 supra-orbital, 17 Marsupialização, 353 Mastigação, 14 musculatura da, 176 músculos da, 88, 108, 332 Matriz intercelular firme e gelatinóide, 13 para alcançar as células, 13 Maxila, 14, 18, 42-47 base da pirâmide, 43 conexões, 46 corpo da, 18, 42 crista conchal da, 52 face anterior, 42 infratemporal ou posterior, 43 medial da, 53 nasal e medial, 43 orbital ou superior, 43 fossa incisiva da, 97 junção das, 18 origens musculares, 47 porção medial do túber da, 70 posição, 42 processo alveolar da, 319 zigomático da, 71 situação, 42 túber da, 55 vista inferior, 45 lateral, 43 medial, 44 Meato acústico externo, 14, 39, 72, 83 teto do, 75 interno, 41 Mecânica respiratória, 166 Mediastino, 116, 165, 332 Medidas da altura facial, 74 Medo, expressão do, 92 Medula da supra-renal, 180 espinhal, 167, 171, 182 corte horizontal, 171 óssea, 9 sacral, 178 Membrana de tecido conectivo, 13 conjuntivo, 168 sinovial, 81 Membro distal, 6 inferior, ossos do, 8 proximal, 6 superior, ossos do, 8 Meninges, 14, 168 Meniscos fibrosos, 81 Mento cútis do, 95 músculo do, 95, 97 Mesencéfalo, 168, 185 Mesoderma do arco mandibular, 108 Metacárpios, 8 Metáfises, 9 Metatárcicos, 8 Metencéfalo, 169 Midríase, 181 Mielencéfalo, 169 Mielina, bainha de, 178 Mímica músculo da, 91, 330 vista anterior, músculos da, 94 Miocárdio, 116 Miose, 181 Molar(es), 250, 319, 348 alvéolos dos, 323 mucosa vestibular dos, 318 polpas dentárias dos, 138 primeiro molar inferior permanente, 261 canais radiculares e câmara pulpar, 265 face lingual, 263 face oclusal, 264 face vestibular, 262 faces proximais, 263 funções, 261 irrupção, 261 morfologia, 262 oclusão, 262 raízes, 265 superior permanente, 250 canais radiculares e câmara pulpar, 253 face lingual, 251 face oclusal, 252 faces proximais, 252 funções, 250 irrupção, 250 morfologia, 250 oclusão, 250 raízes, 253 raízes dos, 71 segundo molar inferior permanente, 265 canais radiculares e câmara pulpar, 269 face lingual, 267 face oclusal, 268 face vestibular, 267 faces proximais, 267 funções, 266
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    374 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. irrupção, 265 morfologia, 267 oclusão, 267 raízes, 269 superior permanente, 255 canais radiculares e câmara pulpar, 259 face lingual, 256 face oclusal, 257 faces proximais, 257 funções, 255 irrupção, 255 morfologia, 255 raízes, 259 terceiro molar inferior, 270 superior, 259 canais radiculares e câmara pulpar, 261 face lingual, 261 face oclusal, 261 face vestibular, 261 funções, 260 irrupção, 259 morfologia, 261 oclusão, 260 raízes, 261 Motricidade da língua, 310 Movimento(s) da laringe, 165 de abdução, 82 de adução, 82 de deslizamento, 85 de extensão, 82 de flexão, 82 de pronação do antebraço, 82 de supinação do antebraço, 82 mandibulares, 111 peristálticos, 157 reflexos, 194 Mucosa alveolar, 293 bucal, 290, 353 epitélio da, 207 cicatrização da, 353 da boca, 193 da bochecha, 318 da faringe, 203 da laringe, 340 da úvula, 101 das fossas nasais, 50 do ouvido médio, 200 gengival, 207, 293 vestibular, 137 labial, 302 nasal, 175 palatina, 316 anestesia na, 316 vestibular dos molares, 318 Musculatura da língua, 177 da mastigação, 176 Músculo(s), 40, 96 agonista, 90 antagonista, 90 auricular anterior, 92, 304 posterior, 42, 92 superior, 92 bicaudado, 90 bíceps do braço, 89 bipenado, 89 bucinador, 47, 95, 155, 302, 332 ações do, 97 na face lateral, 330 cardíaco, 87 ciliar, 176 complexo menor, 42 compressor do nariz, 93 condroglosso, 62 condrosso, 100 constritor(es) da faringe, 176, 203 inferior, 102 médio, 102 da faringe, 62 superior, 102 da faringe, 60, 96 corrugador do supercílio, 93 cricotireóideos, 340 da asa do nariz, 47 da boca, 94 da faringe, 102 da língua, 97, 310 da mastigação, 88, 108, 332 da mímica, 91, 330 vista anterior, 94 da órbita, 92 da palatofaríngeo, 55 da úvula, 55, 101, 309 deltóide e peitoral maior, 97 depressor(es), 112 do ângulo da boca, 60, 155, 302, 331 do lábio inferior, 331 e mental, 60 e orbicular da boca, 302 do septo, 302 do supercílio, 92 diafragma, 157 digástrico, 42, 90, 312, 336, 352 ventre anterior do, 110 posterior do, 155 dilatador da asa do nariz, 93, 301 na face anterior, 47 do estribo, 196
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    ÍNDICE REMISSIVO 375 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. do mento, 95, 97 do nariz, 93 do olho, 103 ações do, 103 vista lateral, 104 superior, 104 do palato mole, 100, 101 do pescoço, 105, 106 do pterigóideo lateral, 55 medial, 55 do saco lacrimal, 50 do tensor do véu palatino, 55 do véu palatino, 203, 309 dos lábios, 97 elevadores da mandíbula, inativos, 111 das pálpebras, 35 em forma de leque, 89 epicrânio, 91 eretores dos pêlos, 181 esfíncter da íris, 176 esplênio da cabeça, 42 esqueléticos, 103, 177 esternocleido-hióideos, 340 esternocleidomastóideo, 42, 89, 303, 311, 337 esterno-hióideo, 62 estilofaríngeo, 42, 176, 200 estiloglosso, 42 lesão de um, 100 estilo-hióideo, 42, 62, 312, 337 estriado cardíaco, 178 extensor longo dos dedos, 89 faciais, 18 flexor longo dos dedos, 90 frontais, 92 fusiformes, 89 genioglosso, 60, 100, 311, 332, 352 antagonistas dos, 100 seccionado, 156 superiormente, 57 gênio-hióideo, 60, 311, 332, 352 inferiormente, 57 seccionado, 156 glúteo máximo, 89 hioglosso, 100, 312, 336 incisivo inferior, 97 infra-hióideos, 88 largos, 89 levantador da pálpebra superior, 93, 105 do ângulo da boca, 47, 302, 330 do lábio superior, 47, 302, 330 e da asa do nariz, 301 do véu palatino, 41 liso, 87 longos, 89 masseter, 42, 59, 306, 352, 354 feixe profundo do, 110 superficial do, 110 fibras do, 111 terço inferior do, 109 mentais, 331 milo-hióideo, 57, 89, 311, 332, 352 nasal, 47, 301 oblíquo inferior, 354 occipital, 42 occipitofrontal, 91 omo-hióideo, 62, 90, 204 orbicular, 354 da boca, 330 do olho, 47, 50, 92, 354 ações do, 93 antagonistas do, 92 palatofaríngeo, 101, 309 palatoglosso, 100, 101, 309 papilares, 117 peniformes, 89 platisma, 97, 304, 313, 336 policaudado, 90 prócero, 49, 93, 301 pterigóideo, 34, 307 lateral, 35, 192, 352 anteriormente, 60 medial, 35, 60, 192, 333, 352 quadríceps, 89 da coxa, 89 quadrilátero, 109 reto, 27, 176 do abdome, 90 risório, 302, 304 sinergista, 90 supra-hióideos, 88 temporal, 20, 34, 42, 89, 354 tensor do tímpano, 42 do véu palatino, 35, 309 tireo-hióideo, 62 traqueal, 165 tríceps, 89 do braço, 89 unipenado, 89 zigomáticos menor e maior, 302 N Narina, dilatação da, 94 Nariz, 299 artéria dorsal do, 127, 301 músculo, 93
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    376 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. compressor do, 93 da asa do, 47 dilatador da asa do, 93, 301 levantador do lábio superior e da asa do, 301 na face anterior, músculo dilatador da asa do, 47 ósseo externo, 18 pele do, 188 raiz do, 71 Nasofaringe, 157 Navicular, 8 Nervo(s) abducente, 64, 176, 184 núcleo do, 185 acessórios, 27, 64, 177 alveolar(es) ântero-superior, 315 anestesia do, 315 médio-superior, 191, 316 anestesia do, 316 póstero-superior, 190, 309 auricular, 202 posterior, 199 auriculotemporal, 86, 191, 304, 337, 354 bucal, 309, 318 ramos do, 307 corda do tímpano, 40, 86, 198, 311, 353 cranianos, 175 origem aparente dos, 175 digástrico, 199 do seio carótico, 203 espinais, 174 espinhal, formação do, 174 estapédio, 196 estilofaríngeo, 203 estilo-hióideo, 199 etmoidal(is), 188 anterior, 37 posteriores, 37 facial(is), 91, 176, 184, 301, 303 e seus ramos, 196 fibras do, 185 ramos temporofaciais do, 86 faríngeo, 203 frontal, 187 glossofaríngeo, 28, 64, 176 ramo do, 41 hipoglosso, 28, 64, 177, 310, 336, 353 trígono do, 185 incisivo, 190 infra-orbital, 190, 301, 316 ramos do, 307 infratrocleares, 301 intermediofacial, 41, 64 lacrimal, 187 lingual, 191, 311, 318 ramos do, 317 mandibular, 33, 191, 307 anestesia de ramos do, 317 extrabucal do, 318 e seus ramos, 191 inervação do, 101 ramo do, 309 marginal da mandíbula, 354 massetérico, 191 maxilar, 33, 189, 316 anestesia de ramos do, 315 extrabucal do, 317 e seus ramos, 189 ramos do, na fossa pterigopalatina, 189 mentais, 191, 302 ramos do, 307 motor da língua, 204 nasais externos, 301 nasociliar, 188 nasopalatino, 190 oculomotor, 64, 103, 176 raízes do, 185 oftálmico, 64, 187 e seus ramos, 188 olfatório, 37, 175 óptico, 63, 176 orbitais, 71 palatino maior, 190, 316 menor, 190 petroso fibras parassimpáticas do, 307 profundo menor, 201 superficial maior, 41, 196 fibras parassimpáticas do, 308 superficial menor, 41, 201 póstero-superiores, 71 pterigopalatino, 190 pulmonares, 166 supra-orbital, 18, 187 supratroclear, 187 temporais profundos, 191 timpânico, 41, 201 tonsilares, 203 trigêmeo, 176 gânglio semilunar do, 41 neurônios aferentes do, 187 núcleo sensitivo principal do, 194 raiz sensitiva do, 183 ramos do, 315 tracto espinhal do, 183, 194 núcleo do, 194 troclear, 64, 103, 176 vago, 28, 64, 176 núcleo motor dorsal do, 185 ramo auricular do, 41 trígono do, 185
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    ÍNDICE REMISSIVO 377 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. vestibulococlear, 41, 64, 176, 184 zigomático, 189 Neurilema, bainha de, 178 Neurônio(s), 172 aferentes do nervo trigêmeo, 187 multipolares, 178 pós-ganglionar, axônio do, 178 pré-ganglionar, axônio do, 178 sensitivos, 178 unipolares, 178 Nó atrioventricular, 120 sinoatrial, 120 Noradrenalina, 180 Núcleo(s) ambíguo do nervo glossofaríngeo, 203 cuneiforme, tubérculo do, 183 de terminação, 194 do nervo abducente, 185 do tracto espinhal do nervo trigêmeo, 194 esponjoso, 194 gelatinoso, 194 grácil, tubérculo do, 183 gustativo, 200 mesencefálico, 195 motor(es), 193 célula motoras do, 195 dorsal do nervo vago, 185 facial principal, 199 parassimpático, 199 salivatório inferior, 203 superior, 200 sensitivo(s) do nervo facial, 200 principal do nervo trigêmeo, 194 significação e conexões dos, 195 O Obstrução das vias aéreas, 339 Occipital clivus do, 32 fossas cerebrais do, 62 Olfação, 14 Olho(s) abdução do, 103 antagonistas dos músculos orbiculares dos, 92 eixo anteroposterior do, 103 músculo(s), 103 ações do, 103 orbicular do, 47, 50, 92, 354 ações do, 93 vista lateral, 104 superior, 104 paralisia do orbicular do, 93 Ombro, articulação do, 81 Omoplata, 105 Opistocrânio, 73 Orbicular da boca, músculo depressor do lábio inferior e, 302 do olho, paralisia do, 93 Órbita(s), 14, 18, 67 ângulo súpero-medial da, 71 direita, vista medial, parede lateral da, 69 esquerda vista lateral, parede medial da, 68 vista superior, soalho da, 68 margem inferior da, 75 medial da, 92 músculo da, 92 parte anteromedial da, 103 soalho da, 18, 43, 54, 103, 189 teto da, 103 vaso da, 126 Orbitomeático, 14 Orelha cútis do pavilhão da, 92 externa, 14 parte triangular da, 72 média, 41 músculo do pavilhão da, 91 pavilhão da, 192 Órgão(s) da respiração, 165 do sistema respiratório, 165 hemopoiéticos, 115 tubular, 165 Orifícios arteriais, 119 atrioventriculares, 119 Ossículos do ouvido médio, 8 Osso(s) alveolar, 76 compacto espessado, 75 curto, 10 da calvária, 14 da cintura escapular, 8 pélvica, 8 da coluna coccígea, 8 lombar, 8 sacral, 8 da face, 8, 14, 56, 64 de suporte dos processos alveolares, 76 de uma articulação cartilagínea, 80 fibrosa, 79 do carpo, 10 do crânio, 8, 14
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    378 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. do membro inferior, 8 superior, 8 do pescoço, 8, 14 do quadril, 8 do tarso, 10 do tórax, 8 esfenóide, 31-35, 71 asas maiores, 33 menores, 33 conexões, 35 face(s) anterior, 32 inferior, 32 laterais, 33 posterior, 33 superior, 31 origens musculares, 35 posição, 31 situação, 31 vista anterior, 32 posterior, 31 esponjoso, 75, 295 etmóide, 35-38 conexões, 38 corte frontal esquemático, 36 face anterior, 37 inferior, 37 lateral, 38 medial, 38 posterior, 38 superior, 37 lâmina crivosa, 37 vertical ou perpendicular, 36 posição, 35 situação, 36 frontal, 17, 21-24 conexões, 24 face externa, 21 ou anterior, 21 face interna, 22 cerebral e posterior, 22 face orbital, 22 lâmina orbital do, 67 margem esfenoidal, 23 parietal, 23 supra-orbital, 23 origens musculares, 24 posição, 21 processo zigomático do, 74 situação, 21 frontoparietal, 15 hióide, 61, 88, 312, 336, 348 face anterior, 61 inserções musculares e ligamentosas, 61 margem inferior, 61 superior, 61 vista anterior, 61 interparietal ou sagital, 15 irregular, 10 pneumático, 11 lacrimal, 14, 37, 49, 71 conexões, 50 direito, 50 face lateral, 50 medial, 50 origens musculares, 50 posição, 49 situação, 49 longo(s), 9 corte frontal de um, 12 horizontal na diáfise de um, 12 lâminas epifisiais dos, 80 mandibular face póstero-medial, 58 vista superior, 59 nasal, 14, 17, 48, 79 conexões, 49 direito, 49 origens musculares, 49 posição, 48 situação, 48 occipital, 26-31 conexões, 30 face externa, 29 inferior ou exocraniana, 27 interna, 30 superior ou endocraniana, 27 margem(ns) anterior, 27 laterais, 27 posterior, 27 parte(s) basilar, 27 escamosa, 28 laterais, 27 porção basilar do, 183 posição, 26 situação, 26 occipitoparietal ou lambdóide, 15 palatino, 20, 35, 44, 52-55, 71 conexões, 55 direito, 52 lâmina horizontal do, 66 lâmina vertical do, 66
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    ÍNDICE REMISSIVO 379 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. vista posterior, 54 origens musculares, 55 posição, 52 processo esfenoidal, 54 orbital, 54 piramidal, 55 situação, 52 parietal, 24-26 ângulo esfenoidal, 26 frontal, 26 mastóideo, 26 occipital, 26 conexões, 26 esquerdo face externa, 24 face interna, 25 margem frontal, 26 occipital, 26 sagital, 25 temporal, 25 plano ou laminar, 9 pneumáticos, 10 sesamóides, 11 temporal, 38, 40 conexões, 42 eminências articulares dos, 112 fossa mandibular do, 82 origens musculares, 42 parte escamosa, 38 estilóide, 40 mastóidea, 16, 40, 92 petrosa ou rochedo, 41 timpânica, 39 posição, 38 situação, 38 superfícies articulares do, 83 vista lateral, 39 vômer, 55 conexões, 56 face direita, 56 posição, 55 situação, 55 zigomático, 18, 45, 48, 307, 344 conexões, 48 origens musculares, 48 posição, 47 processo temporal do, 39 situação, 47 vista lateral, 47 Óstio(s) atrioventriculares, 117 cárdico, 158 faríngeo, 164 ileocecal, 159 pilórico, 158 Ouvido médio mucosa do, 200 ossículos do, 8 receptores do, 173 P Palatino(s), 14 crista conchal do, 52 processo maxilar do, 54 orbital do, 32 segmento maxilar do, 55 vista inferior, 45 Palato, 153 duro, 65, 153, 308, 317, 344 mole, 153, 309, 346 músculos do, 101 Palatofaríngeo, músculos da, 55 Pálpebra(s), 92 fechamento forçado das, 93 inferior, ptose da, 93 músculos elevadores das, 35 porção medial das, 188 superior, músculos levantadores da, 93, 105 Pâncreas, 160 Papila(s) folhadas, 310 foliadas, 154 gengival, 292 gustativas, 310 ileocecocólica, 159 incisiva, 316 interdentária, 74 linguais, 154 voladas, 154 Paralisia do orbicular do olho, 93 facial, 93 Parede alveolar, 71 lateral da fossa nasal, 53 da órbita direita, vista medial, 69 lingual, 326 medial da órbita esquerda, vista lateral, 68 membranácea da traquéia, 165 nasal, 46, 72 Paris Nomina Anatomica, 2 Parte(s) mastóideas do ossos temporais, 16 nasal da faringe, 65 triangular da orelha externa, 72
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    380 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Patela, 8 Pavilhão da orelha, cútis do, 92 Pedúnculo cerebelar inferior, 183 médio, 183 Peitoral maior, músculos deltóide e, 97 Pele do nariz, 188 receptores da, 173 Pêlos ereção dos, 181 músculos eretores dos, 181 Pelve, plano mediano da, 159 Percepção do gosto, 203 visual, 176 Perfil de crânio, radiografias de, 73 Pericárdio, 119 cavidade do, 119 fibroso, 119 seroso, 119 Pericemento, fibras do, 76 Pericôndrio, 13, 301 Pericrânio, 14 Periósteo, 13, 301, 315 Peristaltismo, 157 Pescoço fáscia de revestimento do, 339 músculos do, 105 ossos do, 8, 14 Pés-de-galinha, 93 Pia-máter, 168 Pilar canino, 17, 77, 19, 319 pterigóideo, 77 zigomático, 17, 77, 296 Pirâmide nasal, 299, 347 Placa(s) motoras, 178 tarsal, 92 timpânica, 40 Plano horizontal de Frankfurt, 72 óbito meático, 14, 72 Pleura, 165 parietal, 165 pulmonar, 165 Plexo alveolodentário inferior, 193 cervical, 205, 303, 337 ramo do, 105 faríngeo, 309 intraparotídeo, 196, 304 pericarótico interno simpático, ramo do, 197 pterigóideo, 307, 329 simpático pericarótico interno, 307 timpânico, 202 venoso pterigóideo, 329 Polegar, articulação carpometacárpica do, 82 Polpa dentária, 210, 211 dos molares, 138 Ponte, 169, 183 Ponto astério, 19, 26 Bolton, 73 bregma, 19, 26 bucal, 20 condílio lateral, 19 estafílio, 20 frontotemporal, 17, 19 glabela, 17, 19 gnátio, 17, 19 gônio, 17, 19 ínio, 19, 20 interdental inferior, 19 superior, 19 lambda, 15, 19, 26 násio, 19 nasoespinhal, 19 opístio, 20 orbital, 19 pório, 19 ptério, 19, 26 zígio, 17, 20 zigomaxilar, 19 Porção mastóidea, 28 do osso temporal, 92 medial do túber da maxila, 70 toracolombar, 178 Pório, 72, 75 cartilagíneo, 72 ósseo, 72 Prega glossoepiglótica lateral, 154 mediana, 154 palatofaríngea, 101 palatoglossa, 100 peritoneal ampla, 158 Pré-molar(es), 57, 232, 319 primeiro pré-molar inferior, 240 canal radicular e câmara pulpar, 244 face lingual, 242 face oclusal, 244 faces proximais, 243 função, 241 irrupção, 241 morfologia, 242 oclusão, 242 raiz, 244 superior, 232
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    ÍNDICE REMISSIVO 381 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. canais radiculares e câmara pulpar, 236 face lingual, 234 face oclusal, 235 face vestibular, 233 faces proximais, 235 função, 232 irrupção, 232 morfologia, 233 oclusão, 232 raiz, 236 segundo pré-molar inferior, 245 canal radicular e câmara pulpar, 248 face lingual, 247 face oclusal, 248 face vestibular, 246 faces proximais, 247 função, 246 irrupção, 246 morfologia, 246 oclusão, 246 raiz, 248 superior, 236 canal radicular e câmara pulpar, 240 face lingual, 238 face oclusal, 239 face vestibular, 238 faces proximais, 238 funções, 237 irrupção, 237 morfologia, 238 oclusão, 238 raiz, 240 segundo, 322, 327 Pressão arterial, 176 mastigatória exercida sobre os dentes, 76 extremamente forte, 78 Primeiro molar inferior, 284 corte frontal, 266 sagital, 266 direito vista lingual, 263 vista vestibular, 262 permanente, 261 canais radiculares e câmara pulpar, 265 face lingual, 263 face oclusal, 264 face vestibular, 262 faces proximais, 263 funções, 261 irrupção, 261 morfologia, 262 oclusão, 262 raízes, 265 temporário direito vista lingual, 287 vista vestibular, 287 superior corte frontal no, 255 sagital, 254 esquerdo vista lingual, 252 vista vestibular, 251 permanente, 250 canais radiculares e câmara pulpar, 253 face lingual, 251 face oclusal, 252 faces proximais, 252 funções, 250 irrupção, 250 morfologia, 250 oclusão, 250 raízes, 253 temporário direito vista lingual, 282 vista vestibular, 282 Primeiro pré-molar inferior, 240 canal radicular e câmara pulpar, 244 corte frontal, 245 sagital, 245 direito vista lingual, 243 vista vestibular, 242 face lingual, 242 oclusal, 244 proximal, 243 vestibular, 242 função, 241 irrupção, 241 morfologia, 242 oclusão, 242 raiz, 244 superior, 232 canais radiculares e câmara pulpar, 236 corte frontal no, 237 sagital vestibular no, 237 direito vista lingual, 234 vista vestibular, 234 face lingual, 234 oclusal, 235 proximais, 235 função, 232 irrupção, 232
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    382 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. morfologia, 233 oclusão, 232 raiz, 236 Processo(s) alveolar(es), 18, 57 lâmina alveolar do, 321 externa do, 320 palatina do, 320 osso de suporte dos, 76 condilar, 59 coronóide, 59 estilóide, 16 etmoidal do esfenóide, 31 frontal, 18 mastóideo, 16 maxilar do palatino, 54 orbital do palatino, 32 palatino, 18 pterigóide, 20 do esfenóide, 351 face anterior do, 70 uncinado do etmóide, 52 zigomático, 18 da maxila, 71 do frontal, 343 do osso frontal, 74 Pronação, movimentos de, do antebraço, 82 Prosencéfalo, 168 Próstio, 74 Protuberância mental, 57, 77 occipital externa, 16, 29, 73 interna, 29 Pterigóideo lateral, músculos do, 55 medial, músculos do, 55 Ptério, 20 Ptose da língua, 352 da pálpebra inferior, 93 Pulmão(ões), 165 raiz do, 166 rede capilar dos, 121 Punho, articulação do, 81 Pupila, 103 constricção da, 181 dilatada, 181 Q Quadril, osso do, 8 Quarto ventrículo, 185 Quiasma óptico, 128 R Rádio, 8, 81 Radiografia craniofacial, fundamentos anatômicos para, 345-349 tomada radiográfica anteroposterior, 346 de perfil, 345 pouco penetrado, 348 lateral da articulação temporomandibular, 348 desdobrada de mandíbula, 348 panorâmica, 348 póstero-anterior frontonasofilme, 346 mentonasofilme, 347 submento-vértex pouco penetrada, 348 Radiografia dental, fundamentos anatômicos para, 295-297 tomada radiográfica no nível de canino inferior, 297 superior, 296 de incisivos inferiores, 297 superiores, 295 de molares inferiores, 297 superiores, 296 de pré-molares inferiores, 297 superiores, 296 Rafe palpebral lateral, 93 Raiz(es) da asa maior do esfenóide, 70 dentária, 293 descendente da alça cervical, 204 distal, 265 distovestibular, 253, 316 do canino, 330 do lábio superior, 74 do nariz, 71 do nervo oculomotor, 185 do pulmão, 166 dorsal, 174 dos dentes, 19 dos molares, 71 lingual, 251, 316 médio-vestibular, 190 mesial, 265 mesiovestibular, 253, 316 pré-molares, 71 sensitiva do nervo trigêmeo, 183 ventral, 174 Ramo(s) alveolodentários inferiores, 193 auricular do nervo vago, 41
  • 394.
    ÍNDICE REMISSIVO 383 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. colaterais ascendentes na fossa infratemporal, 136 cervicais da artéria facial, 132 da artéria carótida externa, 129 interna, 126 da artéria oftálmica, 127 da artéria temporal superficial, 133 descendentes na fossa infratemporal, 136 faciais da artéria facial, 132 na fossa pterigopalatina, 138 da artéria bucal, 307 infra-orbital, 307 lacrimal, 307 meníngea média, 25 mental, 307 supra-orbital, 22 transversa da face, 307 da faríngea ascendente, 28 do glossofaríngeo, 309 do nervo bucal, 307 glossofaríngeo, 41 hipoglosso, 204 infra-orbital, 307 lingual, 317 mandibular, 309 anestesia de, 317 maxilar, 307 anestesia de, 315 mental, 307 trigêmeo, 315 do plexo cervical, 105 pericarótico interno simpático, 197 etmoidal posterior, 188 extrapetrosos do nervo facial, 199 hemorragias de, 337 infratroclear, 188 intrapetrosos do nervo facial, 196 labiais, 190 laterais anteriores na fossa infratemporal, 138 linguais, 205 mandibular, 70, 348 acesso cirúrgico ao, 354 fraturas do, 352 meníngeo, 189, 204 da artéria occipital, 28 nasal(is), 190 externo, 188 internos, 188 palpebrais, 190 pulpares, 137 temporofaciais do nervo facial, 86 terminal(is), 199 da artéria carótida externa, 133 carótida interna, 128 facial, 133 lingual, 130 maxilar, 139 oftálmica, 127 temporal superficial, 135 tireo-hióideo, 205 zigomaticofacial, 189, 307 zigomaticotemporal, 190 Rânula, 353 Receptores da pele, 173 das vísceras, 177 do ouvido, 173 gustativos, 154, 173 sensitivos, 173 Rede capilar dos pulmões, 121 fibrosa supra-alveolar, 292 Região(ões) apical dos alvéolos, 76 da mandíbula, 76 gengivodental, 308 infratemporal, 337 lingual, cirurgia na, 353 molar, abcessos da, 331 palatina, 309 pterigopalatina, 136, 337 sublingual, cirurgia na, 353 submandibular, 336 submental, 312 superficiais da face vista anterior, 300 vista lateral, 300 supra-hióidea, 312 tonsilar, 308 Relação(ões) interdentárias, 291 ameia ou nicho, 292 gengiva, 293 incisivos e caninos inferiores, 291 superiores, 291 periodonto, 292 vestibulolingual, 322 Resíduo metabólico, 115 Respiração órgãos da, 165 porção de, 163 Retina artéria central da, 127 bastonetes da, 173 Reto, 159 Rima bucal, 97 Ritmo cardíaco, 181 Rombencéfalo, 168
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    384 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Rugas horizontais na testa, 92 verticais, 93 S Saco(s) lacrimal, 93, 188 abcessos do, 330 músculo do, 50 pleurais, 116 Sacro, 8 Sangue células do, 7 circulação do, 119 vasos condutores de, 115 Secreção copiosa, 181 pancreática, 158 salivar, 167 viscosa, 181 Segmento(s) broncopulmonares, 165 maxilar do palatino, 55 Segundo molar inferior, 288 corte frontal, 270 sagital, 270 direito vista lingual, 268 vista vestibular, 267 permanente, 265 canais radiculares e câmara pulpar, 269 face lingual, 267 face oclusal, 268 face vestibular, 267 faces proximais, 267 funções, 266 irrupção, 265 morfologia, 267 oclusão, 267 raízes, 269 temporário direito vista lingual, 289 vista vestibular, 289 superior, 284 corte frontal, 260 sagital, 260 esquerdo, vista lingual, 256 permanente, 255 canais radiculares e câmara pulpar, 259 face lingual, 256 face oclusal, 257 faces proximais, 257 funções, 255 irrupção, 255 morfologia, 255 raízes, 259 temporário direito vista lingual, 285 vista vestibular, 284 Segundo pré-molar inferior, 245 canal radicular e câmara pulpar, 248 corte frontal, 250 sagital, 249 direito vista lingual, 247 vista vestibular, 246 face lingual, 247 oclusal, 248 proximal, 247 vestibular, 246 função, 246 irrupção, 246 morfologia, 246 oclusão, 246 raiz, 248 superior, 236 canal radicular e câmara pulpar, 240 corte frontal, 241 sagital, 241 face lingual, 238 oclusal, 239 proximal, 238 vestibular, 238 funções, 237 irrupção, 237 morfologia, 238 oclusão, 238 raiz, 240 vista lingual, 239 vestibular, 238 Seio(s) carótico, nervo do, 203 cavernoso(s), 141 sulco do, 33 tromboflebite do, 329 da dura-máter, 139 esfenoidal, 32, 65, 70, 84 esfenoparietais, 141 frontal, 71 intercavernosos, 141 maxilar, 11, 42, 46, 71, 345 acesso cirúrgico ao, 354 soalho do, 296, 319
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    ÍNDICE REMISSIVO 385 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. occipitais, 140, 141 paranasais, 70 petroso, 27 inferior, 28, 141 superior, 141 reto, 140 sagital superior, 16 sigmóides, 16, 141 Sela turca, 32, 66 dorso da, 183 Semicélulas esfenoidais, 32 etmoidais, 23, 37 frontais, 23, 37 Sensação de amargo, 173 de azedo, 173 de doce, 173 Sensibilidade gustativa, 176 olfativa, 175 proprioceptiva consciente, 183 táctil, 195 térmica, 195 visceral, 178 Separação craniofacial, 351 Septo(s) cartilagem do, 301 interalveolares, 46, 293 interatrial, 116 inter-radiculares, 46 interventricular, 117 lingual, 99 mediano, 71 músculo depressor do, 302 nasal, 18, 36, 51, 346 Sifão carótico, 128 Sinartrose, 79 Sincondrose esfenooccipital, 80 Sindesmose tibiofibular, 80 Síndrome de emergência de Cannon, 180 Sinergismo, 186 Sínfise, 80 mental, 111 púbica, 80 Sino, dente de, 325 Sinostose, 14 Sinóvia, 80 Sistema(s) circulatório, 115-149 artérias, 124-139 conceito, 115 coração, 116 circulação do sangue, 119 esqueleto cardíaco, 119 forma, 116 morfologia interna, 116 pericárdio, 119 sistema de condução, 121 situação, 116 vasos da base, 118 divisão, 115 órgãos hemopoiéticos, 116 sistema linfático, 116 sistema sangüíneo, 115 linfáticos, 123, 146-149 tipos de circulação, 121 de vasos sangüíneos, 121 veias, 139-146 de condução do coração, 120 digestório, 151-161 anexos do canal alimentar, 159 boca, 151 dentes, 154 língua, 153 palato, 153 conceito, 151 divisão, 151 esôfago, 157 estômago, 157 faringe, 157 intestino, 158 esquelético, 7-78 cartilagem, 13 cavidades da face, 62 do crânio, 62 cefalometria, 72 classificação dos ossos, 9 conceito, 7 concha nasal inferior, 51 craniometria, 72 divisão, 7 elementos descritivos, 13 funções, 7 mandíbula, 56 maxila, 42 número de ossos, 8 osso(s) da face, 14 do crânio, 14 do pescoço, 14 esfenóide, 31 etmóide, 35 frontal, 21 hióide, 61 lacrimal, 49 nasal, 48 occipital, 26 palatino, 52 parietal, 24 temporal, 38 vômer, 55
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    386 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. zigomático, 47 periósteo, 13 substância óssea compacta e esponjosa, 12 vista anterior do crânio, 17 inferior do crânio, 21 lateral do crânio, 19 posterior do crânio, 16 superior do crânio, 15 límbico, 179 muscular, 87-114 classificação, 89 quanto à forma, 89 quanto à função, 90 quanto à inserção, 90 quanto à origem, 89 quanto ao ventre muscular, 90 componentes anatômicos dos músculos estriados esqueléticos, 88 conceito, 87 divisão, 87 inserção muscular, 88 movimentos mandibulares, 111 músculo(s) da faringe, 102 da mastigação, 108 da mímica, 91 do olho, 103 do palato mole ou véu palatino, 100 do pescoço, 105 origem muscular, 88 respiratório, 70, 163-166 brônquios, 165 cavidade nasal, 163 conceito, 163 divisão, 163 faringe, 164 laringe, 165 órgãos do, 165 pleura, 165 pulmão, 165 traquéia, 165 ventricular encefálico, 185 Sistema nervoso, 167-206 central, 167 anatomia do, 182 bulbo ou medula oblonga, 182 medula espinhal, 182 corte sagital mediano no, 169 origem embriológica do, 168 mesencéfalo, 168 prosencéfalo, 168 rombencéfalo, 168 substância branca, 171 substância cinzenta, 171 ventrículos encefálicos e suas combinações, 170 vesículas primordiais, 168 conceito, 167 divisão, 167 nervo facial, 195 núcleo de origem e terminações do, 199 ramos intrapetrosos do, 196 nervo glossofaríngeo, 200 núcleo de origem e terminações do, 203 ramos, 201 nervo hipoglosso, 204 núcleo de origem do, 205 plexo cervical, 206 raiz descendente ou superior da alça cervical, 204 ramo(s), 204 tireo-hióide, 205 linguais, 205 meníngeos, 204 nervos cranianos relacionados à odontologia, 187 nervo trigêmeo, 187 maxilar, 189 núcleos de origem e terminação, 193 oftálmico, 187 ramos do nervo maxilar na fossa pterigopalatina, 189 periférico, 167, 173 nervos cranianos, 175 terminações nervosas, 173 substrato morfofuncional do, 177 visceral, 177 aferente, 177 diferenças anatômicas, 180 farmacológicas, 180 fisiológicas, 180 funções do parassimpático, 181 do simpático, 181 organização geral, 178 Sístole, 117 Soalho(s) da boca, 151 fleimão do, 332 da câmara pulpar, 236 da fossa nasal, 53, 295, 319 da órbita, 18, 43, 54, 103, 189 acesso cirúrgica ao, 354 esquerda, vista superior, 68 das fossas nasais, 46 do seio maxilar, 296, 319 dos ventrículos, 168 muscular, 332 nasal, 346 orbitais, 351 sinusal, 296 Sofrimento, expressão de, 93 Sorriso forçado, expressão do, 95 franco, expressão do, 95
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    ÍNDICE REMISSIVO 387 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. Substância(s) branca do cerebelo, 186 do sistema nervoso central, 171 cinzenta, 178 do cerebelo, 186 do sistema nervoso central, 171 nutritivas, 13 óssea, 78 compacta e esponjosa, 12 Substrato morfofuncional do sistema nervoso, 177 Sulco(s) bulbopontino, 195 carótico, 33 cavernosos, 63 clivus, 27 da artéria meníngea média, 25 temporal profunda posterior, 39 distal, 217 do seio cavernoso, 33 gengivobucal, 309 gengivolabial, 309 gengivolingual, 293, 309, 318 infra-orbital, 43 intercuspidiano distolingual, 253 oclusovestibular, 252 labiogenianos, 301 lacrimal, 44, 343 lingual, 251 mediano posterior, 182 mentolabial, 302 mesiodistal, 235, 264 curvilíneo, 248, 286 milo-hióideo, 58 nasogeniano, 299, 306 nasolabial, 95 oclusolingual, 248, 281 oclusovestibular, 248, 257, 264 olfatório, 37 do etmóide, 31 palatino maior, 53 pré-quiasmático, 31 pterigopalatino, 190 seio sagital superior, 22 vascular(es), 22 da artéria meníngea média, 62 ramificados, 25 Supercílio(s), 92 extremidades mediais dos, 72 músculo corrugador do, 93 depressor do, 92 Superfície inferior do forame occipital, 73 Supinação, movimentos de, do antebraço, 82 Suporte dos processos alveolares, osso de, 76 Supra-renal, medula da, 180 Sutura(s) bregma, 15 coronal, 15, 26 escamosa, 80 frontal, 17 frontoparietal, 62, 73 intermaxilar, 19, 45, 65, 296, 349 internasal, 74 interpalatina, 65 interparietal, 15, 73 lambda, 15 lambdóide, 16, 26 maxilopalatina, 45 metópica, 17, 21 nasofrontal, 74 occipitomastóidea, 16 occipitoparietal, 73, 347 parietoccipital, 62 parietomastóidea, 16 plana, 79 sagital, 15 serrátil, 80 zigomaticomaxilar, 75 T Tábua óssea, 137 vestibular, 315 Tálamo, 195 Tálus, 8 Taquicardia, 181 Tarso, ossos do, 10 Tecido(s) adiposo, 124 conectivo elástico, 13 membrana de, 13 resistente, 13 vascularizado, 81 conjuntivo denso, 88, 117 fibroso, 119 frouxo, propagação das infecções odontológicas através do, 330 grosso, lâmina de, 99 intermuscular, 332 lâmina de, 88 membrana de, 168 periapical do terceiro molar, 328 subcutâneo, 331 submucoso, 331 fibrocartilagíneo, 85 fibrosos, 124 glandular, 177 muscular, 177
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    388 ÍNDICE REMISSIVO ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. tímico, 124 Técnica de Caldwell-Luc, 354 Tegmen tympani, 39 Tela subcutânea, 97, 339 Telencéfalo, 169, 172, 187 corte frontal, 172 vista lateral, 170 Tendão, 89 bucinatofaríngeo, 86, 96 pterigomandibular, 102 Tênias, 158 Tensor do véu palatino, músculos do, 55 Terceira vértebra cervical, 61 Terceiro molar, 57 inferior, 56, 270 superior, 259 canais radiculares e câmara pulpar, 261 face lingual, 261 oclusal, 261 vestibular, 261 funções, 260 irrupção, 259 morfologia, 261 oclusão, 260 raízes, 261 tecido conjuntivo periapical do, 328 Terceiro ventrículo, 170, 185 Terminações nervosas, 167 livres, 173 Testa, rugas horizontais na, 92 Teto da cavidade bucal, 53 Tíbia, 8 Timo, 124 Tímpano músculo tensor do, 42 nervo corda do, 40, 86, 198, 311, 353 Tono muscular, 87 Tonsila palatina, 154 Tórax, ossos do, 8 Toro tubário, 164 Trabéculas esponjosas, 76 Tracto(s) corticoespinhal, 182, 184 corticonuclear, 200 espinhal do nervo trigêmeo, 183, 194 núcleo do, 194 espinocerebelares, 183 piramidal, 182 Trágio, 72, 75 Trajetórias musculares massetérica, 76 pterigóidea, 76 temporal, 76 Trapézio, 8 Traquéia, 165, 339 parede membranácea da, 165 Traqueotomia, anatomia aplicada a, 339 Traumatologia bucomaxilofacial, anatomia aplicada à cirurgia, 351-354 Trígono retromolar, 59 Tristeza, expressão de, 95 Tromboflebite do seio cavernoso, 329 Tronco(s) arterial braquicefálico, 125 pulmonar, 118 braquicefálico, 139, 340 broncomediastinal, 146 encefálico, 171 linfático intestinal, 146 tirolingofaringofacial, 144 venoso tirolingofaringofacial, 337 Tuba auditiva, 14, 164, 200 parte cartilagínea da, 41 parte óssea da, 42 Túber, 43 da maxila, 55 porção medial do, 70 frontal, 21 parietal, 25 Tubérculo(s) anômalo, 251, 284 articular, 344 corniculado, 154 cuneiforme, 154 dentário, 214 do núcleo cuneiforme, 183 grácil, 183 faríngeo, 27 geni, 57 lingual, 271 mentais, 57 occipital, 28 Tuberosidade maxilar, 20, 43 Tubo condutor de alimentos, 163 digestivo, 181 muscular, 164 neural, 168 Tumefação da língua, 332 U Ulna, 8, 81 Úmero, 8, 81 Úvula, 153 mucosa da, 101 músculo da, 55, 101, 309
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    ÍNDICE REMISSIVO 389 ©Direitos reservados à EDITORA ATHENEU LTDA. V Valva(s) atrioventriculares, 117 bicúspide, 117 mitral, 117 Válvulas semilunares, 118 Vaso(s) alveolares, 71 ântero-superiores, 43 inferiores, 59 póstero-superiores, 43 condutores da linfa, 116 de sangue, 115 da base do coração, 118 da órbita, 126 faciais, 354 incisivos, 46 infra-orbitais, 18, 43, 71 linfáticos, 116, 301 mentais, 57 microscópios, 123 palatinos maiores, 44, 46 pulmonares, 166 sangüíneos, 13 tipos de, 121 supra-orbitais, 23 Vasoconstricção, 181 Vasodilatação, 181 Veia(s), 122, 139, 142 cava superior, 118 cerebelares, 140 comunicantes, 123 da faringe, 144 da língua, 144 dorsais da língua, 145, 310 emissária condilar, 143 esfenoidal, 143 mastóidea, 143 occipital, 143 parietal, 25, 143 emissárias, 16, 143 extracranianas, 16, 142 facial, 144, 336 comum, 144 frontal, 144 intracranianas, 142 comunicações entre, e veias extracranianas, 142 intra-orbital, 144 jugular anterior, 145 externa, 145, 304 interna, 28, 41, 143, 337 labiais, 144 lingual, 144 maxilar, 145 mental, 144 nasais, 144 occipital, 304 oftálmica, 64, 144 inferior, 329 superior, 329 profundas, 123 da face, 145 da língua, 144 propagação das infecções odontológicas através das, 329 pulmonares, 121 retromandibular, 145 satélites, 122 subclávia, 144 sublinguais, 310 temporal superficial, 86, 145 tireóideas, 144 inferiores, 340 Ventres frontais, 91 musculares, 90 occipitais, 91 Ventrículos encefálicos e suas comunicações, 170 soalho dos, 168 Verme cerebelar, 186 Vértebras articulação das, 82 cervicais, 8 lombares, 8 Vesícula(s) biliar, 160 contração da, 160 primordiais, 168 Vestíbulo bucal, 208 Véu palatino, 308 músculos do, 100, 203, 309 levantador do, 41 tensor do, 35, 55, 309 Vias aéreas, obstrução das, 339 biliares, 160 Visão, 14 Vísceras abdominais, 176 receptores das, 177 torácicas, 176 Viscerorreceptores, 177 Vista medial, 40 Vômer, 8, 36, 55, 66 Z Zígio, 75 Zigomáticos, 14